Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998

Por

Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Orientadora: Lia Osório Machado

Rio de Janeiro 2000

Almeida, Roberto Schmidt de A Geografia e os geógrafos do IBGE no período 1938-1998 / Roberto Schmidt de Almeida. – Rio de Janeiro : Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2000. 2v. Orientadora: Prof. Dra. Lia Osório Machado. Dissertação (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. 1. Geografia – História – Teses. 2. IBGE – História – Teses. 3. História oral – Teses. 4. Geógrafos – Brasil. 5. Formação profissional. 6. Geógrafos – Biografia. 7. Memória. I. Machado, Lia Osório. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título CDU 91 (091) GEO

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998:

Por Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Banca Examinadora

Professora Doutora Lia Osório Machado orientadora

Professora Doutora Maria do Carmo Galvão

Professora Doutora Marieta de Moraes Ferreira

Professora Doutora Lucia Lippi Oliveira

Professor Doutor Paulo César da Costa Gomes

Rio de Janeiro, RJ - Brasil

2000

Para os Geógrafos e os demais profissionais de outras formações, que garantiram a qualidade da Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ao longo desses anos. Isto é, aos que criaram o documento e guardaram a memória.

A memória alimenta uma cultura, nutre a esperança e torna humano o ser humano Elie Wiesel

Agradecimentos Desejo agradecer primeiramente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que, com sua política de aperfeiçoamento de pessoal, garantiu-me o tempo necessário para a conclusão deste trabalho. Política que o IBGE vem mantendo sistematicamente desde sua fundação e que resultou na alta qualidade de seus quadros técnicos, tanto em Estatística, quanto em Geografia, Geodésia, Cartografia, Economia, Sociologia, Ciências Naturais e Computação, áreas do conhecimento em que o IBGE opera direta ou indiretamente. No contexto da Diretoria de Geociências, desejo explicitar as pessoas dos diretores Sérgio Bruni e Trento Natali Filho que garantiram o suporte técnico para que eu pudesse me afastar das tarefas burocráticas e pesquisar as atividades da área. Agradeço também a paciência deles ao dedicarem boa parte de seus tempos nos processos de gravação de seus depoimentos e nas discussões preliminares a esses depoimentos. No Departamento de Geografia, onde trabalhei 29 anos, as figuras de César Ajara e Maria Luíza Castelo Branco, os dois últimos chefes de departamento, foram fundamentais na garantia das condições físicas de pesquisa para que este trabalho fosse concluído. No contexto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, a liderança de David Wu Tai foi importante no processo de viabilizar meu acesso aos acervos históricos do IBGE, inclusive, me garantindo duas viagens de pesquisa aos arquivos históricos do IBGE localizados em Brasília, na Reserva Ecológica do Roncador. Em Brasília, a amável acolhida de Iracema Gonzales, responsável pela Reserva Ecológica e Guiomar Almeida e Silva, do Escritório da Presidência do IBGE em Brasília, foi de grande importância, facilitando minha pesquisa. As figuras de Maria Teresa Passos Bastos, Edna Maria de Sá Morais, Regina Acioli e Josiane Pangaio foram incansáveis nas etapas de pesquisa de documentos e na editoração final da tese. Ao corpo de professores e funcionários do Departamento de Geografia da UFRJ, que me garantiram um estimulante ambiente de estudos, propiciando uma ampliação de meus conhecimentos nos estudos geográficos. Aos colegas pesquisadores do Curso de Mestrado em Memória Social e Documento da UNIRIO que me garantiram um intensivo treinamento nas técnicas de gravação de depoimentos em História Oral durante o trabalho sobre o Bairro da Urca, fundamental para o desenvolvimento de minha pesquisa. Explicitados todos esses agradecimentos, resta-me criar uma categoria muito especial de reconhecimento à minha esposa Sônia Rocha, economista que conheci no DEGEO, e com a qual casei-me em 1981. Até hoje, continuamos intensamente trocando conhecimentos sobre os mais variados assuntos, até mesmo geografia e economia... e no meio tempo, cuidando de nossa filha Monica e de nossos gatos, Gatucho ( já falecido) e Bali .

Resumo

A reconstituição histórica do conjunto de atividades levadas a efeito entre os anos de 1938 e 1998 por uma comunidade de pesquisadores geográficos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, é o principal objeto desta pesquisa. A relação entre Documento e Memória preside este trabalho, no qual documento expressa o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) enquanto memória exprime a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE. Essa relação esclarece sobre as diferentes conjunturas nas quais foi gestada a produção geográfica, além de desvendar os diversos conflitos de natureza política, científica, corporativa e pessoal enfrentados por esses geógrafos, ao construir o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O trabalho abarca um período de 60 anos, tendo como pano de fundo, os contextos político, econômico, científico do país que se desenrolam paralelamente a quatro constituições, vinte e dois mandatos presidenciais (vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves. Seguidas por alguns períodos excepcionais como o Estado Novo (1937 a 1945), da renúncia de Jânio Quadros até a queda de João Goulart (1961 a 1964), o dos governos militares (1964 a 1985) e o dos três governos posteriores. No campo do Pensamento Geográfico, a pesquisa rastreia as principais mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico influenciando, via escolas francesa, alemã e anglo-saxônica, nos principais trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.Finalmente, acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. De início, quando aliavamse à necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração, levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. Ultimamente durante os governos pós-militares na década de 90, quando a palavra transição tornou-se o mote principal, referenciada, tanto às questões científicas, quanto as tecnológicas, e a noção de crise, financeira e gerencial, passou a figurar prioritariamente nas preocupações dos legisladores e dos planejadores do aparelho estatal.

Summary The main objective of this research is the historical recollection of activities pursued from 1938 to 1998 by a group of geographical researchers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the largest government agency on territorial planning in Brazil. The relation between Document and Memory command this work. Document refers to what is printed (legislation, projects, reports and the geographers' intellectual production, as reports, books, atlas and articles), while memory relates to the personal experience of a group of professionals, through their taped and transcribed oral testimony, describing their trajectory in IBGE and explaining the conditions under which their geographical production developed. The work also narrates the many political, scientific, corporative and personal conflicts which arose during the development of the so-called Official Geography.The work covers a 60 year-old period, having as background the country´s political, economical and scientific events, thus paralleling four constitutions, twenty-two presidential mandates (twenty-one presidents and a military committee), as well as a succession of political crises, which led to some exceptional periods as the Estado Novo (1937 to 1945), Jânio Quadros´s renouncement to João Goulart's fall (61 to 64), the military rule (1964 to 1985) and the three subsequent governments. The research trails how the main methodological and technical changes in the Geographical Thought, influenced by the French, German and Anglo-Saxon schools, affected the mainstream of IBGE´s geographic production. It focus on the standing of Geography in Brazil. Firstly, during the period when, at the same time, there was the need to describe the territory and to pursue its administrative integration, which was Getúlio Vargas` engagement during the Estado Novo. Lately, during the post military governments in the nineties, when the word transition became the keyword in scientific and technological matters, while crisis, financial as well as managerial, became the central concern of legislators and planners.

Sumário A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998 Introdução do autor....................................................................................................................... Apresentação................................................................................................................................ Capítulos Introdutórios I- A Relação entre Documento e Memória no Contexto da História Oral.................................. II- O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? .................................................. III- O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE Parte I - A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução - O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia .................................. Capítulo I - A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro ........... Capítulo II - A Estruturação das Áreas de Geografia, Geodésia e Cartografia no IBGE.............. Capítulo III - A Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE ........ Parte II - A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução - O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico no Século XX ............................ Capítulo I - O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas Sociedades Geográficas, na Universidade e no IBGE ................................................................ Capítulo II - Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE ....................................................................................................................................... Capítulo III - A "Velha Guarda" da Geografia do IBGE, a Estruturação das Lideranças Pioneiras ....................................................................................................................................... Parte III - O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução - Uma Experiência de História Oral ............................................................................ Capítulo I - A Aventura dos Depoimentos Gravados Com os Profissionais ................................ Capítulo II - O Processo de Escolha da Carreira ......................................................................... Capítulo III - Na Arena de Trabalho ............................................................................................ Parte IV - As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução ..................................................................................................................................... Capítulo I - Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia : uma análise de suas práticas profissionais .................................................................................. Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE .......................................... 1- Regionalização ......................................................................................................................... 2- Ocupação do território e habitat ............................................................................................... 3- Industrialização ........................................................................................................................ 4- Urbanização ............................................................................................................................. 5- Modernização da agricultura ................................................................................................... 6- Caracterizações Ambientais ................................................................................................... 7- Diagnósticos Sócio - Ambientais Integrados ..........................................................................

Capítulo II - As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia : 1-Os Presidentes Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) ........................................................... Gestão Edson de Oliveira Nunes ........................................................................................... Gestão Charles Kurt Mueller .................................................................................................. Gestão Eurico Neves Borba ................................................................................................... Gestão Simon Schwartzman .................................................................................................. 2 - Os Diretores Gestão Mauro Pereira de Mello na DGC ................................................................................. Gestão Sérgio Bruni na DGC ................................................................................................... Gestão Trento Natali Filho na DGC .......................................................................................... Depoimento de Marilourdes Lopes Ferreira (Diretora Adjunta na DT e na DGC) ..................... Parte V - Os Processos de Qualificação Profissional Introdução ................................................................................................................................. Capítulo I - A Importância das Relações Com as Universidades no Exterior e no Brasil ...... Capítulo II - O IBGE Como Disseminador da Geografia no Brasil ............................................. Parte VI - Apogeu , Crise e Futuro da Geografia Ibegeana nos Anos 90 Introdução - Crise do Serviço Público ou Crise da Geografia ? A grande diáspora de 1991 Capítulo I - O Quadro de Transição da Geografia do IBGE nos Anos 90 Capítulo I I - O Futuro da Geografia no IBGE no Contexto de Uma Agência Executiva Com Um Contrato de Gestão. Capítulos de Conclusões Conclusões.......................................................................................................................... Projetos Futuros para uma Memória Oral do IBGE............................................................. Bibliografia .......................................................................................................................... Anexos ............................................................................................................... Volume II

Introdução do Autor Tomando por base ser este trabalho o resultado de uma avaliação de várias trajetórias profissionais, é importante lembrar, e dar o devido crédito, a algumas pessoas que me ensinaram a arte do profissionalismo. Tornar-se um profissional competente é um ideal a ser alcançado, embora exija um certo esforço, em termos de aprendizado de várias habilidades no decorrer de nossas vidas. Essas pessoas que aparecerão a seguir, conscientemente ou não, tornaram possível a transformação de um jovem inexperiente, mas curioso e afoito, num profissional que se dispôs a contar a história de um grupo de pesquisadores que se ocupou de estabelecer uma boa parte do conhecimento geográfico do território brasileiro, ao longo de mais de 60 anos. A jornada inicia-se em 1964, ao ingressar nos quadros da companhia S/A White Martins pelas mãos de João Garcia, um grande amigo de meu pai. “Tio Joãozinho” ensinou-me a operar com o formalismo e com a hierarquia. Dali em diante, eu seria o responsável por meus atos diante de meus pares. Antonio Gualano Consentino, gerente geral da Divisão Centro, ensinou-me a entender o que é mandar e responsabilizar-se pelas ações de mando. Muito lucraria o IBGE, se a grande parte de suas chefias tivesse aprendido as lições do “Dr. Consentino”. Washington Paes, gerente de compras, ensinou-me os aspectos técnicos dos equipamentos que a White Martins adquiria, tanto para revenda, quanto para uso interno. Muitas outras pessoas me auxiliaram nesse trabalho, mas a última palavra eu ouvia do Dr. Paes. O mesmo Washington Paes seria meu superior na área de recursos humanos, durante minha última fase na White Martins (1969-70), quando eu já havia escolhido a Geografia como formação profissional (em 1968 iniciei meu curso na UFF). Para ele, era espantoso como um rapaz que tinha sido bem aceito pelos códigos não escritos da companhia, não estava interessado em estudar administração ou economia para seguir carreira na White Martins, e sim Geografia, fascinado pelo mundo do alpinismo, ao qual havia sido introduzido em 1965/66. Mais espantado Dr. Paes ficou quando, em fevereiro de 1970, tomei a decisão de me demitir da White Martins para ser estagiário no IBGE, sem contrato formal de trabalho e ganhando a metade do salário. A decisão era tão temerária, que o Dr. Paes, por ocasião da minha entrevista de desligamento, ofereceu-me uma nova oportunidade na companhia, caso as coisas não dessem certo no IBGE, pelo menos enquanto ele estivesse na gerência de recursos humanos. Hoje, posso

agradecer a confiança depositada e dizer que em algumas ocasiões, no início do estágio do DEGEO, cheguei a pensar em conversar com Dr. Paes para uma volta. O primeiro geógrafo com quem estabeleci uma relação de confiança, foi Gelson Rangel Lima, meu professor de Geografia Humana na UFF e pesquisador de Geomorfologia no IBGE. Na época, minha relação entre alpinismo e Geomorfologia ou Bio-geografia era muito forte em meus planos profissionais e o Prof. Gelson contribuía de duas maneiras: ensinando informalmente Geomorfologia em suas excursões da UFF e relatando suas experiências na Europa, por ocasião de seu estágio de pesquisa na França, enviado pelo IBGE. Foi por sua influência, que eu fui indicado pela UFF para tentar um estágio no IBGE no ano de 1970. Gelson foi incansável no processo de minha preparação para a entrevista com os chefes do DEGEO, indicando bibliografias e explicando o novo movimento da Geografia Quantitativa, que se iniciava no Brasil. Era perfeitamente perceptível que aquela não era sua área de especialização, mas ele esforçava-se para mostrar a chegada de mais uma opção em termos de Geografia. Outras duas pessoas a quem devo boa parte do conhecimento geográfico que hoje possuo são Elza Coelho de Souza Keller e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa, pois, além de depositarem confiança em minha pessoa, efetivamente ensinaram-me a trabalhar na pesquisa geográfica. Iniciei meus trabalhos em março de 1970 e, em julho do mesmo ano, Elza Keller já me convocava para um longo trabalho de campo no Maranhão, juntamente com o grupo de Roberto Lobato (os experientes estagiários João Rua e Luís Antônio Ribeiro). Nos anos seguintes, a figura de Roberto Lobato Corrêa passou a ser a principal referência para meus estudos geográficos. A mudança da Geografia Física para Geografia Urbana se completou, fundamentalmente por conta da orientação segura de Roberto Lobato, a quem devo meus conhecimentos, tanto de Geografia Urbana, quanto de sistemática de pesquisa. O que ler, como ler, como fichar, o entendimento do que é realmente fundamental num grupo de textos, reconhecer quem é o autor de referência num determinado assunto, foram as principais lições que aprendi com Roberto Lobato Corrêa, e que me foram de enorme valia por toda minha vida profissional. Com a ida de Lobato para Chicago, para fazer seu mestrado, outra pessoa ocupou seu lugar no processo de preparação de minha vida profissional. Olga Buarque de Lima, recém-chegada da Inglaterra, onde tinha concluído o mestrado, ocupou-se de dar-me as lições fundamentais do preparo de um texto escrito. Tarefa extremamente difícil, em virtude de minha total falta de domínio de um texto técnico. Foram muitos meses de leitura e correção dos textos, com intermináveis reconstruções, até tornarem-se palatáveis aos olhos incansáveis de Olga Buarque. Se pudesse

com uma única frase definir esses tempos, diria que Roberto Lobato ensinou-me a estudar e Olga Buarque, a escrever corretamente um texto geográfico. No início dos anos 80, Lobato reassume seu posto de mentor, orientando minha tese de mestrado sobre o comportamento dos incorporadores imobiliários no município do Rio de Janeiro, defendida em 1982 na UFRJ. Tenho muito orgulho dela, pois foi a primeira tese que tratou de um agente modelador da iniciativa privada, já que todos os trabalhos do momento somente enfocavam dos agentes do Estado, como o Banco Nacional da Habitação - BNH e seus satélites. É claro que, no contexto altamente ideologizado do início dos anos 80, tive muitos problemas com esse tipo de abordagem, embora Roberto Lobato sempre me apoiasse. Gostaria ainda de lembrar de certas pessoas que, ao longo de minha vida profissional, assistematicamente, deram importantes contribuições para o meu aperfeiçoamento como geógrafo. Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mequita foram duas geógrafas que sempre desviaram parte de seus afazeres profissionais para darem uma orientação de trabalho, uma leitura crítica de um texto, ou apresentando desafios novos, em forma de propostas de novos projetos de trabalho, ou de apresentação de capítulos em projetos editoriais do DEGEO, durante a gestão comandada por Solange. A elas devo muito de minha desenvoltura profissional e a definitiva superação da “síndrome da folha em branco” , temor clássico que assombra muitos pesquisadores no início da carreira. Como iniciar um texto de um projeto? Elza Keller, o casal Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Speridião Faissol foram profissionais que durante algum momento de suas vidas ensinaram-me algo, tanto de Geografia propriamente quanto dos afazeres de um geógrafo. Indicações de novos livros ou artigos, convites para seminários, oportunidades de participação em grupos de pesquisa foram o que de melhor aproveitei vindo desses profissionais. Além disso, alguns deles me ofereceram oportunidades para lecionar em universidades. Nilo Bernardes, para substituí-lo na PUC-RJ, Ney Strauch, para substituí-lo na Escola Naval, Bertha Becker, para dar duas conferências na Escola de Guerra Naval e, posteriormente, para trabalhar como professor colaborador na UFRJ. Alguns não geógrafos também foram importantíssimos na construção de minha profissão. O biólogo e ecologista Fernando Segadas Viana orientou-me, por diversos sábados dos anos de 1968 e 69, sobre os segredos da vegetação tropical e desértica, sobre a zoologia do cerrado, além de me explicar detalhadamente a teoria de Alfred Wegner sobre a translação continental, o que resultou numa apresentação para o curso de Cosmografia na UFF.

No campo das relações entre os estudos urbanos e a economia, o economista brasilianista Werner Baer, ao trabalhar com Pedro Geiger no DEGEO durante o ano de 1977, sobre os problemas das desigualdades regionais no desenvolvimento econômico brasileiro, dispôs-se várias vezes a explicar os métodos utilizados na pesquisa e a indicar uma bibliografia adequada ao meu nível de entendimento da questão. Devo a ele boa parte do meu conhecimento de história econômica do Brasil e o feliz encontro com o economista Annibal Villela, em seu sítio em Araras, onde aprendi muito sobre a estrutura de poder do governo brasileiro no período Geisel. No início dos anos 80, quando me casei com a economista do IBGE Sonia Rocha, intensificaramse os laços com Annibal Villela, o que ampliou bastante meus conhecimentos sobre as estruturas das companhias estatais, área de estudo desse pesquisador que havia sido Secretário Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização dos Estados Americanos (OEA), Superintendente do Instituto de Pesquisas do IPEA, Assessor do Banco Mundial - BIRD e pesquisador e professor da FGV. Uma conversa com Dr. Villela era sempre uma possibilidade de aprender alguma coisa nova. Infelizmente, Dr. Villela faleceu em julho de 2000. Via Pedro Geiger e Werner Baer, pude conhecer Hamilton Tolosa e Thompson Andrade, economistas do IPEA especializados em Economia Urbana e Regional que, durante a segunda metade dos 70, estiveram varias vezes no DEGEO dando palestras e explicando suas pesquisas. David Vetter, economista americano que trabalhou no Departamento de Indicadores Sociais DEISO do IBGE, foi outro profissional importante na minha formação. Vetter ensinou-me os segredos dos dados censitários referentes à infra-estrutura domiciliar urbana. Participou da banca examinadora de minha tese de mestrado e estivemos em alguns seminários de urbanismo. Apesar de suas dificuldades em falar português, escrevia objetivamente e era um mestre na análise de dados censitários. Atualmente é analista financeiro e quase um banqueiro em Nova York. Outra figura incrível foi Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Era arquiteto urbanista, mas poderia ser sociólogo, antropólogo, geógrafo, historiador, psicólogo sem grandes problemas. Era um profissional único em seu meio, pois não era sectário e sabia traduzir a alma humana como poucos. Por ter participado de muitos projetos de urbanização de favelas, era conhecido como “favelólogo” e coordenava um grupo de pesquisas urbanas no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) . No período de meu projeto de tese de mestrado, conversamos muito sobre os mecanismos de ocupação residencial nos bairros da periferia do Rio. Era uma das cabeças mais lúcidas de sua época. Sua morte prematura foi uma grande perda para os estudos urbanos e para as mentes não sectárias...

que me apresentou à Lícia do Prado Valladares. as figuras de Rodolfo Barbosa. qualquer dia é dia e qualquer hora também. Entre 1976 e 1994 estivemos trabalhando juntos em 11 trabalhos diferentes. Agradeço-lhe. Rodolfo Barbosa e Marcílio ensinaram-me a arte da cartografia temática. Com ele. Ainda nem havia defendido o trabalho e Lícia já me pedia que eu escrevesse um artigo sobre a incorporação imobiliária carioca para um livro de uma coleção sobre urbanismo que ela organizava para a editora Zahar. No campo gerencial do IBGE. garantiu-me uma experiência importante e espero que tenha sido recíproca. todos devidamente publicados em periódicos. não existem obstáculos. Atualmente a geógrafa Maria Luísa Gomes Castello Branco continua a luta de reequipar o departamento. ou em livros e atlas do IBGE e de outras editoras. aconteceu por intermédio de Carlos Nelson. Trabalhar com um profissional assim. A grande vantagem de trabalhar com Miguel Angelo é a sua obstinação e sua capacidade de trabalho. garantir a ampliação da qualificação dos profissionais que restaram e prepará-los para os desafios do censo 2000. Mauro Mello foi nosso diretor de Geociências e sempre fez questão de vincular à Geografia com a Cartografia nos grandes projetos de que a diretoria de Geociências do IBGE tomou parte. Na área da Cartografia. por ocasião de meu projeto de tese de mestrado. tragados pelo processo de aposentadorias. abro parênteses para uma lembrança profissional muito especial ao meu colega de curso na UFF e companheiro de trabalho no IBGE desde 1970. Miguel nunca teve medo de idéias novas. o empenho que teve junto à diretoria do IBGE no processo de minha liberação integral para o doutoramento. . Além disso. Acompanhei sua luta na tentativa de reorganizar um DEGEO cada vez com menos geógrafos. em termos de trabalho.Meu primeiro contato com o mundo interdisciplinar das apresentações acadêmicas e dos artigos publicados. em dois projetos de Atlas de que participei (Regional do Nordeste e Nacional do Brasil) a influência de Roberto Lobato Corrêa como coordenador desses trabalhos foi particularmente importante na fase de organização temática e nas sugestões gráficas iniciais. Também neste campo. Para ele. como a Revista Brasileira de Geografia (RBG). em virtude das atribuições que lhe são definidas pelos estatutos da Instituição. Esse aprendizado foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional. pois fui seu assistente e substituto eventual na chefia do departamento até 1995. Pedro Marcílio e Mauro Mello foram os que mais me influenciaram. fora do contexto do IBGE. Neste ponto. era com eles que eu ia me consultar. mas com demandas crescentes. aprendi muito com César Ajara. participei ainda de alguns seminários no Instituto de Administração Municipal com ela e Carlos Nelson. especialmente. Em caso de dúvida. Miguel Angelo Ribeiro. Além do artigo. chefe do DEGEO entre 1991-1999. na hora de representar graficamente um tipo de dado. era possível tentar qualquer solução heterodoxa para abordar um problema.

tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores grupos de pesquisadores/professores de pós-graduação em Geografia do país : Bertha Becker. Marcelo José Lopes de Souza. por ocasião da apresentação oral do projeto de tese para a banca examinadora. a pesquisadora com a qual se pode confiar e discutir com serenidade os pontos de vista. numa noite fria de Porto Alegre. em meio a muitas picanhas e vinho tinto. Durante os dois anos de curso. teria algumas “facilidades”. Imaginando. no doutorado. Nesse encontro. percebi que Lia seria a orientadora ideal. a profissional mais importante foi minha orientadora Lia Osório Machado. estava fora de cogitações. em termos de produto. A produção resultante desses dois anos traduziu-se em sete artigos sobre vários temas geográficos e. Após dois meses de trabalho duro apresentei um artigo sobre a evolução da noção de determinismo natural. Wanderley Messias da Costa. participávamos de um seminário organizado por Gervásio Neves. Naquele jantar. Iná Elias de Castro e Maurício de Almeida Abreu. Júlia Adão Bernardes. e sim porque ela foi a primeira pessoa que me ouviu explanar sobre uma possível pesquisa que abrangeria a Geografia do IBGE. e que me incentivou a iniciá-la. a apresentação de trabalhos. do qual participamos: Milton Santos (USP). José Grabois e Irene Garrido Filha. por pretender tratar de assuntos contemporâneos. Este sentimento ampliou-se quando. pensei logo em escrever um texto sobre os geógrafos que trabalharam com a Natureza no IBGE e apresentei o projeto do sumário. Paulo César Gomes. O mais interessante no processo é que ela não foi importante por ser minha orientadora. quando a “professora” simplesmente colocou o seguinte obstáculo. Qual não foi minha surpresa. Meu sumário portanto. Antônio Carlos Robert Moraes. Lia Osório (UFRJ) e eu pelo IBGE. que por ser o seu único orientando no curso. ou apenas para constar e engrossar a tese. nosso processo de comunicação já estava pavimentado. O curso tratou das raízes das idéias sobre a natureza e monitorou essas idéias entre a antigüidade e o século XIX. Acho que foi a partir desse trabalho que nossa confiança mútua cresceu. um já entendia o outro por antecipação. além dos professores convidados como Orlando Valverde. Aziz Nacib Ab’Saber. Durante a fase de qualificação. Ali percebi que estava lidando com uma pesquisadora de alta qualidade e que nossas relações. A defesa do projeto fluiu e foi bem aceita pelos examinadores.No contexto do curso de doutorado. sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Roberto Lobato Corrêa. . não poderiam ser de baixa qualidade. em quatro congressos de Geografia. fiz seu curso Raízes das Idéias Sobre a Natureza.

Ele e Sônia Aparecida de Siqueira se revezaram na orientação inicial dos projetos. portanto. Repentinamente. quando fui solicitar assistência para os preparativos de gravação dos depoimentos. no curso de mestrado em Memória Social e Documento da UNI-RIO e perguntou se eu estava disposto a aprender história oral. Icléia informou-me que um grupo estava se formando. O processo iniciou-se no setor de memória do IBGE. professor de história da USP e consultor do grupo da UNI-RIO. Telma Salandra Lemos. essa pessoa foi Icléia. que agradecer. Nesta fase. O primeiro focalizou a Urca e. arquivologistas e biblioteconomistas. foi com os historiadores. transcrições. Outra pessoa importante neste processo foi José Carlos Sebe Bom Meihy. enfocaria os bairros da área portuária. de Siqueira. estava envolvido com preparação de artigos sobre aspectos geo-históricos da Urca e acabei escrevendo um livro sobre iconografia da Urca e prefaciando o livro de análise do José Carlos e Sonia A. Foi a partir de seus ensinamentos iniciais que comecei a ler sobre história oral e a perceber que aquilo era muito mais do que simplesmente gravar uma conversa. além de comparecer a seminários especializados . que cuidou de todas as transcrições em tempo hábil. coordenadora do Mestrado em Memória Social da UNI-RIO foi fundamental. para subsidiar uma linha de pesquisa chamada História Oral de Bairros do Rio de Janeiro. a uma pessoa por ter me garantido a viabilidade de completar sem traumas meu projeto de tese. Icléia me indicou uma ótima profissional em transcrições de fitas. que passei a trocar mais experiências no decurso de tomada de depoimentos do meu público alvo: os profissionais do IBGE. o apoio de Maria José Wheling. o segundo. além de participar do processo de entrevistas.Apesar de priorizar meus agradecimentos para os geógrafos.Gamboa e Santo Cristo. museólogos. Icléia Thiesen Magalhães Costa e Regina Acioli Oliveira deram-me as primeiras instruções e cederam cópias de algumas transcrições para que eu me familiarizasse com o assunto. Se eu tenho. Algumas semanas depois. um método de criar documentos através da gravação e transcrição de entrevistas ou de depoimentos orais de pessoas que vivenciaram acontecimentos em épocas e/ou lugares específicos. primeiramente. que nos orientou no sentido de montar um conjunto de depoimentos de moradores do bairro da Urca. Saúde . . conferência de fidelidade e copidesque. Além disso. tive sua total colaboração durante todas as fases do projeto. pois este setor já havia entrevistado vários profissionais da casa em diversas ocasiões. ainda que eu não pertencesse aos quadros da UNI-RIO.

a Josianne Pangaio. e outros que de muitas maneiras me auxiliaram nesta empreitada. a Vera Abrantes que foi minha co-orientanda (a orientadora oficial foi Icléia Thissen) em sua tese de mestrado sobre o arquivo fotográfico do IBGE. a Elisabeth Roudinesco com sua História da Psicanálise na França. gostaria de reconhecer a importância de alguns autores que criaram obras. Finalmente. Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. Alguns. a François Fourquet e seus colaboradores pelo seu incrível Les Comptes de La Puissance. proporcionando duas idas ao arquivo do Roncador em Brasília para as pesquisas históricas. que efetivamente me fizeram a cabeça para encarar este desafio. embora possa pareça estranho. Processamento de Dados. cimentar minha confiança de que era possível escrever uma história da relação entre memória e documento da geografia e dos geógrafos. que li antes da germinação das idéias. na área de trabalhos de campo em Geografia. Neste processo. Sérgio de Assis Barbosa e Luis Carlos Carril no processo de tratamento de imagens das fotos escolhidas e no processo de edição. Paulo Roberto Lindesay. Edna Moraes no apoio administrativo que o CDDDI me deu. outros eu li no calor da hora.Nesse ínterim. Glacken por sua erudição em Traces on the Rhodian Shore. futuramente. além da ampliação do conhecimento. Isto significava mudar de área de pesquisa para acompanhar a história desta agência que tem como objetivo monitorar o Brasil. enfocando a instituição que escolhi para trabalhar durante os trinta anos restantes de minha vida profissional formal. a Aspásia . Maria Teresa Bastos. contei com a compreensão das chefias da Diretoria de Geociências e com o apoio das chefias do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) para a realização do projeto. Pensador da Cultura e Escrever a Clínica. e que serviram para. criar também estruturas semelhantes para a Estatística. chamarei de subsidiadores subliminares do projeto. a fim de montar a estrutura da memória técnica do segmento de Geociências e. que também me auxiliaram muito na arte de entrevistar. o meu reconhecimento a Renato Mezan pelos seus Freud. Na etapa final da pesquisa. após retornar ao Departamento de Geografia tomei a difícil decisão de solicitar minha transferência para a área da Memória Institucional do IBGE. A Professora Marieta. Rede de Coleta e Administração. a Simon Schama por seu Paisagem e Memória. Por isso. a Warren Dean por A Ferro e Fogo. muito me auxiliou na pesquisa sobre o papel desempenhado por Pierre Deffontaines na Geografia brasileira. tive a sorte de conhecer Verena Alberti. especificamente. a Edson Nunes pelo seu instigante A Gramática Política do Brasil . a Ricardo Bielchowsky pelo seu Pensamento Econômico Brasileiro. David Wu Tai. a Clarence J.

a Simon Schwartzman.. Helena Bomeny e Vanda Costa. vitais para a pesquisa. pelo importantíssimo Tempos de . a Vincent Berdoulay por seus La Formation de L’École Française de Geographie (1870-1914) e Des Mots et Des Lieux: la dynamique du discours géographique. e finalmente. a Anne Buttimer pelos seus The Practice of Geography e Society and Milieu in the French Geographic Tradition . a John Kirtland Wright pela sua completíssima história da American Geographical Society em seu livro Geography in the Making. a Ronaldo Costa Couto pelo seus recentíssimos A História Indiscreta da Ditadura e da Abertura e Memória Viva do Regime Militar e a Maurício de Almeida Abreu pelos seus artigos Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação e Sobre a Memória das Cidades. Capanema que chegou em ótima hora.Camargo pelo seu magistral artigo História Oral e Política no livro organizado por Marieta de Moraes História Oral e Multidisciplinaridade.. Roberto Schmidt de Almeida.

Atividades essas classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física. quanto pelos seus geógrafos 1 a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que irá norteá-lo. será o principal objeto desta pesquisa. através de relatórios. objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. entre os anos de 1938 e 1998. projetos. e pesquisadores que. isoladamente. e as contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período. políticos. livros. algumas celeumas internas sobre a conveniência ou não. que causaram. O quesito “quando” abarcará o tratamento desses 60 anos. que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas. relatórios e a produção intelectual dos geógrafos. que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: a prioridade do papel institucional da Geografia no contexto do IBGE. em outras ocasiões tornar-se-á retesada. os diversos contextos pelos 1 vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos. situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro. de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento. O quesito “onde” abarca o espaço territorial brasileiro. A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa. em certos períodos. na qual documento expressará o que foi impresso (legislação. científicos. como pano de fundo. corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. Embutida nessa questão. aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos. podendo também ser alvo de estudos pormenorizados. levando-se em consideração. produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira . atlas e artigos) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias. Linha esta que por vezes estará frouxa e. Como este trabalho pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE. através de seus depoimentos orais gravados e transcritos. podendo desvendar conflitos de natureza diversas.19 Apresentação A reflexão sobre um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos.

quatro constituições (1938. científicos em suas diversas acepções. Para a área da Geografia em particular. Igualmente importante será a avaliação do IBGE enquanto instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos. começa a ser desfeita. os trabalhos de Gonçalves (1995). falecido antes de assumir e levado por seu vice José Sarney (1985 a 1990 ). a crise da renúncia de Jânio Quadros até a queda do governo de João Goulart. Será dada uma especial atenção às comparações entre o que se convencionará chamar de trabalhos oficiais (Estudos solicitados pela direção do IBGE ou demandados por níveis hierárquicos superiores a ela. pressupondo-se geralmente um entendimento prévio da metodologia a ser aplicada e da forma final do produto) e os trabalhos dos geógrafos (estudos elaborados de forma independente por alguns profissionais de Geografia do IBGE. do ponto de vista político. por exemplo. dois governos em um . o período dos governos militares (1964 a 1985). ora pela escola anglo-saxônica. será mostrado. além das inúmeras modificações por que esta última passou e ainda continua passando ). e que somente agora nos anos noventa. passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica e que sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. planejado por Tancredo Neves. vinte e dois mandatos presidenciais ( vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves que geraram alguns períodos excepcionais como: o Estado Novo (1937 a 1945).1946.1969. com dois anos de Fernando Collor. influenciados ora pelas escolas francesa e alemã. Primeiramente. que este período abrange. (1961 a 1964).20 quais o país passou. será tratada também a curiosa separação ocorrida entre a Geografia Física e a Humana. contribuirão em muito na análise da legislação pertinente ao órgão. econômicos. podendo estar relacionados ou não às linhas de pesquisa do órgão). via informações institucionais. Neste contexto. estabilidade ou queda de seu “status” perante outras áreas da instituição e do governo. no final dos anos sessenta. É importante ressaltar. Penha (1993) e a Cronologia. em termos de organogramas que determinaram os diversos períodos de ascensão. . sua trajetória na burocracia do órgão e suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento. avaliando a evolução de seu contingente de profissionais.1988. organizada por Icléia Costa e equipe (1998). um impeachment e mais dois anos de seu vice Itamar Franco ( 1992 a 1994 ) e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998). No campo do Pensamento Geográfico iremos igualmente rastrear as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico. em seguida. e que tiveram repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade ibegeana. Nesse contexto. sejam eles: políticos. um governo híbrido.

com dúvida e escassez dos anos 80/ 90. escalas de análise e áreas. O primeiro.21 Finalmente. com uma introdução que explica o papel da nova burocracia estatal implantada após a revolução de 1930. Para demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. até os governos pós militares da década de 90. O trabalho está estruturado em seis partes. Certeza e opulência dos anos 40 confrontam-se. Está dividida em três capítulos: o primeiro que explica a institucionalização do sistema de planejamento territorial brasileiro. ligando-os a uma pesquisa que enfoca uma instituição de governo e a um grupo específico da tecnoburocracia estatal e determinando sua escala temporal de ação. O terceiro. tanto financeira quanto gerencial. em que a palavra transição é o principal mote. A parte I contempla a estruturação da tecnocracia ligada ao Planejamento Territorial brasileiro. . Em âmbito interno. Geodésia e Cartografia no IBGE. estabelecendo a relação entre documento e memória no contexto de trabalhos que se utilizaram das técnicas de História Oral. Geografia. Estatísticas demográficas e econômicas. em função da preparação da base cartográfica municipal para o censo de 1940. antecedidas de três capítulos introdutórios. No âmbito externo ao IBGE. onde é descrita a evolução de suas principais funções nas áreas de Geodésia e Cartografia. como detentores da memória do grupo profissional estudado. desde um período em que se aliava a necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração. tendo como elemento chave o IBGE. Disseminação de Informações impressas e por meio magnético e Ensino e Treinamento. figuravam na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. portanto. O segundo. fazendo um overview ao longo de 13 períodos considerados como um pano de fundo cronológico que orientou a saga da geografia no IBGE. além das políticas de recursos humanos foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial do IBGE. acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. Ecologia. traçando uma explanação sobre o IBGE. Estruturação e Manutenção de Bancos de Dados de Grande Porte. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. o terceiro destacando o grupo de Geógrafos e Cartógrafos que fizeram parte da pesquisa. Redes de Coleta de Informações. além do suporte administrativo que acompanhou o cotidiano de milhares de profissionais em todo o Brasil. através de um processo de unificação administrativa levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. o segundo que relata a estruturação das áreas de Geografia. num momento em que as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte no campo científico e tecnológico foram os de maior peso.

Jones e. os principais projetos e seus respectivos produtos. com uma introdução que acompanha a sua evolução desde a primeira metade do século XX . interesses e que participaram da maioria dos 13 períodos estudados. . O capítulo III apresenta o conjunto de profissionais que foram formados nos primeiros anos de estruturação do órgão e que se transformaram nas lideranças pioneiras da Geografia do IBGE. avaliação essa que alcança o final dos anos 90. tendo como principais referências os professores do ensino médio. continuaram a disseminar o seu legado. com exemplos de maior ou menor engajamento a algum determinado líder de grupo de afinidades e algumas trajetórias de especialização temática ou regional. O capítulo I analisa a força das escolas de pensamento geográfico estrangeiras nas diferentes arenas de trabalho e discussão: as Sociedades Geográficas. nos tempos atuais.22 A parte II enfoca o papel da Geografia do IBGE no contexto do pensamento geográfico brasileiro. o antigo papel da AGB como palco dos primeiros ritos de iniciação profissional. os mestres universitários e os líderes de grupos de afinidades. Philipe Waniez e Hervé Théry . A parte III focaliza o processo de formação profissional do geógrafo do IBGE pelo ponto de vista da memória. Analisa. Clarence F. os americanos Preston James. tanto na Universidade. como base para uma avaliação da Geografia que se estabeleceu ao longo dos anos no IBGE. que sob outras formas. Figuras carismáticas como os franceses Emmanuel de Martonne. quanto no IBGE. quando na fase de estágio no IBGE. O capitulo I conta um pouco da aventura de se registrar esses depoimentos e avalia a importância da memória . a Universidade e o IBGE. O capítulo III enfoca algumas recordações profissionais referenciadas ao ambiente de trabalho. os alemães Leo Waibel e posteriormente Gerd Kohllepp . Pierre Deffontaines. posteriormente. Brian Berry e Howard Gautier e o inglês John P. ainda. o canadense Pierre Dansereau . no desvendar do verdadeiro significado de se registrar esses depoimentos para as gerações profissionais do presente e do futuro. posteriormente Jean Tricart e Michel Rochefort e. O capítulo II analisa os padrões gerais de inserção na carreira. que deixou uma legião de seguidores. Francis Ruellan. ao registrar em meio magnético os depoimentos de um grupo de geógrafos de diferentes idades. Cole. O exemplo mais significativo desse segmento está na figura de Francis Ruellan. utilizando uma experiência de História Oral. O capítulo II descreve os diferentes tipos de liderança exercidos por geógrafos estrangeiros que formaram algumas gerações de profissionais do IBGE.

A parte VI trata do período de crise por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. O capítulo I descreve em linhas gerais. O capítulo II tenta alguns prognósticos é resgatada nos exemplos de . um grupo de sete temas que geraram as grandes linhas de pesquisa geográfica no IBGE. verificou-se.23 A parte IV analisa as práticas profissionais levadas a efeito pelos geógrafos do IBGE ao longo do período estudado e avalia sua representatividade perante outras instâncias do IBGE. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. O capítulo I focaliza as relações entre o órgão e os centros de aperfeiçoamento e pesquisas tanto no exterior. No capítulo II. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior destaque. Nesse segmento.Itamar Franco Fernando Henrique Cardoso. São analisados os fatores que levaram à grande diáspora de 1991. enfatizando os cursos de aperfeiçoamento e especialização e a pós-graduação em seus vários níveis ao longo do período. em contraponto às demandas que continuaram a ser criadas. A parte V cobre os processos de qualificação profissional. em decorrência das convulsões no setor público durante os governos Collor de Melo . tanto no contexto de suas atribuições institucionais. misturam-se a importantes geógrafos não ibgeanos que tiveram sua formação profissional ampliada por esse aprendizado. Através da análise dos trabalhos de uma lista de temas geográficos que mais marcaram a imagem do IBGE na arena geográfica brasileira. Por outro lado. quanto no Brasil. analisando sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. como essas práticas foram percebidas pela alta direção da casa. também. Os depoimentos de profissionais que organizaram ou ministraram esses cursos. a memória depoimentos de alguns geógrafos que contam suas experiências. a ênfase é orientada para o papel disseminador do IBGE através dos cursos de aperfeiçoamento em geografia orientados para o corpo docente de ensino médio e para o de nível superior. O capítulo I descreve o processo de transição por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. representadas aqui pelos depoimentos orais dos diretores de área e de alguns presidentes. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológicos decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. com a saída maciça de profissionais que aliavam competência à liderança: o incipiente processo de reposição de pessoal e os mecanismos de adaptação dos que restaram. quanto no campo da integração com os demais vetores do conhecimento que envolvem as Geociências.

na ainda hipotética agência executiva proposta pelo Ministério da Reforma do Estado ao IBGE para o ano de 2000. . Nos capítulos conclusivos. assim como uma descrição de alguns produtos que estarão futuramente à disposição dos usuários. é apresentada a atuação da Equipe da Memória Institucional do IBGE e é esboçado o projeto de História Oral que dará prosseguimento aos depoimentos de funcionários que assumiram posições relevantes no projeto técnico da instituição.24 quanto ao futuro da Geografia. além das considerações finais.

é possível inferir sobre uma boa dose de consenso entre eles. 1994: 540-541) assumido aqui como o material impresso que determinou a representação da produção geográfica do IBGE e de seus profissionais... além de outros meios de informação e divulgação da Geografia do IBGE. quanto ao da memória existem grandes problemas. ou seja. pois tanto do lado do documento. à memória. ao longo do tempo. ao trabalharmos com uma comunidade técnica sediada numa agência de planejamento do governo federal. pois. prefiro evitar o termo memória coletiva.. É por esse motivo que eu. principalmente no que se refere a muitos assuntos considerados como referenciais para a coletividade geográfica. e as resoluções jurídico-administrativas que definiram os principais projetos de trabalho. A relação entre documento e memória gerará. Esta questão é crucial. temos de refletir sobre algumas colocações de Alessandro Portelli na revista organizada pelas professoras Dayse Perelmutter e Maria Antonieta Antonacci. nos alerta sobre a necessidade de se questionar o documento. as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais. tanto individual como coletiva de um conjunto de técnicos ( geógrafos) e administradores (cargos de direção) que desempenharam funções importantes no órgão e que recordaram seletivamente suas respectivas trajetórias profissionais. o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais.A Relação Entre Documento e Memória no Contexto da História Oral O processo de acompanhamento. contraditórias ou sobrepostas. Michel Foucault em sua obra.1987). mas tomaremos os devidos cuidados para não utilizá-lo indevidamente. Em vista disso. como definido por Pierre Le Goff em sua forma mais ampla (Le Goff.exatamente iguais. a memória.” (Portelli.. de parte da memória institucional de uma grande e complexa agência federal como o IBGE exige que se recorra a alguns materiais formadores da memória coletiva. a fidedignidade necessária a esta história. A memória é um processo individual. Em primeiro lugar o documento . A Arqueologia do Saber (Foucault.I . as recordações podem ser semelhantes. em última análise. Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social. em hipótese alguma. a bem da verdade. não evitaremos o termo. através de depoimentos orais e de informações informais. pessoalmente.. onde ele argumenta que. “ A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato de a História Oral dizer respeito a versões do passado. Em segundo. em certa medida. ou. que ocorre em um meio social dinâmico. considerando-se que eles são sempre . valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. 1997:16) Neste trabalho. como as vozes . Porém. Neste ponto.

. de maneira geral.. Sigmund Freud e Maurice Halbwachs). As lembranças de um grupo são. Para Niethammer. principalmente.1996) analisa alguns pontos positivos e negativos dos relatos biográficos. implica o convite e as devidas explicações sobre o objetivo da gravação. quase sempre. que estas noções criadas por Halbwachs nos anos 20. 128). Aldous Huxley. referenciadas mais aos elementos constituidores da cultura daquele grupo do que aos dos próprios indivíduos. inicialmente.. a noção de memória coletiva de Halbwachs. portanto. São três níveis de realidade que devem ser analisados.1980).129)." (p. o depoente se prepara filtrando e organizando lembranças. pelo menos. lembrando que no caso de biografias ou auto-biografias. George Lukács. quando operamos um processo de entrevista gravada que. Isso faz sentido. o sociólogo Jesús M. O ensaio de Lutz Niethammer sobre os conceitos de identidade e de memória nos dá uma boa visão das dificuldades que podem ser encontradas quando se tenta trabalhar com eles (Niethammer. é que mais se encaixa com que estamos tratando (Halbwachs. voltaram a ter influência nos anos 90. da que foi e da que escreveu. Também sob as diferentes interpretações por que passam as lembranças. É importante diferenciar. a que lê e a que realmente existiu. a que escreve ( quando não é uma auto-biografia). Niethammer assinala.. implica considerar a memória como algo muito mais amplo que um mecanismo individual de lembranças pessoais. entre a pessoa que é.. No que se refere à questão da memória. Os processos de seleção iniciam-se no produtor do documento em si. "existem pelo menos quatro pessoas distintas: a que relata a vida. 1997). de Miguel em seu manual sobre biografias sociológicas (Miguel. a sociedade pós-moderna de identidades culturais com o seu jogo de citações simbólicas (por exemplo na arquitetura) ou sua intertextualidade literária colocou Halbwachs em prática” (pg. . “num plano mais genérico. ainda.produtos seletivos. passam por quem o seleciona e o arquiva e terminam por quem o pesquisa e o faz ressurgir sob um determinado ponto de vista. Dos cinco autores analisados por Niethammer como precursores desses conceitos (Carl Schmitt. a construção social do passado engendrada por Halbwachs. principalmente junto aos historiadores da cultura. os mecanismos são ainda mais complexos e estão no cerne das discussões sobre o uso da História Oral..16). orientadas pela cultura do grupo ao qual pertence. Na maioria dos casos. “toda lembrança significativa é um processo socialmente condicionado de reconstrução que se apóia na estrutura social de relíquias culturais e rituais de comunicação de um dado grupo no presente” (pg.

É importante.1953). e sim a versão do entrevistado. silêncios ou mesmo mudanças de ponto de vista dos depoentes ao longo de suas narrativas. de bancos de dados. ainda. É perceber como natural certas distorções. e que infelizmente continuou ao longo da década de 80 (Bunge. Isso pressupõe que esta versão. Schaefer sobre o excepcionalismo em Geografia (Schaefer. portanto. é importante ressaltar que a palavra versão assume uma importância ímpar. um artigo que se possa classificar como decisivo sobre o problema. portanto . Neste sentido. uma incrível evolução tecnológica nas ferramentas computacionais de mapeamento e localização. de cálculos e de editoração . embora não haja. pois seria extremamente difícil escrever a história total da Geografia do IBGE. por fortes modificações e que foi bastante influenciada por inúmeros conflitos metodológicos e ideológicos além de ter testemunhado. nos anos 90. transcrito. A entrevista de história oral. Atualmente. mas deslocando o objeto documentado: não mais ao passado "tal como efetivamente ocorreu". e a comparação entre diferentes versões. e o de Milton Santos sobre problemas do marxismo na Geografia (Santos. esquecimentos. sim. Bunge sobre o processo de “canibalismo teórico decenal” que estava ocorrendo. Os artigos de Fred K. Ao contrário: trata-se de tomar a entrevista produzida como documento. 1973). não documenta nada além de uma versão do passado. ao longo desses 60 anos. o principal mérito da relação entre documento e memória é poder comparar seletivamente algumas linhas de tensão entre fatos e versões nas diferentes fases por que passou a Geografia do IBGE nos 60 anos analisados. um papel fundamental na relação entre documento e memória e fica perfeitamente claro que este processo de seleção nunca contentará a todos. onde um depoimento é gravado em meio magnético e. o de Willian W.1981) foram bons exemplos desses momentos de grande tensão. Considerando-se que a pesquisa geográfica passou. tenham passado a ser relevantes para estudos na área das ciências humanas" (Alberti. pois nas palavras de Verena Alberti " Certamente não será porque a entrevista adquire estatuto de documento que a história oral passa a obedecer aos requisitos da "ciência positiva". perceber como algumas versões passam a ser oficializadas pela maioria dos depoentes.No contexto das técnicas de História Oral. vista por todos os .é de se esperar que algumas dessas linhas de tensão estiveram muito próximas do rompimento. posteriormente. igualmente. 1989 :2). A palavra seletividade representa.seu registro gravado e transcrito -. a expressão Globalização parece causar também grandes áreas de turbulência no pensamento geográfico.

o mais sofisticado e complexo. Françoise Dolto e outros. O uso exaustivo e sistemático da documentação. O mais interessante exemplo de uma relação entre documentos e memórias foi realizado por Bill Couturie em seu filme Cartas do Vietnã ( Dear America: Letters Home from Vietnam. trabalhado com a História Oral.1980): profissionais da alta burocracia governamental como o ministro Michel Rocard e acadêmicos de primeira linha do sistema de ensino e pesquisa universitário como François Perroux (economia industrial). pois o autor dá uma co-autoria a 26 personagens que foram os criadores das áreas de contabilidade nacional. que vai da correspondência privada aos autos de tribunais. Alfred Sauvy (estatística) ou Jean-Vitold Marczewski (contas nacionais) para citar alguns que a área geográfica certamente conhece.1983). do planejamento de governo e das estatísticas econômicas francesas (Fourquet. servindo no teatro da guerra do sudeste asiático. Esta será apenas uma das possíveis visões que este assunto evocará. A seção de agradecimentos praticamente cobre quase toda a elite intelectual francesa. pela saga profissional de Jacques Lacan. No processo de criação. filosofia e da literatura da França. chamando a atenção do leitor para as dificuldades sentidas por ele no processo. Louis Althusser . o que levou o autor a estruturar uma urdidura dos temas e das opiniões poucas vezes vista nas ciências sociais. encaixando-se com uma perfeição de relojoaria aos depoimentos e testemunhos prestados por figuras da intelectualidade como Jacques Derrida. operando conjuntamente com os 26 co-autores. aos seus parentes e amigos e as imagens . principalmente por terem de alguma forma. O livro de François Fourquet Les Comptes de la Puissance é. É certamente um clássico do assunto. tanto em termos técnicos quanto ideológicos.diferentes ângulos. Fourquet fez uma longa nota explicativa inicial. faz da obra de Roudinesco uma referência indispensável no estudo da história contemporânea de cunho memorialista. É importante lembrar que os 26 co-autores eram muitas vezes adversários entre si. o mais importante psicanalista após Sigmund Freud. passando pelas atas de congressos e recortes de material da imprensa. além do campo específico da medicina psiquiátrica e. 1987) onde foi estruturada uma excelente relação entre os conteúdos das cartas de militares norte-americanos. certamente.1988). O monumental trabalho de Elisabeth Roudinesco em seu segundo volume da História da Psicanálise na França : 1925-1985 é outro marco na relação documento / memória (Roudinesco. cuja grande maioria prestou depoimentos ou cedeu documentos para esta pesquisa que transitou por quase todos os campos das artes. ao estilo de Fernand Braudel em sua obra sobre o Mediterrâneo (Braudel. Algumas obras servirão de referência para o entendimento dessa relação. particularmente.

imerso numa cultura totalmente diferente.1994) faz um excelente contraponto com o trabalho de Bielchowsky. enquanto a guerra recrudesce. O teor das cartas e as das imagens. é particularmente interessante assim como o cap. inicialmente de cunho laudatório. é um dos melhores ensaios de historiografia econômica baseado exclusivamente na literatura especializada e em documentação governamental (Bielchowsky. como reconhecimento pelo Prêmio Haralambos Simeodines da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC) de 1995 na categoria tese. Campos encerrou o seu mandato ao início de 1999. passando pelo ciclo militar. enfatizando o período 1945-1964 garantem um quadro de referência importante para se entender o processo de desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo. entre julho . até tornarem-se trágicos e melancólicos. 1995). embora não se utilizasse das ferramentas dos depoimentos orais. O capítulo VI. o depoimento do ex-presidente Ernesto Geisel organizado por Maria Celina D'Araujo e Celso Castro. o trabalho de Ricardo Bielchowsky Pensamento Econômico Brasileiro : O Ciclo Ideológico do Desenvolvimento. Sua primeira versão de 1984 foi destinada ao mundo acadêmico inglês como tese de doutoramento na Universidade de Leicester.documentais referentes aos diversos períodos de envolvimento dos EUA no conflito. que trata da criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE atual BNDES). ao perder para Saturnino Braga a vaga de senador do Rio de Janeiro nas eleições de novembro de 1998). Sua memória prodigiosa somada à vasta documentação apresentada. culminando com a humilhação da derrota. vão se deteriorando. Sua primeira edição brasileira foi editada pelo IPEA em 1988. No contexto brasileiro. com certeza. fazem do livro de Roberto Campos um ótimo referencial para se entender os diversos conceitos que foram atribuídos à palavra desenvolvimento desde o ciclo Vargas até a Nova República. O trabalho de escolha das cartas e das imagens o credencia como um dos mais importantes trabalhos de relação documento / memória fora dos clássicos compêndios de História Oral. o melhor trabalho de História Oral foi. principalmente no que tange ao tumultuado processo de planejamento macroeconômico e à sua instrumentação ao longo desses 60 anos (é importante lembrar que como deputado federal. que trata dos anos de Juscelino. As análises das principais correntes de pensamento econômico que influenciaram as decisões governamentais entre 1930 a 1964. Referenciado ao período militar. IX. à medida que a difícil percepção do real objetivo daquela guerra soma-se às cruéis experiências pessoais em um campo de batalha não convencional. A experiência memorialista de Roberto Campos no seu A Lanterna na Popa: Memórias (Campos.

é também muito interessante. a exoneração do Ministro do Exército General Silvio Frota. pois confronta diversas versões sobre alguns episódios políticos cruciais ocorridos entre 1964 e 1985 (Couto. pois era economista formado pela UFMG com especialização em macro-planejamento. as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho e a exoneração do comandante do II Exército. sua experiência de comando na Presidência da República e a avaliação dos governos posteriores até 1994. com poucas incursões ao terreno econômico. durante a presidência de José Sarney foi nomeado Ministro do Interior (1985-1987). seu falecimento e a posse de José Sarney . O volume especial com a íntegra de 26 entrevistas intitulado Memória Viva do Regime Militar: Brasil 1964-1985. aprendida com um mestre do assunto. defendida em novembro de 1997 e publicada pela Record em janeiro de 1999. A preocupação dos organizadores do depoimento era cobrir os aspectos da formação intelectual de Geisel e seus reflexos na carreira militar e administrativa. Tancredo Neves. a decisão da posse de José Sarney e muitos outros são analisadas sob diferentes pontos de vista. Essa combinação entre capacidade técnica. civis e militares.que culminou com a eleição de Tancredo Neves.a tese de doutoramento de Ronaldo Costa Couto para a Universidade de Paris IV. Questões como a preparação do golpe militar. Cabe lembrar que Costa Couto foi um dos mais importantes homens públicos do final do período militar e da Nova República. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985 é. O enfoque é fundamentalmente político. no governo do Almirante Faria Lima. o credencia como uma das melhores testemunhas daqueles períodos. sendo que três foram Presidentes da República: Ernesto Geisel. cargo que acumulou com o de Governador do Distrito Federal. sendo posteriormente transferido para Ministro-Chefe do Gabinete Civil (1987-1989). General Ednardo D’Avila Mello. 1997). aos 89 anos (D'Araujo & Castro. o processo de escolha de Tancredo Neves. ainda que enfatizasse o período final do ciclo militar e o processo de abertura política . o melhor trabalho historiográfico do período que fez uso sistemático da História Oral (com 32 depoimentos dos principais homens públicos do país. sem dúvida. 1999a). que foi lançado em maio do mesmo ano. tendo sido por duas vezes Secretário de Estado de Planejamento (no Rio de Janeiro. a sucessão de Castelo Branco por Costa e Silva. e uma rara habilidade política. .de 1993 e março de 1994 e somente publicado após seu falecimento em setembro de 1996. 1999b). e em Minas Gerais. João Baptista de Oliveira Figueiredo e José Sarney) contrapondo-a com a documentação pesquisada (Couto. No mesmo contexto. no governo de Tancredo Neves).

Xavier Ferreira (1996). onde o papel da mulher. um outro lado mais amargo nos é mostrado por Elizabeth F.. Jean Marc Von der Weid. o trabalho de Mattos Dias é de extrema valia para os que querem se aventurar na História Oral de organizações de qualquer ordem. enfatizando os períodos de militância política e o da prisão. No campo específico da História Oral das organizações brasileiras. que mostrou também o seu talento ao analisar a trajetória profissional dos engenheiros. “O perigo é um pensamento revolucionário que se transforma em mística revolucionária. Neste contexto é também interessante ler a entrevista do grande historiador francês Pierre Vilar a Jean Boutier (Boutier & Julia.A. como o do restaurante do Calabouço que resultou na morte do estudante Edson Luis.. mal avaliado. O trabalho com 12 depoimentos das principais lideranças estudantis da época. que muitas vezes saía do controle das lideranças e era empalmado pelos participantes das passeatas e comícios.A esquerda estudantil de 1968 também tem seu livro de memórias organizado por Daniel Aarão Reis Filho. analisando os diferentes tipos de conflitos estudantis que eclodiram em várias partes do mundo e organizando uma excelente cronologia (pg. Ainda no contexto da memória das esquerdas no Brasil. os autores contextualizaram muito bem o ano de 1968. com fotos de Pedro de Moraes (1998). (Petrobrás) e Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). por isso. ao colher depoimentos de 13 mulheres. apresenta um quadro bem interessante das dificuldades de organização do movimento estudantil. O foco nas histórias de vidas dessas mulheres. como Luis Travassos. 201) que contrapõe os acontecimentos no Brasil e em outros países. quanto no ambiente dos porões da ditadura militar sempre foi visto sob uma ótica de preconceito e. Não se deve esquecer que Pol Pot foi formado na Paris de 1968. gerando conflitos com as forças de repressão. A ênfase foi dada aos políticos que as criaram. Apesar de ser um artigo de coletânea. 1998). Vladimir Palmeira.” (pg. Além disso. que foram presas políticas durante os governos do ciclo militar. José Dirceu. 57 feridos e 3 mortos. abre um importante campo de análise da memória de gênero. aos burocratas que as dirigiram e a alguns executivos técnicos que decidiam em áreas chave dessas organizações. o melhor especialista é José Luciano de Mattos Dias (1994). de 21 de junho. 1968 a Paixão de Uma Utopia . com um saldo de 1000 presos. José Genoíno e outros. 283). Sua pesquisa cobriu os acervos orais de organizações estatais de grande porte como a Petróleo Brasileiro S. e a Sexta Feira Sangrenta. para sua tese de mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ. . tanto no campo das vinculações com a hierarquia masculina dos movimentos de esquerda. em 28 de março. que encara os acontecimentos de 1968 na França com um misto de necessidade e descontrole.

tese de livre-docência para a Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. os autores operaram muito bem com a documentação dos dois institutos e apresentaram um bom quadro comparativo de seus respectivos campos de atuação ao longo dos anos. foram Ministros de Estado ligados aos setores da economia e da alta administração federal. Os autores. Embora não trabalhem com História Oral. dos quais. A apresentação dos autores e o capítulo que trata da história do ensino de economia no Brasil são também peças interessantes. apresentada em agosto de 1996. Luiz Felipe L. Além da coletânea organizada por Angela de Castro Gomes (1994) Engenheiros e Economistas: Novas Elites Burocráticas. reconhecem. Os Economistas no Governo de Maria Rita Loureiro (1997). O prefácio de Pedro Malan é de uma exatidão e elegância poucas vezes vistas nas publicações dos últimos anos. além da consulta a 10 depoimentos orais arquivados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). analisa o papel dos economistas como dirigentes políticos e trabalha a sempre tensa relação entre a racionalidade técnica e os objetivos políticos e que constantemente põe à prova esses profissionais da elite governamental brasileira. dos quais três foram Ministros de Estado. Burocracia e Elites Burocráticas no Brasil de Gilda Portugal Gouveia (1994). Foram entrevistados 30 economistas. Foram entrevistados 22 homens públicos e técnicos do alto escalão do governo. pois aliam concisão e clareza. Lagartos & outros bichos: uma história comparada dos institutos Oswaldo Cruz e Butantan. Cozac e José Marcio Rego (1997) é o melhor dos quatro. entretanto. tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (UNICAMP) defendida em junho de 1994. quatro. os mais estudados. que enfoca a construção do Sistema Financeiro Nacional entre 1930 e 1964 sob a ótica da estruturação de seus quadros burocráticos de elite. três outras obras estudaram a importância do papel deste grupo profissional na condução dos destinos do Brasil nos últimos 60 anos. os economistas são. além de um capítulo . mas também pela maneira de tratar o tema da História Oral do pensamento econômico brasileiro.É importante também considerar o livro de Jaime Larry Benchimol e Luiz Antônio Teixeira (1993) Cobras. dos quais três foram Ministros de Estado. não apenas pelo elenco de profissionais escolhidos. No segmento da História Oral de grupos profissionais. Conversas com Economistas Brasileiros de Ciro Biderman. evidentemente. compostos majoritariamente por economistas e juristas. onde estão os trabalhos de José Luciano de Mattos Dias sobre os engenheiros e de Marly Silva da Motta sobre os economistas. que deram maior ênfase ao instituto carioca do que o paulistano.

João José Bigarella. André Lara Resende e Pérsio Arida. Celso Furtado. O Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também iniciou em 1997 a publicação de sua revista GeoUerj com uma seção de entrevistas a geógrafos importantes. Maria da Conceição Tavares. Milton Santos. o Almirante e paleontólogo Ibsen de Gusmão Câmara. a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua. O volume 12 / 13 já tornou-se um clássico. através da revista Geosul. pois em nenhum momento o diálogo resvala para a crítica fácil ou o "achismo". No que concerne à Historia Oral dos Geógrafos. além do economista Ignácio Rangel. o trabalho do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. expoentes de linhas de pensamento bem diversas.final. o biogeógrafo Alceo Magnanini. três possuíam mandatos eletivos no Congresso Nacional. o livro da jornalista Teresa Urban (1998) Saudade do Matão organizado pela Fundação Boticário e a The John D. considerado como um geógrafo honorário. chamado Uma leitura Comparada das Entrevistas que demonstra o alto nível de síntese dos organizadores da obra. inaugurando a série com o Professor Speridião Faissol. Professores como Orlando Valverde. Estão sendo sistematicamente entrevistados os principais geógrafos brasileiros que contribuíram com os seus conhecimentos para a melhoria do ensino de Geografia no país. and Catherine T. duas trabalharam no IBGE Alceo Magnanini e Wanderbilt Duarte de Barros. são diálogos de profissionais para profissionais. é de alta relevância. Victor Antônio Peluso Júnior. O zoólogo Aldemar Faria Coimbra Filho. O teor das entrevistas revela-se altamente profissional. Num contexto intermediário das ciências ambientais. além de todos serem professores das melhores escolas de economia do Brasil. onde a Geografia possui forte presença. Mário Henrique Simonsen. utilizando os depoimentos orais de seis personalidades líderes em seus segmentos. Roberto Lobato Corrêa e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro são alguns exemplos deste importante volume. cinco foram Ministros de Estado. o naturalista Paulo Nogueira-Neto e o engenheiro agrônomo e administrador de parques naturais Wanderbilt Duarte de Barros. Dessas personalidades. Dos 13 entrevistados. Mac Arthur Fondation conta a história do movimento de Conservação da Natureza no Brasil. apesar de estarem na arena figuras como Delfin Neto. pois concentra 9 dos melhores profissionais de Geografia. Mas o que é ouro puro neste livro são as conversas altamente profissionais com uma importante parcela dos melhores economistas do país. dois presidiram o Banco Central. . Roberto Campos.

desse projeto. A análise do tema Memória Institucional foi o objetivo do trabalho de Icléia Thiesen Magalhães Costa para sua tese de mestrado em Ciência da Informação na Escola de Comunicação da UFRJ em 1992 Memória Institucional do IBGE: Um Estudo Exploratório-Metodológico. que residiu e lecionou na University of New York entre 1965 e 1998. organizador da estrutura burocrática que criou o Conselho Nacional de Geografia em 1937. mas também de outros países como Gana. Após esta revisão. Inglaterra. . onde foram trabalhadas 23 entrevistas com funcionários e ex-funcionários do IBGE. a estrutura que organiza esta primeira parte do trabalho está dividida em mais dois capítulos que objetivam referenciar a agência IBGE. antropologia. Ainda no campo da História Oral dos profissionais. ciência política. com sua estruturação organizacional atual e estabelecer um pano de fundo cronológico que acompanhará os 60 anos de atividades geográficas da instituição. Gelson Rangel Lima e Aluísio Capdeville Duarte. além especialistas de instituições que lidavam com memória institucional. Wilson Martins autor da coleção A História da Inteligência Brasileira em sete volumes. um projeto de depoimentos com os profissionais da casa e. sociologia e filosofia / teologia. foram entrevistados três geógrafos: Orlando Valverde. José Carlos Sebe Bom Meihy (1990) lança A Colônia Brasilianista: História Oral Acadêmica obra fundamental para se entender a formação do grupo de profissionais conhecido como os brasilianistas da comunidade acadêmica norteamericana. história. economia. também foram aplicados 28 questionários. além do importante depoimento de Cristóvão Leite de Castro (engenheiro). respondidos por funcionários das unidades regionais do IBGE de 11 estados brasileiros. Em sua maioria americanos.A área de Memória Institucional do IBGE concebeu em 1991. França e até um brasileiro. crítica literária. Foram gravados os depoimentos de 32 profissionais que se especializaram em Brasil nas suas diferentes atividades acadêmicas: literatura. além do engenheiro Christovão Leite de Castro. Eli Alves Penha (1993) em sua tese de mestrado A Criação do IBGE no Contexto da Centralização Política do Estado Novo já inicia um processo de abordagem da História Oral ao entrevistar sete geógrafos do IBGE a respeito das práticas profissionais.

que vai muito além do simples intervencionismo estatal. 1. ou mesmo de caráter pessoal. pelas "Resoluções" n Instituto. também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística. de 17 de novembro de 1936 e 1. Decreta: Art.609. de 10 e 13 de julho de 1937. Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia.. 1 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.o de Geografia e o de Estatística com a denominação de "Conselho Nacional". dentre elas a 0 os 31 e 5. Considerando. inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede o golpe militar consolidado em 03 de outubro de 1930 pelos Generais Tasso Fragoso.O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? Criado pelo decreto-lei n 218 de 26 de janeiro de 1938. de 24 de março de 1937. no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República: Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística.. ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção . ex-vi dos decretos n 0s 0 24. Getúlio Vargas inaugura um processo político-jurídico-administrativo. ao Rio de Janeiro (capital federal). a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do . ainda. A criação dos Ministérios do Trabalho. A saga de implantação dessas agências. Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia uma série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo.527. Mena Barreto e Isaías Noronha. Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia e em suas considerações iniciais esclarecia . e não apenas uma referência ao poder do Palácio do Catete.200.. O IBGE na realidade foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia que já existiam. além disso. a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935/36.. O subtítulo do decreto era. sua abrangência nacional até ao nível de município. que passam o comandado do país para Getúlio Dorneles Vargas em 03 de novembro de 1930. Portanto. respectivamente.II . pois a principal preocupação de Vargas era de dotar o aparelho estatal de uma imagem claramente nacional. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. de 6 de julho de 1934.

Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre Ministérios.. apresenta fundamentos políticos muito precisos para aquele período. . corporativismo. (ver anexos . o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas. que exigiam pessoal técnico qualificado. Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado. Período este muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (Medeiros.documentos históricos) A importância de que se revestia um órgão como este. sem dívida. que nas palavras de Edson Nunes (1997:18) "estava isolado das disputas políticas" . Francisco Campos. e sim. o corporativismo constitui..criação de uma agência federal de Estatística que objetivava uma centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. Francisco Luís da Silva Campos Educação e Cultura.1983). e universalismo de procedimentos. para que toda a sociedade percebesse que. Oliveira Vianna. sendo que para Nunes ". mas que não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro. a partir daquele momento. é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente. disseminadas por grande parte do território nacional. Osvaldo Aranha Fazenda e Francisco Antunes Maciel Justiça e Negócios Interiores) lutaram pelo fortalecimento ou enfraquecimento de tal agência. Para este autor. se possível em nível municipal. sem intermediações das políticas locais ou estaduais. 1978). A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997:18) chama de insulamento burocrático. uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo. principalmente entre os novos e os antigos. Nos anos subseqüentes a 1930 e. o porta voz do governo federal seria um técnico. após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 até 1945 (Schwarztman. É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário. Nesse diálogo. No caso do Instituto Nacional de Estatística criado em 1934/1936 pelo menos quatro ministros (Juarez Távora Agricultura . Azevedo Amaral. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas" . ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e que tiveram papel influente na estruturação jurídico-política-administrativa do Estado Novo. insulamento burocrático. uma de suas parcelas mais importantes. o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal.

Apesar desses mecanismos iniciais. XII). a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam ter contratos de trabalho. geralmente sendo coordenada por um ministro de estado (Planejamento ou Fazenda). quanto à sua relação com o poder central da república. O órgão.. por força do Decreto-Lei 161 de 13/02/1967.L. incorporaram-se ao aparelhamento do Estado. a criação do IBGE já foi devidamente tratada por dois autores da casa. Para o ano 2001. Gonçalves (1995) e Penha (1993). Intelectuais que. anteriormente regidos pela C. com autonomia financeira e possibilidade de contratação por C. criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo. elitistas todos. até a sua fusão no IBGE. não é imune a controvérsias. .T. continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu. para sua dissertação de mestrado. Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo. fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. Entre 1967 e 1990. algo identificável. está em andamento uma nova mudança de vinculação. Em 1993. No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos. o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único. entretanto. “pertencem à categoria algo difusa. que utilizou fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático. A partir de 1990. um interessante trabalho de Geografia Política. além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. É com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo que se deve avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. sendo seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. dos intelectuais. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República. Membros da elite. é possível perceber quatro fases distintas.T. como de Geografia. o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal. da mesma forma que as empresas da iniciativa privada. Ao se analisar todo o período de existência do IBGE. conquistaram o casaco de veludo do mandarinato.L. sua história.” (p. tanto de Estatística. (Consolidação das Leis do Trabalho) para a esfera do funcionalismo público federal. transferindo todos os seus funcionários. A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores.Raimundo Faoro em seu prefácio à obra de Medeiros diz que estes personagens. em algum momento. para projetos específicos. para transformar o IBGE em agência executiva do governo.. nos seus primeiros anos.

Antes porém. que foi montada a partir de 1934 ( decreto 24 609 de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936. . 1993).Além desses autores. pelo então presidente Simon Schwartzmwan (19941999) durante sua gestão. a levantamentos socio-ambientais em escalas regional e nacional. A Rede de Coleta A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações. passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE. coordenada por Icléia Costa (1998). consumo. uma das poucas agencias governamentais no mundo. emprego e renda. é importante considerar ainda os documentos elaborados em 1994. em que se operam todas as etapas de reconhecimento territorial. este trabalho se dispõe a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes que. foram também incluídos dois trabalhos compilatórios: o primeiro referenciado ao conjunto de leis e decretos que deram suporte jurídico ao Conselho Nacional de Geografia (IBGE. Para complementar o entendimento sobre o órgão durante os anos 90. será necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE. Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística. também exerceu a presidência da casa entre 1986 a 1988 (num período particularmente turbulento. produção. indo do levantamento geodésico e cartográfico até a confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas.1952) e.org. infra-estrutura. abarcando desde áreas de pesquisa ecológica em sua Reserva Ecológica do Roncador no Distrito Federal.htm). da Junta Executiva Central (JEC). controlando todas as estatísticas básicas de demografia. do Diretório Central (DC) e do Conselho Diretor sob duas siglas (COD.br/simon/relat. seu alcance é ainda maior. em função de problemas corporativos). à Cronologia do IBGE. Esta complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações.fbds. o segundo. Tendo como marco inicial essas referências. que trataram especificamente sobre o papel do IBGE no contexto dos órgãos de pesquisa do Governo Federal do Brasil e que apontam para um projeto de criação de uma agência executiva controlada por um projeto de gestão (http://www. cobrindo todas as unidades da federação. No campo das estatísticas. por coincidência. que lista boa parte da legislação externa e interna ao órgão como as resoluções das Assembléias Gerais dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia (AG/CNE e AG/CNG). a antiga e CD a atual).

poderia ter dezenas de funcionários.000 pesquisadores em todo o Brasil. a estrutura básica da rede era estabelecida pelo município. por exemplo. Na atualidade. utilizam contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados . a campanha da PNAD 96 que ocupou mais de 2. onde se encontra a Agência Estatística Municipal . pesquisa de orçamentos familiares – POF. Para se ter uma medida do quantitativo desse pessoal especializado. economistas.PME. Até o final da década de 1980.O processo de coleta de informações é iniciado nos escritórios centrais do IBGE.000 recenseadores para trabalharem em 5. Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos Estados. o IBGE treinou 200. São elas que se responsabilizam pela coordenação das agências de coleta localizadas nos municípios e pelas equipes que operam em pesquisas específicas. Os questionários serão. tome-se como exemplo. e também que demandam pessoal especializado (estatísticos. no Rio de Janeiro. 1 . utilizando-se scaners e as informações contidas neles automaticamente testadas por programas estatísticos de verificação de consistência dessas informações. Para a operação censitária de 2000. Esta rede foi uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE). lidos por processo óptico.PNAD. pesquisa nacional de amostra por domicílio . onde são planejadas as campanhas de coleta de informações e se estabelece no nível do município. a pesquisa de índices de preços . pesquisa mensal de emprego . as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE como.INPC. cartógrafos).507 municípios recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro. agrônomos. Tais recursos tecnológicos possibilitarão a divulgação dos resultados preliminares do censo em dezembro de 2000. conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística. pela primeira vez. 1 Em grandes cidades e nas áreas metropolitanas a rede de coleta se estrutura de maneira mais detalhada subdividindo-se em Distritos e bairros. chefiada pelo agente do IBGE e. No distrito sede de um município localizava-se a agência de coleta (Agência Municipal de Estatística). que viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 30. em ambiente de banco de dados especialmente construídos para a operação. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico. dependendo da importância desse município.

na parte em que tratou dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística. é o poder executivo quem mais se relaciona com o IBGE garantindo. Câmara dos Vereadores . 1960). Em cada DERE há uma unidade chamada Divisão estadual de pesquisas (DIPEQ). evitando assim um deslocamento. econômicas. Mário Augusto Teixeira de Freitas. no capítulo IV Aparelhamento das Agências detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência padrão. de . que coordena as atividades de coleta. funcionários das prefeituras. mapas regionais e estaduais. situadas em municípios com alguma centralidade. um espaço físico para a AME. O livro de Joaquim Ribeiro Costa Manual do Agente Municipal de Estatística editado em 1960. uma biblioteca básica sobre a região e o estado. Atualmente. inclusive estabelecendo uma planta baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação informações (Costa. além de uma coleção de obras gerais do IBGE. Para o idealizador da rede de coleta de dados. A agência. a grande maioria das agências municipais são alugadas com recursos próprios do IBGE.A Agência Municipal de Estatística (AME) é a ponta de uma intrincada rede organizada no início dos anos 30 para prover o Governo Brasileiro de informações sobre as condições demográficas. Normalmente. mas ainda existem casos de coabitação da AME em prédios pertencentes às prefeituras ou a algum outro poder municipal. como anuários. ou pesquisadores que demandassem informações sobre o município e sua região limítrofe. na maioria dos casos. sobre o Estado e o município na qual a agência está localizada. Uma agência municipal de estatística sempre é criada através de uma relação de interesses entre o IBGE e os poderes municipais (Prefeitura. em contato com a delegacia estadual ou escritório de informações situado na capital da unidade da federação podia solicitar material de divulgação para usuários moradores nos respectivos municípios. a AME deveria ser um misto de escritório de coleta de informações e de divulgação de dados sobre o IBGE. muitas vezes longo e penoso de profissionais como professores. No ano de 1990. que controlam as atividades administrativas da rede. as grandes modificações por que passou o órgão. reduziram a estrutura da rede de coleta para apenas 500 agências. sociais e administrativas do país. Esse processo de divulgação incluía um arquivo de dados sobre o município. e gerenciadas por oito departamentos regionais (DERE). Juizados e Tabelionatos).

município e distrito). num país de dimensões continentais como o Brasil. além das unidades de área institucionalmente conhecidas (Estado. animais. através da Diretoria de Pesquisas (DPE) e de campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade. sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística. indo das pesquisas mensais até as anuais. (Agropecuário. maquinaria. Além disso. é uma tarefa que envolve milhares de pessoas e muito dinheiro. Mapas que delimitam os setores censitários (urbanos e rurais) de todos os municípios brasileiros e que são sistematicamente atualizados antes de qualquer operação censitária. mão de obra etc. que são também utilizadas para o processo de divulgação dos dados estatísticos. que é previamente orçado e aprovado pelo Congresso Nacional. A rede também possui fortes vinculações com a Diretoria de Geociências (DGC) através da organização dos mapas que configuram as Bases Operacionais Geográficas dos Censos (Demográfico e Econômicos). atividade profissional. por sua complexidade de informações . Industrial. .Atualmente. nos anos 0 e 5. foram iniciadas as pesquisas para uma futura reorganização espacial da rede de coleta. condições do domicílio. O segundo. a rede de coleta se amplia para dar conta das tarefas censitárias que cobrem.somada às dificuldades de acesso aos estabelecimentos rurais nas áreas mais distantes. levantar. meso e micro regiões. os censos econômicos Comercial e de Serviços) e. isto é. nos anos 0. que cobrem uma ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais. objetivando otimizar a logística de obtenção de informações. renda. A Área de Estatística 2 Projeto de reestruturação da agencia visando uma otimização da rede de coleta.que envolvem conhecimentos específicos de produtos agrícolas. por seu objetivo principal de contar todo o universo populacional brasileiro. Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE. sexo. contabilidade. informações sobre a estrutura de sua população: idade. tipos de energia consumida. no contexto do Projeto Presença do IBGE2. escolaridade. em função de estudos de acessibilidade das agências. . o Departamento de Geografia da DGC organiza a regionalização do país em macro. A estruturação da logística censitária. As duas mais complexas e caras campanhas censitárias são as dos censos demográfico e agropecuário. toda a rede reporta-se à Diretoria de Planejamento e Coordenação (DPC). O primeiro. No início de 1999. o Censo Demográfico. em todos os domicílios do país. Quinqüenalmente e decenalmente. movimentos migratórios etc.

informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação. coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (a exemplo das estatísticas militares no período da 2 a Guerra. . que o IBGE organizou.É na área de Estatística. Os exemplos dos índices de preços e de emprego / desemprego são alguns dos mais polêmicos. passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou decréscimo da economia nacional. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística / Informática e de Geodésia / Cartografia que eram muito disputados. Cabe. quando as pesquisas econômicas conjunturais. Demografia e Análise de Dados. Os principais problemas inerentes a este papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra. ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país. 1998). ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração. Cabe. ampliou sua oferta oferecendo cursos de pós-graduação "latu-sensu" nas áreas de Amostragem. como as dos estados do Sudeste e Sul com as dos estados nordestinos ou nortistas. universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado. principalmente após os anos 60 e 70. Além dos indicadores econômicos. definindo novas pesquisas. ao IBGE tentar "o equilíbrio entre o desejável e o possível" de que nos fala Nelson Senra no sub-título de seu trabalho. portanto. estabelecendo metodologias. representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE) que o IBGE apresenta a sua imagem mais clara para a sociedade. as taxas de emprego e desemprego. acesso a serviços básicos de infra-estrutura etc. o índice de crescimento industrial e outros.ENCE. emprego. além de acompanhar tecnicamente as estatísticas das demais unidades da federação. fundada em 1953 e que. secretarias estaduais de planejamento. que analisa as estatísticas sob duas óticas: a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores) colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (Senra. saúde. juntamente com os ministérios militares). Sendo a Estatística a principal atividade fim do Instituto. também. a partir de 1984. o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas . a Estatística também trabalha com indicadores sociais. como o índice de preços que estabelecia o índice de inflação. pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas. Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas. renda.

além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. Um detalhamento maior dessas atividades de aperfeiçoamento na Geografia será dado na parte V deste trabalho. foram ministrados cursos especiais para atualização de professores universitários. Na área da Geografia. normalmente arbitrados pelo poder judiciário. alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. Ademais. com as resoluções da Junta Executiva Central (JEC) do Conselho Nacional de Estatística organizando estágios. em 1939. assume sua especificidade em 1945. A atuação do IBGE na formação e qualificação profissional. O segundo grupo era composto de professores que deveriam possuir diploma de curso superior. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou. vem desde 1937. 1: 250 000. levando em consideração as negociações entre as partes. é atribuição da área dar apoio técnico às operações de mapeamento das a a o a a . definindo níveis de aptidões para o ingresso na carreira e. É também o IBGE.Em 1993. que se tornaria o embrião da futura ENCE. tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE. que determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. Posteriormente. entretanto. que iniciou seus trabalhos em 1937 no bojo do Conselho Nacional de Geografia. planimétrica e gravimétrica. tanto na escala municipal quanto na estadual. ainda. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. A Área de Geodésia e Cartografia A Geodésia. 1: 50 000. esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa. atuais 5 a 8 série e 2 Grau). pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. juntamente com as demais forças armadas. e 1: 25 000. os primeiros Cursos de Informações Geográficas foram ministrados em 1946. com a estruturação das redes altimétrica. realizado e organizado pela área de Cartografia que. os parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. instituindo o primeiro curso anual de aperfeiçoamento estatístico. definidos por resoluções do Diretório Central do Conselho Nacional de Geografia visando a dois públicos alvo: os professores do ensino primário (atual 1 a 4 série do primeiro grau) e professores do ensino secundário (antigos Ginasial e Colegial. Em caso de litígios entre essas unidades. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. 1: 100 000.

encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. para fins de demarcação das proporcionalidades de área. Para uma visão histórica desses processos.IBM (sistema 1401). componentes da infra-estrutura (estradas. municípios. para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração (o exemplo dos municípios fluminenses situados frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante). linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. distritos. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. na década de 60. Três outros tipos de incumbência interessantes de que a Cartografia participa fortemente são: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas. hidrografia. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede Internet). a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional. no acompanhamento dos limites internacionais. os quais são atualmente utilizados em organização de Atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados (que vão de informações alfa numéricas simples a complexas imagens e sons em tempo real. por sistemas eletrônicos. até o início da década de 40. Entre os anos 40 e 50. unidades federadas). deve-se consultar o trabalho de Francisco Romero Freire (1993). que estabelece a produção de bases digitalizadas visando o georeferenciamento de pontos e linhas que impõem limites entre áreas (setores censitários. foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e. Área de Informática Todas essas informações. Cabe também ao órgão auxiliar o Ministério das Relações Exteriores. quando solicitado. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática. a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil. que garante a distribuição dos royalties provenientes da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira. . principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas. tanto estatísticas. constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão.Bases Operacionais Geográficas dos censos. vegetação). e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano. adquiridos à Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e à International Busines Machines . A partir da década de 70. ferrovias. além da cooperação com as da Força Aérea. que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE. quanto cartográficas ficam disponibilizadas em bancos de dados que.

Este novo sistema sustenta uma grande rede de 44 servidores localizados no Rio de Janeiro que já integram uma arquitetura de 2180 pontos de rede. Doze (12) unidades de discos IBM-3380 modelo BK4 com quatro endereços por unidade e capacidade de 1. portanto.89 GBYTES por endereço (39. onde a utilização de grandes computadores é prioritária.5 Mbytes/segundo. capacidade de 1. Dezesseis (16) gavetas IBM 9392-B13 emulando 64 endereços de discos IBM 3390.84 GBYTES por endereços (50.825 trilhas e 2. qualificado para trabalhar com programas pesados. A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada. por um período de até 48 horas. A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte.085 trilhas ou 3. criado em 1989.O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE. As memórias CACHE permitem otimizações nas operações com os discos magnéticos e são preservadas com auxílio de baterias. O sistema que operava em 1994 era um IBM 9021 com 1. Duas controladoras IBM-3990 modelo G03 com memória CACHE de 32 Mbytes e duas controladoras IBM 3990 modelo G06. o sistema gerencia mais 92 servidores e 1221 estações de trabalho localizados nas unidades do IBGE em nível de capital de estado e no Distrito Federal. Além disso. 104 canais com taxa de transferência de até 4. O processador opera com 60 mips (milhões de instruções por segundo) e possue o dispositivo PRSM que permite sua divisão em partições lógicas de processador. onde já estão instaladas 1706 estações de trabalho. O computador central é hoje.665 cilindros).665 cilindros). criada em 1971 com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática . Quatro (4) unidades de discos IBM-3380 modelo AK4 com quatro endereços por unidade. principalmente os que operam com grandes massas de dados. e ser acessado por 2 000 terminais remotos.CDDI. O sistema que passou a operar em 1998 está composto por Um (1) IBM-9672 modelo R32 (triprocessador) com 192 Mbytes de memória central e 1024 Mbytes de memória expandida.IBI e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações . memória CACHE de 256 MBYTEs. estando em elaboração a nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta.339 cilindros). mais um servidor que executa tarefas específicas que exigem grande .2 Gigabytes de memória central e equipado com discos que podiam armazenar 242 Gigabytes de informação. a Diretoria de Informática . e 512 Mbytes.89 GBYTES por endereço (39825 trilhas e 2. com capacidade de 2.DI. no caso de falta de energia .

É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade. que compilou desenhos de Percy Lau e Barboza Leite sobre os mais diferentes aspectos da vida. costumes sociais e atividades profissionais de diversas regiões brasileiras (IBGE. como no caso de sua nova loja virtual que vende os produtos do órgão na grande rede . Por exemplo. rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações. Sua estrutura de atendimento . a coleção de Tipos e Aspectos do Brasil. além do gerenciamento da rede. em 1943 a obra de Fernando de Azevedo A Cultura Brasileira . 1975 10 ed. durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público adolescente. em 1941. situadas em cidades médias. foram editadas obras que referenciavam o IBGE com áreas da educação e da cultura. Essa pesquisa.). No caso da disseminação de obras culturais. e seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico. através dos SDDIs localizados nas capitais estatuais e na maioria das agencias de coleta. onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE. utilizando tanto a linguagem técnica. como no caso do recente lançamento do site IBGE Teen e a preparação de um novo site para o público infantil (IBGE Kids). Além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e estudos que são distribuídas pelos seus pontos de vendas tradicionais. e no ano 2000. por exemplo. os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão.um dos mais completos retratos da evolução da sociedade brasileira feitos após a revolução de 1930. como os disquetes e CD-ROMs e DVDs. quanto cultural. Área de Disseminação de Informações Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de propagar as informações coletadas ou geridas pelo órgão. criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. além do uso intenso da rede Internet. uma extensa obra sobre os problemas educacionais brasileiros em dois volumes. Por ocasião do lançamento dos resultados do Recenseamento Geral do Brasil de 1940. os lançamentos a . 1941).além das mídias inseridas na Internet.espalha-se obrigatoriamente até aos escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs). está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e de suas relações com as demais áreas da casa. Nos anos 50. por ocasião da Primeira Conferência Nacional de Educação (IBGE.capacidade de memória como. É também no CDDI que se encontra a área da Memória Institucional. por exemplo.

. além de ilustrações históricas e mapas de época e de fotos do acervo da Memória institucional do IBGE que retrataram as múltiplas facetas desta saga de ocupação do território brasileiro (IBGE. evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais. que poderiam elevar os custos do processo. quanto no humano e econômico. pelo uso de links com o sumário e a possibilidade de impressão seletiva das páginas pesquisadas. onde 11 historiadores especializados em “nações” que povoaram o Brasil escreveram artigos sobre seus respectivos objetos de pesquisa. entretanto. onde os 36 volumes foram reduzidos em 18 CD ROMs. pois ocupará a maioria dos capítulos subseqüentes. 2000). que obrigou a todos os municípios montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940. nos anos 30. sua sistematização e aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não havia sido tentada.1995 e 1999). Manabu Mabe. já possuísse um razoável lastro. É importante. ricamente ilustrado com imagens de pinturas e gravuras de artistas renomados como Anita Malfatti. na medida em que os novos geógrafos eram formados na Universidade e adquiriam experiência profissional. A primeira necessidade vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940. Área de Geografia A área da Geografia foi propositadamente deixada para o final. Eram necessidades que garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas. quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior. a edição fac-similar da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros em CD ROM. A segunda necessidade foi sendo organizada mais lentamente.da coletânea Brasil 500 anos de povoamento . o resultado de duas necessidades com as quais o Governo Federal se ressentia nos anos 30: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro. Anna Bella Geiger. a fim de possibilitar uma navegação mais rápida. assinalar que sua incorporação ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras foi. Este livro. tanto no contexto físico. Rubens Gerchman. sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (Machado. tanto em campo. para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. Tadashi Kaminagai. foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937. fundamentalmente. Embora a Geografia brasileira. Por fim. como fica evidente nos trabalhos de Lia Osório Machado.

ainda lúcido e produtivo. que se desenrolou ao longo desses 60 anos. foi posteriormente entrevistado especialmente para esta pesquisa. transferida para formar o núcleo inicial do Conselho Brasileiro de Geografia em 13 de outubro de1938 (IBGE. Os dois primeiros deram seus respectivos depoimentos ao CDDI em ocasiões diferentes. o . quanto as orais de quem viveu partes do processo . o geógrafo Orlando Valverde. e objetiva orientar temporalmente o leitor na saga da Geografia e dos Geógrafos do IBGE. desenhista Miguel Alves de Lima que. O último capítulo introdutório estabelecerá um pano de fundo cronológico. tornou-se geógrafo. que ingressou em julho de 1938. chefe da Secção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. são o engenheiro Cristóvão Leite de Castro. assim como o professor Miguel Alves de Lima. para isso.É justamente sobre a participação do IBGE na história da estruturação do tanto as fontes documentais. Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro (SPTB) que este trabalho versa e. por convite de Cristóvão e foi oficialmente contratado em 1 de outubro do mesmo ano e o. na época. foram utilizadas Os três profissionais que vivenciaram a fase inicial (1937-1938) de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). posteriormente. sendo que o professor Valverde.1952:74).

tanto em São Paulo. vindo do Ministério da Educação e Saúde Pública. após a Revolução de 1930.III . quanto no Rio de Janeiro. Revolucionários de primeira hora são colocados em postos-chave. de maneira geral.A Fase Introdutória de Criação do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia.) O contexto político é marcado pelas ações centralizadoras da primeira fase do Governo Vargas. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte nos campos científico e tecnológico são os de maior peso. de Emmanuel de Martonne. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. como no caso do General Juarez Távora no Ministério da Agricultura.O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE O principal objetivo deste capítulo é fornecer um quadro de referência que oriente o leitor não familiarizado com a história da Geografia no IBGE. além das políticas de recursos humanos. uma fase de estruturações/restruturações da máquina governamental federal. que vieram iniciar suas carreiras de pesquisadores aqui. como a criação de novos Ministérios (Trabalho. principalmente no que se referiu à indicação de jovens professores franceses. É importante ressaltar ainda a vinda ao Brasil. . Em âmbito interno. No âmbito externo ao IBGE. além de iniciar o processo de criação de um futuro núcleo de pesquisadores em Geografia lotados no Governo Federal. Na tentativa de demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. Educação/Saúde e Indústria e Comércio). É. No caso de São Paulo. Para tal. foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial. criador do Instituto Nacional de Estatística e principal emulador do processo de organização de uma agência que dará subsídios cartográficos ao aparelho estatístico brasileiro. considerado um dos mais importantes geógrafos da França. Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia CNG – Christóvão Leite de Castro 07/04/1937 . 1933 a 1938 . determinadas conjunturas tanto de cunho externo.. quanto interno à Geografia ibegeana. Pierre Mombeig e no Rio de Janeiro a figura de Pierre Deffontaines. deve ser destacado o do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. em 1933. Sua posição como Presidente da União Geográfica Internacional (UGI) garantiu as tratativas de organização dos cursos superiores formais de Geografia. escalas de análise e áreas. embriões do IBGE ( Presidente da República – Getúlio Dorneles Vargas 1930-1937. No lado técnico do novo governo. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/ 1936 . onde seus respectivos títulos informam. em termos cronológicos. marcadamente. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. foram definidos 13 períodos de tempo (com uma introdução que referencia aos cinco anos anteriores a 1938 e mais aos doze restantes).

com os Conselhos Nacional de Estatística e de Geografia entrando em funcionamento em 1938. para não mencionar algumas transferências feitas entre Ministérios. entre 1940 e 1956. além de organizadores de cursos nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Orlando Valverde é contratado em 1938. ainda. como secretário do Conselho Nacional de Geografia.As relações entre Juarez Távora (Távora. é o pano de fundo que referencia à criação do IBGE em 1937 e à reestruturação da nova agência.fosse transformado em um novo Conselho Brasileiro de Geografia. Pierre Deffontaines e de Pierre Monbeig que. • 1938 a 1945 .) Esse período se dá no contexto do Estado Novo até a primeira queda de Vargas. além de servir de base para a divulgação de dados estatísticos. inclusive formando seu primeiro núcleo técnico.Estruturação inicial do Conselho Nacional de Geografia no contexto político do Estado Novo: os primeiros trabalhos de referência e as primeiras ações de aperfeiçoamento do pessoal (Presidente da República – Estado Novo– Getúlio Dorneles Vargas 1937-1945. posteriormente. A determinação de Getúlio Vargas em criar novos padrões de governo. Este processo se consolida.. Em 1941 foi adotada uma divisão regional do Brasil. incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e instalado solenemente em 01 de julho de 1937. 1974:96-98) e Teixeira de Freitas permitiram que o setor de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura . (ver anexos documentos históricos) A figura do geógrafo francês Pierre Deffontaines torna-se a mais importante referência de formação profissional desse período e irá. além de auxiliar nas tratativas diplomáticas para inclusão do futuro órgão na União Geográfica Internacional (UGI) e criar a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Jorge Zarur. foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos do Brasil. tanto do CNG. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 20/05/1936 . elaborada por Fábio de Macedo Soares Guimarães e colaboradores que. . ao preparar os cursos iniciais das primeiras turmas de Geografia da Universidade do Distrito Federal (UDF) e orientar metodologicamente os objetivos do que seria o futuro Conselho Brasileiro de Geografia. influenciar fortemente o próximo. através do crescimento da burocracia estatal. É a primeira contratação do novo órgão. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 . O contexto epistemológico da época era referenciado pela escola francesa de geografia. professor francês que orientou e treinou dezenas de geógrafos. com a vinda de Francis Ruellan. através da influência de Emmanuel de Martonne. enfatizando a centralização administrativa e ampliando os níveis de responsabilidade federal. quanto da Universidade.chefiado por Cristóvão Leite de Castro e já contando com as presenças de Fábio de Macedo Soares Guimarães. Miguel Alves de Lima entre outros .

Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. embora o texto mantivesse a estrutura criada por Vargas. pois ainda repercutiam as conseqüências da deposição de Vargas em outubro. Abria-se. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/1936 – 30/01/1951. Pedro Geiger. o que garantiu a manutenção da estrutura do IBGE durante o novo governo. . José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. No campo do conhecimento geográfico.3 n. ao longo desses 60 anos. articula com as autoridades americanas e o IBGE a ida de geógrafos brasileiros para cursos de aperfeiçoamento em Geografia. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível que. sua substituição por José Linhares e a eleição do General Eurico Gaspar Dutra em dezembro de 1945.de um grupo de cinco geógrafos do IBGE indicados por Francis Ruellan (Miguel Alves de Lima. onde estuda pesquisa de campo. isto é. Miriam Mesquita. É importante lembrar que eram os meses finais da Segunda Guerra e que a Europa ainda não podia arcar com a estada de alunos estrangeiros. Em 1942 Jorge Zarur segue para os Estados Unidos para aperfeiçoamento na Universidade de Winsconsin. • De 1946 a 1950 . (RBG v. indo posteriormente para a Universidade de Chicago. um campo novo para a absorção de conhecimentos da escola americana de Geografia.foi também o embrião de uma idéia de planejamento espacial para o governo federal.As demandas do pós-guerra e a introdução de um aparato epistemológico na pesquisa (Presidentes da República – José Linhares 1945-1946 e Eurico Gaspar Dutra 19461951. um executivo ampliado e altamente centralizado. os fatos mais importantes foram a vinda de Leo Waibel em 1946 e a ida para a França -recém saída da guerra. em setembro de 1946. onde gradua-se como Master of Arts em 1943. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 – 12/07/1950) O contexto político-institucional da época era bem turbulento. Elza Keller. em 1945 seguem para os Estados Unidos cinco geógrafos do IBGE com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e de planejamento regional: Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. nunca foi interrompido. Com esse grupo. Além disso. Ao mesmo tempo. portanto. é promulgada uma nova Constituição que recoloca o país na democracia. Por conta dessas articulações.2 abr/jun 1941).

Waibel emigra para os Estados Unidos e vai lecionar em Wisconsin. que já era tradicional. e o de Leo Waibel. Nos anos seguintes. objetivando estabelecer a posição da cidade. criando-se assim uma nova matriz epistemológica a somar-se com a francesa. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” RBG 12 (3). Além dos geógrafos de formação.11n. o IBGE recebia também outros profissionais que se mostravam capacitados a elaborar estudos geográficos. estavam lá um artigo de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa – RS. Com o crescimento do nazismo. O objetivo desses estudos era a escolha de um sítio físico otimizado para a futura capital. O vasto conhecimento de Waibel em Geografia Agrária ampliou os horizontes de um grupo seleto de geógrafos do CNG que trabalhava com o processo de colonização sob demanda do governo federal. jul/set 1950 ] por sinal. pois além do artigo de Jones. composto de profissionais do IBGE e alunos do curso de Geografia da Universidade do Brasil. onde tinha sido diretor do Instituto de Geografia. foi Alberto Ribeiro Lamego que. O Homem e a Restinga. Waibel era alemão.4 out/dez 1949). diferentemente de Francis Ruellan. em 1947.fase de consolidação da Geografia do IBGE e o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional . por ocasião de suas estadas no Brasil. sob a orientação de Waibel. em que ele avaliava sinteticamente seus estudos no Brasil. que também lecionava na Universidade do Brasil. Jones (1948) e Preston James (1949) também vieram pesquisar e treinar os técnicos do IBGE. um número que se tornou clássico para o tema. Nesse projeto atua. o grupo de Francis Ruellan. também. Esse mesmo grupo. (colocar o artigo de Cybele de Ipanema) Os americanos Clarense Jones e Preston James também trabalharam bastante no tema [ colonização. Um ótimo exemplo de profissional de geologia que sabia escrever sobre os processos de ocupação humana em termos espaciais. os americanos Clarense F. tendo como relator Fábio de Macedo Soares Guimarães (RBG v. onde conhece Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde que. elabora um plano de mudança da capital federal. Leo Waibel vem trabalhar em pesquisa geográfica exclusivamente no IBGE. escreveu quatro grandes obras para o CNG: O Homem e o Brejo. com doutoramento em Hidelberg e tinha passado pela Universidade de Bonn. por intermédio de Cristóvão Leite de Castro.Héldio Xavier César). O Homem e a Guanabara e O Homem e a Serra. conseguem que o CNG do IBGE convide Leo Waibel para trabalhar no Brasil. no período compreendido entre 1940 e 1950. • De 1951 a 1956 .

Florêncio Carlos de Abreu e Silva 15/09/1952-21/09/1954.um Engenheiro Cartógrafo muito ligado ao Serviço Geográfico do Exército. iniciado em janeiro de 1951. No IBGE. estruturado por Hilgard O’Reilly Sternberg da Universidade do Brasil. de Lima 2.Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes 5. Deoclécio de Paranhos Antunes – 14/04/1953-27/09/1954. iniciando um novo governo transitório até 1956 quando. como política econômica. na sua exoneração e no seu prematuro falecimento. posteriormente. José Carlos de Macedo Soares 17/11/1955-03/05/1956.(Presidentes da República – Getúlio Dorneles Vargas 1951-1954. Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce . Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo . O novo período Vargas. Edmundo Gastão da Cunha – 03/05/1951-29/09/1952.Lysia Bernardes 6. toma forma nas campanhas de criação da Petrobrás e Eletrobrás. através de uma vitória eleitoral que quase alcançou a maioria absoluta. Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense . Vale do Paraíba. Almeida e Miguel A. Luís Eugênio Peixoto de Freitas Abreu – 03/10/1952–13/02/1953. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras . Carlos Luz e Nereu Ramos 1955-1956 e Juscelino Kubitschek 1956Presidentes do IBGE – Djalma Poli Coelho 02/05/1951-09/09/1952. entre 1951/1952. O conceito desenvolvimento nacional torna-se prioridade nas discussões da sociedade e o nacionalismo.Fernando Flávio M. a nomeação do General Djalma Polli Coelho .Ary França ( Universidade de São Paulo ) 4. Fábio de Macedo Soares Guimarães – 30/09/1954-22/11/1956 ). onde o CNG foi um dos principais membros da Comissão Organizadora Nacional. Bahia .Ney Strauch 3. A industrialização e a conseqüente urbanização haviam alcançado escalas nunca vistas e uma classe média urbana começava a surgir. No panorama dos estudos geográficos. A publicação dos nove Guias de Excursões do Congresso mostrou instituição.Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro . e de idéias conflitantes com as que geriam as atividades estatísticas do IBGE. 1. José Veríssimo da Costa Pereira – 13/02/1953 –14/04/1953. Juscelino Kubitschek é eleito. Keller o nível de alta qualidade que haviam alcançado os profissionais do IBGE. Elmano Gomes Cardim 27/09/195417/11/1955. a matriz francesa ainda continua em evidência e o acontecimento mais importante do período é a organização do XVIII Congresso Internacional de Geografia no Rio de Janeiro. ainda referenciadas à figura de Teixeira de Freitas (aposentado em 1948) acabou por gerar uma crise de poder com o CNE. pois apenas três autores estavam fora do quadro da . Em 1954 uma crise política leva Getúlio ao suicídio. Secretários Gerais do CNG – Virgílio Corrêa Filho – 12/07/1950–28/04/1951. encontra um Brasil diferente daquele do Estado Novo. o que resultou em inquérito administrativo e. após novas eleições. João Café Filho 1954-1955.

o novo Distrito Federal. Rochefort inicia seus contatos com os geógrafos do IBGE sobre sua pesquisa de doutorado em métodos de trabalho sobre redes urbanas e Jean Tricart amplia os métodos de pesquisa em Geomorfologia tropical. O Congresso Internacional de Geografia ocorrido no Rio de Janeiro em 1956 estreitou ainda mais os laços entre a Geografia francesa e os geógrafos do IBGE. Planalto Meridional do Brasil . Atlas do Brasil e a Carta do Brasil ao Milionésimo. Speridião Faissol 09/12/1958-10/02/1961) A era Kubitschek inaugura uma linguagem nacionalista sem xenofobismo.Speridião Faissol 21/11/1963-06/04/1964. com a decisão de construir a nova capital. além de introduzir um componente geográfico importante: a marcha para o interior. • De 1961 a 1965 . através dos professores Michel Rochefort e Jean Tricart.) . João Belchior Dias Goulart 1961-1964.Mário Lacerda de Melo ( Faculdade de Filosofia de Pernambuco) 8.08/05/1956-31/12/1961.Lúcio de Castro Soares 9.A transição entre as demandas por interiorização e as questões industriais do período desenvolvimentista de JK (Presidente Juscelino Kubitschek 1956-1961. que talvez tenha sido o maior e mais completo conjunto de trabalhos geográficos sobre o Brasil em um curto espaço de tempo: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Presidentes do IBGE – Rafael da Silva Xavier 10/02/1961-09/11/1961. agora. o CNG lançou um conjunto de obras. Lideravam a área de Geografia os geógrafos Speridião Faissol como Secretário Geral do CNG e Antônio Teixeira Guerra na Divisão de Geografia. Presidente do IBGE Jurandir Pires Ferreira . René de Mattos 06/04/1964. Secretário Geral do CNG – Virgílio Corrêa Filho 22/11/1956-08/12/1958. com industrialização acelerada. além das estradas Brasília . Ranieri Mazilli 1964 e Humberto de Alencar Castelo Branco 1964. A EMB foi uma obra ciclópica que envolveu um grande número de profissionais de diversas disciplinas. Brasília em um quadrilátero situado no estado de Goiás. Roberto Bandeira Accioli 14/10/196331/03/1964. José Joaquim de Sá Ferreira Alvim 13/11/1961-01/10/1963. Amazônia .Belém e Cuiabá .Orlando Valverde • De 1956 a 1961 ..7. Aguinaldo José de Senna Campos 10/04/1964Secretários Gerais do CNG . sendo eles os responsáveis pelo gerenciamento dessas obras organizadas no final dos anos 50. Nordeste .Porto Velho. ampliação da capacidade de geração de energia e das redes de transporte.Subsídios para o planejamento territorial e a ‘descoberta’ da urbanização brasileira: o divórcio entre as geografias física e humana (Presidentes da República – Jânio da Silva Quadros 1961. Waldir da Costa Godolphim 14/04/1964-06/10/1964. Como reflexo ainda dos esforços empreendidos na realização do Congresso Internacional de Geografia de 1956.Waldir da Costa Godolphim 21/11/1961-21/10/1963 . as coleções Grandes Regiões.

carregada de ideologias e extremismos. . Miguel Alves de Lima 24/04/1967-05/09/1967. eram constantes na imprensa e nas conversas.A integração do IBGE ao modelo de desenvolvimento urbanoindustrial e sua primeira grande mudança administrativa (Presidentes da República – Humberto de Alencar Castelo Branco – 1967. fora do IBGE. porém traumático "intermezzo" sob a Junta Militar. forças populares.Secretários Gerais do CNG. poucos. uma das mais importantes pesquisas feitas nesse período. pelo Ministério do Planejamento. o Brasil entra na efêmera era de Jânio Quadros. O processo de planejamento voltouse para si iniciando um período de reciclagem.Após o período desenvolvimentista de Kubitschek. Em conseqüência deste fato. Os trabalhos de Jean Hautreux e Michel Rochefort sobre a rede urbana da França são absorvidos pelos geógrafos urbanos e regionais do IBGE que adotam esse método de estudo: a determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional através da análise do setor terciário das cidades envolvidas. Lúcio de Castro Soares 05/09/1967-06/09/1967 – Diretor Superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia Miguel Alves de Lima – 06/09/1967. subversão. emolduram o período como um dos mais conturbados da República. criou dois tipos de clima: um econômico. sem dúvida. os profissionais de Geografia Urbana e Regional do CNG estabeleceram um padrão de conhecimento sobre a estrutura urbana brasileira que. • De 1965 a 1969 . É o período em que se inicia o divórcio entre a Geografia Humana e a Geografia Física. político de desagregação. Expressões como Reformas de Base. poderiam ter. capital estrangeiro. uma análise do arcabouço urbano do Brasil objetivando a determinação de pólos de desenvolvimento.Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão – 1968 .Castelo Branco e Costa e Silva . de franca recuperação. Arthur da Costa e Silva 1967-1969. Como resultado natural dos ensinamentos de Michel Rochefort. a seqüência de dois governos militares . Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967.) No plano político-institucional. comunismo.Agnaldo Senna de Campos – 10/04/1964-03/04/1967.. imperialismo. foi solicitada ao IBGE.René de Mattos 06/04/1964-24/04/1967..além de um rápido. e outro. com o crescimento da importância dos estudos urbanos e industriais nos programas de planejamento de governo. ao se valer dos ensinamentos de Michel Rochefort no trato de problemas sobre sistemas de cidades. A sucessão de Atos Institucionais. Junta Militar 1969 e Emilio Garrastazu Médici 1969Presidentes do IBGE. o surgimento da guerrilha e sua conseqüente repressão por parte do governo. República Sindicalista. É uma fase altamente conturbada. transita nas indefinições de João Goulart e cai nas malhas dos Governos Militares. O trabalho de Lysia Bernardes sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (1964) é.

gerou dois estudos sobre o processo de regionalização: Subsídios à Regionalização (1968) e Regiões Funcionais Urbanas (1970). inicia-se o envolvimento com a Geografia Quantitativa e com a teoria centro-periferia. No contexto político-administrativo. orientada pelo governo militar e executada pelo binômio Empresas Estatais/Empresas Privadas.IBG e Escola Nacional de Ciências Estatísticas . no governo do Estado do Rio de Janeiro.Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967-24/03/1970 e Isaac Kerstenetzky 24/03/1970. Inicialmente composta por órgãos autônomos . que assume o Departamento de Geografia em 1968 e faz grandes modificações administrativas nas chefias.IBE. acrescido do fato de o aparelho repressivo de governo tornar-se um poder paralelo.. que culminou em 1967 com a mudança do IBGE de autarquia para Fundação. Instituto Brasileiro de Geografia . Brian Berry e John Friedmann que visitam o IBGE (1969) e estruturam uma ligação forte com o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) do Departamento de Geografia. • De 1970 a 1974 . Cole. . Neste período. o declínio das liberdades individuais e de opinião afetou uma parte da população. liderado agora por Speridião Faissol. acentua-se a dicotomia entre a pujança econômica. a liderança de Lisia Bernardes na Geografia do IBGE é a principal referência.ENCE. Na área de Geografia sua sucessora é Marília Galvão. Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão .Esse convênio CNG-EPEA (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada. posteriormente transformado em Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . A nova Fundação passa. essencial à produção cientifica. Além de influir nas pesquisas que modificaram a divisão macrorregional em 1970 e nos primeiros trabalhos de determinação das áreas metropolitanas brasileiras. Além disso.1968. No final desse período.IPEA) instituído em 1966. quando transfere-se para o IPEA e inicia sua carreira de planejadora do governo federal e. através de John P. os governos militares iniciam um projeto de reforma do Estado.Turbulência epistemológica: a matriz francesa vs matriz anglosaxônica (Presidentes da República – Emílio Garrastazu Médici 1969-1974 e Ernesto Geisel 1974.11/10 /1971. Presidentes do IBGE.Instituto Brasileiro de Estatística . Diretores Superintendentes do IBG – Miguel Alves de Lima 06/09/1967. então. a gozar de autonomia administrativa e financeira e reporta-se ao Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica (Ministros Roberto Campos e Hélio Beltrão). comprometendo seriamente o clima necessário às discussões.) No que concerne ao quadro político-institucional.. Sua influência é percebida até o final dos anos 60. posteriormente.

em geral. a fim de superar alguns problemas de ordem técnica. versus o risco da troca entre o certo e o duvidoso. sendo o Brasil um país de grande extensão e com diferenciações espaciais significativas. contribuindo para o gradual obscurecimento da escola francesa “Rochefortiana” no IBGE dos anos 70. Nessa época. . A segunda coleção Geografia do Brasil sobre as Grandes Regiões é editada em 1977 e os capítulos sobre Agrária e Urbana são baseados obrigatoriamente em análise fatorial e de grupamento. versus o tremendo esforço de aquisição das précondições.Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE). nutrição. uma substancial ajuda inicial. um Encontro da Comissão de Métodos Quantitativos da União Geográfica Internacional. A Geografia física no IBGE praticamente se retrai. finanças públicas e preços ao consumidor. com isso. e a do IBGE. são alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou a Geografia brasileira. utilizando técnicas quantitativas variadas. a liderança de Speridião Faissol como responsável pelo Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) tomou o lugar de Lysia Maria Cavalcanti Bernardes. se concretiza em termos financeiros e. inicia-se o período de expansão de seus quadros técnicos. principalmente nas áreas de emprego e renda. São adquiridos novos sistemas computacionais e se amplia o banco de dados do IBGE. transferida para outra agência do Ministério do Planejamento (IPEA). principiado em 67. mas continua forte nas universidades. o novo patamar que poderia ser alcançado pela geografia perante as outras disciplinas.Na arena de debates metodológicos da Geografia. são editados a maioria dos trabalhos de Speridião Faissol sobre as diversas dimensões do sistema urbano brasileiro. indústria. principalmente no que se referia aos algoritmos e softwares que deveriam ser implantados nos computadores de grande porte da PUC-Rio. era de grande interesse para esses geógrafos testar seus estudos aqui. a serem analisados no decorrer deste trabalho. Ademais. é criado o Instituto Brasileiro de Informática (IBI) como a terceira grande área técnica do IBGE em 05/04/1971. em particular. Realiza-se no Rio de Janeiro. em 1971 (na ENCE . onde misturamse dúvidas e certezas sobre qual opção seguir. esse é um período interessante. condicionadas por conjunturas diversas. Estabelece-se sob a gestão Kerstenetzky grandes modificações no campo das Estatísticas econômicas e sociais. IBGE e UFRJ. com a sistematização dos censos econômicos e da ampliação das pesquisas anuais e mensais. O sabor do novo. Devesse ressaltar que. No ambiente interno do IBGE. Em 1972 o processo de transformação do IBGE em Fundação. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. Houve por parte dos geógrafos estrangeiros vinculados a essa abordagem metodológica.

o período. a vinda de economistas estrangeiros como Werner Baer e Samuel Bergsmann para trabalharem no Departamento de Geografia com Pedro Geiger sobre o processo de industrialização/urbanização e a questão das desigualdades regionais brasileiras. Pedro Geiger 1977-1979. o que garantiu. embora com sérios problemas na área política e militar. • De 1975 a 1980 . Presidentes do IBGE – Isaac Kerstnetzky 24/03/1970-29/08/1979. no campo da Geografia física. que. posteriormente. com uma boa estrutura de planejamento. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova extravasou para outras questões políticas.No início do período (1971) é assinado um grande convênio com o Ministério da Educação para avaliação do sistema de ensino superior brasileiro. a aceitação dos programas gerenciadores de Sistemas Informação Geográficos (SIGs).A economicização da Geografia e a politização da economia: Quantitativa vs Marxismo (Presidentes da República – Ernesto Geisel 1974-1979 e João Batista de Oliveira Figueredo 1979. Jesse de Souza Montello 29/08/1979. em virtude da escassa massa crítica de pesquisadores com conhecimentos de Estatística. a introdução dos métodos quantitativos foi muito mais tranqüila e praticamente sem grandes conflitos metodológicos. Inicia-se o último grande estádio de contratações que se estenderá por toda a década de 70. dá uma medida do seu estilo autocrático de governar.Marília Galvão 19681977.) Do ponto de vista político-institucional. e mesmo pessoais. o que retardou ainda mais a possibilidade de se avaliar com isenção. O Terceiro Encontro Nacional de Geógrafos realizado em Fortaleza em 1978 dá início a um movimento de conflito com a Geografia Quantitativa que. repentinamente abortado com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE em 1979. status e conhecimento.. Speridião Faissol 1979-1980. No IBGE. porém. Matemática e Computação. é interessante assinalar. sofria de um problema de identidade. A solicitação do Presidente Geisel ao IBGE para a determinação do limite que dividiu em dois o Estado do Mato Grosso em tempo recorde e sob o mais absoluto sigilo. pois se misturavam às discussões. a essa altura. questões ideológicas e pragmáticas. Porém. O “pacote de abril” e o episódio da exoneração do Ministro de Exército General Sylvio Frota foram os exemplos mais marcantes do período. o Governo Geisel também apresentou-se dicotômico.. Chefes do DEGEO . Roberto Lobato Corrêa 1980. marcaram um tempo de trocas interessantes entre as duas disciplinas. esforços de aprendizado e carreirismo. de . O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. o que obrigou o general a intercalar medidas duras à esquerda e à direita. necessários ao desenvolvimento da metodologia.

O quadro político. Talvez sem a mesma ingenuidade e curiosidade que envolveu o primeiro namoro com a Geografia Quantitativa nos anos 70. mas bate-bocas e ofensas pessoais. Chefes do DEGEO Roberto Lobato Corrêa 1980-1985. . Edmar Lisboa Bacha 10/05/1985-17/11/1986.XXV n. algo caótico através da leitura e sabatina dos principais textos do “jovem. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por Willian Bunge em 1973 na The Professional Geographer v.• De 1981 a 1986 . mesmo que tais leituras não fizessem o menor sentido com o que se estivesse trabalhando na escala do “real-real” (expressão muito utilizada por Aluízio Capdeville Duarte). a História se repetia. encontra o país mergulhado em profunda recessão. quanto pela crise financeira mundial causada pelo choque resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 (diretas ou não).4 nov. No campo científico o ambiente torna-se pesado. apesar de turbulento. Em resumo:como farsa ou não. gerando um ambiente estranho. para garantir uma indústria substituidora de importações.A marginalização do planejamento e suas conseqüências na Geografia do IBGE (Presidentes da República – João Batista de Oliveira Figueredo 1979-1985. aceitou rapidamente a nova onda e iniciou um processo de “aprendizado”. iniciado em 1979. José Sarney 1985Presidentes do IBGE – Jesse de Souza Montello 29/08/197914/03/1985. Solange Tietzmann Silva 1985. resultante tanto do endividamento efetuado por Geisel.73 . do adulto e do velho Marx”. pois agora era uma questão tranqüila deixar para os teóricos o trabalho de encontrar um conjunto metodológico que desse conta do espaço em Marx.) O governo do último general do ciclo militar. Nos congressos não há mais discussões. assim como de outros pensadores do Materialismo Histórico. as áreas de planejamento do governo federal entraram em regime de emagrecimento forçado e o IBGE foi uma delas. mostrou sinais de melhoria. Saíam de cena expressões como “a negentropia macroscópica” e a “spatial field theory” e assumiam o comando frases como “a formação social historicamente determinada” e a “teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. João Batista de Oliveira Figueiredo. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de aprender matemática e estatística. Como resultado da crise econômica.

em 1981 estabelece-se a luta pela regulamentação da profissão e a anexação dos geógrafos ao sistema CONFEA-CREA. aposentaram-se os dois mais antigos profissionais da Geografia. que tentou controlar a espiral inflacionária entre os meses de fevereiro e novembro de 1986. já que. o tremendo esforço da sociedade na campanha das “diretas já” culminou com as frustrações de uma eleição indireta. . tendo como ponto de referência a Associação dos Geógrafos Brasileiros. após vinte e um anos de governos militares. sistema regulador do conjunto profissional de engenheiros e arquitetos.Turbulências político-economicas. Ficou garantido o êxito deste trabalho.. A atuação de Edmar Bacha como presidente do IBGE na época e. Paralelo a estes acontecimentos.Solange Tietzmann Sila 1985 . apesar dos percalços. germes de inovação e o início da reconciliação com os estudos do meio ambiente ( Presidente da República – José Sarney 21/041985-15/03/1990. é inicialmente composto pelo ministério definido pelo falecido presidente. Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990. Sul (Santa Catarina) e Centro Oeste (Goiânia).Em 1982. o senador maranhense José Sarney. com a absorção da Geografia no sistema CONFEA / CREA. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. Nordeste (Bahia e Ceará). ao mesmo tempo. foi crucial. e o desespero em ver morrer o Presidente eleito antes da posse. O governo do vice de Tancredo Neves. Charles Curt Müeller 03/05/198818/04/1990.) O ambiente político de um presidente civil. 1987). O papel do IBGE. é a melhor referência do período. Presidentes do IBGE – Edson de Oliveira Nunes 06/01/1987-13/04/1988. Lideranças da Geografia Crítica como Rui Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves empreendem uma dura campanha a fim de conseguirem a regulamentação da profissão. membro da equipe criadora do Plano Cruzado causou muita polêmica (Sardenberg. com uma inflação de mais de 350 % ao ano obriga o governo a criar um mecanismo de choque contra a inflação: o Plano Cruzado. iniciando um processo de perda gradativa de quadros de alto nível que não mais seriam repostos na mesma proporção. desencadeando pressões fortíssimas por parte do governo e de outras instituições que produziam também índices de preços. ampliando fortemente a área de Geografia Física e de Meio Ambiente. nesta fase. Á medida que os famosos cinco anos de mandato vão se desenrolando. . Chefes do DEGEO . O quadro econômico assustador. o ministério toma a forma do Presidente que assumiu. Em 1985 inicia-se a transferência dos profissionais do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) para o IBGE. • De 1986 a 1990 . acrescida da agregação de núcleos situados regionalmente na Amazônia (Pará). em meio a sérias crises de desabastecimento e aumentos de preços.

que estabeleceu uma nova moeda.. voltada para o magistério tornava-os alheios ao fato de que a Geografia passara por duas fases de orientação metodológica distintas. Ainda neste período. e a primeira através do voto direto. pelo mesmo motivo por que a corrente quantitativa também morreu. vice da chapa de Collor. Alfredo Porto Domingues entre outros. confrontados pela evasão maciça dos antigos profissionais para a aposentadoria. Nilo Bernardes. que pressuporiam saberes que se distanciavam do que é ensinado nas faculdades orientadas para a formação de professores . Pedro Geiger. O governo de Itamar Franco. A total desarticulação da máquina pública federal e o aviltamento do funcionalismo. como Speridão Faissol. um presidente eleito com 35 milhões de votos é deposto em processo de impeachment por crime de responsabilidade. em termos salariais. pois.Solange Tietzmann Silva 1985-1991. Marília Veloso Galvão. a Geografia Humana começa a se reconciliar com a Geografia Física. a Geografia amplia a perda da maioria de seus antigos profissionais da “Velha Guarda” . A falta de conhecimento de grande parte dos profissionais que possuíam uma formação generalista. No contexto do IBGE. Estruturam-se as primeiras experiências de trabalhos multidisciplinares. Eurico de Andrade Neves Borba 26/06/199215/06/1993. PMACI ( 1988 ) e Nossa • De 1990 a 1995 . envolvendo um grande número de especialistas de disciplinas diferentes que cobrem todo o Geociências. através da consolidação da incorporação dos quadros técnicos do projeto Radanbrasil iniciada em 1985. Chefes do DEGEO . Silvio Augusto Minciotti 15/06/1993-30/03/1994 e Simon Scwartzman 05/05/1994. Presidentes do IBGE – Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990-26/03/1992. o Real.Na área do conhecimento geográfico. espectro das ( 1987 ). Projetos : Diagnóstico Brasil ( 1987 ) Carajás Natureza (iniciado em1990). e conseguiu dominar a espiral inflacionária. foi o principal legado do governo de Fernando Collor de Melo. garantindo um aumento de renda real para as camadas .) A segunda experiência de um governo civil. pela primeira vez na História recente. (Presidentes da República – Fernando Collor de Mello 15/03/1990-29/12/1992 e Itamar Franco 29/12/1992-01/01/1995.Novos projetos de governo e a demanda por grandes diagnósticos: a chegada do Sistema Geográfico de Informações e do mapeamento automatizado por computador. representou uma transição tranqüila para o novo governo de Fernando Henrique Cardoso. e em qualificação profissional. Elza Keller. foi uma sucessão de lições de cidadania. a moda marxista também perde fôlego. Cesar Ajara 1991.

1994-1995 . é hoje o maior desafio dos profissionais que produzem diagnósticos integrados. 1991 foi o annus terribilis para a Geografia do IBGE. Os principais trabalhos são: Diagnóstico Ecológico Econômico da Amazônia Legal ( 1993 ). Para citar alguns exemplos. com uma maior integração entre os profissionais de diferentes especialidades. como a difusão do uso da computação gráfica que opera com imagens e faz mapeamento automatizado a partir de bancos de dados georeferenciados. 1994 .Início da gestão do cientista político Simon Schwartzmann na presidência do IBGE.Nova versão do projeto Rede de Influência de Cidades. A questão da assimilação de conhecimentos muito diversificados num texto único. considerados os mais produtivos. Isso envolve também o produtor de texto especializado. Apesar do triste fato. 1993-1995 .mais pobres da população. foi também um período de ampliação dos estudos iniciados na fase anterior. iniciaram algumas mudanças tecnológicas. da Região Sul e Gerenciamento Costeiro ( 1994 ). ainda que isto atingisse os funcionários públicos com um congelamento de salários. A seqüência de quatro presidentes nesse cinco anos dá uma boa referência dos graves problemas politico-administrativos por que passou o gerenciamento do IBGE no período. neste período saíram profissionais antigos como Catarina Vergolino Dias. que agora é obrigado a pensar além de suas fronteiras de conhecimento e auxiliar o coordenador na costura de ligações entre os diferentes processos físicos e humanos que moldam um determinado território.Delimitação de Áreas Industriais ( utilizando a base de dados do censo industrial de 1991). interrompendo suas carreiras. 1992-1994. o CNRS (CREDAL) e o ORSTOM que criou o banco de dados SAMBA 2000 com a colaboração de Maria Mônica O'Neill. sendo que boa parte eram técnicos de alto nível.RECLUS de Montpellier e o início dos trabalhos com mapeamento automatizado e com Sistemas Geográficos de Informação ( vinda de Philipe Waniez e Violette Brustlein para o IBGE para a implementação de um convênio entre o IBGE.Convênio com o GIP. base para se trabalhar com o programa CABRAL 1500 de mapeamento automático de autoria de Waniez) . além de geógrafos que ingressaram no órgão na década de 60 e 70. sendo que muitos aposentaram-se por tempo proporcional. . Aposentaram-se quase 60% de seu efetivo profissional. Além disso. da Região Nordeste.

parque natural e outras unidades espaciais ).. . (Presidente de República – Fernando Henrique Cardoso 01/01/1995.Presidentes do IBGE – Simon Scwartzmann 05/05/1994-31/12/1998 e Sérgio Besserman Vianna 25/01/1999. lançado no início de 2001. município. Estando em pauta também. como no caso do Projeto SIVAM na Amazônia brasileira. Geografia e áreas afins.1998 . através da digitalização de todas as malhas que delimitam espaços. em maio de 1999 iniciou-se a organização do Atlas Nacional do Brasil em sua terceira edição impressa de grande tamanho. foi organizada em 1997 uma nova versão da CONFEGE (reunião técnica entre profissionais do IBGE na área de Geodésia. Nessa ocasião foram discutidas as novas demandas de informações geográficas que o IBGE implementará nos primeiros anos do século XXI. Cartografia. um próximo Atlas em meio digital nos anos posteriores. agora ligados via uma grande rede intranet.) Apesar das dificuldades criadas pela ampliação da crise do setor público federal.As contradições entre o recrudescimento da crise do setor público e a possibilidade de futuro da Geografia do IBGE numa agência executiva de governo com contrato de gestão. a área de Geografia também está contribuindo com a estruturação das chamadas áreas geográficas (agregação de setores censitários) que poderão servir de base para mapeamentos temáticos de maior precisão. República do Chile e a expansão dos equipamentos de informática para todo o corpo técnico.principalmente universidades e agencias de planejamento estaduais ) que contou com a participação de vários pesquisadores. distrito. Chefes do DEGEO . bacia hidrográfica. o IBGE. Maria Luísa Castelo Branco 1999.• 1995 . Além disso. Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. principalmente no que se refere à ampliação dos Sistemas Geográficos de Informação e ao mapeamento automatizado. passíveis de gerarem informações de diferentes níveis ( setor censitário. em termos de redução de quadros profissionais.Cesar Ajara 1991-1999. O estabelecimento de bancos de dados alfanuméricos e de imagens em meio digital e o refinamento das bases de dados de Geografia física também estão sendo preparados para diferentes usos. passou por transformações importantes nas condições de trabalho. o órgão prosseguiu em sua missão técnica. que continuou a ser conduzido por Simon Schwartzmann. com a mudança do prédio do bairro de Mangueira para as modernas instalações na Av. No âmbito do planejamento do censo 2000. estado. com os principais usuários das pesquisas e informações disseminadas pelo órgão . No contexto da Geografia.

mas sujeita a um contrato de gestão. . de um órgão vinculado diretamente ao setor público federal para uma agência executiva com autonomia financeira. em janeiro de 1999. incumbido de gerenciar a transição do IBGE.O término do mandato de Simon Schwartzmann. é o maior desafio que os poucos geógrafos que restaram na Diretoria de Geociências enfrentarão nos primeiros anos do próximo século. e o início da gestão do economista Sérgio Besserman Vianna .

organizando um quadro institucional e jurídico. de Villela e Suzigan (1975).Parte I . impondo uma nova diretriz de crescimento econômico e. por iniciativa do Contra-Almirante Álvaro Alberto de Motta e Silva. que costura inteligentemente as tramas políticas e econômicas. ambos detalhando o período em questão. enfatizando o período Vargas. e o segundo de Baer e Villela (1975) sobre os estágios do crescimento industrial brasileiro. o importantíssimo ensaio de Bielschowsky (1995). até hoje. considerado um clássico pelos pesquisadores de História Econômica Brasileira. As avaliações de Skidmore (1975). Nos anos 80. dando a visão de um historiador contemporâneo.A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução . O relatório de pesquisa de autoria de Malan. É também de grande importância a avaliação de Motoyama et alli (1994 : 320-334) sobre os processos de maturação da Ciência e Tecnologia no Brasil. através das lutas interna e externa para a estruturação de um projeto autônomo de desenvolvimento nuclear.neoliberalismo. econômica e demograficamente falando. ganhador do Prêmio Haralambos Simeonides da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (Anpec). Tais exemplos de estudo são obras de referência indispensáveis. para garantir às populações urbanas acesso a esse mundo novo é. Bonelli. A partir da segunda edição. iniciado no período Vargas. de Baer (1975) sobre as relações entre a industrialização e o processo de desenvolvimento econômico do Brasil. e que se consubstancia na criação do Conselho Nacional de Pesquisas em 1951. sobre as políticas de governo ocorridas entre 1889 a 1945. analisa o ciclo ideológico do desenvolvimentismo rastreando as correntes do pensamento econômico que vigoraram no Brasil entre 1930 e 1964 . trabalho clássico em história econômica. A concepção de um governo central forte. contrapondo-se ao velho Brasil agrário. desenvolvimentismo e socialismo. que trata do papel do Estado na economia (principalmente no que se refere à indústria estatal). o livro de Baer conta também com mais dois artigos: o primeiro de Baer. Villela e Kerstenetsky (1975). ao mesmo tempo. Abreu e Pereira (1977) mostrando as conexões entre as políticas econômicas brasileiras no plano externo e o processo de . motivo de estudos e interpretações acadêmicas as mais diversas.O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia É perfeitamente reconhecida entre os especialistas a importância de Getúlio Vargas no processo de gestação de um Brasil industrial e urbano. quebrando as espinhas das lideranças estaduais .

açúcar. produção. da Petrobrás. além disso. cria também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952). a necessidade vital de mecanismos de controle do território. devemos compreender o que é e como evoluiu a burocracia. principalmente na Região Sudeste: Companhia Vale do Rio Doce (1942). nos escritos de Jean-Claude Marie Vincent de Gournay (1712-1759). O termo burocracia aparece na França em meados do século XVIII. Paralelamente. que se deve avaliar. que garantiriam. No contexto que interessa a este trabalho Vargas.Vargas) usa o conceito de segurança nacional para criar uma série de empresas estatais-chave.industrialização ocorrido entre 1939 e 1952. inicia a política de criação de autarquias e conselhos nacionais que cuidariam de setores específicos (como nos casos dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia). mate. para financiar projetos industriais de longa maturação. tais como: conhecimento dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. Fábrica Nacional de Motores (1943). estoques reguladores. Primeiramente entretanto. de liberalismo econômico "Laissez faire. Estabelece ainda um sistema de créditos de longo prazo para o segmento industrial. e de um ordenamento regional condizente com escala territorial do Brasil.Dutra . ou de produtos considerados estratégicos economicamente (café. É possível perceber. em 1953. a ampliação do processo de industrialização/urbanização. É com este pano de fundo. que instituiu o monopólio da extração e refino do petróleo e seus derivados. Companhia Nacional de Álcalis (1943). Finalizaria com a criação. nos primeiros anos da década de 30. num contexto de debates entre o absolutismo monárquico e as idéias. Entre os anos da II Guerra Mundial e 1954 o governo federal (Vargas . laissez passer" das quais Gournay era um . Companhia Siderúrgica Nacional (1946). pela magnitude dessas ações tomadas. Dá início também a alguns processos administrativos. em termos conceituais. o papel da burocracia técnica que se estruturou no Governo Federal brasileiro. preços e distribuição atacadista de gêneros alimentícios básicos. dos padrões espaciais da ocupação humana e econômica. além de definir o controle estatal da marinha mercante com a estatização do Lloyd Brasileiro e das empresas de navegação da Amazônia e da Bacia do Prata. e da qual o IBGE fez parte. funda também o Instituto Brasileiro do Café (1952). finaliza essa pequena amostra de avaliações de diversas facetas do papel do Estado na Era Vargas. além da cartografação do seu espaço. tais como: controle da geração e distribuição de energia elétrica. sal. a partir dos anos 30. controlando a produção e estabelecendo preços mínimos. pesca e petróleo). nas décadas seguintes. que cuidaria das relações comerciais externas do produto em nível de governo a governo.

Foi. e não a um pequeno cantão com administração rotativa. desde épocas medievais. ou dos transportes de cabotagem fluvial. o conceito surge como uma crítica aos funcionários do governo monárquico que controlavam a maior parte das atividades econômicas do reino e que tornaram-se uma categoria entre o povo e a nobreza. sub. obviamente. Para ele. com o alemão Max Weber (1864-1920) que o termo assume importância no vocabulário da Sociologia. No capítulo Burocracia e Liderança Política do seu Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída (1974:16). Dos direitos musicais e de apresentação teatral ao controle da distribuição de lenha. no contexto do início do século XX . com o poder de dar ordens e de fiscalizar as relações entre o Estado e a Sociedade. não era a ditadura do . Tal como o assim chamado progresso em relação ao capitalismo tem sido o inequívoco critério para a modernização da economia. passando pela distribuição de livros. áreas bem definidas de jurisdição. ao vincular-se ao estado moderno sob a forma de atividades administrativas especializadas e controladas por um sistema racional e legitimado juridicamente. assim também o progresso em relação ao funcionalismo burocrático caracterizado pelo formalismo de emprego. política de criar dificuldades para vender facilidades . quer democrático. caracterizando um nepotismo brutal. Mesmo o moderno oficial de patente superior trava batalhas de seu "gabinete". Isto é exato tanto com referência ao funcionalismo militar quanto ao civil. Essas atividades eram geralmente transferidas por herança. pois o poder não é exercido por discursos parlamentares nem por proclamações monárquicas. mas através da rotina da administração." Como estudioso profundo da burocracia. processos documentários. pelo menos no que se refere a um Estado composto por grandes massas de povo. treinamento especializado e divisão funcional do trabalho. Weber inicia com estas palavras: "Num Estado moderno necessária e inevitavelmente a burocracia realmente governa. salário.ferrenho partidário. já praticavam a. promoção. ao intermediarem as demandas entre essas classes e o rei. Weber conhecia os problemas que poderiam advir de uma estrutura que cresce irresistivelmente e que se apresenta com características de permanência nas grandes organizações. Nesse âmbito.e super-ordenação hierárquicas tem sido o igualmente inconfundível padrão para a modernização do Estado. porém. que incorpora o principio da autoridade. pensão. quer monárquico. tudo era fiscalizado por esse corpo de funcionários reais que. ainda atual.

termos que de uma forma ou de outra tentam explicar a formação e fortalecimento de um corpo técnico que controla alguns núcleos de atividades estatais consideradas (em termos) como áreas de exclusão das pressões político-partidárias. que sempre possuiu um claro traço autoritário. mesmo quando essas práticas eram confundidas com as do tipo populista. enfatizando a questão da formação intelectual entrelaçada com as raízes familiares. Simon Schwartzmann em seu Bases do Autoritarismo Brasileiro (1982) enfocou as contradições que emergiram entre o que se convencionou chamar de democracia brasileira em termos dos discursos e das práticas politicoadministrativas gerenciadas pela burocracia estatal. via saber técnico. estão autores como Carlos Estevan Martins (1974). a tese de Zairo Borges Cheibub (1984) sobre os diplomatas do Itamarati e o livro de Luiz Werneck Vianna e colaboradores (1997) sobre a magistratura.proletariado que iria se instaurar. Wanderley Guilherme dos Santos (1982). sobretudo quando referida aos altos postos de decisão e arbitragem. que discutem a formação da tecnoburocracia utilizando conceitos como insulamento burocrático. Outra abordagem. Schwartzmann apresenta uma inequívoca preocupação espacial ao explicar as diferenças regionais desses conflitos entre o governo central e os estados mais estruturados politicamente. mas a do burocrata. Raimundo Faoro em Os Donos do Poder (1958) analisou em profundidade a estrutura burocrática brasileira. Bresser Perreira (1980). Nesta linha de raciocínio estão alguns importantes trabalhos como os de Sérgio Miceli (1979 e 1988) sobre os intelectuais e classe dirigente e a elite eclesiástica. Outros autores enfocaram especificamente a questão da tecnoburocracia estatal. Sonia Draibe (1985). Gilda Portugal Gouveia (1994) e Edson Nunes (1985 e 1997). alguns autores trataram do tema burocracia para explicar a estruturação do poder político-administrativo no Estado brasileiro. universalismo de procedimentos e corporativismo. além de analisarem os processos de incorporação de novos segmentos sociais a essas elites. . Fernando Henrique Cardoso (1975). foi também adotada por alguns sociólogos e historiadores brasileiros que trabalharam sob o pressuposto de uma vinculação implícita entre as elites e a burocracia. Setenta anos depois. José Murilo de Carvalho em A Construção da Ordem e Teatro de Sombras (reedição de 1997) estudou com detalhes a formação da elite burocrática brasileira como representante do poder. ilhas de racionalidade técnica. enfatizando a questão das relações de poder num Estado patrimonialista onde o que é público e o que é privado nunca apresentaram limites muito claros. Nesta linha. o de Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva (1989) sobre relações de raça e mobilidade social. além do monopólio da informação. dentro de uma visão weberiana clássica. Além disso. suas análises ainda continuam válidas. Em outro contexto. onde são formados quadros especializados que detêm o controle das atividades produtivas e de planejamento estratégico do Estado. anéis burocráticos.

a composição majoritária das Assembléias e Conselhos Diretores era de profissionais oriundos dos cursos de Engenharia Civil e Militar. É sobre uma parcela dessa tecnoburocracia que o capítulo I trata. Silvio Fróes de Abreu e Moacir F. o processo dicotomizador entre os âmbitos político e o técnico nas áreas de governo inicia sua trajetória na década de 20. 1980). enfocando. outro. eram engenheiros. sobretudo quando se percebe a magnitude do processo de formação de quadros técnicos que o IBGE gerenciou em boa parte desses 60 anos de sua existência.1995). No contexto brasileiro. 1994). Figuras-chave na criação do Conselho de Geografia e grandes produtores de artigos para a Revista Brasileira de Geografia como. Suas ações objetivas passam a contrastar com a lentidão das decisões políticas que. com características positivas. principalmente. assim como em outros países. por ocasião da fundação dos Conselhos de Estatística e Geografia nos anos 30. sendo que boa parte deles em ambos. Biderman. as ações de Mário Augusto Teixeira de Freitas objetivando uma revisão da divisão territorial do país. Cristóvão Leite de Castro. posteriormente. o político. estabelecendo comparações com o Japão e com os Estados Unidos. ao findar a Primeira Guerra Mundial. o trabalho de Livia Barbosa (1999) discute a noção de meritocracia no Brasil. 1997). escudados na ampliação das áreas de especialização das Escolas Politécnicas. tanto no Brasil (Motta.No campo antropológico. Silva. incorpora-se na sociedade um pensamento que divide a elite de governo em dois grupos: um. iniciou a vida profissional na Engenharia e migrou. O assunto é interessante. . Com isso. para a Economia. É a partir dos anos 60 que os economistas irão se constituir na segunda grande força da elite tecnoburocrata. o técnico. O profissional que melhor encarna este processo são os engenheiros encarregados das obras públicas. necessariamente. É interessante assinalar que. ao explanar a estruturação inicial do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. O artigo de Angela de Castro Gomes (1994) historia muito bem o tema e o de José Luciano de Mattos Dias (1994) esclarece sobre o processo de ampliação do prestígio dos engenheiros no governo brasileiro. Cozac & Rego (1996) e ( Loureiro. utilizavam alguns expedientes de acertos partidários ou mesmo de geração de conflitos entre as diferentes facções políticas. quanto na França (Fourquet. com características negativas. (Bielschowsky .

mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos. . O exemplo de São Paulo em 1932. contra a tendência fortemente ditatorial que já se cristalizava no primeiro ano de governo “provisório” de Vargas. a exemplo de São Paulo. além do militar e da representação política clássica _ A intermediação técnica era uma delas _ como organizar então um sistema de gerenciamento do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais? Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas. 1988. (Abreu. poderiam criar movimentos emancipatórios que colocariam em xeque a unidade nacional. 1997). as que tiveram maior notoriedade foram as de criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) em 1938 sob a orientação de Luís Simões Lopes (Mariani e Flaksman. os criaram no início dos anos 30. Se considerarmos. são um bom exemplo de uma dessas múltiplas formas de abordagem do tema (Morais. embora revestido de uma roupagem constitucionalista. como no militar. referenciados ao período do Brasil colonial. o problema da unidade polítco-territorial brasileira no final da República Velha constituía-se em um assunto delicado. que a Revolução de 1930∗ estabeleceu um novo marco políticoadministrativo. 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História ( Fausto. no entanto. Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto. que efetivamente. 1987). ∗ Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores. que nos foram legadas. e suas configurações espaciais. agência embrião do futuro IBGE organizada por Mário Augusto Teixeira de Freitas. recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras Rumos e Metamorfoses (Draibe. Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão. 1983.A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro Muitas podem ser as formas de interpretação sobre os processos de criação e desenvolvimento do que poderíamos chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. Por outro lado. Minas Gerais ou Rio Grande do Sul. 1991). 1984) e a do Instituto Nacional de Estatística em 1934/1936. tanto no campo político.Parte I Capítulo I . já que as elites de estados fortes. é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo de Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente. sob o ponto de vista das relações entre o esquema jurídico colonial português em relação à apropriação do território. Como São Paulo e Rio Grande do Sul .

no dia 12 de outubro. durante os primeiros anos da década de 30. geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas. Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o Golpe de Estado de outubro de 1930. José Américo de Almeida. pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto. A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo. foi Mário Augusto Teixeira de Freitas. o qual centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um super gerente. ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934. A experiência de Teixeira de Freitas foi adquirida em Minas Gerais.1974:96-98) explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as idéias mais abrangentes de uma agência estatística nacional sonhada por Teixeira de Freitas. Essas informações englobariam um amplo leque que cobriria características físicas e ambientais. que em 1930 foi convidado para apresentar. que foi um dos participantes do “Gabinete Negro” que se reunia todas as noites do mês de novembro no Palácio Guanabara para traçar esses destinos. abrangendo a produção. geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento. Pedro Ernesto Batista e João Alberto (Pantoja e Camarinha. As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora / Francisco Campos. mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro. 1984: 3317) e de Francisco Campos. Juarez Távora em suas memórias (Tavora. a infra-estrutura econômico-social e o aparelho de estado em todas as suas instâncias. 1984). fosse democraticamente partilhado pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. além de consolidar uma estrutura de eficiência.1994). embora durante o processo de normatização das informações. o Delegado Geral do Recenseamento do Estado de Minas.Desses grandes articuladores. Osvaldo Aranha. provavelmente o que combinava maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência de gerenciamento de informações territoriais. titular do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública (Malin e Penchel. através de seu modelo de gerenciamento. a . centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios. em Minas Gerais. adquirida ao longo dos anos 20. juntamente com José Fernandes Leite de Castro. Sua atuação foi tão inovadora. na 1 Conferência Nacional de Estatística suas 33 teses sob a denominação “Algumas Novas Diretivas Para o Desenvolvimento da Estatística Brasileira” (Freitas. como no caso do militar Juarez Távora. circulação e consumo. Ari Parreiras. criador de um eficiente sistema de gerenciamento de informações que cobria todos os municípios do território mineiro.

isto é. um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se portanto. que abrangeria o território nacional em quase todos os aspectos. a representação dos engenheiros (civis e militares) era. foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época. numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas e seus maiores incentivadores foram. Além disso. mas com um aspecto importante: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada num Conselho Superior de Estatística (anexos: documentos de valor histórico para o IBGE). as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. pois foi nesse período que as noções de integração técnica entre Estatística. Geografia e Cartografia tomaram corpo. sobretudo em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam coordenar a agência a partir da década de 40. quanto politicamente do novo instituto. um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República e com alcance até a instância municipal. neste período. os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica.Foi este projeto de super agência de informações denominado Instituto Nacional de Estatística. É importante lembrar que. após os trabalhos de apuração do censo de 1940. As 33 teses de Teixeira de Freitas foram as ferramentas utilizadas por este grupo de autoridades para a consecução de um projeto de governo que. A principal referencia pode ser . Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (com a chegada de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). apesar de não possuírem tal representatividade junto ao poder central. Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos. sem dúvida. Apenas para fins de comparação. juntamente com os bacharéis de direito. E foram nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foram escolhidos. na década seguinte. que na década de 40 tornaram-se a elite dirigente do IBGE. A segunda metade dos anos 30 foi de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos. Além disso. Juarez Távora (possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente” junto a Coluna Prestes na década de 20) e Francisco Campos (por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações). iria gerenciar o sistema de planejamento territorial brasileiro. caracterizava o que podemos definir como Agência do Poder Central Capilarizada. Sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo. as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade.

todavia. tomando grande impulso após a instauração do governo provisório de Vargas. 1948) apresentado “perante um grupo de brasileiros de elevadas responsabilidades na direção dos negócios públicos”. parece oportuno o estudo. as preocupações de Teixeira de Freitas com o gerenciamento do território brasileiro. por este seleto grupo de cidadãos. desde as suas realizações mais fundamentais. suas primeiras teses sobre a redivisão política do Brasil. como é possível perceber nos cuidados extremos com o discurso. baseados nos estudos preliminares de João Segadas Viana e modificados por Teixeira de Freitas (anexo documentos históricos). sociais e econômicos. após a instituição do Estado Novo. que vinham reclamando há muito. Os Planos de Redivisão Territorial e suas Conseqüências Práticas Em paralelo a essas tarefas administrativas. mostrando que o assunto já havia preocupado as autoridades portuguesas e brasileiras desde o século XVI (Penha. 1935). Assim sendo. com grandes poderes discricionários. Apesar disso. Suas palavras iniciais mostram que. mas em vão.∗ Foi. compreendida esta em toda sua latitude. administrativos. em pleno período da Revolução Constitucionalista de São Paulo) Teixeira de Freitas apresenta no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Em 28 de outubro de 1932 (portanto. as garantias definitivas da Defesa Nacional. no sentido espacial do termo. Em dezembro de 1937. de que um esquema orgânico para as grandes diretrizes e que convenha submeter a restauração dos nossos quadros políticos.exemplificada na figura de Cristóvão Leite de Castro. a questão da divisão territorial era uma estratégia de governo que emergia num contexto de Estado Forte. são possivelmente anteriores a 1930. cinco anos mais tarde. a fim de que a nova ordem de coisas estabelecidas. responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iria formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia. ∗ Um breve histórico sobre o tema foi desenvolvido por Eli Alves Penha em sua tese. . de fato. pronta e enérgica solução. mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia. engenheiro. que a questão da redivisão das unidades federadas retornou com maior vigor na agenda de Teixeira de Freitas. 1993:105). além dos dados e do mapa. coloca em discussão seu estudo (Freitas. editadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Freitas. a proposta apresentada aparecia como um balão de ensaio técnico. “O reforço de autoridade de que a nova ordem política investiu o Poder Executivo trouxe possibilidades inéditas ao encaminhamento de alguns problemas fundamentais da organização nacional.

. a assegurar-lhes equivalência de potencial político. para evitar as disparidades regionais que.. peço permissão aos ilustres compatriotas que me ouvem. Para isso. sem prejudicar-lhe o equilíbrio. Rio de Janeiro e Distrito Federal. Mas.9. destinada a traduzir-se mais tarde em efetiva ‘equipotência’. das suas aspirações. subfederados para formar Estados compósitos – adstritos ao padrão. iniciando a tarefa pela questão mais geral e mais fundamental. “ mas só devendo ser removidos para lá os órgãos do Governo e os elementos da administração que não puderem ser localizados longe deste.10. que os concidadãos aqui reunidos por um generoso pensamento se dispusessem a colaborar no preparo de um escorço geral daquelas diretrizes e .” preparando deste modo a localização futura da metrópole brasileira no Planalto Goiano”. transformando temporariamente Belo Horizonte em Capital Federal.. pois que assim acontece.. “ Quando suas Unidades tiverem relativa equivalência de área. A questão central era a tentativa de equivalência territorial entre as unidades federadas. p. como urge talvez aproveitar as possibilidades excepcionais que abrem à Nação. “sem diminuição para nenhum. como elementos realmente confraternizantes no seio da Federação” . para colocar desde logo ante suas vistas. Determinando o futuro da cidade do Rio de Janeiro após perder o status de capital federal. elegendo Minas Gerais.. Mas o plano vai muito mais além. um com o Oeste e o Triângulo Mineiro (cujos anseios de autonomia ficariam atendidos) e outros dois marítimos (como também desejam as respectivas populações)”. era o grande problema da federação. Definindo a localização da nova capital federal.. e sem desigualdade.. o esboço que se me formou no espírito como fruto de um longo meditar sobre o palpitante tema aludido ” Pg. “cujo espírito de brasilidade pode e deve ser aproveitado para aglutinar o poderoso núcleo central do novo sistema. da sua vocação e dos recursos esplêndidos com que a Providência Divina a galardoou.. neste momento.. cada um dos quais com uma capital especialmente construída em um município neutro. de modo que possam permanecer no Rio”.Desejaria.. Teixeira de Freitas define um padrão de tamanho territorial entre 250 e 350 mil km e propõe a estratégia de associação entre Estados...p.10. nas palavras de Teixeira de Freitas... p. 5-6.. a sintonia espiritual e a solidariedade estreita das suas forças vivas em torno do ideal generoso de erguimento de uma Pátria combalida ao nível exato da sua capacidade de vencer. p. que se localizaria quanto possível em ponto de convergência dos limites dos atuais Estados que passassem a associados”.. 2 ..10.. mas com o engrandecimento para todos... pois..p.8.. com seu território somado aos do Espírito Santo. três futuros Estados. apresentassem à consideração do Governo o plano preliminar da redivisão territorial do país. venha ele a formar. ainda que mui perfunctoriamente. Mas antes. transformando-se em ‘departamentos autônomos’.

em termos técnicos não diferiam muito das de Teixeira de Freitas. envolviam. No caso da Lei Geográfica. uma estratégia desta proporção não foi apenas um trabalho acadêmico organizado por um só indivíduo. no início dos anos 40. porém. que dispunha sobre a delimitação das malhas municipais e distritais e definia regras específicas sobre o mapeamento e a racionalização da toponímia (não poderia haver municípios homônimos). Além disso outros autores mais adiante também deram contribuições ao tema. através da Resolução n 72 de 14/07/1941 da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia. já que houve enorme articulação no núcleo do novo governo antes e depois de suas apresentações de 1932 e de 1937. Suas propostas de solução. Suas proposições. receita. Sua visão do problema passa por analises comparativas de outros países que também enfrentaram a questão da divisão territorial.10. acomodou a questão. espacial e politicamente (São Paulo e Rio Grande do Sul que já haviam tentado movimentos emancipatórios) e prêmios para Estados que absorvessem bem as modificações espaciais na malha territorial. por outro. França e Estados Unidos. a necessidade de bases cartográficas confiáveis para a campanha censitária de 1940 induziu os técnicos do IBGE a promover estudos visando à uniformização das circunscrições territoriais dos municípios e seus distritos. O que distinguia era o tom menos conciliador. que adotou os resultados dos estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães e sua equipe. entretanto.. Se por um lado. na questão espacial o quadro territorial brasileiro foi preservado. como Alemanha. Segadas Viana já havia colaborado com Teixeira de Freitas na organização do mapa que foi apresentado na exposição de 1937. o IBGE passou a controlar a conformação espacial das malhas municipais e distritais por meio de critérios técnicos que envolviam extensão territorial. Outras ações de cunho geográfico. foram implementadas. o sul e a Zona da Mata de Minas Gerais”. A outra foi a institucionalização da macro regionalização do país. A Constituição de 1937 (redigida por Francisco Campos). o . 1940). de certa forma. mais prósperos e mais favorecidos pelo Governo Nacional. um major do Exército que também expôs uma proposta de divisão territorial na Revista Brasileira de Geografia (Viana. como no caso de João Segadas Viana.” receba a vantajosa investidura de Capital de uns dos Estados mais ricos. Uma foi a Lei Geográfica do Estado Novo ou Decreto-Lei 311. pelo Estado do Rio (mantida sua autonomia como um dos departamentos). Como se pode perceber. além de assegurar a unicidade da toponímia através de um processo de verificação de homônimos.. com a divisão departamental conveniente. Com a Lei Geográfica. portanto. população. formado. mais populosos. Punições para os Estados mais poderosos. um perigoso conjunto de punições e prêmios. sob o aspecto político ela reduziu drasticamente a autonomia dos Estados. que tal seria o Estado da Mantiqueira.p. de 02/03/1938.

obtidas em segunda aproximação pela consideração das características fisionômicas (naturais e humanas) dos municípios brasileiros. No que concerne ao processo de regionalização.Entre os primeiros resultados das Campanhas Geográficas realizadas durante a segunda metade dos anos 30.491 em 1990. quando o governo central procurou ajustar a divisão territorial dentro de . “A divisão regional do Brasil ficou. elevando-se para 5.841 distritos. Esta divisão regional. no dia 24 de março de 1940 em Curitiba. Esses dois processos objetivavam uma base cartográfica confiável para a Campanha Censitária de 1940 e foram solenemente apresentados ao Presidente Getúlio Vargas. que após a Lei Geográfica eram inexistentes. confeccionaram por força do artigo 13 da Lei Geográfica. os dois mais importantes foram a determinação dos limites dos 1. descrevendo sistematicamente todos os acidentes naturais que referenciavam esses linha divisórias e o esforço de cartografação dos mapas dos territórios municipais. o Embaixador José Carlos de Macedo Soares. com o apoio técnico do IBGE. com alterações nas malhas. Sub-regiões (66). Exatamente como nos dois primeiros séculos da fase colonial. se generalizou no país obedecendo às determinações do Presidente Vargas a fim de atender à administração pública. Nas palavras de Eli Alves Penha. Nordeste. que as prefeituras. Regiões Fisiográficas (em número de 31). consentâneas com a caracterização fisionômica do conjunto do Território Nacional.974 em 1980 para 4. Para garantir um alcance nacional ao evento. por fim. Centro-Oeste e Sul). Tais processos perduraram até a Constituição de 1988 que. Uma restrição fundamental foi definida: não era possível desmembrar uma unidade da federação num processo de regionalização. saudou todos os envolvidos por via radiofônica especial utilizando o sistema da Hora do Brasil (atual Voz do Brasil) coordenado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).574 municípios e 4.. Com isso. tal como foi estabelecida pelo CNG. para garantir uma uniformização de procedimentos nos estudos geográficos e no processo de coleta estatística.505 em 1997 e perdeu-se o controle sobre os homônimos. por conta de uma nova noção de autonomia. constituída sucessivamente em Grandes Regiões (Norte. Foi atribuído aos órgãos regionais de Geografia e Estatística empreenderem os estudos sobre a divisão regional dos respectivos Estados. sob pena de cassação da autonomia municipal. Leste. Presidente do IBGE. por ocasião das Exposições Regionais dos Mapas Municipais. decidiu liberar para os respectivos legislativos estaduais e municipais essas ações que envolvem emancipações municipais e distritais.. Zonas (aproximadamente 160). sua principal finalidade no início dos anos 40 era de homogeneizar territórios de características fisiográficas semelhantes. mas que em 1997 já atingia a cifra de 483 municípios. o número de municípios saltou de 3. segundo o critério geográfico pelo qual se agrupariam municípios que apresentassem características naturais e humanas afins.

deixando que as unidades constituíssem seus limites “espontaneamente” (Penha. o processo de regionalização assumiu tanto a função de servir de base para divulgação de dados estatísticos. é a principal área de atuação do Departamento de Geografia do IBGE. quanto a de subsidiar o processo de planejamento. classificando áreas homogêneas ou determinando pólos geradores de atividades ou de receitas conforme o objetivo pré. 1993: 108) . Nos períodos posteriores. Procedimentos fundamentais num órgão de Geografia de governo e que.determinado. . ainda hoje.um quadro optimum de administração.

no sentido de organizar um instituto de estatística em escala nacional estavam paralelamente tomando Congresso Internacional de . de caráter político-cultural. diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso e Secretário Geral da UGI. O segundo. que necessariamente teria de pertencer ao governo central. uma tarefa muito além da capacidade administrativa e financeira desse grupo. Foi. onde De Martonne percebeu o enorme potencial de trabalho em Geografia Tropical que o Brasil apresentava. Esta percepção por parte dessas instituições estava vinculada ao entendimento de que o planejamento territorial (cartografação e normatização das divisões territoriais entre Estados e Municípios) seria uma das principais atribuições de um órgão nacional de Geografia. O memorial de 29/12/1934 apresentado pela Academia Brasileira de Ciências ao então Ministro da Agricultura Odilon Braga. ao encorajar as principais associações culturais da área (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Esta visita objetivou dois campos: o primeiro. Sociedade Brasileira de Geografia e Academia Brasileira de Ciências) a juntarem esforços na adesão do Brasil à UGI. indica que os serviços estatísticos e geográficos desenvolvidos no ministério (Diretoria de Estatística da Produção) encaixam-se perfeitamente nas atividades da nova ciência geográfica. que as anteriores articulações dos ministros Juarez Távora e Francisco Campos com Mário Augusto Teixeira de Freitas. A criação de um comitê instituído por essas instituições. Sua atuação brilhante no Congresso foi muito apreciada por Emmanuel De Martonne. Nosso delegado. no futuro. O resultado de suas articulações com De Martonne. Percebendo ali um excelente ponto de iniciação de um órgão governamental que poderia. iniciadas em 1931 e ampliadas em 1933. enviado pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Geografia. durante o Geografia realizado em Paris. Geodésia e Cartografia no IBGE Geografia O primeiro contato oficial entre o que se convencionaria chamar de Geografia Brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI) aconteceu em 1931. A Alberto José de Sampaio. foi o Prof. neste contexto. culminou com a visita do Geógrafo francês em 1933. naturalista especializado em Fitogeografia. na área da pesquisa de Geografia Física. pesquisador do Museu Nacional e autor de várias obras sobre a vegetação brasileira.Parte I Capítulo II . revelou-se ao longo do ano de 1934.A Estruturação das Áreas de Geografia. tornar-se uma instituição responsável pela Geografia brasileira.

José Carlos de Macedo Soares no final do ano de 1936. para que isto acontecesse. do que a agregação dos serviços geográficos/cartográficos ao novo instituto que teria ramificações espaciais até a escala municipal. seria necessário formar profissionais especializados através de cursos superiores de Geografia. Serviço Geológico e Mineralógico. Universidade do Distrito Federal (Catedráticos de Geologia. Tal tarefa somente viria a tornar-se realidade. . pois foi em seu mandato que as decisões de se estruturar um curso superior de Geografia iriam se concretizar. Observatório Nacional. que tiveram como professores estruturadores. Pierre Deffontaines e Pierre Mombeig respectivamente. possuíam vínculos com a Geografia. com a participação do governo federal a partir de 1935. Fernando de Azevedo em São Paulo. tendo como Ministro da Educação Gustavo Capanema. Nada mais conveniente portanto. com a estruturação da Universidade de São Paulo (USP). Serviço Geográfico do Exército. Essa relação entre a necessidade de planejamento territorial para as tarefas da Estatística e a ampliação da Geografia acadêmica desenvolvida na Universidade. Estado Maior da Armada. que viria inicialmente a ser cogitado. Foi a partir do curso organizado por Deffontaines. Serviço de Limites do Itamarati. gerou uma massa crítica para a criação do Conselho Nacional de Geografia. com a Universidade do Distrito Federal (UDF). Diretoria de Navegação da Armada. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Catedráticos de Geologia). Colégio Pedro II (Catedráticos de Geografia). gerou as condições de criação de um órgão oficial de Geografia. após cinco reuniões técnicas realizadas no Itamarati sob a tutela do Ministro das Relações Exteriores. Estado Maior do Exército. Museu Nacional. Instituto Histórico e Geográfico da Bahia.forma através do decreto 24. Geodésia e Cartografia. Mas. Personalidades como Anísio Teixeira no Distrito Federal. Este ciclo de reuniões contou com as presenças de representantes das mais importantes instituições. Clube de Engenharia. foram os iniciadores desses cursos.609 de 06/07/1934 que defina a criação do Instituto Nacional de Estatística. primeiramente na UDF e posteriormente na Universidade do Brasil (UB) que criou-se o primeiro grupo de profissionais de Geografia. Instituto de Educação (Catedráticos de História e Geografia). processo longo e complexo que somente torna-se realidade em 29 de maio de 1936 com sua instalação solene no Palácio do Catete. apesar de indireta. Arquivo Nacional. Paleogeografia e Cartografia). é importante. A vinculação de Capanema. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. que direta ou indiretamente. que em conjunto com engenheiros de diferentes especialidades.

Isto é. Essa instrução foi referendada pela Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística no dia 16/06/1937 através da Resolução n. para dar garantias ao princípio da “autonomia municipalista” . 15. Em 26/01/1938 o decreto 218 finalmente define a autonomia dos dois conselhos de Estatística e Geografia. envolveu praticamente todo o efetivo do IBGE no auxílio técnico aos municípios e a tarefa foi totalmente cumprida em março de 1940. agora sob a tutela do Instituto Nacional de Geografia e Estatística. que o utilizaria no planejamento de organização dos setores censitários. definindo os parâmetros mínimos em termo de área e de tamanho populacional. A entrega solene foi realizada em Curitiba. Os municípios deveriam apresentar seus mapas municipais até o final do ano de 1939.527 que instituía o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG) incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e autorizando sua adesão à União Geográfica Internacional. evitar sustentabilidade. O processo de cumprimento da Lei Geográfica durante os anos de 1938 e 1939.Ministério da Viação (Chefia de Gabinete) e Ministério da Agricultura (Diretoria de Estatística Territorial). em tempo de contar-se com esses mapas nas operações censitárias de 1940. evitando unidades sem as mínimas condições de . O primeiro grande trabalho do CNG inicia-se em 1938 com o Decreto-Lei 311 que ficou conhecido como a Lei Geográfica do Estado Novo. O segundo seria contar com um mapeamento em escala de detalhe de todos os municípios brasileiros para estruturar os trabalhos de campo do futuro censo de 1940 e contar com informações cartográficas que dessem suporte aos trabalhos de mapeamento da carta do Brasil ao milionésimo. com uma exposição dos mapas. estavam também os estudos sobre determinação de áreas urbanas e rurais. No dia 01/07/1937 o CBG foi solenemente instalado no salão de conferências do Itamarati e iniciado os trabalhos de sua Assembléia Geral. que contou com a presença de Getúlio Vargas. Em 24 /03/1937 foi baixado o decreto 1. Objetivava redefinir a estrutura de limites dos distritos e municípios para dar conta de dois problemas: O primeiro seria organizar espacialmente as malhas distrital e municipal. Neste contexto. enviando uma cópia para o IBGE. o fracionamento excessivo dos municípios.

os teodolitos e os taqueômetros que medem distâncias e ângulos. prosseguindo com a estruturação das redes planimétrica. que além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. Os trabalhos das equipes de Geodésia estão divididos em três grandes conjuntos de medições: a planimetria. estabeleceu as ações de normatização da área de Geodésia do IBGE para suprir o mapeamento do Recenseamento Geral de 1940. a determinação do nível médio do mar é definido por instrumentos de medição maregráficos situados em estações localizadas no litoral. Esse levantamento era feito por terra e levavam-se anos para cobrir as grandes extensões do território brasileiro. foi estabelecido pelo mareágrafo de Imbituba. Municípios.Geodésia O decreto 327 de 02/02/1938. IBGE. eram inicialmente medidos através equipamentos de curto alcance visual. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . e 1: 25 000. que geram as linhas de limites entre áreas (Distritos. A Planimetria A planimetria que estabelece as medições das superfícies planas do território. A Altimetria A altimetria estabelece as medições de altitude do relevo terrestre e relação a um plano de referência determinado pelo nível do mar. Estados e Países). Por sua vez. Sob a responsabilidade do engenheiro Allyrio Hugueney de Mattos. 1: 250 000. É através dela que se estabelece o sistema de coordenadas geográficas (latitude e longitude). que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do . do Mar. realizado e organizado pela área de Cartografia. Os levantamentos planimétricos. Atualmente as medições planimétricas são estabelecidas por um sistema de satélites artificiais chamado Sistema de Posicionamento Global recepção de GPS de alta precisão. no litoral de Santa Catarina em 1945 e em 1946 foi estabelecida a conexão com o mareágrafo de Torres no Rio Grande do Sul para o estabelecimento do Nível Médio (GPS) e são controlados por equipamentos de 1: 100 000. Formando uma grande rede de polígonos que serviam de base para o cálculo de áreas. chefe do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica. O primeiro plano de referência (datum) oficial do nível do mar brasileiro. 1: 50 000. em 1939 foram iniciados os trabalhos de levantamento das coordenadas geográficas das cidades brasileiras. a altimetria e a gravimetria. altimétrica e gravimétrica.

É também o IBGE. além de auxiliar no estudo das configurações das estruturas geológicas (camadas internas da Terra) e da Geofísica (prospecção mineral). Cartografia A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. negociações que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou que podem alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. passou na década de 80. quanto na estadual. a contar com o suporte da informática na configuração dos cálculos de nivelamento do território brasileiro. A Gravimetria As medições gravimétricas são fundamentais para que se estabeleça com precisão as medições geodésicas (forma e dimensões do geóide Terra). Um outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. Essas anomalias alteram as medições de altitude e exigem um monitoramento especializado através da rede GPS. quando o IBGE estabeleceu uma rede de mais de 18 000 estações gravimétricas em todo o território. que. levando em consideração as negociações entre as partes. os trabalhos de determinação de nivelamento da Rede Altimétrica do Brasil. que normalmente são arbitrados pelo poder judiciário. tanto na escala municipal. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. juntamente com as demais forças armadas. iniciaram-se. Em caso de litígios entre essas unidades. em 1945. Os estudos de gravimetria passaram a ter um caráter sistemático na década de 90. Essas atividades servem de base para que o sistema cartográfico brasileiro possa gerar mapas de grande precisão para vários objetivos. isto é em alguns lugares da Terra. quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas.Definido o nível de referência. É também atribuição da área dar apoio técnico às operações . Sendo o planeta Terra um geóide dotado de uma camada líquida superficial de grandes dimensões (oceanos) e de uma composição plástica interna (magma) composta por uma mistura de minerais em estado de fusão. a força da gravidade é maior do que em outros. após 35 anos de ajustamento manual das observações de altidude. Sua crosta não se apresenta homogênea em termos de prospecção da gravidade. dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira.

municípios. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. vegetação). o Geógrafo. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados.de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos. distritos. componentes da infra-estrutura (estradas. tanto na Universidade. que estabelecem a produção de bases digitalizadas visando ao georeferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo.numéricas simples à complexas imagens e sons em tempo real. que são atualmente usados em organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados ( que vão de informações alfa. ferrovias. quanto na arena de trabalho do IBGE. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede internet). . hidrografia. unidades federadas). O capítulo III tratará da estruturação da memória coletiva desse novo profissional que começou a ser formado sistematicamente no final dos anos 30. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuíssem pessoal qualificado para a confecção dos mapas.

fruto de seus trabalhos de campo pelo IBGE e de excursões com seus alunos da UFF. criador da estrutura administrativa do Conselho Nacional de Geografia (CNG).0/95 e Word 7. Ambos aposentaram-se no final dos anos 80. Gelson atuou no setor de Geomorfologia e especializou-se na classificação de solos.Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE O processo de constituição integral da memória dos profissionais que trabalharam na área de Geografia do IBGE nesses sessenta anos é uma tarefa que ultrapassa em muito os limites desta pesquisa. derivada de uma seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. Outras Instituições que Organizam a Memória Geográfica Brasileira .Parte I Capítulo III . geógrafos que ingressaram no IBGE na década de 50. Aluísio foi um especialista em regionalização e em estudos de urbanização. Os Personagens Iniciais Cristóvão Leite de Castro Engenheiro formado em 1928 e depois geógrafo. quatro funcionários ligados à Geografia foram entrevistados. também. e possuía também. constituído majoritariamente por engenheiros e. mas Aluísio veio a falecer em meados dos anos 90. Fábio de Macedo Soares Guimarães. grande preocupação com a história e memória da instituição. onde trabalhavam os técnicos que formaram o CNG entre os anos de 1936 e 1938. o primeiro geógrafo contratado pelo CNG em 1938 para secretariar as reuniões iniciais do Conselho. era também um grande colecionador de fotos sobre as paisagens brasileiras. Além de alguns profissionais de Estatística e de Cartografia. Ele foi iniciado em 1990 pelo grupo de técnicos que organizou o setor de Memória Institucional do IBGE através de gravações de depoimentos de alguns profissionais que tiveram importância na construção da profissão no órgão. por alguns geógrafos treinados por Pierre Deffontaines na primeira turma de Geografia da Universidade do Distrito Federal (Cristóvão Leite de Castro. Jorge Zharur. junto ao grupo do Projeto Memória do IBGE na organização dos roteiros de entrevistas dos seus colegas. Esses depoimentos foram transcritos inicialmente em datilografia e atualmente foram redigitados em Word 6. além do próprio Orlando). Aluísio Capdeville Duarte e Gelson Rangel Lima. Participando. Orlando Valverde. posteriormente.0 para ficarem registrados em meio magnético.

já aposentado do IBGE. . O terceiro. Pedro Geiger. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. e os chefes do Departamento de Geografia de 1967 até hoje (Orlando Valverde. A revista da UERJ transcreveu o depoimento de Speridião Faissol em seu primeiro número. A publicação catarinense colheu os depoimentos de Orlando Valverde. quanto em grupo. composto por geógrafos técnicos que exerceram chefias de setores específicos ou que produziram trabalhos relevantes para Geografia do IBGE (Ruth Magnanini. Miguel Angelo Campos Ribeiro). Olga Buarque de Lima. a construção do conjunto de depoimentos orais que está compondo a memória dos geógrafos do IBGE para este trabalho. trabalhou em importantes projetos na década de 80). Edgar Kulhman. neste grupo foi incluído também o cartógrafo Rodolfo Pinto Barbosa por ter chefiado a área de Atlas na Cartografia e depois no Departamento de Geografia . Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e Teresa Cardoso da Silva (Geomorfóloga baiana que. em função da absorção do Projeto Radam Brasil pelo IBGE em 1985. Luis Cavalcanti Bahiana. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. O professor Faissol. além de produzirem textos técnicos e mapas. Fany Davidovich. dividiu-se em quatro grupos: os que. Tereza Cony Aguiar). Solange Tietzmann Silva. através da Revista Geosul e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através da revista GeoUerj. Marília Veloso Galvão. Alceu Magnanini. também conduziram a política e a administração da área de Geografia através das chefias. estão incluídos alguns dos antigos chefes da Divisão de Geografia. Elza Keller. tanto individualmente. preferencialmente os que assumiram chefias de Divisão mais recentes ou coordenaram projetos de grande porte na área de Geografia do IBGE (Alfredo Porto Domingues. lecionava nesta universidade por ocasião de seu falecimento. Os Depoentes da Pesquisa No âmbito da presente pesquisa. Cesar Ajara e Maria Luiza Gomes Castelo Branco).Duas outras instituições que se ocupam da memória dos geógrafos e que documentaram depoimentos de profissionais do IBGE foram o Departamento de Geografia da Universidade de Santa Catarina. José César de Magalhães. O segundo grupo constituiu-se de alguns técnicos que produziram trabalhos geográficos.

Por outro lado. além dos acidentes que podem ocorrer ao longo desses 60 anos. considerado por várias razões o decano dos geógrafos do órgão.O quarto grupo foi composto por geógrafos que tiveram alguma relação profissional com o IBGE no início de suas carreiras ou que foram influenciados pelos cursos de aperfeiçoamento que o órgão ministrava (Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. os pioneiros já estão na faixa dos 70/80. pois ao se trabalhar com os profissionais de um órgão criado em meados dos anos 30. a questão saúde/doença também permeia esse grupo. que ocuparam cargos na alta direção do IBGE. que levantou a documentação sobre as memórias profissionais e familiares de Pierre Deffontaines. Sérgio Bruni e Trento Natali Filho). Usando-se o critério de idade. Maria do Socorro Diniz e Milton Santos). apesar de haver dado seu depoimento anteriormente. Edson de Oliveira Nunes e Charles Muller) e diretores e superintendentes das áreas em que a Geografia foi parte integrante (Miguel Alves de Lima. sem falar no seu entusiasmo pelas causas ambientais da Amazônia que sempre foram o principal foco de sua militância na Campanha Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) desde 1965. o primeiro depoimento foi feito com Orlando Valverde. como presidentes do órgão (Eurico Neves Borba. Speridião Faissol. geógrafos ou não. O quinto e último foi composto por profissionais. As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE. Além disso. O episódio do falecimento de Speridião Faissol em março de 1997 foi um desses duros golpes. continua produtivo e disposto a orientar e esclarecer aos mais jovens. principalmente ao abrir o seu imenso arquivo de documentos e fotos de sua vida profissional. e que infelizmente ocorreram. foi muito gratificante ter podido entrevistar Alfredo José Porto Domingues e Miguel Alves de Lima. que se confundem com boa parte da história da Geografia ibegeana. A Estruturação Inicial do Processo de Depoimentos Orais A primeira preocupação foi com a idade de uma boa parte dos depoentes. nos anos de 1998/1999. como no caso do acidente fatal que nos impediu da convivência intelectual de Nilo e Lysia Bernardes em 1991. Isso. uma historiadora especializada em História Oral. Os depoimentos de alguns presidentes e diretores da área de Geociências foram objeto de tratamento específico no capítulo II da parte IV deste trabalho. recém restabelecidos e que puderam contar com muitos detalhes suas respectivas trajetórias profissionais. Mauro Pereira de Melo. Nascido em 1917 e contratado pelo Conselho Nacional de Geografia em 1938. Houve também um depoimento especial da professora Marieta de Moraes. . idade/saúde.

foi elaborado um roteiro que abarcasse o máximo de informações sobre as práticas profissionais que ocorreram ao longo de suas carreiras. Speridião Faissol. Elza Keller. Alceu Magnanini. entre o final dos anos 40 até o início dos anos 70. além de estruturar um fórum de avaliação entrepares. O depoimento de Milton Santos foi colhido para exemplificar a importância dos cursos de aperfeiçoamento do IBGE que se tornaram. Pedro Pinchas Geiger. Esses cursos. que orientou positivamente a qualidade dos trabalhos geográficos no Brasil. Os Roteiros de Orientação dos Depoimentos Por conta da ênfase do projeto estar direcionada para os profissionais que forjaram a Geografia do IBGE e considerando que este grupo foi majoritariamente formado pelos profissionais que ingressaram no órgão nos primeiros 15 anos de sua existência. O depoimento de Maria do Socorro Diniz representou a experiência de trabalho de uma estagiária no Departamento de Geografia do IBGE (DEGEO). Período de grandes mudanças metodológicas nas pesquisas geográficas. entre o final dos anos 60 e início dos anos 70. Alfredo José Porto Domingues. um referencial indiscutível na formação das carreiras da maioria dos grandes profissionais de outros estados. nas quais o DEGEO foi um importante ator. O primeiro conjunto de questões que orientou os depoimentos dos geógrafos pioneiros vinculou-se a seis grupos de indagações que cobriam: A) Questões planejamento: referentes ao papel desempenhado pela Geografia como ferramenta de 1.quais foram os períodos de maior influência da Geografia no sistema de planejamento federal? 3.quais foram os melhores conjuntos de metodologias que realmente auxiliaram no reconhecimento da importância da Geografia no planejamento? . garantiram um importante espaço de aperfeiçoamento profissional.No grupo dos pioneiros. Marilia Veloso Galvão. juntamente com a dinâmica de pesquisas e apresentações dos congressos da Associação dos Geógrafos Brasileiros que ocorreram até os anos 60.qual a real importância da Geografia como instrumento de planejamento de governo? 2. Rodolfo Pinto Barbosa. Carlos Augusto Figueredo Monteiro e Fany Davidovich que ingressaram no IBGE no início dos anos 40. que iniciaram suas carreiras no final dos anos 30. além de Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. Edgar Kulhman.

dos mecanismos formadores de uma categoria especializada de profissionais que trabalham com Geografia voltada para o planejamento: 1. no contexto da missão institucional do IBGE? 2.quem foram os principais incentivadores da carreira? 2. ao longo desses 60 anos. ao longo do tempo.a escolha da especialidade principal se deu em que contexto? E sob a orientação profissional de quem? 3.qual foi o mecanismo de ingresso no IBGE? E) Questões que vinculam as relações internas e externas que ocorreram entre os Geógrafos do IBGE. no sentido intelectual do termo.como a Geografia se posicionou.como foram os relacionamentos entre a Geografia do IBGE e a ABG nos diversos períodos analisados? 3-qual foi a importância do IBGE na reciclagem de conhecimentos geográficos do corpo docente de ensino médio? D) Questões que tentam dar conta.como o ensino superior garantiu ou não as pré-condições para a decisão de tornar-se um geógrafo do IBGE? 3.como foi “absorvida” pelo Geógrafo a experiência de aprendizado ocorrida no ensino médio? 2.como foram as relações da Geografia com a Cartografia e com a Estatística no decorrer do período? C) Questões referentes a convivência entre a Geografia do IBGE e as outras Geografias: 1.como funcionaram as estruturas de lobby da Geografia junto aos poderes de República? E em que ocasiões isso ocorreu? B) Questões que tentam explicar internamente o papel da letra G na sigla IBGE: 1. principalmente no que se refere a crescimento profissional. 1.4.qual tem sido o relacionamento entre o IBGE e a Universidade no campo geográfico? Quem influenciou quem? Em que? E em que período? 2.o processo de interdisciplinaridade que obrigatoriamente ocorre em estruturas de planejamento do governo foi positivo ou negativo para Geografia do IBGE? F) Questões referentes ao futuro incerto da Geografia no IBGE em função da aceleração da crise do funcionalismo público somada ao declínio da formação profissional em nível de bacharelado: .

Ë bom frisar que a influência em termos de memória. . a de Francis Ruellan para os que ingressaram na décadas de 40 e 50s e de Michel Rochefort para os que ingressaram nos anos 60. Walter Egler e Speridião Faissol são os melhores exemplos). no entanto deixaram boas obras e bons discípulos (Orlando Valverde.1. É importante também ressaltar que nos períodos mais recentes. independente do período de ingresso no órgão. além de orientar e garantir cursos no Canadá para alguns de seus discípulos como Alceu Magnanini. Os Referenciais Mais Importantes ao Longo do Tempo Um dos principais aspectos da estruturação da memória dos profissionais da Geografia no IBGE é. diferentemente de Ruellan ou Rochefort.Conseguiria a Geografia um espaço próprio ou teria de associar-se com outras disciplinas? Os demais depoimentos foram direcionados para certas atividades e/ou períodos considerados relevantes e seguiram um roteiro básico que iniciava com uma apresentação da carreira. biogeógrafo canadense que deixou excelentes trabalhos didáticos para a disseminação de sua especialidade. não criaram grandes grupos. essa memória tende a turvar-se em virtude do aparecimento de novas metodologias ou conjuntos de técnicas que reordenaram as atividades geográficas no IBGE. É possível perceber uma substituição de nomes por técnicas. As questões referentes aos aspectos operacionais da carreira também eram costuradas aos cursos de aperfeiçoamento e aos projetos iniciais. a influência de Pierre Deffontaines nos primeiros pioneiros da segunda metade dos anos 30 . sem sombra de dúvida.Onde poderia ficar a Geografia no governo federal fora do IBGE? 2. onde as relações de orientação estruturadas entre orientadores e orientandos eram mais ou menos explicitadas. Assim como Pierre Dansereau. vai muito além da simples orientação relacionada com a especialidade desses profissionais. A especialização de Geomorfologia de Ruellan e a de Geografia Urbana de Rochefort não impediram que seus ensinamentos ou que a mística que envolveu esses ensinamentos. seja igualmente reverenciada por especialistas de diferentes áreas da Geografia que vivenciaram esses períodos. geralmente entremeada com aspectos de sua formação educacional. como foi o caso de Leo Waibel e Preston James. que na área de colonização trabalharam com grupos restritos. Outro ponto importante foi a verificação de certas afinidades entre especialistas que. além de confirmar-se a importante influência da Geografia francesa em praticamente todos os profissionais entrevistados. Dora Amarante Romariz e Edgar Kuhlmman. Neste ponto foi possível verificar a influência de certos “líderes de grupos de afinidade” conforme a acepção de Berdoulay (1981).

mas para a maioria dos novos geógrafos as principais referências estarão vinculadas aos softwares Cabral 1500 (mapeamento) e Samba (banco de dados dos censos do IBGE). que rodam em plataformas Macintosh. O acesso se dá. As tecnologias mais atuais. por meio de literatura e de tutoriais em multimídia ou pela rede Internet. foi a Geografia Quantitativa e não o pesquisador inglês / americano. passaremos a enfocar o contexto histórico que orientou o pensamento geográfico brasileiro no século XX.Embora o nome de Brian Berry seja lembrado eventualmente. Idrisi. No caso do convênio entre o IBGE e a Maison de Geographie de Montpelier durante os anos 90. Adobe Photoshop ou softwares da Intergraph. mapeamento automatizado. o que ficou gravado na memória da maioria dos geógrafos quantitativos. Atlas Gis. responsável pela divulgação de pesquisas de Geografia de redes urbanas utilizando métodos . sistemas de informações geográficas e ao tratamento de imagens. criaram-se boas relações profissionais com Hervé Thérry e o casal Philippe Waniez e Violette Brustlein. são geralmente tratadas pelos nomes dos softwares. Arc View e Arc Info. referenciadas ao geoprocessamento. ou pelas empresas que os criaram. Após um entendimento geral do quem é quem na Geografia ibegeana. Map Info.

Pierre Deffontaines (1894-1978) foi o primeiro professor vindo da França em 1934 e estabelecido no Rio de Janeiro a partir de 1935.Parte II . da hidrografia e do litoral o processo é semelhante.A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro no Século XX Através de Algumas Leituras Evocativas Em 1988. Talvez por razões de editoração. o . Geografia Humana do Brasil de autoria de Pierre Deffontaines publicado no primeiro número da revista (ano 1 n 1 de jan. Nas abordagens do clima. Primeiramente uma introdução geral sobre as grandes espaços abrangidos pelo país e as necessárias comparações com outros países. a montanha pastoril e a pecuária. incluindo aí a criação da RBG. a ordem cronológica desses artigos não foi observada. em função de um convênio entre França e Brasil para criar estruturas de ensino e pesquisa para a Geografia. que foi montada sob sua supervisão. O detalhamento retorna com a vegetação. Mas. é feita uma costura entre os elementos de forma e função: a montanha barreira e os caminhos de acesso. mas com uma interessante característica. por ocasião das comemorações do cinqüentenário da Revista Brasileira de Geografia – RBG. O primeiro. na Universidade de São Paulo. a montanha e a indústria. porém não tão detalhado. além da criação dos primeiros cursos de graduação em Geografia. no caso da montanha. / mar. Seguem-se descrições sobre os elementos constitutivos do quadro natural. uma edição fac-similar contendo cinco artigos considerados clássicos. Boa parte do arcabouço técnico do futuro Conselho Brasileiro de Geografia foi obra sua. a montanha e a horticultura. onde a floresta também volta a se relacionar com as atividades humanas via extrativismo e preparação da base edáfica para agricultura. para fins de entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil a partir dos anos 30. de 1939) é um típico artigo de Geografia Humana que a escola francesa produzia para este tipo de escala. vamos colocalos em ordem de publicação na revista. em 1935 e da estruturação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. o Conselho Editorial daquela publicação organizou um número especial composto por dois tomos. a montanha mineira e atividade econômica das jazidas. a montanha e o veraneio. em 1934 e do Distrito Federal.

de 1943. que englobasse tanto os aspectos físicos. Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico de autoria de Emmanuel De Martonne (1873 1955 ). Lucien Febvre. Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) sempre foi considerado um profissional que. Outro ponto de convergência pode ser também percebido nas cinco conclusões gerais sobre o conceito de região natural (pg. Uma nota da redação da Revista esclarece que. sul e centro oeste que perdurou até o final dos anos 60. Segue-se uma explanação sobre o método de definição de região natural que serviria de base para a posterior regionalização chamada por Fábio de uma única divisão regional prática (pg. no início dos trabalhos do CBG. Em conseqüência dos acontecimentos de maio – junho de 1940 (invasão da França pelas o .Divisão Regional do Brasil de autoria do único brasileiro do grupo Fábio de Macedo Soares Guimarães publicado no ano 3 no 2 de abr. O resultado desse trabalho foi a homologação pelo governo federal em 1941 de uma regionalização oficial em cinco regiões: norte. Camille Vallaux. ‘Em 1940. / jun. baseada nas regiões naturais e a do Conselho Técnico de Economia e Finanças. de 1941. todas perfeitamente em sintonia com as idéias desses mestres.. apoiada em critérios econômicos. Foi aluno de Pierre Deffontaines (1894-1978) na primeira turma da Universidade do Distrito Federal e trabalhou com ele na formação do primeiro núcleo de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia entre 1935 a 1938. leste. o Prof. possuía o binômio de conhecimento e liderança. O artigo lança as bases para a primeira regionalização oficial do país. o mais influente geógrafo francês das décadas de 30 e 40 e Secretário Geral da União Geográfica Internacional (UGI) em meados dos anos 30. Lucien Gallois e Pierre Deffontaines. Para um entendimento mais abrangente sobre as relações entre a Geografia e a História na França.. 18). adotada no mesmo ano pelo Governo Federal. Emmanuel De Martonne publicou nos Annales de Géographie dois artigos sobre “Os problemas morfológicos do Brasil tropical atlântico”. nordeste. / dez. publicado no ano 5 n 4 de out. uma consulta aos livros de Peter Burke (1991). Primeiramente foi feita uma defesa do conceito de divisão única. Observa-se claramente uma forte influência da escola francesa dos Annales de Géographie através das citações bibliográficas de Vidal de La Blache. A parte final do artigo é dedicada a análise das nove divisões regionais propostas por outros autores e suas conclusões apontam para uma solução de compromisso entre a de Delgado de Carvalho. Jean Brunhes. possivelmente por sua formação anterior de engenheiro. Anne Buttimer (1980) e Vincent Berdoulay (1981) é de grande valia. 34). quanto econômicos. Foi nesse período que estruturou suas pesquisas sobre regionalização que resultaram nesse trabalho.

/dez. foi solicitada ao Professor De Martonne a remessa de um exemplar de cada um deles. A Evolução Geomorfológica da Baía de Guanabara e das Regiões Vizinhas de autoria de Francis Ruellan . que rastrearam alguns processos de colonização no Brasil. A criação dos cursos formais de Geografia nas Universidades de São Paulo e do Distrito Federal e a preparação de um corpo técnico de geógrafos que pudesse. O artigo de De Martonne é um clássico trabalho de Geomorfologia da porção sudeste do Brasil. de 1949. publicado no ano 11 n 2 de abr. quanto na Universidade e além. Faz um contraponto entre a estrutura geológica da área e os diferentes processos formadores do relevo falhado da Serra do Mar. de 1944 é o principal trabalho do único geógrafo que se pode denominar de chefe de escola no contexto do Rio de Janeiro (possivelmente Pierre Mombeig em São Paulo tenha tido as mesmas características). Seus trabalhos de campo eram considerados verdadeiras maratonas físicas e intelectuais. Este tipo de pesquisa foi muito incentivado o o . é quase certo que a vinda de Pierre Deffontaines para o Brasil tenha sido acertada. publicado em no ano 6 n 4 de out. dos alinhamentos das serras litorâneas e do relevo apalachiano do interior entre São Paulo e Minas Gerais. pertence ao grupo de trabalhos de Geografia Humana orientados para a questão da ocupação do território. O artigo é um dos mais completos e detalhados trabalhos sobre os processos geomorfológicos formadores da Serra do Mar e das planícies litorâneas que cercam a região da baía de Guanabara. O Professor De Martonne atendeu a esse pedido e fez a doação de seus direitos autorais como agradecimento pela acolhida que teve por ocasião de suas missões no Brasil’. A vinda do Prof. futuramente. com ênfase na formação dos alinhamentos serranos que ocorrem neste espaço. Possivelmente ocorreram reuniões entre De Martonne e Mário Augusto Teixeira de Freitas (18901956). representar o Brasil na União Geográfica Internacional (UGI). pois muitos de seus alunos foram professores de Geografia nos principais colégios do Rio de Janeiro.tropas de Hitler). Francis Ruellan (1894-1975) foi o formador da segunda geração de geógrafos cariocas tanto no IBGE. por via diplomática. Nessas reuniões. Emmanuel De Martonne ao Brasil se deu em 1933 e teve pelo menos dois objetivos de cunho diplomático / cultural. levados a efeito por grupos de origem italiana e alemã. o principal responsável pelo gerenciamento das estatísticas brasileiras no governo de Getúlio Vargas e um dos artífices do casamento entre a Geografia e a Estatística. Princípios da Colonização Européia no Sul do Brasil de autoria de Leo Waibel. chegaram ao Brasil somente dois exemplares do primeiro artigo . enquanto que do segundo se sabia apenas da sua existência. assim como sua permissão para traduzi-los e publicá-los. / jun. O interesse desses artigos era tal que.

idiomas muito pouco difundidos numa comunidade que majoritariamente entendia o francês. Desses. Geomorfologia foi o campo de especialização de Aziz . O segundo tomo da edição comemorativa da RBG foi organizado sob a ótica da avaliação de alguns campos do conhecimento geográfico ou das lembranças profissionais de cinco geógrafos considerados como expoentes de suas especialidades. Calos Augusto Figueiredo Monteiro trabalhou no IBGE entre 1948 e 1956 e depois seguiu uma carreira universitária (Florianópolis. Trata-se de um trabalho que.) O Pantanal Mato-grossense e a Teoria dos Refúgios se inscreve na categoria de quadro de referência. Becker sempre foram ligados à universidade. Aziz fez carreira na USP e Bertha na UFRJ. principalmente no que concerne aos anos 30 e 40. Aziz Nacib Ab’Saber e Bertha K. que poderia ser de cunho evocativo. Rio Claro e USP). a defesa do possibilismo e o enfoque das relações seres humanos e meio ambiente. Climatologia e História do Pensamento Geográfico. Estão ali as dicotomias entre Geografia Física e Humana. ou para servir de quadro de referência sobre algum tema da Geografia. período em que se formaram as principais instituições produtoras da Geografia formal. Esses cinco trabalhos traduzem uma boa parte do contexto do pensamento geográfico na primeira metade do século XX no Brasil. O conselho editorial da RBG encomendou a cada autor um trabalho de livre escolha. Speridião Faissol e Pedro Geiger. tanto no período que antecedeu a Segunda Guerra. O primeiro artigo de Aziz Ab’Saber (1922. quanto durante e após o conflito. entre Geografia Regional e Sistemática. trabalhando exclusivamente como pesquisador do IBGE. primeiramente faz uma análise geomorfológica do Pantanal Mato-grossense enfocando geoformas como o grande domo esvaziado (boutonniére) do alto vale do rio Paraguai e o conjunto de aplainamentos da . as áreas de interesse de Carlos Augusto e Geopolítica e Gestão do Território as arenas de trabalho de Bertha. que iniciaram seus projetos profissionais durante a década de 40.pelo governo de Vargas. possivelmente em função do problema de comunicação via alemão e inglês. Leo Waibel (1888-1951) foi um típico líder de grupo de um círculo restrito de geógrafos. as Universidades e o Conselho Nacional de Geografia. Urbanização e industrialização foram as principais áreas de investigação de Faissol e Geiger . ou ter características provocativas que ampliassem o conhecimento dos leitores. apenas dois tiveram suas trajetórias de trabalho ligadas permanentemente ao IBGE.

. Principalmente aquelas que implicaram uma forte relação entre ciência e tecnologia e que por força de seus custos e de suas implicações de poder sempre estiveram em mãos do Estado Nacional. dependendo do setor e do poder de barganha dos agentes envolvidos. Dárdano de Andrade-Lima. e os leque aluviais das planícies mais recentes. explicando as necessárias conceituações sobre o tema. O artigo A Geografia e o Resgate da Geopolítica de Bertha K. Becker (1930.1986). Finaliza com conjecturas sobre as futuras relações entre o Estado e a sociedade organizada. O artigo de Speridião Faissol (1923-1997) Planejamento e Geografia: Exemplos da Experiência Brasileira situa-se na fronteira entre o estabelecimento de um quadro de referência sobre a noção de planejamento a evocação de experiências profissionais neste campo. no contexto dos diferentes papéis que o Estado assumiu ao longo do século XX no gerenciamento do território e no controle social subseqüente. agente decisório em muitos projetos de planejamento ao longo dos seus anos de atividade. Faz também uma longa apreciação do projeto geopolítico da modernidade levado a efeito pelo Estado brasileiro após 1930 e analisa seus resultados na década de 1980. que usam sensores do tipo Tematic Map ( TM ). para o bem ou para o mal. Em seguida. e portanto. José Bigarella.mesma área. Sua parte final está dividida em duas seções. David Harvey (1969). traça alguns comentários sobre as novas pesquisas feitas na região utilizando as imagens de radar e dos satélites Landsat . Doreen Massey (1985). a primeira tratando das relações entre alterações climáticas e mudanças ecológicas ocorridas na depressão pantaneira e finaliza com algumas especulações bem interessantes sobre a provável evolução da cobertura vegetal e distribuição espacial da fauna do Pantanal utilizando como suporte argumentativo a Teoria dos Refúgios. Paulo Vanzolini. A primeira parte estrutura-se como quadro de referência. os processos geradores do pediplano cuiabano. as turbulentas relações entre a Geopolítica e a Geografia. Usa como espaço de exemplo a Amazônia. e fazendo uma revisão bibliográfica não exaustiva. no caso. da qual Aziz é um dos elaboradores. O trabalho avalia algumas tecnologias que viabilizaram a ampliação do controle espaço-tempo e seus usos pelo aparelho estatal. o paleoplano da Chapada dos Guimarãres. enquanto geógrafo situado em altas posições da hierarquia do IBGE. onde conflitos e cooperação poderão apresentar diferentes padrões. como nos casos da tecnologia espacial e seus subprodutos e das telecomunicações em escala global. Walt Rostow (1961). juntamente com Pierre Birot. Manuel Castells (1986) e outros. por ser ainda uma arena onde quase tudo ainda está por se realizar. mas com importantes citações como John Friedmann (1985.) é outro que também se pode classificar como estabelecedor de um quadro de referências de vetores de conhecimento. Keith Brown e outros.

ainda que mais ideológica que profissional” (p. parecem ter sido colocadas como um tênue pano de fundo.. orientadas para o campo financeiro.96). a partir do momento em que a própria Secretaria de Planejamento da Presidência da república foi se tornando. foi perdendo terreno. mas é com elas que Geiger costura com muita sensibilidade os 46 anos de atividade geográfica no IBGE. que por si só assegurasse uma identidade. período em que a Geografia voltada para o planejamento estatal centralizado estava ainda sob fortes críticas de um grupo de geógrafos que seria conhecido como o formador da Geografia Crítica ou Radical (ver Santos. principalmente na primeira metade. É possível perceber também que nesta época.96). O artigo foi escrito em 1988. as expressões industrialização e urbanização. o IBGE. mas também ideológicas. 1981).A segunda. mas de muitas incertezas. ” É curioso observar que. perdendo muito de sua função planejadora. no Governo Figueredo. a própria função de planejamento estatal de médio e longo prazos estava exaurida e substituída cada vez mais por decisões conjunturais de curto prazo. A criação dos Territórios Federais no início dos anos 40. inclusive no plano acadêmico” (p.. ao historiar as experiências brasileiras de planejamento. “Esta tem sido uma fase de reflexão. a Geografia do IBGE ( e de certa forma no Brasil). apenas para organizar a memória e estruturar as lembranças profissionais. com muitos deles procurando refúgio nas teses marxistas ou neomarxistas. por problemas econômico-administrativos. cobrindo a evolução de algumas instituições como as universidades (seus cursos de Geogrfia). os estudos de localização do futuro Distrito Federal no Planalto Central em meados da década de 40. como evocação. As palavras de Faissol mostram um pouco disso em duas passagens na mesma página. os trabalhos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) nos anos 60 e os projetos de avaliação da urbanização para o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) na década de 70. O artigo de Pedro Geiger (1923. o . as Comissões Nacionais da União Geográfica Internacional (UGI) e do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Críticas estas iniciadas 10 anos atrás (1978) durante o 3 Encontro Nacional de Geógrafos em Fortaleza e que se intensificaram durante toda a década de 80. uma administradora das conjunturas que iam se apresentando. é bem verdade. principalmente aquelas em que os geógrafos tiveram um papel significativo em sua elaboração. quem sabe como uma forma de assumir uma posição acadêmica. Conhecimento e Atuação da Geografia inscreve-se totalmente no campo evocativo.) Industrialização e Urbanização no Brasil. não só conceituais.

Contudo. a Quantitativa se fartou no uso do termo análise. pois pressupõe uma bagagem cultural bem mais ampla do que apenas os conhecimentos geográficos tradicionais adquiridos ao longo do período letivo. racionalmente. Pedro Geiger termina suas memórias recordando a antiga asserção de Vidal de La Blache sobre a Geografia como uma ciência de síntese. A estrutura do ensaio está organizada em quatro movimentos. que provocam o leitor a ir além da simples leitura para fins de verificação de um conjunto de conhecimentos. veremos que a análise é o ato de destacar o objeto da totalidade a que pertence. Marshall McLuhan (1972) analisando a peça teatral Rei Lear de Willian Shakespeare (1564-1616) e Marshall Berman (1982) analisando o poema Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). história e outros campos do conhecimento humano. uma agressão. porém recolocando-a em outros termos. Não é uma leitura fácil. Porém o cerne dessa primeira parte está centrado nos conceitos de modernidade e crise .. englobando processos naturais e sociais. Uma torre para sentir o mundo e refletir sobre sua geografia” (pg. todas as ciências praticam análise e sínteses. A síntese consiste em refazer o todo.. a torre representa um meio de. O primeiro movimento denomina-se A Torre (Modernidade e Crise). se tomarmos mais profundamente estes dois conceitos. .. com Lefévbre. 82). Para o conceito de modernidade.. A simbologia da Torre segundo Carlos Augusto é retirada de um poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939). o movimento quantitativo e a Geografia crítica. na sociedade urbana esperada. ” A Geografia vidalina dizia que a Geografia era uma Ciência de Síntese. 129). uma violência. que representaria um contraponto entre as noções de reclusão e amplidão ou nas palavras de Carlos Augusto.. então a Geografia é uma Ciência de Síntese” (pg.. alcançar o poeta um espaço mais amplo e nele identificar os eventos que o tempo marcou na sua terra natal. O ensaio de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (1927. a Geografia da Economia Política. ” . em reclusão. para o seu maior entendimento. música. como se fosse uma peça musical. filosofia. Se a racionalização da vida humana. Era-me difícil aceitar a síntese como um conceito específico da Geografia. sendo. Carlos Augusto opera a partir de dois autores que fizeram análises literárias de duas obras seminais da literatura ocidental.. ou mesmo de uma vida profissional muito técnica. compreende a produção racional do espaço do homem. portanto. artes plásticas. perturbadoras.Analisa também as principais correntes de pensamento geográfico que se desenvolveram no Brasil: o Possibilismo vidaliano. recolocando os objetos analisados numa nova estrutura.) Travessia da Crise (Tendências Atuais na Geografia) insere-se no campo das obras instigantes. e mergulhar num ambiente de reflexão intelectual onde transitam literatura.

e não separa-los. o processo lingüístico criado por Shakespeare para desenvolver este convencimento está tão a frente de seu tempo. Carlos Augusto alude à tendências milenaristas citadas nas últimas estrofes e as vê como sinais de um tempo que envolve desagregação. 58 anos decorridos entre 1773 e 1831. considerada como um período de grandes transformações e turbulências e portanto um tempo propício à modernidade num sentido mais amplo. a escolha de Carlos Augusto recai sobre a avaliação que este crítico literário faz de Göethe a partir de sua principal obra Fausto. mais irracionais tornamse nas suas relações sociais e econômicas. o . Para McLuhan. advinda da física de Newton”. Na obra de Marshall Berman Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar : a aventura da modernidade (1982).Carlos Augusto nos fala da percepção de McLuhan sobre alguns aspectos da modernidade que esta peça enseja. O primeiro. um sistema mundial especificamente moderno vem a luz” (pg. Para o tema crise ele se utiliza de um paradoxo trabalhado por Eduardo Soubirats (1988) que estipula que quanto mais racional tecnicamente fica a civilização humana. a modernidade se apresenta ali através da linguagem. mas o mundo inteiro. primeiramente a época da elaboração do poema. pois. “O herói de Shakespeare encarnaria a modernidade da Renascença. onde a grande mutação foi dada graças à nova visão do mundo. Fausto de Göethe expressa e dramatiza o processo pelo qual. 129) enquadra-se muito bem no binômio que Carlos Augusto apresenta como alvo de sua preocupação nesta parte do texto. o sujeito e objeto de transformação não é apenas o herói.. 129) e destaca dois pontos interessantes que mantém contato com a questão espacial. no fim do século XVIII e início do seguinte. mas também esperança. onde Edgar tenta convencer o cego Gloucester que ambos estão a beira de um penhasco. O segundo refere-se a cena do precipício (cena 6 do 4 ato). Ao retornar ao poema de Yeats. fato que McLuhan considerou como modernidade para a época em que o normal era agregar espaços. O destaque por Carlos Augusto da frase de Berman “Na versão göethiana do tema de Fausto. envolve a questão da divisão do reino de Lear em três partes. O ponto agora está enfocando.. (pg. modernidade e crise. que Carlos Augusto observa como uma “decomposição em planos paralelos do (fictício) abismo que alcança foros de único exemplo de arte verbal tridimensional’’.

mas já devidamente percebida por Carlos Augusto).141). “na geração de um conhecimento conjuntivo. principalmente no que concerne às dificuldades de comunicação entre as ciências exatas e as sociais. para em seguida tomar de empréstimo a Humberto Eco a simbologia do Teatro de Espelhos.. fazendo face à tendência O terceiro movimento chama-se Os Espelhos (O Pensamento entre Preparação e Fundação) e inicia com uma citação de Martin Heidegger (1889-1976) sobre os mecanismos do pensamento em antever o futuro da humanidade. um dos mais geográficos dos autores eruditos do país. O dualismo entre racionalidade / irracionalidade e modernidade acompanha todo o texto.é o vinculo primordial. . seguindo com Immanuael Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e desembocando em Karl Marx (1818-1883) e finalizando com Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Heidegger novamente. O quarto e último movimento chamado Os Sinos (O Situar-se para o Acontecer) inicia com um retrospecto de sua vida profissional e prossegue com uma reflexão sobre as dificuldades da pesquisa geográfica de Climatologia nos anos 60 e 70 e vislumbra novas possibilidades com a futura Teoria do Caos (ainda incipiente na época da redação do ensaio.... 137). onde os mortais residem.. O que permanece – tal como o núcleo do átomo cercado das mais estranhas propriedades entre os constituintes e em relação à energia que o define . quanto autores brasileiros. no âmbito interno da Geografia também geraram conflitos de comunicação entre as facções da “física” e da “humana”. “de capacitar o homem a encontrar a habitação do ser-no-mundo. Outro ponto interessante desta parte é a demonstração de erudição explícita que Carlos Augusto dá. entre o homem e o lugar na terra. quando este havia tratado da questão irracionalidade na Idade Média e na Atualidade. junto com as “coisas” (pg. especificamente com Guimarães Rosa. quando boa parte dela opera em áreas de contato com as Ciências Naturais cria dificuldades de entendimento para decifrar a trajetória do conhecimento dentro de um Labirinto que somente poderá ser transposto. problemas que. A maior preocupação de Carlos Augusto é deixar evidente que a Geografia apesar de suas contradições e lutas ideológicas tem a função. Não importam suas variações e oscilações através dos tempos históricos. Asseverar que a Geografia é uma Ciência Social.. iniciando em Renné Descartes (1596-1650). crescentemente disjuntiva de hoje” (pg. Carlos Augusto conclui seu instigante ensaio com uma mensagem de esperança. ao refletir sobre as relações entre a Literatura e a Geografia cobrindo vários níveis de elaboração de enredo tanto com autores ingleses e franceses.O segundo movimento chamado de Labirinto (Ciência: Geografia) toca nas relações entre a Geografia e as outras áreas do conhecimento.

. que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. Espaços Vazios e a Idéia de Ordem . A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954 para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros) . Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a geografia agrária e os processos de colonização.. ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e na organização da memória dos estudos geográficos no Brasil.. Portanto. “Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil”. remontando ao passado. que Carlos Augusto considera como um coro. a geografia geral para educação. Paisagem ou espaços diferentes da tristeza de hoje.“Que o homem volte a encontrar o seu lugar na Terra e que sua Geografia venha a descrever. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). 146). o número especial de comemoração dos 50 anos da RBG nos dá uma boa amostra de dois períodos da Geografia brasileira. atualmente. “ que. Que contenham a alegria” (pg. e o ensaio de Lia Osório Machado ( Machado. 1955) A Geografia no Brasil que fez parte da coletânea As Ciências no Brasil . são considerados os melhores em sua categoria. No prefácio de Antônio Cândido é dito que. ainda que sob um viés ibegeano. que já havia montado outra. evoque o anseio futuro”. Para uma avaliação da Geografia brasileira desenvolvida no período anterior a 1930. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. dar conta daqueles novos contornos que o desvelamento do enigma do caos nos trará. é necessário ler dois trabalhos que.. 1995) Origens do Pensamento Geográfico no Brasil: Meio Tropical. que integra a coletânea Geografia: Conceitos e Temas. O ensaio termina com os versos da ode do poeta alemão Friedrich von Schiller (1759-1805) incorporada no coral da parte final da Nona Sinfonia de Ludwig von Beethoven (1770-1827). num vôo entre Benjamin Constant e Manaus em agosto de 1955. a serviço do INIC. o de José Veríssimo da Costa Pereira (Pereira. de grande significado sobre a literatura brasileira sob a organização de Afrânio Coutinho. Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo. Faleceu de um problema coronariano. .

1982:112-143) para se ter uma impressionante sensação de que o autor. aparecido em 1911. conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat. sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos . uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil. analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores. ao descrever com minúcias o quadro físico (forma do litoral. Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40. inaugurou com sua carta ao Rei de Portugal. “À luz da geografia moderna. em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida. escritas em Os Sertões de 1902.. persistente em Euclides da Cunha. dois especialistas descreveram os principais fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Mestre João de Faras (1448-1513). além dos exploradores científicos europeus que durante os séculos XVIII e XIX desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e na Antropologia. fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam nosso litoral) tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo conforme . trata-se de uma experiência intrigante ler o capítulo V de Os Sertões de Euclides da Cunha (1902 . vegetação. Seu trabalho alcança os primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas Universidades do Rio e São Paulo. em seguida as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior . o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho. A pesquisa de José Veríssimo inicia com uma panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil que cobre desde o século XVI até o início do XIX. Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909 ) levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises de Euclides da Cunha. será feita uma síntese desses períodos. clima. O primeiro.. foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões. Tal conceito lablacheano é.compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. enfocando os principais personagens desta saga geográfica.” ( Pereira 1955 : 424 ). Veio daí o convite de Fernando de Azevedo para a elaboração deste capítulo. conforme já ficou demonstrado. que tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia. No contexto das explorações portuguesas. efetivamente. aliás. Para fins de entendimento da importância desta obra. solo. tanto escrito quanto cartografado. como escrivão oficial da frota comandada por Pedro Alvares Cabral. Sem sombra de dúvida. exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes ( de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947.

No contexto da ocupação francesa.estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. é que inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra. dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil. Ambrósio F. com o processo de colonização já consolidado. fazendeiro pernambucano. Além dos franceses. no qual é destruído o forte de Coligny. Brasil de 1557) fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás. Manuel I (1469-1521). o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima Do Clima e Terra do Brasil (1625) e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641) ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas feita entre 1637. no litoral da capitania de São Vicente (atual São 0 . que a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do sul. em carta escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500.39. além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro França Antártica . O padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry o livro Viagem a Terra do Brasil (1578). escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618). na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota. Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). Claude d’Abberville com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux com uma continuação do trabalho de d’Abberville. Na segunda metade do século XVI. É também na segunda metade do século XVI. O segundo. iniciado com um ataque naval em 1560. as principais determinações astronômicas do hemisfério sul e informa sobre as novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal.O Rio de Janeiro (1580). Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado descritivo do Brasil de 1587). ocupando em 1557 a atual baía de Guanabara. depois com a fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565 e finalizando com a definitiva expulsão dos franceses em 1567. No início do século XVII os trabalhos de dois padres capuchinhos franceses que percorreram a província do Maranhão marcaram os estudos geográficos na porção norte do país. também informa a D. Digno de nota também foi o importante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Paulo) em virtude de um naufrágio ocorrido por volta de 1550. forçando Portugal a criar um novo polo de defesa e ocupação. portugueses radicados na terra e padres missionários continuam a produção geográfica sobre o Brasil. Brandão. padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799 ) são os mais importantes.

a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. Portugal recupera este acervo e em 1842 o repassa ao Brasil. obra de astronomia que ficou inconclusa. aos 34 anos. foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal. Marcgrave também construiu o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul em Pernambuco em 1639. Suas observações e estudos geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749) que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. No seu caso. uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras. Na esteira desses trabalhos. O fim do século XVIII marca o início de uma nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. General Junot em 1808 e quase todo o acervo transferido para Paris para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras do sul com o Uruguai. os trabalhos de Astronomia. O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território em consonância com os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo. Seu retorno a Europa se deu atravessando a Amazônia Brasileira descendo o grande rio até Belém. As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos. . Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores Geógrafos do século XVIII. Todo o seu material depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa. em função do falecimento do autor em 1655. de La Condamine (1745). Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um desses europeus que participou dessas expedições. Geografia e Botânica organizados pelo alemão a serviço da Holanda George Marcgrave (1610-1644) foram considerados os melhores até então executados sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) a Proginástica Matemática Americana. Nessa mesma época. além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. Em 1815.No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco organizada por Maurício de Nassau a partir de 1638. foram conhecidos novas áreas do interior do Brasil.

Este foi apenas um esboço do trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira. É também nesse século que aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira. pois objetiva aprofundar o conhecimento sobre os contextos políticos. O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se durante o século XX com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro orientados por professores estrangeiros. Alexander von Humboldt (1769-1859) sobre biogeografia da Amazônia. ideológicos. Ainda no século XIX. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado. O ensaio de Lia Osório Machado tem outro enfoque. outros geógrafos. É também nesse período que o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques. orientado a um só assunto Navegação Interior do Brasil de Eduardo José de Morais. com a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e com a criação do Conselho Nacional de Geografia em 1937. John Mawe sobre condições de vida da população. como Pierre Deffontaines. principalmente nas regiões norte e centro oeste. dois brasileiros deram uma grande contribuição para os estudos geográficos. Paralelamente. um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e que lançou a idéia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias. As datas referem-se a dois acontecimentos de grande . tido com uma da mais detalhadas resenhas sobre a Geografia brasileira até hoje. Elisée Reclus (1830-1905) sobre geografia regional. Na transição para o século XX. a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) sobre botânica e etnologia. Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente. organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país. exemplificados nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país. agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil. Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855) sobre geologia e geomorfologia. científicos. o General Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) ao explorar sistematicamente o noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos o Barão do Rio Branco (1819-1880) ao estudar detalhadamente nossas regiões de fronteiras. Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) sobre biogeografia e geomorfologia. econômicos que influenciaram a produção geográfica brasileira entre 1870 e 1930. geralmente envolvidos com os governos provinciais.No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil Corografia Brasílica do padre Manuel Aires de Casal em 1817. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) sobre biogeografia e geografia geral. são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro [1838] e a Sociedade Brasileira de Geografia [1883].

Nilo Bernardes-1982 a e b). Para Caio Prado Jr. A primeira parte trabalha sobre algumas visões que enfocaram a evolução do pensamento geográfico brasileiro escritas na segunda metade do século XX. misturam-se com a influência alemã da Antropogeografia de Fredrich Ratzel (1844-1901) e as idéias de alguns importantes cientistas sociais franceses do século XIX. a parte mais importante do trabalho de Lia O . embora já ingressando no movimento de implantação da futura república. É. ao prefaciar a reedição da obra de Manuel Ayres de Casal Corografia Brasílica publicada em 1817 e Nelson Werneck Sodré com sua Introdução à Geografia: geografia e Ideologia. A análise se estrutura. A principal diferença que Lia aponta entre os dois conjuntos de autores. Caio Prado Jr. os trabalhos dos geógrafos estrangeiros eram. um intervalo de tempo que marca a grande divisão entre um Brasil ainda com fortes influências coloniais. Gentil Moura (18681929). com a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871 e a segunda. nossas principais referências. suas vinculações com o neo-colonialismo europeu e norte-americano e a Geopolítica (área do conhecimento muito cara aos militares brasileiros). João Capistrano de Abreu (1852-1927). O contexto histórico no qual Nelson Werneck Sodré escreveu seu trabalho era bem diferente do final do Estado Novo. Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951). ao longo de suas carreiras. portanto. Além dos geógrafos que. e o Brasil moderno que quebraria as velhas alianças politico/econômicas ditadas por uma elite agrária. Machado cobre a produção geográfica situada no intervalo de tempo entre 1879 e 1930. baseada nas obras de cinco importantes pesquisadores. e que a forte influência francesa em relação a alemã era então um dos grandes impecilhos ao desenvolvimento do pensamento geográfico no Brasil . Hippolyte Taine (1828-1898). publicada pela primeira vez em 1976 e já com nove edições. o novo modelo republicano com a implantação da Revolução de 1930. Eduardo M. . Carlos Augusto Figueredo Monteiro-1980. pois abarcou o período do ciclo militar de 1964-1985 e está centrado diretamente na primeira metade dos anos 70. a fase mais dura desses tempos. Manoel Correia de Andrade-1977. a visão bem radical de Sodré sobre questões que envolveram os conceitos de determinismo e possibilismo geográfico. em 1945. na primeira metade dos anos 40. Talvez por isso. é o forte criticismo adotado pelos historiadores aos estudos geográficos realizados no Brasil. Ernsest Renan (1823-1892) e Gustave Le Bon (1841-1931). construíram essas versões (José Veríssimo da Costa Pereira-1955. a primeira referencia o processo de abolicionismo. que levou Getúlio Vargas ao poder. Entretanto. Lia analisa com detalhe as obras de dois historiadores que escreveram sobre a Geografia. Trindade (1885-1959). que não havia se recuperado completamente do golpe da abolição da escravatura em 1888.importância na História brasileira.

além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie de F. considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil. aparecem bem claras nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951). paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855) . Lia considera que neste artigo está a primeira citação às idéias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil. foi também um profundo estudioso da Geografia alemã. visto como o estilo negativo e o considerado científico. traduzindo para o português diversas obras que tratavam do Brasil. a que mais nos interessa é A Geografia no Brasil . Em sua avaliação. foi o principal material de divulgação das idéias de Ratzel por Capistrano de Abreu. apesar de não ter sido publicado no Brasil. Essa tendência de se considerar como moderna uma Geografia que opera mais com correlações entre processos físicos e humanos.Capistrano de Abreu. Ao notar um gradual afastamento da memorização. Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873). o o . tanto nas ciências da natureza. É um artigo pioneiro no que tange a distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX. Trindade (1885-1959). por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 11/1918 e posteriormente publicado na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro n 28 em 1923. Ratzel que. que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929) Geografia Nacional . para centrar-se em estudos classificatórios que levam em consideração vinculações entre vários segmentos do conhecimento. Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado Maior do Exército. com a visão de processo de Willian Morris Davies (1850-1934) na Geomorfologia e os estudos sobre a relação Ser Humano / Natureza no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918) e na Antropogeografia de Ratzel. fruto de uma conferência proferida no 2 Congresso Brasileiro de Geografia realizado em São Paulo em 1910. como nas humanas. Eduardo M. via corografia. Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915). gestada no início do século XX. alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza como geólogos. Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia. O de enumeração de acidentes geográficos. Das três obras deste autor analisadas por Lia. Trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia. publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904. onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então. também reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX. do que com memorizações locacionais.

e uma sobre questões políticas..”. nem à Vidal ). “Delgado de Carvalho publicava. ( não à Ritter nem à Ratzel. Backheuser era engenheiro com especialização em Geologia e Mineralogia e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. atribuída por Delgado à Lucien Febvre (1878-1956) e. como resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado Maior do Exército entre 1921 e 1931. quanto da sociedade. como produto de uma conferência proferida na instituição. publicado em 1927 no no 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro. durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil.O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho Geografia-Sciencia da Natureza. Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor. Em 1913. dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro nos anos 20 e era considerado um dos mais articulados professores de seu tempo. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções. Méteorologie du Brésil (1917). Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906 e já em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país Le Brésil Meridional. como assinala Lia. Publicou ainda mais três obras. o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947) com suas pulsações climáticas e a noção de individualidade geográfica. Introdução à Geografia Política (1925). reintegrado em suas antigas funções. quando em 1923. aproveitando os dados coletados em várias agências de governo e Physiografia do Brasil (1923). duas sobre aspectos físicos. posteriormente.. mas teve também envolvimento com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926). juntamente com Everardo Backheuser. e por isso mesmo incompreendida por boa parte de seus pares. . as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 20.... um modelar trabalho didático. também já havia tido José Veríssimo da Costa Pereira (1955) ao tratar da “O Trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho” (p. vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis.. Nele Delgado advoga um novo enfoque para os estudos geográficos “a explicação” resultado das vinculações entre diferentes elementos. tendo por isso sido cassado. Percepção semelhante. Possivelmente. na prática. considerado por Nilo Bernardes (1982:520-21) como uma obra a frente de seu tempo. Delgado. onde misturam-se a Geomorfologia evolucionista de Willian Moris Davis. onde estudou Ciência Política (1908). em 1913 sem êxito. 425426) escreveu. Nascido na França. tanto da natureza. preso e. pós-graduou-se em Economia na Inglaterra (1919). editou seu livro mais importante Geografia do Brasil .

. como Fernando Raja Gabághlia (1886-1965). Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco. obras em francês... o meu entendimento de garoto.. Alexander Supam. escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias... foram objeto de estudo para Autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882). em inglês. “Eu sou cria do Pedro II. Artur Orlando da Silva (1859-1916). quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo. porque eram as palavras. o nome de Moris Davies apareceu pela primeira vez na minha vida.. os mapas na cabeça e tudo mais. sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo. O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros. uma glorificação do imperialismo da época.. esse homem escreveu no começo do século. eu me lembro por exemplo de citações.. no período referenciado (1870-1930). Tristão Alencar de Araripe (1821-1908). os de Albert Penck e Alfred Hetner .. e européias. além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) sobre a precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça via miscigenação européia. principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro.. uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas. Louis Agassiz (1807-1873).. depois colaborou com IBGE. Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909). e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha. Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 20 juntamente com outros professores do ensino médio.. quando eu fui dar Fronteiras do Brasil. essa coisa toda. como por exemplo. resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais. regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira. por exemplo sobre a colonização européia. Colégio Pedro II ali da Av. meu caderno. no auge do imperialismo alemão.. que vinte anos mais tarde.. eu ficava envergonhado comigo mesmo.. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo. ele teorizou sobre isso perfeitamente... eu tive um professor que depois colaborou. como um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia. ninguém sabe. Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época. mas ele marcou de tal maneira a minha memória. Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877). .Por exemplo.. porque eu. nenhuma.. José Couto de Magalhães (1836-1898)..Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia em 1925.” (Depoimento de Orlando Valverde a Roberto Schmidt de Almeida).. André Rebouças (1838-1898). em Hilderberg em 1967.. tinha um autor alemão. européias em que esse. política imigratória e mestiçagem. considerado também por Orlando Valverde em seu depoimento. sabe que eu não tomei nenhuma nota. ou no Paulo de Frontin.. era um nome até pouco vulgar.. ele citava obra. ficou em branco naquela aula.... esse autor . e essa aula eu assisti entre 1930 / 1931. foram motivos de intensas querelas intelectuais. Alfred Russel Wallace(1823-1913). era uma personalidade muito curiosa. debates esses que suscitaram argumentações de caráter espacial. primeiro resistiu.. pois bem. Marechal Floriano. mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia. um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil. Temas como As raças e o meio tropical.

Alfred Hettner (1859-1941) e Albert Penk (1859-1945). Questões como as dicotomias entre Geografia Física e Humana. Nilo Bernardes analisa o conceito de região em suas diversas concepções. com vistas a uma institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 30. Química e Física e os que a consideravam como uma Ciência Social somente. inclusive discutindo com muita clareza questões controversas como a luta entre as concepções deterministas versus o enfoque possibilista no meio geográfico europeu e americano e suas conseqüências no Brasil. Em sua parte final. a diferenciação entre região homogênea e região nodal. além da posição deste ramo do conhecimento entre as ciências naturais e sociais. O artigo de Nilo Bernardes consegue dar uma boa visão desses problemas. no que tange ao estudo dos arranjos espaciais de seus fenômenos. Machado tornou-se uma referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil. tema que Nilo Bernardes cotejou inteligentemente comparando as determinações dos inúmeros congressos internacionais de Geografia sobre o assunto. ao longo dos anos. analisando alguns dos principais problemas espistemológicos por que passou a Geografia na primeira metade do século XX. Ciência Política. relacionando-a com a Sociologia. também trouxeram mais polêmica à discussão. Geografia Sistemática e Regional. . e que enfatizavam as ligações preferenciais com a Geologia. gerou grandes controvérsias entre os geógrafos. Pois sempre existiram aqueles que consideraram a Geografia mais física. quanto na França e Estados Unidos.Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico européias. além de aprofundar a questão do conceito de corologia (arranjo e variação de um fenômeno no espaço) em relação ao conceito de cronologia ( variação de um fenômeno no tempo) na tradição científica alemã de Immanuel Kant (1724-1804) e seus efeitos nos trabalhos de Ferdinand von Richthofen (1833-1905) . onde novamente a dicotomia físico-humana acabava por ordenar grupos diferentes de regiões tais como região natural e região humana ou cultural . culminando em 1960 com a criação da Comissão para métodos de regionalização na União Geográfica Internacional por ocasião da reunião em Estocolmo. o artigo de Nilo Bernardes (1982) na RBG 44(3):391-413 sobre as principais características do que se convencionou denominar de pensamento geográfico tradicional é um dos mais esclarecedores. Biologia. Economia e Antropologia. principalmente nas décadas de 60 e 70. Um outro ponto fundamental também foi motivo de análise. tanto físicos quanto sociais. tanto na Alemanha. pois enfoca as principais correntes de pensamento. Paralelamente. História. o ensaio de Lia O. No que concerne especificamente ao campo de análise das matrizes do pensamento geográfico. alguns trabalhos sobre suas vinculações com a Geometria. uma característica que.

que também foi o criador da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). tanto pelo lado da Estatística. com a formação e o aperfeiçoamento do corpo docente. até a estruturação do sistema de planejamento territorial do governo federal no IBGE. Processos gerenciados no nível acadêmico entre 1934 e 1939 pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines. Pierre Gourou. ambos sempre estiveram em perfeita conexão. Alguns desses profissionais serão objeto de avaliação mais detalhada no capítulo III. Francisco Luis da Silva Campos e Gustavo Capanema (Ministros da Educação). Gottfried Pfeifer. Jacqueline Beaujeau-Garnier. Brian Berry e André Libaut foram descritos com muita precisão. quanto no Rio de Janeiro.Na mesma Revista Brasileira de Geografia 44(3):519-527. Pierre Monbeig. tanto em São Paulo (posteriormente liderado por Pierre Mombeig). John P. o mesmo Nilo Bernardes apresenta outro artigo. a criação quase simultânea dos cursos formais de Geografia. Trata-se da análise da influência dos professores estrangeiros que estiveram pesquisando e lecionando no Brasil após a década de 1930. mas organizados em nível mais alto. Jean Tricart. Os legados de profissionais como Pierre Deffontaines. Nilo também traçou um rápido perfil de algumas instituições de Geografia internacional que contribuíram com os profissionais brasileiros. Pierre Danserau. quanto pela Geografia. do qual o IBGE passou a ser o principal agente. garantindo recursos para pesquisa ou facilitando cursos de aperfeiçoamento técnico. Michel Rochefort. explicitando a especialidade de cada um e avaliando a influência de seus métodos na Geografia brasileira. Francis Ruellan. também fundamental para o entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil. Entre meados dos anos 30 até o início dos 40. Mário Augusto Teixeira de Freitas (organizador do sistema estatístico nacional) e Cristóvão Leite de Castro (estruturador do núcleo inicial de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia). O que produzia conhecimento para uso na estrutura de ensino. Cole. foram processos gestados por uma estrutura organizada pelo governo Vargas. em virtude de suas origens comuns. apesar desta aparente dicotomia. Leo Waibel. Evocando Algumas Etapas da Geografia no IBGE Durante as décadas de 40 e 50 a Geografia brasileira estava dividida em dois grandes segmentos. por personalidades como Juarez Távora (Ministro da Agricultura). como a União Geográfica Internacional (UGI) e o Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH). No entanto. Geodésia e Cartografia. Preston James. . que trata da liderança e do carisma que estes pesquisadores e professores exerceram durante e após suas estadas no Brasil. José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores). e o novo segmento voltado para a estruturação do sistema de planejamento territorial.

apesar desses esforços conjuntos. Paralelamente. abre-se também outras linhas de pesquisas. Crise esta. possivelmente. tanto para ensino . Leo Waibel para trabalhar exclusivamente no IBGE sobre processos de colonização. que possuía fortes raízes lablacheanas. os estudos do habitat rural. pelo mesmo profissional (Deffontaines). iniciam-se crises no núcleo governamental de planejamento. principalmente com os trabalhos de Deffontaines no Rio e Mombeig em São Paulo (Deffontaines.I e II e Mombeig. mas que. pois necessitava de avaliações de caráter físico e econômico em duas escalas distintas: a local.Portanto. em áreas separadas mas operando em conjunto para não desperdiçar esforços. A demanda governamental para o estudo dos processos de ocupação do território via mecanismos de colonização. Na questão da localização da futura capital. os geógrafos que defendiam uma localização no Triângulo Mineiro. a Geografia da academia e a do sistema de planejamento no Brasil nasceram juntas e foram organizadas tecnicamente no Rio de Janeiro. para se pós-graduar no mestrado da Universidade de Wisconsin. como uma estratégia que aliava . Na segunda metade da década de 40. Mais uma vez. principalmente na área de estudos regionais.1944 . os estudos urbanos também já estavam tendo um desenvolvimento. e do posterior envio em 1945. De um lado. a Geografia foi convocada a definir algumas possíveis localizações para a futura implantação do novo Distrito Federal em alguma área do Planalto Central. por vincularem o fator acessibilidade à área mais desenvolvida do país (São Paulo). na metodologia de pesquisa de campo e no processo de colonização. muito mais forte e de graves conseqüências para o órgão no início dos anos 50. principalmente em virtude do longo período de permanência e do seu carisma para formação de um grande número de profissionais. No entanto. quanto para pesquisa. a relação entre a Universidade e o sistema de planejamento (IBGE) mostrou-se forte. como por exemplo. de cinco ibegeanos para estudos de aperfeiçoamento em universidades americanas. com equipes distintas (Ruelan com a equipe da Universidade e Leo waibel com a equipe do IBGE). que ficou mais ou menos circunscrita aos muros do próprio CNG. É nesse novo contexto que chega o alemão radicado nos Estados Unidos. o debate se estabeleceu aparentemente por conta de duas posições divergentes.1943). de certa forma. Era uma espécie de diagnóstico integrado. ocorridas durante o final de 1947 e início de 1948. primeiramente no caso da localização da futura capital. para fins de implantação física da futura cidade e a regional que teria de dar conta das futuras relações econômicas e demográficas da nova capital. tenha dado subsídios para uma outra. e as novas interpretações dos processos geomorfológicos. a partir da ida para os Estados Unidos em 1942 do geógrafo brasileiro Jorge Zarur . No mesmo período. deu o tom das principais orientações de pesquisa. A vinda de Francis Ruelan entre 1940 e 1956 intensifica essas relações entre os geógrafos cariocas e a Geografia francesa.

as argumentações ficaram a cargo de Cristóvão Leite de Castro. O debate na esfera técnica ficou por conta de Fábio de Macedo Soares Guimarães. muito mais séria. 1993:84-85). Speridão Faissol. abriu uma outra. chefe do Serviço Geográfico do Exército e Presidente da Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil. com pedidos de demissão de toda a cúpula da Estatística do órgão e edição de publicações de refutação aos comentários do Presidente do IBGE feitas por Waldemar Lopes. Segundo Câmara.1952). os geodesistas. Secretário Geral do CNG. substituindo o extenso primeiro mandato de José Carlos de Macedo Soares Guimarães (1936-1951). Os políticos de Goiás e do Nordeste tinham interesses variados.A Localização da Nova Capital ). o IBGE mostrava muito mais interesse em assuntos culturais e políticos do que em questões puramente estatísticas (ver detalhes em Penha. geógrafo que coordenou os estudos geográficos do IBGE. militares e a bancada dos estados do Nordeste viam com muito interesse a opção do Espigão Mestre. em área próxima a cidade de Formosa em Goiás. 1948 . no campo intermediário entre o técnico e o político. 1949: 471 e 613). o que gerou uma crise administrativa que durou um ano e meio. Mas. que moveu uma campanha que resultou no inquérito administrativo que levou à exoneração de Poli Coelho em 1952 (Lopes. na arena estatística. Várias razões eram invocadas. Um relatório elaborado pelo estatístico Lourival Câmara. a pedido de Poli Coelho. em depoimento à Revista GEO UERJ analisa o debate técnico (Faissol. 1997:8386). A escolha recaiu sobre a área de Goiás e foi corroborada em termos políticos por Teixeira de Freitas. em artigos na RBG (Guimarães.economia (menos dispêndio de recursos em infra-estrutura imediata) e atratividade (a cidade não estaria em área muito distante e os investidores de São Paulo e sudoeste de Minas seriam mais receptivos à novidade). Do outro lado. A vinda do General Poli Coelho para a Presidência do IBGE em 1951. até o simples interesse especulativo das futuras terras a serem desapropriadas. que iam da luta por maiores áreas de influência política. os geodesistas e militares positivistas usavam os argumentos da centralidade geométrica do território e das concepções geopolíticas de ocupação rápida da região central do Brasil. principalmente no que se referiu às questões entre decisões de Geografia Econômica e as argumentações geodésicas e geopolíticas. recentemente aposentado (1948) em carta ao Presidente da Comissão General Poli Coelho (IBGE. revelou alguns conflitos entre as estatísticas primárias e as secundárias. O principal incentivador dessas teses era o General Poli Coelho. Secretário Geral do CNE. . As revelações de Lourival Câmara foram amplificadas por Poli Celho na imprensa. se no campo geográfico uma crise foi abortada.

diretor da Divisão de Documentação e Divulgação (DDD) e Jorge Zarur. inquéritos administrativos e demissões aos antigos colaboradores de Teixeira de Freitas. Um outro ponto colocado por Faissol. que era o representante do Ministério da Educação no Diretório Central do Conselho resolveu contemporizar com os militares. eclode o inquérito administrativo contra Cristóvão Leite de Castro e com sua demissão. foi encontrado um processo que mostra um movimento de antagonismo claro entre Fábio de Macedo Soares Guimarães. (Valverde. incluindo aí Cristóvão Leite de Castro. Além desses comentários evocativos feitos por Speridião Faissol. para a fusão entre Rio e São Paulo numa Associação dos Geógrafos Brasileiros nacional. localizado na Reserva Ecológica do Roncador em Brasília. Faissol também deu sua versão sobre o início da cisão entre os dois profissionais de maior poder na Geografia. No conjunto de caixas de processos administrativos guardados no Arquivo Histórico do IBGE. levou muito tempo para tomar a decisão de afastamento de Poli Coelho da presidência do IBGE. No mesmo depoimento. acertada numa reunião na cidade de Lorena. Coronel Edmundo Gastão da Cunha em 1951. a documentação também ilumina algumas querelas que ocorreram durante a gestão da presidência do General Polli Coelho e de seu Secretário Geral do CNG. Orlando Valverde e outros. O processo se inicia no bojo das duas crises situadas entre 1948 e 1952. o que foi encarado como uma traição por Fábio. Em meio a essas crises. Jorge Zarur. Caixa 41 . o General Poli Coelho nomeia em seu lugar na Secretaria Geral do CNG. a primeira vinculada a escolha do sítio da nova capital e a segunda aos problemas sobre a qualidade das estatísticas do IBGE. quando da volta de todos dos Estados Unidos.depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). refere-se aos entendimentos de Zarur com Haroldo de Azevedo da USP. nomeado por Edmundo Gastão da Cunha como Diretor da Divisão de Geografia (DG).Pasta 200/18-018 (ver anexos Documentos Administrativos) . acabou gerando um ambiente de perseguições. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur. Faissol argumentou que as questões sobre disputa de poder entre Zarur e Fábio pudessem ter se iniciado antes. 1994:49-50 e Faissol . que nas visões de Orlando Valverde e Speridião Faissol. Zarur tenha se ligado fortemente aos militares que destituíram Getúlio Vargas em 1945. envolvido num mal explicado inquérito de corrupção de desvio de sabonetes do IBGE para sua residência. um Coronel do Serviço Geográfico do Exército.A instauração da comissão de inquérito pelo Ministério da Justiça. em meados da década de 40.

mas que na arena de trabalho do IBGE.Informa que só será possível a transferência da geógrafa Miriam Guiomar C. Resposta da DG . O SG do CNG arbitra que a Geógrafa Míriam Mesquita seja transferida da DG para a DDD em 30/05/1951. mas que também será útil à DDD. Encaminhamento a DDD para conhecimento e manifestação a respeito. pois essas duas seções estavam concentradas em projetos na SR Sul. Explica também as funções de Nilo e Lisia Bernardes. Solicitação feita ao Secretário Geral do CNG ( Edmundo Gastão da Cunha) de substituição de três servidores (Cecília Cerqueira Leite Zarur -oficial administrativo. . que eram muitas vezes desenvolvidos por profissionais dos dois grupos. apenas Magnólia está lotada na DG. as da DDD também. Explica que não se trata de troca de servidores e sim de necessidade de lotação para cobrir áreas da DDD. de reconhecida capacidade.Explica as dificuldades de lotação de servidores técnicos na DDD analisando os problemas de distribuição nas demais áreas do CNG. A partir daí formaram-se dois grupos antagônicos que lutavam pelo poder. O Assistente Fisiográfico Antônio José de Matos Musso está assumindo interinamente a chefia da Seção de Documentação enquanto durar o impedimento do titular Virgílio Corrêa Filho. sendo que Lisia era chefe do setor de Prontualização e Informações da DG. Reconhece que Lisia é bastante útil à DG.Proc. Encaminhamento para a DG. Resposta da DDD . em substituição ao chefe anterior José Veríssimo da Costa Pereira que passou a exercer o cargo de Secretário Assistente. Magnólia de Lima -Geógrafo auxiliar e Olga Maria Buarque de Lima –Geógrafo contratado) que estavam lotados na Divisão de Documentação e Divulgação(chefiada por Fábio de Macedo Soares Guimarães). Advoga que se todas as Seções da DG manifestam a necessidade de geógrafos. nunca assumiram posições conflitantes que colocassem em cheque a qualidade dos grandes projetos. Fala da saída para estágio na França da servidora da DDD Maria da Conceição Vicente de Carvalho. anteriormente. como Cartografia. Seguem-se as assinaturas de ciência dos respectivos diretores das Divisões e os procedimentos burocráticos decorrentes. Mesquita. Explica que o geógrafo Orlando Valverde está proposto para chefe da Seção Cultural. 4 na DDD. Analisa a lotação da Seção Regional Sul da DG e argumenta que apenas Orlando Valverde saiu da SR Sul e que os estudos da SRS estão também a cargo de mais três geógrafos ainda lotados na SR Leste. Nilo Bernardes e Miriam Guiomar Coelho Mesquita. Finaliza apresentando as principais atribuições da DDD listando 11 conjuntos e apresenta um quadro de distribuição de Geógrafos no CNG (34 na DG. caracterizado por dois postos de referência. sobretudo após a saída de Poli Coelho do IBGE em 1952 até a volta de José Carlos de Macedo Soares Guimarães em novembro de 1955. já havia transferido para a DDD os geógrafos Orlando Valverde e Antônio José de Matos Musso. 2 no gabinete do SG. 2958 – 04/05/1951 Assunto: Lotação de servidores na Seção Cultural. explicando que dos servidores Cecília. 1 á disposição do Diretório Regional do Estado do RS e 1 em estágio em universidade na França. a Divisão de Geografia e a direção da AGB do Rio de Janeiro. as outras estão no gabinete do Consultor Técnico e Jurídico do Secretário Assistente. por três geógrafos lotados na Divisão de Geografia (chefiada por Jorge Zarur). Lisia Maria Cavalcanti Bernardes. Magnólia e Olga. Coloca também que.

na seção Noticiário da Presidência do IBGE. e não tiveram ainda entendimento com o Diretor da Divisão. durante a gestão de Jurandyr Pires Ferreira. O BS 228 de 23/11/1956 apresenta na seção de Instruções e Ordens de Serviço a OS de 08/11/1956 do Diretor da Divisão de Geografia (Orlando Valverde) que cria oito grupos de trabalho para “executarem as tarefas mais urgentes da D. Jurandyr Pires Ferreira esclarece que houve um compromisso entre ele e o presidente anterior (o Embaixador José Carlos de Macedo Soares) pelo mantenimento de Fábio na SG do CNG até a finalização do XVIII Congresso Internacional em agosto. Nessa lista estavam todos os principais geógrafos da Divisão de Geografia que colaboraram tecnicamente com o congresso. decidiu mante-lo no cargo. G . estando em exercício na DG. gerando uma crise administrativa com vários pedidos de exoneração dos geógrafos que estavam em cargos de confiança sob a liderança de Fábio.Faissol revelou também o episódio que o levou à chefia da Divisão de Geografia em novembro de 1956. a saber: Grupo 1 Mapas de População (chefes: Elaza Coelho de Souza Keller e Heldio Xavier Lentz Cesar) Grupo 2 Planalto Centro-Ocidental (chefe: Pedro Pinchas Geiger) Grupo 3 Fitogeografia (chefe: Luiz Guimarães de Azevedo) Grupo 4 Geografia dos Transportes (chefe: Ney Strauch) Grupo 5 Clima (chefe: Ruth Simões) Grupo 6 Relevo (chefe: Alfredo Porto Domingues e Antônio Teixeira Guerra) Grupo 7Geografia das Indústrias (chefe: Míriam Mesquita) Grupo 8 Geografia Urbana (chefe: Lisia Bernardes)” Cada grupo teria em média cinco componentes e nos parágrafos finais. O BS 218 de 15/09/1956. deverão faze-lo imediatamente.BS 213 de 10/08/1956 mostra a lista de delegados do IBGE junto ao XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. a ordem de serviço determinava que “Os geógrafos e estagiários que não estejam inscritos na relação supra e. O Boletim de Serviço . Mas que por observar seu trabalho junto a SG durante o congresso. com a exoneração de Orlando Valverde e a conseqüente exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. Na carta. No contexto burocrático. o episódio pode ser acompanhado pela leitura de alguns dos Boletins de Serviço editados entre agosto e dezembro de 1956. a fim de serem engajados em algum dos grupos ora constituídos. realizado no Rio de Janeiro. publica a carta de confirmação de Fábio de Macedo Soares Guimarães no cargo de Secretário Geral do CNG. .

para a conclusão das tarefas atribuídas ao grupo respectivo. Estes são. Serão concedidas aos grupos de trabalho todas as facilidades administrativas possíveis para apronta e eficiente execução de suas tarefas. Ao final da seção de processos. Lindalvo Bezerra (seção Regional Nordeste) e Lúcio de Castro Soares (seção Regional Norte). Lísia Bernardes (seção de Estudos Sistemáticos). ainda que provisórios. Dora Romariz (seção Regional Sul). São também designados os seguintes geógrafos Antônio Teixeira Guerra (seção Regional Norte). aparece também uma correspondência datada de 31 de outubro de 1956 enviada pelo gabinete da Divisão de Geografia encaminhando o plano de trabalho da obra Geografia do Brasil em três volumes para ser elaborada entre 1956 /1957. portanto de caráter episódico. seguida da designação do mesmo servidor para a seção Regional Nordeste. Nele estão as portarias 70. constam a portaria de elogio aos funcionários do gabinete e memorandos à Diretoria de Administração sobre férias.” O próximo BS 229 de 30/11/1956 é o que determina o início de um processo de modificações na estrutura de chefias da SG e da Divisão de Geografia. com os comentários do Presidente do IBGE Jurandyr Pires Ferreira e o discurso proferido por Speridião Faissol na cerimônia de sua posse na Divisão de Geografia do CNG. na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG. Em sua alocução de posse. e a nomeação do Contador Olmar Guimarães de Souza para o cargo. Faissol elogia o governo de Juscelino Kubitschek e a gestão de Jurandyr no IBGE e faz um apelo aos geógrafos pela união em torno da obra Geografia do Brasil. O plano de Orlando Valverde é exposto nas páginas 3 e 4 do BS. O BS 231 de 14/12/1956 apresenta na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG a exoneração a pedido de Nilo Bernardes do cargo de Secretário. No mesmo boletim 229. . No caso de Alfredo Porto Domingues é determinada uma exoneração ( seção Regional Sul).Assistente da SG do CNG. Eloísa de Carvalho (seção de Estudos Sistemáticos).71. O BS 230 de 07/12/1956 na seção informações diversas. Solange Tietzmann (seção de Atlas e Ilustração) e Edgar Kuhlmann (seção Regional Centro Oeste). Heldio Xavier (seção de Atlas e Ilustração). consta a ata. Também aceita os pedidos e exonera quatro geógrafos de suas chefias da DG.72 de 22/11/1956 que exoneram Fábio e Orlando e que nomeia o engenheiro Virgílio Alves Corrêa Filho para a chefia da SG do CNG e a portaria 74 de 26/11/1956 que nomeia Speridião Faissol para a Divisão de Geografia.Os grupos de trabalho iniciarão suas atividades imediatamente e é recomendado aos respectivos chefes que estabeleçam desde já prazos.

. entretanto. Tal não foi. integra o GT de Relevo ao Setor Geomorfológico da Seção de Estudos Sistemáticos e o GT de Geografia das Indústrias ao Setor de Geografia Econômica. não me cabendo.. Desejando.” Finalmente o BS 232 de 21/12/1956 na seção de Instruções e Ordens de Serviço aparece a OS de 12/12/1956 do Diretor da DG (Faissol) iniciando o processo de modificação dos Grupos de Trabalho. Acresce. Quando Vossa Excelência. entretanto.No mesmo BS 231 está publicada a ata da 327 reunião ordinária do Diretório Central do CNG ( a última presidida por Fábio).. A importância desta seqüência de eventos está relacionada a algumas questões de fundo político ocorrida com a chegada de Juscelino a Presidência da República.. distribuindo as tarefas pelos setores de Estudos Sistemáticos e de Atlas e Ilustrações. hoje entregue ao Diretor da Divisão de Geografia. onde o Secretário geral faz suas despedidas e lê a carta dirigida ao Presidente Jurandyr. a falta de um motivo ponderável para que pudesse compreender e extensão de sua decisão. coloca-lo absolutamente à vontade para que possa dispor dos cargos de direção deste Conselho sem o menos constrangimento. integra o GT Planalto Centro-Ocidental na Seção regional Centro-Oeste. da qual levantamos alguns trechos “. estou certo.. Lamento profundamente o caráter irrevogável do seu pedido de demissão. fortalecidos durante longo período de leal e eficiente colaboração. evidentemente entrar nas razões de foro íntimo que motivaram o seu afastamento – mesmo porque. aos quais me acho ligado poe estreitos laços de admiração e afeto. Extingue o GT de Mapas de População. designa o Prof. por conta das articulações políticas que eram feitas pelo Partido Social Democrata (PSD).. conforme se verifica em sua carta de 7 do corrente. que já lhe fizera recentemente. onde percebe-se a conotação ambígua sobre o real motivo do pedido de exoneração “. Suspende temporariamente as atividades do GT de Transportes. tive ensejo de expor claramente a orientação que. venho respeitosamente reiterar a solicitação verbal.” No mesmo corpo da ata também está assinalada a resposta de Jurandyr. porque desejava poder contar com sua colaboração como. possível realizar-se por motivos que somente a Vossa Excelência cabe apreciar. contudo. os que se assumiam a . pois. imprimindo uma outra ordem de prioridades. Prioridades e ações que conflitavam com dois grupos de profissionais. além de determinar transferências de quatro funcionários do GT de Geografia Urbana de volta a seus postos anteriores. tive ocasião de manifestar-lhe o meu desejo de que o fossem também os meus auxiliares diretos. há pouco mais de dois meses.. teve a bondade de anunciar-me pessoalmente sua decisão de confirmar-me no cargo de Secretário Geral deste Conselho. em nossa conversa há quase dois meses.. Kurt Huck para a chefia do GT de Fitogeografia e transfere o geógrafo Roberto Galvão para a Seção Regional Norte. pessoalmente. para que se digne conceder-me exoneração do cargo de Secretário Geral. não veio a sofrer alteração em nenhum instante de nossas relações administrativas. tive ensejo de manifestar.

que haviam sentido o gosto da vitória política ao ver Getúlio Vargas sair do poder. isso não durou muito. via suicídio em 1954. o forte conteúdo partidário nas decisões consideradas técnicas. O segundo grupo era formado por partidários da União Democrática Nacional (UDN). com Speridião Faissol. que para agravar mais o processo. seria necessário substituir certos nomes que estavam vinculados aos métodos de trabalho do presidente anterior. aspectos até então desconhecidos do . No contexto do IBGE. com pessoal de confiança e a confiança só viria de pessoas que fossem articuladas com a nova política de Juscelino e assim foi feito. a capacidade de planejamento e a operosidade de Faissol e Antônio Teixeira Guerra à frente da DG entre 1956 e 1961 geraram um conjunto de obras que ainda são marcos de referência da produção geográfica do IBGE nesse 60 anos. encontravam-se agora submetidos aos liames da política mineira que sempre operou com as articulações e dissimulações típicas de partidos com forte poder em áreas rurais. Era necessário criar projetos de maior porte. ligando Estatística. Para estes. Faissol é escolhido para chefiar a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. para observadores privilegiados da cena como Pedro Geiger e Elza Keller. Marcos fundamentais. a figura do piauiense Jurandyr. no estilo de Teixeira de Freitas e Cristóvão Leite de Castro nos anos 40. o que acabou por se configurar com o repentino falecimento de Zarur em 1957. embora não sendo mineiro. A força das ações de Macedo Soares e particularmente de seu sobrinho Fábio de Macedo Soares a frente da SG do CNG ainda foram sentidas por Jurandyr durante o período do XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio e fortemente organizado pela estrutura logística do IBGE. Os udeenistas. mas não necessariamente Getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro. Geografia e Cartografia que informavam pela primeira vez em abrangência nacional. o principal era o Embaixador José Carlos Macedo Soares em seu segundo mandato (17/11/1955-03/05/1956). Porém. cunhado de Jorge Zarur. garantiu uma estrutura de trabalho dirigida à grandes projetos que garantissem um bom nome a sua gestão e ao período juscelinista.como profissionais do Governo Federal do tempo do Estado Novo. Para que isto ocorresse. representados pelas publicações de obras de pesquisa sistemática. que apenas acentuou uma antiga disputa entre os aliados de Jorge Zarur e os de Fábio onde. A proposta de substituição criou um conflito entre Fábio e Jurandyr e gerou uma crise. rivais políticos do PDS. na gestão de Juscelino era considerado um retrocesso na função organizadora do Aparelho Estatal. Apesar dessas crises. empurrou Faissol para a liderança do grupo de Zarur. importante geógrafo que possuía fortes vinculações com o estamento militar ligado ao PSD mineiro. um típico representante do profissional de Estado. de características majoritariamente urbanas.

Um exemplo bem interessante foi a publicação na RGB de uma Conferência dada por Milton Santos para o curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia em fevereiro de 1959 (Santos. combinadas com os dois períodos pós golpe de 1964. e que o treinamento dado por Ruellan. As mudanças de fase ocorridas entre a saída de Jurandyr Pires Ferreira e as curtas gestões de Rafael da Silva Xavier (10/021961-09/11/1961). com os convites a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste para elaborarem alguns guias de excursões. tanto no que concerniu às questões de logística do congresso. Coleção Geografia do Brasil (1959). com o francês sendo praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários. No início da década de 50. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956. Apresentando também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento. exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões que envolvem a relação entre a Geografia e o desenvolvimento. Mas outros tipos de pesquisa também eram desenvolvidos. a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário. enfatizando os aspectos sociais e menos vinculada ao estudo da paisagem.os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socio-econômicos da Baixada Fluminense feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 ( Geiger e Mesquita. Além disso. A coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (19571964) com 36 volumes. o Atlas do Brasil (1959) a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960). a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade se solidificou ainda mais. Nela. vários geógrafos europeus. o do General Agnaldo José Senna Campos (10/04/1964-03/04/1967) e o de Sebastião Aguiar Ayres (04/04/1967-23/03/1970).território nacional na escala municipal. Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956. 1956). As principais linhas de pesquisa geográficas durante a década de 1960 no Brasil sofreram uma transição interessante. perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de bom nível. explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 50. Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento. já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas. sobretudo franceses. José Joaquim de Sá Freire Alvim (13/11/196101/10/1963) e Roberto Bandeira Accioli (14/10/1963-31/03/1964). quanto aos aspectos acadêmicos. somado às bolsas de . 1959). criaram na Geografia um ambiente bem diferente do que era nos anos 50.

Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães. No entanto. a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 60 e editada em 1963. é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil.. 1963. O mais curioso.aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês haviam criado uma elite profissional muito eficiente. Sulamita Hammerly. durante toda a década de 60. Olga Maria Buarque de Lima. Foi o primeiro trabalho de detalhamento operando numa escala intermediária. A produção e a qualidade dos trabalhos de Pedro Geiger no contexto dos estudos urbanos em geral e no de redes urbanas em particular. via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lisia Bernardes no IBGE. a partir de um polo metropolitano. Maria Emília Teixeira de Castro Botelho. esposo de Lisia. Chamou-se O Rio de Janeiro e Sua Região ( Grupo de Trabalho de Geografia Urbana. classificando cidades. 1964). 1964 ou Bernardes L. Ceçary Amazonas. foi notável. que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil. A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort. que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara. Rio de Janeiro. definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes.). e posteriormente. Minas Gerais e Espírito Santo. foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP). O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG. os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo. criado em 1961 e coordenado por Lisia Bernardes e editado em 1964. Um desses professores foi Michel Rochefort. correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. Sua produção geográfica computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH) realizado . O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas. Hilda da Silva. O seu livro Evolução da Rede Urbana Brasileira (Geiger. O prefácio de Nilo Bernardes. nesta época. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. pelo mesmo Pedro Geiger que já havia iniciado na década de 50. 462p.

Por se tratar de memórias.Ação Política. jornalistas e outros. com Dreifuss mapeando sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado no período imediatamente após o golpe de 1964. Poder e Golpe de Classe (Dreifuss. iniciada em 1938 no Itamarati. muitos dos quais conspiradores de primeira hora. Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE. civis e militares. ver Almeida (1994) e Geiger (1988:64/65) que analisa com muita sensibilidade esse período importante. 1995). 1994) e Pensamento econômico brasileiro : o ciclo ideológico do desenvolvimento (Bielschowsky. Neste mesmo período. apresentou-se na contagem de Nice L. Funcionários públicos. Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias. . que também tornou-se um outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE. As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subseqüentes governos militares. empresários. Departamento de Geografia. políticos. incluindo aí os primeiros governos do Ciclo Militar. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições. formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. editado na RBG em 1963. representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores. a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo. praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas até os anos 90. É. A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. denominado pelo autor de “Complexo IPES / IBAD”. Corrêa. mas como a sua vida pública.em Buenos Aires. sem sombra de dúvida. Campos fica bem a vontade em escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros. no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 50. Para se ter uma visão panorâmica e diversificada sobre esta fase conturbada de nossa história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: A Conquista do Estado . 1963)./jun. Cada um deles observando o processo de maneira diferente. tratando somente sobre redes urbanas.. foram as que mais aproximaram o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 60. Müller. o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). Pedro Geiger também coordenou um impressionante trabalho de análise sobre a industrialização na Região Sudeste. É possível perceber que a Geografia que se vinculou às idéias de desenvolvimento. 1981). mas contraditório do IBGE. com 10 trabalhos entre 1952 e 1963 e na de Roberto L. RBG 25 [2] abr. com cinco entre 1957 e 1964.

de cunho administrativo. Foi também neste período que se verificou uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE. eles foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos. com exceção da climatologia. principalmente a da região sudeste. um economista muito caro aos geógrafos e que foi alvo de uma entrevista no número especial da Revista Geosul . reduziram-se fortemente. 2000). coincide ainda com o poder de Faissol. Em 1964. com a saída de Speridião Faissol da Secretaria Geral do CNG.A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos. Os principais vetores de estudos desta fase foram as pesquisas de Geografia Urbana. e é sobre este espólio que as novas idéias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. agora na chefia da Secretaria Geral do CNG e tendo como chefe da Divisão de Geografia. substituído por René de Mattos. Antônio Teixeira Guerra. que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro. o desenvolvimentismo.1991/1992). o neoliberalismo. tanto em termos de crescimento metropolitano. foi organizada por Ricardo Bielschowsky . comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 40 e 50. principalmente sobre Redes Urbanas e trabalhos sobre Regionalização. que a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais se acentua no Brasil. que estavam estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas / José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram um grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek / Jurandir Pires Ferreira. conforme nos indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (Abrantes. . No que concerne aos estudos sobre redes. pois na segunda metade dos anos 60 a participação dos segmentos de estudos físicos. juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (Geosul. muito lugar para a Geografia física. enfatizando a análise do setor terciário. inicia-se uma mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE. 1968 e 1989). É justamente nesta época. ou pelo menos assim se convencionou acontecer. analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel. e o socialismo. Não haveria no contexto do IBGE. o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período após os anos 60 até o final dos 80 (Corrêa. um economista com forte veia de historiador. Separadamente. procurando dar conta de uma intensa urbanização que havia se iniciado no final dos anos 50 e que nos anos 60 já começava a mostrar seus efeitos. O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE. quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira.

Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE como Olindina Viana Mesquita. Um outro ponto interessante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro. a partir de 1968. Será neste novo contexto de pesquisa. é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado no Rio de Janeiro em 1965 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. O índice das nove excursões realizadas mostra uma forte tendência para as questões urbanas. que enfocava o processo de metropolização. que a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que ficou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa. exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. Haidine da Silva Barros e outros. Entre 1965 e 1967 Lisia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG. organizados no IBGE durante as gestões de Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970). a influência de Michel Rochefort é indubitável (Rochefort. . com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha. principalmente após o golpe de 1964. Todo o comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE e os nove sub-comitês também.Dentro deste contexto. Professoras como Maria do Carmo Galvão. Miriam Mesquita. Maria Helena C. coordenado por Speridião Faissol. os textos ainda espelham uma clara opção para a análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados. Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização. Para que se tenha uma visão mais clara da transição ocorrida nesta época. Processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na gestão Isaac Kerstenetzky nos anos 70. inicia uma grande reforma nos cargos de chefia do departamento (anexos Documentos Administrativos) e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). Marilia Velloso Galvão. Becker. mas sob a chancela do IBGE (Associação dos Geógrafos Brasileiros. No novo Departamento de Geografia (DEGEO). O presidente de honra era o General Senna Campos. 1965:81). Bertha K. Solange Tietzmann Silva. Lacorte. que gerencia a transição administrativa ocorrida em finais de 1967. que transformou o IBGE em Fundação. 1998:93). colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal. os vice presidentes eram o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. posição que vai se acentuar com os resultados dos censos demográfico e econômicos de 1970. Padre Laércio Dias de Moura e o Secretário Geral do CNG o engenheiro René de Mattos. sendo substituída por Marília Veloso Galvão em 1968.

Este inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE. Os primeiros trabalhos que. terminaria no início dos anos 80 e reaparecendo sob outra forma nos anos 90. O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à Regionalização. apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10. Essas atividades e obras. a obra Subsídios à Regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade. Em todas as séries. hospitalar e clínico especializado. que somada às informações intrínsecas ao assunto. Agricultura 29. 1968: 180). conduziram à necessidade de uma vinculação forte entre a Geografia e a Estatística foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de um novo Sistema de Planejamento criado nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco. aparentemente. Processo que duraria quase toda a década de 70 e que. servem como um ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal. No entanto. de certa maneira. eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios. 1977:13). a preocupação final era gerar uma regionalização específica do tema tratado. Esses estudos deveriam dar conta de uma nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. garantiriam subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas. Geografia Quântica (sic) ou Quantitativa (Andrade. resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado. 1963). educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão). ocorridas durante o final dos anos 60. . que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. População 10.Nova Geografia. Indústria 22. sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões. considerado como uma síntese. Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9 ). que no caso específico do capítulo Centralidade (Corrêa. ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade. Além das 208 páginas escritas. avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços como o bancário. conforme os estudos de Michel Rochefort e Jean Hautreux para a rede urbana da França (Rochefort e Hautreux. isto é. Transportes 8. da qual a Geografia do IBGE fazia parte. Geografia Teórica. atual IPEA) para aplicação de um inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros. o primeiro do ciclo militar.

aliado ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC. pois os do IBGE estavam em fase de instalação. onde assumiu cargos na alta administração e. No nível institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba antigos professores da PUC. presidente e diretor geral do IBGE. posteriormente. A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE. respectivamente. Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas que eram desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos. para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA. que havia ganho uma bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro e era também um especialista em métodos quantitativos. . no Ministério do Interior. embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio. Posteriormente. na discussão sobre o conceito de Região de Planejamento (Santos. no início dos anos 70 foi estruturada sobre vários fatores. O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU). Berry era um dos principais líderes do segmento da Geografia americana que operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores. como Secretária Geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE). chega da Inglaterra o geógrafo John P. principalmente levando-se em consideração a magnitude espacial brasileira. 1959:99). Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de teste de suas pesquisas. no novo governo da Fusão Rio de JaneiroGuanabara.O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ. com muito trânsito na alta administração da universidade e que haviam sido indicados em março de 1970 para. 1967) e Friedman era um conceituado planejador regional da Califórnia. sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (Berry. Cole. como uma série de coincidências e de golpes de sorte que o levou a conhecer Brian Berry e John Friedman (Faissol. que já havia colaborado com brasileiros na Bahia no final dos anos 50. depois. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva um especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. Um outro ponto de ligação se estabeleceu com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica.1997:86). a saída de Lisia Bernardes em 1968. Primeiramente. os dois geógrafos. estavam agora sem interloucutores.

ou nos Estados Unidos como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva ( que veio a falecer em Chicago. Além disso. já utilizadas nos centros de computação das universidades). Muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques por que passava a Geografia foram entabuladas entre os ibgegeanos e os professores de Rio Claro. como Pedro Geiger e Elza Keller chefes de divisões e a própria Marília Galvão. O interessante é que em Rio Claro. assim como Olga Buarque de Lima. Maurício de . liderança que continua até hoje no campo do Geoprocessamento de informações. Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso. neste contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira. Uma outra frente de pesquisas foi aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro. O GAM não existia na estrutura formal e seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol. como chefe do DEGEO.O afastamento de Lisia abriu um espaço importante no campo dos estudos metropolitanos. como no caso de Olga Buarque de Lima e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva. quando retornou de seu mestrado em Nottingham. também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas. Basic. criado em 1972. quando retornou seu mestrado em Chicago. uma boa parte dos geógrafos que estavam em cargos de chefia. Em contraste com a do IBGE. que enfatizava uma combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática. como no caso de Olga. O lançamento de um periódico denominado estranhamente de Geografia Teorética torna-se o porta voz do movimento na UNESP. incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de concentração em Geografia Humana. Indubitavelmente. o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ. que já estava alijada desde os anos 60. onde a Geografia Física. onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas. PL1. Roberto Lobato Corrêa. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer a pósgraduação ou na Inglaterra. Estatística. Ainda no contexto universitário. as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia física e da humana. Um outro fator foi a ausência de atribuições administrativas que fragmentaria os estudos e pesquisas. não se mostrou interessada nas novas técnicas. pertencente a Universidade Estadual Paulista (UNESP). Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos. e noções de computação (que na época estavam baseadas em conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran. quando redigia sua tese de doutoramento). quanto na de Geografia Física. que tornou-se um polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. que foi imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM).

estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. tentando reconstituir . análise de grupamento. até a saída de Isaac em 1979. iniciaram um período de alta produção de artigos e livros. Professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI é o mais relevante). ele considerou que não foi uma tarefa fácil. que mostrou uma impressionante capacidade de. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele. além de gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento. além de escrever. como agência possuidora do maior banco de dados do país. No contexto da Geografia Econômica.1989). pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional. teoria. lista 20 trabalhos sobre urbanização. Perroux. Inicia explicando o “como foi”. por conta da facilidade de captura do dado e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores. já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em seu depoimento. e utilizando técnicas que de certa forma aceleravam os resultados. Em 1989. uma seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil ( o exemplo de Akin Mabogunje. também organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. quando retornou de seu doutorado em Ohio. os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação aos de outras instituições. coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização. Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (Faissol. Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos.1975). regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol entre 1970 e 1978. Lasuen e Dacey e o volume Tendências Atuais na Geografia Urbano/Regional: teorização e quantificação (Faissol. (depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). A RBG 47 (1/2) de 1985. correlação canônica. desenvolvimento econômico. em virtude da estrutura do órgão. Olsson. análise regional. posteriromente alterada para Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e em 1977 torna-se Diretor Técnico. No plano interno da Geografia e do IBGE. A produção geográfica desta fase é predominantemente de Speridião Faissol. análise discriminante. cadeia de Markov. migrações internas. a carreira de Faissol alcança prestígio e poder tornandose em 1973 Superintendente da Superintendência de Pesquisas.1978).Almeida Abreu. passando pelas técnicas de análise fatorial.

Quanto as críticas. foi muito importante pois tratava-se de um Professor de uma universidade de país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos. Pedro Geiger e Elza Keller como sendo decisivas para a Geografia se fazer presente no sistema de planejamento brasileiro. Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais. Willian Bunge. uma Comissão de Métodos Quantitativos. portanto. Ian Burton. Se em Explanation in Geography. David Harvey se apresenta como um grande metodólogo da teorização e quantificação. sobre a participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares. quando se inicia a relação entre a Geografia urbana / industrial e regional e as estatísticas visando o planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro. enfatizando a contribuição dos geógrafos como Brian Berry. quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (Harvey. enfatizando a UGI. quanto nos desdobramentos que ocorreram a partir de 1973/74. sendo. nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas. a função e atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 60. Peter Gould. . que vieram posteriormente.. que havia criado no final dos anos 60. Harvey provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo. Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa. Derek Gregory. Tanto na fase inicial do processo.as fases iniciais do processo.1989:27). David Harvey. Faissol explica num importantíssimo pé de página (Faissol. Na segunda parte do artigo. A parte final do artigo de Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teóricoquantitativo e analisa rapidamente a questão ideológica em linhas gerais e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física. a primeira tinha sido Explanation in Geography (Harvey. 1969).1973). em Social Justice and the City. A figura do presidente dessa comissão o Professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje. pois não viviam com esses problemas em seus países. dez anos antes do movimento quantitativo e parabeniza as participações de Lisia e Nilo Bernardes. um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento. e não um americano ou europeu que não conseguem perceber as dificuldades inerentes a qualidade ou não do dado..

posteriormente que isto não seria viável. Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e a organização agrária de cada região. sofreram algumas pressões de parte dos quantitativistas para que os capítulos da parte humana fossem totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). mais ou menos decenalmente. é importante assinalar que as dificuldades enfrentadas pela comunidade de geógrafos que não estavam diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação. também. permanecia e permanece a questão: se o espaco é socialmente produzido. o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das pré-condições. editada em 1977 com cinco volumes. inclusive nos capítulos citados.. Fase esta que se caracterizou por otimismos e incertezas. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. Mas. foram bastante significativas. p. onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual”. E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço.50 Contudo. pelo seu grande tamanho e por sua complexa estrutura interna. O sabor do novo versus o risco da troca entre o conhecido e o possivelmente inalcançável. correspondendo cada um deles a uma macro-região. conforme se verificava que seria necessário tomar decisões cruciais em termos de carreira. seguido de uma crescente ampliação das incertezas. a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. O resultado foi. alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos que se vinculavam também à pesquisa. ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. Percebeu-se. O exemplo da coleção Geografia do Brasil de 1977 foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE. matemática. pela unidade da Geografia.”Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia. estes foram dilemas que incomodaram inicialmente os ibegeanos. se ele é um conceito simultaneamente territorial e social. mas que posteriormente. Apesar do aparente poder de produção. Reconhecidamente. obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava. mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro. foram alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou o conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 70. talvez muito otimismo inicial. estatística . pois não haveria público leitor para este tipo de obra. pois grandes projetos como a coleção Geografia do Brasil. derivados das pesquisas quantitativas. O produto resultante apresentou-se intimidador. sempre se argumentava. as principais modificações espaciais por que passam alguns processos de ocupação do território brasileiro. alcançaram uma boa parte da Geografia acadêmica do Brasil.

É claro que deve ter havido honrosas exceções. por parte dos geógrafos. essas disciplinas eram “dadas” burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de matemática. a força da Geografia francesa centrada nas obras de Pierre George. Beaujeu-Garnier.e linguagens de computação necessários ao desenvolvimento dessas técnicas. que assumiu o IBGE durante o governo do General João Batista de Oliveira Figueredo. levou muitos a uma angústia disfarçada em mimetismo. mas pouco fazer. status acadêmico e conhecimento. Paralelamente aos trabalhos de Faissol.. questões ideológicas e pragmáticas. o que tornava ainda mais difícil o aprendizado. O reconhecimento. Nas universidades.. Pierre Gourou. esforços de aprendizado e carreirismo. apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística. Esperar que a moda passasse. procurou mesclar as áreas de conhecimento através do incentivo para a vinda de cientistas sociais. um economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira e Joel Bersgmann. ainda era perfeitamente sólida. As estadas de Werner Baer. pois misturavam-se nas discussões. ao longo da década de 70. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras nos anos 70 era um tanto instável. Um outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia. Sorre e Juillard. concordar. Em outras palavras. não contestar abertamente e. as facilidades computacionais de hoje. Essa novidade efetivamente veio para selar o fim aparente da Quantitativa e confundir-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República. Tempo que foi repentinamente abortado com a saída de Isaac do IBGE em 1979 e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979 – 14/03/1985). Jean Tricart. pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos. mas uma concessão inócua. um economista urbano com preocupações na distribuição de renda para trabalharem com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas com urbanização / industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil. imposto aos piores do grupo. É importante frisar que não havia na década de 70. dar aulas para o curso de Geografia era considerado um castigo. Aprovar. aguardar alguma novidade vinda de fora. o presidente do IBGE Isaac Kerstenetzky. que os esforços de aquisição de conhecimento estariam muito além de suas capacidades. No fundo isso era visto como uma concessão aos novos tempos. era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e . mas a regra era esta. marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia. economistas não necessariamente quantitativos no sentido econometrista do termo. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia.

instituição fortemente voltada para a pesquisa. . sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo. E isto tinha perfeita razão de ser. imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes a curto prazo. três espaços foram prioridade de lutas. ou de computação. enquanto se aguardava os movimentos do tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. Portanto. em qualquer outra coisa! A Geografia Nova brasileira que estruturou-se no final dos anos 70 e prosseguiu durante a década de 1980. foram palco de medidas arbitrárias. pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam um bom domínio dos termos específicos de estatística. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade. O primeiro foi a instituição universidade. os que ficaram e foram a favor do regime. pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos de AGB. Para o grupo de geógrafos que nasceram nas décadas de 20 e 30 e que tornaram-se líderes em suas especialidades. isto é. os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra. era algo tão utópico que. para a avaliação interpares das pesquisas e para a formação de pesquisadores. No caso da Geografia. mas que estava sempre presente. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais. Uma questão interessante que não era explicitada. em virtude de estarmos em plena luta pela abertura política do país. Foi neste espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica. se por ventura tenha passado por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE. essa divisão era muito mais pesada.matemática. Os que ficaram e lutaram contra o regime. pelo menos até o início dos anos 70. que em sua maioria durante o regime militar. essas cabeças foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia. O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para que se estruturasse a delimitação de campos diferenciados. cursos de aperfeiçoamento. O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros. perseguições e impedimento do debate democrático. caracterizou-se por um forte conteúdo ideológico dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política. A ambigüidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares. era a incomoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978.

passariam a ser bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo. com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (Geiger e Santos. que surgiu no período mais duro do regime. Em outras palavras. os sócios cooperadores conseguiram. resistência física.. Armén Mamigonian e outros.em reunião em São Paulo. interpretação de cartas. poder de síntese. Apresentações de trabalhos e respectivas aprovações pelos mais experientes. e em 1969. a jóia da coroa era o IBGE e no IBGE.onde a hierarquia estava vinculada ao saber e experiência. percepção da paisagem. Milton Santos. participação em trabalhos de campo. que eram anuais. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Itamarati.1956) sendo analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política. provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma” (Andrade. o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa. portanto revestida de muitas conotações negativas no campo político. os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB e isso começou a ser percebido na década de 70. chamada de Mandarinato era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. 1991/19992: 137) O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”. mas ao se conversar com a “Velha Guarda” da AGB. haveriam excursões de cunho informativo. pudessem ter uma arena para debates acalorados como foram os casos de Pedro Geiger. Portanto. Neste espaço. quebrar esta estrutura hierárquica da AGB Nacional. “. na Assembléia de Vitória (ES) uma nova sistemática foi aprovada. com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembléia. percebe-se que o sistema de filtragem era rígido. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979.. a quantidade de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar. desenho de croquis e. nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade. . redação em condições adversas. Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956.. No decorrer dos anos 60. sobretudo. isto é as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar. senso de direção e de escala.. em grande parte formada por estudantes. as reuniões. mas dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade. No caso da ABG o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas. onde eram avaliados a disposição para o trabalho.

por exemplo.21-22). editor da revista radical de esquerda americana Antipode. 1973). 1976). levantava questões sobre “A noção de Tempo nos Estudos Geográficos”(p. 1979). Em 1976 a Seção Regional de São Paulo da AGB. O número 1 trazia uma transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V.23). o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. cuja tradução para a língua portuguesa acontece em 1979 com o título de O Espaço Dividido. desses que o autor coloca na arena de discussão. II. respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético M.18). Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando. com finalidade didático-científica”. prossegue com Les Villes du Tiers Monde (Santos.. o .20-21). Este. mas com bom potencial de novidade.18-19). 1975). como é possível perceber no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer onde o autor. “A Produção do espaço no Terceiro Mundo” (p.1971).É com esse pano de fundo que se deve avaliar os acontecimentos de 1978 na Assembléia da AGB de Fortaleza. 1965). A. para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados. que na ocasião lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York.21). Era um típico artigo “ponta de lança”. Al’Brut (Anuchin. as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição. e atinge seu objetivo com L’Espace Partagé. apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos. destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos. “Centro-Periferia” (p. (Bunge. n 3 de março de 1961 e foi traduzido pelo Professor Manoel Seabra da USP. Milton mostrouse um mestre em artigos desse tipo. Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos (Santos.. mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e.19-20). “Um Princípio Ordenador” (p. Milton Santos era na ocasião. entendendo também que no exterior. “Diferenças Entre Países e Disparidades Regionais” (p. O título era Relações Espaço-Temporais no Mundo Subdesenvolvido e o seu autor. I. no caso. O segundo artigo era de um exilado.1969).22-23) e “Para uma Explicação Geográfica Tempo-Espaço” (p. sem rejeitar os métodos quantitativos. Este algo diferente era resultado de uma longa gestação intelectual iniciada ainda nos anos 60 com o livro A Cidade nos Países Subdesenvolvidos (Santos. continua com Aspects de la Géogrphie et de L’Économie Urbaine des Pays Sous-Dévelopés (Santos. “Tempo Externo e Tempo Interno” (p. sediada na USP lançou uma série denominada Seleção de Textos “. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica. ao mesmo tempo. “Sistemas de Tempo e Sistemas de Espaço” (p. quanto no Social Justice and the City de David Harvey ou nos trabalhos de Richard Peet. Les Deux Circuits de L’Economie Urbaine des Pays Sous-Développés (Santos. O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v. “Problemas de Escala” (p.20).

. forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani. 1991/1992:183). Lá estão registradas todas as sua publicações e apresentações. pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes. a pessoa que negociou com o governo federal militar. Planning Underdevelopment tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para sua penetração em países subdesenvolvidos. Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro. amigo .. por exemplo. A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza. Phil O’Keefe e Richard Peet. desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista da Educação e Cultura de Salvador. Um Cidadão do Mundo em homenagem a Milton Santos. mas eu estava em Paris. digamos assim. Ao chegar aqui. onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso. um grande homem. Na realidade. fonte dos seus dissabores. através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (Souza. Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy i underdeveloped countries era uma síntese de seu livro o Espaço Dividido e o segundo. a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda. (Santos. O processo de prisão e o posterior exílio é marcado por fatos contraditórios por parte das autoridades. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. quando era professor do ensino médio. O Mundo do Cidadão. Em seu depoimento na revista Geosul. quando já havia fixado residência em São Paulo após sua volta. O primeiro. Eu tinha bons amigos. 1959). o Presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. Milton Santos rememora sua participação no Governo de Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia. a minha ida à Cuba com Jânio já me tinha a inclusão do meu nome lista do Exército. Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular. quando eclode o golpe. foi reitor e que foi. “Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador.. 1996:485). a minha saída do Brasil... “ Miguel Calmon. como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito. a revista Antipode ( a radical journal of Geography) lançou um número especial sobre Geografia e Subdesenvolvimento organizado por Milton Santos.Em 1977. Uma visão bem diferente do artigo Geografia e Desenvolvimento Econômico (Santos. quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia neste processo. passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964. quanto é exilado por força do golpe militar.. Milton assina dois artigos.

1991/1992: 184/185). digo nacional. porque estava sozinho. Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada. o n 51. e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964. digamos assim.Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão. isso servia ao movimento e me foi útil.. quer dizer.. com quem sempre mantive relações muito boas.. mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort.. Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira. dispostos a mudar seu rumo. Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o Marxismo.. Milton Santos explica que. se não fosse Armen. “ . Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar. Ainda na prisão. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64.. ildo na Escola Francesa. como forma de liberar o Lomanto. através de Pierre George. para que ele pudesse se manter governador. o que foi uma grande gentileza. ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros. No houve apenas gratuidade. Fui para Toulouse. Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu”.. Santos também fala que.” (Santos . política e acadêmica. Diário de Notícias). aquela gente da marcha da família. da propriedade..” “. sentido acadêmico. uma nova posição que fosse também.éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora .. que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são. dentro da Geografia. porque ele precisava de um bode expiatório.. porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã.nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória . eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia. eu fui preso. René Dugrand. que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho. a querer fazer outra coisa e é aí então. ”. “. Comecei então. gente de bem. sobretudo o Armen. onde queriam me crucificar. que vem essa vontade de teorização sobre urbanização. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. Em 64 então. cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes.. !964 chega. que não me deixaram entrar nas listas de cassação. me instalei lá. uma outra forma de ver o Terceiro Mundo. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária. Bernard Kayser. nem foi erupção espontânea.. solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar. Isto provocou uma comoção nacional. tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras . a vigilância foi afrouxada.fraternal. recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade. cheguei a conclusão que aquilo que eu ensinava.” (p.então. Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos. onde está o editorial que marca essa mudança de tendência. a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo. graças então. a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora.. por que Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia. Eu fui instrumental a esse movimento.... não me satisfazia. na construção de uma nova teoria geográfica. a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon. Dando aula na França.. 192) Quanto a sua volta e o Congresso da AGB de Fortaleza. deixei de ter a solidariedade de muita gente. Lembro daquela famosa reunião da AGB. Não foi obra do acaso. ao mesmo tempo. Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia.. Manoel Correia e Araújo Filho. etc.

Eu depois de hesitar. Isto tem que ser dito. onde estou até hoje e espero ficar. nem partidos. denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). Na seção Idéias e Fatos (p. quando então fui para a USP. fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. que sempre uma estratégia de longo prazo. as presenças de Milton Santos (UFRJ) . inicialmente estava subdividida nos que criticavam a Geografia Oficial. nem de curriolas. 197) Como disse Milton Santos. o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ.. Contexto da Hucitec. Encontros com a Civilização Brasileira. Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que eqüivalia a possibilidade de me tornar professor titular. A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia Repensada Politicamente e cobria democraticamente áreas da Economia Política. Em 1980 a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74. o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal com Manoel Seabra.” (p. para conseguir um lugar no país. decidi me transferir para o Rio de Janeiro. Revista Civilização Brasileira. No Rio de Janeiro. João Mariano de Oliveira (Revendo Criticamente a Geografia) e Milton Santos (Reformulando a Sociedade e o Espaço).. Armen Mamigonian. me deu uma cobertura nacional. Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores.e que não precisou estar amarrado a grupos. Ariowaldo Umbelino de Oliveira. vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em plano mais abrangente. Vim para São Paulo. Sociologia e Geografia.302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia. decidiu me convidar. e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação. . 196) “. uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker. Rio de Janeiro e São Paulo.” (p. Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa. Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira. nem de tendências. Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (É Possível uma “Geografia Libertadora”?). Território Livre da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE). A diferença. citando o Boletim Paulista de Geografia. onde fiquei até 1983. porque a AGB através desse movimento. Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves ( PUC) e em São Paulo. um conjunto de textos sob o título de Geografia e Sociedade: Os Novos rumos do Pensamento Geográfico com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (Da “Nova Geografia à “Geografia Nova”). Ruy Moreira (Geografia e “Práxis”). Armando Corrêa da Silva.

mas que no fundo. escreveu um artigo que passou meio despercebido na época. o de idéias. que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. a partir do concreto.135) A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debate. com o confronto de resultados referentes às interpretações fatuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores. Era a produção propriamente dita.. sonoridades ineficazes.” (p.. 1982:131-139). se não reexaminadas.” (p. como no caso do artigo de Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa A Geografia e o Processo de Valorização do Espaço (Moraes e Costa. alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e a evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias. com o confronto de sistemas de referência e do trabalho empírico. mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox. luta de classes etc. dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem.O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título de Novos Rumos da Geografia Brasileira . 1982:66-110). na visão de alguns tornam-se auto-explicáveis. o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. quanto ao erro do uso automático da terminologia. 1982:111-130). forças produtivas. A estrutura estava dividida em dois blocos. que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam. relações de produção. Contribições Brasileiras à Teoria da Geografia e Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros. Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia. Nele. No bloco de contribuições teóricas. o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. 1982:35-49) e no de Ariovaldo Umbelino de Oliveira Espaço e Tempo: compreensão materialista de dialética (Oliveira. editado pela Hucitec em 1982. Nos anexos. chamava-se Alguns Problemas Atuais da Contribuição Marxista à Geografia (Santos. no de Ruy Moreira Repensando a Geografia (Moreira. como forma de criar um campo de termos que. apenas. com uma incrível visão premonitória. Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948. Por isso Marx lhe consagrou. . em sua obra. junto com a circulação.. Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta . “Noções como modo de produção.134). Milton Santos. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “Congelamento dos Conceitos” dando o exemplo sobre o conceito de consumo “durante a vida de Marx. liga-se ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar.

na linguagem técnica editorial não autorizada. Não era uma leitura fácil. a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc. apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste. leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnan) e da excelente prosa de Lacoste. a principal obra de referência do período foi Por Uma Geografia Nova (Santos. Explica as principais noções de escala e mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. no Rio de Janeiro. isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC. Paralelamente ao movimento dos professores. No entanto. isto é. O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a antigüidade e a Geografia dos Professores universitários iniciada no século XIX na Europa. tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977) essa edição carioca era. Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros foi reservada para os trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira. pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época. Estrutura Agrária e Dominação no Campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves). e urbana Notas sobre a Geografia Urbana Brasileira (Armen Mamigonian). desenvolvimento desigual e combinado. e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também. No caso paulista. tanto na área do pensamento geográfico O Pensamento Geográfico e a Realidade Brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos Rumos para a Geografia Brasileira Milton Santos). É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou um grande impacto no alunato do início dos anos 80. havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na Mesa Redonda da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no Rio de Janeiro em 1980 Crise Econômico-Social no Brasil e o Limite do Espaço que abordava algumas questões concernentes ao marxismo como crise do capitalismo. a organização sempre foi uma das características. 1978). UERJ ou UFF. Foi por conta desse movimento que foi editado o livro de Yves Lacoste A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra (cuja edição original da Maspero de Paris de 1976. em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos.A segunda parte. quanto em segmentos específicos como a questão agrária. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnan do Norte e Camboja. havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. mais a introdução e .

principalmente nos períodos iniciais do movimento. Milton conta em seu depoimento na Geosul (Santos 1991/1992:196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro. nos anos 80. sua interpretação não é imune a controvérsias. quando em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 60/70. pois misturavam-se nas arenas. que eu sentia que ia durar pouco. .” O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se. portanto que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 80/90. onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco. conflito árabe-israelense. quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom. que deveriam ser apenas palcos de debates de idéias. para publicar rapidamente o meu livro ‘Por uma Geografia Nova’. “. Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas tomaram o lugar na preferência dos professores de ensino médio. 1995). digamos assim. questões pessoais vinculadas à lutas de poder nos ambientes institucionais. apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica. Entretanto. obviamente negativos. razão pela qual eu insisti com o editor. O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época.. A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. quando analisavam alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo.conclusão. E assim foi. me criou uma repercussão nacional. principalmente nos cursos de formação de professores. De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física. crescimento econômico de alguns países asiáticos. eu diria que para ser lido depois. que me foi encontrado por Florestan Fernandes. Os resultados foram. porque sabendo que o Brasil é um país oral.. É necessário. Editoras como a Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve. que passaram a ter uma postura crítica.A AGB.. 1986 e 1989) da Ática. substituindo autores da velha guarda como Nilo Bernardes ou Aroldo de Azevedo. Um bom exemplo desse tipo de obra pode ser vista nos trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (Corrêa. Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores. eu teria de ser conhecido antes. provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos. conflitos internos nos países africanos).. as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global (Araújo. passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”.

Lembra também sua preocupação com a feitura sistemática das resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica. Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais. Orientação. Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti que. analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações. “Envolvido com os estudos geomorfológicos. com a teoria dos sistemas. Em seguida analisa o contexto da chegada no Brasil da “Nova Geografia”. Boletim Paulista de Geografia. como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber. Inicialmente Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no contexto editorial quando assume a responsabilidade editorial da Notícia Geomorfológica e posteriormente passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia. em 1992.. Explica a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de testes e adaptações. rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro. mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas. Boletim Baiano de Geografia. considerada também como quantitativa e por isso mesmo sujeita ao repúdio total. publicou no periódico Geografia uma resenha denominada O Conhecimento Geográfico no Brasil: Considerações de um Geógrafo. Na parte C de sua resenha. fruto de uma comunicação apresentada num Simpósio Sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991. Boletim Gaúcho. em vez .Um outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica como foi o caso da Geografia Física tomada por positivista. principalmente nas fases iniciais do processo. como referência de determinadas linhas de pesquisa e dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento.. Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de São Paulo).

o que para mim é errado. Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia. que compunha minha diretoria.de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas. que os acontecimentos políticos na Europa. foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 80. pois além dos problemas sociais.. Em conseqüência dessa atitude.237) Foi justamente no final dos anos 80 e início dos 90. Na década de 90. não aceitou absolutamente. principalmente no se referia ao desprezo que era passado às questões ambientais. e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores. no espaço geográfico dos países mais pobres. eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo.. Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade. quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia” que deveria apenas ocupar-se do social. Clima. associado à uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente. alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar portanto de Geomorfologia.. Então.. só os fenômenos sociais têm significação? Contudo. Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nesta inflexão.”(p. sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB. Acho que. entre 1984 e 1986.. os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional. 1991/1992:237) comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram tornando-se cada vez mais conflitantes. englobadas com interpretações impróprias. com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental e posteriormente com a dissolução da URSS. tais idéias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. primeiramente em 1989 na Alemanha. Sua principal obra dessa época chama-se Técnica. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina. ” . um grupo criou a chamada Geografia Radical.” “.” “. Em seu depoimento à Geosul (Valverde. Orlando Valverde. selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica. anteriormente relegado ao segundo plano. Biogeografia. a AGB precisa de um mínimo de organização.. Por outro lado.Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões eqüivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar. o Grupo Radical.Hoje em dia muitos reconhecem isso. tal qual se apresentava nos anos 80.. descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia. alertando principalmente sobre as conseqüências positivas e negativas. observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica” (p.. mas por causa dessa postura. etc.. de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica. .... até hoje.. toda igualzinha. Geografia Crítica ou Geografia Marxista... Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países.112).

uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados. apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos. o que chamava-mos de Geografia Quantitativa na década de 70. Rivaldo Pinto de Gusmão. 1986. inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Físicas e Humanas da Geografia. modela nosso entorno. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 80. e é como enigma que ela comanda nossa vida. cada vez mais poderosos e baratos. que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto RADAM. mas quando voltamos nosso olhar para as décadas anteriores. textos de conferências e seminários. Olga Becker.Espaço. o . em comparação com os computadores de grande porte que eram utilizados por uma minoria nos anos 70. 1994) foi estruturada como uma coletânea de artigos. nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo. incluindo também outras áreas do conhecimento como Biologia e Geologia por exemplo. Tempo: Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional (Santos. São desta fase. publicado no n 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington.” A técnica é a grande banalidade e o grande enigma. podemos perceber o quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX. com o título O período técnico-científico e os estudos geográficos .. Carajás. só foi devidamente absorvida pela Geografia brasileira. os projetos de diagnósticos integrados realizados principalmente na Amazônia ( Diagnóstico Brasil. nos impõe relações. o problema da mundialização da produção. Projeto Nossa Natureza. acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Humana. ocorrida na década de 90.20). As contribuições de Maria Luisa Castello Branco. região do projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI). que tinham de exprimir numa única linguagem. Esses trabalhos. Ainda não chegamos ao refinamento desejado. do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica. Com a volta das preocupações ambientais. via democratização do uso dos computadores pessoais. Teresa Cardoso. Entorno do Distrito Federal e Gerenciamento Costeiro). o próprio IBGE. Foi necessário entender também que. Essa abordagem passa a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros. Ferreira. Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar. Diagnóstico da Amazônia Legal. administra nossas relações com o entorno” (p.. pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais. produzidos em sua maioria no início dos anos 90.M. Antônia M. capítulos de livros ou de outras coletâneas.

que posteriormente ficou conhecida como a “Velha Guarda do IBGE” serão explicitados nos demais capítulos I.Programas de mapeamento automatizado. Dora Hees. Os papéis desempenhados. No contexto ibegeano. II e III desta parte. Mesmo com esses problemas. Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia hoje. Monica O’Neill. no plano da prática profissional.0. . Além disso. a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh / Sistem 8. foi também de muita valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira. no plano acadêmico. objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular. apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação entre os equipamentos computacionais entre as instituições. correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados. ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie que mostraram o caminho e as possibilidades futuras. através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais. situados em sites que podem ser acessados via Internet. Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana foi muito rica. Hervé Théry e brasileiros como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira. pois a troca entre profissionais franceses como Philipe Waniez e Violette Brustlein. Este grande panorama da dinâmica da Geografia brasileira. o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados. mas o IBGE ainda é fortemente atrelado ao PC / Windows. vista sob a ótica do IBGE. democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados. servirá de pano de fundo para o entendimento do processo de formação do pensamento geográfico brasileiro. pela liderança e carisma de professores e pesquisadores estrangeiros que vieram preparar uma elite de geógrafos. pelas matrizes de pensamento geográfico oriundas da Europa e Estados Unidos e. muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngües.

ou na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado.O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas sociedades geográficas. França. principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930. ∗∗ do . Em se tratando de instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual. criada em 1938 e das antigas instituições como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883. será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica. Antônio Carlos Robert Moraes tratou detalhadamente. Estados Unidos e Canadá.Parte II Capítulo I . principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e Estados Unidos. como se pode perceber nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira. Bertol Domingues. tendo como agência chave o IBGE. Machado (1995 e 1999) e Domingues (1999). dessas instituições. Primeiramente com a França. (Zusman. necessariamente. A principal razão de sua estruturação foi. também aborda esses problemas conceituais e metodológicos por que passou a disciplina. 1996). Nessas arenas. os principais temas vinculavam-se aos aspectos teóricos da disciplina. 1982). tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro. atual Sociedade Brasileira de Geografia∗ . 1990 e 1999). Um outro segmento de consolidação dos estudos geográficos se deu através das associações culturais e profissionais como a Associação dos Geógrafos Brasileiros. resultados de ações entre governos do Brasil. tempo em que essas questões foram A tese de Perla Brigida Zusman na Usp sob a orientação do Prof. 1998:197 ou 1999: 2-3). a relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte pensamento geográfico (Machado. foram nelas que se instituíram as principais arenas de discussão dos temas geográficos. Lia Osório Machado e Heloisa M. mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual). Nilo Bernardes em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (Bernardes. diferentemente das áreas de discussão no governo. que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 30 (Oliveira . visando a criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente com os outros países através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional. (vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária. na universidade e no IBGE Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo.

em cidades francesas como Paris. passando a sofrer também uma influência da escola americana e. quanto da universidade no sentido mais geral.∗ Essa predominância da escola francesa foi também confirmada. ou eram especificamente indicados por eles. durante o período do conflito. também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia. após 1935. É possível perceber que a hegemonia da escola francesa foi incontestável. Questões como a precedência entre Geografia Física e Humana. que o poder das escolas de pensamento geográfico sentir na formação dos geógrafos brasileiros. 1980). indiretamente. Jean Tricart e Michel Rochefort foram as principais fontes de conhecimento geográfico para. a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem. com algumas ligações com a alemã e. pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968. Toulouse. nada menos do que três gerações de profissionais. Montpellier. Francis Ruellam. sobretudo no IBGE.que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos como Jean Brunhes. Camille Vallaux. da alemã. André Cholley e outros. foram os principais mecanismos de consolidação de uma tradição de pensamento francês na Geografia brasileira. ∗ (francesa hegemonicamente. e pelos esforços dos americanos em garantir também um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE. (Buttimer. por conta dos caprichos da Segunda Guerra que inviabilizou a ida de Geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para Europa. Se levarmos em consideração que as figuras de Geógrafos franceses como Emmanuel de Martone. Max Sorre e outros. a americana) se fizeram . conflitos entre o Determinismo e Possibilismo. Lyon. Todo um processo de aprendizado profissional que incluía. como parte de uma campanha de aproximação do governo Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa . em seus depoimentos. Bordeaux. geralmente por indicação de algum professor como Francis Ruellan e Michel Rochefort principalmente. Estrasburgo. posteriormente. como as obras Vidal de La Blache.apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. e que os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles. Pierre Mombeig. a dicotomia entre Geografia Sistemática e Regional. a partir de 1947. nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer de sua vida profissional. além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade. Essa tendência só não tornou-se totalmente francesa. Grenoble. Pierre Deffontaines. Pierre Deffontaines . tanto do IBGE. Foi a partir desses cursos. foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF. Jean Brunhes.

José Veríssimo. convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos. Seu retorno ao Brasil faz surtir um efeito quase imediato. pode ser avaliada através de um artigo que tornou-se clássico. na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Jones. como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território. principalmente os sobre habitat rural e núcleos de população. ∗ Tornando-se o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior. Orlando Valverde. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 ( Waibel 1949). 1992:56). Para ele. órgão da estrutura do Estado Novo. Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE). que tinham como objetivo a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil. Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil durante a Segunda Guerra. da qual o planejamento do Vale do Tennessee foi um dos principais projetos. é importante para se entender as funções de uma outra agência. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. estudar em universidades americanas. Fábio de Macedo Soares. o trabalho de Antônio Pedro Tota no campo das relações culturais (Tota. o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs e suas ações no campo cultural.americano. objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do Nazismo. Jones. universidades especializadas em estudos regionais voltados para o processo de ocupação do território. tomou contato com a escola americana de Geografia voltada para o planejamento espacial do New Deal de Franklin Roosevelt. . para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem. Agências de Inteligência americanas como o Office of Strategic Service (OSS). Preston James e Richard Hartshorne (Barton e Karan. e o Army Map Service (AMS) empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra como Cotton Mather. em 1945. Jorge Zarur. Clarence F. torna-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. que em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin∗ e depois para uma especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago. A importância dos trabalhos de Leo Waibel. tendo como principal ferramenta a colonização dirigida. Northwestern e Chicago.2000). A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. Lúcio de Castro e Lindalvo Bezerra foram os indicados para Winsconsin. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2. Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946. ao trazer um convite do Governo americano. entrevista) para trabalhar até 1950.

Hilgard O’Reily Stermberg. que dentre elas a Geografia desempenha ou deveria desempenhar. Terry Jordan (U. Seria importante contextualizar também a influência da escola alemã na geografia americana. 1990:2 table 1) . da escola alemã de Geografia. O problema da colonização é. 1952: 75-76). City Coll. pois importantes professores americanos. Não há dúvida. corporifica-se a influência. um papel importante. naturalmente.) Carl Sauer (Berkeley) Nevin Fenneman (Cincinnati) Richard Hartshorne (Michigan e Winsnconsin) Carl Sauer (Berkeley) Carl Sauer (Berkeley) Preston James (Michigan e Syracuse) Especialidade Habitat rural Eduard Hahn Paleo-agricultura Domesticação História da Cultura Geografia Histórica Geografia cultural Geografia Regional (Chorology) Otto Schlüter Alfred Hetner Siegfried Passarge Geografia da Paisagem Geografia Regional Desses geógrafos americanos influenciados por alguns geógrafos alemães como Carl Sauer. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra?” ( Waibel apud Bernardes. foram discípulos de mestres alemães. porém. Com os trabalhos de Waibel no Brasil. ainda que indireta. Fred Kniffen (LSU). Nilo. Este processo de ascendência intelectual foi analisado por Robert C. principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941). muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. Richard Hartshorne e Preston James acabaram por influenciar geógrafos brasileiros que posteriormente tornaram-se líderes em suas áreas de pesquisa. West no capítulo introdutório do Pioneers of Modern Geography: translations pertaining to german geographers of the late nineteenth and early twentieth centuries (West. Texas) Carl Sauer (Berkeley) Fred Simoons (Davis) Erich Isaac (N. professor da Universidade do Brasil e fundador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil . Some german-american connections in the twentieth century Geógrafos alemães August Meitzen Geógrafos americanos (universidades) Carl Sauer (Berkeley). dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. que iriam. mais tarde influenciar alguns geógrafos brasileiros.Y.“A colonização é o problema mais fundamental do Brasil. seu professor em Heidelberg onde lecionou de 1898 a 1928.

que . Míriam para Lion e Heldio para Strasburg. apesar de hegemonia inconteste da escola francesa. prepara juntamente com a direção do IBGE. a americana ainda se fazia sentir nos trabalhos de geografia regional do IBGE. com os estudos agrários (Elza Keller) e estudos urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas (Pedro Geiger e Míriam Mesquita). Elza Keller. A barreira da língua. posteriormente.(CPGB) foi influenciado por Sauer em Berkeley . ocupação agrária do território e um pouco de biogeografia regional. (depoimento de Elza Keller). A vinda de Waibel para o IBGE em 1946. que era o mais difundido no conjunto profissional do IBGE na época. principalmente por intermédio dos professores Preston James (Syracuse) e Clarence Field Jones (Chicago). este grupo ampliou as possibilidades de conhecimento geográfico que a geografia francesa tinha para oferecer naquele período. e Heldio Xavier Lenz Cesar) seguiram para a França. Elza para Montpellier. foi. pois Leo Waibel falava alemão e inglês e não o idioma francês. cinco profissionais do IBGE (Miguel Alves de Lima. Fábio de Macedo Soares Guimarães. uma nova turma de geógrafos brasileiros para diversas universidades francesas. como Nilo Bernardes. mobilizou um restrito grupo de profissionais que iniciou pesquisas sobre o processo de colonização. aluno de Preston James em Syracuse e trabalhou com ele no interior do Brasil estudando colonização. criaram uma geração pioneira de geógrafos que se especializaram em campos distintos como Geomorfologia (Miguel Alves de Lima e Heldio Lenz). Portanto. a geografia francesa retoma sua liderança através dos esforços de Francis Ruellan que. Miguel para Paris. Speridião Faissol. Jorge Zarur. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo aprendidos nas universidades francesas. no início dos anos 50. assim como Orlando Valverde foram alunos de Hartshorne e Leo Waibel em Geografia Regional na Universidade de Winsconsin e Speridião Faissol. somadas ao trabalho de orientação que os outros geógrafos estrangeiros que nos visitaram. Com o final da Segunda Guerra. em 1947. Pedro Geiger. Míriam Mesquita. De certa forma. sendo que Egler era o único que falava alemão. que trabalhou inicialmente com Waibel no Brasil. Walter Egler. Lúcio de Castro Soares e Orlando Valverde todos falavam inglês. evitando assim que apenas um só chefe de escola trabalhando no Brasil (Francis Ruellan) ficasse com a incumbência de repassar as principais matrizes de pensamento da época. possivelmente foi uma variável importante. Durante o final dos anos 40 e início dos 50. Geiger para Grenoble. este grupo restrito de pesquisadores que trabalharam com Waibel entre 1946 e 1950. Apesar das dificuldades do pósguerra.

/dez. Além desses. Jorge Zarur e José Veríssimo já haviam estudado com Clarence Jones em Chicago respectivamente em 1942/43 e 1945/46.trabalharam com Jorge Zarur. O Congresso Internacional da UGI de 1956 marcou uma nova etapa entre a geografia francesa e a brasileira. foram Jean Tricart na Geomorfologia e Michel Rochefort nos estudos urbanos. principalmente sua segunda metade. 1950 (Por sinal um número muito importante para o tema colonização. foi o período em que os geógrafos do IBGE tornam-se efetivamente. em função da sistemática política de especialização dos geógrafos da casa em universidades e laboratórios franceses. os principais atores dessa fase. 1955. feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo. 1950. estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil. Mato Grosso. Os trabalhos de Sorre sobre novas formas de habitat surgidas no pós guerra (Sorre. 1963. 1948) e suas abordagens sobre as relações entre as áreas da Geografia Física e Humana (Sorre. conquistavam cada vez mais adeptos no Brasil. 1953./mar. A década de 50. 1949.1939) e durante sua estada no Brasil em 1948 publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no Nordeste na RBG 11(1) jan. as influências germano-americanas com a francesa. além de um relatório de uma expedição. Goiás e Minas Gerais). Clarence Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). . oferece uma bolsa de estudos para Speridião Faissol fazer o doutoramento em Syracuse. 1949. que se prolongou pelos anos 60. Preston James estudou o problema de colonização./set. elaborando trabalhos importantes. além de estabelecer comparações entre os dois sistemas econômicos representantes da Guerra Fria ( George. concluído em 1956. Speridião Faissol e José Veríssimo em estudos de colonização e utilização da terra. 1946a. 1965). quando possível. 1946b. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. pois além do artigo de Jones. 1954. a absorção dos ensinamentos de mestres como Maximilian Sorre e Pierre George nos campos da Geografia Humana e Econômica. jul. 1961). mesclando. produtores autônomos. por ocasião de suas estadas no Brasil em 1948 e 1949 respectivamente. Em 1952. Ambos trabalharam em pesquisas que envolveram técnicos do IBGE e pesquisadores de universidades de alguns estados (Tricart na Bahia e Rochefort no eixo Rio-São Paulo). que mantinha sua hegemonia. além das obras de Pierre George sobre diferentes aspectos da Geografia Econômica analisando vários continentes.

além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg. Orlando Valverde. principalmente. quando essas preocupações ligadas ao binômio urbanização/industrialização tornaram-se maiores na área de planejamento federal. encaixaram-se perfeitamente nas preocupações que os técnicos do governo federal já estavam levantando em relação ao processo de urbanização brasileiro que se delineava no início dos anos 60. Michel Rochefort e Jean Tricart . Portanto. aconteceu na segunda metade da década de 60. Na USP. os mais importantes embaixadores da Geografia francesa nos anos 60. ao voltar em 1960. Os estudos de Michel Rochefort sobre redes urbanas no final dos anos 50. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (Tricart e Silva. A influência de Rochefort nas linhas de pesquisa de Geografia Urbana do IBGE nos anos 60 foi inquestionável. a ligação entre o “método Rochefort” e o planejamento urbano-regional da Geografia do IBGE. Rio de Janeiro e São Paulo. marcas estas que até hoje ainda podem ser percebidas nas ementas de cursos de graduação. Fany Davidovich e. Roberto Lobato Corrêa garantiram um fluxo de projetos sobre redes urbanas. deixou de colaborar sistematicamente com o IBGE. seus contatos mais estreitos. 1968). nas décadas de 50 e 60. . principalmente por conta de sua aluna de pós graduação em Strasbourg no final dos anos 50.foram as principais marcas da escola francesa de Geografia no ensino e pesquisa da Geografia brasileira. principalmente após o golpe militar de 1964. que garantiu a muitos professores baianos da área de Geografia Física completarem sua pós graduação na França. foram após Ruelan e Monbeig. Suas ligações com Lisia Bernardes. em virtude de conflitos com Speridião Faissol no final dos anos 60. quando.com um doutoramento orientada por Tricart. mas mantendo ainda contatos de trabalho com Lisia Bernardes no IPEA e Ministério do Interior. foi para Universidade Federal da Bahia e por intermédio de Milton Santos. posteriormente. se deram através de Maria Adélia Aparecida de Souza após 1968 (Rochefort. quanto nas universidades. A Geomorfologia desenvolvida por Jean Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia. Teresa Cardoso da Silva. ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. Elza Keller.que foram analisadas por Roberto Lobato Corrêa em duas ocasiões (Corrêa. sendo que Rochefort ainda continuou a tarefa na década de 70. durante o governo do General Castelo Branco (1964-1967) e Hélio Beltrão no do General Costa e Silva (1967-1969). 1968 e 1989). já sob os auspícios das ações dos ministros do Planejamento Roberto Campos. tanto no IBGE. principalmente em São Paulo. caracterizado por um forte crescimento demográfico nas duas principais metrópoles. Teresa. 1998:7-10 prefácio de Maria Adélia). Pedro Geiger.

Não restam dúvidas de que as relações entre a Geografia feita no IBGE e o que se convencionou chamar de planejamento. Nela é exposta minuciosamente a estrutura e objetivos do IBGE tanto para a Estatística. portanto. 1994:44). as vinculações entre planejamento e Geografia são bem anteriores. adotando a versão da súbita hegemonia da escola americana que introduziu os métodos quantitativos na Geografia do IBGE. dos geógrafos ibegeanos que viveram a maioria dos períodos. um roteiro diferente” (Abreu. Léo de Affonseca. pode-se afirmar inclusive. uma interessante matéria foi publicada no número 19. além de um monumental esforço de cartografação do território (Almeida.É importante levar em consideração que não houve nenhuma luta teórica entre franceses e americanos pela hegemonia de suas respectivas escolas no Brasil. 1994 e 1995). parece ser o resultado de uma série de lapsos de memória. A guisa de exemplo. posteriormente. do acompanhamento dos processos da ocupação humana e econômica. Porém. Cristóvão Leite de . alguns de caso pensado. até porque as relações entre França e Brasil neste campo sempre foram hegemônicas. “Não foi. ano V (1944) da Revista Brasileira de Estatística. Adalberto Mário Ribeiro que produziu uma série sobre os principais serviços públicos do período Vargas.. Mário Augusto Teixeira de Freitas. conhecimento sistemático dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. Juarez Távora. Essa assertiva de Maurício Abreu toma como referência temporal o período dos anos 60 ou. José Carlos de Macedo Soares. iniciando no período imediatamente anterior ao Estado Novo de Vargas. Maurício Abreu comenta que . a segunda metade dos 50. A nível de (sic) hipótese.. quanto para a Geografia. quando muito. talvez. somente no contexto da New Geography ou Geografia Quantitativa. ocorrido na década de 70. possivelmente levados à esquecer por diferentes mecanismos e. possuem datação bem precisa. e legitimando-se nele. o período caracterizado pela influência dos estudos baseados no método Rochefort de redes urbanas. ainda que seguindo. da infra-estrutura instalada ou a instalar. mostrando claramente o que era planejamento na concepção de gestores do Governo Vargas. como Castro e outros. que as mudanças que já vinham ocorrendo na Geografia Tradicional brasileira levariam-na certamente a essa direção. isto é. Essas relações objetivavam o gerenciamento do território via. por obra e graça da “Quantitativa” que a vinculação da Geografia com o planejamento se realizou no Brasil. Tratava-se da reprodução de uma das reportagens elaborada por um jornalista do Correio da Manhã. principalmente através dos estudos de colonização e habitat rural. A errônea versão de que a Geografia fez o seu début com o planejamento. sob a batuta de Speridião Faissol. outros.

para planejar o crescimento da infra-estrutura urbana nas áreas metropolitanas (outra entidade estudada pela Geografia Urbana do IBGE nesta época). Faissol também aludiu à fatores aleatórios seus encontros iniciais com esses pesquisadores. Elza Keller.. quando Lisia Bernardes estava se transferindo para o IPEA e. estavam trabalhando com urbanização/industrialização e Geografia da população. os novos dados que adviriam do Recenseamento Geral de 1970. Um contato entre o DEGEO e o Conselho Britânico fez com que Colle tivesse contato com a Geografia brasileira através de Faissol. No campo da Geografia. IBGE. quando o Ministério do Planejamento. O papel do SERFHAU começa a tomar forma no final dos anos 60. Faissol amarra bem a importância do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) no processo que acabou trazendo ao Brasil expoentes da Geografia Quantitativa americana e inglesa (Brian Berry. Marília Galvão. No caso do inglês Peter Colle. 1995 e 1997). era de estruturar uma nova linha de pesquisas urbano-industrial que utilizasse. Faissol vislumbrou aí uma possível futura parceria com as universidades de Chicago (Berry) e Los Angeles (Friedmann) e articulou a visita pelo IBGE em 1969. John Friedman e Peter Colle) para iniciar um período de treinamento de técnicas estatísticas que iriam ser utilizadas nos futuros dados censitários de 1970. Keller. e que naquele momento. o acaso aconteceu em virtude da repentina saída de um cargo de direção do SERFHAU.É claro que as pretensões de Speridião Faissol no final dos anos 60. É justamente neste período que estes expoentes anglo-americanos da Geografia urbano-regional que utilizavam métodos quantitativos para os estudos de determinação de padrões espaciais das atividades econômicas em redes urbanas passaram a ter contato com Speridião Faissol no IBGE. No caso de Berry e Friedmann. que de uma forma. levando consigo o passe de Michel Rochefort. passariam a representar a presença da escola anglo-americana na Geografia do IBGE na década de 70.(Faissol. 1968 e 1972. O papel do IPEA havia se iniciado no início da segunda metade da década de 60 após o golpe militar. 1969). 1968. que o pesquisador da Universidade de Nothinghan estava no Brasil para pesquisar o planejamento do Censo de 1970. preocupado com a rápida dinâmica de urbanização orientou seus estudos para o acompanhamento da rede urbana brasileira. após o crescimento do Banco Nacional de Habitação (BNH). Roberto Lobato Corrêa e Olga Buarque de Lima. . pesquisadores que. Pedro Geiger. de uma forma ou de outra. do arquiteto Harry Cole. não poderia mais arcar com essa responsabilidade via SERFHAU. de certo modo. com mais ênfase. Em seus depoimentos nas revistas Geouerj e Cadernos de Geociências. o acaso aconteceu através de uma notícia de jornal. que havia contratado a vinda desses pesquisadores ao Brasil. a escola francesa estava representada pelos estudos de Michel Rochefort realizados no Departamento de Geografia do IBGE visando o entendimento das maiores redes urbanas do país e o processo de regionalização (Bernardes L.

Também tiveram outra vantagem comparativa. com articulações da Central Inteligense Agency (CIA) com o governo brasileiro para modificar a Geografia do Brasil. que muito pouco contribuíram para o avanço da Geografia. nos anos 80. um amplo segmento de mercado de trabalho no campo do gerenciamento . se nos limitar-mos a apenas recortar o segmento de Geografia Urbano-regional. planejando um sistema urbano. principalmente no segmento do estudo de redes urbanas e regionalização. área que ficou estigmatizada pela aparente influência dos métodos quantitativos oriundos da escola angloamericana. uma integração. É importante lembrar que o apelo do Meio Ambiente/Ecologia também tomou de assalto as trincheiras da esquerda geográfica radical. aparentemente. de certa forma. Com o advento dos computadores cada vez mais baratos e potentes e da enorme popularização pela Internet dos softwares de mapeamento automatizado e de tratamento de imagens e de gerenciamento de bancos de dados. nos anos 90. majoritariamente trabalhado por Speridião Faissol e colaboradores até o final da década de 1970 e que. que acabaram por retardar o desenvolvimento dos estudos geográficos. os profissionais da área física tiveram muito menos problemas de utilização nos métodos quantitativos que chegaram ao Brasil no início dos anos 70. com tentaram fazer crer alguns geógrafos na década de 80. teve de arrumar um discurso que se adequasse aos novos tempos. feneceu sem gerar um grande número de seguidores. Geomorfologia. excetuando-se o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e de alguns poucos professores advindos de Rio Claro que formaram grupos em outros estados (o exemplo de Alexandre Filizola Diniz com os métodos quantitativos em Geografia Agrária em Aracajú é o mais interessante). foi confirmado pelos trabalhos da futura New Geography.É interessante observar que o aparecimento no Brasil dos métodos quantitativos. corremos o risco de não avaliar a área da Geografia que mais se beneficiou dos métodos quantitativos. os profissionais da área física garantiram sem grandes traumas existenciais. ao se colocarem ao largo dos conflitos ideológicos que ocorreram com o segmento da humana/econômica. Nessas áreas. até quando o segmento da física tomou a dianteira das pesquisas e provocou. pois já possuíam experiência matemática maior do que os da humana. Climatologia. que ficaram em maior evidência do que as querelas criadas pela Geografia crítica. vinculados à escola anglo-americana aconteceu sob fatores fortuitos e não como um super projeto militar típico da Guerra Fria. Porém. Com isso. a estatística sempre marcou presença desde a graduação e. tornava-se mais usada nos cursos de pósgraduação. nos anos 80. normalmente. período em que a escola francesa reinou absoluta. Pedologia / Edafologia. Biogeografia. Hidrologia. os segmentos da física. tentando apagar da memória os anos entre 1964 e 1970. que. que rapidamente. através dos grandes diagnósticos ambientais.

que abriu esses novos campos de pesquisa e de ampliação da experiência profissional de uma parcela de pesquisadores que atualmente transitam por programas tão globalizados. será importante avaliar o papel alguns professores e pesquisadores estrangeiros na formação das primeiras gerações de Geógrafos do IBGE e. de maneira mais ampla.dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS em inglês). que não seria mais prudente procurar a hegemonia de qualquer escola de Geografia no IBGE de hoje. nos anos 90. . que o profissional de Geografia humana terá de lutar muito para iguala-lo. No entanto. para a Geografia humana do IBGE. Ironicamente. foi a cooperação com geógrafos franceses da Maison de la Géogrphie de Montpelier. da Geografia carioca entre os anos 30 e 60.

o Professor Emmanuel De Martonne. No processo de implantação do curso do Rio de Janeiro. explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país. a Academia Brasileira de Ciências sob a liderança de Alberto José Sampaio e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas. O Professor francês Pierre Deffontaines(1894-1978). quanto em Geografia Humana. agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro. muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo organizado por Christóvão Leite de Castro. Jorge Zarur (contratado em 1939) e José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940) . após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988). chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. foi de decisiva importância. mas sua preferência era a Humana. Nesse grupo estavam. Deffontaines era um geógrafo completo. em 1933. auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. na então Universidade do Distrito Federal (UDF). A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante.Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE Os Pioneiros Mestres Estrangeiros Desde o início dos anos 30.Parte II Capítulo II . que garantiram a visita. tanto em Geografia Física. que possibilitou a vinda de professores recém doutorados. do Secretário Geral da UGI. além do próprio Christóvão. O naturalista e botânico Alberto José Sampaio. . ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia patrocinado pela União Geográfica Internacional em Paris. ou em fase final de doutoramento para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935). os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938). pode entabular negociações com a diretoria da UGI. pois foi através de sua influência nos meios acadêmicos franceses. paralelamente ao curso formal. pois tratou-se de. dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa. estava sendo maturada. Na ocasião. garantir treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE. que a idéia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que. paralelamente. a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas.

Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão). Paralelamente. Orlando Valverde (que depois. considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais. Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau. em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional. Waibel. Muito embora os primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o grande processo de aperfeiçoamento no estrangeiro tenham sido enviados para os Estados Unidos. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível. onde ficaram entre um e dois anos. principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola. teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território. principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época). apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores. mas já em 1940/41. que ao longos desses 60 anos de atividade de pesquisa geográfica do IBGE. outro grande professor o vem substituir. Nilo Bernardes e Speridião Faissol.O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para França. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. em virtude da impossibilidade da ida para a Europa durante os anos da Guerra depois. que organizava grandes trabalhos de campo. nunca foi interrompido. Com esse grupo. por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard . Como resultado de seus contatos nos Estados Unidos. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951). em 1942. foram convidados para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação na França. tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas). Fábio de Macedo Soares Guimarães. uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos e conseguem através da influência de Christóvão Leite de Castro que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. Francis Ruellan (1894-1975) que fica 18 anos e praticamente torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. A maior parte da chamada “velha guarda ibgeana” foi formada por Ruellan. que foi continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra. Em Wisconsin. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. Jorge Zarur é enviado para a Universidade de Winsconsin onde graduase como Master of Arts em 1943 e segue para a Universidade de Chicago para um aperfeiçoamento em pesquisa de campo.

onde Preston James era professor. geógrafo francês que inaugurou em 1934. orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler. além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pósgraduação em universidades francesas. jul. ligado a linha metodológica de Jean Brunhes e Vidal de Lablache. após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). Era um geógrafo especializado nos aspectos humanos do processo de ocupação do território. no Rio de Janeiro onde iniciou o mesmo curso na Universidade do Distrito Federal em 1935./set. Entre 1935 e 1937 formou o primeiro grupo de profissionais que criaria o núcleo de pesquisas geográficas do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Revista Brasileira de Geografia. Pierre Deffontaines (1894-1978). onde também criou a Associação dos Geógrafos Brasileiros e. entre 1946 e 1947. Edgar Kullmann. 1950 . um breve resumo da vida profissional desses mestres pioneiros. Entre os anos de 1950 e 1951 o professor e pesquisador norte americano Preston James trabalhou no IBGE. A seguir. posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse no estado de New York. realizado em 1956 no Rio de Janeiro. outro grande pesquisador francês em redes urbanas. inaugurado em 1939 e que absorveu o curso da Universidade do Distrito Federal que foi extinta. Faissol doutorou-se em 1956. com uma grande produção acadêmica no campo do ensino católico. Alceu Magnanini. foram também estudar no Canadá. Dos americanos.O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. Primeiramente em São Paulo ao iniciar o curso de Geografia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. iniciada em 1939. o ciclo de formação profissional de geógrafos no Brasil. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). a “velha guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 50 e na década de 60. Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. posteriormente. Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização. Professor Michel Rochefort passou a vir constantemente ao Brasil e dar consultoria ao IBGE. Seu principal orientando foi Speridião Faissol. Com Rochefort. Dora e Edgar. além de ser católico militante. No final dos anos 50. Retornou . Entre 1938 e 1939 organizou o curso de Geografia na faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil.

à Roberto Schmidt de Almeida). “. Por mais irônico que possa parecer. acho acredito eu pela qualidade do seu trabalho..F. chefe da banca.. E que seus relacionamentos com seu orientador de sua tese de doutoramento.. Jean em vez de Pierre). não apoiou e eu acho que o De Martonne também não deu muito. 1998). Silvio Carlos Bray também escreveu sobre a visão de mundo de Deffontaines e suas relações com a cultura e ideologia do Brasil nos anos 30 (Bray. a participação dele. no final da vida. Albert Demangeon não fez nenhum empenho em auxiliar Deffontaines... daí inclusive que é um dos motivos que ele vem para o Brasil... não foram livres de turbulências.na época que ele estava vindo para o Brasil ele tentou duas candidaturas para duas universidades.. posteriormente estabeleceu-se em Barcelona onde fundou um centro de estudos franceses. inclusive trabalhando com o diário que sua esposa organizou e que detalha muito bem sua trajetória profissional (Ferreira.. 1980) e tornado verbete nas Enciclopédias Encarta e na Modern Geography de Gary S. além de ser considerado por Berdoulay (1981:190) como o discípulo de Jean Brunhes (apesar de seu nome estar grafado errado.. Albert Demangeon e com o todo poderoso Emannuel de Martonne. fartamente citado por Anne Buttimer em seu clássico trabalho sobre a tradição geográfica francesa (Buttimer.para a França ao iniciar a Segunda Guerra Mundial.. somente alcançando a importância no panorama da Geografia francesa. não. mas ele não fica o tempo todo no Brasil. que se espantará somente pelo fato dela não ter uma alusão no seu prefácio. Além disso. mas que de acordo com as informações que eu tenho. sobre a presidência do De Martonne. temos hoje um maior conhecimento da vida e da importância do trabalho de Deffontaines graças ao trabalho de pesquisa da historiadora Marieta de Morares Ferreira junto a família de Deffontaines na França.. Pierre Deffontaines. após ter tido um grande reconhecimento na Espanha. pode-se saber que suas proposições para postos docentes nas universidades públicas francesas não foram acatadas... mas pelo tipo de rede tinha lá na França. Dunbar (1991:42).. se não me engano foi Rennes e Poitiers e não conseguiu. na verdade o orientador dele era o Albert Demangeon que era também um geógrafo da maior importância. “. que atualmente é considerado um importante geógrafo francês especializado no estudo dos gêneros de vida . que certamente ele tinha .” “ Ele mesmo diz isso. sabe? Porque tem um episódio que ele fala aqui: (isso é uma espécie de auto biografia que ele faz) “Minha tese se passa bem e com dimensão.. ele queria ingressar em faculdades públicas e pelo menos em duas ocasiões ele colocou a candidatura dele. Através das pesquisas de Marieta de Moraes Ferreira. como diz o jargão francês poser sur candidature e ele não teve sucesso nessas duas empreitadas. foi sempre preterido no sistema universitário francês.. 1993).ele era professor em Lille numa faculdade católica. Afortunadamente.” (depoimento de Marieta M.

F. após sua transferência da USP em São Paulo. Agora porque que Deffontaines é interessante para ser estudado? Nós sabemos que UDF é uma Universidade criada por Anísio Teixeira e que contava com um grande número de professores que defendiam o ensino laico que naquele momento travava uma briga de morte com a igreja católica... Na visão de Marieta. e uma correspondência que eu consultei no Ministério das Relações Exteriores sobre a documentação que está guardada no arquivo de Nantes mostra um pouco a insatisfação dos paulistas com esse desejo de Deffontaines querer vir para o Rio e querer também ter uma participação na estruturação da Universidade do Distrito Federal . ele passa uma temporada lá e depois ele acaba voltando para o Rio de Janeiro.” (depoimento de Marieta M. suas atribulações acadêmicas na arena do ensino universitário público francês e sua vinda para o Brasil. Em suas pesquisas documentais junto ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro e cotejadas com a documentação francesa Marieta percebeu. depois ele diz. tenha vinculações com a sua militância religiosa no catolicismo em Lille...). e pelo fato de ter dedicado minha tese a São Francisco de Assis”. à RSA) Possivelmente. ele é a primeira pessoa que cria cadeira de geografia na USP. (depoimento de Marieta M.”. onde era professor de uma Universidade Católica e era membro de um movimento chamado Les Équipes Sociales.que eu acho que essa documentação mostra.. primeiro inicialmente que Deffontaines vai para São Paulo.. entre Pierre Deffontaines e Alceu de Amoroso Lima. Nesse primeiro momento ele acaba ficando ainda dividindo um pouco. a rivalidade entre o Colégio e a Universidade não terá tido um papel.. no Brasil. e colaborador da revista UTO – L’Union des Trois Ordes de L’Enseignement (Deffontaines. uma coisa assim.. dependendo do ponto de vista e das circunstâncias) e a Igreja Católica. Mas esta luta sobre o controle doutrinário entre liberais (ou comunistas.UDF. professor de Literatura que também. Esse movimento foi fundado nos anos 20 por Robert Garric. 1935 e 1936). pode ter sido uma das razões de seu estabelecimento na UDF. “eu era o principal discípulo de Jean Brunhes eu vinha trabalhar na edição de geografia humana e passar .A. passaria para um campo muito mais formal com a evolução do governo de Vargas em direção ao estabelecimento do Estado Novo e o papel de Gustavo Capanema no campo da educação e cultura do governo federal.F. um dos mais proeminentes líderes do grupo de intelectuais católicos do Rio de Janeiro..” então . ... a estreita relação.. Para Marieta. possivelmente houve um certo nível de negociações entre lideranças católicas para trazer para a nova Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro o maior número possível de professores católicos para contrapor uma luta entre diferentes concepções de ensino universitário carioca.. ficando entre o Rio e São Paulo. à R. nos anos 30 vem trabalhar na área de Letras da Universidade do Distrito Federal. “. onde Brunhes tinha sido escolhido um pouco tempo antes professor de geografia do Collège de France... mas na verdade eu acho que o interesse maior dele era ficar no Rio.importância.S..

. A experiência de Alceu ao lado de Deffontaines e Garic (que retornaram em 1939 para a França) na luta dentro da UDF. católico. corporativos e ideológicos que marcou a formação do sistema universitário do Rio de Janeiro.” (p. Capanema aproveitando a legislação deixada por Campos prepara o projeto da Universidade do Brasil. Mas para que não nos percamos nas escalas mais abrangentes da política universitária da época. Mas o projeto de Capanema torna-se vitorioso. e em junho de 1938 propõe a anexação da UDF ao sistema federal de ensino universitário. com se processaram as negociações com o governo francês através de Georges Dumas . Bomeny e Costa explicam como foram as tratativas para a escolha do corpo docente e. que substituiu Francisco Campos no Ministério da Educação do primeiro governo de Vargas.227228). 232). Apesar dessas manobras.. 2000) detalha no capítulo 7. A questão religiosa (militância católica) é colocada por Capanema como variável chave pois. amigo de Jacques Maritian. os movimentos de organização do grande projeto universitário de Gustavo Capanema. O livro explica os intrincados conflitos ideológicos e organizacionais entre a Universidade do Distrito Federal liderada por Anísio Teixeira e iniciada em 1935 e o novo plano da UB. Alceu de Amoroso Lima. no entanto. possibilitou às lideranças católicas reordenarem suas . Gaston Léduc(lingüística).. Bomeny e Costa. mas ligados à Igreja. Tempos de Capanama é pródigo em análises sobre o grande painel de interesses pessoais. ”desejo professores habituados à pesquisa e de estudos bem orientados. “O expurgo que se segue ao fracasso da insurreição da Aliança Nacional Libertadora de novembro de 1935 leva à saída de Anísio Teixeira do Departamento Municipal de Educação do Distrito Federal (onde é substituído por Francisco Campos). Daí não encontrar eu boa acolhida para nomes que sejam conhecidos por suas tendências opostas à Igreja ou dela divergentes”. principalmente. à destituição de Pedro Ernesto da prefeitura e ao afastamento de vários professores da nova universidade. Schwartzman. A Faculdade vai ficar sob a direção do Sr.O livro Tempos de Capanema (Schwartzman. e que pode ser visto na indicação de Jacques Lambert para a cátedra de sociologia. voltemos ao exemplo que nos interessa aqui. e sua leitura é fundamental para o entendimento do sistema atual. Eugène Albertini. e em 1936 as aulas são iniciadas com professores de uma missão francesa que incluía Émile Brehier (filosofia). com intermediação da embaixada francesa. Henri Hauser e Henri Troncon (história). o que foi feito pelo Decreto-lei 1190 de abril de 1939. No sub-capítulo que trata da criação da Faculdade Nacional de Filosofia. que a embaixada garante ser da mesma geração de professores católicos militantes que Pierre Defontaines e Robert Garic. Capanema não consegue a adesão de Alceu de Amoroso Lima para a direção da FNF. Pierre Deffontaines (geografia) e Robert Garic (literatura). As atividades da UDF. (p.. não se interrompem.

Cristóvão Leite de Castro. na segunda metade dos anos trinta. mas mediante duas condições prévias. seu poder de articulação na criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e na Revista Brasileira de Geografia foi inconteste. segundo ele. o cumprimento dos ritos religiosos e sociais.233). afastar uma série de professores que .... Muito embora não existam dados que possam afirmar tal militância católica no contexto do IBGE e que as relações de Deffontaines com o órgão sempre foram lembradas pelos que conviveram com ele. Fábio de Macedo Soares Guimarães. para a Geografia brasileira. Ao mesmo tempo. Os critérios nebulosos de nomeação de professores são. no campo estritamente profissional. dando início ao projeto de sua própria universidade a PUC. Um outro ponto importante era a formação católica da maioria dos dirigentes do IBGE e dos principais servidores. criam na faculdade o confusionismo filosófico e ideológico’ . o papel de Pierre Deffontaines.. do que como organizador da Geografia do IBGE. ‘direta ou disfarçadamente. “ Em fevereiro de 1941 o convite ainda permanecia de pé.. senti alguma coisa quando entrei para a UDF. ‘Não sinto nada por esta empresa. e poder começar com liberdade. era algo quase obrigatório.. sempre foi mais vinculado às suas atividades como professor da UDF. significando aqui. No entanto. Seria impossível.. alguns dos óbices que influenciaram a indecisão de Alceu em aceitar a direção da FNF.” (p. José Carlos de Macedo Soares. e o adiamento do início das aulas para 1940. Personagens como Mario Augusto Teixeira de Freitas. seriam muito mais problemáticas do que as questões apenas ideológicas que foram disputadas com o grupo de Anísio Teixeira. que eram a não-incorporação dos professores.” (p. Jorge Zarur e outros eram minimamente católicos cumpridores de seus deveres ou em alguns casos. com responsabilidades no segmento leigo da Igreja. ‘Nào me sinto com entusiasmo por esta obra’.prioridades. alunos e funcionários da UDF na nova faculdade. pela alta direção do IBGE nos anos 30. na visão de Schwartzman. com seus quase 100 professores e 500 alunos. A dolorosa experiência de oito meses tirou-me as ilusões’..234). . Sua preocupação é não assumir o passivo da antiga universidade. ele aceita ser indicado pelo ministro para a cátedra de literatura brasileira. uma missa solene ou a presença de um religioso para abençoar as novas dependências nas cerimônias de inauguração. “Em abril de 1939 ele escreve ao ministro ainda propenso a aceitar o convite. e Alceu escreve longamente ao ministro explicando suas razões definitivas de não aceita-lo. não havendo até hoje nenhuma colocação de cunho religioso nessas lembranças. Alceu percebe que as tramas políticas que regeriam a UB em geral e a FNF em particular. Bomeny e Costa. dizia entre outras coisas. é importante considerar alguns traços culturais da época. Havendo sempre nas grandes comemorações do órgão. É importante lembrar aqui que. É bom lembrar que a religiosidade católica.

tornaram-se figuras importantes na Geografia brasileira nos anos 60 em diante. foi enviado como adido militar para o Rio de Janeiro. na maioria dos casos. continua em Strasbourg e depois em Paris onde obteve sua “agrégation” (licença para lecionar no sistema de Liceus) e seu doutorado. para a Geografia do IBGE. onde nasceu. Como se constitui no Brasil a rede de cidades (Deffontaines. em função da forte cultura católica da casa naquele período. sua atividade docente. geógrafo francês especializado em Geomorfologia. as presenças de Deffontaines na Geografia e de Garric na Literatura tenham sido equilibradoras de um suposto enfraquecimento da religiosidade católica no ensino universitário carioca (o que também deve relativizado em virtude dos acontecimentos posteriores ao golpe da Intentona Comunista no âmbito da UDF). pois também freqüentou o curso de Economia da “Faculté de Droit” e os cursos de mineralogia e geologia da “Faculté de Sciences” e do “Museum D’Histoire Naturelle” . Durante a década de 30 participou de varias missões técnicas e culturais organizadas pelo governo francês na Ásia e América do Norte. em segundo lugar. foi desmobilizado pelo Exército. 1988). Sua vinda para o Brasil foi fruto de coincidências e situações fortuitas. que eram comandados por Emmanuel De Martonne. aceita o cargo de professor de Geografia da Faculdade de Filosofia da recém . além de também ter freqüentado os cursos do “Collége de France”. sua visão abrangente sobre as potencialidades do estudo geográfico no Brasil. Sua formação como geógrafo inicia-se na universidade de Rennes.Portanto. Meditação geográfica sobre o Rio de Janeiro (Deffontaines. Por isso. 1960). enquanto formador da primeira geração de geógrafos e. como mestre de conferências e diretor adjunto do Instituto de Geografia e da Escola de Altos Estudos de Geografia da universidade. 1944). que ao substituir Pierre Deffontaines no comando do ensino de Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (antiga UDF) em 1941. onde se encarrega das relações militares entre a França e os países da América do Sul e Caribe. através de artigos que tornaram-se clássicos como o Geografia Humana do Brasil de 1939 (Deffontaines. pois sua carreira na Universidade de Paris já estava perfeitamente consolidada na década de 30. Após um ano de funções diplomático-militares. Francis Ruellan (1894-1975). em conseqüência da invasão alemã na França. tornou-se um verdadeiro "chefe de escola" para uma legião de pesquisadores que. No que concernia ao IBGE. em 1941. é bem possível que. Em 1939 foi mobilizado pelo Estado-Maior do Exército francês e em 1940. Sua formação foi eclética. se no caso da UDF. este problema não se colocou. a mais importante lembrança de Pierre Deffontaines foi primeiramente.

Ruellan marcou profundamente as gerações de geógrafos que trabalharam entre 1940 e 1960. Seu espírito disciplinador e seu senso de organização são célebres. Na tese de Vera Lúcia Cortes Abrantes sobre o arquivo fotográfico das pesquisas geográficas de campo do IBGE (Abrantes. Seus principais trabalhos até hoje. seus projetos de excursões alcançavam qualquer parte do Brasil. ou com um ou dois alunos. Sendo ele. sua influência ainda continuou forte até o início dos anos 60. o único geógrafo de se pode ser chamado de chefe de escola sem nenhuma restrição classificatória. Sua principal característica foi a vinculação estreita entre o ensino teórico na sala de aula e o prático no campo e no laboratório (para os geomorfólogos). lecionou para um número mais restrito de alunos. Ruellan era acima de tudo um professor e consta que nunca fez um trabalho de campo só. Suas pesquisas de reconhecimento da Geomorfologia da Serra do Mar resultaram num trabalho clássico publicado na RBG em 1944 (Ruelan. os ensinamentos de Francis Ruellan conquistaram um número significativo de alunos que estão atualmente na faixa entre 60 e 75 anos aproximadamente. fruto de duas conferências. Além de pesquisador. indubitavelmente. por ser a Geografia ainda um curso novo. Em função de sua posição de liderança num período onde o IBGE possuía um enorme prestígio perante o governo federal. era um professor completo e sua importância para a Geografia brasileira dificilmente poderá ser igualada. E assume paralelamente. e portanto sem o apelo característico de cursos como Direito ou Engenharia. pronunciada em Goiânia em 26 de junho de 1942. o cargo de consultor científico do CNG. principalmente junto aos geomorfólogos. No entanto Ruelan não era somente geomorfólogo. Diferentemente de Deffontaines que. além de indica-los e encaminha-los para cursos em universidades da França. pois apesar de ter voltado para a França em 1956. além de ficar apenas cinco anos no Brasil. alunos da universidade ou profissionais de pesquisa do IBGE. Na publicação editada pelo IBGE. 2000: anexo B) foram computadas 11 grandes excursões lideradas por Ruellan entre 1941(Baia de Guanabara e Serra do Mar) e 1951(Bacia do Rio São Francisco). No campo. substituindo Pierre Deffontaines. são referências importantes no estudo da Geomorfologia do Sudeste do Brasil. sem limitações de ordem financeira ou logística. que retornou à França em 1939. Em suas funções no Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até 1956. podendo contar com um grande número de participantes.criada Universidade do Brasil. 1988). treinou equipes de pesquisadores e orientou a formação acadêmica e técnica de muitos deles. no VIII Congresso Brasileiro de . Os Métodos Modernos do Ensino da Geografia.

Nilo Bernardes. que cobre suas atividades no período anterior a sua vinda para o Brasil. contratado pelo Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade de Wisconsin (USA). 1942. nos estudos sobre povoamento e colonização. está o seu currículo. Avaliando os estudos de habitat realizados no Brasil. pronunciada em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais. A segunda fase aconteceu no Brasil entre o final de 1945 e meados de 1946. Seu primeiro aluno brasileiro foi Jorge Zarur em 1943 e posteriormente em 1945. ao estudar a vegetação brasileira. (Ruellan. com Geografia Agrária. foi nesta fase que se deu uma maior aproximação com Orlando Valverde. 4. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. que tornou-se o maior divulgador de sua obra no Brasil. quando trabalhou com Speridião Faissol. Jorge Zarur e Walter Alberto Egler. para onde havia ido lecionar em função de sua saída da Alemanha. As relações de Leo Waibel com os geógrafos do IBGE se deram em três fases distintas. geógrafo alemão. ao pesquisar os tipos de ocupação de terras e os diferentes cultivos tropicais e com Geografia da População ao explicar os processos de colonização de dois povos europeus (alemães e italianos) no sul do Brasil. naturalizado americano. que o convidaram (a partir de consultas com Christóvão Leite de Castro na direção do CNG) para trabalhar como consultor técnico do IBGE no Brasil. assim como estava ocorrendo na . Almeida (1995) constata que estes trabalhos estavam.11. Em sua estada no Brasil trabalhou com Biogeografia. onde veio a falecer em 1951. nas preocupações do governo brasileiro. Primeiramente no contexto da Universidade americana de Winsconsin. n. para pesquisar e treinar um pequeno grupo de geógrafos do IBGE. Leo Heinrich Waibel (1888-1951). em julho do mesmo ano na Terceira Convenção Nacional dos Engenheiros Brasileiros.Educação e complementada por outra. quando da oficialização do Nazismo.6-8). no final da segunda guerra. em virtude de uma possível leva migratória de europeus para o hemisfério sul. entre os anos de 1946 e 1950. Retornou aos Estados Unidos em 1950 e logo depois para a Alemanha. pois Waibel era casado com uma cidadã judia e fazia parte da oposição ao Nacional Socialismo. Foi neste período também. que os estudos de identificação do futuro sítio do novo Distrito Federal foram coordenados no IBGE por Waibel e relatados por Fábio de Macedo Soares Guimarães na RBG v. nos processos de colonização e de reconhecimento de áreas propícias para colonização futura. p. 1949. A terceira e última fase se deu entre 1947 e 1950 já trabalhando com Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. que haviam retornado de Winsconsin.

Pierre Dansereau (1919. Preston James já havia estudado o problema de colonização. 2. Foi também um importante historiador do pensamento geográfico anglo-saxão. 1947). estavam trabalhando no IBGE. Seus livros Latin America (1942) e American Geography: Inventory and Prospect (1954 em co-autoria com Clarence F. Deixou uma obra voltada principalmente para o ensino superior. pelo seu conteúdo metodológico. Em 1946. Waibel e Dansereau e que tanto Ruellan e Dansereau também ministravam aulas na Universidade do Brasil. Portanto foi um período muito profícuo para o aprendizado de Geografia. além de estudar a Biodiversidade tropical brasileira. Convidado pela Universidade do Brasil e IBGE para dar treinamento especializado aos professores e pesquisadores (geógrafos. uma esclarecedora biografia do mestre alemão. após seu doutoramento feito em 1923 na Universidade de Clark. foi professor nas Universidades de Michigan (1923-1945) e Syracuse (1945-1970). por ocasião do falecimento de Waibel. Foram dessa fase a maioria dos trabalhos de Waibel e dos geógrafos brasileiros que foram treinados por ele. trabalhou com Francis Ruellan na Serra do Mar e produziu um artigo de pesquisa na RBG. para estudar os processos de colonização rural no Brasil central. publicou na RBG v. no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. que era liderada por Hilgard O’Reilly Sternberg./dez. Trabalhou no Brasil entre 1951 e 1952 a convite do IBGE. 1949. Ruellan. Biogeografia e de processos de ocupação humana. além de ministrar cursos de introdução à Biogeografia aos alunos de graduação. Dansereau organizou o ensino desta área de estudos e montou um programa de intercâmbio e de pósgraduação entre o Brasil e o Canadá que visava treinar pessoal especializado em Biogeografia. Preston Everett James (1899-1986). É importante ressaltar que no final da década de 40. . A maioria de seus alunos. Nilo Bernardes. Era um especialista em Geografia Regional da América Latina. um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação na Bacia do rio São Francisco RBG 11(1) jan.n. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil. pois estavam aqui especialistas de Geomorfologia. Jones) são considerados clássicos da literatura geográfica americana. geógrafo norte americano./mar. biólogos). com linhas de pesquisa em colonização rural. apresentando principalmente sua obra geográfica realizada no Brasil.América do Norte. (Dansereau. galgaram importantes postos no meio científico brasileiro na área de meio ambiente.) biogeógrafo canadense.1939) e publicado no final dos anos 40. áreas que garantiam um conhecimento amplo de Geografia para os profissionais do IBGE. agrônomos. 1952. pioneiro na introdução do ensino sistemático de Biogeografia no Brasil em 1945.14.

A influência de seus estudos no país ampliou-se a partir de 1964. em função da intensificação das preocupações do governo militar nas questões urbanas. Michel Rochefort (1928- ) geógrafo francês. presidente do Conselho de Administração do Instituto Francês de Urbanismo e professor visitante em universidades brasileiras. O enfoque no estudo dos fluxos materiais e de pessoas entre centros urbanos de uma determinada rede e de suas vinculações com a área rural produtora de bens agrícolas. na época liderando as pesquisas geográficas na antiga Divisão de Geografia. A atuação de Rochefort no Brasil foi.Geiger. propiciou uma forte ligação com Speridião Faissol. sem sombra de dúvida. ampliando suas ligações com o Brasil). em escala nacional . enfatizando a análise do setor comercial e de serviços urbanos.Sua atuação no IBGE. Muitos dos quais foram para cursos de aperfeiçoamento em universidades francesas. introdutor dos estudos sistemáticos sobre redes urbanas no Brasil na década de 1960. Foi um importante orientador de teses de pesquisadores brasileiros em Paris entre os anos 70 e 90. quanto nos Estados Unidos. professor emérito da Sorbone. que estavam tomando proporções ainda não totalmente compreendidas. pelo acadêmico ( seu método de avaliação do sistema urbano era novidade e. A principal marca de Preston James na Geografia brasileira vincula-se ao alargamento do conhecimento sobre os processos de ocupação no interior do país. . Seus primeiros contatos com a Geografia brasileira se dão em 1956. que foi para Syracuse para doutorar-se em 1956 sob sua orientação. é consultor de várias instituições européias. é convidado a dar consultoria ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aulas na Universidade do Brasil. fruto de diferentes motivações que transitaram pelo institucional ( a preocupação do governo federal com a urbanização e migração para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro). que já se preocupavam com os altos índices de urbanização que parte do Brasil apresentava na segunda metade dos anos 60. era uma questão que já preocupava alguns outros geógrafos e economistas tanto na Europa. que foi rapidamente absorvido pelos geógrafos urbanos. Seu método de estudo sobre redes de cidades. Sua vinculação com Lysia Bernardes. favoreceu a aceitação de seu método. no início dos anos 50. no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro. 1963) e pelo emocional ( seu casamento com a geógrafa do IBGE Regina Espíndola Rochefort. No início dos anos 60. apenas Pedro Geiger estava trabalhando com o tema na época. devido a poderosa influência de Michel Rochefort. é adotado por alguns geógrafos do IBGE. possivelmente. Ainda hoje. mas mesmo assim fundamental para o progresso da Geografia feita no IBGE na década de 50. Não tanto quanto Leo Waibel.

foi editada em 1959 e nela já estavam muitos artigos que trabalhavam com a temática dos fluxos para o entendimento dos padrões espaciais que emergem deles (Mayer.Estudiosos como Von Thünen que em 1826 enfocou a relação entre distância das cidades às áreas de cultivo agrícolas. se não deve ser comparada com Francis Ruellan em virtude das diferenças de condições vivenciadas por esses dois professores nos dois períodos em que operam no Brasil. Nos Estados Unidos. A de Rochefort foi uma delas e foi importante no contexto do IBGE até a década de 70. eram uma das inúmeras facetas do processo de urbanização que estava ocorrendo em muitas partes do mundo no pós guerra e que estavam sendo motivo de releituras diferenciadas. 1959). que em 1933 tentou explicar teoricamente o princípio de ordem entre tamanho. considerada clássica. Kohn. O interessante desse processo é perceber que Michel Rochefort foi o último líder estrangeiro com carisma suficiente para influenciar várias gerações de geógrafos urbanos brasileiros. o primeiro grupo de pesquisadores que passou a liderar academicamente a Geografia do IBGE. Sua influência. principalmente através de sua poderosa influência no sistema universitário francês. uma nova abordagem passa a fazer parte das preocupações dos geógrafos urbanos / regionais do IBGE. Para que se possa avaliar a importância desses líderes formadores. deve ser entendida como uma liderança que manteve-se forte apesar das novas orientações que passaram a vigir no IBGE nos anos 70/80. Portanto. quando aparentemente. que formaram. Walter Christaller. . será imprescindível analisar a vida profissional alguns de seus melhores alunos e assistentes. as preocupações acadêmicas de Michel Rochefort que chegaram ao IBGE no final dos anos 50 e percorreram toda a década de 60. distância e padrão espacial de distribuição dos centros urbanos em determinadas regiões. uma coletânea sobre Geografia Urbana. posteriormente.

muitos já não estão mais conosco. excepcionalmente. foi oficializado pelo Governo Federal em 1941. Participou também. em 1937 do Conselho Nacional de Geografia (CNG). nove por Roberto Schmidt de Almeida no contexto desse trabalho e. Após sua aposentadoria do IBGE em 1968 . quanto no plano das estratégias de planejamento territorial do país. abertura de eixos de transportes e de urbanização. Será necessário. Cristóvão Leite de Castro foi o principal formulador dos estudos geográficos nas fases iniciais do IBGE. foram enviados pelo IBGE para a Universidade de Winsconsin. lecionou na PUC RJ até seu falecimento. tanto no plano acadêmico. juntamente com Orlando Valverde.Parte II Capítulo III – A “Velha Guarda” da Geografia do IBGE. Fabio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979). órgão que faria parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). juntamente com o grupo de Leo Waibel. . foi um dos fundadores. o dos professores e pesquisadores que vieram para o Rio de Janeiro objetivando formar e treinar profissionalmente estudantes que se dedicariam à profissão de geógrafo e o dos jovens estudantes que foram treinados e que se destacaram academicamente na profissão. o indicaram para um período de pesquisas no Brasil. via trabalhos e livros. o depoimento de Cristóvão Leite de Castro dado à área da Memória Institucional do IBGE em 1994. Esse conjunto de profissionais foi fundamentalmente composto por dois grupos distintos. posteriormente. apesar do caráter inescapavelmente arbitrário da escolha. USA onde conheceram o professor Leo Waibel e. dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal em 1947. Fabio foi considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração e seu trabalho sobre a divisão regional do Brasil em grandes regiões. Muito embora não tenha exercido a profissão de Geógrafo. a Estruturação das Lideranças Pioneiras Para que se tenha uma boa noção sobre quem estamos falando. migração. Em 1945. Os Alunos e Treinandos que Tornaram-se Líderes da Velha Guarda Do grupo de jovens estudantes brasileiros que formou a Velha Guarda Ibegeana. geógrafo brasileiro especializado em planejamento regional. pois alguns foram personagens importantes nas fases iniciais de construção de um corpo de conhecimentos geográficos sobre o Brasil. organizando projetos em escalas nacional e regional que subsidiaram as ações do governo federal em termos de políticas de ocupação rural. faremos uma breve apresentação sobre alguns profissionais de Geografia que tornaram-se líderes em suas especialidades e ou tiveram papel relevante no processo de gestão técnico-administrativo do órgão. Deste segundo grupo foram pinçados os dez entrevistados. tendo sido seu Secretário Geral. portanto que se fale um pouco sobre eles.

e atualmente pela editora Bertrand Brasil. apesar de já ter feito o bacharelado no Colégio Pedro II entre 1929-1934. Retorna dos Estados Unidos com uma nova visão sobre a pesquisa geográfica voltada para o planejamento de governo e organiza um programa de bolsas para enviar um grupo de geógrafos do IBGE para especializarem-se nessa nova visão da Geografia. Foi chefe da Divisão de Geografia na segunda metade dos anos 50 e foi responsável pelo gerenciamento técnico da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e do Atlas Nacional do Brasil. lecionava também nas universidades Estadual do Rio de Janeiro e Fluminense. repentinamente aos 44 anos de idade e. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. foram publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trabalhou em três linhas distintas: a Federal . dois expoentes da moderna visão da Geografia como o estudo das relações espaciais entre fatos físicos e humanos e não a simples listagem de topônimos ou ordem de grandeza dos acidentes geográficos. Morreu prematuramente aos 41 anos. Universidade Católica e Universidade do Brasil.Jorge Zarur (1916-1957). além de geógrafo do IBGE. O professor Antônio Guerra faleceu de problemas cardíacos. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). Lecionou no Colégio Pedro II. autor do mais completo dicionário Geológico-Geomorfológico editado no Brasil. Seu interesse pela Geografia possivelmente tenha raízes no Pedro II. ajudando a criar um corpo de pesquisadores mais críticos que. o também geógrafo e Professor da UFRJ Antônio José Teixeira Guerra. Sua primeira edição. agora com a co-autoria de seu filho. deram contribuições importantes à Geografia brasileira. Suas ações estabeleceram um equilíbrio entre as influências das escolas francesa e americana de Geografia no IBGE. Foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) geógrafo brasileiro que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. sempre atualizadas. Foi um dos pioneiros da criação do IBGE ingressando em 1939 e partindo em 1943 para os Estados Unidos para pós-graduar-se em Wisnconsin e Chicago em Geografia Regional e Geografia de Campo respectivamente. ingressando no ano de 1940 e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). foi um dos alunos da primeira turma de Pierre Deffontaines na Universidade do Distrito Federal (UDF). no qual ingressou em 1945 e deixou uma imensa produção acadêmica. saiu sob o patrocínio da Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. ao longo da década de 1950. Essa vinculação com Deffontaines se dá em virtude da necessidade de prepararse em Didática da Geografia para o exercício do magistério. Antônio Teixeira Guerra (1924-1968) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. onde foi aluno de Fernando Raja Gabaglia e de Carlos Delgado de Carvalho. Suas edições posteriores. no ano de 1954.

Faculdade de Arquitetura (Urbanismo) e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia (COPPE). Foi um dos primeiros alunos do curso de Geografia organizado por Pierre Deffontaines no Rio de Janeiro. a geografia geral para educação ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. na fronteira entre Pará e Amapá durante os trabalhos de levantamento florístico do vale do Jari. no rio Jari. foi contratado pelo IBGE em 1940. Seus importantes trabalhos nesta linha de pesquisa a conduziram. Ingressou no IBGE em 1943 participando do núcleo inicial de pesquisadores em Biogeografia. Morreram tragicamente em acidente rodoviário no trajeto Rio de Janeiro . Walter Alberto Egler (1926-1961). Na década de 70 trabalhou em cargos de alta direção no IBGE até sua aposentadoria. No IBGE. tendo trabalhado no Departamento de Geografia. na instância federal e no governo do Estado do Rio de Janeiro. que teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições. Em 1952 transfere-se. Na UFRJ. Morreu em 1961. quanto na área de pós-graduação. transfere-se para Belém (PA) trabalhando no museu Emílio Goeldi. ao cair de barco na cachoeira Macacudra. para níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro: cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior. especializado em Geografia agrária e processos de colonização que teve sua vida profissional dividida entre a pesquisa. engenheiro agrônomo que especializou-se em Fitogeografia. Faleceu de infarto num vôo de trabalho do INIC sobre o estado do Amazonas. no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944 –1987 ) e em organismos internacionais como o Instituto . o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944–1975) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959-1977).geografia agrária e os processos de colonização. especializada em planejamento regional e urbano. para o Museu Nacional para dedicar-se exclusivamente ao estudo de vegetação.Cabo Frio. Especializa-se no estudo da vegetação amazônica e. Lysia Maria Cavalcanti Bernardes (1924-1991). juntamente com Alceu Magnanini. a partir do final dos anos 50 e durante toda a década de 1960. formavam um dos mais dinâmicos casais da Geografia brasileira. foi a principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort. compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. em 1945 vai para a Universidade de Chicago estudar Geografia Regional. Nilo Bernardes (1922-1991) geógrafo brasileiro. posteriormente. Dedicou-se aos estudos regionais da região norte do Brasil com ênfase nos recursos minerais e na hidrografia amazônica. o também geógrafo Nilo Bernardes. Lúcio de Castro Soares (1909-1986) geógrafo brasileiro especializado em estudos regionais da Amazônia. Juntamente com seu marido. nas décadas de 1970 e 1980. lecionou tanto na graduação. geógrafa brasileira.

tanto no Brasil. Orlando Valverde. Organizou os trabalhos de preparação cartográfica municipal para o censo de 1940 dentro das determinações estipuladas pelo Decreto Lei 311 de março de 1938. facilitando o entendimento do encadeamento dos fatos nos primeiros anos de estruturação do IBGE. também chamado de lei geográfica do Estado Novo. juntamente com sua esposa. Jorge Zarur e outros. além de ser um excelente conferencista e organizador de cursos de especialização. Os Depoentes O próximo grupo é composto pelos profissionais que deram seus depoimentos para o projeto. principalmente as que recordaram relações profissionais e estruturações de linhas de pesquisa que foram decididas nos anos iniciais do IBGE. . para o já criado legalmente em julho de 1934. Segue-se um comentário sobre algumas passagens relevantes de seus respectivos depoimentos. Morreu tragicamente em desastre automobilístico em 1991. que juntamente com o Conselho Nacional de Estatística passaram a formar o IBGE. Após um período de cinco anos na iniciativa privada. foi trabalhar em 1933 no Ministério da Agricultura chefiado por Juarez Távora. Para cada profissional foi elaborado um breve texto. Miguel Alves de Lima. A transferência dessa seção de Estatística Territorial do MA. Instituto Nacional de Estatística e que foi instalado solenemente em 29 de maio de 1936. que apresenta suas principais informações. 52 artigos em revistas geográficas. A seqüência de apresentação acompanhou a cronologia de ingresso no órgão. Nesta seção trabalharam também Fábio de Macedo Soares Guimarães. além de atlas e livros ditáticos. Foi professor titular do Colégio e da Faculdade Pedro II e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). a também geógrafa Lysia Bernardes. engenheiro civil formado em 1928. como no exterior. portanto cobrindo todo o período do Estado Novo de Getúlio Vargas. foi o embrião do futuro Conselho Brasileiro de Geografia instalado em 1937 e substituído em 1938 pelo Conselho Nacional de Geografia. passando assim a fazer parte do acervo da Memória Institucional do IBGE. na forma de verbete. Suas atividades de pesquisa geraram sete livros. Cristóvão Leite de Castro (1904 ).Panamericano de Geografia e História e a docência no ensino médio e superior. que dispunha sobre a divisão territorial brasileira. Cristóvão chefiou a Secretaria Geral do CNG até 1950. na criação de uma seção de Estatística Territorial. 14 capítulos de coletâneas.

foi roteirizado por Márcia Bandeira de Mello Arieira (Estatística) e Aluízio Capdeville Duarte (Geógrafo). sua trajetória pessoal até o IBGE. Em 1945. Seu depoimento dado a Laurinda Rosa Maciel e Severino Bezerra Cabral Filho. em virtude da ampliação das queimadas na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. garantindo condições materiais de pesquisa para Pierre Deffontaines desde 1936. tornou-se um dos assistentes de pesquisa de Leo Waibel e. o processo de institucionalização da área de Geografia e sua gestão no CNG e a sua atuação na direção da Companhia do Teleférico do Pão de Açúcar após sua saída do IBGE. que foi convidado a trabalhar no IBGE como consultor. Seus trabalhos sobre os diferentes tipos de agricultura e colonização no Brasil. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao ser contratado em 1938. Viabilizou financeiramente a Revista Brasileira de Geografia e o Boletim Geográfico. Aos 83 anos. A partir da década de 1960. A parte mais importante cobre o processo de institucionalização da Geografia. através da estrutura já existente do Conselho Nacional de Estatística e enviando para a universidade os funcionários interessados em Geografia. onde conheceu o Prof.doc do editor de texto Word da Microsoft. geógrafo brasileiro especializado em Geografia Agrária e profundo conhecedor da região amazônica. De volta ao IBGE. são considerados clássicos. Leo Waibel. pois Cristóvão foi um dos principais atores desses acontecimento. é o mais velho geógrafo em atividade . Comentários ao depoimento A longa entrevista de Cristóvão cobre três áreas da memória. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães foi estudar em Winsconsin. via fazendas de gado de corte.Auxiliou na coordenação da instalação do primeiro curso superior de Geografia na Universidade do Distrito Federal. Orlando Valverde (1917). funcionários da área de Memória Institucional do IBGE em 1994. o principal divulgador de suas pesquisas. Foi. posteriormente. transcritas para cinco arquivos . passou a estudar o processo de ocupação da Amazônia. publicações organizadas por Deffontaines para difundir os estudos geográficos do IBGE e participou intensamente dos projetos organizados por Mário Augusto Teixeira de Freitas e José Carlos Macedo Soares durante todo este período. Está dividido em cinco fitas magnéticas. tornando-se um dos mais fortes críticos do modelo de ocupação. quanto à execução dos grandes projetos em que a Geografia de planejamento de governo tomou parte. Aposentou-se do IBGE em 1982. tanto no que se refere a planejamento.

estabelecendo convênios com universidades estrangeiras para o envio de técnicos do IBGE e contratando professores. Valverde ressalta justamente o grupo de professores e pesquisadores que vieram entre 1935 e a década de 60. como no caso de Leo Waibel. junto com os órgãos de Estatística também estaduais. tudo aquilo tinha uma importância enorme”.. não tinha base de conhecimento do território brasileiro”. Trabalhou em Geomorfologia até a década de 60. o engenheiro e estatístico Christóvão Leite de Castro. Foi aluno de Francis Ruellan no IBGE e de André Cholley e Jean Tricart na Universidade de Paris. e mais. Christóvão foi uma figura chave na política de treinamento do pessoal técnico organizando cursos. Ressalte-se também sua admiração e respeito pelos profissionais que organizaram e gerenciaram os processos de fundação e estruturação inicial do IBGE. para estruturar o núcleo original do futuro IBGE. Até a nomenclatura de norte a sul do país não podia haver dois municípios homônimos. Miguel Alves de Lima (1921) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. Um exemplo significativo refere-se a regulamentação do decreto-lei 311 de 02/03/1938 que dispunha sobre a divisão territorial do país. área que foi transferida em 1939.. justamente a época de implantação do órgão..no Brasil. Outro ponto interessante está relacionado com uma visão positiva e nacionalista do ciclo Vargas... Comentários ao depoimento Alguns pontos marcantes merecem ser analisados no depoimento de Orlando Valverde. a influência para criar serviços de Geografia nos estados. marcando claramente com Michel Rochefort e Jean Tricat (anos 60) o final do período considerado por ele como o mais produtivo e de melhor qualidade.. quando comparada ao período pós 1968. principalmente no que concerne ao período do Estado Novo. principalmente nas figuras do estatístico Teixeira de Freitas e de seu principal colaborador na criação da área de Geografia. daquela vez era taxativa a obrigatoriedade em fazer mapas dos municípios. ”entrou outro grupo na orientação da Geografia do IBGE. quando.. ”conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. o que já pode haver hoje. quando assumiu cargos . independente de seu conteúdo autoritário. ministrando cursos em universidades e dando consultorias para órgãos de governo e empresas. do qual mais tarde Valverde seria seu principal assistente e após sua volta aos Estados Unidos (1950) e posterior falecimento (1951). o mais fiel divulgador de seus trabalhos. por Cristóvão Leite de Castro. O primeiro deles refere-se a defesa intransigente da qualidade de ensino e pesquisa referenciada aos primeiros anos de estruturação do IBGE. iniciou sua carreira em 1938 como desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. que a meu ver...

perfeitamente sintonizados com todas as novas tendências da Geografia. Miguel trata também das ações de aperfeiçoamento nos Estados Unidos dos primeiros geodesistas e cartógrafos do IBGE. Speridião Faissol (1923-1997) geógrafo brasileiro. Foi o primeiro geógrafo . introdutor das técnicas quantitativas na Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na década de 1970. a americana. Sua ida para a Universidade de Paris em 1947. Porém. Miguel Alves de Lima foi um dos pioneiros na organização do IBGE. sobretudo dando consultoria para projetos do governo de Franklin Delano Roosevelt. A ida de Zarur para Wisconsin em 1943 e seu trabalho com Clarense Jones serviram para esquematizar que. tendo sido durante muitos anos diretor da área de Cartografia e Geodésia. principal gestor do processo de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). para estudar com André Cholley e Jean Tricart foi resultado de seus estudos em Geomorfologia entre 1941-1942. por conta disso fica patente também a admiração e o respeito por Cristóvão Leite de Castro. Outro ponto relevante foi sua participação na composição do segundo grupo de geógrafos do IBGE que receberam bolsas de aperfeiçoamento em universidades francesas. Finalmente falou sobre suas experiências como professor e adido cultural no Uruguai e no Peru e como diretor da área de Cartografia do IBGE nos anos 70. tal qual algumas universidades americanas estavam fazendo. orientado por Francis Ruellan durante sua estada no IBGE. equilíbrio que serviu para criar um corpo de pesquisadores no IBGE com boa base crítica. no qual ingressou em 1941. Integrante da primeira geração de geógrafos do IBGE. deveria haver outro grupo de pesquisadores que seriam orientados para o estudo regional voltado para o planejamento. Processo que equilibrou a influência das duas escolas geográficas que orientaram a Geografia do IBGE a francesa e a americana.de alta direção no IBGE. assim como foram descritas as boas relações do IBGE com as universidades brasileiras para que o Congresso tivesse êxito. A organização das excursões de campo no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1956 no Rio de Janeiro foi outro ponto relevante no depoimento. Comentários ao depoimento Da mesma forma que Orlando Valverde. um ponto interessante do seu depoimento revela a importância da figura de Jorge Zarur no processo de inflexão que ocorreu nos objetivos da Geografia do IBGE nos anos 40. Lecionou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e foi adido cultural no Uruguai e no Peru. O grupo dos cinco que seguiram em 1945 foi a concretização das idéias de Zarur em equilibrar a influência hegemônica francesa com uma outra visão.

quando da orientação para a escolha do curso de Geografia em detrimento do de Direito por indicação direta de Zarur. Faissol com doutoramento em Syracuse e Zarur com um mestrado em Winconsin e um curso de aperfeiçoamento em Chicago. Na década de 70 assume a liderança técnica da Geografia Urbana do IBGE orientando pesquisas e criando bases de dados que até hoje são referências nos estudos da urbanização brasileira. além do Atlas Nacional do Brasil. tanto no campo familiar através de seu casamento com a irmã de Jorge Zarur. pois ao ingressar no IBGE em 1941. docência em várias instituições de ensino de pós-graduação. A influência de Zarur na carreira de Faissol é perfeitamente demonstrada. o estudo da língua inglesa também tenha sido fruto da influência de Zarur. contrariamente ao forte relacionamento entre a Geografia brasileira e a francesa. Aposentou-se em 1986 e passou a dedicar-se ao ensino superior. Possivelmente. Faissol intensificou sua proficiência na língua inglesa o que garantiulhe o convívio com o restrito grupo de treinandos de Leo Waibel (1945-1950) e. Ambos foram estudantes de pós-graduação em universidades americanas e se titularam oficialmente. No IBGE. assim com seu cunhado Jorge Zarur. utilizando-se do novo arsenal de técnicas estatísticas que a informática a agora colocava à disposição dos geógrafos. Sua primeira linha de estudos nos anos 40 e 50 estava orientada para os processos de colonização e de ocupação econômica do território brasileiro. Nos últimos anos da década de 70 assume a Diretoria Técnica do IBGE até 1979 com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE. foram personalidades polêmicas na comunidade geográfica do IBGE. Este movimento acadêmico ficou conhecido como Geografia Quantitativa e teve no professor Faissol o seu principal incentivador no Brasil. Até o seu repentino falecimento em 1997. exercia a . Comentários ao depoimento Speridião Faissol. Ambos sempre advogaram uma maior relação com a Geografia anglo-saxã. posteriormente. sua relação com Preston James que viria garantir seu doutoramento em Syracuse. ocupou cargos de alta direção. até por conta de um melhor equilíbrio entre metodologias e áreas de especialização. No final dos anos 60 passa a dedicarse ao estudo da urbanização/industrialização brasileira.ibegeano a se doutorar na Universidade de Syracuse sob a orientação do professor Preston James em 1956. Faissol assume o cargo de Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia. como Secretário Geral do CNG e chefe da Divisão de Geografia no período entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira metade dos anos 60. quanto na esfera profissional. Durante o período de Juscelino Kubitschek e com o IBGE sob a direção de Jurandir Pires Ferreira. Sob sua direção e auxiliado por Antônio Teixeira Guerra na chefia da Divisão de Geografia foi editada a coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.

Para Rodolfo Barbosa. Faissol retorna a liderar academicamente a Geografia do órgão. Atualmente trabalha em consultoria. os métodos quantitativos na Geografia foram alvo de duras críticas vindas de grupos de geógrafos. por pressão da família. a decisão envolveu muito mais uma escolha de ambiente de trabalho do que o trabalho em si. majoritariamente de esquerda. chegando ao posto de Diretor Técnico do IBGE. Na década de 1970. indo trabalhar numa empresa de cartografia e aerofotogrametria alemã. editorando atlas em mídia eletrônica. Sua obra sobre metodologia cartográfica abrange dezenas de artigos em revistas especializadas. dirigiu a área de Cartografia nos anos 60 e foi coordenador da maioria dos atlas editados pelo órgão entre 1955 e 1990. que foram uma marca registrada da Geografia do IBGE no período. vincula-se aos períodos de grande indecisão que antecedem às escolhas profissionais. Comentários ao depoimento Uma questão que sempre emerge na maioria dos depoimentos de profissionais que relembram suas trajetórias de trabalho. com a saída de Lisia para outras esferas do governo federal. baseados em estudos com grande base estatística e matemática. embora alguns dos antigos companheiros também se mostraram refratários às técnicas. com o Exército e IBGE trabalhando juntos na campanha de cartografação dos mapas para o censo . Descreve as fases iniciais do esforço do governo brasileiro. No final dos anos 70 e durante toda a década de 1990. no último ano. no qual ingressou em 1942. Sob este contexto. via curso de oficial de náutica na Marinha Mercante. principal figura do grupo que trabalhava com Fábio de Macedo soares Guimarães. A motivação inicial era a cartografia naval. pois o período da escolha coincidiu com atos de beligerância da Alemanha contra navios brasileiros.Nos primeiros anos do período militar (governos de Castelo Branco e Costa e Silva) a figura de Speridião Faissol deixa o primeiro plano da Geografia do IBGE. cartógrafo brasileiro especializado na organização de atlas geográficos e cartografia temática orientada para aspectos geográficos onde o físico e o humano apresentam-se vinculados. introduzindo os novos métodos quantitativos. Neste processo. Em 1942 ingressa no IBGE e em 1946 vai para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento. Foi um dos primeiros cartógrafos temáticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). principalmente as do IBGE. Rodolfo Barbosa muda de área de trabalho mas não de especialidade. acumula também cargos de alta direção. precursores dos atuais programas de mapeamento automatizado e sistemas geográficos de informações. Ocupou diversos cargos de chefia técnica na área cartográfica do IBGE e coordenou inúmeros atlas de enciclopédias editadas no Brasil. dando lugar a Lisia Bernardes. Rodolfo Pinto Barbosa (1927). o depoimento de Speridião Faissol tornou-se uma avaliação sobre esses tempos conturbados porque passou a Geografia brasileira.

especializado em Geografia urbana e industrial.demográfico de 1940 e no projeto de continuação da cartografação do território brasileiro na escala de 1:1000 000. Para Geiger. paulatinamente. Pedro Pinchas Geiger (1923) geógrafo brasileiro. Sua especialidade posterior no IBGE. Comentários ao depoimento Uma questão importante levantada por Pedro Geiger foi sua percepção de vinculação com o poder (Presidência da República). que até hoje são considerados clássicos na Geografia brasileira. com a vinda de militares austríacos especializados e. nunca deixou de ser seu principal campo de ação. área que sempre apresentou grande afinidade com os estudos geográficos. Em 1963 publica dois trabalhos. foi também descrita com muitos detalhes. exemplificando com estudos no Estado do Rio de Janeiro. aos 19 anos de idade. Inicialmente trabalha na área de Geografia física e. Nos anos anteriores à sua aposentadoria. atividade que ainda hoje exerce sob forma de consultoria para empresas privadas ou órgãos de governo. A coordenação para elaboração de Atlas. ultrapassa 70 títulos entre livros e artigos em revistas especializadas. chefiava a Divisão de Atlas do Departamento de Geografia. posteriormente. como resultado dos avanços tecnológicos ocorridos durante a segunda guerra. Na década de 1950 inaugura uma nova linha de pesquisa que enfocava as transformações econômico-sociais ocorridas nas áreas rurais periféricas a grandes centros urbanos. Barbosa descreve a importância que teve a Cartografia européia nos anos vinte. que os primeiros chefes da Geografia do IBGE (Christóvão Leite de Castro. Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares) demonstravam possuir no início dos anos 40. Geografia e Cartografia. a forte relação entre o Brasil e Estados Unidos no campo da Geodésia e Cartografia. determinação da União Geográfica Internacional para todos os países membros e iniciada pelo Clube de Engenharia nos anos 20 e reitera aqui o “espírito de missão” que era corrente no período. Foi um dos principais pesquisadores da segunda geração do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ao ingressar no órgão em 1942. O volume de sua obra hoje. após a primeira guerra. além de justificar a importância de estarem no mesmo órgão. a estruturação das principais linhas de poder acadêmico e administrativo do IBGE até o . a elaboração de Atlas. Aposentouse do IBGE em 1986 e atualmente trabalha como consultor e professor em cursos de pósgraduação. O livro Evolução da Rede Urbana Brasileira e o artigo sobre a industrialização da região sudeste do Brasil na Revista Brasileira de Geografia do IBGE. vai orientando suas pesquisas para os campos da urbanização e da industrialização. profissionais de Estatística.

Na década de 70. Um outro ponto importante em seu depoimento foi a percepção do período de “emancipação acadêmica” dessa geração. Em 1946. são resultantes das interações e conflitos que acompanharam as vidas profissionais desses geógrafos. Ele e Dora Romariz estudaram o bacharelado de Geografia na Universidade do Brasil sob a orientação de Francis Ruellan e foram colegas de turma de Elza Keller. a vinda de Pierre Dansereau.final dos anos 60. ingressam no IBGE em 1942. das influências dos antigos professores e o início de pesquisas que envolviam outros componentes econômico-sociais que até então não eram objeto de estudos mais sistemáticos. biogeógrafo canadense que introduziu no Brasil os primeiros estudos sistemáticos de Ecologia e Biogeografia ampliou os horizontes de Kulman e Dora que em 1947 foram para o Canadá para cursos de aperfeiçoamento. Comentários ao depoimento O depoimento de Edgar Kulman mostra o lado da Geografia no processo de criação de um conjunto de profissionais de diferentes disciplinas que desenvolveram os estudos de Biogeografia no Brasil. Ele analisa com muita sensibilidade as fases transicionais da Geografia anterior para a quantitativa e as fases posteriores. No entanto. Foi o principal organizador das propostas curriculares de Biogeografia nas universidades brasileiras nos anos 60. participante do primeiro grupo de pesquisadores em Biogeografia no IBGE. Para Geiger a Geografia Sistemática de objetivo social inicia nos anos 50. Em 1943 o grupo se amplia com a chegada de Alceo Magnanini. Antônio Teixeira Guerra. E finaliza com uma análise das atuais relações entre o IBGE e a Universidade no campo da Geografia. ainda cursando o bacharelato na Universidade do Brasil sob a orientação de Ruellan. Pedro Geiger engaja-se no movimento de renovação da Geografia chamado Métodos Quantitativos ou Geografia Quantitativa. tanto no IBGE quanto em instituições vinculadas à Ecologia. sob influência marxista. Avaliou também com muita acuidade o projeto de ocupação territorial do governo Vargas e o papel representado pela Geografia do IBGE neste projeto. Alfredo Porto Domingues e Fernando Segadas Vianna. Walter Egler. Juntamente com Dora Amarante Romariz. que vigorou fortemente no IBGE e no Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista UNESP de Rio Claro. a constituição do grupo inicial de Biogeografia no IBGE era composta majoritariamente . Seus trabalhos sobre os processos de ocupação rural-urbana desenvolvidos na Baixada Fluminense entre 1951 e 1953 são os exemplos mais característicos. Edgar Kullmann (1928 ) geógrafo brasileiro. Kulmann exerceu funções de direção e de magistério.

é considerada até hoje um dos melhores trabalhos sobre o assunto no Brasil. Walter Egler. publicada pelo IBGE. acompanhou o surgimento da Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do IBGE e a instalação da Reserva Ambiental do Roncador em Brasília. Aposentou-se do IBGE em 1986 . lecionou em várias instituições de ensino superior do Rio de Janeiro e foi autor de dezenas de artigos e capítulos de livros sobre a Geomorfologia do Brasil. foi o passaporte para seu ingresso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1943. considerado um dos mais importantes geomorfólogos do país. coordenando estudos sobre movimentos de solo nas encostas da Serra do Mar no início da década de 1970. Sua vida profissional divide-se entre o magistério numa instituição de ensino ligado a Igreja Metodista e a pesquisa botânica no IBGE em duas etapas distintas. finalmente vinculou sua antiga aspiração de Geologia com os estudos de Geomorfologia. Sua formação inicial em História Natural. a opção conciliatória pela História Natural que acabou desaguando no IBGE onde. onde misturaram-se o desejo pessoal pela Geologia com a pressão familiar contra a ida para Ouro Preto. Alfredo Porto Domingues foi um pioneiro nos estudos de geo-ecologia. Itatiaia. Nessa fase. seu interesse pela Geomorfologia foi ampliado pela orientação de Francis Ruellan. pertencente ao IBGE e que estuda a ecologia do cerrado. Além da pesquisa. Alfredo José Porto Domingues (1921) geógrafo brasileiro. editados pelo IBGE. Sua segunda fase no IBGE. Sua participação nos capítulos de Geografia Física da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.por engenheiros agrônomos e bacharéis em História Natural (Alceu Magnanini. Comentários ao depoimento Um ponto interessante no depoimento de Alfredo P. coincide com a preocupação da área de planejamento nas questões relacionadas ao meio ambiente e a biodiversidade. Foi enviado para França para se especializar com Jean Tricart. Penedo e Visconde de Mauá. Paralelamente. . Domingues. participando do grupo que iniciou os estudos de Biogeografia. sob a influência de Francis Ruellam. participando de organizações ecológicas editando jornais e dando consultorias à diferentes órgãos municipais. a inicial até os anos 60 e posteriormente no final da década de 70 até sua aposentadoria em 1985. partindo de uma sólida base dada pela História Natural. outro importante formador de profissionais em Geomorfologia. região onde fixou residência permanente. área que ganharia importância no final dos anos 80. o principal mestre de Geomorfologia da segunda geração de geógrafos do IBGE. refere-se ao processo de escolha profissional. Fernando Segadas Vianna e Alfredo Domingues). Atualmente sua atuação está voltada para a conservação ambiental da área que abrange os municípios de Resende.

Novas demandas por parte do governo federal solicitando grandes diagnósticos econômico-ambientais abriram novas perspectivas para a Geografia Física do IBGE. Parque Nacional da Tijuca. Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza. Comentários ao depoimento A questão mais importante levantada no depoimento de Alceu Magnanini refere-se ao processo de criação do primeiro grupo de pesquisadores do meio-ambiente que o IBGE tentou formar no início dos anos 40. A fase de prestígio retorna em meados dos anos 80 com a absorção pelo IBGE das equipes técnicas do Projeto Radam. A partir de então ocupou cargos de chefia em projetos técnicos ou em áreas administrativas em órgãos como Conselho Florestal Federal.Outra questão importante está referenciada à sua visão pessoal. atualmente trabalha na Divisão de Avaliação Ecológica da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Foi um dos organizadores do código nacional florestal de 1965 e diretor da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza a primeira Organização Não Governamental (OGN) de grande porte no Brasil fundada em 1958. juntamente com Walter Alberto Egler para o Museu Nacional e posteriormente vai para o Jardim Botânico. engenheiro agrônomo. os dois períodos mais significativos de desprestígio ocorreram na segunda metade dos anos 60. dos diferentes ciclos de prestígio/desprestígio/prestígio por que passou a Geografia Física no IBGE nos seus mais de 60 anos de existência. Alceu Magnanini. que dedicou-se aos estudos botânicos e a Ecologia ainda na universidade. Ingressa no IBGE em 1943 juntamente com Alfredo Porto Domingues e Walter Alberto Egler. Tendo participado de todos os processos de ação governamental na área ambiental brasileira. em função da liderança técnica de Francis Ruellan. que introduziram a componente ambiental na agenda de pesquisas do órgão. Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis. Esse grupo foi o núcleo inicial dos estudos de Biogeografia no IBGE. introdutor da “Geografia Agrícola”. (1927). influenciado por Girolamo Azzi. por outro lado. Em 1952 transfere-se. quando o principal objeto da Geografia do órgão voltou-se para a Geografia Urbana e para a regionalização econômica e se intensificaram nos anos 70 com a priorização dos métodos quantitativos nos segmentos econômico-sociais (urbano e agrário). Avaliou com muita segurança as diversas etapas de criação do grupo enfocando a liderança de Fernando Segadas Vianna na constituição do núcleo inicial e narrando os acontecimentos da transferência de Segadas Vianna para a universidade. Para Alfredo Domingues o período de maior importância da Geografia Física situa-se nos primeiros 15 anos. lá já estavam Edgar Kullmann e Dora Amarante Romariz. em 1956 transferiu-se para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura. que nos anos de 1945-47 foram orientados pelo biogeógrafo canadense Pierre Dansereau. introdutor dos estudos de . Analisou também a importância da vinda do biogeógrafo canadense Pierre Dansereau .

População e Urbana. amplia seus horizontes profissionais. como parte do segundo grupo de geógrafos do IBGE indicados como promissores na carreira. onde formou vários especialistas em Geografia Agrária e em População. dando aulas na universidade e pesquisando no IBGE entre 1945-46. É dessa época o seu trabalho sobre a área de influência de Campinas. A década de 50.Biogeografia no Brasil. para onde havia se transferido para lecionar. coordenando estudos sobre classificação de tipos de cultivo e mapeamento de utilização da terra no sul e sudeste do país e. Tal processo se intensifica ao longo dos anos 60 e somente mostra recuperação nos anos 70 com a criação da Superintendência de Recursos Naturais (SUPREN) e se amplia com a absorção das equipes técnicas do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) na segunda metade dos anos 80. principalmente na região sudeste e sul. Sua ida em 1946 para a universidade de Montpellier na França. a influência de Michel Rochefort nos estudos de Geografia urbana a alcança na Faculdade de Rio Claro (SP). o período mais produtivo em virtude do engajamento do IBGE em grandes projetos como a preparação do Congresso Internacional de Geografia de 1956 no Rio de Janeiro. Elza Coelho de Souza Keller (1924) geógrafa brasileira que trabalhou em três áreas da Geografia: Agrária. Na década de 60. trabalhando paralelamente em Geografia urbana. desde 1945. Sua obra cobriu aspectos importantes da geografia brasileira. foram seus campos de estudos mais regulares. do IBGE para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura por perceber que já não estava havendo apoio aos estudos botânicos por parte do IBGE. em agrária. Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Seu retorno ao . em Geografia da população. assunto que. em 1947. Sua volta coincide com sua primeira chefia técnica e com o direcionamento de sua especialização em Geografia da população. retomou suas pesquisas. A influência de Ruellan foi decisiva em sua carreira. que o geógrafo do IBGE José Veríssimo da Costa Pereira a convidou para trabalhar no órgão. Nos anos 60 foi professora universitária na Faculdade de Rio Claro (SP). foi a seu ver. o mais importante “chefe de escola” da Geografia brasileira. estudando a área de influência de Campinas. trabalhando com migrações internas. além de coordenar a organização do Atlas do Estado do Maranhão até sua aposentadoria em 1986. juntamente com a Geografia agrária. com pós-graduação na universidade de Montpellier na França. O processo de escolha profissional pela Geografia ainda em Campinas e a mudança para o Rio de Janeiro em 1942 para continuar o segundo ano na Universidade do Brasil sob a liderança de Pierre Ruellan. De volta ao IBGE. além de ter coordenado um atlas do estado do Maranhão. Comentários ao depoimento Pelo menos nove foram as principais referências que pudemos sintetizar no denso depoimento da professora Elza Keller. pois foi indiretamente por sua indicação. a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o Atlas Nacional do Brasil editados em 1958. hoje pertencente a UNESP. Alceu narra também sua transferência.

através de seus depoimentos orais. além de seus organizadores iniciais e seguidores que gerenciaram a área por mais de quarenta anos. Após um entendimento das principais linhas do pensamento geográfico que dominaram o cenário geográfico do IBGE.IBGE acontece em 1967 para trabalhar com Geografia agrária e da população. Durante os anos 70 realiza alguns estudos com os métodos quantitativos e posteriormente passa a trabalhar na coordenação temática de alguns Atlas. É fundamental que se acompanhe o processo de formação profissional desses funcionários públicos. . terminando sua trajetória profissional com o Atlas do estado do Maranhão.

principalmente quando não se tem acesso ao curriculum-vitae do entrevistado. tomados aqui como referência para o entendimento da evolução da pesquisa geográfica no órgão. em virtude do interesse demostrado pela direção da área de documentação do órgão. de certa forma auxilia o entendimento da evolução da produção intelectual do profissional pesquisado. como foi possível perceber. os meandros dos procedimentos de engajamento em projetos. O capítulo I revela um pouco das atribulações e prazeres vividos pelo pesquisador e seus entrevistados no decorrer do trabalho. O capítulo II inicia a marcha evolutiva do processo de formação elegendo alguns procedimentos de escolha de carreira que ocorreram com alguns dos geógrafos entrevistados. que levaram alguns geógrafos a manterem-se firmes na escolha inicial ou a mudarem de rumo nos diferentes campos do conhecimento geográfico. as afinidades e antipatias por temas. incluindo aí os cursos de pósgraduação e especialização profissional. Principalmente. processo que possivelmente ainda continuará.O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução Uma Experiência de História Oral O longo processo de formação de um profissional de nível superior está quase sempre marcado por três grandes etapas que seguem uma cronologia determinada: o período de escolha da carreira e seu primeiro contato com o ambiente universitário.Parte III . vistas posteriormente numa perspectiva inversa (do presente passado) foram decisivas para o entendimento do quadro atual da Geografia do IBGE. métodos de trabalho ou mesmo pessoais. a descoberta da pesquisa geográfica durante as fases finais do curso e o ingresso no ambiente de pesquisa via um estágio profissional e o desenvolvimento da carreira de pesquisador no contexto de trabalho. quanto na verificação da cronologia de suas obras publicadas em periódicos e monografias do IBGE. quando essas escolhas. tanto em seus depoimentos orais. O capítulo III apresenta. de maneira semelhante ao II. A preocupação mais importante desta parte do trabalho é a de explicar como se deu o processo de formação profissional de alguns geógrafos do IBGE. para o . Este cotejo é interessante pois. A saga da Geografia no IBGE está fortemente marcada por profissionais que passaram por essas etapas.

utilizando-se de uma pesquisa de trabalhos de campo que opera com o tema e o local da pesquisa. Presta também uma homenagem aos que tombaram no caminho. os participantes e as referências bibliográficas resultantes. .É o capítulo que explora algumas configurações da arena de trabalho da pesquisa geográfica num órgão de planejamento territorial do governo federal e seus principais direcionamentos metodológicos de investigação. mas deixaram suas respectivas marcas de produtividade e qualidade em seus trabalhos.

também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. Speridião Faissol. essa abordagem poderia ser frutífera. Aluísio Capdeville Duarte. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. visto que seria impossível. já havia uma base consistente.Capítulo I . ou segmento de conhecimento geográfico. 1998). Orlando Valverde.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. 1988). . também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. em virtude do alto custo das transcrições. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. 1989). uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. em termos materiais. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. 1997) e. no primeiro momento. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. que faleceu em 1997. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de serem repetitivos. pois além de possuir um acervo documental enorme. No caso da Geografia do IBGE. além disso. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. Gelson Rangel Lima). não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. Portanto.

somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA . Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. opiniões ou testemunhos factuais. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. pois vinculava-se o conhecimento do território. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. 1941 e 1949). Walter Isard. 1948). após o golpe militar de 1964. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. nem como mecanismo de . Para Orlando.No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal.Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso.. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. que todavia. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. mas não a enxerga como ferramenta de planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. Harvey Perloff e outros. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. Durante o processo de coleta de depoimentos. desde sua fundação. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. Nessa época. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico.

implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. foram. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. por de sua visão de pesquisa e ensino. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. na visão de Alceu. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. A importância da Biogeografia e da noção. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Egler e Alceu do IBGE. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. Walter Egler. quando foram para o Canadá para especialização. quanto pelos depoimentos. Também através desses depoimentos. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. possivelmente. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. que só se manteve unido. Neste caso. Uma outra questão crucial pode ser percebida. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. resultados desse fracionamento. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. tanto pela documentação. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. No entanto. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna.

" Eu tive algumas dificuldades. ao voltar do doutoramento em Syracuse. o prof. foi uma crise braba. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. matemático. fiquei lá meio solto. mas acabei aceitando. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. Jurandir Pires Ferreira. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. Eu era solidário com o Orlando e tal. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. de maneiras diferenciadas. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. tornou-se quase mitológico. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos.. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. com a criação do Departamento de Geografia. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. etc. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. sem sombra de dúvidas.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. quando Faissol." A maior parte do pessoal se demitiu.. Isso acarretou uma reviravolta. foi um assunto que. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. da espinhosa questão. aquela coisa. Este. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. A evolução da carreira de Speridião Faissol. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. era engenheiro. ao longo dos anos. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. somente Speridião Faissol. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. o Miro era secretário e assistente do Fábio. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações . Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia.

eu não sei. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. havia não sei porque.. Catarina. que eram meio pessoais. mas ao que me parece. uma situação e que é estranha. (RSA) “ Mas isso. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50.. Nilo.. é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. veio a Revolução. então você vê.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. era um número pequeno. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu.grupo Zarur x Grupo Fábio. mas Elza fez menos.. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza..” (Depoimento de Marília V. “. n. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. Fany. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. conhecido como DEGEO.. da estatura do Alfredo você não tinha outro. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968.. Lisia. indústria. da década de 50 e 60 toda. a falta de geógrafos físicos.. então eu acho que foi mais isso. Galvão a RSA) . Roberto Lobato. Isso era AGB e era IBGE. Ney Strauch. eu percebi esse divórcio em l970. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. voltei eu e ficou naquele negócio. ela fez mais com os estudos de população. entre a geografia física e geografia humana. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. você tinha Geiger. então eram três. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão.. a meu ver. agora na geografia humana você tinha Faissol.. quer dizer. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa.gerenciais de porte. Mas. urbana sobre as de relevo.. passada aquelas raivas. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. você tinha n. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação. clima e vegetação em resposta a esta questão . as causas foram anteriores à decada de 70. depois era Elza.. . n. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana.. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. geógrafos. uma derrubada. aqueles ódios..

Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. Esperar que a moda passe. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. onde as duas áreas quase não se comunicam com naturalidade. No IBGE. O reconhecimento.. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. a principal imagem que se constituiu nos anos 80. pois misturavam-se nas discussões. . sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. matemática . a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. mas nada fazer. concordar. Inicia-se o período das crises. foi o principal emulador de uma integração. aguardar alguma novidade vinda de fora. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades.. e não contestar. questões ideológicas e para agmáticas. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . apesar de turbulento. por parte da maioria dos geógrafos. status e conhecimento. Aprovar. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). O quadro político. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. esforços de aprendizado e carreirismo. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo.É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana.

E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. gerando um ambiente estranho. de Keynes e dos keynesianos e.Na arena científica o ambiente torna-se pesado. sou culpada. mea culpa. (Almeida.. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). é a Geografia Física e suas vinculações. e nós nos recusamos. dos Neoclássicos como . sabe Roberto. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e Ricardo. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas.. Talvez por isso. conforme a ocasião. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. falou em computador comigo. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. mea culpa. mas aí então nós chegamos finalmente. Aliás. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. porém eficiente.. paralelamente também. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. “ Bom. Diferentemente da Geografia Quantitativa. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação.. tarefa tão difícil quanto Estatística. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. o geógrafo médio.. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos.. e não podia ser diferente. eu me arrepio toda. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. eu me recusei. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos.. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”. eu detesto máquina. vidaliana ou rochefortiana. Mas havia uma solução. uma muleta simples.. é bom que se diga. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. depois desses Atlas na geografia quantitativa. Marshall. Eu Marília Veloso Galvão. por profissionais de alta qualificação. isso somente referenciado à Economia. não sei se Faissol disse isso. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. bem feitas. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. como a Geografia Quantitativa. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente.. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais.. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. depois sim..

. Cesar Ajara. rica. eles que façam e me mandem o resultado. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme.. então isso foi um erro... houve um certo deslumbramento. eu dizia: olha. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco..... “ E não era uma coisa tão complexa assim. quer dizer. eu acho muito rica. eu não quero estudar programação.. digo qual é o meu objetivo. Cole no seu mestrado em Nothinghan. muito bem. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. você tem que saber o que está usando. não.. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. se o resultado eu conseguir interpretar. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho.. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.. quer dizer. não é nem metodologia é uma técnica. tendo sido orientada pelo próprio J. não é só aplicar a técnica e pronto... tem que saber escolher bem as variáveis. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. computação era algo só de pessoas muito especializadas. é possível entender que.. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. e a gente podia se socorrer desse grupo. ... imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. que naquele período a programação de computação não era algo comum... uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. e que era uma igrejinha fechada.. como tudo na vida... Miguel Ângelo Ribeiro.. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade.. P. eu forneço os dados.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) Com isso. se a gente tivesse estudado para programação.. quer dizer. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. ela deu resultados. foi um experiência. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. (RSA) “ Mas já existia no IBGE... mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. se eu não conseguir acabou. não era complexa. primeiro.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980.

. então o produto que for gerado..... mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando.. costuras e parcerias aqui e ali.Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. (RSA) “ Estava vindo. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia..” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. o IBGE não estava podendo comprar equipamentos naquele momento... esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um..A questão da plataforma? ... Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período.. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple. o material levou quase um ano para se liberado. Na visão de Cesar Ajara. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada. a nível individual. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso. ia e vinha.. algo que na época era muito caro para os PCs. para colocar mais precisamente. acadêmica. além de um scanner. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. a França. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que . foi muito desgastante. isso não foi negligenciado. ia e vinha.... . o IBGE não estava podendo bancar treinamento.. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C.. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto... quer dizer. paralelamente...” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs...... conseguimos libera o equipamento a duras penas.. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. “ Com certeza. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.Os depoimentos de Cesar Ajara. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma.. tivemos muitos problemas. Mônica. e para complicar ainda mais.. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. nos intervalos eu .. até existiu. Máquinas que eram o top de linha da Apple.. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. quer dizer... já com CD-ROM embutido. todos nós batalhamos muito. máquinas de 32 bits de processamento.. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. a medida em que o que nós estávamos procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. a nível de resposta... por exemplo. Evangelina. que quando eu pensava parceria.. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico.

.. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese..realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia... quando eu cheguei. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina.. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade... meu e dela.estava tarimbada. um pouco de desafio...” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.....) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro.. ou quando o conflito era para desestruturar . nós todos tínhamos experiência de campo. entender em que escala os outros técnicos estavam operando.. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D. com isso. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos... nós fizemos um. porque foram estimulados... pois possibilitou através de seu método de trabalho... Angélica também tinha...Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia. conflito não me amedrontava. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar. pode não ser capaz de discutir teoria. discutir problemas.. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante. era isso o que eu estava propondo.. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos.. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento. levantamento.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza... e além disso. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . nós juntamos aquele conhecimento. tanto na esfera do IBGE. quanto na esfera dos órgão contratantes. eu trabalhei seis anos.. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista.... mas pode ser capaz de discutir um problema. eu com um pouco de audácia.. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. eu também tinha. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos..F.. formando pessoas. quando eu fui fazer o zoneamento.essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos... e aí fizemos isso.... então com isso. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar... “. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer.. (RSA) “ Exato. todo mundo é capaz de discutir problemas. e pudemos aprimora-lo”. e com o trabalho...... Nossa Natureza... então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam... do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. com isso se sentiram altamente prestigiados. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi..” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . então. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. gostando de trabalhar com grupo novo. a experiência dela nos projetos PMACI..

Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. para a .

.Capítulo II . direta ou indiretamente. escola normal. que tinha. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode....” Tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações.. “plagiando o Raja Gabaghlia..O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. outros.. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. “. tem diversos livros publicados. por exemplo sobre a colonização européia. porém todos participaram. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan. quer por sua conduta profissional. obras em francês...” (Depoimento de Elza Keller a RSA) .. eu teria feito em Campinas. Em alguns casos. ao longo desses mais de sessenta anos. na universidade. esses profissionais do ensino. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller...eu fiz curso de normal. sem qualquer sombra de dúvida. eu me lembro por exemplo de citações. quando professor também do ensino médio. ilustres desconhecidos. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia.. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. talvez se tivesse. porque eram as palavras.. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. evidentemente que o melhor professor... os mapas na cabeça e tudo mais. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco . em inglês.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia.. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. ele citava obra. daí não tendo curso de Ciências Sociais. essa coisa toda...que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. então.

tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói.. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos... primeiro por causa do tipo dela. e uma outra também a professora Nilza Bicudo. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro..” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio. descrevendo as macrorregiões...... arroz. uma que era modelo da Casa Canadá. em História também tive outra ótima professora. por causa delas me decidi. aquela coisa bem tradicional. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes. na década de 70... essa dava sempre a Geografia tradicional.... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. não sei o sobrenome dela... eram super exigentes essas professoras... pesquisadora da Casa Rui Barbosa... botava aqueles saquinhos com feijão. devo ter sofrido um pouco de influência dela. ela arrasava dando geografia.......... chamava-se Lia Cardoso. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia.. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba.. Maria Isabel Azevedo.. só no meu álbum.... era uma ótima professora.eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje.. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia.. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF.quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca. suas provas eram muito inteligentes...Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950. duas professoras.. tem alguma coisa de Azevedo.. mas eu sempre gostei mais de Geografia... aqueles trabalhos de geografia regional. era uma geografia interpretativa.. Após formado. James Braga Vieira. era realmente elegante... “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete... quando eu entrei no segundo grau. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. expedicionário da FEB. tive uma professora que realmente gostei....... embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.. também tive um professor Faria. de História que também era muito bom... “.. chamada Vanda Regina. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio. “.Tive. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História... essa era o máximo para a mim.. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo. eram discursivas..... que era dividido entre clássico e científico..” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) .. e mais duas no segundo grau.” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca.. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional. lembrei.

ele levantava problemas. falar e escrever. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos... se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. Armando Sampaio de Souza.. era como o homem se comportava . o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos.. mas eu não me lembro o sobrenome dele. eu. quanto no Rio.. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. foi por inspiração do Anísio Teixeira. quatro professoras primárias. Orlando Valverde que.. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena.. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos.. de estilo americano. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. entre 1940 até meados dos anos 60.. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. pois além da formação no nível da graduação. Mas. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. eu e Jorge Zarur. era a chamada Escola Possibilista. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. da principal revista a RBG. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. e da principal associação profissional a AGB. Dilsa Mota e Marlene de Souza. havia um outro rapaz também chamado Jorge.Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. cuja formação eu não me lembro. e os três professores. Eu era capaz de acompanhar as aulas. por exemplo. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. na universidade o apoio e estímulo de um professor. era moderna. Manuel Maurício nos anos 50 e 60.. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. tanto em São Paulo. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro.

diante da natureza. ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. ele tinha essas coisas assim. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE.. Heldio e eu..000.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados.. então ele já era quase colega do Dr... por indicação do professor Ruellan.. não foi decisão nossa absolutamente....eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês...o IBGE.. um trabalho que era um diagrama em perspectiva... um dos fundadores do IBGE. aquela região do Languedoc tem muito protestante. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia.. Rulaan achou que eu ia me dar bem. Míriam para Lion e eu para Montpellier.. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado.. as faculdades para a qual nós deveríamos ir... o homem e a montanha.. como era um mapa de 1:50. ia ser posto em perspectiva. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também. Míriam.000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. dos chefes de escola geográfica da França. o meu caso foi muito particular. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia.” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947... aprendi tudo com ele durante anos.... Fábio.. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês.. e voltamos então a ter a visão da Europa..você já sabe .... fomos cinco.nessa época fomos cinco Miguel. porque ele não falava português. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura... eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês..... que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. a partir de um mapa.. tiramos o pessoal dos Estados Unidos. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia.. de Christóvão.. Geiger... mas estava dentro das possibilidades de cada um. já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares.. pudesse ler e falar em francês.. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente.. foi transferido para o novo órgão. aquela seção da qual se originou .. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. não podia ser desenhada simplesmente. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.. a visão global da geografia da Europa... o homem e o frio.. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu .. Heldio foi para a Strasburg.... Ele pegou um mapa de 1:50. passou o tempo todo. “ O meu contato com o Ruellan. o homem e a floresta. mas Miguel.. então era. juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil... por exemplo. então as perspectivas tinham que ser calculadas. como nos tempos de Deffontaines. durante os anos 40. “. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. etc... o homem e as ilhas.. que posteriormente fez curso de geografia. porque sou evangélica protestante e Montpellier.

. pegando amostras. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. Professor Paul Marres. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária.. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas. não sei se para o Geiger..Montpellier.. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel . Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes... que é fundamental e mais a introdução a cartografia. na época da Faculdade.. eu ainda não tinha nada escolhido... Heldio e Míriam. um especialista em relevo cárstico e de fito-geografia.... na realidade em termos de especialização.. o francês faz muito trabalho de campo... dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano.. o tipo de geografia regional que se aprende lá.. foi a minha efetiva formação de geografia. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. sabia que eu gostava de Geografia Humana . isso foi no período de 59 a 62. treinam muito os estudantes para trabalho de campo. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que.... para a nós foi extraordinário. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas. na realidade.. paralelamente.. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. sobretudo a ela. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes.. e os nomes científicos também.. para a mim pessoalmente.. prensando e levando para classificar..e ele firme.” . apesar das dificuldades enormes de pós guerra. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961.. uma loucura verdadeira. praticamente todo fim de semana. na França foi onde aprendi Geografia. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea.. quem era? “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. posteriormente. De certa forma.. a prática de cartografia aplicada a geografia.. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui.. fez muita excursão.. nos anos 60 no contexto do IBGE. mas acho que eles tiveram essa mesma visão...... era um apaixonado por geografia..... mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra.em termos de geografia geral.O seu orientador lá. mas a experiência francesa teve uma importância enorme.. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo.... eu já acompanhava de perto e namorando.

. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. Rochefort.. tinha mais de uma dezena de análises de regressão. Em seu depoimento.. . João Rua. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei. “.Rochefort. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. pois bem.. Buarque. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago.. A idéia de elaboração de leis. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento.. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade . se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes.. 19911992... mas aqueles que eu assisti.” (Geosul 12-13. “ Agora.. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. Jacob Binstock. no Economic Geography e no Professional Geographer. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas... quer dizer. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. p.. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana. você tinha cursos específicos. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão.... Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil.... foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. mas de certa maneira. o Cole. Minha tese de mestrado.Envolvi-me com a “nova” Geografia... quer dizer.. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas.P.. Em 1972... é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas.. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. Faissol é que repassava. nesse período (6869) então. o Brian Berry. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense..” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. substituído por Olga. aquilo.. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. os estudos de Áreas de Influências das Cidades. o Cole ficou e orientou mais.

você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento... Roberto com a Lisia. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria.... e aí você vê cada uma pessoa. cada um tem um escolhido do seu jeito..” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo. que repassaram para outros profissionais. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos... O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE. Fany com Geiger. quer dizer. .” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão.

tão comum nas fases iniciais de um profissional. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda.Capítulo III . Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. juntamente com Alfredo Porto Domingues. com o seu conhecimento da língua japonesa garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil . principalmente nos períodos de implantação do órgão. Esse processo não era tão simples e direto. A questão central estava em perceber quem. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. fosse ele um professor estrangeiro. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. Problemas como grandes projetos de prazo curto. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. no caso do primeiro. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. como nas fases iniciais do órgão. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. na excursão da região do Jalapão. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. O exemplo do jovem de 19 anos. onde o erro. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo.

... garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. A tênue fronteira entre a subserviência. adquirida nos anos 80. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. “ Ela era entusiasmadíssima. período da chamada Geografia quantitativa. sem maiores vassalagens. que muitas vezes eram descartados logo depois. são pontos de referência para um entendimento de que. ela dizia eu quero isso. ela dava aquelas orientações todas . Neste campo. coincidentemente. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. e a autonomia a ser conquistada a posteriori.. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. Nos anos 70. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. mas que entendia a necessidade do trabalho. aquilo passava. em convênios com o governo francês.. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. tiveram ótimas ascensões para postos de direção.era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. ela não te amolava absolutamente. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que.. era apenas eu quero isso. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa.. era um prazer trabalhar com Lisia. e quem o dominava. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. algumas vezes não sabiam o que pediam. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari... gerando em muitos casos. É necessário entender que a língua franca da Geografia. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu.. necessária nas fases iniciais.

. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que ... Edmon Nimer no clima. então formou técnica e gerencialmente. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante. considerado o universo em questão. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”. a geração que ingressou no início dos anos 50. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. a geração anterior.. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. porque se você ver bem.. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. extremamente objetivas.. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos..mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas... quer dizer. a nossa também foi um pouco. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini...” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. Olindina Mesquita na agricultura.. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. a não ser em poucos centros de excelência. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. que pelo maior número envolvido.. eram poucos. mas a outra geração foi completamente massacrada. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos.. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. eu fiquei na área de população. criou entusiasmo. que dizer. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores.. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945. foi importantíssimo. quer dizer. não sei... não tiveram as mesmas chances dos anteriores.. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. mas de certa maneira a Rute Magnanini... acompanhando em paralelo. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. No entanto.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago... somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade.. Maria Francisca que foram ótimas técnicas. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. quando o contingente de pesquisadores aumentou. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura.. a partir dos anos 50..diretíssimas. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. Waibel na agrária. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos..

podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. eram quatro alunos só. pois envolvia. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. da sua orientadora Lia Osório. 59. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. o número de . Para os mais avançados. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. Obviamente. sob a supervisão dos chefes de equipes. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. Na maioria das vezes. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. se fosse o caso. mesmo a aqueles considerados “normais”. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa.. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958.. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. desenhar os gráficos e mapas.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. e mesmo antes. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. a turma seguinte. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. que podiam assim.

de fato.. “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. então não tinha muita relação um com outro.. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia.. p. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. Corrêa a RSA) Portanto.. e Caio Prado Jr. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama.. olha tem uma vaga. A importância da AGB é.. está chamando você ir para lá. um belo dia ligaram para minha casa. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele . estou começando o segundo ano.. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. e vamos pelo Vale do Paraíba. motivo de recordações de muitos geógrafos.. etc. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. eu faço questão de passar em Lorena.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. inimigos mortais. eu entrei para AGB em 58.geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. com a presença do Bispo de Penedo. que foi talvez a mais proveitosa. levando alunos.. senão me engano. que fez um primor de exposição. quer dizer.. eu era muito jovem. Tá bem. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. não sei quando. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros.. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura.. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. a Assembléia de Penedo. “. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB.. havia possibilidade.. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba.” (Depoimento de Roberto L. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. encarregado de estudar a parte agrária. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. 1991-1992." Então resolveram fundar a AGB nacional com. fez trabalho por todo o lado. em 1945.Em 1962.E apresentou trabalho. embora não tendo muitas ligações com a associação.. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes..240) Speridião Faissol. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde.” .” (Geosul 12-13. “... a parte econômica. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul. acho que isso é importante. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo.

em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. Prudente. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE... mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos... mas não quer dizer que necessariamente..Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB. IBGE era AGB Rio carioca. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.. “ . além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50..... mas também participava... a AGB do Rio acabou.... e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar...ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade.. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. e literalmente.. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. vindas de um agebeano do final dos anos 50. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias. a Maria do Carmo nunca foi agebeana. Hilgard Sternberg. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP.. Alfredo esses participavam.Olha a geografia. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE... Nilo. de fato e de direito destruíram-na.. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia.” -Uma você estava em Chicago. Bom a partir dos anos 60. . Faissol nunca foi agebeano.. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE.) “.. até que quando eu soube a última . “. Elza.. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80... Lígia. Lígia.. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade..Ela ficou um período solta... todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram. Orlando menos. Geiger.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem.em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. um pouco dessa história. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur.. por isso ela sobrevivia. No Rio.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser.” . mas Nilo. 92 eu não podia... Araújo. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62...momento.. “ Uma em Chicago em 74.

. vou conhecer a terra do meu pai.. foi aí que comecei a participar no plano nacional. nosso arquivo.. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. fiz uma série de cursos.. 67. 68 Montes Claros.. só recebo um boletim e olhe lá.” “.. o próprio José César reconheceu o processo.. no sentido de diminuir essas relações.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas.... que eu fui tesoureiro. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante.. praticamente no IBGE.. “.. Londrina. jantando e dormindo AGB...eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO.. 1963 foi em Penedo. bom. o representante do IBGE.. as estruturas portuárias.. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. pensando.. acho que foi. eu como disse. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco. fomos parar em baixo da escada lá naquela o Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE.... 67 Franca. nós tínhamos nossa estante. para a vender. meu pai era cearense então eu disse.. dei conferência em função da AGB no Fundão. e os atualizados lá. Baturité e aí em Belo Horizonte.. passou a ser Encontros. 66 Blumenau.. as vezes concomitante. eu passei grande parte da minha vida cuidando. não. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados.. almoçando... que depois ele pediu também. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. as pessoas realmente pensam assim ... pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. depois em 66 foi Franca. mas durou pouco tempo.. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. o Faissol acabou com ela.. e. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas.. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia.. ai fui a de Mossoró em 60. fomos parar rapidamente numa sala lá. na Universidade Fluminense..... mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. no período da Assembléia de Maceió. ela foi para a UERJ. fui secretário..... na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78. modéstia à parte. o Congresso de Fortaleza.. fui duas vezes Diretor Regional. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte. se não foi em termos científicos. com a AGB nacional.vez tinha um sócio pagante. comendo. modéstia a parte. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional.. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. por uma questão sentimental.. indústria. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) . 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. trabalhando.. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário... O Congresso de Fortaleza que...

os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. os estudos sobre o relevo do território. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. Esses foram alguns dos resultados . que ocasionalmente. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. sendo que 76 nos anos 40. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. 34 entre 1950 e 1955. 2000) foi possível verificar a importância dessas excursões. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). as determinações de fronteiras estaduais. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo).Entretanto. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. os programas de colonização dirigida. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. Entre 1941 e 1968. a Carta do Brasil ao milionésimo.

Em termos de homenagens. Evidentemente. não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. fronteira entre Pará e Amapá. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. houveram muitos preços a pagar.desses trabalhos de campo. inaugurando uma escola com o seu nome. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. . a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas.. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. mas Egler não teve a mesma sorte. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. alguns dos quais foram sepultados nesses locais. e em alguns casos. no município de Tucuruí (PA). No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. caindo num trecho muito turbulento. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. morre afogado no Rio Tocantins. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de suas funções técnicas. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. no rio Jari.. que para compor um quadro como este.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . além da área de segurança de queda. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. A lista. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. além das do IBGE. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). morre ao cair da Cachoeira Macacudra. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA).

além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. 09/10/1992 . não deixando vestígios na superfície. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ].Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco).O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). embora aposentados. em função do nível de sigilo envolvido. A segunda. 09/08/1991 . A aeronave. morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. fretada pelo RADAM. 13/05/1980 . dos quais muitos foram trabalhar no IBGE.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. quando ainda trabalhava no IBGE. 15/05/1990 . mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 .Hilda da Silva do IBGE (de câncer. Duas suposições ficaram no ar.José Redondano Neto. e com isso.20/03/1979 . desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. é que o avião teria caído no mar sem explodir. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. José César de Magalhães Filho. mas que não poderia ser comentado. . quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). numa trágica coincidência. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. ambos davam consultorias ). além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ.

Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). Esta. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. é apenas uma lista de referência. pois outros geógrafos faleceram também.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. 22/03/1997 .18/09/1995 . criando novas estruturas de pesquisas. novos trabalhos e novas lideranças. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. . Novas metodologias. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. sua população e sua economia. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. No entanto.

A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. no primeiro momento. Speridião Faissol. pois além de possuir um acervo documental enorme. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. Portanto. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. No caso da Geografia do IBGE. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. em termos materiais. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. 1988). alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. já havia uma base consistente.Parte III Capítulo I . os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. Gelson Rangel Lima). Orlando Valverde. 1989). uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. 1997) e. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. essa abordagem poderia ser frutífera. Aluísio Capdeville Duarte. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de . É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. além disso. 1998). ou segmento de conhecimento geográfico. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. visto que seria impossível. que faleceu em 1997. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban.

A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. 1948). Nessa época. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal.. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. mas não a enxerga como ferramenta de . pois vinculava-se o conhecimento do território. Harvey Perloff e outros. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. que todavia. Walter Isard. opiniões ou testemunhos factuais. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. Para Orlando. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. Durante o processo de coleta de depoimentos. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. 1941 e 1949). Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola.serem repetitivos. No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. em virtude do alto custo das transcrições. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. desde sua fundação. após o golpe militar de 1964. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso.

é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. Neste caso. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. No entanto. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo.planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. tanto pela documentação. A importância da Biogeografia e da noção. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. Walter Egler. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. possivelmente. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. Uma outra questão crucial pode ser percebida. por de sua visão de pesquisa e ensino. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. nem como mecanismo de implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. Também através desses depoimentos. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. quando foram para o Canadá para especialização. que só se manteve unido. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . na visão de Alceu. Egler e Alceu do IBGE. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. resultados desse fracionamento. foram. quanto pelos depoimentos.

Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. foi uma crise braba. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. sem sombra de dúvidas. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. Eu era solidário com o Orlando e tal. aquela coisa. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. o Miro era secretário e assistente do Fábio. da espinhosa questão. quando Faissol." A maior parte do pessoal se demitiu. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. mas acabei aceitando. A evolução da carreira de Speridião Faissol. com a criação do Departamento de Geografia.. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. Este.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. etc. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. de maneiras diferenciadas. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações gerenciais de porte. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. Mas. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. .. matemático. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. somente Speridião Faissol. era engenheiro. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. Isso acarretou uma reviravolta." Eu tive algumas dificuldades. o prof. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. foi um assunto que. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. ao longo dos anos. Jurandir Pires Ferreira. ao voltar do doutoramento em Syracuse. tornou-se quase mitológico. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. fiquei lá meio solto. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento.

a falta de geógrafos físicos. ela fez mais com os estudos de população. uma situação e que é estranha. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana.. .. Fany.. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. onde as duas áreas . pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. mas ao que me parece. Catarina. voltei eu e ficou naquele negócio. a meu ver. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia.. Isso era AGB e era IBGE. entre a geografia física e geografia humana. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. Roberto Lobato. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. n. então eu acho que foi mais isso... Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60..Como a Senhora viu a questão de um divórcio. Ney Strauch. então você vê. da década de 50 e 60 toda. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. da estatura do Alfredo você não tinha outro. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. passada aquelas raivas. agora na geografia humana você tinha Faissol.. veio a Revolução. quer dizer.” (Depoimento de Marília V. aqueles ódios. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. Nilo. eu percebi esse divórcio em l970. Galvão a RSA) É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. “. depois era Elza. conhecido como DEGEO. Lisia. que eram meio pessoais. geógrafos. (RSA) “ Mas isso. você tinha n. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação.. urbana sobre as de relevo. era um número pequeno.é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. uma derrubada... mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou.. mas Elza fez menos. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. havia não sei porque. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento.grupo Zarur x Grupo Fábio. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo.. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. clima e vegetação em resposta a esta questão . indústria. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão).. então eram três. você tinha Geiger. eu não sei. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. n. as causas foram anteriores à decada de 70.

abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. O reconhecimento. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. matemática . quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. status e conhecimento. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. concordar.quase não se comunicam com naturalidade. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). foi o principal emulador de uma integração. apesar de turbulento. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. tarefa tão difícil quanto Estatística. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. Inicia-se o período das crises. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e . “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. Esperar que a moda passe. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. aguardar alguma novidade vinda de fora. a principal imagem que se constituiu nos anos 80. Aprovar. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. Na arena científica o ambiente torna-se pesado. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. por parte da maioria dos geógrafos. gerando um ambiente estranho. No IBGE. mas nada fazer. pois misturavam-se nas discussões. questões ideológicas e para agmáticas. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. como a Geografia Quantitativa. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . O quadro político. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência.. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia.. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. e não contestar. esforços de aprendizado e carreirismo. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que.

vidaliana ou rochefortiana. então isso foi um erro. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. bem feitas.. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. que naquele período a programação de computação não era algo comum. se eu não conseguir acabou. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas.. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. eu me recusei. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. e não podia ser diferente. dos Neoclássicos como . Marshall.. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas.. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. depois sim.. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. Diferentemente da Geografia Quantitativa. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores.. Talvez por isso. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. “ Bom. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. paralelamente também.. é a Geografia Física e suas vinculações. é bom que se diga.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . mas aí então nós chegamos finalmente. eu forneço os dados. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. ela deu resultados. falou em computador comigo.. e que era uma igrejinha fechada. eu dizia: olha. eu me arrepio toda... se a gente tivesse estudado para programação. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. eles que façam e me mandem o resultado. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente.... uma muleta simples. depois desses Atlas na geografia quantitativa.. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. o geógrafo médio. e nós nos recusamos.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. não sofreu tanto as turbulências dessas fases.. digo qual é o meu objetivo. conforme a ocasião. Aliás. foi um experiência. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. muito bem.Ricardo. por profissionais de alta qualificação. se o resultado eu conseguir interpretar. isso somente referenciado à Economia. eu não quero estudar programação. de Keynes e dos keynesianos e.. mea culpa. Eu Marília Veloso Galvão. porém eficiente. Mas havia uma solução. não sei se Faissol disse isso. (Almeida. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. mea culpa.. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. eu detesto máquina. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. sou culpada. sabe Roberto. computação era algo só de pessoas muito especializadas. e a gente podia se socorrer desse grupo.

você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. quer dizer.. eu acho muito rica. não é nem metodologia é uma técnica... Cole no seu mestrado em Nothinghan. a medida em que o que nós estávamos . você tem que saber o que está usando. quer dizer. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme.. costuras e parcerias aqui e ali.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. rica. tendo sido orientada pelo próprio J. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. primeiro. a França. tem que saber escolher bem as variáveis.. Os depoimentos de Cesar Ajara. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. até existiu. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. quer dizer... não é só aplicar a técnica e pronto. quer dizer. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. Miguel Ângelo Ribeiro. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. é possível entender que. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. não era complexa.... houve um certo deslumbramento.. Na visão de Cesar Ajara. “ E não era uma coisa tão complexa assim. P. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade... mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. “ Com certeza. não.Com isso. acadêmica. quer dizer. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho.. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. Cesar Ajara. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. como tudo na vida. paralelamente.. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C... por exemplo.. a nível de resposta. isso não foi negligenciado.. a nível individual... que quando eu pensava parceria.. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e.

para colocar mais precisamente. levantamento. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. algo que na época era muito caro para os PCs... já com CD-ROM embutido. eu também tinha. Evangelina. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. o IBGE não estava podendo compara ar equipamento naquele momento.. nós fizemos um.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro.. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE. o material levou quase um ano para se liberado. e aí fizemos isso. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e..procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. pois possibilitou através de seu método de trabalho. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. porque ... (RSA) “ Estava vindo.... será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma... e para complicar ainda mais........ ia e vinha.A questão da plataforma? . Máquinas que eram o top de linha da Apple. nós todos tínhamos experiência de campo. nos intervalos eu . o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando.. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple.. Angélica também tinha. além de um scanner. então o produto que for gerado.. máquinas de 32 bits de processamento.” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C.Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?... uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. ia e vinha..” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais... tanto na esfera do IBGE. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. foi muito desgastante.. quanto na esfera dos órgão contratantes. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza.. Mônica. tivemos muitos problemas.... e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado... todos nós batalhamos muito. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada.F.. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE.... disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante.... “. ... conseguimos libera o equipamento a duras penas. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia.. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple.

então com isso. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar.. pode não ser capaz de discutir teoria. quando eu cheguei..... juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos. gostando de trabalhar com grupo novo. (RSA) “ Exato. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro.. meu e dela. mas pode ser capaz de discutir um problema... porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. eu trabalhei seis anos.. quando eu fui fazer o zoneamento. eu com um pouco de audácia... formando pessoas. com isso se sentiram altamente prestigiados...Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia. um pouco de desafio. discutir problemas..foram estimulados.. e pudemos aprimora-lo”. Nossa Natureza...... e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina..estava tarimbada. ou quando o conflito era para desestruturar . entender em que escala os outros técnicos estavam operando. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. com isso. e além disso.... a experiência dela nos projetos PMACI... em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar.. e com o trabalho. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento.. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos. era isso o que eu estava propondo.. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente..... para a . (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer. O capítulo II analisará determinados mecanismos de escolha de carreira.. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista.. todo mundo é capaz de discutir problemas. nós juntamos aquele conhecimento. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi...... eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese. conflito não me amedrontava. então..... através de alguns depoimentos tomados com exemplo.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia...

que tinha.. porque eram as palavras. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas.. quando professor também do ensino médio. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. os mapas na cabeça e tudo mais.” tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan. sem qualquer sombra de dúvida. quer por sua conduta profissional.. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. em inglês.eu fiz curso de normal. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. eu me lembro por exemplo de citações.que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. ilustres desconhecidos.. ao longo desses mais de sessenta anos. “plagiando o Raja Gabaghlia. outros.. eu teria feito em Campinas. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha.. “. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco . e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. evidentemente que o melhor professor. esses profissionais do ensino. Em alguns casos...Parte III Capítulo II . direta ou indiretamente. ele citava obra.. obras em francês. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. por exemplo sobre a colonização européia. essa coisa toda.... daí não tendo curso de Ciências Sociais. porém todos participaram..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) .. do processo de escolha da Geografia como opção profissional.. talvez se tivesse. tem diversos livros publicados.. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. escola normal..vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. então. na universidade...

lembrei........ fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos. Após formado..... quando eu entrei no segundo grau. que era dividido entre clássico e científico.Teve.. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF... Manuel Maurício nos anos 50 e 60.. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes. tive uma professora que realmente gostei. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje.... também tive um professor Faria. mas eu sempre gostei mais de Geografia. Maria Isabel Azevedo...” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca... suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro.. só no meu álbum.. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico.. e uma outra também a professora Nilza Bicudo. por causa delas me decidi... no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio.. e mais duas no segundo grau.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia.. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. chamava-se Lia Cardoso.. em História também tive outra ótima professora.. aquela coisa bem tradicional.. “.. pesquisadora da Casa Rui Barbosa. devo ter sofrido um pouco de influência dela. duas professoras.. eram super exigentes essas professoras. .. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras.... mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo.. eram discursivas. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. “. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba. ela arrasava dando geografia. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói... suas provas eram muito inteligentes.. chamada Vanda Regina. era uma ótima professora...... James Braga Vieira... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. de História que também era muito bom. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio.. era uma geografia interpretativa...eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje.. na década de 70.. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.. uma que era modelo da Casa Canadá. botava aqueles saquinhos com feijão... era realmente elegante.. primeiro por causa do tipo dela... “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete. não sei o sobrenome dela. aqueles trabalhos de geografia regional.quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca. arroz. tem alguma coisa de Azevedo.... expedicionário da FEB....” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30.. essa era o máximo para a mim. descrevendo as macrorregiões. essa dava sempre a Geografia tradicional..

A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. da principal revista a RBG.. ele levantava problemas. e os três professores. na universidade o apoio e estímulo de um professor. o homem e o frio.. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. então era. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno.. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. quanto no Rio. era a chamada Escola Possibilista. o homem e a montanha.. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. eu. era como o homem se comportava diante da natureza. um dos fundadores do IBGE. por exemplo. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. Eu era capaz de acompanhar as aulas. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. por exemplo.. cuja formação eu não me lembro. o homem e a floresta. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche.. o homem e as ilhas. quatro professoras primárias. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro.. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês.. foi por inspiração do Anísio Teixeira. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de . (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. havia um outro rapaz também chamado Jorge. Dilsa Mota e Marlene de Souza. era moderna. tanto em São Paulo. pois além da formação no nível da graduação. e da principal associação profissional a AGB. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. Orlando Valverde que. mas eu não me lembro o sobrenome dele. de estilo americano.. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. foi transferido para o novo órgão. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons.. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. falar e escrever. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro.Mas... além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. entre 1940 até meados dos anos 60. eu e Jorge Zarur. Armando Sampaio de Souza.

e voltamos então a ter a visão da Europa...nessa época fomos cinco Miguel........ as faculdades para a qual nós deveríamos ir.em termos de geografia geral.. um trabalho que era um diagrama em perspectiva. Professor Paul Marres.. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura.... já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.. “.. por indicação do professor Ruellan.. sabia que eu gostava de Geografia Humana .. eu ainda não tinha nada escolhido. então ele já era quase colega do Dr. mas Miguel.... aquela região do Languedoc tem muito protestante. etc. juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil...” .. como nos tempos de Deffontaines. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas... praticamente todo fim de semana.... a partir de um mapa..... que posteriormente fez curso de geografia.. fez muita excursão... passou o tempo todo.... quem era? (RSA) “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. e os nomes científicos também.... o meu caso foi muito particular.. mas estava dentro das possibilidades de cada um. na realidade em termos de especialização..000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. Míriam para Lion e eu para Montpellier. ia ser posto em perspectiva.. “ O meu contato com o Ruellan. a visão global da geografia da Europa... pudesse ler e falar em francês. apesar das dificuldades enormes de pós guerra... na época da Faculdade... o francês faz muito trabalho de campo. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. ele tinha essas coisas assim.... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive.... o tipo de . daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês. dos chefes de escola geográfica da França... um especialista em relevo cárstico e de fitogeografia. fomos cinco.O seu orientador lá. não podia ser desenhada simplesmente.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados. porque sou evangélica protestante e Montpellier.. Ele pegou um mapa de 1:50. Fábio.. não foi decisão nossa absolutamente. Rulaan achou que eu ia me dar bem. treinam muito os estudantes para trabalho de campo. prensando e levando para classificar. uma loucura verdadeira.. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra.” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia. aquela seção da qual se originou . porque ele não falava português...000... Geiger. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu Montpellier. como era um mapa de 1:50.. ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo.você já sabe . O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE. Míriam. era um apaixonado por geografia.eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês. Heldio foi para a Strasburg. durante os anos 40... tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado.... então as perspectivas tinham que ser calculadas..o IBGE. pegando amostras.... já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês... quinze anos no Brasil sem falar português correntemente. de Christóvão...e ele firme. Heldio e eu.. tiramos o pessoal dos Estados Unidos. aprendi tudo com ele durante anos..

. não sei se para o Geiger.. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. pois bem.. Heldio e Míriam.. mas acho que eles tiveram essa mesma visão.. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. mas a experiência francesa teve uma importância enorme.. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. Jacob Binstock... é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. nesse período (68-69) então. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. para a nós foi extraordinário. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. De certa forma.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. isso foi no período de 59 a 62. foi a minha efetiva formação de geografia. os estudos de Áreas de Influências das Cidades. na realidade.... Buarque.. para a mim pessoalmente. na França foi onde aprendi Geografia... realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas.. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil.. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. nos anos 60 no contexto do IBGE. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. substituído por Olga. sobretudo a ela. posteriormente. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana.. paralelamente.. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui...geografia regional que se aprende lá. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos... . João Rua. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas.. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que... no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade . também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel Rochefort. eu já acompanhava de perto e namorando.. a prática de cartografia aplicada a geografia.. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana..

“ Agora..” (Geosul 12-13. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu.. você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. Em 1972. Minha tese de mestrado. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. o Brian Berry. 1991-1992. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei. o Rochefort fez uma passagem mais ampla.P... no Economic Geography e no Professional Geographer.. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. quer dizer.. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. aquilo. Rochefort.... o Cole ficou e orientou mais.. cada um tem um escolhido do seu jeito. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers..29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. mas de certa maneira.. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. Fany com Geiger.Envolvi-me com a “nova” Geografia. Faissol é que repassava.” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. o Cole... tinha mais de uma dezena de análises de regressão..” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão.. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas... Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento.. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria... quer dizer. . e aí você vê cada uma pessoa. mas aqueles que eu assisti... pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil... Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. p. que repassaram para outros profissionais. Roberto com a Lisia. Cole na Inglaterra em Geografia urbana..“.. A idéia de elaboração de leis.. quer dizer. Em seu depoimento. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J.. você tinha cursos específicos.

Esse processo não era tão simples e direto. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. como nas fases iniciais do órgão. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. fosse ele um professor estrangeiro. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. na excursão da região do Jalapão. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. no caso do primeiro. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. principalmente nos períodos de implantação do órgão. O exemplo do jovem de 19 anos. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. juntamente com Alfredo Porto Domingues. com o seu conhecimento da língua japonesa . onde o erro. Problemas como grandes projetos de prazo curto. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. A questão central estava em perceber quem. onde a qualidade final não podia ser negligenciada.Parte III Capítulo III .Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. tão comum nas fases iniciais de um profissional.

coincidentemente. período da chamada Geografia quantitativa. são pontos de referência para um entendimento de que. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. A tênue fronteira entre a subserviência. mas que entendia a necessidade do trabalho. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. Nos anos 70. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. que muitas vezes eram descartados logo depois. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. sem maiores vassalagens.garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. Neste campo. e quem o dominava. em convênios com o governo francês. necessária nas fases iniciais. algumas vezes não sabiam o que pediam.. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais.. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. adquirida nos anos 80. É necessário entender que a língua franca da Geografia. gerando em muitos casos. . quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991.

não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido.... Maria Francisca que foram ótimas técnicas. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. quer dizer.... quer dizer. eu fiquei na área de população.. era um prazer trabalhar com Lisia. acompanhando em paralelo.. não sei. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago... ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos. considerado o universo em questão. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. aquilo passava......” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana.. a geração que ingressou no início dos anos 50. ela dizia eu quero isso. então formou técnica e gerencialmente.. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. No entanto. Edmon Nimer no clima. quando o contingente de pesquisadores aumentou. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. a nossa também foi um pouco. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”. foi importantíssimo.. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades... eram poucos.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. extremamente objetivas.. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. que dizer. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. mas a outra geração foi completamente massacrada.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser. a não ser em poucos centros de excelência. porque se você ver bem. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos.“ Ela era entusiasmadíssima. criou entusiasmo.... referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. a partir dos anos 50... Olindina Mesquita na agricultura... ela dava aquelas orientações todas diretíssimas.. Waibel na agrária. que pelo maior número envolvido.. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos.. a geração anterior... foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante. mas de certa maneira a Rute Magnanini. ela não te amolava absolutamente. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945.. era apenas eu quero isso.

Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. sob a supervisão dos chefes de equipes. eu entrei para AGB em 58. da sua orientadora Lia Osório. se fosse o caso. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. 59. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. que podiam assim. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. a turma seguinte.. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. desenhar os gráficos e mapas. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano.. Na maioria das vezes. Obviamente. eram quatro alunos só. pois envolvia. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. Para os mais avançados. e mesmo antes. o número de geógrafos estagiários do IBGE era mínimo.. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. mesmo a aqueles considerados “normais”.. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário.” .

Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele momento. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. que foi talvez a mais proveitosa.?(RSA) “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal.. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. que fez um primor de exposição. olha tem uma vaga. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. quer dizer..” (Geosul 12-13. inimigos mortais.. 1991-1992. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul. senão me engano.. não sei quando.... com a presença do Bispo de Penedo. “.240) Speridião Faissol. eu era muito jovem.. p.E apresentou trabalho.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos.. e Caio Prado Jr. acho que isso é importante. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. encarregado de estudar a parte agrária.Em 1962. de fato. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. então não tinha muita relação um com outro..” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) . motivo de recordações de muitos geógrafos. Corrêa a RSA) Portanto. em 1945. embora não tendo muitas ligações com a associação. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. fez trabalho por todo o lado. nós outros éramos chamados sócios cooperadores.. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. etc. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. havia possibilidade. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens.. a parte econômica.. Tá bem. eu faço questão de passar em Lorena. um belo dia ligaram para minha casa. levando alunos." Então resolveram fundar a AGB nacional com.” (Depoimento de Roberto L.. estou começando o segundo ano. está chamando você ir para lá.. “. e vamos pelo Vale do Paraíba.. a Assembléia de Penedo... 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. A importância da AGB é.

.. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias.. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78.ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. IBGE era AGB Rio carioca. e literalmente. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. 92 eu não podia.. o Congresso de Fortaleza.. Nilo. “..(RSA) “.. bom. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE.. Araújo. Elza... depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias.” .. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50.. a Maria do Carmo nunca foi agebeana.. Faissol nunca foi agebeano. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. Alfredo esses participavam. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.. por uma questão sentimental.Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar... Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE..Ela ficou um período solta. Orlando menos. Bom a partir dos anos 60... pensando.. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando. praticamente no IBGE. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. O Congresso de Fortaleza que.. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. Lígia. eu passei grande parte da minha vida cuidando. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual.. trabalhando.. jantando e dormindo AGB... A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE..” -Uma você estava em Chicago...Olha a geografia... em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. mas Nilo. almoçando. um pouco dessa história. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. vou conhecer a terra do meu pai.(RSA) “ Uma em Chicago em 74.... por isso ela sobrevivia. acho que foi. Lígia. vindas de um agebeano do final dos anos 50. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram.em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. até que quando eu soube a última vez tinha um sócio pagante... porque aí eu fui tesoureiro alguns anos.. modéstia a parte. modéstia à parte..(RSA) “ . meu pai era cearense então eu disse.. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei.. mas também participava. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. Prudente... se não foi em termos científicos. .. Geiger.” .. comendo. e. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE.. a AGB do Rio acabou... Baturité e aí em Belo Horizonte.. mas não quer dizer que necessariamente. No Rio... Hilgard Sternberg. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro. de fato e de direito destruíram-na.

ai fui a de Mossoró em 60.eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. nosso arquivo... 68 Montes Claros.. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. com a AGB nacional. passou a ser Encontros. o Faissol acabou com ela.. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional.. indústria.. as estruturas portuárias. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Entretanto.. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. as vezes concomitante. e os atualizados lá... nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir..“. 67 Franca. ela foi para a UERJ. dei conferência em função da AGB no Fundão.. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. fiz uma série de cursos.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos.. que depois ele o pediu também. o representante do IBGE.. fomos parar em baixo da escada lá naquela Seção de Estudos que ainda era no 7 andar.. não. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB... fui secretário. para a vender. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário. mas durou pouco tempo.. só recebo um boletim e olhe lá.. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte..... que eu fui tesoureiro. nós tínhamos nossa estante.. as pessoas realmente pensam assim . No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. no período da Assembléia de Maceió.. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. o próprio José César reconheceu o processo. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. eu como disse. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. no sentido de diminuir essas relações.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas. Londrina. 67. 2000) foi possível verificar a . os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos.. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE.... depois em 66 foi Franca.. foi aí que comecei a participar no plano nacional. 66 Blumenau. fomos parar rapidamente numa sala lá... 1963 foi em Penedo. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas... “.... fui duas vezes Diretor Regional. na Universidade Fluminense. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam... 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco.

Evidentemente. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de . também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. as determinações de fronteiras estaduais. 34 entre 1950 e 1955. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas.importância dessas excursões. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. que para compor um quadro como este. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. e em alguns casos. houveram muitos preços a pagar.. Entre 1941 e 1968. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos.. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. que ocasionalmente. sendo que 76 nos anos 40. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. Esses foram alguns dos resultados desses trabalhos de campo. a Carta do Brasil ao milionésimo. os estudos sobre o relevo do território. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. os programas de colonização dirigida.

28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . além das do IBGE. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . fronteira entre Pará e Amapá. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial.José Redondano Neto. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. alguns dos quais foram sepultados nesses locais. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. no município de Tucuruí (PA). Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. A lista. morre afogado no Rio Tocantins. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. mas Egler não teve a mesma sorte. Em termos de homenagens. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. A . geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. além da área de segurança de queda. no rio Jari. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. caindo num trecho muito turbulento. inaugurando uma escola com o seu nome. 20/03/1979 . Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado.suas funções técnicas. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM).

em função do nível de sigilo envolvido. numa trágica coincidência. Esta. 09/08/1991 . mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. fretada pelo RADAM.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina).Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco).Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. 09/10/1992 . trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. é apenas uma lista de referência. 15/05/1990 .Hilda da Silva do IBGE (de câncer. 22/03/1997 . desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. pois outros geógrafos faleceram também. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que . faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). 18/09/1995 . indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). No entanto. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria.aeronave.O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. embora aposentados. é que o avião teria caído no mar sem explodir.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). ambos davam consultorias ). além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. José César de Magalhães Filho. Duas suposições ficaram no ar. 13/05/1980 . A segunda. quando ainda trabalhava no IBGE. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. e com isso. mas que não poderia ser comentado. dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. não deixando vestígios na superfície.

A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. sua população e sua economia. . criando novas estruturas de pesquisas. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. novos trabalhos e novas lideranças.subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. Novas metodologias.

principalmente nas primeiras décadas de atividade. por sua missão institucional o IBGE seus profissionais de Geografia sempre tenderam mais ao ecletismo do que a especialização. que sempre foram mais cobrados nos segmentos da Geografia física do que na humana. inclusive com abordagens distintas quanto ao conhecimento matemático e estatístico. Um outro ponto importante a considerar. Os processos de aprendizado na universidade. já que ainda era difícil perceber que aqueles métodos poderiam trazer grandes modificações no conhecimento geográfico fora do campo do planejamento governamental.Parte IV . No contexto do IBGE. as diferentes abordagens de trabalho nas áreas de pesquisa geográfica que os geógrafos do IBGE adotaram ao longo do período de sua existência. mas que tinha por imposição de seu contrato do professor na Universidade do Brasil. que era geomorfólogo. Miguel Alves de Lima. Alfredo Porto Domingues. é necessário que se entenda que a grande divisória que separa as práticas profissionais dos geógrafos físicos. A exceção ocorreu durante a década de 70 no contexto dos métodos quantitativos. talvez por conta da forte influência de Francis Ruellan. Lúcio de Castro Soares foram alguns desses e apenas Pedro Geiger migrou para os estudos econômicos e sociais nos anos 50. um fator inibidor no diálogo profissional. Pedro Geiger. lecionar e transmitir qualquer campo do saber geográfico para seus alunos e para os técnicos do IBGE. É possível argumentar que. quando confrontada com os especialistas dos campos sistemáticos. evidentemente. pois as experiências com a quantificação nos anos 70 exigiam equipamento caro e mão de obra especializada. A força dos estudos sistemáticos na área de Geografia somente toma força com Michel Rochefort nos anos 60 no campo da Geografia . Heldio Lenz. Conjunto de estudos que normalmente envolvem as duas áreas. dos que trabalham com Geografia humana é. essa dicotomia não se fez sentir com intensidade. tendem a dicotomizar essas duas áreas. necessitando da experiência de um pesquisador eclético que conheça perfeitamente os grandes traços físicos e humanos de uma região para poder realizar o trabalho de recorte regional. Para isso. mas ainda assim era possível perceber que os melhores “alunos” tendiam a se especializar em Geomorfologia. Daí o grande poder da área de regionalização. eram as atividades típicas de planejamento que o IBGE sempre teve ao seu encargo. como no caso da regionalização. mas que não chegou sequer a modificar a tendência conhecida. já nos primeiros anos.As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução Estamos considerando como praticas profissionais. por mais que se pregue o contrário. além de uma grande dose de boa vontade por parte dos professores e dos alunos.

Os próximos capítulos tratarão de dar uma visão panorâmica dos principais temas da pesquisa geográfica trabalhos pelos profissionais do IBGE e analisar sua importância para a história do pensamento geográfico brasileiro. capítulo I descreve em linhas gerais cada um desses temas. principalmente os vinculados ao estudo do habitat rural. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológico decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. Além disso. é nesta parte do trabalho. embora os ensinamentos de Leo Waibel nos anos 50 em Geografia agrária também já orientavam os geógrafos regionais nessa direção. perante outras instâncias da instituição. onde também se avaliará a representatividade do trabalho geográfico e dos geógrafos em particular. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. ainda possuíam uma forte conotação regional. fundamentalmente. Foram. os processos de industrialização e urbanização no sudeste brasileiro nos anos 60. as grandes arenas de pesquisas dos geógrafos especialistas do IBGE. mas é preciso assinalar que os grandes estudos orientados por Waibel neste campo. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior relevância e suas relações com as conjunturas técnicas ou políticas da casa. sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. .urbana.

2 de abr. principal área de trabalho da Geografia do órgão. Atividades essas que envolvem várias diretorias e que viabilizarão bases geo-referenciadas para inúmeras áreas e pesquisas da agência. 4. Analisando-se a cronologia bibliográfica sobre o assunto é possível perceber que os processos de regionalização sempre acompanharam a trajetória do órgão e determinaram inclusive as formas de apresentação tabular dos censos. 1 – Geomorfologia. 63 da AG/CNG . 1939 07 25 .Resolução n. 6. distritos. acompanharam a evolução dos estudos geográficos no IBGE e definiram tendências em escala nacional para certos trabalhos. Seu artigo publicado na RBG ano 3. auxiliando nos planejamentos dos censos. 6. 6-Caracterizações Ambientais ( 6. Na parte final do capítulo foi introduzida uma avaliação das atividades de geoprocessamento.2 – Climatologia.Capítulo I . conforme administrativos e legais do IBGE. 3Industrialização. nos informa os dados da cronologia dos atos . unidades federadas e grandes regiões. /jun.Diagnósticos Sócio .Regionalização Ao se observar panoramicamente a atuação da Geografia do IBGE verifica-se que os estudos de regionalização sempre foram a razão de ser dessa área na casa. não sendo de maneira nenhuma uma lista fechada. n.Modernização da agricultura. de 1941 tornou-se um clássico e sua definição para uma divisão única foi acatada pelo governo federal. micro e meso regiões. O estabelecimento em 1938 pelo Conselho Nacional de Estatística de uma regionalização baseada na divisão em uso pelo Ministério da Agricultura e que serviu como base para o censo de 1940 foi o ponto de partida para os estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães objetivando definir uma nova regionalização para o Brasil. principalmente no que tange aos estudos de regionalização.Ocupação do Território e Habitat. de bairros urbanos. Além de garantirem uma maior precisão cartográfica nas cartas editadas pelo IBGE. municípios. 2. previsão de safras agrícolas.Regionalização. Os nove grandes temas analisados: 1.Urbanização. 1 . campanhas estatísticas.Determina o estudo da divisão regional do Brasil e das suas unidades federadas e a elaboração de uma obra de divulgação sobre a região amazônica em geral e o rio Amazonas em especial.3 – Biogeografia) e 7. 5.Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia: uma análise de suas práticas profissionais Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE são considerados como uma referência geral para a explicação das atividades do antigo Conselho Nacional de Geografia (CNG) e do atual Departamento de Geografia (DEGEO). acompanhamento da evolução das malhas de setores censitários.Ambientais Integrados.

para uso da Estatística Brasileira. 1942 07 09 . 72 da AG/CNG . em definir regiões preferencialmente por critérios econômicos. com alteração no nome de uma região (Este foi substituída por Leste) mas cada unidade federada foi também subdividida em zonas fisiográficas com os seus municípios correspondentes. 124 da AG/CNG . O artigo de Fábio de Macedo Soares analisou a necessidade de uma regionalização que tivesse uso estatístico e que apresentasse um alto grau de estabilidade ao longo dos anos para fins de comparabilidade espacial e por isso optou por uma divisão que desse preferência às características naturais das regiões delimitadas. 1967a e 1967b).mediante agrupamento dos municípios brasileiros. Novas determinações da assembléia geral do CNG durante o início dos anos 40 orientaram estudos para demarcação de zonas fisiográficas nas unidades da federação. Além dessas obras. promove a sua adoção pela Estatística Brasileira e dá outras providências. a divisão regional do Brasil.Fixa o quadro de divisão regional doBrasil. embora argumentando que já havia uma tendência.Resolução n.para fins práticos. e dá providências para a generalização do seu uso. que foram incorporadas aos planos tabulares dos censos seguintes. Esta resolução implicou em estudos de regionalização nas unidades regionais estabelecidas e o resultado desses trabalhos resultou na coleção Divisão Regional do Brasil. Sul e Centro-Oeste) mas suas unidades federadas ainda eram apenas subdivididas em municípios. 225 da AG/CNE . com na divisão do Conselho Técnico de Economia e Finanças adotado em 1939 por ocasião da Conferência nacional de Economia (Guimarães. e baixa provisoriamente e em segunda aproximação.Sugere uma nova divisão das unidades federadas em zonas fisiográficas. ainda que incipiente. regionalizando conjuntos de municípios de características homogêneas. 143 da AG/CNG . Nos censos de 1950 e 1960 as regiões fisiográficas foram mantidas. que para cada região. estabeleceu uma subdivisão em sub-regiões e zonas. 1941:363-364). foi também organizado um estudo abrangente em convênio com o .Manifesta o aplauso do Conselho à nova Divisão Regional do Brasil fixada pelo Conselho Nacional de Geografia e dá providências a respeito. 1941 07 24 .Resolução n.1941 07 14 .Resolução n.Resolução n. Nos anos de 1967 e 1968 iniciou-se no âmbito da Divisão de Geografia os estudos para a definição da nova regionalização em espaços homogêneos e polarizados (IBGE. Este. 1945 07 13 . O plano tabular do censo de 1940. Nordeste. primeiro censo organizado após a criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG) já apresentava no volume Brasil uma divisão em regiões fisiográficas (Norte.Estabelece a divisão regional do país.

Fany Davidovich. com textos redigidos por Lysia Bernardes. e o de espaços polarizados escrito a quatro mãos por Roberto Lobato Corrêa e Fany Davidovich são peças reveladoras do pensamento geográfico regional da segunda metade dos anos 60 (IBGE. por conta desse projeto). 1967b). População. Elza Keller. O governo federal após o golpe militar de 1964 estava preocupado com a espacialização do desenvolvimento econômico e via com grande interesse pesquisas que pudessem organizar o território brasileiro ou dar subsídios para este processo. Aluísio Duarte. Orlando Valverde. Ignez Barbosa. Pedro Geiger. Essas novas questões sobre regionalização estavam na pauta da Geografia do IBGE por conta das recomendações definidas na XXIII Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia através da resolução 595 de 17 de junho de 1966 visando subsidiar uma regionalização que substituiria as regiões fisiográficas. Eugênia Egler. No caso das duas obras consideradas como iniciadoras do processo. Pedro Geiger. Indústrias.Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) para analisar a estrutura espacial brasileira. Regiões Agrícolas. A regionalização em espaços homogêneos servia para duas grandes vertentes a primeira objetivando o planejamento governamental em áreas com as mesmas características. Roberto Corrêa. Marília Galvão. além de terem contado com a consultoria de Michel Rochefort nas fases iniciais do processo. Transportes. a . Edmon Nimer. servindo efetivamente de subsídios à institucionalização de uma nova sistematização de regionalizações levada a efeito pela Geografia do IBGE a partir do final dos anos 60. Fany Davidovich e Ruth Magnanini. o dos espaços homogêneos escrito por Pedro Geiger. (IBGE. Lysia Bernardes (chefe anterior da Divisão de Geografia e que estava se transferindo para o IPEA. 1967a. os textos introdutórios. Speridião Faissol. A definição e delimitação dos espaços homogêneos foi trabalhada por um conjunto de 13 geógrafos ( Lysia Bernardes. Os Espaços Homogêneos O grupo de geógrafos que trabalhou com o esboço preliminar das regiões homogêneas foi coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Pedro Geiger e Nilo Bernardes e foram revistos por Elza Keller. Nilo Bernardes. Speridião Faissol. 1968b) coordenado por uma equipe que contava com Marília Veloso Galvão (que tinha assumido a chefia da Divisão de Geografia e que estava sendo elevada a categoria de Departamento). Atividades Terciárias e Centralidade) e praticamente envolveu todo o quadro técnico da Divisão de Geografia por dois anos. O Subsídios à Regionalização trabalhou com sete segmentos dos estudos geográficos passíveis de serem regionalizados (Quadro Natural. Olindina Mesquita).

a micro de Médio Rio das Velhas tornou-se micro de Pirapora. Alto Solimões. Médio Amazonas. a micro de Encosta Ocidental da Mantiqueira Paulista tornou-se micro de São João da Boa Vista (centro sub-regional).segunda garantindo uma perfeita compreensão espacial do território nacional através da divulgação dos dados estatísticos pela inclusão dessa regionalização no plano tabular dos censos do IBGE. o Departamento de Geografia. Serra de Baturité. Os Espaços Polarizados O trabalho precursor dos estudos sobre polarização foi orientado por Michel Rochefort e coordenado por Lysia Bernardes em 1964 O Rio de Janeiro e sua Região (Bernardes L. um engenheiro encarregado do processamento de dados. uma estatística. pois suas denominações são. Chapada Diamantina Meridional). possivelmente sobre orientação direta de Speridião Faissol. BaixoMédio São Francisco). Os estudos dessa nova divisão iniciaram-se em 1987 sob a coordenação de Aluízio Capdeville Duarte e a gerência de Onorina Fátima Ferrari e adotada pelo Sistema Estatístico Nacional em 1990. vales de rios ( Microrregiões Médio Rio da Velhas. (Infelizmente esse material foi perdido no prédio da Rua Equador (Santo Cristo) em função de uma infestação de inseticida por uma dedetização mal sucedida em 1985). 1964) e testou sistematicamente em campo o método Rochefort de hierarquização de uma rede a . Pantanais. de certa forma. que foi adotado pelos planos tabulares posteriores e pela nova regionalização em Meso e Microrregiões Geográficas de 1992. podendo ser componentes do relevo (Microrregiões Encosta Ocidental Paulista. A antiga micro de São Paulo Estâncias Hidrominerais Paulistas tornou-se micro de Amparo (centro sub-regional). 1976c :5-16). Chapadões do Paracatu. Para o recenseamento econômico de 1975. Mata de Cataguases. O município de Caraguatatuba que pertencia a micro Costa Norte Paulista tornou-se micro de Caraguatatuba e assim por diante. fazendo parte do plano tabular do recenseamento de 1991. elaborou uma regionalização em Mesorregiões Homogêneas pelo processo de agregação de Microrregiões. Alguns exemplos poderão ilustrar o problema. justapondo-se aos trabalhos de regionalização de espaços polarizados. priorizando os centros urbanos e. No final dos anos 80 foi iniciado outro processo de regionalização de espaços homogêneos sob nova ótica. Trabalharam neste projeto 15 geógrafos. vegetação ( Microgerriões Campos de Guarapuava. depressão Periférica Setentrional. ainda é possível perceber que a denominação de muitas micros apresentavam características ambientais que as distinguiam.. Baixo Jaguaribe. Campos de Vacaria e Mata de Dourados).. Nesse período. semelhantes. em muitos casos. Uma versão condensada em inglês foi publicada no livro de contribuições do IBGE à 23 Assembléia da UGI em Moscou (IBGE..

Marta Regina Brito.urbana e delimitação de seu espaço de influência. quando da edição do segundo grande trabalho deste segmento. João Rua.1976c). com textos redigidos por Fany Davidovich. O segundo grande projeto neste campo. Roberto Lobato Corrêa. também coordenado por Pedro Pinchas Geiger. José César Magalhães (energia) e Fany Rachel Davidovich (urbana). (IBGE. trabalhando com os espaços polarizados em escala nacional. 1976 . em escala nacional.1968). inclusive com proposições metodológicas mais novas (IBGE. Ney e Lourdes Strauch e Maria Thereza Bessa de Almeida. Carlos Alberto serra. Lenice Araújo. Uma versão em inglês desse trabalho foi incluída no livro de contribuições do IBGE a 23 Assembléia Geral da UGI em Moscou. Írio Barbosa. Na década de 70. Olga Maria Buarque. Rosa Fucci. Edmon Nimer. Dulce Alcides Pinto. Hilda da Silva. Luís Antônio Ribeiro. Maria Emília Castro Botelho. Maria Francisca Cardoso. Aluízio Capdeville Duarte. Hilda da Silva e Maria Rita Guimarães (Regional). a influência de Rochefort foi sendo gradativamente substituída pelos trabalhos da escola anglo-americana. 1968b). mais sete geógrafos de várias especialidades como Amélia Alba Nogueira (geomorfóloga). 1976)∗. onde o capítulo de Centralidade foi desenvolvido por Roberto Lobato Corrêa (Corrêa. ∗ a . Maria Tereza Bessa e Pedro Geiger (IBGE. mas concluído por Elza Keller. Eugênia Egler. Ignês Teixeira Guerra. que foi responsável pela compatibilização dos estudos e dos mapeamentos finais e pelo texto introdutório. Ruth Magnanini. o Divisão do Brasil em Regiões Funcionais Urbanas (IBGE. A regionalização em espaços polarizados passou a suprir uma demanda do planejamento estatal na definição de pontos no território que seriam mais dinâmicos que outros. Coordenado por Pedro Geiger nas primeiras fases das formulações metodológicas. 1967b). coordenados por Pedro Geiger. No projeto trabalharam além de dos dois. 1972). Sônia Alves de Souza. A mudança de enfoque é bem percebida. A influência de Michel Rochefort é claramente sentida nas primeiras fases neste segmento do trabalho geográfico (IBGE. Elizabeth Gentile. para elaborar o diagnóstico Esboço Preliminar de Divisão do Brasil em Espaços Polarizados. com estruturação de grupos de trabalho específicos. Jacob Binsztok. Ceçary Amazonas. Elisa Mendes de Almeida.1967b) e também no projeto do Subsídios à Regionalização (IBGE. Os dois geógrafos que mais estudaram essas metodologias foram Roberto Lobato Corrêa e Aluízio Capdeville Duarte coordenando uma equipe com uma socióloga. reuniu um grupo de 24 geógrafos. A ênfase da época eram os estudos baseados na teoria das localidades centrais de Walter Christaller da década de 30 na Alemanha e retrabalhada por geógrafos ingleses e americanos. Os estudos sobre espaços polarizados tornaram-se prioritários durante meados da década de 70. Cléa Sarmento Garbaio e mais três geógrafos.

1987).mas com algumas leituras de franceses como o economista Charles Boudeville e o geógrafo Etienne Juillard. Lúcia de Oliveira. gerando as tabelas de ordenação dos centros urbanos. mais a assessoria computacional da Diretoria de Informática do IBGE através da analista Viviane Narducci Ferraz que organizou os dados. Helena Zarur Lucarelli. para uma urbanização sustentada pela industrialização na década de 70 e alcançando na década de 90. gerou a terceira fase da divisão de espaços polarizados brasileiros realizada pela Geografia do IBGE o Região de Influência das Cidades. na fase final entre 1997 / 1998 e contou com uma equipe de 8 geógrafos (Aurélia Lopes da Silva. analisavam algumas características físicas. João Baptista de Mello. O trabalho. 1976b). O’Neill. tornaram-se os carros chefe das atividades de distribuição varejista. Nilo David Mello. As Análises Regionais Será igualmente importante abrir um espaço para a descrição dos trabalhos que. e por Luiz Alberto dos Reis Gonçalves. pela proliferação dos centros de compras (shopping centers) e pelo avanço do processo de franquia de produtos (franchising). Eliane Ribeiro da Silva. e pela ampliação do setor de serviços. coordenado por Roberto Lobato Corrêa e tendo como equipe técnica 14 geógrafos. Luiz Carlos de Carvalho Ferreira. Solange Cardoso Barros. Maria Thereza Bessa de Almeida. Luís Alberto Nascimento. quando se aposentou. Estácio Arruda. . Onorina Ferrari e Sulamita Hammërli e um economista Ruben Magalhães. Aluízio Capdeville Duarte. O trabalho está em fase de publicação. concluído em 1983. que ao estabelecerem essas novas redes de estabelecimentos. A última fase dos estudos de espaços polarizados data da década de 90 foi trabalhada por uma equipe coordenada por Marília Carvalho Carneiro entre 1993 e 1997. Este esforço metodológico. mas somente foi publicado em co-edição com o Ministério de Habitação e Urbanismo em 1987 (IBGE / MHU. acabou sendo muito utilizado como referência em função de seus mapas e suas tabelas de ordenação dos centros por muitas agências governamentais e organizações privadas. humanas e econômicas das regiões estabelecidas. João Baptista ferreira de Mello. Agustinho Rocha. após o estabelecimento do processo de regionalização. Lourdes Strauch. que pode ser avaliado no segundo artigo do grupo (IBGE. A evolução dessas quatro fases na determinação das principais redes urbanas do Brasil mostrou a transformação de um país ainda agrário na década de 60. Maria Rita La Rocque. Ayrton Almada. altos estágios de urbanização comandada pelo setor terciário: com a expansão do comércio. onde as atividades financeiras assumiram a liderança do segmento. mas já é possível ter acesso a ele na base de dados do IBGE. Rogério Botelho de Mattos. Cleber de Azevedo Fernandes. Maria Mônica Vieira C.

Lúcio de Castro Soares. Hidrografia. sobre a região Norte foi fortemente influenciado pelas informações geradas ainda pela Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e foi organizado por Antônio Teixeira Guerra. Indústria Extrativa. Eram obras pequenas que enfatizavam uma subregionalização nas regiões estabelecidas pelo estudo de Fábio de Macedo Soares Guimarães e que não apresentavam nenhuma indicação de autoria pessoal. Guerra e Energia.Félixberto Camargo e Antônio Teixeira Guerra.Edgar Kuhlmann. Seu primeiro número de 1959. humanos e econômicos desses sub-espaços. Geologia. É interessante perceber que apesar de estar em pleno período da luta entre os grupos Zarur (já falecido em 1957.Antônio Teixeira Guerra e Orlando Valverde. A estrutura dos capítulos estava assim organizada: Introdução. o trabalho era feito por quem possuía melhor qualificação. De certa forma essa coleção foi a primeira a ser realmente considerada como uma obra geográfica para o grande público. O segundo volume da série. Leste e Norte-1950). pois sua estrutura editorial contemplava coordenadores de projeto (cada livro de uma região era um projeto fechado) e equipes de autores que recebiam crédito autoral por capítulo organizado. Dias. Dias e Carlos Goldemberg. Organização SocialCatharina V. a participação de Orlando Valverde numa co-autoria com Antônio T.Catharina V. Apesar das inimizades. Nordeste e Sul-1949. Transportes. que além de estar no comando da Divisão de Geografia do CNG. Agricultura. principalmente para o segmento educacional de segundo grau e universitário. mas substituído por Speridião Faissol na Direção do CNG) e Fábio. uma paraense que conhecia muito bem sua região no que dizia respeito aos aspectos de ocupação econômica e ao ambiente cultural.Antônio Teixeira Guerra. População e PovoamentoCatharina Vergolino Dias e Manuel Maurício de Albuquerque. Relevo e Litoral. Suas análises caracterizavam igualmente os aspectos físicos. O segundo projeto de análises regionais. mas já sobre outras bases. Guerra é importante para estabelecer separações entre os problemas de ordem pessoal e o institucional. publicado em 1960. Vegetação. O exemplo de Catharina. iniciou-se em 1959. era também um especialista de Geomorfologia da Amazônia.José César de Magalhães. Solos e Utilizações Agrícolas. Estrutura Econômica e Regime de Propriedades.Marília Velloso Galvão. mostra bem o aproveitamento da mão de obra técnica daquela época no CNG.Catharina V.A primeira coleção de análises denominou-se Divisão Regional do Brasil e foi elaborada entre 1948 e 1950 ( Centro Oeste-1948. Clima.Catharina Vergolino Dias e Antônio Teixeira Guerra.Antônio T. Dias.Arthur César Ferreira Reis. Fitogeografia da região amazônica. trabalhou com a região Centro Oeste e foi organizada por Marília Vellozo Galvão e sua estrutura de capítulos estava distribuída da seguinte maneira: .

Ney Rodrigues Inocencio. Vegetação. Maria da Glória Hereda e Alfredo Porto Domingues. Indústria Extrativa.Jorge Xavier da Silva. o Tomo I que enfocava a parte física foi organizado por Delnida Martins Cataldo e Aluízio Capdeville Duarte e o Tomo II sobre a parte humana e econômica coube a Aluízio Capdeville Duarte. Em 1968. José Henrique Millan e Maurício Coelho Vieira.Dulce Maria Alcides Pinto. Estrutura Urbana.Maurício Coelho Vieira.Edgar Kuhlmann.Speridião Faissol.Marieta Mandarino Barcellos. já com Marília Veloso Galvão chefiando o novo Departamento de Geografia. Energia. Formas de Povoamento Rural. já sob a chefia de Lysia Bernardes na Divisão de Geografia. O terceiro.Olindina Vianna Mesquita. Organização Urbana.Maria Magdalena Vieira Pinto e Transporte. Vegetação. José César Magalhães e Maria da Glória Hereda.Ariadne Soares Souto Mayor. População e PovoamentoManuel Maurício de Albuquerque. Recursos Extrativos MineraisMarília Veloso Galvão e Aluízio Capdeville Duarte. Extrativismo Vegetal. Hidrografia.Maria Magdalena Vieira Pinto. Clima. Pecuária. Transporte. Clima.Marília Veloso Galvão e Edmon Nimer. Vegetação.Amélia Alba Nogueira.Celeste Rodrigues Maio e Alfredo Porto Domingues.Elvia Roque Stefan.Maria da Glória Hereda.Lindalvo Bezerra dos Snatos. Energia. tendo como organizadores Maria Rita da Silva Guimarães e Aluízio Capdeville Duarte.Marília Galvão. Hidrografia-Carlos C. Indústria Extrativa Animal. Botelho.Fany Haus Martins. Hidrografia. estudou a região Nordeste.Elvia Roque Stefan.José César de Magalhães e Grandes Eixos de Circulação. a região Sul foi editada em dois volumes separados.Elvia Roque Stefan. Extrativismo Vegetal. Litoral – Interior. Agricultura. Atividades Agropastoris.Introdução.Antônio Luís Dias de Almeida. de 1962.Lilia Camargo Veirano. A estruturação dos capítulos era: Relevo. Indústria Extrativa Mineral. analisando separadamente o espaço correspondente ao Meio Norte e teve dois organizadores.José Carneiro Felipe Filho.Elvia Roque Stefan. População.Pedro Pinchas Geiger. A região Leste foi editada em 1965.Lilia Camargo Veirano. Brasília: a nova capital.Ney Rodrigues Inocêncio. Povoamento. Núcleos Urbanos. Povoamento.Manuel Maurício de Albuquerque.Lindalvo Bezerra dos Santos. Pecuária.Maria Magdalena Vieira Pinto.Haidine da Silva Barros.Aluízio Capdeville Duarte.Elvia Roque Stefan.Ney Julião Barroso.Alceo Magnanini.José César de Magalhães. População. Ocupação Agrícola. Agricultura. Geomorfologia. Sua estruturação estava assim apresentada: Introdução. Clima.Olga Maria Buarque de Lima. A estruturação do Tomo I estava assim distribuída: . Implantação Industrial.

um de sistema urbano da Região Norte redigido por Catharina Vergolino Dias .Introdução. já comentada na Parte II. Geomorfologia.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. A coleção seguinte. mas não ganhou o ∗ Vegetação.Elza Coelho de Souza Keller. Maricato. O planejamento e coordenação da coleção ficou sob a responsabilidade da chefe do Departamento de Geografia (DEGEO) Marília Veloso Galvão que nomeou um grupo de geógrafos da Velha Guarda como coordenadores temáticos de toda a coleção. Maria Magdalena Vieira Pinto e Pedro Pinchas Geiger. a escolha de Orlando Valverde conflitou diretamente com a orientação de que os capítulos de agrária teriam um sub-capítulo denominado Organização Agrária ou equivalente que trabalharia com uma análise fatorial.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. trabalhou no subcapítulo Características Estruturais das Cidades utilizando uma análise fatorial para definir uma tipologia urbana da região. toda editada em 1977. Alfredo Porto Domingues. Atividades Agrárias.Nilo Bernardes. Strauch e Maria da Glória Hereda. População. Amarante Romariz e Solos. A melhor prova dessa luta pode ser vista em dois exemplos de capítulos da coleção.Dora O nome verdadeiro é Rivaldo Pinto de Gusmão . No caso do capítulo Atividade Agrária da Região Sul. Lindalvo Bezerra dos Santos. O Tomo II estava dividido em: Povoamento. Elza Coelho de Souza Keller. CirculaçãoEloísa de Carvalho Teixeira e Redes Urbanas. uma geógrafa que nunca se mostrou encantada com as novas técnicas. Lúcio de Castro Soares. inclusive com a introdução de alguns que refletiram as mudanças que estavam ocorrendo na economia brasileira foi o principal legado dessa coleção. HidrografiaOlindina Viana Mesquita. Atividades IndustriaisIgnês Costa Barbosa. Orlando não escreveu tal sub-capítulo e Rivaldo Pinto Guimarães∗ o fez. Lourdes Manhães M.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. foi a grande obra de referência da fase dos métodos quantitativos. A variedade de temas. Clima.Ariadne Soares Souto Mayor.Aluízio Capdeville Duarte e Armely T. A análise da agrária trabalharia com a estrutura das microrregiões e a urbana com os municípios. mas que nesse caso.Dora Amarante Romariz. onde as duas correntes quantitativistas e não quantitativistas empreenderam uma luta surda na estruturação dos sumários das regiões e que acabou numa solução de compromisso onde sempre dois capítulos (agrária e urbana) teriam uma análise fatorial e de grupamento visando explicar suas estruturas espaciais. considerada como um referencial bibliográfico importante nos cursos de Geografia durante as décadas de 60 e70.

403).Edmon Nimer.Edmon Nimer. Indústria. que pode ter ocorrido em assuntos que tiveram muitos autores nos cinco volumes. sem os riscos de gerar certos caleidoscópios de pontos de vista. Clima.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. Região Sudeste Relevo. Transportes. o climatólogo Edmon Nimer.Maria Terezinha A. Energia. Isso representou para esses assuntos. Sistema Urbano. Transportes. Energia. o de Indústria de Fany Davidovich e o do Sistema Urbano de Olga Buarque de Lima e Roberto Lobato Corrêa.Hilda da Silva e Maria Emília T. Energia. Atividade Agrária. principalmente pelos capítulos de População organizado por Elza Keller. Região Nordeste Relevo-Amélia Alba Nogueira.Amélia Alba Nogueira.Maria Elisabeth C. mas deu todo o apoio. O crédito de autoria dessa parte foi colocado nas notas de referência (IBGE.Lúcia de Oliveira. Clima. de Souza Keller.crédito de co-autoria no capítulo. HidrografiaLúcio de Castro Soares. HidrografiaElvia Roque Steffan. Mesquita.C. Atividade Agrária. A estruturação de sumários e de autores foi assim apresentada: Região Norte Relevo. Alguns tornaram-se clássicos como o do Sudeste. Hidrografia. C.Solange Tietzmann Silva. IndústriaDulce Maria Alcides Pinto e Mitiko Yanaga Une.Edmon Nimer. . Vegetação. mas infelizmente. A importância dessa coleção se deveu em mesclar diferentes enfoques para explicar as profundas modificações por que estava passando o espaço brasileiro na década de 70.Elza Coelho de Souza Keller. p.Rosa Maria Fucci. pois Rosa era uma espécie de assistente sua).José César de Magalhães.Edgar Kuhlmann.Elza C. Vegetação. População.Edgar Kuhlmann. de Souza Keller.José César Magalhães. professores e alunos do nível superior. como seria normal.Maria Teresa Bessa de Almeida e Elvia Roque Steffan.Myrian Guiomar G. somado ao grande tamanho dos volumes afastaram a maior parte do público alvo.Amélia Alba Nogueira.Myriam G. de Sá Távora Maia. C. População. o especialista em energia José César de Magalhães trabalharam sobre seus assuntos em praticamente todos os volumes (César só foi substituído por Rosa Fucci no volume do Nordedeste.Elza C. População.Carlos de Castro Botelho. de Castro Botelho. Alonso.Catharina Vergolino Dias. Sistema Urbano. Transportes. o estigma da quantitativa. Vegetação. 1977e. Clima. Mesquita. Profissionais como a geomorfóloga Amélia Alba Nogueira. Atividade Agrária. uma visão integral do Brasil.

na primeira fase por Sulamita Machado Hammerli.Maria Theresa Bessa de Almeida.Amélia Alba Nogueira.Edmon Nimer. Elvia Roque Steffan e Ayrton Teixeira Almada.Maria Rita da Silva Guimarães.Ruth da Cruz Magnanini e Ariadne S. Souto Mayor. O volume do Sul foi coordenado por Olindina Vianna Mesquita e o do Norte. Atividade Agrária∗ Orlando Valverde (Rivaldo Pinto Guimarães ). que tornaram-se anacrônicos em relação aos dados do censo demográfico de 1991.Maria Therezinha Alves Alonso. Hidrografia.José César Magalhães. Strauch. Sistema Urbano.José César de Magalhães. Energia. Transportes.Edmon Nimer. da Cruz Magnanini. que iria também coordenar os demais volumes. Cada volume teria um coordenador geral e um encarregado das análises do quadro natural. Vegetação.Lindalvo Bezzerra dos Santos. Região Centro Oeste Relevo. Atividade Agrária. que faleceu em 1990. Indústria. . que foram incorporados ao IBGE nas primeiras fases do governo de José Sarney. Sistema Urbano.Fany Rachel Davidovich. Sistema UrbanoAluízio Capdeville Duarte. ∗ O nome correto é Rivaldo Pinto de Gusmão.Armely Therezinha Maricato e Onorina Fátima Ferrari. População. pois havia após 1985. Energia. A última coleção da Geografia do Brasil ficou inacabada em virtude de problemas de editoração que atrasaram demasiadamente a publicação dos volumes do Nordeste e Sudeste.Olga Maria Buarque de Lima e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa.Ney Rodrigues Inocêncio. e os não publicados Nordeste e Sudeste.Ruth Simões Bezerra dos Santos.Olindina Vianna Mesquita. de Souza Keller e Ruth L. Vegetação. um Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente (DERNA) enriquecido com técnicos vindos do RADAM BRASIL. as edições foram publicadas a medida que iam sendo terminadas. na chefia do departamento. Região Sul (1990) e Região Norte (1991). O primeiro volume lançado foi o da Região Centro-Oeste coordenado por Aluízio Capdeville Duarte em 1989 e tendo como coordenador das análises do quadro natural Trento Natali Filho. Clima.Elza C. a partir de um planejamento anual definido pelo DEGEO e tendo como organizadora da coleção Solange Tietzmann Silva. Indústria. Porém os volumes das demais regiões foram editados a tempo. sendo concluído por Olga Buarque de Lima. Da mesma forma que a coleção da década de 60.Indústria.Lourdes Manhães de M. Hidrografia. Clima. Transportes. População.Ney Rodrigues Inocêncio. Região Sul Relevo.Amélia Alba Nogueira e Gelson Rangel Lima.

através do Inter-American Regional Resourses Project de Washington. em virtude da grande evasão para a aposentadoria ocorrida nos anos 90. sobre a Bacia do Médio São Francisco. 1947). 1952). As análises regionais que enfocaram espaços uma escala de maior detalhe. Foram trabalhos clássicos. mas a falta de técnicos especializados para cuidar dos capítulos. que envolveram vários segmentos da Geografia e que ainda dão uma visão privilegiada das áreas estudadas. mas não entraram em processo de editoração nesses anos. em virtude de problemas com a editoração do censo. em conjunto com técnicos do Ministério da Agricultura e coordenado no âmbito do CNG por Lindalvo Bezerra dos Santos (IBGE. acabou por inviabilizar o projeto. o de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. 1954) e pelo estudo de Orlando Valverde na zona da mata de Minas Gerais (Valverde. Ambos foram concluídos entre 1992 e 1993.O volume da Região Nordeste foi coordenado por Maristela de Azevedo Brito e o do Sudeste teve dois coordenadores. 1958). quando comparados aos dados do censo de 1991.1952). Helena Zarur Lucarelli e Roberto Schmidt de Almeida. . e com isso tornaram-se defasados. Foi tentada uma atualização dos dados em 1994. nos anos do pós-guerra (Zarur. podem ser exemplificadas pelo detalhado trabalho de Jorge Zarur. os estudos da zona de influência da Cachoeira de Paulo Afonso. em convênio entre o IBGE e o National Planning Association. o de Carlos de Castro Botelho sobre a zona cacaueira do sul da Bahia (Botelho.

É válido também considerar.as grandes cidades. em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no pós guerra. e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra. que o forte enfoque econômico adotado por uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a década de 60. Por hora. características originais do habitat urbano. tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1.Ocupação do Território e Habitat Considerado um tema prioritário para o IBGE durante a Segunda Guerra e nos anos 50. Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos. quantitativos.a relação Sociedade / Meio. 70 e 80 . e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache ( 1845.as formas de transição.habitat urbano e 4. tecnocratas ou o nome que se queira dar. encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano. Max Sorre já havia percebido que a noção de gênero de vida. o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat. por influência de Michel Rochefort. Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90. que ocorreu após 1956.as formas mais evoluídas da habitat urbano . que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil. e que com isso. 3. viraram as costas para a Geografia Física. tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ). 1949) Para Max Sorre . Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil. pois grandes alterações já eram pressentidas por ele. também tenha contribuído para esse abandono. em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). em virtude dos fortes componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos. por estarem agregados aos dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ). com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo. O problema é antigo e não somente brasileiro. os estudos sobre o habitat e o processo de ocupação rural foram gradativamente perdendo força durante a década de 60 e totalmente abandonados nas décadas seguintes. do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante. asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses . 2. devemos ter em mente.1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal .habitat rural. (Sorre. é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 . marxistas. ser mais discutida do que efetivamente trabalhada.2 . Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão.

A principal ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”. A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante. originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes.1967). cap. que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913: “A Geografia. o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês. Glacken. segundo sua localização. desde o século XVIII. Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana. Albert Demangeon e Maximilien Sorre ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat). Buttimer (1980:61) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris. Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902. tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre.elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos. em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1. Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida.fenômenos de domínio sobre plantas e animais ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3. que se inspira na idéia de unidade terrestre.fenômenos de economia destrutiva ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) . Traces of the Rhodian Shore. escrito nos anos 50.IV e V).fenômenos de ocupação improdutiva do solo ( casas e caminhos ) 2. considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken. ver Brunhes (1962. No entanto. Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida. III. Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que. instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e a organização social de um grupo. com vistas ao seu sustento cotidiano. a aparência da terra adota”. se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. .

Dos três.. Seu sistema classificatório de aglomerado. Sorre e Deffontaines. além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939. as figuras mais importantes que introduziram esse estudos. as do francês Francis Ruellan. difusão de doenças. Muito embora. inspirou as posteriores investigações de Demangeon. tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo. Sua preocupação com os aspectos funcionais. a Geografia francesa deve a ele . espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre. Seus trabalhos sobre migrações modernas. dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer . densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos. no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat.. fórmula que. Suas investigações substantivas sobre doenças. 1942). turismo. pode Fremont. 1949). é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição. que era corrente na época. que faz uma interessante costura desses elementos. Da Casa à Região ( ) e regiões. reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema. ritmos de trabalho.” Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional. Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso.Para Buttimer (1980:86). O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa. No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE. foram durante o início dos anos 40. tecnológicos que rege a convivência humana. culturais. para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon.1980). em paralelo à morfológica.. aldeias. Gradmann e Meitzen. ser verificado na obra de Armand Fremont. e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional. indo além dos puramente morfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter. “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa. na segunda parte do livro denominada: É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro. Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos. sem dúvida. aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ).

Clarence F.além dos americanos Robert Platt. Merece também destaque o trabalho de Nilo Bernardes (1957) por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos. trataram do tema. criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida. 1955). Nesse grupo. somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros. Preston James estudou. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). seus alunos em Winsconsin. explicitamente. pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização. sua vinda em 1946. Dessas figuras. e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers . 1994: 440). a mais importante foi Leo Waibel. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida ( Waibel 1949). o problema de colonização. uso da terra e gênero de vida. encarada aqui em seu sentido mais amplo. em períodos diferentes. 1960). discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico. é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que. os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas. Na década de 70. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. A Geografia do IBGE produziu uma grande quantidade de trabalhos que poderiam ser classificados em cinco grandes grupos. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. que trabalha com certas características do habitat para determinação de setores censitários nos recenseamentos demográficos e agropecuário. que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James. Os americanos. Os Estudos Clássicos sobre Habitat Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa. Jones e Preston James ( Pereira. alguns geógrafos regionais. fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural daquela região (Guerra. pode ser entendida como uma ação de planejamento do governo federal visando o conhecimento de novas áreas para uma futura onda de colonização decorrente do pós guerra. Lynn Smith. um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra. o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e . Clarence Jones e Preston James também trabalharam com o tema colonização. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. além de um assunto muito especializado. tanto no título quanto no conteúdo.

1955).que Leo Waibel havia estudado em 1949. incluindo um. 1949) sobre uma colônia alemã -Uvá. aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos impulsionadores do povoamento. além do livro O Mato Grosso de Goiás. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional no início da década de 60 com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos. O artigo de Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel. artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951. 1970). além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado.o sudoeste paranaense. o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers de 1953. transcrito no Boletim Geográfico . analisou o processo de colonização em Alagoas. que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel. 1967) sendo que um deles (1952). de cunho didático. geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas. 1952. sendo pois. um guia de referência importante até hoje. tratando do mesmo assunto . 1952).sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil. escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização .1950. que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol. O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último.na Região do Mato Grosso de Goiás.colonização européia no Sul do Brasil . Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia É o mais eclético e amplo de todos.1952). O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados. Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida Esse conjunto congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. mas mostra uma clara tendência para a relação entre a geografia agrária e os processos de povoamento e de estruturação econômica que as acompanham. 1949). O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida.1963) e na década seguinte (Corrêa. Sem sombra de dúvida. o trabalho mais importante é o de Leo Waibel. mais recente (1967). que será tratado no próximo conjunto. Os artigos de Speridião Faissol iniciam com o seu primeiro trabalho publicado na RBG. 1952 ). Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes. (Faissol.

o grande clássico sobre o assunto é o livro de Antônio Cândido (1964) . pesquisa realizada no município de Bofete (SP). 1967). o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil. indubitavelmente. uma atividade rural. Os títulos de maior destaque foram dois artigos de Orlando Valverde. um explicando o que é Antropogeografia (Valverde. como por exemplo: um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes. 1960). Destaque-se também a grande produção individual de Orlando Valverde abrangendo praticamente todas as regiões do país. 1955. 1967).(James. Valverde e Dias. com trabalhos que cobrem diferentes tipos de vida econômica (Valverde. 1958. 1959). também aparecem trabalhos que. Como no trabalho de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler. 1952) e o de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde. .1957). o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes. ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. 1961.1962) são alguns exemplos representativos desses clássicos do IBGE. além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde. quanto como regional. Fora do campo geográfico. devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat. 1957. para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde. ou para os aspectos culturais advindos de grupos étnicos minoritários. foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo. tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano. Na medida do possível.1957). Além desses. que o trabalho se orientasse por um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida. 1989). Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Cultural No contexto da tipologia seguida. 1968. esse foi o grupo que mais causou dúvidas. além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema. os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado.além de outros em co-autoria (Valverde e Mesquita.

As questões sobre loteamentos. baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial. passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ). Geiger & Santos. ver Derruau (1964: 384-87).a área periférica das metrópoles. o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo. mas mesmo assim. pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna.Estudos de Periferia Rural/Urbana A principal razão da inclusão desse grupo de estudos. 1954). está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações. talvez não estivessem preocupados.1956. a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares. a delimitação dos setores censitários. já que na área urbana contínua. com esteve Sorre. . 1956). Além desses. ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro. Isto é. Geiger & Coelho. com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala. Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos. Nesse procedimento. deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat . e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok. mudanças de atividades agrícolas. 1968). está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida. o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia. no pós-guerra. A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. 1959). As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância. 1967). A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais. Nesse grupo destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger. 1952 e 1956. cristalização de hábitos rurais e resistências às mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos.

por que nas palavras das autoras : “. para que os planejadores dos próximos. repartição da PEA segundo setores de atividade.) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa . Uma primeira limitação. densidade.. dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração. os limites do perímetro urbano legal. cuja expansão ultrapassa. nos levantamentos censitários. dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios. O trabalho de Olga Maria Buarque de Lima Fredrich (geógrafa) . Rocha.. etc. 1983).IBGE.. é sempre passível de alterações de censo para censo. . na verdade. A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários. ou seja... coloca em discussão o tema. muitas vezes. “. (Fredrich.. de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei. que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais. publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE. nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana. A proposta deixada no artigo pelas autoras. que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país... vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho. O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo. para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios. No caso dos aglomerados isolados. o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos . Sebastiana Brito (socióloga) e Sonia Rocha (economista). canteiros de grandes obras.No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). de natureza urbana. se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais. dos assentamentos que são. a conceituação adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado. Nas justificativas as autoras colocam que.” Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”. Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão. Brito.PEA ). possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos .

Recife e Salvador. Cabendo a Fany Davidovich a redação final do artigo. a segunda metrópole nordestina. é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente. como no caso do trabalho de Milton Santos (na época professor da Universidade da Bahia) que publicou na RBG um importante trabalho sobre localização industrial na cidade de Salvador. por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”. 3 . Uma outra exceção pode ser atribuída ao artigo de Fany Davidovich sobre a industrialização de um centro periférico à metrópole de São Paulo no início dos anos 60. . (Davidovich. o que garantiu uma alta qualidade ao texto.demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. Maria Elisabeth Corrêa de Sá. Tais políticas gerenciadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) não deram ao longo daqueles anos. trabalhos monográficos que enfocavam um centro muito especializado. pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural. Mas alguma exceções foram importantes. as fotos dos arquivos do CNG dão uma incrível visão do processo de industrialização no início dos anos 60. Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat. resultados que pudessem ser sentidos claramente por suas economias. Ney Julião Barroso e Salomão Turnowski. Fany Davidovich. que no final dos anos 50 já possuía um parque bem diversificado (Santos.Industrialização A Geografia do IBGE enfocando o processo industrial em escala regional inicia sua atuação com o artigo de um grupo de pesquisas coordenado por Pedro Geiger em 1963. O estudo trabalhava com o processo de industrialização da região sudeste e é. Para o planejamento. A década de 60 caracterizou-se por uma tentativa de ampliação das políticas de descentralização industrial que visavam diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras. José Carneiro Felipe Filho. compunham o grupo nove geógrafos. evitando sempre que possível. sem sombra de dúvidas. Maria Luiza Gomes Vicente. tornando-o um clássico na modalidade. Além disso. Além de Pedro Geiger. mas que foi inicialmente orientado por Michel Rochefort em 1961. Ignez de Moraes Costa. É importante frisar que estamos tratando de estudos que operavam na escala regional ou nacional. priorizando o Nordeste via adoção de incentivos fiscais para implantação de parques industriais nas suas duas maiores metrópoles. 1966) . José César de Magalhães. o mais completo quadro da industrialização brasileira no início dos anos 60. Jundiaí. Modalidade muito comum nos congressos de Geografia. 1958). Maria Lúcia Meireles de Almeida.

No contexto das relações interdisciplinares que o IBGE tentou implementar nos anos 70 a associação entre o geógrafo Pedro Geiger e o economista teuto-americano Werner Baer no DEGEO. Durante toda a década de 90 esses dois autores dedicaram-se aos estudos de localização e de tipologia industrial nas escalas regional e nacional. juntamente com mais três colaboradoras a geógrafa Ciléia da Silva. A principal preocupação era avaliar a dinâmica espacial dessas indústrias que costumam compor o grupo de empresas do “circuito inferior” da economia urbana. 1991a) e estava ligado aos padrões de localização dos pequenos e médios estabelecimentos de algumas atividades industriais do segmento regional nordestino. mas analisando-as num contexto regional. 1995). (Baer. resultou num artigo no número especial do Caderno de Geociências dedicado à algumas análises do mapeamento do ANB. Foram trabalhadas as regiões Norte ( Almeida e Ribeiro. Sudeste (Almeida e Ribeiro. 1991a. 1979). 1980) e Ribeiro deu continuidade ao assunto trabalhando com a RM de Salvador para sua tese de mestrado em Geografia na UFRJ ( Ribeiro. 1993. 1982). conforme estudado por Milton Santos em seu já clássico O Espaço Dividido (Santos. ao trabalharem no módulo Industrialização do Atlas Nacional do Brasil de 1992. 1995) e na escala nacional. Na mesma época. local. levou-o a estudar o processo de concentração geográfica dos estabelecimentos industriais. Geiger et alli. Roberto Schmidt de Almeida e Miguel Ângelo Campos Ribeiro iniciaram seus estudos pela região metropolitana de Recife (Almeida e Ribeiro. o interesse pelos processos de localização industrial na escala de região metropolitana também levou outros geógrafos do IBGE a estudarem as relações entre localização e migração de indústrias e suas estruturas de fluxos de matérias prima e de produtos finais entre a região metropolitana alvo e as diversas escalas espaciais possíveis. estadual. 1980). regional e nacional. A continuidade do interesse de Pedro Geiger pelos processos industriais que estavam em curso em várias áreas do país. b). associação que acabou por gerar um dos melhores artigos de avaliação das políticas de incentivo fiscais para a indústria no Nordeste brasileiro. . Mas esse tipo de análise mascarava muitos processos industriais que ocorrem em escalas mais locais e que tradicionalmente não são estudados por técnicos do governo federal. fazendo uma comparação em dois períodos de tempo (1970 e 1980). a socióloga Zélia de Morais e a economista Helena Castelo Branco (Geiger et alli. Nordeste ( Almeida e Ribeiro. mostrando sua ineficácia e indicando claramente a persistência das desigualdades regionais apesar do grande volume de recursos despendido na década anterior. Um cenário alternativo a esses estudos foi tentado na Região Nordeste (Almeida e Ribeiro. O objetivo principal desses trabalhos era verificar o grau de concentração / diversificação do processo industrial brasileiro e comparalo interregionalmente. 1976).

será possível traçar a trajetória desses trabalhos desde os de Pierre Deffontaines sobre as cidades brasileiras (Deffontaines. Artigos Pirotécnicos. por vezes não contíguos.” (Oliveira e La Croix. Com a denominação de Áreas Industriais: uma proposta de inovação na produção de estatísticas. em outros casos. pode gerar alguma controvérsia. dispersão e a estabilidade no território nordestino. 1982). Roberto Lobato Corrêa (1968 e 1989) no que tange . O objetivo fundamental desse trabalho era de contribuir com o Sistema Estatístico Nacional (SEN). Ainda no contexto dos estudos de estrutura industrial ocorridos na década de 90. Artefatos de Selaria. setorialmente.Foram analisados oito tipos de indústrias: Preparação de Fumo. 1975). Fabricação de Redes. 1982). 1944) até os estudos sobre a constituição das Áreas Metropolitanas (IBGE. pois apresentam-se. que poderiam estar tendendo a concentração. 1994). uma análise como essa abre grandes possibilidades de se entender o que fica fora de foco em regiões de desenvolvimento incipiente. 1969) e os que analisaram os fatores que poderiam compor as aglomerações urbanas brasileiras (Davidovich e Lima. (Davidovich e Cardoso. identificando-se conjuntos de municípios vizinhos. Aguardente. ( Lima Fredrich e Davidovich. Farinha de Mandioca. possuindo um amplo domínio sobre elas. e cuja estrutura produtiva é similar ou complementar. A segunda. a primeira. Açúcar Bruto e Rapadura. Muito embora. misturados com os estudos de polarização e. Os resultados palpáveis de uma trabalho como este deverão vir a tona com os novos bancos de dados industriais que estão sendo gestados na Diretoria de Pesquisas em substituição aos antigos censos industriais que foram interrompidos na década de 90. o mais completo trabalho interdisciplinar entre Geografia e Estatística foi levado a efeito por Evangelina Xavier G. após um exaustivo trabalho de filtragem nos censos industriais de 70 e 80 e verificada a evolução dos seus padrões espaciais de distribuição. de áreas industriais: “recortes territoriais onde é significativa a atividade industrial. Óleos Vegetais. foi o resultado dessa combinação de saberes. 4. com os de industrialização. em nível nacional. as contribuições de Nice Lecoq Müller (1968). as vezes. com perfil de especialização específico. Quando comparado aos convencionais trabalhos tipológicos que operam com os grandes gêneros industriais. Mas se adotar-mos uma classificação bem livre. de Oliveira e Luisa Maria La Croix. economista que sempre operou no ambiente das estatísticas industriais do IBGE. geógrafa da geração quantitativa e que sempre trabalhou com essas técnicas. gerando bases operacionais que agilizem a realização da coleta e diminuam os custos de produção dos dados. gerando a proposta de uma espacialização.Urbanização O que se convencionou denominar de trabalhos ligados ao estudo da urbanização brasileira na área de Geografia do IBGE. ou municípios isolados.

34-46. as vias de comunicações e o abastecimento. Deffontaines também analisa o critério função.1 v. aglomerações de origem militar. as cidades nas estradas: pousos. No caso de São Paulo. No contexto americano Chauncy Harris e Edward Ullman publicaram em 1945 The Nature of Cities que enfocava de maneira bem semelhante esse tipo de classificação – cidades como localidades centrais. continua na seguinte com A Geografia Urbana e sua . cidades como pontos de concentração de serviços especializados. numa conferência pronunciada em 1959.. 1940. publicado na RBG n. foi o engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal Jeronymo Cavalcanti. p. o processo de ocupação do solo. 1965). Ainda no campo do estudo de funções urbanas. ao analisar as duas maiores cidades do Brasil enfocando a posição e o sítio. ruínas de cidades pelas via férreas.aos estudos de redes urbanas e o de Maurício Abreu (1994) que tratou dos trabalhos que operaram na escala intra-urbana são.4 out. 1944). Deffontaines voltou a tratar do assunto especificamente sobre o Rio de Janeiro. O que importa aqui é dar ao leitor desta saga ibegeana um quadro de referência sobre as principais linhas de trabalho da Geografia Urbana no IBGE.3 n. em virtude de sua estrutura industrial que já se organizava nos municípios periféricos São Caetano. 1971).2. Quando se pesquisa a estrutura de sumários da RBG verifica-se que o primeiro brasileiro a estruturar um conjunto de quatro artigos sobre Geografia Urbana nos primeiros volumes da revista. apresenta uma classificação de cidades brasileiras de acordo com suas funções (as reduções missionárias. Ainda sobre a questão do binômio sítio/posição. Silva que havia enfocado a Geografia dos Transportes na escala de Brasil em 11 números consecutivos (RBG v. A segunda parte tratou da estrutura interna das cidades dentro dos conceitos da escola de sociologia urbana de Chicago (Harris e Ullman. as cidades mineiras. com o título de Como se Constituiu no Brasil a Rede de Cidades que. posteriormente traduzido por Orlando Valverde para o Boletim Geográfico (Deffontaines. devidamente anotada por Lysia Bernardes e publicada no Beletim Geográfico 184 (Deffontaines. Deffontaines produziu em 1938.2 n. cidades estações ferroviárias e as bocas de sertão). com os seus principais produtores.4). o microclima. as cidades da navegação.2 a v. Jeronymo Cavalcanti inicia sua série com o artigo A Geografia e a sua influência sobre o Urbanismo na RBG v. sem sombra de dúvidas. um artigo para o Bulletin de la Societé de Géographie de Lille . O geógrafo francês Pierre Deffontaines foi o iniciador desses estudos em seu artigo A Geografia Humana do Brasil (1939) no capítulo III. numa composição semelhante a do também engenheiro Moacir F. cidades como ponto de transbordo. Santo André e São Bernardo do Campo./dez. as melhores avaliações sobre o tema Geografia Urbana brasileira feitos até o final do século XX.1 n.

utilizando uma vasta bibliografia americana e francesa e estabelecendo comparações entre continentes.influência sobre o saneamento das cidades (RBG v. Todos os artigos são ricamente documentados com fotos.1 jan. 1941 apresenta A Geografia Urbana e sua influência no tráfego e finaliza a série na RBG v.1 jan. para um melhor entendimento do que era considerado pelos planejadores urbanos no final da década de 30 e início dos anos 40. 1942 com A Geografia Urbana e sua influência sobre o Urbanismo superficial e subterrâneo. 1945).3 n. Tráfego (analisado sob o aspecto dos meios de transporte e da malha viária).2 n. 1947. Durante o decorrer da década de 40 o estudo da Geografia Urbana esteve mais ligado aos trabalhos monográficos sobre certos centros urbanos que mereciam destaque por alguma característica específica os exemplos de Caxambú e Lambari trabalhados pelo engenheiro Virgílio Correa Filho./dez. inclusive organizando parte da solenidade do batismo cultural da cidade. O primeiro tratou sobre as questões ligadas à posição e ao sítio e sobre as condições morfológicas que beneficiam ou restringem a expansão urbana./set.1 jan./dez. plantas urbanas e arquiteturais e desenhos./mar.3 jul. e o de Moacir F.4 out.4 n. assistente técnico do CNG nas RBG v. os demais são artigos que enfocam a distribuição espacial dos equipamentos básicos no contexto intraurbano.1 jan. 1944). Silva apresentou na RBG v.6 n.6 n. . professor da USP e editada na RBG v. consultor técnico do CNG na RBG v.4 out. saneamento (abastecimento e esgotamento sanitário) e estrutura geológica e vegetação (suas relações com a engenharia civil e o paisagismo). 1940 e RBG v.1 jan. A construção de Goiânia. 1941)./mar./set.3 jul. Esta série deve ser seriamente considerada como elemento de estudos nos cursos de história da Geografia Urbana ou do Urbanismo atuais. Orlando Valverde também deu sua contribuição aos estudos monográficos. através de sua segunda contribuição acadêmica na revista com os ensaios sobre Pirapora e Lapa (RBG v. 1941. É claramente um precursor dos trabalhos desenvolvidos por Speridião Faissol na década de 70./mar. O mesmo Moacir F.3 n./mar. baseados na classificação de tamanho funcional gerada pela técnica de análise fatorial. 1946 o primeiro artigo enfocando a questão da tipologia urbana como um resultado compósito de vários fatores como tamanho populacional e função. 1944) sobre comércio ambulante e as ocupações de rua no Rio de Janeiro apresenta-se como pioneiro neste campo. onde o CNG teve uma importante participação./mar.3 jul.7 n.3 n. Na escala intra-urbana o trabalho de Everardo Backheuser (RBG v. na RBG v. 1944.9 n./dez.8 n. foi estudada por Aroldo de Azevedo. e o de Águas de São Pedro produzido por Sílvio Fróis de Abreu./set. analisando o desenvolvimento dessas estâncias hidrominerais.6 n.4 out. Silva sobre as redes de distribuição de energia para a iluminação pública no Rio de Janeiro deu uma continuidade aos trabalhos anteriores de Jeronymo Cavalcanti (RBG v.

já insere algumas questões relacionadas ao espaço peri-urbano. 1954) o processo evolutivo dessa área. além e de receberem freqüentemente visitas técnicas de pesquisadores especializados (Emmanuel de Martonne. Para se ter uma avaliação aproximada de seu poder de produção geográfica. detectou cinco que tratavam especificamente do tema também escritos por ele entre 1957 e 1964. os estudos visando a transferência da capital do Brasil para algum ponto do interior brasileiro geraram artigos que estavam mais vinculados aos aspectos regionais do que propriamente o novo sítio. pois geraram muita polêmica no contexto das relações do IBGE com a Presidência da República. naquele período.Na segunda metade da década de 40. . treinados Francis Ruellan desde 1940 e por Leo Waibel entre 1945 e 1950. O período compreendido entre 1956 e 1968 marca uma fase de intensos trabalhos na área de Geografia Urbana. no entanto será importante citar os artigos de Christóvão Leite de Castro sobre o processo (Castro. Pierre Dansereau. Em 1963. quanto a tipologia. listou 10 trabalhos de Geiger realizados entre 1952 e 1963 e Roberto Corrêa (1968) ao avaliar os estudos sobre redes urbanas no brasil até 1965 no mesmo Simpósio. 1952). O XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro chamou a atenção da comunidade internacional da Geografia para uma agência de planejamento estatístico e territorial que possuía uma equipe de profissionais de alto nível. a maioria com treinamento especializado em universidades no exterior (França e Estados Unidos). além de correlacionar explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. Definindo as metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. além de um capítulo sobre a mais nova experiência urbana brasileira da época. e em co-autoria com Myriam Gomes Coelho (Geiger e Coelho.3 jul. 1956 ) e na região setentrional (Geiger. mas que também cobria todo o espectro das grandes aglomerações urbanas brasileiras em termos de exemplos. analisa com a co-autoria de Ruth Lyra Simões (RBG v. Brasília. Clarence Field Jones. 1956) ao tratar de estudos rurais. Na década de 50 iniciam-se as contribuições de Pedro Geiger enfocando ainda um contexto peri-urbano na Baixada Fluminense com o trabalho sobre loteamentos (Geiger. Com um sumário que abrangia tanto o processo. realizado em Buenos Aires em 1966. Seus trabalhos de total ligação com a Geografia urbana e industrial podem ser percebidos nas análises do processo de urbanização da Baixada Fluminense em seus setores da orla oriental da Baía de Guanabara (Geiger. formados por Pierre Deffontaines nas fases iniciais. Jean Tricart e outros). Preston James. 1946 e 1947).1956). Nice Lecocq Müller (1968) ao avaliar o estado da arte ds estudos de Geografia Urbana no Brasil durante o Simpósio de Geografia Urbana do IPGH./set. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60.16 n. o mais completo trabalho sobre o processo de urbanização brasileiro feito nos anos 60. Geiger edita pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais o clássico Evolução da Rede Urbana Brasileira.

1 jan. 1979). 1969) e que também coordenou. usando os ensinamentos de Michel Rochefort ( 1957 ) no trato de questões sobre sistemas de cidades. e em particular com os estudos das relações entre cidades e suas regiões de influência.32 n. dois que trabalharam sistematicamente no assunto: Maria Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e a terceira. deixou um legado de formação de técnicos e de adoção de metodologias nos estudos urbanos e industriais que ainda não foi totalmente substituído. A vinculação de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa com a Geografia Urbana.17 n. Maria Francisca Cardoso trabalhou também na área de divulgação de assuntos geográficos e orientou a estrutura de cursos de aperfeiçoamento durante o início dos anos 80.4 out. o primeiro projeto de delimitação das regiões funcionais urbanas de 1972.1 jan. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. Sua colaboração com Lysia Bernardes e Pedro Geiger na década de 60. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.4 out. ./dez./jun. 1965) e um específico de intra-urbana sobre a feira de Caruaru (RBG v. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano..Um dos geógrafos que passou a trabalhar com a equipe do CNG nos estudos de urbanização foi Michel Rochefort. no contexto de pesquisas que adotaram o método de Michel Rochefort de avaliação de redes urbanas./dez 1955). No campo dos estudos das relações campo-cidade alguns geógrafos também foram importantes. inicia-se na década de 60. juntamente com Pedro Geiger. a mais importante pesquisa feita nesse período. isso foi no período de 59 a 62. sem dúvida.25 n. Em seu depoimento para esta pesquisa.31 n./mar.1964) é.29 n.. Na década de 70 trabalha com planejamento de polos de desenvolvimento no Nordeste (RBG v. 1963) e Carauaru (RBG v. O trabalho sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (Bernardes L. RBG v. após um período trabalhando com Geomorfologia. trabalhando em análise regional e aposentou-se em 1991. retornou à pesquisa geográfica.27 n.41 n. retorna as pesquisas urbanas na década de 60 com dois trabalhos sobre área de influência de cidades médias nordestinas Campina Grande (RBG v. 1970) e no final da década em Minas Gerais./set. deste conjunto destacam-se três. sobretudo a ela. principalmente no que se referia aos processos de determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional.3 jul./mar.4 out. “ Olha eu devo meu crescimento para profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. Roberto explicita quem foram seus principais orientadores e referências metodológicas. 1967). A produção de Maria Francisca na Revista Brasileira de Geografia enfocando os estudos urbanos inicia-se na década de 50. 2 abr.. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lysia Bernardes.MG (Cardoso. Elza Coelho de Souza Keller que em 1969 publicou um artigo sobre as funções regionais e a zona de influência da cidade de Campinas (RBG v. através da avaliação do setor terciário das cidades envolvidas. com um trabalho sobre a cidade de Cataguases . trabalhando com a técnica de mercados mínimos para medir desequilíbrios intra-regionais (RBG v./dez.

29 n. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. Pedro Geiger e Elza Keller que.51 n. Estudos Básicos para a Definição de Pólos de Desenvolvimento no Brasil (RBG n. foi também mostrada na epígrafe do seu segundo artigo de avaliação da produção geográfica sobre redes urbanas (RBG v.32 n. orientada por Brian Berry Variations in Central Place System: ana analysis of the effects of population densities and income levels em 1974 na fase “Quantitativa” e Repensando a Teoria das Localidades Centrais na coletânea Novos Rumos da Geografia Brasileira.. outro./set.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA). Lysia Bernardes.. a “Quantitativa” de inspiração anglo-americana dos anos 70 e a “Marxista” dos anos 80. 1989:113). Outra constatação sobre essas influências. organizada por Milton Santos em 1982. de enfoque analítico sobre as diferentes abordagens dos estudiosos ao tema. com a publicação do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa./jun.2 abr. o capítulo Sistema Urbano do volume Região Sudeste de 1977 em co-autoria com Olga Maria Buarque de Lima e sua tese de mestrado em Chicago.. Tempo e Cultura). 1970) na fase “Tradicional”.3 jul. Fany Rachel Davidovich e Pedro Pinchas Geiger. e também propositivo. na fase “Marxista”. paralelamente. Região. na fase de “Planejamento Urbano”. um no final dos anos 60 (Corrêa. quando eu fui trabalhar com Lysia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. entre 1956 e 1964. deveriam ser objeto de estudos no futuro (Corrêa. meu foco de interesse já havia mudado desde 196l. 1989).1 jan. A principal característica da trajetória profissional de Roberto Lobato Corrêa na Geografia Urbana brasileira foi sua total inserção nas quatro correntes metodológicas por que passou a Geografia Urbana no IBGE. . coroando sua vida profissional. 1997). foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lysia Bernardes sem a menor dúvida. 1988) e. 1968) e outro no final dos anos 80 (Corrêa. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. uma coletânea de seus principais trabalhos em segmentos de pesquisa da Geografia (Redes. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. Seus principais trabalhos em cada dessas fases foram Cidade e Região no Sudoeste Paranaense (RBG v. no final dos anos 60. 1967) em coautoria com Rubens de Mattos Ferreira do EPEA.. ao elencar algumas linhas de pesquisas que. A Milton Santos. o que a Lysia fazia sob orientação do Michel Rochefort. também de inspiração francesa sob a orientação de Michel Rochefort. “A Monbeig e Rochefort que lançaram a semente. ao ter elaborado dois trabalhos de análise do “estado da arte” sobre o tema de redes urbanas./mar.De certa forma. a de “Planejamento Urbano”. Espaço e Empresa e Espaço. dos anos 60. a seu ver. Espaço Urbano. a “Tradicional” de inspiração francesa. eu já acompanhava de perto e namorando. mas ele mesmo foi o seu mais completo avaliador. fizeram-na germinar” Sua produção pode ser avaliada de várias formas.

1982).3 jul.29 n.40 n.1 jan.1 jan./mar. apoiados em técnicas quantitativas as mais diversas. 1978.37 n. alguns trabalhos teóricos e de orientação de políticas sobre o processo de urbanização. que geraram uma grande série de análises sobre a estrutura urbana brasileira./dez. 3 jul.39 n.2 abr.48 n.1967). Miguel Ângelo Ribeiro aposentou-se em 1999 e atualmente leciona na UERJ. analisando o papel complementar das pequenas cidades na composição das redes urbanas e exemplifica certas áreas no Brasil.45 n. (RBG v.2 abr.43 n. 1974. v.49 n. v.40 n. 2 abr. 1986. juntamente com Olga Buarque de Lima e Maria Francisca Cardoso elaboram o projeto de aglomerações urbanas (RBG v. 1961)./jun. . 1987.36 n. elabora paralelamente./set. 1971 e v. 1999).3 jul. que a fizeram conhecida no ambiente de planejamento urbano federal (RBG v. Os estudos de redes no IBGE foi continuado nos anos 90 pela equipe do projeto Regiões de Influência das Cidades e individualmente por Miguel Ângelo Campos Ribeiro. v.31 n.1 jan. participa do grupo de trabalho sobre a definição de pólos de desenvolvimento (RBG v. mas que geraram uma boa complementaridade aos olhos dos outros técnicos da área de planejamento federal. orientado por Roberto Lobato Corrêa. Uma linha de pesquisa altamente promissora./mar. trabalhando a justaposição de três tipos de redes: a rede do centros de produção. e o segundo foi Fany Rachel Davidovich. A área de análises sobre o processo de urbanização foi a arena de dois profissionais que produziram dois tipos de trabalhos bem distintos.44 n. 1976. v./set. v.2 abr.4 out. 1969). v. transita pelos estudos de Geografia industrial em 1966.Num de seus últimos trabalhos publicado na Território ./jun.38 n. Roberto retoma a questão da rede urbana sob o novo contexto da globalização./mar.1978). que havia colaborado neste assunto no relatório do projeto Diagnóstico da Amazônia Legal para a Secretaria de Assuntos Estratégicos em 1995 e elaborou sua tese de doutoramento. atualmente leciona na UFRJ./mar 1981.33 n. 1975. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira no IBGE em 1959 e aposentou-se em 1993. tanto para trabalhos no âmbito do IBGE. que contribuiu enormemente com seus trabalhos e relatórios./jun. estuda os fluxos de bens e pessoas no processo de regionalização urbana (RBG v. 1998). que tendiam a explicar em termos mais políticos do que técnicos os processos de urbanização. trabalha com redes urbanas no Nordeste em dois momentos distintos (RBG v.1 jan. abrindo com isso canais de comunicação mais efetivos entre as áreas de planejamento urbano situadas em agências como o SERFHAU ou o Ministério de Urbanismo e o IBGE./set. v.23 n./mar. sobre a rede urbana da Amazônia. O primeiro foi Speridião Faissol e sua equipe.4 out. Fany ingressou no IBGE em 1943 e afastou-se em 1945 ao casar-se./dez. com um artigo em co-autoria com Pedro Geiger Aspectos do Fato Urbano no Brasil./jun./jun. 1977. quanto para pesquisas de futuras teses universitárias(Corrêa.1jan. a rede de centros de distribuição e a rede de centros de gestão (Ribeiro. v. 1983.1 jan. 1987).2 abr. A produção técnica de Fany na RBG inicia-se em 1961.49 n. v./mar.

que foram mais explorados no contexto dos trabalhos classificatórios de centros urbanos. O envolvimento de alguns geógrafos do IBGE com a Geografia Quantitativa sob a liderança de Faissol. lista 20 trabalhos sobre urbanização. e trabalho de seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. ao correlacionar tamanho populacional com características funcionais. G. que organizou a estrutura dos capítulos que vão da teorização. Evangelina Xavier G. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. Tendências Atuais na Geografia Urbano /Regional: teorização e quantificação (Faissol. teoria. 1985. 1978). análise de agrupamento. Roberto Lobato e Hilda da Silva foram para os USA ./jun. Olga Maria B. correlação . Oliveira. muito citado nos trabalhos do período (Faissol. A produção geográfica de Speridião Faissol sobre a urbanização brasileira foi muito extensa. coletânea de artigos de 15 geógrafos e economistas brasileiros sob orientação de Faissol. 1972). foram os profissionais do IBGE que mais se dedicaram ao estudo dos novos métodos. Dacey. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Faissol. seguiram para Inglaterra. passando pelas técnicas de análise fatorial. F. principalmente no contexto dos estudos dos sistemas urbanos da coleção Geografia do Brasil de 1977. migrações internas. J. Hilda da Silva. . Brown. Os trabalhos da fase “ urbana” de Speridão Faissol e sua equipe. L. especialmente as análises multivariadas que conjugavam conjuntos de variáveis demográficas e econômicas a um grupo de lugares (cidades) e espacializavam as correlações que emergiam do algoritmo (Cole. M.1975). Pedro P.( Hilda veio a falecer em Chicago no período do doutoramento em 1975). de Lima. gerando o fator tamanho funcional. embora alguns outros tenham também utilizado essas técnicas. 1971) preocupado em estabelecer uma base mensurável para Teoria dos Lugares Centrais definida em 1933 por Walter Christaller (1966) e John P. Olga e posteriormente Evangelina. . . entre 1970 e 1978. mas continua a produzir como consultora em diversas agências de governo. também organizar congressos e simpósios para divulgar os métodos quantitativos na Geografia e de editar coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados a essas técnicas. Roberto Lobato Corrêa. . caracterizavam-se pela tentativa de absorção dos métodos quantitativos. Cole. B. geógrafo inglês especializado em métodos quantitativos. 1972). geógrafo norte-americano com especialização em Geografia dos Mercados de Varejo (Berry. Marilourdes L.. Além de Speridião Faissol. se deu através de Brian Berry. . Perroux. desenvolvimento econômico. Geiger. Olsson. análise discriminante. coordenador do Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). Faissol mostrou uma impressionante capacidade de.retornou em 1960 e aposentou-se pela compulsória em 1992. A RBG 47 (1/2) jan. além disso. além de escrever. análise regional. Ferreira. Lasuen.

1/4 (Abreu. cadeia de Markov. No final dos anos 60. 1994) O Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação. seu rastreamento bibliográfico foi de suma importância na avaliação dos estudos dos ibegeanos no que concerniu às pesquisas intra-urbanas. outro tipo de pesquisa obrigou a Geografia Urbana do IBGE a trabalhar numa escala quase local para o estabelecimento das nove áreas metropolitanas brasileiras (RBG v. quanto em outras publicações. na década de 40. O grupo. foram consideradas como trabalho da Geografia do IBGE. A melhor fonte para análise desses trabalhos realizados por pesquisadores do IBGE foi a revisão feita por Maurício Abreu no final dos anos 80. que normalmente abrange o Brasil e suas macrorregiões. profissionais da agência escreveram. a primeira grande pesquisa realizada por um grupo da Divisão de Geografia.31 n.canônica. 56 n. e muitos projetos foram desenvolvidos na escala intra-urbana.4 out. foi coordenada por Aluízio Capdeville Duarte em 1967. 1968) e ao livro didático de Ceçary Amazonas sobre a Guanabara (Amazonas./dez. gerou muitos subsídios para o planejamento urbano foi a pesquisa intra-urbana. Mais uma vez a liderança de Faissol se fez notar. embora não esteja enquadrada na escala de atuação de uma agência do governo federal. mas se foram realizadas por profissionais da casa. tanto em publicações editadas pelo IBGE ou em co-produção. restringiamse aos cursos de Geografia Urbana que tratavam da cidade do Rio de Janeiro (IBGE. que também foram computadas. Um exemplo disso foram as teses de pós-graduação que foram editadas pelas respectivas universidades. composto de 13 pesquisadores colaboraram com 14 textos que explicavam as diferentes funções dessa área do Rio de Janeiro e analisavam alguns processos de transformação urbana ocorridos na década de 60. ainda no contexto das comemorações do 4 Centenário da Cidade ocorrido em 1965. em virtude deles estarem efetivamente trabalhando no órgão. por ocasião da publicação. isto é. Apesar da estruturação dos tópicos apresentados não se encaixarem totalmente nos propósitos desta pesquisa. 50 trabalhos versando sobre os estudos intraurbanos e de autoria de profissionais de fora do IBGE foram verificados na bibliografia o . 1965. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. Por outro lado. apresentada no I Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 1989 em São Paulo e publicada na RBG v. Outra área dos estudos urbanos que. sobre a área central do Rio de Janeiro. Além dos quatro trabalhos precursores de Jeronymo Cavalcanti e da atuação de Everardo Backheuser. Normalmente as incursões dos geógrafos da Divisão de Geografia neste assunto. com uma série de 15 trabalhos no Boletim Geográfico sobre aspectos geográficos da cidade do Rio de Janeiro. 1974). Foram detectados 158 trabalhos realizados por geógrafos do IBGE dentro e fora do contexto editorial da casa. para subsidiar o segmento de estudos do processo de metropolização e de aglomerações urbanas. 1969).

1982. 1986). principalmente o Rio de Janeiro. Durante as décadas de 70 e 80. onde a preocupação com os processos de modernização das atividades ligadas ao mundo rural foram mais explicitadas. foram tratados no tópico de ocupação do território e habitat. (Kossmann e Ribeiro. D. 1988).B. apesar de se entender que esta escala de abordagem não seria o que normalmente se entenderia como objeto de análise de uma agência de planejamento territorial do governo federal. Tal contagem foi importante para se acabar com a falsa impressão de que os estudos intraurbanos não eram considerados prioritários pela alta direção da agência. N. et al. 1978. 1986. que trabalhou intensamente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles brasileiras e David Michael Vetter (economista do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE). 1976. 1984). Cruz e Bahiana. (Bezerra. 5 . na maioria dos casos. (Vetter e Massena. 1981) e de estudar outros aspectos vinculados a estrutura intra-urbana de nossas cidades. principalmente o Rio de Janeiro. (Massena. 1979. (Almeida. com tendo sido publicados sob a chancela do IBGE.rastreada por Maurício Abreu. (Bezerra e Cruz. 1983). diversificação e combinação de culturas. 1983 1983/84). 1976. Os trabalhos anteriores de Geografia Agrária.Modernização da agricultura A expressão modernização da agricultura tratará dos trabalhos de Geografia Agrária como um todo. (Mello. (O’Neill e Natal... muitos desses 158 trabalhos de pesquisadores do IBGE contribuíram para o entendimento do processo de metropolização brasileiro ao teorizar sobre os processos de estruturação intra-urbana. 1986/87). como renda da terra. violência urbana. J. que no DEGEO e na UFRJ. 1981). experimentaram técnicas estatísticas mais sofisticadas para estudar questões como concentração. a segunda foi Olga Maria Buarque de Lima Fredrich. 1987.1983. 1982). 1980.1986). que além de trabalhar complementarmente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles. em revistas ou em edições monográficas. mobilidade urbana. Foram trabalhos que iniciaram uma aproximação maior com questões teóricas como o modelo de Von Thunen (Mesquita. (Corrêa. Deste grupo. classificar os principais agentes modeladores do solo urbano. orientou a maioria dos pesquisadores que desenvolveram teses e trabalhos internos sobre a estrutura interna das cidades. 1997). favelização. e que na década de 70 testaram alguns dos programas de análise fatorial e análise de agrupamento. orientou as pesquisas sobre a espacialização das políticas públicas de implantação de infra-estrutura na área metropolitana do Rio de Janeiro. públicos e privados e exemplificar suas ações (Bahiana. três personagens foram importantíssimos na orientação dessas pesquisas Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. e aspectos culturais e perceptivos (Mello. C. 1986). . (O’Neill.1979.1978). mas dará ênfase aos estudos empreendidos a partir da década de 60.

de “plantation” e de sistema de roças (Valverde. como características de certas áreas rurais do nordeste (Valverde. abr. 1952. 1964). entidades de amplo escopo que passaram a liderar as ligações entre o campo e a cidade. tanto na troca de insumos e maquinário. abr. conceituação de sistemas intensivo e extensivo. ao combinar as pesquisas sobre colonização e Biogeografia.2. 1948). O mais importante introdutor dos estudos agrários com cientificidade no IBGE foi Léo Waibel.Nos anos 80. além de produzir os dois volumes do livro Geografia Agrária do Brasil (Valverde. 1951. sejam eles ricos e tecnificados ou pobres e sem qualificação técnica./jun. resultado de suas pesquisas esboçadas em seu ∗ O modelo de Von Thünen foi novamente discutido por Olindina V. 1955. . 1967. Ao trabalhos iniciais da Geografia do IBGE no campo das atividades rurais restringiam-se a informar alguns fatos da evolução da produção brasileira como um todo ou por produto. que atuavam como estruturas referenciais para se entender o processo de ocupação do território via atividade agrícola e de colocar na arena de estudos o primeiro artigo sobre a teoria de Von Thünen (Waibel. 1959). comunicações e assistência financeira. 1961). Seus melhores discípulos foram. Na década de 60.2. 1961. os melhores geógrafos agrários do IBGE entre os anos 50 e início dos 60. 1957). 1957. 1978./jun. 1958. 1944. 1961). iniciando com trabalhos vinculados aos processos de colonização e análise regional (Valverde. mas também estruturou um quadro geral da agricultura brasileira nos anos 50 (RBG. A obra do Orlando valverde no contextos dos estudos agrários foi mais diversificada. Nilo Bernardes e Orlando Valverde. além de no guia de excursão ao Planalto Meridional tratar com muito detalhe as características agrícolas da região (Valverde. 1968). como é possível verificar nos trabalhos de Eloisa de Carvalho Teixeira (Teixeira. 1968. v. Mesquita em sua tese de mestrado na UFRJ em 1978 e publicada na RBG v.∗ e de publicar no Boletim Geográfico um artigo mais informativo e de comparações sobre o tema (Waibel. Orlando concentra-se nos aspectos conceituais e de exemplificação de alguns temas de Geografia Agrária. Além de se concentrarem no acompanhamento da evolução dos Complexos Agro-Industriais . novas orientações enfocaram um outro expectro de problemas ao analisarem os efeitos do agribussines na concentração fundiária e tratarem com outra visão o acompanhamento da ocupação predatória das atividades rurais em todos os estratos de renda dos produtores. Os trabalhos de Nilo concentravam-se nos processos de colonização de espaços do interior do país. 1948) e enfocando processos agrários específicos na segunda metade da década de 50 (Valverde. 1959).1958) foi uma espécie de síntese desses conhecimentos. por conseguinte.40 n. Seu livro Capítulos de Geografia Tropical e do Brasil (Waibel. quanto nas trocas de mão de obra e nos serviços de transporte. 1955).: 60-130.23 n.

onde apresenta os processos de ocupação agrícola em espaços cortados por estradas de integração na região Norte e Centro Oeste abriu as primeiras pistas para a questão da importância do sistema urbano na Amazônia (Valverde e Dias. posteriormente tendo a colaboração dos geógrafos Rivaldo Pinto de Gusmão e Maristella de Azevedo Brito. Dora Rodrigues Hees. que posteriormente presidiu a comissão. Maria do Socorro Brito e Adma Hamam de Figueredo. Maria Elisabeth de Paiva Correia de Sá. no contexto da obra Subsídios à Regionalização (Mesquita et all. sobre a rodovia Belém-Brasília.: 3-42. coordenando uma equipe multidisciplinar Orlando volta ao tema..:419-447. 1970)./mar.3. que acabaram por suprir de dados a área de Geografia Agrária do agora Departamento de Geografia (DEGEO).43 n. out. nas palavras de Alexandre Felizola Diniz “lançou as bases de um movimento de profundas mudanças na Geografia Agrária Brasileira” (Diniz./set. jan. um grupo de professores e alunos de especialização principalmente quanto aos estudos de tipologia agrícola sob a orientação da Comissão de Levantamento Mundial de Utilização da Terra da UGI e contando com o apoio metodológico de Jerzy Kostrowicki da Polônia. Dias. (RBG v.jan. da economista Sonia Rocha e da socióloga Sebastiana Rodrigues de Brito.curso de Geografia Agrária Geral e do Brasil ministrado na AGB do Rio de Janeiro em 1957 . Tereza Coni Aguiar./set. regionalizações em escala estadual (RBG v. ao orientar em 1964. somado às informações de Mitiko Une quanto aos aspectos climatológicos vinculados às safras agrícolas. Posteriormente.:41-86.1.1. Luiz Sérgio Pires Guimarães. 1989). após sua experiência de ensino em Rio Claro. Pesquisas sobre concentração de cultivos (RBG v./mar.40 n. 1977). juntamente com Catarina V. Seu trabalho. mas fica conhecida como uma pesquisadora que./dez. o sistema estatístico da casa iniciou uma série de ações que sistematizaram as informações do segmento agropecuário e criaram outras campanhas. jul. Ainda na década de 60.1970).36 n. jul.32 n. Esse grupo desenvolveu linhas de trabalho em regionalização agrícola em escala nacional. 1967).39 n. A principal pesquisadora que comandou esse processo de mudança nos trabalhos agrários foi Elza Coelho de Souza Keller. armazenagem (RBG v. 1968). no final dos anos 80. Com a chegada de Isaac Kerstenetzky à presidência do IBGE em 1970.32 n.. testou os métodos quantitativos em tipologia agrícola (RBG v. juntamente com Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mesquita que continuaram o projeto. jul. 1981) e iniciaram . Em 1968 Elza Keller retorna ao IBGE.3. 1974).3. uma outra vertente de estudos foi iniciada por Elza Keller ainda na UNESP de Rio Claro. focalizando a Amazônia Ocidental através da rodovia Transamazônica (Valverde./set. além de contarem com o apoio técnico de pesquisadores como Ney Rodrigues Innocencio. 1978) e definiram proposições metodológicas sobre os estudos de desenvolvimento rural (RBG v. 1984: 84).: 52-130.: 137-143. Os contatos de Kostrowicki com Elza Keller resultaram em linhas de pesquisa que enfocavam preocupações com a qualidade dos dados estatísticos a serem trabalhados nos futuros trabalhos. além de terem trabalhado com essas técnicas nos capítulos temáticos da coleção Geografia do Brasil de 1977.4.

Problemas de qualificação da mão de obra rural (RBG v./dez. 6 . produção de couro./dez. abate de animais. RBG v. jan. 1979 . A estrutura de dados do IBGE que o setor agropecuário oferece aos pesquisadores.4.1. 1992).4. jul.:227-361.3. no qual é também coordenadora geral./jun. RBG v. 1987 . a ser editado no fim do ano de 2000.50 n.Caracterizações Ambientais Do conjunto de estudos que enfocaram o meio físico. Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e semestrais como a Pesquisa de Estoques (PE).1.:503-533.:3-65. além de pesquisas específicas como o levantamento da soja. jan. Oliveira. RBG v. abr. puderam ser percebidas nos artigos e projetos que passaram a enfatizar os aspectos sociais das fronteiras de ocupação ao longo das novas estradas de integração construídas na década de 70 ./dez. 1988). escolhemos analisar os três segmentos mais importantes.48 n. Théry. pesquisas mensais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). linha de pesquisa precursora dos grandes diagnósticos sócio-ambientais que foram implementados na segunda metade dos anos 80 e durante a década de 90 (IBGE.46 n. Waniez. estudos comparativos entre inserção tecnológica e marginalização de parte dos produtores rurais (RBG v.40 n.4. out. 1979). RBG v. 1978 . out. out. trabalhando com as conseqüências ambientais e políticas da ocupação em áreas de fronteiras de recursos (Figueredo./mar.46 n./mar. em função do convênio entre o IBGE (DEGEO) e a MAISON DE LA GÉOGRAPHIE de Montpellier . As mudanças de orientação de enfoque dos trabalhos de Geografia Agrária ocorridas nos anos 80.3/4.:52-130./dez.39 n. No início dos anos 90./mar.46 n. marginalidade rural (RBG v./set.:3-10. do leite. com censos agropecuários qüinqüenais (pelo menos até a década de 90). 41 n. RBG v. anuais como a Produção Agrícola Municipal (PAM). de ovos de galinha e estimativas sobre a previsão e acompanhamento de safras. de Oliveira estiveram na França mapeando e comentando os dados do censo agropecuário de 1985. produzindo uma espécie de Atlas das Fronteiras Agrícolas do Brasil (Hess.:425-550.1. 1984). sob o apoio técnico de Philippe Waniez e Hervé Théry as geógrafas Dora Rodrigues Hees e Evangelina Xavier G. no Atlas Nacional do Brasil.44 n.:105-116. RBG v. 1986). Em virtude disso foram publicados muitos trabalhos de acompanhamento e evolução da agropecuária (RBG v. 1984). 1984. que propiciaram a geração de muitos trabalhos e garantiram o . Pesquisa Pecuária Municipal (PPM). jan.: 3-49. 1998) e orientando o mapeamento do tema. No contexto atual do DEGEO apenas Hadma Hamman Figueredo ainda lidera as pesquisas agrárias. 1977 .: 5-78.1. jul./mar. 1982 .grandes projetos multidisciplinares em convênio com outras agências governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).2. jan.49 n.:41-60.

tanto sob a forma de mapeamento. RBG v. Seus trabalhos na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e sua série de artigos sobre as características geológicas e morfológicas do estado da Bahia ( Domingues. profissionais como Emmanuel De Martonne com seu clássico Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico (RBG v. 45 no Boletim Geográfico.9n. nas primeiras décadas de atuação do IBGE. campo que espacializa o conjunto de informações que a Meteorlogia nos apresenta quotidianamente.. RBGv.p. regime de ventos. 1966).1947.. out.. também geomorfólogo. 1944. como os Cursos de Férias para Professores e autor do Dicionário Geológico-Geomorfológico . que também trabalhou no IBGE na década de 70 e que atualmente leciona na UFRJ (Guerra. 1947. abr. 1949). 1963). (Lamego. autora . Atualmente. Amélia Alba Nogueira. RBGv. altamente prestigioso./jun.que dominou com maestria os conhecimentos integrados entre Geologia. Alberto Ribeiro Lamego. precipitações etc.4.523-550. um dos supervisores geográficos da Enciclopédia do Municípios Brasileiros e considerado um dos mais produtivos geógrafos do IBGE com 30 artigos na RBG.255-287. A Climatologia. verifica-se uma grande sinergia com a Ecologia. Ruellan. abr. biólogos e engenheiros agrônomos. e que apresenta quadros de referência sobre temperatura.10.9./dez. segmento de estudos que trata da espacialização da cobertura vegetal e da ocorrência de animais. 1948. principalmente geólogos. Este conjunto de saberes foi.desenvolvimento profissional de alguns geógrafos.2. 1946.p. tendo como iniciadores. autor da coleção O Homem e . jan. A Biogeografia. formou profissionais como Alfredo Porto Domingues . além de produzir artigos que tornaram-se clássicos (Ruellan. que estuda em detalhes as relações entre os seres vivos num dado segmento espacial. pressão do ar.n. p. área da Geografia que trabalha com os processos formadores do modelado terrestre e que estrutura as principais tipologias relativas ao relevo do território..57-82./mar. 12 artigos em publicações avulsas. 1945.185-248.1.obra editada nos anos 60 e reeditada em 1999 por seu filho. n.n./jun. como também de profissionais de outras especialidades. A Geomorfologia..1943). que em combinação com especializações como Botânica e Zoologia explicam uma grande parte de que se convencionou chamar de Meio Ambiente. Antônio Teixeira Guerra.1948 ).5.p.2. quanto sob a forma de textos explicativos dos processos de médio e longo prazo que garantem uma dada classificação climática mais geral. além de mestres estrangeiros que foram os principais formadores da primeira geração de profissionais como o francês Francis Ruellan na Geomorfologia e o canadense Pierre Dansereau na Biogeografia. Biologia e Climatologia tornando-se um dos mais completos geógrafos físicos da casa.

1. Na segunda metade da década de 40.223-264. p. 1939) . foi o paulista José Setzer. o mais importante produtor de artigos sobre o tema.v. Ambas as obras foram os principais instrumentos de estudo dos alunos de Geomorfologia de muitas universidades brasileiras. p.. RBG v. alguns geógrafos do IBGE dedicaram-se a estudar aqui e no exterior o assunto.250-254. Até a década de 50..3 há também um comentário na página 135.p.2./jun. RBG v. 1961). 1961.577590.1951. 1973) e reeditada em 1980 e o compêndio Fundamentos de Geomorfologia da professora da Faculdade de Rio Claro (atual UNESP) Margaria da Maria Penteado (1974). No campo da Climatologia. a permanência no IBGE do canadense Pierre Dansereau que.. 1947.n. jul. período em que a Climatologia passa a ser estudada mais sistematicamente por alguns profissionais da Geografia do IBGE. RBG v.de todos os capítulos de Geomorfologia da coleção Geografia do Brasil de 1977 Rangel Lima que chefiou o Setor de Geomorfologia do DEGEO na década de 70.11n. além de produzir trabalhos sobre Biogeografia (Dansereau.3. 123-124. 1943). caracterizavam algumas regiões brasileiras (Ferraz.RBG. pedólogo do Departamento de Produção Geógrafa desaparecida em acidente de avião do Projeto RADAMBRASIL no litoral sul ∗ . Walter Alberto Egler (RBG v.465-500. do mesmo Jorge Ferraz sobre uma questão que continua atual: Aumentou a temperatura do mundo? O primeiro geógrafo do IBGE a tratar do assunto foi Jorge Zarur. 1949) formou profissionais como Edgar Kuhlmann (1951. 1943).3-15. p.. 1952.5 n. p. jul. 1974) além de completar a formação de engenheiros agrônomos como Alceo Magnanini (1952. abr. apesar de não ter havido um professor “visitante” que tivesse formado profissionais por meio de cursos e treinamento específico.. o primeiro trabalho classificatório da vegetação brasileira foi elaborado por Lindalvo Bezerra dos Santos no Boletim Geográfico como contribuição didática e que foi considerado como a primeira tipologia apoiada nos aspectos fisionômicos das formações vegetais brasileiras (Santos.abr./jun.1n./mar. Schmidt ( RBG v.out.13.3. ao comentar a classificação climática de Köppen (Zarur./set.p.2. Na RBG v. ∗ e Gelson São também da década de 70 a coletânea de comentários sobre 201 fotos do relevo brasileiro organizado por Celeste Rodrigues Maio (Maio.1 n. 1949). 1942 . 1954) e Dora Amarante Romariz (1953.4n. Nos primeiros anos de estruturação do IBGE o estudo da Climatologia era feito por engenheiros como José Carlos de Junqueira Schmidt e Jorge de Sampaio Ferraz que preocupavam-se com métodos classificatórios e.1951) e Fernando Segadas Vianna (1964)./set.n. 1952. 1946. jan./dez. paralelamente.4. No campo da Biogeografia.13.

1952). jan. que na década de 60 abandonaria o tema e iria dedicar-se à Geografia Urbana (RBG v. p.. atualmente trabalha em consultoria ambiental monitorando o ecossistema da Baía de Guanabara. o primeiro sob a forma de um artigo sobre as regiões bioclimáticas do Brasil (Galvão.13 n. RBG v. p. chefiado por ele era um dos mais dinâmicos do DEGEO.1.. out. Marília Galvão durante seu estágio de especialização na França. RBG v.13 n. jul. 1951) e Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra. com 12 artigos na RBG. 1946 .473-479. p. 1981)que. out. tema de sua tese de doutorado na UFRJ (Amador. esposa de Antônio Teixeira Guerra.4. RBG v. e por todos os capítulos de Clima da coleção Geografia do Brasil de 1977.449-496. 1954).14 n. Edmon Nimer tornou-se o mais importante climatólogo do IBGE. Sua produção neste período foi notável./mar. RBG v. destacando-se os estagiários Arthur A. fluminense.57-80. p. 1955)./dez. A. que se tornaria um dos mais completos climatólogos do Brasil. Nimer auxiliou os dois na publicação de um artigo sobre climatologia dinâmica na região nordeste (Nimer. 1951 .315-328. M.1. Outra faceta importante de Edmon Nimer foi sua capacidade de formar profissionais.338. O primeiro grupo de especialistas em Climatologia no IBGE foi formado por Lysia Bernardes.16 n. Na década de 70 o Setor de Climatologia.3-36.317-350.17 n. 1946 . principalmente por ser responsável por uma série que abordou a climatologia de todas as regiões brasileiras entre o final de 1971 e todo o ano de 1972.. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Brandão (Nimer e Brandão. . Nos anos 60. ./mar./set. P.. p. p.619-620.3-46. Filho. jan./set.8 n.1.13 n.. jul./set. p. RBG v. e após sua aposentadoria.8 n. conheceu o trabalho classificatório de Henri Gaussen e Francois Bagnouls baseado nas relações entre clima e vegetação.1. jan. E. a partir da segunda metade dos anos 60 até sua aposentadoria nos anos 90.3..4. Nos anos 80./mar. com uma incursão no tema caracterizando o clima da Região Nordeste ( Guerra. Filho e Elmo Amador.3-70. trabalhando com clima urbano (Monteiro.. este último transferiu-se para lecionar na UFRJ. 1951 . jan. Amador.3. que enfatizava as questões sobre precipitação e suas relações com a produtividade agrícola (Setzer./dez.3. No início dos anos 70. 1967) e o segundo. RBG v. jul./mar. indo também lecionar na UFRJ.Vegetal do Estado de São Paulo e professor da USP.. RBG v.29 n. sob a forma de orientação profissional inicial de Edmon Nimer no campo da Climatologia. 1971). RBG v./mar.1. após terminar seu doutoramento na USP. Nimer orientou a formação profissional de Ana Maria P. 1997). Ignez RBG v. aposentou-se do IBGE nos anos 90. jan. Os resultados desse processo foram divididos em dois tipos de atuação.. p. p. p. E.33n.

a publicação da obra de Jean Tricart Ecodinâmica (1977). com a absorção pelo IBGE. 1994). contando com a criação da Reserva Ecológica do Roncador na periferia de Brasília e estabelecendo convênio técnico com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). coordenado por Rivaldo Pinto de Gusmão (IBGE. da Costa e colaboradores (IBGE.39. com o crescimento dos estudos de Geografia Humana. sem nenhuma exigência de qualquer tipo. No volume do Sudeste. O segmento dos estudos ambientais do IBGE sofreu duas grandes inflexões. principalmente nas áreas de agrária e urbana e uma aparente queda de status que se configurou com mais clareza na década de 70.1990). 1981) que apresenta uma lista preliminar das aves. como no caso da poluição industrial.215-223. Foi também desse período. estabelecendo relações com algumas segmentos do meio ambiente.Diagnósticos Ambientais e Sócio-Ambientais Integrados A segunda grande inflexão ocorreu em 1985. gerando um novo conjunto de grandes trabalhos conhecidos como diagnósticos sócioambientais integrados como o Diagnóstico Brasil. a chamada integração não ia muito além dos segmentos da Geografia Física e da Biologia. enquadrando neste processo as principais correntes de Geografia Física. prontificou-se imediatamente a produzir um capítulo sobre o tema. Projetos de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas . Uma das grandes linhas de trabalho da SUPREN foi organizar os estudos de ecologia animal do cerrado do planalto central brasileiro. 7./dez. quando houve desistência do autor do capítulo de Clima. mamíferos e répteis da área estudada.p. 1977 e que inicia uma preocupação com as relações entre seres humanos e meio ambiente no sentido mais amplo. do Projeto RADAMBRASIL com toda sua estrutura de pessoal e equipamentos. uma na década de 60. que acompanhou os diferentes processos de ocupação do território brasileiro. comentada por Luiz Roberto Tommasi na RBG v. apresentando-o em tempo recorde em 1993.PMACI I (IBGE.n.Seu espírito de colaboração com o IBGE pode ser medido por seu auxílio à coleção Geografia do Brasil do início dos anos 90. Nimer. coordenados por Irene Braga de Miguez Garrido Filha e Ailton . No início. 1990) e PMACI II (IBGE.4. inaugurando uma nova fase de trabalhos voltados para os grandes diagnósticos ambientais integrados. já aposentado. Um dos produtos desse convênio foi o livro Fauna do Cerrado organizado por Claudia Cotrim C.out. para pouco a pouco incorporar também áreas da Geografia Humana como Urbana e Agrária. O resultado dessa primeira inflexão foi a criação da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SUPREN) em 1975 e a separação dos profissionais de Geografia Física dos de Humana que agora estariam na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE).

Salvador (BA). O processo de absorção do RADAMBRASIL foi altamente positivo para o segmento de Geografia Física do IBGE. trabalharam para uma suave integração com os pesquisadores da física e os do campo biológico. A análise sócio-ambiental dos módulos territoriais da Região Amazônica referentes ao Programa Nossa Natureza realizado no período final do governo de José Sarney (não publicado) e o Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal . 1993) que estabeleceu uma regionalização de espaços identificados por suas características ambientais. Além de distinguir áreas de conflito entre as ações humanas (extrativismo e agropecuária) e a capacidade de sustentabilidade desses ambientes. Para isso contribuíram geógrafas como Solange Tietzmann Silva. como no caso do estudo do uso agrícola da terra no sudoeste de Goiás em convênio com a EMBRAPA (IBGE. O primeiro coordenado por Antônio José Teixeira Guerra (filho de Antônio Teixeira Guerra) antes de sua transferência para a UFRJ. 1990. diminuindo as diferenças antes percebidas. Tereza Coni Aguiar. principalmente nas fases de planejamento. Além disso. pois foram incorporadas equipes regionais sediadas em Belém (PA). coordenado por Válter de Jesus Almeida e Wilson Duque Estrada Regis (IBGE. também tenderam a aproximar esses profissionais. Foi no contexto de trabalho realizado anteriormente pelas equipes do RADAMBRASIL nessas unidades regionais que o IBGE passou a se integrar mais com secretarias estaduais de planejamento e de meio ambiente. realizando projetos de Geografia em escala estadual ou meso-regional.131-132) e constatar que aproximadamente 220 profissionais tomaram parte nas diferentes tarefas técnicas e administrativas que envolveram estes diagnósticos. deve-se verificar as páginas de créditos (IBGE. PMACI. Para se ter uma medida da complexidade de interação entre as unidades departamentais do IBGE. p.Antônio Batista de Oliveira e Teresa Cardoso da Silva. Na década de 90 a integração entre os profissionais de Geografia humana e os de física foi finalmente alcançada com os projetos do Programa Nossa Natureza na Amazônia. O segundo. os projetos de Atlas Nacional do Brasil. 1989). além de especialistas em áreas da Biologia e engenheiros agrônomos e florestais. 1989). p. Olga Schild Becker e Irene Garrido Filha que ao coordenarem suas respectivas áreas de Geografia Humana. Hadma Hamann de Figueredo. Goiânia (GO) e Florianópolis (SC) que contam com excelentes profissionais em Geomorfologia. . IPEA e USP em projetos integrados como os do PMACI I e II. onde atualmente leciona. Maria Monica O’Neill. que avaliaram os impactos ambientais e sócio-econômicos do asfaltamento de dois trechos da rodovia BR 364 entre os estados de Rondônia e Acre. Diagnóstico da Amazônia Legal. 1989) e do estudo geomorfológico da área de Rondonópolis –MT (IBGE.5. Pedologia. coordenado por Antônia Maria Martins Ferreira (IBGE. da áreas periféricas de Brasília e da aglomeração de Goiânia no Centro-Oeste e na região sul com o projeto de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina.

Olhos. Estava criado o Sistema de Posicionamento Global (GPS). Essa a base operacional dos atuais Sistemas de Informação Geográficas (SIG ou GIS em inglês). Foram muito testadas áreas urbanas. foram descritas no documento Geoprocessamento no IBGE redigido por este grupo de trabalho (IBGE. mas davam uma boa noção espacial ou tridimensional do fenômeno. de certa forma. foi concebida uma rede virtual de coordenadas geográficas de grande precisão que era plotada por sistemas de satélites que enviavam sinais eletromagnéticos e garantiam resposta quase imediata a determinados aparelhos receptores que se deslocavam na superfície da terra. com seus respectivos valores da terra (preços do m de terreno ou valor do imposto territorial urbano). Todos os estágios dessa evolução das práticas profissionais dos geógrafos e pesquisadores de outras especializações. 2 . Os mapas construídos não possuíam muita precisão cartográfica. vinculadas às Geociências também foram. Processos de determinação cartográfica (plotagem) de pontos e linhas que se inserem na rede de coordenas geográficas e que podem ser referenciadas a qualquer tipo de informação guardados em bancos de dados que possam referenciar esta informação a qualquer ponto da rede de coordenadas (georreferenciamento). A partir de 1994 as atividades de Geoprocessamento no IBGE atingiram um estágio que obrigou a alta direção da casa a estabelecer um grupo de trabalho com integrantes das diretorias de Geociências.As Atividades de Geoprocessamento O contexto tecnológico e operacional onde se estabeleceram os projetos de geoprocessamento no IBGE datam da década de 70 com as experiências de softwares como o SYMAP e SYNWU que mapeavam superfícies pré-determinadas. na maioria dos casos. Esses sistemas são a base do que chamaremos em termos gerais de geoprocessamento. Pesquisas e Estudos. 1994). e que tiveram quase sempre de aprender a ver como funcionava esse campo. não acostumados com esse tipo de trabalho. Informática e Disseminação de Informações para avaliar o desenvolvimento das tecnologias e estabelecer as diretrizes básicas dessas atividades para o futuro. Posteriormente esses receptores diminuíram de tamanho e passaram a garantir a qualidade das medições geodésicas e a influenciar decisivamente na precisão e barateamento das campanhas geodésicas e cartográficas. Com o advento dos novos sensores colocados nos satélites militares americanos e soviéticos. As principais diretrizes que envolvem essas atividades no IBGE. Os sistemas iniciais vinculavam-se a navios (Imarsat) e controlavam aviões. onde eram plotados dados específicos. percebidas por outros olhos. além das tecnologias derivadas da corrida espacial para garantia da localização dos artefatos espaciais utilizados nas atividades de exploração do ambiente extra terrestre.

Estamos nos referindo mais aos presidentes do IBGE. . do que aos diretores que administraram a área das Geociências. No próximo capítulo será possível ter uma noção mais aproximada das impressões que foram passadas por alguns presidentes e diretores sobre a atuação da Geografia e das ciências que lhe são comuns no contexto do IBGE. sempre foi difícil ter um diretor que conhecesse profundamente a atuação de todos os departamentos da diretoria. devido à grande heterogeneidade dos campos envolvidos. embora também.

estatísticos e cientistas políticos.Capítulo II . que causaram muitas dúvidas nos novos presidentes e diretores. quando entrou em cena a questão meio-ambiente e a incorporação do RADAMBRASIL ao IBGE em 1985. ou ao confuso papel da Geografia. Esses erros de enquadramento entre o que era Geografia. foram acrescidos dos problemas ocorridos entre a Geografia Humana e Física nas décadas de 60 e 70 e que acabaram trazendo novas dúvidas. No caso dos presidentes. foi uma das razões de ser (e possivelmente a maior na ocasião) da criação do Conselho Brasileiro de Geografia (incorporado ao Instituto Nacional de Estatística) em 24 de março de 1937 pelo decreto 1527/37. O propósito de garantir ao censo demográfico de 1940 a base cartográfica necessária ao deslocamento dos recenseadores. como parte integrante do G do IBGE.As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia Sendo a Geografia uma área considerada atividade fim no contexto do IBGE e somente um pouco mais “jovem” que a Estatística. não era muito simples para quem vinha de outra área. Essa visão um tanto parcial. campos de onde vieram os 10 últimos presidentes da casa. foi também misturada à posição da Cartografia. . Entender a diferença entre Departamento de Geografia e Departamento de Recurços Naturais e Meio Ambiente. vinculou-se a não familiaridade com os métodos de trabalho dos geógrafos e a sua efetiva função no organograma de trabalho do órgão. Geodésia e Cartografia nos discursos antigos dos artigos de memória institucional que normalmente ficavam a disposição dos novos chefes. como no caso dos economistas. Tais problemas podem ser percebidos quando analisamos alguns depoimentos de profissionais que ocuparam cargos de alta direção no IBGE (presidentes e diretores de área onde a Geografia se reportava). à maioria dos casos. dentro dos requisitos mínimos fixados pelo agora Conselho Nacional de Geografia (decreto-lei 218/38 de 26 de janeiro de 1938). Cartografia e Geodésia nas fases iniciais da agência. Instrumento legal que obrigava aos municípios cartografar seu território e enviar para a Secretaria do Diretório Regional de Geografia duas vias autenticadas. o presidente em questão tinha estudado Geografia Física e Humana dentro da mesma cadeira. devidamente acompanhada pelo decreto-lei 311/38 de 02 de março de 1938. que dispunha sobre a divisão territorial do país e que ficou conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. sempre foi vista pelos geógrafos como uma das mais importantes áreas da casa. se durante o longínquo curso de segundo grau. que nos períodos iniciais era encarada pela alta direção da agência. a isto pode também ser acrescido os títulos de áreas departamentais.

Além disso, havia a dificuldade de se entender os diferentes papéis da Geodésia e da Cartografia no contexto da agência. Com a Geodésia apresentando dois corpos profissionais muito distintos, um altamente matematizado, com relações internacionais sistemáticas e fortemente exigente de tecnologia e outro constituído de profissionais que aprenderam o ofício no campo, durante as campanhas de levantamento geodésico, na maioria dos casos com pouca escolarização formal. A Cartografia parecia ser ainda mais complexa, pois misturavam-se áreas típicas de produção com grupos altamente qualificados de engenheiros cartógrafos e de profissionais vinculados à arte como os desenhistas de arte final e os cartógrafos que operavam na área de cartografia temática para ilustração de atlas. Somava-se a isto questões de transição tecnológica, tanto no que se refere aos contatos diretos com a Geodésia, quanto no que se refere à produção física das cartas, incluindo aí a impressão das folhas em gráfica própria, altamente especializada. Portanto, um presidente ou um diretor de área teriam de se adaptar rapidamente às peculiaridades dessa diretoria altamente heterogênea, com demandas muito diferenciadas. Além disso, é preciso entender que havia também os “notáveis” das “Velhas Guardas” em cada área específica e que alguns deles ocupavam postos de decisão na estrutura hierárquica do IBGE, além dos técnicos de assessoramento que poderiam esclarecer dúvidas e subsidiar decisões para arbitramento. Um presidente novo e sua equipe deviam aprender os códigos não escritos da casa, sob pena de sofrerem rejeição de parte do quadro profissional, ou de quase todo, como aconteceu em alguns casos. No contexto da Geografia, personagens importantes como Miguel Alves de Lima, Speridião Faissol, Lúcio de Castro Soares e Ney Strauch foram guardiões corporativos de grande valor no ambiente da presidência, por suas respectivas carreiras na alta direção da casa e liderança que exerciam junto aos demais profissionais. Catharina Vergolino Dias foi outra profissional importante nos contatos em Brasília, durante a década de 70, pois trabalhou como representante do IBGE nas assessorias da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e no Ministério do Interior durante os governos Médici e Geisel. Eram profissionais com muito conhecimento, tanto técnico, quanto administrativo e político e que sempre eram solicitados a darem opiniões e ajudarem nas decisões que envolviam a área da Geografia. Na década de 80, o engenheiro Mauro Pereira de Melo foi outra figura chave no contexto da criação da Diretoria de Geociências. Seus bons contatos com o segmento militar da Cartografia no contexto da Comissão de Cartografia (COCAR) evitaram conflitos na condução da coordenação cartográfica do país. No contexto interno do IBGE outros personagens, ao longo de suas carreiras, tornaram-se referências importantes ao ocuparem cargos de direção, onde as injunções políticas entre

diretorias e departamentos deveriam ser gerenciadas com muita diplomacia. O exemplo mais representativo na década de 80 na Geografia foi Marilourdes Lopes Ferreira, que após assessorar Speridião Faissol na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e na Diretoria Técnica nos anos 70, foi na década seguinte alçada a posição de Diretora Adjunta da Diretoria de Geociências, ocupando durante um bom tempo este importante posto. As boas relações institucionais da Geografia com as demais áreas do IBGE neste período, devem muito à diplomacia de Marilourdes. Em função desse quadro de referência foram tomados alguns depoimentos de presidentes, diretores e diretores adjuntos que gerenciaram o IBGE nos últimos 30 anos e que puderam dar seus testemunhos sobre a área onde a Geografia estava inserida. Os Presidentes Da linha dos 10 últimos presidentes iniciada por Sebastião Aguiar Ayres (04/04/196724/03/1970) e seguida por Isaac Kerstenetzky (24/03/1970-29/08/1979), Jessé de Souza Montello (29/08/1979-14/03/1985), Edmar Lisboa Bacha (10/05/1985-27/11/1986),Edson de Oliveira Nunes (06/01/1987-13/04/1988), Charles Curt Müller (03/05/1988-18/04/90), Eduardo Augusto Guimarães (18/04/1990-26/03/1992), Eurico Neves Borba (26/03/1992-15/06/1993), Silvio Augusto Minciotti (15/06/1993-30/03/1994) e Simon Schwartzman (05/05/199431/12/1999) que passou o cargo para o atual presidente Sérgio Besserman Vianna, foram tomados os depoimentos de Edson Nunes, Charles Müller e Eurico Borba presidentes que tiveram um papel importante em decisões que envolveram a Geografia. Eduardo Augusto Guimarães e Simon Schwartzman, presidentes que ficaram durante um bom período ainda não puderam dar seus depoimentos por diferentes razões, Eduardo Augusto ficou a frente da Secretaria do Tesouro Nacional, indo depois para a presidência da BANESPA, preparar sua venda, funções que o impossibilitaram de prestar depoimento sobre sua gestão. Simon Schwartzman ainda não pode ser contatado para seu depoimento, mas seus escritos cobriram perfeitamente sua gestão, provavelmente a mais dinâmica e de maior impacto dessas 10 últimas, em virtude das condições em que ele assumiu a casa em 1994 e pelo que deixou de positivo à imagem do IBGE junto a seus funcionários e a sociedade brasileira em 1999. Iniciaremos com a primeira parte do depoimento de Eurico Borba, enquanto Diretor Geral da gestão de Isaac Kerstenetzky (falecido em 20/06/1991). Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) Essa fase foi muito importante, pois seria na gestão de Isaac, administrativamente controlada por Eurico Borba, que seriam implementadas, na prática, as decisões sobre a nova estrutura organizacional do IBGE criada em 1967 (Decreto-lei 161 de 13/02/1967), modificando sua subordinação (deixando de se reportar à Presidência da República, como havia sido desde 1934) e passando a ser uma Fundação subordinada ao Ministério do Planejamento.

O presidente anterior Sebastião Aguiar Ayres conduziu o planejamento da campanha censitária de 1970, mas coube à equipe de Isaac executar o processo de coleta no segundo semestre de 1970 e realizar as tarefas de apuração e divulgação. Eurico conta como transcorreu, de seu ponto de vista o processo de montagem de um projeto de modelagem de uma matriz de insumo-produto financiado pela Fundação Ford e BNDE e a ser realizado por uma equipe coordenada por Isaac na PUC e na FGV, onde Isaac era pesquisador. E a súbita mudança para uma nova fase com a nomeação de Isaac para o IBGE em 1970. “...nesse período tumultuado e rico na PUC desembocou nesse projeto de uma grande pesquisa, então o Isaac concordou com a idéia de que não era fazendo um curso de mestrado e sim fazendo uma pesquisa para termos condições financeiras de trazer mais professores de horário integral, a pesquisa melhoraria o curso de graduação e naturalmente dois, três anos depois, seria naturalmente o curso de mestrado, doutorado, etc... então foi montado um projeto extremamente interessante, eram estudos na área setoriais, agricultura, os tradicionais, primário, setor primário, secundário, terciário, a parte demográfica, o setor externo, isso tudo se juntava... Isaac já falava... temos que se simular uma matriz de insumo-produto, temos que fazer um modelo de simulação econômico demográfico, isso tudo se fecharia então nesse grande modelo dos estudos do setor primário, secundário, terciário, setor demográfico, setor externos, todos os segmentos da sociedade. O BNDE deu esse dinheiro, foi assinado em janeiro de l970 e o primeiro desembolso dessa parcela foi feito, com esse primeiro desembolso da parcela, em fevereiro de l970 o Isaac achou importante como coordenador do projeto, se licenciar da Fundação Getúlio Vargas, nessa época o Professor Gudin e Jorge Oscar de Melo Flores, telefonaram para o reitor para saber que história é essa da PUC estar roubando o Isaac da Fundação ! O reitor ficou de olho arregalado, me chamou e nós fomos fazer uma visita para o velho Gudin, foi a primeira vez que estive com o velho Gudin, levei uma porção de livros para ele autografar e o Jorge Oscar de Melo Flores nos explicava que nós não estávamos roubando o Isaac, o Isaac continuaria, mas ele ia coordenar na PUC, claro dando uma carga de horário maior. O Isaac disse: olha Eurico você tem que fazer uns contatos... pois isso tem que ter uma amarração muito firme e preparou a minha viagem, eu tinha que ir a Fortaleza, lá na Faculdade Federal de Fortaleza conversar, eu já não me lembro os nomes das pessoas, mas era a idéia de acertar o convênio, de trocas de experiências com pessoas, uma rede com a PUC e depois em Belo Horizonte, também em São Paulo com o Miguel Coluassono que chefiava o Instituto de Pesquisas Econômicas. Por conta disso saí eu visitando esses centros, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo.... e aí já era Semana Santa, peguei um avião um Electra em São Paulo e fui passar Semana Santa com meus pais em Porto Alegre, minha mulher estava viajando junto, pegamos um temporal danado e tal.... e aí eu abro o jornal e está assim: Isaac Kerstenetzky nomeado Presidente do IBGE, eu virei para Henriqueta, minha esposa, e disse assim: acabou o Projeto da PUC, aí fomos lá para Porto Alegre, voltamos... eu me lembro que voltamos domingo de Páscoa e eu me lembro que a primeira coisa que fiz foi ligar para o Professor Isaac, ele atendeu... e eu dizendo...: o como é que está? Vi o jornal, parabéns, felicidades, o que o Sr. Precisar lá da PUC, o Sr. Sabe, conta com a gente...., ele disse: eu preciso de você! Só pude responder... Professor Isaac, o Sr. já está saindo, e se saio eu também, como é que fica na PUC ?... – Não se preocupe..., eu falo com o Reitor, amanhã, você apareça lá no IBGE...- e deu o endereço Franklin Roosevelt e tal... Eu quero começar no final da manhã... apareça no final da manhã, lá para ll:30.

Aí eu fui meio tonto para PUC, falar com Padre Ávila... o Padre Ávila... Meu filho, quem sabe se pode dar um tempo lá e um tempo aqui... então eu muito atordoado, esperei, e no final da manhã do dia seguinte estava lá... O Isaac disse olha: Eu quero você como chefe de Gabinete porque eu não quero trazer gente de fora do IBGE agora... mas eu estou aqui atordoado com essa estrutura... e a única coisa que eu posso fazer é nomear você Chefe de Gabinete, e aí falou baixinho, nessa época todo mundo tinha medo de telefones grampeados e de microfones ocultos, ele virou para mim e disse assim: Eu não confio em ninguém, eu não confio em ninguém ... Está bom, eu levei uma semana querendo continuar na PUC, afinal foram anos de discussão de projetos, mas acabei saindo indo lá com o Isaac... ficou no meu lugar Carlos Alberto Menezes Direito, hoje Ministro do Tribunal Superior...” (depoimento de Eurico Borba à RSA). A surpresa de Eurico e do próprio Isaac pela súbita nomeação foi explicada mais tarde aos dois por Maurício Rangel Reis, secretário geral do Ministério da Agricultura e depois Ministro do Interior no governo Geisel. O convite de Isaac ao IBGE veio de Veloso? “ O Maurício Rangel Reis foi quem lembrou o nome de Isaac ao Veloso para livra-lo de uma confusão de hierarquia militar, porque tinha sido nomeado um coronel e o coronel que durante muito tempo freqüentava o IBGE naqueles Conselhos ligados a essa área de ...geodésia e cartografia... o Decreto de nomeação desse coronel chegou a ser assinado pelo Veloso, e por conta de um problema de hierarquia militar... o general daqui da região era o comandante do coronel... deu três berros lá porque não tinha sido consultado, então criou-se um problema. Um problema para Veloso, que era o Ministro do Planejamento, e que havia indicado o coronel, que por sua vez aceitou, mas ele Veloso não tinha avisado ao general, então criou-se um problema de hierarquia militar... o general estava bravo, o Veloso indeciso... mas quem vou colocar? Maurício Rangel Reis levantou e disse: o Isaac. O Veloso disse, excelente, o Isaac... agora mesmo... ele era amigo do Isaac e falou com o Médici por telefone e o Médici então pediu o curriculum lá e tal e pediu para , para o negócio ser rápido e em 24, 48 horas... quer dizer: o Isaac não teria sido lembrado se o general não tivesse berrado com o coronel... e então o Isaac assumiu... Nos primeiros meses não sentia-mos seguros... quando nós estávamos lá, só os dois e queríamos conversar, nós dois saíamos para comprar jornal e íamos até o Aeroporto, tomar um cafezinho para conversar, porque tínhamos medo de que nas tomadas tivesse um microfone...” Quer dizer, tinha problemas internos da casa, além da questão militar? “E aí eu me lembro de uma reunião que o Isaac foi comigo... com o pessoal do Departamento de Censos, nós estávamos para começar o Censo de l970, e estava tudo atrasado. Então eu disse: Professor Isaac, não tem nenhum problema, eu levanto a bola, se o Senhor não estiver de acordo o Senhor pode me esculhambar, mas eu vou levantar as perguntas e o Senhor depois apazigua... comigo não tem problema, e eu fiz as perguntas mais indiscretas possíveis... porquê que o Censo não estava ainda todo esquematizado, naquela época em administração se usava muito “pert-cpm” então eu havia aprendido na PUC e tal e perguntei, vem cá essa operação censitária você tem um pert, e o Sebastião Reis que era o dono do Censo levantou da ponta, mas, se ele pudesse teria me dado um tiro... Eu fiz o Censo de 40, 50, 60 eu sei todo o processo, está aqui nessa pasta... todas as etapas, esta porcaria de métodos modernos só faz complicar... eu fiquei calado, o Isaac ficou calado por uns instantes..., virou para ele e disse: Eu só quis saber se tinha um elemento que a gente pudesse olhar, ao invés de estar te consultando pelo telefone. Eu disse: Olha Dr. Sebastião o Sr. desculpa, mas só que nós estamos no mês de abril, ou maio e ainda não temos os questionários prontos, os questionários não foram distribuídos, o esquema de distribuição que tem que utilizar Marinha, Aeronáutica, não sei quem mais, o Serviço de combate a malária - SUCAM, nada disso ainda está

pronto? Eu fico preocupado. Como é que dia 1 de setembro os questionário estarão no campo? Bom, na época teve um fato fantástico, tenho cópia desse material em casa, fui tirando cópia, naquele tempo era termofax, tinha um decreto-lei 200 e um Decreto específico de contratação de pessoal para o Censo e a gente pressionando para contratar pessoal, nós precisamos de pessoal, nós precisávamos de computadores, então o coitado do Chefe do Pessoal ficou tão aflito que dizia assim num despacho dizia assim: o Censo é prioritário, na época se usava muito a expressão Segurança Nacional, é uma questão de segurança nacional, portanto contorna-se a lei... e aí o Isaac rejeitava esses expedientes... que contorna a lei coisa nenhuma...tem que ser dentro da lei. Era um período extremamente dinâmico, que se trabalhava o tempo todo, numa tensão danada, denúncias de corrupção, denúncias de comunistas escondidos debaixo das mesas, cada pessoa que você admitia tinha que ter uma ficha do SNI ...Isaac então dizia para o Veloso... Ministro tem coisas que a gente tem que admitir amanhã, não vou esperar duas semanas, três, não mas o SNI tem uma regra. Tem uma regra para o dia a dia, mas para o Censo não pode ter regra, aí tivemos que vir à Brasília, para conversar com o Chefe do SNI na época, que era o general Carlos Fontoura, as apresentações foram feitas, vê como são as histórias, pelo irmão do Presidente Figueiredo, que era o escritor Guilherme Figueiredo... que era muito amigo do Clóvis Zobaran Monteiro... que era um advogado do IPEA e que depois foi para o IBGE... era chefe de gabinete lá em Brasília e o Zobaran foi lá no Guilherme Figueiredo e disse: Olha tem esse problema do Professor Isaac... se encarrega de ver lá com o Eurico de cuidar dessa história... então fomos a Brasília junto com Guilherme Figueiredo, Zobaran foi recebido por General Fontoura para explicar que nós não podíamos esperar e se tivesse algum comunista escolhido...depois a gente veria... O general deu aprovação... então resolvemos esses problemas. Então o ano de l970 foi tomado, tem outras coisas para contar, mas foi tomado basicamente pelo Censo. O Censo tinha que sair, já o ano de l970...” - Só uma pergunta. Em 70, vocês já pegaram o Censo mais ou menos sendo preparado, quer dizer, já havia um planejamento anterior... “ Sim, havia um planejamento do questionário, o estava atrasado era a parte operacional. O Isaac inclusive na Fundação Getúlio Vargas tinha trabalhado muito com Manoel Antônio, no Censo Agropecuário, com Rodolfo Wenshe no Censo Industrial, com Lira Madeira no Demográfico, então o Isaac como já era uma referência muito conhecida... pois era consultor do IBGE desde a década de 50, já tinha trabalhado no Censo de 60 como consultor, já sabia como estavam as coisas e estava acompanhando, o problema era operacional, rodar questionário, empacotar questionário, contratar recenseador, supervisor, treinar...” - Mandar para o campo, logística de distribuição de questionário no campo... “Exato... no ano de 197l, o Censo então coletado é um ano onde se começou então a repensar então o IBGE...que já havia virado Fundação em 1967, mas ainda não era efetivamente uma Fundação” Sobre a visão de Isaac a respeito da Geografia, Eurico conta que nos primeiros tempos de reformulação dos cursos da PUC, a percepção de Isaac sobre a Geografia não era nada boa, mas que esta visão mudou quando começou a trabalhar no IBGE... - Deixa eu só colocar um negócio interessante, você vai perceber que o IBGE como um órgão que tem geografia, estatística e cartografia ao mesmo tempo... é um dos poucos órgãos no mundo que tem isso, e que de uma certa maneira, as pessoas acham interessantíssimo, a maioria das pessoas que lidam com planejamento territorial no sentido amplo... de outros governos, de outros

países, que lidam com isso, dizem mesmo. Vocês não devem acabar com esse modelo, porque é um modelo muito interessante, aonde tem geografia que define a história do território, demografia, o Censo Demográfico que conta a população, a cartografia que faz a representação do território, e a geodesia que faz as medidas desse território juntos é algo que muito poucos países, acho que só o Canadá tem alguma coisa parecida... “ Espanha tem algo assim também. Bom, então com duas ou três semanas de IBGE... o Isaac pegou essa concepção lá de l935, 36, tinha alguma coisa de importante. Bom, depois, aí eu estou falando de maio, junho, o Isaac virou para mim e disse assim: Eu não me esqueço, estávamos caminhando lá no Aeroporto Santos Dumont..., antes tínhamos almoçado lá no Hotel Aeroporto e depois nós caminhávamos até lá conversando ele disse: Eurico os únicos que tem formação acadêmica para conversar qualquer coisa séria no IBGE são os geógrafos...” -Que naquela época eram exatamente a elite de formação acadêmica... a Velha Guarda “ E os únicos que eu estou podendo conversar são os geógrafos, então era Faissol, Miguel Alves de Lima, era o Pedro Pinchas Geiger, era a Lysia que não estava no IBGE estava servindo ao IPEA, o Isaac fez tudo para a Lysia voltar, o Lysia não quis voltar, Marília Galvão, tinha uma outra que depois foi estudar na Inglaterra, fez pós graduação? Olga ...?...” - Era Olga Buarque de Lima... “ Tinha uma outra senhora também, assim mais ruiva, de óculos∗, bom era um pessoal todo que tinha feito seu mestrado, doutorado no exterior, Estados Unidos e França, então isso fascinava o Isaac, porque do lado da estatística ele tinha pessoas que muitas vezes não tinham nem curso superior, tinham feito o Censo de 40, 50, 60 e estavam lá, por exemplo, o rapaz da área industrial, o Florentino, era uma pessoa excelente, ele sabia a estrutura de produção da Wolkswagem, da Carrocerias Marco Polo lá de Caxias do Sul, de cabeça, mas ele não tinha curso superior, bem ou mal ele tinha primeiro ou segundo grau. Havia muitos outros assim, e todos obtiveram diploma de estatístico por conta de uma lei que você levava lá um papel dizendo que você tinha participado do Censo como entregador de lanche e virava estatístico provisionado. Na área de demografia você tinha o Lira Madeira que já era um outro grupo diferenciado dentro da estatística que vinha de uma tradição do antigo demógrafo italiano Giorgio Mortara, que veio fugido do Mussolini e ficou aqui e dizem que o Censo de 40 que foi muito bom, foi ele que fez, e que criou a ENCE e que teve uma tradição grande de formar estatísticos principalmente da área de probabilidade e se esgotou ali nos anos 70 que depois por a ENCE é uma escola isolada, não podia ter mestrado, não sei o quê e aquilo ficou formando bacharéis o nível foi caindo... o IBGE não podia admitir... esses problemas da porcaria da gerência do pessoal do serviço público... então o Isaac começou a ficar entusiasmado com o pessoal da geografia, Faissol e Miguel Alves de Lima com certeza foram os que mais privaram da intimidade do Isaac, Geiger também, a Olga, Marília, também e muito do que se discutiu da reforma do IBGE, se deve a participação desse pessoal, e aí a idéia do Isaac de uma geografia, de uma ciência insepulta, ou morta mudou... e aí vai uma observação minha, minha Eurico eu via três grupos de geógrafos, talvez quatro, vamos assim descrever: l. o grupo liderado pelo Faissol que era a geografia quantitativa, mas na formação dos geógrafos, poucos eram geógrafos com idade de 50 anos de idade estavam dispostos a aprender matemática, estatística, o Faissol fez isso, outro era um grupo liderado por Miguel Alves de Lima que era um grupo ainda da geografia, eu vou usar essa expressão, porque não parece conveniente você corrige como achar conveniente também, geografia tradicional, descrições de territórios, descrições das cidades...”

Eurico se refere a Fany Davidovich

- O Miguel Alves de Lima ele é um geomorfólogo , quer dizer, é um profissional que trabalha com descrição da superfície, de todo o relevo e tal, e talvez isso tenha influenciado você... “ Quando eu fui para Brasília em 75, eu pedi um assessor de geografia e mandaram a Catarina Vergolino Dias, que hoje é uma grande amiga, uma irmã mais velha, mas Catarina era seduzida pela metodologia do mapa, ela ia para uma reunião comigo e queria levar mapas, para na frente do Ministro começar a desenhar, onde estava a indústria, onde é que estava a poluição, onde é que estava a corrente migratória, porque no mapa o pessoal vê, daqui pode codificar, eu digo, não Catarina, você tem que levar tabelas, você tem que levar pequenos relatórios, uma, duas páginas, tabelas, gráficos, aquilo não entrava na cabeça dela, gráfico, a tabela era o mapa desenhado...” - Não entrava mesmo, é tradição cartográfica mesmo, que é uma tradição do Miguel Alves de Lima... aprendida com Francis Ruellan “ Um terceiro grupo, era o grupo do meio ambiente que hoje são os precursores do meio ambiente do IBGE que era a geografia física, então tinha um chefe de gabinete do Miguel que era uma pessoa simpaticíssima, baixinho, o Lúcio de Castro Soares, então ele me mostrava com muito orgulho os artigos dele na Revista Brasileira de geografia de l940, 50, 60 os ventos de tal lugar, as marés, os mangues, a floresta, era uma camarada excelente, se a gente pegar um livro da época tem lá. IBG Superintendente - Miguel Alves de Lima, Chefe de Gabinete Lúcio de Castro. Então esse era o grupo, esse grupo me ajudou muito lá quando eu fiz a Reserva Ecológica do Roncador, e o quarto grupo, é um grupo que eu diria assim: dos magoados, que era um grupo de pessoas que foram maltratadas pela revolução, ou tiveram brigas metodológicas com os outros grupos internos e foram segregados, então para o exemplo eu estou falando do Valverde, que é uma pessoa que quando foi à Brasília me visitar lá por conta da Reserva Ecológica do IBGE me pareceu uma das pessoas de melhor qualidade, inteligência e tal, e tinha o Edgar o Kulhman por exemplo... então esse outro grupo de descontentes o Kulhman, o Orlando Valverde que estavam ressentidos. Catarina tentou recuperá-los, não foi possível porque, eu nunca fiz isso na minha vida acadêmica, mas vejo que até hoje se repete, você repele, o Faissol repelia esse pessoal, não aceitava, o Miguel Alves de Lima repelia esse pessoal, na área de geografia física eles também não entravam... e eles por sua vez estavam ressentidos com a situação nacional... - Existia um problema sério no IBGE é que nesse período a geografia física l970 quando eu entrei no IBGE a geografia física estava em baixa por alguma razão que até hoje nunca consegui decifrar bem, geografia humana e a geografia urbana fundamentalmente era a força e aí não sei se aí teve o dedo também de Lysia Bernardes, etc. e tal... “ Lysia Bernardes era outra que o Isaac tinha a maior admiração por ela...” - Exatamente, então o que você percebe é que quando eu entro no IBGE e aí eu entro pensando no contexto de geografia física, já que eu era escalador, eu era um cara de montanha... então eu entro na geografia imaginando trabalhar em geografia física e eu percebo que no DEGEO a geografia física está em baixa... quem está forte é geografia humana e quem está forte na geografia humana é geografia urbana e onde eu acabo trabalhando e onde eu acabo ficando... e começo a perceber que havia pessoas muito poderosas na geografia física como Alfredo Porto Domingues, como Miguel Alves Lima, como a própria Catarina que conhecia muito de geografia física... mas esse divórcio era forte, eu me lembro que grande parte de que se fazia de geografia no IBGE era geografia humana e na geografia humana no IBGE eram geografia urbana e agrária...além do grupo da geografia regional que solicitava apoio dessas duas.

“ Mas aí deixa eu contar o lado que eu sei de alguma coisa de bastidores, eu estava te comentando das patotas, os grupos, que até hoje você percebe na academia, eu não sei fazer isso, a gente sofre com essa história, mas acontece as pessoas ficam mais amigas, tem conversinhas especiais, segregam, nomeiam quem vai para Congresso, protege aquele grupo que vai fazer o mestrado, tudo por aí... o artigo na revista tem sempre prioridade, então esses grupos começaram a ficar muito claros delineados já em l970, mas o Isaac com aquela soberania dele, soberania não, aquele espírito sobranceiro dele pairando sobre esses problemas ele achava fantástico conversar com o Miguel, conversar com o Lúcio, com Faissol, com Geiger, e tem mais um grupo que não são especificamente de geógrafos, mas que conviviam com geógrafos por conta do antigo IBG e que é preciso ser considerado que é o pessoal de geodesia e cartografia, que no passado tinha uma força vamos dizer assim romântica Dalmi, que morreu em Brasília é um grande amigo que eu guardo assim na memória, Dalmi em l939 sai do marégrafo de Torres no Rio Grande do Sul e de cem em cem metros com aquela régua e tal, vai levando a linha de nivelamento que eu vi em l97l chegar no marégrafo de Torres e essa linha que saiu em 39 do marégrafo de Torres chega em l97l no marégrafo de Belém, Belém do Pará, com Clóvis lá do Ceará e o Daomi presente com uma diferença de apenas 42cm, a pé, esse pessoal de geodesia era então assim o carisma o Dalmi conta a história o Alírio Hugueney de Matos que nós homenageamos em l978 um velhinho fazendo noventa anos, nós fizemos uma base lá em Mato Grosso, numa cerimônia à noite, Base Alírio de Matos, o velho não podia falar, estava com falta de ar, oxigênio no velho para não morrer ali nos nossos braços, esse pessoal era o romântico, então, escutavam a BBC para calcular a hora oficial para ter observação das estrelas, latitude, longitude com rádio de galena, porque era período de guerra, as baterias se desgastavam rapidamente, então faziam rádio de galena para pegar a hora do meridiano de Grenwich para acertar os seus cronômetros e pegar os seus sextantes lá no interior do Mato Grosso e marcar as posições, era um pessoal fantástico, romântico, e tal, então foram heróicos na década dos 40, na década de 50, na década de 60... Che Guevara os abençoa, porque como surgiu a idéia de terrorismo na América Latina... os militares perceberam que era preciso mapear, e para mapear tem que ter o apoio geodésico e apoio geodésico toma dinheiro, eles nunca tiveram tanto dinheiro na vida como esse período, os primeiros rastreadores de satélites que foram funcionar no mundo foram nos Estados Unidos e depois no Brasil, porque tinham que pegar ali fronteira da Bolívia, Peru, aquele negócio todo porque os comunistas iam entram por ali, então o exército precisava para fazer mapas na escala de l:25.000, l:l0.000, mas aí o IBGE tinha que mapear a escala de l:50.000, então eles foram os primeiros rastreadores de satélites aquilo era um treinamento no Panamá, no Canal do Panamá, dinheiro a beça, então naquela época se compara ou caminhão, caminhonete, rádio, tudo, barraca, eu dormi no interior do Mato Grosso em barracas americana, se puxava o zíper por causa dos mosquitos era uma beleza...Era rede barraca, ficava balançando e deixava, era uma beleza, fiz tudo isso pela maior glória de Deus e grandeza do IBGE, então o pessoal de geodesia e cartografia na década de 70, tiveram um grande impulso por conta das guerrilhas... Por conta de um trabalho para o Ministério, tive que mapear as barragens no Brasil e Professor Isaac numa vez estava conversando comigo e eu disse: Professor Isaac, mas o esse dado aqui em escala de l:50.000 principalmente é um dado importante para barragens, para estradas também, ele disse: Eurico isso é importante, no dia seguinte teve uma palestra dele na Escola Superior de Guerra, o Isaac disse: Porque o dado geodésico para nós e essa carta l:50.000 vale tanto como uma informação demográfica e econômica porque pode mostrar aqui as curvas de nível para construir uma barragem, construir uma estrada e seus cursos alternativos...” - Eu imagino como os militares adoravam... “ Eu ficava passando, os militares adoravam, mas os Isaac numa dessas reuniões da Escola Superior de Guerra... um coronel lá levantou e disse assim: Se um dado econômico social for contra os objetivos permanentes da revolução o Senhor não acha que esse dado tem que ser escondido da população, não das outras autoridades e tal, que precisa saber, mas da população? O Isaac ficou branco e disse: Essa é a

diferença entre um estado democrático e um estado totalitário, ele pensou, vou sair daqui preso... Então voltando ao grupo quer não era geógrafo, mas de geodesia e cartografia teve muita força e era um grupo muito unido e disciplinado e com uma produção enorme...” - Até hoje a geodesia, a geodesia brasileira é uma das melhores, quer dizer é uma das melhores das Américas, ela só não é melhor do que os Estados Unidos pois o Estados Unidos tem um esquema geodésico muito grande, é muita gente, recursos, mas ela é extremamente, por exemplo, essa parte de GPS ela foi a primeira a implantar no Brasil, a implantar muito bem implantado no IBGE hoje é matéria comum... “ Então esse grupo de geodesia e cartografia nunca nos deu problema, na época do Censo, fazer mapas censitários eles respondiam com bastante eficiência, bastante rapidez, estavam preocupados na produção de mapas temáticos e aí tinham uma ligação com o pessoal da geografia muito grande... Mas na época começou uma brigalhada danada, Projeto Radam e o INPE sobre as primeiras fotografias de satélite e a imagem de Radar, então havia uma confusão Miguel Alves de Lima dizia que o Projeto Radam era uma porcaria, era um blefe, tinham um engenheiro agrônomo baiano, esqueço o nome dele agora...tinha esse engenheiro agrônomo que eu me esqueço o nome que dizia que o IBGE poderia acabar com o Censo Agrícola porque com imagem de Radam e imagem de satélite, fotografia com alta altitude, de alta altitude, faria previsão de safra...” - Naquela época se imaginava isso... - Mas aí imaginar que o Censo Agropecuário no Brasil... que é um negócio muito mais complexo, se limita a prever safra é outra história... O Isaac ficava uma fera com essa história, Miguel Alves de Lima alimentava dizendo que o Projeto Radam era uma porcaria, que o radar, nunca me esqueço dessa explicação, que o radar era na vertical, quando era inclinado as elevações...” - As elevações apareciam sombras, davam sombreamento... “ Então a parte de altimetria nunca era correta, que o dentro da mata Amazônia tinham verdadeiras montanhas, com mais de quatrocentos, quinhentos metros, aí vinha o Lúcio dizia que tinha andado lá por dentro que era verdade...” - Isso aí tem uma história muito interessante que em l974 eu fui num Congresso de geografia em Belém e o pessoal do Radam trouxe uma nova visão da geomorfologia da região Amazônica, a região Amazônica era conhecida como uma planície Amazônica, então era tudo plano, e ninguém se discutia, era plana, etc., e chega o Radam e mostra que não, é plana em termos, quer dizer: existem elevações, etc., e tal, então vamos ter que discutir a classificação de como nós vamos denominar essas elevações dentro de uma área que é em média planície, e aí isso causa um transtorno louco para todos os caras, geógrafos de geografia física que sempre falavam de planície Amazônica e planície é zero a dez metros, quer dizer, então a idéia é essa de zero do nível do mar a dez metros, e os caras não: tem planície, tem montanha de cento e tantos metros, cento e dez, duzentos metros, e isso foi um caos total em l974, porque a geografia clássica, geomorfologia clássica anterior definia a Amazônia como planície e ninguém queria largar disso e os caras diziam, não é assim e etc. e tal e aí tem toda uma discussão técnica sobre o radar do Radam era bom ou não era, se servia para mapeamento ou não... e o Miguel Alves de Lima possivelmente era um desses partidários que era contra ... Já Isaac descobrindo que os geógrafos tinham um nível acadêmico superior, eu estava falando com ele, na área da estatística tinha o Ovídio que era um advogado que virou estatístico, tinha aquele da Indústria que você trabalhou com ele, era um

velhinho fantástico, Florentino uma figura fantástica eu estava falando isso, ele sabia a estrutura da produção da Wolkswagem, da Marco Polo, tudo de cor...” - Ele se identificava com os questionários de tabulações especiais a mão, ele sabia exatamente o que podia e o que não podia fazer, marcava um “X” na tabulação... “ Mas não tinha nível superior, o Rudolph Wenshe sabia fazer as coisas e tal, mas era um quadradão ali da turma, formada no campo desde a década de 40, 50, 60... então o Isaac começou a conversar muito com Miguel Alves de Lima, com Faissol que tiveram uma influência muito grande nessa transformação do IBGE toda, nessa mesma época o Isaac começa a perceber, estamos já falando em 7l que tinha que trazer gente de fora e tinha que mandar gente para o exterior, para fazer mestrado e doutorado...” - Continuar o que a geografia sempre fez, aquela história de mandar pessoal para o exterior existe desde a década de 40... a geografia sempre teve essa política de, sistematicamente, mandar pessoas para o exterior para fazer especialização, pós graduação, etc., e tal... “ l97l, 72 começaram vocês chegar no IBGE...” - 73 foi o período de contratação em massa, 72, 73 foi o período forte em contratações... “ Nesse período foi Sônia, Madalena, Jane, Maristela, essa turma toda, Eurico Borba também fala da questão da urbanização no Brasil e no processo de estruturação das “áreas metropolitanas” , mas imaginando ser uma questão do início dos anos 70, quando, na verdade, o problema já estava na pauta dos geógrafos do IBGE desde meados da década de 60, inicialmente conduzido por Lysia Bernardes sob a orientação de Michel Rochefort e, posteriormente, por Faissol, Geiger, Marília Galvão, Fany e uma equipe denominada Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) no qual trabalharam, além de Faissol e Marília as geógrafas Olga Maria Buarque de Lima e Elisa Maria J. Mendes de Almeida. O grupo já havia publicado na RBG v.31n.4, p. 53-128, out./dez. 1969 um artigo que estabelecia os critérios para identificação e delimitação das futuras áreas metropolitanas, para que fosse preparado um levantamento estatístico especial a ser aplicado durante a campanha censitária de 1970. Mas como Isaac e Eurico, que chegaram em meados de 1970 no IBGE, provavelmente somente tiveram conhecimento desses estudos bem depois, quando o Ministério do Planejamento fez solicitações a respeito do problema. “ ...o governo começou a se preocupar com o problema da urbanização, aí também houve esses acasos felizes, l9..., eu já não sei a data correta, 7l, 72, começou a se discutir regiões metropolitanas e aí, eu estou falando discussão a nível de governo, executivo, quais os critérios para delimitar uma região metropolitana e aí...o Veloso tocou um telefone para Isaac... eu me lembro nós estávamos numa reunião, em que as primeiras PNAD estavam sendo discutidas... ele saiu, me chamou assim, chamou o Faissol e eu tenho absoluta certeza que o Faissol chutou... aquele negócio, ele percebeu a importância do negócio, o Isaac disse assim: O Veloso quer uma resposta para uma reunião com o Presidente Médici se nós temos critérios para fazer Região Metropolitana, o Faissol, quando? Nós podemos fazer... aí eles viraram acham que madrugada, no sábado, no domingo, e tal, eu me lembro que tinha negócio de número de ligações telefônicas, número de passagens de ônibus, foi para definir as áreas... e

logo depois, vocês colocaram na praça e até foi uma edição multiplicada por dois ou três da Revista Brasileira sobre Região Metropolitana, uma capa verde, e aquilo saiu, foi enviado uma mala direta e o Veloso começou a gostar da idéia...” - Já existia no DEGEO, por conta do Faissol, já existia um grupo chamado, quando eu entrei em l970, já existia um grupo chamado GAM que era Grupo de Áreas Metropolitanas, em que ele já estava preocupado com isso, porque que ele tinha conhecido nos Estados Unidos a história das Standard Metropolitan Statistical Area (SMSA) é um termo específico de definição de áreas metropolitanas e de definições estatísticas de áreas metropolitanas nos Estados Unidos. Ele tinha percebido esse processo no Bureau of Census dos Estados Unidos, tinha visto que isso era extremamente importante para o Governo Americano em termos de planejamento para transporte, integração, telecomunicações, etc. e tal... O DEGEO já estava trabalhando com isso em períodos anteriores, mas dentro de outros contextos... e aí você vê como o negócio tem ligação, Lysia Bernardes apresenta a idéia de que a rede urbana brasileira estava se modificando... a população urbana brasileira estava crescendo, estava começando a sobrepujar a população rural, coisa que na década, no Censo de 60 começa a mostrar isso, mais o Censo de 60 foi um Censo problemático... que não pode fornecer bons dados para esse tipo de pesquisa imediatamente... os geógrafos urbanos do IBGE já haviam percebido que estava acontecendo, mas sem certeza estatística... em 70 esse negócio ocorre e já é mais visível em outras áres do governo. Porém, as primeiras discussões aconteceram entre 60 e 70, a Lysia Bernardes começa a perceber isso através dos estudos do francês Michel Rochefort sobre rede urbana, estudos de redes urbanas, quando ela chefiava a Divisão de Geografia após 1964 e o Faissol pega essa idéia em 1868... quer dizer, a Lyzia vai para o IPEA, sai do IBGE vai para o IPEA e o Faissol pega esse mote... ele vai aos Estados Unidos, como ele tinha muito mais ligação com os Estados Unidos, ele tinha feito doutoramento nos Estados Unidos e começa a perceber que nos Estados Unidos essa questão é importante, etc. e tal, ele pega a tecnologia e todo o aparato estatístico, que isso era feito nos Estados Unidos e aí que de uma certa maneira começa a história, um pouco capenga, começa a história da Geografia Quantitativa que no fundo, no fundo, não é a geografia quantitativa é muito mais uma visão de um indivíduo que está numa área, numa agência de governo de planejamento, dele começara perceber o que é importante para municiar o planejamento de governo e aí, a história de geografia quantitativa acaba surgindo muito em função de uma questão de o Faissol perceber essa questão, isso aí que você está mostrando exatamente esse ponto... “ Mas tinha brigas internas grande, por exemplo eu me lembro o Miguel Alves de Lima, foi uma ou duas, várias vezes... ele dizia para o Isaac e para mim... o que esse grupo que estava fazendo... não era Geografia... eles não estão fazendo Geografia... e Catarina, que era muito mais livre no falar, amiga do Faissol, o pessoal gostava muito dela, eu me lembro lá, me lembro lá em casa em Brasília os dois praticamente se atracavam porque ela dizia assim ... você está traindo a Geografia, você está fazendo mal feito o trabalho que sociólogo, economista, demógrafo... você não tem formação específica para isso... nossa formação é para conhecer o território, a ocupação, escrever, descrição... então as brigas eram sérias e aí eu acho que nessa das áreas metropolitanas o Faissol forçou um pouco a barra, o Faissol percebeu que ele poderia ser para o Ministério do Planejamento, um instrumento de planejamento... o Veloso só aceitou porque achava que era um serviço que o IBGE estava prestando bom e que tinha o aval do Issac. O que o Isaac pedia para o Faissol, ele sempre dizia assim: você testou isso com o Lira Madeira? Testou isso com fulano e tal? Ele nunca deixava de falar isso, mas sempre falava isso e as vezes o Faissol ficava magoado e vinha se queixar para mim: o Isaac pensa que eu vou fazer uma coisa dessa? - Eu digo não, é uma coisa importante e tal. Eu falo lá e a o Lira Madeira, Valéria Mota Leite que trabalhava nesse histórico, na área de economia estavam chegando outros, a Maristela várias vezes checou coisas do Faissol... Um outro ponto da época foi a divisão em Meso Regiões... o Veloso sempre falava muito bem do trabalho de

Micro Regiões Homogêneas e logo depois dessa Lei o Faissol saiu correndo atrás e publicou Brasil em Meso Regiões ...” Este processo de regionalização em microrregiões homogêneas inicia-se em 1967/1968 e foi coordenado, primeiramente por Lysia Bernardes como chefe da Divisão de Geografia e de 1968 em diante por Marília Galvão que assume o Departamento de Geografia. O processo de regionalização em mesorregiões foi trabalhado por Faissol em 73/74 para ser adotado nos censos econômicos de 1975... “ Antes de você ir... deixa eu contar esse último fato... uma coisa importante para se estabelecer um contraste: Aí o IBGE teve uma função fundamental na definição das áreas metropolitanas e toda vez que esse problema de urbanização aparecia o IBGE era chamado, eu me lembro o Jorge Franciscone ficava uma fera... porque o Franciscone tinha sido nomeado para coordenar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, e aí era o Veloso... que dizia para o Roberto Cavalcante, que dizia para o Franciscone, Jorge Franciscone, já checou com o IBGE? Isto é, era o IBGE que batia o martelo nessa história..., porque aí a palavra final que tudo que se tratava de urbanização passou a ser do IBGE... Da questão das áreas metropolitanas, Eurico passou a relembrar o processo administrativo do IBGE na gestão de Isaac, com a restruturação administrativa da casa e a luta de Isaac com outras agências de planejamento econômico... “ Bom, mas então voltando ao Isaac sobre sua relação com o Departamento de Geografia e com os geógrafos do IBGE lá nos anos 70. Com a criação do IBGE a Lei 5878 em maio de 73 eu passei a Diretor Geral foram criados a Diretoria Técnica, a Diretoria de Informática, a Diretoria de Formação, a Diretoria de Geodesia e Cartografia, a Diretoria de Divulgação e a Diretoria de Administração, a Diretoria Técnica foi entregue ao Amaro Monteiro e tinha Superintendências Estatística Primárias, Estatísticas Derivadas, Estudos Geográficos e Sócio Econômicos e Recursos Naturais, aí já estava começando a surgir efeito a política voltada para o médio e longo prazo do velho Isaac...de contratar gente já com alguma formação, mestrado e doutorado e garantir aos funcionários do IBGE idas ao exterior para cursar aperfeiçoamento e fazer então mestrado e doutorado e aí nos anos de 74, 75. Foi um trabalho muito grande de estruturação do novo IBGE, o quadro de pessoal os critérios de promoção, verdade seja dita, o Ministro Veloso e o Mário Henrique Simonsen que estava no Ministério da Fazenda nas época nunca negaram nada ao Isaac... sempre foi possível nós garantirmos o nosso orçamento... em termos legislação se cita sempre a Lei 5878, mas se esquece de duas leis muito importantes, uma dela foi implementada com bastante vigor e a outra ficou no papel por dificuldades políticas que nós vamos mencionar aqui. Uma diz respeito ao plano de formação estatística e geográfica e cartográficas, estabelecendo periodicidade, abrangência e tal, isso foi implementado e tudo bem, e a outra é o problema da coordenação do sistema estatístico nacional que é confuso, porque na época como se falava muito já em geodesia e cartografia, geografia, estatísticas primárias, estatísticas derivadas como uma única unidade de estudos e reflexão sobre o Brasil, nós começamos a ter oposições muito sérias que pouca gente sabe..., que foi muito pouco explorando... Enquanto o IBGE, principalmente o lado da geografia por seus estudos de urbanização, metropolização, vários artigos sendo publicados na Revista Brasileira de Geografia era mais conhecido nas esferas de governo, e os primeiros resultados sobre Censo Demográficos de l970 também ajudaram... Por outro lado, no campo entre a Economia e a Estatística... depois as primeiras tentativas de construção da tabela de relações intersetoriais, as tabelas de insumo-produto e depois a idéia da construção do Índice Nacional de Preços do Consumidor, o restrito e o ampliado, até oito salários mínimos e até trinta salários mínimos, que partiu daquela grande pesquisa o ENDEF - Estudo Nacional de Despesa Familiar realizado em 74 e 75..., veja como isso tudo era encadeado... treinamento de pessoal, formação de pessoal, reestruturação da estrutura do IBGE, nova legislação, tudo isso sendo feito, visando a

o José Burle de Figueiredo... de IPCA até esse momento 76. e o IBGE nesse período terminou com essas . através dos cursos de professores de primeiro e segundo graus e de professores universitários. 77 quando começamos apurar o ENDEF. na escala de município e ele conseguiu isso realmente as duras penas ele conseguiu bancar esse projeto. o Veloso deu uma risadinha e disse: Isaac você continua um professor e o Élcio Costa Couto deu um pulo da cadeira: Isaac você é um traidor. você quer acabar com o meu instituto. que infelizmente quase não foi utilizada e acabou saindo do censo de 91. começa a vir um outro grupo de pessoas inteiramente diferente. o futuro do IBGE é fazer isso tudo e fazer grandes convênios com as Universidades. como o IBGE divulgou na área de geografia. então elegantemente nós fomos sendo bloqueados nessa pretensão de expansão do IBGE.. quando nós saímos em l979. quando começamos a colocar as primeiras tabelas na matriz de insumo-produto para fora e começaram os primeiros resultados do PNADs consistentes.... você nunca disse isso para mim. a Teresa Cristina.” . que foram reclamar com o Ministro Veloso que o IBGE nos termos da legislação e é importante que vocês vejam isso na 5878... analisar e divulgar informações.” Ao Faissol é creditado a famosa matriz de quatro mil municípios de migração. Até l976.. já estávamos bem adiantados para os estudos para o Censo Demográfico de 80 e Faissol liderou aquilo dialogando tranqüilamente com economistas. anuais... com sociólogos.. etc. a Sônia Rocha. essa era a idéia do velho Isaac.. na Lei das Informações Geográficas e Cartográficas e Estatística e na Lei do Sistema Estatístico Nacional.. o Isaac disse para o Veloso isso numa reunião estava presente o Élcio Costa Couto que era o Secretário Geral do Ministério. a hegemonia intelectual dos geógrafos se fazia sentir de uma forma muito marcante.. 77. econômicas.. porque ele queria uma matriz de migração inter-municipal na medida do Censo de 80 que pudesse mensurar migração interna no Brasil no nível... economistas. o término do Boletim Geográfico e o término do IBGE como área formadora do corpo docente de Geografia. e aí começa uma interação muito interessante e muito fácil com o trabalho que os geógrafos vinham desenvolvendo. Quando essa idéia começa a transparecer e os nossos adversários só foram perceber isso lá pelos idos de 74. Eu e Professor Isaac redigimos isso com cuidado auxiliado pelo Clóvis Zobaran Monteiro.. sociólogos começam a chegar ao IBGE. que se fala a cada momento de propósito. começamos com os primeiros testes do INPC. já estávamos extremamente bem programados. a Jane Souto.. grandes convênios com o Centros Internacionais para fazer análise de dados. eu não sei se você lembra disso. para fazer estudos prospectivos para avançar teorias sociológicas. A área que ministrava esses chamava-se de divisão cultural e vinha desde seus primeiros da década de 40. a Maristela Santana por exemplo na área de economia. Isaac isso é uma traição.... os principais interlocutores do Professor Isaac continuavam a ser os geógrafos.. sistematizar. o Ramonaval.. bem formada e de doutorados. engenheiros agrônomos. analisar também... Quando em l978 se eu não me engano. geografia física.criação daquele grande instituto que seria o instituto capaz de escrever e interpretar o país em todos seus aspectos relevantes ao planejamento.. geomorfologia.... quem assumiu foi o Faissol a aceitação foi tranqüila e a liderança dele foi tranqüila. Presidente do IPEA e que virtualmente deu um pulo da cadeira. para trabalhar no segmento entre Estatística e Economia. a Madalena Cronenberg. 77... 75 nós começamos a sofrer elegantemente um bloqueio. quando eles perceberam que nós queríamos isso. compete ao IBGE coletar. todo esse pessoal. inúmeros só os trabalhos sobre cerrado que o IBGE fez naquele período. “ Eu acho que tem várias coisas que a gente podia chamar a atenção para um problema de publicaçõe. O Isaac disse assim: Veloso o IPEA está com seus dias contados. houve um problema interno com o Amaro da Costa Monteiro.. mas a partir de 76. ele deixou de ser Diretor Técnico.. de um lado por conta do IPEA e do BNDES..Existe um ponto interessante que sempre é colocado contra Isaac e Eurico..

eu acho que o único que se opôs a isso foi o Lúcio de Castro Soares. 75.. publicações do ano de 78. essas coisas e nós conhecíamos bem porque Paulo de Assis Ribeiro foi professor da PUC e era muito amigo nosso. Então. Catarina. isso novo nome para o que nós fazíamos na década de 40 em geografia física.. tinham pessoas que acreditavam..” . escrito coisas sobre os problemas ecológicos e então o Isaac convidou-o para ele ser o primeiro Superintendente.... árvores do Brasil. reagiram mal à Superintendência de Recursos Naturais o Miguel Alves de Lima.mas isso o Wamderbilt não conseguia fazer. tinham curiosos. os geógrafos reagiram muito mal. que o Wanderbilt não conseguia mobilizar gente. você pega por exemplo.. mas o problema e que a visão setorializada versus a visão do Isaac que era uma visão integrada. e aí nós tivemos dificuldades até o final do mandato do Isaac de encontrar uma pessoa com liderança intelectual capaz de levar a frente o projeto de recursos naturais. achavam que aquela história deveria estar sendo colocada a nível de Departamento no máximo do Departamento de Geografia Física revitalizada etc. mas o outro aspecto eu não me lembro. e o Paulo Assis Ribeiro era um verdadeiro pioneiro nessa área dos problemas ambientais e já tinha criado cursos. e aí foram todos. que se não me engano ele era o editor.. quer . o Isaac dizia: o Paulo de Assis Ribeiro poderia conversar com o Censo Industrial e verificar através de um cruzamento de dados que produtos que utiliza o seu processo produtivo que estão a poluir atmosfera e dali sair amostras e etc.... entregar o problma para velha guarda e chamamos o Kuhlman entregamos os recursos naturais. dá a impressão que o divórcio havia terminado. e mas aí todos os geógrafos foram contra a idéia de recursos naturais. todos eram contra dizendo: isso é bobagem. ele ficou no IBGE..duas atividades. que existiam problemas. que não viam mais sentido na publicação e que era importante fortalecer a Revista Brasileira de Geografia.” ... depois foi ser superintendente do Jardim Botânico até recentemente quando faleceu.. uma foi o Boletim Geográfico que era uma revista paralela a Revista Brasileira de Geografia e o outro era esses famosos cursos de formação de professores.. que gostavam e tal. de ele ter existido.. Eu queria fazer uma menção ainda a um outro problema. Clube de Roma.. dentro da visão da grande instituição capaz de fazer a descrição do país e capaz de analisar todos os problemas sociais. “ Curso de formação de professores eu nem.. conversando com o Isaac resolvemos.. não tinha gente com formação específica em recursos naturais. Faissol... naquela época em l974.Ou os trabalhos do Assis Ribeiro que foram publicados.. que chegou a um determinado momento não sabia o que ia fazer com aquilo por falta de gente... Isaac e eu uma vez falando disso já estávamos tão preocupados com o andamento dos recursos naturais. gostava muito do Isaac.” . mas o primeiro repique que me dá na memória é que Miguel Alves de Lima e Faissol juntos é que sugeriram a Isaac o término.No início dos anos 70 já estava presente a discussão do problema ecológico. como surgiu os Recursos Naturais dentro do IBGE. 79 da área de recursos naturais eram uns livrinhos assim sobre orquídeas do Brasil. era um ótimo botânico..Mas eles achavam como que essa área de geografia física seria revitalizada? Porque como você fala.. econômicos. não me lembro nem do tema.. quem sucedeu o Paulo de Assis Ribeiro foi o Wanderbilt Duarte de Barros que é excelente pessoa.Você não lembra como isso acabou? “ Não. mas não tinham formação específica.. Ele ajudou muito na redação do texto da exposição de motivos da Superintendência e ficou conosco não mais que seis meses. e tal. trabalhos dele. por ter uma visão muito setorizada da questão... Além isso..... quer dizer. “ Foram publicados pós-mortem.. O Boletim Geográfico eu me lembro e posso estar errado. quer dizer.. me lembro não tenho a menor idéia.... porque logo depois surgiu um câncer no pulmão e ele faleceu logo depois..

E aí é que entrou um negócio interessante. da Climatologia. que nós voltamos à idéia de entrega para o pessoal de geografia física.Mas não podia ser uma recriação de geografia física. um divórcio que é estranho. talvez não tivesse a força. gostem ou não.. etc.. a corrente Faissol.. com censos econômicos. não por necessidade.. era aquele negócio de ver solo. “ E aí a área de ecologia que poderia ser o vetor recuperador de geografia física. foram formados dentro da Geomorfologia e dentro da Biogeografia.” . onde.. 76. as coisas ficam interligadas... do contraste entre o pensamento de Paulo e de Wamderbilt.. e sim uma visão integrada de meio ambiente. a corrente Miguel... Geomorfologia.. não sei. dizendo que esse troço de ecologia era geografia física com outro nome. você tinha um divórcio entre geografia física e geografia humana e o Radam entra... acredito que seja uma relação de poder.. eu acho que muito pelo contrário.. mas veja bem.. que nunca foi devidamente discutida. esse é um ponto extremamente interessante para mim porque eu tento entender qual foi a razão do divórcio.. de população. e ele será o mecanismo moderno da geografia física.. biologia. a coisa acontece....... ou uma recriação de uma área de geografia física que continuava sendo desconsiderada pelos geógrafos que estavam no poder.. “ E esse pessoal não pegava.. sei lá depois da quinta ou sexta excursão. e terceiro eu Isaac por conta. de ocupação.. que até hoje não é muito explicado. esse é o ponto onde entra o discurso do Edson Nunes... “ O Faissol me conta que jovem... os grandes diagnósticos. o élan da época. bem jovem no IBGE. mas não era a visão que se queria. inclusive poluição. eu acho que não.” .isso deve ter batido de frente com esses geógrafos. que estão fazendo a geografia andar. não sei o quê e eu fui fazer outra coisa dentro da geografia.. ele teve uma grande contribuição.” O contexto em que o Paulo Assis Ribeiro pensava foi o que vingou... até porque todas as atividades humanas tem a ver dentro da física e algumas coisas físicas tem a ver dentro da humana. alguns geógrafos humanos acham que estamos perdendo poder. mas aí nós saímos em 79 o negócio degringolou e . climatologia. depois o Paulo de Assis Ribeiro tinha uma outra visão que era capaz de integração com demografia. ele disse que chegou o momento. por vontade. “Mas em 1973.. 75. se viu que não tinha mais graça... mas eu acho que havia uma questão de poder. onde ficava a história Radam e onde o Radam se enquadra direitinho dentro dessa estrutura do IBGE e onde ficou claro até hoje esse problema... já estava lá a Superintendência de recursos naturais. geologia. são três idéias que vamos discutir aqui.o divórcio se dá na década de 60. planta. com a Lei.. em que Eurico e Isaac imaginam em 76.. e acredito que esse ponto..Por exemplo.dizer. primeiro os geógrafos todos.” .. só para ficar claro. o Paulo Assis Ribeiro pegava... a idéia de. uma separação entre física e humana. são os famosos diagnósticos integradores. quer dizer. um rejuvenescimento. você não pode separar a física da humana.. porque todos os geógrafos da velha guarda foram formados dentro da geografia física. acho que a geografia só vai poder caminhar se integrar-se à geografia física e a outras ciências do meio ambiente. e que o IBGE já vinha fazendo isso desde l940. e isso é um negócio que até hoje é muito mal digerido por alguns geógrafos humanos. havia um divórcio bastante grande entre a geografia humana e física e a geografia física era alijada completamente e era considerada menor. havia uma questão de liderança.. saiam naqueles carros de excursões pelo interior e ele me disse uma vez porque que mudou de área. quando eu entrei em l970. Amazônia . e aí não é uma crítica ao velho Wanderbilt......

Esse mestrado de ciências políticas foi feito onde? “ Foi no IUPERJ. a dar seu depoimento para esta pesquisa foi Edson Nunes. Nunes também foi um espectador privilegiado do processo de absorção do Projeto RADAMBRASIL pelo IBGE em 1985. por ordem cronológica. você tinha o CEBRAP também no mesmo processo. Edson Nunes foi um dos principais articuladores do programa de governo de Tancredo Neves. “ Mas aí quando eu sai com o Isaac em setembro de 79. Minha carreira é o seguinte: eu me matriculei.... pois é em Berkeley que se estruturam os laços de companheirismo com uma elite de profissionais que viriam a representar papéis importantes no governo brasileiro da Nova República e após. veio estudar em Niterói. Iniciaremos com sua vida acadêmica no IUPERJ e sua ida para o doutoramento de Ciência Política na Universidade da Califórnia em Berkeley. nós imaginávamos que a situação da geografia estava bem equacionada e aí... eu sou um homem do interior. em substituição aos 18 meses de Edmar Bacha. se formou nas duas. que talvez seja parecida no futuro com outras coisas.” . Sua gestão foi fortemente conturbada por movimentos sindicais que instituíram um regime de greves tão sistemático. convertido tragicamente em governo de José Sarney e acompanhou de perto a gestão de Edmar Bacha no IBGE.. em determinadas áreas aquela área ia para frente. “ Gestão Edson de Oliveira Nunes O próximo presidente. para a fazer vestibular de medicina. Cadê a velha guarda? E não encontrava ninguém. A importância do papel de Nunes no IBGE inicia-se muito antes de sua posse em janeiro de 1987. culminando com saída de Nunes e estabelecendo uma intervenção do Ministério do Planejamento através de Celsius Lodder que fica até a posse de Charles Curt Muller.. lá no IUPERJ eu tive uma experiência. em l992 ficava berrando nos corredores. cansou-se do direito e resolveu simultaneamente fazer ciências sociais. mas pensaram certo. e foi o que eu não encontrei em l992. etc. os rimas. achou muito fácil. vocês pensaram grande para 1975.. Mas eu acho melhor falar 92 num outro dia.legal. Carajás.que eu comecei em l972. “ Carreira é uma coisa rápida e biográfica é isso.. fiz mestrado em ciências políticas e aí me alojei definitivamente na profissão. que ficou 16 meses no cargo. e era o governo militar . então esse é o caminho.. acompanhando as discussões entre Ministérios e influenciando nas decisões. foi fazer direito.. quando o IBGE tinha determinados líderes bons. daí para a frente oscilou entre as duas.. mas que o IUPERJ estava passando por uma fase muito interessante nos institutos semelhantes do Brasil.. pois não..... cansou-se da medicina. que acabou sendo parcialmente implementada em sua gestão. tipo CEBRAP que era a institucionalização dos institutos de pesquisa fora da estrutura estatal. principalmente no que concerniu às articulações da montagem da Comissão de Reforma Administrativa (CRA). a liderança de pessoas no IBGE não só o Faissol na geografia. que acabou por gerar uma crise. gerenciamento costeiro.

havia uma pletora de recursos, o FNDCT, o FNDCT com bastante recursos e IUPERJ começou a se institucionalizar e fizemos um braço de pesquisa no IUPERJ e eu era o coordenador desse braço de pesquisa eu fui o coordenador, o diretor, o nome que tenha de pesquisa do IUPERJ de 72 até 78... O meu preceptor, ou orientador, ou mentor, era orientador de teses o professor Vanderlei Guilherme dos Santos, me ajudou fazer essa área e montamos então o braço não acadêmico do IUPERJ... Fiz uma tese de mestrado preocupado com isso, como é que é essa coisa de ter um instituto que é acadêmico que faz mestrado e doutorado, e faz pesquisa aplicada... a tese de mestrado. Divisão Social do Trabalho Intelectual... pensando nisso...na instituição, são carreiras acadêmicas e são essas pesquisas aplicadas, a banca era formada pelo Professor Vanderlei Guilherme dos Santos, pelo professor Edmundo Campos e pelo Professor Simon Scchwartzman, cujo me mandou refazer a tese toda, leu disse: não tá bom, você escreve bem, escreve rápido, faça outra...assim fiz... Depois disso eu fui para os Estados Unidos fazer doutorado de ciência política, passei um ano em Chicago, e o resto do tempo em Berkeley, fazendo doutorado em Berkeley, acabei o processo, em quatro anos e meio eu consegui matar a charada do doutorado com tese e tudo... A estadia em Berkeley durou até 84, 85 por aí... muito agradável porque Berkeley e Stanford se mostraram duas Universidades fantásticas, Universidades irmãs, com um programa conjunto de estudos latinos americanos e junto com alguns professores de Berkeley chamado Albert Fishllow, outro chamado John Worth que é um historiador especialista, um brasilianista, outro chamado David Collier, outro chamado Hilgard Stemberg que era um geógrafo brasileiro... que era professor em Berkeley, nós montamos um programa de estudos brasileiros que conseguiu um apoio financeiro substantivo de uma organização - possivelmente eu vou lembrar do nome durante mas cujo o executivo era o Keneth Maxwell que é um historiador, também brasilianista... que saiu de Portugal, etc., gostou do projeto, a organização era a Mellon Fundation... e tivemos três anos de um programa de economia política do Brasil... esse programa foi muito interessante e eu fiquei acabando o doutorado e trabalhando como coordenador do programa que deu uma experiência muito boa nos Estados Unidos, que de novo eu trabalhava numa área para-acadêmica, tinha meu escritório, no centro de estudos latino- americanos e trabalhava com essas pessoas, trouxemos vários professores brasileiros no período que conheci na academia brasileira, e latino americana, trouxemos o Didier O´Donnel que estava na Argentina e depois veio para o Brasil, trouxemos o Roberto da Mata para a lecionar, trouxemos Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso foi um programa muito ativo e recebemos vários visitantes e firmamos um convênio com o IUPERJ que deu início a coisa que hoje é comum no Brasil, que eram os estudos sanduíche, os estudos sendo as bolsas sanduíches ou bolsas de aperfeiçoamento... e recebemos vários para profissionais interessantes, Maria Hermínia Tavares de Almeida, teve um tempo conosco, Andréa Calabi teve associado ao Centro, quando acabava sua tese de doutorado, José Antônio Lavareda que estava acabando... sanduíche foi com o IUPERJ no grosso, Lavareda que hoje é um analista do Fernando Henrique Cardoso esteve conosco, ou seja, foi um programa muito de sucesso e aí formou-se nesse programa uma ligação entre vários amigos, Andréa Calabi estava lá, Paulo Zagen que hoje é Diretor do Banco Central... também dividia a sala conosco, Gerald Hayes que fez o doutorado em Busines Administration e hoje é membro do Conselho de Reforma do Estado, sócio da CONCENP junto com Calabi, também esteve lá fazendo o doutorado, Vanilda Paiva esteve por lá, o René Dreifus*** andou por lá, ou seja, foi uma época, muito rica e com esses recursos, nós fizemos, publicamos um livro nós estados Unidos John Worth e eu Tom Bogadshulth publicamos no Brasil, fizemos conferências isso estreitou muito os laços numa comunidade de cientistas sociais, o Fishllow é muito amigo de Edmar Bacha, e daí deu-se por conseqüência que fizemos um livro que está publicado nos Estados Unidos onde existe, no qual existem artigos de Pedro Malan e Régis Bonelli, Pércio Arida, André Lara Resende, Andréa Calabi, eu próprio, com Bárbara Guedes que é uma moça que hoje é uma professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Roberto da Mata, certamente... um grupo de professores brasileiros, etc., etc.

E essa estadia nos Estados Unidos, principalmente a fase que eu era coordenador do programa de estudos brasileiros com recursos e atividades, me permitiu fazer uma séria de atividades em San Francisco eu fazia programa de rádio, fazia atividades e ao mesmo tempo montamos essa rede de relações, porque Pércio Arida estava no MIT fazendo alguma coisa, o André estava não sei onde, ou seja, estabeleceu-se uma rede de conexões que acabou-se mostrando uma máfia, no bom sentido... meio de Berkelry, meio de doutorando no exterior cuja... no grosso entrou no poder em l5 de março de l985... portanto eu voltava dos Estados Unidos em dezembro de 84 numa situação muito esdrúxula, o IUPERJ já não me reconhecia mais, eu já tinha passado, não conhecia o pesquisador, não existia essa figura que era eu... então eu vim para a ser um pária, eu não era... nem professor, nem pesquisador e era PHD em hora imprópria... o grosso das pessoas do IUPERJ não tinham acabado o doutorado e também não me queriam porque eles não tendo acabado... como é que eu ia entrar no lugar deles, quer dizer, ficou uma situação esdrúxula, que foi resolvida, quando a partir de dezembro, novembro, dezembro de 84, ficou claro a montagem do governo, João Sayad seria o Ministro (Planejamento) e esses mesmos amigos que acabei de falar eles estavam todos envolvidos na mesma coisa, então começamos a fazer reuniões informais sem a menor noção, nenhum de nós entendia onde é que era o governo, o quê que era Brasília...” - Como era Brasília... “ Onde era Brasília, nós sabíamos, governo é uma coisa de militar corrupto que tem umas mansões muito grandes e que nós vamos lá e não sabemos o que fazer, eu me lembro de várias e várias reuniões na casa de Calabi em São Paulo, montando para a cá e para a lá, dá-se o homem, o Tancredo se elege, vamos nós para a Brasília, em março, em começo de março... não tínhamos dinheiro para a ir, a FIPE pagava hotel de todo mundo... bancava todo mundo, estamos lá e todos sentados no meio fio no dia quatorze vendo, o Tancredo ser enterrado, começou um governo no qual o João Sayad na área de planejamento era o Ministro, Andréa Calabi era o Secretário Geral e eu era o secretário Geral Adjunto, e nosso pânico com o setor público era absoluto, nenhum de nós tinha vivido com o governo exceto Andréa que tinha trabalhado com Serra e Sayad no governo de Montoro em São Paulo, eles tinham um pouco de noção lá...” - Mas aí é uma noção de São Paulo, não uma noção de Brasília... “ E a gente chegava lá com medo, tinha medo das Secretárias, medo dos Assessores e ao mesmo tempo tinha recomendações de Delfim deixou recomendação de dois ou três, o outro falava de dois ou três, ou seja, tivemos que entender uma Brasília que para a nós era incompreensível, estávamos muito medrosos, mas ao mesmo tempo tínhamos que tocar o barco, e chegamos ainda a um governo que não imaginávamos... tínhamos imaginado o governo Tancredo e tínhamos o governo Sarney, complicado, conflitivo com a Fazenda... E a minha carreira então que tinha sido voltada para uma atividade para- acadêmica, ficou claramente para-acadêmica... eu me sentei na cadeira de Secretário Geral Adjunto... que tinha, por um lado, obrigação de supervisionar o IPEA, órgão do qual eu morria de medo, porque o IPEA para a mim era um mito, como é que eu podia falar alguma coisa para o Régis Bonelli, para o Eustáquio Reis, para a aquela gente que para a mim eram amigos de praia... mas ao mesmo tempo tinha por eles um respeito... tinha que supervisionar o IPEA, tinha alguma supervisão com relação ao IBGE, mas que ficou com Edmar Bacha, portanto estava distante e fizemos uma divisão de trabalho na Secretaria Geral, Andréa Calábi gostava daquilo que seria as áreas duras de governo (hard) indústria, finanças e etc., e ele não gostava das coisas que chamava de soft que era Ministério da Cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, todas essas coisas ficavam por minha conta, então eu cuidava do orçamento de quatro ou cinco Ministérios, Andréa cuidava das coisas importantes na cabeça dele, isso me deu uma convivência permanente com um grupo de cientistas que já eram meus amigos por causa de Ciência e Tecnologia... tudo uma convivência com o pessoal de Ciência e Tecnologia, por causa de Cultura, Educação

e fui aprendendo nesse processo, perdendo medo, ganhando medo, etc., entrando nessa carreira par-acadêmica, dá-se aí uma primeira aproximação com o IBGE... quando começam as discussões sobre o Projeto Radam...” - A vinda do Projeto Radam para o IBGE ?... “ Não, não, isso foi posterior... na época o que corria, era a extinção do Radam, mesmo... havia e não lembro... para a te falar a verdade, não lembro de onde surgiu isso... mas me lembro que havia a idéia de extinguir o Projeto Radam...” - Ele era do Ministério de Minas e Energia... “ Minas e Energia, eu não sei porque cargas ... ele estava na Bahia, ele estava sediado na Bahia... eu não sei porque cargas d’água alguém encasquetou que tinha que fechar o Radam... outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao IBGE. Meu contato, porque o meu contato acontece: é o seguinte eu tinha relação com o pessoal do IBGE que era o Bacha, Edmar Bacha e meu querido amigo, meu fraterno amigo, meu irmão Régis Bonelli que era o Diretor Geral de Edmar Bacha, então eu tinha com isso a melhor relação possível, e... mas como Secretário Geral Adjunto, encarregado das áreas soft, portanto, Ciências e Tecnologia, portanto, Radam o que quer que seja, o Andréa Calábi ou o João Saiad, olha Edson isso é um problema, você cuida aí desse Radam, com a seguinte coisa não me arranje problema com Renato Archer, faça o que quiser, mas não me arranje problema com Renato Archer, tá ali um menino, eu já não era um menino, eu tinha 36 anos por aí eu estou fazendo cinqüenta anos esse ano, eu tinha por aí, tá ali um menino ainda apavorado pelo governo e tem esse negócio de Projeto Radam, e não criar confusão com Renato Archer que é um mito e com o secretário geral dele Luciano Coutinho que era um homem muito doce, mas um homem muito competente. Bom eu não sabia o que era o Radam e aí comecei a perguntar as pessoas o quê era Radam e a cada vez que eu me informava eu ficava mais assustado, porque primeiro eu comecei a ser procurado por coronéis, capitães, generais, cartógrafos de toda natureza, foi pedindo audiência, audiência para a falar comigo e os generais, os coronéis e tudo mais e ainda me mandavam falar ainda com gente da Aeronáutica porque tinha aerofotogrametria, tinha interpretação de imagem de satélite, etc., e me diziam eles são bons, são competentes, mas são muito indisciplinados, são desordeiros e indisciplinados, você tem, nós temos que botar no IBGE, mas tem que discipliná-los e eu ficava com medo, eu já estava com medo de estar em Brasília, já estava com medo da burocracia, com mais medo eu estava dos militares, eu tinha sido devidamente preso em 68... aquelas coisas todas, ficava assustado com isso, por outro lado tinha o pessoal do Luciano Coutinho, que também não entendiam bem que porcaria de Radam era essa, mas me procurava e dizia: o Edson pelo amor de Deus, para com esse negócio de Radam, o Renato quer isso, o Renato Archer, quer...” - Qual era a idéia do Renato Archer sobre o Radam, o quê ele imaginava? “ Botar no CNPq, eu acho que era isso, botar como um dos Institutos do CNPq...” - É como seria uma espécie de INPE, um desses Institutos... “ INPE, um desses Institutos, e tinha o grupo da CPRM que não queria lá o Radam, mas achava que não podia acabar com o Radam, não pode acabar com o Radam. Bom, primeira convicção que eu tive não pode acabar com o Radam, essa eu firmei fácil, segunda convicção que eu firmei, é de que não podia entregar para o Renato Archer, engraçado, eu gosto do Renato Archer, sempre gostei, gostava, sempre gostei dele ...” - Mas você achava que seria a criação de mais um outro órgão...

“ Primeiro criar um órgão onde eu acho que não devia criar, segundo que não era um órgão acadêmico como os outros de Institutos do CNPq, tá certo, não tinha a ver com os outros de pesquisa de ponta do CNPq, terceiro porque eu me identifiquei com alguns militares, eu acho que era atração desenvolvimentista dos militares... nessa época eu me dava com dois grupos de militares, lidava com o SNI e com a Divisão de Segurança e Informação... que tinha um coronel lá que andava conversando conosco e era direita clara...visitava, falava sobre as greves e tinha que me prestar contas, e me prestava contas porque... o Ministro não queria falar com ele, o Secretário não falava com ele, lá eu falava com o coronel... e adorava a informação dele, ele me dava mapas de greves... que me dava para a fazer análise política... onde é que estava as tensões no Brasil e eu incentivei o homem adoidado que ele tinha uma máquina enorme, eu disse: coleta isso aí para a saber onde está o conflito, como é que é, era uma bela sociologia, pena que acabou... Mas ele não sabia fazer uso disso, ele me dava isso e ao mesmo tempo queria botar umas escutas em fulano e beltrano, mas um outro lado do Exército me encantou, os cartógrafos me encantaram num certo sentido, primeiro que achei gente, um povo que eu não conhecia, era um povo muito suave, muito suave, e parecia profissional, parecia um povo muito correto e ao mesmo tempo eles me diziam uma coisa que eu não imaginava ouvir da boca de militares, eles diziam... Edson não entregue para a Renato Archer que ele é sócio de uma firma de aerofotogrametria eles tem um avião, eles não sei das contas... o governo brasileiro vai perder o controle sobre as coisas fundamentais, esse Radam indisciplinado como é... tem um equipamento... um hardware que tem que estar na mão da Secretaria de Planejamento... Nós militares fizemos reuniões - me convidaram para a algumas, eu fui... reuniões estratégicas do alto coturno militar... eles concordaram, eles achavam que o Radam era um instrumento de planejamento, como instrumento de planejamento não podia ficar no Exército, não podia ficar em ligar nenhum, tinha que ficar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República... - E os militares sabem dessas coisas... “ E é o seguinte, e os militares falando claro, falando claro contra de um Ministro de Estado, e eu... mas que diabo de briga, mas o que é pior é o seguinte... eu tentava falar com o Calabi sobre isso e ele dizia: Edson, não me enche a paciência, isso é um problema é seu. Eu pedi audiência ao Ministro João Sayad, João eu vou te explicar, não, não me venha com esse Radam, eu tenho inflação, não me venha com isso Edson Nunes. E de vez em quando ele me chamava: Edson... o Renato está uma arara com você, aí eu falei: você não quer me ouvir... seja o que for... consegui navegar no meio desse conflito e, de fato, consegui fazer... o que eu acho que os cartógrafos do Exército queriam... fui visitar o Radam e ali fiquei encantado com aquele negócio, eles armaram um show, obviamente eles armaram um show, eu fiquei encantado...” - Não, eles são muito bons, eu os conheci em 74 em Belém e, o que eles apresentaram sobre a Amazônia era realmente muito bem fundamentado... eram técnicos muito bons... “ Fiquei encantado com o show, fiquei encantado com eles, encontrei lá morando em Salvador, meu velho amigo Juca Edson Farias no Projeto Radam, que eu conversei, conversei, conversei e tomei a decisão, convenci a SEPLAN tomar a decisão e os coronéis, generais, ajudaram... que o Radam ia para o IBGE... Aí fomos a reuniões de comando, eles ficaram agradecidos, etc., e aí comecei a fazer a interação com o IBGE, Edmar Bacha... assim como o João Saiad estavam se lixando para o Radam... claro, estávamos ás vésperas de fazer o plano cruzado, e parte do plano cruzado era organizado na cozinha da minha casa lá em Brasília, nós morávamos juntos, tinha de um lado o plano cruzado, do outro o orçamento, etc. Comecei a tratar com o Régis... e o Régis Bonelli foi elegantíssimo, preciosíssimo... entendido que era uma decisão da SEPLAN fazer isto... Régis começou a me trazer ao Rio para as reuniões de Conselho Diretor do IBGE, para as primeiras conversas sobre a preparação da entrada do Radam...e ao chegar aqui percebi que já havia um

complô de Radam com a área de Geociências, já estava armado... e Dr. Mauro Mello, que era Diretor de Geociências na época... ele tinha a confiança de Edmar, tinha confiança de Régis... e conversando com eles eu entendi que Mauro queria o Radam, ou seja... que IBGE achava bom o Radam. Bom... aí foi só resolver problemas menores, menores para o IBGE, grande para as pessoas, plano de carreira, salários, mudança, bom de fato acho que operamos bastante bem a transferência, não achei que tinha tido grandes conflitos... e nós estávamos particularmente interessados na época em manter o rádio funcionando e manter o software equipado e a equipe organizada... não sei o quanto tivemos sucesso nisso... não é da minha época no IBGE, mas esse foi o meu primeiro contato mais freqüente no IBGE e com essa área de Geociências e meio ambiente, no qual eu vou voltar mais tarde quando eu for Presidente... - Aí ainda era Edmar Bacha... “ Era Edmar Bacha, Edmar Bacha...” - Ele ficou quanto tempo? “ É, 85-86, um pedaço de 86... Aí começa o plano cruzado, eu me ocupo muito do plano cruzado, me ocupo, eu tinha de fato a área de Ciência e Tecnologia e cultura e Educação e o plano cruzado me botou de novo na área soft, enquanto os outros cuidavam das indústrias caiu para a mim, caiu para a mim o monitoramento de preços, de planos de saúde, mensalidades escolares, essas coisas que tem a ver com a população... Edson Nunes também explica um outro tipo de relação que também teve de articular com a área de Geociências na questão da distribuição dos royalties do petróleo da bacia de Campos explorado pela Petrobrás, cabendo à áreas de Geografia e Geodésia do IBGE, a definição dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, que se enquadrariam nas projeções geodésicas das áreas de produção em alto mar, e teriam direito a participar da divisão dos royalties. A partir de informações geradas pela Geodésia o DEGEO listou os municípios que receberiam essa dotação... “com o Edmar a situação começou a ficar muito difícil, já tinha havido algumas situações esdrúxulas antes... e uma delas foi a discussão da distribuição do royalties do petróleo... e aí eu tive de novo um longo contato com o Mauro para a gente inventar uma forma de se atender ao Senador Nelson Carneiro e ao Presidente da República... que é o seguinte: nós queremos dar royalties para a todo mundo no Estado do Rio, vocês inventem um negócio que dê royalties para a todo mundo... bom... conseguimos... só que Niterói ficou fora, nós fizemos o diabo, a coisa ficou pior do que se imagina, senti o Presidente e o Senador... Niterói ficou fora... era uma confusão, aí tinha uns algoritmos... Everardo Maciel era o Subchefe da Casa Civil que discutia conosco... e Niterói não entrava, e Niterói não entrava de jeito nenhum... porque tinha as mesoregiões, inventamos regiões de fronteiras das mesosregiões, regiões onde passam os dutos, regiões afetadas, regiões produtoras, só que Niterói não é nenhuma dessas, só que Niterói é a capital, mas não tinha critérios... a graça da piada disso foi Valdenir Bragança, Prefeito de Niterói... descobriu que eu era de Niterói... talvez por conta de inimigos ou amigos meus disseram que Edson é de Niterói... Valdenir não fez só isso, ele descobriu o endereço de minha mãe... e levou minha mãe para uma passeata em Niterói pelos royalties e mamãe foi... e ele dizia: ele pegou pior do que isso... ele foi para a televisão de braços dados com ela e disse: e aqui estou de braços dados com a mãe de um dos responsáveis pelo não enquadramento de Niterói na lista do IBGE, ou seja, é uma piada, bom, seja o que for...

No caso da saída do Bacha...eu acompanhei esse desenlace mais ou menos de perto...esse papel triplo de secretário, diplomata do João Sayad junto com Chico Lopes, etc., o cruzado já tinha deslanchado, eu já tinha cumprido a tarefa de montar a base de informações e estava lá no IPEA... que isso é outra história... e nessa confusão o Edmar sai do IBGE...e é engraçado que ele sai... e aí é engraçado ele não foi demitido de fato...” - Ele pede para a sair... “ Eu não entendi direito isso, se eu tiver que recuperar de fato, se eu tiver que recuperar não me parece que eu consiga entender porque ele precisava sair... a única coisa que eu imagino é que o IBGE ia ficar ingovernável para a ele, eu acho que o desserviço do IBGE pode ter sido talvez este...” - Essa informação é importante... com todas as pessoas que eu falo, as pessoas tem uma mágoa absurda de Edmar Bacha no IBGE e eu sou o único cara que... entrei em 70 e que digo: gente porque vocês tem tanta raiva do Bacha, se ele ficou tão pouco tempo? Se o tempo dele, ele não gastou quase tempo nenhum no IBGE, ele ficou o tempo quase todo lá cuidando da história do plano cruzado, e aí é a história da CRA as pessoas sempre lembram da história da Comissão de Reforma Administrativa que acabou você tendo que tendo que gerenciar o negócio, complementar o processo, etc., e tal e aí sabe? Até hoje... “ Você quer que eu fale disso? ...” - Sim, é importante.. porque você vai contar a sua entrada no IBGE... “ Não eu acompanhei antes, eu acompanhei antes...” - E aí as pessoas falam mal do Bacha, e eu acho que o Bacha andou muito pouco e muito pelo contrário, é aquela história... ele até tentou tecnicamente defender o IBGE dessas questões todas, se foi bom ou se foi mal, fica muito estranho... “ Aí você vai mexer numa série de conversas eu não sei se a gente consegue no seu tempo... primeiro: na saída do Bacha a sensação que eu tenho que ele saiu por ser leal a tecnocracia do IBGE, caso contrário não conseguiria administrar, cujo o cálculo eu acho que está errado, mas ele já tinha perdido a capacidade de administrar... por conta da reforma administrativa, por conta de outras coisas e ele, talvez esse negócio aí foi a gota... ele já não estava mais para mandar... pelo seguinte: é que esta fase do IBGE... é vital para a você entender a história do IBGE no período pelo seguinte: nessa fase houve uma alta exposição do IBGE porque o Bacha era Presidente, e porque o Bacha é o pai do cruzado, houve uma coisa que é o seguinte... houve uma promoção do IBGE e o IBGE foi promovido ao status que ele nunca teve no aparato político, tecnocrático brasileiro, após Vargas...promovido a quê? A consorte do plano cruzado...” - E que acompanhava tecnicamente essa questão de índice de preços... “ Consorte do plano cruzado e responsável pelo sucesso e insucesso do plano cruzado, então o IBGE ganha a dupla tragédia ou responsabilidade que ao mesmo tempo tem Presidente como artífice do plano e de ter o seu índice como referência, ora o IBGE lhe faltou nisto, ele talvez tenha faltado ao IBGE nisto... Eu me lembro, por exemplo, na noite que teve um programa de televisão do Brizola metendo o cacete no cruzado, eu me lembro que nós estávamos juntos na sala do Saiad, Saiad ligou para o Doutor Roberto Marinho, Doutor Roberto precisamos responder, assim. E Doutor Roberto disse: hoje à noite etc., trouxemos Maria da Conceição Tavares, Conceição chora na televisão, armamos aquele circo e ela... Edmar mostra os números... Edmar mostra o gráfico... aquelas coisas... ou seja, Edmar Bacha ficou no coração do governo.

Bom, um governo associado à vários problemas de salário, controle estatais de salário de pessoal, greves, ou seja, a coisa natural de uma nova República... então acho que aí o IBGE ficou promovido a esta posição infortunadamente... eu chamo isso de uma politização indesejada, uma politização indesejada... se prematura ou não... uma politização do IBGE que foi promovida pelo Executivo, pelo Governo Federal, promovida por azar... Como o Edmar não queria ficar em Brasília, só queria ficar no Rio de Janeiro, só lhe sobrava o IBGE, que demoramos a conseguir, demoramos a conseguir, fazer a nomeação, demoramos, demoramos, demoramos, e Edmar no IBGE cujo o Presidente de fato... era Régis Bonelli, e Edmar fazendo plano cruzado, etc., e ao mesmo tempo estamos começando no Brasil as discussões sobre Reforma Administrativa, o novo Estado, a nova coisa, o IBGE entra na Comissão de Reforma Administrativa... ao mesmo tempo que nós estamos tomando dinheiro do Banco Mundial... chamava-se Empréstimo para a Modernização do Estado Brasileiro...” - Já se pensava a questão... “ Reforma administrativa era um grande tema, e aí entra, conforme eu disse o IBGE entra torto na reforma administrativa... a reforma do IBGE que era uma coisa consentânea com a idéia de um grande processo de reforma, ou seja, nós tínhamos feito uma intervenção na moeda, tá certo? Íamos fazer intervenção nas estruturas estatais, por isso tomamos empréstimo do banco, vamos fazer um negócio bonito, o detalhe... eu tinha ido a Washington... falado com as pessoas, já tínhamos armado um belo circo... e o IBGE se apresenta muito mal, o IBGE apresenta porcamente o projeto, o IBGE propõe no projeto de reforma administrativa a compra de aparelhos de ar refrigerado, fazer um prédio para a Delegacia de Goiânia... Na época ser gestor público era cuidar de inflação, isto era o fundamental, inflação e conjuntura, inflação e conjuntura, o Brasil o Brasil era refém da conjuntura, o IBGE refém da conjuntura... a comissão de reforma administrativa do IBGE, do ponto de vista da sua ligação com o setor público como um todo, foi muito fraca e o processo de reforma administrativa do IBGE, foi uma pirotecnia pensada internamente, para a te falar a verdade eu acho, para a te falar a verdade não, eu tenho a mais absoluta certeza, nem o Edmar prestou atenção a isso, eu também não entendia o assunto...eu era muito novo e pouco conhecido no IBGE” - Sim... mas você também tinha um livro importante, quando você entrou no IBGE as pessoas lembraram daquele livro - que você foi editor... “ Aventura sociológica, você acha? Pessoas no IBGE?” - Eu me lembro que eu falava no livro.. e as pessoas também falavam, quer dizer, eu estou falando na área da geografia, na geografia humana... “ É interessante você falar isso porque esse livro é produto da reflexão do paraacadêmico, Aventura Sociológica a rigor, publicada lá em 73-74, e depois Ruth Cardoso fez a Aventura Antropológica, a Aventura Sociológica era uma tentativa de achar um papel significativo para o pesquisador que não fosse professor, tá certo? Tinha lá Cláudio Moura Castro, tinha Simon Schwartzman...” - Aliás o artigo do Simon Schwartzman sobre evasão de talentos é incrível nesse livro, ele... as pessoas podem ter restrições... uma boa parte do IBGE tem, não gosta dele, tem medo dele, mas tem que se reconhecer que ele efetivamente é uma capacidade... talvez tenha sido o único Presidente do IBGE que tenha um conhecimento da casa no nível técnico e que tenha um feeling da história muito bom... “Bom, a minha premonição é que depois do Isaac, Simon vai ser o próximo mito ibgeano...”

- Possivelmente, embora as pessoas não gostem, ainda não viram o resultado... “ Simon vai ser possivelmente o melhor Presidente da história do IBGE, ele vai ser quase tão longevo quanto o Isaac, que é raro ser um longevo, e o seguinte o Simon tecnicamente é um cão de trabalhador, se o outro não fizer ele vai e faz pessoalmente...” - É ele tem essa questão, ele é um cara que se ninguém faz, ele faz, ele vai sozinho... “ A sensação que eu tenho de que o próximo mito Ibgeano vai ser Simon, assim que se acalmarem com ele, aliás com razão. - E sua chegada no IBGE ? Bom, então eu entro ali no IBGE, encontrei IBGE numa situação muito estranha, para a mim, eu estou ainda, você repara, o seguinte nós estamos em 86, eu só acabei o doutorado em novembro de 84, estou com um ano e meio de mundo, eu tenho medo ainda... essa gente toda para a mim é mito... então quando eu era Vice Presidente do IPEA eu não vinha aqui falar com Eustáquio para a deixar claro para a ele que eu não queria interferir.... que o INPES para a mim era um sonho, INPES era um lugar intocável, que o INPES fizesse estava certo... nós promovemos todo mundo, nós acertamos com o Andréa Calabi... acertamos as carreiras de todo mundo que podia ali, que não eram promovidos, etc., a gente acertou em dois anos, fez um acerto geral... Colocada essa questão, eu cheguei no IBGE, fiquei um tempo até assumir completamente... o Régis me dizia, Edson, Eduardo Augusto, se você tiver o Eduardo Augusto lá na, como é que chamava Diretoria de Pesquisa? Se tiver o Eduardo Augusto lá na Diretoria de Pesquisa não vai haver problemas, você pode manter o Mauro que é uma pessoa que você aprendeu a conhecer, etc., etc., você tem o Alexandre, que a gente acha que é competente e você pode, e eu digo e Informática? Bom, Informática eu tenho uma pessoa que era o Paulo Tafner, então, se você conseguir manter o Eduardo, eu acho que você toca a área de Pesquisa da Casa... que já dá uma dá uma indicação de como é que eles percebiam o IBGE, o IBGE era a área de Economia...” - Naqueles tempos... sem dúvida a área de estatística era encarada como subsidiadora da economia... “ O IBGE era a área de economia... então eu venho para a esse negocio com extrema confiança em Mauro Melo, Mauro tinha sido de extrema, serventia, de extrema serventia na absorção do Radam, ele queria, tinha os conflitos que ele me confessava, ele não escondia os conflitos, etc., Mauro foi de extrema serventia, Eduardo Augusto, me disseram que era a coisa que eu tinha que ter e aliás era verdade, Eduardo foi precioso, mas nesse tempo o IBGE estava muito disfuncional porque ele tinha uma área de economia com a qual eu não estava satisfeito, eu não estava satisfeito com a minha entrada... eu não estava satisfeito claramente com duas questões principais: eu não estava satisfeito a) com a idéia da reforma administrativa que estava andando na Casa, eu não entendia, e que entendia não gostava; b) eu não estava satisfeito com a concepção de informática no IBGE... eu não estava satisfeito com a concepção de Informática... porque o IBGE como uma organização baseada numa ideologia que eu achava velha e era a ideologia do Centro de Processamento de Dados (CPD), ideologia do CPD me desagrada totalmente porque ela te coloca como refém do analista de sistemas... ela te coloca refém do homem do CPD...” - De um grupo pequeno de analistas... “ Por quê é que eu não gostava disto? Em l979, eu morava na Califórnia quando o Steve Jobs fez um computador e eu comprei o miserável em 78-79, então eu tinha

aprendido a idéia da independência intelectual, da sua base de dados, do seu texto, do trabalho feito por você...” - E no IBGE? Era mais complicado do que eu imaginava... eu tinha uma encrenca com a informática que eu não consegui resolver suficientemente... tinha uma coisa na reforma administrativa que eu não consegui... mas não precisei, eu só não prestei mais atenção com a reforma, eu me desliguei... tinha, a reforma falava umas coisas, eu dava uma força para um jornal, etc....mas eu me desliguei da reforma administrativa, tentei informatizar, não tinha muita ajuda não... Aí eu comecei a me dar conta, que estava presidindo uma organização disfuncional, e onde é que eu comecei a falar da Geografia, onde é que comecei a mudar de idéia... o Hélio Jaguaribe em conversas comigo dizia: Edson Nunes eu estou convencido que você tem quatro organizações na mão, você devia fazê-las agora.... Você tem uma gráfica, você tem um instituto de pesquisa e censo, você tem um instituto de geociências e você tem um negócio de economia, indicadores sociais, divida essa bodega em quatro organizações, propõe ao governo quatro organizações. A gráfica ela presta serviço ao Brasil todo, ela não precisa ser capturada, tá certo? A geografia e o seu meio ambiente, tem um nicho especial, o censo é o bureau do censo que qualquer país civilizado tem, e isto aqui de sociais e economia, são os indicadores sociais... eu achei que o Hélio estava com um belo ponto, mas eu fiquei pensando o seguinte: Como é que eu divido isto? O Hélio insistia muito, viu como eu respeito o Jaguaribe? Me parecia que ele tinha razão... Só quer eu achava que tinha que tirar a gráfica, depois eu percebi que não podia tirar a gráfica, e aí passei por conta dos segmentos do Banco Mundial... fui de novo com Lampreia para Washington, uma coisa qualquer que era continuidade disto e tinha lá uns coquetéis na casa do embaixador brasileiro em Washington, mas antes tinha passado por Berkeley onde eu tinha tido um encontro... e uma longa conversa com Hilgard Stemberg e com o assessor dele, um homem cujo o nome eu não lembro, um homem de barba, tem cara meio que indiano, um homem de barba que foi parar no Banco Mundial... lá e eu descrevi para ele a particularidade do estado brasileiro em que o bureau de censos brasileiros era doido... porque ele tinha já cinqüenta anos e ele mistura a cartografia até mesmo geociências e o que é pior estava fazendo aerofotogrametria, etc., etc... e ele diz... o Senhor tem o Instituto do futuro na mão, o Jaguaribe está errado, esse povo está errado... e começou a me contar uma história sobre estatística georeferenciada...mapas em computador... bom o que eu tinha dado com Radam... porque eu tinha visto e lidado com essas coisas todas... O negócio fez assim na minha cabeça... E ele continuou a dizer... Doutor você tem o órgão do futuro... ele já é multidisciplinar, mantenha-o, a sim, ele disse... o homem trabalhava no meio aqui na Amazônia com tribos, mas ele usava umas coisas de satélite para achar as tribos e tinha uma telemetria qualquer, que acha onde é que os caras se moviam, ele começou a me contar sobre vegetais, tribos, vegetais, satélites... aquele negócio veio para a minha cabeça.... eu disse esse homem tá certo, e ele me contava, ele falava assim: a profissão do futuro não é nem a sua, não a minha... é esse negócio aí que o Brasil fez sem saber... Rapaz, esse homem fez uma encrenca no Banco Mundial... eu saí de lá tarado com o IBGE...” - Você sabe o nome dele não? “ Não faço a menor idéia, eu devia saber não é isso?” - Esse cara é fundamental...pelo menos em termos históricos... “ Eu sai de lá tarado com o IBGE, ele disse: Você é um cagão, porque eles só fizeram isso sem saber... então isso que você está querendo dividir... nós estamos querendo juntar no mundo inteiro... e não conseguimos, a Polônia não quer, o fulano não quer, os Estados Unidos não, ninguém quer, e você já tem uma agência que pode definir o

geo-referenciamento..., você tem satélite, você tem geógrafo, antropólogo, você tem sociólogo, rapaz, você está montado... Eu gostei tanto... achei que ele estava certo, achei tanto que os economistas não iriam entender... e ele disse: tira os economistas desse lugar, você pode até deixar eles fazerem um negócio qualquer, agora se você quer separar... manda, essa gente para outro lado, manda os economistas para a outro lado, mas faça essa coisa que você está imaginando, nós estamos falando para a você... uma coisa que você já tem... E de fato eu voltei encantado, aí que a minha atenção para a geografia... que nunca tinha sido clara, ela era para o causa da cartografia, por causa do Mauro Melo, por causa do Coronel Carvalho, por causa do Carvalho, por causa do Trento, as minhas percepções pré-disciplinares... Eu tinha que lembrar o nome desse homem, esse homem é um antropólogo de geografia econômica de Berkeley, assessor de Hilgard -, ele disse o georeferenciamento é o futuro, é a fronteira do futuro, é meio ambiente, estatística geo referenciada, recursos naturais, planeta como um todo, e aí antropologia e ciência política com as fronteiras, eu achei aquilo uma maravilha, voltei para cá... Mas... por outro lado, o IBGE não entendia nada o que estava falando... Bom... o Mauro, eu não sei se o Mauro entende... mas acho que ele percebeu o que eu dizia... ele gostou, que aí tentamos dar, fazer algumas coisas eu acho que tentamos tirar o atraso da Revista Brasileira de Geografia, não sei o quanto fizemos... mas aí comecei a visitar Lucas, visitar Lucas e aí... Aníbal Teixeira já era Ministro, eu levei Aníbal lá para a ver as coisas, eu estava convencido desse negócio, eu estava convencido de duas coisas: que e tinha que ir na linha desse homem, e que eu tinha que refazer o IBGE... Eu percebi uma coisa... que eu fingi que não vi... e até dei uma força que é o seguinte... que Mauro Melo estava montando uma independência tecnológica por conta dele, eu fingi que não vi e gostei, pelo seguinte eu já estava, você veja só, eu estou juntando vários pedaços, como eu já vinha zangado com a DI, quando eu vi que Mauro estava fazendo e ele estava com a base, ele está com a base estatística, ele está com a base geográfica, ele tá transferindo dados para a lá, ele está com o Radam, ele está com satélite, eu fiquei imaginando o seguinte: o IBGE vai sair de Mauro Melo no futuro... e se eu puder acirrar a competição, não está mal... O conflito para a mim... mais relevante que emergiu... e que eu dei muita força para ele tomar rumo... foi do Mauro com Paulo Tafner, do Mauro da Geociências com a DI, o Mauro se preparou para a ser o IBGE do B, botou no programa do Banco Mundial máquina para a ele... começou a montar uma DI paralela e eu torcia para que desse certo, não deu tempo, tá certo? Este conflito principal ...” - Eu acho que acabou acontecendo por outras razões, por razões tecnológicas hoje você tem, programas específicos, possibilidades de isso acontecer sem grandes problemas dentro da DI... “ Se ele já tivesse começado a montar, eu acho o seguinte: ele estava informado da minha idéia de dividir..., e acho que informado disso, ele começou a correr mais para a montagem de sua DI paralela... - Eu vou entrevistá-lo quinta-feira, quinta-feira minha entrevista é com é ele, então, porque é um profissional muito competente... tem muito poder e é um sujeito tecnicamente que conhece muitas coisas, então... “ Ele me impressionava muito e ele me tranqüilizou muito, com relação ao exército porque ele convivia, por um lado ele me tranqüilizou com relação aqueles homens do qual eu tinha medo, por outro lado eu percebi que quando a situação dele ficou ruim... ele dizia o seguinte... é mas eu tenho a UERJ, ou seja, aquele homem que eu via, com aquele enorme poder... se contentava em ser um professor universitário, isso para a mim é um charme, as pessoas não gostam muito do nome...” Algumas pessoas não gostavam... eu sempre gostei muito dele, eu sempre o considerei muito técnico... conhece bem as coisas, conhece o seu afair, sabe exatamente como trabalhar e nunca criou muito problema com a Geografia... a

relação dele com as pessoas que conhecem o seu trabalho sempre foi muito boa... “ Engraçado que na época... algumas pessoas achavam que o Mauro era um homem de direita, eu pensei assim um tempo, depois eu comecei a perceber que era um homem corajoso... essa concepção toda do Mauro me impressionou pelo seguinte.. ele nunca foi um Diretor vassalo...” - É verdade, ele sempre foi um profissional muito técnico, muito profissional no que ele sabia... “ Nunca foi um Diretor de fazer gracinha para a ninguém, de fazer um agrado indevido... também nunca escondeu os conflitos, eu acho interessante esse negócio dos caras esconder o conflito... tem diferença sim, tem tal e tal diferença... eu gostei dele, ele me ajudou a entender umas coisas da época do Isaac... que para a mim também eram mitológicas... e que ele me ensinou que não eram nada de mitológicas... eram uma porção de bobagens...” Gestão de Charles Kurt Muller O outro presidente a prestar depoimento foi Charles Curt Muller, professor e chefe do Departamento de Economia da UNB em Brasília que substituiu Edson Nunes após a breve passagem do interventor Celsius Lodder no IBGE. A importância de Charles Muller no IBGE deve-se ao fato de ter incentivado o estudo das estatísticas ambientais, objetivando montar no futuro uma estrutura de contabilidade ambiental para o país. Charles também preocupou-se com as estatísticas agrárias e, quando foi diretor da Diretoria da Agropecuária e Geografia (DAG) tentou montar um centro de estudos interdisciplinar de Agropecuária... Sua gestão durou 23 meses... um longo período, considerando-se as turbulências sindicais da época... Sua timidez e economia de palavras sempre foram conhecidas na casa... o que pode ser percebido no depoimento... - Como aconteceu sua vinda da UNB para o IBGE ? “ Bom, eu fui convidado para a Diretoria do IBGE pelo senhor Edmar Bacha, fui nomeado Diretor, ele me convidou, eu aceitei e fui Diretor da Diretoria de – como era mesmo? – Diretoria de Agropecuária, Recursos Naturais e Geografia...” - Conhecida como DAG, agora o senhor acompanhou a montagem dessa estrutura... ou já foi anterior, quer dizer... “ Não, eu recebi essa estrutura, quer dizer, a Diretoria já estava constituída e quando entrei lá o Edmar já disse, já me alertou que haveria um processo de reexame, digamos, da estrutura do IBGE, achava-se que daquela forma que estava montado o IBGE não era orgânico, queria se organizar em duas grandes linhas, uma área de cultura de estatística, uma área no campo, justamente a geografia, da cartografia, recursos naturais, etc., Geociências, que apelidamos depois... então, quando assumi a DAG já sabia que alguma coisa iria se modificar, provavelmente sairia a área de estatística, como Diretoria de Estatística... mas não sabia bem o que iria acontecer na outra área, havia até uma luta interna no IBGE mas na linha do pessoal da cartografia versus geografia, recursos naturais, etc., mas no final a idéia parece que foi caminhando no sentido da concepção dessas duas grandes áreas que mencionei

antes, Estatísticas e Geociências, isso também depois foi um pouco modificado, vamos dizer, com a incorporação do Radam...” - A incorporação do Radam se deu junto a sua gestão ou já, tinha se dado... “ Na minha gestão como presidente não..., mas eu já era Diretor da DAG, quando essa questão foi decidida a nível mais alto pela Presidência junto com o Ministério de Planejamento... o Radam estava terminando a sua missão original o mapeamento da Amazônia, o levantamento de recursos naturais da Amazônia, etc.,e estava tentado se constituir com uma organização separada...,mas o governo na época não viu isso com bons olhos, uns achavam que o Radam tinha que ser ou dissolvido ou então ser incorporado a uma Agência federal, aí pareceu lógico que essa Agência fosse o IBGE, já a tempos o IBGE possuía uma área de recursos naturais que estava desfalcada de pessoal.., um dia fui chamado pelo Edmar Bacha, que me disse... o Ministro Saiad, eu decidimos que fazer um esforço no sentido de ver se incorporamos o Radam ao IBGE e aí tomei o bonde já andando... estava meio que deslanchado...” - Eu me lembro que o Edson Nunes conta um pouco dos bastidores dessa questão porque era uma questão também complicada de entender como é que o Radam se encaixaria, então foi preciso um pouco de entendimento até por conta de que havia naquela época um pesadelo enorme que era inflação, haviam preocupações maiores... “ O Radam era um órgão caro, havia gente no governo que queria que simplesmente ele acabasse, alegando que já tinha cumprido sua missão e deveria se extinguir, etc., e o grupo Radam infelizmente estava querendo se fortalecer, ser independente de alguma forma, e a saída que se encontrou foi a de incorporar ao IBGE e teve um certo grau de lógica, não foi uma coisa aleatória...” Bom, aí nessa, quando o senhor entra na DAG, o senhor começa a tentar uma restruturação e, efetivamente, acontece uma restruturação... Um memorando seu ao presidente Edmar Bacha... propondo a reestruturação da DAG em duas Superintendências... a SUEGER que era Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente e da Superintendência de Estudos Geográficos, SUPEG, além da criação de um Centro de Estudos Agrários (CENAG) que seria organizado... e aí peguei também a informação de volta do Edmar Bacha falando sobre a questão do CENAG, quer dizer, dando apoio a questão do CENAG e negando a questão da SUPEG porque era realmente pequeno, quer dizer, a área de Geografia ainda não tinha estrutura de pessoal suficiente para a virar Superintendência... e fala sobre a SUPREN que é a questão da incorporação do Radam... já estava mostrando que o processo estava dando certo... que a incorporação do Radam, principalmente naquelas estruturas regionais... que eu acho que esse foi o ponto principal do fortalecimento do IBGE, e a história das regionais e que o Radam veio dar uma outra força... “ O Radam também entrou no IBGE também depois que viu que não podia se tornar independente mas uma organização separada, tentou entrar uma espécie de uma outra Diretoria, Diretoria funcionava na Bahia e tal, mas o Edmar sempre resistiu muito a isso... havia na época um plano de reestruturação da casa... você lembra? – Seminários e Trabalhos...alguma coisa assim...” - Bom, eu também tenho um documento, esse documento não está assinado aqui, mas possivelmente foi pessoal da área de Solange Tietzmann que era chefe da Divisão de Estudos Agrários do DEGEO na época, que ficou preocupada com a idéia o Centro, aí eu não sei porque passou pela cabeça que achava que o Centro de estudos Agrários iria acabar coma Divisão de Estudos Rurais e aí elas fazem um arrazoado solicitando, quer dizer, pedindo para a que se mantivesse, etc., e como efetivamente aconteceu, o Departamento de

Quer o seu domínio.. principalmente com o envolvimento que tive depois que sai da Presidência...O que eu sinto hoje no caso. então. que dizer..É. como é que estão os encaminhamentos dessa questão de uma contabilidade de Meio Ambiente. uma consultoria que o IBGE me solicitou...” ... municiavam muito essa área. e ainda sou funcionário do IBGE. eu até hoje acho que essas duas Diretorias. a partir de Estatísticas Agropecuárias saiu de lá e junto com ela tinha essa parte não tanto de Estudos Rurais.. porque era.” . é que... as pesquisas agrícolas anuais de agricultura e pecuária.. essa parte eu comecei a me interessar por ela já na Presidência... geografia. enfim..” . falar de Meio Ambiente sem falar de espaço. que o senhor foi uma pessoa importante nesse processo. no caso do Censo 2000 as relações inter-diretorias foram muito mais intensas. quer a brasa para sua sardinha..... eu tentei mostrar que essas áreas tinham de trabalhar juntas. tem alguma lembrança? “ Eu tenho uma vaga lembrança. por exemplo... contabilidade Ambiental.. além do Censo Agropecuário. mas mão é simples.... a consultoria foi na área de Informações Ambientais. é sem dúvida muito maior.Estudos Agrários efetivamente continua e aí como é que foi essa questão? O senhor lembra. a gente nota.. dar uma organicidade maior e obrigar as áreas a se comunicarem melhor...... das Nações Unidas e tal. então eles sentiam como os analistas de uma parte estatística. “ Exato. sugeri na área.. senti que se o Brasil entrasse nesse campo.. cada um quer o seu domínio..... ainda não é o paraíso. era a única área que possuía uma relação direta com a área de estatística na medida que a pesquisa de Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA)..” . separar a área de estatística da área de Geociências. “ Eu sinto isso também... mas isso não existe ainda.. mas parte de análise dos dados e preparava inclusive material paras as reuniões da CEPAGRO essas coisas e por isso desapareceu essa idéia e ficou a área de geografia com seu núcleo de Estudos Agrários. e seria fundamental esse trabalho conjunto. eu não sei se isso foi resultado de um processo que Simon Schwartzman começou a tentar. um assunto complexo e exige envolvimento de recursos...” . eu sou da Comissão do Censo 2000 e a gente sente que a uma articulação muito maior no que tange ao Censo.. “Na verdade. é necessário uma rede de coleta muito mais sofisticado do que se tem hoje. mas é a coisa está indo muito devagar.. está muito devagar.. mais articuladas do que estão até hoje. a rede toda funcionando e aí você tem uma possibilidade de comunicação maior. como é que está isso..Por falar nisso. mas.. Geociências e de Pesquisas deviam trabalhar muito mais ligadas.” . “Tentei. eu acho que ainda seja.... é engraçado a geografia. não é possível e. inclusive porque sofríamos muita pressão de órgãos como o Banco Mundial. a geografia agrária no caso.. esse seria o ideal... é claro que também hoje e aí também por obra e graça do Simon ele conseguiu botar um sistema de comunicação por rede... eu me lembro que na verdade desapareceu a coisa quando se decidiu tirar da. mas. “ Bom.Quer dizer. são os casos no momento. mas há essa dificuldade..

. “ Sim.. e havia aquela questão do Centro. ou dizem assim: reclamam.. eles perceberam.. quem era Indústria só ficava com Indústria... não sei se também a nova geração. o grosso da questão estava nessa questão de intercomunicação entre áreas. Regionais e Estudos Urbanos. sentiam que havia muita dificuldades entre Diretorias.” .Exatamente. dão respostas. claro que é uma separação funcional clara. porque a coisa foi se encaminhando de outro jeito. ele conseguiu... etc. um certo domínio sobre essas áreas. a gente percebia muito claramente que na área que acabou sendo de Geociências. tinha a mão forte. . aí a Reforma Administrativa.não chateiem.” . essa coisa.Exato.. ele tinha uma liderança. pelo menos os técnicos da sua área. ele dizia: mapa é importante para esse pessoal de Geografia trabalhar... ....É..” . cada um e dentro do próprio Censo mesmo. e esse pessoal de Meio Ambiente trabalhar. influência grande junto ao Presidente Edmar Bacha. e nessa resposta dos técnicos.. quer dizer. que era Agropecuária ficava com Agropecuária. caminhavam juntos. havia tendência.. quer dizer. trabalhei na preparação para o Censo de l990.... o geodesista e o cartógrafo eles fazem mapas e eles pensam no processo da feitura do mapa. o memorando da Reforma Administrativa. salário. mas depois com a Reforma Administrativa tudo evoluiu no sentido de formar uma união desse dois grupos. quer dizer. aqui já é uma resposta dos técnicos das Divisões do IBGE.. mas havia muitos problemas de aceitação. por exemplo... e depois com o Edson Nunes. problemas de intercomunicação.E ai.. a figura de Mauro Pereira de Melo foi importante nessa articulação.. e ele era muito. do DEGEO... nós queremos separação.. o resto é nosso. levantam a questão do memorando da Presidência 45. tanto do pessoal de Geografia quanto do pessoal de Meio Ambiente que sempre foi uma coisa difícil. bom. eu me lembro de reuniões que a gente tinha com os técnicos dos dois lados cada um dizendo: não. 85. Sobre a Reforma Administrativa. hoje a gente vê o trabalho muito mais articulado. que no fundo era o memorando da CRA. o senhor lembra mais ou menos desse período como a coisa se deu? “ Me lembro não.. quis se manter junto a área de Geociências. havia pressão da parte dos técnicos juntamente para formação de duas áreas separadas uma área mais de Geografia e Recursos Naturais e outra na área mais de Cartografia. a área de Estatística queria da área de Geociências só mapas. “ Mas havia muita conversa também.Nesse período.” .Eu entrei em 70 e eu percebi que tanto o de 75. isso também é pouco falado essa questão. mas nesse ponto Mauro era o que conseguia pensar. muito articulado e tinha aparentemente uma certa liderança. . não sabia se ia ficar. fracionamento.. e aí eles dão algumas. as relações eram muito.” .. ele tinha. e por um lado a história de tentar ganhar confiança. da Agropecuária que era a DIRUR estava do outro. etc. “ A liderança dele era muito forte. justamente porque havia essa separação.. achamos que é diferente o que temos que fazer. mas distante a coisa.... etc. fala-se no famoso memo PR-45. então vocês tem que trabalhar junto porque... ele quando decidiu formar essas duas áreas ele investiu tudo no sentido de não permitir qualquer tipo de fração. 80. porque nesse período as áreas Regionais e Estudos Urbanos estavam de um lado e a questão da Agrária. “ Eu me lembro. quer dizer.

... com aqueles movimentos sindicais todos.. ele vai ter que resolver primeiro essa área.. “ Tivemos greves. mas era um governo fraco também. quer dizer. o resto atrelado a ela. ele volta idéia anterior.. em termos de comando e poder e tal. com isso ele dominava toda área. acho que o Sérgio Bruni conseguiu esse equilíbrio. isso eu percebi bem. eu acho que a Cartografia devia ser separada...... quer dizer.. às vezes havia muito barulho para coisas minúsculas.... eu porém me considero sortudo comparado com as agruras de Eurico Borba. olha só.” . mas foram mais civilizadas.. quer dizer. “As áreas estão mais equilibradas agora. sendo atuante.. estava totalmente desmoralizado. mapas são instrumentos para a outras áreas fazer análise e tal. a que está dando salto tecnológico maior agora..” Bom.. ele saiu antes.. antigamente não. eu me lembro disso. para a mim.Sem dúvida. nas entrevistas de Edson Nunes e Eurico Borba que sofreram realmente pressões horrorosas da área sindical e... as pessoas reclamavam muito quando eu o defendia nessa questão.. o entrevistador. e depois entrou o Trento Natali que acompanhou esta mesma visão de integração.candente? “ Sim.e tínhamos muitos outros problemas” ..foi o primeiro a sofrer o processo...” .. “ É. foi uma fase extremamente complicada.. a introdução do idéia do GPS.. quer dizer. mas ele quase que montava a coisa de ponta a cabeça..Era a questão da economia em si que estava muito. uns poucos fazendo baderna e tentando dominar a maioria. funcional. que agora nesse Censo de 91 está sendo isso.. ele lutou muito para cartografar a base operacional do censo. que ele fez bastante.. para depois tentar uma integração. quer dizer. colocando Cartografia no centro. a luta para fazer mapas de Censos. o Edson também pegou um período muito ruim.. com uma acuidade cartografia muito boa.. “ É. lógico.. mas eu dizia assim: senhores.... dizia: começa conosco. mas enfim. eram momentos extremamente conturbados.. Cartografia e Geodésia é a área na Geociências a mais. como é que foi a sua visão do período.. mapas extremamente fidedignos. ele tinha uma visão muito forte da importância da área..... porque a área. as informações eram muito pouco fidedignas. pelo menos nessa questão..... aí entrou o Sérgio Bruni e o Sérgio Bruni efetivamente conseguiu..O interessante nisso tudo é que no depoimento ele diz assim: hoje olhando retrospectivamente eu acho que eu errei na medida de tentar uma integração maior. claramente naquele momento ele tentava viabilizar politicamente uma idéia de organicidade maior de sua diretoria.. sem dúvida e do próprio Edson. era na base dos croques. nenhum Chefe de Departamento se sentiu muito melhor do que o outro. a base operacional do Censo ela está recebendo cartas melhores.“ Ele até conduzia a coisa por inverso.. o movimento sindical muito atuante. ele conseguiu dar um equilíbrio melhor entre as áreas... aí agora. o senhor como Presidente..... não adianta vocês tentarem brigar com o Mauro nessa situação..... como você falou.. e eu na época eu dizia: gente. o Sarney. o que sai a campo ele recebe o mapa extremamente fiel.” E de uma certa maneira era isso.. a troca de equipamentos. os outros que se adeqüem.” ... quer dizer. no entanto..

Com o Edson e com o Eurico depois.. o período de dois anos do Collor e período de dois anos do Itamar...” ... quer dizer.. eu acho que essa foi uma visão e no seu caso. fiquei até..... não vai dar nada.. eu acho interessante também ressaltar no que tange a área de Geociências. eu acho que foi perfeito. o grande problema em toda a minha vida. Ministérios.. alguma coisa final. achei que não deveria substituí-lo.... tanto na DAG e depois na Presidência. eu estou tentando inclusive fazer um acompanhamento das ações dos Presidentes..92 a 95 foi DAG. tanto na gestão. é isso aí. mas pelo menos foram greves que deram origem a um processo de negociação..” .. eu utilizo isso na tese e eu me transferi para essa área de Memória Institucional justamente para formar o acervo da memória dos presidentes da casa.” ..... “ É.. Professor.. “ É porque eu já na Presidência já dei essa situação resolvida... Presidência..... e depois entrou aquele período. foi o problema de localização física da área e espaço para trabalhar isso foi.. “ Muita coisa. e suas vinculações aos governos... bem nós tivemos. foi maio de 88..? “ 95 a 97 por aí foi DAG aí trabalhei com técnico no IBGE. deixa eu mais ou menos também colocar esse material ele passará a ser acervo da área de Memória Institucional do IBGE.. estavam percebendo que poderia haver mais contestação..É.. eu acho que no nosso caso..muito problemático para a Geografia principalmente. maiores conseqüências.O seu período de Presidência foi 98.? “ Maio de 98 até março de .Esse acompanhamento... houveram momentos difíceis... quer dizer... “ É interessante ter um acompanhamento dessas ações e políticas da casa.. nós vamos poder virar a mesa.. se o senhor quiser alguma declaração..especificamente é mais ou menos isso. como você sentiu o clima? ....” ... aí fui conduzido à Presidência.” . diferentemente do que ocorreu com o Edson..” . transição de governo Collor.. no sentido de contestação pela contestação..Bom.? “ Não.. por exemplo.. Mauro Melo ainda estava na área de Geociências... o Edson pegou o período inicial das coisas ruins. foi fim de governo militar...Foi em 89.. já tinha as duas grandes áreas produtivas.Exatamente. que foi aquele que as entidades sindicais no IBGE começaram a perceber que nós estamos livres. nós tivemos duas greves complicadas.... e que se resolveram sem maiores conflitos.. .. qual eram as demandas principais do governo e o que o IBGE podia dar além das atividades e as suas missões normais... foram períodos de embate: eles diziam: o que nós podemos forçar. duas ou três greves... “ É. até março de 90. “ Com Eurico depois foi ainda pior.” ..... na sua trajetória como Presidente naquele período...

peguei depois.. depois ela virou um campo de batalha do tráfico de drogas... Chile. “ O IBGE é um organismo enorme. ele queria a todo custo voltar para lá e havia pressão. eu ficava abismado cada vez que eu ia lá.” .. precisando qualquer coisa eu entrarei em contato com o senhor... ele investiu num período de vacas muito magras do governo.Eu acho que foi a parte mais importante. ele tem uma área de atuação muito grande. quer dizer.. já tinha sido feita limpeza.. “ Peguei.. ele arriscou..Rua Equador.. mas havia uma pressão muito forte do Régis Bonelli .Porque Mangueira tornou-se área perigosa..... e colocou quase todos na Av.. a recuperação daquele prédio lá na – como era o nome dela? .... mas com aquele prédio lá de Mangueira. ele conseguiu investir muito nesse processo de intercomunicação da Casa.. mas foi um salto de qualidade...... daquele. chegaram a cogitar e imaginar a botar vidros a prova de balas naquele lado que ficava para a favela... quer dizer. . “ Deu um salto no escuro...” .” . já tinha havido a transferência das pessoas foi na minha gestão da DAG que conseguimos aquele prédio na Praça da Bandeira..... e eu acho que o Simon fez uma grande coisa..O Simon nesse ponto teve duas ações muito poderosas... “ Faço uma idéia. “ Isso foi muito importante. a primeira foi essa retirada do prédio e a segunda foi a questão da rede de informática.. “ Eu me lembro bem de Mangueira..que era Diretor Geral e queria a todo custo..” .No meio de uma favela não era exatamente o problema. “ Rua Equador exatamente...... não é aquela coisa empírica de bilhetinho e carta e tal..O senhor pegou aquele período do Parathion.. foi muito bom... ok Professor.. no início a favela era só favela.....” -Ou memorando interno. descontentamento muito grande na área Geografia para isso. científica no meio da favela com aqueles tiroteios.. como é que podem colocar uma área técnica.... não havia mais condições de trabalho lá..” ..” . quer dizer....Deu um salto no escuro.

com o Everardo Maciel que hoje está na Secretaria da Receita Federal e eu.. com Celso Furtado. foi uma vitória política. agora na posição de 19 presidente da casa e o 6 após Isaac Kerstenetzky. “ Bem desde que nós saímos do IBGE. eu sempre nutria um sonho. uma idéia de voltar ao IBGE um dia. inclusive Doutor Tancredo foi lá.. regido por uma política salarial em que o sistema avaliativo pauta-se por titulações acadêmicas e por verificações de produtividade vinculadas ao ambiente acadêmico.Gestão Eurico Neves Borba Cronologicamente. principalmente nos fóruns da SBPC. o próximo presidente entrevistado. na longa lista de presidentes de um ano e meio. mas que custou muito caro a Eurico. Isaac e eu em l979. evidente que Serra e Celso Furtado. foi novamente Eurico Borba. eu estava sem camisa. Sendo uma agência basicamente voltada à coleta e armazenagem de dados. . o funcionário médio já não enxergava mais o velho Eurico. para ceder material. eu Eurico. O que causou muita contestação nos meios científicos. Diretor Geral da gestão Isaac. e eu e Everardo e o Cristóvão Buarque eram um nível mais operacional. Eu me lembro que estava lá empacotando vários documentos que deveriam seguir para vários ministros. outubro de l974 e se findou na véspera da posse. se despedir a o o . naquela comissão para o plano de ação do governo COPAG. Foi uma conturbada gestão de 15 meses que iniciou-se com uma greve. e junto com Serra. com menos de dois meses de trabalho. Hélio Beltrão eram um nível mais ligado ao Doutor Tancredo. que possuíssem toda a linha de cursos de graduação e pós-graduação em todos os níveis. pois apesar disso. Apesar dessas convulsões. tão querido pela rede de coleta daqueles tempos. receber determinados grupos. classificar esse material.Professor Eurico então pode começar a nos explicar como foi o processo de convite para o IBGE de 1992 e depois toda a sua fase até a saída.. com carreiras de atividade fim.” Esse processo levou quanto tempo? “ Começou em setembro. na qual seu Diretor Geral Aníbal Villanova Villela. promover alguns seminários para elucidar e aprofundar determinados pontos. Eu trabalhei na campanha do Doutor Tancredo. Sua maioria esmagadora de funcionários concentram-se nos níveis do ensino fundamental ( 8 série) e no segundo grau incompleto. junto com Cristóvão Buarque que hoje é o governador do Distrito Federal. a gestão de Eurico foi notabilizada por ter conseguido encaixar o IBGE no sistema de agências de Ciência e Tecnologia.. O que dá uma medida das condições políticas que ocorriam em 1992 no IBGE. ao ser barrado por um piquete na entrada do prédio da presidência. se demitiu. fazer a triagem do material.. ele brincava com a idéia de que não se deve voltar ao local do crime. política de migrações. comissões. Como o Isaac sempre falava de uma forma muito categórica que não gostaria de voltar. como eram conhecidos no IBGE desses novos e conturbados tempos. apenas uma pequena porção de seus funcionários poderiam enquadrar-se num sistema de Ciência e Tecnologia.. e o Doutor Tancredo pedia coisas específicas sobre saúde. eu imaginava voltar como Presidente. Portanto. Eurico era agora mais um.

tem todos os Presidentes. mas o Bonelli vai como Diretor Geral.. feito pelo Sayad. o processo de greves. norte-sul. com empresários. foi o que ficou mais tempo.... sabiam a minha intenção.... houve aquele problema todo e não houve convite. um mal entendimento que seria o funcionalismo público. estava o Fernando Henrique. e eu queria você como Diretor Administrativo que é uma coisa importante. 9l o primeiro movimento em direção a minha volta ao IBGE. convidado pela Zélia.. se deu na virada Collor... geralmente apareciam lá umas outras pessoas. e aí foi o Eduardo Augusto. como vice reitor. nunca deixei a PUC. mas não houve contato nenhum.. o PSDB não colaborava com o governo Collor. chegou ao José Richa uma pergunta do Eurico para o IBGE e com aquela história do PSDB eu já era membro fundador do PSDB. todos eram potencialmente corruptos. o partido fala é de Presidente do Banco do Brasil e Ministro. houve um zumbido que não chegou a se concretizar. 88. eu estava ainda passando uns dados para ele e ele passou a mão nos meus ombros e disse assim: Doutor Borba o nosso homem das informações. já tinha começado aquele processo dentro do IBGE. eles disseram não. sete meia ele recebia. contatos com militares.. porque se dá com Edson Nunes. com políticos. o Fernando Henrique Cardoso.. e uma vez então Doutor Tancredo por volta de janeiro.E aí já estava. todos eram incompetentes. o Fernando Lira. de vários encontros. eu disse: Bacha eu estava disputando com você a Presidência. sabendo dos vários documentos que haviam chegado de vários colaborações.... alternando com professor de horário integral.. nós tínhamos que fazer um relato prévio. e fiquei lá 87. do meu desejo de voltar ao IBGE eu disse: espera um instantinho. algum material a ser aprofundado.. isso é problema do partido.. um pouco antes de ele fazer aquela viagem a Europa e Estados Unidos. “ E havia um processo também de sucateamento.. a COPAG durou todo esse período. eu sempre fiquei lá como professor horista. os dois o Covas e o Richa ligaram para mim eu disse: não. do índio ao engenheiro florestal. e ele indo para o elevador ali no hall. apenas uma brincadeira que o Doutor Tancredo nos recebia para um despacho duas vezes por semana em Brasília às sete e meia da manhã depois de ele ouvir aquele Globo café da manhã... aquele pernambucano Fernando Lira que foi Ministro da Justiça depois. “ Eu sempre estava muito ligado a PUC. em 87 eu voltei para PUC do Rio de Janeiro. aconteceu em 92... que a percepção política da importância e exclusividade o Doutor Tancredo rapidamente intuía que ali tinha um... Doutor Ulisses sempre estava lá. eu e o Cristóvão. Essa fase de Diretor Administrativo isso já passou. chegou ao Mário Covas. 90.. os odontólogos fazendo campanha de flúor na água. em administração. mas o IBGE é uma coisa mais técnica fica a teu critério. não houve nenhuma sondagem nem nada. e como ele não havia feito ainda nenhum convite para ninguém.e cumprimentar a todos nós e dali ele seguiu para missa e depois indo para casa sentiu-se mal e foi hospitalizado. na véspera da posse.. Bom.. vamos dizer assim. entra Eduardo Augusto. pode ser SNI e aí ficou..” . uma forma de penalização global.. resultados de vários seminários. do funcionalismo público por parte do governo Collor. com o qual eu não tinha nenhum contato.. houve convite para o Bacha. todos brincaram.. Eu não recebi nenhum convite formal naquela época. depois ele ficou doente.. o Bacha me convidou para ser o Diretor Administrativo. ele recebia de tudo. com delegações regionais... um bom amigo que eu tenho. Eu disse não. um conhecido de longa data. todos eram vagabundos. Eurico você foi o primeiro nomeado. . eu continuei na PUC.” . foi para o IBGE. aí Marcos Maciel me convidou para trabalhar na Secretaria Geral do MEC o Everardo Maciel era o Secretário Geral eu fiquei como Secretário Geral Adjunto e aí passou-se esse período todo. quinze para as nove. leste-oeste.. o Afonso Camargo. o Afonso Camargo e geralmente era eu que estava mais organizado. e lá ele ficava até oito e meia. no Ministério da Educação eu fiquei até l987..De uma certa maneira é nesse ponto que tem uma inflexão de Eurico Borba hoje na educação. e ele argumentou.. 89.

...” . então ele estava sempre contigenciado verbas. você sempre quis voltar para o IBGE e se mandou o curriculum é porque você estava querendo.A começar com a debandada enorme de pessoas para a aposentadoria. já estava programado. amigas lá dentro. final de semana o Messias mesmo me liga e disse assim: Na outra sexta-feira o Ministro vai aí na PUC dar aula inaugural.. e aí eu digo isso sem nenhuma tristeza. tinha muita gente lá na PUC.. e o Messias ajudava muito. .. manda pelo fax agora. todo mundo procura dez..... antes do escândalo... o processo começa nesse período. presidindo uma comissão inteiramente importante de Planejamento Econômico e Acadêmico.. da melhor qualidade. eu acho que é uma constatação que precisa ser feita.. começa a perceber isso de várias pessoas que estavam se aposentando. então sexta-feira no antigo Ministério no Gabinete do Ministro que ele mantém no Rio o Marcílio vira para mim diz assim: olha Eurico. mas eu o conhecia antes porque era o Diretor de Administração do Ministro Veloso no antigo Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. não só a PUC do Rio como as outras.teu curriculum. um direito que nós tínhamos...Isso ainda era governo Collor? “ Governo Collor. a PUC era a que tinha a maior parcela de verbas.. a gente tem que conversar essa história. Marcílio estava numa projeção assim de liderança muito grande. de falta de recursos para pesquisas. porque ele vai te convidar para ser Presidente do IBGE. Então lá fui eu.. estava no IPEA e elas me contaram alguns detalhes.. e uma tarde em meados de março. sem nenhuma mágoa.isso foi extremamente desagradável e deixou mossa que até os dias de hoje estão aí.. mas me parece que existe problemas sérios lá de nível de salários e ... estava dando aulas.. era o Diretor de Administração.... organizado..então eu pensei que era até sobre um assunto de liberação de verbas para as Universidades Católicas. mas então o que me parece. esses cargos geralmente são muito procurados e principalmente nessa fase da República é uma briga de foice. ele disse: não tem nada que conversar. então era um processo de convencimento de universidades que estavam precisando. ocupava a mesma posição que o Marcílio no Ministério da Economia. Teresa Cristina.. a minha volta ao IBGE em 92 foi uma coisa interessante... mas deixou instrução que quer o teu curriculum. Carlos Messias Barbosa. porque eu sabia dos problemas todos de salários.. Censo de 90 que tinha sido realizado em 9l.. um velho servidor oriundo do Banco do Brasil.. sabia de tudo.. aí. março de 92..eu disse que curriculum? . um convite colocado nesses termos. “ Bom. Então... eu disse Messias para quê? Ele disse: Porque o Eduardo Augusto saiu do IBGE e não se acha gente para o IBGE e eu me lembrei do teu nome. de greve.. mas eu acho que não tinha ninguém mesmo querendo. estava escrevendo algumas coisas e fazia consultoria por fora na área empresarial.. eu queria que você voltasse ao IBGE para transformar o IBGE naquilo que o IBGE foi no tempo do Professor Isaac. ele telefonou depois e disse: Eurico você é doido porque resolveu carregar uma mala pesada sem alça. tanto que o Chefe de Assessoria Econômica do Marcílio que hoje está como empresário em São Paulo. e disse hoje de tarde as seis horas lá no Ministério da Fazenda... eu disse: olha Marcílio tudo bem... indo embora. e ele quer que você o procure.. e eu tinha muito contato com ele porque me ajudava liberar verbas para o sistema católico de ensino para as Universidades Católicas que tinham convênios.... e na outra sexta-feira o Marcílio chega olha para mim e diz: aqui não dá para conversar.. sexta feira. eu realmente estava muito bem na PUC como vice reitor.. realmente eu fiquei assim parado. honestíssimo. vários amigos.. quinze padrinhos para ser nomeado alguma coisa e o IBGE é um título que honra qualquer pessoa. o Ministro viajou. quando um antigo companheiro dos anos 70. ele me toca o telefone.. e aí o Messias disse: Eurico manda o teu curriculum pelo fax agora.. Sônia estava afastada. eu acompanhava o IBGE de longe. a primeira que fui conversar foi com Jane. realmente fiquei emocionado e é irrecusável.. um Censo problemático. eu parei e disse: Messias.” . eu fiquei emocionado.. que chegou a ficar conosco no IBGE uns seis meses... comecei a telefonar para algumas pessoas..

isso dentro dessa moldura institucional legal que você tem que trabalhar. eu vou ser julgado pelo Tribunal de Contas como sendo o maior imbecil da paróquia.. mas tem umas limitações legais. mas estão bloqueadas. no segundo.. nós devíamos a Light. passa o mês de abril e maio. eu vou ser preso.. milagre de Nossa Senhora. 8 milhões de dólares é dinheiro em qualquer lugar do mundo.. “ O Censo era uma coisa totalmente cheio de indefinições.. não. e uma greve que no primeiro momento eu tentei enfrentar até com a polícia.. no décimo nono dia. haveria regime CLT. dia 29 de maio dia do IBGE os companheiros entram em greve. eu disse: sim. cinco meses em greve.. ou 28 de março e vou em frente.... e começamos a trabalhar.” . mas você poderia considerar nós voltarmos ao regime CLT. eu me lembro você levou um susto louco. nós devíamos a posto de gasolina. O Marcílio me nomeia. possibilidade de volta a um “ Mais isso foi várias vezes tentado e eu deixei alguma coisa engatilhada formalmente lá dentro nesse sentido. de uma certa nobreza de atitudes como profissionais. eu fiquei apavorado. nós devíamos a empresa de turismo.” . então olha. então nomeei Teresa Cristina Diretora Técnica. poderia considerar. eu fiquei lá quatorze meses e meio.E Censo quando você pegou. nós devíamos a EMBRATEL. uma vontade política.e eu duvido que abram a brecha só para o IBGE.. chefe do Estado Maior da Polícia Militar. “ Logo.... ele é muito amigo meu. mais você está comprando uma parada complicada. um apoio.. que tinha sido um dos pais da reforma administrativa do Brasil.Isso é um ponto interessante Eurico. pensando. tinha mais esse chefe do Estado Maior. e eu pedi para ele e ele disse: olha tudo bem. um certo deboche institucionalizado...” . ninguém pode bloquear as portas.ele disse: olha eu darei todo apoio necessário. em crédito. e nós vamos suspender toda assistência técnica do IBGE e retirar equipamentos. avisei que ia tirar o diretor da Geodésia e Cartografia Mauro Melo e trouxe o Sérgio Bruni .. por falta de disciplina profissional.. fui procurar polícia estadual. um outro .. uma das primeiras coisas que eu fiz em abril. Ele respondeu: vou ver o que é possível.. eu ia para casa preocupadíssimo.... logo com duas semanas de IBGE eu chamei o João Geraldo Piquet Carneiro.... nós devíamos alugueis pelo interior do Brasil. além disso havia uma dívida enorme..... mas aí o camarada disse: tem tumulto? Eu disse: não tem tumulto. foi um período extremamente complicado.que está atualmente como.. A PNAD de l992. depois a PNAD de 93 nós tocamos confiando na Virgem Santíssima. me disseram: não. não é só uma vontade administrativa. fui lá no QG da polícia. os funcionários do IBGE são regidos pelo regime jurídico único eu não posso fazer nada fora da legislação. vou fazer os primeiros estudos. olha era.problemas de contas atrasadas e. foi o homem que assessorou aquele grupo de hospitais Sarah Kubitschek em contrato de gestão. não recebi nenhuma pressão política. só podemos intervir se tiver tumulto. desci. no planejamento do Simon. eu fiquei estarrecido basicamente com os níveis de salários com a desorganização hierárquica do IBGE. no sétimo. ex-aluno da PUC também com a sua esposa Maria Helena que era chefe de Gabinete do Presidente do IBGE lá em Brasília.. as portas estão bloqueadas.E isso se fala agora com essa idéia de agência executiva . por volta de fevereiro de 93 eu tive o desprazer de receber o Presidente da IBM me entregando uma carta extremamente constrangido dizendo: olha vocês devem a IBM US$ 8 milhões de dólares.. chamei o Coronel Nazareth. uma determinada época. a Jane Chefe de Gabinete. não vou cobrar nada. temos que garantir que as portas fiquem aBerthas... eu assumo em Brasília em 27... trouxe o Aníbal Vilela de fora. o Senhor toca o telefone e nós mandamos para lá. Aí eu peguei um taxi. eram vinte e tantos milhões de dívidas.. E eu aceitei e aí tomei posse em Brasília. aí eu telefonei no primeiro dia... porque eu assumi no finalzinho de março. um ano depois.

. mas o que é esse tumulto.. do que o Simon está conseguindo atualmente em termos de produzir informações. meio ambiente... ai eu disse para eles: vem cá.. por conta dessa experiência... derrubar aquelas torres de transmissão... era um calor.. pois com os novos computadores.existem duas situações muito dramáticas. quase que pessoal... me atracar e gerar o tumulto para que vocês façam a intervenção e abram as portas do IBGE? e os cretinos disseram simplesmente o Senhor é que sabe.... esvaziada... poucas pessoas podem produzir bem. informações conjunturais. qüinqüenal.. de divulgar as informações.. saindo.. de funcionários extremamente decadentes em termos de salários.. havia quase que uma luta. para o geógrafo do DEGEO você foi a figura que nos tirou de Parada de Lucas.... pediu demissão e foi embora. Eletrobrás.. então o quadro de falta de dinheiro.pois ele queria a Diretoria de . fazendo Censo com periodicidade. comércio.. do grupo de geógrafos ativos o que conheço é você... mas eu não me lembrava dele.. Fui uma vez lá. a casa já apresentava um forte envelhecimento da massa profissional e quando se chega no início dos 90. eu não tenho certeza que a minha conclusão seja a mais correta. eu Presidente do IBGE que dar um bofetão num grevista. “ Bom mas vamos agora a questão da geografia como é que eu encontrei. posso dizer com certeza... não há realmente como repor profissionais qualificados em tempo hábil... é uma falta de respeito pagar o que se paga ao funcionário público. e depois eu vi aquelas greves de Petrobrás. todas as reivindicações são mais do que justas. você imagina como isso vai afetar a casa.. portanto. como eu vivi a década de 80 no IBGE.. encontrei a geografia extremamente. mas mesmo com o sucesso atual do Simon. não tem mais massa profissional. embora eu achasse que o Mauro tivesse razão no sentido administrativo do termo. no seu aspecto geográfico. aquela falta de apoio de serviço médico... durante toda a década de 80. indignado. eu acho que poderia pensar alguma coisa com quarenta graus..” Aliás deixa eu registrar isso. único que eu conhecia era você. as pesquisas anuais. hoje tenho uma ótima impressão. demografia.. se já estávamos com problemas anteriores. serviços. o que ainda segura é a transição tecnológica... Eu posso te dizer e para tua tese as opiniões precisam ser confrontadas. eu vi que não tinha jeito mesmo..Coronel.. de longe. talvez não seja muito correto. “ O Vilela foi impedido de entrar....” .....É preciso entender que. massa intelectual de tal maneira que é uma entidade com muitos problemas estruturais. praticamente não entrou ninguém.. ninguém novo... . as pesquisas por amostra... demográfico.. lembra? Era um inferno. eu não conhecia esse rapaz. no prédio da Praça da Bandeira vocês tinham problemas de ar condicionado. mas o que me ocorre no momento. mas mesmo assim ainda temos um déficit enorme. porque houve dois fatos importantes.. Mas as atividades de um grande centro de estudos brasileiro integrado. o Senhor é que está no local.. de tocar fogo em rede de transmissão. o que o IBGE se desagregou e perdeu de massa.. as pessoas saindo.. o César Ajara era o Chefe de Departamento.. quer dizer. indústria.. eu vou usar o termo. Eu tenho a pior impressão do serviço público sindicalizado hoje em dia.. a decisão é sua. os econômicos decenal.mas eu acho que o IBGE e o Simon de certa forma está dando sinais de soerguimento. acho que essa idéia se perdeu.. as pesquisas mensais..... ficou possuído de tal fúria. mas tinha sido admitido lá no meu tempo. impedindo a saída das refinarias. acontecem as debandadas maciças. Petrobrás.. a maneira de proceder é que é condenável. eu tenho...O Doutor Vilela saiu rapidamente por causa disso. perdemos a colaboração de uma figura fantástica. pelo o que estou vendo... Bom...

depois de visitar a Reserva Ecológica do Roncador.. Eurico então nos coloca na Praça da Bandeira junto com Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente... quer dizer. eu não entendo essa história de IBGE com reserva ecológica. o pessoal de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o pessoal de Geodesia e Cartografia... a ENCE eu entregava da Federal do Rio de Janeiro e nós íamos tratar de fazer Censo. aí eu digo.. essa história do Roncador em Brasília.. três semanas e foi embora.. vou doar para Universidade de Brasília e acabar com Meio Ambiente. eu fiquei mais duas semanas ou três semanas com o Jessé passando o material para ele. mas essa era a idéia que passava.. meio ambiente. “ Mas o. não havia no centro de poder ninguém se preocupando com Geociências.. Bem.. mas num prédio em que efetivamente era um prédio pequeno para os dois Departamentos e com esses problemas de infra estrutura. foi a mesma coisa.... estavam sendo postos para fora pela Petrobrás a todo momento. da gente correr para o Presidente de Embratel. ele teve sorte porque como todos eram economistas e estavam preocupados com conjuntura nacional. porque. Radam estava acovardado em Salvador.. e aí talvez é o problema da continuidade. ah é uma idéia.. geodesia e cartografia... alijado. eu não sei . inclusive o episódio do Radam veio com Edson Nunes. mas claramente um grande... -Com o Edson Nunes já foi uma outra situação... depois de ter me convidado para Diretor Administrativo ele teve uma conversa com o Isaac... como era o negócio naquele período.. e a gente tem que ficar vivendo com a Geografia. o melhor é doar.. Quando Eurico Borba entra. tratando de geografia. eu não acho exatamente isso. então todas essas coisas que ele dizia.. e o prédio da época que garantia essas condições era o de Parada de Lucas. no caso do Edson Nunes.. e isso levou também a um outro conjunto de pessoas a pedir aposentadoria por se sentir deslocado. eu olha aqui: eu tenho um mandato de despejo. esse aí o Joel Renó. essas que não eram de economia... o Bacha. tratando de meio ambiente.... e o Jessé em Brasília numa reunião.. Então eu não sei... com mais delicadeza evidente.. Eurico tira Mauro que era considerado o sujeito que estava enterrando a geografia.. eu tive que uma tarde sair correndo. a Geografia é um troço histórico.Geociências toda junta.... e foi onde ele conseguiu acertar a história da vinda do Radam e que eu acho que foi um ponto positivo. de geodesia. veja eu estou te contando. . de cartografia. Depois com o meu querido amigo Bacha.... por mais que o geógrafo humano ainda não goste muito. etc.... agora quanto a questão dessa área que cobre a Geografia.. entregava geodesia e cartografia para o Exército......... e aí é aquele negócio. quando eu saí de lá ainda não estava nada certo assim.. vamos tratar de fazer Censo.. teve um Diretor Geral dele que durou duas... que é irreversível... com um prédio... sempre existiu uma incompreensão sobre a heterogeneidade do IBGE.. quando o Isaac saiu.. e depois eu e Isaac. que me recebeu muito bem. já havia um outro pensamento...... em que o ar condicionado era apenas um dos problemas.... ele agora já começando a entender dessa integração que teve que ser feita. o IBGE tem que fazer Censo. ele e Bonelli. você segura essa história por favor ele riu e tal. com aquele com ar de dono do mundo... virou e disse assim. virei as costas e fui me embora. colocado num lugar longe... Edson Nunes conta muito bem o episódio. tem que fazer estatística... passavam para as mãos do Edson.. eu por mim entregava isso tudo para s universidades.... acovardadas.... com mais tecnologia. Numa conversa sobre o IBGE. teve uma conversa comigo.. “ Eu me lembro lá daquele inferno. uma grande massa de pessoal não gostava daquela história de parar a 40 quilômetros do centro da cidade. porque aí ressurge a idéia de meio ambiente dentro de outras bases. que era realmente terrível na época... Radam.. ele e Bonelli.. então encontrei todas essas áreas muito atemorizadas. essa questão fica muito clara. entregava geografia para s universidades... deu uns telefonemas. mas tinha a mesma idéia.. ir lá no Presidente da Petrobrás.. no dia seguinte nem apareci no IBGE e voltei para PUC minha casa de origem.

para Presidente de Petrobrás..” Mas tem um ponto interessante que as pessoas lembram de Eurico Borba e aí. de geografia física. Então nessa área de geodesia.” . cartografia e tal.. do contato... essa era uma pessoa que era líder e possuía muito conhecimento técnico e político. essa foi a segunda.... se impondo perante uma Marta Maia lá da PNAD.. O Bruni de . mesmo não gostando muito e perdendo poder... com poucos funcionários qualificados.Bom. com uma ênfase muito grande em resolver questões da cartografia. e coloca no diagnóstico.. vamos dizer.. e aí talvez tenha muito desse aspecto de fechamento às outras diretorias.... então. mas internamente. César não conhecia. alguém que fizesse depois um copidesk integral.. e ele. era uma senhora bem baiana..... etc... não houve tempo para fazer a recuperação mínima das condições ambientais de trabalho no IBGE... a única pessoa que tinha essa capacidade no Radam era Teresa Cardoso que estava em Brasília. todas duas especializadas em geomorfologia.. coisa difícil porque o Radam vinha com uma tecnologia e uma metodologia de gavetas. principalmente cartografia.. mas que começaram a perceber que seria necessário um discurso integrado. a primeiríssima prioridade da DGC era dar um salto de tradição tecnológica na área de cartografia e geodésia.... e nos nove meses que efetivamente se trabalhou.eu não via nem a geografia. o chefe do DEGEO. muito bem articulada. o que de uma certa maneira foi bom... Embratel para não desligar as linhas do computador.. para segurar despejo...Não sei. como os diagnósticos de algumas áreas da Amazônia.. tinha sido da Universidade da Bahia... digitalizar toda a malha geodésica brasileira e a geodesia passando para o GPS. cada um na sua e eles passavam textos. quer dizer..... a cada seu trabalho. uma pessoa senior. eram especialistas.. altiva. porque aí tem uma parte interessante. então eu vi a geografia fazendo coisas importantes.. quer dizer. então era esse ambiente da época.. “ Tinha apelido essa menina? . perante uma. você teria que começar..” Não essa é Antonia. mas de qualquer forma.. nos diagnósticos integrados. não havia muita gente com uma visão generalista.. eu tive pouco contato com ela mais. um diálogo maior com meio ambiente e geografia. morena.. nessa fase.. tinha estudado no exterior.. vamos dizer. só que a Teresa Cardoso tinha muito mais tarimba.. Na Geografia eu só conhecia você....... equilibrou os poderes dentro da DGC.. que do Radam também geógrafa que estava no IBGE e baixinha.. o outro arquiva. e ela .. porque você convidou o Sérgio Bruni. “ Mas aí deixa eu te contar uma história que é importante.. eu acho que fiz muito pouco........ perante o pessoal de contas nacionais.. geografia e recursos naturais estavam começando a tentar se entender. arranjar dinheiro para essa transição. a cartografia e geodésia.. porque eles não recebiam a meses. etc. é claro que tanto na cartografia como na geodesia as pessoas não irão lembrar bem... todas duas geógrafas. a seria por assim dizer a futura liderança. nem a geodesia. nem meio ambiente.. mas ainda com muita dificuldade. começaram a ter vinculação. os outros cinco foram greves. primeiro porque tinha sido uma gerência muito forte do Mauro. também não está mais no IBGE...... com as famosas estações de trabalho. quer dizer. transição tecnológica pesada.. quer dizer. havia uma prioridade um.. esse período foi um período realmente bastante pesado para o Mauro Melo que tinha que gerenciar.e uma parte que englobava geografia e meio ambiente que eram estavam começando a se entender e se articular. “ Então eu estou confundindo com outra.não lembrava dele. por exemplo. a Lúcia... passa o texto para o outro. segunda liderança. nem recursos naturais. um pessoal da demografia.

estatísticas mensais... do economistas. de fazer a síntese explicativa do território e da sua população era o grupo da geografia.. ilustra aquela carta. mas de uma certa maneira olhando hoje. 93 que o único grupo. não era grave.... dei a maior força e prioridade.. sempre o empregadinho de segunda categoria perante os estatísticos.. e quando surgiu esse projeto diagnóstico geográfico e econômico que se fez a Amazônia Legal e quando eu sai de lá estava se fazendo o Nordeste e Centro Oeste.. eu estava convencido que era preciso dar a um grupo do IBGE a função.. e até por razões de estratégia ele tinha problemas na cartografia e na geodesia que eram problemas muito pesados. com uma visão integrada de Brasil eu dizia sempre e não estava fazendo jogo de palavras eu estava convencido que a situação atual do IBGE 92. estatísticas conjunturais.. eu verifiquei outra coisa. ele sentiu isso. quanto a geografia ficassem sem muito apoio.” . então eu explicava lá Censos. e isso fazia com que....... na Secretaria de Estudos Estratégicos.. prepare a base do Censo... que eu acho principalmente que ele era um profissional muito vinculado com a área de botânica e então ele dava uma força muito grande nessa parte específica da botânica..... explicava aquilo tudo e dizia o seguinte essa história toda tem que ser fechada em cima de um território e explicado porque a ocupação. o Mauro tinha até por razões de profissão... uma série de pontos pontos positivos. isso aqui se chama geografia e o grupo de geografia. eu fui lá depois com o Almirante César Flores da Secretaria de Estudos Estratégicos foi o diagnóstico econômico e geográfico da Amazônia. que foi equilibrar poderes dentro da DGC. ele diz mesmo. nas exposições que eu fiz na Escola Superior de Guerra.... cartografia.. a única ciência que tinha capacidade de fazer a união.. “ Mas Roberto deixa eu te contar duas coisas que eu acho que é importante.” Tinha uma parte que eu acho que teve um problema dele. modelos de simulação. mas ele dava uma força muito grande a essas áreas. estruturais. E olhando de hoje. os economistas que estavam ali manobrando o filé mignon do IBGE. contas nacionais... faça isso. tudo a que o Sérgio Brunes pediu eu atendi nesse sentido. que a gente tinha que descobrir esse projeto que tinha . tanto meio ambiente.. para Yedda Crusis eu sempre dizia que aqueles dados coletados.. então nós chegamos a entregar a primeira parte praticamente toda parte de Amazônia Legal e tínhamos iniciado Nordeste e Região Centro Oeste e nós íamos fazer as cinco regiões. “ O que eu quero dizer é o seguinte: o Sérgio Bruni foi um trator e uma das coisas que ele conseguiu. estatísticas contínuas. sempre forçando a idéia do IBGE como um grupo integrado. então eu verifiquei. da PNAD. nem jogo de palavras. e porque a geografia juntamente com esse grupo da área de meio ambiente se não tivesse um projeto importante encomendado de fora do IBGE eles sempre ficariam como linha auxiliar do demógrafo. e a minha volta em 92. com Jane que apoiou. eu dizia isso não da boca para fora. isto é abriu caminho. conversei muito com Teresa Cristina que apoiou. PNADs.. de começar a pensar globalmente de forma interligada e interdisciplinar que havia se perdido naqueles doze anos após a saída do Isaac. “ Eu acho certo.. Censos.uma certa maneira foi uma pessoa que teve uma questão positiva. do INPC.. porque esse tipo de vida.. aí meio ambiente eu falo o DERNA específico que era o Departamento junto ao nosso prédio e mais as unidades regionais que eram as DIGEOs que eram espalhadas em vários estados. no tempo do Mauro. Paulo Hadad. e pelos estudos uma metodologia extremamente rigorosa abrangente que envolvia o pessoal de meio ambiente e pessoal de geografia.. porque esse tipo de ocupação. claramente ele foi um sujeito que equilibrou a diretoria O próprio Trento Natali Filho que é hoje Diretor de Geociências. então. geodesia.. quando eu falei em geografia esvaziada junto com geodesia e cartografia que eu encontrei em 92... para o Ministro Marcílio.. e a questão da mudança para Lucas só agravou as relações....Foi neste período é que já estava havendo um nível de integração melhor entre meio ambiente e Geografia. índices de preços.. a idéia era se fazer Sul-Sudeste. 93.

. ou de pessoal. por exemplo.. e aí começa a aparecer um papo estranho.. saiu uma notinha no Jornal Nacional. etc... etc. saiu uma notinha no Fanestástico... estavam com grandes problemas.... de que não. aí todo esse período depois da sua saída.... bom. eu pelo contrário.. não tem garotada de trinta anos....... mal levado. porque se você consegue articular bem com um geógrafo físico. definição de Censos econômicos como o Agropecuário o Industrial. os economistas e estatísticos. Marília Gabriela fez duas entrevistas comigo. acho que isso é um trabalho que minimamente se dá sobrevivência. ele já não podia mais levar e ele teria que explicar o que ele iria fazer..São todos mestres e alguns já começando a ser doutor. uma delas especificamente sobre esse diagnóstico.. mas isso foi muito mal levado em termos de marketing. etc. estão trabalhando em segmentos do gerenciamento costeiro e o trabalho que foi feito. foi justamente num período onde grande parte da população tinha aceito uma desculpa de que Collor tinha destruído o IBGE e com esse álibi do Collor ter destruído o IBGE.... teria uma importância evidente perante a mídia a Rede Globo em chamou naquele café da manhã. ela sofreu perda de massa muito mais que substancial.. cento e sessenta. a entrada do Sérgio Mincioti. mas isso você tem que aprender a fazer. agora o Departamento nas áreas de meio ambiente lá da DIGEO de Santa Catarina. No caso geografia e meio ambiente eles estão continuando nessa linha de fazer diagnósticos integrados. existe. muita coisa do IBGE. suas preocupações primeiras eram: Censo de 91 tem que fechar.” .. seis já no doutoramento. uma agência governamental importante como a Secretaria de Estudos Estratégicos estava dando... onde é que eu posso abrir uma cunha nisso aí foi o Simon naquele na CONFEST. então era alguma coisa importante que a mídia. e aí nós sentimos que todo Presidente que entrava.. então. esgotou. então o usuário começou a cobrar pesadamente e esse. as chefias da área de estatística. tratando daquele filé mignon. que não era apenas pelo Collor e sim de uma estrutura ou gerenciamento... com problemas específicos operacionais de suas áreas. mas isso foi mal explicado ao usuário. com um biólogo. “ Se bem que tem um outro ponto interessante também... para explicar o diagnóstico da Amazônia. nós vamos ter que fazer um tipo de pesquisas menores. eu acho até que deva ser assim.uma abrangência nacional. você terá um discurso mais amplo.. alguns geógrafos humanos não gostam. etc. menos segmentado. a poucos anos atrás trabalhava com cem.. foi extremamente positivo. levantaria a responsabilidade do grupo de geografia e a responsabilidade do grupo de recursos naturais e meio ambiente provocando essa integração e esse grupo não seria simplesmente o grupo de segunda categoria dentro do IBGE perante os economistas. foi feita a reportagem também naquele Globo que aparece domingo de manhã... e isso.. mal feito... eu acho que esse é um ponto chave no IBGE. em que as pessoas.. era todo um problema..... agora... gerenciado por uma geógrafa do Departamento de Geografia e por grupos de geógrafos lá de Santa Catarina.. ela. e nada acontecia.. Bandeirantes... que você pode pedir qualquer coisa.. não é preciso fazer mais Censos. acham isso um trabalho menor. e com geólogo. Globo Rural. percebiam claramente que eles já não tinham mais gente para fazer os Censos econômicos.” ... isso levantaria a moral. eu acho que já tem uns cinco.. foi muito bem aceito e todo mundo está aplaudindo e etc.. etc. é uma grande diferença.. claro que o IBGE a geografia do IBGE. CONFEGE. que o único que foi detectar exatamente essa questão e dizer. hoje tem quinze pessoas com nível operacional. é que nesse período. e tal. “ Mas todos. que o governo. até a entrada do Simon. “ Esses quinze hoje qual é a formação acadêmica. os estatísticos..

dessas cem pessoas muita gente era da área de geociências. eu acho que com isso. “ Não teve um rapaz.Não. mas ao que me parece.. questões de salário...:” .... mapeamento automático..... se aposentaram. pontual. de Economia.. mais tarde houve uma outra tentativa.. de demógrafos que tenha feito pelo menos um Censo. que era . o Roberto Lobato de Azevedo Correa. não havia possibilidade de tempo para um período de formação. que eu acho que é fundamental que é o IBGE basicamente ter uma interação maior. pode ser estágio e pode ser elemento de despertar vocações que aceitem ser heróicos funcionários públicos trabalhando no IBGE. está havendo consultoria de fora... é esse o grupo hoje ainda faz a Geografia do IBGE andar.. então essa é a saída.. é tudo na faixa de quarenta. deu bem para perceber como as coisas estão e o quê. etc. institucionalizada com os departamentos das universidades boas do Rio de Janeiro. vai ter a Valéria e mais um ou dois que fizeram o Censo de 90. esse ano eles até já começaram direito. talvez com a UNICAMP. ao que me parece pelo menos em termos de planejamento.. as pessoas estão indo para o exterior aprender e a trabalhar principalmente com tecnologia nova.. quer dizer o Departamento de Geografia... a Fanny Davidovich também... eu sou o mais velho tenho cinqüenta e três. não foi levada a tempo. PUC do Rio de Janeiro. cada vez mais fica distante a possibilidade de reposição..Se não menos. Federal do Rio de Janeiro. entraram três..” . que trabalhou no IBGE desde os anos 60. etc. ele trabalhou durante muito tempo no Laget. talvez com a USP. agora a pouco tempo teve um concurso. Bom mestre Eurico... se não tivermos uma geração de estatísticos. não fomos muito felizes.. extremamente desestruturada que eu pensei em fazer... ter essa ligação com o IBGE. aprendi com o velho Lira Madeira e com Valéria Mota Leite.” Exatamente.. por exemplo a informação que tem agora é que em dezembro saíram cem pessoas do IBGE.Houve uma experiência disso. foi alguma coisa assim exploratória.. “ Eu queria só no final dizer alguma coisa também que me esqueci. porque com essa. porque sentiram que. quem é que vai fazer o Censo do ano 2000. estatística. se aposentou. pegaram o plano de desligamento.. ele montou uma equipe para o Censo do ano 2000 e resolveu começar cedo... que nós no tempo de Isaac tentamos. o Claúdio Egler... aí eu digo de novo e louvo o Simon. nessas duas fases que foram. “ Eu sempre digo que se isso. já teve um concurso. dizem.. formal. qual foi a sua colaboração nesse. vai se parecer com um planejamento daquele Censo de 80 que se começou que vocês começaram a montar e que em 79 vocês tiveram que abortar o negócio. como algumas outras poucas no Brasil. e não tive tempo.. eles fizeram parte desse convênio.. o negócio... a reposição que deveria ter sido feita na década de 80 e como ela não foi feita. não. eles não terão condições de comandar o segundo.. eu quero saber no ano 2000.. Federal Fluminense. que as coisas estão se dando muito bem porque de novo está havendo uma integração muito de geociências... adaptação ao trabalho. não houve continuidade. começou a planejar cedo. que foi até um a experiência muito boa foi o Laboratório de Gestão do Território (LAGET)... Egler que. com essas saídas.. eles preferem ir para outro lugar... por parte da Marilourdes Lopes Ferreira. um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o IBGE e que deu muitos frutos.. o mais novo deve estar com quarenta e três mais ou menos nessa faixa. eu não estou lidando com o problema.. que depois foi para a Universidade.. a Bertha Becker... as pessoas estão podendo sentar a mesa e discutir perfeitamente o quê é possível fazer.. dois já foram embora.Não. “ É a geografia que desaparece dentro de dez anos. Sociologia..” ...

. traça as estratégicas para os próximos anos e levanta questões sobre o futuro do IBGE.. Essas mudanças positivas podem ser percebidas através de uma série de ações que implementaram uma forte . gestão administrativa. explica as condições de funcionamento da agência. Simon faz um balanço de sua administração. preparado no contexto de uma reunião técnica com os dirigentes de instituições federais de pesquisa em novembro de 1994. São 28 páginas onde Simon expõe claramente os problemas da agência. além dos problemas concernentes ao equipamento de trabalho propriamente dito... Simon também inicia o mandato com muitas restrições à essas áreas.. acenando com o projeto de contrato de gestão. e o maior deles é ainda o de pessoal qualificado. ao longo de sua gestão. A Gestão Simon Schwartzman Três documentos servem de sinalizadores para as ações empreendidas pelo último presidente do IBGE que gerenciou a casa entre maio de 1994 e dezembro de 1998. a medida em que o papel dessas áreas passa a ser compreendido mais amplamente. Simon discute os problemas que os principais institutos de pesquisa governamentais apresentavam na ocasião e delineia o modelo de contrato de gestão em termos de controle e avaliação.. onde faz uma ampla avaliação da missão institucional da casa. Nele.. de fazer uma integração com outras universidades para um atlas do Estado do Rio de Janeiro mas não foi bem sucedida. suavizando-se. política de pessoal e questões relativas ao desenvolvimento de carreiras de pesquisa e ao processo de transição necessário entre os dois regimes (Regime Jurídico Único) e o de Contratos de Gestão. financeira e patrimonial. O primeiro foi sua carta de intenções chamada O Presente e o Futuro do IBGE apresentada em dezembro de 1994.diretora adjunta da Geociências do IBGE. apresenta um balanço das atividades entre maio e dezembro de 1994. O terceiro trata-se de uma apresentação sobre os institutos de pesquisa do governo federal.. Esses foram os principais referenciais que nos interessam para entender a posição de Simon Schwartzman quanto às áreas de Geociências. mostrando o que foi melhorado e apontando os problemas que ainda não puderam ser sanados. principalmente os afetos ao funcionalismo que o compõe. Tanto quanto os outros presidentes. restrições essas que vão. O segundo documento foi sua carta de transmissão de cargo da presidência do IBGE em 25 de janeiro de 1999 ao economista e historiador Sérgio Besserman Vianna atual presidente.

. em termos de computação gráfica e de redes de comunicação.ampliação do aparato tecnológico de trabalho.

. “Era a terceira turma. acho que no momento de transição do IBGE. a minha foi a terceira turma.. onde leciona no curso de Engenharia Cartográfica. Mas o que vamos registrar aqui são os depoimentos de profissionais que assumiram posições de direção após a década de 80... eu fui estagiar no Departamento de Geografia.. No projeto dos Subsídios à Regionalização. trabalhando maciçamente na elaboração da documentação cartográfica.. mas então. Foram tomados os depoimentos de elementos formadores da “velha guarda”.. participando de várias das discussões dos geógrafos nesse processo.. quer dizer..... e também se iniciavam os trabalhos dos subsídios a regionalização. criando os mapas de correlações. a minha inserção na Cartografia se dá exatamente na passagem para a Universidade ao início do curso de Engenharia Cartográfica na UERJ. primeiro diretor de Geociências do IBGE e principal articulador da integração em as áreas que compunham a diretoria (Geodésia. exatamente com esse convívio de cartógrafo e geógrafos.. além das unidades regionais que também produziam trabalhos específicos em seus espaços de atuação). os capítulos regionais.. a minha experiência profissional vem de trabalhos na área de topografia inicialmente.” Essa era a primeira turma de cartografia no IBGE? Já era. na Distribuidora de Energia Elétrica na Light. daquela época em que se terminava a Geografia do Brasil... eu trabalhei com cartografia... quer dizer.. Meio Ambiente e o ambiente informacional que daria suporte às áreas.. e venho logo para o IBGE. Alfredo Porto Domingues foi meu professor em algumas cadeiras para exemplificar. se estava a meio curso do Atlas Nacional do Brasil e de uma série de Atlas como o do Ceará. elaborando cartogramas. terceira turma... Cartografia. como estagiário exatamente em janeiro de 68. não na Cartografia.. Recursos Naturais..Os Diretores O segundo grupo de depoentes foram alguns diretores que gerenciaram as áreas onde a Geografia se localizou.. eu digo que tive uma visão privilegiada.... Cartografia/Geodésia e Meio Ambiente.Professor Mauro pode começar a contar um pouco da sua trajetória pessoal e funcional dentro do IBGE ? “ Bom.naquela ocasião e tive o privilégio de ter alguns professores geógrafos de grande expressão. uma coisa bastante desconfortável durante muito pouco tempo. que tiveram cargos de alta direção no período do CNG. Geografia.. O primeiro depoente foi o engenheiro cartógrafo Mauro Pereira de Melo... cartógrafos de boa expressão no IBGE como Rodolfo Pinto Barbosa e Ari de Almeida e os grandes geógrafos do IBGE que .. do Amapá. como Miguel Alves de Lima e Speridião Faissol.. e no projeto do Atlas Nacional também. a turma que saiu em 70. inclusive. no caso da Geografia do Brasil.. participando desses diferentes projetos. ainda tive o privilégio de cursar Engenharia Cartográfica com um curriculum que era denso em geografias. que dão o perfil atual das Geociências na agência. e participaram das políticas de integração das áreas de Geografia... A Gestão de Mauro Melo na DGC ..... Atualmente Mauro Melo é professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e na UERJ..

.. quer dizer.... papel... na época o Projeto Radam Brasil estava totalmente desassistido a ponto de ser definida sua extinção no final do Governo Figueiredo. Flávio Pécora. em que se rediscutiu o IBGE como um todo. quer dizer. e me vi envolvido profundamente com. aliás no Bico do Papagaio na região de Xambioá em 1974 com a equipe da Quarta Divisão de Levantamento de São Paulo onde estava lotado e participei dos projetos de cartografia ao longo da década de 70... Na ocasião através do Presidente da Comissão o Pécora.. naquele momento até com entidades externas ao IBGE. para a fazer a pós graduação.... tinha muito pouca visão geográfica. participei do grupo que implantou a estação de recepção da imagem do primeiro satélite de sensoriamento remoto.. na área de Geodésia. e nós vimos na aproximação com o DEGEO principalmente na elaboração de Atlas uma reaproximação da cartografia com a geografia. na definição do Sistema Geodésico Brasileiro e treinamento de equipes para astronomia.... onde se perdeu a visão geográfica da cartografia e a formação cartográfica se voltou mais para a questão cadastral. todo mundo sabia que era um . aquela formação anterior de meados da década de 60 até o final da década de 60. fui Superintendente ao final da década de 70 até assumir a Diretoria de Geodésia e Cartografia no início de 80. já de longa data... também com a Cia.. Eu acredito que isso voltou a colocar um pouco a cartografia num eixo geográfico. comecei a trabalhar efetivamente com cartografia. muito pouca participação até da geografia e mais da cartografia e logo depois os Atlas estaduais que estavam contratados e precisavam de um apoio maior como Maranhão. Piauí. e foi num momento crítico para o IBGE. realmente foi uma temeridade absorver um projeto dessa importância naquele instante em que nós não tínhamos nem claro que papel ele teria num novo IBGE. quer dizer. Vale do São Francisco. a visão do engenheiro geógrafo do século anterior... Desenvolvimento do Vale do São Francisco. fui trabalhar numa Divisão de Levantamentos que estava sediada em São Paulo. A grande oportunidade que nós vimos em avançar nesse sentido foi com a absorção do Projeto Radam. medição de bases... quer dizer.... Superintendência de Geodesia onde posteriormente.participaram desses projetos.. a tarefa foi também uma visão privilegiada em termos de IBGE..... já na década de 70..... Como foi o caso da EMBRAPA na Região de Carajás. e tivemos a felicidade de realizar alguns Atlas. eu não sei precisar na década de 70..éramos chamados de caixa preta e tudo mais. que veio a se transformar no Landsat e os estudos primeiros de aproveitamento de imagens. no momento seguinte. onde as preocupações básicas eram concluir o levantamento gravimétrico dessa área... fui no momento seguinte para o INPE e aí outra felicidade. nova visão geográfica e algum envolvimento com alguns mapas temáticos... ela foi rompida num ponto qualquer...” No depoimento do Edson Nunes ele coloca bem as dificuldades que foi de entender qual era a escala do Radam...... fui para a área de Geodésia. interferimos.. A todo instante buscamos uma aproximação com a área de Geografia até porque os Atlas estavam incluídos na programação de trabalho do DEGEO e víamos aí uma oportunidade também de crescimento do próprio pessoal da cartografia... porque éramos as primeiras turmas a entrar na Amazônia com objetivo de mapeamento mais preciso.. organização e tudo mais.. a nossa tentativa ganhar uma aproximação maior da geografia até no sentido de reforçar a questão do papel do IBGE que era até todo instante questionado. a intenção do Governo era realmente extinguir o Radam. através das Divisões de Levantamentos... Ao mesmo tempo que eu me enriquecia naturalmente com essa participação em termos de geografia. ele conseguiu reverter esse quadro produzindo um Decreto que transferiu o Radam à Secretaria de Planejamento e num segundo momento estudar absorção por parte do IBGE. quando nós interferimos através da Comissão de Cartografia. quer dizer.. quando de meu retorno ao IBGE. O cartógrafo..... no Governo Sarney é que veio acontecer a oportunidade de absorver realmente o Radam... houve uma regressão aí em termos da visão cartográfica. supervisão e lidando naquela ocasião com algumas tecnologias também de ponta. a SUDENE e aí saiu o Atlas do Nordeste... Roraima. fui para a área de Geodésia.. isso já veio acontecer no Governo Sarney.... nesse período da década de 80. e a entrada do mapeamento na Amazônia que era o grande desafio que nos acuava. o mapa regional do Nordeste nesse processo. quer dizer..

.... evidentemente.. tentando costurar o binômio natureza sociedade de uma forma mais integrada.. no âmbito do Projeto Nossa Natureza.. mas foram situações de cunho pessoal. “ Periferia de Carajás é último. sob a ótica da geografia e sempre buscando esclarecer essas interfaces entre os diversos subsistemas que compõem a natureza e a sociedade. aí.A experiência de Carajás.... você tinha o Alfredo na geomorfologia eram poucos os especialistas.. mas eu acho que foram um marco... foi interessante . quer dizer... 87 isso tudo correu a reboque. não se tinha naquele momento ainda. a SUPREM não tinha uma organicidade naquele período. O que buscávamos era exatamente uma integração maior. uma escala intermediária......” . no contexto mesorregional. não na forma que vinha sendo tratada no IBGE em termos de SUPREN que eu acho que tinha muito pouca valorização da visão geográfica. trazendo inclusive algumas tecnologias novas já voltadas para geoprocessamento..... correu a reboque não... fruto de conflitos no DEGEO.. o exemplo do grupo do Orlando Valverde. os diagnósticos territoriais eram todos com viés ambientalista .... e não uma decisão estratégica..grupo muito importante e pessoas muito qualificadas e ninguém conseguia entender escala da junção de Radam com IBGE qual era a possibilidade.... “Exatamente. funcionasse como um catalisador dos interesses dos geógrafos e houvesse uma aproximação maior entre a área humana e a área física numa geografia de integração...... tínhamos de adquirir essa experiência em termos de Amazônia..E haviam muito poucos geógrafos que pudessem fazer... principalmente da exploração dos elementos da natureza. até como uma forma de costurar o pensamento humano. “ O que nós buscávamos ali era uma valorização da visão ambientalista da geografia. para o final do ano de 86... PMACI I e II que monitoravam a ocupação ao longo da BR 364 e controlavam as áreas indígenas de Rondônia e Acre.” .” Que aí foi uma tentativa de tentar trabalhar uma escala dentro da Amazônia. houve a construção daqueles quatro módulos iniciais que foi Xingú-Iriri. “ Foi um desafio. houve uma tentativa da adaptação do Aluísio Capdeville Duarte que era um geógrafo da área de regionalização. da questão dos Recursos Naturais......pois inicialmente. mas ao mesmo tempo também tentar fazer o que o Projeto Radam. Roraima e Periferia de Carajás..... correu distante daqueles nichos que se discutia a criação de uma área de ambiente no âmbito da área da SEPLAN o que veio ocorrer em 87. não só da área de Recursos Naturais. quer dizer..... o discurso holístico que veio perdurar já pelo meados...” . também foi resultado de conflitos de poder no DEGEO.do início dos anos 80...... A grande vantagem que tivemos com a absorção do Radam foi a oportunidade de sentarmos à mesa de discussões com uma proposta concreta do ordenamento territorial integrado. físico..” . nós absorvemos nessa época a idéia de integração. você tinha o Nimer como um líder de climatologia. a experiência Projeto Nossa Natureza... Eu acho que os diagnósticos deram um pouco mais de trabalho inicialmente em escala Brasil. esses trabalhos foram importantes.” Houve até umas escalas interessantes.Quantos projetos foram desenvolvidos naquele período ? “ Tivemos o ZOPot zoneamento de potencialidades. a objetividade ao trabalho que era feito na área da SUPREN.. Rio Negro-Uatumã. do César Magalhães que era especialista de energia.... eu acho que o Radam veio e deu organicidade.

.” “ E aí Schmidt é bom deixar claro que o grande sinalizador disso tudo foi um projeto desenvolvido no âmbito do DEGEO ainda isolado. Eu acho que ele ficou interessante. “ Eu digo que essa linha.... a parte de agrária. embora até hoje não tenha sido plenamente entendido....... ele me serviu muito... é o mesmo processo da amostragem na estatística.000 e aí você não vai conseguir cobrir o Brasil todo rapidamente. Esse texto...” . antes do discurso neo-liberal do planejamento indicativo e do planejamento determinativo dos militares da fase anterior.... decenais. pois abrangeu todo o país. “ Na área de planejamento.. principalmente na questão de poluição local de Manaus em função da industrialização..... Quando você lembra o Nossa Natureza.Porque ele organizou um quadro de referência importante. ainda Diretoria Técnica que foi Brasil: Uma Visão Geográficados anos 80... o nosso problema é que a área governamental ainda não se percebeu a importância daquele tipo de abordagem.... dali era possível fazer muita coisa.. por exemplo... “ Sim.. é um tipo de trabalho que deve ser repetido.. Ele foi um inspirador nessa linha de trabalho..... a questão da poluição em função de uso do solo. analisar alguns problemas em determinados segmentos.. ela dava a sinalização para políticas regionais.... não fazia sentido ir à escala maior..... está tudo lá.. para trabalhar no módulo de Rio Negro-Utumã. até hoje orienta pesquisas no terceiro grau. é um trabalho que realmente acho que não foi entendido... foi escolhido para a tentar essa aproximação entre o pessoal do Radam e do IBGE.. não era um instrumento clássico para planejamento. com isso.Claro. mau uso do insumos no campo. aquilo ali deveria ser cíclico. se evita a história do sistemático quebradinho. 1:100. isto é de 1:50...Teve diagnóstico Brasil também.....000. “ Isto tudo num processo único. foi aí a ruptura que nós tentamos fazer naquele instante. mas ele deveria ser até para a dar uma avaliação das políticas......... relação política de governos anteriores. pois eles sempre trabalharam dentro dessa característica do levantamento sistemático em nível local... como o Brasil lá fora... aquela forma de acordar o Brasil. por exemplo. “ Exatamente..Renda familiar com poluição.” Plenamente valorizado como deveria ser... “ Eu acho que foi o primeiro trabalho que juntou renda familiar com poluição.... ele orienta as pesquisas de ocupação do território.. a área acadêmica dá o valor merecido. etc.. com industrialização. problemas da regularização fundiária da década de 70 a 80. há ciclos qüinqüenais.. visão nacional.” Analisar algumas conjunturas.. principalmente na área governamental....” ... ele foi uma tentativa de mostrar a esse pessoal que havia um limite de escape. que é muito difícil de trabalhar na escala de Brasil..... foi o primeiro trabalho na escala de Brasil que apresenta uma preocupação com poluição... quando a escala menor muitas vezes poder resolver seu problema. eu vivo repetindo para a eles ainda hoje que essa abordagem deles leva ao dilema de Jorge Luís Borges vai em escalas cada vez maiores até chegar em 1:1 e a informação se torna inútil para muitos e apenas relevante para uns poucos... e aí poluição vista num nível mais geral. quer dizer.” . quando nós . o Diagnóstico Brasil foi um marco nos trabalhos...... início da década de 80. uso de defensivo agrícolas. Percebo que este era o grande problema que incomodava o pessoal do Radam.. ali nós estávamos buscando modelos para a definição de políticas regionais.

..... geografia oficial de estado é uma coisa...regional. porque o governo precisa daquele pequeno período de tempo que é. ele precisa daquilo para a responder alguma coisa ali.......” . porque cada área dessa apresentava problema distinto no contexto da Amazônia.. “ E o que possa ser pedido hoje. quatro anos. ele pode dar uma informação trabalhada. na verdade. e eu acho que não... ele subsidia planejamento...Ele informa. você tem uma preocupação muito grande com a palavra geografia oficial e não é geografia oficial o que é feita pelo governo? Eu respondi...Coisa que o governo precisa. ou no próximo.... e colocar a coisa numa visão pragmática também. ou para o militar. como é que você vê a Diretoria de Geociências para o futuro ? . certas informações serão sigilosas pois são são informações estratégicas. de querer ver o IBGE como uma organização social.. no de Juscelino. porque uma organização social é essencialmente privada. exatamente. ele passa..... não como uma agência do estado. já era uma espécie de pré zoneamento..” ... nos governos da era militar.. não é governo..... ele não é uma agência de planejamento.. mas para o grande capital. o trabalho apresenta situações muito semelhantes.. isso que é chamado geografia oficial. quer dizer.” Não é governo de fulano ou de um partido. ele pode dar informação bruta. é uma agência de subsídios a planejamento.... Collor..aproveitamos aquelas quatro áreas do zoneamento no Projeto Nossa Natureza.. é uma situação diferente.” Bom. depende da ênfase que se dá a expressão... agora a conotação que se deu.. e nos períodos posteriores. ele pode fazer um diagnóstico. na medida que ela efetivamente em algumas situações ocorreu porque éramos um órgão do governo foi assim no período do Estado Novo. etc.. etc...... estatística oficial na verdade é aquele conjunto de informações que eu chamo de estratégicas básicas para informar os processos de gestão do estado.. é subsídio ao planejamento da máquina de governo.. um trabalho específico. na era Sarney. Embora muitas vezes eu sinto um choque ainda quando alguém ainda fala de geografia oficial como uma coisa fascista. ele subsidia planejamento. o IBGE é e continuará sendo uma agencia do governo federal e servirá à sociedade brasileira via estrutura de governo... “ Na verdade... mas ele não planeja necessariamente .Para não ter de reinventar a roda. O IBGE..O que possa ser pedido hoje ou daqui. grupos privados estarão dispondo de uma informação antes dela estar disponível..” .... um professor na banca de qualificação argumentou que: mas afinal de contas..... é que era uma geografia feita não para a sociedade..” Essa foi uma expressão muito marcante na década de 80..” . três anos. então elas foram selecionadas até para se ganhar tempo no processo de domínio do trabalho... “ Exatamente. cartografia oficial.. e que eu não consigo inclusive ver tantas diferenças entre o que Geisel pediu numa determinada situação ou o próprio Itamar possa ter pedido em outra..... que representa a sociedade..... “ Ele informa todos esses processos.. virou um xingamento. para o estado. “ E aí se leva à distorção de hoje.. É um equívoco isso. ele dá dados.

... dos indicadores de qualidade de vida e um eixo de indicadores sociais mais coerente com as questões ambientais.. quer dizer. é ela que faz determinado tipo de pergunta. e aí é trabalho sistemático mesmo.. que é o movimento DERNA. a visão da dinâmica e aí completa o território. a recuperação desses três idiomas... de informações dessas áreas para combinar com os processos naturais. “ Para a produção das estatísticas objetivas. é preciso produzir estes indicadores de qualidade de vida ligados às estatísticas ambientais.” .“ O modelo geociências de nosso período teria de ser mudado..... é a ligação entre o que se gostaria de que fosse perguntado.. eu redesenharia o IBGE com essas duas Diretorias e uma terceira ocupada exatamente com a questão Levantamento e Produção Estatísticas......... o território na sua dimensão espaço geográfico organizado acontecendo no tempo.. “ E fortaleceria gradualmente um nicho de geografia da população aqui nesse grupo e aos poucos ir roubando a parte de demografia para este contexto.... agora as análises .... as respostas de média moda e variância tem que ser dadas pelo esse grupo de demografia.... e o custo que isto implica. portanto.. com isso. ela conseguiria respostas melhores no sentido das estatísticas ambientais.. para a mim ela é mais geográfica.Os dados que servem para esse tipo de trabalho. porque a análise geográfica baliza isso melhor do que análise estatística . sistematize esse conhecimento entre demografia e espaço. hoje ainda o corte é muito temporal........ vamos chamar de espacial no sentido que vem sendo dado hoje.. até porque a área lá do DEISO eu não sei qual é o nome hoje...... quer dizer. ele não tem condições de funcionar no ambiente de hoje..... não é um retorno ao passado. pela inserção do indivíduo no meio no ambiente físico perfeito.” “ Em suma o que eu gostaria de resgatar são as três linguagens básicas que dão conta da questão territorial.. “ O que eu digo é que seria recuperar a idéia da geografia da população...” Como ficaram os estudos de estatísticas ambientais. aí. para que essa visão social não fique deslocada do ambiente... e levanta o custo desse tipo de pergunta.” -Bom..... e para isso ser medido. Estatística e Indicadores Sociais. ........ “ Isso ainda não aconteceu até agora.. mas percebo que é importante manter um núcleo que acumule. ficamos na velha antropometria. eu teria isolada essa parte de Recursos Naturais... Geografia. se ela efetivamente vale a pena...... o IBGE não consegue levar para frente pois necessita de muitas outras visões... eu não vejo na Geociências hoje. mantendo as questões das estruturas setoriais vinculadas a esse núcleo cartográfico e faria um outro movimento... eu tenho impressão que esse nicho garantiria à geografia um grande papel. que é a qualidade de vida apenas vista pelo ângulo do saneamento e da salubridade da população... quer dizer. a questão do território enquanto uma dinâmica temporal que é o caso da estatística e a dinâmica do território do ponto de vista espacial.DEISO hoje está na área da Demografia... quando na verdade. do que é efetivamente levantado e usado pelos usuários.... isso é que precisa ser produzido a médio prazo..... a visão do território enquanto modelo gráfico. teríamos que ver a questão da qualidade de vida... que. DEGEO e a área de estatísticas sociais... lembremos que a demografia é quem planeja o Censo Demográfico.. eu optaria por um outro modelo... é que dará realmente a visão territorial que cabe a um órgão como o IBGE produzir.” ......... Um problema semelhante se dá com a pesquisa de Padrão de Qualidade de Vida.isto é um corte seco no tempo que é o que caracteriza exatamente a linguagem estatística.. mas eu voltaria a isolar a Geodésia e Cartografia... organize. se me fosse dado alguma decisão nesse instante. não vejo nesse momento espaço para a eles nessa forma... veja bem..

e perdendo. sem bem que a experiência de Sérgio Bruni tem uma forte componente nos segmentos dos estudos botânicos. onde está até agora. que foi terminado na gestão Simon Schwatzman. Foi a primeira experiência de um administrador público numa área técnica de Geociências.Gestão Sérgio Bruni na DGC O próximo diretor a dar o seu depoimento foi Sérgio Bruni. isto é em gerenciamento desses segmentos. A rápida passagem de Minciotti no IBGE (nove meses apenas..mas granjeou-lhe muitos inimigos em outras diretorias. foi importante. O INPA foi criado depois do Goeldi. pouco depois eu fui trabalhar no Museu Emílio Goeldi onde fui vice diretor. Meio Ambiente. que prepara o ambiente computacional para a geração dos bancos de dados e a posterior classificação das hierarquias de redes urbanas e do mapeamento final. ele passou em algumas áreas de conhecimento. Geografia.. Gostaria que o senhor descrevesse sua carreira até sua chegada no IBGE “. na Escola Brasileira de Administração Pública e meu primeiro emprego público foi no CNPq. Ministério da Educação. naquela ocasião fui supervisionar os estudos sócio econômicos do CNPq na Amazônia isso durante cinco anos e isso já como supervisor do para programa do CNPq para a Amazônia.. Jardim Botânico. projetos de atividades científicas.. administrador público da área de ciências. não sairia se a influência de Sérgio Bruni sobre o presidente Minciotti não fosse forte. projeto caro e de logística bastante complexa pois interage diretamente com a rede de coleta. muito tempo depois. evitando assim futuros conflitos entre departamentos e incentivou a ampliação de diagnósticos integrados. a se sobressair muito mais do que o próprio Goeldi.. Sérgio iniciou um processo de equilíbrio de poder entre essas áreas. Cartogarfia. em dois anos no Museu Goeldi foi um experiência muito rica porque eu saia do CNPq de uma situação macro da Amazônia onde era cômodo.. além dos problemas inerentes às unidades regionais sediados em alguns estados). dificuldade de contratação de pesquisadores e até dificuldade no seu relacionamento entre o governo Federal. E se o presidente não vislumbrasse o REGIC como um projeto típico de ampliação de mercado para o IBGE no campo dos subsídios às consultorias e governos municipais. porque eu simplesmente avaliava o programa.” . porque o Goeldi realmente tem coleções . com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. Instituto de Desenvolvimento Florestal... principalmente durante a saída de Eurico Borba e na conseqüente gestão de Sílvio Minciotti. não no que tange as coleções. no caso do próprio CNPq. Um projeto dessa magnitude. Sua atuação no Conselho Diretor ... mas em alguns momentos.. como forma de acelerar essa integração interna. no Instituto Nacional de Administração Pública e depois aqui no Brasil na Fundação Getúlio Vargas. com experiência no CNPq. Foi durante essa gestão que Sérgio Bruni incentivou o processo de implantação do projeto de Regiões de Influência das Cidades. pois desincompatibilizou-se com o serviço público para candidatar-se a deputado federal pelo PSDB de Santo André.. através de seus chefes de agências que respondem às questões concernentes à pesquisa. quando Sérgio também já havia saído do IBGE e retornado à presidência do Jardim Botânico. Museu Emílio Goeldi. e peguei o estudo num momento de grande dificuldade econômica.. o primeiro presidente do IBGE vindo da iniciativa privada.. interage também com a Diretoria de Informática. Após o período de adaptação e de entendimento da complexa heterogeneidade das diversas áreas de especialização da casa (Geodésia..Isso em que época mais ou menos? “ Isso em 83. foi trabalhar na direção da FEPASA em São Paulo) não impediu a continuidade do projeto.Eu fui estudar economia em Brasília e fiz pós graduação na área de administração pública na França.. concurso 1976 se não me engano e entrei como analista Júnior no CNPq..

mal ou bem de algum maneira eu conhecia o tipo de trabalho feit... não tinha nenhuma idéia de levar uma estrutura de fora para a operar numa organização tão complexa. uma política de qualificação de recursos humanos. foi um embrião o CONAMA. etc... quer dizer. passei alguns anos lá no IBDF e foi uma experiência muito interessante porque a gente criou um colegiado composto também por professores universitários. se tivesse um Diretor Geral que ficasse mais com a relação política... então. tinha a área de Geografia.. mas na capacitação de pessoal..... eu aceitei o desafio... e pudemos enviar para o exterior diversos pesquisadores.. as pós graduações oferecidas. primeiro para a entender se eu teria algum tipo de competência para a entrar naquela questão....... e fui trabalhar na DGC. porque essa vice diretoria acabava de ser criada e eu fui o primeiro a ocupá-la. conhecia a literatura.. se iniciava naquele momento com grande esforço. e a área de estruturas territoriais na verdade era uma área de suporte a Censo e a base de dados geodésicos era uma mais operacional.. então foram dois anos muito interessantes onde pude inclusive participar de uma reformatação do Goeldi para a estrutura que hoje ele tem. onde tanto no Goeldi ou no próprio MEC.... estruturando melhor o Departamento. e a primeira medida que eu tomei foi pedir a todos os chefes de Departamentos que ali estavam.As relações com o esquema internacional de pesquisas. muito ligado ao então Presidente José Sarney e isso facilitava muito a operação se pode estruturar uma série de projetos novos. a articulação no setor empresarial. era uma questão pessoal. eu fui ser diretor do IBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal hoje extinto.. depois eu fui para o MEC. representantes de organizações não governamentais que passaram a orientar a ação da Diretoria. os demais permaneceram e um coisa que eu . criando um Centro de Documentação da Amazônia.... Bom....... variação de novos projetos etc. então foi uma experiência muito interessante.... nesse período então Eurico Borba recebeu convite do Ministro Marcílio Marques Moreira para a assumir a Presidência do IBGE e me convidou assumir a Diretoria de Geociências.. naquele tempo já se fazia aquele sistema. mas na geodésia eu desconhecia o tipo de trabalho. quando iniciou então o governo Collor eu pedi demissão do Jardim Botânico fui ser professor da Escola Superior de Guerra e foi criado então uma disciplina que era Ciência Tecnologia e Meio Ambiente onde eu fiquei como responsável por uns dois anos.. “ Exatamente.. no próprio CNPq. após cursar a Escola Superior de Guerra fui dirigir o Jardim Botânico...... felizmente a maior parte atendeu. então na verdade a relação que se pretendia naquele momento era que tivesse uma vice diretoria que fosse a vice diretoria executiva.. na cartografia eu era usuário..... de forma que pela primeira vez o CONAMA/IBDF pode ter um colegiado onde os diversos seguimentos que trabalhavam no setor vegetal podiam opinar. e capacitação... depois dessa experiência e de outra na Secretaria de educação e Cultura de Roraima.. a espinha dorsal do IBAMA. então foi um trabalho muito interessante.. que permanecessem em seus cargos. pesquisadores de institutos de pesquisas........ para o Ministério de Educação eu fui ser subsecretário de primeiro e segundo grau quando o Marco Maciel assumiu passei um ano e meio trabalhando basicamente com educação básica.... tinha área de cartografia e geodésia. eu pedi a ele que a documentação que ele tinha sobre o assunto. familiar.. um só por uma questão pessoal que era o Túlio que era o Chefe da Cartografia já estava acordado com a presidência ida dele para Porto Alegre. o que hoje o CONAMA faz na escala de Brasil.. foram pouco mais agressivas.. hoje IBAMA.. já no Rio de Janeiro. se estruturou o laboratório de produtos florestais do hoje IBAMA. ele me passou os dados e as áreas que estavam na Diretoria eram áreas que tinham uma certa proximidade com que eu já havia gerenciado.. o Goeldi era um Instituto mais clássico. de captação também de recursos. operacional da Divisão.. Recursos Naturais e Meio Ambiente onde eu trabalhava a cerca de vinte anos... uma área de função técnica científica que não se tinha. por exemplo..fantásticas não se pode comparar.” .. foi uma experiência muito interessante. acoplando um Departamento hoje de Museologia que não se tinha na época. Posteriormente.. mas nunca trabalhara..... o Presidente na ocasião era o Jaime Santiago que era um economista sergipano de muito bom nível.

.....” ... “ Exatamente..... eu acho que era um ponto importante..a ponto do próprio mapa de áreas de conservação ambiental da Amazônia ter sido lançado na sala de trabalho do presidente da República. “ Isso. os programas aprovados pela Diretoria. e tal. que se observava claramente.. a ênfase absoluta era o Atlas que era relevante... na minha avaliação. e com reportagem especial no programa de TV Bom Dia Brasil. “ Também dentro do IBGE.. mas não havia uma real integração das regionais de geociências aos departamentos da sede. e tentar dar uma balanceada nas dotações dos departamentos.. isso.. e é um problema antigo. mas dentro do IBGE.etc. mas você chegou no ponto justamente de transição.. houve reuniões com os Secretários de Estado de Planejamento e de Meio Ambiente. o primeiro foi instituir reuniões de colegiados. diversos produtos foram amplamente divulgados.... o livro Geografia e Meio Ambiente e a Questão Ambiental no Brasil terem sido lançado na Reserva do IBGE com o Ministro do Planejamento presente.” ... quer dizer.. tinham textos prontos com cinco anos de espera para editar.. se deu realmente uma divulgação muito grande à DGC.. a tentativa de se fazer um pouco marketing institucional.... eles sempre tiveram unidades regionais importantes... este choque de filosofia de trabalho criou muitas dificuldades entre a DGC e o pessoal do Radam lotado nas regionais.... quer dizer.. e com isso. com a chegada do Projeto Radam...E dentro do IBGE também... outra coisa que me preocupou muito foi o atraso do cronograma de publicações. era um desconhecimento muito grande... era a modernização tecnológica da cartografia...um ponto que foi muito importante...... E aí tinha um situação que historicamente sempre foi um complicador. que tinha objetivos muito mais macros. era o pouco que se conhecia dos trabalhos da Diretoria de Geociências externamente ao IBGE.. de uma certa maneira o pessoal do Radam lotado no Rio conseguiram minimizar essa situação. só que a DGC tinha outras linhas de trabalho.... enfim. então as primeiras ações enfocaram dois pontos básicos.se não começássemos a encaminhá-los iam ficar obsoletos......mas fora.....” Isso ainda é problema muito sério no IBGE. na Bahia quando se lançava lá a Bacia do Paraguaçú. as áreas de editoração numa Diretoria e a área de publicação em outra. e era um projeto bem dispendioso. na minha avaliação.. na própria área de Geografia de Recursos Naturais........ a segunda foi valorizar mais as unidades regionais que estavam.. então é um negócio extremamente complicado de se definir prioridades........ que claramente estavam em baixa prioridade.... A DGC estava com muitas dificuldades de serem editoradas e impressas na própria gráfica do IBGE os frutos de suas pesquisas... não que não fosse relevante...... pois são áreas situadas em diretorias diferentes.. por exemplo. a tradição de áreas regionais em cada estado na estrutura do IBGE era na área de estatística e não na área de geociências... as áreas de produção.. a estratégia que se montou foi de se tentar criar uma pequena estrutura de suporte de comunicação para não depender da comunicação da Presidência do IBGE. mas eu achei que tinha que ser dado um certo balanceamento as demais áreas. mais ou menos alguém já sentia um vasos comunicantes já se estruturando.. agora. e o processo de autonomia foi cautelosamente incorporado......em posição muito secundária.....defrontei no primeiro momento.. e isso era completamente fora da tradição da antiga geociências que possuía uma estrutura muito centralizada nos departamentos e no diretor.. era que o eixo grande da política da DGC naquele momento...... eles tinham o orçamento. Essa valorização foi possível graças ao empenho do Ministro do Planejamento o Beni Veras que garantiu os recursos financeiros para esta equalização da diretoria. eram unidades quase autônomas para decidir determinados tipos de trabalho com governo local etc. dentro da Diretoria... coisa que o IBGE tem muito pouca. importante ninguém nega o mérito.

porquê não o IBGE se dividido em duas grandes áreas. uma visão de que o CDDI.... ninguém melhor do que o Instituto . talvez fosse o grande momento de ter se criado o Instituto de Geociências e eu iria o seguinte: seria hoje um dos grandes institutos brasileiros.. pois cobre da Geodésia à Geografia.. pois mede as nove áreas metropolitanas e mede mais de trinta mil produtos.. etc.Tinha sido usuário de dados e também produtor. onde eles operassem consorciadamente em determinadas vertentes.. eu acho que foi um erro histórico meu.o índice de preços do IBGE ele é efetivamente o melhor índice de preços do Brasil... para o bem ou para o mal. tem tudo montado. quer dizer.... porquê? Primeiro.. de empresas que se utilizavam dos dados” .. porque eu achava que o IBGE tinha acabado de entrar num plano de carreira de ciência e tecnologia.. eu era contra naquele momento...... então eu acho que quando a gente tem uma visão pouco mais distanciada do teu objeto... naquele momento.. ele tem um produto integrado que nenhuma outra instituição brasileira pode ter.. um convênio... dois grandes Institutos... eu diria hoje o seguinte: passado bom tempo. Instituto Nacional de Geociências e o Instituto Nacional de Estatística por exemplo.. o Presidente havia mudado. “ E pouco interesse. mas também era um doutor na área de gestão.. pois ficou durante muito tempo sem uma explicação para a dentro da Casa e para a fora..... você pode analisar melhor... tinha uma visão completamente distinta.... então efetivamente ele é o melhor... deveria vender produtos de uma maneira correta a nível de mercado e que esse lucro deveria ser reinvestido na produção das atividades de divulgação dos produtos da Instituição... da área de Estudos e Pesquisas muita gente ainda que não gostou da atitude do Isaac de ter trazido índice de preços para o IBGE. mas ainda tem pessoas em postos de decisão na casa que acham que o IBGE deveria só fazer Censo. não diria só inexperiência não. “ Com certeza.Muito pouca experiência disso.. tem gente. as greves. “ Exatamente ele vinha com a visão crítica por ser usuário de determinadas vertentes da própria Instituição.. por que o índice nos coloca na imprensa todo os mês.. você tem mesmo dentro da DPE.. então naquele momento o próprio Sílvio me perguntou isso.. Terceiro.. e tal. além do que ele poderia servir de suporte à Instituições Governamentais e Instituições privadas. porque ele tem infra estrutura toda. Segundo. etc. continua sendo hoje. tem recursos humanos de bom padrão. mas tecnicamente ele é o melhor índice. tem um capacidade instalada que ninguém instalaria do dia para a noite. e terem um protocolo de intenções.... pode-se criticar os tempos de inflação.. vou lhe dar um exemplo: o IBAMA tem uma meia centena de Parques Nacionais. quer dizer.. cada dia mais políticas nacionais e mesmo ditames internacionais tratam da questão de desenvolvimento sustentado.. por exemplo..a área de Geociências tem tudo que se poderia tratar desse instituto em nível de total qualidade.. se tiver três ou quatro que tenham planos de manejo vigentes são muitos...” Aí tem também uma outra questão de tradição da Casa. um grande consultor de empresa em São Paulo....... num determinado momento algumas pessoas.... a mostrar seus trabalhos. uma visão completamente distinta. ele mede melhor o movimento de consumo da população urbana. eu não acho que é o mais adequado. pessoa que acompanhou o Isaac. etc. o ex-presidente Eurico Borba era um conhecedor histórico do IBGE. essa área de Geociências começando a mudar.... Portanto. etc.. ele era um grande gerente. Quarto. eu disse: olha.. que estava chegando.. um ponto importante também que me parecia era o Presidente da instituição entender o que se fazia intra muros na Diretoria.. isso ainda gera um propaganda negativa.. e todo esse acoplamento ao Radam foi muito positivo... já tem cinco anos que eu não estou no IBGE. e o Silvio Minciotti .. mais ainda do que se tem feito... alguns dirigentes da própria Diretoria de Geociências me procuraram. uma tradição negativa e que é o seguinte: não gostamos da imprensa.. que se poderia até se especializados em determinadas vertentes... a melhor cobertura de pontos de venda..

eu ficava preocupado. o grupo era muito hermético. não pode ficar na mesmice. mas não consegui êxito.. eu tentei com retumbante insucesso. com muito mais operação. era muito fechado...... quer dizer. o IBAMA não entrou.” .. isso faz uma volta ao ciclo. grandes mudanças ocorreram tanto no corpo técnico que planejava as pesquisa. “ Exatamente. que em termos teóricos é perfeitamente lógico... nada novo os empolgava.. eu participei das reuniões.... procure o IBGE. que poderia realizar isso. e em termos de política de pessoal... Parque Amazônico. ele estaria o quê? Formando equipes..O gerenciamento poderia ser feito pela área local de Belém. que se dizia que o . os seus Conselhos Diretores... mas se você não tivesse essa aderência à rede .. formando grupos...... só se teve efetiva fusão em 67 com a Fundação IBGE na gestão do Aguiar Aires e depois na do Isaac. o segundo ponto é que havia também um dificuldade um pouco grande porque na ocasião a Diretora de Pesquisa do IBGE era uma pessoa muito difícil de você se relacionar. chama alguém da Universidade do Amazonas. esse era um dos inúmeros problemas que somente foram resolvidos com a gestão do Simon. no que tange ao Projeto SIVAM por exemplo.” . quer dizer. mas esse era o primeiro ponto.. e efetivamente não tinha... da Universidade do Pará. meu Deus. então o quê acontecia? podia criar pesquisa novas.” .. O próprio Eduardo Augusto na gestão do Collor...Aliás.... talvez naquele momento.. de Goiânia.. e diga-se de passagem e o IBGE ficou quase fora também. várias aproximações sucessivas. da Amazônia. as vinculações entre DPE e rede são vitais.... A Diretoria de Pesquisas. hoje em dia as coisas mudaram... e nós deixamos passar.. o que me levou a não andar com essa idéia.. eles realmente tinham muitos problemas.... etc... fez uma mudança estrutural na rede de coleta.. como no caso Teresa Cristina. por exemplo.... participação da EMBRAPA.. “ Até regionais.... já que o Silvio colocava a questão para a discussão... a área de estatística naquele período... no pior momento que se podia fazer... na década de 40....Engraçado. com certeza ele estaria lá com outro status.Nacional de Geociências para ser o órgão... “ Pois é...... Conselho Nacional de Estatística e Conselho Nacional de Geografia. com muito mais força operacional.” ... nós voltaríamos ao que o IBGE foi antes. você falando nisso me lembra muito. e aí era aquele período já Collor.. é que nós acabávamos de entrar num plano de carreira novo Ciência e Tecnologia... que foi muito complicado.... mas você vê. mas aí a preocupação maior naquele período passou a ser estatística mesmo. quanto na rede de coleta..... não era possível avançar nos trabalhos. pegasse um Parque da região lá do Norte.. separados. duas estruturas... se você tem que conhecer o Brasil.. mas seria o mais capacitado para a tarefa no médio prazo. esse é um órgão com aquela história........ você tem que inovar. se você tem a base de dados que se tem.. o IBGE volta a ser único.. “ Complicadíssimo. Por exemplo eu sempre achei que a CPRM não tinha a menor infra-estrutura em relação ao IBGE em termos de interdisciplinalidade e de equipamento instalado para tentar adentrar com uma perspectiva de mercado...Montar uma política de plano de manejo específico só para o segmento de parques nacionais... o IBGE tinha isto na mão. não fazer os cinqüenta ao mesmo tempo. só que ele fez num tempo curto... o conhecimento do Brasil que se tem.. se ela não tivesse uma boa relações com a rede de coleta..... e se o Diretor..

porque foi no período Edson Nunes. criar novos. “ E eu peguei uma coisa mais grave ainda. isso sem contar o período que você enfrentou.. eu vou sair.. os companheiros dos Sindicatos conseguiram tomar um cafezinho com pão de queijo no Palácio Jaburu com o então Presidente Itamar Franco que através de assessores me determinou que abonasse o ponto e eu disse que não faria..... através do gabinete do general Romildo Caim determinava que cortasse o ponto e punisse com o rigor da lei. segundo.... mas pegou o período do Eurico.. “A Reserva é uma coisa interessante.... sem querer.. então quem atende o governo é punido. felizmente três dias depois eu fui substituído pelo Simon e pelo que eu soube foi abonado o ponto.... foi. quarenta e três dias depois. sendo Sérgio um profissional ligado à área Botânica.. começa num período de Edson Nunes. eu já havia dito ao Simon quando ele chegou que eu ficaria um mês... por pior que se tivesse. eu achava que se devia levar para um local de melhor acesso. a melhoria da própria rede física dos departamentos. nessa hora... um mês e meio que era o período que eu estaria vindo aqui para o Jardim Botânico. a Casa.... a existência da Reserva era um fato positivo em sua visão. bom. além do problema de alocação física dos departamentos de Geografia e de Meio Ambiente num mesmo local que garantisse a acessibilidade e a intercomunicação entre seus técnicos com relativo conforto.... mas havia sempre uma política que argumentava. em época de grandes contenções sempre vinha aquela história.... de você fazer realmente uma congregação de esforços em cima de um só objetivo operacional que era revisar os produtos antigos. Edson Nunes. eu sempre fui contra. o Collor vai chegar vai botar todo mundo na rua.. Alguns pontos de maior destaque foram a incorporação do RADAM.funcionalismo público deveria ser drasticamente enxugado.. a grave pela greve. levantou várias questões que interferiram em sua gestão ou que ele viu como importantes no gerenciamento da Diretoria de Geociências.. mas foi a única grande mágoa que eu guardei.. o negócio é completamente incoerente. eu acho que você pegou menos. eu achava que.” Sérgio Bruni. e não foi má intenção do Eduardo Augusto. o que eu achei assim muito produtivo nesse período. então o quê aconteceu? Quando você tem uma mudança pesada na rede... etc.. a maioria tomou a decisão. mais um razão para a que entenda o nível de problemas que a DPE estava enfrentando.... então a Secretaria de Administração Federal SAC. traz o povo para a Lucas........ estava negociando a saída do Jardim Botânico do IBAMA para a transformação do Instituto. com bom padrão técnico científico.. só que ela foi feita num período horroroso.. num nível lógico precisava haver uma reforma da rede. quer dizer... primeiro foi ter possibilidade de você operar com diversas vertentes e com perspectivas novas na Instituição e o trabalho da Reserva é um deles... então foi o período que eu fiquei. numa situação onde funcionários estão sem referência.. ou na posição do IBGE perante o grupo de institutos de pesquisa do governo federal. a manutenção da Reserva Ecológica do Roncador em Brasília (até por que.. pelo menos na Praça da Bandeira estaríamos num ponto mais ou menos focal.. terceiro... durante seu longo depoimento.. mandam eu cortar...) e a sua preocupação de divulgar sistematicamente os produtos concluídos. não pegou o período das greves iniciais. e tal. quebrou-se uma boa parte da rede de coleta... foi o seguinte: quando o Sílvio saiu o IBGE eu fui nomeado Presidente interino durante esses quarenta e cinco dias e quarenta e dois dos quarenta e cinco foram de greves..” . puxa. e apresenta-los enfim.

“ Que era um horror... temos mais doutores do que o IBGE que o próprio IBAMA junto. poderia ser ampliado com novas construções.. que ele acompanhou na gestão de Sílvio Miciotti.... que ele disse que até hoje o pessoal dessa comissão deve estar querendo mata-lo por ele ter forçado essa situação..... a única saída que se tinha era o próprio plano e carreira de ciência e tecnologia..... disse que até hoje ele tem essa questão apertada na garganta. como o Mauro Melo tinha suas prioridades focadas na cartografia.. mas o Eurico e Silvio... era de se tentar efetivamente melhorar um pouco a questão salarial que estava um horror.. era necessário que tivesse mestrado. serviços. universidades. um dado que ele deu para a comissão que estava avaliando.. e aí era de novo aquele negócio de prioridade... quem trabalhava...... eu sempre achava aquilo um absurdo. que aquele é um estudo que faz parte das atividades de regionalização que o IBGE tem de fazer dentre de sua missão institucional.. então aquilo é um tarefa institucionalizada.. é verdade.E aí era um problema. ele começou a ser feito em final da década de 60..... souberam conduzir com habilidade essas negociações... outra coisa também que era importante. quer dizer... doutorado.... mas aí era tanta burocracia para a se conseguir autorização para a se construir que não se avançava nada. mas havia estruturações anteriores que é uma. aí você vê. com a regionais também. depois com o governador Paulo Souza um pequeno terreno no centro administrativo....temos que tentar dar um jeito de concentrar esse IBGE num canto só..... “ E outra coisa. tinham grandes dificuldade. o local tinha espaço. comércio . outras dependências são alugadas....... conseguir levar um órgão de nove mil pessoas que só devia ter vinte doutores. é um negócio tão complicado... só é parcialmente própria.. de uma certa maneira tradição francesa de um francês chamado Miguel Rochefort que introduziu esse tipo de estudo no início dos anos 60. “ Você quer ver um estudo que eu achava que era fundamental... os dois tiveram méritos que a administração do IBAMA não teve.... mas era um local de acessibilidade muito ruim... o número de profissionais com Mestrado e Doutorado. não levamos nem um ano mas conseguimos....” Exatamente.. a sede do IBGE também....” Um outro ponto que Sérgio também lembrou foi a importância do projeto de Regiões de Influência das Cidades. e que não consegui levar.. e o IBGE tinha tão poucos. é claro que ele via como lógica toda a Geo