Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998

Por

Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Orientadora: Lia Osório Machado

Rio de Janeiro 2000

Almeida, Roberto Schmidt de A Geografia e os geógrafos do IBGE no período 1938-1998 / Roberto Schmidt de Almeida. – Rio de Janeiro : Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2000. 2v. Orientadora: Prof. Dra. Lia Osório Machado. Dissertação (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. 1. Geografia – História – Teses. 2. IBGE – História – Teses. 3. História oral – Teses. 4. Geógrafos – Brasil. 5. Formação profissional. 6. Geógrafos – Biografia. 7. Memória. I. Machado, Lia Osório. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título CDU 91 (091) GEO

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998:

Por Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Banca Examinadora

Professora Doutora Lia Osório Machado orientadora

Professora Doutora Maria do Carmo Galvão

Professora Doutora Marieta de Moraes Ferreira

Professora Doutora Lucia Lippi Oliveira

Professor Doutor Paulo César da Costa Gomes

Rio de Janeiro, RJ - Brasil

2000

Para os Geógrafos e os demais profissionais de outras formações, que garantiram a qualidade da Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ao longo desses anos. Isto é, aos que criaram o documento e guardaram a memória.

A memória alimenta uma cultura, nutre a esperança e torna humano o ser humano Elie Wiesel

Agradecimentos Desejo agradecer primeiramente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que, com sua política de aperfeiçoamento de pessoal, garantiu-me o tempo necessário para a conclusão deste trabalho. Política que o IBGE vem mantendo sistematicamente desde sua fundação e que resultou na alta qualidade de seus quadros técnicos, tanto em Estatística, quanto em Geografia, Geodésia, Cartografia, Economia, Sociologia, Ciências Naturais e Computação, áreas do conhecimento em que o IBGE opera direta ou indiretamente. No contexto da Diretoria de Geociências, desejo explicitar as pessoas dos diretores Sérgio Bruni e Trento Natali Filho que garantiram o suporte técnico para que eu pudesse me afastar das tarefas burocráticas e pesquisar as atividades da área. Agradeço também a paciência deles ao dedicarem boa parte de seus tempos nos processos de gravação de seus depoimentos e nas discussões preliminares a esses depoimentos. No Departamento de Geografia, onde trabalhei 29 anos, as figuras de César Ajara e Maria Luíza Castelo Branco, os dois últimos chefes de departamento, foram fundamentais na garantia das condições físicas de pesquisa para que este trabalho fosse concluído. No contexto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, a liderança de David Wu Tai foi importante no processo de viabilizar meu acesso aos acervos históricos do IBGE, inclusive, me garantindo duas viagens de pesquisa aos arquivos históricos do IBGE localizados em Brasília, na Reserva Ecológica do Roncador. Em Brasília, a amável acolhida de Iracema Gonzales, responsável pela Reserva Ecológica e Guiomar Almeida e Silva, do Escritório da Presidência do IBGE em Brasília, foi de grande importância, facilitando minha pesquisa. As figuras de Maria Teresa Passos Bastos, Edna Maria de Sá Morais, Regina Acioli e Josiane Pangaio foram incansáveis nas etapas de pesquisa de documentos e na editoração final da tese. Ao corpo de professores e funcionários do Departamento de Geografia da UFRJ, que me garantiram um estimulante ambiente de estudos, propiciando uma ampliação de meus conhecimentos nos estudos geográficos. Aos colegas pesquisadores do Curso de Mestrado em Memória Social e Documento da UNIRIO que me garantiram um intensivo treinamento nas técnicas de gravação de depoimentos em História Oral durante o trabalho sobre o Bairro da Urca, fundamental para o desenvolvimento de minha pesquisa. Explicitados todos esses agradecimentos, resta-me criar uma categoria muito especial de reconhecimento à minha esposa Sônia Rocha, economista que conheci no DEGEO, e com a qual casei-me em 1981. Até hoje, continuamos intensamente trocando conhecimentos sobre os mais variados assuntos, até mesmo geografia e economia... e no meio tempo, cuidando de nossa filha Monica e de nossos gatos, Gatucho ( já falecido) e Bali .

Resumo

A reconstituição histórica do conjunto de atividades levadas a efeito entre os anos de 1938 e 1998 por uma comunidade de pesquisadores geográficos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, é o principal objeto desta pesquisa. A relação entre Documento e Memória preside este trabalho, no qual documento expressa o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) enquanto memória exprime a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE. Essa relação esclarece sobre as diferentes conjunturas nas quais foi gestada a produção geográfica, além de desvendar os diversos conflitos de natureza política, científica, corporativa e pessoal enfrentados por esses geógrafos, ao construir o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O trabalho abarca um período de 60 anos, tendo como pano de fundo, os contextos político, econômico, científico do país que se desenrolam paralelamente a quatro constituições, vinte e dois mandatos presidenciais (vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves. Seguidas por alguns períodos excepcionais como o Estado Novo (1937 a 1945), da renúncia de Jânio Quadros até a queda de João Goulart (1961 a 1964), o dos governos militares (1964 a 1985) e o dos três governos posteriores. No campo do Pensamento Geográfico, a pesquisa rastreia as principais mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico influenciando, via escolas francesa, alemã e anglo-saxônica, nos principais trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.Finalmente, acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. De início, quando aliavamse à necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração, levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. Ultimamente durante os governos pós-militares na década de 90, quando a palavra transição tornou-se o mote principal, referenciada, tanto às questões científicas, quanto as tecnológicas, e a noção de crise, financeira e gerencial, passou a figurar prioritariamente nas preocupações dos legisladores e dos planejadores do aparelho estatal.

Summary The main objective of this research is the historical recollection of activities pursued from 1938 to 1998 by a group of geographical researchers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the largest government agency on territorial planning in Brazil. The relation between Document and Memory command this work. Document refers to what is printed (legislation, projects, reports and the geographers' intellectual production, as reports, books, atlas and articles), while memory relates to the personal experience of a group of professionals, through their taped and transcribed oral testimony, describing their trajectory in IBGE and explaining the conditions under which their geographical production developed. The work also narrates the many political, scientific, corporative and personal conflicts which arose during the development of the so-called Official Geography.The work covers a 60 year-old period, having as background the country´s political, economical and scientific events, thus paralleling four constitutions, twenty-two presidential mandates (twenty-one presidents and a military committee), as well as a succession of political crises, which led to some exceptional periods as the Estado Novo (1937 to 1945), Jânio Quadros´s renouncement to João Goulart's fall (61 to 64), the military rule (1964 to 1985) and the three subsequent governments. The research trails how the main methodological and technical changes in the Geographical Thought, influenced by the French, German and Anglo-Saxon schools, affected the mainstream of IBGE´s geographic production. It focus on the standing of Geography in Brazil. Firstly, during the period when, at the same time, there was the need to describe the territory and to pursue its administrative integration, which was Getúlio Vargas` engagement during the Estado Novo. Lately, during the post military governments in the nineties, when the word transition became the keyword in scientific and technological matters, while crisis, financial as well as managerial, became the central concern of legislators and planners.

Sumário A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998 Introdução do autor....................................................................................................................... Apresentação................................................................................................................................ Capítulos Introdutórios I- A Relação entre Documento e Memória no Contexto da História Oral.................................. II- O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? .................................................. III- O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE Parte I - A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução - O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia .................................. Capítulo I - A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro ........... Capítulo II - A Estruturação das Áreas de Geografia, Geodésia e Cartografia no IBGE.............. Capítulo III - A Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE ........ Parte II - A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução - O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico no Século XX ............................ Capítulo I - O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas Sociedades Geográficas, na Universidade e no IBGE ................................................................ Capítulo II - Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE ....................................................................................................................................... Capítulo III - A "Velha Guarda" da Geografia do IBGE, a Estruturação das Lideranças Pioneiras ....................................................................................................................................... Parte III - O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução - Uma Experiência de História Oral ............................................................................ Capítulo I - A Aventura dos Depoimentos Gravados Com os Profissionais ................................ Capítulo II - O Processo de Escolha da Carreira ......................................................................... Capítulo III - Na Arena de Trabalho ............................................................................................ Parte IV - As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução ..................................................................................................................................... Capítulo I - Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia : uma análise de suas práticas profissionais .................................................................................. Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE .......................................... 1- Regionalização ......................................................................................................................... 2- Ocupação do território e habitat ............................................................................................... 3- Industrialização ........................................................................................................................ 4- Urbanização ............................................................................................................................. 5- Modernização da agricultura ................................................................................................... 6- Caracterizações Ambientais ................................................................................................... 7- Diagnósticos Sócio - Ambientais Integrados ..........................................................................

Capítulo II - As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia : 1-Os Presidentes Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) ........................................................... Gestão Edson de Oliveira Nunes ........................................................................................... Gestão Charles Kurt Mueller .................................................................................................. Gestão Eurico Neves Borba ................................................................................................... Gestão Simon Schwartzman .................................................................................................. 2 - Os Diretores Gestão Mauro Pereira de Mello na DGC ................................................................................. Gestão Sérgio Bruni na DGC ................................................................................................... Gestão Trento Natali Filho na DGC .......................................................................................... Depoimento de Marilourdes Lopes Ferreira (Diretora Adjunta na DT e na DGC) ..................... Parte V - Os Processos de Qualificação Profissional Introdução ................................................................................................................................. Capítulo I - A Importância das Relações Com as Universidades no Exterior e no Brasil ...... Capítulo II - O IBGE Como Disseminador da Geografia no Brasil ............................................. Parte VI - Apogeu , Crise e Futuro da Geografia Ibegeana nos Anos 90 Introdução - Crise do Serviço Público ou Crise da Geografia ? A grande diáspora de 1991 Capítulo I - O Quadro de Transição da Geografia do IBGE nos Anos 90 Capítulo I I - O Futuro da Geografia no IBGE no Contexto de Uma Agência Executiva Com Um Contrato de Gestão. Capítulos de Conclusões Conclusões.......................................................................................................................... Projetos Futuros para uma Memória Oral do IBGE............................................................. Bibliografia .......................................................................................................................... Anexos ............................................................................................................... Volume II

Introdução do Autor Tomando por base ser este trabalho o resultado de uma avaliação de várias trajetórias profissionais, é importante lembrar, e dar o devido crédito, a algumas pessoas que me ensinaram a arte do profissionalismo. Tornar-se um profissional competente é um ideal a ser alcançado, embora exija um certo esforço, em termos de aprendizado de várias habilidades no decorrer de nossas vidas. Essas pessoas que aparecerão a seguir, conscientemente ou não, tornaram possível a transformação de um jovem inexperiente, mas curioso e afoito, num profissional que se dispôs a contar a história de um grupo de pesquisadores que se ocupou de estabelecer uma boa parte do conhecimento geográfico do território brasileiro, ao longo de mais de 60 anos. A jornada inicia-se em 1964, ao ingressar nos quadros da companhia S/A White Martins pelas mãos de João Garcia, um grande amigo de meu pai. “Tio Joãozinho” ensinou-me a operar com o formalismo e com a hierarquia. Dali em diante, eu seria o responsável por meus atos diante de meus pares. Antonio Gualano Consentino, gerente geral da Divisão Centro, ensinou-me a entender o que é mandar e responsabilizar-se pelas ações de mando. Muito lucraria o IBGE, se a grande parte de suas chefias tivesse aprendido as lições do “Dr. Consentino”. Washington Paes, gerente de compras, ensinou-me os aspectos técnicos dos equipamentos que a White Martins adquiria, tanto para revenda, quanto para uso interno. Muitas outras pessoas me auxiliaram nesse trabalho, mas a última palavra eu ouvia do Dr. Paes. O mesmo Washington Paes seria meu superior na área de recursos humanos, durante minha última fase na White Martins (1969-70), quando eu já havia escolhido a Geografia como formação profissional (em 1968 iniciei meu curso na UFF). Para ele, era espantoso como um rapaz que tinha sido bem aceito pelos códigos não escritos da companhia, não estava interessado em estudar administração ou economia para seguir carreira na White Martins, e sim Geografia, fascinado pelo mundo do alpinismo, ao qual havia sido introduzido em 1965/66. Mais espantado Dr. Paes ficou quando, em fevereiro de 1970, tomei a decisão de me demitir da White Martins para ser estagiário no IBGE, sem contrato formal de trabalho e ganhando a metade do salário. A decisão era tão temerária, que o Dr. Paes, por ocasião da minha entrevista de desligamento, ofereceu-me uma nova oportunidade na companhia, caso as coisas não dessem certo no IBGE, pelo menos enquanto ele estivesse na gerência de recursos humanos. Hoje, posso

agradecer a confiança depositada e dizer que em algumas ocasiões, no início do estágio do DEGEO, cheguei a pensar em conversar com Dr. Paes para uma volta. O primeiro geógrafo com quem estabeleci uma relação de confiança, foi Gelson Rangel Lima, meu professor de Geografia Humana na UFF e pesquisador de Geomorfologia no IBGE. Na época, minha relação entre alpinismo e Geomorfologia ou Bio-geografia era muito forte em meus planos profissionais e o Prof. Gelson contribuía de duas maneiras: ensinando informalmente Geomorfologia em suas excursões da UFF e relatando suas experiências na Europa, por ocasião de seu estágio de pesquisa na França, enviado pelo IBGE. Foi por sua influência, que eu fui indicado pela UFF para tentar um estágio no IBGE no ano de 1970. Gelson foi incansável no processo de minha preparação para a entrevista com os chefes do DEGEO, indicando bibliografias e explicando o novo movimento da Geografia Quantitativa, que se iniciava no Brasil. Era perfeitamente perceptível que aquela não era sua área de especialização, mas ele esforçava-se para mostrar a chegada de mais uma opção em termos de Geografia. Outras duas pessoas a quem devo boa parte do conhecimento geográfico que hoje possuo são Elza Coelho de Souza Keller e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa, pois, além de depositarem confiança em minha pessoa, efetivamente ensinaram-me a trabalhar na pesquisa geográfica. Iniciei meus trabalhos em março de 1970 e, em julho do mesmo ano, Elza Keller já me convocava para um longo trabalho de campo no Maranhão, juntamente com o grupo de Roberto Lobato (os experientes estagiários João Rua e Luís Antônio Ribeiro). Nos anos seguintes, a figura de Roberto Lobato Corrêa passou a ser a principal referência para meus estudos geográficos. A mudança da Geografia Física para Geografia Urbana se completou, fundamentalmente por conta da orientação segura de Roberto Lobato, a quem devo meus conhecimentos, tanto de Geografia Urbana, quanto de sistemática de pesquisa. O que ler, como ler, como fichar, o entendimento do que é realmente fundamental num grupo de textos, reconhecer quem é o autor de referência num determinado assunto, foram as principais lições que aprendi com Roberto Lobato Corrêa, e que me foram de enorme valia por toda minha vida profissional. Com a ida de Lobato para Chicago, para fazer seu mestrado, outra pessoa ocupou seu lugar no processo de preparação de minha vida profissional. Olga Buarque de Lima, recém-chegada da Inglaterra, onde tinha concluído o mestrado, ocupou-se de dar-me as lições fundamentais do preparo de um texto escrito. Tarefa extremamente difícil, em virtude de minha total falta de domínio de um texto técnico. Foram muitos meses de leitura e correção dos textos, com intermináveis reconstruções, até tornarem-se palatáveis aos olhos incansáveis de Olga Buarque. Se pudesse

com uma única frase definir esses tempos, diria que Roberto Lobato ensinou-me a estudar e Olga Buarque, a escrever corretamente um texto geográfico. No início dos anos 80, Lobato reassume seu posto de mentor, orientando minha tese de mestrado sobre o comportamento dos incorporadores imobiliários no município do Rio de Janeiro, defendida em 1982 na UFRJ. Tenho muito orgulho dela, pois foi a primeira tese que tratou de um agente modelador da iniciativa privada, já que todos os trabalhos do momento somente enfocavam dos agentes do Estado, como o Banco Nacional da Habitação - BNH e seus satélites. É claro que, no contexto altamente ideologizado do início dos anos 80, tive muitos problemas com esse tipo de abordagem, embora Roberto Lobato sempre me apoiasse. Gostaria ainda de lembrar de certas pessoas que, ao longo de minha vida profissional, assistematicamente, deram importantes contribuições para o meu aperfeiçoamento como geógrafo. Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mequita foram duas geógrafas que sempre desviaram parte de seus afazeres profissionais para darem uma orientação de trabalho, uma leitura crítica de um texto, ou apresentando desafios novos, em forma de propostas de novos projetos de trabalho, ou de apresentação de capítulos em projetos editoriais do DEGEO, durante a gestão comandada por Solange. A elas devo muito de minha desenvoltura profissional e a definitiva superação da “síndrome da folha em branco” , temor clássico que assombra muitos pesquisadores no início da carreira. Como iniciar um texto de um projeto? Elza Keller, o casal Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Speridião Faissol foram profissionais que durante algum momento de suas vidas ensinaram-me algo, tanto de Geografia propriamente quanto dos afazeres de um geógrafo. Indicações de novos livros ou artigos, convites para seminários, oportunidades de participação em grupos de pesquisa foram o que de melhor aproveitei vindo desses profissionais. Além disso, alguns deles me ofereceram oportunidades para lecionar em universidades. Nilo Bernardes, para substituí-lo na PUC-RJ, Ney Strauch, para substituí-lo na Escola Naval, Bertha Becker, para dar duas conferências na Escola de Guerra Naval e, posteriormente, para trabalhar como professor colaborador na UFRJ. Alguns não geógrafos também foram importantíssimos na construção de minha profissão. O biólogo e ecologista Fernando Segadas Viana orientou-me, por diversos sábados dos anos de 1968 e 69, sobre os segredos da vegetação tropical e desértica, sobre a zoologia do cerrado, além de me explicar detalhadamente a teoria de Alfred Wegner sobre a translação continental, o que resultou numa apresentação para o curso de Cosmografia na UFF.

No campo das relações entre os estudos urbanos e a economia, o economista brasilianista Werner Baer, ao trabalhar com Pedro Geiger no DEGEO durante o ano de 1977, sobre os problemas das desigualdades regionais no desenvolvimento econômico brasileiro, dispôs-se várias vezes a explicar os métodos utilizados na pesquisa e a indicar uma bibliografia adequada ao meu nível de entendimento da questão. Devo a ele boa parte do meu conhecimento de história econômica do Brasil e o feliz encontro com o economista Annibal Villela, em seu sítio em Araras, onde aprendi muito sobre a estrutura de poder do governo brasileiro no período Geisel. No início dos anos 80, quando me casei com a economista do IBGE Sonia Rocha, intensificaramse os laços com Annibal Villela, o que ampliou bastante meus conhecimentos sobre as estruturas das companhias estatais, área de estudo desse pesquisador que havia sido Secretário Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização dos Estados Americanos (OEA), Superintendente do Instituto de Pesquisas do IPEA, Assessor do Banco Mundial - BIRD e pesquisador e professor da FGV. Uma conversa com Dr. Villela era sempre uma possibilidade de aprender alguma coisa nova. Infelizmente, Dr. Villela faleceu em julho de 2000. Via Pedro Geiger e Werner Baer, pude conhecer Hamilton Tolosa e Thompson Andrade, economistas do IPEA especializados em Economia Urbana e Regional que, durante a segunda metade dos 70, estiveram varias vezes no DEGEO dando palestras e explicando suas pesquisas. David Vetter, economista americano que trabalhou no Departamento de Indicadores Sociais DEISO do IBGE, foi outro profissional importante na minha formação. Vetter ensinou-me os segredos dos dados censitários referentes à infra-estrutura domiciliar urbana. Participou da banca examinadora de minha tese de mestrado e estivemos em alguns seminários de urbanismo. Apesar de suas dificuldades em falar português, escrevia objetivamente e era um mestre na análise de dados censitários. Atualmente é analista financeiro e quase um banqueiro em Nova York. Outra figura incrível foi Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Era arquiteto urbanista, mas poderia ser sociólogo, antropólogo, geógrafo, historiador, psicólogo sem grandes problemas. Era um profissional único em seu meio, pois não era sectário e sabia traduzir a alma humana como poucos. Por ter participado de muitos projetos de urbanização de favelas, era conhecido como “favelólogo” e coordenava um grupo de pesquisas urbanas no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) . No período de meu projeto de tese de mestrado, conversamos muito sobre os mecanismos de ocupação residencial nos bairros da periferia do Rio. Era uma das cabeças mais lúcidas de sua época. Sua morte prematura foi uma grande perda para os estudos urbanos e para as mentes não sectárias...

aconteceu por intermédio de Carlos Nelson. era possível tentar qualquer solução heterodoxa para abordar um problema. garantiu-me uma experiência importante e espero que tenha sido recíproca. Ainda nem havia defendido o trabalho e Lícia já me pedia que eu escrevesse um artigo sobre a incorporação imobiliária carioca para um livro de uma coleção sobre urbanismo que ela organizava para a editora Zahar. Entre 1976 e 1994 estivemos trabalhando juntos em 11 trabalhos diferentes. tragados pelo processo de aposentadorias. todos devidamente publicados em periódicos. garantir a ampliação da qualificação dos profissionais que restaram e prepará-los para os desafios do censo 2000. Esse aprendizado foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional. participei ainda de alguns seminários no Instituto de Administração Municipal com ela e Carlos Nelson. em termos de trabalho. Para ele. Rodolfo Barbosa e Marcílio ensinaram-me a arte da cartografia temática. abro parênteses para uma lembrança profissional muito especial ao meu colega de curso na UFF e companheiro de trabalho no IBGE desde 1970. Pedro Marcílio e Mauro Mello foram os que mais me influenciaram. o empenho que teve junto à diretoria do IBGE no processo de minha liberação integral para o doutoramento. Também neste campo. aprendi muito com César Ajara. que me apresentou à Lícia do Prado Valladares. Mauro Mello foi nosso diretor de Geociências e sempre fez questão de vincular à Geografia com a Cartografia nos grandes projetos de que a diretoria de Geociências do IBGE tomou parte. No campo gerencial do IBGE. não existem obstáculos. Acompanhei sua luta na tentativa de reorganizar um DEGEO cada vez com menos geógrafos. pois fui seu assistente e substituto eventual na chefia do departamento até 1995. Neste ponto. Agradeço-lhe. Além disso. Trabalhar com um profissional assim. por ocasião de meu projeto de tese de mestrado. qualquer dia é dia e qualquer hora também. Com ele. ou em livros e atlas do IBGE e de outras editoras. Atualmente a geógrafa Maria Luísa Gomes Castello Branco continua a luta de reequipar o departamento. Em caso de dúvida. era com eles que eu ia me consultar. Miguel Angelo Ribeiro. como a Revista Brasileira de Geografia (RBG). mas com demandas crescentes. Na área da Cartografia. A grande vantagem de trabalhar com Miguel Angelo é a sua obstinação e sua capacidade de trabalho. as figuras de Rodolfo Barbosa. fora do contexto do IBGE. em virtude das atribuições que lhe são definidas pelos estatutos da Instituição. Miguel nunca teve medo de idéias novas. em dois projetos de Atlas de que participei (Regional do Nordeste e Nacional do Brasil) a influência de Roberto Lobato Corrêa como coordenador desses trabalhos foi particularmente importante na fase de organização temática e nas sugestões gráficas iniciais. chefe do DEGEO entre 1991-1999. na hora de representar graficamente um tipo de dado. especialmente.Meu primeiro contato com o mundo interdisciplinar das apresentações acadêmicas e dos artigos publicados. . Além do artigo.

. em termos de produto. no doutorado. Durante a fase de qualificação. Durante os dois anos de curso. O curso tratou das raízes das idéias sobre a natureza e monitorou essas idéias entre a antigüidade e o século XIX. teria algumas “facilidades”. Marcelo José Lopes de Souza. Aziz Nacib Ab’Saber. Após dois meses de trabalho duro apresentei um artigo sobre a evolução da noção de determinismo natural. Imaginando. Wanderley Messias da Costa. a profissional mais importante foi minha orientadora Lia Osório Machado. Este sentimento ampliou-se quando. Meu sumário portanto. A defesa do projeto fluiu e foi bem aceita pelos examinadores. quando a “professora” simplesmente colocou o seguinte obstáculo. sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. do qual participamos: Milton Santos (USP). em quatro congressos de Geografia. ou apenas para constar e engrossar a tese. Naquele jantar. a pesquisadora com a qual se pode confiar e discutir com serenidade os pontos de vista. que por ser o seu único orientando no curso. e que me incentivou a iniciá-la. Ali percebi que estava lidando com uma pesquisadora de alta qualidade e que nossas relações. Iná Elias de Castro e Maurício de Almeida Abreu. Antônio Carlos Robert Moraes. em meio a muitas picanhas e vinho tinto. um já entendia o outro por antecipação. além dos professores convidados como Orlando Valverde. pensei logo em escrever um texto sobre os geógrafos que trabalharam com a Natureza no IBGE e apresentei o projeto do sumário. A produção resultante desses dois anos traduziu-se em sete artigos sobre vários temas geográficos e. Lia Osório (UFRJ) e eu pelo IBGE. fiz seu curso Raízes das Idéias Sobre a Natureza. José Grabois e Irene Garrido Filha. por pretender tratar de assuntos contemporâneos. Acho que foi a partir desse trabalho que nossa confiança mútua cresceu. nosso processo de comunicação já estava pavimentado. O mais interessante no processo é que ela não foi importante por ser minha orientadora. por ocasião da apresentação oral do projeto de tese para a banca examinadora. numa noite fria de Porto Alegre.No contexto do curso de doutorado. percebi que Lia seria a orientadora ideal. e sim porque ela foi a primeira pessoa que me ouviu explanar sobre uma possível pesquisa que abrangeria a Geografia do IBGE. Qual não foi minha surpresa. Roberto Lobato Corrêa. tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores grupos de pesquisadores/professores de pós-graduação em Geografia do país : Bertha Becker. participávamos de um seminário organizado por Gervásio Neves. Júlia Adão Bernardes. estava fora de cogitações. a apresentação de trabalhos. Nesse encontro. Paulo César Gomes. não poderiam ser de baixa qualidade.

Icléia me indicou uma ótima profissional em transcrições de fitas. museólogos. O primeiro focalizou a Urca e. Ele e Sônia Aparecida de Siqueira se revezaram na orientação inicial dos projetos.Gamboa e Santo Cristo. o apoio de Maria José Wheling. quando fui solicitar assistência para os preparativos de gravação dos depoimentos. que agradecer. Além disso. foi com os historiadores. a uma pessoa por ter me garantido a viabilidade de completar sem traumas meu projeto de tese. de Siqueira. ainda que eu não pertencesse aos quadros da UNI-RIO. transcrições. pois este setor já havia entrevistado vários profissionais da casa em diversas ocasiões. Repentinamente. Nesta fase. Outra pessoa importante neste processo foi José Carlos Sebe Bom Meihy. Foi a partir de seus ensinamentos iniciais que comecei a ler sobre história oral e a perceber que aquilo era muito mais do que simplesmente gravar uma conversa. para subsidiar uma linha de pesquisa chamada História Oral de Bairros do Rio de Janeiro. primeiramente. tive sua total colaboração durante todas as fases do projeto.Apesar de priorizar meus agradecimentos para os geógrafos. Icléia Thiesen Magalhães Costa e Regina Acioli Oliveira deram-me as primeiras instruções e cederam cópias de algumas transcrições para que eu me familiarizasse com o assunto. enfocaria os bairros da área portuária. Se eu tenho. no curso de mestrado em Memória Social e Documento da UNI-RIO e perguntou se eu estava disposto a aprender história oral. professor de história da USP e consultor do grupo da UNI-RIO. que cuidou de todas as transcrições em tempo hábil. O processo iniciou-se no setor de memória do IBGE. estava envolvido com preparação de artigos sobre aspectos geo-históricos da Urca e acabei escrevendo um livro sobre iconografia da Urca e prefaciando o livro de análise do José Carlos e Sonia A. Algumas semanas depois. . Icléia informou-me que um grupo estava se formando. Telma Salandra Lemos. coordenadora do Mestrado em Memória Social da UNI-RIO foi fundamental. conferência de fidelidade e copidesque. além de comparecer a seminários especializados . além de participar do processo de entrevistas. essa pessoa foi Icléia. um método de criar documentos através da gravação e transcrição de entrevistas ou de depoimentos orais de pessoas que vivenciaram acontecimentos em épocas e/ou lugares específicos. o segundo. Saúde . que nos orientou no sentido de montar um conjunto de depoimentos de moradores do bairro da Urca. que passei a trocar mais experiências no decurso de tomada de depoimentos do meu público alvo: os profissionais do IBGE. arquivologistas e biblioteconomistas. portanto.

embora possa pareça estranho. que li antes da germinação das idéias. Glacken por sua erudição em Traces on the Rhodian Shore. proporcionando duas idas ao arquivo do Roncador em Brasília para as pesquisas históricas. muito me auxiliou na pesquisa sobre o papel desempenhado por Pierre Deffontaines na Geografia brasileira. Edna Moraes no apoio administrativo que o CDDDI me deu. enfocando a instituição que escolhi para trabalhar durante os trinta anos restantes de minha vida profissional formal. Isto significava mudar de área de pesquisa para acompanhar a história desta agência que tem como objetivo monitorar o Brasil. criar também estruturas semelhantes para a Estatística. a Aspásia . que também me auxiliaram muito na arte de entrevistar. Maria Teresa Bastos. o meu reconhecimento a Renato Mezan pelos seus Freud. e que serviram para. a Josianne Pangaio. a Simon Schama por seu Paisagem e Memória. a Vera Abrantes que foi minha co-orientanda (a orientadora oficial foi Icléia Thissen) em sua tese de mestrado sobre o arquivo fotográfico do IBGE. Sérgio de Assis Barbosa e Luis Carlos Carril no processo de tratamento de imagens das fotos escolhidas e no processo de edição. Na etapa final da pesquisa. Pensador da Cultura e Escrever a Clínica. especificamente. e outros que de muitas maneiras me auxiliaram nesta empreitada. Neste processo. outros eu li no calor da hora. futuramente. David Wu Tai. Por isso. chamarei de subsidiadores subliminares do projeto. na área de trabalhos de campo em Geografia. a Warren Dean por A Ferro e Fogo. a Elisabeth Roudinesco com sua História da Psicanálise na França. contei com a compreensão das chefias da Diretoria de Geociências e com o apoio das chefias do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) para a realização do projeto. A Professora Marieta. tive a sorte de conhecer Verena Alberti. que efetivamente me fizeram a cabeça para encarar este desafio. Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. Processamento de Dados. gostaria de reconhecer a importância de alguns autores que criaram obras. após retornar ao Departamento de Geografia tomei a difícil decisão de solicitar minha transferência para a área da Memória Institucional do IBGE. além da ampliação do conhecimento. a Ricardo Bielchowsky pelo seu Pensamento Econômico Brasileiro. Rede de Coleta e Administração. a Edson Nunes pelo seu instigante A Gramática Política do Brasil . Paulo Roberto Lindesay. a fim de montar a estrutura da memória técnica do segmento de Geociências e.Nesse ínterim. cimentar minha confiança de que era possível escrever uma história da relação entre memória e documento da geografia e dos geógrafos. a Clarence J. Alguns. a François Fourquet e seus colaboradores pelo seu incrível Les Comptes de La Puissance. Finalmente.

e finalmente. a Anne Buttimer pelos seus The Practice of Geography e Society and Milieu in the French Geographic Tradition . Helena Bomeny e Vanda Costa. a Ronaldo Costa Couto pelo seus recentíssimos A História Indiscreta da Ditadura e da Abertura e Memória Viva do Regime Militar e a Maurício de Almeida Abreu pelos seus artigos Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação e Sobre a Memória das Cidades. pelo importantíssimo Tempos de . Capanema que chegou em ótima hora. a Simon Schwartzman.Camargo pelo seu magistral artigo História Oral e Política no livro organizado por Marieta de Moraes História Oral e Multidisciplinaridade.. a John Kirtland Wright pela sua completíssima história da American Geographical Society em seu livro Geography in the Making.. a Vincent Berdoulay por seus La Formation de L’École Française de Geographie (1870-1914) e Des Mots et Des Lieux: la dynamique du discours géographique. Roberto Schmidt de Almeida. vitais para a pesquisa.

como pano de fundo.19 Apresentação A reflexão sobre um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos. de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento. isoladamente. levando-se em consideração. projetos. na qual documento expressará o que foi impresso (legislação. estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos. livros. em outras ocasiões tornar-se-á retesada. Embutida nessa questão. políticos. que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias. entre os anos de 1938 e 1998. relatórios e a produção intelectual dos geógrafos. Atividades essas classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física. e as contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período. produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira . O quesito “onde” abarca o espaço territorial brasileiro. através de seus depoimentos orais gravados e transcritos. que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: a prioridade do papel institucional da Geografia no contexto do IBGE. que causaram. os diversos contextos pelos 1 vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos. podendo também ser alvo de estudos pormenorizados. Como este trabalho pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE. quanto pelos seus geógrafos 1 a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que irá norteá-lo. científicos. Linha esta que por vezes estará frouxa e. e pesquisadores que. situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro. será o principal objeto desta pesquisa. aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O quesito “quando” abarcará o tratamento desses 60 anos. em certos períodos. algumas celeumas internas sobre a conveniência ou não. podendo desvendar conflitos de natureza diversas. através de relatórios. objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa. atlas e artigos) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais.

Primeiramente. em seguida. Para a área da Geografia em particular. planejado por Tancredo Neves. quatro constituições (1938. do ponto de vista político. via informações institucionais. será tratada também a curiosa separação ocorrida entre a Geografia Física e a Humana. (1961 a 1964). Igualmente importante será a avaliação do IBGE enquanto instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos. falecido antes de assumir e levado por seu vice José Sarney (1985 a 1990 ). dois governos em um . a crise da renúncia de Jânio Quadros até a queda do governo de João Goulart. sejam eles: políticos. estabilidade ou queda de seu “status” perante outras áreas da instituição e do governo. que este período abrange. podendo estar relacionados ou não às linhas de pesquisa do órgão). É importante ressaltar. No campo do Pensamento Geográfico iremos igualmente rastrear as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico.20 quais o país passou. Nesse contexto. Penha (1993) e a Cronologia. econômicos. o período dos governos militares (1964 a 1985). por exemplo. Será dada uma especial atenção às comparações entre o que se convencionará chamar de trabalhos oficiais (Estudos solicitados pela direção do IBGE ou demandados por níveis hierárquicos superiores a ela. será mostrado. um governo híbrido. além das inúmeras modificações por que esta última passou e ainda continua passando ). começa a ser desfeita. e que tiveram repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade ibegeana. . sua trajetória na burocracia do órgão e suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento. influenciados ora pelas escolas francesa e alemã. no final dos anos sessenta.1946. com dois anos de Fernando Collor. ora pela escola anglo-saxônica. vinte e dois mandatos presidenciais ( vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves que geraram alguns períodos excepcionais como: o Estado Novo (1937 a 1945). um impeachment e mais dois anos de seu vice Itamar Franco ( 1992 a 1994 ) e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998). organizada por Icléia Costa e equipe (1998). passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica e que sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. científicos em suas diversas acepções.1988. avaliando a evolução de seu contingente de profissionais. Neste contexto. pressupondo-se geralmente um entendimento prévio da metodologia a ser aplicada e da forma final do produto) e os trabalhos dos geógrafos (estudos elaborados de forma independente por alguns profissionais de Geografia do IBGE.1969. os trabalhos de Gonçalves (1995). em termos de organogramas que determinaram os diversos períodos de ascensão. contribuirão em muito na análise da legislação pertinente ao órgão. e que somente agora nos anos noventa.

estabelecendo a relação entre documento e memória no contexto de trabalhos que se utilizaram das técnicas de História Oral. O terceiro. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. em que a palavra transição é o principal mote. figuravam na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal. portanto. o terceiro destacando o grupo de Geógrafos e Cartógrafos que fizeram parte da pesquisa. fazendo um overview ao longo de 13 períodos considerados como um pano de fundo cronológico que orientou a saga da geografia no IBGE. Estruturação e Manutenção de Bancos de Dados de Grande Porte. O trabalho está estruturado em seis partes. tanto financeira quanto gerencial. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte no campo científico e tecnológico foram os de maior peso. . No âmbito externo ao IBGE. como detentores da memória do grupo profissional estudado. Geografia. além das políticas de recursos humanos foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial do IBGE. Em âmbito interno. Disseminação de Informações impressas e por meio magnético e Ensino e Treinamento. Está dividida em três capítulos: o primeiro que explica a institucionalização do sistema de planejamento territorial brasileiro. O primeiro.21 Finalmente. Geodésia e Cartografia no IBGE. desde um período em que se aliava a necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração. Ecologia. onde é descrita a evolução de suas principais funções nas áreas de Geodésia e Cartografia. Para demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. Estatísticas demográficas e econômicas. o segundo que relata a estruturação das áreas de Geografia. Redes de Coleta de Informações. traçando uma explanação sobre o IBGE. num momento em que as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. com dúvida e escassez dos anos 80/ 90. através de um processo de unificação administrativa levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. O segundo. Certeza e opulência dos anos 40 confrontam-se. até os governos pós militares da década de 90. A parte I contempla a estruturação da tecnocracia ligada ao Planejamento Territorial brasileiro. além do suporte administrativo que acompanhou o cotidiano de milhares de profissionais em todo o Brasil. com uma introdução que explica o papel da nova burocracia estatal implantada após a revolução de 1930. tendo como elemento chave o IBGE. ligando-os a uma pesquisa que enfoca uma instituição de governo e a um grupo específico da tecnoburocracia estatal e determinando sua escala temporal de ação. antecedidas de três capítulos introdutórios. escalas de análise e áreas. em função da preparação da base cartográfica municipal para o censo de 1940.

O capítulo III enfoca algumas recordações profissionais referenciadas ao ambiente de trabalho. Clarence F. O capitulo I conta um pouco da aventura de se registrar esses depoimentos e avalia a importância da memória . no desvendar do verdadeiro significado de se registrar esses depoimentos para as gerações profissionais do presente e do futuro. que deixou uma legião de seguidores. interesses e que participaram da maioria dos 13 períodos estudados. Francis Ruellan. tendo como principais referências os professores do ensino médio. quanto no IBGE. os alemães Leo Waibel e posteriormente Gerd Kohllepp . com exemplos de maior ou menor engajamento a algum determinado líder de grupo de afinidades e algumas trajetórias de especialização temática ou regional. avaliação essa que alcança o final dos anos 90. O capítulo II descreve os diferentes tipos de liderança exercidos por geógrafos estrangeiros que formaram algumas gerações de profissionais do IBGE. nos tempos atuais. como base para uma avaliação da Geografia que se estabeleceu ao longo dos anos no IBGE. posteriormente Jean Tricart e Michel Rochefort e. O capítulo I analisa a força das escolas de pensamento geográfico estrangeiras nas diferentes arenas de trabalho e discussão: as Sociedades Geográficas. Pierre Deffontaines. posteriormente. a Universidade e o IBGE. Figuras carismáticas como os franceses Emmanuel de Martonne. os americanos Preston James. os mestres universitários e os líderes de grupos de afinidades. O capítulo III apresenta o conjunto de profissionais que foram formados nos primeiros anos de estruturação do órgão e que se transformaram nas lideranças pioneiras da Geografia do IBGE. Brian Berry e Howard Gautier e o inglês John P. Philipe Waniez e Hervé Théry . O capítulo II analisa os padrões gerais de inserção na carreira. tanto na Universidade. quando na fase de estágio no IBGE. o canadense Pierre Dansereau . continuaram a disseminar o seu legado.22 A parte II enfoca o papel da Geografia do IBGE no contexto do pensamento geográfico brasileiro. utilizando uma experiência de História Oral. O exemplo mais significativo desse segmento está na figura de Francis Ruellan. Jones e. que sob outras formas. os principais projetos e seus respectivos produtos. . o antigo papel da AGB como palco dos primeiros ritos de iniciação profissional. ainda. ao registrar em meio magnético os depoimentos de um grupo de geógrafos de diferentes idades. A parte III focaliza o processo de formação profissional do geógrafo do IBGE pelo ponto de vista da memória. Cole. Analisa. com uma introdução que acompanha a sua evolução desde a primeira metade do século XX .

A parte VI trata do período de crise por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. a memória depoimentos de alguns geógrafos que contam suas experiências. Por outro lado. Os depoimentos de profissionais que organizaram ou ministraram esses cursos. enfatizando os cursos de aperfeiçoamento e especialização e a pós-graduação em seus vários níveis ao longo do período. analisando sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. Nesse segmento. a ênfase é orientada para o papel disseminador do IBGE através dos cursos de aperfeiçoamento em geografia orientados para o corpo docente de ensino médio e para o de nível superior. com a saída maciça de profissionais que aliavam competência à liderança: o incipiente processo de reposição de pessoal e os mecanismos de adaptação dos que restaram. também. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior destaque.23 A parte IV analisa as práticas profissionais levadas a efeito pelos geógrafos do IBGE ao longo do período estudado e avalia sua representatividade perante outras instâncias do IBGE. um grupo de sete temas que geraram as grandes linhas de pesquisa geográfica no IBGE. A parte V cobre os processos de qualificação profissional. No capítulo II. quanto no campo da integração com os demais vetores do conhecimento que envolvem as Geociências. O capítulo I focaliza as relações entre o órgão e os centros de aperfeiçoamento e pesquisas tanto no exterior. O capítulo I descreve em linhas gerais.Itamar Franco Fernando Henrique Cardoso. O capítulo I descreve o processo de transição por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. tanto no contexto de suas atribuições institucionais. misturam-se a importantes geógrafos não ibgeanos que tiveram sua formação profissional ampliada por esse aprendizado. verificou-se. em decorrência das convulsões no setor público durante os governos Collor de Melo . onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológicos decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. quanto no Brasil. Através da análise dos trabalhos de uma lista de temas geográficos que mais marcaram a imagem do IBGE na arena geográfica brasileira. O capítulo II tenta alguns prognósticos é resgatada nos exemplos de . como essas práticas foram percebidas pela alta direção da casa. São analisados os fatores que levaram à grande diáspora de 1991. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. representadas aqui pelos depoimentos orais dos diretores de área e de alguns presidentes. em contraponto às demandas que continuaram a ser criadas.

assim como uma descrição de alguns produtos que estarão futuramente à disposição dos usuários. na ainda hipotética agência executiva proposta pelo Ministério da Reforma do Estado ao IBGE para o ano de 2000.24 quanto ao futuro da Geografia. é apresentada a atuação da Equipe da Memória Institucional do IBGE e é esboçado o projeto de História Oral que dará prosseguimento aos depoimentos de funcionários que assumiram posições relevantes no projeto técnico da instituição. Nos capítulos conclusivos. . além das considerações finais.

contraditórias ou sobrepostas. Neste ponto. ou. A Arqueologia do Saber (Foucault. ao longo do tempo. em certa medida. principalmente no que se refere a muitos assuntos considerados como referenciais para a coletividade geográfica. Em segundo. pois. Em primeiro lugar o documento . de parte da memória institucional de uma grande e complexa agência federal como o IBGE exige que se recorra a alguns materiais formadores da memória coletiva. A memória é um processo individual. a fidedignidade necessária a esta história.. à memória. pessoalmente. em última análise. pois tanto do lado do documento. A relação entre documento e memória gerará. nos alerta sobre a necessidade de se questionar o documento. “ A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato de a História Oral dizer respeito a versões do passado. o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. tanto individual como coletiva de um conjunto de técnicos ( geógrafos) e administradores (cargos de direção) que desempenharam funções importantes no órgão e que recordaram seletivamente suas respectivas trajetórias profissionais. e as resoluções jurídico-administrativas que definiram os principais projetos de trabalho. onde ele argumenta que.I . Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social. temos de refletir sobre algumas colocações de Alessandro Portelli na revista organizada pelas professoras Dayse Perelmutter e Maria Antonieta Antonacci. é possível inferir sobre uma boa dose de consenso entre eles.. quanto ao da memória existem grandes problemas.. valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados.A Relação Entre Documento e Memória no Contexto da História Oral O processo de acompanhamento. 1997:16) Neste trabalho. as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais.” (Portelli. a bem da verdade.exatamente iguais. através de depoimentos orais e de informações informais. mas tomaremos os devidos cuidados para não utilizá-lo indevidamente. como definido por Pierre Le Goff em sua forma mais ampla (Le Goff. ou seja. não evitaremos o termo. as recordações podem ser semelhantes. além de outros meios de informação e divulgação da Geografia do IBGE.1987). que ocorre em um meio social dinâmico. Esta questão é crucial. considerando-se que eles são sempre . prefiro evitar o termo memória coletiva. como as vozes . É por esse motivo que eu. Porém. a memória.. em hipótese alguma. ao trabalharmos com uma comunidade técnica sediada numa agência de planejamento do governo federal. Em vista disso. 1994: 540-541) assumido aqui como o material impresso que determinou a representação da produção geográfica do IBGE e de seus profissionais. Michel Foucault em sua obra..

. lembrando que no caso de biografias ou auto-biografias. pelo menos. quase sempre.produtos seletivos. São três níveis de realidade que devem ser analisados. 1997). Para Niethammer. implica considerar a memória como algo muito mais amplo que um mecanismo individual de lembranças pessoais. voltaram a ter influência nos anos 90. Também sob as diferentes interpretações por que passam as lembranças.1996) analisa alguns pontos positivos e negativos dos relatos biográficos. a que escreve ( quando não é uma auto-biografia). portanto. de Miguel em seu manual sobre biografias sociológicas (Miguel. o depoente se prepara filtrando e organizando lembranças. ainda. implica o convite e as devidas explicações sobre o objetivo da gravação. passam por quem o seleciona e o arquiva e terminam por quem o pesquisa e o faz ressurgir sob um determinado ponto de vista. Niethammer assinala.. a que lê e a que realmente existiu. Sigmund Freud e Maurice Halbwachs). inicialmente.129). referenciadas mais aos elementos constituidores da cultura daquele grupo do que aos dos próprios indivíduos. a sociedade pós-moderna de identidades culturais com o seu jogo de citações simbólicas (por exemplo na arquitetura) ou sua intertextualidade literária colocou Halbwachs em prática” (pg. orientadas pela cultura do grupo ao qual pertence.. George Lukács.. . principalmente.16). “num plano mais genérico. principalmente junto aos historiadores da cultura. da que foi e da que escreveu. que estas noções criadas por Halbwachs nos anos 20. é que mais se encaixa com que estamos tratando (Halbwachs. os mecanismos são ainda mais complexos e estão no cerne das discussões sobre o uso da História Oral. Dos cinco autores analisados por Niethammer como precursores desses conceitos (Carl Schmitt. As lembranças de um grupo são. "existem pelo menos quatro pessoas distintas: a que relata a vida. No que se refere à questão da memória. Na maioria dos casos. “toda lembrança significativa é um processo socialmente condicionado de reconstrução que se apóia na estrutura social de relíquias culturais e rituais de comunicação de um dado grupo no presente” (pg. a noção de memória coletiva de Halbwachs. Aldous Huxley.. É importante diferenciar." (p. a construção social do passado engendrada por Halbwachs.1980).. Os processos de seleção iniciam-se no produtor do documento em si. Isso faz sentido. O ensaio de Lutz Niethammer sobre os conceitos de identidade e de memória nos dá uma boa visão das dificuldades que podem ser encontradas quando se tenta trabalhar com eles (Niethammer. o sociólogo Jesús M. 128). entre a pessoa que é. de maneira geral. quando operamos um processo de entrevista gravada que.

ao longo desses 60 anos. de bancos de dados. sim. o de Willian W. onde um depoimento é gravado em meio magnético e. e a comparação entre diferentes versões.1953). 1973). mas deslocando o objeto documentado: não mais ao passado "tal como efetivamente ocorreu". de cálculos e de editoração . silêncios ou mesmo mudanças de ponto de vista dos depoentes ao longo de suas narrativas. não documenta nada além de uma versão do passado. Considerando-se que a pesquisa geográfica passou.No contexto das técnicas de História Oral. A palavra seletividade representa. perceber como algumas versões passam a ser oficializadas pela maioria dos depoentes. esquecimentos. nos anos 90. transcrito. a expressão Globalização parece causar também grandes áreas de turbulência no pensamento geográfico. Isso pressupõe que esta versão. pois seria extremamente difícil escrever a história total da Geografia do IBGE. um papel fundamental na relação entre documento e memória e fica perfeitamente claro que este processo de seleção nunca contentará a todos. embora não haja. igualmente. um artigo que se possa classificar como decisivo sobre o problema. Os artigos de Fred K. por fortes modificações e que foi bastante influenciada por inúmeros conflitos metodológicos e ideológicos além de ter testemunhado. pois nas palavras de Verena Alberti " Certamente não será porque a entrevista adquire estatuto de documento que a história oral passa a obedecer aos requisitos da "ciência positiva". A entrevista de história oral. Bunge sobre o processo de “canibalismo teórico decenal” que estava ocorrendo.1981) foram bons exemplos desses momentos de grande tensão. posteriormente. vista por todos os . uma incrível evolução tecnológica nas ferramentas computacionais de mapeamento e localização. É importante. e sim a versão do entrevistado. É perceber como natural certas distorções. 1989 :2). Atualmente. portanto. Neste sentido. Ao contrário: trata-se de tomar a entrevista produzida como documento. ainda.é de se esperar que algumas dessas linhas de tensão estiveram muito próximas do rompimento. portanto . é importante ressaltar que a palavra versão assume uma importância ímpar. Schaefer sobre o excepcionalismo em Geografia (Schaefer.seu registro gravado e transcrito -. e o de Milton Santos sobre problemas do marxismo na Geografia (Santos. o principal mérito da relação entre documento e memória é poder comparar seletivamente algumas linhas de tensão entre fatos e versões nas diferentes fases por que passou a Geografia do IBGE nos 60 anos analisados. tenham passado a ser relevantes para estudos na área das ciências humanas" (Alberti. e que infelizmente continuou ao longo da década de 80 (Bunge.

faz da obra de Roudinesco uma referência indispensável no estudo da história contemporânea de cunho memorialista. Fourquet fez uma longa nota explicativa inicial. certamente. O uso exaustivo e sistemático da documentação. É certamente um clássico do assunto. 1987) onde foi estruturada uma excelente relação entre os conteúdos das cartas de militares norte-americanos. particularmente.1983). Esta será apenas uma das possíveis visões que este assunto evocará. O mais interessante exemplo de uma relação entre documentos e memórias foi realizado por Bill Couturie em seu filme Cartas do Vietnã ( Dear America: Letters Home from Vietnam.diferentes ângulos. É importante lembrar que os 26 co-autores eram muitas vezes adversários entre si. Alfred Sauvy (estatística) ou Jean-Vitold Marczewski (contas nacionais) para citar alguns que a área geográfica certamente conhece. O livro de François Fourquet Les Comptes de la Puissance é.1980): profissionais da alta burocracia governamental como o ministro Michel Rocard e acadêmicos de primeira linha do sistema de ensino e pesquisa universitário como François Perroux (economia industrial). pois o autor dá uma co-autoria a 26 personagens que foram os criadores das áreas de contabilidade nacional. Louis Althusser . ao estilo de Fernand Braudel em sua obra sobre o Mediterrâneo (Braudel. que vai da correspondência privada aos autos de tribunais. chamando a atenção do leitor para as dificuldades sentidas por ele no processo. servindo no teatro da guerra do sudeste asiático. No processo de criação. principalmente por terem de alguma forma. pela saga profissional de Jacques Lacan. o mais importante psicanalista após Sigmund Freud. A seção de agradecimentos praticamente cobre quase toda a elite intelectual francesa. o que levou o autor a estruturar uma urdidura dos temas e das opiniões poucas vezes vista nas ciências sociais. passando pelas atas de congressos e recortes de material da imprensa. filosofia e da literatura da França. Algumas obras servirão de referência para o entendimento dessa relação. do planejamento de governo e das estatísticas econômicas francesas (Fourquet. Françoise Dolto e outros. O monumental trabalho de Elisabeth Roudinesco em seu segundo volume da História da Psicanálise na França : 1925-1985 é outro marco na relação documento / memória (Roudinesco. trabalhado com a História Oral. tanto em termos técnicos quanto ideológicos. operando conjuntamente com os 26 co-autores. o mais sofisticado e complexo. cuja grande maioria prestou depoimentos ou cedeu documentos para esta pesquisa que transitou por quase todos os campos das artes.1988). aos seus parentes e amigos e as imagens . além do campo específico da medicina psiquiátrica e. encaixando-se com uma perfeição de relojoaria aos depoimentos e testemunhos prestados por figuras da intelectualidade como Jacques Derrida.

inicialmente de cunho laudatório. culminando com a humilhação da derrota. Referenciado ao período militar. é um dos melhores ensaios de historiografia econômica baseado exclusivamente na literatura especializada e em documentação governamental (Bielchowsky. com certeza. que trata da criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE atual BNDES). ao perder para Saturnino Braga a vaga de senador do Rio de Janeiro nas eleições de novembro de 1998). A experiência memorialista de Roberto Campos no seu A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. entre julho . à medida que a difícil percepção do real objetivo daquela guerra soma-se às cruéis experiências pessoais em um campo de batalha não convencional. Campos encerrou o seu mandato ao início de 1999. O teor das cartas e as das imagens. O trabalho de escolha das cartas e das imagens o credencia como um dos mais importantes trabalhos de relação documento / memória fora dos clássicos compêndios de História Oral. Sua primeira versão de 1984 foi destinada ao mundo acadêmico inglês como tese de doutoramento na Universidade de Leicester. Sua memória prodigiosa somada à vasta documentação apresentada. é particularmente interessante assim como o cap. enfatizando o período 1945-1964 garantem um quadro de referência importante para se entender o processo de desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo.1994) faz um excelente contraponto com o trabalho de Bielchowsky. As análises das principais correntes de pensamento econômico que influenciaram as decisões governamentais entre 1930 a 1964. o trabalho de Ricardo Bielchowsky Pensamento Econômico Brasileiro : O Ciclo Ideológico do Desenvolvimento. o depoimento do ex-presidente Ernesto Geisel organizado por Maria Celina D'Araujo e Celso Castro. embora não se utilizasse das ferramentas dos depoimentos orais. fazem do livro de Roberto Campos um ótimo referencial para se entender os diversos conceitos que foram atribuídos à palavra desenvolvimento desde o ciclo Vargas até a Nova República. 1995). como reconhecimento pelo Prêmio Haralambos Simeodines da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC) de 1995 na categoria tese. Sua primeira edição brasileira foi editada pelo IPEA em 1988. O capítulo VI. passando pelo ciclo militar. imerso numa cultura totalmente diferente. vão se deteriorando. que trata dos anos de Juscelino. No contexto brasileiro. principalmente no que tange ao tumultuado processo de planejamento macroeconômico e à sua instrumentação ao longo desses 60 anos (é importante lembrar que como deputado federal. enquanto a guerra recrudesce. IX.documentais referentes aos diversos períodos de envolvimento dos EUA no conflito. até tornarem-se trágicos e melancólicos. o melhor trabalho de História Oral foi.

seu falecimento e a posse de José Sarney . sua experiência de comando na Presidência da República e a avaliação dos governos posteriores até 1994. General Ednardo D’Avila Mello. tendo sido por duas vezes Secretário de Estado de Planejamento (no Rio de Janeiro. Tancredo Neves. as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho e a exoneração do comandante do II Exército. João Baptista de Oliveira Figueiredo e José Sarney) contrapondo-a com a documentação pesquisada (Couto. sendo posteriormente transferido para Ministro-Chefe do Gabinete Civil (1987-1989). o processo de escolha de Tancredo Neves. a exoneração do Ministro do Exército General Silvio Frota. . a decisão da posse de José Sarney e muitos outros são analisadas sob diferentes pontos de vista. sendo que três foram Presidentes da República: Ernesto Geisel.que culminou com a eleição de Tancredo Neves. com poucas incursões ao terreno econômico. defendida em novembro de 1997 e publicada pela Record em janeiro de 1999. que foi lançado em maio do mesmo ano. o credencia como uma das melhores testemunhas daqueles períodos. O volume especial com a íntegra de 26 entrevistas intitulado Memória Viva do Regime Militar: Brasil 1964-1985.de 1993 e março de 1994 e somente publicado após seu falecimento em setembro de 1996. O enfoque é fundamentalmente político. sem dúvida. 1997). Questões como a preparação do golpe militar. Essa combinação entre capacidade técnica. ainda que enfatizasse o período final do ciclo militar e o processo de abertura política . pois era economista formado pela UFMG com especialização em macro-planejamento. aos 89 anos (D'Araujo & Castro. durante a presidência de José Sarney foi nomeado Ministro do Interior (1985-1987).a tese de doutoramento de Ronaldo Costa Couto para a Universidade de Paris IV. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985 é. civis e militares. cargo que acumulou com o de Governador do Distrito Federal. 1999a). e em Minas Gerais. a sucessão de Castelo Branco por Costa e Silva. é também muito interessante. e uma rara habilidade política. A preocupação dos organizadores do depoimento era cobrir os aspectos da formação intelectual de Geisel e seus reflexos na carreira militar e administrativa. no governo de Tancredo Neves). Cabe lembrar que Costa Couto foi um dos mais importantes homens públicos do final do período militar e da Nova República. no governo do Almirante Faria Lima. No mesmo contexto. o melhor trabalho historiográfico do período que fez uso sistemático da História Oral (com 32 depoimentos dos principais homens públicos do país. pois confronta diversas versões sobre alguns episódios políticos cruciais ocorridos entre 1964 e 1985 (Couto. aprendida com um mestre do assunto. 1999b).

um outro lado mais amargo nos é mostrado por Elizabeth F. o melhor especialista é José Luciano de Mattos Dias (1994). 283). com fotos de Pedro de Moraes (1998). Apesar de ser um artigo de coletânea. O foco nas histórias de vidas dessas mulheres. 57 feridos e 3 mortos. que muitas vezes saía do controle das lideranças e era empalmado pelos participantes das passeatas e comícios. apresenta um quadro bem interessante das dificuldades de organização do movimento estudantil.” (pg. com um saldo de 1000 presos. que mostrou também o seu talento ao analisar a trajetória profissional dos engenheiros. Sua pesquisa cobriu os acervos orais de organizações estatais de grande porte como a Petróleo Brasileiro S.. José Dirceu. “O perigo é um pensamento revolucionário que se transforma em mística revolucionária. gerando conflitos com as forças de repressão.. que encara os acontecimentos de 1968 na França com um misto de necessidade e descontrole. tanto no campo das vinculações com a hierarquia masculina dos movimentos de esquerda. aos burocratas que as dirigiram e a alguns executivos técnicos que decidiam em áreas chave dessas organizações. 1968 a Paixão de Uma Utopia . O trabalho com 12 depoimentos das principais lideranças estudantis da época. Ainda no contexto da memória das esquerdas no Brasil. em 28 de março. Neste contexto é também interessante ler a entrevista do grande historiador francês Pierre Vilar a Jean Boutier (Boutier & Julia. Vladimir Palmeira. como Luis Travassos. e a Sexta Feira Sangrenta. ao colher depoimentos de 13 mulheres. para sua tese de mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ. Além disso. de 21 de junho. No campo específico da História Oral das organizações brasileiras. Jean Marc Von der Weid. que foram presas políticas durante os governos do ciclo militar. Não se deve esquecer que Pol Pot foi formado na Paris de 1968. . como o do restaurante do Calabouço que resultou na morte do estudante Edson Luis. 201) que contrapõe os acontecimentos no Brasil e em outros países. onde o papel da mulher. A ênfase foi dada aos políticos que as criaram. analisando os diferentes tipos de conflitos estudantis que eclodiram em várias partes do mundo e organizando uma excelente cronologia (pg.A esquerda estudantil de 1968 também tem seu livro de memórias organizado por Daniel Aarão Reis Filho. (Petrobrás) e Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). por isso. mal avaliado. Xavier Ferreira (1996). abre um importante campo de análise da memória de gênero. quanto no ambiente dos porões da ditadura militar sempre foi visto sob uma ótica de preconceito e. o trabalho de Mattos Dias é de extrema valia para os que querem se aventurar na História Oral de organizações de qualquer ordem. os autores contextualizaram muito bem o ano de 1968. 1998). enfatizando os períodos de militância política e o da prisão.A. José Genoíno e outros.

A apresentação dos autores e o capítulo que trata da história do ensino de economia no Brasil são também peças interessantes. que deram maior ênfase ao instituto carioca do que o paulistano.É importante também considerar o livro de Jaime Larry Benchimol e Luiz Antônio Teixeira (1993) Cobras. foram Ministros de Estado ligados aos setores da economia e da alta administração federal. O prefácio de Pedro Malan é de uma exatidão e elegância poucas vezes vistas nas publicações dos últimos anos. tese de livre-docência para a Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. Foram entrevistados 30 economistas. compostos majoritariamente por economistas e juristas. os autores operaram muito bem com a documentação dos dois institutos e apresentaram um bom quadro comparativo de seus respectivos campos de atuação ao longo dos anos. além de um capítulo . dos quais. Luiz Felipe L. dos quais três foram Ministros de Estado. Os Economistas no Governo de Maria Rita Loureiro (1997). tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (UNICAMP) defendida em junho de 1994. quatro. evidentemente. os mais estudados. Lagartos & outros bichos: uma história comparada dos institutos Oswaldo Cruz e Butantan. Burocracia e Elites Burocráticas no Brasil de Gilda Portugal Gouveia (1994). onde estão os trabalhos de José Luciano de Mattos Dias sobre os engenheiros e de Marly Silva da Motta sobre os economistas. Os autores. Embora não trabalhem com História Oral. mas também pela maneira de tratar o tema da História Oral do pensamento econômico brasileiro. Foram entrevistados 22 homens públicos e técnicos do alto escalão do governo. três outras obras estudaram a importância do papel deste grupo profissional na condução dos destinos do Brasil nos últimos 60 anos. além da consulta a 10 depoimentos orais arquivados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). pois aliam concisão e clareza. reconhecem. No segmento da História Oral de grupos profissionais. os economistas são. não apenas pelo elenco de profissionais escolhidos. Conversas com Economistas Brasileiros de Ciro Biderman. entretanto. que enfoca a construção do Sistema Financeiro Nacional entre 1930 e 1964 sob a ótica da estruturação de seus quadros burocráticos de elite. apresentada em agosto de 1996. dos quais três foram Ministros de Estado. Além da coletânea organizada por Angela de Castro Gomes (1994) Engenheiros e Economistas: Novas Elites Burocráticas. Cozac e José Marcio Rego (1997) é o melhor dos quatro. analisa o papel dos economistas como dirigentes políticos e trabalha a sempre tensa relação entre a racionalidade técnica e os objetivos políticos e que constantemente põe à prova esses profissionais da elite governamental brasileira.

além do economista Ignácio Rangel. três possuíam mandatos eletivos no Congresso Nacional. são diálogos de profissionais para profissionais. Milton Santos. João José Bigarella. Dos 13 entrevistados. dois presidiram o Banco Central. . Mas o que é ouro puro neste livro são as conversas altamente profissionais com uma importante parcela dos melhores economistas do país. chamado Uma leitura Comparada das Entrevistas que demonstra o alto nível de síntese dos organizadores da obra. cinco foram Ministros de Estado.final. o naturalista Paulo Nogueira-Neto e o engenheiro agrônomo e administrador de parques naturais Wanderbilt Duarte de Barros. No que concerne à Historia Oral dos Geógrafos. duas trabalharam no IBGE Alceo Magnanini e Wanderbilt Duarte de Barros. Mac Arthur Fondation conta a história do movimento de Conservação da Natureza no Brasil. Mário Henrique Simonsen. Roberto Campos. Roberto Lobato Corrêa e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro são alguns exemplos deste importante volume. pois em nenhum momento o diálogo resvala para a crítica fácil ou o "achismo". através da revista Geosul. expoentes de linhas de pensamento bem diversas. Maria da Conceição Tavares. Victor Antônio Peluso Júnior. O zoólogo Aldemar Faria Coimbra Filho. André Lara Resende e Pérsio Arida. inaugurando a série com o Professor Speridião Faissol. Num contexto intermediário das ciências ambientais. o trabalho do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. apesar de estarem na arena figuras como Delfin Neto. Celso Furtado. o biogeógrafo Alceo Magnanini. O teor das entrevistas revela-se altamente profissional. O Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também iniciou em 1997 a publicação de sua revista GeoUerj com uma seção de entrevistas a geógrafos importantes. Professores como Orlando Valverde. a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua. utilizando os depoimentos orais de seis personalidades líderes em seus segmentos. onde a Geografia possui forte presença. considerado como um geógrafo honorário. é de alta relevância. o Almirante e paleontólogo Ibsen de Gusmão Câmara. além de todos serem professores das melhores escolas de economia do Brasil. Dessas personalidades. pois concentra 9 dos melhores profissionais de Geografia. O volume 12 / 13 já tornou-se um clássico. o livro da jornalista Teresa Urban (1998) Saudade do Matão organizado pela Fundação Boticário e a The John D. Estão sendo sistematicamente entrevistados os principais geógrafos brasileiros que contribuíram com os seus conhecimentos para a melhoria do ensino de Geografia no país. and Catherine T.

respondidos por funcionários das unidades regionais do IBGE de 11 estados brasileiros. também foram aplicados 28 questionários. organizador da estrutura burocrática que criou o Conselho Nacional de Geografia em 1937. França e até um brasileiro. Ainda no campo da História Oral dos profissionais. onde foram trabalhadas 23 entrevistas com funcionários e ex-funcionários do IBGE. Em sua maioria americanos. um projeto de depoimentos com os profissionais da casa e. Wilson Martins autor da coleção A História da Inteligência Brasileira em sete volumes. antropologia. com sua estruturação organizacional atual e estabelecer um pano de fundo cronológico que acompanhará os 60 anos de atividades geográficas da instituição. Inglaterra. que residiu e lecionou na University of New York entre 1965 e 1998. Gelson Rangel Lima e Aluísio Capdeville Duarte. além do importante depoimento de Cristóvão Leite de Castro (engenheiro). crítica literária. A análise do tema Memória Institucional foi o objetivo do trabalho de Icléia Thiesen Magalhães Costa para sua tese de mestrado em Ciência da Informação na Escola de Comunicação da UFRJ em 1992 Memória Institucional do IBGE: Um Estudo Exploratório-Metodológico. história.A área de Memória Institucional do IBGE concebeu em 1991. foram entrevistados três geógrafos: Orlando Valverde. ciência política. . além especialistas de instituições que lidavam com memória institucional. mas também de outros países como Gana. sociologia e filosofia / teologia. Foram gravados os depoimentos de 32 profissionais que se especializaram em Brasil nas suas diferentes atividades acadêmicas: literatura. economia. desse projeto. além do engenheiro Christovão Leite de Castro. Após esta revisão. José Carlos Sebe Bom Meihy (1990) lança A Colônia Brasilianista: História Oral Acadêmica obra fundamental para se entender a formação do grupo de profissionais conhecido como os brasilianistas da comunidade acadêmica norteamericana. a estrutura que organiza esta primeira parte do trabalho está dividida em mais dois capítulos que objetivam referenciar a agência IBGE. Eli Alves Penha (1993) em sua tese de mestrado A Criação do IBGE no Contexto da Centralização Política do Estado Novo já inicia um processo de abordagem da História Oral ao entrevistar sete geógrafos do IBGE a respeito das práticas profissionais.

ainda. Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia e em suas considerações iniciais esclarecia . 1 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.200. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil.O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? Criado pelo decreto-lei n 218 de 26 de janeiro de 1938.. O subtítulo do decreto era. A saga de implantação dessas agências. pelas "Resoluções" n Instituto... pois a principal preocupação de Vargas era de dotar o aparelho estatal de uma imagem claramente nacional. que vai muito além do simples intervencionismo estatal. ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção . Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia. e não apenas uma referência ao poder do Palácio do Catete. de 6 de julho de 1934. ao Rio de Janeiro (capital federal). Considerando. Getúlio Vargas inaugura um processo político-jurídico-administrativo. além disso. no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República: Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística.609. de 24 de março de 1937. ex-vi dos decretos n 0s 0 24.II . Decreta: Art. de 17 de novembro de 1936 e 1.o de Geografia e o de Estatística com a denominação de "Conselho Nacional". também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística. ou mesmo de caráter pessoal. Portanto. O IBGE na realidade foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia que já existiam.527. sua abrangência nacional até ao nível de município. a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935/36.. 1. Mena Barreto e Isaías Noronha. dentre elas a 0 os 31 e 5. A criação dos Ministérios do Trabalho. respectivamente. Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia uma série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo. a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do . que passam o comandado do país para Getúlio Dorneles Vargas em 03 de novembro de 1930. de 10 e 13 de julho de 1937. inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede o golpe militar consolidado em 03 de outubro de 1930 pelos Generais Tasso Fragoso.

o corporativismo constitui. uma de suas parcelas mais importantes. após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 até 1945 (Schwarztman. É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário. Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado. Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre Ministérios. que exigiam pessoal técnico qualificado. que nas palavras de Edson Nunes (1997:18) "estava isolado das disputas políticas" . e universalismo de procedimentos. Nos anos subseqüentes a 1930 e. 1978). sem dívida. o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas. mas que não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro.. Período este muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (Medeiros. ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e que tiveram papel influente na estruturação jurídico-política-administrativa do Estado Novo. se possível em nível municipal. insulamento burocrático. Francisco Luís da Silva Campos Educação e Cultura. sendo que para Nunes ".1983). A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997:18) chama de insulamento burocrático. e sim. disseminadas por grande parte do território nacional. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas" . principalmente entre os novos e os antigos.. sem intermediações das políticas locais ou estaduais. para que toda a sociedade percebesse que. a partir daquele momento. corporativismo. Nesse diálogo. Para este autor. .documentos históricos) A importância de que se revestia um órgão como este. é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente.criação de uma agência federal de Estatística que objetivava uma centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo. Osvaldo Aranha Fazenda e Francisco Antunes Maciel Justiça e Negócios Interiores) lutaram pelo fortalecimento ou enfraquecimento de tal agência. o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal. Francisco Campos. No caso do Instituto Nacional de Estatística criado em 1934/1936 pelo menos quatro ministros (Juarez Távora Agricultura . Oliveira Vianna. (ver anexos . apresenta fundamentos políticos muito precisos para aquele período. Azevedo Amaral. o porta voz do governo federal seria um técnico.

L. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu. o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal. geralmente sendo coordenada por um ministro de estado (Planejamento ou Fazenda). continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal. para sua dissertação de mestrado. sendo seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. da mesma forma que as empresas da iniciativa privada. A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores. Em 1993. por força do Decreto-Lei 161 de 13/02/1967. nos seus primeiros anos. quanto à sua relação com o poder central da república. incorporaram-se ao aparelhamento do Estado. dos intelectuais. para projetos específicos. enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. A partir de 1990. . Para o ano 2001. “pertencem à categoria algo difusa.T. elitistas todos. (Consolidação das Leis do Trabalho) para a esfera do funcionalismo público federal.” (p. o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único. No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos.T. O órgão. Entre 1967 e 1990. com autonomia financeira e possibilidade de contratação por C. é possível perceber quatro fases distintas. Intelectuais que. tanto de Estatística.Raimundo Faoro em seu prefácio à obra de Medeiros diz que estes personagens. está em andamento uma nova mudança de vinculação. foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático. que utilizou fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. sua história. Membros da elite. a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam ter contratos de trabalho. entretanto. para transformar o IBGE em agência executiva do governo. como de Geografia. Ao se analisar todo o período de existência do IBGE. um interessante trabalho de Geografia Política.. anteriormente regidos pela C. fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. Gonçalves (1995) e Penha (1993). conquistaram o casaco de veludo do mandarinato. É com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo que se deve avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. Apesar desses mecanismos iniciais. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República. algo identificável. não é imune a controvérsias. a criação do IBGE já foi devidamente tratada por dois autores da casa. criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo. XII).. Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo.L. em algum momento. transferindo todos os seus funcionários. até a sua fusão no IBGE.

que lista boa parte da legislação externa e interna ao órgão como as resoluções das Assembléias Gerais dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia (AG/CNE e AG/CNG). a antiga e CD a atual). Para complementar o entendimento sobre o órgão durante os anos 90. coordenada por Icléia Costa (1998). controlando todas as estatísticas básicas de demografia.Além desses autores. foram também incluídos dois trabalhos compilatórios: o primeiro referenciado ao conjunto de leis e decretos que deram suporte jurídico ao Conselho Nacional de Geografia (IBGE. Antes porém. pelo então presidente Simon Schwartzmwan (19941999) durante sua gestão. 1993). será necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE. Esta complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações. da Junta Executiva Central (JEC). Tendo como marco inicial essas referências.org. emprego e renda. em função de problemas corporativos). a levantamentos socio-ambientais em escalas regional e nacional. este trabalho se dispõe a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes que. . em que se operam todas as etapas de reconhecimento territorial. No campo das estatísticas. infra-estrutura. o segundo. passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE. cobrindo todas as unidades da federação. produção. por coincidência.1952) e.htm). também exerceu a presidência da casa entre 1986 a 1988 (num período particularmente turbulento. consumo. indo do levantamento geodésico e cartográfico até a confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas. uma das poucas agencias governamentais no mundo. abarcando desde áreas de pesquisa ecológica em sua Reserva Ecológica do Roncador no Distrito Federal. seu alcance é ainda maior. do Diretório Central (DC) e do Conselho Diretor sob duas siglas (COD. que trataram especificamente sobre o papel do IBGE no contexto dos órgãos de pesquisa do Governo Federal do Brasil e que apontam para um projeto de criação de uma agência executiva controlada por um projeto de gestão (http://www. é importante considerar ainda os documentos elaborados em 1994. A Rede de Coleta A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações. à Cronologia do IBGE.br/simon/relat. Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística.fbds. que foi montada a partir de 1934 ( decreto 24 609 de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936.

a estrutura básica da rede era estabelecida pelo município. em ambiente de banco de dados especialmente construídos para a operação.INPC. Para a operação censitária de 2000. onde se encontra a Agência Estatística Municipal . onde são planejadas as campanhas de coleta de informações e se estabelece no nível do município.PNAD.507 municípios recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro. as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE como.O processo de coleta de informações é iniciado nos escritórios centrais do IBGE. 1 Em grandes cidades e nas áreas metropolitanas a rede de coleta se estrutura de maneira mais detalhada subdividindo-se em Distritos e bairros. por exemplo.000 pesquisadores em todo o Brasil. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico.PME. tome-se como exemplo. lidos por processo óptico.000 recenseadores para trabalharem em 5. Até o final da década de 1980. que viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 30. utilizando-se scaners e as informações contidas neles automaticamente testadas por programas estatísticos de verificação de consistência dessas informações. Para se ter uma medida do quantitativo desse pessoal especializado. Na atualidade. a campanha da PNAD 96 que ocupou mais de 2. conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística. 1 . Os questionários serão. São elas que se responsabilizam pela coordenação das agências de coleta localizadas nos municípios e pelas equipes que operam em pesquisas específicas. pela primeira vez. pesquisa nacional de amostra por domicílio . cartógrafos). agrônomos. pesquisa de orçamentos familiares – POF. dependendo da importância desse município. economistas. a pesquisa de índices de preços . utilizam contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados . chefiada pelo agente do IBGE e. pesquisa mensal de emprego . No distrito sede de um município localizava-se a agência de coleta (Agência Municipal de Estatística). o IBGE treinou 200. Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos Estados. no Rio de Janeiro. Esta rede foi uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE). poderia ter dezenas de funcionários. e também que demandam pessoal especializado (estatísticos. Tais recursos tecnológicos possibilitarão a divulgação dos resultados preliminares do censo em dezembro de 2000.

Atualmente. e gerenciadas por oito departamentos regionais (DERE). mas ainda existem casos de coabitação da AME em prédios pertencentes às prefeituras ou a algum outro poder municipal. evitando assim um deslocamento. Mário Augusto Teixeira de Freitas. ou pesquisadores que demandassem informações sobre o município e sua região limítrofe. Câmara dos Vereadores . 1960). inclusive estabelecendo uma planta baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação informações (Costa. de . Em cada DERE há uma unidade chamada Divisão estadual de pesquisas (DIPEQ). Juizados e Tabelionatos). na parte em que tratou dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística. No ano de 1990. é o poder executivo quem mais se relaciona com o IBGE garantindo. além de uma coleção de obras gerais do IBGE. como anuários. muitas vezes longo e penoso de profissionais como professores. econômicas. O livro de Joaquim Ribeiro Costa Manual do Agente Municipal de Estatística editado em 1960. que coordena as atividades de coleta.A Agência Municipal de Estatística (AME) é a ponta de uma intrincada rede organizada no início dos anos 30 para prover o Governo Brasileiro de informações sobre as condições demográficas. sobre o Estado e o município na qual a agência está localizada. em contato com a delegacia estadual ou escritório de informações situado na capital da unidade da federação podia solicitar material de divulgação para usuários moradores nos respectivos municípios. sociais e administrativas do país. uma biblioteca básica sobre a região e o estado. situadas em municípios com alguma centralidade. A agência. Uma agência municipal de estatística sempre é criada através de uma relação de interesses entre o IBGE e os poderes municipais (Prefeitura. Esse processo de divulgação incluía um arquivo de dados sobre o município. na maioria dos casos. reduziram a estrutura da rede de coleta para apenas 500 agências. mapas regionais e estaduais. funcionários das prefeituras. as grandes modificações por que passou o órgão. Para o idealizador da rede de coleta de dados. Normalmente. um espaço físico para a AME. no capítulo IV Aparelhamento das Agências detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência padrão. que controlam as atividades administrativas da rede. a AME deveria ser um misto de escritório de coleta de informações e de divulgação de dados sobre o IBGE. a grande maioria das agências municipais são alugadas com recursos próprios do IBGE.

em todos os domicílios do país. animais. No início de 1999. contabilidade. A rede também possui fortes vinculações com a Diretoria de Geociências (DGC) através da organização dos mapas que configuram as Bases Operacionais Geográficas dos Censos (Demográfico e Econômicos). (Agropecuário. . que cobrem uma ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais. município e distrito). A estruturação da logística censitária. sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística. num país de dimensões continentais como o Brasil. no contexto do Projeto Presença do IBGE2. informações sobre a estrutura de sua população: idade. é uma tarefa que envolve milhares de pessoas e muito dinheiro. objetivando otimizar a logística de obtenção de informações. Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE. tipos de energia consumida. mão de obra etc. O primeiro. por sua complexidade de informações . Quinqüenalmente e decenalmente. os censos econômicos Comercial e de Serviços) e. levantar. . Mapas que delimitam os setores censitários (urbanos e rurais) de todos os municípios brasileiros e que são sistematicamente atualizados antes de qualquer operação censitária. maquinaria. renda. Além disso. que são também utilizadas para o processo de divulgação dos dados estatísticos. além das unidades de área institucionalmente conhecidas (Estado. atividade profissional. toda a rede reporta-se à Diretoria de Planejamento e Coordenação (DPC). movimentos migratórios etc. o Censo Demográfico. por seu objetivo principal de contar todo o universo populacional brasileiro. que é previamente orçado e aprovado pelo Congresso Nacional.somada às dificuldades de acesso aos estabelecimentos rurais nas áreas mais distantes. nos anos 0. foram iniciadas as pesquisas para uma futura reorganização espacial da rede de coleta. O segundo. Industrial. A Área de Estatística 2 Projeto de reestruturação da agencia visando uma otimização da rede de coleta. a rede de coleta se amplia para dar conta das tarefas censitárias que cobrem. As duas mais complexas e caras campanhas censitárias são as dos censos demográfico e agropecuário. indo das pesquisas mensais até as anuais. isto é. o Departamento de Geografia da DGC organiza a regionalização do país em macro.que envolvem conhecimentos específicos de produtos agrícolas. sexo. em função de estudos de acessibilidade das agências. através da Diretoria de Pesquisas (DPE) e de campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade. nos anos 0 e 5. meso e micro regiões.Atualmente. condições do domicílio. escolaridade.

como o índice de preços que estabelecia o índice de inflação. secretarias estaduais de planejamento. ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração. como as dos estados do Sudeste e Sul com as dos estados nordestinos ou nortistas. Cabe. fundada em 1953 e que. renda.ENCE. quando as pesquisas econômicas conjunturais. a partir de 1984. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística / Informática e de Geodésia / Cartografia que eram muito disputados.É na área de Estatística. portanto. Os exemplos dos índices de preços e de emprego / desemprego são alguns dos mais polêmicos. Além dos indicadores econômicos. . ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país. o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas . 1998). passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou decréscimo da economia nacional. juntamente com os ministérios militares). o índice de crescimento industrial e outros. que o IBGE organizou. saúde. coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (a exemplo das estatísticas militares no período da 2 a Guerra. pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas. emprego. ampliou sua oferta oferecendo cursos de pós-graduação "latu-sensu" nas áreas de Amostragem. definindo novas pesquisas. universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado. que analisa as estatísticas sob duas óticas: a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores) colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (Senra. Cabe. ao IBGE tentar "o equilíbrio entre o desejável e o possível" de que nos fala Nelson Senra no sub-título de seu trabalho. acesso a serviços básicos de infra-estrutura etc. Os principais problemas inerentes a este papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra. Sendo a Estatística a principal atividade fim do Instituto. representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE) que o IBGE apresenta a sua imagem mais clara para a sociedade. as taxas de emprego e desemprego. principalmente após os anos 60 e 70. Demografia e Análise de Dados. além de acompanhar tecnicamente as estatísticas das demais unidades da federação. Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas. estabelecendo metodologias. informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação. a Estatística também trabalha com indicadores sociais. também.

tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional. É também o IBGE. 1: 250 000. realizado e organizado pela área de Cartografia que. Na área da Geografia. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE. os primeiros Cursos de Informações Geográficas foram ministrados em 1946. Um detalhamento maior dessas atividades de aperfeiçoamento na Geografia será dado na parte V deste trabalho. normalmente arbitrados pelo poder judiciário. A Área de Geodésia e Cartografia A Geodésia. levando em consideração as negociações entre as partes. 1: 50 000. é atribuição da área dar apoio técnico às operações de mapeamento das a a o a a . que se tornaria o embrião da futura ENCE. O segundo grupo era composto de professores que deveriam possuir diploma de curso superior. Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa. planimétrica e gravimétrica. que iniciou seus trabalhos em 1937 no bojo do Conselho Nacional de Geografia. em 1939. Ademais. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. foram ministrados cursos especiais para atualização de professores universitários. definindo níveis de aptidões para o ingresso na carreira e. e 1: 25 000. Em caso de litígios entre essas unidades. instituindo o primeiro curso anual de aperfeiçoamento estatístico. além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. tanto na escala municipal quanto na estadual. vem desde 1937. ainda. assume sua especificidade em 1945. 1: 100 000. atuais 5 a 8 série e 2 Grau). A atuação do IBGE na formação e qualificação profissional. juntamente com as demais forças armadas. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. definidos por resoluções do Diretório Central do Conselho Nacional de Geografia visando a dois públicos alvo: os professores do ensino primário (atual 1 a 4 série do primeiro grau) e professores do ensino secundário (antigos Ginasial e Colegial. que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou. alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. entretanto. os parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. com a estruturação das redes altimétrica. que determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. com as resoluções da Junta Executiva Central (JEC) do Conselho Nacional de Estatística organizando estágios. Posteriormente.Em 1993.

municípios. Cabe também ao órgão auxiliar o Ministério das Relações Exteriores. que estabelece a produção de bases digitalizadas visando o georeferenciamento de pontos e linhas que impõem limites entre áreas (setores censitários. Três outros tipos de incumbência interessantes de que a Cartografia participa fortemente são: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede Internet). por sistemas eletrônicos. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas. Para uma visão histórica desses processos. constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão. a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional. tanto estatísticas.Bases Operacionais Geográficas dos censos. encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. que garante a distribuição dos royalties provenientes da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira. além da cooperação com as da Força Aérea.IBM (sistema 1401). a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil. para fins de demarcação das proporcionalidades de área. deve-se consultar o trabalho de Francisco Romero Freire (1993). até o início da década de 40. ferrovias. unidades federadas). Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática. quando solicitado. foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e. A partir da década de 70. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. componentes da infra-estrutura (estradas. que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE. e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano. Entre os anos 40 e 50. os quais são atualmente utilizados em organização de Atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados (que vão de informações alfa numéricas simples a complexas imagens e sons em tempo real. . para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração (o exemplo dos municípios fluminenses situados frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante). Área de Informática Todas essas informações. vegetação). no acompanhamento dos limites internacionais. hidrografia. na década de 60. quanto cartográficas ficam disponibilizadas em bancos de dados que. adquiridos à Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e à International Busines Machines . distritos. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo.

estando em elaboração a nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta. no caso de falta de energia . qualificado para trabalhar com programas pesados. Dezesseis (16) gavetas IBM 9392-B13 emulando 64 endereços de discos IBM 3390. criada em 1971 com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática . o sistema gerencia mais 92 servidores e 1221 estações de trabalho localizados nas unidades do IBGE em nível de capital de estado e no Distrito Federal. mais um servidor que executa tarefas específicas que exigem grande . criado em 1989.IBI e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações .O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE. A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte. e 512 Mbytes. portanto. principalmente os que operam com grandes massas de dados.89 GBYTES por endereço (39. memória CACHE de 256 MBYTEs. onde já estão instaladas 1706 estações de trabalho. capacidade de 1. Doze (12) unidades de discos IBM-3380 modelo BK4 com quatro endereços por unidade e capacidade de 1. onde a utilização de grandes computadores é prioritária.DI.2 Gigabytes de memória central e equipado com discos que podiam armazenar 242 Gigabytes de informação.CDDI. O sistema que passou a operar em 1998 está composto por Um (1) IBM-9672 modelo R32 (triprocessador) com 192 Mbytes de memória central e 1024 Mbytes de memória expandida.665 cilindros). Além disso. a Diretoria de Informática .89 GBYTES por endereço (39825 trilhas e 2.5 Mbytes/segundo. Quatro (4) unidades de discos IBM-3380 modelo AK4 com quatro endereços por unidade. O processador opera com 60 mips (milhões de instruções por segundo) e possue o dispositivo PRSM que permite sua divisão em partições lógicas de processador. por um período de até 48 horas. com capacidade de 2.825 trilhas e 2.085 trilhas ou 3. e ser acessado por 2 000 terminais remotos. O sistema que operava em 1994 era um IBM 9021 com 1. As memórias CACHE permitem otimizações nas operações com os discos magnéticos e são preservadas com auxílio de baterias. A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada. Duas controladoras IBM-3990 modelo G03 com memória CACHE de 32 Mbytes e duas controladoras IBM 3990 modelo G06. 104 canais com taxa de transferência de até 4.339 cilindros).84 GBYTES por endereços (50.665 cilindros). O computador central é hoje. Este novo sistema sustenta uma grande rede de 44 servidores localizados no Rio de Janeiro que já integram uma arquitetura de 2180 pontos de rede.

Por exemplo. através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público adolescente.capacidade de memória como. está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e de suas relações com as demais áreas da casa. e no ano 2000. quanto cultural. criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. Área de Disseminação de Informações Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de propagar as informações coletadas ou geridas pelo órgão. foram editadas obras que referenciavam o IBGE com áreas da educação e da cultura. como no caso do recente lançamento do site IBGE Teen e a preparação de um novo site para o público infantil (IBGE Kids). por ocasião da Primeira Conferência Nacional de Educação (IBGE. uma extensa obra sobre os problemas educacionais brasileiros em dois volumes. No caso da disseminação de obras culturais. em 1941. além do uso intenso da rede Internet. em 1943 a obra de Fernando de Azevedo A Cultura Brasileira . durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e estudos que são distribuídas pelos seus pontos de vendas tradicionais. e seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico. os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão. como os disquetes e CD-ROMs e DVDs.um dos mais completos retratos da evolução da sociedade brasileira feitos após a revolução de 1930. Por ocasião do lançamento dos resultados do Recenseamento Geral do Brasil de 1940. 1975 10 ed. situadas em cidades médias.espalha-se obrigatoriamente até aos escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs). É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade. a coleção de Tipos e Aspectos do Brasil. rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações.além das mídias inseridas na Internet. utilizando tanto a linguagem técnica. que compilou desenhos de Percy Lau e Barboza Leite sobre os mais diferentes aspectos da vida. os lançamentos a . por exemplo. além do gerenciamento da rede. costumes sociais e atividades profissionais de diversas regiões brasileiras (IBGE. Sua estrutura de atendimento . por exemplo. Essa pesquisa. através dos SDDIs localizados nas capitais estatuais e na maioria das agencias de coleta. onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE. como no caso de sua nova loja virtual que vende os produtos do órgão na grande rede . Nos anos 50.). É também no CDDI que se encontra a área da Memória Institucional. 1941).

além de ilustrações históricas e mapas de época e de fotos do acervo da Memória institucional do IBGE que retrataram as múltiplas facetas desta saga de ocupação do território brasileiro (IBGE. Anna Bella Geiger. A primeira necessidade vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940. quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior. pelo uso de links com o sumário e a possibilidade de impressão seletiva das páginas pesquisadas. a edição fac-similar da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros em CD ROM. Rubens Gerchman. onde os 36 volumes foram reduzidos em 18 CD ROMs. o resultado de duas necessidades com as quais o Governo Federal se ressentia nos anos 30: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro. Eram necessidades que garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas. Embora a Geografia brasileira. fundamentalmente.1995 e 1999). Tadashi Kaminagai. quanto no humano e econômico. que poderiam elevar os custos do processo. pois ocupará a maioria dos capítulos subseqüentes. Área de Geografia A área da Geografia foi propositadamente deixada para o final. evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais. como fica evidente nos trabalhos de Lia Osório Machado. É importante. nos anos 30. entretanto. sua sistematização e aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não havia sido tentada. que obrigou a todos os municípios montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940. a fim de possibilitar uma navegação mais rápida. assinalar que sua incorporação ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras foi. tanto no contexto físico. . na medida em que os novos geógrafos eram formados na Universidade e adquiriam experiência profissional. Manabu Mabe. Por fim. tanto em campo. Este livro.da coletânea Brasil 500 anos de povoamento . onde 11 historiadores especializados em “nações” que povoaram o Brasil escreveram artigos sobre seus respectivos objetos de pesquisa. já possuísse um razoável lastro. ricamente ilustrado com imagens de pinturas e gravuras de artistas renomados como Anita Malfatti. sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (Machado. foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937. para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. A segunda necessidade foi sendo organizada mais lentamente. 2000).

por convite de Cristóvão e foi oficialmente contratado em 1 de outubro do mesmo ano e o.É justamente sobre a participação do IBGE na história da estruturação do tanto as fontes documentais. o geógrafo Orlando Valverde.1952:74). posteriormente. sendo que o professor Valverde. o . que se desenrolou ao longo desses 60 anos. que ingressou em julho de 1938. para isso. são o engenheiro Cristóvão Leite de Castro. chefe da Secção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. desenhista Miguel Alves de Lima que. foi posteriormente entrevistado especialmente para esta pesquisa. Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro (SPTB) que este trabalho versa e. assim como o professor Miguel Alves de Lima. ainda lúcido e produtivo. na época. quanto as orais de quem viveu partes do processo . transferida para formar o núcleo inicial do Conselho Brasileiro de Geografia em 13 de outubro de1938 (IBGE. O último capítulo introdutório estabelecerá um pano de fundo cronológico. Os dois primeiros deram seus respectivos depoimentos ao CDDI em ocasiões diferentes. e objetiva orientar temporalmente o leitor na saga da Geografia e dos Geógrafos do IBGE. tornou-se geógrafo. foram utilizadas Os três profissionais que vivenciaram a fase inicial (1937-1938) de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG).

É importante ressaltar ainda a vinda ao Brasil. determinadas conjunturas tanto de cunho externo. além de iniciar o processo de criação de um futuro núcleo de pesquisadores em Geografia lotados no Governo Federal.A Fase Introdutória de Criação do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia. 1933 a 1938 . Em âmbito interno. quanto interno à Geografia ibegeana. . de Emmanuel de Martonne.. deve ser destacado o do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. além das políticas de recursos humanos. foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial. em 1933. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte nos campos científico e tecnológico são os de maior peso. Na tentativa de demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. que vieram iniciar suas carreiras de pesquisadores aqui. Educação/Saúde e Indústria e Comércio). Sua posição como Presidente da União Geográfica Internacional (UGI) garantiu as tratativas de organização dos cursos superiores formais de Geografia. vindo do Ministério da Educação e Saúde Pública. Pierre Mombeig e no Rio de Janeiro a figura de Pierre Deffontaines. No âmbito externo ao IBGE. Revolucionários de primeira hora são colocados em postos-chave. É. No lado técnico do novo governo. quanto no Rio de Janeiro. No caso de São Paulo.O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE O principal objetivo deste capítulo é fornecer um quadro de referência que oriente o leitor não familiarizado com a história da Geografia no IBGE. após a Revolução de 1930. Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia CNG – Christóvão Leite de Castro 07/04/1937 .III . uma fase de estruturações/restruturações da máquina governamental federal. principalmente no que se referiu à indicação de jovens professores franceses. marcadamente. onde seus respectivos títulos informam. embriões do IBGE ( Presidente da República – Getúlio Dorneles Vargas 1930-1937.) O contexto político é marcado pelas ações centralizadoras da primeira fase do Governo Vargas. tanto em São Paulo. em termos cronológicos. como a criação de novos Ministérios (Trabalho. Para tal. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. escalas de análise e áreas. foram definidos 13 períodos de tempo (com uma introdução que referencia aos cinco anos anteriores a 1938 e mais aos doze restantes). de maneira geral. criador do Instituto Nacional de Estatística e principal emulador do processo de organização de uma agência que dará subsídios cartográficos ao aparelho estatístico brasileiro. como no caso do General Juarez Távora no Ministério da Agricultura. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/ 1936 . considerado um dos mais importantes geógrafos da França.

.chefiado por Cristóvão Leite de Castro e já contando com as presenças de Fábio de Macedo Soares Guimarães. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 . entre 1940 e 1956. além de auxiliar nas tratativas diplomáticas para inclusão do futuro órgão na União Geográfica Internacional (UGI) e criar a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB).fosse transformado em um novo Conselho Brasileiro de Geografia. além de organizadores de cursos nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. . através da influência de Emmanuel de Martonne. Este processo se consolida. incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e instalado solenemente em 01 de julho de 1937. através do crescimento da burocracia estatal. Jorge Zarur. ainda. O contexto epistemológico da época era referenciado pela escola francesa de geografia. 1974:96-98) e Teixeira de Freitas permitiram que o setor de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura . influenciar fortemente o próximo. (ver anexos documentos históricos) A figura do geógrafo francês Pierre Deffontaines torna-se a mais importante referência de formação profissional desse período e irá. para não mencionar algumas transferências feitas entre Ministérios. Miguel Alves de Lima entre outros . Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 20/05/1936 . é o pano de fundo que referencia à criação do IBGE em 1937 e à reestruturação da nova agência.) Esse período se dá no contexto do Estado Novo até a primeira queda de Vargas. É a primeira contratação do novo órgão. elaborada por Fábio de Macedo Soares Guimarães e colaboradores que. Orlando Valverde é contratado em 1938. foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos do Brasil. posteriormente. enfatizando a centralização administrativa e ampliando os níveis de responsabilidade federal. com a vinda de Francis Ruellan. ao preparar os cursos iniciais das primeiras turmas de Geografia da Universidade do Distrito Federal (UDF) e orientar metodologicamente os objetivos do que seria o futuro Conselho Brasileiro de Geografia. além de servir de base para a divulgação de dados estatísticos. Pierre Deffontaines e de Pierre Monbeig que. professor francês que orientou e treinou dezenas de geógrafos.As relações entre Juarez Távora (Távora. tanto do CNG. com os Conselhos Nacional de Estatística e de Geografia entrando em funcionamento em 1938. A determinação de Getúlio Vargas em criar novos padrões de governo. quanto da Universidade. Em 1941 foi adotada uma divisão regional do Brasil. • 1938 a 1945 . inclusive formando seu primeiro núcleo técnico.Estruturação inicial do Conselho Nacional de Geografia no contexto político do Estado Novo: os primeiros trabalhos de referência e as primeiras ações de aperfeiçoamento do pessoal (Presidente da República – Estado Novo– Getúlio Dorneles Vargas 1937-1945. como secretário do Conselho Nacional de Geografia.

Por conta dessas articulações.3 n. . Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 – 12/07/1950) O contexto político-institucional da época era bem turbulento. (RBG v. nunca foi interrompido. Elza Keller. os fatos mais importantes foram a vinda de Leo Waibel em 1946 e a ida para a França -recém saída da guerra. em setembro de 1946.foi também o embrião de uma idéia de planejamento espacial para o governo federal. Com esse grupo. isto é. Ao mesmo tempo. No campo do conhecimento geográfico.de um grupo de cinco geógrafos do IBGE indicados por Francis Ruellan (Miguel Alves de Lima. Além disso. sua substituição por José Linhares e a eleição do General Eurico Gaspar Dutra em dezembro de 1945. Abria-se. pois ainda repercutiam as conseqüências da deposição de Vargas em outubro. • De 1946 a 1950 . onde estuda pesquisa de campo. o que garantiu a manutenção da estrutura do IBGE durante o novo governo. indo posteriormente para a Universidade de Chicago. ao longo desses 60 anos. É importante lembrar que eram os meses finais da Segunda Guerra e que a Europa ainda não podia arcar com a estada de alunos estrangeiros. onde gradua-se como Master of Arts em 1943. embora o texto mantivesse a estrutura criada por Vargas. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. um executivo ampliado e altamente centralizado. portanto. Em 1942 Jorge Zarur segue para os Estados Unidos para aperfeiçoamento na Universidade de Winsconsin. articula com as autoridades americanas e o IBGE a ida de geógrafos brasileiros para cursos de aperfeiçoamento em Geografia. um campo novo para a absorção de conhecimentos da escola americana de Geografia. Miriam Mesquita. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/1936 – 30/01/1951. em 1945 seguem para os Estados Unidos cinco geógrafos do IBGE com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e de planejamento regional: Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível que.2 abr/jun 1941). Pedro Geiger. é promulgada uma nova Constituição que recoloca o país na democracia.As demandas do pós-guerra e a introdução de um aparato epistemológico na pesquisa (Presidentes da República – José Linhares 1945-1946 e Eurico Gaspar Dutra 19461951.

Além dos geógrafos de formação. por ocasião de suas estadas no Brasil. conseguem que o CNG do IBGE convide Leo Waibel para trabalhar no Brasil. onde tinha sido diretor do Instituto de Geografia. no período compreendido entre 1940 e 1950.11n. criando-se assim uma nova matriz epistemológica a somar-se com a francesa. um número que se tornou clássico para o tema. objetivando estabelecer a posição da cidade. Esse mesmo grupo. (colocar o artigo de Cybele de Ipanema) Os americanos Clarense Jones e Preston James também trabalharam bastante no tema [ colonização. tendo como relator Fábio de Macedo Soares Guimarães (RBG v. O Homem e a Restinga. Com o crescimento do nazismo. que já era tradicional. onde conhece Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde que. O objetivo desses estudos era a escolha de um sítio físico otimizado para a futura capital. o IBGE recebia também outros profissionais que se mostravam capacitados a elaborar estudos geográficos. sob a orientação de Waibel. composto de profissionais do IBGE e alunos do curso de Geografia da Universidade do Brasil. com doutoramento em Hidelberg e tinha passado pela Universidade de Bonn. Waibel era alemão. Um ótimo exemplo de profissional de geologia que sabia escrever sobre os processos de ocupação humana em termos espaciais. • De 1951 a 1956 . os americanos Clarense F. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” RBG 12 (3).4 out/dez 1949). jul/set 1950 ] por sinal. O Homem e a Guanabara e O Homem e a Serra. por intermédio de Cristóvão Leite de Castro. e o de Leo Waibel. em 1947. Leo Waibel vem trabalhar em pesquisa geográfica exclusivamente no IBGE. foi Alberto Ribeiro Lamego que.fase de consolidação da Geografia do IBGE e o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional . O vasto conhecimento de Waibel em Geografia Agrária ampliou os horizontes de um grupo seleto de geógrafos do CNG que trabalhava com o processo de colonização sob demanda do governo federal. estavam lá um artigo de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa – RS. elabora um plano de mudança da capital federal. em que ele avaliava sinteticamente seus estudos no Brasil. o grupo de Francis Ruellan. Nos anos seguintes.Héldio Xavier César). diferentemente de Francis Ruellan. que também lecionava na Universidade do Brasil. também. Waibel emigra para os Estados Unidos e vai lecionar em Wisconsin. escreveu quatro grandes obras para o CNG: O Homem e o Brejo. Nesse projeto atua. Jones (1948) e Preston James (1949) também vieram pesquisar e treinar os técnicos do IBGE. pois além do artigo de Jones.

após novas eleições. Em 1954 uma crise política leva Getúlio ao suicídio.Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes 5.Ary França ( Universidade de São Paulo ) 4.Lysia Bernardes 6.Fernando Flávio M. como política econômica. Almeida e Miguel A.Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. O conceito desenvolvimento nacional torna-se prioridade nas discussões da sociedade e o nacionalismo. o que resultou em inquérito administrativo e. de Lima 2.um Engenheiro Cartógrafo muito ligado ao Serviço Geográfico do Exército. João Café Filho 1954-1955. Bahia . entre 1951/1952. Florêncio Carlos de Abreu e Silva 15/09/1952-21/09/1954. encontra um Brasil diferente daquele do Estado Novo. A industrialização e a conseqüente urbanização haviam alcançado escalas nunca vistas e uma classe média urbana começava a surgir. No panorama dos estudos geográficos. Carlos Luz e Nereu Ramos 1955-1956 e Juscelino Kubitschek 1956Presidentes do IBGE – Djalma Poli Coelho 02/05/1951-09/09/1952. Vale do Paraíba. através de uma vitória eleitoral que quase alcançou a maioria absoluta. pois apenas três autores estavam fora do quadro da . a matriz francesa ainda continua em evidência e o acontecimento mais importante do período é a organização do XVIII Congresso Internacional de Geografia no Rio de Janeiro. O novo período Vargas. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras . Secretários Gerais do CNG – Virgílio Corrêa Filho – 12/07/1950–28/04/1951. Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce . Keller o nível de alta qualidade que haviam alcançado os profissionais do IBGE. Edmundo Gastão da Cunha – 03/05/1951-29/09/1952. e de idéias conflitantes com as que geriam as atividades estatísticas do IBGE. na sua exoneração e no seu prematuro falecimento. No IBGE. estruturado por Hilgard O’Reilly Sternberg da Universidade do Brasil. A publicação dos nove Guias de Excursões do Congresso mostrou instituição. a nomeação do General Djalma Polli Coelho . Elmano Gomes Cardim 27/09/195417/11/1955. iniciando um novo governo transitório até 1956 quando. Deoclécio de Paranhos Antunes – 14/04/1953-27/09/1954. Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense . Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo . José Carlos de Macedo Soares 17/11/1955-03/05/1956. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro . iniciado em janeiro de 1951. Juscelino Kubitschek é eleito. toma forma nas campanhas de criação da Petrobrás e Eletrobrás. onde o CNG foi um dos principais membros da Comissão Organizadora Nacional.Ney Strauch 3. 1. ainda referenciadas à figura de Teixeira de Freitas (aposentado em 1948) acabou por gerar uma crise de poder com o CNE. José Veríssimo da Costa Pereira – 13/02/1953 –14/04/1953.(Presidentes da República – Getúlio Dorneles Vargas 1951-1954. posteriormente. Luís Eugênio Peixoto de Freitas Abreu – 03/10/1952–13/02/1953. Fábio de Macedo Soares Guimarães – 30/09/1954-22/11/1956 ).

Ranieri Mazilli 1964 e Humberto de Alencar Castelo Branco 1964.Orlando Valverde • De 1956 a 1961 .Waldir da Costa Godolphim 21/11/1961-21/10/1963 . com industrialização acelerada. Atlas do Brasil e a Carta do Brasil ao Milionésimo. • De 1961 a 1965 . A EMB foi uma obra ciclópica que envolveu um grande número de profissionais de diversas disciplinas. Planalto Meridional do Brasil . Roberto Bandeira Accioli 14/10/196331/03/1964. Amazônia . Lideravam a área de Geografia os geógrafos Speridião Faissol como Secretário Geral do CNG e Antônio Teixeira Guerra na Divisão de Geografia. Presidentes do IBGE – Rafael da Silva Xavier 10/02/1961-09/11/1961.08/05/1956-31/12/1961. sendo eles os responsáveis pelo gerenciamento dessas obras organizadas no final dos anos 50.Lúcio de Castro Soares 9.Subsídios para o planejamento territorial e a ‘descoberta’ da urbanização brasileira: o divórcio entre as geografias física e humana (Presidentes da República – Jânio da Silva Quadros 1961. Rochefort inicia seus contatos com os geógrafos do IBGE sobre sua pesquisa de doutorado em métodos de trabalho sobre redes urbanas e Jean Tricart amplia os métodos de pesquisa em Geomorfologia tropical. Presidente do IBGE Jurandir Pires Ferreira . com a decisão de construir a nova capital. Speridião Faissol 09/12/1958-10/02/1961) A era Kubitschek inaugura uma linguagem nacionalista sem xenofobismo. além das estradas Brasília .Speridião Faissol 21/11/1963-06/04/1964. O Congresso Internacional de Geografia ocorrido no Rio de Janeiro em 1956 estreitou ainda mais os laços entre a Geografia francesa e os geógrafos do IBGE.Porto Velho. José Joaquim de Sá Ferreira Alvim 13/11/1961-01/10/1963. Nordeste . ampliação da capacidade de geração de energia e das redes de transporte. o CNG lançou um conjunto de obras.A transição entre as demandas por interiorização e as questões industriais do período desenvolvimentista de JK (Presidente Juscelino Kubitschek 1956-1961.7. João Belchior Dias Goulart 1961-1964. o novo Distrito Federal. além de introduzir um componente geográfico importante: a marcha para o interior. agora. que talvez tenha sido o maior e mais completo conjunto de trabalhos geográficos sobre o Brasil em um curto espaço de tempo: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Aguinaldo José de Senna Campos 10/04/1964Secretários Gerais do CNG . as coleções Grandes Regiões.. Brasília em um quadrilátero situado no estado de Goiás. Secretário Geral do CNG – Virgílio Corrêa Filho 22/11/1956-08/12/1958. Waldir da Costa Godolphim 14/04/1964-06/10/1964. Como reflexo ainda dos esforços empreendidos na realização do Congresso Internacional de Geografia de 1956. René de Mattos 06/04/1964.) . através dos professores Michel Rochefort e Jean Tricart.Belém e Cuiabá .Mário Lacerda de Melo ( Faculdade de Filosofia de Pernambuco) 8.

emolduram o período como um dos mais conturbados da República.Agnaldo Senna de Campos – 10/04/1964-03/04/1967. comunismo. Expressões como Reformas de Base..Secretários Gerais do CNG. Lúcio de Castro Soares 05/09/1967-06/09/1967 – Diretor Superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia Miguel Alves de Lima – 06/09/1967. É uma fase altamente conturbada. A sucessão de Atos Institucionais. Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967. fora do IBGE. eram constantes na imprensa e nas conversas. sem dúvida. É o período em que se inicia o divórcio entre a Geografia Humana e a Geografia Física. Arthur da Costa e Silva 1967-1969.A integração do IBGE ao modelo de desenvolvimento urbanoindustrial e sua primeira grande mudança administrativa (Presidentes da República – Humberto de Alencar Castelo Branco – 1967. imperialismo. transita nas indefinições de João Goulart e cai nas malhas dos Governos Militares. • De 1965 a 1969 .Após o período desenvolvimentista de Kubitschek. O processo de planejamento voltouse para si iniciando um período de reciclagem. forças populares. capital estrangeiro. ao se valer dos ensinamentos de Michel Rochefort no trato de problemas sobre sistemas de cidades. a seqüência de dois governos militares . criou dois tipos de clima: um econômico. uma das mais importantes pesquisas feitas nesse período. poderiam ter.Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão – 1968 . pelo Ministério do Planejamento. O trabalho de Lysia Bernardes sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (1964) é. o surgimento da guerrilha e sua conseqüente repressão por parte do governo. .. de franca recuperação. e outro. Em conseqüência deste fato.Castelo Branco e Costa e Silva . os profissionais de Geografia Urbana e Regional do CNG estabeleceram um padrão de conhecimento sobre a estrutura urbana brasileira que. Junta Militar 1969 e Emilio Garrastazu Médici 1969Presidentes do IBGE. poucos.além de um rápido. uma análise do arcabouço urbano do Brasil objetivando a determinação de pólos de desenvolvimento. Miguel Alves de Lima 24/04/1967-05/09/1967.) No plano político-institucional. político de desagregação. República Sindicalista. Os trabalhos de Jean Hautreux e Michel Rochefort sobre a rede urbana da França são absorvidos pelos geógrafos urbanos e regionais do IBGE que adotam esse método de estudo: a determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional através da análise do setor terciário das cidades envolvidas. foi solicitada ao IBGE.René de Mattos 06/04/1964-24/04/1967. subversão. Como resultado natural dos ensinamentos de Michel Rochefort. carregada de ideologias e extremismos. com o crescimento da importância dos estudos urbanos e industriais nos programas de planejamento de governo. o Brasil entra na efêmera era de Jânio Quadros. porém traumático "intermezzo" sob a Junta Militar.

acentua-se a dicotomia entre a pujança econômica. Cole.. posteriormente transformado em Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . Instituto Brasileiro de Geografia . a gozar de autonomia administrativa e financeira e reporta-se ao Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica (Ministros Roberto Campos e Hélio Beltrão).1968.IBE.IBG e Escola Nacional de Ciências Estatísticas . comprometendo seriamente o clima necessário às discussões. posteriormente. liderado agora por Speridião Faissol. acrescido do fato de o aparelho repressivo de governo tornar-se um poder paralelo.11/10 /1971. que culminou em 1967 com a mudança do IBGE de autarquia para Fundação.Instituto Brasileiro de Estatística . Além de influir nas pesquisas que modificaram a divisão macrorregional em 1970 e nos primeiros trabalhos de determinação das áreas metropolitanas brasileiras. inicia-se o envolvimento com a Geografia Quantitativa e com a teoria centro-periferia. A nova Fundação passa. no governo do Estado do Rio de Janeiro.Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967-24/03/1970 e Isaac Kerstenetzky 24/03/1970. No final desse período. . quando transfere-se para o IPEA e inicia sua carreira de planejadora do governo federal e. Inicialmente composta por órgãos autônomos . então. • De 1970 a 1974 . a liderança de Lisia Bernardes na Geografia do IBGE é a principal referência. através de John P. Diretores Superintendentes do IBG – Miguel Alves de Lima 06/09/1967. Sua influência é percebida até o final dos anos 60.Esse convênio CNG-EPEA (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada. essencial à produção cientifica.Turbulência epistemológica: a matriz francesa vs matriz anglosaxônica (Presidentes da República – Emílio Garrastazu Médici 1969-1974 e Ernesto Geisel 1974. Na área de Geografia sua sucessora é Marília Galvão. os governos militares iniciam um projeto de reforma do Estado. Além disso. Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão . que assume o Departamento de Geografia em 1968 e faz grandes modificações administrativas nas chefias. orientada pelo governo militar e executada pelo binômio Empresas Estatais/Empresas Privadas. gerou dois estudos sobre o processo de regionalização: Subsídios à Regionalização (1968) e Regiões Funcionais Urbanas (1970). Brian Berry e John Friedmann que visitam o IBGE (1969) e estruturam uma ligação forte com o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) do Departamento de Geografia. Presidentes do IBGE.) No que concerne ao quadro político-institucional. No contexto político-administrativo.. Neste período.IPEA) instituído em 1966. o declínio das liberdades individuais e de opinião afetou uma parte da população.ENCE.

São adquiridos novos sistemas computacionais e se amplia o banco de dados do IBGE. Nessa época. versus o tremendo esforço de aquisição das précondições. utilizando técnicas quantitativas variadas. condicionadas por conjunturas diversas. No ambiente interno do IBGE. Em 1972 o processo de transformação do IBGE em Fundação. sendo o Brasil um país de grande extensão e com diferenciações espaciais significativas. é criado o Instituto Brasileiro de Informática (IBI) como a terceira grande área técnica do IBGE em 05/04/1971. uma substancial ajuda inicial. um Encontro da Comissão de Métodos Quantitativos da União Geográfica Internacional. finanças públicas e preços ao consumidor. transferida para outra agência do Ministério do Planejamento (IPEA). com isso. indústria. onde misturamse dúvidas e certezas sobre qual opção seguir. se concretiza em termos financeiros e. em particular. . e a do IBGE. o novo patamar que poderia ser alcançado pela geografia perante as outras disciplinas. a serem analisados no decorrer deste trabalho. O sabor do novo. era de grande interesse para esses geógrafos testar seus estudos aqui. a liderança de Speridião Faissol como responsável pelo Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) tomou o lugar de Lysia Maria Cavalcanti Bernardes. nutrição.Na arena de debates metodológicos da Geografia. Estabelece-se sob a gestão Kerstenetzky grandes modificações no campo das Estatísticas econômicas e sociais. em geral. a fim de superar alguns problemas de ordem técnica.Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE). com a sistematização dos censos econômicos e da ampliação das pesquisas anuais e mensais. A segunda coleção Geografia do Brasil sobre as Grandes Regiões é editada em 1977 e os capítulos sobre Agrária e Urbana são baseados obrigatoriamente em análise fatorial e de grupamento. esse é um período interessante. versus o risco da troca entre o certo e o duvidoso. são alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou a Geografia brasileira. contribuindo para o gradual obscurecimento da escola francesa “Rochefortiana” no IBGE dos anos 70. principiado em 67. mas continua forte nas universidades. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. em 1971 (na ENCE . principalmente no que se referia aos algoritmos e softwares que deveriam ser implantados nos computadores de grande porte da PUC-Rio. Realiza-se no Rio de Janeiro. são editados a maioria dos trabalhos de Speridião Faissol sobre as diversas dimensões do sistema urbano brasileiro. Devesse ressaltar que. inicia-se o período de expansão de seus quadros técnicos. A Geografia física no IBGE praticamente se retrai. Houve por parte dos geógrafos estrangeiros vinculados a essa abordagem metodológica. principalmente nas áreas de emprego e renda. IBGE e UFRJ. Ademais.

O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. é interessante assinalar. Jesse de Souza Montello 29/08/1979. Pedro Geiger 1977-1979. que. Porém. em virtude da escassa massa crítica de pesquisadores com conhecimentos de Estatística. o período. dá uma medida do seu estilo autocrático de governar. a introdução dos métodos quantitativos foi muito mais tranqüila e praticamente sem grandes conflitos metodológicos. Roberto Lobato Corrêa 1980. posteriormente. O “pacote de abril” e o episódio da exoneração do Ministro de Exército General Sylvio Frota foram os exemplos mais marcantes do período. Presidentes do IBGE – Isaac Kerstnetzky 24/03/1970-29/08/1979.No início do período (1971) é assinado um grande convênio com o Ministério da Educação para avaliação do sistema de ensino superior brasileiro. marcaram um tempo de trocas interessantes entre as duas disciplinas. o que retardou ainda mais a possibilidade de se avaliar com isenção. necessários ao desenvolvimento da metodologia. repentinamente abortado com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE em 1979. esforços de aprendizado e carreirismo.. A solicitação do Presidente Geisel ao IBGE para a determinação do limite que dividiu em dois o Estado do Mato Grosso em tempo recorde e sob o mais absoluto sigilo. o que garantiu. sofria de um problema de identidade. e mesmo pessoais.. a aceitação dos programas gerenciadores de Sistemas Informação Geográficos (SIGs). Matemática e Computação. com uma boa estrutura de planejamento. Chefes do DEGEO .) Do ponto de vista político-institucional. questões ideológicas e pragmáticas. • De 1975 a 1980 . a essa altura. no campo da Geografia física. o Governo Geisel também apresentou-se dicotômico. o que obrigou o general a intercalar medidas duras à esquerda e à direita. No IBGE. status e conhecimento. de . Speridião Faissol 1979-1980. porém.A economicização da Geografia e a politização da economia: Quantitativa vs Marxismo (Presidentes da República – Ernesto Geisel 1974-1979 e João Batista de Oliveira Figueredo 1979. embora com sérios problemas na área política e militar. pois se misturavam às discussões.Marília Galvão 19681977. O Terceiro Encontro Nacional de Geógrafos realizado em Fortaleza em 1978 dá início a um movimento de conflito com a Geografia Quantitativa que. Inicia-se o último grande estádio de contratações que se estenderá por toda a década de 70. a vinda de economistas estrangeiros como Werner Baer e Samuel Bergsmann para trabalharem no Departamento de Geografia com Pedro Geiger sobre o processo de industrialização/urbanização e a questão das desigualdades regionais brasileiras. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova extravasou para outras questões políticas.

a História se repetia.A marginalização do planejamento e suas conseqüências na Geografia do IBGE (Presidentes da República – João Batista de Oliveira Figueredo 1979-1985. No campo científico o ambiente torna-se pesado. com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 (diretas ou não). A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de aprender matemática e estatística. Solange Tietzmann Silva 1985. gerando um ambiente estranho. para garantir uma indústria substituidora de importações. encontra o país mergulhado em profunda recessão. apesar de turbulento. . João Batista de Oliveira Figueiredo. Saíam de cena expressões como “a negentropia macroscópica” e a “spatial field theory” e assumiam o comando frases como “a formação social historicamente determinada” e a “teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. Edmar Lisboa Bacha 10/05/1985-17/11/1986. pois agora era uma questão tranqüila deixar para os teóricos o trabalho de encontrar um conjunto metodológico que desse conta do espaço em Marx. quanto pela crise financeira mundial causada pelo choque resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores.73 . aceitou rapidamente a nova onda e iniciou um processo de “aprendizado”. Em resumo:como farsa ou não.• De 1981 a 1986 . O quadro político. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por Willian Bunge em 1973 na The Professional Geographer v. iniciado em 1979.XXV n. as áreas de planejamento do governo federal entraram em regime de emagrecimento forçado e o IBGE foi uma delas. José Sarney 1985Presidentes do IBGE – Jesse de Souza Montello 29/08/197914/03/1985. mostrou sinais de melhoria. Talvez sem a mesma ingenuidade e curiosidade que envolveu o primeiro namoro com a Geografia Quantitativa nos anos 70. assim como de outros pensadores do Materialismo Histórico. mesmo que tais leituras não fizessem o menor sentido com o que se estivesse trabalhando na escala do “real-real” (expressão muito utilizada por Aluízio Capdeville Duarte). do adulto e do velho Marx”. algo caótico através da leitura e sabatina dos principais textos do “jovem.) O governo do último general do ciclo militar. Chefes do DEGEO Roberto Lobato Corrêa 1980-1985. Nos congressos não há mais discussões. resultante tanto do endividamento efetuado por Geisel. mas bate-bocas e ofensas pessoais.4 nov. Como resultado da crise econômica.

o ministério toma a forma do Presidente que assumiu. Nordeste (Bahia e Ceará).Solange Tietzmann Sila 1985 . O governo do vice de Tancredo Neves. foi crucial. com a absorção da Geografia no sistema CONFEA / CREA. e o desespero em ver morrer o Presidente eleito antes da posse. Sul (Santa Catarina) e Centro Oeste (Goiânia). apesar dos percalços. em 1981 estabelece-se a luta pela regulamentação da profissão e a anexação dos geógrafos ao sistema CONFEA-CREA. é a melhor referência do período. O quadro econômico assustador. 1987). . • De 1986 a 1990 . O papel do IBGE. sistema regulador do conjunto profissional de engenheiros e arquitetos. o senador maranhense José Sarney. ampliando fortemente a área de Geografia Física e de Meio Ambiente. membro da equipe criadora do Plano Cruzado causou muita polêmica (Sardenberg. Charles Curt Müeller 03/05/198818/04/1990. Presidentes do IBGE – Edson de Oliveira Nunes 06/01/1987-13/04/1988. após vinte e um anos de governos militares. . é inicialmente composto pelo ministério definido pelo falecido presidente.Em 1982. nesta fase.. Lideranças da Geografia Crítica como Rui Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves empreendem uma dura campanha a fim de conseguirem a regulamentação da profissão. Ficou garantido o êxito deste trabalho. Em 1985 inicia-se a transferência dos profissionais do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) para o IBGE. tendo como ponto de referência a Associação dos Geógrafos Brasileiros. germes de inovação e o início da reconciliação com os estudos do meio ambiente ( Presidente da República – José Sarney 21/041985-15/03/1990. Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990. A atuação de Edmar Bacha como presidente do IBGE na época e. em meio a sérias crises de desabastecimento e aumentos de preços. o tremendo esforço da sociedade na campanha das “diretas já” culminou com as frustrações de uma eleição indireta. com uma inflação de mais de 350 % ao ano obriga o governo a criar um mecanismo de choque contra a inflação: o Plano Cruzado. Chefes do DEGEO . iniciando um processo de perda gradativa de quadros de alto nível que não mais seriam repostos na mesma proporção. acrescida da agregação de núcleos situados regionalmente na Amazônia (Pará). Paralelo a estes acontecimentos. já que.) O ambiente político de um presidente civil.Turbulências político-economicas. ao mesmo tempo. aposentaram-se os dois mais antigos profissionais da Geografia. que tentou controlar a espiral inflacionária entre os meses de fevereiro e novembro de 1986. Á medida que os famosos cinco anos de mandato vão se desenrolando. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. desencadeando pressões fortíssimas por parte do governo e de outras instituições que produziam também índices de preços.

Projetos : Diagnóstico Brasil ( 1987 ) Carajás Natureza (iniciado em1990). Elza Keller. espectro das ( 1987 ).) A segunda experiência de um governo civil. e conseguiu dominar a espiral inflacionária. Presidentes do IBGE – Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990-26/03/1992. a Geografia Humana começa a se reconciliar com a Geografia Física. a Geografia amplia a perda da maioria de seus antigos profissionais da “Velha Guarda” .. O governo de Itamar Franco. voltada para o magistério tornava-os alheios ao fato de que a Geografia passara por duas fases de orientação metodológica distintas. Ainda neste período. e a primeira através do voto direto. vice da chapa de Collor. Eurico de Andrade Neves Borba 26/06/199215/06/1993. pelo mesmo motivo por que a corrente quantitativa também morreu. e em qualificação profissional.Novos projetos de governo e a demanda por grandes diagnósticos: a chegada do Sistema Geográfico de Informações e do mapeamento automatizado por computador. confrontados pela evasão maciça dos antigos profissionais para a aposentadoria. que estabeleceu uma nova moeda.Solange Tietzmann Silva 1985-1991. A total desarticulação da máquina pública federal e o aviltamento do funcionalismo. Cesar Ajara 1991. Alfredo Porto Domingues entre outros. foi uma sucessão de lições de cidadania. (Presidentes da República – Fernando Collor de Mello 15/03/1990-29/12/1992 e Itamar Franco 29/12/1992-01/01/1995. envolvendo um grande número de especialistas de disciplinas diferentes que cobrem todo o Geociências. Chefes do DEGEO . Estruturam-se as primeiras experiências de trabalhos multidisciplinares. pela primeira vez na História recente. representou uma transição tranqüila para o novo governo de Fernando Henrique Cardoso. No contexto do IBGE. pois.Na área do conhecimento geográfico. Silvio Augusto Minciotti 15/06/1993-30/03/1994 e Simon Scwartzman 05/05/1994. como Speridão Faissol. através da consolidação da incorporação dos quadros técnicos do projeto Radanbrasil iniciada em 1985. um presidente eleito com 35 milhões de votos é deposto em processo de impeachment por crime de responsabilidade. foi o principal legado do governo de Fernando Collor de Melo. em termos salariais. A falta de conhecimento de grande parte dos profissionais que possuíam uma formação generalista. Nilo Bernardes. a moda marxista também perde fôlego. garantindo um aumento de renda real para as camadas . o Real. que pressuporiam saberes que se distanciavam do que é ensinado nas faculdades orientadas para a formação de professores . Pedro Geiger. PMACI ( 1988 ) e Nossa • De 1990 a 1995 . Marília Veloso Galvão.

Nova versão do projeto Rede de Influência de Cidades. é hoje o maior desafio dos profissionais que produzem diagnósticos integrados. neste período saíram profissionais antigos como Catarina Vergolino Dias. foi também um período de ampliação dos estudos iniciados na fase anterior. Apesar do triste fato. além de geógrafos que ingressaram no órgão na década de 60 e 70. 1994 . considerados os mais produtivos. Os principais trabalhos são: Diagnóstico Ecológico Econômico da Amazônia Legal ( 1993 ). da Região Sul e Gerenciamento Costeiro ( 1994 ). com uma maior integração entre os profissionais de diferentes especialidades.mais pobres da população. 1992-1994. . Para citar alguns exemplos. como a difusão do uso da computação gráfica que opera com imagens e faz mapeamento automatizado a partir de bancos de dados georeferenciados. o CNRS (CREDAL) e o ORSTOM que criou o banco de dados SAMBA 2000 com a colaboração de Maria Mônica O'Neill. iniciaram algumas mudanças tecnológicas. ainda que isto atingisse os funcionários públicos com um congelamento de salários. da Região Nordeste. 1991 foi o annus terribilis para a Geografia do IBGE.Convênio com o GIP. Isso envolve também o produtor de texto especializado. A questão da assimilação de conhecimentos muito diversificados num texto único. A seqüência de quatro presidentes nesse cinco anos dá uma boa referência dos graves problemas politico-administrativos por que passou o gerenciamento do IBGE no período. sendo que muitos aposentaram-se por tempo proporcional. sendo que boa parte eram técnicos de alto nível.Delimitação de Áreas Industriais ( utilizando a base de dados do censo industrial de 1991). Aposentaram-se quase 60% de seu efetivo profissional. interrompendo suas carreiras.RECLUS de Montpellier e o início dos trabalhos com mapeamento automatizado e com Sistemas Geográficos de Informação ( vinda de Philipe Waniez e Violette Brustlein para o IBGE para a implementação de um convênio entre o IBGE. 1994-1995 . base para se trabalhar com o programa CABRAL 1500 de mapeamento automático de autoria de Waniez) . Além disso. 1993-1995 .Início da gestão do cientista político Simon Schwartzmann na presidência do IBGE. que agora é obrigado a pensar além de suas fronteiras de conhecimento e auxiliar o coordenador na costura de ligações entre os diferentes processos físicos e humanos que moldam um determinado território.

• 1995 . distrito.) Apesar das dificuldades criadas pela ampliação da crise do setor público federal. que continuou a ser conduzido por Simon Schwartzmann. principalmente no que se refere à ampliação dos Sistemas Geográficos de Informação e ao mapeamento automatizado.principalmente universidades e agencias de planejamento estaduais ) que contou com a participação de vários pesquisadores. um próximo Atlas em meio digital nos anos posteriores. Geografia e áreas afins. Cartografia.Cesar Ajara 1991-1999. .Presidentes do IBGE – Simon Scwartzmann 05/05/1994-31/12/1998 e Sérgio Besserman Vianna 25/01/1999. a área de Geografia também está contribuindo com a estruturação das chamadas áreas geográficas (agregação de setores censitários) que poderão servir de base para mapeamentos temáticos de maior precisão. agora ligados via uma grande rede intranet. município. como no caso do Projeto SIVAM na Amazônia brasileira. bacia hidrográfica. O estabelecimento de bancos de dados alfanuméricos e de imagens em meio digital e o refinamento das bases de dados de Geografia física também estão sendo preparados para diferentes usos. lançado no início de 2001. República do Chile e a expansão dos equipamentos de informática para todo o corpo técnico. No âmbito do planejamento do censo 2000. (Presidente de República – Fernando Henrique Cardoso 01/01/1995. Além disso.1998 . através da digitalização de todas as malhas que delimitam espaços. Maria Luísa Castelo Branco 1999. em termos de redução de quadros profissionais. passíveis de gerarem informações de diferentes níveis ( setor censitário. foi organizada em 1997 uma nova versão da CONFEGE (reunião técnica entre profissionais do IBGE na área de Geodésia. passou por transformações importantes nas condições de trabalho. o IBGE. No contexto da Geografia.As contradições entre o recrudescimento da crise do setor público e a possibilidade de futuro da Geografia do IBGE numa agência executiva de governo com contrato de gestão. parque natural e outras unidades espaciais ). Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Estando em pauta também. Chefes do DEGEO . estado.. o órgão prosseguiu em sua missão técnica. Nessa ocasião foram discutidas as novas demandas de informações geográficas que o IBGE implementará nos primeiros anos do século XXI. com os principais usuários das pesquisas e informações disseminadas pelo órgão . em maio de 1999 iniciou-se a organização do Atlas Nacional do Brasil em sua terceira edição impressa de grande tamanho. com a mudança do prédio do bairro de Mangueira para as modernas instalações na Av.

. e o início da gestão do economista Sérgio Besserman Vianna . mas sujeita a um contrato de gestão.O término do mandato de Simon Schwartzmann. de um órgão vinculado diretamente ao setor público federal para uma agência executiva com autonomia financeira. incumbido de gerenciar a transição do IBGE. em janeiro de 1999. é o maior desafio que os poucos geógrafos que restaram na Diretoria de Geociências enfrentarão nos primeiros anos do próximo século.

O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia É perfeitamente reconhecida entre os especialistas a importância de Getúlio Vargas no processo de gestação de um Brasil industrial e urbano. de Villela e Suzigan (1975). ambos detalhando o período em questão. quebrando as espinhas das lideranças estaduais . ao mesmo tempo.neoliberalismo. Abreu e Pereira (1977) mostrando as conexões entre as políticas econômicas brasileiras no plano externo e o processo de . enfatizando o período Vargas. que trata do papel do Estado na economia (principalmente no que se refere à indústria estatal). o importantíssimo ensaio de Bielschowsky (1995). dando a visão de um historiador contemporâneo. É também de grande importância a avaliação de Motoyama et alli (1994 : 320-334) sobre os processos de maturação da Ciência e Tecnologia no Brasil. trabalho clássico em história econômica. A partir da segunda edição. sobre as políticas de governo ocorridas entre 1889 a 1945. impondo uma nova diretriz de crescimento econômico e. Bonelli. por iniciativa do Contra-Almirante Álvaro Alberto de Motta e Silva. A concepção de um governo central forte. e o segundo de Baer e Villela (1975) sobre os estágios do crescimento industrial brasileiro. desenvolvimentismo e socialismo. ganhador do Prêmio Haralambos Simeonides da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (Anpec). para garantir às populações urbanas acesso a esse mundo novo é.A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução . contrapondo-se ao velho Brasil agrário. iniciado no período Vargas. de Baer (1975) sobre as relações entre a industrialização e o processo de desenvolvimento econômico do Brasil. considerado um clássico pelos pesquisadores de História Econômica Brasileira. econômica e demograficamente falando. através das lutas interna e externa para a estruturação de um projeto autônomo de desenvolvimento nuclear. O relatório de pesquisa de autoria de Malan. até hoje. motivo de estudos e interpretações acadêmicas as mais diversas. Nos anos 80. e que se consubstancia na criação do Conselho Nacional de Pesquisas em 1951. que costura inteligentemente as tramas políticas e econômicas. analisa o ciclo ideológico do desenvolvimentismo rastreando as correntes do pensamento econômico que vigoraram no Brasil entre 1930 e 1964 . organizando um quadro institucional e jurídico. As avaliações de Skidmore (1975). Villela e Kerstenetsky (1975). Tais exemplos de estudo são obras de referência indispensáveis. o livro de Baer conta também com mais dois artigos: o primeiro de Baer.Parte I .

em 1953.Dutra . para financiar projetos industriais de longa maturação. pela magnitude dessas ações tomadas. Entre os anos da II Guerra Mundial e 1954 o governo federal (Vargas . num contexto de debates entre o absolutismo monárquico e as idéias. Companhia Siderúrgica Nacional (1946). O termo burocracia aparece na França em meados do século XVIII. além da cartografação do seu espaço. controlando a produção e estabelecendo preços mínimos. inicia a política de criação de autarquias e conselhos nacionais que cuidariam de setores específicos (como nos casos dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia). nos primeiros anos da década de 30. É possível perceber. e da qual o IBGE fez parte. a necessidade vital de mecanismos de controle do território. de liberalismo econômico "Laissez faire.Vargas) usa o conceito de segurança nacional para criar uma série de empresas estatais-chave. produção. pesca e petróleo). funda também o Instituto Brasileiro do Café (1952). preços e distribuição atacadista de gêneros alimentícios básicos. sal. Companhia Nacional de Álcalis (1943). além disso. Estabelece ainda um sistema de créditos de longo prazo para o segmento industrial. açúcar. Primeiramente entretanto. principalmente na Região Sudeste: Companhia Vale do Rio Doce (1942). que garantiriam. laissez passer" das quais Gournay era um . devemos compreender o que é e como evoluiu a burocracia. No contexto que interessa a este trabalho Vargas. que se deve avaliar. que instituiu o monopólio da extração e refino do petróleo e seus derivados. que cuidaria das relações comerciais externas do produto em nível de governo a governo. mate. a ampliação do processo de industrialização/urbanização. tais como: conhecimento dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. Dá início também a alguns processos administrativos. em termos conceituais. e de um ordenamento regional condizente com escala territorial do Brasil. Paralelamente. dos padrões espaciais da ocupação humana e econômica. nos escritos de Jean-Claude Marie Vincent de Gournay (1712-1759). cria também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952). É com este pano de fundo. ou de produtos considerados estratégicos economicamente (café. o papel da burocracia técnica que se estruturou no Governo Federal brasileiro. Fábrica Nacional de Motores (1943). a partir dos anos 30. além de definir o controle estatal da marinha mercante com a estatização do Lloyd Brasileiro e das empresas de navegação da Amazônia e da Bacia do Prata. finaliza essa pequena amostra de avaliações de diversas facetas do papel do Estado na Era Vargas. Finalizaria com a criação. estoques reguladores. da Petrobrás. nas décadas seguintes.industrialização ocorrido entre 1939 e 1952. tais como: controle da geração e distribuição de energia elétrica.

Dos direitos musicais e de apresentação teatral ao controle da distribuição de lenha. Mesmo o moderno oficial de patente superior trava batalhas de seu "gabinete". ao intermediarem as demandas entre essas classes e o rei. no contexto do início do século XX . salário. promoção. já praticavam a. com o alemão Max Weber (1864-1920) que o termo assume importância no vocabulário da Sociologia. que incorpora o principio da autoridade. sub. com o poder de dar ordens e de fiscalizar as relações entre o Estado e a Sociedade. o conceito surge como uma crítica aos funcionários do governo monárquico que controlavam a maior parte das atividades econômicas do reino e que tornaram-se uma categoria entre o povo e a nobreza. não era a ditadura do . tudo era fiscalizado por esse corpo de funcionários reais que. ou dos transportes de cabotagem fluvial. No capítulo Burocracia e Liderança Política do seu Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída (1974:16). processos documentários. áreas bem definidas de jurisdição.ferrenho partidário. treinamento especializado e divisão funcional do trabalho. Essas atividades eram geralmente transferidas por herança. Tal como o assim chamado progresso em relação ao capitalismo tem sido o inequívoco critério para a modernização da economia. ainda atual. Weber conhecia os problemas que poderiam advir de uma estrutura que cresce irresistivelmente e que se apresenta com características de permanência nas grandes organizações. política de criar dificuldades para vender facilidades . e não a um pequeno cantão com administração rotativa. desde épocas medievais.e super-ordenação hierárquicas tem sido o igualmente inconfundível padrão para a modernização do Estado. assim também o progresso em relação ao funcionalismo burocrático caracterizado pelo formalismo de emprego. obviamente. Nesse âmbito. pelo menos no que se refere a um Estado composto por grandes massas de povo. passando pela distribuição de livros." Como estudioso profundo da burocracia. Weber inicia com estas palavras: "Num Estado moderno necessária e inevitavelmente a burocracia realmente governa. Isto é exato tanto com referência ao funcionalismo militar quanto ao civil. quer democrático. pois o poder não é exercido por discursos parlamentares nem por proclamações monárquicas. caracterizando um nepotismo brutal. mas através da rotina da administração. Foi. ao vincular-se ao estado moderno sob a forma de atividades administrativas especializadas e controladas por um sistema racional e legitimado juridicamente. Para ele. porém. quer monárquico. pensão.

mesmo quando essas práticas eram confundidas com as do tipo populista. suas análises ainda continuam válidas. onde são formados quadros especializados que detêm o controle das atividades produtivas e de planejamento estratégico do Estado. enfatizando a questão da formação intelectual entrelaçada com as raízes familiares. dentro de uma visão weberiana clássica. Nesta linha. a tese de Zairo Borges Cheibub (1984) sobre os diplomatas do Itamarati e o livro de Luiz Werneck Vianna e colaboradores (1997) sobre a magistratura. o de Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva (1989) sobre relações de raça e mobilidade social. Sonia Draibe (1985). Wanderley Guilherme dos Santos (1982). universalismo de procedimentos e corporativismo. Simon Schwartzmann em seu Bases do Autoritarismo Brasileiro (1982) enfocou as contradições que emergiram entre o que se convencionou chamar de democracia brasileira em termos dos discursos e das práticas politicoadministrativas gerenciadas pela burocracia estatal. via saber técnico. Em outro contexto. Nesta linha de raciocínio estão alguns importantes trabalhos como os de Sérgio Miceli (1979 e 1988) sobre os intelectuais e classe dirigente e a elite eclesiástica. anéis burocráticos. Raimundo Faoro em Os Donos do Poder (1958) analisou em profundidade a estrutura burocrática brasileira. ilhas de racionalidade técnica. que discutem a formação da tecnoburocracia utilizando conceitos como insulamento burocrático. enfatizando a questão das relações de poder num Estado patrimonialista onde o que é público e o que é privado nunca apresentaram limites muito claros. além de analisarem os processos de incorporação de novos segmentos sociais a essas elites.proletariado que iria se instaurar. Além disso. termos que de uma forma ou de outra tentam explicar a formação e fortalecimento de um corpo técnico que controla alguns núcleos de atividades estatais consideradas (em termos) como áreas de exclusão das pressões político-partidárias. Fernando Henrique Cardoso (1975). José Murilo de Carvalho em A Construção da Ordem e Teatro de Sombras (reedição de 1997) estudou com detalhes a formação da elite burocrática brasileira como representante do poder. sobretudo quando referida aos altos postos de decisão e arbitragem. Outros autores enfocaram especificamente a questão da tecnoburocracia estatal. alguns autores trataram do tema burocracia para explicar a estruturação do poder político-administrativo no Estado brasileiro. além do monopólio da informação. mas a do burocrata. foi também adotada por alguns sociólogos e historiadores brasileiros que trabalharam sob o pressuposto de uma vinculação implícita entre as elites e a burocracia. Schwartzmann apresenta uma inequívoca preocupação espacial ao explicar as diferenças regionais desses conflitos entre o governo central e os estados mais estruturados politicamente. Gilda Portugal Gouveia (1994) e Edson Nunes (1985 e 1997). . Setenta anos depois. Outra abordagem. que sempre possuiu um claro traço autoritário. Bresser Perreira (1980). estão autores como Carlos Estevan Martins (1974).

por ocasião da fundação dos Conselhos de Estatística e Geografia nos anos 30. Suas ações objetivas passam a contrastar com a lentidão das decisões políticas que. utilizavam alguns expedientes de acertos partidários ou mesmo de geração de conflitos entre as diferentes facções políticas. com características positivas. É a partir dos anos 60 que os economistas irão se constituir na segunda grande força da elite tecnoburocrata. 1997). necessariamente. Com isso. sobretudo quando se percebe a magnitude do processo de formação de quadros técnicos que o IBGE gerenciou em boa parte desses 60 anos de sua existência. a composição majoritária das Assembléias e Conselhos Diretores era de profissionais oriundos dos cursos de Engenharia Civil e Militar. sendo que boa parte deles em ambos. 1980). (Bielschowsky . o processo dicotomizador entre os âmbitos político e o técnico nas áreas de governo inicia sua trajetória na década de 20. iniciou a vida profissional na Engenharia e migrou. com características negativas. ao findar a Primeira Guerra Mundial. incorpora-se na sociedade um pensamento que divide a elite de governo em dois grupos: um. Figuras-chave na criação do Conselho de Geografia e grandes produtores de artigos para a Revista Brasileira de Geografia como. para a Economia. o político. o trabalho de Livia Barbosa (1999) discute a noção de meritocracia no Brasil. É interessante assinalar que. É sobre uma parcela dessa tecnoburocracia que o capítulo I trata. . estabelecendo comparações com o Japão e com os Estados Unidos. ao explanar a estruturação inicial do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. Biderman. assim como em outros países. O artigo de Angela de Castro Gomes (1994) historia muito bem o tema e o de José Luciano de Mattos Dias (1994) esclarece sobre o processo de ampliação do prestígio dos engenheiros no governo brasileiro. enfocando. quanto na França (Fourquet. as ações de Mário Augusto Teixeira de Freitas objetivando uma revisão da divisão territorial do país. O assunto é interessante. tanto no Brasil (Motta. eram engenheiros. 1994).1995). posteriormente. Cristóvão Leite de Castro. Silva. No contexto brasileiro. O profissional que melhor encarna este processo são os engenheiros encarregados das obras públicas.No campo antropológico. outro. Silvio Fróes de Abreu e Moacir F. Cozac & Rego (1996) e ( Loureiro. o técnico. escudados na ampliação das áreas de especialização das Escolas Politécnicas. principalmente.

os criaram no início dos anos 30. 1997). já que as elites de estados fortes. as que tiveram maior notoriedade foram as de criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) em 1938 sob a orientação de Luís Simões Lopes (Mariani e Flaksman. como no militar. 1987). a exemplo de São Paulo. recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras Rumos e Metamorfoses (Draibe. (Abreu. e suas configurações espaciais. Minas Gerais ou Rio Grande do Sul. no entanto. Se considerarmos. que a Revolução de 1930∗ estabeleceu um novo marco políticoadministrativo. 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História ( Fausto. tanto no campo político.Parte I Capítulo I . Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão. o problema da unidade polítco-territorial brasileira no final da República Velha constituía-se em um assunto delicado. embora revestido de uma roupagem constitucionalista. O exemplo de São Paulo em 1932. poderiam criar movimentos emancipatórios que colocariam em xeque a unidade nacional. 1983. sob o ponto de vista das relações entre o esquema jurídico colonial português em relação à apropriação do território.A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro Muitas podem ser as formas de interpretação sobre os processos de criação e desenvolvimento do que poderíamos chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo de Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente. Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto. ∗ Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores. que efetivamente. 1984) e a do Instituto Nacional de Estatística em 1934/1936. contra a tendência fortemente ditatorial que já se cristalizava no primeiro ano de governo “provisório” de Vargas. Por outro lado. referenciados ao período do Brasil colonial. que nos foram legadas. Como São Paulo e Rio Grande do Sul . além do militar e da representação política clássica _ A intermediação técnica era uma delas _ como organizar então um sistema de gerenciamento do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais? Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas. 1988. mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos. 1991). são um bom exemplo de uma dessas múltiplas formas de abordagem do tema (Morais. agência embrião do futuro IBGE organizada por Mário Augusto Teixeira de Freitas. .

Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o Golpe de Estado de outubro de 1930. além de consolidar uma estrutura de eficiência.Desses grandes articuladores. na 1 Conferência Nacional de Estatística suas 33 teses sob a denominação “Algumas Novas Diretivas Para o Desenvolvimento da Estatística Brasileira” (Freitas. abrangendo a produção. a infra-estrutura econômico-social e o aparelho de estado em todas as suas instâncias. 1984: 3317) e de Francisco Campos. José Américo de Almeida. foi Mário Augusto Teixeira de Freitas. o qual centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um super gerente. A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo. através de seu modelo de gerenciamento. em Minas Gerais.1994). a . 1984). ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934. durante os primeiros anos da década de 30. Essas informações englobariam um amplo leque que cobriria características físicas e ambientais. A experiência de Teixeira de Freitas foi adquirida em Minas Gerais. como no caso do militar Juarez Távora. juntamente com José Fernandes Leite de Castro. fosse democraticamente partilhado pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. Osvaldo Aranha. mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro. circulação e consumo. centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios. adquirida ao longo dos anos 20. Ari Parreiras. Pedro Ernesto Batista e João Alberto (Pantoja e Camarinha. geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas. Juarez Távora em suas memórias (Tavora. que em 1930 foi convidado para apresentar. o Delegado Geral do Recenseamento do Estado de Minas. que foi um dos participantes do “Gabinete Negro” que se reunia todas as noites do mês de novembro no Palácio Guanabara para traçar esses destinos. pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto.1974:96-98) explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as idéias mais abrangentes de uma agência estatística nacional sonhada por Teixeira de Freitas. embora durante o processo de normatização das informações. geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento. As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora / Francisco Campos. titular do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública (Malin e Penchel. no dia 12 de outubro. criador de um eficiente sistema de gerenciamento de informações que cobria todos os municípios do território mineiro. Sua atuação foi tão inovadora. provavelmente o que combinava maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência de gerenciamento de informações territoriais.

Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (com a chegada de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). sem dúvida. foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época. mas com um aspecto importante: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada num Conselho Superior de Estatística (anexos: documentos de valor histórico para o IBGE). isto é. as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. Juarez Távora (possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente” junto a Coluna Prestes na década de 20) e Francisco Campos (por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações). E foram nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foram escolhidos. as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade. Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos. um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. A principal referencia pode ser . a representação dos engenheiros (civis e militares) era. os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica. Apenas para fins de comparação. Além disso. na década seguinte. pois foi nesse período que as noções de integração técnica entre Estatística. Sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo. neste período. apesar de não possuírem tal representatividade junto ao poder central. juntamente com os bacharéis de direito. um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República e com alcance até a instância municipal. As 33 teses de Teixeira de Freitas foram as ferramentas utilizadas por este grupo de autoridades para a consecução de um projeto de governo que.Foi este projeto de super agência de informações denominado Instituto Nacional de Estatística. É importante lembrar que. que na década de 40 tornaram-se a elite dirigente do IBGE. A segunda metade dos anos 30 foi de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos. Geografia e Cartografia tomaram corpo. caracterizava o que podemos definir como Agência do Poder Central Capilarizada. numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas e seus maiores incentivadores foram. que abrangeria o território nacional em quase todos os aspectos. sobretudo em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam coordenar a agência a partir da década de 40. após os trabalhos de apuração do censo de 1940. quanto politicamente do novo instituto. iria gerenciar o sistema de planejamento territorial brasileiro. Além disso. O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se portanto.

baseados nos estudos preliminares de João Segadas Viana e modificados por Teixeira de Freitas (anexo documentos históricos). . 1948) apresentado “perante um grupo de brasileiros de elevadas responsabilidades na direção dos negócios públicos”. Em 28 de outubro de 1932 (portanto. Assim sendo. além dos dados e do mapa. compreendida esta em toda sua latitude. responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iria formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia.exemplificada na figura de Cristóvão Leite de Castro. no sentido espacial do termo. tomando grande impulso após a instauração do governo provisório de Vargas. que a questão da redivisão das unidades federadas retornou com maior vigor na agenda de Teixeira de Freitas. sociais e econômicos. a proposta apresentada aparecia como um balão de ensaio técnico. mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia. todavia. parece oportuno o estudo. suas primeiras teses sobre a redivisão política do Brasil. as garantias definitivas da Defesa Nacional. que vinham reclamando há muito. coloca em discussão seu estudo (Freitas. de fato. editadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Freitas. administrativos. mas em vão. cinco anos mais tarde. engenheiro. Os Planos de Redivisão Territorial e suas Conseqüências Práticas Em paralelo a essas tarefas administrativas. após a instituição do Estado Novo. em pleno período da Revolução Constitucionalista de São Paulo) Teixeira de Freitas apresenta no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). 1993:105). ∗ Um breve histórico sobre o tema foi desenvolvido por Eli Alves Penha em sua tese. pronta e enérgica solução. de que um esquema orgânico para as grandes diretrizes e que convenha submeter a restauração dos nossos quadros políticos. desde as suas realizações mais fundamentais. como é possível perceber nos cuidados extremos com o discurso. por este seleto grupo de cidadãos. “O reforço de autoridade de que a nova ordem política investiu o Poder Executivo trouxe possibilidades inéditas ao encaminhamento de alguns problemas fundamentais da organização nacional. mostrando que o assunto já havia preocupado as autoridades portuguesas e brasileiras desde o século XVI (Penha. Suas palavras iniciais mostram que. Apesar disso.∗ Foi. com grandes poderes discricionários. 1935). a fim de que a nova ordem de coisas estabelecidas. são possivelmente anteriores a 1930. a questão da divisão territorial era uma estratégia de governo que emergia num contexto de Estado Forte. Em dezembro de 1937. as preocupações de Teixeira de Freitas com o gerenciamento do território brasileiro.

e sem desigualdade.. para evitar as disparidades regionais que. “ mas só devendo ser removidos para lá os órgãos do Governo e os elementos da administração que não puderem ser localizados longe deste. Determinando o futuro da cidade do Rio de Janeiro após perder o status de capital federal. Definindo a localização da nova capital federal. para colocar desde logo ante suas vistas. Para isso. um com o Oeste e o Triângulo Mineiro (cujos anseios de autonomia ficariam atendidos) e outros dois marítimos (como também desejam as respectivas populações)”. venha ele a formar. Teixeira de Freitas define um padrão de tamanho territorial entre 250 e 350 mil km e propõe a estratégia de associação entre Estados.. o esboço que se me formou no espírito como fruto de um longo meditar sobre o palpitante tema aludido ” Pg. sem prejudicar-lhe o equilíbrio.. A questão central era a tentativa de equivalência territorial entre as unidades federadas. pois. que se localizaria quanto possível em ponto de convergência dos limites dos atuais Estados que passassem a associados”. transformando-se em ‘departamentos autônomos’....... Mas antes. três futuros Estados. ainda que mui perfunctoriamente.. destinada a traduzir-se mais tarde em efetiva ‘equipotência’.. p. mas com o engrandecimento para todos. com seu território somado aos do Espírito Santo.9. “cujo espírito de brasilidade pode e deve ser aproveitado para aglutinar o poderoso núcleo central do novo sistema. p.” preparando deste modo a localização futura da metrópole brasileira no Planalto Goiano”.. “ Quando suas Unidades tiverem relativa equivalência de área.Desejaria. era o grande problema da federação.. de modo que possam permanecer no Rio”.10.. que os concidadãos aqui reunidos por um generoso pensamento se dispusessem a colaborar no preparo de um escorço geral daquelas diretrizes e . Rio de Janeiro e Distrito Federal.. a assegurar-lhes equivalência de potencial político. cada um dos quais com uma capital especialmente construída em um município neutro. nas palavras de Teixeira de Freitas.. Mas. “sem diminuição para nenhum.p.8.10. transformando temporariamente Belo Horizonte em Capital Federal.. neste momento. como urge talvez aproveitar as possibilidades excepcionais que abrem à Nação.. elegendo Minas Gerais. subfederados para formar Estados compósitos – adstritos ao padrão. iniciando a tarefa pela questão mais geral e mais fundamental. das suas aspirações.. a sintonia espiritual e a solidariedade estreita das suas forças vivas em torno do ideal generoso de erguimento de uma Pátria combalida ao nível exato da sua capacidade de vencer. apresentassem à consideração do Governo o plano preliminar da redivisão territorial do país. como elementos realmente confraternizantes no seio da Federação” .10. peço permissão aos ilustres compatriotas que me ouvem.. da sua vocação e dos recursos esplêndidos com que a Providência Divina a galardoou. p. pois que assim acontece. 2 ... Mas o plano vai muito mais além. 5-6.p.

França e Estados Unidos.10. Sua visão do problema passa por analises comparativas de outros países que também enfrentaram a questão da divisão territorial. no início dos anos 40. Além disso outros autores mais adiante também deram contribuições ao tema. No caso da Lei Geográfica. Outras ações de cunho geográfico. como Alemanha. pelo Estado do Rio (mantida sua autonomia como um dos departamentos). um major do Exército que também expôs uma proposta de divisão territorial na Revista Brasileira de Geografia (Viana. Suas proposições. mais populosos. Punições para os Estados mais poderosos. portanto. população. como no caso de João Segadas Viana. que adotou os resultados dos estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães e sua equipe.” receba a vantajosa investidura de Capital de uns dos Estados mais ricos. foram implementadas.. o . porém. Com a Lei Geográfica. Como se pode perceber. que dispunha sobre a delimitação das malhas municipais e distritais e definia regras específicas sobre o mapeamento e a racionalização da toponímia (não poderia haver municípios homônimos). na questão espacial o quadro territorial brasileiro foi preservado. Uma foi a Lei Geográfica do Estado Novo ou Decreto-Lei 311. Suas propostas de solução. com a divisão departamental conveniente. envolviam. formado. em termos técnicos não diferiam muito das de Teixeira de Freitas. a necessidade de bases cartográficas confiáveis para a campanha censitária de 1940 induziu os técnicos do IBGE a promover estudos visando à uniformização das circunscrições territoriais dos municípios e seus distritos. acomodou a questão. Segadas Viana já havia colaborado com Teixeira de Freitas na organização do mapa que foi apresentado na exposição de 1937. espacial e politicamente (São Paulo e Rio Grande do Sul que já haviam tentado movimentos emancipatórios) e prêmios para Estados que absorvessem bem as modificações espaciais na malha territorial. receita. já que houve enorme articulação no núcleo do novo governo antes e depois de suas apresentações de 1932 e de 1937. uma estratégia desta proporção não foi apenas um trabalho acadêmico organizado por um só indivíduo.. que tal seria o Estado da Mantiqueira. sob o aspecto político ela reduziu drasticamente a autonomia dos Estados. de certa forma. mais prósperos e mais favorecidos pelo Governo Nacional. além de assegurar a unicidade da toponímia através de um processo de verificação de homônimos.p. entretanto. A outra foi a institucionalização da macro regionalização do país. 1940). um perigoso conjunto de punições e prêmios. A Constituição de 1937 (redigida por Francisco Campos). Se por um lado. através da Resolução n 72 de 14/07/1941 da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia. O que distinguia era o tom menos conciliador. por outro. o sul e a Zona da Mata de Minas Gerais”. o IBGE passou a controlar a conformação espacial das malhas municipais e distritais por meio de critérios técnicos que envolviam extensão territorial. de 02/03/1938.

Zonas (aproximadamente 160). se generalizou no país obedecendo às determinações do Presidente Vargas a fim de atender à administração pública. constituída sucessivamente em Grandes Regiões (Norte.. saudou todos os envolvidos por via radiofônica especial utilizando o sistema da Hora do Brasil (atual Voz do Brasil) coordenado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).841 distritos. Centro-Oeste e Sul).974 em 1980 para 4. sob pena de cassação da autonomia municipal. o Embaixador José Carlos de Macedo Soares. No que concerne ao processo de regionalização. com alterações nas malhas.505 em 1997 e perdeu-se o controle sobre os homônimos. os dois mais importantes foram a determinação dos limites dos 1. Regiões Fisiográficas (em número de 31). quando o governo central procurou ajustar a divisão territorial dentro de . decidiu liberar para os respectivos legislativos estaduais e municipais essas ações que envolvem emancipações municipais e distritais. Com isso. por fim. consentâneas com a caracterização fisionômica do conjunto do Território Nacional.. elevando-se para 5.Entre os primeiros resultados das Campanhas Geográficas realizadas durante a segunda metade dos anos 30. obtidas em segunda aproximação pela consideração das características fisionômicas (naturais e humanas) dos municípios brasileiros. que após a Lei Geográfica eram inexistentes. por ocasião das Exposições Regionais dos Mapas Municipais. “A divisão regional do Brasil ficou.491 em 1990. Foi atribuído aos órgãos regionais de Geografia e Estatística empreenderem os estudos sobre a divisão regional dos respectivos Estados. Uma restrição fundamental foi definida: não era possível desmembrar uma unidade da federação num processo de regionalização. Sub-regiões (66). o número de municípios saltou de 3. Esta divisão regional. mas que em 1997 já atingia a cifra de 483 municípios. Esses dois processos objetivavam uma base cartográfica confiável para a Campanha Censitária de 1940 e foram solenemente apresentados ao Presidente Getúlio Vargas. que as prefeituras. Nas palavras de Eli Alves Penha. Para garantir um alcance nacional ao evento. Tais processos perduraram até a Constituição de 1988 que. confeccionaram por força do artigo 13 da Lei Geográfica. Presidente do IBGE. para garantir uma uniformização de procedimentos nos estudos geográficos e no processo de coleta estatística. Nordeste. segundo o critério geográfico pelo qual se agrupariam municípios que apresentassem características naturais e humanas afins. descrevendo sistematicamente todos os acidentes naturais que referenciavam esses linha divisórias e o esforço de cartografação dos mapas dos territórios municipais. tal como foi estabelecida pelo CNG. sua principal finalidade no início dos anos 40 era de homogeneizar territórios de características fisiográficas semelhantes. com o apoio técnico do IBGE.574 municípios e 4. por conta de uma nova noção de autonomia. Leste. no dia 24 de março de 1940 em Curitiba. Exatamente como nos dois primeiros séculos da fase colonial.

ainda hoje.determinado.um quadro optimum de administração. quanto a de subsidiar o processo de planejamento. . o processo de regionalização assumiu tanto a função de servir de base para divulgação de dados estatísticos. 1993: 108) . Nos períodos posteriores. é a principal área de atuação do Departamento de Geografia do IBGE. deixando que as unidades constituíssem seus limites “espontaneamente” (Penha. classificando áreas homogêneas ou determinando pólos geradores de atividades ou de receitas conforme o objetivo pré. Procedimentos fundamentais num órgão de Geografia de governo e que.

enviado pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Geografia. neste contexto. foi o Prof. ao encorajar as principais associações culturais da área (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Sua atuação brilhante no Congresso foi muito apreciada por Emmanuel De Martonne. durante o Geografia realizado em Paris. O segundo. culminou com a visita do Geógrafo francês em 1933. pesquisador do Museu Nacional e autor de várias obras sobre a vegetação brasileira. Esta percepção por parte dessas instituições estava vinculada ao entendimento de que o planejamento territorial (cartografação e normatização das divisões territoriais entre Estados e Municípios) seria uma das principais atribuições de um órgão nacional de Geografia. revelou-se ao longo do ano de 1934. Foi. Percebendo ali um excelente ponto de iniciação de um órgão governamental que poderia. no futuro. Nosso delegado. indica que os serviços estatísticos e geográficos desenvolvidos no ministério (Diretoria de Estatística da Produção) encaixam-se perfeitamente nas atividades da nova ciência geográfica. diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso e Secretário Geral da UGI.A Estruturação das Áreas de Geografia. naturalista especializado em Fitogeografia. tornar-se uma instituição responsável pela Geografia brasileira. onde De Martonne percebeu o enorme potencial de trabalho em Geografia Tropical que o Brasil apresentava. Sociedade Brasileira de Geografia e Academia Brasileira de Ciências) a juntarem esforços na adesão do Brasil à UGI. na área da pesquisa de Geografia Física. que necessariamente teria de pertencer ao governo central. A criação de um comitê instituído por essas instituições. que as anteriores articulações dos ministros Juarez Távora e Francisco Campos com Mário Augusto Teixeira de Freitas.Parte I Capítulo II . Esta visita objetivou dois campos: o primeiro. uma tarefa muito além da capacidade administrativa e financeira desse grupo. A Alberto José de Sampaio. iniciadas em 1931 e ampliadas em 1933. de caráter político-cultural. no sentido de organizar um instituto de estatística em escala nacional estavam paralelamente tomando Congresso Internacional de . O resultado de suas articulações com De Martonne. O memorial de 29/12/1934 apresentado pela Academia Brasileira de Ciências ao então Ministro da Agricultura Odilon Braga. Geodésia e Cartografia no IBGE Geografia O primeiro contato oficial entre o que se convencionaria chamar de Geografia Brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI) aconteceu em 1931.

que direta ou indiretamente. Personalidades como Anísio Teixeira no Distrito Federal. A vinculação de Capanema. que em conjunto com engenheiros de diferentes especialidades. Estado Maior da Armada. Serviço Geológico e Mineralógico. apesar de indireta. que tiveram como professores estruturadores. possuíam vínculos com a Geografia.forma através do decreto 24. do que a agregação dos serviços geográficos/cartográficos ao novo instituto que teria ramificações espaciais até a escala municipal. Observatório Nacional. Museu Nacional. Clube de Engenharia. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Pierre Deffontaines e Pierre Mombeig respectivamente. Colégio Pedro II (Catedráticos de Geografia). Essa relação entre a necessidade de planejamento territorial para as tarefas da Estatística e a ampliação da Geografia acadêmica desenvolvida na Universidade. após cinco reuniões técnicas realizadas no Itamarati sob a tutela do Ministro das Relações Exteriores. Estado Maior do Exército. . foram os iniciadores desses cursos. Diretoria de Navegação da Armada. José Carlos de Macedo Soares no final do ano de 1936. para que isto acontecesse. Paleogeografia e Cartografia). processo longo e complexo que somente torna-se realidade em 29 de maio de 1936 com sua instalação solene no Palácio do Catete. Geodésia e Cartografia. primeiramente na UDF e posteriormente na Universidade do Brasil (UB) que criou-se o primeiro grupo de profissionais de Geografia. Instituto de Educação (Catedráticos de História e Geografia). seria necessário formar profissionais especializados através de cursos superiores de Geografia. Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Catedráticos de Geologia). com a estruturação da Universidade de São Paulo (USP). é importante. tendo como Ministro da Educação Gustavo Capanema. Fernando de Azevedo em São Paulo. que viria inicialmente a ser cogitado. pois foi em seu mandato que as decisões de se estruturar um curso superior de Geografia iriam se concretizar. com a participação do governo federal a partir de 1935. Arquivo Nacional. Universidade do Distrito Federal (Catedráticos de Geologia. Este ciclo de reuniões contou com as presenças de representantes das mais importantes instituições. Tal tarefa somente viria a tornar-se realidade. Serviço de Limites do Itamarati. Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Nada mais conveniente portanto. gerou uma massa crítica para a criação do Conselho Nacional de Geografia. com a Universidade do Distrito Federal (UDF). Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Serviço Geográfico do Exército. gerou as condições de criação de um órgão oficial de Geografia.609 de 06/07/1934 que defina a criação do Instituto Nacional de Estatística. Mas. Foi a partir do curso organizado por Deffontaines.

para dar garantias ao princípio da “autonomia municipalista” . agora sob a tutela do Instituto Nacional de Geografia e Estatística. A entrega solene foi realizada em Curitiba. Neste contexto. evitar sustentabilidade. O primeiro grande trabalho do CNG inicia-se em 1938 com o Decreto-Lei 311 que ficou conhecido como a Lei Geográfica do Estado Novo. O segundo seria contar com um mapeamento em escala de detalhe de todos os municípios brasileiros para estruturar os trabalhos de campo do futuro censo de 1940 e contar com informações cartográficas que dessem suporte aos trabalhos de mapeamento da carta do Brasil ao milionésimo. enviando uma cópia para o IBGE. o fracionamento excessivo dos municípios. No dia 01/07/1937 o CBG foi solenemente instalado no salão de conferências do Itamarati e iniciado os trabalhos de sua Assembléia Geral. que o utilizaria no planejamento de organização dos setores censitários. Essa instrução foi referendada pela Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística no dia 16/06/1937 através da Resolução n. Objetivava redefinir a estrutura de limites dos distritos e municípios para dar conta de dois problemas: O primeiro seria organizar espacialmente as malhas distrital e municipal. O processo de cumprimento da Lei Geográfica durante os anos de 1938 e 1939. que contou com a presença de Getúlio Vargas.Ministério da Viação (Chefia de Gabinete) e Ministério da Agricultura (Diretoria de Estatística Territorial). definindo os parâmetros mínimos em termo de área e de tamanho populacional. Em 24 /03/1937 foi baixado o decreto 1. 15. evitando unidades sem as mínimas condições de . Os municípios deveriam apresentar seus mapas municipais até o final do ano de 1939. envolveu praticamente todo o efetivo do IBGE no auxílio técnico aos municípios e a tarefa foi totalmente cumprida em março de 1940. com uma exposição dos mapas. em tempo de contar-se com esses mapas nas operações censitárias de 1940.527 que instituía o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG) incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e autorizando sua adesão à União Geográfica Internacional. Isto é. estavam também os estudos sobre determinação de áreas urbanas e rurais. Em 26/01/1938 o decreto 218 finalmente define a autonomia dos dois conselhos de Estatística e Geografia.

É através dela que se estabelece o sistema de coordenadas geográficas (latitude e longitude). Formando uma grande rede de polígonos que serviam de base para o cálculo de áreas. os teodolitos e os taqueômetros que medem distâncias e ângulos. que geram as linhas de limites entre áreas (Distritos. do Mar. Os levantamentos planimétricos. foi estabelecido pelo mareágrafo de Imbituba. no litoral de Santa Catarina em 1945 e em 1946 foi estabelecida a conexão com o mareágrafo de Torres no Rio Grande do Sul para o estabelecimento do Nível Médio (GPS) e são controlados por equipamentos de 1: 100 000. IBGE. prosseguindo com a estruturação das redes planimétrica. O primeiro plano de referência (datum) oficial do nível do mar brasileiro. A Planimetria A planimetria que estabelece as medições das superfícies planas do território. Esse levantamento era feito por terra e levavam-se anos para cobrir as grandes extensões do território brasileiro. realizado e organizado pela área de Cartografia. altimétrica e gravimétrica. Os trabalhos das equipes de Geodésia estão divididos em três grandes conjuntos de medições: a planimetria. A Altimetria A altimetria estabelece as medições de altitude do relevo terrestre e relação a um plano de referência determinado pelo nível do mar. Atualmente as medições planimétricas são estabelecidas por um sistema de satélites artificiais chamado Sistema de Posicionamento Global recepção de GPS de alta precisão. eram inicialmente medidos através equipamentos de curto alcance visual. 1: 50 000. Sob a responsabilidade do engenheiro Allyrio Hugueney de Mattos. e 1: 25 000. a altimetria e a gravimetria. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do . em 1939 foram iniciados os trabalhos de levantamento das coordenadas geográficas das cidades brasileiras. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . que além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. 1: 250 000.Geodésia O decreto 327 de 02/02/1938. Estados e Países). que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. Municípios. chefe do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica. Por sua vez. estabeleceu as ações de normatização da área de Geodésia do IBGE para suprir o mapeamento do Recenseamento Geral de 1940. a determinação do nível médio do mar é definido por instrumentos de medição maregráficos situados em estações localizadas no litoral.

seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. que normalmente são arbitrados pelo poder judiciário. iniciaram-se. que. É também o IBGE. Sendo o planeta Terra um geóide dotado de uma camada líquida superficial de grandes dimensões (oceanos) e de uma composição plástica interna (magma) composta por uma mistura de minerais em estado de fusão. Cartografia A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. após 35 anos de ajustamento manual das observações de altidude. Sua crosta não se apresenta homogênea em termos de prospecção da gravidade. a força da gravidade é maior do que em outros.Definido o nível de referência. Um outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. além de auxiliar no estudo das configurações das estruturas geológicas (camadas internas da Terra) e da Geofísica (prospecção mineral). isto é em alguns lugares da Terra. a contar com o suporte da informática na configuração dos cálculos de nivelamento do território brasileiro. A Gravimetria As medições gravimétricas são fundamentais para que se estabeleça com precisão as medições geodésicas (forma e dimensões do geóide Terra). em 1945. juntamente com as demais forças armadas. quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. tanto na escala municipal. dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. negociações que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou que podem alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. passou na década de 80. quanto na estadual. Em caso de litígios entre essas unidades. os trabalhos de determinação de nivelamento da Rede Altimétrica do Brasil. Essas atividades servem de base para que o sistema cartográfico brasileiro possa gerar mapas de grande precisão para vários objetivos. levando em consideração as negociações entre as partes. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. quando o IBGE estabeleceu uma rede de mais de 18 000 estações gravimétricas em todo o território. Os estudos de gravimetria passaram a ter um caráter sistemático na década de 90. É também atribuição da área dar apoio técnico às operações . Essas anomalias alteram as medições de altitude e exigem um monitoramento especializado através da rede GPS.

hidrografia. vegetação). principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuíssem pessoal qualificado para a confecção dos mapas. unidades federadas). informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. que são atualmente usados em organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados ( que vão de informações alfa. . O capítulo III tratará da estruturação da memória coletiva desse novo profissional que começou a ser formado sistematicamente no final dos anos 30. municípios. ferrovias. componentes da infra-estrutura (estradas. o Geógrafo. que estabelecem a produção de bases digitalizadas visando ao georeferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede internet). linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo.numéricas simples à complexas imagens e sons em tempo real. quanto na arena de trabalho do IBGE.de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. tanto na Universidade. distritos.

criador da estrutura administrativa do Conselho Nacional de Geografia (CNG). por alguns geógrafos treinados por Pierre Deffontaines na primeira turma de Geografia da Universidade do Distrito Federal (Cristóvão Leite de Castro. Aluísio foi um especialista em regionalização e em estudos de urbanização.Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE O processo de constituição integral da memória dos profissionais que trabalharam na área de Geografia do IBGE nesses sessenta anos é uma tarefa que ultrapassa em muito os limites desta pesquisa. Aluísio Capdeville Duarte e Gelson Rangel Lima. Além de alguns profissionais de Estatística e de Cartografia. Outras Instituições que Organizam a Memória Geográfica Brasileira .0/95 e Word 7. o primeiro geógrafo contratado pelo CNG em 1938 para secretariar as reuniões iniciais do Conselho. junto ao grupo do Projeto Memória do IBGE na organização dos roteiros de entrevistas dos seus colegas. Participando. Fábio de Macedo Soares Guimarães.0 para ficarem registrados em meio magnético. também. Ele foi iniciado em 1990 pelo grupo de técnicos que organizou o setor de Memória Institucional do IBGE através de gravações de depoimentos de alguns profissionais que tiveram importância na construção da profissão no órgão. quatro funcionários ligados à Geografia foram entrevistados. grande preocupação com a história e memória da instituição. Orlando Valverde. e possuía também. derivada de uma seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. geógrafos que ingressaram no IBGE na década de 50.Parte I Capítulo III . Gelson atuou no setor de Geomorfologia e especializou-se na classificação de solos. posteriormente. constituído majoritariamente por engenheiros e. mas Aluísio veio a falecer em meados dos anos 90. Ambos aposentaram-se no final dos anos 80. Os Personagens Iniciais Cristóvão Leite de Castro Engenheiro formado em 1928 e depois geógrafo. Esses depoimentos foram transcritos inicialmente em datilografia e atualmente foram redigitados em Word 6. fruto de seus trabalhos de campo pelo IBGE e de excursões com seus alunos da UFF. era também um grande colecionador de fotos sobre as paisagens brasileiras. onde trabalhavam os técnicos que formaram o CNG entre os anos de 1936 e 1938. além do próprio Orlando). Jorge Zharur.

composto por geógrafos técnicos que exerceram chefias de setores específicos ou que produziram trabalhos relevantes para Geografia do IBGE (Ruth Magnanini. neste grupo foi incluído também o cartógrafo Rodolfo Pinto Barbosa por ter chefiado a área de Atlas na Cartografia e depois no Departamento de Geografia . José César de Magalhães. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e Teresa Cardoso da Silva (Geomorfóloga baiana que. Pedro Geiger. Edgar Kulhman. Tereza Cony Aguiar). A publicação catarinense colheu os depoimentos de Orlando Valverde. Fany Davidovich. preferencialmente os que assumiram chefias de Divisão mais recentes ou coordenaram projetos de grande porte na área de Geografia do IBGE (Alfredo Porto Domingues. A revista da UERJ transcreveu o depoimento de Speridião Faissol em seu primeiro número. tanto individualmente. quanto em grupo. Os Depoentes da Pesquisa No âmbito da presente pesquisa. O terceiro. Olga Buarque de Lima. através da Revista Geosul e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através da revista GeoUerj. trabalhou em importantes projetos na década de 80). já aposentado do IBGE. também conduziram a política e a administração da área de Geografia através das chefias. e os chefes do Departamento de Geografia de 1967 até hoje (Orlando Valverde. .Duas outras instituições que se ocupam da memória dos geógrafos e que documentaram depoimentos de profissionais do IBGE foram o Departamento de Geografia da Universidade de Santa Catarina. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. O segundo grupo constituiu-se de alguns técnicos que produziram trabalhos geográficos. Cesar Ajara e Maria Luiza Gomes Castelo Branco). Alceu Magnanini. em função da absorção do Projeto Radam Brasil pelo IBGE em 1985. além de produzirem textos técnicos e mapas. Miguel Angelo Campos Ribeiro). estão incluídos alguns dos antigos chefes da Divisão de Geografia. Marília Veloso Galvão. a construção do conjunto de depoimentos orais que está compondo a memória dos geógrafos do IBGE para este trabalho. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. O professor Faissol. Elza Keller. lecionava nesta universidade por ocasião de seu falecimento. Luis Cavalcanti Bahiana. dividiu-se em quatro grupos: os que. Solange Tietzmann Silva.

apesar de haver dado seu depoimento anteriormente. Além disso. A Estruturação Inicial do Processo de Depoimentos Orais A primeira preocupação foi com a idade de uma boa parte dos depoentes. Edson de Oliveira Nunes e Charles Muller) e diretores e superintendentes das áreas em que a Geografia foi parte integrante (Miguel Alves de Lima. Mauro Pereira de Melo. foi muito gratificante ter podido entrevistar Alfredo José Porto Domingues e Miguel Alves de Lima. As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE. sem falar no seu entusiasmo pelas causas ambientais da Amazônia que sempre foram o principal foco de sua militância na Campanha Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) desde 1965. O episódio do falecimento de Speridião Faissol em março de 1997 foi um desses duros golpes. considerado por várias razões o decano dos geógrafos do órgão. além dos acidentes que podem ocorrer ao longo desses 60 anos. idade/saúde. o primeiro depoimento foi feito com Orlando Valverde. como presidentes do órgão (Eurico Neves Borba. Os depoimentos de alguns presidentes e diretores da área de Geociências foram objeto de tratamento específico no capítulo II da parte IV deste trabalho. que levantou a documentação sobre as memórias profissionais e familiares de Pierre Deffontaines. . Houve também um depoimento especial da professora Marieta de Moraes. Maria do Socorro Diniz e Milton Santos). e que infelizmente ocorreram. Sérgio Bruni e Trento Natali Filho). Speridião Faissol. a questão saúde/doença também permeia esse grupo.O quarto grupo foi composto por geógrafos que tiveram alguma relação profissional com o IBGE no início de suas carreiras ou que foram influenciados pelos cursos de aperfeiçoamento que o órgão ministrava (Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Nascido em 1917 e contratado pelo Conselho Nacional de Geografia em 1938. que ocuparam cargos na alta direção do IBGE. Usando-se o critério de idade. como no caso do acidente fatal que nos impediu da convivência intelectual de Nilo e Lysia Bernardes em 1991. que se confundem com boa parte da história da Geografia ibegeana. os pioneiros já estão na faixa dos 70/80. continua produtivo e disposto a orientar e esclarecer aos mais jovens. Por outro lado. O quinto e último foi composto por profissionais. nos anos de 1998/1999. principalmente ao abrir o seu imenso arquivo de documentos e fotos de sua vida profissional. uma historiadora especializada em História Oral. geógrafos ou não. pois ao se trabalhar com os profissionais de um órgão criado em meados dos anos 30. Isso. recém restabelecidos e que puderam contar com muitos detalhes suas respectivas trajetórias profissionais.

Marilia Veloso Galvão. Rodolfo Pinto Barbosa.qual a real importância da Geografia como instrumento de planejamento de governo? 2. Alfredo José Porto Domingues. Elza Keller. O depoimento de Maria do Socorro Diniz representou a experiência de trabalho de uma estagiária no Departamento de Geografia do IBGE (DEGEO). Pedro Pinchas Geiger. além de Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. entre o final dos anos 60 e início dos anos 70.No grupo dos pioneiros.quais foram os períodos de maior influência da Geografia no sistema de planejamento federal? 3.quais foram os melhores conjuntos de metodologias que realmente auxiliaram no reconhecimento da importância da Geografia no planejamento? . Os Roteiros de Orientação dos Depoimentos Por conta da ênfase do projeto estar direcionada para os profissionais que forjaram a Geografia do IBGE e considerando que este grupo foi majoritariamente formado pelos profissionais que ingressaram no órgão nos primeiros 15 anos de sua existência. O depoimento de Milton Santos foi colhido para exemplificar a importância dos cursos de aperfeiçoamento do IBGE que se tornaram. Speridião Faissol. Edgar Kulhman. foi elaborado um roteiro que abarcasse o máximo de informações sobre as práticas profissionais que ocorreram ao longo de suas carreiras. um referencial indiscutível na formação das carreiras da maioria dos grandes profissionais de outros estados. que orientou positivamente a qualidade dos trabalhos geográficos no Brasil. que iniciaram suas carreiras no final dos anos 30. entre o final dos anos 40 até o início dos anos 70. garantiram um importante espaço de aperfeiçoamento profissional. nas quais o DEGEO foi um importante ator. além de estruturar um fórum de avaliação entrepares. O primeiro conjunto de questões que orientou os depoimentos dos geógrafos pioneiros vinculou-se a seis grupos de indagações que cobriam: A) Questões planejamento: referentes ao papel desempenhado pela Geografia como ferramenta de 1. Alceu Magnanini. Esses cursos. juntamente com a dinâmica de pesquisas e apresentações dos congressos da Associação dos Geógrafos Brasileiros que ocorreram até os anos 60. Carlos Augusto Figueredo Monteiro e Fany Davidovich que ingressaram no IBGE no início dos anos 40. Período de grandes mudanças metodológicas nas pesquisas geográficas.

ao longo do tempo. 1.quem foram os principais incentivadores da carreira? 2.4.qual tem sido o relacionamento entre o IBGE e a Universidade no campo geográfico? Quem influenciou quem? Em que? E em que período? 2.o processo de interdisciplinaridade que obrigatoriamente ocorre em estruturas de planejamento do governo foi positivo ou negativo para Geografia do IBGE? F) Questões referentes ao futuro incerto da Geografia no IBGE em função da aceleração da crise do funcionalismo público somada ao declínio da formação profissional em nível de bacharelado: .como funcionaram as estruturas de lobby da Geografia junto aos poderes de República? E em que ocasiões isso ocorreu? B) Questões que tentam explicar internamente o papel da letra G na sigla IBGE: 1.como foram os relacionamentos entre a Geografia do IBGE e a ABG nos diversos períodos analisados? 3-qual foi a importância do IBGE na reciclagem de conhecimentos geográficos do corpo docente de ensino médio? D) Questões que tentam dar conta. no contexto da missão institucional do IBGE? 2. principalmente no que se refere a crescimento profissional.como a Geografia se posicionou.como foram as relações da Geografia com a Cartografia e com a Estatística no decorrer do período? C) Questões referentes a convivência entre a Geografia do IBGE e as outras Geografias: 1. no sentido intelectual do termo.qual foi o mecanismo de ingresso no IBGE? E) Questões que vinculam as relações internas e externas que ocorreram entre os Geógrafos do IBGE.a escolha da especialidade principal se deu em que contexto? E sob a orientação profissional de quem? 3.como o ensino superior garantiu ou não as pré-condições para a decisão de tornar-se um geógrafo do IBGE? 3. dos mecanismos formadores de uma categoria especializada de profissionais que trabalham com Geografia voltada para o planejamento: 1.como foi “absorvida” pelo Geógrafo a experiência de aprendizado ocorrida no ensino médio? 2. ao longo desses 60 anos.

As questões referentes aos aspectos operacionais da carreira também eram costuradas aos cursos de aperfeiçoamento e aos projetos iniciais. além de confirmar-se a importante influência da Geografia francesa em praticamente todos os profissionais entrevistados. É importante também ressaltar que nos períodos mais recentes.Onde poderia ficar a Geografia no governo federal fora do IBGE? 2. Walter Egler e Speridião Faissol são os melhores exemplos).Conseguiria a Geografia um espaço próprio ou teria de associar-se com outras disciplinas? Os demais depoimentos foram direcionados para certas atividades e/ou períodos considerados relevantes e seguiram um roteiro básico que iniciava com uma apresentação da carreira. essa memória tende a turvar-se em virtude do aparecimento de novas metodologias ou conjuntos de técnicas que reordenaram as atividades geográficas no IBGE. a de Francis Ruellan para os que ingressaram na décadas de 40 e 50s e de Michel Rochefort para os que ingressaram nos anos 60. no entanto deixaram boas obras e bons discípulos (Orlando Valverde. geralmente entremeada com aspectos de sua formação educacional. sem sombra de dúvida. a influência de Pierre Deffontaines nos primeiros pioneiros da segunda metade dos anos 30 . Os Referenciais Mais Importantes ao Longo do Tempo Um dos principais aspectos da estruturação da memória dos profissionais da Geografia no IBGE é. A especialização de Geomorfologia de Ruellan e a de Geografia Urbana de Rochefort não impediram que seus ensinamentos ou que a mística que envolveu esses ensinamentos. onde as relações de orientação estruturadas entre orientadores e orientandos eram mais ou menos explicitadas.1. biogeógrafo canadense que deixou excelentes trabalhos didáticos para a disseminação de sua especialidade. além de orientar e garantir cursos no Canadá para alguns de seus discípulos como Alceu Magnanini. diferentemente de Ruellan ou Rochefort. É possível perceber uma substituição de nomes por técnicas. como foi o caso de Leo Waibel e Preston James. vai muito além da simples orientação relacionada com a especialidade desses profissionais. Dora Amarante Romariz e Edgar Kuhlmman. Outro ponto importante foi a verificação de certas afinidades entre especialistas que. não criaram grandes grupos. . Ë bom frisar que a influência em termos de memória. Neste ponto foi possível verificar a influência de certos “líderes de grupos de afinidade” conforme a acepção de Berdoulay (1981). Assim como Pierre Dansereau. independente do período de ingresso no órgão. que na área de colonização trabalharam com grupos restritos. seja igualmente reverenciada por especialistas de diferentes áreas da Geografia que vivenciaram esses períodos.

o que ficou gravado na memória da maioria dos geógrafos quantitativos. são geralmente tratadas pelos nomes dos softwares. responsável pela divulgação de pesquisas de Geografia de redes urbanas utilizando métodos . Arc View e Arc Info. ou pelas empresas que os criaram. foi a Geografia Quantitativa e não o pesquisador inglês / americano. criaram-se boas relações profissionais com Hervé Thérry e o casal Philippe Waniez e Violette Brustlein. Atlas Gis. mapeamento automatizado. que rodam em plataformas Macintosh. As tecnologias mais atuais. No caso do convênio entre o IBGE e a Maison de Geographie de Montpelier durante os anos 90. referenciadas ao geoprocessamento. Map Info. Adobe Photoshop ou softwares da Intergraph. Idrisi. por meio de literatura e de tutoriais em multimídia ou pela rede Internet. mas para a maioria dos novos geógrafos as principais referências estarão vinculadas aos softwares Cabral 1500 (mapeamento) e Samba (banco de dados dos censos do IBGE). passaremos a enfocar o contexto histórico que orientou o pensamento geográfico brasileiro no século XX. Após um entendimento geral do quem é quem na Geografia ibegeana.Embora o nome de Brian Berry seja lembrado eventualmente. O acesso se dá. sistemas de informações geográficas e ao tratamento de imagens.

para fins de entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil a partir dos anos 30. de 1939) é um típico artigo de Geografia Humana que a escola francesa produzia para este tipo de escala. em 1934 e do Distrito Federal. onde a floresta também volta a se relacionar com as atividades humanas via extrativismo e preparação da base edáfica para agricultura. em função de um convênio entre França e Brasil para criar estruturas de ensino e pesquisa para a Geografia. O primeiro. / mar. incluindo aí a criação da RBG. em 1935 e da estruturação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. o . a montanha mineira e atividade econômica das jazidas. mas com uma interessante característica. Seguem-se descrições sobre os elementos constitutivos do quadro natural. por ocasião das comemorações do cinqüentenário da Revista Brasileira de Geografia – RBG. a montanha e a horticultura. Geografia Humana do Brasil de autoria de Pierre Deffontaines publicado no primeiro número da revista (ano 1 n 1 de jan. da hidrografia e do litoral o processo é semelhante. além da criação dos primeiros cursos de graduação em Geografia. que foi montada sob sua supervisão. no caso da montanha. é feita uma costura entre os elementos de forma e função: a montanha barreira e os caminhos de acesso. a montanha e a indústria. na Universidade de São Paulo. o Conselho Editorial daquela publicação organizou um número especial composto por dois tomos. a ordem cronológica desses artigos não foi observada. Primeiramente uma introdução geral sobre as grandes espaços abrangidos pelo país e as necessárias comparações com outros países. a montanha e o veraneio. Pierre Deffontaines (1894-1978) foi o primeiro professor vindo da França em 1934 e estabelecido no Rio de Janeiro a partir de 1935. O detalhamento retorna com a vegetação. Talvez por razões de editoração. uma edição fac-similar contendo cinco artigos considerados clássicos.A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro no Século XX Através de Algumas Leituras Evocativas Em 1988. a montanha pastoril e a pecuária. vamos colocalos em ordem de publicação na revista.Parte II . Mas. Boa parte do arcabouço técnico do futuro Conselho Brasileiro de Geografia foi obra sua. Nas abordagens do clima. porém não tão detalhado.

possivelmente por sua formação anterior de engenheiro. Emmanuel De Martonne publicou nos Annales de Géographie dois artigos sobre “Os problemas morfológicos do Brasil tropical atlântico”. Observa-se claramente uma forte influência da escola francesa dos Annales de Géographie através das citações bibliográficas de Vidal de La Blache. Jean Brunhes. o Prof. Em conseqüência dos acontecimentos de maio – junho de 1940 (invasão da França pelas o . Outro ponto de convergência pode ser também percebido nas cinco conclusões gerais sobre o conceito de região natural (pg. de 1941. Lucien Gallois e Pierre Deffontaines. Primeiramente foi feita uma defesa do conceito de divisão única. 34). Foi nesse período que estruturou suas pesquisas sobre regionalização que resultaram nesse trabalho. 18). Anne Buttimer (1980) e Vincent Berdoulay (1981) é de grande valia. ‘Em 1940. A parte final do artigo é dedicada a análise das nove divisões regionais propostas por outros autores e suas conclusões apontam para uma solução de compromisso entre a de Delgado de Carvalho. Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico de autoria de Emmanuel De Martonne (1873 1955 ). Camille Vallaux. leste. Lucien Febvre.Divisão Regional do Brasil de autoria do único brasileiro do grupo Fábio de Macedo Soares Guimarães publicado no ano 3 no 2 de abr. o mais influente geógrafo francês das décadas de 30 e 40 e Secretário Geral da União Geográfica Internacional (UGI) em meados dos anos 30. uma consulta aos livros de Peter Burke (1991).. de 1943. nordeste. publicado no ano 5 n 4 de out. apoiada em critérios econômicos. que englobasse tanto os aspectos físicos. / jun.. possuía o binômio de conhecimento e liderança. Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) sempre foi considerado um profissional que. todas perfeitamente em sintonia com as idéias desses mestres. baseada nas regiões naturais e a do Conselho Técnico de Economia e Finanças. / dez. adotada no mesmo ano pelo Governo Federal. Uma nota da redação da Revista esclarece que. no início dos trabalhos do CBG. Foi aluno de Pierre Deffontaines (1894-1978) na primeira turma da Universidade do Distrito Federal e trabalhou com ele na formação do primeiro núcleo de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia entre 1935 a 1938. Para um entendimento mais abrangente sobre as relações entre a Geografia e a História na França. O resultado desse trabalho foi a homologação pelo governo federal em 1941 de uma regionalização oficial em cinco regiões: norte. O artigo lança as bases para a primeira regionalização oficial do país. sul e centro oeste que perdurou até o final dos anos 60. Segue-se uma explanação sobre o método de definição de região natural que serviria de base para a posterior regionalização chamada por Fábio de uma única divisão regional prática (pg. quanto econômicos.

que rastrearam alguns processos de colonização no Brasil.tropas de Hitler). por via diplomática. A vinda do Prof. o principal responsável pelo gerenciamento das estatísticas brasileiras no governo de Getúlio Vargas e um dos artífices do casamento entre a Geografia e a Estatística. Seus trabalhos de campo eram considerados verdadeiras maratonas físicas e intelectuais. com ênfase na formação dos alinhamentos serranos que ocorrem neste espaço. representar o Brasil na União Geográfica Internacional (UGI). O interesse desses artigos era tal que. Este tipo de pesquisa foi muito incentivado o o . foi solicitada ao Professor De Martonne a remessa de um exemplar de cada um deles. Princípios da Colonização Européia no Sul do Brasil de autoria de Leo Waibel. / jun. pertence ao grupo de trabalhos de Geografia Humana orientados para a questão da ocupação do território. publicado no ano 11 n 2 de abr. O artigo de De Martonne é um clássico trabalho de Geomorfologia da porção sudeste do Brasil. Faz um contraponto entre a estrutura geológica da área e os diferentes processos formadores do relevo falhado da Serra do Mar. Francis Ruellan (1894-1975) foi o formador da segunda geração de geógrafos cariocas tanto no IBGE. A criação dos cursos formais de Geografia nas Universidades de São Paulo e do Distrito Federal e a preparação de um corpo técnico de geógrafos que pudesse. O artigo é um dos mais completos e detalhados trabalhos sobre os processos geomorfológicos formadores da Serra do Mar e das planícies litorâneas que cercam a região da baía de Guanabara. levados a efeito por grupos de origem italiana e alemã. futuramente. O Professor De Martonne atendeu a esse pedido e fez a doação de seus direitos autorais como agradecimento pela acolhida que teve por ocasião de suas missões no Brasil’. Emmanuel De Martonne ao Brasil se deu em 1933 e teve pelo menos dois objetivos de cunho diplomático / cultural. A Evolução Geomorfológica da Baía de Guanabara e das Regiões Vizinhas de autoria de Francis Ruellan . publicado em no ano 6 n 4 de out. assim como sua permissão para traduzi-los e publicá-los. de 1949. /dez. Nessas reuniões. Possivelmente ocorreram reuniões entre De Martonne e Mário Augusto Teixeira de Freitas (18901956). quanto na Universidade e além. de 1944 é o principal trabalho do único geógrafo que se pode denominar de chefe de escola no contexto do Rio de Janeiro (possivelmente Pierre Mombeig em São Paulo tenha tido as mesmas características). pois muitos de seus alunos foram professores de Geografia nos principais colégios do Rio de Janeiro. enquanto que do segundo se sabia apenas da sua existência. dos alinhamentos das serras litorâneas e do relevo apalachiano do interior entre São Paulo e Minas Gerais. é quase certo que a vinda de Pierre Deffontaines para o Brasil tenha sido acertada. chegaram ao Brasil somente dois exemplares do primeiro artigo .

a defesa do possibilismo e o enfoque das relações seres humanos e meio ambiente. O segundo tomo da edição comemorativa da RBG foi organizado sob a ótica da avaliação de alguns campos do conhecimento geográfico ou das lembranças profissionais de cinco geógrafos considerados como expoentes de suas especialidades. primeiramente faz uma análise geomorfológica do Pantanal Mato-grossense enfocando geoformas como o grande domo esvaziado (boutonniére) do alto vale do rio Paraguai e o conjunto de aplainamentos da . que iniciaram seus projetos profissionais durante a década de 40. Rio Claro e USP). O conselho editorial da RBG encomendou a cada autor um trabalho de livre escolha.) O Pantanal Mato-grossense e a Teoria dos Refúgios se inscreve na categoria de quadro de referência. Urbanização e industrialização foram as principais áreas de investigação de Faissol e Geiger . as áreas de interesse de Carlos Augusto e Geopolítica e Gestão do Território as arenas de trabalho de Bertha. Aziz Nacib Ab’Saber e Bertha K. tanto no período que antecedeu a Segunda Guerra. que poderia ser de cunho evocativo. ou para servir de quadro de referência sobre algum tema da Geografia. Leo Waibel (1888-1951) foi um típico líder de grupo de um círculo restrito de geógrafos. Calos Augusto Figueiredo Monteiro trabalhou no IBGE entre 1948 e 1956 e depois seguiu uma carreira universitária (Florianópolis. O primeiro artigo de Aziz Ab’Saber (1922. Climatologia e História do Pensamento Geográfico. Trata-se de um trabalho que. Estão ali as dicotomias entre Geografia Física e Humana. entre Geografia Regional e Sistemática. apenas dois tiveram suas trajetórias de trabalho ligadas permanentemente ao IBGE. Geomorfologia foi o campo de especialização de Aziz . idiomas muito pouco difundidos numa comunidade que majoritariamente entendia o francês. ou ter características provocativas que ampliassem o conhecimento dos leitores.pelo governo de Vargas. as Universidades e o Conselho Nacional de Geografia. Esses cinco trabalhos traduzem uma boa parte do contexto do pensamento geográfico na primeira metade do século XX no Brasil. Aziz fez carreira na USP e Bertha na UFRJ. possivelmente em função do problema de comunicação via alemão e inglês. período em que se formaram as principais instituições produtoras da Geografia formal. quanto durante e após o conflito. Becker sempre foram ligados à universidade. trabalhando exclusivamente como pesquisador do IBGE. principalmente no que concerne aos anos 30 e 40. Desses. Speridião Faissol e Pedro Geiger.

enquanto geógrafo situado em altas posições da hierarquia do IBGE. Manuel Castells (1986) e outros. e os leque aluviais das planícies mais recentes. onde conflitos e cooperação poderão apresentar diferentes padrões. O artigo A Geografia e o Resgate da Geopolítica de Bertha K. mas com importantes citações como John Friedmann (1985. dependendo do setor e do poder de barganha dos agentes envolvidos. Sua parte final está dividida em duas seções. Becker (1930. traça alguns comentários sobre as novas pesquisas feitas na região utilizando as imagens de radar e dos satélites Landsat . agente decisório em muitos projetos de planejamento ao longo dos seus anos de atividade. Dárdano de Andrade-Lima.) é outro que também se pode classificar como estabelecedor de um quadro de referências de vetores de conhecimento. da qual Aziz é um dos elaboradores. A primeira parte estrutura-se como quadro de referência. Faz também uma longa apreciação do projeto geopolítico da modernidade levado a efeito pelo Estado brasileiro após 1930 e analisa seus resultados na década de 1980. Doreen Massey (1985). como nos casos da tecnologia espacial e seus subprodutos e das telecomunicações em escala global. José Bigarella. Walt Rostow (1961).mesma área. e fazendo uma revisão bibliográfica não exaustiva.1986). no contexto dos diferentes papéis que o Estado assumiu ao longo do século XX no gerenciamento do território e no controle social subseqüente. por ser ainda uma arena onde quase tudo ainda está por se realizar. Principalmente aquelas que implicaram uma forte relação entre ciência e tecnologia e que por força de seus custos e de suas implicações de poder sempre estiveram em mãos do Estado Nacional. no caso. explicando as necessárias conceituações sobre o tema. que usam sensores do tipo Tematic Map ( TM ). O trabalho avalia algumas tecnologias que viabilizaram a ampliação do controle espaço-tempo e seus usos pelo aparelho estatal. Finaliza com conjecturas sobre as futuras relações entre o Estado e a sociedade organizada. para o bem ou para o mal. Usa como espaço de exemplo a Amazônia. Paulo Vanzolini. os processos geradores do pediplano cuiabano. . Em seguida. David Harvey (1969). o paleoplano da Chapada dos Guimarãres. O artigo de Speridião Faissol (1923-1997) Planejamento e Geografia: Exemplos da Experiência Brasileira situa-se na fronteira entre o estabelecimento de um quadro de referência sobre a noção de planejamento a evocação de experiências profissionais neste campo. Keith Brown e outros. as turbulentas relações entre a Geopolítica e a Geografia. juntamente com Pierre Birot. a primeira tratando das relações entre alterações climáticas e mudanças ecológicas ocorridas na depressão pantaneira e finaliza com algumas especulações bem interessantes sobre a provável evolução da cobertura vegetal e distribuição espacial da fauna do Pantanal utilizando como suporte argumentativo a Teoria dos Refúgios. e portanto.

O artigo foi escrito em 1988.. os estudos de localização do futuro Distrito Federal no Planalto Central em meados da década de 40. orientadas para o campo financeiro. que por si só assegurasse uma identidade. as expressões industrialização e urbanização. quem sabe como uma forma de assumir uma posição acadêmica. uma administradora das conjunturas que iam se apresentando. com muitos deles procurando refúgio nas teses marxistas ou neomarxistas. “Esta tem sido uma fase de reflexão. apenas para organizar a memória e estruturar as lembranças profissionais. O artigo de Pedro Geiger (1923. por problemas econômico-administrativos. não só conceituais. a partir do momento em que a própria Secretaria de Planejamento da Presidência da república foi se tornando. ” É curioso observar que. período em que a Geografia voltada para o planejamento estatal centralizado estava ainda sob fortes críticas de um grupo de geógrafos que seria conhecido como o formador da Geografia Crítica ou Radical (ver Santos. o . A criação dos Territórios Federais no início dos anos 40. inclusive no plano acadêmico” (p. como evocação.96). principalmente na primeira metade.96). parecem ter sido colocadas como um tênue pano de fundo. ainda que mais ideológica que profissional” (p. perdendo muito de sua função planejadora. É possível perceber também que nesta época. ao historiar as experiências brasileiras de planejamento.A segunda. foi perdendo terreno.. As palavras de Faissol mostram um pouco disso em duas passagens na mesma página. o IBGE. principalmente aquelas em que os geógrafos tiveram um papel significativo em sua elaboração. é bem verdade. mas é com elas que Geiger costura com muita sensibilidade os 46 anos de atividade geográfica no IBGE. a Geografia do IBGE ( e de certa forma no Brasil). mas também ideológicas. 1981). Conhecimento e Atuação da Geografia inscreve-se totalmente no campo evocativo. mas de muitas incertezas. os trabalhos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) nos anos 60 e os projetos de avaliação da urbanização para o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) na década de 70. cobrindo a evolução de algumas instituições como as universidades (seus cursos de Geogrfia). a própria função de planejamento estatal de médio e longo prazos estava exaurida e substituída cada vez mais por decisões conjunturais de curto prazo. Críticas estas iniciadas 10 anos atrás (1978) durante o 3 Encontro Nacional de Geógrafos em Fortaleza e que se intensificaram durante toda a década de 80. as Comissões Nacionais da União Geográfica Internacional (UGI) e do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). no Governo Figueredo.) Industrialização e Urbanização no Brasil.

a torre representa um meio de. O ensaio de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (1927. portanto. e mergulhar num ambiente de reflexão intelectual onde transitam literatura. artes plásticas. música. a Quantitativa se fartou no uso do termo análise. com Lefévbre. pois pressupõe uma bagagem cultural bem mais ampla do que apenas os conhecimentos geográficos tradicionais adquiridos ao longo do período letivo.. para o seu maior entendimento. 129). ” . a Geografia da Economia Política.Analisa também as principais correntes de pensamento geográfico que se desenvolveram no Brasil: o Possibilismo vidaliano. Carlos Augusto opera a partir de dois autores que fizeram análises literárias de duas obras seminais da literatura ocidental. uma violência.) Travessia da Crise (Tendências Atuais na Geografia) insere-se no campo das obras instigantes. na sociedade urbana esperada. Marshall McLuhan (1972) analisando a peça teatral Rei Lear de Willian Shakespeare (1564-1616) e Marshall Berman (1982) analisando o poema Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). compreende a produção racional do espaço do homem. racionalmente. todas as ciências praticam análise e sínteses. recolocando os objetos analisados numa nova estrutura.. veremos que a análise é o ato de destacar o objeto da totalidade a que pertence. então a Geografia é uma Ciência de Síntese” (pg. Para o conceito de modernidade. Era-me difícil aceitar a síntese como um conceito específico da Geografia. Uma torre para sentir o mundo e refletir sobre sua geografia” (pg. Porém o cerne dessa primeira parte está centrado nos conceitos de modernidade e crise . O primeiro movimento denomina-se A Torre (Modernidade e Crise).. Pedro Geiger termina suas memórias recordando a antiga asserção de Vidal de La Blache sobre a Geografia como uma ciência de síntese. sendo.. se tomarmos mais profundamente estes dois conceitos. que provocam o leitor a ir além da simples leitura para fins de verificação de um conjunto de conhecimentos. alcançar o poeta um espaço mais amplo e nele identificar os eventos que o tempo marcou na sua terra natal. em reclusão... ou mesmo de uma vida profissional muito técnica.. A simbologia da Torre segundo Carlos Augusto é retirada de um poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939). Não é uma leitura fácil. perturbadoras. Se a racionalização da vida humana. ” A Geografia vidalina dizia que a Geografia era uma Ciência de Síntese. porém recolocando-a em outros termos. 82). A estrutura do ensaio está organizada em quatro movimentos. como se fosse uma peça musical. englobando processos naturais e sociais. A síntese consiste em refazer o todo. filosofia. Contudo. uma agressão. que representaria um contraponto entre as noções de reclusão e amplidão ou nas palavras de Carlos Augusto. . o movimento quantitativo e a Geografia crítica. história e outros campos do conhecimento humano.

58 anos decorridos entre 1773 e 1831. Ao retornar ao poema de Yeats. onde Edgar tenta convencer o cego Gloucester que ambos estão a beira de um penhasco. mas o mundo inteiro. e não separa-los. Carlos Augusto alude à tendências milenaristas citadas nas últimas estrofes e as vê como sinais de um tempo que envolve desagregação. Na obra de Marshall Berman Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar : a aventura da modernidade (1982). O segundo refere-se a cena do precipício (cena 6 do 4 ato). a modernidade se apresenta ali através da linguagem. que Carlos Augusto observa como uma “decomposição em planos paralelos do (fictício) abismo que alcança foros de único exemplo de arte verbal tridimensional’’. O primeiro. O destaque por Carlos Augusto da frase de Berman “Na versão göethiana do tema de Fausto. O ponto agora está enfocando. primeiramente a época da elaboração do poema. modernidade e crise. (pg. onde a grande mutação foi dada graças à nova visão do mundo. pois. advinda da física de Newton”. o processo lingüístico criado por Shakespeare para desenvolver este convencimento está tão a frente de seu tempo. 129) enquadra-se muito bem no binômio que Carlos Augusto apresenta como alvo de sua preocupação nesta parte do texto. mas também esperança. um sistema mundial especificamente moderno vem a luz” (pg. mais irracionais tornamse nas suas relações sociais e econômicas. considerada como um período de grandes transformações e turbulências e portanto um tempo propício à modernidade num sentido mais amplo..Carlos Augusto nos fala da percepção de McLuhan sobre alguns aspectos da modernidade que esta peça enseja. no fim do século XVIII e início do seguinte. o . o sujeito e objeto de transformação não é apenas o herói. Para o tema crise ele se utiliza de um paradoxo trabalhado por Eduardo Soubirats (1988) que estipula que quanto mais racional tecnicamente fica a civilização humana. envolve a questão da divisão do reino de Lear em três partes. a escolha de Carlos Augusto recai sobre a avaliação que este crítico literário faz de Göethe a partir de sua principal obra Fausto. Fausto de Göethe expressa e dramatiza o processo pelo qual. fato que McLuhan considerou como modernidade para a época em que o normal era agregar espaços. Para McLuhan.. “O herói de Shakespeare encarnaria a modernidade da Renascença. 129) e destaca dois pontos interessantes que mantém contato com a questão espacial.

. O que permanece – tal como o núcleo do átomo cercado das mais estranhas propriedades entre os constituintes e em relação à energia que o define .. para em seguida tomar de empréstimo a Humberto Eco a simbologia do Teatro de Espelhos. ao refletir sobre as relações entre a Literatura e a Geografia cobrindo vários níveis de elaboração de enredo tanto com autores ingleses e franceses. junto com as “coisas” (pg. especificamente com Guimarães Rosa.. quando boa parte dela opera em áreas de contato com as Ciências Naturais cria dificuldades de entendimento para decifrar a trajetória do conhecimento dentro de um Labirinto que somente poderá ser transposto.. iniciando em Renné Descartes (1596-1650). um dos mais geográficos dos autores eruditos do país. Asseverar que a Geografia é uma Ciência Social. O quarto e último movimento chamado Os Sinos (O Situar-se para o Acontecer) inicia com um retrospecto de sua vida profissional e prossegue com uma reflexão sobre as dificuldades da pesquisa geográfica de Climatologia nos anos 60 e 70 e vislumbra novas possibilidades com a futura Teoria do Caos (ainda incipiente na época da redação do ensaio.141).. quanto autores brasileiros. Outro ponto interessante desta parte é a demonstração de erudição explícita que Carlos Augusto dá. quando este havia tratado da questão irracionalidade na Idade Média e na Atualidade. “de capacitar o homem a encontrar a habitação do ser-no-mundo.O segundo movimento chamado de Labirinto (Ciência: Geografia) toca nas relações entre a Geografia e as outras áreas do conhecimento. Não importam suas variações e oscilações através dos tempos históricos. 137). entre o homem e o lugar na terra. principalmente no que concerne às dificuldades de comunicação entre as ciências exatas e as sociais. O dualismo entre racionalidade / irracionalidade e modernidade acompanha todo o texto. “na geração de um conhecimento conjuntivo.é o vinculo primordial. no âmbito interno da Geografia também geraram conflitos de comunicação entre as facções da “física” e da “humana”. seguindo com Immanuael Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e desembocando em Karl Marx (1818-1883) e finalizando com Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Heidegger novamente. Carlos Augusto conclui seu instigante ensaio com uma mensagem de esperança. fazendo face à tendência O terceiro movimento chama-se Os Espelhos (O Pensamento entre Preparação e Fundação) e inicia com uma citação de Martin Heidegger (1889-1976) sobre os mecanismos do pensamento em antever o futuro da humanidade. mas já devidamente percebida por Carlos Augusto). problemas que. crescentemente disjuntiva de hoje” (pg. onde os mortais residem. .. A maior preocupação de Carlos Augusto é deixar evidente que a Geografia apesar de suas contradições e lutas ideológicas tem a função.

. 1955) A Geografia no Brasil que fez parte da coletânea As Ciências no Brasil . que integra a coletânea Geografia: Conceitos e Temas. “ que. Faleceu de um problema coronariano. a geografia geral para educação. A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954 para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros) . Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC).. o de José Veríssimo da Costa Pereira (Pereira. a serviço do INIC. de grande significado sobre a literatura brasileira sob a organização de Afrânio Coutinho.. são considerados os melhores em sua categoria. evoque o anseio futuro”. Para uma avaliação da Geografia brasileira desenvolvida no período anterior a 1930.. é necessário ler dois trabalhos que. dar conta daqueles novos contornos que o desvelamento do enigma do caos nos trará.. O ensaio termina com os versos da ode do poeta alemão Friedrich von Schiller (1759-1805) incorporada no coral da parte final da Nona Sinfonia de Ludwig von Beethoven (1770-1827).“Que o homem volte a encontrar o seu lugar na Terra e que sua Geografia venha a descrever. que Carlos Augusto considera como um coro. “Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil”. ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e na organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. num vôo entre Benjamin Constant e Manaus em agosto de 1955. remontando ao passado. o número especial de comemoração dos 50 anos da RBG nos dá uma boa amostra de dois períodos da Geografia brasileira. No prefácio de Antônio Cândido é dito que. Paisagem ou espaços diferentes da tristeza de hoje. Que contenham a alegria” (pg. Espaços Vazios e a Idéia de Ordem . além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a geografia agrária e os processos de colonização. 1995) Origens do Pensamento Geográfico no Brasil: Meio Tropical. e o ensaio de Lia Osório Machado ( Machado. Portanto. 146). atualmente. ainda que sob um viés ibegeano. que já havia montado outra. que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira.

o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que. será feita uma síntese desses períodos. persistente em Euclides da Cunha.. O primeiro. Veio daí o convite de Fernando de Azevedo para a elaboração deste capítulo. fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam nosso litoral) tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo conforme . além dos exploradores científicos europeus que durante os séculos XVIII e XIX desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e na Antropologia. “À luz da geografia moderna. efetivamente.” ( Pereira 1955 : 424 ). exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes ( de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). dois especialistas descreveram os principais fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Mestre João de Faras (1448-1513). escritas em Os Sertões de 1902. Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947. em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida. vegetação. Sem sombra de dúvida. em seguida as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior . Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40.1982:112-143) para se ter uma impressionante sensação de que o autor. enfocando os principais personagens desta saga geográfica. foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões.. A pesquisa de José Veríssimo inicia com uma panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil que cobre desde o século XVI até o início do XIX. trata-se de uma experiência intrigante ler o capítulo V de Os Sertões de Euclides da Cunha (1902 . Para fins de entendimento da importância desta obra. inaugurou com sua carta ao Rei de Portugal.compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. solo. aliás. sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos . conforme já ficou demonstrado. Tal conceito lablacheano é. como escrivão oficial da frota comandada por Pedro Alvares Cabral. que tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia. ao descrever com minúcias o quadro físico (forma do litoral. clima. conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat. uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho. No contexto das explorações portuguesas. Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909 ) levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises de Euclides da Cunha. analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores. Seu trabalho alcança os primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas Universidades do Rio e São Paulo. aparecido em 1911. tanto escrito quanto cartografado.

forçando Portugal a criar um novo polo de defesa e ocupação. Além dos franceses. O padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry o livro Viagem a Terra do Brasil (1578).39. Brasil de 1557) fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás. além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro França Antártica . na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota. escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618). em carta escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500. Manuel I (1469-1521). Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). No contexto da ocupação francesa. iniciado com um ataque naval em 1560. também informa a D. ocupando em 1557 a atual baía de Guanabara. Brandão. Na segunda metade do século XVI. depois com a fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565 e finalizando com a definitiva expulsão dos franceses em 1567. com o processo de colonização já consolidado. o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima Do Clima e Terra do Brasil (1625) e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641) ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas feita entre 1637. portugueses radicados na terra e padres missionários continuam a produção geográfica sobre o Brasil. fazendeiro pernambucano. dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil.O Rio de Janeiro (1580). Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado descritivo do Brasil de 1587). O segundo. no qual é destruído o forte de Coligny. Claude d’Abberville com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux com uma continuação do trabalho de d’Abberville. padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799 ) são os mais importantes. as principais determinações astronômicas do hemisfério sul e informa sobre as novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal. É também na segunda metade do século XVI. é que inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra. Digno de nota também foi o importante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Paulo) em virtude de um naufrágio ocorrido por volta de 1550. Ambrósio F. no litoral da capitania de São Vicente (atual São 0 .estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. No início do século XVII os trabalhos de dois padres capuchinhos franceses que percorreram a província do Maranhão marcaram os estudos geográficos na porção norte do país. que a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do sul.

Suas observações e estudos geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos. foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal. O fim do século XVIII marca o início de uma nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. de La Condamine (1745). . foram conhecidos novas áreas do interior do Brasil. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um desses europeus que participou dessas expedições. Nessa mesma época. Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores Geógrafos do século XVIII. No seu caso. em função do falecimento do autor em 1655. os trabalhos de Astronomia. Geografia e Botânica organizados pelo alemão a serviço da Holanda George Marcgrave (1610-1644) foram considerados os melhores até então executados sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) a Proginástica Matemática Americana. Em 1815. Todo o seu material depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa.No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco organizada por Maurício de Nassau a partir de 1638. Seu retorno a Europa se deu atravessando a Amazônia Brasileira descendo o grande rio até Belém. obra de astronomia que ficou inconclusa. outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras do sul com o Uruguai. Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. Portugal recupera este acervo e em 1842 o repassa ao Brasil. que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras. General Junot em 1808 e quase todo o acervo transferido para Paris para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. Marcgrave também construiu o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul em Pernambuco em 1639. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749) que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. aos 34 anos. a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. Na esteira desses trabalhos. uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território em consonância com os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo.

econômicos que influenciaram a produção geográfica brasileira entre 1870 e 1930. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) sobre biogeografia e geografia geral. como Pierre Deffontaines. outros geógrafos. um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e que lançou a idéia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias. agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil. dois brasileiros deram uma grande contribuição para os estudos geográficos. científicos. É também nesse século que aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira. a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) sobre botânica e etnologia. Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) sobre biogeografia e geomorfologia. com a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e com a criação do Conselho Nacional de Geografia em 1937. Elisée Reclus (1830-1905) sobre geografia regional. O ensaio de Lia Osório Machado tem outro enfoque. são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro [1838] e a Sociedade Brasileira de Geografia [1883]. Ainda no século XIX. tido com uma da mais detalhadas resenhas sobre a Geografia brasileira até hoje. pois objetiva aprofundar o conhecimento sobre os contextos políticos. orientado a um só assunto Navegação Interior do Brasil de Eduardo José de Morais. geralmente envolvidos com os governos provinciais.No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil Corografia Brasílica do padre Manuel Aires de Casal em 1817. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado. O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se durante o século XX com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro orientados por professores estrangeiros. John Mawe sobre condições de vida da população. exemplificados nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país. Paralelamente. Na transição para o século XX. É também nesse período que o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques. o General Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) ao explorar sistematicamente o noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos o Barão do Rio Branco (1819-1880) ao estudar detalhadamente nossas regiões de fronteiras. principalmente nas regiões norte e centro oeste. Alexander von Humboldt (1769-1859) sobre biogeografia da Amazônia. Este foi apenas um esboço do trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira. Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente. Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855) sobre geologia e geomorfologia. As datas referem-se a dois acontecimentos de grande . organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país. ideológicos.

Caio Prado Jr. A primeira parte trabalha sobre algumas visões que enfocaram a evolução do pensamento geográfico brasileiro escritas na segunda metade do século XX. é o forte criticismo adotado pelos historiadores aos estudos geográficos realizados no Brasil. É. Entretanto. misturam-se com a influência alemã da Antropogeografia de Fredrich Ratzel (1844-1901) e as idéias de alguns importantes cientistas sociais franceses do século XIX. nossas principais referências. Além dos geógrafos que. Ernsest Renan (1823-1892) e Gustave Le Bon (1841-1931). Machado cobre a produção geográfica situada no intervalo de tempo entre 1879 e 1930. e que a forte influência francesa em relação a alemã era então um dos grandes impecilhos ao desenvolvimento do pensamento geográfico no Brasil . Nilo Bernardes-1982 a e b). Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951). A principal diferença que Lia aponta entre os dois conjuntos de autores. baseada nas obras de cinco importantes pesquisadores. embora já ingressando no movimento de implantação da futura república. a primeira referencia o processo de abolicionismo. publicada pela primeira vez em 1976 e já com nove edições. Eduardo M. o novo modelo republicano com a implantação da Revolução de 1930. ao prefaciar a reedição da obra de Manuel Ayres de Casal Corografia Brasílica publicada em 1817 e Nelson Werneck Sodré com sua Introdução à Geografia: geografia e Ideologia. um intervalo de tempo que marca a grande divisão entre um Brasil ainda com fortes influências coloniais. com a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871 e a segunda. Trindade (1885-1959). . na primeira metade dos anos 40. e o Brasil moderno que quebraria as velhas alianças politico/econômicas ditadas por uma elite agrária. em 1945. Hippolyte Taine (1828-1898). Lia analisa com detalhe as obras de dois historiadores que escreveram sobre a Geografia. O contexto histórico no qual Nelson Werneck Sodré escreveu seu trabalho era bem diferente do final do Estado Novo.importância na História brasileira. Talvez por isso. a visão bem radical de Sodré sobre questões que envolveram os conceitos de determinismo e possibilismo geográfico. a fase mais dura desses tempos. Gentil Moura (18681929). portanto. suas vinculações com o neo-colonialismo europeu e norte-americano e a Geopolítica (área do conhecimento muito cara aos militares brasileiros). A análise se estrutura. Carlos Augusto Figueredo Monteiro-1980. os trabalhos dos geógrafos estrangeiros eram. construíram essas versões (José Veríssimo da Costa Pereira-1955. Para Caio Prado Jr. Manoel Correia de Andrade-1977. que levou Getúlio Vargas ao poder. João Capistrano de Abreu (1852-1927). a parte mais importante do trabalho de Lia O . ao longo de suas carreiras. que não havia se recuperado completamente do golpe da abolição da escravatura em 1888. pois abarcou o período do ciclo militar de 1964-1985 e está centrado diretamente na primeira metade dos anos 70.

gestada no início do século XX. Ao notar um gradual afastamento da memorização.Capistrano de Abreu. paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855) . traduzindo para o português diversas obras que tratavam do Brasil. fruto de uma conferência proferida no 2 Congresso Brasileiro de Geografia realizado em São Paulo em 1910. publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904. o o . também reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX. Trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia. Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915). para centrar-se em estudos classificatórios que levam em consideração vinculações entre vários segmentos do conhecimento. alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza como geólogos. Trindade (1885-1959). Essa tendência de se considerar como moderna uma Geografia que opera mais com correlações entre processos físicos e humanos. como nas humanas. com a visão de processo de Willian Morris Davies (1850-1934) na Geomorfologia e os estudos sobre a relação Ser Humano / Natureza no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918) e na Antropogeografia de Ratzel. foi também um profundo estudioso da Geografia alemã. do que com memorizações locacionais. tanto nas ciências da natureza. via corografia. Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873). apesar de não ter sido publicado no Brasil. É um artigo pioneiro no que tange a distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX. que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. Ratzel que. foi o principal material de divulgação das idéias de Ratzel por Capistrano de Abreu. considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil. O de enumeração de acidentes geográficos. aparecem bem claras nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951). Das três obras deste autor analisadas por Lia. Em sua avaliação. Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia. Eduardo M. O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929) Geografia Nacional . por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 11/1918 e posteriormente publicado na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro n 28 em 1923. Lia considera que neste artigo está a primeira citação às idéias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil. a que mais nos interessa é A Geografia no Brasil . Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado Maior do Exército. além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie de F. visto como o estilo negativo e o considerado científico. onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então.

.”. e por isso mesmo incompreendida por boa parte de seus pares. Delgado.. na prática. Possivelmente. Nascido na França. ( não à Ritter nem à Ratzel. “Delgado de Carvalho publicava. Méteorologie du Brésil (1917). pós-graduou-se em Economia na Inglaterra (1919). Introdução à Geografia Política (1925). Nele Delgado advoga um novo enfoque para os estudos geográficos “a explicação” resultado das vinculações entre diferentes elementos. publicado em 1927 no no 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro.O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho Geografia-Sciencia da Natureza. tendo por isso sido cassado. o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947) com suas pulsações climáticas e a noção de individualidade geográfica. Publicou ainda mais três obras. Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906 e já em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país Le Brésil Meridional.. mas teve também envolvimento com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926). juntamente com Everardo Backheuser. quando em 1923. como produto de uma conferência proferida na instituição. onde misturam-se a Geomorfologia evolucionista de Willian Moris Davis. e uma sobre questões políticas. as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 20. como resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado Maior do Exército entre 1921 e 1931. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções. editou seu livro mais importante Geografia do Brasil . durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil. também já havia tido José Veríssimo da Costa Pereira (1955) ao tratar da “O Trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho” (p. em 1913 sem êxito. nem à Vidal ).. quanto da sociedade.. tanto da natureza. como assinala Lia. preso e. vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis. atribuída por Delgado à Lucien Febvre (1878-1956) e. Em 1913. considerado por Nilo Bernardes (1982:520-21) como uma obra a frente de seu tempo. Backheuser era engenheiro com especialização em Geologia e Mineralogia e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. aproveitando os dados coletados em várias agências de governo e Physiografia do Brasil (1923).. 425426) escreveu. um modelar trabalho didático. Percepção semelhante. posteriormente. duas sobre aspectos físicos. reintegrado em suas antigas funções. Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor. dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro nos anos 20 e era considerado um dos mais articulados professores de seu tempo. onde estudou Ciência Política (1908). .

e essa aula eu assisti entre 1930 / 1931. que vinte anos mais tarde. José Couto de Magalhães (1836-1898). Louis Agassiz (1807-1873). política imigratória e mestiçagem.. um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil. escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias... ele teorizou sobre isso perfeitamente. como um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia. O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros. Artur Orlando da Silva (1859-1916). mas ele marcou de tal maneira a minha memória.. considerado também por Orlando Valverde em seu depoimento. esse autor . quando eu fui dar Fronteiras do Brasil.. Alfred Russel Wallace(1823-1913). mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia.. uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas.. regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira...... porque eu. sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo. Temas como As raças e o meio tropical. André Rebouças (1838-1898). como por exemplo. por exemplo sobre a colonização européia. ninguém sabe. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo. Marechal Floriano. foram objeto de estudo para Autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882). depois colaborou com IBGE. o nome de Moris Davies apareceu pela primeira vez na minha vida. principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro. eu ficava envergonhado comigo mesmo. “Eu sou cria do Pedro II. os de Albert Penck e Alfred Hetner .Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia em 1925. era uma personalidade muito curiosa. Colégio Pedro II ali da Av. quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo. era um nome até pouco vulgar. ou no Paulo de Frontin... em inglês.” (Depoimento de Orlando Valverde a Roberto Schmidt de Almeida). Tristão Alencar de Araripe (1821-1908). Alexander Supam. e européias.. essa coisa toda... Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877).Por exemplo. tinha um autor alemão. pois bem.. Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco. além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) sobre a precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça via miscigenação européia. obras em francês.. foram motivos de intensas querelas intelectuais. ele citava obra. como Fernando Raja Gabághlia (1886-1965). e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha... debates esses que suscitaram argumentações de caráter espacial.... primeiro resistiu. no período referenciado (1870-1930).. Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909).. eu me lembro por exemplo de citações. nenhuma.. Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época. os mapas na cabeça e tudo mais. sabe que eu não tomei nenhuma nota. porque eram as palavras. meu caderno. . resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais.. ficou em branco naquela aula. uma glorificação do imperialismo da época. européias em que esse.. no auge do imperialismo alemão. o meu entendimento de garoto. em Hilderberg em 1967. eu tive um professor que depois colaborou. Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 20 juntamente com outros professores do ensino médio. esse homem escreveu no começo do século.

gerou grandes controvérsias entre os geógrafos. Alfred Hettner (1859-1941) e Albert Penk (1859-1945). além de aprofundar a questão do conceito de corologia (arranjo e variação de um fenômeno no espaço) em relação ao conceito de cronologia ( variação de um fenômeno no tempo) na tradição científica alemã de Immanuel Kant (1724-1804) e seus efeitos nos trabalhos de Ferdinand von Richthofen (1833-1905) . História. Em sua parte final. com vistas a uma institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 30. o artigo de Nilo Bernardes (1982) na RBG 44(3):391-413 sobre as principais características do que se convencionou denominar de pensamento geográfico tradicional é um dos mais esclarecedores. tema que Nilo Bernardes cotejou inteligentemente comparando as determinações dos inúmeros congressos internacionais de Geografia sobre o assunto. Química e Física e os que a consideravam como uma Ciência Social somente. inclusive discutindo com muita clareza questões controversas como a luta entre as concepções deterministas versus o enfoque possibilista no meio geográfico europeu e americano e suas conseqüências no Brasil. a diferenciação entre região homogênea e região nodal. além da posição deste ramo do conhecimento entre as ciências naturais e sociais. quanto na França e Estados Unidos. Economia e Antropologia. Biologia. pois enfoca as principais correntes de pensamento. culminando em 1960 com a criação da Comissão para métodos de regionalização na União Geográfica Internacional por ocasião da reunião em Estocolmo. principalmente nas décadas de 60 e 70. O artigo de Nilo Bernardes consegue dar uma boa visão desses problemas. Ciência Política. também trouxeram mais polêmica à discussão. tanto na Alemanha. No que concerne especificamente ao campo de análise das matrizes do pensamento geográfico. ao longo dos anos. alguns trabalhos sobre suas vinculações com a Geometria. Machado tornou-se uma referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil. uma característica que. Geografia Sistemática e Regional. Questões como as dicotomias entre Geografia Física e Humana.Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico européias. no que tange ao estudo dos arranjos espaciais de seus fenômenos. relacionando-a com a Sociologia. . e que enfatizavam as ligações preferenciais com a Geologia. Nilo Bernardes analisa o conceito de região em suas diversas concepções. onde novamente a dicotomia físico-humana acabava por ordenar grupos diferentes de regiões tais como região natural e região humana ou cultural . Pois sempre existiram aqueles que consideraram a Geografia mais física. tanto físicos quanto sociais. Um outro ponto fundamental também foi motivo de análise. analisando alguns dos principais problemas espistemológicos por que passou a Geografia na primeira metade do século XX. Paralelamente. o ensaio de Lia O.

Jean Tricart. Michel Rochefort. Geodésia e Cartografia. do qual o IBGE passou a ser o principal agente. tanto em São Paulo (posteriormente liderado por Pierre Mombeig). e o novo segmento voltado para a estruturação do sistema de planejamento territorial. Leo Waibel. Evocando Algumas Etapas da Geografia no IBGE Durante as décadas de 40 e 50 a Geografia brasileira estava dividida em dois grandes segmentos. Francis Ruellan. John P. José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores). foram processos gestados por uma estrutura organizada pelo governo Vargas. explicitando a especialidade de cada um e avaliando a influência de seus métodos na Geografia brasileira. quanto pela Geografia. . com a formação e o aperfeiçoamento do corpo docente. tanto pelo lado da Estatística. que trata da liderança e do carisma que estes pesquisadores e professores exerceram durante e após suas estadas no Brasil. até a estruturação do sistema de planejamento territorial do governo federal no IBGE. Pierre Danserau. Alguns desses profissionais serão objeto de avaliação mais detalhada no capítulo III. Brian Berry e André Libaut foram descritos com muita precisão. No entanto. em virtude de suas origens comuns. Pierre Monbeig. O que produzia conhecimento para uso na estrutura de ensino. que também foi o criador da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Processos gerenciados no nível acadêmico entre 1934 e 1939 pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines. mas organizados em nível mais alto. Jacqueline Beaujeau-Garnier. quanto no Rio de Janeiro. Os legados de profissionais como Pierre Deffontaines. também fundamental para o entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil. como a União Geográfica Internacional (UGI) e o Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH). por personalidades como Juarez Távora (Ministro da Agricultura). a criação quase simultânea dos cursos formais de Geografia. Cole. Trata-se da análise da influência dos professores estrangeiros que estiveram pesquisando e lecionando no Brasil após a década de 1930. apesar desta aparente dicotomia. garantindo recursos para pesquisa ou facilitando cursos de aperfeiçoamento técnico.Na mesma Revista Brasileira de Geografia 44(3):519-527. Nilo também traçou um rápido perfil de algumas instituições de Geografia internacional que contribuíram com os profissionais brasileiros. Preston James. o mesmo Nilo Bernardes apresenta outro artigo. Francisco Luis da Silva Campos e Gustavo Capanema (Ministros da Educação). Mário Augusto Teixeira de Freitas (organizador do sistema estatístico nacional) e Cristóvão Leite de Castro (estruturador do núcleo inicial de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia). Pierre Gourou. Gottfried Pfeifer. ambos sempre estiveram em perfeita conexão. Entre meados dos anos 30 até o início dos 40.

pelo mesmo profissional (Deffontaines). e as novas interpretações dos processos geomorfológicos. tenha dado subsídios para uma outra. mas que. possivelmente. os estudos do habitat rural. Na questão da localização da futura capital. Era uma espécie de diagnóstico integrado.1943). de certa forma. quanto para pesquisa. os estudos urbanos também já estavam tendo um desenvolvimento. No entanto. e do posterior envio em 1945. como por exemplo.Portanto. a partir da ida para os Estados Unidos em 1942 do geógrafo brasileiro Jorge Zarur . principalmente na área de estudos regionais. Paralelamente. para se pós-graduar no mestrado da Universidade de Wisconsin. deu o tom das principais orientações de pesquisa. tanto para ensino . ocorridas durante o final de 1947 e início de 1948. primeiramente no caso da localização da futura capital. o debate se estabeleceu aparentemente por conta de duas posições divergentes. Mais uma vez. Crise esta. abre-se também outras linhas de pesquisas. iniciam-se crises no núcleo governamental de planejamento. De um lado. muito mais forte e de graves conseqüências para o órgão no início dos anos 50. principalmente em virtude do longo período de permanência e do seu carisma para formação de um grande número de profissionais. No mesmo período. por vincularem o fator acessibilidade à área mais desenvolvida do país (São Paulo). a Geografia da academia e a do sistema de planejamento no Brasil nasceram juntas e foram organizadas tecnicamente no Rio de Janeiro. como uma estratégia que aliava . a Geografia foi convocada a definir algumas possíveis localizações para a futura implantação do novo Distrito Federal em alguma área do Planalto Central. A vinda de Francis Ruelan entre 1940 e 1956 intensifica essas relações entre os geógrafos cariocas e a Geografia francesa. para fins de implantação física da futura cidade e a regional que teria de dar conta das futuras relações econômicas e demográficas da nova capital. de cinco ibegeanos para estudos de aperfeiçoamento em universidades americanas. É nesse novo contexto que chega o alemão radicado nos Estados Unidos. que possuía fortes raízes lablacheanas. a relação entre a Universidade e o sistema de planejamento (IBGE) mostrou-se forte. pois necessitava de avaliações de caráter físico e econômico em duas escalas distintas: a local. que ficou mais ou menos circunscrita aos muros do próprio CNG.1944 . apesar desses esforços conjuntos. Na segunda metade da década de 40. os geógrafos que defendiam uma localização no Triângulo Mineiro. com equipes distintas (Ruelan com a equipe da Universidade e Leo waibel com a equipe do IBGE). principalmente com os trabalhos de Deffontaines no Rio e Mombeig em São Paulo (Deffontaines. Leo Waibel para trabalhar exclusivamente no IBGE sobre processos de colonização. A demanda governamental para o estudo dos processos de ocupação do território via mecanismos de colonização.I e II e Mombeig. na metodologia de pesquisa de campo e no processo de colonização. em áreas separadas mas operando em conjunto para não desperdiçar esforços.

na arena estatística. substituindo o extenso primeiro mandato de José Carlos de Macedo Soares Guimarães (1936-1951). a pedido de Poli Coelho. Do outro lado. os geodesistas e militares positivistas usavam os argumentos da centralidade geométrica do território e das concepções geopolíticas de ocupação rápida da região central do Brasil. se no campo geográfico uma crise foi abortada. Secretário Geral do CNG. As revelações de Lourival Câmara foram amplificadas por Poli Celho na imprensa. o IBGE mostrava muito mais interesse em assuntos culturais e políticos do que em questões puramente estatísticas (ver detalhes em Penha.A Localização da Nova Capital ). O debate na esfera técnica ficou por conta de Fábio de Macedo Soares Guimarães. A escolha recaiu sobre a área de Goiás e foi corroborada em termos políticos por Teixeira de Freitas. . no campo intermediário entre o técnico e o político. A vinda do General Poli Coelho para a Presidência do IBGE em 1951. 1949: 471 e 613). as argumentações ficaram a cargo de Cristóvão Leite de Castro. que moveu uma campanha que resultou no inquérito administrativo que levou à exoneração de Poli Coelho em 1952 (Lopes. Secretário Geral do CNE. Mas.economia (menos dispêndio de recursos em infra-estrutura imediata) e atratividade (a cidade não estaria em área muito distante e os investidores de São Paulo e sudoeste de Minas seriam mais receptivos à novidade). Speridão Faissol. em artigos na RBG (Guimarães. até o simples interesse especulativo das futuras terras a serem desapropriadas. principalmente no que se referiu às questões entre decisões de Geografia Econômica e as argumentações geodésicas e geopolíticas. chefe do Serviço Geográfico do Exército e Presidente da Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil. Segundo Câmara. militares e a bancada dos estados do Nordeste viam com muito interesse a opção do Espigão Mestre. revelou alguns conflitos entre as estatísticas primárias e as secundárias. 1993:84-85). o que gerou uma crise administrativa que durou um ano e meio. geógrafo que coordenou os estudos geográficos do IBGE. Várias razões eram invocadas. com pedidos de demissão de toda a cúpula da Estatística do órgão e edição de publicações de refutação aos comentários do Presidente do IBGE feitas por Waldemar Lopes. abriu uma outra. que iam da luta por maiores áreas de influência política. em área próxima a cidade de Formosa em Goiás. Os políticos de Goiás e do Nordeste tinham interesses variados. em depoimento à Revista GEO UERJ analisa o debate técnico (Faissol.1952). 1948 . O principal incentivador dessas teses era o General Poli Coelho. muito mais séria. recentemente aposentado (1948) em carta ao Presidente da Comissão General Poli Coelho (IBGE. 1997:8386). Um relatório elaborado pelo estatístico Lourival Câmara. os geodesistas.

(Valverde. Faissol também deu sua versão sobre o início da cisão entre os dois profissionais de maior poder na Geografia. inquéritos administrativos e demissões aos antigos colaboradores de Teixeira de Freitas. 1994:49-50 e Faissol . um Coronel do Serviço Geográfico do Exército. acertada numa reunião na cidade de Lorena. em meados da década de 40. No mesmo depoimento. que nas visões de Orlando Valverde e Speridião Faissol. diretor da Divisão de Documentação e Divulgação (DDD) e Jorge Zarur. que era o representante do Ministério da Educação no Diretório Central do Conselho resolveu contemporizar com os militares. o que foi encarado como uma traição por Fábio. Em meio a essas crises.A instauração da comissão de inquérito pelo Ministério da Justiça. envolvido num mal explicado inquérito de corrupção de desvio de sabonetes do IBGE para sua residência. Faissol argumentou que as questões sobre disputa de poder entre Zarur e Fábio pudessem ter se iniciado antes. Um outro ponto colocado por Faissol. Além desses comentários evocativos feitos por Speridião Faissol. incluindo aí Cristóvão Leite de Castro. para a fusão entre Rio e São Paulo numa Associação dos Geógrafos Brasileiros nacional. Caixa 41 . foi encontrado um processo que mostra um movimento de antagonismo claro entre Fábio de Macedo Soares Guimarães.Pasta 200/18-018 (ver anexos Documentos Administrativos) . acabou gerando um ambiente de perseguições. No conjunto de caixas de processos administrativos guardados no Arquivo Histórico do IBGE. Zarur tenha se ligado fortemente aos militares que destituíram Getúlio Vargas em 1945.depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). Coronel Edmundo Gastão da Cunha em 1951. eclode o inquérito administrativo contra Cristóvão Leite de Castro e com sua demissão. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur. refere-se aos entendimentos de Zarur com Haroldo de Azevedo da USP. a documentação também ilumina algumas querelas que ocorreram durante a gestão da presidência do General Polli Coelho e de seu Secretário Geral do CNG. levou muito tempo para tomar a decisão de afastamento de Poli Coelho da presidência do IBGE. a primeira vinculada a escolha do sítio da nova capital e a segunda aos problemas sobre a qualidade das estatísticas do IBGE. O processo se inicia no bojo das duas crises situadas entre 1948 e 1952. o General Poli Coelho nomeia em seu lugar na Secretaria Geral do CNG. Orlando Valverde e outros. localizado na Reserva Ecológica do Roncador em Brasília. nomeado por Edmundo Gastão da Cunha como Diretor da Divisão de Geografia (DG). Jorge Zarur. quando da volta de todos dos Estados Unidos.

Resposta da DG . como Cartografia. sendo que Lisia era chefe do setor de Prontualização e Informações da DG. Explica também as funções de Nilo e Lisia Bernardes. 4 na DDD. mas que na arena de trabalho do IBGE. Lisia Maria Cavalcanti Bernardes. apenas Magnólia está lotada na DG. 1 á disposição do Diretório Regional do Estado do RS e 1 em estágio em universidade na França. Reconhece que Lisia é bastante útil à DG. Finaliza apresentando as principais atribuições da DDD listando 11 conjuntos e apresenta um quadro de distribuição de Geógrafos no CNG (34 na DG. O Assistente Fisiográfico Antônio José de Matos Musso está assumindo interinamente a chefia da Seção de Documentação enquanto durar o impedimento do titular Virgílio Corrêa Filho. sobretudo após a saída de Poli Coelho do IBGE em 1952 até a volta de José Carlos de Macedo Soares Guimarães em novembro de 1955. Coloca também que. Encaminhamento para a DG. Seguem-se as assinaturas de ciência dos respectivos diretores das Divisões e os procedimentos burocráticos decorrentes. que eram muitas vezes desenvolvidos por profissionais dos dois grupos. Fala da saída para estágio na França da servidora da DDD Maria da Conceição Vicente de Carvalho. Analisa a lotação da Seção Regional Sul da DG e argumenta que apenas Orlando Valverde saiu da SR Sul e que os estudos da SRS estão também a cargo de mais três geógrafos ainda lotados na SR Leste. Magnólia de Lima -Geógrafo auxiliar e Olga Maria Buarque de Lima –Geógrafo contratado) que estavam lotados na Divisão de Documentação e Divulgação(chefiada por Fábio de Macedo Soares Guimarães). em substituição ao chefe anterior José Veríssimo da Costa Pereira que passou a exercer o cargo de Secretário Assistente. Explica que não se trata de troca de servidores e sim de necessidade de lotação para cobrir áreas da DDD.Explica as dificuldades de lotação de servidores técnicos na DDD analisando os problemas de distribuição nas demais áreas do CNG. as da DDD também.Proc. Solicitação feita ao Secretário Geral do CNG ( Edmundo Gastão da Cunha) de substituição de três servidores (Cecília Cerqueira Leite Zarur -oficial administrativo. . mas que também será útil à DDD. de reconhecida capacidade. por três geógrafos lotados na Divisão de Geografia (chefiada por Jorge Zarur). Nilo Bernardes e Miriam Guiomar Coelho Mesquita. A partir daí formaram-se dois grupos antagônicos que lutavam pelo poder. caracterizado por dois postos de referência. pois essas duas seções estavam concentradas em projetos na SR Sul. Mesquita. 2958 – 04/05/1951 Assunto: Lotação de servidores na Seção Cultural. Encaminhamento a DDD para conhecimento e manifestação a respeito. nunca assumiram posições conflitantes que colocassem em cheque a qualidade dos grandes projetos. Explica que o geógrafo Orlando Valverde está proposto para chefe da Seção Cultural. anteriormente. O SG do CNG arbitra que a Geógrafa Míriam Mesquita seja transferida da DG para a DDD em 30/05/1951. Resposta da DDD . Advoga que se todas as Seções da DG manifestam a necessidade de geógrafos. 2 no gabinete do SG. Magnólia e Olga.Informa que só será possível a transferência da geógrafa Miriam Guiomar C. já havia transferido para a DDD os geógrafos Orlando Valverde e Antônio José de Matos Musso. explicando que dos servidores Cecília. as outras estão no gabinete do Consultor Técnico e Jurídico do Secretário Assistente. a Divisão de Geografia e a direção da AGB do Rio de Janeiro.

estando em exercício na DG. Na carta. gerando uma crise administrativa com vários pedidos de exoneração dos geógrafos que estavam em cargos de confiança sob a liderança de Fábio. deverão faze-lo imediatamente. a fim de serem engajados em algum dos grupos ora constituídos. na seção Noticiário da Presidência do IBGE.BS 213 de 10/08/1956 mostra a lista de delegados do IBGE junto ao XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. Jurandyr Pires Ferreira esclarece que houve um compromisso entre ele e o presidente anterior (o Embaixador José Carlos de Macedo Soares) pelo mantenimento de Fábio na SG do CNG até a finalização do XVIII Congresso Internacional em agosto. . O Boletim de Serviço . realizado no Rio de Janeiro. Nessa lista estavam todos os principais geógrafos da Divisão de Geografia que colaboraram tecnicamente com o congresso. a saber: Grupo 1 Mapas de População (chefes: Elaza Coelho de Souza Keller e Heldio Xavier Lentz Cesar) Grupo 2 Planalto Centro-Ocidental (chefe: Pedro Pinchas Geiger) Grupo 3 Fitogeografia (chefe: Luiz Guimarães de Azevedo) Grupo 4 Geografia dos Transportes (chefe: Ney Strauch) Grupo 5 Clima (chefe: Ruth Simões) Grupo 6 Relevo (chefe: Alfredo Porto Domingues e Antônio Teixeira Guerra) Grupo 7Geografia das Indústrias (chefe: Míriam Mesquita) Grupo 8 Geografia Urbana (chefe: Lisia Bernardes)” Cada grupo teria em média cinco componentes e nos parágrafos finais. com a exoneração de Orlando Valverde e a conseqüente exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. durante a gestão de Jurandyr Pires Ferreira. No contexto burocrático. O BS 228 de 23/11/1956 apresenta na seção de Instruções e Ordens de Serviço a OS de 08/11/1956 do Diretor da Divisão de Geografia (Orlando Valverde) que cria oito grupos de trabalho para “executarem as tarefas mais urgentes da D. decidiu mante-lo no cargo. o episódio pode ser acompanhado pela leitura de alguns dos Boletins de Serviço editados entre agosto e dezembro de 1956. Mas que por observar seu trabalho junto a SG durante o congresso. G . e não tiveram ainda entendimento com o Diretor da Divisão. publica a carta de confirmação de Fábio de Macedo Soares Guimarães no cargo de Secretário Geral do CNG.Faissol revelou também o episódio que o levou à chefia da Divisão de Geografia em novembro de 1956. O BS 218 de 15/09/1956. a ordem de serviço determinava que “Os geógrafos e estagiários que não estejam inscritos na relação supra e.

portanto de caráter episódico. Ao final da seção de processos. aparece também uma correspondência datada de 31 de outubro de 1956 enviada pelo gabinete da Divisão de Geografia encaminhando o plano de trabalho da obra Geografia do Brasil em três volumes para ser elaborada entre 1956 /1957. Solange Tietzmann (seção de Atlas e Ilustração) e Edgar Kuhlmann (seção Regional Centro Oeste).Os grupos de trabalho iniciarão suas atividades imediatamente e é recomendado aos respectivos chefes que estabeleçam desde já prazos. consta a ata.71. Eloísa de Carvalho (seção de Estudos Sistemáticos). O BS 231 de 14/12/1956 apresenta na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG a exoneração a pedido de Nilo Bernardes do cargo de Secretário. O BS 230 de 07/12/1956 na seção informações diversas. e a nomeação do Contador Olmar Guimarães de Souza para o cargo. . ainda que provisórios. com os comentários do Presidente do IBGE Jurandyr Pires Ferreira e o discurso proferido por Speridião Faissol na cerimônia de sua posse na Divisão de Geografia do CNG. Lindalvo Bezerra (seção Regional Nordeste) e Lúcio de Castro Soares (seção Regional Norte). Lísia Bernardes (seção de Estudos Sistemáticos). Dora Romariz (seção Regional Sul). para a conclusão das tarefas atribuídas ao grupo respectivo. Estes são. O plano de Orlando Valverde é exposto nas páginas 3 e 4 do BS. Faissol elogia o governo de Juscelino Kubitschek e a gestão de Jurandyr no IBGE e faz um apelo aos geógrafos pela união em torno da obra Geografia do Brasil. na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG. seguida da designação do mesmo servidor para a seção Regional Nordeste. Serão concedidas aos grupos de trabalho todas as facilidades administrativas possíveis para apronta e eficiente execução de suas tarefas. Heldio Xavier (seção de Atlas e Ilustração).Assistente da SG do CNG. Nele estão as portarias 70. No mesmo boletim 229. constam a portaria de elogio aos funcionários do gabinete e memorandos à Diretoria de Administração sobre férias. Em sua alocução de posse.” O próximo BS 229 de 30/11/1956 é o que determina o início de um processo de modificações na estrutura de chefias da SG e da Divisão de Geografia. No caso de Alfredo Porto Domingues é determinada uma exoneração ( seção Regional Sul).72 de 22/11/1956 que exoneram Fábio e Orlando e que nomeia o engenheiro Virgílio Alves Corrêa Filho para a chefia da SG do CNG e a portaria 74 de 26/11/1956 que nomeia Speridião Faissol para a Divisão de Geografia. Também aceita os pedidos e exonera quatro geógrafos de suas chefias da DG. São também designados os seguintes geógrafos Antônio Teixeira Guerra (seção Regional Norte).

integra o GT Planalto Centro-Ocidental na Seção regional Centro-Oeste. Lamento profundamente o caráter irrevogável do seu pedido de demissão. além de determinar transferências de quatro funcionários do GT de Geografia Urbana de volta a seus postos anteriores. não veio a sofrer alteração em nenhum instante de nossas relações administrativas. A importância desta seqüência de eventos está relacionada a algumas questões de fundo político ocorrida com a chegada de Juscelino a Presidência da República... venho respeitosamente reiterar a solicitação verbal. possível realizar-se por motivos que somente a Vossa Excelência cabe apreciar.. para que se digne conceder-me exoneração do cargo de Secretário Geral. tive ensejo de expor claramente a orientação que. Acresce. contudo. conforme se verifica em sua carta de 7 do corrente. imprimindo uma outra ordem de prioridades. entretanto. integra o GT de Relevo ao Setor Geomorfológico da Seção de Estudos Sistemáticos e o GT de Geografia das Indústrias ao Setor de Geografia Econômica.” Finalmente o BS 232 de 21/12/1956 na seção de Instruções e Ordens de Serviço aparece a OS de 12/12/1956 do Diretor da DG (Faissol) iniciando o processo de modificação dos Grupos de Trabalho. há pouco mais de dois meses. distribuindo as tarefas pelos setores de Estudos Sistemáticos e de Atlas e Ilustrações.No mesmo BS 231 está publicada a ata da 327 reunião ordinária do Diretório Central do CNG ( a última presidida por Fábio). Prioridades e ações que conflitavam com dois grupos de profissionais. evidentemente entrar nas razões de foro íntimo que motivaram o seu afastamento – mesmo porque.” No mesmo corpo da ata também está assinalada a resposta de Jurandyr. Suspende temporariamente as atividades do GT de Transportes. designa o Prof. teve a bondade de anunciar-me pessoalmente sua decisão de confirmar-me no cargo de Secretário Geral deste Conselho. tive ocasião de manifestar-lhe o meu desejo de que o fossem também os meus auxiliares diretos. que já lhe fizera recentemente. estou certo. Desejando. coloca-lo absolutamente à vontade para que possa dispor dos cargos de direção deste Conselho sem o menos constrangimento. não me cabendo. hoje entregue ao Diretor da Divisão de Geografia. a falta de um motivo ponderável para que pudesse compreender e extensão de sua decisão. tive ensejo de manifestar. entretanto. por conta das articulações políticas que eram feitas pelo Partido Social Democrata (PSD).. pois. os que se assumiam a . Tal não foi. aos quais me acho ligado poe estreitos laços de admiração e afeto. Kurt Huck para a chefia do GT de Fitogeografia e transfere o geógrafo Roberto Galvão para a Seção Regional Norte.. em nossa conversa há quase dois meses. pessoalmente. onde percebe-se a conotação ambígua sobre o real motivo do pedido de exoneração “. onde o Secretário geral faz suas despedidas e lê a carta dirigida ao Presidente Jurandyr. da qual levantamos alguns trechos “. fortalecidos durante longo período de leal e eficiente colaboração... Extingue o GT de Mapas de População. Quando Vossa Excelência.. porque desejava poder contar com sua colaboração como.

Era necessário criar projetos de maior porte. A força das ações de Macedo Soares e particularmente de seu sobrinho Fábio de Macedo Soares a frente da SG do CNG ainda foram sentidas por Jurandyr durante o período do XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio e fortemente organizado pela estrutura logística do IBGE. isso não durou muito. Porém. para observadores privilegiados da cena como Pedro Geiger e Elza Keller. Faissol é escolhido para chefiar a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. Para que isto ocorresse. Geografia e Cartografia que informavam pela primeira vez em abrangência nacional. o principal era o Embaixador José Carlos Macedo Soares em seu segundo mandato (17/11/1955-03/05/1956). empurrou Faissol para a liderança do grupo de Zarur. O segundo grupo era formado por partidários da União Democrática Nacional (UDN). encontravam-se agora submetidos aos liames da política mineira que sempre operou com as articulações e dissimulações típicas de partidos com forte poder em áreas rurais. aspectos até então desconhecidos do . com Speridião Faissol. representados pelas publicações de obras de pesquisa sistemática. mas não necessariamente Getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro. ligando Estatística. a figura do piauiense Jurandyr. seria necessário substituir certos nomes que estavam vinculados aos métodos de trabalho do presidente anterior. a capacidade de planejamento e a operosidade de Faissol e Antônio Teixeira Guerra à frente da DG entre 1956 e 1961 geraram um conjunto de obras que ainda são marcos de referência da produção geográfica do IBGE nesse 60 anos. na gestão de Juscelino era considerado um retrocesso na função organizadora do Aparelho Estatal. Os udeenistas. que apenas acentuou uma antiga disputa entre os aliados de Jorge Zarur e os de Fábio onde. com pessoal de confiança e a confiança só viria de pessoas que fossem articuladas com a nova política de Juscelino e assim foi feito. rivais políticos do PDS. o forte conteúdo partidário nas decisões consideradas técnicas. A proposta de substituição criou um conflito entre Fábio e Jurandyr e gerou uma crise. embora não sendo mineiro. um típico representante do profissional de Estado. que para agravar mais o processo. o que acabou por se configurar com o repentino falecimento de Zarur em 1957. garantiu uma estrutura de trabalho dirigida à grandes projetos que garantissem um bom nome a sua gestão e ao período juscelinista. cunhado de Jorge Zarur. No contexto do IBGE.como profissionais do Governo Federal do tempo do Estado Novo. Marcos fundamentais. Apesar dessas crises. no estilo de Teixeira de Freitas e Cristóvão Leite de Castro nos anos 40. Para estes. de características majoritariamente urbanas. que haviam sentido o gosto da vitória política ao ver Getúlio Vargas sair do poder. importante geógrafo que possuía fortes vinculações com o estamento militar ligado ao PSD mineiro. via suicídio em 1954.

Apresentando também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento. A coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (19571964) com 36 volumes. a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário. Coleção Geografia do Brasil (1959). combinadas com os dois períodos pós golpe de 1964. As principais linhas de pesquisa geográficas durante a década de 1960 no Brasil sofreram uma transição interessante. José Joaquim de Sá Freire Alvim (13/11/196101/10/1963) e Roberto Bandeira Accioli (14/10/1963-31/03/1964). já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas. 1959). somado às bolsas de . explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 50. com o francês sendo praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários.os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socio-econômicos da Baixada Fluminense feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 ( Geiger e Mesquita. com os convites a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste para elaborarem alguns guias de excursões. e que o treinamento dado por Ruellan. vários geógrafos europeus.território nacional na escala municipal. perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de bom nível. criaram na Geografia um ambiente bem diferente do que era nos anos 50. Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento. Além disso. o Atlas do Brasil (1959) a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960). exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões que envolvem a relação entre a Geografia e o desenvolvimento. 1956). a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade se solidificou ainda mais. Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956. o do General Agnaldo José Senna Campos (10/04/1964-03/04/1967) e o de Sebastião Aguiar Ayres (04/04/1967-23/03/1970). quanto aos aspectos acadêmicos. Um exemplo bem interessante foi a publicação na RGB de uma Conferência dada por Milton Santos para o curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia em fevereiro de 1959 (Santos. Nela. As mudanças de fase ocorridas entre a saída de Jurandyr Pires Ferreira e as curtas gestões de Rafael da Silva Xavier (10/021961-09/11/1961). enfatizando os aspectos sociais e menos vinculada ao estudo da paisagem. tanto no que concerniu às questões de logística do congresso. No início da década de 50. Mas outros tipos de pesquisa também eram desenvolvidos. sobretudo franceses.

é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil. a partir de um polo metropolitano. esposo de Lisia. que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara. O mais curioso. Rio de Janeiro. classificando cidades. Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães. a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 60 e editada em 1963. foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP). criado em 1961 e coordenado por Lisia Bernardes e editado em 1964. e posteriormente. definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. Sua produção geográfica computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH) realizado . Um desses professores foi Michel Rochefort. correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. Foi o primeiro trabalho de detalhamento operando numa escala intermediária. que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lisia Bernardes no IBGE. No entanto. Olga Maria Buarque de Lima. Hilda da Silva. O seu livro Evolução da Rede Urbana Brasileira (Geiger. 1964 ou Bernardes L. Sulamita Hammerly. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas. pelo mesmo Pedro Geiger que já havia iniciado na década de 50.. 1964). foi notável. Chamou-se O Rio de Janeiro e Sua Região ( Grupo de Trabalho de Geografia Urbana. A produção e a qualidade dos trabalhos de Pedro Geiger no contexto dos estudos urbanos em geral e no de redes urbanas em particular. O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG. Minas Gerais e Espírito Santo. A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort. Ceçary Amazonas. aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil. O prefácio de Nilo Bernardes. Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo. Maria Emília Teixeira de Castro Botelho. durante toda a década de 60. 1963. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. 462p.). os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). nesta época.aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês haviam criado uma elite profissional muito eficiente.

mas como a sua vida pública. Funcionários públicos. políticos. com 10 trabalhos entre 1952 e 1963 e na de Roberto L. Poder e Golpe de Classe (Dreifuss. Departamento de Geografia. iniciada em 1938 no Itamarati. representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores. mas contraditório do IBGE. Corrêa. civis e militares. . As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. que também tornou-se um outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE.Ação Política. sem sombra de dúvida. 1981). Para se ter uma visão panorâmica e diversificada sobre esta fase conturbada de nossa história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: A Conquista do Estado . jornalistas e outros. praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas até os anos 90. Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias. ver Almeida (1994) e Geiger (1988:64/65) que analisa com muita sensibilidade esse período importante. volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subseqüentes governos militares. Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições. Müller. RBG 25 [2] abr. tratando somente sobre redes urbanas. o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). muitos dos quais conspiradores de primeira hora. Por se tratar de memórias. no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 50. 1995). com Dreifuss mapeando sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado no período imediatamente após o golpe de 1964. a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo. É possível perceber que a Geografia que se vinculou às idéias de desenvolvimento. empresários. foram as que mais aproximaram o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 60.em Buenos Aires. apresentou-se na contagem de Nice L. A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. Cada um deles observando o processo de maneira diferente. Pedro Geiger também coordenou um impressionante trabalho de análise sobre a industrialização na Região Sudeste. É. editado na RBG em 1963. Campos fica bem a vontade em escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros. 1963). Neste mesmo período. incluindo aí os primeiros governos do Ciclo Militar./jun. denominado pelo autor de “Complexo IPES / IBAD”. com cinco entre 1957 e 1964.. 1994) e Pensamento econômico brasileiro : o ciclo ideológico do desenvolvimento (Bielschowsky.

que estavam estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas / José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram um grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek / Jurandir Pires Ferreira. quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira. foi organizada por Ricardo Bielschowsky . com a saída de Speridião Faissol da Secretaria Geral do CNG. . No que concerne aos estudos sobre redes. juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (Geosul. enfatizando a análise do setor terciário. analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel. coincide ainda com o poder de Faissol. principalmente sobre Redes Urbanas e trabalhos sobre Regionalização. comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 40 e 50. Os principais vetores de estudos desta fase foram as pesquisas de Geografia Urbana. agora na chefia da Secretaria Geral do CNG e tendo como chefe da Divisão de Geografia. É justamente nesta época. principalmente a da região sudeste. um economista com forte veia de historiador. inicia-se uma mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE. o desenvolvimentismo. muito lugar para a Geografia física. conforme nos indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (Abrantes. e é sobre este espólio que as novas idéias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. eles foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos. 1968 e 1989). com exceção da climatologia. Não haveria no contexto do IBGE. o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período após os anos 60 até o final dos 80 (Corrêa. Antônio Teixeira Guerra. Separadamente. que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro. 2000). e o socialismo. tanto em termos de crescimento metropolitano. substituído por René de Mattos.A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos. pois na segunda metade dos anos 60 a participação dos segmentos de estudos físicos. O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE. o neoliberalismo. Em 1964. ou pelo menos assim se convencionou acontecer. de cunho administrativo. procurando dar conta de uma intensa urbanização que havia se iniciado no final dos anos 50 e que nos anos 60 já começava a mostrar seus efeitos.1991/1992). um economista muito caro aos geógrafos e que foi alvo de uma entrevista no número especial da Revista Geosul . reduziram-se fortemente. Foi também neste período que se verificou uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE. que a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais se acentua no Brasil.

mas sob a chancela do IBGE (Associação dos Geógrafos Brasileiros. posição que vai se acentuar com os resultados dos censos demográfico e econômicos de 1970. organizados no IBGE durante as gestões de Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970). sendo substituída por Marília Veloso Galvão em 1968. Todo o comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE e os nove sub-comitês também. Maria Helena C. Processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na gestão Isaac Kerstenetzky nos anos 70. os textos ainda espelham uma clara opção para a análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados.Dentro deste contexto. Professoras como Maria do Carmo Galvão. a influência de Michel Rochefort é indubitável (Rochefort. Becker. Haidine da Silva Barros e outros. colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal. exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE como Olindina Viana Mesquita. Entre 1965 e 1967 Lisia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG. com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha. que transformou o IBGE em Fundação. O presidente de honra era o General Senna Campos. inicia uma grande reforma nos cargos de chefia do departamento (anexos Documentos Administrativos) e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). Miriam Mesquita. Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização. Bertha K. que a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que ficou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa. 1965:81). 1998:93). é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado no Rio de Janeiro em 1965 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. Marilia Velloso Galvão. os vice presidentes eram o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. . Solange Tietzmann Silva. O índice das nove excursões realizadas mostra uma forte tendência para as questões urbanas. principalmente após o golpe de 1964. Para que se tenha uma visão mais clara da transição ocorrida nesta época. No novo Departamento de Geografia (DEGEO). que gerencia a transição administrativa ocorrida em finais de 1967. Um outro ponto interessante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro. que enfocava o processo de metropolização. Padre Laércio Dias de Moura e o Secretário Geral do CNG o engenheiro René de Mattos. coordenado por Speridião Faissol. a partir de 1968. Lacorte. Será neste novo contexto de pesquisa.

ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade. da qual a Geografia do IBGE fazia parte. 1963). a obra Subsídios à Regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade. apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10. servem como um ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal. isto é. Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9 ). Geografia Teórica.Nova Geografia. eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios. Os primeiros trabalhos que. Além das 208 páginas escritas. hospitalar e clínico especializado. ocorridas durante o final dos anos 60. Em todas as séries. O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à Regionalização. a preocupação final era gerar uma regionalização específica do tema tratado. Esses estudos deveriam dar conta de uma nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços como o bancário. Transportes 8. 1977:13). garantiriam subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas. sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões. Este inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE. Essas atividades e obras. conduziram à necessidade de uma vinculação forte entre a Geografia e a Estatística foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de um novo Sistema de Planejamento criado nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco. terminaria no início dos anos 80 e reaparecendo sob outra forma nos anos 90. resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado. No entanto. Indústria 22. Processo que duraria quase toda a década de 70 e que. considerado como uma síntese. População 10. Agricultura 29. que somada às informações intrínsecas ao assunto. . que no caso específico do capítulo Centralidade (Corrêa. atual IPEA) para aplicação de um inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros. educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão). o primeiro do ciclo militar. aparentemente. de certa maneira. que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. 1968: 180). conforme os estudos de Michel Rochefort e Jean Hautreux para a rede urbana da França (Rochefort e Hautreux. Geografia Quântica (sic) ou Quantitativa (Andrade.

respectivamente. como Secretária Geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE). Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU). como uma série de coincidências e de golpes de sorte que o levou a conhecer Brian Berry e John Friedman (Faissol. que já havia colaborado com brasileiros na Bahia no final dos anos 50. Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas que eram desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos. chega da Inglaterra o geógrafo John P. onde assumiu cargos na alta administração e. a saída de Lisia Bernardes em 1968.1997:86). Posteriormente. principalmente levando-se em consideração a magnitude espacial brasileira. no início dos anos 70 foi estruturada sobre vários fatores. presidente e diretor geral do IBGE. O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. pois os do IBGE estavam em fase de instalação. . no novo governo da Fusão Rio de JaneiroGuanabara. Um outro ponto de ligação se estabeleceu com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva um especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. aliado ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. Primeiramente. No nível institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba antigos professores da PUC. A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE. embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio. sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (Berry. Berry era um dos principais líderes do segmento da Geografia americana que operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores. com muito trânsito na alta administração da universidade e que haviam sido indicados em março de 1970 para. 1967) e Friedman era um conceituado planejador regional da Califórnia. depois.O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ. estavam agora sem interloucutores. para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA. no Ministério do Interior. Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de teste de suas pesquisas. que havia ganho uma bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro e era também um especialista em métodos quantitativos. posteriormente. 1959:99). Cole. na discussão sobre o conceito de Região de Planejamento (Santos. os dois geógrafos. As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC.

como no caso de Olga. como chefe do DEGEO. Indubitavelmente. Uma outra frente de pesquisas foi aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro. e noções de computação (que na época estavam baseadas em conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran. as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia física e da humana. Basic. onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas. Em contraste com a do IBGE. neste contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira. não se mostrou interessada nas novas técnicas. que já estava alijada desde os anos 60. já utilizadas nos centros de computação das universidades). também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas. quando redigia sua tese de doutoramento). O GAM não existia na estrutura formal e seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol. O lançamento de um periódico denominado estranhamente de Geografia Teorética torna-se o porta voz do movimento na UNESP. O interessante é que em Rio Claro. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer a pósgraduação ou na Inglaterra. Estatística. Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso. Um outro fator foi a ausência de atribuições administrativas que fragmentaria os estudos e pesquisas. criado em 1972. Muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques por que passava a Geografia foram entabuladas entre os ibgegeanos e os professores de Rio Claro. Maurício de . como no caso de Olga Buarque de Lima e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva. Roberto Lobato Corrêa. o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ. que enfatizava uma combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática. quando retornou seu mestrado em Chicago. quando retornou de seu mestrado em Nottingham. liderança que continua até hoje no campo do Geoprocessamento de informações. Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos. que foi imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM).O afastamento de Lisia abriu um espaço importante no campo dos estudos metropolitanos. que tornou-se um polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. Além disso. incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de concentração em Geografia Humana. uma boa parte dos geógrafos que estavam em cargos de chefia. assim como Olga Buarque de Lima. quanto na de Geografia Física. ou nos Estados Unidos como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva ( que veio a falecer em Chicago. pertencente a Universidade Estadual Paulista (UNESP). como Pedro Geiger e Elza Keller chefes de divisões e a própria Marília Galvão. PL1. onde a Geografia Física. Ainda no contexto universitário.

em virtude da estrutura do órgão. uma seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. cadeia de Markov. que mostrou uma impressionante capacidade de. pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional. Olsson. iniciaram um período de alta produção de artigos e livros.1975). Em seu depoimento. estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. lista 20 trabalhos sobre urbanização. posteriromente alterada para Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e em 1977 torna-se Diretor Técnico. tentando reconstituir .Almeida Abreu. a carreira de Faissol alcança prestígio e poder tornandose em 1973 Superintendente da Superintendência de Pesquisas. Professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI é o mais relevante). teoria. No plano interno da Geografia e do IBGE. coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização. correlação canônica. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. Lasuen e Dacey e o volume Tendências Atuais na Geografia Urbano/Regional: teorização e quantificação (Faissol. passando pelas técnicas de análise fatorial. Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos. análise regional. além de escrever. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol entre 1970 e 1978. ele considerou que não foi uma tarefa fácil. análise de grupamento. Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (Faissol. por conta da facilidade de captura do dado e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores.1989).1978). e utilizando técnicas que de certa forma aceleravam os resultados. Em 1989. também organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina. quando retornou de seu doutorado em Ohio. além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil ( o exemplo de Akin Mabogunje. até a saída de Isaac em 1979. além de gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento. como agência possuidora do maior banco de dados do país. já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. (depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação aos de outras instituições. desenvolvimento econômico. Inicia explicando o “como foi”. Perroux. migrações internas. A RBG 47 (1/2) de 1985. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele. análise discriminante. A produção geográfica desta fase é predominantemente de Speridião Faissol. No contexto da Geografia Econômica.

quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (Harvey. Se em Explanation in Geography. Quanto as críticas. a primeira tinha sido Explanation in Geography (Harvey. Faissol explica num importantíssimo pé de página (Faissol. a função e atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 60.1989:27). . quanto nos desdobramentos que ocorreram a partir de 1973/74. Harvey provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo. um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento. portanto. A figura do presidente dessa comissão o Professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje. nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas. David Harvey. que vieram posteriormente. sobre a participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares. enfatizando a UGI. A parte final do artigo de Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teóricoquantitativo e analisa rapidamente a questão ideológica em linhas gerais e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física. e não um americano ou europeu que não conseguem perceber as dificuldades inerentes a qualidade ou não do dado. que havia criado no final dos anos 60. foi muito importante pois tratava-se de um Professor de uma universidade de país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos. dez anos antes do movimento quantitativo e parabeniza as participações de Lisia e Nilo Bernardes. Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa. em Social Justice and the City. uma Comissão de Métodos Quantitativos. Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais. Ian Burton. Willian Bunge.1973). Pedro Geiger e Elza Keller como sendo decisivas para a Geografia se fazer presente no sistema de planejamento brasileiro. enfatizando a contribuição dos geógrafos como Brian Berry.as fases iniciais do processo. pois não viviam com esses problemas em seus países. 1969). Derek Gregory. Peter Gould. David Harvey se apresenta como um grande metodólogo da teorização e quantificação.. sendo. Tanto na fase inicial do processo. quando se inicia a relação entre a Geografia urbana / industrial e regional e as estatísticas visando o planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro. Na segunda parte do artigo..

seguido de uma crescente ampliação das incertezas. sempre se argumentava. alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos que se vinculavam também à pesquisa. O produto resultante apresentou-se intimidador. pelo seu grande tamanho e por sua complexa estrutura interna. ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau. foram bastante significativas. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. matemática. estatística . E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço. foram alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou o conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 70. é importante assinalar que as dificuldades enfrentadas pela comunidade de geógrafos que não estavam diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação. o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das pré-condições. Fase esta que se caracterizou por otimismos e incertezas. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. estes foram dilemas que incomodaram inicialmente os ibegeanos. mas que posteriormente. Apesar do aparente poder de produção. onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual”. mais ou menos decenalmente. O resultado foi. Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e a organização agrária de cada região. se ele é um conceito simultaneamente territorial e social. pois grandes projetos como a coleção Geografia do Brasil. sofreram algumas pressões de parte dos quantitativistas para que os capítulos da parte humana fossem totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. pela unidade da Geografia. p. Reconhecidamente. posteriormente que isto não seria viável.50 Contudo.. conforme se verificava que seria necessário tomar decisões cruciais em termos de carreira. derivados das pesquisas quantitativas. as principais modificações espaciais por que passam alguns processos de ocupação do território brasileiro. alcançaram uma boa parte da Geografia acadêmica do Brasil. permanecia e permanece a questão: se o espaco é socialmente produzido. O sabor do novo versus o risco da troca entre o conhecido e o possivelmente inalcançável. Percebeu-se. Mas. inclusive nos capítulos citados. O exemplo da coleção Geografia do Brasil de 1977 foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE. obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava.”Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia. editada em 1977 com cinco volumes. talvez muito otimismo inicial. também. mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro. pois não haveria público leitor para este tipo de obra. correspondendo cada um deles a uma macro-região.

Essa novidade efetivamente veio para selar o fim aparente da Quantitativa e confundir-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República. pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos. É importante frisar que não havia na década de 70. apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística. dar aulas para o curso de Geografia era considerado um castigo. esforços de aprendizado e carreirismo.. aguardar alguma novidade vinda de fora. Beaujeu-Garnier. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. o presidente do IBGE Isaac Kerstenetzky. essas disciplinas eram “dadas” burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de matemática. levou muitos a uma angústia disfarçada em mimetismo. o que tornava ainda mais difícil o aprendizado. concordar. O reconhecimento. marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia. Tempo que foi repentinamente abortado com a saída de Isaac do IBGE em 1979 e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979 – 14/03/1985). ainda era perfeitamente sólida. Sorre e Juillard. Paralelamente aos trabalhos de Faissol. mas a regra era esta. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras nos anos 70 era um tanto instável. No fundo isso era visto como uma concessão aos novos tempos. Em outras palavras. Aprovar.e linguagens de computação necessários ao desenvolvimento dessas técnicas. as facilidades computacionais de hoje. por parte dos geógrafos. ao longo da década de 70. É claro que deve ter havido honrosas exceções. Jean Tricart. um economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira e Joel Bersgmann. não contestar abertamente e. Um outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia. que assumiu o IBGE durante o governo do General João Batista de Oliveira Figueredo. mas pouco fazer. mas uma concessão inócua. imposto aos piores do grupo. Esperar que a moda passasse.. pois misturavam-se nas discussões. Nas universidades. um economista urbano com preocupações na distribuição de renda para trabalharem com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas com urbanização / industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil. a força da Geografia francesa centrada nas obras de Pierre George. As estadas de Werner Baer. economistas não necessariamente quantitativos no sentido econometrista do termo. status acadêmico e conhecimento. que os esforços de aquisição de conhecimento estariam muito além de suas capacidades. era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e . questões ideológicas e pragmáticas. Pierre Gourou. procurou mesclar as áreas de conhecimento através do incentivo para a vinda de cientistas sociais.

três espaços foram prioridade de lutas. . O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. Portanto. Uma questão interessante que não era explicitada. participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais. O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros. E isto tinha perfeita razão de ser. cursos de aperfeiçoamento. Para o grupo de geógrafos que nasceram nas décadas de 20 e 30 e que tornaram-se líderes em suas especialidades. era algo tão utópico que. imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes a curto prazo. os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra. que em sua maioria durante o regime militar. ou de computação. enquanto se aguardava os movimentos do tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. caracterizou-se por um forte conteúdo ideológico dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política. se por ventura tenha passado por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE. mas que estava sempre presente. em virtude de estarmos em plena luta pela abertura política do país. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade. A ambigüidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares. essas cabeças foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia. No caso da Geografia. em qualquer outra coisa! A Geografia Nova brasileira que estruturou-se no final dos anos 70 e prosseguiu durante a década de 1980. perseguições e impedimento do debate democrático. essa divisão era muito mais pesada. os que ficaram e foram a favor do regime. para a avaliação interpares das pesquisas e para a formação de pesquisadores. Os que ficaram e lutaram contra o regime. instituição fortemente voltada para a pesquisa.matemática. pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos de AGB. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo. pelo menos até o início dos anos 70. era a incomoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para que se estruturasse a delimitação de campos diferenciados. foram palco de medidas arbitrárias. isto é. Foi neste espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica. O primeiro foi a instituição universidade. pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam um bom domínio dos termos específicos de estatística.

passariam a ser bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo. desenho de croquis e. “. Armén Mamigonian e outros. Neste espaço.. e em 1969. poder de síntese.. Apresentações de trabalhos e respectivas aprovações pelos mais experientes.em reunião em São Paulo.1956) sendo analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes. Portanto. portanto revestida de muitas conotações negativas no campo político. isto é as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar. . sobretudo. diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política. percebe-se que o sistema de filtragem era rígido. No decorrer dos anos 60. No caso da ABG o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas. Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956. chamada de Mandarinato era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. haveriam excursões de cunho informativo. com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembléia. em grande parte formada por estudantes. interpretação de cartas.. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. senso de direção e de escala. participação em trabalhos de campo. que eram anuais. Em outras palavras. redação em condições adversas.onde a hierarquia estava vinculada ao saber e experiência. a jóia da coroa era o IBGE e no IBGE. na Assembléia de Vitória (ES) uma nova sistemática foi aprovada. 1991/19992: 137) O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”. nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade. Milton Santos. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Itamarati. provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma” (Andrade.. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979. os sócios cooperadores conseguiram. o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa. mas dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade. quebrar esta estrutura hierárquica da AGB Nacional. a quantidade de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar. onde eram avaliados a disposição para o trabalho. que surgiu no período mais duro do regime. os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB e isso começou a ser percebido na década de 70. mas ao se conversar com a “Velha Guarda” da AGB. percepção da paisagem. resistência física. pudessem ter uma arena para debates acalorados como foram os casos de Pedro Geiger. as reuniões. com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (Geiger e Santos.

O título era Relações Espaço-Temporais no Mundo Subdesenvolvido e o seu autor.20). O número 1 trazia uma transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V. Al’Brut (Anuchin. prossegue com Les Villes du Tiers Monde (Santos. mas com bom potencial de novidade. “Centro-Periferia” (p.21). 1976). II.. Este. as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição. I.19-20).. O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v. destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos.É com esse pano de fundo que se deve avaliar os acontecimentos de 1978 na Assembléia da AGB de Fortaleza. cuja tradução para a língua portuguesa acontece em 1979 com o título de O Espaço Dividido. sem rejeitar os métodos quantitativos. Milton Santos era na ocasião.21-22). continua com Aspects de la Géogrphie et de L’Économie Urbaine des Pays Sous-Dévelopés (Santos. como é possível perceber no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer onde o autor. ao mesmo tempo. 1965). Em 1976 a Seção Regional de São Paulo da AGB. n 3 de março de 1961 e foi traduzido pelo Professor Manoel Seabra da USP. Este algo diferente era resultado de uma longa gestação intelectual iniciada ainda nos anos 60 com o livro A Cidade nos Países Subdesenvolvidos (Santos. editor da revista radical de esquerda americana Antipode. com finalidade didático-científica”.23). sediada na USP lançou uma série denominada Seleção de Textos “. “Tempo Externo e Tempo Interno” (p. quanto no Social Justice and the City de David Harvey ou nos trabalhos de Richard Peet. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica. Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos (Santos. no caso. levantava questões sobre “A noção de Tempo nos Estudos Geográficos”(p. o .18-19). o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. e atinge seu objetivo com L’Espace Partagé. Milton mostrouse um mestre em artigos desse tipo. 1975). “Problemas de Escala” (p. entendendo também que no exterior. para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados. por exemplo. que na ocasião lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York. O segundo artigo era de um exilado. “Diferenças Entre Países e Disparidades Regionais” (p. Les Deux Circuits de L’Economie Urbaine des Pays Sous-Développés (Santos. (Bunge.20-21). 1973). “A Produção do espaço no Terceiro Mundo” (p.1969). “Um Princípio Ordenador” (p.1971). “Sistemas de Tempo e Sistemas de Espaço” (p. Era um típico artigo “ponta de lança”. mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e. A. respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético M. 1979).18). Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando.22-23) e “Para uma Explicação Geográfica Tempo-Espaço” (p. desses que o autor coloca na arena de discussão. apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos.

Ao chegar aqui.Em 1977... Planning Underdevelopment tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para sua penetração em países subdesenvolvidos. Phil O’Keefe e Richard Peet.. “ Miguel Calmon. a minha ida à Cuba com Jânio já me tinha a inclusão do meu nome lista do Exército. amigo . Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular. Um Cidadão do Mundo em homenagem a Milton Santos. Milton assina dois artigos. a revista Antipode ( a radical journal of Geography) lançou um número especial sobre Geografia e Subdesenvolvimento organizado por Milton Santos. quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia neste processo. mas eu estava em Paris. O processo de prisão e o posterior exílio é marcado por fatos contraditórios por parte das autoridades. Milton Santos rememora sua participação no Governo de Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia. passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964. Eu tinha bons amigos. um grande homem. 1959). através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (Souza. digamos assim. Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy i underdeveloped countries era uma síntese de seu livro o Espaço Dividido e o segundo. a pessoa que negociou com o governo federal militar. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. Lá estão registradas todas as sua publicações e apresentações. fonte dos seus dissabores.. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista da Educação e Cultura de Salvador. 1996:485). Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro. (Santos. onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso. O primeiro. O Mundo do Cidadão. Em seu depoimento na revista Geosul. quando já havia fixado residência em São Paulo após sua volta. foi reitor e que foi. a minha saída do Brasil. Uma visão bem diferente do artigo Geografia e Desenvolvimento Econômico (Santos. quanto é exilado por força do golpe militar. “Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador. por exemplo.. Na realidade. A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza. o Presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes. quando era professor do ensino médio. quando eclode o golpe. a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda.. como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito. 1991/1992:183). forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani.

éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído. porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã. solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar. Em 64 então. deixei de ter a solidariedade de muita gente. na construção de uma nova teoria geográfica.. dentro da Geografia. Diário de Notícias). política e acadêmica. que não me deixaram entrar nas listas de cassação. a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo. não me satisfazia. que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64.. quer dizer. René Dugrand. ao mesmo tempo. ildo na Escola Francesa. digamos assim. sentido acadêmico. da propriedade. Dando aula na França. porque ele precisava de um bode expiatório. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia. o n 51. onde está o editorial que marca essa mudança de tendência. Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu”. 192) Quanto a sua volta e o Congresso da AGB de Fortaleza. por que Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58... Comecei então.. isso servia ao movimento e me foi útil. uma outra forma de ver o Terceiro Mundo. gente de bem. Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira.. eu fui preso. Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia.” (Santos . graças então. sobretudo o Armen.” “. que vem essa vontade de teorização sobre urbanização. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária. Ainda na prisão. digo nacional. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta. Lembro daquela famosa reunião da AGB. Santos também fala que. para que ele pudesse se manter governador. eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia. cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes.. a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon. através de Pierre George. Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar.” (p. com quem sempre mantive relações muito boas. 1991/1992: 184/185). Manoel Correia e Araújo Filho. etc.. porque estava sozinho..então.Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão.. Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos. uma nova posição que fosse também. onde queriam me crucificar. recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade. Milton Santos explica que.. se não fosse Armen. mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort. Fui para Toulouse.nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória . a querer fazer outra coisa e é aí então. No houve apenas gratuidade. “. dispostos a mudar seu rumo. o que foi uma grande gentileza. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora .. aquela gente da marcha da família.fraternal... cheguei a conclusão que aquilo que eu ensinava. que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são. !964 chega. a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora. Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada. tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras . a vigilância foi afrouxada. como forma de liberar o Lomanto. “ . me instalei lá. Bernard Kayser.. Isto provocou uma comoção nacional. ”.. e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964.. ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros. nem foi erupção espontânea. Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o Marxismo. Eu fui instrumental a esse movimento. Não foi obra do acaso..

nem de curriolas... Ruy Moreira (Geografia e “Práxis”). Sociologia e Geografia. Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que eqüivalia a possibilidade de me tornar professor titular. o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal com Manoel Seabra. Na seção Idéias e Fatos (p. nem de tendências. 197) Como disse Milton Santos. Armen Mamigonian. A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia Repensada Politicamente e cobria democraticamente áreas da Economia Política. Contexto da Hucitec. onde fiquei até 1983. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (É Possível uma “Geografia Libertadora”?). Território Livre da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE). . me deu uma cobertura nacional. onde estou até hoje e espero ficar. que sempre uma estratégia de longo prazo. 196) “. decidiu me convidar. Ariowaldo Umbelino de Oliveira. Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores. nem partidos. Armando Corrêa da Silva. No Rio de Janeiro. Em 1980 a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74. citando o Boletim Paulista de Geografia.e que não precisou estar amarrado a grupos. denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). decidi me transferir para o Rio de Janeiro. Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira. Vim para São Paulo. vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em plano mais abrangente. Encontros com a Civilização Brasileira. fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. para conseguir um lugar no país. e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação. inicialmente estava subdividida nos que criticavam a Geografia Oficial. Rio de Janeiro e São Paulo. uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker. Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves ( PUC) e em São Paulo. o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. Isto tem que ser dito.302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia. porque a AGB através desse movimento. Revista Civilização Brasileira. Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes. Eu depois de hesitar. Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa.” (p. João Mariano de Oliveira (Revendo Criticamente a Geografia) e Milton Santos (Reformulando a Sociedade e o Espaço). as presenças de Milton Santos (UFRJ) . quando então fui para a USP.” (p. A diferença. o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ. um conjunto de textos sob o título de Geografia e Sociedade: Os Novos rumos do Pensamento Geográfico com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (Da “Nova Geografia à “Geografia Nova”).

como no caso do artigo de Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa A Geografia e o Processo de Valorização do Espaço (Moraes e Costa. que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. junto com a circulação.” (p. Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948. Nele. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “Congelamento dos Conceitos” dando o exemplo sobre o conceito de consumo “durante a vida de Marx. 1982:35-49) e no de Ariovaldo Umbelino de Oliveira Espaço e Tempo: compreensão materialista de dialética (Oliveira. relações de produção. A estrutura estava dividida em dois blocos. editado pela Hucitec em 1982. 1982:111-130).134). Era a produção propriamente dita. 1982:131-139). a partir do concreto.. mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox.. Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia. se não reexaminadas. na visão de alguns tornam-se auto-explicáveis. o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. . No bloco de contribuições teóricas. como forma de criar um campo de termos que. Nos anexos. mas que no fundo. chamava-se Alguns Problemas Atuais da Contribuição Marxista à Geografia (Santos.135) A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debate. com uma incrível visão premonitória. o de idéias. Contribições Brasileiras à Teoria da Geografia e Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros. apenas. “Noções como modo de produção. o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. quanto ao erro do uso automático da terminologia. alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista. em sua obra. com o confronto de sistemas de referência e do trabalho empírico. no de Ruy Moreira Repensando a Geografia (Moreira. Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta . sonoridades ineficazes. forças produtivas. com o confronto de resultados referentes às interpretações fatuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores..O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título de Novos Rumos da Geografia Brasileira . liga-se ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar. que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam. escreveu um artigo que passou meio despercebido na época. luta de classes etc. Milton Santos. 1982:66-110).” (p. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e a evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias. Por isso Marx lhe consagrou. dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem.

Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros foi reservada para os trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira. 1978). no Rio de Janeiro. tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977) essa edição carioca era. Paralelamente ao movimento dos professores. tanto na área do pensamento geográfico O Pensamento Geográfico e a Realidade Brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos Rumos para a Geografia Brasileira Milton Santos). Estrutura Agrária e Dominação no Campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves). Não era uma leitura fácil. e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também. pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época. apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste. mais a introdução e . Explica as principais noções de escala e mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou um grande impacto no alunato do início dos anos 80. Foi por conta desse movimento que foi editado o livro de Yves Lacoste A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra (cuja edição original da Maspero de Paris de 1976. No caso paulista. a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc. em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos. leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnan) e da excelente prosa de Lacoste. havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na Mesa Redonda da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no Rio de Janeiro em 1980 Crise Econômico-Social no Brasil e o Limite do Espaço que abordava algumas questões concernentes ao marxismo como crise do capitalismo. a organização sempre foi uma das características. desenvolvimento desigual e combinado. No entanto. isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC. UERJ ou UFF. a principal obra de referência do período foi Por Uma Geografia Nova (Santos. havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. e urbana Notas sobre a Geografia Urbana Brasileira (Armen Mamigonian). na linguagem técnica editorial não autorizada. O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a antigüidade e a Geografia dos Professores universitários iniciada no século XIX na Europa. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnan do Norte e Camboja. isto é. quanto em segmentos específicos como a questão agrária.A segunda parte.

Entretanto. principalmente nos cursos de formação de professores. portanto que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 80/90. pois misturavam-se nas arenas. obviamente negativos.. É necessário.” O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se. questões pessoais vinculadas à lutas de poder nos ambientes institucionais.A AGB. 1986 e 1989) da Ática. onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco. me criou uma repercussão nacional. E assim foi. que me foi encontrado por Florestan Fernandes. quando analisavam alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo. apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica. para publicar rapidamente o meu livro ‘Por uma Geografia Nova’.. 1995). O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época. sua interpretação não é imune a controvérsias. eu teria de ser conhecido antes. Um bom exemplo desse tipo de obra pode ser vista nos trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (Corrêa. crescimento econômico de alguns países asiáticos. que passaram a ter uma postura crítica. . quando em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 60/70. conflitos internos nos países africanos).conclusão. principalmente nos períodos iniciais do movimento. as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global (Araújo. conflito árabe-israelense. nos anos 80. quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom. “. Editoras como a Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve. porque sabendo que o Brasil é um país oral. substituindo autores da velha guarda como Nilo Bernardes ou Aroldo de Azevedo. Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas tomaram o lugar na preferência dos professores de ensino médio. provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos. De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física. Os resultados foram. que eu sentia que ia durar pouco. digamos assim.. A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”. eu diria que para ser lido depois.. Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores. razão pela qual eu insisti com o editor. Milton conta em seu depoimento na Geosul (Santos 1991/1992:196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro. que deveriam ser apenas palcos de debates de idéias.

Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro. Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti que.Um outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica como foi o caso da Geografia Física tomada por positivista. Na parte C de sua resenha. Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de São Paulo).. Lembra também sua preocupação com a feitura sistemática das resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica. principalmente nas fases iniciais do processo. em 1992. como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber. fruto de uma comunicação apresentada num Simpósio Sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991. “Envolvido com os estudos geomorfológicos. com a teoria dos sistemas. Em seguida analisa o contexto da chegada no Brasil da “Nova Geografia”. Boletim Gaúcho. analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações. Explica a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de testes e adaptações. Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais. Boletim Paulista de Geografia. rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. como referência de determinadas linhas de pesquisa e dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento.. por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). em vez . publicou no periódico Geografia uma resenha denominada O Conhecimento Geográfico no Brasil: Considerações de um Geógrafo. Inicialmente Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no contexto editorial quando assume a responsabilidade editorial da Notícia Geomorfológica e posteriormente passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia. Orientação. considerada também como quantitativa e por isso mesmo sujeita ao repúdio total. mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas. Boletim Baiano de Geografia.

237) Foi justamente no final dos anos 80 e início dos 90. Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia.112). . os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional.Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões eqüivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar.. Na década de 90. alertando principalmente sobre as conseqüências positivas e negativas. tais idéias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. toda igualzinha.de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas. anteriormente relegado ao segundo plano.. quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia” que deveria apenas ocupar-se do social.Hoje em dia muitos reconhecem isso. alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar portanto de Geomorfologia. Por outro lado. Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade.. observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica” (p. primeiramente em 1989 na Alemanha. no espaço geográfico dos países mais pobres. tal qual se apresentava nos anos 80.. só os fenômenos sociais têm significação? Contudo. o que para mim é errado. sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB. Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países. descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia. que compunha minha diretoria. Acho que.” “. o Grupo Radical.. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina.”(p. etc. Em conseqüência dessa atitude.. Sua principal obra dessa época chama-se Técnica... Biogeografia. foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 80. com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental e posteriormente com a dissolução da URSS. a AGB precisa de um mínimo de organização. até hoje.. Então. selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica... englobadas com interpretações impróprias. que os acontecimentos políticos na Europa. associado à uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente. e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores. Clima. mas por causa dessa postura. Orlando Valverde. pois além dos problemas sociais. Em seu depoimento à Geosul (Valverde.. de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica. não aceitou absolutamente. Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nesta inflexão.. ” . eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo.. um grupo criou a chamada Geografia Radical. 1991/1992:237) comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram tornando-se cada vez mais conflitantes. entre 1984 e 1986. principalmente no se referia ao desprezo que era passado às questões ambientais.. Geografia Crítica ou Geografia Marxista.” “.

só foi devidamente absorvida pela Geografia brasileira. o problema da mundialização da produção. apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos. nos impõe relações. o . acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Humana. Ainda não chegamos ao refinamento desejado. do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica. Carajás. nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo.Espaço. região do projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI). Esses trabalhos. Tempo: Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional (Santos. produzidos em sua maioria no início dos anos 90. o que chamava-mos de Geografia Quantitativa na década de 70. Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar. que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto RADAM.. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 80. que tinham de exprimir numa única linguagem. 1994) foi estruturada como uma coletânea de artigos. Teresa Cardoso.. textos de conferências e seminários. uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados. incluindo também outras áreas do conhecimento como Biologia e Geologia por exemplo. Projeto Nossa Natureza. Ferreira. 1986. podemos perceber o quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX. As contribuições de Maria Luisa Castello Branco. administra nossas relações com o entorno” (p. Antônia M. Olga Becker. São desta fase. pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais.” A técnica é a grande banalidade e o grande enigma. em comparação com os computadores de grande porte que eram utilizados por uma minoria nos anos 70. Com a volta das preocupações ambientais. inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Físicas e Humanas da Geografia. Diagnóstico da Amazônia Legal. Essa abordagem passa a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros. mas quando voltamos nosso olhar para as décadas anteriores. o próprio IBGE. Foi necessário entender também que. os projetos de diagnósticos integrados realizados principalmente na Amazônia ( Diagnóstico Brasil. modela nosso entorno. cada vez mais poderosos e baratos. publicado no n 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington. com o título O período técnico-científico e os estudos geográficos . e é como enigma que ela comanda nossa vida.M. Entorno do Distrito Federal e Gerenciamento Costeiro). via democratização do uso dos computadores pessoais.20). Rivaldo Pinto de Gusmão. ocorrida na década de 90. capítulos de livros ou de outras coletâneas.

No contexto ibegeano. vista sob a ótica do IBGE. mas o IBGE ainda é fortemente atrelado ao PC / Windows. correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados. pela liderança e carisma de professores e pesquisadores estrangeiros que vieram preparar uma elite de geógrafos. pois a troca entre profissionais franceses como Philipe Waniez e Violette Brustlein. . democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados.Programas de mapeamento automatizado. Hervé Théry e brasileiros como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira. Este grande panorama da dinâmica da Geografia brasileira. Os papéis desempenhados. pelas matrizes de pensamento geográfico oriundas da Europa e Estados Unidos e. foi também de muita valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh / Sistem 8. Mesmo com esses problemas. Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia hoje. através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais. que posteriormente ficou conhecida como a “Velha Guarda do IBGE” serão explicitados nos demais capítulos I. situados em sites que podem ser acessados via Internet. servirá de pano de fundo para o entendimento do processo de formação do pensamento geográfico brasileiro. no plano acadêmico. apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação entre os equipamentos computacionais entre as instituições. no plano da prática profissional. Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana foi muito rica. objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular. II e III desta parte. ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie que mostraram o caminho e as possibilidades futuras. Dora Hees. a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa. Além disso.0. Monica O’Neill. o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados. muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngües.

foram nelas que se instituíram as principais arenas de discussão dos temas geográficos. (Zusman. ou na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado. 1982). 1996). principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e Estados Unidos. Um outro segmento de consolidação dos estudos geográficos se deu através das associações culturais e profissionais como a Associação dos Geógrafos Brasileiros. criada em 1938 e das antigas instituições como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883. Antônio Carlos Robert Moraes tratou detalhadamente. mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual).Parte II Capítulo I . necessariamente. Estados Unidos e Canadá. Machado (1995 e 1999) e Domingues (1999). Nessas arenas. Bertol Domingues. França. atual Sociedade Brasileira de Geografia∗ . A principal razão de sua estruturação foi. Primeiramente com a França. Nilo Bernardes em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (Bernardes. dessas instituições. na universidade e no IBGE Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo. resultados de ações entre governos do Brasil. (vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária. tempo em que essas questões foram A tese de Perla Brigida Zusman na Usp sob a orientação do Prof. Lia Osório Machado e Heloisa M. 1990 e 1999). visando a criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente com os outros países através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional. diferentemente das áreas de discussão no governo. principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930. tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro. tendo como agência chave o IBGE. será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica. que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 30 (Oliveira . a relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte pensamento geográfico (Machado. ∗∗ do . 1998:197 ou 1999: 2-3). como se pode perceber nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira. Em se tratando de instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual. os principais temas vinculavam-se aos aspectos teóricos da disciplina. também aborda esses problemas conceituais e metodológicos por que passou a disciplina.O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas sociedades geográficas.

∗ (francesa hegemonicamente. Camille Vallaux. Foi a partir desses cursos. a partir de 1947. Jean Brunhes. Estrasburgo. quanto da universidade no sentido mais geral. que o poder das escolas de pensamento geográfico sentir na formação dos geógrafos brasileiros.apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. Toulouse. indiretamente. e que os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles. a americana) se fizeram . foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF. Jean Tricart e Michel Rochefort foram as principais fontes de conhecimento geográfico para. Bordeaux. durante o período do conflito. em cidades francesas como Paris. em seus depoimentos. ou eram especificamente indicados por eles. da alemã. após 1935. Max Sorre e outros. Todo um processo de aprendizado profissional que incluía. sobretudo no IBGE. a dicotomia entre Geografia Sistemática e Regional. Lyon. posteriormente. passando a sofrer também uma influência da escola americana e. a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem. Questões como a precedência entre Geografia Física e Humana. É possível perceber que a hegemonia da escola francesa foi incontestável. Pierre Mombeig. nada menos do que três gerações de profissionais. Grenoble. foram os principais mecanismos de consolidação de uma tradição de pensamento francês na Geografia brasileira. (Buttimer. geralmente por indicação de algum professor como Francis Ruellan e Michel Rochefort principalmente. Se levarmos em consideração que as figuras de Geógrafos franceses como Emmanuel de Martone. e pelos esforços dos americanos em garantir também um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE. conflitos entre o Determinismo e Possibilismo. 1980). com algumas ligações com a alemã e.∗ Essa predominância da escola francesa foi também confirmada.que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos como Jean Brunhes. Pierre Deffontaines. Montpellier. pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968. além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade. André Cholley e outros. como as obras Vidal de La Blache. Francis Ruellam. tanto do IBGE. por conta dos caprichos da Segunda Guerra que inviabilizou a ida de Geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para Europa. também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia. como parte de uma campanha de aproximação do governo Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa . Pierre Deffontaines . nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer de sua vida profissional. Essa tendência só não tornou-se totalmente francesa.

órgão da estrutura do Estado Novo.2000). Lúcio de Castro e Lindalvo Bezerra foram os indicados para Winsconsin. Agências de Inteligência americanas como o Office of Strategic Service (OSS). da qual o planejamento do Vale do Tennessee foi um dos principais projetos. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Clarence F. universidades especializadas em estudos regionais voltados para o processo de ocupação do território. Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE). na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Jones. torna-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. 1992:56). ∗ Tornando-se o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior. o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs e suas ações no campo cultural. que em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin∗ e depois para uma especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago. A importância dos trabalhos de Leo Waibel. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. estudar em universidades americanas. em 1945. Seu retorno ao Brasil faz surtir um efeito quase imediato. para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem. é importante para se entender as funções de uma outra agência. tendo como principal ferramenta a colonização dirigida. Preston James e Richard Hartshorne (Barton e Karan. Orlando Valverde. Para ele. José Veríssimo. . A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2.americano. Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil durante a Segunda Guerra. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 ( Waibel 1949). Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946. principalmente os sobre habitat rural e núcleos de população. como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território. Fábio de Macedo Soares. que tinham como objetivo a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil. e o Army Map Service (AMS) empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra como Cotton Mather. pode ser avaliada através de um artigo que tornou-se clássico. objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do Nazismo. convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos. Jones. Northwestern e Chicago. o trabalho de Antônio Pedro Tota no campo das relações culturais (Tota. Jorge Zarur. tomou contato com a escola americana de Geografia voltada para o planejamento espacial do New Deal de Franklin Roosevelt. ao trazer um convite do Governo americano. entrevista) para trabalhar até 1950.

Fred Kniffen (LSU). principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941). Texas) Carl Sauer (Berkeley) Fred Simoons (Davis) Erich Isaac (N. Terry Jordan (U. professor da Universidade do Brasil e fundador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil .“A colonização é o problema mais fundamental do Brasil.) Carl Sauer (Berkeley) Nevin Fenneman (Cincinnati) Richard Hartshorne (Michigan e Winsnconsin) Carl Sauer (Berkeley) Carl Sauer (Berkeley) Preston James (Michigan e Syracuse) Especialidade Habitat rural Eduard Hahn Paleo-agricultura Domesticação História da Cultura Geografia Histórica Geografia cultural Geografia Regional (Chorology) Otto Schlüter Alfred Hetner Siegfried Passarge Geografia da Paisagem Geografia Regional Desses geógrafos americanos influenciados por alguns geógrafos alemães como Carl Sauer. naturalmente. seu professor em Heidelberg onde lecionou de 1898 a 1928. 1952: 75-76). Com os trabalhos de Waibel no Brasil. Hilgard O’Reily Stermberg. O problema da colonização é. Este processo de ascendência intelectual foi analisado por Robert C. que dentre elas a Geografia desempenha ou deveria desempenhar. da escola alemã de Geografia. porém. Some german-american connections in the twentieth century Geógrafos alemães August Meitzen Geógrafos americanos (universidades) Carl Sauer (Berkeley). muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. Nilo. que iriam. West no capítulo introdutório do Pioneers of Modern Geography: translations pertaining to german geographers of the late nineteenth and early twentieth centuries (West.Y. um papel importante. dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. foram discípulos de mestres alemães. pois importantes professores americanos. ainda que indireta. Seria importante contextualizar também a influência da escola alemã na geografia americana. mais tarde influenciar alguns geógrafos brasileiros. Richard Hartshorne e Preston James acabaram por influenciar geógrafos brasileiros que posteriormente tornaram-se líderes em suas áreas de pesquisa. Não há dúvida. 1990:2 table 1) . corporifica-se a influência. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra?” ( Waibel apud Bernardes. City Coll.

sendo que Egler era o único que falava alemão. uma nova turma de geógrafos brasileiros para diversas universidades francesas. prepara juntamente com a direção do IBGE. Speridião Faissol. Com o final da Segunda Guerra. que . com os estudos agrários (Elza Keller) e estudos urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas (Pedro Geiger e Míriam Mesquita). Portanto. que era o mais difundido no conjunto profissional do IBGE na época. posteriormente. aluno de Preston James em Syracuse e trabalhou com ele no interior do Brasil estudando colonização. este grupo ampliou as possibilidades de conhecimento geográfico que a geografia francesa tinha para oferecer naquele período. foi. Lúcio de Castro Soares e Orlando Valverde todos falavam inglês. e Heldio Xavier Lenz Cesar) seguiram para a França. pois Leo Waibel falava alemão e inglês e não o idioma francês. a geografia francesa retoma sua liderança através dos esforços de Francis Ruellan que. Miguel para Paris. cinco profissionais do IBGE (Miguel Alves de Lima. Jorge Zarur. Míriam para Lion e Heldio para Strasburg.(CPGB) foi influenciado por Sauer em Berkeley . que trabalhou inicialmente com Waibel no Brasil. Elza para Montpellier. em 1947. Míriam Mesquita. Walter Egler. Fábio de Macedo Soares Guimarães. criaram uma geração pioneira de geógrafos que se especializaram em campos distintos como Geomorfologia (Miguel Alves de Lima e Heldio Lenz). Apesar das dificuldades do pósguerra. apesar de hegemonia inconteste da escola francesa. como Nilo Bernardes. Pedro Geiger. Durante o final dos anos 40 e início dos 50. principalmente por intermédio dos professores Preston James (Syracuse) e Clarence Field Jones (Chicago). Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo aprendidos nas universidades francesas. Geiger para Grenoble. Elza Keller. somadas ao trabalho de orientação que os outros geógrafos estrangeiros que nos visitaram. assim como Orlando Valverde foram alunos de Hartshorne e Leo Waibel em Geografia Regional na Universidade de Winsconsin e Speridião Faissol. possivelmente foi uma variável importante. A vinda de Waibel para o IBGE em 1946. a americana ainda se fazia sentir nos trabalhos de geografia regional do IBGE. A barreira da língua. mobilizou um restrito grupo de profissionais que iniciou pesquisas sobre o processo de colonização. evitando assim que apenas um só chefe de escola trabalhando no Brasil (Francis Ruellan) ficasse com a incumbência de repassar as principais matrizes de pensamento da época. (depoimento de Elza Keller). De certa forma. ocupação agrária do território e um pouco de biogeografia regional. este grupo restrito de pesquisadores que trabalharam com Waibel entre 1946 e 1950. no início dos anos 50.

que se prolongou pelos anos 60. Goiás e Minas Gerais)./set. Ambos trabalharam em pesquisas que envolveram técnicos do IBGE e pesquisadores de universidades de alguns estados (Tricart na Bahia e Rochefort no eixo Rio-São Paulo). Além desses./mar. Speridião Faissol e José Veríssimo em estudos de colonização e utilização da terra. 1948) e suas abordagens sobre as relações entre as áreas da Geografia Física e Humana (Sorre. 1961). uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. 1965). jul. feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo. oferece uma bolsa de estudos para Speridião Faissol fazer o doutoramento em Syracuse. além de estabelecer comparações entre os dois sistemas econômicos representantes da Guerra Fria ( George. pois além do artigo de Jones. 1946b. a absorção dos ensinamentos de mestres como Maximilian Sorre e Pierre George nos campos da Geografia Humana e Econômica. produtores autônomos. 1946a. estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil.trabalharam com Jorge Zarur. 1949. Preston James estudou o problema de colonização. 1950 (Por sinal um número muito importante para o tema colonização. os principais atores dessa fase. além de um relatório de uma expedição. por ocasião de suas estadas no Brasil em 1948 e 1949 respectivamente. O Congresso Internacional da UGI de 1956 marcou uma nova etapa entre a geografia francesa e a brasileira. 1953. as influências germano-americanas com a francesa. principalmente sua segunda metade. foram Jean Tricart na Geomorfologia e Michel Rochefort nos estudos urbanos. 1963. que mantinha sua hegemonia. 1949. A década de 50. Clarence Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3)./dez. mesclando. 1954. 1950. Jorge Zarur e José Veríssimo já haviam estudado com Clarence Jones em Chicago respectivamente em 1942/43 e 1945/46. além das obras de Pierre George sobre diferentes aspectos da Geografia Econômica analisando vários continentes.1939) e durante sua estada no Brasil em 1948 publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no Nordeste na RBG 11(1) jan. Os trabalhos de Sorre sobre novas formas de habitat surgidas no pós guerra (Sorre. concluído em 1956. em função da sistemática política de especialização dos geógrafos da casa em universidades e laboratórios franceses. foi o período em que os geógrafos do IBGE tornam-se efetivamente. quando possível. 1955. Mato Grosso. conquistavam cada vez mais adeptos no Brasil. Em 1952. . elaborando trabalhos importantes.

mas mantendo ainda contatos de trabalho com Lisia Bernardes no IPEA e Ministério do Interior.com um doutoramento orientada por Tricart. Na USP. os mais importantes embaixadores da Geografia francesa nos anos 60. Elza Keller. a ligação entre o “método Rochefort” e o planejamento urbano-regional da Geografia do IBGE. sendo que Rochefort ainda continuou a tarefa na década de 70. 1968 e 1989). Roberto Lobato Corrêa garantiram um fluxo de projetos sobre redes urbanas. caracterizado por um forte crescimento demográfico nas duas principais metrópoles. deixou de colaborar sistematicamente com o IBGE. Rio de Janeiro e São Paulo. Teresa Cardoso da Silva. 1968). Suas ligações com Lisia Bernardes. tanto no IBGE. em virtude de conflitos com Speridião Faissol no final dos anos 60. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (Tricart e Silva.que foram analisadas por Roberto Lobato Corrêa em duas ocasiões (Corrêa. Portanto. Teresa. Orlando Valverde. principalmente em São Paulo. nas décadas de 50 e 60. . posteriormente. seus contatos mais estreitos. Os estudos de Michel Rochefort sobre redes urbanas no final dos anos 50. A Geomorfologia desenvolvida por Jean Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia. além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg. principalmente após o golpe militar de 1964. aconteceu na segunda metade da década de 60. já sob os auspícios das ações dos ministros do Planejamento Roberto Campos. quando. Michel Rochefort e Jean Tricart . quando essas preocupações ligadas ao binômio urbanização/industrialização tornaram-se maiores na área de planejamento federal. encaixaram-se perfeitamente nas preocupações que os técnicos do governo federal já estavam levantando em relação ao processo de urbanização brasileiro que se delineava no início dos anos 60. foi para Universidade Federal da Bahia e por intermédio de Milton Santos. principalmente. quanto nas universidades. foram após Ruelan e Monbeig. ao voltar em 1960. Pedro Geiger. marcas estas que até hoje ainda podem ser percebidas nas ementas de cursos de graduação. ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. 1998:7-10 prefácio de Maria Adélia). principalmente por conta de sua aluna de pós graduação em Strasbourg no final dos anos 50. A influência de Rochefort nas linhas de pesquisa de Geografia Urbana do IBGE nos anos 60 foi inquestionável.foram as principais marcas da escola francesa de Geografia no ensino e pesquisa da Geografia brasileira. durante o governo do General Castelo Branco (1964-1967) e Hélio Beltrão no do General Costa e Silva (1967-1969). que garantiu a muitos professores baianos da área de Geografia Física completarem sua pós graduação na França. se deram através de Maria Adélia Aparecida de Souza após 1968 (Rochefort. Fany Davidovich e.

Essa assertiva de Maurício Abreu toma como referência temporal o período dos anos 60 ou. que as mudanças que já vinham ocorrendo na Geografia Tradicional brasileira levariam-na certamente a essa direção.. isto é. conhecimento sistemático dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. mostrando claramente o que era planejamento na concepção de gestores do Governo Vargas. da infra-estrutura instalada ou a instalar. adotando a versão da súbita hegemonia da escola americana que introduziu os métodos quantitativos na Geografia do IBGE. um roteiro diferente” (Abreu. quando muito. José Carlos de Macedo Soares. a segunda metade dos 50. Léo de Affonseca. A guisa de exemplo. posteriormente. Essas relações objetivavam o gerenciamento do território via. e legitimando-se nele. do acompanhamento dos processos da ocupação humana e econômica. principalmente através dos estudos de colonização e habitat rural. ocorrido na década de 70. 1994:44).É importante levar em consideração que não houve nenhuma luta teórica entre franceses e americanos pela hegemonia de suas respectivas escolas no Brasil. Cristóvão Leite de . “Não foi. ano V (1944) da Revista Brasileira de Estatística. possivelmente levados à esquecer por diferentes mecanismos e. Porém. até porque as relações entre França e Brasil neste campo sempre foram hegemônicas. possuem datação bem precisa. por obra e graça da “Quantitativa” que a vinculação da Geografia com o planejamento se realizou no Brasil. além de um monumental esforço de cartografação do território (Almeida. uma interessante matéria foi publicada no número 19. Nela é exposta minuciosamente a estrutura e objetivos do IBGE tanto para a Estatística. Não restam dúvidas de que as relações entre a Geografia feita no IBGE e o que se convencionou chamar de planejamento. dos geógrafos ibegeanos que viveram a maioria dos períodos. Maurício Abreu comenta que . portanto. Juarez Távora. alguns de caso pensado. iniciando no período imediatamente anterior ao Estado Novo de Vargas. Adalberto Mário Ribeiro que produziu uma série sobre os principais serviços públicos do período Vargas. pode-se afirmar inclusive. 1994 e 1995). A errônea versão de que a Geografia fez o seu début com o planejamento. ainda que seguindo. sob a batuta de Speridião Faissol.. parece ser o resultado de uma série de lapsos de memória. quanto para a Geografia. talvez. Mário Augusto Teixeira de Freitas. o período caracterizado pela influência dos estudos baseados no método Rochefort de redes urbanas. Tratava-se da reprodução de uma das reportagens elaborada por um jornalista do Correio da Manhã. como Castro e outros. somente no contexto da New Geography ou Geografia Quantitativa. A nível de (sic) hipótese. outros. as vinculações entre planejamento e Geografia são bem anteriores.

No caso de Berry e Friedmann. preocupado com a rápida dinâmica de urbanização orientou seus estudos para o acompanhamento da rede urbana brasileira. Roberto Lobato Corrêa e Olga Buarque de Lima. . não poderia mais arcar com essa responsabilidade via SERFHAU. o acaso aconteceu em virtude da repentina saída de um cargo de direção do SERFHAU. para planejar o crescimento da infra-estrutura urbana nas áreas metropolitanas (outra entidade estudada pela Geografia Urbana do IBGE nesta época). que o pesquisador da Universidade de Nothinghan estava no Brasil para pesquisar o planejamento do Censo de 1970. de uma forma ou de outra. 1995 e 1997).. Elza Keller. e que naquele momento. quando Lisia Bernardes estava se transferindo para o IPEA e. estavam trabalhando com urbanização/industrialização e Geografia da população. do arquiteto Harry Cole. pesquisadores que. Pedro Geiger. Em seus depoimentos nas revistas Geouerj e Cadernos de Geociências.(Faissol. No caso do inglês Peter Colle. É justamente neste período que estes expoentes anglo-americanos da Geografia urbano-regional que utilizavam métodos quantitativos para os estudos de determinação de padrões espaciais das atividades econômicas em redes urbanas passaram a ter contato com Speridião Faissol no IBGE. levando consigo o passe de Michel Rochefort. O papel do IPEA havia se iniciado no início da segunda metade da década de 60 após o golpe militar. 1968 e 1972. O papel do SERFHAU começa a tomar forma no final dos anos 60. de certo modo.É claro que as pretensões de Speridião Faissol no final dos anos 60. era de estruturar uma nova linha de pesquisas urbano-industrial que utilizasse. com mais ênfase. Faissol amarra bem a importância do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) no processo que acabou trazendo ao Brasil expoentes da Geografia Quantitativa americana e inglesa (Brian Berry. a escola francesa estava representada pelos estudos de Michel Rochefort realizados no Departamento de Geografia do IBGE visando o entendimento das maiores redes urbanas do país e o processo de regionalização (Bernardes L. o acaso aconteceu através de uma notícia de jornal. que havia contratado a vinda desses pesquisadores ao Brasil. passariam a representar a presença da escola anglo-americana na Geografia do IBGE na década de 70. 1968. Faissol também aludiu à fatores aleatórios seus encontros iniciais com esses pesquisadores. os novos dados que adviriam do Recenseamento Geral de 1970. após o crescimento do Banco Nacional de Habitação (BNH). quando o Ministério do Planejamento. Faissol vislumbrou aí uma possível futura parceria com as universidades de Chicago (Berry) e Los Angeles (Friedmann) e articulou a visita pelo IBGE em 1969. IBGE. No campo da Geografia. Keller. 1969). que de uma forma. John Friedman e Peter Colle) para iniciar um período de treinamento de técnicas estatísticas que iriam ser utilizadas nos futuros dados censitários de 1970. Um contato entre o DEGEO e o Conselho Britânico fez com que Colle tivesse contato com a Geografia brasileira através de Faissol. Marília Galvão.

que muito pouco contribuíram para o avanço da Geografia. Com o advento dos computadores cada vez mais baratos e potentes e da enorme popularização pela Internet dos softwares de mapeamento automatizado e de tratamento de imagens e de gerenciamento de bancos de dados. Pedologia / Edafologia. a estatística sempre marcou presença desde a graduação e. uma integração. principalmente no segmento do estudo de redes urbanas e regionalização. que. É importante lembrar que o apelo do Meio Ambiente/Ecologia também tomou de assalto as trincheiras da esquerda geográfica radical. período em que a escola francesa reinou absoluta. excetuando-se o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e de alguns poucos professores advindos de Rio Claro que formaram grupos em outros estados (o exemplo de Alexandre Filizola Diniz com os métodos quantitativos em Geografia Agrária em Aracajú é o mais interessante). com tentaram fazer crer alguns geógrafos na década de 80. planejando um sistema urbano. nos anos 80. Com isso. pois já possuíam experiência matemática maior do que os da humana.É interessante observar que o aparecimento no Brasil dos métodos quantitativos. de certa forma. ao se colocarem ao largo dos conflitos ideológicos que ocorreram com o segmento da humana/econômica. até quando o segmento da física tomou a dianteira das pesquisas e provocou. Hidrologia. Climatologia. normalmente. Porém. com articulações da Central Inteligense Agency (CIA) com o governo brasileiro para modificar a Geografia do Brasil. que acabaram por retardar o desenvolvimento dos estudos geográficos. tornava-se mais usada nos cursos de pósgraduação. que rapidamente. Geomorfologia. foi confirmado pelos trabalhos da futura New Geography. através dos grandes diagnósticos ambientais. nos anos 80. aparentemente. um amplo segmento de mercado de trabalho no campo do gerenciamento . os segmentos da física. feneceu sem gerar um grande número de seguidores. se nos limitar-mos a apenas recortar o segmento de Geografia Urbano-regional. nos anos 90. Também tiveram outra vantagem comparativa. Biogeografia. vinculados à escola anglo-americana aconteceu sob fatores fortuitos e não como um super projeto militar típico da Guerra Fria. teve de arrumar um discurso que se adequasse aos novos tempos. os profissionais da área física garantiram sem grandes traumas existenciais. que ficaram em maior evidência do que as querelas criadas pela Geografia crítica. corremos o risco de não avaliar a área da Geografia que mais se beneficiou dos métodos quantitativos. majoritariamente trabalhado por Speridião Faissol e colaboradores até o final da década de 1970 e que. área que ficou estigmatizada pela aparente influência dos métodos quantitativos oriundos da escola angloamericana. tentando apagar da memória os anos entre 1964 e 1970. Nessas áreas. os profissionais da área física tiveram muito menos problemas de utilização nos métodos quantitativos que chegaram ao Brasil no início dos anos 70.

nos anos 90. será importante avaliar o papel alguns professores e pesquisadores estrangeiros na formação das primeiras gerações de Geógrafos do IBGE e. que abriu esses novos campos de pesquisa e de ampliação da experiência profissional de uma parcela de pesquisadores que atualmente transitam por programas tão globalizados. de maneira mais ampla. No entanto. da Geografia carioca entre os anos 30 e 60. que não seria mais prudente procurar a hegemonia de qualquer escola de Geografia no IBGE de hoje. que o profissional de Geografia humana terá de lutar muito para iguala-lo. . Ironicamente.dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS em inglês). foi a cooperação com geógrafos franceses da Maison de la Géogrphie de Montpelier. para a Geografia humana do IBGE.

após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988). dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa. chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. pois foi através de sua influência nos meios acadêmicos franceses. na então Universidade do Distrito Federal (UDF). quanto em Geografia Humana. . auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo organizado por Christóvão Leite de Castro. além do próprio Christóvão. O Professor francês Pierre Deffontaines(1894-1978). No processo de implantação do curso do Rio de Janeiro. foi de decisiva importância. tanto em Geografia Física. a Academia Brasileira de Ciências sob a liderança de Alberto José Sampaio e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas. Nesse grupo estavam. que garantiram a visita. o Professor Emmanuel De Martonne. Deffontaines era um geógrafo completo.Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE Os Pioneiros Mestres Estrangeiros Desde o início dos anos 30. os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938). O naturalista e botânico Alberto José Sampaio. ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia patrocinado pela União Geográfica Internacional em Paris. do Secretário Geral da UGI. que possibilitou a vinda de professores recém doutorados.Parte II Capítulo II . agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro. explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país. estava sendo maturada. Na ocasião. pois tratou-se de. que a idéia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que. em 1933. ou em fase final de doutoramento para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935). A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante. garantir treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE. mas sua preferência era a Humana. a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas. paralelamente. pode entabular negociações com a diretoria da UGI. Jorge Zarur (contratado em 1939) e José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940) . paralelamente ao curso formal.

Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão). principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época). Jorge Zarur é enviado para a Universidade de Winsconsin onde graduase como Master of Arts em 1943 e segue para a Universidade de Chicago para um aperfeiçoamento em pesquisa de campo. teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território. em 1942. tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas). outro grande professor o vem substituir. por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard . Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. mas já em 1940/41. que foi continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra.O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para França. em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional. que organizava grandes trabalhos de campo. nunca foi interrompido. Em Wisconsin. uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. Como resultado de seus contatos nos Estados Unidos. foram convidados para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação na França. Fábio de Macedo Soares Guimarães. principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola. Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau. em virtude da impossibilidade da ida para a Europa durante os anos da Guerra depois. Muito embora os primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o grande processo de aperfeiçoamento no estrangeiro tenham sido enviados para os Estados Unidos. Orlando Valverde (que depois. Paralelamente. que ao longos desses 60 anos de atividade de pesquisa geográfica do IBGE. geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos e conseguem através da influência de Christóvão Leite de Castro que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. onde ficaram entre um e dois anos. Francis Ruellan (1894-1975) que fica 18 anos e praticamente torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. Waibel. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível. considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais. Com esse grupo. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951). Nilo Bernardes e Speridião Faissol. apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores. A maior parte da chamada “velha guarda ibgeana” foi formada por Ruellan.

Professor Michel Rochefort passou a vir constantemente ao Brasil e dar consultoria ao IBGE. Seu principal orientando foi Speridião Faissol. Faissol doutorou-se em 1956. Primeiramente em São Paulo ao iniciar o curso de Geografia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). Alceu Magnanini. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). Retornou . A seguir. No final dos anos 50. no Rio de Janeiro onde iniciou o mesmo curso na Universidade do Distrito Federal em 1935. Entre os anos de 1950 e 1951 o professor e pesquisador norte americano Preston James trabalhou no IBGE. Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização. onde Preston James era professor. Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler. Edgar Kullmann. iniciada em 1939. Pierre Deffontaines (1894-1978)./set. onde também criou a Associação dos Geógrafos Brasileiros e. orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. além de ser católico militante. Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. foram também estudar no Canadá. com uma grande produção acadêmica no campo do ensino católico. o ciclo de formação profissional de geógrafos no Brasil. Dos americanos. um breve resumo da vida profissional desses mestres pioneiros. Entre 1938 e 1939 organizou o curso de Geografia na faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. jul. Era um geógrafo especializado nos aspectos humanos do processo de ocupação do território. Dora e Edgar. inaugurado em 1939 e que absorveu o curso da Universidade do Distrito Federal que foi extinta. além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pósgraduação em universidades francesas. 1950 . realizado em 1956 no Rio de Janeiro. entre 1946 e 1947. após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. ligado a linha metodológica de Jean Brunhes e Vidal de Lablache. posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse no estado de New York. geógrafo francês que inaugurou em 1934. posteriormente. Com Rochefort. Entre 1935 e 1937 formou o primeiro grupo de profissionais que criaria o núcleo de pesquisas geográficas do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Revista Brasileira de Geografia. a “velha guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 50 e na década de 60. outro grande pesquisador francês em redes urbanas.

após ter tido um grande reconhecimento na Espanha. temos hoje um maior conhecimento da vida e da importância do trabalho de Deffontaines graças ao trabalho de pesquisa da historiadora Marieta de Morares Ferreira junto a família de Deffontaines na França. ele queria ingressar em faculdades públicas e pelo menos em duas ocasiões ele colocou a candidatura dele. fartamente citado por Anne Buttimer em seu clássico trabalho sobre a tradição geográfica francesa (Buttimer.” (depoimento de Marieta M.para a França ao iniciar a Segunda Guerra Mundial... inclusive trabalhando com o diário que sua esposa organizou e que detalha muito bem sua trajetória profissional (Ferreira. não apoiou e eu acho que o De Martonne também não deu muito.ele era professor em Lille numa faculdade católica. no final da vida.... posteriormente estabeleceu-se em Barcelona onde fundou um centro de estudos franceses. acho acredito eu pela qualidade do seu trabalho.” “ Ele mesmo diz isso..... Albert Demangeon não fez nenhum empenho em auxiliar Deffontaines. Pierre Deffontaines. que certamente ele tinha .. somente alcançando a importância no panorama da Geografia francesa. chefe da banca. mas que de acordo com as informações que eu tenho. sobre a presidência do De Martonne. daí inclusive que é um dos motivos que ele vem para o Brasil. não foram livres de turbulências. Por mais irônico que possa parecer. como diz o jargão francês poser sur candidature e ele não teve sucesso nessas duas empreitadas.... mas ele não fica o tempo todo no Brasil. que atualmente é considerado um importante geógrafo francês especializado no estudo dos gêneros de vida .na época que ele estava vindo para o Brasil ele tentou duas candidaturas para duas universidades.. mas pelo tipo de rede tinha lá na França. não. “.. que se espantará somente pelo fato dela não ter uma alusão no seu prefácio.F. 1993). Silvio Carlos Bray também escreveu sobre a visão de mundo de Deffontaines e suas relações com a cultura e ideologia do Brasil nos anos 30 (Bray. Através das pesquisas de Marieta de Moraes Ferreira. E que seus relacionamentos com seu orientador de sua tese de doutoramento. Jean em vez de Pierre). pode-se saber que suas proposições para postos docentes nas universidades públicas francesas não foram acatadas. 1998). Dunbar (1991:42). foi sempre preterido no sistema universitário francês. à Roberto Schmidt de Almeida). a participação dele. na verdade o orientador dele era o Albert Demangeon que era também um geógrafo da maior importância. se não me engano foi Rennes e Poitiers e não conseguiu. 1980) e tornado verbete nas Enciclopédias Encarta e na Modern Geography de Gary S... “. sabe? Porque tem um episódio que ele fala aqui: (isso é uma espécie de auto biografia que ele faz) “Minha tese se passa bem e com dimensão. Além disso. Albert Demangeon e com o todo poderoso Emannuel de Martonne. Afortunadamente. além de ser considerado por Berdoulay (1981:190) como o discípulo de Jean Brunhes (apesar de seu nome estar grafado errado.

”... “eu era o principal discípulo de Jean Brunhes eu vinha trabalhar na edição de geografia humana e passar .. dependendo do ponto de vista e das circunstâncias) e a Igreja Católica.. F. Esse movimento foi fundado nos anos 20 por Robert Garric. um dos mais proeminentes líderes do grupo de intelectuais católicos do Rio de Janeiro. após sua transferência da USP em São Paulo. onde era professor de uma Universidade Católica e era membro de um movimento chamado Les Équipes Sociales. mas na verdade eu acho que o interesse maior dele era ficar no Rio...importância. Na visão de Marieta. possivelmente houve um certo nível de negociações entre lideranças católicas para trazer para a nova Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro o maior número possível de professores católicos para contrapor uma luta entre diferentes concepções de ensino universitário carioca.” então .. onde Brunhes tinha sido escolhido um pouco tempo antes professor de geografia do Collège de France. ele passa uma temporada lá e depois ele acaba voltando para o Rio de Janeiro. suas atribulações acadêmicas na arena do ensino universitário público francês e sua vinda para o Brasil. pode ter sido uma das razões de seu estabelecimento na UDF.S. a estreita relação. à R. e uma correspondência que eu consultei no Ministério das Relações Exteriores sobre a documentação que está guardada no arquivo de Nantes mostra um pouco a insatisfação dos paulistas com esse desejo de Deffontaines querer vir para o Rio e querer também ter uma participação na estruturação da Universidade do Distrito Federal .. Em suas pesquisas documentais junto ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro e cotejadas com a documentação francesa Marieta percebeu... Agora porque que Deffontaines é interessante para ser estudado? Nós sabemos que UDF é uma Universidade criada por Anísio Teixeira e que contava com um grande número de professores que defendiam o ensino laico que naquele momento travava uma briga de morte com a igreja católica... 1935 e 1936). Mas esta luta sobre o controle doutrinário entre liberais (ou comunistas. depois ele diz.. tenha vinculações com a sua militância religiosa no catolicismo em Lille. “. professor de Literatura que também. e colaborador da revista UTO – L’Union des Trois Ordes de L’Enseignement (Deffontaines.F. ficando entre o Rio e São Paulo. (depoimento de Marieta M.A.” (depoimento de Marieta M..que eu acho que essa documentação mostra.UDF. primeiro inicialmente que Deffontaines vai para São Paulo. a rivalidade entre o Colégio e a Universidade não terá tido um papel. entre Pierre Deffontaines e Alceu de Amoroso Lima. e pelo fato de ter dedicado minha tese a São Francisco de Assis”. passaria para um campo muito mais formal com a evolução do governo de Vargas em direção ao estabelecimento do Estado Novo e o papel de Gustavo Capanema no campo da educação e cultura do governo federal. .).. nos anos 30 vem trabalhar na área de Letras da Universidade do Distrito Federal. à RSA) Possivelmente.. ele é a primeira pessoa que cria cadeira de geografia na USP. no Brasil. uma coisa assim. Nesse primeiro momento ele acaba ficando ainda dividindo um pouco. Para Marieta.

As atividades da UDF. 232). Capanema não consegue a adesão de Alceu de Amoroso Lima para a direção da FNF. A Faculdade vai ficar sob a direção do Sr. No sub-capítulo que trata da criação da Faculdade Nacional de Filosofia. no entanto.. mas ligados à Igreja. Tempos de Capanama é pródigo em análises sobre o grande painel de interesses pessoais. Mas para que não nos percamos nas escalas mais abrangentes da política universitária da época..227228). possibilitou às lideranças católicas reordenarem suas .O livro Tempos de Capanema (Schwartzman.. ”desejo professores habituados à pesquisa e de estudos bem orientados. e em 1936 as aulas são iniciadas com professores de uma missão francesa que incluía Émile Brehier (filosofia). Bomeny e Costa explicam como foram as tratativas para a escolha do corpo docente e. com se processaram as negociações com o governo francês através de Georges Dumas . o que foi feito pelo Decreto-lei 1190 de abril de 1939. 2000) detalha no capítulo 7. Alceu de Amoroso Lima. A questão religiosa (militância católica) é colocada por Capanema como variável chave pois. Mas o projeto de Capanema torna-se vitorioso. que substituiu Francisco Campos no Ministério da Educação do primeiro governo de Vargas. não se interrompem. principalmente. católico. Daí não encontrar eu boa acolhida para nomes que sejam conhecidos por suas tendências opostas à Igreja ou dela divergentes”. Capanema aproveitando a legislação deixada por Campos prepara o projeto da Universidade do Brasil. Bomeny e Costa. com intermediação da embaixada francesa. “O expurgo que se segue ao fracasso da insurreição da Aliança Nacional Libertadora de novembro de 1935 leva à saída de Anísio Teixeira do Departamento Municipal de Educação do Distrito Federal (onde é substituído por Francisco Campos). Henri Hauser e Henri Troncon (história).. (p. voltemos ao exemplo que nos interessa aqui. Schwartzman. e em junho de 1938 propõe a anexação da UDF ao sistema federal de ensino universitário. Pierre Deffontaines (geografia) e Robert Garic (literatura). os movimentos de organização do grande projeto universitário de Gustavo Capanema. amigo de Jacques Maritian. A experiência de Alceu ao lado de Deffontaines e Garic (que retornaram em 1939 para a França) na luta dentro da UDF. Apesar dessas manobras. e sua leitura é fundamental para o entendimento do sistema atual. corporativos e ideológicos que marcou a formação do sistema universitário do Rio de Janeiro. Eugène Albertini. O livro explica os intrincados conflitos ideológicos e organizacionais entre a Universidade do Distrito Federal liderada por Anísio Teixeira e iniciada em 1935 e o novo plano da UB. que a embaixada garante ser da mesma geração de professores católicos militantes que Pierre Defontaines e Robert Garic. à destituição de Pedro Ernesto da prefeitura e ao afastamento de vários professores da nova universidade. e que pode ser visto na indicação de Jacques Lambert para a cátedra de sociologia. Gaston Léduc(lingüística).” (p.

é importante considerar alguns traços culturais da época. Fábio de Macedo Soares Guimarães. . É bom lembrar que a religiosidade católica. É importante lembrar aqui que. Sua preocupação é não assumir o passivo da antiga universidade. seriam muito mais problemáticas do que as questões apenas ideológicas que foram disputadas com o grupo de Anísio Teixeira. Havendo sempre nas grandes comemorações do órgão.” (p.. ‘Nào me sinto com entusiasmo por esta obra’. seu poder de articulação na criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e na Revista Brasileira de Geografia foi inconteste. A dolorosa experiência de oito meses tirou-me as ilusões’. José Carlos de Macedo Soares. senti alguma coisa quando entrei para a UDF.. criam na faculdade o confusionismo filosófico e ideológico’ . Alceu percebe que as tramas políticas que regeriam a UB em geral e a FNF em particular. “Em abril de 1939 ele escreve ao ministro ainda propenso a aceitar o convite. Ao mesmo tempo. pela alta direção do IBGE nos anos 30. com seus quase 100 professores e 500 alunos.. dando início ao projeto de sua própria universidade a PUC. significando aqui. “ Em fevereiro de 1941 o convite ainda permanecia de pé. ‘direta ou disfarçadamente. na segunda metade dos anos trinta.. Seria impossível. ‘Não sinto nada por esta empresa.234). sempre foi mais vinculado às suas atividades como professor da UDF. Muito embora não existam dados que possam afirmar tal militância católica no contexto do IBGE e que as relações de Deffontaines com o órgão sempre foram lembradas pelos que conviveram com ele. mas mediante duas condições prévias.233). uma missa solene ou a presença de um religioso para abençoar as novas dependências nas cerimônias de inauguração. para a Geografia brasileira. Personagens como Mario Augusto Teixeira de Freitas. com responsabilidades no segmento leigo da Igreja. e poder começar com liberdade. que eram a não-incorporação dos professores...prioridades. e o adiamento do início das aulas para 1940. o papel de Pierre Deffontaines. na visão de Schwartzman.. ele aceita ser indicado pelo ministro para a cátedra de literatura brasileira. Um outro ponto importante era a formação católica da maioria dos dirigentes do IBGE e dos principais servidores. Jorge Zarur e outros eram minimamente católicos cumpridores de seus deveres ou em alguns casos. era algo quase obrigatório. alguns dos óbices que influenciaram a indecisão de Alceu em aceitar a direção da FNF.” (p. não havendo até hoje nenhuma colocação de cunho religioso nessas lembranças. no campo estritamente profissional. Cristóvão Leite de Castro. dizia entre outras coisas. do que como organizador da Geografia do IBGE. afastar uma série de professores que . e Alceu escreve longamente ao ministro explicando suas razões definitivas de não aceita-lo. Os critérios nebulosos de nomeação de professores são. Bomeny e Costa.. alunos e funcionários da UDF na nova faculdade. segundo ele. No entanto. o cumprimento dos ritos religiosos e sociais.

onde se encarrega das relações militares entre a França e os países da América do Sul e Caribe. que eram comandados por Emmanuel De Martonne. para a Geografia do IBGE. 1988). continua em Strasbourg e depois em Paris onde obteve sua “agrégation” (licença para lecionar no sistema de Liceus) e seu doutorado. pois também freqüentou o curso de Economia da “Faculté de Droit” e os cursos de mineralogia e geologia da “Faculté de Sciences” e do “Museum D’Histoire Naturelle” . tornou-se um verdadeiro "chefe de escola" para uma legião de pesquisadores que. Sua formação como geógrafo inicia-se na universidade de Rennes. é bem possível que. Como se constitui no Brasil a rede de cidades (Deffontaines. através de artigos que tornaram-se clássicos como o Geografia Humana do Brasil de 1939 (Deffontaines. este problema não se colocou. foi desmobilizado pelo Exército. pois sua carreira na Universidade de Paris já estava perfeitamente consolidada na década de 30. Meditação geográfica sobre o Rio de Janeiro (Deffontaines. tornaram-se figuras importantes na Geografia brasileira nos anos 60 em diante. geógrafo francês especializado em Geomorfologia. Após um ano de funções diplomático-militares. além de também ter freqüentado os cursos do “Collége de France”. na maioria dos casos. sua atividade docente.Portanto. Sua vinda para o Brasil foi fruto de coincidências e situações fortuitas. se no caso da UDF. Francis Ruellan (1894-1975). No que concernia ao IBGE. em conseqüência da invasão alemã na França. Durante a década de 30 participou de varias missões técnicas e culturais organizadas pelo governo francês na Ásia e América do Norte. 1944). em segundo lugar. como mestre de conferências e diretor adjunto do Instituto de Geografia e da Escola de Altos Estudos de Geografia da universidade. Em 1939 foi mobilizado pelo Estado-Maior do Exército francês e em 1940. Sua formação foi eclética. em função da forte cultura católica da casa naquele período. sua visão abrangente sobre as potencialidades do estudo geográfico no Brasil. em 1941. Por isso. aceita o cargo de professor de Geografia da Faculdade de Filosofia da recém . as presenças de Deffontaines na Geografia e de Garric na Literatura tenham sido equilibradoras de um suposto enfraquecimento da religiosidade católica no ensino universitário carioca (o que também deve relativizado em virtude dos acontecimentos posteriores ao golpe da Intentona Comunista no âmbito da UDF). 1960). foi enviado como adido militar para o Rio de Janeiro. onde nasceu. que ao substituir Pierre Deffontaines no comando do ensino de Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (antiga UDF) em 1941. enquanto formador da primeira geração de geógrafos e. a mais importante lembrança de Pierre Deffontaines foi primeiramente.

podendo contar com um grande número de participantes. 2000: anexo B) foram computadas 11 grandes excursões lideradas por Ruellan entre 1941(Baia de Guanabara e Serra do Mar) e 1951(Bacia do Rio São Francisco). os ensinamentos de Francis Ruellan conquistaram um número significativo de alunos que estão atualmente na faixa entre 60 e 75 anos aproximadamente. Suas pesquisas de reconhecimento da Geomorfologia da Serra do Mar resultaram num trabalho clássico publicado na RBG em 1944 (Ruelan. Ruellan marcou profundamente as gerações de geógrafos que trabalharam entre 1940 e 1960. Em função de sua posição de liderança num período onde o IBGE possuía um enorme prestígio perante o governo federal. sem limitações de ordem financeira ou logística. o único geógrafo de se pode ser chamado de chefe de escola sem nenhuma restrição classificatória. Seu espírito disciplinador e seu senso de organização são célebres. além de indica-los e encaminha-los para cursos em universidades da França. pronunciada em Goiânia em 26 de junho de 1942. Na tese de Vera Lúcia Cortes Abrantes sobre o arquivo fotográfico das pesquisas geográficas de campo do IBGE (Abrantes. lecionou para um número mais restrito de alunos. Sua principal característica foi a vinculação estreita entre o ensino teórico na sala de aula e o prático no campo e no laboratório (para os geomorfólogos). No campo. indubitavelmente. ou com um ou dois alunos. são referências importantes no estudo da Geomorfologia do Sudeste do Brasil. E assume paralelamente. No entanto Ruelan não era somente geomorfólogo. era um professor completo e sua importância para a Geografia brasileira dificilmente poderá ser igualada. substituindo Pierre Deffontaines. o cargo de consultor científico do CNG. no VIII Congresso Brasileiro de . pois apesar de ter voltado para a França em 1956. Na publicação editada pelo IBGE. 1988). alunos da universidade ou profissionais de pesquisa do IBGE. Sendo ele. por ser a Geografia ainda um curso novo. e portanto sem o apelo característico de cursos como Direito ou Engenharia. que retornou à França em 1939. sua influência ainda continuou forte até o início dos anos 60. treinou equipes de pesquisadores e orientou a formação acadêmica e técnica de muitos deles. Ruellan era acima de tudo um professor e consta que nunca fez um trabalho de campo só. Diferentemente de Deffontaines que. principalmente junto aos geomorfólogos. fruto de duas conferências. seus projetos de excursões alcançavam qualquer parte do Brasil. Em suas funções no Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até 1956. Além de pesquisador. além de ficar apenas cinco anos no Brasil.criada Universidade do Brasil. Seus principais trabalhos até hoje. Os Métodos Modernos do Ensino da Geografia.

Primeiramente no contexto da Universidade americana de Winsconsin. 1942. A segunda fase aconteceu no Brasil entre o final de 1945 e meados de 1946. Foi neste período também. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Almeida (1995) constata que estes trabalhos estavam. está o seu currículo. Leo Heinrich Waibel (1888-1951). Nilo Bernardes. assim como estava ocorrendo na . Retornou aos Estados Unidos em 1950 e logo depois para a Alemanha. 4. entre os anos de 1946 e 1950. onde veio a falecer em 1951. As relações de Leo Waibel com os geógrafos do IBGE se deram em três fases distintas. p. para onde havia ido lecionar em função de sua saída da Alemanha. em virtude de uma possível leva migratória de europeus para o hemisfério sul. no final da segunda guerra. (Ruellan.6-8). para pesquisar e treinar um pequeno grupo de geógrafos do IBGE. que o convidaram (a partir de consultas com Christóvão Leite de Castro na direção do CNG) para trabalhar como consultor técnico do IBGE no Brasil. quando trabalhou com Speridião Faissol. nas preocupações do governo brasileiro.Educação e complementada por outra. que tornou-se o maior divulgador de sua obra no Brasil. Jorge Zarur e Walter Alberto Egler. em julho do mesmo ano na Terceira Convenção Nacional dos Engenheiros Brasileiros. pronunciada em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais. com Geografia Agrária. que os estudos de identificação do futuro sítio do novo Distrito Federal foram coordenados no IBGE por Waibel e relatados por Fábio de Macedo Soares Guimarães na RBG v. foi nesta fase que se deu uma maior aproximação com Orlando Valverde. quando da oficialização do Nazismo. A terceira e última fase se deu entre 1947 e 1950 já trabalhando com Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Seu primeiro aluno brasileiro foi Jorge Zarur em 1943 e posteriormente em 1945. Em sua estada no Brasil trabalhou com Biogeografia. ao pesquisar os tipos de ocupação de terras e os diferentes cultivos tropicais e com Geografia da População ao explicar os processos de colonização de dois povos europeus (alemães e italianos) no sul do Brasil. 1949. contratado pelo Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade de Wisconsin (USA). que haviam retornado de Winsconsin. naturalizado americano. que cobre suas atividades no período anterior a sua vinda para o Brasil. n.11. nos estudos sobre povoamento e colonização. Avaliando os estudos de habitat realizados no Brasil. ao estudar a vegetação brasileira. nos processos de colonização e de reconhecimento de áreas propícias para colonização futura. geógrafo alemão. pois Waibel era casado com uma cidadã judia e fazia parte da oposição ao Nacional Socialismo.

1939) e publicado no final dos anos 40. Era um especialista em Geografia Regional da América Latina. uma esclarecedora biografia do mestre alemão. Dansereau organizou o ensino desta área de estudos e montou um programa de intercâmbio e de pósgraduação entre o Brasil e o Canadá que visava treinar pessoal especializado em Biogeografia. Trabalhou no Brasil entre 1951 e 1952 a convite do IBGE. que era liderada por Hilgard O’Reilly Sternberg. Convidado pela Universidade do Brasil e IBGE para dar treinamento especializado aos professores e pesquisadores (geógrafos.n. apresentando principalmente sua obra geográfica realizada no Brasil. um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação na Bacia do rio São Francisco RBG 11(1) jan. pioneiro na introdução do ensino sistemático de Biogeografia no Brasil em 1945. 1952. pois estavam aqui especialistas de Geomorfologia./mar. geógrafo norte americano. galgaram importantes postos no meio científico brasileiro na área de meio ambiente. Seus livros Latin America (1942) e American Geography: Inventory and Prospect (1954 em co-autoria com Clarence F. pelo seu conteúdo metodológico. 2. para estudar os processos de colonização rural no Brasil central. 1947). estavam trabalhando no IBGE. Preston Everett James (1899-1986). após seu doutoramento feito em 1923 na Universidade de Clark. . uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil. Pierre Dansereau (1919. 1949. Jones) são considerados clássicos da literatura geográfica americana. Nilo Bernardes. áreas que garantiam um conhecimento amplo de Geografia para os profissionais do IBGE. Biogeografia e de processos de ocupação humana. foi professor nas Universidades de Michigan (1923-1945) e Syracuse (1945-1970). com linhas de pesquisa em colonização rural.) biogeógrafo canadense. Preston James já havia estudado o problema de colonização. biólogos). agrônomos. publicou na RBG v./dez.14. A maioria de seus alunos. Waibel e Dansereau e que tanto Ruellan e Dansereau também ministravam aulas na Universidade do Brasil. Ruellan. trabalhou com Francis Ruellan na Serra do Mar e produziu um artigo de pesquisa na RBG. Portanto foi um período muito profícuo para o aprendizado de Geografia. Deixou uma obra voltada principalmente para o ensino superior. (Dansereau.América do Norte. no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. além de ministrar cursos de introdução à Biogeografia aos alunos de graduação. por ocasião do falecimento de Waibel. Foram dessa fase a maioria dos trabalhos de Waibel e dos geógrafos brasileiros que foram treinados por ele. É importante ressaltar que no final da década de 40. além de estudar a Biodiversidade tropical brasileira. Foi também um importante historiador do pensamento geográfico anglo-saxão. Em 1946.

sem sombra de dúvida. em escala nacional . pelo acadêmico ( seu método de avaliação do sistema urbano era novidade e. fruto de diferentes motivações que transitaram pelo institucional ( a preocupação do governo federal com a urbanização e migração para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro). na época liderando as pesquisas geográficas na antiga Divisão de Geografia. A principal marca de Preston James na Geografia brasileira vincula-se ao alargamento do conhecimento sobre os processos de ocupação no interior do país. no início dos anos 50. 1963) e pelo emocional ( seu casamento com a geógrafa do IBGE Regina Espíndola Rochefort. . A atuação de Rochefort no Brasil foi. apenas Pedro Geiger estava trabalhando com o tema na época. era uma questão que já preocupava alguns outros geógrafos e economistas tanto na Europa.Geiger. que estavam tomando proporções ainda não totalmente compreendidas. no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro. A influência de seus estudos no país ampliou-se a partir de 1964. em função da intensificação das preocupações do governo militar nas questões urbanas. Ainda hoje. é adotado por alguns geógrafos do IBGE. favoreceu a aceitação de seu método. professor emérito da Sorbone. ampliando suas ligações com o Brasil). que já se preocupavam com os altos índices de urbanização que parte do Brasil apresentava na segunda metade dos anos 60. possivelmente. enfatizando a análise do setor comercial e de serviços urbanos. Seu método de estudo sobre redes de cidades. Sua vinculação com Lysia Bernardes. introdutor dos estudos sistemáticos sobre redes urbanas no Brasil na década de 1960. é convidado a dar consultoria ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aulas na Universidade do Brasil. O enfoque no estudo dos fluxos materiais e de pessoas entre centros urbanos de uma determinada rede e de suas vinculações com a área rural produtora de bens agrícolas. Não tanto quanto Leo Waibel. é consultor de várias instituições européias. No início dos anos 60. propiciou uma forte ligação com Speridião Faissol. devido a poderosa influência de Michel Rochefort. Michel Rochefort (1928- ) geógrafo francês. presidente do Conselho de Administração do Instituto Francês de Urbanismo e professor visitante em universidades brasileiras. que foi rapidamente absorvido pelos geógrafos urbanos. que foi para Syracuse para doutorar-se em 1956 sob sua orientação. Foi um importante orientador de teses de pesquisadores brasileiros em Paris entre os anos 70 e 90.Sua atuação no IBGE. Muitos dos quais foram para cursos de aperfeiçoamento em universidades francesas. quanto nos Estados Unidos. mas mesmo assim fundamental para o progresso da Geografia feita no IBGE na década de 50. Seus primeiros contatos com a Geografia brasileira se dão em 1956.

A de Rochefort foi uma delas e foi importante no contexto do IBGE até a década de 70. que em 1933 tentou explicar teoricamente o princípio de ordem entre tamanho. O interessante desse processo é perceber que Michel Rochefort foi o último líder estrangeiro com carisma suficiente para influenciar várias gerações de geógrafos urbanos brasileiros. que formaram. Walter Christaller. uma nova abordagem passa a fazer parte das preocupações dos geógrafos urbanos / regionais do IBGE. Kohn. distância e padrão espacial de distribuição dos centros urbanos em determinadas regiões. se não deve ser comparada com Francis Ruellan em virtude das diferenças de condições vivenciadas por esses dois professores nos dois períodos em que operam no Brasil. . principalmente através de sua poderosa influência no sistema universitário francês. Sua influência. uma coletânea sobre Geografia Urbana. Nos Estados Unidos.Estudiosos como Von Thünen que em 1826 enfocou a relação entre distância das cidades às áreas de cultivo agrícolas. considerada clássica. Portanto. será imprescindível analisar a vida profissional alguns de seus melhores alunos e assistentes. posteriormente. Para que se possa avaliar a importância desses líderes formadores. quando aparentemente. foi editada em 1959 e nela já estavam muitos artigos que trabalhavam com a temática dos fluxos para o entendimento dos padrões espaciais que emergem deles (Mayer. o primeiro grupo de pesquisadores que passou a liderar academicamente a Geografia do IBGE. deve ser entendida como uma liderança que manteve-se forte apesar das novas orientações que passaram a vigir no IBGE nos anos 70/80. as preocupações acadêmicas de Michel Rochefort que chegaram ao IBGE no final dos anos 50 e percorreram toda a década de 60. 1959). eram uma das inúmeras facetas do processo de urbanização que estava ocorrendo em muitas partes do mundo no pós guerra e que estavam sendo motivo de releituras diferenciadas.

juntamente com Orlando Valverde. dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal em 1947. foi um dos fundadores. órgão que faria parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). o indicaram para um período de pesquisas no Brasil. foram enviados pelo IBGE para a Universidade de Winsconsin. organizando projetos em escalas nacional e regional que subsidiaram as ações do governo federal em termos de políticas de ocupação rural. Será necessário. a Estruturação das Lideranças Pioneiras Para que se tenha uma boa noção sobre quem estamos falando. posteriormente. tendo sido seu Secretário Geral. Cristóvão Leite de Castro foi o principal formulador dos estudos geográficos nas fases iniciais do IBGE. Deste segundo grupo foram pinçados os dez entrevistados. Em 1945. Esse conjunto de profissionais foi fundamentalmente composto por dois grupos distintos. juntamente com o grupo de Leo Waibel. Os Alunos e Treinandos que Tornaram-se Líderes da Velha Guarda Do grupo de jovens estudantes brasileiros que formou a Velha Guarda Ibegeana. apesar do caráter inescapavelmente arbitrário da escolha. Fabio foi considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração e seu trabalho sobre a divisão regional do Brasil em grandes regiões. geógrafo brasileiro especializado em planejamento regional. o depoimento de Cristóvão Leite de Castro dado à área da Memória Institucional do IBGE em 1994.Parte II Capítulo III – A “Velha Guarda” da Geografia do IBGE. lecionou na PUC RJ até seu falecimento. Participou também. Fabio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979). quanto no plano das estratégias de planejamento territorial do país. USA onde conheceram o professor Leo Waibel e. . portanto que se fale um pouco sobre eles. muitos já não estão mais conosco. pois alguns foram personagens importantes nas fases iniciais de construção de um corpo de conhecimentos geográficos sobre o Brasil. tanto no plano acadêmico. abertura de eixos de transportes e de urbanização. o dos professores e pesquisadores que vieram para o Rio de Janeiro objetivando formar e treinar profissionalmente estudantes que se dedicariam à profissão de geógrafo e o dos jovens estudantes que foram treinados e que se destacaram academicamente na profissão. em 1937 do Conselho Nacional de Geografia (CNG). excepcionalmente. migração. nove por Roberto Schmidt de Almeida no contexto desse trabalho e. Após sua aposentadoria do IBGE em 1968 . Muito embora não tenha exercido a profissão de Geógrafo. faremos uma breve apresentação sobre alguns profissionais de Geografia que tornaram-se líderes em suas especialidades e ou tiveram papel relevante no processo de gestão técnico-administrativo do órgão. via trabalhos e livros. foi oficializado pelo Governo Federal em 1941.

Seu interesse pela Geografia possivelmente tenha raízes no Pedro II. sempre atualizadas.Jorge Zarur (1916-1957). autor do mais completo dicionário Geológico-Geomorfológico editado no Brasil. o também geógrafo e Professor da UFRJ Antônio José Teixeira Guerra. lecionava também nas universidades Estadual do Rio de Janeiro e Fluminense. dois expoentes da moderna visão da Geografia como o estudo das relações espaciais entre fatos físicos e humanos e não a simples listagem de topônimos ou ordem de grandeza dos acidentes geográficos. e atualmente pela editora Bertrand Brasil. Foi um dos pioneiros da criação do IBGE ingressando em 1939 e partindo em 1943 para os Estados Unidos para pós-graduar-se em Wisnconsin e Chicago em Geografia Regional e Geografia de Campo respectivamente. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. agora com a co-autoria de seu filho. ajudando a criar um corpo de pesquisadores mais críticos que. ingressando no ano de 1940 e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). foi um dos alunos da primeira turma de Pierre Deffontaines na Universidade do Distrito Federal (UDF). ao longo da década de 1950. Antônio Teixeira Guerra (1924-1968) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. repentinamente aos 44 anos de idade e. José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) geógrafo brasileiro que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. Morreu prematuramente aos 41 anos. Foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). foram publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trabalhou em três linhas distintas: a Federal . Retorna dos Estados Unidos com uma nova visão sobre a pesquisa geográfica voltada para o planejamento de governo e organiza um programa de bolsas para enviar um grupo de geógrafos do IBGE para especializarem-se nessa nova visão da Geografia. Suas ações estabeleceram um equilíbrio entre as influências das escolas francesa e americana de Geografia no IBGE. além de geógrafo do IBGE. Lecionou no Colégio Pedro II. Foi chefe da Divisão de Geografia na segunda metade dos anos 50 e foi responsável pelo gerenciamento técnico da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e do Atlas Nacional do Brasil. O professor Antônio Guerra faleceu de problemas cardíacos. no ano de 1954. onde foi aluno de Fernando Raja Gabaglia e de Carlos Delgado de Carvalho. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). Suas edições posteriores. Universidade Católica e Universidade do Brasil. deram contribuições importantes à Geografia brasileira. Essa vinculação com Deffontaines se dá em virtude da necessidade de prepararse em Didática da Geografia para o exercício do magistério. Sua primeira edição. saiu sob o patrocínio da Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. no qual ingressou em 1945 e deixou uma imensa produção acadêmica. apesar de já ter feito o bacharelado no Colégio Pedro II entre 1929-1934.

Na década de 70 trabalhou em cargos de alta direção no IBGE até sua aposentadoria. foi a principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort. Lysia Maria Cavalcanti Bernardes (1924-1991). compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. lecionou tanto na graduação. Nilo Bernardes (1922-1991) geógrafo brasileiro. Faculdade de Arquitetura (Urbanismo) e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia (COPPE). a geografia geral para educação ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. juntamente com Alceu Magnanini. posteriormente. Walter Alberto Egler (1926-1961).Cabo Frio. Dedicou-se aos estudos regionais da região norte do Brasil com ênfase nos recursos minerais e na hidrografia amazônica. Lúcio de Castro Soares (1909-1986) geógrafo brasileiro especializado em estudos regionais da Amazônia. tendo trabalhado no Departamento de Geografia. Faleceu de infarto num vôo de trabalho do INIC sobre o estado do Amazonas. quanto na área de pós-graduação. Morreram tragicamente em acidente rodoviário no trajeto Rio de Janeiro . Foi um dos primeiros alunos do curso de Geografia organizado por Pierre Deffontaines no Rio de Janeiro. para o Museu Nacional para dedicar-se exclusivamente ao estudo de vegetação. Em 1952 transfere-se. que teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições. engenheiro agrônomo que especializou-se em Fitogeografia. na instância federal e no governo do Estado do Rio de Janeiro. Morreu em 1961. No IBGE. na fronteira entre Pará e Amapá durante os trabalhos de levantamento florístico do vale do Jari. Juntamente com seu marido. o também geógrafo Nilo Bernardes. nas décadas de 1970 e 1980. formavam um dos mais dinâmicos casais da Geografia brasileira. Na UFRJ. em 1945 vai para a Universidade de Chicago estudar Geografia Regional. foi contratado pelo IBGE em 1940. Seus importantes trabalhos nesta linha de pesquisa a conduziram. no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944 –1987 ) e em organismos internacionais como o Instituto . a partir do final dos anos 50 e durante toda a década de 1960. para níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro: cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior. especializada em planejamento regional e urbano. transfere-se para Belém (PA) trabalhando no museu Emílio Goeldi. ao cair de barco na cachoeira Macacudra. geógrafa brasileira.geografia agrária e os processos de colonização. especializado em Geografia agrária e processos de colonização que teve sua vida profissional dividida entre a pesquisa. Ingressou no IBGE em 1943 participando do núcleo inicial de pesquisadores em Biogeografia. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944–1975) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959-1977). no rio Jari. Especializa-se no estudo da vegetação amazônica e.

engenheiro civil formado em 1928. Nesta seção trabalharam também Fábio de Macedo Soares Guimarães. Após um período de cinco anos na iniciativa privada. foi o embrião do futuro Conselho Brasileiro de Geografia instalado em 1937 e substituído em 1938 pelo Conselho Nacional de Geografia. que apresenta suas principais informações. principalmente as que recordaram relações profissionais e estruturações de linhas de pesquisa que foram decididas nos anos iniciais do IBGE. Os Depoentes O próximo grupo é composto pelos profissionais que deram seus depoimentos para o projeto. na criação de uma seção de Estatística Territorial. Organizou os trabalhos de preparação cartográfica municipal para o censo de 1940 dentro das determinações estipuladas pelo Decreto Lei 311 de março de 1938. portanto cobrindo todo o período do Estado Novo de Getúlio Vargas. a também geógrafa Lysia Bernardes. Jorge Zarur e outros. Segue-se um comentário sobre algumas passagens relevantes de seus respectivos depoimentos. na forma de verbete. Para cada profissional foi elaborado um breve texto. que juntamente com o Conselho Nacional de Estatística passaram a formar o IBGE. . 14 capítulos de coletâneas. Miguel Alves de Lima. além de atlas e livros ditáticos. Orlando Valverde. facilitando o entendimento do encadeamento dos fatos nos primeiros anos de estruturação do IBGE. Instituto Nacional de Estatística e que foi instalado solenemente em 29 de maio de 1936. A transferência dessa seção de Estatística Territorial do MA. Cristóvão chefiou a Secretaria Geral do CNG até 1950. Foi professor titular do Colégio e da Faculdade Pedro II e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). tanto no Brasil. que dispunha sobre a divisão territorial brasileira. também chamado de lei geográfica do Estado Novo.Panamericano de Geografia e História e a docência no ensino médio e superior. Suas atividades de pesquisa geraram sete livros. Cristóvão Leite de Castro (1904 ). Morreu tragicamente em desastre automobilístico em 1991. foi trabalhar em 1933 no Ministério da Agricultura chefiado por Juarez Távora. passando assim a fazer parte do acervo da Memória Institucional do IBGE. 52 artigos em revistas geográficas. como no exterior. A seqüência de apresentação acompanhou a cronologia de ingresso no órgão. juntamente com sua esposa. para o já criado legalmente em julho de 1934. além de ser um excelente conferencista e organizador de cursos de especialização.

em virtude da ampliação das queimadas na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. A parte mais importante cobre o processo de institucionalização da Geografia. pois Cristóvão foi um dos principais atores desses acontecimento. o processo de institucionalização da área de Geografia e sua gestão no CNG e a sua atuação na direção da Companhia do Teleférico do Pão de Açúcar após sua saída do IBGE. sua trajetória pessoal até o IBGE. Seu depoimento dado a Laurinda Rosa Maciel e Severino Bezerra Cabral Filho. foi roteirizado por Márcia Bandeira de Mello Arieira (Estatística) e Aluízio Capdeville Duarte (Geógrafo).doc do editor de texto Word da Microsoft. via fazendas de gado de corte. Leo Waibel. Comentários ao depoimento A longa entrevista de Cristóvão cobre três áreas da memória. Foi. transcritas para cinco arquivos . Aos 83 anos. geógrafo brasileiro especializado em Geografia Agrária e profundo conhecedor da região amazônica. De volta ao IBGE. Viabilizou financeiramente a Revista Brasileira de Geografia e o Boletim Geográfico. o principal divulgador de suas pesquisas.Auxiliou na coordenação da instalação do primeiro curso superior de Geografia na Universidade do Distrito Federal. tornando-se um dos mais fortes críticos do modelo de ocupação. garantindo condições materiais de pesquisa para Pierre Deffontaines desde 1936. são considerados clássicos. Em 1945. passou a estudar o processo de ocupação da Amazônia. publicações organizadas por Deffontaines para difundir os estudos geográficos do IBGE e participou intensamente dos projetos organizados por Mário Augusto Teixeira de Freitas e José Carlos Macedo Soares durante todo este período. A partir da década de 1960. quanto à execução dos grandes projetos em que a Geografia de planejamento de governo tomou parte. através da estrutura já existente do Conselho Nacional de Estatística e enviando para a universidade os funcionários interessados em Geografia. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães foi estudar em Winsconsin. Orlando Valverde (1917). Seus trabalhos sobre os diferentes tipos de agricultura e colonização no Brasil. que foi convidado a trabalhar no IBGE como consultor. tornou-se um dos assistentes de pesquisa de Leo Waibel e. é o mais velho geógrafo em atividade . Aposentou-se do IBGE em 1982. funcionários da área de Memória Institucional do IBGE em 1994. Está dividido em cinco fitas magnéticas. tanto no que se refere a planejamento. posteriormente. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao ser contratado em 1938. onde conheceu o Prof.

junto com os órgãos de Estatística também estaduais.. justamente a época de implantação do órgão. independente de seu conteúdo autoritário. que a meu ver. Um exemplo significativo refere-se a regulamentação do decreto-lei 311 de 02/03/1938 que dispunha sobre a divisão territorial do país. por Cristóvão Leite de Castro. Valverde ressalta justamente o grupo de professores e pesquisadores que vieram entre 1935 e a década de 60. do qual mais tarde Valverde seria seu principal assistente e após sua volta aos Estados Unidos (1950) e posterior falecimento (1951). como no caso de Leo Waibel. a influência para criar serviços de Geografia nos estados. iniciou sua carreira em 1938 como desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. estabelecendo convênios com universidades estrangeiras para o envio de técnicos do IBGE e contratando professores. marcando claramente com Michel Rochefort e Jean Tricat (anos 60) o final do período considerado por ele como o mais produtivo e de melhor qualidade. o que já pode haver hoje. ministrando cursos em universidades e dando consultorias para órgãos de governo e empresas. Ressalte-se também sua admiração e respeito pelos profissionais que organizaram e gerenciaram os processos de fundação e estruturação inicial do IBGE. área que foi transferida em 1939. e mais. principalmente no que concerne ao período do Estado Novo. Outro ponto interessante está relacionado com uma visão positiva e nacionalista do ciclo Vargas... Até a nomenclatura de norte a sul do país não podia haver dois municípios homônimos. quando comparada ao período pós 1968. ”conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. quando assumiu cargos .. o mais fiel divulgador de seus trabalhos.. Trabalhou em Geomorfologia até a década de 60. Christóvão foi uma figura chave na política de treinamento do pessoal técnico organizando cursos. principalmente nas figuras do estatístico Teixeira de Freitas e de seu principal colaborador na criação da área de Geografia... para estruturar o núcleo original do futuro IBGE.no Brasil.. quando. daquela vez era taxativa a obrigatoriedade em fazer mapas dos municípios.. o engenheiro e estatístico Christóvão Leite de Castro. não tinha base de conhecimento do território brasileiro”. O primeiro deles refere-se a defesa intransigente da qualidade de ensino e pesquisa referenciada aos primeiros anos de estruturação do IBGE. Miguel Alves de Lima (1921) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. Foi aluno de Francis Ruellan no IBGE e de André Cholley e Jean Tricart na Universidade de Paris. ”entrou outro grupo na orientação da Geografia do IBGE. Comentários ao depoimento Alguns pontos marcantes merecem ser analisados no depoimento de Orlando Valverde. tudo aquilo tinha uma importância enorme”.

introdutor das técnicas quantitativas na Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na década de 1970. deveria haver outro grupo de pesquisadores que seriam orientados para o estudo regional voltado para o planejamento. Miguel trata também das ações de aperfeiçoamento nos Estados Unidos dos primeiros geodesistas e cartógrafos do IBGE. tal qual algumas universidades americanas estavam fazendo. Miguel Alves de Lima foi um dos pioneiros na organização do IBGE. perfeitamente sintonizados com todas as novas tendências da Geografia. equilíbrio que serviu para criar um corpo de pesquisadores no IBGE com boa base crítica. Sua ida para a Universidade de Paris em 1947. a americana. Foi o primeiro geógrafo . Porém. Comentários ao depoimento Da mesma forma que Orlando Valverde. O grupo dos cinco que seguiram em 1945 foi a concretização das idéias de Zarur em equilibrar a influência hegemônica francesa com uma outra visão. A organização das excursões de campo no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1956 no Rio de Janeiro foi outro ponto relevante no depoimento. no qual ingressou em 1941. para estudar com André Cholley e Jean Tricart foi resultado de seus estudos em Geomorfologia entre 1941-1942. Outro ponto relevante foi sua participação na composição do segundo grupo de geógrafos do IBGE que receberam bolsas de aperfeiçoamento em universidades francesas. Finalmente falou sobre suas experiências como professor e adido cultural no Uruguai e no Peru e como diretor da área de Cartografia do IBGE nos anos 70. tendo sido durante muitos anos diretor da área de Cartografia e Geodésia. um ponto interessante do seu depoimento revela a importância da figura de Jorge Zarur no processo de inflexão que ocorreu nos objetivos da Geografia do IBGE nos anos 40. assim como foram descritas as boas relações do IBGE com as universidades brasileiras para que o Congresso tivesse êxito. Processo que equilibrou a influência das duas escolas geográficas que orientaram a Geografia do IBGE a francesa e a americana. A ida de Zarur para Wisconsin em 1943 e seu trabalho com Clarense Jones serviram para esquematizar que. principal gestor do processo de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). por conta disso fica patente também a admiração e o respeito por Cristóvão Leite de Castro.de alta direção no IBGE. Speridião Faissol (1923-1997) geógrafo brasileiro. Lecionou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e foi adido cultural no Uruguai e no Peru. Integrante da primeira geração de geógrafos do IBGE. sobretudo dando consultoria para projetos do governo de Franklin Delano Roosevelt. orientado por Francis Ruellan durante sua estada no IBGE.

A influência de Zarur na carreira de Faissol é perfeitamente demonstrada. quando da orientação para a escolha do curso de Geografia em detrimento do de Direito por indicação direta de Zarur. docência em várias instituições de ensino de pós-graduação. sua relação com Preston James que viria garantir seu doutoramento em Syracuse.ibegeano a se doutorar na Universidade de Syracuse sob a orientação do professor Preston James em 1956. até por conta de um melhor equilíbrio entre metodologias e áreas de especialização. contrariamente ao forte relacionamento entre a Geografia brasileira e a francesa. quanto na esfera profissional. Comentários ao depoimento Speridião Faissol. Sua primeira linha de estudos nos anos 40 e 50 estava orientada para os processos de colonização e de ocupação econômica do território brasileiro. utilizando-se do novo arsenal de técnicas estatísticas que a informática a agora colocava à disposição dos geógrafos. assim com seu cunhado Jorge Zarur. Ambos foram estudantes de pós-graduação em universidades americanas e se titularam oficialmente. Sob sua direção e auxiliado por Antônio Teixeira Guerra na chefia da Divisão de Geografia foi editada a coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Faissol intensificou sua proficiência na língua inglesa o que garantiulhe o convívio com o restrito grupo de treinandos de Leo Waibel (1945-1950) e. ocupou cargos de alta direção. Faissol com doutoramento em Syracuse e Zarur com um mestrado em Winconsin e um curso de aperfeiçoamento em Chicago. Nos últimos anos da década de 70 assume a Diretoria Técnica do IBGE até 1979 com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE. foram personalidades polêmicas na comunidade geográfica do IBGE. No final dos anos 60 passa a dedicarse ao estudo da urbanização/industrialização brasileira. Durante o período de Juscelino Kubitschek e com o IBGE sob a direção de Jurandir Pires Ferreira. Aposentou-se em 1986 e passou a dedicar-se ao ensino superior. exercia a . Até o seu repentino falecimento em 1997. No IBGE. pois ao ingressar no IBGE em 1941. Este movimento acadêmico ficou conhecido como Geografia Quantitativa e teve no professor Faissol o seu principal incentivador no Brasil. posteriormente. Na década de 70 assume a liderança técnica da Geografia Urbana do IBGE orientando pesquisas e criando bases de dados que até hoje são referências nos estudos da urbanização brasileira. Ambos sempre advogaram uma maior relação com a Geografia anglo-saxã. tanto no campo familiar através de seu casamento com a irmã de Jorge Zarur. como Secretário Geral do CNG e chefe da Divisão de Geografia no período entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira metade dos anos 60. Faissol assume o cargo de Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia. Possivelmente. além do Atlas Nacional do Brasil. o estudo da língua inglesa também tenha sido fruto da influência de Zarur.

No final dos anos 70 e durante toda a década de 1990. Faissol retorna a liderar academicamente a Geografia do órgão. dando lugar a Lisia Bernardes. principalmente as do IBGE. principal figura do grupo que trabalhava com Fábio de Macedo soares Guimarães. Comentários ao depoimento Uma questão que sempre emerge na maioria dos depoimentos de profissionais que relembram suas trajetórias de trabalho. embora alguns dos antigos companheiros também se mostraram refratários às técnicas. cartógrafo brasileiro especializado na organização de atlas geográficos e cartografia temática orientada para aspectos geográficos onde o físico e o humano apresentam-se vinculados. precursores dos atuais programas de mapeamento automatizado e sistemas geográficos de informações. o depoimento de Speridião Faissol tornou-se uma avaliação sobre esses tempos conturbados porque passou a Geografia brasileira. chegando ao posto de Diretor Técnico do IBGE. Em 1942 ingressa no IBGE e em 1946 vai para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento. Sob este contexto. vincula-se aos períodos de grande indecisão que antecedem às escolhas profissionais. baseados em estudos com grande base estatística e matemática. Para Rodolfo Barbosa. Na década de 1970. A motivação inicial era a cartografia naval. os métodos quantitativos na Geografia foram alvo de duras críticas vindas de grupos de geógrafos. Neste processo. por pressão da família. majoritariamente de esquerda. indo trabalhar numa empresa de cartografia e aerofotogrametria alemã. que foram uma marca registrada da Geografia do IBGE no período. introduzindo os novos métodos quantitativos. Rodolfo Pinto Barbosa (1927). dirigiu a área de Cartografia nos anos 60 e foi coordenador da maioria dos atlas editados pelo órgão entre 1955 e 1990. Sua obra sobre metodologia cartográfica abrange dezenas de artigos em revistas especializadas. acumula também cargos de alta direção. editorando atlas em mídia eletrônica. no último ano. Ocupou diversos cargos de chefia técnica na área cartográfica do IBGE e coordenou inúmeros atlas de enciclopédias editadas no Brasil. via curso de oficial de náutica na Marinha Mercante. Descreve as fases iniciais do esforço do governo brasileiro. Rodolfo Barbosa muda de área de trabalho mas não de especialidade. no qual ingressou em 1942. Foi um dos primeiros cartógrafos temáticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). com a saída de Lisia para outras esferas do governo federal. com o Exército e IBGE trabalhando juntos na campanha de cartografação dos mapas para o censo . Atualmente trabalha em consultoria. a decisão envolveu muito mais uma escolha de ambiente de trabalho do que o trabalho em si. pois o período da escolha coincidiu com atos de beligerância da Alemanha contra navios brasileiros.Nos primeiros anos do período militar (governos de Castelo Branco e Costa e Silva) a figura de Speridião Faissol deixa o primeiro plano da Geografia do IBGE.

Geografia e Cartografia. Comentários ao depoimento Uma questão importante levantada por Pedro Geiger foi sua percepção de vinculação com o poder (Presidência da República).demográfico de 1940 e no projeto de continuação da cartografação do território brasileiro na escala de 1:1000 000. após a primeira guerra. ultrapassa 70 títulos entre livros e artigos em revistas especializadas. a estruturação das principais linhas de poder acadêmico e administrativo do IBGE até o . que os primeiros chefes da Geografia do IBGE (Christóvão Leite de Castro. a forte relação entre o Brasil e Estados Unidos no campo da Geodésia e Cartografia. posteriormente. Barbosa descreve a importância que teve a Cartografia européia nos anos vinte. Em 1963 publica dois trabalhos. paulatinamente. nunca deixou de ser seu principal campo de ação. Pedro Pinchas Geiger (1923) geógrafo brasileiro. com a vinda de militares austríacos especializados e. Sua especialidade posterior no IBGE. O livro Evolução da Rede Urbana Brasileira e o artigo sobre a industrialização da região sudeste do Brasil na Revista Brasileira de Geografia do IBGE. foi também descrita com muitos detalhes. aos 19 anos de idade. profissionais de Estatística. chefiava a Divisão de Atlas do Departamento de Geografia. atividade que ainda hoje exerce sob forma de consultoria para empresas privadas ou órgãos de governo. área que sempre apresentou grande afinidade com os estudos geográficos. como resultado dos avanços tecnológicos ocorridos durante a segunda guerra. Foi um dos principais pesquisadores da segunda geração do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). determinação da União Geográfica Internacional para todos os países membros e iniciada pelo Clube de Engenharia nos anos 20 e reitera aqui o “espírito de missão” que era corrente no período. O volume de sua obra hoje. Inicialmente trabalha na área de Geografia física e. ao ingressar no órgão em 1942. além de justificar a importância de estarem no mesmo órgão. Na década de 1950 inaugura uma nova linha de pesquisa que enfocava as transformações econômico-sociais ocorridas nas áreas rurais periféricas a grandes centros urbanos. especializado em Geografia urbana e industrial. a elaboração de Atlas. Aposentouse do IBGE em 1986 e atualmente trabalha como consultor e professor em cursos de pósgraduação. Para Geiger. Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares) demonstravam possuir no início dos anos 40. Nos anos anteriores à sua aposentadoria. vai orientando suas pesquisas para os campos da urbanização e da industrialização. A coordenação para elaboração de Atlas. que até hoje são considerados clássicos na Geografia brasileira. exemplificando com estudos no Estado do Rio de Janeiro.

tanto no IBGE quanto em instituições vinculadas à Ecologia. Seus trabalhos sobre os processos de ocupação rural-urbana desenvolvidos na Baixada Fluminense entre 1951 e 1953 são os exemplos mais característicos. das influências dos antigos professores e o início de pesquisas que envolviam outros componentes econômico-sociais que até então não eram objeto de estudos mais sistemáticos. Para Geiger a Geografia Sistemática de objetivo social inicia nos anos 50. Comentários ao depoimento O depoimento de Edgar Kulman mostra o lado da Geografia no processo de criação de um conjunto de profissionais de diferentes disciplinas que desenvolveram os estudos de Biogeografia no Brasil. Alfredo Porto Domingues e Fernando Segadas Vianna. a constituição do grupo inicial de Biogeografia no IBGE era composta majoritariamente . Foi o principal organizador das propostas curriculares de Biogeografia nas universidades brasileiras nos anos 60. participante do primeiro grupo de pesquisadores em Biogeografia no IBGE. Pedro Geiger engaja-se no movimento de renovação da Geografia chamado Métodos Quantitativos ou Geografia Quantitativa. a vinda de Pierre Dansereau. Antônio Teixeira Guerra. que vigorou fortemente no IBGE e no Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista UNESP de Rio Claro. ingressam no IBGE em 1942. No entanto. ainda cursando o bacharelato na Universidade do Brasil sob a orientação de Ruellan. Em 1946. são resultantes das interações e conflitos que acompanharam as vidas profissionais desses geógrafos. E finaliza com uma análise das atuais relações entre o IBGE e a Universidade no campo da Geografia. Avaliou também com muita acuidade o projeto de ocupação territorial do governo Vargas e o papel representado pela Geografia do IBGE neste projeto.final dos anos 60. Um outro ponto importante em seu depoimento foi a percepção do período de “emancipação acadêmica” dessa geração. biogeógrafo canadense que introduziu no Brasil os primeiros estudos sistemáticos de Ecologia e Biogeografia ampliou os horizontes de Kulman e Dora que em 1947 foram para o Canadá para cursos de aperfeiçoamento. Ele analisa com muita sensibilidade as fases transicionais da Geografia anterior para a quantitativa e as fases posteriores. sob influência marxista. Walter Egler. Em 1943 o grupo se amplia com a chegada de Alceo Magnanini. Ele e Dora Romariz estudaram o bacharelado de Geografia na Universidade do Brasil sob a orientação de Francis Ruellan e foram colegas de turma de Elza Keller. Kulmann exerceu funções de direção e de magistério. Na década de 70. Edgar Kullmann (1928 ) geógrafo brasileiro. Juntamente com Dora Amarante Romariz.

a opção conciliatória pela História Natural que acabou desaguando no IBGE onde. região onde fixou residência permanente. Aposentou-se do IBGE em 1986 . Fernando Segadas Vianna e Alfredo Domingues). a inicial até os anos 60 e posteriormente no final da década de 70 até sua aposentadoria em 1985. participando de organizações ecológicas editando jornais e dando consultorias à diferentes órgãos municipais. considerado um dos mais importantes geomorfólogos do país. Atualmente sua atuação está voltada para a conservação ambiental da área que abrange os municípios de Resende. coordenando estudos sobre movimentos de solo nas encostas da Serra do Mar no início da década de 1970. acompanhou o surgimento da Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do IBGE e a instalação da Reserva Ambiental do Roncador em Brasília. pertencente ao IBGE e que estuda a ecologia do cerrado. Paralelamente. Alfredo José Porto Domingues (1921) geógrafo brasileiro. onde misturaram-se o desejo pessoal pela Geologia com a pressão familiar contra a ida para Ouro Preto. Além da pesquisa. outro importante formador de profissionais em Geomorfologia. o principal mestre de Geomorfologia da segunda geração de geógrafos do IBGE. Walter Egler. sob a influência de Francis Ruellam. participando do grupo que iniciou os estudos de Biogeografia. Comentários ao depoimento Um ponto interessante no depoimento de Alfredo P. editados pelo IBGE. foi o passaporte para seu ingresso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1943. Foi enviado para França para se especializar com Jean Tricart. Sua segunda fase no IBGE. Sua vida profissional divide-se entre o magistério numa instituição de ensino ligado a Igreja Metodista e a pesquisa botânica no IBGE em duas etapas distintas. Itatiaia. refere-se ao processo de escolha profissional. partindo de uma sólida base dada pela História Natural. Domingues. Sua participação nos capítulos de Geografia Física da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. . Nessa fase. publicada pelo IBGE. é considerada até hoje um dos melhores trabalhos sobre o assunto no Brasil. Penedo e Visconde de Mauá.por engenheiros agrônomos e bacharéis em História Natural (Alceu Magnanini. área que ganharia importância no final dos anos 80. lecionou em várias instituições de ensino superior do Rio de Janeiro e foi autor de dezenas de artigos e capítulos de livros sobre a Geomorfologia do Brasil. Sua formação inicial em História Natural. coincide com a preocupação da área de planejamento nas questões relacionadas ao meio ambiente e a biodiversidade. Alfredo Porto Domingues foi um pioneiro nos estudos de geo-ecologia. seu interesse pela Geomorfologia foi ampliado pela orientação de Francis Ruellan. finalmente vinculou sua antiga aspiração de Geologia com os estudos de Geomorfologia.

introdutor da “Geografia Agrícola”. juntamente com Walter Alberto Egler para o Museu Nacional e posteriormente vai para o Jardim Botânico. A partir de então ocupou cargos de chefia em projetos técnicos ou em áreas administrativas em órgãos como Conselho Florestal Federal. (1927). engenheiro agrônomo. em função da liderança técnica de Francis Ruellan. Parque Nacional da Tijuca. dos diferentes ciclos de prestígio/desprestígio/prestígio por que passou a Geografia Física no IBGE nos seus mais de 60 anos de existência. que introduziram a componente ambiental na agenda de pesquisas do órgão. Alceu Magnanini. atualmente trabalha na Divisão de Avaliação Ecológica da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. que dedicou-se aos estudos botânicos e a Ecologia ainda na universidade. por outro lado. Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza. Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis. influenciado por Girolamo Azzi. A fase de prestígio retorna em meados dos anos 80 com a absorção pelo IBGE das equipes técnicas do Projeto Radam. introdutor dos estudos de . Novas demandas por parte do governo federal solicitando grandes diagnósticos econômico-ambientais abriram novas perspectivas para a Geografia Física do IBGE. que nos anos de 1945-47 foram orientados pelo biogeógrafo canadense Pierre Dansereau. Em 1952 transfere-se. Analisou também a importância da vinda do biogeógrafo canadense Pierre Dansereau . os dois períodos mais significativos de desprestígio ocorreram na segunda metade dos anos 60. Avaliou com muita segurança as diversas etapas de criação do grupo enfocando a liderança de Fernando Segadas Vianna na constituição do núcleo inicial e narrando os acontecimentos da transferência de Segadas Vianna para a universidade. Ingressa no IBGE em 1943 juntamente com Alfredo Porto Domingues e Walter Alberto Egler. em 1956 transferiu-se para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura. Comentários ao depoimento A questão mais importante levantada no depoimento de Alceu Magnanini refere-se ao processo de criação do primeiro grupo de pesquisadores do meio-ambiente que o IBGE tentou formar no início dos anos 40. Para Alfredo Domingues o período de maior importância da Geografia Física situa-se nos primeiros 15 anos. Foi um dos organizadores do código nacional florestal de 1965 e diretor da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza a primeira Organização Não Governamental (OGN) de grande porte no Brasil fundada em 1958. lá já estavam Edgar Kullmann e Dora Amarante Romariz. Tendo participado de todos os processos de ação governamental na área ambiental brasileira. Esse grupo foi o núcleo inicial dos estudos de Biogeografia no IBGE. quando o principal objeto da Geografia do órgão voltou-se para a Geografia Urbana e para a regionalização econômica e se intensificaram nos anos 70 com a priorização dos métodos quantitativos nos segmentos econômico-sociais (urbano e agrário).Outra questão importante está referenciada à sua visão pessoal.

em agrária. Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). em 1947. Seu retorno ao . a influência de Michel Rochefort nos estudos de Geografia urbana a alcança na Faculdade de Rio Claro (SP). com pós-graduação na universidade de Montpellier na França. juntamente com a Geografia agrária. assunto que. coordenando estudos sobre classificação de tipos de cultivo e mapeamento de utilização da terra no sul e sudeste do país e. É dessa época o seu trabalho sobre a área de influência de Campinas. estudando a área de influência de Campinas. trabalhando com migrações internas. Nos anos 60 foi professora universitária na Faculdade de Rio Claro (SP). para onde havia se transferido para lecionar.Biogeografia no Brasil. Tal processo se intensifica ao longo dos anos 60 e somente mostra recuperação nos anos 70 com a criação da Superintendência de Recursos Naturais (SUPREN) e se amplia com a absorção das equipes técnicas do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) na segunda metade dos anos 80. A década de 50. De volta ao IBGE. hoje pertencente a UNESP. além de ter coordenado um atlas do estado do Maranhão. amplia seus horizontes profissionais. que o geógrafo do IBGE José Veríssimo da Costa Pereira a convidou para trabalhar no órgão. O processo de escolha profissional pela Geografia ainda em Campinas e a mudança para o Rio de Janeiro em 1942 para continuar o segundo ano na Universidade do Brasil sob a liderança de Pierre Ruellan. A influência de Ruellan foi decisiva em sua carreira. desde 1945. o período mais produtivo em virtude do engajamento do IBGE em grandes projetos como a preparação do Congresso Internacional de Geografia de 1956 no Rio de Janeiro. em Geografia da população. onde formou vários especialistas em Geografia Agrária e em População. População e Urbana. foi a seu ver. o mais importante “chefe de escola” da Geografia brasileira. Comentários ao depoimento Pelo menos nove foram as principais referências que pudemos sintetizar no denso depoimento da professora Elza Keller. além de coordenar a organização do Atlas do Estado do Maranhão até sua aposentadoria em 1986. Sua ida em 1946 para a universidade de Montpellier na França. pois foi indiretamente por sua indicação. Elza Coelho de Souza Keller (1924) geógrafa brasileira que trabalhou em três áreas da Geografia: Agrária. Sua volta coincide com sua primeira chefia técnica e com o direcionamento de sua especialização em Geografia da população. a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o Atlas Nacional do Brasil editados em 1958. Alceu narra também sua transferência. principalmente na região sudeste e sul. Sua obra cobriu aspectos importantes da geografia brasileira. trabalhando paralelamente em Geografia urbana. do IBGE para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura por perceber que já não estava havendo apoio aos estudos botânicos por parte do IBGE. como parte do segundo grupo de geógrafos do IBGE indicados como promissores na carreira. dando aulas na universidade e pesquisando no IBGE entre 1945-46. foram seus campos de estudos mais regulares. retomou suas pesquisas. Na década de 60.

terminando sua trajetória profissional com o Atlas do estado do Maranhão. Após um entendimento das principais linhas do pensamento geográfico que dominaram o cenário geográfico do IBGE. Durante os anos 70 realiza alguns estudos com os métodos quantitativos e posteriormente passa a trabalhar na coordenação temática de alguns Atlas.IBGE acontece em 1967 para trabalhar com Geografia agrária e da população. . através de seus depoimentos orais. além de seus organizadores iniciais e seguidores que gerenciaram a área por mais de quarenta anos. É fundamental que se acompanhe o processo de formação profissional desses funcionários públicos.

tanto em seus depoimentos orais. O capítulo I revela um pouco das atribulações e prazeres vividos pelo pesquisador e seus entrevistados no decorrer do trabalho. os meandros dos procedimentos de engajamento em projetos. A saga da Geografia no IBGE está fortemente marcada por profissionais que passaram por essas etapas. de certa forma auxilia o entendimento da evolução da produção intelectual do profissional pesquisado. Este cotejo é interessante pois. O capítulo III apresenta.O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução Uma Experiência de História Oral O longo processo de formação de um profissional de nível superior está quase sempre marcado por três grandes etapas que seguem uma cronologia determinada: o período de escolha da carreira e seu primeiro contato com o ambiente universitário. métodos de trabalho ou mesmo pessoais. Principalmente. como foi possível perceber. principalmente quando não se tem acesso ao curriculum-vitae do entrevistado. quando essas escolhas. a descoberta da pesquisa geográfica durante as fases finais do curso e o ingresso no ambiente de pesquisa via um estágio profissional e o desenvolvimento da carreira de pesquisador no contexto de trabalho. tomados aqui como referência para o entendimento da evolução da pesquisa geográfica no órgão. vistas posteriormente numa perspectiva inversa (do presente passado) foram decisivas para o entendimento do quadro atual da Geografia do IBGE. O capítulo II inicia a marcha evolutiva do processo de formação elegendo alguns procedimentos de escolha de carreira que ocorreram com alguns dos geógrafos entrevistados. para o . quanto na verificação da cronologia de suas obras publicadas em periódicos e monografias do IBGE. A preocupação mais importante desta parte do trabalho é a de explicar como se deu o processo de formação profissional de alguns geógrafos do IBGE.Parte III . de maneira semelhante ao II. que levaram alguns geógrafos a manterem-se firmes na escolha inicial ou a mudarem de rumo nos diferentes campos do conhecimento geográfico. incluindo aí os cursos de pósgraduação e especialização profissional. em virtude do interesse demostrado pela direção da área de documentação do órgão. as afinidades e antipatias por temas. processo que possivelmente ainda continuará.

os participantes e as referências bibliográficas resultantes. .É o capítulo que explora algumas configurações da arena de trabalho da pesquisa geográfica num órgão de planejamento territorial do governo federal e seus principais direcionamentos metodológicos de investigação. utilizando-se de uma pesquisa de trabalhos de campo que opera com o tema e o local da pesquisa. Presta também uma homenagem aos que tombaram no caminho. mas deixaram suas respectivas marcas de produtividade e qualidade em seus trabalhos.

A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de serem repetitivos. Aluísio Capdeville Duarte. no primeiro momento. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. que faleceu em 1997. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. essa abordagem poderia ser frutífera. Orlando Valverde. ou segmento de conhecimento geográfico. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. No caso da Geografia do IBGE. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. Gelson Rangel Lima). 1998). 1989). 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. além disso. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto.Capítulo I . É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. em termos materiais.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. 1988). A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. Speridião Faissol. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. pois além de possuir um acervo documental enorme. Portanto. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. . alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. em virtude do alto custo das transcrições. 1997) e. visto que seria impossível. já havia uma base consistente.

nem como mecanismo de . Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. Harvey Perloff e outros. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. Para Orlando. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. opiniões ou testemunhos factuais. Walter Isard. 1941 e 1949). algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. Nessa época. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA . mas não a enxerga como ferramenta de planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola.No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. após o golpe militar de 1964. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico.Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. 1948). somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. desde sua fundação. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. que todavia. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. pois vinculava-se o conhecimento do território. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica.. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. Durante o processo de coleta de depoimentos.

que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo.implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. Walter Egler. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. foram. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. quando foram para o Canadá para especialização. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. por de sua visão de pesquisa e ensino. Também através desses depoimentos. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. na visão de Alceu. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. A importância da Biogeografia e da noção. tanto pela documentação. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. que só se manteve unido. possivelmente. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. Egler e Alceu do IBGE. quanto pelos depoimentos. Uma outra questão crucial pode ser percebida. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Neste caso. resultados desse fracionamento. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. No entanto.

após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. Isso acarretou uma reviravolta. o prof. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. foi uma crise braba. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. da espinhosa questão. ao longo dos anos. foi um assunto que.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. quando Faissol. somente Speridião Faissol. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia.. de maneiras diferenciadas. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. Eu era solidário com o Orlando e tal. aquela coisa. matemático. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. fiquei lá meio solto. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. mas acabei aceitando. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente.. ao voltar do doutoramento em Syracuse. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. tornou-se quase mitológico. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. o Miro era secretário e assistente do Fábio. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. Jurandir Pires Ferreira. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações . era engenheiro. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. com a criação do Departamento de Geografia. A evolução da carreira de Speridião Faissol. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. sem sombra de dúvidas. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller." Eu tive algumas dificuldades." A maior parte do pessoal se demitiu. etc. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. Este.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951).

daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. Nilo. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. indústria.. entre a geografia física e geografia humana. uma derrubada. da década de 50 e 60 toda. n. mas Elza fez menos. eu não sei.. era um número pequeno. que eram meio pessoais. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). então eu acho que foi mais isso. geógrafos. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. a falta de geógrafos físicos. eu percebi esse divórcio em l970. então você vê. Galvão a RSA) . Ney Strauch.. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza.... na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação... você tinha Geiger. Catarina. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. a meu ver. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. quer dizer. agora na geografia humana você tinha Faissol.gerenciais de porte. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. conhecido como DEGEO. você tinha n. Lisia. Fany.. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. Roberto Lobato. . havia não sei porque. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. passada aquelas raivas.. clima e vegetação em resposta a esta questão . Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. voltei eu e ficou naquele negócio. aqueles ódios. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. (RSA) “ Mas isso. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. da estatura do Alfredo você não tinha outro. depois era Elza. então eram três.grupo Zarur x Grupo Fábio.Como a Senhora viu a questão de um divórcio... Mas. as causas foram anteriores à decada de 70. ela fez mais com os estudos de população. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. uma situação e que é estranha.. veio a Revolução. n..” (Depoimento de Marília V. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. urbana sobre as de relevo. é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. “. Isso era AGB e era IBGE. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. mas ao que me parece.

que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. O reconhecimento. aguardar alguma novidade vinda de fora. foi o principal emulador de uma integração. por parte da maioria dos geógrafos. questões ideológicas e para agmáticas. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. concordar. Inicia-se o período das crises. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. apesar de turbulento. Esperar que a moda passe. Aprovar. matemática . a principal imagem que se constituiu nos anos 80. mas nada fazer. O quadro político. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. onde as duas áreas quase não se comunicam com naturalidade. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). status e conhecimento. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. e não contestar. . pois misturavam-se nas discussões.. esforços de aprendizado e carreirismo. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa.É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. No IBGE..

não sofreu tanto as turbulências dessas fases. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973).. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. isso somente referenciado à Economia.. e nós nos recusamos. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje.Na arena científica o ambiente torna-se pesado. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. porém eficiente. Mas havia uma solução. depois sim. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. eu me arrepio toda. tarefa tão difícil quanto Estatística. uma muleta simples. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia.. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. Aliás. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e Ricardo. Diferentemente da Geografia Quantitativa. não sei se Faissol disse isso. (Almeida. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. mea culpa.. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política... sabe Roberto. é bom que se diga.. como a Geografia Quantitativa. Talvez por isso. eu detesto máquina. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. o geógrafo médio. depois desses Atlas na geografia quantitativa. sou culpada. é a Geografia Física e suas vinculações. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça.. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. “ Bom.. conforme a ocasião. gerando um ambiente estranho. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. mea culpa. de Keynes e dos keynesianos e.. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. e não podia ser diferente. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. dos Neoclássicos como . mas aí então nós chegamos finalmente. Marshall. vidaliana ou rochefortiana. falou em computador comigo. paralelamente também.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. Eu Marília Veloso Galvão. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. bem feitas. por profissionais de alta qualificação. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa.. eu me recusei. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso.

você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. muito bem.. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.. Miguel Ângelo Ribeiro. e que era uma igrejinha fechada. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. foi um experiência. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. houve um certo deslumbramento.. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. .. não é só aplicar a técnica e pronto... tendo sido orientada pelo próprio J.. quer dizer. eu não quero estudar programação. P.. não... “ E não era uma coisa tão complexa assim. então isso foi um erro.. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. e a gente podia se socorrer desse grupo.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme.. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra... quer dizer. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. não era complexa.. tem que saber escolher bem as variáveis... você tem que saber o que está usando. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. eles que façam e me mandem o resultado.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) Com isso.. não é nem metodologia é uma técnica. eu acho muito rica. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica... rica.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. primeiro. eu forneço os dados. se eu não conseguir acabou. digo qual é o meu objetivo.. computação era algo só de pessoas muito especializadas. se o resultado eu conseguir interpretar.. ela deu resultados. que naquele período a programação de computação não era algo comum. Cole no seu mestrado em Nothinghan. é possível entender que. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. como tudo na vida... Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. eu dizia: olha. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. se a gente tivesse estudado para programação... Cesar Ajara. quer dizer..

. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE. quer dizer.. todos nós batalhamos muito.” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. então o produto que for gerado.. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple.. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . o material levou quase um ano para se liberado. a nível individual. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C. (RSA) “ Estava vindo. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. tivemos muitos problemas... algo que na época era muito caro para os PCs. quer dizer..Os depoimentos de Cesar Ajara. . nos intervalos eu ...ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. Evangelina.. o IBGE não estava podendo comprar equipamentos naquele momento. Mônica.. foi muito desgastante. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia.. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico..... quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple.A questão da plataforma? . já com CD-ROM embutido.. além de um scanner.... e para complicar ainda mais.. ia e vinha. Máquinas que eram o top de linha da Apple...Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. a medida em que o que nós estávamos procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso... o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. acadêmica. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs... o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada. até existiu.. costuras e parcerias aqui e ali. “ Com certeza. por exemplo.. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. ia e vinha. paralelamente. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma... para colocar mais precisamente.. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. isso não foi negligenciado. a nível de resposta. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que . máquinas de 32 bits de processamento. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período.... a França. que quando eu pensava parceria.. conseguimos libera o equipamento a duras penas.. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica... Na visão de Cesar Ajara.

.. porque foram estimulados. “.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.. era isso o que eu estava propondo. quanto na esfera dos órgão contratantes..estava tarimbada. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram.. tanto na esfera do IBGE.. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante.F.... e com o trabalho.. discutir problemas.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. eu trabalhei seis anos.Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia..a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza. quando eu cheguei. meu e dela. com isso se sentiram altamente prestigiados.... pois possibilitou através de seu método de trabalho.. pode não ser capaz de discutir teoria. Nossa Natureza... eles normalmente não estimulados dentro do Departamento.. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. nós juntamos aquele conhecimento... eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado. e além disso. (RSA) “ Exato.... quando eu fui fazer o zoneamento. conflito não me amedrontava. com isso.... eu também tinha. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos. a experiência dela nos projetos PMACI. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina. gostando de trabalhar com grupo novo.. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. formando pessoas. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe... e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar... então. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar. entender em que escala os outros técnicos estavam operando. nós todos tínhamos experiência de campo........ foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente... A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese... eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer........ eu vivi seis anos brigando por pontos de vista..” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi.. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D. todo mundo é capaz de discutir problemas.. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. mas pode ser capaz de discutir um problema. e aí fizemos isso. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam. então com isso. e pudemos aprimora-lo”.. eu com um pouco de audácia. nós fizemos um.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro... ou quando o conflito era para desestruturar . levantamento. Angélica também tinha. um pouco de desafio.

Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. para a .

. quando professor também do ensino médio. “. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) . porém todos participaram.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio.. “plagiando o Raja Gabaghlia. esses profissionais do ensino.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan.” Tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. talvez se tivesse. por exemplo sobre a colonização européia. sem qualquer sombra de dúvida.. Em alguns casos. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode. daí não tendo curso de Ciências Sociais. outros.. tem diversos livros publicados... ao longo desses mais de sessenta anos. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco ..Capítulo II . que tinha. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. obras em francês. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno.. os mapas na cabeça e tudo mais.eu fiz curso de normal. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller.... escola normal. eu me lembro por exemplo de citações. essa coisa toda. ele citava obra. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. em inglês.. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno... tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. evidentemente que o melhor professor. então... eu teria feito em Campinas.. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. porque eram as palavras. ilustres desconhecidos.que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde.. direta ou indiretamente. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. quer por sua conduta profissional. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. na universidade.

. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia... uma que era modelo da Casa Canadá. essa era o máximo para a mim.... James Braga Vieira.... arroz.. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro..quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca... na década de 70. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. Após formado. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos.. primeiro por causa do tipo dela.” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) . e uma outra também a professora Nilza Bicudo.. lembrei.. tive uma professora que realmente gostei... mas tive uma para professora de Geografia no ginásio.. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes.eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje.. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional... não sei o sobrenome dela..... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau.. por causa delas me decidi.. só no meu álbum. ela arrasava dando geografia.. duas professoras. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói. devo ter sofrido um pouco de influência dela. também tive um professor Faria. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo.. mas eu sempre gostei mais de Geografia.. chamada Vanda Regina.. essa dava sempre a Geografia tradicional... “.. chamava-se Lia Cardoso. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF...... e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete.... dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira. pesquisadora da Casa Rui Barbosa.. era uma geografia interpretativa. e mais duas no segundo grau. suas provas eram muito inteligentes... de História que também era muito bom. aqueles trabalhos de geografia regional. tem alguma coisa de Azevedo.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70.” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca.. era realmente elegante. eram super exigentes essas professoras... ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico... Maria Isabel Azevedo. “. eram discursivas... que era dividido entre clássico e científico. quando eu entrei no segundo grau. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras. em História também tive outra ótima professora. expedicionário da FEB.... embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.... botava aqueles saquinhos com feijão..Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950.. descrevendo as macrorregiões.. era uma ótima professora. aquela coisa bem tradicional....Tive....

. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. e da principal associação profissional a AGB. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. Mas. falar e escrever. eu e Jorge Zarur. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. por exemplo... ele levantava problemas. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. Orlando Valverde que. mas eu não me lembro o sobrenome dele. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. tanto em São Paulo. era a chamada Escola Possibilista. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. o Jorge Zarur que era estudante de Direito.. na universidade o apoio e estímulo de um professor.. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. entre 1940 até meados dos anos 60. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. Armando Sampaio de Souza. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. cuja formação eu não me lembro. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. era moderna. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil.. havia um outro rapaz também chamado Jorge. eu. da principal revista a RBG.. quatro professoras primárias. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. Dilsa Mota e Marlene de Souza. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. Manuel Maurício nos anos 50 e 60.. foi por inspiração do Anísio Teixeira. de estilo americano. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês... nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. era como o homem se comportava . mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. quanto no Rio. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. e os três professores.Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. pois além da formação no nível da graduação. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. Eu era capaz de acompanhar as aulas.

porque sou evangélica protestante e Montpellier. Heldio foi para a Strasburg.. durante os anos 40.. porque ele não falava português.....” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947... O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados.. Heldio e eu.. não podia ser desenhada simplesmente...... e voltamos então a ter a visão da Europa. “ O meu contato com o Ruellan. foi transferido para o novo órgão. aquela seção da qual se originou .nessa época fomos cinco Miguel.. ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. Rulaan achou que eu ia me dar bem. o homem e as ilhas... mas estava dentro das possibilidades de cada um. dos chefes de escola geográfica da França.... o homem e a montanha. mas Miguel.. então as perspectivas tinham que ser calculadas. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia.o IBGE. Geiger. como nos tempos de Deffontaines.. as faculdades para a qual nós deveríamos ir.. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado. quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive.você já sabe . Fábio.... Ele pegou um mapa de 1:50. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura. aquela região do Languedoc tem muito protestante. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia.... Míriam... foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. tiramos o pessoal dos Estados Unidos. pudesse ler e falar em francês. o homem e o frio.eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês.... então ele já era quase colega do Dr. juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE. Míriam para Lion e eu para Montpellier. já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares.. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. ele tinha essas coisas assim. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura............ o homem e a floresta... etc.. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês. então era. ia ser posto em perspectiva.. aprendi tudo com ele durante anos. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também. o meu caso foi muito particular. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu . como era um mapa de 1:50.. a partir de um mapa. por exemplo. um dos fundadores do IBGE.... não foi decisão nossa absolutamente. que posteriormente fez curso de geografia. fomos cinco.... por indicação do professor Ruellan.000.000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. de Christóvão.. passou o tempo todo.diante da natureza.. a visão global da geografia da Europa. “. um trabalho que era um diagrama em perspectiva.

. um especialista em relevo cárstico e de fito-geografia. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária...... prensando e levando para classificar.. não sei se para o Geiger. De certa forma. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. a prática de cartografia aplicada a geografia. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas... sabia que eu gostava de Geografia Humana .... sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa..... apesar das dificuldades enormes de pós guerra.. que é fundamental e mais a introdução a cartografia.... mas acho que eles tiveram essa mesma visão. pegando amostras. fez muita excursão.. posteriormente.” . claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui. sobretudo a ela. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry.. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961.... treinam muito os estudantes para trabalho de campo. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel . uma loucura verdadeira. na época da Faculdade..... eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea.. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.e ele firme.. eu já acompanhava de perto e namorando. na realidade. e os nomes científicos também... quem era? “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano.em termos de geografia geral. o francês faz muito trabalho de campo. para a mim pessoalmente.Montpellier.. nos anos 60 no contexto do IBGE. o tipo de geografia regional que se aprende lá. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. mas a experiência francesa teve uma importância enorme.. Heldio e Míriam.. isso foi no período de 59 a 62.. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes. para a nós foi extraordinário.... na França foi onde aprendi Geografia. Professor Paul Marres. praticamente todo fim de semana. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo..O seu orientador lá. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. na realidade em termos de especialização. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra. era um apaixonado por geografia..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. paralelamente. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. foi a minha efetiva formação de geografia.. eu ainda não tinha nada escolhido...

. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. o Brian Berry. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. os estudos de Áreas de Influências das Cidades.. Jacob Binstock. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida.. o Cole ficou e orientou mais.. no Economic Geography e no Professional Geographer. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. “ Agora. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana. Minha tese de mestrado. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade . quer dizer. o Cole. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J.. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas.. você tinha cursos específicos.. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas.. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. Faissol é que repassava. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. substituído por Olga... na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França.. Em 1972. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. mas aqueles que eu assisti. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. quer dizer. A idéia de elaboração de leis... Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. “. tinha mais de uma dezena de análises de regressão.. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento. João Rua. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. nesse período (6869) então. p. ..campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense..Rochefort... aquilo..... Em seu depoimento. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil..Envolvi-me com a “nova” Geografia. Buarque... Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas.. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers.P. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. pois bem.. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol..29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. mas de certa maneira. 19911992. Rochefort.” (Geosul 12-13.

cada um tem um escolhido do seu jeito. quer dizer.. que repassaram para outros profissionais. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. . como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria...” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão. Fany com Geiger. Roberto com a Lisia..” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo... mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. e aí você vê cada uma pessoa...

Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. A questão central estava em perceber quem.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. com o seu conhecimento da língua japonesa garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil . O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. no caso do primeiro. Problemas como grandes projetos de prazo curto. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. O exemplo do jovem de 19 anos. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse.Capítulo III . como nas fases iniciais do órgão. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. juntamente com Alfredo Porto Domingues. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. tão comum nas fases iniciais de um profissional. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. fosse ele um professor estrangeiro. na excursão da região do Jalapão. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. Esse processo não era tão simples e direto. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. onde o erro. principalmente nos períodos de implantação do órgão.

a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. período da chamada Geografia quantitativa. adquirida nos anos 80. são pontos de referência para um entendimento de que. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. em convênios com o governo francês. algumas vezes não sabiam o que pediam. É necessário entender que a língua franca da Geografia. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. e quem o dominava. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari.. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. que muitas vezes eram descartados logo depois. gerando em muitos casos. era um prazer trabalhar com Lisia.. ela dizia eu quero isso. era apenas eu quero isso. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. Neste campo. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991..era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais... as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. A tênue fronteira entre a subserviência. Nos anos 70. ela não te amolava absolutamente. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. mas que entendia a necessidade do trabalho.. necessária nas fases iniciais.. ela dava aquelas orientações todas . “ Ela era entusiasmadíssima. aquilo passava. sem maiores vassalagens.. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. coincidentemente. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico...

a partir dos anos 50. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque.” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana... porque se você ver bem. eu fiquei na área de população. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura... pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. acompanhando em paralelo.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas.. mas de certa maneira a Rute Magnanini. considerado o universo em questão.. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. eram poucos. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido.. Waibel na agrária.. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos.. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. criou entusiasmo.. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores. que dizer.diretíssimas. não sei... a geração anterior. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade.. a não ser em poucos centros de excelência.. Maria Francisca que foram ótimas técnicas.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser.... Edmon Nimer no clima.. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos.. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . quer dizer. extremamente objetivas. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini. então formou técnica e gerencialmente. a nossa também foi um pouco. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. quer dizer. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante.. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. mas a outra geração foi completamente massacrada. foi importantíssimo. No entanto... e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. que pelo maior número envolvido... a geração que ingressou no início dos anos 50.. Olindina Mesquita na agricultura. quando o contingente de pesquisadores aumentou. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos..

“ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. 59. pois envolvia. Na maioria das vezes. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. eram quatro alunos só. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. e mesmo antes. sob a supervisão dos chefes de equipes.. se fosse o caso. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. mesmo a aqueles considerados “normais”. o número de . o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. da sua orientadora Lia Osório. a turma seguinte. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. desenhar os gráficos e mapas. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. que podiam assim. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. Para os mais avançados..os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. Obviamente.

.. inimigos mortais. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. havia muito trabalho de campo feito pela AGB.. e vamos pelo Vale do Paraíba. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal... eu entrei para AGB em 58.. a parte econômica.” . estou começando o segundo ano.geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. eu era muito jovem. não sei quando. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos." Então resolveram fundar a AGB nacional com. com a presença do Bispo de Penedo. em 1945.. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. motivo de recordações de muitos geógrafos... o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. quer dizer... Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde.. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul. fez trabalho por todo o lado.. então não tinha muita relação um com outro. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. e Caio Prado Jr. olha tem uma vaga. levando alunos. um belo dia ligaram para minha casa.240) Speridião Faissol. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura.Em 1962. A importância da AGB é. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. “. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. que foi talvez a mais proveitosa. encarregado de estudar a parte agrária. de fato.. Tá bem. senão me engano.. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. 1991-1992. acho que isso é importante. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo.. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. que fez um primor de exposição.” (Geosul 12-13. a Assembléia de Penedo. p. eu faço questão de passar em Lorena. embora não tendo muitas ligações com a associação. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. Corrêa a RSA) Portanto. “. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. está chamando você ir para lá. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele . havia possibilidade. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros.” (Depoimento de Roberto L.E apresentou trabalho. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro.. “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. etc..

mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro.... Lígia.em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. até que quando eu soube a última .. a Maria do Carmo nunca foi agebeana.Olha a geografia... quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB. e literalmente. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80... mas também participava. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE.. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80...” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE.. Prudente. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. um pouco dessa história.. Orlando menos. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur.. mas não quer dizer que necessariamente. Faissol nunca foi agebeano.... todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram.. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB.Ela ficou um período solta. Elza.. de fato e de direito destruíram-na. “. .. por isso ela sobrevivia... Hilgard Sternberg.” -Uma você estava em Chicago. Geiger. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62..ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser.. “ Uma em Chicago em 74. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. Nilo. No Rio. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias. IBGE era AGB Rio carioca. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade.. Bom a partir dos anos 60. Araújo... Alfredo esses participavam.. vindas de um agebeano do final dos anos 50... a AGB do Rio acabou.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB... 92 eu não podia. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50..” ...momento. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia.. mas Nilo. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. “ . porque aí eu fui tesoureiro alguns anos.. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE.) “. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE. Lígia..

.vez tinha um sócio pagante. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando.. almoçando. não. o próprio José César reconheceu o processo. na Universidade Fluminense. 67 Franca. 1963 foi em Penedo. jantando e dormindo AGB. bom. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco... acho que foi.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. para a vender.. no sentido de diminuir essas relações. e os atualizados lá.. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. ela foi para a UERJ... nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia. ai fui a de Mossoró em 60. passou a ser Encontros. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional.. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. nosso arquivo. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB. mas durou pouco tempo. eu passei grande parte da minha vida cuidando. no período da Assembléia de Maceió. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. e. com a AGB nacional. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia.. O Congresso de Fortaleza que. só recebo um boletim e olhe lá. Londrina. meu pai era cearense então eu disse.. as pessoas realmente pensam assim .. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida.. trabalhando.. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE.. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78.. nós tínhamos nossa estante. depois em 66 foi Franca. que eu fui tesoureiro.. se não foi em termos científicos. eu como disse..” “... foi aí que comecei a participar no plano nacional..assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas.. “.... as vezes concomitante. fui duas vezes Diretor Regional.. 66 Blumenau.. pensando. o Faissol acabou com ela. as estruturas portuárias.. dei conferência em função da AGB no Fundão. indústria. fiz uma série de cursos.. o Congresso de Fortaleza.. fomos parar rapidamente numa sala lá..... Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte. vou conhecer a terra do meu pai. praticamente no IBGE. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró. modéstia à parte. por uma questão sentimental. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. o representante do IBGE.. fomos parar em baixo da escada lá naquela o Seção de Estudos que ainda era no 7 andar.... comendo.... vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. 67... que depois ele pediu também..... 68 Montes Claros. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) ...eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. fui secretário. modéstia a parte.. Baturité e aí em Belo Horizonte..

somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. Entre 1941 e 1968. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. as determinações de fronteiras estaduais. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. a Carta do Brasil ao milionésimo. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. que ocasionalmente. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. 2000) foi possível verificar a importância dessas excursões. Esses foram alguns dos resultados . seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). os programas de colonização dirigida. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. 34 entre 1950 e 1955. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária.Entretanto. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. sendo que 76 nos anos 40. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. os estudos sobre o relevo do território. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas.

O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . Em termos de homenagens. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . na época diretor do Museu Goeldi de Belém. A lista. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio.. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. caindo num trecho muito turbulento. houveram muitos preços a pagar. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. que para compor um quadro como este. além da área de segurança de queda.. alguns dos quais foram sepultados nesses locais. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. . atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM).desses trabalhos de campo. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. fronteira entre Pará e Amapá. Evidentemente. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. além das do IBGE. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de suas funções técnicas. e em alguns casos. no município de Tucuruí (PA). inaugurando uma escola com o seu nome. morre afogado no Rio Tocantins. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. mas Egler não teve a mesma sorte. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). no rio Jari. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore.

Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). 09/10/1992 . além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. 13/05/1980 .José Redondano Neto.O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. e com isso. Duas suposições ficaram no ar. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. embora aposentados. José César de Magalhães Filho.Hilda da Silva do IBGE (de câncer. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). fretada pelo RADAM.20/03/1979 .Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). é que o avião teria caído no mar sem explodir. ambos davam consultorias ). dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. não deixando vestígios na superfície. mas que não poderia ser comentado. mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. 09/08/1991 . desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. 15/05/1990 . além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. . morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. numa trágica coincidência. A segunda. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). quando ainda trabalhava no IBGE.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. em função do nível de sigilo envolvido. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. A aeronave.

Esta. criando novas estruturas de pesquisas. novos trabalhos e novas lideranças. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. é apenas uma lista de referência. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. 22/03/1997 .18/09/1995 . pois outros geógrafos faleceram também. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. sua população e sua economia. . No entanto. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer).Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. Novas metodologias.

atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. 1988). uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. ou segmento de conhecimento geográfico. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. além disso. em termos materiais. Gelson Rangel Lima). sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de . já havia uma base consistente. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. Speridião Faissol. 1997) e. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. pois além de possuir um acervo documental enorme. Orlando Valverde. Aluísio Capdeville Duarte. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol.Parte III Capítulo I . visto que seria impossível. 1989). 1998). Portanto. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. que faleceu em 1997. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. No caso da Geografia do IBGE. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. essa abordagem poderia ser frutífera. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. no primeiro momento. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente.

desde sua fundação. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. mas não a enxerga como ferramenta de .serem repetitivos. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. Durante o processo de coleta de depoimentos.. opiniões ou testemunhos factuais. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. Nessa época. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. em virtude do alto custo das transcrições. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. 1941 e 1949). no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. após o golpe militar de 1964. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. pois vinculava-se o conhecimento do território. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. 1948). Walter Isard. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. Harvey Perloff e outros. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. Para Orlando. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. que todavia. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos.

Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. quanto pelos depoimentos. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. na visão de Alceu. por de sua visão de pesquisa e ensino. resultados desse fracionamento. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. nem como mecanismo de implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). Uma outra questão crucial pode ser percebida. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo.planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. possivelmente. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. Também através desses depoimentos. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. No entanto. quando foram para o Canadá para especialização. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. A importância da Biogeografia e da noção. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. que só se manteve unido. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. tanto pela documentação. Walter Egler. Neste caso. Egler e Alceu do IBGE. foram. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana.

foi uma crise braba. Este. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. Jurandir Pires Ferreira. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época.. tornou-se quase mitológico. mas acabei aceitando. . Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações gerenciais de porte. Isso acarretou uma reviravolta." Eu tive algumas dificuldades. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. somente Speridião Faissol. sem sombra de dúvidas. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. aquela coisa. fiquei lá meio solto. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura.. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. o prof. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. de maneiras diferenciadas. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. o Miro era secretário e assistente do Fábio. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956." A maior parte do pessoal se demitiu. da espinhosa questão. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. ao longo dos anos. com a criação do Departamento de Geografia. Eu era solidário com o Orlando e tal. ao voltar do doutoramento em Syracuse. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. A evolução da carreira de Speridião Faissol. era engenheiro. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. foi um assunto que. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. Mas. quando Faissol. matemático. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. a Lisa era chefe de seção pediu demissão.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. etc.

passou a Revolução o grupo do Fábio saiu... Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia.é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. mas Elza fez menos. da década de 50 e 60 toda.. voltei eu e ficou naquele negócio. da estatura do Alfredo você não tinha outro.. clima e vegetação em resposta a esta questão .. geógrafos. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). entre a geografia física e geografia humana. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. você tinha Geiger. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. era um número pequeno. você tinha n... (RSA) “ Mas isso. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio.. então eram três. Roberto Lobato.. quer dizer.. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação. Galvão a RSA) É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. a meu ver. indústria.grupo Zarur x Grupo Fábio. Catarina. Ney Strauch. . conhecido como DEGEO. aqueles ódios. a falta de geógrafos físicos. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. então eu acho que foi mais isso. Fany.” (Depoimento de Marília V. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. n. ela fez mais com os estudos de população. Isso era AGB e era IBGE. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. havia não sei porque. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. “. então você vê. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu.. que eram meio pessoais. urbana sobre as de relevo. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. eu percebi esse divórcio em l970.. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. mas ao que me parece. eu não sei. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. depois era Elza. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. onde as duas áreas . passada aquelas raivas. as causas foram anteriores à decada de 70. Lisia. uma derrubada. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. uma situação e que é estranha. veio a Revolução.. n.. agora na geografia humana você tinha Faissol. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. Nilo.

a principal imagem que se constituiu nos anos 80. Inicia-se o período das crises. aguardar alguma novidade vinda de fora. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. No IBGE. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. questões ideológicas e para agmáticas. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. matemática . como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). Esperar que a moda passe. e não contestar. pois misturavam-se nas discussões. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. como a Geografia Quantitativa. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. tarefa tão difícil quanto Estatística. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. mas nada fazer. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. status e conhecimento. apesar de turbulento. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades.quase não se comunicam com naturalidade.. O quadro político. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. esforços de aprendizado e carreirismo. foi o principal emulador de uma integração. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. por parte da maioria dos geógrafos. O reconhecimento. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. Aprovar. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo.. Na arena científica o ambiente torna-se pesado. gerando um ambiente estranho. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e . concordar.

. o geógrafo médio.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. sabe Roberto. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”.. de Keynes e dos keynesianos e.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . que naquele período a programação de computação não era algo comum. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa.. mea culpa. Mas havia uma solução. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. depois desses Atlas na geografia quantitativa. não sei se Faissol disse isso. eu me recusei.Ricardo. se o resultado eu conseguir interpretar.. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. digo qual é o meu objetivo. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas.. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. eu detesto máquina. Marshall. Diferentemente da Geografia Quantitativa. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. Eu Marília Veloso Galvão... o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. falou em computador comigo. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça.. Talvez por isso. ela deu resultados. computação era algo só de pessoas muito especializadas. por profissionais de alta qualificação.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) .. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. “ Bom. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. se eu não conseguir acabou. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. depois sim. e não podia ser diferente. eu não quero estudar programação. e a gente podia se socorrer desse grupo. Aliás.. é a Geografia Física e suas vinculações. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. isso somente referenciado à Economia. então isso foi um erro. (Almeida. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. eu dizia: olha. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. se a gente tivesse estudado para programação. e nós nos recusamos. dos Neoclássicos como . conforme a ocasião. uma muleta simples. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação.. porém eficiente. é bom que se diga.. eu forneço os dados. sou culpada. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física... e que era uma igrejinha fechada. mas aí então nós chegamos finalmente. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil.. agora eu acho que apesar de toda parte ruim.. foi um experiência. eles que façam e me mandem o resultado.. vidaliana ou rochefortiana. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. mea culpa. muito bem. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. eu me arrepio toda. bem feitas. paralelamente também.

a nível individual. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo.. é possível entender que.. eu acho muito rica. por exemplo.. quer dizer. até existiu. quer dizer. a medida em que o que nós estávamos . rica. “ Com certeza. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica.. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento.. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. houve um certo deslumbramento. tem que saber escolher bem as variáveis. como tudo na vida. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. costuras e parcerias aqui e ali.. acadêmica. isso não foi negligenciado. não era complexa... você tem que saber o que está usando. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. Cole no seu mestrado em Nothinghan. não é nem metodologia é uma técnica. a França. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. Na visão de Cesar Ajara.Com isso. primeiro. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima. quer dizer. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico.. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. quer dizer. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um.. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época... como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C. não. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado... a nível de resposta.. não é só aplicar a técnica e pronto. que quando eu pensava parceria.... eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto.. tendo sido orientada pelo próprio J. “ E não era uma coisa tão complexa assim.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco... Miguel Ângelo Ribeiro. paralelamente.. Cesar Ajara.. P. quer dizer. Os depoimentos de Cesar Ajara. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme.

.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. nós todos tínhamos experiência de campo... todos nós batalhamos muito. . além de um scanner. (RSA) “ Estava vindo. porque .. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando.. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. ia e vinha..... eu também tinha. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. quanto na esfera dos órgão contratantes.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . o IBGE não estava podendo bancar treinamento.. Evangelina. foi muito desgastante..) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro.. “.. tanto na esfera do IBGE. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada. Angélica também tinha. e para complicar ainda mais. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia... o material levou quase um ano para se liberado. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto..... para colocar mais precisamente. nos intervalos eu . um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos.. algo que na época era muito caro para os PCs.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.. já com CD-ROM embutido.” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. Mônica. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. nós fizemos um. levantamento... eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso... e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado. conseguimos libera o equipamento a duras penas......Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?... quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple.... uma plataforma Apple que não conversava com os PCs.. então o produto que for gerado.. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs... na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. pois possibilitou através de seu método de trabalho. ia e vinha.procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. e aí fizemos isso... Máquinas que eram o top de linha da Apple. o IBGE não estava podendo compara ar equipamento naquele momento.F. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante. tivemos muitos problemas. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e..A questão da plataforma? .. máquinas de 32 bits de processamento.

. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina.. para a ... e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. era isso o que eu estava propondo.Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia... e pudemos aprimora-lo”. quando eu cheguei. então. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos.. conflito não me amedrontava.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia...estava tarimbada. um pouco de desafio. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi.. entender em que escala os outros técnicos estavam operando.. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer.. então com isso. todo mundo é capaz de discutir problemas... então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente.. nós juntamos aquele conhecimento... O capítulo II analisará determinados mecanismos de escolha de carreira. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos.. e com o trabalho.. discutir problemas. e além disso. formando pessoas. com isso se sentiram altamente prestigiados.. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área..... (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. (RSA) “ Exato. pode não ser capaz de discutir teoria.. gostando de trabalhar com grupo novo... eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. através de alguns depoimentos tomados com exemplo... quando eu fui fazer o zoneamento... do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar... ou quando o conflito era para desestruturar . eu trabalhei seis anos.... eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .. eu com um pouco de audácia.. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento..... Nossa Natureza.. com isso. mas pode ser capaz de discutir um problema. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho... a experiência dela nos projetos PMACI... A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese. meu e dela.foram estimulados.

. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan.Parte III Capítulo II . “plagiando o Raja Gabaghlia. então... “. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. esses profissionais do ensino.. sem qualquer sombra de dúvida. que tinha. ao longo desses mais de sessenta anos. os mapas na cabeça e tudo mais....que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. outros.. eu me lembro por exemplo de citações. porque eram as palavras.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) . tem diversos livros publicados. ele citava obra.. quando professor também do ensino médio..eu fiz curso de normal. quer por sua conduta profissional.” tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. essa coisa toda.. Em alguns casos. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode.. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. talvez se tivesse. ilustres desconhecidos. na universidade. em inglês. porém todos participaram. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco ... direta ou indiretamente. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão.. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller. daí não tendo curso de Ciências Sociais.. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. eu teria feito em Campinas.. por exemplo sobre a colonização européia.. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. escola normal.. evidentemente que o melhor professor. obras em francês. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II.

.. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio. aquela coisa bem tradicional. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia. suas provas eram muito inteligentes... que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes.” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. não sei o sobrenome dela. que era dividido entre clássico e científico. eram super exigentes essas professoras. ela arrasava dando geografia... só no meu álbum.. .. aqueles trabalhos de geografia regional.. tive uma professora que realmente gostei. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete.. era uma geografia interpretativa..... essa dava sempre a Geografia tradicional.. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio... Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF.. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional.. de História que também era muito bom. e uma outra também a professora Nilza Bicudo. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia.... na década de 70. arroz.... chamava-se Lia Cardoso. James Braga Vieira.. devo ter sofrido um pouco de influência dela.. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói.. e mais duas no segundo grau.. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras... “.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950..eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba.... Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira.. essa era o máximo para a mim...Teve. “.” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca. pesquisadora da Casa Rui Barbosa. em História também tive outra ótima professora. Maria Isabel Azevedo.. expedicionário da FEB. chamada Vanda Regina.. mas eu sempre gostei mais de Geografia.. botava aqueles saquinhos com feijão...... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro... lembrei.. duas professoras.. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia..... quando eu entrei no segundo grau. era realmente elegante.. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos...... também tive um professor Faria.quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca. Após formado... uma que era modelo da Casa Canadá.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70... descrevendo as macrorregiões. primeiro por causa do tipo dela. eram discursivas. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo... era uma ótima professora.. Manuel Maurício nos anos 50 e 60. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje.. por causa delas me decidi. tem alguma coisa de Azevedo.

. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. cuja formação eu não me lembro.. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. era a chamada Escola Possibilista. era moderna. tanto em São Paulo.. por exemplo.. foi transferido para o novo órgão. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. havia um outro rapaz também chamado Jorge. e os três professores. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. falar e escrever.. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos.. de estilo americano. Armando Sampaio de Souza. Orlando Valverde que. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de . o homem e o frio. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. era como o homem se comportava diante da natureza.. eu. quanto no Rio. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. Eu era capaz de acompanhar as aulas. um dos fundadores do IBGE. Dilsa Mota e Marlene de Souza. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor.. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa.. o homem e a floresta. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. eu e Jorge Zarur. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. ele levantava problemas. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. o homem e as ilhas. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. entre 1940 até meados dos anos 60. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom.Mas. mas eu não me lembro o sobrenome dele. quatro professoras primárias. então era. foi por inspiração do Anísio Teixeira.. na universidade o apoio e estímulo de um professor.. e da principal associação profissional a AGB. o homem e a montanha. da principal revista a RBG. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. por exemplo.. pois além da formação no nível da graduação. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza.

aprendi tudo com ele durante anos. a partir de um mapa. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia.. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura. na realidade em termos de especialização.. como era um mapa de 1:50... daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.. o meu caso foi muito particular.... não podia ser desenhada simplesmente.. “. aquela seção da qual se originou . Ele pegou um mapa de 1:50. Fábio.o IBGE. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado.... eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês.” .você já sabe . treinam muito os estudantes para trabalho de campo.em termos de geografia geral.... fez muita excursão. por indicação do professor Ruellan.. um especialista em relevo cárstico e de fitogeografia... aquela região do Languedoc tem muito protestante.. como nos tempos de Deffontaines.000.. quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. prensando e levando para classificar..” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente.. o tipo de .. e voltamos então a ter a visão da Europa. ia ser posto em perspectiva. Heldio foi para a Strasburg. porque ele não falava português. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu Montpellier.nessa época fomos cinco Miguel...... quem era? (RSA) “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física... aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas... eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea. durante os anos 40.. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.... mas estava dentro das possibilidades de cada um. praticamente todo fim de semana..... era um apaixonado por geografia.. a visão global da geografia da Europa. então as perspectivas tinham que ser calculadas.. apesar das dificuldades enormes de pós guerra. Geiger.... “ O meu contato com o Ruellan. sabia que eu gostava de Geografia Humana .pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE...e ele firme. passou o tempo todo.. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947... juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil.. de Christóvão.. ele tinha essas coisas assim. tiramos o pessoal dos Estados Unidos.O seu orientador lá. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra.. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito..eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês... o francês faz muito trabalho de campo.. dos chefes de escola geográfica da França... ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo... foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados.......... as faculdades para a qual nós deveríamos ir. pegando amostras. e os nomes científicos também. porque sou evangélica protestante e Montpellier...000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas. Míriam para Lion e eu para Montpellier.. eu ainda não tinha nada escolhido. Professor Paul Marres. Heldio e eu. já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares. fomos cinco. que posteriormente fez curso de geografia.. Míriam... não foi decisão nossa absolutamente.... então ele já era quase colega do Dr.. Rulaan achou que eu ia me dar bem.. mas Miguel.. etc. pudesse ler e falar em francês. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. uma loucura verdadeira. na época da Faculdade. um trabalho que era um diagrama em perspectiva.

realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas.. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional.. pois bem.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. paralelamente. substituído por Olga.. foi a minha efetiva formação de geografia. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. para a mim pessoalmente. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes. na realidade. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas.... Buarque.. isso foi no período de 59 a 62.. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade ..geografia regional que se aprende lá. Jacob Binstock.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort.. não sei se para o Geiger. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes.. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. João Rua. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago..... mas acho que eles tiveram essa mesma visão.. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. eu já acompanhava de perto e namorando. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana... Heldio e Míriam. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel Rochefort. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois... na França foi onde aprendi Geografia.. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973.. nos anos 60 no contexto do IBGE. posteriormente. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. mas a experiência francesa teve uma importância enorme. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana.. os estudos de Áreas de Influências das Cidades. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. sobretudo a ela. para a nós foi extraordinário. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que... nesse período (68-69) então. . Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. a prática de cartografia aplicada a geografia. De certa forma. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos.. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.

Faissol é que repassava. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei. que repassaram para outros profissionais. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol.. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. Minha tese de mestrado..” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão... de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me..... Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. e aí você vê cada uma pessoa. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. o Cole ficou e orientou mais. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão.. aquilo... mas de certa maneira. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.....” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo. Roberto com a Lisia. A idéia de elaboração de leis.“. p..Envolvi-me com a “nova” Geografia.. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. no Economic Geography e no Professional Geographer. 1991-1992. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. quer dizer... quer dizer. Em seu depoimento. o Brian Berry. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. quer dizer... tinha mais de uma dezena de análises de regressão. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas..... Rochefort.. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil. Fany com Geiger. você tinha cursos específicos. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu..P. Em 1972.” (Geosul 12-13. cada um tem um escolhido do seu jeito. mas aqueles que eu assisti.... o Cole. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. . você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. “ Agora.

O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. tão comum nas fases iniciais de um profissional. juntamente com Alfredo Porto Domingues. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. onde o erro. Esse processo não era tão simples e direto. onde a qualidade final não podia ser negligenciada.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. O exemplo do jovem de 19 anos. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. como nas fases iniciais do órgão. A questão central estava em perceber quem.Parte III Capítulo III . na excursão da região do Jalapão. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. com o seu conhecimento da língua japonesa . Problemas como grandes projetos de prazo curto. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. principalmente nos períodos de implantação do órgão. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. fosse ele um professor estrangeiro. no caso do primeiro. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados.

Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. que muitas vezes eram descartados logo depois. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. mas que entendia a necessidade do trabalho. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. sem maiores vassalagens. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante.garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. tiveram ótimas ascensões para postos de direção.. período da chamada Geografia quantitativa. coincidentemente. gerando em muitos casos. algumas vezes não sabiam o que pediam. Nos anos 70. são pontos de referência para um entendimento de que. e quem o dominava. A tênue fronteira entre a subserviência. adquirida nos anos 80. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. . as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. necessária nas fases iniciais. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. Neste campo. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. em convênios com o governo francês. É necessário entender que a língua franca da Geografia. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991.. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico.

. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. aquilo passava. eu fiquei na área de população.. quando o contingente de pesquisadores aumentou. ela não te amolava absolutamente. a geração anterior. então formou técnica e gerencialmente. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores. a partir dos anos 50.... Maria Francisca e mais a Rute Magnanini.“ Ela era entusiasmadíssima.. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. eram poucos. Waibel na agrária. No entanto. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. a nossa também foi um pouco...” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante.. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. que dizer. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. era um prazer trabalhar com Lisia. ela dizia eu quero isso... a não ser em poucos centros de excelência. quer dizer. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. extremamente objetivas. acompanhando em paralelo. Maria Francisca que foram ótimas técnicas. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade. foi importantíssimo.. não tiveram as mesmas chances dos anteriores...” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser... Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia..... Edmon Nimer no clima.. quer dizer.. porque se você ver bem. não sei. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. era apenas eu quero isso. Olindina Mesquita na agricultura. considerado o universo em questão. que pelo maior número envolvido.. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos.. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda.... até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos..... ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares.. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas.. mas de certa maneira a Rute Magnanini.. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. ela dava aquelas orientações todas diretíssimas.. a geração que ingressou no início dos anos 50. criou entusiasmo. mas a outra geração foi completamente massacrada. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”.

Obviamente. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias.” . com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. sob a supervisão dos chefes de equipes.. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. desenhar os gráficos e mapas. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. que podiam assim.. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. eu entrei para AGB em 58. o número de geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. pois envolvia. Para os mais avançados. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. mesmo a aqueles considerados “normais”. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. se fosse o caso. da sua orientadora Lia Osório.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. eram quatro alunos só. a turma seguinte. 59. e mesmo antes. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias.. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. Na maioria das vezes..

também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. Corrêa a RSA) Portanto. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal.. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. não sei quando.. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante... eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. senão me engano.. acho que isso é importante. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia. havia possibilidade.” (Depoimento de Roberto L. eu faço questão de passar em Lorena. encarregado de estudar a parte agrária... “. que foi talvez a mais proveitosa. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. então não tinha muita relação um com outro... estou começando o segundo ano. que fez um primor de exposição.?(RSA) “ Apresentei trabalho coisa nenhuma.240) Speridião Faissol. e Caio Prado Jr. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba.. olha tem uma vaga. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. a parte econômica.Em 1962. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. Tá bem. embora não tendo muitas ligações com a associação. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. motivo de recordações de muitos geógrafos. de fato..E apresentou trabalho. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele momento.. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. a Assembléia de Penedo. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. eu fiz excursão ao baixo São Francisco..” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) . A importância da AGB é. eu era muito jovem.. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura.” (Geosul 12-13. 1991-1992." Então resolveram fundar a AGB nacional com. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul.. fez trabalho por todo o lado.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. em 1945. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. um belo dia ligaram para minha casa. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. “.. etc. levando alunos.. está chamando você ir para lá.. quer dizer. p. inimigos mortais. com a presença do Bispo de Penedo. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. e vamos pelo Vale do Paraíba. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente.

IBGE era AGB Rio carioca.. bom. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78. jantando e dormindo AGB.. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP... Prudente...” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser. vou conhecer a terra do meu pai.. almoçando. Hilgard Sternberg. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo.. vindas de um agebeano do final dos anos 50...(RSA) “ ... mas Nilo. 92 eu não podia. e literalmente.Olha a geografia.. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual.Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. se não foi em termos científicos. O Congresso de Fortaleza que..... o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE.. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro.. No Rio.(RSA) “.Ela ficou um período solta..em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. acho que foi.. por uma questão sentimental.. um pouco dessa história. e.(RSA) “ Uma em Chicago em 74. Baturité e aí em Belo Horizonte. até que quando eu soube a última vez tinha um sócio pagante. mas também participava. a Maria do Carmo nunca foi agebeana. trabalhando. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE. eu passei grande parte da minha vida cuidando. Orlando menos. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. comendo.... modéstia à parte. o Congresso de Fortaleza.. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. praticamente no IBGE. Bom a partir dos anos 60. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. de fato e de direito destruíram-na.” -Uma você estava em Chicago.. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE...... meu pai era cearense então eu disse. “.. a AGB do Rio acabou. pensando. Lígia... quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. Alfredo esses participavam. Araújo. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50.... Faissol nunca foi agebeano.. por isso ela sobrevivia. modéstia a parte. Nilo.. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente...” . Geiger. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram. mas não quer dizer que necessariamente..” .. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar.. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB.. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos.. Elza. Lígia.ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias... em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. .

nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia..“..” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. 1963 foi em Penedo. depois em 66 foi Franca. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. ai fui a de Mossoró em 60. o Faissol acabou com ela.. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior.. foi aí que comecei a participar no plano nacional. o representante do IBGE. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. e os atualizados lá.. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Entretanto. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. eu como disse... fui duas vezes Diretor Regional. “..... a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante.. fomos parar em baixo da escada lá naquela Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. no sentido de diminuir essas relações. as vezes concomitante. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros....... na Universidade Fluminense. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. fomos parar rapidamente numa sala lá. não... No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. 66 Blumenau.. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. 2000) foi possível verificar a . fiz uma série de cursos.eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO..” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas.. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte... no período da Assembléia de Maceió. que depois ele o pediu também.. fui secretário. com a AGB nacional.... para a vender. nós tínhamos nossa estante. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas... Londrina. indústria. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. 67 Franca. nosso arquivo. as estruturas portuárias. dei conferência em função da AGB no Fundão. passou a ser Encontros.. 68 Montes Claros. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. mas durou pouco tempo... que eu fui tesoureiro. o próprio José César reconheceu o processo. ela foi para a UERJ. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional... 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. 67. as pessoas realmente pensam assim .. só recebo um boletim e olhe lá. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos.. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados.

34 entre 1950 e 1955. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas... os estudos sobre o relevo do território. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. que ocasionalmente. sendo que 76 nos anos 40. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). em documentação de outros órgãos federais e estaduais. Esses foram alguns dos resultados desses trabalhos de campo. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. e em alguns casos. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). além dos trabalhos de divulgação da Geografia. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. as determinações de fronteiras estaduais. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. Entre 1941 e 1968. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários.importância dessas excursões. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. Evidentemente. que para compor um quadro como este. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. houveram muitos preços a pagar. os programas de colonização dirigida. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de . a Carta do Brasil ao milionésimo. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968.

não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. 20/03/1979 . Em termos de homenagens. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. alguns dos quais foram sepultados nesses locais. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. inaugurando uma escola com o seu nome. Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. no município de Tucuruí (PA). morre afogado no Rio Tocantins. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. A lista. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. além da área de segurança de queda. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. no rio Jari.suas funções técnicas. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM).José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. mas Egler não teve a mesma sorte. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. fronteira entre Pará e Amapá. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985.José Redondano Neto. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. além das do IBGE. A . geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. caindo num trecho muito turbulento. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo.

além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. mas que não poderia ser comentado. 15/05/1990 . trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. e com isso. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ).Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. ambos davam consultorias ).aeronave. 09/08/1991 . dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. é apenas uma lista de referência. fretada pelo RADAM. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. 22/03/1997 . 18/09/1995 . 13/05/1980 . muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que . é que o avião teria caído no mar sem explodir.Hilda da Silva do IBGE (de câncer. A segunda. não deixando vestígios na superfície. Esta. quando ainda trabalhava no IBGE. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). Duas suposições ficaram no ar. José César de Magalhães Filho.O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. No entanto. pois outros geógrafos faleceram também. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. numa trágica coincidência. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ).Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho).Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . em função do nível de sigilo envolvido. 09/10/1992 .Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. embora aposentados. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo.

sua população e sua economia. criando novas estruturas de pesquisas.subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. novos trabalhos e novas lideranças. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. Novas metodologias. . cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos.

Heldio Lenz. mas que não chegou sequer a modificar a tendência conhecida. Para isso. por sua missão institucional o IBGE seus profissionais de Geografia sempre tenderam mais ao ecletismo do que a especialização. Conjunto de estudos que normalmente envolvem as duas áreas. por mais que se pregue o contrário. mas ainda assim era possível perceber que os melhores “alunos” tendiam a se especializar em Geomorfologia. um fator inibidor no diálogo profissional. talvez por conta da forte influência de Francis Ruellan. necessitando da experiência de um pesquisador eclético que conheça perfeitamente os grandes traços físicos e humanos de uma região para poder realizar o trabalho de recorte regional. Os processos de aprendizado na universidade. já nos primeiros anos. eram as atividades típicas de planejamento que o IBGE sempre teve ao seu encargo. dos que trabalham com Geografia humana é. que sempre foram mais cobrados nos segmentos da Geografia física do que na humana. Um outro ponto importante a considerar. pois as experiências com a quantificação nos anos 70 exigiam equipamento caro e mão de obra especializada. principalmente nas primeiras décadas de atividade. tendem a dicotomizar essas duas áreas. como no caso da regionalização. evidentemente. quando confrontada com os especialistas dos campos sistemáticos. já que ainda era difícil perceber que aqueles métodos poderiam trazer grandes modificações no conhecimento geográfico fora do campo do planejamento governamental. que era geomorfólogo.As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução Estamos considerando como praticas profissionais. Miguel Alves de Lima.Parte IV . além de uma grande dose de boa vontade por parte dos professores e dos alunos. No contexto do IBGE. mas que tinha por imposição de seu contrato do professor na Universidade do Brasil. A exceção ocorreu durante a década de 70 no contexto dos métodos quantitativos. inclusive com abordagens distintas quanto ao conhecimento matemático e estatístico. é necessário que se entenda que a grande divisória que separa as práticas profissionais dos geógrafos físicos. A força dos estudos sistemáticos na área de Geografia somente toma força com Michel Rochefort nos anos 60 no campo da Geografia . Pedro Geiger. as diferentes abordagens de trabalho nas áreas de pesquisa geográfica que os geógrafos do IBGE adotaram ao longo do período de sua existência. Daí o grande poder da área de regionalização. lecionar e transmitir qualquer campo do saber geográfico para seus alunos e para os técnicos do IBGE. Alfredo Porto Domingues. Lúcio de Castro Soares foram alguns desses e apenas Pedro Geiger migrou para os estudos econômicos e sociais nos anos 50. essa dicotomia não se fez sentir com intensidade. É possível argumentar que.

perante outras instâncias da instituição. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. Os próximos capítulos tratarão de dar uma visão panorâmica dos principais temas da pesquisa geográfica trabalhos pelos profissionais do IBGE e analisar sua importância para a história do pensamento geográfico brasileiro. as grandes arenas de pesquisas dos geógrafos especialistas do IBGE. . Além disso.urbana. mas é preciso assinalar que os grandes estudos orientados por Waibel neste campo. ainda possuíam uma forte conotação regional. principalmente os vinculados ao estudo do habitat rural. sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. é nesta parte do trabalho. os processos de industrialização e urbanização no sudeste brasileiro nos anos 60. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior relevância e suas relações com as conjunturas técnicas ou políticas da casa. capítulo I descreve em linhas gerais cada um desses temas. fundamentalmente. embora os ensinamentos de Leo Waibel nos anos 50 em Geografia agrária também já orientavam os geógrafos regionais nessa direção. onde também se avaliará a representatividade do trabalho geográfico e dos geógrafos em particular. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológico decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. Foram.

nos informa os dados da cronologia dos atos .Diagnósticos Sócio . 2. principalmente no que tange aos estudos de regionalização. acompanhamento da evolução das malhas de setores censitários. 1 . 6. de bairros urbanos. auxiliando nos planejamentos dos censos.Urbanização.Ambientais Integrados. n. 63 da AG/CNG . distritos. Seu artigo publicado na RBG ano 3. O estabelecimento em 1938 pelo Conselho Nacional de Estatística de uma regionalização baseada na divisão em uso pelo Ministério da Agricultura e que serviu como base para o censo de 1940 foi o ponto de partida para os estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães objetivando definir uma nova regionalização para o Brasil. Analisando-se a cronologia bibliográfica sobre o assunto é possível perceber que os processos de regionalização sempre acompanharam a trajetória do órgão e determinaram inclusive as formas de apresentação tabular dos censos. Na parte final do capítulo foi introduzida uma avaliação das atividades de geoprocessamento. acompanharam a evolução dos estudos geográficos no IBGE e definiram tendências em escala nacional para certos trabalhos.2 – Climatologia. municípios.Determina o estudo da divisão regional do Brasil e das suas unidades federadas e a elaboração de uma obra de divulgação sobre a região amazônica em geral e o rio Amazonas em especial. 1939 07 25 . não sendo de maneira nenhuma uma lista fechada. 2 de abr. de 1941 tornou-se um clássico e sua definição para uma divisão única foi acatada pelo governo federal. Além de garantirem uma maior precisão cartográfica nas cartas editadas pelo IBGE.Capítulo I .Resolução n. 5. /jun.Regionalização. 3Industrialização.Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia: uma análise de suas práticas profissionais Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE são considerados como uma referência geral para a explicação das atividades do antigo Conselho Nacional de Geografia (CNG) e do atual Departamento de Geografia (DEGEO). principal área de trabalho da Geografia do órgão.Modernização da agricultura.Ocupação do Território e Habitat. previsão de safras agrícolas. micro e meso regiões. Os nove grandes temas analisados: 1.3 – Biogeografia) e 7. 6-Caracterizações Ambientais ( 6. 4. 1 – Geomorfologia. 6. conforme administrativos e legais do IBGE. Atividades essas que envolvem várias diretorias e que viabilizarão bases geo-referenciadas para inúmeras áreas e pesquisas da agência.Regionalização Ao se observar panoramicamente a atuação da Geografia do IBGE verifica-se que os estudos de regionalização sempre foram a razão de ser dessa área na casa. campanhas estatísticas. unidades federadas e grandes regiões.

promove a sua adoção pela Estatística Brasileira e dá outras providências. que foram incorporadas aos planos tabulares dos censos seguintes. Esta resolução implicou em estudos de regionalização nas unidades regionais estabelecidas e o resultado desses trabalhos resultou na coleção Divisão Regional do Brasil.Sugere uma nova divisão das unidades federadas em zonas fisiográficas. O artigo de Fábio de Macedo Soares analisou a necessidade de uma regionalização que tivesse uso estatístico e que apresentasse um alto grau de estabilidade ao longo dos anos para fins de comparabilidade espacial e por isso optou por uma divisão que desse preferência às características naturais das regiões delimitadas.Resolução n. Este. que para cada região.Resolução n.Resolução n.Resolução n. Nordeste.para fins práticos. com alteração no nome de uma região (Este foi substituída por Leste) mas cada unidade federada foi também subdividida em zonas fisiográficas com os seus municípios correspondentes. a divisão regional do Brasil. 143 da AG/CNG . com na divisão do Conselho Técnico de Economia e Finanças adotado em 1939 por ocasião da Conferência nacional de Economia (Guimarães.mediante agrupamento dos municípios brasileiros. 1941:363-364).Estabelece a divisão regional do país.Manifesta o aplauso do Conselho à nova Divisão Regional do Brasil fixada pelo Conselho Nacional de Geografia e dá providências a respeito. 1967a e 1967b).Fixa o quadro de divisão regional doBrasil. e dá providências para a generalização do seu uso.1941 07 14 . O plano tabular do censo de 1940. 124 da AG/CNG . primeiro censo organizado após a criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG) já apresentava no volume Brasil uma divisão em regiões fisiográficas (Norte. regionalizando conjuntos de municípios de características homogêneas. estabeleceu uma subdivisão em sub-regiões e zonas. Sul e Centro-Oeste) mas suas unidades federadas ainda eram apenas subdivididas em municípios. 225 da AG/CNE . Novas determinações da assembléia geral do CNG durante o início dos anos 40 orientaram estudos para demarcação de zonas fisiográficas nas unidades da federação. ainda que incipiente. Nos censos de 1950 e 1960 as regiões fisiográficas foram mantidas. para uso da Estatística Brasileira. embora argumentando que já havia uma tendência. 1942 07 09 . e baixa provisoriamente e em segunda aproximação. Nos anos de 1967 e 1968 iniciou-se no âmbito da Divisão de Geografia os estudos para a definição da nova regionalização em espaços homogêneos e polarizados (IBGE. foi também organizado um estudo abrangente em convênio com o . 1945 07 13 . 72 da AG/CNG . Além dessas obras. 1941 07 24 . em definir regiões preferencialmente por critérios econômicos.

Olindina Mesquita). Eugênia Egler. Os Espaços Homogêneos O grupo de geógrafos que trabalhou com o esboço preliminar das regiões homogêneas foi coordenado por Pedro Pinchas Geiger. e o de espaços polarizados escrito a quatro mãos por Roberto Lobato Corrêa e Fany Davidovich são peças reveladoras do pensamento geográfico regional da segunda metade dos anos 60 (IBGE. Speridião Faissol. No caso das duas obras consideradas como iniciadoras do processo. o dos espaços homogêneos escrito por Pedro Geiger. com textos redigidos por Lysia Bernardes. 1967b). Nilo Bernardes. Fany Davidovich e Ruth Magnanini. (IBGE. Indústrias. 1968b) coordenado por uma equipe que contava com Marília Veloso Galvão (que tinha assumido a chefia da Divisão de Geografia e que estava sendo elevada a categoria de Departamento). Orlando Valverde. Essas novas questões sobre regionalização estavam na pauta da Geografia do IBGE por conta das recomendações definidas na XXIII Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia através da resolução 595 de 17 de junho de 1966 visando subsidiar uma regionalização que substituiria as regiões fisiográficas. os textos introdutórios. por conta desse projeto). Ignez Barbosa. além de terem contado com a consultoria de Michel Rochefort nas fases iniciais do processo. Edmon Nimer. Transportes. Fany Davidovich.Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) para analisar a estrutura espacial brasileira. servindo efetivamente de subsídios à institucionalização de uma nova sistematização de regionalizações levada a efeito pela Geografia do IBGE a partir do final dos anos 60. Marília Galvão. Lysia Bernardes (chefe anterior da Divisão de Geografia e que estava se transferindo para o IPEA. Atividades Terciárias e Centralidade) e praticamente envolveu todo o quadro técnico da Divisão de Geografia por dois anos. Speridião Faissol. A definição e delimitação dos espaços homogêneos foi trabalhada por um conjunto de 13 geógrafos ( Lysia Bernardes. Aluísio Duarte. O governo federal após o golpe militar de 1964 estava preocupado com a espacialização do desenvolvimento econômico e via com grande interesse pesquisas que pudessem organizar o território brasileiro ou dar subsídios para este processo. Pedro Geiger. População. Pedro Geiger e Nilo Bernardes e foram revistos por Elza Keller. Elza Keller. a . 1967a. A regionalização em espaços homogêneos servia para duas grandes vertentes a primeira objetivando o planejamento governamental em áreas com as mesmas características. O Subsídios à Regionalização trabalhou com sete segmentos dos estudos geográficos passíveis de serem regionalizados (Quadro Natural. Regiões Agrícolas. Roberto Corrêa. Pedro Geiger.

semelhantes. depressão Periférica Setentrional. possivelmente sobre orientação direta de Speridião Faissol. podendo ser componentes do relevo (Microrregiões Encosta Ocidental Paulista.segunda garantindo uma perfeita compreensão espacial do território nacional através da divulgação dos dados estatísticos pela inclusão dessa regionalização no plano tabular dos censos do IBGE.. Os estudos dessa nova divisão iniciaram-se em 1987 sob a coordenação de Aluízio Capdeville Duarte e a gerência de Onorina Fátima Ferrari e adotada pelo Sistema Estatístico Nacional em 1990. de certa forma.. A antiga micro de São Paulo Estâncias Hidrominerais Paulistas tornou-se micro de Amparo (centro sub-regional). (Infelizmente esse material foi perdido no prédio da Rua Equador (Santo Cristo) em função de uma infestação de inseticida por uma dedetização mal sucedida em 1985). priorizando os centros urbanos e. Médio Amazonas. em muitos casos. Trabalharam neste projeto 15 geógrafos. Pantanais. 1964) e testou sistematicamente em campo o método Rochefort de hierarquização de uma rede a . Os Espaços Polarizados O trabalho precursor dos estudos sobre polarização foi orientado por Michel Rochefort e coordenado por Lysia Bernardes em 1964 O Rio de Janeiro e sua Região (Bernardes L. No final dos anos 80 foi iniciado outro processo de regionalização de espaços homogêneos sob nova ótica. pois suas denominações são. a micro de Encosta Ocidental da Mantiqueira Paulista tornou-se micro de São João da Boa Vista (centro sub-regional). que foi adotado pelos planos tabulares posteriores e pela nova regionalização em Meso e Microrregiões Geográficas de 1992. Baixo Jaguaribe. fazendo parte do plano tabular do recenseamento de 1991. Serra de Baturité. O município de Caraguatatuba que pertencia a micro Costa Norte Paulista tornou-se micro de Caraguatatuba e assim por diante. Alto Solimões. vales de rios ( Microrregiões Médio Rio da Velhas. Nesse período. Uma versão condensada em inglês foi publicada no livro de contribuições do IBGE à 23 Assembléia da UGI em Moscou (IBGE. o Departamento de Geografia. elaborou uma regionalização em Mesorregiões Homogêneas pelo processo de agregação de Microrregiões. justapondo-se aos trabalhos de regionalização de espaços polarizados. Chapadões do Paracatu. Alguns exemplos poderão ilustrar o problema. Chapada Diamantina Meridional). BaixoMédio São Francisco). ainda é possível perceber que a denominação de muitas micros apresentavam características ambientais que as distinguiam. 1976c :5-16). Para o recenseamento econômico de 1975. a micro de Médio Rio das Velhas tornou-se micro de Pirapora. um engenheiro encarregado do processamento de dados. vegetação ( Microgerriões Campos de Guarapuava. uma estatística.. Campos de Vacaria e Mata de Dourados). Mata de Cataguases.

1976c). com textos redigidos por Fany Davidovich. 1972). onde o capítulo de Centralidade foi desenvolvido por Roberto Lobato Corrêa (Corrêa. A ênfase da época eram os estudos baseados na teoria das localidades centrais de Walter Christaller da década de 30 na Alemanha e retrabalhada por geógrafos ingleses e americanos. Maria Francisca Cardoso. Eugênia Egler. Luís Antônio Ribeiro. a influência de Rochefort foi sendo gradativamente substituída pelos trabalhos da escola anglo-americana. para elaborar o diagnóstico Esboço Preliminar de Divisão do Brasil em Espaços Polarizados. João Rua.1968). mas concluído por Elza Keller. ∗ a . Cléa Sarmento Garbaio e mais três geógrafos. Lenice Araújo. 1967b). que foi responsável pela compatibilização dos estudos e dos mapeamentos finais e pelo texto introdutório. Na década de 70. Os dois geógrafos que mais estudaram essas metodologias foram Roberto Lobato Corrêa e Aluízio Capdeville Duarte coordenando uma equipe com uma socióloga. inclusive com proposições metodológicas mais novas (IBGE. Sônia Alves de Souza. quando da edição do segundo grande trabalho deste segmento. A mudança de enfoque é bem percebida. Elisa Mendes de Almeida. Hilda da Silva. Edmon Nimer. Os estudos sobre espaços polarizados tornaram-se prioritários durante meados da década de 70. Ney e Lourdes Strauch e Maria Thereza Bessa de Almeida. Rosa Fucci. No projeto trabalharam além de dos dois. José César Magalhães (energia) e Fany Rachel Davidovich (urbana). com estruturação de grupos de trabalho específicos. (IBGE. Dulce Alcides Pinto. Olga Maria Buarque. Ruth Magnanini. Marta Regina Brito. também coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Hilda da Silva e Maria Rita Guimarães (Regional). Elizabeth Gentile. Maria Emília Castro Botelho. Coordenado por Pedro Geiger nas primeiras fases das formulações metodológicas.urbana e delimitação de seu espaço de influência. Maria Tereza Bessa e Pedro Geiger (IBGE. Jacob Binsztok. coordenados por Pedro Geiger. o Divisão do Brasil em Regiões Funcionais Urbanas (IBGE. Aluízio Capdeville Duarte. Ceçary Amazonas. Uma versão em inglês desse trabalho foi incluída no livro de contribuições do IBGE a 23 Assembléia Geral da UGI em Moscou. Ignês Teixeira Guerra.1967b) e também no projeto do Subsídios à Regionalização (IBGE. Roberto Lobato Corrêa. reuniu um grupo de 24 geógrafos. 1976)∗. A influência de Michel Rochefort é claramente sentida nas primeiras fases neste segmento do trabalho geográfico (IBGE. trabalhando com os espaços polarizados em escala nacional. em escala nacional. 1976 . Írio Barbosa. A regionalização em espaços polarizados passou a suprir uma demanda do planejamento estatal na definição de pontos no território que seriam mais dinâmicos que outros. O segundo grande projeto neste campo. 1968b). Carlos Alberto serra. mais sete geógrafos de várias especialidades como Amélia Alba Nogueira (geomorfóloga).

. Cleber de Azevedo Fernandes. gerou a terceira fase da divisão de espaços polarizados brasileiros realizada pela Geografia do IBGE o Região de Influência das Cidades. que ao estabelecerem essas novas redes de estabelecimentos. Este esforço metodológico. Maria Rita La Rocque. quando se aposentou. Luís Alberto Nascimento. Lourdes Strauch. na fase final entre 1997 / 1998 e contou com uma equipe de 8 geógrafos (Aurélia Lopes da Silva. A última fase dos estudos de espaços polarizados data da década de 90 foi trabalhada por uma equipe coordenada por Marília Carvalho Carneiro entre 1993 e 1997. João Baptista ferreira de Mello. Onorina Ferrari e Sulamita Hammërli e um economista Ruben Magalhães. O’Neill. acabou sendo muito utilizado como referência em função de seus mapas e suas tabelas de ordenação dos centros por muitas agências governamentais e organizações privadas. tornaram-se os carros chefe das atividades de distribuição varejista. coordenado por Roberto Lobato Corrêa e tendo como equipe técnica 14 geógrafos. altos estágios de urbanização comandada pelo setor terciário: com a expansão do comércio. para uma urbanização sustentada pela industrialização na década de 70 e alcançando na década de 90. e por Luiz Alberto dos Reis Gonçalves. mais a assessoria computacional da Diretoria de Informática do IBGE através da analista Viviane Narducci Ferraz que organizou os dados. e pela ampliação do setor de serviços. Luiz Carlos de Carvalho Ferreira. Rogério Botelho de Mattos. As Análises Regionais Será igualmente importante abrir um espaço para a descrição dos trabalhos que. pela proliferação dos centros de compras (shopping centers) e pelo avanço do processo de franquia de produtos (franchising). O trabalho está em fase de publicação. mas somente foi publicado em co-edição com o Ministério de Habitação e Urbanismo em 1987 (IBGE / MHU. João Baptista de Mello. 1987). Helena Zarur Lucarelli. 1976b). humanas e econômicas das regiões estabelecidas. Maria Thereza Bessa de Almeida. Solange Cardoso Barros. onde as atividades financeiras assumiram a liderança do segmento. gerando as tabelas de ordenação dos centros urbanos.mas com algumas leituras de franceses como o economista Charles Boudeville e o geógrafo Etienne Juillard. analisavam algumas características físicas. Ayrton Almada. que pode ser avaliado no segundo artigo do grupo (IBGE. A evolução dessas quatro fases na determinação das principais redes urbanas do Brasil mostrou a transformação de um país ainda agrário na década de 60. Maria Mônica Vieira C. Nilo David Mello. O trabalho. Aluízio Capdeville Duarte. Eliane Ribeiro da Silva. concluído em 1983. Estácio Arruda. após o estabelecimento do processo de regionalização. Agustinho Rocha. mas já é possível ter acesso a ele na base de dados do IBGE. Lúcia de Oliveira.

Transportes. iniciou-se em 1959. O segundo volume da série. Hidrografia. População e PovoamentoCatharina Vergolino Dias e Manuel Maurício de Albuquerque.A primeira coleção de análises denominou-se Divisão Regional do Brasil e foi elaborada entre 1948 e 1950 ( Centro Oeste-1948. era também um especialista de Geomorfologia da Amazônia.Catharina V. O segundo projeto de análises regionais.Antônio Teixeira Guerra e Orlando Valverde. É interessante perceber que apesar de estar em pleno período da luta entre os grupos Zarur (já falecido em 1957. De certa forma essa coleção foi a primeira a ser realmente considerada como uma obra geográfica para o grande público. Estrutura Econômica e Regime de Propriedades. mas já sobre outras bases. Fitogeografia da região amazônica. publicado em 1960. mas substituído por Speridião Faissol na Direção do CNG) e Fábio. mostra bem o aproveitamento da mão de obra técnica daquela época no CNG. que além de estar no comando da Divisão de Geografia do CNG. Solos e Utilizações Agrícolas. Nordeste e Sul-1949. Eram obras pequenas que enfatizavam uma subregionalização nas regiões estabelecidas pelo estudo de Fábio de Macedo Soares Guimarães e que não apresentavam nenhuma indicação de autoria pessoal.Antônio Teixeira Guerra. principalmente para o segmento educacional de segundo grau e universitário. Indústria Extrativa. sobre a região Norte foi fortemente influenciado pelas informações geradas ainda pela Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e foi organizado por Antônio Teixeira Guerra. o trabalho era feito por quem possuía melhor qualificação. a participação de Orlando Valverde numa co-autoria com Antônio T.José César de Magalhães. Apesar das inimizades. Suas análises caracterizavam igualmente os aspectos físicos. Geologia.Marília Velloso Galvão.Edgar Kuhlmann.Catharina V.Félixberto Camargo e Antônio Teixeira Guerra. Relevo e Litoral. Organização SocialCatharina V.Antônio T. Clima. A estrutura dos capítulos estava assim organizada: Introdução.Lúcio de Castro Soares. trabalhou com a região Centro Oeste e foi organizada por Marília Vellozo Galvão e sua estrutura de capítulos estava distribuída da seguinte maneira: . uma paraense que conhecia muito bem sua região no que dizia respeito aos aspectos de ocupação econômica e ao ambiente cultural. humanos e econômicos desses sub-espaços. Agricultura. Seu primeiro número de 1959. Guerra e Energia. O exemplo de Catharina. Dias. Vegetação.Arthur César Ferreira Reis. Guerra é importante para estabelecer separações entre os problemas de ordem pessoal e o institucional. Dias. Dias e Carlos Goldemberg. Leste e Norte-1950). pois sua estrutura editorial contemplava coordenadores de projeto (cada livro de uma região era um projeto fechado) e equipes de autores que recebiam crédito autoral por capítulo organizado.Catharina Vergolino Dias e Antônio Teixeira Guerra.

Povoamento. Energia. Agricultura. Implantação Industrial.Alceo Magnanini. A estruturação do Tomo I estava assim distribuída: .Elvia Roque Stefan. Sua estruturação estava assim apresentada: Introdução. Vegetação.Elvia Roque Stefan. A região Leste foi editada em 1965.Elvia Roque Stefan. O terceiro.Maurício Coelho Vieira.Edgar Kuhlmann. Clima.Ney Rodrigues Inocencio. José César Magalhães e Maria da Glória Hereda.José César de Magalhães.Introdução. Geomorfologia.Manuel Maurício de Albuquerque. Formas de Povoamento Rural. Recursos Extrativos MineraisMarília Veloso Galvão e Aluízio Capdeville Duarte. José Henrique Millan e Maurício Coelho Vieira. Energia. Pecuária. Pecuária. A estruturação dos capítulos era: Relevo. Ocupação Agrícola.Olga Maria Buarque de Lima. Brasília: a nova capital. analisando separadamente o espaço correspondente ao Meio Norte e teve dois organizadores. Extrativismo Vegetal.Marília Veloso Galvão e Edmon Nimer.Speridião Faissol. População.Ney Julião Barroso.Dulce Maria Alcides Pinto.Pedro Pinchas Geiger. Hidrografia.Elvia Roque Stefan.Ariadne Soares Souto Mayor. estudou a região Nordeste. Agricultura.Olindina Vianna Mesquita.Antônio Luís Dias de Almeida.Ney Rodrigues Inocêncio. Indústria Extrativa Animal. o Tomo I que enfocava a parte física foi organizado por Delnida Martins Cataldo e Aluízio Capdeville Duarte e o Tomo II sobre a parte humana e econômica coube a Aluízio Capdeville Duarte. de 1962. População. Botelho. Indústria Extrativa. Organização Urbana.Marieta Mandarino Barcellos. Estrutura Urbana.Lindalvo Bezerra dos Snatos.Maria Magdalena Vieira Pinto.Lilia Camargo Veirano.Maria Magdalena Vieira Pinto e Transporte. Clima. Hidrografia-Carlos C.Elvia Roque Stefan. Hidrografia. Litoral – Interior. Núcleos Urbanos. a região Sul foi editada em dois volumes separados.Fany Haus Martins.Marília Galvão. Atividades Agropastoris. Povoamento.José César de Magalhães e Grandes Eixos de Circulação. Vegetação. tendo como organizadores Maria Rita da Silva Guimarães e Aluízio Capdeville Duarte. Extrativismo Vegetal. já sob a chefia de Lysia Bernardes na Divisão de Geografia. Vegetação.Maria Magdalena Vieira Pinto. Transporte. Maria da Glória Hereda e Alfredo Porto Domingues. Em 1968.Jorge Xavier da Silva.Amélia Alba Nogueira.Celeste Rodrigues Maio e Alfredo Porto Domingues.Lilia Camargo Veirano. Indústria Extrativa Mineral.Lindalvo Bezerra dos Santos.Aluízio Capdeville Duarte.Haidine da Silva Barros.Maria da Glória Hereda. Clima. População e PovoamentoManuel Maurício de Albuquerque. já com Marília Veloso Galvão chefiando o novo Departamento de Geografia.José Carneiro Felipe Filho.

Alfredo Porto Domingues.Nilo Bernardes. O Tomo II estava dividido em: Povoamento. mas não ganhou o ∗ Vegetação. Strauch e Maria da Glória Hereda. Elza Coelho de Souza Keller.Dora O nome verdadeiro é Rivaldo Pinto de Gusmão . toda editada em 1977. CirculaçãoEloísa de Carvalho Teixeira e Redes Urbanas. considerada como um referencial bibliográfico importante nos cursos de Geografia durante as décadas de 60 e70. mas que nesse caso. Amarante Romariz e Solos.Dora Amarante Romariz. já comentada na Parte II.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.Elza Coelho de Souza Keller. trabalhou no subcapítulo Características Estruturais das Cidades utilizando uma análise fatorial para definir uma tipologia urbana da região. Atividades IndustriaisIgnês Costa Barbosa. Orlando não escreveu tal sub-capítulo e Rivaldo Pinto Guimarães∗ o fez. A análise da agrária trabalharia com a estrutura das microrregiões e a urbana com os municípios.Introdução. Clima. Maricato. Atividades Agrárias. inclusive com a introdução de alguns que refletiram as mudanças que estavam ocorrendo na economia brasileira foi o principal legado dessa coleção. HidrografiaOlindina Viana Mesquita. O planejamento e coordenação da coleção ficou sob a responsabilidade da chefe do Departamento de Geografia (DEGEO) Marília Veloso Galvão que nomeou um grupo de geógrafos da Velha Guarda como coordenadores temáticos de toda a coleção. Geomorfologia. A coleção seguinte.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. uma geógrafa que nunca se mostrou encantada com as novas técnicas. onde as duas correntes quantitativistas e não quantitativistas empreenderam uma luta surda na estruturação dos sumários das regiões e que acabou numa solução de compromisso onde sempre dois capítulos (agrária e urbana) teriam uma análise fatorial e de grupamento visando explicar suas estruturas espaciais. Lindalvo Bezerra dos Santos. um de sistema urbano da Região Norte redigido por Catharina Vergolino Dias . A melhor prova dessa luta pode ser vista em dois exemplos de capítulos da coleção. Maria Magdalena Vieira Pinto e Pedro Pinchas Geiger. A variedade de temas. No caso do capítulo Atividade Agrária da Região Sul. Lúcio de Castro Soares. População. a escolha de Orlando Valverde conflitou diretamente com a orientação de que os capítulos de agrária teriam um sub-capítulo denominado Organização Agrária ou equivalente que trabalharia com uma análise fatorial.Ariadne Soares Souto Mayor.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. foi a grande obra de referência da fase dos métodos quantitativos.Aluízio Capdeville Duarte e Armely T. Lourdes Manhães M.

de Castro Botelho.Edmon Nimer. Sistema Urbano. que pode ter ocorrido em assuntos que tiveram muitos autores nos cinco volumes. de Sá Távora Maia. mas infelizmente. A importância dessa coleção se deveu em mesclar diferentes enfoques para explicar as profundas modificações por que estava passando o espaço brasileiro na década de 70. Mesquita. somado ao grande tamanho dos volumes afastaram a maior parte do público alvo.Rosa Maria Fucci. de Souza Keller. Profissionais como a geomorfóloga Amélia Alba Nogueira. C. Vegetação. C. Energia.Solange Tietzmann Silva. o estigma da quantitativa.Myrian Guiomar G. professores e alunos do nível superior. Hidrografia. HidrografiaElvia Roque Steffan.Ruth Lopes da Cruz Magnanini.Elza Coelho de Souza Keller. p. de Souza Keller. Mesquita.Edmon Nimer. mas deu todo o apoio.Catharina Vergolino Dias. Clima. A estruturação de sumários e de autores foi assim apresentada: Região Norte Relevo.C. Alonso.Maria Terezinha A.Lúcia de Oliveira. Alguns tornaram-se clássicos como o do Sudeste. Energia. Atividade Agrária.Edgar Kuhlmann. sem os riscos de gerar certos caleidoscópios de pontos de vista. O crédito de autoria dessa parte foi colocado nas notas de referência (IBGE.crédito de co-autoria no capítulo. o especialista em energia José César de Magalhães trabalharam sobre seus assuntos em praticamente todos os volumes (César só foi substituído por Rosa Fucci no volume do Nordedeste. 1977e. Vegetação.Amélia Alba Nogueira. o climatólogo Edmon Nimer. como seria normal. Clima.José César de Magalhães.Elza C.Carlos de Castro Botelho. Região Nordeste Relevo-Amélia Alba Nogueira. principalmente pelos capítulos de População organizado por Elza Keller. Isso representou para esses assuntos.Edgar Kuhlmann.Maria Teresa Bessa de Almeida e Elvia Roque Steffan. Vegetação.Hilda da Silva e Maria Emília T. Clima. Transportes. População. IndústriaDulce Maria Alcides Pinto e Mitiko Yanaga Une.Elza C. Atividade Agrária. População. uma visão integral do Brasil. População. 403).Myriam G.Edmon Nimer.José César Magalhães. Transportes. Transportes. Atividade Agrária. Região Sudeste Relevo. Energia. Indústria. . o de Indústria de Fany Davidovich e o do Sistema Urbano de Olga Buarque de Lima e Roberto Lobato Corrêa. pois Rosa era uma espécie de assistente sua). HidrografiaLúcio de Castro Soares. Sistema Urbano.Maria Elisabeth C.Amélia Alba Nogueira.

Região Sul Relevo. Transportes. pois havia após 1985. Cada volume teria um coordenador geral e um encarregado das análises do quadro natural. sendo concluído por Olga Buarque de Lima. Clima. a partir de um planejamento anual definido pelo DEGEO e tendo como organizadora da coleção Solange Tietzmann Silva.Olga Maria Buarque de Lima e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa.Olindina Vianna Mesquita. de Souza Keller e Ruth L.Indústria.Edmon Nimer. População. Elvia Roque Steffan e Ayrton Teixeira Almada.Armely Therezinha Maricato e Onorina Fátima Ferrari. na chefia do departamento. Energia.Fany Rachel Davidovich. Souto Mayor. O volume do Sul foi coordenado por Olindina Vianna Mesquita e o do Norte.Maria Therezinha Alves Alonso.Ney Rodrigues Inocêncio.José César Magalhães. as edições foram publicadas a medida que iam sendo terminadas. Vegetação. Região Sul (1990) e Região Norte (1991). e os não publicados Nordeste e Sudeste. Vegetação.Maria Theresa Bessa de Almeida. que faleceu em 1990. na primeira fase por Sulamita Machado Hammerli. Strauch.Elza C.José César de Magalhães.Lourdes Manhães de M.Lindalvo Bezzerra dos Santos. Indústria. Indústria.Ney Rodrigues Inocêncio. População.Amélia Alba Nogueira e Gelson Rangel Lima. Porém os volumes das demais regiões foram editados a tempo.Ruth da Cruz Magnanini e Ariadne S.Edmon Nimer. que foram incorporados ao IBGE nas primeiras fases do governo de José Sarney. Hidrografia. Sistema UrbanoAluízio Capdeville Duarte. que iria também coordenar os demais volumes. um Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente (DERNA) enriquecido com técnicos vindos do RADAM BRASIL.Ruth Simões Bezerra dos Santos. Hidrografia. Região Centro Oeste Relevo. Da mesma forma que a coleção da década de 60.Amélia Alba Nogueira. Atividade Agrária∗ Orlando Valverde (Rivaldo Pinto Guimarães ). Atividade Agrária. Sistema Urbano. . ∗ O nome correto é Rivaldo Pinto de Gusmão. que tornaram-se anacrônicos em relação aos dados do censo demográfico de 1991. Sistema Urbano.Maria Rita da Silva Guimarães. O primeiro volume lançado foi o da Região Centro-Oeste coordenado por Aluízio Capdeville Duarte em 1989 e tendo como coordenador das análises do quadro natural Trento Natali Filho. Energia. Clima. da Cruz Magnanini. A última coleção da Geografia do Brasil ficou inacabada em virtude de problemas de editoração que atrasaram demasiadamente a publicação dos volumes do Nordeste e Sudeste. Transportes.

nos anos do pós-guerra (Zarur. As análises regionais que enfocaram espaços uma escala de maior detalhe. . em convênio entre o IBGE e o National Planning Association. em virtude da grande evasão para a aposentadoria ocorrida nos anos 90.O volume da Região Nordeste foi coordenado por Maristela de Azevedo Brito e o do Sudeste teve dois coordenadores. podem ser exemplificadas pelo detalhado trabalho de Jorge Zarur. mas não entraram em processo de editoração nesses anos. através do Inter-American Regional Resourses Project de Washington. 1952). 1947). mas a falta de técnicos especializados para cuidar dos capítulos.1952). Ambos foram concluídos entre 1992 e 1993. Foram trabalhos clássicos. que envolveram vários segmentos da Geografia e que ainda dão uma visão privilegiada das áreas estudadas. o de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. quando comparados aos dados do censo de 1991. e com isso tornaram-se defasados. os estudos da zona de influência da Cachoeira de Paulo Afonso. 1954) e pelo estudo de Orlando Valverde na zona da mata de Minas Gerais (Valverde. o de Carlos de Castro Botelho sobre a zona cacaueira do sul da Bahia (Botelho. Helena Zarur Lucarelli e Roberto Schmidt de Almeida. sobre a Bacia do Médio São Francisco. 1958). em virtude de problemas com a editoração do censo. em conjunto com técnicos do Ministério da Agricultura e coordenado no âmbito do CNG por Lindalvo Bezerra dos Santos (IBGE. Foi tentada uma atualização dos dados em 1994. acabou por inviabilizar o projeto.

características originais do habitat urbano. quantitativos. Por hora. 1949) Para Max Sorre . e que com isso. marxistas. por influência de Michel Rochefort. (Sorre. É válido também considerar. O problema é antigo e não somente brasileiro. que o forte enfoque econômico adotado por uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a década de 60. asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses .1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal . 70 e 80 . ser mais discutida do que efetivamente trabalhada. devemos ter em mente. tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1. com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo. em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). os estudos sobre o habitat e o processo de ocupação rural foram gradativamente perdendo força durante a década de 60 e totalmente abandonados nas décadas seguintes. que ocorreu após 1956. é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 . tecnocratas ou o nome que se queira dar. pois grandes alterações já eram pressentidas por ele.as formas mais evoluídas da habitat urbano . em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no pós guerra. Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão. por estarem agregados aos dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ). Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos. tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ). 2. o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat. e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache ( 1845. Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil. Max Sorre já havia percebido que a noção de gênero de vida. viraram as costas para a Geografia Física.as grandes cidades.a relação Sociedade / Meio.as formas de transição. Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90. encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano. que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil. também tenha contribuído para esse abandono.Ocupação do Território e Habitat Considerado um tema prioritário para o IBGE durante a Segunda Guerra e nos anos 50. do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante. 3. e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra.habitat urbano e 4.habitat rural. em virtude dos fortes componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos.2 .

Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana. No entanto. A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante. desde o século XVIII. III. instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e a organização social de um grupo.1967). que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913: “A Geografia. que se inspira na idéia de unidade terrestre. o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês.fenômenos de ocupação improdutiva do solo ( casas e caminhos ) 2. Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que.fenômenos de economia destrutiva ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) . escrito nos anos 50. Traces of the Rhodian Shore. em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1. segundo sua localização. cap. Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida.fenômenos de domínio sobre plantas e animais ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3. se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. . originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes.elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos. tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre. A principal ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”. Albert Demangeon e Maximilien Sorre ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat). Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida. com vistas ao seu sustento cotidiano. Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902. Buttimer (1980:61) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris. ver Brunhes (1962. considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken. Glacken. a aparência da terra adota”.IV e V).

Sorre e Deffontaines. indo além dos puramente morfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter.Para Buttimer (1980:86). que faz uma interessante costura desses elementos. sem dúvida. Gradmann e Meitzen. tecnológicos que rege a convivência humana. na segunda parte do livro denominada: É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro.” Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional. Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos. Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso. fórmula que. a Geografia francesa deve a ele . no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat. No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE. em paralelo à morfológica. Da Casa à Região ( ) e regiões. ritmos de trabalho. além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939. Seus trabalhos sobre migrações modernas. difusão de doenças. é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição. as do francês Francis Ruellan. turismo. aldeias.1980). dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer . Sua preocupação com os aspectos funcionais. foram durante o início dos anos 40. para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon. espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre. reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema. ser verificado na obra de Armand Fremont. Muito embora. pode Fremont. as figuras mais importantes que introduziram esse estudos. Dos três. Suas investigações substantivas sobre doenças. O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa. 1942). aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ).. tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo.. densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos.. inspirou as posteriores investigações de Demangeon. Seu sistema classificatório de aglomerado. 1949). “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa. que era corrente na época. culturais. e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional.

um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra. Os Estudos Clássicos sobre Habitat Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa. Na década de 70. Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico. além de um assunto muito especializado. Dessas figuras. encarada aqui em seu sentido mais amplo. A Geografia do IBGE produziu uma grande quantidade de trabalhos que poderiam ser classificados em cinco grandes grupos. Preston James estudou. discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e . Clarence F. 1955). Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo. 1960). o problema de colonização.além dos americanos Robert Platt. Nesse grupo. sua vinda em 1946. Clarence Jones e Preston James também trabalharam com o tema colonização. Lynn Smith. os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas. somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros. tanto no título quanto no conteúdo. alguns geógrafos regionais. explicitamente. que trabalha com certas características do habitat para determinação de setores censitários nos recenseamentos demográficos e agropecuário. é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que. a mais importante foi Leo Waibel. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida ( Waibel 1949). que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James. criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida. 1994: 440). em períodos diferentes. Os americanos. fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural daquela região (Guerra. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. Jones e Preston James ( Pereira. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. trataram do tema. e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers . uso da terra e gênero de vida. Merece também destaque o trabalho de Nilo Bernardes (1957) por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). pode ser entendida como uma ação de planejamento do governo federal visando o conhecimento de novas áreas para uma futura onda de colonização decorrente do pós guerra. pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização. seus alunos em Winsconsin.

aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos impulsionadores do povoamento.colonização européia no Sul do Brasil . que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol. sendo pois. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional no início da década de 60 com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa. Os artigos de Speridião Faissol iniciam com o seu primeiro trabalho publicado na RBG. 1949) sobre uma colônia alemã -Uvá. O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último. o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos.1952). Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia É o mais eclético e amplo de todos.1955). 1970). escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização . Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes. tratando do mesmo assunto . o trabalho mais importante é o de Leo Waibel. 1967) sendo que um deles (1952). o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers de 1953. incluindo um. que será tratado no próximo conjunto. mas mostra uma clara tendência para a relação entre a geografia agrária e os processos de povoamento e de estruturação econômica que as acompanham. que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel. Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida Esse conjunto congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. O artigo de Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel.1963) e na década seguinte (Corrêa. 1952 ).sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil. O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida. além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado. O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados. um guia de referência importante até hoje. 1949).na Região do Mato Grosso de Goiás. geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas. analisou o processo de colonização em Alagoas.o sudoeste paranaense. além do livro O Mato Grosso de Goiás. de cunho didático.que Leo Waibel havia estudado em 1949. mais recente (1967). 1952). Sem sombra de dúvida. artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951. transcrito no Boletim Geográfico .1950. 1952. (Faissol.

1957). com trabalhos que cobrem diferentes tipos de vida econômica (Valverde. o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil. 1958. esse foi o grupo que mais causou dúvidas. Na medida do possível. além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema. pesquisa realizada no município de Bofete (SP). quanto como regional. 1967). os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado. Além desses.(James. 1959). 1967). para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde. 1989). o grande clássico sobre o assunto é o livro de Antônio Cândido (1964) . ou para os aspectos culturais advindos de grupos étnicos minoritários. 1955. um explicando o que é Antropogeografia (Valverde. indubitavelmente. 1960). como por exemplo: um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes. 1968. devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat. Destaque-se também a grande produção individual de Orlando Valverde abrangendo praticamente todas as regiões do país. que o trabalho se orientasse por um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida. . Valverde e Dias. Como no trabalho de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler.além de outros em co-autoria (Valverde e Mesquita. 1957. ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. 1952) e o de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde. tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano. Os títulos de maior destaque foram dois artigos de Orlando Valverde. uma atividade rural.1957). o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes. 1961. foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo. além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde. Fora do campo geográfico.1962) são alguns exemplos representativos desses clássicos do IBGE. Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Cultural No contexto da tipologia seguida. também aparecem trabalhos que.

a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares. 1954). talvez não estivessem preocupados. Além desses. baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial. Geiger & Coelho.Estudos de Periferia Rural/Urbana A principal razão da inclusão desse grupo de estudos. já que na área urbana contínua. o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia. ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro. A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. 1968).a área periférica das metrópoles. 1959). mas mesmo assim. deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat . pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna. ver Derruau (1964: 384-87). 1956). As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância. As questões sobre loteamentos. Nesse grupo destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger. Isto é. a delimitação dos setores censitários. A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais. cristalização de hábitos rurais e resistências às mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos. o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo.1956. Nesse procedimento. 1952 e 1956. mudanças de atividades agrícolas. passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ). está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida. com esteve Sorre. Geiger & Santos. 1967). no pós-guerra. Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos. . e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok. com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala. está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações.

vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho. ou seja. . Nas justificativas as autoras colocam que. publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE. canteiros de grandes obras.. por que nas palavras das autoras : “. os limites do perímetro urbano legal. dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios.PEA ). se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais. Uma primeira limitação..No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho de Olga Maria Buarque de Lima Fredrich (geógrafa) .. 1983). que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país. para que os planejadores dos próximos. coloca em discussão o tema. “. densidade. para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios. Brito. repartição da PEA segundo setores de atividade. muitas vezes. a conceituação adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado.. a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais. cuja expansão ultrapassa. etc. A proposta deixada no artigo pelas autoras. Sebastiana Brito (socióloga) e Sonia Rocha (economista). dos assentamentos que são. nos levantamentos censitários. nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana. O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo.IBGE. dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração... que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .. de natureza urbana. o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos . Rocha. na verdade.) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa . No caso dos aglomerados isolados. Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão. A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários. de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei. (Fredrich. possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos . é sempre passível de alterações de censo para censo..” Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”.

demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. a segunda metrópole nordestina. evitando sempre que possível. José Carneiro Felipe Filho.Industrialização A Geografia do IBGE enfocando o processo industrial em escala regional inicia sua atuação com o artigo de um grupo de pesquisas coordenado por Pedro Geiger em 1963. é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente. sem sombra de dúvidas. É importante frisar que estamos tratando de estudos que operavam na escala regional ou nacional. Além de Pedro Geiger. Mas alguma exceções foram importantes. 1958). pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural. Ney Julião Barroso e Salomão Turnowski. as fotos dos arquivos do CNG dão uma incrível visão do processo de industrialização no início dos anos 60. compunham o grupo nove geógrafos. trabalhos monográficos que enfocavam um centro muito especializado. mas que foi inicialmente orientado por Michel Rochefort em 1961. resultados que pudessem ser sentidos claramente por suas economias. por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”. Maria Luiza Gomes Vicente. 1966) . Para o planejamento. Além disso. o mais completo quadro da industrialização brasileira no início dos anos 60. que no final dos anos 50 já possuía um parque bem diversificado (Santos. Uma outra exceção pode ser atribuída ao artigo de Fany Davidovich sobre a industrialização de um centro periférico à metrópole de São Paulo no início dos anos 60. . Tais políticas gerenciadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) não deram ao longo daqueles anos. (Davidovich. Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat. Ignez de Moraes Costa. O estudo trabalhava com o processo de industrialização da região sudeste e é. Jundiaí. A década de 60 caracterizou-se por uma tentativa de ampliação das políticas de descentralização industrial que visavam diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras. Maria Lúcia Meireles de Almeida. Modalidade muito comum nos congressos de Geografia. Cabendo a Fany Davidovich a redação final do artigo. Recife e Salvador. priorizando o Nordeste via adoção de incentivos fiscais para implantação de parques industriais nas suas duas maiores metrópoles. Maria Elisabeth Corrêa de Sá. 3 . José César de Magalhães. como no caso do trabalho de Milton Santos (na época professor da Universidade da Bahia) que publicou na RBG um importante trabalho sobre localização industrial na cidade de Salvador. tornando-o um clássico na modalidade. Fany Davidovich. o que garantiu uma alta qualidade ao texto.

mostrando sua ineficácia e indicando claramente a persistência das desigualdades regionais apesar do grande volume de recursos despendido na década anterior. O objetivo principal desses trabalhos era verificar o grau de concentração / diversificação do processo industrial brasileiro e comparalo interregionalmente. estadual. 1991a) e estava ligado aos padrões de localização dos pequenos e médios estabelecimentos de algumas atividades industriais do segmento regional nordestino. conforme estudado por Milton Santos em seu já clássico O Espaço Dividido (Santos. Roberto Schmidt de Almeida e Miguel Ângelo Campos Ribeiro iniciaram seus estudos pela região metropolitana de Recife (Almeida e Ribeiro. regional e nacional. 1979). 1982). Sudeste (Almeida e Ribeiro. 1976). associação que acabou por gerar um dos melhores artigos de avaliação das políticas de incentivo fiscais para a indústria no Nordeste brasileiro. a socióloga Zélia de Morais e a economista Helena Castelo Branco (Geiger et alli. 1995). Geiger et alli. levou-o a estudar o processo de concentração geográfica dos estabelecimentos industriais. 1980) e Ribeiro deu continuidade ao assunto trabalhando com a RM de Salvador para sua tese de mestrado em Geografia na UFRJ ( Ribeiro. o interesse pelos processos de localização industrial na escala de região metropolitana também levou outros geógrafos do IBGE a estudarem as relações entre localização e migração de indústrias e suas estruturas de fluxos de matérias prima e de produtos finais entre a região metropolitana alvo e as diversas escalas espaciais possíveis. Foram trabalhadas as regiões Norte ( Almeida e Ribeiro. fazendo uma comparação em dois períodos de tempo (1970 e 1980). Durante toda a década de 90 esses dois autores dedicaram-se aos estudos de localização e de tipologia industrial nas escalas regional e nacional. Mas esse tipo de análise mascarava muitos processos industriais que ocorrem em escalas mais locais e que tradicionalmente não são estudados por técnicos do governo federal. A continuidade do interesse de Pedro Geiger pelos processos industriais que estavam em curso em várias áreas do país. juntamente com mais três colaboradoras a geógrafa Ciléia da Silva. 1991a. Na mesma época. Nordeste ( Almeida e Ribeiro. . b). resultou num artigo no número especial do Caderno de Geociências dedicado à algumas análises do mapeamento do ANB. mas analisando-as num contexto regional. Um cenário alternativo a esses estudos foi tentado na Região Nordeste (Almeida e Ribeiro.No contexto das relações interdisciplinares que o IBGE tentou implementar nos anos 70 a associação entre o geógrafo Pedro Geiger e o economista teuto-americano Werner Baer no DEGEO. ao trabalharem no módulo Industrialização do Atlas Nacional do Brasil de 1992. 1995) e na escala nacional. A principal preocupação era avaliar a dinâmica espacial dessas indústrias que costumam compor o grupo de empresas do “circuito inferior” da economia urbana. local. (Baer. 1993. 1980).

Muito embora. Farinha de Mandioca. com os de industrialização. a primeira. Fabricação de Redes. as vezes. 1994). identificando-se conjuntos de municípios vizinhos. Os resultados palpáveis de uma trabalho como este deverão vir a tona com os novos bancos de dados industriais que estão sendo gestados na Diretoria de Pesquisas em substituição aos antigos censos industriais que foram interrompidos na década de 90. 1944) até os estudos sobre a constituição das Áreas Metropolitanas (IBGE.Foram analisados oito tipos de indústrias: Preparação de Fumo. Artefatos de Selaria. ou municípios isolados. gerando bases operacionais que agilizem a realização da coleta e diminuam os custos de produção dos dados. misturados com os estudos de polarização e. Açúcar Bruto e Rapadura. com perfil de especialização específico. uma análise como essa abre grandes possibilidades de se entender o que fica fora de foco em regiões de desenvolvimento incipiente. pode gerar alguma controvérsia. dispersão e a estabilidade no território nordestino. Com a denominação de Áreas Industriais: uma proposta de inovação na produção de estatísticas. e cuja estrutura produtiva é similar ou complementar. Artigos Pirotécnicos. setorialmente. 1975). economista que sempre operou no ambiente das estatísticas industriais do IBGE. Roberto Lobato Corrêa (1968 e 1989) no que tange . o mais completo trabalho interdisciplinar entre Geografia e Estatística foi levado a efeito por Evangelina Xavier G. Mas se adotar-mos uma classificação bem livre. 1969) e os que analisaram os fatores que poderiam compor as aglomerações urbanas brasileiras (Davidovich e Lima. (Davidovich e Cardoso. em nível nacional. 1982). gerando a proposta de uma espacialização. as contribuições de Nice Lecoq Müller (1968). em outros casos. geógrafa da geração quantitativa e que sempre trabalhou com essas técnicas. após um exaustivo trabalho de filtragem nos censos industriais de 70 e 80 e verificada a evolução dos seus padrões espaciais de distribuição. Aguardente. pois apresentam-se. Óleos Vegetais. 1982). possuindo um amplo domínio sobre elas. Quando comparado aos convencionais trabalhos tipológicos que operam com os grandes gêneros industriais. de Oliveira e Luisa Maria La Croix.Urbanização O que se convencionou denominar de trabalhos ligados ao estudo da urbanização brasileira na área de Geografia do IBGE. Ainda no contexto dos estudos de estrutura industrial ocorridos na década de 90. por vezes não contíguos. ( Lima Fredrich e Davidovich. 4.” (Oliveira e La Croix. será possível traçar a trajetória desses trabalhos desde os de Pierre Deffontaines sobre as cidades brasileiras (Deffontaines. que poderiam estar tendendo a concentração. A segunda. O objetivo fundamental desse trabalho era de contribuir com o Sistema Estatístico Nacional (SEN). de áreas industriais: “recortes territoriais onde é significativa a atividade industrial. foi o resultado dessa combinação de saberes.

em virtude de sua estrutura industrial que já se organizava nos municípios periféricos São Caetano./dez. 1971). as cidades da navegação.1 v. ruínas de cidades pelas via férreas. No contexto americano Chauncy Harris e Edward Ullman publicaram em 1945 The Nature of Cities que enfocava de maneira bem semelhante esse tipo de classificação – cidades como localidades centrais.1 n. o processo de ocupação do solo. sem sombra de dúvidas. ao analisar as duas maiores cidades do Brasil enfocando a posição e o sítio.3 n. p. com o título de Como se Constituiu no Brasil a Rede de Cidades que.2 n. 1965). Deffontaines também analisa o critério função. Silva que havia enfocado a Geografia dos Transportes na escala de Brasil em 11 números consecutivos (RBG v. cidades estações ferroviárias e as bocas de sertão). Santo André e São Bernardo do Campo. foi o engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal Jeronymo Cavalcanti.2 a v. 1940. posteriormente traduzido por Orlando Valverde para o Boletim Geográfico (Deffontaines. as vias de comunicações e o abastecimento. numa composição semelhante a do também engenheiro Moacir F. O que importa aqui é dar ao leitor desta saga ibegeana um quadro de referência sobre as principais linhas de trabalho da Geografia Urbana no IBGE. as cidades nas estradas: pousos. devidamente anotada por Lysia Bernardes e publicada no Beletim Geográfico 184 (Deffontaines. publicado na RBG n. continua na seguinte com A Geografia Urbana e sua . No caso de São Paulo. Deffontaines voltou a tratar do assunto especificamente sobre o Rio de Janeiro. Deffontaines produziu em 1938. as cidades mineiras. um artigo para o Bulletin de la Societé de Géographie de Lille . 1944). O geógrafo francês Pierre Deffontaines foi o iniciador desses estudos em seu artigo A Geografia Humana do Brasil (1939) no capítulo III. numa conferência pronunciada em 1959.. apresenta uma classificação de cidades brasileiras de acordo com suas funções (as reduções missionárias.4). cidades como pontos de concentração de serviços especializados. A segunda parte tratou da estrutura interna das cidades dentro dos conceitos da escola de sociologia urbana de Chicago (Harris e Ullman.4 out. as melhores avaliações sobre o tema Geografia Urbana brasileira feitos até o final do século XX.aos estudos de redes urbanas e o de Maurício Abreu (1994) que tratou dos trabalhos que operaram na escala intra-urbana são. Quando se pesquisa a estrutura de sumários da RBG verifica-se que o primeiro brasileiro a estruturar um conjunto de quatro artigos sobre Geografia Urbana nos primeiros volumes da revista. Jeronymo Cavalcanti inicia sua série com o artigo A Geografia e a sua influência sobre o Urbanismo na RBG v. Ainda sobre a questão do binômio sítio/posição. 34-46. com os seus principais produtores.2. aglomerações de origem militar. cidades como ponto de transbordo. o microclima. Ainda no campo do estudo de funções urbanas.

1 jan.1 jan./dez. plantas urbanas e arquiteturais e desenhos./mar./set. 1940 e RBG v./mar. 1942 com A Geografia Urbana e sua influência sobre o Urbanismo superficial e subterrâneo.2 n. 1945).1 jan.1 jan. e o de Águas de São Pedro produzido por Sílvio Fróis de Abreu./mar.4 out. e o de Moacir F. assistente técnico do CNG nas RBG v. 1941. inclusive organizando parte da solenidade do batismo cultural da cidade. 1941 apresenta A Geografia Urbana e sua influência no tráfego e finaliza a série na RBG v. Todos os artigos são ricamente documentados com fotos.3 n. O primeiro tratou sobre as questões ligadas à posição e ao sítio e sobre as condições morfológicas que beneficiam ou restringem a expansão urbana. consultor técnico do CNG na RBG v. A construção de Goiânia.4 out./dez. utilizando uma vasta bibliografia americana e francesa e estabelecendo comparações entre continentes.8 n.3 n. 1946 o primeiro artigo enfocando a questão da tipologia urbana como um resultado compósito de vários fatores como tamanho populacional e função. 1941).influência sobre o saneamento das cidades (RBG v. saneamento (abastecimento e esgotamento sanitário) e estrutura geológica e vegetação (suas relações com a engenharia civil e o paisagismo)./set./mar.7 n. onde o CNG teve uma importante participação. 1944. 1944) sobre comércio ambulante e as ocupações de rua no Rio de Janeiro apresenta-se como pioneiro neste campo. É claramente um precursor dos trabalhos desenvolvidos por Speridião Faissol na década de 70. Silva apresentou na RBG v. Orlando Valverde também deu sua contribuição aos estudos monográficos. para um melhor entendimento do que era considerado pelos planejadores urbanos no final da década de 30 e início dos anos 40. Tráfego (analisado sob o aspecto dos meios de transporte e da malha viária). Na escala intra-urbana o trabalho de Everardo Backheuser (RBG v. professor da USP e editada na RBG v.3 jul. foi estudada por Aroldo de Azevedo.6 n./set.6 n.1 jan./dez.3 n.3 jul. . Esta série deve ser seriamente considerada como elemento de estudos nos cursos de história da Geografia Urbana ou do Urbanismo atuais. Silva sobre as redes de distribuição de energia para a iluminação pública no Rio de Janeiro deu uma continuidade aos trabalhos anteriores de Jeronymo Cavalcanti (RBG v. analisando o desenvolvimento dessas estâncias hidrominerais. O mesmo Moacir F./mar. através de sua segunda contribuição acadêmica na revista com os ensaios sobre Pirapora e Lapa (RBG v.9 n.3 jul. 1947.6 n.4 n. os demais são artigos que enfocam a distribuição espacial dos equipamentos básicos no contexto intraurbano. Durante o decorrer da década de 40 o estudo da Geografia Urbana esteve mais ligado aos trabalhos monográficos sobre certos centros urbanos que mereciam destaque por alguma característica específica os exemplos de Caxambú e Lambari trabalhados pelo engenheiro Virgílio Correa Filho. 1944).4 out. baseados na classificação de tamanho funcional gerada pela técnica de análise fatorial. na RBG v.

3 jul./set. 1954) o processo evolutivo dessa área. Preston James. . os estudos visando a transferência da capital do Brasil para algum ponto do interior brasileiro geraram artigos que estavam mais vinculados aos aspectos regionais do que propriamente o novo sítio. Brasília. Definindo as metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. O período compreendido entre 1956 e 1968 marca uma fase de intensos trabalhos na área de Geografia Urbana. detectou cinco que tratavam especificamente do tema também escritos por ele entre 1957 e 1964. pois geraram muita polêmica no contexto das relações do IBGE com a Presidência da República. Seus trabalhos de total ligação com a Geografia urbana e industrial podem ser percebidos nas análises do processo de urbanização da Baixada Fluminense em seus setores da orla oriental da Baía de Guanabara (Geiger. no entanto será importante citar os artigos de Christóvão Leite de Castro sobre o processo (Castro. formados por Pierre Deffontaines nas fases iniciais. já insere algumas questões relacionadas ao espaço peri-urbano. além e de receberem freqüentemente visitas técnicas de pesquisadores especializados (Emmanuel de Martonne. a maioria com treinamento especializado em universidades no exterior (França e Estados Unidos). além de um capítulo sobre a mais nova experiência urbana brasileira da época. e em co-autoria com Myriam Gomes Coelho (Geiger e Coelho. Para se ter uma avaliação aproximada de seu poder de produção geográfica. Geiger edita pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais o clássico Evolução da Rede Urbana Brasileira. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. treinados Francis Ruellan desde 1940 e por Leo Waibel entre 1945 e 1950. Pierre Dansereau. 1946 e 1947). 1952). 1956) ao tratar de estudos rurais. Jean Tricart e outros). listou 10 trabalhos de Geiger realizados entre 1952 e 1963 e Roberto Corrêa (1968) ao avaliar os estudos sobre redes urbanas no brasil até 1965 no mesmo Simpósio. Em 1963.1956).16 n. o mais completo trabalho sobre o processo de urbanização brasileiro feito nos anos 60. 1956 ) e na região setentrional (Geiger. Na década de 50 iniciam-se as contribuições de Pedro Geiger enfocando ainda um contexto peri-urbano na Baixada Fluminense com o trabalho sobre loteamentos (Geiger. analisa com a co-autoria de Ruth Lyra Simões (RBG v. Nice Lecocq Müller (1968) ao avaliar o estado da arte ds estudos de Geografia Urbana no Brasil durante o Simpósio de Geografia Urbana do IPGH. Clarence Field Jones. quanto a tipologia. realizado em Buenos Aires em 1966. O XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro chamou a atenção da comunidade internacional da Geografia para uma agência de planejamento estatístico e territorial que possuía uma equipe de profissionais de alto nível.Na segunda metade da década de 40. Com um sumário que abrangia tanto o processo. mas que também cobria todo o espectro das grandes aglomerações urbanas brasileiras em termos de exemplos. além de correlacionar explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. naquele período.

A produção de Maria Francisca na Revista Brasileira de Geografia enfocando os estudos urbanos inicia-se na década de 50.MG (Cardoso.4 out. e em particular com os estudos das relações entre cidades e suas regiões de influência.4 out. 1965) e um específico de intra-urbana sobre a feira de Caruaru (RBG v. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. 1967). juntamente com Pedro Geiger. Roberto explicita quem foram seus principais orientadores e referências metodológicas. 1979).. com um trabalho sobre a cidade de Cataguases ./mar. o primeiro projeto de delimitação das regiões funcionais urbanas de 1972.1 jan..Um dos geógrafos que passou a trabalhar com a equipe do CNG nos estudos de urbanização foi Michel Rochefort. A vinculação de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa com a Geografia Urbana. deste conjunto destacam-se três. O trabalho sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (Bernardes L. . Elza Coelho de Souza Keller que em 1969 publicou um artigo sobre as funções regionais e a zona de influência da cidade de Campinas (RBG v.25 n.4 out. após um período trabalhando com Geomorfologia. isso foi no período de 59 a 62. trabalhando em análise regional e aposentou-se em 1991. Maria Francisca Cardoso trabalhou também na área de divulgação de assuntos geográficos e orientou a estrutura de cursos de aperfeiçoamento durante o início dos anos 80.1964) é. 1969) e que também coordenou. 1963) e Carauaru (RBG v. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano./set./mar.32 n. principalmente no que se referia aos processos de determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional. “ Olha eu devo meu crescimento para profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. trabalhando com a técnica de mercados mínimos para medir desequilíbrios intra-regionais (RBG v.31 n. inicia-se na década de 60.27 n./jun. 1970) e no final da década em Minas Gerais. retorna as pesquisas urbanas na década de 60 com dois trabalhos sobre área de influência de cidades médias nordestinas Campina Grande (RBG v. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lysia Bernardes. 2 abr./dez. a mais importante pesquisa feita nesse período. sobretudo a ela.29 n. deixou um legado de formação de técnicos e de adoção de metodologias nos estudos urbanos e industriais que ainda não foi totalmente substituído. Em seu depoimento para esta pesquisa.41 n. através da avaliação do setor terciário das cidades envolvidas. retornou à pesquisa geográfica. sem dúvida. No campo dos estudos das relações campo-cidade alguns geógrafos também foram importantes.1 jan..17 n. dois que trabalharam sistematicamente no assunto: Maria Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e a terceira. no contexto de pesquisas que adotaram o método de Michel Rochefort de avaliação de redes urbanas.3 jul. RBG v. usando os ensinamentos de Michel Rochefort ( 1957 ) no trato de questões sobre sistemas de cidades./dez./dez 1955). Na década de 70 trabalha com planejamento de polos de desenvolvimento no Nordeste (RBG v. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. Sua colaboração com Lysia Bernardes e Pedro Geiger na década de 60.

mas ele mesmo foi o seu mais completo avaliador. a de “Planejamento Urbano”. 1989:113). fizeram-na germinar” Sua produção pode ser avaliada de várias formas./mar. Tempo e Cultura). A Milton Santos. uma coletânea de seus principais trabalhos em segmentos de pesquisa da Geografia (Redes. o que a Lysia fazia sob orientação do Michel Rochefort. ao elencar algumas linhas de pesquisas que...De certa forma.29 n./jun. deveriam ser objeto de estudos no futuro (Corrêa. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. meu foco de interesse já havia mudado desde 196l. a “Tradicional” de inspiração francesa. no final dos anos 60.3 jul. um no final dos anos 60 (Corrêa. na fase “Marxista”. Estudos Básicos para a Definição de Pólos de Desenvolvimento no Brasil (RBG n.1 jan. Espaço e Empresa e Espaço. 1997). coroando sua vida profissional. eu já acompanhava de perto e namorando. dos anos 60. foi também mostrada na epígrafe do seu segundo artigo de avaliação da produção geográfica sobre redes urbanas (RBG v. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA). orientada por Brian Berry Variations in Central Place System: ana analysis of the effects of population densities and income levels em 1974 na fase “Quantitativa” e Repensando a Teoria das Localidades Centrais na coletânea Novos Rumos da Geografia Brasileira.. o capítulo Sistema Urbano do volume Região Sudeste de 1977 em co-autoria com Olga Maria Buarque de Lima e sua tese de mestrado em Chicago. Região. ./set. paralelamente. Seus principais trabalhos em cada dessas fases foram Cidade e Região no Sudoeste Paranaense (RBG v. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. entre 1956 e 1964. a seu ver. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lysia Bernardes sem a menor dúvida. Espaço Urbano. Lysia Bernardes. também de inspiração francesa sob a orientação de Michel Rochefort.51 n. ao ter elaborado dois trabalhos de análise do “estado da arte” sobre o tema de redes urbanas. 1989). 1988) e. 1968) e outro no final dos anos 80 (Corrêa. e também propositivo. outro. Outra constatação sobre essas influências. A principal característica da trajetória profissional de Roberto Lobato Corrêa na Geografia Urbana brasileira foi sua total inserção nas quatro correntes metodológicas por que passou a Geografia Urbana no IBGE.. de enfoque analítico sobre as diferentes abordagens dos estudiosos ao tema.32 n. quando eu fui trabalhar com Lysia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. 1970) na fase “Tradicional”. com a publicação do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa. 1967) em coautoria com Rubens de Mattos Ferreira do EPEA. a “Quantitativa” de inspiração anglo-americana dos anos 70 e a “Marxista” dos anos 80. na fase de “Planejamento Urbano”. Fany Rachel Davidovich e Pedro Pinchas Geiger.2 abr. organizada por Milton Santos em 1982. Pedro Geiger e Elza Keller que. “A Monbeig e Rochefort que lançaram a semente.

trabalha com redes urbanas no Nordeste em dois momentos distintos (RBG v.43 n.3 jul./dez. Uma linha de pesquisa altamente promissora.38 n.33 n./set. Miguel Ângelo Ribeiro aposentou-se em 1999 e atualmente leciona na UERJ.3 jul.2 abr./mar.1jan. que tendiam a explicar em termos mais políticos do que técnicos os processos de urbanização./jun./mar./jun.29 n. Fany ingressou no IBGE em 1943 e afastou-se em 1945 ao casar-se. . v. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira no IBGE em 1959 e aposentou-se em 1993. e o segundo foi Fany Rachel Davidovich. v.1967). 1976.Num de seus últimos trabalhos publicado na Território .44 n. 1978. v.1 jan. (RBG v./jun. v.1 jan. alguns trabalhos teóricos e de orientação de políticas sobre o processo de urbanização. 1983. O primeiro foi Speridião Faissol e sua equipe. 1987.1 jan.36 n./mar. com um artigo em co-autoria com Pedro Geiger Aspectos do Fato Urbano no Brasil. v.2 abr./set. juntamente com Olga Buarque de Lima e Maria Francisca Cardoso elaboram o projeto de aglomerações urbanas (RBG v./mar. trabalhando a justaposição de três tipos de redes: a rede do centros de produção.45 n./jun.2 abr. sobre a rede urbana da Amazônia.23 n. transita pelos estudos de Geografia industrial em 1966. A área de análises sobre o processo de urbanização foi a arena de dois profissionais que produziram dois tipos de trabalhos bem distintos.37 n. estuda os fluxos de bens e pessoas no processo de regionalização urbana (RBG v.49 n. 1977.40 n. abrindo com isso canais de comunicação mais efetivos entre as áreas de planejamento urbano situadas em agências como o SERFHAU ou o Ministério de Urbanismo e o IBGE. analisando o papel complementar das pequenas cidades na composição das redes urbanas e exemplifica certas áreas no Brasil. elabora paralelamente.4 out. 1986. v. 1971 e v. tanto para trabalhos no âmbito do IBGE. 1998).2 abr./jun./dez. 1969)./mar. 3 jul. 1975. 1961). A produção técnica de Fany na RBG inicia-se em 1961. apoiados em técnicas quantitativas as mais diversas. Roberto retoma a questão da rede urbana sob o novo contexto da globalização. atualmente leciona na UFRJ. Os estudos de redes no IBGE foi continuado nos anos 90 pela equipe do projeto Regiões de Influência das Cidades e individualmente por Miguel Ângelo Campos Ribeiro.1978). participa do grupo de trabalho sobre a definição de pólos de desenvolvimento (RBG v. orientado por Roberto Lobato Corrêa. 2 abr. que havia colaborado neste assunto no relatório do projeto Diagnóstico da Amazônia Legal para a Secretaria de Assuntos Estratégicos em 1995 e elaborou sua tese de doutoramento. quanto para pesquisas de futuras teses universitárias(Corrêa.48 n.39 n.49 n.31 n.1 jan.1 jan. 1982)./set. 1987). 1999).4 out. que a fizeram conhecida no ambiente de planejamento urbano federal (RBG v. 1974. v. mas que geraram uma boa complementaridade aos olhos dos outros técnicos da área de planejamento federal./mar 1981. que contribuiu enormemente com seus trabalhos e relatórios. que geraram uma grande série de análises sobre a estrutura urbana brasileira.40 n. v. a rede de centros de distribuição e a rede de centros de gestão (Ribeiro. v.

Marilourdes L. L. que foram mais explorados no contexto dos trabalhos classificatórios de centros urbanos. muito citado nos trabalhos do período (Faissol. . 1972). coletânea de artigos de 15 geógrafos e economistas brasileiros sob orientação de Faissol./jun. Faissol mostrou uma impressionante capacidade de. Perroux. Além de Speridião Faissol. Os trabalhos da fase “ urbana” de Speridão Faissol e sua equipe. . Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. 1985. gerando o fator tamanho funcional. Ferreira. Olga e posteriormente Evangelina. Lasuen. mas continua a produzir como consultora em diversas agências de governo. 1972). seguiram para Inglaterra. Dacey. caracterizavam-se pela tentativa de absorção dos métodos quantitativos.retornou em 1960 e aposentou-se pela compulsória em 1992. J. Olga Maria B. Brown. Evangelina Xavier G. M. análise discriminante. foram os profissionais do IBGE que mais se dedicaram ao estudo dos novos métodos. desenvolvimento econômico. Olsson. . F. migrações internas. 1971) preocupado em estabelecer uma base mensurável para Teoria dos Lugares Centrais definida em 1933 por Walter Christaller (1966) e John P. principalmente no contexto dos estudos dos sistemas urbanos da coleção Geografia do Brasil de 1977. G. Geiger. Cole. além disso. A produção geográfica de Speridião Faissol sobre a urbanização brasileira foi muito extensa. geógrafo inglês especializado em métodos quantitativos. Hilda da Silva. correlação .( Hilda veio a falecer em Chicago no período do doutoramento em 1975). Roberto Lobato Corrêa. . passando pelas técnicas de análise fatorial. . O envolvimento de alguns geógrafos do IBGE com a Geografia Quantitativa sob a liderança de Faissol. teoria. Oliveira.1975). Tendências Atuais na Geografia Urbano /Regional: teorização e quantificação (Faissol. se deu através de Brian Berry. de Lima. geógrafo norte-americano com especialização em Geografia dos Mercados de Varejo (Berry. análise regional.. B. Roberto Lobato e Hilda da Silva foram para os USA . lista 20 trabalhos sobre urbanização. especialmente as análises multivariadas que conjugavam conjuntos de variáveis demográficas e econômicas a um grupo de lugares (cidades) e espacializavam as correlações que emergiam do algoritmo (Cole. embora alguns outros tenham também utilizado essas técnicas. entre 1970 e 1978. que organizou a estrutura dos capítulos que vão da teorização. e trabalho de seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. ao correlacionar tamanho populacional com características funcionais. coordenador do Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). também organizar congressos e simpósios para divulgar os métodos quantitativos na Geografia e de editar coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados a essas técnicas. além de escrever. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Faissol. Pedro P. A RBG 47 (1/2) jan. 1978). análise de agrupamento.

quanto em outras publicações. 50 trabalhos versando sobre os estudos intraurbanos e de autoria de profissionais de fora do IBGE foram verificados na bibliografia o . foi coordenada por Aluízio Capdeville Duarte em 1967. Normalmente as incursões dos geógrafos da Divisão de Geografia neste assunto. que normalmente abrange o Brasil e suas macrorregiões. embora não esteja enquadrada na escala de atuação de uma agência do governo federal. por ocasião da publicação. Além dos quatro trabalhos precursores de Jeronymo Cavalcanti e da atuação de Everardo Backheuser. seu rastreamento bibliográfico foi de suma importância na avaliação dos estudos dos ibegeanos no que concerniu às pesquisas intra-urbanas. ainda no contexto das comemorações do 4 Centenário da Cidade ocorrido em 1965. em virtude deles estarem efetivamente trabalhando no órgão. a primeira grande pesquisa realizada por um grupo da Divisão de Geografia. mas se foram realizadas por profissionais da casa. profissionais da agência escreveram. 1969). foram consideradas como trabalho da Geografia do IBGE. tanto em publicações editadas pelo IBGE ou em co-produção. apresentada no I Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 1989 em São Paulo e publicada na RBG v. Foram detectados 158 trabalhos realizados por geógrafos do IBGE dentro e fora do contexto editorial da casa. 1968) e ao livro didático de Ceçary Amazonas sobre a Guanabara (Amazonas. 1965. O grupo. 1974). Por outro lado. 56 n. Apesar da estruturação dos tópicos apresentados não se encaixarem totalmente nos propósitos desta pesquisa. que também foram computadas. No final dos anos 60.31 n.4 out. para subsidiar o segmento de estudos do processo de metropolização e de aglomerações urbanas. composto de 13 pesquisadores colaboraram com 14 textos que explicavam as diferentes funções dessa área do Rio de Janeiro e analisavam alguns processos de transformação urbana ocorridos na década de 60.canônica. Um exemplo disso foram as teses de pós-graduação que foram editadas pelas respectivas universidades. na década de 40. Outra área dos estudos urbanos que. Mais uma vez a liderança de Faissol se fez notar. 1994) O Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação. 1/4 (Abreu. isto é. outro tipo de pesquisa obrigou a Geografia Urbana do IBGE a trabalhar numa escala quase local para o estabelecimento das nove áreas metropolitanas brasileiras (RBG v. com uma série de 15 trabalhos no Boletim Geográfico sobre aspectos geográficos da cidade do Rio de Janeiro. cadeia de Markov./dez. gerou muitos subsídios para o planejamento urbano foi a pesquisa intra-urbana. e muitos projetos foram desenvolvidos na escala intra-urbana. restringiamse aos cursos de Geografia Urbana que tratavam da cidade do Rio de Janeiro (IBGE. sobre a área central do Rio de Janeiro. A melhor fonte para análise desses trabalhos realizados por pesquisadores do IBGE foi a revisão feita por Maurício Abreu no final dos anos 80. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações.

orientou a maioria dos pesquisadores que desenvolveram teses e trabalhos internos sobre a estrutura interna das cidades. 1979. . 1987. classificar os principais agentes modeladores do solo urbano.B. orientou as pesquisas sobre a espacialização das políticas públicas de implantação de infra-estrutura na área metropolitana do Rio de Janeiro. (Bezerra. 1986. 1986/87).rastreada por Maurício Abreu. 1984). (Vetter e Massena. 1983 1983/84).1978). 1997). 1982. 1981).1979. (Massena. 1986).1983. mas dará ênfase aos estudos empreendidos a partir da década de 60.. et al. C. como renda da terra. principalmente o Rio de Janeiro. com tendo sido publicados sob a chancela do IBGE. experimentaram técnicas estatísticas mais sofisticadas para estudar questões como concentração. mobilidade urbana. 1982). foram tratados no tópico de ocupação do território e habitat. na maioria dos casos. Tal contagem foi importante para se acabar com a falsa impressão de que os estudos intraurbanos não eram considerados prioritários pela alta direção da agência. em revistas ou em edições monográficas. (Bezerra e Cruz. Os trabalhos anteriores de Geografia Agrária. 1978. 1986). 1980. e que na década de 70 testaram alguns dos programas de análise fatorial e análise de agrupamento. 1983). D. Cruz e Bahiana. 5 . (O’Neill. Durante as décadas de 70 e 80. apesar de se entender que esta escala de abordagem não seria o que normalmente se entenderia como objeto de análise de uma agência de planejamento territorial do governo federal. muitos desses 158 trabalhos de pesquisadores do IBGE contribuíram para o entendimento do processo de metropolização brasileiro ao teorizar sobre os processos de estruturação intra-urbana.1986). (Corrêa. (Kossmann e Ribeiro. 1976. que trabalhou intensamente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles brasileiras e David Michael Vetter (economista do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE). J. principalmente o Rio de Janeiro. (Almeida. (O’Neill e Natal. 1988). três personagens foram importantíssimos na orientação dessas pesquisas Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. N. favelização. que além de trabalhar complementarmente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles. onde a preocupação com os processos de modernização das atividades ligadas ao mundo rural foram mais explicitadas. Deste grupo. a segunda foi Olga Maria Buarque de Lima Fredrich. públicos e privados e exemplificar suas ações (Bahiana. que no DEGEO e na UFRJ. Foram trabalhos que iniciaram uma aproximação maior com questões teóricas como o modelo de Von Thunen (Mesquita. 1976. e aspectos culturais e perceptivos (Mello. 1981) e de estudar outros aspectos vinculados a estrutura intra-urbana de nossas cidades. (Mello.Modernização da agricultura A expressão modernização da agricultura tratará dos trabalhos de Geografia Agrária como um todo. diversificação e combinação de culturas. violência urbana..

que atuavam como estruturas referenciais para se entender o processo de ocupação do território via atividade agrícola e de colocar na arena de estudos o primeiro artigo sobre a teoria de Von Thünen (Waibel. 1957. 1968. além de produzir os dois volumes do livro Geografia Agrária do Brasil (Valverde. 1957). como características de certas áreas rurais do nordeste (Valverde. 1968). .2. 1951. iniciando com trabalhos vinculados aos processos de colonização e análise regional (Valverde. 1944./jun. 1959). por conseguinte. sejam eles ricos e tecnificados ou pobres e sem qualificação técnica. tanto na troca de insumos e maquinário. v.: 60-130. 1958. comunicações e assistência financeira. Orlando concentra-se nos aspectos conceituais e de exemplificação de alguns temas de Geografia Agrária. 1955. 1948) e enfocando processos agrários específicos na segunda metade da década de 50 (Valverde. conceituação de sistemas intensivo e extensivo. 1967. 1952. Ao trabalhos iniciais da Geografia do IBGE no campo das atividades rurais restringiam-se a informar alguns fatos da evolução da produção brasileira como um todo ou por produto.∗ e de publicar no Boletim Geográfico um artigo mais informativo e de comparações sobre o tema (Waibel. 1955). abr.40 n. resultado de suas pesquisas esboçadas em seu ∗ O modelo de Von Thünen foi novamente discutido por Olindina V.Nos anos 80. os melhores geógrafos agrários do IBGE entre os anos 50 e início dos 60. 1948).1958) foi uma espécie de síntese desses conhecimentos. Mesquita em sua tese de mestrado na UFRJ em 1978 e publicada na RBG v. Na década de 60. 1978. novas orientações enfocaram um outro expectro de problemas ao analisarem os efeitos do agribussines na concentração fundiária e tratarem com outra visão o acompanhamento da ocupação predatória das atividades rurais em todos os estratos de renda dos produtores./jun. 1959). O mais importante introdutor dos estudos agrários com cientificidade no IBGE foi Léo Waibel. entidades de amplo escopo que passaram a liderar as ligações entre o campo e a cidade. Além de se concentrarem no acompanhamento da evolução dos Complexos Agro-Industriais . 1961. A obra do Orlando valverde no contextos dos estudos agrários foi mais diversificada. 1961). 1961). de “plantation” e de sistema de roças (Valverde. 1964). Os trabalhos de Nilo concentravam-se nos processos de colonização de espaços do interior do país. além de no guia de excursão ao Planalto Meridional tratar com muito detalhe as características agrícolas da região (Valverde. quanto nas trocas de mão de obra e nos serviços de transporte. abr. Seu livro Capítulos de Geografia Tropical e do Brasil (Waibel. como é possível verificar nos trabalhos de Eloisa de Carvalho Teixeira (Teixeira.23 n. mas também estruturou um quadro geral da agricultura brasileira nos anos 50 (RBG. ao combinar as pesquisas sobre colonização e Biogeografia. Seus melhores discípulos foram.2. Nilo Bernardes e Orlando Valverde.

1.. após sua experiência de ensino em Rio Claro. 1981) e iniciaram ./set. que posteriormente presidiu a comissão. jul. jul./set.3.jan. posteriormente tendo a colaboração dos geógrafos Rivaldo Pinto de Gusmão e Maristella de Azevedo Brito.1970). Luiz Sérgio Pires Guimarães. Em 1968 Elza Keller retorna ao IBGE. armazenagem (RBG v. juntamente com Catarina V. A principal pesquisadora que comandou esse processo de mudança nos trabalhos agrários foi Elza Coelho de Souza Keller. Ainda na década de 60./mar.:419-447. Dora Rodrigues Hees.4./dez. 1970). Seu trabalho. somado às informações de Mitiko Une quanto aos aspectos climatológicos vinculados às safras agrícolas. onde apresenta os processos de ocupação agrícola em espaços cortados por estradas de integração na região Norte e Centro Oeste abriu as primeiras pistas para a questão da importância do sistema urbano na Amazônia (Valverde e Dias.1.3. da economista Sonia Rocha e da socióloga Sebastiana Rodrigues de Brito. no final dos anos 80. 1974). um grupo de professores e alunos de especialização principalmente quanto aos estudos de tipologia agrícola sob a orientação da Comissão de Levantamento Mundial de Utilização da Terra da UGI e contando com o apoio metodológico de Jerzy Kostrowicki da Polônia. coordenando uma equipe multidisciplinar Orlando volta ao tema. focalizando a Amazônia Ocidental através da rodovia Transamazônica (Valverde. jan. mas fica conhecida como uma pesquisadora que. 1968). Maria do Socorro Brito e Adma Hamam de Figueredo. 1977). juntamente com Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mesquita que continuaram o projeto. Maria Elisabeth de Paiva Correia de Sá. Os contatos de Kostrowicki com Elza Keller resultaram em linhas de pesquisa que enfocavam preocupações com a qualidade dos dados estatísticos a serem trabalhados nos futuros trabalhos. regionalizações em escala estadual (RBG v. Tereza Coni Aguiar.43 n. ao orientar em 1964. 1978) e definiram proposições metodológicas sobre os estudos de desenvolvimento rural (RBG v. 1989). o sistema estatístico da casa iniciou uma série de ações que sistematizaram as informações do segmento agropecuário e criaram outras campanhas./mar. jul.: 3-42. Pesquisas sobre concentração de cultivos (RBG v..39 n.: 52-130.3.: 137-143.32 n. Posteriormente.:41-86.36 n./set. (RBG v. Esse grupo desenvolveu linhas de trabalho em regionalização agrícola em escala nacional.curso de Geografia Agrária Geral e do Brasil ministrado na AGB do Rio de Janeiro em 1957 . Dias. sobre a rodovia Belém-Brasília.40 n. 1984: 84). 1967). Com a chegada de Isaac Kerstenetzky à presidência do IBGE em 1970. uma outra vertente de estudos foi iniciada por Elza Keller ainda na UNESP de Rio Claro. out. nas palavras de Alexandre Felizola Diniz “lançou as bases de um movimento de profundas mudanças na Geografia Agrária Brasileira” (Diniz. além de contarem com o apoio técnico de pesquisadores como Ney Rodrigues Innocencio. testou os métodos quantitativos em tipologia agrícola (RBG v.32 n. que acabaram por suprir de dados a área de Geografia Agrária do agora Departamento de Geografia (DEGEO). além de terem trabalhado com essas técnicas nos capítulos temáticos da coleção Geografia do Brasil de 1977. no contexto da obra Subsídios à Regionalização (Mesquita et all.

/dez. escolhemos analisar os três segmentos mais importantes.Caracterizações Ambientais Do conjunto de estudos que enfocaram o meio físico. no Atlas Nacional do Brasil. do leite./set. anuais como a Produção Agrícola Municipal (PAM).:41-60. marginalidade rural (RBG v. jul./jun.grandes projetos multidisciplinares em convênio com outras agências governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).49 n.:3-65./mar./mar. RBG v.:3-10.3/4. produzindo uma espécie de Atlas das Fronteiras Agrícolas do Brasil (Hess.:425-550. sob o apoio técnico de Philippe Waniez e Hervé Théry as geógrafas Dora Rodrigues Hees e Evangelina Xavier G. de Oliveira estiveram na França mapeando e comentando os dados do censo agropecuário de 1985. em função do convênio entre o IBGE (DEGEO) e a MAISON DE LA GÉOGRAPHIE de Montpellier . puderam ser percebidas nos artigos e projetos que passaram a enfatizar os aspectos sociais das fronteiras de ocupação ao longo das novas estradas de integração construídas na década de 70 . RBG v. trabalhando com as conseqüências ambientais e políticas da ocupação em áreas de fronteiras de recursos (Figueredo.:52-130. abate de animais. linha de pesquisa precursora dos grandes diagnósticos sócio-ambientais que foram implementados na segunda metade dos anos 80 e durante a década de 90 (IBGE.48 n. abr. de ovos de galinha e estimativas sobre a previsão e acompanhamento de safras.4. jul. 1982 . 1984).:227-361. out. No início dos anos 90.46 n.: 5-78. Oliveira.40 n./mar. com censos agropecuários qüinqüenais (pelo menos até a década de 90). 1986).1. que propiciaram a geração de muitos trabalhos e garantiram o . Pesquisa Pecuária Municipal (PPM). Théry.1. Em virtude disso foram publicados muitos trabalhos de acompanhamento e evolução da agropecuária (RBG v. RBG v. 6 .46 n.4. Problemas de qualificação da mão de obra rural (RBG v. além de pesquisas específicas como o levantamento da soja. Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e semestrais como a Pesquisa de Estoques (PE). 1978 . A estrutura de dados do IBGE que o setor agropecuário oferece aos pesquisadores.46 n. 1984). 1992). a ser editado no fim do ano de 2000./dez. 1998) e orientando o mapeamento do tema.44 n. 1987 . jan. Waniez. 1979). RBG v./dez.:503-533. jan. jan./mar. RBG v.4. 1977 . 1979 .1./dez.39 n. 41 n. pesquisas mensais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).3.50 n. produção de couro. RBG v. estudos comparativos entre inserção tecnológica e marginalização de parte dos produtores rurais (RBG v.:105-116. 1988). out. No contexto atual do DEGEO apenas Hadma Hamman Figueredo ainda lidera as pesquisas agrárias.1. As mudanças de orientação de enfoque dos trabalhos de Geografia Agrária ocorridas nos anos 80.: 3-49. no qual é também coordenadora geral.2. out. jan. 1984.

jan. precipitações etc. que também trabalhou no IBGE na década de 70 e que atualmente leciona na UFRJ (Guerra. pressão do ar.n.p. Biologia e Climatologia tornando-se um dos mais completos geógrafos físicos da casa. 1948.4. campo que espacializa o conjunto de informações que a Meteorlogia nos apresenta quotidianamente./jun. quanto sob a forma de textos explicativos dos processos de médio e longo prazo que garantem uma dada classificação climática mais geral.2. altamente prestigioso.obra editada nos anos 60 e reeditada em 1999 por seu filho.10. regime de ventos. RBGv. profissionais como Emmanuel De Martonne com seu clássico Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico (RBG v. 1966). Amélia Alba Nogueira./mar. segmento de estudos que trata da espacialização da cobertura vegetal e da ocorrência de animais. 1963). RBG v.n. abr.57-82..9. (Lamego.1947. Antônio Teixeira Guerra. nas primeiras décadas de atuação do IBGE.9n. Este conjunto de saberes foi. principalmente geólogos. além de mestres estrangeiros que foram os principais formadores da primeira geração de profissionais como o francês Francis Ruellan na Geomorfologia e o canadense Pierre Dansereau na Biogeografia. A Geomorfologia.1948 ).que dominou com maestria os conhecimentos integrados entre Geologia.p. abr.p. autora . 1947.255-287. que estuda em detalhes as relações entre os seres vivos num dado segmento espacial. biólogos e engenheiros agrônomos. como os Cursos de Férias para Professores e autor do Dicionário Geológico-Geomorfológico ./dez.desenvolvimento profissional de alguns geógrafos.2. RBGv. A Climatologia. como também de profissionais de outras especialidades. 12 artigos em publicações avulsas. 1949).. 45 no Boletim Geográfico. n. Atualmente.5. um dos supervisores geográficos da Enciclopédia do Municípios Brasileiros e considerado um dos mais produtivos geógrafos do IBGE com 30 artigos na RBG. Alberto Ribeiro Lamego. formou profissionais como Alfredo Porto Domingues . que em combinação com especializações como Botânica e Zoologia explicam uma grande parte de que se convencionou chamar de Meio Ambiente. tanto sob a forma de mapeamento. p. também geomorfólogo. tendo como iniciadores. área da Geografia que trabalha com os processos formadores do modelado terrestre e que estrutura as principais tipologias relativas ao relevo do território. verifica-se uma grande sinergia com a Ecologia./jun. e que apresenta quadros de referência sobre temperatura.. 1945.. além de produzir artigos que tornaram-se clássicos (Ruellan. A Biogeografia. Seus trabalhos na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e sua série de artigos sobre as características geológicas e morfológicas do estado da Bahia ( Domingues.523-550. 1946.185-248. Ruellan. out. autor da coleção O Homem e . 1944..1.1943).

250-254. Walter Alberto Egler (RBG v.223-264.1n. jul. RBG v. No campo da Biogeografia.2.5 n. do mesmo Jorge Ferraz sobre uma questão que continua atual: Aumentou a temperatura do mundo? O primeiro geógrafo do IBGE a tratar do assunto foi Jorge Zarur. ao comentar a classificação climática de Köppen (Zarur. 1961.13.1 n. 1947..p. apesar de não ter havido um professor “visitante” que tivesse formado profissionais por meio de cursos e treinamento específico. caracterizavam algumas regiões brasileiras (Ferraz./set.abr.de todos os capítulos de Geomorfologia da coleção Geografia do Brasil de 1977 Rangel Lima que chefiou o Setor de Geomorfologia do DEGEO na década de 70. p.n./jun. 1954) e Dora Amarante Romariz (1953. p. alguns geógrafos do IBGE dedicaram-se a estudar aqui e no exterior o assunto.4n. 1942 . o mais importante produtor de artigos sobre o tema. além de produzir trabalhos sobre Biogeografia (Dansereau. 1943).3 há também um comentário na página 135. 1974) além de completar a formação de engenheiros agrônomos como Alceo Magnanini (1952.13. 123-124.577590./jun. 1949) formou profissionais como Edgar Kuhlmann (1951. RBG v. No campo da Climatologia.out. 1946.. 1952. paralelamente. 1961).3-15. jul.n.RBG. Nos primeiros anos de estruturação do IBGE o estudo da Climatologia era feito por engenheiros como José Carlos de Junqueira Schmidt e Jorge de Sampaio Ferraz que preocupavam-se com métodos classificatórios e. p. 1949)./set.1951) e Fernando Segadas Vianna (1964). 1943). a permanência no IBGE do canadense Pierre Dansereau que.3.. RBG v.3.v.1951...2. jan. 1973) e reeditada em 1980 e o compêndio Fundamentos de Geomorfologia da professora da Faculdade de Rio Claro (atual UNESP) Margaria da Maria Penteado (1974). pedólogo do Departamento de Produção Geógrafa desaparecida em acidente de avião do Projeto RADAMBRASIL no litoral sul ∗ .1. Ambas as obras foram os principais instrumentos de estudo dos alunos de Geomorfologia de muitas universidades brasileiras./dez. abr. 1952. período em que a Climatologia passa a ser estudada mais sistematicamente por alguns profissionais da Geografia do IBGE. Na RBG v. p. foi o paulista José Setzer.p. o primeiro trabalho classificatório da vegetação brasileira foi elaborado por Lindalvo Bezerra dos Santos no Boletim Geográfico como contribuição didática e que foi considerado como a primeira tipologia apoiada nos aspectos fisionômicos das formações vegetais brasileiras (Santos. Schmidt ( RBG v. 1939) .11n.4. Até a década de 50. ∗ e Gelson São também da década de 70 a coletânea de comentários sobre 201 fotos do relevo brasileiro organizado por Celeste Rodrigues Maio (Maio./mar.465-500. Na segunda metade da década de 40.

/set. 1946 .17 n. Nimer auxiliou os dois na publicação de um artigo sobre climatologia dinâmica na região nordeste (Nimer.14 n. Marília Galvão durante seu estágio de especialização na França./mar. p. RBG v.8 n. principalmente por ser responsável por uma série que abordou a climatologia de todas as regiões brasileiras entre o final de 1971 e todo o ano de 1972. Na década de 70 o Setor de Climatologia. p. aposentou-se do IBGE nos anos 90. chefiado por ele era um dos mais dinâmicos do DEGEO. out.1.13 n. conheceu o trabalho classificatório de Henri Gaussen e Francois Bagnouls baseado nas relações entre clima e vegetação. jan. 1997)./set..3.. 1951 ..1./set. jan. jul. E.338. E. p. A.13 n.8 n.619-620./mar.1. esposa de Antônio Teixeira Guerra.57-80. Sua produção neste período foi notável. RBG v. M.449-496.3-36.4. p. No início dos anos 70. ./mar. Edmon Nimer tornou-se o mais importante climatólogo do IBGE. trabalhando com clima urbano (Monteiro. Amador. p. jul. p.. p.1..Vegetal do Estado de São Paulo e professor da USP./mar. este último transferiu-se para lecionar na UFRJ.16 n. RBG v. Filho. jul. RBG v. 1951 . Filho e Elmo Amador.3-46. jan. o primeiro sob a forma de um artigo sobre as regiões bioclimáticas do Brasil (Galvão.317-350. e após sua aposentadoria. indo também lecionar na UFRJ. fluminense.3-70.315-328.13 n.1./mar.. a partir da segunda metade dos anos 60 até sua aposentadoria nos anos 90.473-479. Nos anos 60. 1955).3. 1952). Nimer orientou a formação profissional de Ana Maria P.. que enfatizava as questões sobre precipitação e suas relações com a produtividade agrícola (Setzer. 1946 . Ignez RBG v. destacando-se os estagiários Arthur A.. jan. com uma incursão no tema caracterizando o clima da Região Nordeste ( Guerra. que se tornaria um dos mais completos climatólogos do Brasil. tema de sua tese de doutorado na UFRJ (Amador./dez. out.29 n. O primeiro grupo de especialistas em Climatologia no IBGE foi formado por Lysia Bernardes. .33n. 1951) e Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra. 1967) e o segundo. 1971). p.4. com 12 artigos na RBG. 1954). jan. Os resultados desse processo foram divididos em dois tipos de atuação. Brandão (Nimer e Brandão. sob a forma de orientação profissional inicial de Edmon Nimer no campo da Climatologia. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. RBG v. que na década de 60 abandonaria o tema e iria dedicar-se à Geografia Urbana (RBG v. 1981)que. P. RBG v. atualmente trabalha em consultoria ambiental monitorando o ecossistema da Baía de Guanabara.. Nos anos 80. e por todos os capítulos de Clima da coleção Geografia do Brasil de 1977. p. Outra faceta importante de Edmon Nimer foi sua capacidade de formar profissionais. RBG v./dez. RBG v. após terminar seu doutoramento na USP.3. p.

apresentando-o em tempo recorde em 1993. Foi também desse período./dez. coordenado por Rivaldo Pinto de Gusmão (IBGE.p. a chamada integração não ia muito além dos segmentos da Geografia Física e da Biologia. 7. a publicação da obra de Jean Tricart Ecodinâmica (1977). para pouco a pouco incorporar também áreas da Geografia Humana como Urbana e Agrária. inaugurando uma nova fase de trabalhos voltados para os grandes diagnósticos ambientais integrados. coordenados por Irene Braga de Miguez Garrido Filha e Ailton . com a absorção pelo IBGE. O resultado dessa primeira inflexão foi a criação da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SUPREN) em 1975 e a separação dos profissionais de Geografia Física dos de Humana que agora estariam na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE).1990). mamíferos e répteis da área estudada. sem nenhuma exigência de qualquer tipo. 1977 e que inicia uma preocupação com as relações entre seres humanos e meio ambiente no sentido mais amplo. comentada por Luiz Roberto Tommasi na RBG v. principalmente nas áreas de agrária e urbana e uma aparente queda de status que se configurou com mais clareza na década de 70. O segmento dos estudos ambientais do IBGE sofreu duas grandes inflexões. uma na década de 60.4. No volume do Sudeste.n. gerando um novo conjunto de grandes trabalhos conhecidos como diagnósticos sócioambientais integrados como o Diagnóstico Brasil. Um dos produtos desse convênio foi o livro Fauna do Cerrado organizado por Claudia Cotrim C. contando com a criação da Reserva Ecológica do Roncador na periferia de Brasília e estabelecendo convênio técnico com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).PMACI I (IBGE. estabelecendo relações com algumas segmentos do meio ambiente.39. Nimer. No início.out.Diagnósticos Ambientais e Sócio-Ambientais Integrados A segunda grande inflexão ocorreu em 1985. enquadrando neste processo as principais correntes de Geografia Física. 1990) e PMACI II (IBGE. 1981) que apresenta uma lista preliminar das aves. prontificou-se imediatamente a produzir um capítulo sobre o tema. quando houve desistência do autor do capítulo de Clima.Seu espírito de colaboração com o IBGE pode ser medido por seu auxílio à coleção Geografia do Brasil do início dos anos 90.215-223. já aposentado. com o crescimento dos estudos de Geografia Humana. Projetos de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas . que acompanhou os diferentes processos de ocupação do território brasileiro. Uma das grandes linhas de trabalho da SUPREN foi organizar os estudos de ecologia animal do cerrado do planalto central brasileiro. do Projeto RADAMBRASIL com toda sua estrutura de pessoal e equipamentos. da Costa e colaboradores (IBGE. 1994). como no caso da poluição industrial.

coordenado por Válter de Jesus Almeida e Wilson Duque Estrada Regis (IBGE. . pois foram incorporadas equipes regionais sediadas em Belém (PA).5. trabalharam para uma suave integração com os pesquisadores da física e os do campo biológico. realizando projetos de Geografia em escala estadual ou meso-regional. 1989). deve-se verificar as páginas de créditos (IBGE. Para se ter uma medida da complexidade de interação entre as unidades departamentais do IBGE. principalmente nas fases de planejamento. Hadma Hamann de Figueredo. 1993) que estabeleceu uma regionalização de espaços identificados por suas características ambientais. Salvador (BA). além de especialistas em áreas da Biologia e engenheiros agrônomos e florestais. A análise sócio-ambiental dos módulos territoriais da Região Amazônica referentes ao Programa Nossa Natureza realizado no período final do governo de José Sarney (não publicado) e o Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal . Foi no contexto de trabalho realizado anteriormente pelas equipes do RADAMBRASIL nessas unidades regionais que o IBGE passou a se integrar mais com secretarias estaduais de planejamento e de meio ambiente. diminuindo as diferenças antes percebidas. Na década de 90 a integração entre os profissionais de Geografia humana e os de física foi finalmente alcançada com os projetos do Programa Nossa Natureza na Amazônia. Para isso contribuíram geógrafas como Solange Tietzmann Silva. Olga Schild Becker e Irene Garrido Filha que ao coordenarem suas respectivas áreas de Geografia Humana. Diagnóstico da Amazônia Legal.131-132) e constatar que aproximadamente 220 profissionais tomaram parte nas diferentes tarefas técnicas e administrativas que envolveram estes diagnósticos. onde atualmente leciona. Goiânia (GO) e Florianópolis (SC) que contam com excelentes profissionais em Geomorfologia. os projetos de Atlas Nacional do Brasil. O primeiro coordenado por Antônio José Teixeira Guerra (filho de Antônio Teixeira Guerra) antes de sua transferência para a UFRJ. p. da áreas periféricas de Brasília e da aglomeração de Goiânia no Centro-Oeste e na região sul com o projeto de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina. IPEA e USP em projetos integrados como os do PMACI I e II. como no caso do estudo do uso agrícola da terra no sudoeste de Goiás em convênio com a EMBRAPA (IBGE. 1990. Maria Monica O’Neill. O processo de absorção do RADAMBRASIL foi altamente positivo para o segmento de Geografia Física do IBGE. Além de distinguir áreas de conflito entre as ações humanas (extrativismo e agropecuária) e a capacidade de sustentabilidade desses ambientes. 1989). que avaliaram os impactos ambientais e sócio-econômicos do asfaltamento de dois trechos da rodovia BR 364 entre os estados de Rondônia e Acre.Antônio Batista de Oliveira e Teresa Cardoso da Silva. Além disso. Pedologia. 1989) e do estudo geomorfológico da área de Rondonópolis –MT (IBGE. p. também tenderam a aproximar esses profissionais. Tereza Coni Aguiar. O segundo. PMACI. coordenado por Antônia Maria Martins Ferreira (IBGE.

Esses sistemas são a base do que chamaremos em termos gerais de geoprocessamento. de certa forma. na maioria dos casos. Com o advento dos novos sensores colocados nos satélites militares americanos e soviéticos. Os sistemas iniciais vinculavam-se a navios (Imarsat) e controlavam aviões. percebidas por outros olhos. não acostumados com esse tipo de trabalho. Estava criado o Sistema de Posicionamento Global (GPS). 2 . Essa a base operacional dos atuais Sistemas de Informação Geográficas (SIG ou GIS em inglês).As Atividades de Geoprocessamento O contexto tecnológico e operacional onde se estabeleceram os projetos de geoprocessamento no IBGE datam da década de 70 com as experiências de softwares como o SYMAP e SYNWU que mapeavam superfícies pré-determinadas. A partir de 1994 as atividades de Geoprocessamento no IBGE atingiram um estágio que obrigou a alta direção da casa a estabelecer um grupo de trabalho com integrantes das diretorias de Geociências. foi concebida uma rede virtual de coordenadas geográficas de grande precisão que era plotada por sistemas de satélites que enviavam sinais eletromagnéticos e garantiam resposta quase imediata a determinados aparelhos receptores que se deslocavam na superfície da terra. Todos os estágios dessa evolução das práticas profissionais dos geógrafos e pesquisadores de outras especializações. com seus respectivos valores da terra (preços do m de terreno ou valor do imposto territorial urbano). Olhos. 1994). foram descritas no documento Geoprocessamento no IBGE redigido por este grupo de trabalho (IBGE. e que tiveram quase sempre de aprender a ver como funcionava esse campo. Foram muito testadas áreas urbanas. Informática e Disseminação de Informações para avaliar o desenvolvimento das tecnologias e estabelecer as diretrizes básicas dessas atividades para o futuro. Os mapas construídos não possuíam muita precisão cartográfica. Posteriormente esses receptores diminuíram de tamanho e passaram a garantir a qualidade das medições geodésicas e a influenciar decisivamente na precisão e barateamento das campanhas geodésicas e cartográficas. Pesquisas e Estudos. As principais diretrizes que envolvem essas atividades no IBGE. mas davam uma boa noção espacial ou tridimensional do fenômeno. Processos de determinação cartográfica (plotagem) de pontos e linhas que se inserem na rede de coordenas geográficas e que podem ser referenciadas a qualquer tipo de informação guardados em bancos de dados que possam referenciar esta informação a qualquer ponto da rede de coordenadas (georreferenciamento). onde eram plotados dados específicos. além das tecnologias derivadas da corrida espacial para garantia da localização dos artefatos espaciais utilizados nas atividades de exploração do ambiente extra terrestre. vinculadas às Geociências também foram.

. devido à grande heterogeneidade dos campos envolvidos. do que aos diretores que administraram a área das Geociências. sempre foi difícil ter um diretor que conhecesse profundamente a atuação de todos os departamentos da diretoria. embora também.Estamos nos referindo mais aos presidentes do IBGE. No próximo capítulo será possível ter uma noção mais aproximada das impressões que foram passadas por alguns presidentes e diretores sobre a atuação da Geografia e das ciências que lhe são comuns no contexto do IBGE.

como parte integrante do G do IBGE. O propósito de garantir ao censo demográfico de 1940 a base cartográfica necessária ao deslocamento dos recenseadores. que dispunha sobre a divisão territorial do país e que ficou conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. a isto pode também ser acrescido os títulos de áreas departamentais. quando entrou em cena a questão meio-ambiente e a incorporação do RADAMBRASIL ao IBGE em 1985.Capítulo II . vinculou-se a não familiaridade com os métodos de trabalho dos geógrafos e a sua efetiva função no organograma de trabalho do órgão. devidamente acompanhada pelo decreto-lei 311/38 de 02 de março de 1938. foram acrescidos dos problemas ocorridos entre a Geografia Humana e Física nas décadas de 60 e 70 e que acabaram trazendo novas dúvidas. Instrumento legal que obrigava aos municípios cartografar seu território e enviar para a Secretaria do Diretório Regional de Geografia duas vias autenticadas. sempre foi vista pelos geógrafos como uma das mais importantes áreas da casa. Cartografia e Geodésia nas fases iniciais da agência. foi uma das razões de ser (e possivelmente a maior na ocasião) da criação do Conselho Brasileiro de Geografia (incorporado ao Instituto Nacional de Estatística) em 24 de março de 1937 pelo decreto 1527/37. não era muito simples para quem vinha de outra área. Essa visão um tanto parcial. . Tais problemas podem ser percebidos quando analisamos alguns depoimentos de profissionais que ocuparam cargos de alta direção no IBGE (presidentes e diretores de área onde a Geografia se reportava). o presidente em questão tinha estudado Geografia Física e Humana dentro da mesma cadeira. Esses erros de enquadramento entre o que era Geografia. campos de onde vieram os 10 últimos presidentes da casa. Entender a diferença entre Departamento de Geografia e Departamento de Recurços Naturais e Meio Ambiente.As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia Sendo a Geografia uma área considerada atividade fim no contexto do IBGE e somente um pouco mais “jovem” que a Estatística. se durante o longínquo curso de segundo grau. à maioria dos casos. ou ao confuso papel da Geografia. que causaram muitas dúvidas nos novos presidentes e diretores. estatísticos e cientistas políticos. que nos períodos iniciais era encarada pela alta direção da agência. foi também misturada à posição da Cartografia. Geodésia e Cartografia nos discursos antigos dos artigos de memória institucional que normalmente ficavam a disposição dos novos chefes. dentro dos requisitos mínimos fixados pelo agora Conselho Nacional de Geografia (decreto-lei 218/38 de 26 de janeiro de 1938). No caso dos presidentes. como no caso dos economistas.

Além disso, havia a dificuldade de se entender os diferentes papéis da Geodésia e da Cartografia no contexto da agência. Com a Geodésia apresentando dois corpos profissionais muito distintos, um altamente matematizado, com relações internacionais sistemáticas e fortemente exigente de tecnologia e outro constituído de profissionais que aprenderam o ofício no campo, durante as campanhas de levantamento geodésico, na maioria dos casos com pouca escolarização formal. A Cartografia parecia ser ainda mais complexa, pois misturavam-se áreas típicas de produção com grupos altamente qualificados de engenheiros cartógrafos e de profissionais vinculados à arte como os desenhistas de arte final e os cartógrafos que operavam na área de cartografia temática para ilustração de atlas. Somava-se a isto questões de transição tecnológica, tanto no que se refere aos contatos diretos com a Geodésia, quanto no que se refere à produção física das cartas, incluindo aí a impressão das folhas em gráfica própria, altamente especializada. Portanto, um presidente ou um diretor de área teriam de se adaptar rapidamente às peculiaridades dessa diretoria altamente heterogênea, com demandas muito diferenciadas. Além disso, é preciso entender que havia também os “notáveis” das “Velhas Guardas” em cada área específica e que alguns deles ocupavam postos de decisão na estrutura hierárquica do IBGE, além dos técnicos de assessoramento que poderiam esclarecer dúvidas e subsidiar decisões para arbitramento. Um presidente novo e sua equipe deviam aprender os códigos não escritos da casa, sob pena de sofrerem rejeição de parte do quadro profissional, ou de quase todo, como aconteceu em alguns casos. No contexto da Geografia, personagens importantes como Miguel Alves de Lima, Speridião Faissol, Lúcio de Castro Soares e Ney Strauch foram guardiões corporativos de grande valor no ambiente da presidência, por suas respectivas carreiras na alta direção da casa e liderança que exerciam junto aos demais profissionais. Catharina Vergolino Dias foi outra profissional importante nos contatos em Brasília, durante a década de 70, pois trabalhou como representante do IBGE nas assessorias da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e no Ministério do Interior durante os governos Médici e Geisel. Eram profissionais com muito conhecimento, tanto técnico, quanto administrativo e político e que sempre eram solicitados a darem opiniões e ajudarem nas decisões que envolviam a área da Geografia. Na década de 80, o engenheiro Mauro Pereira de Melo foi outra figura chave no contexto da criação da Diretoria de Geociências. Seus bons contatos com o segmento militar da Cartografia no contexto da Comissão de Cartografia (COCAR) evitaram conflitos na condução da coordenação cartográfica do país. No contexto interno do IBGE outros personagens, ao longo de suas carreiras, tornaram-se referências importantes ao ocuparem cargos de direção, onde as injunções políticas entre

diretorias e departamentos deveriam ser gerenciadas com muita diplomacia. O exemplo mais representativo na década de 80 na Geografia foi Marilourdes Lopes Ferreira, que após assessorar Speridião Faissol na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e na Diretoria Técnica nos anos 70, foi na década seguinte alçada a posição de Diretora Adjunta da Diretoria de Geociências, ocupando durante um bom tempo este importante posto. As boas relações institucionais da Geografia com as demais áreas do IBGE neste período, devem muito à diplomacia de Marilourdes. Em função desse quadro de referência foram tomados alguns depoimentos de presidentes, diretores e diretores adjuntos que gerenciaram o IBGE nos últimos 30 anos e que puderam dar seus testemunhos sobre a área onde a Geografia estava inserida. Os Presidentes Da linha dos 10 últimos presidentes iniciada por Sebastião Aguiar Ayres (04/04/196724/03/1970) e seguida por Isaac Kerstenetzky (24/03/1970-29/08/1979), Jessé de Souza Montello (29/08/1979-14/03/1985), Edmar Lisboa Bacha (10/05/1985-27/11/1986),Edson de Oliveira Nunes (06/01/1987-13/04/1988), Charles Curt Müller (03/05/1988-18/04/90), Eduardo Augusto Guimarães (18/04/1990-26/03/1992), Eurico Neves Borba (26/03/1992-15/06/1993), Silvio Augusto Minciotti (15/06/1993-30/03/1994) e Simon Schwartzman (05/05/199431/12/1999) que passou o cargo para o atual presidente Sérgio Besserman Vianna, foram tomados os depoimentos de Edson Nunes, Charles Müller e Eurico Borba presidentes que tiveram um papel importante em decisões que envolveram a Geografia. Eduardo Augusto Guimarães e Simon Schwartzman, presidentes que ficaram durante um bom período ainda não puderam dar seus depoimentos por diferentes razões, Eduardo Augusto ficou a frente da Secretaria do Tesouro Nacional, indo depois para a presidência da BANESPA, preparar sua venda, funções que o impossibilitaram de prestar depoimento sobre sua gestão. Simon Schwartzman ainda não pode ser contatado para seu depoimento, mas seus escritos cobriram perfeitamente sua gestão, provavelmente a mais dinâmica e de maior impacto dessas 10 últimas, em virtude das condições em que ele assumiu a casa em 1994 e pelo que deixou de positivo à imagem do IBGE junto a seus funcionários e a sociedade brasileira em 1999. Iniciaremos com a primeira parte do depoimento de Eurico Borba, enquanto Diretor Geral da gestão de Isaac Kerstenetzky (falecido em 20/06/1991). Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) Essa fase foi muito importante, pois seria na gestão de Isaac, administrativamente controlada por Eurico Borba, que seriam implementadas, na prática, as decisões sobre a nova estrutura organizacional do IBGE criada em 1967 (Decreto-lei 161 de 13/02/1967), modificando sua subordinação (deixando de se reportar à Presidência da República, como havia sido desde 1934) e passando a ser uma Fundação subordinada ao Ministério do Planejamento.

O presidente anterior Sebastião Aguiar Ayres conduziu o planejamento da campanha censitária de 1970, mas coube à equipe de Isaac executar o processo de coleta no segundo semestre de 1970 e realizar as tarefas de apuração e divulgação. Eurico conta como transcorreu, de seu ponto de vista o processo de montagem de um projeto de modelagem de uma matriz de insumo-produto financiado pela Fundação Ford e BNDE e a ser realizado por uma equipe coordenada por Isaac na PUC e na FGV, onde Isaac era pesquisador. E a súbita mudança para uma nova fase com a nomeação de Isaac para o IBGE em 1970. “...nesse período tumultuado e rico na PUC desembocou nesse projeto de uma grande pesquisa, então o Isaac concordou com a idéia de que não era fazendo um curso de mestrado e sim fazendo uma pesquisa para termos condições financeiras de trazer mais professores de horário integral, a pesquisa melhoraria o curso de graduação e naturalmente dois, três anos depois, seria naturalmente o curso de mestrado, doutorado, etc... então foi montado um projeto extremamente interessante, eram estudos na área setoriais, agricultura, os tradicionais, primário, setor primário, secundário, terciário, a parte demográfica, o setor externo, isso tudo se juntava... Isaac já falava... temos que se simular uma matriz de insumo-produto, temos que fazer um modelo de simulação econômico demográfico, isso tudo se fecharia então nesse grande modelo dos estudos do setor primário, secundário, terciário, setor demográfico, setor externos, todos os segmentos da sociedade. O BNDE deu esse dinheiro, foi assinado em janeiro de l970 e o primeiro desembolso dessa parcela foi feito, com esse primeiro desembolso da parcela, em fevereiro de l970 o Isaac achou importante como coordenador do projeto, se licenciar da Fundação Getúlio Vargas, nessa época o Professor Gudin e Jorge Oscar de Melo Flores, telefonaram para o reitor para saber que história é essa da PUC estar roubando o Isaac da Fundação ! O reitor ficou de olho arregalado, me chamou e nós fomos fazer uma visita para o velho Gudin, foi a primeira vez que estive com o velho Gudin, levei uma porção de livros para ele autografar e o Jorge Oscar de Melo Flores nos explicava que nós não estávamos roubando o Isaac, o Isaac continuaria, mas ele ia coordenar na PUC, claro dando uma carga de horário maior. O Isaac disse: olha Eurico você tem que fazer uns contatos... pois isso tem que ter uma amarração muito firme e preparou a minha viagem, eu tinha que ir a Fortaleza, lá na Faculdade Federal de Fortaleza conversar, eu já não me lembro os nomes das pessoas, mas era a idéia de acertar o convênio, de trocas de experiências com pessoas, uma rede com a PUC e depois em Belo Horizonte, também em São Paulo com o Miguel Coluassono que chefiava o Instituto de Pesquisas Econômicas. Por conta disso saí eu visitando esses centros, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo.... e aí já era Semana Santa, peguei um avião um Electra em São Paulo e fui passar Semana Santa com meus pais em Porto Alegre, minha mulher estava viajando junto, pegamos um temporal danado e tal.... e aí eu abro o jornal e está assim: Isaac Kerstenetzky nomeado Presidente do IBGE, eu virei para Henriqueta, minha esposa, e disse assim: acabou o Projeto da PUC, aí fomos lá para Porto Alegre, voltamos... eu me lembro que voltamos domingo de Páscoa e eu me lembro que a primeira coisa que fiz foi ligar para o Professor Isaac, ele atendeu... e eu dizendo...: o como é que está? Vi o jornal, parabéns, felicidades, o que o Sr. Precisar lá da PUC, o Sr. Sabe, conta com a gente...., ele disse: eu preciso de você! Só pude responder... Professor Isaac, o Sr. já está saindo, e se saio eu também, como é que fica na PUC ?... – Não se preocupe..., eu falo com o Reitor, amanhã, você apareça lá no IBGE...- e deu o endereço Franklin Roosevelt e tal... Eu quero começar no final da manhã... apareça no final da manhã, lá para ll:30.

Aí eu fui meio tonto para PUC, falar com Padre Ávila... o Padre Ávila... Meu filho, quem sabe se pode dar um tempo lá e um tempo aqui... então eu muito atordoado, esperei, e no final da manhã do dia seguinte estava lá... O Isaac disse olha: Eu quero você como chefe de Gabinete porque eu não quero trazer gente de fora do IBGE agora... mas eu estou aqui atordoado com essa estrutura... e a única coisa que eu posso fazer é nomear você Chefe de Gabinete, e aí falou baixinho, nessa época todo mundo tinha medo de telefones grampeados e de microfones ocultos, ele virou para mim e disse assim: Eu não confio em ninguém, eu não confio em ninguém ... Está bom, eu levei uma semana querendo continuar na PUC, afinal foram anos de discussão de projetos, mas acabei saindo indo lá com o Isaac... ficou no meu lugar Carlos Alberto Menezes Direito, hoje Ministro do Tribunal Superior...” (depoimento de Eurico Borba à RSA). A surpresa de Eurico e do próprio Isaac pela súbita nomeação foi explicada mais tarde aos dois por Maurício Rangel Reis, secretário geral do Ministério da Agricultura e depois Ministro do Interior no governo Geisel. O convite de Isaac ao IBGE veio de Veloso? “ O Maurício Rangel Reis foi quem lembrou o nome de Isaac ao Veloso para livra-lo de uma confusão de hierarquia militar, porque tinha sido nomeado um coronel e o coronel que durante muito tempo freqüentava o IBGE naqueles Conselhos ligados a essa área de ...geodésia e cartografia... o Decreto de nomeação desse coronel chegou a ser assinado pelo Veloso, e por conta de um problema de hierarquia militar... o general daqui da região era o comandante do coronel... deu três berros lá porque não tinha sido consultado, então criou-se um problema. Um problema para Veloso, que era o Ministro do Planejamento, e que havia indicado o coronel, que por sua vez aceitou, mas ele Veloso não tinha avisado ao general, então criou-se um problema de hierarquia militar... o general estava bravo, o Veloso indeciso... mas quem vou colocar? Maurício Rangel Reis levantou e disse: o Isaac. O Veloso disse, excelente, o Isaac... agora mesmo... ele era amigo do Isaac e falou com o Médici por telefone e o Médici então pediu o curriculum lá e tal e pediu para , para o negócio ser rápido e em 24, 48 horas... quer dizer: o Isaac não teria sido lembrado se o general não tivesse berrado com o coronel... e então o Isaac assumiu... Nos primeiros meses não sentia-mos seguros... quando nós estávamos lá, só os dois e queríamos conversar, nós dois saíamos para comprar jornal e íamos até o Aeroporto, tomar um cafezinho para conversar, porque tínhamos medo de que nas tomadas tivesse um microfone...” Quer dizer, tinha problemas internos da casa, além da questão militar? “E aí eu me lembro de uma reunião que o Isaac foi comigo... com o pessoal do Departamento de Censos, nós estávamos para começar o Censo de l970, e estava tudo atrasado. Então eu disse: Professor Isaac, não tem nenhum problema, eu levanto a bola, se o Senhor não estiver de acordo o Senhor pode me esculhambar, mas eu vou levantar as perguntas e o Senhor depois apazigua... comigo não tem problema, e eu fiz as perguntas mais indiscretas possíveis... porquê que o Censo não estava ainda todo esquematizado, naquela época em administração se usava muito “pert-cpm” então eu havia aprendido na PUC e tal e perguntei, vem cá essa operação censitária você tem um pert, e o Sebastião Reis que era o dono do Censo levantou da ponta, mas, se ele pudesse teria me dado um tiro... Eu fiz o Censo de 40, 50, 60 eu sei todo o processo, está aqui nessa pasta... todas as etapas, esta porcaria de métodos modernos só faz complicar... eu fiquei calado, o Isaac ficou calado por uns instantes..., virou para ele e disse: Eu só quis saber se tinha um elemento que a gente pudesse olhar, ao invés de estar te consultando pelo telefone. Eu disse: Olha Dr. Sebastião o Sr. desculpa, mas só que nós estamos no mês de abril, ou maio e ainda não temos os questionários prontos, os questionários não foram distribuídos, o esquema de distribuição que tem que utilizar Marinha, Aeronáutica, não sei quem mais, o Serviço de combate a malária - SUCAM, nada disso ainda está

pronto? Eu fico preocupado. Como é que dia 1 de setembro os questionário estarão no campo? Bom, na época teve um fato fantástico, tenho cópia desse material em casa, fui tirando cópia, naquele tempo era termofax, tinha um decreto-lei 200 e um Decreto específico de contratação de pessoal para o Censo e a gente pressionando para contratar pessoal, nós precisamos de pessoal, nós precisávamos de computadores, então o coitado do Chefe do Pessoal ficou tão aflito que dizia assim num despacho dizia assim: o Censo é prioritário, na época se usava muito a expressão Segurança Nacional, é uma questão de segurança nacional, portanto contorna-se a lei... e aí o Isaac rejeitava esses expedientes... que contorna a lei coisa nenhuma...tem que ser dentro da lei. Era um período extremamente dinâmico, que se trabalhava o tempo todo, numa tensão danada, denúncias de corrupção, denúncias de comunistas escondidos debaixo das mesas, cada pessoa que você admitia tinha que ter uma ficha do SNI ...Isaac então dizia para o Veloso... Ministro tem coisas que a gente tem que admitir amanhã, não vou esperar duas semanas, três, não mas o SNI tem uma regra. Tem uma regra para o dia a dia, mas para o Censo não pode ter regra, aí tivemos que vir à Brasília, para conversar com o Chefe do SNI na época, que era o general Carlos Fontoura, as apresentações foram feitas, vê como são as histórias, pelo irmão do Presidente Figueiredo, que era o escritor Guilherme Figueiredo... que era muito amigo do Clóvis Zobaran Monteiro... que era um advogado do IPEA e que depois foi para o IBGE... era chefe de gabinete lá em Brasília e o Zobaran foi lá no Guilherme Figueiredo e disse: Olha tem esse problema do Professor Isaac... se encarrega de ver lá com o Eurico de cuidar dessa história... então fomos a Brasília junto com Guilherme Figueiredo, Zobaran foi recebido por General Fontoura para explicar que nós não podíamos esperar e se tivesse algum comunista escolhido...depois a gente veria... O general deu aprovação... então resolvemos esses problemas. Então o ano de l970 foi tomado, tem outras coisas para contar, mas foi tomado basicamente pelo Censo. O Censo tinha que sair, já o ano de l970...” - Só uma pergunta. Em 70, vocês já pegaram o Censo mais ou menos sendo preparado, quer dizer, já havia um planejamento anterior... “ Sim, havia um planejamento do questionário, o estava atrasado era a parte operacional. O Isaac inclusive na Fundação Getúlio Vargas tinha trabalhado muito com Manoel Antônio, no Censo Agropecuário, com Rodolfo Wenshe no Censo Industrial, com Lira Madeira no Demográfico, então o Isaac como já era uma referência muito conhecida... pois era consultor do IBGE desde a década de 50, já tinha trabalhado no Censo de 60 como consultor, já sabia como estavam as coisas e estava acompanhando, o problema era operacional, rodar questionário, empacotar questionário, contratar recenseador, supervisor, treinar...” - Mandar para o campo, logística de distribuição de questionário no campo... “Exato... no ano de 197l, o Censo então coletado é um ano onde se começou então a repensar então o IBGE...que já havia virado Fundação em 1967, mas ainda não era efetivamente uma Fundação” Sobre a visão de Isaac a respeito da Geografia, Eurico conta que nos primeiros tempos de reformulação dos cursos da PUC, a percepção de Isaac sobre a Geografia não era nada boa, mas que esta visão mudou quando começou a trabalhar no IBGE... - Deixa eu só colocar um negócio interessante, você vai perceber que o IBGE como um órgão que tem geografia, estatística e cartografia ao mesmo tempo... é um dos poucos órgãos no mundo que tem isso, e que de uma certa maneira, as pessoas acham interessantíssimo, a maioria das pessoas que lidam com planejamento territorial no sentido amplo... de outros governos, de outros

países, que lidam com isso, dizem mesmo. Vocês não devem acabar com esse modelo, porque é um modelo muito interessante, aonde tem geografia que define a história do território, demografia, o Censo Demográfico que conta a população, a cartografia que faz a representação do território, e a geodesia que faz as medidas desse território juntos é algo que muito poucos países, acho que só o Canadá tem alguma coisa parecida... “ Espanha tem algo assim também. Bom, então com duas ou três semanas de IBGE... o Isaac pegou essa concepção lá de l935, 36, tinha alguma coisa de importante. Bom, depois, aí eu estou falando de maio, junho, o Isaac virou para mim e disse assim: Eu não me esqueço, estávamos caminhando lá no Aeroporto Santos Dumont..., antes tínhamos almoçado lá no Hotel Aeroporto e depois nós caminhávamos até lá conversando ele disse: Eurico os únicos que tem formação acadêmica para conversar qualquer coisa séria no IBGE são os geógrafos...” -Que naquela época eram exatamente a elite de formação acadêmica... a Velha Guarda “ E os únicos que eu estou podendo conversar são os geógrafos, então era Faissol, Miguel Alves de Lima, era o Pedro Pinchas Geiger, era a Lysia que não estava no IBGE estava servindo ao IPEA, o Isaac fez tudo para a Lysia voltar, o Lysia não quis voltar, Marília Galvão, tinha uma outra que depois foi estudar na Inglaterra, fez pós graduação? Olga ...?...” - Era Olga Buarque de Lima... “ Tinha uma outra senhora também, assim mais ruiva, de óculos∗, bom era um pessoal todo que tinha feito seu mestrado, doutorado no exterior, Estados Unidos e França, então isso fascinava o Isaac, porque do lado da estatística ele tinha pessoas que muitas vezes não tinham nem curso superior, tinham feito o Censo de 40, 50, 60 e estavam lá, por exemplo, o rapaz da área industrial, o Florentino, era uma pessoa excelente, ele sabia a estrutura de produção da Wolkswagem, da Carrocerias Marco Polo lá de Caxias do Sul, de cabeça, mas ele não tinha curso superior, bem ou mal ele tinha primeiro ou segundo grau. Havia muitos outros assim, e todos obtiveram diploma de estatístico por conta de uma lei que você levava lá um papel dizendo que você tinha participado do Censo como entregador de lanche e virava estatístico provisionado. Na área de demografia você tinha o Lira Madeira que já era um outro grupo diferenciado dentro da estatística que vinha de uma tradição do antigo demógrafo italiano Giorgio Mortara, que veio fugido do Mussolini e ficou aqui e dizem que o Censo de 40 que foi muito bom, foi ele que fez, e que criou a ENCE e que teve uma tradição grande de formar estatísticos principalmente da área de probabilidade e se esgotou ali nos anos 70 que depois por a ENCE é uma escola isolada, não podia ter mestrado, não sei o quê e aquilo ficou formando bacharéis o nível foi caindo... o IBGE não podia admitir... esses problemas da porcaria da gerência do pessoal do serviço público... então o Isaac começou a ficar entusiasmado com o pessoal da geografia, Faissol e Miguel Alves de Lima com certeza foram os que mais privaram da intimidade do Isaac, Geiger também, a Olga, Marília, também e muito do que se discutiu da reforma do IBGE, se deve a participação desse pessoal, e aí a idéia do Isaac de uma geografia, de uma ciência insepulta, ou morta mudou... e aí vai uma observação minha, minha Eurico eu via três grupos de geógrafos, talvez quatro, vamos assim descrever: l. o grupo liderado pelo Faissol que era a geografia quantitativa, mas na formação dos geógrafos, poucos eram geógrafos com idade de 50 anos de idade estavam dispostos a aprender matemática, estatística, o Faissol fez isso, outro era um grupo liderado por Miguel Alves de Lima que era um grupo ainda da geografia, eu vou usar essa expressão, porque não parece conveniente você corrige como achar conveniente também, geografia tradicional, descrições de territórios, descrições das cidades...”

Eurico se refere a Fany Davidovich

- O Miguel Alves de Lima ele é um geomorfólogo , quer dizer, é um profissional que trabalha com descrição da superfície, de todo o relevo e tal, e talvez isso tenha influenciado você... “ Quando eu fui para Brasília em 75, eu pedi um assessor de geografia e mandaram a Catarina Vergolino Dias, que hoje é uma grande amiga, uma irmã mais velha, mas Catarina era seduzida pela metodologia do mapa, ela ia para uma reunião comigo e queria levar mapas, para na frente do Ministro começar a desenhar, onde estava a indústria, onde é que estava a poluição, onde é que estava a corrente migratória, porque no mapa o pessoal vê, daqui pode codificar, eu digo, não Catarina, você tem que levar tabelas, você tem que levar pequenos relatórios, uma, duas páginas, tabelas, gráficos, aquilo não entrava na cabeça dela, gráfico, a tabela era o mapa desenhado...” - Não entrava mesmo, é tradição cartográfica mesmo, que é uma tradição do Miguel Alves de Lima... aprendida com Francis Ruellan “ Um terceiro grupo, era o grupo do meio ambiente que hoje são os precursores do meio ambiente do IBGE que era a geografia física, então tinha um chefe de gabinete do Miguel que era uma pessoa simpaticíssima, baixinho, o Lúcio de Castro Soares, então ele me mostrava com muito orgulho os artigos dele na Revista Brasileira de geografia de l940, 50, 60 os ventos de tal lugar, as marés, os mangues, a floresta, era uma camarada excelente, se a gente pegar um livro da época tem lá. IBG Superintendente - Miguel Alves de Lima, Chefe de Gabinete Lúcio de Castro. Então esse era o grupo, esse grupo me ajudou muito lá quando eu fiz a Reserva Ecológica do Roncador, e o quarto grupo, é um grupo que eu diria assim: dos magoados, que era um grupo de pessoas que foram maltratadas pela revolução, ou tiveram brigas metodológicas com os outros grupos internos e foram segregados, então para o exemplo eu estou falando do Valverde, que é uma pessoa que quando foi à Brasília me visitar lá por conta da Reserva Ecológica do IBGE me pareceu uma das pessoas de melhor qualidade, inteligência e tal, e tinha o Edgar o Kulhman por exemplo... então esse outro grupo de descontentes o Kulhman, o Orlando Valverde que estavam ressentidos. Catarina tentou recuperá-los, não foi possível porque, eu nunca fiz isso na minha vida acadêmica, mas vejo que até hoje se repete, você repele, o Faissol repelia esse pessoal, não aceitava, o Miguel Alves de Lima repelia esse pessoal, na área de geografia física eles também não entravam... e eles por sua vez estavam ressentidos com a situação nacional... - Existia um problema sério no IBGE é que nesse período a geografia física l970 quando eu entrei no IBGE a geografia física estava em baixa por alguma razão que até hoje nunca consegui decifrar bem, geografia humana e a geografia urbana fundamentalmente era a força e aí não sei se aí teve o dedo também de Lysia Bernardes, etc. e tal... “ Lysia Bernardes era outra que o Isaac tinha a maior admiração por ela...” - Exatamente, então o que você percebe é que quando eu entro no IBGE e aí eu entro pensando no contexto de geografia física, já que eu era escalador, eu era um cara de montanha... então eu entro na geografia imaginando trabalhar em geografia física e eu percebo que no DEGEO a geografia física está em baixa... quem está forte é geografia humana e quem está forte na geografia humana é geografia urbana e onde eu acabo trabalhando e onde eu acabo ficando... e começo a perceber que havia pessoas muito poderosas na geografia física como Alfredo Porto Domingues, como Miguel Alves Lima, como a própria Catarina que conhecia muito de geografia física... mas esse divórcio era forte, eu me lembro que grande parte de que se fazia de geografia no IBGE era geografia humana e na geografia humana no IBGE eram geografia urbana e agrária...além do grupo da geografia regional que solicitava apoio dessas duas.

“ Mas aí deixa eu contar o lado que eu sei de alguma coisa de bastidores, eu estava te comentando das patotas, os grupos, que até hoje você percebe na academia, eu não sei fazer isso, a gente sofre com essa história, mas acontece as pessoas ficam mais amigas, tem conversinhas especiais, segregam, nomeiam quem vai para Congresso, protege aquele grupo que vai fazer o mestrado, tudo por aí... o artigo na revista tem sempre prioridade, então esses grupos começaram a ficar muito claros delineados já em l970, mas o Isaac com aquela soberania dele, soberania não, aquele espírito sobranceiro dele pairando sobre esses problemas ele achava fantástico conversar com o Miguel, conversar com o Lúcio, com Faissol, com Geiger, e tem mais um grupo que não são especificamente de geógrafos, mas que conviviam com geógrafos por conta do antigo IBG e que é preciso ser considerado que é o pessoal de geodesia e cartografia, que no passado tinha uma força vamos dizer assim romântica Dalmi, que morreu em Brasília é um grande amigo que eu guardo assim na memória, Dalmi em l939 sai do marégrafo de Torres no Rio Grande do Sul e de cem em cem metros com aquela régua e tal, vai levando a linha de nivelamento que eu vi em l97l chegar no marégrafo de Torres e essa linha que saiu em 39 do marégrafo de Torres chega em l97l no marégrafo de Belém, Belém do Pará, com Clóvis lá do Ceará e o Daomi presente com uma diferença de apenas 42cm, a pé, esse pessoal de geodesia era então assim o carisma o Dalmi conta a história o Alírio Hugueney de Matos que nós homenageamos em l978 um velhinho fazendo noventa anos, nós fizemos uma base lá em Mato Grosso, numa cerimônia à noite, Base Alírio de Matos, o velho não podia falar, estava com falta de ar, oxigênio no velho para não morrer ali nos nossos braços, esse pessoal era o romântico, então, escutavam a BBC para calcular a hora oficial para ter observação das estrelas, latitude, longitude com rádio de galena, porque era período de guerra, as baterias se desgastavam rapidamente, então faziam rádio de galena para pegar a hora do meridiano de Grenwich para acertar os seus cronômetros e pegar os seus sextantes lá no interior do Mato Grosso e marcar as posições, era um pessoal fantástico, romântico, e tal, então foram heróicos na década dos 40, na década de 50, na década de 60... Che Guevara os abençoa, porque como surgiu a idéia de terrorismo na América Latina... os militares perceberam que era preciso mapear, e para mapear tem que ter o apoio geodésico e apoio geodésico toma dinheiro, eles nunca tiveram tanto dinheiro na vida como esse período, os primeiros rastreadores de satélites que foram funcionar no mundo foram nos Estados Unidos e depois no Brasil, porque tinham que pegar ali fronteira da Bolívia, Peru, aquele negócio todo porque os comunistas iam entram por ali, então o exército precisava para fazer mapas na escala de l:25.000, l:l0.000, mas aí o IBGE tinha que mapear a escala de l:50.000, então eles foram os primeiros rastreadores de satélites aquilo era um treinamento no Panamá, no Canal do Panamá, dinheiro a beça, então naquela época se compara ou caminhão, caminhonete, rádio, tudo, barraca, eu dormi no interior do Mato Grosso em barracas americana, se puxava o zíper por causa dos mosquitos era uma beleza...Era rede barraca, ficava balançando e deixava, era uma beleza, fiz tudo isso pela maior glória de Deus e grandeza do IBGE, então o pessoal de geodesia e cartografia na década de 70, tiveram um grande impulso por conta das guerrilhas... Por conta de um trabalho para o Ministério, tive que mapear as barragens no Brasil e Professor Isaac numa vez estava conversando comigo e eu disse: Professor Isaac, mas o esse dado aqui em escala de l:50.000 principalmente é um dado importante para barragens, para estradas também, ele disse: Eurico isso é importante, no dia seguinte teve uma palestra dele na Escola Superior de Guerra, o Isaac disse: Porque o dado geodésico para nós e essa carta l:50.000 vale tanto como uma informação demográfica e econômica porque pode mostrar aqui as curvas de nível para construir uma barragem, construir uma estrada e seus cursos alternativos...” - Eu imagino como os militares adoravam... “ Eu ficava passando, os militares adoravam, mas os Isaac numa dessas reuniões da Escola Superior de Guerra... um coronel lá levantou e disse assim: Se um dado econômico social for contra os objetivos permanentes da revolução o Senhor não acha que esse dado tem que ser escondido da população, não das outras autoridades e tal, que precisa saber, mas da população? O Isaac ficou branco e disse: Essa é a

diferença entre um estado democrático e um estado totalitário, ele pensou, vou sair daqui preso... Então voltando ao grupo quer não era geógrafo, mas de geodesia e cartografia teve muita força e era um grupo muito unido e disciplinado e com uma produção enorme...” - Até hoje a geodesia, a geodesia brasileira é uma das melhores, quer dizer é uma das melhores das Américas, ela só não é melhor do que os Estados Unidos pois o Estados Unidos tem um esquema geodésico muito grande, é muita gente, recursos, mas ela é extremamente, por exemplo, essa parte de GPS ela foi a primeira a implantar no Brasil, a implantar muito bem implantado no IBGE hoje é matéria comum... “ Então esse grupo de geodesia e cartografia nunca nos deu problema, na época do Censo, fazer mapas censitários eles respondiam com bastante eficiência, bastante rapidez, estavam preocupados na produção de mapas temáticos e aí tinham uma ligação com o pessoal da geografia muito grande... Mas na época começou uma brigalhada danada, Projeto Radam e o INPE sobre as primeiras fotografias de satélite e a imagem de Radar, então havia uma confusão Miguel Alves de Lima dizia que o Projeto Radam era uma porcaria, era um blefe, tinham um engenheiro agrônomo baiano, esqueço o nome dele agora...tinha esse engenheiro agrônomo que eu me esqueço o nome que dizia que o IBGE poderia acabar com o Censo Agrícola porque com imagem de Radam e imagem de satélite, fotografia com alta altitude, de alta altitude, faria previsão de safra...” - Naquela época se imaginava isso... - Mas aí imaginar que o Censo Agropecuário no Brasil... que é um negócio muito mais complexo, se limita a prever safra é outra história... O Isaac ficava uma fera com essa história, Miguel Alves de Lima alimentava dizendo que o Projeto Radam era uma porcaria, que o radar, nunca me esqueço dessa explicação, que o radar era na vertical, quando era inclinado as elevações...” - As elevações apareciam sombras, davam sombreamento... “ Então a parte de altimetria nunca era correta, que o dentro da mata Amazônia tinham verdadeiras montanhas, com mais de quatrocentos, quinhentos metros, aí vinha o Lúcio dizia que tinha andado lá por dentro que era verdade...” - Isso aí tem uma história muito interessante que em l974 eu fui num Congresso de geografia em Belém e o pessoal do Radam trouxe uma nova visão da geomorfologia da região Amazônica, a região Amazônica era conhecida como uma planície Amazônica, então era tudo plano, e ninguém se discutia, era plana, etc., e chega o Radam e mostra que não, é plana em termos, quer dizer: existem elevações, etc., e tal, então vamos ter que discutir a classificação de como nós vamos denominar essas elevações dentro de uma área que é em média planície, e aí isso causa um transtorno louco para todos os caras, geógrafos de geografia física que sempre falavam de planície Amazônica e planície é zero a dez metros, quer dizer, então a idéia é essa de zero do nível do mar a dez metros, e os caras não: tem planície, tem montanha de cento e tantos metros, cento e dez, duzentos metros, e isso foi um caos total em l974, porque a geografia clássica, geomorfologia clássica anterior definia a Amazônia como planície e ninguém queria largar disso e os caras diziam, não é assim e etc. e tal e aí tem toda uma discussão técnica sobre o radar do Radam era bom ou não era, se servia para mapeamento ou não... e o Miguel Alves de Lima possivelmente era um desses partidários que era contra ... Já Isaac descobrindo que os geógrafos tinham um nível acadêmico superior, eu estava falando com ele, na área da estatística tinha o Ovídio que era um advogado que virou estatístico, tinha aquele da Indústria que você trabalhou com ele, era um

velhinho fantástico, Florentino uma figura fantástica eu estava falando isso, ele sabia a estrutura da produção da Wolkswagem, da Marco Polo, tudo de cor...” - Ele se identificava com os questionários de tabulações especiais a mão, ele sabia exatamente o que podia e o que não podia fazer, marcava um “X” na tabulação... “ Mas não tinha nível superior, o Rudolph Wenshe sabia fazer as coisas e tal, mas era um quadradão ali da turma, formada no campo desde a década de 40, 50, 60... então o Isaac começou a conversar muito com Miguel Alves de Lima, com Faissol que tiveram uma influência muito grande nessa transformação do IBGE toda, nessa mesma época o Isaac começa a perceber, estamos já falando em 7l que tinha que trazer gente de fora e tinha que mandar gente para o exterior, para fazer mestrado e doutorado...” - Continuar o que a geografia sempre fez, aquela história de mandar pessoal para o exterior existe desde a década de 40... a geografia sempre teve essa política de, sistematicamente, mandar pessoas para o exterior para fazer especialização, pós graduação, etc., e tal... “ l97l, 72 começaram vocês chegar no IBGE...” - 73 foi o período de contratação em massa, 72, 73 foi o período forte em contratações... “ Nesse período foi Sônia, Madalena, Jane, Maristela, essa turma toda, Eurico Borba também fala da questão da urbanização no Brasil e no processo de estruturação das “áreas metropolitanas” , mas imaginando ser uma questão do início dos anos 70, quando, na verdade, o problema já estava na pauta dos geógrafos do IBGE desde meados da década de 60, inicialmente conduzido por Lysia Bernardes sob a orientação de Michel Rochefort e, posteriormente, por Faissol, Geiger, Marília Galvão, Fany e uma equipe denominada Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) no qual trabalharam, além de Faissol e Marília as geógrafas Olga Maria Buarque de Lima e Elisa Maria J. Mendes de Almeida. O grupo já havia publicado na RBG v.31n.4, p. 53-128, out./dez. 1969 um artigo que estabelecia os critérios para identificação e delimitação das futuras áreas metropolitanas, para que fosse preparado um levantamento estatístico especial a ser aplicado durante a campanha censitária de 1970. Mas como Isaac e Eurico, que chegaram em meados de 1970 no IBGE, provavelmente somente tiveram conhecimento desses estudos bem depois, quando o Ministério do Planejamento fez solicitações a respeito do problema. “ ...o governo começou a se preocupar com o problema da urbanização, aí também houve esses acasos felizes, l9..., eu já não sei a data correta, 7l, 72, começou a se discutir regiões metropolitanas e aí, eu estou falando discussão a nível de governo, executivo, quais os critérios para delimitar uma região metropolitana e aí...o Veloso tocou um telefone para Isaac... eu me lembro nós estávamos numa reunião, em que as primeiras PNAD estavam sendo discutidas... ele saiu, me chamou assim, chamou o Faissol e eu tenho absoluta certeza que o Faissol chutou... aquele negócio, ele percebeu a importância do negócio, o Isaac disse assim: O Veloso quer uma resposta para uma reunião com o Presidente Médici se nós temos critérios para fazer Região Metropolitana, o Faissol, quando? Nós podemos fazer... aí eles viraram acham que madrugada, no sábado, no domingo, e tal, eu me lembro que tinha negócio de número de ligações telefônicas, número de passagens de ônibus, foi para definir as áreas... e

logo depois, vocês colocaram na praça e até foi uma edição multiplicada por dois ou três da Revista Brasileira sobre Região Metropolitana, uma capa verde, e aquilo saiu, foi enviado uma mala direta e o Veloso começou a gostar da idéia...” - Já existia no DEGEO, por conta do Faissol, já existia um grupo chamado, quando eu entrei em l970, já existia um grupo chamado GAM que era Grupo de Áreas Metropolitanas, em que ele já estava preocupado com isso, porque que ele tinha conhecido nos Estados Unidos a história das Standard Metropolitan Statistical Area (SMSA) é um termo específico de definição de áreas metropolitanas e de definições estatísticas de áreas metropolitanas nos Estados Unidos. Ele tinha percebido esse processo no Bureau of Census dos Estados Unidos, tinha visto que isso era extremamente importante para o Governo Americano em termos de planejamento para transporte, integração, telecomunicações, etc. e tal... O DEGEO já estava trabalhando com isso em períodos anteriores, mas dentro de outros contextos... e aí você vê como o negócio tem ligação, Lysia Bernardes apresenta a idéia de que a rede urbana brasileira estava se modificando... a população urbana brasileira estava crescendo, estava começando a sobrepujar a população rural, coisa que na década, no Censo de 60 começa a mostrar isso, mais o Censo de 60 foi um Censo problemático... que não pode fornecer bons dados para esse tipo de pesquisa imediatamente... os geógrafos urbanos do IBGE já haviam percebido que estava acontecendo, mas sem certeza estatística... em 70 esse negócio ocorre e já é mais visível em outras áres do governo. Porém, as primeiras discussões aconteceram entre 60 e 70, a Lysia Bernardes começa a perceber isso através dos estudos do francês Michel Rochefort sobre rede urbana, estudos de redes urbanas, quando ela chefiava a Divisão de Geografia após 1964 e o Faissol pega essa idéia em 1868... quer dizer, a Lyzia vai para o IPEA, sai do IBGE vai para o IPEA e o Faissol pega esse mote... ele vai aos Estados Unidos, como ele tinha muito mais ligação com os Estados Unidos, ele tinha feito doutoramento nos Estados Unidos e começa a perceber que nos Estados Unidos essa questão é importante, etc. e tal, ele pega a tecnologia e todo o aparato estatístico, que isso era feito nos Estados Unidos e aí que de uma certa maneira começa a história, um pouco capenga, começa a história da Geografia Quantitativa que no fundo, no fundo, não é a geografia quantitativa é muito mais uma visão de um indivíduo que está numa área, numa agência de governo de planejamento, dele começara perceber o que é importante para municiar o planejamento de governo e aí, a história de geografia quantitativa acaba surgindo muito em função de uma questão de o Faissol perceber essa questão, isso aí que você está mostrando exatamente esse ponto... “ Mas tinha brigas internas grande, por exemplo eu me lembro o Miguel Alves de Lima, foi uma ou duas, várias vezes... ele dizia para o Isaac e para mim... o que esse grupo que estava fazendo... não era Geografia... eles não estão fazendo Geografia... e Catarina, que era muito mais livre no falar, amiga do Faissol, o pessoal gostava muito dela, eu me lembro lá, me lembro lá em casa em Brasília os dois praticamente se atracavam porque ela dizia assim ... você está traindo a Geografia, você está fazendo mal feito o trabalho que sociólogo, economista, demógrafo... você não tem formação específica para isso... nossa formação é para conhecer o território, a ocupação, escrever, descrição... então as brigas eram sérias e aí eu acho que nessa das áreas metropolitanas o Faissol forçou um pouco a barra, o Faissol percebeu que ele poderia ser para o Ministério do Planejamento, um instrumento de planejamento... o Veloso só aceitou porque achava que era um serviço que o IBGE estava prestando bom e que tinha o aval do Issac. O que o Isaac pedia para o Faissol, ele sempre dizia assim: você testou isso com o Lira Madeira? Testou isso com fulano e tal? Ele nunca deixava de falar isso, mas sempre falava isso e as vezes o Faissol ficava magoado e vinha se queixar para mim: o Isaac pensa que eu vou fazer uma coisa dessa? - Eu digo não, é uma coisa importante e tal. Eu falo lá e a o Lira Madeira, Valéria Mota Leite que trabalhava nesse histórico, na área de economia estavam chegando outros, a Maristela várias vezes checou coisas do Faissol... Um outro ponto da época foi a divisão em Meso Regiões... o Veloso sempre falava muito bem do trabalho de

Micro Regiões Homogêneas e logo depois dessa Lei o Faissol saiu correndo atrás e publicou Brasil em Meso Regiões ...” Este processo de regionalização em microrregiões homogêneas inicia-se em 1967/1968 e foi coordenado, primeiramente por Lysia Bernardes como chefe da Divisão de Geografia e de 1968 em diante por Marília Galvão que assume o Departamento de Geografia. O processo de regionalização em mesorregiões foi trabalhado por Faissol em 73/74 para ser adotado nos censos econômicos de 1975... “ Antes de você ir... deixa eu contar esse último fato... uma coisa importante para se estabelecer um contraste: Aí o IBGE teve uma função fundamental na definição das áreas metropolitanas e toda vez que esse problema de urbanização aparecia o IBGE era chamado, eu me lembro o Jorge Franciscone ficava uma fera... porque o Franciscone tinha sido nomeado para coordenar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, e aí era o Veloso... que dizia para o Roberto Cavalcante, que dizia para o Franciscone, Jorge Franciscone, já checou com o IBGE? Isto é, era o IBGE que batia o martelo nessa história..., porque aí a palavra final que tudo que se tratava de urbanização passou a ser do IBGE... Da questão das áreas metropolitanas, Eurico passou a relembrar o processo administrativo do IBGE na gestão de Isaac, com a restruturação administrativa da casa e a luta de Isaac com outras agências de planejamento econômico... “ Bom, mas então voltando ao Isaac sobre sua relação com o Departamento de Geografia e com os geógrafos do IBGE lá nos anos 70. Com a criação do IBGE a Lei 5878 em maio de 73 eu passei a Diretor Geral foram criados a Diretoria Técnica, a Diretoria de Informática, a Diretoria de Formação, a Diretoria de Geodesia e Cartografia, a Diretoria de Divulgação e a Diretoria de Administração, a Diretoria Técnica foi entregue ao Amaro Monteiro e tinha Superintendências Estatística Primárias, Estatísticas Derivadas, Estudos Geográficos e Sócio Econômicos e Recursos Naturais, aí já estava começando a surgir efeito a política voltada para o médio e longo prazo do velho Isaac...de contratar gente já com alguma formação, mestrado e doutorado e garantir aos funcionários do IBGE idas ao exterior para cursar aperfeiçoamento e fazer então mestrado e doutorado e aí nos anos de 74, 75. Foi um trabalho muito grande de estruturação do novo IBGE, o quadro de pessoal os critérios de promoção, verdade seja dita, o Ministro Veloso e o Mário Henrique Simonsen que estava no Ministério da Fazenda nas época nunca negaram nada ao Isaac... sempre foi possível nós garantirmos o nosso orçamento... em termos legislação se cita sempre a Lei 5878, mas se esquece de duas leis muito importantes, uma dela foi implementada com bastante vigor e a outra ficou no papel por dificuldades políticas que nós vamos mencionar aqui. Uma diz respeito ao plano de formação estatística e geográfica e cartográficas, estabelecendo periodicidade, abrangência e tal, isso foi implementado e tudo bem, e a outra é o problema da coordenação do sistema estatístico nacional que é confuso, porque na época como se falava muito já em geodesia e cartografia, geografia, estatísticas primárias, estatísticas derivadas como uma única unidade de estudos e reflexão sobre o Brasil, nós começamos a ter oposições muito sérias que pouca gente sabe..., que foi muito pouco explorando... Enquanto o IBGE, principalmente o lado da geografia por seus estudos de urbanização, metropolização, vários artigos sendo publicados na Revista Brasileira de Geografia era mais conhecido nas esferas de governo, e os primeiros resultados sobre Censo Demográficos de l970 também ajudaram... Por outro lado, no campo entre a Economia e a Estatística... depois as primeiras tentativas de construção da tabela de relações intersetoriais, as tabelas de insumo-produto e depois a idéia da construção do Índice Nacional de Preços do Consumidor, o restrito e o ampliado, até oito salários mínimos e até trinta salários mínimos, que partiu daquela grande pesquisa o ENDEF - Estudo Nacional de Despesa Familiar realizado em 74 e 75..., veja como isso tudo era encadeado... treinamento de pessoal, formação de pessoal, reestruturação da estrutura do IBGE, nova legislação, tudo isso sendo feito, visando a

os principais interlocutores do Professor Isaac continuavam a ser os geógrafos... o Veloso deu uma risadinha e disse: Isaac você continua um professor e o Élcio Costa Couto deu um pulo da cadeira: Isaac você é um traidor. O Isaac disse assim: Veloso o IPEA está com seus dias contados. 75 nós começamos a sofrer elegantemente um bloqueio. 77. o Ramonaval. sociólogos começam a chegar ao IBGE. quando eles perceberam que nós queríamos isso. Quando essa idéia começa a transparecer e os nossos adversários só foram perceber isso lá pelos idos de 74. houve um problema interno com o Amaro da Costa Monteiro. Até l976. quando começamos a colocar as primeiras tabelas na matriz de insumo-produto para fora e começaram os primeiros resultados do PNADs consistentes.criação daquele grande instituto que seria o instituto capaz de escrever e interpretar o país em todos seus aspectos relevantes ao planejamento... essa era a idéia do velho Isaac. a Madalena Cronenberg.” Ao Faissol é creditado a famosa matriz de quatro mil municípios de migração. já estávamos extremamente bem programados. como o IBGE divulgou na área de geografia. já estávamos bem adiantados para os estudos para o Censo Demográfico de 80 e Faissol liderou aquilo dialogando tranqüilamente com economistas.. compete ao IBGE coletar.” . grandes convênios com o Centros Internacionais para fazer análise de dados.. analisar também... que se fala a cada momento de propósito... anuais. o término do Boletim Geográfico e o término do IBGE como área formadora do corpo docente de Geografia.. a hegemonia intelectual dos geógrafos se fazia sentir de uma forma muito marcante. eu não sei se você lembra disso. então elegantemente nós fomos sendo bloqueados nessa pretensão de expansão do IBGE. economistas. geografia física. começa a vir um outro grupo de pessoas inteiramente diferente. para fazer estudos prospectivos para avançar teorias sociológicas. e o IBGE nesse período terminou com essas . Presidente do IPEA e que virtualmente deu um pulo da cadeira. engenheiros agrônomos...Existe um ponto interessante que sempre é colocado contra Isaac e Eurico. através dos cursos de professores de primeiro e segundo graus e de professores universitários. Quando em l978 se eu não me engano.. A área que ministrava esses chamava-se de divisão cultural e vinha desde seus primeiros da década de 40. todo esse pessoal. com sociólogos. e aí começa uma interação muito interessante e muito fácil com o trabalho que os geógrafos vinham desenvolvendo.. bem formada e de doutorados. a Maristela Santana por exemplo na área de economia. mas a partir de 76. que infelizmente quase não foi utilizada e acabou saindo do censo de 91.. o Isaac disse para o Veloso isso numa reunião estava presente o Élcio Costa Couto que era o Secretário Geral do Ministério.. econômicas. para trabalhar no segmento entre Estatística e Economia.. de IPCA até esse momento 76. quem assumiu foi o Faissol a aceitação foi tranqüila e a liderança dele foi tranqüila. inúmeros só os trabalhos sobre cerrado que o IBGE fez naquele período. você quer acabar com o meu instituto.. o futuro do IBGE é fazer isso tudo e fazer grandes convênios com as Universidades.. etc... geomorfologia... a Jane Souto. 77. o José Burle de Figueiredo. ele deixou de ser Diretor Técnico.. quando nós saímos em l979. na Lei das Informações Geográficas e Cartográficas e Estatística e na Lei do Sistema Estatístico Nacional.. analisar e divulgar informações.... porque ele queria uma matriz de migração inter-municipal na medida do Censo de 80 que pudesse mensurar migração interna no Brasil no nível... na escala de município e ele conseguiu isso realmente as duras penas ele conseguiu bancar esse projeto. de um lado por conta do IPEA e do BNDES.. a Sônia Rocha. Eu e Professor Isaac redigimos isso com cuidado auxiliado pelo Clóvis Zobaran Monteiro. “ Eu acho que tem várias coisas que a gente podia chamar a atenção para um problema de publicaçõe... 77 quando começamos apurar o ENDEF. você nunca disse isso para mim.... que foram reclamar com o Ministro Veloso que o IBGE nos termos da legislação e é importante que vocês vejam isso na 5878. a Teresa Cristina. Isaac isso é uma traição. sistematizar. começamos com os primeiros testes do INPC.

você pega por exemplo. quem sucedeu o Paulo de Assis Ribeiro foi o Wanderbilt Duarte de Barros que é excelente pessoa. trabalhos dele. que existiam problemas..... os geógrafos reagiram muito mal.Mas eles achavam como que essa área de geografia física seria revitalizada? Porque como você fala.. “ Curso de formação de professores eu nem. conversando com o Isaac resolvemos.. que gostavam e tal. quer . e mas aí todos os geógrafos foram contra a idéia de recursos naturais.mas isso o Wamderbilt não conseguia fazer. mas o outro aspecto eu não me lembro.. 75. econômicos. quer dizer. quer dizer.. reagiram mal à Superintendência de Recursos Naturais o Miguel Alves de Lima. Eu queria fazer uma menção ainda a um outro problema. todos eram contra dizendo: isso é bobagem. e tal. escrito coisas sobre os problemas ecológicos e então o Isaac convidou-o para ele ser o primeiro Superintendente. de ele ter existido. publicações do ano de 78.. tinham curiosos. dentro da visão da grande instituição capaz de fazer a descrição do país e capaz de analisar todos os problemas sociais....duas atividades. uma foi o Boletim Geográfico que era uma revista paralela a Revista Brasileira de Geografia e o outro era esses famosos cursos de formação de professores..... o Isaac dizia: o Paulo de Assis Ribeiro poderia conversar com o Censo Industrial e verificar através de um cruzamento de dados que produtos que utiliza o seu processo produtivo que estão a poluir atmosfera e dali sair amostras e etc.. gostava muito do Isaac... ele ficou no IBGE. achavam que aquela história deveria estar sendo colocada a nível de Departamento no máximo do Departamento de Geografia Física revitalizada etc. e o Paulo Assis Ribeiro era um verdadeiro pioneiro nessa área dos problemas ambientais e já tinha criado cursos.” .. que chegou a um determinado momento não sabia o que ia fazer com aquilo por falta de gente.. dá a impressão que o divórcio havia terminado.” .. que não viam mais sentido na publicação e que era importante fortalecer a Revista Brasileira de Geografia.. eu acho que o único que se opôs a isso foi o Lúcio de Castro Soares. mas o problema e que a visão setorializada versus a visão do Isaac que era uma visão integrada... tinham pessoas que acreditavam.” . Além isso. me lembro não tenho a menor idéia. naquela época em l974. isso novo nome para o que nós fazíamos na década de 40 em geografia física. árvores do Brasil. não me lembro nem do tema. mas não tinham formação específica.. entregar o problma para velha guarda e chamamos o Kuhlman entregamos os recursos naturais. Catarina. por ter uma visão muito setorizada da questão..... e aí foram todos.No início dos anos 70 já estava presente a discussão do problema ecológico.. Ele ajudou muito na redação do texto da exposição de motivos da Superintendência e ficou conosco não mais que seis meses.. e aí nós tivemos dificuldades até o final do mandato do Isaac de encontrar uma pessoa com liderança intelectual capaz de levar a frente o projeto de recursos naturais. era um ótimo botânico..Ou os trabalhos do Assis Ribeiro que foram publicados. mas o primeiro repique que me dá na memória é que Miguel Alves de Lima e Faissol juntos é que sugeriram a Isaac o término. que o Wanderbilt não conseguia mobilizar gente. depois foi ser superintendente do Jardim Botânico até recentemente quando faleceu. Clube de Roma... como surgiu os Recursos Naturais dentro do IBGE. essas coisas e nós conhecíamos bem porque Paulo de Assis Ribeiro foi professor da PUC e era muito amigo nosso. que se não me engano ele era o editor. porque logo depois surgiu um câncer no pulmão e ele faleceu logo depois.. “ Foram publicados pós-mortem. O Boletim Geográfico eu me lembro e posso estar errado. Então.Você não lembra como isso acabou? “ Não.. não tinha gente com formação específica em recursos naturais.. 79 da área de recursos naturais eram uns livrinhos assim sobre orquídeas do Brasil. Faissol.... Isaac e eu uma vez falando disso já estávamos tão preocupados com o andamento dos recursos naturais.

. do contraste entre o pensamento de Paulo e de Wamderbilt. etc. que nunca foi devidamente discutida.Mas não podia ser uma recriação de geografia física. e acredito que esse ponto. planta.. bem jovem no IBGE.. uma separação entre física e humana... acredito que seja uma relação de poder. quando eu entrei em l970. mas aí nós saímos em 79 o negócio degringolou e . não sei o quê e eu fui fazer outra coisa dentro da geografia. que até hoje não é muito explicado.” .. depois o Paulo de Assis Ribeiro tinha uma outra visão que era capaz de integração com demografia. você tinha um divórcio entre geografia física e geografia humana e o Radam entra. as coisas ficam interligadas. que nós voltamos à idéia de entrega para o pessoal de geografia física.o divórcio se dá na década de 60. esse é um ponto extremamente interessante para mim porque eu tento entender qual foi a razão do divórcio. mas não era a visão que se queria.. primeiro os geógrafos todos. um divórcio que é estranho.. “ E esse pessoal não pegava. havia um divórcio bastante grande entre a geografia humana e física e a geografia física era alijada completamente e era considerada menor. de ocupação. “Mas em 1973. da Climatologia. Amazônia . “ O Faissol me conta que jovem.. e isso é um negócio que até hoje é muito mal digerido por alguns geógrafos humanos. já estava lá a Superintendência de recursos naturais.. mas veja bem.. onde.isso deve ter batido de frente com esses geógrafos. talvez não tivesse a força.. o Paulo Assis Ribeiro pegava. que estão fazendo a geografia andar.dizer. saiam naqueles carros de excursões pelo interior e ele me disse uma vez porque que mudou de área... porque todos os geógrafos da velha guarda foram formados dentro da geografia física. geologia.. e que o IBGE já vinha fazendo isso desde l940.. 76. eu acho que não.. dizendo que esse troço de ecologia era geografia física com outro nome.. “ E aí a área de ecologia que poderia ser o vetor recuperador de geografia física. ele teve uma grande contribuição. foram formados dentro da Geomorfologia e dentro da Biogeografia. alguns geógrafos humanos acham que estamos perdendo poder.. em que Eurico e Isaac imaginam em 76.. era aquele negócio de ver solo. não sei....Por exemplo. acho que a geografia só vai poder caminhar se integrar-se à geografia física e a outras ciências do meio ambiente. de população.” . a idéia de... inclusive poluição...... sei lá depois da quinta ou sexta excursão... os grandes diagnósticos.. a corrente Miguel.E aí é que entrou um negócio interessante.. ou uma recriação de uma área de geografia física que continuava sendo desconsiderada pelos geógrafos que estavam no poder. até porque todas as atividades humanas tem a ver dentro da física e algumas coisas físicas tem a ver dentro da humana. ele disse que chegou o momento...” O contexto em que o Paulo Assis Ribeiro pensava foi o que vingou. Geomorfologia. e ele será o mecanismo moderno da geografia física.... e terceiro eu Isaac por conta.. 75. gostem ou não. por vontade. com censos econômicos. um rejuvenescimento. não por necessidade. climatologia. o élan da época.” . são os famosos diagnósticos integradores. a coisa acontece. se viu que não tinha mais graça.. a corrente Faissol. mas eu acho que havia uma questão de poder. eu acho que muito pelo contrário. biologia.. havia uma questão de liderança. esse é o ponto onde entra o discurso do Edson Nunes... são três idéias que vamos discutir aqui. quer dizer. só para ficar claro. você não pode separar a física da humana... e aí não é uma crítica ao velho Wanderbilt..... com a Lei. onde ficava a história Radam e onde o Radam se enquadra direitinho dentro dessa estrutura do IBGE e onde ficou claro até hoje esse problema... e sim uma visão integrada de meio ambiente.

que acabou por gerar uma crise. e era o governo militar . em l992 ficava berrando nos corredores. convertido tragicamente em governo de José Sarney e acompanhou de perto a gestão de Edmar Bacha no IBGE. pois não. Minha carreira é o seguinte: eu me matriculei.Esse mestrado de ciências políticas foi feito onde? “ Foi no IUPERJ. Iniciaremos com sua vida acadêmica no IUPERJ e sua ida para o doutoramento de Ciência Política na Universidade da Califórnia em Berkeley.. cansou-se da medicina. Edson Nunes foi um dos principais articuladores do programa de governo de Tancredo Neves. principalmente no que concerniu às articulações da montagem da Comissão de Reforma Administrativa (CRA).que eu comecei em l972. A importância do papel de Nunes no IBGE inicia-se muito antes de sua posse em janeiro de 1987. mas que o IUPERJ estava passando por uma fase muito interessante nos institutos semelhantes do Brasil.. os rimas. pois é em Berkeley que se estruturam os laços de companheirismo com uma elite de profissionais que viriam a representar papéis importantes no governo brasileiro da Nova República e após. Sua gestão foi fortemente conturbada por movimentos sindicais que instituíram um regime de greves tão sistemático. “ Carreira é uma coisa rápida e biográfica é isso. nós imaginávamos que a situação da geografia estava bem equacionada e aí.. “ Mas aí quando eu sai com o Isaac em setembro de 79.. que talvez seja parecida no futuro com outras coisas. se formou nas duas. “ Gestão Edson de Oliveira Nunes O próximo presidente. Carajás. em substituição aos 18 meses de Edmar Bacha. por ordem cronológica. etc.legal. que acabou sendo parcialmente implementada em sua gestão.. e foi o que eu não encontrei em l992..” . lá no IUPERJ eu tive uma experiência.. acompanhando as discussões entre Ministérios e influenciando nas decisões. mas pensaram certo. vocês pensaram grande para 1975.. você tinha o CEBRAP também no mesmo processo. foi fazer direito. daí para a frente oscilou entre as duas. tipo CEBRAP que era a institucionalização dos institutos de pesquisa fora da estrutura estatal... cansou-se do direito e resolveu simultaneamente fazer ciências sociais. veio estudar em Niterói. que ficou 16 meses no cargo. Mas eu acho melhor falar 92 num outro dia.. achou muito fácil. então esse é o caminho. a dar seu depoimento para esta pesquisa foi Edson Nunes.. gerenciamento costeiro. para a fazer vestibular de medicina. Cadê a velha guarda? E não encontrava ninguém. culminando com saída de Nunes e estabelecendo uma intervenção do Ministério do Planejamento através de Celsius Lodder que fica até a posse de Charles Curt Muller... em determinadas áreas aquela área ia para frente. a liderança de pessoas no IBGE não só o Faissol na geografia.. Nunes também foi um espectador privilegiado do processo de absorção do Projeto RADAMBRASIL pelo IBGE em 1985. eu sou um homem do interior... quando o IBGE tinha determinados líderes bons. fiz mestrado em ciências políticas e aí me alojei definitivamente na profissão.

havia uma pletora de recursos, o FNDCT, o FNDCT com bastante recursos e IUPERJ começou a se institucionalizar e fizemos um braço de pesquisa no IUPERJ e eu era o coordenador desse braço de pesquisa eu fui o coordenador, o diretor, o nome que tenha de pesquisa do IUPERJ de 72 até 78... O meu preceptor, ou orientador, ou mentor, era orientador de teses o professor Vanderlei Guilherme dos Santos, me ajudou fazer essa área e montamos então o braço não acadêmico do IUPERJ... Fiz uma tese de mestrado preocupado com isso, como é que é essa coisa de ter um instituto que é acadêmico que faz mestrado e doutorado, e faz pesquisa aplicada... a tese de mestrado. Divisão Social do Trabalho Intelectual... pensando nisso...na instituição, são carreiras acadêmicas e são essas pesquisas aplicadas, a banca era formada pelo Professor Vanderlei Guilherme dos Santos, pelo professor Edmundo Campos e pelo Professor Simon Scchwartzman, cujo me mandou refazer a tese toda, leu disse: não tá bom, você escreve bem, escreve rápido, faça outra...assim fiz... Depois disso eu fui para os Estados Unidos fazer doutorado de ciência política, passei um ano em Chicago, e o resto do tempo em Berkeley, fazendo doutorado em Berkeley, acabei o processo, em quatro anos e meio eu consegui matar a charada do doutorado com tese e tudo... A estadia em Berkeley durou até 84, 85 por aí... muito agradável porque Berkeley e Stanford se mostraram duas Universidades fantásticas, Universidades irmãs, com um programa conjunto de estudos latinos americanos e junto com alguns professores de Berkeley chamado Albert Fishllow, outro chamado John Worth que é um historiador especialista, um brasilianista, outro chamado David Collier, outro chamado Hilgard Stemberg que era um geógrafo brasileiro... que era professor em Berkeley, nós montamos um programa de estudos brasileiros que conseguiu um apoio financeiro substantivo de uma organização - possivelmente eu vou lembrar do nome durante mas cujo o executivo era o Keneth Maxwell que é um historiador, também brasilianista... que saiu de Portugal, etc., gostou do projeto, a organização era a Mellon Fundation... e tivemos três anos de um programa de economia política do Brasil... esse programa foi muito interessante e eu fiquei acabando o doutorado e trabalhando como coordenador do programa que deu uma experiência muito boa nos Estados Unidos, que de novo eu trabalhava numa área para-acadêmica, tinha meu escritório, no centro de estudos latino- americanos e trabalhava com essas pessoas, trouxemos vários professores brasileiros no período que conheci na academia brasileira, e latino americana, trouxemos o Didier O´Donnel que estava na Argentina e depois veio para o Brasil, trouxemos o Roberto da Mata para a lecionar, trouxemos Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso foi um programa muito ativo e recebemos vários visitantes e firmamos um convênio com o IUPERJ que deu início a coisa que hoje é comum no Brasil, que eram os estudos sanduíche, os estudos sendo as bolsas sanduíches ou bolsas de aperfeiçoamento... e recebemos vários para profissionais interessantes, Maria Hermínia Tavares de Almeida, teve um tempo conosco, Andréa Calabi teve associado ao Centro, quando acabava sua tese de doutorado, José Antônio Lavareda que estava acabando... sanduíche foi com o IUPERJ no grosso, Lavareda que hoje é um analista do Fernando Henrique Cardoso esteve conosco, ou seja, foi um programa muito de sucesso e aí formou-se nesse programa uma ligação entre vários amigos, Andréa Calabi estava lá, Paulo Zagen que hoje é Diretor do Banco Central... também dividia a sala conosco, Gerald Hayes que fez o doutorado em Busines Administration e hoje é membro do Conselho de Reforma do Estado, sócio da CONCENP junto com Calabi, também esteve lá fazendo o doutorado, Vanilda Paiva esteve por lá, o René Dreifus*** andou por lá, ou seja, foi uma época, muito rica e com esses recursos, nós fizemos, publicamos um livro nós estados Unidos John Worth e eu Tom Bogadshulth publicamos no Brasil, fizemos conferências isso estreitou muito os laços numa comunidade de cientistas sociais, o Fishllow é muito amigo de Edmar Bacha, e daí deu-se por conseqüência que fizemos um livro que está publicado nos Estados Unidos onde existe, no qual existem artigos de Pedro Malan e Régis Bonelli, Pércio Arida, André Lara Resende, Andréa Calabi, eu próprio, com Bárbara Guedes que é uma moça que hoje é uma professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Roberto da Mata, certamente... um grupo de professores brasileiros, etc., etc.

E essa estadia nos Estados Unidos, principalmente a fase que eu era coordenador do programa de estudos brasileiros com recursos e atividades, me permitiu fazer uma séria de atividades em San Francisco eu fazia programa de rádio, fazia atividades e ao mesmo tempo montamos essa rede de relações, porque Pércio Arida estava no MIT fazendo alguma coisa, o André estava não sei onde, ou seja, estabeleceu-se uma rede de conexões que acabou-se mostrando uma máfia, no bom sentido... meio de Berkelry, meio de doutorando no exterior cuja... no grosso entrou no poder em l5 de março de l985... portanto eu voltava dos Estados Unidos em dezembro de 84 numa situação muito esdrúxula, o IUPERJ já não me reconhecia mais, eu já tinha passado, não conhecia o pesquisador, não existia essa figura que era eu... então eu vim para a ser um pária, eu não era... nem professor, nem pesquisador e era PHD em hora imprópria... o grosso das pessoas do IUPERJ não tinham acabado o doutorado e também não me queriam porque eles não tendo acabado... como é que eu ia entrar no lugar deles, quer dizer, ficou uma situação esdrúxula, que foi resolvida, quando a partir de dezembro, novembro, dezembro de 84, ficou claro a montagem do governo, João Sayad seria o Ministro (Planejamento) e esses mesmos amigos que acabei de falar eles estavam todos envolvidos na mesma coisa, então começamos a fazer reuniões informais sem a menor noção, nenhum de nós entendia onde é que era o governo, o quê que era Brasília...” - Como era Brasília... “ Onde era Brasília, nós sabíamos, governo é uma coisa de militar corrupto que tem umas mansões muito grandes e que nós vamos lá e não sabemos o que fazer, eu me lembro de várias e várias reuniões na casa de Calabi em São Paulo, montando para a cá e para a lá, dá-se o homem, o Tancredo se elege, vamos nós para a Brasília, em março, em começo de março... não tínhamos dinheiro para a ir, a FIPE pagava hotel de todo mundo... bancava todo mundo, estamos lá e todos sentados no meio fio no dia quatorze vendo, o Tancredo ser enterrado, começou um governo no qual o João Sayad na área de planejamento era o Ministro, Andréa Calabi era o Secretário Geral e eu era o secretário Geral Adjunto, e nosso pânico com o setor público era absoluto, nenhum de nós tinha vivido com o governo exceto Andréa que tinha trabalhado com Serra e Sayad no governo de Montoro em São Paulo, eles tinham um pouco de noção lá...” - Mas aí é uma noção de São Paulo, não uma noção de Brasília... “ E a gente chegava lá com medo, tinha medo das Secretárias, medo dos Assessores e ao mesmo tempo tinha recomendações de Delfim deixou recomendação de dois ou três, o outro falava de dois ou três, ou seja, tivemos que entender uma Brasília que para a nós era incompreensível, estávamos muito medrosos, mas ao mesmo tempo tínhamos que tocar o barco, e chegamos ainda a um governo que não imaginávamos... tínhamos imaginado o governo Tancredo e tínhamos o governo Sarney, complicado, conflitivo com a Fazenda... E a minha carreira então que tinha sido voltada para uma atividade para- acadêmica, ficou claramente para-acadêmica... eu me sentei na cadeira de Secretário Geral Adjunto... que tinha, por um lado, obrigação de supervisionar o IPEA, órgão do qual eu morria de medo, porque o IPEA para a mim era um mito, como é que eu podia falar alguma coisa para o Régis Bonelli, para o Eustáquio Reis, para a aquela gente que para a mim eram amigos de praia... mas ao mesmo tempo tinha por eles um respeito... tinha que supervisionar o IPEA, tinha alguma supervisão com relação ao IBGE, mas que ficou com Edmar Bacha, portanto estava distante e fizemos uma divisão de trabalho na Secretaria Geral, Andréa Calábi gostava daquilo que seria as áreas duras de governo (hard) indústria, finanças e etc., e ele não gostava das coisas que chamava de soft que era Ministério da Cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, todas essas coisas ficavam por minha conta, então eu cuidava do orçamento de quatro ou cinco Ministérios, Andréa cuidava das coisas importantes na cabeça dele, isso me deu uma convivência permanente com um grupo de cientistas que já eram meus amigos por causa de Ciência e Tecnologia... tudo uma convivência com o pessoal de Ciência e Tecnologia, por causa de Cultura, Educação

e fui aprendendo nesse processo, perdendo medo, ganhando medo, etc., entrando nessa carreira par-acadêmica, dá-se aí uma primeira aproximação com o IBGE... quando começam as discussões sobre o Projeto Radam...” - A vinda do Projeto Radam para o IBGE ?... “ Não, não, isso foi posterior... na época o que corria, era a extinção do Radam, mesmo... havia e não lembro... para a te falar a verdade, não lembro de onde surgiu isso... mas me lembro que havia a idéia de extinguir o Projeto Radam...” - Ele era do Ministério de Minas e Energia... “ Minas e Energia, eu não sei porque cargas ... ele estava na Bahia, ele estava sediado na Bahia... eu não sei porque cargas d’água alguém encasquetou que tinha que fechar o Radam... outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao IBGE. Meu contato, porque o meu contato acontece: é o seguinte eu tinha relação com o pessoal do IBGE que era o Bacha, Edmar Bacha e meu querido amigo, meu fraterno amigo, meu irmão Régis Bonelli que era o Diretor Geral de Edmar Bacha, então eu tinha com isso a melhor relação possível, e... mas como Secretário Geral Adjunto, encarregado das áreas soft, portanto, Ciências e Tecnologia, portanto, Radam o que quer que seja, o Andréa Calábi ou o João Saiad, olha Edson isso é um problema, você cuida aí desse Radam, com a seguinte coisa não me arranje problema com Renato Archer, faça o que quiser, mas não me arranje problema com Renato Archer, tá ali um menino, eu já não era um menino, eu tinha 36 anos por aí eu estou fazendo cinqüenta anos esse ano, eu tinha por aí, tá ali um menino ainda apavorado pelo governo e tem esse negócio de Projeto Radam, e não criar confusão com Renato Archer que é um mito e com o secretário geral dele Luciano Coutinho que era um homem muito doce, mas um homem muito competente. Bom eu não sabia o que era o Radam e aí comecei a perguntar as pessoas o quê era Radam e a cada vez que eu me informava eu ficava mais assustado, porque primeiro eu comecei a ser procurado por coronéis, capitães, generais, cartógrafos de toda natureza, foi pedindo audiência, audiência para a falar comigo e os generais, os coronéis e tudo mais e ainda me mandavam falar ainda com gente da Aeronáutica porque tinha aerofotogrametria, tinha interpretação de imagem de satélite, etc., e me diziam eles são bons, são competentes, mas são muito indisciplinados, são desordeiros e indisciplinados, você tem, nós temos que botar no IBGE, mas tem que discipliná-los e eu ficava com medo, eu já estava com medo de estar em Brasília, já estava com medo da burocracia, com mais medo eu estava dos militares, eu tinha sido devidamente preso em 68... aquelas coisas todas, ficava assustado com isso, por outro lado tinha o pessoal do Luciano Coutinho, que também não entendiam bem que porcaria de Radam era essa, mas me procurava e dizia: o Edson pelo amor de Deus, para com esse negócio de Radam, o Renato quer isso, o Renato Archer, quer...” - Qual era a idéia do Renato Archer sobre o Radam, o quê ele imaginava? “ Botar no CNPq, eu acho que era isso, botar como um dos Institutos do CNPq...” - É como seria uma espécie de INPE, um desses Institutos... “ INPE, um desses Institutos, e tinha o grupo da CPRM que não queria lá o Radam, mas achava que não podia acabar com o Radam, não pode acabar com o Radam. Bom, primeira convicção que eu tive não pode acabar com o Radam, essa eu firmei fácil, segunda convicção que eu firmei, é de que não podia entregar para o Renato Archer, engraçado, eu gosto do Renato Archer, sempre gostei, gostava, sempre gostei dele ...” - Mas você achava que seria a criação de mais um outro órgão...

“ Primeiro criar um órgão onde eu acho que não devia criar, segundo que não era um órgão acadêmico como os outros de Institutos do CNPq, tá certo, não tinha a ver com os outros de pesquisa de ponta do CNPq, terceiro porque eu me identifiquei com alguns militares, eu acho que era atração desenvolvimentista dos militares... nessa época eu me dava com dois grupos de militares, lidava com o SNI e com a Divisão de Segurança e Informação... que tinha um coronel lá que andava conversando conosco e era direita clara...visitava, falava sobre as greves e tinha que me prestar contas, e me prestava contas porque... o Ministro não queria falar com ele, o Secretário não falava com ele, lá eu falava com o coronel... e adorava a informação dele, ele me dava mapas de greves... que me dava para a fazer análise política... onde é que estava as tensões no Brasil e eu incentivei o homem adoidado que ele tinha uma máquina enorme, eu disse: coleta isso aí para a saber onde está o conflito, como é que é, era uma bela sociologia, pena que acabou... Mas ele não sabia fazer uso disso, ele me dava isso e ao mesmo tempo queria botar umas escutas em fulano e beltrano, mas um outro lado do Exército me encantou, os cartógrafos me encantaram num certo sentido, primeiro que achei gente, um povo que eu não conhecia, era um povo muito suave, muito suave, e parecia profissional, parecia um povo muito correto e ao mesmo tempo eles me diziam uma coisa que eu não imaginava ouvir da boca de militares, eles diziam... Edson não entregue para a Renato Archer que ele é sócio de uma firma de aerofotogrametria eles tem um avião, eles não sei das contas... o governo brasileiro vai perder o controle sobre as coisas fundamentais, esse Radam indisciplinado como é... tem um equipamento... um hardware que tem que estar na mão da Secretaria de Planejamento... Nós militares fizemos reuniões - me convidaram para a algumas, eu fui... reuniões estratégicas do alto coturno militar... eles concordaram, eles achavam que o Radam era um instrumento de planejamento, como instrumento de planejamento não podia ficar no Exército, não podia ficar em ligar nenhum, tinha que ficar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República... - E os militares sabem dessas coisas... “ E é o seguinte, e os militares falando claro, falando claro contra de um Ministro de Estado, e eu... mas que diabo de briga, mas o que é pior é o seguinte... eu tentava falar com o Calabi sobre isso e ele dizia: Edson, não me enche a paciência, isso é um problema é seu. Eu pedi audiência ao Ministro João Sayad, João eu vou te explicar, não, não me venha com esse Radam, eu tenho inflação, não me venha com isso Edson Nunes. E de vez em quando ele me chamava: Edson... o Renato está uma arara com você, aí eu falei: você não quer me ouvir... seja o que for... consegui navegar no meio desse conflito e, de fato, consegui fazer... o que eu acho que os cartógrafos do Exército queriam... fui visitar o Radam e ali fiquei encantado com aquele negócio, eles armaram um show, obviamente eles armaram um show, eu fiquei encantado...” - Não, eles são muito bons, eu os conheci em 74 em Belém e, o que eles apresentaram sobre a Amazônia era realmente muito bem fundamentado... eram técnicos muito bons... “ Fiquei encantado com o show, fiquei encantado com eles, encontrei lá morando em Salvador, meu velho amigo Juca Edson Farias no Projeto Radam, que eu conversei, conversei, conversei e tomei a decisão, convenci a SEPLAN tomar a decisão e os coronéis, generais, ajudaram... que o Radam ia para o IBGE... Aí fomos a reuniões de comando, eles ficaram agradecidos, etc., e aí comecei a fazer a interação com o IBGE, Edmar Bacha... assim como o João Saiad estavam se lixando para o Radam... claro, estávamos ás vésperas de fazer o plano cruzado, e parte do plano cruzado era organizado na cozinha da minha casa lá em Brasília, nós morávamos juntos, tinha de um lado o plano cruzado, do outro o orçamento, etc. Comecei a tratar com o Régis... e o Régis Bonelli foi elegantíssimo, preciosíssimo... entendido que era uma decisão da SEPLAN fazer isto... Régis começou a me trazer ao Rio para as reuniões de Conselho Diretor do IBGE, para as primeiras conversas sobre a preparação da entrada do Radam...e ao chegar aqui percebi que já havia um

complô de Radam com a área de Geociências, já estava armado... e Dr. Mauro Mello, que era Diretor de Geociências na época... ele tinha a confiança de Edmar, tinha confiança de Régis... e conversando com eles eu entendi que Mauro queria o Radam, ou seja... que IBGE achava bom o Radam. Bom... aí foi só resolver problemas menores, menores para o IBGE, grande para as pessoas, plano de carreira, salários, mudança, bom de fato acho que operamos bastante bem a transferência, não achei que tinha tido grandes conflitos... e nós estávamos particularmente interessados na época em manter o rádio funcionando e manter o software equipado e a equipe organizada... não sei o quanto tivemos sucesso nisso... não é da minha época no IBGE, mas esse foi o meu primeiro contato mais freqüente no IBGE e com essa área de Geociências e meio ambiente, no qual eu vou voltar mais tarde quando eu for Presidente... - Aí ainda era Edmar Bacha... “ Era Edmar Bacha, Edmar Bacha...” - Ele ficou quanto tempo? “ É, 85-86, um pedaço de 86... Aí começa o plano cruzado, eu me ocupo muito do plano cruzado, me ocupo, eu tinha de fato a área de Ciência e Tecnologia e cultura e Educação e o plano cruzado me botou de novo na área soft, enquanto os outros cuidavam das indústrias caiu para a mim, caiu para a mim o monitoramento de preços, de planos de saúde, mensalidades escolares, essas coisas que tem a ver com a população... Edson Nunes também explica um outro tipo de relação que também teve de articular com a área de Geociências na questão da distribuição dos royalties do petróleo da bacia de Campos explorado pela Petrobrás, cabendo à áreas de Geografia e Geodésia do IBGE, a definição dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, que se enquadrariam nas projeções geodésicas das áreas de produção em alto mar, e teriam direito a participar da divisão dos royalties. A partir de informações geradas pela Geodésia o DEGEO listou os municípios que receberiam essa dotação... “com o Edmar a situação começou a ficar muito difícil, já tinha havido algumas situações esdrúxulas antes... e uma delas foi a discussão da distribuição do royalties do petróleo... e aí eu tive de novo um longo contato com o Mauro para a gente inventar uma forma de se atender ao Senador Nelson Carneiro e ao Presidente da República... que é o seguinte: nós queremos dar royalties para a todo mundo no Estado do Rio, vocês inventem um negócio que dê royalties para a todo mundo... bom... conseguimos... só que Niterói ficou fora, nós fizemos o diabo, a coisa ficou pior do que se imagina, senti o Presidente e o Senador... Niterói ficou fora... era uma confusão, aí tinha uns algoritmos... Everardo Maciel era o Subchefe da Casa Civil que discutia conosco... e Niterói não entrava, e Niterói não entrava de jeito nenhum... porque tinha as mesoregiões, inventamos regiões de fronteiras das mesosregiões, regiões onde passam os dutos, regiões afetadas, regiões produtoras, só que Niterói não é nenhuma dessas, só que Niterói é a capital, mas não tinha critérios... a graça da piada disso foi Valdenir Bragança, Prefeito de Niterói... descobriu que eu era de Niterói... talvez por conta de inimigos ou amigos meus disseram que Edson é de Niterói... Valdenir não fez só isso, ele descobriu o endereço de minha mãe... e levou minha mãe para uma passeata em Niterói pelos royalties e mamãe foi... e ele dizia: ele pegou pior do que isso... ele foi para a televisão de braços dados com ela e disse: e aqui estou de braços dados com a mãe de um dos responsáveis pelo não enquadramento de Niterói na lista do IBGE, ou seja, é uma piada, bom, seja o que for...

No caso da saída do Bacha...eu acompanhei esse desenlace mais ou menos de perto...esse papel triplo de secretário, diplomata do João Sayad junto com Chico Lopes, etc., o cruzado já tinha deslanchado, eu já tinha cumprido a tarefa de montar a base de informações e estava lá no IPEA... que isso é outra história... e nessa confusão o Edmar sai do IBGE...e é engraçado que ele sai... e aí é engraçado ele não foi demitido de fato...” - Ele pede para a sair... “ Eu não entendi direito isso, se eu tiver que recuperar de fato, se eu tiver que recuperar não me parece que eu consiga entender porque ele precisava sair... a única coisa que eu imagino é que o IBGE ia ficar ingovernável para a ele, eu acho que o desserviço do IBGE pode ter sido talvez este...” - Essa informação é importante... com todas as pessoas que eu falo, as pessoas tem uma mágoa absurda de Edmar Bacha no IBGE e eu sou o único cara que... entrei em 70 e que digo: gente porque vocês tem tanta raiva do Bacha, se ele ficou tão pouco tempo? Se o tempo dele, ele não gastou quase tempo nenhum no IBGE, ele ficou o tempo quase todo lá cuidando da história do plano cruzado, e aí é a história da CRA as pessoas sempre lembram da história da Comissão de Reforma Administrativa que acabou você tendo que tendo que gerenciar o negócio, complementar o processo, etc., e tal e aí sabe? Até hoje... “ Você quer que eu fale disso? ...” - Sim, é importante.. porque você vai contar a sua entrada no IBGE... “ Não eu acompanhei antes, eu acompanhei antes...” - E aí as pessoas falam mal do Bacha, e eu acho que o Bacha andou muito pouco e muito pelo contrário, é aquela história... ele até tentou tecnicamente defender o IBGE dessas questões todas, se foi bom ou se foi mal, fica muito estranho... “ Aí você vai mexer numa série de conversas eu não sei se a gente consegue no seu tempo... primeiro: na saída do Bacha a sensação que eu tenho que ele saiu por ser leal a tecnocracia do IBGE, caso contrário não conseguiria administrar, cujo o cálculo eu acho que está errado, mas ele já tinha perdido a capacidade de administrar... por conta da reforma administrativa, por conta de outras coisas e ele, talvez esse negócio aí foi a gota... ele já não estava mais para mandar... pelo seguinte: é que esta fase do IBGE... é vital para a você entender a história do IBGE no período pelo seguinte: nessa fase houve uma alta exposição do IBGE porque o Bacha era Presidente, e porque o Bacha é o pai do cruzado, houve uma coisa que é o seguinte... houve uma promoção do IBGE e o IBGE foi promovido ao status que ele nunca teve no aparato político, tecnocrático brasileiro, após Vargas...promovido a quê? A consorte do plano cruzado...” - E que acompanhava tecnicamente essa questão de índice de preços... “ Consorte do plano cruzado e responsável pelo sucesso e insucesso do plano cruzado, então o IBGE ganha a dupla tragédia ou responsabilidade que ao mesmo tempo tem Presidente como artífice do plano e de ter o seu índice como referência, ora o IBGE lhe faltou nisto, ele talvez tenha faltado ao IBGE nisto... Eu me lembro, por exemplo, na noite que teve um programa de televisão do Brizola metendo o cacete no cruzado, eu me lembro que nós estávamos juntos na sala do Saiad, Saiad ligou para o Doutor Roberto Marinho, Doutor Roberto precisamos responder, assim. E Doutor Roberto disse: hoje à noite etc., trouxemos Maria da Conceição Tavares, Conceição chora na televisão, armamos aquele circo e ela... Edmar mostra os números... Edmar mostra o gráfico... aquelas coisas... ou seja, Edmar Bacha ficou no coração do governo.

Bom, um governo associado à vários problemas de salário, controle estatais de salário de pessoal, greves, ou seja, a coisa natural de uma nova República... então acho que aí o IBGE ficou promovido a esta posição infortunadamente... eu chamo isso de uma politização indesejada, uma politização indesejada... se prematura ou não... uma politização do IBGE que foi promovida pelo Executivo, pelo Governo Federal, promovida por azar... Como o Edmar não queria ficar em Brasília, só queria ficar no Rio de Janeiro, só lhe sobrava o IBGE, que demoramos a conseguir, demoramos a conseguir, fazer a nomeação, demoramos, demoramos, demoramos, e Edmar no IBGE cujo o Presidente de fato... era Régis Bonelli, e Edmar fazendo plano cruzado, etc., e ao mesmo tempo estamos começando no Brasil as discussões sobre Reforma Administrativa, o novo Estado, a nova coisa, o IBGE entra na Comissão de Reforma Administrativa... ao mesmo tempo que nós estamos tomando dinheiro do Banco Mundial... chamava-se Empréstimo para a Modernização do Estado Brasileiro...” - Já se pensava a questão... “ Reforma administrativa era um grande tema, e aí entra, conforme eu disse o IBGE entra torto na reforma administrativa... a reforma do IBGE que era uma coisa consentânea com a idéia de um grande processo de reforma, ou seja, nós tínhamos feito uma intervenção na moeda, tá certo? Íamos fazer intervenção nas estruturas estatais, por isso tomamos empréstimo do banco, vamos fazer um negócio bonito, o detalhe... eu tinha ido a Washington... falado com as pessoas, já tínhamos armado um belo circo... e o IBGE se apresenta muito mal, o IBGE apresenta porcamente o projeto, o IBGE propõe no projeto de reforma administrativa a compra de aparelhos de ar refrigerado, fazer um prédio para a Delegacia de Goiânia... Na época ser gestor público era cuidar de inflação, isto era o fundamental, inflação e conjuntura, inflação e conjuntura, o Brasil o Brasil era refém da conjuntura, o IBGE refém da conjuntura... a comissão de reforma administrativa do IBGE, do ponto de vista da sua ligação com o setor público como um todo, foi muito fraca e o processo de reforma administrativa do IBGE, foi uma pirotecnia pensada internamente, para a te falar a verdade eu acho, para a te falar a verdade não, eu tenho a mais absoluta certeza, nem o Edmar prestou atenção a isso, eu também não entendia o assunto...eu era muito novo e pouco conhecido no IBGE” - Sim... mas você também tinha um livro importante, quando você entrou no IBGE as pessoas lembraram daquele livro - que você foi editor... “ Aventura sociológica, você acha? Pessoas no IBGE?” - Eu me lembro que eu falava no livro.. e as pessoas também falavam, quer dizer, eu estou falando na área da geografia, na geografia humana... “ É interessante você falar isso porque esse livro é produto da reflexão do paraacadêmico, Aventura Sociológica a rigor, publicada lá em 73-74, e depois Ruth Cardoso fez a Aventura Antropológica, a Aventura Sociológica era uma tentativa de achar um papel significativo para o pesquisador que não fosse professor, tá certo? Tinha lá Cláudio Moura Castro, tinha Simon Schwartzman...” - Aliás o artigo do Simon Schwartzman sobre evasão de talentos é incrível nesse livro, ele... as pessoas podem ter restrições... uma boa parte do IBGE tem, não gosta dele, tem medo dele, mas tem que se reconhecer que ele efetivamente é uma capacidade... talvez tenha sido o único Presidente do IBGE que tenha um conhecimento da casa no nível técnico e que tenha um feeling da história muito bom... “Bom, a minha premonição é que depois do Isaac, Simon vai ser o próximo mito ibgeano...”

- Possivelmente, embora as pessoas não gostem, ainda não viram o resultado... “ Simon vai ser possivelmente o melhor Presidente da história do IBGE, ele vai ser quase tão longevo quanto o Isaac, que é raro ser um longevo, e o seguinte o Simon tecnicamente é um cão de trabalhador, se o outro não fizer ele vai e faz pessoalmente...” - É ele tem essa questão, ele é um cara que se ninguém faz, ele faz, ele vai sozinho... “ A sensação que eu tenho de que o próximo mito Ibgeano vai ser Simon, assim que se acalmarem com ele, aliás com razão. - E sua chegada no IBGE ? Bom, então eu entro ali no IBGE, encontrei IBGE numa situação muito estranha, para a mim, eu estou ainda, você repara, o seguinte nós estamos em 86, eu só acabei o doutorado em novembro de 84, estou com um ano e meio de mundo, eu tenho medo ainda... essa gente toda para a mim é mito... então quando eu era Vice Presidente do IPEA eu não vinha aqui falar com Eustáquio para a deixar claro para a ele que eu não queria interferir.... que o INPES para a mim era um sonho, INPES era um lugar intocável, que o INPES fizesse estava certo... nós promovemos todo mundo, nós acertamos com o Andréa Calabi... acertamos as carreiras de todo mundo que podia ali, que não eram promovidos, etc., a gente acertou em dois anos, fez um acerto geral... Colocada essa questão, eu cheguei no IBGE, fiquei um tempo até assumir completamente... o Régis me dizia, Edson, Eduardo Augusto, se você tiver o Eduardo Augusto lá na, como é que chamava Diretoria de Pesquisa? Se tiver o Eduardo Augusto lá na Diretoria de Pesquisa não vai haver problemas, você pode manter o Mauro que é uma pessoa que você aprendeu a conhecer, etc., etc., você tem o Alexandre, que a gente acha que é competente e você pode, e eu digo e Informática? Bom, Informática eu tenho uma pessoa que era o Paulo Tafner, então, se você conseguir manter o Eduardo, eu acho que você toca a área de Pesquisa da Casa... que já dá uma dá uma indicação de como é que eles percebiam o IBGE, o IBGE era a área de Economia...” - Naqueles tempos... sem dúvida a área de estatística era encarada como subsidiadora da economia... “ O IBGE era a área de economia... então eu venho para a esse negocio com extrema confiança em Mauro Melo, Mauro tinha sido de extrema, serventia, de extrema serventia na absorção do Radam, ele queria, tinha os conflitos que ele me confessava, ele não escondia os conflitos, etc., Mauro foi de extrema serventia, Eduardo Augusto, me disseram que era a coisa que eu tinha que ter e aliás era verdade, Eduardo foi precioso, mas nesse tempo o IBGE estava muito disfuncional porque ele tinha uma área de economia com a qual eu não estava satisfeito, eu não estava satisfeito com a minha entrada... eu não estava satisfeito claramente com duas questões principais: eu não estava satisfeito a) com a idéia da reforma administrativa que estava andando na Casa, eu não entendia, e que entendia não gostava; b) eu não estava satisfeito com a concepção de informática no IBGE... eu não estava satisfeito com a concepção de Informática... porque o IBGE como uma organização baseada numa ideologia que eu achava velha e era a ideologia do Centro de Processamento de Dados (CPD), ideologia do CPD me desagrada totalmente porque ela te coloca como refém do analista de sistemas... ela te coloca refém do homem do CPD...” - De um grupo pequeno de analistas... “ Por quê é que eu não gostava disto? Em l979, eu morava na Califórnia quando o Steve Jobs fez um computador e eu comprei o miserável em 78-79, então eu tinha

aprendido a idéia da independência intelectual, da sua base de dados, do seu texto, do trabalho feito por você...” - E no IBGE? Era mais complicado do que eu imaginava... eu tinha uma encrenca com a informática que eu não consegui resolver suficientemente... tinha uma coisa na reforma administrativa que eu não consegui... mas não precisei, eu só não prestei mais atenção com a reforma, eu me desliguei... tinha, a reforma falava umas coisas, eu dava uma força para um jornal, etc....mas eu me desliguei da reforma administrativa, tentei informatizar, não tinha muita ajuda não... Aí eu comecei a me dar conta, que estava presidindo uma organização disfuncional, e onde é que eu comecei a falar da Geografia, onde é que comecei a mudar de idéia... o Hélio Jaguaribe em conversas comigo dizia: Edson Nunes eu estou convencido que você tem quatro organizações na mão, você devia fazê-las agora.... Você tem uma gráfica, você tem um instituto de pesquisa e censo, você tem um instituto de geociências e você tem um negócio de economia, indicadores sociais, divida essa bodega em quatro organizações, propõe ao governo quatro organizações. A gráfica ela presta serviço ao Brasil todo, ela não precisa ser capturada, tá certo? A geografia e o seu meio ambiente, tem um nicho especial, o censo é o bureau do censo que qualquer país civilizado tem, e isto aqui de sociais e economia, são os indicadores sociais... eu achei que o Hélio estava com um belo ponto, mas eu fiquei pensando o seguinte: Como é que eu divido isto? O Hélio insistia muito, viu como eu respeito o Jaguaribe? Me parecia que ele tinha razão... Só quer eu achava que tinha que tirar a gráfica, depois eu percebi que não podia tirar a gráfica, e aí passei por conta dos segmentos do Banco Mundial... fui de novo com Lampreia para Washington, uma coisa qualquer que era continuidade disto e tinha lá uns coquetéis na casa do embaixador brasileiro em Washington, mas antes tinha passado por Berkeley onde eu tinha tido um encontro... e uma longa conversa com Hilgard Stemberg e com o assessor dele, um homem cujo o nome eu não lembro, um homem de barba, tem cara meio que indiano, um homem de barba que foi parar no Banco Mundial... lá e eu descrevi para ele a particularidade do estado brasileiro em que o bureau de censos brasileiros era doido... porque ele tinha já cinqüenta anos e ele mistura a cartografia até mesmo geociências e o que é pior estava fazendo aerofotogrametria, etc., etc... e ele diz... o Senhor tem o Instituto do futuro na mão, o Jaguaribe está errado, esse povo está errado... e começou a me contar uma história sobre estatística georeferenciada...mapas em computador... bom o que eu tinha dado com Radam... porque eu tinha visto e lidado com essas coisas todas... O negócio fez assim na minha cabeça... E ele continuou a dizer... Doutor você tem o órgão do futuro... ele já é multidisciplinar, mantenha-o, a sim, ele disse... o homem trabalhava no meio aqui na Amazônia com tribos, mas ele usava umas coisas de satélite para achar as tribos e tinha uma telemetria qualquer, que acha onde é que os caras se moviam, ele começou a me contar sobre vegetais, tribos, vegetais, satélites... aquele negócio veio para a minha cabeça.... eu disse esse homem tá certo, e ele me contava, ele falava assim: a profissão do futuro não é nem a sua, não a minha... é esse negócio aí que o Brasil fez sem saber... Rapaz, esse homem fez uma encrenca no Banco Mundial... eu saí de lá tarado com o IBGE...” - Você sabe o nome dele não? “ Não faço a menor idéia, eu devia saber não é isso?” - Esse cara é fundamental...pelo menos em termos históricos... “ Eu sai de lá tarado com o IBGE, ele disse: Você é um cagão, porque eles só fizeram isso sem saber... então isso que você está querendo dividir... nós estamos querendo juntar no mundo inteiro... e não conseguimos, a Polônia não quer, o fulano não quer, os Estados Unidos não, ninguém quer, e você já tem uma agência que pode definir o

geo-referenciamento..., você tem satélite, você tem geógrafo, antropólogo, você tem sociólogo, rapaz, você está montado... Eu gostei tanto... achei que ele estava certo, achei tanto que os economistas não iriam entender... e ele disse: tira os economistas desse lugar, você pode até deixar eles fazerem um negócio qualquer, agora se você quer separar... manda, essa gente para outro lado, manda os economistas para a outro lado, mas faça essa coisa que você está imaginando, nós estamos falando para a você... uma coisa que você já tem... E de fato eu voltei encantado, aí que a minha atenção para a geografia... que nunca tinha sido clara, ela era para o causa da cartografia, por causa do Mauro Melo, por causa do Coronel Carvalho, por causa do Carvalho, por causa do Trento, as minhas percepções pré-disciplinares... Eu tinha que lembrar o nome desse homem, esse homem é um antropólogo de geografia econômica de Berkeley, assessor de Hilgard -, ele disse o georeferenciamento é o futuro, é a fronteira do futuro, é meio ambiente, estatística geo referenciada, recursos naturais, planeta como um todo, e aí antropologia e ciência política com as fronteiras, eu achei aquilo uma maravilha, voltei para cá... Mas... por outro lado, o IBGE não entendia nada o que estava falando... Bom... o Mauro, eu não sei se o Mauro entende... mas acho que ele percebeu o que eu dizia... ele gostou, que aí tentamos dar, fazer algumas coisas eu acho que tentamos tirar o atraso da Revista Brasileira de Geografia, não sei o quanto fizemos... mas aí comecei a visitar Lucas, visitar Lucas e aí... Aníbal Teixeira já era Ministro, eu levei Aníbal lá para a ver as coisas, eu estava convencido desse negócio, eu estava convencido de duas coisas: que e tinha que ir na linha desse homem, e que eu tinha que refazer o IBGE... Eu percebi uma coisa... que eu fingi que não vi... e até dei uma força que é o seguinte... que Mauro Melo estava montando uma independência tecnológica por conta dele, eu fingi que não vi e gostei, pelo seguinte eu já estava, você veja só, eu estou juntando vários pedaços, como eu já vinha zangado com a DI, quando eu vi que Mauro estava fazendo e ele estava com a base, ele está com a base estatística, ele está com a base geográfica, ele tá transferindo dados para a lá, ele está com o Radam, ele está com satélite, eu fiquei imaginando o seguinte: o IBGE vai sair de Mauro Melo no futuro... e se eu puder acirrar a competição, não está mal... O conflito para a mim... mais relevante que emergiu... e que eu dei muita força para ele tomar rumo... foi do Mauro com Paulo Tafner, do Mauro da Geociências com a DI, o Mauro se preparou para a ser o IBGE do B, botou no programa do Banco Mundial máquina para a ele... começou a montar uma DI paralela e eu torcia para que desse certo, não deu tempo, tá certo? Este conflito principal ...” - Eu acho que acabou acontecendo por outras razões, por razões tecnológicas hoje você tem, programas específicos, possibilidades de isso acontecer sem grandes problemas dentro da DI... “ Se ele já tivesse começado a montar, eu acho o seguinte: ele estava informado da minha idéia de dividir..., e acho que informado disso, ele começou a correr mais para a montagem de sua DI paralela... - Eu vou entrevistá-lo quinta-feira, quinta-feira minha entrevista é com é ele, então, porque é um profissional muito competente... tem muito poder e é um sujeito tecnicamente que conhece muitas coisas, então... “ Ele me impressionava muito e ele me tranqüilizou muito, com relação ao exército porque ele convivia, por um lado ele me tranqüilizou com relação aqueles homens do qual eu tinha medo, por outro lado eu percebi que quando a situação dele ficou ruim... ele dizia o seguinte... é mas eu tenho a UERJ, ou seja, aquele homem que eu via, com aquele enorme poder... se contentava em ser um professor universitário, isso para a mim é um charme, as pessoas não gostam muito do nome...” Algumas pessoas não gostavam... eu sempre gostei muito dele, eu sempre o considerei muito técnico... conhece bem as coisas, conhece o seu afair, sabe exatamente como trabalhar e nunca criou muito problema com a Geografia... a

relação dele com as pessoas que conhecem o seu trabalho sempre foi muito boa... “ Engraçado que na época... algumas pessoas achavam que o Mauro era um homem de direita, eu pensei assim um tempo, depois eu comecei a perceber que era um homem corajoso... essa concepção toda do Mauro me impressionou pelo seguinte.. ele nunca foi um Diretor vassalo...” - É verdade, ele sempre foi um profissional muito técnico, muito profissional no que ele sabia... “ Nunca foi um Diretor de fazer gracinha para a ninguém, de fazer um agrado indevido... também nunca escondeu os conflitos, eu acho interessante esse negócio dos caras esconder o conflito... tem diferença sim, tem tal e tal diferença... eu gostei dele, ele me ajudou a entender umas coisas da época do Isaac... que para a mim também eram mitológicas... e que ele me ensinou que não eram nada de mitológicas... eram uma porção de bobagens...” Gestão de Charles Kurt Muller O outro presidente a prestar depoimento foi Charles Curt Muller, professor e chefe do Departamento de Economia da UNB em Brasília que substituiu Edson Nunes após a breve passagem do interventor Celsius Lodder no IBGE. A importância de Charles Muller no IBGE deve-se ao fato de ter incentivado o estudo das estatísticas ambientais, objetivando montar no futuro uma estrutura de contabilidade ambiental para o país. Charles também preocupou-se com as estatísticas agrárias e, quando foi diretor da Diretoria da Agropecuária e Geografia (DAG) tentou montar um centro de estudos interdisciplinar de Agropecuária... Sua gestão durou 23 meses... um longo período, considerando-se as turbulências sindicais da época... Sua timidez e economia de palavras sempre foram conhecidas na casa... o que pode ser percebido no depoimento... - Como aconteceu sua vinda da UNB para o IBGE ? “ Bom, eu fui convidado para a Diretoria do IBGE pelo senhor Edmar Bacha, fui nomeado Diretor, ele me convidou, eu aceitei e fui Diretor da Diretoria de – como era mesmo? – Diretoria de Agropecuária, Recursos Naturais e Geografia...” - Conhecida como DAG, agora o senhor acompanhou a montagem dessa estrutura... ou já foi anterior, quer dizer... “ Não, eu recebi essa estrutura, quer dizer, a Diretoria já estava constituída e quando entrei lá o Edmar já disse, já me alertou que haveria um processo de reexame, digamos, da estrutura do IBGE, achava-se que daquela forma que estava montado o IBGE não era orgânico, queria se organizar em duas grandes linhas, uma área de cultura de estatística, uma área no campo, justamente a geografia, da cartografia, recursos naturais, etc., Geociências, que apelidamos depois... então, quando assumi a DAG já sabia que alguma coisa iria se modificar, provavelmente sairia a área de estatística, como Diretoria de Estatística... mas não sabia bem o que iria acontecer na outra área, havia até uma luta interna no IBGE mas na linha do pessoal da cartografia versus geografia, recursos naturais, etc., mas no final a idéia parece que foi caminhando no sentido da concepção dessas duas grandes áreas que mencionei

antes, Estatísticas e Geociências, isso também depois foi um pouco modificado, vamos dizer, com a incorporação do Radam...” - A incorporação do Radam se deu junto a sua gestão ou já, tinha se dado... “ Na minha gestão como presidente não..., mas eu já era Diretor da DAG, quando essa questão foi decidida a nível mais alto pela Presidência junto com o Ministério de Planejamento... o Radam estava terminando a sua missão original o mapeamento da Amazônia, o levantamento de recursos naturais da Amazônia, etc.,e estava tentado se constituir com uma organização separada...,mas o governo na época não viu isso com bons olhos, uns achavam que o Radam tinha que ser ou dissolvido ou então ser incorporado a uma Agência federal, aí pareceu lógico que essa Agência fosse o IBGE, já a tempos o IBGE possuía uma área de recursos naturais que estava desfalcada de pessoal.., um dia fui chamado pelo Edmar Bacha, que me disse... o Ministro Saiad, eu decidimos que fazer um esforço no sentido de ver se incorporamos o Radam ao IBGE e aí tomei o bonde já andando... estava meio que deslanchado...” - Eu me lembro que o Edson Nunes conta um pouco dos bastidores dessa questão porque era uma questão também complicada de entender como é que o Radam se encaixaria, então foi preciso um pouco de entendimento até por conta de que havia naquela época um pesadelo enorme que era inflação, haviam preocupações maiores... “ O Radam era um órgão caro, havia gente no governo que queria que simplesmente ele acabasse, alegando que já tinha cumprido sua missão e deveria se extinguir, etc., e o grupo Radam infelizmente estava querendo se fortalecer, ser independente de alguma forma, e a saída que se encontrou foi a de incorporar ao IBGE e teve um certo grau de lógica, não foi uma coisa aleatória...” Bom, aí nessa, quando o senhor entra na DAG, o senhor começa a tentar uma restruturação e, efetivamente, acontece uma restruturação... Um memorando seu ao presidente Edmar Bacha... propondo a reestruturação da DAG em duas Superintendências... a SUEGER que era Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente e da Superintendência de Estudos Geográficos, SUPEG, além da criação de um Centro de Estudos Agrários (CENAG) que seria organizado... e aí peguei também a informação de volta do Edmar Bacha falando sobre a questão do CENAG, quer dizer, dando apoio a questão do CENAG e negando a questão da SUPEG porque era realmente pequeno, quer dizer, a área de Geografia ainda não tinha estrutura de pessoal suficiente para a virar Superintendência... e fala sobre a SUPREN que é a questão da incorporação do Radam... já estava mostrando que o processo estava dando certo... que a incorporação do Radam, principalmente naquelas estruturas regionais... que eu acho que esse foi o ponto principal do fortalecimento do IBGE, e a história das regionais e que o Radam veio dar uma outra força... “ O Radam também entrou no IBGE também depois que viu que não podia se tornar independente mas uma organização separada, tentou entrar uma espécie de uma outra Diretoria, Diretoria funcionava na Bahia e tal, mas o Edmar sempre resistiu muito a isso... havia na época um plano de reestruturação da casa... você lembra? – Seminários e Trabalhos...alguma coisa assim...” - Bom, eu também tenho um documento, esse documento não está assinado aqui, mas possivelmente foi pessoal da área de Solange Tietzmann que era chefe da Divisão de Estudos Agrários do DEGEO na época, que ficou preocupada com a idéia o Centro, aí eu não sei porque passou pela cabeça que achava que o Centro de estudos Agrários iria acabar coma Divisão de Estudos Rurais e aí elas fazem um arrazoado solicitando, quer dizer, pedindo para a que se mantivesse, etc., e como efetivamente aconteceu, o Departamento de

e ainda sou funcionário do IBGE.. então.. “ Exato..... é necessário uma rede de coleta muito mais sofisticado do que se tem hoje. são os casos no momento.. eu não sei se isso foi resultado de um processo que Simon Schwartzman começou a tentar. “Tentei.. é que.Quer o seu domínio.Por falar nisso. a partir de Estatísticas Agropecuárias saiu de lá e junto com ela tinha essa parte não tanto de Estudos Rurais.. é claro que também hoje e aí também por obra e graça do Simon ele conseguiu botar um sistema de comunicação por rede... “ Eu sinto isso também..” . mas mão é simples.. é sem dúvida muito maior. falar de Meio Ambiente sem falar de espaço. por exemplo.. quer a brasa para sua sardinha... no caso do Censo 2000 as relações inter-diretorias foram muito mais intensas. “ Bom. a rede toda funcionando e aí você tem uma possibilidade de comunicação maior.. é engraçado a geografia. separar a área de estatística da área de Geociências.Estudos Agrários efetivamente continua e aí como é que foi essa questão? O senhor lembra.” . contabilidade Ambiental.. das Nações Unidas e tal. eu me lembro que na verdade desapareceu a coisa quando se decidiu tirar da.. a consultoria foi na área de Informações Ambientais. a geografia agrária no caso..” .. sugeri na área.. eu até hoje acho que essas duas Diretorias...” . “Na verdade.. como é que estão os encaminhamentos dessa questão de uma contabilidade de Meio Ambiente.... mas há essa dificuldade... eu tentei mostrar que essas áreas tinham de trabalhar juntas.. geografia. como é que está isso.” . mas. um assunto complexo e exige envolvimento de recursos.O que eu sinto hoje no caso.... as pesquisas agrícolas anuais de agricultura e pecuária.Quer dizer.. mas parte de análise dos dados e preparava inclusive material paras as reuniões da CEPAGRO essas coisas e por isso desapareceu essa idéia e ficou a área de geografia com seu núcleo de Estudos Agrários.. além do Censo Agropecuário..É.. principalmente com o envolvimento que tive depois que sai da Presidência. mas. enfim. a gente nota. então eles sentiam como os analistas de uma parte estatística.. essa parte eu comecei a me interessar por ela já na Presidência.” . que o senhor foi uma pessoa importante nesse processo. Geociências e de Pesquisas deviam trabalhar muito mais ligadas... cada um quer o seu domínio. porque era. que dizer.. mas é a coisa está indo muito devagar... tem alguma lembrança? “ Eu tenho uma vaga lembrança. está muito devagar... eu acho que ainda seja... senti que se o Brasil entrasse nesse campo.. dar uma organicidade maior e obrigar as áreas a se comunicarem melhor.. não é possível e.... municiavam muito essa área. era a única área que possuía uma relação direta com a área de estatística na medida que a pesquisa de Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).. ainda não é o paraíso... mas isso não existe ainda. esse seria o ideal. e seria fundamental esse trabalho conjunto.. inclusive porque sofríamos muita pressão de órgãos como o Banco Mundial. uma consultoria que o IBGE me solicitou. mais articuladas do que estão até hoje. eu sou da Comissão do Censo 2000 e a gente sente que a uma articulação muito maior no que tange ao Censo.

” . ele tinha uma liderança. 85. não sabia se ia ficar. nós queremos separação... . bom. e ele era muito. a figura de Mauro Pereira de Melo foi importante nessa articulação.. dão respostas. então vocês tem que trabalhar junto porque.Eu entrei em 70 e eu percebi que tanto o de 75. ele conseguiu.... justamente porque havia essa separação.. “ Sim. trabalhei na preparação para o Censo de l990. .” . quem era Indústria só ficava com Indústria.... o resto é nosso. quer dizer.Exatamente. Regionais e Estudos Urbanos. e havia aquela questão do Centro. ou dizem assim: reclamam. levantam a questão do memorando da Presidência 45...” ..E ai. claro que é uma separação funcional clara. da Agropecuária que era a DIRUR estava do outro.. isso também é pouco falado essa questão. pelo menos os técnicos da sua área.. quis se manter junto a área de Geociências. porque a coisa foi se encaminhando de outro jeito. sentiam que havia muita dificuldades entre Diretorias. “ Eu me lembro. e aí eles dão algumas. ele quando decidiu formar essas duas áreas ele investiu tudo no sentido de não permitir qualquer tipo de fração. porque nesse período as áreas Regionais e Estudos Urbanos estavam de um lado e a questão da Agrária. problemas de intercomunicação.” . havia tendência.. as relações eram muito....não chateiem.. “ A liderança dele era muito forte.. que era Agropecuária ficava com Agropecuária. Sobre a Reforma Administrativa.. e nessa resposta dos técnicos..É.. mas depois com a Reforma Administrativa tudo evoluiu no sentido de formar uma união desse dois grupos. ele tinha. etc.. “ Mas havia muita conversa também. mas havia muitos problemas de aceitação. fala-se no famoso memo PR-45... mas distante a coisa.. muito articulado e tinha aparentemente uma certa liderança. mas nesse ponto Mauro era o que conseguia pensar. e por um lado a história de tentar ganhar confiança. não sei se também a nova geração. a área de Estatística queria da área de Geociências só mapas. do DEGEO. influência grande junto ao Presidente Edmar Bacha. aí a Reforma Administrativa. o geodesista e o cartógrafo eles fazem mapas e eles pensam no processo da feitura do mapa. achamos que é diferente o que temos que fazer. quer dizer. e depois com o Edson Nunes.. etc. etc.. o memorando da Reforma Administrativa.. eles perceberam. aqui já é uma resposta dos técnicos das Divisões do IBGE. ele dizia: mapa é importante para esse pessoal de Geografia trabalhar.” . tinha a mão forte. salário.. havia pressão da parte dos técnicos juntamente para formação de duas áreas separadas uma área mais de Geografia e Recursos Naturais e outra na área mais de Cartografia. eu me lembro de reuniões que a gente tinha com os técnicos dos dois lados cada um dizendo: não. o senhor lembra mais ou menos desse período como a coisa se deu? “ Me lembro não. a gente percebia muito claramente que na área que acabou sendo de Geociências. caminhavam juntos.. essa coisa. cada um e dentro do próprio Censo mesmo.. hoje a gente vê o trabalho muito mais articulado. um certo domínio sobre essas áreas. que no fundo era o memorando da CRA..Exato. 80.. quer dizer.. fracionamento. quer dizer. por exemplo.Nesse período. tanto do pessoal de Geografia quanto do pessoal de Meio Ambiente que sempre foi uma coisa difícil. . e esse pessoal de Meio Ambiente trabalhar. o grosso da questão estava nessa questão de intercomunicação entre áreas.

.Era a questão da economia em si que estava muito... a luta para fazer mapas de Censos. o senhor como Presidente. o entrevistador. antigamente não. para a mim... “ Tivemos greves. quer dizer... claramente naquele momento ele tentava viabilizar politicamente uma idéia de organicidade maior de sua diretoria. ele conseguiu dar um equilíbrio melhor entre as áreas.. quer dizer.” .. os outros que se adeqüem..foi o primeiro a sofrer o processo. eu me lembro disso..” E de uma certa maneira era isso. sendo atuante. ele lutou muito para cartografar a base operacional do censo... em termos de comando e poder e tal.. às vezes havia muito barulho para coisas minúsculas.. mas era um governo fraco também. como é que foi a sua visão do período.Sem dúvida....O interessante nisso tudo é que no depoimento ele diz assim: hoje olhando retrospectivamente eu acho que eu errei na medida de tentar uma integração maior.. ele saiu antes. o Sarney...” . a troca de equipamentos. mapas extremamente fidedignos. uns poucos fazendo baderna e tentando dominar a maioria. mas enfim. a que está dando salto tecnológico maior agora.. quer dizer... pelo menos nessa questão... aí entrou o Sérgio Bruni e o Sérgio Bruni efetivamente conseguiu. que ele fez bastante. sem dúvida e do próprio Edson. mas eu dizia assim: senhores. estava totalmente desmoralizado. no entanto... como você falou. e eu na época eu dizia: gente. a base operacional do Censo ela está recebendo cartas melhores. porque a área.. com isso ele dominava toda área. “ É.” Bom. ele volta idéia anterior. mas foram mais civilizadas.. o que sai a campo ele recebe o mapa extremamente fiel.“ Ele até conduzia a coisa por inverso.. ele vai ter que resolver primeiro essa área. para depois tentar uma integração. que agora nesse Censo de 91 está sendo isso. o Edson também pegou um período muito ruim.” .... olha só... “As áreas estão mais equilibradas agora......... quer dizer.. nenhum Chefe de Departamento se sentiu muito melhor do que o outro. com uma acuidade cartografia muito boa. a introdução do idéia do GPS.. com aqueles movimentos sindicais todos. quer dizer. e depois entrou o Trento Natali que acompanhou esta mesma visão de integração.. eu acho que a Cartografia devia ser separada.. o movimento sindical muito atuante. nas entrevistas de Edson Nunes e Eurico Borba que sofreram realmente pressões horrorosas da área sindical e. mapas são instrumentos para a outras áreas fazer análise e tal... quer dizer. eram momentos extremamente conturbados. colocando Cartografia no centro. “ É..candente? “ Sim. foi uma fase extremamente complicada.... mas ele quase que montava a coisa de ponta a cabeça. funcional.. lógico. dizia: começa conosco. as pessoas reclamavam muito quando eu o defendia nessa questão.. não adianta vocês tentarem brigar com o Mauro nessa situação.. era na base dos croques. acho que o Sérgio Bruni conseguiu esse equilíbrio... ele tinha uma visão muito forte da importância da área. o resto atrelado a ela. aí agora.. Cartografia e Geodésia é a área na Geociências a mais. isso eu percebi bem.e tínhamos muitos outros problemas” . eu porém me considero sortudo comparado com as agruras de Eurico Borba. as informações eram muito pouco fidedignas.......

.. Ministérios. houveram momentos difíceis. o período de dois anos do Collor e período de dois anos do Itamar.O seu período de Presidência foi 98..Exatamente.” . qual eram as demandas principais do governo e o que o IBGE podia dar além das atividades e as suas missões normais.” . no sentido de contestação pela contestação. por exemplo.. achei que não deveria substituí-lo.. bem nós tivemos.... eu acho interessante também ressaltar no que tange a área de Geociências.? “ 95 a 97 por aí foi DAG aí trabalhei com técnico no IBGE..... “ Muita coisa......... e suas vinculações aos governos. “ É.. eu estou tentando inclusive fazer um acompanhamento das ações dos Presidentes. aí fui conduzido à Presidência.. Presidência. transição de governo Collor.” ....” . “ Com Eurico depois foi ainda pior.......Com o Edson e com o Eurico depois. .. eu acho que essa foi uma visão e no seu caso.” ..? “ Não..muito problemático para a Geografia principalmente..Esse acompanhamento.É... foi fim de governo militar. alguma coisa final. até março de 90.? “ Maio de 98 até março de .. na sua trajetória como Presidente naquele período. tanto na gestão... não vai dar nada.Bom.. e depois entrou aquele período..especificamente é mais ou menos isso.. o Edson pegou o período inicial das coisas ruins...... como você sentiu o clima? ...” .” ... eu utilizo isso na tese e eu me transferi para essa área de Memória Institucional justamente para formar o acervo da memória dos presidentes da casa.. quer dizer. foi o problema de localização física da área e espaço para trabalhar isso foi.. “ É. estavam percebendo que poderia haver mais contestação.. mas pelo menos foram greves que deram origem a um processo de negociação. “ É interessante ter um acompanhamento dessas ações e políticas da casa. Mauro Melo ainda estava na área de Geociências. tanto na DAG e depois na Presidência. e que se resolveram sem maiores conflitos... eu acho que foi perfeito. “ É porque eu já na Presidência já dei essa situação resolvida. se o senhor quiser alguma declaração. deixa eu mais ou menos também colocar esse material ele passará a ser acervo da área de Memória Institucional do IBGE. foi maio de 88...Foi em 89. Professor. eu acho que no nosso caso. foram períodos de embate: eles diziam: o que nós podemos forçar.92 a 95 foi DAG.. duas ou três greves... fiquei até. que foi aquele que as entidades sindicais no IBGE começaram a perceber que nós estamos livres. quer dizer... já tinha as duas grandes áreas produtivas. diferentemente do que ocorreu com o Edson. é isso aí. nós tivemos duas greves complicadas..... maiores conseqüências... o grande problema em toda a minha vida... nós vamos poder virar a mesa......

......Porque Mangueira tornou-se área perigosa. foi muito bom...” ... quer dizer.No meio de uma favela não era exatamente o problema... daquele..... eu ficava abismado cada vez que eu ia lá... científica no meio da favela com aqueles tiroteios.. mas com aquele prédio lá de Mangueira.. como é que podem colocar uma área técnica... “ Eu me lembro bem de Mangueira....... Chile.. precisando qualquer coisa eu entrarei em contato com o senhor.. depois ela virou um campo de batalha do tráfico de drogas.” . já tinha havido a transferência das pessoas foi na minha gestão da DAG que conseguimos aquele prédio na Praça da Bandeira.. quer dizer. quer dizer.. não havia mais condições de trabalho lá.. ele arriscou.. “ Peguei. peguei depois. ele tem uma área de atuação muito grande.Deu um salto no escuro... não é aquela coisa empírica de bilhetinho e carta e tal.. mas havia uma pressão muito forte do Régis Bonelli .. ... ele queria a todo custo voltar para lá e havia pressão.Eu acho que foi a parte mais importante. a recuperação daquele prédio lá na – como era o nome dela? ..O senhor pegou aquele período do Parathion. “ Isso foi muito importante. chegaram a cogitar e imaginar a botar vidros a prova de balas naquele lado que ficava para a favela.” .” .” .. descontentamento muito grande na área Geografia para isso.Rua Equador. “ Faço uma idéia.. “ Deu um salto no escuro.. já tinha sido feita limpeza. “ Rua Equador exatamente........” . e eu acho que o Simon fez uma grande coisa. a primeira foi essa retirada do prédio e a segunda foi a questão da rede de informática. ele investiu num período de vacas muito magras do governo... ele conseguiu investir muito nesse processo de intercomunicação da Casa.. mas foi um salto de qualidade.” -Ou memorando interno.O Simon nesse ponto teve duas ações muito poderosas.. no início a favela era só favela.... ok Professor..que era Diretor Geral e queria a todo custo. “ O IBGE é um organismo enorme. e colocou quase todos na Av....

apenas uma pequena porção de seus funcionários poderiam enquadrar-se num sistema de Ciência e Tecnologia.. principalmente nos fóruns da SBPC. política de migrações. Portanto. que possuíssem toda a linha de cursos de graduação e pós-graduação em todos os níveis. como eram conhecidos no IBGE desses novos e conturbados tempos. Hélio Beltrão eram um nível mais ligado ao Doutor Tancredo. pois apesar disso. Apesar dessas convulsões. Sua maioria esmagadora de funcionários concentram-se nos níveis do ensino fundamental ( 8 série) e no segundo grau incompleto. com Celso Furtado. . O que causou muita contestação nos meios científicos. classificar esse material... Sendo uma agência basicamente voltada à coleta e armazenagem de dados. receber determinados grupos. e eu e Everardo e o Cristóvão Buarque eram um nível mais operacional. ao ser barrado por um piquete na entrada do prédio da presidência. eu sempre nutria um sonho. foi uma vitória política. inclusive Doutor Tancredo foi lá. com menos de dois meses de trabalho. com o Everardo Maciel que hoje está na Secretaria da Receita Federal e eu.Professor Eurico então pode começar a nos explicar como foi o processo de convite para o IBGE de 1992 e depois toda a sua fase até a saída.. junto com Cristóvão Buarque que hoje é o governador do Distrito Federal.” Esse processo levou quanto tempo? “ Começou em setembro. e o Doutor Tancredo pedia coisas específicas sobre saúde. foi novamente Eurico Borba. o próximo presidente entrevistado.. fazer a triagem do material. evidente que Serra e Celso Furtado. Foi uma conturbada gestão de 15 meses que iniciou-se com uma greve. Eurico era agora mais um. “ Bem desde que nós saímos do IBGE. se despedir a o o . na longa lista de presidentes de um ano e meio.Gestão Eurico Neves Borba Cronologicamente. na qual seu Diretor Geral Aníbal Villanova Villela. Isaac e eu em l979. ele brincava com a idéia de que não se deve voltar ao local do crime. Como o Isaac sempre falava de uma forma muito categórica que não gostaria de voltar. Eu me lembro que estava lá empacotando vários documentos que deveriam seguir para vários ministros. e junto com Serra. a gestão de Eurico foi notabilizada por ter conseguido encaixar o IBGE no sistema de agências de Ciência e Tecnologia. eu estava sem camisa. Eu trabalhei na campanha do Doutor Tancredo. eu imaginava voltar como Presidente. Diretor Geral da gestão Isaac. naquela comissão para o plano de ação do governo COPAG. para ceder material. uma idéia de voltar ao IBGE um dia. tão querido pela rede de coleta daqueles tempos. mas que custou muito caro a Eurico. promover alguns seminários para elucidar e aprofundar determinados pontos. comissões. O que dá uma medida das condições políticas que ocorriam em 1992 no IBGE. o funcionário médio já não enxergava mais o velho Eurico. com carreiras de atividade fim. regido por uma política salarial em que o sistema avaliativo pauta-se por titulações acadêmicas e por verificações de produtividade vinculadas ao ambiente acadêmico. se demitiu. outubro de l974 e se findou na véspera da posse.. agora na posição de 19 presidente da casa e o 6 após Isaac Kerstenetzky. eu Eurico.

quinze para as nove. como vice reitor. houve aquele problema todo e não houve convite...E aí já estava.. com delegações regionais. do meu desejo de voltar ao IBGE eu disse: espera um instantinho. com o qual eu não tinha nenhum contato. eles disseram não. tem todos os Presidentes. feito pelo Sayad. Eu não recebi nenhum convite formal naquela época. todos eram potencialmente corruptos. o Afonso Camargo e geralmente era eu que estava mais organizado. houve convite para o Bacha. 9l o primeiro movimento em direção a minha volta ao IBGE. sabiam a minha intenção. em administração. e ele indo para o elevador ali no hall. eu estava ainda passando uns dados para ele e ele passou a mão nos meus ombros e disse assim: Doutor Borba o nosso homem das informações. eu disse: Bacha eu estava disputando com você a Presidência. porque se dá com Edson Nunes... Doutor Ulisses sempre estava lá. entra Eduardo Augusto. com políticos. todos brincaram... um mal entendimento que seria o funcionalismo público.. depois ele ficou doente.. resultados de vários seminários.. algum material a ser aprofundado. norte-sul. de vários encontros. 89. pode ser SNI e aí ficou. Essa fase de Diretor Administrativo isso já passou. do índio ao engenheiro florestal. do funcionalismo público por parte do governo Collor.. não houve nenhuma sondagem nem nada. o processo de greves... um conhecido de longa data.... uma forma de penalização global. todos eram vagabundos.. 90.. eu continuei na PUC... na véspera da posse. e aí foi o Eduardo Augusto.. Eu disse não. no Ministério da Educação eu fiquei até l987. estava o Fernando Henrique. e ele argumentou. o partido fala é de Presidente do Banco do Brasil e Ministro.. “ Eu sempre estava muito ligado a PUC... foi o que ficou mais tempo..e cumprimentar a todos nós e dali ele seguiu para missa e depois indo para casa sentiu-se mal e foi hospitalizado. aí Marcos Maciel me convidou para trabalhar na Secretaria Geral do MEC o Everardo Maciel era o Secretário Geral eu fiquei como Secretário Geral Adjunto e aí passou-se esse período todo.. já tinha começado aquele processo dentro do IBGE. chegou ao José Richa uma pergunta do Eurico para o IBGE e com aquela história do PSDB eu já era membro fundador do PSDB. convidado pela Zélia. a COPAG durou todo esse período. geralmente apareciam lá umas outras pessoas. o PSDB não colaborava com o governo Collor. nunca deixei a PUC.. o Afonso Camargo. sete meia ele recebia. mas o Bonelli vai como Diretor Geral. e lá ele ficava até oito e meia. 88. um pouco antes de ele fazer aquela viagem a Europa e Estados Unidos. o Fernando Henrique Cardoso.” .De uma certa maneira é nesse ponto que tem uma inflexão de Eurico Borba hoje na educação. ele recebia de tudo. alternando com professor de horário integral. um bom amigo que eu tenho. e fiquei lá 87. isso é problema do partido. com empresários. apenas uma brincadeira que o Doutor Tancredo nos recebia para um despacho duas vezes por semana em Brasília às sete e meia da manhã depois de ele ouvir aquele Globo café da manhã. que a percepção política da importância e exclusividade o Doutor Tancredo rapidamente intuía que ali tinha um. e uma vez então Doutor Tancredo por volta de janeiro. os dois o Covas e o Richa ligaram para mim eu disse: não. eu sempre fiquei lá como professor horista.. sabendo dos vários documentos que haviam chegado de vários colaborações.” . mas o IBGE é uma coisa mais técnica fica a teu critério. aquele pernambucano Fernando Lira que foi Ministro da Justiça depois. Eurico você foi o primeiro nomeado.. foi para o IBGE. houve um zumbido que não chegou a se concretizar.. “ E havia um processo também de sucateamento. o Bacha me convidou para ser o Diretor Administrativo. aconteceu em 92. o Fernando Lira. em 87 eu voltei para PUC do Rio de Janeiro. contatos com militares... e eu queria você como Diretor Administrativo que é uma coisa importante. Bom.. .. eu e o Cristóvão. mas não houve contato nenhum. chegou ao Mário Covas. se deu na virada Collor... os odontólogos fazendo campanha de flúor na água... vamos dizer assim. todos eram incompetentes. leste-oeste. nós tínhamos que fazer um relato prévio. e como ele não havia feito ainda nenhum convite para ninguém..

.. sabia de tudo. o Ministro viajou. então sexta-feira no antigo Ministério no Gabinete do Ministro que ele mantém no Rio o Marcílio vira para mim diz assim: olha Eurico. estava dando aulas... um velho servidor oriundo do Banco do Brasil. e aí o Messias disse: Eurico manda o teu curriculum pelo fax agora. vários amigos. e o Messias ajudava muito. e ele quer que você o procure. quando um antigo companheiro dos anos 70... você sempre quis voltar para o IBGE e se mandou o curriculum é porque você estava querendo. não só a PUC do Rio como as outras. realmente fiquei emocionado e é irrecusável.. Teresa Cristina. todo mundo procura dez. a primeira que fui conversar foi com Jane... esses cargos geralmente são muito procurados e principalmente nessa fase da República é uma briga de foice. eu queria que você voltasse ao IBGE para transformar o IBGE naquilo que o IBGE foi no tempo do Professor Isaac. antes do escândalo.. honestíssimo. Carlos Messias Barbosa..” ...... final de semana o Messias mesmo me liga e disse assim: Na outra sexta-feira o Ministro vai aí na PUC dar aula inaugural.. Marcílio estava numa projeção assim de liderança muito grande... a PUC era a que tinha a maior parcela de verbas. comecei a telefonar para algumas pessoas. realmente eu fiquei assim parado. um Censo problemático. porque eu sabia dos problemas todos de salários. Censo de 90 que tinha sido realizado em 9l... eu realmente estava muito bem na PUC como vice reitor. era o Diretor de Administração. de falta de recursos para pesquisas... março de 92. ocupava a mesma posição que o Marcílio no Ministério da Economia... da melhor qualidade. a minha volta ao IBGE em 92 foi uma coisa interessante. presidindo uma comissão inteiramente importante de Planejamento Econômico e Acadêmico.. eu disse Messias para quê? Ele disse: Porque o Eduardo Augusto saiu do IBGE e não se acha gente para o IBGE e eu me lembrei do teu nome. estava no IPEA e elas me contaram alguns detalhes. eu disse: olha Marcílio tudo bem. Então lá fui eu. um direito que nós tínhamos.teu curriculum. ele disse: não tem nada que conversar. mas deixou instrução que quer o teu curriculum.eu disse que curriculum? . eu acho que é uma constatação que precisa ser feita. e eu tinha muito contato com ele porque me ajudava liberar verbas para o sistema católico de ensino para as Universidades Católicas que tinham convênios.. manda pelo fax agora. aí. já estava programado. então era um processo de convencimento de universidades que estavam precisando. então ele estava sempre contigenciado verbas. “ Bom. eu fiquei emocionado. e aí eu digo isso sem nenhuma tristeza. um convite colocado nesses termos.... e na outra sexta-feira o Marcílio chega olha para mim e diz: aqui não dá para conversar.então eu pensei que era até sobre um assunto de liberação de verbas para as Universidades Católicas. mas eu o conhecia antes porque era o Diretor de Administração do Ministro Veloso no antigo Ministério do Planejamento e Coordenação Geral..... mas eu acho que não tinha ninguém mesmo querendo.. o processo começa nesse período.... mas então o que me parece.. . eu parei e disse: Messias. e uma tarde em meados de março... que chegou a ficar conosco no IBGE uns seis meses.. sexta feira. ele telefonou depois e disse: Eurico você é doido porque resolveu carregar uma mala pesada sem alça.. eu acompanhava o IBGE de longe. ele me toca o telefone. de greve... começa a perceber isso de várias pessoas que estavam se aposentando. amigas lá dentro... a gente tem que conversar essa história.. sem nenhuma mágoa..” . Então. porque ele vai te convidar para ser Presidente do IBGE. e disse hoje de tarde as seis horas lá no Ministério da Fazenda.A começar com a debandada enorme de pessoas para a aposentadoria. organizado..isso foi extremamente desagradável e deixou mossa que até os dias de hoje estão aí.. quinze padrinhos para ser nomeado alguma coisa e o IBGE é um título que honra qualquer pessoa. indo embora. Sônia estava afastada...Isso ainda era governo Collor? “ Governo Collor. tanto que o Chefe de Assessoria Econômica do Marcílio que hoje está como empresário em São Paulo... tinha muita gente lá na PUC. estava escrevendo algumas coisas e fazia consultoria por fora na área empresarial... mas me parece que existe problemas sérios lá de nível de salários e .

as portas estão bloqueadas. passa o mês de abril e maio. nós devíamos a posto de gasolina. nós devíamos a Light..E Censo quando você pegou... uma das primeiras coisas que eu fiz em abril. milagre de Nossa Senhora.... por falta de disciplina profissional. de uma certa nobreza de atitudes como profissionais. eu ia para casa preocupadíssimo. eu vou ser julgado pelo Tribunal de Contas como sendo o maior imbecil da paróquia. por volta de fevereiro de 93 eu tive o desprazer de receber o Presidente da IBM me entregando uma carta extremamente constrangido dizendo: olha vocês devem a IBM US$ 8 milhões de dólares. não recebi nenhuma pressão política. haveria regime CLT. eu fiquei lá quatorze meses e meio.problemas de contas atrasadas e. cinco meses em greve.. um ano depois. olha era. desci. possibilidade de volta a um “ Mais isso foi várias vezes tentado e eu deixei alguma coisa engatilhada formalmente lá dentro nesse sentido. foi um período extremamente complicado.. em crédito..” .. uma determinada época.. eu disse: sim. e uma greve que no primeiro momento eu tentei enfrentar até com a polícia. nós devíamos alugueis pelo interior do Brasil. e nós vamos suspender toda assistência técnica do IBGE e retirar equipamentos.” . ex-aluno da PUC também com a sua esposa Maria Helena que era chefe de Gabinete do Presidente do IBGE lá em Brasília. depois a PNAD de 93 nós tocamos confiando na Virgem Santíssima. fui lá no QG da polícia.. dia 29 de maio dia do IBGE os companheiros entram em greve.. O Marcílio me nomeia. “ Logo. então nomeei Teresa Cristina Diretora Técnica. só podemos intervir se tiver tumulto. poderia considerar. eu me lembro você levou um susto louco. Ele respondeu: vou ver o que é possível.. eu assumo em Brasília em 27. aí eu telefonei no primeiro dia. porque eu assumi no finalzinho de março. eram vinte e tantos milhões de dívidas. vou fazer os primeiros estudos. fui procurar polícia estadual.... 8 milhões de dólares é dinheiro em qualquer lugar do mundo.... chefe do Estado Maior da Polícia Militar.. me disseram: não. não é só uma vontade administrativa. eu fiquei estarrecido basicamente com os níveis de salários com a desorganização hierárquica do IBGE.. isso dentro dessa moldura institucional legal que você tem que trabalhar. e começamos a trabalhar. tinha mais esse chefe do Estado Maior. uma vontade política.. ele é muito amigo meu.. mas você poderia considerar nós voltarmos ao regime CLT. no segundo.. mais você está comprando uma parada complicada.. logo com duas semanas de IBGE eu chamei o João Geraldo Piquet Carneiro. no décimo nono dia. o Senhor toca o telefone e nós mandamos para lá.. os funcionários do IBGE são regidos pelo regime jurídico único eu não posso fazer nada fora da legislação.Isso é um ponto interessante Eurico. além disso havia uma dívida enorme... mas estão bloqueadas. nós devíamos a empresa de turismo.. no planejamento do Simon. pensando. ninguém pode bloquear as portas. um outro .. um certo deboche institucionalizado. então olha. e eu pedi para ele e ele disse: olha tudo bem.que está atualmente como. a Jane Chefe de Gabinete.. Aí eu peguei um taxi..e eu duvido que abram a brecha só para o IBGE. “ O Censo era uma coisa totalmente cheio de indefinições. chamei o Coronel Nazareth. no sétimo..E isso se fala agora com essa idéia de agência executiva ..” . que tinha sido um dos pais da reforma administrativa do Brasil. não vou cobrar nada.ele disse: olha eu darei todo apoio necessário.. temos que garantir que as portas fiquem aBerthas. eu vou ser preso. um apoio. nós devíamos a EMBRATEL. avisei que ia tirar o diretor da Geodésia e Cartografia Mauro Melo e trouxe o Sérgio Bruni .. eu fiquei apavorado. E eu aceitei e aí tomei posse em Brasília.. não. trouxe o Aníbal Vilela de fora.. mas aí o camarada disse: tem tumulto? Eu disse: não tem tumulto.. ou 28 de março e vou em frente. foi o homem que assessorou aquele grupo de hospitais Sarah Kubitschek em contrato de gestão. A PNAD de l992. mas tem umas limitações legais..

de divulgar as informações..... qüinqüenal...mas eu acho que o IBGE e o Simon de certa forma está dando sinais de soerguimento. Bom. comércio.. pediu demissão e foi embora.. “ O Vilela foi impedido de entrar.. mas eu não me lembrava dele.. do grupo de geógrafos ativos o que conheço é você. único que eu conhecia era você... se já estávamos com problemas anteriores. e depois eu vi aquelas greves de Petrobrás.Coronel. por conta dessa experiência.existem duas situações muito dramáticas... impedindo a saída das refinarias.. não tem mais massa profissional...... de funcionários extremamente decadentes em termos de salários. Fui uma vez lá. eu acho que poderia pensar alguma coisa com quarenta graus. então o quadro de falta de dinheiro. no seu aspecto geográfico.... você imagina como isso vai afetar a casa. portanto. pelo o que estou vendo.. durante toda a década de 80.. serviços.... eu tenho. eu vi que não tinha jeito mesmo. é uma falta de respeito pagar o que se paga ao funcionário público.. encontrei a geografia extremamente.. a decisão é sua.pois ele queria a Diretoria de . posso dizer com certeza. mas mesmo com o sucesso atual do Simon.. no prédio da Praça da Bandeira vocês tinham problemas de ar condicionado. eu não conhecia esse rapaz.” .. meio ambiente.. eu vou usar o termo..” Aliás deixa eu registrar isso. poucas pessoas podem produzir bem. Petrobrás. perdemos a colaboração de uma figura fantástica. embora eu achasse que o Mauro tivesse razão no sentido administrativo do termo. as pesquisas anuais... massa intelectual de tal maneira que é uma entidade com muitos problemas estruturais.. a casa já apresentava um forte envelhecimento da massa profissional e quando se chega no início dos 90. indústria. saindo. acontecem as debandadas maciças. mas tinha sido admitido lá no meu tempo. me atracar e gerar o tumulto para que vocês façam a intervenção e abram as portas do IBGE? e os cretinos disseram simplesmente o Senhor é que sabe.. o Senhor é que está no local.. indignado.... mas mesmo assim ainda temos um déficit enorme... havia quase que uma luta. derrubar aquelas torres de transmissão... Eu tenho a pior impressão do serviço público sindicalizado hoje em dia. demográfico. as pesquisas mensais.. talvez não seja muito correto....O Doutor Vilela saiu rapidamente por causa disso. ficou possuído de tal fúria. de longe.. . as pesquisas por amostra.. esvaziada.... o que o IBGE se desagregou e perdeu de massa. de tocar fogo em rede de transmissão. era um calor.. os econômicos decenal. mas o que é esse tumulto. ai eu disse para eles: vem cá. o César Ajara era o Chefe de Departamento. não há realmente como repor profissionais qualificados em tempo hábil. quer dizer. porque houve dois fatos importantes. pois com os novos computadores.. mas o que me ocorre no momento.. fazendo Censo com periodicidade. “ Bom mas vamos agora a questão da geografia como é que eu encontrei... como eu vivi a década de 80 no IBGE. a maneira de proceder é que é condenável. todas as reivindicações são mais do que justas.. demografia. as pessoas saindo. ninguém novo... Mas as atividades de um grande centro de estudos brasileiro integrado.. acho que essa idéia se perdeu.. hoje tenho uma ótima impressão. informações conjunturais. praticamente não entrou ninguém..... eu não tenho certeza que a minha conclusão seja a mais correta. o que ainda segura é a transição tecnológica. Eletrobrás... lembra? Era um inferno. Eu posso te dizer e para tua tese as opiniões precisam ser confrontadas. eu Presidente do IBGE que dar um bofetão num grevista. para o geógrafo do DEGEO você foi a figura que nos tirou de Parada de Lucas.. do que o Simon está conseguindo atualmente em termos de produzir informações. aquela falta de apoio de serviço médico... quase que pessoal.É preciso entender que..

porque.. agora quanto a questão dessa área que cobre a Geografia.. depois de ter me convidado para Diretor Administrativo ele teve uma conversa com o Isaac.. estavam sendo postos para fora pela Petrobrás a todo momento. não havia no centro de poder ninguém se preocupando com Geociências. e o prédio da época que garantia essas condições era o de Parada de Lucas.. foi a mesma coisa. inclusive o episódio do Radam veio com Edson Nunes. teve um Diretor Geral dele que durou duas.. -Com o Edson Nunes já foi uma outra situação. porque aí ressurge a idéia de meio ambiente dentro de outras bases.. colocado num lugar longe..... geodesia e cartografia.. você segura essa história por favor ele riu e tal... ele teve sorte porque como todos eram economistas e estavam preocupados com conjuntura nacional. Quando Eurico Borba entra. entregava geografia para s universidades..... que me recebeu muito bem. já havia um outro pensamento. aí eu digo..... tratando de geografia.. quando eu saí de lá ainda não estava nada certo assim.. eu tive que uma tarde sair correndo. que é irreversível..... Depois com o meu querido amigo Bacha.. .... eu não entendo essa história de IBGE com reserva ecológica. com mais delicadeza evidente.. ele agora já começando a entender dessa integração que teve que ser feita. em que o ar condicionado era apenas um dos problemas... mas essa era a idéia que passava..... “ Eu me lembro lá daquele inferno. que era realmente terrível na época.. quer dizer. a Geografia é um troço histórico...Geociências toda junta. Eurico tira Mauro que era considerado o sujeito que estava enterrando a geografia.. essa questão fica muito clara. de cartografia. da gente correr para o Presidente de Embratel. e a gente tem que ficar vivendo com a Geografia. essas que não eram de economia.. quando o Isaac saiu... o Bacha. essa história do Roncador em Brasília... por mais que o geógrafo humano ainda não goste muito.... o melhor é doar. tem que fazer estatística. virei as costas e fui me embora. eu não acho exatamente isso. com aquele com ar de dono do mundo. passavam para as mãos do Edson. com um prédio.. três semanas e foi embora. sempre existiu uma incompreensão sobre a heterogeneidade do IBGE... vou doar para Universidade de Brasília e acabar com Meio Ambiente. Edson Nunes conta muito bem o episódio.. e foi onde ele conseguiu acertar a história da vinda do Radam e que eu acho que foi um ponto positivo. teve uma conversa comigo..... como era o negócio naquele período.. ah é uma idéia. e aí talvez é o problema da continuidade. ele e Bonelli.. vamos tratar de fazer Censo.. eu por mim entregava isso tudo para s universidades.... eu olha aqui: eu tenho um mandato de despejo. Radam estava acovardado em Salvador. etc. no caso do Edson Nunes.... então todas essas coisas que ele dizia... ele e Bonelli. entregava geodesia e cartografia para o Exército. então encontrei todas essas áreas muito atemorizadas. o pessoal de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o pessoal de Geodesia e Cartografia.. com mais tecnologia. acovardadas.... ir lá no Presidente da Petrobrás.... de geodesia. meio ambiente. Então eu não sei.. a ENCE eu entregava da Federal do Rio de Janeiro e nós íamos tratar de fazer Censo. mas num prédio em que efetivamente era um prédio pequeno para os dois Departamentos e com esses problemas de infra estrutura.... Numa conversa sobre o IBGE... e o Jessé em Brasília numa reunião. e aí é aquele negócio. Bem.. “ Mas o. Eurico então nos coloca na Praça da Bandeira junto com Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente... deu uns telefonemas. tratando de meio ambiente. e depois eu e Isaac. uma grande massa de pessoal não gostava daquela história de parar a 40 quilômetros do centro da cidade.. Radam.. eu não sei . no dia seguinte nem apareci no IBGE e voltei para PUC minha casa de origem.. mas tinha a mesma idéia. e isso levou também a um outro conjunto de pessoas a pedir aposentadoria por se sentir deslocado... o IBGE tem que fazer Censo. esse aí o Joel Renó. mas claramente um grande. depois de visitar a Reserva Ecológica do Roncador. alijado. eu fiquei mais duas semanas ou três semanas com o Jessé passando o material para ele... veja eu estou te contando. virou e disse assim.....

você teria que começar..e uma parte que englobava geografia e meio ambiente que eram estavam começando a se entender e se articular. todas duas especializadas em geomorfologia.. também não está mais no IBGE.. morena... do contato. para segurar despejo.para Presidente de Petrobrás. então era esse ambiente da época. coisa difícil porque o Radam vinha com uma tecnologia e uma metodologia de gavetas.. o chefe do DEGEO. muito bem articulada. perante uma. mas ainda com muita dificuldade. a seria por assim dizer a futura liderança.. como os diagnósticos de algumas áreas da Amazônia. havia uma prioridade um.. passa o texto para o outro. o que de uma certa maneira foi bom.. a Lúcia.. o outro arquiva. e aí talvez tenha muito desse aspecto de fechamento às outras diretorias..” Mas tem um ponto interessante que as pessoas lembram de Eurico Borba e aí. mas de qualquer forma.. com uma ênfase muito grande em resolver questões da cartografia. Então nessa área de geodesia. é claro que tanto na cartografia como na geodesia as pessoas não irão lembrar bem. os outros cinco foram greves. “ Então eu estou confundindo com outra.. alguém que fizesse depois um copidesk integral. e ele.. essa foi a segunda. etc..... arranjar dinheiro para essa transição....” Não essa é Antonia.. eu acho que fiz muito pouco. vamos dizer. “ Mas aí deixa eu te contar uma história que é importante. quer dizer... O Bruni de ... com as famosas estações de trabalho.... quer dizer.. mesmo não gostando muito e perdendo poder..... segunda liderança. só que a Teresa Cardoso tinha muito mais tarimba... todas duas geógrafas.eu não via nem a geografia. essa era uma pessoa que era líder e possuía muito conhecimento técnico e político.. a cartografia e geodésia. etc. geografia e recursos naturais estavam começando a tentar se entender... principalmente cartografia. a única pessoa que tinha essa capacidade no Radam era Teresa Cardoso que estava em Brasília. Na Geografia eu só conhecia você.. digitalizar toda a malha geodésica brasileira e a geodesia passando para o GPS... era uma senhora bem baiana.. vamos dizer. Embratel para não desligar as linhas do computador. mas que começaram a perceber que seria necessário um discurso integrado.. e ela . perante o pessoal de contas nacionais.. altiva.. eram especialistas.... nem meio ambiente. eu tive pouco contato com ela mais. nem recursos naturais. que do Radam também geógrafa que estava no IBGE e baixinha.. tinha sido da Universidade da Bahia. quer dizer... por exemplo.. nem a geodesia.. quer dizer... primeiro porque tinha sido uma gerência muito forte do Mauro. não houve tempo para fazer a recuperação mínima das condições ambientais de trabalho no IBGE.. esse período foi um período realmente bastante pesado para o Mauro Melo que tinha que gerenciar.. então eu vi a geografia fazendo coisas importantes. uma pessoa senior..não lembrava dele.. se impondo perante uma Marta Maia lá da PNAD. com poucos funcionários qualificados. nos diagnósticos integrados. e nos nove meses que efetivamente se trabalhou..” ..... a cada seu trabalho.. de geografia física. “ Tinha apelido essa menina? . porque você convidou o Sérgio Bruni. transição tecnológica pesada. começaram a ter vinculação. nessa fase. então... um diálogo maior com meio ambiente e geografia... cartografia e tal.. porque aí tem uma parte interessante. não havia muita gente com uma visão generalista. porque eles não recebiam a meses.. mas internamente.. um pessoal da demografia. equilibrou os poderes dentro da DGC.. a primeiríssima prioridade da DGC era dar um salto de tradição tecnológica na área de cartografia e geodésia.. cada um na sua e eles passavam textos. César não conhecia. tinha estudado no exterior.... e coloca no diagnóstico.Bom.....Não sei.

e pelos estudos uma metodologia extremamente rigorosa abrangente que envolvia o pessoal de meio ambiente e pessoal de geografia.. e a minha volta em 92. nem jogo de palavras.. a única ciência que tinha capacidade de fazer a união. que a gente tinha que descobrir esse projeto que tinha . ele diz mesmo. não era grave. sempre o empregadinho de segunda categoria perante os estatísticos... porque esse tipo de ocupação.. que foi equilibrar poderes dentro da DGC.. e quando surgiu esse projeto diagnóstico geográfico e econômico que se fez a Amazônia Legal e quando eu sai de lá estava se fazendo o Nordeste e Centro Oeste...... que eu acho principalmente que ele era um profissional muito vinculado com a área de botânica e então ele dava uma força muito grande nessa parte específica da botânica.. mas ele dava uma força muito grande a essas áreas. e porque a geografia juntamente com esse grupo da área de meio ambiente se não tivesse um projeto importante encomendado de fora do IBGE eles sempre ficariam como linha auxiliar do demógrafo. então... isso aqui se chama geografia e o grupo de geografia.” Tinha uma parte que eu acho que teve um problema dele. eu verifiquei outra coisa. de fazer a síntese explicativa do território e da sua população era o grupo da geografia.. para Yedda Crusis eu sempre dizia que aqueles dados coletados.. E olhando de hoje.. o Mauro tinha até por razões de profissão.. estatísticas contínuas. então eu explicava lá Censos.. claramente ele foi um sujeito que equilibrou a diretoria O próprio Trento Natali Filho que é hoje Diretor de Geociências... isto é abriu caminho..” ... ilustra aquela carta... e até por razões de estratégia ele tinha problemas na cartografia e na geodesia que eram problemas muito pesados. mas de uma certa maneira olhando hoje. estatísticas mensais. os economistas que estavam ali manobrando o filé mignon do IBGE. estatísticas conjunturais. cartografia. com uma visão integrada de Brasil eu dizia sempre e não estava fazendo jogo de palavras eu estava convencido que a situação atual do IBGE 92. quanto a geografia ficassem sem muito apoio. PNADs.. Censos. de começar a pensar globalmente de forma interligada e interdisciplinar que havia se perdido naqueles doze anos após a saída do Isaac. uma série de pontos pontos positivos. explicava aquilo tudo e dizia o seguinte essa história toda tem que ser fechada em cima de um território e explicado porque a ocupação.. Paulo Hadad.. eu estava convencido que era preciso dar a um grupo do IBGE a função.. e isso fazia com que. geodesia.. “ Mas Roberto deixa eu te contar duas coisas que eu acho que é importante.... então nós chegamos a entregar a primeira parte praticamente toda parte de Amazônia Legal e tínhamos iniciado Nordeste e Região Centro Oeste e nós íamos fazer as cinco regiões.. e a questão da mudança para Lucas só agravou as relações.. do INPC. tudo a que o Sérgio Brunes pediu eu atendi nesse sentido. quando eu falei em geografia esvaziada junto com geodesia e cartografia que eu encontrei em 92.. estruturais. “ Eu acho certo...uma certa maneira foi uma pessoa que teve uma questão positiva. sempre forçando a idéia do IBGE como um grupo integrado. a idéia era se fazer Sul-Sudeste. 93 que o único grupo. contas nacionais.. eu dizia isso não da boca para fora. conversei muito com Teresa Cristina que apoiou.. no tempo do Mauro. dei a maior força e prioridade. faça isso.. então eu verifiquei.. “ O que eu quero dizer é o seguinte: o Sérgio Bruni foi um trator e uma das coisas que ele conseguiu. prepare a base do Censo. 93.. tanto meio ambiente. índices de preços..Foi neste período é que já estava havendo um nível de integração melhor entre meio ambiente e Geografia. eu fui lá depois com o Almirante César Flores da Secretaria de Estudos Estratégicos foi o diagnóstico econômico e geográfico da Amazônia. modelos de simulação.. ele sentiu isso. com Jane que apoiou. do economistas. da PNAD. para o Ministro Marcílio.. aí meio ambiente eu falo o DERNA específico que era o Departamento junto ao nosso prédio e mais as unidades regionais que eram as DIGEOs que eram espalhadas em vários estados. porque esse tipo de vida.. nas exposições que eu fiz na Escola Superior de Guerra. na Secretaria de Estudos Estratégicos.

.. em que as pessoas. saiu uma notinha no Fanestástico. Globo Rural. seis já no doutoramento... ou de pessoal. até a entrada do Simon. foi muito bem aceito e todo mundo está aplaudindo e etc. uma agência governamental importante como a Secretaria de Estudos Estratégicos estava dando. eu acho até que deva ser assim. com um biólogo. uma delas especificamente sobre esse diagnóstico.. cento e sessenta. e aí começa a aparecer um papo estranho. existe.São todos mestres e alguns já começando a ser doutor.uma abrangência nacional. etc. é uma grande diferença. aí todo esse período depois da sua saída... claro que o IBGE a geografia do IBGE. a poucos anos atrás trabalhava com cem.... nós vamos ter que fazer um tipo de pesquisas menores... então. e com geólogo. esgotou.... “ Se bem que tem um outro ponto interessante também. que você pode pedir qualquer coisa. foi feita a reportagem também naquele Globo que aparece domingo de manhã. é que nesse período. e nada acontecia.. mas isso foi mal explicado ao usuário. não é preciso fazer mais Censos. eu acho que já tem uns cinco. os economistas e estatísticos...” . porque se você consegue articular bem com um geógrafo físico. CONFEGE... Marília Gabriela fez duas entrevistas comigo.. e tal. saiu uma notinha no Jornal Nacional.. mal levado. então o usuário começou a cobrar pesadamente e esse.. mal feito.. os estatísticos.” .. menos segmentado. alguns geógrafos humanos não gostam.. estão trabalhando em segmentos do gerenciamento costeiro e o trabalho que foi feito.. então era alguma coisa importante que a mídia. acham isso um trabalho menor. mas isso foi muito mal levado em termos de marketing. suas preocupações primeiras eram: Censo de 91 tem que fechar.. não tem garotada de trinta anos... definição de Censos econômicos como o Agropecuário o Industrial.. etc.. por exemplo. Bandeirantes. tratando daquele filé mignon. de que não. que não era apenas pelo Collor e sim de uma estrutura ou gerenciamento. e aí nós sentimos que todo Presidente que entrava. era todo um problema. etc... gerenciado por uma geógrafa do Departamento de Geografia e por grupos de geógrafos lá de Santa Catarina. para explicar o diagnóstico da Amazônia.. “ Mas todos. que o único que foi detectar exatamente essa questão e dizer. muita coisa do IBGE.... bom... percebiam claramente que eles já não tinham mais gente para fazer os Censos econômicos... e isso. foi extremamente positivo... etc... No caso geografia e meio ambiente eles estão continuando nessa linha de fazer diagnósticos integrados. “ Esses quinze hoje qual é a formação acadêmica.. ele já não podia mais levar e ele teria que explicar o que ele iria fazer... etc. que o governo... levantaria a responsabilidade do grupo de geografia e a responsabilidade do grupo de recursos naturais e meio ambiente provocando essa integração e esse grupo não seria simplesmente o grupo de segunda categoria dentro do IBGE perante os economistas. acho que isso é um trabalho que minimamente se dá sobrevivência.. estavam com grandes problemas. você terá um discurso mais amplo.... foi justamente num período onde grande parte da população tinha aceito uma desculpa de que Collor tinha destruído o IBGE e com esse álibi do Collor ter destruído o IBGE. ela. isso levantaria a moral. hoje tem quinze pessoas com nível operacional. com problemas específicos operacionais de suas áreas.. agora. ela sofreu perda de massa muito mais que substancial. onde é que eu posso abrir uma cunha nisso aí foi o Simon naquele na CONFEST. as chefias da área de estatística. a entrada do Sérgio Mincioti. agora o Departamento nas áreas de meio ambiente lá da DIGEO de Santa Catarina. eu pelo contrário... eu acho que esse é um ponto chave no IBGE. teria uma importância evidente perante a mídia a Rede Globo em chamou naquele café da manhã. mas isso você tem que aprender a fazer..

.. vai se parecer com um planejamento daquele Censo de 80 que se começou que vocês começaram a montar e que em 79 vocês tiveram que abortar o negócio. se aposentaram. que depois foi para a Universidade.. a Fanny Davidovich também..Se não menos. de demógrafos que tenha feito pelo menos um Censo. deu bem para perceber como as coisas estão e o quê. por exemplo a informação que tem agora é que em dezembro saíram cem pessoas do IBGE.. ter essa ligação com o IBGE. as pessoas estão indo para o exterior aprender e a trabalhar principalmente com tecnologia nova.. porque com essa... talvez com a UNICAMP. as pessoas estão podendo sentar a mesa e discutir perfeitamente o quê é possível fazer.” Exatamente.. “ Não teve um rapaz.. etc. qual foi a sua colaboração nesse... eles não terão condições de comandar o segundo. etc. quer dizer o Departamento de Geografia. com essas saídas. pode ser estágio e pode ser elemento de despertar vocações que aceitem ser heróicos funcionários públicos trabalhando no IBGE. que nós no tempo de Isaac tentamos.. não fomos muito felizes. o mais novo deve estar com quarenta e três mais ou menos nessa faixa.. dizem. eu quero saber no ano 2000... não houve continuidade.” .. agora a pouco tempo teve um concurso... dessas cem pessoas muita gente era da área de geociências. eles preferem ir para outro lugar. porque sentiram que. é tudo na faixa de quarenta. “ Eu queria só no final dizer alguma coisa também que me esqueci.. Bom mestre Eurico.. eu sou o mais velho tenho cinqüenta e três.. que eu acho que é fundamental que é o IBGE basicamente ter uma interação maior. não foi levada a tempo.. que as coisas estão se dando muito bem porque de novo está havendo uma integração muito de geociências. Federal do Rio de Janeiro. eu acho que com isso... aprendi com o velho Lira Madeira e com Valéria Mota Leite.. se aposentou.. a reposição que deveria ter sido feita na década de 80 e como ela não foi feita. como algumas outras poucas no Brasil.. institucionalizada com os departamentos das universidades boas do Rio de Janeiro. já teve um concurso. adaptação ao trabalho. então essa é a saída. não havia possibilidade de tempo para um período de formação.:” . a Bertha Becker. Sociologia.. por parte da Marilourdes Lopes Ferreira. Egler que... estatística.” . ao que me parece pelo menos em termos de planejamento. formal... de Economia. “ Eu sempre digo que se isso.. o Roberto Lobato de Azevedo Correa.... cada vez mais fica distante a possibilidade de reposição... questões de salário.. e não tive tempo.. mais tarde houve uma outra tentativa. eles fizeram parte desse convênio.. aí eu digo de novo e louvo o Simon. Federal Fluminense.. extremamente desestruturada que eu pensei em fazer...Não.. está havendo consultoria de fora.. foi alguma coisa assim exploratória.. é esse o grupo hoje ainda faz a Geografia do IBGE andar. PUC do Rio de Janeiro.. dois já foram embora... ele montou uma equipe para o Censo do ano 2000 e resolveu começar cedo. um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o IBGE e que deu muitos frutos. começou a planejar cedo. pontual. o Claúdio Egler. nessas duas fases que foram... mapeamento automático...Houve uma experiência disso. talvez com a USP.. que era . “ É a geografia que desaparece dentro de dez anos. pegaram o plano de desligamento. que foi até um a experiência muito boa foi o Laboratório de Gestão do Território (LAGET). se não tivermos uma geração de estatísticos. mas ao que me parece. vai ter a Valéria e mais um ou dois que fizeram o Censo de 90. que trabalhou no IBGE desde os anos 60. entraram três....Não. ele trabalhou durante muito tempo no Laget. o negócio. eu não estou lidando com o problema. não. quem é que vai fazer o Censo do ano 2000. esse ano eles até já começaram direito.

Nele. traça as estratégicas para os próximos anos e levanta questões sobre o futuro do IBGE... Simon também inicia o mandato com muitas restrições à essas áreas. Essas mudanças positivas podem ser percebidas através de uma série de ações que implementaram uma forte .. Simon faz um balanço de sua administração. financeira e patrimonial. a medida em que o papel dessas áreas passa a ser compreendido mais amplamente. de fazer uma integração com outras universidades para um atlas do Estado do Rio de Janeiro mas não foi bem sucedida.diretora adjunta da Geociências do IBGE. gestão administrativa. e o maior deles é ainda o de pessoal qualificado. preparado no contexto de uma reunião técnica com os dirigentes de instituições federais de pesquisa em novembro de 1994. Esses foram os principais referenciais que nos interessam para entender a posição de Simon Schwartzman quanto às áreas de Geociências.. O segundo documento foi sua carta de transmissão de cargo da presidência do IBGE em 25 de janeiro de 1999 ao economista e historiador Sérgio Besserman Vianna atual presidente. Tanto quanto os outros presidentes. política de pessoal e questões relativas ao desenvolvimento de carreiras de pesquisa e ao processo de transição necessário entre os dois regimes (Regime Jurídico Único) e o de Contratos de Gestão. apresenta um balanço das atividades entre maio e dezembro de 1994. Simon discute os problemas que os principais institutos de pesquisa governamentais apresentavam na ocasião e delineia o modelo de contrato de gestão em termos de controle e avaliação. acenando com o projeto de contrato de gestão. suavizando-se. São 28 páginas onde Simon expõe claramente os problemas da agência. A Gestão Simon Schwartzman Três documentos servem de sinalizadores para as ações empreendidas pelo último presidente do IBGE que gerenciou a casa entre maio de 1994 e dezembro de 1998. além dos problemas concernentes ao equipamento de trabalho propriamente dito. O primeiro foi sua carta de intenções chamada O Presente e o Futuro do IBGE apresentada em dezembro de 1994. ao longo de sua gestão. restrições essas que vão. explica as condições de funcionamento da agência. mostrando o que foi melhorado e apontando os problemas que ainda não puderam ser sanados... principalmente os afetos ao funcionalismo que o compõe.. onde faz uma ampla avaliação da missão institucional da casa. O terceiro trata-se de uma apresentação sobre os institutos de pesquisa do governo federal..

ampliação do aparato tecnológico de trabalho. . em termos de computação gráfica e de redes de comunicação.

. No projeto dos Subsídios à Regionalização. Mas o que vamos registrar aqui são os depoimentos de profissionais que assumiram posições de direção após a década de 80. além das unidades regionais que também produziam trabalhos específicos em seus espaços de atuação). O primeiro depoente foi o engenheiro cartógrafo Mauro Pereira de Melo. a minha foi a terceira turma. Cartografia/Geodésia e Meio Ambiente. A Gestão de Mauro Melo na DGC .. “Era a terceira turma.... uma coisa bastante desconfortável durante muito pouco tempo... eu trabalhei com cartografia. Atualmente Mauro Melo é professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e na UERJ..Professor Mauro pode começar a contar um pouco da sua trajetória pessoal e funcional dentro do IBGE ? “ Bom... exatamente com esse convívio de cartógrafo e geógrafos..naquela ocasião e tive o privilégio de ter alguns professores geógrafos de grande expressão... como estagiário exatamente em janeiro de 68. do Amapá.Os Diretores O segundo grupo de depoentes foram alguns diretores que gerenciaram as áreas onde a Geografia se localizou. ainda tive o privilégio de cursar Engenharia Cartográfica com um curriculum que era denso em geografias. a turma que saiu em 70....” Essa era a primeira turma de cartografia no IBGE? Já era. criando os mapas de correlações. Cartografia.. Alfredo Porto Domingues foi meu professor em algumas cadeiras para exemplificar.. quer dizer.. Recursos Naturais. mas então. eu fui estagiar no Departamento de Geografia.. Geografia. eu digo que tive uma visão privilegiada. daquela época em que se terminava a Geografia do Brasil.. não na Cartografia.. se estava a meio curso do Atlas Nacional do Brasil e de uma série de Atlas como o do Ceará. no caso da Geografia do Brasil. que dão o perfil atual das Geociências na agência.. cartógrafos de boa expressão no IBGE como Rodolfo Pinto Barbosa e Ari de Almeida e os grandes geógrafos do IBGE que . que tiveram cargos de alta direção no período do CNG.. participando de várias das discussões dos geógrafos nesse processo.. Meio Ambiente e o ambiente informacional que daria suporte às áreas.. e venho logo para o IBGE.. elaborando cartogramas.... participando desses diferentes projetos. como Miguel Alves de Lima e Speridião Faissol. trabalhando maciçamente na elaboração da documentação cartográfica... e participaram das políticas de integração das áreas de Geografia. os capítulos regionais.. inclusive. e no projeto do Atlas Nacional também. na Distribuidora de Energia Elétrica na Light. onde leciona no curso de Engenharia Cartográfica. Foram tomados os depoimentos de elementos formadores da “velha guarda”.. e também se iniciavam os trabalhos dos subsídios a regionalização. a minha experiência profissional vem de trabalhos na área de topografia inicialmente. quer dizer.... terceira turma... primeiro diretor de Geociências do IBGE e principal articulador da integração em as áreas que compunham a diretoria (Geodésia.. acho que no momento de transição do IBGE. a minha inserção na Cartografia se dá exatamente na passagem para a Universidade ao início do curso de Engenharia Cartográfica na UERJ..

O cartógrafo... comecei a trabalhar efetivamente com cartografia.... Eu acredito que isso voltou a colocar um pouco a cartografia num eixo geográfico.. eu não sei precisar na década de 70.participaram desses projetos. Flávio Pécora.. A todo instante buscamos uma aproximação com a área de Geografia até porque os Atlas estavam incluídos na programação de trabalho do DEGEO e víamos aí uma oportunidade também de crescimento do próprio pessoal da cartografia.. ele conseguiu reverter esse quadro produzindo um Decreto que transferiu o Radam à Secretaria de Planejamento e num segundo momento estudar absorção por parte do IBGE. fui para a área de Geodésia.. Roraima...... Como foi o caso da EMBRAPA na Região de Carajás.. e me vi envolvido profundamente com. já de longa data. o mapa regional do Nordeste nesse processo. Desenvolvimento do Vale do São Francisco. através das Divisões de Levantamentos.. na área de Geodésia. também com a Cia. A grande oportunidade que nós vimos em avançar nesse sentido foi com a absorção do Projeto Radam. quando de meu retorno ao IBGE. a intenção do Governo era realmente extinguir o Radam.. aquela formação anterior de meados da década de 60 até o final da década de 60. a visão do engenheiro geógrafo do século anterior. no Governo Sarney é que veio acontecer a oportunidade de absorver realmente o Radam. Na ocasião através do Presidente da Comissão o Pécora. e nós vimos na aproximação com o DEGEO principalmente na elaboração de Atlas uma reaproximação da cartografia com a geografia... muito pouca participação até da geografia e mais da cartografia e logo depois os Atlas estaduais que estavam contratados e precisavam de um apoio maior como Maranhão..... quer dizer....... e foi num momento crítico para o IBGE.. tinha muito pouca visão geográfica. nesse período da década de 80. aliás no Bico do Papagaio na região de Xambioá em 1974 com a equipe da Quarta Divisão de Levantamento de São Paulo onde estava lotado e participei dos projetos de cartografia ao longo da década de 70. e a entrada do mapeamento na Amazônia que era o grande desafio que nos acuava. Superintendência de Geodesia onde posteriormente. naquele momento até com entidades externas ao IBGE.. Piauí. a tarefa foi também uma visão privilegiada em termos de IBGE. quer dizer.. realmente foi uma temeridade absorver um projeto dessa importância naquele instante em que nós não tínhamos nem claro que papel ele teria num novo IBGE. quer dizer... papel... Vale do São Francisco. fui para a área de Geodésia. na definição do Sistema Geodésico Brasileiro e treinamento de equipes para astronomia. onde se perdeu a visão geográfica da cartografia e a formação cartográfica se voltou mais para a questão cadastral... nova visão geográfica e algum envolvimento com alguns mapas temáticos. isso já veio acontecer no Governo Sarney.” No depoimento do Edson Nunes ele coloca bem as dificuldades que foi de entender qual era a escala do Radam. ela foi rompida num ponto qualquer. supervisão e lidando naquela ocasião com algumas tecnologias também de ponta.. que veio a se transformar no Landsat e os estudos primeiros de aproveitamento de imagens.. fui no momento seguinte para o INPE e aí outra felicidade...... medição de bases.... no momento seguinte. a SUDENE e aí saiu o Atlas do Nordeste. e tivemos a felicidade de realizar alguns Atlas.... porque éramos as primeiras turmas a entrar na Amazônia com objetivo de mapeamento mais preciso... quer dizer. interferimos. fui trabalhar numa Divisão de Levantamentos que estava sediada em São Paulo. quer dizer.. Ao mesmo tempo que eu me enriquecia naturalmente com essa participação em termos de geografia. a nossa tentativa ganhar uma aproximação maior da geografia até no sentido de reforçar a questão do papel do IBGE que era até todo instante questionado... fui Superintendente ao final da década de 70 até assumir a Diretoria de Geodésia e Cartografia no início de 80.. quando nós interferimos através da Comissão de Cartografia. para a fazer a pós graduação. quer dizer. em que se rediscutiu o IBGE como um todo.. houve uma regressão aí em termos da visão cartográfica...... organização e tudo mais.éramos chamados de caixa preta e tudo mais.. na época o Projeto Radam Brasil estava totalmente desassistido a ponto de ser definida sua extinção no final do Governo Figueiredo.. onde as preocupações básicas eram concluir o levantamento gravimétrico dessa área. todo mundo sabia que era um ..... participei do grupo que implantou a estação de recepção da imagem do primeiro satélite de sensoriamento remoto. já na década de 70.

....” Que aí foi uma tentativa de tentar trabalhar uma escala dentro da Amazônia...... mas foram situações de cunho pessoal... Roraima e Periferia de Carajás. “ Foi um desafio. mas ao mesmo tempo também tentar fazer o que o Projeto Radam. não só da área de Recursos Naturais.... tínhamos de adquirir essa experiência em termos de Amazônia. houve a construção daqueles quatro módulos iniciais que foi Xingú-Iriri.” ...A experiência de Carajás.. “ O que nós buscávamos ali era uma valorização da visão ambientalista da geografia.. e não uma decisão estratégica. não na forma que vinha sendo tratada no IBGE em termos de SUPREN que eu acho que tinha muito pouca valorização da visão geográfica.. Eu acho que os diagnósticos deram um pouco mais de trabalho inicialmente em escala Brasil. principalmente da exploração dos elementos da natureza. mas eu acho que foram um marco. tentando costurar o binômio natureza sociedade de uma forma mais integrada. também foi resultado de conflitos de poder no DEGEO..” Houve até umas escalas interessantes. fruto de conflitos no DEGEO. “ Periferia de Carajás é último. PMACI I e II que monitoravam a ocupação ao longo da BR 364 e controlavam as áreas indígenas de Rondônia e Acre. houve uma tentativa da adaptação do Aluísio Capdeville Duarte que era um geógrafo da área de regionalização.. O que buscávamos era exatamente uma integração maior. para o final do ano de 86.do início dos anos 80...” ..Quantos projetos foram desenvolvidos naquele período ? “ Tivemos o ZOPot zoneamento de potencialidades. Rio Negro-Uatumã... trazendo inclusive algumas tecnologias novas já voltadas para geoprocessamento... os diagnósticos territoriais eram todos com viés ambientalista ... sob a ótica da geografia e sempre buscando esclarecer essas interfaces entre os diversos subsistemas que compõem a natureza e a sociedade.. a experiência Projeto Nossa Natureza. “Exatamente...... do César Magalhães que era especialista de energia.... correu a reboque não. esses trabalhos foram importantes. físico. correu distante daqueles nichos que se discutia a criação de uma área de ambiente no âmbito da área da SEPLAN o que veio ocorrer em 87. no contexto mesorregional... até como uma forma de costurar o pensamento humano.. não se tinha naquele momento ainda..grupo muito importante e pessoas muito qualificadas e ninguém conseguia entender escala da junção de Radam com IBGE qual era a possibilidade.” ... eu acho que o Radam veio e deu organicidade..... evidentemente. foi interessante . no âmbito do Projeto Nossa Natureza..E haviam muito poucos geógrafos que pudessem fazer.pois inicialmente... da questão dos Recursos Naturais.. o exemplo do grupo do Orlando Valverde.... quer dizer.. o discurso holístico que veio perdurar já pelo meados. A grande vantagem que tivemos com a absorção do Radam foi a oportunidade de sentarmos à mesa de discussões com uma proposta concreta do ordenamento territorial integrado..” .. quer dizer... a objetividade ao trabalho que era feito na área da SUPREN. funcionasse como um catalisador dos interesses dos geógrafos e houvesse uma aproximação maior entre a área humana e a área física numa geografia de integração.. uma escala intermediária.. nós absorvemos nessa época a idéia de integração... você tinha o Alfredo na geomorfologia eram poucos os especialistas..... a SUPREM não tinha uma organicidade naquele período... aí. 87 isso tudo correu a reboque. você tinha o Nimer como um líder de climatologia.

. principalmente na questão de poluição local de Manaus em função da industrialização. Ele foi um inspirador nessa linha de trabalho... decenais.... uso de defensivo agrícolas... ainda Diretoria Técnica que foi Brasil: Uma Visão Geográficados anos 80.. visão nacional.. “ Exatamente... aquilo ali deveria ser cíclico.... embora até hoje não tenha sido plenamente entendido... quando nós .. ali nós estávamos buscando modelos para a definição de políticas regionais... se evita a história do sistemático quebradinho. mas ele deveria ser até para a dar uma avaliação das políticas..” Plenamente valorizado como deveria ser. o nosso problema é que a área governamental ainda não se percebeu a importância daquele tipo de abordagem.. “ Sim. Eu acho que ele ficou interessante. por exemplo. a parte de agrária.000.Porque ele organizou um quadro de referência importante.. até hoje orienta pesquisas no terceiro grau.... Quando você lembra o Nossa Natureza. com industrialização.. quando a escala menor muitas vezes poder resolver seu problema.... “ Isto tudo num processo único.000 e aí você não vai conseguir cobrir o Brasil todo rapidamente.... foi aí a ruptura que nós tentamos fazer naquele instante... principalmente na área governamental.” .Teve diagnóstico Brasil também. foi escolhido para a tentar essa aproximação entre o pessoal do Radam e do IBGE... isto é de 1:50.. eu vivo repetindo para a eles ainda hoje que essa abordagem deles leva ao dilema de Jorge Luís Borges vai em escalas cada vez maiores até chegar em 1:1 e a informação se torna inútil para muitos e apenas relevante para uns poucos. ele orienta as pesquisas de ocupação do território.Renda familiar com poluição. não era um instrumento clássico para planejamento.... é um trabalho que realmente acho que não foi entendido..... mau uso do insumos no campo..... como o Brasil lá fora.. e aí poluição vista num nível mais geral.. é o mesmo processo da amostragem na estatística... pois abrangeu todo o país. analisar alguns problemas em determinados segmentos... a área acadêmica dá o valor merecido. Esse texto. problemas da regularização fundiária da década de 70 a 80.. antes do discurso neo-liberal do planejamento indicativo e do planejamento determinativo dos militares da fase anterior..” .” “ E aí Schmidt é bom deixar claro que o grande sinalizador disso tudo foi um projeto desenvolvido no âmbito do DEGEO ainda isolado.... “ Eu acho que foi o primeiro trabalho que juntou renda familiar com poluição... que é muito difícil de trabalhar na escala de Brasil. etc. “ Na área de planejamento..Claro.. relação política de governos anteriores. com isso... para trabalhar no módulo de Rio Negro-Utumã... quer dizer. pois eles sempre trabalharam dentro dessa característica do levantamento sistemático em nível local. ela dava a sinalização para políticas regionais... aquela forma de acordar o Brasil. a questão da poluição em função de uso do solo. Percebo que este era o grande problema que incomodava o pessoal do Radam.. há ciclos qüinqüenais.” Analisar algumas conjunturas... ele foi uma tentativa de mostrar a esse pessoal que havia um limite de escape..... está tudo lá..... ele me serviu muito. foi o primeiro trabalho na escala de Brasil que apresenta uma preocupação com poluição. 1:100.” . é um tipo de trabalho que deve ser repetido. dali era possível fazer muita coisa...... início da década de 80. não fazia sentido ir à escala maior... “ Eu digo que essa linha... por exemplo.... o Diagnóstico Brasil foi um marco nos trabalhos...

. na verdade...” Não é governo de fulano ou de um partido... ele passa..... virou um xingamento.. de querer ver o IBGE como uma organização social....... quatro anos. É um equívoco isso. para o estado.. três anos. certas informações serão sigilosas pois são são informações estratégicas..Coisa que o governo precisa..... você tem uma preocupação muito grande com a palavra geografia oficial e não é geografia oficial o que é feita pelo governo? Eu respondi.. ou para o militar... é que era uma geografia feita não para a sociedade..Ele informa. é subsídio ao planejamento da máquina de governo. depende da ênfase que se dá a expressão....aproveitamos aquelas quatro áreas do zoneamento no Projeto Nossa Natureza.O que possa ser pedido hoje ou daqui. mas ele não planeja necessariamente . ele subsidia planejamento. porque cada área dessa apresentava problema distinto no contexto da Amazônia... “ E o que possa ser pedido hoje.. ou no próximo. no de Juscelino. é uma agência de subsídios a planejamento.” .regional... um trabalho específico. cartografia oficial.. porque o governo precisa daquele pequeno período de tempo que é... etc.. na era Sarney.. e nos períodos posteriores.” Bom.. estatística oficial na verdade é aquele conjunto de informações que eu chamo de estratégicas básicas para informar os processos de gestão do estado. não como uma agência do estado. é uma situação diferente. etc. agora a conotação que se deu.. ele precisa daquilo para a responder alguma coisa ali. então elas foram selecionadas até para se ganhar tempo no processo de domínio do trabalho.. exatamente. geografia oficial de estado é uma coisa... mas para o grande capital.. que representa a sociedade. nos governos da era militar.. quer dizer... um professor na banca de qualificação argumentou que: mas afinal de contas. “ Exatamente.. ele não é uma agência de planejamento. “ Na verdade. isso que é chamado geografia oficial. O IBGE. grupos privados estarão dispondo de uma informação antes dela estar disponível.. porque uma organização social é essencialmente privada.... ele pode dar uma informação trabalhada.. na medida que ela efetivamente em algumas situações ocorreu porque éramos um órgão do governo foi assim no período do Estado Novo.........” Essa foi uma expressão muito marcante na década de 80. como é que você vê a Diretoria de Geociências para o futuro ? .... o trabalho apresenta situações muito semelhantes.. ele pode dar informação bruta... “ E aí se leva à distorção de hoje. Embora muitas vezes eu sinto um choque ainda quando alguém ainda fala de geografia oficial como uma coisa fascista. ele dá dados.. não é governo.. ele subsidia planejamento. Collor...” . e eu acho que não.” .. e colocar a coisa numa visão pragmática também. e que eu não consigo inclusive ver tantas diferenças entre o que Geisel pediu numa determinada situação ou o próprio Itamar possa ter pedido em outra... o IBGE é e continuará sendo uma agencia do governo federal e servirá à sociedade brasileira via estrutura de governo..” . já era uma espécie de pré zoneamento...Para não ter de reinventar a roda. “ Ele informa todos esses processos.. ele pode fazer um diagnóstico....

“ O modelo geociências de nosso período teria de ser mudado... é que dará realmente a visão territorial que cabe a um órgão como o IBGE produzir. organize.” . com isso... .... lembremos que a demografia é quem planeja o Censo Demográfico.. e levanta o custo desse tipo de pergunta.. quer dizer.. “ E fortaleceria gradualmente um nicho de geografia da população aqui nesse grupo e aos poucos ir roubando a parte de demografia para este contexto... até porque a área lá do DEISO eu não sei qual é o nome hoje... Geografia.” Como ficaram os estudos de estatísticas ambientais. a visão da dinâmica e aí completa o território....... é preciso produzir estes indicadores de qualidade de vida ligados às estatísticas ambientais.......... para a mim ela é mais geográfica.... para que essa visão social não fique deslocada do ambiente. veja bem.. “ Para a produção das estatísticas objetivas. ficamos na velha antropometria. mas eu voltaria a isolar a Geodésia e Cartografia. pela inserção do indivíduo no meio no ambiente físico perfeito. o IBGE não consegue levar para frente pois necessita de muitas outras visões..... eu optaria por um outro modelo.. dos indicadores de qualidade de vida e um eixo de indicadores sociais mais coerente com as questões ambientais.. eu redesenharia o IBGE com essas duas Diretorias e uma terceira ocupada exatamente com a questão Levantamento e Produção Estatísticas. eu não vejo na Geociências hoje... não é um retorno ao passado.. que é o movimento DERNA.... o território na sua dimensão espaço geográfico organizado acontecendo no tempo. a recuperação desses três idiomas...... de informações dessas áreas para combinar com os processos naturais.. quer dizer.” “ Em suma o que eu gostaria de resgatar são as três linguagens básicas que dão conta da questão territorial.... se me fosse dado alguma decisão nesse instante.. ele não tem condições de funcionar no ambiente de hoje. se ela efetivamente vale a pena. ela conseguiria respostas melhores no sentido das estatísticas ambientais.. quer dizer. e o custo que isto implica....... DEGEO e a área de estatísticas sociais...... Um problema semelhante se dá com a pesquisa de Padrão de Qualidade de Vida. eu tenho impressão que esse nicho garantiria à geografia um grande papel. portanto.. a questão do território enquanto uma dinâmica temporal que é o caso da estatística e a dinâmica do território do ponto de vista espacial.... eu teria isolada essa parte de Recursos Naturais.. mantendo as questões das estruturas setoriais vinculadas a esse núcleo cartográfico e faria um outro movimento.. porque a análise geográfica baliza isso melhor do que análise estatística . mas percebo que é importante manter um núcleo que acumule... e para isso ser medido.. quando na verdade. “ Isso ainda não aconteceu até agora.... não vejo nesse momento espaço para a eles nessa forma.Os dados que servem para esse tipo de trabalho.. agora as análises .....isto é um corte seco no tempo que é o que caracteriza exatamente a linguagem estatística.... hoje ainda o corte é muito temporal. teríamos que ver a questão da qualidade de vida. que.. vamos chamar de espacial no sentido que vem sendo dado hoje. e aí é trabalho sistemático mesmo. que é a qualidade de vida apenas vista pelo ângulo do saneamento e da salubridade da população. a visão do território enquanto modelo gráfico...... aí.. “ O que eu digo é que seria recuperar a idéia da geografia da população.DEISO hoje está na área da Demografia...... sistematize esse conhecimento entre demografia e espaço.. as respostas de média moda e variância tem que ser dadas pelo esse grupo de demografia. é ela que faz determinado tipo de pergunta... é a ligação entre o que se gostaria de que fosse perguntado..” .” -Bom... do que é efetivamente levantado e usado pelos usuários.. isso é que precisa ser produzido a médio prazo... Estatística e Indicadores Sociais..

em dois anos no Museu Goeldi foi um experiência muito rica porque eu saia do CNPq de uma situação macro da Amazônia onde era cômodo.Isso em que época mais ou menos? “ Isso em 83. Após o período de adaptação e de entendimento da complexa heterogeneidade das diversas áreas de especialização da casa (Geodésia. ele passou em algumas áreas de conhecimento. Sua atuação no Conselho Diretor .. porque eu simplesmente avaliava o programa. porque o Goeldi realmente tem coleções . com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. através de seus chefes de agências que respondem às questões concernentes à pesquisa. Um projeto dessa magnitude... A rápida passagem de Minciotti no IBGE (nove meses apenas. quando Sérgio também já havia saído do IBGE e retornado à presidência do Jardim Botânico. na Escola Brasileira de Administração Pública e meu primeiro emprego público foi no CNPq. que prepara o ambiente computacional para a geração dos bancos de dados e a posterior classificação das hierarquias de redes urbanas e do mapeamento final.Gestão Sérgio Bruni na DGC O próximo diretor a dar o seu depoimento foi Sérgio Bruni. além dos problemas inerentes às unidades regionais sediados em alguns estados). a se sobressair muito mais do que o próprio Goeldi.. como forma de acelerar essa integração interna. que foi terminado na gestão Simon Schwatzman. onde está até agora. no Instituto Nacional de Administração Pública e depois aqui no Brasil na Fundação Getúlio Vargas.. O INPA foi criado depois do Goeldi. mas em alguns momentos. não no que tange as coleções. administrador público da área de ciências. Foi a primeira experiência de um administrador público numa área técnica de Geociências. principalmente durante a saída de Eurico Borba e na conseqüente gestão de Sílvio Minciotti. Ministério da Educação. isto é em gerenciamento desses segmentos. Gostaria que o senhor descrevesse sua carreira até sua chegada no IBGE “. Museu Emílio Goeldi. Meio Ambiente. no caso do próprio CNPq. projetos de atividades científicas.. concurso 1976 se não me engano e entrei como analista Júnior no CNPq.. foi importante. e peguei o estudo num momento de grande dificuldade econômica.Eu fui estudar economia em Brasília e fiz pós graduação na área de administração pública na França.. o primeiro presidente do IBGE vindo da iniciativa privada.” . não sairia se a influência de Sérgio Bruni sobre o presidente Minciotti não fosse forte. muito tempo depois. naquela ocasião fui supervisionar os estudos sócio econômicos do CNPq na Amazônia isso durante cinco anos e isso já como supervisor do para programa do CNPq para a Amazônia. pois desincompatibilizou-se com o serviço público para candidatar-se a deputado federal pelo PSDB de Santo André.mas granjeou-lhe muitos inimigos em outras diretorias. foi trabalhar na direção da FEPASA em São Paulo) não impediu a continuidade do projeto.. e perdendo. dificuldade de contratação de pesquisadores e até dificuldade no seu relacionamento entre o governo Federal.. pouco depois eu fui trabalhar no Museu Emílio Goeldi onde fui vice diretor.... projeto caro e de logística bastante complexa pois interage diretamente com a rede de coleta. com experiência no CNPq. E se o presidente não vislumbrasse o REGIC como um projeto típico de ampliação de mercado para o IBGE no campo dos subsídios às consultorias e governos municipais.. interage também com a Diretoria de Informática. Foi durante essa gestão que Sérgio Bruni incentivou o processo de implantação do projeto de Regiões de Influência das Cidades. Sérgio iniciou um processo de equilíbrio de poder entre essas áreas. sem bem que a experiência de Sérgio Bruni tem uma forte componente nos segmentos dos estudos botânicos... Instituto de Desenvolvimento Florestal. evitando assim futuros conflitos entre departamentos e incentivou a ampliação de diagnósticos integrados. Geografia.. Jardim Botânico. Cartogarfia.

. quando iniciou então o governo Collor eu pedi demissão do Jardim Botânico fui ser professor da Escola Superior de Guerra e foi criado então uma disciplina que era Ciência Tecnologia e Meio Ambiente onde eu fiquei como responsável por uns dois anos.. onde tanto no Goeldi ou no próprio MEC... porque essa vice diretoria acabava de ser criada e eu fui o primeiro a ocupá-la. foi um embrião o CONAMA.. não tinha nenhuma idéia de levar uma estrutura de fora para a operar numa organização tão complexa.. se iniciava naquele momento com grande esforço....... depois dessa experiência e de outra na Secretaria de educação e Cultura de Roraima. eu aceitei o desafio... mas nunca trabalhara. se tivesse um Diretor Geral que ficasse mais com a relação política. eu fui ser diretor do IBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal hoje extinto. criando um Centro de Documentação da Amazônia.. pesquisadores de institutos de pesquisas. o que hoje o CONAMA faz na escala de Brasil. familiar...... então foi um trabalho muito interessante..... uma política de qualificação de recursos humanos. então na verdade a relação que se pretendia naquele momento era que tivesse uma vice diretoria que fosse a vice diretoria executiva. no próprio CNPq.. de captação também de recursos. etc.... que permanecessem em seus cargos. Bom. ele me passou os dados e as áreas que estavam na Diretoria eram áreas que tinham uma certa proximidade com que eu já havia gerenciado. as pós graduações oferecidas.. a espinha dorsal do IBAMA.... então foram dois anos muito interessantes onde pude inclusive participar de uma reformatação do Goeldi para a estrutura que hoje ele tem.. tinha a área de Geografia... foram pouco mais agressivas...” .. na cartografia eu era usuário....... e pudemos enviar para o exterior diversos pesquisadores.. mas na capacitação de pessoal. o Goeldi era um Instituto mais clássico. passei alguns anos lá no IBDF e foi uma experiência muito interessante porque a gente criou um colegiado composto também por professores universitários. primeiro para a entender se eu teria algum tipo de competência para a entrar naquela questão. então foi uma experiência muito interessante. conhecia a literatura.. acoplando um Departamento hoje de Museologia que não se tinha na época. por exemplo. variação de novos projetos etc... nesse período então Eurico Borba recebeu convite do Ministro Marcílio Marques Moreira para a assumir a Presidência do IBGE e me convidou assumir a Diretoria de Geociências. tinha área de cartografia e geodésia.. muito ligado ao então Presidente José Sarney e isso facilitava muito a operação se pode estruturar uma série de projetos novos.. Posteriormente... os demais permaneceram e um coisa que eu . já no Rio de Janeiro.... uma área de função técnica científica que não se tinha. a articulação no setor empresarial.. então.... um só por uma questão pessoal que era o Túlio que era o Chefe da Cartografia já estava acordado com a presidência ida dele para Porto Alegre. Recursos Naturais e Meio Ambiente onde eu trabalhava a cerca de vinte anos. representantes de organizações não governamentais que passaram a orientar a ação da Diretoria. foi uma experiência muito interessante... o Presidente na ocasião era o Jaime Santiago que era um economista sergipano de muito bom nível.. e a área de estruturas territoriais na verdade era uma área de suporte a Censo e a base de dados geodésicos era uma mais operacional. depois eu fui para o MEC.. e a primeira medida que eu tomei foi pedir a todos os chefes de Departamentos que ali estavam. operacional da Divisão.... após cursar a Escola Superior de Guerra fui dirigir o Jardim Botânico. mal ou bem de algum maneira eu conhecia o tipo de trabalho feit. felizmente a maior parte atendeu. era uma questão pessoal. mas na geodésia eu desconhecia o tipo de trabalho. para o Ministério de Educação eu fui ser subsecretário de primeiro e segundo grau quando o Marco Maciel assumiu passei um ano e meio trabalhando basicamente com educação básica. hoje IBAMA.fantásticas não se pode comparar........ naquele tempo já se fazia aquele sistema...As relações com o esquema internacional de pesquisas. e fui trabalhar na DGC.. e capacitação... eu pedi a ele que a documentação que ele tinha sobre o assunto. se estruturou o laboratório de produtos florestais do hoje IBAMA.. de forma que pela primeira vez o CONAMA/IBDF pode ter um colegiado onde os diversos seguimentos que trabalhavam no setor vegetal podiam opinar.. “ Exatamente. quer dizer. estruturando melhor o Departamento.

... na minha avaliação.. pois são áreas situadas em diretorias diferentes. e tal..E dentro do IBGE também... este choque de filosofia de trabalho criou muitas dificuldades entre a DGC e o pessoal do Radam lotado nas regionais. mas não havia uma real integração das regionais de geociências aos departamentos da sede.... só que a DGC tinha outras linhas de trabalho.. e o processo de autonomia foi cautelosamente incorporado.. eles sempre tiveram unidades regionais importantes. “ Isso....... a estratégia que se montou foi de se tentar criar uma pequena estrutura de suporte de comunicação para não depender da comunicação da Presidência do IBGE.. “ Exatamente. os programas aprovados pela Diretoria. “ Também dentro do IBGE. que tinha objetivos muito mais macros. na minha avaliação. a tentativa de se fazer um pouco marketing institucional.... dentro da Diretoria.. outra coisa que me preocupou muito foi o atraso do cronograma de publicações. importante ninguém nega o mérito. e tentar dar uma balanceada nas dotações dos departamentos. eram unidades quase autônomas para decidir determinados tipos de trabalho com governo local etc. a tradição de áreas regionais em cada estado na estrutura do IBGE era na área de estatística e não na área de geociências.. de uma certa maneira o pessoal do Radam lotado no Rio conseguiram minimizar essa situação... mas dentro do IBGE... quer dizer... na Bahia quando se lançava lá a Bacia do Paraguaçú..” . quer dizer..... a segunda foi valorizar mais as unidades regionais que estavam....” Isso ainda é problema muito sério no IBGE..... então as primeiras ações enfocaram dois pontos básicos.. por exemplo..a ponto do próprio mapa de áreas de conservação ambiental da Amazônia ter sido lançado na sala de trabalho do presidente da República. mas você chegou no ponto justamente de transição.se não começássemos a encaminhá-los iam ficar obsoletos. isso.... e é um problema antigo. se deu realmente uma divulgação muito grande à DGC.defrontei no primeiro momento... as áreas de produção.etc. enfim.... e com reportagem especial no programa de TV Bom Dia Brasil. A DGC estava com muitas dificuldades de serem editoradas e impressas na própria gráfica do IBGE os frutos de suas pesquisas. era o pouco que se conhecia dos trabalhos da Diretoria de Geociências externamente ao IBGE.. as áreas de editoração numa Diretoria e a área de publicação em outra.. mas eu achei que tinha que ser dado um certo balanceamento as demais áreas. mais ou menos alguém já sentia um vasos comunicantes já se estruturando..mas fora.. que se observava claramente...um ponto que foi muito importante.... agora.... era um desconhecimento muito grande. houve reuniões com os Secretários de Estado de Planejamento e de Meio Ambiente........ o primeiro foi instituir reuniões de colegiados.. com a chegada do Projeto Radam... eu acho que era um ponto importante. era que o eixo grande da política da DGC naquele momento... então é um negócio extremamente complicado de se definir prioridades... era a modernização tecnológica da cartografia. não que não fosse relevante.” ..... coisa que o IBGE tem muito pouca. tinham textos prontos com cinco anos de espera para editar. que claramente estavam em baixa prioridade.... E aí tinha um situação que historicamente sempre foi um complicador. Essa valorização foi possível graças ao empenho do Ministro do Planejamento o Beni Veras que garantiu os recursos financeiros para esta equalização da diretoria. na própria área de Geografia de Recursos Naturais.. diversos produtos foram amplamente divulgados....... o livro Geografia e Meio Ambiente e a Questão Ambiental no Brasil terem sido lançado na Reserva do IBGE com o Ministro do Planejamento presente. e isso era completamente fora da tradição da antiga geociências que possuía uma estrutura muito centralizada nos departamentos e no diretor. e era um projeto bem dispendioso..... a ênfase absoluta era o Atlas que era relevante... eles tinham o orçamento.........em posição muito secundária. e com isso......

. as greves. porque eu achava que o IBGE tinha acabado de entrar num plano de carreira de ciência e tecnologia. e tal.... e o Silvio Minciotti . tem recursos humanos de bom padrão. etc.. você tem mesmo dentro da DPE. quer dizer. então naquele momento o próprio Sílvio me perguntou isso.. tem tudo montado. e terem um protocolo de intenções... que se poderia até se especializados em determinadas vertentes. eu era contra naquele momento.. “ Com certeza.. quer dizer.... Terceiro... já tem cinco anos que eu não estou no IBGE.. eu diria hoje o seguinte: passado bom tempo. ele tem um produto integrado que nenhuma outra instituição brasileira pode ter.... ele era um grande gerente.. porquê não o IBGE se dividido em duas grandes áreas.. a melhor cobertura de pontos de venda. eu não acho que é o mais adequado... uma visão completamente distinta... e todo esse acoplamento ao Radam foi muito positivo. um convênio..... um grande consultor de empresa em São Paulo... isso ainda gera um propaganda negativa....... deveria vender produtos de uma maneira correta a nível de mercado e que esse lucro deveria ser reinvestido na produção das atividades de divulgação dos produtos da Instituição. eu disse: olha. Segundo... um ponto importante também que me parecia era o Presidente da instituição entender o que se fazia intra muros na Diretoria.. etc..... dois grandes Institutos. mas ainda tem pessoas em postos de decisão na casa que acham que o IBGE deveria só fazer Censo. por que o índice nos coloca na imprensa todo os mês. pois cobre da Geodésia à Geografia.. da área de Estudos e Pesquisas muita gente ainda que não gostou da atitude do Isaac de ter trazido índice de preços para o IBGE. a mostrar seus trabalhos. por exemplo. essa área de Geociências começando a mudar. “ E pouco interesse. porquê? Primeiro. ele mede melhor o movimento de consumo da população urbana. etc... porque ele tem infra estrutura toda. pois ficou durante muito tempo sem uma explicação para a dentro da Casa e para a fora. naquele momento. mas também era um doutor na área de gestão.. de empresas que se utilizavam dos dados” ...Muito pouca experiência disso.... onde eles operassem consorciadamente em determinadas vertentes..” Aí tem também uma outra questão de tradição da Casa. que estava chegando.. cada dia mais políticas nacionais e mesmo ditames internacionais tratam da questão de desenvolvimento sustentado. tem um capacidade instalada que ninguém instalaria do dia para a noite. talvez fosse o grande momento de ter se criado o Instituto de Geociências e eu iria o seguinte: seria hoje um dos grandes institutos brasileiros... continua sendo hoje..Tinha sido usuário de dados e também produtor....o índice de preços do IBGE ele é efetivamente o melhor índice de preços do Brasil. eu acho que foi um erro histórico meu... tem gente. alguns dirigentes da própria Diretoria de Geociências me procuraram. Instituto Nacional de Geociências e o Instituto Nacional de Estatística por exemplo... se tiver três ou quatro que tenham planos de manejo vigentes são muitos. Portanto... além do que ele poderia servir de suporte à Instituições Governamentais e Instituições privadas. “ Exatamente ele vinha com a visão crítica por ser usuário de determinadas vertentes da própria Instituição. então efetivamente ele é o melhor... etc. para o bem ou para o mal... uma tradição negativa e que é o seguinte: não gostamos da imprensa. você pode analisar melhor. mas tecnicamente ele é o melhor índice.. então eu acho que quando a gente tem uma visão pouco mais distanciada do teu objeto.. pessoa que acompanhou o Isaac.... uma visão de que o CDDI. vou lhe dar um exemplo: o IBAMA tem uma meia centena de Parques Nacionais.. tinha uma visão completamente distinta. o ex-presidente Eurico Borba era um conhecedor histórico do IBGE. num determinado momento algumas pessoas... pois mede as nove áreas metropolitanas e mede mais de trinta mil produtos. Quarto. não diria só inexperiência não. o Presidente havia mudado. ninguém melhor do que o Instituto . pode-se criticar os tempos de inflação..a área de Geociências tem tudo que se poderia tratar desse instituto em nível de total qualidade. mais ainda do que se tem feito......

.... mas você vê..Aliás...... o IBGE tinha isto na mão. pegasse um Parque da região lá do Norte... mas seria o mais capacitado para a tarefa no médio prazo. no que tange ao Projeto SIVAM por exemplo. era muito fechado. nada novo os empolgava.. formando grupos. e se o Diretor.... e em termos de política de pessoal. várias aproximações sucessivas. isso faz uma volta ao ciclo.. o conhecimento do Brasil que se tem. que poderia realizar isso... duas estruturas.. mas aí a preocupação maior naquele período passou a ser estatística mesmo... “ Exatamente. quanto na rede de coleta... talvez naquele momento.” . e efetivamente não tinha........ na década de 40.. esse é um órgão com aquela história. por exemplo. participação da EMBRAPA. eu participei das reuniões.. se ela não tivesse uma boa relações com a rede de coleta.. eu tentei com retumbante insucesso..... o segundo ponto é que havia também um dificuldade um pouco grande porque na ocasião a Diretora de Pesquisa do IBGE era uma pessoa muito difícil de você se relacionar...... procure o IBGE. grandes mudanças ocorreram tanto no corpo técnico que planejava as pesquisa. nós voltaríamos ao que o IBGE foi antes. só que ele fez num tempo curto.. de Goiânia.... o grupo era muito hermético. se você tem que conhecer o Brasil. mas se você não tivesse essa aderência à rede . quer dizer.. fez uma mudança estrutural na rede de coleta. no pior momento que se podia fazer. você falando nisso me lembra muito. O próprio Eduardo Augusto na gestão do Collor. separados. com certeza ele estaria lá com outro status... quer dizer. a área de estatística naquele período.. como no caso Teresa Cristina. é que nós acabávamos de entrar num plano de carreira novo Ciência e Tecnologia. com muito mais operação.... hoje em dia as coisas mudaram.. as vinculações entre DPE e rede são vitais...” ... chama alguém da Universidade do Amazonas. o IBAMA não entrou. não era possível avançar nos trabalhos... e nós deixamos passar. o que me levou a não andar com essa idéia. só se teve efetiva fusão em 67 com a Fundação IBGE na gestão do Aguiar Aires e depois na do Isaac.. eu ficava preocupado.. meu Deus.. não pode ficar na mesmice.Engraçado. que em termos teóricos é perfeitamente lógico. “ Até regionais.... e aí era aquele período já Collor...... eles realmente tinham muitos problemas. não fazer os cinqüenta ao mesmo tempo.. ele estaria o quê? Formando equipes. etc.. e diga-se de passagem e o IBGE ficou quase fora também.. mas esse era o primeiro ponto.. “ Pois é.. Por exemplo eu sempre achei que a CPRM não tinha a menor infra-estrutura em relação ao IBGE em termos de interdisciplinalidade e de equipamento instalado para tentar adentrar com uma perspectiva de mercado. Conselho Nacional de Estatística e Conselho Nacional de Geografia.” . que se dizia que o . da Universidade do Pará......” .O gerenciamento poderia ser feito pela área local de Belém. A Diretoria de Pesquisas. com muito mais força operacional..Montar uma política de plano de manejo específico só para o segmento de parques nacionais.. você tem que inovar.... se você tem a base de dados que se tem... que foi muito complicado. “ Complicadíssimo.. já que o Silvio colocava a questão para a discussão........ o IBGE volta a ser único.. da Amazônia..Nacional de Geociências para ser o órgão. Parque Amazônico.. esse era um dos inúmeros problemas que somente foram resolvidos com a gestão do Simon.... os seus Conselhos Diretores.... então o quê acontecia? podia criar pesquisa novas.. mas não consegui êxito..

. eu achava que se devia levar para um local de melhor acesso.. só que ela foi feita num período horroroso...funcionalismo público deveria ser drasticamente enxugado. a melhoria da própria rede física dos departamentos... sem querer. num nível lógico precisava haver uma reforma da rede. estava negociando a saída do Jardim Botânico do IBAMA para a transformação do Instituto. puxa..... então foi o período que eu fiquei.. Alguns pontos de maior destaque foram a incorporação do RADAM.. mas pegou o período do Eurico... mas havia sempre uma política que argumentava. então a Secretaria de Administração Federal SAC. terceiro.. pelo menos na Praça da Bandeira estaríamos num ponto mais ou menos focal. levantou várias questões que interferiram em sua gestão ou que ele viu como importantes no gerenciamento da Diretoria de Geociências.. isso sem contar o período que você enfrentou. segundo.. de você fazer realmente uma congregação de esforços em cima de um só objetivo operacional que era revisar os produtos antigos.. quer dizer...... a grave pela greve.. criar novos....... com bom padrão técnico científico..... então quem atende o governo é punido.. e apresenta-los enfim... então o quê aconteceu? Quando você tem uma mudança pesada na rede. quebrou-se uma boa parte da rede de coleta.. “A Reserva é uma coisa interessante.. um mês e meio que era o período que eu estaria vindo aqui para o Jardim Botânico. os companheiros dos Sindicatos conseguiram tomar um cafezinho com pão de queijo no Palácio Jaburu com o então Presidente Itamar Franco que através de assessores me determinou que abonasse o ponto e eu disse que não faria. numa situação onde funcionários estão sem referência. quarenta e três dias depois.” . sendo Sérgio um profissional ligado à área Botânica.. durante seu longo depoimento... eu sempre fui contra. foi... foi o seguinte: quando o Sílvio saiu o IBGE eu fui nomeado Presidente interino durante esses quarenta e cinco dias e quarenta e dois dos quarenta e cinco foram de greves.... traz o povo para a Lucas. eu acho que você pegou menos.. a existência da Reserva era um fato positivo em sua visão.. etc.) e a sua preocupação de divulgar sistematicamente os produtos concluídos.. e não foi má intenção do Eduardo Augusto. mais um razão para a que entenda o nível de problemas que a DPE estava enfrentando.. e tal. nessa hora... a maioria tomou a decisão.” Sérgio Bruni.. “ E eu peguei uma coisa mais grave ainda.. Edson Nunes... a Casa. felizmente três dias depois eu fui substituído pelo Simon e pelo que eu soube foi abonado o ponto. mandam eu cortar. mas foi a única grande mágoa que eu guardei. o que eu achei assim muito produtivo nesse período. através do gabinete do general Romildo Caim determinava que cortasse o ponto e punisse com o rigor da lei... porque foi no período Edson Nunes. o Collor vai chegar vai botar todo mundo na rua. eu vou sair. eu já havia dito ao Simon quando ele chegou que eu ficaria um mês. em época de grandes contenções sempre vinha aquela história. o negócio é completamente incoerente... não pegou o período das greves iniciais. primeiro foi ter possibilidade de você operar com diversas vertentes e com perspectivas novas na Instituição e o trabalho da Reserva é um deles.. começa num período de Edson Nunes. bom.. eu achava que.. ou na posição do IBGE perante o grupo de institutos de pesquisa do governo federal. por pior que se tivesse. a manutenção da Reserva Ecológica do Roncador em Brasília (até por que. além do problema de alocação física dos departamentos de Geografia e de Meio Ambiente num mesmo local que garantisse a acessibilidade e a intercomunicação entre seus técnicos com relativo conforto..

o Regic. mas era um local de acessibilidade muito ruim... temos mais doutores do que o IBGE que o próprio IBAMA junto. só é parcialmente própria. que sempre foi feito....... outra coisa também que era importante.. e aí era de novo aquele negócio de prioridade. . disse que até hoje ele tem essa questão apertada na garganta. o IBGE só tinha prédio próprio na regional no Ceará..... agora. serviços. comércio .. que ele acompanhou na gestão de Sílvio Miciotti. de uma certa maneira tradição francesa de um francês chamado Miguel Rochefort que introduziu esse tipo de estudo no início dos anos 60.. mas o Eurico e Silvio... que eu fiquei encantado foi aquela questão da influência das cidades. ou a gente opera o dia a dia em vários projeto ou a gente vai ficar só na rede física.” ........E aí era um problema. com o Sílvio bastante tempo e dois tiveram muita habilidade para a num consenso colocar isso... que aquele é um estudo que faz parte das atividades de regionalização que o IBGE tem de fazer dentre de sua missão institucional. era necessário que tivesse mestrado. os dois tiveram méritos que a administração do IBAMA não teve. a sede do IBGE também.. e o IBGE tinha tão poucos. tinham grandes dificuldade.. trocando informações e reuniões com os outros órgãos.... eu fui a Bahia negociamos lá com o vice-governador. é um negócio tão complicado.. “ E outra coisa.... que demanda muito dinheiro. que ele disse que até hoje o pessoal dessa comissão deve estar querendo mata-lo por ele ter forçado essa situação..O Eurico... souberam conduzir com habilidade essas negociações... não levamos nem um ano mas conseguimos.... depois com o governador Paulo Souza um pequeno terreno no centro administrativo. aí você vê.... poderia ser ampliado com novas construções...... com a regionais também.... não se tinha a Linha Vermelha naquele período. mas esse era um problema sério.. e que não consegui levar. eu falei com o Eurico.. era de se tentar efetivamente melhorar um pouco a questão salarial que estava um horror....... “ Que era um horror.... diga-se de passagem.... quem trabalhava. que possui um potencial enorme para o planejamento urbano. o número de profissionais com Mestrado e Doutorado... a única saída que se tinha era o próprio plano e carreira de ciência e tecnologia.... como o Mauro Melo tinha suas prioridades focadas na cartografia. mas olha.....” .. mas havia estruturações anteriores que é uma. um dado que ele deu para a comissão que estava avaliando.. em outros estados era o mesmo problema.Isso foi um grande problema para o pessoal lotado em Parada de Lucas. então aquilo é um tarefa institucionalizada. eu sempre falava com o Eurico. o local tinha espaço.. é verdade..... os dois o mérito é deles. universidades....... “ Você quer ver um estudo que eu achava que era fundamental.” Um outro ponto que Sérgio também lembrou foi a importância do projeto de Regiões de Influência das Cidades. out