Filosofia

Sérgio Brasil & Elmo Ricardo
seansool@hotmail.com www.elmopensamentocritico.com.br

04
NOITE
cs’ - 110612

Mimeses
Para Aristóteles representação.

agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que o perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele já sabe, já viu, já fez.

mimeses

é

Kant e a Ética do Dever
Se a razão prática tem o poder de criar normas e fins éticos morais, tem também o poder de impô-los a nós mesmos. Esta imposição Kant chama de dever. Essa exigência é denominada por Kant imperativo categórico, ou seja, é uma determinação imperativa, que deve ser observada sempre, em toda e qualquer decisão ou ato moral que venhamos a praticar. Em outras palavras, o que Kant quer dizer é que a nossa ação quando correta deve ser tal que possa ser universalizada, ou seja, que possa servir de exemplo, que possa ser realizada por todos os outros indivíduos sem prejuízo para a humanidade. E por que nós realizamos atos contrários ao dever e, portanto, contrário à razão? Kant dirá que é porque a nossa vontade é também afetada pelas inclinações, que os desejos, as paixões, os medos, e não apenas pela razão. Por isso ele afirma que devemos educar a vontade* para alcançar a boa vontade, que seria a vontade guiada unicamente pela razão. Kant faz da idéia do dever o centro de sua filosofia moral. Um ato moralmente bom se funda no interesse absoluto e resulta do dever cumprido simplesmente pelo dever. Uma ação moralmente boa obedece unicamente à lei moral estabelecida pela razão prática, Uma ação moralmente boa é aquela que se realiza em conformidade com o dever (imperativo categórico) é independente de qualquer outra influência. Resulta, pois, de uma vontade, autônoma e livre, isto é. Daí Kant afirmar que a virtude consiste na “força moral da vontade de um homem no cumprimento do seu dever”. Mas poderíamos questionar: E se agirmos apenas por dever?

Representar a realidade por meio da fantasia, sentimento e emoção. Algum fato acontecido ou inventado. Para Aristóteles, o homem possui uma tendência para imitar. Imitar é representar, por certos meios – linhas, cores, volumes, movimentos e palavras- coisas e ações, com o máximo de semelhança ou fidelidade. Proporcionar a semelhança da obra com a realidade. Valoriza a obra de arte em função de sua semelhança com o real (verossimilhança). Imitar é Simular.

 

Indústria Cultural e Cultura de Massa
Esses conceitos estão no seu mais conhecido trabalho, a Poética. Ou seja, para Aristóteles mimesis é representação. É um termo difundido por Adorno e Horkheimer para designar a Indústria da diversão vulgar, cultura baseada na idéia e na prática do consumo de "produtos culturais" fabricados em serie. Significa dizer que as obras de arte são mercadorias, como tudo o que existe no capitalismo, veiculada pela televisão, radio, revistas, jornais, música, propaganda e etc. Através da indústria cultural e da diversão se obteria a homogeneização dos comportamentos, a massificação das pessoas; A falta de perspectiva de transformação social levou Adorno Horkheimer a se refugiar na teoria estética, por entender que o campo da arte é o único reduto autêntico da razão emancipatória e da crítica à opressão social.  Mais um detalhe importante enquanto função da mídia contemporânea na deformação de mentes e intelectos: a dispersão da atenção e a infantilização. A indústria cultural vende Cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e

Para Kant natureza humana é uma natureza racional. Essa natureza racional deve se sobrepor aos instintos, retirando o homem do determinismo natural e introduzindo-o no reino da liberdade moral, mesmo que isso implique o sacrifício de sua felicidade pessoal. Não nascemos com o dever, não nascemos com a vontade espontânea de fazer as coisas corretas, com valores, fins e leis morais, muito pelo contrario.

1

além da proporção.” (CHAUÍ. 3- a) um sistema misto de democracia semidireta.) na medida em que o individuo é levado a não meditar sobre si mesmo e sobre a totalidade do meio social circundante. e) o aprimoramento da formação cultural do individuo e a melhoria do seu convívio social pela inculcação de valores. Texto adaptado) Rousseau. na simetria e na ordem. É nula toda lei que o povo diretamente não ratificar. somos submetidos a causalidade necessária da natureza. os braços muito longos e as mãos maiores que os pés.” (COELHO. e) um regime comunista no qual o poder seria extinto. certa esquisitice. XV. Quando as duas estátuas foram colocadas nos altos pedestais do Paternon. 1- “A cidade de Atenas promoveu um concurso para a escolha da estátua da deusa Atena. A outra. Tendo por base a concepção aristotélica acerca dessa relação. transformandose em mero joguete e em simples produto alimentador do sistema que o envolve. O que é industria cultural. os braços e as mãos se tornaram proporcionais ao corpo. pois em ambos ocorre a) um processo de democratização da cultura ao colocá-la ao alcance das massas o que possibilita sua conscientização.. Editora Brasiliense. Do Contrato social.. p.) Ao tornar o voto obrigatório. Convite à Filosofia. Os deputados do povo não são nem podem ser seus representantes. não é moral se comparado ao sufrágio livre.folha. não passam de comissários seus. de atitudes conformistas e pela eliminação do debate. Uma delas era uma mulher perfeita e foi admirada por todos.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult 510u356288.J. “Adorno e Horkheimer (os primeiros. (. a estátua grotesca tornara-se perfeita. 284. em contrapartida. 108-109) Adorno e Horkeimer consideram que a indústria cultural e o Estado fascista têm funções similares. cap. livro III.uol. que leva o individuo a perder ou a não formar uma imagem de si e da sociedade em que vive. a ser instalada no Paternon. impulsos. na década de 1940. Texto adaptado) O exemplo citado no texto acima ilustra como os gregos na Antiguidade concebiam a relação entre arte e natureza. consiste essencialmente na vontade geral e a vontade absolutamente não se representa. 2“A soberania não pode ser representada pela mesma razão por que não pode ser alienada. assim como as diferenças entre cidadão e súdito. em detrimento da capacidade de reflexão. pois no mundo sensível temos apenas uma imitação da verdadeira realidade que se encontra no mundo inteligível. desejos e paixões (e costumam ser mais fortes que a razão). o local em que seria instalada e como seria vista. Abril Cultural. O que predomina em nós são os instintos. b) não se preocupou em reproduzir uma cópia fiel da deusa Atena. A estátua grotesca foi considerada a boa imitação e venceu o concurso. c) a democracia direta ou participativa.). pois a cabeça. b) o desenvolvimento da capacidade do sujeito de julgar o valor das obras artísticas e bens culturais. b) a constituição de uma República. p.. a estátua perfeita tornarase ridícula: a cabeça e as mãos de Atena pareceram minúsculas e desproporcionais para seu corpo. 1973. por isso a deusa poderia ser percebida diferentemente por cada um. constrangido pela lei. Marilena. na medida em que este produz divergências no âmbito da sociedade.. 33. ao representar a deusa Atena. pois as leis seriam elaboradas pelos deputados distritais e aprovadas pelo povo. texto adaptado). mantida por meio de assembleias frequentes de todos os cidadãos. podemos dizer que a estátua grotesca venceu o concurso porque o escultor a) imitou a deusa Atena considerando que para uma obra ser bela tem de ter. para Kant. dependendo do lugar onde fosse colocada. p...shtml. São Paulo. assim como de conviver em harmonia com seus semelhantes. (. Podemos afirmar que o voto obrigatório. nada podendo concluir definitivamente. d) reproduziu a deusa Atena tendo como padrão de beleza o imaginário popular da época. há uma identidade entre ser livre e ser moral. Dois escultores apresentaram suas obras. 1987. c) tomou como parâmetro. c) o aprimoramento do gosto estético por meio da indústria do entretenimento.” (Disponível em http://www1. resultado da deliberação de um sujeito autônomo.com. o voto livre deve ser defendido por razões filosóficas. era uma figura grotesca: a cabeça enorme. que apreciava figuras grotescas. São Paulo. 2003. Teixeira. J. e) representou a deusa Atena levando em conta que o belo consiste na proporção. de algum modo é reduzido o grau de liberdade que existe por trás da decisão espontânea do cidadão de ir à seção eleitoral e escolher um candidato. O poder das emoções em nosso comportamento é a parte da natureza exercendo domínio sobre nós. em absoluto. onde eram vistas de baixo para cima.” (ROSSEAU. na qual os deputados teriam uma participação política limitada. Editora Ática. ao negar que a soberania possa ser representada preconiza como regime político: O autor do texto se manifesta contrário ao voto obrigatório e justifica sua posição tendo por base a 2 . por isso fez um cálculo matemático das proporções entre as partes do corpo. não é lei.Somos animais. 4- “Em minha opinião. a utilizar a expressão “industria cultural” tal como hoje a entendemos) acreditam que esta indústria desempenha as mesmas funções de um estado fascista (. d) um processo de alienação do homem. São Paulo. a ideia de que o belo é relativo ao gosto de cada pessoa. no qual atuariam mecanismos corretivos das distorções da representação política tradicional. d) a democracia indireta. E.

o individuo ao votar constrangido pela lei não age moralmente porque a) a ação praticada não foi livre. sem aprovação de sua vontade. d) sua ação foi praticada por imposições do Estado e favorece candidatos desonestos. que podem comprar votos. mas sim motivado por ideologias partidárias. a praticar um ato cujo móbil não é o princípio do dever moral.Ética kantiana. na medida em que uma ação verdadeiramente livre deve visar à felicidade do individuo e não ao interesse do Estado. e) agiu por imposição da lei jurídica e não da lei moral. 3 . b) é forçado. c) o seu voto não foi fruto de uma escolha consciente. Do ponto de vista de Kant. que requer que sua escolha esteja comprometida com interesses externos ao sujeito.