Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998

Por

Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Orientadora: Lia Osório Machado

Rio de Janeiro 2000

Almeida, Roberto Schmidt de A Geografia e os geógrafos do IBGE no período 1938-1998 / Roberto Schmidt de Almeida. – Rio de Janeiro : Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2000. 2v. Orientadora: Prof. Dra. Lia Osório Machado. Dissertação (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. 1. Geografia – História – Teses. 2. IBGE – História – Teses. 3. História oral – Teses. 4. Geógrafos – Brasil. 5. Formação profissional. 6. Geógrafos – Biografia. 7. Memória. I. Machado, Lia Osório. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título CDU 91 (091) GEO

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998:

Por Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Banca Examinadora

Professora Doutora Lia Osório Machado orientadora

Professora Doutora Maria do Carmo Galvão

Professora Doutora Marieta de Moraes Ferreira

Professora Doutora Lucia Lippi Oliveira

Professor Doutor Paulo César da Costa Gomes

Rio de Janeiro, RJ - Brasil

2000

Para os Geógrafos e os demais profissionais de outras formações, que garantiram a qualidade da Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ao longo desses anos. Isto é, aos que criaram o documento e guardaram a memória.

A memória alimenta uma cultura, nutre a esperança e torna humano o ser humano Elie Wiesel

Agradecimentos Desejo agradecer primeiramente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que, com sua política de aperfeiçoamento de pessoal, garantiu-me o tempo necessário para a conclusão deste trabalho. Política que o IBGE vem mantendo sistematicamente desde sua fundação e que resultou na alta qualidade de seus quadros técnicos, tanto em Estatística, quanto em Geografia, Geodésia, Cartografia, Economia, Sociologia, Ciências Naturais e Computação, áreas do conhecimento em que o IBGE opera direta ou indiretamente. No contexto da Diretoria de Geociências, desejo explicitar as pessoas dos diretores Sérgio Bruni e Trento Natali Filho que garantiram o suporte técnico para que eu pudesse me afastar das tarefas burocráticas e pesquisar as atividades da área. Agradeço também a paciência deles ao dedicarem boa parte de seus tempos nos processos de gravação de seus depoimentos e nas discussões preliminares a esses depoimentos. No Departamento de Geografia, onde trabalhei 29 anos, as figuras de César Ajara e Maria Luíza Castelo Branco, os dois últimos chefes de departamento, foram fundamentais na garantia das condições físicas de pesquisa para que este trabalho fosse concluído. No contexto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, a liderança de David Wu Tai foi importante no processo de viabilizar meu acesso aos acervos históricos do IBGE, inclusive, me garantindo duas viagens de pesquisa aos arquivos históricos do IBGE localizados em Brasília, na Reserva Ecológica do Roncador. Em Brasília, a amável acolhida de Iracema Gonzales, responsável pela Reserva Ecológica e Guiomar Almeida e Silva, do Escritório da Presidência do IBGE em Brasília, foi de grande importância, facilitando minha pesquisa. As figuras de Maria Teresa Passos Bastos, Edna Maria de Sá Morais, Regina Acioli e Josiane Pangaio foram incansáveis nas etapas de pesquisa de documentos e na editoração final da tese. Ao corpo de professores e funcionários do Departamento de Geografia da UFRJ, que me garantiram um estimulante ambiente de estudos, propiciando uma ampliação de meus conhecimentos nos estudos geográficos. Aos colegas pesquisadores do Curso de Mestrado em Memória Social e Documento da UNIRIO que me garantiram um intensivo treinamento nas técnicas de gravação de depoimentos em História Oral durante o trabalho sobre o Bairro da Urca, fundamental para o desenvolvimento de minha pesquisa. Explicitados todos esses agradecimentos, resta-me criar uma categoria muito especial de reconhecimento à minha esposa Sônia Rocha, economista que conheci no DEGEO, e com a qual casei-me em 1981. Até hoje, continuamos intensamente trocando conhecimentos sobre os mais variados assuntos, até mesmo geografia e economia... e no meio tempo, cuidando de nossa filha Monica e de nossos gatos, Gatucho ( já falecido) e Bali .

Resumo

A reconstituição histórica do conjunto de atividades levadas a efeito entre os anos de 1938 e 1998 por uma comunidade de pesquisadores geográficos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, é o principal objeto desta pesquisa. A relação entre Documento e Memória preside este trabalho, no qual documento expressa o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) enquanto memória exprime a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE. Essa relação esclarece sobre as diferentes conjunturas nas quais foi gestada a produção geográfica, além de desvendar os diversos conflitos de natureza política, científica, corporativa e pessoal enfrentados por esses geógrafos, ao construir o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O trabalho abarca um período de 60 anos, tendo como pano de fundo, os contextos político, econômico, científico do país que se desenrolam paralelamente a quatro constituições, vinte e dois mandatos presidenciais (vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves. Seguidas por alguns períodos excepcionais como o Estado Novo (1937 a 1945), da renúncia de Jânio Quadros até a queda de João Goulart (1961 a 1964), o dos governos militares (1964 a 1985) e o dos três governos posteriores. No campo do Pensamento Geográfico, a pesquisa rastreia as principais mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico influenciando, via escolas francesa, alemã e anglo-saxônica, nos principais trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.Finalmente, acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. De início, quando aliavamse à necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração, levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. Ultimamente durante os governos pós-militares na década de 90, quando a palavra transição tornou-se o mote principal, referenciada, tanto às questões científicas, quanto as tecnológicas, e a noção de crise, financeira e gerencial, passou a figurar prioritariamente nas preocupações dos legisladores e dos planejadores do aparelho estatal.

Summary The main objective of this research is the historical recollection of activities pursued from 1938 to 1998 by a group of geographical researchers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the largest government agency on territorial planning in Brazil. The relation between Document and Memory command this work. Document refers to what is printed (legislation, projects, reports and the geographers' intellectual production, as reports, books, atlas and articles), while memory relates to the personal experience of a group of professionals, through their taped and transcribed oral testimony, describing their trajectory in IBGE and explaining the conditions under which their geographical production developed. The work also narrates the many political, scientific, corporative and personal conflicts which arose during the development of the so-called Official Geography.The work covers a 60 year-old period, having as background the country´s political, economical and scientific events, thus paralleling four constitutions, twenty-two presidential mandates (twenty-one presidents and a military committee), as well as a succession of political crises, which led to some exceptional periods as the Estado Novo (1937 to 1945), Jânio Quadros´s renouncement to João Goulart's fall (61 to 64), the military rule (1964 to 1985) and the three subsequent governments. The research trails how the main methodological and technical changes in the Geographical Thought, influenced by the French, German and Anglo-Saxon schools, affected the mainstream of IBGE´s geographic production. It focus on the standing of Geography in Brazil. Firstly, during the period when, at the same time, there was the need to describe the territory and to pursue its administrative integration, which was Getúlio Vargas` engagement during the Estado Novo. Lately, during the post military governments in the nineties, when the word transition became the keyword in scientific and technological matters, while crisis, financial as well as managerial, became the central concern of legislators and planners.

Sumário A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998 Introdução do autor....................................................................................................................... Apresentação................................................................................................................................ Capítulos Introdutórios I- A Relação entre Documento e Memória no Contexto da História Oral.................................. II- O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? .................................................. III- O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE Parte I - A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução - O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia .................................. Capítulo I - A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro ........... Capítulo II - A Estruturação das Áreas de Geografia, Geodésia e Cartografia no IBGE.............. Capítulo III - A Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE ........ Parte II - A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução - O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico no Século XX ............................ Capítulo I - O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas Sociedades Geográficas, na Universidade e no IBGE ................................................................ Capítulo II - Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE ....................................................................................................................................... Capítulo III - A "Velha Guarda" da Geografia do IBGE, a Estruturação das Lideranças Pioneiras ....................................................................................................................................... Parte III - O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução - Uma Experiência de História Oral ............................................................................ Capítulo I - A Aventura dos Depoimentos Gravados Com os Profissionais ................................ Capítulo II - O Processo de Escolha da Carreira ......................................................................... Capítulo III - Na Arena de Trabalho ............................................................................................ Parte IV - As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução ..................................................................................................................................... Capítulo I - Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia : uma análise de suas práticas profissionais .................................................................................. Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE .......................................... 1- Regionalização ......................................................................................................................... 2- Ocupação do território e habitat ............................................................................................... 3- Industrialização ........................................................................................................................ 4- Urbanização ............................................................................................................................. 5- Modernização da agricultura ................................................................................................... 6- Caracterizações Ambientais ................................................................................................... 7- Diagnósticos Sócio - Ambientais Integrados ..........................................................................

Capítulo II - As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia : 1-Os Presidentes Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) ........................................................... Gestão Edson de Oliveira Nunes ........................................................................................... Gestão Charles Kurt Mueller .................................................................................................. Gestão Eurico Neves Borba ................................................................................................... Gestão Simon Schwartzman .................................................................................................. 2 - Os Diretores Gestão Mauro Pereira de Mello na DGC ................................................................................. Gestão Sérgio Bruni na DGC ................................................................................................... Gestão Trento Natali Filho na DGC .......................................................................................... Depoimento de Marilourdes Lopes Ferreira (Diretora Adjunta na DT e na DGC) ..................... Parte V - Os Processos de Qualificação Profissional Introdução ................................................................................................................................. Capítulo I - A Importância das Relações Com as Universidades no Exterior e no Brasil ...... Capítulo II - O IBGE Como Disseminador da Geografia no Brasil ............................................. Parte VI - Apogeu , Crise e Futuro da Geografia Ibegeana nos Anos 90 Introdução - Crise do Serviço Público ou Crise da Geografia ? A grande diáspora de 1991 Capítulo I - O Quadro de Transição da Geografia do IBGE nos Anos 90 Capítulo I I - O Futuro da Geografia no IBGE no Contexto de Uma Agência Executiva Com Um Contrato de Gestão. Capítulos de Conclusões Conclusões.......................................................................................................................... Projetos Futuros para uma Memória Oral do IBGE............................................................. Bibliografia .......................................................................................................................... Anexos ............................................................................................................... Volume II

Introdução do Autor Tomando por base ser este trabalho o resultado de uma avaliação de várias trajetórias profissionais, é importante lembrar, e dar o devido crédito, a algumas pessoas que me ensinaram a arte do profissionalismo. Tornar-se um profissional competente é um ideal a ser alcançado, embora exija um certo esforço, em termos de aprendizado de várias habilidades no decorrer de nossas vidas. Essas pessoas que aparecerão a seguir, conscientemente ou não, tornaram possível a transformação de um jovem inexperiente, mas curioso e afoito, num profissional que se dispôs a contar a história de um grupo de pesquisadores que se ocupou de estabelecer uma boa parte do conhecimento geográfico do território brasileiro, ao longo de mais de 60 anos. A jornada inicia-se em 1964, ao ingressar nos quadros da companhia S/A White Martins pelas mãos de João Garcia, um grande amigo de meu pai. “Tio Joãozinho” ensinou-me a operar com o formalismo e com a hierarquia. Dali em diante, eu seria o responsável por meus atos diante de meus pares. Antonio Gualano Consentino, gerente geral da Divisão Centro, ensinou-me a entender o que é mandar e responsabilizar-se pelas ações de mando. Muito lucraria o IBGE, se a grande parte de suas chefias tivesse aprendido as lições do “Dr. Consentino”. Washington Paes, gerente de compras, ensinou-me os aspectos técnicos dos equipamentos que a White Martins adquiria, tanto para revenda, quanto para uso interno. Muitas outras pessoas me auxiliaram nesse trabalho, mas a última palavra eu ouvia do Dr. Paes. O mesmo Washington Paes seria meu superior na área de recursos humanos, durante minha última fase na White Martins (1969-70), quando eu já havia escolhido a Geografia como formação profissional (em 1968 iniciei meu curso na UFF). Para ele, era espantoso como um rapaz que tinha sido bem aceito pelos códigos não escritos da companhia, não estava interessado em estudar administração ou economia para seguir carreira na White Martins, e sim Geografia, fascinado pelo mundo do alpinismo, ao qual havia sido introduzido em 1965/66. Mais espantado Dr. Paes ficou quando, em fevereiro de 1970, tomei a decisão de me demitir da White Martins para ser estagiário no IBGE, sem contrato formal de trabalho e ganhando a metade do salário. A decisão era tão temerária, que o Dr. Paes, por ocasião da minha entrevista de desligamento, ofereceu-me uma nova oportunidade na companhia, caso as coisas não dessem certo no IBGE, pelo menos enquanto ele estivesse na gerência de recursos humanos. Hoje, posso

agradecer a confiança depositada e dizer que em algumas ocasiões, no início do estágio do DEGEO, cheguei a pensar em conversar com Dr. Paes para uma volta. O primeiro geógrafo com quem estabeleci uma relação de confiança, foi Gelson Rangel Lima, meu professor de Geografia Humana na UFF e pesquisador de Geomorfologia no IBGE. Na época, minha relação entre alpinismo e Geomorfologia ou Bio-geografia era muito forte em meus planos profissionais e o Prof. Gelson contribuía de duas maneiras: ensinando informalmente Geomorfologia em suas excursões da UFF e relatando suas experiências na Europa, por ocasião de seu estágio de pesquisa na França, enviado pelo IBGE. Foi por sua influência, que eu fui indicado pela UFF para tentar um estágio no IBGE no ano de 1970. Gelson foi incansável no processo de minha preparação para a entrevista com os chefes do DEGEO, indicando bibliografias e explicando o novo movimento da Geografia Quantitativa, que se iniciava no Brasil. Era perfeitamente perceptível que aquela não era sua área de especialização, mas ele esforçava-se para mostrar a chegada de mais uma opção em termos de Geografia. Outras duas pessoas a quem devo boa parte do conhecimento geográfico que hoje possuo são Elza Coelho de Souza Keller e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa, pois, além de depositarem confiança em minha pessoa, efetivamente ensinaram-me a trabalhar na pesquisa geográfica. Iniciei meus trabalhos em março de 1970 e, em julho do mesmo ano, Elza Keller já me convocava para um longo trabalho de campo no Maranhão, juntamente com o grupo de Roberto Lobato (os experientes estagiários João Rua e Luís Antônio Ribeiro). Nos anos seguintes, a figura de Roberto Lobato Corrêa passou a ser a principal referência para meus estudos geográficos. A mudança da Geografia Física para Geografia Urbana se completou, fundamentalmente por conta da orientação segura de Roberto Lobato, a quem devo meus conhecimentos, tanto de Geografia Urbana, quanto de sistemática de pesquisa. O que ler, como ler, como fichar, o entendimento do que é realmente fundamental num grupo de textos, reconhecer quem é o autor de referência num determinado assunto, foram as principais lições que aprendi com Roberto Lobato Corrêa, e que me foram de enorme valia por toda minha vida profissional. Com a ida de Lobato para Chicago, para fazer seu mestrado, outra pessoa ocupou seu lugar no processo de preparação de minha vida profissional. Olga Buarque de Lima, recém-chegada da Inglaterra, onde tinha concluído o mestrado, ocupou-se de dar-me as lições fundamentais do preparo de um texto escrito. Tarefa extremamente difícil, em virtude de minha total falta de domínio de um texto técnico. Foram muitos meses de leitura e correção dos textos, com intermináveis reconstruções, até tornarem-se palatáveis aos olhos incansáveis de Olga Buarque. Se pudesse

com uma única frase definir esses tempos, diria que Roberto Lobato ensinou-me a estudar e Olga Buarque, a escrever corretamente um texto geográfico. No início dos anos 80, Lobato reassume seu posto de mentor, orientando minha tese de mestrado sobre o comportamento dos incorporadores imobiliários no município do Rio de Janeiro, defendida em 1982 na UFRJ. Tenho muito orgulho dela, pois foi a primeira tese que tratou de um agente modelador da iniciativa privada, já que todos os trabalhos do momento somente enfocavam dos agentes do Estado, como o Banco Nacional da Habitação - BNH e seus satélites. É claro que, no contexto altamente ideologizado do início dos anos 80, tive muitos problemas com esse tipo de abordagem, embora Roberto Lobato sempre me apoiasse. Gostaria ainda de lembrar de certas pessoas que, ao longo de minha vida profissional, assistematicamente, deram importantes contribuições para o meu aperfeiçoamento como geógrafo. Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mequita foram duas geógrafas que sempre desviaram parte de seus afazeres profissionais para darem uma orientação de trabalho, uma leitura crítica de um texto, ou apresentando desafios novos, em forma de propostas de novos projetos de trabalho, ou de apresentação de capítulos em projetos editoriais do DEGEO, durante a gestão comandada por Solange. A elas devo muito de minha desenvoltura profissional e a definitiva superação da “síndrome da folha em branco” , temor clássico que assombra muitos pesquisadores no início da carreira. Como iniciar um texto de um projeto? Elza Keller, o casal Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Speridião Faissol foram profissionais que durante algum momento de suas vidas ensinaram-me algo, tanto de Geografia propriamente quanto dos afazeres de um geógrafo. Indicações de novos livros ou artigos, convites para seminários, oportunidades de participação em grupos de pesquisa foram o que de melhor aproveitei vindo desses profissionais. Além disso, alguns deles me ofereceram oportunidades para lecionar em universidades. Nilo Bernardes, para substituí-lo na PUC-RJ, Ney Strauch, para substituí-lo na Escola Naval, Bertha Becker, para dar duas conferências na Escola de Guerra Naval e, posteriormente, para trabalhar como professor colaborador na UFRJ. Alguns não geógrafos também foram importantíssimos na construção de minha profissão. O biólogo e ecologista Fernando Segadas Viana orientou-me, por diversos sábados dos anos de 1968 e 69, sobre os segredos da vegetação tropical e desértica, sobre a zoologia do cerrado, além de me explicar detalhadamente a teoria de Alfred Wegner sobre a translação continental, o que resultou numa apresentação para o curso de Cosmografia na UFF.

No campo das relações entre os estudos urbanos e a economia, o economista brasilianista Werner Baer, ao trabalhar com Pedro Geiger no DEGEO durante o ano de 1977, sobre os problemas das desigualdades regionais no desenvolvimento econômico brasileiro, dispôs-se várias vezes a explicar os métodos utilizados na pesquisa e a indicar uma bibliografia adequada ao meu nível de entendimento da questão. Devo a ele boa parte do meu conhecimento de história econômica do Brasil e o feliz encontro com o economista Annibal Villela, em seu sítio em Araras, onde aprendi muito sobre a estrutura de poder do governo brasileiro no período Geisel. No início dos anos 80, quando me casei com a economista do IBGE Sonia Rocha, intensificaramse os laços com Annibal Villela, o que ampliou bastante meus conhecimentos sobre as estruturas das companhias estatais, área de estudo desse pesquisador que havia sido Secretário Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização dos Estados Americanos (OEA), Superintendente do Instituto de Pesquisas do IPEA, Assessor do Banco Mundial - BIRD e pesquisador e professor da FGV. Uma conversa com Dr. Villela era sempre uma possibilidade de aprender alguma coisa nova. Infelizmente, Dr. Villela faleceu em julho de 2000. Via Pedro Geiger e Werner Baer, pude conhecer Hamilton Tolosa e Thompson Andrade, economistas do IPEA especializados em Economia Urbana e Regional que, durante a segunda metade dos 70, estiveram varias vezes no DEGEO dando palestras e explicando suas pesquisas. David Vetter, economista americano que trabalhou no Departamento de Indicadores Sociais DEISO do IBGE, foi outro profissional importante na minha formação. Vetter ensinou-me os segredos dos dados censitários referentes à infra-estrutura domiciliar urbana. Participou da banca examinadora de minha tese de mestrado e estivemos em alguns seminários de urbanismo. Apesar de suas dificuldades em falar português, escrevia objetivamente e era um mestre na análise de dados censitários. Atualmente é analista financeiro e quase um banqueiro em Nova York. Outra figura incrível foi Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Era arquiteto urbanista, mas poderia ser sociólogo, antropólogo, geógrafo, historiador, psicólogo sem grandes problemas. Era um profissional único em seu meio, pois não era sectário e sabia traduzir a alma humana como poucos. Por ter participado de muitos projetos de urbanização de favelas, era conhecido como “favelólogo” e coordenava um grupo de pesquisas urbanas no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) . No período de meu projeto de tese de mestrado, conversamos muito sobre os mecanismos de ocupação residencial nos bairros da periferia do Rio. Era uma das cabeças mais lúcidas de sua época. Sua morte prematura foi uma grande perda para os estudos urbanos e para as mentes não sectárias...

Rodolfo Barbosa e Marcílio ensinaram-me a arte da cartografia temática. garantir a ampliação da qualificação dos profissionais que restaram e prepará-los para os desafios do censo 2000. era com eles que eu ia me consultar. aconteceu por intermédio de Carlos Nelson. Atualmente a geógrafa Maria Luísa Gomes Castello Branco continua a luta de reequipar o departamento. No campo gerencial do IBGE. . A grande vantagem de trabalhar com Miguel Angelo é a sua obstinação e sua capacidade de trabalho. as figuras de Rodolfo Barbosa. Neste ponto. ou em livros e atlas do IBGE e de outras editoras. Acompanhei sua luta na tentativa de reorganizar um DEGEO cada vez com menos geógrafos. mas com demandas crescentes. Em caso de dúvida. Entre 1976 e 1994 estivemos trabalhando juntos em 11 trabalhos diferentes. em virtude das atribuições que lhe são definidas pelos estatutos da Instituição. na hora de representar graficamente um tipo de dado. chefe do DEGEO entre 1991-1999. era possível tentar qualquer solução heterodoxa para abordar um problema. Com ele. Esse aprendizado foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional. Mauro Mello foi nosso diretor de Geociências e sempre fez questão de vincular à Geografia com a Cartografia nos grandes projetos de que a diretoria de Geociências do IBGE tomou parte. participei ainda de alguns seminários no Instituto de Administração Municipal com ela e Carlos Nelson. Além do artigo. Ainda nem havia defendido o trabalho e Lícia já me pedia que eu escrevesse um artigo sobre a incorporação imobiliária carioca para um livro de uma coleção sobre urbanismo que ela organizava para a editora Zahar. Na área da Cartografia. especialmente. Para ele. tragados pelo processo de aposentadorias. Agradeço-lhe. todos devidamente publicados em periódicos. Miguel Angelo Ribeiro.Meu primeiro contato com o mundo interdisciplinar das apresentações acadêmicas e dos artigos publicados. Além disso. que me apresentou à Lícia do Prado Valladares. Miguel nunca teve medo de idéias novas. em dois projetos de Atlas de que participei (Regional do Nordeste e Nacional do Brasil) a influência de Roberto Lobato Corrêa como coordenador desses trabalhos foi particularmente importante na fase de organização temática e nas sugestões gráficas iniciais. o empenho que teve junto à diretoria do IBGE no processo de minha liberação integral para o doutoramento. fora do contexto do IBGE. como a Revista Brasileira de Geografia (RBG). em termos de trabalho. aprendi muito com César Ajara. qualquer dia é dia e qualquer hora também. Também neste campo. Trabalhar com um profissional assim. pois fui seu assistente e substituto eventual na chefia do departamento até 1995. não existem obstáculos. garantiu-me uma experiência importante e espero que tenha sido recíproca. por ocasião de meu projeto de tese de mestrado. abro parênteses para uma lembrança profissional muito especial ao meu colega de curso na UFF e companheiro de trabalho no IBGE desde 1970. Pedro Marcílio e Mauro Mello foram os que mais me influenciaram.

Roberto Lobato Corrêa. um já entendia o outro por antecipação. O curso tratou das raízes das idéias sobre a natureza e monitorou essas idéias entre a antigüidade e o século XIX. Aziz Nacib Ab’Saber. e sim porque ela foi a primeira pessoa que me ouviu explanar sobre uma possível pesquisa que abrangeria a Geografia do IBGE. Naquele jantar. a pesquisadora com a qual se pode confiar e discutir com serenidade os pontos de vista. tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores grupos de pesquisadores/professores de pós-graduação em Geografia do país : Bertha Becker. fiz seu curso Raízes das Idéias Sobre a Natureza. ou apenas para constar e engrossar a tese. Após dois meses de trabalho duro apresentei um artigo sobre a evolução da noção de determinismo natural.No contexto do curso de doutorado. em quatro congressos de Geografia. . do qual participamos: Milton Santos (USP). nosso processo de comunicação já estava pavimentado. que por ser o seu único orientando no curso. Ali percebi que estava lidando com uma pesquisadora de alta qualidade e que nossas relações. teria algumas “facilidades”. Paulo César Gomes. a apresentação de trabalhos. no doutorado. Iná Elias de Castro e Maurício de Almeida Abreu. sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. e que me incentivou a iniciá-la. Meu sumário portanto. por ocasião da apresentação oral do projeto de tese para a banca examinadora. numa noite fria de Porto Alegre. Marcelo José Lopes de Souza. José Grabois e Irene Garrido Filha. Lia Osório (UFRJ) e eu pelo IBGE. participávamos de um seminário organizado por Gervásio Neves. Qual não foi minha surpresa. em termos de produto. A defesa do projeto fluiu e foi bem aceita pelos examinadores. Antônio Carlos Robert Moraes. por pretender tratar de assuntos contemporâneos. A produção resultante desses dois anos traduziu-se em sete artigos sobre vários temas geográficos e. em meio a muitas picanhas e vinho tinto. Wanderley Messias da Costa. Durante a fase de qualificação. estava fora de cogitações. Júlia Adão Bernardes. percebi que Lia seria a orientadora ideal. Imaginando. Nesse encontro. pensei logo em escrever um texto sobre os geógrafos que trabalharam com a Natureza no IBGE e apresentei o projeto do sumário. Durante os dois anos de curso. quando a “professora” simplesmente colocou o seguinte obstáculo. O mais interessante no processo é que ela não foi importante por ser minha orientadora. Este sentimento ampliou-se quando. Acho que foi a partir desse trabalho que nossa confiança mútua cresceu. além dos professores convidados como Orlando Valverde. a profissional mais importante foi minha orientadora Lia Osório Machado. não poderiam ser de baixa qualidade.

Algumas semanas depois. enfocaria os bairros da área portuária. Se eu tenho. Repentinamente. que nos orientou no sentido de montar um conjunto de depoimentos de moradores do bairro da Urca. coordenadora do Mestrado em Memória Social da UNI-RIO foi fundamental. estava envolvido com preparação de artigos sobre aspectos geo-históricos da Urca e acabei escrevendo um livro sobre iconografia da Urca e prefaciando o livro de análise do José Carlos e Sonia A. transcrições. que passei a trocar mais experiências no decurso de tomada de depoimentos do meu público alvo: os profissionais do IBGE. museólogos. foi com os historiadores. Ele e Sônia Aparecida de Siqueira se revezaram na orientação inicial dos projetos. primeiramente. o segundo. um método de criar documentos através da gravação e transcrição de entrevistas ou de depoimentos orais de pessoas que vivenciaram acontecimentos em épocas e/ou lugares específicos. Telma Salandra Lemos. além de comparecer a seminários especializados . pois este setor já havia entrevistado vários profissionais da casa em diversas ocasiões. O processo iniciou-se no setor de memória do IBGE. no curso de mestrado em Memória Social e Documento da UNI-RIO e perguntou se eu estava disposto a aprender história oral. Icléia me indicou uma ótima profissional em transcrições de fitas. Além disso. tive sua total colaboração durante todas as fases do projeto. . professor de história da USP e consultor do grupo da UNI-RIO. o apoio de Maria José Wheling. a uma pessoa por ter me garantido a viabilidade de completar sem traumas meu projeto de tese. além de participar do processo de entrevistas. quando fui solicitar assistência para os preparativos de gravação dos depoimentos. Nesta fase. ainda que eu não pertencesse aos quadros da UNI-RIO. arquivologistas e biblioteconomistas. para subsidiar uma linha de pesquisa chamada História Oral de Bairros do Rio de Janeiro.Gamboa e Santo Cristo. de Siqueira. conferência de fidelidade e copidesque. O primeiro focalizou a Urca e. Icléia Thiesen Magalhães Costa e Regina Acioli Oliveira deram-me as primeiras instruções e cederam cópias de algumas transcrições para que eu me familiarizasse com o assunto. Foi a partir de seus ensinamentos iniciais que comecei a ler sobre história oral e a perceber que aquilo era muito mais do que simplesmente gravar uma conversa. que agradecer. que cuidou de todas as transcrições em tempo hábil. Saúde . essa pessoa foi Icléia. portanto. Icléia informou-me que um grupo estava se formando.Apesar de priorizar meus agradecimentos para os geógrafos. Outra pessoa importante neste processo foi José Carlos Sebe Bom Meihy.

Pensador da Cultura e Escrever a Clínica. enfocando a instituição que escolhi para trabalhar durante os trinta anos restantes de minha vida profissional formal.Nesse ínterim. a Warren Dean por A Ferro e Fogo. Glacken por sua erudição em Traces on the Rhodian Shore. Processamento de Dados. a fim de montar a estrutura da memória técnica do segmento de Geociências e. contei com a compreensão das chefias da Diretoria de Geociências e com o apoio das chefias do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) para a realização do projeto. a Vera Abrantes que foi minha co-orientanda (a orientadora oficial foi Icléia Thissen) em sua tese de mestrado sobre o arquivo fotográfico do IBGE. Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. muito me auxiliou na pesquisa sobre o papel desempenhado por Pierre Deffontaines na Geografia brasileira. a Clarence J. Por isso. tive a sorte de conhecer Verena Alberti. a Simon Schama por seu Paisagem e Memória. Paulo Roberto Lindesay. embora possa pareça estranho. na área de trabalhos de campo em Geografia. e que serviram para. e outros que de muitas maneiras me auxiliaram nesta empreitada. David Wu Tai. Na etapa final da pesquisa. criar também estruturas semelhantes para a Estatística. Sérgio de Assis Barbosa e Luis Carlos Carril no processo de tratamento de imagens das fotos escolhidas e no processo de edição. Neste processo. após retornar ao Departamento de Geografia tomei a difícil decisão de solicitar minha transferência para a área da Memória Institucional do IBGE. além da ampliação do conhecimento. a Elisabeth Roudinesco com sua História da Psicanálise na França. Maria Teresa Bastos. a François Fourquet e seus colaboradores pelo seu incrível Les Comptes de La Puissance. Edna Moraes no apoio administrativo que o CDDDI me deu. que efetivamente me fizeram a cabeça para encarar este desafio. Finalmente. chamarei de subsidiadores subliminares do projeto. a Edson Nunes pelo seu instigante A Gramática Política do Brasil . o meu reconhecimento a Renato Mezan pelos seus Freud. que também me auxiliaram muito na arte de entrevistar. futuramente. proporcionando duas idas ao arquivo do Roncador em Brasília para as pesquisas históricas. a Josianne Pangaio. que li antes da germinação das idéias. Alguns. A Professora Marieta. Rede de Coleta e Administração. gostaria de reconhecer a importância de alguns autores que criaram obras. a Aspásia . a Ricardo Bielchowsky pelo seu Pensamento Econômico Brasileiro. outros eu li no calor da hora. Isto significava mudar de área de pesquisa para acompanhar a história desta agência que tem como objetivo monitorar o Brasil. especificamente. cimentar minha confiança de que era possível escrever uma história da relação entre memória e documento da geografia e dos geógrafos.

a Vincent Berdoulay por seus La Formation de L’École Française de Geographie (1870-1914) e Des Mots et Des Lieux: la dynamique du discours géographique. Capanema que chegou em ótima hora. a Simon Schwartzman. vitais para a pesquisa. pelo importantíssimo Tempos de . a Anne Buttimer pelos seus The Practice of Geography e Society and Milieu in the French Geographic Tradition . e finalmente..Camargo pelo seu magistral artigo História Oral e Política no livro organizado por Marieta de Moraes História Oral e Multidisciplinaridade. a John Kirtland Wright pela sua completíssima história da American Geographical Society em seu livro Geography in the Making. Helena Bomeny e Vanda Costa.. Roberto Schmidt de Almeida. a Ronaldo Costa Couto pelo seus recentíssimos A História Indiscreta da Ditadura e da Abertura e Memória Viva do Regime Militar e a Maurício de Almeida Abreu pelos seus artigos Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação e Sobre a Memória das Cidades.

situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro. corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial.19 Apresentação A reflexão sobre um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos. algumas celeumas internas sobre a conveniência ou não. científicos. Como este trabalho pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE. entre os anos de 1938 e 1998. objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. levando-se em consideração. que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas. A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa. isoladamente. O quesito “onde” abarca o espaço territorial brasileiro. atlas e artigos) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias. podendo também ser alvo de estudos pormenorizados. em certos períodos. os diversos contextos pelos 1 vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos. através de relatórios. e pesquisadores que. projetos. relatórios e a produção intelectual dos geógrafos. livros. Atividades essas classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física. na qual documento expressará o que foi impresso (legislação. aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. como pano de fundo. O quesito “quando” abarcará o tratamento desses 60 anos. será o principal objeto desta pesquisa. que causaram. Embutida nessa questão. podendo desvendar conflitos de natureza diversas. estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos. produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira . políticos. Linha esta que por vezes estará frouxa e. quanto pelos seus geógrafos 1 a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que irá norteá-lo. que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: a prioridade do papel institucional da Geografia no contexto do IBGE. e as contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período. através de seus depoimentos orais gravados e transcritos. em outras ocasiões tornar-se-á retesada. de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento.

contribuirão em muito na análise da legislação pertinente ao órgão. será tratada também a curiosa separação ocorrida entre a Geografia Física e a Humana. No campo do Pensamento Geográfico iremos igualmente rastrear as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico. via informações institucionais. dois governos em um .1988. (1961 a 1964). podendo estar relacionados ou não às linhas de pesquisa do órgão). que este período abrange. será mostrado. É importante ressaltar. Primeiramente. planejado por Tancredo Neves. pressupondo-se geralmente um entendimento prévio da metodologia a ser aplicada e da forma final do produto) e os trabalhos dos geógrafos (estudos elaborados de forma independente por alguns profissionais de Geografia do IBGE. um governo híbrido. a crise da renúncia de Jânio Quadros até a queda do governo de João Goulart. avaliando a evolução de seu contingente de profissionais. falecido antes de assumir e levado por seu vice José Sarney (1985 a 1990 ). estabilidade ou queda de seu “status” perante outras áreas da instituição e do governo. passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica e que sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. em termos de organogramas que determinaram os diversos períodos de ascensão. Penha (1993) e a Cronologia.20 quais o país passou. vinte e dois mandatos presidenciais ( vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves que geraram alguns períodos excepcionais como: o Estado Novo (1937 a 1945). os trabalhos de Gonçalves (1995). e que somente agora nos anos noventa. com dois anos de Fernando Collor. sejam eles: políticos. e que tiveram repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade ibegeana. por exemplo. ora pela escola anglo-saxônica.1969. Igualmente importante será a avaliação do IBGE enquanto instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos. científicos em suas diversas acepções. além das inúmeras modificações por que esta última passou e ainda continua passando ). . organizada por Icléia Costa e equipe (1998). no final dos anos sessenta. sua trajetória na burocracia do órgão e suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento. Será dada uma especial atenção às comparações entre o que se convencionará chamar de trabalhos oficiais (Estudos solicitados pela direção do IBGE ou demandados por níveis hierárquicos superiores a ela. Neste contexto. Nesse contexto. do ponto de vista político. um impeachment e mais dois anos de seu vice Itamar Franco ( 1992 a 1994 ) e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998). quatro constituições (1938. em seguida. influenciados ora pelas escolas francesa e alemã. o período dos governos militares (1964 a 1985). Para a área da Geografia em particular. começa a ser desfeita.1946. econômicos.

num momento em que as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise. ligando-os a uma pesquisa que enfoca uma instituição de governo e a um grupo específico da tecnoburocracia estatal e determinando sua escala temporal de ação. com dúvida e escassez dos anos 80/ 90. em que a palavra transição é o principal mote. Ecologia. até os governos pós militares da década de 90. tendo como elemento chave o IBGE. estabelecendo a relação entre documento e memória no contexto de trabalhos que se utilizaram das técnicas de História Oral. além das políticas de recursos humanos foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial do IBGE. Redes de Coleta de Informações. O terceiro. O primeiro. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte no campo científico e tecnológico foram os de maior peso. figuravam na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal. com uma introdução que explica o papel da nova burocracia estatal implantada após a revolução de 1930. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. além do suporte administrativo que acompanhou o cotidiano de milhares de profissionais em todo o Brasil. Geografia. Disseminação de Informações impressas e por meio magnético e Ensino e Treinamento. O trabalho está estruturado em seis partes. o segundo que relata a estruturação das áreas de Geografia. desde um período em que se aliava a necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração. tanto financeira quanto gerencial. Em âmbito interno. Para demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. . através de um processo de unificação administrativa levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. como detentores da memória do grupo profissional estudado. escalas de análise e áreas. o terceiro destacando o grupo de Geógrafos e Cartógrafos que fizeram parte da pesquisa.21 Finalmente. onde é descrita a evolução de suas principais funções nas áreas de Geodésia e Cartografia. O segundo. Está dividida em três capítulos: o primeiro que explica a institucionalização do sistema de planejamento territorial brasileiro. em função da preparação da base cartográfica municipal para o censo de 1940. Estatísticas demográficas e econômicas. Estruturação e Manutenção de Bancos de Dados de Grande Porte. A parte I contempla a estruturação da tecnocracia ligada ao Planejamento Territorial brasileiro. Certeza e opulência dos anos 40 confrontam-se. portanto. Geodésia e Cartografia no IBGE. acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. No âmbito externo ao IBGE. fazendo um overview ao longo de 13 períodos considerados como um pano de fundo cronológico que orientou a saga da geografia no IBGE. antecedidas de três capítulos introdutórios. traçando uma explanação sobre o IBGE.

utilizando uma experiência de História Oral. O capítulo III enfoca algumas recordações profissionais referenciadas ao ambiente de trabalho. continuaram a disseminar o seu legado. O capítulo II analisa os padrões gerais de inserção na carreira. O capítulo II descreve os diferentes tipos de liderança exercidos por geógrafos estrangeiros que formaram algumas gerações de profissionais do IBGE. O exemplo mais significativo desse segmento está na figura de Francis Ruellan. posteriormente. tanto na Universidade. os principais projetos e seus respectivos produtos. que deixou uma legião de seguidores. com exemplos de maior ou menor engajamento a algum determinado líder de grupo de afinidades e algumas trajetórias de especialização temática ou regional. posteriormente Jean Tricart e Michel Rochefort e. no desvendar do verdadeiro significado de se registrar esses depoimentos para as gerações profissionais do presente e do futuro. Figuras carismáticas como os franceses Emmanuel de Martonne. ao registrar em meio magnético os depoimentos de um grupo de geógrafos de diferentes idades. Pierre Deffontaines. com uma introdução que acompanha a sua evolução desde a primeira metade do século XX . O capitulo I conta um pouco da aventura de se registrar esses depoimentos e avalia a importância da memória . Francis Ruellan. os mestres universitários e os líderes de grupos de afinidades. Philipe Waniez e Hervé Théry . Cole. como base para uma avaliação da Geografia que se estabeleceu ao longo dos anos no IBGE. ainda. quanto no IBGE. tendo como principais referências os professores do ensino médio. avaliação essa que alcança o final dos anos 90. a Universidade e o IBGE. Brian Berry e Howard Gautier e o inglês John P. o antigo papel da AGB como palco dos primeiros ritos de iniciação profissional. o canadense Pierre Dansereau . O capítulo I analisa a força das escolas de pensamento geográfico estrangeiras nas diferentes arenas de trabalho e discussão: as Sociedades Geográficas. os alemães Leo Waibel e posteriormente Gerd Kohllepp . quando na fase de estágio no IBGE. nos tempos atuais.22 A parte II enfoca o papel da Geografia do IBGE no contexto do pensamento geográfico brasileiro. interesses e que participaram da maioria dos 13 períodos estudados. . Analisa. A parte III focaliza o processo de formação profissional do geógrafo do IBGE pelo ponto de vista da memória. que sob outras formas. O capítulo III apresenta o conjunto de profissionais que foram formados nos primeiros anos de estruturação do órgão e que se transformaram nas lideranças pioneiras da Geografia do IBGE. os americanos Preston James. Jones e. Clarence F.

em contraponto às demandas que continuaram a ser criadas. também. misturam-se a importantes geógrafos não ibgeanos que tiveram sua formação profissional ampliada por esse aprendizado. quanto no campo da integração com os demais vetores do conhecimento que envolvem as Geociências. quanto no Brasil. analisando sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. Por outro lado. O capítulo I focaliza as relações entre o órgão e os centros de aperfeiçoamento e pesquisas tanto no exterior. a memória depoimentos de alguns geógrafos que contam suas experiências. enfatizando os cursos de aperfeiçoamento e especialização e a pós-graduação em seus vários níveis ao longo do período. Através da análise dos trabalhos de uma lista de temas geográficos que mais marcaram a imagem do IBGE na arena geográfica brasileira. O capítulo I descreve o processo de transição por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. um grupo de sete temas que geraram as grandes linhas de pesquisa geográfica no IBGE. São analisados os fatores que levaram à grande diáspora de 1991. representadas aqui pelos depoimentos orais dos diretores de área e de alguns presidentes. verificou-se. como essas práticas foram percebidas pela alta direção da casa. A parte VI trata do período de crise por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. O capítulo II tenta alguns prognósticos é resgatada nos exemplos de . O capítulo I descreve em linhas gerais. em decorrência das convulsões no setor público durante os governos Collor de Melo . onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológicos decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. tanto no contexto de suas atribuições institucionais. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior destaque. a ênfase é orientada para o papel disseminador do IBGE através dos cursos de aperfeiçoamento em geografia orientados para o corpo docente de ensino médio e para o de nível superior.Itamar Franco Fernando Henrique Cardoso. com a saída maciça de profissionais que aliavam competência à liderança: o incipiente processo de reposição de pessoal e os mecanismos de adaptação dos que restaram.23 A parte IV analisa as práticas profissionais levadas a efeito pelos geógrafos do IBGE ao longo do período estudado e avalia sua representatividade perante outras instâncias do IBGE. No capítulo II. A parte V cobre os processos de qualificação profissional. Os depoimentos de profissionais que organizaram ou ministraram esses cursos. Nesse segmento.

além das considerações finais. é apresentada a atuação da Equipe da Memória Institucional do IBGE e é esboçado o projeto de História Oral que dará prosseguimento aos depoimentos de funcionários que assumiram posições relevantes no projeto técnico da instituição. . na ainda hipotética agência executiva proposta pelo Ministério da Reforma do Estado ao IBGE para o ano de 2000. assim como uma descrição de alguns produtos que estarão futuramente à disposição dos usuários. Nos capítulos conclusivos.24 quanto ao futuro da Geografia.

1994: 540-541) assumido aqui como o material impresso que determinou a representação da produção geográfica do IBGE e de seus profissionais. mas tomaremos os devidos cuidados para não utilizá-lo indevidamente. onde ele argumenta que. a memória. 1997:16) Neste trabalho.. em última análise. principalmente no que se refere a muitos assuntos considerados como referenciais para a coletividade geográfica. de parte da memória institucional de uma grande e complexa agência federal como o IBGE exige que se recorra a alguns materiais formadores da memória coletiva. através de depoimentos orais e de informações informais. temos de refletir sobre algumas colocações de Alessandro Portelli na revista organizada pelas professoras Dayse Perelmutter e Maria Antonieta Antonacci. a fidedignidade necessária a esta história.. pois tanto do lado do documento.. Michel Foucault em sua obra. como as vozes .” (Portelli. em certa medida.. ao trabalharmos com uma comunidade técnica sediada numa agência de planejamento do governo federal. o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. tanto individual como coletiva de um conjunto de técnicos ( geógrafos) e administradores (cargos de direção) que desempenharam funções importantes no órgão e que recordaram seletivamente suas respectivas trajetórias profissionais. Neste ponto.A Relação Entre Documento e Memória no Contexto da História Oral O processo de acompanhamento.exatamente iguais. nos alerta sobre a necessidade de se questionar o documento. Em vista disso. que ocorre em um meio social dinâmico. pois. Em segundo. A memória é um processo individual. A relação entre documento e memória gerará. A Arqueologia do Saber (Foucault. ou. Porém. contraditórias ou sobrepostas. ou seja. ao longo do tempo. as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais. “ A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato de a História Oral dizer respeito a versões do passado. em hipótese alguma. Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social. a bem da verdade. prefiro evitar o termo memória coletiva. É por esse motivo que eu.I . além de outros meios de informação e divulgação da Geografia do IBGE. não evitaremos o termo. é possível inferir sobre uma boa dose de consenso entre eles. e as resoluções jurídico-administrativas que definiram os principais projetos de trabalho. considerando-se que eles são sempre . valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. Esta questão é crucial. como definido por Pierre Le Goff em sua forma mais ampla (Le Goff.1987). as recordações podem ser semelhantes. quanto ao da memória existem grandes problemas. pessoalmente. à memória. Em primeiro lugar o documento ..

É importante diferenciar. o depoente se prepara filtrando e organizando lembranças. Isso faz sentido.." (p. que estas noções criadas por Halbwachs nos anos 20. Dos cinco autores analisados por Niethammer como precursores desses conceitos (Carl Schmitt. lembrando que no caso de biografias ou auto-biografias.. o sociólogo Jesús M. de maneira geral. de Miguel em seu manual sobre biografias sociológicas (Miguel. entre a pessoa que é. portanto. orientadas pela cultura do grupo ao qual pertence. passam por quem o seleciona e o arquiva e terminam por quem o pesquisa e o faz ressurgir sob um determinado ponto de vista. a que escreve ( quando não é uma auto-biografia). "existem pelo menos quatro pessoas distintas: a que relata a vida. “num plano mais genérico. implica o convite e as devidas explicações sobre o objetivo da gravação.. principalmente junto aos historiadores da cultura. da que foi e da que escreveu. São três níveis de realidade que devem ser analisados. Os processos de seleção iniciam-se no produtor do documento em si.1980). Para Niethammer. Também sob as diferentes interpretações por que passam as lembranças. quase sempre. voltaram a ter influência nos anos 90.1996) analisa alguns pontos positivos e negativos dos relatos biográficos.129). Na maioria dos casos. Aldous Huxley. George Lukács.. a construção social do passado engendrada por Halbwachs. No que se refere à questão da memória.. a que lê e a que realmente existiu. é que mais se encaixa com que estamos tratando (Halbwachs. Niethammer assinala. “toda lembrança significativa é um processo socialmente condicionado de reconstrução que se apóia na estrutura social de relíquias culturais e rituais de comunicação de um dado grupo no presente” (pg. os mecanismos são ainda mais complexos e estão no cerne das discussões sobre o uso da História Oral. implica considerar a memória como algo muito mais amplo que um mecanismo individual de lembranças pessoais. O ensaio de Lutz Niethammer sobre os conceitos de identidade e de memória nos dá uma boa visão das dificuldades que podem ser encontradas quando se tenta trabalhar com eles (Niethammer. quando operamos um processo de entrevista gravada que. Sigmund Freud e Maurice Halbwachs). a noção de memória coletiva de Halbwachs. ainda. a sociedade pós-moderna de identidades culturais com o seu jogo de citações simbólicas (por exemplo na arquitetura) ou sua intertextualidade literária colocou Halbwachs em prática” (pg. referenciadas mais aos elementos constituidores da cultura daquele grupo do que aos dos próprios indivíduos.produtos seletivos. inicialmente. 1997). principalmente. ..16). As lembranças de um grupo são. 128). pelo menos.

onde um depoimento é gravado em meio magnético e. transcrito. a expressão Globalização parece causar também grandes áreas de turbulência no pensamento geográfico. de cálculos e de editoração . Atualmente. o principal mérito da relação entre documento e memória é poder comparar seletivamente algumas linhas de tensão entre fatos e versões nas diferentes fases por que passou a Geografia do IBGE nos 60 anos analisados. portanto . por fortes modificações e que foi bastante influenciada por inúmeros conflitos metodológicos e ideológicos além de ter testemunhado. posteriormente. silêncios ou mesmo mudanças de ponto de vista dos depoentes ao longo de suas narrativas. 1973). igualmente.No contexto das técnicas de História Oral. Ao contrário: trata-se de tomar a entrevista produzida como documento. Neste sentido. mas deslocando o objeto documentado: não mais ao passado "tal como efetivamente ocorreu". e sim a versão do entrevistado. 1989 :2). Considerando-se que a pesquisa geográfica passou. e o de Milton Santos sobre problemas do marxismo na Geografia (Santos. Os artigos de Fred K.seu registro gravado e transcrito -. Bunge sobre o processo de “canibalismo teórico decenal” que estava ocorrendo. pois seria extremamente difícil escrever a história total da Geografia do IBGE. É importante. pois nas palavras de Verena Alberti " Certamente não será porque a entrevista adquire estatuto de documento que a história oral passa a obedecer aos requisitos da "ciência positiva".1953). não documenta nada além de uma versão do passado. perceber como algumas versões passam a ser oficializadas pela maioria dos depoentes. embora não haja. A entrevista de história oral. ao longo desses 60 anos. portanto. tenham passado a ser relevantes para estudos na área das ciências humanas" (Alberti. e a comparação entre diferentes versões. uma incrível evolução tecnológica nas ferramentas computacionais de mapeamento e localização. sim. é importante ressaltar que a palavra versão assume uma importância ímpar. ainda. Isso pressupõe que esta versão.1981) foram bons exemplos desses momentos de grande tensão. e que infelizmente continuou ao longo da década de 80 (Bunge. É perceber como natural certas distorções. esquecimentos. nos anos 90. de bancos de dados. A palavra seletividade representa.é de se esperar que algumas dessas linhas de tensão estiveram muito próximas do rompimento. Schaefer sobre o excepcionalismo em Geografia (Schaefer. vista por todos os . o de Willian W. um papel fundamental na relação entre documento e memória e fica perfeitamente claro que este processo de seleção nunca contentará a todos. um artigo que se possa classificar como decisivo sobre o problema.

O mais interessante exemplo de uma relação entre documentos e memórias foi realizado por Bill Couturie em seu filme Cartas do Vietnã ( Dear America: Letters Home from Vietnam. O monumental trabalho de Elisabeth Roudinesco em seu segundo volume da História da Psicanálise na França : 1925-1985 é outro marco na relação documento / memória (Roudinesco. filosofia e da literatura da França. chamando a atenção do leitor para as dificuldades sentidas por ele no processo. do planejamento de governo e das estatísticas econômicas francesas (Fourquet. o mais importante psicanalista após Sigmund Freud. particularmente.diferentes ângulos.1988). operando conjuntamente com os 26 co-autores. trabalhado com a História Oral.1980): profissionais da alta burocracia governamental como o ministro Michel Rocard e acadêmicos de primeira linha do sistema de ensino e pesquisa universitário como François Perroux (economia industrial). servindo no teatro da guerra do sudeste asiático. A seção de agradecimentos praticamente cobre quase toda a elite intelectual francesa. Algumas obras servirão de referência para o entendimento dessa relação. principalmente por terem de alguma forma. além do campo específico da medicina psiquiátrica e. Fourquet fez uma longa nota explicativa inicial. O uso exaustivo e sistemático da documentação. que vai da correspondência privada aos autos de tribunais. cuja grande maioria prestou depoimentos ou cedeu documentos para esta pesquisa que transitou por quase todos os campos das artes. aos seus parentes e amigos e as imagens . encaixando-se com uma perfeição de relojoaria aos depoimentos e testemunhos prestados por figuras da intelectualidade como Jacques Derrida. É certamente um clássico do assunto. pois o autor dá uma co-autoria a 26 personagens que foram os criadores das áreas de contabilidade nacional. tanto em termos técnicos quanto ideológicos. Louis Althusser . ao estilo de Fernand Braudel em sua obra sobre o Mediterrâneo (Braudel. o que levou o autor a estruturar uma urdidura dos temas e das opiniões poucas vezes vista nas ciências sociais. O livro de François Fourquet Les Comptes de la Puissance é. faz da obra de Roudinesco uma referência indispensável no estudo da história contemporânea de cunho memorialista. 1987) onde foi estruturada uma excelente relação entre os conteúdos das cartas de militares norte-americanos. pela saga profissional de Jacques Lacan. É importante lembrar que os 26 co-autores eram muitas vezes adversários entre si. certamente.1983). o mais sofisticado e complexo. passando pelas atas de congressos e recortes de material da imprensa. Esta será apenas uma das possíveis visões que este assunto evocará. No processo de criação. Alfred Sauvy (estatística) ou Jean-Vitold Marczewski (contas nacionais) para citar alguns que a área geográfica certamente conhece. Françoise Dolto e outros.

Sua primeira versão de 1984 foi destinada ao mundo acadêmico inglês como tese de doutoramento na Universidade de Leicester. O teor das cartas e as das imagens. principalmente no que tange ao tumultuado processo de planejamento macroeconômico e à sua instrumentação ao longo desses 60 anos (é importante lembrar que como deputado federal.documentais referentes aos diversos períodos de envolvimento dos EUA no conflito. Sua primeira edição brasileira foi editada pelo IPEA em 1988. o melhor trabalho de História Oral foi. fazem do livro de Roberto Campos um ótimo referencial para se entender os diversos conceitos que foram atribuídos à palavra desenvolvimento desde o ciclo Vargas até a Nova República. No contexto brasileiro.1994) faz um excelente contraponto com o trabalho de Bielchowsky. embora não se utilizasse das ferramentas dos depoimentos orais. As análises das principais correntes de pensamento econômico que influenciaram as decisões governamentais entre 1930 a 1964. culminando com a humilhação da derrota. que trata dos anos de Juscelino. IX. ao perder para Saturnino Braga a vaga de senador do Rio de Janeiro nas eleições de novembro de 1998). Sua memória prodigiosa somada à vasta documentação apresentada. até tornarem-se trágicos e melancólicos. que trata da criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE atual BNDES). enfatizando o período 1945-1964 garantem um quadro de referência importante para se entender o processo de desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo. enquanto a guerra recrudesce. vão se deteriorando. entre julho . o depoimento do ex-presidente Ernesto Geisel organizado por Maria Celina D'Araujo e Celso Castro. à medida que a difícil percepção do real objetivo daquela guerra soma-se às cruéis experiências pessoais em um campo de batalha não convencional. imerso numa cultura totalmente diferente. é particularmente interessante assim como o cap. A experiência memorialista de Roberto Campos no seu A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. o trabalho de Ricardo Bielchowsky Pensamento Econômico Brasileiro : O Ciclo Ideológico do Desenvolvimento. como reconhecimento pelo Prêmio Haralambos Simeodines da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC) de 1995 na categoria tese. com certeza. Campos encerrou o seu mandato ao início de 1999. passando pelo ciclo militar. é um dos melhores ensaios de historiografia econômica baseado exclusivamente na literatura especializada e em documentação governamental (Bielchowsky. O trabalho de escolha das cartas e das imagens o credencia como um dos mais importantes trabalhos de relação documento / memória fora dos clássicos compêndios de História Oral. inicialmente de cunho laudatório. Referenciado ao período militar. 1995). O capítulo VI.

O enfoque é fundamentalmente político. com poucas incursões ao terreno econômico. civis e militares. e uma rara habilidade política. pois confronta diversas versões sobre alguns episódios políticos cruciais ocorridos entre 1964 e 1985 (Couto.a tese de doutoramento de Ronaldo Costa Couto para a Universidade de Paris IV. tendo sido por duas vezes Secretário de Estado de Planejamento (no Rio de Janeiro. Questões como a preparação do golpe militar. o melhor trabalho historiográfico do período que fez uso sistemático da História Oral (com 32 depoimentos dos principais homens públicos do país. 1999b). sendo que três foram Presidentes da República: Ernesto Geisel. Cabe lembrar que Costa Couto foi um dos mais importantes homens públicos do final do período militar e da Nova República. A preocupação dos organizadores do depoimento era cobrir os aspectos da formação intelectual de Geisel e seus reflexos na carreira militar e administrativa. seu falecimento e a posse de José Sarney . João Baptista de Oliveira Figueiredo e José Sarney) contrapondo-a com a documentação pesquisada (Couto. o processo de escolha de Tancredo Neves. ainda que enfatizasse o período final do ciclo militar e o processo de abertura política . sua experiência de comando na Presidência da República e a avaliação dos governos posteriores até 1994. e em Minas Gerais. a decisão da posse de José Sarney e muitos outros são analisadas sob diferentes pontos de vista.que culminou com a eleição de Tancredo Neves. . pois era economista formado pela UFMG com especialização em macro-planejamento. Essa combinação entre capacidade técnica. aos 89 anos (D'Araujo & Castro. aprendida com um mestre do assunto. No mesmo contexto. 1999a). sem dúvida. o credencia como uma das melhores testemunhas daqueles períodos. O volume especial com a íntegra de 26 entrevistas intitulado Memória Viva do Regime Militar: Brasil 1964-1985. no governo do Almirante Faria Lima. as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho e a exoneração do comandante do II Exército. que foi lançado em maio do mesmo ano.de 1993 e março de 1994 e somente publicado após seu falecimento em setembro de 1996. no governo de Tancredo Neves). durante a presidência de José Sarney foi nomeado Ministro do Interior (1985-1987). defendida em novembro de 1997 e publicada pela Record em janeiro de 1999. é também muito interessante. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985 é. Tancredo Neves. a sucessão de Castelo Branco por Costa e Silva. 1997). cargo que acumulou com o de Governador do Distrito Federal. a exoneração do Ministro do Exército General Silvio Frota. General Ednardo D’Avila Mello. sendo posteriormente transferido para Ministro-Chefe do Gabinete Civil (1987-1989).

“O perigo é um pensamento revolucionário que se transforma em mística revolucionária. Neste contexto é também interessante ler a entrevista do grande historiador francês Pierre Vilar a Jean Boutier (Boutier & Julia.. por isso. 1998). ao colher depoimentos de 13 mulheres. A ênfase foi dada aos políticos que as criaram. que muitas vezes saía do controle das lideranças e era empalmado pelos participantes das passeatas e comícios. que foram presas políticas durante os governos do ciclo militar. os autores contextualizaram muito bem o ano de 1968. um outro lado mais amargo nos é mostrado por Elizabeth F. Além disso. Vladimir Palmeira.A esquerda estudantil de 1968 também tem seu livro de memórias organizado por Daniel Aarão Reis Filho. Jean Marc Von der Weid. O trabalho com 12 depoimentos das principais lideranças estudantis da época. e a Sexta Feira Sangrenta. o trabalho de Mattos Dias é de extrema valia para os que querem se aventurar na História Oral de organizações de qualquer ordem.. No campo específico da História Oral das organizações brasileiras. 201) que contrapõe os acontecimentos no Brasil e em outros países. mal avaliado. em 28 de março. José Dirceu. 1968 a Paixão de Uma Utopia . com fotos de Pedro de Moraes (1998).A. como o do restaurante do Calabouço que resultou na morte do estudante Edson Luis. como Luis Travassos. quanto no ambiente dos porões da ditadura militar sempre foi visto sob uma ótica de preconceito e. O foco nas histórias de vidas dessas mulheres. para sua tese de mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ. . de 21 de junho. gerando conflitos com as forças de repressão. tanto no campo das vinculações com a hierarquia masculina dos movimentos de esquerda.” (pg. Ainda no contexto da memória das esquerdas no Brasil. onde o papel da mulher. que encara os acontecimentos de 1968 na França com um misto de necessidade e descontrole. Não se deve esquecer que Pol Pot foi formado na Paris de 1968. o melhor especialista é José Luciano de Mattos Dias (1994). que mostrou também o seu talento ao analisar a trajetória profissional dos engenheiros. José Genoíno e outros. apresenta um quadro bem interessante das dificuldades de organização do movimento estudantil. aos burocratas que as dirigiram e a alguns executivos técnicos que decidiam em áreas chave dessas organizações. Sua pesquisa cobriu os acervos orais de organizações estatais de grande porte como a Petróleo Brasileiro S. abre um importante campo de análise da memória de gênero. 57 feridos e 3 mortos. enfatizando os períodos de militância política e o da prisão. com um saldo de 1000 presos. 283). (Petrobrás) e Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). Xavier Ferreira (1996). Apesar de ser um artigo de coletânea. analisando os diferentes tipos de conflitos estudantis que eclodiram em várias partes do mundo e organizando uma excelente cronologia (pg.

É importante também considerar o livro de Jaime Larry Benchimol e Luiz Antônio Teixeira (1993) Cobras. No segmento da História Oral de grupos profissionais. Conversas com Economistas Brasileiros de Ciro Biderman. Embora não trabalhem com História Oral. compostos majoritariamente por economistas e juristas. quatro. tese de livre-docência para a Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. que enfoca a construção do Sistema Financeiro Nacional entre 1930 e 1964 sob a ótica da estruturação de seus quadros burocráticos de elite. Luiz Felipe L. apresentada em agosto de 1996. os autores operaram muito bem com a documentação dos dois institutos e apresentaram um bom quadro comparativo de seus respectivos campos de atuação ao longo dos anos. que deram maior ênfase ao instituto carioca do que o paulistano. Os Economistas no Governo de Maria Rita Loureiro (1997). reconhecem. Burocracia e Elites Burocráticas no Brasil de Gilda Portugal Gouveia (1994). Além da coletânea organizada por Angela de Castro Gomes (1994) Engenheiros e Economistas: Novas Elites Burocráticas. tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (UNICAMP) defendida em junho de 1994. além da consulta a 10 depoimentos orais arquivados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). mas também pela maneira de tratar o tema da História Oral do pensamento econômico brasileiro. A apresentação dos autores e o capítulo que trata da história do ensino de economia no Brasil são também peças interessantes. Lagartos & outros bichos: uma história comparada dos institutos Oswaldo Cruz e Butantan. foram Ministros de Estado ligados aos setores da economia e da alta administração federal. Foram entrevistados 30 economistas. analisa o papel dos economistas como dirigentes políticos e trabalha a sempre tensa relação entre a racionalidade técnica e os objetivos políticos e que constantemente põe à prova esses profissionais da elite governamental brasileira. Os autores. três outras obras estudaram a importância do papel deste grupo profissional na condução dos destinos do Brasil nos últimos 60 anos. evidentemente. Cozac e José Marcio Rego (1997) é o melhor dos quatro. O prefácio de Pedro Malan é de uma exatidão e elegância poucas vezes vistas nas publicações dos últimos anos. pois aliam concisão e clareza. dos quais. os mais estudados. entretanto. os economistas são. Foram entrevistados 22 homens públicos e técnicos do alto escalão do governo. onde estão os trabalhos de José Luciano de Mattos Dias sobre os engenheiros e de Marly Silva da Motta sobre os economistas. além de um capítulo . dos quais três foram Ministros de Estado. não apenas pelo elenco de profissionais escolhidos. dos quais três foram Ministros de Estado.

pois em nenhum momento o diálogo resvala para a crítica fácil ou o "achismo". O teor das entrevistas revela-se altamente profissional. é de alta relevância. Estão sendo sistematicamente entrevistados os principais geógrafos brasileiros que contribuíram com os seus conhecimentos para a melhoria do ensino de Geografia no país. utilizando os depoimentos orais de seis personalidades líderes em seus segmentos. . Milton Santos. considerado como um geógrafo honorário. Celso Furtado. João José Bigarella. o biogeógrafo Alceo Magnanini. Mas o que é ouro puro neste livro são as conversas altamente profissionais com uma importante parcela dos melhores economistas do país. cinco foram Ministros de Estado. duas trabalharam no IBGE Alceo Magnanini e Wanderbilt Duarte de Barros. Dessas personalidades. O zoólogo Aldemar Faria Coimbra Filho. expoentes de linhas de pensamento bem diversas. O volume 12 / 13 já tornou-se um clássico. Num contexto intermediário das ciências ambientais. através da revista Geosul. o Almirante e paleontólogo Ibsen de Gusmão Câmara. Roberto Lobato Corrêa e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro são alguns exemplos deste importante volume. o naturalista Paulo Nogueira-Neto e o engenheiro agrônomo e administrador de parques naturais Wanderbilt Duarte de Barros. dois presidiram o Banco Central. O Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também iniciou em 1997 a publicação de sua revista GeoUerj com uma seção de entrevistas a geógrafos importantes. and Catherine T. Victor Antônio Peluso Júnior. André Lara Resende e Pérsio Arida. onde a Geografia possui forte presença. três possuíam mandatos eletivos no Congresso Nacional. chamado Uma leitura Comparada das Entrevistas que demonstra o alto nível de síntese dos organizadores da obra. Mário Henrique Simonsen. além do economista Ignácio Rangel. Dos 13 entrevistados. além de todos serem professores das melhores escolas de economia do Brasil. No que concerne à Historia Oral dos Geógrafos. o livro da jornalista Teresa Urban (1998) Saudade do Matão organizado pela Fundação Boticário e a The John D. pois concentra 9 dos melhores profissionais de Geografia. Maria da Conceição Tavares. a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua. o trabalho do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. Mac Arthur Fondation conta a história do movimento de Conservação da Natureza no Brasil. apesar de estarem na arena figuras como Delfin Neto. Professores como Orlando Valverde. inaugurando a série com o Professor Speridião Faissol. são diálogos de profissionais para profissionais. Roberto Campos.final.

além especialistas de instituições que lidavam com memória institucional. a estrutura que organiza esta primeira parte do trabalho está dividida em mais dois capítulos que objetivam referenciar a agência IBGE. crítica literária. . além do engenheiro Christovão Leite de Castro. Wilson Martins autor da coleção A História da Inteligência Brasileira em sete volumes. mas também de outros países como Gana. respondidos por funcionários das unidades regionais do IBGE de 11 estados brasileiros. desse projeto. José Carlos Sebe Bom Meihy (1990) lança A Colônia Brasilianista: História Oral Acadêmica obra fundamental para se entender a formação do grupo de profissionais conhecido como os brasilianistas da comunidade acadêmica norteamericana. A análise do tema Memória Institucional foi o objetivo do trabalho de Icléia Thiesen Magalhães Costa para sua tese de mestrado em Ciência da Informação na Escola de Comunicação da UFRJ em 1992 Memória Institucional do IBGE: Um Estudo Exploratório-Metodológico. que residiu e lecionou na University of New York entre 1965 e 1998. antropologia. Após esta revisão. Eli Alves Penha (1993) em sua tese de mestrado A Criação do IBGE no Contexto da Centralização Política do Estado Novo já inicia um processo de abordagem da História Oral ao entrevistar sete geógrafos do IBGE a respeito das práticas profissionais. Ainda no campo da História Oral dos profissionais.A área de Memória Institucional do IBGE concebeu em 1991. França e até um brasileiro. Foram gravados os depoimentos de 32 profissionais que se especializaram em Brasil nas suas diferentes atividades acadêmicas: literatura. história. organizador da estrutura burocrática que criou o Conselho Nacional de Geografia em 1937. com sua estruturação organizacional atual e estabelecer um pano de fundo cronológico que acompanhará os 60 anos de atividades geográficas da instituição. Inglaterra. também foram aplicados 28 questionários. economia. ciência política. além do importante depoimento de Cristóvão Leite de Castro (engenheiro). Em sua maioria americanos. onde foram trabalhadas 23 entrevistas com funcionários e ex-funcionários do IBGE. Gelson Rangel Lima e Aluísio Capdeville Duarte. foram entrevistados três geógrafos: Orlando Valverde. um projeto de depoimentos com os profissionais da casa e. sociologia e filosofia / teologia.

que passam o comandado do país para Getúlio Dorneles Vargas em 03 de novembro de 1930. ainda. que vai muito além do simples intervencionismo estatal. e não apenas uma referência ao poder do Palácio do Catete. a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935/36. pois a principal preocupação de Vargas era de dotar o aparelho estatal de uma imagem claramente nacional.o de Geografia e o de Estatística com a denominação de "Conselho Nacional". de 10 e 13 de julho de 1937. ex-vi dos decretos n 0s 0 24. a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do . 1. ou mesmo de caráter pessoal. Mena Barreto e Isaías Noronha.. Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia uma série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo. também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística.O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? Criado pelo decreto-lei n 218 de 26 de janeiro de 1938. O IBGE na realidade foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia que já existiam. Considerando. O subtítulo do decreto era. Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia. ao Rio de Janeiro (capital federal). inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede o golpe militar consolidado em 03 de outubro de 1930 pelos Generais Tasso Fragoso. de 6 de julho de 1934. Decreta: Art.. dentre elas a 0 os 31 e 5.200.. de 17 de novembro de 1936 e 1. A criação dos Ministérios do Trabalho. pelas "Resoluções" n Instituto. Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia e em suas considerações iniciais esclarecia .527. além disso. ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção . respectivamente.II .609. sua abrangência nacional até ao nível de município. Getúlio Vargas inaugura um processo político-jurídico-administrativo.. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. 1 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. de 24 de março de 1937. no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República: Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística. A saga de implantação dessas agências. Portanto.

após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 até 1945 (Schwarztman. 1978). apresenta fundamentos políticos muito precisos para aquele período. Francisco Campos. mas que não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro. No caso do Instituto Nacional de Estatística criado em 1934/1936 pelo menos quatro ministros (Juarez Távora Agricultura . o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas" . e sim. que exigiam pessoal técnico qualificado. corporativismo.1983). Para este autor. sem intermediações das políticas locais ou estaduais. o corporativismo constitui. (ver anexos . sendo que para Nunes ". o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas. sem dívida. Período este muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (Medeiros. para que toda a sociedade percebesse que. que nas palavras de Edson Nunes (1997:18) "estava isolado das disputas políticas" .. . Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado. uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo.documentos históricos) A importância de que se revestia um órgão como este. Nesse diálogo. disseminadas por grande parte do território nacional. o porta voz do governo federal seria um técnico. É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário.. a partir daquele momento. insulamento burocrático. Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre Ministérios. Nos anos subseqüentes a 1930 e. principalmente entre os novos e os antigos. A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997:18) chama de insulamento burocrático. Azevedo Amaral. se possível em nível municipal.criação de uma agência federal de Estatística que objetivava uma centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. Oliveira Vianna. é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente. Francisco Luís da Silva Campos Educação e Cultura. uma de suas parcelas mais importantes. e universalismo de procedimentos. Osvaldo Aranha Fazenda e Francisco Antunes Maciel Justiça e Negócios Interiores) lutaram pelo fortalecimento ou enfraquecimento de tal agência. ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e que tiveram papel influente na estruturação jurídico-política-administrativa do Estado Novo.

L. dos intelectuais. um interessante trabalho de Geografia Política. por força do Decreto-Lei 161 de 13/02/1967.” (p.Raimundo Faoro em seu prefácio à obra de Medeiros diz que estes personagens. o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único. Ao se analisar todo o período de existência do IBGE. algo identificável. transferindo todos os seus funcionários. a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam ter contratos de trabalho. sua história. tanto de Estatística. Em 1993. Membros da elite.T. Intelectuais que. para transformar o IBGE em agência executiva do governo. A partir de 1990.T. No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos. nos seus primeiros anos. é possível perceber quatro fases distintas. XII). está em andamento uma nova mudança de vinculação. o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal. . Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo. “pertencem à categoria algo difusa. elitistas todos. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República. É com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo que se deve avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. até a sua fusão no IBGE. a criação do IBGE já foi devidamente tratada por dois autores da casa. quanto à sua relação com o poder central da república. O órgão.. com autonomia financeira e possibilidade de contratação por C. (Consolidação das Leis do Trabalho) para a esfera do funcionalismo público federal. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu. para sua dissertação de mestrado. da mesma forma que as empresas da iniciativa privada. para projetos específicos. A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores. Gonçalves (1995) e Penha (1993).. geralmente sendo coordenada por um ministro de estado (Planejamento ou Fazenda). continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal. fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo. Para o ano 2001. conquistaram o casaco de veludo do mandarinato. além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. Entre 1967 e 1990. entretanto. como de Geografia. enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. em algum momento. que utilizou fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. anteriormente regidos pela C. não é imune a controvérsias. foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático.L. Apesar desses mecanismos iniciais. sendo seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. incorporaram-se ao aparelhamento do Estado.

foram também incluídos dois trabalhos compilatórios: o primeiro referenciado ao conjunto de leis e decretos que deram suporte jurídico ao Conselho Nacional de Geografia (IBGE. a levantamentos socio-ambientais em escalas regional e nacional. A Rede de Coleta A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações. a antiga e CD a atual). coordenada por Icléia Costa (1998). passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE. também exerceu a presidência da casa entre 1986 a 1988 (num período particularmente turbulento. é importante considerar ainda os documentos elaborados em 1994. indo do levantamento geodésico e cartográfico até a confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas.br/simon/relat.1952) e. produção. pelo então presidente Simon Schwartzmwan (19941999) durante sua gestão. que lista boa parte da legislação externa e interna ao órgão como as resoluções das Assembléias Gerais dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia (AG/CNE e AG/CNG). que foi montada a partir de 1934 ( decreto 24 609 de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936. à Cronologia do IBGE. da Junta Executiva Central (JEC). controlando todas as estatísticas básicas de demografia. que trataram especificamente sobre o papel do IBGE no contexto dos órgãos de pesquisa do Governo Federal do Brasil e que apontam para um projeto de criação de uma agência executiva controlada por um projeto de gestão (http://www. cobrindo todas as unidades da federação. . em que se operam todas as etapas de reconhecimento territorial. 1993). Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística. o segundo.htm). uma das poucas agencias governamentais no mundo.Além desses autores. Para complementar o entendimento sobre o órgão durante os anos 90. seu alcance é ainda maior. infra-estrutura. por coincidência. abarcando desde áreas de pesquisa ecológica em sua Reserva Ecológica do Roncador no Distrito Federal.fbds. Tendo como marco inicial essas referências. No campo das estatísticas. em função de problemas corporativos). será necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE. este trabalho se dispõe a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes que. emprego e renda. consumo. Antes porém. do Diretório Central (DC) e do Conselho Diretor sob duas siglas (COD.org. Esta complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações.

Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos Estados. pesquisa mensal de emprego . No distrito sede de um município localizava-se a agência de coleta (Agência Municipal de Estatística). economistas. utilizando-se scaners e as informações contidas neles automaticamente testadas por programas estatísticos de verificação de consistência dessas informações. Para a operação censitária de 2000. 1 Em grandes cidades e nas áreas metropolitanas a rede de coleta se estrutura de maneira mais detalhada subdividindo-se em Distritos e bairros.PNAD. Na atualidade. onde são planejadas as campanhas de coleta de informações e se estabelece no nível do município. a campanha da PNAD 96 que ocupou mais de 2. tome-se como exemplo. a pesquisa de índices de preços .INPC.PME. chefiada pelo agente do IBGE e. utilizam contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados . dependendo da importância desse município. cartógrafos). em ambiente de banco de dados especialmente construídos para a operação. Os questionários serão. Até o final da década de 1980. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico. a estrutura básica da rede era estabelecida pelo município. Para se ter uma medida do quantitativo desse pessoal especializado. no Rio de Janeiro. o IBGE treinou 200.507 municípios recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro. poderia ter dezenas de funcionários.000 pesquisadores em todo o Brasil. pesquisa de orçamentos familiares – POF. São elas que se responsabilizam pela coordenação das agências de coleta localizadas nos municípios e pelas equipes que operam em pesquisas específicas. lidos por processo óptico. onde se encontra a Agência Estatística Municipal . 1 . Esta rede foi uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE). Tais recursos tecnológicos possibilitarão a divulgação dos resultados preliminares do censo em dezembro de 2000. pela primeira vez. as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE como. conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística.000 recenseadores para trabalharem em 5.O processo de coleta de informações é iniciado nos escritórios centrais do IBGE. que viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 30. agrônomos. por exemplo. e também que demandam pessoal especializado (estatísticos. pesquisa nacional de amostra por domicílio .

sociais e administrativas do país. e gerenciadas por oito departamentos regionais (DERE). evitando assim um deslocamento. A agência. Atualmente. Esse processo de divulgação incluía um arquivo de dados sobre o município. de . Mário Augusto Teixeira de Freitas. reduziram a estrutura da rede de coleta para apenas 500 agências. inclusive estabelecendo uma planta baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação informações (Costa. a AME deveria ser um misto de escritório de coleta de informações e de divulgação de dados sobre o IBGE. é o poder executivo quem mais se relaciona com o IBGE garantindo. sobre o Estado e o município na qual a agência está localizada. que coordena as atividades de coleta. na parte em que tratou dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística. funcionários das prefeituras. muitas vezes longo e penoso de profissionais como professores. situadas em municípios com alguma centralidade.A Agência Municipal de Estatística (AME) é a ponta de uma intrincada rede organizada no início dos anos 30 para prover o Governo Brasileiro de informações sobre as condições demográficas. Uma agência municipal de estatística sempre é criada através de uma relação de interesses entre o IBGE e os poderes municipais (Prefeitura. ou pesquisadores que demandassem informações sobre o município e sua região limítrofe. econômicas. O livro de Joaquim Ribeiro Costa Manual do Agente Municipal de Estatística editado em 1960. como anuários. além de uma coleção de obras gerais do IBGE. a grande maioria das agências municipais são alugadas com recursos próprios do IBGE. na maioria dos casos. 1960). em contato com a delegacia estadual ou escritório de informações situado na capital da unidade da federação podia solicitar material de divulgação para usuários moradores nos respectivos municípios. Em cada DERE há uma unidade chamada Divisão estadual de pesquisas (DIPEQ). mas ainda existem casos de coabitação da AME em prédios pertencentes às prefeituras ou a algum outro poder municipal. mapas regionais e estaduais. Juizados e Tabelionatos). No ano de 1990. Câmara dos Vereadores . que controlam as atividades administrativas da rede. Para o idealizador da rede de coleta de dados. Normalmente. uma biblioteca básica sobre a região e o estado. um espaço físico para a AME. no capítulo IV Aparelhamento das Agências detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência padrão. as grandes modificações por que passou o órgão.

O segundo. por seu objetivo principal de contar todo o universo populacional brasileiro. que é previamente orçado e aprovado pelo Congresso Nacional. Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE. O primeiro. o Departamento de Geografia da DGC organiza a regionalização do país em macro. meso e micro regiões. levantar. município e distrito). movimentos migratórios etc. em todos os domicílios do país. No início de 1999. condições do domicílio. por sua complexidade de informações . objetivando otimizar a logística de obtenção de informações. é uma tarefa que envolve milhares de pessoas e muito dinheiro. além das unidades de área institucionalmente conhecidas (Estado. A Área de Estatística 2 Projeto de reestruturação da agencia visando uma otimização da rede de coleta. animais. Mapas que delimitam os setores censitários (urbanos e rurais) de todos os municípios brasileiros e que são sistematicamente atualizados antes de qualquer operação censitária. atividade profissional. sexo.que envolvem conhecimentos específicos de produtos agrícolas. a rede de coleta se amplia para dar conta das tarefas censitárias que cobrem. que cobrem uma ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais. A estruturação da logística censitária. nos anos 0. Quinqüenalmente e decenalmente. . num país de dimensões continentais como o Brasil. As duas mais complexas e caras campanhas censitárias são as dos censos demográfico e agropecuário. mão de obra etc. sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística. escolaridade. em função de estudos de acessibilidade das agências. nos anos 0 e 5. . que são também utilizadas para o processo de divulgação dos dados estatísticos. foram iniciadas as pesquisas para uma futura reorganização espacial da rede de coleta.Atualmente. isto é.somada às dificuldades de acesso aos estabelecimentos rurais nas áreas mais distantes. o Censo Demográfico. Industrial. no contexto do Projeto Presença do IBGE2. (Agropecuário. os censos econômicos Comercial e de Serviços) e. informações sobre a estrutura de sua população: idade. indo das pesquisas mensais até as anuais. A rede também possui fortes vinculações com a Diretoria de Geociências (DGC) através da organização dos mapas que configuram as Bases Operacionais Geográficas dos Censos (Demográfico e Econômicos). tipos de energia consumida. através da Diretoria de Pesquisas (DPE) e de campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade. toda a rede reporta-se à Diretoria de Planejamento e Coordenação (DPC). Além disso. renda. maquinaria. contabilidade.

que o IBGE organizou. Cabe. também. representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE) que o IBGE apresenta a sua imagem mais clara para a sociedade. passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou decréscimo da economia nacional.ENCE. quando as pesquisas econômicas conjunturais. além de acompanhar tecnicamente as estatísticas das demais unidades da federação. juntamente com os ministérios militares). . Além dos indicadores econômicos. saúde. secretarias estaduais de planejamento. a Estatística também trabalha com indicadores sociais. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística / Informática e de Geodésia / Cartografia que eram muito disputados. principalmente após os anos 60 e 70. Os exemplos dos índices de preços e de emprego / desemprego são alguns dos mais polêmicos. universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado. Sendo a Estatística a principal atividade fim do Instituto. o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas . ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração. ampliou sua oferta oferecendo cursos de pós-graduação "latu-sensu" nas áreas de Amostragem. emprego.É na área de Estatística. definindo novas pesquisas. Cabe. ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país. Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas. como o índice de preços que estabelecia o índice de inflação. renda. estabelecendo metodologias. pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas. as taxas de emprego e desemprego. como as dos estados do Sudeste e Sul com as dos estados nordestinos ou nortistas. que analisa as estatísticas sob duas óticas: a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores) colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (Senra. Demografia e Análise de Dados. o índice de crescimento industrial e outros. coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (a exemplo das estatísticas militares no período da 2 a Guerra. 1998). portanto. a partir de 1984. acesso a serviços básicos de infra-estrutura etc. fundada em 1953 e que. informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação. ao IBGE tentar "o equilíbrio entre o desejável e o possível" de que nos fala Nelson Senra no sub-título de seu trabalho. Os principais problemas inerentes a este papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra.

1: 50 000. e 1: 25 000. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE. instituindo o primeiro curso anual de aperfeiçoamento estatístico. alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. com as resoluções da Junta Executiva Central (JEC) do Conselho Nacional de Estatística organizando estágios. A atuação do IBGE na formação e qualificação profissional. tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional. ainda. Em caso de litígios entre essas unidades. definidos por resoluções do Diretório Central do Conselho Nacional de Geografia visando a dois públicos alvo: os professores do ensino primário (atual 1 a 4 série do primeiro grau) e professores do ensino secundário (antigos Ginasial e Colegial. Posteriormente.Em 1993. A Área de Geodésia e Cartografia A Geodésia. juntamente com as demais forças armadas. planimétrica e gravimétrica. 1: 250 000. Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. normalmente arbitrados pelo poder judiciário. atuais 5 a 8 série e 2 Grau). Na área da Geografia. os parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. os primeiros Cursos de Informações Geográficas foram ministrados em 1946. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa. Ademais. que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou. A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. É também o IBGE. que determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. definindo níveis de aptidões para o ingresso na carreira e. que se tornaria o embrião da futura ENCE. foram ministrados cursos especiais para atualização de professores universitários. além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. Um detalhamento maior dessas atividades de aperfeiçoamento na Geografia será dado na parte V deste trabalho. entretanto. levando em consideração as negociações entre as partes. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . que iniciou seus trabalhos em 1937 no bojo do Conselho Nacional de Geografia. assume sua especificidade em 1945. em 1939. O segundo grupo era composto de professores que deveriam possuir diploma de curso superior. com a estruturação das redes altimétrica. tanto na escala municipal quanto na estadual. realizado e organizado pela área de Cartografia que. vem desde 1937. é atribuição da área dar apoio técnico às operações de mapeamento das a a o a a . 1: 100 000. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país.

foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e. Cabe também ao órgão auxiliar o Ministério das Relações Exteriores. quando solicitado. por sistemas eletrônicos. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. adquiridos à Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e à International Busines Machines . e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano. encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. que garante a distribuição dos royalties provenientes da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira. ferrovias. além da cooperação com as da Força Aérea. Entre os anos 40 e 50. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas. tanto estatísticas. Para uma visão histórica desses processos. no acompanhamento dos limites internacionais. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede Internet). A partir da década de 70. que estabelece a produção de bases digitalizadas visando o georeferenciamento de pontos e linhas que impõem limites entre áreas (setores censitários. deve-se consultar o trabalho de Francisco Romero Freire (1993). Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática. que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE. quanto cartográficas ficam disponibilizadas em bancos de dados que. unidades federadas). até o início da década de 40. para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração (o exemplo dos municípios fluminenses situados frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante). . componentes da infra-estrutura (estradas. a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional. os quais são atualmente utilizados em organização de Atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados (que vão de informações alfa numéricas simples a complexas imagens e sons em tempo real.IBM (sistema 1401). municípios. na década de 60. Área de Informática Todas essas informações.Bases Operacionais Geográficas dos censos. vegetação). hidrografia. Três outros tipos de incumbência interessantes de que a Cartografia participa fortemente são: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas. para fins de demarcação das proporcionalidades de área. distritos. a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão.

O sistema que passou a operar em 1998 está composto por Um (1) IBM-9672 modelo R32 (triprocessador) com 192 Mbytes de memória central e 1024 Mbytes de memória expandida. Além disso. 104 canais com taxa de transferência de até 4.84 GBYTES por endereços (50. O processador opera com 60 mips (milhões de instruções por segundo) e possue o dispositivo PRSM que permite sua divisão em partições lógicas de processador. A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada.89 GBYTES por endereço (39825 trilhas e 2.085 trilhas ou 3. qualificado para trabalhar com programas pesados. Este novo sistema sustenta uma grande rede de 44 servidores localizados no Rio de Janeiro que já integram uma arquitetura de 2180 pontos de rede. criado em 1989. Dezesseis (16) gavetas IBM 9392-B13 emulando 64 endereços de discos IBM 3390. criada em 1971 com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática .665 cilindros).89 GBYTES por endereço (39. onde a utilização de grandes computadores é prioritária.339 cilindros). A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte.O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE. O computador central é hoje.CDDI. memória CACHE de 256 MBYTEs. onde já estão instaladas 1706 estações de trabalho. com capacidade de 2.DI.665 cilindros). por um período de até 48 horas. e ser acessado por 2 000 terminais remotos.5 Mbytes/segundo. a Diretoria de Informática . capacidade de 1. mais um servidor que executa tarefas específicas que exigem grande . principalmente os que operam com grandes massas de dados. As memórias CACHE permitem otimizações nas operações com os discos magnéticos e são preservadas com auxílio de baterias. o sistema gerencia mais 92 servidores e 1221 estações de trabalho localizados nas unidades do IBGE em nível de capital de estado e no Distrito Federal.2 Gigabytes de memória central e equipado com discos que podiam armazenar 242 Gigabytes de informação. no caso de falta de energia . O sistema que operava em 1994 era um IBM 9021 com 1.IBI e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações .825 trilhas e 2. Duas controladoras IBM-3990 modelo G03 com memória CACHE de 32 Mbytes e duas controladoras IBM 3990 modelo G06. e 512 Mbytes. estando em elaboração a nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta. portanto. Doze (12) unidades de discos IBM-3380 modelo BK4 com quatro endereços por unidade e capacidade de 1. Quatro (4) unidades de discos IBM-3380 modelo AK4 com quatro endereços por unidade.

como os disquetes e CD-ROMs e DVDs. como no caso de sua nova loja virtual que vende os produtos do órgão na grande rede . foram editadas obras que referenciavam o IBGE com áreas da educação e da cultura. os lançamentos a . além do gerenciamento da rede. utilizando tanto a linguagem técnica. onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE. É também no CDDI que se encontra a área da Memória Institucional.).além das mídias inseridas na Internet. por exemplo. por ocasião da Primeira Conferência Nacional de Educação (IBGE.capacidade de memória como. através dos SDDIs localizados nas capitais estatuais e na maioria das agencias de coleta. Nos anos 50. quanto cultural. No caso da disseminação de obras culturais. em 1943 a obra de Fernando de Azevedo A Cultura Brasileira . além do uso intenso da rede Internet. criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. que compilou desenhos de Percy Lau e Barboza Leite sobre os mais diferentes aspectos da vida.espalha-se obrigatoriamente até aos escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs). e seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico. os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão. Essa pesquisa. É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade. durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. e no ano 2000. por exemplo. através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público adolescente.um dos mais completos retratos da evolução da sociedade brasileira feitos após a revolução de 1930. costumes sociais e atividades profissionais de diversas regiões brasileiras (IBGE. 1975 10 ed. situadas em cidades médias. Por exemplo. Além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e estudos que são distribuídas pelos seus pontos de vendas tradicionais. Sua estrutura de atendimento . 1941). Por ocasião do lançamento dos resultados do Recenseamento Geral do Brasil de 1940. Área de Disseminação de Informações Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de propagar as informações coletadas ou geridas pelo órgão. rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações. a coleção de Tipos e Aspectos do Brasil. uma extensa obra sobre os problemas educacionais brasileiros em dois volumes. como no caso do recente lançamento do site IBGE Teen e a preparação de um novo site para o público infantil (IBGE Kids). em 1941. está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e de suas relações com as demais áreas da casa.

como fica evidente nos trabalhos de Lia Osório Machado. Eram necessidades que garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas. É importante. sua sistematização e aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não havia sido tentada.da coletânea Brasil 500 anos de povoamento . A segunda necessidade foi sendo organizada mais lentamente. o resultado de duas necessidades com as quais o Governo Federal se ressentia nos anos 30: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro. . a edição fac-similar da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros em CD ROM. fundamentalmente. Embora a Geografia brasileira. Manabu Mabe. já possuísse um razoável lastro.1995 e 1999). que obrigou a todos os municípios montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940. para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. pois ocupará a maioria dos capítulos subseqüentes. sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (Machado. tanto no contexto físico. quanto no humano e econômico. ricamente ilustrado com imagens de pinturas e gravuras de artistas renomados como Anita Malfatti. foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937. que poderiam elevar os custos do processo. 2000). Rubens Gerchman. quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior. tanto em campo. Por fim. além de ilustrações históricas e mapas de época e de fotos do acervo da Memória institucional do IBGE que retrataram as múltiplas facetas desta saga de ocupação do território brasileiro (IBGE. onde os 36 volumes foram reduzidos em 18 CD ROMs. entretanto. onde 11 historiadores especializados em “nações” que povoaram o Brasil escreveram artigos sobre seus respectivos objetos de pesquisa. nos anos 30. pelo uso de links com o sumário e a possibilidade de impressão seletiva das páginas pesquisadas. A primeira necessidade vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940. Este livro. Anna Bella Geiger. assinalar que sua incorporação ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras foi. evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais. a fim de possibilitar uma navegação mais rápida. Tadashi Kaminagai. Área de Geografia A área da Geografia foi propositadamente deixada para o final. na medida em que os novos geógrafos eram formados na Universidade e adquiriam experiência profissional.

quanto as orais de quem viveu partes do processo . o . sendo que o professor Valverde. o geógrafo Orlando Valverde. ainda lúcido e produtivo. para isso. foram utilizadas Os três profissionais que vivenciaram a fase inicial (1937-1938) de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). O último capítulo introdutório estabelecerá um pano de fundo cronológico. foi posteriormente entrevistado especialmente para esta pesquisa. transferida para formar o núcleo inicial do Conselho Brasileiro de Geografia em 13 de outubro de1938 (IBGE. desenhista Miguel Alves de Lima que. na época.1952:74). que ingressou em julho de 1938. posteriormente. são o engenheiro Cristóvão Leite de Castro. tornou-se geógrafo.É justamente sobre a participação do IBGE na história da estruturação do tanto as fontes documentais. Os dois primeiros deram seus respectivos depoimentos ao CDDI em ocasiões diferentes. que se desenrolou ao longo desses 60 anos. e objetiva orientar temporalmente o leitor na saga da Geografia e dos Geógrafos do IBGE. por convite de Cristóvão e foi oficialmente contratado em 1 de outubro do mesmo ano e o. chefe da Secção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. assim como o professor Miguel Alves de Lima. Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro (SPTB) que este trabalho versa e.

o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte nos campos científico e tecnológico são os de maior peso. Na tentativa de demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. É. de maneira geral. além de iniciar o processo de criação de um futuro núcleo de pesquisadores em Geografia lotados no Governo Federal. No caso de São Paulo. Educação/Saúde e Indústria e Comércio).) O contexto político é marcado pelas ações centralizadoras da primeira fase do Governo Vargas. Em âmbito interno. escalas de análise e áreas. Pierre Mombeig e no Rio de Janeiro a figura de Pierre Deffontaines. quanto no Rio de Janeiro. que vieram iniciar suas carreiras de pesquisadores aqui. vindo do Ministério da Educação e Saúde Pública. Sua posição como Presidente da União Geográfica Internacional (UGI) garantiu as tratativas de organização dos cursos superiores formais de Geografia.A Fase Introdutória de Criação do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia. além das políticas de recursos humanos. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. foram definidos 13 períodos de tempo (com uma introdução que referencia aos cinco anos anteriores a 1938 e mais aos doze restantes). principalmente no que se referiu à indicação de jovens professores franceses. tanto em São Paulo. marcadamente. embriões do IBGE ( Presidente da República – Getúlio Dorneles Vargas 1930-1937. Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia CNG – Christóvão Leite de Castro 07/04/1937 .III . como a criação de novos Ministérios (Trabalho. . Para tal. considerado um dos mais importantes geógrafos da França. Revolucionários de primeira hora são colocados em postos-chave. determinadas conjunturas tanto de cunho externo. uma fase de estruturações/restruturações da máquina governamental federal. após a Revolução de 1930.. foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial.O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE O principal objetivo deste capítulo é fornecer um quadro de referência que oriente o leitor não familiarizado com a história da Geografia no IBGE. 1933 a 1938 . No lado técnico do novo governo. quanto interno à Geografia ibegeana. onde seus respectivos títulos informam. deve ser destacado o do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. É importante ressaltar ainda a vinda ao Brasil. em termos cronológicos. em 1933. No âmbito externo ao IBGE. criador do Instituto Nacional de Estatística e principal emulador do processo de organização de uma agência que dará subsídios cartográficos ao aparelho estatístico brasileiro. como no caso do General Juarez Távora no Ministério da Agricultura. de Emmanuel de Martonne. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/ 1936 .

Orlando Valverde é contratado em 1938. inclusive formando seu primeiro núcleo técnico. é o pano de fundo que referencia à criação do IBGE em 1937 e à reestruturação da nova agência.As relações entre Juarez Távora (Távora. influenciar fortemente o próximo. foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos do Brasil. ao preparar os cursos iniciais das primeiras turmas de Geografia da Universidade do Distrito Federal (UDF) e orientar metodologicamente os objetivos do que seria o futuro Conselho Brasileiro de Geografia. além de servir de base para a divulgação de dados estatísticos. Jorge Zarur.. Miguel Alves de Lima entre outros . Em 1941 foi adotada uma divisão regional do Brasil. • 1938 a 1945 . entre 1940 e 1956. elaborada por Fábio de Macedo Soares Guimarães e colaboradores que. tanto do CNG. ainda. . Pierre Deffontaines e de Pierre Monbeig que. O contexto epistemológico da época era referenciado pela escola francesa de geografia. É a primeira contratação do novo órgão. além de organizadores de cursos nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e instalado solenemente em 01 de julho de 1937. como secretário do Conselho Nacional de Geografia. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 . para não mencionar algumas transferências feitas entre Ministérios. Este processo se consolida.fosse transformado em um novo Conselho Brasileiro de Geografia. 1974:96-98) e Teixeira de Freitas permitiram que o setor de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura . além de auxiliar nas tratativas diplomáticas para inclusão do futuro órgão na União Geográfica Internacional (UGI) e criar a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). através do crescimento da burocracia estatal. com a vinda de Francis Ruellan.chefiado por Cristóvão Leite de Castro e já contando com as presenças de Fábio de Macedo Soares Guimarães. A determinação de Getúlio Vargas em criar novos padrões de governo. professor francês que orientou e treinou dezenas de geógrafos. com os Conselhos Nacional de Estatística e de Geografia entrando em funcionamento em 1938.Estruturação inicial do Conselho Nacional de Geografia no contexto político do Estado Novo: os primeiros trabalhos de referência e as primeiras ações de aperfeiçoamento do pessoal (Presidente da República – Estado Novo– Getúlio Dorneles Vargas 1937-1945. posteriormente. através da influência de Emmanuel de Martonne.) Esse período se dá no contexto do Estado Novo até a primeira queda de Vargas. enfatizando a centralização administrativa e ampliando os níveis de responsabilidade federal. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 20/05/1936 . quanto da Universidade. (ver anexos documentos históricos) A figura do geógrafo francês Pierre Deffontaines torna-se a mais importante referência de formação profissional desse período e irá.

foi também o embrião de uma idéia de planejamento espacial para o governo federal. onde gradua-se como Master of Arts em 1943. portanto. o que garantiu a manutenção da estrutura do IBGE durante o novo governo. ao longo desses 60 anos.de um grupo de cinco geógrafos do IBGE indicados por Francis Ruellan (Miguel Alves de Lima. onde estuda pesquisa de campo. No campo do conhecimento geográfico. pois ainda repercutiam as conseqüências da deposição de Vargas em outubro. Em 1942 Jorge Zarur segue para os Estados Unidos para aperfeiçoamento na Universidade de Winsconsin. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. • De 1946 a 1950 . indo posteriormente para a Universidade de Chicago. é promulgada uma nova Constituição que recoloca o país na democracia.2 abr/jun 1941). embora o texto mantivesse a estrutura criada por Vargas.As demandas do pós-guerra e a introdução de um aparato epistemológico na pesquisa (Presidentes da República – José Linhares 1945-1946 e Eurico Gaspar Dutra 19461951. em 1945 seguem para os Estados Unidos cinco geógrafos do IBGE com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e de planejamento regional: Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin.3 n. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. Abria-se. um executivo ampliado e altamente centralizado. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/1936 – 30/01/1951. Por conta dessas articulações. . inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível que. nunca foi interrompido. articula com as autoridades americanas e o IBGE a ida de geógrafos brasileiros para cursos de aperfeiçoamento em Geografia. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 – 12/07/1950) O contexto político-institucional da época era bem turbulento. Além disso. um campo novo para a absorção de conhecimentos da escola americana de Geografia. Ao mesmo tempo. Elza Keller. isto é. Miriam Mesquita. Com esse grupo. É importante lembrar que eram os meses finais da Segunda Guerra e que a Europa ainda não podia arcar com a estada de alunos estrangeiros. em setembro de 1946. (RBG v. os fatos mais importantes foram a vinda de Leo Waibel em 1946 e a ida para a França -recém saída da guerra. Pedro Geiger. sua substituição por José Linhares e a eleição do General Eurico Gaspar Dutra em dezembro de 1945.

com doutoramento em Hidelberg e tinha passado pela Universidade de Bonn. e o de Leo Waibel. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” RBG 12 (3). por intermédio de Cristóvão Leite de Castro. por ocasião de suas estadas no Brasil. estavam lá um artigo de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa – RS.4 out/dez 1949). Um ótimo exemplo de profissional de geologia que sabia escrever sobre os processos de ocupação humana em termos espaciais. os americanos Clarense F. Com o crescimento do nazismo. em 1947. Leo Waibel vem trabalhar em pesquisa geográfica exclusivamente no IBGE. Waibel era alemão. Esse mesmo grupo. um número que se tornou clássico para o tema. diferentemente de Francis Ruellan. Nesse projeto atua. também. O objetivo desses estudos era a escolha de um sítio físico otimizado para a futura capital. que também lecionava na Universidade do Brasil. pois além do artigo de Jones. • De 1951 a 1956 . em que ele avaliava sinteticamente seus estudos no Brasil. composto de profissionais do IBGE e alunos do curso de Geografia da Universidade do Brasil. O vasto conhecimento de Waibel em Geografia Agrária ampliou os horizontes de um grupo seleto de geógrafos do CNG que trabalhava com o processo de colonização sob demanda do governo federal. objetivando estabelecer a posição da cidade. elabora um plano de mudança da capital federal. onde conhece Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde que. O Homem e a Guanabara e O Homem e a Serra. (colocar o artigo de Cybele de Ipanema) Os americanos Clarense Jones e Preston James também trabalharam bastante no tema [ colonização. no período compreendido entre 1940 e 1950.fase de consolidação da Geografia do IBGE e o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional .Héldio Xavier César). sob a orientação de Waibel. Nos anos seguintes. conseguem que o CNG do IBGE convide Leo Waibel para trabalhar no Brasil. tendo como relator Fábio de Macedo Soares Guimarães (RBG v. Waibel emigra para os Estados Unidos e vai lecionar em Wisconsin. O Homem e a Restinga. jul/set 1950 ] por sinal. onde tinha sido diretor do Instituto de Geografia.11n. o IBGE recebia também outros profissionais que se mostravam capacitados a elaborar estudos geográficos. que já era tradicional. o grupo de Francis Ruellan. foi Alberto Ribeiro Lamego que. criando-se assim uma nova matriz epistemológica a somar-se com a francesa. escreveu quatro grandes obras para o CNG: O Homem e o Brejo. Jones (1948) e Preston James (1949) também vieram pesquisar e treinar os técnicos do IBGE. Além dos geógrafos de formação.

ainda referenciadas à figura de Teixeira de Freitas (aposentado em 1948) acabou por gerar uma crise de poder com o CNE. posteriormente. e de idéias conflitantes com as que geriam as atividades estatísticas do IBGE. Almeida e Miguel A. José Veríssimo da Costa Pereira – 13/02/1953 –14/04/1953. entre 1951/1952. Bahia . Secretários Gerais do CNG – Virgílio Corrêa Filho – 12/07/1950–28/04/1951. após novas eleições. Fábio de Macedo Soares Guimarães – 30/09/1954-22/11/1956 ). encontra um Brasil diferente daquele do Estado Novo. Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo . o que resultou em inquérito administrativo e. No IBGE. O novo período Vargas. Em 1954 uma crise política leva Getúlio ao suicídio. Deoclécio de Paranhos Antunes – 14/04/1953-27/09/1954. Juscelino Kubitschek é eleito. Vale do Paraíba. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro . 1. Carlos Luz e Nereu Ramos 1955-1956 e Juscelino Kubitschek 1956Presidentes do IBGE – Djalma Poli Coelho 02/05/1951-09/09/1952. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras .Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes 5. José Carlos de Macedo Soares 17/11/1955-03/05/1956. pois apenas três autores estavam fora do quadro da . A industrialização e a conseqüente urbanização haviam alcançado escalas nunca vistas e uma classe média urbana começava a surgir. a nomeação do General Djalma Polli Coelho . iniciando um novo governo transitório até 1956 quando. João Café Filho 1954-1955. a matriz francesa ainda continua em evidência e o acontecimento mais importante do período é a organização do XVIII Congresso Internacional de Geografia no Rio de Janeiro. O conceito desenvolvimento nacional torna-se prioridade nas discussões da sociedade e o nacionalismo.Ney Strauch 3. toma forma nas campanhas de criação da Petrobrás e Eletrobrás. Keller o nível de alta qualidade que haviam alcançado os profissionais do IBGE. No panorama dos estudos geográficos.Ary França ( Universidade de São Paulo ) 4.Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. através de uma vitória eleitoral que quase alcançou a maioria absoluta. Elmano Gomes Cardim 27/09/195417/11/1955. de Lima 2.um Engenheiro Cartógrafo muito ligado ao Serviço Geográfico do Exército. Luís Eugênio Peixoto de Freitas Abreu – 03/10/1952–13/02/1953. Edmundo Gastão da Cunha – 03/05/1951-29/09/1952. estruturado por Hilgard O’Reilly Sternberg da Universidade do Brasil. iniciado em janeiro de 1951. Florêncio Carlos de Abreu e Silva 15/09/1952-21/09/1954.Lysia Bernardes 6. Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce . Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense .Fernando Flávio M. onde o CNG foi um dos principais membros da Comissão Organizadora Nacional. na sua exoneração e no seu prematuro falecimento. como política econômica. A publicação dos nove Guias de Excursões do Congresso mostrou instituição.(Presidentes da República – Getúlio Dorneles Vargas 1951-1954.

. Nordeste . A EMB foi uma obra ciclópica que envolveu um grande número de profissionais de diversas disciplinas. o CNG lançou um conjunto de obras. as coleções Grandes Regiões. Presidente do IBGE Jurandir Pires Ferreira . Presidentes do IBGE – Rafael da Silva Xavier 10/02/1961-09/11/1961. Brasília em um quadrilátero situado no estado de Goiás. que talvez tenha sido o maior e mais completo conjunto de trabalhos geográficos sobre o Brasil em um curto espaço de tempo: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Atlas do Brasil e a Carta do Brasil ao Milionésimo. além de introduzir um componente geográfico importante: a marcha para o interior. Roberto Bandeira Accioli 14/10/196331/03/1964. além das estradas Brasília .Porto Velho. José Joaquim de Sá Ferreira Alvim 13/11/1961-01/10/1963. Rochefort inicia seus contatos com os geógrafos do IBGE sobre sua pesquisa de doutorado em métodos de trabalho sobre redes urbanas e Jean Tricart amplia os métodos de pesquisa em Geomorfologia tropical.7. com industrialização acelerada. Lideravam a área de Geografia os geógrafos Speridião Faissol como Secretário Geral do CNG e Antônio Teixeira Guerra na Divisão de Geografia.Lúcio de Castro Soares 9. ampliação da capacidade de geração de energia e das redes de transporte.Subsídios para o planejamento territorial e a ‘descoberta’ da urbanização brasileira: o divórcio entre as geografias física e humana (Presidentes da República – Jânio da Silva Quadros 1961. Speridião Faissol 09/12/1958-10/02/1961) A era Kubitschek inaugura uma linguagem nacionalista sem xenofobismo. Ranieri Mazilli 1964 e Humberto de Alencar Castelo Branco 1964.Speridião Faissol 21/11/1963-06/04/1964. João Belchior Dias Goulart 1961-1964. René de Mattos 06/04/1964.Waldir da Costa Godolphim 21/11/1961-21/10/1963 . através dos professores Michel Rochefort e Jean Tricart. agora.Orlando Valverde • De 1956 a 1961 . Como reflexo ainda dos esforços empreendidos na realização do Congresso Internacional de Geografia de 1956. Planalto Meridional do Brasil . Secretário Geral do CNG – Virgílio Corrêa Filho 22/11/1956-08/12/1958. o novo Distrito Federal.Belém e Cuiabá .) .A transição entre as demandas por interiorização e as questões industriais do período desenvolvimentista de JK (Presidente Juscelino Kubitschek 1956-1961.Mário Lacerda de Melo ( Faculdade de Filosofia de Pernambuco) 8.08/05/1956-31/12/1961. Amazônia . • De 1961 a 1965 . com a decisão de construir a nova capital. Waldir da Costa Godolphim 14/04/1964-06/10/1964. O Congresso Internacional de Geografia ocorrido no Rio de Janeiro em 1956 estreitou ainda mais os laços entre a Geografia francesa e os geógrafos do IBGE. Aguinaldo José de Senna Campos 10/04/1964Secretários Gerais do CNG . sendo eles os responsáveis pelo gerenciamento dessas obras organizadas no final dos anos 50.

Após o período desenvolvimentista de Kubitschek. Junta Militar 1969 e Emilio Garrastazu Médici 1969Presidentes do IBGE. uma análise do arcabouço urbano do Brasil objetivando a determinação de pólos de desenvolvimento. a seqüência de dois governos militares .além de um rápido. os profissionais de Geografia Urbana e Regional do CNG estabeleceram um padrão de conhecimento sobre a estrutura urbana brasileira que. O processo de planejamento voltouse para si iniciando um período de reciclagem.. Arthur da Costa e Silva 1967-1969. . o surgimento da guerrilha e sua conseqüente repressão por parte do governo. pelo Ministério do Planejamento. político de desagregação. fora do IBGE. o Brasil entra na efêmera era de Jânio Quadros. O trabalho de Lysia Bernardes sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (1964) é.Secretários Gerais do CNG. poderiam ter.. Em conseqüência deste fato. Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967. subversão. emolduram o período como um dos mais conturbados da República. poucos. capital estrangeiro. porém traumático "intermezzo" sob a Junta Militar. criou dois tipos de clima: um econômico. eram constantes na imprensa e nas conversas. carregada de ideologias e extremismos. de franca recuperação.René de Mattos 06/04/1964-24/04/1967. Os trabalhos de Jean Hautreux e Michel Rochefort sobre a rede urbana da França são absorvidos pelos geógrafos urbanos e regionais do IBGE que adotam esse método de estudo: a determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional através da análise do setor terciário das cidades envolvidas. • De 1965 a 1969 . uma das mais importantes pesquisas feitas nesse período. Expressões como Reformas de Base. foi solicitada ao IBGE.A integração do IBGE ao modelo de desenvolvimento urbanoindustrial e sua primeira grande mudança administrativa (Presidentes da República – Humberto de Alencar Castelo Branco – 1967. República Sindicalista.Agnaldo Senna de Campos – 10/04/1964-03/04/1967. Miguel Alves de Lima 24/04/1967-05/09/1967. Lúcio de Castro Soares 05/09/1967-06/09/1967 – Diretor Superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia Miguel Alves de Lima – 06/09/1967.Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão – 1968 . comunismo. ao se valer dos ensinamentos de Michel Rochefort no trato de problemas sobre sistemas de cidades. transita nas indefinições de João Goulart e cai nas malhas dos Governos Militares. É uma fase altamente conturbada. Como resultado natural dos ensinamentos de Michel Rochefort. com o crescimento da importância dos estudos urbanos e industriais nos programas de planejamento de governo. A sucessão de Atos Institucionais.Castelo Branco e Costa e Silva . É o período em que se inicia o divórcio entre a Geografia Humana e a Geografia Física.) No plano político-institucional. e outro. sem dúvida. imperialismo. forças populares.

o declínio das liberdades individuais e de opinião afetou uma parte da população. Cole.) No que concerne ao quadro político-institucional. a liderança de Lisia Bernardes na Geografia do IBGE é a principal referência. Neste período. Brian Berry e John Friedmann que visitam o IBGE (1969) e estruturam uma ligação forte com o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) do Departamento de Geografia. então. Diretores Superintendentes do IBG – Miguel Alves de Lima 06/09/1967..Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967-24/03/1970 e Isaac Kerstenetzky 24/03/1970.ENCE. orientada pelo governo militar e executada pelo binômio Empresas Estatais/Empresas Privadas. Sua influência é percebida até o final dos anos 60.IBE. . essencial à produção cientifica.Turbulência epistemológica: a matriz francesa vs matriz anglosaxônica (Presidentes da República – Emílio Garrastazu Médici 1969-1974 e Ernesto Geisel 1974. acrescido do fato de o aparelho repressivo de governo tornar-se um poder paralelo. Na área de Geografia sua sucessora é Marília Galvão.IBG e Escola Nacional de Ciências Estatísticas . acentua-se a dicotomia entre a pujança econômica. que assume o Departamento de Geografia em 1968 e faz grandes modificações administrativas nas chefias.Esse convênio CNG-EPEA (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada. posteriormente transformado em Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . quando transfere-se para o IPEA e inicia sua carreira de planejadora do governo federal e. Presidentes do IBGE..11/10 /1971. inicia-se o envolvimento com a Geografia Quantitativa e com a teoria centro-periferia. a gozar de autonomia administrativa e financeira e reporta-se ao Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica (Ministros Roberto Campos e Hélio Beltrão).Instituto Brasileiro de Estatística . comprometendo seriamente o clima necessário às discussões. liderado agora por Speridião Faissol. que culminou em 1967 com a mudança do IBGE de autarquia para Fundação. Instituto Brasileiro de Geografia . através de John P. • De 1970 a 1974 . os governos militares iniciam um projeto de reforma do Estado. No contexto político-administrativo. Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão . Além disso.IPEA) instituído em 1966. A nova Fundação passa. gerou dois estudos sobre o processo de regionalização: Subsídios à Regionalização (1968) e Regiões Funcionais Urbanas (1970). Além de influir nas pesquisas que modificaram a divisão macrorregional em 1970 e nos primeiros trabalhos de determinação das áreas metropolitanas brasileiras. posteriormente. No final desse período. no governo do Estado do Rio de Janeiro.1968. Inicialmente composta por órgãos autônomos .

Na arena de debates metodológicos da Geografia. era de grande interesse para esses geógrafos testar seus estudos aqui. com isso. São adquiridos novos sistemas computacionais e se amplia o banco de dados do IBGE. principalmente nas áreas de emprego e renda. a liderança de Speridião Faissol como responsável pelo Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) tomou o lugar de Lysia Maria Cavalcanti Bernardes. onde misturamse dúvidas e certezas sobre qual opção seguir. uma substancial ajuda inicial. utilizando técnicas quantitativas variadas. a serem analisados no decorrer deste trabalho. inicia-se o período de expansão de seus quadros técnicos. sendo o Brasil um país de grande extensão e com diferenciações espaciais significativas. a fim de superar alguns problemas de ordem técnica. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. o novo patamar que poderia ser alcançado pela geografia perante as outras disciplinas. principiado em 67. um Encontro da Comissão de Métodos Quantitativos da União Geográfica Internacional. versus o tremendo esforço de aquisição das précondições. é criado o Instituto Brasileiro de Informática (IBI) como a terceira grande área técnica do IBGE em 05/04/1971. . e a do IBGE. No ambiente interno do IBGE. Devesse ressaltar que.Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE). Em 1972 o processo de transformação do IBGE em Fundação. nutrição. A Geografia física no IBGE praticamente se retrai. A segunda coleção Geografia do Brasil sobre as Grandes Regiões é editada em 1977 e os capítulos sobre Agrária e Urbana são baseados obrigatoriamente em análise fatorial e de grupamento. finanças públicas e preços ao consumidor. Ademais. versus o risco da troca entre o certo e o duvidoso. contribuindo para o gradual obscurecimento da escola francesa “Rochefortiana” no IBGE dos anos 70. em geral. Nessa época. esse é um período interessante. IBGE e UFRJ. com a sistematização dos censos econômicos e da ampliação das pesquisas anuais e mensais. condicionadas por conjunturas diversas. mas continua forte nas universidades. se concretiza em termos financeiros e. são editados a maioria dos trabalhos de Speridião Faissol sobre as diversas dimensões do sistema urbano brasileiro. transferida para outra agência do Ministério do Planejamento (IPEA). em 1971 (na ENCE . O sabor do novo. indústria. são alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou a Geografia brasileira. Estabelece-se sob a gestão Kerstenetzky grandes modificações no campo das Estatísticas econômicas e sociais. Houve por parte dos geógrafos estrangeiros vinculados a essa abordagem metodológica. Realiza-se no Rio de Janeiro. principalmente no que se referia aos algoritmos e softwares que deveriam ser implantados nos computadores de grande porte da PUC-Rio. em particular.

a aceitação dos programas gerenciadores de Sistemas Informação Geográficos (SIGs). esforços de aprendizado e carreirismo. • De 1975 a 1980 . status e conhecimento. No IBGE. de . Roberto Lobato Corrêa 1980.Marília Galvão 19681977. questões ideológicas e pragmáticas. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova extravasou para outras questões políticas. o Governo Geisel também apresentou-se dicotômico.A economicização da Geografia e a politização da economia: Quantitativa vs Marxismo (Presidentes da República – Ernesto Geisel 1974-1979 e João Batista de Oliveira Figueredo 1979. a essa altura. Jesse de Souza Montello 29/08/1979. A solicitação do Presidente Geisel ao IBGE para a determinação do limite que dividiu em dois o Estado do Mato Grosso em tempo recorde e sob o mais absoluto sigilo. Chefes do DEGEO . o período.. com uma boa estrutura de planejamento. Pedro Geiger 1977-1979. o que obrigou o general a intercalar medidas duras à esquerda e à direita. marcaram um tempo de trocas interessantes entre as duas disciplinas. posteriormente. O Terceiro Encontro Nacional de Geógrafos realizado em Fortaleza em 1978 dá início a um movimento de conflito com a Geografia Quantitativa que. a vinda de economistas estrangeiros como Werner Baer e Samuel Bergsmann para trabalharem no Departamento de Geografia com Pedro Geiger sobre o processo de industrialização/urbanização e a questão das desigualdades regionais brasileiras. sofria de um problema de identidade.) Do ponto de vista político-institucional.. é interessante assinalar. o que garantiu. O “pacote de abril” e o episódio da exoneração do Ministro de Exército General Sylvio Frota foram os exemplos mais marcantes do período. Inicia-se o último grande estádio de contratações que se estenderá por toda a década de 70. dá uma medida do seu estilo autocrático de governar. em virtude da escassa massa crítica de pesquisadores com conhecimentos de Estatística. necessários ao desenvolvimento da metodologia. Presidentes do IBGE – Isaac Kerstnetzky 24/03/1970-29/08/1979. repentinamente abortado com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE em 1979. pois se misturavam às discussões. Matemática e Computação. Porém. Speridião Faissol 1979-1980. no campo da Geografia física. e mesmo pessoais. o que retardou ainda mais a possibilidade de se avaliar com isenção. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. a introdução dos métodos quantitativos foi muito mais tranqüila e praticamente sem grandes conflitos metodológicos. embora com sérios problemas na área política e militar. porém.No início do período (1971) é assinado um grande convênio com o Ministério da Educação para avaliação do sistema de ensino superior brasileiro. que.

Chefes do DEGEO Roberto Lobato Corrêa 1980-1985. as áreas de planejamento do governo federal entraram em regime de emagrecimento forçado e o IBGE foi uma delas.73 . Como resultado da crise econômica. José Sarney 1985Presidentes do IBGE – Jesse de Souza Montello 29/08/197914/03/1985. Saíam de cena expressões como “a negentropia macroscópica” e a “spatial field theory” e assumiam o comando frases como “a formação social historicamente determinada” e a “teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. mostrou sinais de melhoria. pois agora era uma questão tranqüila deixar para os teóricos o trabalho de encontrar um conjunto metodológico que desse conta do espaço em Marx. mesmo que tais leituras não fizessem o menor sentido com o que se estivesse trabalhando na escala do “real-real” (expressão muito utilizada por Aluízio Capdeville Duarte). Nos congressos não há mais discussões. encontra o país mergulhado em profunda recessão.• De 1981 a 1986 .4 nov. para garantir uma indústria substituidora de importações. assim como de outros pensadores do Materialismo Histórico.A marginalização do planejamento e suas conseqüências na Geografia do IBGE (Presidentes da República – João Batista de Oliveira Figueredo 1979-1985. resultante tanto do endividamento efetuado por Geisel. mas bate-bocas e ofensas pessoais. João Batista de Oliveira Figueiredo. gerando um ambiente estranho. Solange Tietzmann Silva 1985. algo caótico através da leitura e sabatina dos principais textos do “jovem. aceitou rapidamente a nova onda e iniciou um processo de “aprendizado”.XXV n.) O governo do último general do ciclo militar. com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 (diretas ou não). Edmar Lisboa Bacha 10/05/1985-17/11/1986. No campo científico o ambiente torna-se pesado. apesar de turbulento. Em resumo:como farsa ou não. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por Willian Bunge em 1973 na The Professional Geographer v. O quadro político. Talvez sem a mesma ingenuidade e curiosidade que envolveu o primeiro namoro com a Geografia Quantitativa nos anos 70. iniciado em 1979. a História se repetia. do adulto e do velho Marx”. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de aprender matemática e estatística. . quanto pela crise financeira mundial causada pelo choque resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores.

com uma inflação de mais de 350 % ao ano obriga o governo a criar um mecanismo de choque contra a inflação: o Plano Cruzado. foi crucial. após vinte e um anos de governos militares. Presidentes do IBGE – Edson de Oliveira Nunes 06/01/1987-13/04/1988. apesar dos percalços. Lideranças da Geografia Crítica como Rui Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves empreendem uma dura campanha a fim de conseguirem a regulamentação da profissão. Chefes do DEGEO . aposentaram-se os dois mais antigos profissionais da Geografia. ao mesmo tempo. é a melhor referência do período. • De 1986 a 1990 . O governo do vice de Tancredo Neves. é inicialmente composto pelo ministério definido pelo falecido presidente. Em 1985 inicia-se a transferência dos profissionais do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) para o IBGE. e o desespero em ver morrer o Presidente eleito antes da posse. Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990. membro da equipe criadora do Plano Cruzado causou muita polêmica (Sardenberg. Á medida que os famosos cinco anos de mandato vão se desenrolando.Em 1982. ampliando fortemente a área de Geografia Física e de Meio Ambiente. o tremendo esforço da sociedade na campanha das “diretas já” culminou com as frustrações de uma eleição indireta.. o senador maranhense José Sarney. iniciando um processo de perda gradativa de quadros de alto nível que não mais seriam repostos na mesma proporção. que tentou controlar a espiral inflacionária entre os meses de fevereiro e novembro de 1986. germes de inovação e o início da reconciliação com os estudos do meio ambiente ( Presidente da República – José Sarney 21/041985-15/03/1990. 1987). Charles Curt Müeller 03/05/198818/04/1990.Solange Tietzmann Sila 1985 . em meio a sérias crises de desabastecimento e aumentos de preços. . O papel do IBGE. A atuação de Edmar Bacha como presidente do IBGE na época e. . Sul (Santa Catarina) e Centro Oeste (Goiânia). O quadro econômico assustador. o ministério toma a forma do Presidente que assumiu. nesta fase. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. sistema regulador do conjunto profissional de engenheiros e arquitetos. Ficou garantido o êxito deste trabalho. Nordeste (Bahia e Ceará). desencadeando pressões fortíssimas por parte do governo e de outras instituições que produziam também índices de preços. com a absorção da Geografia no sistema CONFEA / CREA. em 1981 estabelece-se a luta pela regulamentação da profissão e a anexação dos geógrafos ao sistema CONFEA-CREA.Turbulências político-economicas. Paralelo a estes acontecimentos. já que. acrescida da agregação de núcleos situados regionalmente na Amazônia (Pará). tendo como ponto de referência a Associação dos Geógrafos Brasileiros.) O ambiente político de um presidente civil.

envolvendo um grande número de especialistas de disciplinas diferentes que cobrem todo o Geociências. Elza Keller. foi o principal legado do governo de Fernando Collor de Melo. e conseguiu dominar a espiral inflacionária. pelo mesmo motivo por que a corrente quantitativa também morreu. como Speridão Faissol. Nilo Bernardes. vice da chapa de Collor. um presidente eleito com 35 milhões de votos é deposto em processo de impeachment por crime de responsabilidade. Presidentes do IBGE – Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990-26/03/1992.Solange Tietzmann Silva 1985-1991. Projetos : Diagnóstico Brasil ( 1987 ) Carajás Natureza (iniciado em1990). Cesar Ajara 1991. espectro das ( 1987 ). Alfredo Porto Domingues entre outros. Estruturam-se as primeiras experiências de trabalhos multidisciplinares. garantindo um aumento de renda real para as camadas . voltada para o magistério tornava-os alheios ao fato de que a Geografia passara por duas fases de orientação metodológica distintas. que estabeleceu uma nova moeda. pela primeira vez na História recente.Na área do conhecimento geográfico. Silvio Augusto Minciotti 15/06/1993-30/03/1994 e Simon Scwartzman 05/05/1994. (Presidentes da República – Fernando Collor de Mello 15/03/1990-29/12/1992 e Itamar Franco 29/12/1992-01/01/1995. Pedro Geiger. A falta de conhecimento de grande parte dos profissionais que possuíam uma formação generalista. No contexto do IBGE. a Geografia Humana começa a se reconciliar com a Geografia Física. Chefes do DEGEO . Ainda neste período.) A segunda experiência de um governo civil. PMACI ( 1988 ) e Nossa • De 1990 a 1995 . o Real. A total desarticulação da máquina pública federal e o aviltamento do funcionalismo. foi uma sucessão de lições de cidadania. pois.Novos projetos de governo e a demanda por grandes diagnósticos: a chegada do Sistema Geográfico de Informações e do mapeamento automatizado por computador. que pressuporiam saberes que se distanciavam do que é ensinado nas faculdades orientadas para a formação de professores . a moda marxista também perde fôlego. Eurico de Andrade Neves Borba 26/06/199215/06/1993. confrontados pela evasão maciça dos antigos profissionais para a aposentadoria.. a Geografia amplia a perda da maioria de seus antigos profissionais da “Velha Guarda” . e em qualificação profissional. e a primeira através do voto direto. representou uma transição tranqüila para o novo governo de Fernando Henrique Cardoso. em termos salariais. Marília Veloso Galvão. O governo de Itamar Franco. através da consolidação da incorporação dos quadros técnicos do projeto Radanbrasil iniciada em 1985.

1994-1995 .Início da gestão do cientista político Simon Schwartzmann na presidência do IBGE. base para se trabalhar com o programa CABRAL 1500 de mapeamento automático de autoria de Waniez) . 1992-1994. que agora é obrigado a pensar além de suas fronteiras de conhecimento e auxiliar o coordenador na costura de ligações entre os diferentes processos físicos e humanos que moldam um determinado território. com uma maior integração entre os profissionais de diferentes especialidades. 1993-1995 . sendo que boa parte eram técnicos de alto nível. A questão da assimilação de conhecimentos muito diversificados num texto único. Apesar do triste fato. neste período saíram profissionais antigos como Catarina Vergolino Dias. interrompendo suas carreiras.Convênio com o GIP.mais pobres da população. além de geógrafos que ingressaram no órgão na década de 60 e 70. Os principais trabalhos são: Diagnóstico Ecológico Econômico da Amazônia Legal ( 1993 ). como a difusão do uso da computação gráfica que opera com imagens e faz mapeamento automatizado a partir de bancos de dados georeferenciados. considerados os mais produtivos. 1991 foi o annus terribilis para a Geografia do IBGE. foi também um período de ampliação dos estudos iniciados na fase anterior. Aposentaram-se quase 60% de seu efetivo profissional. Para citar alguns exemplos. o CNRS (CREDAL) e o ORSTOM que criou o banco de dados SAMBA 2000 com a colaboração de Maria Mônica O'Neill. . da Região Nordeste.Nova versão do projeto Rede de Influência de Cidades. Isso envolve também o produtor de texto especializado. 1994 . Além disso. A seqüência de quatro presidentes nesse cinco anos dá uma boa referência dos graves problemas politico-administrativos por que passou o gerenciamento do IBGE no período.Delimitação de Áreas Industriais ( utilizando a base de dados do censo industrial de 1991). iniciaram algumas mudanças tecnológicas. é hoje o maior desafio dos profissionais que produzem diagnósticos integrados. da Região Sul e Gerenciamento Costeiro ( 1994 ). ainda que isto atingisse os funcionários públicos com um congelamento de salários. sendo que muitos aposentaram-se por tempo proporcional.RECLUS de Montpellier e o início dos trabalhos com mapeamento automatizado e com Sistemas Geográficos de Informação ( vinda de Philipe Waniez e Violette Brustlein para o IBGE para a implementação de um convênio entre o IBGE.

(Presidente de República – Fernando Henrique Cardoso 01/01/1995. parque natural e outras unidades espaciais ). Chefes do DEGEO . estado. No âmbito do planejamento do censo 2000. passíveis de gerarem informações de diferentes níveis ( setor censitário. . foi organizada em 1997 uma nova versão da CONFEGE (reunião técnica entre profissionais do IBGE na área de Geodésia. O estabelecimento de bancos de dados alfanuméricos e de imagens em meio digital e o refinamento das bases de dados de Geografia física também estão sendo preparados para diferentes usos. o IBGE. agora ligados via uma grande rede intranet. através da digitalização de todas as malhas que delimitam espaços.1998 . com a mudança do prédio do bairro de Mangueira para as modernas instalações na Av.principalmente universidades e agencias de planejamento estaduais ) que contou com a participação de vários pesquisadores. passou por transformações importantes nas condições de trabalho. a área de Geografia também está contribuindo com a estruturação das chamadas áreas geográficas (agregação de setores censitários) que poderão servir de base para mapeamentos temáticos de maior precisão. Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso.• 1995 .As contradições entre o recrudescimento da crise do setor público e a possibilidade de futuro da Geografia do IBGE numa agência executiva de governo com contrato de gestão. Maria Luísa Castelo Branco 1999.Cesar Ajara 1991-1999.) Apesar das dificuldades criadas pela ampliação da crise do setor público federal. No contexto da Geografia. Geografia e áreas afins. município. como no caso do Projeto SIVAM na Amazônia brasileira. distrito. bacia hidrográfica. em maio de 1999 iniciou-se a organização do Atlas Nacional do Brasil em sua terceira edição impressa de grande tamanho. Cartografia. República do Chile e a expansão dos equipamentos de informática para todo o corpo técnico.. Estando em pauta também. que continuou a ser conduzido por Simon Schwartzmann. o órgão prosseguiu em sua missão técnica.Presidentes do IBGE – Simon Scwartzmann 05/05/1994-31/12/1998 e Sérgio Besserman Vianna 25/01/1999. com os principais usuários das pesquisas e informações disseminadas pelo órgão . lançado no início de 2001. um próximo Atlas em meio digital nos anos posteriores. Além disso. Nessa ocasião foram discutidas as novas demandas de informações geográficas que o IBGE implementará nos primeiros anos do século XXI. principalmente no que se refere à ampliação dos Sistemas Geográficos de Informação e ao mapeamento automatizado. em termos de redução de quadros profissionais.

é o maior desafio que os poucos geógrafos que restaram na Diretoria de Geociências enfrentarão nos primeiros anos do próximo século. mas sujeita a um contrato de gestão. e o início da gestão do economista Sérgio Besserman Vianna . de um órgão vinculado diretamente ao setor público federal para uma agência executiva com autonomia financeira. incumbido de gerenciar a transição do IBGE. em janeiro de 1999.O término do mandato de Simon Schwartzmann. .

O relatório de pesquisa de autoria de Malan. Bonelli. organizando um quadro institucional e jurídico. As avaliações de Skidmore (1975). o importantíssimo ensaio de Bielschowsky (1995). quebrando as espinhas das lideranças estaduais . que trata do papel do Estado na economia (principalmente no que se refere à indústria estatal). ao mesmo tempo. Villela e Kerstenetsky (1975). de Baer (1975) sobre as relações entre a industrialização e o processo de desenvolvimento econômico do Brasil. contrapondo-se ao velho Brasil agrário. econômica e demograficamente falando.A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução . Abreu e Pereira (1977) mostrando as conexões entre as políticas econômicas brasileiras no plano externo e o processo de . motivo de estudos e interpretações acadêmicas as mais diversas. Tais exemplos de estudo são obras de referência indispensáveis. considerado um clássico pelos pesquisadores de História Econômica Brasileira. desenvolvimentismo e socialismo. trabalho clássico em história econômica.neoliberalismo. analisa o ciclo ideológico do desenvolvimentismo rastreando as correntes do pensamento econômico que vigoraram no Brasil entre 1930 e 1964 . É também de grande importância a avaliação de Motoyama et alli (1994 : 320-334) sobre os processos de maturação da Ciência e Tecnologia no Brasil. ambos detalhando o período em questão. até hoje. e que se consubstancia na criação do Conselho Nacional de Pesquisas em 1951. para garantir às populações urbanas acesso a esse mundo novo é. através das lutas interna e externa para a estruturação de um projeto autônomo de desenvolvimento nuclear.O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia É perfeitamente reconhecida entre os especialistas a importância de Getúlio Vargas no processo de gestação de um Brasil industrial e urbano. o livro de Baer conta também com mais dois artigos: o primeiro de Baer. por iniciativa do Contra-Almirante Álvaro Alberto de Motta e Silva. A partir da segunda edição. impondo uma nova diretriz de crescimento econômico e. de Villela e Suzigan (1975). A concepção de um governo central forte. e o segundo de Baer e Villela (1975) sobre os estágios do crescimento industrial brasileiro. Nos anos 80. ganhador do Prêmio Haralambos Simeonides da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (Anpec).Parte I . iniciado no período Vargas. enfatizando o período Vargas. que costura inteligentemente as tramas políticas e econômicas. dando a visão de um historiador contemporâneo. sobre as políticas de governo ocorridas entre 1889 a 1945.

e da qual o IBGE fez parte. controlando a produção e estabelecendo preços mínimos.industrialização ocorrido entre 1939 e 1952. que se deve avaliar. Estabelece ainda um sistema de créditos de longo prazo para o segmento industrial. pela magnitude dessas ações tomadas. Finalizaria com a criação. principalmente na Região Sudeste: Companhia Vale do Rio Doce (1942). açúcar. sal. É possível perceber. nos escritos de Jean-Claude Marie Vincent de Gournay (1712-1759). Companhia Siderúrgica Nacional (1946). pesca e petróleo). além da cartografação do seu espaço. que garantiriam. além disso. a necessidade vital de mecanismos de controle do território. a ampliação do processo de industrialização/urbanização. funda também o Instituto Brasileiro do Café (1952). estoques reguladores. cria também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952).Vargas) usa o conceito de segurança nacional para criar uma série de empresas estatais-chave. devemos compreender o que é e como evoluiu a burocracia. inicia a política de criação de autarquias e conselhos nacionais que cuidariam de setores específicos (como nos casos dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia). Companhia Nacional de Álcalis (1943). que instituiu o monopólio da extração e refino do petróleo e seus derivados. que cuidaria das relações comerciais externas do produto em nível de governo a governo. e de um ordenamento regional condizente com escala territorial do Brasil. ou de produtos considerados estratégicos economicamente (café. preços e distribuição atacadista de gêneros alimentícios básicos. da Petrobrás. em termos conceituais.Dutra . dos padrões espaciais da ocupação humana e econômica. nos primeiros anos da década de 30. Dá início também a alguns processos administrativos. mate. finaliza essa pequena amostra de avaliações de diversas facetas do papel do Estado na Era Vargas. O termo burocracia aparece na França em meados do século XVIII. No contexto que interessa a este trabalho Vargas. o papel da burocracia técnica que se estruturou no Governo Federal brasileiro. É com este pano de fundo. para financiar projetos industriais de longa maturação. Entre os anos da II Guerra Mundial e 1954 o governo federal (Vargas . além de definir o controle estatal da marinha mercante com a estatização do Lloyd Brasileiro e das empresas de navegação da Amazônia e da Bacia do Prata. tais como: conhecimento dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. Fábrica Nacional de Motores (1943). produção. Paralelamente. a partir dos anos 30. em 1953. Primeiramente entretanto. tais como: controle da geração e distribuição de energia elétrica. num contexto de debates entre o absolutismo monárquico e as idéias. laissez passer" das quais Gournay era um . de liberalismo econômico "Laissez faire. nas décadas seguintes.

que incorpora o principio da autoridade. Mesmo o moderno oficial de patente superior trava batalhas de seu "gabinete". processos documentários. desde épocas medievais. obviamente. com o alemão Max Weber (1864-1920) que o termo assume importância no vocabulário da Sociologia. sub. Isto é exato tanto com referência ao funcionalismo militar quanto ao civil. áreas bem definidas de jurisdição. o conceito surge como uma crítica aos funcionários do governo monárquico que controlavam a maior parte das atividades econômicas do reino e que tornaram-se uma categoria entre o povo e a nobreza. ao intermediarem as demandas entre essas classes e o rei. pelo menos no que se refere a um Estado composto por grandes massas de povo. ou dos transportes de cabotagem fluvial. Tal como o assim chamado progresso em relação ao capitalismo tem sido o inequívoco critério para a modernização da economia. Foi.ferrenho partidário. já praticavam a. No capítulo Burocracia e Liderança Política do seu Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída (1974:16)." Como estudioso profundo da burocracia. promoção. ao vincular-se ao estado moderno sob a forma de atividades administrativas especializadas e controladas por um sistema racional e legitimado juridicamente. Essas atividades eram geralmente transferidas por herança. e não a um pequeno cantão com administração rotativa. Dos direitos musicais e de apresentação teatral ao controle da distribuição de lenha. mas através da rotina da administração. ainda atual. tudo era fiscalizado por esse corpo de funcionários reais que. salário. pois o poder não é exercido por discursos parlamentares nem por proclamações monárquicas. Weber conhecia os problemas que poderiam advir de uma estrutura que cresce irresistivelmente e que se apresenta com características de permanência nas grandes organizações. passando pela distribuição de livros. Weber inicia com estas palavras: "Num Estado moderno necessária e inevitavelmente a burocracia realmente governa. caracterizando um nepotismo brutal. Para ele. quer monárquico. pensão. assim também o progresso em relação ao funcionalismo burocrático caracterizado pelo formalismo de emprego. quer democrático. Nesse âmbito. não era a ditadura do . com o poder de dar ordens e de fiscalizar as relações entre o Estado e a Sociedade. porém. no contexto do início do século XX . treinamento especializado e divisão funcional do trabalho.e super-ordenação hierárquicas tem sido o igualmente inconfundível padrão para a modernização do Estado. política de criar dificuldades para vender facilidades .

sobretudo quando referida aos altos postos de decisão e arbitragem. termos que de uma forma ou de outra tentam explicar a formação e fortalecimento de um corpo técnico que controla alguns núcleos de atividades estatais consideradas (em termos) como áreas de exclusão das pressões político-partidárias. dentro de uma visão weberiana clássica. que discutem a formação da tecnoburocracia utilizando conceitos como insulamento burocrático. José Murilo de Carvalho em A Construção da Ordem e Teatro de Sombras (reedição de 1997) estudou com detalhes a formação da elite burocrática brasileira como representante do poder. Outra abordagem. via saber técnico. enfatizando a questão da formação intelectual entrelaçada com as raízes familiares. ilhas de racionalidade técnica. foi também adotada por alguns sociólogos e historiadores brasileiros que trabalharam sob o pressuposto de uma vinculação implícita entre as elites e a burocracia. Nesta linha. Outros autores enfocaram especificamente a questão da tecnoburocracia estatal. anéis burocráticos. além de analisarem os processos de incorporação de novos segmentos sociais a essas elites. . Além disso. Wanderley Guilherme dos Santos (1982). universalismo de procedimentos e corporativismo. Schwartzmann apresenta uma inequívoca preocupação espacial ao explicar as diferenças regionais desses conflitos entre o governo central e os estados mais estruturados politicamente. alguns autores trataram do tema burocracia para explicar a estruturação do poder político-administrativo no Estado brasileiro. suas análises ainda continuam válidas. Raimundo Faoro em Os Donos do Poder (1958) analisou em profundidade a estrutura burocrática brasileira. Bresser Perreira (1980). que sempre possuiu um claro traço autoritário. Fernando Henrique Cardoso (1975). a tese de Zairo Borges Cheibub (1984) sobre os diplomatas do Itamarati e o livro de Luiz Werneck Vianna e colaboradores (1997) sobre a magistratura. além do monopólio da informação. Sonia Draibe (1985). Em outro contexto. mas a do burocrata. o de Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva (1989) sobre relações de raça e mobilidade social. mesmo quando essas práticas eram confundidas com as do tipo populista. Setenta anos depois. Nesta linha de raciocínio estão alguns importantes trabalhos como os de Sérgio Miceli (1979 e 1988) sobre os intelectuais e classe dirigente e a elite eclesiástica. Simon Schwartzmann em seu Bases do Autoritarismo Brasileiro (1982) enfocou as contradições que emergiram entre o que se convencionou chamar de democracia brasileira em termos dos discursos e das práticas politicoadministrativas gerenciadas pela burocracia estatal. estão autores como Carlos Estevan Martins (1974). enfatizando a questão das relações de poder num Estado patrimonialista onde o que é público e o que é privado nunca apresentaram limites muito claros.proletariado que iria se instaurar. onde são formados quadros especializados que detêm o controle das atividades produtivas e de planejamento estratégico do Estado. Gilda Portugal Gouveia (1994) e Edson Nunes (1985 e 1997).

. O profissional que melhor encarna este processo são os engenheiros encarregados das obras públicas. É sobre uma parcela dessa tecnoburocracia que o capítulo I trata. sendo que boa parte deles em ambos. assim como em outros países. tanto no Brasil (Motta. 1994). o técnico. para a Economia. Cristóvão Leite de Castro. 1980). com características positivas. Silvio Fróes de Abreu e Moacir F. outro. Com isso. quanto na França (Fourquet. com características negativas. escudados na ampliação das áreas de especialização das Escolas Politécnicas. o trabalho de Livia Barbosa (1999) discute a noção de meritocracia no Brasil. enfocando. o político. sobretudo quando se percebe a magnitude do processo de formação de quadros técnicos que o IBGE gerenciou em boa parte desses 60 anos de sua existência. O artigo de Angela de Castro Gomes (1994) historia muito bem o tema e o de José Luciano de Mattos Dias (1994) esclarece sobre o processo de ampliação do prestígio dos engenheiros no governo brasileiro. Silva. ao explanar a estruturação inicial do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. utilizavam alguns expedientes de acertos partidários ou mesmo de geração de conflitos entre as diferentes facções políticas. No contexto brasileiro. a composição majoritária das Assembléias e Conselhos Diretores era de profissionais oriundos dos cursos de Engenharia Civil e Militar.No campo antropológico. necessariamente. por ocasião da fundação dos Conselhos de Estatística e Geografia nos anos 30. Biderman. principalmente. Suas ações objetivas passam a contrastar com a lentidão das decisões políticas que. Cozac & Rego (1996) e ( Loureiro. Figuras-chave na criação do Conselho de Geografia e grandes produtores de artigos para a Revista Brasileira de Geografia como. incorpora-se na sociedade um pensamento que divide a elite de governo em dois grupos: um. O assunto é interessante. (Bielschowsky . ao findar a Primeira Guerra Mundial. posteriormente. iniciou a vida profissional na Engenharia e migrou. as ações de Mário Augusto Teixeira de Freitas objetivando uma revisão da divisão territorial do país. estabelecendo comparações com o Japão e com os Estados Unidos. eram engenheiros. o processo dicotomizador entre os âmbitos político e o técnico nas áreas de governo inicia sua trajetória na década de 20. 1997).1995). É a partir dos anos 60 que os economistas irão se constituir na segunda grande força da elite tecnoburocrata. É interessante assinalar que.

1988. além do militar e da representação política clássica _ A intermediação técnica era uma delas _ como organizar então um sistema de gerenciamento do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais? Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas. 1983. que efetivamente. Se considerarmos. Minas Gerais ou Rio Grande do Sul. recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras Rumos e Metamorfoses (Draibe. as que tiveram maior notoriedade foram as de criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) em 1938 sob a orientação de Luís Simões Lopes (Mariani e Flaksman. tanto no campo político. O exemplo de São Paulo em 1932. poderiam criar movimentos emancipatórios que colocariam em xeque a unidade nacional.Parte I Capítulo I . e suas configurações espaciais. Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão. contra a tendência fortemente ditatorial que já se cristalizava no primeiro ano de governo “provisório” de Vargas. Como São Paulo e Rio Grande do Sul . 1984) e a do Instituto Nacional de Estatística em 1934/1936. são um bom exemplo de uma dessas múltiplas formas de abordagem do tema (Morais. Por outro lado. o problema da unidade polítco-territorial brasileira no final da República Velha constituía-se em um assunto delicado. sob o ponto de vista das relações entre o esquema jurídico colonial português em relação à apropriação do território. como no militar. 1997). agência embrião do futuro IBGE organizada por Mário Augusto Teixeira de Freitas. embora revestido de uma roupagem constitucionalista. já que as elites de estados fortes. mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos. que a Revolução de 1930∗ estabeleceu um novo marco políticoadministrativo. referenciados ao período do Brasil colonial. que nos foram legadas. Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto. a exemplo de São Paulo.A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro Muitas podem ser as formas de interpretação sobre os processos de criação e desenvolvimento do que poderíamos chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História ( Fausto. ∗ Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores. 1987). os criaram no início dos anos 30. . (Abreu. no entanto. 1991). é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo de Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente.

fosse democraticamente partilhado pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. José Américo de Almeida. Sua atuação foi tão inovadora. centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios.Desses grandes articuladores. Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o Golpe de Estado de outubro de 1930. provavelmente o que combinava maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência de gerenciamento de informações territoriais. geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento.1994). pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto. a . mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro. como no caso do militar Juarez Távora. abrangendo a produção. 1984: 3317) e de Francisco Campos. o Delegado Geral do Recenseamento do Estado de Minas. durante os primeiros anos da década de 30. adquirida ao longo dos anos 20. foi Mário Augusto Teixeira de Freitas. A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo. Pedro Ernesto Batista e João Alberto (Pantoja e Camarinha. 1984). A experiência de Teixeira de Freitas foi adquirida em Minas Gerais. Essas informações englobariam um amplo leque que cobriria características físicas e ambientais. circulação e consumo. titular do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública (Malin e Penchel. ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934. juntamente com José Fernandes Leite de Castro. através de seu modelo de gerenciamento. As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora / Francisco Campos. além de consolidar uma estrutura de eficiência.1974:96-98) explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as idéias mais abrangentes de uma agência estatística nacional sonhada por Teixeira de Freitas. o qual centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um super gerente. em Minas Gerais. criador de um eficiente sistema de gerenciamento de informações que cobria todos os municípios do território mineiro. Juarez Távora em suas memórias (Tavora. Osvaldo Aranha. a infra-estrutura econômico-social e o aparelho de estado em todas as suas instâncias. Ari Parreiras. que em 1930 foi convidado para apresentar. que foi um dos participantes do “Gabinete Negro” que se reunia todas as noites do mês de novembro no Palácio Guanabara para traçar esses destinos. geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas. embora durante o processo de normatização das informações. na 1 Conferência Nacional de Estatística suas 33 teses sob a denominação “Algumas Novas Diretivas Para o Desenvolvimento da Estatística Brasileira” (Freitas. no dia 12 de outubro.

O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se portanto. Sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo. Além disso. Geografia e Cartografia tomaram corpo. que na década de 40 tornaram-se a elite dirigente do IBGE. A principal referencia pode ser . isto é. as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade. Juarez Távora (possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente” junto a Coluna Prestes na década de 20) e Francisco Campos (por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações). Apenas para fins de comparação. caracterizava o que podemos definir como Agência do Poder Central Capilarizada. os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica. a representação dos engenheiros (civis e militares) era. na década seguinte. A segunda metade dos anos 30 foi de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos. Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos. foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época. um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República e com alcance até a instância municipal. numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas e seus maiores incentivadores foram. apesar de não possuírem tal representatividade junto ao poder central. que abrangeria o território nacional em quase todos os aspectos. mas com um aspecto importante: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada num Conselho Superior de Estatística (anexos: documentos de valor histórico para o IBGE). sem dúvida. É importante lembrar que.Foi este projeto de super agência de informações denominado Instituto Nacional de Estatística. neste período. sobretudo em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam coordenar a agência a partir da década de 40. após os trabalhos de apuração do censo de 1940. pois foi nesse período que as noções de integração técnica entre Estatística. iria gerenciar o sistema de planejamento territorial brasileiro. quanto politicamente do novo instituto. Além disso. E foram nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foram escolhidos. juntamente com os bacharéis de direito. um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (com a chegada de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). As 33 teses de Teixeira de Freitas foram as ferramentas utilizadas por este grupo de autoridades para a consecução de um projeto de governo que.

exemplificada na figura de Cristóvão Leite de Castro. após a instituição do Estado Novo. Apesar disso. que a questão da redivisão das unidades federadas retornou com maior vigor na agenda de Teixeira de Freitas. 1935). são possivelmente anteriores a 1930. no sentido espacial do termo. de fato. mostrando que o assunto já havia preocupado as autoridades portuguesas e brasileiras desde o século XVI (Penha. Em 28 de outubro de 1932 (portanto. a fim de que a nova ordem de coisas estabelecidas. 1993:105). Os Planos de Redivisão Territorial e suas Conseqüências Práticas Em paralelo a essas tarefas administrativas. de que um esquema orgânico para as grandes diretrizes e que convenha submeter a restauração dos nossos quadros políticos. editadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Freitas. “O reforço de autoridade de que a nova ordem política investiu o Poder Executivo trouxe possibilidades inéditas ao encaminhamento de alguns problemas fundamentais da organização nacional. além dos dados e do mapa. tomando grande impulso após a instauração do governo provisório de Vargas. cinco anos mais tarde. baseados nos estudos preliminares de João Segadas Viana e modificados por Teixeira de Freitas (anexo documentos históricos). em pleno período da Revolução Constitucionalista de São Paulo) Teixeira de Freitas apresenta no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iria formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia. 1948) apresentado “perante um grupo de brasileiros de elevadas responsabilidades na direção dos negócios públicos”. coloca em discussão seu estudo (Freitas. mas em vão. as preocupações de Teixeira de Freitas com o gerenciamento do território brasileiro. sociais e econômicos. mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia. com grandes poderes discricionários. administrativos. como é possível perceber nos cuidados extremos com o discurso. Suas palavras iniciais mostram que. pronta e enérgica solução. a questão da divisão territorial era uma estratégia de governo que emergia num contexto de Estado Forte. . Em dezembro de 1937. por este seleto grupo de cidadãos. a proposta apresentada aparecia como um balão de ensaio técnico. ∗ Um breve histórico sobre o tema foi desenvolvido por Eli Alves Penha em sua tese. compreendida esta em toda sua latitude. parece oportuno o estudo. Assim sendo. todavia. engenheiro. que vinham reclamando há muito. as garantias definitivas da Defesa Nacional. desde as suas realizações mais fundamentais. suas primeiras teses sobre a redivisão política do Brasil.∗ Foi.

iniciando a tarefa pela questão mais geral e mais fundamental. com seu território somado aos do Espírito Santo. nas palavras de Teixeira de Freitas... um com o Oeste e o Triângulo Mineiro (cujos anseios de autonomia ficariam atendidos) e outros dois marítimos (como também desejam as respectivas populações)”. Mas o plano vai muito mais além. da sua vocação e dos recursos esplêndidos com que a Providência Divina a galardoou. subfederados para formar Estados compósitos – adstritos ao padrão.p.9..8. “cujo espírito de brasilidade pode e deve ser aproveitado para aglutinar o poderoso núcleo central do novo sistema. p. transformando temporariamente Belo Horizonte em Capital Federal.p.. Determinando o futuro da cidade do Rio de Janeiro após perder o status de capital federal. A questão central era a tentativa de equivalência territorial entre as unidades federadas.10. mas com o engrandecimento para todos.10. Mas. para colocar desde logo ante suas vistas. Para isso... era o grande problema da federação... peço permissão aos ilustres compatriotas que me ouvem. elegendo Minas Gerais.Desejaria. o esboço que se me formou no espírito como fruto de um longo meditar sobre o palpitante tema aludido ” Pg. de modo que possam permanecer no Rio”. “ Quando suas Unidades tiverem relativa equivalência de área.10.. pois.. transformando-se em ‘departamentos autônomos’. apresentassem à consideração do Governo o plano preliminar da redivisão territorial do país.. para evitar as disparidades regionais que. a assegurar-lhes equivalência de potencial político. das suas aspirações. venha ele a formar. Mas antes. 2 .. p. que se localizaria quanto possível em ponto de convergência dos limites dos atuais Estados que passassem a associados”. ainda que mui perfunctoriamente. Rio de Janeiro e Distrito Federal. destinada a traduzir-se mais tarde em efetiva ‘equipotência’. Teixeira de Freitas define um padrão de tamanho territorial entre 250 e 350 mil km e propõe a estratégia de associação entre Estados.. como elementos realmente confraternizantes no seio da Federação” . e sem desigualdade.” preparando deste modo a localização futura da metrópole brasileira no Planalto Goiano”. “ mas só devendo ser removidos para lá os órgãos do Governo e os elementos da administração que não puderem ser localizados longe deste.. 5-6.... pois que assim acontece.. neste momento. Definindo a localização da nova capital federal. cada um dos quais com uma capital especialmente construída em um município neutro.. p. três futuros Estados. como urge talvez aproveitar as possibilidades excepcionais que abrem à Nação... “sem diminuição para nenhum. que os concidadãos aqui reunidos por um generoso pensamento se dispusessem a colaborar no preparo de um escorço geral daquelas diretrizes e . sem prejudicar-lhe o equilíbrio.. a sintonia espiritual e a solidariedade estreita das suas forças vivas em torno do ideal generoso de erguimento de uma Pátria combalida ao nível exato da sua capacidade de vencer.

envolviam. Como se pode perceber. receita. A outra foi a institucionalização da macro regionalização do país. Uma foi a Lei Geográfica do Estado Novo ou Decreto-Lei 311. de certa forma. o . como no caso de João Segadas Viana.. mais prósperos e mais favorecidos pelo Governo Nacional. O que distinguia era o tom menos conciliador. 1940). o IBGE passou a controlar a conformação espacial das malhas municipais e distritais por meio de critérios técnicos que envolviam extensão territorial. foram implementadas.” receba a vantajosa investidura de Capital de uns dos Estados mais ricos. Com a Lei Geográfica. já que houve enorme articulação no núcleo do novo governo antes e depois de suas apresentações de 1932 e de 1937. como Alemanha. através da Resolução n 72 de 14/07/1941 da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia. uma estratégia desta proporção não foi apenas um trabalho acadêmico organizado por um só indivíduo. população.p. que dispunha sobre a delimitação das malhas municipais e distritais e definia regras específicas sobre o mapeamento e a racionalização da toponímia (não poderia haver municípios homônimos). Suas propostas de solução. França e Estados Unidos. No caso da Lei Geográfica. Segadas Viana já havia colaborado com Teixeira de Freitas na organização do mapa que foi apresentado na exposição de 1937. um major do Exército que também expôs uma proposta de divisão territorial na Revista Brasileira de Geografia (Viana. Se por um lado. com a divisão departamental conveniente. A Constituição de 1937 (redigida por Francisco Campos). no início dos anos 40. porém. Outras ações de cunho geográfico. na questão espacial o quadro territorial brasileiro foi preservado.10. além de assegurar a unicidade da toponímia através de um processo de verificação de homônimos. a necessidade de bases cartográficas confiáveis para a campanha censitária de 1940 induziu os técnicos do IBGE a promover estudos visando à uniformização das circunscrições territoriais dos municípios e seus distritos. espacial e politicamente (São Paulo e Rio Grande do Sul que já haviam tentado movimentos emancipatórios) e prêmios para Estados que absorvessem bem as modificações espaciais na malha territorial. em termos técnicos não diferiam muito das de Teixeira de Freitas. pelo Estado do Rio (mantida sua autonomia como um dos departamentos). portanto. por outro. mais populosos. acomodou a questão. que adotou os resultados dos estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães e sua equipe. Além disso outros autores mais adiante também deram contribuições ao tema. o sul e a Zona da Mata de Minas Gerais”. formado. Suas proposições. de 02/03/1938. que tal seria o Estado da Mantiqueira. entretanto. sob o aspecto político ela reduziu drasticamente a autonomia dos Estados. Punições para os Estados mais poderosos. um perigoso conjunto de punições e prêmios. Sua visão do problema passa por analises comparativas de outros países que também enfrentaram a questão da divisão territorial..

Para garantir um alcance nacional ao evento. tal como foi estabelecida pelo CNG. para garantir uma uniformização de procedimentos nos estudos geográficos e no processo de coleta estatística. No que concerne ao processo de regionalização. com o apoio técnico do IBGE. consentâneas com a caracterização fisionômica do conjunto do Território Nacional. saudou todos os envolvidos por via radiofônica especial utilizando o sistema da Hora do Brasil (atual Voz do Brasil) coordenado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). elevando-se para 5.. mas que em 1997 já atingia a cifra de 483 municípios. Tais processos perduraram até a Constituição de 1988 que. por conta de uma nova noção de autonomia.841 distritos. se generalizou no país obedecendo às determinações do Presidente Vargas a fim de atender à administração pública. Com isso. por ocasião das Exposições Regionais dos Mapas Municipais. “A divisão regional do Brasil ficou. constituída sucessivamente em Grandes Regiões (Norte. Esta divisão regional. Esses dois processos objetivavam uma base cartográfica confiável para a Campanha Censitária de 1940 e foram solenemente apresentados ao Presidente Getúlio Vargas. o número de municípios saltou de 3.974 em 1980 para 4. Exatamente como nos dois primeiros séculos da fase colonial. Presidente do IBGE. decidiu liberar para os respectivos legislativos estaduais e municipais essas ações que envolvem emancipações municipais e distritais. com alterações nas malhas. Nordeste.. sua principal finalidade no início dos anos 40 era de homogeneizar territórios de características fisiográficas semelhantes. que após a Lei Geográfica eram inexistentes. quando o governo central procurou ajustar a divisão territorial dentro de . Nas palavras de Eli Alves Penha. o Embaixador José Carlos de Macedo Soares. por fim. Uma restrição fundamental foi definida: não era possível desmembrar uma unidade da federação num processo de regionalização.Entre os primeiros resultados das Campanhas Geográficas realizadas durante a segunda metade dos anos 30.491 em 1990. confeccionaram por força do artigo 13 da Lei Geográfica. segundo o critério geográfico pelo qual se agrupariam municípios que apresentassem características naturais e humanas afins. Zonas (aproximadamente 160). Sub-regiões (66). descrevendo sistematicamente todos os acidentes naturais que referenciavam esses linha divisórias e o esforço de cartografação dos mapas dos territórios municipais. Regiões Fisiográficas (em número de 31).505 em 1997 e perdeu-se o controle sobre os homônimos. obtidas em segunda aproximação pela consideração das características fisionômicas (naturais e humanas) dos municípios brasileiros. que as prefeituras. Centro-Oeste e Sul). os dois mais importantes foram a determinação dos limites dos 1. Foi atribuído aos órgãos regionais de Geografia e Estatística empreenderem os estudos sobre a divisão regional dos respectivos Estados. Leste. no dia 24 de março de 1940 em Curitiba.574 municípios e 4. sob pena de cassação da autonomia municipal.

um quadro optimum de administração.determinado. é a principal área de atuação do Departamento de Geografia do IBGE. Procedimentos fundamentais num órgão de Geografia de governo e que. quanto a de subsidiar o processo de planejamento. o processo de regionalização assumiu tanto a função de servir de base para divulgação de dados estatísticos. classificando áreas homogêneas ou determinando pólos geradores de atividades ou de receitas conforme o objetivo pré. . ainda hoje. Nos períodos posteriores. deixando que as unidades constituíssem seus limites “espontaneamente” (Penha. 1993: 108) .

revelou-se ao longo do ano de 1934. no sentido de organizar um instituto de estatística em escala nacional estavam paralelamente tomando Congresso Internacional de . que as anteriores articulações dos ministros Juarez Távora e Francisco Campos com Mário Augusto Teixeira de Freitas. Geodésia e Cartografia no IBGE Geografia O primeiro contato oficial entre o que se convencionaria chamar de Geografia Brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI) aconteceu em 1931. Percebendo ali um excelente ponto de iniciação de um órgão governamental que poderia. Foi. na área da pesquisa de Geografia Física. durante o Geografia realizado em Paris. enviado pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Geografia. O memorial de 29/12/1934 apresentado pela Academia Brasileira de Ciências ao então Ministro da Agricultura Odilon Braga. no futuro.A Estruturação das Áreas de Geografia. tornar-se uma instituição responsável pela Geografia brasileira. Nosso delegado. Esta percepção por parte dessas instituições estava vinculada ao entendimento de que o planejamento territorial (cartografação e normatização das divisões territoriais entre Estados e Municípios) seria uma das principais atribuições de um órgão nacional de Geografia. foi o Prof. que necessariamente teria de pertencer ao governo central.Parte I Capítulo II . iniciadas em 1931 e ampliadas em 1933. culminou com a visita do Geógrafo francês em 1933. Esta visita objetivou dois campos: o primeiro. diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso e Secretário Geral da UGI. de caráter político-cultural. O segundo. naturalista especializado em Fitogeografia. onde De Martonne percebeu o enorme potencial de trabalho em Geografia Tropical que o Brasil apresentava. Sua atuação brilhante no Congresso foi muito apreciada por Emmanuel De Martonne. ao encorajar as principais associações culturais da área (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. O resultado de suas articulações com De Martonne. A criação de um comitê instituído por essas instituições. neste contexto. A Alberto José de Sampaio. uma tarefa muito além da capacidade administrativa e financeira desse grupo. pesquisador do Museu Nacional e autor de várias obras sobre a vegetação brasileira. indica que os serviços estatísticos e geográficos desenvolvidos no ministério (Diretoria de Estatística da Produção) encaixam-se perfeitamente nas atividades da nova ciência geográfica. Sociedade Brasileira de Geografia e Academia Brasileira de Ciências) a juntarem esforços na adesão do Brasil à UGI.

Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Catedráticos de Geologia). Museu Nacional. Instituto de Educação (Catedráticos de História e Geografia). Serviço Geográfico do Exército. Arquivo Nacional. do que a agregação dos serviços geográficos/cartográficos ao novo instituto que teria ramificações espaciais até a escala municipal. Universidade do Distrito Federal (Catedráticos de Geologia. apesar de indireta. com a Universidade do Distrito Federal (UDF). com a estruturação da Universidade de São Paulo (USP). Colégio Pedro II (Catedráticos de Geografia). é importante. gerou as condições de criação de um órgão oficial de Geografia. Estado Maior da Armada.609 de 06/07/1934 que defina a criação do Instituto Nacional de Estatística. possuíam vínculos com a Geografia. Clube de Engenharia. A vinculação de Capanema. Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. gerou uma massa crítica para a criação do Conselho Nacional de Geografia. Foi a partir do curso organizado por Deffontaines. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Este ciclo de reuniões contou com as presenças de representantes das mais importantes instituições. seria necessário formar profissionais especializados através de cursos superiores de Geografia. Fernando de Azevedo em São Paulo. Serviço Geológico e Mineralógico. Tal tarefa somente viria a tornar-se realidade. pois foi em seu mandato que as decisões de se estruturar um curso superior de Geografia iriam se concretizar. Nada mais conveniente portanto. Essa relação entre a necessidade de planejamento territorial para as tarefas da Estatística e a ampliação da Geografia acadêmica desenvolvida na Universidade. Paleogeografia e Cartografia). processo longo e complexo que somente torna-se realidade em 29 de maio de 1936 com sua instalação solene no Palácio do Catete. Serviço de Limites do Itamarati. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Observatório Nacional. primeiramente na UDF e posteriormente na Universidade do Brasil (UB) que criou-se o primeiro grupo de profissionais de Geografia.forma através do decreto 24. foram os iniciadores desses cursos. Estado Maior do Exército. Personalidades como Anísio Teixeira no Distrito Federal. que tiveram como professores estruturadores. Geodésia e Cartografia. Diretoria de Navegação da Armada. após cinco reuniões técnicas realizadas no Itamarati sob a tutela do Ministro das Relações Exteriores. que viria inicialmente a ser cogitado. com a participação do governo federal a partir de 1935. para que isto acontecesse. que em conjunto com engenheiros de diferentes especialidades. que direta ou indiretamente. Pierre Deffontaines e Pierre Mombeig respectivamente. Mas. . tendo como Ministro da Educação Gustavo Capanema. José Carlos de Macedo Soares no final do ano de 1936.

estavam também os estudos sobre determinação de áreas urbanas e rurais. Neste contexto. O segundo seria contar com um mapeamento em escala de detalhe de todos os municípios brasileiros para estruturar os trabalhos de campo do futuro censo de 1940 e contar com informações cartográficas que dessem suporte aos trabalhos de mapeamento da carta do Brasil ao milionésimo. definindo os parâmetros mínimos em termo de área e de tamanho populacional. Essa instrução foi referendada pela Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística no dia 16/06/1937 através da Resolução n. agora sob a tutela do Instituto Nacional de Geografia e Estatística. enviando uma cópia para o IBGE. envolveu praticamente todo o efetivo do IBGE no auxílio técnico aos municípios e a tarefa foi totalmente cumprida em março de 1940. O primeiro grande trabalho do CNG inicia-se em 1938 com o Decreto-Lei 311 que ficou conhecido como a Lei Geográfica do Estado Novo. evitando unidades sem as mínimas condições de . Os municípios deveriam apresentar seus mapas municipais até o final do ano de 1939.Ministério da Viação (Chefia de Gabinete) e Ministério da Agricultura (Diretoria de Estatística Territorial). Em 24 /03/1937 foi baixado o decreto 1. para dar garantias ao princípio da “autonomia municipalista” . com uma exposição dos mapas. A entrega solene foi realizada em Curitiba. que contou com a presença de Getúlio Vargas. Isto é. em tempo de contar-se com esses mapas nas operações censitárias de 1940. O processo de cumprimento da Lei Geográfica durante os anos de 1938 e 1939. que o utilizaria no planejamento de organização dos setores censitários.527 que instituía o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG) incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e autorizando sua adesão à União Geográfica Internacional. No dia 01/07/1937 o CBG foi solenemente instalado no salão de conferências do Itamarati e iniciado os trabalhos de sua Assembléia Geral. evitar sustentabilidade. Em 26/01/1938 o decreto 218 finalmente define a autonomia dos dois conselhos de Estatística e Geografia. Objetivava redefinir a estrutura de limites dos distritos e municípios para dar conta de dois problemas: O primeiro seria organizar espacialmente as malhas distrital e municipal. 15. o fracionamento excessivo dos municípios.

1: 50 000. estabeleceu as ações de normatização da área de Geodésia do IBGE para suprir o mapeamento do Recenseamento Geral de 1940. foi estabelecido pelo mareágrafo de Imbituba. realizado e organizado pela área de Cartografia. que além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. chefe do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica. Os trabalhos das equipes de Geodésia estão divididos em três grandes conjuntos de medições: a planimetria.Geodésia O decreto 327 de 02/02/1938. a altimetria e a gravimetria. os teodolitos e os taqueômetros que medem distâncias e ângulos. no litoral de Santa Catarina em 1945 e em 1946 foi estabelecida a conexão com o mareágrafo de Torres no Rio Grande do Sul para o estabelecimento do Nível Médio (GPS) e são controlados por equipamentos de 1: 100 000. do Mar. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. A Altimetria A altimetria estabelece as medições de altitude do relevo terrestre e relação a um plano de referência determinado pelo nível do mar. em 1939 foram iniciados os trabalhos de levantamento das coordenadas geográficas das cidades brasileiras. Por sua vez. É através dela que se estabelece o sistema de coordenadas geográficas (latitude e longitude). que geram as linhas de limites entre áreas (Distritos. Os levantamentos planimétricos. Sob a responsabilidade do engenheiro Allyrio Hugueney de Mattos. Atualmente as medições planimétricas são estabelecidas por um sistema de satélites artificiais chamado Sistema de Posicionamento Global recepção de GPS de alta precisão. Municípios. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do . Esse levantamento era feito por terra e levavam-se anos para cobrir as grandes extensões do território brasileiro. a determinação do nível médio do mar é definido por instrumentos de medição maregráficos situados em estações localizadas no litoral. altimétrica e gravimétrica. prosseguindo com a estruturação das redes planimétrica. Formando uma grande rede de polígonos que serviam de base para o cálculo de áreas. IBGE. e 1: 25 000. eram inicialmente medidos através equipamentos de curto alcance visual. 1: 250 000. Estados e Países). A Planimetria A planimetria que estabelece as medições das superfícies planas do território. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . O primeiro plano de referência (datum) oficial do nível do mar brasileiro.

isto é em alguns lugares da Terra. Em caso de litígios entre essas unidades.Definido o nível de referência. passou na década de 80. iniciaram-se. a força da gravidade é maior do que em outros. a contar com o suporte da informática na configuração dos cálculos de nivelamento do território brasileiro. que normalmente são arbitrados pelo poder judiciário. É também o IBGE. Sua crosta não se apresenta homogênea em termos de prospecção da gravidade. dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. Cartografia A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. Um outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. quando o IBGE estabeleceu uma rede de mais de 18 000 estações gravimétricas em todo o território. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. Sendo o planeta Terra um geóide dotado de uma camada líquida superficial de grandes dimensões (oceanos) e de uma composição plástica interna (magma) composta por uma mistura de minerais em estado de fusão. além de auxiliar no estudo das configurações das estruturas geológicas (camadas internas da Terra) e da Geofísica (prospecção mineral). Os estudos de gravimetria passaram a ter um caráter sistemático na década de 90. A Gravimetria As medições gravimétricas são fundamentais para que se estabeleça com precisão as medições geodésicas (forma e dimensões do geóide Terra). tanto na escala municipal. quanto na estadual. juntamente com as demais forças armadas. É também atribuição da área dar apoio técnico às operações . Essas atividades servem de base para que o sistema cartográfico brasileiro possa gerar mapas de grande precisão para vários objetivos. seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. negociações que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou que podem alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. os trabalhos de determinação de nivelamento da Rede Altimétrica do Brasil. quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. após 35 anos de ajustamento manual das observações de altidude. Essas anomalias alteram as medições de altitude e exigem um monitoramento especializado através da rede GPS. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. levando em consideração as negociações entre as partes. em 1945. que.

que estabelecem a produção de bases digitalizadas visando ao georeferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. tanto na Universidade. ferrovias. que são atualmente usados em organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados ( que vão de informações alfa. o Geógrafo. componentes da infra-estrutura (estradas. vegetação). unidades federadas). distritos. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. municípios. hidrografia. . que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede internet).de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos.numéricas simples à complexas imagens e sons em tempo real. O capítulo III tratará da estruturação da memória coletiva desse novo profissional que começou a ser formado sistematicamente no final dos anos 30. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuíssem pessoal qualificado para a confecção dos mapas. quanto na arena de trabalho do IBGE. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento.

além do próprio Orlando). mas Aluísio veio a falecer em meados dos anos 90. posteriormente. Ambos aposentaram-se no final dos anos 80. também. Participando.Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE O processo de constituição integral da memória dos profissionais que trabalharam na área de Geografia do IBGE nesses sessenta anos é uma tarefa que ultrapassa em muito os limites desta pesquisa. derivada de uma seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. Aluísio Capdeville Duarte e Gelson Rangel Lima. fruto de seus trabalhos de campo pelo IBGE e de excursões com seus alunos da UFF. Os Personagens Iniciais Cristóvão Leite de Castro Engenheiro formado em 1928 e depois geógrafo. junto ao grupo do Projeto Memória do IBGE na organização dos roteiros de entrevistas dos seus colegas. Ele foi iniciado em 1990 pelo grupo de técnicos que organizou o setor de Memória Institucional do IBGE através de gravações de depoimentos de alguns profissionais que tiveram importância na construção da profissão no órgão. geógrafos que ingressaram no IBGE na década de 50. o primeiro geógrafo contratado pelo CNG em 1938 para secretariar as reuniões iniciais do Conselho. Gelson atuou no setor de Geomorfologia e especializou-se na classificação de solos.0 para ficarem registrados em meio magnético.Parte I Capítulo III . Aluísio foi um especialista em regionalização e em estudos de urbanização. constituído majoritariamente por engenheiros e. grande preocupação com a história e memória da instituição. por alguns geógrafos treinados por Pierre Deffontaines na primeira turma de Geografia da Universidade do Distrito Federal (Cristóvão Leite de Castro. Jorge Zharur. Fábio de Macedo Soares Guimarães. Esses depoimentos foram transcritos inicialmente em datilografia e atualmente foram redigitados em Word 6. era também um grande colecionador de fotos sobre as paisagens brasileiras. e possuía também. onde trabalhavam os técnicos que formaram o CNG entre os anos de 1936 e 1938. criador da estrutura administrativa do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Outras Instituições que Organizam a Memória Geográfica Brasileira . Além de alguns profissionais de Estatística e de Cartografia. Orlando Valverde.0/95 e Word 7. quatro funcionários ligados à Geografia foram entrevistados.

Elza Keller. quanto em grupo. também conduziram a política e a administração da área de Geografia através das chefias. José César de Magalhães. O terceiro. Marília Veloso Galvão. através da Revista Geosul e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através da revista GeoUerj. Edgar Kulhman. a construção do conjunto de depoimentos orais que está compondo a memória dos geógrafos do IBGE para este trabalho. Solange Tietzmann Silva. Os Depoentes da Pesquisa No âmbito da presente pesquisa. Alceu Magnanini. dividiu-se em quatro grupos: os que. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. e os chefes do Departamento de Geografia de 1967 até hoje (Orlando Valverde. já aposentado do IBGE. O segundo grupo constituiu-se de alguns técnicos que produziram trabalhos geográficos. Olga Buarque de Lima. Tereza Cony Aguiar). . além de produzirem textos técnicos e mapas. em função da absorção do Projeto Radam Brasil pelo IBGE em 1985. Luis Cavalcanti Bahiana. Pedro Geiger. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso.Duas outras instituições que se ocupam da memória dos geógrafos e que documentaram depoimentos de profissionais do IBGE foram o Departamento de Geografia da Universidade de Santa Catarina. Fany Davidovich. preferencialmente os que assumiram chefias de Divisão mais recentes ou coordenaram projetos de grande porte na área de Geografia do IBGE (Alfredo Porto Domingues. tanto individualmente. lecionava nesta universidade por ocasião de seu falecimento. Cesar Ajara e Maria Luiza Gomes Castelo Branco). O professor Faissol. trabalhou em importantes projetos na década de 80). Miguel Angelo Campos Ribeiro). neste grupo foi incluído também o cartógrafo Rodolfo Pinto Barbosa por ter chefiado a área de Atlas na Cartografia e depois no Departamento de Geografia . composto por geógrafos técnicos que exerceram chefias de setores específicos ou que produziram trabalhos relevantes para Geografia do IBGE (Ruth Magnanini. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e Teresa Cardoso da Silva (Geomorfóloga baiana que. estão incluídos alguns dos antigos chefes da Divisão de Geografia. A revista da UERJ transcreveu o depoimento de Speridião Faissol em seu primeiro número. A publicação catarinense colheu os depoimentos de Orlando Valverde.

Speridião Faissol. principalmente ao abrir o seu imenso arquivo de documentos e fotos de sua vida profissional. Além disso. a questão saúde/doença também permeia esse grupo. apesar de haver dado seu depoimento anteriormente. uma historiadora especializada em História Oral. como presidentes do órgão (Eurico Neves Borba. que ocuparam cargos na alta direção do IBGE. As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE. Isso. O episódio do falecimento de Speridião Faissol em março de 1997 foi um desses duros golpes. Usando-se o critério de idade. considerado por várias razões o decano dos geógrafos do órgão. continua produtivo e disposto a orientar e esclarecer aos mais jovens. O quinto e último foi composto por profissionais. . idade/saúde. e que infelizmente ocorreram. Por outro lado. Mauro Pereira de Melo. nos anos de 1998/1999. sem falar no seu entusiasmo pelas causas ambientais da Amazônia que sempre foram o principal foco de sua militância na Campanha Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) desde 1965. Edson de Oliveira Nunes e Charles Muller) e diretores e superintendentes das áreas em que a Geografia foi parte integrante (Miguel Alves de Lima. os pioneiros já estão na faixa dos 70/80. que levantou a documentação sobre as memórias profissionais e familiares de Pierre Deffontaines. Maria do Socorro Diniz e Milton Santos).O quarto grupo foi composto por geógrafos que tiveram alguma relação profissional com o IBGE no início de suas carreiras ou que foram influenciados pelos cursos de aperfeiçoamento que o órgão ministrava (Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. foi muito gratificante ter podido entrevistar Alfredo José Porto Domingues e Miguel Alves de Lima. recém restabelecidos e que puderam contar com muitos detalhes suas respectivas trajetórias profissionais. Os depoimentos de alguns presidentes e diretores da área de Geociências foram objeto de tratamento específico no capítulo II da parte IV deste trabalho. além dos acidentes que podem ocorrer ao longo desses 60 anos. geógrafos ou não. A Estruturação Inicial do Processo de Depoimentos Orais A primeira preocupação foi com a idade de uma boa parte dos depoentes. o primeiro depoimento foi feito com Orlando Valverde. pois ao se trabalhar com os profissionais de um órgão criado em meados dos anos 30. que se confundem com boa parte da história da Geografia ibegeana. Houve também um depoimento especial da professora Marieta de Moraes. Nascido em 1917 e contratado pelo Conselho Nacional de Geografia em 1938. Sérgio Bruni e Trento Natali Filho). como no caso do acidente fatal que nos impediu da convivência intelectual de Nilo e Lysia Bernardes em 1991.

juntamente com a dinâmica de pesquisas e apresentações dos congressos da Associação dos Geógrafos Brasileiros que ocorreram até os anos 60. nas quais o DEGEO foi um importante ator. um referencial indiscutível na formação das carreiras da maioria dos grandes profissionais de outros estados. O primeiro conjunto de questões que orientou os depoimentos dos geógrafos pioneiros vinculou-se a seis grupos de indagações que cobriam: A) Questões planejamento: referentes ao papel desempenhado pela Geografia como ferramenta de 1. entre o final dos anos 40 até o início dos anos 70. O depoimento de Milton Santos foi colhido para exemplificar a importância dos cursos de aperfeiçoamento do IBGE que se tornaram.quais foram os melhores conjuntos de metodologias que realmente auxiliaram no reconhecimento da importância da Geografia no planejamento? .quais foram os períodos de maior influência da Geografia no sistema de planejamento federal? 3. foi elaborado um roteiro que abarcasse o máximo de informações sobre as práticas profissionais que ocorreram ao longo de suas carreiras. entre o final dos anos 60 e início dos anos 70. que orientou positivamente a qualidade dos trabalhos geográficos no Brasil. Alceu Magnanini. Período de grandes mudanças metodológicas nas pesquisas geográficas. O depoimento de Maria do Socorro Diniz representou a experiência de trabalho de uma estagiária no Departamento de Geografia do IBGE (DEGEO). Os Roteiros de Orientação dos Depoimentos Por conta da ênfase do projeto estar direcionada para os profissionais que forjaram a Geografia do IBGE e considerando que este grupo foi majoritariamente formado pelos profissionais que ingressaram no órgão nos primeiros 15 anos de sua existência. Edgar Kulhman.No grupo dos pioneiros. Rodolfo Pinto Barbosa. Carlos Augusto Figueredo Monteiro e Fany Davidovich que ingressaram no IBGE no início dos anos 40. que iniciaram suas carreiras no final dos anos 30. Elza Keller. Alfredo José Porto Domingues. garantiram um importante espaço de aperfeiçoamento profissional. além de Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. Marilia Veloso Galvão.qual a real importância da Geografia como instrumento de planejamento de governo? 2. Esses cursos. Speridião Faissol. Pedro Pinchas Geiger. além de estruturar um fórum de avaliação entrepares.

qual foi o mecanismo de ingresso no IBGE? E) Questões que vinculam as relações internas e externas que ocorreram entre os Geógrafos do IBGE.como foram as relações da Geografia com a Cartografia e com a Estatística no decorrer do período? C) Questões referentes a convivência entre a Geografia do IBGE e as outras Geografias: 1. ao longo do tempo.a escolha da especialidade principal se deu em que contexto? E sob a orientação profissional de quem? 3. dos mecanismos formadores de uma categoria especializada de profissionais que trabalham com Geografia voltada para o planejamento: 1.como foram os relacionamentos entre a Geografia do IBGE e a ABG nos diversos períodos analisados? 3-qual foi a importância do IBGE na reciclagem de conhecimentos geográficos do corpo docente de ensino médio? D) Questões que tentam dar conta. no sentido intelectual do termo.quem foram os principais incentivadores da carreira? 2. no contexto da missão institucional do IBGE? 2.4. 1.como o ensino superior garantiu ou não as pré-condições para a decisão de tornar-se um geógrafo do IBGE? 3.qual tem sido o relacionamento entre o IBGE e a Universidade no campo geográfico? Quem influenciou quem? Em que? E em que período? 2. principalmente no que se refere a crescimento profissional.como funcionaram as estruturas de lobby da Geografia junto aos poderes de República? E em que ocasiões isso ocorreu? B) Questões que tentam explicar internamente o papel da letra G na sigla IBGE: 1. ao longo desses 60 anos.o processo de interdisciplinaridade que obrigatoriamente ocorre em estruturas de planejamento do governo foi positivo ou negativo para Geografia do IBGE? F) Questões referentes ao futuro incerto da Geografia no IBGE em função da aceleração da crise do funcionalismo público somada ao declínio da formação profissional em nível de bacharelado: .como a Geografia se posicionou.como foi “absorvida” pelo Geógrafo a experiência de aprendizado ocorrida no ensino médio? 2.

É importante também ressaltar que nos períodos mais recentes.Conseguiria a Geografia um espaço próprio ou teria de associar-se com outras disciplinas? Os demais depoimentos foram direcionados para certas atividades e/ou períodos considerados relevantes e seguiram um roteiro básico que iniciava com uma apresentação da carreira. independente do período de ingresso no órgão. Ë bom frisar que a influência em termos de memória. As questões referentes aos aspectos operacionais da carreira também eram costuradas aos cursos de aperfeiçoamento e aos projetos iniciais. a influência de Pierre Deffontaines nos primeiros pioneiros da segunda metade dos anos 30 . geralmente entremeada com aspectos de sua formação educacional. no entanto deixaram boas obras e bons discípulos (Orlando Valverde.1. Os Referenciais Mais Importantes ao Longo do Tempo Um dos principais aspectos da estruturação da memória dos profissionais da Geografia no IBGE é. seja igualmente reverenciada por especialistas de diferentes áreas da Geografia que vivenciaram esses períodos. . além de orientar e garantir cursos no Canadá para alguns de seus discípulos como Alceu Magnanini. Neste ponto foi possível verificar a influência de certos “líderes de grupos de afinidade” conforme a acepção de Berdoulay (1981). Assim como Pierre Dansereau.Onde poderia ficar a Geografia no governo federal fora do IBGE? 2. vai muito além da simples orientação relacionada com a especialidade desses profissionais. onde as relações de orientação estruturadas entre orientadores e orientandos eram mais ou menos explicitadas. Dora Amarante Romariz e Edgar Kuhlmman. Outro ponto importante foi a verificação de certas afinidades entre especialistas que. essa memória tende a turvar-se em virtude do aparecimento de novas metodologias ou conjuntos de técnicas que reordenaram as atividades geográficas no IBGE. diferentemente de Ruellan ou Rochefort. a de Francis Ruellan para os que ingressaram na décadas de 40 e 50s e de Michel Rochefort para os que ingressaram nos anos 60. biogeógrafo canadense que deixou excelentes trabalhos didáticos para a disseminação de sua especialidade. que na área de colonização trabalharam com grupos restritos. A especialização de Geomorfologia de Ruellan e a de Geografia Urbana de Rochefort não impediram que seus ensinamentos ou que a mística que envolveu esses ensinamentos. não criaram grandes grupos. É possível perceber uma substituição de nomes por técnicas. Walter Egler e Speridião Faissol são os melhores exemplos). além de confirmar-se a importante influência da Geografia francesa em praticamente todos os profissionais entrevistados. sem sombra de dúvida. como foi o caso de Leo Waibel e Preston James.

Idrisi. Map Info. são geralmente tratadas pelos nomes dos softwares. o que ficou gravado na memória da maioria dos geógrafos quantitativos. responsável pela divulgação de pesquisas de Geografia de redes urbanas utilizando métodos . sistemas de informações geográficas e ao tratamento de imagens. referenciadas ao geoprocessamento. Atlas Gis. Arc View e Arc Info. O acesso se dá. foi a Geografia Quantitativa e não o pesquisador inglês / americano. que rodam em plataformas Macintosh.Embora o nome de Brian Berry seja lembrado eventualmente. mapeamento automatizado. Após um entendimento geral do quem é quem na Geografia ibegeana. criaram-se boas relações profissionais com Hervé Thérry e o casal Philippe Waniez e Violette Brustlein. por meio de literatura e de tutoriais em multimídia ou pela rede Internet. mas para a maioria dos novos geógrafos as principais referências estarão vinculadas aos softwares Cabral 1500 (mapeamento) e Samba (banco de dados dos censos do IBGE). passaremos a enfocar o contexto histórico que orientou o pensamento geográfico brasileiro no século XX. No caso do convênio entre o IBGE e a Maison de Geographie de Montpelier durante os anos 90. As tecnologias mais atuais. Adobe Photoshop ou softwares da Intergraph. ou pelas empresas que os criaram.

por ocasião das comemorações do cinqüentenário da Revista Brasileira de Geografia – RBG. Nas abordagens do clima. em 1935 e da estruturação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. além da criação dos primeiros cursos de graduação em Geografia. onde a floresta também volta a se relacionar com as atividades humanas via extrativismo e preparação da base edáfica para agricultura. Mas. vamos colocalos em ordem de publicação na revista. da hidrografia e do litoral o processo é semelhante. o . no caso da montanha. O detalhamento retorna com a vegetação. é feita uma costura entre os elementos de forma e função: a montanha barreira e os caminhos de acesso. a montanha e a indústria. mas com uma interessante característica. uma edição fac-similar contendo cinco artigos considerados clássicos. na Universidade de São Paulo.A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro no Século XX Através de Algumas Leituras Evocativas Em 1988. o Conselho Editorial daquela publicação organizou um número especial composto por dois tomos. Talvez por razões de editoração. / mar. Seguem-se descrições sobre os elementos constitutivos do quadro natural. Boa parte do arcabouço técnico do futuro Conselho Brasileiro de Geografia foi obra sua. a ordem cronológica desses artigos não foi observada. Primeiramente uma introdução geral sobre as grandes espaços abrangidos pelo país e as necessárias comparações com outros países. Geografia Humana do Brasil de autoria de Pierre Deffontaines publicado no primeiro número da revista (ano 1 n 1 de jan.Parte II . que foi montada sob sua supervisão. a montanha pastoril e a pecuária. incluindo aí a criação da RBG. Pierre Deffontaines (1894-1978) foi o primeiro professor vindo da França em 1934 e estabelecido no Rio de Janeiro a partir de 1935. a montanha mineira e atividade econômica das jazidas. em função de um convênio entre França e Brasil para criar estruturas de ensino e pesquisa para a Geografia. O primeiro. para fins de entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil a partir dos anos 30. a montanha e o veraneio. porém não tão detalhado. em 1934 e do Distrito Federal. a montanha e a horticultura. de 1939) é um típico artigo de Geografia Humana que a escola francesa produzia para este tipo de escala.

. O resultado desse trabalho foi a homologação pelo governo federal em 1941 de uma regionalização oficial em cinco regiões: norte. Observa-se claramente uma forte influência da escola francesa dos Annales de Géographie através das citações bibliográficas de Vidal de La Blache. Jean Brunhes. todas perfeitamente em sintonia com as idéias desses mestres. Lucien Gallois e Pierre Deffontaines. Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) sempre foi considerado um profissional que. Foi aluno de Pierre Deffontaines (1894-1978) na primeira turma da Universidade do Distrito Federal e trabalhou com ele na formação do primeiro núcleo de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia entre 1935 a 1938. Lucien Febvre. Foi nesse período que estruturou suas pesquisas sobre regionalização que resultaram nesse trabalho. 34). 18). Uma nota da redação da Revista esclarece que. adotada no mesmo ano pelo Governo Federal. / dez. O artigo lança as bases para a primeira regionalização oficial do país. apoiada em critérios econômicos.. Emmanuel De Martonne publicou nos Annales de Géographie dois artigos sobre “Os problemas morfológicos do Brasil tropical atlântico”. leste. nordeste. ‘Em 1940. quanto econômicos. possivelmente por sua formação anterior de engenheiro. baseada nas regiões naturais e a do Conselho Técnico de Economia e Finanças. Para um entendimento mais abrangente sobre as relações entre a Geografia e a História na França. de 1943. possuía o binômio de conhecimento e liderança. Anne Buttimer (1980) e Vincent Berdoulay (1981) é de grande valia. Segue-se uma explanação sobre o método de definição de região natural que serviria de base para a posterior regionalização chamada por Fábio de uma única divisão regional prática (pg.Divisão Regional do Brasil de autoria do único brasileiro do grupo Fábio de Macedo Soares Guimarães publicado no ano 3 no 2 de abr. no início dos trabalhos do CBG. uma consulta aos livros de Peter Burke (1991). publicado no ano 5 n 4 de out. Outro ponto de convergência pode ser também percebido nas cinco conclusões gerais sobre o conceito de região natural (pg. Primeiramente foi feita uma defesa do conceito de divisão única. o mais influente geógrafo francês das décadas de 30 e 40 e Secretário Geral da União Geográfica Internacional (UGI) em meados dos anos 30. de 1941. Camille Vallaux. o Prof. que englobasse tanto os aspectos físicos. sul e centro oeste que perdurou até o final dos anos 60. Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico de autoria de Emmanuel De Martonne (1873 1955 ). Em conseqüência dos acontecimentos de maio – junho de 1940 (invasão da França pelas o . A parte final do artigo é dedicada a análise das nove divisões regionais propostas por outros autores e suas conclusões apontam para uma solução de compromisso entre a de Delgado de Carvalho. / jun.

Faz um contraponto entre a estrutura geológica da área e os diferentes processos formadores do relevo falhado da Serra do Mar. / jun. O artigo é um dos mais completos e detalhados trabalhos sobre os processos geomorfológicos formadores da Serra do Mar e das planícies litorâneas que cercam a região da baía de Guanabara. O Professor De Martonne atendeu a esse pedido e fez a doação de seus direitos autorais como agradecimento pela acolhida que teve por ocasião de suas missões no Brasil’. assim como sua permissão para traduzi-los e publicá-los. que rastrearam alguns processos de colonização no Brasil. A Evolução Geomorfológica da Baía de Guanabara e das Regiões Vizinhas de autoria de Francis Ruellan . de 1949. levados a efeito por grupos de origem italiana e alemã. foi solicitada ao Professor De Martonne a remessa de um exemplar de cada um deles. Princípios da Colonização Européia no Sul do Brasil de autoria de Leo Waibel. com ênfase na formação dos alinhamentos serranos que ocorrem neste espaço. O interesse desses artigos era tal que. é quase certo que a vinda de Pierre Deffontaines para o Brasil tenha sido acertada. A criação dos cursos formais de Geografia nas Universidades de São Paulo e do Distrito Federal e a preparação de um corpo técnico de geógrafos que pudesse. enquanto que do segundo se sabia apenas da sua existência. publicado em no ano 6 n 4 de out. Emmanuel De Martonne ao Brasil se deu em 1933 e teve pelo menos dois objetivos de cunho diplomático / cultural. Possivelmente ocorreram reuniões entre De Martonne e Mário Augusto Teixeira de Freitas (18901956). quanto na Universidade e além. A vinda do Prof. Francis Ruellan (1894-1975) foi o formador da segunda geração de geógrafos cariocas tanto no IBGE. pois muitos de seus alunos foram professores de Geografia nos principais colégios do Rio de Janeiro.tropas de Hitler). o principal responsável pelo gerenciamento das estatísticas brasileiras no governo de Getúlio Vargas e um dos artífices do casamento entre a Geografia e a Estatística. dos alinhamentos das serras litorâneas e do relevo apalachiano do interior entre São Paulo e Minas Gerais. por via diplomática. Este tipo de pesquisa foi muito incentivado o o . Seus trabalhos de campo eram considerados verdadeiras maratonas físicas e intelectuais. pertence ao grupo de trabalhos de Geografia Humana orientados para a questão da ocupação do território. /dez. de 1944 é o principal trabalho do único geógrafo que se pode denominar de chefe de escola no contexto do Rio de Janeiro (possivelmente Pierre Mombeig em São Paulo tenha tido as mesmas características). chegaram ao Brasil somente dois exemplares do primeiro artigo . Nessas reuniões. futuramente. representar o Brasil na União Geográfica Internacional (UGI). publicado no ano 11 n 2 de abr. O artigo de De Martonne é um clássico trabalho de Geomorfologia da porção sudeste do Brasil.

Calos Augusto Figueiredo Monteiro trabalhou no IBGE entre 1948 e 1956 e depois seguiu uma carreira universitária (Florianópolis. primeiramente faz uma análise geomorfológica do Pantanal Mato-grossense enfocando geoformas como o grande domo esvaziado (boutonniére) do alto vale do rio Paraguai e o conjunto de aplainamentos da . Aziz Nacib Ab’Saber e Bertha K. quanto durante e após o conflito. O primeiro artigo de Aziz Ab’Saber (1922. que poderia ser de cunho evocativo.) O Pantanal Mato-grossense e a Teoria dos Refúgios se inscreve na categoria de quadro de referência. principalmente no que concerne aos anos 30 e 40. O conselho editorial da RBG encomendou a cada autor um trabalho de livre escolha. as áreas de interesse de Carlos Augusto e Geopolítica e Gestão do Território as arenas de trabalho de Bertha. entre Geografia Regional e Sistemática. possivelmente em função do problema de comunicação via alemão e inglês. Esses cinco trabalhos traduzem uma boa parte do contexto do pensamento geográfico na primeira metade do século XX no Brasil. trabalhando exclusivamente como pesquisador do IBGE. Rio Claro e USP). Leo Waibel (1888-1951) foi um típico líder de grupo de um círculo restrito de geógrafos. Climatologia e História do Pensamento Geográfico. ou para servir de quadro de referência sobre algum tema da Geografia. O segundo tomo da edição comemorativa da RBG foi organizado sob a ótica da avaliação de alguns campos do conhecimento geográfico ou das lembranças profissionais de cinco geógrafos considerados como expoentes de suas especialidades. Becker sempre foram ligados à universidade. a defesa do possibilismo e o enfoque das relações seres humanos e meio ambiente. período em que se formaram as principais instituições produtoras da Geografia formal. apenas dois tiveram suas trajetórias de trabalho ligadas permanentemente ao IBGE.pelo governo de Vargas. as Universidades e o Conselho Nacional de Geografia. Urbanização e industrialização foram as principais áreas de investigação de Faissol e Geiger . Desses. Trata-se de um trabalho que. tanto no período que antecedeu a Segunda Guerra. que iniciaram seus projetos profissionais durante a década de 40. Estão ali as dicotomias entre Geografia Física e Humana. ou ter características provocativas que ampliassem o conhecimento dos leitores. idiomas muito pouco difundidos numa comunidade que majoritariamente entendia o francês. Geomorfologia foi o campo de especialização de Aziz . Aziz fez carreira na USP e Bertha na UFRJ. Speridião Faissol e Pedro Geiger.

Walt Rostow (1961). Doreen Massey (1985). . Principalmente aquelas que implicaram uma forte relação entre ciência e tecnologia e que por força de seus custos e de suas implicações de poder sempre estiveram em mãos do Estado Nacional. dependendo do setor e do poder de barganha dos agentes envolvidos. da qual Aziz é um dos elaboradores. no caso. O artigo de Speridião Faissol (1923-1997) Planejamento e Geografia: Exemplos da Experiência Brasileira situa-se na fronteira entre o estabelecimento de um quadro de referência sobre a noção de planejamento a evocação de experiências profissionais neste campo.) é outro que também se pode classificar como estabelecedor de um quadro de referências de vetores de conhecimento. mas com importantes citações como John Friedmann (1985. Manuel Castells (1986) e outros. e os leque aluviais das planícies mais recentes. agente decisório em muitos projetos de planejamento ao longo dos seus anos de atividade. e portanto. O trabalho avalia algumas tecnologias que viabilizaram a ampliação do controle espaço-tempo e seus usos pelo aparelho estatal. Finaliza com conjecturas sobre as futuras relações entre o Estado e a sociedade organizada. Sua parte final está dividida em duas seções. como nos casos da tecnologia espacial e seus subprodutos e das telecomunicações em escala global. Usa como espaço de exemplo a Amazônia. por ser ainda uma arena onde quase tudo ainda está por se realizar. os processos geradores do pediplano cuiabano. traça alguns comentários sobre as novas pesquisas feitas na região utilizando as imagens de radar e dos satélites Landsat . Dárdano de Andrade-Lima. juntamente com Pierre Birot. Paulo Vanzolini. explicando as necessárias conceituações sobre o tema. a primeira tratando das relações entre alterações climáticas e mudanças ecológicas ocorridas na depressão pantaneira e finaliza com algumas especulações bem interessantes sobre a provável evolução da cobertura vegetal e distribuição espacial da fauna do Pantanal utilizando como suporte argumentativo a Teoria dos Refúgios. José Bigarella. O artigo A Geografia e o Resgate da Geopolítica de Bertha K. David Harvey (1969). Becker (1930.1986). no contexto dos diferentes papéis que o Estado assumiu ao longo do século XX no gerenciamento do território e no controle social subseqüente. para o bem ou para o mal. Em seguida. enquanto geógrafo situado em altas posições da hierarquia do IBGE.mesma área. Keith Brown e outros. o paleoplano da Chapada dos Guimarãres. e fazendo uma revisão bibliográfica não exaustiva. as turbulentas relações entre a Geopolítica e a Geografia. A primeira parte estrutura-se como quadro de referência. que usam sensores do tipo Tematic Map ( TM ). onde conflitos e cooperação poderão apresentar diferentes padrões. Faz também uma longa apreciação do projeto geopolítico da modernidade levado a efeito pelo Estado brasileiro após 1930 e analisa seus resultados na década de 1980.

principalmente aquelas em que os geógrafos tiveram um papel significativo em sua elaboração. cobrindo a evolução de algumas instituições como as universidades (seus cursos de Geogrfia). perdendo muito de sua função planejadora. 1981). o IBGE. orientadas para o campo financeiro. mas de muitas incertezas. uma administradora das conjunturas que iam se apresentando.96). por problemas econômico-administrativos. as expressões industrialização e urbanização. mas é com elas que Geiger costura com muita sensibilidade os 46 anos de atividade geográfica no IBGE. a partir do momento em que a própria Secretaria de Planejamento da Presidência da república foi se tornando. o . As palavras de Faissol mostram um pouco disso em duas passagens na mesma página. parecem ter sido colocadas como um tênue pano de fundo. “Esta tem sido uma fase de reflexão. é bem verdade. É possível perceber também que nesta época. ainda que mais ideológica que profissional” (p. período em que a Geografia voltada para o planejamento estatal centralizado estava ainda sob fortes críticas de um grupo de geógrafos que seria conhecido como o formador da Geografia Crítica ou Radical (ver Santos.A segunda. não só conceituais. apenas para organizar a memória e estruturar as lembranças profissionais.. Conhecimento e Atuação da Geografia inscreve-se totalmente no campo evocativo. inclusive no plano acadêmico” (p. a própria função de planejamento estatal de médio e longo prazos estava exaurida e substituída cada vez mais por decisões conjunturais de curto prazo. foi perdendo terreno. as Comissões Nacionais da União Geográfica Internacional (UGI) e do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). os trabalhos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) nos anos 60 e os projetos de avaliação da urbanização para o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) na década de 70. no Governo Figueredo.. como evocação. A criação dos Territórios Federais no início dos anos 40. os estudos de localização do futuro Distrito Federal no Planalto Central em meados da década de 40. com muitos deles procurando refúgio nas teses marxistas ou neomarxistas. O artigo foi escrito em 1988. principalmente na primeira metade.) Industrialização e Urbanização no Brasil. ” É curioso observar que. Críticas estas iniciadas 10 anos atrás (1978) durante o 3 Encontro Nacional de Geógrafos em Fortaleza e que se intensificaram durante toda a década de 80. ao historiar as experiências brasileiras de planejamento.96). O artigo de Pedro Geiger (1923. mas também ideológicas. quem sabe como uma forma de assumir uma posição acadêmica. que por si só assegurasse uma identidade. a Geografia do IBGE ( e de certa forma no Brasil).

então a Geografia é uma Ciência de Síntese” (pg. Carlos Augusto opera a partir de dois autores que fizeram análises literárias de duas obras seminais da literatura ocidental. A simbologia da Torre segundo Carlos Augusto é retirada de um poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939). ” ... história e outros campos do conhecimento humano. pois pressupõe uma bagagem cultural bem mais ampla do que apenas os conhecimentos geográficos tradicionais adquiridos ao longo do período letivo. a Quantitativa se fartou no uso do termo análise. racionalmente. ” A Geografia vidalina dizia que a Geografia era uma Ciência de Síntese. Porém o cerne dessa primeira parte está centrado nos conceitos de modernidade e crise . a Geografia da Economia Política. na sociedade urbana esperada. uma agressão. uma violência. a torre representa um meio de. portanto. O ensaio de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (1927. A estrutura do ensaio está organizada em quatro movimentos. em reclusão.. para o seu maior entendimento. artes plásticas. Pedro Geiger termina suas memórias recordando a antiga asserção de Vidal de La Blache sobre a Geografia como uma ciência de síntese. e mergulhar num ambiente de reflexão intelectual onde transitam literatura. filosofia. com Lefévbre.Analisa também as principais correntes de pensamento geográfico que se desenvolveram no Brasil: o Possibilismo vidaliano. alcançar o poeta um espaço mais amplo e nele identificar os eventos que o tempo marcou na sua terra natal. que provocam o leitor a ir além da simples leitura para fins de verificação de um conjunto de conhecimentos. . englobando processos naturais e sociais. veremos que a análise é o ato de destacar o objeto da totalidade a que pertence. Não é uma leitura fácil.. como se fosse uma peça musical.. sendo. Marshall McLuhan (1972) analisando a peça teatral Rei Lear de Willian Shakespeare (1564-1616) e Marshall Berman (1982) analisando o poema Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). perturbadoras. se tomarmos mais profundamente estes dois conceitos.) Travessia da Crise (Tendências Atuais na Geografia) insere-se no campo das obras instigantes.. Era-me difícil aceitar a síntese como um conceito específico da Geografia. música. A síntese consiste em refazer o todo. compreende a produção racional do espaço do homem. Contudo. o movimento quantitativo e a Geografia crítica.. ou mesmo de uma vida profissional muito técnica. porém recolocando-a em outros termos. 129). 82). Se a racionalização da vida humana. recolocando os objetos analisados numa nova estrutura. O primeiro movimento denomina-se A Torre (Modernidade e Crise). todas as ciências praticam análise e sínteses. que representaria um contraponto entre as noções de reclusão e amplidão ou nas palavras de Carlos Augusto. Para o conceito de modernidade. Uma torre para sentir o mundo e refletir sobre sua geografia” (pg.

considerada como um período de grandes transformações e turbulências e portanto um tempo propício à modernidade num sentido mais amplo. Ao retornar ao poema de Yeats. um sistema mundial especificamente moderno vem a luz” (pg. 58 anos decorridos entre 1773 e 1831.Carlos Augusto nos fala da percepção de McLuhan sobre alguns aspectos da modernidade que esta peça enseja. Carlos Augusto alude à tendências milenaristas citadas nas últimas estrofes e as vê como sinais de um tempo que envolve desagregação. a modernidade se apresenta ali através da linguagem. “O herói de Shakespeare encarnaria a modernidade da Renascença. o processo lingüístico criado por Shakespeare para desenvolver este convencimento está tão a frente de seu tempo. no fim do século XVIII e início do seguinte. Fausto de Göethe expressa e dramatiza o processo pelo qual. mais irracionais tornamse nas suas relações sociais e econômicas. fato que McLuhan considerou como modernidade para a época em que o normal era agregar espaços. O destaque por Carlos Augusto da frase de Berman “Na versão göethiana do tema de Fausto. onde a grande mutação foi dada graças à nova visão do mundo. que Carlos Augusto observa como uma “decomposição em planos paralelos do (fictício) abismo que alcança foros de único exemplo de arte verbal tridimensional’’. 129) e destaca dois pontos interessantes que mantém contato com a questão espacial. a escolha de Carlos Augusto recai sobre a avaliação que este crítico literário faz de Göethe a partir de sua principal obra Fausto. modernidade e crise. e não separa-los. pois. o . 129) enquadra-se muito bem no binômio que Carlos Augusto apresenta como alvo de sua preocupação nesta parte do texto. o sujeito e objeto de transformação não é apenas o herói. Para o tema crise ele se utiliza de um paradoxo trabalhado por Eduardo Soubirats (1988) que estipula que quanto mais racional tecnicamente fica a civilização humana. O segundo refere-se a cena do precipício (cena 6 do 4 ato). onde Edgar tenta convencer o cego Gloucester que ambos estão a beira de um penhasco. envolve a questão da divisão do reino de Lear em três partes. primeiramente a época da elaboração do poema. Na obra de Marshall Berman Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar : a aventura da modernidade (1982). advinda da física de Newton”.. mas também esperança.. Para McLuhan. mas o mundo inteiro. O ponto agora está enfocando. (pg. O primeiro.

. O que permanece – tal como o núcleo do átomo cercado das mais estranhas propriedades entre os constituintes e em relação à energia que o define . problemas que. mas já devidamente percebida por Carlos Augusto). “na geração de um conhecimento conjuntivo. Outro ponto interessante desta parte é a demonstração de erudição explícita que Carlos Augusto dá.141). seguindo com Immanuael Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e desembocando em Karl Marx (1818-1883) e finalizando com Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Heidegger novamente. iniciando em Renné Descartes (1596-1650). junto com as “coisas” (pg. especificamente com Guimarães Rosa.. O dualismo entre racionalidade / irracionalidade e modernidade acompanha todo o texto. fazendo face à tendência O terceiro movimento chama-se Os Espelhos (O Pensamento entre Preparação e Fundação) e inicia com uma citação de Martin Heidegger (1889-1976) sobre os mecanismos do pensamento em antever o futuro da humanidade. quando este havia tratado da questão irracionalidade na Idade Média e na Atualidade.O segundo movimento chamado de Labirinto (Ciência: Geografia) toca nas relações entre a Geografia e as outras áreas do conhecimento. Asseverar que a Geografia é uma Ciência Social.é o vinculo primordial. 137).. O quarto e último movimento chamado Os Sinos (O Situar-se para o Acontecer) inicia com um retrospecto de sua vida profissional e prossegue com uma reflexão sobre as dificuldades da pesquisa geográfica de Climatologia nos anos 60 e 70 e vislumbra novas possibilidades com a futura Teoria do Caos (ainda incipiente na época da redação do ensaio. onde os mortais residem. quanto autores brasileiros. Carlos Augusto conclui seu instigante ensaio com uma mensagem de esperança. A maior preocupação de Carlos Augusto é deixar evidente que a Geografia apesar de suas contradições e lutas ideológicas tem a função. um dos mais geográficos dos autores eruditos do país. para em seguida tomar de empréstimo a Humberto Eco a simbologia do Teatro de Espelhos. entre o homem e o lugar na terra. crescentemente disjuntiva de hoje” (pg... . ao refletir sobre as relações entre a Literatura e a Geografia cobrindo vários níveis de elaboração de enredo tanto com autores ingleses e franceses. Não importam suas variações e oscilações através dos tempos históricos. “de capacitar o homem a encontrar a habitação do ser-no-mundo. principalmente no que concerne às dificuldades de comunicação entre as ciências exatas e as sociais. no âmbito interno da Geografia também geraram conflitos de comunicação entre as facções da “física” e da “humana”.. quando boa parte dela opera em áreas de contato com as Ciências Naturais cria dificuldades de entendimento para decifrar a trajetória do conhecimento dentro de um Labirinto que somente poderá ser transposto.

“Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil”. que Carlos Augusto considera como um coro. que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. . 1955) A Geografia no Brasil que fez parte da coletânea As Ciências no Brasil . O ensaio termina com os versos da ode do poeta alemão Friedrich von Schiller (1759-1805) incorporada no coral da parte final da Nona Sinfonia de Ludwig von Beethoven (1770-1827). a geografia geral para educação. que integra a coletânea Geografia: Conceitos e Temas. Paisagem ou espaços diferentes da tristeza de hoje. que já havia montado outra.. “ que. de grande significado sobre a literatura brasileira sob a organização de Afrânio Coutinho. ainda que sob um viés ibegeano. Faleceu de um problema coronariano. é necessário ler dois trabalhos que. 1995) Origens do Pensamento Geográfico no Brasil: Meio Tropical. José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo.. num vôo entre Benjamin Constant e Manaus em agosto de 1955. Para uma avaliação da Geografia brasileira desenvolvida no período anterior a 1930. e o ensaio de Lia Osório Machado ( Machado. remontando ao passado. dar conta daqueles novos contornos que o desvelamento do enigma do caos nos trará. A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954 para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros) . Portanto. ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e na organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. atualmente. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). 146). o número especial de comemoração dos 50 anos da RBG nos dá uma boa amostra de dois períodos da Geografia brasileira..“Que o homem volte a encontrar o seu lugar na Terra e que sua Geografia venha a descrever. o de José Veríssimo da Costa Pereira (Pereira. Que contenham a alegria” (pg. a serviço do INIC. Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). evoque o anseio futuro”. Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a geografia agrária e os processos de colonização. Espaços Vazios e a Idéia de Ordem . Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. No prefácio de Antônio Cândido é dito que. são considerados os melhores em sua categoria..

Para fins de entendimento da importância desta obra. clima. sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos . ao descrever com minúcias o quadro físico (forma do litoral. O primeiro. analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores. fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam nosso litoral) tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo conforme . Seu trabalho alcança os primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas Universidades do Rio e São Paulo. tanto escrito quanto cartografado. conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat..” ( Pereira 1955 : 424 ). Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947.1982:112-143) para se ter uma impressionante sensação de que o autor.compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. A pesquisa de José Veríssimo inicia com uma panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil que cobre desde o século XVI até o início do XIX. em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida. Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909 ) levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises de Euclides da Cunha. vegetação. dois especialistas descreveram os principais fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Mestre João de Faras (1448-1513). uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil. “À luz da geografia moderna.. inaugurou com sua carta ao Rei de Portugal. como escrivão oficial da frota comandada por Pedro Alvares Cabral. solo. enfocando os principais personagens desta saga geográfica. Veio daí o convite de Fernando de Azevedo para a elaboração deste capítulo. efetivamente. em seguida as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior . escritas em Os Sertões de 1902. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho. o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que. Tal conceito lablacheano é. Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40. será feita uma síntese desses períodos. exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes ( de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). aliás. Sem sombra de dúvida. que tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia. No contexto das explorações portuguesas. aparecido em 1911. persistente em Euclides da Cunha. foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões. além dos exploradores científicos europeus que durante os séculos XVIII e XIX desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e na Antropologia. trata-se de uma experiência intrigante ler o capítulo V de Os Sertões de Euclides da Cunha (1902 . conforme já ficou demonstrado.

fazendeiro pernambucano. depois com a fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565 e finalizando com a definitiva expulsão dos franceses em 1567. No contexto da ocupação francesa. além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro França Antártica .O Rio de Janeiro (1580). Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). Brandão. também informa a D. portugueses radicados na terra e padres missionários continuam a produção geográfica sobre o Brasil. Na segunda metade do século XVI. Claude d’Abberville com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux com uma continuação do trabalho de d’Abberville. com o processo de colonização já consolidado. dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil. Além dos franceses. Manuel I (1469-1521). as principais determinações astronômicas do hemisfério sul e informa sobre as novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal.39. ocupando em 1557 a atual baía de Guanabara. no qual é destruído o forte de Coligny. padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799 ) são os mais importantes. em carta escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500. Digno de nota também foi o importante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Paulo) em virtude de um naufrágio ocorrido por volta de 1550. forçando Portugal a criar um novo polo de defesa e ocupação.estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota. O segundo. é que inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra. É também na segunda metade do século XVI. iniciado com um ataque naval em 1560. que a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do sul. Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado descritivo do Brasil de 1587). o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima Do Clima e Terra do Brasil (1625) e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641) ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas feita entre 1637. Brasil de 1557) fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás. no litoral da capitania de São Vicente (atual São 0 . No início do século XVII os trabalhos de dois padres capuchinhos franceses que percorreram a província do Maranhão marcaram os estudos geográficos na porção norte do país. escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618). Ambrósio F. O padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry o livro Viagem a Terra do Brasil (1578).

Nessa mesma época. O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território em consonância com os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo. foram conhecidos novas áreas do interior do Brasil. .No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco organizada por Maurício de Nassau a partir de 1638. em função do falecimento do autor em 1655. No seu caso. General Junot em 1808 e quase todo o acervo transferido para Paris para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal. O fim do século XVIII marca o início de uma nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. Marcgrave também construiu o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul em Pernambuco em 1639. aos 34 anos. outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras do sul com o Uruguai. Suas observações e estudos geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. Todo o seu material depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa. que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras. Em 1815. uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. os trabalhos de Astronomia. Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores Geógrafos do século XVIII. Seu retorno a Europa se deu atravessando a Amazônia Brasileira descendo o grande rio até Belém. além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos. de La Condamine (1745). Na esteira desses trabalhos. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um desses europeus que participou dessas expedições. obra de astronomia que ficou inconclusa. Geografia e Botânica organizados pelo alemão a serviço da Holanda George Marcgrave (1610-1644) foram considerados os melhores até então executados sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) a Proginástica Matemática Americana. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749) que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. Portugal recupera este acervo e em 1842 o repassa ao Brasil.

No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil Corografia Brasílica do padre Manuel Aires de Casal em 1817. As datas referem-se a dois acontecimentos de grande . ideológicos. Alexander von Humboldt (1769-1859) sobre biogeografia da Amazônia. Na transição para o século XX. o General Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) ao explorar sistematicamente o noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos o Barão do Rio Branco (1819-1880) ao estudar detalhadamente nossas regiões de fronteiras. Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente. pois objetiva aprofundar o conhecimento sobre os contextos políticos. econômicos que influenciaram a produção geográfica brasileira entre 1870 e 1930. Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855) sobre geologia e geomorfologia. como Pierre Deffontaines. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) sobre biogeografia e geografia geral. Paralelamente. um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e que lançou a idéia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias. É também nesse século que aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira. são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro [1838] e a Sociedade Brasileira de Geografia [1883]. agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil. Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) sobre biogeografia e geomorfologia. outros geógrafos. Este foi apenas um esboço do trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira. exemplificados nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país. O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se durante o século XX com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro orientados por professores estrangeiros. É também nesse período que o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques. O ensaio de Lia Osório Machado tem outro enfoque. Elisée Reclus (1830-1905) sobre geografia regional. a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) sobre botânica e etnologia. tido com uma da mais detalhadas resenhas sobre a Geografia brasileira até hoje. científicos. dois brasileiros deram uma grande contribuição para os estudos geográficos. com a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e com a criação do Conselho Nacional de Geografia em 1937. geralmente envolvidos com os governos provinciais. Ainda no século XIX. orientado a um só assunto Navegação Interior do Brasil de Eduardo José de Morais. organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado. John Mawe sobre condições de vida da população. principalmente nas regiões norte e centro oeste.

que não havia se recuperado completamente do golpe da abolição da escravatura em 1888. e o Brasil moderno que quebraria as velhas alianças politico/econômicas ditadas por uma elite agrária. nossas principais referências. ao longo de suas carreiras. misturam-se com a influência alemã da Antropogeografia de Fredrich Ratzel (1844-1901) e as idéias de alguns importantes cientistas sociais franceses do século XIX. publicada pela primeira vez em 1976 e já com nove edições. A análise se estrutura. e que a forte influência francesa em relação a alemã era então um dos grandes impecilhos ao desenvolvimento do pensamento geográfico no Brasil . a fase mais dura desses tempos. a visão bem radical de Sodré sobre questões que envolveram os conceitos de determinismo e possibilismo geográfico. ao prefaciar a reedição da obra de Manuel Ayres de Casal Corografia Brasílica publicada em 1817 e Nelson Werneck Sodré com sua Introdução à Geografia: geografia e Ideologia. Gentil Moura (18681929). a parte mais importante do trabalho de Lia O . a primeira referencia o processo de abolicionismo. João Capistrano de Abreu (1852-1927). é o forte criticismo adotado pelos historiadores aos estudos geográficos realizados no Brasil. os trabalhos dos geógrafos estrangeiros eram. Trindade (1885-1959). construíram essas versões (José Veríssimo da Costa Pereira-1955.importância na História brasileira. um intervalo de tempo que marca a grande divisão entre um Brasil ainda com fortes influências coloniais. Entretanto. Carlos Augusto Figueredo Monteiro-1980. pois abarcou o período do ciclo militar de 1964-1985 e está centrado diretamente na primeira metade dos anos 70. Além dos geógrafos que. Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951). Machado cobre a produção geográfica situada no intervalo de tempo entre 1879 e 1930. A principal diferença que Lia aponta entre os dois conjuntos de autores. Hippolyte Taine (1828-1898). Talvez por isso. que levou Getúlio Vargas ao poder. Para Caio Prado Jr. É. Lia analisa com detalhe as obras de dois historiadores que escreveram sobre a Geografia. embora já ingressando no movimento de implantação da futura república. portanto. Manoel Correia de Andrade-1977. Eduardo M. com a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871 e a segunda. A primeira parte trabalha sobre algumas visões que enfocaram a evolução do pensamento geográfico brasileiro escritas na segunda metade do século XX. Caio Prado Jr. suas vinculações com o neo-colonialismo europeu e norte-americano e a Geopolítica (área do conhecimento muito cara aos militares brasileiros). Nilo Bernardes-1982 a e b). Ernsest Renan (1823-1892) e Gustave Le Bon (1841-1931). na primeira metade dos anos 40. O contexto histórico no qual Nelson Werneck Sodré escreveu seu trabalho era bem diferente do final do Estado Novo. . baseada nas obras de cinco importantes pesquisadores. o novo modelo republicano com a implantação da Revolução de 1930. em 1945.

Ao notar um gradual afastamento da memorização.Capistrano de Abreu. Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873). por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 11/1918 e posteriormente publicado na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro n 28 em 1923. foi o principal material de divulgação das idéias de Ratzel por Capistrano de Abreu. Trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia. Em sua avaliação. fruto de uma conferência proferida no 2 Congresso Brasileiro de Geografia realizado em São Paulo em 1910. além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie de F. traduzindo para o português diversas obras que tratavam do Brasil. Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado Maior do Exército. o o . que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia. Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915). Trindade (1885-1959). publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904. Essa tendência de se considerar como moderna uma Geografia que opera mais com correlações entre processos físicos e humanos. também reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX. para centrar-se em estudos classificatórios que levam em consideração vinculações entre vários segmentos do conhecimento. considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil. apesar de não ter sido publicado no Brasil. Lia considera que neste artigo está a primeira citação às idéias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil. tanto nas ciências da natureza. Ratzel que. via corografia. foi também um profundo estudioso da Geografia alemã. O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929) Geografia Nacional . visto como o estilo negativo e o considerado científico. gestada no início do século XX. como nas humanas. a que mais nos interessa é A Geografia no Brasil . com a visão de processo de Willian Morris Davies (1850-1934) na Geomorfologia e os estudos sobre a relação Ser Humano / Natureza no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918) e na Antropogeografia de Ratzel. do que com memorizações locacionais. O de enumeração de acidentes geográficos. Das três obras deste autor analisadas por Lia. paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855) . Eduardo M. aparecem bem claras nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951). É um artigo pioneiro no que tange a distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX. onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então. alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza como geólogos.

Nele Delgado advoga um novo enfoque para os estudos geográficos “a explicação” resultado das vinculações entre diferentes elementos. atribuída por Delgado à Lucien Febvre (1878-1956) e. também já havia tido José Veríssimo da Costa Pereira (1955) ao tratar da “O Trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho” (p. editou seu livro mais importante Geografia do Brasil . o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947) com suas pulsações climáticas e a noção de individualidade geográfica. Em 1913. Nascido na França. como produto de uma conferência proferida na instituição. um modelar trabalho didático.. nem à Vidal ). publicado em 1927 no no 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro. onde misturam-se a Geomorfologia evolucionista de Willian Moris Davis... juntamente com Everardo Backheuser. onde estudou Ciência Política (1908). Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor. pós-graduou-se em Economia na Inglaterra (1919). tanto da natureza. tendo por isso sido cassado. durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil. em 1913 sem êxito.. Delgado. 425426) escreveu. Possivelmente. Publicou ainda mais três obras..O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho Geografia-Sciencia da Natureza. . aproveitando os dados coletados em várias agências de governo e Physiografia do Brasil (1923). na prática. ( não à Ritter nem à Ratzel. vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis. Backheuser era engenheiro com especialização em Geologia e Mineralogia e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. reintegrado em suas antigas funções. e por isso mesmo incompreendida por boa parte de seus pares. Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906 e já em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país Le Brésil Meridional. Percepção semelhante. duas sobre aspectos físicos. Méteorologie du Brésil (1917). “Delgado de Carvalho publicava. quanto da sociedade. preso e. considerado por Nilo Bernardes (1982:520-21) como uma obra a frente de seu tempo. como resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado Maior do Exército entre 1921 e 1931. Introdução à Geografia Política (1925). dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro nos anos 20 e era considerado um dos mais articulados professores de seu tempo.”. mas teve também envolvimento com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926). quando em 1923. as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 20. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções. como assinala Lia.. posteriormente. e uma sobre questões políticas.

os de Albert Penck e Alfred Hetner .Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia em 1925. foram motivos de intensas querelas intelectuais.. sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo. Artur Orlando da Silva (1859-1916). Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época. esse homem escreveu no começo do século.. e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha. ele citava obra. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo. resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais. européias em que esse. obras em francês. que vinte anos mais tarde. André Rebouças (1838-1898). pois bem.. ou no Paulo de Frontin. Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877). Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909).. foram objeto de estudo para Autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882).. esse autor . meu caderno.. porque eu.. Temas como As raças e o meio tropical. nenhuma... primeiro resistiu. o meu entendimento de garoto. debates esses que suscitaram argumentações de caráter espacial. porque eram as palavras. O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros. no auge do imperialismo alemão.. Alexander Supam. principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro. como Fernando Raja Gabághlia (1886-1965). ficou em branco naquela aula. eu me lembro por exemplo de citações. e européias. Louis Agassiz (1807-1873).. “Eu sou cria do Pedro II. Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco... era um nome até pouco vulgar. era uma personalidade muito curiosa.. considerado também por Orlando Valverde em seu depoimento.. escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias. regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira. em inglês. política imigratória e mestiçagem... o nome de Moris Davies apareceu pela primeira vez na minha vida.. mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia. em Hilderberg em 1967. quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo.Por exemplo.. e essa aula eu assisti entre 1930 / 1931.. Colégio Pedro II ali da Av. tinha um autor alemão... além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) sobre a precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça via miscigenação européia. Alfred Russel Wallace(1823-1913). José Couto de Magalhães (1836-1898).. um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil. mas ele marcou de tal maneira a minha memória.. quando eu fui dar Fronteiras do Brasil. os mapas na cabeça e tudo mais. sabe que eu não tomei nenhuma nota. como por exemplo. eu ficava envergonhado comigo mesmo. eu tive um professor que depois colaborou. essa coisa toda. como um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia. . Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 20 juntamente com outros professores do ensino médio.. ele teorizou sobre isso perfeitamente. ninguém sabe. por exemplo sobre a colonização européia. uma glorificação do imperialismo da época. Marechal Floriano... depois colaborou com IBGE. Tristão Alencar de Araripe (1821-1908)..” (Depoimento de Orlando Valverde a Roberto Schmidt de Almeida).. uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas. no período referenciado (1870-1930).

O artigo de Nilo Bernardes consegue dar uma boa visão desses problemas. analisando alguns dos principais problemas espistemológicos por que passou a Geografia na primeira metade do século XX. a diferenciação entre região homogênea e região nodal. o ensaio de Lia O. Machado tornou-se uma referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil. Química e Física e os que a consideravam como uma Ciência Social somente. pois enfoca as principais correntes de pensamento. ao longo dos anos. tema que Nilo Bernardes cotejou inteligentemente comparando as determinações dos inúmeros congressos internacionais de Geografia sobre o assunto. Paralelamente. Pois sempre existiram aqueles que consideraram a Geografia mais física. onde novamente a dicotomia físico-humana acabava por ordenar grupos diferentes de regiões tais como região natural e região humana ou cultural . Ciência Política. gerou grandes controvérsias entre os geógrafos. Economia e Antropologia. relacionando-a com a Sociologia. além de aprofundar a questão do conceito de corologia (arranjo e variação de um fenômeno no espaço) em relação ao conceito de cronologia ( variação de um fenômeno no tempo) na tradição científica alemã de Immanuel Kant (1724-1804) e seus efeitos nos trabalhos de Ferdinand von Richthofen (1833-1905) . . tanto na Alemanha. tanto físicos quanto sociais. e que enfatizavam as ligações preferenciais com a Geologia. Um outro ponto fundamental também foi motivo de análise. História. alguns trabalhos sobre suas vinculações com a Geometria. Em sua parte final. também trouxeram mais polêmica à discussão. no que tange ao estudo dos arranjos espaciais de seus fenômenos. Nilo Bernardes analisa o conceito de região em suas diversas concepções.Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico européias. culminando em 1960 com a criação da Comissão para métodos de regionalização na União Geográfica Internacional por ocasião da reunião em Estocolmo. com vistas a uma institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 30. No que concerne especificamente ao campo de análise das matrizes do pensamento geográfico. além da posição deste ramo do conhecimento entre as ciências naturais e sociais. uma característica que. o artigo de Nilo Bernardes (1982) na RBG 44(3):391-413 sobre as principais características do que se convencionou denominar de pensamento geográfico tradicional é um dos mais esclarecedores. Geografia Sistemática e Regional. Biologia. Alfred Hettner (1859-1941) e Albert Penk (1859-1945). inclusive discutindo com muita clareza questões controversas como a luta entre as concepções deterministas versus o enfoque possibilista no meio geográfico europeu e americano e suas conseqüências no Brasil. Questões como as dicotomias entre Geografia Física e Humana. principalmente nas décadas de 60 e 70. quanto na França e Estados Unidos.

Trata-se da análise da influência dos professores estrangeiros que estiveram pesquisando e lecionando no Brasil após a década de 1930. O que produzia conhecimento para uso na estrutura de ensino. até a estruturação do sistema de planejamento territorial do governo federal no IBGE. Pierre Gourou. por personalidades como Juarez Távora (Ministro da Agricultura). Cole. Michel Rochefort. Os legados de profissionais como Pierre Deffontaines. Jacqueline Beaujeau-Garnier. também fundamental para o entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil. Jean Tricart. como a União Geográfica Internacional (UGI) e o Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH). Alguns desses profissionais serão objeto de avaliação mais detalhada no capítulo III. foram processos gestados por uma estrutura organizada pelo governo Vargas. Pierre Monbeig. mas organizados em nível mais alto. Geodésia e Cartografia. o mesmo Nilo Bernardes apresenta outro artigo. apesar desta aparente dicotomia. José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores). . Francisco Luis da Silva Campos e Gustavo Capanema (Ministros da Educação). do qual o IBGE passou a ser o principal agente. em virtude de suas origens comuns. garantindo recursos para pesquisa ou facilitando cursos de aperfeiçoamento técnico. tanto em São Paulo (posteriormente liderado por Pierre Mombeig). a criação quase simultânea dos cursos formais de Geografia. Entre meados dos anos 30 até o início dos 40. tanto pelo lado da Estatística. Leo Waibel. Processos gerenciados no nível acadêmico entre 1934 e 1939 pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines. que trata da liderança e do carisma que estes pesquisadores e professores exerceram durante e após suas estadas no Brasil. explicitando a especialidade de cada um e avaliando a influência de seus métodos na Geografia brasileira. Francis Ruellan. Brian Berry e André Libaut foram descritos com muita precisão. e o novo segmento voltado para a estruturação do sistema de planejamento territorial. ambos sempre estiveram em perfeita conexão. Evocando Algumas Etapas da Geografia no IBGE Durante as décadas de 40 e 50 a Geografia brasileira estava dividida em dois grandes segmentos. No entanto. John P. quanto pela Geografia.Na mesma Revista Brasileira de Geografia 44(3):519-527. com a formação e o aperfeiçoamento do corpo docente. Preston James. Pierre Danserau. Mário Augusto Teixeira de Freitas (organizador do sistema estatístico nacional) e Cristóvão Leite de Castro (estruturador do núcleo inicial de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia). que também foi o criador da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). quanto no Rio de Janeiro. Gottfried Pfeifer. Nilo também traçou um rápido perfil de algumas instituições de Geografia internacional que contribuíram com os profissionais brasileiros.

em áreas separadas mas operando em conjunto para não desperdiçar esforços. a partir da ida para os Estados Unidos em 1942 do geógrafo brasileiro Jorge Zarur . os estudos do habitat rural. para se pós-graduar no mestrado da Universidade de Wisconsin. e do posterior envio em 1945. pois necessitava de avaliações de caráter físico e econômico em duas escalas distintas: a local. por vincularem o fator acessibilidade à área mais desenvolvida do país (São Paulo). A demanda governamental para o estudo dos processos de ocupação do território via mecanismos de colonização.I e II e Mombeig. de certa forma. principalmente em virtude do longo período de permanência e do seu carisma para formação de um grande número de profissionais. a Geografia foi convocada a definir algumas possíveis localizações para a futura implantação do novo Distrito Federal em alguma área do Planalto Central. que ficou mais ou menos circunscrita aos muros do próprio CNG. Crise esta.1944 . com equipes distintas (Ruelan com a equipe da Universidade e Leo waibel com a equipe do IBGE). tenha dado subsídios para uma outra. Na questão da localização da futura capital. tanto para ensino . quanto para pesquisa. como uma estratégia que aliava . Leo Waibel para trabalhar exclusivamente no IBGE sobre processos de colonização. o debate se estabeleceu aparentemente por conta de duas posições divergentes. como por exemplo. na metodologia de pesquisa de campo e no processo de colonização. pelo mesmo profissional (Deffontaines). mas que. É nesse novo contexto que chega o alemão radicado nos Estados Unidos. Era uma espécie de diagnóstico integrado. possivelmente. a relação entre a Universidade e o sistema de planejamento (IBGE) mostrou-se forte. e as novas interpretações dos processos geomorfológicos. a Geografia da academia e a do sistema de planejamento no Brasil nasceram juntas e foram organizadas tecnicamente no Rio de Janeiro. No mesmo período. abre-se também outras linhas de pesquisas. iniciam-se crises no núcleo governamental de planejamento. deu o tom das principais orientações de pesquisa. Paralelamente. os geógrafos que defendiam uma localização no Triângulo Mineiro. Mais uma vez. De um lado. A vinda de Francis Ruelan entre 1940 e 1956 intensifica essas relações entre os geógrafos cariocas e a Geografia francesa.1943). No entanto.Portanto. ocorridas durante o final de 1947 e início de 1948. principalmente com os trabalhos de Deffontaines no Rio e Mombeig em São Paulo (Deffontaines. de cinco ibegeanos para estudos de aperfeiçoamento em universidades americanas. principalmente na área de estudos regionais. Na segunda metade da década de 40. muito mais forte e de graves conseqüências para o órgão no início dos anos 50. para fins de implantação física da futura cidade e a regional que teria de dar conta das futuras relações econômicas e demográficas da nova capital. os estudos urbanos também já estavam tendo um desenvolvimento. primeiramente no caso da localização da futura capital. apesar desses esforços conjuntos. que possuía fortes raízes lablacheanas.

no campo intermediário entre o técnico e o político. em depoimento à Revista GEO UERJ analisa o debate técnico (Faissol. 1997:8386). se no campo geográfico uma crise foi abortada. Secretário Geral do CNE. A escolha recaiu sobre a área de Goiás e foi corroborada em termos políticos por Teixeira de Freitas. . Várias razões eram invocadas. Speridão Faissol. os geodesistas. Do outro lado. 1948 . militares e a bancada dos estados do Nordeste viam com muito interesse a opção do Espigão Mestre. com pedidos de demissão de toda a cúpula da Estatística do órgão e edição de publicações de refutação aos comentários do Presidente do IBGE feitas por Waldemar Lopes. em área próxima a cidade de Formosa em Goiás.1952). O debate na esfera técnica ficou por conta de Fábio de Macedo Soares Guimarães. Os políticos de Goiás e do Nordeste tinham interesses variados. abriu uma outra. o IBGE mostrava muito mais interesse em assuntos culturais e políticos do que em questões puramente estatísticas (ver detalhes em Penha. 1949: 471 e 613). a pedido de Poli Coelho. substituindo o extenso primeiro mandato de José Carlos de Macedo Soares Guimarães (1936-1951). em artigos na RBG (Guimarães. revelou alguns conflitos entre as estatísticas primárias e as secundárias. que moveu uma campanha que resultou no inquérito administrativo que levou à exoneração de Poli Coelho em 1952 (Lopes. Um relatório elaborado pelo estatístico Lourival Câmara. o que gerou uma crise administrativa que durou um ano e meio. geógrafo que coordenou os estudos geográficos do IBGE. A vinda do General Poli Coelho para a Presidência do IBGE em 1951. até o simples interesse especulativo das futuras terras a serem desapropriadas. os geodesistas e militares positivistas usavam os argumentos da centralidade geométrica do território e das concepções geopolíticas de ocupação rápida da região central do Brasil. principalmente no que se referiu às questões entre decisões de Geografia Econômica e as argumentações geodésicas e geopolíticas. Mas. na arena estatística. recentemente aposentado (1948) em carta ao Presidente da Comissão General Poli Coelho (IBGE. Segundo Câmara. O principal incentivador dessas teses era o General Poli Coelho. as argumentações ficaram a cargo de Cristóvão Leite de Castro. chefe do Serviço Geográfico do Exército e Presidente da Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil. muito mais séria. que iam da luta por maiores áreas de influência política.A Localização da Nova Capital ). As revelações de Lourival Câmara foram amplificadas por Poli Celho na imprensa. Secretário Geral do CNG. 1993:84-85).economia (menos dispêndio de recursos em infra-estrutura imediata) e atratividade (a cidade não estaria em área muito distante e os investidores de São Paulo e sudoeste de Minas seriam mais receptivos à novidade).

inquéritos administrativos e demissões aos antigos colaboradores de Teixeira de Freitas.Pasta 200/18-018 (ver anexos Documentos Administrativos) . foi encontrado um processo que mostra um movimento de antagonismo claro entre Fábio de Macedo Soares Guimarães. diretor da Divisão de Documentação e Divulgação (DDD) e Jorge Zarur. Em meio a essas crises.depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). quando da volta de todos dos Estados Unidos. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur. No mesmo depoimento. acertada numa reunião na cidade de Lorena. em meados da década de 40. o que foi encarado como uma traição por Fábio. Além desses comentários evocativos feitos por Speridião Faissol. a documentação também ilumina algumas querelas que ocorreram durante a gestão da presidência do General Polli Coelho e de seu Secretário Geral do CNG. para a fusão entre Rio e São Paulo numa Associação dos Geógrafos Brasileiros nacional. incluindo aí Cristóvão Leite de Castro. Caixa 41 . que nas visões de Orlando Valverde e Speridião Faissol. levou muito tempo para tomar a decisão de afastamento de Poli Coelho da presidência do IBGE. Jorge Zarur. que era o representante do Ministério da Educação no Diretório Central do Conselho resolveu contemporizar com os militares. Coronel Edmundo Gastão da Cunha em 1951. localizado na Reserva Ecológica do Roncador em Brasília. o General Poli Coelho nomeia em seu lugar na Secretaria Geral do CNG. acabou gerando um ambiente de perseguições. eclode o inquérito administrativo contra Cristóvão Leite de Castro e com sua demissão. Faissol também deu sua versão sobre o início da cisão entre os dois profissionais de maior poder na Geografia.A instauração da comissão de inquérito pelo Ministério da Justiça. 1994:49-50 e Faissol . um Coronel do Serviço Geográfico do Exército. (Valverde. Um outro ponto colocado por Faissol. refere-se aos entendimentos de Zarur com Haroldo de Azevedo da USP. envolvido num mal explicado inquérito de corrupção de desvio de sabonetes do IBGE para sua residência. No conjunto de caixas de processos administrativos guardados no Arquivo Histórico do IBGE. Orlando Valverde e outros. a primeira vinculada a escolha do sítio da nova capital e a segunda aos problemas sobre a qualidade das estatísticas do IBGE. Faissol argumentou que as questões sobre disputa de poder entre Zarur e Fábio pudessem ter se iniciado antes. nomeado por Edmundo Gastão da Cunha como Diretor da Divisão de Geografia (DG). Zarur tenha se ligado fortemente aos militares que destituíram Getúlio Vargas em 1945. O processo se inicia no bojo das duas crises situadas entre 1948 e 1952.

Resposta da DG . 4 na DDD. nunca assumiram posições conflitantes que colocassem em cheque a qualidade dos grandes projetos. Encaminhamento para a DG.Explica as dificuldades de lotação de servidores técnicos na DDD analisando os problemas de distribuição nas demais áreas do CNG. Seguem-se as assinaturas de ciência dos respectivos diretores das Divisões e os procedimentos burocráticos decorrentes. caracterizado por dois postos de referência. Mesquita. em substituição ao chefe anterior José Veríssimo da Costa Pereira que passou a exercer o cargo de Secretário Assistente. Analisa a lotação da Seção Regional Sul da DG e argumenta que apenas Orlando Valverde saiu da SR Sul e que os estudos da SRS estão também a cargo de mais três geógrafos ainda lotados na SR Leste. 2 no gabinete do SG. Advoga que se todas as Seções da DG manifestam a necessidade de geógrafos. Resposta da DDD . Fala da saída para estágio na França da servidora da DDD Maria da Conceição Vicente de Carvalho. Explica que o geógrafo Orlando Valverde está proposto para chefe da Seção Cultural. explicando que dos servidores Cecília. Magnólia de Lima -Geógrafo auxiliar e Olga Maria Buarque de Lima –Geógrafo contratado) que estavam lotados na Divisão de Documentação e Divulgação(chefiada por Fábio de Macedo Soares Guimarães). como Cartografia. Encaminhamento a DDD para conhecimento e manifestação a respeito. A partir daí formaram-se dois grupos antagônicos que lutavam pelo poder. Magnólia e Olga. mas que também será útil à DDD. sendo que Lisia era chefe do setor de Prontualização e Informações da DG. Explica também as funções de Nilo e Lisia Bernardes. Explica que não se trata de troca de servidores e sim de necessidade de lotação para cobrir áreas da DDD. apenas Magnólia está lotada na DG. Reconhece que Lisia é bastante útil à DG. de reconhecida capacidade. O SG do CNG arbitra que a Geógrafa Míriam Mesquita seja transferida da DG para a DDD em 30/05/1951. sobretudo após a saída de Poli Coelho do IBGE em 1952 até a volta de José Carlos de Macedo Soares Guimarães em novembro de 1955. pois essas duas seções estavam concentradas em projetos na SR Sul. .Proc. Solicitação feita ao Secretário Geral do CNG ( Edmundo Gastão da Cunha) de substituição de três servidores (Cecília Cerqueira Leite Zarur -oficial administrativo. as da DDD também. anteriormente. Coloca também que. Finaliza apresentando as principais atribuições da DDD listando 11 conjuntos e apresenta um quadro de distribuição de Geógrafos no CNG (34 na DG. já havia transferido para a DDD os geógrafos Orlando Valverde e Antônio José de Matos Musso. por três geógrafos lotados na Divisão de Geografia (chefiada por Jorge Zarur). que eram muitas vezes desenvolvidos por profissionais dos dois grupos.Informa que só será possível a transferência da geógrafa Miriam Guiomar C. Nilo Bernardes e Miriam Guiomar Coelho Mesquita. 2958 – 04/05/1951 Assunto: Lotação de servidores na Seção Cultural. as outras estão no gabinete do Consultor Técnico e Jurídico do Secretário Assistente. a Divisão de Geografia e a direção da AGB do Rio de Janeiro. O Assistente Fisiográfico Antônio José de Matos Musso está assumindo interinamente a chefia da Seção de Documentação enquanto durar o impedimento do titular Virgílio Corrêa Filho. mas que na arena de trabalho do IBGE. Lisia Maria Cavalcanti Bernardes. 1 á disposição do Diretório Regional do Estado do RS e 1 em estágio em universidade na França.

G . estando em exercício na DG. Na carta. e não tiveram ainda entendimento com o Diretor da Divisão. decidiu mante-lo no cargo. Mas que por observar seu trabalho junto a SG durante o congresso.BS 213 de 10/08/1956 mostra a lista de delegados do IBGE junto ao XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. o episódio pode ser acompanhado pela leitura de alguns dos Boletins de Serviço editados entre agosto e dezembro de 1956. gerando uma crise administrativa com vários pedidos de exoneração dos geógrafos que estavam em cargos de confiança sob a liderança de Fábio. a ordem de serviço determinava que “Os geógrafos e estagiários que não estejam inscritos na relação supra e. . O Boletim de Serviço . Jurandyr Pires Ferreira esclarece que houve um compromisso entre ele e o presidente anterior (o Embaixador José Carlos de Macedo Soares) pelo mantenimento de Fábio na SG do CNG até a finalização do XVIII Congresso Internacional em agosto. a fim de serem engajados em algum dos grupos ora constituídos. durante a gestão de Jurandyr Pires Ferreira. com a exoneração de Orlando Valverde e a conseqüente exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. No contexto burocrático. deverão faze-lo imediatamente. na seção Noticiário da Presidência do IBGE. O BS 218 de 15/09/1956. Nessa lista estavam todos os principais geógrafos da Divisão de Geografia que colaboraram tecnicamente com o congresso. publica a carta de confirmação de Fábio de Macedo Soares Guimarães no cargo de Secretário Geral do CNG. realizado no Rio de Janeiro.Faissol revelou também o episódio que o levou à chefia da Divisão de Geografia em novembro de 1956. O BS 228 de 23/11/1956 apresenta na seção de Instruções e Ordens de Serviço a OS de 08/11/1956 do Diretor da Divisão de Geografia (Orlando Valverde) que cria oito grupos de trabalho para “executarem as tarefas mais urgentes da D. a saber: Grupo 1 Mapas de População (chefes: Elaza Coelho de Souza Keller e Heldio Xavier Lentz Cesar) Grupo 2 Planalto Centro-Ocidental (chefe: Pedro Pinchas Geiger) Grupo 3 Fitogeografia (chefe: Luiz Guimarães de Azevedo) Grupo 4 Geografia dos Transportes (chefe: Ney Strauch) Grupo 5 Clima (chefe: Ruth Simões) Grupo 6 Relevo (chefe: Alfredo Porto Domingues e Antônio Teixeira Guerra) Grupo 7Geografia das Indústrias (chefe: Míriam Mesquita) Grupo 8 Geografia Urbana (chefe: Lisia Bernardes)” Cada grupo teria em média cinco componentes e nos parágrafos finais.

ainda que provisórios.71.” O próximo BS 229 de 30/11/1956 é o que determina o início de um processo de modificações na estrutura de chefias da SG e da Divisão de Geografia. Faissol elogia o governo de Juscelino Kubitschek e a gestão de Jurandyr no IBGE e faz um apelo aos geógrafos pela união em torno da obra Geografia do Brasil. seguida da designação do mesmo servidor para a seção Regional Nordeste. Heldio Xavier (seção de Atlas e Ilustração). Em sua alocução de posse. Serão concedidas aos grupos de trabalho todas as facilidades administrativas possíveis para apronta e eficiente execução de suas tarefas. O BS 231 de 14/12/1956 apresenta na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG a exoneração a pedido de Nilo Bernardes do cargo de Secretário. constam a portaria de elogio aos funcionários do gabinete e memorandos à Diretoria de Administração sobre férias. Lísia Bernardes (seção de Estudos Sistemáticos). Solange Tietzmann (seção de Atlas e Ilustração) e Edgar Kuhlmann (seção Regional Centro Oeste). na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG. com os comentários do Presidente do IBGE Jurandyr Pires Ferreira e o discurso proferido por Speridião Faissol na cerimônia de sua posse na Divisão de Geografia do CNG. portanto de caráter episódico. No mesmo boletim 229. e a nomeação do Contador Olmar Guimarães de Souza para o cargo. O BS 230 de 07/12/1956 na seção informações diversas. aparece também uma correspondência datada de 31 de outubro de 1956 enviada pelo gabinete da Divisão de Geografia encaminhando o plano de trabalho da obra Geografia do Brasil em três volumes para ser elaborada entre 1956 /1957. Eloísa de Carvalho (seção de Estudos Sistemáticos). Nele estão as portarias 70. O plano de Orlando Valverde é exposto nas páginas 3 e 4 do BS. Dora Romariz (seção Regional Sul).Os grupos de trabalho iniciarão suas atividades imediatamente e é recomendado aos respectivos chefes que estabeleçam desde já prazos. No caso de Alfredo Porto Domingues é determinada uma exoneração ( seção Regional Sul). Lindalvo Bezerra (seção Regional Nordeste) e Lúcio de Castro Soares (seção Regional Norte). Ao final da seção de processos. .72 de 22/11/1956 que exoneram Fábio e Orlando e que nomeia o engenheiro Virgílio Alves Corrêa Filho para a chefia da SG do CNG e a portaria 74 de 26/11/1956 que nomeia Speridião Faissol para a Divisão de Geografia. Estes são. Também aceita os pedidos e exonera quatro geógrafos de suas chefias da DG. São também designados os seguintes geógrafos Antônio Teixeira Guerra (seção Regional Norte). para a conclusão das tarefas atribuídas ao grupo respectivo.Assistente da SG do CNG. consta a ata.

os que se assumiam a .. imprimindo uma outra ordem de prioridades. não me cabendo.. onde o Secretário geral faz suas despedidas e lê a carta dirigida ao Presidente Jurandyr. teve a bondade de anunciar-me pessoalmente sua decisão de confirmar-me no cargo de Secretário Geral deste Conselho. evidentemente entrar nas razões de foro íntimo que motivaram o seu afastamento – mesmo porque. Extingue o GT de Mapas de População.” Finalmente o BS 232 de 21/12/1956 na seção de Instruções e Ordens de Serviço aparece a OS de 12/12/1956 do Diretor da DG (Faissol) iniciando o processo de modificação dos Grupos de Trabalho.No mesmo BS 231 está publicada a ata da 327 reunião ordinária do Diretório Central do CNG ( a última presidida por Fábio). Desejando. não veio a sofrer alteração em nenhum instante de nossas relações administrativas. fortalecidos durante longo período de leal e eficiente colaboração. entretanto. além de determinar transferências de quatro funcionários do GT de Geografia Urbana de volta a seus postos anteriores. estou certo. designa o Prof. Suspende temporariamente as atividades do GT de Transportes. porque desejava poder contar com sua colaboração como.. tive ensejo de expor claramente a orientação que. contudo.. para que se digne conceder-me exoneração do cargo de Secretário Geral.. há pouco mais de dois meses.” No mesmo corpo da ata também está assinalada a resposta de Jurandyr. em nossa conversa há quase dois meses. coloca-lo absolutamente à vontade para que possa dispor dos cargos de direção deste Conselho sem o menos constrangimento. Acresce. Prioridades e ações que conflitavam com dois grupos de profissionais. a falta de um motivo ponderável para que pudesse compreender e extensão de sua decisão. integra o GT Planalto Centro-Ocidental na Seção regional Centro-Oeste. aos quais me acho ligado poe estreitos laços de admiração e afeto.. distribuindo as tarefas pelos setores de Estudos Sistemáticos e de Atlas e Ilustrações. hoje entregue ao Diretor da Divisão de Geografia. onde percebe-se a conotação ambígua sobre o real motivo do pedido de exoneração “. que já lhe fizera recentemente. Lamento profundamente o caráter irrevogável do seu pedido de demissão. Kurt Huck para a chefia do GT de Fitogeografia e transfere o geógrafo Roberto Galvão para a Seção Regional Norte. possível realizar-se por motivos que somente a Vossa Excelência cabe apreciar.. conforme se verifica em sua carta de 7 do corrente. tive ocasião de manifestar-lhe o meu desejo de que o fossem também os meus auxiliares diretos. entretanto. Quando Vossa Excelência. por conta das articulações políticas que eram feitas pelo Partido Social Democrata (PSD). pois. venho respeitosamente reiterar a solicitação verbal. da qual levantamos alguns trechos “. pessoalmente. tive ensejo de manifestar. A importância desta seqüência de eventos está relacionada a algumas questões de fundo político ocorrida com a chegada de Juscelino a Presidência da República.. Tal não foi. integra o GT de Relevo ao Setor Geomorfológico da Seção de Estudos Sistemáticos e o GT de Geografia das Indústrias ao Setor de Geografia Econômica.

Era necessário criar projetos de maior porte. Faissol é escolhido para chefiar a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. o forte conteúdo partidário nas decisões consideradas técnicas. com Speridião Faissol. o que acabou por se configurar com o repentino falecimento de Zarur em 1957. Geografia e Cartografia que informavam pela primeira vez em abrangência nacional. a capacidade de planejamento e a operosidade de Faissol e Antônio Teixeira Guerra à frente da DG entre 1956 e 1961 geraram um conjunto de obras que ainda são marcos de referência da produção geográfica do IBGE nesse 60 anos. Para que isto ocorresse. na gestão de Juscelino era considerado um retrocesso na função organizadora do Aparelho Estatal. Marcos fundamentais. encontravam-se agora submetidos aos liames da política mineira que sempre operou com as articulações e dissimulações típicas de partidos com forte poder em áreas rurais. que apenas acentuou uma antiga disputa entre os aliados de Jorge Zarur e os de Fábio onde. seria necessário substituir certos nomes que estavam vinculados aos métodos de trabalho do presidente anterior. rivais políticos do PDS. com pessoal de confiança e a confiança só viria de pessoas que fossem articuladas com a nova política de Juscelino e assim foi feito. importante geógrafo que possuía fortes vinculações com o estamento militar ligado ao PSD mineiro. Para estes. cunhado de Jorge Zarur. para observadores privilegiados da cena como Pedro Geiger e Elza Keller. ligando Estatística. Apesar dessas crises. de características majoritariamente urbanas. o principal era o Embaixador José Carlos Macedo Soares em seu segundo mandato (17/11/1955-03/05/1956). empurrou Faissol para a liderança do grupo de Zarur. A proposta de substituição criou um conflito entre Fábio e Jurandyr e gerou uma crise. A força das ações de Macedo Soares e particularmente de seu sobrinho Fábio de Macedo Soares a frente da SG do CNG ainda foram sentidas por Jurandyr durante o período do XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio e fortemente organizado pela estrutura logística do IBGE. O segundo grupo era formado por partidários da União Democrática Nacional (UDN). No contexto do IBGE.como profissionais do Governo Federal do tempo do Estado Novo. que para agravar mais o processo. representados pelas publicações de obras de pesquisa sistemática. mas não necessariamente Getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro. via suicídio em 1954. Os udeenistas. embora não sendo mineiro. um típico representante do profissional de Estado. que haviam sentido o gosto da vitória política ao ver Getúlio Vargas sair do poder. Porém. garantiu uma estrutura de trabalho dirigida à grandes projetos que garantissem um bom nome a sua gestão e ao período juscelinista. isso não durou muito. no estilo de Teixeira de Freitas e Cristóvão Leite de Castro nos anos 40. aspectos até então desconhecidos do . a figura do piauiense Jurandyr.

1956). já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas. com o francês sendo praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários. Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956. a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade se solidificou ainda mais. o Atlas do Brasil (1959) a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960). As mudanças de fase ocorridas entre a saída de Jurandyr Pires Ferreira e as curtas gestões de Rafael da Silva Xavier (10/021961-09/11/1961). explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 50. perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de bom nível. No início da década de 50. Coleção Geografia do Brasil (1959). Mas outros tipos de pesquisa também eram desenvolvidos. Apresentando também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento. combinadas com os dois períodos pós golpe de 1964. As principais linhas de pesquisa geográficas durante a década de 1960 no Brasil sofreram uma transição interessante. Nela. A coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (19571964) com 36 volumes. vários geógrafos europeus. tanto no que concerniu às questões de logística do congresso. com os convites a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste para elaborarem alguns guias de excursões. Além disso. sobretudo franceses.os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socio-econômicos da Baixada Fluminense feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 ( Geiger e Mesquita. quanto aos aspectos acadêmicos.território nacional na escala municipal. a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário. enfatizando os aspectos sociais e menos vinculada ao estudo da paisagem. criaram na Geografia um ambiente bem diferente do que era nos anos 50. 1959). o do General Agnaldo José Senna Campos (10/04/1964-03/04/1967) e o de Sebastião Aguiar Ayres (04/04/1967-23/03/1970). somado às bolsas de . exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões que envolvem a relação entre a Geografia e o desenvolvimento. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956. Um exemplo bem interessante foi a publicação na RGB de uma Conferência dada por Milton Santos para o curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia em fevereiro de 1959 (Santos. e que o treinamento dado por Ruellan. Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento. José Joaquim de Sá Freire Alvim (13/11/196101/10/1963) e Roberto Bandeira Accioli (14/10/1963-31/03/1964).

A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort. 1963. é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil. Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães. Rio de Janeiro. que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. Sulamita Hammerly. Maria Emília Teixeira de Castro Botelho. A produção e a qualidade dos trabalhos de Pedro Geiger no contexto dos estudos urbanos em geral e no de redes urbanas em particular. Minas Gerais e Espírito Santo. O mais curioso. Sua produção geográfica computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH) realizado . Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo. O prefácio de Nilo Bernardes. criado em 1961 e coordenado por Lisia Bernardes e editado em 1964. que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. a partir de um polo metropolitano. correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. classificando cidades. definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. e posteriormente. aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil. durante toda a década de 60. via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lisia Bernardes no IBGE. Foi o primeiro trabalho de detalhamento operando numa escala intermediária. Olga Maria Buarque de Lima. No entanto. foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP).). foi notável. a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 60 e editada em 1963. esposo de Lisia. Ceçary Amazonas. 1964 ou Bernardes L. 1964). Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). Chamou-se O Rio de Janeiro e Sua Região ( Grupo de Trabalho de Geografia Urbana. O seu livro Evolução da Rede Urbana Brasileira (Geiger. Hilda da Silva. O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG.aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês haviam criado uma elite profissional muito eficiente. nesta época. Um desses professores foi Michel Rochefort.. 462p. O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas. pelo mesmo Pedro Geiger que já havia iniciado na década de 50.

Campos fica bem a vontade em escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros. mas contraditório do IBGE. com Dreifuss mapeando sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado no período imediatamente após o golpe de 1964. Departamento de Geografia. representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores. muitos dos quais conspiradores de primeira hora. Cada um deles observando o processo de maneira diferente. Poder e Golpe de Classe (Dreifuss.. foram as que mais aproximaram o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 60. políticos. Müller. . volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subseqüentes governos militares. 1994) e Pensamento econômico brasileiro : o ciclo ideológico do desenvolvimento (Bielschowsky. a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo./jun. editado na RBG em 1963. 1963). É possível perceber que a Geografia que se vinculou às idéias de desenvolvimento. incluindo aí os primeiros governos do Ciclo Militar.Ação Política. 1995). empresários. Por se tratar de memórias. com 10 trabalhos entre 1952 e 1963 e na de Roberto L. Funcionários públicos. A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. iniciada em 1938 no Itamarati. o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias. É. no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 50. As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas até os anos 90. que também tornou-se um outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE. ver Almeida (1994) e Geiger (1988:64/65) que analisa com muita sensibilidade esse período importante. sem sombra de dúvida. apresentou-se na contagem de Nice L. com cinco entre 1957 e 1964. Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE. Para se ter uma visão panorâmica e diversificada sobre esta fase conturbada de nossa história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: A Conquista do Estado . mas como a sua vida pública. formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. 1981). denominado pelo autor de “Complexo IPES / IBAD”. RBG 25 [2] abr. jornalistas e outros.em Buenos Aires. tratando somente sobre redes urbanas. civis e militares. Neste mesmo período. Pedro Geiger também coordenou um impressionante trabalho de análise sobre a industrialização na Região Sudeste. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições. Corrêa.

procurando dar conta de uma intensa urbanização que havia se iniciado no final dos anos 50 e que nos anos 60 já começava a mostrar seus efeitos. e é sobre este espólio que as novas idéias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. 1968 e 1989). juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (Geosul. principalmente a da região sudeste. e o socialismo. foi organizada por Ricardo Bielschowsky . É justamente nesta época. o neoliberalismo. Não haveria no contexto do IBGE. um economista muito caro aos geógrafos e que foi alvo de uma entrevista no número especial da Revista Geosul . o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período após os anos 60 até o final dos 80 (Corrêa. ou pelo menos assim se convencionou acontecer. o desenvolvimentismo. tanto em termos de crescimento metropolitano.1991/1992). analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel. 2000). que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro. . que a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais se acentua no Brasil. conforme nos indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (Abrantes. agora na chefia da Secretaria Geral do CNG e tendo como chefe da Divisão de Geografia. pois na segunda metade dos anos 60 a participação dos segmentos de estudos físicos. de cunho administrativo. com a saída de Speridião Faissol da Secretaria Geral do CNG. reduziram-se fortemente. um economista com forte veia de historiador. inicia-se uma mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE.A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos. muito lugar para a Geografia física. Em 1964. que estavam estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas / José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram um grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek / Jurandir Pires Ferreira. Foi também neste período que se verificou uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE. eles foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos. No que concerne aos estudos sobre redes. Os principais vetores de estudos desta fase foram as pesquisas de Geografia Urbana. quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira. comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 40 e 50. Separadamente. com exceção da climatologia. O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE. enfatizando a análise do setor terciário. Antônio Teixeira Guerra. principalmente sobre Redes Urbanas e trabalhos sobre Regionalização. substituído por René de Mattos. coincide ainda com o poder de Faissol.

Padre Laércio Dias de Moura e o Secretário Geral do CNG o engenheiro René de Mattos. que gerencia a transição administrativa ocorrida em finais de 1967. que transformou o IBGE em Fundação. Para que se tenha uma visão mais clara da transição ocorrida nesta época. a partir de 1968. principalmente após o golpe de 1964. Um outro ponto interessante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro. Todo o comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE e os nove sub-comitês também. 1998:93). posição que vai se acentuar com os resultados dos censos demográfico e econômicos de 1970. Miriam Mesquita. Lacorte. coordenado por Speridião Faissol. No novo Departamento de Geografia (DEGEO). . mas sob a chancela do IBGE (Associação dos Geógrafos Brasileiros. Marilia Velloso Galvão.Dentro deste contexto. Professoras como Maria do Carmo Galvão. Maria Helena C. que a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que ficou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa. O índice das nove excursões realizadas mostra uma forte tendência para as questões urbanas. Solange Tietzmann Silva. colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal. inicia uma grande reforma nos cargos de chefia do departamento (anexos Documentos Administrativos) e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). organizados no IBGE durante as gestões de Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970). os vice presidentes eram o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. Bertha K. que enfocava o processo de metropolização. Será neste novo contexto de pesquisa. sendo substituída por Marília Veloso Galvão em 1968. Processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na gestão Isaac Kerstenetzky nos anos 70. com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha. 1965:81). Becker. exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE como Olindina Viana Mesquita. os textos ainda espelham uma clara opção para a análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados. Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização. O presidente de honra era o General Senna Campos. Entre 1965 e 1967 Lisia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG. é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado no Rio de Janeiro em 1965 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. Haidine da Silva Barros e outros. a influência de Michel Rochefort é indubitável (Rochefort.

ocorridas durante o final dos anos 60. a preocupação final era gerar uma regionalização específica do tema tratado. Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9 ). aparentemente. Esses estudos deveriam dar conta de uma nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. a obra Subsídios à Regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade. . educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão). 1968: 180). Processo que duraria quase toda a década de 70 e que. apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10. Além das 208 páginas escritas. resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado. hospitalar e clínico especializado. 1977:13). servem como um ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal. que no caso específico do capítulo Centralidade (Corrêa. garantiriam subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas. de certa maneira. conduziram à necessidade de uma vinculação forte entre a Geografia e a Estatística foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de um novo Sistema de Planejamento criado nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco. No entanto. Indústria 22.Nova Geografia. População 10. 1963). Transportes 8. Geografia Quântica (sic) ou Quantitativa (Andrade. Este inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE. Em todas as séries. O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à Regionalização. ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade. Essas atividades e obras. conforme os estudos de Michel Rochefort e Jean Hautreux para a rede urbana da França (Rochefort e Hautreux. Os primeiros trabalhos que. terminaria no início dos anos 80 e reaparecendo sob outra forma nos anos 90. atual IPEA) para aplicação de um inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros. eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios. sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões. o primeiro do ciclo militar. considerado como uma síntese. avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços como o bancário. da qual a Geografia do IBGE fazia parte. isto é. que somada às informações intrínsecas ao assunto. que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. Agricultura 29. Geografia Teórica.

Primeiramente. pois os do IBGE estavam em fase de instalação. a saída de Lisia Bernardes em 1968. no Ministério do Interior. Um outro ponto de ligação se estabeleceu com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica. Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU). 1967) e Friedman era um conceituado planejador regional da Califórnia. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva um especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. que já havia colaborado com brasileiros na Bahia no final dos anos 50. no início dos anos 70 foi estruturada sobre vários fatores. sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (Berry. chega da Inglaterra o geógrafo John P. que havia ganho uma bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro e era também um especialista em métodos quantitativos. Berry era um dos principais líderes do segmento da Geografia americana que operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores. principalmente levando-se em consideração a magnitude espacial brasileira. embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio. posteriormente. onde assumiu cargos na alta administração e. No nível institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba antigos professores da PUC. 1959:99). As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC. para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA. na discussão sobre o conceito de Região de Planejamento (Santos. respectivamente. os dois geógrafos. . Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de teste de suas pesquisas. depois. Cole. como Secretária Geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE). Posteriormente. A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE. no novo governo da Fusão Rio de JaneiroGuanabara.1997:86). Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas que eram desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos. aliado ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. presidente e diretor geral do IBGE.O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ. O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. como uma série de coincidências e de golpes de sorte que o levou a conhecer Brian Berry e John Friedman (Faissol. estavam agora sem interloucutores. com muito trânsito na alta administração da universidade e que haviam sido indicados em março de 1970 para.

Ainda no contexto universitário.O afastamento de Lisia abriu um espaço importante no campo dos estudos metropolitanos. quando retornou de seu mestrado em Nottingham. onde a Geografia Física. que enfatizava uma combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática. uma boa parte dos geógrafos que estavam em cargos de chefia. e noções de computação (que na época estavam baseadas em conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran. como chefe do DEGEO. liderança que continua até hoje no campo do Geoprocessamento de informações. Basic. Estatística. como no caso de Olga Buarque de Lima e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva. onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas. incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de concentração em Geografia Humana. Indubitavelmente. quanto na de Geografia Física. PL1. como no caso de Olga. O GAM não existia na estrutura formal e seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol. Um outro fator foi a ausência de atribuições administrativas que fragmentaria os estudos e pesquisas. Em contraste com a do IBGE. quando retornou seu mestrado em Chicago. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer a pósgraduação ou na Inglaterra. que foi imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). Roberto Lobato Corrêa. que já estava alijada desde os anos 60. Muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques por que passava a Geografia foram entabuladas entre os ibgegeanos e os professores de Rio Claro. pertencente a Universidade Estadual Paulista (UNESP). Além disso. Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos. as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia física e da humana. criado em 1972. Maurício de . não se mostrou interessada nas novas técnicas. O interessante é que em Rio Claro. O lançamento de um periódico denominado estranhamente de Geografia Teorética torna-se o porta voz do movimento na UNESP. que tornou-se um polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. quando redigia sua tese de doutoramento). Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso. como Pedro Geiger e Elza Keller chefes de divisões e a própria Marília Galvão. assim como Olga Buarque de Lima. neste contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira. também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas. já utilizadas nos centros de computação das universidades). o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ. ou nos Estados Unidos como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva ( que veio a falecer em Chicago. Uma outra frente de pesquisas foi aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro.

passando pelas técnicas de análise fatorial. tentando reconstituir . análise regional.Almeida Abreu. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. Em seu depoimento. migrações internas. Olsson. A RBG 47 (1/2) de 1985. Perroux. como agência possuidora do maior banco de dados do país. uma seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos. pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional. quando retornou de seu doutorado em Ohio. a carreira de Faissol alcança prestígio e poder tornandose em 1973 Superintendente da Superintendência de Pesquisas. até a saída de Isaac em 1979. Em 1989. correlação canônica. A produção geográfica desta fase é predominantemente de Speridião Faissol. Inicia explicando o “como foi”. ele considerou que não foi uma tarefa fácil. por conta da facilidade de captura do dado e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores.1989). lista 20 trabalhos sobre urbanização.1978). coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol entre 1970 e 1978. desenvolvimento econômico. análise discriminante. os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação aos de outras instituições. posteriromente alterada para Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e em 1977 torna-se Diretor Técnico. além de escrever. que mostrou uma impressionante capacidade de. em virtude da estrutura do órgão. No contexto da Geografia Econômica. No plano interno da Geografia e do IBGE. estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. iniciaram um período de alta produção de artigos e livros. (depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). e utilizando técnicas que de certa forma aceleravam os resultados. Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (Faissol. teoria. também organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina. além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil ( o exemplo de Akin Mabogunje. já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. cadeia de Markov. Professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI é o mais relevante). Lasuen e Dacey e o volume Tendências Atuais na Geografia Urbano/Regional: teorização e quantificação (Faissol. além de gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento. análise de grupamento.1975).

Faissol explica num importantíssimo pé de página (Faissol. e não um americano ou europeu que não conseguem perceber as dificuldades inerentes a qualidade ou não do dado... que vieram posteriormente. portanto. um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento. Willian Bunge. 1969). em Social Justice and the City. Harvey provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo. quanto nos desdobramentos que ocorreram a partir de 1973/74. uma Comissão de Métodos Quantitativos. Pedro Geiger e Elza Keller como sendo decisivas para a Geografia se fazer presente no sistema de planejamento brasileiro. dez anos antes do movimento quantitativo e parabeniza as participações de Lisia e Nilo Bernardes. quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (Harvey. David Harvey. sobre a participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares.as fases iniciais do processo. enfatizando a contribuição dos geógrafos como Brian Berry. Quanto as críticas. Ian Burton. foi muito importante pois tratava-se de um Professor de uma universidade de país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos. Na segunda parte do artigo. A parte final do artigo de Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teóricoquantitativo e analisa rapidamente a questão ideológica em linhas gerais e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física. nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas.1989:27). Derek Gregory. a função e atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 60. Tanto na fase inicial do processo. quando se inicia a relação entre a Geografia urbana / industrial e regional e as estatísticas visando o planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro. . Peter Gould. David Harvey se apresenta como um grande metodólogo da teorização e quantificação. pois não viviam com esses problemas em seus países. Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais. Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa. que havia criado no final dos anos 60. sendo. enfatizando a UGI. a primeira tinha sido Explanation in Geography (Harvey. Se em Explanation in Geography.1973). A figura do presidente dessa comissão o Professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje.

foram alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou o conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 70. sempre se argumentava. Reconhecidamente. inclusive nos capítulos citados. estatística . também. conforme se verificava que seria necessário tomar decisões cruciais em termos de carreira. Mas. p. pela unidade da Geografia.”Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia.. O sabor do novo versus o risco da troca entre o conhecido e o possivelmente inalcançável. pelo seu grande tamanho e por sua complexa estrutura interna. permanecia e permanece a questão: se o espaco é socialmente produzido. onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual”. Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e a organização agrária de cada região.50 Contudo. posteriormente que isto não seria viável. derivados das pesquisas quantitativas. alcançaram uma boa parte da Geografia acadêmica do Brasil. o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das pré-condições. O produto resultante apresentou-se intimidador. é importante assinalar que as dificuldades enfrentadas pela comunidade de geógrafos que não estavam diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação. mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro. estes foram dilemas que incomodaram inicialmente os ibegeanos. O exemplo da coleção Geografia do Brasil de 1977 foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE. pois grandes projetos como a coleção Geografia do Brasil. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau. correspondendo cada um deles a uma macro-região. E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço. foram bastante significativas. obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava. Apesar do aparente poder de produção. alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos que se vinculavam também à pesquisa. talvez muito otimismo inicial. O resultado foi. as principais modificações espaciais por que passam alguns processos de ocupação do território brasileiro. sofreram algumas pressões de parte dos quantitativistas para que os capítulos da parte humana fossem totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). editada em 1977 com cinco volumes. mas que posteriormente. Percebeu-se. Fase esta que se caracterizou por otimismos e incertezas. mais ou menos decenalmente. pois não haveria público leitor para este tipo de obra. seguido de uma crescente ampliação das incertezas. se ele é um conceito simultaneamente territorial e social. a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. matemática.

o presidente do IBGE Isaac Kerstenetzky. por parte dos geógrafos. Nas universidades. Sorre e Juillard. marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia. levou muitos a uma angústia disfarçada em mimetismo. que assumiu o IBGE durante o governo do General João Batista de Oliveira Figueredo. que os esforços de aquisição de conhecimento estariam muito além de suas capacidades. o que tornava ainda mais difícil o aprendizado... Beaujeu-Garnier. Esperar que a moda passasse. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras nos anos 70 era um tanto instável. a força da Geografia francesa centrada nas obras de Pierre George. economistas não necessariamente quantitativos no sentido econometrista do termo.e linguagens de computação necessários ao desenvolvimento dessas técnicas. Aprovar. apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística. mas uma concessão inócua. esforços de aprendizado e carreirismo. pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos. Jean Tricart. essas disciplinas eram “dadas” burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de matemática. mas a regra era esta. pois misturavam-se nas discussões. não contestar abertamente e. as facilidades computacionais de hoje. Em outras palavras. É claro que deve ter havido honrosas exceções. era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e . É importante frisar que não havia na década de 70. aguardar alguma novidade vinda de fora. As estadas de Werner Baer. um economista urbano com preocupações na distribuição de renda para trabalharem com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas com urbanização / industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil. Um outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia. Paralelamente aos trabalhos de Faissol. um economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira e Joel Bersgmann. status acadêmico e conhecimento. ao longo da década de 70. mas pouco fazer. procurou mesclar as áreas de conhecimento através do incentivo para a vinda de cientistas sociais. imposto aos piores do grupo. questões ideológicas e pragmáticas. Essa novidade efetivamente veio para selar o fim aparente da Quantitativa e confundir-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República. O reconhecimento. concordar. dar aulas para o curso de Geografia era considerado um castigo. Pierre Gourou. No fundo isso era visto como uma concessão aos novos tempos. ainda era perfeitamente sólida. Tempo que foi repentinamente abortado com a saída de Isaac do IBGE em 1979 e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979 – 14/03/1985).

era algo tão utópico que. caracterizou-se por um forte conteúdo ideológico dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política. os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra. era a incomoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. perseguições e impedimento do debate democrático. Foi neste espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica. Uma questão interessante que não era explicitada. essas cabeças foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia. . participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais. A ambigüidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares. que em sua maioria durante o regime militar. imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes a curto prazo. em virtude de estarmos em plena luta pela abertura política do país.matemática. ou de computação. três espaços foram prioridade de lutas. O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros. essa divisão era muito mais pesada. O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para que se estruturasse a delimitação de campos diferenciados. pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam um bom domínio dos termos específicos de estatística. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. instituição fortemente voltada para a pesquisa. isto é. mas que estava sempre presente. E isto tinha perfeita razão de ser. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos de AGB. Para o grupo de geógrafos que nasceram nas décadas de 20 e 30 e que tornaram-se líderes em suas especialidades. Os que ficaram e lutaram contra o regime. Portanto. em qualquer outra coisa! A Geografia Nova brasileira que estruturou-se no final dos anos 70 e prosseguiu durante a década de 1980. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade. pelo menos até o início dos anos 70. sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo. foram palco de medidas arbitrárias. cursos de aperfeiçoamento. para a avaliação interpares das pesquisas e para a formação de pesquisadores. No caso da Geografia. se por ventura tenha passado por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE. enquanto se aguardava os movimentos do tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. O primeiro foi a instituição universidade. os que ficaram e foram a favor do regime.

quebrar esta estrutura hierárquica da AGB Nacional. Neste espaço. passariam a ser bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo. e em 1969. percebe-se que o sistema de filtragem era rígido. a jóia da coroa era o IBGE e no IBGE. haveriam excursões de cunho informativo. sobretudo. Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956. na Assembléia de Vitória (ES) uma nova sistemática foi aprovada. poder de síntese. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979.. pudessem ter uma arena para debates acalorados como foram os casos de Pedro Geiger. em grande parte formada por estudantes. No decorrer dos anos 60. . mas dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade. provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma” (Andrade. 1991/19992: 137) O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”.. isto é as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar. que surgiu no período mais duro do regime.1956) sendo analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes. No caso da ABG o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas. redação em condições adversas.em reunião em São Paulo. nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade. com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (Geiger e Santos. as reuniões. mas ao se conversar com a “Velha Guarda” da AGB. com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembléia. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Itamarati. participação em trabalhos de campo. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. senso de direção e de escala. o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa. onde eram avaliados a disposição para o trabalho. Apresentações de trabalhos e respectivas aprovações pelos mais experientes. os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB e isso começou a ser percebido na década de 70. desenho de croquis e. que eram anuais. Portanto.. Em outras palavras. os sócios cooperadores conseguiram. chamada de Mandarinato era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. “. diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política.. percepção da paisagem. resistência física. Milton Santos. Armén Mamigonian e outros.onde a hierarquia estava vinculada ao saber e experiência. interpretação de cartas. portanto revestida de muitas conotações negativas no campo político. a quantidade de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar.

levantava questões sobre “A noção de Tempo nos Estudos Geográficos”(p. Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos (Santos. “Diferenças Entre Países e Disparidades Regionais” (p. quanto no Social Justice and the City de David Harvey ou nos trabalhos de Richard Peet. “Problemas de Escala” (p. I.22-23) e “Para uma Explicação Geográfica Tempo-Espaço” (p. mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e. sediada na USP lançou uma série denominada Seleção de Textos “. que na ocasião lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York. 1973). 1976). desses que o autor coloca na arena de discussão. o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético M. II. como é possível perceber no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer onde o autor. para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados. Era um típico artigo “ponta de lança”. sem rejeitar os métodos quantitativos. cuja tradução para a língua portuguesa acontece em 1979 com o título de O Espaço Dividido.1969). Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando. e atinge seu objetivo com L’Espace Partagé. 1965).20). com finalidade didático-científica”. O segundo artigo era de um exilado. 1975). A. (Bunge. por exemplo. “A Produção do espaço no Terceiro Mundo” (p.21). Milton Santos era na ocasião. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica. Em 1976 a Seção Regional de São Paulo da AGB.18-19). Este. editor da revista radical de esquerda americana Antipode. O título era Relações Espaço-Temporais no Mundo Subdesenvolvido e o seu autor. “Tempo Externo e Tempo Interno” (p. as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição. no caso. Les Deux Circuits de L’Economie Urbaine des Pays Sous-Développés (Santos. o .21-22). Al’Brut (Anuchin. apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos. prossegue com Les Villes du Tiers Monde (Santos. mas com bom potencial de novidade.20-21). n 3 de março de 1961 e foi traduzido pelo Professor Manoel Seabra da USP.. continua com Aspects de la Géogrphie et de L’Économie Urbaine des Pays Sous-Dévelopés (Santos.18). Milton mostrouse um mestre em artigos desse tipo. Este algo diferente era resultado de uma longa gestação intelectual iniciada ainda nos anos 60 com o livro A Cidade nos Países Subdesenvolvidos (Santos. entendendo também que no exterior. 1979).1971). “Sistemas de Tempo e Sistemas de Espaço” (p. ao mesmo tempo. O número 1 trazia uma transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V. “Um Princípio Ordenador” (p.. O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v.23).19-20). “Centro-Periferia” (p. destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos.É com esse pano de fundo que se deve avaliar os acontecimentos de 1978 na Assembléia da AGB de Fortaleza.

quando era professor do ensino médio. a minha ida à Cuba com Jânio já me tinha a inclusão do meu nome lista do Exército.. onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso. digamos assim. o Presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. Na realidade. fonte dos seus dissabores. quando eclode o golpe.Em 1977. Em seu depoimento na revista Geosul. Eu tinha bons amigos. Ao chegar aqui.. a minha saída do Brasil. como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito. a pessoa que negociou com o governo federal militar. passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964.. quando já havia fixado residência em São Paulo após sua volta. quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia neste processo. Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular. Milton assina dois artigos. desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista da Educação e Cultura de Salvador. amigo . Uma visão bem diferente do artigo Geografia e Desenvolvimento Econômico (Santos. a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda. mas eu estava em Paris. um grande homem. forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani. Um Cidadão do Mundo em homenagem a Milton Santos.. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (Souza. O Mundo do Cidadão. O processo de prisão e o posterior exílio é marcado por fatos contraditórios por parte das autoridades. 1996:485).. foi reitor e que foi. por exemplo. O primeiro. a revista Antipode ( a radical journal of Geography) lançou um número especial sobre Geografia e Subdesenvolvimento organizado por Milton Santos. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. Lá estão registradas todas as sua publicações e apresentações. Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro. Milton Santos rememora sua participação no Governo de Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia. (Santos. “ Miguel Calmon. Phil O’Keefe e Richard Peet.. quanto é exilado por força do golpe militar. 1959). 1991/1992:183). A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza. “Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador. Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy i underdeveloped countries era uma síntese de seu livro o Espaço Dividido e o segundo. pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes. Planning Underdevelopment tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para sua penetração em países subdesenvolvidos.

Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia. aquela gente da marcha da família. ao mesmo tempo. a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon. política e acadêmica.. através de Pierre George. Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada. 1991/1992: 184/185). Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu”. não me satisfazia. me instalei lá. porque ele precisava de um bode expiatório.. Diário de Notícias). porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã. quer dizer.éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído.. que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são. René Dugrand.. Milton Santos explica que. na construção de uma nova teoria geográfica. a querer fazer outra coisa e é aí então.fraternal. Não foi obra do acaso. como forma de liberar o Lomanto. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64.Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão. isso servia ao movimento e me foi útil. o que foi uma grande gentileza. da propriedade. Bernard Kayser. e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964. nem foi erupção espontânea.. Comecei então. uma outra forma de ver o Terceiro Mundo. por que Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58. digo nacional. para que ele pudesse se manter governador. ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros. !964 chega. ”.. graças então. porque estava sozinho. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária. Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos. Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar.. a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo. Fui para Toulouse. tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras . Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o Marxismo. deixei de ter a solidariedade de muita gente. cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes.. Santos também fala que. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia. dispostos a mudar seu rumo.. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora . recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade. a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora. cheguei a conclusão que aquilo que eu ensinava. onde queriam me crucificar. “.. Manoel Correia e Araújo Filho. ildo na Escola Francesa. onde está o editorial que marca essa mudança de tendência. digamos assim. 192) Quanto a sua volta e o Congresso da AGB de Fortaleza. que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho. mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort.” (Santos . Ainda na prisão. que não me deixaram entrar nas listas de cassação.” “. solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar. eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia. sobretudo o Armen. sentido acadêmico. com quem sempre mantive relações muito boas.nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória .. se não fosse Armen. Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira.. No houve apenas gratuidade. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. a vigilância foi afrouxada.. Dando aula na França. o n 51. uma nova posição que fosse também. que vem essa vontade de teorização sobre urbanização. Eu fui instrumental a esse movimento.. Isto provocou uma comoção nacional..” (p. eu fui preso.... “ . dentro da Geografia.então. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta. Em 64 então. gente de bem. Lembro daquela famosa reunião da AGB. etc.

nem partidos. Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira.e que não precisou estar amarrado a grupos. Vim para São Paulo. Na seção Idéias e Fatos (p. onde fiquei até 1983. Revista Civilização Brasileira. Em 1980 a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74.302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia. Rio de Janeiro e São Paulo. Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa.” (p. Ariowaldo Umbelino de Oliveira. Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores. 196) “. vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em plano mais abrangente. Encontros com a Civilização Brasileira. fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. quando então fui para a USP. . Isto tem que ser dito. citando o Boletim Paulista de Geografia. um conjunto de textos sob o título de Geografia e Sociedade: Os Novos rumos do Pensamento Geográfico com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (Da “Nova Geografia à “Geografia Nova”). decidi me transferir para o Rio de Janeiro. que sempre uma estratégia de longo prazo. para conseguir um lugar no país. o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ. me deu uma cobertura nacional..” (p. nem de curriolas. Armando Corrêa da Silva. Contexto da Hucitec. decidiu me convidar. inicialmente estava subdividida nos que criticavam a Geografia Oficial. A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia Repensada Politicamente e cobria democraticamente áreas da Economia Política. 197) Como disse Milton Santos. Eu depois de hesitar. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (É Possível uma “Geografia Libertadora”?). João Mariano de Oliveira (Revendo Criticamente a Geografia) e Milton Santos (Reformulando a Sociedade e o Espaço). No Rio de Janeiro. Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves ( PUC) e em São Paulo. Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes. Território Livre da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE).. porque a AGB através desse movimento. A diferença. Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que eqüivalia a possibilidade de me tornar professor titular. onde estou até hoje e espero ficar. Ruy Moreira (Geografia e “Práxis”). uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker. as presenças de Milton Santos (UFRJ) . Sociologia e Geografia. nem de tendências. Armen Mamigonian. o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal com Manoel Seabra. denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação.

A estrutura estava dividida em dois blocos. no de Ruy Moreira Repensando a Geografia (Moreira. 1982:131-139).. como no caso do artigo de Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa A Geografia e o Processo de Valorização do Espaço (Moraes e Costa.135) A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debate.. que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam. Por isso Marx lhe consagrou. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “Congelamento dos Conceitos” dando o exemplo sobre o conceito de consumo “durante a vida de Marx. Milton Santos.” (p.. 1982:35-49) e no de Ariovaldo Umbelino de Oliveira Espaço e Tempo: compreensão materialista de dialética (Oliveira. relações de produção. Era a produção propriamente dita. o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta . 1982:66-110). forças produtivas. junto com a circulação. com uma incrível visão premonitória. a partir do concreto. Contribições Brasileiras à Teoria da Geografia e Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros. luta de classes etc.134). “Noções como modo de produção. Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948. o de idéias. escreveu um artigo que passou meio despercebido na época. liga-se ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar. se não reexaminadas. quanto ao erro do uso automático da terminologia. Nos anexos. mas que no fundo. dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e a evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias. em sua obra. . Nele. No bloco de contribuições teóricas. alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista.O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título de Novos Rumos da Geografia Brasileira .” (p. na visão de alguns tornam-se auto-explicáveis. Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia. editado pela Hucitec em 1982. sonoridades ineficazes. como forma de criar um campo de termos que. o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. com o confronto de resultados referentes às interpretações fatuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores. que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. apenas. 1982:111-130). chamava-se Alguns Problemas Atuais da Contribuição Marxista à Geografia (Santos. com o confronto de sistemas de referência e do trabalho empírico. mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox.

É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou um grande impacto no alunato do início dos anos 80. e urbana Notas sobre a Geografia Urbana Brasileira (Armen Mamigonian). Estrutura Agrária e Dominação no Campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves). Explica as principais noções de escala e mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. na linguagem técnica editorial não autorizada. Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros foi reservada para os trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira. havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na Mesa Redonda da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no Rio de Janeiro em 1980 Crise Econômico-Social no Brasil e o Limite do Espaço que abordava algumas questões concernentes ao marxismo como crise do capitalismo. O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a antigüidade e a Geografia dos Professores universitários iniciada no século XIX na Europa. isto é. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnan do Norte e Camboja. desenvolvimento desigual e combinado. e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também. isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC. a principal obra de referência do período foi Por Uma Geografia Nova (Santos. 1978). pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época. leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnan) e da excelente prosa de Lacoste. mais a introdução e . havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. No caso paulista. No entanto. a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc. em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos. apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste. Paralelamente ao movimento dos professores. UERJ ou UFF. a organização sempre foi uma das características.A segunda parte. quanto em segmentos específicos como a questão agrária. no Rio de Janeiro. tanto na área do pensamento geográfico O Pensamento Geográfico e a Realidade Brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos Rumos para a Geografia Brasileira Milton Santos). Não era uma leitura fácil. Foi por conta desse movimento que foi editado o livro de Yves Lacoste A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra (cuja edição original da Maspero de Paris de 1976. tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977) essa edição carioca era.

me criou uma repercussão nacional.” O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se. Milton conta em seu depoimento na Geosul (Santos 1991/1992:196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro. as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global (Araújo.A AGB. provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos. onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco. obviamente negativos. apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica. conflitos internos nos países africanos). conflito árabe-israelense. principalmente nos cursos de formação de professores.. razão pela qual eu insisti com o editor. portanto que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 80/90. nos anos 80. quando em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 60/70. Entretanto. Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores.. que deveriam ser apenas palcos de debates de idéias. Um bom exemplo desse tipo de obra pode ser vista nos trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (Corrêa. substituindo autores da velha guarda como Nilo Bernardes ou Aroldo de Azevedo. A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. . De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física. que passaram a ter uma postura crítica. “. porque sabendo que o Brasil é um país oral. Os resultados foram. crescimento econômico de alguns países asiáticos. para publicar rapidamente o meu livro ‘Por uma Geografia Nova’. eu teria de ser conhecido antes. quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom.. Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas tomaram o lugar na preferência dos professores de ensino médio. quando analisavam alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo. sua interpretação não é imune a controvérsias. que me foi encontrado por Florestan Fernandes. Editoras como a Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve. E assim foi. passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”. questões pessoais vinculadas à lutas de poder nos ambientes institucionais. principalmente nos períodos iniciais do movimento. digamos assim. eu diria que para ser lido depois.conclusão. 1995). 1986 e 1989) da Ática. É necessário. O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época.. que eu sentia que ia durar pouco. pois misturavam-se nas arenas.

Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais.Um outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica como foi o caso da Geografia Física tomada por positivista. com a teoria dos sistemas. Boletim Baiano de Geografia. Inicialmente Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no contexto editorial quando assume a responsabilidade editorial da Notícia Geomorfológica e posteriormente passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia.. como referência de determinadas linhas de pesquisa e dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento. considerada também como quantitativa e por isso mesmo sujeita ao repúdio total. como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber.. analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações. Boletim Paulista de Geografia. Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de São Paulo). fruto de uma comunicação apresentada num Simpósio Sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991. Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro. Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti que. Lembra também sua preocupação com a feitura sistemática das resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica. Orientação. rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. Em seguida analisa o contexto da chegada no Brasil da “Nova Geografia”. principalmente nas fases iniciais do processo. “Envolvido com os estudos geomorfológicos. em 1992. Na parte C de sua resenha. por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). em vez . Explica a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de testes e adaptações. publicou no periódico Geografia uma resenha denominada O Conhecimento Geográfico no Brasil: Considerações de um Geógrafo. Boletim Gaúcho. mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas.

1991/1992:237) comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram tornando-se cada vez mais conflitantes. Na década de 90. que compunha minha diretoria. tais idéias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. um grupo criou a chamada Geografia Radical. pois além dos problemas sociais.. Por outro lado. só os fenômenos sociais têm significação? Contudo. toda igualzinha. Geografia Crítica ou Geografia Marxista. englobadas com interpretações impróprias. primeiramente em 1989 na Alemanha...Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões eqüivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar.... Em conseqüência dessa atitude. com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental e posteriormente com a dissolução da URSS. o Grupo Radical..de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas. Biogeografia. os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional. Orlando Valverde. principalmente no se referia ao desprezo que era passado às questões ambientais.237) Foi justamente no final dos anos 80 e início dos 90.Hoje em dia muitos reconhecem isso. que os acontecimentos políticos na Europa. não aceitou absolutamente. anteriormente relegado ao segundo plano. e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores.” “. . Então. eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo. descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia.. tal qual se apresentava nos anos 80. mas por causa dessa postura. entre 1984 e 1986. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina. Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade. Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia. Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nesta inflexão.... associado à uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente. no espaço geográfico dos países mais pobres. Acho que. de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica. Clima. alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar portanto de Geomorfologia. sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB. selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica... foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 80. Sua principal obra dessa época chama-se Técnica. Em seu depoimento à Geosul (Valverde. ” ..112). quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia” que deveria apenas ocupar-se do social. alertando principalmente sobre as conseqüências positivas e negativas. etc.” “.”(p. o que para mim é errado. a AGB precisa de um mínimo de organização. observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica” (p.. Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países. até hoje.

. Rivaldo Pinto de Gusmão. o que chamava-mos de Geografia Quantitativa na década de 70. Foi necessário entender também que. As contribuições de Maria Luisa Castello Branco.. Ainda não chegamos ao refinamento desejado.” A técnica é a grande banalidade e o grande enigma. Olga Becker. o problema da mundialização da produção. os projetos de diagnósticos integrados realizados principalmente na Amazônia ( Diagnóstico Brasil. Antônia M. São desta fase.Espaço.20). com o título O período técnico-científico e os estudos geográficos . que tinham de exprimir numa única linguagem. região do projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI). apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos. nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo.M. pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais. Com a volta das preocupações ambientais. só foi devidamente absorvida pela Geografia brasileira. modela nosso entorno. capítulos de livros ou de outras coletâneas. textos de conferências e seminários. em comparação com os computadores de grande porte que eram utilizados por uma minoria nos anos 70. cada vez mais poderosos e baratos. Projeto Nossa Natureza. Esses trabalhos. o . do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica. produzidos em sua maioria no início dos anos 90. ocorrida na década de 90. 1986. via democratização do uso dos computadores pessoais. o próprio IBGE. acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Humana. 1994) foi estruturada como uma coletânea de artigos. inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Físicas e Humanas da Geografia. incluindo também outras áreas do conhecimento como Biologia e Geologia por exemplo. Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar. que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto RADAM. nos impõe relações. e é como enigma que ela comanda nossa vida. Ferreira. podemos perceber o quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX. publicado no n 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington. Diagnóstico da Amazônia Legal. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 80. Teresa Cardoso. uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados. Carajás. Essa abordagem passa a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros. administra nossas relações com o entorno” (p. Tempo: Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional (Santos. Entorno do Distrito Federal e Gerenciamento Costeiro). mas quando voltamos nosso olhar para as décadas anteriores.

Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana foi muito rica. democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados. correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados.Programas de mapeamento automatizado. II e III desta parte. Hervé Théry e brasileiros como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira. Além disso. . que posteriormente ficou conhecida como a “Velha Guarda do IBGE” serão explicitados nos demais capítulos I. Mesmo com esses problemas. apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação entre os equipamentos computacionais entre as instituições. no plano da prática profissional.0. muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngües. no plano acadêmico. Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia hoje. situados em sites que podem ser acessados via Internet. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh / Sistem 8. objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular. vista sob a ótica do IBGE. Dora Hees. pelas matrizes de pensamento geográfico oriundas da Europa e Estados Unidos e. através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais. Os papéis desempenhados. pois a troca entre profissionais franceses como Philipe Waniez e Violette Brustlein. ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie que mostraram o caminho e as possibilidades futuras. a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa. pela liderança e carisma de professores e pesquisadores estrangeiros que vieram preparar uma elite de geógrafos. mas o IBGE ainda é fortemente atrelado ao PC / Windows. Monica O’Neill. servirá de pano de fundo para o entendimento do processo de formação do pensamento geográfico brasileiro. Este grande panorama da dinâmica da Geografia brasileira. No contexto ibegeano. foi também de muita valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira. o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados.

1990 e 1999). Estados Unidos e Canadá. tendo como agência chave o IBGE. os principais temas vinculavam-se aos aspectos teóricos da disciplina. Bertol Domingues. principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930. Machado (1995 e 1999) e Domingues (1999). necessariamente. Nessas arenas. também aborda esses problemas conceituais e metodológicos por que passou a disciplina. ou na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado. Em se tratando de instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual.Parte II Capítulo I . 1982). visando a criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente com os outros países através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional. atual Sociedade Brasileira de Geografia∗ . resultados de ações entre governos do Brasil. que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 30 (Oliveira . Primeiramente com a França. mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual). (Zusman. criada em 1938 e das antigas instituições como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883. a relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte pensamento geográfico (Machado. Um outro segmento de consolidação dos estudos geográficos se deu através das associações culturais e profissionais como a Associação dos Geógrafos Brasileiros. principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e Estados Unidos. 1996). França. Nilo Bernardes em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (Bernardes. 1998:197 ou 1999: 2-3). A principal razão de sua estruturação foi. ∗∗ do . (vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária. Antônio Carlos Robert Moraes tratou detalhadamente.O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas sociedades geográficas. como se pode perceber nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira. será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica. foram nelas que se instituíram as principais arenas de discussão dos temas geográficos. dessas instituições. tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro. tempo em que essas questões foram A tese de Perla Brigida Zusman na Usp sob a orientação do Prof. diferentemente das áreas de discussão no governo. Lia Osório Machado e Heloisa M. na universidade e no IBGE Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo.

a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem. ou eram especificamente indicados por eles. Lyon. em seus depoimentos. passando a sofrer também uma influência da escola americana e. conflitos entre o Determinismo e Possibilismo. como as obras Vidal de La Blache. Montpellier. Jean Brunhes. que o poder das escolas de pensamento geográfico sentir na formação dos geógrafos brasileiros. Essa tendência só não tornou-se totalmente francesa. posteriormente. nada menos do que três gerações de profissionais. por conta dos caprichos da Segunda Guerra que inviabilizou a ida de Geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para Europa. nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer de sua vida profissional. Max Sorre e outros. sobretudo no IBGE. Questões como a precedência entre Geografia Física e Humana. da alemã. foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF. tanto do IBGE. e pelos esforços dos americanos em garantir também um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE. a americana) se fizeram . É possível perceber que a hegemonia da escola francesa foi incontestável. a partir de 1947.∗ Essa predominância da escola francesa foi também confirmada. Toulouse. Jean Tricart e Michel Rochefort foram as principais fontes de conhecimento geográfico para. Bordeaux. em cidades francesas como Paris. além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade. quanto da universidade no sentido mais geral. e que os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles. geralmente por indicação de algum professor como Francis Ruellan e Michel Rochefort principalmente. Pierre Deffontaines . também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia.apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. Se levarmos em consideração que as figuras de Geógrafos franceses como Emmanuel de Martone.que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos como Jean Brunhes. Pierre Mombeig. foram os principais mecanismos de consolidação de uma tradição de pensamento francês na Geografia brasileira. André Cholley e outros. Estrasburgo. 1980). pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968. Todo um processo de aprendizado profissional que incluía. Pierre Deffontaines. durante o período do conflito. após 1935. como parte de uma campanha de aproximação do governo Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa . ∗ (francesa hegemonicamente. Grenoble. Foi a partir desses cursos. indiretamente. Francis Ruellam. Camille Vallaux. (Buttimer. com algumas ligações com a alemã e. a dicotomia entre Geografia Sistemática e Regional.

o trabalho de Antônio Pedro Tota no campo das relações culturais (Tota. . Northwestern e Chicago. Preston James e Richard Hartshorne (Barton e Karan. entrevista) para trabalhar até 1950. na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do Nazismo. para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 ( Waibel 1949). ao trazer um convite do Governo americano. Clarence F. o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs e suas ações no campo cultural. Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946.2000). Fábio de Macedo Soares. Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil durante a Segunda Guerra. em 1945. Jones. convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos. Lúcio de Castro e Lindalvo Bezerra foram os indicados para Winsconsin. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. Para ele. A importância dos trabalhos de Leo Waibel. é importante para se entender as funções de uma outra agência. como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território. universidades especializadas em estudos regionais voltados para o processo de ocupação do território. José Veríssimo. Jorge Zarur. estudar em universidades americanas. torna-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. órgão da estrutura do Estado Novo. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE). 1992:56). tendo como principal ferramenta a colonização dirigida.americano. Orlando Valverde. Jones. da qual o planejamento do Vale do Tennessee foi um dos principais projetos. tomou contato com a escola americana de Geografia voltada para o planejamento espacial do New Deal de Franklin Roosevelt. que em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin∗ e depois para uma especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago. principalmente os sobre habitat rural e núcleos de população. que tinham como objetivo a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil. seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. pode ser avaliada através de um artigo que tornou-se clássico. Seu retorno ao Brasil faz surtir um efeito quase imediato. Agências de Inteligência americanas como o Office of Strategic Service (OSS). ∗ Tornando-se o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior. e o Army Map Service (AMS) empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra como Cotton Mather.

West no capítulo introdutório do Pioneers of Modern Geography: translations pertaining to german geographers of the late nineteenth and early twentieth centuries (West. mais tarde influenciar alguns geógrafos brasileiros. muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. professor da Universidade do Brasil e fundador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil . Nilo. Seria importante contextualizar também a influência da escola alemã na geografia americana. que dentre elas a Geografia desempenha ou deveria desempenhar. que iriam. Este processo de ascendência intelectual foi analisado por Robert C.“A colonização é o problema mais fundamental do Brasil.Y. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra?” ( Waibel apud Bernardes. City Coll. Não há dúvida. Richard Hartshorne e Preston James acabaram por influenciar geógrafos brasileiros que posteriormente tornaram-se líderes em suas áreas de pesquisa. foram discípulos de mestres alemães. Terry Jordan (U. 1990:2 table 1) . seu professor em Heidelberg onde lecionou de 1898 a 1928.) Carl Sauer (Berkeley) Nevin Fenneman (Cincinnati) Richard Hartshorne (Michigan e Winsnconsin) Carl Sauer (Berkeley) Carl Sauer (Berkeley) Preston James (Michigan e Syracuse) Especialidade Habitat rural Eduard Hahn Paleo-agricultura Domesticação História da Cultura Geografia Histórica Geografia cultural Geografia Regional (Chorology) Otto Schlüter Alfred Hetner Siegfried Passarge Geografia da Paisagem Geografia Regional Desses geógrafos americanos influenciados por alguns geógrafos alemães como Carl Sauer. 1952: 75-76). pois importantes professores americanos. da escola alemã de Geografia. dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. um papel importante. O problema da colonização é. Hilgard O’Reily Stermberg. principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941). porém. Texas) Carl Sauer (Berkeley) Fred Simoons (Davis) Erich Isaac (N. ainda que indireta. Fred Kniffen (LSU). naturalmente. corporifica-se a influência. Some german-american connections in the twentieth century Geógrafos alemães August Meitzen Geógrafos americanos (universidades) Carl Sauer (Berkeley). Com os trabalhos de Waibel no Brasil.

(depoimento de Elza Keller). Jorge Zarur. Walter Egler.(CPGB) foi influenciado por Sauer em Berkeley . evitando assim que apenas um só chefe de escola trabalhando no Brasil (Francis Ruellan) ficasse com a incumbência de repassar as principais matrizes de pensamento da época. com os estudos agrários (Elza Keller) e estudos urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas (Pedro Geiger e Míriam Mesquita). Míriam Mesquita. possivelmente foi uma variável importante. pois Leo Waibel falava alemão e inglês e não o idioma francês. Míriam para Lion e Heldio para Strasburg. Durante o final dos anos 40 e início dos 50. somadas ao trabalho de orientação que os outros geógrafos estrangeiros que nos visitaram. mobilizou um restrito grupo de profissionais que iniciou pesquisas sobre o processo de colonização. principalmente por intermédio dos professores Preston James (Syracuse) e Clarence Field Jones (Chicago). assim como Orlando Valverde foram alunos de Hartshorne e Leo Waibel em Geografia Regional na Universidade de Winsconsin e Speridião Faissol. Geiger para Grenoble. Elza Keller. A barreira da língua. que era o mais difundido no conjunto profissional do IBGE na época. Speridião Faissol. a geografia francesa retoma sua liderança através dos esforços de Francis Ruellan que. e Heldio Xavier Lenz Cesar) seguiram para a França. Fábio de Macedo Soares Guimarães. foi. este grupo restrito de pesquisadores que trabalharam com Waibel entre 1946 e 1950. este grupo ampliou as possibilidades de conhecimento geográfico que a geografia francesa tinha para oferecer naquele período. criaram uma geração pioneira de geógrafos que se especializaram em campos distintos como Geomorfologia (Miguel Alves de Lima e Heldio Lenz). Com o final da Segunda Guerra. Lúcio de Castro Soares e Orlando Valverde todos falavam inglês. Apesar das dificuldades do pósguerra. Elza para Montpellier. a americana ainda se fazia sentir nos trabalhos de geografia regional do IBGE. De certa forma. no início dos anos 50. posteriormente. prepara juntamente com a direção do IBGE. ocupação agrária do território e um pouco de biogeografia regional. Portanto. cinco profissionais do IBGE (Miguel Alves de Lima. Pedro Geiger. em 1947. sendo que Egler era o único que falava alemão. apesar de hegemonia inconteste da escola francesa. que trabalhou inicialmente com Waibel no Brasil. A vinda de Waibel para o IBGE em 1946. aluno de Preston James em Syracuse e trabalhou com ele no interior do Brasil estudando colonização. uma nova turma de geógrafos brasileiros para diversas universidades francesas. Miguel para Paris. que . Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo aprendidos nas universidades francesas. como Nilo Bernardes.

elaborando trabalhos importantes. Clarence Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). Speridião Faissol e José Veríssimo em estudos de colonização e utilização da terra. O Congresso Internacional da UGI de 1956 marcou uma nova etapa entre a geografia francesa e a brasileira. 1954. foram Jean Tricart na Geomorfologia e Michel Rochefort nos estudos urbanos. mesclando./dez. além de um relatório de uma expedição. conquistavam cada vez mais adeptos no Brasil. foi o período em que os geógrafos do IBGE tornam-se efetivamente./set. 1953. A década de 50. 1946b. 1965). 1963.trabalharam com Jorge Zarur. os principais atores dessa fase. Mato Grosso. jul. Os trabalhos de Sorre sobre novas formas de habitat surgidas no pós guerra (Sorre. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. as influências germano-americanas com a francesa. produtores autônomos. Goiás e Minas Gerais). além de estabelecer comparações entre os dois sistemas econômicos representantes da Guerra Fria ( George.1939) e durante sua estada no Brasil em 1948 publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no Nordeste na RBG 11(1) jan. que mantinha sua hegemonia. principalmente sua segunda metade. 1949. quando possível. pois além do artigo de Jones. estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil. Jorge Zarur e José Veríssimo já haviam estudado com Clarence Jones em Chicago respectivamente em 1942/43 e 1945/46. 1946a. 1950 (Por sinal um número muito importante para o tema colonização. 1955. Além desses. . feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo./mar. Em 1952. 1961). 1949. a absorção dos ensinamentos de mestres como Maximilian Sorre e Pierre George nos campos da Geografia Humana e Econômica. Preston James estudou o problema de colonização. em função da sistemática política de especialização dos geógrafos da casa em universidades e laboratórios franceses. oferece uma bolsa de estudos para Speridião Faissol fazer o doutoramento em Syracuse. 1948) e suas abordagens sobre as relações entre as áreas da Geografia Física e Humana (Sorre. que se prolongou pelos anos 60. Ambos trabalharam em pesquisas que envolveram técnicos do IBGE e pesquisadores de universidades de alguns estados (Tricart na Bahia e Rochefort no eixo Rio-São Paulo). além das obras de Pierre George sobre diferentes aspectos da Geografia Econômica analisando vários continentes. concluído em 1956. 1950. por ocasião de suas estadas no Brasil em 1948 e 1949 respectivamente.

marcas estas que até hoje ainda podem ser percebidas nas ementas de cursos de graduação. Portanto. Na USP. se deram através de Maria Adélia Aparecida de Souza após 1968 (Rochefort. em virtude de conflitos com Speridião Faissol no final dos anos 60. Teresa Cardoso da Silva. ao voltar em 1960. encaixaram-se perfeitamente nas preocupações que os técnicos do governo federal já estavam levantando em relação ao processo de urbanização brasileiro que se delineava no início dos anos 60. deixou de colaborar sistematicamente com o IBGE. a ligação entre o “método Rochefort” e o planejamento urbano-regional da Geografia do IBGE. Elza Keller. quanto nas universidades. principalmente após o golpe militar de 1964. Pedro Geiger. Michel Rochefort e Jean Tricart . posteriormente. os mais importantes embaixadores da Geografia francesa nos anos 60. quando. aconteceu na segunda metade da década de 60. 1968 e 1989). mas mantendo ainda contatos de trabalho com Lisia Bernardes no IPEA e Ministério do Interior. principalmente por conta de sua aluna de pós graduação em Strasbourg no final dos anos 50. que garantiu a muitos professores baianos da área de Geografia Física completarem sua pós graduação na França. Rio de Janeiro e São Paulo. principalmente. foi para Universidade Federal da Bahia e por intermédio de Milton Santos. foram após Ruelan e Monbeig. principalmente em São Paulo. sendo que Rochefort ainda continuou a tarefa na década de 70. ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. nas décadas de 50 e 60.que foram analisadas por Roberto Lobato Corrêa em duas ocasiões (Corrêa. Fany Davidovich e. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (Tricart e Silva. seus contatos mais estreitos. além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg. 1998:7-10 prefácio de Maria Adélia). quando essas preocupações ligadas ao binômio urbanização/industrialização tornaram-se maiores na área de planejamento federal. Teresa. tanto no IBGE. Suas ligações com Lisia Bernardes. Os estudos de Michel Rochefort sobre redes urbanas no final dos anos 50. A influência de Rochefort nas linhas de pesquisa de Geografia Urbana do IBGE nos anos 60 foi inquestionável.foram as principais marcas da escola francesa de Geografia no ensino e pesquisa da Geografia brasileira. caracterizado por um forte crescimento demográfico nas duas principais metrópoles. já sob os auspícios das ações dos ministros do Planejamento Roberto Campos. A Geomorfologia desenvolvida por Jean Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia. . 1968). durante o governo do General Castelo Branco (1964-1967) e Hélio Beltrão no do General Costa e Silva (1967-1969). Orlando Valverde. Roberto Lobato Corrêa garantiram um fluxo de projetos sobre redes urbanas.com um doutoramento orientada por Tricart.

uma interessante matéria foi publicada no número 19. 1994:44). do acompanhamento dos processos da ocupação humana e econômica. Essa assertiva de Maurício Abreu toma como referência temporal o período dos anos 60 ou. “Não foi.. isto é. Léo de Affonseca. que as mudanças que já vinham ocorrendo na Geografia Tradicional brasileira levariam-na certamente a essa direção. A errônea versão de que a Geografia fez o seu début com o planejamento. o período caracterizado pela influência dos estudos baseados no método Rochefort de redes urbanas. Porém. sob a batuta de Speridião Faissol. talvez. Nela é exposta minuciosamente a estrutura e objetivos do IBGE tanto para a Estatística.É importante levar em consideração que não houve nenhuma luta teórica entre franceses e americanos pela hegemonia de suas respectivas escolas no Brasil. Não restam dúvidas de que as relações entre a Geografia feita no IBGE e o que se convencionou chamar de planejamento. ano V (1944) da Revista Brasileira de Estatística. somente no contexto da New Geography ou Geografia Quantitativa. possuem datação bem precisa. ocorrido na década de 70. Essas relações objetivavam o gerenciamento do território via. um roteiro diferente” (Abreu. parece ser o resultado de uma série de lapsos de memória. a segunda metade dos 50. iniciando no período imediatamente anterior ao Estado Novo de Vargas. como Castro e outros. Cristóvão Leite de . até porque as relações entre França e Brasil neste campo sempre foram hegemônicas. outros. Mário Augusto Teixeira de Freitas. e legitimando-se nele. Tratava-se da reprodução de uma das reportagens elaborada por um jornalista do Correio da Manhã. A guisa de exemplo. posteriormente. conhecimento sistemático dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. José Carlos de Macedo Soares. da infra-estrutura instalada ou a instalar. pode-se afirmar inclusive. Adalberto Mário Ribeiro que produziu uma série sobre os principais serviços públicos do período Vargas. as vinculações entre planejamento e Geografia são bem anteriores. adotando a versão da súbita hegemonia da escola americana que introduziu os métodos quantitativos na Geografia do IBGE. quanto para a Geografia. mostrando claramente o que era planejamento na concepção de gestores do Governo Vargas. ainda que seguindo.. Juarez Távora. possivelmente levados à esquecer por diferentes mecanismos e. quando muito. Maurício Abreu comenta que . dos geógrafos ibegeanos que viveram a maioria dos períodos. alguns de caso pensado. por obra e graça da “Quantitativa” que a vinculação da Geografia com o planejamento se realizou no Brasil. 1994 e 1995). A nível de (sic) hipótese. além de um monumental esforço de cartografação do território (Almeida. portanto. principalmente através dos estudos de colonização e habitat rural.

Em seus depoimentos nas revistas Geouerj e Cadernos de Geociências. O papel do SERFHAU começa a tomar forma no final dos anos 60. que de uma forma. Pedro Geiger. Faissol amarra bem a importância do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) no processo que acabou trazendo ao Brasil expoentes da Geografia Quantitativa americana e inglesa (Brian Berry. 1995 e 1997). preocupado com a rápida dinâmica de urbanização orientou seus estudos para o acompanhamento da rede urbana brasileira. pesquisadores que. Faissol vislumbrou aí uma possível futura parceria com as universidades de Chicago (Berry) e Los Angeles (Friedmann) e articulou a visita pelo IBGE em 1969. Um contato entre o DEGEO e o Conselho Britânico fez com que Colle tivesse contato com a Geografia brasileira através de Faissol. a escola francesa estava representada pelos estudos de Michel Rochefort realizados no Departamento de Geografia do IBGE visando o entendimento das maiores redes urbanas do país e o processo de regionalização (Bernardes L.É claro que as pretensões de Speridião Faissol no final dos anos 60. O papel do IPEA havia se iniciado no início da segunda metade da década de 60 após o golpe militar.(Faissol. quando Lisia Bernardes estava se transferindo para o IPEA e. e que naquele momento. o acaso aconteceu em virtude da repentina saída de um cargo de direção do SERFHAU. após o crescimento do Banco Nacional de Habitação (BNH). de uma forma ou de outra. do arquiteto Harry Cole. É justamente neste período que estes expoentes anglo-americanos da Geografia urbano-regional que utilizavam métodos quantitativos para os estudos de determinação de padrões espaciais das atividades econômicas em redes urbanas passaram a ter contato com Speridião Faissol no IBGE. John Friedman e Peter Colle) para iniciar um período de treinamento de técnicas estatísticas que iriam ser utilizadas nos futuros dados censitários de 1970. No caso do inglês Peter Colle. o acaso aconteceu através de uma notícia de jornal. 1969). os novos dados que adviriam do Recenseamento Geral de 1970. IBGE. No campo da Geografia. quando o Ministério do Planejamento.. Marília Galvão. era de estruturar uma nova linha de pesquisas urbano-industrial que utilizasse. levando consigo o passe de Michel Rochefort. estavam trabalhando com urbanização/industrialização e Geografia da população. Elza Keller. Keller. No caso de Berry e Friedmann. passariam a representar a presença da escola anglo-americana na Geografia do IBGE na década de 70. . 1968 e 1972. Roberto Lobato Corrêa e Olga Buarque de Lima. Faissol também aludiu à fatores aleatórios seus encontros iniciais com esses pesquisadores. 1968. com mais ênfase. que o pesquisador da Universidade de Nothinghan estava no Brasil para pesquisar o planejamento do Censo de 1970. que havia contratado a vinda desses pesquisadores ao Brasil. não poderia mais arcar com essa responsabilidade via SERFHAU. para planejar o crescimento da infra-estrutura urbana nas áreas metropolitanas (outra entidade estudada pela Geografia Urbana do IBGE nesta época). de certo modo.

principalmente no segmento do estudo de redes urbanas e regionalização. Climatologia. planejando um sistema urbano. até quando o segmento da física tomou a dianteira das pesquisas e provocou. Nessas áreas. Porém. teve de arrumar um discurso que se adequasse aos novos tempos. uma integração. período em que a escola francesa reinou absoluta. que ficaram em maior evidência do que as querelas criadas pela Geografia crítica. área que ficou estigmatizada pela aparente influência dos métodos quantitativos oriundos da escola angloamericana. os profissionais da área física garantiram sem grandes traumas existenciais. Com isso. de certa forma. com tentaram fazer crer alguns geógrafos na década de 80. que rapidamente. vinculados à escola anglo-americana aconteceu sob fatores fortuitos e não como um super projeto militar típico da Guerra Fria. Biogeografia. normalmente. pois já possuíam experiência matemática maior do que os da humana. um amplo segmento de mercado de trabalho no campo do gerenciamento . que muito pouco contribuíram para o avanço da Geografia. tornava-se mais usada nos cursos de pósgraduação. Pedologia / Edafologia. nos anos 80. Hidrologia. que acabaram por retardar o desenvolvimento dos estudos geográficos. Também tiveram outra vantagem comparativa. É importante lembrar que o apelo do Meio Ambiente/Ecologia também tomou de assalto as trincheiras da esquerda geográfica radical. Geomorfologia. majoritariamente trabalhado por Speridião Faissol e colaboradores até o final da década de 1970 e que. Com o advento dos computadores cada vez mais baratos e potentes e da enorme popularização pela Internet dos softwares de mapeamento automatizado e de tratamento de imagens e de gerenciamento de bancos de dados.É interessante observar que o aparecimento no Brasil dos métodos quantitativos. através dos grandes diagnósticos ambientais. com articulações da Central Inteligense Agency (CIA) com o governo brasileiro para modificar a Geografia do Brasil. os segmentos da física. foi confirmado pelos trabalhos da futura New Geography. corremos o risco de não avaliar a área da Geografia que mais se beneficiou dos métodos quantitativos. ao se colocarem ao largo dos conflitos ideológicos que ocorreram com o segmento da humana/econômica. tentando apagar da memória os anos entre 1964 e 1970. nos anos 80. excetuando-se o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e de alguns poucos professores advindos de Rio Claro que formaram grupos em outros estados (o exemplo de Alexandre Filizola Diniz com os métodos quantitativos em Geografia Agrária em Aracajú é o mais interessante). a estatística sempre marcou presença desde a graduação e. nos anos 90. aparentemente. se nos limitar-mos a apenas recortar o segmento de Geografia Urbano-regional. que. feneceu sem gerar um grande número de seguidores. os profissionais da área física tiveram muito menos problemas de utilização nos métodos quantitativos que chegaram ao Brasil no início dos anos 70.

para a Geografia humana do IBGE. No entanto. nos anos 90. da Geografia carioca entre os anos 30 e 60. será importante avaliar o papel alguns professores e pesquisadores estrangeiros na formação das primeiras gerações de Geógrafos do IBGE e. que o profissional de Geografia humana terá de lutar muito para iguala-lo. foi a cooperação com geógrafos franceses da Maison de la Géogrphie de Montpelier.dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS em inglês). que abriu esses novos campos de pesquisa e de ampliação da experiência profissional de uma parcela de pesquisadores que atualmente transitam por programas tão globalizados. Ironicamente. que não seria mais prudente procurar a hegemonia de qualquer escola de Geografia no IBGE de hoje. . de maneira mais ampla.

O Professor francês Pierre Deffontaines(1894-1978). garantir treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE. No processo de implantação do curso do Rio de Janeiro. que a idéia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que. o Professor Emmanuel De Martonne. a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas. O naturalista e botânico Alberto José Sampaio. auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. ou em fase final de doutoramento para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935). os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938). além do próprio Christóvão. que garantiram a visita. explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país. na então Universidade do Distrito Federal (UDF). Jorge Zarur (contratado em 1939) e José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940) . que possibilitou a vinda de professores recém doutorados. Deffontaines era um geógrafo completo. chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura.Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE Os Pioneiros Mestres Estrangeiros Desde o início dos anos 30. quanto em Geografia Humana. ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia patrocinado pela União Geográfica Internacional em Paris. A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante. .Parte II Capítulo II . a Academia Brasileira de Ciências sob a liderança de Alberto José Sampaio e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas. tanto em Geografia Física. estava sendo maturada. pode entabular negociações com a diretoria da UGI. dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa. muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo organizado por Christóvão Leite de Castro. em 1933. pois tratou-se de. agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro. após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988). foi de decisiva importância. paralelamente. paralelamente ao curso formal. Nesse grupo estavam. do Secretário Geral da UGI. mas sua preferência era a Humana. pois foi através de sua influência nos meios acadêmicos franceses. Na ocasião.

inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível. nunca foi interrompido. em 1942. mas já em 1940/41. Francis Ruellan (1894-1975) que fica 18 anos e praticamente torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. Com esse grupo. por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard . que foi continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951). Em Wisconsin. Nilo Bernardes e Speridião Faissol. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. Orlando Valverde (que depois. Jorge Zarur é enviado para a Universidade de Winsconsin onde graduase como Master of Arts em 1943 e segue para a Universidade de Chicago para um aperfeiçoamento em pesquisa de campo. principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola. que organizava grandes trabalhos de campo. apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores. em virtude da impossibilidade da ida para a Europa durante os anos da Guerra depois. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. outro grande professor o vem substituir. uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época). Fábio de Macedo Soares Guimarães. considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. foram convidados para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação na França. Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau. tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas). Muito embora os primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o grande processo de aperfeiçoamento no estrangeiro tenham sido enviados para os Estados Unidos. teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território. em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional. Waibel.O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para França. onde ficaram entre um e dois anos. Como resultado de seus contatos nos Estados Unidos. A maior parte da chamada “velha guarda ibgeana” foi formada por Ruellan. Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão). geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos e conseguem através da influência de Christóvão Leite de Castro que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. Paralelamente. que ao longos desses 60 anos de atividade de pesquisa geográfica do IBGE.

Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler. Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. além de ser católico militante. Faissol doutorou-se em 1956. orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. Pierre Deffontaines (1894-1978). Com Rochefort. No final dos anos 50. Dos americanos. além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pósgraduação em universidades francesas. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). Dora e Edgar. A seguir. Professor Michel Rochefort passou a vir constantemente ao Brasil e dar consultoria ao IBGE. onde Preston James era professor. realizado em 1956 no Rio de Janeiro. Entre os anos de 1950 e 1951 o professor e pesquisador norte americano Preston James trabalhou no IBGE. Alceu Magnanini. após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. Primeiramente em São Paulo ao iniciar o curso de Geografia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. geógrafo francês que inaugurou em 1934. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente).O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. inaugurado em 1939 e que absorveu o curso da Universidade do Distrito Federal que foi extinta./set. com uma grande produção acadêmica no campo do ensino católico. Retornou . um breve resumo da vida profissional desses mestres pioneiros. posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse no estado de New York. posteriormente. o ciclo de formação profissional de geógrafos no Brasil. Edgar Kullmann. no Rio de Janeiro onde iniciou o mesmo curso na Universidade do Distrito Federal em 1935. ligado a linha metodológica de Jean Brunhes e Vidal de Lablache. foram também estudar no Canadá. entre 1946 e 1947. 1950 . outro grande pesquisador francês em redes urbanas. Seu principal orientando foi Speridião Faissol. jul. onde também criou a Associação dos Geógrafos Brasileiros e. iniciada em 1939. Era um geógrafo especializado nos aspectos humanos do processo de ocupação do território. Entre 1935 e 1937 formou o primeiro grupo de profissionais que criaria o núcleo de pesquisas geográficas do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Revista Brasileira de Geografia. Entre 1938 e 1939 organizou o curso de Geografia na faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização. a “velha guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 50 e na década de 60.

. como diz o jargão francês poser sur candidature e ele não teve sucesso nessas duas empreitadas. Jean em vez de Pierre). ele queria ingressar em faculdades públicas e pelo menos em duas ocasiões ele colocou a candidatura dele. após ter tido um grande reconhecimento na Espanha. 1980) e tornado verbete nas Enciclopédias Encarta e na Modern Geography de Gary S. 1998). Afortunadamente. mas pelo tipo de rede tinha lá na França. mas ele não fica o tempo todo no Brasil.. Por mais irônico que possa parecer.... sobre a presidência do De Martonne. foi sempre preterido no sistema universitário francês.... “.” “ Ele mesmo diz isso. Albert Demangeon e com o todo poderoso Emannuel de Martonne.. somente alcançando a importância no panorama da Geografia francesa. 1993).ele era professor em Lille numa faculdade católica. que atualmente é considerado um importante geógrafo francês especializado no estudo dos gêneros de vida .na época que ele estava vindo para o Brasil ele tentou duas candidaturas para duas universidades.. “... Silvio Carlos Bray também escreveu sobre a visão de mundo de Deffontaines e suas relações com a cultura e ideologia do Brasil nos anos 30 (Bray. não apoiou e eu acho que o De Martonne também não deu muito.. acho acredito eu pela qualidade do seu trabalho.. inclusive trabalhando com o diário que sua esposa organizou e que detalha muito bem sua trajetória profissional (Ferreira. que certamente ele tinha . Através das pesquisas de Marieta de Moraes Ferreira.F. à Roberto Schmidt de Almeida). sabe? Porque tem um episódio que ele fala aqui: (isso é uma espécie de auto biografia que ele faz) “Minha tese se passa bem e com dimensão.. E que seus relacionamentos com seu orientador de sua tese de doutoramento.para a França ao iniciar a Segunda Guerra Mundial. Dunbar (1991:42). se não me engano foi Rennes e Poitiers e não conseguiu. que se espantará somente pelo fato dela não ter uma alusão no seu prefácio. pode-se saber que suas proposições para postos docentes nas universidades públicas francesas não foram acatadas... mas que de acordo com as informações que eu tenho. fartamente citado por Anne Buttimer em seu clássico trabalho sobre a tradição geográfica francesa (Buttimer. posteriormente estabeleceu-se em Barcelona onde fundou um centro de estudos franceses.” (depoimento de Marieta M. Além disso. a participação dele. na verdade o orientador dele era o Albert Demangeon que era também um geógrafo da maior importância. não foram livres de turbulências. chefe da banca. Pierre Deffontaines. daí inclusive que é um dos motivos que ele vem para o Brasil. no final da vida. temos hoje um maior conhecimento da vida e da importância do trabalho de Deffontaines graças ao trabalho de pesquisa da historiadora Marieta de Morares Ferreira junto a família de Deffontaines na França. além de ser considerado por Berdoulay (1981:190) como o discípulo de Jean Brunhes (apesar de seu nome estar grafado errado. não. Albert Demangeon não fez nenhum empenho em auxiliar Deffontaines.

ficando entre o Rio e São Paulo. Nesse primeiro momento ele acaba ficando ainda dividindo um pouco.A. entre Pierre Deffontaines e Alceu de Amoroso Lima. Esse movimento foi fundado nos anos 20 por Robert Garric. F.. Para Marieta.)... pode ter sido uma das razões de seu estabelecimento na UDF.. e pelo fato de ter dedicado minha tese a São Francisco de Assis”. a rivalidade entre o Colégio e a Universidade não terá tido um papel..” então . onde Brunhes tinha sido escolhido um pouco tempo antes professor de geografia do Collège de France. uma coisa assim. suas atribulações acadêmicas na arena do ensino universitário público francês e sua vinda para o Brasil. mas na verdade eu acho que o interesse maior dele era ficar no Rio.. nos anos 30 vem trabalhar na área de Letras da Universidade do Distrito Federal. ele passa uma temporada lá e depois ele acaba voltando para o Rio de Janeiro. (depoimento de Marieta M... um dos mais proeminentes líderes do grupo de intelectuais católicos do Rio de Janeiro. tenha vinculações com a sua militância religiosa no catolicismo em Lille..que eu acho que essa documentação mostra. ele é a primeira pessoa que cria cadeira de geografia na USP.. à R... no Brasil. a estreita relação.. primeiro inicialmente que Deffontaines vai para São Paulo. e uma correspondência que eu consultei no Ministério das Relações Exteriores sobre a documentação que está guardada no arquivo de Nantes mostra um pouco a insatisfação dos paulistas com esse desejo de Deffontaines querer vir para o Rio e querer também ter uma participação na estruturação da Universidade do Distrito Federal .. “.F. Na visão de Marieta.S. professor de Literatura que também. . depois ele diz. “eu era o principal discípulo de Jean Brunhes eu vinha trabalhar na edição de geografia humana e passar .”. e colaborador da revista UTO – L’Union des Trois Ordes de L’Enseignement (Deffontaines. onde era professor de uma Universidade Católica e era membro de um movimento chamado Les Équipes Sociales. após sua transferência da USP em São Paulo.importância. dependendo do ponto de vista e das circunstâncias) e a Igreja Católica.. passaria para um campo muito mais formal com a evolução do governo de Vargas em direção ao estabelecimento do Estado Novo e o papel de Gustavo Capanema no campo da educação e cultura do governo federal..” (depoimento de Marieta M. à RSA) Possivelmente. Mas esta luta sobre o controle doutrinário entre liberais (ou comunistas. possivelmente houve um certo nível de negociações entre lideranças católicas para trazer para a nova Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro o maior número possível de professores católicos para contrapor uma luta entre diferentes concepções de ensino universitário carioca. 1935 e 1936). Em suas pesquisas documentais junto ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro e cotejadas com a documentação francesa Marieta percebeu. Agora porque que Deffontaines é interessante para ser estudado? Nós sabemos que UDF é uma Universidade criada por Anísio Teixeira e que contava com um grande número de professores que defendiam o ensino laico que naquele momento travava uma briga de morte com a igreja católica.UDF.

Bomeny e Costa. Eugène Albertini. e em junho de 1938 propõe a anexação da UDF ao sistema federal de ensino universitário. possibilitou às lideranças católicas reordenarem suas . Capanema aproveitando a legislação deixada por Campos prepara o projeto da Universidade do Brasil. “O expurgo que se segue ao fracasso da insurreição da Aliança Nacional Libertadora de novembro de 1935 leva à saída de Anísio Teixeira do Departamento Municipal de Educação do Distrito Federal (onde é substituído por Francisco Campos). católico. A questão religiosa (militância católica) é colocada por Capanema como variável chave pois. Henri Hauser e Henri Troncon (história). que substituiu Francisco Campos no Ministério da Educação do primeiro governo de Vargas.. com se processaram as negociações com o governo francês através de Georges Dumas . Schwartzman. Tempos de Capanama é pródigo em análises sobre o grande painel de interesses pessoais. os movimentos de organização do grande projeto universitário de Gustavo Capanema. Gaston Léduc(lingüística). A Faculdade vai ficar sob a direção do Sr. Pierre Deffontaines (geografia) e Robert Garic (literatura). Alceu de Amoroso Lima. que a embaixada garante ser da mesma geração de professores católicos militantes que Pierre Defontaines e Robert Garic. não se interrompem. à destituição de Pedro Ernesto da prefeitura e ao afastamento de vários professores da nova universidade. e que pode ser visto na indicação de Jacques Lambert para a cátedra de sociologia. Capanema não consegue a adesão de Alceu de Amoroso Lima para a direção da FNF.” (p.. O livro explica os intrincados conflitos ideológicos e organizacionais entre a Universidade do Distrito Federal liderada por Anísio Teixeira e iniciada em 1935 e o novo plano da UB. mas ligados à Igreja.O livro Tempos de Capanema (Schwartzman. As atividades da UDF. principalmente.. amigo de Jacques Maritian. A experiência de Alceu ao lado de Deffontaines e Garic (que retornaram em 1939 para a França) na luta dentro da UDF. ”desejo professores habituados à pesquisa e de estudos bem orientados. corporativos e ideológicos que marcou a formação do sistema universitário do Rio de Janeiro. Mas o projeto de Capanema torna-se vitorioso. No sub-capítulo que trata da criação da Faculdade Nacional de Filosofia.. e sua leitura é fundamental para o entendimento do sistema atual. voltemos ao exemplo que nos interessa aqui. com intermediação da embaixada francesa. Daí não encontrar eu boa acolhida para nomes que sejam conhecidos por suas tendências opostas à Igreja ou dela divergentes”. 2000) detalha no capítulo 7. e em 1936 as aulas são iniciadas com professores de uma missão francesa que incluía Émile Brehier (filosofia).227228). o que foi feito pelo Decreto-lei 1190 de abril de 1939. Apesar dessas manobras. (p. Mas para que não nos percamos nas escalas mais abrangentes da política universitária da época. 232). Bomeny e Costa explicam como foram as tratativas para a escolha do corpo docente e. no entanto.

Fábio de Macedo Soares Guimarães.” (p. “Em abril de 1939 ele escreve ao ministro ainda propenso a aceitar o convite. uma missa solene ou a presença de um religioso para abençoar as novas dependências nas cerimônias de inauguração. Os critérios nebulosos de nomeação de professores são. José Carlos de Macedo Soares. Ao mesmo tempo. ele aceita ser indicado pelo ministro para a cátedra de literatura brasileira. era algo quase obrigatório. Personagens como Mario Augusto Teixeira de Freitas. dizia entre outras coisas.. Sua preocupação é não assumir o passivo da antiga universidade.prioridades.234). Havendo sempre nas grandes comemorações do órgão.. senti alguma coisa quando entrei para a UDF. com responsabilidades no segmento leigo da Igreja. segundo ele. criam na faculdade o confusionismo filosófico e ideológico’ . o cumprimento dos ritos religiosos e sociais. . seriam muito mais problemáticas do que as questões apenas ideológicas que foram disputadas com o grupo de Anísio Teixeira. É bom lembrar que a religiosidade católica. É importante lembrar aqui que. e poder começar com liberdade. o papel de Pierre Deffontaines. e o adiamento do início das aulas para 1940. Cristóvão Leite de Castro.233). dando início ao projeto de sua própria universidade a PUC. seu poder de articulação na criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e na Revista Brasileira de Geografia foi inconteste. No entanto. é importante considerar alguns traços culturais da época. Bomeny e Costa. e Alceu escreve longamente ao ministro explicando suas razões definitivas de não aceita-lo. com seus quase 100 professores e 500 alunos. afastar uma série de professores que . no campo estritamente profissional. para a Geografia brasileira. Alceu percebe que as tramas políticas que regeriam a UB em geral e a FNF em particular. Seria impossível.. que eram a não-incorporação dos professores. Muito embora não existam dados que possam afirmar tal militância católica no contexto do IBGE e que as relações de Deffontaines com o órgão sempre foram lembradas pelos que conviveram com ele. na segunda metade dos anos trinta.. significando aqui. pela alta direção do IBGE nos anos 30. ‘Não sinto nada por esta empresa.. ‘Nào me sinto com entusiasmo por esta obra’. A dolorosa experiência de oito meses tirou-me as ilusões’.” (p.. sempre foi mais vinculado às suas atividades como professor da UDF. Jorge Zarur e outros eram minimamente católicos cumpridores de seus deveres ou em alguns casos. não havendo até hoje nenhuma colocação de cunho religioso nessas lembranças. “ Em fevereiro de 1941 o convite ainda permanecia de pé. mas mediante duas condições prévias. do que como organizador da Geografia do IBGE. alunos e funcionários da UDF na nova faculdade. Um outro ponto importante era a formação católica da maioria dos dirigentes do IBGE e dos principais servidores... na visão de Schwartzman. ‘direta ou disfarçadamente. alguns dos óbices que influenciaram a indecisão de Alceu em aceitar a direção da FNF.

Sua formação foi eclética. na maioria dos casos. 1988). em conseqüência da invasão alemã na França. se no caso da UDF. em 1941. Como se constitui no Brasil a rede de cidades (Deffontaines.Portanto. que ao substituir Pierre Deffontaines no comando do ensino de Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (antiga UDF) em 1941. Sua vinda para o Brasil foi fruto de coincidências e situações fortuitas. geógrafo francês especializado em Geomorfologia. em segundo lugar. 1960). enquanto formador da primeira geração de geógrafos e. 1944). sua visão abrangente sobre as potencialidades do estudo geográfico no Brasil. este problema não se colocou. foi desmobilizado pelo Exército. tornou-se um verdadeiro "chefe de escola" para uma legião de pesquisadores que. através de artigos que tornaram-se clássicos como o Geografia Humana do Brasil de 1939 (Deffontaines. Francis Ruellan (1894-1975). as presenças de Deffontaines na Geografia e de Garric na Literatura tenham sido equilibradoras de um suposto enfraquecimento da religiosidade católica no ensino universitário carioca (o que também deve relativizado em virtude dos acontecimentos posteriores ao golpe da Intentona Comunista no âmbito da UDF). onde se encarrega das relações militares entre a França e os países da América do Sul e Caribe. que eram comandados por Emmanuel De Martonne. a mais importante lembrança de Pierre Deffontaines foi primeiramente. Em 1939 foi mobilizado pelo Estado-Maior do Exército francês e em 1940. continua em Strasbourg e depois em Paris onde obteve sua “agrégation” (licença para lecionar no sistema de Liceus) e seu doutorado. onde nasceu. Durante a década de 30 participou de varias missões técnicas e culturais organizadas pelo governo francês na Ásia e América do Norte. pois sua carreira na Universidade de Paris já estava perfeitamente consolidada na década de 30. Sua formação como geógrafo inicia-se na universidade de Rennes. é bem possível que. foi enviado como adido militar para o Rio de Janeiro. para a Geografia do IBGE. aceita o cargo de professor de Geografia da Faculdade de Filosofia da recém . tornaram-se figuras importantes na Geografia brasileira nos anos 60 em diante. pois também freqüentou o curso de Economia da “Faculté de Droit” e os cursos de mineralogia e geologia da “Faculté de Sciences” e do “Museum D’Histoire Naturelle” . No que concernia ao IBGE. sua atividade docente. Após um ano de funções diplomático-militares. Meditação geográfica sobre o Rio de Janeiro (Deffontaines. como mestre de conferências e diretor adjunto do Instituto de Geografia e da Escola de Altos Estudos de Geografia da universidade. além de também ter freqüentado os cursos do “Collége de France”. Por isso. em função da forte cultura católica da casa naquele período.

são referências importantes no estudo da Geomorfologia do Sudeste do Brasil. E assume paralelamente. sem limitações de ordem financeira ou logística. No campo. por ser a Geografia ainda um curso novo. Ruellan era acima de tudo um professor e consta que nunca fez um trabalho de campo só. Além de pesquisador. Sendo ele. ou com um ou dois alunos. podendo contar com um grande número de participantes. No entanto Ruelan não era somente geomorfólogo. o cargo de consultor científico do CNG. 2000: anexo B) foram computadas 11 grandes excursões lideradas por Ruellan entre 1941(Baia de Guanabara e Serra do Mar) e 1951(Bacia do Rio São Francisco). Seu espírito disciplinador e seu senso de organização são célebres. além de ficar apenas cinco anos no Brasil.criada Universidade do Brasil. substituindo Pierre Deffontaines. Diferentemente de Deffontaines que. era um professor completo e sua importância para a Geografia brasileira dificilmente poderá ser igualada. indubitavelmente. Suas pesquisas de reconhecimento da Geomorfologia da Serra do Mar resultaram num trabalho clássico publicado na RBG em 1944 (Ruelan. Em suas funções no Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até 1956. que retornou à França em 1939. principalmente junto aos geomorfólogos. seus projetos de excursões alcançavam qualquer parte do Brasil. alunos da universidade ou profissionais de pesquisa do IBGE. Na publicação editada pelo IBGE. além de indica-los e encaminha-los para cursos em universidades da França. Na tese de Vera Lúcia Cortes Abrantes sobre o arquivo fotográfico das pesquisas geográficas de campo do IBGE (Abrantes. pronunciada em Goiânia em 26 de junho de 1942. fruto de duas conferências. no VIII Congresso Brasileiro de . o único geógrafo de se pode ser chamado de chefe de escola sem nenhuma restrição classificatória. e portanto sem o apelo característico de cursos como Direito ou Engenharia. lecionou para um número mais restrito de alunos. Ruellan marcou profundamente as gerações de geógrafos que trabalharam entre 1940 e 1960. Sua principal característica foi a vinculação estreita entre o ensino teórico na sala de aula e o prático no campo e no laboratório (para os geomorfólogos). os ensinamentos de Francis Ruellan conquistaram um número significativo de alunos que estão atualmente na faixa entre 60 e 75 anos aproximadamente. Os Métodos Modernos do Ensino da Geografia. treinou equipes de pesquisadores e orientou a formação acadêmica e técnica de muitos deles. sua influência ainda continuou forte até o início dos anos 60. 1988). pois apesar de ter voltado para a França em 1956. Em função de sua posição de liderança num período onde o IBGE possuía um enorme prestígio perante o governo federal. Seus principais trabalhos até hoje.

pois Waibel era casado com uma cidadã judia e fazia parte da oposição ao Nacional Socialismo. n. Leo Heinrich Waibel (1888-1951). que tornou-se o maior divulgador de sua obra no Brasil. nos processos de colonização e de reconhecimento de áreas propícias para colonização futura. que os estudos de identificação do futuro sítio do novo Distrito Federal foram coordenados no IBGE por Waibel e relatados por Fábio de Macedo Soares Guimarães na RBG v. ao pesquisar os tipos de ocupação de terras e os diferentes cultivos tropicais e com Geografia da População ao explicar os processos de colonização de dois povos europeus (alemães e italianos) no sul do Brasil. que haviam retornado de Winsconsin. 1949. com Geografia Agrária. em virtude de uma possível leva migratória de europeus para o hemisfério sul. para pesquisar e treinar um pequeno grupo de geógrafos do IBGE. 1942. 4. (Ruellan. Jorge Zarur e Walter Alberto Egler.11. Em sua estada no Brasil trabalhou com Biogeografia. que o convidaram (a partir de consultas com Christóvão Leite de Castro na direção do CNG) para trabalhar como consultor técnico do IBGE no Brasil. Almeida (1995) constata que estes trabalhos estavam. geógrafo alemão. p.Educação e complementada por outra. contratado pelo Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade de Wisconsin (USA). Avaliando os estudos de habitat realizados no Brasil. no final da segunda guerra. As relações de Leo Waibel com os geógrafos do IBGE se deram em três fases distintas. está o seu currículo.6-8). A segunda fase aconteceu no Brasil entre o final de 1945 e meados de 1946. Seu primeiro aluno brasileiro foi Jorge Zarur em 1943 e posteriormente em 1945. que cobre suas atividades no período anterior a sua vinda para o Brasil. assim como estava ocorrendo na . em julho do mesmo ano na Terceira Convenção Nacional dos Engenheiros Brasileiros. Retornou aos Estados Unidos em 1950 e logo depois para a Alemanha. A terceira e última fase se deu entre 1947 e 1950 já trabalhando com Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. foi nesta fase que se deu uma maior aproximação com Orlando Valverde. pronunciada em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais. Primeiramente no contexto da Universidade americana de Winsconsin. quando da oficialização do Nazismo. quando trabalhou com Speridião Faissol. Nilo Bernardes. nas preocupações do governo brasileiro. naturalizado americano. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. ao estudar a vegetação brasileira. Foi neste período também. para onde havia ido lecionar em função de sua saída da Alemanha. entre os anos de 1946 e 1950. nos estudos sobre povoamento e colonização. onde veio a falecer em 1951.

Ruellan. Em 1946. pois estavam aqui especialistas de Geomorfologia. 1952. trabalhou com Francis Ruellan na Serra do Mar e produziu um artigo de pesquisa na RBG.n.América do Norte./mar. após seu doutoramento feito em 1923 na Universidade de Clark. Biogeografia e de processos de ocupação humana. pioneiro na introdução do ensino sistemático de Biogeografia no Brasil em 1945. Deixou uma obra voltada principalmente para o ensino superior. Trabalhou no Brasil entre 1951 e 1952 a convite do IBGE. A maioria de seus alunos./dez.1939) e publicado no final dos anos 40. galgaram importantes postos no meio científico brasileiro na área de meio ambiente. agrônomos.) biogeógrafo canadense. Portanto foi um período muito profícuo para o aprendizado de Geografia. 1949. (Dansereau. por ocasião do falecimento de Waibel. . uma esclarecedora biografia do mestre alemão. Jones) são considerados clássicos da literatura geográfica americana. Seus livros Latin America (1942) e American Geography: Inventory and Prospect (1954 em co-autoria com Clarence F. áreas que garantiam um conhecimento amplo de Geografia para os profissionais do IBGE. 1947). Convidado pela Universidade do Brasil e IBGE para dar treinamento especializado aos professores e pesquisadores (geógrafos. biólogos). Pierre Dansereau (1919. Foram dessa fase a maioria dos trabalhos de Waibel e dos geógrafos brasileiros que foram treinados por ele. 2. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil. geógrafo norte americano. Preston Everett James (1899-1986). Era um especialista em Geografia Regional da América Latina. apresentando principalmente sua obra geográfica realizada no Brasil. publicou na RBG v. no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. Waibel e Dansereau e que tanto Ruellan e Dansereau também ministravam aulas na Universidade do Brasil. além de ministrar cursos de introdução à Biogeografia aos alunos de graduação. Nilo Bernardes. foi professor nas Universidades de Michigan (1923-1945) e Syracuse (1945-1970). É importante ressaltar que no final da década de 40. Preston James já havia estudado o problema de colonização. estavam trabalhando no IBGE.14. um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação na Bacia do rio São Francisco RBG 11(1) jan. pelo seu conteúdo metodológico. que era liderada por Hilgard O’Reilly Sternberg. Dansereau organizou o ensino desta área de estudos e montou um programa de intercâmbio e de pósgraduação entre o Brasil e o Canadá que visava treinar pessoal especializado em Biogeografia. com linhas de pesquisa em colonização rural. para estudar os processos de colonização rural no Brasil central. além de estudar a Biodiversidade tropical brasileira. Foi também um importante historiador do pensamento geográfico anglo-saxão.

é convidado a dar consultoria ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aulas na Universidade do Brasil. . apenas Pedro Geiger estava trabalhando com o tema na época. Muitos dos quais foram para cursos de aperfeiçoamento em universidades francesas. em função da intensificação das preocupações do governo militar nas questões urbanas. Não tanto quanto Leo Waibel. A influência de seus estudos no país ampliou-se a partir de 1964. fruto de diferentes motivações que transitaram pelo institucional ( a preocupação do governo federal com a urbanização e migração para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro). Seus primeiros contatos com a Geografia brasileira se dão em 1956. no início dos anos 50. era uma questão que já preocupava alguns outros geógrafos e economistas tanto na Europa. propiciou uma forte ligação com Speridião Faissol. que estavam tomando proporções ainda não totalmente compreendidas. favoreceu a aceitação de seu método. A principal marca de Preston James na Geografia brasileira vincula-se ao alargamento do conhecimento sobre os processos de ocupação no interior do país. introdutor dos estudos sistemáticos sobre redes urbanas no Brasil na década de 1960. ampliando suas ligações com o Brasil). No início dos anos 60. pelo acadêmico ( seu método de avaliação do sistema urbano era novidade e. sem sombra de dúvida. na época liderando as pesquisas geográficas na antiga Divisão de Geografia. enfatizando a análise do setor comercial e de serviços urbanos. professor emérito da Sorbone. Michel Rochefort (1928- ) geógrafo francês. que foi para Syracuse para doutorar-se em 1956 sob sua orientação. que foi rapidamente absorvido pelos geógrafos urbanos. possivelmente. A atuação de Rochefort no Brasil foi. que já se preocupavam com os altos índices de urbanização que parte do Brasil apresentava na segunda metade dos anos 60. O enfoque no estudo dos fluxos materiais e de pessoas entre centros urbanos de uma determinada rede e de suas vinculações com a área rural produtora de bens agrícolas. em escala nacional . Foi um importante orientador de teses de pesquisadores brasileiros em Paris entre os anos 70 e 90.Sua atuação no IBGE. no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro. presidente do Conselho de Administração do Instituto Francês de Urbanismo e professor visitante em universidades brasileiras. Seu método de estudo sobre redes de cidades. é adotado por alguns geógrafos do IBGE. quanto nos Estados Unidos. 1963) e pelo emocional ( seu casamento com a geógrafa do IBGE Regina Espíndola Rochefort. mas mesmo assim fundamental para o progresso da Geografia feita no IBGE na década de 50. Ainda hoje.Geiger. é consultor de várias instituições européias. Sua vinculação com Lysia Bernardes. devido a poderosa influência de Michel Rochefort.

uma coletânea sobre Geografia Urbana. principalmente através de sua poderosa influência no sistema universitário francês. A de Rochefort foi uma delas e foi importante no contexto do IBGE até a década de 70. deve ser entendida como uma liderança que manteve-se forte apesar das novas orientações que passaram a vigir no IBGE nos anos 70/80. que em 1933 tentou explicar teoricamente o princípio de ordem entre tamanho. se não deve ser comparada com Francis Ruellan em virtude das diferenças de condições vivenciadas por esses dois professores nos dois períodos em que operam no Brasil. . que formaram. Walter Christaller. distância e padrão espacial de distribuição dos centros urbanos em determinadas regiões. Nos Estados Unidos.Estudiosos como Von Thünen que em 1826 enfocou a relação entre distância das cidades às áreas de cultivo agrícolas. posteriormente. o primeiro grupo de pesquisadores que passou a liderar academicamente a Geografia do IBGE. 1959). Sua influência. será imprescindível analisar a vida profissional alguns de seus melhores alunos e assistentes. O interessante desse processo é perceber que Michel Rochefort foi o último líder estrangeiro com carisma suficiente para influenciar várias gerações de geógrafos urbanos brasileiros. eram uma das inúmeras facetas do processo de urbanização que estava ocorrendo em muitas partes do mundo no pós guerra e que estavam sendo motivo de releituras diferenciadas. Para que se possa avaliar a importância desses líderes formadores. quando aparentemente. as preocupações acadêmicas de Michel Rochefort que chegaram ao IBGE no final dos anos 50 e percorreram toda a década de 60. considerada clássica. Kohn. uma nova abordagem passa a fazer parte das preocupações dos geógrafos urbanos / regionais do IBGE. Portanto. foi editada em 1959 e nela já estavam muitos artigos que trabalhavam com a temática dos fluxos para o entendimento dos padrões espaciais que emergem deles (Mayer.

posteriormente. Muito embora não tenha exercido a profissão de Geógrafo. Os Alunos e Treinandos que Tornaram-se Líderes da Velha Guarda Do grupo de jovens estudantes brasileiros que formou a Velha Guarda Ibegeana. quanto no plano das estratégias de planejamento territorial do país. o indicaram para um período de pesquisas no Brasil. tendo sido seu Secretário Geral. portanto que se fale um pouco sobre eles. migração. Será necessário. Participou também. . foi um dos fundadores. USA onde conheceram o professor Leo Waibel e. organizando projetos em escalas nacional e regional que subsidiaram as ações do governo federal em termos de políticas de ocupação rural. apesar do caráter inescapavelmente arbitrário da escolha. lecionou na PUC RJ até seu falecimento. juntamente com o grupo de Leo Waibel. pois alguns foram personagens importantes nas fases iniciais de construção de um corpo de conhecimentos geográficos sobre o Brasil. Em 1945. o dos professores e pesquisadores que vieram para o Rio de Janeiro objetivando formar e treinar profissionalmente estudantes que se dedicariam à profissão de geógrafo e o dos jovens estudantes que foram treinados e que se destacaram academicamente na profissão.Parte II Capítulo III – A “Velha Guarda” da Geografia do IBGE. Fabio foi considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração e seu trabalho sobre a divisão regional do Brasil em grandes regiões. nove por Roberto Schmidt de Almeida no contexto desse trabalho e. dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal em 1947. abertura de eixos de transportes e de urbanização. tanto no plano acadêmico. Deste segundo grupo foram pinçados os dez entrevistados. muitos já não estão mais conosco. em 1937 do Conselho Nacional de Geografia (CNG). excepcionalmente. via trabalhos e livros. Após sua aposentadoria do IBGE em 1968 . órgão que faria parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). juntamente com Orlando Valverde. geógrafo brasileiro especializado em planejamento regional. Cristóvão Leite de Castro foi o principal formulador dos estudos geográficos nas fases iniciais do IBGE. faremos uma breve apresentação sobre alguns profissionais de Geografia que tornaram-se líderes em suas especialidades e ou tiveram papel relevante no processo de gestão técnico-administrativo do órgão. Fabio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979). foram enviados pelo IBGE para a Universidade de Winsconsin. foi oficializado pelo Governo Federal em 1941. Esse conjunto de profissionais foi fundamentalmente composto por dois grupos distintos. o depoimento de Cristóvão Leite de Castro dado à área da Memória Institucional do IBGE em 1994. a Estruturação das Lideranças Pioneiras Para que se tenha uma boa noção sobre quem estamos falando.

apesar de já ter feito o bacharelado no Colégio Pedro II entre 1929-1934. Foi chefe da Divisão de Geografia na segunda metade dos anos 50 e foi responsável pelo gerenciamento técnico da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e do Atlas Nacional do Brasil. Morreu prematuramente aos 41 anos. ajudando a criar um corpo de pesquisadores mais críticos que. agora com a co-autoria de seu filho. no qual ingressou em 1945 e deixou uma imensa produção acadêmica. ingressando no ano de 1940 e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). Sua primeira edição. Foi um dos pioneiros da criação do IBGE ingressando em 1939 e partindo em 1943 para os Estados Unidos para pós-graduar-se em Wisnconsin e Chicago em Geografia Regional e Geografia de Campo respectivamente. Lecionou no Colégio Pedro II. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). e atualmente pela editora Bertrand Brasil. Suas edições posteriores. foram publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). saiu sob o patrocínio da Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. Seu interesse pela Geografia possivelmente tenha raízes no Pedro II. Essa vinculação com Deffontaines se dá em virtude da necessidade de prepararse em Didática da Geografia para o exercício do magistério. repentinamente aos 44 anos de idade e. José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) geógrafo brasileiro que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. Foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Suas ações estabeleceram um equilíbrio entre as influências das escolas francesa e americana de Geografia no IBGE. Universidade Católica e Universidade do Brasil. Trabalhou em três linhas distintas: a Federal . O professor Antônio Guerra faleceu de problemas cardíacos. ao longo da década de 1950. no ano de 1954. lecionava também nas universidades Estadual do Rio de Janeiro e Fluminense. autor do mais completo dicionário Geológico-Geomorfológico editado no Brasil. deram contribuições importantes à Geografia brasileira. além de geógrafo do IBGE. foi um dos alunos da primeira turma de Pierre Deffontaines na Universidade do Distrito Federal (UDF). Antônio Teixeira Guerra (1924-1968) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. onde foi aluno de Fernando Raja Gabaglia e de Carlos Delgado de Carvalho. dois expoentes da moderna visão da Geografia como o estudo das relações espaciais entre fatos físicos e humanos e não a simples listagem de topônimos ou ordem de grandeza dos acidentes geográficos.Jorge Zarur (1916-1957). Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. o também geógrafo e Professor da UFRJ Antônio José Teixeira Guerra. Retorna dos Estados Unidos com uma nova visão sobre a pesquisa geográfica voltada para o planejamento de governo e organiza um programa de bolsas para enviar um grupo de geógrafos do IBGE para especializarem-se nessa nova visão da Geografia. sempre atualizadas.

quanto na área de pós-graduação. Nilo Bernardes (1922-1991) geógrafo brasileiro. Especializa-se no estudo da vegetação amazônica e. especializada em planejamento regional e urbano. Na UFRJ. no rio Jari. nas décadas de 1970 e 1980. juntamente com Alceu Magnanini. Foi um dos primeiros alunos do curso de Geografia organizado por Pierre Deffontaines no Rio de Janeiro. ao cair de barco na cachoeira Macacudra. na fronteira entre Pará e Amapá durante os trabalhos de levantamento florístico do vale do Jari. para o Museu Nacional para dedicar-se exclusivamente ao estudo de vegetação.Cabo Frio. formavam um dos mais dinâmicos casais da Geografia brasileira. Morreram tragicamente em acidente rodoviário no trajeto Rio de Janeiro . tendo trabalhado no Departamento de Geografia. Dedicou-se aos estudos regionais da região norte do Brasil com ênfase nos recursos minerais e na hidrografia amazônica. foi a principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort. Lysia Maria Cavalcanti Bernardes (1924-1991). lecionou tanto na graduação. a geografia geral para educação ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. na instância federal e no governo do Estado do Rio de Janeiro. Seus importantes trabalhos nesta linha de pesquisa a conduziram. Na década de 70 trabalhou em cargos de alta direção no IBGE até sua aposentadoria. que teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições. Faleceu de infarto num vôo de trabalho do INIC sobre o estado do Amazonas. Lúcio de Castro Soares (1909-1986) geógrafo brasileiro especializado em estudos regionais da Amazônia. transfere-se para Belém (PA) trabalhando no museu Emílio Goeldi. a partir do final dos anos 50 e durante toda a década de 1960. Faculdade de Arquitetura (Urbanismo) e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia (COPPE). foi contratado pelo IBGE em 1940. Ingressou no IBGE em 1943 participando do núcleo inicial de pesquisadores em Biogeografia. posteriormente. no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944 –1987 ) e em organismos internacionais como o Instituto . No IBGE. engenheiro agrônomo que especializou-se em Fitogeografia.geografia agrária e os processos de colonização. especializado em Geografia agrária e processos de colonização que teve sua vida profissional dividida entre a pesquisa. Em 1952 transfere-se. em 1945 vai para a Universidade de Chicago estudar Geografia Regional. Morreu em 1961. o também geógrafo Nilo Bernardes. Juntamente com seu marido. geógrafa brasileira. Walter Alberto Egler (1926-1961). para níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro: cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944–1975) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959-1977).

Cristóvão chefiou a Secretaria Geral do CNG até 1950. na criação de uma seção de Estatística Territorial. passando assim a fazer parte do acervo da Memória Institucional do IBGE. juntamente com sua esposa. na forma de verbete. que juntamente com o Conselho Nacional de Estatística passaram a formar o IBGE. Para cada profissional foi elaborado um breve texto. Segue-se um comentário sobre algumas passagens relevantes de seus respectivos depoimentos. A transferência dessa seção de Estatística Territorial do MA. Foi professor titular do Colégio e da Faculdade Pedro II e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Jorge Zarur e outros. que apresenta suas principais informações. facilitando o entendimento do encadeamento dos fatos nos primeiros anos de estruturação do IBGE. . Após um período de cinco anos na iniciativa privada. A seqüência de apresentação acompanhou a cronologia de ingresso no órgão. principalmente as que recordaram relações profissionais e estruturações de linhas de pesquisa que foram decididas nos anos iniciais do IBGE. a também geógrafa Lysia Bernardes. Instituto Nacional de Estatística e que foi instalado solenemente em 29 de maio de 1936. foi trabalhar em 1933 no Ministério da Agricultura chefiado por Juarez Távora. também chamado de lei geográfica do Estado Novo. além de ser um excelente conferencista e organizador de cursos de especialização. Orlando Valverde. para o já criado legalmente em julho de 1934. além de atlas e livros ditáticos. Organizou os trabalhos de preparação cartográfica municipal para o censo de 1940 dentro das determinações estipuladas pelo Decreto Lei 311 de março de 1938. 52 artigos em revistas geográficas. Cristóvão Leite de Castro (1904 ). foi o embrião do futuro Conselho Brasileiro de Geografia instalado em 1937 e substituído em 1938 pelo Conselho Nacional de Geografia. engenheiro civil formado em 1928.Panamericano de Geografia e História e a docência no ensino médio e superior. tanto no Brasil. Suas atividades de pesquisa geraram sete livros. Miguel Alves de Lima. Os Depoentes O próximo grupo é composto pelos profissionais que deram seus depoimentos para o projeto. 14 capítulos de coletâneas. portanto cobrindo todo o período do Estado Novo de Getúlio Vargas. como no exterior. Nesta seção trabalharam também Fábio de Macedo Soares Guimarães. que dispunha sobre a divisão territorial brasileira. Morreu tragicamente em desastre automobilístico em 1991.

Seus trabalhos sobre os diferentes tipos de agricultura e colonização no Brasil. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães foi estudar em Winsconsin. Leo Waibel. Comentários ao depoimento A longa entrevista de Cristóvão cobre três áreas da memória. posteriormente. via fazendas de gado de corte. Aos 83 anos. é o mais velho geógrafo em atividade . pois Cristóvão foi um dos principais atores desses acontecimento. funcionários da área de Memória Institucional do IBGE em 1994. Aposentou-se do IBGE em 1982. tanto no que se refere a planejamento. Viabilizou financeiramente a Revista Brasileira de Geografia e o Boletim Geográfico. foi roteirizado por Márcia Bandeira de Mello Arieira (Estatística) e Aluízio Capdeville Duarte (Geógrafo). Está dividido em cinco fitas magnéticas. De volta ao IBGE. sua trajetória pessoal até o IBGE. o processo de institucionalização da área de Geografia e sua gestão no CNG e a sua atuação na direção da Companhia do Teleférico do Pão de Açúcar após sua saída do IBGE. onde conheceu o Prof. Foi. Seu depoimento dado a Laurinda Rosa Maciel e Severino Bezerra Cabral Filho. tornou-se um dos assistentes de pesquisa de Leo Waibel e. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao ser contratado em 1938. A parte mais importante cobre o processo de institucionalização da Geografia. em virtude da ampliação das queimadas na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. que foi convidado a trabalhar no IBGE como consultor. são considerados clássicos. o principal divulgador de suas pesquisas.Auxiliou na coordenação da instalação do primeiro curso superior de Geografia na Universidade do Distrito Federal. geógrafo brasileiro especializado em Geografia Agrária e profundo conhecedor da região amazônica. passou a estudar o processo de ocupação da Amazônia. através da estrutura já existente do Conselho Nacional de Estatística e enviando para a universidade os funcionários interessados em Geografia. A partir da década de 1960. tornando-se um dos mais fortes críticos do modelo de ocupação. Orlando Valverde (1917).doc do editor de texto Word da Microsoft. transcritas para cinco arquivos . garantindo condições materiais de pesquisa para Pierre Deffontaines desde 1936. publicações organizadas por Deffontaines para difundir os estudos geográficos do IBGE e participou intensamente dos projetos organizados por Mário Augusto Teixeira de Freitas e José Carlos Macedo Soares durante todo este período. Em 1945. quanto à execução dos grandes projetos em que a Geografia de planejamento de governo tomou parte.

Valverde ressalta justamente o grupo de professores e pesquisadores que vieram entre 1935 e a década de 60.. ”conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo.. que a meu ver. por Cristóvão Leite de Castro. como no caso de Leo Waibel. junto com os órgãos de Estatística também estaduais. marcando claramente com Michel Rochefort e Jean Tricat (anos 60) o final do período considerado por ele como o mais produtivo e de melhor qualidade... Miguel Alves de Lima (1921) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia.. ministrando cursos em universidades e dando consultorias para órgãos de governo e empresas. para estruturar o núcleo original do futuro IBGE.. e mais. quando assumiu cargos . iniciou sua carreira em 1938 como desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. quando. Trabalhou em Geomorfologia até a década de 60. estabelecendo convênios com universidades estrangeiras para o envio de técnicos do IBGE e contratando professores. justamente a época de implantação do órgão.. o mais fiel divulgador de seus trabalhos. quando comparada ao período pós 1968. daquela vez era taxativa a obrigatoriedade em fazer mapas dos municípios.. Até a nomenclatura de norte a sul do país não podia haver dois municípios homônimos. Christóvão foi uma figura chave na política de treinamento do pessoal técnico organizando cursos. não tinha base de conhecimento do território brasileiro”. o que já pode haver hoje.no Brasil. O primeiro deles refere-se a defesa intransigente da qualidade de ensino e pesquisa referenciada aos primeiros anos de estruturação do IBGE. a influência para criar serviços de Geografia nos estados. principalmente no que concerne ao período do Estado Novo. tudo aquilo tinha uma importância enorme”. Um exemplo significativo refere-se a regulamentação do decreto-lei 311 de 02/03/1938 que dispunha sobre a divisão territorial do país. Comentários ao depoimento Alguns pontos marcantes merecem ser analisados no depoimento de Orlando Valverde. do qual mais tarde Valverde seria seu principal assistente e após sua volta aos Estados Unidos (1950) e posterior falecimento (1951). Foi aluno de Francis Ruellan no IBGE e de André Cholley e Jean Tricart na Universidade de Paris. ”entrou outro grupo na orientação da Geografia do IBGE.. Ressalte-se também sua admiração e respeito pelos profissionais que organizaram e gerenciaram os processos de fundação e estruturação inicial do IBGE. independente de seu conteúdo autoritário. o engenheiro e estatístico Christóvão Leite de Castro. principalmente nas figuras do estatístico Teixeira de Freitas e de seu principal colaborador na criação da área de Geografia. Outro ponto interessante está relacionado com uma visão positiva e nacionalista do ciclo Vargas. área que foi transferida em 1939.

Integrante da primeira geração de geógrafos do IBGE. deveria haver outro grupo de pesquisadores que seriam orientados para o estudo regional voltado para o planejamento. principal gestor do processo de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Sua ida para a Universidade de Paris em 1947. Miguel trata também das ações de aperfeiçoamento nos Estados Unidos dos primeiros geodesistas e cartógrafos do IBGE. A ida de Zarur para Wisconsin em 1943 e seu trabalho com Clarense Jones serviram para esquematizar que. A organização das excursões de campo no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1956 no Rio de Janeiro foi outro ponto relevante no depoimento. no qual ingressou em 1941. por conta disso fica patente também a admiração e o respeito por Cristóvão Leite de Castro. equilíbrio que serviu para criar um corpo de pesquisadores no IBGE com boa base crítica. introdutor das técnicas quantitativas na Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na década de 1970.de alta direção no IBGE. Speridião Faissol (1923-1997) geógrafo brasileiro. tal qual algumas universidades americanas estavam fazendo. sobretudo dando consultoria para projetos do governo de Franklin Delano Roosevelt. Lecionou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e foi adido cultural no Uruguai e no Peru. Porém. assim como foram descritas as boas relações do IBGE com as universidades brasileiras para que o Congresso tivesse êxito. Miguel Alves de Lima foi um dos pioneiros na organização do IBGE. Processo que equilibrou a influência das duas escolas geográficas que orientaram a Geografia do IBGE a francesa e a americana. Comentários ao depoimento Da mesma forma que Orlando Valverde. Outro ponto relevante foi sua participação na composição do segundo grupo de geógrafos do IBGE que receberam bolsas de aperfeiçoamento em universidades francesas. Foi o primeiro geógrafo . tendo sido durante muitos anos diretor da área de Cartografia e Geodésia. um ponto interessante do seu depoimento revela a importância da figura de Jorge Zarur no processo de inflexão que ocorreu nos objetivos da Geografia do IBGE nos anos 40. Finalmente falou sobre suas experiências como professor e adido cultural no Uruguai e no Peru e como diretor da área de Cartografia do IBGE nos anos 70. O grupo dos cinco que seguiram em 1945 foi a concretização das idéias de Zarur em equilibrar a influência hegemônica francesa com uma outra visão. perfeitamente sintonizados com todas as novas tendências da Geografia. para estudar com André Cholley e Jean Tricart foi resultado de seus estudos em Geomorfologia entre 1941-1942. orientado por Francis Ruellan durante sua estada no IBGE. a americana.

Faissol intensificou sua proficiência na língua inglesa o que garantiulhe o convívio com o restrito grupo de treinandos de Leo Waibel (1945-1950) e. Sob sua direção e auxiliado por Antônio Teixeira Guerra na chefia da Divisão de Geografia foi editada a coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. até por conta de um melhor equilíbrio entre metodologias e áreas de especialização. Ambos foram estudantes de pós-graduação em universidades americanas e se titularam oficialmente.ibegeano a se doutorar na Universidade de Syracuse sob a orientação do professor Preston James em 1956. Faissol com doutoramento em Syracuse e Zarur com um mestrado em Winconsin e um curso de aperfeiçoamento em Chicago. foram personalidades polêmicas na comunidade geográfica do IBGE. Comentários ao depoimento Speridião Faissol. ocupou cargos de alta direção. Até o seu repentino falecimento em 1997. No IBGE. contrariamente ao forte relacionamento entre a Geografia brasileira e a francesa. como Secretário Geral do CNG e chefe da Divisão de Geografia no período entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira metade dos anos 60. Na década de 70 assume a liderança técnica da Geografia Urbana do IBGE orientando pesquisas e criando bases de dados que até hoje são referências nos estudos da urbanização brasileira. assim com seu cunhado Jorge Zarur. Sua primeira linha de estudos nos anos 40 e 50 estava orientada para os processos de colonização e de ocupação econômica do território brasileiro. Nos últimos anos da década de 70 assume a Diretoria Técnica do IBGE até 1979 com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE. Ambos sempre advogaram uma maior relação com a Geografia anglo-saxã. Faissol assume o cargo de Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia. o estudo da língua inglesa também tenha sido fruto da influência de Zarur. Possivelmente. Aposentou-se em 1986 e passou a dedicar-se ao ensino superior. sua relação com Preston James que viria garantir seu doutoramento em Syracuse. pois ao ingressar no IBGE em 1941. docência em várias instituições de ensino de pós-graduação. utilizando-se do novo arsenal de técnicas estatísticas que a informática a agora colocava à disposição dos geógrafos. além do Atlas Nacional do Brasil. tanto no campo familiar através de seu casamento com a irmã de Jorge Zarur. quando da orientação para a escolha do curso de Geografia em detrimento do de Direito por indicação direta de Zarur. A influência de Zarur na carreira de Faissol é perfeitamente demonstrada. posteriormente. exercia a . Este movimento acadêmico ficou conhecido como Geografia Quantitativa e teve no professor Faissol o seu principal incentivador no Brasil. No final dos anos 60 passa a dedicarse ao estudo da urbanização/industrialização brasileira. Durante o período de Juscelino Kubitschek e com o IBGE sob a direção de Jurandir Pires Ferreira. quanto na esfera profissional.

Rodolfo Barbosa muda de área de trabalho mas não de especialidade. dando lugar a Lisia Bernardes.Nos primeiros anos do período militar (governos de Castelo Branco e Costa e Silva) a figura de Speridião Faissol deixa o primeiro plano da Geografia do IBGE. a decisão envolveu muito mais uma escolha de ambiente de trabalho do que o trabalho em si. via curso de oficial de náutica na Marinha Mercante. precursores dos atuais programas de mapeamento automatizado e sistemas geográficos de informações. A motivação inicial era a cartografia naval. majoritariamente de esquerda. principalmente as do IBGE. Ocupou diversos cargos de chefia técnica na área cartográfica do IBGE e coordenou inúmeros atlas de enciclopédias editadas no Brasil. baseados em estudos com grande base estatística e matemática. embora alguns dos antigos companheiros também se mostraram refratários às técnicas. Sua obra sobre metodologia cartográfica abrange dezenas de artigos em revistas especializadas. editorando atlas em mídia eletrônica. Rodolfo Pinto Barbosa (1927). por pressão da família. o depoimento de Speridião Faissol tornou-se uma avaliação sobre esses tempos conturbados porque passou a Geografia brasileira. que foram uma marca registrada da Geografia do IBGE no período. chegando ao posto de Diretor Técnico do IBGE. os métodos quantitativos na Geografia foram alvo de duras críticas vindas de grupos de geógrafos. Para Rodolfo Barbosa. Neste processo. Sob este contexto. com o Exército e IBGE trabalhando juntos na campanha de cartografação dos mapas para o censo . com a saída de Lisia para outras esferas do governo federal. no último ano. acumula também cargos de alta direção. indo trabalhar numa empresa de cartografia e aerofotogrametria alemã. Na década de 1970. Em 1942 ingressa no IBGE e em 1946 vai para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento. Descreve as fases iniciais do esforço do governo brasileiro. Foi um dos primeiros cartógrafos temáticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). introduzindo os novos métodos quantitativos. no qual ingressou em 1942. No final dos anos 70 e durante toda a década de 1990. pois o período da escolha coincidiu com atos de beligerância da Alemanha contra navios brasileiros. Atualmente trabalha em consultoria. Comentários ao depoimento Uma questão que sempre emerge na maioria dos depoimentos de profissionais que relembram suas trajetórias de trabalho. cartógrafo brasileiro especializado na organização de atlas geográficos e cartografia temática orientada para aspectos geográficos onde o físico e o humano apresentam-se vinculados. Faissol retorna a liderar academicamente a Geografia do órgão. principal figura do grupo que trabalhava com Fábio de Macedo soares Guimarães. dirigiu a área de Cartografia nos anos 60 e foi coordenador da maioria dos atlas editados pelo órgão entre 1955 e 1990. vincula-se aos períodos de grande indecisão que antecedem às escolhas profissionais.

com a vinda de militares austríacos especializados e. chefiava a Divisão de Atlas do Departamento de Geografia. que os primeiros chefes da Geografia do IBGE (Christóvão Leite de Castro. posteriormente. A coordenação para elaboração de Atlas. Barbosa descreve a importância que teve a Cartografia européia nos anos vinte. Na década de 1950 inaugura uma nova linha de pesquisa que enfocava as transformações econômico-sociais ocorridas nas áreas rurais periféricas a grandes centros urbanos. a elaboração de Atlas. Nos anos anteriores à sua aposentadoria. Pedro Pinchas Geiger (1923) geógrafo brasileiro. além de justificar a importância de estarem no mesmo órgão. exemplificando com estudos no Estado do Rio de Janeiro. Comentários ao depoimento Uma questão importante levantada por Pedro Geiger foi sua percepção de vinculação com o poder (Presidência da República). Geografia e Cartografia. nunca deixou de ser seu principal campo de ação. Aposentouse do IBGE em 1986 e atualmente trabalha como consultor e professor em cursos de pósgraduação. determinação da União Geográfica Internacional para todos os países membros e iniciada pelo Clube de Engenharia nos anos 20 e reitera aqui o “espírito de missão” que era corrente no período. O volume de sua obra hoje. aos 19 anos de idade. O livro Evolução da Rede Urbana Brasileira e o artigo sobre a industrialização da região sudeste do Brasil na Revista Brasileira de Geografia do IBGE. paulatinamente. Em 1963 publica dois trabalhos. área que sempre apresentou grande afinidade com os estudos geográficos. especializado em Geografia urbana e industrial. Foi um dos principais pesquisadores da segunda geração do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). que até hoje são considerados clássicos na Geografia brasileira. Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares) demonstravam possuir no início dos anos 40. ao ingressar no órgão em 1942. vai orientando suas pesquisas para os campos da urbanização e da industrialização. Inicialmente trabalha na área de Geografia física e.demográfico de 1940 e no projeto de continuação da cartografação do território brasileiro na escala de 1:1000 000. a forte relação entre o Brasil e Estados Unidos no campo da Geodésia e Cartografia. profissionais de Estatística. após a primeira guerra. ultrapassa 70 títulos entre livros e artigos em revistas especializadas. como resultado dos avanços tecnológicos ocorridos durante a segunda guerra. foi também descrita com muitos detalhes. a estruturação das principais linhas de poder acadêmico e administrativo do IBGE até o . atividade que ainda hoje exerce sob forma de consultoria para empresas privadas ou órgãos de governo. Sua especialidade posterior no IBGE. Para Geiger.

das influências dos antigos professores e o início de pesquisas que envolviam outros componentes econômico-sociais que até então não eram objeto de estudos mais sistemáticos. Walter Egler. Foi o principal organizador das propostas curriculares de Biogeografia nas universidades brasileiras nos anos 60. Avaliou também com muita acuidade o projeto de ocupação territorial do governo Vargas e o papel representado pela Geografia do IBGE neste projeto. Um outro ponto importante em seu depoimento foi a percepção do período de “emancipação acadêmica” dessa geração. tanto no IBGE quanto em instituições vinculadas à Ecologia.final dos anos 60. sob influência marxista. a constituição do grupo inicial de Biogeografia no IBGE era composta majoritariamente . Juntamente com Dora Amarante Romariz. biogeógrafo canadense que introduziu no Brasil os primeiros estudos sistemáticos de Ecologia e Biogeografia ampliou os horizontes de Kulman e Dora que em 1947 foram para o Canadá para cursos de aperfeiçoamento. Seus trabalhos sobre os processos de ocupação rural-urbana desenvolvidos na Baixada Fluminense entre 1951 e 1953 são os exemplos mais característicos. Edgar Kullmann (1928 ) geógrafo brasileiro. que vigorou fortemente no IBGE e no Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista UNESP de Rio Claro. Em 1943 o grupo se amplia com a chegada de Alceo Magnanini. No entanto. Kulmann exerceu funções de direção e de magistério. Na década de 70. participante do primeiro grupo de pesquisadores em Biogeografia no IBGE. Ele e Dora Romariz estudaram o bacharelado de Geografia na Universidade do Brasil sob a orientação de Francis Ruellan e foram colegas de turma de Elza Keller. ainda cursando o bacharelato na Universidade do Brasil sob a orientação de Ruellan. Pedro Geiger engaja-se no movimento de renovação da Geografia chamado Métodos Quantitativos ou Geografia Quantitativa. Alfredo Porto Domingues e Fernando Segadas Vianna. a vinda de Pierre Dansereau. E finaliza com uma análise das atuais relações entre o IBGE e a Universidade no campo da Geografia. Comentários ao depoimento O depoimento de Edgar Kulman mostra o lado da Geografia no processo de criação de um conjunto de profissionais de diferentes disciplinas que desenvolveram os estudos de Biogeografia no Brasil. ingressam no IBGE em 1942. Antônio Teixeira Guerra. Ele analisa com muita sensibilidade as fases transicionais da Geografia anterior para a quantitativa e as fases posteriores. são resultantes das interações e conflitos que acompanharam as vidas profissionais desses geógrafos. Em 1946. Para Geiger a Geografia Sistemática de objetivo social inicia nos anos 50.

Alfredo Porto Domingues foi um pioneiro nos estudos de geo-ecologia. Alfredo José Porto Domingues (1921) geógrafo brasileiro. coincide com a preocupação da área de planejamento nas questões relacionadas ao meio ambiente e a biodiversidade. participando do grupo que iniciou os estudos de Biogeografia. . é considerada até hoje um dos melhores trabalhos sobre o assunto no Brasil. outro importante formador de profissionais em Geomorfologia. Nessa fase. editados pelo IBGE. o principal mestre de Geomorfologia da segunda geração de geógrafos do IBGE. Aposentou-se do IBGE em 1986 . partindo de uma sólida base dada pela História Natural. publicada pelo IBGE. participando de organizações ecológicas editando jornais e dando consultorias à diferentes órgãos municipais. Comentários ao depoimento Um ponto interessante no depoimento de Alfredo P. Foi enviado para França para se especializar com Jean Tricart. Sua formação inicial em História Natural. região onde fixou residência permanente. Sua participação nos capítulos de Geografia Física da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Domingues. Sua segunda fase no IBGE. Walter Egler. a opção conciliatória pela História Natural que acabou desaguando no IBGE onde. refere-se ao processo de escolha profissional. área que ganharia importância no final dos anos 80. coordenando estudos sobre movimentos de solo nas encostas da Serra do Mar no início da década de 1970. lecionou em várias instituições de ensino superior do Rio de Janeiro e foi autor de dezenas de artigos e capítulos de livros sobre a Geomorfologia do Brasil. seu interesse pela Geomorfologia foi ampliado pela orientação de Francis Ruellan. onde misturaram-se o desejo pessoal pela Geologia com a pressão familiar contra a ida para Ouro Preto. a inicial até os anos 60 e posteriormente no final da década de 70 até sua aposentadoria em 1985. considerado um dos mais importantes geomorfólogos do país. Fernando Segadas Vianna e Alfredo Domingues).por engenheiros agrônomos e bacharéis em História Natural (Alceu Magnanini. Penedo e Visconde de Mauá. Itatiaia. Atualmente sua atuação está voltada para a conservação ambiental da área que abrange os municípios de Resende. finalmente vinculou sua antiga aspiração de Geologia com os estudos de Geomorfologia. Além da pesquisa. Paralelamente. pertencente ao IBGE e que estuda a ecologia do cerrado. acompanhou o surgimento da Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do IBGE e a instalação da Reserva Ambiental do Roncador em Brasília. Sua vida profissional divide-se entre o magistério numa instituição de ensino ligado a Igreja Metodista e a pesquisa botânica no IBGE em duas etapas distintas. foi o passaporte para seu ingresso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1943. sob a influência de Francis Ruellam.

os dois períodos mais significativos de desprestígio ocorreram na segunda metade dos anos 60. Para Alfredo Domingues o período de maior importância da Geografia Física situa-se nos primeiros 15 anos. Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis. que introduziram a componente ambiental na agenda de pesquisas do órgão. Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza. (1927). quando o principal objeto da Geografia do órgão voltou-se para a Geografia Urbana e para a regionalização econômica e se intensificaram nos anos 70 com a priorização dos métodos quantitativos nos segmentos econômico-sociais (urbano e agrário). Analisou também a importância da vinda do biogeógrafo canadense Pierre Dansereau . lá já estavam Edgar Kullmann e Dora Amarante Romariz. Em 1952 transfere-se. em 1956 transferiu-se para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura. Avaliou com muita segurança as diversas etapas de criação do grupo enfocando a liderança de Fernando Segadas Vianna na constituição do núcleo inicial e narrando os acontecimentos da transferência de Segadas Vianna para a universidade.Outra questão importante está referenciada à sua visão pessoal. influenciado por Girolamo Azzi. engenheiro agrônomo. que dedicou-se aos estudos botânicos e a Ecologia ainda na universidade. A partir de então ocupou cargos de chefia em projetos técnicos ou em áreas administrativas em órgãos como Conselho Florestal Federal. atualmente trabalha na Divisão de Avaliação Ecológica da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Esse grupo foi o núcleo inicial dos estudos de Biogeografia no IBGE. em função da liderança técnica de Francis Ruellan. juntamente com Walter Alberto Egler para o Museu Nacional e posteriormente vai para o Jardim Botânico. introdutor da “Geografia Agrícola”. por outro lado. Foi um dos organizadores do código nacional florestal de 1965 e diretor da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza a primeira Organização Não Governamental (OGN) de grande porte no Brasil fundada em 1958. A fase de prestígio retorna em meados dos anos 80 com a absorção pelo IBGE das equipes técnicas do Projeto Radam. Novas demandas por parte do governo federal solicitando grandes diagnósticos econômico-ambientais abriram novas perspectivas para a Geografia Física do IBGE. Ingressa no IBGE em 1943 juntamente com Alfredo Porto Domingues e Walter Alberto Egler. Tendo participado de todos os processos de ação governamental na área ambiental brasileira. que nos anos de 1945-47 foram orientados pelo biogeógrafo canadense Pierre Dansereau. dos diferentes ciclos de prestígio/desprestígio/prestígio por que passou a Geografia Física no IBGE nos seus mais de 60 anos de existência. Comentários ao depoimento A questão mais importante levantada no depoimento de Alceu Magnanini refere-se ao processo de criação do primeiro grupo de pesquisadores do meio-ambiente que o IBGE tentou formar no início dos anos 40. Alceu Magnanini. Parque Nacional da Tijuca. introdutor dos estudos de .

do IBGE para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura por perceber que já não estava havendo apoio aos estudos botânicos por parte do IBGE. onde formou vários especialistas em Geografia Agrária e em População. o mais importante “chefe de escola” da Geografia brasileira. O processo de escolha profissional pela Geografia ainda em Campinas e a mudança para o Rio de Janeiro em 1942 para continuar o segundo ano na Universidade do Brasil sob a liderança de Pierre Ruellan. que o geógrafo do IBGE José Veríssimo da Costa Pereira a convidou para trabalhar no órgão. Seu retorno ao . pois foi indiretamente por sua indicação. para onde havia se transferido para lecionar. como parte do segundo grupo de geógrafos do IBGE indicados como promissores na carreira. A década de 50. Comentários ao depoimento Pelo menos nove foram as principais referências que pudemos sintetizar no denso depoimento da professora Elza Keller. trabalhando paralelamente em Geografia urbana. Sua ida em 1946 para a universidade de Montpellier na França. foi a seu ver. dando aulas na universidade e pesquisando no IBGE entre 1945-46. retomou suas pesquisas. em Geografia da população. a influência de Michel Rochefort nos estudos de Geografia urbana a alcança na Faculdade de Rio Claro (SP). além de coordenar a organização do Atlas do Estado do Maranhão até sua aposentadoria em 1986. estudando a área de influência de Campinas. em 1947. hoje pertencente a UNESP. assunto que. Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). amplia seus horizontes profissionais. com pós-graduação na universidade de Montpellier na França. trabalhando com migrações internas. em agrária. juntamente com a Geografia agrária. principalmente na região sudeste e sul. Tal processo se intensifica ao longo dos anos 60 e somente mostra recuperação nos anos 70 com a criação da Superintendência de Recursos Naturais (SUPREN) e se amplia com a absorção das equipes técnicas do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) na segunda metade dos anos 80. coordenando estudos sobre classificação de tipos de cultivo e mapeamento de utilização da terra no sul e sudeste do país e. Nos anos 60 foi professora universitária na Faculdade de Rio Claro (SP). De volta ao IBGE. além de ter coordenado um atlas do estado do Maranhão. População e Urbana. É dessa época o seu trabalho sobre a área de influência de Campinas.Biogeografia no Brasil. A influência de Ruellan foi decisiva em sua carreira. Sua volta coincide com sua primeira chefia técnica e com o direcionamento de sua especialização em Geografia da população. Alceu narra também sua transferência. a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o Atlas Nacional do Brasil editados em 1958. Sua obra cobriu aspectos importantes da geografia brasileira. o período mais produtivo em virtude do engajamento do IBGE em grandes projetos como a preparação do Congresso Internacional de Geografia de 1956 no Rio de Janeiro. desde 1945. foram seus campos de estudos mais regulares. Na década de 60. Elza Coelho de Souza Keller (1924) geógrafa brasileira que trabalhou em três áreas da Geografia: Agrária.

. É fundamental que se acompanhe o processo de formação profissional desses funcionários públicos.IBGE acontece em 1967 para trabalhar com Geografia agrária e da população. além de seus organizadores iniciais e seguidores que gerenciaram a área por mais de quarenta anos. Após um entendimento das principais linhas do pensamento geográfico que dominaram o cenário geográfico do IBGE. Durante os anos 70 realiza alguns estudos com os métodos quantitativos e posteriormente passa a trabalhar na coordenação temática de alguns Atlas. terminando sua trajetória profissional com o Atlas do estado do Maranhão. através de seus depoimentos orais.

Este cotejo é interessante pois. que levaram alguns geógrafos a manterem-se firmes na escolha inicial ou a mudarem de rumo nos diferentes campos do conhecimento geográfico. A preocupação mais importante desta parte do trabalho é a de explicar como se deu o processo de formação profissional de alguns geógrafos do IBGE. de certa forma auxilia o entendimento da evolução da produção intelectual do profissional pesquisado. incluindo aí os cursos de pósgraduação e especialização profissional. O capítulo II inicia a marcha evolutiva do processo de formação elegendo alguns procedimentos de escolha de carreira que ocorreram com alguns dos geógrafos entrevistados. como foi possível perceber. para o . de maneira semelhante ao II. em virtude do interesse demostrado pela direção da área de documentação do órgão. Principalmente. a descoberta da pesquisa geográfica durante as fases finais do curso e o ingresso no ambiente de pesquisa via um estágio profissional e o desenvolvimento da carreira de pesquisador no contexto de trabalho. as afinidades e antipatias por temas. quando essas escolhas.Parte III . quanto na verificação da cronologia de suas obras publicadas em periódicos e monografias do IBGE. tomados aqui como referência para o entendimento da evolução da pesquisa geográfica no órgão. O capítulo I revela um pouco das atribulações e prazeres vividos pelo pesquisador e seus entrevistados no decorrer do trabalho. O capítulo III apresenta. processo que possivelmente ainda continuará. tanto em seus depoimentos orais. métodos de trabalho ou mesmo pessoais. A saga da Geografia no IBGE está fortemente marcada por profissionais que passaram por essas etapas. principalmente quando não se tem acesso ao curriculum-vitae do entrevistado. vistas posteriormente numa perspectiva inversa (do presente passado) foram decisivas para o entendimento do quadro atual da Geografia do IBGE.O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução Uma Experiência de História Oral O longo processo de formação de um profissional de nível superior está quase sempre marcado por três grandes etapas que seguem uma cronologia determinada: o período de escolha da carreira e seu primeiro contato com o ambiente universitário. os meandros dos procedimentos de engajamento em projetos.

É o capítulo que explora algumas configurações da arena de trabalho da pesquisa geográfica num órgão de planejamento territorial do governo federal e seus principais direcionamentos metodológicos de investigação. os participantes e as referências bibliográficas resultantes. utilizando-se de uma pesquisa de trabalhos de campo que opera com o tema e o local da pesquisa. mas deixaram suas respectivas marcas de produtividade e qualidade em seus trabalhos. Presta também uma homenagem aos que tombaram no caminho. .

Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. 1988). usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. já havia uma base consistente. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. Gelson Rangel Lima). No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. pois além de possuir um acervo documental enorme. no primeiro momento. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. em virtude do alto custo das transcrições. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. Aluísio Capdeville Duarte.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. Speridião Faissol. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. . 1989). para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. Portanto. No caso da Geografia do IBGE. 1998). A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. que faleceu em 1997. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. essa abordagem poderia ser frutífera. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. ou segmento de conhecimento geográfico.Capítulo I . visto que seria impossível. Orlando Valverde. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. além disso. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. em termos materiais. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de serem repetitivos. 1997) e. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto.

para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. Walter Isard.Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Para Orlando. Harvey Perloff e outros. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. desde sua fundação. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro.No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. nem como mecanismo de . esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. 1948). opiniões ou testemunhos factuais. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. pois vinculava-se o conhecimento do território. Nessa época. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. mas não a enxerga como ferramenta de planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950.. Durante o processo de coleta de depoimentos. que todavia. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. após o golpe militar de 1964. 1941 e 1949). ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA . Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui.

período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. quando foram para o Canadá para especialização. Neste caso. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. possivelmente. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. por de sua visão de pesquisa e ensino. que só se manteve unido. quanto pelos depoimentos.implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. No entanto. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. resultados desse fracionamento. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. tanto pela documentação. na visão de Alceu. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. Walter Egler. Uma outra questão crucial pode ser percebida. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. foram. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. Também através desses depoimentos. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. Egler e Alceu do IBGE. A importância da Biogeografia e da noção.

pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. mas acabei aceitando.. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. etc. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações . considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente." Eu tive algumas dificuldades." A maior parte do pessoal se demitiu. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. fiquei lá meio solto. ao longo dos anos. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. Este. o prof. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. aquela coisa. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. Eu era solidário com o Orlando e tal. foi uma crise braba. com a criação do Departamento de Geografia. era engenheiro. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. quando Faissol. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. o Miro era secretário e assistente do Fábio. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. da espinhosa questão. sem sombra de dúvidas. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. porque naturalmente eu é que quero falar com ele.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. foi um assunto que. tornou-se quase mitológico. ao voltar do doutoramento em Syracuse. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964.. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. A evolução da carreira de Speridião Faissol. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. matemático. Jurandir Pires Ferreira. Isso acarretou uma reviravolta. somente Speridião Faissol. de maneiras diferenciadas.

nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. entre a geografia física e geografia humana. ela fez mais com os estudos de população. n. Nilo. a meu ver. voltei eu e ficou naquele negócio.. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. Catarina. geógrafos. da estatura do Alfredo você não tinha outro. eu percebi esse divórcio em l970. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza.. .. conhecido como DEGEO. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. da década de 50 e 60 toda. você tinha n. você tinha Geiger. agora na geografia humana você tinha Faissol. a falta de geógrafos físicos.. que eram meio pessoais... eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa.. quer dizer. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. veio a Revolução. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação.grupo Zarur x Grupo Fábio. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão).. Isso era AGB e era IBGE. clima e vegetação em resposta a esta questão . quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. as causas foram anteriores à decada de 70. aqueles ódios... então eram três.. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. n.” (Depoimento de Marília V. depois era Elza.. “. uma derrubada. Roberto Lobato. indústria. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968.. uma situação e que é estranha. passada aquelas raivas. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. mas ao que me parece.. é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. então você vê. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. Lisia. mas Elza fez menos. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa.gerenciais de porte. Mas. Fany. Ney Strauch. havia não sei porque.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. era um número pequeno. urbana sobre as de relevo. eu não sei. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. (RSA) “ Mas isso. então eu acho que foi mais isso. Galvão a RSA) . criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50.

foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. matemática . status e conhecimento. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. por parte da maioria dos geógrafos. questões ideológicas e para agmáticas. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. Inicia-se o período das crises. foi o principal emulador de uma integração. O quadro político. a principal imagem que se constituiu nos anos 80. pois misturavam-se nas discussões. onde as duas áreas quase não se comunicam com naturalidade. concordar. esforços de aprendizado e carreirismo. Aprovar. apesar de turbulento.É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. Esperar que a moda passe. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. aguardar alguma novidade vinda de fora. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal.. . Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. mas nada fazer. No IBGE. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. e não contestar. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. O reconhecimento. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não )..

paralelamente também. bem feitas.. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. gerando um ambiente estranho.. é a Geografia Física e suas vinculações. Mas havia uma solução. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. mas aí então nós chegamos finalmente. isso somente referenciado à Economia. dos Neoclássicos como . abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). eu me arrepio toda.Na arena científica o ambiente torna-se pesado. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. porém eficiente. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. é bom que se diga.. de Keynes e dos keynesianos e. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que.. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil.. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas.. falou em computador comigo. e nós nos recusamos. Marshall. tarefa tão difícil quanto Estatística. não sei se Faissol disse isso. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. Aliás. o geógrafo médio. conforme a ocasião. depois desses Atlas na geografia quantitativa. Eu Marília Veloso Galvão.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. como a Geografia Quantitativa. sabe Roberto. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. Diferentemente da Geografia Quantitativa. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. eu detesto máquina. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. sou culpada. Talvez por isso. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e Ricardo. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”. mea culpa. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. uma muleta simples.. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política.. vidaliana ou rochefortiana. por profissionais de alta qualificação. “ Bom. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. (Almeida.. e não podia ser diferente.. eu me recusei. mea culpa. depois sim.. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação.

Miguel Ângelo Ribeiro. se a gente tivesse estudado para programação. foi um experiência. Cesar Ajara.. não era complexa.. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. quer dizer. muito bem.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) Com isso. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. é possível entender que. rica.. digo qual é o meu objetivo... ela deu resultados. você tem que saber o que está usando. eu forneço os dados..” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. primeiro. se eu não conseguir acabou. Cole no seu mestrado em Nothinghan. então isso foi um erro... computação era algo só de pessoas muito especializadas. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. . eu não quero estudar programação.... “ E não era uma coisa tão complexa assim. se o resultado eu conseguir interpretar... agora eu acho que apesar de toda parte ruim. quer dizer. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple... se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. que naquele período a programação de computação não era algo comum. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. tendo sido orientada pelo próprio J. P. e a gente podia se socorrer desse grupo. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado... e que era uma igrejinha fechada. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme. não é só aplicar a técnica e pronto. não é nem metodologia é uma técnica... não.. eles que façam e me mandem o resultado. eu acho muito rica.. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo.. eu dizia: olha. como tudo na vida. quer dizer.. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. houve um certo deslumbramento... Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. tem que saber escolher bem as variáveis...

... quer dizer. algo que na época era muito caro para os PCs. costuras e parcerias aqui e ali. ia e vinha. a França. paralelamente. Mônica.. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. quer dizer. por exemplo. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C.. o IBGE não estava podendo comprar equipamentos naquele momento. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. até existiu.. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada.. a medida em que o que nós estávamos procurando? Superar uma dificuldade interna de custos..A questão da plataforma? . da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que .... (RSA) “ Estava vindo. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple.... mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. para colocar mais precisamente. o material levou quase um ano para se liberado...” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C.. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia. Na visão de Cesar Ajara. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um..... Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período... nos intervalos eu .Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. então o produto que for gerado. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. a nível de resposta... acadêmica. Evangelina. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica... de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período... Máquinas que eram o top de linha da Apple.. ia e vinha. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma. e para complicar ainda mais. conseguimos libera o equipamento a duras penas.. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. já com CD-ROM embutido. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. isso não foi negligenciado. “ Com certeza. tivemos muitos problemas. a nível individual.. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando..Os depoimentos de Cesar Ajara. além de um scanner.. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple... eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso. máquinas de 32 bits de processamento.. foi muito desgastante. todos nós batalhamos muito. que quando eu pensava parceria...” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . . uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs.

eu com um pouco de audácia... eles normalmente não estimulados dentro do Departamento. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. um pouco de desafio. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista.... entender em que escala os outros técnicos estavam operando.. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. e pudemos aprimora-lo”.. eu também tinha. nós fizemos um. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos.. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado. tanto na esfera do IBGE. todo mundo é capaz de discutir problemas. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente.. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade.... formando pessoas. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área. quando eu fui fazer o zoneamento.. e além disso. meu e dela.. conflito não me amedrontava.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro. ou quando o conflito era para desestruturar . então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam. eu trabalhei seis anos.estava tarimbada. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. discutir problemas.. pode não ser capaz de discutir teoria.. e aí fizemos isso. Angélica também tinha. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi.. então com isso..” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos... quanto na esfera dos órgão contratantes. porque foram estimulados.... quando eu cheguei. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho.... a experiência dela nos projetos PMACI... do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso... e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar. era isso o que eu estava propondo. levantamento. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes.. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D. com isso. nós juntamos aquele conhecimento. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. e com o trabalho... gostando de trabalhar com grupo novo..... pois possibilitou através de seu método de trabalho.. “. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante....a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza... (RSA) “ Exato... porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer... nós todos tínhamos experiência de campo. então.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) ... Nossa Natureza. com isso se sentiram altamente prestigiados.Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia.. mas pode ser capaz de discutir um problema....F...

para a .Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão.

porque eram as palavras. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico.que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. em inglês.. eu teria feito em Campinas. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller.. ilustres desconhecidos. tem diversos livros publicados.. ao longo desses mais de sessenta anos. na universidade.. então. obras em francês.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. outros. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. que tinha. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. Em alguns casos.. eu me lembro por exemplo de citações.. os mapas na cabeça e tudo mais. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. “. ele citava obra.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio.. por exemplo sobre a colonização européia.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) .. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha.. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco .. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. porém todos participaram..eu fiz curso de normal. sem qualquer sombra de dúvida. quer por sua conduta profissional. quando professor também do ensino médio. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas... O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode. talvez se tivesse..Capítulo II . daí não tendo curso de Ciências Sociais.. essa coisa toda..” Tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. esses profissionais do ensino. direta ou indiretamente.. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. evidentemente que o melhor professor.. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. escola normal. “plagiando o Raja Gabaghlia..

duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo... e mais duas no segundo grau.. lembrei. chamava-se Lia Cardoso.... por causa delas me decidi. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras... era realmente elegante.....Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio... arroz. eram super exigentes essas professoras. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos... que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia... devo ter sofrido um pouco de influência dela. os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau...quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca....eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje..... tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói. eram discursivas. botava aqueles saquinhos com feijão. primeiro por causa do tipo dela. quando eu entrei no segundo grau..Tive.. chamada Vanda Regina.... mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional. James Braga Vieira....... só no meu álbum. Maria Isabel Azevedo. suas provas eram muito inteligentes. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete.. aquela coisa bem tradicional. pesquisadora da Casa Rui Barbosa.. era uma ótima professora. tem alguma coisa de Azevedo. mas eu sempre gostei mais de Geografia.. era uma geografia interpretativa... tive uma professora que realmente gostei. “.. de História que também era muito bom. também tive um professor Faria. “. expedicionário da FEB. essa dava sempre a Geografia tradicional. em História também tive outra ótima professora. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio.. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira.. duas professoras.. descrevendo as macrorregiões......” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca... e uma outra também a professora Nilza Bicudo. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF. não sei o sobrenome dela. na década de 70. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. aqueles trabalhos de geografia regional.. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro..” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70... embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.. uma que era modelo da Casa Canadá....” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) . Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. essa era o máximo para a mim.. que era dividido entre clássico e científico.. Após formado. ela arrasava dando geografia.....

. era moderna. Orlando Valverde que. mas eu não me lembro o sobrenome dele. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. Dilsa Mota e Marlene de Souza. falar e escrever. por exemplo. cuja formação eu não me lembro. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. Armando Sampaio de Souza. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. eu. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. e da principal associação profissional a AGB. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. havia um outro rapaz também chamado Jorge. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan.. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor... o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. da principal revista a RBG.... Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. quanto no Rio. era como o homem se comportava . ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. Mas. pois além da formação no nível da graduação. tanto em São Paulo. eu e Jorge Zarur. Eu era capaz de acompanhar as aulas.. entre 1940 até meados dos anos 60. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. Manuel Maurício nos anos 50 e 60. e os três professores. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza.. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. foi por inspiração do Anísio Teixeira. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem.Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. de estilo americano. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. na universidade o apoio e estímulo de um professor. era a chamada Escola Possibilista.. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. ele levantava problemas. quatro professoras primárias.

o homem e a montanha. como nos tempos de Deffontaines. tiramos o pessoal dos Estados Unidos. que posteriormente fez curso de geografia. foi transferido para o novo órgão. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. Geiger... mas Miguel... Rulaan achou que eu ia me dar bem. por indicação do professor Ruellan. então era. etc. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados.. Ele pegou um mapa de 1:50. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. durante os anos 40... dos chefes de escola geográfica da França..você já sabe . ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. Míriam.. então as perspectivas tinham que ser calculadas.. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. aquela seção da qual se originou . e voltamos então a ter a visão da Europa. a visão global da geografia da Europa.... ia ser posto em perspectiva. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.. um trabalho que era um diagrama em perspectiva... um dos fundadores do IBGE. então ele já era quase colega do Dr. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês. não podia ser desenhada simplesmente. mas estava dentro das possibilidades de cada um..... as faculdades para a qual nós deveríamos ir.diante da natureza. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu .... já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares.. Heldio e eu... foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.. pudesse ler e falar em francês... o homem e as ilhas... fomos cinco.. aprendi tudo com ele durante anos.. não foi decisão nossa absolutamente. Míriam para Lion e eu para Montpellier. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente... ele tinha essas coisas assim. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura... por exemplo.. o meu caso foi muito particular.. a partir de um mapa. juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil..000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas. passou o tempo todo. de Christóvão..” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947. como era um mapa de 1:50.. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura..o IBGE........... o homem e o frio.000. aquela região do Languedoc tem muito protestante.. Fábio.. porque ele não falava português.. o homem e a floresta.. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE. “ O meu contato com o Ruellan.nessa época fomos cinco Miguel. Heldio foi para a Strasburg. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado..eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês. porque sou evangélica protestante e Montpellier.. “..

sobretudo a ela.. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. na época da Faculdade... Heldio e Míriam.. foi a minha efetiva formação de geografia. De certa forma..Montpellier.. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. prensando e levando para classificar. era um apaixonado por geografia. pegando amostras. a prática de cartografia aplicada a geografia. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra... para a mim pessoalmente. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel . não sei se para o Geiger. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa.O seu orientador lá. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas...... o francês faz muito trabalho de campo....e ele firme. eu ainda não tinha nada escolhido. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. sabia que eu gostava de Geografia Humana . também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. o tipo de geografia regional que se aprende lá. posteriormente. treinam muito os estudantes para trabalho de campo.. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e..” . um especialista em relevo cárstico e de fito-geografia. eu já acompanhava de perto e namorando.. nos anos 60 no contexto do IBGE.... claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui.....” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort... uma loucura verdadeira.. na realidade. isso foi no período de 59 a 62. fez muita excursão. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. quem era? “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. e os nomes científicos também.. na realidade em termos de especialização... meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. mas acho que eles tiveram essa mesma visão... apesar das dificuldades enormes de pós guerra. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos.. mas a experiência francesa teve uma importância enorme. para a nós foi extraordinário.. Professor Paul Marres. praticamente todo fim de semana. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente.. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano... na França foi onde aprendi Geografia. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que.em termos de geografia geral. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas. paralelamente.. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80.... que é fundamental e mais a introdução a cartografia...

o Brian Berry.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. aquilo.. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol.. pois bem.. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas... Minha tese de mestrado. o Cole.. João Rua. p. os estudos de Áreas de Influências das Cidades. mas aqueles que eu assisti. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. 19911992.. tinha mais de uma dezena de análises de regressão.. Buarque. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão.. Rochefort. “ Agora. mas de certa maneira. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. Faissol é que repassava. no Economic Geography e no Professional Geographer.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense.. nesse período (6869) então. A idéia de elaboração de leis.. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional.. Em 1972. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França... Em seu depoimento. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. Jacob Binstock.” (Geosul 12-13. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade ..Envolvi-me com a “nova” Geografia.. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. quer dizer. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil. “. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois... o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana.. você tinha cursos específicos.. quer dizer.. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas.. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. . foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas... o Cole ficou e orientou mais.P. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me.Rochefort.. substituído por Olga.... eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76.

mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. e aí você vê cada uma pessoa. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria...” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo.. Roberto com a Lisia. quer dizer. cada um tem um escolhido do seu jeito.. Fany com Geiger.... que repassaram para outros profissionais.você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento.. .

Capítulo III . escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. Problemas como grandes projetos de prazo curto. onde o erro. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. tão comum nas fases iniciais de um profissional. Esse processo não era tão simples e direto. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. juntamente com Alfredo Porto Domingues. A audácia e o desassombro também eram bem vindos.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. O exemplo do jovem de 19 anos. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. como nas fases iniciais do órgão. no caso do primeiro. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. A questão central estava em perceber quem. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. com o seu conhecimento da língua japonesa garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil . principalmente nos períodos de implantação do órgão. fosse ele um professor estrangeiro. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. na excursão da região do Jalapão.

Neste campo. e a autonomia a ser conquistada a posteriori.. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. era apenas eu quero isso. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que.. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. mas que entendia a necessidade do trabalho. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. sem maiores vassalagens. são pontos de referência para um entendimento de que. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. aquilo passava. e quem o dominava. É necessário entender que a língua franca da Geografia. ela dava aquelas orientações todas . acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos.. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. em convênios com o governo francês. era um prazer trabalhar com Lisia. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. período da chamada Geografia quantitativa. adquirida nos anos 80. coincidentemente.. que muitas vezes eram descartados logo depois.. necessária nas fases iniciais.era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito.... ela não te amolava absolutamente.. Nos anos 70. gerando em muitos casos. algumas vezes não sabiam o que pediam. “ Ela era entusiasmadíssima.. A tênue fronteira entre a subserviência. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. ela dizia eu quero isso.

. criou entusiasmo. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. que pelo maior número envolvido. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. considerado o universo em questão. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE.. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. extremamente objetivas. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido.. foi importantíssimo... Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos. não sei.. Edmon Nimer no clima. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que .. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50.. porque se você ver bem. então formou técnica e gerencialmente. a geração anterior. eram poucos.. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”... quando o contingente de pesquisadores aumentou. a não ser em poucos centros de excelência. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante.. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945.. que dizer. eu fiquei na área de população. não tiveram as mesmas chances dos anteriores...” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser. Maria Francisca que foram ótimas técnicas. acompanhando em paralelo. a partir dos anos 50. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. quer dizer. a nossa também foi um pouco.. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. mas de certa maneira a Rute Magnanini. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini... Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago.... Olindina Mesquita na agricultura.. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. No entanto.. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos..diretíssimas. Waibel na agrária.... a geração que ingressou no início dos anos 50. quer dizer. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números.” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. mas a outra geração foi completamente massacrada.

podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. e mesmo antes. o número de . 59. Obviamente. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. eram quatro alunos só. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. Na maioria das vezes. se fosse o caso. pois envolvia. sob a supervisão dos chefes de equipes. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958.. da sua orientadora Lia Osório. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. desenhar os gráficos e mapas. que podiam assim.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. a turma seguinte. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. Para os mais avançados.. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. mesmo a aqueles considerados “normais”. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada.

.. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes.. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. um belo dia ligaram para minha casa.. e vamos pelo Vale do Paraíba.Em 1962. havia possibilidade. fez trabalho por todo o lado.. acho que isso é importante.. eu entrei para AGB em 58. eu era muito jovem. 1991-1992. então não tinha muita relação um com outro.. Corrêa a RSA) Portanto. em 1945. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. A importância da AGB é.E apresentou trabalho. e Caio Prado Jr. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. Tá bem. que foi talvez a mais proveitosa.. encarregado de estudar a parte agrária. não sei quando.240) Speridião Faissol." Então resolveram fundar a AGB nacional com..” . no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. a parte econômica. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul.. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. olha tem uma vaga. senão me engano. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal. etc. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante.” (Geosul 12-13. p. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura.. que fez um primor de exposição. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba..geógrafos estagiários do IBGE era mínimo.. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. embora não tendo muitas ligações com a associação. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele . está chamando você ir para lá. motivo de recordações de muitos geógrafos. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. eu faço questão de passar em Lorena. “. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. levando alunos.. inimigos mortais. com a presença do Bispo de Penedo. “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. a Assembléia de Penedo.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. estou começando o segundo ano. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro.. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo.. de fato.. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama.. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. “.” (Depoimento de Roberto L. quer dizer. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas.

mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro..Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB. até que quando eu soube a última . assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur..) “. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE.momento. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. por isso ela sobrevivia. de fato e de direito destruíram-na.. “ . da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo.. mas também participava. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram. Elza.... quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias.. mas Nilo.... “ Uma em Chicago em 74. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade.. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. Faissol nunca foi agebeano... Bom a partir dos anos 60.Ela ficou um período solta. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. Araújo. . a AGB do Rio acabou. Nilo..... hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia. Alfredo esses participavam.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser....” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem. Orlando menos.ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. Prudente. Hilgard Sternberg....” . também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE. “. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. 92 eu não podia. e literalmente. No Rio... isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos. um pouco dessa história. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. mas não quer dizer que necessariamente. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. a Maria do Carmo nunca foi agebeana. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE.. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50.. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE. Lígia.. Lígia... depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias.. IBGE era AGB Rio carioca....Olha a geografia.em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. Geiger.. vindas de um agebeano do final dos anos 50.” -Uma você estava em Chicago..

fomos parar em baixo da escada lá naquela o Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. jantando e dormindo AGB... passou a ser Encontros.. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. o próprio José César reconheceu o processo. modéstia à parte. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. e.. modéstia a parte.. as pessoas realmente pensam assim . orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. “.. e os atualizados lá. as estruturas portuárias. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando.. mas durou pouco tempo. Londrina. eu como disse. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando.vez tinha um sócio pagante. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. nosso arquivo. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. o Faissol acabou com ela. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró... “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) . que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. fui duas vezes Diretor Regional. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. vou conhecer a terra do meu pai. 66 Blumenau.... Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte.. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. fui secretário. dei conferência em função da AGB no Fundão. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. depois em 66 foi Franca. não. pensando... Baturité e aí em Belo Horizonte. no período da Assembléia de Maceió. bom... por uma questão sentimental. almoçando.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas. 1963 foi em Penedo. o representante do IBGE..... acho que foi..... as vezes concomitante. para a vender. com a AGB nacional... que depois ele pediu também.. na Universidade Fluminense. meu pai era cearense então eu disse. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário. que eu fui tesoureiro. indústria... eu passei grande parte da minha vida cuidando..eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. ela foi para a UERJ..... 67 Franca. ai fui a de Mossoró em 60.. no sentido de diminuir essas relações. praticamente no IBGE. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. nós tínhamos nossa estante. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia.. se não foi em termos científicos. fiz uma série de cursos. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78..assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. trabalhando.. só recebo um boletim e olhe lá. 68 Montes Claros.. fomos parar rapidamente numa sala lá.” “... comendo. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco... O Congresso de Fortaleza que... o Congresso de Fortaleza.. foi aí que comecei a participar no plano nacional.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos.... se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. 67.

também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. os estudos sobre o relevo do território. que ocasionalmente. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa.Entretanto. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. Esses foram alguns dos resultados . A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. 34 entre 1950 e 1955. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. sendo que 76 nos anos 40. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. Entre 1941 e 1968. a Carta do Brasil ao milionésimo. as determinações de fronteiras estaduais. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. os programas de colonização dirigida. 2000) foi possível verificar a importância dessas excursões.

e em alguns casos. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. Evidentemente. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. A lista. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro.desses trabalhos de campo. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. fronteira entre Pará e Amapá. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. no rio Jari. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . no município de Tucuruí (PA). O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. Em termos de homenagens. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de suas funções técnicas. caindo num trecho muito turbulento. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. morre afogado no Rio Tocantins. mas Egler não teve a mesma sorte. inaugurando uma escola com o seu nome. alguns dos quais foram sepultados nesses locais. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí.. além da área de segurança de queda..José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . houveram muitos preços a pagar. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. . morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. além das do IBGE. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. que para compor um quadro como este. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC).

faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). 09/10/1992 .José Redondano Neto. além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). é que o avião teria caído no mar sem explodir. dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. mas que não poderia ser comentado. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. José César de Magalhães Filho. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. A segunda. numa trágica coincidência. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). embora aposentados. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. não deixando vestígios na superfície. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. em função do nível de sigilo envolvido.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). e com isso.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 .Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. 09/08/1991 . quando ainda trabalhava no IBGE. fretada pelo RADAM. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. A aeronave. .20/03/1979 . Duas suposições ficaram no ar. 13/05/1980 . 15/05/1990 . 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ].Hilda da Silva do IBGE (de câncer. trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. ambos davam consultorias ).O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel.

Novas metodologias. sua população e sua economia. criando novas estruturas de pesquisas. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. pois outros geógrafos faleceram também. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. No entanto. é apenas uma lista de referência.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina).18/09/1995 . . muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. novos trabalhos e novas lideranças. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. Esta. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. 22/03/1997 .

1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. Aluísio Capdeville Duarte. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. no primeiro momento. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. 1997) e. ou segmento de conhecimento geográfico. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. Orlando Valverde.Parte III Capítulo I . em termos materiais. No caso da Geografia do IBGE. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. Gelson Rangel Lima). os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. essa abordagem poderia ser frutífera. 1988). 1989). uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. Portanto. que faleceu em 1997. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de . já havia uma base consistente. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. 1998). No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. pois além de possuir um acervo documental enorme.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. Speridião Faissol. além disso. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. visto que seria impossível. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período.

mas não a enxerga como ferramenta de . somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60.serem repetitivos. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. Harvey Perloff e outros. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. 1941 e 1949). que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos.. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. opiniões ou testemunhos factuais. Walter Isard. que todavia. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. após o golpe militar de 1964. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. Nessa época. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. Para Orlando. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. desde sua fundação. pois vinculava-se o conhecimento do território. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. 1948). em virtude do alto custo das transcrições. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. Durante o processo de coleta de depoimentos.

acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. quanto pelos depoimentos. por de sua visão de pesquisa e ensino. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. que só se manteve unido. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. tanto pela documentação. No entanto. Uma outra questão crucial pode ser percebida. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. possivelmente. na visão de Alceu. Egler e Alceu do IBGE. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. nem como mecanismo de implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. resultados desse fracionamento. Também através desses depoimentos. foram. quando foram para o Canadá para especialização. Walter Egler. A importância da Biogeografia e da noção. Neste caso. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém .planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950.

. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. foi uma crise braba. ao longo dos anos. com a criação do Departamento de Geografia. matemático.. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. Mas. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. Este. somente Speridião Faissol. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. fiquei lá meio solto." Eu tive algumas dificuldades. era engenheiro. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. aquela coisa. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. mas acabei aceitando. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. tornou-se quase mitológico. . quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. sem sombra de dúvidas.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. foi um assunto que. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. etc.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. da espinhosa questão. Eu era solidário com o Orlando e tal. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. quando Faissol. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. Jurandir Pires Ferreira. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. o prof. ao voltar do doutoramento em Syracuse. Isso acarretou uma reviravolta. de maneiras diferenciadas. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações gerenciais de porte. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. o Miro era secretário e assistente do Fábio. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. A evolução da carreira de Speridião Faissol." A maior parte do pessoal se demitiu.

é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. as causas foram anteriores à decada de 70. aqueles ódios.. Galvão a RSA) É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. mas ao que me parece. passada aquelas raivas. urbana sobre as de relevo. havia não sei porque. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. da década de 50 e 60 toda. mas Elza fez menos. Catarina. clima e vegetação em resposta a esta questão . da estatura do Alfredo você não tinha outro. a falta de geógrafos físicos. indústria. agora na geografia humana você tinha Faissol. Ney Strauch. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade.. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana.. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). n. n. geógrafos. uma derrubada. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. então você vê. onde as duas áreas . você tinha Geiger. veio a Revolução. Roberto Lobato. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou.. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. (RSA) “ Mas isso.. quer dizer. Nilo. “. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos.. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. Isso era AGB e era IBGE. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. eu percebi esse divórcio em l970. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. então eu acho que foi mais isso. uma situação e que é estranha. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio..grupo Zarur x Grupo Fábio.. Fany.. então eram três.. eu não sei. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. que eram meio pessoais. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. você tinha n.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. era um número pequeno. ela fez mais com os estudos de população... depois era Elza. entre a geografia física e geografia humana. .” (Depoimento de Marília V.. voltei eu e ficou naquele negócio. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. a meu ver.. conhecido como DEGEO. Lisia.

o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. matemática . esforços de aprendizado e carreirismo.. mas nada fazer. questões ideológicas e para agmáticas. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. tarefa tão difícil quanto Estatística. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. a principal imagem que se constituiu nos anos 80. No IBGE. Na arena científica o ambiente torna-se pesado. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e . apesar de turbulento. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia.. por parte da maioria dos geógrafos. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. status e conhecimento. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. aguardar alguma novidade vinda de fora. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. foi o principal emulador de uma integração. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. pois misturavam-se nas discussões. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE.quase não se comunicam com naturalidade. gerando um ambiente estranho. Inicia-se o período das crises. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. concordar. Aprovar. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. O reconhecimento. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. como a Geografia Quantitativa. O quadro político. Esperar que a moda passe. e não contestar.

a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. ela deu resultados. se o resultado eu conseguir interpretar... bem feitas. eu dizia: olha.Ricardo. paralelamente também. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física.. se a gente tivesse estudado para programação.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. foi um experiência. Eu Marília Veloso Galvão. falou em computador comigo. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. eu detesto máquina. computação era algo só de pessoas muito especializadas. Marshall. conforme a ocasião. vidaliana ou rochefortiana. de Keynes e dos keynesianos e. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia.. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. é a Geografia Física e suas vinculações. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. e nós nos recusamos. é bom que se diga. Talvez por isso. e não podia ser diferente. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. Aliás. uma muleta simples. eu me recusei. muito bem. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. e a gente podia se socorrer desse grupo. digo qual é o meu objetivo.. o geógrafo médio... era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. por profissionais de alta qualificação. mea culpa. sou culpada. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. (Almeida. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. porém eficiente. Diferentemente da Geografia Quantitativa. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. eu me arrepio toda. sabe Roberto... eles que façam e me mandem o resultado. que naquele período a programação de computação não era algo comum. então isso foi um erro.. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso..” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) .. Mas havia uma solução. dos Neoclássicos como . “ Bom. isso somente referenciado à Economia. e que era uma igrejinha fechada. não sei se Faissol disse isso. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. eu não quero estudar programação. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país.. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx.. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa.. depois sim.. mas aí então nós chegamos finalmente.. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. depois desses Atlas na geografia quantitativa. se eu não conseguir acabou. mea culpa. eu forneço os dados.

quer dizer.Com isso. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. tem que saber escolher bem as variáveis. quer dizer. não é só aplicar a técnica e pronto. não era complexa. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco... primeiro. isso não foi negligenciado. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. acadêmica... essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980... mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo.. por exemplo. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme. até existiu. “ E não era uma coisa tão complexa assim. “ Com certeza. Miguel Ângelo Ribeiro. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. quer dizer. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época.. a nível individual... Cole no seu mestrado em Nothinghan. paralelamente. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. a França.. houve um certo deslumbramento.. P.. é possível entender que. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple... Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período. não é nem metodologia é uma técnica... eu acho muito rica. Os depoimentos de Cesar Ajara. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico.. a nível de resposta. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. não. que quando eu pensava parceria. você tem que saber o que está usando.. quer dizer. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.. tendo sido orientada pelo próprio J. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. como tudo na vida.. Na visão de Cesar Ajara. costuras e parcerias aqui e ali. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C.. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. a medida em que o que nós estávamos . quer dizer. rica.. Cesar Ajara. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra.

Angélica também tinha. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs. “.. . com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso. para colocar mais precisamente... uma plataforma Apple que não conversava com os PCs.. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. já com CD-ROM embutido. (RSA) “ Estava vindo.. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma..” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. tivemos muitos problemas.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro... ia e vinha. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram... e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza.. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando..ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. máquinas de 32 bits de processamento. levantamento. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE.. além de um scanner. pois possibilitou através de seu método de trabalho.. e para complicar ainda mais. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE... Mônica. conseguimos libera o equipamento a duras penas... então o produto que for gerado. tanto na esfera do IBGE...procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. Máquinas que eram o top de linha da Apple. foi muito desgastante... nós todos tínhamos experiência de campo. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. ia e vinha... o material levou quase um ano para se liberado.. o IBGE não estava podendo compara ar equipamento naquele momento...” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) ... quanto na esfera dos órgão contratantes... Evangelina. porque . nos intervalos eu . a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. algo que na época era muito caro para os PCs.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.. todos nós batalhamos muito..A questão da plataforma? .. nós fizemos um..F..Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. eu também tinha....... um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos.. e aí fizemos isso. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada..

ou quando o conflito era para desestruturar . um pouco de desafio. através de alguns depoimentos tomados com exemplo. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina. O capítulo II analisará determinados mecanismos de escolha de carreira. e pudemos aprimora-lo”. Nossa Natureza........ conflito não me amedrontava. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento. era isso o que eu estava propondo..” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) ........ com isso... gostando de trabalhar com grupo novo.. para a . porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista.....realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia.. eu com um pouco de audácia. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar... que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho.. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. (RSA) “ Exato.. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar.. mas pode ser capaz de discutir um problema. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente.. eu trabalhei seis anos. discutir problemas. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam.. entender em que escala os outros técnicos estavam operando......... com isso se sentiram altamente prestigiados. então com isso. a experiência dela nos projetos PMACI. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe.. pode não ser capaz de discutir teoria.foram estimulados. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos... então. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área. quando eu fui fazer o zoneamento. formando pessoas. quando eu cheguei. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. nós juntamos aquele conhecimento. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos.... e com o trabalho. meu e dela.. todo mundo é capaz de discutir problemas. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos..Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese.estava tarimbada. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão.. e além disso.

.. outros. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. sem qualquer sombra de dúvida..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) . eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana...eu fiz curso de normal.. talvez se tivesse. ao longo desses mais de sessenta anos..Parte III Capítulo II . então. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia.. porque eram as palavras.. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. ilustres desconhecidos. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan....que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. obras em francês. na universidade. essa coisa toda.. em inglês. escola normal.” tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. que tinha.. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II.. ele citava obra. tem diversos livros publicados. “. direta ou indiretamente.. os mapas na cabeça e tudo mais. porém todos participaram... daí não tendo curso de Ciências Sociais.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. eu me lembro por exemplo de citações. quer por sua conduta profissional. “plagiando o Raja Gabaghlia. quando professor também do ensino médio. eu teria feito em Campinas. esses profissionais do ensino. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. evidentemente que o melhor professor. Em alguns casos. por exemplo sobre a colonização européia. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco . O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller..

tive uma professora que realmente gostei.. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. não sei o sobrenome dela.. suas provas eram muito inteligentes.. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. chamada Vanda Regina.... devo ter sofrido um pouco de influência dela.... duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo. só no meu álbum.. na década de 70.... “. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro. era uma ótima professora.. também tive um professor Faria...... Maria Isabel Azevedo. e uma outra também a professora Nilza Bicudo. por causa delas me decidi.. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF..quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes.. quando eu entrei no segundo grau... dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira. tem alguma coisa de Azevedo. duas professoras.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional.. Após formado. era uma geografia interpretativa.... tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. lembrei.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70... “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete... “. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia..... arroz. os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. expedicionário da FEB. e mais duas no segundo grau. uma que era modelo da Casa Canadá.. . fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos..” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca. ela arrasava dando geografia....eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje..Teve. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba... em História também tive outra ótima professora. James Braga Vieira.. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio.. de História que também era muito bom.. primeiro por causa do tipo dela.. descrevendo as macrorregiões. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira... aquela coisa bem tradicional.. eram discursivas.. aqueles trabalhos de geografia regional... botava aqueles saquinhos com feijão. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras... chamava-se Lia Cardoso. essa dava sempre a Geografia tradicional... José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia... eram super exigentes essas professoras. essa era o máximo para a mim.... Manuel Maurício nos anos 50 e 60. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio.. mas eu sempre gostei mais de Geografia....” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. que era dividido entre clássico e científico. pesquisadora da Casa Rui Barbosa. era realmente elegante..

É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada.. tanto em São Paulo.. e os três professores. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. falar e escrever. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. Eu era capaz de acompanhar as aulas. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. da principal revista a RBG..Mas.. mas eu não me lembro o sobrenome dele. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. o homem e as ilhas.. havia um outro rapaz também chamado Jorge. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. um dos fundadores do IBGE. quatro professoras primárias. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. entre 1940 até meados dos anos 60. o homem e a montanha. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos... o homem e a floresta. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. na universidade o apoio e estímulo de um professor. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. juntamente com Cristóvão Leite de Castro.. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. cuja formação eu não me lembro. o homem e o frio. Armando Sampaio de Souza. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30.. por exemplo. foi por inspiração do Anísio Teixeira. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. eu e Jorge Zarur. era a chamada Escola Possibilista.. Dilsa Mota e Marlene de Souza. quanto no Rio. por exemplo. ele levantava problemas. era moderna.. era como o homem se comportava diante da natureza. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche.. e da principal associação profissional a AGB. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de . Orlando Valverde que. eu. de estilo americano. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. então era. foi transferido para o novo órgão. pois além da formação no nível da graduação. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima.

.... O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes. a partir de um mapa.O seu orientador lá. pegando amostras.. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947.000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas... como era um mapa de 1:50.. aquela região do Languedoc tem muito protestante. prensando e levando para classificar.000. a visão global da geografia da Europa.. sabia que eu gostava de Geografia Humana . daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês. eu ainda não tinha nada escolhido. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra... Heldio e eu. que posteriormente fez curso de geografia. não foi decisão nossa absolutamente... aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas.. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia..o IBGE. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente.. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado.... por indicação do professor Ruellan.... era um apaixonado por geografia. apesar das dificuldades enormes de pós guerra.. o meu caso foi muito particular....nessa época fomos cinco Miguel.. mas estava dentro das possibilidades de cada um.. mas Miguel. Geiger. na época da Faculdade..e ele firme. então ele já era quase colega do Dr.” .em termos de geografia geral. “... Fábio... juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil. aquela seção da qual se originou ... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês... porque sou evangélica protestante e Montpellier.. Míriam para Lion e eu para Montpellier...você já sabe . ele tinha essas coisas assim..... como nos tempos de Deffontaines... o francês faz muito trabalho de campo.. um especialista em relevo cárstico e de fitogeografia. Heldio foi para a Strasburg. já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares. quem era? (RSA) “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. um trabalho que era um diagrama em perspectiva.... o tipo de . dos chefes de escola geográfica da França. Ele pegou um mapa de 1:50....... etc. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também... fez muita excursão.. as faculdades para a qual nós deveríamos ir. Míriam.. Professor Paul Marres. praticamente todo fim de semana..... aprendi tudo com ele durante anos. Rulaan achou que eu ia me dar bem. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura.. porque ele não falava português. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu Montpellier. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. passou o tempo todo. fomos cinco. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito.eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês...... não podia ser desenhada simplesmente. ia ser posto em perspectiva. e os nomes científicos também. de Christóvão.. e voltamos então a ter a visão da Europa. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia.. pudesse ler e falar em francês.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados. na realidade em termos de especialização. treinam muito os estudantes para trabalho de campo. tiramos o pessoal dos Estados Unidos...pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE.. durante os anos 40. “ O meu contato com o Ruellan. então as perspectivas tinham que ser calculadas... eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea... ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. uma loucura verdadeira..” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947...

. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961.... . sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa.. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária.. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana... mas acho que eles tiveram essa mesma visão. substituído por Olga. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano... (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. para a mim pessoalmente. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes.... na França foi onde aprendi Geografia.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense. os estudos de Áreas de Influências das Cidades. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo.. pois bem. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.. nesse período (68-69) então. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80.. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. nos anos 60 no contexto do IBGE. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.geografia regional que se aprende lá. sobretudo a ela.. não sei se para o Geiger. posteriormente. a prática de cartografia aplicada a geografia. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. João Rua.. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui.. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker.. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas. De certa forma... isso foi no período de 59 a 62. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968.. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade . Jacob Binstock.. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. paralelamente. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE.. mas a experiência francesa teve uma importância enorme. Buarque. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel Rochefort. foi a minha efetiva formação de geografia. para a nós foi extraordinário. Heldio e Míriam.. que é fundamental e mais a introdução a cartografia...” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas. eu já acompanhava de perto e namorando. na realidade.

. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria.. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol. que repassaram para outros profissionais.. mas de certa maneira. o Brian Berry. Roberto com a Lisia. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas.. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76.. Minha tese de mestrado..29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. o Cole ficou e orientou mais. p. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. no Economic Geography e no Professional Geographer... E lá debrucei-me em cima de artigos e livros....... quer dizer. o Cole. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. quer dizer. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão.” (Geosul 12-13. Faissol é que repassava. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. Em seu depoimento.. mas aqueles que eu assisti. e aí você vê cada uma pessoa..Envolvi-me com a “nova” Geografia.P. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. cada um tem um escolhido do seu jeito. Cole na Inglaterra em Geografia urbana... A idéia de elaboração de leis. 1991-1992... Em 1972. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas.... trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão.. tinha mais de uma dezena de análises de regressão. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei..“. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil. você tinha cursos específicos. “ Agora. Fany com Geiger.. . quer dizer. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento...” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo.. aquilo. Rochefort.

fosse ele um professor estrangeiro. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. Esse processo não era tão simples e direto. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. principalmente nos períodos de implantação do órgão. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. juntamente com Alfredo Porto Domingues.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. no caso do primeiro. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão.Parte III Capítulo III . comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. A questão central estava em perceber quem. O exemplo do jovem de 19 anos. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. tão comum nas fases iniciais de um profissional. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. com o seu conhecimento da língua japonesa . Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. onde o erro. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. Problemas como grandes projetos de prazo curto. na excursão da região do Jalapão. como nas fases iniciais do órgão.

para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. coincidentemente. período da chamada Geografia quantitativa. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa.. são pontos de referência para um entendimento de que. Nos anos 70. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. . Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. Neste campo. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. mas que entendia a necessidade do trabalho. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. gerando em muitos casos. em convênios com o governo francês. É necessário entender que a língua franca da Geografia. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. A tênue fronteira entre a subserviência. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. necessária nas fases iniciais.. adquirida nos anos 80. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos.garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. algumas vezes não sabiam o que pediam. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. que muitas vezes eram descartados logo depois. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. e quem o dominava. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. sem maiores vassalagens.

. considerado o universo em questão.. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números...” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser. porque se você ver bem.. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. foi importantíssimo.. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945.. ela dava aquelas orientações todas diretíssimas. quando o contingente de pesquisadores aumentou.. quer dizer. a geração que ingressou no início dos anos 50. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos.. era apenas eu quero isso.. a nossa também foi um pouco. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. eu fiquei na área de população.” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. eram poucos. ela não te amolava absolutamente. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini.. Maria Francisca que foram ótimas técnicas. era um prazer trabalhar com Lisia. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. ela dizia eu quero isso. Edmon Nimer no clima.. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu...“ Ela era entusiasmadíssima. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que .. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”.... a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda... somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. então formou técnica e gerencialmente. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”.. Olindina Mesquita na agricultura. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos. criou entusiasmo.. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. a não ser em poucos centros de excelência. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade.. No entanto. que dizer. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores. mas a outra geração foi completamente massacrada. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. Waibel na agrária.... acompanhando em paralelo.. a geração anterior. aquilo passava. mas de certa maneira a Rute Magnanini. que pelo maior número envolvido.. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. extremamente objetivas. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares... quer dizer. a partir dos anos 50.. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante.... quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. não sei. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo.

eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer... sob a supervisão dos chefes de equipes. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria.” . portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. a turma seguinte. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. se fosse o caso. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. eu entrei para AGB em 58. Obviamente.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. Na maioria das vezes. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. pois envolvia.. desenhar os gráficos e mapas. 59. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho.. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. que podiam assim. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. da sua orientadora Lia Osório. eram quatro alunos só. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. Para os mais avançados. o número de geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. mesmo a aqueles considerados “normais”. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. e mesmo antes. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade.

1991-1992. estou começando o segundo ano.. não sei quando. eu faço questão de passar em Lorena. “. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo.. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele momento.. e Caio Prado Jr. “. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.Em 1962. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. embora não tendo muitas ligações com a associação.. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. A importância da AGB é. olha tem uma vaga. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. em 1945.. Tá bem. senão me engano. e vamos pelo Vale do Paraíba. motivo de recordações de muitos geógrafos.. que fez um primor de exposição.. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia. a Assembléia de Penedo.. inimigos mortais. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. p. de fato. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. quer dizer.. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro.. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul.” (Geosul 12-13. a parte econômica. um belo dia ligaram para minha casa. Corrêa a RSA) Portanto.. acho que isso é importante.?(RSA) “ Apresentei trabalho coisa nenhuma.. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros." Então resolveram fundar a AGB nacional com. então não tinha muita relação um com outro. encarregado de estudar a parte agrária. levando alunos.. havia possibilidade. etc. eu era muito jovem. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam.... com a presença do Bispo de Penedo. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. que foi talvez a mais proveitosa. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. está chamando você ir para lá.E apresentou trabalho.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) . 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. fez trabalho por todo o lado.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia..” (Depoimento de Roberto L...240) Speridião Faissol.

até que quando eu soube a última vez tinha um sócio pagante. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs.. e. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE.(RSA) “ ... se não foi em termos científicos.....(RSA) “..” . quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.” . Lígia.. por uma questão sentimental. almoçando. Hilgard Sternberg. IBGE era AGB Rio carioca. Geiger. Orlando menos. pensando. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo.. eu passei grande parte da minha vida cuidando.. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual.. Bom a partir dos anos 60. acho que foi. 92 eu não podia.... Araújo. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE.. o Congresso de Fortaleza... vindas de um agebeano do final dos anos 50... Alfredo esses participavam. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro.. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE. mas não quer dizer que necessariamente. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar..(RSA) “ Uma em Chicago em 74. comendo.. modéstia a parte. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP..Ela ficou um período solta. “...” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. modéstia à parte.Olha a geografia.. Lígia.. mas Nilo. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos. vou conhecer a terra do meu pai.. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram. mas também participava.” -Uma você estava em Chicago.. e literalmente. Elza... assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. No Rio... depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias.. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE. jantando e dormindo AGB.. praticamente no IBGE. a AGB do Rio acabou.em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB... . meu pai era cearense então eu disse. Faissol nunca foi agebeano. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei..... de fato e de direito destruíram-na.. Nilo. O Congresso de Fortaleza que. um pouco dessa história.. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. bom. Baturité e aí em Belo Horizonte. por isso ela sobrevivia.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB.ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. Prudente.Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50. a Maria do Carmo nunca foi agebeana... eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando... trabalhando..

ela foi para a UERJ. depois em 66 foi Franca. as estruturas portuárias.. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. no sentido de diminuir essas relações... dei conferência em função da AGB no Fundão.. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. fui secretário. o Faissol acabou com ela. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas.. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia... No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam.. as vezes concomitante.. nós tínhamos nossa estante. só recebo um boletim e olhe lá. mas durou pouco tempo. eu como disse.eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. para a vender. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. fomos parar rapidamente numa sala lá.. na Universidade Fluminense.. indústria. as pessoas realmente pensam assim . fomos parar em baixo da escada lá naquela Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Entretanto... 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados.. foi aí que comecei a participar no plano nacional.... e os atualizados lá. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário... Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró.. “. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. 67.. ai fui a de Mossoró em 60.. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. 2000) foi possível verificar a . as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. passou a ser Encontros.“. não... que depois ele o pediu também. no período da Assembléia de Maceió... fui duas vezes Diretor Regional.. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB... Londrina..” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas. fiz uma série de cursos. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades... com a AGB nacional.. 1963 foi em Penedo. o representante do IBGE. 68 Montes Claros. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB. 66 Blumenau. que eu fui tesoureiro... Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte. nosso arquivo.. 67 Franca... 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. o próprio José César reconheceu o processo..

e em alguns casos.importância dessas excursões. os programas de colonização dirigida. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. 34 entre 1950 e 1955. houveram muitos preços a pagar. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. Evidentemente. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. as determinações de fronteiras estaduais. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. a Carta do Brasil ao milionésimo. Entre 1941 e 1968. que ocasionalmente. Esses foram alguns dos resultados desses trabalhos de campo.. os estudos sobre o relevo do território. sendo que 76 nos anos 40. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de . os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. que para compor um quadro como este. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes.. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo).

alguns dos quais foram sepultados nesses locais. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco.suas funções técnicas. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. caindo num trecho muito turbulento. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Em termos de homenagens. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). na época diretor do Museu Goeldi de Belém. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. mas Egler não teve a mesma sorte. morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. inaugurando uma escola com o seu nome. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. A . além das do IBGE. no rio Jari.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. 20/03/1979 . A lista. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. no município de Tucuruí (PA). não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. fronteira entre Pará e Amapá. morre afogado no Rio Tocantins. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. além da área de segurança de queda.José Redondano Neto.

trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. Duas suposições ficaram no ar. No entanto. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). 22/03/1997 . Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. 09/10/1992 . mas que não poderia ser comentado. 18/09/1995 . embora aposentados. A segunda. em função do nível de sigilo envolvido. e com isso. 15/05/1990 .O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que . Esta. é que o avião teria caído no mar sem explodir. além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. 13/05/1980 . José César de Magalhães Filho. é apenas uma lista de referência.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. pois outros geógrafos faleceram também. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . 09/08/1991 . dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. não deixando vestígios na superfície. numa trágica coincidência. fretada pelo RADAM.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco).aeronave. quando ainda trabalhava no IBGE.Hilda da Silva do IBGE (de câncer. ambos davam consultorias ).

criando novas estruturas de pesquisas. sua população e sua economia. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. . novos trabalhos e novas lideranças. Novas metodologias. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram.subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território.

inclusive com abordagens distintas quanto ao conhecimento matemático e estatístico. Alfredo Porto Domingues.Parte IV . Conjunto de estudos que normalmente envolvem as duas áreas. eram as atividades típicas de planejamento que o IBGE sempre teve ao seu encargo. principalmente nas primeiras décadas de atividade. Pedro Geiger.As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução Estamos considerando como praticas profissionais. que sempre foram mais cobrados nos segmentos da Geografia física do que na humana. mas que tinha por imposição de seu contrato do professor na Universidade do Brasil. por mais que se pregue o contrário. Heldio Lenz. evidentemente. um fator inibidor no diálogo profissional. A força dos estudos sistemáticos na área de Geografia somente toma força com Michel Rochefort nos anos 60 no campo da Geografia . tendem a dicotomizar essas duas áreas. Para isso. Daí o grande poder da área de regionalização. as diferentes abordagens de trabalho nas áreas de pesquisa geográfica que os geógrafos do IBGE adotaram ao longo do período de sua existência. dos que trabalham com Geografia humana é. além de uma grande dose de boa vontade por parte dos professores e dos alunos. No contexto do IBGE. pois as experiências com a quantificação nos anos 70 exigiam equipamento caro e mão de obra especializada. Miguel Alves de Lima. mas ainda assim era possível perceber que os melhores “alunos” tendiam a se especializar em Geomorfologia. essa dicotomia não se fez sentir com intensidade. A exceção ocorreu durante a década de 70 no contexto dos métodos quantitativos. por sua missão institucional o IBGE seus profissionais de Geografia sempre tenderam mais ao ecletismo do que a especialização. lecionar e transmitir qualquer campo do saber geográfico para seus alunos e para os técnicos do IBGE. já nos primeiros anos. já que ainda era difícil perceber que aqueles métodos poderiam trazer grandes modificações no conhecimento geográfico fora do campo do planejamento governamental. Lúcio de Castro Soares foram alguns desses e apenas Pedro Geiger migrou para os estudos econômicos e sociais nos anos 50. Um outro ponto importante a considerar. quando confrontada com os especialistas dos campos sistemáticos. necessitando da experiência de um pesquisador eclético que conheça perfeitamente os grandes traços físicos e humanos de uma região para poder realizar o trabalho de recorte regional. mas que não chegou sequer a modificar a tendência conhecida. Os processos de aprendizado na universidade. como no caso da regionalização. É possível argumentar que. é necessário que se entenda que a grande divisória que separa as práticas profissionais dos geógrafos físicos. talvez por conta da forte influência de Francis Ruellan. que era geomorfólogo.

Foram. perante outras instâncias da instituição. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior relevância e suas relações com as conjunturas técnicas ou políticas da casa. embora os ensinamentos de Leo Waibel nos anos 50 em Geografia agrária também já orientavam os geógrafos regionais nessa direção. onde também se avaliará a representatividade do trabalho geográfico e dos geógrafos em particular. as grandes arenas de pesquisas dos geógrafos especialistas do IBGE. . sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. capítulo I descreve em linhas gerais cada um desses temas.urbana. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológico decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. principalmente os vinculados ao estudo do habitat rural. é nesta parte do trabalho. Além disso. mas é preciso assinalar que os grandes estudos orientados por Waibel neste campo. fundamentalmente. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. ainda possuíam uma forte conotação regional. os processos de industrialização e urbanização no sudeste brasileiro nos anos 60. Os próximos capítulos tratarão de dar uma visão panorâmica dos principais temas da pesquisa geográfica trabalhos pelos profissionais do IBGE e analisar sua importância para a história do pensamento geográfico brasileiro.

O estabelecimento em 1938 pelo Conselho Nacional de Estatística de uma regionalização baseada na divisão em uso pelo Ministério da Agricultura e que serviu como base para o censo de 1940 foi o ponto de partida para os estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães objetivando definir uma nova regionalização para o Brasil. 6-Caracterizações Ambientais ( 6.Modernização da agricultura.3 – Biogeografia) e 7. Na parte final do capítulo foi introduzida uma avaliação das atividades de geoprocessamento.Regionalização. 5. auxiliando nos planejamentos dos censos.Capítulo I .Urbanização. distritos. 63 da AG/CNG . conforme administrativos e legais do IBGE. 6. campanhas estatísticas. de 1941 tornou-se um clássico e sua definição para uma divisão única foi acatada pelo governo federal. Além de garantirem uma maior precisão cartográfica nas cartas editadas pelo IBGE. municípios.Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia: uma análise de suas práticas profissionais Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE são considerados como uma referência geral para a explicação das atividades do antigo Conselho Nacional de Geografia (CNG) e do atual Departamento de Geografia (DEGEO).Ambientais Integrados.Regionalização Ao se observar panoramicamente a atuação da Geografia do IBGE verifica-se que os estudos de regionalização sempre foram a razão de ser dessa área na casa. não sendo de maneira nenhuma uma lista fechada. 1 – Geomorfologia. Seu artigo publicado na RBG ano 3. 3Industrialização. acompanhamento da evolução das malhas de setores censitários. principalmente no que tange aos estudos de regionalização. Analisando-se a cronologia bibliográfica sobre o assunto é possível perceber que os processos de regionalização sempre acompanharam a trajetória do órgão e determinaram inclusive as formas de apresentação tabular dos censos. 1939 07 25 . previsão de safras agrícolas.Ocupação do Território e Habitat.Determina o estudo da divisão regional do Brasil e das suas unidades federadas e a elaboração de uma obra de divulgação sobre a região amazônica em geral e o rio Amazonas em especial.2 – Climatologia. de bairros urbanos. unidades federadas e grandes regiões. n. 6. acompanharam a evolução dos estudos geográficos no IBGE e definiram tendências em escala nacional para certos trabalhos. /jun. principal área de trabalho da Geografia do órgão.Resolução n. Atividades essas que envolvem várias diretorias e que viabilizarão bases geo-referenciadas para inúmeras áreas e pesquisas da agência. Os nove grandes temas analisados: 1. micro e meso regiões. nos informa os dados da cronologia dos atos . 2. 1 .Diagnósticos Sócio . 4. 2 de abr.

em definir regiões preferencialmente por critérios econômicos. que foram incorporadas aos planos tabulares dos censos seguintes. com alteração no nome de uma região (Este foi substituída por Leste) mas cada unidade federada foi também subdividida em zonas fisiográficas com os seus municípios correspondentes. promove a sua adoção pela Estatística Brasileira e dá outras providências. Esta resolução implicou em estudos de regionalização nas unidades regionais estabelecidas e o resultado desses trabalhos resultou na coleção Divisão Regional do Brasil.Resolução n. 1967a e 1967b). Nos censos de 1950 e 1960 as regiões fisiográficas foram mantidas. 1942 07 09 . regionalizando conjuntos de municípios de características homogêneas. foi também organizado um estudo abrangente em convênio com o . Nordeste. 1941:363-364). e baixa provisoriamente e em segunda aproximação. a divisão regional do Brasil. Além dessas obras. e dá providências para a generalização do seu uso. primeiro censo organizado após a criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG) já apresentava no volume Brasil uma divisão em regiões fisiográficas (Norte.Sugere uma nova divisão das unidades federadas em zonas fisiográficas. Este. 72 da AG/CNG . 1941 07 24 .para fins práticos. 124 da AG/CNG .mediante agrupamento dos municípios brasileiros. Novas determinações da assembléia geral do CNG durante o início dos anos 40 orientaram estudos para demarcação de zonas fisiográficas nas unidades da federação. Sul e Centro-Oeste) mas suas unidades federadas ainda eram apenas subdivididas em municípios. para uso da Estatística Brasileira.1941 07 14 .Resolução n. 225 da AG/CNE . com na divisão do Conselho Técnico de Economia e Finanças adotado em 1939 por ocasião da Conferência nacional de Economia (Guimarães. ainda que incipiente.Resolução n. embora argumentando que já havia uma tendência. 1945 07 13 . 143 da AG/CNG .Manifesta o aplauso do Conselho à nova Divisão Regional do Brasil fixada pelo Conselho Nacional de Geografia e dá providências a respeito. Nos anos de 1967 e 1968 iniciou-se no âmbito da Divisão de Geografia os estudos para a definição da nova regionalização em espaços homogêneos e polarizados (IBGE. que para cada região. O artigo de Fábio de Macedo Soares analisou a necessidade de uma regionalização que tivesse uso estatístico e que apresentasse um alto grau de estabilidade ao longo dos anos para fins de comparabilidade espacial e por isso optou por uma divisão que desse preferência às características naturais das regiões delimitadas.Resolução n.Estabelece a divisão regional do país. O plano tabular do censo de 1940. estabeleceu uma subdivisão em sub-regiões e zonas.Fixa o quadro de divisão regional doBrasil.

(IBGE. O Subsídios à Regionalização trabalhou com sete segmentos dos estudos geográficos passíveis de serem regionalizados (Quadro Natural. Olindina Mesquita). servindo efetivamente de subsídios à institucionalização de uma nova sistematização de regionalizações levada a efeito pela Geografia do IBGE a partir do final dos anos 60. Transportes. a . Essas novas questões sobre regionalização estavam na pauta da Geografia do IBGE por conta das recomendações definidas na XXIII Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia através da resolução 595 de 17 de junho de 1966 visando subsidiar uma regionalização que substituiria as regiões fisiográficas. Fany Davidovich. Ignez Barbosa. 1967a. A regionalização em espaços homogêneos servia para duas grandes vertentes a primeira objetivando o planejamento governamental em áreas com as mesmas características. além de terem contado com a consultoria de Michel Rochefort nas fases iniciais do processo. Orlando Valverde. Speridião Faissol. A definição e delimitação dos espaços homogêneos foi trabalhada por um conjunto de 13 geógrafos ( Lysia Bernardes. Aluísio Duarte. Atividades Terciárias e Centralidade) e praticamente envolveu todo o quadro técnico da Divisão de Geografia por dois anos. Regiões Agrícolas. e o de espaços polarizados escrito a quatro mãos por Roberto Lobato Corrêa e Fany Davidovich são peças reveladoras do pensamento geográfico regional da segunda metade dos anos 60 (IBGE. Os Espaços Homogêneos O grupo de geógrafos que trabalhou com o esboço preliminar das regiões homogêneas foi coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Lysia Bernardes (chefe anterior da Divisão de Geografia e que estava se transferindo para o IPEA. Pedro Geiger e Nilo Bernardes e foram revistos por Elza Keller. 1968b) coordenado por uma equipe que contava com Marília Veloso Galvão (que tinha assumido a chefia da Divisão de Geografia e que estava sendo elevada a categoria de Departamento). Pedro Geiger. Roberto Corrêa. Marília Galvão. Edmon Nimer. O governo federal após o golpe militar de 1964 estava preocupado com a espacialização do desenvolvimento econômico e via com grande interesse pesquisas que pudessem organizar o território brasileiro ou dar subsídios para este processo. Eugênia Egler. com textos redigidos por Lysia Bernardes. Pedro Geiger.Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) para analisar a estrutura espacial brasileira. Indústrias. Elza Keller. o dos espaços homogêneos escrito por Pedro Geiger. por conta desse projeto). Speridião Faissol. os textos introdutórios. 1967b). Fany Davidovich e Ruth Magnanini. Nilo Bernardes. População. No caso das duas obras consideradas como iniciadoras do processo.

uma estatística. podendo ser componentes do relevo (Microrregiões Encosta Ocidental Paulista. que foi adotado pelos planos tabulares posteriores e pela nova regionalização em Meso e Microrregiões Geográficas de 1992. Para o recenseamento econômico de 1975. 1964) e testou sistematicamente em campo o método Rochefort de hierarquização de uma rede a . possivelmente sobre orientação direta de Speridião Faissol. Mata de Cataguases. Alto Solimões. Chapadões do Paracatu. em muitos casos. BaixoMédio São Francisco). Trabalharam neste projeto 15 geógrafos.. A antiga micro de São Paulo Estâncias Hidrominerais Paulistas tornou-se micro de Amparo (centro sub-regional). o Departamento de Geografia. a micro de Encosta Ocidental da Mantiqueira Paulista tornou-se micro de São João da Boa Vista (centro sub-regional). 1976c :5-16). justapondo-se aos trabalhos de regionalização de espaços polarizados. elaborou uma regionalização em Mesorregiões Homogêneas pelo processo de agregação de Microrregiões..segunda garantindo uma perfeita compreensão espacial do território nacional através da divulgação dos dados estatísticos pela inclusão dessa regionalização no plano tabular dos censos do IBGE. ainda é possível perceber que a denominação de muitas micros apresentavam características ambientais que as distinguiam. vegetação ( Microgerriões Campos de Guarapuava. de certa forma. O município de Caraguatatuba que pertencia a micro Costa Norte Paulista tornou-se micro de Caraguatatuba e assim por diante. vales de rios ( Microrregiões Médio Rio da Velhas. a micro de Médio Rio das Velhas tornou-se micro de Pirapora. No final dos anos 80 foi iniciado outro processo de regionalização de espaços homogêneos sob nova ótica. Os estudos dessa nova divisão iniciaram-se em 1987 sob a coordenação de Aluízio Capdeville Duarte e a gerência de Onorina Fátima Ferrari e adotada pelo Sistema Estatístico Nacional em 1990. semelhantes. Os Espaços Polarizados O trabalho precursor dos estudos sobre polarização foi orientado por Michel Rochefort e coordenado por Lysia Bernardes em 1964 O Rio de Janeiro e sua Região (Bernardes L. Médio Amazonas. Baixo Jaguaribe. priorizando os centros urbanos e. fazendo parte do plano tabular do recenseamento de 1991. (Infelizmente esse material foi perdido no prédio da Rua Equador (Santo Cristo) em função de uma infestação de inseticida por uma dedetização mal sucedida em 1985). Pantanais. um engenheiro encarregado do processamento de dados. pois suas denominações são. Uma versão condensada em inglês foi publicada no livro de contribuições do IBGE à 23 Assembléia da UGI em Moscou (IBGE. Alguns exemplos poderão ilustrar o problema. Chapada Diamantina Meridional).. Campos de Vacaria e Mata de Dourados). depressão Periférica Setentrional. Nesse período. Serra de Baturité.

A regionalização em espaços polarizados passou a suprir uma demanda do planejamento estatal na definição de pontos no território que seriam mais dinâmicos que outros. Elizabeth Gentile. O segundo grande projeto neste campo.1976c). Os estudos sobre espaços polarizados tornaram-se prioritários durante meados da década de 70. A influência de Michel Rochefort é claramente sentida nas primeiras fases neste segmento do trabalho geográfico (IBGE. Edmon Nimer. Maria Francisca Cardoso. mais sete geógrafos de várias especialidades como Amélia Alba Nogueira (geomorfóloga). Roberto Lobato Corrêa. Lenice Araújo. Carlos Alberto serra. ∗ a . 1972).1968). Marta Regina Brito. mas concluído por Elza Keller. Luís Antônio Ribeiro. 1968b). 1967b). também coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Ceçary Amazonas. com estruturação de grupos de trabalho específicos. Jacob Binsztok. 1976)∗. Rosa Fucci. quando da edição do segundo grande trabalho deste segmento. Ignês Teixeira Guerra. o Divisão do Brasil em Regiões Funcionais Urbanas (IBGE. Olga Maria Buarque. No projeto trabalharam além de dos dois. onde o capítulo de Centralidade foi desenvolvido por Roberto Lobato Corrêa (Corrêa.1967b) e também no projeto do Subsídios à Regionalização (IBGE. (IBGE. em escala nacional. Maria Tereza Bessa e Pedro Geiger (IBGE. Maria Emília Castro Botelho. Aluízio Capdeville Duarte. trabalhando com os espaços polarizados em escala nacional. Ruth Magnanini.urbana e delimitação de seu espaço de influência. a influência de Rochefort foi sendo gradativamente substituída pelos trabalhos da escola anglo-americana. Uma versão em inglês desse trabalho foi incluída no livro de contribuições do IBGE a 23 Assembléia Geral da UGI em Moscou. 1976 . Coordenado por Pedro Geiger nas primeiras fases das formulações metodológicas. A mudança de enfoque é bem percebida. reuniu um grupo de 24 geógrafos. com textos redigidos por Fany Davidovich. coordenados por Pedro Geiger. Na década de 70. Hilda da Silva e Maria Rita Guimarães (Regional). para elaborar o diagnóstico Esboço Preliminar de Divisão do Brasil em Espaços Polarizados. Sônia Alves de Souza. Hilda da Silva. Írio Barbosa. que foi responsável pela compatibilização dos estudos e dos mapeamentos finais e pelo texto introdutório. Ney e Lourdes Strauch e Maria Thereza Bessa de Almeida. José César Magalhães (energia) e Fany Rachel Davidovich (urbana). Cléa Sarmento Garbaio e mais três geógrafos. João Rua. Eugênia Egler. Os dois geógrafos que mais estudaram essas metodologias foram Roberto Lobato Corrêa e Aluízio Capdeville Duarte coordenando uma equipe com uma socióloga. A ênfase da época eram os estudos baseados na teoria das localidades centrais de Walter Christaller da década de 30 na Alemanha e retrabalhada por geógrafos ingleses e americanos. Dulce Alcides Pinto. inclusive com proposições metodológicas mais novas (IBGE. Elisa Mendes de Almeida.

As Análises Regionais Será igualmente importante abrir um espaço para a descrição dos trabalhos que. acabou sendo muito utilizado como referência em função de seus mapas e suas tabelas de ordenação dos centros por muitas agências governamentais e organizações privadas. mais a assessoria computacional da Diretoria de Informática do IBGE através da analista Viviane Narducci Ferraz que organizou os dados. que pode ser avaliado no segundo artigo do grupo (IBGE. que ao estabelecerem essas novas redes de estabelecimentos. Nilo David Mello. Ayrton Almada. João Baptista ferreira de Mello. gerou a terceira fase da divisão de espaços polarizados brasileiros realizada pela Geografia do IBGE o Região de Influência das Cidades. e por Luiz Alberto dos Reis Gonçalves. altos estágios de urbanização comandada pelo setor terciário: com a expansão do comércio. Aluízio Capdeville Duarte. Onorina Ferrari e Sulamita Hammërli e um economista Ruben Magalhães. para uma urbanização sustentada pela industrialização na década de 70 e alcançando na década de 90. Luís Alberto Nascimento. Eliane Ribeiro da Silva. 1976b). Rogério Botelho de Mattos. O’Neill. coordenado por Roberto Lobato Corrêa e tendo como equipe técnica 14 geógrafos. onde as atividades financeiras assumiram a liderança do segmento. concluído em 1983. Maria Rita La Rocque.mas com algumas leituras de franceses como o economista Charles Boudeville e o geógrafo Etienne Juillard. analisavam algumas características físicas. Maria Mônica Vieira C. Estácio Arruda. Maria Thereza Bessa de Almeida. Lourdes Strauch. gerando as tabelas de ordenação dos centros urbanos. A última fase dos estudos de espaços polarizados data da década de 90 foi trabalhada por uma equipe coordenada por Marília Carvalho Carneiro entre 1993 e 1997. quando se aposentou. mas somente foi publicado em co-edição com o Ministério de Habitação e Urbanismo em 1987 (IBGE / MHU. Este esforço metodológico. mas já é possível ter acesso a ele na base de dados do IBGE. João Baptista de Mello. 1987). e pela ampliação do setor de serviços. Cleber de Azevedo Fernandes. tornaram-se os carros chefe das atividades de distribuição varejista. na fase final entre 1997 / 1998 e contou com uma equipe de 8 geógrafos (Aurélia Lopes da Silva. O trabalho está em fase de publicação. Luiz Carlos de Carvalho Ferreira. pela proliferação dos centros de compras (shopping centers) e pelo avanço do processo de franquia de produtos (franchising). A evolução dessas quatro fases na determinação das principais redes urbanas do Brasil mostrou a transformação de um país ainda agrário na década de 60. Solange Cardoso Barros. . após o estabelecimento do processo de regionalização. O trabalho. Helena Zarur Lucarelli. Agustinho Rocha. Lúcia de Oliveira. humanas e econômicas das regiões estabelecidas.

Lúcio de Castro Soares. Hidrografia. Vegetação. Agricultura. pois sua estrutura editorial contemplava coordenadores de projeto (cada livro de uma região era um projeto fechado) e equipes de autores que recebiam crédito autoral por capítulo organizado. Transportes. É interessante perceber que apesar de estar em pleno período da luta entre os grupos Zarur (já falecido em 1957. Leste e Norte-1950). mas já sobre outras bases.Catharina V. Dias. Guerra e Energia. Solos e Utilizações Agrícolas. O segundo projeto de análises regionais. Dias e Carlos Goldemberg. Apesar das inimizades.José César de Magalhães.A primeira coleção de análises denominou-se Divisão Regional do Brasil e foi elaborada entre 1948 e 1950 ( Centro Oeste-1948. mas substituído por Speridião Faissol na Direção do CNG) e Fábio. principalmente para o segmento educacional de segundo grau e universitário.Félixberto Camargo e Antônio Teixeira Guerra. A estrutura dos capítulos estava assim organizada: Introdução.Arthur César Ferreira Reis. sobre a região Norte foi fortemente influenciado pelas informações geradas ainda pela Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e foi organizado por Antônio Teixeira Guerra.Antônio Teixeira Guerra. Guerra é importante para estabelecer separações entre os problemas de ordem pessoal e o institucional. O exemplo de Catharina. humanos e econômicos desses sub-espaços. publicado em 1960. Suas análises caracterizavam igualmente os aspectos físicos.Marília Velloso Galvão. Clima.Catharina Vergolino Dias e Antônio Teixeira Guerra. que além de estar no comando da Divisão de Geografia do CNG. Indústria Extrativa. Nordeste e Sul-1949. uma paraense que conhecia muito bem sua região no que dizia respeito aos aspectos de ocupação econômica e ao ambiente cultural.Antônio Teixeira Guerra e Orlando Valverde. trabalhou com a região Centro Oeste e foi organizada por Marília Vellozo Galvão e sua estrutura de capítulos estava distribuída da seguinte maneira: . Organização SocialCatharina V. a participação de Orlando Valverde numa co-autoria com Antônio T. o trabalho era feito por quem possuía melhor qualificação. O segundo volume da série.Antônio T. Geologia. era também um especialista de Geomorfologia da Amazônia. De certa forma essa coleção foi a primeira a ser realmente considerada como uma obra geográfica para o grande público. População e PovoamentoCatharina Vergolino Dias e Manuel Maurício de Albuquerque. Dias. iniciou-se em 1959.Catharina V. Estrutura Econômica e Regime de Propriedades. Relevo e Litoral. mostra bem o aproveitamento da mão de obra técnica daquela época no CNG. Fitogeografia da região amazônica. Seu primeiro número de 1959.Edgar Kuhlmann. Eram obras pequenas que enfatizavam uma subregionalização nas regiões estabelecidas pelo estudo de Fábio de Macedo Soares Guimarães e que não apresentavam nenhuma indicação de autoria pessoal.

Sua estruturação estava assim apresentada: Introdução.Introdução. A estruturação dos capítulos era: Relevo. Pecuária.Olga Maria Buarque de Lima. analisando separadamente o espaço correspondente ao Meio Norte e teve dois organizadores. Ocupação Agrícola. População e PovoamentoManuel Maurício de Albuquerque. Povoamento. Implantação Industrial. Energia. Núcleos Urbanos.Ariadne Soares Souto Mayor. Povoamento. Indústria Extrativa Mineral. Vegetação. Hidrografia.José Carneiro Felipe Filho. Pecuária.Marília Galvão.Antônio Luís Dias de Almeida. Indústria Extrativa.Maria Magdalena Vieira Pinto. estudou a região Nordeste.Celeste Rodrigues Maio e Alfredo Porto Domingues.Jorge Xavier da Silva. População.Elvia Roque Stefan.Edgar Kuhlmann. Litoral – Interior. Organização Urbana. População.Amélia Alba Nogueira. Botelho. Formas de Povoamento Rural. Atividades Agropastoris. Estrutura Urbana. Geomorfologia.Elvia Roque Stefan.Elvia Roque Stefan. tendo como organizadores Maria Rita da Silva Guimarães e Aluízio Capdeville Duarte.Fany Haus Martins. Clima. Agricultura.Marieta Mandarino Barcellos.Olindina Vianna Mesquita. Hidrografia-Carlos C. Em 1968.Lilia Camargo Veirano. Maria da Glória Hereda e Alfredo Porto Domingues.Maurício Coelho Vieira. a região Sul foi editada em dois volumes separados.Elvia Roque Stefan.José César de Magalhães e Grandes Eixos de Circulação.Lilia Camargo Veirano. Agricultura.José César de Magalhães.Maria Magdalena Vieira Pinto e Transporte.Dulce Maria Alcides Pinto.Aluízio Capdeville Duarte. Vegetação. já sob a chefia de Lysia Bernardes na Divisão de Geografia. Indústria Extrativa Animal.Manuel Maurício de Albuquerque. Clima. Clima. Transporte. o Tomo I que enfocava a parte física foi organizado por Delnida Martins Cataldo e Aluízio Capdeville Duarte e o Tomo II sobre a parte humana e econômica coube a Aluízio Capdeville Duarte.Ney Rodrigues Inocêncio. José César Magalhães e Maria da Glória Hereda.Haidine da Silva Barros.Pedro Pinchas Geiger. Hidrografia. Recursos Extrativos MineraisMarília Veloso Galvão e Aluízio Capdeville Duarte.Lindalvo Bezerra dos Santos.Maria da Glória Hereda. Energia. O terceiro. A região Leste foi editada em 1965. José Henrique Millan e Maurício Coelho Vieira. Vegetação.Ney Julião Barroso.Ney Rodrigues Inocencio.Maria Magdalena Vieira Pinto.Alceo Magnanini.Marília Veloso Galvão e Edmon Nimer. já com Marília Veloso Galvão chefiando o novo Departamento de Geografia. Extrativismo Vegetal.Lindalvo Bezerra dos Snatos. de 1962. A estruturação do Tomo I estava assim distribuída: . Brasília: a nova capital. Extrativismo Vegetal.Elvia Roque Stefan.Speridião Faissol.

Geomorfologia. Amarante Romariz e Solos. já comentada na Parte II. Maricato. A variedade de temas. uma geógrafa que nunca se mostrou encantada com as novas técnicas. inclusive com a introdução de alguns que refletiram as mudanças que estavam ocorrendo na economia brasileira foi o principal legado dessa coleção.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. População.Dora Amarante Romariz.Aluízio Capdeville Duarte e Armely T. Alfredo Porto Domingues. A melhor prova dessa luta pode ser vista em dois exemplos de capítulos da coleção. A coleção seguinte. mas não ganhou o ∗ Vegetação. foi a grande obra de referência da fase dos métodos quantitativos. Lindalvo Bezerra dos Santos. um de sistema urbano da Região Norte redigido por Catharina Vergolino Dias . Elza Coelho de Souza Keller.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. a escolha de Orlando Valverde conflitou diretamente com a orientação de que os capítulos de agrária teriam um sub-capítulo denominado Organização Agrária ou equivalente que trabalharia com uma análise fatorial. O Tomo II estava dividido em: Povoamento.Dora O nome verdadeiro é Rivaldo Pinto de Gusmão . mas que nesse caso. CirculaçãoEloísa de Carvalho Teixeira e Redes Urbanas. A análise da agrária trabalharia com a estrutura das microrregiões e a urbana com os municípios. Orlando não escreveu tal sub-capítulo e Rivaldo Pinto Guimarães∗ o fez. Lúcio de Castro Soares.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. No caso do capítulo Atividade Agrária da Região Sul. HidrografiaOlindina Viana Mesquita. Atividades IndustriaisIgnês Costa Barbosa.Nilo Bernardes. Lourdes Manhães M. Atividades Agrárias. O planejamento e coordenação da coleção ficou sob a responsabilidade da chefe do Departamento de Geografia (DEGEO) Marília Veloso Galvão que nomeou um grupo de geógrafos da Velha Guarda como coordenadores temáticos de toda a coleção. toda editada em 1977. Strauch e Maria da Glória Hereda.Elza Coelho de Souza Keller. onde as duas correntes quantitativistas e não quantitativistas empreenderam uma luta surda na estruturação dos sumários das regiões e que acabou numa solução de compromisso onde sempre dois capítulos (agrária e urbana) teriam uma análise fatorial e de grupamento visando explicar suas estruturas espaciais. Maria Magdalena Vieira Pinto e Pedro Pinchas Geiger. trabalhou no subcapítulo Características Estruturais das Cidades utilizando uma análise fatorial para definir uma tipologia urbana da região. Clima. considerada como um referencial bibliográfico importante nos cursos de Geografia durante as décadas de 60 e70.Introdução.Ariadne Soares Souto Mayor.

Energia. o climatólogo Edmon Nimer. principalmente pelos capítulos de População organizado por Elza Keller.José César de Magalhães.Lúcia de Oliveira.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. HidrografiaElvia Roque Steffan.Myriam G.Edmon Nimer. 1977e.Edgar Kuhlmann. Atividade Agrária. o de Indústria de Fany Davidovich e o do Sistema Urbano de Olga Buarque de Lima e Roberto Lobato Corrêa.Maria Teresa Bessa de Almeida e Elvia Roque Steffan.Elza Coelho de Souza Keller.Edgar Kuhlmann. uma visão integral do Brasil. A importância dessa coleção se deveu em mesclar diferentes enfoques para explicar as profundas modificações por que estava passando o espaço brasileiro na década de 70. Atividade Agrária.Elza C. C. . Hidrografia. Alonso. Indústria. População. como seria normal. C. que pode ter ocorrido em assuntos que tiveram muitos autores nos cinco volumes. somado ao grande tamanho dos volumes afastaram a maior parte do público alvo. Clima. 403). mas infelizmente. o estigma da quantitativa. de Sá Távora Maia. A estruturação de sumários e de autores foi assim apresentada: Região Norte Relevo. professores e alunos do nível superior. mas deu todo o apoio.Amélia Alba Nogueira. População. Transportes.Amélia Alba Nogueira. HidrografiaLúcio de Castro Soares.Carlos de Castro Botelho. Transportes. Sistema Urbano. Mesquita. Clima.Edmon Nimer. Alguns tornaram-se clássicos como o do Sudeste. Profissionais como a geomorfóloga Amélia Alba Nogueira. O crédito de autoria dessa parte foi colocado nas notas de referência (IBGE. Vegetação.Rosa Maria Fucci. Energia. Clima. pois Rosa era uma espécie de assistente sua). Vegetação. de Souza Keller.crédito de co-autoria no capítulo. Isso representou para esses assuntos.Maria Elisabeth C. Região Sudeste Relevo. Região Nordeste Relevo-Amélia Alba Nogueira. sem os riscos de gerar certos caleidoscópios de pontos de vista. IndústriaDulce Maria Alcides Pinto e Mitiko Yanaga Une. População. Energia. o especialista em energia José César de Magalhães trabalharam sobre seus assuntos em praticamente todos os volumes (César só foi substituído por Rosa Fucci no volume do Nordedeste.Myrian Guiomar G.Hilda da Silva e Maria Emília T.Elza C.C.Edmon Nimer.José César Magalhães. Atividade Agrária. de Souza Keller. Sistema Urbano. Vegetação. Transportes.Solange Tietzmann Silva. p. de Castro Botelho.Catharina Vergolino Dias.Maria Terezinha A. Mesquita.

Lourdes Manhães de M. na chefia do departamento. População.Armely Therezinha Maricato e Onorina Fátima Ferrari. O volume do Sul foi coordenado por Olindina Vianna Mesquita e o do Norte. Vegetação. Sistema Urbano. Região Centro Oeste Relevo.Ruth da Cruz Magnanini e Ariadne S.Edmon Nimer. pois havia após 1985. de Souza Keller e Ruth L. um Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente (DERNA) enriquecido com técnicos vindos do RADAM BRASIL. Clima. Hidrografia. Clima.Indústria. Sistema Urbano. População. Região Sul (1990) e Região Norte (1991). Vegetação.Amélia Alba Nogueira.José César de Magalhães.Elza C.Maria Rita da Silva Guimarães. que faleceu em 1990. e os não publicados Nordeste e Sudeste.Maria Therezinha Alves Alonso. na primeira fase por Sulamita Machado Hammerli. ∗ O nome correto é Rivaldo Pinto de Gusmão. .Ney Rodrigues Inocêncio.Lindalvo Bezzerra dos Santos. Porém os volumes das demais regiões foram editados a tempo. sendo concluído por Olga Buarque de Lima. Sistema UrbanoAluízio Capdeville Duarte. Da mesma forma que a coleção da década de 60.Olindina Vianna Mesquita. Atividade Agrária. O primeiro volume lançado foi o da Região Centro-Oeste coordenado por Aluízio Capdeville Duarte em 1989 e tendo como coordenador das análises do quadro natural Trento Natali Filho. Hidrografia.Amélia Alba Nogueira e Gelson Rangel Lima.Edmon Nimer. da Cruz Magnanini. Energia.Fany Rachel Davidovich. Transportes. Transportes.José César Magalhães.Maria Theresa Bessa de Almeida. Indústria. Elvia Roque Steffan e Ayrton Teixeira Almada.Ruth Simões Bezerra dos Santos. Região Sul Relevo. a partir de um planejamento anual definido pelo DEGEO e tendo como organizadora da coleção Solange Tietzmann Silva. que foram incorporados ao IBGE nas primeiras fases do governo de José Sarney. Indústria.Olga Maria Buarque de Lima e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. que tornaram-se anacrônicos em relação aos dados do censo demográfico de 1991. Cada volume teria um coordenador geral e um encarregado das análises do quadro natural. A última coleção da Geografia do Brasil ficou inacabada em virtude de problemas de editoração que atrasaram demasiadamente a publicação dos volumes do Nordeste e Sudeste. Strauch. Atividade Agrária∗ Orlando Valverde (Rivaldo Pinto Guimarães ). que iria também coordenar os demais volumes. Souto Mayor.Ney Rodrigues Inocêncio. Energia. as edições foram publicadas a medida que iam sendo terminadas.

em virtude de problemas com a editoração do censo. podem ser exemplificadas pelo detalhado trabalho de Jorge Zarur. em virtude da grande evasão para a aposentadoria ocorrida nos anos 90. o de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol.O volume da Região Nordeste foi coordenado por Maristela de Azevedo Brito e o do Sudeste teve dois coordenadores. que envolveram vários segmentos da Geografia e que ainda dão uma visão privilegiada das áreas estudadas. Foi tentada uma atualização dos dados em 1994. As análises regionais que enfocaram espaços uma escala de maior detalhe. Helena Zarur Lucarelli e Roberto Schmidt de Almeida. e com isso tornaram-se defasados. quando comparados aos dados do censo de 1991. o de Carlos de Castro Botelho sobre a zona cacaueira do sul da Bahia (Botelho. 1958). . mas não entraram em processo de editoração nesses anos. Ambos foram concluídos entre 1992 e 1993. 1954) e pelo estudo de Orlando Valverde na zona da mata de Minas Gerais (Valverde. em conjunto com técnicos do Ministério da Agricultura e coordenado no âmbito do CNG por Lindalvo Bezerra dos Santos (IBGE. nos anos do pós-guerra (Zarur. Foram trabalhos clássicos. sobre a Bacia do Médio São Francisco. acabou por inviabilizar o projeto.1952). 1952). os estudos da zona de influência da Cachoeira de Paulo Afonso. através do Inter-American Regional Resourses Project de Washington. mas a falta de técnicos especializados para cuidar dos capítulos. 1947). em convênio entre o IBGE e o National Planning Association.

e que com isso. características originais do habitat urbano. 1949) Para Max Sorre . tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1. que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil.habitat rural.2 . quantitativos. Max Sorre já havia percebido que a noção de gênero de vida. em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos.1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal . Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90.Ocupação do Território e Habitat Considerado um tema prioritário para o IBGE durante a Segunda Guerra e nos anos 50. por influência de Michel Rochefort. asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses . Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil. com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo. também tenha contribuído para esse abandono. o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat. que ocorreu após 1956. viraram as costas para a Geografia Física. marxistas.as formas de transição. (Sorre. em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no pós guerra. é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 . Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão. em virtude dos fortes componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos. 3. por estarem agregados aos dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ). e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra.a relação Sociedade / Meio. os estudos sobre o habitat e o processo de ocupação rural foram gradativamente perdendo força durante a década de 60 e totalmente abandonados nas décadas seguintes. devemos ter em mente. encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano. 2. e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache ( 1845. Por hora. O problema é antigo e não somente brasileiro. do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante. pois grandes alterações já eram pressentidas por ele. É válido também considerar. tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ).as formas mais evoluídas da habitat urbano . 70 e 80 . ser mais discutida do que efetivamente trabalhada.habitat urbano e 4. tecnocratas ou o nome que se queira dar. que o forte enfoque econômico adotado por uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a década de 60.as grandes cidades.

elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos. Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida.1967). Glacken. A principal ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”. Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana. se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. desde o século XVIII. originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes. Buttimer (1980:61) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris. a aparência da terra adota”. Albert Demangeon e Maximilien Sorre ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat). cap. No entanto. Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida. . que se inspira na idéia de unidade terrestre. III.fenômenos de domínio sobre plantas e animais ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3. em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1. com vistas ao seu sustento cotidiano. o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês. ver Brunhes (1962. A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante.fenômenos de economia destrutiva ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) . tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre.IV e V). Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que. escrito nos anos 50. instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e a organização social de um grupo. segundo sua localização. considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken. Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902. Traces of the Rhodian Shore.fenômenos de ocupação improdutiva do solo ( casas e caminhos ) 2. que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913: “A Geografia.

no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat. turismo. Gradmann e Meitzen.. Seu sistema classificatório de aglomerado. na segunda parte do livro denominada: É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro. fórmula que. espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre. “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa. Dos três. Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos. aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ). e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional. Sua preocupação com os aspectos funcionais.. Sorre e Deffontaines. as figuras mais importantes que introduziram esse estudos. tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo. Suas investigações substantivas sobre doenças. 1949). que era corrente na época. densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos. Da Casa à Região ( ) e regiões. pode Fremont. Seus trabalhos sobre migrações modernas. Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso. Muito embora. para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon.” Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional. tecnológicos que rege a convivência humana.Para Buttimer (1980:86). ser verificado na obra de Armand Fremont. No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE. foram durante o início dos anos 40.. dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer . 1942). sem dúvida.1980). culturais. O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa. além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939. as do francês Francis Ruellan. difusão de doenças. que faz uma interessante costura desses elementos. inspirou as posteriores investigações de Demangeon. reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema. aldeias. é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição. ritmos de trabalho. em paralelo à morfológica. a Geografia francesa deve a ele . indo além dos puramente morfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter.

trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. em períodos diferentes. pode ser entendida como uma ação de planejamento do governo federal visando o conhecimento de novas áreas para uma futura onda de colonização decorrente do pós guerra. Os Estudos Clássicos sobre Habitat Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa. encarada aqui em seu sentido mais amplo. Jones e Preston James ( Pereira. uso da terra e gênero de vida. Merece também destaque o trabalho de Nilo Bernardes (1957) por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos. alguns geógrafos regionais. e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers . além de um assunto muito especializado. 1960). seus alunos em Winsconsin. que trabalha com certas características do habitat para determinação de setores censitários nos recenseamentos demográficos e agropecuário. fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural daquela região (Guerra. Preston James estudou. criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida ( Waibel 1949). Lynn Smith. tanto no título quanto no conteúdo. discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. A Geografia do IBGE produziu uma grande quantidade de trabalhos que poderiam ser classificados em cinco grandes grupos. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e . 1955). Os americanos. Na década de 70. os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). o problema de colonização. Clarence Jones e Preston James também trabalharam com o tema colonização. trataram do tema. Clarence F. somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros. pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização. que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo. Dessas figuras. sua vinda em 1946. explicitamente. é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que. um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra. a mais importante foi Leo Waibel. 1994: 440).além dos americanos Robert Platt. Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico. Nesse grupo.

1952 ). Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida Esse conjunto congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional no início da década de 60 com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa. o trabalho mais importante é o de Leo Waibel. além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado. Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes.o sudoeste paranaense. transcrito no Boletim Geográfico . que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel. O artigo de Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel. o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. Os artigos de Speridião Faissol iniciam com o seu primeiro trabalho publicado na RBG. que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol. sendo pois. de cunho didático. O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último. O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida. mais recente (1967). 1967) sendo que um deles (1952).1952). geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas.sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil. artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951. mas mostra uma clara tendência para a relação entre a geografia agrária e os processos de povoamento e de estruturação econômica que as acompanham. 1952.na Região do Mato Grosso de Goiás. o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers de 1953. 1952).que Leo Waibel havia estudado em 1949.1950.colonização européia no Sul do Brasil . escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização . incluindo um. analisou o processo de colonização em Alagoas. Sem sombra de dúvida. 1949) sobre uma colônia alemã -Uvá.1955). 1970). 1949). tratando do mesmo assunto .1963) e na década seguinte (Corrêa. aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos impulsionadores do povoamento. que será tratado no próximo conjunto. O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados. um guia de referência importante até hoje. Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia É o mais eclético e amplo de todos. além do livro O Mato Grosso de Goiás. (Faissol.

ou para os aspectos culturais advindos de grupos étnicos minoritários. devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat. como por exemplo: um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes. 1967). ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. também aparecem trabalhos que.1962) são alguns exemplos representativos desses clássicos do IBGE. com trabalhos que cobrem diferentes tipos de vida econômica (Valverde. 1961. 1968. 1957. uma atividade rural. 1967). 1960). o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes.1957). esse foi o grupo que mais causou dúvidas.1957).além de outros em co-autoria (Valverde e Mesquita. Destaque-se também a grande produção individual de Orlando Valverde abrangendo praticamente todas as regiões do país. os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado. Como no trabalho de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler. 1959). para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde. Na medida do possível. foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo. Valverde e Dias. Fora do campo geográfico. pesquisa realizada no município de Bofete (SP). indubitavelmente. além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema. tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano. um explicando o que é Antropogeografia (Valverde.(James. 1989). o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil. além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde. . que o trabalho se orientasse por um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida. 1958. 1955. o grande clássico sobre o assunto é o livro de Antônio Cândido (1964) . 1952) e o de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde. quanto como regional. Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Cultural No contexto da tipologia seguida. Além desses. Os títulos de maior destaque foram dois artigos de Orlando Valverde.

Isto é. a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares. 1959). está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações. ver Derruau (1964: 384-87). 1968). cristalização de hábitos rurais e resistências às mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos. está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida. A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo. no pós-guerra.1956. 1956). ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro. com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala. Geiger & Santos. 1954). mas mesmo assim. o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia. mudanças de atividades agrícolas. As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância. Nesse procedimento. deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat .Estudos de Periferia Rural/Urbana A principal razão da inclusão desse grupo de estudos. Nesse grupo destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger. e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok. A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais. baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial. 1967). As questões sobre loteamentos. talvez não estivessem preocupados. já que na área urbana contínua. Geiger & Coelho. a delimitação dos setores censitários. pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna. Além desses. 1952 e 1956. com esteve Sorre. passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ). Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos.a área periférica das metrópoles. .

Rocha.) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa . cuja expansão ultrapassa. se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais. repartição da PEA segundo setores de atividade. de natureza urbana. etc. A proposta deixada no artigo pelas autoras. nos levantamentos censitários. de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei.. o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos . os limites do perímetro urbano legal. por que nas palavras das autoras : “. dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios. dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração. Nas justificativas as autoras colocam que.No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).PEA )..IBGE. para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios. que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . para que os planejadores dos próximos.. O trabalho de Olga Maria Buarque de Lima Fredrich (geógrafa) . muitas vezes. a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais. No caso dos aglomerados isolados. publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE. A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários. 1983). Sebastiana Brito (socióloga) e Sonia Rocha (economista). Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão. que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país. a conceituação adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado. possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos .. “. é sempre passível de alterações de censo para censo. nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana. canteiros de grandes obras.. O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo. densidade. dos assentamentos que são. ou seja..” Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”... . (Fredrich. coloca em discussão o tema. vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho. Brito. na verdade. Uma primeira limitação.

Jundiaí. Uma outra exceção pode ser atribuída ao artigo de Fany Davidovich sobre a industrialização de um centro periférico à metrópole de São Paulo no início dos anos 60. sem sombra de dúvidas. José César de Magalhães.demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. Ignez de Moraes Costa. tornando-o um clássico na modalidade. (Davidovich. Recife e Salvador. Tais políticas gerenciadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) não deram ao longo daqueles anos. 3 . Maria Elisabeth Corrêa de Sá. Cabendo a Fany Davidovich a redação final do artigo. . evitando sempre que possível. 1966) . priorizando o Nordeste via adoção de incentivos fiscais para implantação de parques industriais nas suas duas maiores metrópoles. Além de Pedro Geiger.Industrialização A Geografia do IBGE enfocando o processo industrial em escala regional inicia sua atuação com o artigo de um grupo de pesquisas coordenado por Pedro Geiger em 1963. o mais completo quadro da industrialização brasileira no início dos anos 60. é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente. Para o planejamento. Mas alguma exceções foram importantes. Modalidade muito comum nos congressos de Geografia. por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”. mas que foi inicialmente orientado por Michel Rochefort em 1961. pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural. Maria Lúcia Meireles de Almeida. a segunda metrópole nordestina. resultados que pudessem ser sentidos claramente por suas economias. O estudo trabalhava com o processo de industrialização da região sudeste e é. José Carneiro Felipe Filho. 1958). Maria Luiza Gomes Vicente. A década de 60 caracterizou-se por uma tentativa de ampliação das políticas de descentralização industrial que visavam diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras. o que garantiu uma alta qualidade ao texto. Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat. compunham o grupo nove geógrafos. as fotos dos arquivos do CNG dão uma incrível visão do processo de industrialização no início dos anos 60. como no caso do trabalho de Milton Santos (na época professor da Universidade da Bahia) que publicou na RBG um importante trabalho sobre localização industrial na cidade de Salvador. Fany Davidovich. É importante frisar que estamos tratando de estudos que operavam na escala regional ou nacional. Além disso. que no final dos anos 50 já possuía um parque bem diversificado (Santos. trabalhos monográficos que enfocavam um centro muito especializado. Ney Julião Barroso e Salomão Turnowski.

Um cenário alternativo a esses estudos foi tentado na Região Nordeste (Almeida e Ribeiro. local. 1991a. Mas esse tipo de análise mascarava muitos processos industriais que ocorrem em escalas mais locais e que tradicionalmente não são estudados por técnicos do governo federal. fazendo uma comparação em dois períodos de tempo (1970 e 1980).No contexto das relações interdisciplinares que o IBGE tentou implementar nos anos 70 a associação entre o geógrafo Pedro Geiger e o economista teuto-americano Werner Baer no DEGEO. O objetivo principal desses trabalhos era verificar o grau de concentração / diversificação do processo industrial brasileiro e comparalo interregionalmente. (Baer. Nordeste ( Almeida e Ribeiro. Na mesma época. b). A principal preocupação era avaliar a dinâmica espacial dessas indústrias que costumam compor o grupo de empresas do “circuito inferior” da economia urbana. juntamente com mais três colaboradoras a geógrafa Ciléia da Silva. 1980). 1982). 1980) e Ribeiro deu continuidade ao assunto trabalhando com a RM de Salvador para sua tese de mestrado em Geografia na UFRJ ( Ribeiro. 1995) e na escala nacional. 1979). resultou num artigo no número especial do Caderno de Geociências dedicado à algumas análises do mapeamento do ANB. ao trabalharem no módulo Industrialização do Atlas Nacional do Brasil de 1992. mostrando sua ineficácia e indicando claramente a persistência das desigualdades regionais apesar do grande volume de recursos despendido na década anterior. Durante toda a década de 90 esses dois autores dedicaram-se aos estudos de localização e de tipologia industrial nas escalas regional e nacional. Sudeste (Almeida e Ribeiro. 1995). Geiger et alli. associação que acabou por gerar um dos melhores artigos de avaliação das políticas de incentivo fiscais para a indústria no Nordeste brasileiro. . estadual. regional e nacional. 1991a) e estava ligado aos padrões de localização dos pequenos e médios estabelecimentos de algumas atividades industriais do segmento regional nordestino. 1976). o interesse pelos processos de localização industrial na escala de região metropolitana também levou outros geógrafos do IBGE a estudarem as relações entre localização e migração de indústrias e suas estruturas de fluxos de matérias prima e de produtos finais entre a região metropolitana alvo e as diversas escalas espaciais possíveis. mas analisando-as num contexto regional. A continuidade do interesse de Pedro Geiger pelos processos industriais que estavam em curso em várias áreas do país. 1993. levou-o a estudar o processo de concentração geográfica dos estabelecimentos industriais. Roberto Schmidt de Almeida e Miguel Ângelo Campos Ribeiro iniciaram seus estudos pela região metropolitana de Recife (Almeida e Ribeiro. Foram trabalhadas as regiões Norte ( Almeida e Ribeiro. a socióloga Zélia de Morais e a economista Helena Castelo Branco (Geiger et alli. conforme estudado por Milton Santos em seu já clássico O Espaço Dividido (Santos.

com perfil de especialização específico. pois apresentam-se. misturados com os estudos de polarização e. o mais completo trabalho interdisciplinar entre Geografia e Estatística foi levado a efeito por Evangelina Xavier G. setorialmente. Artigos Pirotécnicos. após um exaustivo trabalho de filtragem nos censos industriais de 70 e 80 e verificada a evolução dos seus padrões espaciais de distribuição. 1969) e os que analisaram os fatores que poderiam compor as aglomerações urbanas brasileiras (Davidovich e Lima. gerando bases operacionais que agilizem a realização da coleta e diminuam os custos de produção dos dados.Urbanização O que se convencionou denominar de trabalhos ligados ao estudo da urbanização brasileira na área de Geografia do IBGE. foi o resultado dessa combinação de saberes. gerando a proposta de uma espacialização. as contribuições de Nice Lecoq Müller (1968). identificando-se conjuntos de municípios vizinhos. e cuja estrutura produtiva é similar ou complementar. será possível traçar a trajetória desses trabalhos desde os de Pierre Deffontaines sobre as cidades brasileiras (Deffontaines. ou municípios isolados. Muito embora. Açúcar Bruto e Rapadura.” (Oliveira e La Croix. Artefatos de Selaria. Mas se adotar-mos uma classificação bem livre. Quando comparado aos convencionais trabalhos tipológicos que operam com os grandes gêneros industriais.Foram analisados oito tipos de indústrias: Preparação de Fumo. Fabricação de Redes. ( Lima Fredrich e Davidovich. Com a denominação de Áreas Industriais: uma proposta de inovação na produção de estatísticas. a primeira. Aguardente. economista que sempre operou no ambiente das estatísticas industriais do IBGE. uma análise como essa abre grandes possibilidades de se entender o que fica fora de foco em regiões de desenvolvimento incipiente. Os resultados palpáveis de uma trabalho como este deverão vir a tona com os novos bancos de dados industriais que estão sendo gestados na Diretoria de Pesquisas em substituição aos antigos censos industriais que foram interrompidos na década de 90. geógrafa da geração quantitativa e que sempre trabalhou com essas técnicas. pode gerar alguma controvérsia. de Oliveira e Luisa Maria La Croix. Roberto Lobato Corrêa (1968 e 1989) no que tange . 1994). O objetivo fundamental desse trabalho era de contribuir com o Sistema Estatístico Nacional (SEN). as vezes. que poderiam estar tendendo a concentração. em outros casos. com os de industrialização. 1944) até os estudos sobre a constituição das Áreas Metropolitanas (IBGE. em nível nacional. de áreas industriais: “recortes territoriais onde é significativa a atividade industrial. Farinha de Mandioca. dispersão e a estabilidade no território nordestino. Óleos Vegetais. Ainda no contexto dos estudos de estrutura industrial ocorridos na década de 90. 1975). (Davidovich e Cardoso. 4. possuindo um amplo domínio sobre elas. A segunda. 1982). por vezes não contíguos. 1982).

p. um artigo para o Bulletin de la Societé de Géographie de Lille . foi o engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal Jeronymo Cavalcanti. Silva que havia enfocado a Geografia dos Transportes na escala de Brasil em 11 números consecutivos (RBG v.1 n. apresenta uma classificação de cidades brasileiras de acordo com suas funções (as reduções missionárias. 1971). O geógrafo francês Pierre Deffontaines foi o iniciador desses estudos em seu artigo A Geografia Humana do Brasil (1939) no capítulo III. O que importa aqui é dar ao leitor desta saga ibegeana um quadro de referência sobre as principais linhas de trabalho da Geografia Urbana no IBGE.4).2 a v. 34-46. A segunda parte tratou da estrutura interna das cidades dentro dos conceitos da escola de sociologia urbana de Chicago (Harris e Ullman. ao analisar as duas maiores cidades do Brasil enfocando a posição e o sítio./dez. com os seus principais produtores. 1944). Santo André e São Bernardo do Campo.3 n.. aglomerações de origem militar. em virtude de sua estrutura industrial que já se organizava nos municípios periféricos São Caetano. cidades estações ferroviárias e as bocas de sertão).2 n. No contexto americano Chauncy Harris e Edward Ullman publicaram em 1945 The Nature of Cities que enfocava de maneira bem semelhante esse tipo de classificação – cidades como localidades centrais. Jeronymo Cavalcanti inicia sua série com o artigo A Geografia e a sua influência sobre o Urbanismo na RBG v. publicado na RBG n. devidamente anotada por Lysia Bernardes e publicada no Beletim Geográfico 184 (Deffontaines. as cidades mineiras. posteriormente traduzido por Orlando Valverde para o Boletim Geográfico (Deffontaines.2. Deffontaines produziu em 1938. com o título de Como se Constituiu no Brasil a Rede de Cidades que. Quando se pesquisa a estrutura de sumários da RBG verifica-se que o primeiro brasileiro a estruturar um conjunto de quatro artigos sobre Geografia Urbana nos primeiros volumes da revista. numa conferência pronunciada em 1959. as cidades nas estradas: pousos.4 out. Deffontaines também analisa o critério função. 1940. o processo de ocupação do solo. Ainda sobre a questão do binômio sítio/posição. numa composição semelhante a do também engenheiro Moacir F. cidades como pontos de concentração de serviços especializados.1 v. Deffontaines voltou a tratar do assunto especificamente sobre o Rio de Janeiro. as cidades da navegação. continua na seguinte com A Geografia Urbana e sua .aos estudos de redes urbanas e o de Maurício Abreu (1994) que tratou dos trabalhos que operaram na escala intra-urbana são. cidades como ponto de transbordo. as vias de comunicações e o abastecimento. 1965). No caso de São Paulo. ruínas de cidades pelas via férreas. as melhores avaliações sobre o tema Geografia Urbana brasileira feitos até o final do século XX. Ainda no campo do estudo de funções urbanas. sem sombra de dúvidas. o microclima.

baseados na classificação de tamanho funcional gerada pela técnica de análise fatorial. analisando o desenvolvimento dessas estâncias hidrominerais.7 n. ./dez./mar. e o de Águas de São Pedro produzido por Sílvio Fróis de Abreu. Silva apresentou na RBG v. 1944) sobre comércio ambulante e as ocupações de rua no Rio de Janeiro apresenta-se como pioneiro neste campo.4 n. assistente técnico do CNG nas RBG v. Orlando Valverde também deu sua contribuição aos estudos monográficos.3 n. saneamento (abastecimento e esgotamento sanitário) e estrutura geológica e vegetação (suas relações com a engenharia civil e o paisagismo). e o de Moacir F./mar. 1947. 1944).8 n./set.6 n. 1944.9 n. Tráfego (analisado sob o aspecto dos meios de transporte e da malha viária). 1941 apresenta A Geografia Urbana e sua influência no tráfego e finaliza a série na RBG v. para um melhor entendimento do que era considerado pelos planejadores urbanos no final da década de 30 e início dos anos 40.4 out.2 n.3 jul./mar.4 out. através de sua segunda contribuição acadêmica na revista com os ensaios sobre Pirapora e Lapa (RBG v. É claramente um precursor dos trabalhos desenvolvidos por Speridião Faissol na década de 70.1 jan. Esta série deve ser seriamente considerada como elemento de estudos nos cursos de história da Geografia Urbana ou do Urbanismo atuais.1 jan./mar. 1941). utilizando uma vasta bibliografia americana e francesa e estabelecendo comparações entre continentes./dez.3 n. na RBG v.4 out.3 n. O mesmo Moacir F. plantas urbanas e arquiteturais e desenhos./mar. 1945). Todos os artigos são ricamente documentados com fotos./set./set. foi estudada por Aroldo de Azevedo. A construção de Goiânia. 1940 e RBG v./dez. 1942 com A Geografia Urbana e sua influência sobre o Urbanismo superficial e subterrâneo. O primeiro tratou sobre as questões ligadas à posição e ao sítio e sobre as condições morfológicas que beneficiam ou restringem a expansão urbana. 1941. professor da USP e editada na RBG v.1 jan. Durante o decorrer da década de 40 o estudo da Geografia Urbana esteve mais ligado aos trabalhos monográficos sobre certos centros urbanos que mereciam destaque por alguma característica específica os exemplos de Caxambú e Lambari trabalhados pelo engenheiro Virgílio Correa Filho. Na escala intra-urbana o trabalho de Everardo Backheuser (RBG v.3 jul.6 n. 1946 o primeiro artigo enfocando a questão da tipologia urbana como um resultado compósito de vários fatores como tamanho populacional e função.influência sobre o saneamento das cidades (RBG v.1 jan. consultor técnico do CNG na RBG v. inclusive organizando parte da solenidade do batismo cultural da cidade. Silva sobre as redes de distribuição de energia para a iluminação pública no Rio de Janeiro deu uma continuidade aos trabalhos anteriores de Jeronymo Cavalcanti (RBG v.3 jul.6 n. onde o CNG teve uma importante participação.1 jan. os demais são artigos que enfocam a distribuição espacial dos equipamentos básicos no contexto intraurbano.

o mais completo trabalho sobre o processo de urbanização brasileiro feito nos anos 60. detectou cinco que tratavam especificamente do tema também escritos por ele entre 1957 e 1964. 1952). Jean Tricart e outros). Geiger edita pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais o clássico Evolução da Rede Urbana Brasileira. Em 1963. treinados Francis Ruellan desde 1940 e por Leo Waibel entre 1945 e 1950.Na segunda metade da década de 40. listou 10 trabalhos de Geiger realizados entre 1952 e 1963 e Roberto Corrêa (1968) ao avaliar os estudos sobre redes urbanas no brasil até 1965 no mesmo Simpósio. além de um capítulo sobre a mais nova experiência urbana brasileira da época. realizado em Buenos Aires em 1966. e em co-autoria com Myriam Gomes Coelho (Geiger e Coelho. a maioria com treinamento especializado em universidades no exterior (França e Estados Unidos). O XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro chamou a atenção da comunidade internacional da Geografia para uma agência de planejamento estatístico e territorial que possuía uma equipe de profissionais de alto nível. . Para se ter uma avaliação aproximada de seu poder de produção geográfica. analisa com a co-autoria de Ruth Lyra Simões (RBG v. Pierre Dansereau. 1956 ) e na região setentrional (Geiger.3 jul. Seus trabalhos de total ligação com a Geografia urbana e industrial podem ser percebidos nas análises do processo de urbanização da Baixada Fluminense em seus setores da orla oriental da Baía de Guanabara (Geiger. naquele período. já insere algumas questões relacionadas ao espaço peri-urbano. 1954) o processo evolutivo dessa área. no entanto será importante citar os artigos de Christóvão Leite de Castro sobre o processo (Castro. Clarence Field Jones. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60./set. além de correlacionar explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. Definindo as metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. 1946 e 1947). Brasília. mas que também cobria todo o espectro das grandes aglomerações urbanas brasileiras em termos de exemplos. Com um sumário que abrangia tanto o processo. O período compreendido entre 1956 e 1968 marca uma fase de intensos trabalhos na área de Geografia Urbana. Nice Lecocq Müller (1968) ao avaliar o estado da arte ds estudos de Geografia Urbana no Brasil durante o Simpósio de Geografia Urbana do IPGH.16 n. além e de receberem freqüentemente visitas técnicas de pesquisadores especializados (Emmanuel de Martonne. Preston James. pois geraram muita polêmica no contexto das relações do IBGE com a Presidência da República. quanto a tipologia. Na década de 50 iniciam-se as contribuições de Pedro Geiger enfocando ainda um contexto peri-urbano na Baixada Fluminense com o trabalho sobre loteamentos (Geiger. 1956) ao tratar de estudos rurais.1956). os estudos visando a transferência da capital do Brasil para algum ponto do interior brasileiro geraram artigos que estavam mais vinculados aos aspectos regionais do que propriamente o novo sítio. formados por Pierre Deffontaines nas fases iniciais.

. 1970) e no final da década em Minas Gerais.MG (Cardoso. trabalhando em análise regional e aposentou-se em 1991. sobretudo a ela. Sua colaboração com Lysia Bernardes e Pedro Geiger na década de 60. com um trabalho sobre a cidade de Cataguases . o primeiro projeto de delimitação das regiões funcionais urbanas de 1972. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lysia Bernardes. No campo dos estudos das relações campo-cidade alguns geógrafos também foram importantes.32 n.17 n. 1969) e que também coordenou. Elza Coelho de Souza Keller que em 1969 publicou um artigo sobre as funções regionais e a zona de influência da cidade de Campinas (RBG v./mar.Um dos geógrafos que passou a trabalhar com a equipe do CNG nos estudos de urbanização foi Michel Rochefort./dez.27 n./dez 1955). trabalhando com a técnica de mercados mínimos para medir desequilíbrios intra-regionais (RBG v. sem dúvida. 1979). 1963) e Carauaru (RBG v. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo.29 n. . através da avaliação do setor terciário das cidades envolvidas. O trabalho sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (Bernardes L. principalmente no que se referia aos processos de determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional.1 jan. a mais importante pesquisa feita nesse período. deste conjunto destacam-se três. 2 abr. inicia-se na década de 60. após um período trabalhando com Geomorfologia..25 n. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. Em seu depoimento para esta pesquisa.4 out. Maria Francisca Cardoso trabalhou também na área de divulgação de assuntos geográficos e orientou a estrutura de cursos de aperfeiçoamento durante o início dos anos 80. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. RBG v. “ Olha eu devo meu crescimento para profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente.1964) é. juntamente com Pedro Geiger.3 jul. retorna as pesquisas urbanas na década de 60 com dois trabalhos sobre área de influência de cidades médias nordestinas Campina Grande (RBG v.4 out../dez.4 out. Na década de 70 trabalha com planejamento de polos de desenvolvimento no Nordeste (RBG v.41 n. Roberto explicita quem foram seus principais orientadores e referências metodológicas.1 jan. A produção de Maria Francisca na Revista Brasileira de Geografia enfocando os estudos urbanos inicia-se na década de 50. 1967)./mar. dois que trabalharam sistematicamente no assunto: Maria Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e a terceira. 1965) e um específico de intra-urbana sobre a feira de Caruaru (RBG v. retornou à pesquisa geográfica. no contexto de pesquisas que adotaram o método de Michel Rochefort de avaliação de redes urbanas. deixou um legado de formação de técnicos e de adoção de metodologias nos estudos urbanos e industriais que ainda não foi totalmente substituído./set./jun. A vinculação de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa com a Geografia Urbana. usando os ensinamentos de Michel Rochefort ( 1957 ) no trato de questões sobre sistemas de cidades. isso foi no período de 59 a 62.31 n. e em particular com os estudos das relações entre cidades e suas regiões de influência.

A Milton Santos. coroando sua vida profissional. A principal característica da trajetória profissional de Roberto Lobato Corrêa na Geografia Urbana brasileira foi sua total inserção nas quatro correntes metodológicas por que passou a Geografia Urbana no IBGE. na fase de “Planejamento Urbano”. também de inspiração francesa sob a orientação de Michel Rochefort. no final dos anos 60. 1997). Outra constatação sobre essas influências. a seu ver. Região.. paralelamente. de enfoque analítico sobre as diferentes abordagens dos estudiosos ao tema.. ao elencar algumas linhas de pesquisas que.3 jul. a de “Planejamento Urbano”. Espaço Urbano.32 n. entre 1956 e 1964. Lysia Bernardes./mar. outro. 1968) e outro no final dos anos 80 (Corrêa. mas ele mesmo foi o seu mais completo avaliador. o capítulo Sistema Urbano do volume Região Sudeste de 1977 em co-autoria com Olga Maria Buarque de Lima e sua tese de mestrado em Chicago. 1988) e. quando eu fui trabalhar com Lysia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA). na fase “Marxista”. dos anos 60. deveriam ser objeto de estudos no futuro (Corrêa. orientada por Brian Berry Variations in Central Place System: ana analysis of the effects of population densities and income levels em 1974 na fase “Quantitativa” e Repensando a Teoria das Localidades Centrais na coletânea Novos Rumos da Geografia Brasileira. uma coletânea de seus principais trabalhos em segmentos de pesquisa da Geografia (Redes. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. foi também mostrada na epígrafe do seu segundo artigo de avaliação da produção geográfica sobre redes urbanas (RBG v.1 jan.De certa forma. a “Tradicional” de inspiração francesa. Tempo e Cultura). a “Quantitativa” de inspiração anglo-americana dos anos 70 e a “Marxista” dos anos 80. o que a Lysia fazia sob orientação do Michel Rochefort.29 n. ao ter elaborado dois trabalhos de análise do “estado da arte” sobre o tema de redes urbanas. 1989). . com a publicação do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa. organizada por Milton Santos em 1982. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. Espaço e Empresa e Espaço.. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil./set. Seus principais trabalhos em cada dessas fases foram Cidade e Região no Sudoeste Paranaense (RBG v. e também propositivo. 1967) em coautoria com Rubens de Mattos Ferreira do EPEA. meu foco de interesse já havia mudado desde 196l. 1970) na fase “Tradicional”. 1989:113). Fany Rachel Davidovich e Pedro Pinchas Geiger. “A Monbeig e Rochefort que lançaram a semente.. um no final dos anos 60 (Corrêa. fizeram-na germinar” Sua produção pode ser avaliada de várias formas. Pedro Geiger e Elza Keller que.2 abr. eu já acompanhava de perto e namorando./jun. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lysia Bernardes sem a menor dúvida. Estudos Básicos para a Definição de Pólos de Desenvolvimento no Brasil (RBG n.51 n.

que a fizeram conhecida no ambiente de planejamento urbano federal (RBG v. v. 1976. quanto para pesquisas de futuras teses universitárias(Corrêa. atualmente leciona na UFRJ. Miguel Ângelo Ribeiro aposentou-se em 1999 e atualmente leciona na UERJ.1 jan.29 n. e o segundo foi Fany Rachel Davidovich.38 n. Fany ingressou no IBGE em 1943 e afastou-se em 1945 ao casar-se. participa do grupo de trabalho sobre a definição de pólos de desenvolvimento (RBG v. 1971 e v. com um artigo em co-autoria com Pedro Geiger Aspectos do Fato Urbano no Brasil.Num de seus últimos trabalhos publicado na Território . 1999).49 n. juntamente com Olga Buarque de Lima e Maria Francisca Cardoso elaboram o projeto de aglomerações urbanas (RBG v./jun.48 n./set.36 n.1 jan. mas que geraram uma boa complementaridade aos olhos dos outros técnicos da área de planejamento federal. v. v. 1982). abrindo com isso canais de comunicação mais efetivos entre as áreas de planejamento urbano situadas em agências como o SERFHAU ou o Ministério de Urbanismo e o IBGE.31 n.2 abr. a rede de centros de distribuição e a rede de centros de gestão (Ribeiro. 1983. 1974. 1998). v.45 n./jun. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira no IBGE em 1959 e aposentou-se em 1993./jun. apoiados em técnicas quantitativas as mais diversas. trabalhando a justaposição de três tipos de redes: a rede do centros de produção. que contribuiu enormemente com seus trabalhos e relatórios. 1978. transita pelos estudos de Geografia industrial em 1966./dez. O primeiro foi Speridião Faissol e sua equipe. Roberto retoma a questão da rede urbana sob o novo contexto da globalização. tanto para trabalhos no âmbito do IBGE. que geraram uma grande série de análises sobre a estrutura urbana brasileira.4 out./mar. 1961).2 abr.40 n. . v.43 n. alguns trabalhos teóricos e de orientação de políticas sobre o processo de urbanização. 1987.40 n.4 out./jun./mar. que tendiam a explicar em termos mais políticos do que técnicos os processos de urbanização. 1975. v. orientado por Roberto Lobato Corrêa.49 n.1jan. elabora paralelamente.1978)./set. A produção técnica de Fany na RBG inicia-se em 1961.2 abr.37 n. 1977./dez. v.23 n. (RBG v. trabalha com redes urbanas no Nordeste em dois momentos distintos (RBG v.33 n.3 jul. analisando o papel complementar das pequenas cidades na composição das redes urbanas e exemplifica certas áreas no Brasil. estuda os fluxos de bens e pessoas no processo de regionalização urbana (RBG v. sobre a rede urbana da Amazônia.39 n.44 n.1967). A área de análises sobre o processo de urbanização foi a arena de dois profissionais que produziram dois tipos de trabalhos bem distintos./jun./set. 2 abr./mar. 1986. que havia colaborado neste assunto no relatório do projeto Diagnóstico da Amazônia Legal para a Secretaria de Assuntos Estratégicos em 1995 e elaborou sua tese de doutoramento. Os estudos de redes no IBGE foi continuado nos anos 90 pela equipe do projeto Regiões de Influência das Cidades e individualmente por Miguel Ângelo Campos Ribeiro. 1987).3 jul./mar.1 jan./mar. 3 jul. v./mar 1981.1 jan. v.2 abr. 1969).1 jan. Uma linha de pesquisa altamente promissora.

1972). Roberto Lobato e Hilda da Silva foram para os USA . principalmente no contexto dos estudos dos sistemas urbanos da coleção Geografia do Brasil de 1977. . regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Faissol.retornou em 1960 e aposentou-se pela compulsória em 1992. Lasuen. J. 1985. G. caracterizavam-se pela tentativa de absorção dos métodos quantitativos. Perroux. Cole. análise discriminante. correlação . . 1971) preocupado em estabelecer uma base mensurável para Teoria dos Lugares Centrais definida em 1933 por Walter Christaller (1966) e John P. Olga Maria B. Ferreira. M. Pedro P. lista 20 trabalhos sobre urbanização. que foram mais explorados no contexto dos trabalhos classificatórios de centros urbanos./jun. Olga e posteriormente Evangelina. A RBG 47 (1/2) jan. de Lima. análise de agrupamento. desenvolvimento econômico. teoria. coordenador do Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). passando pelas técnicas de análise fatorial. mas continua a produzir como consultora em diversas agências de governo. que organizou a estrutura dos capítulos que vão da teorização.1975). Além de Speridião Faissol. foram os profissionais do IBGE que mais se dedicaram ao estudo dos novos métodos. geógrafo norte-americano com especialização em Geografia dos Mercados de Varejo (Berry. 1972). Marilourdes L. gerando o fator tamanho funcional. geógrafo inglês especializado em métodos quantitativos. Oliveira. Roberto Lobato Corrêa. seguiram para Inglaterra. se deu através de Brian Berry. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. Olsson. Dacey.. além de escrever. O envolvimento de alguns geógrafos do IBGE com a Geografia Quantitativa sob a liderança de Faissol. 1978). Hilda da Silva. Os trabalhos da fase “ urbana” de Speridão Faissol e sua equipe. entre 1970 e 1978. B. Faissol mostrou uma impressionante capacidade de. coletânea de artigos de 15 geógrafos e economistas brasileiros sob orientação de Faissol. Tendências Atuais na Geografia Urbano /Regional: teorização e quantificação (Faissol. também organizar congressos e simpósios para divulgar os métodos quantitativos na Geografia e de editar coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados a essas técnicas. A produção geográfica de Speridião Faissol sobre a urbanização brasileira foi muito extensa. F. muito citado nos trabalhos do período (Faissol. Evangelina Xavier G. L. análise regional. . migrações internas. além disso.( Hilda veio a falecer em Chicago no período do doutoramento em 1975). . e trabalho de seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. especialmente as análises multivariadas que conjugavam conjuntos de variáveis demográficas e econômicas a um grupo de lugares (cidades) e espacializavam as correlações que emergiam do algoritmo (Cole. ao correlacionar tamanho populacional com características funcionais. embora alguns outros tenham também utilizado essas técnicas. . Geiger. Brown.

seu rastreamento bibliográfico foi de suma importância na avaliação dos estudos dos ibegeanos no que concerniu às pesquisas intra-urbanas. Outra área dos estudos urbanos que. que normalmente abrange o Brasil e suas macrorregiões. 1968) e ao livro didático de Ceçary Amazonas sobre a Guanabara (Amazonas. por ocasião da publicação. quanto em outras publicações. gerou muitos subsídios para o planejamento urbano foi a pesquisa intra-urbana. com uma série de 15 trabalhos no Boletim Geográfico sobre aspectos geográficos da cidade do Rio de Janeiro. Mais uma vez a liderança de Faissol se fez notar. Um exemplo disso foram as teses de pós-graduação que foram editadas pelas respectivas universidades. 1994) O Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação. A melhor fonte para análise desses trabalhos realizados por pesquisadores do IBGE foi a revisão feita por Maurício Abreu no final dos anos 80. outro tipo de pesquisa obrigou a Geografia Urbana do IBGE a trabalhar numa escala quase local para o estabelecimento das nove áreas metropolitanas brasileiras (RBG v. mas se foram realizadas por profissionais da casa. e muitos projetos foram desenvolvidos na escala intra-urbana. ainda no contexto das comemorações do 4 Centenário da Cidade ocorrido em 1965. Normalmente as incursões dos geógrafos da Divisão de Geografia neste assunto. Por outro lado. Apesar da estruturação dos tópicos apresentados não se encaixarem totalmente nos propósitos desta pesquisa. para subsidiar o segmento de estudos do processo de metropolização e de aglomerações urbanas. O grupo. 50 trabalhos versando sobre os estudos intraurbanos e de autoria de profissionais de fora do IBGE foram verificados na bibliografia o . na década de 40. a primeira grande pesquisa realizada por um grupo da Divisão de Geografia. sobre a área central do Rio de Janeiro. profissionais da agência escreveram. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. 1969). foram consideradas como trabalho da Geografia do IBGE. apresentada no I Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 1989 em São Paulo e publicada na RBG v. No final dos anos 60. isto é. 1974). 56 n. Além dos quatro trabalhos precursores de Jeronymo Cavalcanti e da atuação de Everardo Backheuser.canônica. foi coordenada por Aluízio Capdeville Duarte em 1967./dez. que também foram computadas.31 n. Foram detectados 158 trabalhos realizados por geógrafos do IBGE dentro e fora do contexto editorial da casa. restringiamse aos cursos de Geografia Urbana que tratavam da cidade do Rio de Janeiro (IBGE. cadeia de Markov. tanto em publicações editadas pelo IBGE ou em co-produção. 1/4 (Abreu. 1965. composto de 13 pesquisadores colaboraram com 14 textos que explicavam as diferentes funções dessa área do Rio de Janeiro e analisavam alguns processos de transformação urbana ocorridos na década de 60. embora não esteja enquadrada na escala de atuação de uma agência do governo federal.4 out. em virtude deles estarem efetivamente trabalhando no órgão.

J. na maioria dos casos. Deste grupo. Foram trabalhos que iniciaram uma aproximação maior com questões teóricas como o modelo de Von Thunen (Mesquita. (O’Neill. experimentaram técnicas estatísticas mais sofisticadas para estudar questões como concentração. e que na década de 70 testaram alguns dos programas de análise fatorial e análise de agrupamento. D. três personagens foram importantíssimos na orientação dessas pesquisas Roberto Lobato de Azevedo Corrêa.1979. Cruz e Bahiana. 1978. et al.1978). 1986. 1997). 1983). (Almeida. mobilidade urbana. 1982. 1980. 1979. 1986).1983. orientou as pesquisas sobre a espacialização das políticas públicas de implantação de infra-estrutura na área metropolitana do Rio de Janeiro..1986). (Kossmann e Ribeiro. que além de trabalhar complementarmente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles. foram tratados no tópico de ocupação do território e habitat. N. 5 . orientou a maioria dos pesquisadores que desenvolveram teses e trabalhos internos sobre a estrutura interna das cidades. apesar de se entender que esta escala de abordagem não seria o que normalmente se entenderia como objeto de análise de uma agência de planejamento territorial do governo federal. 1986). 1981). como renda da terra. 1986/87). e aspectos culturais e perceptivos (Mello.. mas dará ênfase aos estudos empreendidos a partir da década de 60. Durante as décadas de 70 e 80. públicos e privados e exemplificar suas ações (Bahiana. em revistas ou em edições monográficas. principalmente o Rio de Janeiro. 1976. Tal contagem foi importante para se acabar com a falsa impressão de que os estudos intraurbanos não eram considerados prioritários pela alta direção da agência. com tendo sido publicados sob a chancela do IBGE.B. a segunda foi Olga Maria Buarque de Lima Fredrich. 1984). diversificação e combinação de culturas. classificar os principais agentes modeladores do solo urbano. 1976. (Bezerra. favelização. (Massena. 1981) e de estudar outros aspectos vinculados a estrutura intra-urbana de nossas cidades. 1982). que no DEGEO e na UFRJ. (Bezerra e Cruz. muitos desses 158 trabalhos de pesquisadores do IBGE contribuíram para o entendimento do processo de metropolização brasileiro ao teorizar sobre os processos de estruturação intra-urbana. (O’Neill e Natal. C. principalmente o Rio de Janeiro. que trabalhou intensamente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles brasileiras e David Michael Vetter (economista do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE). (Vetter e Massena.rastreada por Maurício Abreu. 1988). 1983 1983/84). . (Mello. onde a preocupação com os processos de modernização das atividades ligadas ao mundo rural foram mais explicitadas. (Corrêa. 1987. violência urbana. Os trabalhos anteriores de Geografia Agrária.Modernização da agricultura A expressão modernização da agricultura tratará dos trabalhos de Geografia Agrária como um todo.

1961). conceituação de sistemas intensivo e extensivo. 1961. que atuavam como estruturas referenciais para se entender o processo de ocupação do território via atividade agrícola e de colocar na arena de estudos o primeiro artigo sobre a teoria de Von Thünen (Waibel. 1959). além de produzir os dois volumes do livro Geografia Agrária do Brasil (Valverde.2. além de no guia de excursão ao Planalto Meridional tratar com muito detalhe as características agrícolas da região (Valverde. Ao trabalhos iniciais da Geografia do IBGE no campo das atividades rurais restringiam-se a informar alguns fatos da evolução da produção brasileira como um todo ou por produto. quanto nas trocas de mão de obra e nos serviços de transporte. 1948) e enfocando processos agrários específicos na segunda metade da década de 50 (Valverde. v. como é possível verificar nos trabalhos de Eloisa de Carvalho Teixeira (Teixeira. ao combinar as pesquisas sobre colonização e Biogeografia. Os trabalhos de Nilo concentravam-se nos processos de colonização de espaços do interior do país. Além de se concentrarem no acompanhamento da evolução dos Complexos Agro-Industriais .40 n. 1951.∗ e de publicar no Boletim Geográfico um artigo mais informativo e de comparações sobre o tema (Waibel. 1967.23 n. 1959). tanto na troca de insumos e maquinário. Nilo Bernardes e Orlando Valverde.: 60-130. 1964). 1957).2. entidades de amplo escopo que passaram a liderar as ligações entre o campo e a cidade. . 1957. abr. 1955. como características de certas áreas rurais do nordeste (Valverde. de “plantation” e de sistema de roças (Valverde. O mais importante introdutor dos estudos agrários com cientificidade no IBGE foi Léo Waibel. Orlando concentra-se nos aspectos conceituais e de exemplificação de alguns temas de Geografia Agrária.Nos anos 80. 1952. novas orientações enfocaram um outro expectro de problemas ao analisarem os efeitos do agribussines na concentração fundiária e tratarem com outra visão o acompanhamento da ocupação predatória das atividades rurais em todos os estratos de renda dos produtores. 1961). Na década de 60. iniciando com trabalhos vinculados aos processos de colonização e análise regional (Valverde. 1948). 1958./jun. 1944. Seus melhores discípulos foram. resultado de suas pesquisas esboçadas em seu ∗ O modelo de Von Thünen foi novamente discutido por Olindina V. 1968. os melhores geógrafos agrários do IBGE entre os anos 50 e início dos 60. 1955). abr./jun.1958) foi uma espécie de síntese desses conhecimentos. por conseguinte. sejam eles ricos e tecnificados ou pobres e sem qualificação técnica. 1968). Seu livro Capítulos de Geografia Tropical e do Brasil (Waibel. A obra do Orlando valverde no contextos dos estudos agrários foi mais diversificada. Mesquita em sua tese de mestrado na UFRJ em 1978 e publicada na RBG v. mas também estruturou um quadro geral da agricultura brasileira nos anos 50 (RBG. comunicações e assistência financeira. 1978.

Seu trabalho. 1970).32 n./set. juntamente com Catarina V.3.1. 1978) e definiram proposições metodológicas sobre os estudos de desenvolvimento rural (RBG v. (RBG v. focalizando a Amazônia Ocidental através da rodovia Transamazônica (Valverde. jul.32 n. 1974). Com a chegada de Isaac Kerstenetzky à presidência do IBGE em 1970. Maria Elisabeth de Paiva Correia de Sá. Pesquisas sobre concentração de cultivos (RBG v.1970). 1981) e iniciaram . jul. sobre a rodovia Belém-Brasília. 1967). além de contarem com o apoio técnico de pesquisadores como Ney Rodrigues Innocencio. somado às informações de Mitiko Une quanto aos aspectos climatológicos vinculados às safras agrícolas. armazenagem (RBG v. Posteriormente. mas fica conhecida como uma pesquisadora que. Luiz Sérgio Pires Guimarães.. que posteriormente presidiu a comissão.jan.:419-447. posteriormente tendo a colaboração dos geógrafos Rivaldo Pinto de Gusmão e Maristella de Azevedo Brito./dez. no final dos anos 80.:41-86. após sua experiência de ensino em Rio Claro.: 137-143. onde apresenta os processos de ocupação agrícola em espaços cortados por estradas de integração na região Norte e Centro Oeste abriu as primeiras pistas para a questão da importância do sistema urbano na Amazônia (Valverde e Dias.3. Dora Rodrigues Hees. uma outra vertente de estudos foi iniciada por Elza Keller ainda na UNESP de Rio Claro. Ainda na década de 60.: 52-130. que acabaram por suprir de dados a área de Geografia Agrária do agora Departamento de Geografia (DEGEO).36 n. 1977). 1984: 84). regionalizações em escala estadual (RBG v. Tereza Coni Aguiar. Dias. coordenando uma equipe multidisciplinar Orlando volta ao tema. 1968). jul. out. jan.39 n. nas palavras de Alexandre Felizola Diniz “lançou as bases de um movimento de profundas mudanças na Geografia Agrária Brasileira” (Diniz. juntamente com Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mesquita que continuaram o projeto./set. A principal pesquisadora que comandou esse processo de mudança nos trabalhos agrários foi Elza Coelho de Souza Keller.: 3-42.4.43 n. além de terem trabalhado com essas técnicas nos capítulos temáticos da coleção Geografia do Brasil de 1977. o sistema estatístico da casa iniciou uma série de ações que sistematizaram as informações do segmento agropecuário e criaram outras campanhas. no contexto da obra Subsídios à Regionalização (Mesquita et all./mar.curso de Geografia Agrária Geral e do Brasil ministrado na AGB do Rio de Janeiro em 1957 .1. Os contatos de Kostrowicki com Elza Keller resultaram em linhas de pesquisa que enfocavam preocupações com a qualidade dos dados estatísticos a serem trabalhados nos futuros trabalhos.40 n. 1989)./set. testou os métodos quantitativos em tipologia agrícola (RBG v./mar. Em 1968 Elza Keller retorna ao IBGE. ao orientar em 1964. da economista Sonia Rocha e da socióloga Sebastiana Rodrigues de Brito.3. Esse grupo desenvolveu linhas de trabalho em regionalização agrícola em escala nacional.. Maria do Socorro Brito e Adma Hamam de Figueredo. um grupo de professores e alunos de especialização principalmente quanto aos estudos de tipologia agrícola sob a orientação da Comissão de Levantamento Mundial de Utilização da Terra da UGI e contando com o apoio metodológico de Jerzy Kostrowicki da Polônia.

:105-116. A estrutura de dados do IBGE que o setor agropecuário oferece aos pesquisadores. marginalidade rural (RBG v. de Oliveira estiveram na França mapeando e comentando os dados do censo agropecuário de 1985. No início dos anos 90.:3-65. 41 n. 1986).4. produção de couro.3.2.1. anuais como a Produção Agrícola Municipal (PAM). a ser editado no fim do ano de 2000. Pesquisa Pecuária Municipal (PPM).46 n. Théry. pesquisas mensais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). com censos agropecuários qüinqüenais (pelo menos até a década de 90).46 n. no qual é também coordenadora geral.39 n. RBG v.49 n. 1992). abr. abate de animais./mar. out. Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e semestrais como a Pesquisa de Estoques (PE)./set. no Atlas Nacional do Brasil. RBG v.Caracterizações Ambientais Do conjunto de estudos que enfocaram o meio físico. escolhemos analisar os três segmentos mais importantes.: 3-49.1./dez./dez. RBG v. Em virtude disso foram publicados muitos trabalhos de acompanhamento e evolução da agropecuária (RBG v. produzindo uma espécie de Atlas das Fronteiras Agrícolas do Brasil (Hess. 6 . do leite. No contexto atual do DEGEO apenas Hadma Hamman Figueredo ainda lidera as pesquisas agrárias. out. 1982 .:503-533. 1984)./dez. 1984).grandes projetos multidisciplinares em convênio com outras agências governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).4.:52-130. em função do convênio entre o IBGE (DEGEO) e a MAISON DE LA GÉOGRAPHIE de Montpellier . 1998) e orientando o mapeamento do tema. 1978 .:227-361.1. sob o apoio técnico de Philippe Waniez e Hervé Théry as geógrafas Dora Rodrigues Hees e Evangelina Xavier G.4. out.48 n. jan. Waniez./mar. RBG v.40 n. 1979 . As mudanças de orientação de enfoque dos trabalhos de Geografia Agrária ocorridas nos anos 80. além de pesquisas específicas como o levantamento da soja.:425-550. 1977 . 1987 . linha de pesquisa precursora dos grandes diagnósticos sócio-ambientais que foram implementados na segunda metade dos anos 80 e durante a década de 90 (IBGE. puderam ser percebidas nos artigos e projetos que passaram a enfatizar os aspectos sociais das fronteiras de ocupação ao longo das novas estradas de integração construídas na década de 70 . jan. jan. de ovos de galinha e estimativas sobre a previsão e acompanhamento de safras. 1984.1./dez. estudos comparativos entre inserção tecnológica e marginalização de parte dos produtores rurais (RBG v.50 n.3/4.44 n./jun. jul. Oliveira. Problemas de qualificação da mão de obra rural (RBG v. 1988). RBG v. trabalhando com as conseqüências ambientais e políticas da ocupação em áreas de fronteiras de recursos (Figueredo. RBG v.:3-10.: 5-78./mar.46 n./mar. jan. jul. que propiciaram a geração de muitos trabalhos e garantiram o .:41-60. 1979).

45 no Boletim Geográfico. Antônio Teixeira Guerra./mar. Atualmente.p. 1948. 1949). altamente prestigioso. Alberto Ribeiro Lamego.que dominou com maestria os conhecimentos integrados entre Geologia.2. Seus trabalhos na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e sua série de artigos sobre as características geológicas e morfológicas do estado da Bahia ( Domingues.185-248.9n. RBGv. também geomorfólogo./jun. n. autora ./dez.1947. além de produzir artigos que tornaram-se clássicos (Ruellan. jan. Amélia Alba Nogueira. pressão do ar. p. 1945.2. que em combinação com especializações como Botânica e Zoologia explicam uma grande parte de que se convencionou chamar de Meio Ambiente. verifica-se uma grande sinergia com a Ecologia. campo que espacializa o conjunto de informações que a Meteorlogia nos apresenta quotidianamente.p. principalmente geólogos. como também de profissionais de outras especialidades. biólogos e engenheiros agrônomos.1948 ). como os Cursos de Férias para Professores e autor do Dicionário Geológico-Geomorfológico .1.p.desenvolvimento profissional de alguns geógrafos. A Climatologia.523-550.obra editada nos anos 60 e reeditada em 1999 por seu filho. área da Geografia que trabalha com os processos formadores do modelado terrestre e que estrutura as principais tipologias relativas ao relevo do território. 1946.1943). A Biogeografia. 12 artigos em publicações avulsas.4.. que também trabalhou no IBGE na década de 70 e que atualmente leciona na UFRJ (Guerra. um dos supervisores geográficos da Enciclopédia do Municípios Brasileiros e considerado um dos mais produtivos geógrafos do IBGE com 30 artigos na RBG. abr. Ruellan. 1963). quanto sob a forma de textos explicativos dos processos de médio e longo prazo que garantem uma dada classificação climática mais geral..n.10. além de mestres estrangeiros que foram os principais formadores da primeira geração de profissionais como o francês Francis Ruellan na Geomorfologia e o canadense Pierre Dansereau na Biogeografia.5. formou profissionais como Alfredo Porto Domingues . segmento de estudos que trata da espacialização da cobertura vegetal e da ocorrência de animais.57-82. (Lamego. Este conjunto de saberes foi. tanto sob a forma de mapeamento.n.9. out. 1966). 1944. regime de ventos. Biologia e Climatologia tornando-se um dos mais completos geógrafos físicos da casa. abr. 1947. autor da coleção O Homem e . RBGv. nas primeiras décadas de atuação do IBGE. que estuda em detalhes as relações entre os seres vivos num dado segmento espacial./jun. profissionais como Emmanuel De Martonne com seu clássico Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico (RBG v. precipitações etc... e que apresenta quadros de referência sobre temperatura. RBG v.. tendo como iniciadores. A Geomorfologia.255-287.

11n. a permanência no IBGE do canadense Pierre Dansereau que. 1952. 1952./mar..577590.3 há também um comentário na página 135. 1943).de todos os capítulos de Geomorfologia da coleção Geografia do Brasil de 1977 Rangel Lima que chefiou o Setor de Geomorfologia do DEGEO na década de 70. caracterizavam algumas regiões brasileiras (Ferraz.4n. 1961. paralelamente. 1947./jun. o mais importante produtor de artigos sobre o tema. p.RBG./dez. Nos primeiros anos de estruturação do IBGE o estudo da Climatologia era feito por engenheiros como José Carlos de Junqueira Schmidt e Jorge de Sampaio Ferraz que preocupavam-se com métodos classificatórios e. o primeiro trabalho classificatório da vegetação brasileira foi elaborado por Lindalvo Bezerra dos Santos no Boletim Geográfico como contribuição didática e que foi considerado como a primeira tipologia apoiada nos aspectos fisionômicos das formações vegetais brasileiras (Santos.p.3.13. 1949). além de produzir trabalhos sobre Biogeografia (Dansereau../jun. 123-124. Na segunda metade da década de 40. jan.1. 1939) .out.1 n. Até a década de 50. RBG v. 1961).4. apesar de não ter havido um professor “visitante” que tivesse formado profissionais por meio de cursos e treinamento específico./set.13.465-500. ao comentar a classificação climática de Köppen (Zarur. RBG v.5 n.250-254.. Ambas as obras foram os principais instrumentos de estudo dos alunos de Geomorfologia de muitas universidades brasileiras. p.223-264. No campo da Biogeografia. Schmidt ( RBG v. ∗ e Gelson São também da década de 70 a coletânea de comentários sobre 201 fotos do relevo brasileiro organizado por Celeste Rodrigues Maio (Maio.abr. 1946.p.n./set.3-15. do mesmo Jorge Ferraz sobre uma questão que continua atual: Aumentou a temperatura do mundo? O primeiro geógrafo do IBGE a tratar do assunto foi Jorge Zarur.1n. Walter Alberto Egler (RBG v. foi o paulista José Setzer. jul. 1942 . jul. p. alguns geógrafos do IBGE dedicaram-se a estudar aqui e no exterior o assunto. 1974) além de completar a formação de engenheiros agrônomos como Alceo Magnanini (1952. abr.v. No campo da Climatologia.1951.1951) e Fernando Segadas Vianna (1964). período em que a Climatologia passa a ser estudada mais sistematicamente por alguns profissionais da Geografia do IBGE.2.n..3.2. 1949) formou profissionais como Edgar Kuhlmann (1951. RBG v. 1943). 1954) e Dora Amarante Romariz (1953. pedólogo do Departamento de Produção Geógrafa desaparecida em acidente de avião do Projeto RADAMBRASIL no litoral sul ∗ . 1973) e reeditada em 1980 e o compêndio Fundamentos de Geomorfologia da professora da Faculdade de Rio Claro (atual UNESP) Margaria da Maria Penteado (1974). p. Na RBG v..

conheceu o trabalho classificatório de Henri Gaussen e Francois Bagnouls baseado nas relações entre clima e vegetação.14 n./dez. tema de sua tese de doutorado na UFRJ (Amador.13 n..4. que enfatizava as questões sobre precipitação e suas relações com a produtividade agrícola (Setzer. 1967) e o segundo. sob a forma de orientação profissional inicial de Edmon Nimer no campo da Climatologia. Nimer auxiliou os dois na publicação de um artigo sobre climatologia dinâmica na região nordeste (Nimer. chefiado por ele era um dos mais dinâmicos do DEGEO. Nimer orientou a formação profissional de Ana Maria P./set./mar. após terminar seu doutoramento na USP. jan. Marília Galvão durante seu estágio de especialização na França. este último transferiu-se para lecionar na UFRJ./mar.33n.8 n. jan. 1951) e Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra. fluminense.57-80. que na década de 60 abandonaria o tema e iria dedicar-se à Geografia Urbana (RBG v..3. p.1.619-620. esposa de Antônio Teixeira Guerra.1. p. p.4. Na década de 70 o Setor de Climatologia.338. Amador. RBG v. RBG v.317-350.. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. p.17 n.29 n. Edmon Nimer tornou-se o mais importante climatólogo do IBGE.. . jul. RBG v./set.. 1946 . p.3. jul. Filho. jan. indo também lecionar na UFRJ. 1951 . RBG v. jul.. 1951 . jan.3-46.13 n. aposentou-se do IBGE nos anos 90.. Brandão (Nimer e Brandão. Ignez RBG v.3.449-496. . 1997). jan.1.3-70. P. p. e após sua aposentadoria. 1954). RBG v. A. e por todos os capítulos de Clima da coleção Geografia do Brasil de 1977. p.. E. 1971). Sua produção neste período foi notável./dez. out.473-479.1.315-328. Outra faceta importante de Edmon Nimer foi sua capacidade de formar profissionais.13 n. com 12 artigos na RBG. atualmente trabalha em consultoria ambiental monitorando o ecossistema da Baía de Guanabara.1. Filho e Elmo Amador. com uma incursão no tema caracterizando o clima da Região Nordeste ( Guerra. a partir da segunda metade dos anos 60 até sua aposentadoria nos anos 90. out. o primeiro sob a forma de um artigo sobre as regiões bioclimáticas do Brasil (Galvão.8 n./mar. No início dos anos 70. O primeiro grupo de especialistas em Climatologia no IBGE foi formado por Lysia Bernardes. M. p. que se tornaria um dos mais completos climatólogos do Brasil. p.3-36. Nos anos 60. 1952). destacando-se os estagiários Arthur A. 1981)que. Nos anos 80./mar.16 n. 1946 .. RBG v./set./mar. trabalhando com clima urbano (Monteiro. p. Os resultados desse processo foram divididos em dois tipos de atuação. RBG v. principalmente por ser responsável por uma série que abordou a climatologia de todas as regiões brasileiras entre o final de 1971 e todo o ano de 1972. RBG v.Vegetal do Estado de São Paulo e professor da USP. E. 1955).

O segmento dos estudos ambientais do IBGE sofreu duas grandes inflexões. Foi também desse período. 1990) e PMACI II (IBGE. contando com a criação da Reserva Ecológica do Roncador na periferia de Brasília e estabelecendo convênio técnico com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). O resultado dessa primeira inflexão foi a criação da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SUPREN) em 1975 e a separação dos profissionais de Geografia Física dos de Humana que agora estariam na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE). 1994).PMACI I (IBGE.Diagnósticos Ambientais e Sócio-Ambientais Integrados A segunda grande inflexão ocorreu em 1985. sem nenhuma exigência de qualquer tipo. da Costa e colaboradores (IBGE.n.Seu espírito de colaboração com o IBGE pode ser medido por seu auxílio à coleção Geografia do Brasil do início dos anos 90. como no caso da poluição industrial./dez. comentada por Luiz Roberto Tommasi na RBG v. a chamada integração não ia muito além dos segmentos da Geografia Física e da Biologia. já aposentado. para pouco a pouco incorporar também áreas da Geografia Humana como Urbana e Agrária. coordenado por Rivaldo Pinto de Gusmão (IBGE.4. uma na década de 60. principalmente nas áreas de agrária e urbana e uma aparente queda de status que se configurou com mais clareza na década de 70.p. do Projeto RADAMBRASIL com toda sua estrutura de pessoal e equipamentos. apresentando-o em tempo recorde em 1993.215-223. prontificou-se imediatamente a produzir um capítulo sobre o tema. Uma das grandes linhas de trabalho da SUPREN foi organizar os estudos de ecologia animal do cerrado do planalto central brasileiro. No volume do Sudeste. inaugurando uma nova fase de trabalhos voltados para os grandes diagnósticos ambientais integrados. Um dos produtos desse convênio foi o livro Fauna do Cerrado organizado por Claudia Cotrim C. gerando um novo conjunto de grandes trabalhos conhecidos como diagnósticos sócioambientais integrados como o Diagnóstico Brasil. coordenados por Irene Braga de Miguez Garrido Filha e Ailton . 1977 e que inicia uma preocupação com as relações entre seres humanos e meio ambiente no sentido mais amplo.39.out. enquadrando neste processo as principais correntes de Geografia Física. que acompanhou os diferentes processos de ocupação do território brasileiro. Projetos de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas . 1981) que apresenta uma lista preliminar das aves. a publicação da obra de Jean Tricart Ecodinâmica (1977). com a absorção pelo IBGE.1990). 7. mamíferos e répteis da área estudada. No início. Nimer. com o crescimento dos estudos de Geografia Humana. quando houve desistência do autor do capítulo de Clima. estabelecendo relações com algumas segmentos do meio ambiente.

1989) e do estudo geomorfológico da área de Rondonópolis –MT (IBGE. Além disso. . 1989). Hadma Hamann de Figueredo. O primeiro coordenado por Antônio José Teixeira Guerra (filho de Antônio Teixeira Guerra) antes de sua transferência para a UFRJ. diminuindo as diferenças antes percebidas. Olga Schild Becker e Irene Garrido Filha que ao coordenarem suas respectivas áreas de Geografia Humana. Diagnóstico da Amazônia Legal. 1993) que estabeleceu uma regionalização de espaços identificados por suas características ambientais. trabalharam para uma suave integração com os pesquisadores da física e os do campo biológico. Além de distinguir áreas de conflito entre as ações humanas (extrativismo e agropecuária) e a capacidade de sustentabilidade desses ambientes. realizando projetos de Geografia em escala estadual ou meso-regional. da áreas periféricas de Brasília e da aglomeração de Goiânia no Centro-Oeste e na região sul com o projeto de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina. A análise sócio-ambiental dos módulos territoriais da Região Amazônica referentes ao Programa Nossa Natureza realizado no período final do governo de José Sarney (não publicado) e o Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal . Para se ter uma medida da complexidade de interação entre as unidades departamentais do IBGE. além de especialistas em áreas da Biologia e engenheiros agrônomos e florestais. coordenado por Válter de Jesus Almeida e Wilson Duque Estrada Regis (IBGE. 1989). p. p. O processo de absorção do RADAMBRASIL foi altamente positivo para o segmento de Geografia Física do IBGE. 1990. onde atualmente leciona. Goiânia (GO) e Florianópolis (SC) que contam com excelentes profissionais em Geomorfologia. Na década de 90 a integração entre os profissionais de Geografia humana e os de física foi finalmente alcançada com os projetos do Programa Nossa Natureza na Amazônia.Antônio Batista de Oliveira e Teresa Cardoso da Silva.131-132) e constatar que aproximadamente 220 profissionais tomaram parte nas diferentes tarefas técnicas e administrativas que envolveram estes diagnósticos. Foi no contexto de trabalho realizado anteriormente pelas equipes do RADAMBRASIL nessas unidades regionais que o IBGE passou a se integrar mais com secretarias estaduais de planejamento e de meio ambiente. Para isso contribuíram geógrafas como Solange Tietzmann Silva. Salvador (BA). O segundo. também tenderam a aproximar esses profissionais. principalmente nas fases de planejamento. como no caso do estudo do uso agrícola da terra no sudoeste de Goiás em convênio com a EMBRAPA (IBGE. que avaliaram os impactos ambientais e sócio-econômicos do asfaltamento de dois trechos da rodovia BR 364 entre os estados de Rondônia e Acre. coordenado por Antônia Maria Martins Ferreira (IBGE. PMACI. IPEA e USP em projetos integrados como os do PMACI I e II. deve-se verificar as páginas de créditos (IBGE. Tereza Coni Aguiar. pois foram incorporadas equipes regionais sediadas em Belém (PA). Pedologia.5. Maria Monica O’Neill. os projetos de Atlas Nacional do Brasil.

na maioria dos casos. foram descritas no documento Geoprocessamento no IBGE redigido por este grupo de trabalho (IBGE. Estava criado o Sistema de Posicionamento Global (GPS). Informática e Disseminação de Informações para avaliar o desenvolvimento das tecnologias e estabelecer as diretrizes básicas dessas atividades para o futuro. Os sistemas iniciais vinculavam-se a navios (Imarsat) e controlavam aviões. vinculadas às Geociências também foram.As Atividades de Geoprocessamento O contexto tecnológico e operacional onde se estabeleceram os projetos de geoprocessamento no IBGE datam da década de 70 com as experiências de softwares como o SYMAP e SYNWU que mapeavam superfícies pré-determinadas. Todos os estágios dessa evolução das práticas profissionais dos geógrafos e pesquisadores de outras especializações. Processos de determinação cartográfica (plotagem) de pontos e linhas que se inserem na rede de coordenas geográficas e que podem ser referenciadas a qualquer tipo de informação guardados em bancos de dados que possam referenciar esta informação a qualquer ponto da rede de coordenadas (georreferenciamento). de certa forma. percebidas por outros olhos. onde eram plotados dados específicos. A partir de 1994 as atividades de Geoprocessamento no IBGE atingiram um estágio que obrigou a alta direção da casa a estabelecer um grupo de trabalho com integrantes das diretorias de Geociências. e que tiveram quase sempre de aprender a ver como funcionava esse campo. Os mapas construídos não possuíam muita precisão cartográfica. Posteriormente esses receptores diminuíram de tamanho e passaram a garantir a qualidade das medições geodésicas e a influenciar decisivamente na precisão e barateamento das campanhas geodésicas e cartográficas. Olhos. com seus respectivos valores da terra (preços do m de terreno ou valor do imposto territorial urbano). Pesquisas e Estudos. Foram muito testadas áreas urbanas. Esses sistemas são a base do que chamaremos em termos gerais de geoprocessamento. não acostumados com esse tipo de trabalho. além das tecnologias derivadas da corrida espacial para garantia da localização dos artefatos espaciais utilizados nas atividades de exploração do ambiente extra terrestre. As principais diretrizes que envolvem essas atividades no IBGE. Essa a base operacional dos atuais Sistemas de Informação Geográficas (SIG ou GIS em inglês). 2 . foi concebida uma rede virtual de coordenadas geográficas de grande precisão que era plotada por sistemas de satélites que enviavam sinais eletromagnéticos e garantiam resposta quase imediata a determinados aparelhos receptores que se deslocavam na superfície da terra. mas davam uma boa noção espacial ou tridimensional do fenômeno. 1994). Com o advento dos novos sensores colocados nos satélites militares americanos e soviéticos.

embora também. devido à grande heterogeneidade dos campos envolvidos.Estamos nos referindo mais aos presidentes do IBGE. No próximo capítulo será possível ter uma noção mais aproximada das impressões que foram passadas por alguns presidentes e diretores sobre a atuação da Geografia e das ciências que lhe são comuns no contexto do IBGE. sempre foi difícil ter um diretor que conhecesse profundamente a atuação de todos os departamentos da diretoria. do que aos diretores que administraram a área das Geociências. .

vinculou-se a não familiaridade com os métodos de trabalho dos geógrafos e a sua efetiva função no organograma de trabalho do órgão. Tais problemas podem ser percebidos quando analisamos alguns depoimentos de profissionais que ocuparam cargos de alta direção no IBGE (presidentes e diretores de área onde a Geografia se reportava). à maioria dos casos. se durante o longínquo curso de segundo grau. não era muito simples para quem vinha de outra área. No caso dos presidentes. campos de onde vieram os 10 últimos presidentes da casa. quando entrou em cena a questão meio-ambiente e a incorporação do RADAMBRASIL ao IBGE em 1985. . dentro dos requisitos mínimos fixados pelo agora Conselho Nacional de Geografia (decreto-lei 218/38 de 26 de janeiro de 1938). Cartografia e Geodésia nas fases iniciais da agência. Esses erros de enquadramento entre o que era Geografia. Entender a diferença entre Departamento de Geografia e Departamento de Recurços Naturais e Meio Ambiente. Geodésia e Cartografia nos discursos antigos dos artigos de memória institucional que normalmente ficavam a disposição dos novos chefes. foram acrescidos dos problemas ocorridos entre a Geografia Humana e Física nas décadas de 60 e 70 e que acabaram trazendo novas dúvidas. como parte integrante do G do IBGE. a isto pode também ser acrescido os títulos de áreas departamentais. sempre foi vista pelos geógrafos como uma das mais importantes áreas da casa. Instrumento legal que obrigava aos municípios cartografar seu território e enviar para a Secretaria do Diretório Regional de Geografia duas vias autenticadas. como no caso dos economistas. estatísticos e cientistas políticos. ou ao confuso papel da Geografia.Capítulo II . Essa visão um tanto parcial. que causaram muitas dúvidas nos novos presidentes e diretores. que nos períodos iniciais era encarada pela alta direção da agência. devidamente acompanhada pelo decreto-lei 311/38 de 02 de março de 1938. foi também misturada à posição da Cartografia. que dispunha sobre a divisão territorial do país e que ficou conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. o presidente em questão tinha estudado Geografia Física e Humana dentro da mesma cadeira.As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia Sendo a Geografia uma área considerada atividade fim no contexto do IBGE e somente um pouco mais “jovem” que a Estatística. O propósito de garantir ao censo demográfico de 1940 a base cartográfica necessária ao deslocamento dos recenseadores. foi uma das razões de ser (e possivelmente a maior na ocasião) da criação do Conselho Brasileiro de Geografia (incorporado ao Instituto Nacional de Estatística) em 24 de março de 1937 pelo decreto 1527/37.

Além disso, havia a dificuldade de se entender os diferentes papéis da Geodésia e da Cartografia no contexto da agência. Com a Geodésia apresentando dois corpos profissionais muito distintos, um altamente matematizado, com relações internacionais sistemáticas e fortemente exigente de tecnologia e outro constituído de profissionais que aprenderam o ofício no campo, durante as campanhas de levantamento geodésico, na maioria dos casos com pouca escolarização formal. A Cartografia parecia ser ainda mais complexa, pois misturavam-se áreas típicas de produção com grupos altamente qualificados de engenheiros cartógrafos e de profissionais vinculados à arte como os desenhistas de arte final e os cartógrafos que operavam na área de cartografia temática para ilustração de atlas. Somava-se a isto questões de transição tecnológica, tanto no que se refere aos contatos diretos com a Geodésia, quanto no que se refere à produção física das cartas, incluindo aí a impressão das folhas em gráfica própria, altamente especializada. Portanto, um presidente ou um diretor de área teriam de se adaptar rapidamente às peculiaridades dessa diretoria altamente heterogênea, com demandas muito diferenciadas. Além disso, é preciso entender que havia também os “notáveis” das “Velhas Guardas” em cada área específica e que alguns deles ocupavam postos de decisão na estrutura hierárquica do IBGE, além dos técnicos de assessoramento que poderiam esclarecer dúvidas e subsidiar decisões para arbitramento. Um presidente novo e sua equipe deviam aprender os códigos não escritos da casa, sob pena de sofrerem rejeição de parte do quadro profissional, ou de quase todo, como aconteceu em alguns casos. No contexto da Geografia, personagens importantes como Miguel Alves de Lima, Speridião Faissol, Lúcio de Castro Soares e Ney Strauch foram guardiões corporativos de grande valor no ambiente da presidência, por suas respectivas carreiras na alta direção da casa e liderança que exerciam junto aos demais profissionais. Catharina Vergolino Dias foi outra profissional importante nos contatos em Brasília, durante a década de 70, pois trabalhou como representante do IBGE nas assessorias da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e no Ministério do Interior durante os governos Médici e Geisel. Eram profissionais com muito conhecimento, tanto técnico, quanto administrativo e político e que sempre eram solicitados a darem opiniões e ajudarem nas decisões que envolviam a área da Geografia. Na década de 80, o engenheiro Mauro Pereira de Melo foi outra figura chave no contexto da criação da Diretoria de Geociências. Seus bons contatos com o segmento militar da Cartografia no contexto da Comissão de Cartografia (COCAR) evitaram conflitos na condução da coordenação cartográfica do país. No contexto interno do IBGE outros personagens, ao longo de suas carreiras, tornaram-se referências importantes ao ocuparem cargos de direção, onde as injunções políticas entre

diretorias e departamentos deveriam ser gerenciadas com muita diplomacia. O exemplo mais representativo na década de 80 na Geografia foi Marilourdes Lopes Ferreira, que após assessorar Speridião Faissol na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e na Diretoria Técnica nos anos 70, foi na década seguinte alçada a posição de Diretora Adjunta da Diretoria de Geociências, ocupando durante um bom tempo este importante posto. As boas relações institucionais da Geografia com as demais áreas do IBGE neste período, devem muito à diplomacia de Marilourdes. Em função desse quadro de referência foram tomados alguns depoimentos de presidentes, diretores e diretores adjuntos que gerenciaram o IBGE nos últimos 30 anos e que puderam dar seus testemunhos sobre a área onde a Geografia estava inserida. Os Presidentes Da linha dos 10 últimos presidentes iniciada por Sebastião Aguiar Ayres (04/04/196724/03/1970) e seguida por Isaac Kerstenetzky (24/03/1970-29/08/1979), Jessé de Souza Montello (29/08/1979-14/03/1985), Edmar Lisboa Bacha (10/05/1985-27/11/1986),Edson de Oliveira Nunes (06/01/1987-13/04/1988), Charles Curt Müller (03/05/1988-18/04/90), Eduardo Augusto Guimarães (18/04/1990-26/03/1992), Eurico Neves Borba (26/03/1992-15/06/1993), Silvio Augusto Minciotti (15/06/1993-30/03/1994) e Simon Schwartzman (05/05/199431/12/1999) que passou o cargo para o atual presidente Sérgio Besserman Vianna, foram tomados os depoimentos de Edson Nunes, Charles Müller e Eurico Borba presidentes que tiveram um papel importante em decisões que envolveram a Geografia. Eduardo Augusto Guimarães e Simon Schwartzman, presidentes que ficaram durante um bom período ainda não puderam dar seus depoimentos por diferentes razões, Eduardo Augusto ficou a frente da Secretaria do Tesouro Nacional, indo depois para a presidência da BANESPA, preparar sua venda, funções que o impossibilitaram de prestar depoimento sobre sua gestão. Simon Schwartzman ainda não pode ser contatado para seu depoimento, mas seus escritos cobriram perfeitamente sua gestão, provavelmente a mais dinâmica e de maior impacto dessas 10 últimas, em virtude das condições em que ele assumiu a casa em 1994 e pelo que deixou de positivo à imagem do IBGE junto a seus funcionários e a sociedade brasileira em 1999. Iniciaremos com a primeira parte do depoimento de Eurico Borba, enquanto Diretor Geral da gestão de Isaac Kerstenetzky (falecido em 20/06/1991). Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) Essa fase foi muito importante, pois seria na gestão de Isaac, administrativamente controlada por Eurico Borba, que seriam implementadas, na prática, as decisões sobre a nova estrutura organizacional do IBGE criada em 1967 (Decreto-lei 161 de 13/02/1967), modificando sua subordinação (deixando de se reportar à Presidência da República, como havia sido desde 1934) e passando a ser uma Fundação subordinada ao Ministério do Planejamento.

O presidente anterior Sebastião Aguiar Ayres conduziu o planejamento da campanha censitária de 1970, mas coube à equipe de Isaac executar o processo de coleta no segundo semestre de 1970 e realizar as tarefas de apuração e divulgação. Eurico conta como transcorreu, de seu ponto de vista o processo de montagem de um projeto de modelagem de uma matriz de insumo-produto financiado pela Fundação Ford e BNDE e a ser realizado por uma equipe coordenada por Isaac na PUC e na FGV, onde Isaac era pesquisador. E a súbita mudança para uma nova fase com a nomeação de Isaac para o IBGE em 1970. “...nesse período tumultuado e rico na PUC desembocou nesse projeto de uma grande pesquisa, então o Isaac concordou com a idéia de que não era fazendo um curso de mestrado e sim fazendo uma pesquisa para termos condições financeiras de trazer mais professores de horário integral, a pesquisa melhoraria o curso de graduação e naturalmente dois, três anos depois, seria naturalmente o curso de mestrado, doutorado, etc... então foi montado um projeto extremamente interessante, eram estudos na área setoriais, agricultura, os tradicionais, primário, setor primário, secundário, terciário, a parte demográfica, o setor externo, isso tudo se juntava... Isaac já falava... temos que se simular uma matriz de insumo-produto, temos que fazer um modelo de simulação econômico demográfico, isso tudo se fecharia então nesse grande modelo dos estudos do setor primário, secundário, terciário, setor demográfico, setor externos, todos os segmentos da sociedade. O BNDE deu esse dinheiro, foi assinado em janeiro de l970 e o primeiro desembolso dessa parcela foi feito, com esse primeiro desembolso da parcela, em fevereiro de l970 o Isaac achou importante como coordenador do projeto, se licenciar da Fundação Getúlio Vargas, nessa época o Professor Gudin e Jorge Oscar de Melo Flores, telefonaram para o reitor para saber que história é essa da PUC estar roubando o Isaac da Fundação ! O reitor ficou de olho arregalado, me chamou e nós fomos fazer uma visita para o velho Gudin, foi a primeira vez que estive com o velho Gudin, levei uma porção de livros para ele autografar e o Jorge Oscar de Melo Flores nos explicava que nós não estávamos roubando o Isaac, o Isaac continuaria, mas ele ia coordenar na PUC, claro dando uma carga de horário maior. O Isaac disse: olha Eurico você tem que fazer uns contatos... pois isso tem que ter uma amarração muito firme e preparou a minha viagem, eu tinha que ir a Fortaleza, lá na Faculdade Federal de Fortaleza conversar, eu já não me lembro os nomes das pessoas, mas era a idéia de acertar o convênio, de trocas de experiências com pessoas, uma rede com a PUC e depois em Belo Horizonte, também em São Paulo com o Miguel Coluassono que chefiava o Instituto de Pesquisas Econômicas. Por conta disso saí eu visitando esses centros, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo.... e aí já era Semana Santa, peguei um avião um Electra em São Paulo e fui passar Semana Santa com meus pais em Porto Alegre, minha mulher estava viajando junto, pegamos um temporal danado e tal.... e aí eu abro o jornal e está assim: Isaac Kerstenetzky nomeado Presidente do IBGE, eu virei para Henriqueta, minha esposa, e disse assim: acabou o Projeto da PUC, aí fomos lá para Porto Alegre, voltamos... eu me lembro que voltamos domingo de Páscoa e eu me lembro que a primeira coisa que fiz foi ligar para o Professor Isaac, ele atendeu... e eu dizendo...: o como é que está? Vi o jornal, parabéns, felicidades, o que o Sr. Precisar lá da PUC, o Sr. Sabe, conta com a gente...., ele disse: eu preciso de você! Só pude responder... Professor Isaac, o Sr. já está saindo, e se saio eu também, como é que fica na PUC ?... – Não se preocupe..., eu falo com o Reitor, amanhã, você apareça lá no IBGE...- e deu o endereço Franklin Roosevelt e tal... Eu quero começar no final da manhã... apareça no final da manhã, lá para ll:30.

Aí eu fui meio tonto para PUC, falar com Padre Ávila... o Padre Ávila... Meu filho, quem sabe se pode dar um tempo lá e um tempo aqui... então eu muito atordoado, esperei, e no final da manhã do dia seguinte estava lá... O Isaac disse olha: Eu quero você como chefe de Gabinete porque eu não quero trazer gente de fora do IBGE agora... mas eu estou aqui atordoado com essa estrutura... e a única coisa que eu posso fazer é nomear você Chefe de Gabinete, e aí falou baixinho, nessa época todo mundo tinha medo de telefones grampeados e de microfones ocultos, ele virou para mim e disse assim: Eu não confio em ninguém, eu não confio em ninguém ... Está bom, eu levei uma semana querendo continuar na PUC, afinal foram anos de discussão de projetos, mas acabei saindo indo lá com o Isaac... ficou no meu lugar Carlos Alberto Menezes Direito, hoje Ministro do Tribunal Superior...” (depoimento de Eurico Borba à RSA). A surpresa de Eurico e do próprio Isaac pela súbita nomeação foi explicada mais tarde aos dois por Maurício Rangel Reis, secretário geral do Ministério da Agricultura e depois Ministro do Interior no governo Geisel. O convite de Isaac ao IBGE veio de Veloso? “ O Maurício Rangel Reis foi quem lembrou o nome de Isaac ao Veloso para livra-lo de uma confusão de hierarquia militar, porque tinha sido nomeado um coronel e o coronel que durante muito tempo freqüentava o IBGE naqueles Conselhos ligados a essa área de ...geodésia e cartografia... o Decreto de nomeação desse coronel chegou a ser assinado pelo Veloso, e por conta de um problema de hierarquia militar... o general daqui da região era o comandante do coronel... deu três berros lá porque não tinha sido consultado, então criou-se um problema. Um problema para Veloso, que era o Ministro do Planejamento, e que havia indicado o coronel, que por sua vez aceitou, mas ele Veloso não tinha avisado ao general, então criou-se um problema de hierarquia militar... o general estava bravo, o Veloso indeciso... mas quem vou colocar? Maurício Rangel Reis levantou e disse: o Isaac. O Veloso disse, excelente, o Isaac... agora mesmo... ele era amigo do Isaac e falou com o Médici por telefone e o Médici então pediu o curriculum lá e tal e pediu para , para o negócio ser rápido e em 24, 48 horas... quer dizer: o Isaac não teria sido lembrado se o general não tivesse berrado com o coronel... e então o Isaac assumiu... Nos primeiros meses não sentia-mos seguros... quando nós estávamos lá, só os dois e queríamos conversar, nós dois saíamos para comprar jornal e íamos até o Aeroporto, tomar um cafezinho para conversar, porque tínhamos medo de que nas tomadas tivesse um microfone...” Quer dizer, tinha problemas internos da casa, além da questão militar? “E aí eu me lembro de uma reunião que o Isaac foi comigo... com o pessoal do Departamento de Censos, nós estávamos para começar o Censo de l970, e estava tudo atrasado. Então eu disse: Professor Isaac, não tem nenhum problema, eu levanto a bola, se o Senhor não estiver de acordo o Senhor pode me esculhambar, mas eu vou levantar as perguntas e o Senhor depois apazigua... comigo não tem problema, e eu fiz as perguntas mais indiscretas possíveis... porquê que o Censo não estava ainda todo esquematizado, naquela época em administração se usava muito “pert-cpm” então eu havia aprendido na PUC e tal e perguntei, vem cá essa operação censitária você tem um pert, e o Sebastião Reis que era o dono do Censo levantou da ponta, mas, se ele pudesse teria me dado um tiro... Eu fiz o Censo de 40, 50, 60 eu sei todo o processo, está aqui nessa pasta... todas as etapas, esta porcaria de métodos modernos só faz complicar... eu fiquei calado, o Isaac ficou calado por uns instantes..., virou para ele e disse: Eu só quis saber se tinha um elemento que a gente pudesse olhar, ao invés de estar te consultando pelo telefone. Eu disse: Olha Dr. Sebastião o Sr. desculpa, mas só que nós estamos no mês de abril, ou maio e ainda não temos os questionários prontos, os questionários não foram distribuídos, o esquema de distribuição que tem que utilizar Marinha, Aeronáutica, não sei quem mais, o Serviço de combate a malária - SUCAM, nada disso ainda está

pronto? Eu fico preocupado. Como é que dia 1 de setembro os questionário estarão no campo? Bom, na época teve um fato fantástico, tenho cópia desse material em casa, fui tirando cópia, naquele tempo era termofax, tinha um decreto-lei 200 e um Decreto específico de contratação de pessoal para o Censo e a gente pressionando para contratar pessoal, nós precisamos de pessoal, nós precisávamos de computadores, então o coitado do Chefe do Pessoal ficou tão aflito que dizia assim num despacho dizia assim: o Censo é prioritário, na época se usava muito a expressão Segurança Nacional, é uma questão de segurança nacional, portanto contorna-se a lei... e aí o Isaac rejeitava esses expedientes... que contorna a lei coisa nenhuma...tem que ser dentro da lei. Era um período extremamente dinâmico, que se trabalhava o tempo todo, numa tensão danada, denúncias de corrupção, denúncias de comunistas escondidos debaixo das mesas, cada pessoa que você admitia tinha que ter uma ficha do SNI ...Isaac então dizia para o Veloso... Ministro tem coisas que a gente tem que admitir amanhã, não vou esperar duas semanas, três, não mas o SNI tem uma regra. Tem uma regra para o dia a dia, mas para o Censo não pode ter regra, aí tivemos que vir à Brasília, para conversar com o Chefe do SNI na época, que era o general Carlos Fontoura, as apresentações foram feitas, vê como são as histórias, pelo irmão do Presidente Figueiredo, que era o escritor Guilherme Figueiredo... que era muito amigo do Clóvis Zobaran Monteiro... que era um advogado do IPEA e que depois foi para o IBGE... era chefe de gabinete lá em Brasília e o Zobaran foi lá no Guilherme Figueiredo e disse: Olha tem esse problema do Professor Isaac... se encarrega de ver lá com o Eurico de cuidar dessa história... então fomos a Brasília junto com Guilherme Figueiredo, Zobaran foi recebido por General Fontoura para explicar que nós não podíamos esperar e se tivesse algum comunista escolhido...depois a gente veria... O general deu aprovação... então resolvemos esses problemas. Então o ano de l970 foi tomado, tem outras coisas para contar, mas foi tomado basicamente pelo Censo. O Censo tinha que sair, já o ano de l970...” - Só uma pergunta. Em 70, vocês já pegaram o Censo mais ou menos sendo preparado, quer dizer, já havia um planejamento anterior... “ Sim, havia um planejamento do questionário, o estava atrasado era a parte operacional. O Isaac inclusive na Fundação Getúlio Vargas tinha trabalhado muito com Manoel Antônio, no Censo Agropecuário, com Rodolfo Wenshe no Censo Industrial, com Lira Madeira no Demográfico, então o Isaac como já era uma referência muito conhecida... pois era consultor do IBGE desde a década de 50, já tinha trabalhado no Censo de 60 como consultor, já sabia como estavam as coisas e estava acompanhando, o problema era operacional, rodar questionário, empacotar questionário, contratar recenseador, supervisor, treinar...” - Mandar para o campo, logística de distribuição de questionário no campo... “Exato... no ano de 197l, o Censo então coletado é um ano onde se começou então a repensar então o IBGE...que já havia virado Fundação em 1967, mas ainda não era efetivamente uma Fundação” Sobre a visão de Isaac a respeito da Geografia, Eurico conta que nos primeiros tempos de reformulação dos cursos da PUC, a percepção de Isaac sobre a Geografia não era nada boa, mas que esta visão mudou quando começou a trabalhar no IBGE... - Deixa eu só colocar um negócio interessante, você vai perceber que o IBGE como um órgão que tem geografia, estatística e cartografia ao mesmo tempo... é um dos poucos órgãos no mundo que tem isso, e que de uma certa maneira, as pessoas acham interessantíssimo, a maioria das pessoas que lidam com planejamento territorial no sentido amplo... de outros governos, de outros

países, que lidam com isso, dizem mesmo. Vocês não devem acabar com esse modelo, porque é um modelo muito interessante, aonde tem geografia que define a história do território, demografia, o Censo Demográfico que conta a população, a cartografia que faz a representação do território, e a geodesia que faz as medidas desse território juntos é algo que muito poucos países, acho que só o Canadá tem alguma coisa parecida... “ Espanha tem algo assim também. Bom, então com duas ou três semanas de IBGE... o Isaac pegou essa concepção lá de l935, 36, tinha alguma coisa de importante. Bom, depois, aí eu estou falando de maio, junho, o Isaac virou para mim e disse assim: Eu não me esqueço, estávamos caminhando lá no Aeroporto Santos Dumont..., antes tínhamos almoçado lá no Hotel Aeroporto e depois nós caminhávamos até lá conversando ele disse: Eurico os únicos que tem formação acadêmica para conversar qualquer coisa séria no IBGE são os geógrafos...” -Que naquela época eram exatamente a elite de formação acadêmica... a Velha Guarda “ E os únicos que eu estou podendo conversar são os geógrafos, então era Faissol, Miguel Alves de Lima, era o Pedro Pinchas Geiger, era a Lysia que não estava no IBGE estava servindo ao IPEA, o Isaac fez tudo para a Lysia voltar, o Lysia não quis voltar, Marília Galvão, tinha uma outra que depois foi estudar na Inglaterra, fez pós graduação? Olga ...?...” - Era Olga Buarque de Lima... “ Tinha uma outra senhora também, assim mais ruiva, de óculos∗, bom era um pessoal todo que tinha feito seu mestrado, doutorado no exterior, Estados Unidos e França, então isso fascinava o Isaac, porque do lado da estatística ele tinha pessoas que muitas vezes não tinham nem curso superior, tinham feito o Censo de 40, 50, 60 e estavam lá, por exemplo, o rapaz da área industrial, o Florentino, era uma pessoa excelente, ele sabia a estrutura de produção da Wolkswagem, da Carrocerias Marco Polo lá de Caxias do Sul, de cabeça, mas ele não tinha curso superior, bem ou mal ele tinha primeiro ou segundo grau. Havia muitos outros assim, e todos obtiveram diploma de estatístico por conta de uma lei que você levava lá um papel dizendo que você tinha participado do Censo como entregador de lanche e virava estatístico provisionado. Na área de demografia você tinha o Lira Madeira que já era um outro grupo diferenciado dentro da estatística que vinha de uma tradição do antigo demógrafo italiano Giorgio Mortara, que veio fugido do Mussolini e ficou aqui e dizem que o Censo de 40 que foi muito bom, foi ele que fez, e que criou a ENCE e que teve uma tradição grande de formar estatísticos principalmente da área de probabilidade e se esgotou ali nos anos 70 que depois por a ENCE é uma escola isolada, não podia ter mestrado, não sei o quê e aquilo ficou formando bacharéis o nível foi caindo... o IBGE não podia admitir... esses problemas da porcaria da gerência do pessoal do serviço público... então o Isaac começou a ficar entusiasmado com o pessoal da geografia, Faissol e Miguel Alves de Lima com certeza foram os que mais privaram da intimidade do Isaac, Geiger também, a Olga, Marília, também e muito do que se discutiu da reforma do IBGE, se deve a participação desse pessoal, e aí a idéia do Isaac de uma geografia, de uma ciência insepulta, ou morta mudou... e aí vai uma observação minha, minha Eurico eu via três grupos de geógrafos, talvez quatro, vamos assim descrever: l. o grupo liderado pelo Faissol que era a geografia quantitativa, mas na formação dos geógrafos, poucos eram geógrafos com idade de 50 anos de idade estavam dispostos a aprender matemática, estatística, o Faissol fez isso, outro era um grupo liderado por Miguel Alves de Lima que era um grupo ainda da geografia, eu vou usar essa expressão, porque não parece conveniente você corrige como achar conveniente também, geografia tradicional, descrições de territórios, descrições das cidades...”

Eurico se refere a Fany Davidovich

- O Miguel Alves de Lima ele é um geomorfólogo , quer dizer, é um profissional que trabalha com descrição da superfície, de todo o relevo e tal, e talvez isso tenha influenciado você... “ Quando eu fui para Brasília em 75, eu pedi um assessor de geografia e mandaram a Catarina Vergolino Dias, que hoje é uma grande amiga, uma irmã mais velha, mas Catarina era seduzida pela metodologia do mapa, ela ia para uma reunião comigo e queria levar mapas, para na frente do Ministro começar a desenhar, onde estava a indústria, onde é que estava a poluição, onde é que estava a corrente migratória, porque no mapa o pessoal vê, daqui pode codificar, eu digo, não Catarina, você tem que levar tabelas, você tem que levar pequenos relatórios, uma, duas páginas, tabelas, gráficos, aquilo não entrava na cabeça dela, gráfico, a tabela era o mapa desenhado...” - Não entrava mesmo, é tradição cartográfica mesmo, que é uma tradição do Miguel Alves de Lima... aprendida com Francis Ruellan “ Um terceiro grupo, era o grupo do meio ambiente que hoje são os precursores do meio ambiente do IBGE que era a geografia física, então tinha um chefe de gabinete do Miguel que era uma pessoa simpaticíssima, baixinho, o Lúcio de Castro Soares, então ele me mostrava com muito orgulho os artigos dele na Revista Brasileira de geografia de l940, 50, 60 os ventos de tal lugar, as marés, os mangues, a floresta, era uma camarada excelente, se a gente pegar um livro da época tem lá. IBG Superintendente - Miguel Alves de Lima, Chefe de Gabinete Lúcio de Castro. Então esse era o grupo, esse grupo me ajudou muito lá quando eu fiz a Reserva Ecológica do Roncador, e o quarto grupo, é um grupo que eu diria assim: dos magoados, que era um grupo de pessoas que foram maltratadas pela revolução, ou tiveram brigas metodológicas com os outros grupos internos e foram segregados, então para o exemplo eu estou falando do Valverde, que é uma pessoa que quando foi à Brasília me visitar lá por conta da Reserva Ecológica do IBGE me pareceu uma das pessoas de melhor qualidade, inteligência e tal, e tinha o Edgar o Kulhman por exemplo... então esse outro grupo de descontentes o Kulhman, o Orlando Valverde que estavam ressentidos. Catarina tentou recuperá-los, não foi possível porque, eu nunca fiz isso na minha vida acadêmica, mas vejo que até hoje se repete, você repele, o Faissol repelia esse pessoal, não aceitava, o Miguel Alves de Lima repelia esse pessoal, na área de geografia física eles também não entravam... e eles por sua vez estavam ressentidos com a situação nacional... - Existia um problema sério no IBGE é que nesse período a geografia física l970 quando eu entrei no IBGE a geografia física estava em baixa por alguma razão que até hoje nunca consegui decifrar bem, geografia humana e a geografia urbana fundamentalmente era a força e aí não sei se aí teve o dedo também de Lysia Bernardes, etc. e tal... “ Lysia Bernardes era outra que o Isaac tinha a maior admiração por ela...” - Exatamente, então o que você percebe é que quando eu entro no IBGE e aí eu entro pensando no contexto de geografia física, já que eu era escalador, eu era um cara de montanha... então eu entro na geografia imaginando trabalhar em geografia física e eu percebo que no DEGEO a geografia física está em baixa... quem está forte é geografia humana e quem está forte na geografia humana é geografia urbana e onde eu acabo trabalhando e onde eu acabo ficando... e começo a perceber que havia pessoas muito poderosas na geografia física como Alfredo Porto Domingues, como Miguel Alves Lima, como a própria Catarina que conhecia muito de geografia física... mas esse divórcio era forte, eu me lembro que grande parte de que se fazia de geografia no IBGE era geografia humana e na geografia humana no IBGE eram geografia urbana e agrária...além do grupo da geografia regional que solicitava apoio dessas duas.

“ Mas aí deixa eu contar o lado que eu sei de alguma coisa de bastidores, eu estava te comentando das patotas, os grupos, que até hoje você percebe na academia, eu não sei fazer isso, a gente sofre com essa história, mas acontece as pessoas ficam mais amigas, tem conversinhas especiais, segregam, nomeiam quem vai para Congresso, protege aquele grupo que vai fazer o mestrado, tudo por aí... o artigo na revista tem sempre prioridade, então esses grupos começaram a ficar muito claros delineados já em l970, mas o Isaac com aquela soberania dele, soberania não, aquele espírito sobranceiro dele pairando sobre esses problemas ele achava fantástico conversar com o Miguel, conversar com o Lúcio, com Faissol, com Geiger, e tem mais um grupo que não são especificamente de geógrafos, mas que conviviam com geógrafos por conta do antigo IBG e que é preciso ser considerado que é o pessoal de geodesia e cartografia, que no passado tinha uma força vamos dizer assim romântica Dalmi, que morreu em Brasília é um grande amigo que eu guardo assim na memória, Dalmi em l939 sai do marégrafo de Torres no Rio Grande do Sul e de cem em cem metros com aquela régua e tal, vai levando a linha de nivelamento que eu vi em l97l chegar no marégrafo de Torres e essa linha que saiu em 39 do marégrafo de Torres chega em l97l no marégrafo de Belém, Belém do Pará, com Clóvis lá do Ceará e o Daomi presente com uma diferença de apenas 42cm, a pé, esse pessoal de geodesia era então assim o carisma o Dalmi conta a história o Alírio Hugueney de Matos que nós homenageamos em l978 um velhinho fazendo noventa anos, nós fizemos uma base lá em Mato Grosso, numa cerimônia à noite, Base Alírio de Matos, o velho não podia falar, estava com falta de ar, oxigênio no velho para não morrer ali nos nossos braços, esse pessoal era o romântico, então, escutavam a BBC para calcular a hora oficial para ter observação das estrelas, latitude, longitude com rádio de galena, porque era período de guerra, as baterias se desgastavam rapidamente, então faziam rádio de galena para pegar a hora do meridiano de Grenwich para acertar os seus cronômetros e pegar os seus sextantes lá no interior do Mato Grosso e marcar as posições, era um pessoal fantástico, romântico, e tal, então foram heróicos na década dos 40, na década de 50, na década de 60... Che Guevara os abençoa, porque como surgiu a idéia de terrorismo na América Latina... os militares perceberam que era preciso mapear, e para mapear tem que ter o apoio geodésico e apoio geodésico toma dinheiro, eles nunca tiveram tanto dinheiro na vida como esse período, os primeiros rastreadores de satélites que foram funcionar no mundo foram nos Estados Unidos e depois no Brasil, porque tinham que pegar ali fronteira da Bolívia, Peru, aquele negócio todo porque os comunistas iam entram por ali, então o exército precisava para fazer mapas na escala de l:25.000, l:l0.000, mas aí o IBGE tinha que mapear a escala de l:50.000, então eles foram os primeiros rastreadores de satélites aquilo era um treinamento no Panamá, no Canal do Panamá, dinheiro a beça, então naquela época se compara ou caminhão, caminhonete, rádio, tudo, barraca, eu dormi no interior do Mato Grosso em barracas americana, se puxava o zíper por causa dos mosquitos era uma beleza...Era rede barraca, ficava balançando e deixava, era uma beleza, fiz tudo isso pela maior glória de Deus e grandeza do IBGE, então o pessoal de geodesia e cartografia na década de 70, tiveram um grande impulso por conta das guerrilhas... Por conta de um trabalho para o Ministério, tive que mapear as barragens no Brasil e Professor Isaac numa vez estava conversando comigo e eu disse: Professor Isaac, mas o esse dado aqui em escala de l:50.000 principalmente é um dado importante para barragens, para estradas também, ele disse: Eurico isso é importante, no dia seguinte teve uma palestra dele na Escola Superior de Guerra, o Isaac disse: Porque o dado geodésico para nós e essa carta l:50.000 vale tanto como uma informação demográfica e econômica porque pode mostrar aqui as curvas de nível para construir uma barragem, construir uma estrada e seus cursos alternativos...” - Eu imagino como os militares adoravam... “ Eu ficava passando, os militares adoravam, mas os Isaac numa dessas reuniões da Escola Superior de Guerra... um coronel lá levantou e disse assim: Se um dado econômico social for contra os objetivos permanentes da revolução o Senhor não acha que esse dado tem que ser escondido da população, não das outras autoridades e tal, que precisa saber, mas da população? O Isaac ficou branco e disse: Essa é a

diferença entre um estado democrático e um estado totalitário, ele pensou, vou sair daqui preso... Então voltando ao grupo quer não era geógrafo, mas de geodesia e cartografia teve muita força e era um grupo muito unido e disciplinado e com uma produção enorme...” - Até hoje a geodesia, a geodesia brasileira é uma das melhores, quer dizer é uma das melhores das Américas, ela só não é melhor do que os Estados Unidos pois o Estados Unidos tem um esquema geodésico muito grande, é muita gente, recursos, mas ela é extremamente, por exemplo, essa parte de GPS ela foi a primeira a implantar no Brasil, a implantar muito bem implantado no IBGE hoje é matéria comum... “ Então esse grupo de geodesia e cartografia nunca nos deu problema, na época do Censo, fazer mapas censitários eles respondiam com bastante eficiência, bastante rapidez, estavam preocupados na produção de mapas temáticos e aí tinham uma ligação com o pessoal da geografia muito grande... Mas na época começou uma brigalhada danada, Projeto Radam e o INPE sobre as primeiras fotografias de satélite e a imagem de Radar, então havia uma confusão Miguel Alves de Lima dizia que o Projeto Radam era uma porcaria, era um blefe, tinham um engenheiro agrônomo baiano, esqueço o nome dele agora...tinha esse engenheiro agrônomo que eu me esqueço o nome que dizia que o IBGE poderia acabar com o Censo Agrícola porque com imagem de Radam e imagem de satélite, fotografia com alta altitude, de alta altitude, faria previsão de safra...” - Naquela época se imaginava isso... - Mas aí imaginar que o Censo Agropecuário no Brasil... que é um negócio muito mais complexo, se limita a prever safra é outra história... O Isaac ficava uma fera com essa história, Miguel Alves de Lima alimentava dizendo que o Projeto Radam era uma porcaria, que o radar, nunca me esqueço dessa explicação, que o radar era na vertical, quando era inclinado as elevações...” - As elevações apareciam sombras, davam sombreamento... “ Então a parte de altimetria nunca era correta, que o dentro da mata Amazônia tinham verdadeiras montanhas, com mais de quatrocentos, quinhentos metros, aí vinha o Lúcio dizia que tinha andado lá por dentro que era verdade...” - Isso aí tem uma história muito interessante que em l974 eu fui num Congresso de geografia em Belém e o pessoal do Radam trouxe uma nova visão da geomorfologia da região Amazônica, a região Amazônica era conhecida como uma planície Amazônica, então era tudo plano, e ninguém se discutia, era plana, etc., e chega o Radam e mostra que não, é plana em termos, quer dizer: existem elevações, etc., e tal, então vamos ter que discutir a classificação de como nós vamos denominar essas elevações dentro de uma área que é em média planície, e aí isso causa um transtorno louco para todos os caras, geógrafos de geografia física que sempre falavam de planície Amazônica e planície é zero a dez metros, quer dizer, então a idéia é essa de zero do nível do mar a dez metros, e os caras não: tem planície, tem montanha de cento e tantos metros, cento e dez, duzentos metros, e isso foi um caos total em l974, porque a geografia clássica, geomorfologia clássica anterior definia a Amazônia como planície e ninguém queria largar disso e os caras diziam, não é assim e etc. e tal e aí tem toda uma discussão técnica sobre o radar do Radam era bom ou não era, se servia para mapeamento ou não... e o Miguel Alves de Lima possivelmente era um desses partidários que era contra ... Já Isaac descobrindo que os geógrafos tinham um nível acadêmico superior, eu estava falando com ele, na área da estatística tinha o Ovídio que era um advogado que virou estatístico, tinha aquele da Indústria que você trabalhou com ele, era um

velhinho fantástico, Florentino uma figura fantástica eu estava falando isso, ele sabia a estrutura da produção da Wolkswagem, da Marco Polo, tudo de cor...” - Ele se identificava com os questionários de tabulações especiais a mão, ele sabia exatamente o que podia e o que não podia fazer, marcava um “X” na tabulação... “ Mas não tinha nível superior, o Rudolph Wenshe sabia fazer as coisas e tal, mas era um quadradão ali da turma, formada no campo desde a década de 40, 50, 60... então o Isaac começou a conversar muito com Miguel Alves de Lima, com Faissol que tiveram uma influência muito grande nessa transformação do IBGE toda, nessa mesma época o Isaac começa a perceber, estamos já falando em 7l que tinha que trazer gente de fora e tinha que mandar gente para o exterior, para fazer mestrado e doutorado...” - Continuar o que a geografia sempre fez, aquela história de mandar pessoal para o exterior existe desde a década de 40... a geografia sempre teve essa política de, sistematicamente, mandar pessoas para o exterior para fazer especialização, pós graduação, etc., e tal... “ l97l, 72 começaram vocês chegar no IBGE...” - 73 foi o período de contratação em massa, 72, 73 foi o período forte em contratações... “ Nesse período foi Sônia, Madalena, Jane, Maristela, essa turma toda, Eurico Borba também fala da questão da urbanização no Brasil e no processo de estruturação das “áreas metropolitanas” , mas imaginando ser uma questão do início dos anos 70, quando, na verdade, o problema já estava na pauta dos geógrafos do IBGE desde meados da década de 60, inicialmente conduzido por Lysia Bernardes sob a orientação de Michel Rochefort e, posteriormente, por Faissol, Geiger, Marília Galvão, Fany e uma equipe denominada Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) no qual trabalharam, além de Faissol e Marília as geógrafas Olga Maria Buarque de Lima e Elisa Maria J. Mendes de Almeida. O grupo já havia publicado na RBG v.31n.4, p. 53-128, out./dez. 1969 um artigo que estabelecia os critérios para identificação e delimitação das futuras áreas metropolitanas, para que fosse preparado um levantamento estatístico especial a ser aplicado durante a campanha censitária de 1970. Mas como Isaac e Eurico, que chegaram em meados de 1970 no IBGE, provavelmente somente tiveram conhecimento desses estudos bem depois, quando o Ministério do Planejamento fez solicitações a respeito do problema. “ ...o governo começou a se preocupar com o problema da urbanização, aí também houve esses acasos felizes, l9..., eu já não sei a data correta, 7l, 72, começou a se discutir regiões metropolitanas e aí, eu estou falando discussão a nível de governo, executivo, quais os critérios para delimitar uma região metropolitana e aí...o Veloso tocou um telefone para Isaac... eu me lembro nós estávamos numa reunião, em que as primeiras PNAD estavam sendo discutidas... ele saiu, me chamou assim, chamou o Faissol e eu tenho absoluta certeza que o Faissol chutou... aquele negócio, ele percebeu a importância do negócio, o Isaac disse assim: O Veloso quer uma resposta para uma reunião com o Presidente Médici se nós temos critérios para fazer Região Metropolitana, o Faissol, quando? Nós podemos fazer... aí eles viraram acham que madrugada, no sábado, no domingo, e tal, eu me lembro que tinha negócio de número de ligações telefônicas, número de passagens de ônibus, foi para definir as áreas... e

logo depois, vocês colocaram na praça e até foi uma edição multiplicada por dois ou três da Revista Brasileira sobre Região Metropolitana, uma capa verde, e aquilo saiu, foi enviado uma mala direta e o Veloso começou a gostar da idéia...” - Já existia no DEGEO, por conta do Faissol, já existia um grupo chamado, quando eu entrei em l970, já existia um grupo chamado GAM que era Grupo de Áreas Metropolitanas, em que ele já estava preocupado com isso, porque que ele tinha conhecido nos Estados Unidos a história das Standard Metropolitan Statistical Area (SMSA) é um termo específico de definição de áreas metropolitanas e de definições estatísticas de áreas metropolitanas nos Estados Unidos. Ele tinha percebido esse processo no Bureau of Census dos Estados Unidos, tinha visto que isso era extremamente importante para o Governo Americano em termos de planejamento para transporte, integração, telecomunicações, etc. e tal... O DEGEO já estava trabalhando com isso em períodos anteriores, mas dentro de outros contextos... e aí você vê como o negócio tem ligação, Lysia Bernardes apresenta a idéia de que a rede urbana brasileira estava se modificando... a população urbana brasileira estava crescendo, estava começando a sobrepujar a população rural, coisa que na década, no Censo de 60 começa a mostrar isso, mais o Censo de 60 foi um Censo problemático... que não pode fornecer bons dados para esse tipo de pesquisa imediatamente... os geógrafos urbanos do IBGE já haviam percebido que estava acontecendo, mas sem certeza estatística... em 70 esse negócio ocorre e já é mais visível em outras áres do governo. Porém, as primeiras discussões aconteceram entre 60 e 70, a Lysia Bernardes começa a perceber isso através dos estudos do francês Michel Rochefort sobre rede urbana, estudos de redes urbanas, quando ela chefiava a Divisão de Geografia após 1964 e o Faissol pega essa idéia em 1868... quer dizer, a Lyzia vai para o IPEA, sai do IBGE vai para o IPEA e o Faissol pega esse mote... ele vai aos Estados Unidos, como ele tinha muito mais ligação com os Estados Unidos, ele tinha feito doutoramento nos Estados Unidos e começa a perceber que nos Estados Unidos essa questão é importante, etc. e tal, ele pega a tecnologia e todo o aparato estatístico, que isso era feito nos Estados Unidos e aí que de uma certa maneira começa a história, um pouco capenga, começa a história da Geografia Quantitativa que no fundo, no fundo, não é a geografia quantitativa é muito mais uma visão de um indivíduo que está numa área, numa agência de governo de planejamento, dele começara perceber o que é importante para municiar o planejamento de governo e aí, a história de geografia quantitativa acaba surgindo muito em função de uma questão de o Faissol perceber essa questão, isso aí que você está mostrando exatamente esse ponto... “ Mas tinha brigas internas grande, por exemplo eu me lembro o Miguel Alves de Lima, foi uma ou duas, várias vezes... ele dizia para o Isaac e para mim... o que esse grupo que estava fazendo... não era Geografia... eles não estão fazendo Geografia... e Catarina, que era muito mais livre no falar, amiga do Faissol, o pessoal gostava muito dela, eu me lembro lá, me lembro lá em casa em Brasília os dois praticamente se atracavam porque ela dizia assim ... você está traindo a Geografia, você está fazendo mal feito o trabalho que sociólogo, economista, demógrafo... você não tem formação específica para isso... nossa formação é para conhecer o território, a ocupação, escrever, descrição... então as brigas eram sérias e aí eu acho que nessa das áreas metropolitanas o Faissol forçou um pouco a barra, o Faissol percebeu que ele poderia ser para o Ministério do Planejamento, um instrumento de planejamento... o Veloso só aceitou porque achava que era um serviço que o IBGE estava prestando bom e que tinha o aval do Issac. O que o Isaac pedia para o Faissol, ele sempre dizia assim: você testou isso com o Lira Madeira? Testou isso com fulano e tal? Ele nunca deixava de falar isso, mas sempre falava isso e as vezes o Faissol ficava magoado e vinha se queixar para mim: o Isaac pensa que eu vou fazer uma coisa dessa? - Eu digo não, é uma coisa importante e tal. Eu falo lá e a o Lira Madeira, Valéria Mota Leite que trabalhava nesse histórico, na área de economia estavam chegando outros, a Maristela várias vezes checou coisas do Faissol... Um outro ponto da época foi a divisão em Meso Regiões... o Veloso sempre falava muito bem do trabalho de

Micro Regiões Homogêneas e logo depois dessa Lei o Faissol saiu correndo atrás e publicou Brasil em Meso Regiões ...” Este processo de regionalização em microrregiões homogêneas inicia-se em 1967/1968 e foi coordenado, primeiramente por Lysia Bernardes como chefe da Divisão de Geografia e de 1968 em diante por Marília Galvão que assume o Departamento de Geografia. O processo de regionalização em mesorregiões foi trabalhado por Faissol em 73/74 para ser adotado nos censos econômicos de 1975... “ Antes de você ir... deixa eu contar esse último fato... uma coisa importante para se estabelecer um contraste: Aí o IBGE teve uma função fundamental na definição das áreas metropolitanas e toda vez que esse problema de urbanização aparecia o IBGE era chamado, eu me lembro o Jorge Franciscone ficava uma fera... porque o Franciscone tinha sido nomeado para coordenar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, e aí era o Veloso... que dizia para o Roberto Cavalcante, que dizia para o Franciscone, Jorge Franciscone, já checou com o IBGE? Isto é, era o IBGE que batia o martelo nessa história..., porque aí a palavra final que tudo que se tratava de urbanização passou a ser do IBGE... Da questão das áreas metropolitanas, Eurico passou a relembrar o processo administrativo do IBGE na gestão de Isaac, com a restruturação administrativa da casa e a luta de Isaac com outras agências de planejamento econômico... “ Bom, mas então voltando ao Isaac sobre sua relação com o Departamento de Geografia e com os geógrafos do IBGE lá nos anos 70. Com a criação do IBGE a Lei 5878 em maio de 73 eu passei a Diretor Geral foram criados a Diretoria Técnica, a Diretoria de Informática, a Diretoria de Formação, a Diretoria de Geodesia e Cartografia, a Diretoria de Divulgação e a Diretoria de Administração, a Diretoria Técnica foi entregue ao Amaro Monteiro e tinha Superintendências Estatística Primárias, Estatísticas Derivadas, Estudos Geográficos e Sócio Econômicos e Recursos Naturais, aí já estava começando a surgir efeito a política voltada para o médio e longo prazo do velho Isaac...de contratar gente já com alguma formação, mestrado e doutorado e garantir aos funcionários do IBGE idas ao exterior para cursar aperfeiçoamento e fazer então mestrado e doutorado e aí nos anos de 74, 75. Foi um trabalho muito grande de estruturação do novo IBGE, o quadro de pessoal os critérios de promoção, verdade seja dita, o Ministro Veloso e o Mário Henrique Simonsen que estava no Ministério da Fazenda nas época nunca negaram nada ao Isaac... sempre foi possível nós garantirmos o nosso orçamento... em termos legislação se cita sempre a Lei 5878, mas se esquece de duas leis muito importantes, uma dela foi implementada com bastante vigor e a outra ficou no papel por dificuldades políticas que nós vamos mencionar aqui. Uma diz respeito ao plano de formação estatística e geográfica e cartográficas, estabelecendo periodicidade, abrangência e tal, isso foi implementado e tudo bem, e a outra é o problema da coordenação do sistema estatístico nacional que é confuso, porque na época como se falava muito já em geodesia e cartografia, geografia, estatísticas primárias, estatísticas derivadas como uma única unidade de estudos e reflexão sobre o Brasil, nós começamos a ter oposições muito sérias que pouca gente sabe..., que foi muito pouco explorando... Enquanto o IBGE, principalmente o lado da geografia por seus estudos de urbanização, metropolização, vários artigos sendo publicados na Revista Brasileira de Geografia era mais conhecido nas esferas de governo, e os primeiros resultados sobre Censo Demográficos de l970 também ajudaram... Por outro lado, no campo entre a Economia e a Estatística... depois as primeiras tentativas de construção da tabela de relações intersetoriais, as tabelas de insumo-produto e depois a idéia da construção do Índice Nacional de Preços do Consumidor, o restrito e o ampliado, até oito salários mínimos e até trinta salários mínimos, que partiu daquela grande pesquisa o ENDEF - Estudo Nacional de Despesa Familiar realizado em 74 e 75..., veja como isso tudo era encadeado... treinamento de pessoal, formação de pessoal, reestruturação da estrutura do IBGE, nova legislação, tudo isso sendo feito, visando a

analisar também. que se fala a cada momento de propósito. O Isaac disse assim: Veloso o IPEA está com seus dias contados. na Lei das Informações Geográficas e Cartográficas e Estatística e na Lei do Sistema Estatístico Nacional... você nunca disse isso para mim. que foram reclamar com o Ministro Veloso que o IBGE nos termos da legislação e é importante que vocês vejam isso na 5878. o término do Boletim Geográfico e o término do IBGE como área formadora do corpo docente de Geografia. 75 nós começamos a sofrer elegantemente um bloqueio. todo esse pessoal. 77 quando começamos apurar o ENDEF... Presidente do IPEA e que virtualmente deu um pulo da cadeira.. a Madalena Cronenberg. bem formada e de doutorados.. geografia física. 77. na escala de município e ele conseguiu isso realmente as duras penas ele conseguiu bancar esse projeto.... que infelizmente quase não foi utilizada e acabou saindo do censo de 91. ele deixou de ser Diretor Técnico. geomorfologia.. quem assumiu foi o Faissol a aceitação foi tranqüila e a liderança dele foi tranqüila. Quando essa idéia começa a transparecer e os nossos adversários só foram perceber isso lá pelos idos de 74. de IPCA até esse momento 76. grandes convênios com o Centros Internacionais para fazer análise de dados. a Jane Souto. quando começamos a colocar as primeiras tabelas na matriz de insumo-produto para fora e começaram os primeiros resultados do PNADs consistentes. de um lado por conta do IPEA e do BNDES. quando nós saímos em l979. e o IBGE nesse período terminou com essas . e aí começa uma interação muito interessante e muito fácil com o trabalho que os geógrafos vinham desenvolvendo. com sociólogos. começamos com os primeiros testes do INPC. já estávamos bem adiantados para os estudos para o Censo Demográfico de 80 e Faissol liderou aquilo dialogando tranqüilamente com economistas.. Quando em l978 se eu não me engano. Isaac isso é uma traição. o futuro do IBGE é fazer isso tudo e fazer grandes convênios com as Universidades... mas a partir de 76.. a Sônia Rocha. 77. a Teresa Cristina... A área que ministrava esses chamava-se de divisão cultural e vinha desde seus primeiros da década de 40. essa era a idéia do velho Isaac. começa a vir um outro grupo de pessoas inteiramente diferente... já estávamos extremamente bem programados. “ Eu acho que tem várias coisas que a gente podia chamar a atenção para um problema de publicaçõe. engenheiros agrônomos. anuais... como o IBGE divulgou na área de geografia.. o Isaac disse para o Veloso isso numa reunião estava presente o Élcio Costa Couto que era o Secretário Geral do Ministério.” Ao Faissol é creditado a famosa matriz de quatro mil municípios de migração.. os principais interlocutores do Professor Isaac continuavam a ser os geógrafos..criação daquele grande instituto que seria o instituto capaz de escrever e interpretar o país em todos seus aspectos relevantes ao planejamento.. você quer acabar com o meu instituto.. inúmeros só os trabalhos sobre cerrado que o IBGE fez naquele período. houve um problema interno com o Amaro da Costa Monteiro.. eu não sei se você lembra disso.. compete ao IBGE coletar. porque ele queria uma matriz de migração inter-municipal na medida do Censo de 80 que pudesse mensurar migração interna no Brasil no nível.Existe um ponto interessante que sempre é colocado contra Isaac e Eurico... sistematizar. para fazer estudos prospectivos para avançar teorias sociológicas.. o Ramonaval. quando eles perceberam que nós queríamos isso.. através dos cursos de professores de primeiro e segundo graus e de professores universitários. a hegemonia intelectual dos geógrafos se fazia sentir de uma forma muito marcante.. então elegantemente nós fomos sendo bloqueados nessa pretensão de expansão do IBGE.” . economistas. analisar e divulgar informações. a Maristela Santana por exemplo na área de economia. econômicas. etc... Eu e Professor Isaac redigimos isso com cuidado auxiliado pelo Clóvis Zobaran Monteiro. o Veloso deu uma risadinha e disse: Isaac você continua um professor e o Élcio Costa Couto deu um pulo da cadeira: Isaac você é um traidor.... Até l976. para trabalhar no segmento entre Estatística e Economia. o José Burle de Figueiredo. sociólogos começam a chegar ao IBGE.

No início dos anos 70 já estava presente a discussão do problema ecológico. eu acho que o único que se opôs a isso foi o Lúcio de Castro Soares. conversando com o Isaac resolvemos.Ou os trabalhos do Assis Ribeiro que foram publicados.. Catarina... reagiram mal à Superintendência de Recursos Naturais o Miguel Alves de Lima. que existiam problemas. Além isso..... essas coisas e nós conhecíamos bem porque Paulo de Assis Ribeiro foi professor da PUC e era muito amigo nosso. era um ótimo botânico... O Boletim Geográfico eu me lembro e posso estar errado.... econômicos. uma foi o Boletim Geográfico que era uma revista paralela a Revista Brasileira de Geografia e o outro era esses famosos cursos de formação de professores. que o Wanderbilt não conseguia mobilizar gente. como surgiu os Recursos Naturais dentro do IBGE. e aí foram todos.. quer dizer. mas o problema e que a visão setorializada versus a visão do Isaac que era uma visão integrada..” .. Ele ajudou muito na redação do texto da exposição de motivos da Superintendência e ficou conosco não mais que seis meses... Isaac e eu uma vez falando disso já estávamos tão preocupados com o andamento dos recursos naturais. 79 da área de recursos naturais eram uns livrinhos assim sobre orquídeas do Brasil.. isso novo nome para o que nós fazíamos na década de 40 em geografia física. que chegou a um determinado momento não sabia o que ia fazer com aquilo por falta de gente. e o Paulo Assis Ribeiro era um verdadeiro pioneiro nessa área dos problemas ambientais e já tinha criado cursos. porque logo depois surgiu um câncer no pulmão e ele faleceu logo depois. todos eram contra dizendo: isso é bobagem. publicações do ano de 78. não tinha gente com formação específica em recursos naturais. escrito coisas sobre os problemas ecológicos e então o Isaac convidou-o para ele ser o primeiro Superintendente.... os geógrafos reagiram muito mal. quer dizer.. o Isaac dizia: o Paulo de Assis Ribeiro poderia conversar com o Censo Industrial e verificar através de um cruzamento de dados que produtos que utiliza o seu processo produtivo que estão a poluir atmosfera e dali sair amostras e etc. Então. trabalhos dele. dá a impressão que o divórcio havia terminado. que gostavam e tal. achavam que aquela história deveria estar sendo colocada a nível de Departamento no máximo do Departamento de Geografia Física revitalizada etc. 75... depois foi ser superintendente do Jardim Botânico até recentemente quando faleceu. ele ficou no IBGE...duas atividades. de ele ter existido.. que se não me engano ele era o editor.. mas o outro aspecto eu não me lembro..” .” .. e tal. não me lembro nem do tema..Mas eles achavam como que essa área de geografia física seria revitalizada? Porque como você fala. árvores do Brasil... naquela época em l974.. e aí nós tivemos dificuldades até o final do mandato do Isaac de encontrar uma pessoa com liderança intelectual capaz de levar a frente o projeto de recursos naturais.. que não viam mais sentido na publicação e que era importante fortalecer a Revista Brasileira de Geografia. mas não tinham formação específica. e mas aí todos os geógrafos foram contra a idéia de recursos naturais. “ Foram publicados pós-mortem. me lembro não tenho a menor idéia. dentro da visão da grande instituição capaz de fazer a descrição do país e capaz de analisar todos os problemas sociais.mas isso o Wamderbilt não conseguia fazer.. quer . por ter uma visão muito setorizada da questão. “ Curso de formação de professores eu nem..Você não lembra como isso acabou? “ Não. Clube de Roma.. tinham curiosos.. tinham pessoas que acreditavam. quem sucedeu o Paulo de Assis Ribeiro foi o Wanderbilt Duarte de Barros que é excelente pessoa. entregar o problma para velha guarda e chamamos o Kuhlman entregamos os recursos naturais. Faissol. gostava muito do Isaac. você pega por exemplo. mas o primeiro repique que me dá na memória é que Miguel Alves de Lima e Faissol juntos é que sugeriram a Isaac o término... Eu queria fazer uma menção ainda a um outro problema.

mas não era a visão que se queria. não sei. e isso é um negócio que até hoje é muito mal digerido por alguns geógrafos humanos.. porque todos os geógrafos da velha guarda foram formados dentro da geografia física.. com a Lei..Mas não podia ser uma recriação de geografia física... da Climatologia.. esse é um ponto extremamente interessante para mim porque eu tento entender qual foi a razão do divórcio.... a corrente Miguel. ele teve uma grande contribuição... de população.. quando eu entrei em l970... que nós voltamos à idéia de entrega para o pessoal de geografia física.. foram formados dentro da Geomorfologia e dentro da Biogeografia. eu acho que não. de ocupação..E aí é que entrou um negócio interessante. ou uma recriação de uma área de geografia física que continuava sendo desconsiderada pelos geógrafos que estavam no poder. uma separação entre física e humana.. são os famosos diagnósticos integradores. e ele será o mecanismo moderno da geografia física. o Paulo Assis Ribeiro pegava..” . Geomorfologia.. não sei o quê e eu fui fazer outra coisa dentro da geografia. bem jovem no IBGE.... o élan da época. a coisa acontece... você tinha um divórcio entre geografia física e geografia humana e o Radam entra.Por exemplo. e aí não é uma crítica ao velho Wanderbilt.. 76. um divórcio que é estranho. acredito que seja uma relação de poder.dizer.. um rejuvenescimento. os grandes diagnósticos.. saiam naqueles carros de excursões pelo interior e ele me disse uma vez porque que mudou de área. e que o IBGE já vinha fazendo isso desde l940.. inclusive poluição. quer dizer. esse é o ponto onde entra o discurso do Edson Nunes.” . que nunca foi devidamente discutida.o divórcio se dá na década de 60. Amazônia . que estão fazendo a geografia andar. não por necessidade. com censos econômicos. climatologia.. talvez não tivesse a força. em que Eurico e Isaac imaginam em 76. onde. do contraste entre o pensamento de Paulo e de Wamderbilt. planta. havia uma questão de liderança. você não pode separar a física da humana... “Mas em 1973. onde ficava a história Radam e onde o Radam se enquadra direitinho dentro dessa estrutura do IBGE e onde ficou claro até hoje esse problema. e sim uma visão integrada de meio ambiente.... mas veja bem.. mas aí nós saímos em 79 o negócio degringolou e ... acho que a geografia só vai poder caminhar se integrar-se à geografia física e a outras ciências do meio ambiente. que até hoje não é muito explicado. alguns geógrafos humanos acham que estamos perdendo poder... por vontade.... a corrente Faissol. era aquele negócio de ver solo. se viu que não tinha mais graça. mas eu acho que havia uma questão de poder. primeiro os geógrafos todos.” O contexto em que o Paulo Assis Ribeiro pensava foi o que vingou... “ E esse pessoal não pegava.. “ E aí a área de ecologia que poderia ser o vetor recuperador de geografia física. ele disse que chegou o momento. 75. só para ficar claro. geologia. são três idéias que vamos discutir aqui. depois o Paulo de Assis Ribeiro tinha uma outra visão que era capaz de integração com demografia. gostem ou não.... “ O Faissol me conta que jovem...” . havia um divórcio bastante grande entre a geografia humana e física e a geografia física era alijada completamente e era considerada menor.isso deve ter batido de frente com esses geógrafos. eu acho que muito pelo contrário. biologia. dizendo que esse troço de ecologia era geografia física com outro nome. etc.. já estava lá a Superintendência de recursos naturais. e terceiro eu Isaac por conta. a idéia de. as coisas ficam interligadas. e acredito que esse ponto.. até porque todas as atividades humanas tem a ver dentro da física e algumas coisas físicas tem a ver dentro da humana. sei lá depois da quinta ou sexta excursão.

.” . a dar seu depoimento para esta pesquisa foi Edson Nunes. etc. por ordem cronológica.. “ Gestão Edson de Oliveira Nunes O próximo presidente. pois não. os rimas.. eu sou um homem do interior.. lá no IUPERJ eu tive uma experiência. que acabou por gerar uma crise.. Sua gestão foi fortemente conturbada por movimentos sindicais que instituíram um regime de greves tão sistemático. nós imaginávamos que a situação da geografia estava bem equacionada e aí. e era o governo militar . em l992 ficava berrando nos corredores. cansou-se da medicina. pois é em Berkeley que se estruturam os laços de companheirismo com uma elite de profissionais que viriam a representar papéis importantes no governo brasileiro da Nova República e após. que talvez seja parecida no futuro com outras coisas. fiz mestrado em ciências políticas e aí me alojei definitivamente na profissão. vocês pensaram grande para 1975.. cansou-se do direito e resolveu simultaneamente fazer ciências sociais. Minha carreira é o seguinte: eu me matriculei.Esse mestrado de ciências políticas foi feito onde? “ Foi no IUPERJ. A importância do papel de Nunes no IBGE inicia-se muito antes de sua posse em janeiro de 1987. e foi o que eu não encontrei em l992. acompanhando as discussões entre Ministérios e influenciando nas decisões. quando o IBGE tinha determinados líderes bons. “ Mas aí quando eu sai com o Isaac em setembro de 79.. veio estudar em Niterói. Mas eu acho melhor falar 92 num outro dia. gerenciamento costeiro. tipo CEBRAP que era a institucionalização dos institutos de pesquisa fora da estrutura estatal. Carajás.. que ficou 16 meses no cargo. foi fazer direito. achou muito fácil. culminando com saída de Nunes e estabelecendo uma intervenção do Ministério do Planejamento através de Celsius Lodder que fica até a posse de Charles Curt Muller. daí para a frente oscilou entre as duas. Cadê a velha guarda? E não encontrava ninguém. você tinha o CEBRAP também no mesmo processo. em determinadas áreas aquela área ia para frente.. em substituição aos 18 meses de Edmar Bacha. que acabou sendo parcialmente implementada em sua gestão...... Edson Nunes foi um dos principais articuladores do programa de governo de Tancredo Neves. Nunes também foi um espectador privilegiado do processo de absorção do Projeto RADAMBRASIL pelo IBGE em 1985. então esse é o caminho.. se formou nas duas. a liderança de pessoas no IBGE não só o Faissol na geografia. Iniciaremos com sua vida acadêmica no IUPERJ e sua ida para o doutoramento de Ciência Política na Universidade da Califórnia em Berkeley. principalmente no que concerniu às articulações da montagem da Comissão de Reforma Administrativa (CRA).. para a fazer vestibular de medicina.legal.. convertido tragicamente em governo de José Sarney e acompanhou de perto a gestão de Edmar Bacha no IBGE. mas que o IUPERJ estava passando por uma fase muito interessante nos institutos semelhantes do Brasil.que eu comecei em l972. “ Carreira é uma coisa rápida e biográfica é isso. mas pensaram certo.

havia uma pletora de recursos, o FNDCT, o FNDCT com bastante recursos e IUPERJ começou a se institucionalizar e fizemos um braço de pesquisa no IUPERJ e eu era o coordenador desse braço de pesquisa eu fui o coordenador, o diretor, o nome que tenha de pesquisa do IUPERJ de 72 até 78... O meu preceptor, ou orientador, ou mentor, era orientador de teses o professor Vanderlei Guilherme dos Santos, me ajudou fazer essa área e montamos então o braço não acadêmico do IUPERJ... Fiz uma tese de mestrado preocupado com isso, como é que é essa coisa de ter um instituto que é acadêmico que faz mestrado e doutorado, e faz pesquisa aplicada... a tese de mestrado. Divisão Social do Trabalho Intelectual... pensando nisso...na instituição, são carreiras acadêmicas e são essas pesquisas aplicadas, a banca era formada pelo Professor Vanderlei Guilherme dos Santos, pelo professor Edmundo Campos e pelo Professor Simon Scchwartzman, cujo me mandou refazer a tese toda, leu disse: não tá bom, você escreve bem, escreve rápido, faça outra...assim fiz... Depois disso eu fui para os Estados Unidos fazer doutorado de ciência política, passei um ano em Chicago, e o resto do tempo em Berkeley, fazendo doutorado em Berkeley, acabei o processo, em quatro anos e meio eu consegui matar a charada do doutorado com tese e tudo... A estadia em Berkeley durou até 84, 85 por aí... muito agradável porque Berkeley e Stanford se mostraram duas Universidades fantásticas, Universidades irmãs, com um programa conjunto de estudos latinos americanos e junto com alguns professores de Berkeley chamado Albert Fishllow, outro chamado John Worth que é um historiador especialista, um brasilianista, outro chamado David Collier, outro chamado Hilgard Stemberg que era um geógrafo brasileiro... que era professor em Berkeley, nós montamos um programa de estudos brasileiros que conseguiu um apoio financeiro substantivo de uma organização - possivelmente eu vou lembrar do nome durante mas cujo o executivo era o Keneth Maxwell que é um historiador, também brasilianista... que saiu de Portugal, etc., gostou do projeto, a organização era a Mellon Fundation... e tivemos três anos de um programa de economia política do Brasil... esse programa foi muito interessante e eu fiquei acabando o doutorado e trabalhando como coordenador do programa que deu uma experiência muito boa nos Estados Unidos, que de novo eu trabalhava numa área para-acadêmica, tinha meu escritório, no centro de estudos latino- americanos e trabalhava com essas pessoas, trouxemos vários professores brasileiros no período que conheci na academia brasileira, e latino americana, trouxemos o Didier O´Donnel que estava na Argentina e depois veio para o Brasil, trouxemos o Roberto da Mata para a lecionar, trouxemos Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso foi um programa muito ativo e recebemos vários visitantes e firmamos um convênio com o IUPERJ que deu início a coisa que hoje é comum no Brasil, que eram os estudos sanduíche, os estudos sendo as bolsas sanduíches ou bolsas de aperfeiçoamento... e recebemos vários para profissionais interessantes, Maria Hermínia Tavares de Almeida, teve um tempo conosco, Andréa Calabi teve associado ao Centro, quando acabava sua tese de doutorado, José Antônio Lavareda que estava acabando... sanduíche foi com o IUPERJ no grosso, Lavareda que hoje é um analista do Fernando Henrique Cardoso esteve conosco, ou seja, foi um programa muito de sucesso e aí formou-se nesse programa uma ligação entre vários amigos, Andréa Calabi estava lá, Paulo Zagen que hoje é Diretor do Banco Central... também dividia a sala conosco, Gerald Hayes que fez o doutorado em Busines Administration e hoje é membro do Conselho de Reforma do Estado, sócio da CONCENP junto com Calabi, também esteve lá fazendo o doutorado, Vanilda Paiva esteve por lá, o René Dreifus*** andou por lá, ou seja, foi uma época, muito rica e com esses recursos, nós fizemos, publicamos um livro nós estados Unidos John Worth e eu Tom Bogadshulth publicamos no Brasil, fizemos conferências isso estreitou muito os laços numa comunidade de cientistas sociais, o Fishllow é muito amigo de Edmar Bacha, e daí deu-se por conseqüência que fizemos um livro que está publicado nos Estados Unidos onde existe, no qual existem artigos de Pedro Malan e Régis Bonelli, Pércio Arida, André Lara Resende, Andréa Calabi, eu próprio, com Bárbara Guedes que é uma moça que hoje é uma professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Roberto da Mata, certamente... um grupo de professores brasileiros, etc., etc.

E essa estadia nos Estados Unidos, principalmente a fase que eu era coordenador do programa de estudos brasileiros com recursos e atividades, me permitiu fazer uma séria de atividades em San Francisco eu fazia programa de rádio, fazia atividades e ao mesmo tempo montamos essa rede de relações, porque Pércio Arida estava no MIT fazendo alguma coisa, o André estava não sei onde, ou seja, estabeleceu-se uma rede de conexões que acabou-se mostrando uma máfia, no bom sentido... meio de Berkelry, meio de doutorando no exterior cuja... no grosso entrou no poder em l5 de março de l985... portanto eu voltava dos Estados Unidos em dezembro de 84 numa situação muito esdrúxula, o IUPERJ já não me reconhecia mais, eu já tinha passado, não conhecia o pesquisador, não existia essa figura que era eu... então eu vim para a ser um pária, eu não era... nem professor, nem pesquisador e era PHD em hora imprópria... o grosso das pessoas do IUPERJ não tinham acabado o doutorado e também não me queriam porque eles não tendo acabado... como é que eu ia entrar no lugar deles, quer dizer, ficou uma situação esdrúxula, que foi resolvida, quando a partir de dezembro, novembro, dezembro de 84, ficou claro a montagem do governo, João Sayad seria o Ministro (Planejamento) e esses mesmos amigos que acabei de falar eles estavam todos envolvidos na mesma coisa, então começamos a fazer reuniões informais sem a menor noção, nenhum de nós entendia onde é que era o governo, o quê que era Brasília...” - Como era Brasília... “ Onde era Brasília, nós sabíamos, governo é uma coisa de militar corrupto que tem umas mansões muito grandes e que nós vamos lá e não sabemos o que fazer, eu me lembro de várias e várias reuniões na casa de Calabi em São Paulo, montando para a cá e para a lá, dá-se o homem, o Tancredo se elege, vamos nós para a Brasília, em março, em começo de março... não tínhamos dinheiro para a ir, a FIPE pagava hotel de todo mundo... bancava todo mundo, estamos lá e todos sentados no meio fio no dia quatorze vendo, o Tancredo ser enterrado, começou um governo no qual o João Sayad na área de planejamento era o Ministro, Andréa Calabi era o Secretário Geral e eu era o secretário Geral Adjunto, e nosso pânico com o setor público era absoluto, nenhum de nós tinha vivido com o governo exceto Andréa que tinha trabalhado com Serra e Sayad no governo de Montoro em São Paulo, eles tinham um pouco de noção lá...” - Mas aí é uma noção de São Paulo, não uma noção de Brasília... “ E a gente chegava lá com medo, tinha medo das Secretárias, medo dos Assessores e ao mesmo tempo tinha recomendações de Delfim deixou recomendação de dois ou três, o outro falava de dois ou três, ou seja, tivemos que entender uma Brasília que para a nós era incompreensível, estávamos muito medrosos, mas ao mesmo tempo tínhamos que tocar o barco, e chegamos ainda a um governo que não imaginávamos... tínhamos imaginado o governo Tancredo e tínhamos o governo Sarney, complicado, conflitivo com a Fazenda... E a minha carreira então que tinha sido voltada para uma atividade para- acadêmica, ficou claramente para-acadêmica... eu me sentei na cadeira de Secretário Geral Adjunto... que tinha, por um lado, obrigação de supervisionar o IPEA, órgão do qual eu morria de medo, porque o IPEA para a mim era um mito, como é que eu podia falar alguma coisa para o Régis Bonelli, para o Eustáquio Reis, para a aquela gente que para a mim eram amigos de praia... mas ao mesmo tempo tinha por eles um respeito... tinha que supervisionar o IPEA, tinha alguma supervisão com relação ao IBGE, mas que ficou com Edmar Bacha, portanto estava distante e fizemos uma divisão de trabalho na Secretaria Geral, Andréa Calábi gostava daquilo que seria as áreas duras de governo (hard) indústria, finanças e etc., e ele não gostava das coisas que chamava de soft que era Ministério da Cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, todas essas coisas ficavam por minha conta, então eu cuidava do orçamento de quatro ou cinco Ministérios, Andréa cuidava das coisas importantes na cabeça dele, isso me deu uma convivência permanente com um grupo de cientistas que já eram meus amigos por causa de Ciência e Tecnologia... tudo uma convivência com o pessoal de Ciência e Tecnologia, por causa de Cultura, Educação

e fui aprendendo nesse processo, perdendo medo, ganhando medo, etc., entrando nessa carreira par-acadêmica, dá-se aí uma primeira aproximação com o IBGE... quando começam as discussões sobre o Projeto Radam...” - A vinda do Projeto Radam para o IBGE ?... “ Não, não, isso foi posterior... na época o que corria, era a extinção do Radam, mesmo... havia e não lembro... para a te falar a verdade, não lembro de onde surgiu isso... mas me lembro que havia a idéia de extinguir o Projeto Radam...” - Ele era do Ministério de Minas e Energia... “ Minas e Energia, eu não sei porque cargas ... ele estava na Bahia, ele estava sediado na Bahia... eu não sei porque cargas d’água alguém encasquetou que tinha que fechar o Radam... outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao IBGE. Meu contato, porque o meu contato acontece: é o seguinte eu tinha relação com o pessoal do IBGE que era o Bacha, Edmar Bacha e meu querido amigo, meu fraterno amigo, meu irmão Régis Bonelli que era o Diretor Geral de Edmar Bacha, então eu tinha com isso a melhor relação possível, e... mas como Secretário Geral Adjunto, encarregado das áreas soft, portanto, Ciências e Tecnologia, portanto, Radam o que quer que seja, o Andréa Calábi ou o João Saiad, olha Edson isso é um problema, você cuida aí desse Radam, com a seguinte coisa não me arranje problema com Renato Archer, faça o que quiser, mas não me arranje problema com Renato Archer, tá ali um menino, eu já não era um menino, eu tinha 36 anos por aí eu estou fazendo cinqüenta anos esse ano, eu tinha por aí, tá ali um menino ainda apavorado pelo governo e tem esse negócio de Projeto Radam, e não criar confusão com Renato Archer que é um mito e com o secretário geral dele Luciano Coutinho que era um homem muito doce, mas um homem muito competente. Bom eu não sabia o que era o Radam e aí comecei a perguntar as pessoas o quê era Radam e a cada vez que eu me informava eu ficava mais assustado, porque primeiro eu comecei a ser procurado por coronéis, capitães, generais, cartógrafos de toda natureza, foi pedindo audiência, audiência para a falar comigo e os generais, os coronéis e tudo mais e ainda me mandavam falar ainda com gente da Aeronáutica porque tinha aerofotogrametria, tinha interpretação de imagem de satélite, etc., e me diziam eles são bons, são competentes, mas são muito indisciplinados, são desordeiros e indisciplinados, você tem, nós temos que botar no IBGE, mas tem que discipliná-los e eu ficava com medo, eu já estava com medo de estar em Brasília, já estava com medo da burocracia, com mais medo eu estava dos militares, eu tinha sido devidamente preso em 68... aquelas coisas todas, ficava assustado com isso, por outro lado tinha o pessoal do Luciano Coutinho, que também não entendiam bem que porcaria de Radam era essa, mas me procurava e dizia: o Edson pelo amor de Deus, para com esse negócio de Radam, o Renato quer isso, o Renato Archer, quer...” - Qual era a idéia do Renato Archer sobre o Radam, o quê ele imaginava? “ Botar no CNPq, eu acho que era isso, botar como um dos Institutos do CNPq...” - É como seria uma espécie de INPE, um desses Institutos... “ INPE, um desses Institutos, e tinha o grupo da CPRM que não queria lá o Radam, mas achava que não podia acabar com o Radam, não pode acabar com o Radam. Bom, primeira convicção que eu tive não pode acabar com o Radam, essa eu firmei fácil, segunda convicção que eu firmei, é de que não podia entregar para o Renato Archer, engraçado, eu gosto do Renato Archer, sempre gostei, gostava, sempre gostei dele ...” - Mas você achava que seria a criação de mais um outro órgão...

“ Primeiro criar um órgão onde eu acho que não devia criar, segundo que não era um órgão acadêmico como os outros de Institutos do CNPq, tá certo, não tinha a ver com os outros de pesquisa de ponta do CNPq, terceiro porque eu me identifiquei com alguns militares, eu acho que era atração desenvolvimentista dos militares... nessa época eu me dava com dois grupos de militares, lidava com o SNI e com a Divisão de Segurança e Informação... que tinha um coronel lá que andava conversando conosco e era direita clara...visitava, falava sobre as greves e tinha que me prestar contas, e me prestava contas porque... o Ministro não queria falar com ele, o Secretário não falava com ele, lá eu falava com o coronel... e adorava a informação dele, ele me dava mapas de greves... que me dava para a fazer análise política... onde é que estava as tensões no Brasil e eu incentivei o homem adoidado que ele tinha uma máquina enorme, eu disse: coleta isso aí para a saber onde está o conflito, como é que é, era uma bela sociologia, pena que acabou... Mas ele não sabia fazer uso disso, ele me dava isso e ao mesmo tempo queria botar umas escutas em fulano e beltrano, mas um outro lado do Exército me encantou, os cartógrafos me encantaram num certo sentido, primeiro que achei gente, um povo que eu não conhecia, era um povo muito suave, muito suave, e parecia profissional, parecia um povo muito correto e ao mesmo tempo eles me diziam uma coisa que eu não imaginava ouvir da boca de militares, eles diziam... Edson não entregue para a Renato Archer que ele é sócio de uma firma de aerofotogrametria eles tem um avião, eles não sei das contas... o governo brasileiro vai perder o controle sobre as coisas fundamentais, esse Radam indisciplinado como é... tem um equipamento... um hardware que tem que estar na mão da Secretaria de Planejamento... Nós militares fizemos reuniões - me convidaram para a algumas, eu fui... reuniões estratégicas do alto coturno militar... eles concordaram, eles achavam que o Radam era um instrumento de planejamento, como instrumento de planejamento não podia ficar no Exército, não podia ficar em ligar nenhum, tinha que ficar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República... - E os militares sabem dessas coisas... “ E é o seguinte, e os militares falando claro, falando claro contra de um Ministro de Estado, e eu... mas que diabo de briga, mas o que é pior é o seguinte... eu tentava falar com o Calabi sobre isso e ele dizia: Edson, não me enche a paciência, isso é um problema é seu. Eu pedi audiência ao Ministro João Sayad, João eu vou te explicar, não, não me venha com esse Radam, eu tenho inflação, não me venha com isso Edson Nunes. E de vez em quando ele me chamava: Edson... o Renato está uma arara com você, aí eu falei: você não quer me ouvir... seja o que for... consegui navegar no meio desse conflito e, de fato, consegui fazer... o que eu acho que os cartógrafos do Exército queriam... fui visitar o Radam e ali fiquei encantado com aquele negócio, eles armaram um show, obviamente eles armaram um show, eu fiquei encantado...” - Não, eles são muito bons, eu os conheci em 74 em Belém e, o que eles apresentaram sobre a Amazônia era realmente muito bem fundamentado... eram técnicos muito bons... “ Fiquei encantado com o show, fiquei encantado com eles, encontrei lá morando em Salvador, meu velho amigo Juca Edson Farias no Projeto Radam, que eu conversei, conversei, conversei e tomei a decisão, convenci a SEPLAN tomar a decisão e os coronéis, generais, ajudaram... que o Radam ia para o IBGE... Aí fomos a reuniões de comando, eles ficaram agradecidos, etc., e aí comecei a fazer a interação com o IBGE, Edmar Bacha... assim como o João Saiad estavam se lixando para o Radam... claro, estávamos ás vésperas de fazer o plano cruzado, e parte do plano cruzado era organizado na cozinha da minha casa lá em Brasília, nós morávamos juntos, tinha de um lado o plano cruzado, do outro o orçamento, etc. Comecei a tratar com o Régis... e o Régis Bonelli foi elegantíssimo, preciosíssimo... entendido que era uma decisão da SEPLAN fazer isto... Régis começou a me trazer ao Rio para as reuniões de Conselho Diretor do IBGE, para as primeiras conversas sobre a preparação da entrada do Radam...e ao chegar aqui percebi que já havia um

complô de Radam com a área de Geociências, já estava armado... e Dr. Mauro Mello, que era Diretor de Geociências na época... ele tinha a confiança de Edmar, tinha confiança de Régis... e conversando com eles eu entendi que Mauro queria o Radam, ou seja... que IBGE achava bom o Radam. Bom... aí foi só resolver problemas menores, menores para o IBGE, grande para as pessoas, plano de carreira, salários, mudança, bom de fato acho que operamos bastante bem a transferência, não achei que tinha tido grandes conflitos... e nós estávamos particularmente interessados na época em manter o rádio funcionando e manter o software equipado e a equipe organizada... não sei o quanto tivemos sucesso nisso... não é da minha época no IBGE, mas esse foi o meu primeiro contato mais freqüente no IBGE e com essa área de Geociências e meio ambiente, no qual eu vou voltar mais tarde quando eu for Presidente... - Aí ainda era Edmar Bacha... “ Era Edmar Bacha, Edmar Bacha...” - Ele ficou quanto tempo? “ É, 85-86, um pedaço de 86... Aí começa o plano cruzado, eu me ocupo muito do plano cruzado, me ocupo, eu tinha de fato a área de Ciência e Tecnologia e cultura e Educação e o plano cruzado me botou de novo na área soft, enquanto os outros cuidavam das indústrias caiu para a mim, caiu para a mim o monitoramento de preços, de planos de saúde, mensalidades escolares, essas coisas que tem a ver com a população... Edson Nunes também explica um outro tipo de relação que também teve de articular com a área de Geociências na questão da distribuição dos royalties do petróleo da bacia de Campos explorado pela Petrobrás, cabendo à áreas de Geografia e Geodésia do IBGE, a definição dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, que se enquadrariam nas projeções geodésicas das áreas de produção em alto mar, e teriam direito a participar da divisão dos royalties. A partir de informações geradas pela Geodésia o DEGEO listou os municípios que receberiam essa dotação... “com o Edmar a situação começou a ficar muito difícil, já tinha havido algumas situações esdrúxulas antes... e uma delas foi a discussão da distribuição do royalties do petróleo... e aí eu tive de novo um longo contato com o Mauro para a gente inventar uma forma de se atender ao Senador Nelson Carneiro e ao Presidente da República... que é o seguinte: nós queremos dar royalties para a todo mundo no Estado do Rio, vocês inventem um negócio que dê royalties para a todo mundo... bom... conseguimos... só que Niterói ficou fora, nós fizemos o diabo, a coisa ficou pior do que se imagina, senti o Presidente e o Senador... Niterói ficou fora... era uma confusão, aí tinha uns algoritmos... Everardo Maciel era o Subchefe da Casa Civil que discutia conosco... e Niterói não entrava, e Niterói não entrava de jeito nenhum... porque tinha as mesoregiões, inventamos regiões de fronteiras das mesosregiões, regiões onde passam os dutos, regiões afetadas, regiões produtoras, só que Niterói não é nenhuma dessas, só que Niterói é a capital, mas não tinha critérios... a graça da piada disso foi Valdenir Bragança, Prefeito de Niterói... descobriu que eu era de Niterói... talvez por conta de inimigos ou amigos meus disseram que Edson é de Niterói... Valdenir não fez só isso, ele descobriu o endereço de minha mãe... e levou minha mãe para uma passeata em Niterói pelos royalties e mamãe foi... e ele dizia: ele pegou pior do que isso... ele foi para a televisão de braços dados com ela e disse: e aqui estou de braços dados com a mãe de um dos responsáveis pelo não enquadramento de Niterói na lista do IBGE, ou seja, é uma piada, bom, seja o que for...

No caso da saída do Bacha...eu acompanhei esse desenlace mais ou menos de perto...esse papel triplo de secretário, diplomata do João Sayad junto com Chico Lopes, etc., o cruzado já tinha deslanchado, eu já tinha cumprido a tarefa de montar a base de informações e estava lá no IPEA... que isso é outra história... e nessa confusão o Edmar sai do IBGE...e é engraçado que ele sai... e aí é engraçado ele não foi demitido de fato...” - Ele pede para a sair... “ Eu não entendi direito isso, se eu tiver que recuperar de fato, se eu tiver que recuperar não me parece que eu consiga entender porque ele precisava sair... a única coisa que eu imagino é que o IBGE ia ficar ingovernável para a ele, eu acho que o desserviço do IBGE pode ter sido talvez este...” - Essa informação é importante... com todas as pessoas que eu falo, as pessoas tem uma mágoa absurda de Edmar Bacha no IBGE e eu sou o único cara que... entrei em 70 e que digo: gente porque vocês tem tanta raiva do Bacha, se ele ficou tão pouco tempo? Se o tempo dele, ele não gastou quase tempo nenhum no IBGE, ele ficou o tempo quase todo lá cuidando da história do plano cruzado, e aí é a história da CRA as pessoas sempre lembram da história da Comissão de Reforma Administrativa que acabou você tendo que tendo que gerenciar o negócio, complementar o processo, etc., e tal e aí sabe? Até hoje... “ Você quer que eu fale disso? ...” - Sim, é importante.. porque você vai contar a sua entrada no IBGE... “ Não eu acompanhei antes, eu acompanhei antes...” - E aí as pessoas falam mal do Bacha, e eu acho que o Bacha andou muito pouco e muito pelo contrário, é aquela história... ele até tentou tecnicamente defender o IBGE dessas questões todas, se foi bom ou se foi mal, fica muito estranho... “ Aí você vai mexer numa série de conversas eu não sei se a gente consegue no seu tempo... primeiro: na saída do Bacha a sensação que eu tenho que ele saiu por ser leal a tecnocracia do IBGE, caso contrário não conseguiria administrar, cujo o cálculo eu acho que está errado, mas ele já tinha perdido a capacidade de administrar... por conta da reforma administrativa, por conta de outras coisas e ele, talvez esse negócio aí foi a gota... ele já não estava mais para mandar... pelo seguinte: é que esta fase do IBGE... é vital para a você entender a história do IBGE no período pelo seguinte: nessa fase houve uma alta exposição do IBGE porque o Bacha era Presidente, e porque o Bacha é o pai do cruzado, houve uma coisa que é o seguinte... houve uma promoção do IBGE e o IBGE foi promovido ao status que ele nunca teve no aparato político, tecnocrático brasileiro, após Vargas...promovido a quê? A consorte do plano cruzado...” - E que acompanhava tecnicamente essa questão de índice de preços... “ Consorte do plano cruzado e responsável pelo sucesso e insucesso do plano cruzado, então o IBGE ganha a dupla tragédia ou responsabilidade que ao mesmo tempo tem Presidente como artífice do plano e de ter o seu índice como referência, ora o IBGE lhe faltou nisto, ele talvez tenha faltado ao IBGE nisto... Eu me lembro, por exemplo, na noite que teve um programa de televisão do Brizola metendo o cacete no cruzado, eu me lembro que nós estávamos juntos na sala do Saiad, Saiad ligou para o Doutor Roberto Marinho, Doutor Roberto precisamos responder, assim. E Doutor Roberto disse: hoje à noite etc., trouxemos Maria da Conceição Tavares, Conceição chora na televisão, armamos aquele circo e ela... Edmar mostra os números... Edmar mostra o gráfico... aquelas coisas... ou seja, Edmar Bacha ficou no coração do governo.

Bom, um governo associado à vários problemas de salário, controle estatais de salário de pessoal, greves, ou seja, a coisa natural de uma nova República... então acho que aí o IBGE ficou promovido a esta posição infortunadamente... eu chamo isso de uma politização indesejada, uma politização indesejada... se prematura ou não... uma politização do IBGE que foi promovida pelo Executivo, pelo Governo Federal, promovida por azar... Como o Edmar não queria ficar em Brasília, só queria ficar no Rio de Janeiro, só lhe sobrava o IBGE, que demoramos a conseguir, demoramos a conseguir, fazer a nomeação, demoramos, demoramos, demoramos, e Edmar no IBGE cujo o Presidente de fato... era Régis Bonelli, e Edmar fazendo plano cruzado, etc., e ao mesmo tempo estamos começando no Brasil as discussões sobre Reforma Administrativa, o novo Estado, a nova coisa, o IBGE entra na Comissão de Reforma Administrativa... ao mesmo tempo que nós estamos tomando dinheiro do Banco Mundial... chamava-se Empréstimo para a Modernização do Estado Brasileiro...” - Já se pensava a questão... “ Reforma administrativa era um grande tema, e aí entra, conforme eu disse o IBGE entra torto na reforma administrativa... a reforma do IBGE que era uma coisa consentânea com a idéia de um grande processo de reforma, ou seja, nós tínhamos feito uma intervenção na moeda, tá certo? Íamos fazer intervenção nas estruturas estatais, por isso tomamos empréstimo do banco, vamos fazer um negócio bonito, o detalhe... eu tinha ido a Washington... falado com as pessoas, já tínhamos armado um belo circo... e o IBGE se apresenta muito mal, o IBGE apresenta porcamente o projeto, o IBGE propõe no projeto de reforma administrativa a compra de aparelhos de ar refrigerado, fazer um prédio para a Delegacia de Goiânia... Na época ser gestor público era cuidar de inflação, isto era o fundamental, inflação e conjuntura, inflação e conjuntura, o Brasil o Brasil era refém da conjuntura, o IBGE refém da conjuntura... a comissão de reforma administrativa do IBGE, do ponto de vista da sua ligação com o setor público como um todo, foi muito fraca e o processo de reforma administrativa do IBGE, foi uma pirotecnia pensada internamente, para a te falar a verdade eu acho, para a te falar a verdade não, eu tenho a mais absoluta certeza, nem o Edmar prestou atenção a isso, eu também não entendia o assunto...eu era muito novo e pouco conhecido no IBGE” - Sim... mas você também tinha um livro importante, quando você entrou no IBGE as pessoas lembraram daquele livro - que você foi editor... “ Aventura sociológica, você acha? Pessoas no IBGE?” - Eu me lembro que eu falava no livro.. e as pessoas também falavam, quer dizer, eu estou falando na área da geografia, na geografia humana... “ É interessante você falar isso porque esse livro é produto da reflexão do paraacadêmico, Aventura Sociológica a rigor, publicada lá em 73-74, e depois Ruth Cardoso fez a Aventura Antropológica, a Aventura Sociológica era uma tentativa de achar um papel significativo para o pesquisador que não fosse professor, tá certo? Tinha lá Cláudio Moura Castro, tinha Simon Schwartzman...” - Aliás o artigo do Simon Schwartzman sobre evasão de talentos é incrível nesse livro, ele... as pessoas podem ter restrições... uma boa parte do IBGE tem, não gosta dele, tem medo dele, mas tem que se reconhecer que ele efetivamente é uma capacidade... talvez tenha sido o único Presidente do IBGE que tenha um conhecimento da casa no nível técnico e que tenha um feeling da história muito bom... “Bom, a minha premonição é que depois do Isaac, Simon vai ser o próximo mito ibgeano...”

- Possivelmente, embora as pessoas não gostem, ainda não viram o resultado... “ Simon vai ser possivelmente o melhor Presidente da história do IBGE, ele vai ser quase tão longevo quanto o Isaac, que é raro ser um longevo, e o seguinte o Simon tecnicamente é um cão de trabalhador, se o outro não fizer ele vai e faz pessoalmente...” - É ele tem essa questão, ele é um cara que se ninguém faz, ele faz, ele vai sozinho... “ A sensação que eu tenho de que o próximo mito Ibgeano vai ser Simon, assim que se acalmarem com ele, aliás com razão. - E sua chegada no IBGE ? Bom, então eu entro ali no IBGE, encontrei IBGE numa situação muito estranha, para a mim, eu estou ainda, você repara, o seguinte nós estamos em 86, eu só acabei o doutorado em novembro de 84, estou com um ano e meio de mundo, eu tenho medo ainda... essa gente toda para a mim é mito... então quando eu era Vice Presidente do IPEA eu não vinha aqui falar com Eustáquio para a deixar claro para a ele que eu não queria interferir.... que o INPES para a mim era um sonho, INPES era um lugar intocável, que o INPES fizesse estava certo... nós promovemos todo mundo, nós acertamos com o Andréa Calabi... acertamos as carreiras de todo mundo que podia ali, que não eram promovidos, etc., a gente acertou em dois anos, fez um acerto geral... Colocada essa questão, eu cheguei no IBGE, fiquei um tempo até assumir completamente... o Régis me dizia, Edson, Eduardo Augusto, se você tiver o Eduardo Augusto lá na, como é que chamava Diretoria de Pesquisa? Se tiver o Eduardo Augusto lá na Diretoria de Pesquisa não vai haver problemas, você pode manter o Mauro que é uma pessoa que você aprendeu a conhecer, etc., etc., você tem o Alexandre, que a gente acha que é competente e você pode, e eu digo e Informática? Bom, Informática eu tenho uma pessoa que era o Paulo Tafner, então, se você conseguir manter o Eduardo, eu acho que você toca a área de Pesquisa da Casa... que já dá uma dá uma indicação de como é que eles percebiam o IBGE, o IBGE era a área de Economia...” - Naqueles tempos... sem dúvida a área de estatística era encarada como subsidiadora da economia... “ O IBGE era a área de economia... então eu venho para a esse negocio com extrema confiança em Mauro Melo, Mauro tinha sido de extrema, serventia, de extrema serventia na absorção do Radam, ele queria, tinha os conflitos que ele me confessava, ele não escondia os conflitos, etc., Mauro foi de extrema serventia, Eduardo Augusto, me disseram que era a coisa que eu tinha que ter e aliás era verdade, Eduardo foi precioso, mas nesse tempo o IBGE estava muito disfuncional porque ele tinha uma área de economia com a qual eu não estava satisfeito, eu não estava satisfeito com a minha entrada... eu não estava satisfeito claramente com duas questões principais: eu não estava satisfeito a) com a idéia da reforma administrativa que estava andando na Casa, eu não entendia, e que entendia não gostava; b) eu não estava satisfeito com a concepção de informática no IBGE... eu não estava satisfeito com a concepção de Informática... porque o IBGE como uma organização baseada numa ideologia que eu achava velha e era a ideologia do Centro de Processamento de Dados (CPD), ideologia do CPD me desagrada totalmente porque ela te coloca como refém do analista de sistemas... ela te coloca refém do homem do CPD...” - De um grupo pequeno de analistas... “ Por quê é que eu não gostava disto? Em l979, eu morava na Califórnia quando o Steve Jobs fez um computador e eu comprei o miserável em 78-79, então eu tinha

aprendido a idéia da independência intelectual, da sua base de dados, do seu texto, do trabalho feito por você...” - E no IBGE? Era mais complicado do que eu imaginava... eu tinha uma encrenca com a informática que eu não consegui resolver suficientemente... tinha uma coisa na reforma administrativa que eu não consegui... mas não precisei, eu só não prestei mais atenção com a reforma, eu me desliguei... tinha, a reforma falava umas coisas, eu dava uma força para um jornal, etc....mas eu me desliguei da reforma administrativa, tentei informatizar, não tinha muita ajuda não... Aí eu comecei a me dar conta, que estava presidindo uma organização disfuncional, e onde é que eu comecei a falar da Geografia, onde é que comecei a mudar de idéia... o Hélio Jaguaribe em conversas comigo dizia: Edson Nunes eu estou convencido que você tem quatro organizações na mão, você devia fazê-las agora.... Você tem uma gráfica, você tem um instituto de pesquisa e censo, você tem um instituto de geociências e você tem um negócio de economia, indicadores sociais, divida essa bodega em quatro organizações, propõe ao governo quatro organizações. A gráfica ela presta serviço ao Brasil todo, ela não precisa ser capturada, tá certo? A geografia e o seu meio ambiente, tem um nicho especial, o censo é o bureau do censo que qualquer país civilizado tem, e isto aqui de sociais e economia, são os indicadores sociais... eu achei que o Hélio estava com um belo ponto, mas eu fiquei pensando o seguinte: Como é que eu divido isto? O Hélio insistia muito, viu como eu respeito o Jaguaribe? Me parecia que ele tinha razão... Só quer eu achava que tinha que tirar a gráfica, depois eu percebi que não podia tirar a gráfica, e aí passei por conta dos segmentos do Banco Mundial... fui de novo com Lampreia para Washington, uma coisa qualquer que era continuidade disto e tinha lá uns coquetéis na casa do embaixador brasileiro em Washington, mas antes tinha passado por Berkeley onde eu tinha tido um encontro... e uma longa conversa com Hilgard Stemberg e com o assessor dele, um homem cujo o nome eu não lembro, um homem de barba, tem cara meio que indiano, um homem de barba que foi parar no Banco Mundial... lá e eu descrevi para ele a particularidade do estado brasileiro em que o bureau de censos brasileiros era doido... porque ele tinha já cinqüenta anos e ele mistura a cartografia até mesmo geociências e o que é pior estava fazendo aerofotogrametria, etc., etc... e ele diz... o Senhor tem o Instituto do futuro na mão, o Jaguaribe está errado, esse povo está errado... e começou a me contar uma história sobre estatística georeferenciada...mapas em computador... bom o que eu tinha dado com Radam... porque eu tinha visto e lidado com essas coisas todas... O negócio fez assim na minha cabeça... E ele continuou a dizer... Doutor você tem o órgão do futuro... ele já é multidisciplinar, mantenha-o, a sim, ele disse... o homem trabalhava no meio aqui na Amazônia com tribos, mas ele usava umas coisas de satélite para achar as tribos e tinha uma telemetria qualquer, que acha onde é que os caras se moviam, ele começou a me contar sobre vegetais, tribos, vegetais, satélites... aquele negócio veio para a minha cabeça.... eu disse esse homem tá certo, e ele me contava, ele falava assim: a profissão do futuro não é nem a sua, não a minha... é esse negócio aí que o Brasil fez sem saber... Rapaz, esse homem fez uma encrenca no Banco Mundial... eu saí de lá tarado com o IBGE...” - Você sabe o nome dele não? “ Não faço a menor idéia, eu devia saber não é isso?” - Esse cara é fundamental...pelo menos em termos históricos... “ Eu sai de lá tarado com o IBGE, ele disse: Você é um cagão, porque eles só fizeram isso sem saber... então isso que você está querendo dividir... nós estamos querendo juntar no mundo inteiro... e não conseguimos, a Polônia não quer, o fulano não quer, os Estados Unidos não, ninguém quer, e você já tem uma agência que pode definir o

geo-referenciamento..., você tem satélite, você tem geógrafo, antropólogo, você tem sociólogo, rapaz, você está montado... Eu gostei tanto... achei que ele estava certo, achei tanto que os economistas não iriam entender... e ele disse: tira os economistas desse lugar, você pode até deixar eles fazerem um negócio qualquer, agora se você quer separar... manda, essa gente para outro lado, manda os economistas para a outro lado, mas faça essa coisa que você está imaginando, nós estamos falando para a você... uma coisa que você já tem... E de fato eu voltei encantado, aí que a minha atenção para a geografia... que nunca tinha sido clara, ela era para o causa da cartografia, por causa do Mauro Melo, por causa do Coronel Carvalho, por causa do Carvalho, por causa do Trento, as minhas percepções pré-disciplinares... Eu tinha que lembrar o nome desse homem, esse homem é um antropólogo de geografia econômica de Berkeley, assessor de Hilgard -, ele disse o georeferenciamento é o futuro, é a fronteira do futuro, é meio ambiente, estatística geo referenciada, recursos naturais, planeta como um todo, e aí antropologia e ciência política com as fronteiras, eu achei aquilo uma maravilha, voltei para cá... Mas... por outro lado, o IBGE não entendia nada o que estava falando... Bom... o Mauro, eu não sei se o Mauro entende... mas acho que ele percebeu o que eu dizia... ele gostou, que aí tentamos dar, fazer algumas coisas eu acho que tentamos tirar o atraso da Revista Brasileira de Geografia, não sei o quanto fizemos... mas aí comecei a visitar Lucas, visitar Lucas e aí... Aníbal Teixeira já era Ministro, eu levei Aníbal lá para a ver as coisas, eu estava convencido desse negócio, eu estava convencido de duas coisas: que e tinha que ir na linha desse homem, e que eu tinha que refazer o IBGE... Eu percebi uma coisa... que eu fingi que não vi... e até dei uma força que é o seguinte... que Mauro Melo estava montando uma independência tecnológica por conta dele, eu fingi que não vi e gostei, pelo seguinte eu já estava, você veja só, eu estou juntando vários pedaços, como eu já vinha zangado com a DI, quando eu vi que Mauro estava fazendo e ele estava com a base, ele está com a base estatística, ele está com a base geográfica, ele tá transferindo dados para a lá, ele está com o Radam, ele está com satélite, eu fiquei imaginando o seguinte: o IBGE vai sair de Mauro Melo no futuro... e se eu puder acirrar a competição, não está mal... O conflito para a mim... mais relevante que emergiu... e que eu dei muita força para ele tomar rumo... foi do Mauro com Paulo Tafner, do Mauro da Geociências com a DI, o Mauro se preparou para a ser o IBGE do B, botou no programa do Banco Mundial máquina para a ele... começou a montar uma DI paralela e eu torcia para que desse certo, não deu tempo, tá certo? Este conflito principal ...” - Eu acho que acabou acontecendo por outras razões, por razões tecnológicas hoje você tem, programas específicos, possibilidades de isso acontecer sem grandes problemas dentro da DI... “ Se ele já tivesse começado a montar, eu acho o seguinte: ele estava informado da minha idéia de dividir..., e acho que informado disso, ele começou a correr mais para a montagem de sua DI paralela... - Eu vou entrevistá-lo quinta-feira, quinta-feira minha entrevista é com é ele, então, porque é um profissional muito competente... tem muito poder e é um sujeito tecnicamente que conhece muitas coisas, então... “ Ele me impressionava muito e ele me tranqüilizou muito, com relação ao exército porque ele convivia, por um lado ele me tranqüilizou com relação aqueles homens do qual eu tinha medo, por outro lado eu percebi que quando a situação dele ficou ruim... ele dizia o seguinte... é mas eu tenho a UERJ, ou seja, aquele homem que eu via, com aquele enorme poder... se contentava em ser um professor universitário, isso para a mim é um charme, as pessoas não gostam muito do nome...” Algumas pessoas não gostavam... eu sempre gostei muito dele, eu sempre o considerei muito técnico... conhece bem as coisas, conhece o seu afair, sabe exatamente como trabalhar e nunca criou muito problema com a Geografia... a

relação dele com as pessoas que conhecem o seu trabalho sempre foi muito boa... “ Engraçado que na época... algumas pessoas achavam que o Mauro era um homem de direita, eu pensei assim um tempo, depois eu comecei a perceber que era um homem corajoso... essa concepção toda do Mauro me impressionou pelo seguinte.. ele nunca foi um Diretor vassalo...” - É verdade, ele sempre foi um profissional muito técnico, muito profissional no que ele sabia... “ Nunca foi um Diretor de fazer gracinha para a ninguém, de fazer um agrado indevido... também nunca escondeu os conflitos, eu acho interessante esse negócio dos caras esconder o conflito... tem diferença sim, tem tal e tal diferença... eu gostei dele, ele me ajudou a entender umas coisas da época do Isaac... que para a mim também eram mitológicas... e que ele me ensinou que não eram nada de mitológicas... eram uma porção de bobagens...” Gestão de Charles Kurt Muller O outro presidente a prestar depoimento foi Charles Curt Muller, professor e chefe do Departamento de Economia da UNB em Brasília que substituiu Edson Nunes após a breve passagem do interventor Celsius Lodder no IBGE. A importância de Charles Muller no IBGE deve-se ao fato de ter incentivado o estudo das estatísticas ambientais, objetivando montar no futuro uma estrutura de contabilidade ambiental para o país. Charles também preocupou-se com as estatísticas agrárias e, quando foi diretor da Diretoria da Agropecuária e Geografia (DAG) tentou montar um centro de estudos interdisciplinar de Agropecuária... Sua gestão durou 23 meses... um longo período, considerando-se as turbulências sindicais da época... Sua timidez e economia de palavras sempre foram conhecidas na casa... o que pode ser percebido no depoimento... - Como aconteceu sua vinda da UNB para o IBGE ? “ Bom, eu fui convidado para a Diretoria do IBGE pelo senhor Edmar Bacha, fui nomeado Diretor, ele me convidou, eu aceitei e fui Diretor da Diretoria de – como era mesmo? – Diretoria de Agropecuária, Recursos Naturais e Geografia...” - Conhecida como DAG, agora o senhor acompanhou a montagem dessa estrutura... ou já foi anterior, quer dizer... “ Não, eu recebi essa estrutura, quer dizer, a Diretoria já estava constituída e quando entrei lá o Edmar já disse, já me alertou que haveria um processo de reexame, digamos, da estrutura do IBGE, achava-se que daquela forma que estava montado o IBGE não era orgânico, queria se organizar em duas grandes linhas, uma área de cultura de estatística, uma área no campo, justamente a geografia, da cartografia, recursos naturais, etc., Geociências, que apelidamos depois... então, quando assumi a DAG já sabia que alguma coisa iria se modificar, provavelmente sairia a área de estatística, como Diretoria de Estatística... mas não sabia bem o que iria acontecer na outra área, havia até uma luta interna no IBGE mas na linha do pessoal da cartografia versus geografia, recursos naturais, etc., mas no final a idéia parece que foi caminhando no sentido da concepção dessas duas grandes áreas que mencionei

antes, Estatísticas e Geociências, isso também depois foi um pouco modificado, vamos dizer, com a incorporação do Radam...” - A incorporação do Radam se deu junto a sua gestão ou já, tinha se dado... “ Na minha gestão como presidente não..., mas eu já era Diretor da DAG, quando essa questão foi decidida a nível mais alto pela Presidência junto com o Ministério de Planejamento... o Radam estava terminando a sua missão original o mapeamento da Amazônia, o levantamento de recursos naturais da Amazônia, etc.,e estava tentado se constituir com uma organização separada...,mas o governo na época não viu isso com bons olhos, uns achavam que o Radam tinha que ser ou dissolvido ou então ser incorporado a uma Agência federal, aí pareceu lógico que essa Agência fosse o IBGE, já a tempos o IBGE possuía uma área de recursos naturais que estava desfalcada de pessoal.., um dia fui chamado pelo Edmar Bacha, que me disse... o Ministro Saiad, eu decidimos que fazer um esforço no sentido de ver se incorporamos o Radam ao IBGE e aí tomei o bonde já andando... estava meio que deslanchado...” - Eu me lembro que o Edson Nunes conta um pouco dos bastidores dessa questão porque era uma questão também complicada de entender como é que o Radam se encaixaria, então foi preciso um pouco de entendimento até por conta de que havia naquela época um pesadelo enorme que era inflação, haviam preocupações maiores... “ O Radam era um órgão caro, havia gente no governo que queria que simplesmente ele acabasse, alegando que já tinha cumprido sua missão e deveria se extinguir, etc., e o grupo Radam infelizmente estava querendo se fortalecer, ser independente de alguma forma, e a saída que se encontrou foi a de incorporar ao IBGE e teve um certo grau de lógica, não foi uma coisa aleatória...” Bom, aí nessa, quando o senhor entra na DAG, o senhor começa a tentar uma restruturação e, efetivamente, acontece uma restruturação... Um memorando seu ao presidente Edmar Bacha... propondo a reestruturação da DAG em duas Superintendências... a SUEGER que era Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente e da Superintendência de Estudos Geográficos, SUPEG, além da criação de um Centro de Estudos Agrários (CENAG) que seria organizado... e aí peguei também a informação de volta do Edmar Bacha falando sobre a questão do CENAG, quer dizer, dando apoio a questão do CENAG e negando a questão da SUPEG porque era realmente pequeno, quer dizer, a área de Geografia ainda não tinha estrutura de pessoal suficiente para a virar Superintendência... e fala sobre a SUPREN que é a questão da incorporação do Radam... já estava mostrando que o processo estava dando certo... que a incorporação do Radam, principalmente naquelas estruturas regionais... que eu acho que esse foi o ponto principal do fortalecimento do IBGE, e a história das regionais e que o Radam veio dar uma outra força... “ O Radam também entrou no IBGE também depois que viu que não podia se tornar independente mas uma organização separada, tentou entrar uma espécie de uma outra Diretoria, Diretoria funcionava na Bahia e tal, mas o Edmar sempre resistiu muito a isso... havia na época um plano de reestruturação da casa... você lembra? – Seminários e Trabalhos...alguma coisa assim...” - Bom, eu também tenho um documento, esse documento não está assinado aqui, mas possivelmente foi pessoal da área de Solange Tietzmann que era chefe da Divisão de Estudos Agrários do DEGEO na época, que ficou preocupada com a idéia o Centro, aí eu não sei porque passou pela cabeça que achava que o Centro de estudos Agrários iria acabar coma Divisão de Estudos Rurais e aí elas fazem um arrazoado solicitando, quer dizer, pedindo para a que se mantivesse, etc., e como efetivamente aconteceu, o Departamento de

além do Censo Agropecuário. tem alguma lembrança? “ Eu tenho uma vaga lembrança.. geografia. as pesquisas agrícolas anuais de agricultura e pecuária. ainda não é o paraíso..” . das Nações Unidas e tal. então. que dizer. não é possível e. “ Exato. é necessário uma rede de coleta muito mais sofisticado do que se tem hoje.... como é que estão os encaminhamentos dessa questão de uma contabilidade de Meio Ambiente..Por falar nisso.. eu não sei se isso foi resultado de um processo que Simon Schwartzman começou a tentar... mas.... cada um quer o seu domínio. a gente nota.. separar a área de estatística da área de Geociências. quer a brasa para sua sardinha.... Geociências e de Pesquisas deviam trabalhar muito mais ligadas..Estudos Agrários efetivamente continua e aí como é que foi essa questão? O senhor lembra.. a geografia agrária no caso.. eu me lembro que na verdade desapareceu a coisa quando se decidiu tirar da. é sem dúvida muito maior. mas é a coisa está indo muito devagar.... inclusive porque sofríamos muita pressão de órgãos como o Banco Mundial. são os casos no momento....... mas. “Na verdade.. a partir de Estatísticas Agropecuárias saiu de lá e junto com ela tinha essa parte não tanto de Estudos Rurais. a rede toda funcionando e aí você tem uma possibilidade de comunicação maior. senti que se o Brasil entrasse nesse campo. contabilidade Ambiental. “ Eu sinto isso também. municiavam muito essa área.. eu tentei mostrar que essas áreas tinham de trabalhar juntas..” . principalmente com o envolvimento que tive depois que sai da Presidência. que o senhor foi uma pessoa importante nesse processo....Quer dizer. dar uma organicidade maior e obrigar as áreas a se comunicarem melhor.. um assunto complexo e exige envolvimento de recursos. eu até hoje acho que essas duas Diretorias... falar de Meio Ambiente sem falar de espaço.. a consultoria foi na área de Informações Ambientais.... mas mão é simples.. como é que está isso. “ Bom. e seria fundamental esse trabalho conjunto. enfim. era a única área que possuía uma relação direta com a área de estatística na medida que a pesquisa de Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). é claro que também hoje e aí também por obra e graça do Simon ele conseguiu botar um sistema de comunicação por rede.. uma consultoria que o IBGE me solicitou.” . está muito devagar. eu sou da Comissão do Censo 2000 e a gente sente que a uma articulação muito maior no que tange ao Censo. mas isso não existe ainda. então eles sentiam como os analistas de uma parte estatística..” . mais articuladas do que estão até hoje.. “Tentei. por exemplo. e ainda sou funcionário do IBGE.” . eu acho que ainda seja..... é engraçado a geografia.É. esse seria o ideal. sugeri na área.. essa parte eu comecei a me interessar por ela já na Presidência...O que eu sinto hoje no caso. porque era. mas há essa dificuldade.Quer o seu domínio.” ..... mas parte de análise dos dados e preparava inclusive material paras as reuniões da CEPAGRO essas coisas e por isso desapareceu essa idéia e ficou a área de geografia com seu núcleo de Estudos Agrários.. é que. no caso do Censo 2000 as relações inter-diretorias foram muito mais intensas.

. influência grande junto ao Presidente Edmar Bacha.. .Eu entrei em 70 e eu percebi que tanto o de 75. ele tinha uma liderança. caminhavam juntos. e ele era muito. cada um e dentro do próprio Censo mesmo. e depois com o Edson Nunes.. quer dizer..E ai. mas depois com a Reforma Administrativa tudo evoluiu no sentido de formar uma união desse dois grupos. “ Eu me lembro.É.não chateiem. a figura de Mauro Pereira de Melo foi importante nessa articulação. mas distante a coisa.. “ Sim. isso também é pouco falado essa questão.. ele tinha. eu me lembro de reuniões que a gente tinha com os técnicos dos dois lados cada um dizendo: não. a gente percebia muito claramente que na área que acabou sendo de Geociências. “ A liderança dele era muito forte... mas nesse ponto Mauro era o que conseguia pensar.. porque nesse período as áreas Regionais e Estudos Urbanos estavam de um lado e a questão da Agrária. quer dizer. e aí eles dão algumas. mas havia muitos problemas de aceitação. a área de Estatística queria da área de Geociências só mapas.. 80. o grosso da questão estava nessa questão de intercomunicação entre áreas.. as relações eram muito....” . . etc.Nesse período. o geodesista e o cartógrafo eles fazem mapas e eles pensam no processo da feitura do mapa... etc.. fala-se no famoso memo PR-45. essa coisa. Regionais e Estudos Urbanos. por exemplo. tanto do pessoal de Geografia quanto do pessoal de Meio Ambiente que sempre foi uma coisa difícil. não sabia se ia ficar...” .Exato. ele conseguiu. não sei se também a nova geração. hoje a gente vê o trabalho muito mais articulado. dão respostas. tinha a mão forte. “ Mas havia muita conversa também. havia tendência.. trabalhei na preparação para o Censo de l990. que era Agropecuária ficava com Agropecuária.” . o memorando da Reforma Administrativa. fracionamento. .. etc. aí a Reforma Administrativa. da Agropecuária que era a DIRUR estava do outro... quem era Indústria só ficava com Indústria. e esse pessoal de Meio Ambiente trabalhar. levantam a questão do memorando da Presidência 45. quer dizer. aqui já é uma resposta dos técnicos das Divisões do IBGE.. que no fundo era o memorando da CRA. porque a coisa foi se encaminhando de outro jeito. nós queremos separação. então vocês tem que trabalhar junto porque. o resto é nosso. quer dizer... ou dizem assim: reclamam... um certo domínio sobre essas áreas. achamos que é diferente o que temos que fazer. sentiam que havia muita dificuldades entre Diretorias. justamente porque havia essa separação. ele dizia: mapa é importante para esse pessoal de Geografia trabalhar. claro que é uma separação funcional clara..” . 85.. bom. salário. e nessa resposta dos técnicos. do DEGEO.. problemas de intercomunicação. eles perceberam. e havia aquela questão do Centro. havia pressão da parte dos técnicos juntamente para formação de duas áreas separadas uma área mais de Geografia e Recursos Naturais e outra na área mais de Cartografia. pelo menos os técnicos da sua área. Sobre a Reforma Administrativa.. ele quando decidiu formar essas duas áreas ele investiu tudo no sentido de não permitir qualquer tipo de fração.” .. muito articulado e tinha aparentemente uma certa liderança.Exatamente.... e por um lado a história de tentar ganhar confiança.. o senhor lembra mais ou menos desse período como a coisa se deu? “ Me lembro não. quis se manter junto a área de Geociências.

” . claramente naquele momento ele tentava viabilizar politicamente uma idéia de organicidade maior de sua diretoria.. sem dúvida e do próprio Edson.” E de uma certa maneira era isso.” .. lógico. quer dizer. ele vai ter que resolver primeiro essa área....candente? “ Sim. como é que foi a sua visão do período....“ Ele até conduzia a coisa por inverso.” .. mapas são instrumentos para a outras áreas fazer análise e tal. mas ele quase que montava a coisa de ponta a cabeça.. “ É. “ É... foi uma fase extremamente complicada... mas foram mais civilizadas.... o Edson também pegou um período muito ruim. não adianta vocês tentarem brigar com o Mauro nessa situação. mas era um governo fraco também. acho que o Sérgio Bruni conseguiu esse equilíbrio. e eu na época eu dizia: gente. a base operacional do Censo ela está recebendo cartas melhores. às vezes havia muito barulho para coisas minúsculas. o entrevistador. a que está dando salto tecnológico maior agora. a luta para fazer mapas de Censos... a troca de equipamentos. mapas extremamente fidedignos. eram momentos extremamente conturbados. aí entrou o Sérgio Bruni e o Sérgio Bruni efetivamente conseguiu..e tínhamos muitos outros problemas” .. que agora nesse Censo de 91 está sendo isso. eu me lembro disso. quer dizer. o movimento sindical muito atuante. sendo atuante.Sem dúvida...Era a questão da economia em si que estava muito.. no entanto. o Sarney. quer dizer.. para depois tentar uma integração. colocando Cartografia no centro..... nenhum Chefe de Departamento se sentiu muito melhor do que o outro. porque a área. eu porém me considero sortudo comparado com as agruras de Eurico Borba. e depois entrou o Trento Natali que acompanhou esta mesma visão de integração.. mas enfim..foi o primeiro a sofrer o processo.. que ele fez bastante.. antigamente não. o que sai a campo ele recebe o mapa extremamente fiel.. as informações eram muito pouco fidedignas. com uma acuidade cartografia muito boa.. funcional.. o resto atrelado a ela.... ele saiu antes.. olha só.. quer dizer.. isso eu percebi bem. com isso ele dominava toda área... a introdução do idéia do GPS...” Bom.. quer dizer. em termos de comando e poder e tal. estava totalmente desmoralizado... quer dizer..... dizia: começa conosco... com aqueles movimentos sindicais todos. o senhor como Presidente... “ Tivemos greves. os outros que se adeqüem... as pessoas reclamavam muito quando eu o defendia nessa questão. como você falou.. ele lutou muito para cartografar a base operacional do censo... eu acho que a Cartografia devia ser separada. ele conseguiu dar um equilíbrio melhor entre as áreas. mas eu dizia assim: senhores.O interessante nisso tudo é que no depoimento ele diz assim: hoje olhando retrospectivamente eu acho que eu errei na medida de tentar uma integração maior. nas entrevistas de Edson Nunes e Eurico Borba que sofreram realmente pressões horrorosas da área sindical e. era na base dos croques... uns poucos fazendo baderna e tentando dominar a maioria. ele volta idéia anterior.. Cartografia e Geodésia é a área na Geociências a mais. pelo menos nessa questão. ele tinha uma visão muito forte da importância da área. aí agora. para a mim. “As áreas estão mais equilibradas agora..

. no sentido de contestação pela contestação. eu utilizo isso na tese e eu me transferi para essa área de Memória Institucional justamente para formar o acervo da memória dos presidentes da casa.....” . foram períodos de embate: eles diziam: o que nós podemos forçar.” . se o senhor quiser alguma declaração..... estavam percebendo que poderia haver mais contestação... fiquei até... o grande problema em toda a minha vida...... foi maio de 88. eu acho interessante também ressaltar no que tange a área de Geociências. e que se resolveram sem maiores conflitos. e suas vinculações aos governos.. “ Muita coisa.” . houveram momentos difíceis.. “ É.. o período de dois anos do Collor e período de dois anos do Itamar. duas ou três greves.. e depois entrou aquele período. “ É..? “ 95 a 97 por aí foi DAG aí trabalhei com técnico no IBGE. Professor.....” .Com o Edson e com o Eurico depois. foi fim de governo militar.. maiores conseqüências.muito problemático para a Geografia principalmente. aí fui conduzido à Presidência.... nós vamos poder virar a mesa. já tinha as duas grandes áreas produtivas.....92 a 95 foi DAG. não vai dar nada.Esse acompanhamento. tanto na DAG e depois na Presidência. diferentemente do que ocorreu com o Edson. eu acho que foi perfeito.. foi o problema de localização física da área e espaço para trabalhar isso foi. mas pelo menos foram greves que deram origem a um processo de negociação... “ É interessante ter um acompanhamento dessas ações e políticas da casa. Mauro Melo ainda estava na área de Geociências.Foi em 89. Ministérios.É.... transição de governo Collor. alguma coisa final...? “ Não. deixa eu mais ou menos também colocar esse material ele passará a ser acervo da área de Memória Institucional do IBGE.Exatamente. qual eram as demandas principais do governo e o que o IBGE podia dar além das atividades e as suas missões normais.... tanto na gestão..” ..... .O seu período de Presidência foi 98. eu acho que essa foi uma visão e no seu caso. Presidência. eu acho que no nosso caso. é isso aí...... na sua trajetória como Presidente naquele período.” .. até março de 90. bem nós tivemos. o Edson pegou o período inicial das coisas ruins. quer dizer... quer dizer... que foi aquele que as entidades sindicais no IBGE começaram a perceber que nós estamos livres... nós tivemos duas greves complicadas.? “ Maio de 98 até março de ...” .. “ É porque eu já na Presidência já dei essa situação resolvida.... como você sentiu o clima? . “ Com Eurico depois foi ainda pior..especificamente é mais ou menos isso.... achei que não deveria substituí-lo. eu estou tentando inclusive fazer um acompanhamento das ações dos Presidentes.Bom.. por exemplo....

O Simon nesse ponto teve duas ações muito poderosas. daquele. e eu acho que o Simon fez uma grande coisa.... depois ela virou um campo de batalha do tráfico de drogas.. mas havia uma pressão muito forte do Régis Bonelli .” .. ele queria a todo custo voltar para lá e havia pressão. não havia mais condições de trabalho lá.... quer dizer. a recuperação daquele prédio lá na – como era o nome dela? . mas foi um salto de qualidade............. “ Rua Equador exatamente. no início a favela era só favela.Rua Equador.. ele arriscou..No meio de uma favela não era exatamente o problema. “ Peguei. precisando qualquer coisa eu entrarei em contato com o senhor.Deu um salto no escuro. já tinha havido a transferência das pessoas foi na minha gestão da DAG que conseguimos aquele prédio na Praça da Bandeira..” ... ele investiu num período de vacas muito magras do governo. “ Deu um salto no escuro.... “ Faço uma idéia.. ele conseguiu investir muito nesse processo de intercomunicação da Casa..” .... descontentamento muito grande na área Geografia para isso. peguei depois.. ok Professor... como é que podem colocar uma área técnica.O senhor pegou aquele período do Parathion. .” .Eu acho que foi a parte mais importante.” . “ O IBGE é um organismo enorme.. chegaram a cogitar e imaginar a botar vidros a prova de balas naquele lado que ficava para a favela... científica no meio da favela com aqueles tiroteios..... foi muito bom.....” . eu ficava abismado cada vez que eu ia lá. e colocou quase todos na Av.. mas com aquele prédio lá de Mangueira. “ Isso foi muito importante.. “ Eu me lembro bem de Mangueira...Porque Mangueira tornou-se área perigosa...que era Diretor Geral e queria a todo custo.. já tinha sido feita limpeza.. não é aquela coisa empírica de bilhetinho e carta e tal.. ele tem uma área de atuação muito grande..” -Ou memorando interno. quer dizer.. a primeira foi essa retirada do prédio e a segunda foi a questão da rede de informática.... quer dizer.. Chile.

inclusive Doutor Tancredo foi lá. na qual seu Diretor Geral Aníbal Villanova Villela. na longa lista de presidentes de um ano e meio. Eu trabalhei na campanha do Doutor Tancredo. evidente que Serra e Celso Furtado. Hélio Beltrão eram um nível mais ligado ao Doutor Tancredo. outubro de l974 e se findou na véspera da posse. Eurico era agora mais um. Sua maioria esmagadora de funcionários concentram-se nos níveis do ensino fundamental ( 8 série) e no segundo grau incompleto. com Celso Furtado. para ceder material. agora na posição de 19 presidente da casa e o 6 após Isaac Kerstenetzky. Diretor Geral da gestão Isaac. Apesar dessas convulsões. com o Everardo Maciel que hoje está na Secretaria da Receita Federal e eu. eu sempre nutria um sonho. pois apesar disso. como eram conhecidos no IBGE desses novos e conturbados tempos.. Como o Isaac sempre falava de uma forma muito categórica que não gostaria de voltar.. o próximo presidente entrevistado. que possuíssem toda a linha de cursos de graduação e pós-graduação em todos os níveis. fazer a triagem do material. eu imaginava voltar como Presidente. eu Eurico. e junto com Serra. junto com Cristóvão Buarque que hoje é o governador do Distrito Federal. O que dá uma medida das condições políticas que ocorriam em 1992 no IBGE.. e o Doutor Tancredo pedia coisas específicas sobre saúde. ao ser barrado por um piquete na entrada do prédio da presidência. regido por uma política salarial em que o sistema avaliativo pauta-se por titulações acadêmicas e por verificações de produtividade vinculadas ao ambiente acadêmico. com carreiras de atividade fim. o funcionário médio já não enxergava mais o velho Eurico. política de migrações. se despedir a o o .” Esse processo levou quanto tempo? “ Começou em setembro. Foi uma conturbada gestão de 15 meses que iniciou-se com uma greve.. com menos de dois meses de trabalho. comissões. promover alguns seminários para elucidar e aprofundar determinados pontos. foi uma vitória política. naquela comissão para o plano de ação do governo COPAG. apenas uma pequena porção de seus funcionários poderiam enquadrar-se num sistema de Ciência e Tecnologia.Professor Eurico então pode começar a nos explicar como foi o processo de convite para o IBGE de 1992 e depois toda a sua fase até a saída. uma idéia de voltar ao IBGE um dia. O que causou muita contestação nos meios científicos.. Isaac e eu em l979. mas que custou muito caro a Eurico. Sendo uma agência basicamente voltada à coleta e armazenagem de dados. a gestão de Eurico foi notabilizada por ter conseguido encaixar o IBGE no sistema de agências de Ciência e Tecnologia. Eu me lembro que estava lá empacotando vários documentos que deveriam seguir para vários ministros. receber determinados grupos. foi novamente Eurico Borba. Portanto. ele brincava com a idéia de que não se deve voltar ao local do crime. principalmente nos fóruns da SBPC. tão querido pela rede de coleta daqueles tempos.Gestão Eurico Neves Borba Cronologicamente. e eu e Everardo e o Cristóvão Buarque eram um nível mais operacional. classificar esse material. se demitiu. . eu estava sem camisa. “ Bem desde que nós saímos do IBGE..

o processo de greves.” . eu continuei na PUC. Doutor Ulisses sempre estava lá. a COPAG durou todo esse período. norte-sul. nós tínhamos que fazer um relato prévio.. foi para o IBGE. já tinha começado aquele processo dentro do IBGE. nunca deixei a PUC.. eu estava ainda passando uns dados para ele e ele passou a mão nos meus ombros e disse assim: Doutor Borba o nosso homem das informações..E aí já estava. chegou ao José Richa uma pergunta do Eurico para o IBGE e com aquela história do PSDB eu já era membro fundador do PSDB.. sete meia ele recebia. e eu queria você como Diretor Administrativo que é uma coisa importante. sabiam a minha intenção.” ..De uma certa maneira é nesse ponto que tem uma inflexão de Eurico Borba hoje na educação.. houve aquele problema todo e não houve convite.. todos eram potencialmente corruptos. mas o Bonelli vai como Diretor Geral. 90. e fiquei lá 87.. contatos com militares. foi o que ficou mais tempo. do funcionalismo público por parte do governo Collor.. aquele pernambucano Fernando Lira que foi Ministro da Justiça depois. um conhecido de longa data. um bom amigo que eu tenho. todos brincaram. o Fernando Henrique Cardoso. houve um zumbido que não chegou a se concretizar. do índio ao engenheiro florestal. e lá ele ficava até oito e meia. eles disseram não. “ Eu sempre estava muito ligado a PUC. tem todos os Presidentes. com delegações regionais. aconteceu em 92. uma forma de penalização global. feito pelo Sayad. o Fernando Lira. 88.. mas não houve contato nenhum. 89.. todos eram incompetentes. houve convite para o Bacha. quinze para as nove.. o PSDB não colaborava com o governo Collor... em administração.. de vários encontros. e ele argumentou.. isso é problema do partido. eu sempre fiquei lá como professor horista.... Eu não recebi nenhum convite formal naquela época.. “ E havia um processo também de sucateamento. Eurico você foi o primeiro nomeado.. mas o IBGE é uma coisa mais técnica fica a teu critério. aí Marcos Maciel me convidou para trabalhar na Secretaria Geral do MEC o Everardo Maciel era o Secretário Geral eu fiquei como Secretário Geral Adjunto e aí passou-se esse período todo.. o Bacha me convidou para ser o Diretor Administrativo. ele recebia de tudo.. estava o Fernando Henrique. e uma vez então Doutor Tancredo por volta de janeiro. que a percepção política da importância e exclusividade o Doutor Tancredo rapidamente intuía que ali tinha um.. com políticos. os dois o Covas e o Richa ligaram para mim eu disse: não.. e como ele não havia feito ainda nenhum convite para ninguém. sabendo dos vários documentos que haviam chegado de vários colaborações. o Afonso Camargo... e aí foi o Eduardo Augusto.. na véspera da posse. eu e o Cristóvão.. Essa fase de Diretor Administrativo isso já passou. com o qual eu não tinha nenhum contato. 9l o primeiro movimento em direção a minha volta ao IBGE. como vice reitor. Bom.. depois ele ficou doente. os odontólogos fazendo campanha de flúor na água. vamos dizer assim. geralmente apareciam lá umas outras pessoas. um mal entendimento que seria o funcionalismo público. leste-oeste. em 87 eu voltei para PUC do Rio de Janeiro. pode ser SNI e aí ficou. resultados de vários seminários... chegou ao Mário Covas. eu disse: Bacha eu estava disputando com você a Presidência. do meu desejo de voltar ao IBGE eu disse: espera um instantinho.. todos eram vagabundos. no Ministério da Educação eu fiquei até l987.. apenas uma brincadeira que o Doutor Tancredo nos recebia para um despacho duas vezes por semana em Brasília às sete e meia da manhã depois de ele ouvir aquele Globo café da manhã.. . o Afonso Camargo e geralmente era eu que estava mais organizado. alternando com professor de horário integral. convidado pela Zélia. entra Eduardo Augusto. não houve nenhuma sondagem nem nada.. o partido fala é de Presidente do Banco do Brasil e Ministro.. porque se dá com Edson Nunes. e ele indo para o elevador ali no hall.. se deu na virada Collor. um pouco antes de ele fazer aquela viagem a Europa e Estados Unidos. algum material a ser aprofundado. com empresários.. Eu disse não.e cumprimentar a todos nós e dali ele seguiu para missa e depois indo para casa sentiu-se mal e foi hospitalizado.

. amigas lá dentro. honestíssimo.... realmente fiquei emocionado e é irrecusável. Marcílio estava numa projeção assim de liderança muito grande. que chegou a ficar conosco no IBGE uns seis meses. eu acho que é uma constatação que precisa ser feita... você sempre quis voltar para o IBGE e se mandou o curriculum é porque você estava querendo. eu realmente estava muito bem na PUC como vice reitor. começa a perceber isso de várias pessoas que estavam se aposentando. ele telefonou depois e disse: Eurico você é doido porque resolveu carregar uma mala pesada sem alça.Isso ainda era governo Collor? “ Governo Collor. então sexta-feira no antigo Ministério no Gabinete do Ministro que ele mantém no Rio o Marcílio vira para mim diz assim: olha Eurico.. eu acompanhava o IBGE de longe...eu disse que curriculum? . e uma tarde em meados de março... de falta de recursos para pesquisas.... a primeira que fui conversar foi com Jane. porque ele vai te convidar para ser Presidente do IBGE... e eu tinha muito contato com ele porque me ajudava liberar verbas para o sistema católico de ensino para as Universidades Católicas que tinham convênios.” . esses cargos geralmente são muito procurados e principalmente nessa fase da República é uma briga de foice.. organizado... sem nenhuma mágoa.. e aí eu digo isso sem nenhuma tristeza.. Sônia estava afastada.. Censo de 90 que tinha sido realizado em 9l.. eu queria que você voltasse ao IBGE para transformar o IBGE naquilo que o IBGE foi no tempo do Professor Isaac.teu curriculum. realmente eu fiquei assim parado. a minha volta ao IBGE em 92 foi uma coisa interessante. março de 92... quando um antigo companheiro dos anos 70. mas então o que me parece. porque eu sabia dos problemas todos de salários.. já estava programado.. então era um processo de convencimento de universidades que estavam precisando... vários amigos.. e o Messias ajudava muito.. aí.. e ele quer que você o procure. Carlos Messias Barbosa. presidindo uma comissão inteiramente importante de Planejamento Econômico e Acadêmico. eu fiquei emocionado. mas eu o conhecia antes porque era o Diretor de Administração do Ministro Veloso no antigo Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. Então. ocupava a mesma posição que o Marcílio no Ministério da Economia.. e disse hoje de tarde as seis horas lá no Ministério da Fazenda.. da melhor qualidade. de greve. mas eu acho que não tinha ninguém mesmo querendo. e aí o Messias disse: Eurico manda o teu curriculum pelo fax agora. não só a PUC do Rio como as outras. estava dando aulas.. era o Diretor de Administração. um Censo problemático... Então lá fui eu.. eu disse: olha Marcílio tudo bem.. . o processo começa nesse período. “ Bom.. a PUC era a que tinha a maior parcela de verbas. todo mundo procura dez. eu parei e disse: Messias. estava no IPEA e elas me contaram alguns detalhes. tinha muita gente lá na PUC...então eu pensei que era até sobre um assunto de liberação de verbas para as Universidades Católicas.” . mas deixou instrução que quer o teu curriculum.. o Ministro viajou.. mas me parece que existe problemas sérios lá de nível de salários e . um convite colocado nesses termos. então ele estava sempre contigenciado verbas... estava escrevendo algumas coisas e fazia consultoria por fora na área empresarial. a gente tem que conversar essa história. final de semana o Messias mesmo me liga e disse assim: Na outra sexta-feira o Ministro vai aí na PUC dar aula inaugural.A começar com a debandada enorme de pessoas para a aposentadoria. comecei a telefonar para algumas pessoas.. Teresa Cristina. manda pelo fax agora.isso foi extremamente desagradável e deixou mossa que até os dias de hoje estão aí. um direito que nós tínhamos.. um velho servidor oriundo do Banco do Brasil.. sexta feira... quinze padrinhos para ser nomeado alguma coisa e o IBGE é um título que honra qualquer pessoa. eu disse Messias para quê? Ele disse: Porque o Eduardo Augusto saiu do IBGE e não se acha gente para o IBGE e eu me lembrei do teu nome. e na outra sexta-feira o Marcílio chega olha para mim e diz: aqui não dá para conversar. sabia de tudo. antes do escândalo...... tanto que o Chefe de Assessoria Econômica do Marcílio que hoje está como empresário em São Paulo.. ele me toca o telefone. ele disse: não tem nada que conversar. indo embora.

um certo deboche institucionalizado. A PNAD de l992.problemas de contas atrasadas e. eu fiquei estarrecido basicamente com os níveis de salários com a desorganização hierárquica do IBGE.. em crédito. nós devíamos a Light. eram vinte e tantos milhões de dívidas. Aí eu peguei um taxi.. avisei que ia tirar o diretor da Geodésia e Cartografia Mauro Melo e trouxe o Sérgio Bruni . mas estão bloqueadas. a Jane Chefe de Gabinete. pensando.. por falta de disciplina profissional. não recebi nenhuma pressão política. milagre de Nossa Senhora... e uma greve que no primeiro momento eu tentei enfrentar até com a polícia.. foi um período extremamente complicado. ninguém pode bloquear as portas. os funcionários do IBGE são regidos pelo regime jurídico único eu não posso fazer nada fora da legislação. cinco meses em greve. mas você poderia considerar nós voltarmos ao regime CLT. 8 milhões de dólares é dinheiro em qualquer lugar do mundo... eu vou ser preso.. não vou cobrar nada. dia 29 de maio dia do IBGE os companheiros entram em greve. tinha mais esse chefe do Estado Maior. ex-aluno da PUC também com a sua esposa Maria Helena que era chefe de Gabinete do Presidente do IBGE lá em Brasília. de uma certa nobreza de atitudes como profissionais... ou 28 de março e vou em frente. me disseram: não.. logo com duas semanas de IBGE eu chamei o João Geraldo Piquet Carneiro. eu me lembro você levou um susto louco.. mais você está comprando uma parada complicada... O Marcílio me nomeia. nós devíamos alugueis pelo interior do Brasil. por volta de fevereiro de 93 eu tive o desprazer de receber o Presidente da IBM me entregando uma carta extremamente constrangido dizendo: olha vocês devem a IBM US$ 8 milhões de dólares.. no décimo nono dia. não é só uma vontade administrativa. depois a PNAD de 93 nós tocamos confiando na Virgem Santíssima. chamei o Coronel Nazareth.e eu duvido que abram a brecha só para o IBGE. possibilidade de volta a um “ Mais isso foi várias vezes tentado e eu deixei alguma coisa engatilhada formalmente lá dentro nesse sentido.. passa o mês de abril e maio. “ O Censo era uma coisa totalmente cheio de indefinições. uma das primeiras coisas que eu fiz em abril. não. o Senhor toca o telefone e nós mandamos para lá. uma determinada época. poderia considerar.. eu disse: sim... trouxe o Aníbal Vilela de fora. um apoio. então olha. e começamos a trabalhar. um outro . eu vou ser julgado pelo Tribunal de Contas como sendo o maior imbecil da paróquia. que tinha sido um dos pais da reforma administrativa do Brasil. E eu aceitei e aí tomei posse em Brasília.” .E Censo quando você pegou..que está atualmente como. e eu pedi para ele e ele disse: olha tudo bem.. então nomeei Teresa Cristina Diretora Técnica. porque eu assumi no finalzinho de março.” . ele é muito amigo meu. uma vontade política.... eu fiquei apavorado... só podemos intervir se tiver tumulto.. no planejamento do Simon. haveria regime CLT.E isso se fala agora com essa idéia de agência executiva .. eu fiquei lá quatorze meses e meio. temos que garantir que as portas fiquem aBerthas..ele disse: olha eu darei todo apoio necessário. vou fazer os primeiros estudos.. eu assumo em Brasília em 27. no segundo. nós devíamos a EMBRATEL.. isso dentro dessa moldura institucional legal que você tem que trabalhar. fui procurar polícia estadual.. mas aí o camarada disse: tem tumulto? Eu disse: não tem tumulto. nós devíamos a empresa de turismo.” .. nós devíamos a posto de gasolina. “ Logo..Isso é um ponto interessante Eurico.. mas tem umas limitações legais. desci.. olha era. além disso havia uma dívida enorme. foi o homem que assessorou aquele grupo de hospitais Sarah Kubitschek em contrato de gestão. e nós vamos suspender toda assistência técnica do IBGE e retirar equipamentos.. eu ia para casa preocupadíssimo. Ele respondeu: vou ver o que é possível. fui lá no QG da polícia... aí eu telefonei no primeiro dia. chefe do Estado Maior da Polícia Militar. as portas estão bloqueadas. um ano depois.. no sétimo.

. saindo. esvaziada.. no seu aspecto geográfico. derrubar aquelas torres de transmissão.. pelo o que estou vendo. a casa já apresentava um forte envelhecimento da massa profissional e quando se chega no início dos 90... ... de funcionários extremamente decadentes em termos de salários. poucas pessoas podem produzir bem.. do grupo de geógrafos ativos o que conheço é você.. a maneira de proceder é que é condenável... meio ambiente.. é uma falta de respeito pagar o que se paga ao funcionário público.. informações conjunturais. eu não conhecia esse rapaz. o César Ajara era o Chefe de Departamento. mas tinha sido admitido lá no meu tempo... portanto. acontecem as debandadas maciças. eu vou usar o termo.... mas o que me ocorre no momento. ficou possuído de tal fúria... eu Presidente do IBGE que dar um bofetão num grevista. não tem mais massa profissional. Eu posso te dizer e para tua tese as opiniões precisam ser confrontadas. mas mesmo assim ainda temos um déficit enorme. acho que essa idéia se perdeu. “ O Vilela foi impedido de entrar. pediu demissão e foi embora... a decisão é sua. único que eu conhecia era você.. de tocar fogo em rede de transmissão... todas as reivindicações são mais do que justas...” . para o geógrafo do DEGEO você foi a figura que nos tirou de Parada de Lucas..... então o quadro de falta de dinheiro. mas o que é esse tumulto. Petrobrás.. eu tenho. impedindo a saída das refinarias... indignado. de longe... fazendo Censo com periodicidade. me atracar e gerar o tumulto para que vocês façam a intervenção e abram as portas do IBGE? e os cretinos disseram simplesmente o Senhor é que sabe.É preciso entender que.. serviços. por conta dessa experiência.. indústria. Mas as atividades de um grande centro de estudos brasileiro integrado. qüinqüenal. Eu tenho a pior impressão do serviço público sindicalizado hoje em dia. porque houve dois fatos importantes. posso dizer com certeza. as pesquisas anuais.. Eletrobrás...” Aliás deixa eu registrar isso. demografia. mas eu não me lembrava dele... Fui uma vez lá.. as pessoas saindo. o que ainda segura é a transição tecnológica. quase que pessoal... e depois eu vi aquelas greves de Petrobrás.. mas mesmo com o sucesso atual do Simon. como eu vivi a década de 80 no IBGE. ai eu disse para eles: vem cá. praticamente não entrou ninguém. perdemos a colaboração de uma figura fantástica... de divulgar as informações.. “ Bom mas vamos agora a questão da geografia como é que eu encontrei.. encontrei a geografia extremamente..O Doutor Vilela saiu rapidamente por causa disso. no prédio da Praça da Bandeira vocês tinham problemas de ar condicionado. havia quase que uma luta. aquela falta de apoio de serviço médico. talvez não seja muito correto. você imagina como isso vai afetar a casa. era um calor.....pois ele queria a Diretoria de . o que o IBGE se desagregou e perdeu de massa.Coronel. lembra? Era um inferno.existem duas situações muito dramáticas. eu não tenho certeza que a minha conclusão seja a mais correta. demográfico.. as pesquisas por amostra. pois com os novos computadores.. se já estávamos com problemas anteriores... eu acho que poderia pensar alguma coisa com quarenta graus........ embora eu achasse que o Mauro tivesse razão no sentido administrativo do termo. hoje tenho uma ótima impressão. eu vi que não tinha jeito mesmo. ninguém novo. as pesquisas mensais.mas eu acho que o IBGE e o Simon de certa forma está dando sinais de soerguimento.. comércio. os econômicos decenal. massa intelectual de tal maneira que é uma entidade com muitos problemas estruturais. do que o Simon está conseguindo atualmente em termos de produzir informações. quer dizer...... não há realmente como repor profissionais qualificados em tempo hábil.. o Senhor é que está no local. Bom. durante toda a década de 80..

. inclusive o episódio do Radam veio com Edson Nunes...... que me recebeu muito bem. de geodesia. porque. com mais tecnologia.. essas que não eram de economia. ele e Bonelli. depois de ter me convidado para Diretor Administrativo ele teve uma conversa com o Isaac.. a ENCE eu entregava da Federal do Rio de Janeiro e nós íamos tratar de fazer Censo. eu por mim entregava isso tudo para s universidades. Eurico tira Mauro que era considerado o sujeito que estava enterrando a geografia. já havia um outro pensamento. quer dizer. mas essa era a idéia que passava. geodesia e cartografia. tratando de meio ambiente. no caso do Edson Nunes. e foi onde ele conseguiu acertar a história da vinda do Radam e que eu acho que foi um ponto positivo. eu olha aqui: eu tenho um mandato de despejo.. três semanas e foi embora.. ir lá no Presidente da Petrobrás. depois de visitar a Reserva Ecológica do Roncador.... ele teve sorte porque como todos eram economistas e estavam preocupados com conjuntura nacional... essa questão fica muito clara... essa história do Roncador em Brasília.. eu fiquei mais duas semanas ou três semanas com o Jessé passando o material para ele. “ Eu me lembro lá daquele inferno. passavam para as mãos do Edson.. ele e Bonelli... que era realmente terrível na época. que é irreversível. Então eu não sei.. com mais delicadeza evidente.. e o Jessé em Brasília numa reunião. o melhor é doar. mas claramente um grande... entregava geografia para s universidades... quando o Isaac saiu.. o IBGE tem que fazer Censo. eu não sei . ah é uma idéia... ele agora já começando a entender dessa integração que teve que ser feita. teve um Diretor Geral dele que durou duas.. virei as costas e fui me embora...... e aí é aquele negócio.. eu não entendo essa história de IBGE com reserva ecológica. sempre existiu uma incompreensão sobre a heterogeneidade do IBGE. em que o ar condicionado era apenas um dos problemas. esse aí o Joel Renó... Quando Eurico Borba entra. quando eu saí de lá ainda não estava nada certo assim. com aquele com ar de dono do mundo. etc.. e aí talvez é o problema da continuidade... da gente correr para o Presidente de Embratel. Depois com o meu querido amigo Bacha. veja eu estou te contando. de cartografia.. entregava geodesia e cartografia para o Exército.. .... foi a mesma coisa......... Bem... no dia seguinte nem apareci no IBGE e voltei para PUC minha casa de origem. você segura essa história por favor ele riu e tal.. uma grande massa de pessoal não gostava daquela história de parar a 40 quilômetros do centro da cidade. colocado num lugar longe. teve uma conversa comigo. Numa conversa sobre o IBGE.. agora quanto a questão dessa área que cobre a Geografia. virou e disse assim... “ Mas o.. Radam. eu tive que uma tarde sair correndo. por mais que o geógrafo humano ainda não goste muito.. e depois eu e Isaac... aí eu digo... e a gente tem que ficar vivendo com a Geografia... com um prédio... e isso levou também a um outro conjunto de pessoas a pedir aposentadoria por se sentir deslocado. deu uns telefonemas.. Eurico então nos coloca na Praça da Bandeira junto com Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente. mas tinha a mesma idéia... meio ambiente. o pessoal de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o pessoal de Geodesia e Cartografia. a Geografia é um troço histórico. então todas essas coisas que ele dizia. tem que fazer estatística.. Edson Nunes conta muito bem o episódio. eu não acho exatamente isso.. então encontrei todas essas áreas muito atemorizadas... tratando de geografia........ Radam estava acovardado em Salvador... não havia no centro de poder ninguém se preocupando com Geociências... vamos tratar de fazer Censo. vou doar para Universidade de Brasília e acabar com Meio Ambiente.. estavam sendo postos para fora pela Petrobrás a todo momento.. o Bacha. porque aí ressurge a idéia de meio ambiente dentro de outras bases. mas num prédio em que efetivamente era um prédio pequeno para os dois Departamentos e com esses problemas de infra estrutura.Geociências toda junta. e o prédio da época que garantia essas condições era o de Parada de Lucas.. -Com o Edson Nunes já foi uma outra situação. como era o negócio naquele período... alijado.. acovardadas..

“ Tinha apelido essa menina? ..não lembrava dele.. Na Geografia eu só conhecia você.. transição tecnológica pesada. primeiro porque tinha sido uma gerência muito forte do Mauro.. a seria por assim dizer a futura liderança. para segurar despejo. e coloca no diagnóstico.. nessa fase. vamos dizer.Bom... arranjar dinheiro para essa transição.. eram especialistas. a cada seu trabalho. você teria que começar. altiva.. com as famosas estações de trabalho. digitalizar toda a malha geodésica brasileira e a geodesia passando para o GPS. segunda liderança... etc. etc. e ele... quer dizer.” Mas tem um ponto interessante que as pessoas lembram de Eurico Borba e aí. essa era uma pessoa que era líder e possuía muito conhecimento técnico e político.para Presidente de Petrobrás. geografia e recursos naturais estavam começando a tentar se entender..e uma parte que englobava geografia e meio ambiente que eram estavam começando a se entender e se articular. não havia muita gente com uma visão generalista. como os diagnósticos de algumas áreas da Amazônia......” .. também não está mais no IBGE. “ Então eu estou confundindo com outra. era uma senhora bem baiana...eu não via nem a geografia. quer dizer. alguém que fizesse depois um copidesk integral. eu acho que fiz muito pouco. um pessoal da demografia.. “ Mas aí deixa eu te contar uma história que é importante.. e ela . havia uma prioridade um.. tinha estudado no exterior. uma pessoa senior.. equilibrou os poderes dentro da DGC... nem meio ambiente. mesmo não gostando muito e perdendo poder... o que de uma certa maneira foi bom. por exemplo. César não conhecia. perante uma. muito bem articulada...” Não essa é Antonia... mas ainda com muita dificuldade. cada um na sua e eles passavam textos. nem a geodesia.. não houve tempo para fazer a recuperação mínima das condições ambientais de trabalho no IBGE. com uma ênfase muito grande em resolver questões da cartografia... todas duas geógrafas..... e aí talvez tenha muito desse aspecto de fechamento às outras diretorias. com poucos funcionários qualificados. que do Radam também geógrafa que estava no IBGE e baixinha.. nem recursos naturais.. mas de qualquer forma.. Então nessa área de geodesia. porque você convidou o Sérgio Bruni. tinha sido da Universidade da Bahia... principalmente cartografia. então.. então eu vi a geografia fazendo coisas importantes.. passa o texto para o outro.. Embratel para não desligar as linhas do computador...... de geografia física. se impondo perante uma Marta Maia lá da PNAD.... vamos dizer. porque aí tem uma parte interessante. cartografia e tal... nos diagnósticos integrados.. essa foi a segunda. do contato. um diálogo maior com meio ambiente e geografia.... coisa difícil porque o Radam vinha com uma tecnologia e uma metodologia de gavetas. então era esse ambiente da época. é claro que tanto na cartografia como na geodesia as pessoas não irão lembrar bem.. a cartografia e geodésia... começaram a ter vinculação. o outro arquiva..... mas que começaram a perceber que seria necessário um discurso integrado. perante o pessoal de contas nacionais.. porque eles não recebiam a meses. quer dizer.. os outros cinco foram greves. o chefe do DEGEO.. esse período foi um período realmente bastante pesado para o Mauro Melo que tinha que gerenciar. eu tive pouco contato com ela mais. e nos nove meses que efetivamente se trabalhou.. a Lúcia. a primeiríssima prioridade da DGC era dar um salto de tradição tecnológica na área de cartografia e geodésia. quer dizer... O Bruni de ..Não sei. mas internamente. morena.. a única pessoa que tinha essa capacidade no Radam era Teresa Cardoso que estava em Brasília. todas duas especializadas em geomorfologia... só que a Teresa Cardoso tinha muito mais tarimba...

mas de uma certa maneira olhando hoje.. dei a maior força e prioridade... explicava aquilo tudo e dizia o seguinte essa história toda tem que ser fechada em cima de um território e explicado porque a ocupação.. nas exposições que eu fiz na Escola Superior de Guerra.... geodesia.. então. modelos de simulação. faça isso. aí meio ambiente eu falo o DERNA específico que era o Departamento junto ao nosso prédio e mais as unidades regionais que eram as DIGEOs que eram espalhadas em vários estados... “ Eu acho certo. quando eu falei em geografia esvaziada junto com geodesia e cartografia que eu encontrei em 92. a única ciência que tinha capacidade de fazer a união. e pelos estudos uma metodologia extremamente rigorosa abrangente que envolvia o pessoal de meio ambiente e pessoal de geografia. 93 que o único grupo. e porque a geografia juntamente com esse grupo da área de meio ambiente se não tivesse um projeto importante encomendado de fora do IBGE eles sempre ficariam como linha auxiliar do demógrafo. não era grave...” ... contas nacionais.uma certa maneira foi uma pessoa que teve uma questão positiva. “ Mas Roberto deixa eu te contar duas coisas que eu acho que é importante.. estatísticas conjunturais. estatísticas mensais.. e a questão da mudança para Lucas só agravou as relações... então nós chegamos a entregar a primeira parte praticamente toda parte de Amazônia Legal e tínhamos iniciado Nordeste e Região Centro Oeste e nós íamos fazer as cinco regiões. ilustra aquela carta. os economistas que estavam ali manobrando o filé mignon do IBGE. isto é abriu caminho. e até por razões de estratégia ele tinha problemas na cartografia e na geodesia que eram problemas muito pesados.. conversei muito com Teresa Cristina que apoiou.... isso aqui se chama geografia e o grupo de geografia. estruturais. então eu verifiquei. ele sentiu isso.. no tempo do Mauro.. eu dizia isso não da boca para fora.. e quando surgiu esse projeto diagnóstico geográfico e econômico que se fez a Amazônia Legal e quando eu sai de lá estava se fazendo o Nordeste e Centro Oeste. do INPC. Paulo Hadad. então eu explicava lá Censos.. de começar a pensar globalmente de forma interligada e interdisciplinar que havia se perdido naqueles doze anos após a saída do Isaac.. 93. que foi equilibrar poderes dentro da DGC. a idéia era se fazer Sul-Sudeste. índices de preços.. “ O que eu quero dizer é o seguinte: o Sérgio Bruni foi um trator e uma das coisas que ele conseguiu. claramente ele foi um sujeito que equilibrou a diretoria O próprio Trento Natali Filho que é hoje Diretor de Geociências.. com uma visão integrada de Brasil eu dizia sempre e não estava fazendo jogo de palavras eu estava convencido que a situação atual do IBGE 92. uma série de pontos pontos positivos. prepare a base do Censo. que eu acho principalmente que ele era um profissional muito vinculado com a área de botânica e então ele dava uma força muito grande nessa parte específica da botânica... quanto a geografia ficassem sem muito apoio.. porque esse tipo de vida. e a minha volta em 92.. Censos. nem jogo de palavras. tudo a que o Sérgio Brunes pediu eu atendi nesse sentido. E olhando de hoje. com Jane que apoiou.. eu estava convencido que era preciso dar a um grupo do IBGE a função. na Secretaria de Estudos Estratégicos.. do economistas. para o Ministro Marcílio. PNADs. estatísticas contínuas.. o Mauro tinha até por razões de profissão.... cartografia. sempre o empregadinho de segunda categoria perante os estatísticos...Foi neste período é que já estava havendo um nível de integração melhor entre meio ambiente e Geografia. para Yedda Crusis eu sempre dizia que aqueles dados coletados.. da PNAD. eu verifiquei outra coisa. ele diz mesmo.. que a gente tinha que descobrir esse projeto que tinha . sempre forçando a idéia do IBGE como um grupo integrado. de fazer a síntese explicativa do território e da sua população era o grupo da geografia.. mas ele dava uma força muito grande a essas áreas.. tanto meio ambiente..” Tinha uma parte que eu acho que teve um problema dele. eu fui lá depois com o Almirante César Flores da Secretaria de Estudos Estratégicos foi o diagnóstico econômico e geográfico da Amazônia. e isso fazia com que... porque esse tipo de ocupação.

acho que isso é um trabalho que minimamente se dá sobrevivência... cento e sessenta. menos segmentado.. para explicar o diagnóstico da Amazônia... mal feito. e com geólogo.. mal levado.... acham isso um trabalho menor... foi extremamente positivo. bom. eu pelo contrário. e isso. seis já no doutoramento. Globo Rural. não é preciso fazer mais Censos. saiu uma notinha no Jornal Nacional. ou de pessoal.. saiu uma notinha no Fanestástico.. ela. muita coisa do IBGE..... eu acho que já tem uns cinco. “ Se bem que tem um outro ponto interessante também.. etc.. aí todo esse período depois da sua saída. No caso geografia e meio ambiente eles estão continuando nessa linha de fazer diagnósticos integrados... tratando daquele filé mignon.. onde é que eu posso abrir uma cunha nisso aí foi o Simon naquele na CONFEST.. uma delas especificamente sobre esse diagnóstico. claro que o IBGE a geografia do IBGE.. existe. foi muito bem aceito e todo mundo está aplaudindo e etc. CONFEGE. os economistas e estatísticos. mas isso você tem que aprender a fazer.. e aí nós sentimos que todo Presidente que entrava. e aí começa a aparecer um papo estranho.. porque se você consegue articular bem com um geógrafo físico. com problemas específicos operacionais de suas áreas. “ Mas todos. nós vamos ter que fazer um tipo de pesquisas menores. eu acho que esse é um ponto chave no IBGE. etc.. etc. eu acho até que deva ser assim.. as chefias da área de estatística.. até a entrada do Simon. por exemplo. mas isso foi muito mal levado em termos de marketing. agora.. então era alguma coisa importante que a mídia. foi feita a reportagem também naquele Globo que aparece domingo de manhã.... “ Esses quinze hoje qual é a formação acadêmica.uma abrangência nacional. é uma grande diferença. e tal.” . que o único que foi detectar exatamente essa questão e dizer. a poucos anos atrás trabalhava com cem. com um biólogo.. etc. os estatísticos... definição de Censos econômicos como o Agropecuário o Industrial. que não era apenas pelo Collor e sim de uma estrutura ou gerenciamento. esgotou.. mas isso foi mal explicado ao usuário.. em que as pessoas. hoje tem quinze pessoas com nível operacional.. percebiam claramente que eles já não tinham mais gente para fazer os Censos econômicos. Marília Gabriela fez duas entrevistas comigo. ela sofreu perda de massa muito mais que substancial... foi justamente num período onde grande parte da população tinha aceito uma desculpa de que Collor tinha destruído o IBGE e com esse álibi do Collor ter destruído o IBGE... uma agência governamental importante como a Secretaria de Estudos Estratégicos estava dando. e nada acontecia.. é que nesse período...” . que você pode pedir qualquer coisa. de que não... Bandeirantes.. teria uma importância evidente perante a mídia a Rede Globo em chamou naquele café da manhã. suas preocupações primeiras eram: Censo de 91 tem que fechar. gerenciado por uma geógrafa do Departamento de Geografia e por grupos de geógrafos lá de Santa Catarina. a entrada do Sérgio Mincioti. que o governo.. você terá um discurso mais amplo. etc. ele já não podia mais levar e ele teria que explicar o que ele iria fazer..São todos mestres e alguns já começando a ser doutor..... estão trabalhando em segmentos do gerenciamento costeiro e o trabalho que foi feito. agora o Departamento nas áreas de meio ambiente lá da DIGEO de Santa Catarina.. não tem garotada de trinta anos.... era todo um problema. isso levantaria a moral. então. estavam com grandes problemas. então o usuário começou a cobrar pesadamente e esse. levantaria a responsabilidade do grupo de geografia e a responsabilidade do grupo de recursos naturais e meio ambiente provocando essa integração e esse grupo não seria simplesmente o grupo de segunda categoria dentro do IBGE perante os economistas. alguns geógrafos humanos não gostam.

” . de demógrafos que tenha feito pelo menos um Censo... um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o IBGE e que deu muitos frutos. institucionalizada com os departamentos das universidades boas do Rio de Janeiro. eles preferem ir para outro lugar. Sociologia. dizem. de Economia. eu não estou lidando com o problema. foi alguma coisa assim exploratória. etc.. se aposentaram. com essas saídas. nessas duas fases que foram... começou a planejar cedo. adaptação ao trabalho.. pode ser estágio e pode ser elemento de despertar vocações que aceitem ser heróicos funcionários públicos trabalhando no IBGE. pegaram o plano de desligamento.Houve uma experiência disso. quem é que vai fazer o Censo do ano 2000. “ Não teve um rapaz. eu sou o mais velho tenho cinqüenta e três. “ É a geografia que desaparece dentro de dez anos.” .. a reposição que deveria ter sido feita na década de 80 e como ela não foi feita. ao que me parece pelo menos em termos de planejamento.. não havia possibilidade de tempo para um período de formação... que depois foi para a Universidade. “ Eu sempre digo que se isso.. Bom mestre Eurico. Federal Fluminense... aí eu digo de novo e louvo o Simon. eu quero saber no ano 2000. porque sentiram que. agora a pouco tempo teve um concurso.. eles fizeram parte desse convênio.” Exatamente. quer dizer o Departamento de Geografia.. as pessoas estão indo para o exterior aprender e a trabalhar principalmente com tecnologia nova.. não. ele montou uma equipe para o Censo do ano 2000 e resolveu começar cedo... que trabalhou no IBGE desde os anos 60. Egler que.... vai se parecer com um planejamento daquele Censo de 80 que se começou que vocês começaram a montar e que em 79 vocês tiveram que abortar o negócio. aprendi com o velho Lira Madeira e com Valéria Mota Leite..... deu bem para perceber como as coisas estão e o quê.. não foi levada a tempo.Não. se não tivermos uma geração de estatísticos.. a Bertha Becker. Federal do Rio de Janeiro.... é tudo na faixa de quarenta... talvez com a UNICAMP. ele trabalhou durante muito tempo no Laget. é esse o grupo hoje ainda faz a Geografia do IBGE andar. que as coisas estão se dando muito bem porque de novo está havendo uma integração muito de geociências.:” . formal. questões de salário. como algumas outras poucas no Brasil.. o mais novo deve estar com quarenta e três mais ou menos nessa faixa. talvez com a USP. que foi até um a experiência muito boa foi o Laboratório de Gestão do Território (LAGET). esse ano eles até já começaram direito. porque com essa. e não tive tempo. PUC do Rio de Janeiro... por exemplo a informação que tem agora é que em dezembro saíram cem pessoas do IBGE..Não. por parte da Marilourdes Lopes Ferreira. dessas cem pessoas muita gente era da área de geociências.... as pessoas estão podendo sentar a mesa e discutir perfeitamente o quê é possível fazer.. o Claúdio Egler.. etc.. o Roberto Lobato de Azevedo Correa. mapeamento automático. vai ter a Valéria e mais um ou dois que fizeram o Censo de 90. que nós no tempo de Isaac tentamos. já teve um concurso..... dois já foram embora. estatística. o negócio. cada vez mais fica distante a possibilidade de reposição. ter essa ligação com o IBGE. entraram três...... então essa é a saída. a Fanny Davidovich também. “ Eu queria só no final dizer alguma coisa também que me esqueci. que eu acho que é fundamental que é o IBGE basicamente ter uma interação maior.. não houve continuidade. qual foi a sua colaboração nesse. não fomos muito felizes. mais tarde houve uma outra tentativa. mas ao que me parece. pontual. se aposentou. extremamente desestruturada que eu pensei em fazer.... eles não terão condições de comandar o segundo.. que era . eu acho que com isso... está havendo consultoria de fora.Se não menos..

traça as estratégicas para os próximos anos e levanta questões sobre o futuro do IBGE. O terceiro trata-se de uma apresentação sobre os institutos de pesquisa do governo federal. gestão administrativa.. Simon faz um balanço de sua administração. suavizando-se. acenando com o projeto de contrato de gestão. onde faz uma ampla avaliação da missão institucional da casa.diretora adjunta da Geociências do IBGE. Esses foram os principais referenciais que nos interessam para entender a posição de Simon Schwartzman quanto às áreas de Geociências. explica as condições de funcionamento da agência. financeira e patrimonial. O segundo documento foi sua carta de transmissão de cargo da presidência do IBGE em 25 de janeiro de 1999 ao economista e historiador Sérgio Besserman Vianna atual presidente. A Gestão Simon Schwartzman Três documentos servem de sinalizadores para as ações empreendidas pelo último presidente do IBGE que gerenciou a casa entre maio de 1994 e dezembro de 1998. ao longo de sua gestão.. política de pessoal e questões relativas ao desenvolvimento de carreiras de pesquisa e ao processo de transição necessário entre os dois regimes (Regime Jurídico Único) e o de Contratos de Gestão. apresenta um balanço das atividades entre maio e dezembro de 1994.. O primeiro foi sua carta de intenções chamada O Presente e o Futuro do IBGE apresentada em dezembro de 1994... Essas mudanças positivas podem ser percebidas através de uma série de ações que implementaram uma forte . Simon também inicia o mandato com muitas restrições à essas áreas. São 28 páginas onde Simon expõe claramente os problemas da agência.. a medida em que o papel dessas áreas passa a ser compreendido mais amplamente.. de fazer uma integração com outras universidades para um atlas do Estado do Rio de Janeiro mas não foi bem sucedida.. Simon discute os problemas que os principais institutos de pesquisa governamentais apresentavam na ocasião e delineia o modelo de contrato de gestão em termos de controle e avaliação. principalmente os afetos ao funcionalismo que o compõe. Nele. além dos problemas concernentes ao equipamento de trabalho propriamente dito. preparado no contexto de uma reunião técnica com os dirigentes de instituições federais de pesquisa em novembro de 1994. restrições essas que vão. mostrando o que foi melhorado e apontando os problemas que ainda não puderam ser sanados. Tanto quanto os outros presidentes. e o maior deles é ainda o de pessoal qualificado.

em termos de computação gráfica e de redes de comunicação.ampliação do aparato tecnológico de trabalho. .

A Gestão de Mauro Melo na DGC . inclusive. e venho logo para o IBGE...” Essa era a primeira turma de cartografia no IBGE? Já era. eu digo que tive uma visão privilegiada. Meio Ambiente e o ambiente informacional que daria suporte às áreas... cartógrafos de boa expressão no IBGE como Rodolfo Pinto Barbosa e Ari de Almeida e os grandes geógrafos do IBGE que . que dão o perfil atual das Geociências na agência.. na Distribuidora de Energia Elétrica na Light. quer dizer.. se estava a meio curso do Atlas Nacional do Brasil e de uma série de Atlas como o do Ceará... Foram tomados os depoimentos de elementos formadores da “velha guarda”.... Cartografia/Geodésia e Meio Ambiente.. criando os mapas de correlações.. mas então. primeiro diretor de Geociências do IBGE e principal articulador da integração em as áreas que compunham a diretoria (Geodésia.. Geografia... quer dizer. participando desses diferentes projetos. No projeto dos Subsídios à Regionalização... Cartografia..... onde leciona no curso de Engenharia Cartográfica. a minha inserção na Cartografia se dá exatamente na passagem para a Universidade ao início do curso de Engenharia Cartográfica na UERJ... a minha foi a terceira turma.. participando de várias das discussões dos geógrafos nesse processo. como Miguel Alves de Lima e Speridião Faissol. no caso da Geografia do Brasil.. eu trabalhei com cartografia. Mas o que vamos registrar aqui são os depoimentos de profissionais que assumiram posições de direção após a década de 80... Atualmente Mauro Melo é professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e na UERJ. como estagiário exatamente em janeiro de 68. a turma que saiu em 70. Recursos Naturais.Professor Mauro pode começar a contar um pouco da sua trajetória pessoal e funcional dentro do IBGE ? “ Bom. trabalhando maciçamente na elaboração da documentação cartográfica. Alfredo Porto Domingues foi meu professor em algumas cadeiras para exemplificar. e também se iniciavam os trabalhos dos subsídios a regionalização. do Amapá... acho que no momento de transição do IBGE.. e participaram das políticas de integração das áreas de Geografia.. terceira turma. e no projeto do Atlas Nacional também.Os Diretores O segundo grupo de depoentes foram alguns diretores que gerenciaram as áreas onde a Geografia se localizou. a minha experiência profissional vem de trabalhos na área de topografia inicialmente. “Era a terceira turma. O primeiro depoente foi o engenheiro cartógrafo Mauro Pereira de Melo. uma coisa bastante desconfortável durante muito pouco tempo. não na Cartografia..... eu fui estagiar no Departamento de Geografia.. exatamente com esse convívio de cartógrafo e geógrafos. daquela época em que se terminava a Geografia do Brasil.naquela ocasião e tive o privilégio de ter alguns professores geógrafos de grande expressão.. que tiveram cargos de alta direção no período do CNG... além das unidades regionais que também produziam trabalhos específicos em seus espaços de atuação). ainda tive o privilégio de cursar Engenharia Cartográfica com um curriculum que era denso em geografias. elaborando cartogramas. os capítulos regionais..

. supervisão e lidando naquela ocasião com algumas tecnologias também de ponta.. houve uma regressão aí em termos da visão cartográfica.. e nós vimos na aproximação com o DEGEO principalmente na elaboração de Atlas uma reaproximação da cartografia com a geografia. na definição do Sistema Geodésico Brasileiro e treinamento de equipes para astronomia.. A todo instante buscamos uma aproximação com a área de Geografia até porque os Atlas estavam incluídos na programação de trabalho do DEGEO e víamos aí uma oportunidade também de crescimento do próprio pessoal da cartografia. nova visão geográfica e algum envolvimento com alguns mapas temáticos... interferimos. que veio a se transformar no Landsat e os estudos primeiros de aproveitamento de imagens. no Governo Sarney é que veio acontecer a oportunidade de absorver realmente o Radam. a intenção do Governo era realmente extinguir o Radam. ele conseguiu reverter esse quadro produzindo um Decreto que transferiu o Radam à Secretaria de Planejamento e num segundo momento estudar absorção por parte do IBGE... em que se rediscutiu o IBGE como um todo... naquele momento até com entidades externas ao IBGE.. e a entrada do mapeamento na Amazônia que era o grande desafio que nos acuava. Vale do São Francisco. onde se perdeu a visão geográfica da cartografia e a formação cartográfica se voltou mais para a questão cadastral. a visão do engenheiro geógrafo do século anterior. muito pouca participação até da geografia e mais da cartografia e logo depois os Atlas estaduais que estavam contratados e precisavam de um apoio maior como Maranhão.. quando nós interferimos através da Comissão de Cartografia. quer dizer. e tivemos a felicidade de realizar alguns Atlas.éramos chamados de caixa preta e tudo mais. Eu acredito que isso voltou a colocar um pouco a cartografia num eixo geográfico. a tarefa foi também uma visão privilegiada em termos de IBGE. a nossa tentativa ganhar uma aproximação maior da geografia até no sentido de reforçar a questão do papel do IBGE que era até todo instante questionado..participaram desses projetos...... realmente foi uma temeridade absorver um projeto dessa importância naquele instante em que nós não tínhamos nem claro que papel ele teria num novo IBGE. tinha muito pouca visão geográfica. o mapa regional do Nordeste nesse processo... no momento seguinte..... na época o Projeto Radam Brasil estava totalmente desassistido a ponto de ser definida sua extinção no final do Governo Figueiredo. eu não sei precisar na década de 70..... fui no momento seguinte para o INPE e aí outra felicidade... Superintendência de Geodesia onde posteriormente. para a fazer a pós graduação..” No depoimento do Edson Nunes ele coloca bem as dificuldades que foi de entender qual era a escala do Radam. O cartógrafo. quer dizer.. também com a Cia. organização e tudo mais. onde as preocupações básicas eram concluir o levantamento gravimétrico dessa área... ela foi rompida num ponto qualquer. fui para a área de Geodésia... isso já veio acontecer no Governo Sarney.. porque éramos as primeiras turmas a entrar na Amazônia com objetivo de mapeamento mais preciso.. Desenvolvimento do Vale do São Francisco. quer dizer. A grande oportunidade que nós vimos em avançar nesse sentido foi com a absorção do Projeto Radam... quer dizer.. Ao mesmo tempo que eu me enriquecia naturalmente com essa participação em termos de geografia. a SUDENE e aí saiu o Atlas do Nordeste... aliás no Bico do Papagaio na região de Xambioá em 1974 com a equipe da Quarta Divisão de Levantamento de São Paulo onde estava lotado e participei dos projetos de cartografia ao longo da década de 70..... quer dizer. e foi num momento crítico para o IBGE..... e me vi envolvido profundamente com. Na ocasião através do Presidente da Comissão o Pécora. todo mundo sabia que era um . comecei a trabalhar efetivamente com cartografia.. medição de bases.. nesse período da década de 80.. já de longa data... fui para a área de Geodésia. Piauí.. através das Divisões de Levantamentos.. participei do grupo que implantou a estação de recepção da imagem do primeiro satélite de sensoriamento remoto. fui trabalhar numa Divisão de Levantamentos que estava sediada em São Paulo...... na área de Geodésia... quando de meu retorno ao IBGE. já na década de 70. papel. Como foi o caso da EMBRAPA na Região de Carajás. quer dizer. fui Superintendente ao final da década de 70 até assumir a Diretoria de Geodésia e Cartografia no início de 80. aquela formação anterior de meados da década de 60 até o final da década de 60.. Flávio Pécora.. Roraima...

” .. PMACI I e II que monitoravam a ocupação ao longo da BR 364 e controlavam as áreas indígenas de Rondônia e Acre....” Que aí foi uma tentativa de tentar trabalhar uma escala dentro da Amazônia. para o final do ano de 86. também foi resultado de conflitos de poder no DEGEO. você tinha o Alfredo na geomorfologia eram poucos os especialistas. houve uma tentativa da adaptação do Aluísio Capdeville Duarte que era um geógrafo da área de regionalização.. uma escala intermediária..” . mas eu acho que foram um marco. não só da área de Recursos Naturais.. os diagnósticos territoriais eram todos com viés ambientalista .. A grande vantagem que tivemos com a absorção do Radam foi a oportunidade de sentarmos à mesa de discussões com uma proposta concreta do ordenamento territorial integrado. mas foram situações de cunho pessoal.. trazendo inclusive algumas tecnologias novas já voltadas para geoprocessamento.... e não uma decisão estratégica....... até como uma forma de costurar o pensamento humano. você tinha o Nimer como um líder de climatologia. evidentemente.... a experiência Projeto Nossa Natureza.......A experiência de Carajás.. eu acho que o Radam veio e deu organicidade..... tentando costurar o binômio natureza sociedade de uma forma mais integrada..Quantos projetos foram desenvolvidos naquele período ? “ Tivemos o ZOPot zoneamento de potencialidades. não se tinha naquele momento ainda.. a objetividade ao trabalho que era feito na área da SUPREN.. físico........ fruto de conflitos no DEGEO..E haviam muito poucos geógrafos que pudessem fazer.. Roraima e Periferia de Carajás. do César Magalhães que era especialista de energia... da questão dos Recursos Naturais. correu a reboque não... “ Foi um desafio.....do início dos anos 80. houve a construção daqueles quatro módulos iniciais que foi Xingú-Iriri.” . mas ao mesmo tempo também tentar fazer o que o Projeto Radam... quer dizer.. a SUPREM não tinha uma organicidade naquele período. “Exatamente.. sob a ótica da geografia e sempre buscando esclarecer essas interfaces entre os diversos subsistemas que compõem a natureza e a sociedade. o exemplo do grupo do Orlando Valverde. O que buscávamos era exatamente uma integração maior... tínhamos de adquirir essa experiência em termos de Amazônia.grupo muito importante e pessoas muito qualificadas e ninguém conseguia entender escala da junção de Radam com IBGE qual era a possibilidade.. nós absorvemos nessa época a idéia de integração.” .. foi interessante . esses trabalhos foram importantes. “ Periferia de Carajás é último. 87 isso tudo correu a reboque.. no âmbito do Projeto Nossa Natureza.” Houve até umas escalas interessantes. correu distante daqueles nichos que se discutia a criação de uma área de ambiente no âmbito da área da SEPLAN o que veio ocorrer em 87. quer dizer.. principalmente da exploração dos elementos da natureza. Rio Negro-Uatumã.pois inicialmente. Eu acho que os diagnósticos deram um pouco mais de trabalho inicialmente em escala Brasil. funcionasse como um catalisador dos interesses dos geógrafos e houvesse uma aproximação maior entre a área humana e a área física numa geografia de integração..... “ O que nós buscávamos ali era uma valorização da visão ambientalista da geografia... aí. o discurso holístico que veio perdurar já pelo meados. não na forma que vinha sendo tratada no IBGE em termos de SUPREN que eu acho que tinha muito pouca valorização da visão geográfica.. no contexto mesorregional...

até hoje orienta pesquisas no terceiro grau..Teve diagnóstico Brasil também.Renda familiar com poluição. mau uso do insumos no campo. aquela forma de acordar o Brasil. não era um instrumento clássico para planejamento. início da década de 80. ele foi uma tentativa de mostrar a esse pessoal que havia um limite de escape.” .. ele orienta as pesquisas de ocupação do território. por exemplo. foi aí a ruptura que nós tentamos fazer naquele instante...... o Diagnóstico Brasil foi um marco nos trabalhos.... quando a escala menor muitas vezes poder resolver seu problema.. “ Na área de planejamento..” “ E aí Schmidt é bom deixar claro que o grande sinalizador disso tudo foi um projeto desenvolvido no âmbito do DEGEO ainda isolado.. está tudo lá.... embora até hoje não tenha sido plenamente entendido. visão nacional.. como o Brasil lá fora.. a área acadêmica dá o valor merecido..000.. com isso. “ Eu acho que foi o primeiro trabalho que juntou renda familiar com poluição.... é um tipo de trabalho que deve ser repetido. se evita a história do sistemático quebradinho..... pois eles sempre trabalharam dentro dessa característica do levantamento sistemático em nível local.. principalmente na questão de poluição local de Manaus em função da industrialização. eu vivo repetindo para a eles ainda hoje que essa abordagem deles leva ao dilema de Jorge Luís Borges vai em escalas cada vez maiores até chegar em 1:1 e a informação se torna inútil para muitos e apenas relevante para uns poucos. por exemplo. para trabalhar no módulo de Rio Negro-Utumã... analisar alguns problemas em determinados segmentos... foi escolhido para a tentar essa aproximação entre o pessoal do Radam e do IBGE. “ Sim.. uso de defensivo agrícolas.. é o mesmo processo da amostragem na estatística....000 e aí você não vai conseguir cobrir o Brasil todo rapidamente. e aí poluição vista num nível mais geral... a questão da poluição em função de uso do solo....... Esse texto. há ciclos qüinqüenais.. Eu acho que ele ficou interessante. quando nós . etc.... ela dava a sinalização para políticas regionais. ele me serviu muito. foi o primeiro trabalho na escala de Brasil que apresenta uma preocupação com poluição.. quer dizer. relação política de governos anteriores... ainda Diretoria Técnica que foi Brasil: Uma Visão Geográficados anos 80.. é um trabalho que realmente acho que não foi entendido.. “ Isto tudo num processo único. isto é de 1:50... decenais... “ Exatamente.. aquilo ali deveria ser cíclico....” Analisar algumas conjunturas... problemas da regularização fundiária da década de 70 a 80.. Percebo que este era o grande problema que incomodava o pessoal do Radam.... 1:100..Claro. dali era possível fazer muita coisa.. antes do discurso neo-liberal do planejamento indicativo e do planejamento determinativo dos militares da fase anterior.. com industrialização.. pois abrangeu todo o país......” .” .... mas ele deveria ser até para a dar uma avaliação das políticas. principalmente na área governamental. Quando você lembra o Nossa Natureza..Porque ele organizou um quadro de referência importante. ali nós estávamos buscando modelos para a definição de políticas regionais. “ Eu digo que essa linha..” Plenamente valorizado como deveria ser.. o nosso problema é que a área governamental ainda não se percebeu a importância daquele tipo de abordagem. a parte de agrária......... que é muito difícil de trabalhar na escala de Brasil... não fazia sentido ir à escala maior. Ele foi um inspirador nessa linha de trabalho...

” . isso que é chamado geografia oficial. na medida que ela efetivamente em algumas situações ocorreu porque éramos um órgão do governo foi assim no período do Estado Novo.. e colocar a coisa numa visão pragmática também.... cartografia oficial. agora a conotação que se deu...... etc. quatro anos..” Não é governo de fulano ou de um partido. nos governos da era militar. estatística oficial na verdade é aquele conjunto de informações que eu chamo de estratégicas básicas para informar os processos de gestão do estado. não é governo. na verdade.” .regional..... exatamente... O IBGE.. ele subsidia planejamento..” Bom....” . e eu acho que não..... etc...... é que era uma geografia feita não para a sociedade. ou para o militar... certas informações serão sigilosas pois são são informações estratégicas. o IBGE é e continuará sendo uma agencia do governo federal e servirá à sociedade brasileira via estrutura de governo. porque o governo precisa daquele pequeno período de tempo que é..aproveitamos aquelas quatro áreas do zoneamento no Projeto Nossa Natureza... é uma agência de subsídios a planejamento.. virou um xingamento. porque uma organização social é essencialmente privada.. Collor. Embora muitas vezes eu sinto um choque ainda quando alguém ainda fala de geografia oficial como uma coisa fascista.Coisa que o governo precisa.... no de Juscelino. na era Sarney....... um professor na banca de qualificação argumentou que: mas afinal de contas.. não como uma agência do estado. ou no próximo.. “ E o que possa ser pedido hoje.... o trabalho apresenta situações muito semelhantes. “ Exatamente. três anos. ele dá dados...Ele informa. ele pode dar informação bruta.. então elas foram selecionadas até para se ganhar tempo no processo de domínio do trabalho... você tem uma preocupação muito grande com a palavra geografia oficial e não é geografia oficial o que é feita pelo governo? Eu respondi. é uma situação diferente. depende da ênfase que se dá a expressão.O que possa ser pedido hoje ou daqui. ele precisa daquilo para a responder alguma coisa ali. ele subsidia planejamento..” Essa foi uma expressão muito marcante na década de 80. grupos privados estarão dispondo de uma informação antes dela estar disponível. ele não é uma agência de planejamento... mas para o grande capital.....” . porque cada área dessa apresentava problema distinto no contexto da Amazônia...Para não ter de reinventar a roda... já era uma espécie de pré zoneamento. “ E aí se leva à distorção de hoje.. e que eu não consigo inclusive ver tantas diferenças entre o que Geisel pediu numa determinada situação ou o próprio Itamar possa ter pedido em outra.. um trabalho específico. como é que você vê a Diretoria de Geociências para o futuro ? .... ele pode dar uma informação trabalhada. de querer ver o IBGE como uma organização social.. que representa a sociedade. quer dizer. É um equívoco isso. mas ele não planeja necessariamente . para o estado. é subsídio ao planejamento da máquina de governo.. ele passa. “ Na verdade.. geografia oficial de estado é uma coisa... “ Ele informa todos esses processos.. ele pode fazer um diagnóstico. e nos períodos posteriores.....

não vejo nesse momento espaço para a eles nessa forma. vamos chamar de espacial no sentido que vem sendo dado hoje... se me fosse dado alguma decisão nesse instante.. isso é que precisa ser produzido a médio prazo. quer dizer.... mas percebo que é importante manter um núcleo que acumule.. Estatística e Indicadores Sociais.. mantendo as questões das estruturas setoriais vinculadas a esse núcleo cartográfico e faria um outro movimento. dos indicadores de qualidade de vida e um eixo de indicadores sociais mais coerente com as questões ambientais...” . é ela que faz determinado tipo de pergunta. e para isso ser medido.. a visão do território enquanto modelo gráfico. as respostas de média moda e variância tem que ser dadas pelo esse grupo de demografia..... porque a análise geográfica baliza isso melhor do que análise estatística .... .. hoje ainda o corte é muito temporal.. para que essa visão social não fique deslocada do ambiente.isto é um corte seco no tempo que é o que caracteriza exatamente a linguagem estatística... pela inserção do indivíduo no meio no ambiente físico perfeito. a visão da dinâmica e aí completa o território.. “ Isso ainda não aconteceu até agora...... aí. Geografia. quer dizer....DEISO hoje está na área da Demografia. DEGEO e a área de estatísticas sociais.Os dados que servem para esse tipo de trabalho.. a recuperação desses três idiomas... ficamos na velha antropometria..... “ Para a produção das estatísticas objetivas. ele não tem condições de funcionar no ambiente de hoje. que..” “ Em suma o que eu gostaria de resgatar são as três linguagens básicas que dão conta da questão territorial.” . eu não vejo na Geociências hoje. e o custo que isto implica.. de informações dessas áreas para combinar com os processos naturais. eu optaria por um outro modelo. que é o movimento DERNA... o IBGE não consegue levar para frente pois necessita de muitas outras visões... Um problema semelhante se dá com a pesquisa de Padrão de Qualidade de Vida... é a ligação entre o que se gostaria de que fosse perguntado........ quando na verdade.. com isso. eu teria isolada essa parte de Recursos Naturais..... e levanta o custo desse tipo de pergunta.” -Bom.“ O modelo geociências de nosso período teria de ser mudado... veja bem..... “ E fortaleceria gradualmente um nicho de geografia da população aqui nesse grupo e aos poucos ir roubando a parte de demografia para este contexto........ ela conseguiria respostas melhores no sentido das estatísticas ambientais... o território na sua dimensão espaço geográfico organizado acontecendo no tempo. portanto. mas eu voltaria a isolar a Geodésia e Cartografia.... do que é efetivamente levantado e usado pelos usuários.. quer dizer..... “ O que eu digo é que seria recuperar a idéia da geografia da população. se ela efetivamente vale a pena... é que dará realmente a visão territorial que cabe a um órgão como o IBGE produzir.. sistematize esse conhecimento entre demografia e espaço.. agora as análises . e aí é trabalho sistemático mesmo. eu redesenharia o IBGE com essas duas Diretorias e uma terceira ocupada exatamente com a questão Levantamento e Produção Estatísticas..... não é um retorno ao passado.. para a mim ela é mais geográfica. eu tenho impressão que esse nicho garantiria à geografia um grande papel.. teríamos que ver a questão da qualidade de vida. organize.. que é a qualidade de vida apenas vista pelo ângulo do saneamento e da salubridade da população. lembremos que a demografia é quem planeja o Censo Demográfico.......” Como ficaram os estudos de estatísticas ambientais..... é preciso produzir estes indicadores de qualidade de vida ligados às estatísticas ambientais.. a questão do território enquanto uma dinâmica temporal que é o caso da estatística e a dinâmica do território do ponto de vista espacial.. até porque a área lá do DEISO eu não sei qual é o nome hoje......

a se sobressair muito mais do que o próprio Goeldi.. pois desincompatibilizou-se com o serviço público para candidatar-se a deputado federal pelo PSDB de Santo André. mas em alguns momentos. e perdendo. concurso 1976 se não me engano e entrei como analista Júnior no CNPq.. Ministério da Educação. o primeiro presidente do IBGE vindo da iniciativa privada. e peguei o estudo num momento de grande dificuldade econômica. Foi a primeira experiência de um administrador público numa área técnica de Geociências. no Instituto Nacional de Administração Pública e depois aqui no Brasil na Fundação Getúlio Vargas. evitando assim futuros conflitos entre departamentos e incentivou a ampliação de diagnósticos integrados. Geografia. Meio Ambiente.. quando Sérgio também já havia saído do IBGE e retornado à presidência do Jardim Botânico.. Gostaria que o senhor descrevesse sua carreira até sua chegada no IBGE “. muito tempo depois. com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. isto é em gerenciamento desses segmentos. dificuldade de contratação de pesquisadores e até dificuldade no seu relacionamento entre o governo Federal. Foi durante essa gestão que Sérgio Bruni incentivou o processo de implantação do projeto de Regiões de Influência das Cidades. em dois anos no Museu Goeldi foi um experiência muito rica porque eu saia do CNPq de uma situação macro da Amazônia onde era cômodo.. Um projeto dessa magnitude. interage também com a Diretoria de Informática.. projetos de atividades científicas. E se o presidente não vislumbrasse o REGIC como um projeto típico de ampliação de mercado para o IBGE no campo dos subsídios às consultorias e governos municipais. porque o Goeldi realmente tem coleções . na Escola Brasileira de Administração Pública e meu primeiro emprego público foi no CNPq. como forma de acelerar essa integração interna.. além dos problemas inerentes às unidades regionais sediados em alguns estados). projeto caro e de logística bastante complexa pois interage diretamente com a rede de coleta. principalmente durante a saída de Eurico Borba e na conseqüente gestão de Sílvio Minciotti.. através de seus chefes de agências que respondem às questões concernentes à pesquisa... administrador público da área de ciências. Sua atuação no Conselho Diretor . sem bem que a experiência de Sérgio Bruni tem uma forte componente nos segmentos dos estudos botânicos. Sérgio iniciou um processo de equilíbrio de poder entre essas áreas. onde está até agora. foi importante. Instituto de Desenvolvimento Florestal. Após o período de adaptação e de entendimento da complexa heterogeneidade das diversas áreas de especialização da casa (Geodésia. Cartogarfia.. ele passou em algumas áreas de conhecimento. no caso do próprio CNPq. Museu Emílio Goeldi.. A rápida passagem de Minciotti no IBGE (nove meses apenas. O INPA foi criado depois do Goeldi. não no que tange as coleções. porque eu simplesmente avaliava o programa. pouco depois eu fui trabalhar no Museu Emílio Goeldi onde fui vice diretor.” .. naquela ocasião fui supervisionar os estudos sócio econômicos do CNPq na Amazônia isso durante cinco anos e isso já como supervisor do para programa do CNPq para a Amazônia. foi trabalhar na direção da FEPASA em São Paulo) não impediu a continuidade do projeto.mas granjeou-lhe muitos inimigos em outras diretorias.Eu fui estudar economia em Brasília e fiz pós graduação na área de administração pública na França..Gestão Sérgio Bruni na DGC O próximo diretor a dar o seu depoimento foi Sérgio Bruni.Isso em que época mais ou menos? “ Isso em 83. que foi terminado na gestão Simon Schwatzman. com experiência no CNPq. que prepara o ambiente computacional para a geração dos bancos de dados e a posterior classificação das hierarquias de redes urbanas e do mapeamento final. não sairia se a influência de Sérgio Bruni sobre o presidente Minciotti não fosse forte... Jardim Botânico..

depois eu fui para o MEC.... e a área de estruturas territoriais na verdade era uma área de suporte a Censo e a base de dados geodésicos era uma mais operacional....... hoje IBAMA.. não tinha nenhuma idéia de levar uma estrutura de fora para a operar numa organização tão complexa. se tivesse um Diretor Geral que ficasse mais com a relação política. nesse período então Eurico Borba recebeu convite do Ministro Marcílio Marques Moreira para a assumir a Presidência do IBGE e me convidou assumir a Diretoria de Geociências.. onde tanto no Goeldi ou no próprio MEC. eu aceitei o desafio. era uma questão pessoal... primeiro para a entender se eu teria algum tipo de competência para a entrar naquela questão. criando um Centro de Documentação da Amazônia. Recursos Naturais e Meio Ambiente onde eu trabalhava a cerca de vinte anos.. ele me passou os dados e as áreas que estavam na Diretoria eram áreas que tinham uma certa proximidade com que eu já havia gerenciado. muito ligado ao então Presidente José Sarney e isso facilitava muito a operação se pode estruturar uma série de projetos novos. uma política de qualificação de recursos humanos.. na cartografia eu era usuário. os demais permaneceram e um coisa que eu ..... representantes de organizações não governamentais que passaram a orientar a ação da Diretoria. Posteriormente... naquele tempo já se fazia aquele sistema. de forma que pela primeira vez o CONAMA/IBDF pode ter um colegiado onde os diversos seguimentos que trabalhavam no setor vegetal podiam opinar. já no Rio de Janeiro. foram pouco mais agressivas. conhecia a literatura... eu fui ser diretor do IBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal hoje extinto... foi uma experiência muito interessante.. e a primeira medida que eu tomei foi pedir a todos os chefes de Departamentos que ali estavam... a espinha dorsal do IBAMA... quer dizer. tinha a área de Geografia.. então. mas na geodésia eu desconhecia o tipo de trabalho. então foi um trabalho muito interessante.. eu pedi a ele que a documentação que ele tinha sobre o assunto..... familiar... mas nunca trabalhara.. mas na capacitação de pessoal.. felizmente a maior parte atendeu.. estruturando melhor o Departamento.. o Goeldi era um Instituto mais clássico.. uma área de função técnica científica que não se tinha. então foi uma experiência muito interessante.As relações com o esquema internacional de pesquisas.... Bom. e capacitação....... se iniciava naquele momento com grande esforço. então foram dois anos muito interessantes onde pude inclusive participar de uma reformatação do Goeldi para a estrutura que hoje ele tem.. variação de novos projetos etc.... tinha área de cartografia e geodésia. passei alguns anos lá no IBDF e foi uma experiência muito interessante porque a gente criou um colegiado composto também por professores universitários. que permanecessem em seus cargos.. o que hoje o CONAMA faz na escala de Brasil. quando iniciou então o governo Collor eu pedi demissão do Jardim Botânico fui ser professor da Escola Superior de Guerra e foi criado então uma disciplina que era Ciência Tecnologia e Meio Ambiente onde eu fiquei como responsável por uns dois anos.. foi um embrião o CONAMA.. as pós graduações oferecidas.. mal ou bem de algum maneira eu conhecia o tipo de trabalho feit. o Presidente na ocasião era o Jaime Santiago que era um economista sergipano de muito bom nível. no próprio CNPq. se estruturou o laboratório de produtos florestais do hoje IBAMA. e pudemos enviar para o exterior diversos pesquisadores..... porque essa vice diretoria acabava de ser criada e eu fui o primeiro a ocupá-la... e fui trabalhar na DGC......” ...... de captação também de recursos. após cursar a Escola Superior de Guerra fui dirigir o Jardim Botânico.. para o Ministério de Educação eu fui ser subsecretário de primeiro e segundo grau quando o Marco Maciel assumiu passei um ano e meio trabalhando basicamente com educação básica. então na verdade a relação que se pretendia naquele momento era que tivesse uma vice diretoria que fosse a vice diretoria executiva. por exemplo. operacional da Divisão. um só por uma questão pessoal que era o Túlio que era o Chefe da Cartografia já estava acordado com a presidência ida dele para Porto Alegre. a articulação no setor empresarial. depois dessa experiência e de outra na Secretaria de educação e Cultura de Roraima... etc.. acoplando um Departamento hoje de Museologia que não se tinha na época. pesquisadores de institutos de pesquisas. “ Exatamente.fantásticas não se pode comparar.

. quer dizer....... “ Isso. mais ou menos alguém já sentia um vasos comunicantes já se estruturando... eram unidades quase autônomas para decidir determinados tipos de trabalho com governo local etc.... o primeiro foi instituir reuniões de colegiados. outra coisa que me preocupou muito foi o atraso do cronograma de publicações.um ponto que foi muito importante.. as áreas de produção.....se não começássemos a encaminhá-los iam ficar obsoletos... na Bahia quando se lançava lá a Bacia do Paraguaçú. “ Exatamente. os programas aprovados pela Diretoria..” ... e isso era completamente fora da tradição da antiga geociências que possuía uma estrutura muito centralizada nos departamentos e no diretor.. por exemplo...E dentro do IBGE também. isso.. este choque de filosofia de trabalho criou muitas dificuldades entre a DGC e o pessoal do Radam lotado nas regionais... não que não fosse relevante....... a segunda foi valorizar mais as unidades regionais que estavam. era o pouco que se conhecia dos trabalhos da Diretoria de Geociências externamente ao IBGE....... que claramente estavam em baixa prioridade. e com isso... e era um projeto bem dispendioso.....etc. o livro Geografia e Meio Ambiente e a Questão Ambiental no Brasil terem sido lançado na Reserva do IBGE com o Ministro do Planejamento presente. mas dentro do IBGE. e tal..defrontei no primeiro momento..... houve reuniões com os Secretários de Estado de Planejamento e de Meio Ambiente. eles sempre tiveram unidades regionais importantes... eles tinham o orçamento..mas fora. com a chegada do Projeto Radam. a estratégia que se montou foi de se tentar criar uma pequena estrutura de suporte de comunicação para não depender da comunicação da Presidência do IBGE... se deu realmente uma divulgação muito grande à DGC. Essa valorização foi possível graças ao empenho do Ministro do Planejamento o Beni Veras que garantiu os recursos financeiros para esta equalização da diretoria. mas eu achei que tinha que ser dado um certo balanceamento as demais áreas.. agora. a tradição de áreas regionais em cada estado na estrutura do IBGE era na área de estatística e não na área de geociências.... a ênfase absoluta era o Atlas que era relevante.. tinham textos prontos com cinco anos de espera para editar. e é um problema antigo... e tentar dar uma balanceada nas dotações dos departamentos.. coisa que o IBGE tem muito pouca. as áreas de editoração numa Diretoria e a área de publicação em outra. na minha avaliação.. então as primeiras ações enfocaram dois pontos básicos....... E aí tinha um situação que historicamente sempre foi um complicador. diversos produtos foram amplamente divulgados..... quer dizer. era a modernização tecnológica da cartografia.. mas não havia uma real integração das regionais de geociências aos departamentos da sede. enfim. a tentativa de se fazer um pouco marketing institucional..... importante ninguém nega o mérito.” Isso ainda é problema muito sério no IBGE.” ... só que a DGC tinha outras linhas de trabalho. pois são áreas situadas em diretorias diferentes. e o processo de autonomia foi cautelosamente incorporado.. então é um negócio extremamente complicado de se definir prioridades. era que o eixo grande da política da DGC naquele momento.... que se observava claramente..a ponto do próprio mapa de áreas de conservação ambiental da Amazônia ter sido lançado na sala de trabalho do presidente da República. que tinha objetivos muito mais macros.em posição muito secundária.. era um desconhecimento muito grande. eu acho que era um ponto importante. de uma certa maneira o pessoal do Radam lotado no Rio conseguiram minimizar essa situação... e com reportagem especial no programa de TV Bom Dia Brasil...... na própria área de Geografia de Recursos Naturais. dentro da Diretoria...... na minha avaliação....... “ Também dentro do IBGE..... mas você chegou no ponto justamente de transição.. A DGC estava com muitas dificuldades de serem editoradas e impressas na própria gráfica do IBGE os frutos de suas pesquisas.

pois ficou durante muito tempo sem uma explicação para a dentro da Casa e para a fora.... alguns dirigentes da própria Diretoria de Geociências me procuraram.. uma visão completamente distinta..Muito pouca experiência disso.. ninguém melhor do que o Instituto .... uma tradição negativa e que é o seguinte: não gostamos da imprensa. o ex-presidente Eurico Borba era um conhecedor histórico do IBGE. você pode analisar melhor. isso ainda gera um propaganda negativa. e o Silvio Minciotti . além do que ele poderia servir de suporte à Instituições Governamentais e Instituições privadas. a mostrar seus trabalhos.... um convênio.. pois cobre da Geodésia à Geografia. dois grandes Institutos. cada dia mais políticas nacionais e mesmo ditames internacionais tratam da questão de desenvolvimento sustentado...... um ponto importante também que me parecia era o Presidente da instituição entender o que se fazia intra muros na Diretoria. naquele momento... tinha uma visão completamente distinta. quer dizer. por que o índice nos coloca na imprensa todo os mês. porque ele tem infra estrutura toda.... ele era um grande gerente. mas ainda tem pessoas em postos de decisão na casa que acham que o IBGE deveria só fazer Censo... vou lhe dar um exemplo: o IBAMA tem uma meia centena de Parques Nacionais.... você tem mesmo dentro da DPE.. eu não acho que é o mais adequado.. mais ainda do que se tem feito. etc. Quarto.. “ E pouco interesse... talvez fosse o grande momento de ter se criado o Instituto de Geociências e eu iria o seguinte: seria hoje um dos grandes institutos brasileiros. um grande consultor de empresa em São Paulo.. eu acho que foi um erro histórico meu.. que estava chegando. tem recursos humanos de bom padrão.. Segundo. então naquele momento o próprio Sílvio me perguntou isso.o índice de preços do IBGE ele é efetivamente o melhor índice de preços do Brasil... e tal... onde eles operassem consorciadamente em determinadas vertentes.” Aí tem também uma outra questão de tradição da Casa. deveria vender produtos de uma maneira correta a nível de mercado e que esse lucro deveria ser reinvestido na produção das atividades de divulgação dos produtos da Instituição. ele mede melhor o movimento de consumo da população urbana. pessoa que acompanhou o Isaac.. de empresas que se utilizavam dos dados” .. Terceiro... essa área de Geociências começando a mudar..... “ Exatamente ele vinha com a visão crítica por ser usuário de determinadas vertentes da própria Instituição... já tem cinco anos que eu não estou no IBGE.. se tiver três ou quatro que tenham planos de manejo vigentes são muitos... a melhor cobertura de pontos de venda. porque eu achava que o IBGE tinha acabado de entrar num plano de carreira de ciência e tecnologia. tem tudo montado.. as greves. para o bem ou para o mal.. Portanto. etc. num determinado momento algumas pessoas. da área de Estudos e Pesquisas muita gente ainda que não gostou da atitude do Isaac de ter trazido índice de preços para o IBGE. continua sendo hoje. etc. porquê? Primeiro. então efetivamente ele é o melhor...... eu disse: olha.. ele tem um produto integrado que nenhuma outra instituição brasileira pode ter. mas tecnicamente ele é o melhor índice. e todo esse acoplamento ao Radam foi muito positivo.... pois mede as nove áreas metropolitanas e mede mais de trinta mil produtos. pode-se criticar os tempos de inflação.. que se poderia até se especializados em determinadas vertentes.. uma visão de que o CDDI. não diria só inexperiência não... o Presidente havia mudado... eu era contra naquele momento... etc.a área de Geociências tem tudo que se poderia tratar desse instituto em nível de total qualidade. “ Com certeza. Instituto Nacional de Geociências e o Instituto Nacional de Estatística por exemplo. por exemplo. mas também era um doutor na área de gestão... eu diria hoje o seguinte: passado bom tempo... e terem um protocolo de intenções... quer dizer.Tinha sido usuário de dados e também produtor...... tem gente... porquê não o IBGE se dividido em duas grandes áreas. tem um capacidade instalada que ninguém instalaria do dia para a noite. então eu acho que quando a gente tem uma visão pouco mais distanciada do teu objeto.

.. e em termos de política de pessoal. da Amazônia.......” ... isso faz uma volta ao ciclo. eu ficava preocupado.... duas estruturas. como no caso Teresa Cristina.. mas seria o mais capacitado para a tarefa no médio prazo. “ Pois é. mas não consegui êxito... “ Complicadíssimo.. esse era um dos inúmeros problemas que somente foram resolvidos com a gestão do Simon.” .. da Universidade do Pará..... várias aproximações sucessivas.. grandes mudanças ocorreram tanto no corpo técnico que planejava as pesquisa. etc. se ela não tivesse uma boa relações com a rede de coleta..” .... você tem que inovar. meu Deus.. e aí era aquele período já Collor. participação da EMBRAPA...... os seus Conselhos Diretores. “ Até regionais.. e se o Diretor. o IBGE volta a ser único.. Conselho Nacional de Estatística e Conselho Nacional de Geografia.... com certeza ele estaria lá com outro status.... é que nós acabávamos de entrar num plano de carreira novo Ciência e Tecnologia.. com muito mais operação.. que poderia realizar isso.Engraçado. era muito fechado... o IBAMA não entrou....Nacional de Geociências para ser o órgão....... esse é um órgão com aquela história. a área de estatística naquele período. não fazer os cinqüenta ao mesmo tempo...Montar uma política de plano de manejo específico só para o segmento de parques nacionais.” .. que em termos teóricos é perfeitamente lógico..... na década de 40. nós voltaríamos ao que o IBGE foi antes.. “ Exatamente.. que foi muito complicado. você falando nisso me lembra muito. formando grupos. Parque Amazônico. O próprio Eduardo Augusto na gestão do Collor.. e diga-se de passagem e o IBGE ficou quase fora também. por exemplo.. o segundo ponto é que havia também um dificuldade um pouco grande porque na ocasião a Diretora de Pesquisa do IBGE era uma pessoa muito difícil de você se relacionar.O gerenciamento poderia ser feito pela área local de Belém. nada novo os empolgava. chama alguém da Universidade do Amazonas. no pior momento que se podia fazer. mas esse era o primeiro ponto. o grupo era muito hermético.. hoje em dia as coisas mudaram... A Diretoria de Pesquisas. o conhecimento do Brasil que se tem... com muito mais força operacional. não pode ficar na mesmice. já que o Silvio colocava a questão para a discussão.... o que me levou a não andar com essa idéia.............. separados.. e nós deixamos passar.... mas você vê..... quer dizer. mas se você não tivesse essa aderência à rede . fez uma mudança estrutural na rede de coleta. eu tentei com retumbante insucesso. e efetivamente não tinha. então o quê acontecia? podia criar pesquisa novas. quer dizer. mas aí a preocupação maior naquele período passou a ser estatística mesmo. no que tange ao Projeto SIVAM por exemplo. não era possível avançar nos trabalhos.. que se dizia que o .. procure o IBGE. só que ele fez num tempo curto. ele estaria o quê? Formando equipes... talvez naquele momento. eles realmente tinham muitos problemas..Aliás.. de Goiânia. Por exemplo eu sempre achei que a CPRM não tinha a menor infra-estrutura em relação ao IBGE em termos de interdisciplinalidade e de equipamento instalado para tentar adentrar com uma perspectiva de mercado. eu participei das reuniões. só se teve efetiva fusão em 67 com a Fundação IBGE na gestão do Aguiar Aires e depois na do Isaac..... se você tem a base de dados que se tem. o IBGE tinha isto na mão... as vinculações entre DPE e rede são vitais. pegasse um Parque da região lá do Norte. se você tem que conhecer o Brasil.. quanto na rede de coleta..

e apresenta-los enfim. segundo. sem querer. mais um razão para a que entenda o nível de problemas que a DPE estava enfrentando... a maioria tomou a decisão. a grave pela greve. então foi o período que eu fiquei. puxa. primeiro foi ter possibilidade de você operar com diversas vertentes e com perspectivas novas na Instituição e o trabalho da Reserva é um deles. estava negociando a saída do Jardim Botânico do IBAMA para a transformação do Instituto. o que eu achei assim muito produtivo nesse período. etc. o negócio é completamente incoerente.” .... a manutenção da Reserva Ecológica do Roncador em Brasília (até por que. numa situação onde funcionários estão sem referência. um mês e meio que era o período que eu estaria vindo aqui para o Jardim Botânico. com bom padrão técnico científico.. eu já havia dito ao Simon quando ele chegou que eu ficaria um mês.. e não foi má intenção do Eduardo Augusto.funcionalismo público deveria ser drasticamente enxugado.. através do gabinete do general Romildo Caim determinava que cortasse o ponto e punisse com o rigor da lei... eu achava que se devia levar para um local de melhor acesso... terceiro... “ E eu peguei uma coisa mais grave ainda. foi. eu sempre fui contra.... mas foi a única grande mágoa que eu guardei.. a Casa.... sendo Sérgio um profissional ligado à área Botânica. traz o povo para a Lucas.. não pegou o período das greves iniciais..... eu vou sair.) e a sua preocupação de divulgar sistematicamente os produtos concluídos... os companheiros dos Sindicatos conseguiram tomar um cafezinho com pão de queijo no Palácio Jaburu com o então Presidente Itamar Franco que através de assessores me determinou que abonasse o ponto e eu disse que não faria. mas pegou o período do Eurico. ou na posição do IBGE perante o grupo de institutos de pesquisa do governo federal... por pior que se tivesse. durante seu longo depoimento.. bom. levantou várias questões que interferiram em sua gestão ou que ele viu como importantes no gerenciamento da Diretoria de Geociências.. em época de grandes contenções sempre vinha aquela história. Alguns pontos de maior destaque foram a incorporação do RADAM. então o quê aconteceu? Quando você tem uma mudança pesada na rede. a melhoria da própria rede física dos departamentos.. quebrou-se uma boa parte da rede de coleta.... “A Reserva é uma coisa interessante.. num nível lógico precisava haver uma reforma da rede.... a existência da Reserva era um fato positivo em sua visão. isso sem contar o período que você enfrentou.... então quem atende o governo é punido.. o Collor vai chegar vai botar todo mundo na rua. Edson Nunes. eu acho que você pegou menos. pelo menos na Praça da Bandeira estaríamos num ponto mais ou menos focal. de você fazer realmente uma congregação de esforços em cima de um só objetivo operacional que era revisar os produtos antigos.. nessa hora.. mandam eu cortar.. criar novos.... além do problema de alocação física dos departamentos de Geografia e de Meio Ambiente num mesmo local que garantisse a acessibilidade e a intercomunicação entre seus técnicos com relativo conforto.. então a Secretaria de Administração Federal SAC. começa num período de Edson Nunes.... foi o seguinte: quando o Sílvio saiu o IBGE eu fui nomeado Presidente interino durante esses quarenta e cinco dias e quarenta e dois dos quarenta e cinco foram de greves... e tal. porque foi no período Edson Nunes.” Sérgio Bruni. só que ela foi feita num período horroroso.... eu achava que.... quer dizer. mas havia sempre uma política que argumentava.... felizmente três dias depois eu fui substituído pelo Simon e pelo que eu soube foi abonado o ponto. quarenta e três dias depois.

. poderia ser ampliado com novas construções.. o IBGE só tinha prédio próprio na regional no Ceará....Isso foi um grande problema para o pessoal lotado em Parada de Lucas. outra coisa também que era importante.o Regic. quem trabalhava.. doutorado..... .. mas que era muito pequeno.. porque ele sabia que a Cartografia não iria sair de lá. a única saída que se tinha era o próprio plano e carreira de ciência e tecnologia. e que não consegui levar. conseguir levar um órgão de nove mil pessoas que só devia ter vinte doutores....O Eurico. e depois foi institucionalizado. só é parcialmente própria... não levamos nem um ano mas conseguimos... mas o Eurico e Silvio. eu me lembro. o local tinha espaço..E aí era um problema....... é um negócio tão complicado... em outros estados era o mesmo problema..temos que tentar dar um jeito de concentrar esse IBGE num canto só. é claro que ele via como lógica toda a Geociências ir para a Lucas. e que tinha mais gente qualificada com titulação. “ E outra coisa.” . que ele disse que até hoje o pessoal dessa comissão deve estar querendo mata-lo por ele ter forçado essa situação. eu sempre falava com o Eurico.... ele começou a ser feito em final da década de 60..... como o Mauro Melo tinha suas prioridades focadas na cartografia. mas havia estruturações anteriores que é uma............. que demanda muito dinheiro.” ... que eu fiquei encantado foi aquela questão da influência das cidades....... o número de profissionais com Mestrado e Doutorado.... ou a gente opera o dia a dia em vários projeto ou a gente vai ficar só na rede física.” Exatamente. trocando informações e reuniões com os outros órgãos..... a sede do IBGE também. que possui um potencial enorme para o planejamento urbano..... “ Que era um horror. e o IBGE tinha tão poucos. mas esse era um problema sério.... que sempre foi feito. com a regionais também. que ele acompanhou na gestão de Sílvio Miciotti.. mas aí era tanta burocracia para a se conseguir autorização para a se construir que não se avançava nada. o resto todos eram alugados. não se tinha a Linha Vermelha naquele período. eu fui a Bahia negociamos lá com o vice-governador. outras dependências são alugadas. tinham grandes dificuldade. “ Você quer ver um estudo que eu achava que era fundamental... serviços....... e aí era de novo aquele negócio de prioridade. souberam conduzir com habilidade essas negociações.. um dado que ele deu para a comissão que estava avaliando. um órgão pequenininho como o Jardim Botânico....... agora.... com o Sílvio bastante tempo e dois tiveram muita habilidade para a num consenso colocar isso. então aquilo é um tarefa institucionalizada.. mas era um local de acessibilidade muito ruim. eu fa