Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998

Por

Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Orientadora: Lia Osório Machado

Rio de Janeiro 2000

Almeida, Roberto Schmidt de A Geografia e os geógrafos do IBGE no período 1938-1998 / Roberto Schmidt de Almeida. – Rio de Janeiro : Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2000. 2v. Orientadora: Prof. Dra. Lia Osório Machado. Dissertação (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. 1. Geografia – História – Teses. 2. IBGE – História – Teses. 3. História oral – Teses. 4. Geógrafos – Brasil. 5. Formação profissional. 6. Geógrafos – Biografia. 7. Memória. I. Machado, Lia Osório. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título CDU 91 (091) GEO

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998:

Por Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Banca Examinadora

Professora Doutora Lia Osório Machado orientadora

Professora Doutora Maria do Carmo Galvão

Professora Doutora Marieta de Moraes Ferreira

Professora Doutora Lucia Lippi Oliveira

Professor Doutor Paulo César da Costa Gomes

Rio de Janeiro, RJ - Brasil

2000

Para os Geógrafos e os demais profissionais de outras formações, que garantiram a qualidade da Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ao longo desses anos. Isto é, aos que criaram o documento e guardaram a memória.

A memória alimenta uma cultura, nutre a esperança e torna humano o ser humano Elie Wiesel

Agradecimentos Desejo agradecer primeiramente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que, com sua política de aperfeiçoamento de pessoal, garantiu-me o tempo necessário para a conclusão deste trabalho. Política que o IBGE vem mantendo sistematicamente desde sua fundação e que resultou na alta qualidade de seus quadros técnicos, tanto em Estatística, quanto em Geografia, Geodésia, Cartografia, Economia, Sociologia, Ciências Naturais e Computação, áreas do conhecimento em que o IBGE opera direta ou indiretamente. No contexto da Diretoria de Geociências, desejo explicitar as pessoas dos diretores Sérgio Bruni e Trento Natali Filho que garantiram o suporte técnico para que eu pudesse me afastar das tarefas burocráticas e pesquisar as atividades da área. Agradeço também a paciência deles ao dedicarem boa parte de seus tempos nos processos de gravação de seus depoimentos e nas discussões preliminares a esses depoimentos. No Departamento de Geografia, onde trabalhei 29 anos, as figuras de César Ajara e Maria Luíza Castelo Branco, os dois últimos chefes de departamento, foram fundamentais na garantia das condições físicas de pesquisa para que este trabalho fosse concluído. No contexto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, a liderança de David Wu Tai foi importante no processo de viabilizar meu acesso aos acervos históricos do IBGE, inclusive, me garantindo duas viagens de pesquisa aos arquivos históricos do IBGE localizados em Brasília, na Reserva Ecológica do Roncador. Em Brasília, a amável acolhida de Iracema Gonzales, responsável pela Reserva Ecológica e Guiomar Almeida e Silva, do Escritório da Presidência do IBGE em Brasília, foi de grande importância, facilitando minha pesquisa. As figuras de Maria Teresa Passos Bastos, Edna Maria de Sá Morais, Regina Acioli e Josiane Pangaio foram incansáveis nas etapas de pesquisa de documentos e na editoração final da tese. Ao corpo de professores e funcionários do Departamento de Geografia da UFRJ, que me garantiram um estimulante ambiente de estudos, propiciando uma ampliação de meus conhecimentos nos estudos geográficos. Aos colegas pesquisadores do Curso de Mestrado em Memória Social e Documento da UNIRIO que me garantiram um intensivo treinamento nas técnicas de gravação de depoimentos em História Oral durante o trabalho sobre o Bairro da Urca, fundamental para o desenvolvimento de minha pesquisa. Explicitados todos esses agradecimentos, resta-me criar uma categoria muito especial de reconhecimento à minha esposa Sônia Rocha, economista que conheci no DEGEO, e com a qual casei-me em 1981. Até hoje, continuamos intensamente trocando conhecimentos sobre os mais variados assuntos, até mesmo geografia e economia... e no meio tempo, cuidando de nossa filha Monica e de nossos gatos, Gatucho ( já falecido) e Bali .

Resumo

A reconstituição histórica do conjunto de atividades levadas a efeito entre os anos de 1938 e 1998 por uma comunidade de pesquisadores geográficos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, é o principal objeto desta pesquisa. A relação entre Documento e Memória preside este trabalho, no qual documento expressa o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) enquanto memória exprime a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE. Essa relação esclarece sobre as diferentes conjunturas nas quais foi gestada a produção geográfica, além de desvendar os diversos conflitos de natureza política, científica, corporativa e pessoal enfrentados por esses geógrafos, ao construir o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O trabalho abarca um período de 60 anos, tendo como pano de fundo, os contextos político, econômico, científico do país que se desenrolam paralelamente a quatro constituições, vinte e dois mandatos presidenciais (vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves. Seguidas por alguns períodos excepcionais como o Estado Novo (1937 a 1945), da renúncia de Jânio Quadros até a queda de João Goulart (1961 a 1964), o dos governos militares (1964 a 1985) e o dos três governos posteriores. No campo do Pensamento Geográfico, a pesquisa rastreia as principais mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico influenciando, via escolas francesa, alemã e anglo-saxônica, nos principais trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.Finalmente, acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. De início, quando aliavamse à necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração, levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. Ultimamente durante os governos pós-militares na década de 90, quando a palavra transição tornou-se o mote principal, referenciada, tanto às questões científicas, quanto as tecnológicas, e a noção de crise, financeira e gerencial, passou a figurar prioritariamente nas preocupações dos legisladores e dos planejadores do aparelho estatal.

Summary The main objective of this research is the historical recollection of activities pursued from 1938 to 1998 by a group of geographical researchers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the largest government agency on territorial planning in Brazil. The relation between Document and Memory command this work. Document refers to what is printed (legislation, projects, reports and the geographers' intellectual production, as reports, books, atlas and articles), while memory relates to the personal experience of a group of professionals, through their taped and transcribed oral testimony, describing their trajectory in IBGE and explaining the conditions under which their geographical production developed. The work also narrates the many political, scientific, corporative and personal conflicts which arose during the development of the so-called Official Geography.The work covers a 60 year-old period, having as background the country´s political, economical and scientific events, thus paralleling four constitutions, twenty-two presidential mandates (twenty-one presidents and a military committee), as well as a succession of political crises, which led to some exceptional periods as the Estado Novo (1937 to 1945), Jânio Quadros´s renouncement to João Goulart's fall (61 to 64), the military rule (1964 to 1985) and the three subsequent governments. The research trails how the main methodological and technical changes in the Geographical Thought, influenced by the French, German and Anglo-Saxon schools, affected the mainstream of IBGE´s geographic production. It focus on the standing of Geography in Brazil. Firstly, during the period when, at the same time, there was the need to describe the territory and to pursue its administrative integration, which was Getúlio Vargas` engagement during the Estado Novo. Lately, during the post military governments in the nineties, when the word transition became the keyword in scientific and technological matters, while crisis, financial as well as managerial, became the central concern of legislators and planners.

Sumário A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998 Introdução do autor....................................................................................................................... Apresentação................................................................................................................................ Capítulos Introdutórios I- A Relação entre Documento e Memória no Contexto da História Oral.................................. II- O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? .................................................. III- O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE Parte I - A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução - O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia .................................. Capítulo I - A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro ........... Capítulo II - A Estruturação das Áreas de Geografia, Geodésia e Cartografia no IBGE.............. Capítulo III - A Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE ........ Parte II - A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução - O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico no Século XX ............................ Capítulo I - O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas Sociedades Geográficas, na Universidade e no IBGE ................................................................ Capítulo II - Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE ....................................................................................................................................... Capítulo III - A "Velha Guarda" da Geografia do IBGE, a Estruturação das Lideranças Pioneiras ....................................................................................................................................... Parte III - O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução - Uma Experiência de História Oral ............................................................................ Capítulo I - A Aventura dos Depoimentos Gravados Com os Profissionais ................................ Capítulo II - O Processo de Escolha da Carreira ......................................................................... Capítulo III - Na Arena de Trabalho ............................................................................................ Parte IV - As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução ..................................................................................................................................... Capítulo I - Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia : uma análise de suas práticas profissionais .................................................................................. Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE .......................................... 1- Regionalização ......................................................................................................................... 2- Ocupação do território e habitat ............................................................................................... 3- Industrialização ........................................................................................................................ 4- Urbanização ............................................................................................................................. 5- Modernização da agricultura ................................................................................................... 6- Caracterizações Ambientais ................................................................................................... 7- Diagnósticos Sócio - Ambientais Integrados ..........................................................................

Capítulo II - As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia : 1-Os Presidentes Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) ........................................................... Gestão Edson de Oliveira Nunes ........................................................................................... Gestão Charles Kurt Mueller .................................................................................................. Gestão Eurico Neves Borba ................................................................................................... Gestão Simon Schwartzman .................................................................................................. 2 - Os Diretores Gestão Mauro Pereira de Mello na DGC ................................................................................. Gestão Sérgio Bruni na DGC ................................................................................................... Gestão Trento Natali Filho na DGC .......................................................................................... Depoimento de Marilourdes Lopes Ferreira (Diretora Adjunta na DT e na DGC) ..................... Parte V - Os Processos de Qualificação Profissional Introdução ................................................................................................................................. Capítulo I - A Importância das Relações Com as Universidades no Exterior e no Brasil ...... Capítulo II - O IBGE Como Disseminador da Geografia no Brasil ............................................. Parte VI - Apogeu , Crise e Futuro da Geografia Ibegeana nos Anos 90 Introdução - Crise do Serviço Público ou Crise da Geografia ? A grande diáspora de 1991 Capítulo I - O Quadro de Transição da Geografia do IBGE nos Anos 90 Capítulo I I - O Futuro da Geografia no IBGE no Contexto de Uma Agência Executiva Com Um Contrato de Gestão. Capítulos de Conclusões Conclusões.......................................................................................................................... Projetos Futuros para uma Memória Oral do IBGE............................................................. Bibliografia .......................................................................................................................... Anexos ............................................................................................................... Volume II

Introdução do Autor Tomando por base ser este trabalho o resultado de uma avaliação de várias trajetórias profissionais, é importante lembrar, e dar o devido crédito, a algumas pessoas que me ensinaram a arte do profissionalismo. Tornar-se um profissional competente é um ideal a ser alcançado, embora exija um certo esforço, em termos de aprendizado de várias habilidades no decorrer de nossas vidas. Essas pessoas que aparecerão a seguir, conscientemente ou não, tornaram possível a transformação de um jovem inexperiente, mas curioso e afoito, num profissional que se dispôs a contar a história de um grupo de pesquisadores que se ocupou de estabelecer uma boa parte do conhecimento geográfico do território brasileiro, ao longo de mais de 60 anos. A jornada inicia-se em 1964, ao ingressar nos quadros da companhia S/A White Martins pelas mãos de João Garcia, um grande amigo de meu pai. “Tio Joãozinho” ensinou-me a operar com o formalismo e com a hierarquia. Dali em diante, eu seria o responsável por meus atos diante de meus pares. Antonio Gualano Consentino, gerente geral da Divisão Centro, ensinou-me a entender o que é mandar e responsabilizar-se pelas ações de mando. Muito lucraria o IBGE, se a grande parte de suas chefias tivesse aprendido as lições do “Dr. Consentino”. Washington Paes, gerente de compras, ensinou-me os aspectos técnicos dos equipamentos que a White Martins adquiria, tanto para revenda, quanto para uso interno. Muitas outras pessoas me auxiliaram nesse trabalho, mas a última palavra eu ouvia do Dr. Paes. O mesmo Washington Paes seria meu superior na área de recursos humanos, durante minha última fase na White Martins (1969-70), quando eu já havia escolhido a Geografia como formação profissional (em 1968 iniciei meu curso na UFF). Para ele, era espantoso como um rapaz que tinha sido bem aceito pelos códigos não escritos da companhia, não estava interessado em estudar administração ou economia para seguir carreira na White Martins, e sim Geografia, fascinado pelo mundo do alpinismo, ao qual havia sido introduzido em 1965/66. Mais espantado Dr. Paes ficou quando, em fevereiro de 1970, tomei a decisão de me demitir da White Martins para ser estagiário no IBGE, sem contrato formal de trabalho e ganhando a metade do salário. A decisão era tão temerária, que o Dr. Paes, por ocasião da minha entrevista de desligamento, ofereceu-me uma nova oportunidade na companhia, caso as coisas não dessem certo no IBGE, pelo menos enquanto ele estivesse na gerência de recursos humanos. Hoje, posso

agradecer a confiança depositada e dizer que em algumas ocasiões, no início do estágio do DEGEO, cheguei a pensar em conversar com Dr. Paes para uma volta. O primeiro geógrafo com quem estabeleci uma relação de confiança, foi Gelson Rangel Lima, meu professor de Geografia Humana na UFF e pesquisador de Geomorfologia no IBGE. Na época, minha relação entre alpinismo e Geomorfologia ou Bio-geografia era muito forte em meus planos profissionais e o Prof. Gelson contribuía de duas maneiras: ensinando informalmente Geomorfologia em suas excursões da UFF e relatando suas experiências na Europa, por ocasião de seu estágio de pesquisa na França, enviado pelo IBGE. Foi por sua influência, que eu fui indicado pela UFF para tentar um estágio no IBGE no ano de 1970. Gelson foi incansável no processo de minha preparação para a entrevista com os chefes do DEGEO, indicando bibliografias e explicando o novo movimento da Geografia Quantitativa, que se iniciava no Brasil. Era perfeitamente perceptível que aquela não era sua área de especialização, mas ele esforçava-se para mostrar a chegada de mais uma opção em termos de Geografia. Outras duas pessoas a quem devo boa parte do conhecimento geográfico que hoje possuo são Elza Coelho de Souza Keller e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa, pois, além de depositarem confiança em minha pessoa, efetivamente ensinaram-me a trabalhar na pesquisa geográfica. Iniciei meus trabalhos em março de 1970 e, em julho do mesmo ano, Elza Keller já me convocava para um longo trabalho de campo no Maranhão, juntamente com o grupo de Roberto Lobato (os experientes estagiários João Rua e Luís Antônio Ribeiro). Nos anos seguintes, a figura de Roberto Lobato Corrêa passou a ser a principal referência para meus estudos geográficos. A mudança da Geografia Física para Geografia Urbana se completou, fundamentalmente por conta da orientação segura de Roberto Lobato, a quem devo meus conhecimentos, tanto de Geografia Urbana, quanto de sistemática de pesquisa. O que ler, como ler, como fichar, o entendimento do que é realmente fundamental num grupo de textos, reconhecer quem é o autor de referência num determinado assunto, foram as principais lições que aprendi com Roberto Lobato Corrêa, e que me foram de enorme valia por toda minha vida profissional. Com a ida de Lobato para Chicago, para fazer seu mestrado, outra pessoa ocupou seu lugar no processo de preparação de minha vida profissional. Olga Buarque de Lima, recém-chegada da Inglaterra, onde tinha concluído o mestrado, ocupou-se de dar-me as lições fundamentais do preparo de um texto escrito. Tarefa extremamente difícil, em virtude de minha total falta de domínio de um texto técnico. Foram muitos meses de leitura e correção dos textos, com intermináveis reconstruções, até tornarem-se palatáveis aos olhos incansáveis de Olga Buarque. Se pudesse

com uma única frase definir esses tempos, diria que Roberto Lobato ensinou-me a estudar e Olga Buarque, a escrever corretamente um texto geográfico. No início dos anos 80, Lobato reassume seu posto de mentor, orientando minha tese de mestrado sobre o comportamento dos incorporadores imobiliários no município do Rio de Janeiro, defendida em 1982 na UFRJ. Tenho muito orgulho dela, pois foi a primeira tese que tratou de um agente modelador da iniciativa privada, já que todos os trabalhos do momento somente enfocavam dos agentes do Estado, como o Banco Nacional da Habitação - BNH e seus satélites. É claro que, no contexto altamente ideologizado do início dos anos 80, tive muitos problemas com esse tipo de abordagem, embora Roberto Lobato sempre me apoiasse. Gostaria ainda de lembrar de certas pessoas que, ao longo de minha vida profissional, assistematicamente, deram importantes contribuições para o meu aperfeiçoamento como geógrafo. Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mequita foram duas geógrafas que sempre desviaram parte de seus afazeres profissionais para darem uma orientação de trabalho, uma leitura crítica de um texto, ou apresentando desafios novos, em forma de propostas de novos projetos de trabalho, ou de apresentação de capítulos em projetos editoriais do DEGEO, durante a gestão comandada por Solange. A elas devo muito de minha desenvoltura profissional e a definitiva superação da “síndrome da folha em branco” , temor clássico que assombra muitos pesquisadores no início da carreira. Como iniciar um texto de um projeto? Elza Keller, o casal Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Speridião Faissol foram profissionais que durante algum momento de suas vidas ensinaram-me algo, tanto de Geografia propriamente quanto dos afazeres de um geógrafo. Indicações de novos livros ou artigos, convites para seminários, oportunidades de participação em grupos de pesquisa foram o que de melhor aproveitei vindo desses profissionais. Além disso, alguns deles me ofereceram oportunidades para lecionar em universidades. Nilo Bernardes, para substituí-lo na PUC-RJ, Ney Strauch, para substituí-lo na Escola Naval, Bertha Becker, para dar duas conferências na Escola de Guerra Naval e, posteriormente, para trabalhar como professor colaborador na UFRJ. Alguns não geógrafos também foram importantíssimos na construção de minha profissão. O biólogo e ecologista Fernando Segadas Viana orientou-me, por diversos sábados dos anos de 1968 e 69, sobre os segredos da vegetação tropical e desértica, sobre a zoologia do cerrado, além de me explicar detalhadamente a teoria de Alfred Wegner sobre a translação continental, o que resultou numa apresentação para o curso de Cosmografia na UFF.

No campo das relações entre os estudos urbanos e a economia, o economista brasilianista Werner Baer, ao trabalhar com Pedro Geiger no DEGEO durante o ano de 1977, sobre os problemas das desigualdades regionais no desenvolvimento econômico brasileiro, dispôs-se várias vezes a explicar os métodos utilizados na pesquisa e a indicar uma bibliografia adequada ao meu nível de entendimento da questão. Devo a ele boa parte do meu conhecimento de história econômica do Brasil e o feliz encontro com o economista Annibal Villela, em seu sítio em Araras, onde aprendi muito sobre a estrutura de poder do governo brasileiro no período Geisel. No início dos anos 80, quando me casei com a economista do IBGE Sonia Rocha, intensificaramse os laços com Annibal Villela, o que ampliou bastante meus conhecimentos sobre as estruturas das companhias estatais, área de estudo desse pesquisador que havia sido Secretário Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização dos Estados Americanos (OEA), Superintendente do Instituto de Pesquisas do IPEA, Assessor do Banco Mundial - BIRD e pesquisador e professor da FGV. Uma conversa com Dr. Villela era sempre uma possibilidade de aprender alguma coisa nova. Infelizmente, Dr. Villela faleceu em julho de 2000. Via Pedro Geiger e Werner Baer, pude conhecer Hamilton Tolosa e Thompson Andrade, economistas do IPEA especializados em Economia Urbana e Regional que, durante a segunda metade dos 70, estiveram varias vezes no DEGEO dando palestras e explicando suas pesquisas. David Vetter, economista americano que trabalhou no Departamento de Indicadores Sociais DEISO do IBGE, foi outro profissional importante na minha formação. Vetter ensinou-me os segredos dos dados censitários referentes à infra-estrutura domiciliar urbana. Participou da banca examinadora de minha tese de mestrado e estivemos em alguns seminários de urbanismo. Apesar de suas dificuldades em falar português, escrevia objetivamente e era um mestre na análise de dados censitários. Atualmente é analista financeiro e quase um banqueiro em Nova York. Outra figura incrível foi Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Era arquiteto urbanista, mas poderia ser sociólogo, antropólogo, geógrafo, historiador, psicólogo sem grandes problemas. Era um profissional único em seu meio, pois não era sectário e sabia traduzir a alma humana como poucos. Por ter participado de muitos projetos de urbanização de favelas, era conhecido como “favelólogo” e coordenava um grupo de pesquisas urbanas no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) . No período de meu projeto de tese de mestrado, conversamos muito sobre os mecanismos de ocupação residencial nos bairros da periferia do Rio. Era uma das cabeças mais lúcidas de sua época. Sua morte prematura foi uma grande perda para os estudos urbanos e para as mentes não sectárias...

Atualmente a geógrafa Maria Luísa Gomes Castello Branco continua a luta de reequipar o departamento. Também neste campo. Em caso de dúvida. participei ainda de alguns seminários no Instituto de Administração Municipal com ela e Carlos Nelson. fora do contexto do IBGE. abro parênteses para uma lembrança profissional muito especial ao meu colega de curso na UFF e companheiro de trabalho no IBGE desde 1970. Acompanhei sua luta na tentativa de reorganizar um DEGEO cada vez com menos geógrafos. . A grande vantagem de trabalhar com Miguel Angelo é a sua obstinação e sua capacidade de trabalho. em dois projetos de Atlas de que participei (Regional do Nordeste e Nacional do Brasil) a influência de Roberto Lobato Corrêa como coordenador desses trabalhos foi particularmente importante na fase de organização temática e nas sugestões gráficas iniciais. Agradeço-lhe. na hora de representar graficamente um tipo de dado. No campo gerencial do IBGE. garantir a ampliação da qualificação dos profissionais que restaram e prepará-los para os desafios do censo 2000. mas com demandas crescentes. aprendi muito com César Ajara. em termos de trabalho. Rodolfo Barbosa e Marcílio ensinaram-me a arte da cartografia temática. Além disso. Neste ponto. por ocasião de meu projeto de tese de mestrado. Para ele. Trabalhar com um profissional assim. tragados pelo processo de aposentadorias. aconteceu por intermédio de Carlos Nelson. Na área da Cartografia. qualquer dia é dia e qualquer hora também. chefe do DEGEO entre 1991-1999. que me apresentou à Lícia do Prado Valladares. ou em livros e atlas do IBGE e de outras editoras. Ainda nem havia defendido o trabalho e Lícia já me pedia que eu escrevesse um artigo sobre a incorporação imobiliária carioca para um livro de uma coleção sobre urbanismo que ela organizava para a editora Zahar. Miguel nunca teve medo de idéias novas. Entre 1976 e 1994 estivemos trabalhando juntos em 11 trabalhos diferentes. era possível tentar qualquer solução heterodoxa para abordar um problema. o empenho que teve junto à diretoria do IBGE no processo de minha liberação integral para o doutoramento. Miguel Angelo Ribeiro. como a Revista Brasileira de Geografia (RBG). Pedro Marcílio e Mauro Mello foram os que mais me influenciaram. Além do artigo. as figuras de Rodolfo Barbosa.Meu primeiro contato com o mundo interdisciplinar das apresentações acadêmicas e dos artigos publicados. não existem obstáculos. garantiu-me uma experiência importante e espero que tenha sido recíproca. especialmente. Esse aprendizado foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional. todos devidamente publicados em periódicos. em virtude das atribuições que lhe são definidas pelos estatutos da Instituição. pois fui seu assistente e substituto eventual na chefia do departamento até 1995. Mauro Mello foi nosso diretor de Geociências e sempre fez questão de vincular à Geografia com a Cartografia nos grandes projetos de que a diretoria de Geociências do IBGE tomou parte. Com ele. era com eles que eu ia me consultar.

percebi que Lia seria a orientadora ideal. O curso tratou das raízes das idéias sobre a natureza e monitorou essas idéias entre a antigüidade e o século XIX. Este sentimento ampliou-se quando. por pretender tratar de assuntos contemporâneos. Ali percebi que estava lidando com uma pesquisadora de alta qualidade e que nossas relações. José Grabois e Irene Garrido Filha. nosso processo de comunicação já estava pavimentado. em quatro congressos de Geografia. Antônio Carlos Robert Moraes. Naquele jantar. Após dois meses de trabalho duro apresentei um artigo sobre a evolução da noção de determinismo natural. do qual participamos: Milton Santos (USP). tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores grupos de pesquisadores/professores de pós-graduação em Geografia do país : Bertha Becker. Imaginando. A produção resultante desses dois anos traduziu-se em sete artigos sobre vários temas geográficos e. Durante a fase de qualificação. por ocasião da apresentação oral do projeto de tese para a banca examinadora. pensei logo em escrever um texto sobre os geógrafos que trabalharam com a Natureza no IBGE e apresentei o projeto do sumário. Roberto Lobato Corrêa. Wanderley Messias da Costa. e sim porque ela foi a primeira pessoa que me ouviu explanar sobre uma possível pesquisa que abrangeria a Geografia do IBGE. Lia Osório (UFRJ) e eu pelo IBGE. a pesquisadora com a qual se pode confiar e discutir com serenidade os pontos de vista. não poderiam ser de baixa qualidade. . A defesa do projeto fluiu e foi bem aceita pelos examinadores. além dos professores convidados como Orlando Valverde. a apresentação de trabalhos.No contexto do curso de doutorado. Meu sumário portanto. ou apenas para constar e engrossar a tese. fiz seu curso Raízes das Idéias Sobre a Natureza. O mais interessante no processo é que ela não foi importante por ser minha orientadora. Marcelo José Lopes de Souza. em meio a muitas picanhas e vinho tinto. e que me incentivou a iniciá-la. Nesse encontro. um já entendia o outro por antecipação. quando a “professora” simplesmente colocou o seguinte obstáculo. Acho que foi a partir desse trabalho que nossa confiança mútua cresceu. que por ser o seu único orientando no curso. Júlia Adão Bernardes. no doutorado. sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. em termos de produto. teria algumas “facilidades”. estava fora de cogitações. Iná Elias de Castro e Maurício de Almeida Abreu. Paulo César Gomes. participávamos de um seminário organizado por Gervásio Neves. Durante os dois anos de curso. numa noite fria de Porto Alegre. Qual não foi minha surpresa. Aziz Nacib Ab’Saber. a profissional mais importante foi minha orientadora Lia Osório Machado.

Icléia me indicou uma ótima profissional em transcrições de fitas. essa pessoa foi Icléia. primeiramente. estava envolvido com preparação de artigos sobre aspectos geo-históricos da Urca e acabei escrevendo um livro sobre iconografia da Urca e prefaciando o livro de análise do José Carlos e Sonia A. transcrições. o segundo. O processo iniciou-se no setor de memória do IBGE. O primeiro focalizou a Urca e. o apoio de Maria José Wheling. ainda que eu não pertencesse aos quadros da UNI-RIO. conferência de fidelidade e copidesque. Outra pessoa importante neste processo foi José Carlos Sebe Bom Meihy. que passei a trocar mais experiências no decurso de tomada de depoimentos do meu público alvo: os profissionais do IBGE. além de comparecer a seminários especializados . . Icléia informou-me que um grupo estava se formando. para subsidiar uma linha de pesquisa chamada História Oral de Bairros do Rio de Janeiro. enfocaria os bairros da área portuária. tive sua total colaboração durante todas as fases do projeto. museólogos. coordenadora do Mestrado em Memória Social da UNI-RIO foi fundamental. Icléia Thiesen Magalhães Costa e Regina Acioli Oliveira deram-me as primeiras instruções e cederam cópias de algumas transcrições para que eu me familiarizasse com o assunto. quando fui solicitar assistência para os preparativos de gravação dos depoimentos. Se eu tenho. que nos orientou no sentido de montar um conjunto de depoimentos de moradores do bairro da Urca. a uma pessoa por ter me garantido a viabilidade de completar sem traumas meu projeto de tese. Além disso. além de participar do processo de entrevistas. Repentinamente.Apesar de priorizar meus agradecimentos para os geógrafos. Algumas semanas depois.Gamboa e Santo Cristo. Foi a partir de seus ensinamentos iniciais que comecei a ler sobre história oral e a perceber que aquilo era muito mais do que simplesmente gravar uma conversa. que agradecer. Telma Salandra Lemos. portanto. professor de história da USP e consultor do grupo da UNI-RIO. que cuidou de todas as transcrições em tempo hábil. um método de criar documentos através da gravação e transcrição de entrevistas ou de depoimentos orais de pessoas que vivenciaram acontecimentos em épocas e/ou lugares específicos. Saúde . arquivologistas e biblioteconomistas. de Siqueira. Nesta fase. no curso de mestrado em Memória Social e Documento da UNI-RIO e perguntou se eu estava disposto a aprender história oral. foi com os historiadores. Ele e Sônia Aparecida de Siqueira se revezaram na orientação inicial dos projetos. pois este setor já havia entrevistado vários profissionais da casa em diversas ocasiões.

que li antes da germinação das idéias. proporcionando duas idas ao arquivo do Roncador em Brasília para as pesquisas históricas. que efetivamente me fizeram a cabeça para encarar este desafio. e que serviram para. embora possa pareça estranho. especificamente. muito me auxiliou na pesquisa sobre o papel desempenhado por Pierre Deffontaines na Geografia brasileira. a François Fourquet e seus colaboradores pelo seu incrível Les Comptes de La Puissance. criar também estruturas semelhantes para a Estatística. a Warren Dean por A Ferro e Fogo. Glacken por sua erudição em Traces on the Rhodian Shore. a Edson Nunes pelo seu instigante A Gramática Política do Brasil . a fim de montar a estrutura da memória técnica do segmento de Geociências e. Pensador da Cultura e Escrever a Clínica. futuramente. que também me auxiliaram muito na arte de entrevistar. tive a sorte de conhecer Verena Alberti. a Clarence J. Na etapa final da pesquisa. a Elisabeth Roudinesco com sua História da Psicanálise na França. e outros que de muitas maneiras me auxiliaram nesta empreitada. gostaria de reconhecer a importância de alguns autores que criaram obras. outros eu li no calor da hora. Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. A Professora Marieta. cimentar minha confiança de que era possível escrever uma história da relação entre memória e documento da geografia e dos geógrafos. a Ricardo Bielchowsky pelo seu Pensamento Econômico Brasileiro. Alguns. Processamento de Dados. Edna Moraes no apoio administrativo que o CDDDI me deu. Maria Teresa Bastos.Nesse ínterim. Por isso. Rede de Coleta e Administração. a Aspásia . Finalmente. Paulo Roberto Lindesay. enfocando a instituição que escolhi para trabalhar durante os trinta anos restantes de minha vida profissional formal. após retornar ao Departamento de Geografia tomei a difícil decisão de solicitar minha transferência para a área da Memória Institucional do IBGE. além da ampliação do conhecimento. Sérgio de Assis Barbosa e Luis Carlos Carril no processo de tratamento de imagens das fotos escolhidas e no processo de edição. chamarei de subsidiadores subliminares do projeto. a Simon Schama por seu Paisagem e Memória. Isto significava mudar de área de pesquisa para acompanhar a história desta agência que tem como objetivo monitorar o Brasil. Neste processo. a Josianne Pangaio. David Wu Tai. o meu reconhecimento a Renato Mezan pelos seus Freud. contei com a compreensão das chefias da Diretoria de Geociências e com o apoio das chefias do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) para a realização do projeto. na área de trabalhos de campo em Geografia. a Vera Abrantes que foi minha co-orientanda (a orientadora oficial foi Icléia Thissen) em sua tese de mestrado sobre o arquivo fotográfico do IBGE.

Helena Bomeny e Vanda Costa. e finalmente. Capanema que chegou em ótima hora. a Simon Schwartzman.Camargo pelo seu magistral artigo História Oral e Política no livro organizado por Marieta de Moraes História Oral e Multidisciplinaridade. pelo importantíssimo Tempos de . a Vincent Berdoulay por seus La Formation de L’École Française de Geographie (1870-1914) e Des Mots et Des Lieux: la dynamique du discours géographique. Roberto Schmidt de Almeida. a John Kirtland Wright pela sua completíssima história da American Geographical Society em seu livro Geography in the Making. vitais para a pesquisa. a Ronaldo Costa Couto pelo seus recentíssimos A História Indiscreta da Ditadura e da Abertura e Memória Viva do Regime Militar e a Maurício de Almeida Abreu pelos seus artigos Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação e Sobre a Memória das Cidades... a Anne Buttimer pelos seus The Practice of Geography e Society and Milieu in the French Geographic Tradition .

científicos. os diversos contextos pelos 1 vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos. isoladamente. estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos. entre os anos de 1938 e 1998. aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira . podendo também ser alvo de estudos pormenorizados. algumas celeumas internas sobre a conveniência ou não. e as contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período. podendo desvendar conflitos de natureza diversas. Como este trabalho pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE. Embutida nessa questão. A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa. que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas. situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro. em certos períodos. será o principal objeto desta pesquisa. como pano de fundo. O quesito “onde” abarca o espaço territorial brasileiro. Atividades essas classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física. em outras ocasiões tornar-se-á retesada. levando-se em consideração. livros. atlas e artigos) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais. O quesito “quando” abarcará o tratamento desses 60 anos. através de relatórios. na qual documento expressará o que foi impresso (legislação. políticos. relatórios e a produção intelectual dos geógrafos. e pesquisadores que. que causaram. que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: a prioridade do papel institucional da Geografia no contexto do IBGE. corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. através de seus depoimentos orais gravados e transcritos. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias. objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. Linha esta que por vezes estará frouxa e.19 Apresentação A reflexão sobre um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos. de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento. quanto pelos seus geógrafos 1 a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que irá norteá-lo. projetos.

será mostrado. influenciados ora pelas escolas francesa e alemã.1988. em seguida. sejam eles: políticos. científicos em suas diversas acepções. começa a ser desfeita. podendo estar relacionados ou não às linhas de pesquisa do órgão). Será dada uma especial atenção às comparações entre o que se convencionará chamar de trabalhos oficiais (Estudos solicitados pela direção do IBGE ou demandados por níveis hierárquicos superiores a ela. via informações institucionais.20 quais o país passou. em termos de organogramas que determinaram os diversos períodos de ascensão. estabilidade ou queda de seu “status” perante outras áreas da instituição e do governo. Primeiramente. planejado por Tancredo Neves. e que tiveram repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade ibegeana. ora pela escola anglo-saxônica. É importante ressaltar. será tratada também a curiosa separação ocorrida entre a Geografia Física e a Humana. . organizada por Icléia Costa e equipe (1998). passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica e que sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. (1961 a 1964). contribuirão em muito na análise da legislação pertinente ao órgão. o período dos governos militares (1964 a 1985). Igualmente importante será a avaliação do IBGE enquanto instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos. que este período abrange. avaliando a evolução de seu contingente de profissionais. do ponto de vista político. sua trajetória na burocracia do órgão e suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento. e que somente agora nos anos noventa. no final dos anos sessenta. Para a área da Geografia em particular. com dois anos de Fernando Collor.1946. um governo híbrido. falecido antes de assumir e levado por seu vice José Sarney (1985 a 1990 ). um impeachment e mais dois anos de seu vice Itamar Franco ( 1992 a 1994 ) e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998). pressupondo-se geralmente um entendimento prévio da metodologia a ser aplicada e da forma final do produto) e os trabalhos dos geógrafos (estudos elaborados de forma independente por alguns profissionais de Geografia do IBGE. econômicos.1969. além das inúmeras modificações por que esta última passou e ainda continua passando ). vinte e dois mandatos presidenciais ( vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves que geraram alguns períodos excepcionais como: o Estado Novo (1937 a 1945). Neste contexto. No campo do Pensamento Geográfico iremos igualmente rastrear as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico. por exemplo. Penha (1993) e a Cronologia. dois governos em um . quatro constituições (1938. a crise da renúncia de Jânio Quadros até a queda do governo de João Goulart. os trabalhos de Gonçalves (1995). Nesse contexto.

Para demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. antecedidas de três capítulos introdutórios. em função da preparação da base cartográfica municipal para o censo de 1940. Disseminação de Informações impressas e por meio magnético e Ensino e Treinamento. Em âmbito interno. acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. ligando-os a uma pesquisa que enfoca uma instituição de governo e a um grupo específico da tecnoburocracia estatal e determinando sua escala temporal de ação. o terceiro destacando o grupo de Geógrafos e Cartógrafos que fizeram parte da pesquisa. Geodésia e Cartografia no IBGE.21 Finalmente. o segundo que relata a estruturação das áreas de Geografia. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. fazendo um overview ao longo de 13 períodos considerados como um pano de fundo cronológico que orientou a saga da geografia no IBGE. com uma introdução que explica o papel da nova burocracia estatal implantada após a revolução de 1930. Geografia. Estatísticas demográficas e econômicas. além do suporte administrativo que acompanhou o cotidiano de milhares de profissionais em todo o Brasil. onde é descrita a evolução de suas principais funções nas áreas de Geodésia e Cartografia. além das políticas de recursos humanos foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial do IBGE. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. A parte I contempla a estruturação da tecnocracia ligada ao Planejamento Territorial brasileiro. Está dividida em três capítulos: o primeiro que explica a institucionalização do sistema de planejamento territorial brasileiro. num momento em que as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise. Certeza e opulência dos anos 40 confrontam-se. em que a palavra transição é o principal mote. escalas de análise e áreas. Estruturação e Manutenção de Bancos de Dados de Grande Porte. Ecologia. O trabalho está estruturado em seis partes. tanto financeira quanto gerencial. desde um período em que se aliava a necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração. traçando uma explanação sobre o IBGE. tendo como elemento chave o IBGE. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte no campo científico e tecnológico foram os de maior peso. . através de um processo de unificação administrativa levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. até os governos pós militares da década de 90. portanto. Redes de Coleta de Informações. No âmbito externo ao IBGE. com dúvida e escassez dos anos 80/ 90. O terceiro. estabelecendo a relação entre documento e memória no contexto de trabalhos que se utilizaram das técnicas de História Oral. como detentores da memória do grupo profissional estudado. O segundo. O primeiro. figuravam na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal.

Brian Berry e Howard Gautier e o inglês John P. que sob outras formas. tendo como principais referências os professores do ensino médio. quando na fase de estágio no IBGE. o antigo papel da AGB como palco dos primeiros ritos de iniciação profissional. avaliação essa que alcança o final dos anos 90. Clarence F. como base para uma avaliação da Geografia que se estabeleceu ao longo dos anos no IBGE. O capítulo II descreve os diferentes tipos de liderança exercidos por geógrafos estrangeiros que formaram algumas gerações de profissionais do IBGE. que deixou uma legião de seguidores. ao registrar em meio magnético os depoimentos de um grupo de geógrafos de diferentes idades. continuaram a disseminar o seu legado. posteriormente. Analisa. ainda. O capitulo I conta um pouco da aventura de se registrar esses depoimentos e avalia a importância da memória . Jones e. Pierre Deffontaines. com uma introdução que acompanha a sua evolução desde a primeira metade do século XX . com exemplos de maior ou menor engajamento a algum determinado líder de grupo de afinidades e algumas trajetórias de especialização temática ou regional. os americanos Preston James. tanto na Universidade. os mestres universitários e os líderes de grupos de afinidades. O capítulo III enfoca algumas recordações profissionais referenciadas ao ambiente de trabalho. O exemplo mais significativo desse segmento está na figura de Francis Ruellan. Francis Ruellan. posteriormente Jean Tricart e Michel Rochefort e. O capítulo III apresenta o conjunto de profissionais que foram formados nos primeiros anos de estruturação do órgão e que se transformaram nas lideranças pioneiras da Geografia do IBGE. quanto no IBGE. utilizando uma experiência de História Oral.22 A parte II enfoca o papel da Geografia do IBGE no contexto do pensamento geográfico brasileiro. os alemães Leo Waibel e posteriormente Gerd Kohllepp . A parte III focaliza o processo de formação profissional do geógrafo do IBGE pelo ponto de vista da memória. a Universidade e o IBGE. o canadense Pierre Dansereau . . Figuras carismáticas como os franceses Emmanuel de Martonne. Philipe Waniez e Hervé Théry . interesses e que participaram da maioria dos 13 períodos estudados. Cole. no desvendar do verdadeiro significado de se registrar esses depoimentos para as gerações profissionais do presente e do futuro. O capítulo I analisa a força das escolas de pensamento geográfico estrangeiras nas diferentes arenas de trabalho e discussão: as Sociedades Geográficas. O capítulo II analisa os padrões gerais de inserção na carreira. nos tempos atuais. os principais projetos e seus respectivos produtos.

O capítulo I descreve o processo de transição por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. Por outro lado. quanto no campo da integração com os demais vetores do conhecimento que envolvem as Geociências. Nesse segmento. como essas práticas foram percebidas pela alta direção da casa. No capítulo II.23 A parte IV analisa as práticas profissionais levadas a efeito pelos geógrafos do IBGE ao longo do período estudado e avalia sua representatividade perante outras instâncias do IBGE. representadas aqui pelos depoimentos orais dos diretores de área e de alguns presidentes. tanto no contexto de suas atribuições institucionais. A parte VI trata do período de crise por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. quanto no Brasil. em contraponto às demandas que continuaram a ser criadas. O capítulo II tenta alguns prognósticos é resgatada nos exemplos de . Os depoimentos de profissionais que organizaram ou ministraram esses cursos.Itamar Franco Fernando Henrique Cardoso. verificou-se. analisando sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. O capítulo I descreve em linhas gerais. também. a ênfase é orientada para o papel disseminador do IBGE através dos cursos de aperfeiçoamento em geografia orientados para o corpo docente de ensino médio e para o de nível superior. A parte V cobre os processos de qualificação profissional. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior destaque. em decorrência das convulsões no setor público durante os governos Collor de Melo . um grupo de sete temas que geraram as grandes linhas de pesquisa geográfica no IBGE. São analisados os fatores que levaram à grande diáspora de 1991. a memória depoimentos de alguns geógrafos que contam suas experiências. O capítulo I focaliza as relações entre o órgão e os centros de aperfeiçoamento e pesquisas tanto no exterior. Através da análise dos trabalhos de uma lista de temas geográficos que mais marcaram a imagem do IBGE na arena geográfica brasileira. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológicos decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. misturam-se a importantes geógrafos não ibgeanos que tiveram sua formação profissional ampliada por esse aprendizado. enfatizando os cursos de aperfeiçoamento e especialização e a pós-graduação em seus vários níveis ao longo do período. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. com a saída maciça de profissionais que aliavam competência à liderança: o incipiente processo de reposição de pessoal e os mecanismos de adaptação dos que restaram.

é apresentada a atuação da Equipe da Memória Institucional do IBGE e é esboçado o projeto de História Oral que dará prosseguimento aos depoimentos de funcionários que assumiram posições relevantes no projeto técnico da instituição. além das considerações finais. . Nos capítulos conclusivos. assim como uma descrição de alguns produtos que estarão futuramente à disposição dos usuários.24 quanto ao futuro da Geografia. na ainda hipotética agência executiva proposta pelo Ministério da Reforma do Estado ao IBGE para o ano de 2000.

a memória.1987). Em primeiro lugar o documento . considerando-se que eles são sempre . pessoalmente. a bem da verdade. A relação entre documento e memória gerará. Neste ponto. e as resoluções jurídico-administrativas que definiram os principais projetos de trabalho. prefiro evitar o termo memória coletiva.exatamente iguais. não evitaremos o termo. a fidedignidade necessária a esta história. principalmente no que se refere a muitos assuntos considerados como referenciais para a coletividade geográfica. Esta questão é crucial. Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social. como definido por Pierre Le Goff em sua forma mais ampla (Le Goff. que ocorre em um meio social dinâmico. quanto ao da memória existem grandes problemas. “ A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato de a História Oral dizer respeito a versões do passado.. é possível inferir sobre uma boa dose de consenso entre eles. além de outros meios de informação e divulgação da Geografia do IBGE. 1997:16) Neste trabalho. ao longo do tempo. ou seja. tanto individual como coletiva de um conjunto de técnicos ( geógrafos) e administradores (cargos de direção) que desempenharam funções importantes no órgão e que recordaram seletivamente suas respectivas trajetórias profissionais.I . ou. A memória é um processo individual. o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais. de parte da memória institucional de uma grande e complexa agência federal como o IBGE exige que se recorra a alguns materiais formadores da memória coletiva. em última análise. nos alerta sobre a necessidade de se questionar o documento. em certa medida. Michel Foucault em sua obra. pois tanto do lado do documento. A Arqueologia do Saber (Foucault.. através de depoimentos orais e de informações informais. Em segundo. em hipótese alguma.” (Portelli. É por esse motivo que eu. 1994: 540-541) assumido aqui como o material impresso que determinou a representação da produção geográfica do IBGE e de seus profissionais.A Relação Entre Documento e Memória no Contexto da História Oral O processo de acompanhamento. à memória.. contraditórias ou sobrepostas. as recordações podem ser semelhantes... Em vista disso. como as vozes . mas tomaremos os devidos cuidados para não utilizá-lo indevidamente. pois. ao trabalharmos com uma comunidade técnica sediada numa agência de planejamento do governo federal. Porém. onde ele argumenta que. temos de refletir sobre algumas colocações de Alessandro Portelli na revista organizada pelas professoras Dayse Perelmutter e Maria Antonieta Antonacci. valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados.

quando operamos um processo de entrevista gravada que.. de maneira geral. principalmente." (p. principalmente junto aos historiadores da cultura. pelo menos. No que se refere à questão da memória..16). 128). a noção de memória coletiva de Halbwachs. quase sempre. Isso faz sentido. . o depoente se prepara filtrando e organizando lembranças. Na maioria dos casos. São três níveis de realidade que devem ser analisados. “num plano mais genérico. é que mais se encaixa com que estamos tratando (Halbwachs.. inicialmente. Dos cinco autores analisados por Niethammer como precursores desses conceitos (Carl Schmitt. lembrando que no caso de biografias ou auto-biografias. passam por quem o seleciona e o arquiva e terminam por quem o pesquisa e o faz ressurgir sob um determinado ponto de vista. a que lê e a que realmente existiu. Sigmund Freud e Maurice Halbwachs). "existem pelo menos quatro pessoas distintas: a que relata a vida.produtos seletivos. orientadas pela cultura do grupo ao qual pertence. Os processos de seleção iniciam-se no produtor do documento em si. implica considerar a memória como algo muito mais amplo que um mecanismo individual de lembranças pessoais. Niethammer assinala. As lembranças de um grupo são. a construção social do passado engendrada por Halbwachs. referenciadas mais aos elementos constituidores da cultura daquele grupo do que aos dos próprios indivíduos. Aldous Huxley. a sociedade pós-moderna de identidades culturais com o seu jogo de citações simbólicas (por exemplo na arquitetura) ou sua intertextualidade literária colocou Halbwachs em prática” (pg. os mecanismos são ainda mais complexos e estão no cerne das discussões sobre o uso da História Oral. da que foi e da que escreveu. O ensaio de Lutz Niethammer sobre os conceitos de identidade e de memória nos dá uma boa visão das dificuldades que podem ser encontradas quando se tenta trabalhar com eles (Niethammer. que estas noções criadas por Halbwachs nos anos 20. Para Niethammer.. o sociólogo Jesús M. É importante diferenciar.1980). de Miguel em seu manual sobre biografias sociológicas (Miguel. a que escreve ( quando não é uma auto-biografia). “toda lembrança significativa é um processo socialmente condicionado de reconstrução que se apóia na estrutura social de relíquias culturais e rituais de comunicação de um dado grupo no presente” (pg. 1997).. ainda. implica o convite e as devidas explicações sobre o objetivo da gravação.129). portanto.. George Lukács. Também sob as diferentes interpretações por que passam as lembranças. voltaram a ter influência nos anos 90.1996) analisa alguns pontos positivos e negativos dos relatos biográficos. entre a pessoa que é.

de bancos de dados. Os artigos de Fred K. A entrevista de história oral. igualmente. um artigo que se possa classificar como decisivo sobre o problema. posteriormente. pois nas palavras de Verena Alberti " Certamente não será porque a entrevista adquire estatuto de documento que a história oral passa a obedecer aos requisitos da "ciência positiva". tenham passado a ser relevantes para estudos na área das ciências humanas" (Alberti. É importante. 1973). nos anos 90. esquecimentos. é importante ressaltar que a palavra versão assume uma importância ímpar. ainda. ao longo desses 60 anos. embora não haja. e sim a versão do entrevistado. É perceber como natural certas distorções. Bunge sobre o processo de “canibalismo teórico decenal” que estava ocorrendo. portanto . Ao contrário: trata-se de tomar a entrevista produzida como documento. Isso pressupõe que esta versão. uma incrível evolução tecnológica nas ferramentas computacionais de mapeamento e localização. e a comparação entre diferentes versões. portanto.é de se esperar que algumas dessas linhas de tensão estiveram muito próximas do rompimento. a expressão Globalização parece causar também grandes áreas de turbulência no pensamento geográfico. pois seria extremamente difícil escrever a história total da Geografia do IBGE.seu registro gravado e transcrito -. o principal mérito da relação entre documento e memória é poder comparar seletivamente algumas linhas de tensão entre fatos e versões nas diferentes fases por que passou a Geografia do IBGE nos 60 anos analisados.1953). silêncios ou mesmo mudanças de ponto de vista dos depoentes ao longo de suas narrativas. vista por todos os . por fortes modificações e que foi bastante influenciada por inúmeros conflitos metodológicos e ideológicos além de ter testemunhado. não documenta nada além de uma versão do passado. Atualmente.No contexto das técnicas de História Oral. onde um depoimento é gravado em meio magnético e. Considerando-se que a pesquisa geográfica passou. Schaefer sobre o excepcionalismo em Geografia (Schaefer. Neste sentido. um papel fundamental na relação entre documento e memória e fica perfeitamente claro que este processo de seleção nunca contentará a todos. sim. mas deslocando o objeto documentado: não mais ao passado "tal como efetivamente ocorreu". e o de Milton Santos sobre problemas do marxismo na Geografia (Santos. perceber como algumas versões passam a ser oficializadas pela maioria dos depoentes. o de Willian W.1981) foram bons exemplos desses momentos de grande tensão. de cálculos e de editoração . transcrito. 1989 :2). A palavra seletividade representa. e que infelizmente continuou ao longo da década de 80 (Bunge.

1988). o que levou o autor a estruturar uma urdidura dos temas e das opiniões poucas vezes vista nas ciências sociais. o mais importante psicanalista após Sigmund Freud. principalmente por terem de alguma forma. A seção de agradecimentos praticamente cobre quase toda a elite intelectual francesa. particularmente. filosofia e da literatura da França. operando conjuntamente com os 26 co-autores. encaixando-se com uma perfeição de relojoaria aos depoimentos e testemunhos prestados por figuras da intelectualidade como Jacques Derrida. Algumas obras servirão de referência para o entendimento dessa relação. o mais sofisticado e complexo. passando pelas atas de congressos e recortes de material da imprensa. No processo de criação. que vai da correspondência privada aos autos de tribunais. O monumental trabalho de Elisabeth Roudinesco em seu segundo volume da História da Psicanálise na França : 1925-1985 é outro marco na relação documento / memória (Roudinesco. Françoise Dolto e outros. O mais interessante exemplo de uma relação entre documentos e memórias foi realizado por Bill Couturie em seu filme Cartas do Vietnã ( Dear America: Letters Home from Vietnam. O uso exaustivo e sistemático da documentação. Alfred Sauvy (estatística) ou Jean-Vitold Marczewski (contas nacionais) para citar alguns que a área geográfica certamente conhece. pela saga profissional de Jacques Lacan. cuja grande maioria prestou depoimentos ou cedeu documentos para esta pesquisa que transitou por quase todos os campos das artes. chamando a atenção do leitor para as dificuldades sentidas por ele no processo.1983). pois o autor dá uma co-autoria a 26 personagens que foram os criadores das áreas de contabilidade nacional. faz da obra de Roudinesco uma referência indispensável no estudo da história contemporânea de cunho memorialista. É certamente um clássico do assunto. Esta será apenas uma das possíveis visões que este assunto evocará. certamente. tanto em termos técnicos quanto ideológicos. aos seus parentes e amigos e as imagens . Fourquet fez uma longa nota explicativa inicial. O livro de François Fourquet Les Comptes de la Puissance é. servindo no teatro da guerra do sudeste asiático.1980): profissionais da alta burocracia governamental como o ministro Michel Rocard e acadêmicos de primeira linha do sistema de ensino e pesquisa universitário como François Perroux (economia industrial). Louis Althusser . É importante lembrar que os 26 co-autores eram muitas vezes adversários entre si. ao estilo de Fernand Braudel em sua obra sobre o Mediterrâneo (Braudel. trabalhado com a História Oral. do planejamento de governo e das estatísticas econômicas francesas (Fourquet.diferentes ângulos. 1987) onde foi estruturada uma excelente relação entre os conteúdos das cartas de militares norte-americanos. além do campo específico da medicina psiquiátrica e.

é particularmente interessante assim como o cap. Sua primeira edição brasileira foi editada pelo IPEA em 1988. Sua primeira versão de 1984 foi destinada ao mundo acadêmico inglês como tese de doutoramento na Universidade de Leicester. vão se deteriorando. até tornarem-se trágicos e melancólicos. O trabalho de escolha das cartas e das imagens o credencia como um dos mais importantes trabalhos de relação documento / memória fora dos clássicos compêndios de História Oral.documentais referentes aos diversos períodos de envolvimento dos EUA no conflito. culminando com a humilhação da derrota. fazem do livro de Roberto Campos um ótimo referencial para se entender os diversos conceitos que foram atribuídos à palavra desenvolvimento desde o ciclo Vargas até a Nova República. o melhor trabalho de História Oral foi. à medida que a difícil percepção do real objetivo daquela guerra soma-se às cruéis experiências pessoais em um campo de batalha não convencional. o depoimento do ex-presidente Ernesto Geisel organizado por Maria Celina D'Araujo e Celso Castro.1994) faz um excelente contraponto com o trabalho de Bielchowsky. como reconhecimento pelo Prêmio Haralambos Simeodines da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC) de 1995 na categoria tese. passando pelo ciclo militar. O capítulo VI. imerso numa cultura totalmente diferente. 1995). que trata da criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE atual BNDES). inicialmente de cunho laudatório. enfatizando o período 1945-1964 garantem um quadro de referência importante para se entender o processo de desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo. embora não se utilizasse das ferramentas dos depoimentos orais. A experiência memorialista de Roberto Campos no seu A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. o trabalho de Ricardo Bielchowsky Pensamento Econômico Brasileiro : O Ciclo Ideológico do Desenvolvimento. é um dos melhores ensaios de historiografia econômica baseado exclusivamente na literatura especializada e em documentação governamental (Bielchowsky. entre julho . Referenciado ao período militar. As análises das principais correntes de pensamento econômico que influenciaram as decisões governamentais entre 1930 a 1964. Campos encerrou o seu mandato ao início de 1999. No contexto brasileiro. Sua memória prodigiosa somada à vasta documentação apresentada. ao perder para Saturnino Braga a vaga de senador do Rio de Janeiro nas eleições de novembro de 1998). O teor das cartas e as das imagens. que trata dos anos de Juscelino. enquanto a guerra recrudesce. principalmente no que tange ao tumultuado processo de planejamento macroeconômico e à sua instrumentação ao longo desses 60 anos (é importante lembrar que como deputado federal. IX. com certeza.

no governo de Tancredo Neves). 1999a). e uma rara habilidade política. pois confronta diversas versões sobre alguns episódios políticos cruciais ocorridos entre 1964 e 1985 (Couto. O volume especial com a íntegra de 26 entrevistas intitulado Memória Viva do Regime Militar: Brasil 1964-1985.de 1993 e março de 1994 e somente publicado após seu falecimento em setembro de 1996. e em Minas Gerais. Cabe lembrar que Costa Couto foi um dos mais importantes homens públicos do final do período militar e da Nova República. com poucas incursões ao terreno econômico. Essa combinação entre capacidade técnica. ainda que enfatizasse o período final do ciclo militar e o processo de abertura política . é também muito interessante. 1999b). a sucessão de Castelo Branco por Costa e Silva. civis e militares. sendo posteriormente transferido para Ministro-Chefe do Gabinete Civil (1987-1989). tendo sido por duas vezes Secretário de Estado de Planejamento (no Rio de Janeiro. A preocupação dos organizadores do depoimento era cobrir os aspectos da formação intelectual de Geisel e seus reflexos na carreira militar e administrativa. aos 89 anos (D'Araujo & Castro. No mesmo contexto. General Ednardo D’Avila Mello. Questões como a preparação do golpe militar. seu falecimento e a posse de José Sarney . sua experiência de comando na Presidência da República e a avaliação dos governos posteriores até 1994. O enfoque é fundamentalmente político. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985 é. 1997). a exoneração do Ministro do Exército General Silvio Frota. durante a presidência de José Sarney foi nomeado Ministro do Interior (1985-1987). defendida em novembro de 1997 e publicada pela Record em janeiro de 1999. João Baptista de Oliveira Figueiredo e José Sarney) contrapondo-a com a documentação pesquisada (Couto.a tese de doutoramento de Ronaldo Costa Couto para a Universidade de Paris IV. Tancredo Neves. o processo de escolha de Tancredo Neves. sendo que três foram Presidentes da República: Ernesto Geisel. pois era economista formado pela UFMG com especialização em macro-planejamento. no governo do Almirante Faria Lima. que foi lançado em maio do mesmo ano. aprendida com um mestre do assunto.que culminou com a eleição de Tancredo Neves. o melhor trabalho historiográfico do período que fez uso sistemático da História Oral (com 32 depoimentos dos principais homens públicos do país. cargo que acumulou com o de Governador do Distrito Federal. a decisão da posse de José Sarney e muitos outros são analisadas sob diferentes pontos de vista. o credencia como uma das melhores testemunhas daqueles períodos. . as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho e a exoneração do comandante do II Exército. sem dúvida.

. ao colher depoimentos de 13 mulheres. com fotos de Pedro de Moraes (1998). 201) que contrapõe os acontecimentos no Brasil e em outros países. Além disso. que foram presas políticas durante os governos do ciclo militar. José Dirceu. (Petrobrás) e Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). tanto no campo das vinculações com a hierarquia masculina dos movimentos de esquerda.. 1968 a Paixão de Uma Utopia . “O perigo é um pensamento revolucionário que se transforma em mística revolucionária.A esquerda estudantil de 1968 também tem seu livro de memórias organizado por Daniel Aarão Reis Filho. abre um importante campo de análise da memória de gênero. um outro lado mais amargo nos é mostrado por Elizabeth F. como Luis Travassos. apresenta um quadro bem interessante das dificuldades de organização do movimento estudantil. por isso. o trabalho de Mattos Dias é de extrema valia para os que querem se aventurar na História Oral de organizações de qualquer ordem. como o do restaurante do Calabouço que resultou na morte do estudante Edson Luis. que muitas vezes saía do controle das lideranças e era empalmado pelos participantes das passeatas e comícios. Xavier Ferreira (1996). O foco nas histórias de vidas dessas mulheres. aos burocratas que as dirigiram e a alguns executivos técnicos que decidiam em áreas chave dessas organizações.” (pg. os autores contextualizaram muito bem o ano de 1968. Sua pesquisa cobriu os acervos orais de organizações estatais de grande porte como a Petróleo Brasileiro S. A ênfase foi dada aos políticos que as criaram. de 21 de junho. No campo específico da História Oral das organizações brasileiras. que encara os acontecimentos de 1968 na França com um misto de necessidade e descontrole. e a Sexta Feira Sangrenta. O trabalho com 12 depoimentos das principais lideranças estudantis da época. 57 feridos e 3 mortos. José Genoíno e outros. Não se deve esquecer que Pol Pot foi formado na Paris de 1968. o melhor especialista é José Luciano de Mattos Dias (1994).A. gerando conflitos com as forças de repressão. quanto no ambiente dos porões da ditadura militar sempre foi visto sob uma ótica de preconceito e. onde o papel da mulher. Jean Marc Von der Weid. 1998). analisando os diferentes tipos de conflitos estudantis que eclodiram em várias partes do mundo e organizando uma excelente cronologia (pg. . para sua tese de mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ. em 28 de março. Apesar de ser um artigo de coletânea. mal avaliado. Neste contexto é também interessante ler a entrevista do grande historiador francês Pierre Vilar a Jean Boutier (Boutier & Julia. Ainda no contexto da memória das esquerdas no Brasil. 283). Vladimir Palmeira. enfatizando os períodos de militância política e o da prisão. que mostrou também o seu talento ao analisar a trajetória profissional dos engenheiros. com um saldo de 1000 presos.

que enfoca a construção do Sistema Financeiro Nacional entre 1930 e 1964 sob a ótica da estruturação de seus quadros burocráticos de elite.É importante também considerar o livro de Jaime Larry Benchimol e Luiz Antônio Teixeira (1993) Cobras. reconhecem. Foram entrevistados 22 homens públicos e técnicos do alto escalão do governo. quatro. onde estão os trabalhos de José Luciano de Mattos Dias sobre os engenheiros e de Marly Silva da Motta sobre os economistas. pois aliam concisão e clareza. Luiz Felipe L. tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (UNICAMP) defendida em junho de 1994. os autores operaram muito bem com a documentação dos dois institutos e apresentaram um bom quadro comparativo de seus respectivos campos de atuação ao longo dos anos. três outras obras estudaram a importância do papel deste grupo profissional na condução dos destinos do Brasil nos últimos 60 anos. A apresentação dos autores e o capítulo que trata da história do ensino de economia no Brasil são também peças interessantes. os mais estudados. dos quais. No segmento da História Oral de grupos profissionais. Burocracia e Elites Burocráticas no Brasil de Gilda Portugal Gouveia (1994). Os autores. dos quais três foram Ministros de Estado. apresentada em agosto de 1996. Conversas com Economistas Brasileiros de Ciro Biderman. Os Economistas no Governo de Maria Rita Loureiro (1997). além de um capítulo . foram Ministros de Estado ligados aos setores da economia e da alta administração federal. Embora não trabalhem com História Oral. O prefácio de Pedro Malan é de uma exatidão e elegância poucas vezes vistas nas publicações dos últimos anos. Foram entrevistados 30 economistas. Lagartos & outros bichos: uma história comparada dos institutos Oswaldo Cruz e Butantan. os economistas são. evidentemente. não apenas pelo elenco de profissionais escolhidos. compostos majoritariamente por economistas e juristas. entretanto. dos quais três foram Ministros de Estado. Além da coletânea organizada por Angela de Castro Gomes (1994) Engenheiros e Economistas: Novas Elites Burocráticas. tese de livre-docência para a Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. que deram maior ênfase ao instituto carioca do que o paulistano. além da consulta a 10 depoimentos orais arquivados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). mas também pela maneira de tratar o tema da História Oral do pensamento econômico brasileiro. Cozac e José Marcio Rego (1997) é o melhor dos quatro. analisa o papel dos economistas como dirigentes políticos e trabalha a sempre tensa relação entre a racionalidade técnica e os objetivos políticos e que constantemente põe à prova esses profissionais da elite governamental brasileira.

cinco foram Ministros de Estado. André Lara Resende e Pérsio Arida. duas trabalharam no IBGE Alceo Magnanini e Wanderbilt Duarte de Barros. Mac Arthur Fondation conta a história do movimento de Conservação da Natureza no Brasil. é de alta relevância. apesar de estarem na arena figuras como Delfin Neto. expoentes de linhas de pensamento bem diversas. Celso Furtado. chamado Uma leitura Comparada das Entrevistas que demonstra o alto nível de síntese dos organizadores da obra. três possuíam mandatos eletivos no Congresso Nacional. Victor Antônio Peluso Júnior. são diálogos de profissionais para profissionais. O Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também iniciou em 1997 a publicação de sua revista GeoUerj com uma seção de entrevistas a geógrafos importantes. o livro da jornalista Teresa Urban (1998) Saudade do Matão organizado pela Fundação Boticário e a The John D. Num contexto intermediário das ciências ambientais. Milton Santos. Estão sendo sistematicamente entrevistados os principais geógrafos brasileiros que contribuíram com os seus conhecimentos para a melhoria do ensino de Geografia no país. pois em nenhum momento o diálogo resvala para a crítica fácil ou o "achismo". utilizando os depoimentos orais de seis personalidades líderes em seus segmentos. a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua. o trabalho do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. o biogeógrafo Alceo Magnanini. No que concerne à Historia Oral dos Geógrafos. considerado como um geógrafo honorário. Mas o que é ouro puro neste livro são as conversas altamente profissionais com uma importante parcela dos melhores economistas do país. onde a Geografia possui forte presença. inaugurando a série com o Professor Speridião Faissol. o Almirante e paleontólogo Ibsen de Gusmão Câmara. Roberto Campos. Dessas personalidades. Maria da Conceição Tavares. dois presidiram o Banco Central. O volume 12 / 13 já tornou-se um clássico. . pois concentra 9 dos melhores profissionais de Geografia. através da revista Geosul. Mário Henrique Simonsen. Dos 13 entrevistados. o naturalista Paulo Nogueira-Neto e o engenheiro agrônomo e administrador de parques naturais Wanderbilt Duarte de Barros. Roberto Lobato Corrêa e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro são alguns exemplos deste importante volume. O teor das entrevistas revela-se altamente profissional. O zoólogo Aldemar Faria Coimbra Filho.final. and Catherine T. João José Bigarella. além do economista Ignácio Rangel. Professores como Orlando Valverde. além de todos serem professores das melhores escolas de economia do Brasil.

crítica literária. sociologia e filosofia / teologia. antropologia. desse projeto. foram entrevistados três geógrafos: Orlando Valverde. Ainda no campo da História Oral dos profissionais. onde foram trabalhadas 23 entrevistas com funcionários e ex-funcionários do IBGE. além do engenheiro Christovão Leite de Castro. que residiu e lecionou na University of New York entre 1965 e 1998. além do importante depoimento de Cristóvão Leite de Castro (engenheiro). um projeto de depoimentos com os profissionais da casa e. Inglaterra. França e até um brasileiro. história. mas também de outros países como Gana. José Carlos Sebe Bom Meihy (1990) lança A Colônia Brasilianista: História Oral Acadêmica obra fundamental para se entender a formação do grupo de profissionais conhecido como os brasilianistas da comunidade acadêmica norteamericana. Foram gravados os depoimentos de 32 profissionais que se especializaram em Brasil nas suas diferentes atividades acadêmicas: literatura. economia. Eli Alves Penha (1993) em sua tese de mestrado A Criação do IBGE no Contexto da Centralização Política do Estado Novo já inicia um processo de abordagem da História Oral ao entrevistar sete geógrafos do IBGE a respeito das práticas profissionais. Em sua maioria americanos. também foram aplicados 28 questionários. A análise do tema Memória Institucional foi o objetivo do trabalho de Icléia Thiesen Magalhães Costa para sua tese de mestrado em Ciência da Informação na Escola de Comunicação da UFRJ em 1992 Memória Institucional do IBGE: Um Estudo Exploratório-Metodológico. Após esta revisão. além especialistas de instituições que lidavam com memória institucional. organizador da estrutura burocrática que criou o Conselho Nacional de Geografia em 1937. Gelson Rangel Lima e Aluísio Capdeville Duarte. ciência política. a estrutura que organiza esta primeira parte do trabalho está dividida em mais dois capítulos que objetivam referenciar a agência IBGE.A área de Memória Institucional do IBGE concebeu em 1991. com sua estruturação organizacional atual e estabelecer um pano de fundo cronológico que acompanhará os 60 anos de atividades geográficas da instituição. respondidos por funcionários das unidades regionais do IBGE de 11 estados brasileiros. . Wilson Martins autor da coleção A História da Inteligência Brasileira em sete volumes.

também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística. e não apenas uma referência ao poder do Palácio do Catete. além disso. que passam o comandado do país para Getúlio Dorneles Vargas em 03 de novembro de 1930. que vai muito além do simples intervencionismo estatal. ou mesmo de caráter pessoal. respectivamente.II . de 10 e 13 de julho de 1937. ex-vi dos decretos n 0s 0 24. de 24 de março de 1937. Mena Barreto e Isaías Noronha. ao Rio de Janeiro (capital federal).200. ainda. dentre elas a 0 os 31 e 5. Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia.527. O subtítulo do decreto era. Getúlio Vargas inaugura um processo político-jurídico-administrativo. sua abrangência nacional até ao nível de município.o de Geografia e o de Estatística com a denominação de "Conselho Nacional". de 17 de novembro de 1936 e 1. A saga de implantação dessas agências. Portanto. no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República: Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística....609. pelas "Resoluções" n Instituto. 1. Considerando. Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia uma série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo. ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção . O IBGE na realidade foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia que já existiam. 1 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. de 6 de julho de 1934. a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935/36. Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia e em suas considerações iniciais esclarecia . A criação dos Ministérios do Trabalho. a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do .O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? Criado pelo decreto-lei n 218 de 26 de janeiro de 1938. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede o golpe militar consolidado em 03 de outubro de 1930 pelos Generais Tasso Fragoso.. Decreta: Art. pois a principal preocupação de Vargas era de dotar o aparelho estatal de uma imagem claramente nacional.

corporativismo. Francisco Campos.documentos históricos) A importância de que se revestia um órgão como este. para que toda a sociedade percebesse que. Osvaldo Aranha Fazenda e Francisco Antunes Maciel Justiça e Negócios Interiores) lutaram pelo fortalecimento ou enfraquecimento de tal agência. Nos anos subseqüentes a 1930 e. o porta voz do governo federal seria um técnico. Período este muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (Medeiros. após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 até 1945 (Schwarztman. uma de suas parcelas mais importantes. insulamento burocrático. uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo. sem intermediações das políticas locais ou estaduais. e universalismo de procedimentos. o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas.1983). principalmente entre os novos e os antigos. e sim. (ver anexos . 1978). Nesse diálogo. Francisco Luís da Silva Campos Educação e Cultura. o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas" .criação de uma agência federal de Estatística que objetivava uma centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado. que nas palavras de Edson Nunes (1997:18) "estava isolado das disputas políticas" . sem dívida. Para este autor. A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997:18) chama de insulamento burocrático. é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente. a partir daquele momento. apresenta fundamentos políticos muito precisos para aquele período. disseminadas por grande parte do território nacional. ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e que tiveram papel influente na estruturação jurídico-política-administrativa do Estado Novo. Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre Ministérios. Azevedo Amaral. o corporativismo constitui. que exigiam pessoal técnico qualificado.. É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário. se possível em nível municipal. . mas que não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro.. sendo que para Nunes ". No caso do Instituto Nacional de Estatística criado em 1934/1936 pelo menos quatro ministros (Juarez Távora Agricultura . Oliveira Vianna.

anteriormente regidos pela C. como de Geografia. No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos. sendo seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. para sua dissertação de mestrado. da mesma forma que as empresas da iniciativa privada. elitistas todos. Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo. incorporaram-se ao aparelhamento do Estado. a criação do IBGE já foi devidamente tratada por dois autores da casa.L. para projetos específicos. que utilizou fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. por força do Decreto-Lei 161 de 13/02/1967. nos seus primeiros anos. quanto à sua relação com o poder central da república. enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. um interessante trabalho de Geografia Política. tanto de Estatística. Intelectuais que. Gonçalves (1995) e Penha (1993).T. conquistaram o casaco de veludo do mandarinato. A partir de 1990. Ao se analisar todo o período de existência do IBGE. XII). é possível perceber quatro fases distintas. O órgão. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República. a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam ter contratos de trabalho. além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal. até a sua fusão no IBGE. transferindo todos os seus funcionários. É com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo que se deve avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. geralmente sendo coordenada por um ministro de estado (Planejamento ou Fazenda). criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo. Entre 1967 e 1990. A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores. “pertencem à categoria algo difusa. dos intelectuais. (Consolidação das Leis do Trabalho) para a esfera do funcionalismo público federal. Membros da elite. o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal..” (p. sua história. para transformar o IBGE em agência executiva do governo. Em 1993. Apesar desses mecanismos iniciais.T.. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu. entretanto. o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único. . algo identificável. foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático. não é imune a controvérsias. com autonomia financeira e possibilidade de contratação por C. está em andamento uma nova mudança de vinculação. em algum momento.Raimundo Faoro em seu prefácio à obra de Medeiros diz que estes personagens. Para o ano 2001.L.

da Junta Executiva Central (JEC). o segundo. emprego e renda. infra-estrutura. a levantamentos socio-ambientais em escalas regional e nacional.org. será necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE. Para complementar o entendimento sobre o órgão durante os anos 90.fbds. produção. que foi montada a partir de 1934 ( decreto 24 609 de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936. por coincidência. foram também incluídos dois trabalhos compilatórios: o primeiro referenciado ao conjunto de leis e decretos que deram suporte jurídico ao Conselho Nacional de Geografia (IBGE. que lista boa parte da legislação externa e interna ao órgão como as resoluções das Assembléias Gerais dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia (AG/CNE e AG/CNG). a antiga e CD a atual). controlando todas as estatísticas básicas de demografia. à Cronologia do IBGE. é importante considerar ainda os documentos elaborados em 1994. Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística.br/simon/relat. consumo. Antes porém. Tendo como marco inicial essas referências. passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE.Além desses autores. uma das poucas agencias governamentais no mundo. indo do levantamento geodésico e cartográfico até a confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas.1952) e. em função de problemas corporativos). cobrindo todas as unidades da federação. também exerceu a presidência da casa entre 1986 a 1988 (num período particularmente turbulento. do Diretório Central (DC) e do Conselho Diretor sob duas siglas (COD. este trabalho se dispõe a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes que. No campo das estatísticas. abarcando desde áreas de pesquisa ecológica em sua Reserva Ecológica do Roncador no Distrito Federal. Esta complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações. em que se operam todas as etapas de reconhecimento territorial. seu alcance é ainda maior. pelo então presidente Simon Schwartzmwan (19941999) durante sua gestão. A Rede de Coleta A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações.htm). 1993). coordenada por Icléia Costa (1998). . que trataram especificamente sobre o papel do IBGE no contexto dos órgãos de pesquisa do Governo Federal do Brasil e que apontam para um projeto de criação de uma agência executiva controlada por um projeto de gestão (http://www.

chefiada pelo agente do IBGE e. que viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 30. Os questionários serão. dependendo da importância desse município.PME. conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística. a estrutura básica da rede era estabelecida pelo município. Para se ter uma medida do quantitativo desse pessoal especializado. Tais recursos tecnológicos possibilitarão a divulgação dos resultados preliminares do censo em dezembro de 2000. 1 . em ambiente de banco de dados especialmente construídos para a operação. a pesquisa de índices de preços .O processo de coleta de informações é iniciado nos escritórios centrais do IBGE.507 municípios recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro. e também que demandam pessoal especializado (estatísticos. Esta rede foi uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE). cartógrafos). utilizando-se scaners e as informações contidas neles automaticamente testadas por programas estatísticos de verificação de consistência dessas informações. economistas. pesquisa mensal de emprego .PNAD. no Rio de Janeiro. utilizam contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados . Na atualidade. por exemplo. pesquisa nacional de amostra por domicílio . pela primeira vez.000 pesquisadores em todo o Brasil. Até o final da década de 1980. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico. onde são planejadas as campanhas de coleta de informações e se estabelece no nível do município. pesquisa de orçamentos familiares – POF. lidos por processo óptico. Para a operação censitária de 2000. agrônomos. a campanha da PNAD 96 que ocupou mais de 2. poderia ter dezenas de funcionários. o IBGE treinou 200.000 recenseadores para trabalharem em 5. São elas que se responsabilizam pela coordenação das agências de coleta localizadas nos municípios e pelas equipes que operam em pesquisas específicas. onde se encontra a Agência Estatística Municipal . No distrito sede de um município localizava-se a agência de coleta (Agência Municipal de Estatística). as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE como. tome-se como exemplo. 1 Em grandes cidades e nas áreas metropolitanas a rede de coleta se estrutura de maneira mais detalhada subdividindo-se em Distritos e bairros. Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos Estados.INPC.

situadas em municípios com alguma centralidade. a grande maioria das agências municipais são alugadas com recursos próprios do IBGE. uma biblioteca básica sobre a região e o estado. é o poder executivo quem mais se relaciona com o IBGE garantindo. um espaço físico para a AME. que controlam as atividades administrativas da rede. No ano de 1990. na maioria dos casos. Para o idealizador da rede de coleta de dados. inclusive estabelecendo uma planta baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação informações (Costa. ou pesquisadores que demandassem informações sobre o município e sua região limítrofe. na parte em que tratou dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística. Uma agência municipal de estatística sempre é criada através de uma relação de interesses entre o IBGE e os poderes municipais (Prefeitura.A Agência Municipal de Estatística (AME) é a ponta de uma intrincada rede organizada no início dos anos 30 para prover o Governo Brasileiro de informações sobre as condições demográficas. mas ainda existem casos de coabitação da AME em prédios pertencentes às prefeituras ou a algum outro poder municipal. em contato com a delegacia estadual ou escritório de informações situado na capital da unidade da federação podia solicitar material de divulgação para usuários moradores nos respectivos municípios. Juizados e Tabelionatos). O livro de Joaquim Ribeiro Costa Manual do Agente Municipal de Estatística editado em 1960. econômicas. muitas vezes longo e penoso de profissionais como professores. Em cada DERE há uma unidade chamada Divisão estadual de pesquisas (DIPEQ). como anuários. sobre o Estado e o município na qual a agência está localizada. funcionários das prefeituras. Atualmente. reduziram a estrutura da rede de coleta para apenas 500 agências. Esse processo de divulgação incluía um arquivo de dados sobre o município. no capítulo IV Aparelhamento das Agências detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência padrão. Mário Augusto Teixeira de Freitas. além de uma coleção de obras gerais do IBGE. e gerenciadas por oito departamentos regionais (DERE). sociais e administrativas do país. 1960). evitando assim um deslocamento. mapas regionais e estaduais. as grandes modificações por que passou o órgão. a AME deveria ser um misto de escritório de coleta de informações e de divulgação de dados sobre o IBGE. Normalmente. de . Câmara dos Vereadores . que coordena as atividades de coleta. A agência.

nos anos 0. objetivando otimizar a logística de obtenção de informações. no contexto do Projeto Presença do IBGE2. em todos os domicílios do país. em função de estudos de acessibilidade das agências. Mapas que delimitam os setores censitários (urbanos e rurais) de todos os municípios brasileiros e que são sistematicamente atualizados antes de qualquer operação censitária. As duas mais complexas e caras campanhas censitárias são as dos censos demográfico e agropecuário. condições do domicílio. Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE. meso e micro regiões. O segundo. Quinqüenalmente e decenalmente. sexo. A estruturação da logística censitária. renda. tipos de energia consumida. Industrial. maquinaria. movimentos migratórios etc. No início de 1999. informações sobre a estrutura de sua população: idade. escolaridade. município e distrito). . O primeiro. contabilidade.Atualmente. animais. foram iniciadas as pesquisas para uma futura reorganização espacial da rede de coleta. que cobrem uma ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais. isto é. num país de dimensões continentais como o Brasil. A rede também possui fortes vinculações com a Diretoria de Geociências (DGC) através da organização dos mapas que configuram as Bases Operacionais Geográficas dos Censos (Demográfico e Econômicos). por sua complexidade de informações . os censos econômicos Comercial e de Serviços) e. A Área de Estatística 2 Projeto de reestruturação da agencia visando uma otimização da rede de coleta. nos anos 0 e 5. através da Diretoria de Pesquisas (DPE) e de campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade.somada às dificuldades de acesso aos estabelecimentos rurais nas áreas mais distantes. que é previamente orçado e aprovado pelo Congresso Nacional. sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística. além das unidades de área institucionalmente conhecidas (Estado. o Departamento de Geografia da DGC organiza a regionalização do país em macro.que envolvem conhecimentos específicos de produtos agrícolas. toda a rede reporta-se à Diretoria de Planejamento e Coordenação (DPC). indo das pesquisas mensais até as anuais. levantar. é uma tarefa que envolve milhares de pessoas e muito dinheiro. (Agropecuário. por seu objetivo principal de contar todo o universo populacional brasileiro. Além disso. a rede de coleta se amplia para dar conta das tarefas censitárias que cobrem. . mão de obra etc. o Censo Demográfico. atividade profissional. que são também utilizadas para o processo de divulgação dos dados estatísticos.

. principalmente após os anos 60 e 70. as taxas de emprego e desemprego. universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado. o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas . pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas. ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país. Sendo a Estatística a principal atividade fim do Instituto. Cabe. definindo novas pesquisas. Os exemplos dos índices de preços e de emprego / desemprego são alguns dos mais polêmicos. como as dos estados do Sudeste e Sul com as dos estados nordestinos ou nortistas. Cabe. portanto. que analisa as estatísticas sob duas óticas: a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores) colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (Senra. Os principais problemas inerentes a este papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra. o índice de crescimento industrial e outros. emprego. como o índice de preços que estabelecia o índice de inflação. quando as pesquisas econômicas conjunturais. 1998). informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação. que o IBGE organizou. fundada em 1953 e que. passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou decréscimo da economia nacional. secretarias estaduais de planejamento. estabelecendo metodologias. Além dos indicadores econômicos. acesso a serviços básicos de infra-estrutura etc. a Estatística também trabalha com indicadores sociais.ENCE. também. Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas. além de acompanhar tecnicamente as estatísticas das demais unidades da federação. Demografia e Análise de Dados. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística / Informática e de Geodésia / Cartografia que eram muito disputados.É na área de Estatística. ampliou sua oferta oferecendo cursos de pós-graduação "latu-sensu" nas áreas de Amostragem. renda. a partir de 1984. saúde. juntamente com os ministérios militares). coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (a exemplo das estatísticas militares no período da 2 a Guerra. ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração. representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE) que o IBGE apresenta a sua imagem mais clara para a sociedade. ao IBGE tentar "o equilíbrio entre o desejável e o possível" de que nos fala Nelson Senra no sub-título de seu trabalho.

que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou. juntamente com as demais forças armadas. vem desde 1937. normalmente arbitrados pelo poder judiciário. 1: 100 000. com as resoluções da Junta Executiva Central (JEC) do Conselho Nacional de Estatística organizando estágios. ainda. foram ministrados cursos especiais para atualização de professores universitários. Em caso de litígios entre essas unidades. Ademais.Em 1993. e 1: 25 000. os parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE. A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. 1: 250 000. É também o IBGE. Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. Posteriormente. tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional. entretanto. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. que iniciou seus trabalhos em 1937 no bojo do Conselho Nacional de Geografia. definindo níveis de aptidões para o ingresso na carreira e. A atuação do IBGE na formação e qualificação profissional. instituindo o primeiro curso anual de aperfeiçoamento estatístico. realizado e organizado pela área de Cartografia que. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. planimétrica e gravimétrica. é atribuição da área dar apoio técnico às operações de mapeamento das a a o a a . assume sua especificidade em 1945. esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa. A Área de Geodésia e Cartografia A Geodésia. com a estruturação das redes altimétrica. atuais 5 a 8 série e 2 Grau). Na área da Geografia. 1: 50 000. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. definidos por resoluções do Diretório Central do Conselho Nacional de Geografia visando a dois públicos alvo: os professores do ensino primário (atual 1 a 4 série do primeiro grau) e professores do ensino secundário (antigos Ginasial e Colegial. que determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. em 1939. que se tornaria o embrião da futura ENCE. Um detalhamento maior dessas atividades de aperfeiçoamento na Geografia será dado na parte V deste trabalho. levando em consideração as negociações entre as partes. os primeiros Cursos de Informações Geográficas foram ministrados em 1946. O segundo grupo era composto de professores que deveriam possuir diploma de curso superior. tanto na escala municipal quanto na estadual.

por sistemas eletrônicos. encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. adquiridos à Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e à International Busines Machines . linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. A partir da década de 70. que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE. quanto cartográficas ficam disponibilizadas em bancos de dados que. municípios. constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão. Para uma visão histórica desses processos. que garante a distribuição dos royalties provenientes da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira. hidrografia. para fins de demarcação das proporcionalidades de área. Três outros tipos de incumbência interessantes de que a Cartografia participa fortemente são: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas. para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração (o exemplo dos municípios fluminenses situados frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante). tanto estatísticas. na década de 60. foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e. componentes da infra-estrutura (estradas. distritos. e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. vegetação). principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas. quando solicitado. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede Internet). Cabe também ao órgão auxiliar o Ministério das Relações Exteriores. que estabelece a produção de bases digitalizadas visando o georeferenciamento de pontos e linhas que impõem limites entre áreas (setores censitários. Entre os anos 40 e 50.IBM (sistema 1401). a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil. além da cooperação com as da Força Aérea. ferrovias. unidades federadas). os quais são atualmente utilizados em organização de Atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados (que vão de informações alfa numéricas simples a complexas imagens e sons em tempo real. . Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática.Bases Operacionais Geográficas dos censos. no acompanhamento dos limites internacionais. até o início da década de 40. Área de Informática Todas essas informações. deve-se consultar o trabalho de Francisco Romero Freire (1993). a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional.

89 GBYTES por endereço (39825 trilhas e 2.84 GBYTES por endereços (50. estando em elaboração a nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta.5 Mbytes/segundo. Além disso.CDDI. portanto. e 512 Mbytes. por um período de até 48 horas.665 cilindros). e ser acessado por 2 000 terminais remotos. mais um servidor que executa tarefas específicas que exigem grande .O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE. principalmente os que operam com grandes massas de dados. no caso de falta de energia . a Diretoria de Informática . memória CACHE de 256 MBYTEs. onde a utilização de grandes computadores é prioritária. As memórias CACHE permitem otimizações nas operações com os discos magnéticos e são preservadas com auxílio de baterias.IBI e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações . criado em 1989. criada em 1971 com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática . A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada. o sistema gerencia mais 92 servidores e 1221 estações de trabalho localizados nas unidades do IBGE em nível de capital de estado e no Distrito Federal.665 cilindros). O sistema que passou a operar em 1998 está composto por Um (1) IBM-9672 modelo R32 (triprocessador) com 192 Mbytes de memória central e 1024 Mbytes de memória expandida.89 GBYTES por endereço (39. A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte. O sistema que operava em 1994 era um IBM 9021 com 1. O computador central é hoje. com capacidade de 2. O processador opera com 60 mips (milhões de instruções por segundo) e possue o dispositivo PRSM que permite sua divisão em partições lógicas de processador. Duas controladoras IBM-3990 modelo G03 com memória CACHE de 32 Mbytes e duas controladoras IBM 3990 modelo G06. qualificado para trabalhar com programas pesados.825 trilhas e 2. 104 canais com taxa de transferência de até 4. Doze (12) unidades de discos IBM-3380 modelo BK4 com quatro endereços por unidade e capacidade de 1. Dezesseis (16) gavetas IBM 9392-B13 emulando 64 endereços de discos IBM 3390.339 cilindros). onde já estão instaladas 1706 estações de trabalho.DI. Quatro (4) unidades de discos IBM-3380 modelo AK4 com quatro endereços por unidade.2 Gigabytes de memória central e equipado com discos que podiam armazenar 242 Gigabytes de informação. Este novo sistema sustenta uma grande rede de 44 servidores localizados no Rio de Janeiro que já integram uma arquitetura de 2180 pontos de rede. capacidade de 1.085 trilhas ou 3.

Essa pesquisa. por exemplo. Por ocasião do lançamento dos resultados do Recenseamento Geral do Brasil de 1940. rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações. e seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico. onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE.espalha-se obrigatoriamente até aos escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs). 1941). como no caso do recente lançamento do site IBGE Teen e a preparação de um novo site para o público infantil (IBGE Kids). uma extensa obra sobre os problemas educacionais brasileiros em dois volumes. em 1943 a obra de Fernando de Azevedo A Cultura Brasileira . por exemplo. quanto cultural. Além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e estudos que são distribuídas pelos seus pontos de vendas tradicionais. como no caso de sua nova loja virtual que vende os produtos do órgão na grande rede . É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade. está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e de suas relações com as demais áreas da casa.capacidade de memória como. através dos SDDIs localizados nas capitais estatuais e na maioria das agencias de coleta. por ocasião da Primeira Conferência Nacional de Educação (IBGE. a coleção de Tipos e Aspectos do Brasil. além do uso intenso da rede Internet. criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. 1975 10 ed. os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão. através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público adolescente. além do gerenciamento da rede. Por exemplo. foram editadas obras que referenciavam o IBGE com áreas da educação e da cultura. É também no CDDI que se encontra a área da Memória Institucional. que compilou desenhos de Percy Lau e Barboza Leite sobre os mais diferentes aspectos da vida.um dos mais completos retratos da evolução da sociedade brasileira feitos após a revolução de 1930. costumes sociais e atividades profissionais de diversas regiões brasileiras (IBGE. Sua estrutura de atendimento . Nos anos 50.além das mídias inseridas na Internet. durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. como os disquetes e CD-ROMs e DVDs.). em 1941. utilizando tanto a linguagem técnica. os lançamentos a . situadas em cidades médias. e no ano 2000. No caso da disseminação de obras culturais. Área de Disseminação de Informações Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de propagar as informações coletadas ou geridas pelo órgão.

evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais. além de ilustrações históricas e mapas de época e de fotos do acervo da Memória institucional do IBGE que retrataram as múltiplas facetas desta saga de ocupação do território brasileiro (IBGE. Manabu Mabe. na medida em que os novos geógrafos eram formados na Universidade e adquiriam experiência profissional. onde os 36 volumes foram reduzidos em 18 CD ROMs. onde 11 historiadores especializados em “nações” que povoaram o Brasil escreveram artigos sobre seus respectivos objetos de pesquisa. . como fica evidente nos trabalhos de Lia Osório Machado. Área de Geografia A área da Geografia foi propositadamente deixada para o final. que obrigou a todos os municípios montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940. A segunda necessidade foi sendo organizada mais lentamente. pelo uso de links com o sumário e a possibilidade de impressão seletiva das páginas pesquisadas. para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. Eram necessidades que garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas. a fim de possibilitar uma navegação mais rápida. 2000). Por fim. tanto no contexto físico. tanto em campo.da coletânea Brasil 500 anos de povoamento . Este livro. Anna Bella Geiger. pois ocupará a maioria dos capítulos subseqüentes. A primeira necessidade vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940. Embora a Geografia brasileira. fundamentalmente. quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior. entretanto. já possuísse um razoável lastro. sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (Machado. a edição fac-similar da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros em CD ROM. ricamente ilustrado com imagens de pinturas e gravuras de artistas renomados como Anita Malfatti. assinalar que sua incorporação ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras foi.1995 e 1999). Tadashi Kaminagai. quanto no humano e econômico. É importante. Rubens Gerchman. nos anos 30. que poderiam elevar os custos do processo. foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937. o resultado de duas necessidades com as quais o Governo Federal se ressentia nos anos 30: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro. sua sistematização e aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não havia sido tentada.

e objetiva orientar temporalmente o leitor na saga da Geografia e dos Geógrafos do IBGE. o . desenhista Miguel Alves de Lima que. foi posteriormente entrevistado especialmente para esta pesquisa. quanto as orais de quem viveu partes do processo . Os dois primeiros deram seus respectivos depoimentos ao CDDI em ocasiões diferentes. O último capítulo introdutório estabelecerá um pano de fundo cronológico. para isso. foram utilizadas Os três profissionais que vivenciaram a fase inicial (1937-1938) de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG).É justamente sobre a participação do IBGE na história da estruturação do tanto as fontes documentais. tornou-se geógrafo. são o engenheiro Cristóvão Leite de Castro. posteriormente. assim como o professor Miguel Alves de Lima. sendo que o professor Valverde. por convite de Cristóvão e foi oficialmente contratado em 1 de outubro do mesmo ano e o. transferida para formar o núcleo inicial do Conselho Brasileiro de Geografia em 13 de outubro de1938 (IBGE. que se desenrolou ao longo desses 60 anos. ainda lúcido e produtivo. o geógrafo Orlando Valverde. Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro (SPTB) que este trabalho versa e. chefe da Secção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. que ingressou em julho de 1938.1952:74). na época.

Para tal.. vindo do Ministério da Educação e Saúde Pública. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. que vieram iniciar suas carreiras de pesquisadores aqui. Na tentativa de demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte nos campos científico e tecnológico são os de maior peso. como no caso do General Juarez Távora no Ministério da Agricultura. considerado um dos mais importantes geógrafos da França. em termos cronológicos. quanto interno à Geografia ibegeana. foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial. Revolucionários de primeira hora são colocados em postos-chave. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. 1933 a 1938 . de Emmanuel de Martonne. onde seus respectivos títulos informam. uma fase de estruturações/restruturações da máquina governamental federal. foram definidos 13 períodos de tempo (com uma introdução que referencia aos cinco anos anteriores a 1938 e mais aos doze restantes). No lado técnico do novo governo. Sua posição como Presidente da União Geográfica Internacional (UGI) garantiu as tratativas de organização dos cursos superiores formais de Geografia. quanto no Rio de Janeiro. após a Revolução de 1930. tanto em São Paulo. É importante ressaltar ainda a vinda ao Brasil. No caso de São Paulo. É. embriões do IBGE ( Presidente da República – Getúlio Dorneles Vargas 1930-1937. Educação/Saúde e Indústria e Comércio). criador do Instituto Nacional de Estatística e principal emulador do processo de organização de uma agência que dará subsídios cartográficos ao aparelho estatístico brasileiro. No âmbito externo ao IBGE. deve ser destacado o do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. além das políticas de recursos humanos.O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE O principal objetivo deste capítulo é fornecer um quadro de referência que oriente o leitor não familiarizado com a história da Geografia no IBGE. principalmente no que se referiu à indicação de jovens professores franceses. Em âmbito interno. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/ 1936 . . Pierre Mombeig e no Rio de Janeiro a figura de Pierre Deffontaines. marcadamente. escalas de análise e áreas. Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia CNG – Christóvão Leite de Castro 07/04/1937 .III . em 1933.A Fase Introdutória de Criação do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia. como a criação de novos Ministérios (Trabalho.) O contexto político é marcado pelas ações centralizadoras da primeira fase do Governo Vargas. além de iniciar o processo de criação de um futuro núcleo de pesquisadores em Geografia lotados no Governo Federal. de maneira geral. determinadas conjunturas tanto de cunho externo.

ainda. É a primeira contratação do novo órgão. 1974:96-98) e Teixeira de Freitas permitiram que o setor de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura . . para não mencionar algumas transferências feitas entre Ministérios. Orlando Valverde é contratado em 1938. • 1938 a 1945 . como secretário do Conselho Nacional de Geografia. com os Conselhos Nacional de Estatística e de Geografia entrando em funcionamento em 1938.As relações entre Juarez Távora (Távora. através da influência de Emmanuel de Martonne. Em 1941 foi adotada uma divisão regional do Brasil. Jorge Zarur. além de servir de base para a divulgação de dados estatísticos. enfatizando a centralização administrativa e ampliando os níveis de responsabilidade federal. quanto da Universidade. ao preparar os cursos iniciais das primeiras turmas de Geografia da Universidade do Distrito Federal (UDF) e orientar metodologicamente os objetivos do que seria o futuro Conselho Brasileiro de Geografia. A determinação de Getúlio Vargas em criar novos padrões de governo. professor francês que orientou e treinou dezenas de geógrafos. inclusive formando seu primeiro núcleo técnico. O contexto epistemológico da época era referenciado pela escola francesa de geografia. Pierre Deffontaines e de Pierre Monbeig que. posteriormente. é o pano de fundo que referencia à criação do IBGE em 1937 e à reestruturação da nova agência. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 . através do crescimento da burocracia estatal.fosse transformado em um novo Conselho Brasileiro de Geografia. (ver anexos documentos históricos) A figura do geógrafo francês Pierre Deffontaines torna-se a mais importante referência de formação profissional desse período e irá. além de organizadores de cursos nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. tanto do CNG.. além de auxiliar nas tratativas diplomáticas para inclusão do futuro órgão na União Geográfica Internacional (UGI) e criar a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e instalado solenemente em 01 de julho de 1937. entre 1940 e 1956. foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos do Brasil. com a vinda de Francis Ruellan.chefiado por Cristóvão Leite de Castro e já contando com as presenças de Fábio de Macedo Soares Guimarães. influenciar fortemente o próximo.) Esse período se dá no contexto do Estado Novo até a primeira queda de Vargas.Estruturação inicial do Conselho Nacional de Geografia no contexto político do Estado Novo: os primeiros trabalhos de referência e as primeiras ações de aperfeiçoamento do pessoal (Presidente da República – Estado Novo– Getúlio Dorneles Vargas 1937-1945. Este processo se consolida. elaborada por Fábio de Macedo Soares Guimarães e colaboradores que. Miguel Alves de Lima entre outros . Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 20/05/1936 .

pois ainda repercutiam as conseqüências da deposição de Vargas em outubro. isto é. um executivo ampliado e altamente centralizado. Em 1942 Jorge Zarur segue para os Estados Unidos para aperfeiçoamento na Universidade de Winsconsin. Ao mesmo tempo. embora o texto mantivesse a estrutura criada por Vargas. sua substituição por José Linhares e a eleição do General Eurico Gaspar Dutra em dezembro de 1945. é promulgada uma nova Constituição que recoloca o país na democracia. Elza Keller. Miriam Mesquita. . portanto. o que garantiu a manutenção da estrutura do IBGE durante o novo governo. Com esse grupo. No campo do conhecimento geográfico. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. ao longo desses 60 anos. Por conta dessas articulações. Além disso.As demandas do pós-guerra e a introdução de um aparato epistemológico na pesquisa (Presidentes da República – José Linhares 1945-1946 e Eurico Gaspar Dutra 19461951. indo posteriormente para a Universidade de Chicago. onde gradua-se como Master of Arts em 1943. É importante lembrar que eram os meses finais da Segunda Guerra e que a Europa ainda não podia arcar com a estada de alunos estrangeiros.foi também o embrião de uma idéia de planejamento espacial para o governo federal. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 – 12/07/1950) O contexto político-institucional da época era bem turbulento. articula com as autoridades americanas e o IBGE a ida de geógrafos brasileiros para cursos de aperfeiçoamento em Geografia. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. em 1945 seguem para os Estados Unidos cinco geógrafos do IBGE com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e de planejamento regional: Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. onde estuda pesquisa de campo. • De 1946 a 1950 . nunca foi interrompido. Pedro Geiger. Abria-se. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/1936 – 30/01/1951. os fatos mais importantes foram a vinda de Leo Waibel em 1946 e a ida para a França -recém saída da guerra.3 n.2 abr/jun 1941). em setembro de 1946. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível que. (RBG v. um campo novo para a absorção de conhecimentos da escola americana de Geografia.de um grupo de cinco geógrafos do IBGE indicados por Francis Ruellan (Miguel Alves de Lima.

jul/set 1950 ] por sinal. por intermédio de Cristóvão Leite de Castro. Nos anos seguintes. um número que se tornou clássico para o tema. conseguem que o CNG do IBGE convide Leo Waibel para trabalhar no Brasil. onde conhece Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde que. Além dos geógrafos de formação. Jones (1948) e Preston James (1949) também vieram pesquisar e treinar os técnicos do IBGE. com doutoramento em Hidelberg e tinha passado pela Universidade de Bonn. Um ótimo exemplo de profissional de geologia que sabia escrever sobre os processos de ocupação humana em termos espaciais. O vasto conhecimento de Waibel em Geografia Agrária ampliou os horizontes de um grupo seleto de geógrafos do CNG que trabalhava com o processo de colonização sob demanda do governo federal. O Homem e a Restinga. foi Alberto Ribeiro Lamego que. por ocasião de suas estadas no Brasil.fase de consolidação da Geografia do IBGE e o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional . em 1947. estavam lá um artigo de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa – RS. que também lecionava na Universidade do Brasil.Héldio Xavier César). em que ele avaliava sinteticamente seus estudos no Brasil. elabora um plano de mudança da capital federal.4 out/dez 1949). Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” RBG 12 (3). o IBGE recebia também outros profissionais que se mostravam capacitados a elaborar estudos geográficos. os americanos Clarense F.11n. (colocar o artigo de Cybele de Ipanema) Os americanos Clarense Jones e Preston James também trabalharam bastante no tema [ colonização. Leo Waibel vem trabalhar em pesquisa geográfica exclusivamente no IBGE. objetivando estabelecer a posição da cidade. tendo como relator Fábio de Macedo Soares Guimarães (RBG v. O objetivo desses estudos era a escolha de um sítio físico otimizado para a futura capital. criando-se assim uma nova matriz epistemológica a somar-se com a francesa. sob a orientação de Waibel. que já era tradicional. o grupo de Francis Ruellan. onde tinha sido diretor do Instituto de Geografia. também. composto de profissionais do IBGE e alunos do curso de Geografia da Universidade do Brasil. Nesse projeto atua. no período compreendido entre 1940 e 1950. pois além do artigo de Jones. • De 1951 a 1956 . Waibel era alemão. Com o crescimento do nazismo. Waibel emigra para os Estados Unidos e vai lecionar em Wisconsin. Esse mesmo grupo. diferentemente de Francis Ruellan. O Homem e a Guanabara e O Homem e a Serra. e o de Leo Waibel. escreveu quatro grandes obras para o CNG: O Homem e o Brejo.

Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce .Fernando Flávio M. Keller o nível de alta qualidade que haviam alcançado os profissionais do IBGE. após novas eleições. encontra um Brasil diferente daquele do Estado Novo. ainda referenciadas à figura de Teixeira de Freitas (aposentado em 1948) acabou por gerar uma crise de poder com o CNE. Deoclécio de Paranhos Antunes – 14/04/1953-27/09/1954. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro . No panorama dos estudos geográficos.Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. onde o CNG foi um dos principais membros da Comissão Organizadora Nacional. a matriz francesa ainda continua em evidência e o acontecimento mais importante do período é a organização do XVIII Congresso Internacional de Geografia no Rio de Janeiro. A publicação dos nove Guias de Excursões do Congresso mostrou instituição. Carlos Luz e Nereu Ramos 1955-1956 e Juscelino Kubitschek 1956Presidentes do IBGE – Djalma Poli Coelho 02/05/1951-09/09/1952. Secretários Gerais do CNG – Virgílio Corrêa Filho – 12/07/1950–28/04/1951. A industrialização e a conseqüente urbanização haviam alcançado escalas nunca vistas e uma classe média urbana começava a surgir.(Presidentes da República – Getúlio Dorneles Vargas 1951-1954. posteriormente. João Café Filho 1954-1955. iniciado em janeiro de 1951. No IBGE. entre 1951/1952. como política econômica.Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes 5. O conceito desenvolvimento nacional torna-se prioridade nas discussões da sociedade e o nacionalismo. de Lima 2. toma forma nas campanhas de criação da Petrobrás e Eletrobrás.Lysia Bernardes 6. através de uma vitória eleitoral que quase alcançou a maioria absoluta. Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo . Luís Eugênio Peixoto de Freitas Abreu – 03/10/1952–13/02/1953. Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense . Florêncio Carlos de Abreu e Silva 15/09/1952-21/09/1954. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras . Bahia . José Carlos de Macedo Soares 17/11/1955-03/05/1956. Vale do Paraíba. o que resultou em inquérito administrativo e. estruturado por Hilgard O’Reilly Sternberg da Universidade do Brasil. iniciando um novo governo transitório até 1956 quando. Juscelino Kubitschek é eleito. Almeida e Miguel A. Elmano Gomes Cardim 27/09/195417/11/1955. Fábio de Macedo Soares Guimarães – 30/09/1954-22/11/1956 ). Edmundo Gastão da Cunha – 03/05/1951-29/09/1952. a nomeação do General Djalma Polli Coelho . José Veríssimo da Costa Pereira – 13/02/1953 –14/04/1953.um Engenheiro Cartógrafo muito ligado ao Serviço Geográfico do Exército. e de idéias conflitantes com as que geriam as atividades estatísticas do IBGE.Ney Strauch 3. Em 1954 uma crise política leva Getúlio ao suicídio. na sua exoneração e no seu prematuro falecimento. pois apenas três autores estavam fora do quadro da .Ary França ( Universidade de São Paulo ) 4. O novo período Vargas. 1.

Presidentes do IBGE – Rafael da Silva Xavier 10/02/1961-09/11/1961. René de Mattos 06/04/1964.. além das estradas Brasília .Mário Lacerda de Melo ( Faculdade de Filosofia de Pernambuco) 8.) . José Joaquim de Sá Ferreira Alvim 13/11/1961-01/10/1963. O Congresso Internacional de Geografia ocorrido no Rio de Janeiro em 1956 estreitou ainda mais os laços entre a Geografia francesa e os geógrafos do IBGE.Belém e Cuiabá . Roberto Bandeira Accioli 14/10/196331/03/1964. Atlas do Brasil e a Carta do Brasil ao Milionésimo.Porto Velho. Waldir da Costa Godolphim 14/04/1964-06/10/1964. ampliação da capacidade de geração de energia e das redes de transporte. João Belchior Dias Goulart 1961-1964. que talvez tenha sido o maior e mais completo conjunto de trabalhos geográficos sobre o Brasil em um curto espaço de tempo: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. o novo Distrito Federal. as coleções Grandes Regiões.A transição entre as demandas por interiorização e as questões industriais do período desenvolvimentista de JK (Presidente Juscelino Kubitschek 1956-1961. com industrialização acelerada. agora. sendo eles os responsáveis pelo gerenciamento dessas obras organizadas no final dos anos 50. Lideravam a área de Geografia os geógrafos Speridião Faissol como Secretário Geral do CNG e Antônio Teixeira Guerra na Divisão de Geografia. • De 1961 a 1965 . além de introduzir um componente geográfico importante: a marcha para o interior. Speridião Faissol 09/12/1958-10/02/1961) A era Kubitschek inaugura uma linguagem nacionalista sem xenofobismo.08/05/1956-31/12/1961. o CNG lançou um conjunto de obras. através dos professores Michel Rochefort e Jean Tricart. Rochefort inicia seus contatos com os geógrafos do IBGE sobre sua pesquisa de doutorado em métodos de trabalho sobre redes urbanas e Jean Tricart amplia os métodos de pesquisa em Geomorfologia tropical.Subsídios para o planejamento territorial e a ‘descoberta’ da urbanização brasileira: o divórcio entre as geografias física e humana (Presidentes da República – Jânio da Silva Quadros 1961. A EMB foi uma obra ciclópica que envolveu um grande número de profissionais de diversas disciplinas. Nordeste . Presidente do IBGE Jurandir Pires Ferreira . Como reflexo ainda dos esforços empreendidos na realização do Congresso Internacional de Geografia de 1956. Brasília em um quadrilátero situado no estado de Goiás. Secretário Geral do CNG – Virgílio Corrêa Filho 22/11/1956-08/12/1958.Lúcio de Castro Soares 9. Amazônia .Speridião Faissol 21/11/1963-06/04/1964. com a decisão de construir a nova capital. Aguinaldo José de Senna Campos 10/04/1964Secretários Gerais do CNG . Planalto Meridional do Brasil .Waldir da Costa Godolphim 21/11/1961-21/10/1963 . Ranieri Mazilli 1964 e Humberto de Alencar Castelo Branco 1964.7.Orlando Valverde • De 1956 a 1961 .

René de Mattos 06/04/1964-24/04/1967. capital estrangeiro. comunismo.. Em conseqüência deste fato.Secretários Gerais do CNG. Lúcio de Castro Soares 05/09/1967-06/09/1967 – Diretor Superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia Miguel Alves de Lima – 06/09/1967.Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão – 1968 . eram constantes na imprensa e nas conversas.Castelo Branco e Costa e Silva .. Miguel Alves de Lima 24/04/1967-05/09/1967. com o crescimento da importância dos estudos urbanos e industriais nos programas de planejamento de governo. os profissionais de Geografia Urbana e Regional do CNG estabeleceram um padrão de conhecimento sobre a estrutura urbana brasileira que. uma análise do arcabouço urbano do Brasil objetivando a determinação de pólos de desenvolvimento. foi solicitada ao IBGE. Expressões como Reformas de Base. Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967. O processo de planejamento voltouse para si iniciando um período de reciclagem. República Sindicalista.) No plano político-institucional. Os trabalhos de Jean Hautreux e Michel Rochefort sobre a rede urbana da França são absorvidos pelos geógrafos urbanos e regionais do IBGE que adotam esse método de estudo: a determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional através da análise do setor terciário das cidades envolvidas. forças populares. porém traumático "intermezzo" sob a Junta Militar. e outro. É uma fase altamente conturbada. político de desagregação. subversão. Arthur da Costa e Silva 1967-1969. fora do IBGE. É o período em que se inicia o divórcio entre a Geografia Humana e a Geografia Física. . o Brasil entra na efêmera era de Jânio Quadros. uma das mais importantes pesquisas feitas nesse período. pelo Ministério do Planejamento. O trabalho de Lysia Bernardes sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (1964) é. ao se valer dos ensinamentos de Michel Rochefort no trato de problemas sobre sistemas de cidades. criou dois tipos de clima: um econômico. • De 1965 a 1969 .Agnaldo Senna de Campos – 10/04/1964-03/04/1967. Como resultado natural dos ensinamentos de Michel Rochefort. sem dúvida. de franca recuperação. A sucessão de Atos Institucionais. poucos. Junta Militar 1969 e Emilio Garrastazu Médici 1969Presidentes do IBGE. transita nas indefinições de João Goulart e cai nas malhas dos Governos Militares. emolduram o período como um dos mais conturbados da República. a seqüência de dois governos militares . imperialismo. carregada de ideologias e extremismos. poderiam ter.além de um rápido.Após o período desenvolvimentista de Kubitschek.A integração do IBGE ao modelo de desenvolvimento urbanoindustrial e sua primeira grande mudança administrativa (Presidentes da República – Humberto de Alencar Castelo Branco – 1967. o surgimento da guerrilha e sua conseqüente repressão por parte do governo.

Além disso. então. orientada pelo governo militar e executada pelo binômio Empresas Estatais/Empresas Privadas. que culminou em 1967 com a mudança do IBGE de autarquia para Fundação. Presidentes do IBGE. Na área de Geografia sua sucessora é Marília Galvão. quando transfere-se para o IPEA e inicia sua carreira de planejadora do governo federal e. Neste período. comprometendo seriamente o clima necessário às discussões. Sua influência é percebida até o final dos anos 60. Inicialmente composta por órgãos autônomos . gerou dois estudos sobre o processo de regionalização: Subsídios à Regionalização (1968) e Regiões Funcionais Urbanas (1970). essencial à produção cientifica. Além de influir nas pesquisas que modificaram a divisão macrorregional em 1970 e nos primeiros trabalhos de determinação das áreas metropolitanas brasileiras.11/10 /1971. acrescido do fato de o aparelho repressivo de governo tornar-se um poder paralelo. .ENCE.Turbulência epistemológica: a matriz francesa vs matriz anglosaxônica (Presidentes da República – Emílio Garrastazu Médici 1969-1974 e Ernesto Geisel 1974.) No que concerne ao quadro político-institucional.IPEA) instituído em 1966..IBE. no governo do Estado do Rio de Janeiro. posteriormente transformado em Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . Cole. A nova Fundação passa. Brian Berry e John Friedmann que visitam o IBGE (1969) e estruturam uma ligação forte com o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) do Departamento de Geografia. Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão . através de John P. No contexto político-administrativo. liderado agora por Speridião Faissol.. a gozar de autonomia administrativa e financeira e reporta-se ao Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica (Ministros Roberto Campos e Hélio Beltrão). Instituto Brasileiro de Geografia .Esse convênio CNG-EPEA (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada.IBG e Escola Nacional de Ciências Estatísticas . acentua-se a dicotomia entre a pujança econômica. No final desse período. Diretores Superintendentes do IBG – Miguel Alves de Lima 06/09/1967. o declínio das liberdades individuais e de opinião afetou uma parte da população. os governos militares iniciam um projeto de reforma do Estado. posteriormente.Instituto Brasileiro de Estatística .Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967-24/03/1970 e Isaac Kerstenetzky 24/03/1970. • De 1970 a 1974 . que assume o Departamento de Geografia em 1968 e faz grandes modificações administrativas nas chefias. inicia-se o envolvimento com a Geografia Quantitativa e com a teoria centro-periferia. a liderança de Lisia Bernardes na Geografia do IBGE é a principal referência.1968.

Nessa época. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. contribuindo para o gradual obscurecimento da escola francesa “Rochefortiana” no IBGE dos anos 70. são alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou a Geografia brasileira. A segunda coleção Geografia do Brasil sobre as Grandes Regiões é editada em 1977 e os capítulos sobre Agrária e Urbana são baseados obrigatoriamente em análise fatorial e de grupamento. São adquiridos novos sistemas computacionais e se amplia o banco de dados do IBGE. Ademais. mas continua forte nas universidades. em geral. No ambiente interno do IBGE. indústria. versus o tremendo esforço de aquisição das précondições. principalmente nas áreas de emprego e renda. Houve por parte dos geógrafos estrangeiros vinculados a essa abordagem metodológica. inicia-se o período de expansão de seus quadros técnicos. Em 1972 o processo de transformação do IBGE em Fundação. a fim de superar alguns problemas de ordem técnica. sendo o Brasil um país de grande extensão e com diferenciações espaciais significativas.Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE). onde misturamse dúvidas e certezas sobre qual opção seguir. finanças públicas e preços ao consumidor. é criado o Instituto Brasileiro de Informática (IBI) como a terceira grande área técnica do IBGE em 05/04/1971. . nutrição. era de grande interesse para esses geógrafos testar seus estudos aqui. principiado em 67. o novo patamar que poderia ser alcançado pela geografia perante as outras disciplinas. transferida para outra agência do Ministério do Planejamento (IPEA). se concretiza em termos financeiros e. a liderança de Speridião Faissol como responsável pelo Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) tomou o lugar de Lysia Maria Cavalcanti Bernardes. e a do IBGE. um Encontro da Comissão de Métodos Quantitativos da União Geográfica Internacional. Realiza-se no Rio de Janeiro. com isso. Estabelece-se sob a gestão Kerstenetzky grandes modificações no campo das Estatísticas econômicas e sociais. em particular.Na arena de debates metodológicos da Geografia. com a sistematização dos censos econômicos e da ampliação das pesquisas anuais e mensais. são editados a maioria dos trabalhos de Speridião Faissol sobre as diversas dimensões do sistema urbano brasileiro. utilizando técnicas quantitativas variadas. esse é um período interessante. O sabor do novo. A Geografia física no IBGE praticamente se retrai. uma substancial ajuda inicial. a serem analisados no decorrer deste trabalho. condicionadas por conjunturas diversas. em 1971 (na ENCE . Devesse ressaltar que. versus o risco da troca entre o certo e o duvidoso. principalmente no que se referia aos algoritmos e softwares que deveriam ser implantados nos computadores de grande porte da PUC-Rio. IBGE e UFRJ.

no campo da Geografia física. em virtude da escassa massa crítica de pesquisadores com conhecimentos de Estatística. pois se misturavam às discussões. com uma boa estrutura de planejamento. embora com sérios problemas na área política e militar. Presidentes do IBGE – Isaac Kerstnetzky 24/03/1970-29/08/1979. posteriormente. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova extravasou para outras questões políticas. de .) Do ponto de vista político-institucional. • De 1975 a 1980 . Porém. Pedro Geiger 1977-1979. repentinamente abortado com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE em 1979. o que obrigou o general a intercalar medidas duras à esquerda e à direita. a introdução dos métodos quantitativos foi muito mais tranqüila e praticamente sem grandes conflitos metodológicos. que. Chefes do DEGEO .Marília Galvão 19681977. Roberto Lobato Corrêa 1980. Inicia-se o último grande estádio de contratações que se estenderá por toda a década de 70. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. questões ideológicas e pragmáticas. a vinda de economistas estrangeiros como Werner Baer e Samuel Bergsmann para trabalharem no Departamento de Geografia com Pedro Geiger sobre o processo de industrialização/urbanização e a questão das desigualdades regionais brasileiras. o Governo Geisel também apresentou-se dicotômico.No início do período (1971) é assinado um grande convênio com o Ministério da Educação para avaliação do sistema de ensino superior brasileiro. o que garantiu. sofria de um problema de identidade. O Terceiro Encontro Nacional de Geógrafos realizado em Fortaleza em 1978 dá início a um movimento de conflito com a Geografia Quantitativa que. esforços de aprendizado e carreirismo... Jesse de Souza Montello 29/08/1979. Speridião Faissol 1979-1980. No IBGE. a essa altura. o que retardou ainda mais a possibilidade de se avaliar com isenção. é interessante assinalar. a aceitação dos programas gerenciadores de Sistemas Informação Geográficos (SIGs). O “pacote de abril” e o episódio da exoneração do Ministro de Exército General Sylvio Frota foram os exemplos mais marcantes do período.A economicização da Geografia e a politização da economia: Quantitativa vs Marxismo (Presidentes da República – Ernesto Geisel 1974-1979 e João Batista de Oliveira Figueredo 1979. status e conhecimento. marcaram um tempo de trocas interessantes entre as duas disciplinas. e mesmo pessoais. porém. dá uma medida do seu estilo autocrático de governar. o período. A solicitação do Presidente Geisel ao IBGE para a determinação do limite que dividiu em dois o Estado do Mato Grosso em tempo recorde e sob o mais absoluto sigilo. Matemática e Computação. necessários ao desenvolvimento da metodologia.

Saíam de cena expressões como “a negentropia macroscópica” e a “spatial field theory” e assumiam o comando frases como “a formação social historicamente determinada” e a “teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. Como resultado da crise econômica. pois agora era uma questão tranqüila deixar para os teóricos o trabalho de encontrar um conjunto metodológico que desse conta do espaço em Marx. resultante tanto do endividamento efetuado por Geisel. O quadro político.) O governo do último general do ciclo militar. Solange Tietzmann Silva 1985. algo caótico através da leitura e sabatina dos principais textos do “jovem. iniciado em 1979. apesar de turbulento. gerando um ambiente estranho. mostrou sinais de melhoria. encontra o país mergulhado em profunda recessão. do adulto e do velho Marx”. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de aprender matemática e estatística. Nos congressos não há mais discussões. assim como de outros pensadores do Materialismo Histórico. mesmo que tais leituras não fizessem o menor sentido com o que se estivesse trabalhando na escala do “real-real” (expressão muito utilizada por Aluízio Capdeville Duarte).XXV n. João Batista de Oliveira Figueiredo. para garantir uma indústria substituidora de importações. Em resumo:como farsa ou não.4 nov. . Talvez sem a mesma ingenuidade e curiosidade que envolveu o primeiro namoro com a Geografia Quantitativa nos anos 70. com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 (diretas ou não). quanto pela crise financeira mundial causada pelo choque resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. Chefes do DEGEO Roberto Lobato Corrêa 1980-1985. a História se repetia. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por Willian Bunge em 1973 na The Professional Geographer v. as áreas de planejamento do governo federal entraram em regime de emagrecimento forçado e o IBGE foi uma delas. Edmar Lisboa Bacha 10/05/1985-17/11/1986.A marginalização do planejamento e suas conseqüências na Geografia do IBGE (Presidentes da República – João Batista de Oliveira Figueredo 1979-1985. No campo científico o ambiente torna-se pesado. José Sarney 1985Presidentes do IBGE – Jesse de Souza Montello 29/08/197914/03/1985.73 . aceitou rapidamente a nova onda e iniciou um processo de “aprendizado”. mas bate-bocas e ofensas pessoais.• De 1981 a 1986 .

apesar dos percalços. Nordeste (Bahia e Ceará). Á medida que os famosos cinco anos de mandato vão se desenrolando. o ministério toma a forma do Presidente que assumiu. Lideranças da Geografia Crítica como Rui Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves empreendem uma dura campanha a fim de conseguirem a regulamentação da profissão.Solange Tietzmann Sila 1985 . e o desespero em ver morrer o Presidente eleito antes da posse. já que. com a absorção da Geografia no sistema CONFEA / CREA.Em 1982. membro da equipe criadora do Plano Cruzado causou muita polêmica (Sardenberg. Em 1985 inicia-se a transferência dos profissionais do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) para o IBGE. . é inicialmente composto pelo ministério definido pelo falecido presidente. aposentaram-se os dois mais antigos profissionais da Geografia.Turbulências político-economicas. ampliando fortemente a área de Geografia Física e de Meio Ambiente. o tremendo esforço da sociedade na campanha das “diretas já” culminou com as frustrações de uma eleição indireta. nesta fase. Paralelo a estes acontecimentos. iniciando um processo de perda gradativa de quadros de alto nível que não mais seriam repostos na mesma proporção. em 1981 estabelece-se a luta pela regulamentação da profissão e a anexação dos geógrafos ao sistema CONFEA-CREA. em meio a sérias crises de desabastecimento e aumentos de preços. Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990. O quadro econômico assustador. ao mesmo tempo. germes de inovação e o início da reconciliação com os estudos do meio ambiente ( Presidente da República – José Sarney 21/041985-15/03/1990.. após vinte e um anos de governos militares.) O ambiente político de um presidente civil. desencadeando pressões fortíssimas por parte do governo e de outras instituições que produziam também índices de preços. sistema regulador do conjunto profissional de engenheiros e arquitetos. O governo do vice de Tancredo Neves. Ficou garantido o êxito deste trabalho. Sul (Santa Catarina) e Centro Oeste (Goiânia). que tentou controlar a espiral inflacionária entre os meses de fevereiro e novembro de 1986. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. Presidentes do IBGE – Edson de Oliveira Nunes 06/01/1987-13/04/1988. o senador maranhense José Sarney. A atuação de Edmar Bacha como presidente do IBGE na época e. foi crucial. tendo como ponto de referência a Associação dos Geógrafos Brasileiros. Chefes do DEGEO . é a melhor referência do período. Charles Curt Müeller 03/05/198818/04/1990. O papel do IBGE. • De 1986 a 1990 . com uma inflação de mais de 350 % ao ano obriga o governo a criar um mecanismo de choque contra a inflação: o Plano Cruzado. acrescida da agregação de núcleos situados regionalmente na Amazônia (Pará). 1987). .

Nilo Bernardes. Ainda neste período. pela primeira vez na História recente. representou uma transição tranqüila para o novo governo de Fernando Henrique Cardoso. Projetos : Diagnóstico Brasil ( 1987 ) Carajás Natureza (iniciado em1990). pois.Novos projetos de governo e a demanda por grandes diagnósticos: a chegada do Sistema Geográfico de Informações e do mapeamento automatizado por computador.Solange Tietzmann Silva 1985-1991.Na área do conhecimento geográfico. vice da chapa de Collor. o Real. pelo mesmo motivo por que a corrente quantitativa também morreu. um presidente eleito com 35 milhões de votos é deposto em processo de impeachment por crime de responsabilidade. e em qualificação profissional. Alfredo Porto Domingues entre outros. Marília Veloso Galvão. voltada para o magistério tornava-os alheios ao fato de que a Geografia passara por duas fases de orientação metodológica distintas. como Speridão Faissol. (Presidentes da República – Fernando Collor de Mello 15/03/1990-29/12/1992 e Itamar Franco 29/12/1992-01/01/1995. espectro das ( 1987 ). Cesar Ajara 1991. A total desarticulação da máquina pública federal e o aviltamento do funcionalismo. Eurico de Andrade Neves Borba 26/06/199215/06/1993. foi o principal legado do governo de Fernando Collor de Melo. confrontados pela evasão maciça dos antigos profissionais para a aposentadoria. a Geografia Humana começa a se reconciliar com a Geografia Física. e a primeira através do voto direto. através da consolidação da incorporação dos quadros técnicos do projeto Radanbrasil iniciada em 1985. Elza Keller. foi uma sucessão de lições de cidadania. a moda marxista também perde fôlego. PMACI ( 1988 ) e Nossa • De 1990 a 1995 .) A segunda experiência de um governo civil. que estabeleceu uma nova moeda. garantindo um aumento de renda real para as camadas . envolvendo um grande número de especialistas de disciplinas diferentes que cobrem todo o Geociências. Silvio Augusto Minciotti 15/06/1993-30/03/1994 e Simon Scwartzman 05/05/1994. O governo de Itamar Franco. A falta de conhecimento de grande parte dos profissionais que possuíam uma formação generalista. a Geografia amplia a perda da maioria de seus antigos profissionais da “Velha Guarda” . Presidentes do IBGE – Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990-26/03/1992. Chefes do DEGEO . em termos salariais.. Pedro Geiger. que pressuporiam saberes que se distanciavam do que é ensinado nas faculdades orientadas para a formação de professores . No contexto do IBGE. Estruturam-se as primeiras experiências de trabalhos multidisciplinares. e conseguiu dominar a espiral inflacionária.

como a difusão do uso da computação gráfica que opera com imagens e faz mapeamento automatizado a partir de bancos de dados georeferenciados. 1994-1995 . foi também um período de ampliação dos estudos iniciados na fase anterior. 1993-1995 . 1991 foi o annus terribilis para a Geografia do IBGE. Aposentaram-se quase 60% de seu efetivo profissional. Isso envolve também o produtor de texto especializado. A questão da assimilação de conhecimentos muito diversificados num texto único. interrompendo suas carreiras. 1994 . Os principais trabalhos são: Diagnóstico Ecológico Econômico da Amazônia Legal ( 1993 ). considerados os mais produtivos. Apesar do triste fato. iniciaram algumas mudanças tecnológicas. o CNRS (CREDAL) e o ORSTOM que criou o banco de dados SAMBA 2000 com a colaboração de Maria Mônica O'Neill. Além disso. além de geógrafos que ingressaram no órgão na década de 60 e 70. Para citar alguns exemplos. que agora é obrigado a pensar além de suas fronteiras de conhecimento e auxiliar o coordenador na costura de ligações entre os diferentes processos físicos e humanos que moldam um determinado território. neste período saíram profissionais antigos como Catarina Vergolino Dias.Início da gestão do cientista político Simon Schwartzmann na presidência do IBGE. 1992-1994.RECLUS de Montpellier e o início dos trabalhos com mapeamento automatizado e com Sistemas Geográficos de Informação ( vinda de Philipe Waniez e Violette Brustlein para o IBGE para a implementação de um convênio entre o IBGE. é hoje o maior desafio dos profissionais que produzem diagnósticos integrados. A seqüência de quatro presidentes nesse cinco anos dá uma boa referência dos graves problemas politico-administrativos por que passou o gerenciamento do IBGE no período.Delimitação de Áreas Industriais ( utilizando a base de dados do censo industrial de 1991).mais pobres da população. da Região Sul e Gerenciamento Costeiro ( 1994 ). ainda que isto atingisse os funcionários públicos com um congelamento de salários. sendo que muitos aposentaram-se por tempo proporcional. sendo que boa parte eram técnicos de alto nível. base para se trabalhar com o programa CABRAL 1500 de mapeamento automático de autoria de Waniez) .Convênio com o GIP. com uma maior integração entre os profissionais de diferentes especialidades. .Nova versão do projeto Rede de Influência de Cidades. da Região Nordeste.

município. a área de Geografia também está contribuindo com a estruturação das chamadas áreas geográficas (agregação de setores censitários) que poderão servir de base para mapeamentos temáticos de maior precisão.) Apesar das dificuldades criadas pela ampliação da crise do setor público federal.• 1995 . No contexto da Geografia. o órgão prosseguiu em sua missão técnica. parque natural e outras unidades espaciais ). em maio de 1999 iniciou-se a organização do Atlas Nacional do Brasil em sua terceira edição impressa de grande tamanho. como no caso do Projeto SIVAM na Amazônia brasileira.As contradições entre o recrudescimento da crise do setor público e a possibilidade de futuro da Geografia do IBGE numa agência executiva de governo com contrato de gestão. No âmbito do planejamento do censo 2000. principalmente no que se refere à ampliação dos Sistemas Geográficos de Informação e ao mapeamento automatizado. Cartografia. com os principais usuários das pesquisas e informações disseminadas pelo órgão . o IBGE. Chefes do DEGEO . (Presidente de República – Fernando Henrique Cardoso 01/01/1995. com a mudança do prédio do bairro de Mangueira para as modernas instalações na Av.Cesar Ajara 1991-1999.principalmente universidades e agencias de planejamento estaduais ) que contou com a participação de vários pesquisadores. Maria Luísa Castelo Branco 1999. foi organizada em 1997 uma nova versão da CONFEGE (reunião técnica entre profissionais do IBGE na área de Geodésia. O estabelecimento de bancos de dados alfanuméricos e de imagens em meio digital e o refinamento das bases de dados de Geografia física também estão sendo preparados para diferentes usos. Nessa ocasião foram discutidas as novas demandas de informações geográficas que o IBGE implementará nos primeiros anos do século XXI. passíveis de gerarem informações de diferentes níveis ( setor censitário.Presidentes do IBGE – Simon Scwartzmann 05/05/1994-31/12/1998 e Sérgio Besserman Vianna 25/01/1999. passou por transformações importantes nas condições de trabalho.1998 . através da digitalização de todas as malhas que delimitam espaços. agora ligados via uma grande rede intranet.. um próximo Atlas em meio digital nos anos posteriores. Geografia e áreas afins. . bacia hidrográfica. que continuou a ser conduzido por Simon Schwartzmann. Além disso. Estando em pauta também. distrito. República do Chile e a expansão dos equipamentos de informática para todo o corpo técnico. Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. em termos de redução de quadros profissionais. estado. lançado no início de 2001.

incumbido de gerenciar a transição do IBGE. . em janeiro de 1999. de um órgão vinculado diretamente ao setor público federal para uma agência executiva com autonomia financeira.O término do mandato de Simon Schwartzmann. e o início da gestão do economista Sérgio Besserman Vianna . é o maior desafio que os poucos geógrafos que restaram na Diretoria de Geociências enfrentarão nos primeiros anos do próximo século. mas sujeita a um contrato de gestão.

Nos anos 80. ganhador do Prêmio Haralambos Simeonides da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (Anpec). ambos detalhando o período em questão. Abreu e Pereira (1977) mostrando as conexões entre as políticas econômicas brasileiras no plano externo e o processo de . até hoje. enfatizando o período Vargas. de Baer (1975) sobre as relações entre a industrialização e o processo de desenvolvimento econômico do Brasil. trabalho clássico em história econômica. e o segundo de Baer e Villela (1975) sobre os estágios do crescimento industrial brasileiro. Villela e Kerstenetsky (1975). o livro de Baer conta também com mais dois artigos: o primeiro de Baer. o importantíssimo ensaio de Bielschowsky (1995). iniciado no período Vargas. desenvolvimentismo e socialismo.O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia É perfeitamente reconhecida entre os especialistas a importância de Getúlio Vargas no processo de gestação de um Brasil industrial e urbano. para garantir às populações urbanas acesso a esse mundo novo é. É também de grande importância a avaliação de Motoyama et alli (1994 : 320-334) sobre os processos de maturação da Ciência e Tecnologia no Brasil.A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução . O relatório de pesquisa de autoria de Malan. analisa o ciclo ideológico do desenvolvimentismo rastreando as correntes do pensamento econômico que vigoraram no Brasil entre 1930 e 1964 . contrapondo-se ao velho Brasil agrário. dando a visão de um historiador contemporâneo. que costura inteligentemente as tramas políticas e econômicas. A partir da segunda edição. A concepção de um governo central forte. através das lutas interna e externa para a estruturação de um projeto autônomo de desenvolvimento nuclear. por iniciativa do Contra-Almirante Álvaro Alberto de Motta e Silva. Bonelli. e que se consubstancia na criação do Conselho Nacional de Pesquisas em 1951. motivo de estudos e interpretações acadêmicas as mais diversas. sobre as políticas de governo ocorridas entre 1889 a 1945.neoliberalismo. As avaliações de Skidmore (1975). quebrando as espinhas das lideranças estaduais . Tais exemplos de estudo são obras de referência indispensáveis. considerado um clássico pelos pesquisadores de História Econômica Brasileira. organizando um quadro institucional e jurídico.Parte I . econômica e demograficamente falando. ao mesmo tempo. impondo uma nova diretriz de crescimento econômico e. de Villela e Suzigan (1975). que trata do papel do Estado na economia (principalmente no que se refere à indústria estatal).

Vargas) usa o conceito de segurança nacional para criar uma série de empresas estatais-chave. Estabelece ainda um sistema de créditos de longo prazo para o segmento industrial. mate. a partir dos anos 30. É possível perceber. funda também o Instituto Brasileiro do Café (1952). Dá início também a alguns processos administrativos. Fábrica Nacional de Motores (1943). estoques reguladores. finaliza essa pequena amostra de avaliações de diversas facetas do papel do Estado na Era Vargas. dos padrões espaciais da ocupação humana e econômica. inicia a política de criação de autarquias e conselhos nacionais que cuidariam de setores específicos (como nos casos dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia).industrialização ocorrido entre 1939 e 1952. principalmente na Região Sudeste: Companhia Vale do Rio Doce (1942). O termo burocracia aparece na França em meados do século XVIII. No contexto que interessa a este trabalho Vargas. controlando a produção e estabelecendo preços mínimos. além da cartografação do seu espaço. Paralelamente. e da qual o IBGE fez parte. Companhia Siderúrgica Nacional (1946). em 1953. a necessidade vital de mecanismos de controle do território. que instituiu o monopólio da extração e refino do petróleo e seus derivados. tais como: conhecimento dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. ou de produtos considerados estratégicos economicamente (café. açúcar. preços e distribuição atacadista de gêneros alimentícios básicos. para financiar projetos industriais de longa maturação. laissez passer" das quais Gournay era um . a ampliação do processo de industrialização/urbanização. que cuidaria das relações comerciais externas do produto em nível de governo a governo. cria também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952). produção. nos escritos de Jean-Claude Marie Vincent de Gournay (1712-1759). e de um ordenamento regional condizente com escala territorial do Brasil. sal. Entre os anos da II Guerra Mundial e 1954 o governo federal (Vargas . que se deve avaliar. devemos compreender o que é e como evoluiu a burocracia. além disso. o papel da burocracia técnica que se estruturou no Governo Federal brasileiro. de liberalismo econômico "Laissez faire. Primeiramente entretanto. tais como: controle da geração e distribuição de energia elétrica. num contexto de debates entre o absolutismo monárquico e as idéias. pela magnitude dessas ações tomadas. em termos conceituais. além de definir o controle estatal da marinha mercante com a estatização do Lloyd Brasileiro e das empresas de navegação da Amazônia e da Bacia do Prata. que garantiriam. Companhia Nacional de Álcalis (1943).Dutra . da Petrobrás. É com este pano de fundo. Finalizaria com a criação. pesca e petróleo). nas décadas seguintes. nos primeiros anos da década de 30.

quer monárquico. e não a um pequeno cantão com administração rotativa. sub. Essas atividades eram geralmente transferidas por herança. mas através da rotina da administração.ferrenho partidário. No capítulo Burocracia e Liderança Política do seu Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída (1974:16). treinamento especializado e divisão funcional do trabalho. Para ele. quer democrático. pensão. processos documentários. política de criar dificuldades para vender facilidades . não era a ditadura do . obviamente. Foi. Isto é exato tanto com referência ao funcionalismo militar quanto ao civil. pois o poder não é exercido por discursos parlamentares nem por proclamações monárquicas. Tal como o assim chamado progresso em relação ao capitalismo tem sido o inequívoco critério para a modernização da economia. com o alemão Max Weber (1864-1920) que o termo assume importância no vocabulário da Sociologia. Weber inicia com estas palavras: "Num Estado moderno necessária e inevitavelmente a burocracia realmente governa. pelo menos no que se refere a um Estado composto por grandes massas de povo. ao vincular-se ao estado moderno sob a forma de atividades administrativas especializadas e controladas por um sistema racional e legitimado juridicamente. ou dos transportes de cabotagem fluvial. ao intermediarem as demandas entre essas classes e o rei.e super-ordenação hierárquicas tem sido o igualmente inconfundível padrão para a modernização do Estado. Nesse âmbito. Mesmo o moderno oficial de patente superior trava batalhas de seu "gabinete". passando pela distribuição de livros. assim também o progresso em relação ao funcionalismo burocrático caracterizado pelo formalismo de emprego. com o poder de dar ordens e de fiscalizar as relações entre o Estado e a Sociedade. já praticavam a. que incorpora o principio da autoridade. áreas bem definidas de jurisdição. salário. promoção." Como estudioso profundo da burocracia. ainda atual. tudo era fiscalizado por esse corpo de funcionários reais que. Weber conhecia os problemas que poderiam advir de uma estrutura que cresce irresistivelmente e que se apresenta com características de permanência nas grandes organizações. no contexto do início do século XX . porém. caracterizando um nepotismo brutal. o conceito surge como uma crítica aos funcionários do governo monárquico que controlavam a maior parte das atividades econômicas do reino e que tornaram-se uma categoria entre o povo e a nobreza. Dos direitos musicais e de apresentação teatral ao controle da distribuição de lenha. desde épocas medievais.

via saber técnico. além de analisarem os processos de incorporação de novos segmentos sociais a essas elites. ilhas de racionalidade técnica.proletariado que iria se instaurar. enfatizando a questão da formação intelectual entrelaçada com as raízes familiares. Outra abordagem. mas a do burocrata. universalismo de procedimentos e corporativismo. Simon Schwartzmann em seu Bases do Autoritarismo Brasileiro (1982) enfocou as contradições que emergiram entre o que se convencionou chamar de democracia brasileira em termos dos discursos e das práticas politicoadministrativas gerenciadas pela burocracia estatal. estão autores como Carlos Estevan Martins (1974). a tese de Zairo Borges Cheibub (1984) sobre os diplomatas do Itamarati e o livro de Luiz Werneck Vianna e colaboradores (1997) sobre a magistratura. Nesta linha de raciocínio estão alguns importantes trabalhos como os de Sérgio Miceli (1979 e 1988) sobre os intelectuais e classe dirigente e a elite eclesiástica. alguns autores trataram do tema burocracia para explicar a estruturação do poder político-administrativo no Estado brasileiro. que discutem a formação da tecnoburocracia utilizando conceitos como insulamento burocrático. Setenta anos depois. José Murilo de Carvalho em A Construção da Ordem e Teatro de Sombras (reedição de 1997) estudou com detalhes a formação da elite burocrática brasileira como representante do poder. Gilda Portugal Gouveia (1994) e Edson Nunes (1985 e 1997). foi também adotada por alguns sociólogos e historiadores brasileiros que trabalharam sob o pressuposto de uma vinculação implícita entre as elites e a burocracia. Bresser Perreira (1980). enfatizando a questão das relações de poder num Estado patrimonialista onde o que é público e o que é privado nunca apresentaram limites muito claros. dentro de uma visão weberiana clássica. o de Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva (1989) sobre relações de raça e mobilidade social. anéis burocráticos. Em outro contexto. Wanderley Guilherme dos Santos (1982). que sempre possuiu um claro traço autoritário. Outros autores enfocaram especificamente a questão da tecnoburocracia estatal. mesmo quando essas práticas eram confundidas com as do tipo populista. . Nesta linha. Além disso. Schwartzmann apresenta uma inequívoca preocupação espacial ao explicar as diferenças regionais desses conflitos entre o governo central e os estados mais estruturados politicamente. Fernando Henrique Cardoso (1975). termos que de uma forma ou de outra tentam explicar a formação e fortalecimento de um corpo técnico que controla alguns núcleos de atividades estatais consideradas (em termos) como áreas de exclusão das pressões político-partidárias. suas análises ainda continuam válidas. onde são formados quadros especializados que detêm o controle das atividades produtivas e de planejamento estratégico do Estado. Sonia Draibe (1985). além do monopólio da informação. Raimundo Faoro em Os Donos do Poder (1958) analisou em profundidade a estrutura burocrática brasileira. sobretudo quando referida aos altos postos de decisão e arbitragem.

Silva. O profissional que melhor encarna este processo são os engenheiros encarregados das obras públicas. Cozac & Rego (1996) e ( Loureiro. O assunto é interessante. posteriormente. as ações de Mário Augusto Teixeira de Freitas objetivando uma revisão da divisão territorial do país. eram engenheiros. escudados na ampliação das áreas de especialização das Escolas Politécnicas. tanto no Brasil (Motta. É a partir dos anos 60 que os economistas irão se constituir na segunda grande força da elite tecnoburocrata. para a Economia. incorpora-se na sociedade um pensamento que divide a elite de governo em dois grupos: um. o técnico. . necessariamente. estabelecendo comparações com o Japão e com os Estados Unidos. No contexto brasileiro. Biderman. utilizavam alguns expedientes de acertos partidários ou mesmo de geração de conflitos entre as diferentes facções políticas. Figuras-chave na criação do Conselho de Geografia e grandes produtores de artigos para a Revista Brasileira de Geografia como. É sobre uma parcela dessa tecnoburocracia que o capítulo I trata. o político. quanto na França (Fourquet. (Bielschowsky . sendo que boa parte deles em ambos. enfocando. com características positivas. Suas ações objetivas passam a contrastar com a lentidão das decisões políticas que. ao findar a Primeira Guerra Mundial. por ocasião da fundação dos Conselhos de Estatística e Geografia nos anos 30. O artigo de Angela de Castro Gomes (1994) historia muito bem o tema e o de José Luciano de Mattos Dias (1994) esclarece sobre o processo de ampliação do prestígio dos engenheiros no governo brasileiro. sobretudo quando se percebe a magnitude do processo de formação de quadros técnicos que o IBGE gerenciou em boa parte desses 60 anos de sua existência. 1994). Com isso. É interessante assinalar que. 1997). assim como em outros países.1995). outro. 1980). Cristóvão Leite de Castro. com características negativas. a composição majoritária das Assembléias e Conselhos Diretores era de profissionais oriundos dos cursos de Engenharia Civil e Militar. o processo dicotomizador entre os âmbitos político e o técnico nas áreas de governo inicia sua trajetória na década de 20.No campo antropológico. ao explanar a estruturação inicial do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. iniciou a vida profissional na Engenharia e migrou. Silvio Fróes de Abreu e Moacir F. o trabalho de Livia Barbosa (1999) discute a noção de meritocracia no Brasil. principalmente.

como no militar. 1984) e a do Instituto Nacional de Estatística em 1934/1936. sob o ponto de vista das relações entre o esquema jurídico colonial português em relação à apropriação do território. Por outro lado. é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo de Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente. 1987). (Abreu. poderiam criar movimentos emancipatórios que colocariam em xeque a unidade nacional. que efetivamente. 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História ( Fausto. mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos. ∗ Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores. a exemplo de São Paulo. os criaram no início dos anos 30. e suas configurações espaciais. 1988. contra a tendência fortemente ditatorial que já se cristalizava no primeiro ano de governo “provisório” de Vargas. Minas Gerais ou Rio Grande do Sul. O exemplo de São Paulo em 1932.Parte I Capítulo I . embora revestido de uma roupagem constitucionalista. Como São Paulo e Rio Grande do Sul . 1997). agência embrião do futuro IBGE organizada por Mário Augusto Teixeira de Freitas. Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto. referenciados ao período do Brasil colonial.A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro Muitas podem ser as formas de interpretação sobre os processos de criação e desenvolvimento do que poderíamos chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. o problema da unidade polítco-territorial brasileira no final da República Velha constituía-se em um assunto delicado. já que as elites de estados fortes. são um bom exemplo de uma dessas múltiplas formas de abordagem do tema (Morais. no entanto. Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão. além do militar e da representação política clássica _ A intermediação técnica era uma delas _ como organizar então um sistema de gerenciamento do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais? Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas. . Se considerarmos. 1983. que a Revolução de 1930∗ estabeleceu um novo marco políticoadministrativo. as que tiveram maior notoriedade foram as de criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) em 1938 sob a orientação de Luís Simões Lopes (Mariani e Flaksman. que nos foram legadas. recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras Rumos e Metamorfoses (Draibe. tanto no campo político. 1991).

em Minas Gerais. centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios. Sua atuação foi tão inovadora. Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o Golpe de Estado de outubro de 1930. foi Mário Augusto Teixeira de Freitas. além de consolidar uma estrutura de eficiência. 1984: 3317) e de Francisco Campos. ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934. provavelmente o que combinava maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência de gerenciamento de informações territoriais.Desses grandes articuladores. que foi um dos participantes do “Gabinete Negro” que se reunia todas as noites do mês de novembro no Palácio Guanabara para traçar esses destinos. José Américo de Almeida. A experiência de Teixeira de Freitas foi adquirida em Minas Gerais. através de seu modelo de gerenciamento. fosse democraticamente partilhado pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. Ari Parreiras. durante os primeiros anos da década de 30. geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento. 1984). que em 1930 foi convidado para apresentar. na 1 Conferência Nacional de Estatística suas 33 teses sob a denominação “Algumas Novas Diretivas Para o Desenvolvimento da Estatística Brasileira” (Freitas. A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo. a . pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto. As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora / Francisco Campos. juntamente com José Fernandes Leite de Castro. no dia 12 de outubro. o Delegado Geral do Recenseamento do Estado de Minas. circulação e consumo. a infra-estrutura econômico-social e o aparelho de estado em todas as suas instâncias. abrangendo a produção. Juarez Távora em suas memórias (Tavora.1974:96-98) explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as idéias mais abrangentes de uma agência estatística nacional sonhada por Teixeira de Freitas. geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas. Pedro Ernesto Batista e João Alberto (Pantoja e Camarinha. mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro. criador de um eficiente sistema de gerenciamento de informações que cobria todos os municípios do território mineiro. o qual centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um super gerente. adquirida ao longo dos anos 20.1994). Essas informações englobariam um amplo leque que cobriria características físicas e ambientais. embora durante o processo de normatização das informações. Osvaldo Aranha. titular do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública (Malin e Penchel. como no caso do militar Juarez Távora.

a representação dos engenheiros (civis e militares) era. que abrangeria o território nacional em quase todos os aspectos. que na década de 40 tornaram-se a elite dirigente do IBGE. pois foi nesse período que as noções de integração técnica entre Estatística. isto é. neste período. sobretudo em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam coordenar a agência a partir da década de 40. Geografia e Cartografia tomaram corpo.Foi este projeto de super agência de informações denominado Instituto Nacional de Estatística. Apenas para fins de comparação. juntamente com os bacharéis de direito. após os trabalhos de apuração do censo de 1940. foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época. As 33 teses de Teixeira de Freitas foram as ferramentas utilizadas por este grupo de autoridades para a consecução de um projeto de governo que. um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. É importante lembrar que. Além disso. caracterizava o que podemos definir como Agência do Poder Central Capilarizada. Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos. Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (com a chegada de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). A segunda metade dos anos 30 foi de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos. na década seguinte. apesar de não possuírem tal representatividade junto ao poder central. as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica. um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República e com alcance até a instância municipal. numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas e seus maiores incentivadores foram. mas com um aspecto importante: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada num Conselho Superior de Estatística (anexos: documentos de valor histórico para o IBGE). E foram nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foram escolhidos. as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade. Além disso. O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se portanto. quanto politicamente do novo instituto. iria gerenciar o sistema de planejamento territorial brasileiro. A principal referencia pode ser . sem dúvida. Juarez Távora (possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente” junto a Coluna Prestes na década de 20) e Francisco Campos (por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações). Sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo.

Apesar disso. por este seleto grupo de cidadãos. com grandes poderes discricionários. além dos dados e do mapa. após a instituição do Estado Novo. administrativos. responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iria formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia. editadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Freitas. 1993:105). que a questão da redivisão das unidades federadas retornou com maior vigor na agenda de Teixeira de Freitas. compreendida esta em toda sua latitude. a proposta apresentada aparecia como um balão de ensaio técnico. tomando grande impulso após a instauração do governo provisório de Vargas. 1935). mostrando que o assunto já havia preocupado as autoridades portuguesas e brasileiras desde o século XVI (Penha. Em 28 de outubro de 1932 (portanto. pronta e enérgica solução. cinco anos mais tarde. Os Planos de Redivisão Territorial e suas Conseqüências Práticas Em paralelo a essas tarefas administrativas.∗ Foi. Suas palavras iniciais mostram que. mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia. de que um esquema orgânico para as grandes diretrizes e que convenha submeter a restauração dos nossos quadros políticos. baseados nos estudos preliminares de João Segadas Viana e modificados por Teixeira de Freitas (anexo documentos históricos). mas em vão. suas primeiras teses sobre a redivisão política do Brasil. a questão da divisão territorial era uma estratégia de governo que emergia num contexto de Estado Forte. engenheiro. no sentido espacial do termo.exemplificada na figura de Cristóvão Leite de Castro. Assim sendo. a fim de que a nova ordem de coisas estabelecidas. em pleno período da Revolução Constitucionalista de São Paulo) Teixeira de Freitas apresenta no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). desde as suas realizações mais fundamentais. as preocupações de Teixeira de Freitas com o gerenciamento do território brasileiro. de fato. são possivelmente anteriores a 1930. parece oportuno o estudo. “O reforço de autoridade de que a nova ordem política investiu o Poder Executivo trouxe possibilidades inéditas ao encaminhamento de alguns problemas fundamentais da organização nacional. todavia. coloca em discussão seu estudo (Freitas. ∗ Um breve histórico sobre o tema foi desenvolvido por Eli Alves Penha em sua tese. . como é possível perceber nos cuidados extremos com o discurso. sociais e econômicos. 1948) apresentado “perante um grupo de brasileiros de elevadas responsabilidades na direção dos negócios públicos”. que vinham reclamando há muito. Em dezembro de 1937. as garantias definitivas da Defesa Nacional.

venha ele a formar. 5-6. que os concidadãos aqui reunidos por um generoso pensamento se dispusessem a colaborar no preparo de um escorço geral daquelas diretrizes e ... ainda que mui perfunctoriamente. como elementos realmente confraternizantes no seio da Federação” . e sem desigualdade.. de modo que possam permanecer no Rio”. 2 . como urge talvez aproveitar as possibilidades excepcionais que abrem à Nação.” preparando deste modo a localização futura da metrópole brasileira no Planalto Goiano”. transformando temporariamente Belo Horizonte em Capital Federal. das suas aspirações. A questão central era a tentativa de equivalência territorial entre as unidades federadas. o esboço que se me formou no espírito como fruto de um longo meditar sobre o palpitante tema aludido ” Pg. p. três futuros Estados. “cujo espírito de brasilidade pode e deve ser aproveitado para aglutinar o poderoso núcleo central do novo sistema. Mas o plano vai muito mais além. era o grande problema da federação. elegendo Minas Gerais. nas palavras de Teixeira de Freitas.10.. pois.... da sua vocação e dos recursos esplêndidos com que a Providência Divina a galardoou. com seu território somado aos do Espírito Santo. “ Quando suas Unidades tiverem relativa equivalência de área.p.10. Para isso.. Determinando o futuro da cidade do Rio de Janeiro após perder o status de capital federal. que se localizaria quanto possível em ponto de convergência dos limites dos atuais Estados que passassem a associados”. a assegurar-lhes equivalência de potencial político. mas com o engrandecimento para todos. para evitar as disparidades regionais que.p.. pois que assim acontece.. p. “ mas só devendo ser removidos para lá os órgãos do Governo e os elementos da administração que não puderem ser localizados longe deste..... Mas antes. destinada a traduzir-se mais tarde em efetiva ‘equipotência’.. Rio de Janeiro e Distrito Federal.9. para colocar desde logo ante suas vistas. iniciando a tarefa pela questão mais geral e mais fundamental... “sem diminuição para nenhum.8.. apresentassem à consideração do Governo o plano preliminar da redivisão territorial do país.. p. Mas.. sem prejudicar-lhe o equilíbrio. subfederados para formar Estados compósitos – adstritos ao padrão.10.Desejaria. peço permissão aos ilustres compatriotas que me ouvem.. Definindo a localização da nova capital federal. Teixeira de Freitas define um padrão de tamanho territorial entre 250 e 350 mil km e propõe a estratégia de associação entre Estados.. cada um dos quais com uma capital especialmente construída em um município neutro. transformando-se em ‘departamentos autônomos’. um com o Oeste e o Triângulo Mineiro (cujos anseios de autonomia ficariam atendidos) e outros dois marítimos (como também desejam as respectivas populações)”. neste momento. a sintonia espiritual e a solidariedade estreita das suas forças vivas em torno do ideal generoso de erguimento de uma Pátria combalida ao nível exato da sua capacidade de vencer.

. um major do Exército que também expôs uma proposta de divisão territorial na Revista Brasileira de Geografia (Viana. de 02/03/1938. Sua visão do problema passa por analises comparativas de outros países que também enfrentaram a questão da divisão territorial. Uma foi a Lei Geográfica do Estado Novo ou Decreto-Lei 311. receita. espacial e politicamente (São Paulo e Rio Grande do Sul que já haviam tentado movimentos emancipatórios) e prêmios para Estados que absorvessem bem as modificações espaciais na malha territorial. A outra foi a institucionalização da macro regionalização do país. Segadas Viana já havia colaborado com Teixeira de Freitas na organização do mapa que foi apresentado na exposição de 1937. o . que dispunha sobre a delimitação das malhas municipais e distritais e definia regras específicas sobre o mapeamento e a racionalização da toponímia (não poderia haver municípios homônimos). população. Como se pode perceber. Com a Lei Geográfica.10. porém. através da Resolução n 72 de 14/07/1941 da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia.” receba a vantajosa investidura de Capital de uns dos Estados mais ricos. Além disso outros autores mais adiante também deram contribuições ao tema. A Constituição de 1937 (redigida por Francisco Campos). foram implementadas. envolviam. sob o aspecto político ela reduziu drasticamente a autonomia dos Estados. uma estratégia desta proporção não foi apenas um trabalho acadêmico organizado por um só indivíduo. Punições para os Estados mais poderosos. portanto. 1940). O que distinguia era o tom menos conciliador..p. que tal seria o Estado da Mantiqueira. o IBGE passou a controlar a conformação espacial das malhas municipais e distritais por meio de critérios técnicos que envolviam extensão territorial. Suas propostas de solução. em termos técnicos não diferiam muito das de Teixeira de Freitas. o sul e a Zona da Mata de Minas Gerais”. com a divisão departamental conveniente. um perigoso conjunto de punições e prêmios. Outras ações de cunho geográfico. No caso da Lei Geográfica. no início dos anos 40. que adotou os resultados dos estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães e sua equipe. além de assegurar a unicidade da toponímia através de um processo de verificação de homônimos. França e Estados Unidos. pelo Estado do Rio (mantida sua autonomia como um dos departamentos). na questão espacial o quadro territorial brasileiro foi preservado. como no caso de João Segadas Viana. por outro. Suas proposições. Se por um lado. acomodou a questão. formado. mais prósperos e mais favorecidos pelo Governo Nacional. entretanto. mais populosos. já que houve enorme articulação no núcleo do novo governo antes e depois de suas apresentações de 1932 e de 1937. como Alemanha. a necessidade de bases cartográficas confiáveis para a campanha censitária de 1940 induziu os técnicos do IBGE a promover estudos visando à uniformização das circunscrições territoriais dos municípios e seus distritos. de certa forma.

por conta de uma nova noção de autonomia. quando o governo central procurou ajustar a divisão territorial dentro de . com alterações nas malhas.. por fim. Presidente do IBGE. consentâneas com a caracterização fisionômica do conjunto do Território Nacional. que após a Lei Geográfica eram inexistentes. decidiu liberar para os respectivos legislativos estaduais e municipais essas ações que envolvem emancipações municipais e distritais. se generalizou no país obedecendo às determinações do Presidente Vargas a fim de atender à administração pública. por ocasião das Exposições Regionais dos Mapas Municipais.491 em 1990. Centro-Oeste e Sul). Sub-regiões (66). no dia 24 de março de 1940 em Curitiba. Leste. Esses dois processos objetivavam uma base cartográfica confiável para a Campanha Censitária de 1940 e foram solenemente apresentados ao Presidente Getúlio Vargas. que as prefeituras. Uma restrição fundamental foi definida: não era possível desmembrar uma unidade da federação num processo de regionalização. saudou todos os envolvidos por via radiofônica especial utilizando o sistema da Hora do Brasil (atual Voz do Brasil) coordenado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Nordeste. obtidas em segunda aproximação pela consideração das características fisionômicas (naturais e humanas) dos municípios brasileiros. Tais processos perduraram até a Constituição de 1988 que.Entre os primeiros resultados das Campanhas Geográficas realizadas durante a segunda metade dos anos 30. Para garantir um alcance nacional ao evento. Regiões Fisiográficas (em número de 31). No que concerne ao processo de regionalização. Exatamente como nos dois primeiros séculos da fase colonial. o número de municípios saltou de 3. descrevendo sistematicamente todos os acidentes naturais que referenciavam esses linha divisórias e o esforço de cartografação dos mapas dos territórios municipais. Zonas (aproximadamente 160).974 em 1980 para 4. elevando-se para 5. Esta divisão regional.574 municípios e 4. mas que em 1997 já atingia a cifra de 483 municípios. o Embaixador José Carlos de Macedo Soares. com o apoio técnico do IBGE. sob pena de cassação da autonomia municipal. Com isso. Foi atribuído aos órgãos regionais de Geografia e Estatística empreenderem os estudos sobre a divisão regional dos respectivos Estados. constituída sucessivamente em Grandes Regiões (Norte. confeccionaram por força do artigo 13 da Lei Geográfica. os dois mais importantes foram a determinação dos limites dos 1.505 em 1997 e perdeu-se o controle sobre os homônimos. tal como foi estabelecida pelo CNG. segundo o critério geográfico pelo qual se agrupariam municípios que apresentassem características naturais e humanas afins. sua principal finalidade no início dos anos 40 era de homogeneizar territórios de características fisiográficas semelhantes.841 distritos. “A divisão regional do Brasil ficou. Nas palavras de Eli Alves Penha. para garantir uma uniformização de procedimentos nos estudos geográficos e no processo de coleta estatística..

Nos períodos posteriores. deixando que as unidades constituíssem seus limites “espontaneamente” (Penha. 1993: 108) . ainda hoje. classificando áreas homogêneas ou determinando pólos geradores de atividades ou de receitas conforme o objetivo pré.determinado. Procedimentos fundamentais num órgão de Geografia de governo e que. quanto a de subsidiar o processo de planejamento. o processo de regionalização assumiu tanto a função de servir de base para divulgação de dados estatísticos. . é a principal área de atuação do Departamento de Geografia do IBGE.um quadro optimum de administração.

durante o Geografia realizado em Paris. O segundo. O resultado de suas articulações com De Martonne. onde De Martonne percebeu o enorme potencial de trabalho em Geografia Tropical que o Brasil apresentava. indica que os serviços estatísticos e geográficos desenvolvidos no ministério (Diretoria de Estatística da Produção) encaixam-se perfeitamente nas atividades da nova ciência geográfica. no futuro. Nosso delegado. que as anteriores articulações dos ministros Juarez Távora e Francisco Campos com Mário Augusto Teixeira de Freitas. culminou com a visita do Geógrafo francês em 1933. Foi. Percebendo ali um excelente ponto de iniciação de um órgão governamental que poderia. naturalista especializado em Fitogeografia. enviado pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Geografia. revelou-se ao longo do ano de 1934. Sociedade Brasileira de Geografia e Academia Brasileira de Ciências) a juntarem esforços na adesão do Brasil à UGI. Esta visita objetivou dois campos: o primeiro. na área da pesquisa de Geografia Física. O memorial de 29/12/1934 apresentado pela Academia Brasileira de Ciências ao então Ministro da Agricultura Odilon Braga. neste contexto. no sentido de organizar um instituto de estatística em escala nacional estavam paralelamente tomando Congresso Internacional de . A criação de um comitê instituído por essas instituições. ao encorajar as principais associações culturais da área (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. uma tarefa muito além da capacidade administrativa e financeira desse grupo.A Estruturação das Áreas de Geografia. iniciadas em 1931 e ampliadas em 1933. de caráter político-cultural. que necessariamente teria de pertencer ao governo central. tornar-se uma instituição responsável pela Geografia brasileira.Parte I Capítulo II . pesquisador do Museu Nacional e autor de várias obras sobre a vegetação brasileira. A Alberto José de Sampaio. Esta percepção por parte dessas instituições estava vinculada ao entendimento de que o planejamento territorial (cartografação e normatização das divisões territoriais entre Estados e Municípios) seria uma das principais atribuições de um órgão nacional de Geografia. diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso e Secretário Geral da UGI. foi o Prof. Sua atuação brilhante no Congresso foi muito apreciada por Emmanuel De Martonne. Geodésia e Cartografia no IBGE Geografia O primeiro contato oficial entre o que se convencionaria chamar de Geografia Brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI) aconteceu em 1931.

tendo como Ministro da Educação Gustavo Capanema. para que isto acontecesse. do que a agregação dos serviços geográficos/cartográficos ao novo instituto que teria ramificações espaciais até a escala municipal. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Estado Maior do Exército. Clube de Engenharia. Paleogeografia e Cartografia). gerou uma massa crítica para a criação do Conselho Nacional de Geografia. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Tal tarefa somente viria a tornar-se realidade. Instituto de Educação (Catedráticos de História e Geografia). Foi a partir do curso organizado por Deffontaines. Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Catedráticos de Geologia). Geodésia e Cartografia. Observatório Nacional. Universidade do Distrito Federal (Catedráticos de Geologia. Serviço de Limites do Itamarati. Pierre Deffontaines e Pierre Mombeig respectivamente. Serviço Geológico e Mineralógico. apesar de indireta. Diretoria de Navegação da Armada. gerou as condições de criação de um órgão oficial de Geografia. Museu Nacional. seria necessário formar profissionais especializados através de cursos superiores de Geografia. Arquivo Nacional. com a estruturação da Universidade de São Paulo (USP).forma através do decreto 24. após cinco reuniões técnicas realizadas no Itamarati sob a tutela do Ministro das Relações Exteriores. que tiveram como professores estruturadores. que direta ou indiretamente. Mas. que em conjunto com engenheiros de diferentes especialidades. primeiramente na UDF e posteriormente na Universidade do Brasil (UB) que criou-se o primeiro grupo de profissionais de Geografia. foram os iniciadores desses cursos. Fernando de Azevedo em São Paulo. Colégio Pedro II (Catedráticos de Geografia). Instituto Histórico e Geográfico da Bahia.609 de 06/07/1934 que defina a criação do Instituto Nacional de Estatística. que viria inicialmente a ser cogitado. Personalidades como Anísio Teixeira no Distrito Federal. Estado Maior da Armada. Este ciclo de reuniões contou com as presenças de representantes das mais importantes instituições. José Carlos de Macedo Soares no final do ano de 1936. com a participação do governo federal a partir de 1935. . é importante. com a Universidade do Distrito Federal (UDF). processo longo e complexo que somente torna-se realidade em 29 de maio de 1936 com sua instalação solene no Palácio do Catete. Nada mais conveniente portanto. Serviço Geográfico do Exército. Essa relação entre a necessidade de planejamento territorial para as tarefas da Estatística e a ampliação da Geografia acadêmica desenvolvida na Universidade. A vinculação de Capanema. pois foi em seu mandato que as decisões de se estruturar um curso superior de Geografia iriam se concretizar. possuíam vínculos com a Geografia.

envolveu praticamente todo o efetivo do IBGE no auxílio técnico aos municípios e a tarefa foi totalmente cumprida em março de 1940. enviando uma cópia para o IBGE. o fracionamento excessivo dos municípios. O processo de cumprimento da Lei Geográfica durante os anos de 1938 e 1939. A entrega solene foi realizada em Curitiba. Neste contexto. em tempo de contar-se com esses mapas nas operações censitárias de 1940. Isto é. que o utilizaria no planejamento de organização dos setores censitários. O primeiro grande trabalho do CNG inicia-se em 1938 com o Decreto-Lei 311 que ficou conhecido como a Lei Geográfica do Estado Novo. evitar sustentabilidade. que contou com a presença de Getúlio Vargas. com uma exposição dos mapas. Essa instrução foi referendada pela Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística no dia 16/06/1937 através da Resolução n.Ministério da Viação (Chefia de Gabinete) e Ministério da Agricultura (Diretoria de Estatística Territorial). O segundo seria contar com um mapeamento em escala de detalhe de todos os municípios brasileiros para estruturar os trabalhos de campo do futuro censo de 1940 e contar com informações cartográficas que dessem suporte aos trabalhos de mapeamento da carta do Brasil ao milionésimo. Em 26/01/1938 o decreto 218 finalmente define a autonomia dos dois conselhos de Estatística e Geografia.527 que instituía o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG) incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e autorizando sua adesão à União Geográfica Internacional. Os municípios deveriam apresentar seus mapas municipais até o final do ano de 1939. evitando unidades sem as mínimas condições de . No dia 01/07/1937 o CBG foi solenemente instalado no salão de conferências do Itamarati e iniciado os trabalhos de sua Assembléia Geral. agora sob a tutela do Instituto Nacional de Geografia e Estatística. estavam também os estudos sobre determinação de áreas urbanas e rurais. Objetivava redefinir a estrutura de limites dos distritos e municípios para dar conta de dois problemas: O primeiro seria organizar espacialmente as malhas distrital e municipal. Em 24 /03/1937 foi baixado o decreto 1. 15. para dar garantias ao princípio da “autonomia municipalista” . definindo os parâmetros mínimos em termo de área e de tamanho populacional.

eram inicialmente medidos através equipamentos de curto alcance visual.Geodésia O decreto 327 de 02/02/1938. Atualmente as medições planimétricas são estabelecidas por um sistema de satélites artificiais chamado Sistema de Posicionamento Global recepção de GPS de alta precisão. Estados e Países). Formando uma grande rede de polígonos que serviam de base para o cálculo de áreas. Esse levantamento era feito por terra e levavam-se anos para cobrir as grandes extensões do território brasileiro. a determinação do nível médio do mar é definido por instrumentos de medição maregráficos situados em estações localizadas no litoral. a altimetria e a gravimetria. prosseguindo com a estruturação das redes planimétrica. 1: 50 000. altimétrica e gravimétrica. É através dela que se estabelece o sistema de coordenadas geográficas (latitude e longitude). no litoral de Santa Catarina em 1945 e em 1946 foi estabelecida a conexão com o mareágrafo de Torres no Rio Grande do Sul para o estabelecimento do Nível Médio (GPS) e são controlados por equipamentos de 1: 100 000. A Planimetria A planimetria que estabelece as medições das superfícies planas do território. Os trabalhos das equipes de Geodésia estão divididos em três grandes conjuntos de medições: a planimetria. que além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. do Mar. Municípios. chefe do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica. O primeiro plano de referência (datum) oficial do nível do mar brasileiro. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. Os levantamentos planimétricos. Sob a responsabilidade do engenheiro Allyrio Hugueney de Mattos. IBGE. foi estabelecido pelo mareágrafo de Imbituba. e 1: 25 000. 1: 250 000. Por sua vez. em 1939 foram iniciados os trabalhos de levantamento das coordenadas geográficas das cidades brasileiras. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do . imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . que geram as linhas de limites entre áreas (Distritos. estabeleceu as ações de normatização da área de Geodésia do IBGE para suprir o mapeamento do Recenseamento Geral de 1940. os teodolitos e os taqueômetros que medem distâncias e ângulos. realizado e organizado pela área de Cartografia. A Altimetria A altimetria estabelece as medições de altitude do relevo terrestre e relação a um plano de referência determinado pelo nível do mar.

cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. quanto na estadual. iniciaram-se. a força da gravidade é maior do que em outros. É também o IBGE. É também atribuição da área dar apoio técnico às operações .Definido o nível de referência. negociações que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou que podem alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. isto é em alguns lugares da Terra. quando o IBGE estabeleceu uma rede de mais de 18 000 estações gravimétricas em todo o território. a contar com o suporte da informática na configuração dos cálculos de nivelamento do território brasileiro. Cartografia A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. Os estudos de gravimetria passaram a ter um caráter sistemático na década de 90. passou na década de 80. Essas anomalias alteram as medições de altitude e exigem um monitoramento especializado através da rede GPS. juntamente com as demais forças armadas. que. Essas atividades servem de base para que o sistema cartográfico brasileiro possa gerar mapas de grande precisão para vários objetivos. em 1945. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. Sua crosta não se apresenta homogênea em termos de prospecção da gravidade. Um outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. após 35 anos de ajustamento manual das observações de altidude. que normalmente são arbitrados pelo poder judiciário. os trabalhos de determinação de nivelamento da Rede Altimétrica do Brasil. Sendo o planeta Terra um geóide dotado de uma camada líquida superficial de grandes dimensões (oceanos) e de uma composição plástica interna (magma) composta por uma mistura de minerais em estado de fusão. A Gravimetria As medições gravimétricas são fundamentais para que se estabeleça com precisão as medições geodésicas (forma e dimensões do geóide Terra). além de auxiliar no estudo das configurações das estruturas geológicas (camadas internas da Terra) e da Geofísica (prospecção mineral). levando em consideração as negociações entre as partes. tanto na escala municipal. Em caso de litígios entre essas unidades. seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares.

o Geógrafo.de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos. tanto na Universidade. municípios. unidades federadas). informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. hidrografia. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuíssem pessoal qualificado para a confecção dos mapas. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo.numéricas simples à complexas imagens e sons em tempo real. componentes da infra-estrutura (estradas. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. ferrovias. distritos. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede internet). que estabelecem a produção de bases digitalizadas visando ao georeferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários. O capítulo III tratará da estruturação da memória coletiva desse novo profissional que começou a ser formado sistematicamente no final dos anos 30. que são atualmente usados em organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados ( que vão de informações alfa. quanto na arena de trabalho do IBGE. . vegetação).

posteriormente. Além de alguns profissionais de Estatística e de Cartografia. também. constituído majoritariamente por engenheiros e.Parte I Capítulo III . criador da estrutura administrativa do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Esses depoimentos foram transcritos inicialmente em datilografia e atualmente foram redigitados em Word 6. Ele foi iniciado em 1990 pelo grupo de técnicos que organizou o setor de Memória Institucional do IBGE através de gravações de depoimentos de alguns profissionais que tiveram importância na construção da profissão no órgão. Ambos aposentaram-se no final dos anos 80. Jorge Zharur. Orlando Valverde. junto ao grupo do Projeto Memória do IBGE na organização dos roteiros de entrevistas dos seus colegas. Aluísio Capdeville Duarte e Gelson Rangel Lima. Os Personagens Iniciais Cristóvão Leite de Castro Engenheiro formado em 1928 e depois geógrafo.0 para ficarem registrados em meio magnético. Participando. quatro funcionários ligados à Geografia foram entrevistados. grande preocupação com a história e memória da instituição. o primeiro geógrafo contratado pelo CNG em 1938 para secretariar as reuniões iniciais do Conselho.Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE O processo de constituição integral da memória dos profissionais que trabalharam na área de Geografia do IBGE nesses sessenta anos é uma tarefa que ultrapassa em muito os limites desta pesquisa. mas Aluísio veio a falecer em meados dos anos 90. derivada de uma seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. e possuía também.0/95 e Word 7. Aluísio foi um especialista em regionalização e em estudos de urbanização. Fábio de Macedo Soares Guimarães. além do próprio Orlando). Outras Instituições que Organizam a Memória Geográfica Brasileira . por alguns geógrafos treinados por Pierre Deffontaines na primeira turma de Geografia da Universidade do Distrito Federal (Cristóvão Leite de Castro. fruto de seus trabalhos de campo pelo IBGE e de excursões com seus alunos da UFF. geógrafos que ingressaram no IBGE na década de 50. onde trabalhavam os técnicos que formaram o CNG entre os anos de 1936 e 1938. Gelson atuou no setor de Geomorfologia e especializou-se na classificação de solos. era também um grande colecionador de fotos sobre as paisagens brasileiras.

Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e Teresa Cardoso da Silva (Geomorfóloga baiana que. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. Miguel Angelo Campos Ribeiro). além de produzirem textos técnicos e mapas. Cesar Ajara e Maria Luiza Gomes Castelo Branco). Luis Cavalcanti Bahiana.Duas outras instituições que se ocupam da memória dos geógrafos e que documentaram depoimentos de profissionais do IBGE foram o Departamento de Geografia da Universidade de Santa Catarina. neste grupo foi incluído também o cartógrafo Rodolfo Pinto Barbosa por ter chefiado a área de Atlas na Cartografia e depois no Departamento de Geografia . Marília Veloso Galvão. Pedro Geiger. composto por geógrafos técnicos que exerceram chefias de setores específicos ou que produziram trabalhos relevantes para Geografia do IBGE (Ruth Magnanini. Solange Tietzmann Silva. estão incluídos alguns dos antigos chefes da Divisão de Geografia. O segundo grupo constituiu-se de alguns técnicos que produziram trabalhos geográficos. A publicação catarinense colheu os depoimentos de Orlando Valverde. também conduziram a política e a administração da área de Geografia através das chefias. trabalhou em importantes projetos na década de 80). em função da absorção do Projeto Radam Brasil pelo IBGE em 1985. Edgar Kulhman. A revista da UERJ transcreveu o depoimento de Speridião Faissol em seu primeiro número. a construção do conjunto de depoimentos orais que está compondo a memória dos geógrafos do IBGE para este trabalho. e os chefes do Departamento de Geografia de 1967 até hoje (Orlando Valverde. Os Depoentes da Pesquisa No âmbito da presente pesquisa. Elza Keller. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. preferencialmente os que assumiram chefias de Divisão mais recentes ou coordenaram projetos de grande porte na área de Geografia do IBGE (Alfredo Porto Domingues. já aposentado do IBGE. O professor Faissol. tanto individualmente. Olga Buarque de Lima. quanto em grupo. dividiu-se em quatro grupos: os que. lecionava nesta universidade por ocasião de seu falecimento. Alceu Magnanini. através da Revista Geosul e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através da revista GeoUerj. José César de Magalhães. O terceiro. Tereza Cony Aguiar). . Fany Davidovich.

Nascido em 1917 e contratado pelo Conselho Nacional de Geografia em 1938. uma historiadora especializada em História Oral. idade/saúde. Edson de Oliveira Nunes e Charles Muller) e diretores e superintendentes das áreas em que a Geografia foi parte integrante (Miguel Alves de Lima. Maria do Socorro Diniz e Milton Santos). principalmente ao abrir o seu imenso arquivo de documentos e fotos de sua vida profissional. sem falar no seu entusiasmo pelas causas ambientais da Amazônia que sempre foram o principal foco de sua militância na Campanha Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) desde 1965. A Estruturação Inicial do Processo de Depoimentos Orais A primeira preocupação foi com a idade de uma boa parte dos depoentes. que levantou a documentação sobre as memórias profissionais e familiares de Pierre Deffontaines. Speridião Faissol. Os depoimentos de alguns presidentes e diretores da área de Geociências foram objeto de tratamento específico no capítulo II da parte IV deste trabalho. que se confundem com boa parte da história da Geografia ibegeana. O quinto e último foi composto por profissionais. a questão saúde/doença também permeia esse grupo.O quarto grupo foi composto por geógrafos que tiveram alguma relação profissional com o IBGE no início de suas carreiras ou que foram influenciados pelos cursos de aperfeiçoamento que o órgão ministrava (Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Por outro lado. Mauro Pereira de Melo. pois ao se trabalhar com os profissionais de um órgão criado em meados dos anos 30. recém restabelecidos e que puderam contar com muitos detalhes suas respectivas trajetórias profissionais. . Além disso. considerado por várias razões o decano dos geógrafos do órgão. continua produtivo e disposto a orientar e esclarecer aos mais jovens. como no caso do acidente fatal que nos impediu da convivência intelectual de Nilo e Lysia Bernardes em 1991. O episódio do falecimento de Speridião Faissol em março de 1997 foi um desses duros golpes. Sérgio Bruni e Trento Natali Filho). como presidentes do órgão (Eurico Neves Borba. que ocuparam cargos na alta direção do IBGE. os pioneiros já estão na faixa dos 70/80. Usando-se o critério de idade. nos anos de 1998/1999. o primeiro depoimento foi feito com Orlando Valverde. As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE. Isso. e que infelizmente ocorreram. Houve também um depoimento especial da professora Marieta de Moraes. além dos acidentes que podem ocorrer ao longo desses 60 anos. foi muito gratificante ter podido entrevistar Alfredo José Porto Domingues e Miguel Alves de Lima. geógrafos ou não. apesar de haver dado seu depoimento anteriormente.

Carlos Augusto Figueredo Monteiro e Fany Davidovich que ingressaram no IBGE no início dos anos 40. Edgar Kulhman. Alfredo José Porto Domingues. nas quais o DEGEO foi um importante ator. Período de grandes mudanças metodológicas nas pesquisas geográficas. Alceu Magnanini. Esses cursos. O primeiro conjunto de questões que orientou os depoimentos dos geógrafos pioneiros vinculou-se a seis grupos de indagações que cobriam: A) Questões planejamento: referentes ao papel desempenhado pela Geografia como ferramenta de 1.qual a real importância da Geografia como instrumento de planejamento de governo? 2.No grupo dos pioneiros. garantiram um importante espaço de aperfeiçoamento profissional. O depoimento de Maria do Socorro Diniz representou a experiência de trabalho de uma estagiária no Departamento de Geografia do IBGE (DEGEO).quais foram os períodos de maior influência da Geografia no sistema de planejamento federal? 3. Rodolfo Pinto Barbosa. que iniciaram suas carreiras no final dos anos 30. O depoimento de Milton Santos foi colhido para exemplificar a importância dos cursos de aperfeiçoamento do IBGE que se tornaram. entre o final dos anos 60 e início dos anos 70.quais foram os melhores conjuntos de metodologias que realmente auxiliaram no reconhecimento da importância da Geografia no planejamento? . Pedro Pinchas Geiger. um referencial indiscutível na formação das carreiras da maioria dos grandes profissionais de outros estados. entre o final dos anos 40 até o início dos anos 70. foi elaborado um roteiro que abarcasse o máximo de informações sobre as práticas profissionais que ocorreram ao longo de suas carreiras. Elza Keller. Speridião Faissol. Os Roteiros de Orientação dos Depoimentos Por conta da ênfase do projeto estar direcionada para os profissionais que forjaram a Geografia do IBGE e considerando que este grupo foi majoritariamente formado pelos profissionais que ingressaram no órgão nos primeiros 15 anos de sua existência. que orientou positivamente a qualidade dos trabalhos geográficos no Brasil. juntamente com a dinâmica de pesquisas e apresentações dos congressos da Associação dos Geógrafos Brasileiros que ocorreram até os anos 60. além de estruturar um fórum de avaliação entrepares. Marilia Veloso Galvão. além de Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima.

como foram as relações da Geografia com a Cartografia e com a Estatística no decorrer do período? C) Questões referentes a convivência entre a Geografia do IBGE e as outras Geografias: 1.como o ensino superior garantiu ou não as pré-condições para a decisão de tornar-se um geógrafo do IBGE? 3.qual tem sido o relacionamento entre o IBGE e a Universidade no campo geográfico? Quem influenciou quem? Em que? E em que período? 2.qual foi o mecanismo de ingresso no IBGE? E) Questões que vinculam as relações internas e externas que ocorreram entre os Geógrafos do IBGE. ao longo do tempo.quem foram os principais incentivadores da carreira? 2.como foi “absorvida” pelo Geógrafo a experiência de aprendizado ocorrida no ensino médio? 2. ao longo desses 60 anos.como a Geografia se posicionou. principalmente no que se refere a crescimento profissional. no contexto da missão institucional do IBGE? 2. 1.a escolha da especialidade principal se deu em que contexto? E sob a orientação profissional de quem? 3.4.como foram os relacionamentos entre a Geografia do IBGE e a ABG nos diversos períodos analisados? 3-qual foi a importância do IBGE na reciclagem de conhecimentos geográficos do corpo docente de ensino médio? D) Questões que tentam dar conta. dos mecanismos formadores de uma categoria especializada de profissionais que trabalham com Geografia voltada para o planejamento: 1.o processo de interdisciplinaridade que obrigatoriamente ocorre em estruturas de planejamento do governo foi positivo ou negativo para Geografia do IBGE? F) Questões referentes ao futuro incerto da Geografia no IBGE em função da aceleração da crise do funcionalismo público somada ao declínio da formação profissional em nível de bacharelado: .como funcionaram as estruturas de lobby da Geografia junto aos poderes de República? E em que ocasiões isso ocorreu? B) Questões que tentam explicar internamente o papel da letra G na sigla IBGE: 1. no sentido intelectual do termo.

Conseguiria a Geografia um espaço próprio ou teria de associar-se com outras disciplinas? Os demais depoimentos foram direcionados para certas atividades e/ou períodos considerados relevantes e seguiram um roteiro básico que iniciava com uma apresentação da carreira. a de Francis Ruellan para os que ingressaram na décadas de 40 e 50s e de Michel Rochefort para os que ingressaram nos anos 60. além de confirmar-se a importante influência da Geografia francesa em praticamente todos os profissionais entrevistados. Neste ponto foi possível verificar a influência de certos “líderes de grupos de afinidade” conforme a acepção de Berdoulay (1981).1. diferentemente de Ruellan ou Rochefort. sem sombra de dúvida. A especialização de Geomorfologia de Ruellan e a de Geografia Urbana de Rochefort não impediram que seus ensinamentos ou que a mística que envolveu esses ensinamentos. Dora Amarante Romariz e Edgar Kuhlmman. que na área de colonização trabalharam com grupos restritos. no entanto deixaram boas obras e bons discípulos (Orlando Valverde. Walter Egler e Speridião Faissol são os melhores exemplos). É importante também ressaltar que nos períodos mais recentes. como foi o caso de Leo Waibel e Preston James. seja igualmente reverenciada por especialistas de diferentes áreas da Geografia que vivenciaram esses períodos. não criaram grandes grupos. biogeógrafo canadense que deixou excelentes trabalhos didáticos para a disseminação de sua especialidade. Os Referenciais Mais Importantes ao Longo do Tempo Um dos principais aspectos da estruturação da memória dos profissionais da Geografia no IBGE é. Assim como Pierre Dansereau. essa memória tende a turvar-se em virtude do aparecimento de novas metodologias ou conjuntos de técnicas que reordenaram as atividades geográficas no IBGE. Outro ponto importante foi a verificação de certas afinidades entre especialistas que. além de orientar e garantir cursos no Canadá para alguns de seus discípulos como Alceu Magnanini. geralmente entremeada com aspectos de sua formação educacional. É possível perceber uma substituição de nomes por técnicas. vai muito além da simples orientação relacionada com a especialidade desses profissionais. Ë bom frisar que a influência em termos de memória. . independente do período de ingresso no órgão. As questões referentes aos aspectos operacionais da carreira também eram costuradas aos cursos de aperfeiçoamento e aos projetos iniciais. a influência de Pierre Deffontaines nos primeiros pioneiros da segunda metade dos anos 30 .Onde poderia ficar a Geografia no governo federal fora do IBGE? 2. onde as relações de orientação estruturadas entre orientadores e orientandos eram mais ou menos explicitadas.

No caso do convênio entre o IBGE e a Maison de Geographie de Montpelier durante os anos 90. por meio de literatura e de tutoriais em multimídia ou pela rede Internet. mapeamento automatizado. Adobe Photoshop ou softwares da Intergraph. criaram-se boas relações profissionais com Hervé Thérry e o casal Philippe Waniez e Violette Brustlein.Embora o nome de Brian Berry seja lembrado eventualmente. O acesso se dá. responsável pela divulgação de pesquisas de Geografia de redes urbanas utilizando métodos . são geralmente tratadas pelos nomes dos softwares. o que ficou gravado na memória da maioria dos geógrafos quantitativos. Após um entendimento geral do quem é quem na Geografia ibegeana. Atlas Gis. referenciadas ao geoprocessamento. mas para a maioria dos novos geógrafos as principais referências estarão vinculadas aos softwares Cabral 1500 (mapeamento) e Samba (banco de dados dos censos do IBGE). que rodam em plataformas Macintosh. Map Info. sistemas de informações geográficas e ao tratamento de imagens. foi a Geografia Quantitativa e não o pesquisador inglês / americano. passaremos a enfocar o contexto histórico que orientou o pensamento geográfico brasileiro no século XX. As tecnologias mais atuais. ou pelas empresas que os criaram. Idrisi. Arc View e Arc Info.

é feita uma costura entre os elementos de forma e função: a montanha barreira e os caminhos de acesso. Talvez por razões de editoração. onde a floresta também volta a se relacionar com as atividades humanas via extrativismo e preparação da base edáfica para agricultura. a ordem cronológica desses artigos não foi observada.Parte II . a montanha pastoril e a pecuária. de 1939) é um típico artigo de Geografia Humana que a escola francesa produzia para este tipo de escala. a montanha e o veraneio. além da criação dos primeiros cursos de graduação em Geografia. Mas. incluindo aí a criação da RBG. da hidrografia e do litoral o processo é semelhante. Nas abordagens do clima. Geografia Humana do Brasil de autoria de Pierre Deffontaines publicado no primeiro número da revista (ano 1 n 1 de jan. o Conselho Editorial daquela publicação organizou um número especial composto por dois tomos. a montanha mineira e atividade econômica das jazidas. uma edição fac-similar contendo cinco artigos considerados clássicos. para fins de entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil a partir dos anos 30. na Universidade de São Paulo. Primeiramente uma introdução geral sobre as grandes espaços abrangidos pelo país e as necessárias comparações com outros países. em 1935 e da estruturação da Associação dos Geógrafos Brasileiros.A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro no Século XX Através de Algumas Leituras Evocativas Em 1988. mas com uma interessante característica. O detalhamento retorna com a vegetação. a montanha e a indústria. no caso da montanha. em função de um convênio entre França e Brasil para criar estruturas de ensino e pesquisa para a Geografia. por ocasião das comemorações do cinqüentenário da Revista Brasileira de Geografia – RBG. o . Seguem-se descrições sobre os elementos constitutivos do quadro natural. a montanha e a horticultura. que foi montada sob sua supervisão. vamos colocalos em ordem de publicação na revista. Boa parte do arcabouço técnico do futuro Conselho Brasileiro de Geografia foi obra sua. Pierre Deffontaines (1894-1978) foi o primeiro professor vindo da França em 1934 e estabelecido no Rio de Janeiro a partir de 1935. em 1934 e do Distrito Federal. / mar. porém não tão detalhado. O primeiro.

Foi nesse período que estruturou suas pesquisas sobre regionalização que resultaram nesse trabalho. apoiada em critérios econômicos. / dez. Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico de autoria de Emmanuel De Martonne (1873 1955 ). baseada nas regiões naturais e a do Conselho Técnico de Economia e Finanças. O resultado desse trabalho foi a homologação pelo governo federal em 1941 de uma regionalização oficial em cinco regiões: norte. de 1941.Divisão Regional do Brasil de autoria do único brasileiro do grupo Fábio de Macedo Soares Guimarães publicado no ano 3 no 2 de abr. Para um entendimento mais abrangente sobre as relações entre a Geografia e a História na França. Lucien Febvre. Emmanuel De Martonne publicou nos Annales de Géographie dois artigos sobre “Os problemas morfológicos do Brasil tropical atlântico”.. Uma nota da redação da Revista esclarece que. A parte final do artigo é dedicada a análise das nove divisões regionais propostas por outros autores e suas conclusões apontam para uma solução de compromisso entre a de Delgado de Carvalho. Anne Buttimer (1980) e Vincent Berdoulay (1981) é de grande valia.. publicado no ano 5 n 4 de out. Em conseqüência dos acontecimentos de maio – junho de 1940 (invasão da França pelas o . que englobasse tanto os aspectos físicos. possuía o binômio de conhecimento e liderança. Primeiramente foi feita uma defesa do conceito de divisão única. o mais influente geógrafo francês das décadas de 30 e 40 e Secretário Geral da União Geográfica Internacional (UGI) em meados dos anos 30. Outro ponto de convergência pode ser também percebido nas cinco conclusões gerais sobre o conceito de região natural (pg. Segue-se uma explanação sobre o método de definição de região natural que serviria de base para a posterior regionalização chamada por Fábio de uma única divisão regional prática (pg. / jun. todas perfeitamente em sintonia com as idéias desses mestres. uma consulta aos livros de Peter Burke (1991). nordeste. 18). Observa-se claramente uma forte influência da escola francesa dos Annales de Géographie através das citações bibliográficas de Vidal de La Blache. quanto econômicos. Lucien Gallois e Pierre Deffontaines. Jean Brunhes. 34). Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) sempre foi considerado um profissional que. Foi aluno de Pierre Deffontaines (1894-1978) na primeira turma da Universidade do Distrito Federal e trabalhou com ele na formação do primeiro núcleo de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia entre 1935 a 1938. o Prof. O artigo lança as bases para a primeira regionalização oficial do país. ‘Em 1940. leste. de 1943. possivelmente por sua formação anterior de engenheiro. no início dos trabalhos do CBG. adotada no mesmo ano pelo Governo Federal. Camille Vallaux. sul e centro oeste que perdurou até o final dos anos 60.

tropas de Hitler). publicado no ano 11 n 2 de abr. Este tipo de pesquisa foi muito incentivado o o . Emmanuel De Martonne ao Brasil se deu em 1933 e teve pelo menos dois objetivos de cunho diplomático / cultural. enquanto que do segundo se sabia apenas da sua existência. é quase certo que a vinda de Pierre Deffontaines para o Brasil tenha sido acertada. O artigo é um dos mais completos e detalhados trabalhos sobre os processos geomorfológicos formadores da Serra do Mar e das planícies litorâneas que cercam a região da baía de Guanabara. com ênfase na formação dos alinhamentos serranos que ocorrem neste espaço. quanto na Universidade e além. pertence ao grupo de trabalhos de Geografia Humana orientados para a questão da ocupação do território. Possivelmente ocorreram reuniões entre De Martonne e Mário Augusto Teixeira de Freitas (18901956). Seus trabalhos de campo eram considerados verdadeiras maratonas físicas e intelectuais. publicado em no ano 6 n 4 de out. /dez. de 1949. Princípios da Colonização Européia no Sul do Brasil de autoria de Leo Waibel. / jun. pois muitos de seus alunos foram professores de Geografia nos principais colégios do Rio de Janeiro. chegaram ao Brasil somente dois exemplares do primeiro artigo . levados a efeito por grupos de origem italiana e alemã. O artigo de De Martonne é um clássico trabalho de Geomorfologia da porção sudeste do Brasil. o principal responsável pelo gerenciamento das estatísticas brasileiras no governo de Getúlio Vargas e um dos artífices do casamento entre a Geografia e a Estatística. representar o Brasil na União Geográfica Internacional (UGI). assim como sua permissão para traduzi-los e publicá-los. O Professor De Martonne atendeu a esse pedido e fez a doação de seus direitos autorais como agradecimento pela acolhida que teve por ocasião de suas missões no Brasil’. que rastrearam alguns processos de colonização no Brasil. de 1944 é o principal trabalho do único geógrafo que se pode denominar de chefe de escola no contexto do Rio de Janeiro (possivelmente Pierre Mombeig em São Paulo tenha tido as mesmas características). Faz um contraponto entre a estrutura geológica da área e os diferentes processos formadores do relevo falhado da Serra do Mar. O interesse desses artigos era tal que. dos alinhamentos das serras litorâneas e do relevo apalachiano do interior entre São Paulo e Minas Gerais. Nessas reuniões. por via diplomática. foi solicitada ao Professor De Martonne a remessa de um exemplar de cada um deles. A criação dos cursos formais de Geografia nas Universidades de São Paulo e do Distrito Federal e a preparação de um corpo técnico de geógrafos que pudesse. futuramente. Francis Ruellan (1894-1975) foi o formador da segunda geração de geógrafos cariocas tanto no IBGE. A Evolução Geomorfológica da Baía de Guanabara e das Regiões Vizinhas de autoria de Francis Ruellan . A vinda do Prof.

tanto no período que antecedeu a Segunda Guerra. quanto durante e após o conflito. entre Geografia Regional e Sistemática. principalmente no que concerne aos anos 30 e 40. possivelmente em função do problema de comunicação via alemão e inglês. ou para servir de quadro de referência sobre algum tema da Geografia. idiomas muito pouco difundidos numa comunidade que majoritariamente entendia o francês. Desses. as Universidades e o Conselho Nacional de Geografia. primeiramente faz uma análise geomorfológica do Pantanal Mato-grossense enfocando geoformas como o grande domo esvaziado (boutonniére) do alto vale do rio Paraguai e o conjunto de aplainamentos da . O segundo tomo da edição comemorativa da RBG foi organizado sob a ótica da avaliação de alguns campos do conhecimento geográfico ou das lembranças profissionais de cinco geógrafos considerados como expoentes de suas especialidades. período em que se formaram as principais instituições produtoras da Geografia formal. Speridião Faissol e Pedro Geiger. que poderia ser de cunho evocativo. Calos Augusto Figueiredo Monteiro trabalhou no IBGE entre 1948 e 1956 e depois seguiu uma carreira universitária (Florianópolis. a defesa do possibilismo e o enfoque das relações seres humanos e meio ambiente. O primeiro artigo de Aziz Ab’Saber (1922.pelo governo de Vargas. Geomorfologia foi o campo de especialização de Aziz . Leo Waibel (1888-1951) foi um típico líder de grupo de um círculo restrito de geógrafos. Estão ali as dicotomias entre Geografia Física e Humana. ou ter características provocativas que ampliassem o conhecimento dos leitores. apenas dois tiveram suas trajetórias de trabalho ligadas permanentemente ao IBGE. Rio Claro e USP). Trata-se de um trabalho que.) O Pantanal Mato-grossense e a Teoria dos Refúgios se inscreve na categoria de quadro de referência. Aziz fez carreira na USP e Bertha na UFRJ. Aziz Nacib Ab’Saber e Bertha K. trabalhando exclusivamente como pesquisador do IBGE. Becker sempre foram ligados à universidade. que iniciaram seus projetos profissionais durante a década de 40. Esses cinco trabalhos traduzem uma boa parte do contexto do pensamento geográfico na primeira metade do século XX no Brasil. Urbanização e industrialização foram as principais áreas de investigação de Faissol e Geiger . O conselho editorial da RBG encomendou a cada autor um trabalho de livre escolha. Climatologia e História do Pensamento Geográfico. as áreas de interesse de Carlos Augusto e Geopolítica e Gestão do Território as arenas de trabalho de Bertha.

o paleoplano da Chapada dos Guimarãres. explicando as necessárias conceituações sobre o tema. por ser ainda uma arena onde quase tudo ainda está por se realizar. Em seguida. . Finaliza com conjecturas sobre as futuras relações entre o Estado e a sociedade organizada.1986). Paulo Vanzolini. da qual Aziz é um dos elaboradores. dependendo do setor e do poder de barganha dos agentes envolvidos. Keith Brown e outros. os processos geradores do pediplano cuiabano. Doreen Massey (1985). a primeira tratando das relações entre alterações climáticas e mudanças ecológicas ocorridas na depressão pantaneira e finaliza com algumas especulações bem interessantes sobre a provável evolução da cobertura vegetal e distribuição espacial da fauna do Pantanal utilizando como suporte argumentativo a Teoria dos Refúgios. O artigo de Speridião Faissol (1923-1997) Planejamento e Geografia: Exemplos da Experiência Brasileira situa-se na fronteira entre o estabelecimento de um quadro de referência sobre a noção de planejamento a evocação de experiências profissionais neste campo. Becker (1930. O trabalho avalia algumas tecnologias que viabilizaram a ampliação do controle espaço-tempo e seus usos pelo aparelho estatal.) é outro que também se pode classificar como estabelecedor de um quadro de referências de vetores de conhecimento. Dárdano de Andrade-Lima. Principalmente aquelas que implicaram uma forte relação entre ciência e tecnologia e que por força de seus custos e de suas implicações de poder sempre estiveram em mãos do Estado Nacional. para o bem ou para o mal. agente decisório em muitos projetos de planejamento ao longo dos seus anos de atividade. e os leque aluviais das planícies mais recentes. mas com importantes citações como John Friedmann (1985. como nos casos da tecnologia espacial e seus subprodutos e das telecomunicações em escala global. Sua parte final está dividida em duas seções. as turbulentas relações entre a Geopolítica e a Geografia. Faz também uma longa apreciação do projeto geopolítico da modernidade levado a efeito pelo Estado brasileiro após 1930 e analisa seus resultados na década de 1980. no caso. traça alguns comentários sobre as novas pesquisas feitas na região utilizando as imagens de radar e dos satélites Landsat . Walt Rostow (1961).mesma área. enquanto geógrafo situado em altas posições da hierarquia do IBGE. O artigo A Geografia e o Resgate da Geopolítica de Bertha K. que usam sensores do tipo Tematic Map ( TM ). e fazendo uma revisão bibliográfica não exaustiva. e portanto. no contexto dos diferentes papéis que o Estado assumiu ao longo do século XX no gerenciamento do território e no controle social subseqüente. onde conflitos e cooperação poderão apresentar diferentes padrões. juntamente com Pierre Birot. David Harvey (1969). Manuel Castells (1986) e outros. José Bigarella. Usa como espaço de exemplo a Amazônia. A primeira parte estrutura-se como quadro de referência.

96). parecem ter sido colocadas como um tênue pano de fundo. a partir do momento em que a própria Secretaria de Planejamento da Presidência da república foi se tornando. com muitos deles procurando refúgio nas teses marxistas ou neomarxistas. É possível perceber também que nesta época.96). Críticas estas iniciadas 10 anos atrás (1978) durante o 3 Encontro Nacional de Geógrafos em Fortaleza e que se intensificaram durante toda a década de 80. O artigo de Pedro Geiger (1923. “Esta tem sido uma fase de reflexão. ainda que mais ideológica que profissional” (p. Conhecimento e Atuação da Geografia inscreve-se totalmente no campo evocativo. 1981). cobrindo a evolução de algumas instituições como as universidades (seus cursos de Geogrfia). foi perdendo terreno. quem sabe como uma forma de assumir uma posição acadêmica. não só conceituais. os trabalhos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) nos anos 60 e os projetos de avaliação da urbanização para o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) na década de 70. a própria função de planejamento estatal de médio e longo prazos estava exaurida e substituída cada vez mais por decisões conjunturais de curto prazo. perdendo muito de sua função planejadora. ” É curioso observar que. as expressões industrialização e urbanização. uma administradora das conjunturas que iam se apresentando. inclusive no plano acadêmico” (p. o . O artigo foi escrito em 1988. A criação dos Territórios Federais no início dos anos 40. como evocação. As palavras de Faissol mostram um pouco disso em duas passagens na mesma página. as Comissões Nacionais da União Geográfica Internacional (UGI) e do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB).) Industrialização e Urbanização no Brasil. ao historiar as experiências brasileiras de planejamento. o IBGE. apenas para organizar a memória e estruturar as lembranças profissionais. os estudos de localização do futuro Distrito Federal no Planalto Central em meados da década de 40.. mas é com elas que Geiger costura com muita sensibilidade os 46 anos de atividade geográfica no IBGE.A segunda. é bem verdade.. mas de muitas incertezas. por problemas econômico-administrativos. orientadas para o campo financeiro. principalmente aquelas em que os geógrafos tiveram um papel significativo em sua elaboração. que por si só assegurasse uma identidade. no Governo Figueredo. período em que a Geografia voltada para o planejamento estatal centralizado estava ainda sob fortes críticas de um grupo de geógrafos que seria conhecido como o formador da Geografia Crítica ou Radical (ver Santos. principalmente na primeira metade. a Geografia do IBGE ( e de certa forma no Brasil). mas também ideológicas.

porém recolocando-a em outros termos. racionalmente. sendo. Para o conceito de modernidade.. pois pressupõe uma bagagem cultural bem mais ampla do que apenas os conhecimentos geográficos tradicionais adquiridos ao longo do período letivo. uma agressão. ” A Geografia vidalina dizia que a Geografia era uma Ciência de Síntese. Contudo. Porém o cerne dessa primeira parte está centrado nos conceitos de modernidade e crise . filosofia. 129).Analisa também as principais correntes de pensamento geográfico que se desenvolveram no Brasil: o Possibilismo vidaliano... e mergulhar num ambiente de reflexão intelectual onde transitam literatura.) Travessia da Crise (Tendências Atuais na Geografia) insere-se no campo das obras instigantes. a torre representa um meio de. música. A síntese consiste em refazer o todo. recolocando os objetos analisados numa nova estrutura. em reclusão. artes plásticas. ” . A estrutura do ensaio está organizada em quatro movimentos. Carlos Augusto opera a partir de dois autores que fizeram análises literárias de duas obras seminais da literatura ocidental. como se fosse uma peça musical.. Marshall McLuhan (1972) analisando a peça teatral Rei Lear de Willian Shakespeare (1564-1616) e Marshall Berman (1982) analisando o poema Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). perturbadoras. a Quantitativa se fartou no uso do termo análise. se tomarmos mais profundamente estes dois conceitos. ou mesmo de uma vida profissional muito técnica. com Lefévbre. uma violência. O ensaio de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (1927. Uma torre para sentir o mundo e refletir sobre sua geografia” (pg. que representaria um contraponto entre as noções de reclusão e amplidão ou nas palavras de Carlos Augusto. veremos que a análise é o ato de destacar o objeto da totalidade a que pertence. todas as ciências praticam análise e sínteses.. Não é uma leitura fácil. o movimento quantitativo e a Geografia crítica. a Geografia da Economia Política. A simbologia da Torre segundo Carlos Augusto é retirada de um poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939). englobando processos naturais e sociais. portanto.. Era-me difícil aceitar a síntese como um conceito específico da Geografia. para o seu maior entendimento. . na sociedade urbana esperada.. história e outros campos do conhecimento humano. então a Geografia é uma Ciência de Síntese” (pg. O primeiro movimento denomina-se A Torre (Modernidade e Crise). Se a racionalização da vida humana. alcançar o poeta um espaço mais amplo e nele identificar os eventos que o tempo marcou na sua terra natal. 82). Pedro Geiger termina suas memórias recordando a antiga asserção de Vidal de La Blache sobre a Geografia como uma ciência de síntese. que provocam o leitor a ir além da simples leitura para fins de verificação de um conjunto de conhecimentos. compreende a produção racional do espaço do homem.

o . fato que McLuhan considerou como modernidade para a época em que o normal era agregar espaços. o processo lingüístico criado por Shakespeare para desenvolver este convencimento está tão a frente de seu tempo. Para o tema crise ele se utiliza de um paradoxo trabalhado por Eduardo Soubirats (1988) que estipula que quanto mais racional tecnicamente fica a civilização humana. a modernidade se apresenta ali através da linguagem. “O herói de Shakespeare encarnaria a modernidade da Renascença. considerada como um período de grandes transformações e turbulências e portanto um tempo propício à modernidade num sentido mais amplo. O destaque por Carlos Augusto da frase de Berman “Na versão göethiana do tema de Fausto. (pg.. no fim do século XVIII e início do seguinte. 129) e destaca dois pontos interessantes que mantém contato com a questão espacial. pois. Na obra de Marshall Berman Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar : a aventura da modernidade (1982). e não separa-los.Carlos Augusto nos fala da percepção de McLuhan sobre alguns aspectos da modernidade que esta peça enseja. advinda da física de Newton”. O segundo refere-se a cena do precipício (cena 6 do 4 ato). Ao retornar ao poema de Yeats. primeiramente a época da elaboração do poema. o sujeito e objeto de transformação não é apenas o herói. 58 anos decorridos entre 1773 e 1831. envolve a questão da divisão do reino de Lear em três partes. onde Edgar tenta convencer o cego Gloucester que ambos estão a beira de um penhasco. que Carlos Augusto observa como uma “decomposição em planos paralelos do (fictício) abismo que alcança foros de único exemplo de arte verbal tridimensional’’. 129) enquadra-se muito bem no binômio que Carlos Augusto apresenta como alvo de sua preocupação nesta parte do texto. modernidade e crise. mas também esperança. Fausto de Göethe expressa e dramatiza o processo pelo qual. O ponto agora está enfocando. Carlos Augusto alude à tendências milenaristas citadas nas últimas estrofes e as vê como sinais de um tempo que envolve desagregação. O primeiro. mas o mundo inteiro. Para McLuhan. a escolha de Carlos Augusto recai sobre a avaliação que este crítico literário faz de Göethe a partir de sua principal obra Fausto. mais irracionais tornamse nas suas relações sociais e econômicas. um sistema mundial especificamente moderno vem a luz” (pg.. onde a grande mutação foi dada graças à nova visão do mundo.

“na geração de um conhecimento conjuntivo. O quarto e último movimento chamado Os Sinos (O Situar-se para o Acontecer) inicia com um retrospecto de sua vida profissional e prossegue com uma reflexão sobre as dificuldades da pesquisa geográfica de Climatologia nos anos 60 e 70 e vislumbra novas possibilidades com a futura Teoria do Caos (ainda incipiente na época da redação do ensaio..O segundo movimento chamado de Labirinto (Ciência: Geografia) toca nas relações entre a Geografia e as outras áreas do conhecimento. ao refletir sobre as relações entre a Literatura e a Geografia cobrindo vários níveis de elaboração de enredo tanto com autores ingleses e franceses. um dos mais geográficos dos autores eruditos do país. O dualismo entre racionalidade / irracionalidade e modernidade acompanha todo o texto. entre o homem e o lugar na terra. onde os mortais residem. quando este havia tratado da questão irracionalidade na Idade Média e na Atualidade. 137).141). A maior preocupação de Carlos Augusto é deixar evidente que a Geografia apesar de suas contradições e lutas ideológicas tem a função.. Carlos Augusto conclui seu instigante ensaio com uma mensagem de esperança.é o vinculo primordial. fazendo face à tendência O terceiro movimento chama-se Os Espelhos (O Pensamento entre Preparação e Fundação) e inicia com uma citação de Martin Heidegger (1889-1976) sobre os mecanismos do pensamento em antever o futuro da humanidade. “de capacitar o homem a encontrar a habitação do ser-no-mundo. crescentemente disjuntiva de hoje” (pg.. especificamente com Guimarães Rosa. quanto autores brasileiros. quando boa parte dela opera em áreas de contato com as Ciências Naturais cria dificuldades de entendimento para decifrar a trajetória do conhecimento dentro de um Labirinto que somente poderá ser transposto. Outro ponto interessante desta parte é a demonstração de erudição explícita que Carlos Augusto dá. Asseverar que a Geografia é uma Ciência Social.. junto com as “coisas” (pg. mas já devidamente percebida por Carlos Augusto). seguindo com Immanuael Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e desembocando em Karl Marx (1818-1883) e finalizando com Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Heidegger novamente. O que permanece – tal como o núcleo do átomo cercado das mais estranhas propriedades entre os constituintes e em relação à energia que o define .. principalmente no que concerne às dificuldades de comunicação entre as ciências exatas e as sociais. problemas que. Não importam suas variações e oscilações através dos tempos históricos. no âmbito interno da Geografia também geraram conflitos de comunicação entre as facções da “física” e da “humana”. para em seguida tomar de empréstimo a Humberto Eco a simbologia do Teatro de Espelhos.. . iniciando em Renné Descartes (1596-1650).

José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo. Paisagem ou espaços diferentes da tristeza de hoje. que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. e o ensaio de Lia Osório Machado ( Machado. ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e na organização da memória dos estudos geográficos no Brasil.. num vôo entre Benjamin Constant e Manaus em agosto de 1955. A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954 para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros) . que integra a coletânea Geografia: Conceitos e Temas. “ que. são considerados os melhores em sua categoria. que Carlos Augusto considera como um coro. o número especial de comemoração dos 50 anos da RBG nos dá uma boa amostra de dois períodos da Geografia brasileira. No prefácio de Antônio Cândido é dito que. de grande significado sobre a literatura brasileira sob a organização de Afrânio Coutinho. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. o de José Veríssimo da Costa Pereira (Pereira. Espaços Vazios e a Idéia de Ordem .“Que o homem volte a encontrar o seu lugar na Terra e que sua Geografia venha a descrever.. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). atualmente. que já havia montado outra. “Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil”. Faleceu de um problema coronariano. 146). 1955) A Geografia no Brasil que fez parte da coletânea As Ciências no Brasil . a serviço do INIC... é necessário ler dois trabalhos que. Que contenham a alegria” (pg. . 1995) Origens do Pensamento Geográfico no Brasil: Meio Tropical. remontando ao passado. ainda que sob um viés ibegeano. Para uma avaliação da Geografia brasileira desenvolvida no período anterior a 1930. O ensaio termina com os versos da ode do poeta alemão Friedrich von Schiller (1759-1805) incorporada no coral da parte final da Nona Sinfonia de Ludwig von Beethoven (1770-1827). evoque o anseio futuro”. Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). a geografia geral para educação. Portanto. dar conta daqueles novos contornos que o desvelamento do enigma do caos nos trará. Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a geografia agrária e os processos de colonização.

No contexto das explorações portuguesas. em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida. Seu trabalho alcança os primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas Universidades do Rio e São Paulo. efetivamente. foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões. que tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia. tanto escrito quanto cartografado. em seguida as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior .. o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que. aliás. Sem sombra de dúvida. trata-se de uma experiência intrigante ler o capítulo V de Os Sertões de Euclides da Cunha (1902 . inaugurou com sua carta ao Rei de Portugal. Tal conceito lablacheano é. sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos . solo. como escrivão oficial da frota comandada por Pedro Alvares Cabral. Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909 ) levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises de Euclides da Cunha. conforme já ficou demonstrado. além dos exploradores científicos europeus que durante os séculos XVIII e XIX desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e na Antropologia. persistente em Euclides da Cunha. A pesquisa de José Veríssimo inicia com uma panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil que cobre desde o século XVI até o início do XIX. dois especialistas descreveram os principais fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Mestre João de Faras (1448-1513). exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes ( de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). Veio daí o convite de Fernando de Azevedo para a elaboração deste capítulo. Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40. conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat. “À luz da geografia moderna. ao descrever com minúcias o quadro físico (forma do litoral.1982:112-143) para se ter uma impressionante sensação de que o autor. aparecido em 1911. O primeiro. clima.. analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores.compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho. enfocando os principais personagens desta saga geográfica. fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam nosso litoral) tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo conforme . Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947. uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil. Para fins de entendimento da importância desta obra.” ( Pereira 1955 : 424 ). escritas em Os Sertões de 1902. será feita uma síntese desses períodos. vegetação.

Digno de nota também foi o importante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Paulo) em virtude de um naufrágio ocorrido por volta de 1550.O Rio de Janeiro (1580). forçando Portugal a criar um novo polo de defesa e ocupação. o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima Do Clima e Terra do Brasil (1625) e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641) ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas feita entre 1637. padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799 ) são os mais importantes. No início do século XVII os trabalhos de dois padres capuchinhos franceses que percorreram a província do Maranhão marcaram os estudos geográficos na porção norte do país. dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil. O padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry o livro Viagem a Terra do Brasil (1578). no qual é destruído o forte de Coligny. Ambrósio F. na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota. é que inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra. Claude d’Abberville com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux com uma continuação do trabalho de d’Abberville. com o processo de colonização já consolidado. também informa a D.39. No contexto da ocupação francesa. Brandão. no litoral da capitania de São Vicente (atual São 0 . É também na segunda metade do século XVI. fazendeiro pernambucano. escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618). em carta escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500. portugueses radicados na terra e padres missionários continuam a produção geográfica sobre o Brasil. Além dos franceses. Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado descritivo do Brasil de 1587).estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). depois com a fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565 e finalizando com a definitiva expulsão dos franceses em 1567. além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro França Antártica . Manuel I (1469-1521). Na segunda metade do século XVI. iniciado com um ataque naval em 1560. que a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do sul. Brasil de 1557) fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás. ocupando em 1557 a atual baía de Guanabara. as principais determinações astronômicas do hemisfério sul e informa sobre as novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal. O segundo.

obra de astronomia que ficou inconclusa. aos 34 anos. Em 1815. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um desses europeus que participou dessas expedições. além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território em consonância com os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749) que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. Portugal recupera este acervo e em 1842 o repassa ao Brasil. em função do falecimento do autor em 1655. Seu retorno a Europa se deu atravessando a Amazônia Brasileira descendo o grande rio até Belém. Geografia e Botânica organizados pelo alemão a serviço da Holanda George Marcgrave (1610-1644) foram considerados os melhores até então executados sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) a Proginástica Matemática Americana. uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. General Junot em 1808 e quase todo o acervo transferido para Paris para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras do sul com o Uruguai. Suas observações e estudos geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. de La Condamine (1745). Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. Marcgrave também construiu o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul em Pernambuco em 1639. As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos. foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal. Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores Geógrafos do século XVIII. O fim do século XVIII marca o início de uma nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. Nessa mesma época.No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco organizada por Maurício de Nassau a partir de 1638. os trabalhos de Astronomia. Todo o seu material depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa. foram conhecidos novas áreas do interior do Brasil. No seu caso. . a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras. Na esteira desses trabalhos.

exemplificados nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país. É também nesse século que aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira. com a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e com a criação do Conselho Nacional de Geografia em 1937. O ensaio de Lia Osório Machado tem outro enfoque. científicos. dois brasileiros deram uma grande contribuição para os estudos geográficos. são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro [1838] e a Sociedade Brasileira de Geografia [1883]. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado. Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) sobre biogeografia e geomorfologia. geralmente envolvidos com os governos provinciais. o General Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) ao explorar sistematicamente o noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos o Barão do Rio Branco (1819-1880) ao estudar detalhadamente nossas regiões de fronteiras. ideológicos. pois objetiva aprofundar o conhecimento sobre os contextos políticos. Na transição para o século XX.No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil Corografia Brasílica do padre Manuel Aires de Casal em 1817. orientado a um só assunto Navegação Interior do Brasil de Eduardo José de Morais. a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) sobre botânica e etnologia. Ainda no século XIX. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) sobre biogeografia e geografia geral. como Pierre Deffontaines. principalmente nas regiões norte e centro oeste. Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente. Elisée Reclus (1830-1905) sobre geografia regional. Alexander von Humboldt (1769-1859) sobre biogeografia da Amazônia. econômicos que influenciaram a produção geográfica brasileira entre 1870 e 1930. organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país. John Mawe sobre condições de vida da população. É também nesse período que o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques. tido com uma da mais detalhadas resenhas sobre a Geografia brasileira até hoje. As datas referem-se a dois acontecimentos de grande . Este foi apenas um esboço do trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira. um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e que lançou a idéia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias. Paralelamente. outros geógrafos. Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855) sobre geologia e geomorfologia. agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil. O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se durante o século XX com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro orientados por professores estrangeiros.

Para Caio Prado Jr. Caio Prado Jr. Manoel Correia de Andrade-1977. ao longo de suas carreiras. Nilo Bernardes-1982 a e b). Lia analisa com detalhe as obras de dois historiadores que escreveram sobre a Geografia. nossas principais referências. O contexto histórico no qual Nelson Werneck Sodré escreveu seu trabalho era bem diferente do final do Estado Novo. Entretanto. pois abarcou o período do ciclo militar de 1964-1985 e está centrado diretamente na primeira metade dos anos 70. portanto. ao prefaciar a reedição da obra de Manuel Ayres de Casal Corografia Brasílica publicada em 1817 e Nelson Werneck Sodré com sua Introdução à Geografia: geografia e Ideologia. Trindade (1885-1959). baseada nas obras de cinco importantes pesquisadores. Talvez por isso. a parte mais importante do trabalho de Lia O .importância na História brasileira. a visão bem radical de Sodré sobre questões que envolveram os conceitos de determinismo e possibilismo geográfico. suas vinculações com o neo-colonialismo europeu e norte-americano e a Geopolítica (área do conhecimento muito cara aos militares brasileiros). e o Brasil moderno que quebraria as velhas alianças politico/econômicas ditadas por uma elite agrária. embora já ingressando no movimento de implantação da futura república. A análise se estrutura. Eduardo M. João Capistrano de Abreu (1852-1927). que não havia se recuperado completamente do golpe da abolição da escravatura em 1888. os trabalhos dos geógrafos estrangeiros eram. publicada pela primeira vez em 1976 e já com nove edições. Gentil Moura (18681929). É. um intervalo de tempo que marca a grande divisão entre um Brasil ainda com fortes influências coloniais. é o forte criticismo adotado pelos historiadores aos estudos geográficos realizados no Brasil. misturam-se com a influência alemã da Antropogeografia de Fredrich Ratzel (1844-1901) e as idéias de alguns importantes cientistas sociais franceses do século XIX. Ernsest Renan (1823-1892) e Gustave Le Bon (1841-1931). Machado cobre a produção geográfica situada no intervalo de tempo entre 1879 e 1930. construíram essas versões (José Veríssimo da Costa Pereira-1955. A principal diferença que Lia aponta entre os dois conjuntos de autores. em 1945. Além dos geógrafos que. Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951). A primeira parte trabalha sobre algumas visões que enfocaram a evolução do pensamento geográfico brasileiro escritas na segunda metade do século XX. Hippolyte Taine (1828-1898). a primeira referencia o processo de abolicionismo. que levou Getúlio Vargas ao poder. e que a forte influência francesa em relação a alemã era então um dos grandes impecilhos ao desenvolvimento do pensamento geográfico no Brasil . . Carlos Augusto Figueredo Monteiro-1980. o novo modelo republicano com a implantação da Revolução de 1930. com a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871 e a segunda. a fase mais dura desses tempos. na primeira metade dos anos 40.

Trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia. Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915). via corografia. do que com memorizações locacionais. como nas humanas. Ratzel que. Eduardo M. também reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX. por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 11/1918 e posteriormente publicado na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro n 28 em 1923. com a visão de processo de Willian Morris Davies (1850-1934) na Geomorfologia e os estudos sobre a relação Ser Humano / Natureza no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918) e na Antropogeografia de Ratzel. o o . traduzindo para o português diversas obras que tratavam do Brasil. foi o principal material de divulgação das idéias de Ratzel por Capistrano de Abreu. Ao notar um gradual afastamento da memorização. apesar de não ter sido publicado no Brasil. Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado Maior do Exército. foi também um profundo estudioso da Geografia alemã. considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil. paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855) . Essa tendência de se considerar como moderna uma Geografia que opera mais com correlações entre processos físicos e humanos. O de enumeração de acidentes geográficos. Das três obras deste autor analisadas por Lia.Capistrano de Abreu. a que mais nos interessa é A Geografia no Brasil . Lia considera que neste artigo está a primeira citação às idéias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil. que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. fruto de uma conferência proferida no 2 Congresso Brasileiro de Geografia realizado em São Paulo em 1910. além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie de F. Em sua avaliação. publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904. aparecem bem claras nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951). Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873). É um artigo pioneiro no que tange a distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX. onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então. O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929) Geografia Nacional . para centrar-se em estudos classificatórios que levam em consideração vinculações entre vários segmentos do conhecimento. visto como o estilo negativo e o considerado científico. tanto nas ciências da natureza. Trindade (1885-1959). Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia. gestada no início do século XX. alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza como geólogos.

Percepção semelhante. Possivelmente. quando em 1923. pós-graduou-se em Economia na Inglaterra (1919). em 1913 sem êxito. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções.. publicado em 1927 no no 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro. durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil. reintegrado em suas antigas funções. também já havia tido José Veríssimo da Costa Pereira (1955) ao tratar da “O Trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho” (p. aproveitando os dados coletados em várias agências de governo e Physiografia do Brasil (1923). tanto da natureza.. preso e. vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis. Nele Delgado advoga um novo enfoque para os estudos geográficos “a explicação” resultado das vinculações entre diferentes elementos. e por isso mesmo incompreendida por boa parte de seus pares. considerado por Nilo Bernardes (1982:520-21) como uma obra a frente de seu tempo.. dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro nos anos 20 e era considerado um dos mais articulados professores de seu tempo. mas teve também envolvimento com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926). editou seu livro mais importante Geografia do Brasil . Delgado. Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906 e já em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país Le Brésil Meridional. na prática. . como assinala Lia. Méteorologie du Brésil (1917). 425426) escreveu. tendo por isso sido cassado. as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 20. “Delgado de Carvalho publicava. posteriormente. um modelar trabalho didático.O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho Geografia-Sciencia da Natureza. juntamente com Everardo Backheuser. ( não à Ritter nem à Ratzel. duas sobre aspectos físicos. o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947) com suas pulsações climáticas e a noção de individualidade geográfica. Publicou ainda mais três obras... Nascido na França. nem à Vidal ). onde misturam-se a Geomorfologia evolucionista de Willian Moris Davis.”. como resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado Maior do Exército entre 1921 e 1931. Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor. Backheuser era engenheiro com especialização em Geologia e Mineralogia e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. quanto da sociedade. como produto de uma conferência proferida na instituição.. onde estudou Ciência Política (1908). e uma sobre questões políticas. Em 1913. Introdução à Geografia Política (1925). atribuída por Delgado à Lucien Febvre (1878-1956) e.

. Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época. em inglês. mas ele marcou de tal maneira a minha memória. depois colaborou com IBGE. obras em francês.... eu tive um professor que depois colaborou. ele teorizou sobre isso perfeitamente. . sabe que eu não tomei nenhuma nota. política imigratória e mestiçagem... no auge do imperialismo alemão.” (Depoimento de Orlando Valverde a Roberto Schmidt de Almeida). resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais. quando eu fui dar Fronteiras do Brasil. o nome de Moris Davies apareceu pela primeira vez na minha vida. foram motivos de intensas querelas intelectuais. Temas como As raças e o meio tropical. essa coisa toda. como por exemplo. os mapas na cabeça e tudo mais. Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909)...... sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo. esse homem escreveu no começo do século. esse autor .. em Hilderberg em 1967. Tristão Alencar de Araripe (1821-1908)... Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 20 juntamente com outros professores do ensino médio... e essa aula eu assisti entre 1930 / 1931..Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia em 1925. meu caderno..Por exemplo. O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros. Artur Orlando da Silva (1859-1916). mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia.. Louis Agassiz (1807-1873).. Alexander Supam. ficou em branco naquela aula. quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo.. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo. Marechal Floriano. Colégio Pedro II ali da Av. porque eram as palavras. ninguém sabe. porque eu. tinha um autor alemão. debates esses que suscitaram argumentações de caráter espacial. era um nome até pouco vulgar.. Alfred Russel Wallace(1823-1913).. ele citava obra. o meu entendimento de garoto. Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877). como um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia. José Couto de Magalhães (1836-1898). principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro. européias em que esse. e européias. e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha. regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira.. no período referenciado (1870-1930). que vinte anos mais tarde. como Fernando Raja Gabághlia (1886-1965). era uma personalidade muito curiosa. considerado também por Orlando Valverde em seu depoimento. pois bem. Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco... uma glorificação do imperialismo da época. nenhuma. eu me lembro por exemplo de citações.. uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas. por exemplo sobre a colonização européia.. eu ficava envergonhado comigo mesmo. primeiro resistiu. “Eu sou cria do Pedro II. um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil. escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias. os de Albert Penck e Alfred Hetner .. ou no Paulo de Frontin. além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) sobre a precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça via miscigenação européia. foram objeto de estudo para Autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882). André Rebouças (1838-1898).

Alfred Hettner (1859-1941) e Albert Penk (1859-1945). No que concerne especificamente ao campo de análise das matrizes do pensamento geográfico. Paralelamente. Em sua parte final. além da posição deste ramo do conhecimento entre as ciências naturais e sociais. alguns trabalhos sobre suas vinculações com a Geometria. principalmente nas décadas de 60 e 70. O artigo de Nilo Bernardes consegue dar uma boa visão desses problemas. a diferenciação entre região homogênea e região nodal. Nilo Bernardes analisa o conceito de região em suas diversas concepções. uma característica que. no que tange ao estudo dos arranjos espaciais de seus fenômenos. Machado tornou-se uma referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil. tema que Nilo Bernardes cotejou inteligentemente comparando as determinações dos inúmeros congressos internacionais de Geografia sobre o assunto. onde novamente a dicotomia físico-humana acabava por ordenar grupos diferentes de regiões tais como região natural e região humana ou cultural . além de aprofundar a questão do conceito de corologia (arranjo e variação de um fenômeno no espaço) em relação ao conceito de cronologia ( variação de um fenômeno no tempo) na tradição científica alemã de Immanuel Kant (1724-1804) e seus efeitos nos trabalhos de Ferdinand von Richthofen (1833-1905) . Química e Física e os que a consideravam como uma Ciência Social somente. culminando em 1960 com a criação da Comissão para métodos de regionalização na União Geográfica Internacional por ocasião da reunião em Estocolmo. inclusive discutindo com muita clareza questões controversas como a luta entre as concepções deterministas versus o enfoque possibilista no meio geográfico europeu e americano e suas conseqüências no Brasil.Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico européias. gerou grandes controvérsias entre os geógrafos. o artigo de Nilo Bernardes (1982) na RBG 44(3):391-413 sobre as principais características do que se convencionou denominar de pensamento geográfico tradicional é um dos mais esclarecedores. Ciência Política. e que enfatizavam as ligações preferenciais com a Geologia. Questões como as dicotomias entre Geografia Física e Humana. Um outro ponto fundamental também foi motivo de análise. com vistas a uma institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 30. Biologia. Geografia Sistemática e Regional. ao longo dos anos. tanto físicos quanto sociais. Economia e Antropologia. . relacionando-a com a Sociologia. o ensaio de Lia O. analisando alguns dos principais problemas espistemológicos por que passou a Geografia na primeira metade do século XX. pois enfoca as principais correntes de pensamento. Pois sempre existiram aqueles que consideraram a Geografia mais física. História. também trouxeram mais polêmica à discussão. quanto na França e Estados Unidos. tanto na Alemanha.

do qual o IBGE passou a ser o principal agente. também fundamental para o entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil. Pierre Gourou. como a União Geográfica Internacional (UGI) e o Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH). foram processos gestados por uma estrutura organizada pelo governo Vargas. Nilo também traçou um rápido perfil de algumas instituições de Geografia internacional que contribuíram com os profissionais brasileiros. Alguns desses profissionais serão objeto de avaliação mais detalhada no capítulo III. Cole. tanto em São Paulo (posteriormente liderado por Pierre Mombeig). Geodésia e Cartografia. o mesmo Nilo Bernardes apresenta outro artigo. que trata da liderança e do carisma que estes pesquisadores e professores exerceram durante e após suas estadas no Brasil. mas organizados em nível mais alto. Os legados de profissionais como Pierre Deffontaines. em virtude de suas origens comuns. Processos gerenciados no nível acadêmico entre 1934 e 1939 pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines. que também foi o criador da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Francis Ruellan. até a estruturação do sistema de planejamento territorial do governo federal no IBGE. Pierre Monbeig. Leo Waibel. garantindo recursos para pesquisa ou facilitando cursos de aperfeiçoamento técnico. tanto pelo lado da Estatística. quanto pela Geografia. John P. Francisco Luis da Silva Campos e Gustavo Capanema (Ministros da Educação). ambos sempre estiveram em perfeita conexão. a criação quase simultânea dos cursos formais de Geografia. por personalidades como Juarez Távora (Ministro da Agricultura). Jacqueline Beaujeau-Garnier. Jean Tricart. Brian Berry e André Libaut foram descritos com muita precisão. com a formação e o aperfeiçoamento do corpo docente. No entanto. Pierre Danserau. Entre meados dos anos 30 até o início dos 40. Trata-se da análise da influência dos professores estrangeiros que estiveram pesquisando e lecionando no Brasil após a década de 1930. explicitando a especialidade de cada um e avaliando a influência de seus métodos na Geografia brasileira. e o novo segmento voltado para a estruturação do sistema de planejamento territorial. José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores). quanto no Rio de Janeiro. . Gottfried Pfeifer. Michel Rochefort. Evocando Algumas Etapas da Geografia no IBGE Durante as décadas de 40 e 50 a Geografia brasileira estava dividida em dois grandes segmentos. apesar desta aparente dicotomia.Na mesma Revista Brasileira de Geografia 44(3):519-527. Mário Augusto Teixeira de Freitas (organizador do sistema estatístico nacional) e Cristóvão Leite de Castro (estruturador do núcleo inicial de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia). Preston James. O que produzia conhecimento para uso na estrutura de ensino.

os geógrafos que defendiam uma localização no Triângulo Mineiro. os estudos do habitat rural. possivelmente. como por exemplo. que ficou mais ou menos circunscrita aos muros do próprio CNG. e do posterior envio em 1945. para se pós-graduar no mestrado da Universidade de Wisconsin. a Geografia da academia e a do sistema de planejamento no Brasil nasceram juntas e foram organizadas tecnicamente no Rio de Janeiro. Era uma espécie de diagnóstico integrado. principalmente na área de estudos regionais. por vincularem o fator acessibilidade à área mais desenvolvida do país (São Paulo). Mais uma vez. pois necessitava de avaliações de caráter físico e econômico em duas escalas distintas: a local. primeiramente no caso da localização da futura capital. abre-se também outras linhas de pesquisas. pelo mesmo profissional (Deffontaines). como uma estratégia que aliava . em áreas separadas mas operando em conjunto para não desperdiçar esforços.I e II e Mombeig.1944 . mas que. de certa forma. o debate se estabeleceu aparentemente por conta de duas posições divergentes. tanto para ensino . No mesmo período. que possuía fortes raízes lablacheanas. A demanda governamental para o estudo dos processos de ocupação do território via mecanismos de colonização. a relação entre a Universidade e o sistema de planejamento (IBGE) mostrou-se forte. para fins de implantação física da futura cidade e a regional que teria de dar conta das futuras relações econômicas e demográficas da nova capital. a partir da ida para os Estados Unidos em 1942 do geógrafo brasileiro Jorge Zarur . Na questão da localização da futura capital.1943). No entanto. os estudos urbanos também já estavam tendo um desenvolvimento. Paralelamente. e as novas interpretações dos processos geomorfológicos. principalmente com os trabalhos de Deffontaines no Rio e Mombeig em São Paulo (Deffontaines.Portanto. na metodologia de pesquisa de campo e no processo de colonização. É nesse novo contexto que chega o alemão radicado nos Estados Unidos. A vinda de Francis Ruelan entre 1940 e 1956 intensifica essas relações entre os geógrafos cariocas e a Geografia francesa. deu o tom das principais orientações de pesquisa. Leo Waibel para trabalhar exclusivamente no IBGE sobre processos de colonização. Na segunda metade da década de 40. Crise esta. muito mais forte e de graves conseqüências para o órgão no início dos anos 50. a Geografia foi convocada a definir algumas possíveis localizações para a futura implantação do novo Distrito Federal em alguma área do Planalto Central. iniciam-se crises no núcleo governamental de planejamento. principalmente em virtude do longo período de permanência e do seu carisma para formação de um grande número de profissionais. com equipes distintas (Ruelan com a equipe da Universidade e Leo waibel com a equipe do IBGE). De um lado. ocorridas durante o final de 1947 e início de 1948. tenha dado subsídios para uma outra. de cinco ibegeanos para estudos de aperfeiçoamento em universidades americanas. apesar desses esforços conjuntos. quanto para pesquisa.

1949: 471 e 613). Várias razões eram invocadas. Secretário Geral do CNG. Mas. Segundo Câmara. na arena estatística. revelou alguns conflitos entre as estatísticas primárias e as secundárias. Um relatório elaborado pelo estatístico Lourival Câmara. 1993:84-85). As revelações de Lourival Câmara foram amplificadas por Poli Celho na imprensa. as argumentações ficaram a cargo de Cristóvão Leite de Castro. a pedido de Poli Coelho.1952). o que gerou uma crise administrativa que durou um ano e meio. chefe do Serviço Geográfico do Exército e Presidente da Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil. em artigos na RBG (Guimarães. A vinda do General Poli Coelho para a Presidência do IBGE em 1951. 1948 . com pedidos de demissão de toda a cúpula da Estatística do órgão e edição de publicações de refutação aos comentários do Presidente do IBGE feitas por Waldemar Lopes. que moveu uma campanha que resultou no inquérito administrativo que levou à exoneração de Poli Coelho em 1952 (Lopes. Secretário Geral do CNE.A Localização da Nova Capital ). os geodesistas. Speridão Faissol. em depoimento à Revista GEO UERJ analisa o debate técnico (Faissol. Do outro lado. no campo intermediário entre o técnico e o político. abriu uma outra. em área próxima a cidade de Formosa em Goiás. os geodesistas e militares positivistas usavam os argumentos da centralidade geométrica do território e das concepções geopolíticas de ocupação rápida da região central do Brasil. Os políticos de Goiás e do Nordeste tinham interesses variados. que iam da luta por maiores áreas de influência política. muito mais séria.economia (menos dispêndio de recursos em infra-estrutura imediata) e atratividade (a cidade não estaria em área muito distante e os investidores de São Paulo e sudoeste de Minas seriam mais receptivos à novidade). principalmente no que se referiu às questões entre decisões de Geografia Econômica e as argumentações geodésicas e geopolíticas. substituindo o extenso primeiro mandato de José Carlos de Macedo Soares Guimarães (1936-1951). O principal incentivador dessas teses era o General Poli Coelho. A escolha recaiu sobre a área de Goiás e foi corroborada em termos políticos por Teixeira de Freitas. O debate na esfera técnica ficou por conta de Fábio de Macedo Soares Guimarães. . se no campo geográfico uma crise foi abortada. 1997:8386). militares e a bancada dos estados do Nordeste viam com muito interesse a opção do Espigão Mestre. o IBGE mostrava muito mais interesse em assuntos culturais e políticos do que em questões puramente estatísticas (ver detalhes em Penha. até o simples interesse especulativo das futuras terras a serem desapropriadas. recentemente aposentado (1948) em carta ao Presidente da Comissão General Poli Coelho (IBGE. geógrafo que coordenou os estudos geográficos do IBGE.

que era o representante do Ministério da Educação no Diretório Central do Conselho resolveu contemporizar com os militares. No conjunto de caixas de processos administrativos guardados no Arquivo Histórico do IBGE.depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). 1994:49-50 e Faissol . acertada numa reunião na cidade de Lorena. Em meio a essas crises. a primeira vinculada a escolha do sítio da nova capital e a segunda aos problemas sobre a qualidade das estatísticas do IBGE. Caixa 41 . eclode o inquérito administrativo contra Cristóvão Leite de Castro e com sua demissão. localizado na Reserva Ecológica do Roncador em Brasília. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur. quando da volta de todos dos Estados Unidos. que nas visões de Orlando Valverde e Speridião Faissol. um Coronel do Serviço Geográfico do Exército. o General Poli Coelho nomeia em seu lugar na Secretaria Geral do CNG. foi encontrado um processo que mostra um movimento de antagonismo claro entre Fábio de Macedo Soares Guimarães. (Valverde. em meados da década de 40.Pasta 200/18-018 (ver anexos Documentos Administrativos) . Faissol também deu sua versão sobre o início da cisão entre os dois profissionais de maior poder na Geografia. incluindo aí Cristóvão Leite de Castro.A instauração da comissão de inquérito pelo Ministério da Justiça. o que foi encarado como uma traição por Fábio. Zarur tenha se ligado fortemente aos militares que destituíram Getúlio Vargas em 1945. nomeado por Edmundo Gastão da Cunha como Diretor da Divisão de Geografia (DG). refere-se aos entendimentos de Zarur com Haroldo de Azevedo da USP. diretor da Divisão de Documentação e Divulgação (DDD) e Jorge Zarur. para a fusão entre Rio e São Paulo numa Associação dos Geógrafos Brasileiros nacional. O processo se inicia no bojo das duas crises situadas entre 1948 e 1952. envolvido num mal explicado inquérito de corrupção de desvio de sabonetes do IBGE para sua residência. a documentação também ilumina algumas querelas que ocorreram durante a gestão da presidência do General Polli Coelho e de seu Secretário Geral do CNG. levou muito tempo para tomar a decisão de afastamento de Poli Coelho da presidência do IBGE. Jorge Zarur. Orlando Valverde e outros. Um outro ponto colocado por Faissol. Além desses comentários evocativos feitos por Speridião Faissol. Faissol argumentou que as questões sobre disputa de poder entre Zarur e Fábio pudessem ter se iniciado antes. No mesmo depoimento. acabou gerando um ambiente de perseguições. inquéritos administrativos e demissões aos antigos colaboradores de Teixeira de Freitas. Coronel Edmundo Gastão da Cunha em 1951.

Explica também as funções de Nilo e Lisia Bernardes. caracterizado por dois postos de referência. Advoga que se todas as Seções da DG manifestam a necessidade de geógrafos. Resposta da DG . sobretudo após a saída de Poli Coelho do IBGE em 1952 até a volta de José Carlos de Macedo Soares Guimarães em novembro de 1955. 2958 – 04/05/1951 Assunto: Lotação de servidores na Seção Cultural. Encaminhamento para a DG. 1 á disposição do Diretório Regional do Estado do RS e 1 em estágio em universidade na França. Mesquita. a Divisão de Geografia e a direção da AGB do Rio de Janeiro. Encaminhamento a DDD para conhecimento e manifestação a respeito. . mas que também será útil à DDD. Coloca também que.Explica as dificuldades de lotação de servidores técnicos na DDD analisando os problemas de distribuição nas demais áreas do CNG. Explica que não se trata de troca de servidores e sim de necessidade de lotação para cobrir áreas da DDD. apenas Magnólia está lotada na DG. Finaliza apresentando as principais atribuições da DDD listando 11 conjuntos e apresenta um quadro de distribuição de Geógrafos no CNG (34 na DG. como Cartografia. Solicitação feita ao Secretário Geral do CNG ( Edmundo Gastão da Cunha) de substituição de três servidores (Cecília Cerqueira Leite Zarur -oficial administrativo. anteriormente. Magnólia e Olga. explicando que dos servidores Cecília. Fala da saída para estágio na França da servidora da DDD Maria da Conceição Vicente de Carvalho. A partir daí formaram-se dois grupos antagônicos que lutavam pelo poder. Reconhece que Lisia é bastante útil à DG. Seguem-se as assinaturas de ciência dos respectivos diretores das Divisões e os procedimentos burocráticos decorrentes.Proc. Analisa a lotação da Seção Regional Sul da DG e argumenta que apenas Orlando Valverde saiu da SR Sul e que os estudos da SRS estão também a cargo de mais três geógrafos ainda lotados na SR Leste. Explica que o geógrafo Orlando Valverde está proposto para chefe da Seção Cultural. que eram muitas vezes desenvolvidos por profissionais dos dois grupos. de reconhecida capacidade. sendo que Lisia era chefe do setor de Prontualização e Informações da DG. as outras estão no gabinete do Consultor Técnico e Jurídico do Secretário Assistente. Lisia Maria Cavalcanti Bernardes. Magnólia de Lima -Geógrafo auxiliar e Olga Maria Buarque de Lima –Geógrafo contratado) que estavam lotados na Divisão de Documentação e Divulgação(chefiada por Fábio de Macedo Soares Guimarães). 4 na DDD. O SG do CNG arbitra que a Geógrafa Míriam Mesquita seja transferida da DG para a DDD em 30/05/1951. já havia transferido para a DDD os geógrafos Orlando Valverde e Antônio José de Matos Musso. Resposta da DDD . O Assistente Fisiográfico Antônio José de Matos Musso está assumindo interinamente a chefia da Seção de Documentação enquanto durar o impedimento do titular Virgílio Corrêa Filho. nunca assumiram posições conflitantes que colocassem em cheque a qualidade dos grandes projetos.Informa que só será possível a transferência da geógrafa Miriam Guiomar C. em substituição ao chefe anterior José Veríssimo da Costa Pereira que passou a exercer o cargo de Secretário Assistente. por três geógrafos lotados na Divisão de Geografia (chefiada por Jorge Zarur). 2 no gabinete do SG. as da DDD também. pois essas duas seções estavam concentradas em projetos na SR Sul. Nilo Bernardes e Miriam Guiomar Coelho Mesquita. mas que na arena de trabalho do IBGE.

Faissol revelou também o episódio que o levou à chefia da Divisão de Geografia em novembro de 1956. No contexto burocrático. com a exoneração de Orlando Valverde e a conseqüente exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. G . o episódio pode ser acompanhado pela leitura de alguns dos Boletins de Serviço editados entre agosto e dezembro de 1956. gerando uma crise administrativa com vários pedidos de exoneração dos geógrafos que estavam em cargos de confiança sob a liderança de Fábio. Nessa lista estavam todos os principais geógrafos da Divisão de Geografia que colaboraram tecnicamente com o congresso. decidiu mante-lo no cargo. a saber: Grupo 1 Mapas de População (chefes: Elaza Coelho de Souza Keller e Heldio Xavier Lentz Cesar) Grupo 2 Planalto Centro-Ocidental (chefe: Pedro Pinchas Geiger) Grupo 3 Fitogeografia (chefe: Luiz Guimarães de Azevedo) Grupo 4 Geografia dos Transportes (chefe: Ney Strauch) Grupo 5 Clima (chefe: Ruth Simões) Grupo 6 Relevo (chefe: Alfredo Porto Domingues e Antônio Teixeira Guerra) Grupo 7Geografia das Indústrias (chefe: Míriam Mesquita) Grupo 8 Geografia Urbana (chefe: Lisia Bernardes)” Cada grupo teria em média cinco componentes e nos parágrafos finais. durante a gestão de Jurandyr Pires Ferreira. Na carta. realizado no Rio de Janeiro. na seção Noticiário da Presidência do IBGE.BS 213 de 10/08/1956 mostra a lista de delegados do IBGE junto ao XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. O Boletim de Serviço . estando em exercício na DG. O BS 228 de 23/11/1956 apresenta na seção de Instruções e Ordens de Serviço a OS de 08/11/1956 do Diretor da Divisão de Geografia (Orlando Valverde) que cria oito grupos de trabalho para “executarem as tarefas mais urgentes da D. publica a carta de confirmação de Fábio de Macedo Soares Guimarães no cargo de Secretário Geral do CNG. e não tiveram ainda entendimento com o Diretor da Divisão. Mas que por observar seu trabalho junto a SG durante o congresso. a fim de serem engajados em algum dos grupos ora constituídos. . deverão faze-lo imediatamente. O BS 218 de 15/09/1956. a ordem de serviço determinava que “Os geógrafos e estagiários que não estejam inscritos na relação supra e. Jurandyr Pires Ferreira esclarece que houve um compromisso entre ele e o presidente anterior (o Embaixador José Carlos de Macedo Soares) pelo mantenimento de Fábio na SG do CNG até a finalização do XVIII Congresso Internacional em agosto.

Ao final da seção de processos. Também aceita os pedidos e exonera quatro geógrafos de suas chefias da DG. Nele estão as portarias 70. seguida da designação do mesmo servidor para a seção Regional Nordeste. O BS 230 de 07/12/1956 na seção informações diversas. Lindalvo Bezerra (seção Regional Nordeste) e Lúcio de Castro Soares (seção Regional Norte). . na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG. consta a ata. São também designados os seguintes geógrafos Antônio Teixeira Guerra (seção Regional Norte). constam a portaria de elogio aos funcionários do gabinete e memorandos à Diretoria de Administração sobre férias. Dora Romariz (seção Regional Sul). ainda que provisórios. Eloísa de Carvalho (seção de Estudos Sistemáticos). Solange Tietzmann (seção de Atlas e Ilustração) e Edgar Kuhlmann (seção Regional Centro Oeste).” O próximo BS 229 de 30/11/1956 é o que determina o início de um processo de modificações na estrutura de chefias da SG e da Divisão de Geografia. No mesmo boletim 229.72 de 22/11/1956 que exoneram Fábio e Orlando e que nomeia o engenheiro Virgílio Alves Corrêa Filho para a chefia da SG do CNG e a portaria 74 de 26/11/1956 que nomeia Speridião Faissol para a Divisão de Geografia.71. portanto de caráter episódico.Os grupos de trabalho iniciarão suas atividades imediatamente e é recomendado aos respectivos chefes que estabeleçam desde já prazos. No caso de Alfredo Porto Domingues é determinada uma exoneração ( seção Regional Sul). O plano de Orlando Valverde é exposto nas páginas 3 e 4 do BS. Heldio Xavier (seção de Atlas e Ilustração). Lísia Bernardes (seção de Estudos Sistemáticos). O BS 231 de 14/12/1956 apresenta na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG a exoneração a pedido de Nilo Bernardes do cargo de Secretário. com os comentários do Presidente do IBGE Jurandyr Pires Ferreira e o discurso proferido por Speridião Faissol na cerimônia de sua posse na Divisão de Geografia do CNG. para a conclusão das tarefas atribuídas ao grupo respectivo. Faissol elogia o governo de Juscelino Kubitschek e a gestão de Jurandyr no IBGE e faz um apelo aos geógrafos pela união em torno da obra Geografia do Brasil. aparece também uma correspondência datada de 31 de outubro de 1956 enviada pelo gabinete da Divisão de Geografia encaminhando o plano de trabalho da obra Geografia do Brasil em três volumes para ser elaborada entre 1956 /1957.Assistente da SG do CNG. e a nomeação do Contador Olmar Guimarães de Souza para o cargo. Em sua alocução de posse. Estes são. Serão concedidas aos grupos de trabalho todas as facilidades administrativas possíveis para apronta e eficiente execução de suas tarefas.

conforme se verifica em sua carta de 7 do corrente. Prioridades e ações que conflitavam com dois grupos de profissionais. possível realizar-se por motivos que somente a Vossa Excelência cabe apreciar. A importância desta seqüência de eventos está relacionada a algumas questões de fundo político ocorrida com a chegada de Juscelino a Presidência da República. onde o Secretário geral faz suas despedidas e lê a carta dirigida ao Presidente Jurandyr. integra o GT de Relevo ao Setor Geomorfológico da Seção de Estudos Sistemáticos e o GT de Geografia das Indústrias ao Setor de Geografia Econômica. imprimindo uma outra ordem de prioridades.. da qual levantamos alguns trechos “. distribuindo as tarefas pelos setores de Estudos Sistemáticos e de Atlas e Ilustrações. em nossa conversa há quase dois meses. Acresce. Lamento profundamente o caráter irrevogável do seu pedido de demissão. Tal não foi. além de determinar transferências de quatro funcionários do GT de Geografia Urbana de volta a seus postos anteriores. os que se assumiam a . hoje entregue ao Diretor da Divisão de Geografia. há pouco mais de dois meses. não me cabendo. porque desejava poder contar com sua colaboração como. designa o Prof. venho respeitosamente reiterar a solicitação verbal. entretanto. coloca-lo absolutamente à vontade para que possa dispor dos cargos de direção deste Conselho sem o menos constrangimento.. teve a bondade de anunciar-me pessoalmente sua decisão de confirmar-me no cargo de Secretário Geral deste Conselho.. por conta das articulações políticas que eram feitas pelo Partido Social Democrata (PSD). entretanto... integra o GT Planalto Centro-Ocidental na Seção regional Centro-Oeste. pessoalmente. fortalecidos durante longo período de leal e eficiente colaboração. tive ensejo de manifestar. tive ensejo de expor claramente a orientação que..” Finalmente o BS 232 de 21/12/1956 na seção de Instruções e Ordens de Serviço aparece a OS de 12/12/1956 do Diretor da DG (Faissol) iniciando o processo de modificação dos Grupos de Trabalho. que já lhe fizera recentemente. não veio a sofrer alteração em nenhum instante de nossas relações administrativas. Suspende temporariamente as atividades do GT de Transportes.” No mesmo corpo da ata também está assinalada a resposta de Jurandyr.No mesmo BS 231 está publicada a ata da 327 reunião ordinária do Diretório Central do CNG ( a última presidida por Fábio). Kurt Huck para a chefia do GT de Fitogeografia e transfere o geógrafo Roberto Galvão para a Seção Regional Norte. contudo. aos quais me acho ligado poe estreitos laços de admiração e afeto. Desejando.. Extingue o GT de Mapas de População. tive ocasião de manifestar-lhe o meu desejo de que o fossem também os meus auxiliares diretos. evidentemente entrar nas razões de foro íntimo que motivaram o seu afastamento – mesmo porque. a falta de um motivo ponderável para que pudesse compreender e extensão de sua decisão. pois. onde percebe-se a conotação ambígua sobre o real motivo do pedido de exoneração “. estou certo.. Quando Vossa Excelência. para que se digne conceder-me exoneração do cargo de Secretário Geral.

garantiu uma estrutura de trabalho dirigida à grandes projetos que garantissem um bom nome a sua gestão e ao período juscelinista. Porém. A proposta de substituição criou um conflito entre Fábio e Jurandyr e gerou uma crise. isso não durou muito. mas não necessariamente Getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro. o que acabou por se configurar com o repentino falecimento de Zarur em 1957. ligando Estatística. a figura do piauiense Jurandyr. o forte conteúdo partidário nas decisões consideradas técnicas. que apenas acentuou uma antiga disputa entre os aliados de Jorge Zarur e os de Fábio onde. que para agravar mais o processo. na gestão de Juscelino era considerado um retrocesso na função organizadora do Aparelho Estatal. rivais políticos do PDS. No contexto do IBGE. O segundo grupo era formado por partidários da União Democrática Nacional (UDN). embora não sendo mineiro. encontravam-se agora submetidos aos liames da política mineira que sempre operou com as articulações e dissimulações típicas de partidos com forte poder em áreas rurais. a capacidade de planejamento e a operosidade de Faissol e Antônio Teixeira Guerra à frente da DG entre 1956 e 1961 geraram um conjunto de obras que ainda são marcos de referência da produção geográfica do IBGE nesse 60 anos. de características majoritariamente urbanas. o principal era o Embaixador José Carlos Macedo Soares em seu segundo mandato (17/11/1955-03/05/1956). um típico representante do profissional de Estado. seria necessário substituir certos nomes que estavam vinculados aos métodos de trabalho do presidente anterior. Faissol é escolhido para chefiar a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. no estilo de Teixeira de Freitas e Cristóvão Leite de Castro nos anos 40.como profissionais do Governo Federal do tempo do Estado Novo. Para que isto ocorresse. empurrou Faissol para a liderança do grupo de Zarur. Para estes. Geografia e Cartografia que informavam pela primeira vez em abrangência nacional. que haviam sentido o gosto da vitória política ao ver Getúlio Vargas sair do poder. Apesar dessas crises. via suicídio em 1954. Os udeenistas. representados pelas publicações de obras de pesquisa sistemática. Era necessário criar projetos de maior porte. importante geógrafo que possuía fortes vinculações com o estamento militar ligado ao PSD mineiro. com pessoal de confiança e a confiança só viria de pessoas que fossem articuladas com a nova política de Juscelino e assim foi feito. para observadores privilegiados da cena como Pedro Geiger e Elza Keller. cunhado de Jorge Zarur. A força das ações de Macedo Soares e particularmente de seu sobrinho Fábio de Macedo Soares a frente da SG do CNG ainda foram sentidas por Jurandyr durante o período do XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio e fortemente organizado pela estrutura logística do IBGE. aspectos até então desconhecidos do . com Speridião Faissol. Marcos fundamentais.

1956). Coleção Geografia do Brasil (1959). Apresentando também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento. Um exemplo bem interessante foi a publicação na RGB de uma Conferência dada por Milton Santos para o curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia em fevereiro de 1959 (Santos. As mudanças de fase ocorridas entre a saída de Jurandyr Pires Ferreira e as curtas gestões de Rafael da Silva Xavier (10/021961-09/11/1961). José Joaquim de Sá Freire Alvim (13/11/196101/10/1963) e Roberto Bandeira Accioli (14/10/1963-31/03/1964). 1959). No início da década de 50. tanto no que concerniu às questões de logística do congresso. perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de bom nível. somado às bolsas de . A coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (19571964) com 36 volumes. o do General Agnaldo José Senna Campos (10/04/1964-03/04/1967) e o de Sebastião Aguiar Ayres (04/04/1967-23/03/1970). sobretudo franceses. com os convites a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste para elaborarem alguns guias de excursões. vários geógrafos europeus. a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário.território nacional na escala municipal. quanto aos aspectos acadêmicos. com o francês sendo praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários. Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956. As principais linhas de pesquisa geográficas durante a década de 1960 no Brasil sofreram uma transição interessante. combinadas com os dois períodos pós golpe de 1964.os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socio-econômicos da Baixada Fluminense feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 ( Geiger e Mesquita. exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões que envolvem a relação entre a Geografia e o desenvolvimento. explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 50. a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade se solidificou ainda mais. Nela. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956. o Atlas do Brasil (1959) a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960). Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento. e que o treinamento dado por Ruellan. já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas. Além disso. criaram na Geografia um ambiente bem diferente do que era nos anos 50. Mas outros tipos de pesquisa também eram desenvolvidos. enfatizando os aspectos sociais e menos vinculada ao estudo da paisagem.

A produção e a qualidade dos trabalhos de Pedro Geiger no contexto dos estudos urbanos em geral e no de redes urbanas em particular. Ceçary Amazonas. O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG.. Rio de Janeiro. A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort. foi notável. 1963. esposo de Lisia. correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. Maria Emília Teixeira de Castro Botelho. e posteriormente. No entanto. durante toda a década de 60. Olga Maria Buarque de Lima. Minas Gerais e Espírito Santo. O mais curioso. a partir de um polo metropolitano. O seu livro Evolução da Rede Urbana Brasileira (Geiger. 1964 ou Bernardes L. 1964). classificando cidades. os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). Hilda da Silva. Foi o primeiro trabalho de detalhamento operando numa escala intermediária. aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil.aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês haviam criado uma elite profissional muito eficiente. Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo. criado em 1961 e coordenado por Lisia Bernardes e editado em 1964. Chamou-se O Rio de Janeiro e Sua Região ( Grupo de Trabalho de Geografia Urbana. O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas. 462p. é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil. a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 60 e editada em 1963. nesta época. via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lisia Bernardes no IBGE. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. Sua produção geográfica computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH) realizado . Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. pelo mesmo Pedro Geiger que já havia iniciado na década de 50. que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. O prefácio de Nilo Bernardes. definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. Sulamita Hammerly. que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara. foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP).). Um desses professores foi Michel Rochefort.

em Buenos Aires. denominado pelo autor de “Complexo IPES / IBAD”. sem sombra de dúvida. Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE. 1994) e Pensamento econômico brasileiro : o ciclo ideológico do desenvolvimento (Bielschowsky. que também tornou-se um outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE. representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores. a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo. É. mas como a sua vida pública. no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 50. Departamento de Geografia. Corrêa.. . políticos. Por se tratar de memórias. Para se ter uma visão panorâmica e diversificada sobre esta fase conturbada de nossa história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: A Conquista do Estado . Campos fica bem a vontade em escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros. tratando somente sobre redes urbanas. ver Almeida (1994) e Geiger (1988:64/65) que analisa com muita sensibilidade esse período importante. Poder e Golpe de Classe (Dreifuss. RBG 25 [2] abr. civis e militares. volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subseqüentes governos militares. mas contraditório do IBGE. 1981). com cinco entre 1957 e 1964. formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. Pedro Geiger também coordenou um impressionante trabalho de análise sobre a industrialização na Região Sudeste. foram as que mais aproximaram o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 60.Ação Política. muitos dos quais conspiradores de primeira hora. É possível perceber que a Geografia que se vinculou às idéias de desenvolvimento. 1995). com Dreifuss mapeando sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado no período imediatamente após o golpe de 1964. 1963). praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas até os anos 90. As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. iniciada em 1938 no Itamarati. Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias. jornalistas e outros. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições. empresários. editado na RBG em 1963. Funcionários públicos. com 10 trabalhos entre 1952 e 1963 e na de Roberto L. apresentou-se na contagem de Nice L. Müller. incluindo aí os primeiros governos do Ciclo Militar. o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD)./jun. Cada um deles observando o processo de maneira diferente. Neste mesmo período.

No que concerne aos estudos sobre redes. foi organizada por Ricardo Bielschowsky . e é sobre este espólio que as novas idéias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. com a saída de Speridião Faissol da Secretaria Geral do CNG. que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro. 1968 e 1989). Separadamente. o desenvolvimentismo. reduziram-se fortemente. quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira. ou pelo menos assim se convencionou acontecer. 2000). principalmente sobre Redes Urbanas e trabalhos sobre Regionalização. muito lugar para a Geografia física. principalmente a da região sudeste. enfatizando a análise do setor terciário. Não haveria no contexto do IBGE. juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (Geosul. um economista muito caro aos geógrafos e que foi alvo de uma entrevista no número especial da Revista Geosul . O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE. É justamente nesta época. o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período após os anos 60 até o final dos 80 (Corrêa. eles foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos.1991/1992). com exceção da climatologia. substituído por René de Mattos. conforme nos indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (Abrantes. de cunho administrativo.A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos. Os principais vetores de estudos desta fase foram as pesquisas de Geografia Urbana. inicia-se uma mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE. procurando dar conta de uma intensa urbanização que havia se iniciado no final dos anos 50 e que nos anos 60 já começava a mostrar seus efeitos. Foi também neste período que se verificou uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE. Antônio Teixeira Guerra. analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel. que a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais se acentua no Brasil. agora na chefia da Secretaria Geral do CNG e tendo como chefe da Divisão de Geografia. que estavam estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas / José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram um grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek / Jurandir Pires Ferreira. coincide ainda com o poder de Faissol. o neoliberalismo. . um economista com forte veia de historiador. pois na segunda metade dos anos 60 a participação dos segmentos de estudos físicos. Em 1964. tanto em termos de crescimento metropolitano. e o socialismo. comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 40 e 50.

com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha. os textos ainda espelham uma clara opção para a análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados. os vice presidentes eram o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. principalmente após o golpe de 1964.Dentro deste contexto. No novo Departamento de Geografia (DEGEO). que enfocava o processo de metropolização. a partir de 1968. Miriam Mesquita. Para que se tenha uma visão mais clara da transição ocorrida nesta época. Processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na gestão Isaac Kerstenetzky nos anos 70. é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado no Rio de Janeiro em 1965 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. Haidine da Silva Barros e outros. O índice das nove excursões realizadas mostra uma forte tendência para as questões urbanas. mas sob a chancela do IBGE (Associação dos Geógrafos Brasileiros. que transformou o IBGE em Fundação. que gerencia a transição administrativa ocorrida em finais de 1967. 1998:93). Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização. que a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que ficou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa. Todo o comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE e os nove sub-comitês também. organizados no IBGE durante as gestões de Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970). Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE como Olindina Viana Mesquita. Becker. Lacorte. colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal. Marilia Velloso Galvão. exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. coordenado por Speridião Faissol. sendo substituída por Marília Veloso Galvão em 1968. Professoras como Maria do Carmo Galvão. Maria Helena C. Solange Tietzmann Silva. posição que vai se acentuar com os resultados dos censos demográfico e econômicos de 1970. a influência de Michel Rochefort é indubitável (Rochefort. Entre 1965 e 1967 Lisia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG. 1965:81). inicia uma grande reforma nos cargos de chefia do departamento (anexos Documentos Administrativos) e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). Padre Laércio Dias de Moura e o Secretário Geral do CNG o engenheiro René de Mattos. O presidente de honra era o General Senna Campos. Um outro ponto interessante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro. Será neste novo contexto de pesquisa. . Bertha K.

Nova Geografia. sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões. o primeiro do ciclo militar. a obra Subsídios à Regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade. que somada às informações intrínsecas ao assunto. População 10. 1968: 180). Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9 ). Essas atividades e obras. No entanto. atual IPEA) para aplicação de um inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros. considerado como uma síntese. Esses estudos deveriam dar conta de uma nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. terminaria no início dos anos 80 e reaparecendo sob outra forma nos anos 90. que no caso específico do capítulo Centralidade (Corrêa. eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios. servem como um ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal. hospitalar e clínico especializado. isto é. Transportes 8. Além das 208 páginas escritas. conforme os estudos de Michel Rochefort e Jean Hautreux para a rede urbana da França (Rochefort e Hautreux. Em todas as séries. apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10. 1977:13). ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade. a preocupação final era gerar uma regionalização específica do tema tratado. avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços como o bancário. de certa maneira. da qual a Geografia do IBGE fazia parte. resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado. ocorridas durante o final dos anos 60. aparentemente. Este inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE. Geografia Teórica. educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão). 1963). garantiriam subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas. Indústria 22. Agricultura 29. Geografia Quântica (sic) ou Quantitativa (Andrade. Os primeiros trabalhos que. que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. . O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à Regionalização. conduziram à necessidade de uma vinculação forte entre a Geografia e a Estatística foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de um novo Sistema de Planejamento criado nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco. Processo que duraria quase toda a década de 70 e que.

depois. para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA.O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ. O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. estavam agora sem interloucutores. respectivamente. no novo governo da Fusão Rio de JaneiroGuanabara. Um outro ponto de ligação se estabeleceu com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica. onde assumiu cargos na alta administração e. chega da Inglaterra o geógrafo John P. Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas que eram desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos. presidente e diretor geral do IBGE.1997:86). embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio. os dois geógrafos. como uma série de coincidências e de golpes de sorte que o levou a conhecer Brian Berry e John Friedman (Faissol. sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (Berry. 1967) e Friedman era um conceituado planejador regional da Califórnia. . Cole. no Ministério do Interior. que havia ganho uma bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro e era também um especialista em métodos quantitativos. como Secretária Geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE). 1959:99). na discussão sobre o conceito de Região de Planejamento (Santos. posteriormente. no início dos anos 70 foi estruturada sobre vários fatores. Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de teste de suas pesquisas. Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU). aliado ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. No nível institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba antigos professores da PUC. principalmente levando-se em consideração a magnitude espacial brasileira. As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC. que já havia colaborado com brasileiros na Bahia no final dos anos 50. Primeiramente. A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE. pois os do IBGE estavam em fase de instalação. a saída de Lisia Bernardes em 1968. Berry era um dos principais líderes do segmento da Geografia americana que operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores. com muito trânsito na alta administração da universidade e que haviam sido indicados em março de 1970 para. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva um especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. Posteriormente.

e noções de computação (que na época estavam baseadas em conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran.O afastamento de Lisia abriu um espaço importante no campo dos estudos metropolitanos. como chefe do DEGEO. Um outro fator foi a ausência de atribuições administrativas que fragmentaria os estudos e pesquisas. onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas. Em contraste com a do IBGE. que enfatizava uma combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática. Além disso. como no caso de Olga. O GAM não existia na estrutura formal e seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol. PL1. Indubitavelmente. quanto na de Geografia Física. Basic. Ainda no contexto universitário. criado em 1972. Roberto Lobato Corrêa. já utilizadas nos centros de computação das universidades). Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso. Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos. Uma outra frente de pesquisas foi aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro. como no caso de Olga Buarque de Lima e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva. que foi imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). neste contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira. Maurício de . uma boa parte dos geógrafos que estavam em cargos de chefia. O lançamento de um periódico denominado estranhamente de Geografia Teorética torna-se o porta voz do movimento na UNESP. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer a pósgraduação ou na Inglaterra. quando retornou seu mestrado em Chicago. as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia física e da humana. ou nos Estados Unidos como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva ( que veio a falecer em Chicago. como Pedro Geiger e Elza Keller chefes de divisões e a própria Marília Galvão. quando retornou de seu mestrado em Nottingham. Estatística. incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de concentração em Geografia Humana. onde a Geografia Física. também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas. liderança que continua até hoje no campo do Geoprocessamento de informações. assim como Olga Buarque de Lima. não se mostrou interessada nas novas técnicas. quando redigia sua tese de doutoramento). pertencente a Universidade Estadual Paulista (UNESP). o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ. Muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques por que passava a Geografia foram entabuladas entre os ibgegeanos e os professores de Rio Claro. O interessante é que em Rio Claro. que tornou-se um polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. que já estava alijada desde os anos 60.

a carreira de Faissol alcança prestígio e poder tornandose em 1973 Superintendente da Superintendência de Pesquisas. Olsson. como agência possuidora do maior banco de dados do país.Almeida Abreu.1975). desenvolvimento econômico. os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação aos de outras instituições. teoria. análise regional. coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização. também organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina. cadeia de Markov. migrações internas. Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (Faissol. No contexto da Geografia Econômica. lista 20 trabalhos sobre urbanização. correlação canônica.1989). até a saída de Isaac em 1979. e utilizando técnicas que de certa forma aceleravam os resultados. quando retornou de seu doutorado em Ohio. uma seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. em virtude da estrutura do órgão. que mostrou uma impressionante capacidade de. por conta da facilidade de captura do dado e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores. iniciaram um período de alta produção de artigos e livros. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele. No plano interno da Geografia e do IBGE. (depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil ( o exemplo de Akin Mabogunje. posteriromente alterada para Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e em 1977 torna-se Diretor Técnico. tentando reconstituir . análise de grupamento. passando pelas técnicas de análise fatorial. A RBG 47 (1/2) de 1985. Em seu depoimento. estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol entre 1970 e 1978. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. além de gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento. Em 1989. ele considerou que não foi uma tarefa fácil. análise discriminante. pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional. Professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI é o mais relevante). Lasuen e Dacey e o volume Tendências Atuais na Geografia Urbano/Regional: teorização e quantificação (Faissol. Perroux. A produção geográfica desta fase é predominantemente de Speridião Faissol. além de escrever. Inicia explicando o “como foi”.1978). Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos.

Willian Bunge. David Harvey. a função e atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 60. enfatizando a contribuição dos geógrafos como Brian Berry.. Se em Explanation in Geography. sobre a participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares. Harvey provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo. enfatizando a UGI. Na segunda parte do artigo. A figura do presidente dessa comissão o Professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje. Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais. quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (Harvey. que vieram posteriormente.as fases iniciais do processo. Pedro Geiger e Elza Keller como sendo decisivas para a Geografia se fazer presente no sistema de planejamento brasileiro. nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas. Ian Burton. Tanto na fase inicial do processo. foi muito importante pois tratava-se de um Professor de uma universidade de país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos. .1973). quando se inicia a relação entre a Geografia urbana / industrial e regional e as estatísticas visando o planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro. sendo. e não um americano ou europeu que não conseguem perceber as dificuldades inerentes a qualidade ou não do dado. a primeira tinha sido Explanation in Geography (Harvey. Peter Gould. uma Comissão de Métodos Quantitativos. Quanto as críticas. portanto.1989:27). Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa. que havia criado no final dos anos 60. pois não viviam com esses problemas em seus países. em Social Justice and the City. Faissol explica num importantíssimo pé de página (Faissol. quanto nos desdobramentos que ocorreram a partir de 1973/74. dez anos antes do movimento quantitativo e parabeniza as participações de Lisia e Nilo Bernardes. um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento. David Harvey se apresenta como um grande metodólogo da teorização e quantificação. Derek Gregory.. A parte final do artigo de Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teóricoquantitativo e analisa rapidamente a questão ideológica em linhas gerais e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física. 1969).

. posteriormente que isto não seria viável. mais ou menos decenalmente. estatística . também. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro. o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das pré-condições. inclusive nos capítulos citados. pela unidade da Geografia. O resultado foi. a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. Reconhecidamente. obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava. Apesar do aparente poder de produção. talvez muito otimismo inicial. ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau. Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e a organização agrária de cada região. matemática. correspondendo cada um deles a uma macro-região. O sabor do novo versus o risco da troca entre o conhecido e o possivelmente inalcançável. permanecia e permanece a questão: se o espaco é socialmente produzido. derivados das pesquisas quantitativas. se ele é um conceito simultaneamente territorial e social.50 Contudo. foram bastante significativas. O produto resultante apresentou-se intimidador. seguido de uma crescente ampliação das incertezas. estes foram dilemas que incomodaram inicialmente os ibegeanos. O exemplo da coleção Geografia do Brasil de 1977 foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE. pois não haveria público leitor para este tipo de obra. p. Mas. E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço. foram alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou o conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 70. editada em 1977 com cinco volumes. Fase esta que se caracterizou por otimismos e incertezas. mas que posteriormente. pelo seu grande tamanho e por sua complexa estrutura interna. pois grandes projetos como a coleção Geografia do Brasil. é importante assinalar que as dificuldades enfrentadas pela comunidade de geógrafos que não estavam diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação. Percebeu-se. as principais modificações espaciais por que passam alguns processos de ocupação do território brasileiro. onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual”. sofreram algumas pressões de parte dos quantitativistas para que os capítulos da parte humana fossem totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). conforme se verificava que seria necessário tomar decisões cruciais em termos de carreira. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas.”Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia. alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos que se vinculavam também à pesquisa. alcançaram uma boa parte da Geografia acadêmica do Brasil. sempre se argumentava.

marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia. Esperar que a moda passasse. o presidente do IBGE Isaac Kerstenetzky. Beaujeu-Garnier. O reconhecimento. o que tornava ainda mais difícil o aprendizado. É importante frisar que não havia na década de 70. não contestar abertamente e. a força da Geografia francesa centrada nas obras de Pierre George. concordar. As estadas de Werner Baer. um economista urbano com preocupações na distribuição de renda para trabalharem com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas com urbanização / industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil. Paralelamente aos trabalhos de Faissol. apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística. esforços de aprendizado e carreirismo. Essa novidade efetivamente veio para selar o fim aparente da Quantitativa e confundir-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República. imposto aos piores do grupo. Em outras palavras. Nas universidades. aguardar alguma novidade vinda de fora. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. Sorre e Juillard. Tempo que foi repentinamente abortado com a saída de Isaac do IBGE em 1979 e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979 – 14/03/1985). que assumiu o IBGE durante o governo do General João Batista de Oliveira Figueredo. economistas não necessariamente quantitativos no sentido econometrista do termo.. mas pouco fazer. Aprovar. pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos.. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras nos anos 70 era um tanto instável.e linguagens de computação necessários ao desenvolvimento dessas técnicas. questões ideológicas e pragmáticas. dar aulas para o curso de Geografia era considerado um castigo. ao longo da década de 70. mas a regra era esta. status acadêmico e conhecimento. É claro que deve ter havido honrosas exceções. essas disciplinas eram “dadas” burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de matemática. que os esforços de aquisição de conhecimento estariam muito além de suas capacidades. procurou mesclar as áreas de conhecimento através do incentivo para a vinda de cientistas sociais. as facilidades computacionais de hoje. por parte dos geógrafos. era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e . um economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira e Joel Bersgmann. levou muitos a uma angústia disfarçada em mimetismo. pois misturavam-se nas discussões. No fundo isso era visto como uma concessão aos novos tempos. Um outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia. Jean Tricart. mas uma concessão inócua. Pierre Gourou. ainda era perfeitamente sólida.

essas cabeças foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia. que em sua maioria durante o regime militar. em virtude de estarmos em plena luta pela abertura política do país. Uma questão interessante que não era explicitada. . mas que estava sempre presente. pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam um bom domínio dos termos específicos de estatística. sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade. ou de computação. Portanto. os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra. instituição fortemente voltada para a pesquisa. os que ficaram e foram a favor do regime. perseguições e impedimento do debate democrático. A ambigüidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares. era algo tão utópico que. Foi neste espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica. se por ventura tenha passado por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE. essa divisão era muito mais pesada. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. era a incomoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. foram palco de medidas arbitrárias. para a avaliação interpares das pesquisas e para a formação de pesquisadores. enquanto se aguardava os movimentos do tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais. caracterizou-se por um forte conteúdo ideológico dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política. em qualquer outra coisa! A Geografia Nova brasileira que estruturou-se no final dos anos 70 e prosseguiu durante a década de 1980. isto é. E isto tinha perfeita razão de ser. Os que ficaram e lutaram contra o regime.matemática. No caso da Geografia. O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para que se estruturasse a delimitação de campos diferenciados. pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos de AGB. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. três espaços foram prioridade de lutas. pelo menos até o início dos anos 70. imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes a curto prazo. O primeiro foi a instituição universidade. O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros. Para o grupo de geógrafos que nasceram nas décadas de 20 e 30 e que tornaram-se líderes em suas especialidades. cursos de aperfeiçoamento.

“. senso de direção e de escala. percebe-se que o sistema de filtragem era rígido. provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma” (Andrade. a jóia da coroa era o IBGE e no IBGE.. poder de síntese. redação em condições adversas. e em 1969. interpretação de cartas. percepção da paisagem. chamada de Mandarinato era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. No caso da ABG o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas. isto é as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar. pudessem ter uma arena para debates acalorados como foram os casos de Pedro Geiger. . diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política. Apresentações de trabalhos e respectivas aprovações pelos mais experientes.1956) sendo analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Itamarati. Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956. mas dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade. que surgiu no período mais duro do regime. em grande parte formada por estudantes. onde eram avaliados a disposição para o trabalho. Portanto.em reunião em São Paulo. No decorrer dos anos 60. quebrar esta estrutura hierárquica da AGB Nacional. o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa. os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB e isso começou a ser percebido na década de 70. os sócios cooperadores conseguiram. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. sobretudo. Em outras palavras. 1991/19992: 137) O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”.. Armén Mamigonian e outros. na Assembléia de Vitória (ES) uma nova sistemática foi aprovada. as reuniões.. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979. resistência física. passariam a ser bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo. que eram anuais. portanto revestida de muitas conotações negativas no campo político. Milton Santos.onde a hierarquia estava vinculada ao saber e experiência. mas ao se conversar com a “Velha Guarda” da AGB. com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembléia. Neste espaço. haveriam excursões de cunho informativo. a quantidade de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar. desenho de croquis e. participação em trabalhos de campo. nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade. com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (Geiger e Santos.

1976). mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e.20). entendendo também que no exterior. Em 1976 a Seção Regional de São Paulo da AGB.. sem rejeitar os métodos quantitativos. e atinge seu objetivo com L’Espace Partagé. O segundo artigo era de um exilado. n 3 de março de 1961 e foi traduzido pelo Professor Manoel Seabra da USP.18-19). quanto no Social Justice and the City de David Harvey ou nos trabalhos de Richard Peet.. Era um típico artigo “ponta de lança”. “Um Princípio Ordenador” (p. II. O número 1 trazia uma transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V.1969). (Bunge. o . cuja tradução para a língua portuguesa acontece em 1979 com o título de O Espaço Dividido. A. as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição.18). 1973). “Problemas de Escala” (p. desses que o autor coloca na arena de discussão.21). Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando. no caso. 1975). editor da revista radical de esquerda americana Antipode. com finalidade didático-científica”. Este algo diferente era resultado de uma longa gestação intelectual iniciada ainda nos anos 60 com o livro A Cidade nos Países Subdesenvolvidos (Santos. por exemplo. “A Produção do espaço no Terceiro Mundo” (p. Este. “Tempo Externo e Tempo Interno” (p. para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados. mas com bom potencial de novidade. respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético M. Les Deux Circuits de L’Economie Urbaine des Pays Sous-Développés (Santos. “Sistemas de Tempo e Sistemas de Espaço” (p. apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos. que na ocasião lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York.23). Al’Brut (Anuchin. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica.19-20). O título era Relações Espaço-Temporais no Mundo Subdesenvolvido e o seu autor. Milton mostrouse um mestre em artigos desse tipo.É com esse pano de fundo que se deve avaliar os acontecimentos de 1978 na Assembléia da AGB de Fortaleza.20-21). 1965). I.22-23) e “Para uma Explicação Geográfica Tempo-Espaço” (p. Milton Santos era na ocasião. “Diferenças Entre Países e Disparidades Regionais” (p. ao mesmo tempo.1971). 1979). sediada na USP lançou uma série denominada Seleção de Textos “. Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos (Santos. “Centro-Periferia” (p.21-22). destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos. o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. prossegue com Les Villes du Tiers Monde (Santos. O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v. levantava questões sobre “A noção de Tempo nos Estudos Geográficos”(p. como é possível perceber no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer onde o autor. continua com Aspects de la Géogrphie et de L’Économie Urbaine des Pays Sous-Dévelopés (Santos.

amigo . Milton Santos rememora sua participação no Governo de Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia. digamos assim. a pessoa que negociou com o governo federal militar. “Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador. O primeiro. através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (Souza. Na realidade. Em seu depoimento na revista Geosul. a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda. onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso. 1959).. a revista Antipode ( a radical journal of Geography) lançou um número especial sobre Geografia e Subdesenvolvimento organizado por Milton Santos. quanto é exilado por força do golpe militar. Um Cidadão do Mundo em homenagem a Milton Santos. desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista da Educação e Cultura de Salvador. (Santos. “ Miguel Calmon. passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964.. A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. o Presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia neste processo. Phil O’Keefe e Richard Peet. Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy i underdeveloped countries era uma síntese de seu livro o Espaço Dividido e o segundo. forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani. um grande homem. Milton assina dois artigos. pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes. Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro. Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular. Planning Underdevelopment tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para sua penetração em países subdesenvolvidos. quando era professor do ensino médio. Eu tinha bons amigos. Uma visão bem diferente do artigo Geografia e Desenvolvimento Econômico (Santos. Lá estão registradas todas as sua publicações e apresentações.Em 1977.. como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito. a minha ida à Cuba com Jânio já me tinha a inclusão do meu nome lista do Exército. O processo de prisão e o posterior exílio é marcado por fatos contraditórios por parte das autoridades. 1991/1992:183). fonte dos seus dissabores. foi reitor e que foi.. Ao chegar aqui. 1996:485). mas eu estava em Paris. quando já havia fixado residência em São Paulo após sua volta. por exemplo.. a minha saída do Brasil.. quando eclode o golpe. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. O Mundo do Cidadão.

recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade. Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia. para que ele pudesse se manter governador. Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar. dentro da Geografia. Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada.” “. dispostos a mudar seu rumo. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. etc.éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia. digo nacional. ”. a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora. Manoel Correia e Araújo Filho. Milton Santos explica que. onde queriam me crucificar.. o n 51..Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão. a querer fazer outra coisa e é aí então... mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort.. ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros. solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar. “ . eu fui preso. através de Pierre George.então. Não foi obra do acaso. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta. gente de bem. Eu fui instrumental a esse movimento. Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o Marxismo..nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória . como forma de liberar o Lomanto. sentido acadêmico. a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon.. Fui para Toulouse. se não fosse Armen. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64. Isto provocou uma comoção nacional. 1991/1992: 184/185). o que foi uma grande gentileza..” (Santos . Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos.. por que Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58. cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes... Lembro daquela famosa reunião da AGB. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária. No houve apenas gratuidade. isso servia ao movimento e me foi útil. ildo na Escola Francesa. uma nova posição que fosse também. deixei de ter a solidariedade de muita gente. sobretudo o Armen. política e acadêmica. não me satisfazia. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora ..” (p. a vigilância foi afrouxada. ao mesmo tempo. porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã. cheguei a conclusão que aquilo que eu ensinava.. me instalei lá. porque ele precisava de um bode expiatório. René Dugrand. Santos também fala que. Bernard Kayser. que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho. 192) Quanto a sua volta e o Congresso da AGB de Fortaleza. a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo.. !964 chega. graças então. quer dizer. na construção de uma nova teoria geográfica. que vem essa vontade de teorização sobre urbanização. da propriedade. Comecei então.. porque estava sozinho. Diário de Notícias). onde está o editorial que marca essa mudança de tendência. e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964. que não me deixaram entrar nas listas de cassação. que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são. Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira. nem foi erupção espontânea. uma outra forma de ver o Terceiro Mundo. eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia. Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu”. Em 64 então. “. Ainda na prisão. tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras ...fraternal. digamos assim. com quem sempre mantive relações muito boas. Dando aula na França. aquela gente da marcha da família..

o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. Sociologia e Geografia. o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal com Manoel Seabra. Ruy Moreira (Geografia e “Práxis”). onde fiquei até 1983. A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia Repensada Politicamente e cobria democraticamente áreas da Economia Política. denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). Contexto da Hucitec. Eu depois de hesitar. Isto tem que ser dito.e que não precisou estar amarrado a grupos.. 197) Como disse Milton Santos. . nem de curriolas. quando então fui para a USP. me deu uma cobertura nacional. Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que eqüivalia a possibilidade de me tornar professor titular. 196) “. fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. Na seção Idéias e Fatos (p. João Mariano de Oliveira (Revendo Criticamente a Geografia) e Milton Santos (Reformulando a Sociedade e o Espaço). Rio de Janeiro e São Paulo.302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia. nem partidos. inicialmente estava subdividida nos que criticavam a Geografia Oficial. Ariowaldo Umbelino de Oliveira. Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes. um conjunto de textos sob o título de Geografia e Sociedade: Os Novos rumos do Pensamento Geográfico com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (Da “Nova Geografia à “Geografia Nova”). Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores. decidi me transferir para o Rio de Janeiro.” (p. Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira. para conseguir um lugar no país. porque a AGB através desse movimento. que sempre uma estratégia de longo prazo. A diferença. o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ. vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em plano mais abrangente. Armando Corrêa da Silva. Território Livre da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE). nem de tendências. onde estou até hoje e espero ficar.” (p. No Rio de Janeiro. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (É Possível uma “Geografia Libertadora”?). Em 1980 a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74. Revista Civilização Brasileira. decidiu me convidar. Encontros com a Civilização Brasileira. e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação. uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker. as presenças de Milton Santos (UFRJ) . Armen Mamigonian.. citando o Boletim Paulista de Geografia. Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves ( PUC) e em São Paulo. Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa. Vim para São Paulo.

Nele. “Noções como modo de produção.135) A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debate. apenas. 1982:131-139). com o confronto de sistemas de referência e do trabalho empírico. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e a evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias. luta de classes etc. Milton Santos. junto com a circulação. a partir do concreto. 1982:35-49) e no de Ariovaldo Umbelino de Oliveira Espaço e Tempo: compreensão materialista de dialética (Oliveira.O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título de Novos Rumos da Geografia Brasileira . o de idéias. Contribições Brasileiras à Teoria da Geografia e Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros.” (p. o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. editado pela Hucitec em 1982.. como forma de criar um campo de termos que. A estrutura estava dividida em dois blocos. escreveu um artigo que passou meio despercebido na época. Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta . no de Ruy Moreira Repensando a Geografia (Moreira. Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948. na visão de alguns tornam-se auto-explicáveis.. 1982:66-110). em sua obra. .. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “Congelamento dos Conceitos” dando o exemplo sobre o conceito de consumo “durante a vida de Marx.” (p. com o confronto de resultados referentes às interpretações fatuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores. No bloco de contribuições teóricas. relações de produção. quanto ao erro do uso automático da terminologia. com uma incrível visão premonitória. que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam. chamava-se Alguns Problemas Atuais da Contribuição Marxista à Geografia (Santos. forças produtivas. dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem. alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista. sonoridades ineficazes.134). Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia. que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. Por isso Marx lhe consagrou. Nos anexos. 1982:111-130). como no caso do artigo de Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa A Geografia e o Processo de Valorização do Espaço (Moraes e Costa. mas que no fundo. liga-se ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar. mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox. Era a produção propriamente dita. se não reexaminadas.

quanto em segmentos específicos como a questão agrária. 1978). no Rio de Janeiro.A segunda parte. a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc. É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou um grande impacto no alunato do início dos anos 80. isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC. na linguagem técnica editorial não autorizada. pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época. tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977) essa edição carioca era. Não era uma leitura fácil. No caso paulista. O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a antigüidade e a Geografia dos Professores universitários iniciada no século XIX na Europa. mais a introdução e . tanto na área do pensamento geográfico O Pensamento Geográfico e a Realidade Brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos Rumos para a Geografia Brasileira Milton Santos). e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também. No entanto. a organização sempre foi uma das características. apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnan do Norte e Camboja. havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na Mesa Redonda da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no Rio de Janeiro em 1980 Crise Econômico-Social no Brasil e o Limite do Espaço que abordava algumas questões concernentes ao marxismo como crise do capitalismo. Foi por conta desse movimento que foi editado o livro de Yves Lacoste A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra (cuja edição original da Maspero de Paris de 1976. isto é. Explica as principais noções de escala e mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnan) e da excelente prosa de Lacoste. desenvolvimento desigual e combinado. a principal obra de referência do período foi Por Uma Geografia Nova (Santos. e urbana Notas sobre a Geografia Urbana Brasileira (Armen Mamigonian). Estrutura Agrária e Dominação no Campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves). Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros foi reservada para os trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira. em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos. UERJ ou UFF. Paralelamente ao movimento dos professores.

substituindo autores da velha guarda como Nilo Bernardes ou Aroldo de Azevedo. Editoras como a Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve. De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física. apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica. principalmente nos períodos iniciais do movimento. “. conflitos internos nos países africanos). razão pela qual eu insisti com o editor. me criou uma repercussão nacional.. obviamente negativos. É necessário. Entretanto.” O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se. principalmente nos cursos de formação de professores. as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global (Araújo. crescimento econômico de alguns países asiáticos. que passaram a ter uma postura crítica. que deveriam ser apenas palcos de debates de idéias. Um bom exemplo desse tipo de obra pode ser vista nos trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (Corrêa. eu teria de ser conhecido antes.. portanto que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 80/90. nos anos 80. que eu sentia que ia durar pouco. provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos. onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco. porque sabendo que o Brasil é um país oral. quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom... 1986 e 1989) da Ática. conflito árabe-israelense. quando analisavam alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo. A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”. pois misturavam-se nas arenas. O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época. sua interpretação não é imune a controvérsias.conclusão. eu diria que para ser lido depois. questões pessoais vinculadas à lutas de poder nos ambientes institucionais. Os resultados foram. 1995). quando em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 60/70.A AGB. Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores. Milton conta em seu depoimento na Geosul (Santos 1991/1992:196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro. Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas tomaram o lugar na preferência dos professores de ensino médio. que me foi encontrado por Florestan Fernandes. digamos assim. E assim foi. . para publicar rapidamente o meu livro ‘Por uma Geografia Nova’.

Inicialmente Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no contexto editorial quando assume a responsabilidade editorial da Notícia Geomorfológica e posteriormente passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia. principalmente nas fases iniciais do processo. Boletim Paulista de Geografia. como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber. Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de São Paulo). “Envolvido com os estudos geomorfológicos. como referência de determinadas linhas de pesquisa e dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento. analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações. em vez . Explica a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de testes e adaptações. Boletim Gaúcho.. Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti que. Na parte C de sua resenha. em 1992.Um outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica como foi o caso da Geografia Física tomada por positivista. publicou no periódico Geografia uma resenha denominada O Conhecimento Geográfico no Brasil: Considerações de um Geógrafo.. Boletim Baiano de Geografia. considerada também como quantitativa e por isso mesmo sujeita ao repúdio total. Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro. por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). com a teoria dos sistemas. Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais. rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas. Lembra também sua preocupação com a feitura sistemática das resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica. fruto de uma comunicação apresentada num Simpósio Sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991. Em seguida analisa o contexto da chegada no Brasil da “Nova Geografia”. Orientação.

. de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica. . Na década de 90. alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar portanto de Geomorfologia. 1991/1992:237) comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram tornando-se cada vez mais conflitantes. no espaço geográfico dos países mais pobres.Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões eqüivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar. associado à uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente.237) Foi justamente no final dos anos 80 e início dos 90. descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia. Orlando Valverde.... os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional. até hoje...” “.Hoje em dia muitos reconhecem isso.”(p. anteriormente relegado ao segundo plano. principalmente no se referia ao desprezo que era passado às questões ambientais. quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia” que deveria apenas ocupar-se do social. sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB.. Então. Em conseqüência dessa atitude. alertando principalmente sobre as conseqüências positivas e negativas. com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental e posteriormente com a dissolução da URSS. Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina... entre 1984 e 1986. eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo.. que os acontecimentos políticos na Europa. englobadas com interpretações impróprias. Geografia Crítica ou Geografia Marxista. primeiramente em 1989 na Alemanha. selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica. mas por causa dessa postura. Em seu depoimento à Geosul (Valverde... observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica” (p.. pois além dos problemas sociais. Sua principal obra dessa época chama-se Técnica.” “.112). um grupo criou a chamada Geografia Radical. só os fenômenos sociais têm significação? Contudo. o que para mim é errado. Por outro lado. foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 80. Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia.. tal qual se apresentava nos anos 80. Acho que. Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países. ” .de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas. Biogeografia. não aceitou absolutamente. que compunha minha diretoria.. toda igualzinha. tais idéias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. o Grupo Radical. e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores. Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nesta inflexão. etc. Clima. a AGB precisa de um mínimo de organização.

acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Humana. pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais. inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Físicas e Humanas da Geografia. Ferreira. os projetos de diagnósticos integrados realizados principalmente na Amazônia ( Diagnóstico Brasil. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 80. As contribuições de Maria Luisa Castello Branco. que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto RADAM. mas quando voltamos nosso olhar para as décadas anteriores. o próprio IBGE. o problema da mundialização da produção.” A técnica é a grande banalidade e o grande enigma.. ocorrida na década de 90. Com a volta das preocupações ambientais. Projeto Nossa Natureza. o que chamava-mos de Geografia Quantitativa na década de 70. textos de conferências e seminários. do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica.Espaço. capítulos de livros ou de outras coletâneas. e é como enigma que ela comanda nossa vida. via democratização do uso dos computadores pessoais. Rivaldo Pinto de Gusmão.20). São desta fase. publicado no n 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington. em comparação com os computadores de grande porte que eram utilizados por uma minoria nos anos 70. Teresa Cardoso. Esses trabalhos. administra nossas relações com o entorno” (p. Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar. apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos..M. Essa abordagem passa a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros. Ainda não chegamos ao refinamento desejado. Entorno do Distrito Federal e Gerenciamento Costeiro). Olga Becker. nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo. incluindo também outras áreas do conhecimento como Biologia e Geologia por exemplo. Carajás. com o título O período técnico-científico e os estudos geográficos . região do projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI). uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados. o . modela nosso entorno. só foi devidamente absorvida pela Geografia brasileira. que tinham de exprimir numa única linguagem. Antônia M. 1986. cada vez mais poderosos e baratos. podemos perceber o quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX. Diagnóstico da Amazônia Legal. nos impõe relações. produzidos em sua maioria no início dos anos 90. Foi necessário entender também que. 1994) foi estruturada como uma coletânea de artigos. Tempo: Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional (Santos.

pelas matrizes de pensamento geográfico oriundas da Europa e Estados Unidos e. Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia hoje. pois a troca entre profissionais franceses como Philipe Waniez e Violette Brustlein. Hervé Théry e brasileiros como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh / Sistem 8. servirá de pano de fundo para o entendimento do processo de formação do pensamento geográfico brasileiro. no plano acadêmico. o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados. objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular. muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngües.Programas de mapeamento automatizado. vista sob a ótica do IBGE. foi também de muita valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira. no plano da prática profissional. Os papéis desempenhados. Dora Hees. pela liderança e carisma de professores e pesquisadores estrangeiros que vieram preparar uma elite de geógrafos. II e III desta parte. a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa. Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana foi muito rica. apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação entre os equipamentos computacionais entre as instituições. situados em sites que podem ser acessados via Internet. democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados. Monica O’Neill. que posteriormente ficou conhecida como a “Velha Guarda do IBGE” serão explicitados nos demais capítulos I. Além disso. mas o IBGE ainda é fortemente atrelado ao PC / Windows. correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados. Este grande panorama da dinâmica da Geografia brasileira. . Mesmo com esses problemas. No contexto ibegeano. ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie que mostraram o caminho e as possibilidades futuras.0. através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais.

principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e Estados Unidos. necessariamente. Estados Unidos e Canadá. 1998:197 ou 1999: 2-3). os principais temas vinculavam-se aos aspectos teóricos da disciplina. A principal razão de sua estruturação foi. será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica. Nilo Bernardes em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (Bernardes. resultados de ações entre governos do Brasil. 1996). diferentemente das áreas de discussão no governo. 1982). como se pode perceber nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira. Lia Osório Machado e Heloisa M. (vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária. atual Sociedade Brasileira de Geografia∗ . mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual). visando a criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente com os outros países através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional. (Zusman. ou na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado. foram nelas que se instituíram as principais arenas de discussão dos temas geográficos. Machado (1995 e 1999) e Domingues (1999). Primeiramente com a França. tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro. tendo como agência chave o IBGE. principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930. Antônio Carlos Robert Moraes tratou detalhadamente. Em se tratando de instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual. França. Bertol Domingues. também aborda esses problemas conceituais e metodológicos por que passou a disciplina.Parte II Capítulo I .O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas sociedades geográficas. na universidade e no IBGE Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo. que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 30 (Oliveira . dessas instituições. criada em 1938 e das antigas instituições como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883. Um outro segmento de consolidação dos estudos geográficos se deu através das associações culturais e profissionais como a Associação dos Geógrafos Brasileiros. 1990 e 1999). ∗∗ do . Nessas arenas. tempo em que essas questões foram A tese de Perla Brigida Zusman na Usp sob a orientação do Prof. a relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte pensamento geográfico (Machado.

em seus depoimentos. Pierre Mombeig. durante o período do conflito. conflitos entre o Determinismo e Possibilismo. como parte de uma campanha de aproximação do governo Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa . 1980). após 1935. em cidades francesas como Paris. foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF. Toulouse. também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia. por conta dos caprichos da Segunda Guerra que inviabilizou a ida de Geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para Europa. a dicotomia entre Geografia Sistemática e Regional. geralmente por indicação de algum professor como Francis Ruellan e Michel Rochefort principalmente. Estrasburgo. Francis Ruellam. tanto do IBGE. a americana) se fizeram . posteriormente. Bordeaux. ∗ (francesa hegemonicamente. nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer de sua vida profissional. Todo um processo de aprendizado profissional que incluía. com algumas ligações com a alemã e. André Cholley e outros. Grenoble.∗ Essa predominância da escola francesa foi também confirmada. Questões como a precedência entre Geografia Física e Humana. e que os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles. passando a sofrer também uma influência da escola americana e. da alemã. Pierre Deffontaines. Pierre Deffontaines . a partir de 1947. Essa tendência só não tornou-se totalmente francesa. Max Sorre e outros. quanto da universidade no sentido mais geral. pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968. Montpellier. ou eram especificamente indicados por eles. além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade. nada menos do que três gerações de profissionais. a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem. que o poder das escolas de pensamento geográfico sentir na formação dos geógrafos brasileiros. como as obras Vidal de La Blache.que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos como Jean Brunhes. indiretamente. e pelos esforços dos americanos em garantir também um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE. Camille Vallaux. Jean Brunhes. Lyon. foram os principais mecanismos de consolidação de uma tradição de pensamento francês na Geografia brasileira. É possível perceber que a hegemonia da escola francesa foi incontestável. Jean Tricart e Michel Rochefort foram as principais fontes de conhecimento geográfico para.apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. Foi a partir desses cursos. sobretudo no IBGE. Se levarmos em consideração que as figuras de Geógrafos franceses como Emmanuel de Martone. (Buttimer.

Clarence F. Jones. estudar em universidades americanas. Agências de Inteligência americanas como o Office of Strategic Service (OSS). para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. Northwestern e Chicago. objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do Nazismo. ∗ Tornando-se o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior. que em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin∗ e depois para uma especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago. Lúcio de Castro e Lindalvo Bezerra foram os indicados para Winsconsin. órgão da estrutura do Estado Novo. o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs e suas ações no campo cultural. Fábio de Macedo Soares. pode ser avaliada através de um artigo que tornou-se clássico.americano. José Veríssimo. torna-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. que tinham como objetivo a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil. seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2. convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. tomou contato com a escola americana de Geografia voltada para o planejamento espacial do New Deal de Franklin Roosevelt. 1992:56). Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil durante a Segunda Guerra. Jones. em 1945.2000). na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Para ele. da qual o planejamento do Vale do Tennessee foi um dos principais projetos. como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 ( Waibel 1949). Preston James e Richard Hartshorne (Barton e Karan. universidades especializadas em estudos regionais voltados para o processo de ocupação do território. o trabalho de Antônio Pedro Tota no campo das relações culturais (Tota. principalmente os sobre habitat rural e núcleos de população. . Jorge Zarur. Orlando Valverde. é importante para se entender as funções de uma outra agência. tendo como principal ferramenta a colonização dirigida. A importância dos trabalhos de Leo Waibel. entrevista) para trabalhar até 1950. ao trazer um convite do Governo americano. Seu retorno ao Brasil faz surtir um efeito quase imediato. Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE). e o Army Map Service (AMS) empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra como Cotton Mather. Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946.

ainda que indireta. naturalmente. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra?” ( Waibel apud Bernardes. dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. 1990:2 table 1) .Y. Não há dúvida. Fred Kniffen (LSU). Com os trabalhos de Waibel no Brasil. corporifica-se a influência. pois importantes professores americanos. que iriam. Texas) Carl Sauer (Berkeley) Fred Simoons (Davis) Erich Isaac (N. 1952: 75-76). seu professor em Heidelberg onde lecionou de 1898 a 1928.“A colonização é o problema mais fundamental do Brasil. Some german-american connections in the twentieth century Geógrafos alemães August Meitzen Geógrafos americanos (universidades) Carl Sauer (Berkeley). West no capítulo introdutório do Pioneers of Modern Geography: translations pertaining to german geographers of the late nineteenth and early twentieth centuries (West. principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941). foram discípulos de mestres alemães. Terry Jordan (U.) Carl Sauer (Berkeley) Nevin Fenneman (Cincinnati) Richard Hartshorne (Michigan e Winsnconsin) Carl Sauer (Berkeley) Carl Sauer (Berkeley) Preston James (Michigan e Syracuse) Especialidade Habitat rural Eduard Hahn Paleo-agricultura Domesticação História da Cultura Geografia Histórica Geografia cultural Geografia Regional (Chorology) Otto Schlüter Alfred Hetner Siegfried Passarge Geografia da Paisagem Geografia Regional Desses geógrafos americanos influenciados por alguns geógrafos alemães como Carl Sauer. porém. um papel importante. muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. Richard Hartshorne e Preston James acabaram por influenciar geógrafos brasileiros que posteriormente tornaram-se líderes em suas áreas de pesquisa. O problema da colonização é. que dentre elas a Geografia desempenha ou deveria desempenhar. Nilo. Este processo de ascendência intelectual foi analisado por Robert C. da escola alemã de Geografia. professor da Universidade do Brasil e fundador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil . mais tarde influenciar alguns geógrafos brasileiros. Seria importante contextualizar também a influência da escola alemã na geografia americana. Hilgard O’Reily Stermberg. City Coll.

Míriam para Lion e Heldio para Strasburg. apesar de hegemonia inconteste da escola francesa. este grupo ampliou as possibilidades de conhecimento geográfico que a geografia francesa tinha para oferecer naquele período. que . posteriormente. em 1947. que era o mais difundido no conjunto profissional do IBGE na época. Míriam Mesquita. Com o final da Segunda Guerra. Pedro Geiger. principalmente por intermédio dos professores Preston James (Syracuse) e Clarence Field Jones (Chicago). Speridião Faissol. assim como Orlando Valverde foram alunos de Hartshorne e Leo Waibel em Geografia Regional na Universidade de Winsconsin e Speridião Faissol. prepara juntamente com a direção do IBGE. Durante o final dos anos 40 e início dos 50. uma nova turma de geógrafos brasileiros para diversas universidades francesas. como Nilo Bernardes. foi. Lúcio de Castro Soares e Orlando Valverde todos falavam inglês. a americana ainda se fazia sentir nos trabalhos de geografia regional do IBGE. com os estudos agrários (Elza Keller) e estudos urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas (Pedro Geiger e Míriam Mesquita). mobilizou um restrito grupo de profissionais que iniciou pesquisas sobre o processo de colonização. evitando assim que apenas um só chefe de escola trabalhando no Brasil (Francis Ruellan) ficasse com a incumbência de repassar as principais matrizes de pensamento da época. Miguel para Paris. pois Leo Waibel falava alemão e inglês e não o idioma francês. sendo que Egler era o único que falava alemão. Jorge Zarur. e Heldio Xavier Lenz Cesar) seguiram para a França. A vinda de Waibel para o IBGE em 1946. Elza Keller. Apesar das dificuldades do pósguerra. Elza para Montpellier. a geografia francesa retoma sua liderança através dos esforços de Francis Ruellan que. De certa forma. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo aprendidos nas universidades francesas. Walter Egler. cinco profissionais do IBGE (Miguel Alves de Lima. ocupação agrária do território e um pouco de biogeografia regional. aluno de Preston James em Syracuse e trabalhou com ele no interior do Brasil estudando colonização. (depoimento de Elza Keller). somadas ao trabalho de orientação que os outros geógrafos estrangeiros que nos visitaram. Fábio de Macedo Soares Guimarães. que trabalhou inicialmente com Waibel no Brasil. no início dos anos 50.(CPGB) foi influenciado por Sauer em Berkeley . A barreira da língua. Portanto. possivelmente foi uma variável importante. criaram uma geração pioneira de geógrafos que se especializaram em campos distintos como Geomorfologia (Miguel Alves de Lima e Heldio Lenz). este grupo restrito de pesquisadores que trabalharam com Waibel entre 1946 e 1950. Geiger para Grenoble.

Goiás e Minas Gerais). 1955. 1949./set. foram Jean Tricart na Geomorfologia e Michel Rochefort nos estudos urbanos. Mato Grosso. os principais atores dessa fase. jul. além das obras de Pierre George sobre diferentes aspectos da Geografia Econômica analisando vários continentes. Clarence Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). mesclando. O Congresso Internacional da UGI de 1956 marcou uma nova etapa entre a geografia francesa e a brasileira. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. além de estabelecer comparações entre os dois sistemas econômicos representantes da Guerra Fria ( George. foi o período em que os geógrafos do IBGE tornam-se efetivamente. feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo. Além desses. oferece uma bolsa de estudos para Speridião Faissol fazer o doutoramento em Syracuse. conquistavam cada vez mais adeptos no Brasil.1939) e durante sua estada no Brasil em 1948 publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no Nordeste na RBG 11(1) jan. 1961). em função da sistemática política de especialização dos geógrafos da casa em universidades e laboratórios franceses. 1948) e suas abordagens sobre as relações entre as áreas da Geografia Física e Humana (Sorre. Preston James estudou o problema de colonização. além de um relatório de uma expedição. por ocasião de suas estadas no Brasil em 1948 e 1949 respectivamente. 1954. Em 1952./dez. Jorge Zarur e José Veríssimo já haviam estudado com Clarence Jones em Chicago respectivamente em 1942/43 e 1945/46. quando possível./mar. Ambos trabalharam em pesquisas que envolveram técnicos do IBGE e pesquisadores de universidades de alguns estados (Tricart na Bahia e Rochefort no eixo Rio-São Paulo).trabalharam com Jorge Zarur. produtores autônomos. 1963. estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil. pois além do artigo de Jones. as influências germano-americanas com a francesa. 1953. 1946b. principalmente sua segunda metade. a absorção dos ensinamentos de mestres como Maximilian Sorre e Pierre George nos campos da Geografia Humana e Econômica. concluído em 1956. 1950 (Por sinal um número muito importante para o tema colonização. 1950. 1965). que se prolongou pelos anos 60. A década de 50. 1949. . Speridião Faissol e José Veríssimo em estudos de colonização e utilização da terra. Os trabalhos de Sorre sobre novas formas de habitat surgidas no pós guerra (Sorre. elaborando trabalhos importantes. que mantinha sua hegemonia. 1946a.

ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. marcas estas que até hoje ainda podem ser percebidas nas ementas de cursos de graduação. além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg. Orlando Valverde. Portanto. já sob os auspícios das ações dos ministros do Planejamento Roberto Campos. Teresa. foi para Universidade Federal da Bahia e por intermédio de Milton Santos. durante o governo do General Castelo Branco (1964-1967) e Hélio Beltrão no do General Costa e Silva (1967-1969). quando. principalmente. Michel Rochefort e Jean Tricart . se deram através de Maria Adélia Aparecida de Souza após 1968 (Rochefort.que foram analisadas por Roberto Lobato Corrêa em duas ocasiões (Corrêa. 1968 e 1989). deixou de colaborar sistematicamente com o IBGE. quando essas preocupações ligadas ao binômio urbanização/industrialização tornaram-se maiores na área de planejamento federal. 1968).foram as principais marcas da escola francesa de Geografia no ensino e pesquisa da Geografia brasileira. ao voltar em 1960. Na USP. Os estudos de Michel Rochefort sobre redes urbanas no final dos anos 50. foram após Ruelan e Monbeig. aconteceu na segunda metade da década de 60. tanto no IBGE. caracterizado por um forte crescimento demográfico nas duas principais metrópoles.com um doutoramento orientada por Tricart. Rio de Janeiro e São Paulo. quanto nas universidades. Fany Davidovich e. A influência de Rochefort nas linhas de pesquisa de Geografia Urbana do IBGE nos anos 60 foi inquestionável. . principalmente por conta de sua aluna de pós graduação em Strasbourg no final dos anos 50. nas décadas de 50 e 60. sendo que Rochefort ainda continuou a tarefa na década de 70. principalmente após o golpe militar de 1964. encaixaram-se perfeitamente nas preocupações que os técnicos do governo federal já estavam levantando em relação ao processo de urbanização brasileiro que se delineava no início dos anos 60. Roberto Lobato Corrêa garantiram um fluxo de projetos sobre redes urbanas. Suas ligações com Lisia Bernardes. posteriormente. os mais importantes embaixadores da Geografia francesa nos anos 60. Teresa Cardoso da Silva. a ligação entre o “método Rochefort” e o planejamento urbano-regional da Geografia do IBGE. Elza Keller. Pedro Geiger. em virtude de conflitos com Speridião Faissol no final dos anos 60. A Geomorfologia desenvolvida por Jean Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (Tricart e Silva. principalmente em São Paulo. seus contatos mais estreitos. mas mantendo ainda contatos de trabalho com Lisia Bernardes no IPEA e Ministério do Interior. 1998:7-10 prefácio de Maria Adélia). que garantiu a muitos professores baianos da área de Geografia Física completarem sua pós graduação na França.

Cristóvão Leite de . ocorrido na década de 70. dos geógrafos ibegeanos que viveram a maioria dos períodos. do acompanhamento dos processos da ocupação humana e econômica. A guisa de exemplo. Juarez Távora. como Castro e outros. e legitimando-se nele. principalmente através dos estudos de colonização e habitat rural. quanto para a Geografia. uma interessante matéria foi publicada no número 19. um roteiro diferente” (Abreu. Léo de Affonseca. sob a batuta de Speridião Faissol. “Não foi. Maurício Abreu comenta que . talvez. Não restam dúvidas de que as relações entre a Geografia feita no IBGE e o que se convencionou chamar de planejamento. Porém. somente no contexto da New Geography ou Geografia Quantitativa. Essas relações objetivavam o gerenciamento do território via. da infra-estrutura instalada ou a instalar. Essa assertiva de Maurício Abreu toma como referência temporal o período dos anos 60 ou. possivelmente levados à esquecer por diferentes mecanismos e. portanto. quando muito. isto é. posteriormente. A nível de (sic) hipótese. por obra e graça da “Quantitativa” que a vinculação da Geografia com o planejamento se realizou no Brasil. que as mudanças que já vinham ocorrendo na Geografia Tradicional brasileira levariam-na certamente a essa direção. o período caracterizado pela influência dos estudos baseados no método Rochefort de redes urbanas. a segunda metade dos 50.. conhecimento sistemático dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. parece ser o resultado de uma série de lapsos de memória. pode-se afirmar inclusive. iniciando no período imediatamente anterior ao Estado Novo de Vargas. até porque as relações entre França e Brasil neste campo sempre foram hegemônicas. Adalberto Mário Ribeiro que produziu uma série sobre os principais serviços públicos do período Vargas. ainda que seguindo. mostrando claramente o que era planejamento na concepção de gestores do Governo Vargas. além de um monumental esforço de cartografação do território (Almeida. alguns de caso pensado. Tratava-se da reprodução de uma das reportagens elaborada por um jornalista do Correio da Manhã. outros. A errônea versão de que a Geografia fez o seu début com o planejamento.. José Carlos de Macedo Soares. Nela é exposta minuciosamente a estrutura e objetivos do IBGE tanto para a Estatística. ano V (1944) da Revista Brasileira de Estatística. 1994:44).É importante levar em consideração que não houve nenhuma luta teórica entre franceses e americanos pela hegemonia de suas respectivas escolas no Brasil. adotando a versão da súbita hegemonia da escola americana que introduziu os métodos quantitativos na Geografia do IBGE. 1994 e 1995). as vinculações entre planejamento e Geografia são bem anteriores. possuem datação bem precisa. Mário Augusto Teixeira de Freitas.

que o pesquisador da Universidade de Nothinghan estava no Brasil para pesquisar o planejamento do Censo de 1970. quando o Ministério do Planejamento. No caso do inglês Peter Colle. Um contato entre o DEGEO e o Conselho Britânico fez com que Colle tivesse contato com a Geografia brasileira através de Faissol. preocupado com a rápida dinâmica de urbanização orientou seus estudos para o acompanhamento da rede urbana brasileira. pesquisadores que. levando consigo o passe de Michel Rochefort. do arquiteto Harry Cole. 1995 e 1997). quando Lisia Bernardes estava se transferindo para o IPEA e. Pedro Geiger. de certo modo. o acaso aconteceu através de uma notícia de jornal. 1968 e 1972. IBGE. para planejar o crescimento da infra-estrutura urbana nas áreas metropolitanas (outra entidade estudada pela Geografia Urbana do IBGE nesta época). que havia contratado a vinda desses pesquisadores ao Brasil. No campo da Geografia. de uma forma ou de outra. estavam trabalhando com urbanização/industrialização e Geografia da população. era de estruturar uma nova linha de pesquisas urbano-industrial que utilizasse. Em seus depoimentos nas revistas Geouerj e Cadernos de Geociências. a escola francesa estava representada pelos estudos de Michel Rochefort realizados no Departamento de Geografia do IBGE visando o entendimento das maiores redes urbanas do país e o processo de regionalização (Bernardes L. O papel do IPEA havia se iniciado no início da segunda metade da década de 60 após o golpe militar. 1968. passariam a representar a presença da escola anglo-americana na Geografia do IBGE na década de 70. 1969). É justamente neste período que estes expoentes anglo-americanos da Geografia urbano-regional que utilizavam métodos quantitativos para os estudos de determinação de padrões espaciais das atividades econômicas em redes urbanas passaram a ter contato com Speridião Faissol no IBGE. No caso de Berry e Friedmann. Faissol vislumbrou aí uma possível futura parceria com as universidades de Chicago (Berry) e Los Angeles (Friedmann) e articulou a visita pelo IBGE em 1969.É claro que as pretensões de Speridião Faissol no final dos anos 60. Marília Galvão. com mais ênfase. John Friedman e Peter Colle) para iniciar um período de treinamento de técnicas estatísticas que iriam ser utilizadas nos futuros dados censitários de 1970. O papel do SERFHAU começa a tomar forma no final dos anos 60. não poderia mais arcar com essa responsabilidade via SERFHAU. o acaso aconteceu em virtude da repentina saída de um cargo de direção do SERFHAU.(Faissol. após o crescimento do Banco Nacional de Habitação (BNH). que de uma forma. Elza Keller. e que naquele momento. Roberto Lobato Corrêa e Olga Buarque de Lima. os novos dados que adviriam do Recenseamento Geral de 1970. Faissol também aludiu à fatores aleatórios seus encontros iniciais com esses pesquisadores. Faissol amarra bem a importância do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) no processo que acabou trazendo ao Brasil expoentes da Geografia Quantitativa americana e inglesa (Brian Berry.. Keller. .

pois já possuíam experiência matemática maior do que os da humana. Geomorfologia. uma integração. a estatística sempre marcou presença desde a graduação e. principalmente no segmento do estudo de redes urbanas e regionalização. ao se colocarem ao largo dos conflitos ideológicos que ocorreram com o segmento da humana/econômica. os profissionais da área física garantiram sem grandes traumas existenciais. período em que a escola francesa reinou absoluta. aparentemente. tornava-se mais usada nos cursos de pósgraduação. planejando um sistema urbano. corremos o risco de não avaliar a área da Geografia que mais se beneficiou dos métodos quantitativos. tentando apagar da memória os anos entre 1964 e 1970. feneceu sem gerar um grande número de seguidores. através dos grandes diagnósticos ambientais. excetuando-se o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e de alguns poucos professores advindos de Rio Claro que formaram grupos em outros estados (o exemplo de Alexandre Filizola Diniz com os métodos quantitativos em Geografia Agrária em Aracajú é o mais interessante). Biogeografia. nos anos 80. com tentaram fazer crer alguns geógrafos na década de 80. majoritariamente trabalhado por Speridião Faissol e colaboradores até o final da década de 1970 e que. Hidrologia. até quando o segmento da física tomou a dianteira das pesquisas e provocou. com articulações da Central Inteligense Agency (CIA) com o governo brasileiro para modificar a Geografia do Brasil. Porém. um amplo segmento de mercado de trabalho no campo do gerenciamento . que ficaram em maior evidência do que as querelas criadas pela Geografia crítica. área que ficou estigmatizada pela aparente influência dos métodos quantitativos oriundos da escola angloamericana. os segmentos da física. nos anos 90. foi confirmado pelos trabalhos da futura New Geography. se nos limitar-mos a apenas recortar o segmento de Geografia Urbano-regional. É importante lembrar que o apelo do Meio Ambiente/Ecologia também tomou de assalto as trincheiras da esquerda geográfica radical. que muito pouco contribuíram para o avanço da Geografia. Com isso.É interessante observar que o aparecimento no Brasil dos métodos quantitativos. que acabaram por retardar o desenvolvimento dos estudos geográficos. normalmente. Também tiveram outra vantagem comparativa. nos anos 80. Com o advento dos computadores cada vez mais baratos e potentes e da enorme popularização pela Internet dos softwares de mapeamento automatizado e de tratamento de imagens e de gerenciamento de bancos de dados. Pedologia / Edafologia. teve de arrumar um discurso que se adequasse aos novos tempos. Climatologia. de certa forma. vinculados à escola anglo-americana aconteceu sob fatores fortuitos e não como um super projeto militar típico da Guerra Fria. que. que rapidamente. os profissionais da área física tiveram muito menos problemas de utilização nos métodos quantitativos que chegaram ao Brasil no início dos anos 70. Nessas áreas.

nos anos 90. . para a Geografia humana do IBGE. da Geografia carioca entre os anos 30 e 60. será importante avaliar o papel alguns professores e pesquisadores estrangeiros na formação das primeiras gerações de Geógrafos do IBGE e. que o profissional de Geografia humana terá de lutar muito para iguala-lo.dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS em inglês). que não seria mais prudente procurar a hegemonia de qualquer escola de Geografia no IBGE de hoje. de maneira mais ampla. Ironicamente. No entanto. foi a cooperação com geógrafos franceses da Maison de la Géogrphie de Montpelier. que abriu esses novos campos de pesquisa e de ampliação da experiência profissional de uma parcela de pesquisadores que atualmente transitam por programas tão globalizados.

paralelamente ao curso formal.Parte II Capítulo II . O naturalista e botânico Alberto José Sampaio. na então Universidade do Distrito Federal (UDF). ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia patrocinado pela União Geográfica Internacional em Paris. A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante. a Academia Brasileira de Ciências sob a liderança de Alberto José Sampaio e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas. Nesse grupo estavam. paralelamente. mas sua preferência era a Humana. que garantiram a visita. explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país. muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo organizado por Christóvão Leite de Castro. Na ocasião. dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa. agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro. que possibilitou a vinda de professores recém doutorados. em 1933.Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE Os Pioneiros Mestres Estrangeiros Desde o início dos anos 30. . auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. que a idéia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que. Jorge Zarur (contratado em 1939) e José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940) . Deffontaines era um geógrafo completo. No processo de implantação do curso do Rio de Janeiro. quanto em Geografia Humana. pois tratou-se de. O Professor francês Pierre Deffontaines(1894-1978). estava sendo maturada. foi de decisiva importância. chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. além do próprio Christóvão. após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988). garantir treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE. a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas. pois foi através de sua influência nos meios acadêmicos franceses. ou em fase final de doutoramento para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935). do Secretário Geral da UGI. os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938). pode entabular negociações com a diretoria da UGI. tanto em Geografia Física. o Professor Emmanuel De Martonne.

onde ficaram entre um e dois anos. em virtude da impossibilidade da ida para a Europa durante os anos da Guerra depois. Paralelamente. Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau. Fábio de Macedo Soares Guimarães. principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época). Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951). Jorge Zarur é enviado para a Universidade de Winsconsin onde graduase como Master of Arts em 1943 e segue para a Universidade de Chicago para um aperfeiçoamento em pesquisa de campo. mas já em 1940/41. Como resultado de seus contatos nos Estados Unidos. geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos e conseguem através da influência de Christóvão Leite de Castro que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. que ao longos desses 60 anos de atividade de pesquisa geográfica do IBGE. outro grande professor o vem substituir. principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível. tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas). Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. Em Wisconsin. Francis Ruellan (1894-1975) que fica 18 anos e praticamente torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. foram convidados para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação na França. Nilo Bernardes e Speridião Faissol. Waibel.O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para França. Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão). que foi continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra. A maior parte da chamada “velha guarda ibgeana” foi formada por Ruellan. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. que organizava grandes trabalhos de campo. considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais. em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional. apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores. em 1942. Muito embora os primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o grande processo de aperfeiçoamento no estrangeiro tenham sido enviados para os Estados Unidos. teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território. Orlando Valverde (que depois. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard . nunca foi interrompido. Com esse grupo.

Pierre Deffontaines (1894-1978). o ciclo de formação profissional de geógrafos no Brasil. ligado a linha metodológica de Jean Brunhes e Vidal de Lablache. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. posteriormente./set. a “velha guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 50 e na década de 60. onde Preston James era professor. orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. Entre os anos de 1950 e 1951 o professor e pesquisador norte americano Preston James trabalhou no IBGE. Seu principal orientando foi Speridião Faissol. No final dos anos 50. Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler. Dos americanos. Professor Michel Rochefort passou a vir constantemente ao Brasil e dar consultoria ao IBGE. Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. entre 1946 e 1947. no Rio de Janeiro onde iniciou o mesmo curso na Universidade do Distrito Federal em 1935.O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. outro grande pesquisador francês em redes urbanas. iniciada em 1939. inaugurado em 1939 e que absorveu o curso da Universidade do Distrito Federal que foi extinta. A seguir. além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pósgraduação em universidades francesas. Entre 1935 e 1937 formou o primeiro grupo de profissionais que criaria o núcleo de pesquisas geográficas do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Revista Brasileira de Geografia. Dora e Edgar. Com Rochefort. foram também estudar no Canadá. Edgar Kullmann. Entre 1938 e 1939 organizou o curso de Geografia na faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. um breve resumo da vida profissional desses mestres pioneiros. geógrafo francês que inaugurou em 1934. onde também criou a Associação dos Geógrafos Brasileiros e. Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização. Alceu Magnanini. além de ser católico militante. realizado em 1956 no Rio de Janeiro. Faissol doutorou-se em 1956. Primeiramente em São Paulo ao iniciar o curso de Geografia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse no estado de New York. Retornou . 1950 . com uma grande produção acadêmica no campo do ensino católico. jul. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). Era um geógrafo especializado nos aspectos humanos do processo de ocupação do território.

como diz o jargão francês poser sur candidature e ele não teve sucesso nessas duas empreitadas. na verdade o orientador dele era o Albert Demangeon que era também um geógrafo da maior importância. Através das pesquisas de Marieta de Moraes Ferreira. além de ser considerado por Berdoulay (1981:190) como o discípulo de Jean Brunhes (apesar de seu nome estar grafado errado. após ter tido um grande reconhecimento na Espanha. Pierre Deffontaines. Silvio Carlos Bray também escreveu sobre a visão de mundo de Deffontaines e suas relações com a cultura e ideologia do Brasil nos anos 30 (Bray. mas pelo tipo de rede tinha lá na França.F. Dunbar (1991:42). Além disso.. Albert Demangeon e com o todo poderoso Emannuel de Martonne.. acho acredito eu pela qualidade do seu trabalho. mas ele não fica o tempo todo no Brasil... 1993). 1998).para a França ao iniciar a Segunda Guerra Mundial.. não. E que seus relacionamentos com seu orientador de sua tese de doutoramento. pode-se saber que suas proposições para postos docentes nas universidades públicas francesas não foram acatadas. à Roberto Schmidt de Almeida). “. inclusive trabalhando com o diário que sua esposa organizou e que detalha muito bem sua trajetória profissional (Ferreira. somente alcançando a importância no panorama da Geografia francesa... não apoiou e eu acho que o De Martonne também não deu muito..” (depoimento de Marieta M. sabe? Porque tem um episódio que ele fala aqui: (isso é uma espécie de auto biografia que ele faz) “Minha tese se passa bem e com dimensão. daí inclusive que é um dos motivos que ele vem para o Brasil.ele era professor em Lille numa faculdade católica. 1980) e tornado verbete nas Enciclopédias Encarta e na Modern Geography de Gary S.. sobre a presidência do De Martonne. no final da vida.. a participação dele. não foram livres de turbulências. chefe da banca.” “ Ele mesmo diz isso.. fartamente citado por Anne Buttimer em seu clássico trabalho sobre a tradição geográfica francesa (Buttimer. que atualmente é considerado um importante geógrafo francês especializado no estudo dos gêneros de vida .. Jean em vez de Pierre). se não me engano foi Rennes e Poitiers e não conseguiu. “.. Albert Demangeon não fez nenhum empenho em auxiliar Deffontaines. que se espantará somente pelo fato dela não ter uma alusão no seu prefácio. posteriormente estabeleceu-se em Barcelona onde fundou um centro de estudos franceses.na época que ele estava vindo para o Brasil ele tentou duas candidaturas para duas universidades. foi sempre preterido no sistema universitário francês.. ele queria ingressar em faculdades públicas e pelo menos em duas ocasiões ele colocou a candidatura dele... temos hoje um maior conhecimento da vida e da importância do trabalho de Deffontaines graças ao trabalho de pesquisa da historiadora Marieta de Morares Ferreira junto a família de Deffontaines na França. que certamente ele tinha . Por mais irônico que possa parecer. Afortunadamente.. mas que de acordo com as informações que eu tenho.

pode ter sido uma das razões de seu estabelecimento na UDF. Agora porque que Deffontaines é interessante para ser estudado? Nós sabemos que UDF é uma Universidade criada por Anísio Teixeira e que contava com um grande número de professores que defendiam o ensino laico que naquele momento travava uma briga de morte com a igreja católica. entre Pierre Deffontaines e Alceu de Amoroso Lima..”. onde Brunhes tinha sido escolhido um pouco tempo antes professor de geografia do Collège de France.A.” então .. e uma correspondência que eu consultei no Ministério das Relações Exteriores sobre a documentação que está guardada no arquivo de Nantes mostra um pouco a insatisfação dos paulistas com esse desejo de Deffontaines querer vir para o Rio e querer também ter uma participação na estruturação da Universidade do Distrito Federal . e colaborador da revista UTO – L’Union des Trois Ordes de L’Enseignement (Deffontaines. depois ele diz. onde era professor de uma Universidade Católica e era membro de um movimento chamado Les Équipes Sociales.F. professor de Literatura que também... um dos mais proeminentes líderes do grupo de intelectuais católicos do Rio de Janeiro.. a rivalidade entre o Colégio e a Universidade não terá tido um papel. Para Marieta. suas atribulações acadêmicas na arena do ensino universitário público francês e sua vinda para o Brasil. nos anos 30 vem trabalhar na área de Letras da Universidade do Distrito Federal. (depoimento de Marieta M. Na visão de Marieta.que eu acho que essa documentação mostra. “.. primeiro inicialmente que Deffontaines vai para São Paulo. após sua transferência da USP em São Paulo.importância... ele passa uma temporada lá e depois ele acaba voltando para o Rio de Janeiro. à R. à RSA) Possivelmente. mas na verdade eu acho que o interesse maior dele era ficar no Rio. .UDF.. dependendo do ponto de vista e das circunstâncias) e a Igreja Católica. Nesse primeiro momento ele acaba ficando ainda dividindo um pouco.” (depoimento de Marieta M.. “eu era o principal discípulo de Jean Brunhes eu vinha trabalhar na edição de geografia humana e passar . 1935 e 1936). Esse movimento foi fundado nos anos 20 por Robert Garric. Mas esta luta sobre o controle doutrinário entre liberais (ou comunistas. a estreita relação. possivelmente houve um certo nível de negociações entre lideranças católicas para trazer para a nova Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro o maior número possível de professores católicos para contrapor uma luta entre diferentes concepções de ensino universitário carioca. e pelo fato de ter dedicado minha tese a São Francisco de Assis”..).. tenha vinculações com a sua militância religiosa no catolicismo em Lille. uma coisa assim. no Brasil. passaria para um campo muito mais formal com a evolução do governo de Vargas em direção ao estabelecimento do Estado Novo e o papel de Gustavo Capanema no campo da educação e cultura do governo federal... ele é a primeira pessoa que cria cadeira de geografia na USP.. ficando entre o Rio e São Paulo. Em suas pesquisas documentais junto ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro e cotejadas com a documentação francesa Marieta percebeu..S. F.

(p.O livro Tempos de Capanema (Schwartzman. e sua leitura é fundamental para o entendimento do sistema atual. e em junho de 1938 propõe a anexação da UDF ao sistema federal de ensino universitário. Bomeny e Costa. possibilitou às lideranças católicas reordenarem suas . O livro explica os intrincados conflitos ideológicos e organizacionais entre a Universidade do Distrito Federal liderada por Anísio Teixeira e iniciada em 1935 e o novo plano da UB. Daí não encontrar eu boa acolhida para nomes que sejam conhecidos por suas tendências opostas à Igreja ou dela divergentes”. No sub-capítulo que trata da criação da Faculdade Nacional de Filosofia. Mas o projeto de Capanema torna-se vitorioso. à destituição de Pedro Ernesto da prefeitura e ao afastamento de vários professores da nova universidade. no entanto. os movimentos de organização do grande projeto universitário de Gustavo Capanema. com intermediação da embaixada francesa. Henri Hauser e Henri Troncon (história). Pierre Deffontaines (geografia) e Robert Garic (literatura). Alceu de Amoroso Lima. Bomeny e Costa explicam como foram as tratativas para a escolha do corpo docente e. voltemos ao exemplo que nos interessa aqui. e que pode ser visto na indicação de Jacques Lambert para a cátedra de sociologia. que a embaixada garante ser da mesma geração de professores católicos militantes que Pierre Defontaines e Robert Garic. A Faculdade vai ficar sob a direção do Sr. o que foi feito pelo Decreto-lei 1190 de abril de 1939. Capanema aproveitando a legislação deixada por Campos prepara o projeto da Universidade do Brasil.” (p.. principalmente. mas ligados à Igreja. com se processaram as negociações com o governo francês através de Georges Dumas . Capanema não consegue a adesão de Alceu de Amoroso Lima para a direção da FNF. corporativos e ideológicos que marcou a formação do sistema universitário do Rio de Janeiro. Eugène Albertini.227228). ”desejo professores habituados à pesquisa e de estudos bem orientados. que substituiu Francisco Campos no Ministério da Educação do primeiro governo de Vargas. Mas para que não nos percamos nas escalas mais abrangentes da política universitária da época. Gaston Léduc(lingüística). “O expurgo que se segue ao fracasso da insurreição da Aliança Nacional Libertadora de novembro de 1935 leva à saída de Anísio Teixeira do Departamento Municipal de Educação do Distrito Federal (onde é substituído por Francisco Campos)... Apesar dessas manobras. A questão religiosa (militância católica) é colocada por Capanema como variável chave pois.. Schwartzman. 2000) detalha no capítulo 7. e em 1936 as aulas são iniciadas com professores de uma missão francesa que incluía Émile Brehier (filosofia). não se interrompem. amigo de Jacques Maritian. 232). Tempos de Capanama é pródigo em análises sobre o grande painel de interesses pessoais. católico. As atividades da UDF. A experiência de Alceu ao lado de Deffontaines e Garic (que retornaram em 1939 para a França) na luta dentro da UDF.

Um outro ponto importante era a formação católica da maioria dos dirigentes do IBGE e dos principais servidores. Bomeny e Costa. Jorge Zarur e outros eram minimamente católicos cumpridores de seus deveres ou em alguns casos. “Em abril de 1939 ele escreve ao ministro ainda propenso a aceitar o convite. na segunda metade dos anos trinta. dando início ao projeto de sua própria universidade a PUC. o cumprimento dos ritos religiosos e sociais. do que como organizador da Geografia do IBGE. mas mediante duas condições prévias. e o adiamento do início das aulas para 1940.234). senti alguma coisa quando entrei para a UDF. ‘direta ou disfarçadamente. Ao mesmo tempo. e Alceu escreve longamente ao ministro explicando suas razões definitivas de não aceita-lo. uma missa solene ou a presença de um religioso para abençoar as novas dependências nas cerimônias de inauguração.. José Carlos de Macedo Soares. É importante lembrar aqui que.233). ‘Não sinto nada por esta empresa. para a Geografia brasileira. Muito embora não existam dados que possam afirmar tal militância católica no contexto do IBGE e que as relações de Deffontaines com o órgão sempre foram lembradas pelos que conviveram com ele. Cristóvão Leite de Castro.. É bom lembrar que a religiosidade católica. ele aceita ser indicado pelo ministro para a cátedra de literatura brasileira. pela alta direção do IBGE nos anos 30. com seus quase 100 professores e 500 alunos. “ Em fevereiro de 1941 o convite ainda permanecia de pé... . Fábio de Macedo Soares Guimarães. afastar uma série de professores que . sempre foi mais vinculado às suas atividades como professor da UDF. No entanto. segundo ele. alunos e funcionários da UDF na nova faculdade. e poder começar com liberdade. ‘Nào me sinto com entusiasmo por esta obra’. Personagens como Mario Augusto Teixeira de Freitas.” (p. dizia entre outras coisas. Seria impossível. na visão de Schwartzman. no campo estritamente profissional.prioridades. era algo quase obrigatório. é importante considerar alguns traços culturais da época. alguns dos óbices que influenciaram a indecisão de Alceu em aceitar a direção da FNF... Havendo sempre nas grandes comemorações do órgão. criam na faculdade o confusionismo filosófico e ideológico’ . A dolorosa experiência de oito meses tirou-me as ilusões’.. não havendo até hoje nenhuma colocação de cunho religioso nessas lembranças. o papel de Pierre Deffontaines. seu poder de articulação na criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e na Revista Brasileira de Geografia foi inconteste. seriam muito mais problemáticas do que as questões apenas ideológicas que foram disputadas com o grupo de Anísio Teixeira. Alceu percebe que as tramas políticas que regeriam a UB em geral e a FNF em particular. que eram a não-incorporação dos professores. com responsabilidades no segmento leigo da Igreja.. Sua preocupação é não assumir o passivo da antiga universidade.” (p. significando aqui. Os critérios nebulosos de nomeação de professores são.

Portanto. sua visão abrangente sobre as potencialidades do estudo geográfico no Brasil. este problema não se colocou. além de também ter freqüentado os cursos do “Collége de France”. em conseqüência da invasão alemã na França. Como se constitui no Brasil a rede de cidades (Deffontaines. Sua formação como geógrafo inicia-se na universidade de Rennes. em função da forte cultura católica da casa naquele período. continua em Strasbourg e depois em Paris onde obteve sua “agrégation” (licença para lecionar no sistema de Liceus) e seu doutorado. Em 1939 foi mobilizado pelo Estado-Maior do Exército francês e em 1940. Meditação geográfica sobre o Rio de Janeiro (Deffontaines. Sua vinda para o Brasil foi fruto de coincidências e situações fortuitas. em segundo lugar. Após um ano de funções diplomático-militares. se no caso da UDF. foi desmobilizado pelo Exército. 1960). como mestre de conferências e diretor adjunto do Instituto de Geografia e da Escola de Altos Estudos de Geografia da universidade. aceita o cargo de professor de Geografia da Faculdade de Filosofia da recém . a mais importante lembrança de Pierre Deffontaines foi primeiramente. é bem possível que. Por isso. que ao substituir Pierre Deffontaines no comando do ensino de Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (antiga UDF) em 1941. tornou-se um verdadeiro "chefe de escola" para uma legião de pesquisadores que. para a Geografia do IBGE. 1944). pois sua carreira na Universidade de Paris já estava perfeitamente consolidada na década de 30. que eram comandados por Emmanuel De Martonne. onde se encarrega das relações militares entre a França e os países da América do Sul e Caribe. pois também freqüentou o curso de Economia da “Faculté de Droit” e os cursos de mineralogia e geologia da “Faculté de Sciences” e do “Museum D’Histoire Naturelle” . onde nasceu. as presenças de Deffontaines na Geografia e de Garric na Literatura tenham sido equilibradoras de um suposto enfraquecimento da religiosidade católica no ensino universitário carioca (o que também deve relativizado em virtude dos acontecimentos posteriores ao golpe da Intentona Comunista no âmbito da UDF). sua atividade docente. na maioria dos casos. Francis Ruellan (1894-1975). enquanto formador da primeira geração de geógrafos e. foi enviado como adido militar para o Rio de Janeiro. através de artigos que tornaram-se clássicos como o Geografia Humana do Brasil de 1939 (Deffontaines. tornaram-se figuras importantes na Geografia brasileira nos anos 60 em diante. geógrafo francês especializado em Geomorfologia. 1988). Durante a década de 30 participou de varias missões técnicas e culturais organizadas pelo governo francês na Ásia e América do Norte. em 1941. No que concernia ao IBGE. Sua formação foi eclética.

pois apesar de ter voltado para a França em 1956. no VIII Congresso Brasileiro de . Ruellan era acima de tudo um professor e consta que nunca fez um trabalho de campo só. o cargo de consultor científico do CNG. Seu espírito disciplinador e seu senso de organização são célebres. substituindo Pierre Deffontaines. Além de pesquisador. fruto de duas conferências. Na publicação editada pelo IBGE. Os Métodos Modernos do Ensino da Geografia. Na tese de Vera Lúcia Cortes Abrantes sobre o arquivo fotográfico das pesquisas geográficas de campo do IBGE (Abrantes. sem limitações de ordem financeira ou logística. No campo. sua influência ainda continuou forte até o início dos anos 60. No entanto Ruelan não era somente geomorfólogo. Diferentemente de Deffontaines que. 2000: anexo B) foram computadas 11 grandes excursões lideradas por Ruellan entre 1941(Baia de Guanabara e Serra do Mar) e 1951(Bacia do Rio São Francisco). Seus principais trabalhos até hoje. são referências importantes no estudo da Geomorfologia do Sudeste do Brasil. seus projetos de excursões alcançavam qualquer parte do Brasil. além de indica-los e encaminha-los para cursos em universidades da França. Em função de sua posição de liderança num período onde o IBGE possuía um enorme prestígio perante o governo federal. que retornou à França em 1939. 1988). os ensinamentos de Francis Ruellan conquistaram um número significativo de alunos que estão atualmente na faixa entre 60 e 75 anos aproximadamente. E assume paralelamente. lecionou para um número mais restrito de alunos. pronunciada em Goiânia em 26 de junho de 1942. Ruellan marcou profundamente as gerações de geógrafos que trabalharam entre 1940 e 1960.criada Universidade do Brasil. alunos da universidade ou profissionais de pesquisa do IBGE. treinou equipes de pesquisadores e orientou a formação acadêmica e técnica de muitos deles. Suas pesquisas de reconhecimento da Geomorfologia da Serra do Mar resultaram num trabalho clássico publicado na RBG em 1944 (Ruelan. Em suas funções no Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até 1956. por ser a Geografia ainda um curso novo. podendo contar com um grande número de participantes. era um professor completo e sua importância para a Geografia brasileira dificilmente poderá ser igualada. além de ficar apenas cinco anos no Brasil. Sendo ele. e portanto sem o apelo característico de cursos como Direito ou Engenharia. principalmente junto aos geomorfólogos. indubitavelmente. o único geógrafo de se pode ser chamado de chefe de escola sem nenhuma restrição classificatória. ou com um ou dois alunos. Sua principal característica foi a vinculação estreita entre o ensino teórico na sala de aula e o prático no campo e no laboratório (para os geomorfólogos).

que cobre suas atividades no período anterior a sua vinda para o Brasil. Foi neste período também. pois Waibel era casado com uma cidadã judia e fazia parte da oposição ao Nacional Socialismo. As relações de Leo Waibel com os geógrafos do IBGE se deram em três fases distintas. quando da oficialização do Nazismo. quando trabalhou com Speridião Faissol.6-8). Avaliando os estudos de habitat realizados no Brasil. geógrafo alemão. contratado pelo Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade de Wisconsin (USA). que os estudos de identificação do futuro sítio do novo Distrito Federal foram coordenados no IBGE por Waibel e relatados por Fábio de Macedo Soares Guimarães na RBG v. para onde havia ido lecionar em função de sua saída da Alemanha. ao pesquisar os tipos de ocupação de terras e os diferentes cultivos tropicais e com Geografia da População ao explicar os processos de colonização de dois povos europeus (alemães e italianos) no sul do Brasil. foi nesta fase que se deu uma maior aproximação com Orlando Valverde. Jorge Zarur e Walter Alberto Egler. Leo Heinrich Waibel (1888-1951). Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. pronunciada em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais. n. assim como estava ocorrendo na . Em sua estada no Brasil trabalhou com Biogeografia. Retornou aos Estados Unidos em 1950 e logo depois para a Alemanha. p. que tornou-se o maior divulgador de sua obra no Brasil. nas preocupações do governo brasileiro. Primeiramente no contexto da Universidade americana de Winsconsin. 1949. A terceira e última fase se deu entre 1947 e 1950 já trabalhando com Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Nilo Bernardes. em virtude de uma possível leva migratória de europeus para o hemisfério sul. Seu primeiro aluno brasileiro foi Jorge Zarur em 1943 e posteriormente em 1945. nos processos de colonização e de reconhecimento de áreas propícias para colonização futura. com Geografia Agrária. entre os anos de 1946 e 1950. 1942.11. que o convidaram (a partir de consultas com Christóvão Leite de Castro na direção do CNG) para trabalhar como consultor técnico do IBGE no Brasil. 4. onde veio a falecer em 1951. A segunda fase aconteceu no Brasil entre o final de 1945 e meados de 1946. está o seu currículo. no final da segunda guerra. ao estudar a vegetação brasileira.Educação e complementada por outra. naturalizado americano. para pesquisar e treinar um pequeno grupo de geógrafos do IBGE. em julho do mesmo ano na Terceira Convenção Nacional dos Engenheiros Brasileiros. que haviam retornado de Winsconsin. Almeida (1995) constata que estes trabalhos estavam. nos estudos sobre povoamento e colonização. (Ruellan.

n. Jones) são considerados clássicos da literatura geográfica americana. 2. com linhas de pesquisa em colonização rural. Foram dessa fase a maioria dos trabalhos de Waibel e dos geógrafos brasileiros que foram treinados por ele. áreas que garantiam um conhecimento amplo de Geografia para os profissionais do IBGE. além de estudar a Biodiversidade tropical brasileira.1939) e publicado no final dos anos 40. no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação na Bacia do rio São Francisco RBG 11(1) jan. Portanto foi um período muito profícuo para o aprendizado de Geografia. galgaram importantes postos no meio científico brasileiro na área de meio ambiente. apresentando principalmente sua obra geográfica realizada no Brasil. Pierre Dansereau (1919. Convidado pela Universidade do Brasil e IBGE para dar treinamento especializado aos professores e pesquisadores (geógrafos. além de ministrar cursos de introdução à Biogeografia aos alunos de graduação. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil.14. pioneiro na introdução do ensino sistemático de Biogeografia no Brasil em 1945. 1947). 1949. Trabalhou no Brasil entre 1951 e 1952 a convite do IBGE. estavam trabalhando no IBGE. Preston James já havia estudado o problema de colonização. biólogos). trabalhou com Francis Ruellan na Serra do Mar e produziu um artigo de pesquisa na RBG. agrônomos. publicou na RBG v. Dansereau organizou o ensino desta área de estudos e montou um programa de intercâmbio e de pósgraduação entre o Brasil e o Canadá que visava treinar pessoal especializado em Biogeografia. 1952. Waibel e Dansereau e que tanto Ruellan e Dansereau também ministravam aulas na Universidade do Brasil./mar. por ocasião do falecimento de Waibel. Biogeografia e de processos de ocupação humana./dez.) biogeógrafo canadense.América do Norte. Foi também um importante historiador do pensamento geográfico anglo-saxão. uma esclarecedora biografia do mestre alemão. para estudar os processos de colonização rural no Brasil central. Ruellan. Seus livros Latin America (1942) e American Geography: Inventory and Prospect (1954 em co-autoria com Clarence F. Nilo Bernardes. geógrafo norte americano. pois estavam aqui especialistas de Geomorfologia. pelo seu conteúdo metodológico. Em 1946. . Era um especialista em Geografia Regional da América Latina. foi professor nas Universidades de Michigan (1923-1945) e Syracuse (1945-1970). que era liderada por Hilgard O’Reilly Sternberg. (Dansereau. É importante ressaltar que no final da década de 40. Preston Everett James (1899-1986). após seu doutoramento feito em 1923 na Universidade de Clark. A maioria de seus alunos. Deixou uma obra voltada principalmente para o ensino superior.

mas mesmo assim fundamental para o progresso da Geografia feita no IBGE na década de 50. propiciou uma forte ligação com Speridião Faissol. enfatizando a análise do setor comercial e de serviços urbanos. pelo acadêmico ( seu método de avaliação do sistema urbano era novidade e. que foi para Syracuse para doutorar-se em 1956 sob sua orientação. ampliando suas ligações com o Brasil). O enfoque no estudo dos fluxos materiais e de pessoas entre centros urbanos de uma determinada rede e de suas vinculações com a área rural produtora de bens agrícolas. Ainda hoje. é convidado a dar consultoria ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aulas na Universidade do Brasil. no início dos anos 50. que já se preocupavam com os altos índices de urbanização que parte do Brasil apresentava na segunda metade dos anos 60. A influência de seus estudos no país ampliou-se a partir de 1964. A principal marca de Preston James na Geografia brasileira vincula-se ao alargamento do conhecimento sobre os processos de ocupação no interior do país. fruto de diferentes motivações que transitaram pelo institucional ( a preocupação do governo federal com a urbanização e migração para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro). Sua vinculação com Lysia Bernardes. Seus primeiros contatos com a Geografia brasileira se dão em 1956. Michel Rochefort (1928- ) geógrafo francês. é adotado por alguns geógrafos do IBGE. possivelmente. no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro. introdutor dos estudos sistemáticos sobre redes urbanas no Brasil na década de 1960. A atuação de Rochefort no Brasil foi. que foi rapidamente absorvido pelos geógrafos urbanos. . apenas Pedro Geiger estava trabalhando com o tema na época. sem sombra de dúvida. devido a poderosa influência de Michel Rochefort. é consultor de várias instituições européias. Foi um importante orientador de teses de pesquisadores brasileiros em Paris entre os anos 70 e 90. Seu método de estudo sobre redes de cidades. em função da intensificação das preocupações do governo militar nas questões urbanas. quanto nos Estados Unidos. era uma questão que já preocupava alguns outros geógrafos e economistas tanto na Europa. Muitos dos quais foram para cursos de aperfeiçoamento em universidades francesas. presidente do Conselho de Administração do Instituto Francês de Urbanismo e professor visitante em universidades brasileiras. que estavam tomando proporções ainda não totalmente compreendidas. Não tanto quanto Leo Waibel. 1963) e pelo emocional ( seu casamento com a geógrafa do IBGE Regina Espíndola Rochefort. na época liderando as pesquisas geográficas na antiga Divisão de Geografia. No início dos anos 60.Sua atuação no IBGE. favoreceu a aceitação de seu método. professor emérito da Sorbone.Geiger. em escala nacional .

Nos Estados Unidos. 1959). será imprescindível analisar a vida profissional alguns de seus melhores alunos e assistentes. Walter Christaller. as preocupações acadêmicas de Michel Rochefort que chegaram ao IBGE no final dos anos 50 e percorreram toda a década de 60. uma coletânea sobre Geografia Urbana. O interessante desse processo é perceber que Michel Rochefort foi o último líder estrangeiro com carisma suficiente para influenciar várias gerações de geógrafos urbanos brasileiros. Sua influência. distância e padrão espacial de distribuição dos centros urbanos em determinadas regiões. deve ser entendida como uma liderança que manteve-se forte apesar das novas orientações que passaram a vigir no IBGE nos anos 70/80. quando aparentemente. Kohn. . que em 1933 tentou explicar teoricamente o princípio de ordem entre tamanho. posteriormente. principalmente através de sua poderosa influência no sistema universitário francês. se não deve ser comparada com Francis Ruellan em virtude das diferenças de condições vivenciadas por esses dois professores nos dois períodos em que operam no Brasil.Estudiosos como Von Thünen que em 1826 enfocou a relação entre distância das cidades às áreas de cultivo agrícolas. Para que se possa avaliar a importância desses líderes formadores. que formaram. eram uma das inúmeras facetas do processo de urbanização que estava ocorrendo em muitas partes do mundo no pós guerra e que estavam sendo motivo de releituras diferenciadas. Portanto. A de Rochefort foi uma delas e foi importante no contexto do IBGE até a década de 70. considerada clássica. uma nova abordagem passa a fazer parte das preocupações dos geógrafos urbanos / regionais do IBGE. foi editada em 1959 e nela já estavam muitos artigos que trabalhavam com a temática dos fluxos para o entendimento dos padrões espaciais que emergem deles (Mayer. o primeiro grupo de pesquisadores que passou a liderar academicamente a Geografia do IBGE.

Os Alunos e Treinandos que Tornaram-se Líderes da Velha Guarda Do grupo de jovens estudantes brasileiros que formou a Velha Guarda Ibegeana. USA onde conheceram o professor Leo Waibel e. migração. portanto que se fale um pouco sobre eles. foi oficializado pelo Governo Federal em 1941. apesar do caráter inescapavelmente arbitrário da escolha. Participou também. tendo sido seu Secretário Geral. a Estruturação das Lideranças Pioneiras Para que se tenha uma boa noção sobre quem estamos falando. faremos uma breve apresentação sobre alguns profissionais de Geografia que tornaram-se líderes em suas especialidades e ou tiveram papel relevante no processo de gestão técnico-administrativo do órgão. . foi um dos fundadores. via trabalhos e livros. geógrafo brasileiro especializado em planejamento regional. organizando projetos em escalas nacional e regional que subsidiaram as ações do governo federal em termos de políticas de ocupação rural. Muito embora não tenha exercido a profissão de Geógrafo. quanto no plano das estratégias de planejamento territorial do país. dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal em 1947. Fabio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979). em 1937 do Conselho Nacional de Geografia (CNG). juntamente com Orlando Valverde. posteriormente. nove por Roberto Schmidt de Almeida no contexto desse trabalho e. foram enviados pelo IBGE para a Universidade de Winsconsin. Será necessário. tanto no plano acadêmico. abertura de eixos de transportes e de urbanização. o indicaram para um período de pesquisas no Brasil. Deste segundo grupo foram pinçados os dez entrevistados. Em 1945. o depoimento de Cristóvão Leite de Castro dado à área da Memória Institucional do IBGE em 1994. Esse conjunto de profissionais foi fundamentalmente composto por dois grupos distintos. o dos professores e pesquisadores que vieram para o Rio de Janeiro objetivando formar e treinar profissionalmente estudantes que se dedicariam à profissão de geógrafo e o dos jovens estudantes que foram treinados e que se destacaram academicamente na profissão. juntamente com o grupo de Leo Waibel. Fabio foi considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração e seu trabalho sobre a divisão regional do Brasil em grandes regiões.Parte II Capítulo III – A “Velha Guarda” da Geografia do IBGE. lecionou na PUC RJ até seu falecimento. Cristóvão Leite de Castro foi o principal formulador dos estudos geográficos nas fases iniciais do IBGE. órgão que faria parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). pois alguns foram personagens importantes nas fases iniciais de construção de um corpo de conhecimentos geográficos sobre o Brasil. Após sua aposentadoria do IBGE em 1968 . muitos já não estão mais conosco. excepcionalmente.

Foi um dos pioneiros da criação do IBGE ingressando em 1939 e partindo em 1943 para os Estados Unidos para pós-graduar-se em Wisnconsin e Chicago em Geografia Regional e Geografia de Campo respectivamente. e atualmente pela editora Bertrand Brasil. foram publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O professor Antônio Guerra faleceu de problemas cardíacos. o também geógrafo e Professor da UFRJ Antônio José Teixeira Guerra. autor do mais completo dicionário Geológico-Geomorfológico editado no Brasil. além de geógrafo do IBGE. ajudando a criar um corpo de pesquisadores mais críticos que. Lecionou no Colégio Pedro II. foi um dos alunos da primeira turma de Pierre Deffontaines na Universidade do Distrito Federal (UDF). José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) geógrafo brasileiro que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. lecionava também nas universidades Estadual do Rio de Janeiro e Fluminense. sempre atualizadas. Foi chefe da Divisão de Geografia na segunda metade dos anos 50 e foi responsável pelo gerenciamento técnico da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e do Atlas Nacional do Brasil. Essa vinculação com Deffontaines se dá em virtude da necessidade de prepararse em Didática da Geografia para o exercício do magistério. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. ao longo da década de 1950. Universidade Católica e Universidade do Brasil. deram contribuições importantes à Geografia brasileira. Trabalhou em três linhas distintas: a Federal . apesar de já ter feito o bacharelado no Colégio Pedro II entre 1929-1934. dois expoentes da moderna visão da Geografia como o estudo das relações espaciais entre fatos físicos e humanos e não a simples listagem de topônimos ou ordem de grandeza dos acidentes geográficos. Foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). onde foi aluno de Fernando Raja Gabaglia e de Carlos Delgado de Carvalho. Seu interesse pela Geografia possivelmente tenha raízes no Pedro II. Morreu prematuramente aos 41 anos. Suas edições posteriores. repentinamente aos 44 anos de idade e. Antônio Teixeira Guerra (1924-1968) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. saiu sob o patrocínio da Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. Retorna dos Estados Unidos com uma nova visão sobre a pesquisa geográfica voltada para o planejamento de governo e organiza um programa de bolsas para enviar um grupo de geógrafos do IBGE para especializarem-se nessa nova visão da Geografia. ingressando no ano de 1940 e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). Suas ações estabeleceram um equilíbrio entre as influências das escolas francesa e americana de Geografia no IBGE. no qual ingressou em 1945 e deixou uma imensa produção acadêmica.Jorge Zarur (1916-1957). agora com a co-autoria de seu filho. no ano de 1954. Sua primeira edição. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense).

Walter Alberto Egler (1926-1961). quanto na área de pós-graduação. ao cair de barco na cachoeira Macacudra. geógrafa brasileira. no rio Jari. Morreu em 1961. especializada em planejamento regional e urbano. na fronteira entre Pará e Amapá durante os trabalhos de levantamento florístico do vale do Jari. Foi um dos primeiros alunos do curso de Geografia organizado por Pierre Deffontaines no Rio de Janeiro. lecionou tanto na graduação. na instância federal e no governo do Estado do Rio de Janeiro. o também geógrafo Nilo Bernardes. foi contratado pelo IBGE em 1940.Cabo Frio. Morreram tragicamente em acidente rodoviário no trajeto Rio de Janeiro . Faculdade de Arquitetura (Urbanismo) e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia (COPPE). a geografia geral para educação ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. Juntamente com seu marido. compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país.geografia agrária e os processos de colonização. juntamente com Alceu Magnanini. para o Museu Nacional para dedicar-se exclusivamente ao estudo de vegetação. Ingressou no IBGE em 1943 participando do núcleo inicial de pesquisadores em Biogeografia. Lysia Maria Cavalcanti Bernardes (1924-1991). Em 1952 transfere-se. em 1945 vai para a Universidade de Chicago estudar Geografia Regional. foi a principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort. Seus importantes trabalhos nesta linha de pesquisa a conduziram. Na UFRJ. Lúcio de Castro Soares (1909-1986) geógrafo brasileiro especializado em estudos regionais da Amazônia. posteriormente. que teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições. tendo trabalhado no Departamento de Geografia. engenheiro agrônomo que especializou-se em Fitogeografia. No IBGE. no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944 –1987 ) e em organismos internacionais como o Instituto . o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944–1975) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959-1977). Na década de 70 trabalhou em cargos de alta direção no IBGE até sua aposentadoria. a partir do final dos anos 50 e durante toda a década de 1960. para níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro: cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior. Faleceu de infarto num vôo de trabalho do INIC sobre o estado do Amazonas. Dedicou-se aos estudos regionais da região norte do Brasil com ênfase nos recursos minerais e na hidrografia amazônica. Especializa-se no estudo da vegetação amazônica e. especializado em Geografia agrária e processos de colonização que teve sua vida profissional dividida entre a pesquisa. Nilo Bernardes (1922-1991) geógrafo brasileiro. nas décadas de 1970 e 1980. formavam um dos mais dinâmicos casais da Geografia brasileira. transfere-se para Belém (PA) trabalhando no museu Emílio Goeldi.

Após um período de cinco anos na iniciativa privada. Cristóvão chefiou a Secretaria Geral do CNG até 1950. Nesta seção trabalharam também Fábio de Macedo Soares Guimarães. Segue-se um comentário sobre algumas passagens relevantes de seus respectivos depoimentos. foi o embrião do futuro Conselho Brasileiro de Geografia instalado em 1937 e substituído em 1938 pelo Conselho Nacional de Geografia. Foi professor titular do Colégio e da Faculdade Pedro II e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). 52 artigos em revistas geográficas. Orlando Valverde. além de atlas e livros ditáticos. principalmente as que recordaram relações profissionais e estruturações de linhas de pesquisa que foram decididas nos anos iniciais do IBGE. a também geógrafa Lysia Bernardes. Jorge Zarur e outros. na criação de uma seção de Estatística Territorial. Instituto Nacional de Estatística e que foi instalado solenemente em 29 de maio de 1936. que apresenta suas principais informações. engenheiro civil formado em 1928. A transferência dessa seção de Estatística Territorial do MA. que juntamente com o Conselho Nacional de Estatística passaram a formar o IBGE. Os Depoentes O próximo grupo é composto pelos profissionais que deram seus depoimentos para o projeto. tanto no Brasil. Para cada profissional foi elaborado um breve texto. que dispunha sobre a divisão territorial brasileira. juntamente com sua esposa. portanto cobrindo todo o período do Estado Novo de Getúlio Vargas. Suas atividades de pesquisa geraram sete livros. para o já criado legalmente em julho de 1934. Miguel Alves de Lima. também chamado de lei geográfica do Estado Novo. Cristóvão Leite de Castro (1904 ). A seqüência de apresentação acompanhou a cronologia de ingresso no órgão. Morreu tragicamente em desastre automobilístico em 1991. passando assim a fazer parte do acervo da Memória Institucional do IBGE. Organizou os trabalhos de preparação cartográfica municipal para o censo de 1940 dentro das determinações estipuladas pelo Decreto Lei 311 de março de 1938. na forma de verbete.Panamericano de Geografia e História e a docência no ensino médio e superior. foi trabalhar em 1933 no Ministério da Agricultura chefiado por Juarez Távora. além de ser um excelente conferencista e organizador de cursos de especialização. 14 capítulos de coletâneas. . como no exterior. facilitando o entendimento do encadeamento dos fatos nos primeiros anos de estruturação do IBGE.

o processo de institucionalização da área de Geografia e sua gestão no CNG e a sua atuação na direção da Companhia do Teleférico do Pão de Açúcar após sua saída do IBGE. o principal divulgador de suas pesquisas. A partir da década de 1960. quanto à execução dos grandes projetos em que a Geografia de planejamento de governo tomou parte. é o mais velho geógrafo em atividade . Está dividido em cinco fitas magnéticas. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao ser contratado em 1938. Comentários ao depoimento A longa entrevista de Cristóvão cobre três áreas da memória. onde conheceu o Prof. são considerados clássicos. passou a estudar o processo de ocupação da Amazônia. que foi convidado a trabalhar no IBGE como consultor. através da estrutura já existente do Conselho Nacional de Estatística e enviando para a universidade os funcionários interessados em Geografia. geógrafo brasileiro especializado em Geografia Agrária e profundo conhecedor da região amazônica. Leo Waibel. via fazendas de gado de corte. transcritas para cinco arquivos . Aposentou-se do IBGE em 1982. posteriormente. Foi. Em 1945.Auxiliou na coordenação da instalação do primeiro curso superior de Geografia na Universidade do Distrito Federal. publicações organizadas por Deffontaines para difundir os estudos geográficos do IBGE e participou intensamente dos projetos organizados por Mário Augusto Teixeira de Freitas e José Carlos Macedo Soares durante todo este período. garantindo condições materiais de pesquisa para Pierre Deffontaines desde 1936. Orlando Valverde (1917). Seus trabalhos sobre os diferentes tipos de agricultura e colonização no Brasil. foi roteirizado por Márcia Bandeira de Mello Arieira (Estatística) e Aluízio Capdeville Duarte (Geógrafo). tanto no que se refere a planejamento. Aos 83 anos. De volta ao IBGE. A parte mais importante cobre o processo de institucionalização da Geografia.doc do editor de texto Word da Microsoft. sua trajetória pessoal até o IBGE. em virtude da ampliação das queimadas na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. Viabilizou financeiramente a Revista Brasileira de Geografia e o Boletim Geográfico. tornando-se um dos mais fortes críticos do modelo de ocupação. tornou-se um dos assistentes de pesquisa de Leo Waibel e. funcionários da área de Memória Institucional do IBGE em 1994. pois Cristóvão foi um dos principais atores desses acontecimento. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães foi estudar em Winsconsin. Seu depoimento dado a Laurinda Rosa Maciel e Severino Bezerra Cabral Filho.

. junto com os órgãos de Estatística também estaduais. quando. tudo aquilo tinha uma importância enorme”. do qual mais tarde Valverde seria seu principal assistente e após sua volta aos Estados Unidos (1950) e posterior falecimento (1951). daquela vez era taxativa a obrigatoriedade em fazer mapas dos municípios.. Um exemplo significativo refere-se a regulamentação do decreto-lei 311 de 02/03/1938 que dispunha sobre a divisão territorial do país. não tinha base de conhecimento do território brasileiro”. e mais.. Comentários ao depoimento Alguns pontos marcantes merecem ser analisados no depoimento de Orlando Valverde.. Outro ponto interessante está relacionado com uma visão positiva e nacionalista do ciclo Vargas. Trabalhou em Geomorfologia até a década de 60... que a meu ver. O primeiro deles refere-se a defesa intransigente da qualidade de ensino e pesquisa referenciada aos primeiros anos de estruturação do IBGE. Valverde ressalta justamente o grupo de professores e pesquisadores que vieram entre 1935 e a década de 60. o mais fiel divulgador de seus trabalhos. o que já pode haver hoje. quando assumiu cargos . ministrando cursos em universidades e dando consultorias para órgãos de governo e empresas. estabelecendo convênios com universidades estrangeiras para o envio de técnicos do IBGE e contratando professores. independente de seu conteúdo autoritário. Foi aluno de Francis Ruellan no IBGE e de André Cholley e Jean Tricart na Universidade de Paris. área que foi transferida em 1939. como no caso de Leo Waibel. quando comparada ao período pós 1968. iniciou sua carreira em 1938 como desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. marcando claramente com Michel Rochefort e Jean Tricat (anos 60) o final do período considerado por ele como o mais produtivo e de melhor qualidade. ”conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. Até a nomenclatura de norte a sul do país não podia haver dois municípios homônimos. para estruturar o núcleo original do futuro IBGE.. Christóvão foi uma figura chave na política de treinamento do pessoal técnico organizando cursos.. por Cristóvão Leite de Castro.. Miguel Alves de Lima (1921) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. ”entrou outro grupo na orientação da Geografia do IBGE. principalmente no que concerne ao período do Estado Novo. a influência para criar serviços de Geografia nos estados.no Brasil. o engenheiro e estatístico Christóvão Leite de Castro. principalmente nas figuras do estatístico Teixeira de Freitas e de seu principal colaborador na criação da área de Geografia. justamente a época de implantação do órgão. Ressalte-se também sua admiração e respeito pelos profissionais que organizaram e gerenciaram os processos de fundação e estruturação inicial do IBGE.

Integrante da primeira geração de geógrafos do IBGE. Miguel trata também das ações de aperfeiçoamento nos Estados Unidos dos primeiros geodesistas e cartógrafos do IBGE. Speridião Faissol (1923-1997) geógrafo brasileiro. Foi o primeiro geógrafo . Outro ponto relevante foi sua participação na composição do segundo grupo de geógrafos do IBGE que receberam bolsas de aperfeiçoamento em universidades francesas. equilíbrio que serviu para criar um corpo de pesquisadores no IBGE com boa base crítica. assim como foram descritas as boas relações do IBGE com as universidades brasileiras para que o Congresso tivesse êxito. perfeitamente sintonizados com todas as novas tendências da Geografia. um ponto interessante do seu depoimento revela a importância da figura de Jorge Zarur no processo de inflexão que ocorreu nos objetivos da Geografia do IBGE nos anos 40. sobretudo dando consultoria para projetos do governo de Franklin Delano Roosevelt. por conta disso fica patente também a admiração e o respeito por Cristóvão Leite de Castro. para estudar com André Cholley e Jean Tricart foi resultado de seus estudos em Geomorfologia entre 1941-1942. Sua ida para a Universidade de Paris em 1947. tendo sido durante muitos anos diretor da área de Cartografia e Geodésia. O grupo dos cinco que seguiram em 1945 foi a concretização das idéias de Zarur em equilibrar a influência hegemônica francesa com uma outra visão. Processo que equilibrou a influência das duas escolas geográficas que orientaram a Geografia do IBGE a francesa e a americana. A ida de Zarur para Wisconsin em 1943 e seu trabalho com Clarense Jones serviram para esquematizar que. Lecionou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e foi adido cultural no Uruguai e no Peru. orientado por Francis Ruellan durante sua estada no IBGE. principal gestor do processo de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG).de alta direção no IBGE. Comentários ao depoimento Da mesma forma que Orlando Valverde. no qual ingressou em 1941. A organização das excursões de campo no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1956 no Rio de Janeiro foi outro ponto relevante no depoimento. tal qual algumas universidades americanas estavam fazendo. Miguel Alves de Lima foi um dos pioneiros na organização do IBGE. Finalmente falou sobre suas experiências como professor e adido cultural no Uruguai e no Peru e como diretor da área de Cartografia do IBGE nos anos 70. a americana. deveria haver outro grupo de pesquisadores que seriam orientados para o estudo regional voltado para o planejamento. Porém. introdutor das técnicas quantitativas na Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na década de 1970.

foram personalidades polêmicas na comunidade geográfica do IBGE. quanto na esfera profissional. quando da orientação para a escolha do curso de Geografia em detrimento do de Direito por indicação direta de Zarur. exercia a . Até o seu repentino falecimento em 1997. Sua primeira linha de estudos nos anos 40 e 50 estava orientada para os processos de colonização e de ocupação econômica do território brasileiro. Faissol assume o cargo de Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia. posteriormente. Ambos sempre advogaram uma maior relação com a Geografia anglo-saxã. utilizando-se do novo arsenal de técnicas estatísticas que a informática a agora colocava à disposição dos geógrafos. além do Atlas Nacional do Brasil. ocupou cargos de alta direção. No IBGE. tanto no campo familiar através de seu casamento com a irmã de Jorge Zarur. A influência de Zarur na carreira de Faissol é perfeitamente demonstrada. Aposentou-se em 1986 e passou a dedicar-se ao ensino superior. Faissol com doutoramento em Syracuse e Zarur com um mestrado em Winconsin e um curso de aperfeiçoamento em Chicago. docência em várias instituições de ensino de pós-graduação. Durante o período de Juscelino Kubitschek e com o IBGE sob a direção de Jurandir Pires Ferreira. Na década de 70 assume a liderança técnica da Geografia Urbana do IBGE orientando pesquisas e criando bases de dados que até hoje são referências nos estudos da urbanização brasileira. assim com seu cunhado Jorge Zarur. No final dos anos 60 passa a dedicarse ao estudo da urbanização/industrialização brasileira. contrariamente ao forte relacionamento entre a Geografia brasileira e a francesa. sua relação com Preston James que viria garantir seu doutoramento em Syracuse. Este movimento acadêmico ficou conhecido como Geografia Quantitativa e teve no professor Faissol o seu principal incentivador no Brasil.ibegeano a se doutorar na Universidade de Syracuse sob a orientação do professor Preston James em 1956. Possivelmente. até por conta de um melhor equilíbrio entre metodologias e áreas de especialização. Faissol intensificou sua proficiência na língua inglesa o que garantiulhe o convívio com o restrito grupo de treinandos de Leo Waibel (1945-1950) e. Comentários ao depoimento Speridião Faissol. pois ao ingressar no IBGE em 1941. o estudo da língua inglesa também tenha sido fruto da influência de Zarur. como Secretário Geral do CNG e chefe da Divisão de Geografia no período entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira metade dos anos 60. Sob sua direção e auxiliado por Antônio Teixeira Guerra na chefia da Divisão de Geografia foi editada a coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Ambos foram estudantes de pós-graduação em universidades americanas e se titularam oficialmente. Nos últimos anos da década de 70 assume a Diretoria Técnica do IBGE até 1979 com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE.

majoritariamente de esquerda. acumula também cargos de alta direção. dando lugar a Lisia Bernardes. Rodolfo Pinto Barbosa (1927). baseados em estudos com grande base estatística e matemática. Faissol retorna a liderar academicamente a Geografia do órgão. Comentários ao depoimento Uma questão que sempre emerge na maioria dos depoimentos de profissionais que relembram suas trajetórias de trabalho. embora alguns dos antigos companheiros também se mostraram refratários às técnicas. Em 1942 ingressa no IBGE e em 1946 vai para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento. os métodos quantitativos na Geografia foram alvo de duras críticas vindas de grupos de geógrafos. Para Rodolfo Barbosa. chegando ao posto de Diretor Técnico do IBGE. Atualmente trabalha em consultoria. introduzindo os novos métodos quantitativos. Sua obra sobre metodologia cartográfica abrange dezenas de artigos em revistas especializadas. via curso de oficial de náutica na Marinha Mercante. A motivação inicial era a cartografia naval. indo trabalhar numa empresa de cartografia e aerofotogrametria alemã. Ocupou diversos cargos de chefia técnica na área cartográfica do IBGE e coordenou inúmeros atlas de enciclopédias editadas no Brasil. principalmente as do IBGE. com a saída de Lisia para outras esferas do governo federal. por pressão da família. editorando atlas em mídia eletrônica. no último ano. Foi um dos primeiros cartógrafos temáticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). vincula-se aos períodos de grande indecisão que antecedem às escolhas profissionais. Rodolfo Barbosa muda de área de trabalho mas não de especialidade. Descreve as fases iniciais do esforço do governo brasileiro. dirigiu a área de Cartografia nos anos 60 e foi coordenador da maioria dos atlas editados pelo órgão entre 1955 e 1990. com o Exército e IBGE trabalhando juntos na campanha de cartografação dos mapas para o censo . que foram uma marca registrada da Geografia do IBGE no período. pois o período da escolha coincidiu com atos de beligerância da Alemanha contra navios brasileiros.Nos primeiros anos do período militar (governos de Castelo Branco e Costa e Silva) a figura de Speridião Faissol deixa o primeiro plano da Geografia do IBGE. o depoimento de Speridião Faissol tornou-se uma avaliação sobre esses tempos conturbados porque passou a Geografia brasileira. No final dos anos 70 e durante toda a década de 1990. no qual ingressou em 1942. a decisão envolveu muito mais uma escolha de ambiente de trabalho do que o trabalho em si. Neste processo. Sob este contexto. Na década de 1970. precursores dos atuais programas de mapeamento automatizado e sistemas geográficos de informações. cartógrafo brasileiro especializado na organização de atlas geográficos e cartografia temática orientada para aspectos geográficos onde o físico e o humano apresentam-se vinculados. principal figura do grupo que trabalhava com Fábio de Macedo soares Guimarães.

paulatinamente. Inicialmente trabalha na área de Geografia física e. com a vinda de militares austríacos especializados e. atividade que ainda hoje exerce sob forma de consultoria para empresas privadas ou órgãos de governo. foi também descrita com muitos detalhes. a elaboração de Atlas. Sua especialidade posterior no IBGE. especializado em Geografia urbana e industrial.demográfico de 1940 e no projeto de continuação da cartografação do território brasileiro na escala de 1:1000 000. O livro Evolução da Rede Urbana Brasileira e o artigo sobre a industrialização da região sudeste do Brasil na Revista Brasileira de Geografia do IBGE. posteriormente. nunca deixou de ser seu principal campo de ação. como resultado dos avanços tecnológicos ocorridos durante a segunda guerra. Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares) demonstravam possuir no início dos anos 40. Para Geiger. A coordenação para elaboração de Atlas. Comentários ao depoimento Uma questão importante levantada por Pedro Geiger foi sua percepção de vinculação com o poder (Presidência da República). a estruturação das principais linhas de poder acadêmico e administrativo do IBGE até o . Em 1963 publica dois trabalhos. vai orientando suas pesquisas para os campos da urbanização e da industrialização. após a primeira guerra. chefiava a Divisão de Atlas do Departamento de Geografia. Pedro Pinchas Geiger (1923) geógrafo brasileiro. Foi um dos principais pesquisadores da segunda geração do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). exemplificando com estudos no Estado do Rio de Janeiro. área que sempre apresentou grande afinidade com os estudos geográficos. determinação da União Geográfica Internacional para todos os países membros e iniciada pelo Clube de Engenharia nos anos 20 e reitera aqui o “espírito de missão” que era corrente no período. Geografia e Cartografia. além de justificar a importância de estarem no mesmo órgão. profissionais de Estatística. a forte relação entre o Brasil e Estados Unidos no campo da Geodésia e Cartografia. Aposentouse do IBGE em 1986 e atualmente trabalha como consultor e professor em cursos de pósgraduação. Na década de 1950 inaugura uma nova linha de pesquisa que enfocava as transformações econômico-sociais ocorridas nas áreas rurais periféricas a grandes centros urbanos. Barbosa descreve a importância que teve a Cartografia européia nos anos vinte. Nos anos anteriores à sua aposentadoria. ultrapassa 70 títulos entre livros e artigos em revistas especializadas. que os primeiros chefes da Geografia do IBGE (Christóvão Leite de Castro. O volume de sua obra hoje. aos 19 anos de idade. ao ingressar no órgão em 1942. que até hoje são considerados clássicos na Geografia brasileira.

ainda cursando o bacharelato na Universidade do Brasil sob a orientação de Ruellan. Pedro Geiger engaja-se no movimento de renovação da Geografia chamado Métodos Quantitativos ou Geografia Quantitativa. No entanto. a vinda de Pierre Dansereau.final dos anos 60. Comentários ao depoimento O depoimento de Edgar Kulman mostra o lado da Geografia no processo de criação de um conjunto de profissionais de diferentes disciplinas que desenvolveram os estudos de Biogeografia no Brasil. Em 1943 o grupo se amplia com a chegada de Alceo Magnanini. são resultantes das interações e conflitos que acompanharam as vidas profissionais desses geógrafos. Um outro ponto importante em seu depoimento foi a percepção do período de “emancipação acadêmica” dessa geração. Para Geiger a Geografia Sistemática de objetivo social inicia nos anos 50. sob influência marxista. Walter Egler. das influências dos antigos professores e o início de pesquisas que envolviam outros componentes econômico-sociais que até então não eram objeto de estudos mais sistemáticos. ingressam no IBGE em 1942. Avaliou também com muita acuidade o projeto de ocupação territorial do governo Vargas e o papel representado pela Geografia do IBGE neste projeto. E finaliza com uma análise das atuais relações entre o IBGE e a Universidade no campo da Geografia. Na década de 70. Ele e Dora Romariz estudaram o bacharelado de Geografia na Universidade do Brasil sob a orientação de Francis Ruellan e foram colegas de turma de Elza Keller. Antônio Teixeira Guerra. participante do primeiro grupo de pesquisadores em Biogeografia no IBGE. Juntamente com Dora Amarante Romariz. que vigorou fortemente no IBGE e no Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista UNESP de Rio Claro. Ele analisa com muita sensibilidade as fases transicionais da Geografia anterior para a quantitativa e as fases posteriores. Alfredo Porto Domingues e Fernando Segadas Vianna. Kulmann exerceu funções de direção e de magistério. biogeógrafo canadense que introduziu no Brasil os primeiros estudos sistemáticos de Ecologia e Biogeografia ampliou os horizontes de Kulman e Dora que em 1947 foram para o Canadá para cursos de aperfeiçoamento. a constituição do grupo inicial de Biogeografia no IBGE era composta majoritariamente . Seus trabalhos sobre os processos de ocupação rural-urbana desenvolvidos na Baixada Fluminense entre 1951 e 1953 são os exemplos mais característicos. Em 1946. Foi o principal organizador das propostas curriculares de Biogeografia nas universidades brasileiras nos anos 60. tanto no IBGE quanto em instituições vinculadas à Ecologia. Edgar Kullmann (1928 ) geógrafo brasileiro.

Aposentou-se do IBGE em 1986 . considerado um dos mais importantes geomorfólogos do país. finalmente vinculou sua antiga aspiração de Geologia com os estudos de Geomorfologia. Foi enviado para França para se especializar com Jean Tricart. partindo de uma sólida base dada pela História Natural. Sua participação nos capítulos de Geografia Física da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Penedo e Visconde de Mauá. a inicial até os anos 60 e posteriormente no final da década de 70 até sua aposentadoria em 1985. lecionou em várias instituições de ensino superior do Rio de Janeiro e foi autor de dezenas de artigos e capítulos de livros sobre a Geomorfologia do Brasil. refere-se ao processo de escolha profissional. Alfredo José Porto Domingues (1921) geógrafo brasileiro. acompanhou o surgimento da Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do IBGE e a instalação da Reserva Ambiental do Roncador em Brasília. Atualmente sua atuação está voltada para a conservação ambiental da área que abrange os municípios de Resende. coordenando estudos sobre movimentos de solo nas encostas da Serra do Mar no início da década de 1970. Sua formação inicial em História Natural. publicada pelo IBGE. onde misturaram-se o desejo pessoal pela Geologia com a pressão familiar contra a ida para Ouro Preto. área que ganharia importância no final dos anos 80. Alfredo Porto Domingues foi um pioneiro nos estudos de geo-ecologia.por engenheiros agrônomos e bacharéis em História Natural (Alceu Magnanini. coincide com a preocupação da área de planejamento nas questões relacionadas ao meio ambiente e a biodiversidade. Sua vida profissional divide-se entre o magistério numa instituição de ensino ligado a Igreja Metodista e a pesquisa botânica no IBGE em duas etapas distintas. foi o passaporte para seu ingresso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1943. Paralelamente. . Nessa fase. é considerada até hoje um dos melhores trabalhos sobre o assunto no Brasil. participando do grupo que iniciou os estudos de Biogeografia. Fernando Segadas Vianna e Alfredo Domingues). Itatiaia. editados pelo IBGE. participando de organizações ecológicas editando jornais e dando consultorias à diferentes órgãos municipais. outro importante formador de profissionais em Geomorfologia. pertencente ao IBGE e que estuda a ecologia do cerrado. seu interesse pela Geomorfologia foi ampliado pela orientação de Francis Ruellan. sob a influência de Francis Ruellam. a opção conciliatória pela História Natural que acabou desaguando no IBGE onde. Domingues. Walter Egler. o principal mestre de Geomorfologia da segunda geração de geógrafos do IBGE. Além da pesquisa. Comentários ao depoimento Um ponto interessante no depoimento de Alfredo P. Sua segunda fase no IBGE. região onde fixou residência permanente.

lá já estavam Edgar Kullmann e Dora Amarante Romariz. que nos anos de 1945-47 foram orientados pelo biogeógrafo canadense Pierre Dansereau. Comentários ao depoimento A questão mais importante levantada no depoimento de Alceu Magnanini refere-se ao processo de criação do primeiro grupo de pesquisadores do meio-ambiente que o IBGE tentou formar no início dos anos 40. Novas demandas por parte do governo federal solicitando grandes diagnósticos econômico-ambientais abriram novas perspectivas para a Geografia Física do IBGE. em 1956 transferiu-se para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura. introdutor dos estudos de .Outra questão importante está referenciada à sua visão pessoal. (1927). Para Alfredo Domingues o período de maior importância da Geografia Física situa-se nos primeiros 15 anos. Tendo participado de todos os processos de ação governamental na área ambiental brasileira. A partir de então ocupou cargos de chefia em projetos técnicos ou em áreas administrativas em órgãos como Conselho Florestal Federal. juntamente com Walter Alberto Egler para o Museu Nacional e posteriormente vai para o Jardim Botânico. Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis. atualmente trabalha na Divisão de Avaliação Ecológica da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Esse grupo foi o núcleo inicial dos estudos de Biogeografia no IBGE. Ingressa no IBGE em 1943 juntamente com Alfredo Porto Domingues e Walter Alberto Egler. engenheiro agrônomo. Analisou também a importância da vinda do biogeógrafo canadense Pierre Dansereau . dos diferentes ciclos de prestígio/desprestígio/prestígio por que passou a Geografia Física no IBGE nos seus mais de 60 anos de existência. Parque Nacional da Tijuca. Em 1952 transfere-se. Foi um dos organizadores do código nacional florestal de 1965 e diretor da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza a primeira Organização Não Governamental (OGN) de grande porte no Brasil fundada em 1958. A fase de prestígio retorna em meados dos anos 80 com a absorção pelo IBGE das equipes técnicas do Projeto Radam. Avaliou com muita segurança as diversas etapas de criação do grupo enfocando a liderança de Fernando Segadas Vianna na constituição do núcleo inicial e narrando os acontecimentos da transferência de Segadas Vianna para a universidade. introdutor da “Geografia Agrícola”. influenciado por Girolamo Azzi. em função da liderança técnica de Francis Ruellan. Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza. os dois períodos mais significativos de desprestígio ocorreram na segunda metade dos anos 60. que dedicou-se aos estudos botânicos e a Ecologia ainda na universidade. quando o principal objeto da Geografia do órgão voltou-se para a Geografia Urbana e para a regionalização econômica e se intensificaram nos anos 70 com a priorização dos métodos quantitativos nos segmentos econômico-sociais (urbano e agrário). que introduziram a componente ambiental na agenda de pesquisas do órgão. por outro lado. Alceu Magnanini.

onde formou vários especialistas em Geografia Agrária e em População. Sua obra cobriu aspectos importantes da geografia brasileira. Sua volta coincide com sua primeira chefia técnica e com o direcionamento de sua especialização em Geografia da população. Comentários ao depoimento Pelo menos nove foram as principais referências que pudemos sintetizar no denso depoimento da professora Elza Keller. retomou suas pesquisas. foi a seu ver. A década de 50. A influência de Ruellan foi decisiva em sua carreira. Nos anos 60 foi professora universitária na Faculdade de Rio Claro (SP). juntamente com a Geografia agrária. a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o Atlas Nacional do Brasil editados em 1958. para onde havia se transferido para lecionar. Sua ida em 1946 para a universidade de Montpellier na França. em Geografia da população. Alceu narra também sua transferência. que o geógrafo do IBGE José Veríssimo da Costa Pereira a convidou para trabalhar no órgão. além de coordenar a organização do Atlas do Estado do Maranhão até sua aposentadoria em 1986. o mais importante “chefe de escola” da Geografia brasileira. principalmente na região sudeste e sul.Biogeografia no Brasil. do IBGE para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura por perceber que já não estava havendo apoio aos estudos botânicos por parte do IBGE. Na década de 60. assunto que. Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). em agrária. De volta ao IBGE. dando aulas na universidade e pesquisando no IBGE entre 1945-46. População e Urbana. Tal processo se intensifica ao longo dos anos 60 e somente mostra recuperação nos anos 70 com a criação da Superintendência de Recursos Naturais (SUPREN) e se amplia com a absorção das equipes técnicas do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) na segunda metade dos anos 80. com pós-graduação na universidade de Montpellier na França. É dessa época o seu trabalho sobre a área de influência de Campinas. Seu retorno ao . como parte do segundo grupo de geógrafos do IBGE indicados como promissores na carreira. hoje pertencente a UNESP. estudando a área de influência de Campinas. a influência de Michel Rochefort nos estudos de Geografia urbana a alcança na Faculdade de Rio Claro (SP). pois foi indiretamente por sua indicação. o período mais produtivo em virtude do engajamento do IBGE em grandes projetos como a preparação do Congresso Internacional de Geografia de 1956 no Rio de Janeiro. desde 1945. coordenando estudos sobre classificação de tipos de cultivo e mapeamento de utilização da terra no sul e sudeste do país e. amplia seus horizontes profissionais. foram seus campos de estudos mais regulares. Elza Coelho de Souza Keller (1924) geógrafa brasileira que trabalhou em três áreas da Geografia: Agrária. trabalhando paralelamente em Geografia urbana. trabalhando com migrações internas. O processo de escolha profissional pela Geografia ainda em Campinas e a mudança para o Rio de Janeiro em 1942 para continuar o segundo ano na Universidade do Brasil sob a liderança de Pierre Ruellan. em 1947. além de ter coordenado um atlas do estado do Maranhão.

além de seus organizadores iniciais e seguidores que gerenciaram a área por mais de quarenta anos. através de seus depoimentos orais. É fundamental que se acompanhe o processo de formação profissional desses funcionários públicos. Após um entendimento das principais linhas do pensamento geográfico que dominaram o cenário geográfico do IBGE. . terminando sua trajetória profissional com o Atlas do estado do Maranhão.IBGE acontece em 1967 para trabalhar com Geografia agrária e da população. Durante os anos 70 realiza alguns estudos com os métodos quantitativos e posteriormente passa a trabalhar na coordenação temática de alguns Atlas.

Principalmente. principalmente quando não se tem acesso ao curriculum-vitae do entrevistado. Este cotejo é interessante pois. como foi possível perceber. A preocupação mais importante desta parte do trabalho é a de explicar como se deu o processo de formação profissional de alguns geógrafos do IBGE. de certa forma auxilia o entendimento da evolução da produção intelectual do profissional pesquisado. tanto em seus depoimentos orais. O capítulo II inicia a marcha evolutiva do processo de formação elegendo alguns procedimentos de escolha de carreira que ocorreram com alguns dos geógrafos entrevistados. processo que possivelmente ainda continuará.Parte III . quando essas escolhas. métodos de trabalho ou mesmo pessoais. incluindo aí os cursos de pósgraduação e especialização profissional. quanto na verificação da cronologia de suas obras publicadas em periódicos e monografias do IBGE. vistas posteriormente numa perspectiva inversa (do presente passado) foram decisivas para o entendimento do quadro atual da Geografia do IBGE. O capítulo III apresenta.O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução Uma Experiência de História Oral O longo processo de formação de um profissional de nível superior está quase sempre marcado por três grandes etapas que seguem uma cronologia determinada: o período de escolha da carreira e seu primeiro contato com o ambiente universitário. para o . as afinidades e antipatias por temas. os meandros dos procedimentos de engajamento em projetos. em virtude do interesse demostrado pela direção da área de documentação do órgão. tomados aqui como referência para o entendimento da evolução da pesquisa geográfica no órgão. que levaram alguns geógrafos a manterem-se firmes na escolha inicial ou a mudarem de rumo nos diferentes campos do conhecimento geográfico. de maneira semelhante ao II. a descoberta da pesquisa geográfica durante as fases finais do curso e o ingresso no ambiente de pesquisa via um estágio profissional e o desenvolvimento da carreira de pesquisador no contexto de trabalho. A saga da Geografia no IBGE está fortemente marcada por profissionais que passaram por essas etapas. O capítulo I revela um pouco das atribulações e prazeres vividos pelo pesquisador e seus entrevistados no decorrer do trabalho.

utilizando-se de uma pesquisa de trabalhos de campo que opera com o tema e o local da pesquisa. mas deixaram suas respectivas marcas de produtividade e qualidade em seus trabalhos. os participantes e as referências bibliográficas resultantes. .É o capítulo que explora algumas configurações da arena de trabalho da pesquisa geográfica num órgão de planejamento territorial do governo federal e seus principais direcionamentos metodológicos de investigação. Presta também uma homenagem aos que tombaram no caminho.

também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. em virtude do alto custo das transcrições. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. . Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. que faleceu em 1997. além disso.Capítulo I . já havia uma base consistente. Orlando Valverde. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. Speridião Faissol. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. no primeiro momento. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. 1997) e. 1998). atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. essa abordagem poderia ser frutífera. 1989). alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de serem repetitivos. em termos materiais. visto que seria impossível. 1988). Aluísio Capdeville Duarte. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. Gelson Rangel Lima). não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. No caso da Geografia do IBGE. Portanto. ou segmento de conhecimento geográfico. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. pois além de possuir um acervo documental enorme.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto.

Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Harvey Perloff e outros. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. desde sua fundação. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA . “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. nem como mecanismo de . após o golpe militar de 1964. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. Walter Isard.. mas não a enxerga como ferramenta de planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. Para Orlando. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro.No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. 1941 e 1949). A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. 1948). poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. Nessa época. opiniões ou testemunhos factuais. Durante o processo de coleta de depoimentos. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. que todavia. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. pois vinculava-se o conhecimento do território. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui.

tanto pela documentação. Neste caso. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana.implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. Walter Egler. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). A importância da Biogeografia e da noção. resultados desse fracionamento. quanto pelos depoimentos. quando foram para o Canadá para especialização. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. No entanto. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. Também através desses depoimentos. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. que só se manteve unido. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. possivelmente. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Uma outra questão crucial pode ser percebida. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. por de sua visão de pesquisa e ensino. Egler e Alceu do IBGE. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. na visão de Alceu. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. foram. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna.

. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. etc. foi um assunto que. Jurandir Pires Ferreira. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. da espinhosa questão. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. ao longo dos anos. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram." A maior parte do pessoal se demitiu. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. matemático. foi uma crise braba. fiquei lá meio solto." Eu tive algumas dificuldades. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. com a criação do Departamento de Geografia. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. Eu era solidário com o Orlando e tal. A evolução da carreira de Speridião Faissol. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. de maneiras diferenciadas. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. tornou-se quase mitológico. o Miro era secretário e assistente do Fábio. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações . considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. Isso acarretou uma reviravolta. ao voltar do doutoramento em Syracuse. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. quando Faissol. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. o prof. mas acabei aceitando. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. somente Speridião Faissol. aquela coisa. sem sombra de dúvidas.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). era engenheiro. Este. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida..

aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. voltei eu e ficou naquele negócio. as causas foram anteriores à decada de 70. Roberto Lobato. mas ao que me parece.. Catarina. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. “.... então você vê. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. a meu ver.. da década de 50 e 60 toda. da estatura do Alfredo você não tinha outro.. mas Elza fez menos. agora na geografia humana você tinha Faissol. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. clima e vegetação em resposta a esta questão . (RSA) “ Mas isso. uma derrubada. Ney Strauch. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. era um número pequeno. ela fez mais com os estudos de população. Nilo.. aqueles ódios. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. Galvão a RSA) . Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou... você tinha Geiger. depois era Elza.gerenciais de porte. Lisia. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. conhecido como DEGEO. passada aquelas raivas. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. geógrafos.. urbana sobre as de relevo.. então eram três.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. eu não sei. uma situação e que é estranha. n. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. quer dizer. indústria. n. ..grupo Zarur x Grupo Fábio.. eu percebi esse divórcio em l970. é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. então eu acho que foi mais isso. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. veio a Revolução. você tinha n. Mas. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. havia não sei porque. Fany. a falta de geógrafos físicos. entre a geografia física e geografia humana.” (Depoimento de Marília V. que eram meio pessoais. Isso era AGB e era IBGE.. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa.

O quadro político. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. foi o principal emulador de uma integração. Esperar que a moda passe. e não contestar. concordar.. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. onde as duas áreas quase não se comunicam com naturalidade. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. No IBGE. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. . O reconhecimento. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência.É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. por parte da maioria dos geógrafos. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. Inicia-se o período das crises. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. a principal imagem que se constituiu nos anos 80. pois misturavam-se nas discussões. Aprovar. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. esforços de aprendizado e carreirismo. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo.. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. aguardar alguma novidade vinda de fora. status e conhecimento. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. mas nada fazer. apesar de turbulento. questões ideológicas e para agmáticas. matemática . o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978.

bem feitas. Aliás. sabe Roberto. isso somente referenciado à Economia... eu detesto máquina. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que.. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. (Almeida. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. paralelamente também. não sei se Faissol disse isso.Na arena científica o ambiente torna-se pesado.. eu me arrepio toda... Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. Mas havia uma solução. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. Talvez por isso. é bom que se diga. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. dos Neoclássicos como . tarefa tão difícil quanto Estatística.. depois desses Atlas na geografia quantitativa. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. Marshall. mas aí então nós chegamos finalmente. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. eu me recusei. de Keynes e dos keynesianos e. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. Eu Marília Veloso Galvão. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. e nós nos recusamos. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. uma muleta simples. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos.. Diferentemente da Geografia Quantitativa. conforme a ocasião. por profissionais de alta qualificação. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. o geógrafo médio. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e Ricardo. mea culpa. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. mea culpa.. sou culpada. falou em computador comigo. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. como a Geografia Quantitativa. e não podia ser diferente. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje.. gerando um ambiente estranho. é a Geografia Física e suas vinculações. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física.. porém eficiente. vidaliana ou rochefortiana. “ Bom. depois sim.

. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. Miguel Ângelo Ribeiro. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima. se eu não conseguir acabou. foi um experiência.. você tem que saber o que está usando.. tendo sido orientada pelo próprio J.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. quer dizer. muito bem.. eu não quero estudar programação. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. eu acho muito rica. se a gente tivesse estudado para programação. quer dizer.. e que era uma igrejinha fechada. primeiro. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. como tudo na vida. P... .. é possível entender que.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. se o resultado eu conseguir interpretar. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. ela deu resultados.. computação era algo só de pessoas muito especializadas....... não era complexa.. tem que saber escolher bem as variáveis. eles que façam e me mandem o resultado. eu forneço os dados. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica.. Cole no seu mestrado em Nothinghan.. e a gente podia se socorrer desse grupo. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. agora eu acho que apesar de toda parte ruim.. eu dizia: olha. “ E não era uma coisa tão complexa assim. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple... imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento... quer dizer. Cesar Ajara.... rica. que naquele período a programação de computação não era algo comum. não. então isso foi um erro.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) Com isso. não é nem metodologia é uma técnica. digo qual é o meu objetivo. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. houve um certo deslumbramento.. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. não é só aplicar a técnica e pronto.

uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. algo que na época era muito caro para os PCs.. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. tivemos muitos problemas.. quer dizer. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período.... todos nós batalhamos muito.. até existiu...... já com CD-ROM embutido. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto.A questão da plataforma? .. máquinas de 32 bits de processamento.. nos intervalos eu . o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando. a França. então o produto que for gerado. acadêmica.. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs. quer dizer.. “ Com certeza. ... ia e vinha.. foi muito desgastante. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. ia e vinha. paralelamente.. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso.. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple..” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. o IBGE não estava podendo comprar equipamentos naquele momento.. a medida em que o que nós estávamos procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. Na visão de Cesar Ajara.. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.. a nível individual.. Mônica. a nível de resposta. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma.. para colocar mais precisamente. (RSA) “ Estava vindo.Os depoimentos de Cesar Ajara..ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. Máquinas que eram o top de linha da Apple. isso não foi negligenciado... o material levou quase um ano para se liberado. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C. por exemplo. e para complicar ainda mais. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada. que quando eu pensava parceria.. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico.... Evangelina. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple... Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia. conseguimos libera o equipamento a duras penas. além de um scanner. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE.. costuras e parcerias aqui e ali.Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica.... e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que .” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) .

.. conflito não me amedrontava. (RSA) “ Exato.. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . meu e dela..... eu também tinha.. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam. mas pode ser capaz de discutir um problema. então. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos... que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi. então com isso. nós todos tínhamos experiência de campo... quando eu cheguei.. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos.. era isso o que eu estava propondo.. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado... em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . a experiência dela nos projetos PMACI..... nós fizemos um. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. e aí fizemos isso. porque foram estimulados. quando eu fui fazer o zoneamento. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina.... quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos. um pouco de desafio... e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. pode não ser capaz de discutir teoria.. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia.. todo mundo é capaz de discutir problemas... formando pessoas. e além disso..) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D.. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso.... foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. com isso..F. eu trabalhei seis anos.....Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia.estava tarimbada. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. e com o trabalho. pois possibilitou através de seu método de trabalho. levantamento. ou quando o conflito era para desestruturar . porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar.... eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho.. Nossa Natureza. e pudemos aprimora-lo”.. gostando de trabalhar com grupo novo... discutir problemas. tanto na esfera do IBGE.. entender em que escala os outros técnicos estavam operando. quanto na esfera dos órgão contratantes.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais. nós juntamos aquele conhecimento.... Angélica também tinha. “. com isso se sentiram altamente prestigiados.... porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. eu com um pouco de audácia..

Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. para a .

Em alguns casos. esses profissionais do ensino. ao longo desses mais de sessenta anos.. outros. obras em francês. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. escola normal. na universidade. do processo de escolha da Geografia como opção profissional... Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão.” Tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. então.. ilustres desconhecidos. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode. quer por sua conduta profissional.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco . eu me lembro por exemplo de citações.. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller. por exemplo sobre a colonização européia. quando professor também do ensino médio.. talvez se tivesse. porém todos participaram.eu fiz curso de normal. porque eram as palavras. “plagiando o Raja Gabaghlia.. tem diversos livros publicados.. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan.. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. evidentemente que o melhor professor.. em inglês... eu teria feito em Campinas. que tinha. os mapas na cabeça e tudo mais.Capítulo II ..vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) . e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. direta ou indiretamente. sem qualquer sombra de dúvida... ele citava obra.. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno.que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. “... essa coisa toda. daí não tendo curso de Ciências Sociais.

.... primeiro por causa do tipo dela.... ela arrasava dando geografia... mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional.. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. e mais duas no segundo grau.. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba..... essa dava sempre a Geografia tradicional. aqueles trabalhos de geografia regional. chamada Vanda Regina... tem alguma coisa de Azevedo. “.. arroz.... só no meu álbum....Tive. pesquisadora da Casa Rui Barbosa.... essa era o máximo para a mim. em História também tive outra ótima professora. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. eram discursivas. botava aqueles saquinhos com feijão. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio... Após formado. era uma ótima professora.” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) . na década de 70. e uma outra também a professora Nilza Bicudo.eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje. duas professoras.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70. mas eu sempre gostei mais de Geografia... eram super exigentes essas professoras.... tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói.. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro. James Braga Vieira... devo ter sofrido um pouco de influência dela. descrevendo as macrorregiões.. “.... era realmente elegante.. não sei o sobrenome dela. tive uma professora que realmente gostei... fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos. de História que também era muito bom....Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950. que era dividido entre clássico e científico. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras. uma que era modelo da Casa Canadá. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira.. chamava-se Lia Cardoso... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. quando eu entrei no segundo grau.” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca.... era uma geografia interpretativa....quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio.. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes. por causa delas me decidi.. Maria Isabel Azevedo. expedicionário da FEB. lembrei. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo.. aquela coisa bem tradicional.. também tive um professor Faria. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia...... suas provas eram muito inteligentes....

quatro professoras primárias... nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. havia um outro rapaz também chamado Jorge. de estilo americano. pois além da formação no nível da graduação. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. era a chamada Escola Possibilista. falar e escrever. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor.. era como o homem se comportava . na universidade o apoio e estímulo de um professor. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom.. tanto em São Paulo. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. e os três professores. juntamente com Cristóvão Leite de Castro.. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. eu e Jorge Zarur. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. foi por inspiração do Anísio Teixeira. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. era moderna. da principal revista a RBG. ele levantava problemas. Armando Sampaio de Souza. e da principal associação profissional a AGB.Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. Orlando Valverde que.. cuja formação eu não me lembro.. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. quanto no Rio. entre 1940 até meados dos anos 60. mas eu não me lembro o sobrenome dele. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. Eu era capaz de acompanhar as aulas. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. Dilsa Mota e Marlene de Souza.. Mas. eu. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. Manuel Maurício nos anos 50 e 60. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE.. por exemplo..

por exemplo... pudesse ler e falar em francês. o homem e a floresta. porque sou evangélica protestante e Montpellier. ia ser posto em perspectiva. um dos fundadores do IBGE.. Heldio foi para a Strasburg. como era um mapa de 1:50.. que posteriormente fez curso de geografia.. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura... aprendi tudo com ele durante anos. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente. aquela região do Languedoc tem muito protestante.. porque ele não falava português. “ O meu contato com o Ruellan. a partir de um mapa. Ele pegou um mapa de 1:50. o homem e as ilhas. tiramos o pessoal dos Estados Unidos...000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. Geiger... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive.... já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares... conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia..... Míriam. aquela seção da qual se originou . não foi decisão nossa absolutamente.. as faculdades para a qual nós deveríamos ir. então as perspectivas tinham que ser calculadas.. mas Miguel. como nos tempos de Deffontaines. Heldio e eu. a visão global da geografia da Europa.. passou o tempo todo.... juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil.nessa época fomos cinco Miguel... foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. não podia ser desenhada simplesmente. o meu caso foi muito particular. Míriam para Lion e eu para Montpellier. dos chefes de escola geográfica da França.. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima.. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês.. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. o homem e o frio. então era... durante os anos 40.. ele tinha essas coisas assim.. um trabalho que era um diagrama em perspectiva. mas estava dentro das possibilidades de cada um..... ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. e voltamos então a ter a visão da Europa.... Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE... uma impressionante sensibilidade e então me escolheu .... os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia..diante da natureza.. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.. por indicação do professor Ruellan... etc. de Christóvão..você já sabe .. “.. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura... foi transferido para o novo órgão.000. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. o homem e a montanha. Fábio...o IBGE.” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947. então ele já era quase colega do Dr.. Rulaan achou que eu ia me dar bem. fomos cinco.

. na realidade. uma loucura verdadeira.. eu já acompanhava de perto e namorando.. o francês faz muito trabalho de campo. quem era? “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física.. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea....” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort.. para a nós foi extraordinário... aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. a prática de cartografia aplicada a geografia. um especialista em relevo cárstico e de fito-geografia. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel . sobretudo a ela. mas a experiência francesa teve uma importância enorme. posteriormente....... De certa forma. apesar das dificuldades enormes de pós guerra..... eu ainda não tinha nada escolhido. prensando e levando para classificar. na França foi onde aprendi Geografia... na época da Faculdade. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. era um apaixonado por geografia.e ele firme. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. foi a minha efetiva formação de geografia.. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo..” . treinam muito os estudantes para trabalho de campo..O seu orientador lá.. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui. para a mim pessoalmente. Professor Paul Marres. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. na realidade em termos de especialização. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária..em termos de geografia geral. praticamente todo fim de semana.. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente.. fez muita excursão..... nos anos 60 no contexto do IBGE. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas.. o tipo de geografia regional que se aprende lá. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. e os nomes científicos também...Montpellier.. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra. paralelamente. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas.. Heldio e Míriam.. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes.. não sei se para o Geiger. mas acho que eles tiveram essa mesma visão. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE.. isso foi no período de 59 a 62.. pegando amostras. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que.. sabia que eu gostava de Geografia Humana ..

. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas. A idéia de elaboração de leis. mas aqueles que eu assisti.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense. tinha mais de uma dezena de análises de regressão.. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas.. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol.. Em 1972. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. quer dizer. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. os estudos de Áreas de Influências das Cidades.. p. quer dizer.. aquilo. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. o Cole. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker... Em seu depoimento... Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas. você tinha cursos específicos. nesse período (6869) então. “.. o Brian Berry.. substituído por Olga. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade .Rochefort... Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento... Jacob Binstock.. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. Faissol é que repassava. Rochefort. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana.. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. 19911992. “ Agora.” (Geosul 12-13.. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei.. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. no Economic Geography e no Professional Geographer. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. Buarque. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão.. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. o Cole ficou e orientou mais.. Minha tese de mestrado. João Rua. pois bem.Envolvi-me com a “nova” Geografia.... mas de certa maneira.. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973.. .. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil.P. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França.

mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos.” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo....... . que repassaram para outros profissionais.. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria. quer dizer. e aí você vê cada uma pessoa. Fany com Geiger.você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. cada um tem um escolhido do seu jeito.. Roberto com a Lisia. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão.

Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. como nas fases iniciais do órgão. onde o erro. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. tão comum nas fases iniciais de um profissional. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. Esse processo não era tão simples e direto. na excursão da região do Jalapão. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. juntamente com Alfredo Porto Domingues. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. fosse ele um professor estrangeiro. com o seu conhecimento da língua japonesa garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil . Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. Problemas como grandes projetos de prazo curto. O exemplo do jovem de 19 anos. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. principalmente nos períodos de implantação do órgão. A questão central estava em perceber quem. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. no caso do primeiro.Capítulo III . podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão.

Neste campo.era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. É necessário entender que a língua franca da Geografia. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. são pontos de referência para um entendimento de que. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. necessária nas fases iniciais. período da chamada Geografia quantitativa. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. A tênue fronteira entre a subserviência. ela não te amolava absolutamente. coincidentemente. sem maiores vassalagens. era um prazer trabalhar com Lisia. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. e quem o dominava. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. que muitas vezes eram descartados logo depois. adquirida nos anos 80. mas que entendia a necessidade do trabalho.. Nos anos 70... as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. aquilo passava.. algumas vezes não sabiam o que pediam. “ Ela era entusiasmadíssima.. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. em convênios com o governo francês. gerando em muitos casos. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito.. era apenas eu quero isso. ela dizia eu quero isso.. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que.. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE.. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968.. ela dava aquelas orientações todas .

e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante.. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos.. que pelo maior número envolvido. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. a nossa também foi um pouco. Edmon Nimer no clima. quando o contingente de pesquisadores aumentou. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores... de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. foi importantíssimo.diretíssimas.. quer dizer.... acompanhando em paralelo.. extremamente objetivas.. eu fiquei na área de população. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50.. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945. que dizer. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. mas a outra geração foi completamente massacrada. a geração anterior. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia. a partir dos anos 50. quer dizer... a não ser em poucos centros de excelência. porque se você ver bem.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser.. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. criou entusiasmo.. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. Olindina Mesquita na agricultura. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura. a geração que ingressou no início dos anos 50. No entanto.. Waibel na agrária.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. Maria Francisca que foram ótimas técnicas.. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos.... então formou técnica e gerencialmente.. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares.. considerado o universo em questão.. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”.. eram poucos..” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. não sei.. mas de certa maneira a Rute Magnanini. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda..

equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. mesmo a aqueles considerados “normais”. desenhar os gráficos e mapas. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. que podiam assim. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. o número de .. sob a supervisão dos chefes de equipes. 59. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. Obviamente. Para os mais avançados. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. Na maioria das vezes. da sua orientadora Lia Osório. a turma seguinte. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. e mesmo antes. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados.. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. pois envolvia. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. eram quatro alunos só. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. se fosse o caso.

O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul.Em 1962. com a presença do Bispo de Penedo. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele .” .. senão me engano.geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. em 1945.... eu entrei para AGB em 58. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes.. e vamos pelo Vale do Paraíba. eu era muito jovem. A importância da AGB é. 1991-1992. e Caio Prado Jr.. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde.. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. está chamando você ir para lá. p. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. fez trabalho por todo o lado. de fato. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro.. motivo de recordações de muitos geógrafos.. embora não tendo muitas ligações com a associação. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. Corrêa a RSA) Portanto.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. a Assembléia de Penedo. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. estou começando o segundo ano. etc.. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. encarregado de estudar a parte agrária. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. que fez um primor de exposição. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba.” (Geosul 12-13. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. inimigos mortais. não sei quando.." Então resolveram fundar a AGB nacional com...E apresentou trabalho.. quer dizer.240) Speridião Faissol. “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. acho que isso é importante. olha tem uma vaga. a parte econômica. havia possibilidade. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro.. “... um belo dia ligaram para minha casa.” (Depoimento de Roberto L. eu faço questão de passar em Lorena. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. que foi talvez a mais proveitosa. “. Tá bem. então não tinha muita relação um com outro. levando alunos. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. eu fiz excursão ao baixo São Francisco.. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais.

Olha a geografia. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar.. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro. No Rio... A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE.. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias.. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. e literalmente. IBGE era AGB Rio carioca. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia..” .. por isso ela sobrevivia. Elza. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.Ela ficou um período solta. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50. até que quando eu soube a última . da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo.. “ . Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. a AGB do Rio acabou. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80..... Lígia.... Nilo. Geiger. 92 eu não podia.. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram. Alfredo esses participavam. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos.. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80.ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade.... quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE. Prudente. Hilgard Sternberg.. Lígia.momento..” -Uma você estava em Chicago. mas Nilo. mas também participava.. Bom a partir dos anos 60...em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. Araújo..Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem. um pouco dessa história. vindas de um agebeano do final dos anos 50.... isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade.. “ Uma em Chicago em 74... assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser... mas não quer dizer que necessariamente. “. de fato e de direito destruíram-na. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente.) “. . a Maria do Carmo nunca foi agebeana. Orlando menos. Faissol nunca foi agebeano.. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE....

mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. 67..eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO.. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte.. foi aí que comecei a participar no plano nacional. indústria. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual.. 1963 foi em Penedo. o Congresso de Fortaleza. as estruturas portuárias.. só recebo um boletim e olhe lá. o Faissol acabou com ela.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam.. comendo. trabalhando.. “. para a vender... fui duas vezes Diretor Regional.. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró.... almoçando. e. fomos parar em baixo da escada lá naquela o Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante.” “.. dei conferência em função da AGB no Fundão. praticamente no IBGE. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida.. se não foi em termos científicos. no sentido de diminuir essas relações. ai fui a de Mossoró em 60.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas.. acho que foi...assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição... depois em 66 foi Franca.. Londrina... vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. nós tínhamos nossa estante. na Universidade Fluminense. modéstia à parte.... meu pai era cearense então eu disse. fomos parar rapidamente numa sala lá.. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE.. nosso arquivo. por uma questão sentimental. O Congresso de Fortaleza que.... não.. 66 Blumenau. fui secretário. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando. Baturité e aí em Belo Horizonte. as pessoas realmente pensam assim . e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. bom. 67 Franca... o próprio José César reconheceu o processo. 68 Montes Claros... com a AGB nacional.... 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco. jantando e dormindo AGB. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) . eu como disse. modéstia a parte. vou conhecer a terra do meu pai.. ela foi para a UERJ. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. que eu fui tesoureiro. fiz uma série de cursos... as vezes concomitante. passou a ser Encontros... que depois ele pediu também.vez tinha um sócio pagante.. o representante do IBGE. no período da Assembléia de Maceió. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. e os atualizados lá. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário. pensando...... mas durou pouco tempo. eu passei grande parte da minha vida cuidando.

foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. a Carta do Brasil ao milionésimo. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. 2000) foi possível verificar a importância dessas excursões. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. sendo que 76 nos anos 40. que ocasionalmente.Entretanto. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. 34 entre 1950 e 1955. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. Esses foram alguns dos resultados . como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. as determinações de fronteiras estaduais. Entre 1941 e 1968. os programas de colonização dirigida. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. os estudos sobre o relevo do território. o monitoramento do processo de ocupação humana do território.

10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de suas funções técnicas. alguns dos quais foram sepultados nesses locais. fronteira entre Pará e Amapá. mas Egler não teve a mesma sorte. e em alguns casos. Em termos de homenagens. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. A lista. houveram muitos preços a pagar. no município de Tucuruí (PA). Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). em documentação de outros órgãos federais e estaduais. . Evidentemente.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou.desses trabalhos de campo. na época diretor do Museu Goeldi de Belém.. inaugurando uma escola com o seu nome. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. além das do IBGE. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. morre afogado no Rio Tocantins. além da área de segurança de queda.. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. no rio Jari. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. caindo num trecho muito turbulento. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. que para compor um quadro como este.

A segunda. mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . 15/05/1990 . Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM).O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel.20/03/1979 . mas que não poderia ser comentado.Hilda da Silva do IBGE (de câncer. fretada pelo RADAM. não deixando vestígios na superfície. José César de Magalhães Filho. numa trágica coincidência. 09/08/1991 . trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. quando ainda trabalhava no IBGE. . A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. embora aposentados.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer.José Redondano Neto. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. é que o avião teria caído no mar sem explodir. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. A aeronave. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. ambos davam consultorias ). Duas suposições ficaram no ar. em função do nível de sigilo envolvido.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. e com isso. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. 09/10/1992 . 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ].Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. 13/05/1980 .

novos trabalhos e novas lideranças. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados.18/09/1995 . 22/03/1997 .Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. criando novas estruturas de pesquisas. . Novas metodologias. sua população e sua economia. é apenas uma lista de referência. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. No entanto. Esta. pois outros geógrafos faleceram também.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram.

já havia uma base consistente. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. Gelson Rangel Lima). Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. em termos materiais. que faleceu em 1997.Parte III Capítulo I . além disso. 1997) e. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. essa abordagem poderia ser frutífera. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. Orlando Valverde. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de . Aluísio Capdeville Duarte. ou segmento de conhecimento geográfico. pois além de possuir um acervo documental enorme. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. Speridião Faissol. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. Portanto. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. 1998). atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. no primeiro momento. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. 1988). No caso da Geografia do IBGE. visto que seria impossível. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. 1989).A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco.

Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. pois vinculava-se o conhecimento do território. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. que todavia. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. Harvey Perloff e outros. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. Walter Isard. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas.serem repetitivos. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. 1941 e 1949). para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. desde sua fundação. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. Nessa época. mas não a enxerga como ferramenta de . opiniões ou testemunhos factuais. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. 1948). com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. Durante o processo de coleta de depoimentos. em virtude do alto custo das transcrições. Para Orlando. após o golpe militar de 1964.. No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos.

por de sua visão de pesquisa e ensino. quando foram para o Canadá para especialização. resultados desse fracionamento. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. tanto pela documentação. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. foram. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. No entanto. na visão de Alceu.planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. Uma outra questão crucial pode ser percebida. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. A importância da Biogeografia e da noção. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). possivelmente. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. que só se manteve unido. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. quanto pelos depoimentos. nem como mecanismo de implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. Também através desses depoimentos. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. Neste caso. Egler e Alceu do IBGE. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. Walter Egler.

porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. o prof. Este. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza.. com a criação do Departamento de Geografia. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. . que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. sem sombra de dúvidas." A maior parte do pessoal se demitiu.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). ao voltar do doutoramento em Syracuse. A evolução da carreira de Speridião Faissol. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. quando Faissol. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações gerenciais de porte. matemático. somente Speridião Faissol. foi uma crise braba. ao longo dos anos.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. Jurandir Pires Ferreira. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. era engenheiro. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos.. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. foi um assunto que. de maneiras diferenciadas. etc. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. Eu era solidário com o Orlando e tal. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio." Eu tive algumas dificuldades. Isso acarretou uma reviravolta. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. o Miro era secretário e assistente do Fábio. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. mas acabei aceitando. fiquei lá meio solto. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. da espinhosa questão. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. Mas. tornou-se quase mitológico. aquela coisa. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente.

então eram três. você tinha n. indústria..” (Depoimento de Marília V. então eu acho que foi mais isso. eu percebi esse divórcio em l970.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. Fany. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968.. conhecido como DEGEO.. passada aquelas raivas.. entre a geografia física e geografia humana. que eram meio pessoais.grupo Zarur x Grupo Fábio. Nilo. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia.. Roberto Lobato. da estatura do Alfredo você não tinha outro... uma derrubada. as causas foram anteriores à decada de 70. mas ao que me parece. da década de 50 e 60 toda. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. Isso era AGB e era IBGE.. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária.. (RSA) “ Mas isso. era um número pequeno. havia não sei porque.é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. Lisia. veio a Revolução.. Galvão a RSA) É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. depois era Elza. então você vê. Catarina.. n. “. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. voltei eu e ficou naquele negócio. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. ela fez mais com os estudos de população. uma situação e que é estranha. clima e vegetação em resposta a esta questão . até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. agora na geografia humana você tinha Faissol. quer dizer. mas Elza fez menos. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. . onde as duas áreas . você tinha Geiger. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. n. a meu ver. eu não sei. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. Ney Strauch.. aqueles ódios. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação.. urbana sobre as de relevo. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento.. a falta de geógrafos físicos. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. geógrafos. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio.

a principal imagem que se constituiu nos anos 80. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e . No IBGE. apesar de turbulento. e não contestar. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. como a Geografia Quantitativa. pois misturavam-se nas discussões. questões ideológicas e para agmáticas. gerando um ambiente estranho. Na arena científica o ambiente torna-se pesado. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973).. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. mas nada fazer. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal.quase não se comunicam com naturalidade. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. Aprovar. O reconhecimento. tarefa tão difícil quanto Estatística. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje.. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. aguardar alguma novidade vinda de fora. por parte da maioria dos geógrafos. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. Esperar que a moda passe. O quadro político. matemática . Inicia-se o período das crises. esforços de aprendizado e carreirismo. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. concordar. status e conhecimento. foi o principal emulador de uma integração.

era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. Eu Marília Veloso Galvão. e não podia ser diferente.. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. mas aí então nós chegamos finalmente. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. então isso foi um erro. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. uma muleta simples. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) .. Marshall.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) .. “ Bom..Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. sabe Roberto. isso somente referenciado à Economia.. se a gente tivesse estudado para programação. se o resultado eu conseguir interpretar. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. se eu não conseguir acabou... (Almeida. Talvez por isso. foi um experiência. e que era uma igrejinha fechada. eu detesto máquina. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. eu me arrepio toda.. Aliás. mea culpa. conforme a ocasião. depois desses Atlas na geografia quantitativa. por profissionais de alta qualificação. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. vidaliana ou rochefortiana. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia.. não sofreu tanto as turbulências dessas fases.. é a Geografia Física e suas vinculações. de Keynes e dos keynesianos e. sou culpada. eu não quero estudar programação. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição.. paralelamente também. eles que façam e me mandem o resultado... na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. eu dizia: olha. Mas havia uma solução. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. falou em computador comigo... muito bem. depois sim. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. é bom que se diga. ela deu resultados. dos Neoclássicos como . eu me recusei. Diferentemente da Geografia Quantitativa. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. o geógrafo médio. eu forneço os dados. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje.Ricardo. bem feitas. não sei se Faissol disse isso.. porém eficiente.. e nós nos recusamos. mea culpa. que naquele período a programação de computação não era algo comum. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. digo qual é o meu objetivo. e a gente podia se socorrer desse grupo. computação era algo só de pessoas muito especializadas. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente.

Com isso. quer dizer. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época.. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. não era complexa. não. quer dizer.. até existiu. a medida em que o que nós estávamos .. Miguel Ângelo Ribeiro. Os depoimentos de Cesar Ajara. Na visão de Cesar Ajara. Cesar Ajara.. a França. como tudo na vida. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade.. a nível de resposta. você tem que saber o que está usando. tendo sido orientada pelo próprio J. primeiro. costuras e parcerias aqui e ali.. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto... rica. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento... por exemplo. é possível entender que. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme... tem que saber escolher bem as variáveis. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo.. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho.. P. que quando eu pensava parceria. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. Cole no seu mestrado em Nothinghan. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo.. “ Com certeza.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. “ E não era uma coisa tão complexa assim. quer dizer. eu acho muito rica.. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. acadêmica. quer dizer. quer dizer. isso não foi negligenciado. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. não é nem metodologia é uma técnica.. paralelamente. houve um certo deslumbramento. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico... a nível individual. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica..... não é só aplicar a técnica e pronto. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple.

” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando.... ia e vinha. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. levantamento. quanto na esfera dos órgão contratantes.... Angélica também tinha.. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e.. já com CD-ROM embutido..” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . porque .. o IBGE não estava podendo compara ar equipamento naquele momento. além de um scanner. eu também tinha.. nos intervalos eu . para colocar mais precisamente. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple...Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?.F. tivemos muitos problemas.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.. e aí fizemos isso. .A questão da plataforma? . nós todos tínhamos experiência de campo.. nós fizemos um.... um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. conseguimos libera o equipamento a duras penas.... o IBGE não estava podendo bancar treinamento...ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. ia e vinha. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram.. Mônica.. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE. então o produto que for gerado. Máquinas que eram o top de linha da Apple. o material levou quase um ano para se liberado.... tanto na esfera do IBGE. (RSA) “ Estava vindo..procurando? Superar uma dificuldade interna de custos.. pois possibilitou através de seu método de trabalho. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs.... Evangelina. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE.. máquinas de 32 bits de processamento. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple..... a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante. foi muito desgastante. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia..... será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma. algo que na época era muito caro para os PCs.. e para complicar ainda mais. “. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada.. todos nós batalhamos muito.

.. todo mundo é capaz de discutir problemas.. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho... formando pessoas.. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar. discutir problemas. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos.. Nossa Natureza... então. e com o trabalho. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro.. com isso.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia. meu e dela.... eu com um pouco de audácia. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. quando eu fui fazer o zoneamento. quando eu cheguei.. e pudemos aprimora-lo”. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .. então com isso.. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina. a experiência dela nos projetos PMACI.... mas pode ser capaz de discutir um problema. gostando de trabalhar com grupo novo... pode não ser capaz de discutir teoria...estava tarimbada. ou quando o conflito era para desestruturar . era isso o que eu estava propondo. conflito não me amedrontava.. eu trabalhei seis anos. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam.. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer.Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão.. (RSA) “ Exato.... eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. e além disso.. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente......... então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. O capítulo II analisará determinados mecanismos de escolha de carreira. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. para a . nós juntamos aquele conhecimento. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese. através de alguns depoimentos tomados com exemplo.foram estimulados..... um pouco de desafio... com isso se sentiram altamente prestigiados. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi. entender em que escala os outros técnicos estavam operando....

O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller. evidentemente que o melhor professor. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. quer por sua conduta profissional. escola normal. obras em francês.. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco ..Parte III Capítulo II ... daí não tendo curso de Ciências Sociais.. os mapas na cabeça e tudo mais. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. talvez se tivesse. em inglês..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) . que tinha.que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. ao longo desses mais de sessenta anos. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan.. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas... na universidade. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno.” tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações.. então.. por exemplo sobre a colonização européia.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia... ilustres desconhecidos. quando professor também do ensino médio. tem diversos livros publicados. eu teria feito em Campinas. porém todos participaram.. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. esses profissionais do ensino. Em alguns casos. essa coisa toda. “plagiando o Raja Gabaghlia.. ele citava obra. sem qualquer sombra de dúvida.. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico.. direta ou indiretamente.eu fiz curso de normal. “. porque eram as palavras. eu me lembro por exemplo de citações. outros.. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão..

. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos. eram super exigentes essas professoras. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira.. “.Teve... Maria Isabel Azevedo... Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras.. essa dava sempre a Geografia tradicional.. . na década de 70.. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia. aquela coisa bem tradicional.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70. não sei o sobrenome dela.. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio..... duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete. duas professoras... aqueles trabalhos de geografia regional. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. James Braga Vieira.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950..” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30... e uma outra também a professora Nilza Bicudo... arroz. Após formado. por causa delas me decidi. pesquisadora da Casa Rui Barbosa.. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.. os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau.. e mais duas no segundo grau.quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca..... mas tive uma para professora de Geografia no ginásio.. em História também tive outra ótima professora... Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF. lembrei. chamava-se Lia Cardoso... Manuel Maurício nos anos 50 e 60.. de História que também era muito bom. era uma ótima professora. suas provas eram muito inteligentes.. chamada Vanda Regina.... pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. descrevendo as macrorregiões. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói.. era realmente elegante.. também tive um professor Faria.. essa era o máximo para a mim. “. eram discursivas.. primeiro por causa do tipo dela.. mas eu sempre gostei mais de Geografia.. expedicionário da FEB.. ela arrasava dando geografia.... devo ter sofrido um pouco de influência dela.. tem alguma coisa de Azevedo.. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional.” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca. era uma geografia interpretativa. que era dividido entre clássico e científico... botava aqueles saquinhos com feijão...... suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro... Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje.eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje.... uma que era modelo da Casa Canadá. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes... só no meu álbum... tive uma professora que realmente gostei.. quando eu entrei no segundo grau..

eu. entre 1940 até meados dos anos 60. era a chamada Escola Possibilista. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. Eu era capaz de acompanhar as aulas.. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima.. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa... então era. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. quanto no Rio.. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. por exemplo. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. de estilo americano. e da principal associação profissional a AGB. era moderna. era como o homem se comportava diante da natureza.. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. Orlando Valverde que. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. o homem e a floresta.. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. cuja formação eu não me lembro. pois além da formação no nível da graduação.. da principal revista a RBG. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. o homem e o frio. ele levantava problemas. havia um outro rapaz também chamado Jorge. na universidade o apoio e estímulo de um professor. quatro professoras primárias.. mas eu não me lembro o sobrenome dele. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. por exemplo..Mas. foi por inspiração do Anísio Teixeira. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de . Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. Dilsa Mota e Marlene de Souza. falar e escrever. tanto em São Paulo. o homem e a montanha.. o homem e as ilhas. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro.. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. eu e Jorge Zarur. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. foi transferido para o novo órgão. Armando Sampaio de Souza. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. e os três professores. um dos fundadores do IBGE.

fomos cinco.. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês... Fábio.. juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil. porque ele não falava português. então ele já era quase colega do Dr. quem era? (RSA) “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física.... Rulaan achou que eu ia me dar bem.. como era um mapa de 1:50.. a visão global da geografia da Europa.... por indicação do professor Ruellan.000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. de Christóvão.. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também..O seu orientador lá. o francês faz muito trabalho de campo.. aprendi tudo com ele durante anos. Heldio e eu. na realidade em termos de especialização.000..em termos de geografia geral. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura. durante os anos 40. “ O meu contato com o Ruellan. tiramos o pessoal dos Estados Unidos. não foi decisão nossa absolutamente. e os nomes científicos também. praticamente todo fim de semana.. dos chefes de escola geográfica da França. quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive.. eu ainda não tinha nada escolhido.. um trabalho que era um diagrama em perspectiva. não podia ser desenhada simplesmente... um especialista em relevo cárstico e de fitogeografia. na época da Faculdade. aquela seção da qual se originou . então as perspectivas tinham que ser calculadas..” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947.. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas... os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados.... etc. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu Montpellier.. Ele pegou um mapa de 1:50. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado... Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. mas estava dentro das possibilidades de cada um. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes...nessa época fomos cinco Miguel. ele tinha essas coisas assim.. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. prensando e levando para classificar... ia ser posto em perspectiva. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente.. sabia que eu gostava de Geografia Humana .... eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea.... e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. pegando amostras. Professor Paul Marres..... as faculdades para a qual nós deveríamos ir. fez muita excursão.... Míriam.. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. mas Miguel. como nos tempos de Deffontaines. apesar das dificuldades enormes de pós guerra.pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE.... aquela região do Languedoc tem muito protestante..” . já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares..e ele firme. porque sou evangélica protestante e Montpellier... ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. a partir de um mapa.. o meu caso foi muito particular....... era um apaixonado por geografia... foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia..o IBGE. que posteriormente fez curso de geografia.. passou o tempo todo.você já sabe . pudesse ler e falar em francês.. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra.....eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês. Geiger... Heldio foi para a Strasburg. “... conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia. o tipo de .... uma loucura verdadeira. Míriam para Lion e eu para Montpellier.. e voltamos então a ter a visão da Europa. treinam muito os estudantes para trabalho de campo.

. nos anos 60 no contexto do IBGE.. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes.. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente.. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. De certa forma. Buarque. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois.. os estudos de Áreas de Influências das Cidades.. mas a experiência francesa teve uma importância enorme. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas. nesse período (68-69) então.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. não sei se para o Geiger. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry.. foi a minha efetiva formação de geografia.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. na realidade. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense... foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida.. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel Rochefort. mas acho que eles tiveram essa mesma visão. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. para a nós foi extraordinário. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80.. paralelamente..... para a mim pessoalmente.. isso foi no período de 59 a 62. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. posteriormente... dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. eu já acompanhava de perto e namorando.. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. na França foi onde aprendi Geografia. pois bem. substituído por Olga. Jacob Binstock. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. a prática de cartografia aplicada a geografia. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que.. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. Heldio e Míriam. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade ... João Rua.. .. sobretudo a ela....geografia regional que se aprende lá..

. quer dizer... Em 1972. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria.... p... Cole na Inglaterra em Geografia urbana. o Cole. você tinha cursos específicos.. que repassaram para outros profissionais. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. no Economic Geography e no Professional Geographer. o Cole ficou e orientou mais. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas.” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo.. mas aqueles que eu assisti. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. 1991-1992. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J.P. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. Minha tese de mestrado.. e aí você vê cada uma pessoa. .. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil. quer dizer. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. quer dizer. Em seu depoimento.... Fany com Geiger.“.. o Rochefort fez uma passagem mais ampla.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão. você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento.. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores.. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE. Roberto com a Lisia.... o Brian Berry.. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento.... eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei. aquilo. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu.. mas de certa maneira... se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol. tinha mais de uma dezena de análises de regressão.. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos.” (Geosul 12-13. Rochefort. A idéia de elaboração de leis. “ Agora. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry.. cada um tem um escolhido do seu jeito.Envolvi-me com a “nova” Geografia. Faissol é que repassava.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas.

Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. na excursão da região do Jalapão. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. como nas fases iniciais do órgão. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. fosse ele um professor estrangeiro. com o seu conhecimento da língua japonesa . do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. tão comum nas fases iniciais de um profissional. juntamente com Alfredo Porto Domingues. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam.Parte III Capítulo III . no caso do primeiro. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. Esse processo não era tão simples e direto. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. onde o erro. A questão central estava em perceber quem. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. O exemplo do jovem de 19 anos. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. principalmente nos períodos de implantação do órgão. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. Problemas como grandes projetos de prazo curto. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa.

a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. e quem o dominava. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. gerando em muitos casos. são pontos de referência para um entendimento de que. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. . adquirida nos anos 80. A tênue fronteira entre a subserviência. algumas vezes não sabiam o que pediam. necessária nas fases iniciais. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que.. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. em convênios com o governo francês. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. Nos anos 70. e a autonomia a ser conquistada a posteriori.garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. mas que entendia a necessidade do trabalho. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. Neste campo. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante. É necessário entender que a língua franca da Geografia. que muitas vezes eram descartados logo depois. sem maiores vassalagens. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. período da chamada Geografia quantitativa. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. coincidentemente..

.... a geração que ingressou no início dos anos 50. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos.. considerado o universo em questão... não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo.... Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser.. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos..mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. Maria Francisca que foram ótimas técnicas.. a geração anterior. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. Edmon Nimer no clima.. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. Waibel na agrária. era apenas eu quero isso. quer dizer. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. quando o contingente de pesquisadores aumentou. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50... Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . então formou técnica e gerencialmente.. a não ser em poucos centros de excelência... foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura.“ Ela era entusiasmadíssima. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini.” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. que pelo maior número envolvido. a partir dos anos 50. eu fiquei na área de população... ela dizia eu quero isso. No entanto...... Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”.. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante.. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores... era um prazer trabalhar com Lisia. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE.. Olindina Mesquita na agricultura. que dizer. mas de certa maneira a Rute Magnanini. mas a outra geração foi completamente massacrada. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. criou entusiasmo. porque se você ver bem. extremamente objetivas.. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. ela dava aquelas orientações todas diretíssimas. a nossa também foi um pouco.. aquilo passava. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. ela não te amolava absolutamente.. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. foi importantíssimo. não sei. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. quer dizer. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”.. acompanhando em paralelo. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. eram poucos.

portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. Na maioria das vezes. da sua orientadora Lia Osório. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. eram quatro alunos só.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. Para os mais avançados. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias.. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados... podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. pois envolvia. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. sob a supervisão dos chefes de equipes. se fosse o caso. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. eu entrei para AGB em 58.. que podiam assim. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. a turma seguinte. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. 59. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. Obviamente. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. mesmo a aqueles considerados “normais”. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias.” . desenhar os gráficos e mapas. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. o número de geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. e mesmo antes.

Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. havia possibilidade.. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) .. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. eu faço questão de passar em Lorena. etc. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros.E apresentou trabalho. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. fez trabalho por todo o lado.. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. está chamando você ir para lá. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. a Assembléia de Penedo. senão me engano. em 1945. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. que fez um primor de exposição. inimigos mortais. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional.. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. p. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. encarregado de estudar a parte agrária. nós outros éramos chamados sócios cooperadores.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos.. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura. embora não tendo muitas ligações com a associação.. motivo de recordações de muitos geógrafos.. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. olha tem uma vaga. que foi talvez a mais proveitosa.Em 1962. quer dizer..?(RSA) “ Apresentei trabalho coisa nenhuma.. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul.. de fato. não sei quando.240) Speridião Faissol. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. Tá bem.. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. havia muito trabalho de campo feito pela AGB.. acho que isso é importante. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. então não tinha muita relação um com outro.. “. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. um belo dia ligaram para minha casa. eu era muito jovem. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens..” (Depoimento de Roberto L. a parte econômica. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. A importância da AGB é. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele momento.. e vamos pelo Vale do Paraíba... mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros." Então resolveram fundar a AGB nacional com.” (Geosul 12-13. “. 1991-1992. com a presença do Bispo de Penedo. Corrêa a RSA) Portanto. estou começando o segundo ano. levando alunos.. e Caio Prado Jr.

Lígia. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62.” ... a AGB do Rio acabou.....ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade..Olha a geografia. Elza.. 92 eu não podia. eu passei grande parte da minha vida cuidando.Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem... “.. mas Nilo. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. No Rio...em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. e literalmente.... além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80... Araújo.(RSA) “ . mas não quer dizer que necessariamente. Bom a partir dos anos 60....” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser. pensando. acho que foi... por uma questão sentimental. Hilgard Sternberg. O Congresso de Fortaleza que. Baturité e aí em Belo Horizonte.. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE.. Lígia.(RSA) “. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos.(RSA) “ Uma em Chicago em 74. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram.. Orlando menos. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. Alfredo esses participavam. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB. de fato e de direito destruíram-na. jantando e dormindo AGB.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB. Nilo. praticamente no IBGE.... até que quando eu soube a última vez tinha um sócio pagante.. o Congresso de Fortaleza.. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE. almoçando..... vou conhecer a terra do meu pai.. vindas de um agebeano do final dos anos 50. modéstia à parte... eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos. bom. mas também participava. a Maria do Carmo nunca foi agebeana. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei.. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE. e. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente.. Prudente... meu pai era cearense então eu disse.. Faissol nunca foi agebeano.” . por isso ela sobrevivia. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80. trabalhando. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual.” -Uma você estava em Chicago. comendo. IBGE era AGB Rio carioca. modéstia a parte. um pouco dessa história..Ela ficou um período solta.. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar. . na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78.. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro. se não foi em termos científicos. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP... e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. Geiger..

mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. só recebo um boletim e olhe lá. as estruturas portuárias.. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte.. ai fui a de Mossoró em 60. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais.. nós tínhamos nossa estante.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. fiz uma série de cursos.. depois em 66 foi Franca. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. 66 Blumenau. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. na Universidade Fluminense. que depois ele o pediu também. passou a ser Encontros. no sentido de diminuir essas relações. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Entretanto. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró. fomos parar em baixo da escada lá naquela Seção de Estudos que ainda era no 7 andar.. eu como disse. fui secretário. fui duas vezes Diretor Regional.. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. as pessoas realmente pensam assim . não. indústria.. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. 67 Franca...” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos.. mas durou pouco tempo. nosso arquivo... para a vender... o representante do IBGE. 1963 foi em Penedo.. o Faissol acabou com ela. foi aí que comecei a participar no plano nacional. 68 Montes Claros. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada... que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. Londrina. que eu fui tesoureiro. no período da Assembléia de Maceió.. com a AGB nacional. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas... No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes... 2000) foi possível verificar a . se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam... dei conferência em função da AGB no Fundão. 67. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco.. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos... fomos parar rapidamente numa sala lá..” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas.....“... ela foi para a UERJ. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. e os atualizados lá... “.. o próprio José César reconheceu o processo. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário..eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. as vezes concomitante. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia.

Esses foram alguns dos resultados desses trabalhos de campo. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968.. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. a Carta do Brasil ao milionésimo. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. os programas de colonização dirigida. as determinações de fronteiras estaduais. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. 34 entre 1950 e 1955. que para compor um quadro como este. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. Entre 1941 e 1968. houveram muitos preços a pagar. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de . como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados.importância dessas excursões. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. e em alguns casos. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). que ocasionalmente. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. sendo que 76 nos anos 40. os estudos sobre o relevo do território. além dos trabalhos de divulgação da Geografia.. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. Evidentemente.

além da área de segurança de queda. morre afogado no Rio Tocantins. morre ao cair da Cachoeira Macacudra.José Redondano Neto. além das do IBGE. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . Em termos de homenagens. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. A . O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). caindo num trecho muito turbulento. no município de Tucuruí (PA). Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. no rio Jari. inaugurando uma escola com o seu nome. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). alguns dos quais foram sepultados nesses locais. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. fronteira entre Pará e Amapá. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ].suas funções técnicas. A lista. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. mas Egler não teve a mesma sorte. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. 20/03/1979 . geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

ambos davam consultorias ).Hilda da Silva do IBGE (de câncer. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). 15/05/1990 . faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). 09/08/1991 . ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. 09/10/1992 . trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. quando ainda trabalhava no IBGE.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer.O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. Esta.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). mas que não poderia ser comentado.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho).Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). A segunda. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. fretada pelo RADAM. além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. é apenas uma lista de referência. dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. José César de Magalhães Filho. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. 18/09/1995 . embora aposentados. é que o avião teria caído no mar sem explodir. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que . mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . pois outros geógrafos faleceram também. Duas suposições ficaram no ar. trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos.aeronave. em função do nível de sigilo envolvido.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). não deixando vestígios na superfície. 13/05/1980 . e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. 22/03/1997 . Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. No entanto. numa trágica coincidência. e com isso.

. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. Novas metodologias. novos trabalhos e novas lideranças. sua população e sua economia. criando novas estruturas de pesquisas.subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período.

Heldio Lenz. talvez por conta da forte influência de Francis Ruellan. já que ainda era difícil perceber que aqueles métodos poderiam trazer grandes modificações no conhecimento geográfico fora do campo do planejamento governamental. as diferentes abordagens de trabalho nas áreas de pesquisa geográfica que os geógrafos do IBGE adotaram ao longo do período de sua existência. evidentemente. Alfredo Porto Domingues. A exceção ocorreu durante a década de 70 no contexto dos métodos quantitativos. A força dos estudos sistemáticos na área de Geografia somente toma força com Michel Rochefort nos anos 60 no campo da Geografia . Daí o grande poder da área de regionalização. Conjunto de estudos que normalmente envolvem as duas áreas. essa dicotomia não se fez sentir com intensidade. mas que não chegou sequer a modificar a tendência conhecida. Os processos de aprendizado na universidade. que sempre foram mais cobrados nos segmentos da Geografia física do que na humana. dos que trabalham com Geografia humana é. É possível argumentar que. além de uma grande dose de boa vontade por parte dos professores e dos alunos.As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução Estamos considerando como praticas profissionais. inclusive com abordagens distintas quanto ao conhecimento matemático e estatístico. pois as experiências com a quantificação nos anos 70 exigiam equipamento caro e mão de obra especializada. que era geomorfólogo. tendem a dicotomizar essas duas áreas. Pedro Geiger. já nos primeiros anos. lecionar e transmitir qualquer campo do saber geográfico para seus alunos e para os técnicos do IBGE. por sua missão institucional o IBGE seus profissionais de Geografia sempre tenderam mais ao ecletismo do que a especialização. por mais que se pregue o contrário.Parte IV . como no caso da regionalização. necessitando da experiência de um pesquisador eclético que conheça perfeitamente os grandes traços físicos e humanos de uma região para poder realizar o trabalho de recorte regional. é necessário que se entenda que a grande divisória que separa as práticas profissionais dos geógrafos físicos. No contexto do IBGE. Um outro ponto importante a considerar. quando confrontada com os especialistas dos campos sistemáticos. mas ainda assim era possível perceber que os melhores “alunos” tendiam a se especializar em Geomorfologia. principalmente nas primeiras décadas de atividade. um fator inibidor no diálogo profissional. mas que tinha por imposição de seu contrato do professor na Universidade do Brasil. eram as atividades típicas de planejamento que o IBGE sempre teve ao seu encargo. Para isso. Lúcio de Castro Soares foram alguns desses e apenas Pedro Geiger migrou para os estudos econômicos e sociais nos anos 50. Miguel Alves de Lima.

. onde também se avaliará a representatividade do trabalho geográfico e dos geógrafos em particular. ainda possuíam uma forte conotação regional. capítulo I descreve em linhas gerais cada um desses temas. principalmente os vinculados ao estudo do habitat rural. fundamentalmente.urbana. embora os ensinamentos de Leo Waibel nos anos 50 em Geografia agrária também já orientavam os geógrafos regionais nessa direção. é nesta parte do trabalho. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. Os próximos capítulos tratarão de dar uma visão panorâmica dos principais temas da pesquisa geográfica trabalhos pelos profissionais do IBGE e analisar sua importância para a história do pensamento geográfico brasileiro. perante outras instâncias da instituição. os processos de industrialização e urbanização no sudeste brasileiro nos anos 60. Foram. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior relevância e suas relações com as conjunturas técnicas ou políticas da casa. as grandes arenas de pesquisas dos geógrafos especialistas do IBGE. sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. Além disso. mas é preciso assinalar que os grandes estudos orientados por Waibel neste campo. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológico decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período.

não sendo de maneira nenhuma uma lista fechada. municípios.3 – Biogeografia) e 7. de 1941 tornou-se um clássico e sua definição para uma divisão única foi acatada pelo governo federal. 4. /jun. Os nove grandes temas analisados: 1.2 – Climatologia. Além de garantirem uma maior precisão cartográfica nas cartas editadas pelo IBGE. distritos.Ocupação do Território e Habitat. O estabelecimento em 1938 pelo Conselho Nacional de Estatística de uma regionalização baseada na divisão em uso pelo Ministério da Agricultura e que serviu como base para o censo de 1940 foi o ponto de partida para os estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães objetivando definir uma nova regionalização para o Brasil. nos informa os dados da cronologia dos atos .Regionalização Ao se observar panoramicamente a atuação da Geografia do IBGE verifica-se que os estudos de regionalização sempre foram a razão de ser dessa área na casa. Atividades essas que envolvem várias diretorias e que viabilizarão bases geo-referenciadas para inúmeras áreas e pesquisas da agência. n.Ambientais Integrados. Na parte final do capítulo foi introduzida uma avaliação das atividades de geoprocessamento. 1 .Diagnósticos Sócio . 2.Determina o estudo da divisão regional do Brasil e das suas unidades federadas e a elaboração de uma obra de divulgação sobre a região amazônica em geral e o rio Amazonas em especial.Capítulo I .Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia: uma análise de suas práticas profissionais Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE são considerados como uma referência geral para a explicação das atividades do antigo Conselho Nacional de Geografia (CNG) e do atual Departamento de Geografia (DEGEO). 6-Caracterizações Ambientais ( 6. Seu artigo publicado na RBG ano 3.Resolução n. micro e meso regiões. campanhas estatísticas. acompanhamento da evolução das malhas de setores censitários. 63 da AG/CNG . principalmente no que tange aos estudos de regionalização. de bairros urbanos.Regionalização. 6. 2 de abr. conforme administrativos e legais do IBGE.Urbanização.Modernização da agricultura. 6. acompanharam a evolução dos estudos geográficos no IBGE e definiram tendências em escala nacional para certos trabalhos. unidades federadas e grandes regiões. 5. Analisando-se a cronologia bibliográfica sobre o assunto é possível perceber que os processos de regionalização sempre acompanharam a trajetória do órgão e determinaram inclusive as formas de apresentação tabular dos censos. principal área de trabalho da Geografia do órgão. 1 – Geomorfologia. 3Industrialização. auxiliando nos planejamentos dos censos. previsão de safras agrícolas. 1939 07 25 .

a divisão regional do Brasil. regionalizando conjuntos de municípios de características homogêneas.para fins práticos. com na divisão do Conselho Técnico de Economia e Finanças adotado em 1939 por ocasião da Conferência nacional de Economia (Guimarães.Resolução n. em definir regiões preferencialmente por critérios econômicos. que para cada região. Sul e Centro-Oeste) mas suas unidades federadas ainda eram apenas subdivididas em municípios.1941 07 14 . 1942 07 09 . 1967a e 1967b). Além dessas obras.Resolução n. Nos censos de 1950 e 1960 as regiões fisiográficas foram mantidas. 1941 07 24 . 225 da AG/CNE . 1945 07 13 . O artigo de Fábio de Macedo Soares analisou a necessidade de uma regionalização que tivesse uso estatístico e que apresentasse um alto grau de estabilidade ao longo dos anos para fins de comparabilidade espacial e por isso optou por uma divisão que desse preferência às características naturais das regiões delimitadas. 143 da AG/CNG .Manifesta o aplauso do Conselho à nova Divisão Regional do Brasil fixada pelo Conselho Nacional de Geografia e dá providências a respeito. embora argumentando que já havia uma tendência. Nos anos de 1967 e 1968 iniciou-se no âmbito da Divisão de Geografia os estudos para a definição da nova regionalização em espaços homogêneos e polarizados (IBGE.Resolução n. estabeleceu uma subdivisão em sub-regiões e zonas. Este.Fixa o quadro de divisão regional doBrasil. e dá providências para a generalização do seu uso. para uso da Estatística Brasileira. 124 da AG/CNG . e baixa provisoriamente e em segunda aproximação. Esta resolução implicou em estudos de regionalização nas unidades regionais estabelecidas e o resultado desses trabalhos resultou na coleção Divisão Regional do Brasil. Novas determinações da assembléia geral do CNG durante o início dos anos 40 orientaram estudos para demarcação de zonas fisiográficas nas unidades da federação. 1941:363-364).Estabelece a divisão regional do país. 72 da AG/CNG . foi também organizado um estudo abrangente em convênio com o . Nordeste. ainda que incipiente.Resolução n. com alteração no nome de uma região (Este foi substituída por Leste) mas cada unidade federada foi também subdividida em zonas fisiográficas com os seus municípios correspondentes. primeiro censo organizado após a criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG) já apresentava no volume Brasil uma divisão em regiões fisiográficas (Norte.Sugere uma nova divisão das unidades federadas em zonas fisiográficas. O plano tabular do censo de 1940.mediante agrupamento dos municípios brasileiros. que foram incorporadas aos planos tabulares dos censos seguintes. promove a sua adoção pela Estatística Brasileira e dá outras providências.

e o de espaços polarizados escrito a quatro mãos por Roberto Lobato Corrêa e Fany Davidovich são peças reveladoras do pensamento geográfico regional da segunda metade dos anos 60 (IBGE. 1968b) coordenado por uma equipe que contava com Marília Veloso Galvão (que tinha assumido a chefia da Divisão de Geografia e que estava sendo elevada a categoria de Departamento). Atividades Terciárias e Centralidade) e praticamente envolveu todo o quadro técnico da Divisão de Geografia por dois anos. Pedro Geiger. Elza Keller. Orlando Valverde. 1967b). além de terem contado com a consultoria de Michel Rochefort nas fases iniciais do processo. Transportes. O governo federal após o golpe militar de 1964 estava preocupado com a espacialização do desenvolvimento econômico e via com grande interesse pesquisas que pudessem organizar o território brasileiro ou dar subsídios para este processo. Lysia Bernardes (chefe anterior da Divisão de Geografia e que estava se transferindo para o IPEA. com textos redigidos por Lysia Bernardes. Indústrias. Essas novas questões sobre regionalização estavam na pauta da Geografia do IBGE por conta das recomendações definidas na XXIII Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia através da resolução 595 de 17 de junho de 1966 visando subsidiar uma regionalização que substituiria as regiões fisiográficas. a .Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) para analisar a estrutura espacial brasileira. Ignez Barbosa. Fany Davidovich. Aluísio Duarte. A definição e delimitação dos espaços homogêneos foi trabalhada por um conjunto de 13 geógrafos ( Lysia Bernardes. servindo efetivamente de subsídios à institucionalização de uma nova sistematização de regionalizações levada a efeito pela Geografia do IBGE a partir do final dos anos 60. Speridião Faissol. 1967a. Olindina Mesquita). Regiões Agrícolas. Nilo Bernardes. Os Espaços Homogêneos O grupo de geógrafos que trabalhou com o esboço preliminar das regiões homogêneas foi coordenado por Pedro Pinchas Geiger. O Subsídios à Regionalização trabalhou com sete segmentos dos estudos geográficos passíveis de serem regionalizados (Quadro Natural. Fany Davidovich e Ruth Magnanini. Roberto Corrêa. Edmon Nimer. Eugênia Egler. por conta desse projeto). (IBGE. A regionalização em espaços homogêneos servia para duas grandes vertentes a primeira objetivando o planejamento governamental em áreas com as mesmas características. Pedro Geiger. População. os textos introdutórios. Pedro Geiger e Nilo Bernardes e foram revistos por Elza Keller. No caso das duas obras consideradas como iniciadoras do processo. Speridião Faissol. Marília Galvão. o dos espaços homogêneos escrito por Pedro Geiger.

A antiga micro de São Paulo Estâncias Hidrominerais Paulistas tornou-se micro de Amparo (centro sub-regional). Chapada Diamantina Meridional). Serra de Baturité. podendo ser componentes do relevo (Microrregiões Encosta Ocidental Paulista. Chapadões do Paracatu. BaixoMédio São Francisco). priorizando os centros urbanos e. elaborou uma regionalização em Mesorregiões Homogêneas pelo processo de agregação de Microrregiões. pois suas denominações são. Os estudos dessa nova divisão iniciaram-se em 1987 sob a coordenação de Aluízio Capdeville Duarte e a gerência de Onorina Fátima Ferrari e adotada pelo Sistema Estatístico Nacional em 1990. um engenheiro encarregado do processamento de dados. Trabalharam neste projeto 15 geógrafos. uma estatística. semelhantes. Nesse período. a micro de Médio Rio das Velhas tornou-se micro de Pirapora. (Infelizmente esse material foi perdido no prédio da Rua Equador (Santo Cristo) em função de uma infestação de inseticida por uma dedetização mal sucedida em 1985). Uma versão condensada em inglês foi publicada no livro de contribuições do IBGE à 23 Assembléia da UGI em Moscou (IBGE.. vales de rios ( Microrregiões Médio Rio da Velhas. justapondo-se aos trabalhos de regionalização de espaços polarizados. de certa forma. vegetação ( Microgerriões Campos de Guarapuava. 1976c :5-16). em muitos casos. ainda é possível perceber que a denominação de muitas micros apresentavam características ambientais que as distinguiam. Pantanais. fazendo parte do plano tabular do recenseamento de 1991. Para o recenseamento econômico de 1975. Alguns exemplos poderão ilustrar o problema. a micro de Encosta Ocidental da Mantiqueira Paulista tornou-se micro de São João da Boa Vista (centro sub-regional).. Médio Amazonas. depressão Periférica Setentrional. o Departamento de Geografia.. Mata de Cataguases. Baixo Jaguaribe. Alto Solimões. possivelmente sobre orientação direta de Speridião Faissol. que foi adotado pelos planos tabulares posteriores e pela nova regionalização em Meso e Microrregiões Geográficas de 1992. O município de Caraguatatuba que pertencia a micro Costa Norte Paulista tornou-se micro de Caraguatatuba e assim por diante. No final dos anos 80 foi iniciado outro processo de regionalização de espaços homogêneos sob nova ótica. Campos de Vacaria e Mata de Dourados). 1964) e testou sistematicamente em campo o método Rochefort de hierarquização de uma rede a .segunda garantindo uma perfeita compreensão espacial do território nacional através da divulgação dos dados estatísticos pela inclusão dessa regionalização no plano tabular dos censos do IBGE. Os Espaços Polarizados O trabalho precursor dos estudos sobre polarização foi orientado por Michel Rochefort e coordenado por Lysia Bernardes em 1964 O Rio de Janeiro e sua Região (Bernardes L.

A regionalização em espaços polarizados passou a suprir uma demanda do planejamento estatal na definição de pontos no território que seriam mais dinâmicos que outros. 1972).1967b) e também no projeto do Subsídios à Regionalização (IBGE. Carlos Alberto serra. Rosa Fucci. Elisa Mendes de Almeida. João Rua. Hilda da Silva. mais sete geógrafos de várias especialidades como Amélia Alba Nogueira (geomorfóloga).1968). Maria Francisca Cardoso. Sônia Alves de Souza. A influência de Michel Rochefort é claramente sentida nas primeiras fases neste segmento do trabalho geográfico (IBGE. Ignês Teixeira Guerra. Na década de 70. Olga Maria Buarque. Luís Antônio Ribeiro. Jacob Binsztok. 1976)∗. A mudança de enfoque é bem percebida. Edmon Nimer. Uma versão em inglês desse trabalho foi incluída no livro de contribuições do IBGE a 23 Assembléia Geral da UGI em Moscou.1976c). quando da edição do segundo grande trabalho deste segmento. Marta Regina Brito. trabalhando com os espaços polarizados em escala nacional. Os estudos sobre espaços polarizados tornaram-se prioritários durante meados da década de 70. Roberto Lobato Corrêa. coordenados por Pedro Geiger. José César Magalhães (energia) e Fany Rachel Davidovich (urbana). para elaborar o diagnóstico Esboço Preliminar de Divisão do Brasil em Espaços Polarizados. o Divisão do Brasil em Regiões Funcionais Urbanas (IBGE. 1968b). Ruth Magnanini. com textos redigidos por Fany Davidovich. ∗ a . Hilda da Silva e Maria Rita Guimarães (Regional). reuniu um grupo de 24 geógrafos. A ênfase da época eram os estudos baseados na teoria das localidades centrais de Walter Christaller da década de 30 na Alemanha e retrabalhada por geógrafos ingleses e americanos. inclusive com proposições metodológicas mais novas (IBGE.urbana e delimitação de seu espaço de influência. mas concluído por Elza Keller. 1976 . Lenice Araújo. que foi responsável pela compatibilização dos estudos e dos mapeamentos finais e pelo texto introdutório. Maria Tereza Bessa e Pedro Geiger (IBGE. em escala nacional. Maria Emília Castro Botelho. Ceçary Amazonas. a influência de Rochefort foi sendo gradativamente substituída pelos trabalhos da escola anglo-americana. Írio Barbosa. Os dois geógrafos que mais estudaram essas metodologias foram Roberto Lobato Corrêa e Aluízio Capdeville Duarte coordenando uma equipe com uma socióloga. Eugênia Egler. Dulce Alcides Pinto. Elizabeth Gentile. onde o capítulo de Centralidade foi desenvolvido por Roberto Lobato Corrêa (Corrêa. No projeto trabalharam além de dos dois. (IBGE. Ney e Lourdes Strauch e Maria Thereza Bessa de Almeida. Aluízio Capdeville Duarte. O segundo grande projeto neste campo. também coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Cléa Sarmento Garbaio e mais três geógrafos. com estruturação de grupos de trabalho específicos. Coordenado por Pedro Geiger nas primeiras fases das formulações metodológicas. 1967b).

Luís Alberto Nascimento. para uma urbanização sustentada pela industrialização na década de 70 e alcançando na década de 90. Nilo David Mello. Cleber de Azevedo Fernandes. na fase final entre 1997 / 1998 e contou com uma equipe de 8 geógrafos (Aurélia Lopes da Silva. e por Luiz Alberto dos Reis Gonçalves. pela proliferação dos centros de compras (shopping centers) e pelo avanço do processo de franquia de produtos (franchising). Onorina Ferrari e Sulamita Hammërli e um economista Ruben Magalhães. gerou a terceira fase da divisão de espaços polarizados brasileiros realizada pela Geografia do IBGE o Região de Influência das Cidades. Este esforço metodológico. Maria Thereza Bessa de Almeida. Luiz Carlos de Carvalho Ferreira. Lourdes Strauch. A última fase dos estudos de espaços polarizados data da década de 90 foi trabalhada por uma equipe coordenada por Marília Carvalho Carneiro entre 1993 e 1997. Rogério Botelho de Mattos. coordenado por Roberto Lobato Corrêa e tendo como equipe técnica 14 geógrafos. Lúcia de Oliveira. Maria Rita La Rocque. A evolução dessas quatro fases na determinação das principais redes urbanas do Brasil mostrou a transformação de um país ainda agrário na década de 60. concluído em 1983. tornaram-se os carros chefe das atividades de distribuição varejista. Solange Cardoso Barros. Aluízio Capdeville Duarte. Maria Mônica Vieira C. mais a assessoria computacional da Diretoria de Informática do IBGE através da analista Viviane Narducci Ferraz que organizou os dados. após o estabelecimento do processo de regionalização. Estácio Arruda. e pela ampliação do setor de serviços. João Baptista de Mello. gerando as tabelas de ordenação dos centros urbanos. 1976b). 1987). . onde as atividades financeiras assumiram a liderança do segmento. Ayrton Almada. que ao estabelecerem essas novas redes de estabelecimentos. João Baptista ferreira de Mello. O’Neill. acabou sendo muito utilizado como referência em função de seus mapas e suas tabelas de ordenação dos centros por muitas agências governamentais e organizações privadas. que pode ser avaliado no segundo artigo do grupo (IBGE. mas já é possível ter acesso a ele na base de dados do IBGE. As Análises Regionais Será igualmente importante abrir um espaço para a descrição dos trabalhos que. O trabalho está em fase de publicação. O trabalho. analisavam algumas características físicas. quando se aposentou. Helena Zarur Lucarelli. Agustinho Rocha. Eliane Ribeiro da Silva. humanas e econômicas das regiões estabelecidas.mas com algumas leituras de franceses como o economista Charles Boudeville e o geógrafo Etienne Juillard. mas somente foi publicado em co-edição com o Ministério de Habitação e Urbanismo em 1987 (IBGE / MHU. altos estágios de urbanização comandada pelo setor terciário: com a expansão do comércio.

era também um especialista de Geomorfologia da Amazônia. a participação de Orlando Valverde numa co-autoria com Antônio T. Dias. Guerra é importante para estabelecer separações entre os problemas de ordem pessoal e o institucional.Catharina Vergolino Dias e Antônio Teixeira Guerra.José César de Magalhães. Hidrografia. que além de estar no comando da Divisão de Geografia do CNG. Organização SocialCatharina V. O segundo volume da série. humanos e econômicos desses sub-espaços. iniciou-se em 1959.A primeira coleção de análises denominou-se Divisão Regional do Brasil e foi elaborada entre 1948 e 1950 ( Centro Oeste-1948. A estrutura dos capítulos estava assim organizada: Introdução. mostra bem o aproveitamento da mão de obra técnica daquela época no CNG. Apesar das inimizades. Eram obras pequenas que enfatizavam uma subregionalização nas regiões estabelecidas pelo estudo de Fábio de Macedo Soares Guimarães e que não apresentavam nenhuma indicação de autoria pessoal. trabalhou com a região Centro Oeste e foi organizada por Marília Vellozo Galvão e sua estrutura de capítulos estava distribuída da seguinte maneira: . Transportes. O exemplo de Catharina.Catharina V. Dias. uma paraense que conhecia muito bem sua região no que dizia respeito aos aspectos de ocupação econômica e ao ambiente cultural.Marília Velloso Galvão. mas substituído por Speridião Faissol na Direção do CNG) e Fábio. Clima. o trabalho era feito por quem possuía melhor qualificação. pois sua estrutura editorial contemplava coordenadores de projeto (cada livro de uma região era um projeto fechado) e equipes de autores que recebiam crédito autoral por capítulo organizado. O segundo projeto de análises regionais. Vegetação. Geologia. principalmente para o segmento educacional de segundo grau e universitário.Lúcio de Castro Soares. Solos e Utilizações Agrícolas. Suas análises caracterizavam igualmente os aspectos físicos. mas já sobre outras bases. Estrutura Econômica e Regime de Propriedades.Antônio Teixeira Guerra e Orlando Valverde. Indústria Extrativa.Edgar Kuhlmann. sobre a região Norte foi fortemente influenciado pelas informações geradas ainda pela Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e foi organizado por Antônio Teixeira Guerra. Guerra e Energia. Fitogeografia da região amazônica. Agricultura.Arthur César Ferreira Reis. De certa forma essa coleção foi a primeira a ser realmente considerada como uma obra geográfica para o grande público. publicado em 1960.Antônio Teixeira Guerra.Antônio T. Relevo e Litoral.Catharina V. População e PovoamentoCatharina Vergolino Dias e Manuel Maurício de Albuquerque.Félixberto Camargo e Antônio Teixeira Guerra. Leste e Norte-1950). É interessante perceber que apesar de estar em pleno período da luta entre os grupos Zarur (já falecido em 1957. Nordeste e Sul-1949. Dias e Carlos Goldemberg. Seu primeiro número de 1959.

População. Vegetação. A estruturação do Tomo I estava assim distribuída: . a região Sul foi editada em dois volumes separados.Dulce Maria Alcides Pinto. já sob a chefia de Lysia Bernardes na Divisão de Geografia. Agricultura.Maria da Glória Hereda. Clima.Maurício Coelho Vieira. Povoamento.Manuel Maurício de Albuquerque. Extrativismo Vegetal. Energia. Energia. Maria da Glória Hereda e Alfredo Porto Domingues.Lilia Camargo Veirano. A estruturação dos capítulos era: Relevo. Núcleos Urbanos.Marília Galvão.Haidine da Silva Barros. Povoamento. Indústria Extrativa Animal. Transporte. Formas de Povoamento Rural. Brasília: a nova capital. estudou a região Nordeste.Ney Rodrigues Inocêncio.José Carneiro Felipe Filho.José César de Magalhães e Grandes Eixos de Circulação. Pecuária. Hidrografia-Carlos C. o Tomo I que enfocava a parte física foi organizado por Delnida Martins Cataldo e Aluízio Capdeville Duarte e o Tomo II sobre a parte humana e econômica coube a Aluízio Capdeville Duarte. População.Ney Julião Barroso.Introdução. Ocupação Agrícola.José César de Magalhães. População e PovoamentoManuel Maurício de Albuquerque. Em 1968. Vegetação.Marieta Mandarino Barcellos. Sua estruturação estava assim apresentada: Introdução. analisando separadamente o espaço correspondente ao Meio Norte e teve dois organizadores. Organização Urbana.Olga Maria Buarque de Lima. Geomorfologia.Elvia Roque Stefan.Lindalvo Bezerra dos Santos. O terceiro.Amélia Alba Nogueira. Botelho. tendo como organizadores Maria Rita da Silva Guimarães e Aluízio Capdeville Duarte.Edgar Kuhlmann. Litoral – Interior. já com Marília Veloso Galvão chefiando o novo Departamento de Geografia.Pedro Pinchas Geiger. Clima.Olindina Vianna Mesquita.Maria Magdalena Vieira Pinto. Atividades Agropastoris. Extrativismo Vegetal.Fany Haus Martins. José César Magalhães e Maria da Glória Hereda.Aluízio Capdeville Duarte. Implantação Industrial.Celeste Rodrigues Maio e Alfredo Porto Domingues. Indústria Extrativa. de 1962. A região Leste foi editada em 1965. Vegetação.Marília Veloso Galvão e Edmon Nimer. Agricultura.Speridião Faissol.Jorge Xavier da Silva. Hidrografia.Ariadne Soares Souto Mayor. Clima.Lindalvo Bezerra dos Snatos.Elvia Roque Stefan. Recursos Extrativos MineraisMarília Veloso Galvão e Aluízio Capdeville Duarte. José Henrique Millan e Maurício Coelho Vieira. Hidrografia.Antônio Luís Dias de Almeida. Pecuária. Estrutura Urbana.Elvia Roque Stefan.Lilia Camargo Veirano.Alceo Magnanini.Maria Magdalena Vieira Pinto.Elvia Roque Stefan.Ney Rodrigues Inocencio.Maria Magdalena Vieira Pinto e Transporte. Indústria Extrativa Mineral.Elvia Roque Stefan.

toda editada em 1977. considerada como um referencial bibliográfico importante nos cursos de Geografia durante as décadas de 60 e70.Aluízio Capdeville Duarte e Armely T. a escolha de Orlando Valverde conflitou diretamente com a orientação de que os capítulos de agrária teriam um sub-capítulo denominado Organização Agrária ou equivalente que trabalharia com uma análise fatorial. Alfredo Porto Domingues. A coleção seguinte. A variedade de temas. CirculaçãoEloísa de Carvalho Teixeira e Redes Urbanas. onde as duas correntes quantitativistas e não quantitativistas empreenderam uma luta surda na estruturação dos sumários das regiões e que acabou numa solução de compromisso onde sempre dois capítulos (agrária e urbana) teriam uma análise fatorial e de grupamento visando explicar suas estruturas espaciais.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. trabalhou no subcapítulo Características Estruturais das Cidades utilizando uma análise fatorial para definir uma tipologia urbana da região. HidrografiaOlindina Viana Mesquita. O planejamento e coordenação da coleção ficou sob a responsabilidade da chefe do Departamento de Geografia (DEGEO) Marília Veloso Galvão que nomeou um grupo de geógrafos da Velha Guarda como coordenadores temáticos de toda a coleção. Lindalvo Bezerra dos Santos. Atividades IndustriaisIgnês Costa Barbosa. Maria Magdalena Vieira Pinto e Pedro Pinchas Geiger. No caso do capítulo Atividade Agrária da Região Sul.Ariadne Soares Souto Mayor. foi a grande obra de referência da fase dos métodos quantitativos. Amarante Romariz e Solos. Geomorfologia.Nilo Bernardes. Lúcio de Castro Soares. mas não ganhou o ∗ Vegetação. Atividades Agrárias. uma geógrafa que nunca se mostrou encantada com as novas técnicas. O Tomo II estava dividido em: Povoamento. Clima.Dora Amarante Romariz. já comentada na Parte II. inclusive com a introdução de alguns que refletiram as mudanças que estavam ocorrendo na economia brasileira foi o principal legado dessa coleção.Ruth Lopes da Cruz Magnanini.Dora O nome verdadeiro é Rivaldo Pinto de Gusmão . População. Orlando não escreveu tal sub-capítulo e Rivaldo Pinto Guimarães∗ o fez. Elza Coelho de Souza Keller. A melhor prova dessa luta pode ser vista em dois exemplos de capítulos da coleção. um de sistema urbano da Região Norte redigido por Catharina Vergolino Dias . Strauch e Maria da Glória Hereda.Elza Coelho de Souza Keller.Introdução.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. mas que nesse caso. Lourdes Manhães M. Maricato. A análise da agrária trabalharia com a estrutura das microrregiões e a urbana com os municípios.

Transportes. Energia. uma visão integral do Brasil. somado ao grande tamanho dos volumes afastaram a maior parte do público alvo.Hilda da Silva e Maria Emília T. Alguns tornaram-se clássicos como o do Sudeste. IndústriaDulce Maria Alcides Pinto e Mitiko Yanaga Une. Mesquita.Rosa Maria Fucci. Mesquita. Vegetação. Energia. A estruturação de sumários e de autores foi assim apresentada: Região Norte Relevo.Maria Teresa Bessa de Almeida e Elvia Roque Steffan. Indústria. Atividade Agrária. Atividade Agrária. HidrografiaElvia Roque Steffan.Edmon Nimer. o especialista em energia José César de Magalhães trabalharam sobre seus assuntos em praticamente todos os volumes (César só foi substituído por Rosa Fucci no volume do Nordedeste. Região Nordeste Relevo-Amélia Alba Nogueira. como seria normal. A importância dessa coleção se deveu em mesclar diferentes enfoques para explicar as profundas modificações por que estava passando o espaço brasileiro na década de 70. principalmente pelos capítulos de População organizado por Elza Keller.Myrian Guiomar G. de Souza Keller.Edgar Kuhlmann. . de Castro Botelho. Clima. População.Edmon Nimer. 1977e.Myriam G.Edgar Kuhlmann. Vegetação.José César Magalhães.Elza C. de Souza Keller. o de Indústria de Fany Davidovich e o do Sistema Urbano de Olga Buarque de Lima e Roberto Lobato Corrêa. Sistema Urbano. Profissionais como a geomorfóloga Amélia Alba Nogueira.Amélia Alba Nogueira.Maria Elisabeth C.Elza Coelho de Souza Keller. Isso representou para esses assuntos.Elza C. Clima. Transportes. Sistema Urbano. Vegetação. o estigma da quantitativa. de Sá Távora Maia. C. População. que pode ter ocorrido em assuntos que tiveram muitos autores nos cinco volumes. Energia.José César de Magalhães. Região Sudeste Relevo. o climatólogo Edmon Nimer. HidrografiaLúcio de Castro Soares.Catharina Vergolino Dias. mas deu todo o apoio. 403).C. Clima. C. Hidrografia.Edmon Nimer. sem os riscos de gerar certos caleidoscópios de pontos de vista. mas infelizmente.Lúcia de Oliveira. O crédito de autoria dessa parte foi colocado nas notas de referência (IBGE.Carlos de Castro Botelho.Amélia Alba Nogueira.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. professores e alunos do nível superior. Atividade Agrária.Solange Tietzmann Silva. p.Maria Terezinha A. Transportes. População. Alonso.crédito de co-autoria no capítulo. pois Rosa era uma espécie de assistente sua).

Indústria. Região Centro Oeste Relevo.Maria Theresa Bessa de Almeida.Edmon Nimer. Strauch. na chefia do departamento. Sistema Urbano. sendo concluído por Olga Buarque de Lima. Vegetação.Edmon Nimer. Da mesma forma que a coleção da década de 60. A última coleção da Geografia do Brasil ficou inacabada em virtude de problemas de editoração que atrasaram demasiadamente a publicação dos volumes do Nordeste e Sudeste.Fany Rachel Davidovich. Clima.Lindalvo Bezzerra dos Santos. Cada volume teria um coordenador geral e um encarregado das análises do quadro natural. Transportes.Lourdes Manhães de M.Olindina Vianna Mesquita.Olga Maria Buarque de Lima e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa.José César de Magalhães. Atividade Agrária. Hidrografia. Hidrografia.Maria Rita da Silva Guimarães. que foram incorporados ao IBGE nas primeiras fases do governo de José Sarney. Atividade Agrária∗ Orlando Valverde (Rivaldo Pinto Guimarães ).Indústria.Amélia Alba Nogueira. . que iria também coordenar os demais volumes. Energia. a partir de um planejamento anual definido pelo DEGEO e tendo como organizadora da coleção Solange Tietzmann Silva. um Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente (DERNA) enriquecido com técnicos vindos do RADAM BRASIL.Ney Rodrigues Inocêncio. Indústria.Ruth da Cruz Magnanini e Ariadne S. Região Sul Relevo. Região Sul (1990) e Região Norte (1991). que faleceu em 1990.Elza C.Armely Therezinha Maricato e Onorina Fátima Ferrari. População.Amélia Alba Nogueira e Gelson Rangel Lima. População. na primeira fase por Sulamita Machado Hammerli. de Souza Keller e Ruth L. Elvia Roque Steffan e Ayrton Teixeira Almada. Souto Mayor. as edições foram publicadas a medida que iam sendo terminadas. pois havia após 1985. O volume do Sul foi coordenado por Olindina Vianna Mesquita e o do Norte. Sistema Urbano.Ruth Simões Bezerra dos Santos. e os não publicados Nordeste e Sudeste. Vegetação. Transportes. da Cruz Magnanini. que tornaram-se anacrônicos em relação aos dados do censo demográfico de 1991. Porém os volumes das demais regiões foram editados a tempo. ∗ O nome correto é Rivaldo Pinto de Gusmão. Clima.Maria Therezinha Alves Alonso. Energia.Ney Rodrigues Inocêncio.José César Magalhães. Sistema UrbanoAluízio Capdeville Duarte. O primeiro volume lançado foi o da Região Centro-Oeste coordenado por Aluízio Capdeville Duarte em 1989 e tendo como coordenador das análises do quadro natural Trento Natali Filho.

As análises regionais que enfocaram espaços uma escala de maior detalhe. mas não entraram em processo de editoração nesses anos.O volume da Região Nordeste foi coordenado por Maristela de Azevedo Brito e o do Sudeste teve dois coordenadores. em convênio entre o IBGE e o National Planning Association. 1954) e pelo estudo de Orlando Valverde na zona da mata de Minas Gerais (Valverde. e com isso tornaram-se defasados. em virtude de problemas com a editoração do censo. através do Inter-American Regional Resourses Project de Washington. Ambos foram concluídos entre 1992 e 1993. o de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. Helena Zarur Lucarelli e Roberto Schmidt de Almeida. 1952). sobre a Bacia do Médio São Francisco.1952). quando comparados aos dados do censo de 1991. em conjunto com técnicos do Ministério da Agricultura e coordenado no âmbito do CNG por Lindalvo Bezerra dos Santos (IBGE. mas a falta de técnicos especializados para cuidar dos capítulos. em virtude da grande evasão para a aposentadoria ocorrida nos anos 90. o de Carlos de Castro Botelho sobre a zona cacaueira do sul da Bahia (Botelho. que envolveram vários segmentos da Geografia e que ainda dão uma visão privilegiada das áreas estudadas. 1947). Foram trabalhos clássicos. nos anos do pós-guerra (Zarur. acabou por inviabilizar o projeto. os estudos da zona de influência da Cachoeira de Paulo Afonso. Foi tentada uma atualização dos dados em 1994. 1958). podem ser exemplificadas pelo detalhado trabalho de Jorge Zarur. .

por influência de Michel Rochefort.as formas mais evoluídas da habitat urbano . viraram as costas para a Geografia Física. que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil. (Sorre. que ocorreu após 1956. e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache ( 1845. do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante. 1949) Para Max Sorre . Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90.1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal . com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo. marxistas. quantitativos. que o forte enfoque econômico adotado por uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a década de 60.2 . e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra. É válido também considerar. 70 e 80 .habitat urbano e 4. encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano. e que com isso. pois grandes alterações já eram pressentidas por ele. O problema é antigo e não somente brasileiro. 3. Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão. em virtude dos fortes componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos. Max Sorre já havia percebido que a noção de gênero de vida. Por hora. ser mais discutida do que efetivamente trabalhada. asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses . por estarem agregados aos dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ). tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ).habitat rural.a relação Sociedade / Meio. características originais do habitat urbano. é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 . em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no pós guerra.Ocupação do Território e Habitat Considerado um tema prioritário para o IBGE durante a Segunda Guerra e nos anos 50. tecnocratas ou o nome que se queira dar.as grandes cidades. Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil. em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat. devemos ter em mente. 2. Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos.as formas de transição. tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1. também tenha contribuído para esse abandono. os estudos sobre o habitat e o processo de ocupação rural foram gradativamente perdendo força durante a década de 60 e totalmente abandonados nas décadas seguintes.

Albert Demangeon e Maximilien Sorre ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat). A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante. Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida. com vistas ao seu sustento cotidiano. Buttimer (1980:61) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris. Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana. a aparência da terra adota”. Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902.fenômenos de domínio sobre plantas e animais ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3. Glacken. ver Brunhes (1962. No entanto.1967). considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken. instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e a organização social de um grupo. desde o século XVIII. III. originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes. que se inspira na idéia de unidade terrestre.IV e V). Traces of the Rhodian Shore. Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que.fenômenos de ocupação improdutiva do solo ( casas e caminhos ) 2. que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913: “A Geografia. escrito nos anos 50. segundo sua localização. o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês. cap. tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre. Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida.fenômenos de economia destrutiva ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) . em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1. se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. . A principal ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”.elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos.

Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos.” Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional. além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939. Da Casa à Região ( ) e regiões. as do francês Francis Ruellan. que era corrente na época. fórmula que. é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição. sem dúvida. No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE. Seu sistema classificatório de aglomerado. pode Fremont. aldeias. 1949). densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos. aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ). a Geografia francesa deve a ele . reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema. em paralelo à morfológica. na segunda parte do livro denominada: É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro. ser verificado na obra de Armand Fremont. para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon. espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre. Gradmann e Meitzen.. que faz uma interessante costura desses elementos. Suas investigações substantivas sobre doenças.. tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo. foram durante o início dos anos 40.1980). tecnológicos que rege a convivência humana. as figuras mais importantes que introduziram esse estudos. O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa. Muito embora. Sua preocupação com os aspectos funcionais. indo além dos puramente morfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter. Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso. “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa. ritmos de trabalho.Para Buttimer (1980:86). Seus trabalhos sobre migrações modernas. e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional. inspirou as posteriores investigações de Demangeon. turismo.. 1942). Dos três. difusão de doenças. culturais. dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer . no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat. Sorre e Deffontaines.

incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. seus alunos em Winsconsin. além de um assunto muito especializado. Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico. Clarence Jones e Preston James também trabalharam com o tema colonização. encarada aqui em seu sentido mais amplo. Na década de 70. pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização.além dos americanos Robert Platt. uso da terra e gênero de vida. é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que. tanto no título quanto no conteúdo. trataram do tema. A Geografia do IBGE produziu uma grande quantidade de trabalhos que poderiam ser classificados em cinco grandes grupos. Dessas figuras. Clarence F. em períodos diferentes. Lynn Smith. Jones e Preston James ( Pereira. os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas. sua vinda em 1946. fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural daquela região (Guerra. um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. a mais importante foi Leo Waibel. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo. Os Estudos Clássicos sobre Habitat Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa. 1960). discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. Preston James estudou. Merece também destaque o trabalho de Nilo Bernardes (1957) por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida ( Waibel 1949). pode ser entendida como uma ação de planejamento do governo federal visando o conhecimento de novas áreas para uma futura onda de colonização decorrente do pós guerra. que trabalha com certas características do habitat para determinação de setores censitários nos recenseamentos demográficos e agropecuário. o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e . por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida. que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James. alguns geógrafos regionais. e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers . 1955). Nesse grupo. 1994: 440). explicitamente. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. Os americanos. o problema de colonização. somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros.

(Faissol. O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último. que será tratado no próximo conjunto. mas mostra uma clara tendência para a relação entre a geografia agrária e os processos de povoamento e de estruturação econômica que as acompanham.1950. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos. 1949).que Leo Waibel havia estudado em 1949. de cunho didático. que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel.1963) e na década seguinte (Corrêa. aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos impulsionadores do povoamento. o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers de 1953. incluindo um. além do livro O Mato Grosso de Goiás. sendo pois. transcrito no Boletim Geográfico . O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados. Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia É o mais eclético e amplo de todos.sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil. Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes. 1967) sendo que um deles (1952). escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização . O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida. geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas. 1952 ).1952). Os artigos de Speridião Faissol iniciam com o seu primeiro trabalho publicado na RBG. o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951. que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol. um guia de referência importante até hoje.1955).na Região do Mato Grosso de Goiás.o sudoeste paranaense. o trabalho mais importante é o de Leo Waibel. O artigo de Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel. além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado. Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida Esse conjunto congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. tratando do mesmo assunto . mais recente (1967).colonização européia no Sul do Brasil . analisou o processo de colonização em Alagoas. 1952). Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional no início da década de 60 com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa. 1952. 1949) sobre uma colônia alemã -Uvá. Sem sombra de dúvida. 1970).

quanto como regional. Valverde e Dias. além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema. o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes. Destaque-se também a grande produção individual de Orlando Valverde abrangendo praticamente todas as regiões do país. . Fora do campo geográfico. com trabalhos que cobrem diferentes tipos de vida econômica (Valverde. Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Cultural No contexto da tipologia seguida. 1961.1962) são alguns exemplos representativos desses clássicos do IBGE.1957). 1955. o grande clássico sobre o assunto é o livro de Antônio Cândido (1964) . tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano. pesquisa realizada no município de Bofete (SP).1957). uma atividade rural. foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo. que o trabalho se orientasse por um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida. para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde. 1958. o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil. 1967). um explicando o que é Antropogeografia (Valverde. 1967). os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado.além de outros em co-autoria (Valverde e Mesquita. devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat. Na medida do possível. 1989). 1960). ou para os aspectos culturais advindos de grupos étnicos minoritários. 1959). Como no trabalho de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler. ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. 1968. 1952) e o de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde. 1957. como por exemplo: um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes. também aparecem trabalhos que. Os títulos de maior destaque foram dois artigos de Orlando Valverde. indubitavelmente. Além desses. esse foi o grupo que mais causou dúvidas.(James. além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde.

As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância. cristalização de hábitos rurais e resistências às mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos. 1968). deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat . pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna. 1967). Nesse procedimento. A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais. já que na área urbana contínua. a delimitação dos setores censitários. está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida. e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok. A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. no pós-guerra. 1956). o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia. 1959). ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro. . Além desses. com esteve Sorre. Geiger & Coelho. Geiger & Santos. baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial. a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares. Nesse grupo destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger. está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações. 1952 e 1956. Isto é. ver Derruau (1964: 384-87). Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos. com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala. As questões sobre loteamentos. 1954).1956. mudanças de atividades agrícolas.a área periférica das metrópoles. talvez não estivessem preocupados.Estudos de Periferia Rural/Urbana A principal razão da inclusão desse grupo de estudos. passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ). mas mesmo assim. o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo.

de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei. cuja expansão ultrapassa. dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios. .. Brito. (Fredrich. O trabalho de Olga Maria Buarque de Lima Fredrich (geógrafa) .. que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país.IBGE. se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais.” Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”. de natureza urbana. para que os planejadores dos próximos.. A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários. vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho. é sempre passível de alterações de censo para censo. “. A proposta deixada no artigo pelas autoras. na verdade. o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos . densidade. nos levantamentos censitários. muitas vezes.PEA ). a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais.. canteiros de grandes obras.. dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração. etc. repartição da PEA segundo setores de atividade. dos assentamentos que são. Nas justificativas as autoras colocam que. coloca em discussão o tema. que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . os limites do perímetro urbano legal.) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa . Rocha.. Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão. por que nas palavras das autoras : “. O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo. Sebastiana Brito (socióloga) e Sonia Rocha (economista). 1983). nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana.. No caso dos aglomerados isolados. a conceituação adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado.. publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE. Uma primeira limitação.No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios. possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos . ou seja.

Uma outra exceção pode ser atribuída ao artigo de Fany Davidovich sobre a industrialização de um centro periférico à metrópole de São Paulo no início dos anos 60. é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente. Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat. Jundiaí. por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”. Ney Julião Barroso e Salomão Turnowski. Modalidade muito comum nos congressos de Geografia. compunham o grupo nove geógrafos. evitando sempre que possível. como no caso do trabalho de Milton Santos (na época professor da Universidade da Bahia) que publicou na RBG um importante trabalho sobre localização industrial na cidade de Salvador. tornando-o um clássico na modalidade. Além de Pedro Geiger. (Davidovich. Ignez de Moraes Costa. a segunda metrópole nordestina.demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. . 1958). 1966) . sem sombra de dúvidas. as fotos dos arquivos do CNG dão uma incrível visão do processo de industrialização no início dos anos 60. 3 . Maria Elisabeth Corrêa de Sá. Para o planejamento. José César de Magalhães. resultados que pudessem ser sentidos claramente por suas economias. Maria Lúcia Meireles de Almeida. Mas alguma exceções foram importantes. o mais completo quadro da industrialização brasileira no início dos anos 60. O estudo trabalhava com o processo de industrialização da região sudeste e é. Além disso. que no final dos anos 50 já possuía um parque bem diversificado (Santos.Industrialização A Geografia do IBGE enfocando o processo industrial em escala regional inicia sua atuação com o artigo de um grupo de pesquisas coordenado por Pedro Geiger em 1963. mas que foi inicialmente orientado por Michel Rochefort em 1961. Cabendo a Fany Davidovich a redação final do artigo. o que garantiu uma alta qualidade ao texto. A década de 60 caracterizou-se por uma tentativa de ampliação das políticas de descentralização industrial que visavam diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras. Maria Luiza Gomes Vicente. José Carneiro Felipe Filho. É importante frisar que estamos tratando de estudos que operavam na escala regional ou nacional. trabalhos monográficos que enfocavam um centro muito especializado. pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural. Recife e Salvador. Fany Davidovich. Tais políticas gerenciadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) não deram ao longo daqueles anos. priorizando o Nordeste via adoção de incentivos fiscais para implantação de parques industriais nas suas duas maiores metrópoles.

1976). mostrando sua ineficácia e indicando claramente a persistência das desigualdades regionais apesar do grande volume de recursos despendido na década anterior. Sudeste (Almeida e Ribeiro. 1979). Um cenário alternativo a esses estudos foi tentado na Região Nordeste (Almeida e Ribeiro. regional e nacional. (Baer. mas analisando-as num contexto regional. 1995). resultou num artigo no número especial do Caderno de Geociências dedicado à algumas análises do mapeamento do ANB. Na mesma época. juntamente com mais três colaboradoras a geógrafa Ciléia da Silva. fazendo uma comparação em dois períodos de tempo (1970 e 1980).No contexto das relações interdisciplinares que o IBGE tentou implementar nos anos 70 a associação entre o geógrafo Pedro Geiger e o economista teuto-americano Werner Baer no DEGEO. 1982). ao trabalharem no módulo Industrialização do Atlas Nacional do Brasil de 1992. estadual. . A continuidade do interesse de Pedro Geiger pelos processos industriais que estavam em curso em várias áreas do país. levou-o a estudar o processo de concentração geográfica dos estabelecimentos industriais. 1991a) e estava ligado aos padrões de localização dos pequenos e médios estabelecimentos de algumas atividades industriais do segmento regional nordestino. Nordeste ( Almeida e Ribeiro. Durante toda a década de 90 esses dois autores dedicaram-se aos estudos de localização e de tipologia industrial nas escalas regional e nacional. o interesse pelos processos de localização industrial na escala de região metropolitana também levou outros geógrafos do IBGE a estudarem as relações entre localização e migração de indústrias e suas estruturas de fluxos de matérias prima e de produtos finais entre a região metropolitana alvo e as diversas escalas espaciais possíveis. 1980) e Ribeiro deu continuidade ao assunto trabalhando com a RM de Salvador para sua tese de mestrado em Geografia na UFRJ ( Ribeiro. A principal preocupação era avaliar a dinâmica espacial dessas indústrias que costumam compor o grupo de empresas do “circuito inferior” da economia urbana. O objetivo principal desses trabalhos era verificar o grau de concentração / diversificação do processo industrial brasileiro e comparalo interregionalmente. Roberto Schmidt de Almeida e Miguel Ângelo Campos Ribeiro iniciaram seus estudos pela região metropolitana de Recife (Almeida e Ribeiro. Foram trabalhadas as regiões Norte ( Almeida e Ribeiro. 1991a. local. b). conforme estudado por Milton Santos em seu já clássico O Espaço Dividido (Santos. Mas esse tipo de análise mascarava muitos processos industriais que ocorrem em escalas mais locais e que tradicionalmente não são estudados por técnicos do governo federal. 1993. a socióloga Zélia de Morais e a economista Helena Castelo Branco (Geiger et alli. associação que acabou por gerar um dos melhores artigos de avaliação das políticas de incentivo fiscais para a indústria no Nordeste brasileiro. 1980). Geiger et alli. 1995) e na escala nacional.

as contribuições de Nice Lecoq Müller (1968).Foram analisados oito tipos de indústrias: Preparação de Fumo. em nível nacional. ou municípios isolados. identificando-se conjuntos de municípios vizinhos. 1944) até os estudos sobre a constituição das Áreas Metropolitanas (IBGE. Aguardente. A segunda. as vezes. gerando bases operacionais que agilizem a realização da coleta e diminuam os custos de produção dos dados. gerando a proposta de uma espacialização. O objetivo fundamental desse trabalho era de contribuir com o Sistema Estatístico Nacional (SEN). ( Lima Fredrich e Davidovich. 1994). 1982). com os de industrialização. Artigos Pirotécnicos.” (Oliveira e La Croix. (Davidovich e Cardoso. Com a denominação de Áreas Industriais: uma proposta de inovação na produção de estatísticas. Muito embora. Quando comparado aos convencionais trabalhos tipológicos que operam com os grandes gêneros industriais. dispersão e a estabilidade no território nordestino. uma análise como essa abre grandes possibilidades de se entender o que fica fora de foco em regiões de desenvolvimento incipiente. Fabricação de Redes. Os resultados palpáveis de uma trabalho como este deverão vir a tona com os novos bancos de dados industriais que estão sendo gestados na Diretoria de Pesquisas em substituição aos antigos censos industriais que foram interrompidos na década de 90. após um exaustivo trabalho de filtragem nos censos industriais de 70 e 80 e verificada a evolução dos seus padrões espaciais de distribuição.Urbanização O que se convencionou denominar de trabalhos ligados ao estudo da urbanização brasileira na área de Geografia do IBGE. 1975). Açúcar Bruto e Rapadura. 1969) e os que analisaram os fatores que poderiam compor as aglomerações urbanas brasileiras (Davidovich e Lima. de áreas industriais: “recortes territoriais onde é significativa a atividade industrial. Ainda no contexto dos estudos de estrutura industrial ocorridos na década de 90. e cuja estrutura produtiva é similar ou complementar. por vezes não contíguos. economista que sempre operou no ambiente das estatísticas industriais do IBGE. 1982). misturados com os estudos de polarização e. possuindo um amplo domínio sobre elas. pode gerar alguma controvérsia. será possível traçar a trajetória desses trabalhos desde os de Pierre Deffontaines sobre as cidades brasileiras (Deffontaines. Mas se adotar-mos uma classificação bem livre. que poderiam estar tendendo a concentração. geógrafa da geração quantitativa e que sempre trabalhou com essas técnicas. setorialmente. 4. Farinha de Mandioca. a primeira. Roberto Lobato Corrêa (1968 e 1989) no que tange . com perfil de especialização específico. o mais completo trabalho interdisciplinar entre Geografia e Estatística foi levado a efeito por Evangelina Xavier G. pois apresentam-se. em outros casos. Artefatos de Selaria. foi o resultado dessa combinação de saberes. Óleos Vegetais. de Oliveira e Luisa Maria La Croix.

as cidades nas estradas: pousos.2 n. Ainda sobre a questão do binômio sítio/posição. com o título de Como se Constituiu no Brasil a Rede de Cidades que. numa conferência pronunciada em 1959.4 out. numa composição semelhante a do também engenheiro Moacir F. o processo de ocupação do solo. Quando se pesquisa a estrutura de sumários da RBG verifica-se que o primeiro brasileiro a estruturar um conjunto de quatro artigos sobre Geografia Urbana nos primeiros volumes da revista. com os seus principais produtores. as cidades da navegação. cidades estações ferroviárias e as bocas de sertão). ruínas de cidades pelas via férreas. cidades como pontos de concentração de serviços especializados. continua na seguinte com A Geografia Urbana e sua . em virtude de sua estrutura industrial que já se organizava nos municípios periféricos São Caetano.4).3 n.1 n. Deffontaines voltou a tratar do assunto especificamente sobre o Rio de Janeiro. devidamente anotada por Lysia Bernardes e publicada no Beletim Geográfico 184 (Deffontaines. Santo André e São Bernardo do Campo. p. No caso de São Paulo. O geógrafo francês Pierre Deffontaines foi o iniciador desses estudos em seu artigo A Geografia Humana do Brasil (1939) no capítulo III. Deffontaines também analisa o critério função. sem sombra de dúvidas. posteriormente traduzido por Orlando Valverde para o Boletim Geográfico (Deffontaines.2.1 v. cidades como ponto de transbordo. Jeronymo Cavalcanti inicia sua série com o artigo A Geografia e a sua influência sobre o Urbanismo na RBG v. No contexto americano Chauncy Harris e Edward Ullman publicaram em 1945 The Nature of Cities que enfocava de maneira bem semelhante esse tipo de classificação – cidades como localidades centrais.aos estudos de redes urbanas e o de Maurício Abreu (1994) que tratou dos trabalhos que operaram na escala intra-urbana são. Ainda no campo do estudo de funções urbanas.2 a v. as vias de comunicações e o abastecimento. publicado na RBG n. A segunda parte tratou da estrutura interna das cidades dentro dos conceitos da escola de sociologia urbana de Chicago (Harris e Ullman.. 1965). Deffontaines produziu em 1938. um artigo para o Bulletin de la Societé de Géographie de Lille . aglomerações de origem militar. 34-46. 1971). as melhores avaliações sobre o tema Geografia Urbana brasileira feitos até o final do século XX. 1944). O que importa aqui é dar ao leitor desta saga ibegeana um quadro de referência sobre as principais linhas de trabalho da Geografia Urbana no IBGE. ao analisar as duas maiores cidades do Brasil enfocando a posição e o sítio. foi o engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal Jeronymo Cavalcanti. apresenta uma classificação de cidades brasileiras de acordo com suas funções (as reduções missionárias. o microclima./dez. Silva que havia enfocado a Geografia dos Transportes na escala de Brasil em 11 números consecutivos (RBG v. 1940. as cidades mineiras.

.4 n.3 jul.4 out.influência sobre o saneamento das cidades (RBG v.6 n. 1940 e RBG v. 1941 apresenta A Geografia Urbana e sua influência no tráfego e finaliza a série na RBG v./dez. analisando o desenvolvimento dessas estâncias hidrominerais./set. professor da USP e editada na RBG v. 1942 com A Geografia Urbana e sua influência sobre o Urbanismo superficial e subterrâneo.2 n. Esta série deve ser seriamente considerada como elemento de estudos nos cursos de história da Geografia Urbana ou do Urbanismo atuais./dez. os demais são artigos que enfocam a distribuição espacial dos equipamentos básicos no contexto intraurbano./mar.8 n.3 n. inclusive organizando parte da solenidade do batismo cultural da cidade. A construção de Goiânia. 1941./mar. 1941). através de sua segunda contribuição acadêmica na revista com os ensaios sobre Pirapora e Lapa (RBG v. Na escala intra-urbana o trabalho de Everardo Backheuser (RBG v. plantas urbanas e arquiteturais e desenhos.1 jan. O primeiro tratou sobre as questões ligadas à posição e ao sítio e sobre as condições morfológicas que beneficiam ou restringem a expansão urbana./dez.4 out. 1946 o primeiro artigo enfocando a questão da tipologia urbana como um resultado compósito de vários fatores como tamanho populacional e função. 1944) sobre comércio ambulante e as ocupações de rua no Rio de Janeiro apresenta-se como pioneiro neste campo.1 jan. 1944.6 n. Silva apresentou na RBG v.3 n. Tráfego (analisado sob o aspecto dos meios de transporte e da malha viária).1 jan.7 n. O mesmo Moacir F.3 n. Todos os artigos são ricamente documentados com fotos. para um melhor entendimento do que era considerado pelos planejadores urbanos no final da década de 30 e início dos anos 40. É claramente um precursor dos trabalhos desenvolvidos por Speridião Faissol na década de 70./set. e o de Moacir F.6 n. 1944).4 out. Orlando Valverde também deu sua contribuição aos estudos monográficos.3 jul. consultor técnico do CNG na RBG v. utilizando uma vasta bibliografia americana e francesa e estabelecendo comparações entre continentes. na RBG v. baseados na classificação de tamanho funcional gerada pela técnica de análise fatorial./mar. foi estudada por Aroldo de Azevedo. 1947. onde o CNG teve uma importante participação.1 jan./set. saneamento (abastecimento e esgotamento sanitário) e estrutura geológica e vegetação (suas relações com a engenharia civil e o paisagismo)./mar. 1945). Silva sobre as redes de distribuição de energia para a iluminação pública no Rio de Janeiro deu uma continuidade aos trabalhos anteriores de Jeronymo Cavalcanti (RBG v. e o de Águas de São Pedro produzido por Sílvio Fróis de Abreu. assistente técnico do CNG nas RBG v./mar.1 jan.9 n. Durante o decorrer da década de 40 o estudo da Geografia Urbana esteve mais ligado aos trabalhos monográficos sobre certos centros urbanos que mereciam destaque por alguma característica específica os exemplos de Caxambú e Lambari trabalhados pelo engenheiro Virgílio Correa Filho.3 jul.

mas que também cobria todo o espectro das grandes aglomerações urbanas brasileiras em termos de exemplos. Pierre Dansereau. Nice Lecocq Müller (1968) ao avaliar o estado da arte ds estudos de Geografia Urbana no Brasil durante o Simpósio de Geografia Urbana do IPGH. 1956 ) e na região setentrional (Geiger. Com um sumário que abrangia tanto o processo. treinados Francis Ruellan desde 1940 e por Leo Waibel entre 1945 e 1950. os estudos visando a transferência da capital do Brasil para algum ponto do interior brasileiro geraram artigos que estavam mais vinculados aos aspectos regionais do que propriamente o novo sítio. detectou cinco que tratavam especificamente do tema também escritos por ele entre 1957 e 1964. 1956) ao tratar de estudos rurais. além e de receberem freqüentemente visitas técnicas de pesquisadores especializados (Emmanuel de Martonne. 1952). O XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro chamou a atenção da comunidade internacional da Geografia para uma agência de planejamento estatístico e territorial que possuía uma equipe de profissionais de alto nível. 1946 e 1947). além de um capítulo sobre a mais nova experiência urbana brasileira da época. pois geraram muita polêmica no contexto das relações do IBGE com a Presidência da República. .3 jul. Para se ter uma avaliação aproximada de seu poder de produção geográfica. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. e em co-autoria com Myriam Gomes Coelho (Geiger e Coelho. O período compreendido entre 1956 e 1968 marca uma fase de intensos trabalhos na área de Geografia Urbana. Brasília. 1954) o processo evolutivo dessa área. realizado em Buenos Aires em 1966. quanto a tipologia. Jean Tricart e outros). naquele período. Seus trabalhos de total ligação com a Geografia urbana e industrial podem ser percebidos nas análises do processo de urbanização da Baixada Fluminense em seus setores da orla oriental da Baía de Guanabara (Geiger. a maioria com treinamento especializado em universidades no exterior (França e Estados Unidos).Na segunda metade da década de 40./set. Geiger edita pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais o clássico Evolução da Rede Urbana Brasileira. Preston James. já insere algumas questões relacionadas ao espaço peri-urbano. Clarence Field Jones. formados por Pierre Deffontaines nas fases iniciais.16 n. além de correlacionar explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. analisa com a co-autoria de Ruth Lyra Simões (RBG v. o mais completo trabalho sobre o processo de urbanização brasileiro feito nos anos 60. listou 10 trabalhos de Geiger realizados entre 1952 e 1963 e Roberto Corrêa (1968) ao avaliar os estudos sobre redes urbanas no brasil até 1965 no mesmo Simpósio. Definindo as metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. Em 1963.1956). no entanto será importante citar os artigos de Christóvão Leite de Castro sobre o processo (Castro. Na década de 50 iniciam-se as contribuições de Pedro Geiger enfocando ainda um contexto peri-urbano na Baixada Fluminense com o trabalho sobre loteamentos (Geiger.

4 out./mar./set. trabalhando em análise regional e aposentou-se em 1991. Elza Coelho de Souza Keller que em 1969 publicou um artigo sobre as funções regionais e a zona de influência da cidade de Campinas (RBG v. retornou à pesquisa geográfica. A produção de Maria Francisca na Revista Brasileira de Geografia enfocando os estudos urbanos inicia-se na década de 50. no contexto de pesquisas que adotaram o método de Michel Rochefort de avaliação de redes urbanas./dez 1955)./dez. 2 abr. Em seu depoimento para esta pesquisa.. e em particular com os estudos das relações entre cidades e suas regiões de influência. Maria Francisca Cardoso trabalhou também na área de divulgação de assuntos geográficos e orientou a estrutura de cursos de aperfeiçoamento durante o início dos anos 80. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. No campo dos estudos das relações campo-cidade alguns geógrafos também foram importantes. a mais importante pesquisa feita nesse período.29 n.4 out.27 n. sobretudo a ela.Um dos geógrafos que passou a trabalhar com a equipe do CNG nos estudos de urbanização foi Michel Rochefort. dois que trabalharam sistematicamente no assunto: Maria Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e a terceira. inicia-se na década de 60. 1965) e um específico de intra-urbana sobre a feira de Caruaru (RBG v.1 jan.25 n. RBG v. A vinculação de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa com a Geografia Urbana.. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lysia Bernardes./jun. retorna as pesquisas urbanas na década de 60 com dois trabalhos sobre área de influência de cidades médias nordestinas Campina Grande (RBG v. deixou um legado de formação de técnicos e de adoção de metodologias nos estudos urbanos e industriais que ainda não foi totalmente substituído.1964) é. 1967). dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano.32 n. 1979). o primeiro projeto de delimitação das regiões funcionais urbanas de 1972.1 jan. Na década de 70 trabalha com planejamento de polos de desenvolvimento no Nordeste (RBG v. principalmente no que se referia aos processos de determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional.4 out./mar. 1970) e no final da década em Minas Gerais. usando os ensinamentos de Michel Rochefort ( 1957 ) no trato de questões sobre sistemas de cidades. “ Olha eu devo meu crescimento para profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. Roberto explicita quem foram seus principais orientadores e referências metodológicas. com um trabalho sobre a cidade de Cataguases .. 1969) e que também coordenou. O trabalho sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (Bernardes L. sem dúvida. após um período trabalhando com Geomorfologia.17 n. .41 n.MG (Cardoso. isso foi no período de 59 a 62. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. deste conjunto destacam-se três. através da avaliação do setor terciário das cidades envolvidas. juntamente com Pedro Geiger. 1963) e Carauaru (RBG v. trabalhando com a técnica de mercados mínimos para medir desequilíbrios intra-regionais (RBG v.3 jul. Sua colaboração com Lysia Bernardes e Pedro Geiger na década de 60.31 n./dez.

Região. fizeram-na germinar” Sua produção pode ser avaliada de várias formas.3 jul. a de “Planejamento Urbano”. a seu ver.51 n. mas ele mesmo foi o seu mais completo avaliador. Estudos Básicos para a Definição de Pólos de Desenvolvimento no Brasil (RBG n. meu foco de interesse já havia mudado desde 196l. “A Monbeig e Rochefort que lançaram a semente. deveriam ser objeto de estudos no futuro (Corrêa. A Milton Santos.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA). Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. um no final dos anos 60 (Corrêa. Lysia Bernardes. 1989)./mar. Espaço Urbano. o capítulo Sistema Urbano do volume Região Sudeste de 1977 em co-autoria com Olga Maria Buarque de Lima e sua tese de mestrado em Chicago.De certa forma. a “Tradicional” de inspiração francesa. paralelamente. e também propositivo. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. ao ter elaborado dois trabalhos de análise do “estado da arte” sobre o tema de redes urbanas. Pedro Geiger e Elza Keller que. 1967) em coautoria com Rubens de Mattos Ferreira do EPEA./set. foi também mostrada na epígrafe do seu segundo artigo de avaliação da produção geográfica sobre redes urbanas (RBG v. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lysia Bernardes sem a menor dúvida. eu já acompanhava de perto e namorando. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. uma coletânea de seus principais trabalhos em segmentos de pesquisa da Geografia (Redes. com a publicação do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa. A principal característica da trajetória profissional de Roberto Lobato Corrêa na Geografia Urbana brasileira foi sua total inserção nas quatro correntes metodológicas por que passou a Geografia Urbana no IBGE. orientada por Brian Berry Variations in Central Place System: ana analysis of the effects of population densities and income levels em 1974 na fase “Quantitativa” e Repensando a Teoria das Localidades Centrais na coletânea Novos Rumos da Geografia Brasileira. no final dos anos 60. dos anos 60. ao elencar algumas linhas de pesquisas que. Fany Rachel Davidovich e Pedro Pinchas Geiger./jun.29 n.32 n. Outra constatação sobre essas influências. coroando sua vida profissional... de enfoque analítico sobre as diferentes abordagens dos estudiosos ao tema.1 jan. 1997). também de inspiração francesa sob a orientação de Michel Rochefort. o que a Lysia fazia sob orientação do Michel Rochefort.. Tempo e Cultura). 1988) e. na fase “Marxista”. Seus principais trabalhos em cada dessas fases foram Cidade e Região no Sudoeste Paranaense (RBG v. na fase de “Planejamento Urbano”.. 1968) e outro no final dos anos 80 (Corrêa. Espaço e Empresa e Espaço. outro. quando eu fui trabalhar com Lysia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. 1970) na fase “Tradicional”. 1989:113). . entre 1956 e 1964. a “Quantitativa” de inspiração anglo-americana dos anos 70 e a “Marxista” dos anos 80.2 abr. organizada por Milton Santos em 1982.

v./jun. 1976./mar 1981.1jan. 3 jul. que havia colaborado neste assunto no relatório do projeto Diagnóstico da Amazônia Legal para a Secretaria de Assuntos Estratégicos em 1995 e elaborou sua tese de doutoramento. Fany ingressou no IBGE em 1943 e afastou-se em 1945 ao casar-se. . A produção técnica de Fany na RBG inicia-se em 1961.2 abr./jun. O primeiro foi Speridião Faissol e sua equipe.1978).38 n. 1969).3 jul. 1961). Os estudos de redes no IBGE foi continuado nos anos 90 pela equipe do projeto Regiões de Influência das Cidades e individualmente por Miguel Ângelo Campos Ribeiro. v.2 abr. sobre a rede urbana da Amazônia. 2 abr.45 n. v. 1971 e v.1967). (RBG v. 1983.1 jan.23 n. trabalhando a justaposição de três tipos de redes: a rede do centros de produção./dez.2 abr.49 n. transita pelos estudos de Geografia industrial em 1966.1 jan. atualmente leciona na UFRJ. alguns trabalhos teóricos e de orientação de políticas sobre o processo de urbanização./mar. 1986. estuda os fluxos de bens e pessoas no processo de regionalização urbana (RBG v.39 n./set. 1975. que geraram uma grande série de análises sobre a estrutura urbana brasileira. 1982). 1978. v. participa do grupo de trabalho sobre a definição de pólos de desenvolvimento (RBG v. orientado por Roberto Lobato Corrêa. que a fizeram conhecida no ambiente de planejamento urbano federal (RBG v./mar.44 n./mar. tanto para trabalhos no âmbito do IBGE. v. v. que contribuiu enormemente com seus trabalhos e relatórios. analisando o papel complementar das pequenas cidades na composição das redes urbanas e exemplifica certas áreas no Brasil. Uma linha de pesquisa altamente promissora.1 jan./mar.Num de seus últimos trabalhos publicado na Território .49 n.4 out.31 n.40 n.43 n./dez.1 jan.3 jul. quanto para pesquisas de futuras teses universitárias(Corrêa. a rede de centros de distribuição e a rede de centros de gestão (Ribeiro. 1998).4 out.2 abr. Roberto retoma a questão da rede urbana sob o novo contexto da globalização.29 n. que tendiam a explicar em termos mais políticos do que técnicos os processos de urbanização.40 n./jun. abrindo com isso canais de comunicação mais efetivos entre as áreas de planejamento urbano situadas em agências como o SERFHAU ou o Ministério de Urbanismo e o IBGE. 1977.36 n. juntamente com Olga Buarque de Lima e Maria Francisca Cardoso elaboram o projeto de aglomerações urbanas (RBG v. mas que geraram uma boa complementaridade aos olhos dos outros técnicos da área de planejamento federal.48 n./set.33 n. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira no IBGE em 1959 e aposentou-se em 1993.37 n. 1987).1 jan. v./jun. v. v. Miguel Ângelo Ribeiro aposentou-se em 1999 e atualmente leciona na UERJ./mar. elabora paralelamente. 1974. trabalha com redes urbanas no Nordeste em dois momentos distintos (RBG v. com um artigo em co-autoria com Pedro Geiger Aspectos do Fato Urbano no Brasil. 1987. apoiados em técnicas quantitativas as mais diversas. A área de análises sobre o processo de urbanização foi a arena de dois profissionais que produziram dois tipos de trabalhos bem distintos./jun./set. e o segundo foi Fany Rachel Davidovich. 1999).

Tendências Atuais na Geografia Urbano /Regional: teorização e quantificação (Faissol. seguiram para Inglaterra. A RBG 47 (1/2) jan. Olga e posteriormente Evangelina. Marilourdes L. ao correlacionar tamanho populacional com características funcionais. foram os profissionais do IBGE que mais se dedicaram ao estudo dos novos métodos. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Faissol. Pedro P. L. J. que organizou a estrutura dos capítulos que vão da teorização. que foram mais explorados no contexto dos trabalhos classificatórios de centros urbanos. G. Olsson. migrações internas. Faissol mostrou uma impressionante capacidade de. 1972). mas continua a produzir como consultora em diversas agências de governo. M. Oliveira. Lasuen. . Evangelina Xavier G. análise regional. Olga Maria B. Cole.. também organizar congressos e simpósios para divulgar os métodos quantitativos na Geografia e de editar coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados a essas técnicas. principalmente no contexto dos estudos dos sistemas urbanos da coleção Geografia do Brasil de 1977. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. gerando o fator tamanho funcional. 1978). e trabalho de seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. além disso. muito citado nos trabalhos do período (Faissol. se deu através de Brian Berry. B.1975). coletânea de artigos de 15 geógrafos e economistas brasileiros sob orientação de Faissol. Brown. embora alguns outros tenham também utilizado essas técnicas. Dacey. Geiger. . Roberto Lobato Corrêa. 1985. . O envolvimento de alguns geógrafos do IBGE com a Geografia Quantitativa sob a liderança de Faissol. análise discriminante. geógrafo inglês especializado em métodos quantitativos. entre 1970 e 1978. correlação . caracterizavam-se pela tentativa de absorção dos métodos quantitativos. Hilda da Silva. coordenador do Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). Além de Speridião Faissol.( Hilda veio a falecer em Chicago no período do doutoramento em 1975). Roberto Lobato e Hilda da Silva foram para os USA . . 1971) preocupado em estabelecer uma base mensurável para Teoria dos Lugares Centrais definida em 1933 por Walter Christaller (1966) e John P. F. passando pelas técnicas de análise fatorial. lista 20 trabalhos sobre urbanização. desenvolvimento econômico. 1972)./jun. .retornou em 1960 e aposentou-se pela compulsória em 1992. análise de agrupamento. Perroux. Ferreira. além de escrever. geógrafo norte-americano com especialização em Geografia dos Mercados de Varejo (Berry. especialmente as análises multivariadas que conjugavam conjuntos de variáveis demográficas e econômicas a um grupo de lugares (cidades) e espacializavam as correlações que emergiam do algoritmo (Cole. de Lima. Os trabalhos da fase “ urbana” de Speridão Faissol e sua equipe. A produção geográfica de Speridião Faissol sobre a urbanização brasileira foi muito extensa. teoria.

56 n. Foram detectados 158 trabalhos realizados por geógrafos do IBGE dentro e fora do contexto editorial da casa.canônica. quanto em outras publicações.4 out. 1965. Apesar da estruturação dos tópicos apresentados não se encaixarem totalmente nos propósitos desta pesquisa. 1974). outro tipo de pesquisa obrigou a Geografia Urbana do IBGE a trabalhar numa escala quase local para o estabelecimento das nove áreas metropolitanas brasileiras (RBG v. e muitos projetos foram desenvolvidos na escala intra-urbana. a primeira grande pesquisa realizada por um grupo da Divisão de Geografia. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. tanto em publicações editadas pelo IBGE ou em co-produção./dez. na década de 40. O grupo. Além dos quatro trabalhos precursores de Jeronymo Cavalcanti e da atuação de Everardo Backheuser. foram consideradas como trabalho da Geografia do IBGE. sobre a área central do Rio de Janeiro. apresentada no I Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 1989 em São Paulo e publicada na RBG v. Um exemplo disso foram as teses de pós-graduação que foram editadas pelas respectivas universidades. mas se foram realizadas por profissionais da casa.31 n. embora não esteja enquadrada na escala de atuação de uma agência do governo federal. Outra área dos estudos urbanos que. 1968) e ao livro didático de Ceçary Amazonas sobre a Guanabara (Amazonas. cadeia de Markov. gerou muitos subsídios para o planejamento urbano foi a pesquisa intra-urbana. 50 trabalhos versando sobre os estudos intraurbanos e de autoria de profissionais de fora do IBGE foram verificados na bibliografia o . 1/4 (Abreu. para subsidiar o segmento de estudos do processo de metropolização e de aglomerações urbanas. Por outro lado. que normalmente abrange o Brasil e suas macrorregiões. A melhor fonte para análise desses trabalhos realizados por pesquisadores do IBGE foi a revisão feita por Maurício Abreu no final dos anos 80. por ocasião da publicação. restringiamse aos cursos de Geografia Urbana que tratavam da cidade do Rio de Janeiro (IBGE. ainda no contexto das comemorações do 4 Centenário da Cidade ocorrido em 1965. com uma série de 15 trabalhos no Boletim Geográfico sobre aspectos geográficos da cidade do Rio de Janeiro. seu rastreamento bibliográfico foi de suma importância na avaliação dos estudos dos ibegeanos no que concerniu às pesquisas intra-urbanas. 1969). composto de 13 pesquisadores colaboraram com 14 textos que explicavam as diferentes funções dessa área do Rio de Janeiro e analisavam alguns processos de transformação urbana ocorridos na década de 60. No final dos anos 60. Mais uma vez a liderança de Faissol se fez notar. em virtude deles estarem efetivamente trabalhando no órgão. foi coordenada por Aluízio Capdeville Duarte em 1967. Normalmente as incursões dos geógrafos da Divisão de Geografia neste assunto. que também foram computadas. profissionais da agência escreveram. isto é. 1994) O Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação.

1986.B.1983. Os trabalhos anteriores de Geografia Agrária. públicos e privados e exemplificar suas ações (Bahiana. 1976. 1986).Modernização da agricultura A expressão modernização da agricultura tratará dos trabalhos de Geografia Agrária como um todo. 1983). 1978. (Bezerra. . Durante as décadas de 70 e 80. mas dará ênfase aos estudos empreendidos a partir da década de 60. principalmente o Rio de Janeiro. com tendo sido publicados sob a chancela do IBGE. (Almeida. foram tratados no tópico de ocupação do território e habitat. orientou as pesquisas sobre a espacialização das políticas públicas de implantação de infra-estrutura na área metropolitana do Rio de Janeiro. apesar de se entender que esta escala de abordagem não seria o que normalmente se entenderia como objeto de análise de uma agência de planejamento territorial do governo federal. 1986). 1982). Tal contagem foi importante para se acabar com a falsa impressão de que os estudos intraurbanos não eram considerados prioritários pela alta direção da agência.rastreada por Maurício Abreu. J. e que na década de 70 testaram alguns dos programas de análise fatorial e análise de agrupamento. 1979. classificar os principais agentes modeladores do solo urbano. 1988).. et al. D.1978). na maioria dos casos. favelização. Foram trabalhos que iniciaram uma aproximação maior com questões teóricas como o modelo de Von Thunen (Mesquita.1986). 1980. que no DEGEO e na UFRJ. a segunda foi Olga Maria Buarque de Lima Fredrich. como renda da terra. (Bezerra e Cruz.. três personagens foram importantíssimos na orientação dessas pesquisas Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. (O’Neill. violência urbana. 1981). onde a preocupação com os processos de modernização das atividades ligadas ao mundo rural foram mais explicitadas. C. (Mello. orientou a maioria dos pesquisadores que desenvolveram teses e trabalhos internos sobre a estrutura interna das cidades. experimentaram técnicas estatísticas mais sofisticadas para estudar questões como concentração. que além de trabalhar complementarmente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles. (Massena. 1997). (Vetter e Massena. 1983 1983/84). 1986/87). (Kossmann e Ribeiro. mobilidade urbana. 1981) e de estudar outros aspectos vinculados a estrutura intra-urbana de nossas cidades. e aspectos culturais e perceptivos (Mello. principalmente o Rio de Janeiro. 1982. (O’Neill e Natal. que trabalhou intensamente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles brasileiras e David Michael Vetter (economista do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE). 1984). em revistas ou em edições monográficas. Deste grupo. 1976. Cruz e Bahiana. 1987. 5 . muitos desses 158 trabalhos de pesquisadores do IBGE contribuíram para o entendimento do processo de metropolização brasileiro ao teorizar sobre os processos de estruturação intra-urbana. diversificação e combinação de culturas. N.1979. (Corrêa.

como características de certas áreas rurais do nordeste (Valverde. os melhores geógrafos agrários do IBGE entre os anos 50 e início dos 60. entidades de amplo escopo que passaram a liderar as ligações entre o campo e a cidade. Além de se concentrarem no acompanhamento da evolução dos Complexos Agro-Industriais .40 n. como é possível verificar nos trabalhos de Eloisa de Carvalho Teixeira (Teixeira. 1961). de “plantation” e de sistema de roças (Valverde. 1957). abr. 1948).1958) foi uma espécie de síntese desses conhecimentos. 1944. por conseguinte. Os trabalhos de Nilo concentravam-se nos processos de colonização de espaços do interior do país. que atuavam como estruturas referenciais para se entender o processo de ocupação do território via atividade agrícola e de colocar na arena de estudos o primeiro artigo sobre a teoria de Von Thünen (Waibel./jun. Mesquita em sua tese de mestrado na UFRJ em 1978 e publicada na RBG v.∗ e de publicar no Boletim Geográfico um artigo mais informativo e de comparações sobre o tema (Waibel. tanto na troca de insumos e maquinário. O mais importante introdutor dos estudos agrários com cientificidade no IBGE foi Léo Waibel. quanto nas trocas de mão de obra e nos serviços de transporte. mas também estruturou um quadro geral da agricultura brasileira nos anos 50 (RBG. Nilo Bernardes e Orlando Valverde. novas orientações enfocaram um outro expectro de problemas ao analisarem os efeitos do agribussines na concentração fundiária e tratarem com outra visão o acompanhamento da ocupação predatória das atividades rurais em todos os estratos de renda dos produtores.: 60-130. 1964)./jun. além de produzir os dois volumes do livro Geografia Agrária do Brasil (Valverde. comunicações e assistência financeira. 1959). v. iniciando com trabalhos vinculados aos processos de colonização e análise regional (Valverde. 1959). 1955. 1948) e enfocando processos agrários específicos na segunda metade da década de 50 (Valverde. A obra do Orlando valverde no contextos dos estudos agrários foi mais diversificada.Nos anos 80. sejam eles ricos e tecnificados ou pobres e sem qualificação técnica. 1961). ao combinar as pesquisas sobre colonização e Biogeografia. Seu livro Capítulos de Geografia Tropical e do Brasil (Waibel. Na década de 60. conceituação de sistemas intensivo e extensivo. .2.2. 1967. Seus melhores discípulos foram. 1958. 1952. 1957. resultado de suas pesquisas esboçadas em seu ∗ O modelo de Von Thünen foi novamente discutido por Olindina V. 1961. 1968. abr. Orlando concentra-se nos aspectos conceituais e de exemplificação de alguns temas de Geografia Agrária. 1968).23 n. Ao trabalhos iniciais da Geografia do IBGE no campo das atividades rurais restringiam-se a informar alguns fatos da evolução da produção brasileira como um todo ou por produto. 1951. 1955). 1978. além de no guia de excursão ao Planalto Meridional tratar com muito detalhe as características agrícolas da região (Valverde.

que posteriormente presidiu a comissão. Esse grupo desenvolveu linhas de trabalho em regionalização agrícola em escala nacional. o sistema estatístico da casa iniciou uma série de ações que sistematizaram as informações do segmento agropecuário e criaram outras campanhas. Em 1968 Elza Keller retorna ao IBGE. 1967). Tereza Coni Aguiar.3. além de terem trabalhado com essas técnicas nos capítulos temáticos da coleção Geografia do Brasil de 1977../mar. no contexto da obra Subsídios à Regionalização (Mesquita et all. juntamente com Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mesquita que continuaram o projeto. da economista Sonia Rocha e da socióloga Sebastiana Rodrigues de Brito./set. 1981) e iniciaram .32 n. onde apresenta os processos de ocupação agrícola em espaços cortados por estradas de integração na região Norte e Centro Oeste abriu as primeiras pistas para a questão da importância do sistema urbano na Amazônia (Valverde e Dias. A principal pesquisadora que comandou esse processo de mudança nos trabalhos agrários foi Elza Coelho de Souza Keller.3. armazenagem (RBG v. 1977). jul. 1984: 84). Pesquisas sobre concentração de cultivos (RBG v. 1989).: 137-143. 1968).curso de Geografia Agrária Geral e do Brasil ministrado na AGB do Rio de Janeiro em 1957 .. somado às informações de Mitiko Une quanto aos aspectos climatológicos vinculados às safras agrícolas. Seu trabalho.: 52-130.: 3-42. 1970).43 n.:41-86.:419-447. regionalizações em escala estadual (RBG v. no final dos anos 80. 1974). nas palavras de Alexandre Felizola Diniz “lançou as bases de um movimento de profundas mudanças na Geografia Agrária Brasileira” (Diniz. jul. Os contatos de Kostrowicki com Elza Keller resultaram em linhas de pesquisa que enfocavam preocupações com a qualidade dos dados estatísticos a serem trabalhados nos futuros trabalhos. Ainda na década de 60. Dora Rodrigues Hees. posteriormente tendo a colaboração dos geógrafos Rivaldo Pinto de Gusmão e Maristella de Azevedo Brito. coordenando uma equipe multidisciplinar Orlando volta ao tema.jan. uma outra vertente de estudos foi iniciada por Elza Keller ainda na UNESP de Rio Claro.39 n.3. juntamente com Catarina V. out. focalizando a Amazônia Ocidental através da rodovia Transamazônica (Valverde. 1978) e definiram proposições metodológicas sobre os estudos de desenvolvimento rural (RBG v./mar./set. jan. Com a chegada de Isaac Kerstenetzky à presidência do IBGE em 1970. sobre a rodovia Belém-Brasília. Posteriormente. testou os métodos quantitativos em tipologia agrícola (RBG v.1. ao orientar em 1964. um grupo de professores e alunos de especialização principalmente quanto aos estudos de tipologia agrícola sob a orientação da Comissão de Levantamento Mundial de Utilização da Terra da UGI e contando com o apoio metodológico de Jerzy Kostrowicki da Polônia. mas fica conhecida como uma pesquisadora que. Maria Elisabeth de Paiva Correia de Sá. após sua experiência de ensino em Rio Claro.36 n.40 n. Maria do Socorro Brito e Adma Hamam de Figueredo. que acabaram por suprir de dados a área de Geografia Agrária do agora Departamento de Geografia (DEGEO).4./dez. jul.1.1970).32 n. Dias. além de contarem com o apoio técnico de pesquisadores como Ney Rodrigues Innocencio./set. (RBG v. Luiz Sérgio Pires Guimarães.

Oliveira. com censos agropecuários qüinqüenais (pelo menos até a década de 90).3.:503-533. abr.1. Waniez. Pesquisa Pecuária Municipal (PPM). 1988). RBG v.39 n.:3-65. anuais como a Produção Agrícola Municipal (PAM)./set.:52-130. No contexto atual do DEGEO apenas Hadma Hamman Figueredo ainda lidera as pesquisas agrárias.: 3-49. 1977 . abate de animais.44 n. jan./dez. 1986).49 n. 1987 . A estrutura de dados do IBGE que o setor agropecuário oferece aos pesquisadores. produzindo uma espécie de Atlas das Fronteiras Agrícolas do Brasil (Hess.50 n. 1979 .4. RBG v. 1982 . a ser editado no fim do ano de 2000. jul. do leite. pesquisas mensais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). RBG v. escolhemos analisar os três segmentos mais importantes./mar./mar. estudos comparativos entre inserção tecnológica e marginalização de parte dos produtores rurais (RBG v.46 n./dez. em função do convênio entre o IBGE (DEGEO) e a MAISON DE LA GÉOGRAPHIE de Montpellier . de Oliveira estiveram na França mapeando e comentando os dados do censo agropecuário de 1985.4. 6 . jul.:3-10.:425-550./mar. de ovos de galinha e estimativas sobre a previsão e acompanhamento de safras.2. marginalidade rural (RBG v.1. 1984. além de pesquisas específicas como o levantamento da soja. sob o apoio técnico de Philippe Waniez e Hervé Théry as geógrafas Dora Rodrigues Hees e Evangelina Xavier G.46 n./dez. As mudanças de orientação de enfoque dos trabalhos de Geografia Agrária ocorridas nos anos 80./dez. jan.: 5-78. Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e semestrais como a Pesquisa de Estoques (PE). puderam ser percebidas nos artigos e projetos que passaram a enfatizar os aspectos sociais das fronteiras de ocupação ao longo das novas estradas de integração construídas na década de 70 . no Atlas Nacional do Brasil. out. 41 n./mar.:227-361.40 n. 1979). 1992). RBG v./jun.grandes projetos multidisciplinares em convênio com outras agências governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). 1998) e orientando o mapeamento do tema. No início dos anos 90.Caracterizações Ambientais Do conjunto de estudos que enfocaram o meio físico. RBG v. RBG v. linha de pesquisa precursora dos grandes diagnósticos sócio-ambientais que foram implementados na segunda metade dos anos 80 e durante a década de 90 (IBGE. Em virtude disso foram publicados muitos trabalhos de acompanhamento e evolução da agropecuária (RBG v. jan. jan. no qual é também coordenadora geral.:105-116. 1978 .:41-60.4. out. produção de couro. 1984).1.46 n.3/4.1. out. 1984). Théry.48 n. trabalhando com as conseqüências ambientais e políticas da ocupação em áreas de fronteiras de recursos (Figueredo. que propiciaram a geração de muitos trabalhos e garantiram o . Problemas de qualificação da mão de obra rural (RBG v.

n. 1945. 1946. 1948. profissionais como Emmanuel De Martonne com seu clássico Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico (RBG v.10./jun.255-287. autor da coleção O Homem e . precipitações etc.2. além de produzir artigos que tornaram-se clássicos (Ruellan. que em combinação com especializações como Botânica e Zoologia explicam uma grande parte de que se convencionou chamar de Meio Ambiente. abr.p.que dominou com maestria os conhecimentos integrados entre Geologia.1943). Este conjunto de saberes foi. 1947. tanto sob a forma de mapeamento. segmento de estudos que trata da espacialização da cobertura vegetal e da ocorrência de animais. como os Cursos de Férias para Professores e autor do Dicionário Geológico-Geomorfológico . RBG v.desenvolvimento profissional de alguns geógrafos. Alberto Ribeiro Lamego. RBGv. que também trabalhou no IBGE na década de 70 e que atualmente leciona na UFRJ (Guerra./jun. pressão do ar.9. 1949).9n. Amélia Alba Nogueira.4. jan. Antônio Teixeira Guerra. A Biogeografia. autora . out. regime de ventos.n. principalmente geólogos. A Climatologia. altamente prestigioso. nas primeiras décadas de atuação do IBGE. 1944. Atualmente.2.523-550../dez.185-248. p.n.1947./mar.57-82. também geomorfólogo..p. abr. além de mestres estrangeiros que foram os principais formadores da primeira geração de profissionais como o francês Francis Ruellan na Geomorfologia e o canadense Pierre Dansereau na Biogeografia. como também de profissionais de outras especialidades. 1963). que estuda em detalhes as relações entre os seres vivos num dado segmento espacial. e que apresenta quadros de referência sobre temperatura. um dos supervisores geográficos da Enciclopédia do Municípios Brasileiros e considerado um dos mais produtivos geógrafos do IBGE com 30 artigos na RBG. (Lamego. Seus trabalhos na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e sua série de artigos sobre as características geológicas e morfológicas do estado da Bahia ( Domingues.1948 ).. RBGv.1. campo que espacializa o conjunto de informações que a Meteorlogia nos apresenta quotidianamente.p. quanto sob a forma de textos explicativos dos processos de médio e longo prazo que garantem uma dada classificação climática mais geral. área da Geografia que trabalha com os processos formadores do modelado terrestre e que estrutura as principais tipologias relativas ao relevo do território. Biologia e Climatologia tornando-se um dos mais completos geógrafos físicos da casa. 1966). biólogos e engenheiros agrônomos. 45 no Boletim Geográfico.obra editada nos anos 60 e reeditada em 1999 por seu filho.5.. 12 artigos em publicações avulsas. Ruellan. formou profissionais como Alfredo Porto Domingues . verifica-se uma grande sinergia com a Ecologia. A Geomorfologia. tendo como iniciadores..

1974) além de completar a formação de engenheiros agrônomos como Alceo Magnanini (1952. abr. jan.de todos os capítulos de Geomorfologia da coleção Geografia do Brasil de 1977 Rangel Lima que chefiou o Setor de Geomorfologia do DEGEO na década de 70./mar.v. Na segunda metade da década de 40.13. p. Nos primeiros anos de estruturação do IBGE o estudo da Climatologia era feito por engenheiros como José Carlos de Junqueira Schmidt e Jorge de Sampaio Ferraz que preocupavam-se com métodos classificatórios e. 1952.3-15. Schmidt ( RBG v.4. 1946. pedólogo do Departamento de Produção Geógrafa desaparecida em acidente de avião do Projeto RADAMBRASIL no litoral sul ∗ .. apesar de não ter havido um professor “visitante” que tivesse formado profissionais por meio de cursos e treinamento específico. RBG v.. p. 1949) formou profissionais como Edgar Kuhlmann (1951. a permanência no IBGE do canadense Pierre Dansereau que.4n.3 há também um comentário na página 135. paralelamente.1n. do mesmo Jorge Ferraz sobre uma questão que continua atual: Aumentou a temperatura do mundo? O primeiro geógrafo do IBGE a tratar do assunto foi Jorge Zarur.1.3. Na RBG v.n. 1939) . Ambas as obras foram os principais instrumentos de estudo dos alunos de Geomorfologia de muitas universidades brasileiras.2./jun. caracterizavam algumas regiões brasileiras (Ferraz.n. No campo da Climatologia. o mais importante produtor de artigos sobre o tema.577590./set./dez..1951) e Fernando Segadas Vianna (1964).1951. 123-124. 1961.5 n.1 n.RBG. período em que a Climatologia passa a ser estudada mais sistematicamente por alguns profissionais da Geografia do IBGE. além de produzir trabalhos sobre Biogeografia (Dansereau. foi o paulista José Setzer. RBG v.465-500. p./set.out.. 1952.250-254.2. RBG v../jun. 1947.11n. o primeiro trabalho classificatório da vegetação brasileira foi elaborado por Lindalvo Bezerra dos Santos no Boletim Geográfico como contribuição didática e que foi considerado como a primeira tipologia apoiada nos aspectos fisionômicos das formações vegetais brasileiras (Santos. jul.abr. Até a década de 50. alguns geógrafos do IBGE dedicaram-se a estudar aqui e no exterior o assunto. 1943). ∗ e Gelson São também da década de 70 a coletânea de comentários sobre 201 fotos do relevo brasileiro organizado por Celeste Rodrigues Maio (Maio. p.223-264. jul. 1961). ao comentar a classificação climática de Köppen (Zarur. Walter Alberto Egler (RBG v.13. No campo da Biogeografia. 1942 . 1954) e Dora Amarante Romariz (1953.p. 1973) e reeditada em 1980 e o compêndio Fundamentos de Geomorfologia da professora da Faculdade de Rio Claro (atual UNESP) Margaria da Maria Penteado (1974). 1949). 1943).3.p.

1967) e o segundo. O primeiro grupo de especialistas em Climatologia no IBGE foi formado por Lysia Bernardes. Na década de 70 o Setor de Climatologia. out.. 1955). atualmente trabalha em consultoria ambiental monitorando o ecossistema da Baía de Guanabara.4.449-496.14 n. Sua produção neste período foi notável.. 1971)./mar. RBG v./dez./set. 1952).17 n. 1946 . RBG v. RBG v.619-620./mar. RBG v. após terminar seu doutoramento na USP. jul.. e após sua aposentadoria. esposa de Antônio Teixeira Guerra.8 n. No início dos anos 70.317-350. 1981)que.Vegetal do Estado de São Paulo e professor da USP.. principalmente por ser responsável por uma série que abordou a climatologia de todas as regiões brasileiras entre o final de 1971 e todo o ano de 1972. RBG v.. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. jul.3. p. p. tema de sua tese de doutorado na UFRJ (Amador./set. trabalhando com clima urbano (Monteiro.3-46. .16 n. fluminense. .33n.13 n. com uma incursão no tema caracterizando o clima da Região Nordeste ( Guerra. Nos anos 80. com 12 artigos na RBG. Edmon Nimer tornou-se o mais importante climatólogo do IBGE. e por todos os capítulos de Clima da coleção Geografia do Brasil de 1977. que se tornaria um dos mais completos climatólogos do Brasil. Outra faceta importante de Edmon Nimer foi sua capacidade de formar profissionais. p. RBG v. que na década de 60 abandonaria o tema e iria dedicar-se à Geografia Urbana (RBG v. M.1. out.. jan.13 n. RBG v. p. Filho.3.3-36./set./mar. 1951 . este último transferiu-se para lecionar na UFRJ. jan.1. p..473-479.4. p.. Amador. jan. E..29 n./dez. conheceu o trabalho classificatório de Henri Gaussen e Francois Bagnouls baseado nas relações entre clima e vegetação. Ignez RBG v. Nimer orientou a formação profissional de Ana Maria P. Marília Galvão durante seu estágio de especialização na França. p. p. Nimer auxiliou os dois na publicação de um artigo sobre climatologia dinâmica na região nordeste (Nimer. 1997). 1946 . A. P. o primeiro sob a forma de um artigo sobre as regiões bioclimáticas do Brasil (Galvão.1.3. Os resultados desse processo foram divididos em dois tipos de atuação. 1951) e Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra. a partir da segunda metade dos anos 60 até sua aposentadoria nos anos 90. jan. Filho e Elmo Amador.3-70.315-328. que enfatizava as questões sobre precipitação e suas relações com a produtividade agrícola (Setzer. sob a forma de orientação profissional inicial de Edmon Nimer no campo da Climatologia. Nos anos 60.1. aposentou-se do IBGE nos anos 90.57-80. Brandão (Nimer e Brandão.1. jul. RBG v. p. 1954).13 n. 1951 ./mar. E. destacando-se os estagiários Arthur A. chefiado por ele era um dos mais dinâmicos do DEGEO. jan. p./mar.8 n.338. indo também lecionar na UFRJ.

1990). 1977 e que inicia uma preocupação com as relações entre seres humanos e meio ambiente no sentido mais amplo.n.4. 1994). principalmente nas áreas de agrária e urbana e uma aparente queda de status que se configurou com mais clareza na década de 70. para pouco a pouco incorporar também áreas da Geografia Humana como Urbana e Agrária. O segmento dos estudos ambientais do IBGE sofreu duas grandes inflexões. contando com a criação da Reserva Ecológica do Roncador na periferia de Brasília e estabelecendo convênio técnico com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). quando houve desistência do autor do capítulo de Clima. uma na década de 60.Diagnósticos Ambientais e Sócio-Ambientais Integrados A segunda grande inflexão ocorreu em 1985. Projetos de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas . do Projeto RADAMBRASIL com toda sua estrutura de pessoal e equipamentos. com a absorção pelo IBGE. sem nenhuma exigência de qualquer tipo.PMACI I (IBGE. a chamada integração não ia muito além dos segmentos da Geografia Física e da Biologia.Seu espírito de colaboração com o IBGE pode ser medido por seu auxílio à coleção Geografia do Brasil do início dos anos 90. apresentando-o em tempo recorde em 1993. Um dos produtos desse convênio foi o livro Fauna do Cerrado organizado por Claudia Cotrim C.215-223. já aposentado. estabelecendo relações com algumas segmentos do meio ambiente. 7. da Costa e colaboradores (IBGE. No volume do Sudeste. No início. comentada por Luiz Roberto Tommasi na RBG v. coordenados por Irene Braga de Miguez Garrido Filha e Ailton . Nimer. enquadrando neste processo as principais correntes de Geografia Física. mamíferos e répteis da área estudada. coordenado por Rivaldo Pinto de Gusmão (IBGE. 1981) que apresenta uma lista preliminar das aves. Uma das grandes linhas de trabalho da SUPREN foi organizar os estudos de ecologia animal do cerrado do planalto central brasileiro.39. 1990) e PMACI II (IBGE. O resultado dessa primeira inflexão foi a criação da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SUPREN) em 1975 e a separação dos profissionais de Geografia Física dos de Humana que agora estariam na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE). inaugurando uma nova fase de trabalhos voltados para os grandes diagnósticos ambientais integrados. gerando um novo conjunto de grandes trabalhos conhecidos como diagnósticos sócioambientais integrados como o Diagnóstico Brasil.out. com o crescimento dos estudos de Geografia Humana./dez. que acompanhou os diferentes processos de ocupação do território brasileiro. Foi também desse período.p. a publicação da obra de Jean Tricart Ecodinâmica (1977). como no caso da poluição industrial. prontificou-se imediatamente a produzir um capítulo sobre o tema.

Foi no contexto de trabalho realizado anteriormente pelas equipes do RADAMBRASIL nessas unidades regionais que o IBGE passou a se integrar mais com secretarias estaduais de planejamento e de meio ambiente. O segundo. realizando projetos de Geografia em escala estadual ou meso-regional. Além disso. . 1989). 1990. Diagnóstico da Amazônia Legal. 1989). Tereza Coni Aguiar. da áreas periféricas de Brasília e da aglomeração de Goiânia no Centro-Oeste e na região sul com o projeto de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina. coordenado por Válter de Jesus Almeida e Wilson Duque Estrada Regis (IBGE. Salvador (BA). Para se ter uma medida da complexidade de interação entre as unidades departamentais do IBGE. O primeiro coordenado por Antônio José Teixeira Guerra (filho de Antônio Teixeira Guerra) antes de sua transferência para a UFRJ. IPEA e USP em projetos integrados como os do PMACI I e II. Pedologia. 1989) e do estudo geomorfológico da área de Rondonópolis –MT (IBGE. p. como no caso do estudo do uso agrícola da terra no sudoeste de Goiás em convênio com a EMBRAPA (IBGE. principalmente nas fases de planejamento. deve-se verificar as páginas de créditos (IBGE. Hadma Hamann de Figueredo.Antônio Batista de Oliveira e Teresa Cardoso da Silva. A análise sócio-ambiental dos módulos territoriais da Região Amazônica referentes ao Programa Nossa Natureza realizado no período final do governo de José Sarney (não publicado) e o Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal . Goiânia (GO) e Florianópolis (SC) que contam com excelentes profissionais em Geomorfologia. os projetos de Atlas Nacional do Brasil.131-132) e constatar que aproximadamente 220 profissionais tomaram parte nas diferentes tarefas técnicas e administrativas que envolveram estes diagnósticos.5. que avaliaram os impactos ambientais e sócio-econômicos do asfaltamento de dois trechos da rodovia BR 364 entre os estados de Rondônia e Acre. diminuindo as diferenças antes percebidas. PMACI. também tenderam a aproximar esses profissionais. pois foram incorporadas equipes regionais sediadas em Belém (PA). 1993) que estabeleceu uma regionalização de espaços identificados por suas características ambientais. p. O processo de absorção do RADAMBRASIL foi altamente positivo para o segmento de Geografia Física do IBGE. Na década de 90 a integração entre os profissionais de Geografia humana e os de física foi finalmente alcançada com os projetos do Programa Nossa Natureza na Amazônia. Olga Schild Becker e Irene Garrido Filha que ao coordenarem suas respectivas áreas de Geografia Humana. Além de distinguir áreas de conflito entre as ações humanas (extrativismo e agropecuária) e a capacidade de sustentabilidade desses ambientes. além de especialistas em áreas da Biologia e engenheiros agrônomos e florestais. Maria Monica O’Neill. onde atualmente leciona. coordenado por Antônia Maria Martins Ferreira (IBGE. Para isso contribuíram geógrafas como Solange Tietzmann Silva. trabalharam para uma suave integração com os pesquisadores da física e os do campo biológico.

Processos de determinação cartográfica (plotagem) de pontos e linhas que se inserem na rede de coordenas geográficas e que podem ser referenciadas a qualquer tipo de informação guardados em bancos de dados que possam referenciar esta informação a qualquer ponto da rede de coordenadas (georreferenciamento). Pesquisas e Estudos. foram descritas no documento Geoprocessamento no IBGE redigido por este grupo de trabalho (IBGE. com seus respectivos valores da terra (preços do m de terreno ou valor do imposto territorial urbano). percebidas por outros olhos. foi concebida uma rede virtual de coordenadas geográficas de grande precisão que era plotada por sistemas de satélites que enviavam sinais eletromagnéticos e garantiam resposta quase imediata a determinados aparelhos receptores que se deslocavam na superfície da terra. As principais diretrizes que envolvem essas atividades no IBGE. não acostumados com esse tipo de trabalho. 2 . Informática e Disseminação de Informações para avaliar o desenvolvimento das tecnologias e estabelecer as diretrizes básicas dessas atividades para o futuro. Os mapas construídos não possuíam muita precisão cartográfica. A partir de 1994 as atividades de Geoprocessamento no IBGE atingiram um estágio que obrigou a alta direção da casa a estabelecer um grupo de trabalho com integrantes das diretorias de Geociências. Olhos.As Atividades de Geoprocessamento O contexto tecnológico e operacional onde se estabeleceram os projetos de geoprocessamento no IBGE datam da década de 70 com as experiências de softwares como o SYMAP e SYNWU que mapeavam superfícies pré-determinadas. 1994). onde eram plotados dados específicos. vinculadas às Geociências também foram. Todos os estágios dessa evolução das práticas profissionais dos geógrafos e pesquisadores de outras especializações. Os sistemas iniciais vinculavam-se a navios (Imarsat) e controlavam aviões. Estava criado o Sistema de Posicionamento Global (GPS). mas davam uma boa noção espacial ou tridimensional do fenômeno. Essa a base operacional dos atuais Sistemas de Informação Geográficas (SIG ou GIS em inglês). de certa forma. Com o advento dos novos sensores colocados nos satélites militares americanos e soviéticos. Foram muito testadas áreas urbanas. e que tiveram quase sempre de aprender a ver como funcionava esse campo. na maioria dos casos. além das tecnologias derivadas da corrida espacial para garantia da localização dos artefatos espaciais utilizados nas atividades de exploração do ambiente extra terrestre. Esses sistemas são a base do que chamaremos em termos gerais de geoprocessamento. Posteriormente esses receptores diminuíram de tamanho e passaram a garantir a qualidade das medições geodésicas e a influenciar decisivamente na precisão e barateamento das campanhas geodésicas e cartográficas.

do que aos diretores que administraram a área das Geociências. . devido à grande heterogeneidade dos campos envolvidos. embora também. No próximo capítulo será possível ter uma noção mais aproximada das impressões que foram passadas por alguns presidentes e diretores sobre a atuação da Geografia e das ciências que lhe são comuns no contexto do IBGE. sempre foi difícil ter um diretor que conhecesse profundamente a atuação de todos os departamentos da diretoria.Estamos nos referindo mais aos presidentes do IBGE.

vinculou-se a não familiaridade com os métodos de trabalho dos geógrafos e a sua efetiva função no organograma de trabalho do órgão. como no caso dos economistas. dentro dos requisitos mínimos fixados pelo agora Conselho Nacional de Geografia (decreto-lei 218/38 de 26 de janeiro de 1938). ou ao confuso papel da Geografia. O propósito de garantir ao censo demográfico de 1940 a base cartográfica necessária ao deslocamento dos recenseadores. Esses erros de enquadramento entre o que era Geografia. como parte integrante do G do IBGE. sempre foi vista pelos geógrafos como uma das mais importantes áreas da casa. . se durante o longínquo curso de segundo grau. No caso dos presidentes. campos de onde vieram os 10 últimos presidentes da casa.As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia Sendo a Geografia uma área considerada atividade fim no contexto do IBGE e somente um pouco mais “jovem” que a Estatística. Cartografia e Geodésia nas fases iniciais da agência. estatísticos e cientistas políticos. foi também misturada à posição da Cartografia. foi uma das razões de ser (e possivelmente a maior na ocasião) da criação do Conselho Brasileiro de Geografia (incorporado ao Instituto Nacional de Estatística) em 24 de março de 1937 pelo decreto 1527/37. que causaram muitas dúvidas nos novos presidentes e diretores. Entender a diferença entre Departamento de Geografia e Departamento de Recurços Naturais e Meio Ambiente. quando entrou em cena a questão meio-ambiente e a incorporação do RADAMBRASIL ao IBGE em 1985. Instrumento legal que obrigava aos municípios cartografar seu território e enviar para a Secretaria do Diretório Regional de Geografia duas vias autenticadas. Essa visão um tanto parcial. que nos períodos iniciais era encarada pela alta direção da agência. a isto pode também ser acrescido os títulos de áreas departamentais. não era muito simples para quem vinha de outra área.Capítulo II . o presidente em questão tinha estudado Geografia Física e Humana dentro da mesma cadeira. Geodésia e Cartografia nos discursos antigos dos artigos de memória institucional que normalmente ficavam a disposição dos novos chefes. foram acrescidos dos problemas ocorridos entre a Geografia Humana e Física nas décadas de 60 e 70 e que acabaram trazendo novas dúvidas. Tais problemas podem ser percebidos quando analisamos alguns depoimentos de profissionais que ocuparam cargos de alta direção no IBGE (presidentes e diretores de área onde a Geografia se reportava). que dispunha sobre a divisão territorial do país e que ficou conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. devidamente acompanhada pelo decreto-lei 311/38 de 02 de março de 1938. à maioria dos casos.

Além disso, havia a dificuldade de se entender os diferentes papéis da Geodésia e da Cartografia no contexto da agência. Com a Geodésia apresentando dois corpos profissionais muito distintos, um altamente matematizado, com relações internacionais sistemáticas e fortemente exigente de tecnologia e outro constituído de profissionais que aprenderam o ofício no campo, durante as campanhas de levantamento geodésico, na maioria dos casos com pouca escolarização formal. A Cartografia parecia ser ainda mais complexa, pois misturavam-se áreas típicas de produção com grupos altamente qualificados de engenheiros cartógrafos e de profissionais vinculados à arte como os desenhistas de arte final e os cartógrafos que operavam na área de cartografia temática para ilustração de atlas. Somava-se a isto questões de transição tecnológica, tanto no que se refere aos contatos diretos com a Geodésia, quanto no que se refere à produção física das cartas, incluindo aí a impressão das folhas em gráfica própria, altamente especializada. Portanto, um presidente ou um diretor de área teriam de se adaptar rapidamente às peculiaridades dessa diretoria altamente heterogênea, com demandas muito diferenciadas. Além disso, é preciso entender que havia também os “notáveis” das “Velhas Guardas” em cada área específica e que alguns deles ocupavam postos de decisão na estrutura hierárquica do IBGE, além dos técnicos de assessoramento que poderiam esclarecer dúvidas e subsidiar decisões para arbitramento. Um presidente novo e sua equipe deviam aprender os códigos não escritos da casa, sob pena de sofrerem rejeição de parte do quadro profissional, ou de quase todo, como aconteceu em alguns casos. No contexto da Geografia, personagens importantes como Miguel Alves de Lima, Speridião Faissol, Lúcio de Castro Soares e Ney Strauch foram guardiões corporativos de grande valor no ambiente da presidência, por suas respectivas carreiras na alta direção da casa e liderança que exerciam junto aos demais profissionais. Catharina Vergolino Dias foi outra profissional importante nos contatos em Brasília, durante a década de 70, pois trabalhou como representante do IBGE nas assessorias da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e no Ministério do Interior durante os governos Médici e Geisel. Eram profissionais com muito conhecimento, tanto técnico, quanto administrativo e político e que sempre eram solicitados a darem opiniões e ajudarem nas decisões que envolviam a área da Geografia. Na década de 80, o engenheiro Mauro Pereira de Melo foi outra figura chave no contexto da criação da Diretoria de Geociências. Seus bons contatos com o segmento militar da Cartografia no contexto da Comissão de Cartografia (COCAR) evitaram conflitos na condução da coordenação cartográfica do país. No contexto interno do IBGE outros personagens, ao longo de suas carreiras, tornaram-se referências importantes ao ocuparem cargos de direção, onde as injunções políticas entre

diretorias e departamentos deveriam ser gerenciadas com muita diplomacia. O exemplo mais representativo na década de 80 na Geografia foi Marilourdes Lopes Ferreira, que após assessorar Speridião Faissol na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e na Diretoria Técnica nos anos 70, foi na década seguinte alçada a posição de Diretora Adjunta da Diretoria de Geociências, ocupando durante um bom tempo este importante posto. As boas relações institucionais da Geografia com as demais áreas do IBGE neste período, devem muito à diplomacia de Marilourdes. Em função desse quadro de referência foram tomados alguns depoimentos de presidentes, diretores e diretores adjuntos que gerenciaram o IBGE nos últimos 30 anos e que puderam dar seus testemunhos sobre a área onde a Geografia estava inserida. Os Presidentes Da linha dos 10 últimos presidentes iniciada por Sebastião Aguiar Ayres (04/04/196724/03/1970) e seguida por Isaac Kerstenetzky (24/03/1970-29/08/1979), Jessé de Souza Montello (29/08/1979-14/03/1985), Edmar Lisboa Bacha (10/05/1985-27/11/1986),Edson de Oliveira Nunes (06/01/1987-13/04/1988), Charles Curt Müller (03/05/1988-18/04/90), Eduardo Augusto Guimarães (18/04/1990-26/03/1992), Eurico Neves Borba (26/03/1992-15/06/1993), Silvio Augusto Minciotti (15/06/1993-30/03/1994) e Simon Schwartzman (05/05/199431/12/1999) que passou o cargo para o atual presidente Sérgio Besserman Vianna, foram tomados os depoimentos de Edson Nunes, Charles Müller e Eurico Borba presidentes que tiveram um papel importante em decisões que envolveram a Geografia. Eduardo Augusto Guimarães e Simon Schwartzman, presidentes que ficaram durante um bom período ainda não puderam dar seus depoimentos por diferentes razões, Eduardo Augusto ficou a frente da Secretaria do Tesouro Nacional, indo depois para a presidência da BANESPA, preparar sua venda, funções que o impossibilitaram de prestar depoimento sobre sua gestão. Simon Schwartzman ainda não pode ser contatado para seu depoimento, mas seus escritos cobriram perfeitamente sua gestão, provavelmente a mais dinâmica e de maior impacto dessas 10 últimas, em virtude das condições em que ele assumiu a casa em 1994 e pelo que deixou de positivo à imagem do IBGE junto a seus funcionários e a sociedade brasileira em 1999. Iniciaremos com a primeira parte do depoimento de Eurico Borba, enquanto Diretor Geral da gestão de Isaac Kerstenetzky (falecido em 20/06/1991). Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) Essa fase foi muito importante, pois seria na gestão de Isaac, administrativamente controlada por Eurico Borba, que seriam implementadas, na prática, as decisões sobre a nova estrutura organizacional do IBGE criada em 1967 (Decreto-lei 161 de 13/02/1967), modificando sua subordinação (deixando de se reportar à Presidência da República, como havia sido desde 1934) e passando a ser uma Fundação subordinada ao Ministério do Planejamento.

O presidente anterior Sebastião Aguiar Ayres conduziu o planejamento da campanha censitária de 1970, mas coube à equipe de Isaac executar o processo de coleta no segundo semestre de 1970 e realizar as tarefas de apuração e divulgação. Eurico conta como transcorreu, de seu ponto de vista o processo de montagem de um projeto de modelagem de uma matriz de insumo-produto financiado pela Fundação Ford e BNDE e a ser realizado por uma equipe coordenada por Isaac na PUC e na FGV, onde Isaac era pesquisador. E a súbita mudança para uma nova fase com a nomeação de Isaac para o IBGE em 1970. “...nesse período tumultuado e rico na PUC desembocou nesse projeto de uma grande pesquisa, então o Isaac concordou com a idéia de que não era fazendo um curso de mestrado e sim fazendo uma pesquisa para termos condições financeiras de trazer mais professores de horário integral, a pesquisa melhoraria o curso de graduação e naturalmente dois, três anos depois, seria naturalmente o curso de mestrado, doutorado, etc... então foi montado um projeto extremamente interessante, eram estudos na área setoriais, agricultura, os tradicionais, primário, setor primário, secundário, terciário, a parte demográfica, o setor externo, isso tudo se juntava... Isaac já falava... temos que se simular uma matriz de insumo-produto, temos que fazer um modelo de simulação econômico demográfico, isso tudo se fecharia então nesse grande modelo dos estudos do setor primário, secundário, terciário, setor demográfico, setor externos, todos os segmentos da sociedade. O BNDE deu esse dinheiro, foi assinado em janeiro de l970 e o primeiro desembolso dessa parcela foi feito, com esse primeiro desembolso da parcela, em fevereiro de l970 o Isaac achou importante como coordenador do projeto, se licenciar da Fundação Getúlio Vargas, nessa época o Professor Gudin e Jorge Oscar de Melo Flores, telefonaram para o reitor para saber que história é essa da PUC estar roubando o Isaac da Fundação ! O reitor ficou de olho arregalado, me chamou e nós fomos fazer uma visita para o velho Gudin, foi a primeira vez que estive com o velho Gudin, levei uma porção de livros para ele autografar e o Jorge Oscar de Melo Flores nos explicava que nós não estávamos roubando o Isaac, o Isaac continuaria, mas ele ia coordenar na PUC, claro dando uma carga de horário maior. O Isaac disse: olha Eurico você tem que fazer uns contatos... pois isso tem que ter uma amarração muito firme e preparou a minha viagem, eu tinha que ir a Fortaleza, lá na Faculdade Federal de Fortaleza conversar, eu já não me lembro os nomes das pessoas, mas era a idéia de acertar o convênio, de trocas de experiências com pessoas, uma rede com a PUC e depois em Belo Horizonte, também em São Paulo com o Miguel Coluassono que chefiava o Instituto de Pesquisas Econômicas. Por conta disso saí eu visitando esses centros, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo.... e aí já era Semana Santa, peguei um avião um Electra em São Paulo e fui passar Semana Santa com meus pais em Porto Alegre, minha mulher estava viajando junto, pegamos um temporal danado e tal.... e aí eu abro o jornal e está assim: Isaac Kerstenetzky nomeado Presidente do IBGE, eu virei para Henriqueta, minha esposa, e disse assim: acabou o Projeto da PUC, aí fomos lá para Porto Alegre, voltamos... eu me lembro que voltamos domingo de Páscoa e eu me lembro que a primeira coisa que fiz foi ligar para o Professor Isaac, ele atendeu... e eu dizendo...: o como é que está? Vi o jornal, parabéns, felicidades, o que o Sr. Precisar lá da PUC, o Sr. Sabe, conta com a gente...., ele disse: eu preciso de você! Só pude responder... Professor Isaac, o Sr. já está saindo, e se saio eu também, como é que fica na PUC ?... – Não se preocupe..., eu falo com o Reitor, amanhã, você apareça lá no IBGE...- e deu o endereço Franklin Roosevelt e tal... Eu quero começar no final da manhã... apareça no final da manhã, lá para ll:30.

Aí eu fui meio tonto para PUC, falar com Padre Ávila... o Padre Ávila... Meu filho, quem sabe se pode dar um tempo lá e um tempo aqui... então eu muito atordoado, esperei, e no final da manhã do dia seguinte estava lá... O Isaac disse olha: Eu quero você como chefe de Gabinete porque eu não quero trazer gente de fora do IBGE agora... mas eu estou aqui atordoado com essa estrutura... e a única coisa que eu posso fazer é nomear você Chefe de Gabinete, e aí falou baixinho, nessa época todo mundo tinha medo de telefones grampeados e de microfones ocultos, ele virou para mim e disse assim: Eu não confio em ninguém, eu não confio em ninguém ... Está bom, eu levei uma semana querendo continuar na PUC, afinal foram anos de discussão de projetos, mas acabei saindo indo lá com o Isaac... ficou no meu lugar Carlos Alberto Menezes Direito, hoje Ministro do Tribunal Superior...” (depoimento de Eurico Borba à RSA). A surpresa de Eurico e do próprio Isaac pela súbita nomeação foi explicada mais tarde aos dois por Maurício Rangel Reis, secretário geral do Ministério da Agricultura e depois Ministro do Interior no governo Geisel. O convite de Isaac ao IBGE veio de Veloso? “ O Maurício Rangel Reis foi quem lembrou o nome de Isaac ao Veloso para livra-lo de uma confusão de hierarquia militar, porque tinha sido nomeado um coronel e o coronel que durante muito tempo freqüentava o IBGE naqueles Conselhos ligados a essa área de ...geodésia e cartografia... o Decreto de nomeação desse coronel chegou a ser assinado pelo Veloso, e por conta de um problema de hierarquia militar... o general daqui da região era o comandante do coronel... deu três berros lá porque não tinha sido consultado, então criou-se um problema. Um problema para Veloso, que era o Ministro do Planejamento, e que havia indicado o coronel, que por sua vez aceitou, mas ele Veloso não tinha avisado ao general, então criou-se um problema de hierarquia militar... o general estava bravo, o Veloso indeciso... mas quem vou colocar? Maurício Rangel Reis levantou e disse: o Isaac. O Veloso disse, excelente, o Isaac... agora mesmo... ele era amigo do Isaac e falou com o Médici por telefone e o Médici então pediu o curriculum lá e tal e pediu para , para o negócio ser rápido e em 24, 48 horas... quer dizer: o Isaac não teria sido lembrado se o general não tivesse berrado com o coronel... e então o Isaac assumiu... Nos primeiros meses não sentia-mos seguros... quando nós estávamos lá, só os dois e queríamos conversar, nós dois saíamos para comprar jornal e íamos até o Aeroporto, tomar um cafezinho para conversar, porque tínhamos medo de que nas tomadas tivesse um microfone...” Quer dizer, tinha problemas internos da casa, além da questão militar? “E aí eu me lembro de uma reunião que o Isaac foi comigo... com o pessoal do Departamento de Censos, nós estávamos para começar o Censo de l970, e estava tudo atrasado. Então eu disse: Professor Isaac, não tem nenhum problema, eu levanto a bola, se o Senhor não estiver de acordo o Senhor pode me esculhambar, mas eu vou levantar as perguntas e o Senhor depois apazigua... comigo não tem problema, e eu fiz as perguntas mais indiscretas possíveis... porquê que o Censo não estava ainda todo esquematizado, naquela época em administração se usava muito “pert-cpm” então eu havia aprendido na PUC e tal e perguntei, vem cá essa operação censitária você tem um pert, e o Sebastião Reis que era o dono do Censo levantou da ponta, mas, se ele pudesse teria me dado um tiro... Eu fiz o Censo de 40, 50, 60 eu sei todo o processo, está aqui nessa pasta... todas as etapas, esta porcaria de métodos modernos só faz complicar... eu fiquei calado, o Isaac ficou calado por uns instantes..., virou para ele e disse: Eu só quis saber se tinha um elemento que a gente pudesse olhar, ao invés de estar te consultando pelo telefone. Eu disse: Olha Dr. Sebastião o Sr. desculpa, mas só que nós estamos no mês de abril, ou maio e ainda não temos os questionários prontos, os questionários não foram distribuídos, o esquema de distribuição que tem que utilizar Marinha, Aeronáutica, não sei quem mais, o Serviço de combate a malária - SUCAM, nada disso ainda está

pronto? Eu fico preocupado. Como é que dia 1 de setembro os questionário estarão no campo? Bom, na época teve um fato fantástico, tenho cópia desse material em casa, fui tirando cópia, naquele tempo era termofax, tinha um decreto-lei 200 e um Decreto específico de contratação de pessoal para o Censo e a gente pressionando para contratar pessoal, nós precisamos de pessoal, nós precisávamos de computadores, então o coitado do Chefe do Pessoal ficou tão aflito que dizia assim num despacho dizia assim: o Censo é prioritário, na época se usava muito a expressão Segurança Nacional, é uma questão de segurança nacional, portanto contorna-se a lei... e aí o Isaac rejeitava esses expedientes... que contorna a lei coisa nenhuma...tem que ser dentro da lei. Era um período extremamente dinâmico, que se trabalhava o tempo todo, numa tensão danada, denúncias de corrupção, denúncias de comunistas escondidos debaixo das mesas, cada pessoa que você admitia tinha que ter uma ficha do SNI ...Isaac então dizia para o Veloso... Ministro tem coisas que a gente tem que admitir amanhã, não vou esperar duas semanas, três, não mas o SNI tem uma regra. Tem uma regra para o dia a dia, mas para o Censo não pode ter regra, aí tivemos que vir à Brasília, para conversar com o Chefe do SNI na época, que era o general Carlos Fontoura, as apresentações foram feitas, vê como são as histórias, pelo irmão do Presidente Figueiredo, que era o escritor Guilherme Figueiredo... que era muito amigo do Clóvis Zobaran Monteiro... que era um advogado do IPEA e que depois foi para o IBGE... era chefe de gabinete lá em Brasília e o Zobaran foi lá no Guilherme Figueiredo e disse: Olha tem esse problema do Professor Isaac... se encarrega de ver lá com o Eurico de cuidar dessa história... então fomos a Brasília junto com Guilherme Figueiredo, Zobaran foi recebido por General Fontoura para explicar que nós não podíamos esperar e se tivesse algum comunista escolhido...depois a gente veria... O general deu aprovação... então resolvemos esses problemas. Então o ano de l970 foi tomado, tem outras coisas para contar, mas foi tomado basicamente pelo Censo. O Censo tinha que sair, já o ano de l970...” - Só uma pergunta. Em 70, vocês já pegaram o Censo mais ou menos sendo preparado, quer dizer, já havia um planejamento anterior... “ Sim, havia um planejamento do questionário, o estava atrasado era a parte operacional. O Isaac inclusive na Fundação Getúlio Vargas tinha trabalhado muito com Manoel Antônio, no Censo Agropecuário, com Rodolfo Wenshe no Censo Industrial, com Lira Madeira no Demográfico, então o Isaac como já era uma referência muito conhecida... pois era consultor do IBGE desde a década de 50, já tinha trabalhado no Censo de 60 como consultor, já sabia como estavam as coisas e estava acompanhando, o problema era operacional, rodar questionário, empacotar questionário, contratar recenseador, supervisor, treinar...” - Mandar para o campo, logística de distribuição de questionário no campo... “Exato... no ano de 197l, o Censo então coletado é um ano onde se começou então a repensar então o IBGE...que já havia virado Fundação em 1967, mas ainda não era efetivamente uma Fundação” Sobre a visão de Isaac a respeito da Geografia, Eurico conta que nos primeiros tempos de reformulação dos cursos da PUC, a percepção de Isaac sobre a Geografia não era nada boa, mas que esta visão mudou quando começou a trabalhar no IBGE... - Deixa eu só colocar um negócio interessante, você vai perceber que o IBGE como um órgão que tem geografia, estatística e cartografia ao mesmo tempo... é um dos poucos órgãos no mundo que tem isso, e que de uma certa maneira, as pessoas acham interessantíssimo, a maioria das pessoas que lidam com planejamento territorial no sentido amplo... de outros governos, de outros

países, que lidam com isso, dizem mesmo. Vocês não devem acabar com esse modelo, porque é um modelo muito interessante, aonde tem geografia que define a história do território, demografia, o Censo Demográfico que conta a população, a cartografia que faz a representação do território, e a geodesia que faz as medidas desse território juntos é algo que muito poucos países, acho que só o Canadá tem alguma coisa parecida... “ Espanha tem algo assim também. Bom, então com duas ou três semanas de IBGE... o Isaac pegou essa concepção lá de l935, 36, tinha alguma coisa de importante. Bom, depois, aí eu estou falando de maio, junho, o Isaac virou para mim e disse assim: Eu não me esqueço, estávamos caminhando lá no Aeroporto Santos Dumont..., antes tínhamos almoçado lá no Hotel Aeroporto e depois nós caminhávamos até lá conversando ele disse: Eurico os únicos que tem formação acadêmica para conversar qualquer coisa séria no IBGE são os geógrafos...” -Que naquela época eram exatamente a elite de formação acadêmica... a Velha Guarda “ E os únicos que eu estou podendo conversar são os geógrafos, então era Faissol, Miguel Alves de Lima, era o Pedro Pinchas Geiger, era a Lysia que não estava no IBGE estava servindo ao IPEA, o Isaac fez tudo para a Lysia voltar, o Lysia não quis voltar, Marília Galvão, tinha uma outra que depois foi estudar na Inglaterra, fez pós graduação? Olga ...?...” - Era Olga Buarque de Lima... “ Tinha uma outra senhora também, assim mais ruiva, de óculos∗, bom era um pessoal todo que tinha feito seu mestrado, doutorado no exterior, Estados Unidos e França, então isso fascinava o Isaac, porque do lado da estatística ele tinha pessoas que muitas vezes não tinham nem curso superior, tinham feito o Censo de 40, 50, 60 e estavam lá, por exemplo, o rapaz da área industrial, o Florentino, era uma pessoa excelente, ele sabia a estrutura de produção da Wolkswagem, da Carrocerias Marco Polo lá de Caxias do Sul, de cabeça, mas ele não tinha curso superior, bem ou mal ele tinha primeiro ou segundo grau. Havia muitos outros assim, e todos obtiveram diploma de estatístico por conta de uma lei que você levava lá um papel dizendo que você tinha participado do Censo como entregador de lanche e virava estatístico provisionado. Na área de demografia você tinha o Lira Madeira que já era um outro grupo diferenciado dentro da estatística que vinha de uma tradição do antigo demógrafo italiano Giorgio Mortara, que veio fugido do Mussolini e ficou aqui e dizem que o Censo de 40 que foi muito bom, foi ele que fez, e que criou a ENCE e que teve uma tradição grande de formar estatísticos principalmente da área de probabilidade e se esgotou ali nos anos 70 que depois por a ENCE é uma escola isolada, não podia ter mestrado, não sei o quê e aquilo ficou formando bacharéis o nível foi caindo... o IBGE não podia admitir... esses problemas da porcaria da gerência do pessoal do serviço público... então o Isaac começou a ficar entusiasmado com o pessoal da geografia, Faissol e Miguel Alves de Lima com certeza foram os que mais privaram da intimidade do Isaac, Geiger também, a Olga, Marília, também e muito do que se discutiu da reforma do IBGE, se deve a participação desse pessoal, e aí a idéia do Isaac de uma geografia, de uma ciência insepulta, ou morta mudou... e aí vai uma observação minha, minha Eurico eu via três grupos de geógrafos, talvez quatro, vamos assim descrever: l. o grupo liderado pelo Faissol que era a geografia quantitativa, mas na formação dos geógrafos, poucos eram geógrafos com idade de 50 anos de idade estavam dispostos a aprender matemática, estatística, o Faissol fez isso, outro era um grupo liderado por Miguel Alves de Lima que era um grupo ainda da geografia, eu vou usar essa expressão, porque não parece conveniente você corrige como achar conveniente também, geografia tradicional, descrições de territórios, descrições das cidades...”

Eurico se refere a Fany Davidovich

- O Miguel Alves de Lima ele é um geomorfólogo , quer dizer, é um profissional que trabalha com descrição da superfície, de todo o relevo e tal, e talvez isso tenha influenciado você... “ Quando eu fui para Brasília em 75, eu pedi um assessor de geografia e mandaram a Catarina Vergolino Dias, que hoje é uma grande amiga, uma irmã mais velha, mas Catarina era seduzida pela metodologia do mapa, ela ia para uma reunião comigo e queria levar mapas, para na frente do Ministro começar a desenhar, onde estava a indústria, onde é que estava a poluição, onde é que estava a corrente migratória, porque no mapa o pessoal vê, daqui pode codificar, eu digo, não Catarina, você tem que levar tabelas, você tem que levar pequenos relatórios, uma, duas páginas, tabelas, gráficos, aquilo não entrava na cabeça dela, gráfico, a tabela era o mapa desenhado...” - Não entrava mesmo, é tradição cartográfica mesmo, que é uma tradição do Miguel Alves de Lima... aprendida com Francis Ruellan “ Um terceiro grupo, era o grupo do meio ambiente que hoje são os precursores do meio ambiente do IBGE que era a geografia física, então tinha um chefe de gabinete do Miguel que era uma pessoa simpaticíssima, baixinho, o Lúcio de Castro Soares, então ele me mostrava com muito orgulho os artigos dele na Revista Brasileira de geografia de l940, 50, 60 os ventos de tal lugar, as marés, os mangues, a floresta, era uma camarada excelente, se a gente pegar um livro da época tem lá. IBG Superintendente - Miguel Alves de Lima, Chefe de Gabinete Lúcio de Castro. Então esse era o grupo, esse grupo me ajudou muito lá quando eu fiz a Reserva Ecológica do Roncador, e o quarto grupo, é um grupo que eu diria assim: dos magoados, que era um grupo de pessoas que foram maltratadas pela revolução, ou tiveram brigas metodológicas com os outros grupos internos e foram segregados, então para o exemplo eu estou falando do Valverde, que é uma pessoa que quando foi à Brasília me visitar lá por conta da Reserva Ecológica do IBGE me pareceu uma das pessoas de melhor qualidade, inteligência e tal, e tinha o Edgar o Kulhman por exemplo... então esse outro grupo de descontentes o Kulhman, o Orlando Valverde que estavam ressentidos. Catarina tentou recuperá-los, não foi possível porque, eu nunca fiz isso na minha vida acadêmica, mas vejo que até hoje se repete, você repele, o Faissol repelia esse pessoal, não aceitava, o Miguel Alves de Lima repelia esse pessoal, na área de geografia física eles também não entravam... e eles por sua vez estavam ressentidos com a situação nacional... - Existia um problema sério no IBGE é que nesse período a geografia física l970 quando eu entrei no IBGE a geografia física estava em baixa por alguma razão que até hoje nunca consegui decifrar bem, geografia humana e a geografia urbana fundamentalmente era a força e aí não sei se aí teve o dedo também de Lysia Bernardes, etc. e tal... “ Lysia Bernardes era outra que o Isaac tinha a maior admiração por ela...” - Exatamente, então o que você percebe é que quando eu entro no IBGE e aí eu entro pensando no contexto de geografia física, já que eu era escalador, eu era um cara de montanha... então eu entro na geografia imaginando trabalhar em geografia física e eu percebo que no DEGEO a geografia física está em baixa... quem está forte é geografia humana e quem está forte na geografia humana é geografia urbana e onde eu acabo trabalhando e onde eu acabo ficando... e começo a perceber que havia pessoas muito poderosas na geografia física como Alfredo Porto Domingues, como Miguel Alves Lima, como a própria Catarina que conhecia muito de geografia física... mas esse divórcio era forte, eu me lembro que grande parte de que se fazia de geografia no IBGE era geografia humana e na geografia humana no IBGE eram geografia urbana e agrária...além do grupo da geografia regional que solicitava apoio dessas duas.

“ Mas aí deixa eu contar o lado que eu sei de alguma coisa de bastidores, eu estava te comentando das patotas, os grupos, que até hoje você percebe na academia, eu não sei fazer isso, a gente sofre com essa história, mas acontece as pessoas ficam mais amigas, tem conversinhas especiais, segregam, nomeiam quem vai para Congresso, protege aquele grupo que vai fazer o mestrado, tudo por aí... o artigo na revista tem sempre prioridade, então esses grupos começaram a ficar muito claros delineados já em l970, mas o Isaac com aquela soberania dele, soberania não, aquele espírito sobranceiro dele pairando sobre esses problemas ele achava fantástico conversar com o Miguel, conversar com o Lúcio, com Faissol, com Geiger, e tem mais um grupo que não são especificamente de geógrafos, mas que conviviam com geógrafos por conta do antigo IBG e que é preciso ser considerado que é o pessoal de geodesia e cartografia, que no passado tinha uma força vamos dizer assim romântica Dalmi, que morreu em Brasília é um grande amigo que eu guardo assim na memória, Dalmi em l939 sai do marégrafo de Torres no Rio Grande do Sul e de cem em cem metros com aquela régua e tal, vai levando a linha de nivelamento que eu vi em l97l chegar no marégrafo de Torres e essa linha que saiu em 39 do marégrafo de Torres chega em l97l no marégrafo de Belém, Belém do Pará, com Clóvis lá do Ceará e o Daomi presente com uma diferença de apenas 42cm, a pé, esse pessoal de geodesia era então assim o carisma o Dalmi conta a história o Alírio Hugueney de Matos que nós homenageamos em l978 um velhinho fazendo noventa anos, nós fizemos uma base lá em Mato Grosso, numa cerimônia à noite, Base Alírio de Matos, o velho não podia falar, estava com falta de ar, oxigênio no velho para não morrer ali nos nossos braços, esse pessoal era o romântico, então, escutavam a BBC para calcular a hora oficial para ter observação das estrelas, latitude, longitude com rádio de galena, porque era período de guerra, as baterias se desgastavam rapidamente, então faziam rádio de galena para pegar a hora do meridiano de Grenwich para acertar os seus cronômetros e pegar os seus sextantes lá no interior do Mato Grosso e marcar as posições, era um pessoal fantástico, romântico, e tal, então foram heróicos na década dos 40, na década de 50, na década de 60... Che Guevara os abençoa, porque como surgiu a idéia de terrorismo na América Latina... os militares perceberam que era preciso mapear, e para mapear tem que ter o apoio geodésico e apoio geodésico toma dinheiro, eles nunca tiveram tanto dinheiro na vida como esse período, os primeiros rastreadores de satélites que foram funcionar no mundo foram nos Estados Unidos e depois no Brasil, porque tinham que pegar ali fronteira da Bolívia, Peru, aquele negócio todo porque os comunistas iam entram por ali, então o exército precisava para fazer mapas na escala de l:25.000, l:l0.000, mas aí o IBGE tinha que mapear a escala de l:50.000, então eles foram os primeiros rastreadores de satélites aquilo era um treinamento no Panamá, no Canal do Panamá, dinheiro a beça, então naquela época se compara ou caminhão, caminhonete, rádio, tudo, barraca, eu dormi no interior do Mato Grosso em barracas americana, se puxava o zíper por causa dos mosquitos era uma beleza...Era rede barraca, ficava balançando e deixava, era uma beleza, fiz tudo isso pela maior glória de Deus e grandeza do IBGE, então o pessoal de geodesia e cartografia na década de 70, tiveram um grande impulso por conta das guerrilhas... Por conta de um trabalho para o Ministério, tive que mapear as barragens no Brasil e Professor Isaac numa vez estava conversando comigo e eu disse: Professor Isaac, mas o esse dado aqui em escala de l:50.000 principalmente é um dado importante para barragens, para estradas também, ele disse: Eurico isso é importante, no dia seguinte teve uma palestra dele na Escola Superior de Guerra, o Isaac disse: Porque o dado geodésico para nós e essa carta l:50.000 vale tanto como uma informação demográfica e econômica porque pode mostrar aqui as curvas de nível para construir uma barragem, construir uma estrada e seus cursos alternativos...” - Eu imagino como os militares adoravam... “ Eu ficava passando, os militares adoravam, mas os Isaac numa dessas reuniões da Escola Superior de Guerra... um coronel lá levantou e disse assim: Se um dado econômico social for contra os objetivos permanentes da revolução o Senhor não acha que esse dado tem que ser escondido da população, não das outras autoridades e tal, que precisa saber, mas da população? O Isaac ficou branco e disse: Essa é a

diferença entre um estado democrático e um estado totalitário, ele pensou, vou sair daqui preso... Então voltando ao grupo quer não era geógrafo, mas de geodesia e cartografia teve muita força e era um grupo muito unido e disciplinado e com uma produção enorme...” - Até hoje a geodesia, a geodesia brasileira é uma das melhores, quer dizer é uma das melhores das Américas, ela só não é melhor do que os Estados Unidos pois o Estados Unidos tem um esquema geodésico muito grande, é muita gente, recursos, mas ela é extremamente, por exemplo, essa parte de GPS ela foi a primeira a implantar no Brasil, a implantar muito bem implantado no IBGE hoje é matéria comum... “ Então esse grupo de geodesia e cartografia nunca nos deu problema, na época do Censo, fazer mapas censitários eles respondiam com bastante eficiência, bastante rapidez, estavam preocupados na produção de mapas temáticos e aí tinham uma ligação com o pessoal da geografia muito grande... Mas na época começou uma brigalhada danada, Projeto Radam e o INPE sobre as primeiras fotografias de satélite e a imagem de Radar, então havia uma confusão Miguel Alves de Lima dizia que o Projeto Radam era uma porcaria, era um blefe, tinham um engenheiro agrônomo baiano, esqueço o nome dele agora...tinha esse engenheiro agrônomo que eu me esqueço o nome que dizia que o IBGE poderia acabar com o Censo Agrícola porque com imagem de Radam e imagem de satélite, fotografia com alta altitude, de alta altitude, faria previsão de safra...” - Naquela época se imaginava isso... - Mas aí imaginar que o Censo Agropecuário no Brasil... que é um negócio muito mais complexo, se limita a prever safra é outra história... O Isaac ficava uma fera com essa história, Miguel Alves de Lima alimentava dizendo que o Projeto Radam era uma porcaria, que o radar, nunca me esqueço dessa explicação, que o radar era na vertical, quando era inclinado as elevações...” - As elevações apareciam sombras, davam sombreamento... “ Então a parte de altimetria nunca era correta, que o dentro da mata Amazônia tinham verdadeiras montanhas, com mais de quatrocentos, quinhentos metros, aí vinha o Lúcio dizia que tinha andado lá por dentro que era verdade...” - Isso aí tem uma história muito interessante que em l974 eu fui num Congresso de geografia em Belém e o pessoal do Radam trouxe uma nova visão da geomorfologia da região Amazônica, a região Amazônica era conhecida como uma planície Amazônica, então era tudo plano, e ninguém se discutia, era plana, etc., e chega o Radam e mostra que não, é plana em termos, quer dizer: existem elevações, etc., e tal, então vamos ter que discutir a classificação de como nós vamos denominar essas elevações dentro de uma área que é em média planície, e aí isso causa um transtorno louco para todos os caras, geógrafos de geografia física que sempre falavam de planície Amazônica e planície é zero a dez metros, quer dizer, então a idéia é essa de zero do nível do mar a dez metros, e os caras não: tem planície, tem montanha de cento e tantos metros, cento e dez, duzentos metros, e isso foi um caos total em l974, porque a geografia clássica, geomorfologia clássica anterior definia a Amazônia como planície e ninguém queria largar disso e os caras diziam, não é assim e etc. e tal e aí tem toda uma discussão técnica sobre o radar do Radam era bom ou não era, se servia para mapeamento ou não... e o Miguel Alves de Lima possivelmente era um desses partidários que era contra ... Já Isaac descobrindo que os geógrafos tinham um nível acadêmico superior, eu estava falando com ele, na área da estatística tinha o Ovídio que era um advogado que virou estatístico, tinha aquele da Indústria que você trabalhou com ele, era um

velhinho fantástico, Florentino uma figura fantástica eu estava falando isso, ele sabia a estrutura da produção da Wolkswagem, da Marco Polo, tudo de cor...” - Ele se identificava com os questionários de tabulações especiais a mão, ele sabia exatamente o que podia e o que não podia fazer, marcava um “X” na tabulação... “ Mas não tinha nível superior, o Rudolph Wenshe sabia fazer as coisas e tal, mas era um quadradão ali da turma, formada no campo desde a década de 40, 50, 60... então o Isaac começou a conversar muito com Miguel Alves de Lima, com Faissol que tiveram uma influência muito grande nessa transformação do IBGE toda, nessa mesma época o Isaac começa a perceber, estamos já falando em 7l que tinha que trazer gente de fora e tinha que mandar gente para o exterior, para fazer mestrado e doutorado...” - Continuar o que a geografia sempre fez, aquela história de mandar pessoal para o exterior existe desde a década de 40... a geografia sempre teve essa política de, sistematicamente, mandar pessoas para o exterior para fazer especialização, pós graduação, etc., e tal... “ l97l, 72 começaram vocês chegar no IBGE...” - 73 foi o período de contratação em massa, 72, 73 foi o período forte em contratações... “ Nesse período foi Sônia, Madalena, Jane, Maristela, essa turma toda, Eurico Borba também fala da questão da urbanização no Brasil e no processo de estruturação das “áreas metropolitanas” , mas imaginando ser uma questão do início dos anos 70, quando, na verdade, o problema já estava na pauta dos geógrafos do IBGE desde meados da década de 60, inicialmente conduzido por Lysia Bernardes sob a orientação de Michel Rochefort e, posteriormente, por Faissol, Geiger, Marília Galvão, Fany e uma equipe denominada Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) no qual trabalharam, além de Faissol e Marília as geógrafas Olga Maria Buarque de Lima e Elisa Maria J. Mendes de Almeida. O grupo já havia publicado na RBG v.31n.4, p. 53-128, out./dez. 1969 um artigo que estabelecia os critérios para identificação e delimitação das futuras áreas metropolitanas, para que fosse preparado um levantamento estatístico especial a ser aplicado durante a campanha censitária de 1970. Mas como Isaac e Eurico, que chegaram em meados de 1970 no IBGE, provavelmente somente tiveram conhecimento desses estudos bem depois, quando o Ministério do Planejamento fez solicitações a respeito do problema. “ ...o governo começou a se preocupar com o problema da urbanização, aí também houve esses acasos felizes, l9..., eu já não sei a data correta, 7l, 72, começou a se discutir regiões metropolitanas e aí, eu estou falando discussão a nível de governo, executivo, quais os critérios para delimitar uma região metropolitana e aí...o Veloso tocou um telefone para Isaac... eu me lembro nós estávamos numa reunião, em que as primeiras PNAD estavam sendo discutidas... ele saiu, me chamou assim, chamou o Faissol e eu tenho absoluta certeza que o Faissol chutou... aquele negócio, ele percebeu a importância do negócio, o Isaac disse assim: O Veloso quer uma resposta para uma reunião com o Presidente Médici se nós temos critérios para fazer Região Metropolitana, o Faissol, quando? Nós podemos fazer... aí eles viraram acham que madrugada, no sábado, no domingo, e tal, eu me lembro que tinha negócio de número de ligações telefônicas, número de passagens de ônibus, foi para definir as áreas... e

logo depois, vocês colocaram na praça e até foi uma edição multiplicada por dois ou três da Revista Brasileira sobre Região Metropolitana, uma capa verde, e aquilo saiu, foi enviado uma mala direta e o Veloso começou a gostar da idéia...” - Já existia no DEGEO, por conta do Faissol, já existia um grupo chamado, quando eu entrei em l970, já existia um grupo chamado GAM que era Grupo de Áreas Metropolitanas, em que ele já estava preocupado com isso, porque que ele tinha conhecido nos Estados Unidos a história das Standard Metropolitan Statistical Area (SMSA) é um termo específico de definição de áreas metropolitanas e de definições estatísticas de áreas metropolitanas nos Estados Unidos. Ele tinha percebido esse processo no Bureau of Census dos Estados Unidos, tinha visto que isso era extremamente importante para o Governo Americano em termos de planejamento para transporte, integração, telecomunicações, etc. e tal... O DEGEO já estava trabalhando com isso em períodos anteriores, mas dentro de outros contextos... e aí você vê como o negócio tem ligação, Lysia Bernardes apresenta a idéia de que a rede urbana brasileira estava se modificando... a população urbana brasileira estava crescendo, estava começando a sobrepujar a população rural, coisa que na década, no Censo de 60 começa a mostrar isso, mais o Censo de 60 foi um Censo problemático... que não pode fornecer bons dados para esse tipo de pesquisa imediatamente... os geógrafos urbanos do IBGE já haviam percebido que estava acontecendo, mas sem certeza estatística... em 70 esse negócio ocorre e já é mais visível em outras áres do governo. Porém, as primeiras discussões aconteceram entre 60 e 70, a Lysia Bernardes começa a perceber isso através dos estudos do francês Michel Rochefort sobre rede urbana, estudos de redes urbanas, quando ela chefiava a Divisão de Geografia após 1964 e o Faissol pega essa idéia em 1868... quer dizer, a Lyzia vai para o IPEA, sai do IBGE vai para o IPEA e o Faissol pega esse mote... ele vai aos Estados Unidos, como ele tinha muito mais ligação com os Estados Unidos, ele tinha feito doutoramento nos Estados Unidos e começa a perceber que nos Estados Unidos essa questão é importante, etc. e tal, ele pega a tecnologia e todo o aparato estatístico, que isso era feito nos Estados Unidos e aí que de uma certa maneira começa a história, um pouco capenga, começa a história da Geografia Quantitativa que no fundo, no fundo, não é a geografia quantitativa é muito mais uma visão de um indivíduo que está numa área, numa agência de governo de planejamento, dele começara perceber o que é importante para municiar o planejamento de governo e aí, a história de geografia quantitativa acaba surgindo muito em função de uma questão de o Faissol perceber essa questão, isso aí que você está mostrando exatamente esse ponto... “ Mas tinha brigas internas grande, por exemplo eu me lembro o Miguel Alves de Lima, foi uma ou duas, várias vezes... ele dizia para o Isaac e para mim... o que esse grupo que estava fazendo... não era Geografia... eles não estão fazendo Geografia... e Catarina, que era muito mais livre no falar, amiga do Faissol, o pessoal gostava muito dela, eu me lembro lá, me lembro lá em casa em Brasília os dois praticamente se atracavam porque ela dizia assim ... você está traindo a Geografia, você está fazendo mal feito o trabalho que sociólogo, economista, demógrafo... você não tem formação específica para isso... nossa formação é para conhecer o território, a ocupação, escrever, descrição... então as brigas eram sérias e aí eu acho que nessa das áreas metropolitanas o Faissol forçou um pouco a barra, o Faissol percebeu que ele poderia ser para o Ministério do Planejamento, um instrumento de planejamento... o Veloso só aceitou porque achava que era um serviço que o IBGE estava prestando bom e que tinha o aval do Issac. O que o Isaac pedia para o Faissol, ele sempre dizia assim: você testou isso com o Lira Madeira? Testou isso com fulano e tal? Ele nunca deixava de falar isso, mas sempre falava isso e as vezes o Faissol ficava magoado e vinha se queixar para mim: o Isaac pensa que eu vou fazer uma coisa dessa? - Eu digo não, é uma coisa importante e tal. Eu falo lá e a o Lira Madeira, Valéria Mota Leite que trabalhava nesse histórico, na área de economia estavam chegando outros, a Maristela várias vezes checou coisas do Faissol... Um outro ponto da época foi a divisão em Meso Regiões... o Veloso sempre falava muito bem do trabalho de

Micro Regiões Homogêneas e logo depois dessa Lei o Faissol saiu correndo atrás e publicou Brasil em Meso Regiões ...” Este processo de regionalização em microrregiões homogêneas inicia-se em 1967/1968 e foi coordenado, primeiramente por Lysia Bernardes como chefe da Divisão de Geografia e de 1968 em diante por Marília Galvão que assume o Departamento de Geografia. O processo de regionalização em mesorregiões foi trabalhado por Faissol em 73/74 para ser adotado nos censos econômicos de 1975... “ Antes de você ir... deixa eu contar esse último fato... uma coisa importante para se estabelecer um contraste: Aí o IBGE teve uma função fundamental na definição das áreas metropolitanas e toda vez que esse problema de urbanização aparecia o IBGE era chamado, eu me lembro o Jorge Franciscone ficava uma fera... porque o Franciscone tinha sido nomeado para coordenar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, e aí era o Veloso... que dizia para o Roberto Cavalcante, que dizia para o Franciscone, Jorge Franciscone, já checou com o IBGE? Isto é, era o IBGE que batia o martelo nessa história..., porque aí a palavra final que tudo que se tratava de urbanização passou a ser do IBGE... Da questão das áreas metropolitanas, Eurico passou a relembrar o processo administrativo do IBGE na gestão de Isaac, com a restruturação administrativa da casa e a luta de Isaac com outras agências de planejamento econômico... “ Bom, mas então voltando ao Isaac sobre sua relação com o Departamento de Geografia e com os geógrafos do IBGE lá nos anos 70. Com a criação do IBGE a Lei 5878 em maio de 73 eu passei a Diretor Geral foram criados a Diretoria Técnica, a Diretoria de Informática, a Diretoria de Formação, a Diretoria de Geodesia e Cartografia, a Diretoria de Divulgação e a Diretoria de Administração, a Diretoria Técnica foi entregue ao Amaro Monteiro e tinha Superintendências Estatística Primárias, Estatísticas Derivadas, Estudos Geográficos e Sócio Econômicos e Recursos Naturais, aí já estava começando a surgir efeito a política voltada para o médio e longo prazo do velho Isaac...de contratar gente já com alguma formação, mestrado e doutorado e garantir aos funcionários do IBGE idas ao exterior para cursar aperfeiçoamento e fazer então mestrado e doutorado e aí nos anos de 74, 75. Foi um trabalho muito grande de estruturação do novo IBGE, o quadro de pessoal os critérios de promoção, verdade seja dita, o Ministro Veloso e o Mário Henrique Simonsen que estava no Ministério da Fazenda nas época nunca negaram nada ao Isaac... sempre foi possível nós garantirmos o nosso orçamento... em termos legislação se cita sempre a Lei 5878, mas se esquece de duas leis muito importantes, uma dela foi implementada com bastante vigor e a outra ficou no papel por dificuldades políticas que nós vamos mencionar aqui. Uma diz respeito ao plano de formação estatística e geográfica e cartográficas, estabelecendo periodicidade, abrangência e tal, isso foi implementado e tudo bem, e a outra é o problema da coordenação do sistema estatístico nacional que é confuso, porque na época como se falava muito já em geodesia e cartografia, geografia, estatísticas primárias, estatísticas derivadas como uma única unidade de estudos e reflexão sobre o Brasil, nós começamos a ter oposições muito sérias que pouca gente sabe..., que foi muito pouco explorando... Enquanto o IBGE, principalmente o lado da geografia por seus estudos de urbanização, metropolização, vários artigos sendo publicados na Revista Brasileira de Geografia era mais conhecido nas esferas de governo, e os primeiros resultados sobre Censo Demográficos de l970 também ajudaram... Por outro lado, no campo entre a Economia e a Estatística... depois as primeiras tentativas de construção da tabela de relações intersetoriais, as tabelas de insumo-produto e depois a idéia da construção do Índice Nacional de Preços do Consumidor, o restrito e o ampliado, até oito salários mínimos e até trinta salários mínimos, que partiu daquela grande pesquisa o ENDEF - Estudo Nacional de Despesa Familiar realizado em 74 e 75..., veja como isso tudo era encadeado... treinamento de pessoal, formação de pessoal, reestruturação da estrutura do IBGE, nova legislação, tudo isso sendo feito, visando a

a Jane Souto. anuais. bem formada e de doutorados. na escala de município e ele conseguiu isso realmente as duras penas ele conseguiu bancar esse projeto.. para trabalhar no segmento entre Estatística e Economia. na Lei das Informações Geográficas e Cartográficas e Estatística e na Lei do Sistema Estatístico Nacional. o futuro do IBGE é fazer isso tudo e fazer grandes convênios com as Universidades.. com sociólogos.. começa a vir um outro grupo de pessoas inteiramente diferente. o término do Boletim Geográfico e o término do IBGE como área formadora do corpo docente de Geografia. geografia física....” Ao Faissol é creditado a famosa matriz de quatro mil municípios de migração. para fazer estudos prospectivos para avançar teorias sociológicas.. engenheiros agrônomos... e aí começa uma interação muito interessante e muito fácil com o trabalho que os geógrafos vinham desenvolvendo. etc. que se fala a cada momento de propósito.. então elegantemente nós fomos sendo bloqueados nessa pretensão de expansão do IBGE. A área que ministrava esses chamava-se de divisão cultural e vinha desde seus primeiros da década de 40.. porque ele queria uma matriz de migração inter-municipal na medida do Censo de 80 que pudesse mensurar migração interna no Brasil no nível. econômicas. a hegemonia intelectual dos geógrafos se fazia sentir de uma forma muito marcante.... inúmeros só os trabalhos sobre cerrado que o IBGE fez naquele período. você quer acabar com o meu instituto. todo esse pessoal. o Veloso deu uma risadinha e disse: Isaac você continua um professor e o Élcio Costa Couto deu um pulo da cadeira: Isaac você é um traidor. você nunca disse isso para mim. o Ramonaval. economistas. 77 quando começamos apurar o ENDEF.. sistematizar. começamos com os primeiros testes do INPC... quando começamos a colocar as primeiras tabelas na matriz de insumo-produto para fora e começaram os primeiros resultados do PNADs consistentes. quando nós saímos em l979. de um lado por conta do IPEA e do BNDES.criação daquele grande instituto que seria o instituto capaz de escrever e interpretar o país em todos seus aspectos relevantes ao planejamento.. O Isaac disse assim: Veloso o IPEA está com seus dias contados.” ... Presidente do IPEA e que virtualmente deu um pulo da cadeira. Eu e Professor Isaac redigimos isso com cuidado auxiliado pelo Clóvis Zobaran Monteiro. e o IBGE nesse período terminou com essas . houve um problema interno com o Amaro da Costa Monteiro. compete ao IBGE coletar. sociólogos começam a chegar ao IBGE. já estávamos extremamente bem programados. a Madalena Cronenberg. que foram reclamar com o Ministro Veloso que o IBGE nos termos da legislação e é importante que vocês vejam isso na 5878.. através dos cursos de professores de primeiro e segundo graus e de professores universitários. a Teresa Cristina. ele deixou de ser Diretor Técnico.. analisar e divulgar informações. 77. essa era a idéia do velho Isaac. já estávamos bem adiantados para os estudos para o Censo Demográfico de 80 e Faissol liderou aquilo dialogando tranqüilamente com economistas.. geomorfologia. Até l976. que infelizmente quase não foi utilizada e acabou saindo do censo de 91.. como o IBGE divulgou na área de geografia.Existe um ponto interessante que sempre é colocado contra Isaac e Eurico. de IPCA até esse momento 76.. quando eles perceberam que nós queríamos isso. 75 nós começamos a sofrer elegantemente um bloqueio. mas a partir de 76. a Sônia Rocha. eu não sei se você lembra disso. Quando essa idéia começa a transparecer e os nossos adversários só foram perceber isso lá pelos idos de 74. o Isaac disse para o Veloso isso numa reunião estava presente o Élcio Costa Couto que era o Secretário Geral do Ministério... o José Burle de Figueiredo.. Quando em l978 se eu não me engano.... os principais interlocutores do Professor Isaac continuavam a ser os geógrafos.. 77. “ Eu acho que tem várias coisas que a gente podia chamar a atenção para um problema de publicaçõe.. quem assumiu foi o Faissol a aceitação foi tranqüila e a liderança dele foi tranqüila... analisar também... grandes convênios com o Centros Internacionais para fazer análise de dados. Isaac isso é uma traição. a Maristela Santana por exemplo na área de economia.

publicações do ano de 78. como surgiu os Recursos Naturais dentro do IBGE...” ... gostava muito do Isaac. os geógrafos reagiram muito mal.Mas eles achavam como que essa área de geografia física seria revitalizada? Porque como você fala.. mas o primeiro repique que me dá na memória é que Miguel Alves de Lima e Faissol juntos é que sugeriram a Isaac o término. me lembro não tenho a menor idéia. quer . essas coisas e nós conhecíamos bem porque Paulo de Assis Ribeiro foi professor da PUC e era muito amigo nosso. Isaac e eu uma vez falando disso já estávamos tão preocupados com o andamento dos recursos naturais. conversando com o Isaac resolvemos..duas atividades... de ele ter existido... Além isso... 79 da área de recursos naturais eram uns livrinhos assim sobre orquídeas do Brasil.. depois foi ser superintendente do Jardim Botânico até recentemente quando faleceu.. que gostavam e tal. que se não me engano ele era o editor.. e o Paulo Assis Ribeiro era um verdadeiro pioneiro nessa área dos problemas ambientais e já tinha criado cursos.. Catarina. Faissol. árvores do Brasil.” . que não viam mais sentido na publicação e que era importante fortalecer a Revista Brasileira de Geografia.” ... “ Curso de formação de professores eu nem. dentro da visão da grande instituição capaz de fazer a descrição do país e capaz de analisar todos os problemas sociais. porque logo depois surgiu um câncer no pulmão e ele faleceu logo depois.. 75. tinham pessoas que acreditavam. mas o outro aspecto eu não me lembro. você pega por exemplo. todos eram contra dizendo: isso é bobagem.. que existiam problemas. quem sucedeu o Paulo de Assis Ribeiro foi o Wanderbilt Duarte de Barros que é excelente pessoa. “ Foram publicados pós-mortem.Você não lembra como isso acabou? “ Não. o Isaac dizia: o Paulo de Assis Ribeiro poderia conversar com o Censo Industrial e verificar através de um cruzamento de dados que produtos que utiliza o seu processo produtivo que estão a poluir atmosfera e dali sair amostras e etc.. Ele ajudou muito na redação do texto da exposição de motivos da Superintendência e ficou conosco não mais que seis meses. escrito coisas sobre os problemas ecológicos e então o Isaac convidou-o para ele ser o primeiro Superintendente. dá a impressão que o divórcio havia terminado. que chegou a um determinado momento não sabia o que ia fazer com aquilo por falta de gente.mas isso o Wamderbilt não conseguia fazer.. Então. tinham curiosos.No início dos anos 70 já estava presente a discussão do problema ecológico. Clube de Roma.. era um ótimo botânico... mas o problema e que a visão setorializada versus a visão do Isaac que era uma visão integrada...... não me lembro nem do tema. Eu queria fazer uma menção ainda a um outro problema.. uma foi o Boletim Geográfico que era uma revista paralela a Revista Brasileira de Geografia e o outro era esses famosos cursos de formação de professores.Ou os trabalhos do Assis Ribeiro que foram publicados. por ter uma visão muito setorizada da questão. naquela época em l974. isso novo nome para o que nós fazíamos na década de 40 em geografia física. e aí foram todos. eu acho que o único que se opôs a isso foi o Lúcio de Castro Soares.. que o Wanderbilt não conseguia mobilizar gente. e aí nós tivemos dificuldades até o final do mandato do Isaac de encontrar uma pessoa com liderança intelectual capaz de levar a frente o projeto de recursos naturais.. reagiram mal à Superintendência de Recursos Naturais o Miguel Alves de Lima... não tinha gente com formação específica em recursos naturais. ele ficou no IBGE.. mas não tinham formação específica. O Boletim Geográfico eu me lembro e posso estar errado. e mas aí todos os geógrafos foram contra a idéia de recursos naturais. achavam que aquela história deveria estar sendo colocada a nível de Departamento no máximo do Departamento de Geografia Física revitalizada etc. quer dizer. e tal... entregar o problma para velha guarda e chamamos o Kuhlman entregamos os recursos naturais. trabalhos dele... econômicos. quer dizer..

ou uma recriação de uma área de geografia física que continuava sendo desconsiderada pelos geógrafos que estavam no poder.. você não pode separar a física da humana.” .. foram formados dentro da Geomorfologia e dentro da Biogeografia... sei lá depois da quinta ou sexta excursão. etc. e que o IBGE já vinha fazendo isso desde l940. e aí não é uma crítica ao velho Wanderbilt. quer dizer...Mas não podia ser uma recriação de geografia física. em que Eurico e Isaac imaginam em 76.dizer.. ele disse que chegou o momento.... não sei.. por vontade... não sei o quê e eu fui fazer outra coisa dentro da geografia. Amazônia . com censos econômicos. mas eu acho que havia uma questão de poder. um divórcio que é estranho. 76. alguns geógrafos humanos acham que estamos perdendo poder.. a coisa acontece. do contraste entre o pensamento de Paulo e de Wamderbilt.. de ocupação. 75. o Paulo Assis Ribeiro pegava. dizendo que esse troço de ecologia era geografia física com outro nome. só para ficar claro. biologia.” O contexto em que o Paulo Assis Ribeiro pensava foi o que vingou...... mas não era a visão que se queria. ele teve uma grande contribuição.Por exemplo.o divórcio se dá na década de 60. mas veja bem.. as coisas ficam interligadas. o élan da época. quando eu entrei em l970. e acredito que esse ponto. geologia. e isso é um negócio que até hoje é muito mal digerido por alguns geógrafos humanos. havia um divórcio bastante grande entre a geografia humana e física e a geografia física era alijada completamente e era considerada menor..” . Geomorfologia. já estava lá a Superintendência de recursos naturais. que estão fazendo a geografia andar.E aí é que entrou um negócio interessante.. “ E aí a área de ecologia que poderia ser o vetor recuperador de geografia física. porque todos os geógrafos da velha guarda foram formados dentro da geografia física. que até hoje não é muito explicado.. um rejuvenescimento.. com a Lei. mas aí nós saímos em 79 o negócio degringolou e .. uma separação entre física e humana.. acredito que seja uma relação de poder. da Climatologia.. saiam naqueles carros de excursões pelo interior e ele me disse uma vez porque que mudou de área....” . onde ficava a história Radam e onde o Radam se enquadra direitinho dentro dessa estrutura do IBGE e onde ficou claro até hoje esse problema.... gostem ou não.. depois o Paulo de Assis Ribeiro tinha uma outra visão que era capaz de integração com demografia.. era aquele negócio de ver solo.. acho que a geografia só vai poder caminhar se integrar-se à geografia física e a outras ciências do meio ambiente. a idéia de. esse é o ponto onde entra o discurso do Edson Nunes. onde. a corrente Miguel. a corrente Faissol. primeiro os geógrafos todos..... eu acho que não.isso deve ter batido de frente com esses geógrafos.. inclusive poluição. se viu que não tinha mais graça. não por necessidade. havia uma questão de liderança. e terceiro eu Isaac por conta. que nós voltamos à idéia de entrega para o pessoal de geografia física. “Mas em 1973. e sim uma visão integrada de meio ambiente. de população.... eu acho que muito pelo contrário. são os famosos diagnósticos integradores. até porque todas as atividades humanas tem a ver dentro da física e algumas coisas físicas tem a ver dentro da humana. que nunca foi devidamente discutida. são três idéias que vamos discutir aqui. e ele será o mecanismo moderno da geografia física. os grandes diagnósticos. “ O Faissol me conta que jovem.. talvez não tivesse a força. você tinha um divórcio entre geografia física e geografia humana e o Radam entra.. esse é um ponto extremamente interessante para mim porque eu tento entender qual foi a razão do divórcio.... “ E esse pessoal não pegava. bem jovem no IBGE.. climatologia. planta..

Mas eu acho melhor falar 92 num outro dia. “ Gestão Edson de Oliveira Nunes O próximo presidente.. “ Mas aí quando eu sai com o Isaac em setembro de 79. eu sou um homem do interior. foi fazer direito.. principalmente no que concerniu às articulações da montagem da Comissão de Reforma Administrativa (CRA). que acabou sendo parcialmente implementada em sua gestão. A importância do papel de Nunes no IBGE inicia-se muito antes de sua posse em janeiro de 1987. Edson Nunes foi um dos principais articuladores do programa de governo de Tancredo Neves. se formou nas duas. que talvez seja parecida no futuro com outras coisas. nós imaginávamos que a situação da geografia estava bem equacionada e aí. fiz mestrado em ciências políticas e aí me alojei definitivamente na profissão.” .. pois é em Berkeley que se estruturam os laços de companheirismo com uma elite de profissionais que viriam a representar papéis importantes no governo brasileiro da Nova República e após. cansou-se da medicina. por ordem cronológica. Cadê a velha guarda? E não encontrava ninguém.. gerenciamento costeiro.Esse mestrado de ciências políticas foi feito onde? “ Foi no IUPERJ. veio estudar em Niterói. Minha carreira é o seguinte: eu me matriculei. em l992 ficava berrando nos corredores. acompanhando as discussões entre Ministérios e influenciando nas decisões. Nunes também foi um espectador privilegiado do processo de absorção do Projeto RADAMBRASIL pelo IBGE em 1985. vocês pensaram grande para 1975...legal.. cansou-se do direito e resolveu simultaneamente fazer ciências sociais. que acabou por gerar uma crise. que ficou 16 meses no cargo. mas pensaram certo.. em substituição aos 18 meses de Edmar Bacha.que eu comecei em l972.. Sua gestão foi fortemente conturbada por movimentos sindicais que instituíram um regime de greves tão sistemático... Iniciaremos com sua vida acadêmica no IUPERJ e sua ida para o doutoramento de Ciência Política na Universidade da Califórnia em Berkeley. culminando com saída de Nunes e estabelecendo uma intervenção do Ministério do Planejamento através de Celsius Lodder que fica até a posse de Charles Curt Muller. a liderança de pessoas no IBGE não só o Faissol na geografia. então esse é o caminho. em determinadas áreas aquela área ia para frente... os rimas.. para a fazer vestibular de medicina. convertido tragicamente em governo de José Sarney e acompanhou de perto a gestão de Edmar Bacha no IBGE. você tinha o CEBRAP também no mesmo processo. achou muito fácil. quando o IBGE tinha determinados líderes bons. tipo CEBRAP que era a institucionalização dos institutos de pesquisa fora da estrutura estatal. mas que o IUPERJ estava passando por uma fase muito interessante nos institutos semelhantes do Brasil. Carajás.. pois não. daí para a frente oscilou entre as duas. lá no IUPERJ eu tive uma experiência.. e foi o que eu não encontrei em l992.. e era o governo militar . a dar seu depoimento para esta pesquisa foi Edson Nunes. etc. “ Carreira é uma coisa rápida e biográfica é isso.

havia uma pletora de recursos, o FNDCT, o FNDCT com bastante recursos e IUPERJ começou a se institucionalizar e fizemos um braço de pesquisa no IUPERJ e eu era o coordenador desse braço de pesquisa eu fui o coordenador, o diretor, o nome que tenha de pesquisa do IUPERJ de 72 até 78... O meu preceptor, ou orientador, ou mentor, era orientador de teses o professor Vanderlei Guilherme dos Santos, me ajudou fazer essa área e montamos então o braço não acadêmico do IUPERJ... Fiz uma tese de mestrado preocupado com isso, como é que é essa coisa de ter um instituto que é acadêmico que faz mestrado e doutorado, e faz pesquisa aplicada... a tese de mestrado. Divisão Social do Trabalho Intelectual... pensando nisso...na instituição, são carreiras acadêmicas e são essas pesquisas aplicadas, a banca era formada pelo Professor Vanderlei Guilherme dos Santos, pelo professor Edmundo Campos e pelo Professor Simon Scchwartzman, cujo me mandou refazer a tese toda, leu disse: não tá bom, você escreve bem, escreve rápido, faça outra...assim fiz... Depois disso eu fui para os Estados Unidos fazer doutorado de ciência política, passei um ano em Chicago, e o resto do tempo em Berkeley, fazendo doutorado em Berkeley, acabei o processo, em quatro anos e meio eu consegui matar a charada do doutorado com tese e tudo... A estadia em Berkeley durou até 84, 85 por aí... muito agradável porque Berkeley e Stanford se mostraram duas Universidades fantásticas, Universidades irmãs, com um programa conjunto de estudos latinos americanos e junto com alguns professores de Berkeley chamado Albert Fishllow, outro chamado John Worth que é um historiador especialista, um brasilianista, outro chamado David Collier, outro chamado Hilgard Stemberg que era um geógrafo brasileiro... que era professor em Berkeley, nós montamos um programa de estudos brasileiros que conseguiu um apoio financeiro substantivo de uma organização - possivelmente eu vou lembrar do nome durante mas cujo o executivo era o Keneth Maxwell que é um historiador, também brasilianista... que saiu de Portugal, etc., gostou do projeto, a organização era a Mellon Fundation... e tivemos três anos de um programa de economia política do Brasil... esse programa foi muito interessante e eu fiquei acabando o doutorado e trabalhando como coordenador do programa que deu uma experiência muito boa nos Estados Unidos, que de novo eu trabalhava numa área para-acadêmica, tinha meu escritório, no centro de estudos latino- americanos e trabalhava com essas pessoas, trouxemos vários professores brasileiros no período que conheci na academia brasileira, e latino americana, trouxemos o Didier O´Donnel que estava na Argentina e depois veio para o Brasil, trouxemos o Roberto da Mata para a lecionar, trouxemos Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso foi um programa muito ativo e recebemos vários visitantes e firmamos um convênio com o IUPERJ que deu início a coisa que hoje é comum no Brasil, que eram os estudos sanduíche, os estudos sendo as bolsas sanduíches ou bolsas de aperfeiçoamento... e recebemos vários para profissionais interessantes, Maria Hermínia Tavares de Almeida, teve um tempo conosco, Andréa Calabi teve associado ao Centro, quando acabava sua tese de doutorado, José Antônio Lavareda que estava acabando... sanduíche foi com o IUPERJ no grosso, Lavareda que hoje é um analista do Fernando Henrique Cardoso esteve conosco, ou seja, foi um programa muito de sucesso e aí formou-se nesse programa uma ligação entre vários amigos, Andréa Calabi estava lá, Paulo Zagen que hoje é Diretor do Banco Central... também dividia a sala conosco, Gerald Hayes que fez o doutorado em Busines Administration e hoje é membro do Conselho de Reforma do Estado, sócio da CONCENP junto com Calabi, também esteve lá fazendo o doutorado, Vanilda Paiva esteve por lá, o René Dreifus*** andou por lá, ou seja, foi uma época, muito rica e com esses recursos, nós fizemos, publicamos um livro nós estados Unidos John Worth e eu Tom Bogadshulth publicamos no Brasil, fizemos conferências isso estreitou muito os laços numa comunidade de cientistas sociais, o Fishllow é muito amigo de Edmar Bacha, e daí deu-se por conseqüência que fizemos um livro que está publicado nos Estados Unidos onde existe, no qual existem artigos de Pedro Malan e Régis Bonelli, Pércio Arida, André Lara Resende, Andréa Calabi, eu próprio, com Bárbara Guedes que é uma moça que hoje é uma professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Roberto da Mata, certamente... um grupo de professores brasileiros, etc., etc.

E essa estadia nos Estados Unidos, principalmente a fase que eu era coordenador do programa de estudos brasileiros com recursos e atividades, me permitiu fazer uma séria de atividades em San Francisco eu fazia programa de rádio, fazia atividades e ao mesmo tempo montamos essa rede de relações, porque Pércio Arida estava no MIT fazendo alguma coisa, o André estava não sei onde, ou seja, estabeleceu-se uma rede de conexões que acabou-se mostrando uma máfia, no bom sentido... meio de Berkelry, meio de doutorando no exterior cuja... no grosso entrou no poder em l5 de março de l985... portanto eu voltava dos Estados Unidos em dezembro de 84 numa situação muito esdrúxula, o IUPERJ já não me reconhecia mais, eu já tinha passado, não conhecia o pesquisador, não existia essa figura que era eu... então eu vim para a ser um pária, eu não era... nem professor, nem pesquisador e era PHD em hora imprópria... o grosso das pessoas do IUPERJ não tinham acabado o doutorado e também não me queriam porque eles não tendo acabado... como é que eu ia entrar no lugar deles, quer dizer, ficou uma situação esdrúxula, que foi resolvida, quando a partir de dezembro, novembro, dezembro de 84, ficou claro a montagem do governo, João Sayad seria o Ministro (Planejamento) e esses mesmos amigos que acabei de falar eles estavam todos envolvidos na mesma coisa, então começamos a fazer reuniões informais sem a menor noção, nenhum de nós entendia onde é que era o governo, o quê que era Brasília...” - Como era Brasília... “ Onde era Brasília, nós sabíamos, governo é uma coisa de militar corrupto que tem umas mansões muito grandes e que nós vamos lá e não sabemos o que fazer, eu me lembro de várias e várias reuniões na casa de Calabi em São Paulo, montando para a cá e para a lá, dá-se o homem, o Tancredo se elege, vamos nós para a Brasília, em março, em começo de março... não tínhamos dinheiro para a ir, a FIPE pagava hotel de todo mundo... bancava todo mundo, estamos lá e todos sentados no meio fio no dia quatorze vendo, o Tancredo ser enterrado, começou um governo no qual o João Sayad na área de planejamento era o Ministro, Andréa Calabi era o Secretário Geral e eu era o secretário Geral Adjunto, e nosso pânico com o setor público era absoluto, nenhum de nós tinha vivido com o governo exceto Andréa que tinha trabalhado com Serra e Sayad no governo de Montoro em São Paulo, eles tinham um pouco de noção lá...” - Mas aí é uma noção de São Paulo, não uma noção de Brasília... “ E a gente chegava lá com medo, tinha medo das Secretárias, medo dos Assessores e ao mesmo tempo tinha recomendações de Delfim deixou recomendação de dois ou três, o outro falava de dois ou três, ou seja, tivemos que entender uma Brasília que para a nós era incompreensível, estávamos muito medrosos, mas ao mesmo tempo tínhamos que tocar o barco, e chegamos ainda a um governo que não imaginávamos... tínhamos imaginado o governo Tancredo e tínhamos o governo Sarney, complicado, conflitivo com a Fazenda... E a minha carreira então que tinha sido voltada para uma atividade para- acadêmica, ficou claramente para-acadêmica... eu me sentei na cadeira de Secretário Geral Adjunto... que tinha, por um lado, obrigação de supervisionar o IPEA, órgão do qual eu morria de medo, porque o IPEA para a mim era um mito, como é que eu podia falar alguma coisa para o Régis Bonelli, para o Eustáquio Reis, para a aquela gente que para a mim eram amigos de praia... mas ao mesmo tempo tinha por eles um respeito... tinha que supervisionar o IPEA, tinha alguma supervisão com relação ao IBGE, mas que ficou com Edmar Bacha, portanto estava distante e fizemos uma divisão de trabalho na Secretaria Geral, Andréa Calábi gostava daquilo que seria as áreas duras de governo (hard) indústria, finanças e etc., e ele não gostava das coisas que chamava de soft que era Ministério da Cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, todas essas coisas ficavam por minha conta, então eu cuidava do orçamento de quatro ou cinco Ministérios, Andréa cuidava das coisas importantes na cabeça dele, isso me deu uma convivência permanente com um grupo de cientistas que já eram meus amigos por causa de Ciência e Tecnologia... tudo uma convivência com o pessoal de Ciência e Tecnologia, por causa de Cultura, Educação

e fui aprendendo nesse processo, perdendo medo, ganhando medo, etc., entrando nessa carreira par-acadêmica, dá-se aí uma primeira aproximação com o IBGE... quando começam as discussões sobre o Projeto Radam...” - A vinda do Projeto Radam para o IBGE ?... “ Não, não, isso foi posterior... na época o que corria, era a extinção do Radam, mesmo... havia e não lembro... para a te falar a verdade, não lembro de onde surgiu isso... mas me lembro que havia a idéia de extinguir o Projeto Radam...” - Ele era do Ministério de Minas e Energia... “ Minas e Energia, eu não sei porque cargas ... ele estava na Bahia, ele estava sediado na Bahia... eu não sei porque cargas d’água alguém encasquetou que tinha que fechar o Radam... outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao IBGE. Meu contato, porque o meu contato acontece: é o seguinte eu tinha relação com o pessoal do IBGE que era o Bacha, Edmar Bacha e meu querido amigo, meu fraterno amigo, meu irmão Régis Bonelli que era o Diretor Geral de Edmar Bacha, então eu tinha com isso a melhor relação possível, e... mas como Secretário Geral Adjunto, encarregado das áreas soft, portanto, Ciências e Tecnologia, portanto, Radam o que quer que seja, o Andréa Calábi ou o João Saiad, olha Edson isso é um problema, você cuida aí desse Radam, com a seguinte coisa não me arranje problema com Renato Archer, faça o que quiser, mas não me arranje problema com Renato Archer, tá ali um menino, eu já não era um menino, eu tinha 36 anos por aí eu estou fazendo cinqüenta anos esse ano, eu tinha por aí, tá ali um menino ainda apavorado pelo governo e tem esse negócio de Projeto Radam, e não criar confusão com Renato Archer que é um mito e com o secretário geral dele Luciano Coutinho que era um homem muito doce, mas um homem muito competente. Bom eu não sabia o que era o Radam e aí comecei a perguntar as pessoas o quê era Radam e a cada vez que eu me informava eu ficava mais assustado, porque primeiro eu comecei a ser procurado por coronéis, capitães, generais, cartógrafos de toda natureza, foi pedindo audiência, audiência para a falar comigo e os generais, os coronéis e tudo mais e ainda me mandavam falar ainda com gente da Aeronáutica porque tinha aerofotogrametria, tinha interpretação de imagem de satélite, etc., e me diziam eles são bons, são competentes, mas são muito indisciplinados, são desordeiros e indisciplinados, você tem, nós temos que botar no IBGE, mas tem que discipliná-los e eu ficava com medo, eu já estava com medo de estar em Brasília, já estava com medo da burocracia, com mais medo eu estava dos militares, eu tinha sido devidamente preso em 68... aquelas coisas todas, ficava assustado com isso, por outro lado tinha o pessoal do Luciano Coutinho, que também não entendiam bem que porcaria de Radam era essa, mas me procurava e dizia: o Edson pelo amor de Deus, para com esse negócio de Radam, o Renato quer isso, o Renato Archer, quer...” - Qual era a idéia do Renato Archer sobre o Radam, o quê ele imaginava? “ Botar no CNPq, eu acho que era isso, botar como um dos Institutos do CNPq...” - É como seria uma espécie de INPE, um desses Institutos... “ INPE, um desses Institutos, e tinha o grupo da CPRM que não queria lá o Radam, mas achava que não podia acabar com o Radam, não pode acabar com o Radam. Bom, primeira convicção que eu tive não pode acabar com o Radam, essa eu firmei fácil, segunda convicção que eu firmei, é de que não podia entregar para o Renato Archer, engraçado, eu gosto do Renato Archer, sempre gostei, gostava, sempre gostei dele ...” - Mas você achava que seria a criação de mais um outro órgão...

“ Primeiro criar um órgão onde eu acho que não devia criar, segundo que não era um órgão acadêmico como os outros de Institutos do CNPq, tá certo, não tinha a ver com os outros de pesquisa de ponta do CNPq, terceiro porque eu me identifiquei com alguns militares, eu acho que era atração desenvolvimentista dos militares... nessa época eu me dava com dois grupos de militares, lidava com o SNI e com a Divisão de Segurança e Informação... que tinha um coronel lá que andava conversando conosco e era direita clara...visitava, falava sobre as greves e tinha que me prestar contas, e me prestava contas porque... o Ministro não queria falar com ele, o Secretário não falava com ele, lá eu falava com o coronel... e adorava a informação dele, ele me dava mapas de greves... que me dava para a fazer análise política... onde é que estava as tensões no Brasil e eu incentivei o homem adoidado que ele tinha uma máquina enorme, eu disse: coleta isso aí para a saber onde está o conflito, como é que é, era uma bela sociologia, pena que acabou... Mas ele não sabia fazer uso disso, ele me dava isso e ao mesmo tempo queria botar umas escutas em fulano e beltrano, mas um outro lado do Exército me encantou, os cartógrafos me encantaram num certo sentido, primeiro que achei gente, um povo que eu não conhecia, era um povo muito suave, muito suave, e parecia profissional, parecia um povo muito correto e ao mesmo tempo eles me diziam uma coisa que eu não imaginava ouvir da boca de militares, eles diziam... Edson não entregue para a Renato Archer que ele é sócio de uma firma de aerofotogrametria eles tem um avião, eles não sei das contas... o governo brasileiro vai perder o controle sobre as coisas fundamentais, esse Radam indisciplinado como é... tem um equipamento... um hardware que tem que estar na mão da Secretaria de Planejamento... Nós militares fizemos reuniões - me convidaram para a algumas, eu fui... reuniões estratégicas do alto coturno militar... eles concordaram, eles achavam que o Radam era um instrumento de planejamento, como instrumento de planejamento não podia ficar no Exército, não podia ficar em ligar nenhum, tinha que ficar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República... - E os militares sabem dessas coisas... “ E é o seguinte, e os militares falando claro, falando claro contra de um Ministro de Estado, e eu... mas que diabo de briga, mas o que é pior é o seguinte... eu tentava falar com o Calabi sobre isso e ele dizia: Edson, não me enche a paciência, isso é um problema é seu. Eu pedi audiência ao Ministro João Sayad, João eu vou te explicar, não, não me venha com esse Radam, eu tenho inflação, não me venha com isso Edson Nunes. E de vez em quando ele me chamava: Edson... o Renato está uma arara com você, aí eu falei: você não quer me ouvir... seja o que for... consegui navegar no meio desse conflito e, de fato, consegui fazer... o que eu acho que os cartógrafos do Exército queriam... fui visitar o Radam e ali fiquei encantado com aquele negócio, eles armaram um show, obviamente eles armaram um show, eu fiquei encantado...” - Não, eles são muito bons, eu os conheci em 74 em Belém e, o que eles apresentaram sobre a Amazônia era realmente muito bem fundamentado... eram técnicos muito bons... “ Fiquei encantado com o show, fiquei encantado com eles, encontrei lá morando em Salvador, meu velho amigo Juca Edson Farias no Projeto Radam, que eu conversei, conversei, conversei e tomei a decisão, convenci a SEPLAN tomar a decisão e os coronéis, generais, ajudaram... que o Radam ia para o IBGE... Aí fomos a reuniões de comando, eles ficaram agradecidos, etc., e aí comecei a fazer a interação com o IBGE, Edmar Bacha... assim como o João Saiad estavam se lixando para o Radam... claro, estávamos ás vésperas de fazer o plano cruzado, e parte do plano cruzado era organizado na cozinha da minha casa lá em Brasília, nós morávamos juntos, tinha de um lado o plano cruzado, do outro o orçamento, etc. Comecei a tratar com o Régis... e o Régis Bonelli foi elegantíssimo, preciosíssimo... entendido que era uma decisão da SEPLAN fazer isto... Régis começou a me trazer ao Rio para as reuniões de Conselho Diretor do IBGE, para as primeiras conversas sobre a preparação da entrada do Radam...e ao chegar aqui percebi que já havia um

complô de Radam com a área de Geociências, já estava armado... e Dr. Mauro Mello, que era Diretor de Geociências na época... ele tinha a confiança de Edmar, tinha confiança de Régis... e conversando com eles eu entendi que Mauro queria o Radam, ou seja... que IBGE achava bom o Radam. Bom... aí foi só resolver problemas menores, menores para o IBGE, grande para as pessoas, plano de carreira, salários, mudança, bom de fato acho que operamos bastante bem a transferência, não achei que tinha tido grandes conflitos... e nós estávamos particularmente interessados na época em manter o rádio funcionando e manter o software equipado e a equipe organizada... não sei o quanto tivemos sucesso nisso... não é da minha época no IBGE, mas esse foi o meu primeiro contato mais freqüente no IBGE e com essa área de Geociências e meio ambiente, no qual eu vou voltar mais tarde quando eu for Presidente... - Aí ainda era Edmar Bacha... “ Era Edmar Bacha, Edmar Bacha...” - Ele ficou quanto tempo? “ É, 85-86, um pedaço de 86... Aí começa o plano cruzado, eu me ocupo muito do plano cruzado, me ocupo, eu tinha de fato a área de Ciência e Tecnologia e cultura e Educação e o plano cruzado me botou de novo na área soft, enquanto os outros cuidavam das indústrias caiu para a mim, caiu para a mim o monitoramento de preços, de planos de saúde, mensalidades escolares, essas coisas que tem a ver com a população... Edson Nunes também explica um outro tipo de relação que também teve de articular com a área de Geociências na questão da distribuição dos royalties do petróleo da bacia de Campos explorado pela Petrobrás, cabendo à áreas de Geografia e Geodésia do IBGE, a definição dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, que se enquadrariam nas projeções geodésicas das áreas de produção em alto mar, e teriam direito a participar da divisão dos royalties. A partir de informações geradas pela Geodésia o DEGEO listou os municípios que receberiam essa dotação... “com o Edmar a situação começou a ficar muito difícil, já tinha havido algumas situações esdrúxulas antes... e uma delas foi a discussão da distribuição do royalties do petróleo... e aí eu tive de novo um longo contato com o Mauro para a gente inventar uma forma de se atender ao Senador Nelson Carneiro e ao Presidente da República... que é o seguinte: nós queremos dar royalties para a todo mundo no Estado do Rio, vocês inventem um negócio que dê royalties para a todo mundo... bom... conseguimos... só que Niterói ficou fora, nós fizemos o diabo, a coisa ficou pior do que se imagina, senti o Presidente e o Senador... Niterói ficou fora... era uma confusão, aí tinha uns algoritmos... Everardo Maciel era o Subchefe da Casa Civil que discutia conosco... e Niterói não entrava, e Niterói não entrava de jeito nenhum... porque tinha as mesoregiões, inventamos regiões de fronteiras das mesosregiões, regiões onde passam os dutos, regiões afetadas, regiões produtoras, só que Niterói não é nenhuma dessas, só que Niterói é a capital, mas não tinha critérios... a graça da piada disso foi Valdenir Bragança, Prefeito de Niterói... descobriu que eu era de Niterói... talvez por conta de inimigos ou amigos meus disseram que Edson é de Niterói... Valdenir não fez só isso, ele descobriu o endereço de minha mãe... e levou minha mãe para uma passeata em Niterói pelos royalties e mamãe foi... e ele dizia: ele pegou pior do que isso... ele foi para a televisão de braços dados com ela e disse: e aqui estou de braços dados com a mãe de um dos responsáveis pelo não enquadramento de Niterói na lista do IBGE, ou seja, é uma piada, bom, seja o que for...

No caso da saída do Bacha...eu acompanhei esse desenlace mais ou menos de perto...esse papel triplo de secretário, diplomata do João Sayad junto com Chico Lopes, etc., o cruzado já tinha deslanchado, eu já tinha cumprido a tarefa de montar a base de informações e estava lá no IPEA... que isso é outra história... e nessa confusão o Edmar sai do IBGE...e é engraçado que ele sai... e aí é engraçado ele não foi demitido de fato...” - Ele pede para a sair... “ Eu não entendi direito isso, se eu tiver que recuperar de fato, se eu tiver que recuperar não me parece que eu consiga entender porque ele precisava sair... a única coisa que eu imagino é que o IBGE ia ficar ingovernável para a ele, eu acho que o desserviço do IBGE pode ter sido talvez este...” - Essa informação é importante... com todas as pessoas que eu falo, as pessoas tem uma mágoa absurda de Edmar Bacha no IBGE e eu sou o único cara que... entrei em 70 e que digo: gente porque vocês tem tanta raiva do Bacha, se ele ficou tão pouco tempo? Se o tempo dele, ele não gastou quase tempo nenhum no IBGE, ele ficou o tempo quase todo lá cuidando da história do plano cruzado, e aí é a história da CRA as pessoas sempre lembram da história da Comissão de Reforma Administrativa que acabou você tendo que tendo que gerenciar o negócio, complementar o processo, etc., e tal e aí sabe? Até hoje... “ Você quer que eu fale disso? ...” - Sim, é importante.. porque você vai contar a sua entrada no IBGE... “ Não eu acompanhei antes, eu acompanhei antes...” - E aí as pessoas falam mal do Bacha, e eu acho que o Bacha andou muito pouco e muito pelo contrário, é aquela história... ele até tentou tecnicamente defender o IBGE dessas questões todas, se foi bom ou se foi mal, fica muito estranho... “ Aí você vai mexer numa série de conversas eu não sei se a gente consegue no seu tempo... primeiro: na saída do Bacha a sensação que eu tenho que ele saiu por ser leal a tecnocracia do IBGE, caso contrário não conseguiria administrar, cujo o cálculo eu acho que está errado, mas ele já tinha perdido a capacidade de administrar... por conta da reforma administrativa, por conta de outras coisas e ele, talvez esse negócio aí foi a gota... ele já não estava mais para mandar... pelo seguinte: é que esta fase do IBGE... é vital para a você entender a história do IBGE no período pelo seguinte: nessa fase houve uma alta exposição do IBGE porque o Bacha era Presidente, e porque o Bacha é o pai do cruzado, houve uma coisa que é o seguinte... houve uma promoção do IBGE e o IBGE foi promovido ao status que ele nunca teve no aparato político, tecnocrático brasileiro, após Vargas...promovido a quê? A consorte do plano cruzado...” - E que acompanhava tecnicamente essa questão de índice de preços... “ Consorte do plano cruzado e responsável pelo sucesso e insucesso do plano cruzado, então o IBGE ganha a dupla tragédia ou responsabilidade que ao mesmo tempo tem Presidente como artífice do plano e de ter o seu índice como referência, ora o IBGE lhe faltou nisto, ele talvez tenha faltado ao IBGE nisto... Eu me lembro, por exemplo, na noite que teve um programa de televisão do Brizola metendo o cacete no cruzado, eu me lembro que nós estávamos juntos na sala do Saiad, Saiad ligou para o Doutor Roberto Marinho, Doutor Roberto precisamos responder, assim. E Doutor Roberto disse: hoje à noite etc., trouxemos Maria da Conceição Tavares, Conceição chora na televisão, armamos aquele circo e ela... Edmar mostra os números... Edmar mostra o gráfico... aquelas coisas... ou seja, Edmar Bacha ficou no coração do governo.

Bom, um governo associado à vários problemas de salário, controle estatais de salário de pessoal, greves, ou seja, a coisa natural de uma nova República... então acho que aí o IBGE ficou promovido a esta posição infortunadamente... eu chamo isso de uma politização indesejada, uma politização indesejada... se prematura ou não... uma politização do IBGE que foi promovida pelo Executivo, pelo Governo Federal, promovida por azar... Como o Edmar não queria ficar em Brasília, só queria ficar no Rio de Janeiro, só lhe sobrava o IBGE, que demoramos a conseguir, demoramos a conseguir, fazer a nomeação, demoramos, demoramos, demoramos, e Edmar no IBGE cujo o Presidente de fato... era Régis Bonelli, e Edmar fazendo plano cruzado, etc., e ao mesmo tempo estamos começando no Brasil as discussões sobre Reforma Administrativa, o novo Estado, a nova coisa, o IBGE entra na Comissão de Reforma Administrativa... ao mesmo tempo que nós estamos tomando dinheiro do Banco Mundial... chamava-se Empréstimo para a Modernização do Estado Brasileiro...” - Já se pensava a questão... “ Reforma administrativa era um grande tema, e aí entra, conforme eu disse o IBGE entra torto na reforma administrativa... a reforma do IBGE que era uma coisa consentânea com a idéia de um grande processo de reforma, ou seja, nós tínhamos feito uma intervenção na moeda, tá certo? Íamos fazer intervenção nas estruturas estatais, por isso tomamos empréstimo do banco, vamos fazer um negócio bonito, o detalhe... eu tinha ido a Washington... falado com as pessoas, já tínhamos armado um belo circo... e o IBGE se apresenta muito mal, o IBGE apresenta porcamente o projeto, o IBGE propõe no projeto de reforma administrativa a compra de aparelhos de ar refrigerado, fazer um prédio para a Delegacia de Goiânia... Na época ser gestor público era cuidar de inflação, isto era o fundamental, inflação e conjuntura, inflação e conjuntura, o Brasil o Brasil era refém da conjuntura, o IBGE refém da conjuntura... a comissão de reforma administrativa do IBGE, do ponto de vista da sua ligação com o setor público como um todo, foi muito fraca e o processo de reforma administrativa do IBGE, foi uma pirotecnia pensada internamente, para a te falar a verdade eu acho, para a te falar a verdade não, eu tenho a mais absoluta certeza, nem o Edmar prestou atenção a isso, eu também não entendia o assunto...eu era muito novo e pouco conhecido no IBGE” - Sim... mas você também tinha um livro importante, quando você entrou no IBGE as pessoas lembraram daquele livro - que você foi editor... “ Aventura sociológica, você acha? Pessoas no IBGE?” - Eu me lembro que eu falava no livro.. e as pessoas também falavam, quer dizer, eu estou falando na área da geografia, na geografia humana... “ É interessante você falar isso porque esse livro é produto da reflexão do paraacadêmico, Aventura Sociológica a rigor, publicada lá em 73-74, e depois Ruth Cardoso fez a Aventura Antropológica, a Aventura Sociológica era uma tentativa de achar um papel significativo para o pesquisador que não fosse professor, tá certo? Tinha lá Cláudio Moura Castro, tinha Simon Schwartzman...” - Aliás o artigo do Simon Schwartzman sobre evasão de talentos é incrível nesse livro, ele... as pessoas podem ter restrições... uma boa parte do IBGE tem, não gosta dele, tem medo dele, mas tem que se reconhecer que ele efetivamente é uma capacidade... talvez tenha sido o único Presidente do IBGE que tenha um conhecimento da casa no nível técnico e que tenha um feeling da história muito bom... “Bom, a minha premonição é que depois do Isaac, Simon vai ser o próximo mito ibgeano...”

- Possivelmente, embora as pessoas não gostem, ainda não viram o resultado... “ Simon vai ser possivelmente o melhor Presidente da história do IBGE, ele vai ser quase tão longevo quanto o Isaac, que é raro ser um longevo, e o seguinte o Simon tecnicamente é um cão de trabalhador, se o outro não fizer ele vai e faz pessoalmente...” - É ele tem essa questão, ele é um cara que se ninguém faz, ele faz, ele vai sozinho... “ A sensação que eu tenho de que o próximo mito Ibgeano vai ser Simon, assim que se acalmarem com ele, aliás com razão. - E sua chegada no IBGE ? Bom, então eu entro ali no IBGE, encontrei IBGE numa situação muito estranha, para a mim, eu estou ainda, você repara, o seguinte nós estamos em 86, eu só acabei o doutorado em novembro de 84, estou com um ano e meio de mundo, eu tenho medo ainda... essa gente toda para a mim é mito... então quando eu era Vice Presidente do IPEA eu não vinha aqui falar com Eustáquio para a deixar claro para a ele que eu não queria interferir.... que o INPES para a mim era um sonho, INPES era um lugar intocável, que o INPES fizesse estava certo... nós promovemos todo mundo, nós acertamos com o Andréa Calabi... acertamos as carreiras de todo mundo que podia ali, que não eram promovidos, etc., a gente acertou em dois anos, fez um acerto geral... Colocada essa questão, eu cheguei no IBGE, fiquei um tempo até assumir completamente... o Régis me dizia, Edson, Eduardo Augusto, se você tiver o Eduardo Augusto lá na, como é que chamava Diretoria de Pesquisa? Se tiver o Eduardo Augusto lá na Diretoria de Pesquisa não vai haver problemas, você pode manter o Mauro que é uma pessoa que você aprendeu a conhecer, etc., etc., você tem o Alexandre, que a gente acha que é competente e você pode, e eu digo e Informática? Bom, Informática eu tenho uma pessoa que era o Paulo Tafner, então, se você conseguir manter o Eduardo, eu acho que você toca a área de Pesquisa da Casa... que já dá uma dá uma indicação de como é que eles percebiam o IBGE, o IBGE era a área de Economia...” - Naqueles tempos... sem dúvida a área de estatística era encarada como subsidiadora da economia... “ O IBGE era a área de economia... então eu venho para a esse negocio com extrema confiança em Mauro Melo, Mauro tinha sido de extrema, serventia, de extrema serventia na absorção do Radam, ele queria, tinha os conflitos que ele me confessava, ele não escondia os conflitos, etc., Mauro foi de extrema serventia, Eduardo Augusto, me disseram que era a coisa que eu tinha que ter e aliás era verdade, Eduardo foi precioso, mas nesse tempo o IBGE estava muito disfuncional porque ele tinha uma área de economia com a qual eu não estava satisfeito, eu não estava satisfeito com a minha entrada... eu não estava satisfeito claramente com duas questões principais: eu não estava satisfeito a) com a idéia da reforma administrativa que estava andando na Casa, eu não entendia, e que entendia não gostava; b) eu não estava satisfeito com a concepção de informática no IBGE... eu não estava satisfeito com a concepção de Informática... porque o IBGE como uma organização baseada numa ideologia que eu achava velha e era a ideologia do Centro de Processamento de Dados (CPD), ideologia do CPD me desagrada totalmente porque ela te coloca como refém do analista de sistemas... ela te coloca refém do homem do CPD...” - De um grupo pequeno de analistas... “ Por quê é que eu não gostava disto? Em l979, eu morava na Califórnia quando o Steve Jobs fez um computador e eu comprei o miserável em 78-79, então eu tinha

aprendido a idéia da independência intelectual, da sua base de dados, do seu texto, do trabalho feito por você...” - E no IBGE? Era mais complicado do que eu imaginava... eu tinha uma encrenca com a informática que eu não consegui resolver suficientemente... tinha uma coisa na reforma administrativa que eu não consegui... mas não precisei, eu só não prestei mais atenção com a reforma, eu me desliguei... tinha, a reforma falava umas coisas, eu dava uma força para um jornal, etc....mas eu me desliguei da reforma administrativa, tentei informatizar, não tinha muita ajuda não... Aí eu comecei a me dar conta, que estava presidindo uma organização disfuncional, e onde é que eu comecei a falar da Geografia, onde é que comecei a mudar de idéia... o Hélio Jaguaribe em conversas comigo dizia: Edson Nunes eu estou convencido que você tem quatro organizações na mão, você devia fazê-las agora.... Você tem uma gráfica, você tem um instituto de pesquisa e censo, você tem um instituto de geociências e você tem um negócio de economia, indicadores sociais, divida essa bodega em quatro organizações, propõe ao governo quatro organizações. A gráfica ela presta serviço ao Brasil todo, ela não precisa ser capturada, tá certo? A geografia e o seu meio ambiente, tem um nicho especial, o censo é o bureau do censo que qualquer país civilizado tem, e isto aqui de sociais e economia, são os indicadores sociais... eu achei que o Hélio estava com um belo ponto, mas eu fiquei pensando o seguinte: Como é que eu divido isto? O Hélio insistia muito, viu como eu respeito o Jaguaribe? Me parecia que ele tinha razão... Só quer eu achava que tinha que tirar a gráfica, depois eu percebi que não podia tirar a gráfica, e aí passei por conta dos segmentos do Banco Mundial... fui de novo com Lampreia para Washington, uma coisa qualquer que era continuidade disto e tinha lá uns coquetéis na casa do embaixador brasileiro em Washington, mas antes tinha passado por Berkeley onde eu tinha tido um encontro... e uma longa conversa com Hilgard Stemberg e com o assessor dele, um homem cujo o nome eu não lembro, um homem de barba, tem cara meio que indiano, um homem de barba que foi parar no Banco Mundial... lá e eu descrevi para ele a particularidade do estado brasileiro em que o bureau de censos brasileiros era doido... porque ele tinha já cinqüenta anos e ele mistura a cartografia até mesmo geociências e o que é pior estava fazendo aerofotogrametria, etc., etc... e ele diz... o Senhor tem o Instituto do futuro na mão, o Jaguaribe está errado, esse povo está errado... e começou a me contar uma história sobre estatística georeferenciada...mapas em computador... bom o que eu tinha dado com Radam... porque eu tinha visto e lidado com essas coisas todas... O negócio fez assim na minha cabeça... E ele continuou a dizer... Doutor você tem o órgão do futuro... ele já é multidisciplinar, mantenha-o, a sim, ele disse... o homem trabalhava no meio aqui na Amazônia com tribos, mas ele usava umas coisas de satélite para achar as tribos e tinha uma telemetria qualquer, que acha onde é que os caras se moviam, ele começou a me contar sobre vegetais, tribos, vegetais, satélites... aquele negócio veio para a minha cabeça.... eu disse esse homem tá certo, e ele me contava, ele falava assim: a profissão do futuro não é nem a sua, não a minha... é esse negócio aí que o Brasil fez sem saber... Rapaz, esse homem fez uma encrenca no Banco Mundial... eu saí de lá tarado com o IBGE...” - Você sabe o nome dele não? “ Não faço a menor idéia, eu devia saber não é isso?” - Esse cara é fundamental...pelo menos em termos históricos... “ Eu sai de lá tarado com o IBGE, ele disse: Você é um cagão, porque eles só fizeram isso sem saber... então isso que você está querendo dividir... nós estamos querendo juntar no mundo inteiro... e não conseguimos, a Polônia não quer, o fulano não quer, os Estados Unidos não, ninguém quer, e você já tem uma agência que pode definir o

geo-referenciamento..., você tem satélite, você tem geógrafo, antropólogo, você tem sociólogo, rapaz, você está montado... Eu gostei tanto... achei que ele estava certo, achei tanto que os economistas não iriam entender... e ele disse: tira os economistas desse lugar, você pode até deixar eles fazerem um negócio qualquer, agora se você quer separar... manda, essa gente para outro lado, manda os economistas para a outro lado, mas faça essa coisa que você está imaginando, nós estamos falando para a você... uma coisa que você já tem... E de fato eu voltei encantado, aí que a minha atenção para a geografia... que nunca tinha sido clara, ela era para o causa da cartografia, por causa do Mauro Melo, por causa do Coronel Carvalho, por causa do Carvalho, por causa do Trento, as minhas percepções pré-disciplinares... Eu tinha que lembrar o nome desse homem, esse homem é um antropólogo de geografia econômica de Berkeley, assessor de Hilgard -, ele disse o georeferenciamento é o futuro, é a fronteira do futuro, é meio ambiente, estatística geo referenciada, recursos naturais, planeta como um todo, e aí antropologia e ciência política com as fronteiras, eu achei aquilo uma maravilha, voltei para cá... Mas... por outro lado, o IBGE não entendia nada o que estava falando... Bom... o Mauro, eu não sei se o Mauro entende... mas acho que ele percebeu o que eu dizia... ele gostou, que aí tentamos dar, fazer algumas coisas eu acho que tentamos tirar o atraso da Revista Brasileira de Geografia, não sei o quanto fizemos... mas aí comecei a visitar Lucas, visitar Lucas e aí... Aníbal Teixeira já era Ministro, eu levei Aníbal lá para a ver as coisas, eu estava convencido desse negócio, eu estava convencido de duas coisas: que e tinha que ir na linha desse homem, e que eu tinha que refazer o IBGE... Eu percebi uma coisa... que eu fingi que não vi... e até dei uma força que é o seguinte... que Mauro Melo estava montando uma independência tecnológica por conta dele, eu fingi que não vi e gostei, pelo seguinte eu já estava, você veja só, eu estou juntando vários pedaços, como eu já vinha zangado com a DI, quando eu vi que Mauro estava fazendo e ele estava com a base, ele está com a base estatística, ele está com a base geográfica, ele tá transferindo dados para a lá, ele está com o Radam, ele está com satélite, eu fiquei imaginando o seguinte: o IBGE vai sair de Mauro Melo no futuro... e se eu puder acirrar a competição, não está mal... O conflito para a mim... mais relevante que emergiu... e que eu dei muita força para ele tomar rumo... foi do Mauro com Paulo Tafner, do Mauro da Geociências com a DI, o Mauro se preparou para a ser o IBGE do B, botou no programa do Banco Mundial máquina para a ele... começou a montar uma DI paralela e eu torcia para que desse certo, não deu tempo, tá certo? Este conflito principal ...” - Eu acho que acabou acontecendo por outras razões, por razões tecnológicas hoje você tem, programas específicos, possibilidades de isso acontecer sem grandes problemas dentro da DI... “ Se ele já tivesse começado a montar, eu acho o seguinte: ele estava informado da minha idéia de dividir..., e acho que informado disso, ele começou a correr mais para a montagem de sua DI paralela... - Eu vou entrevistá-lo quinta-feira, quinta-feira minha entrevista é com é ele, então, porque é um profissional muito competente... tem muito poder e é um sujeito tecnicamente que conhece muitas coisas, então... “ Ele me impressionava muito e ele me tranqüilizou muito, com relação ao exército porque ele convivia, por um lado ele me tranqüilizou com relação aqueles homens do qual eu tinha medo, por outro lado eu percebi que quando a situação dele ficou ruim... ele dizia o seguinte... é mas eu tenho a UERJ, ou seja, aquele homem que eu via, com aquele enorme poder... se contentava em ser um professor universitário, isso para a mim é um charme, as pessoas não gostam muito do nome...” Algumas pessoas não gostavam... eu sempre gostei muito dele, eu sempre o considerei muito técnico... conhece bem as coisas, conhece o seu afair, sabe exatamente como trabalhar e nunca criou muito problema com a Geografia... a

relação dele com as pessoas que conhecem o seu trabalho sempre foi muito boa... “ Engraçado que na época... algumas pessoas achavam que o Mauro era um homem de direita, eu pensei assim um tempo, depois eu comecei a perceber que era um homem corajoso... essa concepção toda do Mauro me impressionou pelo seguinte.. ele nunca foi um Diretor vassalo...” - É verdade, ele sempre foi um profissional muito técnico, muito profissional no que ele sabia... “ Nunca foi um Diretor de fazer gracinha para a ninguém, de fazer um agrado indevido... também nunca escondeu os conflitos, eu acho interessante esse negócio dos caras esconder o conflito... tem diferença sim, tem tal e tal diferença... eu gostei dele, ele me ajudou a entender umas coisas da época do Isaac... que para a mim também eram mitológicas... e que ele me ensinou que não eram nada de mitológicas... eram uma porção de bobagens...” Gestão de Charles Kurt Muller O outro presidente a prestar depoimento foi Charles Curt Muller, professor e chefe do Departamento de Economia da UNB em Brasília que substituiu Edson Nunes após a breve passagem do interventor Celsius Lodder no IBGE. A importância de Charles Muller no IBGE deve-se ao fato de ter incentivado o estudo das estatísticas ambientais, objetivando montar no futuro uma estrutura de contabilidade ambiental para o país. Charles também preocupou-se com as estatísticas agrárias e, quando foi diretor da Diretoria da Agropecuária e Geografia (DAG) tentou montar um centro de estudos interdisciplinar de Agropecuária... Sua gestão durou 23 meses... um longo período, considerando-se as turbulências sindicais da época... Sua timidez e economia de palavras sempre foram conhecidas na casa... o que pode ser percebido no depoimento... - Como aconteceu sua vinda da UNB para o IBGE ? “ Bom, eu fui convidado para a Diretoria do IBGE pelo senhor Edmar Bacha, fui nomeado Diretor, ele me convidou, eu aceitei e fui Diretor da Diretoria de – como era mesmo? – Diretoria de Agropecuária, Recursos Naturais e Geografia...” - Conhecida como DAG, agora o senhor acompanhou a montagem dessa estrutura... ou já foi anterior, quer dizer... “ Não, eu recebi essa estrutura, quer dizer, a Diretoria já estava constituída e quando entrei lá o Edmar já disse, já me alertou que haveria um processo de reexame, digamos, da estrutura do IBGE, achava-se que daquela forma que estava montado o IBGE não era orgânico, queria se organizar em duas grandes linhas, uma área de cultura de estatística, uma área no campo, justamente a geografia, da cartografia, recursos naturais, etc., Geociências, que apelidamos depois... então, quando assumi a DAG já sabia que alguma coisa iria se modificar, provavelmente sairia a área de estatística, como Diretoria de Estatística... mas não sabia bem o que iria acontecer na outra área, havia até uma luta interna no IBGE mas na linha do pessoal da cartografia versus geografia, recursos naturais, etc., mas no final a idéia parece que foi caminhando no sentido da concepção dessas duas grandes áreas que mencionei

antes, Estatísticas e Geociências, isso também depois foi um pouco modificado, vamos dizer, com a incorporação do Radam...” - A incorporação do Radam se deu junto a sua gestão ou já, tinha se dado... “ Na minha gestão como presidente não..., mas eu já era Diretor da DAG, quando essa questão foi decidida a nível mais alto pela Presidência junto com o Ministério de Planejamento... o Radam estava terminando a sua missão original o mapeamento da Amazônia, o levantamento de recursos naturais da Amazônia, etc.,e estava tentado se constituir com uma organização separada...,mas o governo na época não viu isso com bons olhos, uns achavam que o Radam tinha que ser ou dissolvido ou então ser incorporado a uma Agência federal, aí pareceu lógico que essa Agência fosse o IBGE, já a tempos o IBGE possuía uma área de recursos naturais que estava desfalcada de pessoal.., um dia fui chamado pelo Edmar Bacha, que me disse... o Ministro Saiad, eu decidimos que fazer um esforço no sentido de ver se incorporamos o Radam ao IBGE e aí tomei o bonde já andando... estava meio que deslanchado...” - Eu me lembro que o Edson Nunes conta um pouco dos bastidores dessa questão porque era uma questão também complicada de entender como é que o Radam se encaixaria, então foi preciso um pouco de entendimento até por conta de que havia naquela época um pesadelo enorme que era inflação, haviam preocupações maiores... “ O Radam era um órgão caro, havia gente no governo que queria que simplesmente ele acabasse, alegando que já tinha cumprido sua missão e deveria se extinguir, etc., e o grupo Radam infelizmente estava querendo se fortalecer, ser independente de alguma forma, e a saída que se encontrou foi a de incorporar ao IBGE e teve um certo grau de lógica, não foi uma coisa aleatória...” Bom, aí nessa, quando o senhor entra na DAG, o senhor começa a tentar uma restruturação e, efetivamente, acontece uma restruturação... Um memorando seu ao presidente Edmar Bacha... propondo a reestruturação da DAG em duas Superintendências... a SUEGER que era Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente e da Superintendência de Estudos Geográficos, SUPEG, além da criação de um Centro de Estudos Agrários (CENAG) que seria organizado... e aí peguei também a informação de volta do Edmar Bacha falando sobre a questão do CENAG, quer dizer, dando apoio a questão do CENAG e negando a questão da SUPEG porque era realmente pequeno, quer dizer, a área de Geografia ainda não tinha estrutura de pessoal suficiente para a virar Superintendência... e fala sobre a SUPREN que é a questão da incorporação do Radam... já estava mostrando que o processo estava dando certo... que a incorporação do Radam, principalmente naquelas estruturas regionais... que eu acho que esse foi o ponto principal do fortalecimento do IBGE, e a história das regionais e que o Radam veio dar uma outra força... “ O Radam também entrou no IBGE também depois que viu que não podia se tornar independente mas uma organização separada, tentou entrar uma espécie de uma outra Diretoria, Diretoria funcionava na Bahia e tal, mas o Edmar sempre resistiu muito a isso... havia na época um plano de reestruturação da casa... você lembra? – Seminários e Trabalhos...alguma coisa assim...” - Bom, eu também tenho um documento, esse documento não está assinado aqui, mas possivelmente foi pessoal da área de Solange Tietzmann que era chefe da Divisão de Estudos Agrários do DEGEO na época, que ficou preocupada com a idéia o Centro, aí eu não sei porque passou pela cabeça que achava que o Centro de estudos Agrários iria acabar coma Divisão de Estudos Rurais e aí elas fazem um arrazoado solicitando, quer dizer, pedindo para a que se mantivesse, etc., e como efetivamente aconteceu, o Departamento de

é sem dúvida muito maior. eu sou da Comissão do Censo 2000 e a gente sente que a uma articulação muito maior no que tange ao Censo. separar a área de estatística da área de Geociências... por exemplo....Quer dizer. as pesquisas agrícolas anuais de agricultura e pecuária. mas é a coisa está indo muito devagar...Estudos Agrários efetivamente continua e aí como é que foi essa questão? O senhor lembra..” . quer a brasa para sua sardinha. mas há essa dificuldade... uma consultoria que o IBGE me solicitou. é necessário uma rede de coleta muito mais sofisticado do que se tem hoje. ainda não é o paraíso. é que..Quer o seu domínio. e ainda sou funcionário do IBGE.. das Nações Unidas e tal.. como é que estão os encaminhamentos dessa questão de uma contabilidade de Meio Ambiente.. são os casos no momento.” ..É.. a consultoria foi na área de Informações Ambientais. que o senhor foi uma pessoa importante nesse processo.. é claro que também hoje e aí também por obra e graça do Simon ele conseguiu botar um sistema de comunicação por rede. mas isso não existe ainda. esse seria o ideal... eu não sei se isso foi resultado de um processo que Simon Schwartzman começou a tentar... “ Exato.. eu tentei mostrar que essas áreas tinham de trabalhar juntas. então eles sentiam como os analistas de uma parte estatística. municiavam muito essa área.” . falar de Meio Ambiente sem falar de espaço...O que eu sinto hoje no caso..Por falar nisso.. geografia.” . mais articuladas do que estão até hoje. e seria fundamental esse trabalho conjunto.. inclusive porque sofríamos muita pressão de órgãos como o Banco Mundial. não é possível e.. eu me lembro que na verdade desapareceu a coisa quando se decidiu tirar da..” . “Na verdade........ “Tentei. principalmente com o envolvimento que tive depois que sai da Presidência.... enfim. mas. essa parte eu comecei a me interessar por ela já na Presidência. mas parte de análise dos dados e preparava inclusive material paras as reuniões da CEPAGRO essas coisas e por isso desapareceu essa idéia e ficou a área de geografia com seu núcleo de Estudos Agrários.. eu acho que ainda seja. como é que está isso.. “ Eu sinto isso também. era a única área que possuía uma relação direta com a área de estatística na medida que a pesquisa de Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).. no caso do Censo 2000 as relações inter-diretorias foram muito mais intensas.” . tem alguma lembrança? “ Eu tenho uma vaga lembrança. porque era. cada um quer o seu domínio. é engraçado a geografia. além do Censo Agropecuário..... mas mão é simples.. um assunto complexo e exige envolvimento de recursos. que dizer.. então. a rede toda funcionando e aí você tem uma possibilidade de comunicação maior.. senti que se o Brasil entrasse nesse campo. eu até hoje acho que essas duas Diretorias. a gente nota..... Geociências e de Pesquisas deviam trabalhar muito mais ligadas. sugeri na área.. dar uma organicidade maior e obrigar as áreas a se comunicarem melhor. contabilidade Ambiental.. está muito devagar. mas. a geografia agrária no caso. a partir de Estatísticas Agropecuárias saiu de lá e junto com ela tinha essa parte não tanto de Estudos Rurais.. “ Bom..

. ele conseguiu.” . nós queremos separação. muito articulado e tinha aparentemente uma certa liderança. quis se manter junto a área de Geociências. pelo menos os técnicos da sua área. eu me lembro de reuniões que a gente tinha com os técnicos dos dois lados cada um dizendo: não.. porque a coisa foi se encaminhando de outro jeito. a gente percebia muito claramente que na área que acabou sendo de Geociências.. eles perceberam. 85.. fala-se no famoso memo PR-45..Exatamente. aí a Reforma Administrativa.Nesse período. essa coisa.... que era Agropecuária ficava com Agropecuária. achamos que é diferente o que temos que fazer. havia pressão da parte dos técnicos juntamente para formação de duas áreas separadas uma área mais de Geografia e Recursos Naturais e outra na área mais de Cartografia.. ele tinha uma liderança.Eu entrei em 70 e eu percebi que tanto o de 75. ele tinha. ele dizia: mapa é importante para esse pessoal de Geografia trabalhar.. ... e aí eles dão algumas. que no fundo era o memorando da CRA. 80. da Agropecuária que era a DIRUR estava do outro. o grosso da questão estava nessa questão de intercomunicação entre áreas. hoje a gente vê o trabalho muito mais articulado. mas depois com a Reforma Administrativa tudo evoluiu no sentido de formar uma união desse dois grupos. e depois com o Edson Nunes. caminhavam juntos. etc. “ Eu me lembro... mas nesse ponto Mauro era o que conseguia pensar. um certo domínio sobre essas áreas. ou dizem assim: reclamam.. claro que é uma separação funcional clara...... porque nesse período as áreas Regionais e Estudos Urbanos estavam de um lado e a questão da Agrária. Sobre a Reforma Administrativa.. e nessa resposta dos técnicos. mas havia muitos problemas de aceitação. fracionamento.. quer dizer. quer dizer. a área de Estatística queria da área de Geociências só mapas. etc. “ Mas havia muita conversa também.” . quem era Indústria só ficava com Indústria.” . tinha a mão forte. aqui já é uma resposta dos técnicos das Divisões do IBGE. o geodesista e o cartógrafo eles fazem mapas e eles pensam no processo da feitura do mapa.não chateiem. ele quando decidiu formar essas duas áreas ele investiu tudo no sentido de não permitir qualquer tipo de fração. tanto do pessoal de Geografia quanto do pessoal de Meio Ambiente que sempre foi uma coisa difícil. justamente porque havia essa separação... dão respostas.” .. salário. o resto é nosso. e ele era muito. o senhor lembra mais ou menos desse período como a coisa se deu? “ Me lembro não.. as relações eram muito. então vocês tem que trabalhar junto porque. a figura de Mauro Pereira de Melo foi importante nessa articulação.. e esse pessoal de Meio Ambiente trabalhar... trabalhei na preparação para o Censo de l990. sentiam que havia muita dificuldades entre Diretorias. “ A liderança dele era muito forte.É. o memorando da Reforma Administrativa. . levantam a questão do memorando da Presidência 45.. do DEGEO.. não sabia se ia ficar.E ai... e havia aquela questão do Centro. e por um lado a história de tentar ganhar confiança. havia tendência. problemas de intercomunicação. cada um e dentro do próprio Censo mesmo. por exemplo. não sei se também a nova geração.. influência grande junto ao Presidente Edmar Bacha.. “ Sim. etc.. . quer dizer. mas distante a coisa.” . isso também é pouco falado essa questão.. bom. quer dizer.Exato. Regionais e Estudos Urbanos.

quer dizer.. o senhor como Presidente. para a mim... eu me lembro disso. a troca de equipamentos. em termos de comando e poder e tal. que ele fez bastante.” ... foi uma fase extremamente complicada. nenhum Chefe de Departamento se sentiu muito melhor do que o outro.. o que sai a campo ele recebe o mapa extremamente fiel. mas era um governo fraco também.. ele volta idéia anterior.. ele conseguiu dar um equilíbrio melhor entre as áreas. com aqueles movimentos sindicais todos. aí agora.” ..candente? “ Sim. com isso ele dominava toda área.. pelo menos nessa questão. mas eu dizia assim: senhores. “ Tivemos greves.. “ É.. não adianta vocês tentarem brigar com o Mauro nessa situação. colocando Cartografia no centro.. lógico..... eu acho que a Cartografia devia ser separada. a que está dando salto tecnológico maior agora... ele lutou muito para cartografar a base operacional do censo. quer dizer.e tínhamos muitos outros problemas” ... eu porém me considero sortudo comparado com as agruras de Eurico Borba....Sem dúvida. acho que o Sérgio Bruni conseguiu esse equilíbrio. “ É. o resto atrelado a ela. às vezes havia muito barulho para coisas minúsculas. dizia: começa conosco... para depois tentar uma integração. quer dizer. mapas são instrumentos para a outras áreas fazer análise e tal... funcional.O interessante nisso tudo é que no depoimento ele diz assim: hoje olhando retrospectivamente eu acho que eu errei na medida de tentar uma integração maior. como é que foi a sua visão do período... o Edson também pegou um período muito ruim. e eu na época eu dizia: gente. os outros que se adeqüem..... ele tinha uma visão muito forte da importância da área.... era na base dos croques. estava totalmente desmoralizado. mas ele quase que montava a coisa de ponta a cabeça. olha só. as pessoas reclamavam muito quando eu o defendia nessa questão. antigamente não. uns poucos fazendo baderna e tentando dominar a maioria. nas entrevistas de Edson Nunes e Eurico Borba que sofreram realmente pressões horrorosas da área sindical e.. com uma acuidade cartografia muito boa.. “As áreas estão mais equilibradas agora. quer dizer. porque a área. mas foram mais civilizadas.. quer dizer.. as informações eram muito pouco fidedignas.. no entanto... ele saiu antes...... aí entrou o Sérgio Bruni e o Sérgio Bruni efetivamente conseguiu.“ Ele até conduzia a coisa por inverso... Cartografia e Geodésia é a área na Geociências a mais. que agora nesse Censo de 91 está sendo isso.. ele vai ter que resolver primeiro essa área. a base operacional do Censo ela está recebendo cartas melhores..Era a questão da economia em si que estava muito..” E de uma certa maneira era isso.... mas enfim. como você falou.. o entrevistador... eram momentos extremamente conturbados. claramente naquele momento ele tentava viabilizar politicamente uma idéia de organicidade maior de sua diretoria.. quer dizer. a luta para fazer mapas de Censos. a introdução do idéia do GPS. sendo atuante. o Sarney. isso eu percebi bem. o movimento sindical muito atuante. e depois entrou o Trento Natali que acompanhou esta mesma visão de integração. sem dúvida e do próprio Edson. mapas extremamente fidedignos....foi o primeiro a sofrer o processo...” .” Bom.

...muito problemático para a Geografia principalmente. eu acho interessante também ressaltar no que tange a área de Geociências.especificamente é mais ou menos isso.O seu período de Presidência foi 98... foram períodos de embate: eles diziam: o que nós podemos forçar.. nós vamos poder virar a mesa. o período de dois anos do Collor e período de dois anos do Itamar. foi maio de 88.” . “ É porque eu já na Presidência já dei essa situação resolvida.... Professor....... é isso aí.. houveram momentos difíceis. até março de 90..... foi o problema de localização física da área e espaço para trabalhar isso foi.” .” .. e suas vinculações aos governos... deixa eu mais ou menos também colocar esse material ele passará a ser acervo da área de Memória Institucional do IBGE.. bem nós tivemos... Mauro Melo ainda estava na área de Geociências. na sua trajetória como Presidente naquele período... e que se resolveram sem maiores conflitos.Com o Edson e com o Eurico depois..Esse acompanhamento. eu utilizo isso na tese e eu me transferi para essa área de Memória Institucional justamente para formar o acervo da memória dos presidentes da casa.. já tinha as duas grandes áreas produtivas..92 a 95 foi DAG... alguma coisa final.... “ Muita coisa..Foi em 89. “ Com Eurico depois foi ainda pior. e depois entrou aquele período... tanto na DAG e depois na Presidência. “ É.. .....Exatamente...? “ Maio de 98 até março de . maiores conseqüências. “ É..” .É...” . estavam percebendo que poderia haver mais contestação.” . Ministérios..... Presidência. aí fui conduzido à Presidência... foi fim de governo militar. achei que não deveria substituí-lo. quer dizer. nós tivemos duas greves complicadas... que foi aquele que as entidades sindicais no IBGE começaram a perceber que nós estamos livres. o grande problema em toda a minha vida. eu acho que foi perfeito.. quer dizer. eu acho que essa foi uma visão e no seu caso. tanto na gestão.. fiquei até. diferentemente do que ocorreu com o Edson. duas ou três greves.. o Edson pegou o período inicial das coisas ruins. por exemplo. como você sentiu o clima? ........ qual eram as demandas principais do governo e o que o IBGE podia dar além das atividades e as suas missões normais. “ É interessante ter um acompanhamento dessas ações e políticas da casa.. no sentido de contestação pela contestação.. eu estou tentando inclusive fazer um acompanhamento das ações dos Presidentes.? “ Não..? “ 95 a 97 por aí foi DAG aí trabalhei com técnico no IBGE. transição de governo Collor...Bom. eu acho que no nosso caso. não vai dar nada....” .. mas pelo menos foram greves que deram origem a um processo de negociação. se o senhor quiser alguma declaração..

. peguei depois.. depois ela virou um campo de batalha do tráfico de drogas....Porque Mangueira tornou-se área perigosa..Eu acho que foi a parte mais importante.que era Diretor Geral e queria a todo custo. no início a favela era só favela.. ele investiu num período de vacas muito magras do governo.. e eu acho que o Simon fez uma grande coisa.” .. “ Eu me lembro bem de Mangueira...... foi muito bom. não havia mais condições de trabalho lá. “ Deu um salto no escuro.. “ Isso foi muito importante. e colocou quase todos na Av....... ok Professor. precisando qualquer coisa eu entrarei em contato com o senhor.” ..O senhor pegou aquele período do Parathion. quer dizer.Rua Equador.” .... ele tem uma área de atuação muito grande... como é que podem colocar uma área técnica.Deu um salto no escuro. “ Faço uma idéia.. científica no meio da favela com aqueles tiroteios..” .. ele conseguiu investir muito nesse processo de intercomunicação da Casa.O Simon nesse ponto teve duas ações muito poderosas.No meio de uma favela não era exatamente o problema. “ Rua Equador exatamente. Chile. já tinha sido feita limpeza.......... eu ficava abismado cada vez que eu ia lá.... mas havia uma pressão muito forte do Régis Bonelli ... descontentamento muito grande na área Geografia para isso. “ Peguei. daquele.. ele queria a todo custo voltar para lá e havia pressão.. já tinha havido a transferência das pessoas foi na minha gestão da DAG que conseguimos aquele prédio na Praça da Bandeira. quer dizer. a recuperação daquele prédio lá na – como era o nome dela? . mas com aquele prédio lá de Mangueira...... chegaram a cogitar e imaginar a botar vidros a prova de balas naquele lado que ficava para a favela...” -Ou memorando interno..” ... quer dizer... mas foi um salto de qualidade.” .. a primeira foi essa retirada do prédio e a segunda foi a questão da rede de informática. ele arriscou... “ O IBGE é um organismo enorme.. não é aquela coisa empírica de bilhetinho e carta e tal. .

eu Eurico. Diretor Geral da gestão Isaac.. Foi uma conturbada gestão de 15 meses que iniciou-se com uma greve. classificar esse material. eu sempre nutria um sonho. foi uma vitória política. com Celso Furtado. evidente que Serra e Celso Furtado. na qual seu Diretor Geral Aníbal Villanova Villela. a gestão de Eurico foi notabilizada por ter conseguido encaixar o IBGE no sistema de agências de Ciência e Tecnologia. eu imaginava voltar como Presidente. Eu me lembro que estava lá empacotando vários documentos que deveriam seguir para vários ministros... Hélio Beltrão eram um nível mais ligado ao Doutor Tancredo. o próximo presidente entrevistado. foi novamente Eurico Borba. junto com Cristóvão Buarque que hoje é o governador do Distrito Federal.. tão querido pela rede de coleta daqueles tempos. Isaac e eu em l979. como eram conhecidos no IBGE desses novos e conturbados tempos. com carreiras de atividade fim.. Sua maioria esmagadora de funcionários concentram-se nos níveis do ensino fundamental ( 8 série) e no segundo grau incompleto.” Esse processo levou quanto tempo? “ Começou em setembro. receber determinados grupos. fazer a triagem do material.Professor Eurico então pode começar a nos explicar como foi o processo de convite para o IBGE de 1992 e depois toda a sua fase até a saída. . comissões. “ Bem desde que nós saímos do IBGE. Eu trabalhei na campanha do Doutor Tancredo. mas que custou muito caro a Eurico. pois apesar disso. com o Everardo Maciel que hoje está na Secretaria da Receita Federal e eu. na longa lista de presidentes de um ano e meio. principalmente nos fóruns da SBPC. regido por uma política salarial em que o sistema avaliativo pauta-se por titulações acadêmicas e por verificações de produtividade vinculadas ao ambiente acadêmico. O que causou muita contestação nos meios científicos. apenas uma pequena porção de seus funcionários poderiam enquadrar-se num sistema de Ciência e Tecnologia. uma idéia de voltar ao IBGE um dia. promover alguns seminários para elucidar e aprofundar determinados pontos. Sendo uma agência basicamente voltada à coleta e armazenagem de dados. ele brincava com a idéia de que não se deve voltar ao local do crime. se demitiu. inclusive Doutor Tancredo foi lá. e eu e Everardo e o Cristóvão Buarque eram um nível mais operacional. Portanto. que possuíssem toda a linha de cursos de graduação e pós-graduação em todos os níveis. Eurico era agora mais um.. agora na posição de 19 presidente da casa e o 6 após Isaac Kerstenetzky. se despedir a o o . e junto com Serra. com menos de dois meses de trabalho. política de migrações. e o Doutor Tancredo pedia coisas específicas sobre saúde. outubro de l974 e se findou na véspera da posse. eu estava sem camisa. para ceder material. naquela comissão para o plano de ação do governo COPAG. ao ser barrado por um piquete na entrada do prédio da presidência. O que dá uma medida das condições políticas que ocorriam em 1992 no IBGE. o funcionário médio já não enxergava mais o velho Eurico. Apesar dessas convulsões.Gestão Eurico Neves Borba Cronologicamente. Como o Isaac sempre falava de uma forma muito categórica que não gostaria de voltar.

em 87 eu voltei para PUC do Rio de Janeiro. porque se dá com Edson Nunes.E aí já estava.. sabiam a minha intenção. a COPAG durou todo esse período. um pouco antes de ele fazer aquela viagem a Europa e Estados Unidos.e cumprimentar a todos nós e dali ele seguiu para missa e depois indo para casa sentiu-se mal e foi hospitalizado.. mas não houve contato nenhum. algum material a ser aprofundado. que a percepção política da importância e exclusividade o Doutor Tancredo rapidamente intuía que ali tinha um.” .. o Fernando Lira. uma forma de penalização global. e como ele não havia feito ainda nenhum convite para ninguém. foi para o IBGE. um mal entendimento que seria o funcionalismo público. e aí foi o Eduardo Augusto.. eu e o Cristóvão.” . um conhecido de longa data. e ele indo para o elevador ali no hall. feito pelo Sayad. do índio ao engenheiro florestal.. pode ser SNI e aí ficou.. na véspera da posse. leste-oeste. chegou ao Mário Covas. do funcionalismo público por parte do governo Collor. .. se deu na virada Collor.. todos eram potencialmente corruptos... e ele argumentou.. todos eram vagabundos.. houve aquele problema todo e não houve convite.. os odontólogos fazendo campanha de flúor na água. entra Eduardo Augusto.. o Afonso Camargo e geralmente era eu que estava mais organizado. estava o Fernando Henrique.. Bom. depois ele ficou doente. eu continuei na PUC... Doutor Ulisses sempre estava lá. o Bacha me convidou para ser o Diretor Administrativo. o Fernando Henrique Cardoso. e fiquei lá 87. nós tínhamos que fazer um relato prévio. 88. nunca deixei a PUC. sabendo dos vários documentos que haviam chegado de vários colaborações.. e uma vez então Doutor Tancredo por volta de janeiro. e lá ele ficava até oito e meia.. convidado pela Zélia. todos eram incompetentes. isso é problema do partido. 89. quinze para as nove. o partido fala é de Presidente do Banco do Brasil e Ministro. ele recebia de tudo... um bom amigo que eu tenho... foi o que ficou mais tempo. eles disseram não. e eu queria você como Diretor Administrativo que é uma coisa importante. 90. todos brincaram.. com delegações regionais. houve um zumbido que não chegou a se concretizar. como vice reitor. eu estava ainda passando uns dados para ele e ele passou a mão nos meus ombros e disse assim: Doutor Borba o nosso homem das informações.. eu disse: Bacha eu estava disputando com você a Presidência. resultados de vários seminários. em administração. sete meia ele recebia.... mas o Bonelli vai como Diretor Geral. norte-sul.. Essa fase de Diretor Administrativo isso já passou... eu sempre fiquei lá como professor horista. houve convite para o Bacha.. “ E havia um processo também de sucateamento. os dois o Covas e o Richa ligaram para mim eu disse: não. não houve nenhuma sondagem nem nada. alternando com professor de horário integral. com políticos. do meu desejo de voltar ao IBGE eu disse: espera um instantinho. aconteceu em 92. geralmente apareciam lá umas outras pessoas. apenas uma brincadeira que o Doutor Tancredo nos recebia para um despacho duas vezes por semana em Brasília às sete e meia da manhã depois de ele ouvir aquele Globo café da manhã. chegou ao José Richa uma pergunta do Eurico para o IBGE e com aquela história do PSDB eu já era membro fundador do PSDB.. Eu não recebi nenhum convite formal naquela época. aí Marcos Maciel me convidou para trabalhar na Secretaria Geral do MEC o Everardo Maciel era o Secretário Geral eu fiquei como Secretário Geral Adjunto e aí passou-se esse período todo. 9l o primeiro movimento em direção a minha volta ao IBGE. o PSDB não colaborava com o governo Collor. mas o IBGE é uma coisa mais técnica fica a teu critério. o Afonso Camargo.. de vários encontros. tem todos os Presidentes. aquele pernambucano Fernando Lira que foi Ministro da Justiça depois. já tinha começado aquele processo dentro do IBGE. no Ministério da Educação eu fiquei até l987. vamos dizer assim.. contatos com militares. Eurico você foi o primeiro nomeado.De uma certa maneira é nesse ponto que tem uma inflexão de Eurico Borba hoje na educação... o processo de greves. com empresários. Eu disse não.. “ Eu sempre estava muito ligado a PUC.. com o qual eu não tinha nenhum contato.

ele disse: não tem nada que conversar. ele me toca o telefone. Teresa Cristina. e disse hoje de tarde as seis horas lá no Ministério da Fazenda. Então lá fui eu. Marcílio estava numa projeção assim de liderança muito grande.. estava escrevendo algumas coisas e fazia consultoria por fora na área empresarial. vários amigos. era o Diretor de Administração. sexta feira.. aí.... e uma tarde em meados de março.. o Ministro viajou. a minha volta ao IBGE em 92 foi uma coisa interessante. presidindo uma comissão inteiramente importante de Planejamento Econômico e Acadêmico. já estava programado. e o Messias ajudava muito. o processo começa nesse período.A começar com a debandada enorme de pessoas para a aposentadoria.. eu queria que você voltasse ao IBGE para transformar o IBGE naquilo que o IBGE foi no tempo do Professor Isaac... e aí eu digo isso sem nenhuma tristeza.... e eu tinha muito contato com ele porque me ajudava liberar verbas para o sistema católico de ensino para as Universidades Católicas que tinham convênios.. quando um antigo companheiro dos anos 70. eu disse Messias para quê? Ele disse: Porque o Eduardo Augusto saiu do IBGE e não se acha gente para o IBGE e eu me lembrei do teu nome.. da melhor qualidade. de greve.. esses cargos geralmente são muito procurados e principalmente nessa fase da República é uma briga de foice. eu parei e disse: Messias. você sempre quis voltar para o IBGE e se mandou o curriculum é porque você estava querendo. comecei a telefonar para algumas pessoas.teu curriculum. ele telefonou depois e disse: Eurico você é doido porque resolveu carregar uma mala pesada sem alça. tinha muita gente lá na PUC. então era um processo de convencimento de universidades que estavam precisando.. Então. amigas lá dentro. mas me parece que existe problemas sérios lá de nível de salários e ....... um Censo problemático. eu realmente estava muito bem na PUC como vice reitor.. não só a PUC do Rio como as outras. quinze padrinhos para ser nomeado alguma coisa e o IBGE é um título que honra qualquer pessoa. sem nenhuma mágoa. realmente eu fiquei assim parado.... final de semana o Messias mesmo me liga e disse assim: Na outra sexta-feira o Ministro vai aí na PUC dar aula inaugural. estava dando aulas. de falta de recursos para pesquisas.... mas então o que me parece. um velho servidor oriundo do Banco do Brasil. e na outra sexta-feira o Marcílio chega olha para mim e diz: aqui não dá para conversar. manda pelo fax agora.. mas eu o conhecia antes porque era o Diretor de Administração do Ministro Veloso no antigo Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. mas eu acho que não tinha ninguém mesmo querendo..Isso ainda era governo Collor? “ Governo Collor.. organizado. eu disse: olha Marcílio tudo bem. Censo de 90 que tinha sido realizado em 9l. ocupava a mesma posição que o Marcílio no Ministério da Economia. sabia de tudo.. eu acompanhava o IBGE de longe. a primeira que fui conversar foi com Jane...eu disse que curriculum? . então ele estava sempre contigenciado verbas.. indo embora.. antes do escândalo. que chegou a ficar conosco no IBGE uns seis meses. então sexta-feira no antigo Ministério no Gabinete do Ministro que ele mantém no Rio o Marcílio vira para mim diz assim: olha Eurico. realmente fiquei emocionado e é irrecusável..isso foi extremamente desagradável e deixou mossa que até os dias de hoje estão aí. todo mundo procura dez.” ... março de 92.... estava no IPEA e elas me contaram alguns detalhes.então eu pensei que era até sobre um assunto de liberação de verbas para as Universidades Católicas.... mas deixou instrução que quer o teu curriculum. porque ele vai te convidar para ser Presidente do IBGE. “ Bom.. um direito que nós tínhamos. eu acho que é uma constatação que precisa ser feita. Carlos Messias Barbosa.. Sônia estava afastada.. e ele quer que você o procure. e aí o Messias disse: Eurico manda o teu curriculum pelo fax agora. honestíssimo. tanto que o Chefe de Assessoria Econômica do Marcílio que hoje está como empresário em São Paulo. .... um convite colocado nesses termos.. a PUC era a que tinha a maior parcela de verbas.. eu fiquei emocionado. a gente tem que conversar essa história.. começa a perceber isso de várias pessoas que estavam se aposentando... porque eu sabia dos problemas todos de salários.” .

no segundo... dia 29 de maio dia do IBGE os companheiros entram em greve..que está atualmente como. que tinha sido um dos pais da reforma administrativa do Brasil. depois a PNAD de 93 nós tocamos confiando na Virgem Santíssima. chefe do Estado Maior da Polícia Militar. trouxe o Aníbal Vilela de fora. eu fiquei lá quatorze meses e meio.. avisei que ia tirar o diretor da Geodésia e Cartografia Mauro Melo e trouxe o Sérgio Bruni .. ex-aluno da PUC também com a sua esposa Maria Helena que era chefe de Gabinete do Presidente do IBGE lá em Brasília. eu fiquei estarrecido basicamente com os níveis de salários com a desorganização hierárquica do IBGE. no décimo nono dia.. por volta de fevereiro de 93 eu tive o desprazer de receber o Presidente da IBM me entregando uma carta extremamente constrangido dizendo: olha vocês devem a IBM US$ 8 milhões de dólares. as portas estão bloqueadas. nós devíamos a empresa de turismo.. E eu aceitei e aí tomei posse em Brasília.. então olha. no planejamento do Simon.. poderia considerar. uma vontade política. mas você poderia considerar nós voltarmos ao regime CLT. só podemos intervir se tiver tumulto. pensando.. temos que garantir que as portas fiquem aBerthas. ou 28 de março e vou em frente... a Jane Chefe de Gabinete. A PNAD de l992. e eu pedi para ele e ele disse: olha tudo bem. eu disse: sim. porque eu assumi no finalzinho de março. passa o mês de abril e maio... foi o homem que assessorou aquele grupo de hospitais Sarah Kubitschek em contrato de gestão.. eu fiquei apavorado.. nós devíamos a posto de gasolina... olha era. vou fazer os primeiros estudos. em crédito. isso dentro dessa moldura institucional legal que você tem que trabalhar. Aí eu peguei um taxi.. os funcionários do IBGE são regidos pelo regime jurídico único eu não posso fazer nada fora da legislação.. no sétimo.problemas de contas atrasadas e. não... aí eu telefonei no primeiro dia. cinco meses em greve.” .e eu duvido que abram a brecha só para o IBGE. milagre de Nossa Senhora. mais você está comprando uma parada complicada.. nós devíamos a EMBRATEL. além disso havia uma dívida enorme. mas aí o camarada disse: tem tumulto? Eu disse: não tem tumulto. um apoio. possibilidade de volta a um “ Mais isso foi várias vezes tentado e eu deixei alguma coisa engatilhada formalmente lá dentro nesse sentido. 8 milhões de dólares é dinheiro em qualquer lugar do mundo.. eu assumo em Brasília em 27. de uma certa nobreza de atitudes como profissionais. não vou cobrar nada. eu me lembro você levou um susto louco. fui procurar polícia estadual. nós devíamos a Light. tinha mais esse chefe do Estado Maior. “ O Censo era uma coisa totalmente cheio de indefinições.. e uma greve que no primeiro momento eu tentei enfrentar até com a polícia. Ele respondeu: vou ver o que é possível.. nós devíamos alugueis pelo interior do Brasil. haveria regime CLT. ninguém pode bloquear as portas... um certo deboche institucionalizado. não recebi nenhuma pressão política..... foi um período extremamente complicado...ele disse: olha eu darei todo apoio necessário.. chamei o Coronel Nazareth. logo com duas semanas de IBGE eu chamei o João Geraldo Piquet Carneiro.” . me disseram: não. eram vinte e tantos milhões de dívidas. eu ia para casa preocupadíssimo. desci. um outro . um ano depois..” . não é só uma vontade administrativa.. eu vou ser julgado pelo Tribunal de Contas como sendo o maior imbecil da paróquia.Isso é um ponto interessante Eurico. por falta de disciplina profissional.. então nomeei Teresa Cristina Diretora Técnica. ele é muito amigo meu. uma determinada época. uma das primeiras coisas que eu fiz em abril. o Senhor toca o telefone e nós mandamos para lá.E isso se fala agora com essa idéia de agência executiva . “ Logo.E Censo quando você pegou.. eu vou ser preso. mas tem umas limitações legais. mas estão bloqueadas.. e começamos a trabalhar. e nós vamos suspender toda assistência técnica do IBGE e retirar equipamentos. O Marcílio me nomeia.. fui lá no QG da polícia.

. de divulgar as informações. fazendo Censo com periodicidade. para o geógrafo do DEGEO você foi a figura que nos tirou de Parada de Lucas. você imagina como isso vai afetar a casa. único que eu conhecia era você. aquela falta de apoio de serviço médico... eu Presidente do IBGE que dar um bofetão num grevista. derrubar aquelas torres de transmissão.. de funcionários extremamente decadentes em termos de salários....pois ele queria a Diretoria de . lembra? Era um inferno. massa intelectual de tal maneira que é uma entidade com muitos problemas estruturais.Coronel. e depois eu vi aquelas greves de Petrobrás. eu acho que poderia pensar alguma coisa com quarenta graus... “ Bom mas vamos agora a questão da geografia como é que eu encontrei. se já estávamos com problemas anteriores.. Mas as atividades de um grande centro de estudos brasileiro integrado.. talvez não seja muito correto... Fui uma vez lá. mas mesmo assim ainda temos um déficit enorme. Bom.... o Senhor é que está no local. porque houve dois fatos importantes... Eu posso te dizer e para tua tese as opiniões precisam ser confrontadas.. serviços. de tocar fogo em rede de transmissão. eu não conhecia esse rapaz... ai eu disse para eles: vem cá. durante toda a década de 80. Eu tenho a pior impressão do serviço público sindicalizado hoje em dia..” Aliás deixa eu registrar isso. perdemos a colaboração de uma figura fantástica. Eletrobrás.. eu tenho. as pesquisas anuais. o que ainda segura é a transição tecnológica... indústria. havia quase que uma luta. esvaziada. portanto.. me atracar e gerar o tumulto para que vocês façam a intervenção e abram as portas do IBGE? e os cretinos disseram simplesmente o Senhor é que sabe..mas eu acho que o IBGE e o Simon de certa forma está dando sinais de soerguimento. demográfico.” . embora eu achasse que o Mauro tivesse razão no sentido administrativo do termo.... mas o que é esse tumulto. por conta dessa experiência..O Doutor Vilela saiu rapidamente por causa disso.. saindo. eu não tenho certeza que a minha conclusão seja a mais correta...existem duas situações muito dramáticas.. demografia.. posso dizer com certeza. mas tinha sido admitido lá no meu tempo. o César Ajara era o Chefe de Departamento. eu vou usar o termo.. do que o Simon está conseguindo atualmente em termos de produzir informações. acontecem as debandadas maciças. poucas pessoas podem produzir bem... quase que pessoal.. informações conjunturais. “ O Vilela foi impedido de entrar. impedindo a saída das refinarias.. acho que essa idéia se perdeu. como eu vivi a década de 80 no IBGE. comércio. mas o que me ocorre no momento.É preciso entender que. do grupo de geógrafos ativos o que conheço é você. qüinqüenal..... meio ambiente. as pesquisas mensais.. ninguém novo.. pediu demissão e foi embora. a casa já apresentava um forte envelhecimento da massa profissional e quando se chega no início dos 90.. as pesquisas por amostra. mas eu não me lembrava dele. eu vi que não tinha jeito mesmo. todas as reivindicações são mais do que justas. os econômicos decenal.... era um calor... no prédio da Praça da Bandeira vocês tinham problemas de ar condicionado. ficou possuído de tal fúria. a maneira de proceder é que é condenável.. não tem mais massa profissional.. encontrei a geografia extremamente. não há realmente como repor profissionais qualificados em tempo hábil.... praticamente não entrou ninguém.... pois com os novos computadores... hoje tenho uma ótima impressão... de longe. indignado... quer dizer. mas mesmo com o sucesso atual do Simon. o que o IBGE se desagregou e perdeu de massa. Petrobrás. as pessoas saindo. é uma falta de respeito pagar o que se paga ao funcionário público..... pelo o que estou vendo.. a decisão é sua. ... no seu aspecto geográfico. então o quadro de falta de dinheiro..

... o melhor é doar. e foi onde ele conseguiu acertar a história da vinda do Radam e que eu acho que foi um ponto positivo. Quando Eurico Borba entra. porque.. que era realmente terrível na época.. ele e Bonelli.. da gente correr para o Presidente de Embratel. Edson Nunes conta muito bem o episódio. e depois eu e Isaac. entregava geografia para s universidades. teve um Diretor Geral dele que durou duas. entregava geodesia e cartografia para o Exército. geodesia e cartografia.... e o Jessé em Brasília numa reunião. ele teve sorte porque como todos eram economistas e estavam preocupados com conjuntura nacional. em que o ar condicionado era apenas um dos problemas... eu não acho exatamente isso... mas essa era a idéia que passava. Bem.. sempre existiu uma incompreensão sobre a heterogeneidade do IBGE. quer dizer. a Geografia é um troço histórico. o Bacha. depois de ter me convidado para Diretor Administrativo ele teve uma conversa com o Isaac. “ Mas o. e a gente tem que ficar vivendo com a Geografia. meio ambiente..... agora quanto a questão dessa área que cobre a Geografia.. eu não sei . mas claramente um grande. virou e disse assim. Eurico tira Mauro que era considerado o sujeito que estava enterrando a geografia. com aquele com ar de dono do mundo. essa questão fica muito clara.... por mais que o geógrafo humano ainda não goste muito. ele e Bonelli. porque aí ressurge a idéia de meio ambiente dentro de outras bases... não havia no centro de poder ninguém se preocupando com Geociências.. de cartografia. eu fiquei mais duas semanas ou três semanas com o Jessé passando o material para ele. ah é uma idéia. e isso levou também a um outro conjunto de pessoas a pedir aposentadoria por se sentir deslocado. com mais delicadeza evidente..... quando o Isaac saiu. deu uns telefonemas. você segura essa história por favor ele riu e tal.. etc.. passavam para as mãos do Edson. com um prédio.. eu tive que uma tarde sair correndo...... três semanas e foi embora... uma grande massa de pessoal não gostava daquela história de parar a 40 quilômetros do centro da cidade.. tratando de meio ambiente. acovardadas.. Radam.. depois de visitar a Reserva Ecológica do Roncador. e aí é aquele negócio...... essa história do Roncador em Brasília. no caso do Edson Nunes... o IBGE tem que fazer Censo. “ Eu me lembro lá daquele inferno... mas tinha a mesma idéia.Geociências toda junta... eu por mim entregava isso tudo para s universidades. tratando de geografia.... -Com o Edson Nunes já foi uma outra situação... então encontrei todas essas áreas muito atemorizadas.... vamos tratar de fazer Censo. Eurico então nos coloca na Praça da Bandeira junto com Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente... Depois com o meu querido amigo Bacha. então todas essas coisas que ele dizia.. Numa conversa sobre o IBGE. teve uma conversa comigo. que é irreversível.. mas num prédio em que efetivamente era um prédio pequeno para os dois Departamentos e com esses problemas de infra estrutura. o pessoal de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o pessoal de Geodesia e Cartografia. estavam sendo postos para fora pela Petrobrás a todo momento. vou doar para Universidade de Brasília e acabar com Meio Ambiente..... Então eu não sei. esse aí o Joel Renó... alijado.. foi a mesma coisa.. Radam estava acovardado em Salvador.... virei as costas e fui me embora. no dia seguinte nem apareci no IBGE e voltei para PUC minha casa de origem. e o prédio da época que garantia essas condições era o de Parada de Lucas. de geodesia... colocado num lugar longe.. ele agora já começando a entender dessa integração que teve que ser feita.. aí eu digo. essas que não eram de economia.. já havia um outro pensamento. . a ENCE eu entregava da Federal do Rio de Janeiro e nós íamos tratar de fazer Censo. e aí talvez é o problema da continuidade.. com mais tecnologia. eu não entendo essa história de IBGE com reserva ecológica...... tem que fazer estatística...... que me recebeu muito bem.. inclusive o episódio do Radam veio com Edson Nunes.. ir lá no Presidente da Petrobrás. eu olha aqui: eu tenho um mandato de despejo. quando eu saí de lá ainda não estava nada certo assim. como era o negócio naquele período.. veja eu estou te contando..

um diálogo maior com meio ambiente e geografia. não houve tempo para fazer a recuperação mínima das condições ambientais de trabalho no IBGE... a primeiríssima prioridade da DGC era dar um salto de tradição tecnológica na área de cartografia e geodésia.não lembrava dele. Então nessa área de geodesia... para segurar despejo. com uma ênfase muito grande em resolver questões da cartografia........ primeiro porque tinha sido uma gerência muito forte do Mauro. principalmente cartografia.. só que a Teresa Cardoso tinha muito mais tarimba.” ... com as famosas estações de trabalho. e ela . esse período foi um período realmente bastante pesado para o Mauro Melo que tinha que gerenciar. quer dizer.. segunda liderança. todas duas especializadas em geomorfologia.. Na Geografia eu só conhecia você. então. o chefe do DEGEO... a seria por assim dizer a futura liderança.. porque aí tem uma parte interessante.... “ Mas aí deixa eu te contar uma história que é importante. então eu vi a geografia fazendo coisas importantes.... perante uma. equilibrou os poderes dentro da DGC. a única pessoa que tinha essa capacidade no Radam era Teresa Cardoso que estava em Brasília... “ Então eu estou confundindo com outra.. que do Radam também geógrafa que estava no IBGE e baixinha. perante o pessoal de contas nacionais. se impondo perante uma Marta Maia lá da PNAD... quer dizer. geografia e recursos naturais estavam começando a tentar se entender. “ Tinha apelido essa menina? .. quer dizer... etc. começaram a ter vinculação. a Lúcia. tinha sido da Universidade da Bahia. essa era uma pessoa que era líder e possuía muito conhecimento técnico e político. nos diagnósticos integrados. do contato. a cada seu trabalho.. a cartografia e geodésia. nem meio ambiente. um pessoal da demografia. o que de uma certa maneira foi bom. uma pessoa senior. com poucos funcionários qualificados. e nos nove meses que efetivamente se trabalhou. coisa difícil porque o Radam vinha com uma tecnologia e uma metodologia de gavetas. mas que começaram a perceber que seria necessário um discurso integrado... transição tecnológica pesada... Embratel para não desligar as linhas do computador.. passa o texto para o outro. mesmo não gostando muito e perdendo poder. mas internamente. também não está mais no IBGE. e ele.. então era esse ambiente da época.e uma parte que englobava geografia e meio ambiente que eram estavam começando a se entender e se articular.. você teria que começar. muito bem articulada. porque eles não recebiam a meses.” Não essa é Antonia. porque você convidou o Sérgio Bruni... por exemplo. vamos dizer. não havia muita gente com uma visão generalista.. quer dizer. cartografia e tal. etc... altiva... de geografia física........ digitalizar toda a malha geodésica brasileira e a geodesia passando para o GPS. é claro que tanto na cartografia como na geodesia as pessoas não irão lembrar bem. mas de qualquer forma. havia uma prioridade um.. era uma senhora bem baiana.... os outros cinco foram greves... o outro arquiva.Não sei.... tinha estudado no exterior. eu acho que fiz muito pouco.para Presidente de Petrobrás. vamos dizer. morena. nem a geodesia..... eu tive pouco contato com ela mais.. cada um na sua e eles passavam textos.... mas ainda com muita dificuldade.Bom. todas duas geógrafas.. nessa fase.... César não conhecia. e aí talvez tenha muito desse aspecto de fechamento às outras diretorias. nem recursos naturais..” Mas tem um ponto interessante que as pessoas lembram de Eurico Borba e aí. eram especialistas. como os diagnósticos de algumas áreas da Amazônia.... e coloca no diagnóstico. arranjar dinheiro para essa transição..eu não via nem a geografia. O Bruni de .. alguém que fizesse depois um copidesk integral. essa foi a segunda.

estatísticas contínuas. para Yedda Crusis eu sempre dizia que aqueles dados coletados.. o Mauro tinha até por razões de profissão. que foi equilibrar poderes dentro da DGC.. do INPC. 93 que o único grupo. e isso fazia com que. estatísticas mensais. e porque a geografia juntamente com esse grupo da área de meio ambiente se não tivesse um projeto importante encomendado de fora do IBGE eles sempre ficariam como linha auxiliar do demógrafo.. nem jogo de palavras. eu verifiquei outra coisa.. na Secretaria de Estudos Estratégicos. então..” Tinha uma parte que eu acho que teve um problema dele... e a minha volta em 92. uma série de pontos pontos positivos. “ O que eu quero dizer é o seguinte: o Sérgio Bruni foi um trator e uma das coisas que ele conseguiu... 93..” .. índices de preços. Censos. e até por razões de estratégia ele tinha problemas na cartografia e na geodesia que eram problemas muito pesados. e pelos estudos uma metodologia extremamente rigorosa abrangente que envolvia o pessoal de meio ambiente e pessoal de geografia. dei a maior força e prioridade. estruturais.. então eu verifiquei. cartografia... porque esse tipo de vida. a única ciência que tinha capacidade de fazer a união.. e a questão da mudança para Lucas só agravou as relações. de começar a pensar globalmente de forma interligada e interdisciplinar que havia se perdido naqueles doze anos após a saída do Isaac. sempre o empregadinho de segunda categoria perante os estatísticos. geodesia.. então eu explicava lá Censos. que eu acho principalmente que ele era um profissional muito vinculado com a área de botânica e então ele dava uma força muito grande nessa parte específica da botânica.. faça isso.. de fazer a síntese explicativa do território e da sua população era o grupo da geografia..uma certa maneira foi uma pessoa que teve uma questão positiva. ele sentiu isso.. tudo a que o Sérgio Brunes pediu eu atendi nesse sentido.. eu estava convencido que era preciso dar a um grupo do IBGE a função. ele diz mesmo. da PNAD. ilustra aquela carta. para o Ministro Marcílio. quando eu falei em geografia esvaziada junto com geodesia e cartografia que eu encontrei em 92.... que a gente tinha que descobrir esse projeto que tinha ... isto é abriu caminho... eu dizia isso não da boca para fora.. Paulo Hadad. aí meio ambiente eu falo o DERNA específico que era o Departamento junto ao nosso prédio e mais as unidades regionais que eram as DIGEOs que eram espalhadas em vários estados. e quando surgiu esse projeto diagnóstico geográfico e econômico que se fez a Amazônia Legal e quando eu sai de lá estava se fazendo o Nordeste e Centro Oeste.. PNADs.. “ Eu acho certo.. no tempo do Mauro. eu fui lá depois com o Almirante César Flores da Secretaria de Estudos Estratégicos foi o diagnóstico econômico e geográfico da Amazônia. estatísticas conjunturais. nas exposições que eu fiz na Escola Superior de Guerra. mas de uma certa maneira olhando hoje..Foi neste período é que já estava havendo um nível de integração melhor entre meio ambiente e Geografia... contas nacionais. modelos de simulação.. sempre forçando a idéia do IBGE como um grupo integrado... quanto a geografia ficassem sem muito apoio. com Jane que apoiou. tanto meio ambiente. claramente ele foi um sujeito que equilibrou a diretoria O próprio Trento Natali Filho que é hoje Diretor de Geociências. E olhando de hoje.. isso aqui se chama geografia e o grupo de geografia. “ Mas Roberto deixa eu te contar duas coisas que eu acho que é importante.. a idéia era se fazer Sul-Sudeste. então nós chegamos a entregar a primeira parte praticamente toda parte de Amazônia Legal e tínhamos iniciado Nordeste e Região Centro Oeste e nós íamos fazer as cinco regiões. prepare a base do Censo. conversei muito com Teresa Cristina que apoiou. mas ele dava uma força muito grande a essas áreas....... explicava aquilo tudo e dizia o seguinte essa história toda tem que ser fechada em cima de um território e explicado porque a ocupação.. os economistas que estavam ali manobrando o filé mignon do IBGE. do economistas.. não era grave. porque esse tipo de ocupação. com uma visão integrada de Brasil eu dizia sempre e não estava fazendo jogo de palavras eu estava convencido que a situação atual do IBGE 92.

.. existe. cento e sessenta. era todo um problema.. ele já não podia mais levar e ele teria que explicar o que ele iria fazer. e isso. eu pelo contrário.. e nada acontecia. as chefias da área de estatística. No caso geografia e meio ambiente eles estão continuando nessa linha de fazer diagnósticos integrados. você terá um discurso mais amplo. para explicar o diagnóstico da Amazônia. definição de Censos econômicos como o Agropecuário o Industrial. e tal. os estatísticos.. etc..uma abrangência nacional. esgotou. “ Se bem que tem um outro ponto interessante também. mas isso foi muito mal levado em termos de marketing. então o usuário começou a cobrar pesadamente e esse. “ Mas todos. alguns geógrafos humanos não gostam. mal levado. etc. Bandeirantes. seis já no doutoramento... uma delas especificamente sobre esse diagnóstico. é que nesse período...” . foi justamente num período onde grande parte da população tinha aceito uma desculpa de que Collor tinha destruído o IBGE e com esse álibi do Collor ter destruído o IBGE.. CONFEGE. uma agência governamental importante como a Secretaria de Estudos Estratégicos estava dando. não tem garotada de trinta anos... estão trabalhando em segmentos do gerenciamento costeiro e o trabalho que foi feito. ou de pessoal. e aí nós sentimos que todo Presidente que entrava.... então era alguma coisa importante que a mídia. por exemplo.... tratando daquele filé mignon. agora o Departamento nas áreas de meio ambiente lá da DIGEO de Santa Catarina. com problemas específicos operacionais de suas áreas. gerenciado por uma geógrafa do Departamento de Geografia e por grupos de geógrafos lá de Santa Catarina. porque se você consegue articular bem com um geógrafo físico. hoje tem quinze pessoas com nível operacional. com um biólogo... saiu uma notinha no Jornal Nacional. e aí começa a aparecer um papo estranho. “ Esses quinze hoje qual é a formação acadêmica.. etc.. teria uma importância evidente perante a mídia a Rede Globo em chamou naquele café da manhã. acho que isso é um trabalho que minimamente se dá sobrevivência. bom.... ela sofreu perda de massa muito mais que substancial.. levantaria a responsabilidade do grupo de geografia e a responsabilidade do grupo de recursos naturais e meio ambiente provocando essa integração e esse grupo não seria simplesmente o grupo de segunda categoria dentro do IBGE perante os economistas. de que não.. a poucos anos atrás trabalhava com cem. a entrada do Sérgio Mincioti.. e com geólogo. é uma grande diferença.... acham isso um trabalho menor. muita coisa do IBGE. estavam com grandes problemas. foi feita a reportagem também naquele Globo que aparece domingo de manhã. eu acho que esse é um ponto chave no IBGE. foi muito bem aceito e todo mundo está aplaudindo e etc. mas isso você tem que aprender a fazer... saiu uma notinha no Fanestástico. aí todo esse período depois da sua saída.. ela. isso levantaria a moral. até a entrada do Simon. onde é que eu posso abrir uma cunha nisso aí foi o Simon naquele na CONFEST. os economistas e estatísticos. não é preciso fazer mais Censos. que você pode pedir qualquer coisa. claro que o IBGE a geografia do IBGE..... que o único que foi detectar exatamente essa questão e dizer.” . mas isso foi mal explicado ao usuário.. eu acho até que deva ser assim. que não era apenas pelo Collor e sim de uma estrutura ou gerenciamento. menos segmentado.... que o governo.. mal feito...... Marília Gabriela fez duas entrevistas comigo.... Globo Rural.. suas preocupações primeiras eram: Censo de 91 tem que fechar.. foi extremamente positivo. em que as pessoas. percebiam claramente que eles já não tinham mais gente para fazer os Censos econômicos.. etc.. então.São todos mestres e alguns já começando a ser doutor... etc. nós vamos ter que fazer um tipo de pesquisas menores. agora. eu acho que já tem uns cinco..

. institucionalizada com os departamentos das universidades boas do Rio de Janeiro. não. eu quero saber no ano 2000. agora a pouco tempo teve um concurso.. ele montou uma equipe para o Censo do ano 2000 e resolveu começar cedo.. pontual. é tudo na faixa de quarenta. pegaram o plano de desligamento. pode ser estágio e pode ser elemento de despertar vocações que aceitem ser heróicos funcionários públicos trabalhando no IBGE. por parte da Marilourdes Lopes Ferreira. como algumas outras poucas no Brasil.. vai se parecer com um planejamento daquele Censo de 80 que se começou que vocês começaram a montar e que em 79 vocês tiveram que abortar o negócio... foi alguma coisa assim exploratória. que trabalhou no IBGE desde os anos 60. Sociologia. entraram três. que nós no tempo de Isaac tentamos. estatística.. não houve continuidade. o Roberto Lobato de Azevedo Correa. extremamente desestruturada que eu pensei em fazer. começou a planejar cedo.. ele trabalhou durante muito tempo no Laget.. eles fizeram parte desse convênio.... e não tive tempo.. “ Eu queria só no final dizer alguma coisa também que me esqueci. PUC do Rio de Janeiro. questões de salário.. de demógrafos que tenha feito pelo menos um Censo. se aposentou... então essa é a saída. não fomos muito felizes. quem é que vai fazer o Censo do ano 2000. se aposentaram..” . quer dizer o Departamento de Geografia.. “ Eu sempre digo que se isso.. aprendi com o velho Lira Madeira e com Valéria Mota Leite.. que foi até um a experiência muito boa foi o Laboratório de Gestão do Território (LAGET)... com essas saídas... etc.. porque sentiram que. deu bem para perceber como as coisas estão e o quê. aí eu digo de novo e louvo o Simon. eu acho que com isso.Não. etc. por exemplo a informação que tem agora é que em dezembro saíram cem pessoas do IBGE.... eles não terão condições de comandar o segundo. talvez com a UNICAMP. porque com essa.” . dizem. se não tivermos uma geração de estatísticos.. um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o IBGE e que deu muitos frutos.... adaptação ao trabalho...:” . mas ao que me parece...... a reposição que deveria ter sido feita na década de 80 e como ela não foi feita. esse ano eles até já começaram direito.” Exatamente. o Claúdio Egler... que depois foi para a Universidade. eles preferem ir para outro lugar.. eu não estou lidando com o problema.. que eu acho que é fundamental que é o IBGE basicamente ter uma interação maior.. mais tarde houve uma outra tentativa. mapeamento automático.. Federal do Rio de Janeiro.. dois já foram embora. as pessoas estão indo para o exterior aprender e a trabalhar principalmente com tecnologia nova... a Fanny Davidovich também.. a Bertha Becker. não foi levada a tempo. Federal Fluminense. talvez com a USP. cada vez mais fica distante a possibilidade de reposição.Houve uma experiência disso. as pessoas estão podendo sentar a mesa e discutir perfeitamente o quê é possível fazer. ao que me parece pelo menos em termos de planejamento. vai ter a Valéria e mais um ou dois que fizeram o Censo de 90. “ Não teve um rapaz. de Economia. é esse o grupo hoje ainda faz a Geografia do IBGE andar. dessas cem pessoas muita gente era da área de geociências... ter essa ligação com o IBGE..Não. já teve um concurso. qual foi a sua colaboração nesse.Se não menos.. nessas duas fases que foram. que era .. eu sou o mais velho tenho cinqüenta e três. “ É a geografia que desaparece dentro de dez anos. o mais novo deve estar com quarenta e três mais ou menos nessa faixa.. Bom mestre Eurico.. formal. Egler que.. que as coisas estão se dando muito bem porque de novo está havendo uma integração muito de geociências. está havendo consultoria de fora.. não havia possibilidade de tempo para um período de formação.. o negócio.

O segundo documento foi sua carta de transmissão de cargo da presidência do IBGE em 25 de janeiro de 1999 ao economista e historiador Sérgio Besserman Vianna atual presidente. mostrando o que foi melhorado e apontando os problemas que ainda não puderam ser sanados. acenando com o projeto de contrato de gestão. onde faz uma ampla avaliação da missão institucional da casa. O primeiro foi sua carta de intenções chamada O Presente e o Futuro do IBGE apresentada em dezembro de 1994. explica as condições de funcionamento da agência. principalmente os afetos ao funcionalismo que o compõe.. São 28 páginas onde Simon expõe claramente os problemas da agência. e o maior deles é ainda o de pessoal qualificado. Simon faz um balanço de sua administração.. apresenta um balanço das atividades entre maio e dezembro de 1994.. de fazer uma integração com outras universidades para um atlas do Estado do Rio de Janeiro mas não foi bem sucedida. traça as estratégicas para os próximos anos e levanta questões sobre o futuro do IBGE.diretora adjunta da Geociências do IBGE.. A Gestão Simon Schwartzman Três documentos servem de sinalizadores para as ações empreendidas pelo último presidente do IBGE que gerenciou a casa entre maio de 1994 e dezembro de 1998. preparado no contexto de uma reunião técnica com os dirigentes de instituições federais de pesquisa em novembro de 1994. gestão administrativa. além dos problemas concernentes ao equipamento de trabalho propriamente dito. ao longo de sua gestão... restrições essas que vão. Simon discute os problemas que os principais institutos de pesquisa governamentais apresentavam na ocasião e delineia o modelo de contrato de gestão em termos de controle e avaliação. Tanto quanto os outros presidentes. Esses foram os principais referenciais que nos interessam para entender a posição de Simon Schwartzman quanto às áreas de Geociências.. política de pessoal e questões relativas ao desenvolvimento de carreiras de pesquisa e ao processo de transição necessário entre os dois regimes (Regime Jurídico Único) e o de Contratos de Gestão. Simon também inicia o mandato com muitas restrições à essas áreas. Essas mudanças positivas podem ser percebidas através de uma série de ações que implementaram uma forte .. O terceiro trata-se de uma apresentação sobre os institutos de pesquisa do governo federal. Nele. a medida em que o papel dessas áreas passa a ser compreendido mais amplamente. financeira e patrimonial. suavizando-se.

.ampliação do aparato tecnológico de trabalho. em termos de computação gráfica e de redes de comunicação.

se estava a meio curso do Atlas Nacional do Brasil e de uma série de Atlas como o do Ceará.. do Amapá. Atualmente Mauro Melo é professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e na UERJ. a minha experiência profissional vem de trabalhos na área de topografia inicialmente. ainda tive o privilégio de cursar Engenharia Cartográfica com um curriculum que era denso em geografias.. participando desses diferentes projetos. inclusive.... exatamente com esse convívio de cartógrafo e geógrafos.. trabalhando maciçamente na elaboração da documentação cartográfica. Alfredo Porto Domingues foi meu professor em algumas cadeiras para exemplificar.Professor Mauro pode começar a contar um pouco da sua trajetória pessoal e funcional dentro do IBGE ? “ Bom.. mas então. os capítulos regionais. primeiro diretor de Geociências do IBGE e principal articulador da integração em as áreas que compunham a diretoria (Geodésia. cartógrafos de boa expressão no IBGE como Rodolfo Pinto Barbosa e Ari de Almeida e os grandes geógrafos do IBGE que . a minha inserção na Cartografia se dá exatamente na passagem para a Universidade ao início do curso de Engenharia Cartográfica na UERJ.. Foram tomados os depoimentos de elementos formadores da “velha guarda”.. e também se iniciavam os trabalhos dos subsídios a regionalização.. Meio Ambiente e o ambiente informacional que daria suporte às áreas. Geografia.. eu digo que tive uma visão privilegiada. uma coisa bastante desconfortável durante muito pouco tempo..naquela ocasião e tive o privilégio de ter alguns professores geógrafos de grande expressão.. Recursos Naturais. “Era a terceira turma. a minha foi a terceira turma. No projeto dos Subsídios à Regionalização. na Distribuidora de Energia Elétrica na Light. acho que no momento de transição do IBGE.. elaborando cartogramas. como Miguel Alves de Lima e Speridião Faissol. além das unidades regionais que também produziam trabalhos específicos em seus espaços de atuação).” Essa era a primeira turma de cartografia no IBGE? Já era... Cartografia. terceira turma. Mas o que vamos registrar aqui são os depoimentos de profissionais que assumiram posições de direção após a década de 80. que tiveram cargos de alta direção no período do CNG. no caso da Geografia do Brasil.. não na Cartografia.. onde leciona no curso de Engenharia Cartográfica.. criando os mapas de correlações.Os Diretores O segundo grupo de depoentes foram alguns diretores que gerenciaram as áreas onde a Geografia se localizou.. e venho logo para o IBGE. O primeiro depoente foi o engenheiro cartógrafo Mauro Pereira de Melo.. quer dizer.. e no projeto do Atlas Nacional também. quer dizer. Cartografia/Geodésia e Meio Ambiente. eu fui estagiar no Departamento de Geografia. daquela época em que se terminava a Geografia do Brasil. a turma que saiu em 70... A Gestão de Mauro Melo na DGC . como estagiário exatamente em janeiro de 68....... e participaram das políticas de integração das áreas de Geografia. que dão o perfil atual das Geociências na agência. participando de várias das discussões dos geógrafos nesse processo........... eu trabalhei com cartografia..

muito pouca participação até da geografia e mais da cartografia e logo depois os Atlas estaduais que estavam contratados e precisavam de um apoio maior como Maranhão.. realmente foi uma temeridade absorver um projeto dessa importância naquele instante em que nós não tínhamos nem claro que papel ele teria num novo IBGE... onde as preocupações básicas eram concluir o levantamento gravimétrico dessa área. nesse período da década de 80. Eu acredito que isso voltou a colocar um pouco a cartografia num eixo geográfico.. tinha muito pouca visão geográfica.. Piauí.. fui Superintendente ao final da década de 70 até assumir a Diretoria de Geodésia e Cartografia no início de 80. supervisão e lidando naquela ocasião com algumas tecnologias também de ponta.. onde se perdeu a visão geográfica da cartografia e a formação cartográfica se voltou mais para a questão cadastral. organização e tudo mais.. no momento seguinte. através das Divisões de Levantamentos. quer dizer. a nossa tentativa ganhar uma aproximação maior da geografia até no sentido de reforçar a questão do papel do IBGE que era até todo instante questionado. quer dizer. e nós vimos na aproximação com o DEGEO principalmente na elaboração de Atlas uma reaproximação da cartografia com a geografia. Flávio Pécora.. aliás no Bico do Papagaio na região de Xambioá em 1974 com a equipe da Quarta Divisão de Levantamento de São Paulo onde estava lotado e participei dos projetos de cartografia ao longo da década de 70. o mapa regional do Nordeste nesse processo. Na ocasião através do Presidente da Comissão o Pécora...... porque éramos as primeiras turmas a entrar na Amazônia com objetivo de mapeamento mais preciso... Roraima... na definição do Sistema Geodésico Brasileiro e treinamento de equipes para astronomia. Superintendência de Geodesia onde posteriormente. na época o Projeto Radam Brasil estava totalmente desassistido a ponto de ser definida sua extinção no final do Governo Figueiredo. já na década de 70. comecei a trabalhar efetivamente com cartografia. A grande oportunidade que nós vimos em avançar nesse sentido foi com a absorção do Projeto Radam. aquela formação anterior de meados da década de 60 até o final da década de 60.participaram desses projetos... quando de meu retorno ao IBGE...” No depoimento do Edson Nunes ele coloca bem as dificuldades que foi de entender qual era a escala do Radam.... todo mundo sabia que era um . nova visão geográfica e algum envolvimento com alguns mapas temáticos.. fui trabalhar numa Divisão de Levantamentos que estava sediada em São Paulo. quer dizer. fui no momento seguinte para o INPE e aí outra felicidade. e me vi envolvido profundamente com. isso já veio acontecer no Governo Sarney.. papel. e tivemos a felicidade de realizar alguns Atlas.. interferimos.éramos chamados de caixa preta e tudo mais... a SUDENE e aí saiu o Atlas do Nordeste.... O cartógrafo. quando nós interferimos através da Comissão de Cartografia..... participei do grupo que implantou a estação de recepção da imagem do primeiro satélite de sensoriamento remoto. em que se rediscutiu o IBGE como um todo. houve uma regressão aí em termos da visão cartográfica... no Governo Sarney é que veio acontecer a oportunidade de absorver realmente o Radam. ela foi rompida num ponto qualquer. naquele momento até com entidades externas ao IBGE. para a fazer a pós graduação.. na área de Geodésia. Como foi o caso da EMBRAPA na Região de Carajás. a tarefa foi também uma visão privilegiada em termos de IBGE.. medição de bases. Vale do São Francisco.... também com a Cia. ele conseguiu reverter esse quadro produzindo um Decreto que transferiu o Radam à Secretaria de Planejamento e num segundo momento estudar absorção por parte do IBGE.. quer dizer. e foi num momento crítico para o IBGE. fui para a área de Geodésia. e a entrada do mapeamento na Amazônia que era o grande desafio que nos acuava. A todo instante buscamos uma aproximação com a área de Geografia até porque os Atlas estavam incluídos na programação de trabalho do DEGEO e víamos aí uma oportunidade também de crescimento do próprio pessoal da cartografia... quer dizer.... fui para a área de Geodésia...... a visão do engenheiro geógrafo do século anterior. já de longa data... Ao mesmo tempo que eu me enriquecia naturalmente com essa participação em termos de geografia. Desenvolvimento do Vale do São Francisco....... quer dizer... a intenção do Governo era realmente extinguir o Radam.. que veio a se transformar no Landsat e os estudos primeiros de aproveitamento de imagens.. eu não sei precisar na década de 70...

. eu acho que o Radam veio e deu organicidade.” Houve até umas escalas interessantes.. evidentemente.” . mas ao mesmo tempo também tentar fazer o que o Projeto Radam. A grande vantagem que tivemos com a absorção do Radam foi a oportunidade de sentarmos à mesa de discussões com uma proposta concreta do ordenamento territorial integrado. quer dizer... funcionasse como um catalisador dos interesses dos geógrafos e houvesse uma aproximação maior entre a área humana e a área física numa geografia de integração.. para o final do ano de 86..E haviam muito poucos geógrafos que pudessem fazer. Roraima e Periferia de Carajás. Eu acho que os diagnósticos deram um pouco mais de trabalho inicialmente em escala Brasil. e não uma decisão estratégica..... a experiência Projeto Nossa Natureza.... mas foram situações de cunho pessoal.A experiência de Carajás.. foi interessante .. a SUPREM não tinha uma organicidade naquele período.. trazendo inclusive algumas tecnologias novas já voltadas para geoprocessamento..” . correu distante daqueles nichos que se discutia a criação de uma área de ambiente no âmbito da área da SEPLAN o que veio ocorrer em 87. o exemplo do grupo do Orlando Valverde.... aí. Rio Negro-Uatumã.... você tinha o Nimer como um líder de climatologia. físico.. não na forma que vinha sendo tratada no IBGE em termos de SUPREN que eu acho que tinha muito pouca valorização da visão geográfica.. esses trabalhos foram importantes.....grupo muito importante e pessoas muito qualificadas e ninguém conseguia entender escala da junção de Radam com IBGE qual era a possibilidade. O que buscávamos era exatamente uma integração maior. principalmente da exploração dos elementos da natureza. até como uma forma de costurar o pensamento humano.. não se tinha naquele momento ainda. você tinha o Alfredo na geomorfologia eram poucos os especialistas... quer dizer. tentando costurar o binômio natureza sociedade de uma forma mais integrada.... “Exatamente. houve a construção daqueles quatro módulos iniciais que foi Xingú-Iriri.. da questão dos Recursos Naturais.” ... “ O que nós buscávamos ali era uma valorização da visão ambientalista da geografia. houve uma tentativa da adaptação do Aluísio Capdeville Duarte que era um geógrafo da área de regionalização... “ Foi um desafio. os diagnósticos territoriais eram todos com viés ambientalista . mas eu acho que foram um marco. PMACI I e II que monitoravam a ocupação ao longo da BR 364 e controlavam as áreas indígenas de Rondônia e Acre.do início dos anos 80. correu a reboque não.. fruto de conflitos no DEGEO.. sob a ótica da geografia e sempre buscando esclarecer essas interfaces entre os diversos subsistemas que compõem a natureza e a sociedade.... do César Magalhães que era especialista de energia... também foi resultado de conflitos de poder no DEGEO. 87 isso tudo correu a reboque..Quantos projetos foram desenvolvidos naquele período ? “ Tivemos o ZOPot zoneamento de potencialidades. a objetividade ao trabalho que era feito na área da SUPREN. uma escala intermediária.pois inicialmente....... tínhamos de adquirir essa experiência em termos de Amazônia.. no contexto mesorregional... o discurso holístico que veio perdurar já pelo meados.” . não só da área de Recursos Naturais.” Que aí foi uma tentativa de tentar trabalhar uma escala dentro da Amazônia........ no âmbito do Projeto Nossa Natureza........ “ Periferia de Carajás é último. nós absorvemos nessa época a idéia de integração.

. aquela forma de acordar o Brasil. foi o primeiro trabalho na escala de Brasil que apresenta uma preocupação com poluição... antes do discurso neo-liberal do planejamento indicativo e do planejamento determinativo dos militares da fase anterior..” Analisar algumas conjunturas.. quando a escala menor muitas vezes poder resolver seu problema............Teve diagnóstico Brasil também. decenais. se evita a história do sistemático quebradinho... é um trabalho que realmente acho que não foi entendido. início da década de 80.. “ Eu digo que essa linha... a área acadêmica dá o valor merecido. quer dizer. é o mesmo processo da amostragem na estatística. visão nacional... ainda Diretoria Técnica que foi Brasil: Uma Visão Geográficados anos 80. há ciclos qüinqüenais. “ Isto tudo num processo único.... “ Eu acho que foi o primeiro trabalho que juntou renda familiar com poluição. e aí poluição vista num nível mais geral....... a parte de agrária. principalmente na questão de poluição local de Manaus em função da industrialização.. a questão da poluição em função de uso do solo... como o Brasil lá fora. é um tipo de trabalho que deve ser repetido. não era um instrumento clássico para planejamento. relação política de governos anteriores..” “ E aí Schmidt é bom deixar claro que o grande sinalizador disso tudo foi um projeto desenvolvido no âmbito do DEGEO ainda isolado........ aquilo ali deveria ser cíclico... Eu acho que ele ficou interessante.” .. principalmente na área governamental. Ele foi um inspirador nessa linha de trabalho.. foi aí a ruptura que nós tentamos fazer naquele instante. com isso. uso de defensivo agrícolas.000... Esse texto..000 e aí você não vai conseguir cobrir o Brasil todo rapidamente.. ele me serviu muito. “ Sim.. “ Exatamente. mau uso do insumos no campo.. problemas da regularização fundiária da década de 70 a 80... ele foi uma tentativa de mostrar a esse pessoal que havia um limite de escape.. o nosso problema é que a área governamental ainda não se percebeu a importância daquele tipo de abordagem.. etc. isto é de 1:50... até hoje orienta pesquisas no terceiro grau.. quando nós ....Renda familiar com poluição.. o Diagnóstico Brasil foi um marco nos trabalhos. eu vivo repetindo para a eles ainda hoje que essa abordagem deles leva ao dilema de Jorge Luís Borges vai em escalas cada vez maiores até chegar em 1:1 e a informação se torna inútil para muitos e apenas relevante para uns poucos.. que é muito difícil de trabalhar na escala de Brasil. ali nós estávamos buscando modelos para a definição de políticas regionais.. “ Na área de planejamento. por exemplo.” ... com industrialização.. para trabalhar no módulo de Rio Negro-Utumã... não fazia sentido ir à escala maior....” . 1:100.. analisar alguns problemas em determinados segmentos. dali era possível fazer muita coisa. ele orienta as pesquisas de ocupação do território.Claro..... pois abrangeu todo o país. por exemplo.. está tudo lá... ela dava a sinalização para políticas regionais..” Plenamente valorizado como deveria ser........ embora até hoje não tenha sido plenamente entendido.. pois eles sempre trabalharam dentro dessa característica do levantamento sistemático em nível local... foi escolhido para a tentar essa aproximação entre o pessoal do Radam e do IBGE..Porque ele organizou um quadro de referência importante. Quando você lembra o Nossa Natureza. Percebo que este era o grande problema que incomodava o pessoal do Radam. mas ele deveria ser até para a dar uma avaliação das políticas..

virou um xingamento. na medida que ela efetivamente em algumas situações ocorreu porque éramos um órgão do governo foi assim no período do Estado Novo.. Collor... ou para o militar. cartografia oficial. É um equívoco isso.. ele precisa daquilo para a responder alguma coisa ali.. “ E aí se leva à distorção de hoje..... porque cada área dessa apresentava problema distinto no contexto da Amazônia.. ele pode dar uma informação trabalhada. O IBGE... de querer ver o IBGE como uma organização social. não é governo... então elas foram selecionadas até para se ganhar tempo no processo de domínio do trabalho.. e colocar a coisa numa visão pragmática também. no de Juscelino... “ Ele informa todos esses processos. que representa a sociedade... agora a conotação que se deu.. grupos privados estarão dispondo de uma informação antes dela estar disponível.. não como uma agência do estado. “ Exatamente.. porque uma organização social é essencialmente privada.Coisa que o governo precisa. ele pode fazer um diagnóstico..Para não ter de reinventar a roda.. ele subsidia planejamento... é uma situação diferente.. o IBGE é e continuará sendo uma agencia do governo federal e servirá à sociedade brasileira via estrutura de governo..Ele informa.... certas informações serão sigilosas pois são são informações estratégicas..... para o estado. e eu acho que não.... isso que é chamado geografia oficial. Embora muitas vezes eu sinto um choque ainda quando alguém ainda fala de geografia oficial como uma coisa fascista.” .. ele subsidia planejamento.... mas ele não planeja necessariamente .. depende da ênfase que se dá a expressão. como é que você vê a Diretoria de Geociências para o futuro ? ..” .. um professor na banca de qualificação argumentou que: mas afinal de contas. um trabalho específico..aproveitamos aquelas quatro áreas do zoneamento no Projeto Nossa Natureza...O que possa ser pedido hoje ou daqui. ele dá dados. e que eu não consigo inclusive ver tantas diferenças entre o que Geisel pediu numa determinada situação ou o próprio Itamar possa ter pedido em outra. três anos. estatística oficial na verdade é aquele conjunto de informações que eu chamo de estratégicas básicas para informar os processos de gestão do estado.. porque o governo precisa daquele pequeno período de tempo que é. mas para o grande capital. etc.. ele pode dar informação bruta.” . na era Sarney....” Essa foi uma expressão muito marcante na década de 80.. você tem uma preocupação muito grande com a palavra geografia oficial e não é geografia oficial o que é feita pelo governo? Eu respondi..regional.... nos governos da era militar.. exatamente.. é uma agência de subsídios a planejamento. já era uma espécie de pré zoneamento. geografia oficial de estado é uma coisa.. é que era uma geografia feita não para a sociedade... etc.. “ Na verdade...... quer dizer. ou no próximo. “ E o que possa ser pedido hoje.” Bom.” Não é governo de fulano ou de um partido. ele não é uma agência de planejamento..... na verdade. o trabalho apresenta situações muito semelhantes..... ele passa... e nos períodos posteriores.” . quatro anos.... é subsídio ao planejamento da máquina de governo.

lembremos que a demografia é quem planeja o Censo Demográfico. eu optaria por um outro modelo.... veja bem.. aí. “ Para a produção das estatísticas objetivas.......... ele não tem condições de funcionar no ambiente de hoje. e para isso ser medido.. para a mim ela é mais geográfica.. pela inserção do indivíduo no meio no ambiente físico perfeito.. ficamos na velha antropometria....... o território na sua dimensão espaço geográfico organizado acontecendo no tempo..Os dados que servem para esse tipo de trabalho... teríamos que ver a questão da qualidade de vida.. a questão do território enquanto uma dinâmica temporal que é o caso da estatística e a dinâmica do território do ponto de vista espacial. Estatística e Indicadores Sociais... isso é que precisa ser produzido a médio prazo.. de informações dessas áreas para combinar com os processos naturais....... o IBGE não consegue levar para frente pois necessita de muitas outras visões.. quer dizer........ mas percebo que é importante manter um núcleo que acumule. que é o movimento DERNA. sistematize esse conhecimento entre demografia e espaço. eu tenho impressão que esse nicho garantiria à geografia um grande papel.. mantendo as questões das estruturas setoriais vinculadas a esse núcleo cartográfico e faria um outro movimento. a visão da dinâmica e aí completa o território. “ E fortaleceria gradualmente um nicho de geografia da população aqui nesse grupo e aos poucos ir roubando a parte de demografia para este contexto. para que essa visão social não fique deslocada do ambiente. agora as análises .... eu teria isolada essa parte de Recursos Naturais... as respostas de média moda e variância tem que ser dadas pelo esse grupo de demografia.... ela conseguiria respostas melhores no sentido das estatísticas ambientais... . que é a qualidade de vida apenas vista pelo ângulo do saneamento e da salubridade da população.... que.. e levanta o custo desse tipo de pergunta.. eu não vejo na Geociências hoje... quando na verdade. “ Isso ainda não aconteceu até agora. é preciso produzir estes indicadores de qualidade de vida ligados às estatísticas ambientais.. eu redesenharia o IBGE com essas duas Diretorias e uma terceira ocupada exatamente com a questão Levantamento e Produção Estatísticas. é a ligação entre o que se gostaria de que fosse perguntado.... a recuperação desses três idiomas.. vamos chamar de espacial no sentido que vem sendo dado hoje. organize.. “ O que eu digo é que seria recuperar a idéia da geografia da população... quer dizer.” -Bom...... não vejo nesse momento espaço para a eles nessa forma.” . do que é efetivamente levantado e usado pelos usuários... dos indicadores de qualidade de vida e um eixo de indicadores sociais mais coerente com as questões ambientais..... não é um retorno ao passado. se me fosse dado alguma decisão nesse instante...... é que dará realmente a visão territorial que cabe a um órgão como o IBGE produzir. a visão do território enquanto modelo gráfico...“ O modelo geociências de nosso período teria de ser mudado..” “ Em suma o que eu gostaria de resgatar são as três linguagens básicas que dão conta da questão territorial.” Como ficaram os estudos de estatísticas ambientais. com isso. e aí é trabalho sistemático mesmo... quer dizer.. Geografia.isto é um corte seco no tempo que é o que caracteriza exatamente a linguagem estatística. e o custo que isto implica... se ela efetivamente vale a pena.DEISO hoje está na área da Demografia.... portanto... hoje ainda o corte é muito temporal... DEGEO e a área de estatísticas sociais.. é ela que faz determinado tipo de pergunta... mas eu voltaria a isolar a Geodésia e Cartografia. Um problema semelhante se dá com a pesquisa de Padrão de Qualidade de Vida. porque a análise geográfica baliza isso melhor do que análise estatística .” .. até porque a área lá do DEISO eu não sei qual é o nome hoje......

pouco depois eu fui trabalhar no Museu Emílio Goeldi onde fui vice diretor. Um projeto dessa magnitude.” .. como forma de acelerar essa integração interna.. no Instituto Nacional de Administração Pública e depois aqui no Brasil na Fundação Getúlio Vargas. quando Sérgio também já havia saído do IBGE e retornado à presidência do Jardim Botânico.. Foi a primeira experiência de um administrador público numa área técnica de Geociências. no caso do próprio CNPq. projeto caro e de logística bastante complexa pois interage diretamente com a rede de coleta. interage também com a Diretoria de Informática.. com experiência no CNPq.. Após o período de adaptação e de entendimento da complexa heterogeneidade das diversas áreas de especialização da casa (Geodésia.. que foi terminado na gestão Simon Schwatzman. Sérgio iniciou um processo de equilíbrio de poder entre essas áreas.Isso em que época mais ou menos? “ Isso em 83. concurso 1976 se não me engano e entrei como analista Júnior no CNPq.. Meio Ambiente. isto é em gerenciamento desses segmentos..Eu fui estudar economia em Brasília e fiz pós graduação na área de administração pública na França... Cartogarfia. não sairia se a influência de Sérgio Bruni sobre o presidente Minciotti não fosse forte. porque eu simplesmente avaliava o programa. A rápida passagem de Minciotti no IBGE (nove meses apenas.. que prepara o ambiente computacional para a geração dos bancos de dados e a posterior classificação das hierarquias de redes urbanas e do mapeamento final.. porque o Goeldi realmente tem coleções . em dois anos no Museu Goeldi foi um experiência muito rica porque eu saia do CNPq de uma situação macro da Amazônia onde era cômodo. o primeiro presidente do IBGE vindo da iniciativa privada.. pois desincompatibilizou-se com o serviço público para candidatar-se a deputado federal pelo PSDB de Santo André. através de seus chefes de agências que respondem às questões concernentes à pesquisa. Geografia. Ministério da Educação. foi importante. e peguei o estudo num momento de grande dificuldade econômica. naquela ocasião fui supervisionar os estudos sócio econômicos do CNPq na Amazônia isso durante cinco anos e isso já como supervisor do para programa do CNPq para a Amazônia. além dos problemas inerentes às unidades regionais sediados em alguns estados)..Gestão Sérgio Bruni na DGC O próximo diretor a dar o seu depoimento foi Sérgio Bruni. com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. Foi durante essa gestão que Sérgio Bruni incentivou o processo de implantação do projeto de Regiões de Influência das Cidades. Jardim Botânico.. Sua atuação no Conselho Diretor . principalmente durante a saída de Eurico Borba e na conseqüente gestão de Sílvio Minciotti. ele passou em algumas áreas de conhecimento.. mas em alguns momentos. Instituto de Desenvolvimento Florestal. administrador público da área de ciências.. projetos de atividades científicas. muito tempo depois. e perdendo. O INPA foi criado depois do Goeldi. evitando assim futuros conflitos entre departamentos e incentivou a ampliação de diagnósticos integrados. sem bem que a experiência de Sérgio Bruni tem uma forte componente nos segmentos dos estudos botânicos. onde está até agora. Museu Emílio Goeldi. não no que tange as coleções. Gostaria que o senhor descrevesse sua carreira até sua chegada no IBGE “. foi trabalhar na direção da FEPASA em São Paulo) não impediu a continuidade do projeto. dificuldade de contratação de pesquisadores e até dificuldade no seu relacionamento entre o governo Federal. na Escola Brasileira de Administração Pública e meu primeiro emprego público foi no CNPq. E se o presidente não vislumbrasse o REGIC como um projeto típico de ampliação de mercado para o IBGE no campo dos subsídios às consultorias e governos municipais. a se sobressair muito mais do que o próprio Goeldi.mas granjeou-lhe muitos inimigos em outras diretorias.

de captação também de recursos. foi um embrião o CONAMA. os demais permaneceram e um coisa que eu . Posteriormente. um só por uma questão pessoal que era o Túlio que era o Chefe da Cartografia já estava acordado com a presidência ida dele para Porto Alegre. naquele tempo já se fazia aquele sistema. familiar.... “ Exatamente. o que hoje o CONAMA faz na escala de Brasil. as pós graduações oferecidas. que permanecessem em seus cargos. depois eu fui para o MEC.. e a primeira medida que eu tomei foi pedir a todos os chefes de Departamentos que ali estavam. eu aceitei o desafio. mas na capacitação de pessoal. ele me passou os dados e as áreas que estavam na Diretoria eram áreas que tinham uma certa proximidade com que eu já havia gerenciado. então foi um trabalho muito interessante.... quando iniciou então o governo Collor eu pedi demissão do Jardim Botânico fui ser professor da Escola Superior de Guerra e foi criado então uma disciplina que era Ciência Tecnologia e Meio Ambiente onde eu fiquei como responsável por uns dois anos. o Presidente na ocasião era o Jaime Santiago que era um economista sergipano de muito bom nível... Bom.... depois dessa experiência e de outra na Secretaria de educação e Cultura de Roraima.. de forma que pela primeira vez o CONAMA/IBDF pode ter um colegiado onde os diversos seguimentos que trabalhavam no setor vegetal podiam opinar... primeiro para a entender se eu teria algum tipo de competência para a entrar naquela questão........ hoje IBAMA........” . já no Rio de Janeiro..As relações com o esquema internacional de pesquisas... eu pedi a ele que a documentação que ele tinha sobre o assunto.. pesquisadores de institutos de pesquisas... foram pouco mais agressivas.. nesse período então Eurico Borba recebeu convite do Ministro Marcílio Marques Moreira para a assumir a Presidência do IBGE e me convidou assumir a Diretoria de Geociências. e pudemos enviar para o exterior diversos pesquisadores. no próprio CNPq. não tinha nenhuma idéia de levar uma estrutura de fora para a operar numa organização tão complexa. tinha a área de Geografia.. era uma questão pessoal. mas na geodésia eu desconhecia o tipo de trabalho.. onde tanto no Goeldi ou no próprio MEC... conhecia a literatura.. uma política de qualificação de recursos humanos. então foram dois anos muito interessantes onde pude inclusive participar de uma reformatação do Goeldi para a estrutura que hoje ele tem. e fui trabalhar na DGC. mas nunca trabalhara. a espinha dorsal do IBAMA.. se estruturou o laboratório de produtos florestais do hoje IBAMA. eu fui ser diretor do IBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal hoje extinto...fantásticas não se pode comparar. se tivesse um Diretor Geral que ficasse mais com a relação política. acoplando um Departamento hoje de Museologia que não se tinha na época. variação de novos projetos etc.... criando um Centro de Documentação da Amazônia. tinha área de cartografia e geodésia. e a área de estruturas territoriais na verdade era uma área de suporte a Censo e a base de dados geodésicos era uma mais operacional.. a articulação no setor empresarial. etc. quer dizer. estruturando melhor o Departamento. então na verdade a relação que se pretendia naquele momento era que tivesse uma vice diretoria que fosse a vice diretoria executiva. Recursos Naturais e Meio Ambiente onde eu trabalhava a cerca de vinte anos. uma área de função técnica científica que não se tinha.......... felizmente a maior parte atendeu.. foi uma experiência muito interessante... e capacitação.. representantes de organizações não governamentais que passaram a orientar a ação da Diretoria.... muito ligado ao então Presidente José Sarney e isso facilitava muito a operação se pode estruturar uma série de projetos novos. passei alguns anos lá no IBDF e foi uma experiência muito interessante porque a gente criou um colegiado composto também por professores universitários.... se iniciava naquele momento com grande esforço. o Goeldi era um Instituto mais clássico. então foi uma experiência muito interessante.... porque essa vice diretoria acabava de ser criada e eu fui o primeiro a ocupá-la.. mal ou bem de algum maneira eu conhecia o tipo de trabalho feit. operacional da Divisão... para o Ministério de Educação eu fui ser subsecretário de primeiro e segundo grau quando o Marco Maciel assumiu passei um ano e meio trabalhando basicamente com educação básica.. na cartografia eu era usuário....... por exemplo. após cursar a Escola Superior de Guerra fui dirigir o Jardim Botânico. então.

a ênfase absoluta era o Atlas que era relevante.E dentro do IBGE também. “ Também dentro do IBGE. importante ninguém nega o mérito... então é um negócio extremamente complicado de se definir prioridades. que tinha objetivos muito mais macros. diversos produtos foram amplamente divulgados..... na Bahia quando se lançava lá a Bacia do Paraguaçú. mas você chegou no ponto justamente de transição...” Isso ainda é problema muito sério no IBGE.... se deu realmente uma divulgação muito grande à DGC.........” ...... de uma certa maneira o pessoal do Radam lotado no Rio conseguiram minimizar essa situação. pois são áreas situadas em diretorias diferentes. as áreas de editoração numa Diretoria e a área de publicação em outra. os programas aprovados pela Diretoria... mas não havia uma real integração das regionais de geociências aos departamentos da sede. e o processo de autonomia foi cautelosamente incorporado.... a tradição de áreas regionais em cada estado na estrutura do IBGE era na área de estatística e não na área de geociências. então as primeiras ações enfocaram dois pontos básicos.. e é um problema antigo. outra coisa que me preocupou muito foi o atraso do cronograma de publicações.... a segunda foi valorizar mais as unidades regionais que estavam. por exemplo.. e tentar dar uma balanceada nas dotações dos departamentos. era a modernização tecnológica da cartografia. o livro Geografia e Meio Ambiente e a Questão Ambiental no Brasil terem sido lançado na Reserva do IBGE com o Ministro do Planejamento presente.... coisa que o IBGE tem muito pouca. mas eu achei que tinha que ser dado um certo balanceamento as demais áreas. e com reportagem especial no programa de TV Bom Dia Brasil. e isso era completamente fora da tradição da antiga geociências que possuía uma estrutura muito centralizada nos departamentos e no diretor.......... a estratégia que se montou foi de se tentar criar uma pequena estrutura de suporte de comunicação para não depender da comunicação da Presidência do IBGE. isso.. só que a DGC tinha outras linhas de trabalho. e tal. tinham textos prontos com cinco anos de espera para editar....etc... com a chegada do Projeto Radam.. quer dizer. mais ou menos alguém já sentia um vasos comunicantes já se estruturando.” ... E aí tinha um situação que historicamente sempre foi um complicador.a ponto do próprio mapa de áreas de conservação ambiental da Amazônia ter sido lançado na sala de trabalho do presidente da República. a tentativa de se fazer um pouco marketing institucional.. era um desconhecimento muito grande.. que se observava claramente....... mas dentro do IBGE.. este choque de filosofia de trabalho criou muitas dificuldades entre a DGC e o pessoal do Radam lotado nas regionais.. houve reuniões com os Secretários de Estado de Planejamento e de Meio Ambiente. quer dizer.. que claramente estavam em baixa prioridade....defrontei no primeiro momento. era o pouco que se conhecia dos trabalhos da Diretoria de Geociências externamente ao IBGE. e com isso..mas fora.. “ Isso.. na minha avaliação.... na própria área de Geografia de Recursos Naturais.... o primeiro foi instituir reuniões de colegiados.... na minha avaliação.. A DGC estava com muitas dificuldades de serem editoradas e impressas na própria gráfica do IBGE os frutos de suas pesquisas... enfim.... eram unidades quase autônomas para decidir determinados tipos de trabalho com governo local etc... as áreas de produção.... Essa valorização foi possível graças ao empenho do Ministro do Planejamento o Beni Veras que garantiu os recursos financeiros para esta equalização da diretoria... não que não fosse relevante.. dentro da Diretoria.......um ponto que foi muito importante... “ Exatamente.. eu acho que era um ponto importante. era que o eixo grande da política da DGC naquele momento.. eles tinham o orçamento.. e era um projeto bem dispendioso....em posição muito secundária..se não começássemos a encaminhá-los iam ficar obsoletos. eles sempre tiveram unidades regionais importantes.. agora.

” Aí tem também uma outra questão de tradição da Casa.. Instituto Nacional de Geociências e o Instituto Nacional de Estatística por exemplo. o ex-presidente Eurico Borba era um conhecedor histórico do IBGE.. eu não acho que é o mais adequado.. um ponto importante também que me parecia era o Presidente da instituição entender o que se fazia intra muros na Diretoria. naquele momento... pois cobre da Geodésia à Geografia.. mas também era um doutor na área de gestão. ele era um grande gerente. além do que ele poderia servir de suporte à Instituições Governamentais e Instituições privadas. e tal. dois grandes Institutos. essa área de Geociências começando a mudar.. etc. mais ainda do que se tem feito......... etc.... e todo esse acoplamento ao Radam foi muito positivo... deveria vender produtos de uma maneira correta a nível de mercado e que esse lucro deveria ser reinvestido na produção das atividades de divulgação dos produtos da Instituição.. porquê não o IBGE se dividido em duas grandes áreas.... Quarto........ etc.. continua sendo hoje. tem recursos humanos de bom padrão. então efetivamente ele é o melhor. ele tem um produto integrado que nenhuma outra instituição brasileira pode ter. pois mede as nove áreas metropolitanas e mede mais de trinta mil produtos... você tem mesmo dentro da DPE. mas tecnicamente ele é o melhor índice... isso ainda gera um propaganda negativa. ninguém melhor do que o Instituto .. quer dizer. cada dia mais políticas nacionais e mesmo ditames internacionais tratam da questão de desenvolvimento sustentado. e terem um protocolo de intenções...Muito pouca experiência disso.. eu acho que foi um erro histórico meu. tem tudo montado. “ Exatamente ele vinha com a visão crítica por ser usuário de determinadas vertentes da própria Instituição... então eu acho que quando a gente tem uma visão pouco mais distanciada do teu objeto.... ele mede melhor o movimento de consumo da população urbana.. por que o índice nos coloca na imprensa todo os mês. a mostrar seus trabalhos. você pode analisar melhor.. tem um capacidade instalada que ninguém instalaria do dia para a noite.. eu era contra naquele momento. mas ainda tem pessoas em postos de decisão na casa que acham que o IBGE deveria só fazer Censo.. porquê? Primeiro. da área de Estudos e Pesquisas muita gente ainda que não gostou da atitude do Isaac de ter trazido índice de preços para o IBGE. que se poderia até se especializados em determinadas vertentes.. então naquele momento o próprio Sílvio me perguntou isso.. não diria só inexperiência não... por exemplo.Tinha sido usuário de dados e também produtor. onde eles operassem consorciadamente em determinadas vertentes... Terceiro. para o bem ou para o mal.. alguns dirigentes da própria Diretoria de Geociências me procuraram. eu diria hoje o seguinte: passado bom tempo.o índice de preços do IBGE ele é efetivamente o melhor índice de preços do Brasil. eu disse: olha. porque ele tem infra estrutura toda...... porque eu achava que o IBGE tinha acabado de entrar num plano de carreira de ciência e tecnologia... Segundo.. quer dizer. vou lhe dar um exemplo: o IBAMA tem uma meia centena de Parques Nacionais.. que estava chegando.a área de Geociências tem tudo que se poderia tratar desse instituto em nível de total qualidade.... num determinado momento algumas pessoas.. já tem cinco anos que eu não estou no IBGE... de empresas que se utilizavam dos dados” . e o Silvio Minciotti . se tiver três ou quatro que tenham planos de manejo vigentes são muitos. um grande consultor de empresa em São Paulo. uma visão completamente distinta. um convênio. Portanto.. pois ficou durante muito tempo sem uma explicação para a dentro da Casa e para a fora..... etc. a melhor cobertura de pontos de venda.. uma tradição negativa e que é o seguinte: não gostamos da imprensa. talvez fosse o grande momento de ter se criado o Instituto de Geociências e eu iria o seguinte: seria hoje um dos grandes institutos brasileiros. “ Com certeza.. pode-se criticar os tempos de inflação. tem gente.. pessoa que acompanhou o Isaac.. “ E pouco interesse. tinha uma visão completamente distinta.... o Presidente havia mudado.. as greves. uma visão de que o CDDI..

...” .. com certeza ele estaria lá com outro status. mas você vê..” . participação da EMBRAPA.. “ Pois é.... Conselho Nacional de Estatística e Conselho Nacional de Geografia. não era possível avançar nos trabalhos.. O próprio Eduardo Augusto na gestão do Collor. como no caso Teresa Cristina.. que em termos teóricos é perfeitamente lógico.. eles realmente tinham muitos problemas. procure o IBGE. você falando nisso me lembra muito. mas se você não tivesse essa aderência à rede . o grupo era muito hermético. e se o Diretor. Parque Amazônico.Engraçado. que se dizia que o .. pegasse um Parque da região lá do Norte.. A Diretoria de Pesquisas. o IBAMA não entrou. já que o Silvio colocava a questão para a discussão.Montar uma política de plano de manejo específico só para o segmento de parques nacionais.. eu participei das reuniões. no que tange ao Projeto SIVAM por exemplo. hoje em dia as coisas mudaram. e efetivamente não tinha... é que nós acabávamos de entrar num plano de carreira novo Ciência e Tecnologia. várias aproximações sucessivas. que poderia realizar isso..... e diga-se de passagem e o IBGE ficou quase fora também... esse era um dos inúmeros problemas que somente foram resolvidos com a gestão do Simon. mas não consegui êxito. só se teve efetiva fusão em 67 com a Fundação IBGE na gestão do Aguiar Aires e depois na do Isaac... o que me levou a não andar com essa idéia. da Universidade do Pará... era muito fechado..... de Goiânia. formando grupos..... as vinculações entre DPE e rede são vitais. mas seria o mais capacitado para a tarefa no médio prazo.... etc. se ela não tivesse uma boa relações com a rede de coleta. grandes mudanças ocorreram tanto no corpo técnico que planejava as pesquisa.. meu Deus..... chama alguém da Universidade do Amazonas.. os seus Conselhos Diretores... “ Até regionais.. se você tem que conhecer o Brasil. e em termos de política de pessoal. quer dizer... fez uma mudança estrutural na rede de coleta... na década de 40. só que ele fez num tempo curto. quanto na rede de coleta...... não fazer os cinqüenta ao mesmo tempo..... nós voltaríamos ao que o IBGE foi antes. a área de estatística naquele período..... no pior momento que se podia fazer. você tem que inovar.. “ Exatamente. por exemplo... e aí era aquele período já Collor. não pode ficar na mesmice..... com muito mais força operacional.” . eu ficava preocupado.... quer dizer. se você tem a base de dados que se tem.” .. então o quê acontecia? podia criar pesquisa novas. talvez naquele momento.. o IBGE volta a ser único. nada novo os empolgava. Por exemplo eu sempre achei que a CPRM não tinha a menor infra-estrutura em relação ao IBGE em termos de interdisciplinalidade e de equipamento instalado para tentar adentrar com uma perspectiva de mercado.... o segundo ponto é que havia também um dificuldade um pouco grande porque na ocasião a Diretora de Pesquisa do IBGE era uma pessoa muito difícil de você se relacionar.O gerenciamento poderia ser feito pela área local de Belém. que foi muito complicado. separados. eu tentei com retumbante insucesso. com muito mais operação.. duas estruturas.. ele estaria o quê? Formando equipes...Nacional de Geociências para ser o órgão.... o IBGE tinha isto na mão......... isso faz uma volta ao ciclo.. esse é um órgão com aquela história. “ Complicadíssimo. da Amazônia.... mas esse era o primeiro ponto....... o conhecimento do Brasil que se tem. mas aí a preocupação maior naquele período passou a ser estatística mesmo...Aliás... e nós deixamos passar.

... eu achava que se devia levar para um local de melhor acesso..funcionalismo público deveria ser drasticamente enxugado...” .... eu achava que.) e a sua preocupação de divulgar sistematicamente os produtos concluídos.. sendo Sérgio um profissional ligado à área Botânica.. os companheiros dos Sindicatos conseguiram tomar um cafezinho com pão de queijo no Palácio Jaburu com o então Presidente Itamar Franco que através de assessores me determinou que abonasse o ponto e eu disse que não faria... foi... a grave pela greve.” Sérgio Bruni. levantou várias questões que interferiram em sua gestão ou que ele viu como importantes no gerenciamento da Diretoria de Geociências. segundo. o que eu achei assim muito produtivo nesse período. além do problema de alocação física dos departamentos de Geografia e de Meio Ambiente num mesmo local que garantisse a acessibilidade e a intercomunicação entre seus técnicos com relativo conforto. quarenta e três dias depois. felizmente três dias depois eu fui substituído pelo Simon e pelo que eu soube foi abonado o ponto. e apresenta-los enfim.. primeiro foi ter possibilidade de você operar com diversas vertentes e com perspectivas novas na Instituição e o trabalho da Reserva é um deles. Alguns pontos de maior destaque foram a incorporação do RADAM. isso sem contar o período que você enfrentou..... a maioria tomou a decisão.. e não foi má intenção do Eduardo Augusto. mas pegou o período do Eurico. com bom padrão técnico científico. puxa.. pelo menos na Praça da Bandeira estaríamos num ponto mais ou menos focal. eu vou sair.. traz o povo para a Lucas. mandam eu cortar. ou na posição do IBGE perante o grupo de institutos de pesquisa do governo federal.. por pior que se tivesse.... um mês e meio que era o período que eu estaria vindo aqui para o Jardim Botânico.... num nível lógico precisava haver uma reforma da rede.. eu sempre fui contra. sem querer. não pegou o período das greves iniciais... etc. começa num período de Edson Nunes. terceiro.. em época de grandes contenções sempre vinha aquela história.. a manutenção da Reserva Ecológica do Roncador em Brasília (até por que.... bom... quer dizer. a Casa.. a existência da Reserva era um fato positivo em sua visão. porque foi no período Edson Nunes. mais um razão para a que entenda o nível de problemas que a DPE estava enfrentando. então foi o período que eu fiquei. eu já havia dito ao Simon quando ele chegou que eu ficaria um mês... o negócio é completamente incoerente.. através do gabinete do general Romildo Caim determinava que cortasse o ponto e punisse com o rigor da lei... durante seu longo depoimento... “ E eu peguei uma coisa mais grave ainda. então quem atende o governo é punido. então o quê aconteceu? Quando você tem uma mudança pesada na rede.. estava negociando a saída do Jardim Botânico do IBAMA para a transformação do Instituto.. e tal.. mas havia sempre uma política que argumentava. “A Reserva é uma coisa interessante... o Collor vai chegar vai botar todo mundo na rua.. de você fazer realmente uma congregação de esforços em cima de um só objetivo operacional que era revisar os produtos antigos.. mas foi a única grande mágoa que eu guardei.. quebrou-se uma boa parte da rede de coleta. a melhoria da própria rede física dos departamentos. foi o seguinte: quando o Sílvio saiu o IBGE eu fui nomeado Presidente interino durante esses quarenta e cinco dias e quarenta e dois dos quarenta e cinco foram de greves. eu acho que você pegou menos. criar novos.... Edson Nunes.... só que ela foi feita num período horroroso.. então a Secretaria de Administração Federal SAC. nessa hora... numa situação onde funcionários estão sem referência.

.... que demanda muito dinheiro.. e que não consegui levar. não se tinha a Linha Vermelha naquele período. o número de profissionais com Mestrado e Doutorado.. outras dependências são alugadas. ou a gente opera o dia a dia em vários projeto ou a gente vai ficar só na rede física... eu falei com o Eurico. de uma certa maneira tradição francesa de um francês chamado Miguel Rochefort que introduziu esse tipo de estudo no início dos anos 60... e que tinha mais gente qualificada com titulação. é claro que ele via como lógica toda a Geociências ir para a Lucas.. mas olha.. que ele acompanhou na gestão de Sílvio Miciotti.. mas que era muito pequeno.. conseguir levar um órgão de nove mil pessoas que só devia ter vinte doutores. mas esse era um problema sério... mas era um local de acessibilidade muito ruim.” Exatamente.. mas aí era tanta burocracia para a se conseguir autorização para a se construir que não se avançava nada.. e depois foi institucionalizado... mas havia estruturações anteriores que é uma.o Regic... como o Mauro Melo tinha suas prioridades focadas na cartografia.. com o Sílvio bastante tempo e dois tiveram muita habilidade para a num consenso colocar isso.. depois com o governador Paulo Souza um pequeno terreno no centro administrativo.. trocando informações e reuniões com os outros órgãos.” .... que possui um potencial enorme para o planejamento urbano..... é verdade....... mas o Eurico e Silvio. temos mais doutores do que o IBGE que o próprio IBAMA junto.O Eurico. os dois tiveram méritos que a administração do IBAMA não teve...... aí você vê. não levamos nem um ano mas conseguimos.. ele começou a ser feito em final da década de 60... a sede do IBGE também... universidades.. porque ele sabia que a Cartografia não iria sair de lá...... “ Que era um horror.Isso foi um grande problema para o pessoal lotado em Parada de Lucas. comércio . um órgão pequenininho como o Jardim Botânico.... disse que até hoje ele tem essa questão apertada na garganta.... tinham grandes dificuldade.. com a regionais também. diga-se de passagem. que aquele é um estudo que faz parte das atividades de regionalização que o IBGE tem de fazer dentre de sua missão institucional... quer dizer.E aí era um problema. o resto todos eram alugados.. era necessário que tivesse mestrado... poderia ser ampliado com novas construções. em outros estados era o mesmo problema.... o local tinha espaço.... é um negócio tão complicado.. “ E outra coisa.... os dois o mérito é deles...... e o IBGE tinha tão poucos.. só é parcialmente própria....temos que tentar dar um jeito de concentrar esse IBGE num canto só. que ele disse que até hoje o pessoal dessa comissão deve estar querendo mata-lo por ele ter forçado essa situação.. e aí era de novo aquele negócio de prioridade. quem trabal