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Curso Método Vestibulares

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Dicas para escrever melhor

ORGANIZADOR: JOSÉ NERES

CURSO MÉTODO VESTIBULARES

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INÍCIO DE CONVERSA

CURSO MÉTODO VESTIBULARES 2 INÍCIO DE CONVERSA Vamos começar de um modo diferente. Vamos iniciar nosso

Vamos começar de um modo diferente. Vamos iniciar nosso trabalho lendo algumas da

famosas Pérolas dos Vestibulares, que são facilmente encontradas em várias páginas da

Internet. Vamos torcer para que durante o ano vocês não consigam escrever nada parecido. A

situação é triste, mesmo assim, divirta-se!

Algumas perólas da redação do vestibular 2003 da Unicamp - Universidade de Campinas.

Tema: A mudança é indubitável, mas progresso é uma questão controversa. Por isso todas falam de evolução, mudança, progresso

"A mudança sempre ocorreu e sempre vai ocorrer. Ela ocorre para os seres vivos, mortos, para o concreto, para o abstrato (idéias)."

"Desde o seu surgimento o homem galopou pela escala orgânica, tendo seu cérebro como montaria, pois anda a frente das demais espécies, dominando-as a seu favor."

"As mudanças ocorrem devagarosamente."

"Dificilmente vamos encontrar mudanças ou progressos que são positivamente bons para ambas as partes."

"Pode-se notar que o homem só conseguiu ir para diferentes lugares do mundo a partir dos primatas, que desenvolveram a roda, tendo como conseqüência a possibilidade de conhecer culturas variadas."

"Desde a priori aos tempos remotos

"

"Antigamente ao bater uma carroça na outra dificilmente alguém morria, hoje após a evolução, milhares morrem em acidentes de carro."

"O homem progrediu as custas de outros, como Frankstein, que deu vida a uma criatura,

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adquiriu a evolução mas não teve bom êxito com o monstro criado. Já que este monstro não tinha noção da sua força e deformação."

"Pode até ser por acidente. Tropeçamos no progresso, caimos na mudança e levantamos na evolução."

"Tudo vem dos seres vivos, até os seres não-vivos."

"E o Homo Sapiens continua seu progresso: desmatando, poluindo e usando desinfetantes, só para dar cheirinho no seu banheiro."

"Eu, particularmente, desenvolvi uma cabacidade de raciocínio e argumentação incríveis."

"Como diz o ditado: é duro agradar a pobres e troianos."

"Todos os seres evoluem, cada um com a sua evolução, pois somos todos individualistas."

"O homem tem a capacidade infinita de evoluir, mas não sabe utilizá-la de forma segura e promíscua."

"Os próprios seres humanos somos mudanças ambulantes."

"A falta de consideração para com a natureza ocorre devido a falta de maturidade da cabeça e dos pensamentos humanos."

"Somos a própria imagem da evolução refletida no espelho do progresso."

"O mundo está reagindo as reações que o homem está fazendo."

"Sonhamos com um mundo melhor, visto que o dinossauro cedeu lugar ao cachorro, gato

"Os aminoácidos foram os primeiros habitantes da terra

"

"

"Fazendo uma comparação das proezas do coelho que se reproduz em grande quantidade, os humanos já venceram com maior número populacional."

"Segundo a terceira lei de Newton, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."

"A cultura mudou, os costumes mudaram, até os dentes dos nossos bisavós eram diferentes, temos dentes a menos."

"Após cinco anos de sua introdução à sociedade, havia concluído dois cursos superiores e penetrado na vida política."

"O macaco é descendente do homem."

"FMI, gente que nunca veio aqui e nem sabe o que é sofrer

"

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"O filósofo Nich do início do século já observava que a evolução geréri ca teria que ser de "

forma moderada

"Porém o mundo anda em

progresso as grandes maioridades das vezes."

"Os maias, por exemplo, p ouco se sabe sobre essa civilização, muitos ac reditam que eles chegaram a tal ponto evolu tivo que transcenderam. Ou mesmo as civiliz ações dos cristais que ocuparam o planeta há mui to tempo atrás e que obtinham todos os seus poderes dos cristais."

"Ainda não se sabe alcerto qual foi

"

"Estamos no apse do mund o digital."

"Tivemos uma longa conve rsa de cinco minutos

"Hoje sou antropófago

"

"

"Anafaquistão, um país qu e derrubou as torres e que tem como deus um tal de Bilack

"

VAMOS AGOR A FALAR DE ALGO MAIS SÉRIO

tal de Bilack " VAMOS AGOR A FALAR DE ALGO MAIS SÉRIO É quase chegada a

É quase chegada a hora do vestibular e, novamente, a agrura da

decisão de toda uma vida escolar através de apenas um grupo de

provas começa a atormentar a vida dos es tudantes. Isso é normal.

Novamente vamos ouvir falar que redaçã o é um monstro de sete

cabeças, que escrever é muito difícil, que saber elaborar um bom

texto é um dom divino, etc.etc. etc

Nossa idéia é tirar todas essas “le ndas” sobre redação de

sua cabeça. É possível sim ser um bo m redator sem ter sido

No decorrer deste ano,

iramos estudar os modos de como escre ver um texto eficiente,

sem, no entanto, precisar d ecorar “receitas” ou fórmulas prontas.

Antes de passarmo s para as aulas práticas, é bom sempre lem brar que tão importante

quanto escrever é saber ler os textos alheios, pois é através da leitura q ue iremos descortinar o

agraciado com os presentes dos deuses.

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universo das idéias dos o utros. Como há uma grande carência de gê nios no mundo atual, é

deixaram como herança

cultural, sem, contudo, fa zer de nossos textos meras imitações do q ue já lemos em outras

páginas. Nosso cronogram a de trabalho é repleto de texto dos mais va iados autores, dos mais

variados estilos, tudo iss o para que você possa entrar em contato significativos pensadores d e nossa língua.

com alguns dos mais

sempre bom que nos apoi emos naquilo que os mais experientes nos

SOBRE O ATO D E ESCREVER

José Neres

os mais experientes nos SOBRE O ATO D E ESCREVER José Neres alfabetizadas, o ato de

alfabetizadas, o ato de

esc rever equivale a um terrível castigo. A fo lha em branco toma a

dim ensão de um monstro implacável e invencí vel. No pensamento, as idé ias até que fluem normalmente, organizam -se em blocos mais ou me nos harmônicos e se alinham sem maiores p roblemas. Mas na hora de passá-las para o papel É na hora de pôr as idéia no papel que o verdadeiro drama tem

passe de mágica, tudo

se torna sem nexo. Os pen samentos tropeçam nas palavras escritas e a s mãos teimam em não obedecer às ordens do cére bro. A angústia de não conseguir traduzir as idéias em sinais escritos costuma, grande parte das vezes, desestimular a quem não está acostum ado com as artimanhas da mais vã das lutas, con forme disse Drummond: “Lutar com palavr as é a luta mais vã, no

receita o grande poeta

entanto lutamos com elas

início. O que parecia ment almente organizado desmorona e, como num

Para a maioria das pessoas oficialmente

mal rompe a manhã”. Deve-se, então, como

mineiro, aceitar o combate. Com o tempo, se a pessoa não se entregar ao desânimo e ao im perativo da desistência, perceberá que é normal per der o fio do raciocínio durante a elaboração de um texto. Poucos são

os que conseguem ir da int rodução à conclusão sem que a linha do pen samento sofra qualquer interferência interna ou ext erna. Ver a escrita como um terrível desafio é a forma mais simplis ta de propagar a antiga idéia de que escrever é u m dom recebido apenas pelos “iluminados ”. Restando, então, aos

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outros pobres mortais apenas a tarefa de ler o que os “gênios” escreveram. Ora, se escrever fosse unicamente um dom, de nada adiantaria estudar, para nada serviriam os anos e mais anos que passamos diante de livros, na ingente busca de um aprimoramento intelectual. Mais do que uma questão de dádiva divina, escrever é uma constante tarefa de prática e

de aperfeiçoamento. De nada adianta ficar lendo manuais de “como escrever bem”, se a pessoa

não estabelece para si um programa de treinamento que busque melhorar a expressão escrita. Além disso, não se pode esquecer também de que a leitura tem uma importância vital para quem almeja dominar as palavras no papel. Sem ler, ninguém consegue ter idéias e argumentos para desenvolver. A leitura (em todos os níveis) é uma espécie de mãe da escrita, uma vez que é a partir dela que o homem armazena conhecimento para fundamentar as próprias teses ou mesmo para compreender as motivações alheias. Escrever é um desafio? Claro que sim. Mas a velha expressão “eu não sei escrever deveria ser substituída por outra bem mais coerente: “eu não estou acostumado a escrever”. Afinal, não se pode gostar daquilo que não se conhece direito. Para sair vitoriosa desse desafio, cada pessoa deve tomar consciência de que a prática constante e sistematizada é o caminho

mais curto para perder o medo de enfrentar uma folha em branco. 1

PERGUNTASPERGUNTASPERGUNTASPERGUNTAS EEEE RESPOSTASRESPOSTASRESPOSTASRESPOSTAS

Temos a seguir, algumas das perguntas mais freqüentes por parte daqueles que desejam ingressar em um curso superior e que temem os desafios impostos pela famigerada redação. Claro que nem todas as dúvidas estão elencadas no questionário abaixo, então você terá o direito (e até mesmo o dever) de também expor seus questionamentos.

01. É VERDADE QUE É MAIS FÁCIL FAZER DISSERTAÇÃO QUE NARRAÇÃO OU DESCRIÇÃO? RESPOSTA: Não existe essa história de dizer que um tipo de texto é mais fácil que outro.

O que pode acontecer é alguém estar mais treinado em uma forma ou outra de escrever. Na

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verdade, nada é fácil. Tudo (tudo mesmo) depende do esforço de cada indivíduo na tentativa de tira o melhor de si em cada situação.

02. PARA FAZER UMA DISSERTAÇÃO É PRECISO ESTAR BEM INFORMADO? RESPOSTA: Sem dúvida alguma! Estar informado é um dos requisitos básicos para quem pretende dissertar, pois, para que se desenvolva coerentemente um raciocínio, é preciso que se esteja seguro daquilo que está sendo defendido. Ler jornais e revistas, assistir aos noticiários e analisar criticamente a realidade devem ser tarefas do cotidiano, uma vez que servirão de alicerce para outras informações que surgirão com o tempo.

03. TODA DISSERTAÇÃO DEVE APRESENTAR OBRIGATORIAMENTE TRÊS PARÁGRAFOS? RESPOSTA: Obrigatoriamente três parágrafos?!? Isso não existe. O que ocorre é que sempre foi sugerido aos vestibulandos o número MÍNIMO de três blocos para que as idéias ficassem organizadas em introdução, desenvolvimento e conclusão. O que não significa, em hipótese nenhuma que um texto não possa ser trabalhado em um número maior de parágrafos. O candidato jamais deve ficar preso às pseudo-regras de escrita. Deve, sim, é lutar para conseguir coordenar seus pensamentos de um modo prático, lógico e coerente.

04. EU POSSO ME INCLUIR EM MEUS TEXTOS? RESPOSTA: Aí está um assunto bastante melindroso! Antigamente, pedia-se que todo texto dissertativo mantivesse seu tom de impessoalidade, isto é, que o redator não deixasse que o leitor identificasse a “voz” do autor nas possíveis críticas constantes do texto. Mais recentemente, já se encontra defensores do uso de verbos na primeira pessoa do plural, o que deixa entrever um certo grau de subjetividade. O que todos desaconselham veementemente é o uso do pronome Eu em dissertações, por deixar o texto com uma aparência pouco crítica, principalmente quando aparece seguido do verbo achar, que , por sinal, deve ser abolido de seu vocabulário.

05. QUAL É O TIPO DE VOCABULÁRIO MAIS ADEQUADO PARA UMA DISSERTAÇÃO?

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RESPOSTA: Já demos uma pequena dica sobre isso no tópico anterior, mas nunca é demais complementar uma idéias com mais alguns detalhes. Algumas pessoas acreditam que o sucesso de uma redação está no uso de palavras difíceis e de termos pomposos. Mera ilusão! Quem vai ler um texto escrito para concurso não está interessado em saber se o vocabulário é rico, mas sim se as palavras foram empregadas adequadamente e se conseguem traduzir com lógica o pensamento do candidato sobre o assunto. Portanto, é sempre bom fugir da tentação de mostrar erudição. O melhor mesmo é usar palavras simples, sem cair, porém no simplismo e na vulgaridade.

06. EM TEMAS POLÊMICOS, DEVO DEFENDER UMA IDÉIA OU FICAR EM CIMA DO

MURO? RESPOSTA: Os chamados temas polêmicos (aborto, pena de morte, incesto, eutanásia ) geralmente pedem um posicionamento crítico por parte do redator. O fato de tomar ou não um partido fica aquém do fato de saber argumentar sobre o ponto de vista adotado. O candidato pode pender para ou lado ou para o outro, mas sempre deve ter em mente que, ao defender suas idéias, deve ser coerente do começo ao final do texto, evitar contradições e jamais escrever movido apenas pela emoção e pelo chamado “achismo”, ou seja, pelo que “acha” que deve ser. Quanto ao “ficar sobre o muro”, há temas que devem ser analisados sob os dois aspectos, o positivo e o negativo e outros que pedem uma tomada de posição, então, antes de escrever, é importante prestar atenção no tipo de tema a ser trabalhado.

07. QUANTAS LINHAS DEVE TER UM TEXTO DISSERTATIVO?

RESPOSTA: A rigor, não há um número determinado de linhas, o que há é a recomendação quanto ao número mínimo (geralmente 20) de linhas. É sempre bom ler com atenção o Manual do Vestibulando, pois cada universidade tem seus próprios critérios sobre

esse assunto.

08. POSSO FAZER CITAÇÕES EM MEUS TEXTOS

RESPOSTA: Não só pode como deve! Contudo as citações devem estar contextualizadas, ou seja, não se deve citar apenas para alcançar um determinado número de linhas. Ao recorrer a

trechos de outrem, é sempre bom fazer algumas reflexões, como por exemplo: a relevância do

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autor citado para o assunto; a adequação do trecho ao tema; a capacidade do redator em desenvolver a idéia constante na citação. É importante também que se diga o autor da citação e que se faça alguns comentários a respeito do fragmento utilizado.

09. POSSO FAZER MEU TEXTO EM FORMA DE POESIA?

RESPOSTA: Nem pensar!!! As universidades querem analisar o seu grau de coerência e de atualização sobre determinado assunto. Não interessa para ela o fato de você ter ou não alguma veleidade literária. Geralmente, os próprios manuais já trazem a informação de que o texto deve ser escrito em PROSA.

10. O QUE ACONTECE SE EU FUGIR AO TEMA PROPOSTO?

RESPOSTA: Infelizmente você estará eliminado. Este é, por sinal, um dos poucos casos em que a redação é automaticamente anulada, pois se o autor não conseguiu captar a essência do que lhe foi pedido, não conseguirá elaborar um texto lógico sobre o assunto. Alguns candidatos, quando percebem que já estão fora do tema, costumam concluir seus texto da

o que

seguinte forma: “De acordo com tudo o que foi visto acima, podemos concluir que não engana os professores mais experientes.

”,

11. QUANTOS ARGUMENTOS DEVO USAR EM MINHA DISSERTAÇÃO?

RESPOSTA: Não há um limite numérico para o número de argumentos utilizados em uma dissertação, contudo é sempre bom ter em vista o fato de que temos um espaço limitado (limitadíssimo, na verdade) para o desenvolvimento das idéias. Por isso, não aconselhamos um acúmulo de argumentos. É melhor trabalhar coerentemente alguns poucos argumentos, que tocar apenas superficialmente em uma grande quantidade de idéias fragmentadas.

12. PODE HAVER DISSERTAÇÃO NÃO CRÍTICA?

RESPOSTA: Há a chamada dissertação expositiva, aquela em que, como o próprio nome já indica, temos apenas a exposição de fatos, sem que se precise defender uma idéia em si. Porém tal tipo de texto geralmente é pobre e não chega a alcançar os verdadeiros objetivos de uma dissertação, que é discutir um assunto de forma clara, coesa, coerente e lógica.

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13. QUE FAZER PARA NÃO FUGIR AO TEMA?

RESPOSTA: Fugir ao tema pode ser uma demonstração de insegurança ou de excesso de confiança. No primeiro caso, o candidato acredita que nada sabe e que está perdido diante de um tema aparentemente desconhecido, por isso começa a “atirar” em todas as direções, sem analisar conscientemente os fatos que está expondo em seu texto. No outro caso, temos um candidato que acredita que já sabe tudo e que o tema proposto “é moleza”. Ele começa a escrever compulsivamente, confiante no fato de que, pelo menos à primeira vista, domina o assunto. Quando chega ao meio do texto, percebe que as idéias estão escasseando e o texto “não anda” mais. A solução é recorrer a argumentações desligadas do contexto. Para que não se fuja ao tema, é de primordial importância a elaboração de um plano de trabalho, ou seja, de um esquema em que o redator fique sabendo desde o princípio quais serão as idéias que aparecerão em todas as partes do texto.

14. O QUE NUNCA DEVO FAZER EM UM TEXTO DISSERTATIVO?

RESPOSTA: É melhor perguntar sobre o que deve ser EVITADO em um texto dissertativo. Em primeiro lugar, devemos evitar um vocabulário muito erudito e cheio de palavras difíceis, bem como também um palavreado chulo e cheio de frases de duplo sentido. As gírias e os termos técnicos também devem ser banidos (a menos que o tema exija comentários sobre tal vocabulário). É sempre importante também ser racional, evitando defender um tema movido por fortes emoções. Temas como política e religião sempre trazem um forte impacto ideológico, o que pode trazer sérias conseqüências para a coerência e para a informatividade do texto.

15. POSSO USAR LETRA DE FORMA NA MINHA REDAÇÃO?

RESPOSTA: Embora o Manual do Vestibulando na fale a esse respeito, o normal e escrever a redação em letra cursiva, principalmente porque, às vezes, a chamada letra de forma não deixa que o leitor distinga as maiúsculas das minúsculas.

16. LETRA FEIA REPROVA O CANDIDATO?

RESPOSTA: Não. De forma algumas. O que pode reprovar é a letra ilegível, ou seja aquela que não se deixa ser lida. Uma letra feia, porém legível, tem o mesmo valor que uma letra

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bonita. No entanto, uma letra muito bonita e cheia de curvas pode dificultar a leitura do texto. Portanto, o importante é não inovar no tipo de letra a ser usada na redação.

17. QUANTAS LINHAS DEVE TER A MINHA REDAÇÃO?

RESPOSTA: Não se aconselha que o texto seja muito longo, ou muito curto. Normalmente, o modelo ENEM pede um mínimo de 07 (sete!!!!) linhas. Mas não se deve limitar ao mínimo, pois o ato de contar quantas linhas faltam para que cheguemos ao mínimo especificado costuma levar o candidato a uma tensão desnecessária. O candidato não deve, porém, ficar muito entusiasmado com a aparente facilidade do tema e escrever mais do que o espaço reservado na folha oficial de redação. O ideal é uma redação que se aproxime das 25 linhas ou um pouquinho mais

18. O QUE ACONTECE SE EU FUGIR AO TEMA PROPOSTO?

RESPOSTA: Infelizmente, quando alguém foge ao tema proposto está automaticamente eliminado, pois sua redação não poderá receber uma nota por um texto que, na prática, não foi

escrito.

19. QUAIS SÃO OS TIPOS DE TEXTOS EXIGIDOS PARA O VESTIBULAR.

RESPOSTA: Atualmente, seguindo o modelo ENEM, a única tipologia exigida é a dissertativa, porém há universidades e faculdades que também pedem outros tipos, como narração, carta

20. O QUE É MAIS FÁCIL, FAZER UMA NARRAÇÃO OU UM DISSERTAÇÃO?

RESPOSTA: Isso depende muito do estilo de cada candidato. Como já foi dito antes, alguns se sentem bem mais à vontade escrevendo um texto narrativo; outros, por sua vez, preferem redigir textos dissertativos. O importante é que você esteja preparado para elaborar qualquer tipo de texto.

21. O QUE É TEXTO EM PROSA?

RESPOSTA: Texto em prosa é justamente aquele que você está acostumado a redigir na escola e no dia-a-dia, ou seja, aquele escrito seguindo o alinhamento das margens e levando a

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as palavras até o limite das linhas. O que não se deve fazer em vestibular é o texto em verso, isto é, aquele em forma de poema.

22. EXISTE ALGUMA PALAVRA QUE EU NÃO DEVO USAR EM MINHA REDAÇÃO?

RESPOSTA: O texto narrativo é mais livre, porém, caso você escolha o tema dissertativo, evite

usar palavras que expressem pobreza vocabular, como COISA, NEGÓCIO, ETC, E OUTRAS

COISAS MAIS

como, por exemplo, PARA MIM, NO MEU PONTO DE VISTA, EU ACHO, ACHAMOS

outras que tenham valor semelhante. A menos que o tema peça, não use também gírias e palavras de baixo calão. Lembre-se. O vocabulário usado deve ser simples, porém elegante

e

Evite também a primeira pessoa do singular (EU) e idéias muito subjetivas,

23. DEVO USAR UM TÍTULO EM MINHA REDAÇÃO? RESPOSTA: Atualmente, algumas universidades já exigem que o candidato crie um título para seus textos, portanto não se esqueça de pôr um em sua redação. O título deve ter relação direta com o tema e com o próprio texto escrito, pois é a partir dele que o leitor irá fazer sua idéia inicial sobre o conteúdo da redação. Um bom título é muito importante para que a leitura seja agradável.

24. NO CASO DE ESCREVER UMA NARRAÇÃO, POSSO ME BASEAR EM UM FATO

VERÍDICO? RESPOSTA: Pode sim. Agora, mais importante que o fato de ser ou não baseado em um caso real é a sua criatividade ao narrar a história. Nada de contar um caso desinteressante. Você deve valorizar cada detalhe do texto, sem cair na narrativa repetitiva e enfadonha. O leitor deve ficar preso a seu texto da primeira até a última linha, para só então ter certeza do desfecho.

25. POSSO CITAR ALGUÉM EM MINHA DISSERTAÇÃO?

RESPOSTA Se for pertinente, pode e deve. Mas só cite pessoas que tenham um certo respaldo para servir de confirmação às suas informações. Nada de citar pessoas apenas por citar. Tão importante quanto usar uma citação de alguém é ter certeza de que a citação está correta e saber se ela se encaixa no tema abordado.

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26. QUAL É O NÚMERO MÍNIMO DE PARÁGRAFOS DE DEVA HAVER EM UM TEXTO

DISSERTATIVO? RESPOSTA: Por uma questão de lógica, o texto dissertativo deve ter no mínimo TRÊS parágrafos, uma vez que três também são as partes de uma dissertação: introdução, desenvolvimento e conclusão. Por outro lado, é também bom observar que o uso de um número exagerado de parágrafos pode ser prejudicial ao texto, por alongá-lo além do número de linhas reservado para a confecção do texto.

27. COMO EVITAR A REPETIÇÃO DE PALAVRAS?

RESPOSTA: Na maioria dos casos, a repetição de palavras se dá por duas razões: distração e pobreza vocabular. O primeiro tem uma fácil solução. Basta, ao acabar de redigir, reler o texto e detectar os pontos problemáticos, substituindo as palavras repetidas por termos equivalentes. O outro problema é mais sério, pois não depende de um momento de redação para vestibular, mas sim de uma série de fatores, como falta de leitura e vícios de linguagem. Este último não tem solução a curto tempo.

28. O QUE É MAIS IMPORTANTE, OS ASPECTOS GRAMATICAIS OU AS IDÉIAS

CONTIDAS NO TEXTO? RESPOSTA: Durante muito tempo, corrigir redação significava apenas encontrar as falhas gramaticais de quem redigiu o texto. Hoje os critérios são outros. Dá-se um grande valor às idéias contidas no texto, à coesão e à coerência gramatical. Contudo, sem uma apresentação decente (do ponto de vista estético e gramatical) qualquer texto, por mais coerente que seja e por mais coeso que esteja, deverá, inevitavelmente perder alguns pontos. Logo é importante não deixar de lado os aspectos gramaticais, principalmente ortografia, pontuação e acentuação gráfica.

29. POSSO USAR CORRETIVO LÍQUIDO EM MINHA REDAÇÃO. RESPOSTA: De jeito nenhum. Evite ao máximo borra e/ou rasurar sua prova. Marcas de corretivo líquido ou rasuras de borracha nunca são bem vistas pela banca de correção das provas.

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PARECE PIADA, MAS NÃO É

O texto abaixo passa, à primeira vista, a impressão de que foi elaborado apenas para servir de exemplo para uma apostila de redação. Mas, infelizmente, a história é bem diferente. Ele foi escrito por um aluno pré-universitário que recebeu como tema a seguinte frase:

“Futebol: Ópio para enganar a fome de justiça social”. O texto foi transcrito tal e qual estava no original.

COPA DO MUNDO

Em tempos atuais de nossa atualidade.

A Copa do mundo, um dos grandes esportes nacionais, ou seja,

internacionais de todos os tempos, nações e culturas neolatinas. Um esporte que, isto é, arrecadam muito dinheiro. Em benefícios esportistas

(um jogador de futebol ganha mais que um presidente da República).

A Inglaterra, quer dizer, inventou o futebol que era chamado entre os padres

ingleses. No século XIX ‘soccer’ depois chamado ‘gol’.

Um tipo de esporte que se desenvolveu na Inglaterra, mas expandiu-se: no Brasil.

O Brasil em 1950. Na final da copa do mundo (Brasil X Uruguai) o Brasil

foi derrotado 1x0; no final do 2º tempo.

O Brasil foi tetra campeão mundial, em 1958l, 1960, 1970 e 1994. Tendo

um dos maiores campeões mundiais “João Lobo Zagalo” tendo o currículo 4 vezes “campeão mundial”. A grande conseqüência ‘a fome’ que prejudica vários setores da nossa população subdesenvolvidos, nas áreas urbanas e rurais de todos os estados brasileiros.

A nossa justiça, ou seja, tendo o custo de vida com um dos maiores índices

de ‘analfabetismo’. Sem contar um governo descentralizado. Pelé “O Rei do futebol” marcando um total de 1.297 gols. Sendo 1.200 gols nos campeonatos regionais: paulista e brasileiro. E fora do país no time chamado Cosmo nos Estados Unidos Um dos maiores artilheiros do Brasil com 97 gols, vem depois o 2° artilheiro do Brasil Zico chamado “Galinho de Ouro” com 67 gols e depois vem Romário com 58 gols.

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Edson Arantes do Nascimento. “O Atleta do Século”. 2

Como fazer uma boa redação

Dominar a arte da escrita é um trabalho que exige prática e dedicação. No entanto, conhecer seu lado teórico é muito importante. Aqui você encontra um resumo desta teoria. Aplique-a em seu trabalho, mas não se esqueça: você precisará fazer a sua parte, isto é, escrever.

SIMPLICIDADE

Use palavras conhecidas e adequadas. Escreva com simplicidade. Para que se tenha bom domínio, prefira frases curtas. Amarre as frases, organizando as idéias. Cuidado para não mudar de assunto de repente. Conduza o leitor de maneira leve pela linha de argumentação.

CLAREZA

O segredo está em não deixar nada subentendido, nem imaginar que o leitor sabe o que você quer dizer. Evidencie todo o conteúdo da sua escrita. Lembre-se: você está comunicando a sua opinião, falando de suas idéias, narrando um fato. O mais importante é fazer-se entender.

OBJETIVIDADE

Você tem que expressar o máximo de conteúdo com o menor número de palavras possíveis. Por isso não repita idéias, não use palavras demais ou outras coisas que só para aumentem as linhas. Concentre-se no que é realmente necessário para o texto. A pesquisa prévia ajuda a selecionar melhor o que se deve usar.

UNIDADE

2 Esta redação não é inventada, ela foi escrita realmente por um aluno que sonhava com uma vaga na Universidade.

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Não esqueça, o tex to deve ter unidade, por mais longo que seja . Você deve traçar uma linha coerente do começo ao final do texto. Não pode perder de vista essa trajetória. Por isso, muita atenção no que escre ve para não se perder e fugir do assunto. Eli minar o desnecessário é um dos caminhos para n ão se perder. Para não errar, use a segui nte ordem: introdução, argumentação e conclusão da idéia.

COERÊNCIA

A coerência entre to das as partes de seu texto, é fator primordial para se escrever bem. É necessário que elas forme m um todo. Para isso, é necessário estabele cer uma ordem para as

mostre as causas e as

idéias se completem e f ormem o corpo da narrativa. Explique, conseqüências.

EXEMPLOS

Obedecer uma orde m cronológica é um maneira de se acertar se mpre, apesar de não ser criativa. Nesta linha, parta do geral para o particular, do objetivo para o subjetivo, do concreto para o abstrato. Use figur as de linguagem para que o texto fique int eressante. As metáforas também enriquecem a reda ção.

ÊNFASE

atenção para o assunto com palavras fortes , cheias de significado,

principalmente no início d a narrativa. Use o mesmo recurso para desta car trechos importantes. Uma boa conclusão é esse ncial para mostrar a importância do assunt o escolhido. Remeter o

Procure chamar a

leitor à i déia inicial é uma boa maneira de fechar o te xto.

à i déia inicial é uma boa maneira de fechar o te xto. LEIA E RELEIA

LEIA E RELEIA (Escrever não é coisa do outro mun do)

L embre-se, é fundamental pensar, planejar, es crever e reler seu texto. com todos os cuidados, pode ser que você n ão consiga se expressar

Com calma, verifique se

Mesmo

de forma

clara e concisa. A pressa pode atrapalhar.

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os períodos não ficaram longos, obscuros. Veja se você não repetiu palavras e idéias. À medida que você relê o texto, essas falhas aparecem, inclusive, erros de ortografia e acentuação. Não se apegue ao escrito. Refaça se for preciso. Não tenha preguiça, passe tudo a limpo quantas vezes forem necessárias. No computador, esta tarefa se torna mais fácil. Faça sempre uma cópia do texto original. Assim você se sentirá à vontade para corrigir quanto quiser, pois sabe que sempre poderá voltar atrás.

(http://www.planetaeducacao.com.br/estudante/atividades/redacao.asp)

UMA DIFÍCIL ESCOLHA

Normalmente, as universidades oferecem mais de uma tipologia textual como sugestão para a prova de redação. Cabe ao candidato optar por uma ou por outra. Como as opções mais comuns são narração e dissertação, deixamos algumas dicas para você. Lembre-se de que, atualmente, no Maranhão, as Universidades estão pedindo apenas textos dissertativos, mas, fora de nosso Estado, outros tipos de textos continuam sendo exigidos.

Se Você Escolher o Tema Dissertativo

Defenda suas idéias de forma coerente, sem usar as expressões para mim, eu acho, no meu ponto de vista

Evite escrever movido por emoções fortes. Temas polêmicos sobre política e religião costumam levar o redator a envolver-se de forma emocional. Cuidado.

Antes de começar a escrever, leia com atenção o tema proposto e certifique-se de que seus

conhecimentos sobre o assunto serão suficientes para o desenvolvimento do texto. Faça uma introdução que dê uma idéia geral do tema, mas sem esgotá-lo completamente. A introdução deve servir como “aperitivo” para o restante do texto.

Desenvolva sua redação de modo lógico e claro, evitando o uso de palavras desconhecidas e de termos exóticos.

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Conclua seu texto de forma clara, sem apelar para o sentimentalismo excessivo.

Faça uma revisão gramatical antes de entregar o texto ao fiscal.

Se Você Escolher o Tema Narrativo

Apresente personagens, tempo, espaço e ação de modo a despertar no leitor o gosto por sua

história. Se possível, use diálogos. Eles tornam mais leve a narrativa.

Crie personagens interessantes, que fujam ao padrão de expectativa do leitor.

Mesmo sem pedir uma linguagem padrão, o texto narrativo não despreza a forma gramatical, portanto, cuidado com ortografia, pontuação, acentuação As personagens podem ter uma linguagem próxima à oral, mas somente se for algo fundamental para o desenrolar do enredo. Nada de tentar inovar

Qualquer que Seja a sua Escolha

Faça sempre um rascunho antes de passar o texto para a forma definitiva.

Evite borrões

Não use borracha e/ou corretivo líquido

Use um vocabulário rico, mas sem ostentação

Saia do convencional sem tentar ser inovador em demasia

Preocupe-se com a estética do texto.

Assine a folha somente no local indicado

Não amasse nem rasure a folha de redação e

Boa Sorte

LEMBRE-SE: Escrever bem não é sinônimo de usar palavras difíceis.

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A ESTÉTICA DO TEXTO

CURSO MÉTODO VESTIBULARES 1 9 A ESTÉTICA DO TEXTO As questões estéticas sempre são polêmicas. Para

As questões estéticas sempre são polêmicas. Para alguns professores, o que importa de verdade é o conteúdo do texto; outros, porém, são partidários de que o candidato também não pode descuidar da parte gráfica da redação. De um modo ou de outro, é sempre bom ter em mente que um presente apenas razoável pode ser valorizado por uma embalagem bem chamativa e que, da mesma forma, um produto valioso pode ser menosprezado por não apresentar um invólucro agradável à vista. Não se trata, claro, de afirmar que o continente seja mais importante que o conteúdo, mas de deixar bem claro que um pode ajudar o outro. Mesmo que não queiramos admitir, nosso primeiro contato é com os aspectos exteriores de algo. A beleza sempre atrai e a essência de alguma coisa ou de alguém é mais facilmente buscado quando o contato inicial foi satisfatório. Desse modo, é muito mais agradável ler um texto bem escrito e que tenha sido escrita com uma letra bonita, com margens regulares, sem borrões e/ou rasuras que enfrentar alguns garranchos escritos de qualquer maneira. Uma forma ou outra não alterarão o que está escrito. Pode até ser que o texto que não seja tão agradável à vista traga mais informação que o outro bem arrumadinho, mas, como nos diz o velho e sábio adágio popular, “a primeira impressão é a que fica”. Temos, a seguir, algumas dicas e observações para que seu texto tenha uma aparência mais agradável e para que as pessoas fiquem cativadas pelos aspectos exteriores de seus escritos. Não se pode esquecer, no entanto, de que de nada servirá um extremo capricho nos aspectos gráficos, se o conteúdo não estiver suficientemente elaborado para “prender” o leitor. O mais importante é o equilíbrio entre o visual e as idéias defendidas.

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O FANTASMA DA REDAÇÃO *

José Neres

VESTIBULARES 2 0 O FANTASMA DA REDAÇÃO * José Neres Todos os anos, mal se aproxima

Todos os anos, mal se aproxima a data do vestibular, um antigo fantasma chamado Prova de Redação volta a freqüentar o sono daqueles que aspiram a uma vaga em um curso superior. Fica então uma dúvida: se tal visita tão incômoda já é esperada, por que não fazer algo para tornar o horrendo fantasma apenas mais uma prova de um dia de concurso? Em primeiro lugar, é a falta de hábito de escrever e de questionar a realidade o principal fator de manutenção da idéia de que redigir é uma tarefa desagradável, complexa, cansativa e traumatizante. Algumas pessoas chegam inclusive a acreditar na falsa idéia de que somente os iluminados por forças superiores são capazes de produzir bons textos. A falta de prática e uma certa dose de preguiça mental (no que diz respeito ao questionamento crítico dos assuntos do cotidiano) levam o vestibulando a interpretar o seu medo de escrever como algo muito natural. E, sendo tal medo algo normal e comum à maioria, pouco resta a fazer. É mais fácil acomodar- se às evidências sobrenadantes das dificuldades de redigir, que enfrentar o desconhecido mundo da escrita. O excesso de teoria sobre as chamadas técnicas de redação é outro item que desmotiva o vestibulando. Se alguém resolver preocupar-se com todas as regrinhas ensinadas para a confecção do texto ideal, fatalmente desistirá de escrever em um curto intervalo de tempo. São tantas as questiúnculas, que seguir uma implica desrespeitar a várias outras. Detalhes insignificantes são incutidos na mente do aluno como se fossem verdades incontestes. Desse modo, argumentos, idéias e criatividade acabam sendo trucidados em nome de uma forma estética considerada padrão. Para alguns, infelizmente, a aparência do texto escrito tem muito mais valor que seu possível conteúdo. A falta de leitura também contribui para que o ato de escrever seja visto como quase tortura para muitos e privilégio para bem poucos. Há no mercado uma ampla bibliografia comprovando que o mal maior do vestibulando não é o uso inadequado das normas

* Texto publicado inicialmente no jornal O Imparcial, no dia 11 de junho de 2001. Parte do livro Estratégias para matar um leitor em formação, São Luís, Carajás, 2005.

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21

parte, ser creditado a

problemas de leitura e de i nterpretação de textos. Há também o estudan te viciado em ler apenas resumos de obras, nunca l endo os livros indicados pelas universidade s. Sem leitura crítica e

fica muito mais difícil

defender os próprios pensa mentos através da exposição escrita. Enquanto o estudant e estiver mais preocupado com a quantidad e de linhas que com as idéias defendidas, estiver p reterindo o texto original em prol de resumo s e estiver com medo de redigir, a redação continuar á sendo um eterno fantasma a atormentar su a vida.

sem um trabalho consiste nte com as idéias acerca do que foi lido

gramaticais, mas sim a m á concatenação das idéias, o que pode, em

A apresentação v isual da redação

o que pode, em A apresentação v isual da redação iniciar a redação. 1.1 .O aluno

iniciar a redação.

1.1 .O aluno deve preencher corr etamente todos os itens do cabeçalho com letra legível.

1.2.Centralizar o título na prim eira linha, sem aspas e sem grifo. O título pode apresentar i nterrogação desde que o texto responda à pergunta.

1.3. Pular uma linha entre o titu lo e o texto, para então

1.4. Fazer parágrafos

alinhados.

distando mais ou menos três centímetros d a margem e mantê-los

1.5. Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e também não d eixar de atingi-las.

1.6. Evitar rasuras e b orrões. Caso o aluno erre, ele deverá anul

r o erro com um traço

1.7. Apresentar letra le gível, tanto de fôrma quanto cursiva.

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22

1.9. Evitar exceder o

número de linhas pautadas ou pedidas co mo limites máximos e

mínimos. Ficar aproximada mente entre cinco linhas aquém ou além dos limites.

com caneta preta ou azul. O rascunho ou o e sboço das idéias podem

ser feitos a lápis e rasura dos. O texto não será corrigido em caso d e utilização de lápis ou caneta vermelha, verde etc. na redação definitiva.

1.10. Escrever apenas

OBSERVAÇÕES:

Números

A) Idade - deve-se es crever por extenso até o nº 10. Do nº 11 e m diante devem-se usar algarismos;

B) Datas, horas e distâ ncias sempre em algarismos: 10h30min, 12h , 10m, 16m30cm, 10km (m, h, km, I, g, kg).

Palavras Estrangeiras

As que estiverem inco rporadas aos hábitos lingüísticos devem vir

merchandising,

(FONTE:www.portrasdasl etras.com.br)

software ,

dark,

punk,

status,

offlce-boy,

Conselhos para melhorar a sua redação Prof. Hélio Consolaro

para melhorar a sua redação Prof. Hélio Consolaro sem aspas: marketing, hippie, show etc. Diante dos

sem aspas: marketing, hippie, show etc.

Diante dos exames ve stibulares, oferecemos alguns procedimento s para que o estudante faça um bom texto na prov a de redação.

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23

1. Pense no que você quer dizer e diga da forma mais simples. Procure ser direto na

construção das sentenças.

2. Corte palavras sempre que possível. Use a voz ativa, evite a passiva.

3. Evite termos estrangeiros e jargões.

4. Evite o uso excessivo de advérbios.

5. Seja cauteloso ao utilizar as conjunções "como", "entretanto", "no entanto" e "porém".

Quase sempre são dispensáveis.

6. Tente fazer com que os diálogos escritos (em caso de narração) pareçam uma conversa.

Uso do gerúndio empobrece o texto. Exemplo: Entendendo dessa maneira, o problema vai- se pondo numa perspectiva melhor, ficando mais claro

7. Adjetivos que não informam são dispensáveis. Por exemplo: luxuosa mansão. Toda

mansão é luxuosa.

8. Evite o uso excessivo do "que". Essa armadilha produz períodos longos. Prefira frases

curtas. Exemplo: O fato de que o homem que seja inteligente tenha que entender os erros dos

outros e perdoá-los não parece que seja certo.

9. Evite clichês (lugares comuns) e frases feitas. Exemplos: “subir os degraus da glória”,

"fazer das tripas coração", "encerrar com chave de ouro", “silêncio mortal", "calorosos

aplausos", "mais alta estima".

10. Verbo "fazer", no sentido de tempo, não é usado no plural. É errado escrever: "Fazem alguns anos que não leio um livro". O certo é “Faz alguns livros que não leio um livro”.

11. Cuidado com redundâncias. É errado escrever, por exemplo: "Há cinco anos atrás". ”

Corte o "há" ou dispense o "atrás". O certo é “Há cinco anos

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12. Só com a leitura i ntensiva se aprende a usar vírgulas corretam ente. As regras sobre o assunto são insuficientes.

13. Leia os bons autore s e faça como eles: trate a vírgula com bons

modos.

14. Nas citações, use a spas , coloque a vírgula e um verbo seguido do nome de quem disse

ou escreveu aquilo. Exem plo: “O que é escrito sem esforço é geralm ente lido sem prazer.”, disse Samuel Johnson.

15. Leia muito, leia sem pre, leia o que lhe pareça agradável.

Escreva diários, cartas, e-mails, crônicas, poesias, redações, qualqu er texto. Só escrevendo, se aprende a escrever

qualqu er texto. Só escrevendo, se aprende a escrever Vamos começar no ssos trabalhos com algumas

Vamos começar no ssos trabalhos com algumas informações s obre o que podemos ou não fazer em nossas dissert ações:

ÀS

VEZES

C ASOS

SIM

NÃO

Usar letra de forma

Incluir-se nos textos

Fugir ao tema proposto

Usar gírias

Exemplificar os argument os

Escrever movido por emo ções fortes

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Rasurar a folha de redação

Usar um borrão

Usar corretivo líquido

Usar uma citação nos textos

Usar dados estatísticos

Usar palavras incomuns

Levar o tema para o campo pessoal

Pôr título no texto

Pedir outra folha de redação

Entregar a redação a lápis

Contradizer-me

Usar informações dos textos dados para leitura

Usar dados que eu conheça, mas que não estejam nos textos

Identificar-me

Defender cegamente ideologias políticas e/ou religiosas

1 – A LETRA – Sua letra não precisa se bonita, mas deve, obrigatoriamente, ser

legível. De nada adianta um traçado cheio de volteios e de curvas, se isso pode inclusive atrapalhar o processo da continuidade da leitura. Observe os seguintes detalhes:

- Sobre a letra i devemos pôr um pingo, jamais uma bolinha ou outro sinal qualquer;

- A cedilha deve ficar ligada à letra c, para evitar que seja confundida com outro sinal diacrítico qualquer;

- Não devemos encher as letras de detalhes, eles podem dificultar a leitura;

- Tomemos um cuidado especial com m e n, algumas pessoas costumam escrevê-los de “cabeça para baixo”.

2 – AS MARGENS E OS RECUOS – Algumas pessoas descuidam das margens do texto. Na verdade, são elas que dão uma aparência de equilíbrio. Mas devemos chegar à neurose de ficar contando cada espaço de margens, com medo de que alguma parte fique milímetros para fora ou para dentro dos outros. Outro cuidado importante é com relação aos

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26

recuos de parágrafos, que

regra definitiva. O medo d e errar leva muitas pessoas a incorrerem no erro do “ponto inicial”,

isto é, marcar o início de

nervoso ou nervosa, é im possível não saber a distância lógica entre parágrafo.

a linha e o início do

devem ser, na medida do possível, regulares , mas que não têm uma

cada parágrafo com um ponto. Evite isso, p or mais que você esteja

3 – BORRÕES E RASURAS – Nada pior que tentar apagar u ma palavra e deixar na

folha aquela indelével ma rca de borracha ou de corretivo. Pior ainda é riscar a palavra com

bastante força. No caso de um erro ortográfico ou do uso de uma palav ra inadequada o melhor

a fazer é agir discretamen te e elimina a falha de um modo que só de ixe o leitor descobrir o

fazer isso: riscando a(s)

palavra(s) com um ou do is traços bem finos, pôr a(s) palavra(s) ent re parênteses e risca-la

mais importante é não

deixar o erro sem uma cor reção. Quem for ler a redação ficará mais f liz ao saber que ele foi remendado que ao saber qu e as incorreções ficaram in natura.

levemente, tentar corrigir

problema durante a leitura e nunca antes dela. Há diversos modos de

o(s) vocábulo(s) com pequenos retoques. O

4

A CANETA – Por incrível que pareça, até mesmo o tipo de caneta que você irá usar em sua aprova será importante. Quant o mais simples, melhor. As mais sofisticadas costumam traze r problemas na hora da prova. No caso do vestibular as melh ores canetas são sempre as mais simples. Não adianta levar a quela caneta importada, ou aquela folheada a ouro. O mais imp ortante é levar uma que escreva e que não falhe na hora ma is importante da nossa

e da mesma cor, paras

na hora ma is importante da nossa e da mesma cor, paras vida. No dia da

vida. No dia da prova, lev e pelo menos duas canetas da mesma marca prevenir o possível caso de alguma falhar.

5 – A FOLHA DE REDAÇÃO – Cada instituição de ensino t em seu modelo de folha

ou seja, você não terá

rasura ou de qualquer outra avaria. Há sempr e um local especificado

de redação. Normalmente, direito a outra em caso de

para pôr seu nome e não se pode desenhar ou identificar a folha.

ela é única, intransferível e insubstituível,

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27

6 – O TÍTULO – Isso também varia de instituição para instituição. Algumas exigem

que o candidato crie um título, outras proíbem terminantemente que isso seja feito. Para evitar maiores problemas, é sempre bom recorrer a uma leitura do Manual do Vestibulando. No caso de obrigatoriedade do título, é facultativo o uso de uma linha em branco entre este e o texto. Algumas pessoas, por razões estéticas preferem o espaço em branco. Importante também é não alongar muito o título, para não cansar o leitor, bem como evitar usar as primeiras palavras do texto como título.

7 – A LIMPEZA – Parece óbvio, mas algumas palavras devem ser ditas com relação à

limpeza da folha de resposta das questões objetivas e da redação. Além de evitar os já comentados borrões, é necessário também cuidar da limpeza das mãos e evitar que o suor manche o papel. Em casos assim, um lenço pode ser de grande utilidade para o candidato que não queira arriscar tudo em um pequeno detalhe técnico.

DA INTERNET: 30 dicas para escrever bem:

1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal

prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria. Ninguém merece isso, mesmo que pareça maneiro, valeu?

9. Nunca use palavras de baixo calão, porra! Elas podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição

da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

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12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem

idéias próprias”.

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta

mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias

vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém mais

sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas

contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de

forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar

causando ambigüidade - e esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a

região onde tu moras, carajo!

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar, já que é

insuportável o mesmo final escutar o tempo todo sem parar.

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NOÇÕES DE DESCRIÇÃO

CURSO MÉTODO VESTI BULARES 29 NOÇÕES DE DESCRIÇÃO NOÇÃO BÁSICA: Descrever é “pinta r” com palavras
CURSO MÉTODO VESTI BULARES 29 NOÇÕES DE DESCRIÇÃO NOÇÃO BÁSICA: Descrever é “pinta r” com palavras

NOÇÃO BÁSICA: Descrever é “pinta r” com palavras uma

uma roupa, uma pessoa,

um quadro Não existe uma técnica perfeita p ara descrever. O mais

importante é passar para o leitor a sensaçã o de que está vendo no texto aquilo que o escritor imaginou ou v iu. Nem toda descrição

casos, a imaginação do

escritor entra em ação e o p apel se torna uma das formas mais eficiente s para exteriorizar o que

se imagina. Outras vezes,

responsabilidade do escrit or é redobrada, pois o leitor irá querer “v er” nas palavras o que

estaria na imagem descrita. Temos a seguir a d escrição de uma das cenas mais divulgadas h á alguns anos. Temos a reprodução de uma fotogr afia nacionalmente conhecida e o que sobre ela escreveu o escritor Roberto Pompeu de Toledo , um dos mais renomados articulistas da Rev ista Veja. Compare.

no entanto, o texto descritivo é pautado no real. Em casos assim, a

imagem qualquer, que pode ser uma cena,

parte da realidade observada. Em alguns

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Repare-se bem no rosto do co mandante Dale Robbin

BULARES 30 Repare-se bem no rosto do co mandante Dale Robbin e nos noticiários da TV,

e nos noticiários da TV, detido no aeroporto de

Guarulhos, depois de fazer um gesto ob sceno enquanto posava

para a foto a que os americanos sã o agora obrigados ao

desembarcar. No alto do crânio ele exibe uma calva que convida

"luzidia". Nas laterais o

cabelo é bem aparado. Os olhos são pe quenos, protegidos por

da falta de pêlos mais fios brancos já travam maioria. No todo, esse

homem de 53 anos exibe um ar séri o. Mais do que sério, circunspeto. Como é que foi soltar aque le dedo bobo? Supõe-se em Mr. Hersh um americano de manua l, temente a Deus, bom

pai e bom vizinho, exímio piloto ta mbém no comando da em sua casa de subúrbio. Como pôde es capar-lhe o gesto sem-

sua figura sisuda aquele

dedo médio insolentemen te ereto, como a vingar, com a fúria estu pradora da potência, a

pretensão à reciprocidade

a menor, presenteia os

máquina de aparar grama

vergonha? Como vai se ex plicar em casa? De que forma encaixar em

Hersh, estampado nas fotos dos jornais na semana passada. Hersh é o americano

irresistivelmente ao adjetivo de rigor –

óculos de aro fino. E, para vingar-se acima, cultiva um bigode, no qual os acirrada disputa com os negros pela

de um país que, entre outras atrações, e não

estrangeiros com as delícia s do turismo sexual? (Roberto Pompeu de T oledo, Revista Veja, 21 de janeiro de 2004)

o texto do jornalista traz as mesmas infor mações que uma pessoa

teria se não conhecesse a foto. Algumas informações que não aparec em na imagem servem

para dar maior brilho ao t exto. Desse modo, é importante ter em me nte que não basta ter o

material para descrever, é e ssencial que se tenha também um certo estil o que “prenda” o leitor e

o faça “visualizar” o mesm o que o escritor viu ou imaginou. Mas tam bém não se pode deixar

que sempre se descreve

aquilo que nos interessa, co mo pode ser facilmente notado no texto acim a transcrito.

de lado que todo texto é o brigatoriamente carregado de ideologias e

Como se pode ver,

prezam bastante pela descrição, outros f azem dela apenas um

complemento para a narra ção ou para a dissertação. Você terá a segui r um outro texto, que é

fragmento de um conhec ido romance. Observe como o escritor t rabalhou os elementos

descritivos.

Alguns escritores

Num

banco de pau tosco, que existia do lado d e fora, junto à parede e

perto

da venda, um homem, de calça e camisa

de zuarte, chinelos de

cour o cru, esperava, havia já uma boa hora, para f alar com o vendeiro.

Era um português de seus trinta e cinco a quarent a anos, alto, espadaúdo, barb as ásperas, cabelos pretos e maltratados cain do-lhe sobre a testa, por deba ixo de um chapéu de feltro ordinário: pesc oço de touro e cara de

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Hércules, na qual os olhos todavia, humildes como os olhos de um boi de canga, exprimiam tranqüila bondade. (Aluísio Azevedo, O Cortiço)

Veja agora como, em poucas linhas, o mesmo escritor descreve a personagem Leocádia:

Junto dela pôs-se a trabalhar a Leocádia, mulher de um ferreiro chamado Bruno, portuguesa pequena e socada, de carnes duras, com uma fama terrível de leviana entre as suas vizinhas. (Aluísio Azevedo, O Cortiço)

Continuando esta parte sobre a descrição, vamos ler um fragmento das Cartas Chilenas.

Nele, você poderá comprovar que a descrição não é uma exclusividade da prosa, podendo

também aparecer em forma de versos.

Ora pois, doce amigo, vou pintá-lo Da sorte que o topei a vez primeira; Nem esta digressão motiva tédio

Como aquelas que são dos fins alheias,

- Que o gesto, mais o traje nas pessoas

Faz o mesmo que fazem os letreiros Nas frentes enfeitadas dos livrinhos,

Que dão, do que eles tratam, boa idéia. Tem pesado semblante, a cor é baça.

- O corpo de estatura um tanto esbelta Feições compridas e olhadura feia,

Tem grossas sobrancelhas, testa curta, Nariz direito e grande, fala pouco Em rouco, baixo som de mau falsete

- Sem ser velho, já tem cabelo ruço

E cobre este defeito e fria calva À força de polvilho, que lhe deita. Ainda me parece que o estou vendo No gordo rocinante escarranchado

- As longas calças pelo umbigo atadas, Amarelo colete e sobre tudo Vestida uma vermelha e justa farda

De cada bolso da fardeta, pendem Listadas pontas de dois brancos lenços;

- Na cabeça vazia se atravessa

Um chapéu desmarcado, nem sei como Sustenta o pobre só do laço o peso.

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Podemos notar também que há descrições engraçadas. Como é o caso da composição

Dona Gigi, um grande sucesso do grupo de Funk Os Caçadores. A música, mesmo não sendo

um primor, tocou bastante nas rádio de todo o Brasil no início do ano de 2006. Vejamos a letra,

que é um bom exemplo de descrição:

Dona Gigi

Waguinho

Mulher feia tudo bem neguinho Agora feia, fedorenta e mentirosa Aí não neguinho, aí eu vou ter que zoar

Se me vê agarrado com ela Separa que é briga, tá ligado! Ela quer um carinho gostoso Um bico dois soco e três cruzado! Tá com pena leva ela pra casa Porque nem de graça eu quero essa mulher! Caçadores estão na pista pra dizer como ela é

Caolha, nariz de tomada, sem bunda, perneta, Corpo de minhoca, banguela, orelhuda, tem unha incravada, Com peito caido e um caroço nas costas Ih gente! capina, despenca, Cai fora, vai embora , Se não vai dançar, Chamei 2 guerreiros, Bispo macedo, com padre quevedo pra te exorcizar Oi, vaza! Fede mais que um urubu, Canhão! vou falar bem curto e grosso contigo, hein Já falei pra vaza! Coisa igual nunca se viu

Oh vai pra puxa

tu é feia!

Vejamos também uma descrição que Moacyr Scliar faz da protagonista do livro “A Mulher que escreveu a Bíblia”:

Não havia ali nenhuma simetria, naquela face, nem mesmo a temível simetria do focinho do tigre; eu buscava em vão alguma harmonia. Não era a grande harmonia das esferas que eu pretendia, um pequeno astro harmônico já me seria suficiente, mas nem isso eu obtinha, porque havia um conflito naquele rosto, a boca destoando do nariz, as

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orelhas destoando entre si. E os olhos, que poderiam salvar tudo, eram estrábicos, um deles mirando, desconsolado, o espelho, o outro com o olhar perdido, fitando

desamparado o infinito, talvez para não ter de enxergar a cruel imagem. (

era isso que eu via: a) assimetria flagrante; b) carência de harmonia; c) estrabismo

(ainda que moderado); d) excesso de sinais. Falta dizer que conjunto era emoldurado (emoldurado! Essa é boa, emoldurado! Emoldurado como um lindo quadro é emoldurado! Emoldurado! Por uns secos e opacos cabelos, capazes de humilhar qualquer cabeleireiro. (SCLIAR, Moacyr. A mulher que escreveu a Bíblia. São Paulo:

Companhia das Letras, 2007. pág. 17-18)

) Resumindo,

Outro exemplo interessante de descrição é o livro Estação Carandiru, de Dráuzio

Varela. Nele, o autor descreve com detalhes o ambiente penitenciário e faz boas descrições dos

presos.

O CASARÃO

A Detenção é um presídio velho e mal conservado. Os pavilhões são prédios cinzentos de cinco andares (contando o térreo como primeiro), quadrados, com um pátio interno, central, e a área externa com a quadra e o campinho de futebol. As celas ficam de ambos os lados de um corredor – universalmente chamado de “galeria” – que faz a volta completa no andar, de modo que as de dentro, lado I, t~em janelas que dão para o pátio interno e as outras para a face externa do prédio, lado E. Paredes altas separam os pavilhões, e um longo caminho asfaltado, amplo, conhecido como “Radial”, por analogia à movimentada avenida da zona leste da cidade, faz a ligação entre eles. (VARELA, Dráuzio. Estação Carandiru. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. pág. 13.)

CONSELHO PRÁTICO: Um bom exercício para treinar a habilidade de descrever é pegar

uma foto de alguém ou de uma paisagem e tentar reproduzi-la com palavras escritas. No

começo parecer ser difícil, mas depois a prática constante fará com que você consiga descrever

tudo o que quiser com ou sem detalhes.

CURSO MÉTODO VESTIBULARES

34

NOÇÕES DE NARRAÇÃO

CURSO MÉTODO VESTIBULARES 3 4 NOÇÕES DE NARRAÇÃO CONCEITO BÁSICO: Narrar é contar uma história real

CONCEITO BÁSICO: Narrar é contar uma história real ou imaginária, é fazer com que o leitor compreenda o desenrolar de uma ação interligando ações e preencheu os espaços que ficam no desenrolar de qualquer texto. Todas as vezes que contamos uma história, estamos fazendo uma narração. Já faz parte do ser humano narrar fragmentos de sua história e/ou da história alheia. Mas para que o texto, oral ou escrito, fique mais atraente, são necessários alguns elementos importantes, como os a seguir:

ELEMENTOS DE UMA NARRATIVA – obrigatoriamente, os grandes narradores costumam trazer em seus textos alguns elementos que servem de guia para quem deseja entrar para o mundo da ficção. Os elementos são os seguintes:

a) Personagens

os

elementos

que praticam a ação

narrativa.

São

elas

as

responsáveis pelos sentimentos de simpatia ou de antipatia do leitor pelo enredo do texto.

b) Tempo – é o quando ocorre a história. Pode ser determinado cronologicamente ou

ser vago, depende da intencionalidade do escritor. Ás vezes é essencial que o leitor saiba a época em que acontecem os fatos. Em outros casos, a atemporalidade pode ser uma marca narrativa, mas, de um modo ou de outro, o leitor acaba sabendo que a história não está solta no tempo. Os escritores menos experimentados costumam narrar

CURSO MÉTODO VESTI BULARES

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de forma linear (co meço – meio – fim), os mais maduros varia m a forma de seqüenciar as ações das person agens.

c) Espaço – é o on de os fatos acontecem. Podem ser bastante a mplos ou extremamente

limitados. Quanto à estilo do escritor. A

ser física ou psicoló gica. No primeiro caso, o lugar palpável é o que guia o deslocar das

personagens. No ou tro, a memória predomina sobre a realidade

sua determinação ou não, depende muito d o tipo de narrativa e do leitura dos grandes autores mostra que a a bordagem espacial pode

circundante.

d) Ação – é tudo o que acontece com as personagens. Muitas v ezes a ação se confundo

com o próprio enre do do texto.

e) Foco narrat

ivo – diz respeito ao como a história virá s er contada: em primeira

ou em terceira pess oa, ou seja, com um narrador mais distanci ado ou participante dos fatos narrados.

f) Narrador – é

aquele que conta a história. Pode fazer par te da mesma (narrador-

personagem), ou f icar distanciado do envolvimento com o s fatos narrados. Pode também ter domíni o de tudo o que acontece (narrador oniscien te) ou ter conhecimento igual aos dos leitore s (narrador sem onisciência)

Vamos identificar cada um dos elementos citados acima na historiet a abaixo:

sem onisciência) Vamos identificar cada um dos elementos citados acima na historiet a abaixo: AÇÃO: PERSONAGENS:

AÇÃO:

PERSONAGENS:

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NARRADOR:

DISCURSO:

ESPAÇO:

TEMPO:

MÉTODO VESTI BULARES 36 NARRADOR: DISCURSO: ESPAÇO: TEMPO: AÇÃO: PERSONAGENS: NARRADOR: DISCURSO: ESPAÇO: TEMPO:

AÇÃO:

PERSONAGENS:

NARRADOR:

DISCURSO:

ESPAÇO:

TEMPO:

ESTRUTURA DO TEXTO

NARRATIVO

strutura mais ou menos

padronizada, mas que pode ser facilmente modificada pelos grandes esc ritores. Normalmente, o

que se encontra nos livros

As narrações costu mam, desde tempos imemoriais, seguir uma

de ficção é a seqüência :

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APRESENTAÇÃO de personagens, do espaço, do tempo e da própria ação a ser desenrolada.

CLIMAX – o momento de total suspense, quando o leitor não pode parar de ler o texto

própria ação a ser desenrolada. CLIMAX – o momento de total suspense, quando o leitor não

DESFECHO, o fim da história, que pode ser aberto ou fechado, dependendo do autor

COMPLICAÇÃO DO ENREDO, algo acontece para tirar a paz das personagens.

DO ENREDO, algo acontece para tirar a paz das personagens. PERIPÉCIAS – são os acontecimentos que

PERIPÉCIAS – são os acontecimentos que levarão as personagens a complicarem ainda mais suas ações

as personagens a complicarem ainda mais suas ações ATIVIDADE PRÁTICA Como atividade, leia o texto abaixo
as personagens a complicarem ainda mais suas ações ATIVIDADE PRÁTICA Como atividade, leia o texto abaixo

ATIVIDADE PRÁTICA

Como atividade, leia o texto abaixo localize cada uma de suas partes.

Cidade de Deus

Rubem Fonseca

O nome dele é João Romeiro, mas é conhecido como

Zinho na Cidade de Deus, uma favela em Jacarepaguá, onde

comanda o tráfico de drogas. Ela é Soraia Gonçalves, uma

mulher dócil e calada. Soraia soube que Zinho era traficante dois

meses depois de estarem morando juntos num condomínio de

classe média alta da Barra da Tijuca. Você se importa?, Zinho

perguntou, e ela respondeu que havia tido na vida dela um homem metido a direito que não

Tijuca. Você se importa?, Zinho perguntou, e ela respondeu que havia tido na vida dela um

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passava de um canalha. No condomínio Zinho é conhecido como vendedor de uma firma de importação. Quando chega uma partida grande de droga na favela Zinho some durante alguns dias. Para justificar sua ausência Soraia diz, para as vizinhas que encontra no playground ou na piscina, que o marido está viajando pela firma. A polícia anda atrás dele, mas sabe apenas o seu apelido, e que ele é branco. Zinho nunca foi preso. Hoje à noite Zinho chegou em casa depois de passar três dias distribuindo, pelos seus pontos, cocaína enviada pelo seu fornecedor em Puerto Suarez e maconha que veio de Pernambuco. Foram para a cama. Zinho era rápido e rude e depois de usar a mulher virava as costas para ela e dormia. Soraia era calada e sem iniciativa, mas Zinho queria ela assim, gostava de ser obedecido na cama como era obedecido na Cidade de Deus. “Antes de você dormir posso te perguntar uma coisa?” “Pergunta logo, estou cansado e quero dormir, amorzinho.” "Você seria capaz de matar uma pessoa por mim?" “Amorzinho, eu mato um cara porque ele me roubou cinco gramas, não vou matar um sujeito que você pediu? Diz quem é o cara. É aqui do condomínio?” “Não”. “De onde é?” “Mora na Taquara”. “O que foi que ele te fez?” “Nada. Ele é um menino de sete anos. Você já matou um menino de sete anos?” “Já mandei furar a bala as palmas das mãos de dois merdinhas que sumiram com uns papelotes, pra servir de exemplo, mas acho que eles tinham dez anos. Por que você quer matar um moleque de sete anos?” “Para fazer a mãe dele sofrer. Ela me humilhou. Tirou o meu namorado, fez pouco de mim, dizia para todo mundo que eu era burra. Depois casou com ele. Ela é loura, tem olhos azuis e se acha o máximo.” “Você quer se vingar porque ela tirou o seu namorado? Você ainda gosta desse vadio, é isso?” “Gosto só de você, Zinho, você é tudo para mim. Esse nojento do Rodrigo não vale nada, só sinto desprezo por ele. Quero fazer a mulher sofrer porque ela me humilhou, me chamou de burra, ria na frente dos outros.”

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“Posso matar esse safado.” “Ela nem gosta dele. Quero fazer essa mulher sofrer muito. Morte de filho deixa a mãe desesperada.” “Está bem. Você sabe onde o menino mora?” “Sei.” “Vou mandar pegar o moleque e levar para a Cidade de Deus.” “Mas não faz o garoto padecer muito.” “Se essa vaca souber que o filho morreu sofrendo é melhor, não é? Me dá o endereço. Amanhã mando fazer o serviço, a Taquara é perto da minha base.” De manhã bem cedo Zinho saiu de carro e foi para a Cidade de Deus. Ficou fora dois dias. Quando voltou, levou Soraia para a cama e ela docilmente obedeceu a todas as suas ordens, Antes de ele dormir, ela perguntou, “você fez aquilo que eu pedi?” “Faço o que prometo, amorzinho. Mandei meu pessoal pegar o menino quando ele ia para o colégio e levar para a Cidade de Deus. De madrugada quebraram os braços e as pernas do moleque, estrangularam, cortaram ele todo e depois jogaram na porta da casa da mãe. Esquece essa droga, não quero mais ouvir falar nesse assunto", disse Zinho. “Sim, eu já esqueci.” Zinho virou as costas para Soraia e dormiu. Zinho tinha um sono pesado. Soraia ficou acordada ouvindo Zinho roncar. Depois levantou-se e pegou um retrato de Rodrigo que mantinha escondido num lugar que Zinho nunca descobriria. Sempre que Soraia olhava o retrato do antigo namorado, durante aqueles anos todos, seus olhos se enchiam de lágrimas. Mas nesse dia as lágrimas foram mais abundantes. “Amor da minha vida”, ela disse, apertando o retrato de Rodrigo de encontro ao seu coração sobressaltado. (Rubem Fonseca , Histórias de amor, com pequenas adaptações)

Agora complete os espaços abaixo com as informações que são pedidas:

AÇÃO:

PERSONAGENS:

NARRADOR:

DISCURSO:

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ESPAÇO:

TEMPO:

COMPLICAÇÃO

CLÍMAX

TIPOS DE NARRATIVAS

Quando se fala em narrativa para vestibular, pensa-se logo em um texto bastante curto, o que é natural, pois o espaço para criação é relativamente pequeno e não dá para escrever muito em um intervalo de tempo tão reduzido, ainda mais com um tema imposto e a pressão de uma prova. Os textos narrativos mais conhecidos são:

a) Romance – geralmente uma narrativa bastante longa, com muitas personagens e um

espaço de tempo amplo e, principalmente, com vários sub-núcleos temáticos que convergem para um mesmo ponto. Como exemplos temos: Dom Casmurro (de Machado de Assis), O Mulato (de Aluísio Azevedo) e O Ateneu (de Raul Pompéia)

b) Novela – texto também com muitas personagens em sem limite de tempo e de

espaço, mas em que os núcleos temáticos se sucedem de forma mais dinâmica. Como exemplos temos: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua (de Jorge Amado), Uma Tarde, Outra Tarde (de Josué Montello)

c) Conto – uma narrativa mais curta, com poucas personagens, tempo e espaço

reduzidos. O texto lido anteriormente (Cidade de Deus) é um conto. Como se trata de algo bastante sintético, só há espaço para um núcleo narrativo.

d) Fábula – Um texto geralmente curto, que traz animais como personagens. As mais

conhecidas são as Esopo e as de La Fontaine. No Brasil, dois grandes fabulistas são Monteiro Lobato e Millôr Fernandes.

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e)

Apólogo – texto muito parecido com a fábula, a principal diferença é que as

personagens são objetos, não animais. Nos dois casos, há sempre uma idéia de uma

lição de moral.

UMA FÁBULA DE ESOPO

O Fazendeiro, seu Filho e o Burro

"Um fazendeiro e seu filho viajavam para o mercado, levando consigo um burro. Na estrada, encontraram umas moças salientes, que riram e zombaram deles:

- Já viram que bobos? Andando a pé, quando deviam montar no burro?

O fazendeiro, então, ordenou ao filho:

- Monte no burro, pois não devemos parecer ridículos.

O filho assim o fez.

Daí a pouco, passaram por uma aldeia. À porta de uma estalagem estavam uns velhos que

comentaram:

- Ali vai um exemplo da geração moderna: o rapaz, muito bem refestelado no animal, enquanto

o velho pai caminha, com suas pernas fatigadas.

- Talvez eles tenham razão, meu filho, disse o pai. Ficaria melhor se eu montasse e você fosse a pé. Trocaram então as posições.

Alguns quilometros adiante, encontraram camponesas passeando, as quais disseram:

-A crueldade de alguns pais para com os filhos é tremenda! Aquele preguiçoso, muito bem instalado no burro, enquanto o pobre filho gasta as pernas.

- Suba na garupa, meu filho. Não quero parecer cruel, pediu o pai. Assim, ambos montados no burro, entraram no mercado da cidade.

- Oh!! Gritaram outros fazendeiros que se encontravam lá. Pobre burro, maltratado, carregando uma dupla carga! Não se trata um animal desta maneira. Os dois precisavam ser presos. Deviam carregar o burro às costas, em vez de este carregá-los.

O fazendeiro e o filho saltaram do animal e carregaram-no. Quando atravessavam uma ponte, o

burro, que não estava se sentindo confortável, começou a escoicear com tanta energia que os dois caíram na água."

(Quem a todos quer ouvir, de ninguém é ouvido)

NARRATIVAS EM PROSA x NARRATIVAS EM VERSO

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Normalmente, os textos narrativos são escritos em prosa. Mas também é possível

encontrar textos narrativos que apareçam em verso. É bom lembrar que na antiguidade, todas as

histórias eram escritas em versos e só no século XVIII a prosa começou a dominar o terreno

dos textos narrativos. As grandes epopéias, como A Ilíada, A Odisséia (de Homero), Os

Lusíadas (de Camões), O Paraíso Perdido (de Jonh Milton) e a Divina Comédia (de Dante)

foram escritas em forma de poemas. Na atualidade, os texto de cordel também são bons

exemplos de narrativas em versos.

A narração em prosa é a mais conhecida de todos. O texto se divide em parágrafos e o

desenrolar do enredo é mais claro, como ocorre em “O Abridor de Latas” – transcrito a seguir.

Quando se trata de uma narrativa em prosa, os recursos usados pelos poetas podem deixar o

texto mais estético, mas também podem dificultar a leitura de uma pessoa menos acostumada a

esse estilo. É o que acontece nas duas letras de música, que serão estudas logo depois.

EXEMPLO DE NARRATIVA EM PROSA

O Abridor de Latas

Millôr Fernandes

Pela primeira vez no Brasil um conto escrito inteiramente em câmera lenta.

Quando esta história se inicia já se passaram quinhentos anos, tal a lentidão com que ela é narrada. Estão sentadas à beira de uma estrada três tartarugas jovens, com 800 anos cada uma, uma tartaruga velha com 1.200 anos, e uma tartaruga bem pequenininha ainda, com apenas 85 anos. As cinco tartarugas estão sentadas, dizia eu. E dizia-o muito bem pois elas estão sentadas mesmo. Vinte e oito anos depois do começo desta história a tartaruga mais velha abriu a boca e disse:

- Que tal se fizéssemos alguma coisa para quebrar a monotonia dessa vida?

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- Formidável – disse a tartaruguinha mais nova, 12 anos depois – vamos fazer um pique-nique?

Vinte e cinco anos depois as tartarugas se decidiram a realizar o pique-nique. Quarenta anos depois, tendo comprado algumas dezenas de latas de sardinha e várias dúzias de refrigerante, elas partiram. Oitenta anos depois chegaram a um lugar mais ou menos aconselhável para um pique-nique.

- Ah – disse a tartaruguinha, 8 anos depois – excelente local este!

Sete anos depois todas as tartarugas tinham concordado. Quinze anos se passaram e, rapidamente elas tinham arrumado tudo para o convescote. Mas, súbito, três anos depois, elas perceberam que faltava o abridor de latas para as sardinhas.

Discutiram e, ao fim de vinte anos, chegaram à conclusão de que a tartaruga menor devia ir buscar o abridor de latas.

- Está bem – concordou a tartaruguinha, três anos depois – mas só

vou se vocês prometerem que não tocam em nada enquanto eu não voltar.

Dois anos depois as tartarugas concordaram imediatamente que não tocariam em nada, nem no pão nem nos doces. E a tartaruguinha partiu.

Passaram-se cinqüenta anos e a tartaruga não apareceu. As outras continuavam esperando. Mais 17 anos e nada. Mais 8 anos e nada ainda. Afinal uma das tartaruguinhas murmurou:

- Ela está demorando muito. Vamos comer alguma coisa enquanto ela não vem?

As

outras

concordaram,

rapidamente,

dois

anos

depois.

E

esperaram mais 17 anos. Aí outra tartaruga disse:

- Já estou com muita fome. Vamos comer só um pedacinho de doce que ela nem notará.

As outras tartarugas hesitaram um pouco mas, 15 anos depois, acharam que deviam esperar pela outra. E se passou mais um século nessa espera. Afinal a tartaruga mais velha não pôde mesmo e disse:

- Ora, vamos comer mesmo só uns docinhos enquanto ela não vem.

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Como um raio as tartarugas caíram sobre os doces seis meses depois. E justamente quando iam morder o doce ouviram um barulho no mato por detrás delas e a tartaruguinha mais jovem apareceu:

- Ah, murmurou ela – eu sabia, eu sabia que vocês não cumpririam o prometido e por isso fiquei escondida atrás da árvore. Agora não vou buscar mais o abridor, pronto!

Fim (30 anos depois)

EXEMPLO DE NARRATIVA EM VERSO

PROBLEMA SOCIAL

Guará/Fernandinho

MORAL: APRESSADO NÃO COME NEM CRU.

Se eu pudesse dar um toque em meu destino

Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão

Nem o bom menino que vendeu limão

Trabalhou na feira pra comprar seu pão

Não aprendia as maldades que essa vida tem

Mataria a minha fome sem ter que lesar ninguém

Juro que nem conhecia a famosa funabem

Onde foi a minha morada desde os tempos de neném

É ruim acordar de madrugada pra vender bala no trem

Se eu pudesse tocar em meu destino

Hoje eu seria alguém

Seria eu um intelectual

Mas como não tive chance de ter estudado em colégio legal

Muitos me chamam de pivete

Mas poucos me deram um apoio moral

Se eu pudesse eu não seria um problema social

AÇÃO:

PERSONAGENS:

NARRADOR:

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DISCURSO:

ESPAÇO:

TEMPO:

OUTRO EXEMPLO

CIDADÃO

(Lúcio Barbosa)

Tá vendo aquele edifício moço ajudei a levantar

Foi um tempo de aflição eram quatro condução duas pra

ir duas pra voltar

Hoje depois dele pronto olho pra cima e fico tonto mas

me chega um cidadão

E me diz desconfiado tu tá aí admirado ou tá querendo roubar

Meu domingo tá perdido vou pra casa entristecido dá vontade de beber

E pra aumentar o meu tédio eu nem posso olhar pro

prédio que eu ajudei a fazer Tá vendo aquele colégio moço eu também trabalhei lá Lá eu quase me arrebento pus a massa fiz cimento ajudei a rebocar Minha filha inocente vem pra mim toda contente pai vou me matricular

Mas me diz um cidadão criança de pé no chão aqui não pode estudar Esta dor doeu mais forte por que, que eu deixei o norte eu me pus a me dizer Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava tinha direito a comer Tá vendo aquela igreja moço onde o padre diz amém

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Pus o sino e o badalo enchi minha mão de calo lá eu

trabalhei também

Lá sim valeu a pena tem quermesse tem novena e o padre

me deixa entrar

Foi lá que cristo me disse rapaz deixe de tolice não

se deixe amedrontar

Fui eu quem criei a terra enchi o rio fiz a serra não

deixei nada faltar

Hoje o homem criou asas e na maioria das casas eu

também não posso entrar

AÇÃO:

PERSONAGENS:

NARRADOR:

DISCURSO:

ESPAÇO:

TEMPO:

SOBRE A COMPOSIÇÃO DE UM TEXTO NARRATIVO

Escrever um texto narrativo pode, á primeira vista, ser uma tarefa fácil. Basta inventar

uma história, pôr algumas personagens e dar um final que agrade ao leitor. Mas, na prática, não

é bem assim. Elaborar uma narração exige paciência e cuidado estético. Muitas vezes,

reescrever é mais importante que escrever, pois as falhas vão sendo corrigidas e o estilo se

torna mais apurado. É o que acontece, por exemplo, com o escritor piauiense O. G. Rego de

Carvalho, que admite que:

“Tive 17 contos recusados, que me lembre, mas fazendo uma estatística melhor, acho que tive umas 30 recusas, porque eu escrevi

muito dos 16 aos 19 anos. (

Essas cousas, tão importantes na vida do

escritor, não me desanimaram. Ao contrário, a cada recusa, mais eu

)

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aprimorava, aprimorava o meu texto, aprimorava a história, procurava fazer um enredo mais interessante, mais aceitável. Eu burilava as frases, procurava sugerir mais do que dizer, dar uma conotação poética ao que eu escrevia, até que, em 1949, com 19 anos, tive um conto aceito, chamado ‘Um Filho”. (O. G. Rego de Carvalho. Como e por que me fiz escritor)

Muitos outros escritores de primeira linha deram , e dão, depoimentos a respeito das

dificuldades que sentiam ao escrever seus textos ficcionais. Leia agora o que disse sobre o ato

de escrever o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade:

Como Comecei a Escrever

Carlos Drummond de Andrade

Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana, aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau.

Papai era assinante da "Gazeta de Notícias", e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.

Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narrar um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras.

Daí por diante as experiências foram-se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a literatura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estava germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive a sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.

Então, começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos

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bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.

Muitas vezes, somos levados a pensar que as narrativas nascem de formas estapafúrdias.

Acreditamos que os escritores são pessoas tocadas pela mão divina e só por isso conseguem

produzir obras de elevado nível. No entanto, a prática de leitura nos permite perceber que o que

existe na verdade é o trabalho incessante de seleção daquilo que pode ser transformado em obra

de arte. Não se trata de ser iluminado, mas de usar a iluminação natural para compor textos que

poderiam ser escritos por qualquer pessoa com lucidez suficiente para não deixar escapar

nenhuma das oportunidades que o dia-a-dia nos oferece. O escritor mineiro Fernando Sabino

ilustra muito bem as palavras acima em um de seus textos.

Como comecei a escrever

Fernando Sabino

Quando eu tinha 10 anos, ao narrar a um amigo uma história que havia lido, inventei para ela um fim diferente, que me parecia melhor. Resolvi então escrever as minhas próprias histórias.

Durante o meu curso de ginásio, fui estimulado pelo fato de ser sempre dos melhores em português e dos piores em matemática — o que, para mim, significava que eu tinha jeito para escritor.

Naquela época os programas de rádio faziam tanto sucesso quanto os de televisão hoje em dia, e uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o titulo "O Que Pensam Os Rádio-Ouvintes". Eu tinha 12, 13 anos, e não pensava grande coisa, mas minha irmã Berenice me animava a concorrer, passando à máquina as minhas crônicas e mandando-as para o concurso. Mandava várias por semana, e era natural que volta e meia uma fosse premiada.

Passei a escrever contos policiais, influenciado pelas minhas leituras do gênero. Meu autor predileto era Edgar Wallace. Pouco depois passaria a viver sob a influência do livro mais sensacional que já li na

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minha vida, que foi o Winnetou de Karl May, cujas aventuras procurava imitar nos meus escritos.

A partir dos 14 anos comecei a escrever histórias "mais sérias", com pretensão literária. Muito me ajudou, neste início de carreira,ter aprendido datilografia na velha máquina Remington do escritório de meu pai. E a mania que passei a ter de estudar gramática e conhecer bem a língua me foi bastante útil.

Mas nada se pode comparar à ajuda que recebi nesta primeira fase dos escritores de minha terra Guilhermino César, João Etienne filho e Murilo Rubião -- e, um pouco mais tarde, de Marques Rebelo e Mário de Andrade, por ocasião da publicação do meu primeiro livro, aos 18 anos.

De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou desde então e pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura.

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 4 - Crônicas", Editora Ática - São Paulo, 1980, pág. 8.

VINTE E UMA COISAS QUE APRENDI COMO ESCRITOR

Moacyr Scliar

APRENDI que escrever é basicamente contar histórias, e que os melhores livros de ficção que li eram aqueles que tinham uma história para contar.

APRENDI que o ato de escrever é uma seqüela do ato de ler. É preciso captar com os olhos as imagens das letras, guardá-las no reservatório que temos em nossa mente e utilizá-las para compor depois as nossas próprias palavras.

APRENDI que, quando se começa, plagiar não faz mal nenhum. Copiei descaradamente muitos escritores, Monteiro Lobato, Viriato Correa e outros. Não se incomodaram com isto. E copiar me fez muito bem.

APRENDI que, quando se começa a escrever, sempre se é autobiográfico, o que - de novo - não prejudica. Mas os escritores que ficam sempre na autobiografia, que só olham para o próprio umbigo, acabam se tornando chatos.

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APRENDI que, para aprender a escrever, tinha de escrever. Não

adiantava só ficar falando de como é bonito (

)

APRENDI que uma boa idéia pode ocorrer a qualquer momento:

conversando com alguém, comendo, caminhando, lendo (e, segundo Agatha Christie, lavando pratos).

APRENDI que uma boa idéia é realmente boa quando não nos abandona, quando nos persegue sem cessar. O grande teste para uma idéia é tentar se livrar dela. Se veio para ficar, se resiste ao sono, ao cansaço, ao cotidiano, é porque merece atenção.

APRENDI que aeroportos e bares são grandes lugares para se escrever. O bar, por razões óbvias; o aeroporto, porque neles a vida como que está em suspenso. Nada como uma existência provisória para despertar a inspiração literária.

APRENDI que as costas do talão de cheque é um bom lugar para anotar

idéias (é por isso que escritor tem de ganhar a grana suficiente para abrir uma conte bancária). O guardanapo do restaurante também serve, desde

que seja de papel e não de pano. (

)

APRENDI que o computador é um grande avanço no trabalho de escrever, mas tem um único inconveniente: elimina os originais, os riscos, os borrões, e portanto a história do texto, a qual - como toda história - pode nos ensinar muito.

APRENDI que a mancha gráfica representada pelo texto impresso diz muito sobre este mesmo texto. As linhas não podem estar cheias de palavras; o espaço vazio é tão eloqüente quanto o espaço preenchido pela escrita. O texto precisa respirar, e quando respira, fica graficamente bonito. Um texto bonito é um texto bom.

APRENDI a rasgar e jogar fora. Quando um texto não é bom, ele não é bom - ponto. Por causa da auto-comiseração (é a nossa vida que está ali!)

temos a tentação de preservá-lo, esperando que, de forma misteriosa, melhore por si. Ilusão. É preciso ter a coragem de se desfazer. A cesta de

papel é uma grande amiga do escritor. (

)

APRENDI a não ter pressa de publicar. Já se ouviu falar de muitos escritores batendo aflitos, à porta de editores. O que é mais raro, muito mais raro, são os leitores batendo à porta do escritor.

APRENDI a não reler meus livros. Um livro tem existência autônoma, boa e má. Não precisa do olhar de quem o escreveu para sobreviver.

APRENDI que, para um escritor, um livro é como um filho, mas que é

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preciso diferenciar entre filhos e livros.

APRENDI que terminar um livro se acompanha de uma sensação de vazio, mas que o vazio também faz parte da vida de quem escreve.

APRENDI que há uma diferença entre literatura e vida literária, entre literatura e política literária. Escrever é um vício solitário.

APRENDI a diferenciar entre o verdadeiro crítico e o falso crítico. O falso crítico não está falando do que leu. Está falando dos seus próprios problemas.

APRENDI que, para um escritor, frio na barriga ou pêlos do braço arrepiados são um bom sinal: um livro vem vindo aí.

Veja agora os depoimentos de outros escritores com relação ao trabalho com as palavras:

Escrevo sobre aquilo que não sei para ficar sabendo. Tenho a impressão de que tudo que a gente escreve, consciente ou

É uma forma de recuperação

inconscientemente é sempre uma catarse do sentido da vida. (Fernando Sabino)

- Gosto de escrever, é quando mais me sinto eu, me percebo inteiro

“O diabo é que a gente nunca escreve o que quer,

do jeito que sou (

)

pois cada um escreve do jeito que pode. (Airtom Monte)

- Na verdade o que vem primeiro não é a idéia, nem a história, ou

aquela

Eu tenho de escrever uma

os personagens. O que vem primeiro é a angústia(

angústia, aquela necessidade compulsiva

)Vem

peça (

)

todo o meu teatro opõe o homem ao sistema social. (Dias

Gomes)

- Às vezes eu passava noites em claro, escrevendo, simplesmente porque não podia parar de escrever. (Moacyr Scliar)

- Eu gosto mesmo é de escrever ficção escrever. (Marilene Felinto)

e

é

ficção

que eu vou

- Escrevo quando me dá vontade, isto é: quando a inspiração Se o que quero é dizer uma determinada coisa, e eu a direi ao

vem(

preço que for, mesmo desrespeitando regras de gramática. (Octávio de Faria)

)

- Todo artista produz para externar suas paixões, seus recalques, seus conflitos íntimos. Então como é que pode ser imparcial ? ( ) Pessoas que escrevem, como as que pintam ou representam, são pessoas

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complicadas, parciais, cheiade personalismos e de preferências como as demais pessoas do mundo (Rachel de Queiroz)

TIPOS DE DISCURSO

Um escritor pode mostrar os pensamentos e as falas das personagens através de três

tipos de discurso, a saber: direto, indireto ou indireto livre.

1. DISCURSO DIRETO – Quando o narrador e as personagens têm direito de fala, cada

um de sua vez, sem atropelos e com marcação de passagem de uma fala para outra.

Vílson chegou mansamente e perguntou para Saul:

- Você quer ir ao cinema comigo?

Saul respondeu espantado:

- Sinto muito, já tenho compromisso para este final de semana.

2. DISCURSO INDIRETO – Quando o narrador sintetiza com suas palavras aquilo que

seria dito pelas personagens. Geralmente o texto é constituído de vários períodos

compostos por subordinação, com orações substantivas evidenciadas pelo uso da

conjunção integrante.

Vílson chegou mansamente e perguntou se Saul queria ir ao cinema com ele. Saul,

espantado, respondeu que sentia muito, mas já estava com compromisso marcado para

aquele final de semana.

3. DISCURSO INDIRETO LIVRE – É aquele em que não é possível definir com

exatidão quem está falando. As falas podem tanto ser do narrador quanto das

personagens, ou ainda serem apenas reflexos dos pensamentos de algum deles.

Convidar ou não Saul para ir ao cinema? E se ele já tivesse compromisso para o fim de

semana. Decepção. Resolveu arriscar.

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PRÁTICA

Observe o tipo de discurso utilizado pelo cronista Stanislaw Ponte Preta, no texto a

seguir:

Vamos Acabar Com Esta Folga

Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse

café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo. De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem

pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:

— Isso é comigo?

— Pode ser com você também — respondeu o alemão.

Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que

caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-

se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.

O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes

que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-

se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do

inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do

canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:

Isso é comigo?

O

alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio

de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou

o corpo e

que quase desmonta o brasileiro. Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.

pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força

CURSO MÉTODO VESTI BULARES

54

DICAS IMPORTANTES :

CURSO MÉTODO VESTI BULARES 54 DICAS IMPORTANTES : histórias. - Tente sempre dar mais vi da

histórias.

- Tente sempre dar mais vi da a suas personagens

através da elaboração de diál ogos e de situações verossímeis.

- Procure adequar o modo de falar das personagens a sua situação sócio-econômica.

ficcionista, observando

sempre quais são os seus passos n a criação do enredo das

- Leia sempre os grandes

- Procure ser leve na

criação de seus textos, evitando tornar o te xto um emaranhado de

situações sem senti do. (da Internet)

A CRÔNICA

de situações sem senti do. (da Internet) A CRÔNICA CON CEITO BÁSICO: Crônica deriva da palav

CON CEITO BÁSICO: Crônica deriva da palav ra Cronus (tempo), por

isso

acon tecimentos de uma época. O bom cronista

acon tecimentos circundantes e não titubeia e m transformar um fato corri queiro em uma obra de arte. Tecnicamen te, a crônica segue os

mesmos passos de um tex to narrativo. A grande diferença está no fat o de ser uma produção

necessariamente ligada aos

ter alguns dos mais impo rtantes cronistas do mundo. É o caso de R ubem Braga, Fernando

acontecimentos de nosso cotidiano. O Bra sil pode ser orgulhar de

busca representar os está sempre atento aos

é tida como um tipo de texto que

Sabino, Lourenço Diaféria, Stanislaw Ponte Preta e outros de grande tal ento.

UM EXEMPLO DE CRÔNICA

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55

A ÚLTIMA CRÔNICA

Fernando Sabino

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café

junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.

A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito

mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno- me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o

pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

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56

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente

na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos:

"parabéns pra você, parabéns pra você

guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Depois a mãe recolhe as velas, torna a

"

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

COMENTÁRIO: Um acontecimento aparentemente banal dá margens para que o escritor não

apenas mostre o fato, mas que também faça uma denúncia social a seu modo. A linguagem é

acessível, com um vocabulário bastante simples. Qualquer pessoa, de qualquer nível social

pode compreender a mensagem inserida nas entrelinhas da crônica, pois, sendo inicialmente um

texto jornalístico, ela não tem a intenção de ser difícil, mas sim de mostrar um pouco de uma

realidade que não é observada por todos da mesma forma.

Para concluir esta parte sobre crônica, vamos ler um belíssimo texto de Vinícius de

Morais, mais conhecido no mundo literário como poeta, mas que também nos deixou

maravilhosas páginas de prosa, como o texto a seguir. Observe bem o senso lírico do autor e e

sua sensibilidade para tratar de um tema tão belo.

Para Viver Um Grande Amor

Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher;

pois ser de muitas, poxa! é de colher

— não tem nenhum valor.

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57

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito

mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois

qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro

com poesia —

para

viver

um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e

ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

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58

Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág.

130.

O cronista é um escritor crônico

Affonso Romano de Sant’Anna

O primeiro texto que publiquei em jornal foi uma crônica. Devia ter eu lá uns 16 ou 17 anos. E aí fui tomando gosto. Dos jornais de Juiz de Fora, passei para os jornais e revistas de Belo Horizonte e depois para a imprensa do Rio e São Paulo. Fiz de tudo (ou quase tudo) em jornal: de repórter policial a crítico literário. Mas foi somente quando me chamaram para substituir Drummond no Jornal do Brasil, em 1984, que passei a fazer crônica sistematicamente. Virei um escritor crônico.

O que é um cronista?

Luís Fernando Veríssimo diz que o cronista é como uma galinha, bota seu ovo regularmente. Carlos Eduardo Novaes diz que crônicas são como laranjas, podem ser doces ou azedas e ser consumidas em gomos ou pedaços, na poltrona de casa ou espremidas na sala de aula.

Já andei dizendo que o cronista é um estilita. Não confundam, por enquanto,

com estilista. Estilita era o santo que ficava anos e anos em cima de uma coluna, no deserto, meditando e pregando. São Simeão passou trinta anos assim, exposto ao sol e à chuva. Claro que de tanto purificar seu estilo diariamente o cronista

estilita

estilista.

acaba

virando

um

O cronista é isso: fica pregando lá em cima de sua coluna no jornal. Por isto,

há uma certa confusão entre colunista e cronista, assim como há outra confusão entre articulista e cronista. O articulista escreve textos expositivos e defende temas

e idéias. O cronista é o mais livre dos redatores de um jornal. Ele pode ser

subjetivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se. Seu "eu",

como o

do poeta, é um eu de utilidade pública.

Que tipo de crônica escrevo? De vários tipos. Conto casos, faço descrições, anoto momentos líricos, faço críticas sociais. Uma das funções da crônica é interferir no cotidiano. Claro que essas que interferem mais cruamente em assuntos momentosos tendem a perder sua atualidade quando publicadas em livro. Não tem importância. O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.

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DICAS IMPORTANTES:

1. Tudo pode servir de tema para uma crônica.

2. Evite palavras difíceis, pois um cronista deve sempre prezar pela clareza de suas idéias.

3. A defesa da idéia não precisa ser direta e evidente. É nas entrelinhas que um cronista demonstra todo o seu potencial de observação e de argumentação.

4. Evite a repetição de idéias. O importante é a essência do texto.

LENDO UM CONTO

Para concluir o estudo do texto narrativo, vamos ler um conto de Ítalo Calvino, um dos

mais importantes escritores do século XX. Note que por traz de um enredo aparentemente

simples, podemos encontrar muitas informações de caráter histórico e ideológico. Veja também

como um tema bastante complexo pode ser trabalhado de forma bastante simples e didática.

A OVELHA NEGRA

Ítalo Calvino

Havia um país onde todos eram ladrões. À noite, cada habitante saía, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa do vizinho. Voltava de madrugada, carregado, e encontrava sua casa roubada. E assim todos viviam em paz e sem prejuízo, pois um roubava o outro, e este, um terceiro, e assim por diante, até que se chegava ao último, que roubava o primeiro. O comércio naquele país só era praticado como trapaça, tanto por quem vendia, como por quem comprava. O governo era uma associação de delinqüentes, vivendo à custa dos súditos, e os súditos por sua vez só se preocupavam em fraudar o governo. Assim a vida prosseguia sem tropeços, e não havia ricos nem pobres. Ora, não se sabe como, ocorre que no país apareceu um homem honesto. À noite, em vez de sair com um saco e a lanterna, ficava em casa fumando e lendo romances. Vinham os ladrões, viam a luz acesa e não subiam.

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60

Essa situação durou algum tempo: depois foi preciso fazê-lo compreender que, se quisesse viver sem fazer nada, não era essa uma boa razão para não deixar os outros fazerem. Cada noite que ele passava em casa era uma família que não comia no dia seguinte. Diante desses argumentos, o homem honesto não tinha o que objetar, também começou a sair de noite para voltar de madrugada, mas não ia roubar. Era honesto, não havia nada a fazer. Andava até a ponte e ficava vendo passar a água embaixo. Voltava para casa, e a encontrava roubada. Em menos de uma semana o homem honesto ficou sem um tostão, sem o que comer, com a casa vazia. Mas ata aí tudo bem, porque era culpa sua; o problema era que seu comportamento criava uma grande confusão. Ela deixava que lhe roubassem tudo, ao mesmo tempo, não roubava ninguém; assim, sempre havia alguém que, voltado para casa de madrugada, achava a casa intacta: a casa que o homem honesto deveria ter roubado. O fato é que, pouco depois, os que não eram roubados acabaram ficando mais ricos que os outros e passaram a não querer mais roubar. E, além disso, os que vinham para roubar a casa do homem honesto, sempre a encontravam vazia; assim, iam ficando pobres. Enquanto isso, os que tinham se tornado ricos pegaram o costume, eles também, de ir de noite até à ponte, para ver a água que passava embaixo. Isso aumentou a confusão, pois muitos outros ficaram ricos e muitos outros ficaram pobres.

Ora, os ricos perceberam que, indo de noite até a ponte, mais tarde ficariam pobres. E pensaram: “Paguemos aos pobres para irem roubar para nós”. Fizeram-se os contratos, estabeleceram-se os salários, as percentagens:

naturalmente, continuavam a ser ladrões e procuram enganar-se uns aos outros. Mas, como acontece, os ricos tornavam-se cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Havia ricos tão ricos que não precisavam mais roubar e que mandavam roubar para continuaram a ser ricos. Mas, se paravam de roubar, ficam pobres porque os pobres os roubavam. Então pagaram aos mais pobres dos pobres para defenderem as suas coisas contra os outros pobres, e assim instituíram a polícia e construíram as prisões. Dessa forma, já poucos anos depois do episódio do homem honesto, não se falava mais de roubar ou de ser roubado, mas só de ricos ou de pobres, e no entanto todos continuavam a ser pobres. Honesto só tinha havido aquele sujeito, e morrera logo, de fome.

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NOÇÕES DE DISSERTAÇÃO

CURSO MÉTODO VESTI BULARES 61 NOÇÕES DE DISSERTAÇÃO Para começar, vam os ler um artigo da

Para começar, vam os ler um artigo da escritora gaúcha Lya Luf t. Observemos como ela

entrar em contato com o

trata um assunto bastante c omum com uma outra visão. Depois vamos

que alguns leitores falaram sobre o texto.

B ALEIAS NÃO ME EMOCIONAM

Lya Luft

(Revista Veja, 25 de agosto de 2004)

ME EMOCIONAM Lya Luft (Revista Veja, 25 de agosto de 2004) Hoje quero falar de gente

Hoje quero falar de gente e b ichos. De notícias que

freqüentemente aparecem sobre baleia s encalhadas e pingüins

se me aborrece ou me

inquieta ver tantas pessoas acorrend o, torcendo, chorando,

porque uma baleia morre encalhada. emociona.

Mas certamente não me

perdidos em alguma praia. Não sei

Sei que não vão me achar muit o simpática, mas eu não sou sempre simpática. Aliás, se não go sto de grosseria nem de

eternos bonzinhos, dos sorridentes ou gentis.

Prefiro o ol ho no olho, a clareza e a sinceridade – desd e que não machuque só

pelo prazer

Não go sto de ver bicho sofrendo: sempre curti anim ais, fui criada com eles. Na casa ond e nasci e cresci, tive até uma coruja, cham ada, sabe Deus por quê, Sebastião. E ra branca, enorme, com aqueles olhos qu e reviravam. Fugiu da gaiola espec ialmente construída para ela, quase do ta manho de um pequeno

quarto, e por muitos dias eu a procurei no topo das árvore s, doída de saudade.

vulgaridade, também desconfio dos politicamente corretos, dos sempre

de magoar ou por ressentimento.

jardim que se estendia

atrás da cas a, viveu a certa altura da minha infância um casal de veadinhos, dos

quais um ta mbém fugiu. O outro morreu pouco depois . Segundo o jardineiro,

Na il ha improvável que havia no mínimo lago do

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62

morreu de saudade do fujão – minha primeira visão infantil de um amor romeu- e-julieta. Tive uma gata chamada Adelaide, nome da personagem sofredora de uma novela de rádio que fazia suspirar minha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), nunca entendi como – uma das primeiras tragédias de que tive conhecimento. De modo que animais fazem parte de minha história, com muitas aventuras, divertimento e alguma emoção. Mas voltemos às baleias encalhadas: pessoas torcem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se manchetes em jornais e as televisões mostram tudo em horário nobre. O público, presente ou em casa, acompanha como se fosse alguém da família e, quando o fim chega, é lamentado quase com pêsames e oração. Confesso que não consigo me comover da mesma forma: pouca sensibilidade, uma alma de gelos nórdicos, quem sabe? Mesmo os que não me apreciam, não creiam nisso. Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais crianças enfiando a cara no vidro de meu carro para pedir trocados, adultos famintos dormindo em bancos de praça, famílias morando embaixo de pontes ou adolescentes morrendo drogados nas calçadas. Tenho certeza de que um mendigo morto na beira da praia causaria menos comoção do que uma baleia. Nenhum Greenpeace defensor de seres humanos se moveria. Nenhuma manchete seria estampada. Uma ambulância talvez levasse horas para chegar, o corpo coberto por um jornal, quem sabe uma vela acesa. Curiosidade, rostos virados, um sentimentozinho de culpa, possivelmente irritação: cadê as autoridades, ninguém toma providência? Diante de um morto humano, ou de um candidato a morto na calçada, a gente se protege com uma armadura. De modo que (perdão) vejo sem entusiasmo as campanhas em favor dos animais – pelo menos enquanto se deletarem tão facilmente homens e mulheres.

COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Num tempo em que a hipocrisia e a mídia, de mãos dadas, ditam nosso modo de agir e pensar, fico muito feliz ao ler o último artigo de Lya Luft ("Baleias não me emocionam", Ponto de vista, 25 de agosto). Nós nos sensibilizamos com aquilo que não nos causa esforço. Como nos sensibilizar com um mendigo na calçada quando poderíamos tê-lo auxiliado? Melhor pensar nas baleias, coitadinhas. Como também são coitadinhos aqueles que passam fome na África, nunca os famintos de nossas ruas. Passo, a partir de hoje, a ler seus textos com outros olhos. A senhora ganhou meu respeito e minha admiração.

Gilberto Carlos Nunes Brasília, DF

Estou decepcionada com o Ponto de vista escrito por Lya Luft. Não esperava um texto tão frio de uma escritora que havia demonstrado tanta sensibilidade anteriormente.

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Sou defensora dos animais e acredito que os seres humanos têm uma idéia terrivelmente equivocada de que são prioridade na Terra. Somos apenas elementos que compõem a vida no planeta. Acredito que a humanidade é responsável pelas maiores tragédias do nosso planeta, desde baleias encalhadas até a miséria brasileira de todos os dias. Frida Frick Cascais, Portugal

É interessante como certos "intelectuais" brasileiros gastam seu tempo em criticar os defensores de animais. E é sempre o mesmo argumento: a vida da espécie humana é mais importante que a vida de qualquer outra espécie animal. Esse tipo de pensamento Peter Singer definiu como "specisism". Em vez de criticar os que fazem, da próxima vez que uma criança faminta aparecer na janela do seu carrão com ar-condicionado, faça como os protetores de animais: pegue esse ser e leve para sua casa, dê de comer e trate-o com amor e carinho.

Lane Azevedo Clayton

Austin, Texas, EUA

Quando Lya Luft propõe que só voltemos nossa atenção para os direitos animais

depois que tivermos resolvido os problemas humanos, ela propõe a negligência perpétua dos animais. Isso porque nunca chegará o dia em que todos os problemas humanos

estarão Regina Rheda Gainesville, Flórida, EUA

resolvidos.

Um estudo feito nos EUA mostra uma relação entre crueldade com seres humanos e com animais – muitos serial killers começaram matando animais. Os adolescentes responsáveis pelos recentes tiroteios em colégios americanos têm em comum um passado de violência contra animais.

Cristina Nishida

Nagano, Japão

Como podemos ver, há os mais diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto. Cada pessoa pode manifestar-se de formas diferentes das outras, sem que necessariamente alguém tenha que estar errado. Saber argumentar é o foco principal de um trabalho dissertativo. E é isso que vamos estudar a seguir.

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CONCEITO BÁSICO: Dissertar significa defender um ponto de vista com relação a um tema

proposto, ou seja, o escritor deve demonstrar suas idéias de modo a deixar claro que se

posiciona contra ou a favor de determinado assunto.

Normalmente, os alunos preferem a dissertação à narração. Há vários motivos para que

isso aconteça. Como já estudamos anteriormente, escrever um texto narrativo exige uma boa

dose de criatividade e um certo domínio técnico da formação do enredo. Já para elaborar um

texto dissertativo, o primordial é que se esteja bem informado acerca do(s) assunto(s)

discutido(s). a dissertação exige um vocabulário teoricamente mais rico que o da narração, ao

mesmo tempo em que os aspectos gramaticais são tratados de forma mais rigorosa.

A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

Um texto dissertativo deve, obrigatoriamente, estar interligado. Cada argumento tem

que ser usado tendo-se em vista o conjunto harmônico das idéias discutidas. As partes de um

texto dissertativo são:

INTRODUÇÃO – Exposição gral do tópico defendido

1 parágrafo breve

Exposição gral do tópico defendido 1 parágrafo breve DESENVOLVIMENTO A defesa da idéia, com argumentos e

DESENVOLVIMENTO A defesa da idéia, com argumentos e exemplificação. X parágrafos

da idéia, com argumentos e exemplificação. X parágrafos CONCLUSÃO – enceramento que pode trazer questionamentos

CONCLUSÃO – enceramento que pode trazer questionamentos ou sugestões

1 parágrafo breve

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65

ATIVIDADE PRÁTICA – leia o texto dissertativo a seguir, observando cada uma das partes

do texto. É bom também prestar atenção para os elementos que fazem a coesão entre os

parágrafos.

SEMPRE LEIA O ORIGINAL

Stephen Kanitz

Uma greve geral dos professores alguns anos atrás teve uma conseqüência

interessante. Reintroduziu, para milhares de estudantes, o valor esquecido das bibliotecas. Os melhores alunos readquiriram uma competência essencial para o mundo moderno - voltaram a aprender sozinhos, como antigamente. Muitos descobriram que alguns professores nem fazem tanta falta assim. Descobriram

também

bibliotecas estão os livros originais, as obras que seus professores usavam para dar as aulas, os grandes clássicos, os autores que fizeram suas ciências famosas. Muitos professores se limitam a elaborar resumos malfeitos dos grandes livros. Quantas vezes você já assistiu a uma aula em que o professor parecia estar lendo o material? Seria bem mais motivador e eficiente deixar que os próprios alunos lessem os livros. Os professores serviriam para tirar as dúvidas, que fatalmente surgiriam. Hoje, muitas bibliotecas vivem vazias. Pergunte a seu filho quantos livros ele tomou emprestado da biblioteca neste ano. Alguns nem saberão onde ela fica. Talvez devêssemos pensar em construir mais bibliotecas antes de contratar mais professores. Um professor universitário, ganhando 4.000 reais por mês ao longo de trinta anos (mais os cerca de vinte da aposentadoria), permitiria ao Estado comprar em torno de 130.000 livros, o suficiente para criar 130 bibliotecas. Seiscentos professores poderiam financiar 5.000 bibliotecas de 10.000 livros cada uma, uma por município do país. Universidades são, por definição, elitistas, para a alegria dos cursinhos. Bibliotecas são democráticas, aceitam todas as classes sociais e etnias. Aceitam curiosos de todas as idades, sete dias por semana, doze meses por ano. Bibliotecas permitem ao aluno depender menos do professor e o ajudam a confiar mais em si. Nunca esqueço minha primeira visita a uma grande biblioteca, e a sensação de pegar nas mãos um livro escrito pelo próprio Einstein, e logo em seguida o de cálculo de Newton. Na época, eu queria ser físico nuclear. Infelizmente, livros nunca entram em greve para alertar sobre o total abandono em que se encontram nem protestam contra a enorme falta de bibliotecas no Brasil. Visitei no ano passado uma escola secundária de Phillips Exeter, numa cidade americana de 30.000 habitantes, no desconhecido Estado de New Hampshire. Os alunos me mostraram com orgulho a biblioteca da escola, de NOVE andares, com mais de 145.000 obras. A Biblioteca Mário de Andrade, da cidade de São Paulo, tem 350.000. A bibliotecária americana ganhava mais do que

nas

que

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66

alguns dos professores, ao contrário do que ocorre no Brasil, o que demonstra o enorme valor que se dá às bibliotecas nos Estados Unidos. Não quero parecer injusto com os milhares de professores que incentivam os alunos a ler livros e a freqüentar bibliotecas. Nem quero que sejam substituídos, pois são na realidade facilitadores do aprendizado, motivam e estimulam os alunos a estudar, como acontece com a maioria dos professores do primário e do colegial. Mas estes estão ficando cada vez mais raros, a ponto de se tornarem assunto de filme, como ocorre em Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams. Na próxima aula em que seu professor fizer o resumo de um livro só, ou lhe entregar uma apostila mal escrita, levante-se discretamente e vá direto para a biblioteca. Pegue um livro original de qualquer área, sente-se numa cadeira confortável e leia, como se fazia 500 anos atrás. Você terá um relato apaixonado, aguçado, com os melhores argumentos possíveis, de um brilhante pensador. Você vai ler alguém que tinha de convencer toda a humanidade a mudar uma forma de pensar. Um autor destemido e corajoso que estava colocando sua reputação, e muitas vezes seu pescoço, em risco. Alguém que estava escrevendo apaixonadamente para convencer uma pessoa bastante especial: você.

Stephen Kanitz foi professor universitário por trinta anos (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 1802, ano 36, nº 19 de 14 de maio de 2003, página 20

ARGUMENTOS E PROGRESSÃO DE IDÉIAS

Tão importante quanto ter conhecimento sobre o que se vai escrever, é ter poder de

argumentação para convencer os leitores de que nossas idéias são lógicas e devem ser levadas a

sério. Para que isso ocorra, será necessário que o escritor trabalhe seu poder de raciocínio e que

haja uma espécie de progressão temática no decorrer do texto, caso contrário, teremos o que

chamamos de circunlóquio, ou seja, idéias repetidas com palavras diferentes, o que é altamente

prejudicial ao entendimento global dos argumentos.

A seguir, iremos ler um texto de autoria do senador Cristovam Buarque. O escritor, de

modo bastante claro discute um tema que sempre é lembrado nas rodas de conversa. Mas, no

CURSO MÉTODO VESTI BULARES

67

lugar de repetir fórmulas

comum e discutir seu pon to de vista com relação à problemática esc olhida para o debate de

idéias.

feitas, prefere, em um tom bastante coloq uial, contrariar o senso

A Int ernacionalização do Mun do

Cristovam Buarque

Durante debate em uma Universidad e, nos Estados Unidos,

fui questionado sobre o que pensava da

Amazônia. O jovem americano introduzi u sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor deter minou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simple smente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por ma is que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse pat rimônio, ele é nosso.

sentindo o risco da

internacionalização da

ele é nosso. sentindo o risco da internacionalização da Se a Respondi que, como humanista, degradação

Se

a

Respondi que, como humanista,

degradação ambiental que sofre a Amazôn ia, podia imaginar a sua

internacionalização, como também de t udo o mais que tem importância para a Humanidade.

ser internacionalizada, do mundo inteiro. O

internaciona lizemos também as reservas de petróleo

petróleo é t ão importante para o bem-estar da humanid ade quanto a Amazônia

para o nosso

aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou n ão o seu preço. Os ricos

do mundo, n o direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade. Da m esma forma, o capital financeiro dos pa íses ricos deveria ser

internaciona lizado. Se a Amazônia é uma reserva para t odos os seres humanos,

ela não pode

Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado p elas decisões arbitrárias

as reservas financeiras

sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especu lação.

internacionalização de

todos os gr andes museus do mundo. O Louvre não d eve pertencer apenas à França. Cad a museu do mundo é guardião das mais bela s peças produzidas pelo gênio huma no. Não se pode deixar esse patrimônio cult ural, como o patrimônio natural amaz ônico, seja manipulado e destruído pelo gos o de um proprietário ou

de um país. Não faz muito, um milionário japonês, deci diu enterrar com ele um

quadro de

um grande mestre. Antes disso, aquele q uadro deveria ter sido

dos especul adores globais. Não podemos deixar que

ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a

futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de

Amazônia, sob uma ótica humanista, deve

Antes

mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a

internaciona lizado. Durant e o encontro em que recebi a pergunta, as N ações Unidas reuniam o

Fórum do M

comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA . Por isso, eu disse que

Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo

ilênio, mas alguns presidentes de países t iveram dificuldades em

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68

menos Man hatan deveria pertencer a toda a Humanida de. Assim como Paris, Veneza, Ro ma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recif e, cada cidade, com sua

beleza espec ifica, sua história do mundo, deveria pertenc er ao mundo inteiro.

EUA querem internacionalizar a Amazônia , pelo risco de deixá-la

arsenais nucleares dos

EUA. Até p orque eles já demonstraram que são capaz es de usar essas armas,

do que as lamentáveis

queimadas f eitas nas florestas do Brasil. Nos s eus debates, os atuais candidatos à pres idência dos EUA têm

defendido a idéia de internacionalizar as reservas flores tais do mundo em troca da dívida. C omecemos usando essa dívida para garant ir que cada criança do mundo tenh a possibilidade de ir à escola. Internaci onalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasc eram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do q ue merece a Amazônia.

provocando

nas mãos d e brasileiros, internacionalizemos todos os

Se os

uma destruição milhares de vezes maior

Quando os

dirigentes

tratarem

as

crianças

pobres

do mundo como um

patrimônio

da Humanidade, eles não deixarão que

elas trabalhem quando

deveriam es udar; que morram quando deveriam viver.

Como

humanista, aceito defender a internacionali zação do mundo. Mas,

enquanto o

mundo me tratar como brasileiro, lutarei pa ra que a Amazônia seja

nossa. Só no ssa.

Veja mos agora uma caso em que a argumen tação não se sustenta. Embora tecn icamente bem escrito, o texto abaixo, de aut oria do jornalista Diogo

Mainardi,

argumentaçã o.

respeito ao poder de

não

encontra

sustentação

no

que

diz

O HINO SÓ ATRAPALH A

Diogo Mainardi

no que diz O HINO SÓ ATRAPALH A Diogo Mainardi Os jogadores brasileiros cantar am direitinho

Os jogadores brasileiros cantar am direitinho o Hino Nacional. O esforço para memorizá-lo os atordoou. Tanto que só conseguiram ganhar da Turquia gra ças a um gol roubado.

Compare o hino turco com o brasileiro. O turco tem apenas oito

versos. Encontram-se temas comuns

a outros hinos, como

sacrifício, liberdade, sangue, bandeira

e

heroísmo, mas eles

aparecem de maneira simples, direta.

O

hino brasileiro é o

oposto: longo demais, rebuscado dem ais, palavroso demais, com seus vinte e tantos adjetivos. Per de-se em redundâncias, em construções em ordem inversa, em ridículas prosopopéias. Roque Júnior entende como as marge ns plácidas do Ipiranga

podem ouvir

um brado retumbante? Edmílson sabe a dif erença entre um lábaro,

uma flâmula

e uma bandeira? Juninho Paulista já viu um

impávido col osso? É natural que, com essas porcarias

céu risonho em nosso na cabeça, eles acabem

tropeçando na bola.

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69

O hino chinês também é melhor que o brasileiro. " Com o nosso sangue e a

nossa carne, c onstruamos outra Grande Muralha." Tem o nze versos, sendo que a maioria repet e "avante, avante, avante" e "marchar, m archar, marchar". Dos

adversários do

um hino espa lhafatoso e adjetivado como o nosso: "No bre pátria tua formosa bandeira, abai xo do límpido azul de teu céu, branca e pura descansa a paz, na luta tenaz de fecun do labor". Mas os costa-riquenhos levam u ma vantagem sobre nós:

seu hino é ma is curto e, portanto, menos patético. O hino b rasileiro foi composto por Francisco Manue l da Silva em 1831. Só em 1922, por ém, ganhou uma letra oficial, de autoria d e um poeta justamente esquecido cha mado Joaquim Osório Duque Estrada. Ou se ja, o hino ficou 91 anos

sem ter uma

da ditadura franquista:

eliminou a let ra do hino e manteve apenas a música. Ho je em dia, os jogadores

espanhóis se l imitam a cantarolar: "Lá-lalá-lalá-lalááá". Fi ca bem mais fácil jogar bola desse jei to. Podemos também imitar a Alemanha, q ue cortou partes de seu hino, em part icular as que recordavam os sonhos de sup emacia dos nazistas. O problema, nes se caso, é saber qual estrofe salvar do hino b rasileiro. A que começa

com "Brasil,

começa com "Deitado

letra do nosso hino. Foi o que fez a Espanha depois do fim

etra. Proponho um retorno a esses velhos t empos. Vamos abolir a

Brasil na primeira fase da Copa do Mundo , só a Costa Rica possui

um sonho intenso, um raio vívido" ou a que

eternamente e m berço esplêndido"? Outra sa ída é trocar de hino. Já tentamos fazê-lo

no passado. Depois da

proclamação

da República, nossos chefes militares arma ram um concurso para

escolher um

novo hino, porque o velho evocava o i mpério. O vencedor se

caracterizou

pela mais escandalosa tentativa de remoçã o histórica: "Nós nem

cremos que es cravos outrora tenha havido em tão nobre p aís". Isso no Brasil, um dos últimos lu gares do mundo a abolir a escravidão. Aind a bem que Deodoro da Fonseca se re cusou a adotá-lo como novo Hino Nacion al, relegando-o à mera condição de h ino da proclamação da República. Esqueça o hino, Cafu. Tire a mão do peito, Ronaldin ho Gaúcho. A partir de agora, pensem apenas em cobrir a zaga e em chutar direito para o gol.

SOBRE A TÉCNICA DI SSERTATIVA

em chutar direito para o gol. SOBRE A TÉCNICA DI SSERTATIVA Leia abaixo as recomendações de

Leia abaixo as recomendações de u ma página da Internet

sobre a técnica de escrever um texto dissertat ivo

1º. Passo: Estudo da tese.

Em todas as propostas de r edação, o vestibulando recebe uma tese ou u ma orientação, que traz

com detalhes o que é pro posto para a construção da redação. É nece ssário fazer um estudo

dessa proposta, tentando ex trair a palavra chave e o tema principal que d eve ser trabalhado.

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70

2º. Passo: Introdução

Após extrair da orientação sua idéia básica, você irá iniciar o seu primeiro parágrafo. Para isso, faça uma afirmação pessoal em torno do assunto, evidenciando sua opinião sobre a tese. Para se tornar mais simples a introdução do assunto podem ser usadas expressões do tipo “É inadmissível”, “É vergonhoso”, “É inevitável”, “É inaceitável” e assim por diante. Após inserir o assunto, partimos então para a análise da conseqüência imediata causada pelo assunto tratado. Nesse caso, tente relacionar conseqüências de caráter mais social.

3º. Passo: Desenvolvimento

O desenvolvimento é elaborado em no máximo três parágrafos.

No segundo parágrafo da redação, vamos contestar a tese, tentando buscar o porquê de haver tal problema ou tal situação.

No terceiro parágrafo trabalha-se o elemento que cria uma contradição com o assunto tratado,

com a tese em geral. Para ficar mais simples a comparação pode-se iniciar com “Enquanto

”.

O quarto parágrafo trabalha a exemplificação, que torna o texto muito mais rico e interessante.

Por isso é importante sempre ler jornais e revistas, para que tenha algum assunto para usar

como exemplo.

4º. Passo: Conclusão

Agora que já foram trabalhados os quatro parágrafos (introdução + desenvolvimento) podemos partir para a conclusão. Concluir um texto é simples e importantíssimo. Se você trabalhou bem o tema e tem bastante informação sobre o assunto, será ainda mais simples. Na conclusão, que

é o último parágrafo, tentamos fazer sugestões, citações e uma síntese geral, objetiva, do assunto tratado durante o texto.

Tipos de Introdução

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A introdução da dissertação traz ao leitor o tema a ser discutido além de, muitas vezes, trazer sob qual ângulo a questão será discutida. Dessa forma, é ela quem provoca no leitor o primeiro impacto, é ela a apresentação de seu texto e, portanto deve ser muito bem trabalhada, o que não é tão difícil, pois há várias boas maneiras de começar uma dissertação. As formas abaixo são algumas possíveis, mas, certamente, não são as únicas.

Vale ainda salientar que a introdução só deve ser feita após estar concluído o "Projeto de Texto".

Roteiro

Como em toda introdução, o tema deve estar presente.

Além disso, neste tipo é apresentado ao leitor o roteiro de discussão que será seguido durante o desenvolvimento. Para exemplificação, suponhamos o tema:

A questão do menor no Brasil

Uma possível introdução seria:

Para se analisar a questão da violência contra o menor no Brasil é essencial que se discutam suas causas e suas conseqüências.

0 principal defeito em uma redação que utiliza este tipo de introdução é seguir outro roteiro que não seja o nela citado.

Hipótese (hipo) tese

Este tipo de introdução traz o ponto de vista a ser defendido, ou seja, a tese que se pretende provar durante o desenvolvimento. Evidentemente a tese será retomada – e não copiada - na conclusão.

Vejamos um exemplo para o mesmo tema:

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A questão da violência contra o menor tem origem na miséria - a principal responsável pela desagregação familiar.

0 principal risco desse tipo de introdução é não ser capaz de realmente comprovar a tese apresentada.

Perguntas

Esta introdução constitui-se de uma série de perguntas sobre o tema.

Exemplo:

É possível imaginar o Brasil como um pais desenvolvido e com justiça social enquanto existir tanta violência contra o menor?

O principal problema neste tipo de introdução é não responder, ou responder de forma ineficaz, as perguntas feitas. Além disso, por ser uma forma bastante simples de começar um texto, às vezes não consegue atrair suficientemente a atenção do leitor.

Histórica

Esta introdução traça um rápido panorama histórico da questão, servindo muitas vezes de contraponto ao presente.

Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Canudos e em Palmares não foram poupadas. Na Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo.

Deve-se tomar o cuidado de se escolher fatos históricos conhecidos e significativos para o desenvolvimento que se pretende dar ao texto.

Compararão - por semelhança ou oposição

Procura-se neste tipo de introdução mostrar como o tema, ou aspectos dele, se assemelham - ou se opõem - a outros.

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73

É comum encontrar crianças de dez anos de idade vendendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos EUA ou na Inglaterra - países desenvolvidos - nessa idade as crianças estão na escola e não submetidas a violência das ruas.

É bastante importante que a comparação seja adequada e sirva a algum propósito bem claro - no caso, mostrar o subdesenvolvimento brasileiro na questão do menor.

Definição

Parte da definição do significado do tema, ou de uma parte dele.

Menor: o mais pequeno, de segundo plano, inferior, aquele que não atingiu a maioridade. O uso da palavra “menor” para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são tratadas: em segundo plano.

Vale perceber que há, muitas vezes, mais de uma maneira de se definir algo e, portanto a escolha da definição mais adequada dependera do ponto de vista a ser defendido.

Contestação

Contesta uma idéia ou uma citação conhecida.

O Brasil é o país do futuro. A criança é o futuro do país. Ora, se a criança no Brasil passa fome, é submetida às mais diversas formas de violência física, não tem escola, nem saúde, como pode ser esse o pais do futuro? Ou será que a criança não é o futuro do país?

Repare como esse tipo de introdução pode ser bastante atraente, uma vez que desfazer clichês atrai mais a atenção do que usá-los.

Narração

Trata-se de contar um pequeno fato de relevância como ponto de partida para a análise do tema.

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Sentar numa frigideira com óleo quente foi o castigo imposto ao pequeno D., de um ano e meio, pelo pai, alcoólatra. Temendo ser preso, ele levou a criança a um hospital uma semana depois. A mulher, também vitima de espancamentos, o denunciou à polícia. O agressor fugiu.

Cuidado, ao fazer este tipo de introdução, para não cometer o erro de contar um fato sem relevância, ou transformar toda sua dissertação em uma narrativa.

Estatística

Consiste em se apresentar dados estatísticos relativos à questão a ser tratada.

Quarenta mil crianças morreram hoje no mundo, vítimas de doenças comuns combinadas com a desnutrição. Para cada criança que morreu hoje, muitas outras vivem com a saúde debilitada. Entre os sobreviventes, metade nunca colocará os pés em uma sala de aula. Isso não é uma catástrofe futura. Isso aconteceu ontem, está acontecendo hoje. E irá acontecer amanhã, exceto se o mundo decidir proteger suas crianças.

Veja que o dado estatístico, muitas vezes, não diz nada por si só. E necessário que ele apareça acompanhado de uma análise criteriosa.

Mista

Procura fundir várias formas de introdução. Veja como o exemplo dado em contestação traz também a introdução com perguntas. Vejamos um outro possível exemplo.

Crianças mortas em frente a Igreja da Candelária. Denúncias de meninas se prostituindo nas cidades e nos campos. Garotos vendendo balas nas esquinas. Não é possível imaginar o Brasil um país desenvolvido e com justiça social enquanto perdurar tão triste quadro.

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QUE EVITAR EM UM TEXTO?

Embora não exista uma fórmula mágica para escrever uma red ação para vestibular, há sempre alguns casos que p odem ser evitados. Veja os casos mais signif icativos a seguir:

1. Vícios de linguag em

mais signif icativos a seguir: 1. Vícios de linguag em em sua pronúncia e descaso de

em sua pronúncia e descaso de alguns

escri tores. São devidas, em grande parte, à supo sta idéia da afinidade de fo rma ou pensamento.

São

escri ta devidas à ignorância do povo ou ao

alterações defeituosas que sofre a língua

Os vícios de linguagem sã o: barbarismo, anfibologia, cacofonia, eco, a rcaísmo, vulgarismo, estrangeirismo, solecismo, obscuridade, hiato, colisão, neologismo, prec iosismo, pleonasmo.

BARBARISMO:

É o vício de linguagem qu e consiste em usar uma palavra errada quant o à grafia, pronúncia, significação, flexão ou for mação. Assim sendo, divide-se em: gráfico, ortoépico, prosódico, semântico, morfológico e m órfico.

Gráficos: hontem,

proesa, conssessiva, aza, por: ontem, proeza, concessiva e asa.

Ortoépicos:

inter esse,

carramanchão,

subcistir,

por:

inte

resse,

caramanchão,

subsistir.

Prosódicos: pegada , rúbrica, filântropo, por: pegada, rubrica, fil antropo.

Semânticos: Tráfic o (por tráfego) indígena (como sinônimo autóctone).

de índio, em vez de

Morfológicos: cida dões, uma telefonema, proporam, reavi, dete u, por: cidadãos, um telefonema, propus eram, reouve, deteve.

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Mórficos:

antidiluviano,

filmeteca,

monolinear,

por:

antediluviano,

filmoteca,

unlinear.

OBS.:

Diversos

autores

consideram

barbarismo

palavras,

expressões

e

construções

estrangeiras,

mas,

nesta

apostila,

elas

serão

consideradas

AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA:

"estrangeirismos."

É o vício de línguagem que consiste em usar diversas palavras na frase de maneira a causar duplo sentido na sua interpretação.

Ex.: Não se convence, enfim, o pai, o filho, amado. O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia. (nos dois casos, não se sabe qual dos dois é autor, ou paciente).

CACOFONIA:

Vício de linguagem caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito desagradável ao ouvido. Constituem cacofonias:

A colisão.

Ex.: Meu Deus não seja já.

O eco

Ex.: Vicente mente constantemente.

o hiato

Ex.: Ela iria à aula hoje, se não chovesse

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O cacófato

o Ex.: Tem uma mão machucada: A aliteração - Ex.: Pede o Papa paz ao povo. O antônimo é a "eufonia".

ECO:

Espécie de cacofonia que consiste na seqüência de sons vocálicos, idênticos, ou na proximidade de palavras que têm a mesma terminação. Também se chama assonância.

Ex.: É possível a aprovação da transação sem concisão e sem associação.

De repente, o presidente ficou extremamente doente com dor de dente.

Na poesia, a "rima" é uma forma normal de eco. São expressivas as repetições vocálicas a curto intervalo que visam à musicalidade ou à imitação de sons da natureza (harmonia imitativa); "Tíbios flautins finíssimos gritavam" (Bilac).

ARCAÍSMO:

Palavras, expressões, construções ou maneira de dizer que deixaram de ser usadas ou passaram a ter emprego diverso.

Na língua viva contemporânea: asinha (por depressa), assi (por assim) entonces (por então),

vosmecê (por você), geolho (por joelho), arreio (o qual perdeu a significação antiga de enfeite), catar (perdeu a significação antiga de olhar), faria-te um favor (não se coloca mais

o

etc.

forma

pronome

pessoal

átono

depois

de

verbal

do

futuro

do

indicativo),

VULGARISMO:

É o uso lingüístico popular em contraposição às doutrinas da linguagem culta da mesma

região.

O vulgarismo pode ser fonético, morfológico e sintático.

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Fonético:

o

A queda dos erres finais: anda, comê, etc. A vocalização do "L" final nas sílabas.

o

 

Ex.: mel = meu , sal = saú etc.

o

A monotongação dos ditongos.

Ex.: estoura = estóra, roubar = robar.

o A intercalação de uma vogal para desfazer um grupo consonantal.

Ex.: advogado = adevogado, rítmo = rítimo, psicologia = pissicologia.

Morfológico e sintático:

o

Temos a simplificação das flexões nominais e verbais.

o

Ex.: Os aluno, dois quilo, os homê brigou.

o

Também o emprego dos pronomes pessoais do caso reto em lugar do oblíquo.

o

Ex.: vi ela, olha eu, ó gente, etc.

ESTRANGEIRISMO:

Todo e qualquer emprego de palavras, expressões e construções estrangeiras em nosso idioma recebe denominação de estrangeirismo. Classificam-se em: francesismo, italianismo, espanholismo, anglicismo (inglês), germanismo (alemão), eslavismo (russo, polaço, etc.), arabismo, hebraísmo, grecismo, latinismo, tupinismo (tupi-guarani), americanismo (línguas da América) etc

O estrangeirismo pode ser morfológico ou sintático.

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Estrangeirismos morfológicos:

Francesismo: abajur, chefe, carnê, matinê etc Italianismos: ravioli, pizza, cicerone, minestra, madona etc Espanholismos: camarilha, guitarra, quadrilha etc Anglicanismos: futebol, telex, bofe, ringue, sanduíche breque. Germanismos: chope, cerveja, gás, touca etc Eslavismos: gravata, estepe etc Arabismos: alface, tarimba, açougue, bazar etc Hebraísmos: amém, sábado etc Grecismos: batismo, farmácia, o limpo, bispo etc Latinismos: index, bis, memorandum, quo vadis etc Tupinismos: mirim, pipoca, peteca, caipira etc Americanismos: canoa, chocolate, mate, mandioca etc Orientalismos: chá, xícara, pagode, kamikaze etc Africanismos: macumba, fuxicar, cochilar, samba etc

Estrangeirismos Sintáticos:

Exemplos:

Saltar aos olhos (francesismo); Pedro é mais velho de mim. (italianismo); O jogo resultou admirável. (espanholismo); Porcentagem (anglicanismo), guerra fria (anglicanismo) etc

SOLECISMOS:

São os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.

Exemplos:

Solecimos de regência:

Ontem assistimos o filme (por: Ontem assistimos ao filme).

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Cheguei no Brasil em 1923 (por: Cheguei ao Brasil em 1923). Pedro visava o posto de chefe (correto: Pedro visava ao posto de chefe).

Solecismo de concordância:

Haviam muitas pessoas na festa (correto: Havia muitas pessoas na festa) O pessoal já saíram? (correto: O pessoal já saiu?).

Solecismo de colocação:

Foi João quem avisou-me (correto: Foi João quem me avisou). Me empresta o lápis (Correto: Empresta-me o lápis).

OBSCURIDADE:

Vício de linguagem que consiste em construir a frase de tal modo que o sentido se torne obscuro, embaraçado, ininteligível. Em um texto, as principais causas da obscuridade são: o abuso do arcaísmo e o neologismo, o provincianismo, o estrangeirismo, a elipse, a sínquise (hipérbato vicioso), o parêntese extenso, o acúmulo de orações intercaladas (ou incidentes) as circunlocuções, a extensão exagerada da frase, as palavras rebuscadas, as construções intrincadas e a má pontuação.

Ex.: Foi evitada uma efusão de sangue inútil (Em vez de efusão inútil de sangue).

NEOLOGISMO:

Palavra, expressão ou construção recentemente criadas ou introduzidas na língua. Costumam-se classificar os neologismos em:

Extrínsecos: que compreendem os estrangeirismos.

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Intrínsecos: (ou vernáculos), que são formados com os recursos da própria língua. Podem ser de origem culta ou popular.

Os neologismos de origem culta subdividem-se em:

Científicos ou técnicos: aeromoça, penicilina, telespectador, taxímetro (redução:

táxi), fonemática, televisão, comunista, etc

Literários ou artísticos: olhicerúleo, sesquiorelhal, paredro (= pessoa importante, prócer), vesperal, festival, recital, concretismo, modernismo etc

OBS.: Os neologismos populares são constituídos pelos termos de gíria. "Manjar" (entender, saber do assunto), "a pampa", legal (excelente), Zico, biruta, transa, psicodélico etc

PRECIOSISMO:

Expressão rebuscada. Usa-se com prejuízo da naturalidade do estilo. É o que o povo chama

de "falar difícil", "estar gastando".

Ex.: "O fulvo e voluptoso Rajá celeste derramará além os fugitivos esplendores da sua magnificência astral e rendilhara d’alto e de leve as nuvens da delicadeza, arquitetural, decorativa, dos estilos manuelinos."

OBS.:

O

PLEONASMO:

preciosismo

também

pode

ser

chamado

de

PROLEXIDADE.

Emprego inconsciente ou voluntário de palavras ou expressões involuntárias, desnecessárias, por já estar sua significação contida em outras da mesma frase.

O pleonasmo, como vício de linguagem, contém uma repetição inútil e desnecessária dos

elementos.

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Exemplos:

Voltou a estudar novamente. Ele reincidiu na mesma falta de novo. Primeiro subiu para cima, depois em seguida entrou nas nuvens.

O navio naufragou e foi ao fundo. Neste caso, também se chama perissologia ou tautologia.

FONTE:http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/portugues/gramatica/vicios_linguagem.htm

2. Frases-feitas

Um outro defeito que deve ser evitado nos textos dissertativos (e em quaisquer outros) é

o uso de expressões já vulgarizadas pelo uso excessivo. Não se trata de um caso de erro

gramatical, mas sim de uma questão de criatividade. Se todo mundo usa as mesmas frases, os textos ficarão sem originalidade. Veja a seguir algumas frases que devem ser evitadas a todo

custo:

- Arrebentar a boca do balão

- Silencio sepulcral

- A vida é uma caixinha de surpresas

- No Brasil, o rico cada dia fica mais rico e o pobre fica cada vez mais pobre.

- Caso haja pena de morte no Brasil, somente negros e pobres irão morrer.

- Vitória esmagadora.

- Somente Jesus cristo salvará o nosso povo desta crise.

- Cair pelas tabelas

- Esmagadora maioria

- Chover no m olhado

- Botar pra quebrar

- Passar em brancas nuvens

- Ver o sol nascer quadrado

- Segurar com unhas e dentes

- Ficar literalmente arrasado

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- Dizer cobras e lagartos

- Estar com a bola toda

- Agradar a gregos e troianos

- Nem mesmo Jesus Cristo agradou a todos

3. Vícios de raciocínio

Como o nome já indica, trata-se de uma falha na articulação das idéias. A mais comum

de todas é a que traz generalizações com vestes de verdade absoluta, ou seja, o escritor sai de um ou de vários casos particulares e cria uma espécie de regra que ele tenta impor como sendo verdade universal. Vejamos alguns casos:

- Mulher não sabe dirigir.

- Toda loira é burra.

- Todo político é corrupto.

- Todo homem é safado.

- Os cariocas são malandros

- Os baianos são preguiçosos

Agora vamos ler e comentar algumas redações de alunos aprovados. Aproveitaremos para ver o que deve ou não ser feito em nossos próximos textos:

REDAÇÃO 01

NOME: LUCIANA PAULINO MAGAZONI (ESCOLA PARTICULAR) SÃO PAULO / SP HISTÓRIA (1A OPÇÃO)

Globalização X exclusão

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Se há anos perguntássemos acerca das expectativas da população para o mundo no ano 2000, não seria árdua tarefa depararmo-nos com as mais fantasiosas projeções: o mundo seria um desenho animado futurista. Robôs conviveriam com os humanos, desempenhariam tarefas domésticas impecavelmente e até arrumariam a gola das camisas dos patrões antes que estes se dirigissem ao trabalho. Hoje, às portas do terceiro milênio, a constatação da miséria e das desigualdades sociais, políticas e tecnológicas entre povos e nações faz-nos crer que as projeções do passado se distanciam da realidade.

A comunidade científica tem caminhado a passos largos em direção a importantíssimas descobertas nas últimas décadas. A concretização do projeto Genoma deflagra infinitos avanços desde os primeiros estudos mendelianos e aponta para uma transformação ideológica, ao passo que põe em pauta temas polêmicos como a seleção artificial e até mesmo “melhoramento” intraespecífico. O desenvolvimento e o uso de satélites de ponta criaram o fenômeno da simultaneidade, e, aparentemente, os meios de comunicação e redes como a Internet colocam o homem sob a condição de cidadão do mundo. Apesar de todos esses pontos, que evidentemente convergem com as ditas projeções futuristas, há questões centrais: A quem se destina essa tecnologia? Quem dela usufrui? Quem a manipula? De quem é o poder?

Seria em demasia ingênuo acreditar que a população mundial goza das mesmas condições de vida e que todas essas conquistas humanas são acessadas de forma igualitária. Estabelece-se uma dialética, e um abismo se entrepõe ante o desenvolvimento e a exclusão, a riqueza e a marginalização. São milhões de famintos pelo mundo, pessoas que sequer sentaram-se em bancos escolares e que, submetidos a condições subumanas, não podem exercer sua cidadania e reivindicar o que lhes é de direito. A mesma relação se estende a países, tendo em vista que há a supremacia de uma minoria que explora as demais nações política e economicamente. É inegável que movimentos xenófobos apontam para a marginalização de dadas etnias, culturas e religiões. O regionalismo evidente na formação dos denominados “blocos econômicos” entre os países divide o mundo em ricos e pobres, e a exclusão é inerente a esse atroz processo.

Globalização? Inexistência de fronteiras? As respostas a essas indagações requerem ponderações. Sem sermos maniqueístas, é impossível afirmar que a humanidade evolui e ultrapassa barreiras. Enquanto descaso governamental, exclusão social e penúria coexistirem com a tecnologia e a dita modernidade, homens continuarão se degladiando pelo poder, e este será local.

COMENTÁRIOS

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REDAÇÃO 02

NOME: BÁRBARA SILVEIRA FALLEIROS

(ESCOLA PARTICULAR)

CAMPINAS / SP

LETRAS – LICENCIATURA E BACHARELADO (D) (1A OPÇÃO)

Um paradoxo da modernidade: eliminação de fronteiras,

criação de fronteiras

Aldous Huxley, quando escreveu Admirável mundo novo, talvez não imaginasse estar criando a brilhante antevisão de uma sociedade tecnológica que se formaria quase cinqüenta anos antes do que ele previa em seu livro. Ao descrever uma realidade futurista baseada no quase absoluto controle do conhecimento científico, formou personagens sem aquilo que Nietzsche chamava de “vida vermelha viva”, sem a essência, pessoas fabricadas numa produção em série, massificadas, iguais.

Quando nos vemos hoje diante da eliminação de fronteiras, sejam elas científicas, como em Admirável mundo novo, ou de ordem geográfica ou econômica, somos inclinados a pensar: estariam as fronteiras que separam o individual do coletivo também sendo eliminadas, e nós, caminhando para um futuro de igualdade?

Temos um mundo baseado no controle de conhecimentos tecnológicos. O progresso científico fez as informações chegarem a qualquer lugar do mundo em instantes, com a formação de redes como a Internet. A fabricação da vida está a

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um passo de ser controlada, com experiências genéticas como a que envolveu a ovelha Dolly, o Projeto Genoma ou o útero artificial criado na Universidade de Tóquio.

A uniformização da cultura é outro fruto do mundo globalizado. As empresas multinacionais, que dominam as relações econômicas, contribuem para isso. Palavras e expressões da língua inglesa estão tão incorporadas ao nosso vocabulário que nem percebemos o quão estranho é dizer “vamos teclar”, ou “isso eu deleitei”. O McDonald’s é realmente o maior símbolo dessa uniformização cultural. Ele está instalado lá, em frente às pirâmides egípcias, com sua filial ocidentalizada exatamente igual a qualquer outra em New York. Essa padronização se percebe em tantos outros aspectos, e o mundo se torna cada vez mais americano, na fala, nas roupas, no mecanismo de pensamento.

O que tem sido feito com a cultura nos faz achar normal a exibição, em um programa de tevê, de uma mulher e seu cotidiano dentro de uma casa, como se paredes de vidros fossem a própria transgressão dos limites público-privado. Mas temos, por outro lado, pessoas isoladas em apartamentos quaisquer de megalópoles, buscando criar uma identidade, real ou não, diante de uma tela de computador. Diante de personalidades virtuais, que se criam e desfazem. Aí sim tudo é privado, porque, frente a uma realidade tão ampla, a essência não se expande e essas pessoas permanecem sozinhas.

Também quando nos deparamos com casos como o de um shopping, com um processo na justiça para impedir pessoas pobres de transitarem dentro dele, temos o mais claro exemplo de que as verdadeiras fronteiras a serem eliminadas são as únicas que são mantidas. Diversas pesquisas mostram que o índice de desigualdade social e a precariedade na distribuição igualitária de renda aumentaram nas últimas décadas. Enquanto no Japão se tem o lixo tecnológico, nos países subdesenvolvidos crianças procuram nos lixões restos de comida. E o bicho continua sendo um homem. A tecnologia capaz de mandar pessoas para morar no espaço é incapaz de fornecer saúde, alimentação e educação de qualidade para todos. Pessoas ainda morrem de fome, porque a tecnologia não é para elas. A eliminação de fronteiras, bem ou mal, é direcionada. E para manter, paradoxalmente, tudo como antes.

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REDAÇÃO 03

NOME: EZIEL PERCINO DA SILVA

(ESCOLA PÚBLICA)

JUNDIAÍ / SP

PEDAGOGIA (D) (1A OPÇÃO)

A articulação dos novos modelos estruturais (globalização), o desenvolvimento de novas técnicas de comunicação e a nova configuração mundial (pós-guerra fria), geraram um modelo de domínio muito sutil em que a ausência do respeito e da consciência sobre “o outro” e, ainda, o sentimento de verdade unilateral sobre o espaço existencial, são fatores determinantes. Se, por um lado, a dissolução de fronteiras significa uma aproximação entre os diversos valores, por outro, assimila de maneira quase frenética “a lógica do dominador”, em que a parte “superior” manipula a história e as suas complexas elaborações segundo os seus interesses. Sendo a humanidade multifacética, uma “lógica de domínio” torna-se elemento constitutivo insuportável, gerando confrontos. Se valorizarmos a percepção desta lógica, a crença numa “ética universal” – ou seja, um conjunto de valores que sirva para todos os povos de todas as épocas – apresentar-se-á vulnerável, pois a multiplicidade será mais visível, impossibilitando um único julgamento. Ou seja, ficará nítida a distância entre a cosmovisão do dominador e a do dominado.

Por exemplo, atualmente observamos no plano geopolítico a superação das fronteiras. Mas esta realidade é, na verdade, a representação de uma realidade embutida: a legitimação da lógica capitalista. A sociedade de mercado e consumo, moldada segundo as aspirações dos países ricos, apresenta-se como única configuração histórica viável, produzindo conexões éticas que se estendem muito além dos relacionamentos econômicos e/ou políticos. É a dominação de uma cultura sobre a outra, alimentada pelo fator ideológico.

Estamos muito acostumados a ver o mundo com os nossos “olhos ocidentais”. Desrespeitamos as fronteiras, julgamos a história e seus movimentos, estabelecemos conceitos e até mesmo fazemos guerras segundo os

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“olhos” que temos. Queremos que a nossa verdade seja a verdade do mundo todo. Foi desta forma que os colonizadores ocuparam a América, desconsiderando que os povos nativos tinham uma outra bagagem ética, viam o mundo e a vida de uma outra forma. Foram desta forma as Cruzadas, as guerras religiosas. Acabar com as fronteiras sempre significou construir o mundo conforme a lógica do dominador. E a lógica do dominador é sempre criar uma fronteira entre ele e o dominado.

Desta forma, torna-se imprescindível a tomada de uma “atitude profética” sobre o nosso tempo. Temos que resgatar a expressão “unidade na multiplicidade”. Ou seja, interação e diálogo entre os povos sem desrespeito às diferenças. Que a aproximação entre os valores (queda de fronteiras) não signifique a imposição de um valor sobre os outros (construção de fronteiras). A valorização dos nossos vários sistemas existenciais e a não–absolutização de um sobre o outro é uma exigência urgente que nos fará perceber a grandeza e a amplitude de tudo o que a humanidade é e produz.

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PRÁTICA

Temos a seguir alguns trechos de redações que contêm problemas gramaticais, de

coesão, de coerência, de argumentação ou de qualquer outro aspecto. Vamos comentar cada um

deles e ver o que poderia ser feito para melhorá-los.

TRECHO 01

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Mesmo o Brasil, sendo um país subdesenvolvido, a sua população é mal conscientizada, agravando o problema da água. Juntamente a população, setores de extrema importância para a sociedade também favorecem de forma siginificativa para o extermínio desse recurso. TEMA:

O desperdício da água no mundo

TRECHO 02 Pura mascaração da realidade, o carnaval, faz as pessoas esquecerem dos seus problemas, dos seus direitos e deveres como cidadães. TEMA: Carnaval como mascaramento da realidade

TRECHO 03 Quem rouba s tênis das crianças? Quem rouba sua bolça? São os menores. A lei acaba deixando sem recursos a maioria, que são as vítimas.

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TRECHO 04 A televisão forma e modifica idéias, influencia no comportamento das pessoas e as convense a comprar produtos por ela oferecidos.

TRECHO 05 Enfim, assistir televisão de ser considerado um lazer como outro qualquer, e não uma obrigação, como é escovar dente. Existem variados meios de comunicação que podem proporcionar as mesmas coisas, e muitas, e muitas vezes, com maior precisão. Além do mas, é melhor viver do que assistir à vida, e melhor ainda, é ir às comprar do que imaginar-se indo. TEMA: Televisão

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O homem promoveu alta tecnologia, mas não sabe utilizar de forma a oferecer a informação, a educação, a cultura e a cidadania. TEMA: A televisão como meio de comunicação

TRECHO 07 Atualmente, a tecnologia também é uma forma de fazer com que essas mesmas informações possam chegar com a mesma facilidade à todas as classes da sociedade, onde quer que estejam. TEMA: A televisão

TRECHO 08

O que se tem notado atualmente é o aumento do número de graduados no mercado, e,

esse número tende a aumentar com a existência de um mercado que cada dia cobra mais.

O mercado busca competência, e para tal feito, ele não irá absorver aqueles que apenas

possuem um curso superior, mas sim aquele que tendo ou não um diploma, são sinônimos de inteligência, responsabilidade e força de vontade.

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TRECHO 09 A população de Paço do Lumiar e São José de Ribamar são obrigados a passar por situações desagradáveis quase todos os dias; sofrem com a lotação e demora dos ônibus. Sem opção, ou por pressa mesmo, acabam recorrendo ao transporte alternativo. TEMA: transporte alternativo.

TRECHO 10 Acho que com está idéia de que por causa da televisão os jovens não lêem, não se está falando mal da televisão. Geralmente está se querendo falar dos jovens, porque se deixam levar pelo que se passa na televisão.

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TRECHO 11

Enquanto todas as atenções estam voltadas para a guerra dos estados Unidos com o Iraque, o povo brasileiro sofre com uma guerra: Governo contra o crime organizado.

TRECHO 12

Há várias formas de atacar esse problema. A principal é que a sociedade e a família se conscientizem e estimulem seus idosos, oferecendo-lhes oportunidades de expor seus conhecimentos adquiridos durante suas vidas. Caso contrário ele tende a aumentar e desde já é preciso encará-lo de frente.

Veja agora algumas falhas de alunos de anos anteriores (as de vocês – se houver – virão nas apostilas posteriores)

Olhos azúis

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Possuía um feitio traissoeiro

Totalmente à favor

Esquisofrenias

Iam a igreja

Vivem poucas familias onde a maioria vive da roça

biblia

um

casal que se encontram juntinhos

Cabelos castanhos caidos no rosto

Uma postura sempre muito seria

Sempre bem arrumada com um sorriso no rosto.

Nos ultimos anos

O chapeu

Essa familia tinha pessoas que eram muito religiosas. Onde a religião para eles vinha

em primeiro lugar. Pessoas muito espontaneas

As melhores impressões possiveis

Todos aparentam serem boas pessoas

Tranquila

Aparenta uns trinta e cinco à quarenta anos

Certo animal têm como caracteristica principal

Quem ver até se impreciona

Como caracteristica meio que apeladora, carrega em sua mão uma belissima rosa