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ee ete ae oe eer ed Peete nr eee nar eect pees eer ae eine erent Siren need See eee et Some erty eet ee ree eee ens Reet ence eres me anes ees tempo proud plo dacs. Mesa que ce ts ngitics spree ci eee ere eee nn etn estan i ate rarent nt et ee er ed eee rn eee tener eer ey Prenat eran Pancreat eee Perea eee ener ere eee taey ate eee ere eect ery ee erence nets . l i José Luiz Fiorin inborn dee « Angad a radigho qrunatal recomhecsse ve alguns ementos lings, por exenga, oF demons bos posse uns epesiidade rel a otros ckmento da ng, com base os ests ir ios de Brveite akan, x mite a cena enn fo na contigo do dicaro, A runciaglo &0 alo prt dod un ese ato dia mre 0 Se ito. Nola instars aso, emo eoespze lingo pi x © intala cam 2 tonada da alarrapurun sun aor & 0 momento da fala © 0a € 0 espugo Jo faane. Pain dese és ele nentos,onfanizam-se todas as eis de se eg go Be oe eta do aba hos don nde dog eps ia chamur una Liga. da nung, ea minsontmente 3 extegras de pss, epg ¢ eo en) ports, examinando or nossa ing a orgie vas panies un tb nao, vey, dum a, ana, de na paca frente, ccts fits di ut (por exemple, 20 dxinguir spo lgisineepuotpi;a0 Jerever 0 ie temper np arti das formas extents pa sever temp as de um uno de regis semis n= estas pea formas tenor de ro, porque examina WAC due, iors de capa import 0 ergs o parse simplemente oorados Pela quase tale de sss grams or exe & mneiinca dos te. José Luiz Fiorin , As asticias da enunciactio ~-AS CATEGORIAS DE PESSOA, ESPACO E TEMPO Editor Miriam Goldfeder Bahor-assistente CClaudemir D-de Andrade Preparagio de texto ‘Thereza C. Pozzoli Revisio FFitima de Carvalho M. de Souza Samir Thomaz Projeto gritico ¢ editoracio eletrnica ‘Voga Planejamento Grafico-Visual Capa tore Bottini 8H/URt_/ RIZ6)51 6398290 ree couse Abace (SBN 8508 06019 x 1996 “Todo oF distor reservados pel aitra Aca Rua Bario de Iguape, 110 ~ CEP 01507-900 ‘Tel: PABX (O11) 278-9322 — Fax. (O11) 277-4146 Caixa Postal 8656 - End. Teegritico “Bomsivr 0 Paulo (SP) A meus pais, que me ensinaram 0 sentido da palavra dever. Meus agradecimentos & Fapesp (Fundagdo de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo) pela bolsa de P6s-doutoramento no exterion, durante cuja vigéncia arte deste trabalho foi realizada. gu see Sumario In principio erat werbum 41, Dos principios tesricos (objeto da Lingisticn A emimeagdo veces ‘Aatividadedicursiva ‘A insnca lingulsticapessupota ‘A insinca de iestauraio do so {a instalagio de pessoas, espogos eters) 2. Da pessoa ‘A pessoa demarada ‘A pessoa mulilicads ‘pessoa vars 1 pense sbverida ‘A essoatrarsbordada ‘A pessoa destbrada 3. Do tempo ‘tempo domirade O tempo demareado O tempo sistematizado ‘Dos tempes yeas Dow advdrbios as peposigdes as congas © tempo tansormado (0 tempo barmonizado © tempo subvert (tempo desdobredo 4. Do expago ‘Oesparo dominado ‘espago demarcado © espago sstematizado ‘Dos demonstaivs e dos advéios espaciis lingticos propriamente dios Dos avérbiosespag-aspectuis das preposies espaco tansformado espace subvert espago desdabeado Conclusbes . Biblioprafia In principio erat verbum ( empo€ pea da Ferd (Pl Cleuel) No principio era o mito!. Depo surge a fego. Mas tare ainda aparece a cigncia. A medida que esta vai ganhando especifiidade, separa-s tanto do mito quant da fegao, Comega a combat®-os. E © principio da realidade em lua conta o do imaginério. No final do sécilo XIX, havia uma crenca absolut na cifacia, a cerceza de que ‘erraicaria 0s mitos do mundo; de que faa tiunfar © principio da tealidade, afastando os eros as superstiges,associados 20 mito ‘de que o esd positivo deixaria nas bramas da Hisira os estados, teol0gico e metafsico. Hoje os mitos, depois de teem sido declara ‘dos mortos, esto bastante vivos. Nos subterrineos, nutrem a fics, ‘a utopia ea cigncia, Nao se trata aqui de, em nome de um iracionaismo muito em ‘Yopa mesmo na universidade, critica a cigncia, desmoralizé-la,des- rer dela, mas tio-somente de revonecer que literatura, lugar por ‘’xceléncia de expresso dos mitos na modernidade,é uma forma tio boa de conhecimento quanto a ciéncia?. Nao se quer fazer apolo- fia do pensamento mitico, cuja principal caracterstca, segundo Lotman, € ser incompativel com a metifora (1981, p. 141). Com feito, para um cristo, por exemplo, & uma blasfEmia dizer que o io €o vinho simbolizam o corpo de Cristo, pois, para ele, eles 0 S30 verdadeiramente. O que se pretende & mostrar que 0 mito. extraido do meio em que ele ¢, constitu uma explicago do homem para agui- 0 st Se cise lo que inexplicave, que significa que é uma simula do conheci mento de ca cultura a respetn dis grandes questées com que 0 ser Jhumano sempre se debated, 1380 possibilita duas leituras do mito lama temitics, ealizada pels eféneia, e uma figurativa,feita pel ae essa forma, 0 mito iiga o pensamento cientfico ea realizagto a \tica, continua a alimentar todas as formas de apreender a realidade, Mas por que & permanncia do mito como algo em que se cxé «que dispensa a mediagao da ciéncia eda arte? Explicitemos melhor uma idéia exposta no pardgrafo anterior. O mito & uma explicacio das origens do homem, do mundo, da inguagem: explica o sentido da vida, a more, a dor, condigio humana, Vive porgue respond & sngstia do desconhecido, do inexplicvel: di semido aguilo que no tem sentido, Enquanto a cigncia no puder explicar a rigem das coisa e seu sentido, havers lugar para o pensamento mitico. Serd ‘que ess ideal se tomar realidade um dia? Dificilmente, Como se dard conta dos novos anseios, das novos deseo do ser humana? Precisamos das utopias, que, Sendo uma espécie de mito pé-cons- ‘ruido, 18m a funglo de organiaa ede orentar futur. Depois dessa introducdo um tanto amibigus, que reconbece importincia do mito como nutrient da eincia eda arte eo seu papel na organizagio de uma sociedade com vistas a constuir 0 futuro mas, ao mesmo tempo, fem uma cert prevengéo quanto vsso no metafriea do mito, ebrucemo-nos sobre o mito com que nossa civ lizagao explica a rigem da linguagem, para verifier quais so as quests que ele, af hoe, coloca para & Linguistic, “Todas as sociedades im uma arava mitica para explicar 3 ‘origem da linguagem e a divesidade das lingua, Esse mito, no que concere as cvilzag es que poderfamos chamarjudaico-ristis, esta na Biblia. HA quatro episddios nas Eserturas que tratam da ques- {Wo da linguagem: encontram-se no Antigo Testamento 0s relatos da spss * Niovamosr ds sinc, sss dsigem os ona pse peas pn visa nr do on de vitae. Devens tesempe prs gu ma een "is" (cuncii a ean- on) pr, oo mista Buns), "eda ens mac, ins ninco mm examen coi um elene medl e cnen. «sow Tocca, mest fra nbz dei, wa ep tla coisa € cer como aN us dun ld xi ab de a" 979.80, Tams do quem pss de ni dos temos "eget ea ‘aso “ues epciamente insta, page comin, corm x ‘doing ei nar inca, eno Diam La Peso de Bas rena © ero spens reo cs de cxpstiod wo ue asame apa no ica, Esa pe i: prose en go ua ga eb ot pis actus do uo «do Destress iis "t- of Bars, Kp.) No moe ade mar owe a ‘Steam enna que eee, Bn itis pode er a expla Nocmao.etsenpe esa qu nda rpms evita resis slo dpi dum rmcdr ue i pds ew bape ns Aigo des ditingo verde Dut (87, 161-21, Pa Ds leat oma 60 epost dena, pss como exes, one dena rs ee inguin sa nai Fale gee fev opronme eves cura mus de inci ess] Oe desi oe, eerie oe, ee rr — me ga ds ese cid dias ra ess ut, a ac ge fee, st al en pac recom os Se cam 9, pen > tudo cme auc s gc ve ue 3 rapide ms word acin (S, p.182), Nooo dei ly que 0 gue Duc cua le ms ‘aan paras Pa is ear msi Compote Mainguencn (985. $80 digo ade mea te dois ‘0 de darn ose, pies spc meu ae eprom et Regis 0 ue dso mete Nip en ogee eg pu ‘ape, sin red faces chumames no ine live esa mai de fara diene de ete, tm wa or Gena ech aie de, acid pr igo us ds rose ain, 179.160, "posses fas om ode ts pi, Owed oes tho oven de vara mend Fi ys 3g ci ial, poe pe meni ea ino. fora region dps senor ena cdo Aeamapeao como ar ean pce "An comidet ct wav de men doen ue € pio sneer 3 ssriiciacom oto camo cnc poe obi erm ts ‘qe porn ua fora com "aun epi ese pes O40 rome hg ¢ pens poses de un sn cam ep Ue ea € a "Vp gi aj i et pol em” ramos cam ponmes ua tannen epenaem psn 3: dames domi tae epee o ate mcm item ene Inno e2 ret, dima as Yaar) qe ei a a sen espe. Noy ab eu, er cmidrlseege, prt 3 Aamcom sepa pee burmese ve mat ds? Dunne epee dam Tames? “© atc embar u, m ialano oi eve panei dunt opie fei, ue learn fee ex ao pia ee comin, capo agli lic, tio roma Deon fo, 98,167) bam ere gue ‘lon éd pes cs. > mre, Os emt go as peer esa en rages“ poms dea dans oe as ale, Mae Ns res, pose and wa, ai" el ets oun “watinés emesis” 126 ss wc be ts "Em os sis, ttamem po ifsc ex mai. Qu sap {ab ama psn qe nn pce nse de occ pra lapusmors dep ages ion conse gee fp de sas reciept pv. "Mt dient, ma ver gu rama de embege 9p dic (exer pl: "como vis mg eo) Nose ne, tac unin eu Sidr eran) isin gu 0 jus pene ead made qu o tex it imple Nee cao, ne abe cama rato ps eo nods tambo aa “Qo in deat, ed, conn uma co ines iva ¢ em grat sei, sus. peaco sn oly qu she Ad iia fon em do syne de ques, Econo cana, que gee bun, ane tal ice ecu te. eng hchs Yun urna] wd 2 deta” 535), "reat pr tmp. de quem diner coped emi. o obser £0 cum ricpleqe,mdiweso pragma cag, la nate ‘yon peleiao muta do cus, dei rina geo coma mn dae cm sexier nata, pm ee. A ‘nic do adore apes pel ever cn etl (198.9. 47, "Nin ann pla oposa pr Feanile(98 9.2) e ge bso ‘ccs emfoaliad peter asitene ease pppoe ei «da epi prise 0 mon coo pegs se os as 20 deer tua um pur cate um st Em ct la pli one» cuir ema (Chae zm, pue tii dum acta goo ass vis. "Sia is sind tables um Sete ds ies, comm gn ene (187988). Nio se reo bo oem aren do herr da osapens aguas inated ue dei ere sate Os ois evita pie se ects (0 que ae em Dg de Mi Bao em ie ot mos fay reas i eas, rid pots vita em den (ins (Goque ate quo um on devises ou qa ee pail} lee (gue un orig auto) (nerds gunn rs vs pus confi pr ua compen wal dun seer) Os noes fan sos por Fen Nese can Gent, no set de uma roa qu ela, ms ea eth “nem ade rata pos sm is evi dal ab nei ex priciio loses. ran segunda fre a ees gi infra ga ck ua 172 p25) c 3. Do tempo (uid et ry emp? Si nemo ex me guaea, sco ‘i quzern exlicare ulin msc (Santo Agostino, Conic, XI, 17) 0 tempo dominado Levenpset inva, aie re duo (Bere) (© homem sempre se preocupou com o fem, pos pensé-o sig- ‘iffea ocupar-se da fugacidade e da efemeridade da vida eda inexo- rbilidade da mort. No principio eram os mitos. Entre os hebreus, ‘Deus riou 0 tempo, ao crar mundo: no primeiro dia riow o dia ¢ a noite: Desde: “Fags sh” arse. Des vt gua urea beep 3 Taz eas, Chao ada eis ie ou faa rk e9 math. Pie dines 35). No pantedo greg ii Mnemosyne, a Mem, que preside tam- ‘bém a fungio postica. Forma com Lethe, 0 Esquecimento, um par de forgasreligiosas. Mnemosyne preside & poesia, porque esta vai re- Tatar 0 que aconteceu outrra, na idade primordial, Como mostra j ‘Vernant, j dea eri ¢ bjt de vem, xaos rl ft do shred sire, nr eure lo 30 te (97, p82). {E814 orga gue aia as do epost sn vio (1737.59. 108 ete de cme [Mais tard, hao desenvolvimento de uma mitologia de Chronos, ‘© Tempo, a lado da de MInemosyae. Nas eogonis érficas, Chronos «esténaorigem do cosmo, pois gera Ovo csmico que, a0 se pati, {4 origem 20 eu e terrae far surgit Phanes,divindade erm frodita, que coscilia a oposigiio macho-fémea (ef. Vernant, 1973, P. 88-9), Insiste Vemant em que no podemos equivocar-tos sobre 0 alcance da divinizapde de Chronos e, por conseguinte, sobre aim portincia dada ao tempo nesses teogonias: “O que é sacralizado 6 0 tempo que nio envelhece, o tempo imontal e imperecivel, cantado nos poemas érficos sob 0 nome de Chronac agéraos”. Esse Chronos Aivinizado 6 um “prinefpio de unidae e permanéneia”,constituindo, pois, um “negagio radical do tempo human”, que € uma “orga de instabilidadee de destuiao, presidindo, como Paro o proclamava, a0 exquecimento eA morte” (Vernant, 1973, p. $9). Essa divinizagdo do tempo, airma Vernant, que acorre por volta do séeulo Vil, parece estar relaconada & percepeto da incompati- bilidade de um dominio da experiéncia temporal, o da existn ‘humana, com a concepgdo antiga de um devi ceca, Isso acontece fem fingo do abandono do ideal herdco e do advento de valres relacionados a vida afetiva do individuo (prazeres, emogbes, amor, belera, vente) e, portant, submetidos as vicissitudes da existin~ cia humana. No periodo areico, as geragdes humanas sooedian se Por meio de uma cireulagdo incessante entre mors e vivos. Por con seguinte, o tempo da existéncia imograva-se no tempo ciclico do ‘cosmo, Jé com os novos valores, o tempo ¢ ido como uma forge de estrus, que aufna tudo 0 que &tdo coma euftrieo. A fatalidade dda monte mosira a iereversibilidade do tempo bumano (Vera 1973, p. 89.90), Depois veio a filosofia. Entre os muitos filésofos que trataram {do tempo escolhemos dois: Aristéeles, porque o analise como wm fendmeno fisico, Santo Agostinho, que o estuda como um fen ‘meno que no tem um suport cosmoldgico mas que se di no esp ‘to humano, Aristoteles, na Poética, fala explicitamente do tempo apenas ‘uma ver. Quando compara a tragédia com a epopeia, diz queadife- renga entre elas reside na extensio: aquela deve encerrar-se, f= to quanto possivel, no tempo de uma nica revolugto do Sel ou no ulirapasi-laseno um pouco; esta nfo ¢Fimitada no tempo (V. 12-16 —1 449 se be Quando o Estagirita fla em tempo na Poéica,concebe-0 como n0 fico, natural, c6smico. Por iso nio € a Poéicao lugar ide anasto. Fle 0 faz na obra apropriada, a Fisica (IV, 10, 2184 4 ‘220b). Depois de mostrar as difculdades a respeito da existncia © “danaturez do tempo, nega qu ee seja movimento Di, no eman- “to, que ele nio exist sem a mndanga nem sem 0 movimento, Equa {do Sol houvesse um interval de apenas ma hora. Nesse caso, para formar um di, seriam necessisia 24 evolugies do Sol (Agostisho, XXIII 20) Seo dia fosse medido ao mesmo tempo pelo movimen toe pele duracio, poder sia dizer que houve dia tanto se Sal f- ‘esse su revolugdo em uma hora quanto se o Sok parase eescoasse ‘um tempo igual Aquele que ele leva para compleur seu curso, de ‘uma manhita outra (Agostino, XI, 30), Isso signifi que € pre iso saber mio o que € 0 dia, mas 0 que € 0 tempo, o que nes permi- tied dizer que a evougdo do Sol foi completa na metade do tem- po habitual Agostinho nega que o tempo seja © movimento dos compos ce lestes, jf que Deus pode pararo movimento dos astra e, ainda as- sim, o tempo continua (XXII, 30), Agostinho dstingue o tempo do ‘movimento, mosirindo que se pode falar do tempo sem referencia, ccosmolfgica. A nogdo de distenio (extensio) sevird de substiuto para esse suport cosmoldgico do tempo: "Vejo, pols, que o tempo & ‘uma espécie de extensao” (XXII, 30), E pelo tempo que se mede @ ‘durago do movimento de um corpa, dem ponto inci a umn pont final: Por outro lado, pelo tempo mede-se também seu repouso. 130 permite coneluir que © tempo no € © movimento de um corpo (Agostinbo, XXIV, 31). Tavez se possa dizer que a medida seja 0 tempo: “Assim o mavimento de um corpo é uma coisa, ours & a du ragdo desse movimento, Quem ndo sente a qual das duas nogdes deve ser aribuido o nome tempo?” (Agostinho, XIV, 31). A medi- dda pressupce um termo de comparagio, que, para Agostino, ni €’sté no movimento dos corpo, j que se medem tanto movimentos ‘quanto paradas. Nesse ponto, novamente, ele confess sa igor cia @respeto do que seja.o tempo, mesmo sabendo que seu discus sobre o tempo transeorre no tempo (XXY, 32). bs ¢ 6 movimento de um corpo pelo tempo, mas como se ‘© préprio tempo, em que 0 movimento opera? Nenhum fsico oferece uma medida fxa de comparac20. en asi Se haa un ma foto: veo mas uo p= enc ps fr vi x logan een E50 ms BO is pea A even eles i hp ht ‘conseguintc, 6 restaconeluir que a extensio do tempo & stentio anim (extensio da sla). Mostra Ricoeur que Azos- ois esa resolve a questzo do ser que nio tem sere aguela, 0 ‘a extenstio do uma coisa que nao tem extensio. Val pensar, trilo presente como distentiac a dstentio em fungao do tr ‘Diz ainda o ilsofo frances que esse € trago de ge “Quando se mede o tempo, nio s€ mede 0 futuro, pois no é ‘em o presente, que nio tem extenso, nem 0 passado, pois , mas 0 tempo enquanto passa, no o tempo que passou dnho, XXVI, 33). Nesse ponto, Agostinho diz que aponta 2 da verdade (XVI, 34) comprovar que € no transcurso que se mede 0 tempo, 0 I6- dr tds exemplos relatives a som: Jn som comoga a ressour € ressoae ainds ressoa, pra de soar, -silfacio. O som & passado e no hd mais som (ua ila prae la eat et non est iam nox). Antes de Soar, era futuro (fuura erat) 0, nfo podia ser medido, pois no era ainda (nondum era. © memento em que ressoava que pods ser medido, mas mesmo (sed et tne) no esta imvel (non stab), ae passava (har ‘bat E no passado que Agostinho fala do futuro (futura ‘mesmo da passagem (iba et praeteriat) do presente, 0 que fet gue a passagem é distinta do presente pontual, pois aguela ‘num certo espago de tempo, que permite medi, enquan- presente no tem extensin (XVI 34), Estabelece-se uma outrahipétese, em que nlo se falar da pas- ‘no passado, mas no presente. Um som comega a soar e soa adc) continvae ininterruptamente. Mede-se esse som en- Ho soa (dum sonat), pois quando tver cessado (cessauerit) no ed ser medido, porque jd ter passado (iam practeria erie, por * As tes cigs ‘emasgunte jf nko sea (et non ert) Fala-se da parada do resoar no futuro anterior (cessauerit). A questio da quantidade do tempo & enunciada no presente (Metiamur plane et dicamus quanta sit). Mas, ‘se. som essa ainda, ndo se pode medi sua passagem, jf que € pre cio que cess, para que tenha um comego e um fim e, portato, um, imervalo mensurdvel (Agestinho, XXVIL, 34). Mas se se mede somente 0 que passou, case na aporia anterior, uma vez que © que passou no & mais (Agostao, XXVIL, 4), A questo adensa-se 'Nio se medem os tempos que ainda néo si, nem os que nio sto ‘mais, nem os que mo se estendem sobre nenhuma duracao, nem 0S «que no tf limite, © que quer dizer que no se medem nem o futuro, rem o passado, nem o presente, nem o tengo que passa E, no ea to, mede-s o tempo (Agostinho, XXVI, 34) Mas nko se sabe como, preciso, eno, procurar um meio de medi termgo que pasa quan do passov ¢ enguanto continua. Essa ser a fungio do eSlebreter- ‘eiro exemplo, que fala da recitagio do verso Deus creator omnium, de Santo Ambrdsio. ©) O verso citado ¢ composto de quatro sabas longas e breves que ‘se allernam. Cada longa dura o dobro do tempo de cada breve. Sabe- se disso porque sto articuladas ees fata € testemunhado pelos en tds de manera evidente (Agostinho, XXVIL, 35) Aaltemdncia das longas e das eves introduo elemento de comparagio necestio, para a medida (Agostinho, XVI, 34). Se breves elongas tfm essas ‘aracteristcas por compurayo, como podemos aplicar uma sobre ‘utra com dois espagos. para compari-las, se uma ressoa depois da ‘utr, © que significa que, quando uma comega a soar, a outrajé no mais? Por outro lado, a que passa no pode ser medida enguanto passa, mas depois de acabuda. No entanto, acabada nio & mais (Agostinho, XXVH, 35) E preciso reter (tener) 0 que passa, para fazer a comparasao, A aporia permanece se se pens, como se fez ros dois exemplos anteriores. que 0 que se mede so as préprias sflabas, ito 6, as coisas passadas ou futuras.O que se mede, na ver- dade, € algo que esti na memiéria, medem-se vestigios do passado € signos da espera O terceito exemlo reintroduz 0 que 0s dois outtos tinham ignorado; a meméra ea espera. "N3o slo, portant, elas, qo |}4ndo slo, que mego, mas algo que permanece impresso em enh ‘meméria” (Agostinho, XXVIL, 35), Medir 0 tempo no tem nada & ver, pos, cam © movimento exterior. Na verdade,€ no esptito que “7 elemento fixo que permite comparar tempos curios € longos swentigio, nota Ricoeur, o verbo importante nio passa (prae- Jas permanecer (muere) (1983, p. 37) 35 aporias(aenigma, na linguagem agostiniana) —a do ser er 8 da medida do que no tem extensio — slo resolvidas contaste ete a pasividade da impresstoe ativiade do es- to (XKVII, 36). Retoma o exempl da declamagio em seu din smo masta que o ato de recta oscla ene ma espera do que foi dito e uma ema do que 0 foi, até que (donee) & en scaado, | [alesesm veo a pit aq ecco ogee ein gu ernie, eae 0 rece a 0 Ras a0 ain quo co dmc oar 0 gp epoaneno ae al eet, XV, 6) __Observa Ricoour que o presente muda de sentido, no é mais um ‘nem mesmo ponto de passagem, € uma imengdo presente (in- presen). Ota, 2. aenso (atenti) pode ser consderada inten- ‘modida em que a passagem pelo presente € uma passagem ‘ot seja, em que o presente no ¢atravessado, mas, como se viu U, 36, “a intengdo presente pura o futuro para o passado, a umentaro passado com diminuigao do futuro, a que com gotamento do futuro tudo seja pasado” (1983, p. 37). ‘Un dimini (minuitur aut consianitr fanurum)e 0 outro aumen- reset praeteitum) porque no esprito que faz essa passagem tres operagies: a espera, a atengdo ea meméria, de forma © objeto da espera fassa dante da atengio e se transforma em ga (Agostinbo, XXVUL, 37) A espera ea memsiia esto no © como imagens-vestigio« imagens-signo. O presente, quan- Pass, se reduz um ponto, expressio da auséncia da extensio € tempo, No entanto,& medida que fz passr, em que € atencio, se encaminha para 0 no sero que af ai pasar, tem ums continua, “Mas é2atengdo que perdu, por ela encaminha- a As enim separa no ser mais © que nola pasari (Agostinho, XXVIII, 37). Portao, no sio 0 futuro e o pasado que so longos, pois eles no ‘existem, 0 que tem extensto slo a memeria ea espera, que est0 na alma como irspressio(affecto). Perna i ong eng aur. pre no & mis mong fa ne Tonga espero arene ogo emporium & mau op rei aa len mia do eet (Agen, XVI, 7 (© exemplo do canto ambosino (Agostino, XVII, 38) marca ‘ aniculagio da teoia da distenta animi com a do tiplo presente, ‘que, coma observa Ricoeur, reform em termos da tripla inten lo, “far: brotar a distentio da intenioesilhacada” (1983, p. 39) (oer carr can, ue obi de ss de coma nh ea sted se pao ind. asin gue comes toque ar psd pnb ee. ‘a> tbe su maha meni Tals mis wade ore en ea as Sees: € mena rea queue pra ei ge di. No nat, ih tro eaness presen orl ue ae om sat, Enso misao foe a mas rei se pela eo fer tga espe seep com ena ago ase psa pa neni Ages. XVI, 38) [Esse parigrafo mostra a interagdo da espera, da meméria ¢ da “tengo. Afirma Ricoeur que no se train mais de imagens-vestigio rnem de imagens antecipantes, mas de ume ago que abrevia a espera along a meméria, A primeira esti voltada (tenditur) para o que vir, segunda, para 0 que passou. A tensio da atengio consste na passagem ativa do que era futuro para @ que se torna passido ‘A distentio €.entio, a nlo-coincidéncia das tes modalidades de a0 (Ricoeur, 1983, p. 39). A impressio (affectio) €, pois, a contraparte passiva da propria “tensdo” do ato, o que permanece (mane) ne dda que “[.] recitamos em pensamento poemas, verso, dscurses" (Agostinho, XVI, 36). A atvidade engendea a passvidade que distingue em imagens-vestigio ¢ imagens anecipantes, Os ts tem pos dissociam-se no s6 porgue os ats ndo so coincidentes, mas Tambeém porque no 0 sHo as passvidades que produzem (Ricoeur, 1983, p05, Hi ainda algo a considerar no pensamento sgostinizno, A rfle- Xo sobre o tempo surge no quadro de uma meditagio sobre © ti meio versiculo Jo Géness: In principio fect Deus [..]. Bessa medi- tagdo que val introduzir a especulago sobre o contrast entre 0 tem- 9 sta € anterior iguele. Caracteriza-e a eternidade sete temo (itu esse parsons — Agosinho, XI, 13) de (simul stant) em oposigho bscessBo ("LJ ¢ veja go, por mais longa que ej, 86 ¢ longa pela sucesso da XI, 13) €instabilidade do tempo ("[..]¢ compare com mobilidade dos tempos" XI, 13). 3, 0 abandonar um suport cosmokigico do tempo e 80 texperiéncia do tempo no espinto por meio de signs (ima- -vestigio ¢ imagens antecipanes), deixa de interesarse pelo sic e caminha na direeo da reilexdo sobre o tempo ling s- 20, Com efeito, a linguayem no somente & a prova de que o areu- 0 oétco nko subsite, mas também & o qve propicia a0 home encia temporal, na medida em que +6 quando o tempo € se- pode o ser humano apreendé-10 medi-lo, A idéia de re- -que preside & organizago de tempo lingUisico esti bem pre- ha especulagio agostiniana. Sem agora, nfo existe entio, ‘io havia tempo, no havia também ento” XI, I). Com: 20.0 fempo com a etemidade, di: “Tew sesso coma uae sano renova ca da, ume ese je ‘stunk asi cone a suede aus elem es hoje € temporal fora do quad signico gerato peta do espinio. Mais ainda, a0 mesmo tempo que Agontinbo di © trplo presente para resolver a aporia do ser do tempo e da do tempo, para explicar enigma da medida que no tem ex- fo. rhogaa distingo ene temporaizaso roprameate dita zado do tempo. A primeira diz espe 3 aplicagio de categoria opolgicaconcomitania vs ndo-conconiidncta (an ioridade vs poseriridade) aum Jado momento derefeéaca ov, terms agostnians, 2 ndo-oineidéuia dos us prsenes em 6 20 rans momen da enunciago, ramos ns) quando © to aden, hi conconitincia com 0 momento da enunciago; Jo menini, hi anterordate, quando expecta, hi posterori- dade. A segunda concere trnsfomgao de ads em rocessos, Sia 2 atvidade de um actanteobservador qus v8 a agd0 come mucha", um “desenrolar’, que pode ser ponual ou darativo, iv ou nio-pefectvo, et. (Grease Courts, 197, . 22) an/nee 0 arse tains 00, segundo a especulagdo agostiniana, A medida do tempo. Assim ‘como os problemas do sere da medida do tempo slo distintos, mas, se aticulam na relagdo ene o triplo presente e a distentio animi, ‘emporalizagi easpectulizasto sto categorias gramaticasdiferen- tes, mas esto intinsecamente relacionadas, ji que esta € uma so ‘redeterminacdo daquela eo processo,embora send temporal, 5 & apreendido em sua aspectulidade! ‘A temporaizasio manifesta na linguagem na discursivizago das ages isto &, na narrago, que ¢ 0 simulacro da ago do homens ‘no mundo. Aj se mosirao que est pasando, 0 que no & mais, 0 que anda no ¢, ado presentficado na linguagem, A narrativa exprime sucessBes,amtecipagbes, lembrangas, insailidades... Como j@ nota- 1a Ricoeur, “o exemplo frigil do canticusrecitado de cor trni-se de repente, no fim da busca, um paradigma possante para outa ‘ctiones em que alma tensa sofre uma distensio" (983, p. 4). Eo que eprops tdo o cimio pods pr can wade usa pct «a ua de ss sls oes oa pur ua as nga, ge 0h ‘ko sme uen yr; mesa frm pads la hoe i ps ‘Soto as pes homer dt mesma oma fra ti de so eg mamas cos paso os isd arse (Age, XVI. 38) Diz Ricoeur que, nessetrecho, “estévintualmente desdobradoto- 4d 0 impéo narrativo: desde o pooma até a hstria universal, pas- sando pela histria de uma vids itera (1983, p, 41). E preciso, no entanto, ir mais Jonge nessa questio da narratividade. Agostinho ‘sboga aqui uma definigdo minima de narativa considera j4 e0- ‘mo discutso. Independentemente de sua dimensio (poema, parte do oem, vida inter, histria universal), uma narativa € uma trans formayo (pela qual 6 levado o que era futuro, para que se transform ‘em passado) corelacionada a um antes © um depois (por exemplo, dst er dicturus som), Esa teoria naratva fica mais clara quando anaisamos « opo- siglo entre tempo e eternidade. Nesta, no hf maratvidade, 6 que ‘io hd um anes e um depois (“Fis que o c&u ea terra existe, ela- ‘mam que foram eriados, porque mudam, variam. Ora, quando uma coisa no foi eriadae, no entanto, existe, no pode ter em si nad. «que anes no exista, pois isso seria a marca da mudanga © dt 92 Flagio™ Agostinho, IY, 6). uma vez que, fora do tempo, naa ha ago (CO que fazia Deus antes de fazer o céu ea terra? [.,] antes de fazer ‘0 céue a terra, Deus mio fazia nada” Agostinho, XM, 14). O tempo ui a medida em que é uma incidéncia na permanén a descontinuidade que se introdu7 na comtinuidade da cter- Ble feito quando Deus cra o mundo, ou ej, ¢engendra- alas Pergunta Agostino: Quomode fecst, Deus, calm (Como fizzste, 6 Deus 0 fu eta” V, 7) A respos pyran, alse ees fram eras; fizese-s com tua pal Me (V1. A respostsengendra nova interogae¥o: Sed quomode “ist Mas como disseste" VI. 8)? 0 Verbo &etemo saa i sen ed nt wit de a i et fa cons poss srw Gnome encanto «Shue tenon nga erm eta tec 9) {O agumcio agosiniano para mosrar que ocibs so fits 0 ‘erg gue Des no poder ter cid ouiverso& manera de um porque © univers no existiaenguanto Taga em qUe pl Ser anles que fos ito de mans 8 se. , "Mo evidnemente nm no cu nen ar ue oe ne tr ee Mini saroo mr pnp prmc sor ter fo io | escsvcnn pena tpl pave te ts io te potge dete N eros cme quien tractus em Avera o mando, Deas rao tempo, espa es Sere isto 6, “as capris da ennclago surgem ao sere nunca, Tam 0 to entice tempo, esogone pss. Sé qe, Pa i uma dferengsfondarent ent o Vertu dino os Bete isnrn Encs sto sabmtios a0 tempo; ace & eterno; ste deaparecen: acl permunece | Mas cepa sas avs or tah fom a ei sess denote dae oe on fms connote cee at [sre ter ne, shai dem, em new ech, oa oer pa © am ngs aaa de Dens perme cinder tear V8). ___De fato, uma teria do discurso deve distinguir 0 discurso fun- “dador mito, que n2o se castti em oposigfo outro, do discurs0 ‘Posterior. que, submeido &temporalidade, foja-se em relagio polé- “Mics com outro, “Como se observou, hf em Agostiaho um ntido embrido de uma ‘bora lingbstica do tempo, ov mais precisamente, de wma teoiadis- ‘ursiva da temporalizagio, A marcha da refiexio sobre 0 tempo co- “Mega como mito, di lugar & filosofia, que estabelece as bases da 1 sts ci ‘comoreensio do tempo fico, o pereeber a sutileza ea complexi- ‘dade dx experincia temporal humana, desemboca na anliselingis- tea. © trapo ¢ uma categoria dalinguagem, pos 6 itrinsoco & nar ago, mas cada lingua manifest-0 dilerentement, O tempo demarcado Poder cre qu a tempura nat 2 poset, Ne ead ela proce ne pls enanciag. Da enacig rece instarao dctegr do presen da cateoria do preset nace acer do emg, Benes) ‘Mostra Henveniste que uma coisa é stuar um acontasimento 00 fempo crdnico® e outra & inseri-o no tempo da Kngua, Pa ele, 0 tempo ingisicn¢ imedavel sea ao verpo conic, sia w tempo fisico?. Dessa forma, o linglista francés considera que hd wm tempo ‘especifico da lingua (1974, p. 73). Que & que distingue o tempo lingUistico das outras nogdes do po? ‘qr oenpo tings d snug aca iad 0 xe std ala qn define orn cono une do dcuso. Ese ego ‘exam —um em, ao mest tempo, ed ac —no presen i> sind fla Beenie, 974.73), 0 discurso instaura um agora, momento da enunciagso, Em con- \taposigdo ao agora, cria-se um endo. Esse agora 6, pois. 0 funda- ‘mento das oposigSes temporada ling. 0 tempo presente indica a contemporaneidade entre 0 evesto narrado © 0 momento da narragdo. Mas, como nota Benveniste, esse presente, enquanto fung30 do discurso, nao pode ser loealizado em ‘nenhuma divisto particular do tempo erdnico, é que ele as admite todas e, a0 mesmo tempo, nfo exige nenhuma, Com efto, © agora €reinventado a cada vez que o enunciador enunci, é a eada ato de fala um tempo novo, ainda no vivido (Benveniste, 1974, p. 78), Se o agora & gerado pelo ato de Tinguagem, desloca-se a longo 4o fio do discurso permanecendo sempre agora, Tonta-se, portato. tum eixo que ordena a categoria topoldgica da concomitdncia x8 ro- concomitincia. Esta, por sua vez, articula-se em anterioridade vs posterioridade_ Assim, todos os tempos estio intinsecamente rel 13 Jost envnciag30. © momento que indica a concomitinca ene ‘e narrado permanece ao longo do discursoe, por isso, & thar do narrador sobre otranscurso. A partir dessa coincidencia, ‘das ndo-coincidéncias: a anerioridade do acontecimento 0 0 discurso, quando aguee jf nfo € mais e, por conse- deve ser evocado pela memra, e sua posterioridale. ou seja, ainda nio & e, portato, surge como expectaiva’, Assim. fe posterioridade sio pontos de vista para tr © para vem relagio 20 momento do fazer enunciativo. O eixo orde~ for do tempo 6, pois, sempre 0 momento da enunciagio. Como ‘Benveniste, essa parece ser a experiéneia fundamental do ‘sua maneira, do estemunho, Ela cos paticulares e notadamente sua formal (1974, p. 75). 30 ag € um empo em que wm cu tora a para a orga lnglistica do tempo, como a das demas categorias da enun- Jo, pa etmar uma expresso de Herman Pare (1988, p. 146), 3 Cabe lembra,porém. que a temporalidade do enuncia- aceita como sua pelo enunciatrio. O agora do enunciador & 0 ido enunciatrio, A condigso de ineligibilidade da fala reside de que a temporalidade do enuncindor, embora lteralmente / inacessivel a0 enunciatitio, & identificada por este tem- que informa sua propria fala quando se tora por ‘0 tempo do discursonio é, asim, reportado Bs divises ‘ernico nem fechado numa subjetividade solipista. A in- eo lnguistica, que pressupie uma trocainersubjetiva, wansfor- os ingtnic de pect em onspeou (Benes, spendentemente Jo tempo erdnico. No entano, dois problemas. O primero aparece quando a recepg0 no A prodocio (por exemplo, uma carta). Nesse caso, um come hoje nao € mais signo do present lingistico em sen- 9 estrito, pois o letor nk pode, a rigor, precisar quando foi pro- J que, podendo ser dit em qualquer dia do calendo,apli- indiferentemente a todo e qualquer da. Eno, meio de tr eis os marcadores do teripo lingifsticn & ancoragem ivisio do tempo cronico, por exemplo, a data. A mesma coisa pessoa eo espago, ou sea, as categorias da enunciagio m ser identificadas pelos parceiros da toca lingiistica. Caso Ma tebe smi cottriti, devem ser ancoradas num ponto determinad de um con junto de coordenadas actanciais ou espago-temporais para poder ‘omarse inteligives. No caso do tempo, a ancoragem faz-se na junglo entre impo linguistico e tempo erbnico (Benveniste, 1974, 77), Por outro to, a temporalidade ingistica& muito bem dem cada em suas tr aniculagbes € muito limitada em cada uma dels, ‘Tomemos o exemplo do hoje. O tempo linguistico entrada no hoje 6 pode ser deslocado para rs e para frente em duas distincias- oer elo si zona de sata nega obo sn, coin © de ombe vee, ab 2 vr, eal fl nivel obs em pcm ge cud. (VOR p. 8), Todos 0s verbos grifidos indicarn estos ou transformapes que Mino momento de referEncia presente, um agora, que Se passa is horas do dia 8 de junho. Como o momento de reeréncia€ um fo preciso, hd coincidémia entre el €o momento da enunciago"®, dative, quando o momento de referéncia & mais longo ‘o momento da enunciagio® A duragio ¢ varivel, pode ser pequena ou muito longa. Ade- ls pode ser continua ou descontinua. Quando for descontinns, © presente iterativo; quando for continua, temas o chamado e continuidade: 150 ssi do acs ‘hin aula. Fag uma gid reaptalag des maida dara ec treWGR p17) © momento de referénca € 0 tempo de duraglo de uma aula. E mais longo do que © momento Ja enunciag3o, mas, em algum mo- mento, € simultinen ele, 0 tempo do acontecimento (a recapitula ‘o) coincide com o momento de referencia: eam, "eel Mason eb ¢ And Maus si Jin Green (VOR P25, (© momento de referéncia & um ano, 0 tempo do estado, “é" coincide com ee: Nese mii, shunatidae progres mata, © momento de referEncia € um milénio e o tempo da transfor- ‘magio, “progride" coincide com ele; ‘As sb a0 doings sts posers crannwnuma siee tea € musical E no jain espaol Kon sob 8 eels Rane e Moise (Ge p 25) (0 momento de referéncia (sdbados e domingos) repete-se. Por conseguinte, também o faz 0 momenta do aconteeimento organizar «ler, Hi, portant, uma coincidéncia entre cles. No entanto, nose rete 0 momento da enunciagio. Este € um s6 e coincide ape- ‘nas num determinado ponto com o momento da referencia: no pre sente da enunciaglo a reiteragio enunciada ocorre. Temos aqui © presente itertivor ‘Seguin wa iio american, ee cumpas exams rsa comer a canara deste rnc dis VE, 9.25) (© momento de referencia comega aqui num dado momento do ‘tempo (primeiro dia) eprolonga-se até 0 momento da enunciagio. O ‘tempo do acontecimento (“comesam a confratemizar" coincide com 4 continuidade do momento de reertncia. Este coincide no momen- to atual com o momento da enunciagS0. Temos, nese caso, um pre semte de continuidade. 3) presente omnitemporal ou gnimico, quando © momento dereferén- «i ilimitado e, portant, também o € 0 momento do aeontecimento Ist presente wilizado pura enunciar vordades eternas ou que se ‘como iis. Por iss, & a forma verbal mais uilizada pela pela eligto, pela sabedoria popular (méximas e provérbios oda hips ga ma gua dos cates. momento de referéacia € um sempre impliito, Coma © mo- do estado ("€") coincide com ele, o presente omnitemporal que 0 qudeado da hipotenusa & sempre igual soma do qu ‘ates, Nos dois exemplos abaixo, a relacio ene 0s dois esse presente endimico: proverbs e mi 192 ss tS cine ‘Temos, nesses casos, a oposigdo entre um presente omnitempo- ral e um presente durativo. Aliés, no easo de estados, a oposicho serestar tanifesta, sezundo Mira Mateus ¢ outos (1983, p. 136-42), uma dicotomis entre predicadores individuals e predicadores de ma- nifestagdes temperalmente limitadas de individuais. Em portuguts, wa-se, em geral, prneipalmente na linguagem oral, o presente progreswo (presente do indicative do auxliar ear + gerindio) para expeimir 0 presente atual Boguecsun dead ‘Assim, wma das formas de opor o presente atual ao presente ge- nérico (rativo ou omnitemporal) é valer-se do contraste entre 35, formas do presente simples ¢ do presente progressivo: ora, ma gor rgd B) O pretérito perfeito 1 marca ume relagio de anteriridate entre 0 ‘momento do acontecimento & o momento de referéncia presere: 2 de jn [| Sou mit snes re haan abr aver ae menos is Yes pr emanate overs go geno date demi. Ci odes ano comm plo camps cme nee alt tein ds mers dh riverside Mutas dss mops fore 90 evar es "alguns quai ornanea ao cn deli sm arg (VOR, 197) (© momento de referéneia presente 6 um agora que ocorre a20 de juno. Em relagdo a ele, 0 momento dos aconecimentos (*habituar- se, “andar caminhar,“almogar, “ie” “levar",Yeseuar” ¢ anterio. E preciso notar uma diferenga existente entre 0 portuguss ¢ ou- tras Tinguas romanicas, por exemplo, 0 francs, 0 italiano e 0 £0 ‘meno, no que conceme a0 uso do pretérito perfeito. Benveniste jé mostrara (1974, p. 238-45) que, em francés, a diferenga central ene ‘© passé composé e 0 passé simple, que ele denomina aorst, 6 que «este € um tempo da historia, enquanto aquele € um tempo do seu 86. O passé composé indica uma anteroridade em telaglo a0 pre~ ‘sente; 0 simple, uma concomiténcia em relagdo a um momento de referencia pretéito, Em romeno, a literatura, o passado simples ¢ © ;passado composi tm os valores explicads acima (Academin, Gr ‘matica Academic, 1963, 1, p. 239, Avram, 1986, p, 177) Em italia 1, apesar de esses tempos serem chamades passato remota © pas 183 2 terminologia inadequada, jé que se diz due ami fi an- jn Seas © Dio ha creato i! mondo (Serianti, 1989, p. 471-3), idéntico a0 do francés © do romeno. Como 0 tempo mais usado falada € 0 passado composto, porque. em geral, a conver- rordndria est referida ao momento da enunciag, nessas lin- “opassado simples vai desaparecendo, mesma nos textos esrios, ‘ubsttudo pelo passado composto acompanhado de certs» culas temporais, que configura. para Weinrich, 0 apaeeimento ‘ou “analitco” (1989, p. 137-8) em portuguts 0 pretérito perfeito simples conserve vada a sua de, porque o tempo composto correspondente no tem proprs uma fuga temporal, mas sim aspeetual. Com feito, se edi tem lido af tarde neste més”, “tem lido” localiza @ inicio do ccimento num momento anterior ao momento de referEncia pre- ee, 20 mesmo tempo, indica sua contiuidae no momento pre- essa forma, tem um valor aspectual duratvo (contnuatvo ow 0) e inacabado. Por isto, o pretérito perfeito simples acunula portugués das Funge:anterioridade em relago um momento Je eleréacia presente e concomitincia em relagio a wm momento de cia presto, Temos, por conseguinte, do ponto de vista fu: ois pretéritosperfeios: 01, que é tempo do sistema enuncia- {6 02, que pertence ao sistema enuncivo,O passado composto 56 feu valor de anterioridade em easos muito restitos, para ‘um fato que acabou de ocore. Por exemplo, um rade tet- seu diseurso dizendo “Tenho dito”. D) 0 futuro do presente indica uma posterioridade do momento do simenio em relaga0 a um momento de referencia presente, ern tes agra ga prszade far o sepeno sees de 194. Alga per aera iene pa tein cnn (VGR p. 198). © momento de referencia agora & 20 de junho de 1984, Em elo a ele, “permanecerio” indica uma posteroridade do momento eontsciment ‘Costuma-se dizer que existe uma oposicio passado/fuuro, que evocar 0 futuro & luz do passa, hfe mui gentler, set ramen ala Na verdade,nesse cas, no hi uma oposio passade/fauro, mas ‘pasigdo presentefuturo. Com efeito, o enanciado no passido vo sai dacs Im un enuncgh peente do ip amo caf mat ‘omigo”. Essa enunciagdo pressuposta constitu o momento de ‘eferéncia® 6 em relagto a ele que se wliza 0 futuro do present, © valor temporal do futuro determina que, a menos que a pro- Posigio exprima uma verdad atemporal, ele nko pode express ‘uma modalidade facial, pois seu valor de verdade nio pode ser de- 'erminado no momento éa enunciago. Por eonseguinte,atniea pos sibildade de fazer assergdes no futuro depende da avaliagao que 0 cenunciador faz da necessidade, probabilidade possibilidade ou im possibilidade da econéncia de um dado estado de coisas. O futur. fem portugues, indica um efeito de ums causa de cuja verfieagio ‘depende sua oconréncia ("Se ainflago no fr debelada haverd uma ‘explosio social”) assinala que a orasdo em que ocome € 0 conteido ‘proposicional de um ato ilocutéro comissivo ("Suro que este crime ‘io ficaré impune"), mostra como contingent 0 estado de coisas escrito (“Com esse trio, chegaremos atrasidos”) 0 futuro indi- ca também que se considera necesséra, impossfvel ou altamente provavel a ocorréncia de um dao acontecimento num moments pos ferior ao presente, embora, neses casos, 0 portugues prefia 0 Pre sente do indicativo, A ndo-factualidade dos acontecimentos expres- sos pelo futuro faz com que haja ele sempre un valor modal acopla- ‘do ao valor temporal (Mateus e outros, 1983, p. 118-23), Normalimente,diz-se que o futuro pode ocupar 0 lugar do impe- ‘ativo na expressdo da ardem. No Decilogo, por exemplo, temos “Nao mataris”. Ese valor derivado alcanee temporal endo modal do futuro. Como a ordem incide sobre acontecimentos posterires ent relacio ao momento presente, o futuro pode substiuir imperativo™ (Os tempos enuncivos ordenarn-se em dois subsistemas: um cen trado num momento de referencia pretritoe outro, num momento de refestncia futuro, (0 primeiro subsistema & 0 seguinte: eae = ect ee ed ed a4 ee toms we EQ pa rm tee Gat ao = fae Iss Ito cco cs scans araes wt Bipeca yo pos areata pl po Peeps patie Eros, le cm es coger slr ne oh tee ee BNE eae cin it was ce aarectca cs Pinko poaiio pam 2 lias pce ee gered gia te Fee to nd, nests dave os Bs secede oes tore aoe oe eon sperm," oh comes poe re ojos osm geno oaeacoc hop Pips rth ve como sad como inp pon ac rds to pres ode ¢ prt Ie prove mtr voc cue ¢u moran FHI Ss apo ma cot ca long ounces aye ele. a "No.2 de comb, 0 Sena uo 0 resent Cllr pera dar pe as Novi de dct «Sean cles pes Clipe de ii que tanto “condenou” quanto “condenava" indicum conco- cia em relaclo a um momento de referéncia pretvito (29 de abo de 1992). No entanto, no primero easo, considera-se a aio mo algo acabado, com uma descontinuidade (um ponto) na con- Timiidade do momento de referEnca , poranto, como algo dintmico, ¥isio do exterior, no segundo, a ago &considerada como inacabads, esttco, visto do interior, durante seu desenvolvimento. © Como 0 impereito tem um valor durativo ¢ a duratividade pode continua ou descoatinua (teratividade), 0 imperfeto pode tanto KPresar um fato que se repete no pesado quanto um flo continu > passado (0 chamado impesteito deseritivo) Paces oes tpe i een ec, __ Nese caso, 0 momento de referéncia pretérito, que est impli "Todas as veres que havia sol, Em relagio a ele, que se rept, erfito marca ages repetias. 155 ‘ste de mate ‘Em lugar de expressar uma aco tepetia aintervalos regulars, ‘© impectet iterative pode assnalar também uma ago que ndo ocor- eu nentum vez num dado periodo de tempo: Ze ni toma ean gl Ge pai. ‘ejameos um caso de impereitodescritivo: Sete as mah avi de er. Ah dew salen fais erg 3 ‘tye pera i acrid 0 arms 8 al lan one sn tine emtee cmt lapse cs eran acinar Jeno ke pens rato (ph Em relago 20 momento de referéacia (“sete horas da mani”), (0 vethos grifadosindicam uma contnuidde, uma duratvidade. Muitas vezes,o ponto de referéncia pura oimperfeito & 0 pretéi- to perfeito. Assim, aquele marca uma concomitaacia em relagao a ste: ‘Quan Azada da Fac de So Pale op fizena po ine Mis Gos, inka um rj ir Europe (MA, 2,118). PPor isso mesmo, o imperfeito pode indicar uma ago que sub sume diversis ag6es pontuaiscitadas anteriormente: Bebe vod, comeru a rebar cm ian, cai ser emis. sul ace i, Atribuem-se ao pretéritoimperfeito muitos valores particulars, «que ou so aplicagdes de seu valor temporal bisico ou s30 concre- tizages contexts. © pretéito perfeito 2, como ji foi dito, exprime um aconteci- ‘mento limitado, acabado e pontual, expressa sempre uma descon- tinuidade em relagH0 a0 momento de referencia: chavs Mendon ua ve pra 6 Cele, ond ac de mse ‘econ i ir. oie eg pri a A ey Em relapio ao ponto de reeréncia preérito ("uma ver"), os pre- ‘éritos imperfetos “achava-se" e “acabava” indica concomitan- cia continua, enquantoo pretrito perfeito “vi” assinala a descont- ‘uidade. Assim, ele apesenta um acontecimento passado num mo- ‘mento determinado do pretérit, sem leva em conta a duraga. Dele afirma-se apenas a realidad. 157 D cctun scam nese pion eta a eo BI «pain pan mens mat tn ot peewee RS eens ee oe es Poin dizer que o fato seja desprovido de durago, mas sim que ee epee ie de expressiio iterativa. Na verdade, € essa ex- eee ee ne oo apts nestitieont I nse om rte rae Sa do de hdbito on grémica. & preciso notar a diferenca entre pretérito perfeito © © presente, ambos com valor gnémico, Este eee ene cca seca eee "Despont. ‘quando se apresentam molkiplos estados ou transformagtes, © 9 perfeito apresenta-os como sucessivos, ou melhor, como con em relagio a diferentes momentos de referéncia pretéi- ;mareados jrincipalmente nas naraivas orais por depois, em se- € ento,e ete. Por isso, 0 pretérito perfeitoéo tempo por ia da naragie “Tess da re Un velo Fr puedo caso ved de eradb Howe Cerin, Descev del un omer ainda mye, de esta mets, com 3 pa cordechunko cra de phe anion era gio. Cima ve eas (IR. _O pineiopretrto mostra un ft concoitante com ut mat- temporal preterio ("ues hors a tre") Os oats indica & 138 Ae etc evmisio ‘mesma relag8o com mareos temporaisimpictos como poueo de- ois, a seguir, em sesuida, O imperfeit, ao contro, apresenta 0s fatos como simultineos, ‘como formando ui quacro continuo, ou melhor, como vinculados 40 mesmo momento de refectcia pretérite. Por iss, é o tempo que ‘melhor atende aos propSsitos da deserigdo: Atria mend. sl eave han da eo a rae fo ‘ets, a imag com sus os. 2 ur wa sae a, dlindo pla vee aif, voles camo ‘nt ce ou pp soe a Ybaze ds oes Os spines ives dere 5 oes aa dela, ¢ 0 ocr brie sali mas ovis pr reer sexi 9 aad te Os at ‘eos cia 1 posal ene aj. canando a compan, Solent o aos dose ass com ga ete dda Uns consr de bas raves stud 9 poedosol cfindase como rumor ices, qu pain quar a aprea de on gla e xr doe a. ‘or dn tne iva Ave Maia, (© momento de reeréncia pretrito 0 instante do por-do-sl. Os lweze pretéritos imperfeitosremetem a0 mesmo momento de refer cia nfo indicam agées ou estados sucessivos, que aldem a mo- ‘mentos de referencia subseqilentes. Por iso, compdem uma sitmul- taneldade, que gera um efeito de sentido de estatiidade, 1B) © pretérito mais-que-perito indica uma eelasdo de anterioridade entre o momento do acontecimento e o momento de referéncia pret- to, Como o mas-que-perfeito mostra essa oaglo, seu aspect & sempre perfectvo, i dus formas desse tempo verbal: a simples ea compost. Eien otariel no e192 Sch renin preside da Repl, aa ‘pala nmin cere un Esta (iu, 3911582, 1268 3), (© momento de referénea, jf tomado como pretrio, 6 0 ano de 1992. © pretérito maisque-perfeito “assumina” indica que o foto ‘correu antes desse momento de referencia. ‘Noda seine eee gue psa 8 ens dss. cin ani tan 0 a qa devia ep com sn gm oad fra Pepi ‘i,q esinara ce da ura vero eae fo cigs cnsevar ‘st Ea ean gon ied, pn ua eal ia sep Astana e gant ns oe ona rmsd ex cops | Th i dad elspa Pa, tino no Meio «cm lgins Eas american Tah posi & Earp ops ed Novag (MA, 2p 128, 19) no de referecia proto € no dia egime”. Oss Mmirquepeicios flan de acontccineats nes 8 1 habitualmente o pretérito mais-que-perfeito serve para fa- fe ccnents Gatti oe et 0 aol mee presse conheer prs compen a a0 principal, toca perce a como ais eqeaement com ot Weich, 189.15 Deve selma qe a fora alia va savin a fonsa ca ingen alas se Jve 20 Tao que a pogo a se perfec fee nas ngs rods com fr fas parila dos temps do infect xc 0 pei do port, pelt ras expicadas) essa Pecin ina ean ia, a fo anata do pre raiser teva poli de expres 20 mesvo ora ea deat eo spor prertvo ema a asim reset pena arco Jamia. Como 0 dis ified eto asian, € mais-que pet futuro do pretérito exprime uma relagio de posterioridade do 0 do acontecimento em relago a um momento de reeréncia J momento de eferéncia pretério 6 instnte em que ACM is- ‘alguém. A derrota€ um fato que se dar em momento pos momento de referénca, Dai porque € expressa com 0 futuro quent iow, ee agi qu a Din e haa "nia p= pees Evans ers eta cuts ures, guise aca cin do presi, pri, pr, Fran Col osuiria falar prvi ina, XVIZUD, 1268: 21). _ Nese text, o momento derefrincia pretrito € a noite de sexta a. Em relagdo a ee, a atuagdo dos advogadose do r6v no pro- do Sendo sera posterior Por isso, & expose pelos fats do 160 ‘As estes én oonsacis © futuro do pretérito tem, na maior parte das vezes, carter de "uma antecipasio imaginéria, Se o futuro do presente no exprime. ‘uma modilidade factual, mas surge como expecatva, © Fura do, pretérito te um valor hipottico, ‘A forma composta marca. assim como a simples, um fat pos- terior em relagio a um momento de referéncia pretérito, No entan {o, ea indica um fato anterior a um ouito acontecimento no futuro (manifestado em portuguts pelo pretéritoimperfito do subjuntivo) ‘11a um outro momento, ue ao ode referéncia, expresso por ua Indicagio de tempo. Em outras palavras, para 0 uso do futuro do Pretrito composto, evam-se em conta dois momentos de reterénca ‘le € posterior a um e anterior a outro. Por isto, poderia ser chama- ‘do futuro do pretérito do pretérito. A distingao entre as dus formas ‘do futuro do pretérito poderia ser considerada aspectual:o simples & lmperfetivo eo composto€ perfectivo. Claro esté que esses aspec= tos devem ser considerados em relagio & perspectiva temporal em ‘que se colocam esses tempos “Tas spam ge qa oioverw cegase, a ueram Bi iris (nie de mete sbi ges ez brs oi ria cepa. [Na primeira frase, o momento de referéncia pretérito & 0 momen- to da suposigao, Em relago a ele, a chegada do invemo é posterior. Em relago a esse momento, o término da guerra na Bésnia € anterior. [Na segunda, o momento de referéncia pretrito ¢ onter de ma ‘hi. O momento “dez horas” & posterior a ele, enquanto a chepada do avi ocorreré antes das dez horas, (0 subsistema organizado em tore de um momento de referén- cia futuro apresenta a seguinte estrutura: Maen “ —, 161 ete do futuro no tem em portugues wma forma espect ‘por um futuro do presente simples ou um futuro do essivo (futuro do presente do auxilir estar + genin- um futuro do presente do subjuntive introduzi- conjungio. -versos, dois Futros do presente coordenados ents. fexpressa uma concomitinia em relagio ao primero, por- fonado ¢ uma oragio adverbial temporal implicita "= "que marca um momento de referéneia futur, gue he der sa ean 5 je. de refertncia futuro 6“ao momento em que eu the der do futuro do presente composto. O momento de referén- msanifestado por ums expresso de natureza adverbial ou o subetnada com um verbo no futuro do presente Am por po ert eer dad (LUV 46 14), de referéncia futuro 6 0 momento da vinda ¢ do trazer. -m ito dias”, expessio tem= ‘cle 0 término do servigo é O anterior pode estar na subordinada (nessecas0, no sub- neem, si cs 10 ode cae A posteriori em lao um momento de referéncia fro 6 indcada pelo fate do presen simples, que ses exe cas, Un futuro do futur. Esse ftiro extra corelaconado a oro) hl "do presente simples. A ullenoridae de un em rsa outa seré marcada,iplicita ou expistamems, ela playa depots ou or um prasininimo. Dig Sa ar 0 mnt opr Ri, iat proto wena tec eae tg © porto de referécia fut 0 momento em qu 0 Senad cas- saro mandato © estado de inabiltago para. exericio de quale fang pice srt poterora el Essa ulerindade€ area ex blister depos: Ve emia eer ec oma bac dei pad evi, (© momento de referéaca tur ¢ 0 érmino do dever de casa. 0 bbanho dur-se-d num momento posterior assinalado implictamente Por um depots. Por seu turno, © momento do banbo é 0 momento de ‘eferéncia futuro em relago ao qual o ato de ver televisdo 6 ulterior. Dos advérbios Sie pow ei jour deme mas, je chin elma. (hip Gc) 0s aisitos de tempo" aiclam-e tbl em um sistema enuncaivo eum nari. Agc cetse mm moments Jefe facia present ico ao moment de cnc: ee ogee $= em too de um momenta de fren (nett ut) in Cito emia, 0 ue sige que mo tang aos aves toes um subse econ sum MIR pete ¢ out tum M ftir cada um ds mms de frei nari € enuncivo apices clegoa toolgicaconcomlnca sn Concmini anteriidae spotridad) INO sema shal expesese om pags da sie 2) para mania concomitnci, sams agree (em) xr + Susan designavo de divi tempor! en me Se dic tempo (por exept ann “pen seman "este i) anal mo preety no momen eal pec be mmpe ae pra eear a anerirde izam sone: none; (en) + 2lpeantvo designe de dvso tempor tor gue 0 nome Se Ung temporal + pesado (pr exempl, na semana passa” Sfornopssa “anc pssado(em) + tio + abst WP actenavo de cvs tempor eu nae de dvs temporal Yforcuepl, odio ane na Sion sean); M+ ue (erin ou ponome avo indi) aban designe tho de intra de tmp ov ome de dio temporal 0 tne exempl, "hi dis dan,“ slurs ds”, "nu ene se ore hts meses hl rsh alguns 5 oh dh sad" “ht ato tmp pone teapo™, “i aun tempo") numer crn! ov promote ato ndeinio eto ce stn designate trai de tego ov nome ian tempor ds por exempt aos ‘minutos strés”, “dois domingos atrés”, “alguns momentos atrés”)*6; ultimamente, outrora, recentemente; até aqui”; 6) pam expimir a pseroriade, sto wados aman depois de nuns em) roi +sbsorvo designav de nero de ‘Cpe ca nome de dvs empoal © stam um seo (Dt Eemplo, "no pésimo mint, "wo prStimo suo". "em um tempo préximo”/*: (em) + substantivo designativo de divisio tem- torn marque dia mane deintervalo dete + qe Ye oi pa tpor employ sno més que vem”, "aa seana vitdou ‘fomingo gue ven); dagu a+ nue carial 09 promome ae. Thoin subsantvo desgnatv de ikea de enpo ow tome de dvs J emo ofr (pr exempl, “gu 2 ds Afar "dagl a una seman "Sag! a ors, "aga alguns Tox "dag a dis siete, dg muito np, "ag a pouco ten) dno deem + numer! arial ou pronome ae to's tanto desman de nervalo de tempo ou nom de {vo temporal o empo (pr expo, “den de um tp “en de os mse ce aguas Bs "no de dois ba doe Som alguns moncxor “ett de posto tempo" em poi seo") proaments no far: are prime dora Nant de apo date: deel em dane. [A expressio wm + nome designativo de divisto de tempo ou ‘nome de interval de tempo + desses indica tanto anterioridade como posteroridade enunciativas: ™ ede de omit cate com len seman des. Names aru sds dese, mney tnt enunciv exorimese em portuguts da seguine 3) 2 concomitincia€ indicada por enti; em + esse ou aguele ov ‘mesmo + noe designativo de intervalo de tempo ou nome de divi so de tempo ou tempo (pe exemplo, “ness da”, “naquela semana” “no mesmo instante”), wp eae afta mana Sea flay aeons oo aetna eso et Jeter enec ieee cpp tins Sot an arse feo lana tt care tat sees aros nig mena n pate ‘a duas horas”, “ali » és semanas”, “daf muito tempo"). Scan aprpname nace ‘um ponto bastante indeterminado no tempo: i . Doty 16s ur da jt jes terior lao 0 peste ‘Al a so acne (poster reo ps). Stn casa ur dati em els 50 puso). ‘And on da no pei wala (AA) ‘em pce go our da ete io Pal (80) ‘Our dK ita Sx [ee ta ine (CONC. ‘Os gors quand na ea ram alum (A). imagine gos alg a ode! pa a pens do sino, destnbrado pel go do Seo coin oc ds srs (BID. [Nio se exemplificario todos s advériosacima aolados. O gue 6 necessirio é mostrar que eles pertencem a sistemas distntos, Isso fe comprova como fato de que. uando se passa do sistema enuncia- tivo para oemuncivo, & preciso adequar os advérbios ao novo sistem je ssi de as tale rt, Anan esa en ai ‘Noda 3 de eo de 19%, sf ft, Na espera take. No Seu, sara Pai. ‘A mudanga do momento de referencia (do momento da enuncis- 0 para um momento inscrto no enunciado: no caso, 3 de janeiro de 1991) obriga a uma alterago dos alvérbios do sistema enunciat- ‘vo pera os do sistema enuncivo, A o-riudanca acareta distorges de sentido, Vejamos alguns exemplos: A coniid iha,o oni lo anadrce gaat, apes oi de ‘lab, Para er tuo dagen gue ox ingles cara brady si ‘pes noe ies de iho tao. Semen rac prima nese (Fel de Pao, TANS, 8). ‘Com *préximos" indica posterioridade em relago a um marco temporal presente e o artigo que contém esse perfodo foi publicado fem margo de 1988, os préximos ts meses sio asi maioe jumbo. (Ora, é evidente que no € isso que quer dizer o artculists, pois, ja (que # fermentagio ¢ feta em novembro, a desilagio deve ser feita fem dezembro, janeiro ¢fevereiro.Portanto, 0 marco temporal no & fo presente, mas é um pretéita (no c880, novembro) insrito no enun- ciado, Para indicar 0s tés meses posterores a ele, expressio cor- reta é “os ts meses seguintes”. Embora se posa dizer que, nesse fxemplo, a expressdo assinalads nfo ten propriamente fungio adverbial certo & que ela se comporta como a expressio adverbial de tempo correspondent. beast ge Mat a deco de cont aca fond ide ena, guid The Se, © ‘ble seasonal masa do ay rnscrevea 28 abs de uns spo ‘crag lens ene Dias wai, pers do Aan Nove de 1389 [ca quise rn” desu cast € mae am enn pp ‘ieee, ude sia pe de rau cepacia (ej SMD 1251 389), Como momento de refertncia € pretrto (vésperas do. Ano Novo de 1989), a tergafeira do encontro sesia “a terya-feira se- guint, jd que a proxima terea-feir € primeica tergfera depois, ‘de9 de secembro de 1992. abe lembrar, no entanto, que épossivel usar conjuntamente unt tempo verbal e una expresso adverbial temporal que nfo pertencem ‘a0 mesmo sistema de referencia, quando dois momentos distints de referéncia estiverem implicados. Na frase “Ele disse-me que viria, amanba, disse" cam, respectivamente,concomitincia « postcrovidade em relacSo a um momento de referencia pretrito no dia x, enquanto “aman” assinala posteriocidade em reaglo a0 pre semte, Esse “amanhi” no momento da fala do ele era um determina do dia do futuro, que & amanka em relagdo a0 momento em gue Se narra 0 que foi dito, [Na fala, ocorrem neuraizagdes entre expresses temporais, Por ‘exemplo, na frase "Na trga a pente conversa” & na proxima tera jd ‘que o tempo verbal indica postriordade em relagdo ao momento presente. No texto "Na primeira segunde-feira de 1992, ele quebrou ‘pera, Naterya, o brago”,aterga 6a tega-feiea seguinte ad marco temporal preténto ‘Da mesma forma, neutalizam-se em relagio 2 categoria topo- pica formas como hoje ou aquelas consiruidss com 0 pronome de- smonstrative + nome designativo de diviso de tempo ou nome de interval de tempo: Hoje cove have chved Net verdo psp pase mt ‘© que ocorre & que um intervalo grande de tempo pode ser sub- dividido em intervalos menorese estes é que constituem de feto 0 ‘momento de referencia para o acontecimento. No primero caso, por cexemplo, em relagdo ao momento da fala, que & uma subdivisio de ‘hoje, 0s fatos so anteriores, concomitant ou posterior, sendo, eniretanto, sempre concomitantes et relaglo ao pont de referén 4.61 167 Como se disse anteriormente, os advérbios de tempo organiza ‘s¢ num sistema enunciativo e num enuncivo. Mas, ao contrério dos tempos verbais, nio aprescntam dois subsisemas enuncivos: um or- ‘denado em relagéo a1um marco temporal pretérito e outro, em res (fo a un marco temporal futuro. Os advérbios do sistema enuncivo emetem tno a um quanto a oviro ponto de reeréncia: Noga Sedan gle ner oe eth atone Torn non th ps peeve Nor ds eo, na pina un ride em a Meant enor mo mo emnc, 8 ya eae ptt, 0 spd, oo meres cnmctescnstts J demons et + pone i clo empor ue nispre oda (anh a, TORE mip, cages dod seme e meses do 6 ete uta plas nod rican een em eno Saf sigur salam eo nal ioe deer fo crt ov Snr to eso da semana eso Siac snc o monet enucigoTenos bese ca an {tpl moment de era Vie mete nvr [= vero do ao em gue es eu). Five nee dingo [0 dotainga 6 ean en Go cc cnc), Hi intervalos de tempo (noite ¢ verio) que pertencem a das Uunidades temporais, Nesse caso, leva-se em conta, para dizer “esta noite” ou “este verio”, sev grau de afastamento do momento da cenunciagie. Se se esté no fim da tarde, dc-se-4"esta noite” eno “a ‘réxima noite” para que vrd, € “noite passada” e no “esta nite” para a que passos, “Esta noite” e “este vero” significam a noite € © vero mais proximos do momento da fala “Hoje, oem e amanha podem significar genericamente no pre semte,no passado e no futur: Compras facades oto coms fata ha Um dia ¢ wma vez estabelocem wr tempo enancivo indetermi- ‘nado, Por isso, 0 conto marsvilhose comeca como protocolo “Era 16 ‘sides de emi ‘Assim como o sistema verbal dstingue formas pars express, no tmbito de uma dada rela teenporal, 08 aspectos pontual e dura tivo (entinuo e iterative), bein como o acabado eo inacabado,osis- {ema adverbial apresensa também advérbios de aspecto™ Os advértias de aspecto organizam-se da seguinte mancira: 8) para denotar 0 aspecto pontual, usam-se de repente, de supetdo, subitamente, repentinamente, bruscamente, de imediato, pronta ‘mene, depress, imediatament, logo, num piscar de olka, d que ‘ma-roupa, incontinent, nopinadamente, de chofe, logo de carts para indicar 0 aspecto duraivo continuo, utiizam-se por muito tempo, graduatmenie, paulatinamene, docemente, progressive ‘mente, pouco « pouco, aos powcas,continuamente, sem cess. iin. terruptamente: ©) para manifesta © aspecto durativo iterativo,enigregam-se cons. ‘antemente, habituaimente, de habito, oinariamente, de ordinavio, rnormalmente, regularmente de quando em quando, de hora ent hos ras veces, de tempo em tempo, eventualmente, algunas veces fre ‘lentemente, com freqitncia, varias vezes, muitas vetes,raramente, ‘mais de uma ver. em virias ocasibes, em muitas ocasies, de nove, uma vez mals, ainda uma vez. (0s advérbios pontuas, por indica a descontinuidade que tron Pe na continua, servem muitas vezes, asociados ao perfeito 2, ‘ara marearo inicio das transformagaes que se dio em micio a um es- ‘ado apresentado pelo pretrito impertetoe por advébies durativos: Ena Ave [.] Tos pesos euismod Sram ma ou mens presto 9o- es esi sence amino wee Senin eng 0 bem vera, es rejpein miss ge wn co nee De repens mln dew latin plogaranse pl ar quero ‘comet da ade: rm dn enc ue Are Ma, “Tada declan, DA de Mr anand eas bid explana pura nd sa, tir eapeerian6 9.38-0), Em prscipi, no que concere a concomiténcia em relago a um [MR pistérito, os advrbios pontuais combinam-se com 0 pretrio perfito 2 ¢ os duratvos, com o pretéritoimperteito. Com efeto, dever-s-ia dizer “Enrei de supetio"e no “Entrava de supetio” ou ‘Pouco a pouco me assenhoreava dos segredos da firma” e no be emge 10 “Pouco a pouco me assenhoreei dos segredos da firma". No entanto, povem-se compar os aspoctos perfectivo eimperfectiva dos tempos erbais com os aspectos pontual e durativa dos advérbios,criando novos efeitos de sentido: (Quando o cee quia er se pesos abandoned ‘apt, ‘io sbi nase onoic, mas ua ate se asennad sees atims No primeiro caso, fcaliza-se a reiterao do processo com o i= perfeito ¢ sua pontulidade, cada ver que ocorra, com o advérbio ‘ho segundo, most-se que 0 processo de assenhorear-se dos segre- dos fot gradatvo, mas agora ests terminado "Nos advérbi de cominuidade, aparece, muitas vezes, 0 aspee~ to progressivo. que indica o desensolar paulatino de uma agdo. A. progressividade é uma forma sob a qual se pode apresentar a dura tividade. Sto progressives advérbios como pouco a pouce, aos pow 08, progressivamente, gradualmente, pauatinamente: Aes pac mela ne ome. © auvérbio sempre indica acontecimento continuo ou iterative: ‘test emp pros ala Noe ne ea a [a Senge sao coco (ratio sempre fa eneen ds es dia [nse as. ra ago. Nunca coatradiz globalmeate advérbios de tempo ou de aspect. Esse advérbio apresenta uma forma reforgeda nunca na vida. Os aadvérbios que indicam duracoiterativa podem ser negados também ‘com a locugio newhuma vee Nanay gu on tr pes mar uma i Desens agora mca ‘Non a Nea Embora todos 0s advérbios de tempo sirvam para estabelecer ‘sucesso dos acontecimentos numa naracio, a ingus disse de ad ‘éibios especticns para indica a sueessividade dos estas etrans- formagbes, Sao chamados advérbios de seauencializagdo. Divider ‘se em us grupos: os que assinalam concomitinca, os que marca anterioridade, os que indicam postrioridade, 190 Assis de iis 8) Para indicar concomitincia, empregam-se nesse meio tempo, af nite, nese interim, nesseentretempoe tds os avétbios de tempo formador com demonstratives ov com mesmo. by Para marcranterioridade usam-se antes, mals cedo, powco antes, muito antes, anteriormente,precedentemente. ) Para assinslar posterioridade, utlizam-se depois, aps, powco de- pois, muito depois, mais varde,posteriorment,ulteriormente depois ens. “Muitos desses advérios podem torar-seconjungdes, desde que Ies sea arescentado um que: Aries ues, inparn 98. ses advérbios estabelecem, se se pode asim dizer, a consecu- 10 narrationis*, pois determinam a seqiéncia das Fung6es narrati- ‘as, instituindo uma ligagao aproprida entre elas. Levancin eis nas. Bee em sega, ce baa. Dep De mape 1s +0, em sca valor prprio (por exemplo, opretésitoperfeto 2 em seu enti de concomitincia em relgao a um marco temporal pets fo) asinalam & fala do narador.O que comprova ess aia € f fato dese usar o petit impefeo, 0 maique-perfitoe © uturo do pretrto com adsécbios do sistema enunciatvo: Agr ban er vai, ting rida. pcr mo uch care cn eh, an rai, en pia VP. “Trata-se de uma fala de Fabiano que em discurso direto seri: Aor agi ge er dag: Ap commu ico, nog ‘ne cin em ich, a cial pra. ‘Quando, depois dessetrecho, diz-se “Olhou os quipés, 0s man- ddacaruse 05 xique-riques”, tems a fala do narador, pois © verbo ttlizado esté num dos tempos do sistema enunivo e em seu seni- do proprio. 0 tempo harmonizado tamper do dn. Sem pop a mains, hi do pe hve percep do tmp Ea dere ais par com @ te so colis de eens aides par com a mda, ‘aie Kaunas) ‘Muitos lingistaserticaram a nogdo de “concoriincia dos tem. pos". Brunot, porexemplo, analisando 0 assunto em francs, diz: “O ‘apitul da concordancia dos tempos resume-se a uma lin: no ha ‘concardncia de tempos” (1936, p. 782) (0 fundameto dt andlise clssica da concordincia dos tempos (consecutio temporum) & que 0 tempo verbal das oragGes subordi nadas € condicionado pelo tempo da prineipal. Ora, na medida em ‘que levamos em conta visis condicionamentos para 0 estabeleci- mento do tempo verbal (momentos de referénia distintos, reagies de concomitineia ¢ de no-concamitincia em relagio a ee, ete.) pssimos a examinarasrelagSes temporais no quadro mais amplo da fenunciago, o que n0s leva a falar mais de compatbilidades tempo- ‘is que propriamente de concordncia de tempos. embor tenharos Dreferido manter essa denominagdo radiciona. iss secs ci Analisando as mudangas temporais operadas na passagem do liscurso dito para o indieto, podemos afirmar que os tempos do indcativo so usados, seja nas ragSes principals, seja na subordi- ‘nedss, pars exprimir a concomitincia ow nao-concomitancia (ane- rioridade ou posteriocidade), quer em relaso a0 momento da enun- ‘iago, quer em selaso a um marco temporal pretrito ou futuro <= locado no enanciado. Eno, o tempo deve ser Compatvel com 0 mo- ‘mento dereferéncia.S6 quando este é marcado por um vetbo se pode falar em “concordincia de tempos” no indicatvo, No entanto, em «da caso, temas tes possiilidaes, pos 0 verbo “subordinado” po- de manifestar concomiténcia, anteioridade ou posterioridade, Por {exemplo, se tivermos um marco temporal pretrito expresso por umn verbo no pretéitoimperfeito, a eoncomitincia deve set indicada por "um imperfito, a anterioridade, por um pretério mais-que-pereito,¢ 8 postetioridade, por um futuro do petit: ‘hepa fone) Sena que cra ati, ‘hepa [posers [stage ole ums do sage ear (BB), Som rm progress (CR). [ema ge seri ead fae (CP) Isso significa que hi um comportamento comum dos tempos 4o indcativo em rela aos momentos de reeréncia, jam cles mareados por outrs tempos ot por advérbios. ‘Wino que diz respeito 20 subjuntivo a questio & um pouco dife- rente. Esse modo, nota Mattoso Camara, “iem a caroteristicasin- tates de ser uma forma verbal dependemte de wma palavra que 0 ‘doming, sea o advrbio savez, preposto, soja um verbo da oragéo principal” (1970, p, 89), Ora, essa carctefstica sinttica dizer que, dado que, na maiora absoluta dos casos, 0 subjuntivo de- nde do verbo da orago prineipil, deve ele compatibilizarse com ese. Hi, assim, para osubjantivo, uma concordancia de tempos, emn- bora, € claro, sem 0 rigor da consecuio latina A) Se o tempo ds orago principal estiver num dos tempos enunc tivos (presente, pretérito perfec ou futuro do presente), teremos as ‘seguintes posibilidades na oracio suboedinada 1) presente 4) simultaneidade: presente (Jingu ma sit do Bras au aia re ju pero(E, Beton Iss byanteriovidade durative:pretéritoimperfito ard gu vet ques piconets ace (VA), )amtetiordade pontual:pretérito perfeito Davide gu et oka cami cis meor CONC), «) posteriovidade: presente esque algum dels abe tea (CT. 2) pretéio perfeio 1 4) simltancidade: pretérita imperfeito owe, 0 pov me dings prcelurmen, mas sess pre tink recede dear CCA) by anerioridude: pretrito perfeito [1 sama do Esta aut 3% nese moan de goes, entra os dos ingostes enka baad (ARO) ©) posteroridade:pretéritoimperfeito bs un ue ese wane aioe (AAY 3) futuro do presente 8) simultaneidade: presente Oa pris, aan ale pr com me compe, cinta exe lament gic acbtesca emf o aetier oom opt pen Fe, pre pv ocognto(AP +) anterioriéade durativa pretéito imperfeito Diese Citi aaees hoje ear, A esta alr deve sed nee eta enbra ieoede sas anigas —ou aris mex — leer os bsts pei ao (BB, ©) amterocidade pontual: pretxto perfeito ‘Um joven qu ks acomparkad mers 8 per adi uc seer ‘ni sit (06). 4 posterioridade: presente [utd je pura quan rayon em dias nes (6-0) 186 st bd ') Se o tempo da oragdo principal for um dos tempos do subsistema ‘eouncivo da anterioridade (pretéito perfeito 2, preérto imperteito, pretérito mais-que-perfeit, future do pretérito simples ou compos- to), correm as seguintes possibilidades; 1) simultaneidade pretéito imperfeito Sera insane x mi cau embrace am oes es penta, jarto ples neti um caro da sa (AFA io ert Ia, embor thea ca asia de um a ao (GTD. [demon fase um ang rece ile in empresa pgp ua qpe ‘a pas com rps pomal(). Apri vi, memo que nds pn aio CD. Tera si bem tar qi mor oe, asa abr com me fen (cra) 2) anterioridade: pretérito mais-que-perteito Vite io morn enor fase mee fe ese (BPE. [in quele exe das ales, io pau 38 edo A), Mesa ue io owes si ati, pnt sera aia ian TO Nic conspire aloes ves nad ‘Mas mesmo qe oes ene tering (AA), 3) posteriovidade: pretrito imperfeito lg pique vende meu io apa (B0) (hanave se um ao james, pag fase filmete sels unde ain 5 ae, ea ida este 4 proitin, emiaeo |) FB, “A isi pra que ese mar com ela (AN im sac cob praia qs tras (ED). Teri toque ecs prague ae roluse a src (©) Quando o verbo da oraeSo principal estiver num dos tempos do subsistema eouncive da postriridade (presente do futuro, futuro anterior e futuro do Futuro), femos as seguintes compatbilidades: 1) simultaneidade: presente ‘Quando car case. esta tendo par qu vk ej ‘Quand sai dea, ere compra ma enbras exe prc es bvcisibs, Dis ue aaa de agro ca, compra xt, emo, nes on, um ca cefanene ej und on ln “betes 197 " 2) amterioridade:pretérito perfito Noms que tem. compre! mas es, enor sao meds ames tena rem een cuas slags faeries (Quand cba de puree novel ee ened ame meu paints temo git oie lesa aloe mt. Dep gu car de pag ese mtv, pcre em da ops a re his do ue lags pri a0 gd do gore. +) posterioridade: presente ‘Qunds evr em casa. eth 9 wal dos npr, ara que io sje fe. ‘Qunds chp cas, ere wad os ames do mec Snci, pra ue pastamas er bos ages Depo ecg os oma provincia ara quo cans ee ead, serves 1) Com orages condicionais itroduidas por se, conformativas © temponis, bem como com ores adjeias, expime-s, com 0 fix fro do presente do subjntv, simultaneidade eventual em re Iago wo futur do presente do indatvo: Sin corinne ier (CP, Fasc ot mandr {Ironia gt ner bt cnc (NQ) (1m eu eto Di-se que © futuro do presente do subjuntivo pode indica si _mltardade eventual em relagao tab ao presente do indicative. E um engano, pois essa possibilidade ocorre apenas quando o pre sentetiver 0 valor de futuro do presente®: ‘Se user, pode pds Hod pl (M, ‘Quando iter novidades vent [=i a 2) Nos casos elencaios em I, aanterioridade eventual € express com ‘6 futuro anterior do subjuntivo: ‘Se ost ao ter eo wads ard om 20 arta comm ole er manda. ‘upended mo Brean sever aig um es de eerolinen tor ano). Sere temas toa qe me een exch 0. 188 et de mt 3) preciso notar que, muitas vezes, estandoo verbo da orasio prin cipal no presente do indicatvo, 0 verbo da subordinada nao estar correlacionado a ele, mas awn marco temporal expresso por meio de sum adv rio isido qu naga Gece Pais een comands ame ira Esper gun ol ra aa he enh end taal a primeira, 0 verbo causa est 0 pret mais-que pete, ong expessa ur aneroidae em rlao a0 marco tempor Fretsito naguela poe na segioda, 0 verbo terminar es n0 p= {eit pret, porcine uma anode em eugao a0 marco temporal fururo “quando eu volta ‘As orages eondicioais merece un endive & pare. Em por tuguts, o qu échimado ns NGB oro condciona exprime tanto hipstese quanto congo neces para 8 realzagiode un dado evento. Por outro lao, diz-se que o subjuntivo usado nas or Ss condcionsis “em que a condo 6 ieaivel ow kno” (Cunha, 1972 . 321). Dai se deduz qe, nos outs esos empegs- se indicatvo. Primeizamente, ¢ peciso nla ue x6 se ulizaindcativo com se, Com todas a oa chamadasconjugis condcionas sc wsa 0 sbjuntivo (caso, conta qu, sao se som que, dad gue desde dues menos qu, a ndo ser gue, ke) Essa conjungties so ts chi stad eomdicinais estas, pois ao apesetam proprament i- prtese mas condi, ou sea, una exigtncia qu deve se satiseita ara que um dad fto se ealze. Ness eso, 0 verbo da rao su- horinadaobedece 3s exigécis nmin de compatiragto dos tempos. Vejmos alguns exemplos que stam ess firma nie nal nxn re caro 177 dee gu cham, ‘Seq sonnel ca vo tarde ba vena vor ce rfl cb panes AN fame {ya a qn cman qu vet ho em ings (ANB) etn) ‘he annem, dec ge foe eo lB mia Fo {Sopot a over sens cna ease nn pao ia es condi de ita lem qu pee ada (AFA) [sioultaneidade), haley (lemon bre «mms qu eve RE) see 9 {cient cnsegui cafra a, A mr que ene die (a0 mane, {Bm segundo lugar, deve-senotar que, com a canjungio se, po: empregat o subjuntive e o indicative, No entanto, 0 se into- {com o indicativo uma condigao real incontestével {seen aos, sto fn nina pomesa (PH [elsentome eno, tend sented x rns (FE) ‘Sevoet xq alt demi (ANB), Scena cuidate. Seabee acr r " Pode-se, com a conjuncio se, construir um perfodo hipotético _aparente, assim chamado porque uma proposigio que exprime fatos “incontestiveis¢ apresentada com um tom hipotéico: “Seema cobs queen dts ad i a ‘Seta cos ope ue alo estas eco ced (OM, Em todos os casos em que 0 Je introduzindieativo, 0 emprego dos tempos obedece aos prncpios do uso dos tempos do indicativo. ‘Quando 0 verbo da oragéo principal estiverno futuro do presente 04 no presente com valor de futuro do presente, a condi eventual -€expressa pelo futuro do presente do subjuntive: se wet coopera a supa 88) Se frases ed de sr hole (MAP) Quanto © periodo hipottico manifestar 0 efeito de sentido de ‘improbablidate ou de irealidade, seu verbo estari no subjuntive, “esse caso, a correspondncia dos tempos & 2 segunte: 4) simaltaneidade no resente: se + pretérito imperfeto do subjunti- “YO= futuro do pretérito simples do indicative (4s fase ag sera ens had (CCA) }) simultaneidade no pretérit: se + pretéito mais-que-pereito do ‘subjuntivo = futuro do pretérito composte do indicative Sveti bid econbeceris, teri popado mis sboresinesos a oct nin toe AR) 1» ea de cmt ©) anerioridade: se + pretéito mais-que-perfeto do subjunivo = fu- ‘ro do pretérito simples do inicativo Sevect ven asin meseo 2 de mar, 18h, so ssenee Fear asa AST. Os presécitosimperfito © mais-que-perfeito do subjunivo slo, muitas vezes,substtuldos pelos tempos correspoadentes do indica. tive. O efeito de setido produzido por essa mudanga &0 de adimitie ‘como verdadeira a hipsese: Se queria J char an eats bomen i nes ue emir de ei ce modo dee aio. ra eo, po, Pps oa ome, ean wo ert um A ous (PPV). ‘Tumbém pode ccomrer de os pretéitos imperitto © mais-que- perfito do indicative substufrem,respectivamente,o Tauro do pre {étto simples e & compost do indicative: Esetvse mesmo de sa. lorena Ij, 1195314) Seu shee sna mandado reverses BH, esse cab, 0 efit de sentido que se produz€0 de ques con- seqfigncia € inevitivel, e uma dada congo for preencida Em linguagem bem cologuial, pase e spdene podem spae- cer no mperteito ou no maieque-pereto do indcativo'* tin iia. compra lhe mesma (gud Cr, 195, 9.70) ‘Trate-se de um indicative real, que. #0 entanto dferentemente 4o subjuntivo, mostra que a posigie do enunciador & a de qu, pre cnchida uma condigio assumida como verdadeira, 0 fto expresso pela orasio principal de fo se daria. ‘A substituiglo de subjuntivo pelo indicative na oragio condi- ional tem paraloto em outraslinguas romtinicas: no Faneds, a ora ‘Ho condicnwal tem o verbo no indicative (Charaudeau, 1992, . 491): fem romeno, 0 futuro do peetérto simples ou composto do indicative compatbiliza‘se, na oragio condicional, com o futuro do pretrito simples ou composto do indieativo (Avram, 1986, p. 260) em ita liano, ese indicativo pertence ao registro cologuiale est em expan so (Seriann, 1989, . 590). bet 1 0 tempo subvertido — Near senor est em mer! Mas ramen acho ‘ue seo dei er wa dana de compan! — Aerie com do pacer! de «aia ~ Das pe por semana dace todo ons das ie pedir di ern mespondi: No exe anadsoude. nd oat asin edoces ~f dc demi oa quae — frou a Ri hoje pel mens, en queen Hoje vc operat nem pelo menos em peo mais —dise Ranh A vera doce ana doce ane — nan dae he ~ Algunas ees tm de ser “dae he” — bjt Ae. do pode — dso Rina — Tom de ser sempre doce todos os xs ds ra, oid em ato dia gues como voc sabe. {Levis Cal) ‘Ao contriro da debreagem. que & a projeg30, para fora da ins- tinea da enunciagdo, dos tempos que servem para constiir 0 enun- Ciao, quer um enunciado que seja um simaacro da enunciagB0, quer tum enunciado que mio represente uma enunciagto, a embreagem ‘temporal &“o efeito de retorno instncia da enunciago, produzido pela suspensio da oposig entre certo termos" da categoria de tem- o (Greimas Courts, 1979, p. 119) De fato, a debreagem cria uma _ snunciagio enunciada, em que os tempos do enunciado simulam os [empos da enunciaeZo, ou um enunciado enunciado, em que se tem a ‘lado de estar diate da temporalidade dos acontecimentos.Tem-se a _impressio de estar serpre em presenga de uma temporalidade io inguistice: tempo do sto de dizer, no primeiro caso; tempo dos even- 0s, no segundo. Ora, quande se newralizam termos da categoria do Tempo, o feito de sentido que se produz & o de que o tempo € pura construgio do enunciador, que preseaifica © pasado, sna o futuro resent, etc Assim, com esse procedimento, passa da ilusoenun- © tempo linguistico ¢ 0 tempo do mundo para a ceneza de que © 6 efeito de sentido produzido ut e pela enurciago, 12 cst ete Comecemeos pos tempos verbs. Podemse newalizar: 2) um tempo enuncitvo un caunevo correspondent um temo da categoria wopolicae outro, dentro do mesmo ss tema ou sbsstema temporal ©) um termo da categoria topoligca om outro de um sister ou Sutsistma temp dstno “enos oprimeio aso quando se newrlizam, por exemple, © prottit pereito 2e presente, realizado o chamad presents hse {eco cao futuro do petri do presente, Temos segunda pos- Sibildade quando se suspende, por exerplo, a oposico entre con- comitincia (presente) € postraridae (utro do presente) do sis- tema enunciativo, O tereio caso aconece quando se netaiza, por exemplo, concomitinci drativa do subsistemaenuncivo da an {eioridade(pretrito imperfeto com ateriardade do sistema enus- Ciativa (petrt perf. © resultado da neutalizagio manifesta-se sempre por meio de tum dos dois tempos cujaoposgdo fi suspensa. Fear ave, nesse caso, um tempo Sed usado conto var de out, pois, do cour, 8 neutalizagonio sera perebid Uma embreagem ser conse ‘a enueitiva quando 0 resultado ds neuralizago for um tempo enunciativ,o que core, seja quand se suspendem as poses Je tempos do sistema enunciativo, seja quand se neualiam tempos dis Sistemas enunciatvoeenuncvo em proveito das primis. Seti clasficada como enuncva, quando a newtalizag for maniestada rum tempo enuneivo, o que aontece quando se neutalizam tm os do sistema enuncivoe do enunciative em beneico ds prime ‘os ou quando se suspendem oposgdes etre tempos de cada um dos subsistmas enuncivos. “Todo 0 que se disse acerca dos tempos verbais serve também para os adios de tempo, Cab lemar, 0 entant, que 6 se neu trlzam ox quedefto manifesta otmpo ingistico © no a8 pe- cisdeserinicas aportas a cles temos unia embreagem? Por exemplo, no primeiro texto abaixo, po- Aeris dizer que hé ero; no segundo, uma embreagem. Que € que os distingue? 2) Nodia 1.x, ge una ica ses, xu comune esa | ‘evenflo y fc dl bag “oe 1 eu sie de ngs eta de M Domine. Egan no ae 3 Ii (spine cut por apse OR ce Mencia spo 20018 Dy Vij pcre ST, dine aa doped Noe ge festa Ko er oer HAs 1p. XX, Cabe, em primeizo lugar, teer ua considera mais mpl 0- Ir a volo dos parimetros gramaticas. A trangressio pode ser porerro on por projet, Est nfrngéncia dstina & produzir um ado feito de semi: aquea€ a infagio que no gram efito de entdo, mas dé a impresso de algun coisa fora de liga no two. Com eeito, no primeiro texto, nada josiiea 0 uso de “prima” por “sequin” O enunciadorestavavslend-se do sistema enuncivo,in- _Gieado plo marco temporal pretéio “no dia 13", ea pasagem para sistema cnuncativo a0 produ neahum feito de sentido. Aeon “dro, no segundo texto, 0 uso do presente po futuro do presente “hmosta que, par interlocutor, &presenga do nterdacutio em San- ta Tereza nto era vista como algo possivl. mas cet, parece agora a guesto de como se percabe a embreagem tem- poral no fio dodiscurso, Se, como diem Greimas e Court, sem ‘reagem presupte uma debeagem anterior, que mo exist nev- Atlizagio sem que haja ms oposigio, a “embreagem deve deixar algoma marca discursiva da debreagem anterior” (1979, p. 19) ‘Quando ocare ina embreagem tempor portant, deve have no onlexto marca temporal que permit dizer que um tempo verbal on ‘um advérbio esto sendo usados com o valor de outro. Por exemplo en Dagu um as estou de vol. Vou amanha" (MA, v1, p. VID, Deteebe-se que o presente tm valor de faturo do presente © Gu, por fanto, tee uma emreagem, porque “dai a um més” e “ama ‘ha indicam qu © evento expresso pelo verbo € posterior em rela 80 momenta a enncagio Noquese efere aos tempos vrais, considerando que se podem -neutlizar 0 termes da categoria tpolésica denen de un dad sub- ‘sistema temporal, bem como um tempo do sistema enuciatvo com ‘0 empos correspondentes de cada um dos subsistemas enunsios © ‘ice-rers, umn tempo de um subsstena enuncivo com o comrespon- “dente do cuiro, ou ainda um termo d eater topogica com outro de um sistema ou subsitema distin, teoicamente qualquer tempo oder ser empregado com o valor de out Is daria as sepuintes blidades de embreagem em portgods: 194 As een de mare AN) Neutratizages no interior de um mesmo sistema Tidades Enuneiaivo (1") 1) concomitincia pela amterioridade: 2) concomitincia pela posterioridade; 3) amtriordade pela eoncomitinca; 4) posterioridade pei concomitincia; 5) ameriordade pela poveriordade: {6 posterioridade pela anteiridade. Enunevo do pretrito (2) 7) concomitincia pontual pela concomitincia durativa; 8) concomitancia durativa pela concomitincia pont '} concomitincia pontual pela anteriridate; 410) concomitincia durativa pela anerioridade; 11) concomitancia pontal pela posterioridade; 12) concomitdacia darativa pela postriordades 13) anterioridade pela concomitincia pontua; 14) amterioridade pela concomitncia duativa: 15) posteroridade pela concomitincia pontual; 16) posteriovidade pela concomitncia duativa: 17) amtriordade pela posterioridade; 18) posterioridade pela anterioridade. [Enuncivo do futuro (3) 19) concomitaneia pela anteriordade: 20) concomiténcia pela posteriridade; 21) amerioridade pela comcomitincia; 22) posterioridade pela concomitinea; 23) anerioridade pela posteiordade: 24) posterioridade pela anteriordade. B) Neuraizagbes entre os mesmmos temos da categoria topol6giea de sistemas diferentes = 22 possibildades: Enunciativo e Enuncivo 2 1) concomitincia 1 pela concomitincia pontual 2: 2) cancomitiacia | pela concomitincia durativa 2: 3) concomitaneia pontual 2 pela coneomitancia I 44 concomitincia durativa 2 pela concomitinca I 5) anterioridade 1 pela anteriordade 2; 6) amterioridade 2 pela anterioridade 1; 7) posterioridade I pela posterioridade 2; possi 4) posteroridade 2 pela posteroridde vo e Enuncvo 3 ip) concomitncia | pela concomitncia jeoncomitincia 3 pela concomitincia 1: ) anterioridade | pela anteroridade 3; “1 antrioridade 3 pela anterordade 1: 113) poseroridade I pea posterordade 3; 1) posterioidade 3 pea posterordae vo 2e Enuncivo 3 1S) coecomitociapontual 2 pela concomsitanca 3: 16) concomitncis duratva 2 pela concomitincia 3; “VP eomcomitincia 3 pela concomsitneiapontual 2 +18) concomitincia 3 pela concomitancia durativa 2; 19) anterioridade 2 pela anterioridade 3; 20) anterioidae 3 pea anteriordade 2, |) posterioridace 2 pela posterioridade 3; 2) posteriviade 3 psa posteroridade 2. ‘© Neutalizagbesente eros diferentes da categoria tpoliea de Sussman distin = 4 ponsiilidades: cativoe Enuncivo 2 1 concomitinca 1 pela anterioridae 2: 2aneriridade 2 pela concomitinia 23) concomitinci | pel psteroridade 2 4) posteroridade 2 pet concomitinia Ts ')amterioridade 1 pla concomitciapontal ; {©} oncomitincia pontual 2 pele anerioridade 1; ‘anesordade | pela concomitincia duraiva 2, 8) conconisnca drativa 2 pela anerioidade I; cana (Sp. 133) Esse € um trecho do delirio da Bala, marado em discursoindi- reto livre. Como essa forma de ctagéo do dscursoalbio, por uma tembreagem, transpbe a fla das personagens da situagio enunciativa par a enunciva,nela © pretéritoimperfeito express a concomitin- cia enuncativa, quando a narativa éfeita no preterit, [Nos casos arrolados, o imperfeito “sugere uma evasio fcticia fora da realidade atualmentevivida”(Imbs, 1968, p. 97) 5) anerioridade 1 pela anteriovidad 2 (petéio perfeito 1 pelo ‘érito mais-que-perfeit) ‘utd tara eset crm hos ath. Quem vise comospleanes ‘nos no cond doch, nel de una gad cas de Baas cud (gece admiral pao def guiets a verte, 0 dg i = Sra em ous con. Coeava o pasado com o presente Qu ei et 20? ‘Prfesr Qu agua Capita tapas, prs cheats “Tins oe he den scents, risa Pas), pas a a ad, pa sera pray bron prs en, des ines 0, dcr ‘ream enn de ori (MA, 1p. © testo comega com pretéritos imperfitos (fiteva”, “admis va" "pensava", “cotjava"), que indicam uma concomitancia durati- ‘vam relagio a um marco temporal pretrito num determinado dia. 48 olto horas da mankd, Em seguids, 0 narrador p esse passado © passa a USAT o presente Telagio a esse presente, dar as chnelas€ anterior. Por iso, & expres- so pelo pretérito perfeito 1. No entanto, de fat, ele € anterior 20 ‘marco temporal pretéito. 0 emprego do presente histori implica ‘que 0 pretérito mais-que-perfeito seja expresso pelo prettito pe feito 1. Pode-se dizer que, nesse caso, também ovorte uma aprox ‘mao do passado, um zoom verbal. ere mu Ouiro exemple: Pn jo maine en irs apc eh ma -ofitho (MA, v1, p. 928). sie (6) anteriordade 2 pela amteroridade 1 (protérito mais-que-prefeito retrito perfeto 1) (0 Cee, sou um do as dems plaisir [-) — ao serena iva om aos tres Ica Yar moe aga mss er] € ips ead a ono pos, gv sb Das eonelera dia © pubis AS39387). ‘Os verbos em itdico indicam uma anterioridade do presente, ‘no entanto,€ express pelo pretérito mais-que-pertito. Ocorre tum procesio inverso aquele que acontece com o presente his [esse caso, 0 afastamento do presente implica um distancia oda anteriordade, que se perde em tempos imemorais. 7) posteriordade 1 pela posterioridade 2 (futuro do presente pelo futuro do pretéto) Conia 9 de 1984, ea cag do vein mal comer eporc Vins ura o response poles clas do pverns de Sago om exer e pubic una He do Ves BAR p78, (© marco temporal instslado no enunciado, “1944”, € pretéito, « publicar so postetiores a ele. Zornar€ expresso peo futuro retérito, mas publica o & pelo futuro do presente. Esse futuro é histérico. Com el, desloca-seo futuro da stuaedo enune!- a preci para a enunciatva. Tem também o efeito de um zoom, 1, por exemplo,o present histéico, Nesse caso, 0 futuro & visto ir do presente (Os historidores usam esse futuro para, tomando como refer: 106 tos passados,descrever as conseqléncis que da decorrem valer et ali, 1964, p. 280) ‘Serio meesstos mi de 1800 amos ur goo sangue gee ak ran o> azar. Em sex noe, drat cls, sr figs os aae Fe ‘sae pbs quo ele Renn, ap Calera i 964, p30) ode-se usar também esse futuro em discurso diet: lcs que find on ie 212 te de cmd 8) posterioridade 2 pela posterioridade 1 (futuro do pretrito polo Futero do present) jal plo omponamemo do iin edseus ascertain gp ‘sn: ma forma de zag csc, presque Seu fl veri cuz ‘aru liv bela brava apr Fopute dx pe a 2285, ils (0 momento de referincia & 0 presente “Esto pensando” &con- ne, norte Hei estan a ws sper Ea puny fata vig espn is"Can oda a ous" (1984. p16) ‘A narrativa do encontro de Léon com & esposa prossegue sem- pre no futuro, Observe-se que ela € feta no subsistema do futuro © ‘consi-se em torno do marco temporal “quando esgotado de vossa Viagem na tereira classe, tiverdes ahero”. O uso dessesubsistema & ‘comprovado, por exemplo, pelo emprego do futuro anterior. ‘esse texto, Léon imagina como serd a cena em que dita 2 mu Ther que ir deix-la para viver com Cécile, Léon no coasegue re presentarcorretamente a cena. Por quatro vezes precisa retomé-la 2, em todas els, fracassa. Cada temtativa comega com a expresso ‘temporal “na proxima terga-feira’.e cada vez ele representa-a um ‘poveo mats tarde. expresso “na préxima terga-fera” marca uma postetiocidade em relagdo ao momento da enunciago, No entant, 0 ‘marco temporal futuro introduzido logo a seguir denega a present dade, colocando-o na perspectiva do futuro, ut ‘A-quinta possbilidade ocorre no poema 64 de Catulo, Depois| durante as bodas de Tétise Peleu, os deuses prsentes is bodas se, as Pareas comegaram a contaro destino do casl. Esa diva vai do verso 323 a0 verso 381, Nela, anunciam basica~ ‘0 nascimento de Aguiles e seus feitos. A narativa € feta n0 do future Naser un fo que nd ers na ean 4 te, Agils, che ids inmigas la peas mas eto ar ie, = oa ees ener ‘mort onan da cra tags ss ca ip an 4 gama (384), {Quando o nana, depois ds pei ds Parcs eon. Biss foram os cas cum coor ve dv as Paras uci Pele eu | fe desi. as, seep, shaban oct cttinaan visas tat fs os ers esas anemia, nda dere ara esse (3024. __ Ao mostrar que 0 que fora narrado no futur jf & pasado, 0 nar- anteroriza o cue ¢ futuro. Para mostrar que temos embreagem, ‘comparar 0 procedimento compesicional do poet latino com ‘Cames no episio do Gigante Adamastor(V, 37-59), em que io revela que os fatos futuro previstos pelo gigante ja passados: ‘Deus psi que remove odo ‘Gas, gu Adina cmon fan (LUS, 60,78, _O sexto ciso poderia ser exemplificado pelo seguinte texto de Verissimo: Meio dese Pe apo, 0 ain psp em ma pus di ec cova Pr Etta ido ants do cp eas nats areca igs oe 6 ini Ea wh ac, 1 eg nie, cneyrm a ca oxcadie os osopeoseveics Ineo a apse od Paces Hod, seta com urs eld ar ‘inna eos sh, O go Hone de Seis tore shor sons braces evn ays Wet {el Po fin fas tts pen cps don ba: los os ore et. Loge cna ws de Mam chins sa mar fei ove dismantle a WGP) a td ie © dssastre de aio narrado a primeira pina de A wala do ga to pre, de Erico Verissimo, oeomeria nim momento posterior 0 instante a enunciago, que & "as ses da tarde do 7 de setemlo de 1943”. No entanto, é relatado no pretérito, para mostrar que foi real- «dade na imaginacio do narrador, durante 0 vo do Rio para Miami Na ‘verdade, si ficamos sbendo que ese fito€ imaginéro e aconteceria depois do momento da euunciagao depois de ele ter sido contado: Ini ois do dbo De mds fata ease em ce jor tive de sen mac eres it J ito Far qua ds que enremos nse azo de lumii que plo do Ro pa Ree, eRe sa Bele, de Blin Pot of Sui, gue aga ap ade Mun SS se ead te 7 de etme de 198, Ns Soe © ma 2 5 ‘eto de sl «amon toa ed ages far a er Nevo fin dtl, pol uma emenda empesade es pres a eenaearse (GP p12) E cifil encontrar os casos 3 e 5, pois, como nota Mendilow, os dois modos bsicos de narrative soa voltada para a frente a partir. ‘do passado ¢ voltada para tris a partir do presente. No primeiro ‘aso, tem-se ilusdo de que a ago est ocorrendo; no segundo, & agio € pereebida como tendo acontecido. Aerescena esse autor, reeunce spice apesent eles espe pis seu srr init ‘sa me mas immo ito dogo an det, de mao Go cs evens ‘care m pao lain do puad-crion, emo mo foo kei. Ex {ao ler exo ota ear ester magia ‘hd em go tno oma 9 ko yrs un “ps ti”. ser ‘pret pr tro onli sein pond como aa peseie fai, € um ous excessive ainsi ol de fun amet ea ‘eral eso po deus ons come da cera come e = neem ae lima a nara (1972, 2.10) “Temos agora que analisr as relagdes que se estabelecem entre os acontecimentos ea temperalizasio do enunciado, ou sej, a propra- maga temporal. Jévimes que tudo © que pertence 3 relagdo entre a ‘emporlidade da enuncisclo e a do enunciado est no dominio da Tocalizagio espacial. Os acontecimentos, que no tém temporliza- ‘io, podem ser apresentados sucessivamente ou simultaneamente. A ucesso pode respeitar&relagio de implicasio logica ou nio, pode ‘esengoaese de manera progressiva em seu encadeamento de asa « conseqieia ou no” me 18 Quando ocore a sucesso narrativa que espeitao deseneoatpro- jv dos acontecimentos, cls so em geral temporalizados pelos -verbais que indicam concomitincia em relasio ao momento in adtido, Cada verbo indica que um acontecimento & pose a0 outro. Exemplos presente: Pez oases ge shun onda spt ara rnc mex fos Bs | bvdeor. Sem en pla, stem demas adam do da xi Fo fspenda oes do econ. Pos win Spas ca pass sera, Cha Liz irampen sss, ala VOR, 9.1067, pretrito perfeito 2: © So campus deena: Rui comps 0 rap eo es hinds (iat amr gut ono alo persone Aches ha sl isa Coenen, ep. Eiperan st loon, orm aera 8 mi, aoa mene MA» 1-772), petit impereio: Oslo a eden see dpi de vague 2 pera ae ‘ers os peas ous (MA 1, 803 7 presente do futuro on des ae pono ead oi (MA, 61. p. 12) — A simotaneidade dos acontecimentos € indicada em geal, im- to explctamente, pelo termo enguanto ou por Expresso me Exemplos plicit: | Faia dcomen pon pti cna oe do Pap tk sts rs mu asa so eo Scat eas wr | Ses oot gee ssi Ranson oan ao moe, ern p88 }explicito: Ergon searo oe ex apt eao o jee unou ona ne 7.) _Pode have amb uma discrdineia enue a oem dos acon- 05 a dos enunciadon. Nestea, os eventos poder sr ul Pry ee de mmc teriores ou anteriores Aqueles que estio sendo relatados. Usando a \ermiaologia de Genet (1972, p. 82), denominaremos analepse a ‘evocagio de um acontecimento anterior ao ponto da histria que esta Sendo marrage e prolepse a narracio de um acontecimento posterior. (Os tempos que indicam anterioridade introdazem analepses; of que ‘manifestam postericrdade, prolenses. Podem elas também ser mar. ‘eadas por expresses adverbiais de tempo: Ein, peu ds ose cai, No cor pretence aan gu devia set mui ude pm ee wo sel alga ‘a Tie ia deer alegrana eigen gue owes dead cas aso sso gue casa mia mis ere ej, ese epic ss ts dents ate Sth pr. agree et oa ie eee Nan er fi ain sree, cers nao. ese Quad ene al, igo raboscomig. ‘Opie Cable vse ea iin (MA... 886) (0 naerador conta uma sucessto de avontecimentos valendo-se do pretérito perfeto 2 Interrompe anarativa no momento em que Fea ta que entrou na sala¢ ninguém ralhou com ele, para, com 0 pretti~ to mais que-perfeito “reecbera introduzir um acontecimento ante ‘or ao ponto da histria que est sendo contado, A analepse tem af uma fungdo expicativ, jusifiea por que ninguém ralhara com ele © or que todos estavam conversando alegremente. (Osemgosctedxoum poten. csxmpashraD. Ati de Maria 0 2 binge Jama, poral gu na a lo rari, que aa tins de ‘eke orp desea qari para ura ep Je ca 00 sxkra sein de pal [Ne oad om ge vino lies da ca ios dscobiam ‘socio puso abd apd D, Ani. co hme evident ‘dose dni gers pr ae encom se om es rs sr, mand aps esa aia ale ft dela um depo oe deve cnr laa anor pvr (Gp. 16-7) esse exemplo, s analepse é marcada por um adjunto adverbial Depois de contar 0 que fizeram os mogos, 0 naralr introduz como ‘djanto adverbial “na ocasiio em que se abriam os alicerces” um fato anterior a0 que esté Sendo contad: a descaberts do socavio ta- Thado na pedrae seu aproveltameato por D. Antdai de Matiz Sind oar em que dear cu ose eeu, o see cash de twice, Anni de Mana ep olde ue ingens ses, Dates as sunnier pus 0 Ride anode concraria omens apr ete, Dass sian apse a sexes wo momen cm gi po ‘eer do sin de Rte Dis | Taso vole se sgred Fell vague ser deus gaps nig spn? spor pr secon cm gus avenuinsqu tm 3) ea evo tes fain oe dvs leva aaa de ner. 16", “0 sarador, depois de reataro gue fe2 aventrciro apis er do logar em que deixaraocuto seu tour, atecpa, com lo pret, 0 que poder fazer mais ade Loredano. ‘0s tempos vrais do eminciado enunciao pertencem, eto, 20 temo, & programagio temporal, quando eto ordenando os onecimentds em suoesses, simulanciades, analepsese pro 8 Joalizasao temporal, quando se estabelee rela ene & multaneidades,analepsese prolepses nivel que podetamos chamar microdiscursivo, ocorem esses me- smos de programacio temporal aum nivel macrodiscursivo, ‘eso, a relagdes temporas estabelecem-se entre as grandes Em Senora, de Alencar, 0 segundo ¢ 0 terciro captules mas- uma sucesso; o segundo narra uma conversa entre Aursla € Dona Firmina na mand seguinte « um baile, tereeio conta 0 das duas mulheres, o envio de uma earta ao Senhor Lemos, ‘Toda a primeira parte vai, exceto por algumas pequenasanalep relatando sucessivamente os fatos que culminam no cassmento| “Aurelia com Seivas. Os capftulos Ia VIII da segunda pare cons ‘uma longa anaepse que expica os seontecimentos narados primeira parte. O capitulo IX retoma o final da primeira parte para ‘narrativa possa continu A primeira parte termina asim: A mogs apo Secs uma catia psn. ~~ Sexese ney mae (Com om om set eect lana a mop ef ae maid. ue ms seus bios ids acts como ut da erat eins rea! ‘Scat enone. Dorin cstata isch dessa tena ms tage aque fer aio (S966, 26 sess de bs (0 capftulo 1X da segunda parte comega da seguinte man “Tose cra pil onde eesena rimsa cema do dram rig) gu ape cobs» bg. Os dis es ind conserva mes bso eau es deixar Fede Seas bees assim A ‘hase asa ma moa un ohare A mg rst un cay ‘loca ee ist arid, cys aes crease ite bata, p85), ‘Quando a sucesso é mareada por algum sistema de passagem do tempo, temos uma cronologis. Os aeontecimentosnarrados em O no ‘me da rosa de Unibero Eco, suzedem-se a0 longo de sete das. A se- ‘cia dos eventos de cada dia € marcade pelas hora doofco dvi- no (matinas,Iades, prima, erga, sexts, noa, vésperas e completa), Em O Guarani, © capitulo X termins com @ episddio em que Cecilia e Isabel vao pars hanho no rioe Pe, tendo noted o olhar de io que trocaram Alvaro e Loredano, oferece a eles as pstolas ‘que ganhara, © capitulo XI conta o atague dos indies a Ceetia © 0 que fez Peti para salvéla, O capitulo XML comega cam a fase *Voltemos a casa” relata 0 que sucedeu quando D. Laurians encon- trou a onga que 0 indio capturara, Os acontecimentos do capitule XI, ‘so simaltineos aos do XI. ‘Em Membrias postunas de Brds Cubas, a nario comega com ‘ morte do narrador eo seu entero, Af o romance se desenvolve ana- lepticamente eo defurto autor vai relatando sua vida, do nascianen- {to mort. capitulo final, ntiulado “Das neguivas,retoma oincio {do romance reatando suas duas pontas: Soma urs soos ¢ otras, gg pes imi qu ie howe mings te sera, coseuneneae a qu ou vid nabs mk pre =o ‘hear estou aod msi, eee cr en pope ale, qo er ‘aera nezava dese cap dent: a0 te Bos, oo ans ne ‘haar ad a ms iia A. p. 68). As prolepses ocortem mais raramente, dado que # forma, ramos normal de contar uma histéria € situé-la em posigio anterior ‘a presente da enuncigdo, Muitas vezes,porém. ocorrendo uma pro- lepse, onarradorintervém, suspendendo-a: ‘ef nidesmen sua ei: no, cata und svenueinsr ‘etal: purr al sis inode eign: nem a dees ests pasar sabre cop eu aig os mes abe ins de um tO ‘ad ana faa. Tnfzmene atl or nsperd, sd do eo da ea, via adic al stg. nage m1 ‘Mas ones pr or sind estes em Hyman asda ea, ina sata oar eras censor pr stim dss ‘ets (.p. 118, ‘Depois de atecipar 0 que ocorrer no final do romance, a casa Ja a cinzase a run da familia de D. Antonio de Mari, bem Jembrar a cena em que Peri chama os wés aventursios de © naradorcorta a prolepse e volta a presente da naragio. neressantenotar agui que u primeira parte termina com 0 ps6 io em que os rs aventureiros tamam sta consptagio ¢ eri desco fo. que eles fariam. A segunda pare comes com uma longa ana- para explicar como Loredana e Peri se tinham unide 3 famfia Mari. A remenoragdo da cena dt conspiracSo€ uma prolepse em ‘ego so presente narativo da analepse e esta ser retomada. | Muitas vezes, o narrador anunca a prolepse sem fazé-ta tim foro Quins a Nae min inf renee i vi ‘hn nen as ge, ete our dex, fen oih adie le nig capa ona ea tor Mo? | teins atch cd els is pn pe tends per secs Wnts eps pangs ies orm ovine ds Cy oom ro cs dss Fes em ene Fae npr nero Go Bea fe {seas i Sa. eon mo pe pe ce oe Iason um opel de emo pero pce foe Ts gto tana e pias cot rps Tne ut dia gpa a eum oe ris E possvel haves, como constatamos sales em prolepss (por is “Chora mais tarde, come vox" ou prolepss em (oor exemplo, “tina aconzidoo acide nt como ver ‘ast -Aalepsese prelepses tm diferentes ngs texto, somo mos- Genet. As primers completam a narativa de wn acne Colocand- ur deur evento serio, reenchen uma a ‘explicm um dado acoteciment;relificam uma preci i. as Segunda nuncio qe oom nscpa neon ias de deteinadonacoteimentos, ee (1972p. 77-121) ‘Conform moa Dana Lz Pesos de Baro, rio distingir o temporal, que eliza a sintagmezag0 dos tempos, Programas textual, em gue o sjito ds ennciagio “ter, por edad para reorganizaacronloga” (1988p. 90) Tam 28 st cing ‘bém fazemos essa distingdo, Contudo, temos uma concepgéo um Posco mais restita do que seja programagdo textual. Consideramos ‘que tota orpanizagio temporal marcada por melo de formas gramsti- case do estabelecimento de relagSes no interior do texto pertncem 0 nivel dscusivo, $80 do nivel textual somente aqucles proce ‘mentos que visu, de alguma forma, a obedecer as coergdes da li nearidade ou a evit-las. Assim, perience & programagio textual 9 {ato de os verbos da frase de César Veni, vi, vinivirem um depois do outro para marear a sucesso. Tamm & um fendémeno da pro- sramago textual contar uma histria de ts para frente, como far Luis Fernando Verissimo em Contorerrotivo (apa Barros, 1988, . 90) ou misturar os didlogos que ocorrem a0 mesmo tempo em lugares diferentes, como faz Mario Vargas Llosa em Conversa na ‘caredral (CCA, p. 100-4). A programagao textual estérelacionada '3o-somente ao plano da expresso. J4 simultanidades, anteroria- ‘es © posteriridades si relagdes do plano do contesdo e, por con ‘seguinte, pertencem 20 nivel do discurso. ‘A temporalizacdo dos acontecimentas é comanlada peo tempo feed grates ete capt dope de ‘Ase Pais, rR, {Gt rg otra apo palin sd Ts ie iu Eudes pect sine epee se ro de ul eg gan Gt dn quad ina tne geo bg ei Lng Ba clo ass ei fli mo cen: Wa (9) Dn 17 Pas age capa ngs decmian oe une. i pe fon agen” (19 18) ve uct pop era ss fps one cnc ews ony stirs epee tag inguin, qe, por seu mo, seria ate egress ingica. us ver gue Tag ode ux do oun ei nda em eric ese tye. ln ene unspent Ps 197 p61) flog qua exiocncrpende fae qs o Tagen. gost ge prpen esr al3a Pat ‘ito dle O ce qe Ae a nag fen ge do wnseteeuio so gu eens nape ges apt nino ep © ao (no “igi pu Bei, oa wa fag en ae sta schiners um smlanes,maanrae eu p> ‘err. Usemos aid om ec eo pan zg © io pe © © rtp. Afsano-a depos de Wein en is os atin od m1 tte: el seu subse vias pas ei psi fae ¢ soca lee ots vrs expense pnd vis. Eno nc pera inglidad dopo gl rue gt en en com om os senor. Ade df asta dle ene ees oman ars € Ge mundo cone, its pe arr cm tegen do cmc © ‘mete comers ara sais mst shi pera epic fz. Ka Harbus), 0 dei aie ene eye ser. crt ue tau exe uma renin do psn, asin sige owe as Tempo dr sera Pun ela psn ara art, opi tm or fn; ia o pat, ms clade No scenes Pope lam ents pert pra cexpr 0 eeu como ao deme, Ena" cs eam dere J ale ena eps Deis de i ondinemonet exams ste, ems enieages Dict ore ens dina gue osenpsdo sb, arse apes nt a soins, eos 3 ferme da cose ‘to tnpren ure esd ms ‘ioingona qu sims sere ou. A Ling io praca odd “al” ms co und ds leugem, ose cleo debs Ec as see oo ao ae dees ps gu resi pt {eto pect nena emp esta Co vcs ma aan, o pes do sem ent, deemed gue sae cm ssi ip prin 0 al cna n> sid gum db enc ein. Asi, ec 0 cu a ee itp eum ia da sen cnc enix empress es to pate te um fa do preset ern ern No ram. so prec ‘rk dene perso deve ee ing a der oer, se wospsem ro Sema erp peleo qu: oimpereinfrosiitema pei, 0 tim posit eis do inert. pein ps na a or eee eects inate ant en fase ee eee ‘er cama ps alu Wop ables oe 9 mania esse cae [a om um oo Ex. impertivo seme ace ner into irae (Horses int sab ener fae: eres Stich ber | (mevew0 Else ec eee sn io i a, 1940 p270, Exeter cnjutiene alts e ees mbes, en seer quige Angi ences Seon design de expe tempt um ps de eps men ‘ge in, sxe adler exes eer, "Na a enced mci ras cin canis inte 0 cx): 6 © win“, exile preci (fr exemple, “ro inn da), Diyensere ommend call «v pono aie nfo gud o sbsaio| ara jee. renos ee seo maaan As sess am marae eto eo cnn 0 ‘so ak nesta px onsen bspecalagi do eng e103 ‘rag pie da Cofino € maa ea csensgloay exe ‘Soo unin oc en wha cereale ‘es a eo sui ao 4, Do espaco [Nios contra exp, é precio consul sempre. (Bictela) espaco dominado {La singles pei eomiia we nge de presale. A oposisio Joma nia pode arrange O mine rabaa (Biches) ura én prt wo emo, eps € wn pnt ein (ose ute) Das ts eatoras da enunciagdo a menos stud tm sido o Benveniste, 0 iniciador da moderna Teoria da Enuniago, (ie a cnuncagio & a instncia do ego-hicnunc, esta detida- as catepras de pessoa ede tempo em Proms de lingus- générale 1, as dedica sempre poucas lin quest do (cf. por exemplo, 1966, p. 279; 1974, p. 68-9). No dmbito dos: dos iterrios, hd mas pesquiss sobre © espug, mas no sobre tibiae (elagdo ene o expago da enunciag eo do enunciado as projeges)e sim arespeia de sua semntica Se cas celts eruicn titre «pera cpl feck rt ‘por Gaston Bachelrd. Em sis obras (Paychanalise di fu Lea et les reves, 1963; Lair tls songen, 1962; A terra € 8 devaneios da vontade, 1991; La terre et is réveries dl repos. A potca do espa, 19RD), 0 treo francés most que 0 fento semintico da espacalidade metaforiza, mediata 0 a roi emt seriniscencns annette sitet, eins eiceeatn feslnosatats da tina te ‘gundo a filosofia pré-socratica, 0 fogo, a dgua,a terra.e-o-at.A Sika pec! even rtntcheva epics ose Im Por it wponnts de Bachelor um “sad polis taco dex ings ios de wes vida ina” CI98R, p18), ‘dtd neta junguan de oe aaa hua coi derma amas qu se vo superpot,aOpomnfise vai eso- Thando-a com visas cegarao ne! mal prof (1988p 108). ‘A pti do ep anaisO Cpaon de sae 0s teat 9 cles terior (pr cremplo, a0 port eao aden on eas dae Cloaldde de obcuidade, danse, do esti, emt oot Td, od iberdde da lade aconalidade, da abet) opi pegnemenido areata ene enetade neo. ridade ¢ a fenomenologia do redondo. Ricardo Callen deco ara obra a0 expo (980 baa per conternoso tice para vr que ees dea tae sobre sa seine (porexenpo sss, oan, o camino st) No Brasil um ator qu se ocupou do espago ft Osman Lis em teu Lina Bare ¢ 0 expage romanesco (976). A pt der elon como page e mncwas (alan, fan reflex), Osram Lin als, de mancinii aguts& epoca 0 tomnce de Lima Bare pincpsimentcem Vide morte de Gonzo de Si. abe ind, end, por qua Tera da Eco, 08 o- tos do espe oapes tna psa seme eon trios, vase par ua naive da sma 0 Se deve 29 feta de que, compara ts do tengo e da reson, 4 cxegrs spa tm ment levine no proces 0 dcasviagio, Com ey steak tae cmon gion OO {pessoa na fils mesma porate es dus caters express por moremassuhaisnvesariament presets no vociulo ve Bal Como, pre, oeopafo€expeto por mores lives, pode prance Pocet ura gg ein a fae tag tempor! or «espacial ps pero alarm Gr ned incase epi, gue em lo 20 enncadr quer em reas tur pode feta insrin co cerido, A pop pee eyo na mae stm so psi Gee Por uma sina cas nes puns os expan. gue sri as ris eaeturs dingo (omens as rans Tings eile Bee ~ ‘et cident pos it he oar ua ire psa aro epee ee ope nn lab dae gto fe copne iyo no sts no emp cease mo eras ps {dso mecnrtenent cots ume dorset do oa ed fDi ee uher ue eerttaes enya aaa n Inet ms pores gue sus emi ea, Co te ‘fs sgn uc gu permet ao pes eno ee (Uv dan dos ae hopeless Fane item) open ¢ ma rune cpeidn ¢ & erim dee Sipe stenosis omens code Prom reve uh aA a Feber ep pean ade Mare pda ra ek ‘ene ear nos em spec Cm Ee eps {epee nt ogo oon mec de mehr fant octane”) ato ment glues nesta oh deems dr cls Laraae€e ecole oj sismoer ioe pr teenporn a Sac enprlcweesptte ee in cos um co cepa siege ara 1972 p20. {Quan narativa se ocupa do expo, nos ineresta tanto em ta sntaxe espacial, min em erat o gue Osman Lins numa ambientago, que ele etendia “como 0 conjnto de ‘process conbesidos on poses, dstindos a provoes na nati noo de um deteminado ambiente (1976.77). ambien da orem d seminica da expciaidade Nejamos spor como 0 homem tao a questo do espago nos améion de nossa cvileagao. Vernam masta gue, na represen: os doze desessreos, Hest forms par om Hees: Sefomam pr contin lg ds rep é agua svn Stax wr nes pao, pone ws a alia w reso dm do ore some fans cores.) Pdese dz: qu 0 cal Hermes Waa expe, ea pli. tendo on observa repre ia do “uo: esp eis am cen um por com ar pvp ari do ‘gal se pss eenare der desis, ns diets qaiavamene: 0 ‘po, por, se gen ao mesmo tee cn gar do ovens,» ue Ips un posibae de rans e depp de ur po aun oxo 05 5, © cespaco anicula-se, entio, em torno das eategorias interiori- Ws euterioridade,fechamento 9s abertura, fide: vs mobili dade, que so homslogas 2 categoria feminlidade ¥8 masculinidade (Merman, 1973, p. 132). Todas as atividades © papéis masculinos & definem-se em fungio de seu espayo. Por exemplo, no jo econdmico, a atvidade masculina € a aquisgdo e a fei 290 sees de amis ra a tesauizagio (Vernant, 1973, p. 140.€ 153). © omphalés de Deifos era considerado o trono de Hsia (Vernant, 1973, p. 136). 0 ‘que significa que todo e qualquer espago € construido a parr de um onto cent, que € visto como erninino. ‘0 que foi dito comesponde ao espago humane, No entanto, a primeira cosmologia grega concebe um universo com niveis. 0 ‘espago de cima 60 das deuses; odo meio, o dos homens: ode Baixo. fda morte e dos deuses subtertineos. Nio se pode passar de um a (outro, a nfo ser em condigdes muito especias. Por outro lado, n0 ‘undo dos homens as dresdes vem valores diferentes: “a dirita & propfci: esquerda € funesta”(Vemnant, 1973, p. 159). Com Anaxi- 'manéro surge uma concepsso geométrca do espago, uma concepeio, csética do universo, Por outro lado, mostra ele que as relages espa ciais so simeériese reversiveis, E Vernant continua sea belo utigo, ‘mostrando que o surgimento da pls se dew no quaco de wna orga nizago “igualitiia” do espaco socal, o que implicou oaparecimen- to de uma nova concepeao do espago e de ums nova cosmlogia. ‘A aventura humana da compreensio do espago vai da mitslogia & geometria, Diz-se que essa cidncia teria sido inventada pelos esip- cios em razsio da necessdade de restabelever 0s limites das pro- priedades agricolas depois da cheias do Nilo. O eetto € que as fOr ‘mula fundamentals para as medidas js eram conbecidas de epipcion « babilinios. Na Grécia, sucedem-