Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998

Por

Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Orientadora: Lia Osório Machado

Rio de Janeiro 2000

Almeida, Roberto Schmidt de A Geografia e os geógrafos do IBGE no período 1938-1998 / Roberto Schmidt de Almeida. – Rio de Janeiro : Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2000. 2v. Orientadora: Prof. Dra. Lia Osório Machado. Dissertação (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. 1. Geografia – História – Teses. 2. IBGE – História – Teses. 3. História oral – Teses. 4. Geógrafos – Brasil. 5. Formação profissional. 6. Geógrafos – Biografia. 7. Memória. I. Machado, Lia Osório. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título CDU 91 (091) GEO

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998:

Por Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Banca Examinadora

Professora Doutora Lia Osório Machado orientadora

Professora Doutora Maria do Carmo Galvão

Professora Doutora Marieta de Moraes Ferreira

Professora Doutora Lucia Lippi Oliveira

Professor Doutor Paulo César da Costa Gomes

Rio de Janeiro, RJ - Brasil

2000

Para os Geógrafos e os demais profissionais de outras formações, que garantiram a qualidade da Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ao longo desses anos. Isto é, aos que criaram o documento e guardaram a memória.

A memória alimenta uma cultura, nutre a esperança e torna humano o ser humano Elie Wiesel

Agradecimentos Desejo agradecer primeiramente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que, com sua política de aperfeiçoamento de pessoal, garantiu-me o tempo necessário para a conclusão deste trabalho. Política que o IBGE vem mantendo sistematicamente desde sua fundação e que resultou na alta qualidade de seus quadros técnicos, tanto em Estatística, quanto em Geografia, Geodésia, Cartografia, Economia, Sociologia, Ciências Naturais e Computação, áreas do conhecimento em que o IBGE opera direta ou indiretamente. No contexto da Diretoria de Geociências, desejo explicitar as pessoas dos diretores Sérgio Bruni e Trento Natali Filho que garantiram o suporte técnico para que eu pudesse me afastar das tarefas burocráticas e pesquisar as atividades da área. Agradeço também a paciência deles ao dedicarem boa parte de seus tempos nos processos de gravação de seus depoimentos e nas discussões preliminares a esses depoimentos. No Departamento de Geografia, onde trabalhei 29 anos, as figuras de César Ajara e Maria Luíza Castelo Branco, os dois últimos chefes de departamento, foram fundamentais na garantia das condições físicas de pesquisa para que este trabalho fosse concluído. No contexto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, a liderança de David Wu Tai foi importante no processo de viabilizar meu acesso aos acervos históricos do IBGE, inclusive, me garantindo duas viagens de pesquisa aos arquivos históricos do IBGE localizados em Brasília, na Reserva Ecológica do Roncador. Em Brasília, a amável acolhida de Iracema Gonzales, responsável pela Reserva Ecológica e Guiomar Almeida e Silva, do Escritório da Presidência do IBGE em Brasília, foi de grande importância, facilitando minha pesquisa. As figuras de Maria Teresa Passos Bastos, Edna Maria de Sá Morais, Regina Acioli e Josiane Pangaio foram incansáveis nas etapas de pesquisa de documentos e na editoração final da tese. Ao corpo de professores e funcionários do Departamento de Geografia da UFRJ, que me garantiram um estimulante ambiente de estudos, propiciando uma ampliação de meus conhecimentos nos estudos geográficos. Aos colegas pesquisadores do Curso de Mestrado em Memória Social e Documento da UNIRIO que me garantiram um intensivo treinamento nas técnicas de gravação de depoimentos em História Oral durante o trabalho sobre o Bairro da Urca, fundamental para o desenvolvimento de minha pesquisa. Explicitados todos esses agradecimentos, resta-me criar uma categoria muito especial de reconhecimento à minha esposa Sônia Rocha, economista que conheci no DEGEO, e com a qual casei-me em 1981. Até hoje, continuamos intensamente trocando conhecimentos sobre os mais variados assuntos, até mesmo geografia e economia... e no meio tempo, cuidando de nossa filha Monica e de nossos gatos, Gatucho ( já falecido) e Bali .

Resumo

A reconstituição histórica do conjunto de atividades levadas a efeito entre os anos de 1938 e 1998 por uma comunidade de pesquisadores geográficos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, é o principal objeto desta pesquisa. A relação entre Documento e Memória preside este trabalho, no qual documento expressa o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) enquanto memória exprime a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE. Essa relação esclarece sobre as diferentes conjunturas nas quais foi gestada a produção geográfica, além de desvendar os diversos conflitos de natureza política, científica, corporativa e pessoal enfrentados por esses geógrafos, ao construir o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O trabalho abarca um período de 60 anos, tendo como pano de fundo, os contextos político, econômico, científico do país que se desenrolam paralelamente a quatro constituições, vinte e dois mandatos presidenciais (vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves. Seguidas por alguns períodos excepcionais como o Estado Novo (1937 a 1945), da renúncia de Jânio Quadros até a queda de João Goulart (1961 a 1964), o dos governos militares (1964 a 1985) e o dos três governos posteriores. No campo do Pensamento Geográfico, a pesquisa rastreia as principais mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico influenciando, via escolas francesa, alemã e anglo-saxônica, nos principais trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.Finalmente, acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. De início, quando aliavamse à necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração, levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. Ultimamente durante os governos pós-militares na década de 90, quando a palavra transição tornou-se o mote principal, referenciada, tanto às questões científicas, quanto as tecnológicas, e a noção de crise, financeira e gerencial, passou a figurar prioritariamente nas preocupações dos legisladores e dos planejadores do aparelho estatal.

Summary The main objective of this research is the historical recollection of activities pursued from 1938 to 1998 by a group of geographical researchers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the largest government agency on territorial planning in Brazil. The relation between Document and Memory command this work. Document refers to what is printed (legislation, projects, reports and the geographers' intellectual production, as reports, books, atlas and articles), while memory relates to the personal experience of a group of professionals, through their taped and transcribed oral testimony, describing their trajectory in IBGE and explaining the conditions under which their geographical production developed. The work also narrates the many political, scientific, corporative and personal conflicts which arose during the development of the so-called Official Geography.The work covers a 60 year-old period, having as background the country´s political, economical and scientific events, thus paralleling four constitutions, twenty-two presidential mandates (twenty-one presidents and a military committee), as well as a succession of political crises, which led to some exceptional periods as the Estado Novo (1937 to 1945), Jânio Quadros´s renouncement to João Goulart's fall (61 to 64), the military rule (1964 to 1985) and the three subsequent governments. The research trails how the main methodological and technical changes in the Geographical Thought, influenced by the French, German and Anglo-Saxon schools, affected the mainstream of IBGE´s geographic production. It focus on the standing of Geography in Brazil. Firstly, during the period when, at the same time, there was the need to describe the territory and to pursue its administrative integration, which was Getúlio Vargas` engagement during the Estado Novo. Lately, during the post military governments in the nineties, when the word transition became the keyword in scientific and technological matters, while crisis, financial as well as managerial, became the central concern of legislators and planners.

Sumário A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998 Introdução do autor....................................................................................................................... Apresentação................................................................................................................................ Capítulos Introdutórios I- A Relação entre Documento e Memória no Contexto da História Oral.................................. II- O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? .................................................. III- O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE Parte I - A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução - O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia .................................. Capítulo I - A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro ........... Capítulo II - A Estruturação das Áreas de Geografia, Geodésia e Cartografia no IBGE.............. Capítulo III - A Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE ........ Parte II - A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução - O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico no Século XX ............................ Capítulo I - O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas Sociedades Geográficas, na Universidade e no IBGE ................................................................ Capítulo II - Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE ....................................................................................................................................... Capítulo III - A "Velha Guarda" da Geografia do IBGE, a Estruturação das Lideranças Pioneiras ....................................................................................................................................... Parte III - O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução - Uma Experiência de História Oral ............................................................................ Capítulo I - A Aventura dos Depoimentos Gravados Com os Profissionais ................................ Capítulo II - O Processo de Escolha da Carreira ......................................................................... Capítulo III - Na Arena de Trabalho ............................................................................................ Parte IV - As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução ..................................................................................................................................... Capítulo I - Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia : uma análise de suas práticas profissionais .................................................................................. Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE .......................................... 1- Regionalização ......................................................................................................................... 2- Ocupação do território e habitat ............................................................................................... 3- Industrialização ........................................................................................................................ 4- Urbanização ............................................................................................................................. 5- Modernização da agricultura ................................................................................................... 6- Caracterizações Ambientais ................................................................................................... 7- Diagnósticos Sócio - Ambientais Integrados ..........................................................................

Capítulo II - As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia : 1-Os Presidentes Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) ........................................................... Gestão Edson de Oliveira Nunes ........................................................................................... Gestão Charles Kurt Mueller .................................................................................................. Gestão Eurico Neves Borba ................................................................................................... Gestão Simon Schwartzman .................................................................................................. 2 - Os Diretores Gestão Mauro Pereira de Mello na DGC ................................................................................. Gestão Sérgio Bruni na DGC ................................................................................................... Gestão Trento Natali Filho na DGC .......................................................................................... Depoimento de Marilourdes Lopes Ferreira (Diretora Adjunta na DT e na DGC) ..................... Parte V - Os Processos de Qualificação Profissional Introdução ................................................................................................................................. Capítulo I - A Importância das Relações Com as Universidades no Exterior e no Brasil ...... Capítulo II - O IBGE Como Disseminador da Geografia no Brasil ............................................. Parte VI - Apogeu , Crise e Futuro da Geografia Ibegeana nos Anos 90 Introdução - Crise do Serviço Público ou Crise da Geografia ? A grande diáspora de 1991 Capítulo I - O Quadro de Transição da Geografia do IBGE nos Anos 90 Capítulo I I - O Futuro da Geografia no IBGE no Contexto de Uma Agência Executiva Com Um Contrato de Gestão. Capítulos de Conclusões Conclusões.......................................................................................................................... Projetos Futuros para uma Memória Oral do IBGE............................................................. Bibliografia .......................................................................................................................... Anexos ............................................................................................................... Volume II

Introdução do Autor Tomando por base ser este trabalho o resultado de uma avaliação de várias trajetórias profissionais, é importante lembrar, e dar o devido crédito, a algumas pessoas que me ensinaram a arte do profissionalismo. Tornar-se um profissional competente é um ideal a ser alcançado, embora exija um certo esforço, em termos de aprendizado de várias habilidades no decorrer de nossas vidas. Essas pessoas que aparecerão a seguir, conscientemente ou não, tornaram possível a transformação de um jovem inexperiente, mas curioso e afoito, num profissional que se dispôs a contar a história de um grupo de pesquisadores que se ocupou de estabelecer uma boa parte do conhecimento geográfico do território brasileiro, ao longo de mais de 60 anos. A jornada inicia-se em 1964, ao ingressar nos quadros da companhia S/A White Martins pelas mãos de João Garcia, um grande amigo de meu pai. “Tio Joãozinho” ensinou-me a operar com o formalismo e com a hierarquia. Dali em diante, eu seria o responsável por meus atos diante de meus pares. Antonio Gualano Consentino, gerente geral da Divisão Centro, ensinou-me a entender o que é mandar e responsabilizar-se pelas ações de mando. Muito lucraria o IBGE, se a grande parte de suas chefias tivesse aprendido as lições do “Dr. Consentino”. Washington Paes, gerente de compras, ensinou-me os aspectos técnicos dos equipamentos que a White Martins adquiria, tanto para revenda, quanto para uso interno. Muitas outras pessoas me auxiliaram nesse trabalho, mas a última palavra eu ouvia do Dr. Paes. O mesmo Washington Paes seria meu superior na área de recursos humanos, durante minha última fase na White Martins (1969-70), quando eu já havia escolhido a Geografia como formação profissional (em 1968 iniciei meu curso na UFF). Para ele, era espantoso como um rapaz que tinha sido bem aceito pelos códigos não escritos da companhia, não estava interessado em estudar administração ou economia para seguir carreira na White Martins, e sim Geografia, fascinado pelo mundo do alpinismo, ao qual havia sido introduzido em 1965/66. Mais espantado Dr. Paes ficou quando, em fevereiro de 1970, tomei a decisão de me demitir da White Martins para ser estagiário no IBGE, sem contrato formal de trabalho e ganhando a metade do salário. A decisão era tão temerária, que o Dr. Paes, por ocasião da minha entrevista de desligamento, ofereceu-me uma nova oportunidade na companhia, caso as coisas não dessem certo no IBGE, pelo menos enquanto ele estivesse na gerência de recursos humanos. Hoje, posso

agradecer a confiança depositada e dizer que em algumas ocasiões, no início do estágio do DEGEO, cheguei a pensar em conversar com Dr. Paes para uma volta. O primeiro geógrafo com quem estabeleci uma relação de confiança, foi Gelson Rangel Lima, meu professor de Geografia Humana na UFF e pesquisador de Geomorfologia no IBGE. Na época, minha relação entre alpinismo e Geomorfologia ou Bio-geografia era muito forte em meus planos profissionais e o Prof. Gelson contribuía de duas maneiras: ensinando informalmente Geomorfologia em suas excursões da UFF e relatando suas experiências na Europa, por ocasião de seu estágio de pesquisa na França, enviado pelo IBGE. Foi por sua influência, que eu fui indicado pela UFF para tentar um estágio no IBGE no ano de 1970. Gelson foi incansável no processo de minha preparação para a entrevista com os chefes do DEGEO, indicando bibliografias e explicando o novo movimento da Geografia Quantitativa, que se iniciava no Brasil. Era perfeitamente perceptível que aquela não era sua área de especialização, mas ele esforçava-se para mostrar a chegada de mais uma opção em termos de Geografia. Outras duas pessoas a quem devo boa parte do conhecimento geográfico que hoje possuo são Elza Coelho de Souza Keller e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa, pois, além de depositarem confiança em minha pessoa, efetivamente ensinaram-me a trabalhar na pesquisa geográfica. Iniciei meus trabalhos em março de 1970 e, em julho do mesmo ano, Elza Keller já me convocava para um longo trabalho de campo no Maranhão, juntamente com o grupo de Roberto Lobato (os experientes estagiários João Rua e Luís Antônio Ribeiro). Nos anos seguintes, a figura de Roberto Lobato Corrêa passou a ser a principal referência para meus estudos geográficos. A mudança da Geografia Física para Geografia Urbana se completou, fundamentalmente por conta da orientação segura de Roberto Lobato, a quem devo meus conhecimentos, tanto de Geografia Urbana, quanto de sistemática de pesquisa. O que ler, como ler, como fichar, o entendimento do que é realmente fundamental num grupo de textos, reconhecer quem é o autor de referência num determinado assunto, foram as principais lições que aprendi com Roberto Lobato Corrêa, e que me foram de enorme valia por toda minha vida profissional. Com a ida de Lobato para Chicago, para fazer seu mestrado, outra pessoa ocupou seu lugar no processo de preparação de minha vida profissional. Olga Buarque de Lima, recém-chegada da Inglaterra, onde tinha concluído o mestrado, ocupou-se de dar-me as lições fundamentais do preparo de um texto escrito. Tarefa extremamente difícil, em virtude de minha total falta de domínio de um texto técnico. Foram muitos meses de leitura e correção dos textos, com intermináveis reconstruções, até tornarem-se palatáveis aos olhos incansáveis de Olga Buarque. Se pudesse

com uma única frase definir esses tempos, diria que Roberto Lobato ensinou-me a estudar e Olga Buarque, a escrever corretamente um texto geográfico. No início dos anos 80, Lobato reassume seu posto de mentor, orientando minha tese de mestrado sobre o comportamento dos incorporadores imobiliários no município do Rio de Janeiro, defendida em 1982 na UFRJ. Tenho muito orgulho dela, pois foi a primeira tese que tratou de um agente modelador da iniciativa privada, já que todos os trabalhos do momento somente enfocavam dos agentes do Estado, como o Banco Nacional da Habitação - BNH e seus satélites. É claro que, no contexto altamente ideologizado do início dos anos 80, tive muitos problemas com esse tipo de abordagem, embora Roberto Lobato sempre me apoiasse. Gostaria ainda de lembrar de certas pessoas que, ao longo de minha vida profissional, assistematicamente, deram importantes contribuições para o meu aperfeiçoamento como geógrafo. Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mequita foram duas geógrafas que sempre desviaram parte de seus afazeres profissionais para darem uma orientação de trabalho, uma leitura crítica de um texto, ou apresentando desafios novos, em forma de propostas de novos projetos de trabalho, ou de apresentação de capítulos em projetos editoriais do DEGEO, durante a gestão comandada por Solange. A elas devo muito de minha desenvoltura profissional e a definitiva superação da “síndrome da folha em branco” , temor clássico que assombra muitos pesquisadores no início da carreira. Como iniciar um texto de um projeto? Elza Keller, o casal Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Speridião Faissol foram profissionais que durante algum momento de suas vidas ensinaram-me algo, tanto de Geografia propriamente quanto dos afazeres de um geógrafo. Indicações de novos livros ou artigos, convites para seminários, oportunidades de participação em grupos de pesquisa foram o que de melhor aproveitei vindo desses profissionais. Além disso, alguns deles me ofereceram oportunidades para lecionar em universidades. Nilo Bernardes, para substituí-lo na PUC-RJ, Ney Strauch, para substituí-lo na Escola Naval, Bertha Becker, para dar duas conferências na Escola de Guerra Naval e, posteriormente, para trabalhar como professor colaborador na UFRJ. Alguns não geógrafos também foram importantíssimos na construção de minha profissão. O biólogo e ecologista Fernando Segadas Viana orientou-me, por diversos sábados dos anos de 1968 e 69, sobre os segredos da vegetação tropical e desértica, sobre a zoologia do cerrado, além de me explicar detalhadamente a teoria de Alfred Wegner sobre a translação continental, o que resultou numa apresentação para o curso de Cosmografia na UFF.

No campo das relações entre os estudos urbanos e a economia, o economista brasilianista Werner Baer, ao trabalhar com Pedro Geiger no DEGEO durante o ano de 1977, sobre os problemas das desigualdades regionais no desenvolvimento econômico brasileiro, dispôs-se várias vezes a explicar os métodos utilizados na pesquisa e a indicar uma bibliografia adequada ao meu nível de entendimento da questão. Devo a ele boa parte do meu conhecimento de história econômica do Brasil e o feliz encontro com o economista Annibal Villela, em seu sítio em Araras, onde aprendi muito sobre a estrutura de poder do governo brasileiro no período Geisel. No início dos anos 80, quando me casei com a economista do IBGE Sonia Rocha, intensificaramse os laços com Annibal Villela, o que ampliou bastante meus conhecimentos sobre as estruturas das companhias estatais, área de estudo desse pesquisador que havia sido Secretário Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização dos Estados Americanos (OEA), Superintendente do Instituto de Pesquisas do IPEA, Assessor do Banco Mundial - BIRD e pesquisador e professor da FGV. Uma conversa com Dr. Villela era sempre uma possibilidade de aprender alguma coisa nova. Infelizmente, Dr. Villela faleceu em julho de 2000. Via Pedro Geiger e Werner Baer, pude conhecer Hamilton Tolosa e Thompson Andrade, economistas do IPEA especializados em Economia Urbana e Regional que, durante a segunda metade dos 70, estiveram varias vezes no DEGEO dando palestras e explicando suas pesquisas. David Vetter, economista americano que trabalhou no Departamento de Indicadores Sociais DEISO do IBGE, foi outro profissional importante na minha formação. Vetter ensinou-me os segredos dos dados censitários referentes à infra-estrutura domiciliar urbana. Participou da banca examinadora de minha tese de mestrado e estivemos em alguns seminários de urbanismo. Apesar de suas dificuldades em falar português, escrevia objetivamente e era um mestre na análise de dados censitários. Atualmente é analista financeiro e quase um banqueiro em Nova York. Outra figura incrível foi Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Era arquiteto urbanista, mas poderia ser sociólogo, antropólogo, geógrafo, historiador, psicólogo sem grandes problemas. Era um profissional único em seu meio, pois não era sectário e sabia traduzir a alma humana como poucos. Por ter participado de muitos projetos de urbanização de favelas, era conhecido como “favelólogo” e coordenava um grupo de pesquisas urbanas no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) . No período de meu projeto de tese de mestrado, conversamos muito sobre os mecanismos de ocupação residencial nos bairros da periferia do Rio. Era uma das cabeças mais lúcidas de sua época. Sua morte prematura foi uma grande perda para os estudos urbanos e para as mentes não sectárias...

na hora de representar graficamente um tipo de dado. Agradeço-lhe. aconteceu por intermédio de Carlos Nelson. todos devidamente publicados em periódicos. garantir a ampliação da qualificação dos profissionais que restaram e prepará-los para os desafios do censo 2000. era possível tentar qualquer solução heterodoxa para abordar um problema. Esse aprendizado foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional. Mauro Mello foi nosso diretor de Geociências e sempre fez questão de vincular à Geografia com a Cartografia nos grandes projetos de que a diretoria de Geociências do IBGE tomou parte. especialmente. Acompanhei sua luta na tentativa de reorganizar um DEGEO cada vez com menos geógrafos. . Neste ponto. Atualmente a geógrafa Maria Luísa Gomes Castello Branco continua a luta de reequipar o departamento. Também neste campo. participei ainda de alguns seminários no Instituto de Administração Municipal com ela e Carlos Nelson. Além disso. Em caso de dúvida. mas com demandas crescentes. as figuras de Rodolfo Barbosa. Para ele. Com ele. era com eles que eu ia me consultar. não existem obstáculos. Trabalhar com um profissional assim. Miguel Angelo Ribeiro. tragados pelo processo de aposentadorias. Na área da Cartografia. A grande vantagem de trabalhar com Miguel Angelo é a sua obstinação e sua capacidade de trabalho. aprendi muito com César Ajara. como a Revista Brasileira de Geografia (RBG). pois fui seu assistente e substituto eventual na chefia do departamento até 1995. ou em livros e atlas do IBGE e de outras editoras. fora do contexto do IBGE. Pedro Marcílio e Mauro Mello foram os que mais me influenciaram. qualquer dia é dia e qualquer hora também. Rodolfo Barbosa e Marcílio ensinaram-me a arte da cartografia temática. garantiu-me uma experiência importante e espero que tenha sido recíproca. que me apresentou à Lícia do Prado Valladares. chefe do DEGEO entre 1991-1999.Meu primeiro contato com o mundo interdisciplinar das apresentações acadêmicas e dos artigos publicados. em dois projetos de Atlas de que participei (Regional do Nordeste e Nacional do Brasil) a influência de Roberto Lobato Corrêa como coordenador desses trabalhos foi particularmente importante na fase de organização temática e nas sugestões gráficas iniciais. por ocasião de meu projeto de tese de mestrado. No campo gerencial do IBGE. em termos de trabalho. Entre 1976 e 1994 estivemos trabalhando juntos em 11 trabalhos diferentes. Miguel nunca teve medo de idéias novas. em virtude das atribuições que lhe são definidas pelos estatutos da Instituição. Além do artigo. o empenho que teve junto à diretoria do IBGE no processo de minha liberação integral para o doutoramento. abro parênteses para uma lembrança profissional muito especial ao meu colega de curso na UFF e companheiro de trabalho no IBGE desde 1970. Ainda nem havia defendido o trabalho e Lícia já me pedia que eu escrevesse um artigo sobre a incorporação imobiliária carioca para um livro de uma coleção sobre urbanismo que ela organizava para a editora Zahar.

tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores grupos de pesquisadores/professores de pós-graduação em Geografia do país : Bertha Becker. A defesa do projeto fluiu e foi bem aceita pelos examinadores. José Grabois e Irene Garrido Filha. A produção resultante desses dois anos traduziu-se em sete artigos sobre vários temas geográficos e. Este sentimento ampliou-se quando. sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Imaginando. Nesse encontro. a pesquisadora com a qual se pode confiar e discutir com serenidade os pontos de vista. Após dois meses de trabalho duro apresentei um artigo sobre a evolução da noção de determinismo natural. ou apenas para constar e engrossar a tese. Naquele jantar. Acho que foi a partir desse trabalho que nossa confiança mútua cresceu. que por ser o seu único orientando no curso. além dos professores convidados como Orlando Valverde. Durante os dois anos de curso. a apresentação de trabalhos. estava fora de cogitações. quando a “professora” simplesmente colocou o seguinte obstáculo. fiz seu curso Raízes das Idéias Sobre a Natureza. Iná Elias de Castro e Maurício de Almeida Abreu. em quatro congressos de Geografia. O mais interessante no processo é que ela não foi importante por ser minha orientadora. Meu sumário portanto. em termos de produto. Roberto Lobato Corrêa. Lia Osório (UFRJ) e eu pelo IBGE. e sim porque ela foi a primeira pessoa que me ouviu explanar sobre uma possível pesquisa que abrangeria a Geografia do IBGE. Antônio Carlos Robert Moraes. Paulo César Gomes. participávamos de um seminário organizado por Gervásio Neves. não poderiam ser de baixa qualidade. pensei logo em escrever um texto sobre os geógrafos que trabalharam com a Natureza no IBGE e apresentei o projeto do sumário. por pretender tratar de assuntos contemporâneos. no doutorado. por ocasião da apresentação oral do projeto de tese para a banca examinadora. nosso processo de comunicação já estava pavimentado. Aziz Nacib Ab’Saber. a profissional mais importante foi minha orientadora Lia Osório Machado. . O curso tratou das raízes das idéias sobre a natureza e monitorou essas idéias entre a antigüidade e o século XIX. Marcelo José Lopes de Souza. Qual não foi minha surpresa. Durante a fase de qualificação. e que me incentivou a iniciá-la. percebi que Lia seria a orientadora ideal. Júlia Adão Bernardes. do qual participamos: Milton Santos (USP). numa noite fria de Porto Alegre. Wanderley Messias da Costa. teria algumas “facilidades”. Ali percebi que estava lidando com uma pesquisadora de alta qualidade e que nossas relações. em meio a muitas picanhas e vinho tinto.No contexto do curso de doutorado. um já entendia o outro por antecipação.

. Nesta fase. foi com os historiadores. enfocaria os bairros da área portuária. além de comparecer a seminários especializados . quando fui solicitar assistência para os preparativos de gravação dos depoimentos. que passei a trocar mais experiências no decurso de tomada de depoimentos do meu público alvo: os profissionais do IBGE. que cuidou de todas as transcrições em tempo hábil. pois este setor já havia entrevistado vários profissionais da casa em diversas ocasiões. o apoio de Maria José Wheling. de Siqueira. conferência de fidelidade e copidesque. Além disso. Icléia informou-me que um grupo estava se formando. arquivologistas e biblioteconomistas. tive sua total colaboração durante todas as fases do projeto. Algumas semanas depois. transcrições. Ele e Sônia Aparecida de Siqueira se revezaram na orientação inicial dos projetos.Apesar de priorizar meus agradecimentos para os geógrafos. Outra pessoa importante neste processo foi José Carlos Sebe Bom Meihy. que agradecer. Telma Salandra Lemos. estava envolvido com preparação de artigos sobre aspectos geo-históricos da Urca e acabei escrevendo um livro sobre iconografia da Urca e prefaciando o livro de análise do José Carlos e Sonia A. professor de história da USP e consultor do grupo da UNI-RIO. além de participar do processo de entrevistas. Saúde . portanto. essa pessoa foi Icléia. que nos orientou no sentido de montar um conjunto de depoimentos de moradores do bairro da Urca. Foi a partir de seus ensinamentos iniciais que comecei a ler sobre história oral e a perceber que aquilo era muito mais do que simplesmente gravar uma conversa. O processo iniciou-se no setor de memória do IBGE. o segundo. O primeiro focalizou a Urca e. primeiramente. Se eu tenho. coordenadora do Mestrado em Memória Social da UNI-RIO foi fundamental. Repentinamente. um método de criar documentos através da gravação e transcrição de entrevistas ou de depoimentos orais de pessoas que vivenciaram acontecimentos em épocas e/ou lugares específicos. Icléia me indicou uma ótima profissional em transcrições de fitas. Icléia Thiesen Magalhães Costa e Regina Acioli Oliveira deram-me as primeiras instruções e cederam cópias de algumas transcrições para que eu me familiarizasse com o assunto.Gamboa e Santo Cristo. a uma pessoa por ter me garantido a viabilidade de completar sem traumas meu projeto de tese. ainda que eu não pertencesse aos quadros da UNI-RIO. museólogos. para subsidiar uma linha de pesquisa chamada História Oral de Bairros do Rio de Janeiro. no curso de mestrado em Memória Social e Documento da UNI-RIO e perguntou se eu estava disposto a aprender história oral.

a Aspásia . Alguns. Isto significava mudar de área de pesquisa para acompanhar a história desta agência que tem como objetivo monitorar o Brasil. a Clarence J. futuramente. proporcionando duas idas ao arquivo do Roncador em Brasília para as pesquisas históricas. enfocando a instituição que escolhi para trabalhar durante os trinta anos restantes de minha vida profissional formal. embora possa pareça estranho. após retornar ao Departamento de Geografia tomei a difícil decisão de solicitar minha transferência para a área da Memória Institucional do IBGE. a François Fourquet e seus colaboradores pelo seu incrível Les Comptes de La Puissance. Rede de Coleta e Administração. outros eu li no calor da hora. Sérgio de Assis Barbosa e Luis Carlos Carril no processo de tratamento de imagens das fotos escolhidas e no processo de edição. a Ricardo Bielchowsky pelo seu Pensamento Econômico Brasileiro. a Simon Schama por seu Paisagem e Memória. Processamento de Dados. David Wu Tai. Edna Moraes no apoio administrativo que o CDDDI me deu. Neste processo. que efetivamente me fizeram a cabeça para encarar este desafio. que também me auxiliaram muito na arte de entrevistar. e que serviram para. Pensador da Cultura e Escrever a Clínica. criar também estruturas semelhantes para a Estatística. Finalmente. Na etapa final da pesquisa. muito me auxiliou na pesquisa sobre o papel desempenhado por Pierre Deffontaines na Geografia brasileira. Glacken por sua erudição em Traces on the Rhodian Shore. a Edson Nunes pelo seu instigante A Gramática Política do Brasil . Paulo Roberto Lindesay. a Vera Abrantes que foi minha co-orientanda (a orientadora oficial foi Icléia Thissen) em sua tese de mestrado sobre o arquivo fotográfico do IBGE.Nesse ínterim. a Elisabeth Roudinesco com sua História da Psicanálise na França. que li antes da germinação das idéias. a Warren Dean por A Ferro e Fogo. e outros que de muitas maneiras me auxiliaram nesta empreitada. o meu reconhecimento a Renato Mezan pelos seus Freud. a Josianne Pangaio. a fim de montar a estrutura da memória técnica do segmento de Geociências e. tive a sorte de conhecer Verena Alberti. cimentar minha confiança de que era possível escrever uma história da relação entre memória e documento da geografia e dos geógrafos. chamarei de subsidiadores subliminares do projeto. Maria Teresa Bastos. Por isso. contei com a compreensão das chefias da Diretoria de Geociências e com o apoio das chefias do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) para a realização do projeto. Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. A Professora Marieta. na área de trabalhos de campo em Geografia. gostaria de reconhecer a importância de alguns autores que criaram obras. especificamente. além da ampliação do conhecimento.

Camargo pelo seu magistral artigo História Oral e Política no livro organizado por Marieta de Moraes História Oral e Multidisciplinaridade. pelo importantíssimo Tempos de . e finalmente. a Vincent Berdoulay por seus La Formation de L’École Française de Geographie (1870-1914) e Des Mots et Des Lieux: la dynamique du discours géographique. Roberto Schmidt de Almeida. Capanema que chegou em ótima hora. a Simon Schwartzman. vitais para a pesquisa. a John Kirtland Wright pela sua completíssima história da American Geographical Society em seu livro Geography in the Making. Helena Bomeny e Vanda Costa.. a Anne Buttimer pelos seus The Practice of Geography e Society and Milieu in the French Geographic Tradition . a Ronaldo Costa Couto pelo seus recentíssimos A História Indiscreta da Ditadura e da Abertura e Memória Viva do Regime Militar e a Maurício de Almeida Abreu pelos seus artigos Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação e Sobre a Memória das Cidades..

será o principal objeto desta pesquisa. atlas e artigos) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais. objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. livros. podendo também ser alvo de estudos pormenorizados. através de seus depoimentos orais gravados e transcritos. Linha esta que por vezes estará frouxa e. O quesito “quando” abarcará o tratamento desses 60 anos. Como este trabalho pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE.19 Apresentação A reflexão sobre um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos. que causaram. situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro. científicos. Atividades essas classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física. através de relatórios. políticos. levando-se em consideração. em outras ocasiões tornar-se-á retesada. isoladamente. como pano de fundo. e as contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período. corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. projetos. e pesquisadores que. aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. podendo desvendar conflitos de natureza diversas. na qual documento expressará o que foi impresso (legislação. quanto pelos seus geógrafos 1 a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que irá norteá-lo. produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira . que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas. que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: a prioridade do papel institucional da Geografia no contexto do IBGE. os diversos contextos pelos 1 vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos. de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento. em certos períodos. relatórios e a produção intelectual dos geógrafos. algumas celeumas internas sobre a conveniência ou não. A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa. Embutida nessa questão. estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias. O quesito “onde” abarca o espaço territorial brasileiro. entre os anos de 1938 e 1998.

será tratada também a curiosa separação ocorrida entre a Geografia Física e a Humana.1988. avaliando a evolução de seu contingente de profissionais. um governo híbrido. . além das inúmeras modificações por que esta última passou e ainda continua passando ). dois governos em um . influenciados ora pelas escolas francesa e alemã. que este período abrange. ora pela escola anglo-saxônica. planejado por Tancredo Neves. No campo do Pensamento Geográfico iremos igualmente rastrear as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico. Nesse contexto.1969. vinte e dois mandatos presidenciais ( vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves que geraram alguns períodos excepcionais como: o Estado Novo (1937 a 1945). Para a área da Geografia em particular. Será dada uma especial atenção às comparações entre o que se convencionará chamar de trabalhos oficiais (Estudos solicitados pela direção do IBGE ou demandados por níveis hierárquicos superiores a ela. Neste contexto.1946. e que somente agora nos anos noventa. Igualmente importante será a avaliação do IBGE enquanto instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos. econômicos. pressupondo-se geralmente um entendimento prévio da metodologia a ser aplicada e da forma final do produto) e os trabalhos dos geógrafos (estudos elaborados de forma independente por alguns profissionais de Geografia do IBGE. sejam eles: políticos. contribuirão em muito na análise da legislação pertinente ao órgão.20 quais o país passou. estabilidade ou queda de seu “status” perante outras áreas da instituição e do governo. científicos em suas diversas acepções. em termos de organogramas que determinaram os diversos períodos de ascensão. um impeachment e mais dois anos de seu vice Itamar Franco ( 1992 a 1994 ) e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998). o período dos governos militares (1964 a 1985). passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica e que sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. via informações institucionais. começa a ser desfeita. (1961 a 1964). em seguida. com dois anos de Fernando Collor. por exemplo. Penha (1993) e a Cronologia. podendo estar relacionados ou não às linhas de pesquisa do órgão). falecido antes de assumir e levado por seu vice José Sarney (1985 a 1990 ). sua trajetória na burocracia do órgão e suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento. os trabalhos de Gonçalves (1995). Primeiramente. no final dos anos sessenta. será mostrado. do ponto de vista político. quatro constituições (1938. a crise da renúncia de Jânio Quadros até a queda do governo de João Goulart. É importante ressaltar. organizada por Icléia Costa e equipe (1998). e que tiveram repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.

traçando uma explanação sobre o IBGE. Certeza e opulência dos anos 40 confrontam-se. além das políticas de recursos humanos foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial do IBGE. em função da preparação da base cartográfica municipal para o censo de 1940. o terceiro destacando o grupo de Geógrafos e Cartógrafos que fizeram parte da pesquisa. Estruturação e Manutenção de Bancos de Dados de Grande Porte. O terceiro. No âmbito externo ao IBGE. através de um processo de unificação administrativa levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. fazendo um overview ao longo de 13 períodos considerados como um pano de fundo cronológico que orientou a saga da geografia no IBGE.21 Finalmente. Em âmbito interno. além do suporte administrativo que acompanhou o cotidiano de milhares de profissionais em todo o Brasil. escalas de análise e áreas. onde é descrita a evolução de suas principais funções nas áreas de Geodésia e Cartografia. Para demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. Disseminação de Informações impressas e por meio magnético e Ensino e Treinamento. Está dividida em três capítulos: o primeiro que explica a institucionalização do sistema de planejamento territorial brasileiro. com dúvida e escassez dos anos 80/ 90. acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. antecedidas de três capítulos introdutórios. estabelecendo a relação entre documento e memória no contexto de trabalhos que se utilizaram das técnicas de História Oral. tendo como elemento chave o IBGE. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte no campo científico e tecnológico foram os de maior peso. o segundo que relata a estruturação das áreas de Geografia. Estatísticas demográficas e econômicas. tanto financeira quanto gerencial. num momento em que as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise. com uma introdução que explica o papel da nova burocracia estatal implantada após a revolução de 1930. Redes de Coleta de Informações. figuravam na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal. desde um período em que se aliava a necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração. Geografia. O segundo. até os governos pós militares da década de 90. O trabalho está estruturado em seis partes. Ecologia. em que a palavra transição é o principal mote. . O primeiro. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. portanto. A parte I contempla a estruturação da tecnocracia ligada ao Planejamento Territorial brasileiro. como detentores da memória do grupo profissional estudado. ligando-os a uma pesquisa que enfoca uma instituição de governo e a um grupo específico da tecnoburocracia estatal e determinando sua escala temporal de ação. Geodésia e Cartografia no IBGE.

interesses e que participaram da maioria dos 13 períodos estudados. ao registrar em meio magnético os depoimentos de um grupo de geógrafos de diferentes idades. o canadense Pierre Dansereau . os mestres universitários e os líderes de grupos de afinidades. tendo como principais referências os professores do ensino médio. o antigo papel da AGB como palco dos primeiros ritos de iniciação profissional. Figuras carismáticas como os franceses Emmanuel de Martonne. tanto na Universidade. O exemplo mais significativo desse segmento está na figura de Francis Ruellan. com exemplos de maior ou menor engajamento a algum determinado líder de grupo de afinidades e algumas trajetórias de especialização temática ou regional. Pierre Deffontaines. no desvendar do verdadeiro significado de se registrar esses depoimentos para as gerações profissionais do presente e do futuro. O capítulo I analisa a força das escolas de pensamento geográfico estrangeiras nas diferentes arenas de trabalho e discussão: as Sociedades Geográficas. que deixou uma legião de seguidores. Clarence F. os principais projetos e seus respectivos produtos. Brian Berry e Howard Gautier e o inglês John P. que sob outras formas. quanto no IBGE. ainda. a Universidade e o IBGE. O capitulo I conta um pouco da aventura de se registrar esses depoimentos e avalia a importância da memória .22 A parte II enfoca o papel da Geografia do IBGE no contexto do pensamento geográfico brasileiro. os americanos Preston James. Francis Ruellan. Philipe Waniez e Hervé Théry . Cole. nos tempos atuais. Jones e. A parte III focaliza o processo de formação profissional do geógrafo do IBGE pelo ponto de vista da memória. O capítulo III apresenta o conjunto de profissionais que foram formados nos primeiros anos de estruturação do órgão e que se transformaram nas lideranças pioneiras da Geografia do IBGE. posteriormente Jean Tricart e Michel Rochefort e. O capítulo II analisa os padrões gerais de inserção na carreira. . posteriormente. como base para uma avaliação da Geografia que se estabeleceu ao longo dos anos no IBGE. utilizando uma experiência de História Oral. O capítulo II descreve os diferentes tipos de liderança exercidos por geógrafos estrangeiros que formaram algumas gerações de profissionais do IBGE. quando na fase de estágio no IBGE. O capítulo III enfoca algumas recordações profissionais referenciadas ao ambiente de trabalho. Analisa. com uma introdução que acompanha a sua evolução desde a primeira metade do século XX . continuaram a disseminar o seu legado. os alemães Leo Waibel e posteriormente Gerd Kohllepp . avaliação essa que alcança o final dos anos 90.

São analisados os fatores que levaram à grande diáspora de 1991. quanto no campo da integração com os demais vetores do conhecimento que envolvem as Geociências. O capítulo I descreve em linhas gerais. também. A parte VI trata do período de crise por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. a ênfase é orientada para o papel disseminador do IBGE através dos cursos de aperfeiçoamento em geografia orientados para o corpo docente de ensino médio e para o de nível superior.Itamar Franco Fernando Henrique Cardoso. a memória depoimentos de alguns geógrafos que contam suas experiências. representadas aqui pelos depoimentos orais dos diretores de área e de alguns presidentes. em contraponto às demandas que continuaram a ser criadas. Nesse segmento. Através da análise dos trabalhos de uma lista de temas geográficos que mais marcaram a imagem do IBGE na arena geográfica brasileira. O capítulo I descreve o processo de transição por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. como essas práticas foram percebidas pela alta direção da casa. quanto no Brasil. com a saída maciça de profissionais que aliavam competência à liderança: o incipiente processo de reposição de pessoal e os mecanismos de adaptação dos que restaram. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior destaque. No capítulo II. Os depoimentos de profissionais que organizaram ou ministraram esses cursos. O capítulo I focaliza as relações entre o órgão e os centros de aperfeiçoamento e pesquisas tanto no exterior. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológicos decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. verificou-se. O capítulo II tenta alguns prognósticos é resgatada nos exemplos de . um grupo de sete temas que geraram as grandes linhas de pesquisa geográfica no IBGE. Por outro lado. em decorrência das convulsões no setor público durante os governos Collor de Melo . misturam-se a importantes geógrafos não ibgeanos que tiveram sua formação profissional ampliada por esse aprendizado. A parte V cobre os processos de qualificação profissional.23 A parte IV analisa as práticas profissionais levadas a efeito pelos geógrafos do IBGE ao longo do período estudado e avalia sua representatividade perante outras instâncias do IBGE. analisando sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. enfatizando os cursos de aperfeiçoamento e especialização e a pós-graduação em seus vários níveis ao longo do período. tanto no contexto de suas atribuições institucionais.

na ainda hipotética agência executiva proposta pelo Ministério da Reforma do Estado ao IBGE para o ano de 2000. Nos capítulos conclusivos.24 quanto ao futuro da Geografia. . além das considerações finais. assim como uma descrição de alguns produtos que estarão futuramente à disposição dos usuários. é apresentada a atuação da Equipe da Memória Institucional do IBGE e é esboçado o projeto de História Oral que dará prosseguimento aos depoimentos de funcionários que assumiram posições relevantes no projeto técnico da instituição.

contraditórias ou sobrepostas.exatamente iguais. É por esse motivo que eu. à memória. Em primeiro lugar o documento . como definido por Pierre Le Goff em sua forma mais ampla (Le Goff. através de depoimentos orais e de informações informais.. 1994: 540-541) assumido aqui como o material impresso que determinou a representação da produção geográfica do IBGE e de seus profissionais.1987). prefiro evitar o termo memória coletiva. temos de refletir sobre algumas colocações de Alessandro Portelli na revista organizada pelas professoras Dayse Perelmutter e Maria Antonieta Antonacci..A Relação Entre Documento e Memória no Contexto da História Oral O processo de acompanhamento. e as resoluções jurídico-administrativas que definiram os principais projetos de trabalho. A memória é um processo individual... Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social. pois tanto do lado do documento. a fidedignidade necessária a esta história. a bem da verdade. ou seja. não evitaremos o termo. as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais. ao trabalharmos com uma comunidade técnica sediada numa agência de planejamento do governo federal. em última análise. em certa medida. como as vozes . valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. pessoalmente.. tanto individual como coletiva de um conjunto de técnicos ( geógrafos) e administradores (cargos de direção) que desempenharam funções importantes no órgão e que recordaram seletivamente suas respectivas trajetórias profissionais. ao longo do tempo. principalmente no que se refere a muitos assuntos considerados como referenciais para a coletividade geográfica. considerando-se que eles são sempre . “ A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato de a História Oral dizer respeito a versões do passado. além de outros meios de informação e divulgação da Geografia do IBGE. mas tomaremos os devidos cuidados para não utilizá-lo indevidamente. quanto ao da memória existem grandes problemas. de parte da memória institucional de uma grande e complexa agência federal como o IBGE exige que se recorra a alguns materiais formadores da memória coletiva. 1997:16) Neste trabalho. Michel Foucault em sua obra. Em segundo. Porém. Esta questão é crucial. que ocorre em um meio social dinâmico.I . é possível inferir sobre uma boa dose de consenso entre eles. A relação entre documento e memória gerará. em hipótese alguma. Neste ponto. pois. o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. as recordações podem ser semelhantes. nos alerta sobre a necessidade de se questionar o documento.” (Portelli. a memória. onde ele argumenta que. A Arqueologia do Saber (Foucault. Em vista disso. ou.

a sociedade pós-moderna de identidades culturais com o seu jogo de citações simbólicas (por exemplo na arquitetura) ou sua intertextualidade literária colocou Halbwachs em prática” (pg. O ensaio de Lutz Niethammer sobre os conceitos de identidade e de memória nos dá uma boa visão das dificuldades que podem ser encontradas quando se tenta trabalhar com eles (Niethammer. No que se refere à questão da memória. As lembranças de um grupo são. a construção social do passado engendrada por Halbwachs. Os processos de seleção iniciam-se no produtor do documento em si.16).1980). Também sob as diferentes interpretações por que passam as lembranças. 1997). que estas noções criadas por Halbwachs nos anos 20. inicialmente. lembrando que no caso de biografias ou auto-biografias... É importante diferenciar. Na maioria dos casos. a que lê e a que realmente existiu. da que foi e da que escreveu." (p. principalmente. “toda lembrança significativa é um processo socialmente condicionado de reconstrução que se apóia na estrutura social de relíquias culturais e rituais de comunicação de um dado grupo no presente” (pg. pelo menos. Isso faz sentido. quase sempre. . quando operamos um processo de entrevista gravada que. implica o convite e as devidas explicações sobre o objetivo da gravação. é que mais se encaixa com que estamos tratando (Halbwachs.129). referenciadas mais aos elementos constituidores da cultura daquele grupo do que aos dos próprios indivíduos. George Lukács. a que escreve ( quando não é uma auto-biografia). orientadas pela cultura do grupo ao qual pertence. ainda. São três níveis de realidade que devem ser analisados. passam por quem o seleciona e o arquiva e terminam por quem o pesquisa e o faz ressurgir sob um determinado ponto de vista. os mecanismos são ainda mais complexos e estão no cerne das discussões sobre o uso da História Oral. Aldous Huxley. o sociólogo Jesús M.produtos seletivos. implica considerar a memória como algo muito mais amplo que um mecanismo individual de lembranças pessoais. principalmente junto aos historiadores da cultura. portanto. Dos cinco autores analisados por Niethammer como precursores desses conceitos (Carl Schmitt. de Miguel em seu manual sobre biografias sociológicas (Miguel.. Sigmund Freud e Maurice Halbwachs).1996) analisa alguns pontos positivos e negativos dos relatos biográficos. de maneira geral. 128).. Para Niethammer.. o depoente se prepara filtrando e organizando lembranças. a noção de memória coletiva de Halbwachs. “num plano mais genérico. voltaram a ter influência nos anos 90. Niethammer assinala. "existem pelo menos quatro pessoas distintas: a que relata a vida. entre a pessoa que é..

No contexto das técnicas de História Oral. A entrevista de história oral. Os artigos de Fred K. ainda. o principal mérito da relação entre documento e memória é poder comparar seletivamente algumas linhas de tensão entre fatos e versões nas diferentes fases por que passou a Geografia do IBGE nos 60 anos analisados.seu registro gravado e transcrito -. esquecimentos. Atualmente. e a comparação entre diferentes versões.é de se esperar que algumas dessas linhas de tensão estiveram muito próximas do rompimento. de bancos de dados. silêncios ou mesmo mudanças de ponto de vista dos depoentes ao longo de suas narrativas. e o de Milton Santos sobre problemas do marxismo na Geografia (Santos. transcrito. posteriormente. não documenta nada além de uma versão do passado. igualmente. e que infelizmente continuou ao longo da década de 80 (Bunge. um artigo que se possa classificar como decisivo sobre o problema. Isso pressupõe que esta versão. mas deslocando o objeto documentado: não mais ao passado "tal como efetivamente ocorreu". tenham passado a ser relevantes para estudos na área das ciências humanas" (Alberti. nos anos 90. A palavra seletividade representa. portanto . é importante ressaltar que a palavra versão assume uma importância ímpar. por fortes modificações e que foi bastante influenciada por inúmeros conflitos metodológicos e ideológicos além de ter testemunhado. Neste sentido. uma incrível evolução tecnológica nas ferramentas computacionais de mapeamento e localização. o de Willian W. É importante. Ao contrário: trata-se de tomar a entrevista produzida como documento. Bunge sobre o processo de “canibalismo teórico decenal” que estava ocorrendo. embora não haja. 1973). perceber como algumas versões passam a ser oficializadas pela maioria dos depoentes. Considerando-se que a pesquisa geográfica passou. Schaefer sobre o excepcionalismo em Geografia (Schaefer. 1989 :2). sim. onde um depoimento é gravado em meio magnético e.1981) foram bons exemplos desses momentos de grande tensão. ao longo desses 60 anos.1953). vista por todos os . É perceber como natural certas distorções. portanto. pois seria extremamente difícil escrever a história total da Geografia do IBGE. e sim a versão do entrevistado. a expressão Globalização parece causar também grandes áreas de turbulência no pensamento geográfico. um papel fundamental na relação entre documento e memória e fica perfeitamente claro que este processo de seleção nunca contentará a todos. de cálculos e de editoração . pois nas palavras de Verena Alberti " Certamente não será porque a entrevista adquire estatuto de documento que a história oral passa a obedecer aos requisitos da "ciência positiva".

certamente. É importante lembrar que os 26 co-autores eram muitas vezes adversários entre si. cuja grande maioria prestou depoimentos ou cedeu documentos para esta pesquisa que transitou por quase todos os campos das artes. pois o autor dá uma co-autoria a 26 personagens que foram os criadores das áreas de contabilidade nacional. servindo no teatro da guerra do sudeste asiático. O monumental trabalho de Elisabeth Roudinesco em seu segundo volume da História da Psicanálise na França : 1925-1985 é outro marco na relação documento / memória (Roudinesco. aos seus parentes e amigos e as imagens .diferentes ângulos. tanto em termos técnicos quanto ideológicos. O livro de François Fourquet Les Comptes de la Puissance é. o mais importante psicanalista após Sigmund Freud. 1987) onde foi estruturada uma excelente relação entre os conteúdos das cartas de militares norte-americanos. Louis Althusser . passando pelas atas de congressos e recortes de material da imprensa. No processo de criação. o que levou o autor a estruturar uma urdidura dos temas e das opiniões poucas vezes vista nas ciências sociais. É certamente um clássico do assunto. Fourquet fez uma longa nota explicativa inicial. A seção de agradecimentos praticamente cobre quase toda a elite intelectual francesa. trabalhado com a História Oral. Esta será apenas uma das possíveis visões que este assunto evocará. Françoise Dolto e outros.1983). além do campo específico da medicina psiquiátrica e. operando conjuntamente com os 26 co-autores. o mais sofisticado e complexo. que vai da correspondência privada aos autos de tribunais. particularmente.1988). faz da obra de Roudinesco uma referência indispensável no estudo da história contemporânea de cunho memorialista. filosofia e da literatura da França. O mais interessante exemplo de uma relação entre documentos e memórias foi realizado por Bill Couturie em seu filme Cartas do Vietnã ( Dear America: Letters Home from Vietnam. ao estilo de Fernand Braudel em sua obra sobre o Mediterrâneo (Braudel. O uso exaustivo e sistemático da documentação. do planejamento de governo e das estatísticas econômicas francesas (Fourquet. Algumas obras servirão de referência para o entendimento dessa relação. chamando a atenção do leitor para as dificuldades sentidas por ele no processo. Alfred Sauvy (estatística) ou Jean-Vitold Marczewski (contas nacionais) para citar alguns que a área geográfica certamente conhece. encaixando-se com uma perfeição de relojoaria aos depoimentos e testemunhos prestados por figuras da intelectualidade como Jacques Derrida. pela saga profissional de Jacques Lacan.1980): profissionais da alta burocracia governamental como o ministro Michel Rocard e acadêmicos de primeira linha do sistema de ensino e pesquisa universitário como François Perroux (economia industrial). principalmente por terem de alguma forma.

fazem do livro de Roberto Campos um ótimo referencial para se entender os diversos conceitos que foram atribuídos à palavra desenvolvimento desde o ciclo Vargas até a Nova República. imerso numa cultura totalmente diferente. o depoimento do ex-presidente Ernesto Geisel organizado por Maria Celina D'Araujo e Celso Castro. Sua primeira versão de 1984 foi destinada ao mundo acadêmico inglês como tese de doutoramento na Universidade de Leicester. enfatizando o período 1945-1964 garantem um quadro de referência importante para se entender o processo de desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo. Sua primeira edição brasileira foi editada pelo IPEA em 1988.1994) faz um excelente contraponto com o trabalho de Bielchowsky. vão se deteriorando. é particularmente interessante assim como o cap. inicialmente de cunho laudatório. entre julho . é um dos melhores ensaios de historiografia econômica baseado exclusivamente na literatura especializada e em documentação governamental (Bielchowsky. com certeza. Campos encerrou o seu mandato ao início de 1999. IX. o melhor trabalho de História Oral foi. que trata dos anos de Juscelino. como reconhecimento pelo Prêmio Haralambos Simeodines da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC) de 1995 na categoria tese. à medida que a difícil percepção do real objetivo daquela guerra soma-se às cruéis experiências pessoais em um campo de batalha não convencional. até tornarem-se trágicos e melancólicos. O trabalho de escolha das cartas e das imagens o credencia como um dos mais importantes trabalhos de relação documento / memória fora dos clássicos compêndios de História Oral. principalmente no que tange ao tumultuado processo de planejamento macroeconômico e à sua instrumentação ao longo desses 60 anos (é importante lembrar que como deputado federal. que trata da criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE atual BNDES). culminando com a humilhação da derrota. passando pelo ciclo militar. 1995). enquanto a guerra recrudesce. Referenciado ao período militar. O teor das cartas e as das imagens. A experiência memorialista de Roberto Campos no seu A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. As análises das principais correntes de pensamento econômico que influenciaram as decisões governamentais entre 1930 a 1964. No contexto brasileiro.documentais referentes aos diversos períodos de envolvimento dos EUA no conflito. ao perder para Saturnino Braga a vaga de senador do Rio de Janeiro nas eleições de novembro de 1998). O capítulo VI. o trabalho de Ricardo Bielchowsky Pensamento Econômico Brasileiro : O Ciclo Ideológico do Desenvolvimento. embora não se utilizasse das ferramentas dos depoimentos orais. Sua memória prodigiosa somada à vasta documentação apresentada.

e em Minas Gerais.a tese de doutoramento de Ronaldo Costa Couto para a Universidade de Paris IV. . Tancredo Neves. seu falecimento e a posse de José Sarney . a decisão da posse de José Sarney e muitos outros são analisadas sob diferentes pontos de vista. as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho e a exoneração do comandante do II Exército. no governo do Almirante Faria Lima. no governo de Tancredo Neves). Essa combinação entre capacidade técnica. com poucas incursões ao terreno econômico.que culminou com a eleição de Tancredo Neves. João Baptista de Oliveira Figueiredo e José Sarney) contrapondo-a com a documentação pesquisada (Couto. No mesmo contexto. sem dúvida. Cabe lembrar que Costa Couto foi um dos mais importantes homens públicos do final do período militar e da Nova República. sendo posteriormente transferido para Ministro-Chefe do Gabinete Civil (1987-1989). a sucessão de Castelo Branco por Costa e Silva. é também muito interessante. pois era economista formado pela UFMG com especialização em macro-planejamento. cargo que acumulou com o de Governador do Distrito Federal. o melhor trabalho historiográfico do período que fez uso sistemático da História Oral (com 32 depoimentos dos principais homens públicos do país. O enfoque é fundamentalmente político. 1997). tendo sido por duas vezes Secretário de Estado de Planejamento (no Rio de Janeiro. defendida em novembro de 1997 e publicada pela Record em janeiro de 1999. civis e militares. O volume especial com a íntegra de 26 entrevistas intitulado Memória Viva do Regime Militar: Brasil 1964-1985. sua experiência de comando na Presidência da República e a avaliação dos governos posteriores até 1994. Questões como a preparação do golpe militar.de 1993 e março de 1994 e somente publicado após seu falecimento em setembro de 1996. o processo de escolha de Tancredo Neves. pois confronta diversas versões sobre alguns episódios políticos cruciais ocorridos entre 1964 e 1985 (Couto. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985 é. durante a presidência de José Sarney foi nomeado Ministro do Interior (1985-1987). A preocupação dos organizadores do depoimento era cobrir os aspectos da formação intelectual de Geisel e seus reflexos na carreira militar e administrativa. a exoneração do Ministro do Exército General Silvio Frota. ainda que enfatizasse o período final do ciclo militar e o processo de abertura política . e uma rara habilidade política. sendo que três foram Presidentes da República: Ernesto Geisel. o credencia como uma das melhores testemunhas daqueles períodos. General Ednardo D’Avila Mello. que foi lançado em maio do mesmo ano. 1999b). 1999a). aprendida com um mestre do assunto. aos 89 anos (D'Araujo & Castro.

ao colher depoimentos de 13 mulheres. Jean Marc Von der Weid. A ênfase foi dada aos políticos que as criaram. tanto no campo das vinculações com a hierarquia masculina dos movimentos de esquerda. Apesar de ser um artigo de coletânea. um outro lado mais amargo nos é mostrado por Elizabeth F. com fotos de Pedro de Moraes (1998). que muitas vezes saía do controle das lideranças e era empalmado pelos participantes das passeatas e comícios. . Além disso. com um saldo de 1000 presos. 1998). apresenta um quadro bem interessante das dificuldades de organização do movimento estudantil. José Genoíno e outros. Vladimir Palmeira. o trabalho de Mattos Dias é de extrema valia para os que querem se aventurar na História Oral de organizações de qualquer ordem. onde o papel da mulher.A esquerda estudantil de 1968 também tem seu livro de memórias organizado por Daniel Aarão Reis Filho. 1968 a Paixão de Uma Utopia . como Luis Travassos. que encara os acontecimentos de 1968 na França com um misto de necessidade e descontrole. (Petrobrás) e Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás).” (pg. 57 feridos e 3 mortos. 201) que contrapõe os acontecimentos no Brasil e em outros países. que foram presas políticas durante os governos do ciclo militar. para sua tese de mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ. aos burocratas que as dirigiram e a alguns executivos técnicos que decidiam em áreas chave dessas organizações. em 28 de março. abre um importante campo de análise da memória de gênero. por isso. 283). O trabalho com 12 depoimentos das principais lideranças estudantis da época. enfatizando os períodos de militância política e o da prisão. mal avaliado. o melhor especialista é José Luciano de Mattos Dias (1994). “O perigo é um pensamento revolucionário que se transforma em mística revolucionária. José Dirceu. O foco nas histórias de vidas dessas mulheres. Não se deve esquecer que Pol Pot foi formado na Paris de 1968. Xavier Ferreira (1996). No campo específico da História Oral das organizações brasileiras. Neste contexto é também interessante ler a entrevista do grande historiador francês Pierre Vilar a Jean Boutier (Boutier & Julia. os autores contextualizaram muito bem o ano de 1968.A. e a Sexta Feira Sangrenta. analisando os diferentes tipos de conflitos estudantis que eclodiram em várias partes do mundo e organizando uma excelente cronologia (pg. quanto no ambiente dos porões da ditadura militar sempre foi visto sob uma ótica de preconceito e. Sua pesquisa cobriu os acervos orais de organizações estatais de grande porte como a Petróleo Brasileiro S. como o do restaurante do Calabouço que resultou na morte do estudante Edson Luis. de 21 de junho. Ainda no contexto da memória das esquerdas no Brasil.. que mostrou também o seu talento ao analisar a trajetória profissional dos engenheiros.. gerando conflitos com as forças de repressão.

entretanto. compostos majoritariamente por economistas e juristas. três outras obras estudaram a importância do papel deste grupo profissional na condução dos destinos do Brasil nos últimos 60 anos. Burocracia e Elites Burocráticas no Brasil de Gilda Portugal Gouveia (1994). que deram maior ênfase ao instituto carioca do que o paulistano. apresentada em agosto de 1996. quatro. Cozac e José Marcio Rego (1997) é o melhor dos quatro. A apresentação dos autores e o capítulo que trata da história do ensino de economia no Brasil são também peças interessantes. além da consulta a 10 depoimentos orais arquivados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Lagartos & outros bichos: uma história comparada dos institutos Oswaldo Cruz e Butantan. Embora não trabalhem com História Oral. Foram entrevistados 22 homens públicos e técnicos do alto escalão do governo. reconhecem. além de um capítulo . os mais estudados. Os Economistas no Governo de Maria Rita Loureiro (1997). O prefácio de Pedro Malan é de uma exatidão e elegância poucas vezes vistas nas publicações dos últimos anos.É importante também considerar o livro de Jaime Larry Benchimol e Luiz Antônio Teixeira (1993) Cobras. tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (UNICAMP) defendida em junho de 1994. dos quais três foram Ministros de Estado. evidentemente. analisa o papel dos economistas como dirigentes políticos e trabalha a sempre tensa relação entre a racionalidade técnica e os objetivos políticos e que constantemente põe à prova esses profissionais da elite governamental brasileira. Foram entrevistados 30 economistas. os economistas são. onde estão os trabalhos de José Luciano de Mattos Dias sobre os engenheiros e de Marly Silva da Motta sobre os economistas. Além da coletânea organizada por Angela de Castro Gomes (1994) Engenheiros e Economistas: Novas Elites Burocráticas. Os autores. mas também pela maneira de tratar o tema da História Oral do pensamento econômico brasileiro. foram Ministros de Estado ligados aos setores da economia e da alta administração federal. tese de livre-docência para a Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. não apenas pelo elenco de profissionais escolhidos. dos quais. Conversas com Economistas Brasileiros de Ciro Biderman. pois aliam concisão e clareza. que enfoca a construção do Sistema Financeiro Nacional entre 1930 e 1964 sob a ótica da estruturação de seus quadros burocráticos de elite. Luiz Felipe L. No segmento da História Oral de grupos profissionais. dos quais três foram Ministros de Estado. os autores operaram muito bem com a documentação dos dois institutos e apresentaram um bom quadro comparativo de seus respectivos campos de atuação ao longo dos anos.

o Almirante e paleontólogo Ibsen de Gusmão Câmara. além do economista Ignácio Rangel. cinco foram Ministros de Estado. André Lara Resende e Pérsio Arida. O zoólogo Aldemar Faria Coimbra Filho. considerado como um geógrafo honorário. Celso Furtado. dois presidiram o Banco Central. No que concerne à Historia Oral dos Geógrafos. Roberto Lobato Corrêa e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro são alguns exemplos deste importante volume. o trabalho do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. Milton Santos. o biogeógrafo Alceo Magnanini. Mário Henrique Simonsen.final. expoentes de linhas de pensamento bem diversas. três possuíam mandatos eletivos no Congresso Nacional. além de todos serem professores das melhores escolas de economia do Brasil. Maria da Conceição Tavares. Num contexto intermediário das ciências ambientais. duas trabalharam no IBGE Alceo Magnanini e Wanderbilt Duarte de Barros. Victor Antônio Peluso Júnior. pois em nenhum momento o diálogo resvala para a crítica fácil ou o "achismo". Roberto Campos. são diálogos de profissionais para profissionais. . Dos 13 entrevistados. é de alta relevância. onde a Geografia possui forte presença. Dessas personalidades. através da revista Geosul. Estão sendo sistematicamente entrevistados os principais geógrafos brasileiros que contribuíram com os seus conhecimentos para a melhoria do ensino de Geografia no país. o livro da jornalista Teresa Urban (1998) Saudade do Matão organizado pela Fundação Boticário e a The John D. utilizando os depoimentos orais de seis personalidades líderes em seus segmentos. Professores como Orlando Valverde. and Catherine T. O Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também iniciou em 1997 a publicação de sua revista GeoUerj com uma seção de entrevistas a geógrafos importantes. o naturalista Paulo Nogueira-Neto e o engenheiro agrônomo e administrador de parques naturais Wanderbilt Duarte de Barros. Mas o que é ouro puro neste livro são as conversas altamente profissionais com uma importante parcela dos melhores economistas do país. pois concentra 9 dos melhores profissionais de Geografia. inaugurando a série com o Professor Speridião Faissol. chamado Uma leitura Comparada das Entrevistas que demonstra o alto nível de síntese dos organizadores da obra. João José Bigarella. O volume 12 / 13 já tornou-se um clássico. Mac Arthur Fondation conta a história do movimento de Conservação da Natureza no Brasil. a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua. apesar de estarem na arena figuras como Delfin Neto. O teor das entrevistas revela-se altamente profissional.

Gelson Rangel Lima e Aluísio Capdeville Duarte. além do importante depoimento de Cristóvão Leite de Castro (engenheiro). José Carlos Sebe Bom Meihy (1990) lança A Colônia Brasilianista: História Oral Acadêmica obra fundamental para se entender a formação do grupo de profissionais conhecido como os brasilianistas da comunidade acadêmica norteamericana. que residiu e lecionou na University of New York entre 1965 e 1998. história. sociologia e filosofia / teologia. além especialistas de instituições que lidavam com memória institucional. respondidos por funcionários das unidades regionais do IBGE de 11 estados brasileiros. ciência política. foram entrevistados três geógrafos: Orlando Valverde. crítica literária. além do engenheiro Christovão Leite de Castro. Eli Alves Penha (1993) em sua tese de mestrado A Criação do IBGE no Contexto da Centralização Política do Estado Novo já inicia um processo de abordagem da História Oral ao entrevistar sete geógrafos do IBGE a respeito das práticas profissionais. desse projeto. França e até um brasileiro. Foram gravados os depoimentos de 32 profissionais que se especializaram em Brasil nas suas diferentes atividades acadêmicas: literatura. Inglaterra. Em sua maioria americanos.A área de Memória Institucional do IBGE concebeu em 1991. antropologia. Ainda no campo da História Oral dos profissionais. economia. um projeto de depoimentos com os profissionais da casa e. A análise do tema Memória Institucional foi o objetivo do trabalho de Icléia Thiesen Magalhães Costa para sua tese de mestrado em Ciência da Informação na Escola de Comunicação da UFRJ em 1992 Memória Institucional do IBGE: Um Estudo Exploratório-Metodológico. onde foram trabalhadas 23 entrevistas com funcionários e ex-funcionários do IBGE. organizador da estrutura burocrática que criou o Conselho Nacional de Geografia em 1937. . com sua estruturação organizacional atual e estabelecer um pano de fundo cronológico que acompanhará os 60 anos de atividades geográficas da instituição. mas também de outros países como Gana. a estrutura que organiza esta primeira parte do trabalho está dividida em mais dois capítulos que objetivam referenciar a agência IBGE. Wilson Martins autor da coleção A História da Inteligência Brasileira em sete volumes. também foram aplicados 28 questionários. Após esta revisão.

Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia. O subtítulo do decreto era.. ainda.609. Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia e em suas considerações iniciais esclarecia . Portanto. 1 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. que passam o comandado do país para Getúlio Dorneles Vargas em 03 de novembro de 1930.o de Geografia e o de Estatística com a denominação de "Conselho Nacional". que vai muito além do simples intervencionismo estatal. dentre elas a 0 os 31 e 5. sua abrangência nacional até ao nível de município.. inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede o golpe militar consolidado em 03 de outubro de 1930 pelos Generais Tasso Fragoso. pelas "Resoluções" n Instituto.O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? Criado pelo decreto-lei n 218 de 26 de janeiro de 1938. a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do . Getúlio Vargas inaugura um processo político-jurídico-administrativo..II . no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República: Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística. A saga de implantação dessas agências. ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção . O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. respectivamente. A criação dos Ministérios do Trabalho. além disso. ex-vi dos decretos n 0s 0 24. pois a principal preocupação de Vargas era de dotar o aparelho estatal de uma imagem claramente nacional. de 6 de julho de 1934. Mena Barreto e Isaías Noronha.. Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia uma série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo.527. de 24 de março de 1937. e não apenas uma referência ao poder do Palácio do Catete.200. também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística. ou mesmo de caráter pessoal. ao Rio de Janeiro (capital federal). 1. de 17 de novembro de 1936 e 1. Decreta: Art. Considerando. O IBGE na realidade foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia que já existiam. a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935/36. de 10 e 13 de julho de 1937.

o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal.documentos históricos) A importância de que se revestia um órgão como este.. Francisco Campos.1983). 1978). A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997:18) chama de insulamento burocrático. é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente. para que toda a sociedade percebesse que. e universalismo de procedimentos. Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre Ministérios. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas" . sem intermediações das políticas locais ou estaduais. Azevedo Amaral.. apresenta fundamentos políticos muito precisos para aquele período. Nos anos subseqüentes a 1930 e. sendo que para Nunes ". Período este muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (Medeiros. insulamento burocrático. uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo. Oliveira Vianna. Osvaldo Aranha Fazenda e Francisco Antunes Maciel Justiça e Negócios Interiores) lutaram pelo fortalecimento ou enfraquecimento de tal agência. ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e que tiveram papel influente na estruturação jurídico-política-administrativa do Estado Novo. uma de suas parcelas mais importantes. a partir daquele momento. É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário. mas que não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro. e sim. (ver anexos . se possível em nível municipal. após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 até 1945 (Schwarztman. Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado. sem dívida. o porta voz do governo federal seria um técnico. No caso do Instituto Nacional de Estatística criado em 1934/1936 pelo menos quatro ministros (Juarez Távora Agricultura . Nesse diálogo. o corporativismo constitui. Para este autor. o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas. Francisco Luís da Silva Campos Educação e Cultura. . disseminadas por grande parte do território nacional. corporativismo. que nas palavras de Edson Nunes (1997:18) "estava isolado das disputas políticas" .criação de uma agência federal de Estatística que objetivava uma centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. que exigiam pessoal técnico qualificado. principalmente entre os novos e os antigos.

para transformar o IBGE em agência executiva do governo. para sua dissertação de mestrado. conquistaram o casaco de veludo do mandarinato. com autonomia financeira e possibilidade de contratação por C. Apesar desses mecanismos iniciais. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República. da mesma forma que as empresas da iniciativa privada. a criação do IBGE já foi devidamente tratada por dois autores da casa. enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. Em 1993. é possível perceber quatro fases distintas. tanto de Estatística. nos seus primeiros anos. elitistas todos. XII). (Consolidação das Leis do Trabalho) para a esfera do funcionalismo público federal. . para projetos específicos. o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único.. o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal. sendo seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. em algum momento. além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. Gonçalves (1995) e Penha (1993). É com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo que se deve avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam ter contratos de trabalho. Intelectuais que. está em andamento uma nova mudança de vinculação. algo identificável. sua história. Ao se analisar todo o período de existência do IBGE. Entre 1967 e 1990. entretanto. A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores. anteriormente regidos pela C. por força do Decreto-Lei 161 de 13/02/1967.” (p. “pertencem à categoria algo difusa.T. No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos.L. foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático. continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal. não é imune a controvérsias. como de Geografia. quanto à sua relação com o poder central da república. A partir de 1990.Raimundo Faoro em seu prefácio à obra de Medeiros diz que estes personagens.T..L. geralmente sendo coordenada por um ministro de estado (Planejamento ou Fazenda). até a sua fusão no IBGE. criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo. um interessante trabalho de Geografia Política. Membros da elite. que utilizou fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. transferindo todos os seus funcionários. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu. dos intelectuais. fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. O órgão. Para o ano 2001. incorporaram-se ao aparelhamento do Estado. Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo.

também exerceu a presidência da casa entre 1986 a 1988 (num período particularmente turbulento. o segundo. controlando todas as estatísticas básicas de demografia. este trabalho se dispõe a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes que. foram também incluídos dois trabalhos compilatórios: o primeiro referenciado ao conjunto de leis e decretos que deram suporte jurídico ao Conselho Nacional de Geografia (IBGE.fbds. que lista boa parte da legislação externa e interna ao órgão como as resoluções das Assembléias Gerais dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia (AG/CNE e AG/CNG). coordenada por Icléia Costa (1998). será necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE.Além desses autores. a levantamentos socio-ambientais em escalas regional e nacional. emprego e renda. que foi montada a partir de 1934 ( decreto 24 609 de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936. da Junta Executiva Central (JEC). 1993). Para complementar o entendimento sobre o órgão durante os anos 90. pelo então presidente Simon Schwartzmwan (19941999) durante sua gestão. indo do levantamento geodésico e cartográfico até a confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas. consumo. A Rede de Coleta A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações. é importante considerar ainda os documentos elaborados em 1994. Antes porém. infra-estrutura. uma das poucas agencias governamentais no mundo. Esta complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações. a antiga e CD a atual). em que se operam todas as etapas de reconhecimento territorial. cobrindo todas as unidades da federação.htm). em função de problemas corporativos). à Cronologia do IBGE.org. que trataram especificamente sobre o papel do IBGE no contexto dos órgãos de pesquisa do Governo Federal do Brasil e que apontam para um projeto de criação de uma agência executiva controlada por um projeto de gestão (http://www. . por coincidência.1952) e. Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística. No campo das estatísticas. do Diretório Central (DC) e do Conselho Diretor sob duas siglas (COD. seu alcance é ainda maior. passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE.br/simon/relat. abarcando desde áreas de pesquisa ecológica em sua Reserva Ecológica do Roncador no Distrito Federal. produção. Tendo como marco inicial essas referências.

Até o final da década de 1980. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico.O processo de coleta de informações é iniciado nos escritórios centrais do IBGE. as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE como. que viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 30. tome-se como exemplo. em ambiente de banco de dados especialmente construídos para a operação. cartógrafos). chefiada pelo agente do IBGE e. Tais recursos tecnológicos possibilitarão a divulgação dos resultados preliminares do censo em dezembro de 2000. Para se ter uma medida do quantitativo desse pessoal especializado. pesquisa nacional de amostra por domicílio . e também que demandam pessoal especializado (estatísticos. Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos Estados.PME. a campanha da PNAD 96 que ocupou mais de 2. onde se encontra a Agência Estatística Municipal . pela primeira vez. Os questionários serão.INPC.000 pesquisadores em todo o Brasil. 1 Em grandes cidades e nas áreas metropolitanas a rede de coleta se estrutura de maneira mais detalhada subdividindo-se em Distritos e bairros. dependendo da importância desse município. 1 . lidos por processo óptico. poderia ter dezenas de funcionários.507 municípios recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro.PNAD. onde são planejadas as campanhas de coleta de informações e se estabelece no nível do município. pesquisa de orçamentos familiares – POF. agrônomos. a estrutura básica da rede era estabelecida pelo município. Esta rede foi uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE). pesquisa mensal de emprego .000 recenseadores para trabalharem em 5. economistas. o IBGE treinou 200. no Rio de Janeiro. conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística. Para a operação censitária de 2000. No distrito sede de um município localizava-se a agência de coleta (Agência Municipal de Estatística). por exemplo. Na atualidade. utilizando-se scaners e as informações contidas neles automaticamente testadas por programas estatísticos de verificação de consistência dessas informações. a pesquisa de índices de preços . utilizam contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados . São elas que se responsabilizam pela coordenação das agências de coleta localizadas nos municípios e pelas equipes que operam em pesquisas específicas.

um espaço físico para a AME. 1960). Juizados e Tabelionatos). na maioria dos casos. A agência. muitas vezes longo e penoso de profissionais como professores. sociais e administrativas do país. que coordena as atividades de coleta. ou pesquisadores que demandassem informações sobre o município e sua região limítrofe. de . inclusive estabelecendo uma planta baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação informações (Costa. Uma agência municipal de estatística sempre é criada através de uma relação de interesses entre o IBGE e os poderes municipais (Prefeitura. situadas em municípios com alguma centralidade. mapas regionais e estaduais. O livro de Joaquim Ribeiro Costa Manual do Agente Municipal de Estatística editado em 1960. na parte em que tratou dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística. Câmara dos Vereadores . que controlam as atividades administrativas da rede. como anuários. é o poder executivo quem mais se relaciona com o IBGE garantindo. No ano de 1990. reduziram a estrutura da rede de coleta para apenas 500 agências. funcionários das prefeituras. Atualmente. sobre o Estado e o município na qual a agência está localizada. em contato com a delegacia estadual ou escritório de informações situado na capital da unidade da federação podia solicitar material de divulgação para usuários moradores nos respectivos municípios. Para o idealizador da rede de coleta de dados. econômicas. Normalmente. a grande maioria das agências municipais são alugadas com recursos próprios do IBGE. Mário Augusto Teixeira de Freitas. além de uma coleção de obras gerais do IBGE. as grandes modificações por que passou o órgão. a AME deveria ser um misto de escritório de coleta de informações e de divulgação de dados sobre o IBGE. no capítulo IV Aparelhamento das Agências detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência padrão. uma biblioteca básica sobre a região e o estado. mas ainda existem casos de coabitação da AME em prédios pertencentes às prefeituras ou a algum outro poder municipal. Em cada DERE há uma unidade chamada Divisão estadual de pesquisas (DIPEQ). Esse processo de divulgação incluía um arquivo de dados sobre o município. e gerenciadas por oito departamentos regionais (DERE). evitando assim um deslocamento.A Agência Municipal de Estatística (AME) é a ponta de uma intrincada rede organizada no início dos anos 30 para prover o Governo Brasileiro de informações sobre as condições demográficas.

informações sobre a estrutura de sua população: idade.Atualmente. em todos os domicílios do país. é uma tarefa que envolve milhares de pessoas e muito dinheiro. . A Área de Estatística 2 Projeto de reestruturação da agencia visando uma otimização da rede de coleta. animais. nos anos 0. os censos econômicos Comercial e de Serviços) e. renda. o Departamento de Geografia da DGC organiza a regionalização do país em macro. escolaridade. o Censo Demográfico. Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE. foram iniciadas as pesquisas para uma futura reorganização espacial da rede de coleta. que são também utilizadas para o processo de divulgação dos dados estatísticos. No início de 1999. (Agropecuário. contabilidade. sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística. indo das pesquisas mensais até as anuais. isto é. A estruturação da logística censitária. que cobrem uma ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais. atividade profissional. no contexto do Projeto Presença do IBGE2. através da Diretoria de Pesquisas (DPE) e de campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade. movimentos migratórios etc. toda a rede reporta-se à Diretoria de Planejamento e Coordenação (DPC). sexo. por seu objetivo principal de contar todo o universo populacional brasileiro.somada às dificuldades de acesso aos estabelecimentos rurais nas áreas mais distantes. por sua complexidade de informações . nos anos 0 e 5. município e distrito). meso e micro regiões. O segundo. As duas mais complexas e caras campanhas censitárias são as dos censos demográfico e agropecuário. objetivando otimizar a logística de obtenção de informações. Quinqüenalmente e decenalmente. maquinaria. num país de dimensões continentais como o Brasil. a rede de coleta se amplia para dar conta das tarefas censitárias que cobrem. em função de estudos de acessibilidade das agências. mão de obra etc. Industrial. que é previamente orçado e aprovado pelo Congresso Nacional. A rede também possui fortes vinculações com a Diretoria de Geociências (DGC) através da organização dos mapas que configuram as Bases Operacionais Geográficas dos Censos (Demográfico e Econômicos). condições do domicílio. . tipos de energia consumida. levantar. Mapas que delimitam os setores censitários (urbanos e rurais) de todos os municípios brasileiros e que são sistematicamente atualizados antes de qualquer operação censitária.que envolvem conhecimentos específicos de produtos agrícolas. O primeiro. além das unidades de área institucionalmente conhecidas (Estado. Além disso.

ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração.É na área de Estatística. saúde. além de acompanhar tecnicamente as estatísticas das demais unidades da federação. informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação. como as dos estados do Sudeste e Sul com as dos estados nordestinos ou nortistas. estabelecendo metodologias. ao IBGE tentar "o equilíbrio entre o desejável e o possível" de que nos fala Nelson Senra no sub-título de seu trabalho.ENCE. Demografia e Análise de Dados. definindo novas pesquisas. juntamente com os ministérios militares). . as taxas de emprego e desemprego. principalmente após os anos 60 e 70. a partir de 1984. também. coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (a exemplo das estatísticas militares no período da 2 a Guerra. o índice de crescimento industrial e outros. Os exemplos dos índices de preços e de emprego / desemprego são alguns dos mais polêmicos. pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas. ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país. passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou decréscimo da economia nacional. que o IBGE organizou. o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas . acesso a serviços básicos de infra-estrutura etc. secretarias estaduais de planejamento. que analisa as estatísticas sob duas óticas: a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores) colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (Senra. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística / Informática e de Geodésia / Cartografia que eram muito disputados. universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado. renda. ampliou sua oferta oferecendo cursos de pós-graduação "latu-sensu" nas áreas de Amostragem. Sendo a Estatística a principal atividade fim do Instituto. Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas. Cabe. a Estatística também trabalha com indicadores sociais. portanto. Além dos indicadores econômicos. Cabe. como o índice de preços que estabelecia o índice de inflação. quando as pesquisas econômicas conjunturais. representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE) que o IBGE apresenta a sua imagem mais clara para a sociedade. fundada em 1953 e que. 1998). emprego. Os principais problemas inerentes a este papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra.

além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . Ademais. A atuação do IBGE na formação e qualificação profissional. alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa. com as resoluções da Junta Executiva Central (JEC) do Conselho Nacional de Estatística organizando estágios. instituindo o primeiro curso anual de aperfeiçoamento estatístico. que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou. que determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. que iniciou seus trabalhos em 1937 no bojo do Conselho Nacional de Geografia. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE. definindo níveis de aptidões para o ingresso na carreira e. A Área de Geodésia e Cartografia A Geodésia. definidos por resoluções do Diretório Central do Conselho Nacional de Geografia visando a dois públicos alvo: os professores do ensino primário (atual 1 a 4 série do primeiro grau) e professores do ensino secundário (antigos Ginasial e Colegial. os primeiros Cursos de Informações Geográficas foram ministrados em 1946. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. juntamente com as demais forças armadas. com a estruturação das redes altimétrica. ainda. foram ministrados cursos especiais para atualização de professores universitários. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. que se tornaria o embrião da futura ENCE.Em 1993. Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. Na área da Geografia. 1: 100 000. planimétrica e gravimétrica. Em caso de litígios entre essas unidades. os parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. levando em consideração as negociações entre as partes. tanto na escala municipal quanto na estadual. realizado e organizado pela área de Cartografia que. em 1939. 1: 250 000. 1: 50 000. tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional. entretanto. O segundo grupo era composto de professores que deveriam possuir diploma de curso superior. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. é atribuição da área dar apoio técnico às operações de mapeamento das a a o a a . assume sua especificidade em 1945. e 1: 25 000. normalmente arbitrados pelo poder judiciário. É também o IBGE. Posteriormente. atuais 5 a 8 série e 2 Grau). Um detalhamento maior dessas atividades de aperfeiçoamento na Geografia será dado na parte V deste trabalho. vem desde 1937.

que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede Internet). Três outros tipos de incumbência interessantes de que a Cartografia participa fortemente são: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas. para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração (o exemplo dos municípios fluminenses situados frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante). a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil. na década de 60. que garante a distribuição dos royalties provenientes da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira. Cabe também ao órgão auxiliar o Ministério das Relações Exteriores. vegetação). encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. por sistemas eletrônicos. no acompanhamento dos limites internacionais. constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão. até o início da década de 40. hidrografia. os quais são atualmente utilizados em organização de Atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados (que vão de informações alfa numéricas simples a complexas imagens e sons em tempo real. .IBM (sistema 1401). que estabelece a produção de bases digitalizadas visando o georeferenciamento de pontos e linhas que impõem limites entre áreas (setores censitários. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. municípios. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas. unidades federadas). que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE. quando solicitado.Bases Operacionais Geográficas dos censos. para fins de demarcação das proporcionalidades de área. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática. componentes da infra-estrutura (estradas. distritos. A partir da década de 70. tanto estatísticas. ferrovias. Área de Informática Todas essas informações. a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional. deve-se consultar o trabalho de Francisco Romero Freire (1993). adquiridos à Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e à International Busines Machines . Entre os anos 40 e 50. além da cooperação com as da Força Aérea. quanto cartográficas ficam disponibilizadas em bancos de dados que. Para uma visão histórica desses processos. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano. foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e.

com capacidade de 2.CDDI.2 Gigabytes de memória central e equipado com discos que podiam armazenar 242 Gigabytes de informação.84 GBYTES por endereços (50.665 cilindros). A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada. 104 canais com taxa de transferência de até 4. Além disso.339 cilindros). memória CACHE de 256 MBYTEs.IBI e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações . O computador central é hoje.89 GBYTES por endereço (39. portanto. a Diretoria de Informática . no caso de falta de energia .89 GBYTES por endereço (39825 trilhas e 2. onde já estão instaladas 1706 estações de trabalho.825 trilhas e 2. estando em elaboração a nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta.DI.O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE. por um período de até 48 horas. o sistema gerencia mais 92 servidores e 1221 estações de trabalho localizados nas unidades do IBGE em nível de capital de estado e no Distrito Federal. onde a utilização de grandes computadores é prioritária. O sistema que operava em 1994 era um IBM 9021 com 1. e 512 Mbytes. Quatro (4) unidades de discos IBM-3380 modelo AK4 com quatro endereços por unidade. criado em 1989. mais um servidor que executa tarefas específicas que exigem grande . capacidade de 1. O processador opera com 60 mips (milhões de instruções por segundo) e possue o dispositivo PRSM que permite sua divisão em partições lógicas de processador. A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte.665 cilindros). O sistema que passou a operar em 1998 está composto por Um (1) IBM-9672 modelo R32 (triprocessador) com 192 Mbytes de memória central e 1024 Mbytes de memória expandida. Duas controladoras IBM-3990 modelo G03 com memória CACHE de 32 Mbytes e duas controladoras IBM 3990 modelo G06. As memórias CACHE permitem otimizações nas operações com os discos magnéticos e são preservadas com auxílio de baterias. qualificado para trabalhar com programas pesados. Este novo sistema sustenta uma grande rede de 44 servidores localizados no Rio de Janeiro que já integram uma arquitetura de 2180 pontos de rede.5 Mbytes/segundo. principalmente os que operam com grandes massas de dados. Dezesseis (16) gavetas IBM 9392-B13 emulando 64 endereços de discos IBM 3390. e ser acessado por 2 000 terminais remotos. Doze (12) unidades de discos IBM-3380 modelo BK4 com quatro endereços por unidade e capacidade de 1.085 trilhas ou 3. criada em 1971 com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática .

além do gerenciamento da rede. como no caso de sua nova loja virtual que vende os produtos do órgão na grande rede . em 1943 a obra de Fernando de Azevedo A Cultura Brasileira . os lançamentos a . uma extensa obra sobre os problemas educacionais brasileiros em dois volumes. além do uso intenso da rede Internet. onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE. como os disquetes e CD-ROMs e DVDs. está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e de suas relações com as demais áreas da casa. que compilou desenhos de Percy Lau e Barboza Leite sobre os mais diferentes aspectos da vida. É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade. a coleção de Tipos e Aspectos do Brasil. Essa pesquisa. por exemplo. e no ano 2000.um dos mais completos retratos da evolução da sociedade brasileira feitos após a revolução de 1930. criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. costumes sociais e atividades profissionais de diversas regiões brasileiras (IBGE. os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão. em 1941.capacidade de memória como.espalha-se obrigatoriamente até aos escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs). Nos anos 50. durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. utilizando tanto a linguagem técnica. 1941). por ocasião da Primeira Conferência Nacional de Educação (IBGE. É também no CDDI que se encontra a área da Memória Institucional. rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações. quanto cultural. 1975 10 ed. Por exemplo. Área de Disseminação de Informações Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de propagar as informações coletadas ou geridas pelo órgão. através dos SDDIs localizados nas capitais estatuais e na maioria das agencias de coleta.). por exemplo. No caso da disseminação de obras culturais. Por ocasião do lançamento dos resultados do Recenseamento Geral do Brasil de 1940. e seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico. Sua estrutura de atendimento .além das mídias inseridas na Internet. como no caso do recente lançamento do site IBGE Teen e a preparação de um novo site para o público infantil (IBGE Kids). foram editadas obras que referenciavam o IBGE com áreas da educação e da cultura. Além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e estudos que são distribuídas pelos seus pontos de vendas tradicionais. situadas em cidades médias. através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público adolescente.

Rubens Gerchman. Este livro. Anna Bella Geiger. quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior. tanto no contexto físico.da coletânea Brasil 500 anos de povoamento . Por fim. para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. É importante. pois ocupará a maioria dos capítulos subseqüentes. como fica evidente nos trabalhos de Lia Osório Machado. Embora a Geografia brasileira. pelo uso de links com o sumário e a possibilidade de impressão seletiva das páginas pesquisadas. 2000). A segunda necessidade foi sendo organizada mais lentamente. sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (Machado. que poderiam elevar os custos do processo. entretanto. tanto em campo. ricamente ilustrado com imagens de pinturas e gravuras de artistas renomados como Anita Malfatti. assinalar que sua incorporação ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras foi. na medida em que os novos geógrafos eram formados na Universidade e adquiriam experiência profissional. nos anos 30. a edição fac-similar da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros em CD ROM. Área de Geografia A área da Geografia foi propositadamente deixada para o final. o resultado de duas necessidades com as quais o Governo Federal se ressentia nos anos 30: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro. onde os 36 volumes foram reduzidos em 18 CD ROMs.1995 e 1999). a fim de possibilitar uma navegação mais rápida. Manabu Mabe. Eram necessidades que garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas. evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais. quanto no humano e econômico. fundamentalmente. Tadashi Kaminagai. já possuísse um razoável lastro. A primeira necessidade vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940. além de ilustrações históricas e mapas de época e de fotos do acervo da Memória institucional do IBGE que retrataram as múltiplas facetas desta saga de ocupação do território brasileiro (IBGE. que obrigou a todos os municípios montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940. sua sistematização e aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não havia sido tentada. . foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937. onde 11 historiadores especializados em “nações” que povoaram o Brasil escreveram artigos sobre seus respectivos objetos de pesquisa.

são o engenheiro Cristóvão Leite de Castro. que ingressou em julho de 1938. na época. ainda lúcido e produtivo. quanto as orais de quem viveu partes do processo . O último capítulo introdutório estabelecerá um pano de fundo cronológico. posteriormente. Os dois primeiros deram seus respectivos depoimentos ao CDDI em ocasiões diferentes. chefe da Secção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. transferida para formar o núcleo inicial do Conselho Brasileiro de Geografia em 13 de outubro de1938 (IBGE. assim como o professor Miguel Alves de Lima. por convite de Cristóvão e foi oficialmente contratado em 1 de outubro do mesmo ano e o. que se desenrolou ao longo desses 60 anos. tornou-se geógrafo.É justamente sobre a participação do IBGE na história da estruturação do tanto as fontes documentais. e objetiva orientar temporalmente o leitor na saga da Geografia e dos Geógrafos do IBGE. o . foram utilizadas Os três profissionais que vivenciaram a fase inicial (1937-1938) de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). foi posteriormente entrevistado especialmente para esta pesquisa. sendo que o professor Valverde. desenhista Miguel Alves de Lima que. o geógrafo Orlando Valverde. para isso. Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro (SPTB) que este trabalho versa e.1952:74).

como no caso do General Juarez Távora no Ministério da Agricultura. quanto no Rio de Janeiro. em 1933. marcadamente. de maneira geral. que vieram iniciar suas carreiras de pesquisadores aqui.O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE O principal objetivo deste capítulo é fornecer um quadro de referência que oriente o leitor não familiarizado com a história da Geografia no IBGE. Pierre Mombeig e no Rio de Janeiro a figura de Pierre Deffontaines. 1933 a 1938 . principalmente no que se referiu à indicação de jovens professores franceses. É importante ressaltar ainda a vinda ao Brasil. além das políticas de recursos humanos. tanto em São Paulo. foram definidos 13 períodos de tempo (com uma introdução que referencia aos cinco anos anteriores a 1938 e mais aos doze restantes). as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. embriões do IBGE ( Presidente da República – Getúlio Dorneles Vargas 1930-1937. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/ 1936 . foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial. . o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte nos campos científico e tecnológico são os de maior peso.III . No caso de São Paulo. Sua posição como Presidente da União Geográfica Internacional (UGI) garantiu as tratativas de organização dos cursos superiores formais de Geografia. após a Revolução de 1930. considerado um dos mais importantes geógrafos da França. como a criação de novos Ministérios (Trabalho.A Fase Introdutória de Criação do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia. uma fase de estruturações/restruturações da máquina governamental federal. No lado técnico do novo governo. criador do Instituto Nacional de Estatística e principal emulador do processo de organização de uma agência que dará subsídios cartográficos ao aparelho estatístico brasileiro. escalas de análise e áreas. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. Revolucionários de primeira hora são colocados em postos-chave..) O contexto político é marcado pelas ações centralizadoras da primeira fase do Governo Vargas. Educação/Saúde e Indústria e Comércio). Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia CNG – Christóvão Leite de Castro 07/04/1937 . além de iniciar o processo de criação de um futuro núcleo de pesquisadores em Geografia lotados no Governo Federal. Na tentativa de demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. É. onde seus respectivos títulos informam. vindo do Ministério da Educação e Saúde Pública. Em âmbito interno. deve ser destacado o do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. No âmbito externo ao IBGE. em termos cronológicos. Para tal. de Emmanuel de Martonne. determinadas conjunturas tanto de cunho externo. quanto interno à Geografia ibegeana.

) Esse período se dá no contexto do Estado Novo até a primeira queda de Vargas. para não mencionar algumas transferências feitas entre Ministérios. O contexto epistemológico da época era referenciado pela escola francesa de geografia. Este processo se consolida. quanto da Universidade. . Orlando Valverde é contratado em 1938. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 . (ver anexos documentos históricos) A figura do geógrafo francês Pierre Deffontaines torna-se a mais importante referência de formação profissional desse período e irá. inclusive formando seu primeiro núcleo técnico. elaborada por Fábio de Macedo Soares Guimarães e colaboradores que. além de auxiliar nas tratativas diplomáticas para inclusão do futuro órgão na União Geográfica Internacional (UGI) e criar a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB).. através da influência de Emmanuel de Martonne. com os Conselhos Nacional de Estatística e de Geografia entrando em funcionamento em 1938. posteriormente. Jorge Zarur. Pierre Deffontaines e de Pierre Monbeig que. influenciar fortemente o próximo. • 1938 a 1945 . além de organizadores de cursos nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. com a vinda de Francis Ruellan. através do crescimento da burocracia estatal.chefiado por Cristóvão Leite de Castro e já contando com as presenças de Fábio de Macedo Soares Guimarães. enfatizando a centralização administrativa e ampliando os níveis de responsabilidade federal. foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos do Brasil. 1974:96-98) e Teixeira de Freitas permitiram que o setor de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura . professor francês que orientou e treinou dezenas de geógrafos. como secretário do Conselho Nacional de Geografia. ainda.fosse transformado em um novo Conselho Brasileiro de Geografia. incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e instalado solenemente em 01 de julho de 1937.As relações entre Juarez Távora (Távora. além de servir de base para a divulgação de dados estatísticos. Miguel Alves de Lima entre outros . Em 1941 foi adotada uma divisão regional do Brasil. entre 1940 e 1956. tanto do CNG. ao preparar os cursos iniciais das primeiras turmas de Geografia da Universidade do Distrito Federal (UDF) e orientar metodologicamente os objetivos do que seria o futuro Conselho Brasileiro de Geografia. é o pano de fundo que referencia à criação do IBGE em 1937 e à reestruturação da nova agência. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 20/05/1936 . É a primeira contratação do novo órgão. A determinação de Getúlio Vargas em criar novos padrões de governo.Estruturação inicial do Conselho Nacional de Geografia no contexto político do Estado Novo: os primeiros trabalhos de referência e as primeiras ações de aperfeiçoamento do pessoal (Presidente da República – Estado Novo– Getúlio Dorneles Vargas 1937-1945.

José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern.2 abr/jun 1941). nunca foi interrompido. Pedro Geiger. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/1936 – 30/01/1951. (RBG v. embora o texto mantivesse a estrutura criada por Vargas. onde estuda pesquisa de campo. articula com as autoridades americanas e o IBGE a ida de geógrafos brasileiros para cursos de aperfeiçoamento em Geografia. pois ainda repercutiam as conseqüências da deposição de Vargas em outubro. Em 1942 Jorge Zarur segue para os Estados Unidos para aperfeiçoamento na Universidade de Winsconsin.de um grupo de cinco geógrafos do IBGE indicados por Francis Ruellan (Miguel Alves de Lima. onde gradua-se como Master of Arts em 1943. Ao mesmo tempo. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. Por conta dessas articulações. Com esse grupo. É importante lembrar que eram os meses finais da Segunda Guerra e que a Europa ainda não podia arcar com a estada de alunos estrangeiros.As demandas do pós-guerra e a introdução de um aparato epistemológico na pesquisa (Presidentes da República – José Linhares 1945-1946 e Eurico Gaspar Dutra 19461951. ao longo desses 60 anos. • De 1946 a 1950 . sua substituição por José Linhares e a eleição do General Eurico Gaspar Dutra em dezembro de 1945. No campo do conhecimento geográfico. Abria-se. um campo novo para a absorção de conhecimentos da escola americana de Geografia. os fatos mais importantes foram a vinda de Leo Waibel em 1946 e a ida para a França -recém saída da guerra. é promulgada uma nova Constituição que recoloca o país na democracia. em 1945 seguem para os Estados Unidos cinco geógrafos do IBGE com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e de planejamento regional: Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. Miriam Mesquita. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 – 12/07/1950) O contexto político-institucional da época era bem turbulento. Elza Keller. . em setembro de 1946.foi também o embrião de uma idéia de planejamento espacial para o governo federal. Além disso. portanto. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível que.3 n. o que garantiu a manutenção da estrutura do IBGE durante o novo governo. indo posteriormente para a Universidade de Chicago. um executivo ampliado e altamente centralizado. isto é.

O Homem e a Guanabara e O Homem e a Serra. pois além do artigo de Jones. conseguem que o CNG do IBGE convide Leo Waibel para trabalhar no Brasil. escreveu quatro grandes obras para o CNG: O Homem e o Brejo.Héldio Xavier César). Esse mesmo grupo. criando-se assim uma nova matriz epistemológica a somar-se com a francesa. objetivando estabelecer a posição da cidade. foi Alberto Ribeiro Lamego que. em que ele avaliava sinteticamente seus estudos no Brasil. Com o crescimento do nazismo. o grupo de Francis Ruellan. tendo como relator Fábio de Macedo Soares Guimarães (RBG v. jul/set 1950 ] por sinal. Além dos geógrafos de formação. por intermédio de Cristóvão Leite de Castro. O Homem e a Restinga. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” RBG 12 (3). O vasto conhecimento de Waibel em Geografia Agrária ampliou os horizontes de um grupo seleto de geógrafos do CNG que trabalhava com o processo de colonização sob demanda do governo federal. o IBGE recebia também outros profissionais que se mostravam capacitados a elaborar estudos geográficos.fase de consolidação da Geografia do IBGE e o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional . onde tinha sido diretor do Instituto de Geografia. que também lecionava na Universidade do Brasil. Waibel emigra para os Estados Unidos e vai lecionar em Wisconsin. Um ótimo exemplo de profissional de geologia que sabia escrever sobre os processos de ocupação humana em termos espaciais. Nesse projeto atua.11n. • De 1951 a 1956 . estavam lá um artigo de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa – RS. um número que se tornou clássico para o tema. Leo Waibel vem trabalhar em pesquisa geográfica exclusivamente no IBGE. Jones (1948) e Preston James (1949) também vieram pesquisar e treinar os técnicos do IBGE. em 1947. diferentemente de Francis Ruellan. com doutoramento em Hidelberg e tinha passado pela Universidade de Bonn. composto de profissionais do IBGE e alunos do curso de Geografia da Universidade do Brasil.4 out/dez 1949). elabora um plano de mudança da capital federal. onde conhece Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde que. Waibel era alemão. e o de Leo Waibel. no período compreendido entre 1940 e 1950. por ocasião de suas estadas no Brasil. os americanos Clarense F. (colocar o artigo de Cybele de Ipanema) Os americanos Clarense Jones e Preston James também trabalharam bastante no tema [ colonização. sob a orientação de Waibel. também. Nos anos seguintes. que já era tradicional. O objetivo desses estudos era a escolha de um sítio físico otimizado para a futura capital.

Carlos Luz e Nereu Ramos 1955-1956 e Juscelino Kubitschek 1956Presidentes do IBGE – Djalma Poli Coelho 02/05/1951-09/09/1952. iniciado em janeiro de 1951. Florêncio Carlos de Abreu e Silva 15/09/1952-21/09/1954. entre 1951/1952. posteriormente. e de idéias conflitantes com as que geriam as atividades estatísticas do IBGE. Bahia . Keller o nível de alta qualidade que haviam alcançado os profissionais do IBGE.Fernando Flávio M. pois apenas três autores estavam fora do quadro da . Luís Eugênio Peixoto de Freitas Abreu – 03/10/1952–13/02/1953. após novas eleições.um Engenheiro Cartógrafo muito ligado ao Serviço Geográfico do Exército. Em 1954 uma crise política leva Getúlio ao suicídio. na sua exoneração e no seu prematuro falecimento. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro . através de uma vitória eleitoral que quase alcançou a maioria absoluta.Ary França ( Universidade de São Paulo ) 4.Lysia Bernardes 6. onde o CNG foi um dos principais membros da Comissão Organizadora Nacional. A publicação dos nove Guias de Excursões do Congresso mostrou instituição. Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo . Almeida e Miguel A. ainda referenciadas à figura de Teixeira de Freitas (aposentado em 1948) acabou por gerar uma crise de poder com o CNE. A industrialização e a conseqüente urbanização haviam alcançado escalas nunca vistas e uma classe média urbana começava a surgir. O novo período Vargas. Secretários Gerais do CNG – Virgílio Corrêa Filho – 12/07/1950–28/04/1951. Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense . encontra um Brasil diferente daquele do Estado Novo. Edmundo Gastão da Cunha – 03/05/1951-29/09/1952. estruturado por Hilgard O’Reilly Sternberg da Universidade do Brasil. de Lima 2. 1. como política econômica.Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes 5. Juscelino Kubitschek é eleito. a nomeação do General Djalma Polli Coelho . Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce . No IBGE. Fábio de Macedo Soares Guimarães – 30/09/1954-22/11/1956 ). José Carlos de Macedo Soares 17/11/1955-03/05/1956. Elmano Gomes Cardim 27/09/195417/11/1955. a matriz francesa ainda continua em evidência e o acontecimento mais importante do período é a organização do XVIII Congresso Internacional de Geografia no Rio de Janeiro. O conceito desenvolvimento nacional torna-se prioridade nas discussões da sociedade e o nacionalismo. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras .Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. iniciando um novo governo transitório até 1956 quando. João Café Filho 1954-1955. No panorama dos estudos geográficos. Deoclécio de Paranhos Antunes – 14/04/1953-27/09/1954.(Presidentes da República – Getúlio Dorneles Vargas 1951-1954. o que resultou em inquérito administrativo e.Ney Strauch 3. Vale do Paraíba. José Veríssimo da Costa Pereira – 13/02/1953 –14/04/1953. toma forma nas campanhas de criação da Petrobrás e Eletrobrás.

sendo eles os responsáveis pelo gerenciamento dessas obras organizadas no final dos anos 50. as coleções Grandes Regiões. A EMB foi uma obra ciclópica que envolveu um grande número de profissionais de diversas disciplinas. Aguinaldo José de Senna Campos 10/04/1964Secretários Gerais do CNG . com a decisão de construir a nova capital. Rochefort inicia seus contatos com os geógrafos do IBGE sobre sua pesquisa de doutorado em métodos de trabalho sobre redes urbanas e Jean Tricart amplia os métodos de pesquisa em Geomorfologia tropical.) .Porto Velho. através dos professores Michel Rochefort e Jean Tricart. com industrialização acelerada.Belém e Cuiabá . o novo Distrito Federal.A transição entre as demandas por interiorização e as questões industriais do período desenvolvimentista de JK (Presidente Juscelino Kubitschek 1956-1961.Orlando Valverde • De 1956 a 1961 .Mário Lacerda de Melo ( Faculdade de Filosofia de Pernambuco) 8. José Joaquim de Sá Ferreira Alvim 13/11/1961-01/10/1963. René de Mattos 06/04/1964.08/05/1956-31/12/1961. • De 1961 a 1965 . O Congresso Internacional de Geografia ocorrido no Rio de Janeiro em 1956 estreitou ainda mais os laços entre a Geografia francesa e os geógrafos do IBGE. Roberto Bandeira Accioli 14/10/196331/03/1964. Ranieri Mazilli 1964 e Humberto de Alencar Castelo Branco 1964.7. Nordeste . o CNG lançou um conjunto de obras. Como reflexo ainda dos esforços empreendidos na realização do Congresso Internacional de Geografia de 1956. Planalto Meridional do Brasil . Speridião Faissol 09/12/1958-10/02/1961) A era Kubitschek inaugura uma linguagem nacionalista sem xenofobismo.Lúcio de Castro Soares 9.Waldir da Costa Godolphim 21/11/1961-21/10/1963 . além das estradas Brasília . ampliação da capacidade de geração de energia e das redes de transporte. Presidentes do IBGE – Rafael da Silva Xavier 10/02/1961-09/11/1961. Waldir da Costa Godolphim 14/04/1964-06/10/1964.Subsídios para o planejamento territorial e a ‘descoberta’ da urbanização brasileira: o divórcio entre as geografias física e humana (Presidentes da República – Jânio da Silva Quadros 1961. Lideravam a área de Geografia os geógrafos Speridião Faissol como Secretário Geral do CNG e Antônio Teixeira Guerra na Divisão de Geografia. Atlas do Brasil e a Carta do Brasil ao Milionésimo. que talvez tenha sido o maior e mais completo conjunto de trabalhos geográficos sobre o Brasil em um curto espaço de tempo: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. agora.Speridião Faissol 21/11/1963-06/04/1964. Presidente do IBGE Jurandir Pires Ferreira . Amazônia .. além de introduzir um componente geográfico importante: a marcha para o interior. João Belchior Dias Goulart 1961-1964. Brasília em um quadrilátero situado no estado de Goiás. Secretário Geral do CNG – Virgílio Corrêa Filho 22/11/1956-08/12/1958.

a seqüência de dois governos militares . O trabalho de Lysia Bernardes sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (1964) é. sem dúvida. É uma fase altamente conturbada. os profissionais de Geografia Urbana e Regional do CNG estabeleceram um padrão de conhecimento sobre a estrutura urbana brasileira que. forças populares. o Brasil entra na efêmera era de Jânio Quadros. político de desagregação. emolduram o período como um dos mais conturbados da República. de franca recuperação. porém traumático "intermezzo" sob a Junta Militar. criou dois tipos de clima: um econômico.Secretários Gerais do CNG. Como resultado natural dos ensinamentos de Michel Rochefort. O processo de planejamento voltouse para si iniciando um período de reciclagem. uma das mais importantes pesquisas feitas nesse período. uma análise do arcabouço urbano do Brasil objetivando a determinação de pólos de desenvolvimento. foi solicitada ao IBGE.Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão – 1968 . Miguel Alves de Lima 24/04/1967-05/09/1967. Lúcio de Castro Soares 05/09/1967-06/09/1967 – Diretor Superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia Miguel Alves de Lima – 06/09/1967. poderiam ter..Agnaldo Senna de Campos – 10/04/1964-03/04/1967. ao se valer dos ensinamentos de Michel Rochefort no trato de problemas sobre sistemas de cidades. República Sindicalista. imperialismo. capital estrangeiro. pelo Ministério do Planejamento. subversão. o surgimento da guerrilha e sua conseqüente repressão por parte do governo.além de um rápido. comunismo.René de Mattos 06/04/1964-24/04/1967. eram constantes na imprensa e nas conversas.A integração do IBGE ao modelo de desenvolvimento urbanoindustrial e sua primeira grande mudança administrativa (Presidentes da República – Humberto de Alencar Castelo Branco – 1967.Castelo Branco e Costa e Silva . Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967. e outro.. fora do IBGE.Após o período desenvolvimentista de Kubitschek. .) No plano político-institucional. poucos. Expressões como Reformas de Base. É o período em que se inicia o divórcio entre a Geografia Humana e a Geografia Física. Em conseqüência deste fato. Os trabalhos de Jean Hautreux e Michel Rochefort sobre a rede urbana da França são absorvidos pelos geógrafos urbanos e regionais do IBGE que adotam esse método de estudo: a determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional através da análise do setor terciário das cidades envolvidas. carregada de ideologias e extremismos. A sucessão de Atos Institucionais. • De 1965 a 1969 . transita nas indefinições de João Goulart e cai nas malhas dos Governos Militares. Junta Militar 1969 e Emilio Garrastazu Médici 1969Presidentes do IBGE. com o crescimento da importância dos estudos urbanos e industriais nos programas de planejamento de governo. Arthur da Costa e Silva 1967-1969.

Instituto Brasileiro de Estatística . Na área de Geografia sua sucessora é Marília Galvão. essencial à produção cientifica.IPEA) instituído em 1966. Neste período. então. Sua influência é percebida até o final dos anos 60. a liderança de Lisia Bernardes na Geografia do IBGE é a principal referência.Turbulência epistemológica: a matriz francesa vs matriz anglosaxônica (Presidentes da República – Emílio Garrastazu Médici 1969-1974 e Ernesto Geisel 1974. quando transfere-se para o IPEA e inicia sua carreira de planejadora do governo federal e.IBE.. que culminou em 1967 com a mudança do IBGE de autarquia para Fundação.1968.) No que concerne ao quadro político-institucional. Instituto Brasileiro de Geografia . Além de influir nas pesquisas que modificaram a divisão macrorregional em 1970 e nos primeiros trabalhos de determinação das áreas metropolitanas brasileiras. o declínio das liberdades individuais e de opinião afetou uma parte da população. a gozar de autonomia administrativa e financeira e reporta-se ao Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica (Ministros Roberto Campos e Hélio Beltrão).Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967-24/03/1970 e Isaac Kerstenetzky 24/03/1970. orientada pelo governo militar e executada pelo binômio Empresas Estatais/Empresas Privadas. liderado agora por Speridião Faissol. inicia-se o envolvimento com a Geografia Quantitativa e com a teoria centro-periferia. comprometendo seriamente o clima necessário às discussões. os governos militares iniciam um projeto de reforma do Estado. No final desse período. No contexto político-administrativo. acrescido do fato de o aparelho repressivo de governo tornar-se um poder paralelo. Inicialmente composta por órgãos autônomos . Diretores Superintendentes do IBG – Miguel Alves de Lima 06/09/1967. Brian Berry e John Friedmann que visitam o IBGE (1969) e estruturam uma ligação forte com o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) do Departamento de Geografia.Esse convênio CNG-EPEA (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada.. Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão . A nova Fundação passa. no governo do Estado do Rio de Janeiro. Presidentes do IBGE. . Cole.IBG e Escola Nacional de Ciências Estatísticas . • De 1970 a 1974 . posteriormente. acentua-se a dicotomia entre a pujança econômica. gerou dois estudos sobre o processo de regionalização: Subsídios à Regionalização (1968) e Regiões Funcionais Urbanas (1970).ENCE. através de John P. Além disso. posteriormente transformado em Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada .11/10 /1971. que assume o Departamento de Geografia em 1968 e faz grandes modificações administrativas nas chefias.

com a sistematização dos censos econômicos e da ampliação das pesquisas anuais e mensais. Realiza-se no Rio de Janeiro. inicia-se o período de expansão de seus quadros técnicos. A Geografia física no IBGE praticamente se retrai. o novo patamar que poderia ser alcançado pela geografia perante as outras disciplinas. Em 1972 o processo de transformação do IBGE em Fundação. com isso. transferida para outra agência do Ministério do Planejamento (IPEA). a liderança de Speridião Faissol como responsável pelo Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) tomou o lugar de Lysia Maria Cavalcanti Bernardes. uma substancial ajuda inicial. contribuindo para o gradual obscurecimento da escola francesa “Rochefortiana” no IBGE dos anos 70. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. são editados a maioria dos trabalhos de Speridião Faissol sobre as diversas dimensões do sistema urbano brasileiro. versus o tremendo esforço de aquisição das précondições.Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE). . em particular. Nessa época. utilizando técnicas quantitativas variadas. são alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou a Geografia brasileira. esse é um período interessante. mas continua forte nas universidades. nutrição. onde misturamse dúvidas e certezas sobre qual opção seguir. um Encontro da Comissão de Métodos Quantitativos da União Geográfica Internacional. Ademais. O sabor do novo. principalmente nas áreas de emprego e renda. São adquiridos novos sistemas computacionais e se amplia o banco de dados do IBGE. No ambiente interno do IBGE. Devesse ressaltar que. finanças públicas e preços ao consumidor. versus o risco da troca entre o certo e o duvidoso. a serem analisados no decorrer deste trabalho. indústria. sendo o Brasil um país de grande extensão e com diferenciações espaciais significativas. a fim de superar alguns problemas de ordem técnica. IBGE e UFRJ. principalmente no que se referia aos algoritmos e softwares que deveriam ser implantados nos computadores de grande porte da PUC-Rio. A segunda coleção Geografia do Brasil sobre as Grandes Regiões é editada em 1977 e os capítulos sobre Agrária e Urbana são baseados obrigatoriamente em análise fatorial e de grupamento. condicionadas por conjunturas diversas. principiado em 67. em geral. é criado o Instituto Brasileiro de Informática (IBI) como a terceira grande área técnica do IBGE em 05/04/1971. era de grande interesse para esses geógrafos testar seus estudos aqui. e a do IBGE. Houve por parte dos geógrafos estrangeiros vinculados a essa abordagem metodológica. Estabelece-se sob a gestão Kerstenetzky grandes modificações no campo das Estatísticas econômicas e sociais. em 1971 (na ENCE . se concretiza em termos financeiros e.Na arena de debates metodológicos da Geografia.

O Terceiro Encontro Nacional de Geógrafos realizado em Fortaleza em 1978 dá início a um movimento de conflito com a Geografia Quantitativa que. Speridião Faissol 1979-1980.A economicização da Geografia e a politização da economia: Quantitativa vs Marxismo (Presidentes da República – Ernesto Geisel 1974-1979 e João Batista de Oliveira Figueredo 1979. A solicitação do Presidente Geisel ao IBGE para a determinação do limite que dividiu em dois o Estado do Mato Grosso em tempo recorde e sob o mais absoluto sigilo. o que retardou ainda mais a possibilidade de se avaliar com isenção. repentinamente abortado com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE em 1979. pois se misturavam às discussões. questões ideológicas e pragmáticas. Pedro Geiger 1977-1979. status e conhecimento. a aceitação dos programas gerenciadores de Sistemas Informação Geográficos (SIGs). Jesse de Souza Montello 29/08/1979. embora com sérios problemas na área política e militar.Marília Galvão 19681977..) Do ponto de vista político-institucional. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova extravasou para outras questões políticas. o Governo Geisel também apresentou-se dicotômico.No início do período (1971) é assinado um grande convênio com o Ministério da Educação para avaliação do sistema de ensino superior brasileiro. marcaram um tempo de trocas interessantes entre as duas disciplinas. o que obrigou o general a intercalar medidas duras à esquerda e à direita. Roberto Lobato Corrêa 1980. sofria de um problema de identidade. em virtude da escassa massa crítica de pesquisadores com conhecimentos de Estatística. a essa altura. necessários ao desenvolvimento da metodologia. a vinda de economistas estrangeiros como Werner Baer e Samuel Bergsmann para trabalharem no Departamento de Geografia com Pedro Geiger sobre o processo de industrialização/urbanização e a questão das desigualdades regionais brasileiras. No IBGE. • De 1975 a 1980 . Inicia-se o último grande estádio de contratações que se estenderá por toda a década de 70. porém.. O “pacote de abril” e o episódio da exoneração do Ministro de Exército General Sylvio Frota foram os exemplos mais marcantes do período. no campo da Geografia física. posteriormente. que. com uma boa estrutura de planejamento. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. é interessante assinalar. Chefes do DEGEO . o período. Presidentes do IBGE – Isaac Kerstnetzky 24/03/1970-29/08/1979. de . Matemática e Computação. e mesmo pessoais. Porém. a introdução dos métodos quantitativos foi muito mais tranqüila e praticamente sem grandes conflitos metodológicos. o que garantiu. dá uma medida do seu estilo autocrático de governar. esforços de aprendizado e carreirismo.

do adulto e do velho Marx”. assim como de outros pensadores do Materialismo Histórico. Em resumo:como farsa ou não. resultante tanto do endividamento efetuado por Geisel. Solange Tietzmann Silva 1985. No campo científico o ambiente torna-se pesado. algo caótico através da leitura e sabatina dos principais textos do “jovem. Saíam de cena expressões como “a negentropia macroscópica” e a “spatial field theory” e assumiam o comando frases como “a formação social historicamente determinada” e a “teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por Willian Bunge em 1973 na The Professional Geographer v. Chefes do DEGEO Roberto Lobato Corrêa 1980-1985. a História se repetia. mostrou sinais de melhoria. Como resultado da crise econômica. iniciado em 1979.73 . João Batista de Oliveira Figueiredo. encontra o país mergulhado em profunda recessão.A marginalização do planejamento e suas conseqüências na Geografia do IBGE (Presidentes da República – João Batista de Oliveira Figueredo 1979-1985. . para garantir uma indústria substituidora de importações. mesmo que tais leituras não fizessem o menor sentido com o que se estivesse trabalhando na escala do “real-real” (expressão muito utilizada por Aluízio Capdeville Duarte).XXV n. as áreas de planejamento do governo federal entraram em regime de emagrecimento forçado e o IBGE foi uma delas. pois agora era uma questão tranqüila deixar para os teóricos o trabalho de encontrar um conjunto metodológico que desse conta do espaço em Marx. aceitou rapidamente a nova onda e iniciou um processo de “aprendizado”. O quadro político. com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 (diretas ou não). mas bate-bocas e ofensas pessoais.4 nov.• De 1981 a 1986 . Talvez sem a mesma ingenuidade e curiosidade que envolveu o primeiro namoro com a Geografia Quantitativa nos anos 70. quanto pela crise financeira mundial causada pelo choque resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. José Sarney 1985Presidentes do IBGE – Jesse de Souza Montello 29/08/197914/03/1985.) O governo do último general do ciclo militar. Nos congressos não há mais discussões. apesar de turbulento. gerando um ambiente estranho. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de aprender matemática e estatística. Edmar Lisboa Bacha 10/05/1985-17/11/1986.

em meio a sérias crises de desabastecimento e aumentos de preços. em 1981 estabelece-se a luta pela regulamentação da profissão e a anexação dos geógrafos ao sistema CONFEA-CREA. iniciando um processo de perda gradativa de quadros de alto nível que não mais seriam repostos na mesma proporção.Solange Tietzmann Sila 1985 . acrescida da agregação de núcleos situados regionalmente na Amazônia (Pará). nesta fase. Charles Curt Müeller 03/05/198818/04/1990. germes de inovação e o início da reconciliação com os estudos do meio ambiente ( Presidente da República – José Sarney 21/041985-15/03/1990. Em 1985 inicia-se a transferência dos profissionais do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) para o IBGE. Sul (Santa Catarina) e Centro Oeste (Goiânia). Lideranças da Geografia Crítica como Rui Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves empreendem uma dura campanha a fim de conseguirem a regulamentação da profissão. desencadeando pressões fortíssimas por parte do governo e de outras instituições que produziam também índices de preços. sistema regulador do conjunto profissional de engenheiros e arquitetos. com uma inflação de mais de 350 % ao ano obriga o governo a criar um mecanismo de choque contra a inflação: o Plano Cruzado.. . membro da equipe criadora do Plano Cruzado causou muita polêmica (Sardenberg. O quadro econômico assustador. tendo como ponto de referência a Associação dos Geógrafos Brasileiros. Paralelo a estes acontecimentos. já que. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. ao mesmo tempo. Chefes do DEGEO . . o tremendo esforço da sociedade na campanha das “diretas já” culminou com as frustrações de uma eleição indireta.Em 1982.Turbulências político-economicas. é a melhor referência do período. com a absorção da Geografia no sistema CONFEA / CREA. que tentou controlar a espiral inflacionária entre os meses de fevereiro e novembro de 1986. O governo do vice de Tancredo Neves. apesar dos percalços. foi crucial. ampliando fortemente a área de Geografia Física e de Meio Ambiente. Presidentes do IBGE – Edson de Oliveira Nunes 06/01/1987-13/04/1988. Á medida que os famosos cinco anos de mandato vão se desenrolando. o ministério toma a forma do Presidente que assumiu. é inicialmente composto pelo ministério definido pelo falecido presidente. Nordeste (Bahia e Ceará). e o desespero em ver morrer o Presidente eleito antes da posse.) O ambiente político de um presidente civil. Ficou garantido o êxito deste trabalho. • De 1986 a 1990 . 1987). o senador maranhense José Sarney. após vinte e um anos de governos militares. aposentaram-se os dois mais antigos profissionais da Geografia. Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990. A atuação de Edmar Bacha como presidente do IBGE na época e. O papel do IBGE.

um presidente eleito com 35 milhões de votos é deposto em processo de impeachment por crime de responsabilidade.) A segunda experiência de um governo civil. espectro das ( 1987 ). e a primeira através do voto direto. em termos salariais. Ainda neste período. que pressuporiam saberes que se distanciavam do que é ensinado nas faculdades orientadas para a formação de professores . garantindo um aumento de renda real para as camadas . e em qualificação profissional. Elza Keller. Pedro Geiger. a Geografia Humana começa a se reconciliar com a Geografia Física. (Presidentes da República – Fernando Collor de Mello 15/03/1990-29/12/1992 e Itamar Franco 29/12/1992-01/01/1995.Na área do conhecimento geográfico. foi o principal legado do governo de Fernando Collor de Melo. a Geografia amplia a perda da maioria de seus antigos profissionais da “Velha Guarda” . através da consolidação da incorporação dos quadros técnicos do projeto Radanbrasil iniciada em 1985.Solange Tietzmann Silva 1985-1991. pela primeira vez na História recente. Estruturam-se as primeiras experiências de trabalhos multidisciplinares. pelo mesmo motivo por que a corrente quantitativa também morreu. Eurico de Andrade Neves Borba 26/06/199215/06/1993. como Speridão Faissol. que estabeleceu uma nova moeda. Silvio Augusto Minciotti 15/06/1993-30/03/1994 e Simon Scwartzman 05/05/1994. pois. voltada para o magistério tornava-os alheios ao fato de que a Geografia passara por duas fases de orientação metodológica distintas. Alfredo Porto Domingues entre outros. Projetos : Diagnóstico Brasil ( 1987 ) Carajás Natureza (iniciado em1990). Presidentes do IBGE – Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990-26/03/1992. Cesar Ajara 1991. PMACI ( 1988 ) e Nossa • De 1990 a 1995 . vice da chapa de Collor. envolvendo um grande número de especialistas de disciplinas diferentes que cobrem todo o Geociências. No contexto do IBGE. e conseguiu dominar a espiral inflacionária. A falta de conhecimento de grande parte dos profissionais que possuíam uma formação generalista.. O governo de Itamar Franco.Novos projetos de governo e a demanda por grandes diagnósticos: a chegada do Sistema Geográfico de Informações e do mapeamento automatizado por computador. A total desarticulação da máquina pública federal e o aviltamento do funcionalismo. Marília Veloso Galvão. Nilo Bernardes. foi uma sucessão de lições de cidadania. a moda marxista também perde fôlego. o Real. Chefes do DEGEO . representou uma transição tranqüila para o novo governo de Fernando Henrique Cardoso. confrontados pela evasão maciça dos antigos profissionais para a aposentadoria.

o CNRS (CREDAL) e o ORSTOM que criou o banco de dados SAMBA 2000 com a colaboração de Maria Mônica O'Neill. 1992-1994. considerados os mais produtivos. base para se trabalhar com o programa CABRAL 1500 de mapeamento automático de autoria de Waniez) . .mais pobres da população. ainda que isto atingisse os funcionários públicos com um congelamento de salários. Para citar alguns exemplos.Convênio com o GIP. foi também um período de ampliação dos estudos iniciados na fase anterior. Aposentaram-se quase 60% de seu efetivo profissional. Apesar do triste fato. 1994 . da Região Nordeste.RECLUS de Montpellier e o início dos trabalhos com mapeamento automatizado e com Sistemas Geográficos de Informação ( vinda de Philipe Waniez e Violette Brustlein para o IBGE para a implementação de um convênio entre o IBGE. Os principais trabalhos são: Diagnóstico Ecológico Econômico da Amazônia Legal ( 1993 ). com uma maior integração entre os profissionais de diferentes especialidades. 1994-1995 .Início da gestão do cientista político Simon Schwartzmann na presidência do IBGE. sendo que boa parte eram técnicos de alto nível. Além disso. interrompendo suas carreiras. como a difusão do uso da computação gráfica que opera com imagens e faz mapeamento automatizado a partir de bancos de dados georeferenciados. Isso envolve também o produtor de texto especializado. além de geógrafos que ingressaram no órgão na década de 60 e 70. neste período saíram profissionais antigos como Catarina Vergolino Dias. A seqüência de quatro presidentes nesse cinco anos dá uma boa referência dos graves problemas politico-administrativos por que passou o gerenciamento do IBGE no período. A questão da assimilação de conhecimentos muito diversificados num texto único. é hoje o maior desafio dos profissionais que produzem diagnósticos integrados. iniciaram algumas mudanças tecnológicas. que agora é obrigado a pensar além de suas fronteiras de conhecimento e auxiliar o coordenador na costura de ligações entre os diferentes processos físicos e humanos que moldam um determinado território. da Região Sul e Gerenciamento Costeiro ( 1994 ).Delimitação de Áreas Industriais ( utilizando a base de dados do censo industrial de 1991). 1993-1995 . 1991 foi o annus terribilis para a Geografia do IBGE.Nova versão do projeto Rede de Influência de Cidades. sendo que muitos aposentaram-se por tempo proporcional.

principalmente no que se refere à ampliação dos Sistemas Geográficos de Informação e ao mapeamento automatizado. agora ligados via uma grande rede intranet.. No contexto da Geografia. Nessa ocasião foram discutidas as novas demandas de informações geográficas que o IBGE implementará nos primeiros anos do século XXI. Além disso.principalmente universidades e agencias de planejamento estaduais ) que contou com a participação de vários pesquisadores. Estando em pauta também. através da digitalização de todas as malhas que delimitam espaços. com a mudança do prédio do bairro de Mangueira para as modernas instalações na Av. Maria Luísa Castelo Branco 1999.Cesar Ajara 1991-1999. . passíveis de gerarem informações de diferentes níveis ( setor censitário. município. Chefes do DEGEO . como no caso do Projeto SIVAM na Amazônia brasileira. foi organizada em 1997 uma nova versão da CONFEGE (reunião técnica entre profissionais do IBGE na área de Geodésia. O estabelecimento de bancos de dados alfanuméricos e de imagens em meio digital e o refinamento das bases de dados de Geografia física também estão sendo preparados para diferentes usos. com os principais usuários das pesquisas e informações disseminadas pelo órgão . em termos de redução de quadros profissionais. parque natural e outras unidades espaciais ). em maio de 1999 iniciou-se a organização do Atlas Nacional do Brasil em sua terceira edição impressa de grande tamanho. No âmbito do planejamento do censo 2000. Cartografia.Presidentes do IBGE – Simon Scwartzmann 05/05/1994-31/12/1998 e Sérgio Besserman Vianna 25/01/1999. distrito. República do Chile e a expansão dos equipamentos de informática para todo o corpo técnico. (Presidente de República – Fernando Henrique Cardoso 01/01/1995. um próximo Atlas em meio digital nos anos posteriores. que continuou a ser conduzido por Simon Schwartzmann. lançado no início de 2001. a área de Geografia também está contribuindo com a estruturação das chamadas áreas geográficas (agregação de setores censitários) que poderão servir de base para mapeamentos temáticos de maior precisão. o órgão prosseguiu em sua missão técnica. Geografia e áreas afins.) Apesar das dificuldades criadas pela ampliação da crise do setor público federal. bacia hidrográfica. o IBGE.1998 . passou por transformações importantes nas condições de trabalho.As contradições entre o recrudescimento da crise do setor público e a possibilidade de futuro da Geografia do IBGE numa agência executiva de governo com contrato de gestão. estado. Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso.• 1995 .

mas sujeita a um contrato de gestão. de um órgão vinculado diretamente ao setor público federal para uma agência executiva com autonomia financeira. e o início da gestão do economista Sérgio Besserman Vianna . em janeiro de 1999. . é o maior desafio que os poucos geógrafos que restaram na Diretoria de Geociências enfrentarão nos primeiros anos do próximo século. incumbido de gerenciar a transição do IBGE.O término do mandato de Simon Schwartzmann.

Abreu e Pereira (1977) mostrando as conexões entre as políticas econômicas brasileiras no plano externo e o processo de . o livro de Baer conta também com mais dois artigos: o primeiro de Baer. organizando um quadro institucional e jurídico. para garantir às populações urbanas acesso a esse mundo novo é. analisa o ciclo ideológico do desenvolvimentismo rastreando as correntes do pensamento econômico que vigoraram no Brasil entre 1930 e 1964 . ambos detalhando o período em questão. desenvolvimentismo e socialismo.Parte I .neoliberalismo. de Baer (1975) sobre as relações entre a industrialização e o processo de desenvolvimento econômico do Brasil. O relatório de pesquisa de autoria de Malan. e que se consubstancia na criação do Conselho Nacional de Pesquisas em 1951. impondo uma nova diretriz de crescimento econômico e. Bonelli. É também de grande importância a avaliação de Motoyama et alli (1994 : 320-334) sobre os processos de maturação da Ciência e Tecnologia no Brasil. Villela e Kerstenetsky (1975). considerado um clássico pelos pesquisadores de História Econômica Brasileira. que costura inteligentemente as tramas políticas e econômicas. ganhador do Prêmio Haralambos Simeonides da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (Anpec).O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia É perfeitamente reconhecida entre os especialistas a importância de Getúlio Vargas no processo de gestação de um Brasil industrial e urbano. Nos anos 80. que trata do papel do Estado na economia (principalmente no que se refere à indústria estatal). trabalho clássico em história econômica. e o segundo de Baer e Villela (1975) sobre os estágios do crescimento industrial brasileiro. o importantíssimo ensaio de Bielschowsky (1995). quebrando as espinhas das lideranças estaduais . por iniciativa do Contra-Almirante Álvaro Alberto de Motta e Silva. Tais exemplos de estudo são obras de referência indispensáveis. A concepção de um governo central forte. sobre as políticas de governo ocorridas entre 1889 a 1945. dando a visão de um historiador contemporâneo.A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução . através das lutas interna e externa para a estruturação de um projeto autônomo de desenvolvimento nuclear. A partir da segunda edição. contrapondo-se ao velho Brasil agrário. econômica e demograficamente falando. iniciado no período Vargas. motivo de estudos e interpretações acadêmicas as mais diversas. enfatizando o período Vargas. de Villela e Suzigan (1975). As avaliações de Skidmore (1975). até hoje. ao mesmo tempo.

Dá início também a alguns processos administrativos. Estabelece ainda um sistema de créditos de longo prazo para o segmento industrial. Entre os anos da II Guerra Mundial e 1954 o governo federal (Vargas . funda também o Instituto Brasileiro do Café (1952). Companhia Nacional de Álcalis (1943). nas décadas seguintes.Dutra . laissez passer" das quais Gournay era um . em termos conceituais. inicia a política de criação de autarquias e conselhos nacionais que cuidariam de setores específicos (como nos casos dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia). e de um ordenamento regional condizente com escala territorial do Brasil. açúcar. o papel da burocracia técnica que se estruturou no Governo Federal brasileiro. a partir dos anos 30. Finalizaria com a criação. da Petrobrás. que garantiriam. ou de produtos considerados estratégicos economicamente (café.Vargas) usa o conceito de segurança nacional para criar uma série de empresas estatais-chave. além disso. para financiar projetos industriais de longa maturação. tais como: controle da geração e distribuição de energia elétrica. pesca e petróleo). de liberalismo econômico "Laissez faire. pela magnitude dessas ações tomadas. controlando a produção e estabelecendo preços mínimos. mate. Companhia Siderúrgica Nacional (1946). finaliza essa pequena amostra de avaliações de diversas facetas do papel do Estado na Era Vargas. Paralelamente. devemos compreender o que é e como evoluiu a burocracia. No contexto que interessa a este trabalho Vargas. É com este pano de fundo. e da qual o IBGE fez parte. É possível perceber. Fábrica Nacional de Motores (1943). produção. nos escritos de Jean-Claude Marie Vincent de Gournay (1712-1759). principalmente na Região Sudeste: Companhia Vale do Rio Doce (1942). além de definir o controle estatal da marinha mercante com a estatização do Lloyd Brasileiro e das empresas de navegação da Amazônia e da Bacia do Prata. O termo burocracia aparece na França em meados do século XVIII. cria também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952). em 1953. estoques reguladores.industrialização ocorrido entre 1939 e 1952. preços e distribuição atacadista de gêneros alimentícios básicos. nos primeiros anos da década de 30. tais como: conhecimento dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. dos padrões espaciais da ocupação humana e econômica. Primeiramente entretanto. além da cartografação do seu espaço. que se deve avaliar. num contexto de debates entre o absolutismo monárquico e as idéias. que instituiu o monopólio da extração e refino do petróleo e seus derivados. sal. que cuidaria das relações comerciais externas do produto em nível de governo a governo. a necessidade vital de mecanismos de controle do território. a ampliação do processo de industrialização/urbanização.

não era a ditadura do . já praticavam a. obviamente. caracterizando um nepotismo brutal. treinamento especializado e divisão funcional do trabalho. ainda atual. porém. e não a um pequeno cantão com administração rotativa. áreas bem definidas de jurisdição. política de criar dificuldades para vender facilidades . tudo era fiscalizado por esse corpo de funcionários reais que. Essas atividades eram geralmente transferidas por herança. com o poder de dar ordens e de fiscalizar as relações entre o Estado e a Sociedade. quer democrático. pensão. Nesse âmbito. sub. salário. ao intermediarem as demandas entre essas classes e o rei. processos documentários.e super-ordenação hierárquicas tem sido o igualmente inconfundível padrão para a modernização do Estado." Como estudioso profundo da burocracia. Weber conhecia os problemas que poderiam advir de uma estrutura que cresce irresistivelmente e que se apresenta com características de permanência nas grandes organizações. com o alemão Max Weber (1864-1920) que o termo assume importância no vocabulário da Sociologia. Dos direitos musicais e de apresentação teatral ao controle da distribuição de lenha. Foi. quer monárquico. Tal como o assim chamado progresso em relação ao capitalismo tem sido o inequívoco critério para a modernização da economia. ao vincular-se ao estado moderno sob a forma de atividades administrativas especializadas e controladas por um sistema racional e legitimado juridicamente. no contexto do início do século XX . que incorpora o principio da autoridade. No capítulo Burocracia e Liderança Política do seu Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída (1974:16). Mesmo o moderno oficial de patente superior trava batalhas de seu "gabinete". desde épocas medievais. pelo menos no que se refere a um Estado composto por grandes massas de povo. Weber inicia com estas palavras: "Num Estado moderno necessária e inevitavelmente a burocracia realmente governa. ou dos transportes de cabotagem fluvial.ferrenho partidário. promoção. mas através da rotina da administração. Para ele. passando pela distribuição de livros. o conceito surge como uma crítica aos funcionários do governo monárquico que controlavam a maior parte das atividades econômicas do reino e que tornaram-se uma categoria entre o povo e a nobreza. assim também o progresso em relação ao funcionalismo burocrático caracterizado pelo formalismo de emprego. Isto é exato tanto com referência ao funcionalismo militar quanto ao civil. pois o poder não é exercido por discursos parlamentares nem por proclamações monárquicas.

via saber técnico. Simon Schwartzmann em seu Bases do Autoritarismo Brasileiro (1982) enfocou as contradições que emergiram entre o que se convencionou chamar de democracia brasileira em termos dos discursos e das práticas politicoadministrativas gerenciadas pela burocracia estatal. dentro de uma visão weberiana clássica. alguns autores trataram do tema burocracia para explicar a estruturação do poder político-administrativo no Estado brasileiro. além do monopólio da informação. o de Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva (1989) sobre relações de raça e mobilidade social. onde são formados quadros especializados que detêm o controle das atividades produtivas e de planejamento estratégico do Estado. Em outro contexto. Nesta linha de raciocínio estão alguns importantes trabalhos como os de Sérgio Miceli (1979 e 1988) sobre os intelectuais e classe dirigente e a elite eclesiástica. estão autores como Carlos Estevan Martins (1974). Outros autores enfocaram especificamente a questão da tecnoburocracia estatal. enfatizando a questão das relações de poder num Estado patrimonialista onde o que é público e o que é privado nunca apresentaram limites muito claros. Raimundo Faoro em Os Donos do Poder (1958) analisou em profundidade a estrutura burocrática brasileira. Wanderley Guilherme dos Santos (1982). que sempre possuiu um claro traço autoritário. Schwartzmann apresenta uma inequívoca preocupação espacial ao explicar as diferenças regionais desses conflitos entre o governo central e os estados mais estruturados politicamente. enfatizando a questão da formação intelectual entrelaçada com as raízes familiares. Bresser Perreira (1980). termos que de uma forma ou de outra tentam explicar a formação e fortalecimento de um corpo técnico que controla alguns núcleos de atividades estatais consideradas (em termos) como áreas de exclusão das pressões político-partidárias. . Outra abordagem. Sonia Draibe (1985). Nesta linha. Além disso. além de analisarem os processos de incorporação de novos segmentos sociais a essas elites. anéis burocráticos. José Murilo de Carvalho em A Construção da Ordem e Teatro de Sombras (reedição de 1997) estudou com detalhes a formação da elite burocrática brasileira como representante do poder. mesmo quando essas práticas eram confundidas com as do tipo populista. Gilda Portugal Gouveia (1994) e Edson Nunes (1985 e 1997). mas a do burocrata. a tese de Zairo Borges Cheibub (1984) sobre os diplomatas do Itamarati e o livro de Luiz Werneck Vianna e colaboradores (1997) sobre a magistratura. que discutem a formação da tecnoburocracia utilizando conceitos como insulamento burocrático.proletariado que iria se instaurar. universalismo de procedimentos e corporativismo. sobretudo quando referida aos altos postos de decisão e arbitragem. ilhas de racionalidade técnica. Setenta anos depois. foi também adotada por alguns sociólogos e historiadores brasileiros que trabalharam sob o pressuposto de uma vinculação implícita entre as elites e a burocracia. Fernando Henrique Cardoso (1975). suas análises ainda continuam válidas.

ao findar a Primeira Guerra Mundial. ao explanar a estruturação inicial do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. No contexto brasileiro. Com isso. 1997). O artigo de Angela de Castro Gomes (1994) historia muito bem o tema e o de José Luciano de Mattos Dias (1994) esclarece sobre o processo de ampliação do prestígio dos engenheiros no governo brasileiro. sobretudo quando se percebe a magnitude do processo de formação de quadros técnicos que o IBGE gerenciou em boa parte desses 60 anos de sua existência. tanto no Brasil (Motta. O assunto é interessante. o trabalho de Livia Barbosa (1999) discute a noção de meritocracia no Brasil. enfocando. para a Economia. a composição majoritária das Assembléias e Conselhos Diretores era de profissionais oriundos dos cursos de Engenharia Civil e Militar. Silvio Fróes de Abreu e Moacir F. eram engenheiros. quanto na França (Fourquet. necessariamente.1995). É a partir dos anos 60 que os economistas irão se constituir na segunda grande força da elite tecnoburocrata. posteriormente. as ações de Mário Augusto Teixeira de Freitas objetivando uma revisão da divisão territorial do país. o técnico. iniciou a vida profissional na Engenharia e migrou. escudados na ampliação das áreas de especialização das Escolas Politécnicas. O profissional que melhor encarna este processo são os engenheiros encarregados das obras públicas. É sobre uma parcela dessa tecnoburocracia que o capítulo I trata. estabelecendo comparações com o Japão e com os Estados Unidos. Biderman. com características positivas. assim como em outros países. sendo que boa parte deles em ambos. por ocasião da fundação dos Conselhos de Estatística e Geografia nos anos 30. o processo dicotomizador entre os âmbitos político e o técnico nas áreas de governo inicia sua trajetória na década de 20. 1994). (Bielschowsky . utilizavam alguns expedientes de acertos partidários ou mesmo de geração de conflitos entre as diferentes facções políticas. Figuras-chave na criação do Conselho de Geografia e grandes produtores de artigos para a Revista Brasileira de Geografia como. É interessante assinalar que. o político. incorpora-se na sociedade um pensamento que divide a elite de governo em dois grupos: um. Suas ações objetivas passam a contrastar com a lentidão das decisões políticas que. Cozac & Rego (1996) e ( Loureiro.No campo antropológico. principalmente. outro. 1980). Cristóvão Leite de Castro. . com características negativas. Silva.

poderiam criar movimentos emancipatórios que colocariam em xeque a unidade nacional. os criaram no início dos anos 30. é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo de Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente. 1997). tanto no campo político. ∗ Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores. as que tiveram maior notoriedade foram as de criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) em 1938 sob a orientação de Luís Simões Lopes (Mariani e Flaksman. no entanto. 1984) e a do Instituto Nacional de Estatística em 1934/1936. Por outro lado. como no militar. 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História ( Fausto. Se considerarmos. sob o ponto de vista das relações entre o esquema jurídico colonial português em relação à apropriação do território. e suas configurações espaciais. são um bom exemplo de uma dessas múltiplas formas de abordagem do tema (Morais. Como São Paulo e Rio Grande do Sul . a exemplo de São Paulo. 1987). . recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras Rumos e Metamorfoses (Draibe. (Abreu. além do militar e da representação política clássica _ A intermediação técnica era uma delas _ como organizar então um sistema de gerenciamento do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais? Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas. Minas Gerais ou Rio Grande do Sul.A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro Muitas podem ser as formas de interpretação sobre os processos de criação e desenvolvimento do que poderíamos chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. que a Revolução de 1930∗ estabeleceu um novo marco políticoadministrativo. 1988. Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto. que nos foram legadas. referenciados ao período do Brasil colonial. 1991). contra a tendência fortemente ditatorial que já se cristalizava no primeiro ano de governo “provisório” de Vargas. mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos. agência embrião do futuro IBGE organizada por Mário Augusto Teixeira de Freitas. Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão. 1983. que efetivamente. o problema da unidade polítco-territorial brasileira no final da República Velha constituía-se em um assunto delicado. O exemplo de São Paulo em 1932. embora revestido de uma roupagem constitucionalista. já que as elites de estados fortes.Parte I Capítulo I .

geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas. a . provavelmente o que combinava maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência de gerenciamento de informações territoriais. Ari Parreiras. na 1 Conferência Nacional de Estatística suas 33 teses sob a denominação “Algumas Novas Diretivas Para o Desenvolvimento da Estatística Brasileira” (Freitas. que em 1930 foi convidado para apresentar. Essas informações englobariam um amplo leque que cobriria características físicas e ambientais. no dia 12 de outubro. adquirida ao longo dos anos 20. geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento. pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto. foi Mário Augusto Teixeira de Freitas. fosse democraticamente partilhado pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. como no caso do militar Juarez Távora. durante os primeiros anos da década de 30. Sua atuação foi tão inovadora. o Delegado Geral do Recenseamento do Estado de Minas. José Américo de Almeida. o qual centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um super gerente. 1984: 3317) e de Francisco Campos. abrangendo a produção. titular do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública (Malin e Penchel. centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios. ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934. Osvaldo Aranha.1974:96-98) explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as idéias mais abrangentes de uma agência estatística nacional sonhada por Teixeira de Freitas.Desses grandes articuladores. circulação e consumo. As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora / Francisco Campos. Pedro Ernesto Batista e João Alberto (Pantoja e Camarinha. embora durante o processo de normatização das informações. Juarez Távora em suas memórias (Tavora. em Minas Gerais. A experiência de Teixeira de Freitas foi adquirida em Minas Gerais. a infra-estrutura econômico-social e o aparelho de estado em todas as suas instâncias. juntamente com José Fernandes Leite de Castro. através de seu modelo de gerenciamento. mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro. 1984). criador de um eficiente sistema de gerenciamento de informações que cobria todos os municípios do território mineiro. além de consolidar uma estrutura de eficiência. Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o Golpe de Estado de outubro de 1930. A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo. que foi um dos participantes do “Gabinete Negro” que se reunia todas as noites do mês de novembro no Palácio Guanabara para traçar esses destinos.1994).

A principal referencia pode ser . a representação dos engenheiros (civis e militares) era. E foram nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foram escolhidos. que na década de 40 tornaram-se a elite dirigente do IBGE. quanto politicamente do novo instituto. após os trabalhos de apuração do censo de 1940. pois foi nesse período que as noções de integração técnica entre Estatística. iria gerenciar o sistema de planejamento territorial brasileiro. Sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo. Além disso. sobretudo em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam coordenar a agência a partir da década de 40. um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República e com alcance até a instância municipal. mas com um aspecto importante: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada num Conselho Superior de Estatística (anexos: documentos de valor histórico para o IBGE). Além disso. as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade. A segunda metade dos anos 30 foi de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos. É importante lembrar que. sem dúvida. Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos. os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica. um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. As 33 teses de Teixeira de Freitas foram as ferramentas utilizadas por este grupo de autoridades para a consecução de um projeto de governo que. numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas e seus maiores incentivadores foram. Geografia e Cartografia tomaram corpo. juntamente com os bacharéis de direito. que abrangeria o território nacional em quase todos os aspectos.Foi este projeto de super agência de informações denominado Instituto Nacional de Estatística. Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (com a chegada de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). apesar de não possuírem tal representatividade junto ao poder central. Apenas para fins de comparação. O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se portanto. na década seguinte. foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época. neste período. isto é. caracterizava o que podemos definir como Agência do Poder Central Capilarizada. as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. Juarez Távora (possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente” junto a Coluna Prestes na década de 20) e Francisco Campos (por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações).

mostrando que o assunto já havia preocupado as autoridades portuguesas e brasileiras desde o século XVI (Penha. Em dezembro de 1937. são possivelmente anteriores a 1930. tomando grande impulso após a instauração do governo provisório de Vargas. pronta e enérgica solução. as preocupações de Teixeira de Freitas com o gerenciamento do território brasileiro. Suas palavras iniciais mostram que. engenheiro. responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iria formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia. que vinham reclamando há muito. todavia. como é possível perceber nos cuidados extremos com o discurso. 1948) apresentado “perante um grupo de brasileiros de elevadas responsabilidades na direção dos negócios públicos”. mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia. desde as suas realizações mais fundamentais. em pleno período da Revolução Constitucionalista de São Paulo) Teixeira de Freitas apresenta no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). compreendida esta em toda sua latitude. suas primeiras teses sobre a redivisão política do Brasil. com grandes poderes discricionários. administrativos. que a questão da redivisão das unidades federadas retornou com maior vigor na agenda de Teixeira de Freitas. Os Planos de Redivisão Territorial e suas Conseqüências Práticas Em paralelo a essas tarefas administrativas. Apesar disso. a fim de que a nova ordem de coisas estabelecidas. mas em vão.∗ Foi. parece oportuno o estudo. sociais e econômicos. no sentido espacial do termo. após a instituição do Estado Novo. baseados nos estudos preliminares de João Segadas Viana e modificados por Teixeira de Freitas (anexo documentos históricos). 1993:105). cinco anos mais tarde.exemplificada na figura de Cristóvão Leite de Castro. a questão da divisão territorial era uma estratégia de governo que emergia num contexto de Estado Forte. a proposta apresentada aparecia como um balão de ensaio técnico. 1935). por este seleto grupo de cidadãos. Em 28 de outubro de 1932 (portanto. ∗ Um breve histórico sobre o tema foi desenvolvido por Eli Alves Penha em sua tese. coloca em discussão seu estudo (Freitas. as garantias definitivas da Defesa Nacional. além dos dados e do mapa. editadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Freitas. . “O reforço de autoridade de que a nova ordem política investiu o Poder Executivo trouxe possibilidades inéditas ao encaminhamento de alguns problemas fundamentais da organização nacional. Assim sendo. de que um esquema orgânico para as grandes diretrizes e que convenha submeter a restauração dos nossos quadros políticos. de fato.

Teixeira de Freitas define um padrão de tamanho territorial entre 250 e 350 mil km e propõe a estratégia de associação entre Estados. nas palavras de Teixeira de Freitas. que os concidadãos aqui reunidos por um generoso pensamento se dispusessem a colaborar no preparo de um escorço geral daquelas diretrizes e . A questão central era a tentativa de equivalência territorial entre as unidades federadas.. “ Quando suas Unidades tiverem relativa equivalência de área. que se localizaria quanto possível em ponto de convergência dos limites dos atuais Estados que passassem a associados”...10. a sintonia espiritual e a solidariedade estreita das suas forças vivas em torno do ideal generoso de erguimento de uma Pátria combalida ao nível exato da sua capacidade de vencer. de modo que possam permanecer no Rio”. p. apresentassem à consideração do Governo o plano preliminar da redivisão territorial do país... p. Rio de Janeiro e Distrito Federal.. Determinando o futuro da cidade do Rio de Janeiro após perder o status de capital federal. pois que assim acontece.. como elementos realmente confraternizantes no seio da Federação” . mas com o engrandecimento para todos. sem prejudicar-lhe o equilíbrio. subfederados para formar Estados compósitos – adstritos ao padrão.10. a assegurar-lhes equivalência de potencial político.. transformando-se em ‘departamentos autônomos’.. e sem desigualdade. “cujo espírito de brasilidade pode e deve ser aproveitado para aglutinar o poderoso núcleo central do novo sistema.. como urge talvez aproveitar as possibilidades excepcionais que abrem à Nação. cada um dos quais com uma capital especialmente construída em um município neutro. Mas antes..9.Desejaria.. iniciando a tarefa pela questão mais geral e mais fundamental. ainda que mui perfunctoriamente. transformando temporariamente Belo Horizonte em Capital Federal.. Definindo a localização da nova capital federal. três futuros Estados. 2 .. pois.. das suas aspirações.10. elegendo Minas Gerais..8. neste momento. venha ele a formar. com seu território somado aos do Espírito Santo.p. para colocar desde logo ante suas vistas... 5-6. Mas o plano vai muito mais além. para evitar as disparidades regionais que. “sem diminuição para nenhum.. p. destinada a traduzir-se mais tarde em efetiva ‘equipotência’.p. peço permissão aos ilustres compatriotas que me ouvem. Mas. o esboço que se me formou no espírito como fruto de um longo meditar sobre o palpitante tema aludido ” Pg.. Para isso.. era o grande problema da federação. da sua vocação e dos recursos esplêndidos com que a Providência Divina a galardoou. um com o Oeste e o Triângulo Mineiro (cujos anseios de autonomia ficariam atendidos) e outros dois marítimos (como também desejam as respectivas populações)”.. “ mas só devendo ser removidos para lá os órgãos do Governo e os elementos da administração que não puderem ser localizados longe deste.” preparando deste modo a localização futura da metrópole brasileira no Planalto Goiano”.

A Constituição de 1937 (redigida por Francisco Campos). França e Estados Unidos. O que distinguia era o tom menos conciliador. no início dos anos 40. Se por um lado. que dispunha sobre a delimitação das malhas municipais e distritais e definia regras específicas sobre o mapeamento e a racionalização da toponímia (não poderia haver municípios homônimos). de certa forma. Com a Lei Geográfica. como Alemanha. com a divisão departamental conveniente. em termos técnicos não diferiam muito das de Teixeira de Freitas. porém. o sul e a Zona da Mata de Minas Gerais”. A outra foi a institucionalização da macro regionalização do país. já que houve enorme articulação no núcleo do novo governo antes e depois de suas apresentações de 1932 e de 1937. Como se pode perceber. como no caso de João Segadas Viana. mais prósperos e mais favorecidos pelo Governo Nacional. 1940). Outras ações de cunho geográfico. Suas proposições. um perigoso conjunto de punições e prêmios. acomodou a questão.10. o IBGE passou a controlar a conformação espacial das malhas municipais e distritais por meio de critérios técnicos que envolviam extensão territorial. na questão espacial o quadro territorial brasileiro foi preservado.. por outro. Sua visão do problema passa por analises comparativas de outros países que também enfrentaram a questão da divisão territorial. envolviam. Uma foi a Lei Geográfica do Estado Novo ou Decreto-Lei 311. espacial e politicamente (São Paulo e Rio Grande do Sul que já haviam tentado movimentos emancipatórios) e prêmios para Estados que absorvessem bem as modificações espaciais na malha territorial.p. população. o . através da Resolução n 72 de 14/07/1941 da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia. Além disso outros autores mais adiante também deram contribuições ao tema. a necessidade de bases cartográficas confiáveis para a campanha censitária de 1940 induziu os técnicos do IBGE a promover estudos visando à uniformização das circunscrições territoriais dos municípios e seus distritos. um major do Exército que também expôs uma proposta de divisão territorial na Revista Brasileira de Geografia (Viana. de 02/03/1938.” receba a vantajosa investidura de Capital de uns dos Estados mais ricos. Segadas Viana já havia colaborado com Teixeira de Freitas na organização do mapa que foi apresentado na exposição de 1937. que tal seria o Estado da Mantiqueira. Punições para os Estados mais poderosos.. foram implementadas. Suas propostas de solução. receita. pelo Estado do Rio (mantida sua autonomia como um dos departamentos). No caso da Lei Geográfica. sob o aspecto político ela reduziu drasticamente a autonomia dos Estados. entretanto. além de assegurar a unicidade da toponímia através de um processo de verificação de homônimos. mais populosos. portanto. uma estratégia desta proporção não foi apenas um trabalho acadêmico organizado por um só indivíduo. que adotou os resultados dos estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães e sua equipe. formado.

segundo o critério geográfico pelo qual se agrupariam municípios que apresentassem características naturais e humanas afins. Sub-regiões (66). se generalizou no país obedecendo às determinações do Presidente Vargas a fim de atender à administração pública.574 municípios e 4. Exatamente como nos dois primeiros séculos da fase colonial..Entre os primeiros resultados das Campanhas Geográficas realizadas durante a segunda metade dos anos 30. Zonas (aproximadamente 160). que após a Lei Geográfica eram inexistentes. saudou todos os envolvidos por via radiofônica especial utilizando o sistema da Hora do Brasil (atual Voz do Brasil) coordenado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). sua principal finalidade no início dos anos 40 era de homogeneizar territórios de características fisiográficas semelhantes. por conta de uma nova noção de autonomia. consentâneas com a caracterização fisionômica do conjunto do Território Nacional. decidiu liberar para os respectivos legislativos estaduais e municipais essas ações que envolvem emancipações municipais e distritais. Uma restrição fundamental foi definida: não era possível desmembrar uma unidade da federação num processo de regionalização.491 em 1990. quando o governo central procurou ajustar a divisão territorial dentro de . com o apoio técnico do IBGE. Com isso. por ocasião das Exposições Regionais dos Mapas Municipais. os dois mais importantes foram a determinação dos limites dos 1. por fim. no dia 24 de março de 1940 em Curitiba. “A divisão regional do Brasil ficou. para garantir uma uniformização de procedimentos nos estudos geográficos e no processo de coleta estatística. Esses dois processos objetivavam uma base cartográfica confiável para a Campanha Censitária de 1940 e foram solenemente apresentados ao Presidente Getúlio Vargas. No que concerne ao processo de regionalização. confeccionaram por força do artigo 13 da Lei Geográfica. com alterações nas malhas. o número de municípios saltou de 3. Leste. Foi atribuído aos órgãos regionais de Geografia e Estatística empreenderem os estudos sobre a divisão regional dos respectivos Estados.841 distritos.. Para garantir um alcance nacional ao evento. Nordeste. tal como foi estabelecida pelo CNG. Nas palavras de Eli Alves Penha. obtidas em segunda aproximação pela consideração das características fisionômicas (naturais e humanas) dos municípios brasileiros. que as prefeituras. Esta divisão regional. elevando-se para 5. Regiões Fisiográficas (em número de 31).974 em 1980 para 4. sob pena de cassação da autonomia municipal. o Embaixador José Carlos de Macedo Soares. Presidente do IBGE. mas que em 1997 já atingia a cifra de 483 municípios.505 em 1997 e perdeu-se o controle sobre os homônimos. descrevendo sistematicamente todos os acidentes naturais que referenciavam esses linha divisórias e o esforço de cartografação dos mapas dos territórios municipais. Tais processos perduraram até a Constituição de 1988 que. constituída sucessivamente em Grandes Regiões (Norte. Centro-Oeste e Sul).

o processo de regionalização assumiu tanto a função de servir de base para divulgação de dados estatísticos. . 1993: 108) . Procedimentos fundamentais num órgão de Geografia de governo e que.um quadro optimum de administração. é a principal área de atuação do Departamento de Geografia do IBGE. quanto a de subsidiar o processo de planejamento. Nos períodos posteriores. classificando áreas homogêneas ou determinando pólos geradores de atividades ou de receitas conforme o objetivo pré. ainda hoje. deixando que as unidades constituíssem seus limites “espontaneamente” (Penha.determinado.

A Estruturação das Áreas de Geografia. Foi. na área da pesquisa de Geografia Física. naturalista especializado em Fitogeografia. Nosso delegado. Esta percepção por parte dessas instituições estava vinculada ao entendimento de que o planejamento territorial (cartografação e normatização das divisões territoriais entre Estados e Municípios) seria uma das principais atribuições de um órgão nacional de Geografia. tornar-se uma instituição responsável pela Geografia brasileira. indica que os serviços estatísticos e geográficos desenvolvidos no ministério (Diretoria de Estatística da Produção) encaixam-se perfeitamente nas atividades da nova ciência geográfica. Sua atuação brilhante no Congresso foi muito apreciada por Emmanuel De Martonne. Esta visita objetivou dois campos: o primeiro. que as anteriores articulações dos ministros Juarez Távora e Francisco Campos com Mário Augusto Teixeira de Freitas. no futuro. Percebendo ali um excelente ponto de iniciação de um órgão governamental que poderia. onde De Martonne percebeu o enorme potencial de trabalho em Geografia Tropical que o Brasil apresentava. neste contexto. A criação de um comitê instituído por essas instituições. iniciadas em 1931 e ampliadas em 1933. O memorial de 29/12/1934 apresentado pela Academia Brasileira de Ciências ao então Ministro da Agricultura Odilon Braga. O resultado de suas articulações com De Martonne. que necessariamente teria de pertencer ao governo central. pesquisador do Museu Nacional e autor de várias obras sobre a vegetação brasileira. ao encorajar as principais associações culturais da área (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. de caráter político-cultural. O segundo. enviado pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Geografia. Sociedade Brasileira de Geografia e Academia Brasileira de Ciências) a juntarem esforços na adesão do Brasil à UGI. no sentido de organizar um instituto de estatística em escala nacional estavam paralelamente tomando Congresso Internacional de . culminou com a visita do Geógrafo francês em 1933. A Alberto José de Sampaio. revelou-se ao longo do ano de 1934. uma tarefa muito além da capacidade administrativa e financeira desse grupo.Parte I Capítulo II . Geodésia e Cartografia no IBGE Geografia O primeiro contato oficial entre o que se convencionaria chamar de Geografia Brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI) aconteceu em 1931. diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso e Secretário Geral da UGI. foi o Prof. durante o Geografia realizado em Paris.

possuíam vínculos com a Geografia. José Carlos de Macedo Soares no final do ano de 1936.609 de 06/07/1934 que defina a criação do Instituto Nacional de Estatística. Serviço de Limites do Itamarati. que em conjunto com engenheiros de diferentes especialidades. Mas. para que isto acontecesse. Museu Nacional. com a Universidade do Distrito Federal (UDF). Foi a partir do curso organizado por Deffontaines. Estado Maior do Exército. Serviço Geológico e Mineralógico. com a participação do governo federal a partir de 1935. após cinco reuniões técnicas realizadas no Itamarati sob a tutela do Ministro das Relações Exteriores. Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. do que a agregação dos serviços geográficos/cartográficos ao novo instituto que teria ramificações espaciais até a escala municipal. Observatório Nacional. gerou as condições de criação de um órgão oficial de Geografia. Fernando de Azevedo em São Paulo. apesar de indireta. Diretoria de Navegação da Armada. Nada mais conveniente portanto. que direta ou indiretamente. Clube de Engenharia.forma através do decreto 24. Estado Maior da Armada. tendo como Ministro da Educação Gustavo Capanema. Pierre Deffontaines e Pierre Mombeig respectivamente. Universidade do Distrito Federal (Catedráticos de Geologia. que tiveram como professores estruturadores. Paleogeografia e Cartografia). primeiramente na UDF e posteriormente na Universidade do Brasil (UB) que criou-se o primeiro grupo de profissionais de Geografia. é importante. Essa relação entre a necessidade de planejamento territorial para as tarefas da Estatística e a ampliação da Geografia acadêmica desenvolvida na Universidade. Este ciclo de reuniões contou com as presenças de representantes das mais importantes instituições. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A vinculação de Capanema. que viria inicialmente a ser cogitado. Arquivo Nacional. . pois foi em seu mandato que as decisões de se estruturar um curso superior de Geografia iriam se concretizar. gerou uma massa crítica para a criação do Conselho Nacional de Geografia. Geodésia e Cartografia. Instituto de Educação (Catedráticos de História e Geografia). Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Catedráticos de Geologia). Serviço Geográfico do Exército. Tal tarefa somente viria a tornar-se realidade. processo longo e complexo que somente torna-se realidade em 29 de maio de 1936 com sua instalação solene no Palácio do Catete. Colégio Pedro II (Catedráticos de Geografia). Personalidades como Anísio Teixeira no Distrito Federal. seria necessário formar profissionais especializados através de cursos superiores de Geografia. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. foram os iniciadores desses cursos. com a estruturação da Universidade de São Paulo (USP).

O primeiro grande trabalho do CNG inicia-se em 1938 com o Decreto-Lei 311 que ficou conhecido como a Lei Geográfica do Estado Novo. 15. definindo os parâmetros mínimos em termo de área e de tamanho populacional. estavam também os estudos sobre determinação de áreas urbanas e rurais. Essa instrução foi referendada pela Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística no dia 16/06/1937 através da Resolução n.Ministério da Viação (Chefia de Gabinete) e Ministério da Agricultura (Diretoria de Estatística Territorial). Em 24 /03/1937 foi baixado o decreto 1. em tempo de contar-se com esses mapas nas operações censitárias de 1940. que o utilizaria no planejamento de organização dos setores censitários. envolveu praticamente todo o efetivo do IBGE no auxílio técnico aos municípios e a tarefa foi totalmente cumprida em março de 1940. No dia 01/07/1937 o CBG foi solenemente instalado no salão de conferências do Itamarati e iniciado os trabalhos de sua Assembléia Geral. enviando uma cópia para o IBGE. Neste contexto. com uma exposição dos mapas. para dar garantias ao princípio da “autonomia municipalista” . A entrega solene foi realizada em Curitiba. Em 26/01/1938 o decreto 218 finalmente define a autonomia dos dois conselhos de Estatística e Geografia. Objetivava redefinir a estrutura de limites dos distritos e municípios para dar conta de dois problemas: O primeiro seria organizar espacialmente as malhas distrital e municipal. evitando unidades sem as mínimas condições de . Isto é. O processo de cumprimento da Lei Geográfica durante os anos de 1938 e 1939. evitar sustentabilidade. o fracionamento excessivo dos municípios. agora sob a tutela do Instituto Nacional de Geografia e Estatística.527 que instituía o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG) incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e autorizando sua adesão à União Geográfica Internacional. Os municípios deveriam apresentar seus mapas municipais até o final do ano de 1939. que contou com a presença de Getúlio Vargas. O segundo seria contar com um mapeamento em escala de detalhe de todos os municípios brasileiros para estruturar os trabalhos de campo do futuro censo de 1940 e contar com informações cartográficas que dessem suporte aos trabalhos de mapeamento da carta do Brasil ao milionésimo.

A Planimetria A planimetria que estabelece as medições das superfícies planas do território. Sob a responsabilidade do engenheiro Allyrio Hugueney de Mattos. em 1939 foram iniciados os trabalhos de levantamento das coordenadas geográficas das cidades brasileiras. 1: 250 000. A Altimetria A altimetria estabelece as medições de altitude do relevo terrestre e relação a um plano de referência determinado pelo nível do mar. Municípios. Os levantamentos planimétricos. O primeiro plano de referência (datum) oficial do nível do mar brasileiro. Por sua vez. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do . no litoral de Santa Catarina em 1945 e em 1946 foi estabelecida a conexão com o mareágrafo de Torres no Rio Grande do Sul para o estabelecimento do Nível Médio (GPS) e são controlados por equipamentos de 1: 100 000. Os trabalhos das equipes de Geodésia estão divididos em três grandes conjuntos de medições: a planimetria. os teodolitos e os taqueômetros que medem distâncias e ângulos. e 1: 25 000. estabeleceu as ações de normatização da área de Geodésia do IBGE para suprir o mapeamento do Recenseamento Geral de 1940. Esse levantamento era feito por terra e levavam-se anos para cobrir as grandes extensões do território brasileiro. realizado e organizado pela área de Cartografia. É através dela que se estabelece o sistema de coordenadas geográficas (latitude e longitude). que geram as linhas de limites entre áreas (Distritos. chefe do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica. Estados e Países). 1: 50 000.Geodésia O decreto 327 de 02/02/1938. do Mar. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. Formando uma grande rede de polígonos que serviam de base para o cálculo de áreas. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . prosseguindo com a estruturação das redes planimétrica. altimétrica e gravimétrica. eram inicialmente medidos através equipamentos de curto alcance visual. a determinação do nível médio do mar é definido por instrumentos de medição maregráficos situados em estações localizadas no litoral. IBGE. foi estabelecido pelo mareágrafo de Imbituba. Atualmente as medições planimétricas são estabelecidas por um sistema de satélites artificiais chamado Sistema de Posicionamento Global recepção de GPS de alta precisão. que além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. a altimetria e a gravimetria.

quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. isto é em alguns lugares da Terra. É também o IBGE. Cartografia A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. levando em consideração as negociações entre as partes. tanto na escala municipal. negociações que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou que podem alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. os trabalhos de determinação de nivelamento da Rede Altimétrica do Brasil. passou na década de 80. a força da gravidade é maior do que em outros. em 1945. Sendo o planeta Terra um geóide dotado de uma camada líquida superficial de grandes dimensões (oceanos) e de uma composição plástica interna (magma) composta por uma mistura de minerais em estado de fusão. após 35 anos de ajustamento manual das observações de altidude. Em caso de litígios entre essas unidades. que. A Gravimetria As medições gravimétricas são fundamentais para que se estabeleça com precisão as medições geodésicas (forma e dimensões do geóide Terra). É também atribuição da área dar apoio técnico às operações . Os estudos de gravimetria passaram a ter um caráter sistemático na década de 90. Essas anomalias alteram as medições de altitude e exigem um monitoramento especializado através da rede GPS. Sua crosta não se apresenta homogênea em termos de prospecção da gravidade. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. a contar com o suporte da informática na configuração dos cálculos de nivelamento do território brasileiro. Um outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. iniciaram-se. que normalmente são arbitrados pelo poder judiciário. além de auxiliar no estudo das configurações das estruturas geológicas (camadas internas da Terra) e da Geofísica (prospecção mineral). quanto na estadual. Essas atividades servem de base para que o sistema cartográfico brasileiro possa gerar mapas de grande precisão para vários objetivos. quando o IBGE estabeleceu uma rede de mais de 18 000 estações gravimétricas em todo o território. dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira.Definido o nível de referência. juntamente com as demais forças armadas.

Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuíssem pessoal qualificado para a confecção dos mapas.numéricas simples à complexas imagens e sons em tempo real. que estabelecem a produção de bases digitalizadas visando ao georeferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários. vegetação). . ferrovias. que são atualmente usados em organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados ( que vão de informações alfa. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede internet). municípios. tanto na Universidade. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo.de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos. unidades federadas). o Geógrafo. componentes da infra-estrutura (estradas. O capítulo III tratará da estruturação da memória coletiva desse novo profissional que começou a ser formado sistematicamente no final dos anos 30. hidrografia. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. quanto na arena de trabalho do IBGE. distritos.

Orlando Valverde. Jorge Zharur. Aluísio Capdeville Duarte e Gelson Rangel Lima. era também um grande colecionador de fotos sobre as paisagens brasileiras.Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE O processo de constituição integral da memória dos profissionais que trabalharam na área de Geografia do IBGE nesses sessenta anos é uma tarefa que ultrapassa em muito os limites desta pesquisa. onde trabalhavam os técnicos que formaram o CNG entre os anos de 1936 e 1938.0/95 e Word 7. mas Aluísio veio a falecer em meados dos anos 90. Esses depoimentos foram transcritos inicialmente em datilografia e atualmente foram redigitados em Word 6. Participando. grande preocupação com a história e memória da instituição. derivada de uma seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. Além de alguns profissionais de Estatística e de Cartografia. Aluísio foi um especialista em regionalização e em estudos de urbanização. fruto de seus trabalhos de campo pelo IBGE e de excursões com seus alunos da UFF. Gelson atuou no setor de Geomorfologia e especializou-se na classificação de solos. junto ao grupo do Projeto Memória do IBGE na organização dos roteiros de entrevistas dos seus colegas. o primeiro geógrafo contratado pelo CNG em 1938 para secretariar as reuniões iniciais do Conselho. Fábio de Macedo Soares Guimarães.Parte I Capítulo III .0 para ficarem registrados em meio magnético. e possuía também. Ambos aposentaram-se no final dos anos 80. além do próprio Orlando). geógrafos que ingressaram no IBGE na década de 50. Outras Instituições que Organizam a Memória Geográfica Brasileira . também. quatro funcionários ligados à Geografia foram entrevistados. posteriormente. constituído majoritariamente por engenheiros e. por alguns geógrafos treinados por Pierre Deffontaines na primeira turma de Geografia da Universidade do Distrito Federal (Cristóvão Leite de Castro. criador da estrutura administrativa do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Ele foi iniciado em 1990 pelo grupo de técnicos que organizou o setor de Memória Institucional do IBGE através de gravações de depoimentos de alguns profissionais que tiveram importância na construção da profissão no órgão. Os Personagens Iniciais Cristóvão Leite de Castro Engenheiro formado em 1928 e depois geógrafo.

Os Depoentes da Pesquisa No âmbito da presente pesquisa. Cesar Ajara e Maria Luiza Gomes Castelo Branco).Duas outras instituições que se ocupam da memória dos geógrafos e que documentaram depoimentos de profissionais do IBGE foram o Departamento de Geografia da Universidade de Santa Catarina. A publicação catarinense colheu os depoimentos de Orlando Valverde. além de produzirem textos técnicos e mapas. e os chefes do Departamento de Geografia de 1967 até hoje (Orlando Valverde. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e Teresa Cardoso da Silva (Geomorfóloga baiana que. A revista da UERJ transcreveu o depoimento de Speridião Faissol em seu primeiro número. Luis Cavalcanti Bahiana. a construção do conjunto de depoimentos orais que está compondo a memória dos geógrafos do IBGE para este trabalho. Elza Keller. Alceu Magnanini. O professor Faissol. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. Tereza Cony Aguiar). O segundo grupo constituiu-se de alguns técnicos que produziram trabalhos geográficos. Marília Veloso Galvão. Olga Buarque de Lima. em função da absorção do Projeto Radam Brasil pelo IBGE em 1985. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. também conduziram a política e a administração da área de Geografia através das chefias. Fany Davidovich. já aposentado do IBGE. dividiu-se em quatro grupos: os que. José César de Magalhães. O terceiro. Solange Tietzmann Silva. quanto em grupo. . neste grupo foi incluído também o cartógrafo Rodolfo Pinto Barbosa por ter chefiado a área de Atlas na Cartografia e depois no Departamento de Geografia . composto por geógrafos técnicos que exerceram chefias de setores específicos ou que produziram trabalhos relevantes para Geografia do IBGE (Ruth Magnanini. Edgar Kulhman. tanto individualmente. lecionava nesta universidade por ocasião de seu falecimento. através da Revista Geosul e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através da revista GeoUerj. Pedro Geiger. trabalhou em importantes projetos na década de 80). estão incluídos alguns dos antigos chefes da Divisão de Geografia. preferencialmente os que assumiram chefias de Divisão mais recentes ou coordenaram projetos de grande porte na área de Geografia do IBGE (Alfredo Porto Domingues. Miguel Angelo Campos Ribeiro).

Usando-se o critério de idade. idade/saúde. Por outro lado. O episódio do falecimento de Speridião Faissol em março de 1997 foi um desses duros golpes. que ocuparam cargos na alta direção do IBGE. apesar de haver dado seu depoimento anteriormente. Sérgio Bruni e Trento Natali Filho). e que infelizmente ocorreram. Maria do Socorro Diniz e Milton Santos). pois ao se trabalhar com os profissionais de um órgão criado em meados dos anos 30. Isso. .O quarto grupo foi composto por geógrafos que tiveram alguma relação profissional com o IBGE no início de suas carreiras ou que foram influenciados pelos cursos de aperfeiçoamento que o órgão ministrava (Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Houve também um depoimento especial da professora Marieta de Moraes. uma historiadora especializada em História Oral. a questão saúde/doença também permeia esse grupo. O quinto e último foi composto por profissionais. Nascido em 1917 e contratado pelo Conselho Nacional de Geografia em 1938. recém restabelecidos e que puderam contar com muitos detalhes suas respectivas trajetórias profissionais. nos anos de 1998/1999. foi muito gratificante ter podido entrevistar Alfredo José Porto Domingues e Miguel Alves de Lima. Os depoimentos de alguns presidentes e diretores da área de Geociências foram objeto de tratamento específico no capítulo II da parte IV deste trabalho. continua produtivo e disposto a orientar e esclarecer aos mais jovens. Mauro Pereira de Melo. que se confundem com boa parte da história da Geografia ibegeana. geógrafos ou não. os pioneiros já estão na faixa dos 70/80. como no caso do acidente fatal que nos impediu da convivência intelectual de Nilo e Lysia Bernardes em 1991. Edson de Oliveira Nunes e Charles Muller) e diretores e superintendentes das áreas em que a Geografia foi parte integrante (Miguel Alves de Lima. As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE. sem falar no seu entusiasmo pelas causas ambientais da Amazônia que sempre foram o principal foco de sua militância na Campanha Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) desde 1965. que levantou a documentação sobre as memórias profissionais e familiares de Pierre Deffontaines. o primeiro depoimento foi feito com Orlando Valverde. Speridião Faissol. considerado por várias razões o decano dos geógrafos do órgão. Além disso. A Estruturação Inicial do Processo de Depoimentos Orais A primeira preocupação foi com a idade de uma boa parte dos depoentes. além dos acidentes que podem ocorrer ao longo desses 60 anos. como presidentes do órgão (Eurico Neves Borba. principalmente ao abrir o seu imenso arquivo de documentos e fotos de sua vida profissional.

O primeiro conjunto de questões que orientou os depoimentos dos geógrafos pioneiros vinculou-se a seis grupos de indagações que cobriam: A) Questões planejamento: referentes ao papel desempenhado pela Geografia como ferramenta de 1. foi elaborado um roteiro que abarcasse o máximo de informações sobre as práticas profissionais que ocorreram ao longo de suas carreiras.qual a real importância da Geografia como instrumento de planejamento de governo? 2. Alfredo José Porto Domingues. garantiram um importante espaço de aperfeiçoamento profissional. Os Roteiros de Orientação dos Depoimentos Por conta da ênfase do projeto estar direcionada para os profissionais que forjaram a Geografia do IBGE e considerando que este grupo foi majoritariamente formado pelos profissionais que ingressaram no órgão nos primeiros 15 anos de sua existência. Rodolfo Pinto Barbosa. O depoimento de Milton Santos foi colhido para exemplificar a importância dos cursos de aperfeiçoamento do IBGE que se tornaram. Marilia Veloso Galvão.No grupo dos pioneiros. nas quais o DEGEO foi um importante ator. Elza Keller. Alceu Magnanini. entre o final dos anos 60 e início dos anos 70.quais foram os períodos de maior influência da Geografia no sistema de planejamento federal? 3. além de Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. Esses cursos. que orientou positivamente a qualidade dos trabalhos geográficos no Brasil. juntamente com a dinâmica de pesquisas e apresentações dos congressos da Associação dos Geógrafos Brasileiros que ocorreram até os anos 60. que iniciaram suas carreiras no final dos anos 30. Edgar Kulhman. O depoimento de Maria do Socorro Diniz representou a experiência de trabalho de uma estagiária no Departamento de Geografia do IBGE (DEGEO). além de estruturar um fórum de avaliação entrepares.quais foram os melhores conjuntos de metodologias que realmente auxiliaram no reconhecimento da importância da Geografia no planejamento? . Pedro Pinchas Geiger. Carlos Augusto Figueredo Monteiro e Fany Davidovich que ingressaram no IBGE no início dos anos 40. entre o final dos anos 40 até o início dos anos 70. Período de grandes mudanças metodológicas nas pesquisas geográficas. um referencial indiscutível na formação das carreiras da maioria dos grandes profissionais de outros estados. Speridião Faissol.

como a Geografia se posicionou.como foram as relações da Geografia com a Cartografia e com a Estatística no decorrer do período? C) Questões referentes a convivência entre a Geografia do IBGE e as outras Geografias: 1.como foi “absorvida” pelo Geógrafo a experiência de aprendizado ocorrida no ensino médio? 2.quem foram os principais incentivadores da carreira? 2. dos mecanismos formadores de uma categoria especializada de profissionais que trabalham com Geografia voltada para o planejamento: 1. 1.qual foi o mecanismo de ingresso no IBGE? E) Questões que vinculam as relações internas e externas que ocorreram entre os Geógrafos do IBGE. ao longo desses 60 anos. no sentido intelectual do termo.como funcionaram as estruturas de lobby da Geografia junto aos poderes de República? E em que ocasiões isso ocorreu? B) Questões que tentam explicar internamente o papel da letra G na sigla IBGE: 1. no contexto da missão institucional do IBGE? 2.o processo de interdisciplinaridade que obrigatoriamente ocorre em estruturas de planejamento do governo foi positivo ou negativo para Geografia do IBGE? F) Questões referentes ao futuro incerto da Geografia no IBGE em função da aceleração da crise do funcionalismo público somada ao declínio da formação profissional em nível de bacharelado: .4.a escolha da especialidade principal se deu em que contexto? E sob a orientação profissional de quem? 3.como foram os relacionamentos entre a Geografia do IBGE e a ABG nos diversos períodos analisados? 3-qual foi a importância do IBGE na reciclagem de conhecimentos geográficos do corpo docente de ensino médio? D) Questões que tentam dar conta.qual tem sido o relacionamento entre o IBGE e a Universidade no campo geográfico? Quem influenciou quem? Em que? E em que período? 2.como o ensino superior garantiu ou não as pré-condições para a decisão de tornar-se um geógrafo do IBGE? 3. ao longo do tempo. principalmente no que se refere a crescimento profissional.

Walter Egler e Speridião Faissol são os melhores exemplos). Assim como Pierre Dansereau. onde as relações de orientação estruturadas entre orientadores e orientandos eram mais ou menos explicitadas. Outro ponto importante foi a verificação de certas afinidades entre especialistas que.Onde poderia ficar a Geografia no governo federal fora do IBGE? 2. essa memória tende a turvar-se em virtude do aparecimento de novas metodologias ou conjuntos de técnicas que reordenaram as atividades geográficas no IBGE. As questões referentes aos aspectos operacionais da carreira também eram costuradas aos cursos de aperfeiçoamento e aos projetos iniciais. não criaram grandes grupos. que na área de colonização trabalharam com grupos restritos. vai muito além da simples orientação relacionada com a especialidade desses profissionais.1.Conseguiria a Geografia um espaço próprio ou teria de associar-se com outras disciplinas? Os demais depoimentos foram direcionados para certas atividades e/ou períodos considerados relevantes e seguiram um roteiro básico que iniciava com uma apresentação da carreira. A especialização de Geomorfologia de Ruellan e a de Geografia Urbana de Rochefort não impediram que seus ensinamentos ou que a mística que envolveu esses ensinamentos. Os Referenciais Mais Importantes ao Longo do Tempo Um dos principais aspectos da estruturação da memória dos profissionais da Geografia no IBGE é. Dora Amarante Romariz e Edgar Kuhlmman. É importante também ressaltar que nos períodos mais recentes. além de orientar e garantir cursos no Canadá para alguns de seus discípulos como Alceu Magnanini. sem sombra de dúvida. independente do período de ingresso no órgão. Neste ponto foi possível verificar a influência de certos “líderes de grupos de afinidade” conforme a acepção de Berdoulay (1981). . no entanto deixaram boas obras e bons discípulos (Orlando Valverde. biogeógrafo canadense que deixou excelentes trabalhos didáticos para a disseminação de sua especialidade. geralmente entremeada com aspectos de sua formação educacional. a de Francis Ruellan para os que ingressaram na décadas de 40 e 50s e de Michel Rochefort para os que ingressaram nos anos 60. a influência de Pierre Deffontaines nos primeiros pioneiros da segunda metade dos anos 30 . seja igualmente reverenciada por especialistas de diferentes áreas da Geografia que vivenciaram esses períodos. É possível perceber uma substituição de nomes por técnicas. diferentemente de Ruellan ou Rochefort. como foi o caso de Leo Waibel e Preston James. além de confirmar-se a importante influência da Geografia francesa em praticamente todos os profissionais entrevistados. Ë bom frisar que a influência em termos de memória.

Embora o nome de Brian Berry seja lembrado eventualmente. As tecnologias mais atuais. sistemas de informações geográficas e ao tratamento de imagens. passaremos a enfocar o contexto histórico que orientou o pensamento geográfico brasileiro no século XX. referenciadas ao geoprocessamento. Após um entendimento geral do quem é quem na Geografia ibegeana. Arc View e Arc Info. Adobe Photoshop ou softwares da Intergraph. mas para a maioria dos novos geógrafos as principais referências estarão vinculadas aos softwares Cabral 1500 (mapeamento) e Samba (banco de dados dos censos do IBGE). responsável pela divulgação de pesquisas de Geografia de redes urbanas utilizando métodos . mapeamento automatizado. Atlas Gis. ou pelas empresas que os criaram. o que ficou gravado na memória da maioria dos geógrafos quantitativos. foi a Geografia Quantitativa e não o pesquisador inglês / americano. O acesso se dá. Map Info. Idrisi. criaram-se boas relações profissionais com Hervé Thérry e o casal Philippe Waniez e Violette Brustlein. que rodam em plataformas Macintosh. por meio de literatura e de tutoriais em multimídia ou pela rede Internet. são geralmente tratadas pelos nomes dos softwares. No caso do convênio entre o IBGE e a Maison de Geographie de Montpelier durante os anos 90.

mas com uma interessante característica. Primeiramente uma introdução geral sobre as grandes espaços abrangidos pelo país e as necessárias comparações com outros países. / mar. em 1934 e do Distrito Federal. uma edição fac-similar contendo cinco artigos considerados clássicos. a ordem cronológica desses artigos não foi observada. a montanha mineira e atividade econômica das jazidas. Pierre Deffontaines (1894-1978) foi o primeiro professor vindo da França em 1934 e estabelecido no Rio de Janeiro a partir de 1935. é feita uma costura entre os elementos de forma e função: a montanha barreira e os caminhos de acesso. no caso da montanha. que foi montada sob sua supervisão. a montanha pastoril e a pecuária. O primeiro. além da criação dos primeiros cursos de graduação em Geografia. onde a floresta também volta a se relacionar com as atividades humanas via extrativismo e preparação da base edáfica para agricultura. porém não tão detalhado. vamos colocalos em ordem de publicação na revista.Parte II .A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro no Século XX Através de Algumas Leituras Evocativas Em 1988. Geografia Humana do Brasil de autoria de Pierre Deffontaines publicado no primeiro número da revista (ano 1 n 1 de jan. Nas abordagens do clima. incluindo aí a criação da RBG. na Universidade de São Paulo. em 1935 e da estruturação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. Talvez por razões de editoração. Seguem-se descrições sobre os elementos constitutivos do quadro natural. Mas. por ocasião das comemorações do cinqüentenário da Revista Brasileira de Geografia – RBG. O detalhamento retorna com a vegetação. a montanha e a horticultura. de 1939) é um típico artigo de Geografia Humana que a escola francesa produzia para este tipo de escala. da hidrografia e do litoral o processo é semelhante. Boa parte do arcabouço técnico do futuro Conselho Brasileiro de Geografia foi obra sua. a montanha e o veraneio. o . a montanha e a indústria. o Conselho Editorial daquela publicação organizou um número especial composto por dois tomos. em função de um convênio entre França e Brasil para criar estruturas de ensino e pesquisa para a Geografia. para fins de entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil a partir dos anos 30.

18). A parte final do artigo é dedicada a análise das nove divisões regionais propostas por outros autores e suas conclusões apontam para uma solução de compromisso entre a de Delgado de Carvalho. Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico de autoria de Emmanuel De Martonne (1873 1955 ). nordeste. 34). Uma nota da redação da Revista esclarece que. Lucien Febvre. Foi aluno de Pierre Deffontaines (1894-1978) na primeira turma da Universidade do Distrito Federal e trabalhou com ele na formação do primeiro núcleo de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia entre 1935 a 1938. Camille Vallaux. O resultado desse trabalho foi a homologação pelo governo federal em 1941 de uma regionalização oficial em cinco regiões: norte. quanto econômicos.. que englobasse tanto os aspectos físicos. Foi nesse período que estruturou suas pesquisas sobre regionalização que resultaram nesse trabalho. Para um entendimento mais abrangente sobre as relações entre a Geografia e a História na França. possuía o binômio de conhecimento e liderança. apoiada em critérios econômicos. de 1943. Em conseqüência dos acontecimentos de maio – junho de 1940 (invasão da França pelas o . de 1941. Emmanuel De Martonne publicou nos Annales de Géographie dois artigos sobre “Os problemas morfológicos do Brasil tropical atlântico”. sul e centro oeste que perdurou até o final dos anos 60. no início dos trabalhos do CBG. / jun. o Prof. Anne Buttimer (1980) e Vincent Berdoulay (1981) é de grande valia. / dez.. baseada nas regiões naturais e a do Conselho Técnico de Economia e Finanças. Segue-se uma explanação sobre o método de definição de região natural que serviria de base para a posterior regionalização chamada por Fábio de uma única divisão regional prática (pg. todas perfeitamente em sintonia com as idéias desses mestres. adotada no mesmo ano pelo Governo Federal.Divisão Regional do Brasil de autoria do único brasileiro do grupo Fábio de Macedo Soares Guimarães publicado no ano 3 no 2 de abr. Lucien Gallois e Pierre Deffontaines. o mais influente geógrafo francês das décadas de 30 e 40 e Secretário Geral da União Geográfica Internacional (UGI) em meados dos anos 30. O artigo lança as bases para a primeira regionalização oficial do país. Jean Brunhes. leste. Outro ponto de convergência pode ser também percebido nas cinco conclusões gerais sobre o conceito de região natural (pg. Primeiramente foi feita uma defesa do conceito de divisão única. possivelmente por sua formação anterior de engenheiro. Observa-se claramente uma forte influência da escola francesa dos Annales de Géographie através das citações bibliográficas de Vidal de La Blache. uma consulta aos livros de Peter Burke (1991). ‘Em 1940. Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) sempre foi considerado um profissional que. publicado no ano 5 n 4 de out.

futuramente. Possivelmente ocorreram reuniões entre De Martonne e Mário Augusto Teixeira de Freitas (18901956). publicado em no ano 6 n 4 de out. enquanto que do segundo se sabia apenas da sua existência. O interesse desses artigos era tal que. A criação dos cursos formais de Geografia nas Universidades de São Paulo e do Distrito Federal e a preparação de um corpo técnico de geógrafos que pudesse. / jun. Emmanuel De Martonne ao Brasil se deu em 1933 e teve pelo menos dois objetivos de cunho diplomático / cultural. A Evolução Geomorfológica da Baía de Guanabara e das Regiões Vizinhas de autoria de Francis Ruellan . chegaram ao Brasil somente dois exemplares do primeiro artigo . levados a efeito por grupos de origem italiana e alemã. de 1944 é o principal trabalho do único geógrafo que se pode denominar de chefe de escola no contexto do Rio de Janeiro (possivelmente Pierre Mombeig em São Paulo tenha tido as mesmas características). Francis Ruellan (1894-1975) foi o formador da segunda geração de geógrafos cariocas tanto no IBGE. Princípios da Colonização Européia no Sul do Brasil de autoria de Leo Waibel. que rastrearam alguns processos de colonização no Brasil. Nessas reuniões. Faz um contraponto entre a estrutura geológica da área e os diferentes processos formadores do relevo falhado da Serra do Mar. é quase certo que a vinda de Pierre Deffontaines para o Brasil tenha sido acertada. /dez. O artigo de De Martonne é um clássico trabalho de Geomorfologia da porção sudeste do Brasil. O Professor De Martonne atendeu a esse pedido e fez a doação de seus direitos autorais como agradecimento pela acolhida que teve por ocasião de suas missões no Brasil’. Seus trabalhos de campo eram considerados verdadeiras maratonas físicas e intelectuais. dos alinhamentos das serras litorâneas e do relevo apalachiano do interior entre São Paulo e Minas Gerais. quanto na Universidade e além. foi solicitada ao Professor De Martonne a remessa de um exemplar de cada um deles. por via diplomática. de 1949. o principal responsável pelo gerenciamento das estatísticas brasileiras no governo de Getúlio Vargas e um dos artífices do casamento entre a Geografia e a Estatística. O artigo é um dos mais completos e detalhados trabalhos sobre os processos geomorfológicos formadores da Serra do Mar e das planícies litorâneas que cercam a região da baía de Guanabara. pertence ao grupo de trabalhos de Geografia Humana orientados para a questão da ocupação do território. Este tipo de pesquisa foi muito incentivado o o . assim como sua permissão para traduzi-los e publicá-los.tropas de Hitler). com ênfase na formação dos alinhamentos serranos que ocorrem neste espaço. pois muitos de seus alunos foram professores de Geografia nos principais colégios do Rio de Janeiro. publicado no ano 11 n 2 de abr. representar o Brasil na União Geográfica Internacional (UGI). A vinda do Prof.

Speridião Faissol e Pedro Geiger. Becker sempre foram ligados à universidade. as áreas de interesse de Carlos Augusto e Geopolítica e Gestão do Território as arenas de trabalho de Bertha. Desses. O primeiro artigo de Aziz Ab’Saber (1922. possivelmente em função do problema de comunicação via alemão e inglês. Aziz fez carreira na USP e Bertha na UFRJ. Climatologia e História do Pensamento Geográfico. apenas dois tiveram suas trajetórias de trabalho ligadas permanentemente ao IBGE.pelo governo de Vargas. que iniciaram seus projetos profissionais durante a década de 40. tanto no período que antecedeu a Segunda Guerra. ou para servir de quadro de referência sobre algum tema da Geografia. Estão ali as dicotomias entre Geografia Física e Humana. que poderia ser de cunho evocativo. Leo Waibel (1888-1951) foi um típico líder de grupo de um círculo restrito de geógrafos.) O Pantanal Mato-grossense e a Teoria dos Refúgios se inscreve na categoria de quadro de referência. a defesa do possibilismo e o enfoque das relações seres humanos e meio ambiente. Urbanização e industrialização foram as principais áreas de investigação de Faissol e Geiger . entre Geografia Regional e Sistemática. Trata-se de um trabalho que. quanto durante e após o conflito. as Universidades e o Conselho Nacional de Geografia. principalmente no que concerne aos anos 30 e 40. O conselho editorial da RBG encomendou a cada autor um trabalho de livre escolha. O segundo tomo da edição comemorativa da RBG foi organizado sob a ótica da avaliação de alguns campos do conhecimento geográfico ou das lembranças profissionais de cinco geógrafos considerados como expoentes de suas especialidades. Rio Claro e USP). Geomorfologia foi o campo de especialização de Aziz . período em que se formaram as principais instituições produtoras da Geografia formal. idiomas muito pouco difundidos numa comunidade que majoritariamente entendia o francês. Aziz Nacib Ab’Saber e Bertha K. ou ter características provocativas que ampliassem o conhecimento dos leitores. trabalhando exclusivamente como pesquisador do IBGE. Esses cinco trabalhos traduzem uma boa parte do contexto do pensamento geográfico na primeira metade do século XX no Brasil. Calos Augusto Figueiredo Monteiro trabalhou no IBGE entre 1948 e 1956 e depois seguiu uma carreira universitária (Florianópolis. primeiramente faz uma análise geomorfológica do Pantanal Mato-grossense enfocando geoformas como o grande domo esvaziado (boutonniére) do alto vale do rio Paraguai e o conjunto de aplainamentos da .

Manuel Castells (1986) e outros. no caso. Walt Rostow (1961). mas com importantes citações como John Friedmann (1985. O trabalho avalia algumas tecnologias que viabilizaram a ampliação do controle espaço-tempo e seus usos pelo aparelho estatal. a primeira tratando das relações entre alterações climáticas e mudanças ecológicas ocorridas na depressão pantaneira e finaliza com algumas especulações bem interessantes sobre a provável evolução da cobertura vegetal e distribuição espacial da fauna do Pantanal utilizando como suporte argumentativo a Teoria dos Refúgios. Dárdano de Andrade-Lima. Becker (1930. A primeira parte estrutura-se como quadro de referência. onde conflitos e cooperação poderão apresentar diferentes padrões. Faz também uma longa apreciação do projeto geopolítico da modernidade levado a efeito pelo Estado brasileiro após 1930 e analisa seus resultados na década de 1980. e portanto. da qual Aziz é um dos elaboradores. . Principalmente aquelas que implicaram uma forte relação entre ciência e tecnologia e que por força de seus custos e de suas implicações de poder sempre estiveram em mãos do Estado Nacional. as turbulentas relações entre a Geopolítica e a Geografia. por ser ainda uma arena onde quase tudo ainda está por se realizar. Em seguida. o paleoplano da Chapada dos Guimarãres. O artigo de Speridião Faissol (1923-1997) Planejamento e Geografia: Exemplos da Experiência Brasileira situa-se na fronteira entre o estabelecimento de um quadro de referência sobre a noção de planejamento a evocação de experiências profissionais neste campo. e fazendo uma revisão bibliográfica não exaustiva. Usa como espaço de exemplo a Amazônia. Doreen Massey (1985). agente decisório em muitos projetos de planejamento ao longo dos seus anos de atividade. para o bem ou para o mal. David Harvey (1969). Finaliza com conjecturas sobre as futuras relações entre o Estado e a sociedade organizada. dependendo do setor e do poder de barganha dos agentes envolvidos. enquanto geógrafo situado em altas posições da hierarquia do IBGE. Sua parte final está dividida em duas seções. Paulo Vanzolini. juntamente com Pierre Birot. como nos casos da tecnologia espacial e seus subprodutos e das telecomunicações em escala global. O artigo A Geografia e o Resgate da Geopolítica de Bertha K. e os leque aluviais das planícies mais recentes. traça alguns comentários sobre as novas pesquisas feitas na região utilizando as imagens de radar e dos satélites Landsat . explicando as necessárias conceituações sobre o tema.1986).) é outro que também se pode classificar como estabelecedor de um quadro de referências de vetores de conhecimento. Keith Brown e outros. que usam sensores do tipo Tematic Map ( TM ).mesma área. os processos geradores do pediplano cuiabano. no contexto dos diferentes papéis que o Estado assumiu ao longo do século XX no gerenciamento do território e no controle social subseqüente. José Bigarella.

. quem sabe como uma forma de assumir uma posição acadêmica. mas é com elas que Geiger costura com muita sensibilidade os 46 anos de atividade geográfica no IBGE.A segunda. É possível perceber também que nesta época. Críticas estas iniciadas 10 anos atrás (1978) durante o 3 Encontro Nacional de Geógrafos em Fortaleza e que se intensificaram durante toda a década de 80. não só conceituais. O artigo de Pedro Geiger (1923. os estudos de localização do futuro Distrito Federal no Planalto Central em meados da década de 40. que por si só assegurasse uma identidade.96). as expressões industrialização e urbanização. no Governo Figueredo. as Comissões Nacionais da União Geográfica Internacional (UGI) e do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). a própria função de planejamento estatal de médio e longo prazos estava exaurida e substituída cada vez mais por decisões conjunturais de curto prazo. principalmente aquelas em que os geógrafos tiveram um papel significativo em sua elaboração. a Geografia do IBGE ( e de certa forma no Brasil). como evocação. apenas para organizar a memória e estruturar as lembranças profissionais. parecem ter sido colocadas como um tênue pano de fundo. uma administradora das conjunturas que iam se apresentando.96). ” É curioso observar que. orientadas para o campo financeiro. A criação dos Territórios Federais no início dos anos 40. 1981). ao historiar as experiências brasileiras de planejamento. ainda que mais ideológica que profissional” (p. mas de muitas incertezas. Conhecimento e Atuação da Geografia inscreve-se totalmente no campo evocativo.. O artigo foi escrito em 1988. “Esta tem sido uma fase de reflexão. os trabalhos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) nos anos 60 e os projetos de avaliação da urbanização para o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) na década de 70. principalmente na primeira metade. a partir do momento em que a própria Secretaria de Planejamento da Presidência da república foi se tornando. período em que a Geografia voltada para o planejamento estatal centralizado estava ainda sob fortes críticas de um grupo de geógrafos que seria conhecido como o formador da Geografia Crítica ou Radical (ver Santos. com muitos deles procurando refúgio nas teses marxistas ou neomarxistas. por problemas econômico-administrativos. o .) Industrialização e Urbanização no Brasil. cobrindo a evolução de algumas instituições como as universidades (seus cursos de Geogrfia). perdendo muito de sua função planejadora. é bem verdade. foi perdendo terreno. o IBGE. As palavras de Faissol mostram um pouco disso em duas passagens na mesma página. mas também ideológicas. inclusive no plano acadêmico” (p.

e mergulhar num ambiente de reflexão intelectual onde transitam literatura. A simbologia da Torre segundo Carlos Augusto é retirada de um poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939). a torre representa um meio de. com Lefévbre.) Travessia da Crise (Tendências Atuais na Geografia) insere-se no campo das obras instigantes.. sendo. Pedro Geiger termina suas memórias recordando a antiga asserção de Vidal de La Blache sobre a Geografia como uma ciência de síntese. englobando processos naturais e sociais. O ensaio de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (1927. veremos que a análise é o ato de destacar o objeto da totalidade a que pertence. compreende a produção racional do espaço do homem. 129). ” A Geografia vidalina dizia que a Geografia era uma Ciência de Síntese. a Quantitativa se fartou no uso do termo análise. alcançar o poeta um espaço mais amplo e nele identificar os eventos que o tempo marcou na sua terra natal. então a Geografia é uma Ciência de Síntese” (pg. perturbadoras. Não é uma leitura fácil. na sociedade urbana esperada. pois pressupõe uma bagagem cultural bem mais ampla do que apenas os conhecimentos geográficos tradicionais adquiridos ao longo do período letivo. uma violência. O primeiro movimento denomina-se A Torre (Modernidade e Crise). Marshall McLuhan (1972) analisando a peça teatral Rei Lear de Willian Shakespeare (1564-1616) e Marshall Berman (1982) analisando o poema Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). ” . Carlos Augusto opera a partir de dois autores que fizeram análises literárias de duas obras seminais da literatura ocidental. Porém o cerne dessa primeira parte está centrado nos conceitos de modernidade e crise . como se fosse uma peça musical. portanto. uma agressão. história e outros campos do conhecimento humano. A estrutura do ensaio está organizada em quatro movimentos. música. que representaria um contraponto entre as noções de reclusão e amplidão ou nas palavras de Carlos Augusto. que provocam o leitor a ir além da simples leitura para fins de verificação de um conjunto de conhecimentos. . 82). todas as ciências praticam análise e sínteses. em reclusão. porém recolocando-a em outros termos. Se a racionalização da vida humana. filosofia. ou mesmo de uma vida profissional muito técnica.Analisa também as principais correntes de pensamento geográfico que se desenvolveram no Brasil: o Possibilismo vidaliano. o movimento quantitativo e a Geografia crítica. recolocando os objetos analisados numa nova estrutura. se tomarmos mais profundamente estes dois conceitos. Contudo.. artes plásticas... Uma torre para sentir o mundo e refletir sobre sua geografia” (pg.. Era-me difícil aceitar a síntese como um conceito específico da Geografia. A síntese consiste em refazer o todo. Para o conceito de modernidade.. para o seu maior entendimento.. racionalmente. a Geografia da Economia Política.

(pg. 58 anos decorridos entre 1773 e 1831. o sujeito e objeto de transformação não é apenas o herói. Para McLuhan. e não separa-los. um sistema mundial especificamente moderno vem a luz” (pg. Fausto de Göethe expressa e dramatiza o processo pelo qual. 129) enquadra-se muito bem no binômio que Carlos Augusto apresenta como alvo de sua preocupação nesta parte do texto. que Carlos Augusto observa como uma “decomposição em planos paralelos do (fictício) abismo que alcança foros de único exemplo de arte verbal tridimensional’’. mas o mundo inteiro. considerada como um período de grandes transformações e turbulências e portanto um tempo propício à modernidade num sentido mais amplo.. primeiramente a época da elaboração do poema. o processo lingüístico criado por Shakespeare para desenvolver este convencimento está tão a frente de seu tempo. pois.. 129) e destaca dois pontos interessantes que mantém contato com a questão espacial. onde a grande mutação foi dada graças à nova visão do mundo. a modernidade se apresenta ali através da linguagem. O segundo refere-se a cena do precipício (cena 6 do 4 ato). modernidade e crise. “O herói de Shakespeare encarnaria a modernidade da Renascença. a escolha de Carlos Augusto recai sobre a avaliação que este crítico literário faz de Göethe a partir de sua principal obra Fausto. O primeiro. mais irracionais tornamse nas suas relações sociais e econômicas. Para o tema crise ele se utiliza de um paradoxo trabalhado por Eduardo Soubirats (1988) que estipula que quanto mais racional tecnicamente fica a civilização humana. o . envolve a questão da divisão do reino de Lear em três partes. Carlos Augusto alude à tendências milenaristas citadas nas últimas estrofes e as vê como sinais de um tempo que envolve desagregação. Ao retornar ao poema de Yeats. O ponto agora está enfocando. onde Edgar tenta convencer o cego Gloucester que ambos estão a beira de um penhasco. O destaque por Carlos Augusto da frase de Berman “Na versão göethiana do tema de Fausto. advinda da física de Newton”. no fim do século XVIII e início do seguinte.Carlos Augusto nos fala da percepção de McLuhan sobre alguns aspectos da modernidade que esta peça enseja. Na obra de Marshall Berman Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar : a aventura da modernidade (1982). mas também esperança. fato que McLuhan considerou como modernidade para a época em que o normal era agregar espaços.

principalmente no que concerne às dificuldades de comunicação entre as ciências exatas e as sociais. mas já devidamente percebida por Carlos Augusto). um dos mais geográficos dos autores eruditos do país. entre o homem e o lugar na terra. Asseverar que a Geografia é uma Ciência Social. A maior preocupação de Carlos Augusto é deixar evidente que a Geografia apesar de suas contradições e lutas ideológicas tem a função. no âmbito interno da Geografia também geraram conflitos de comunicação entre as facções da “física” e da “humana”.é o vinculo primordial.. quando este havia tratado da questão irracionalidade na Idade Média e na Atualidade. “de capacitar o homem a encontrar a habitação do ser-no-mundo.141).. Outro ponto interessante desta parte é a demonstração de erudição explícita que Carlos Augusto dá. Carlos Augusto conclui seu instigante ensaio com uma mensagem de esperança. O dualismo entre racionalidade / irracionalidade e modernidade acompanha todo o texto. 137). seguindo com Immanuael Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e desembocando em Karl Marx (1818-1883) e finalizando com Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Heidegger novamente.. “na geração de um conhecimento conjuntivo.O segundo movimento chamado de Labirinto (Ciência: Geografia) toca nas relações entre a Geografia e as outras áreas do conhecimento. crescentemente disjuntiva de hoje” (pg. quando boa parte dela opera em áreas de contato com as Ciências Naturais cria dificuldades de entendimento para decifrar a trajetória do conhecimento dentro de um Labirinto que somente poderá ser transposto. fazendo face à tendência O terceiro movimento chama-se Os Espelhos (O Pensamento entre Preparação e Fundação) e inicia com uma citação de Martin Heidegger (1889-1976) sobre os mecanismos do pensamento em antever o futuro da humanidade. quanto autores brasileiros. O que permanece – tal como o núcleo do átomo cercado das mais estranhas propriedades entre os constituintes e em relação à energia que o define .. para em seguida tomar de empréstimo a Humberto Eco a simbologia do Teatro de Espelhos. onde os mortais residem.. especificamente com Guimarães Rosa. O quarto e último movimento chamado Os Sinos (O Situar-se para o Acontecer) inicia com um retrospecto de sua vida profissional e prossegue com uma reflexão sobre as dificuldades da pesquisa geográfica de Climatologia nos anos 60 e 70 e vislumbra novas possibilidades com a futura Teoria do Caos (ainda incipiente na época da redação do ensaio. iniciando em Renné Descartes (1596-1650). problemas que.. junto com as “coisas” (pg. Não importam suas variações e oscilações através dos tempos históricos. ao refletir sobre as relações entre a Literatura e a Geografia cobrindo vários níveis de elaboração de enredo tanto com autores ingleses e franceses. .

. evoque o anseio futuro”. que integra a coletânea Geografia: Conceitos e Temas. que Carlos Augusto considera como um coro. a serviço do INIC. No prefácio de Antônio Cândido é dito que. O ensaio termina com os versos da ode do poeta alemão Friedrich von Schiller (1759-1805) incorporada no coral da parte final da Nona Sinfonia de Ludwig von Beethoven (1770-1827). Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. ainda que sob um viés ibegeano. Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a geografia agrária e os processos de colonização. “Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil”. que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. 1995) Origens do Pensamento Geográfico no Brasil: Meio Tropical.“Que o homem volte a encontrar o seu lugar na Terra e que sua Geografia venha a descrever. o número especial de comemoração dos 50 anos da RBG nos dá uma boa amostra de dois períodos da Geografia brasileira. remontando ao passado. 146). são considerados os melhores em sua categoria. Para uma avaliação da Geografia brasileira desenvolvida no período anterior a 1930. num vôo entre Benjamin Constant e Manaus em agosto de 1955. o de José Veríssimo da Costa Pereira (Pereira. a geografia geral para educação. é necessário ler dois trabalhos que. . Espaços Vazios e a Idéia de Ordem . de grande significado sobre a literatura brasileira sob a organização de Afrânio Coutinho. Paisagem ou espaços diferentes da tristeza de hoje. dar conta daqueles novos contornos que o desvelamento do enigma do caos nos trará. A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954 para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros) . José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo. Que contenham a alegria” (pg.. Faleceu de um problema coronariano. “ que. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). que já havia montado outra. ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e na organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC).. 1955) A Geografia no Brasil que fez parte da coletânea As Ciências no Brasil . e o ensaio de Lia Osório Machado ( Machado.. atualmente. Portanto.

Para fins de entendimento da importância desta obra. A pesquisa de José Veríssimo inicia com uma panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil que cobre desde o século XVI até o início do XIX. além dos exploradores científicos europeus que durante os séculos XVIII e XIX desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e na Antropologia. No contexto das explorações portuguesas. uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil. foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões. conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat. inaugurou com sua carta ao Rei de Portugal. Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909 ) levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises de Euclides da Cunha. efetivamente. escritas em Os Sertões de 1902. aparecido em 1911.1982:112-143) para se ter uma impressionante sensação de que o autor.compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. enfocando os principais personagens desta saga geográfica. tanto escrito quanto cartografado. que tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho. dois especialistas descreveram os principais fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Mestre João de Faras (1448-1513).” ( Pereira 1955 : 424 ). conforme já ficou demonstrado. será feita uma síntese desses períodos. Veio daí o convite de Fernando de Azevedo para a elaboração deste capítulo. fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam nosso litoral) tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo conforme . em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida. Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947. em seguida as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior . como escrivão oficial da frota comandada por Pedro Alvares Cabral. vegetação. clima. “À luz da geografia moderna. ao descrever com minúcias o quadro físico (forma do litoral. persistente em Euclides da Cunha. Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40.. Tal conceito lablacheano é. o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que. Sem sombra de dúvida. Seu trabalho alcança os primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas Universidades do Rio e São Paulo. aliás. exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes ( de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos . trata-se de uma experiência intrigante ler o capítulo V de Os Sertões de Euclides da Cunha (1902 .. solo. O primeiro. analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores.

Claude d’Abberville com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux com uma continuação do trabalho de d’Abberville. padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799 ) são os mais importantes. escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618). É também na segunda metade do século XVI. as principais determinações astronômicas do hemisfério sul e informa sobre as novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal. dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil. O segundo.O Rio de Janeiro (1580). no qual é destruído o forte de Coligny. é que inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra.estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. portugueses radicados na terra e padres missionários continuam a produção geográfica sobre o Brasil. Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). Além dos franceses. Digno de nota também foi o importante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Paulo) em virtude de um naufrágio ocorrido por volta de 1550. na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota. também informa a D. Brandão. fazendeiro pernambucano. O padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry o livro Viagem a Terra do Brasil (1578). Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado descritivo do Brasil de 1587). Ambrósio F. Brasil de 1557) fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás. Na segunda metade do século XVI. Manuel I (1469-1521). No início do século XVII os trabalhos de dois padres capuchinhos franceses que percorreram a província do Maranhão marcaram os estudos geográficos na porção norte do país. com o processo de colonização já consolidado. em carta escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500. além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro França Antártica . ocupando em 1557 a atual baía de Guanabara. que a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do sul. o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima Do Clima e Terra do Brasil (1625) e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641) ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas feita entre 1637. forçando Portugal a criar um novo polo de defesa e ocupação. iniciado com um ataque naval em 1560. no litoral da capitania de São Vicente (atual São 0 . depois com a fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565 e finalizando com a definitiva expulsão dos franceses em 1567. No contexto da ocupação francesa.39.

a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. Todo o seu material depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa. além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. Suas observações e estudos geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território em consonância com os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo. O fim do século XVIII marca o início de uma nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras. foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal. No seu caso. obra de astronomia que ficou inconclusa. . uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. em função do falecimento do autor em 1655. aos 34 anos. Marcgrave também construiu o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul em Pernambuco em 1639. Seu retorno a Europa se deu atravessando a Amazônia Brasileira descendo o grande rio até Belém. Portugal recupera este acervo e em 1842 o repassa ao Brasil. Em 1815.No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco organizada por Maurício de Nassau a partir de 1638. General Junot em 1808 e quase todo o acervo transferido para Paris para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). Geografia e Botânica organizados pelo alemão a serviço da Holanda George Marcgrave (1610-1644) foram considerados os melhores até então executados sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) a Proginástica Matemática Americana. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um desses europeus que participou dessas expedições. Nessa mesma época. Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749) que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores Geógrafos do século XVIII. de La Condamine (1745). Na esteira desses trabalhos. As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos. foram conhecidos novas áreas do interior do Brasil. outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras do sul com o Uruguai. os trabalhos de Astronomia.

a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) sobre botânica e etnologia. Elisée Reclus (1830-1905) sobre geografia regional. exemplificados nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país. orientado a um só assunto Navegação Interior do Brasil de Eduardo José de Morais. As datas referem-se a dois acontecimentos de grande . científicos. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) sobre biogeografia e geografia geral. Na transição para o século XX. são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro [1838] e a Sociedade Brasileira de Geografia [1883]. John Mawe sobre condições de vida da população. um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e que lançou a idéia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias. geralmente envolvidos com os governos provinciais. Paralelamente. agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil. ideológicos. Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) sobre biogeografia e geomorfologia. com a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e com a criação do Conselho Nacional de Geografia em 1937. O ensaio de Lia Osório Machado tem outro enfoque. dois brasileiros deram uma grande contribuição para os estudos geográficos. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado. É também nesse século que aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira. Alexander von Humboldt (1769-1859) sobre biogeografia da Amazônia. tido com uma da mais detalhadas resenhas sobre a Geografia brasileira até hoje. outros geógrafos. como Pierre Deffontaines. organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país. Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente. O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se durante o século XX com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro orientados por professores estrangeiros. pois objetiva aprofundar o conhecimento sobre os contextos políticos. Ainda no século XIX. É também nesse período que o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques. Este foi apenas um esboço do trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira. Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855) sobre geologia e geomorfologia. principalmente nas regiões norte e centro oeste. econômicos que influenciaram a produção geográfica brasileira entre 1870 e 1930.No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil Corografia Brasílica do padre Manuel Aires de Casal em 1817. o General Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) ao explorar sistematicamente o noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos o Barão do Rio Branco (1819-1880) ao estudar detalhadamente nossas regiões de fronteiras.

construíram essas versões (José Veríssimo da Costa Pereira-1955. a fase mais dura desses tempos. com a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871 e a segunda. Caio Prado Jr. ao longo de suas carreiras. embora já ingressando no movimento de implantação da futura república. baseada nas obras de cinco importantes pesquisadores. o novo modelo republicano com a implantação da Revolução de 1930. e que a forte influência francesa em relação a alemã era então um dos grandes impecilhos ao desenvolvimento do pensamento geográfico no Brasil . A principal diferença que Lia aponta entre os dois conjuntos de autores. na primeira metade dos anos 40.importância na História brasileira. Talvez por isso. Ernsest Renan (1823-1892) e Gustave Le Bon (1841-1931). Machado cobre a produção geográfica situada no intervalo de tempo entre 1879 e 1930. a visão bem radical de Sodré sobre questões que envolveram os conceitos de determinismo e possibilismo geográfico. que levou Getúlio Vargas ao poder. Para Caio Prado Jr. nossas principais referências. . Hippolyte Taine (1828-1898). Trindade (1885-1959). pois abarcou o período do ciclo militar de 1964-1985 e está centrado diretamente na primeira metade dos anos 70. que não havia se recuperado completamente do golpe da abolição da escravatura em 1888. A primeira parte trabalha sobre algumas visões que enfocaram a evolução do pensamento geográfico brasileiro escritas na segunda metade do século XX. Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951). e o Brasil moderno que quebraria as velhas alianças politico/econômicas ditadas por uma elite agrária. é o forte criticismo adotado pelos historiadores aos estudos geográficos realizados no Brasil. É. Manoel Correia de Andrade-1977. portanto. Nilo Bernardes-1982 a e b). em 1945. a parte mais importante do trabalho de Lia O . Lia analisa com detalhe as obras de dois historiadores que escreveram sobre a Geografia. Gentil Moura (18681929). misturam-se com a influência alemã da Antropogeografia de Fredrich Ratzel (1844-1901) e as idéias de alguns importantes cientistas sociais franceses do século XIX. A análise se estrutura. publicada pela primeira vez em 1976 e já com nove edições. a primeira referencia o processo de abolicionismo. Eduardo M. Entretanto. ao prefaciar a reedição da obra de Manuel Ayres de Casal Corografia Brasílica publicada em 1817 e Nelson Werneck Sodré com sua Introdução à Geografia: geografia e Ideologia. O contexto histórico no qual Nelson Werneck Sodré escreveu seu trabalho era bem diferente do final do Estado Novo. os trabalhos dos geógrafos estrangeiros eram. suas vinculações com o neo-colonialismo europeu e norte-americano e a Geopolítica (área do conhecimento muito cara aos militares brasileiros). um intervalo de tempo que marca a grande divisão entre um Brasil ainda com fortes influências coloniais. Além dos geógrafos que. Carlos Augusto Figueredo Monteiro-1980. João Capistrano de Abreu (1852-1927).

Em sua avaliação. Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873). a que mais nos interessa é A Geografia no Brasil . publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904. Lia considera que neste artigo está a primeira citação às idéias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil. apesar de não ter sido publicado no Brasil. Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado Maior do Exército. Ao notar um gradual afastamento da memorização. paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855) .Capistrano de Abreu. Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915). visto como o estilo negativo e o considerado científico. onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então. o o . via corografia. Essa tendência de se considerar como moderna uma Geografia que opera mais com correlações entre processos físicos e humanos. como nas humanas. com a visão de processo de Willian Morris Davies (1850-1934) na Geomorfologia e os estudos sobre a relação Ser Humano / Natureza no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918) e na Antropogeografia de Ratzel. por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 11/1918 e posteriormente publicado na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro n 28 em 1923. que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza como geólogos. fruto de uma conferência proferida no 2 Congresso Brasileiro de Geografia realizado em São Paulo em 1910. considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil. além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie de F. também reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX. Trindade (1885-1959). Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia. gestada no início do século XX. aparecem bem claras nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951). tanto nas ciências da natureza. É um artigo pioneiro no que tange a distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX. para centrar-se em estudos classificatórios que levam em consideração vinculações entre vários segmentos do conhecimento. O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929) Geografia Nacional . foi o principal material de divulgação das idéias de Ratzel por Capistrano de Abreu. foi também um profundo estudioso da Geografia alemã. O de enumeração de acidentes geográficos. Das três obras deste autor analisadas por Lia. traduzindo para o português diversas obras que tratavam do Brasil. do que com memorizações locacionais. Eduardo M. Ratzel que. Trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia.

juntamente com Everardo Backheuser. onde misturam-se a Geomorfologia evolucionista de Willian Moris Davis. um modelar trabalho didático. como assinala Lia... Introdução à Geografia Política (1925). aproveitando os dados coletados em várias agências de governo e Physiografia do Brasil (1923). considerado por Nilo Bernardes (1982:520-21) como uma obra a frente de seu tempo. mas teve também envolvimento com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926). Percepção semelhante. Méteorologie du Brésil (1917). pós-graduou-se em Economia na Inglaterra (1919). Em 1913. em 1913 sem êxito. e uma sobre questões políticas. como resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado Maior do Exército entre 1921 e 1931. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções. “Delgado de Carvalho publicava. reintegrado em suas antigas funções. Nele Delgado advoga um novo enfoque para os estudos geográficos “a explicação” resultado das vinculações entre diferentes elementos. durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil. Possivelmente. ( não à Ritter nem à Ratzel. quando em 1923. atribuída por Delgado à Lucien Febvre (1878-1956) e. posteriormente. o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947) com suas pulsações climáticas e a noção de individualidade geográfica. e por isso mesmo incompreendida por boa parte de seus pares. editou seu livro mais importante Geografia do Brasil . tanto da natureza.. Nascido na França.”. na prática.. . Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906 e já em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país Le Brésil Meridional. como produto de uma conferência proferida na instituição. também já havia tido José Veríssimo da Costa Pereira (1955) ao tratar da “O Trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho” (p. tendo por isso sido cassado. Delgado. vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis. dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro nos anos 20 e era considerado um dos mais articulados professores de seu tempo. nem à Vidal ).. 425426) escreveu. as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 20. Backheuser era engenheiro com especialização em Geologia e Mineralogia e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor. publicado em 1927 no no 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro.O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho Geografia-Sciencia da Natureza. duas sobre aspectos físicos. Publicou ainda mais três obras. onde estudou Ciência Política (1908).. quanto da sociedade. preso e.

. nenhuma.. quando eu fui dar Fronteiras do Brasil.. obras em francês. Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877). José Couto de Magalhães (1836-1898). eu ficava envergonhado comigo mesmo. foram motivos de intensas querelas intelectuais. porque eu. pois bem... “Eu sou cria do Pedro II. ficou em branco naquela aula. Alfred Russel Wallace(1823-1913). ninguém sabe. esse homem escreveu no começo do século. além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) sobre a precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça via miscigenação européia. em Hilderberg em 1967. e européias. Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 20 juntamente com outros professores do ensino médio. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo. por exemplo sobre a colonização européia. os mapas na cabeça e tudo mais... essa coisa toda.. resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais.. era um nome até pouco vulgar... um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil. o meu entendimento de garoto. mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia.. foram objeto de estudo para Autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882). uma glorificação do imperialismo da época. era uma personalidade muito curiosa. e essa aula eu assisti entre 1930 / 1931. européias em que esse. Artur Orlando da Silva (1859-1916). porque eram as palavras.. o nome de Moris Davies apareceu pela primeira vez na minha vida. quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo.. tinha um autor alemão..Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia em 1925.. como por exemplo. . ele teorizou sobre isso perfeitamente. uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas... Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época.. os de Albert Penck e Alfred Hetner . no auge do imperialismo alemão. mas ele marcou de tal maneira a minha memória. sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo. eu tive um professor que depois colaborou. meu caderno. em inglês.... ou no Paulo de Frontin. política imigratória e mestiçagem. esse autor . principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro. como Fernando Raja Gabághlia (1886-1965). Marechal Floriano. debates esses que suscitaram argumentações de caráter espacial. Louis Agassiz (1807-1873). como um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia. Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909).. eu me lembro por exemplo de citações.... Colégio Pedro II ali da Av. Temas como As raças e o meio tropical. André Rebouças (1838-1898).Por exemplo. regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira. sabe que eu não tomei nenhuma nota. Tristão Alencar de Araripe (1821-1908). ele citava obra. no período referenciado (1870-1930).” (Depoimento de Orlando Valverde a Roberto Schmidt de Almeida). escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias.. que vinte anos mais tarde. Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco. primeiro resistiu. e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha... considerado também por Orlando Valverde em seu depoimento. Alexander Supam. O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros. depois colaborou com IBGE.

pois enfoca as principais correntes de pensamento. tanto físicos quanto sociais. analisando alguns dos principais problemas espistemológicos por que passou a Geografia na primeira metade do século XX. culminando em 1960 com a criação da Comissão para métodos de regionalização na União Geográfica Internacional por ocasião da reunião em Estocolmo. tanto na Alemanha. Machado tornou-se uma referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil. além de aprofundar a questão do conceito de corologia (arranjo e variação de um fenômeno no espaço) em relação ao conceito de cronologia ( variação de um fenômeno no tempo) na tradição científica alemã de Immanuel Kant (1724-1804) e seus efeitos nos trabalhos de Ferdinand von Richthofen (1833-1905) . Pois sempre existiram aqueles que consideraram a Geografia mais física. Geografia Sistemática e Regional. Alfred Hettner (1859-1941) e Albert Penk (1859-1945). principalmente nas décadas de 60 e 70. inclusive discutindo com muita clareza questões controversas como a luta entre as concepções deterministas versus o enfoque possibilista no meio geográfico europeu e americano e suas conseqüências no Brasil. Paralelamente. uma característica que. além da posição deste ramo do conhecimento entre as ciências naturais e sociais. Um outro ponto fundamental também foi motivo de análise. Em sua parte final. no que tange ao estudo dos arranjos espaciais de seus fenômenos.Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico européias. Biologia. tema que Nilo Bernardes cotejou inteligentemente comparando as determinações dos inúmeros congressos internacionais de Geografia sobre o assunto. ao longo dos anos. o ensaio de Lia O. Ciência Política. gerou grandes controvérsias entre os geógrafos. quanto na França e Estados Unidos. onde novamente a dicotomia físico-humana acabava por ordenar grupos diferentes de regiões tais como região natural e região humana ou cultural . No que concerne especificamente ao campo de análise das matrizes do pensamento geográfico. Questões como as dicotomias entre Geografia Física e Humana. também trouxeram mais polêmica à discussão. O artigo de Nilo Bernardes consegue dar uma boa visão desses problemas. alguns trabalhos sobre suas vinculações com a Geometria. o artigo de Nilo Bernardes (1982) na RBG 44(3):391-413 sobre as principais características do que se convencionou denominar de pensamento geográfico tradicional é um dos mais esclarecedores. e que enfatizavam as ligações preferenciais com a Geologia. relacionando-a com a Sociologia. . com vistas a uma institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 30. História. Nilo Bernardes analisa o conceito de região em suas diversas concepções. Economia e Antropologia. a diferenciação entre região homogênea e região nodal. Química e Física e os que a consideravam como uma Ciência Social somente.

Jacqueline Beaujeau-Garnier. a criação quase simultânea dos cursos formais de Geografia. Entre meados dos anos 30 até o início dos 40. que também foi o criador da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Pierre Monbeig. quanto no Rio de Janeiro. John P. foram processos gestados por uma estrutura organizada pelo governo Vargas. Jean Tricart. apesar desta aparente dicotomia.Na mesma Revista Brasileira de Geografia 44(3):519-527. do qual o IBGE passou a ser o principal agente. e o novo segmento voltado para a estruturação do sistema de planejamento territorial. Alguns desses profissionais serão objeto de avaliação mais detalhada no capítulo III. mas organizados em nível mais alto. tanto em São Paulo (posteriormente liderado por Pierre Mombeig). . José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores). Preston James. Geodésia e Cartografia. Evocando Algumas Etapas da Geografia no IBGE Durante as décadas de 40 e 50 a Geografia brasileira estava dividida em dois grandes segmentos. No entanto. o mesmo Nilo Bernardes apresenta outro artigo. que trata da liderança e do carisma que estes pesquisadores e professores exerceram durante e após suas estadas no Brasil. Brian Berry e André Libaut foram descritos com muita precisão. Processos gerenciados no nível acadêmico entre 1934 e 1939 pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines. Pierre Danserau. Pierre Gourou. Francisco Luis da Silva Campos e Gustavo Capanema (Ministros da Educação). Michel Rochefort. Trata-se da análise da influência dos professores estrangeiros que estiveram pesquisando e lecionando no Brasil após a década de 1930. por personalidades como Juarez Távora (Ministro da Agricultura). quanto pela Geografia. ambos sempre estiveram em perfeita conexão. Gottfried Pfeifer. garantindo recursos para pesquisa ou facilitando cursos de aperfeiçoamento técnico. Cole. como a União Geográfica Internacional (UGI) e o Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH). O que produzia conhecimento para uso na estrutura de ensino. em virtude de suas origens comuns. com a formação e o aperfeiçoamento do corpo docente. também fundamental para o entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil. Mário Augusto Teixeira de Freitas (organizador do sistema estatístico nacional) e Cristóvão Leite de Castro (estruturador do núcleo inicial de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia). Nilo também traçou um rápido perfil de algumas instituições de Geografia internacional que contribuíram com os profissionais brasileiros. Francis Ruellan. explicitando a especialidade de cada um e avaliando a influência de seus métodos na Geografia brasileira. até a estruturação do sistema de planejamento territorial do governo federal no IBGE. tanto pelo lado da Estatística. Leo Waibel. Os legados de profissionais como Pierre Deffontaines.

a relação entre a Universidade e o sistema de planejamento (IBGE) mostrou-se forte. deu o tom das principais orientações de pesquisa. apesar desses esforços conjuntos. com equipes distintas (Ruelan com a equipe da Universidade e Leo waibel com a equipe do IBGE). os geógrafos que defendiam uma localização no Triângulo Mineiro. Crise esta. por vincularem o fator acessibilidade à área mais desenvolvida do país (São Paulo). a Geografia da academia e a do sistema de planejamento no Brasil nasceram juntas e foram organizadas tecnicamente no Rio de Janeiro. principalmente em virtude do longo período de permanência e do seu carisma para formação de um grande número de profissionais. iniciam-se crises no núcleo governamental de planejamento. pelo mesmo profissional (Deffontaines). Era uma espécie de diagnóstico integrado.1944 . Na segunda metade da década de 40. abre-se também outras linhas de pesquisas. para se pós-graduar no mestrado da Universidade de Wisconsin. tanto para ensino . principalmente com os trabalhos de Deffontaines no Rio e Mombeig em São Paulo (Deffontaines. No mesmo período. quanto para pesquisa.1943). de certa forma. os estudos urbanos também já estavam tendo um desenvolvimento. mas que. o debate se estabeleceu aparentemente por conta de duas posições divergentes. em áreas separadas mas operando em conjunto para não desperdiçar esforços. Na questão da localização da futura capital. ocorridas durante o final de 1947 e início de 1948. na metodologia de pesquisa de campo e no processo de colonização. No entanto. como uma estratégia que aliava . possivelmente. que ficou mais ou menos circunscrita aos muros do próprio CNG. a Geografia foi convocada a definir algumas possíveis localizações para a futura implantação do novo Distrito Federal em alguma área do Planalto Central. os estudos do habitat rural. e do posterior envio em 1945. muito mais forte e de graves conseqüências para o órgão no início dos anos 50. de cinco ibegeanos para estudos de aperfeiçoamento em universidades americanas. principalmente na área de estudos regionais. que possuía fortes raízes lablacheanas. Paralelamente. É nesse novo contexto que chega o alemão radicado nos Estados Unidos.I e II e Mombeig. A demanda governamental para o estudo dos processos de ocupação do território via mecanismos de colonização. A vinda de Francis Ruelan entre 1940 e 1956 intensifica essas relações entre os geógrafos cariocas e a Geografia francesa. e as novas interpretações dos processos geomorfológicos. primeiramente no caso da localização da futura capital.Portanto. Mais uma vez. como por exemplo. pois necessitava de avaliações de caráter físico e econômico em duas escalas distintas: a local. tenha dado subsídios para uma outra. De um lado. para fins de implantação física da futura cidade e a regional que teria de dar conta das futuras relações econômicas e demográficas da nova capital. Leo Waibel para trabalhar exclusivamente no IBGE sobre processos de colonização. a partir da ida para os Estados Unidos em 1942 do geógrafo brasileiro Jorge Zarur .

os geodesistas e militares positivistas usavam os argumentos da centralidade geométrica do território e das concepções geopolíticas de ocupação rápida da região central do Brasil. o que gerou uma crise administrativa que durou um ano e meio. . A vinda do General Poli Coelho para a Presidência do IBGE em 1951.1952). 1993:84-85). recentemente aposentado (1948) em carta ao Presidente da Comissão General Poli Coelho (IBGE. os geodesistas. muito mais séria. principalmente no que se referiu às questões entre decisões de Geografia Econômica e as argumentações geodésicas e geopolíticas. 1948 . se no campo geográfico uma crise foi abortada. até o simples interesse especulativo das futuras terras a serem desapropriadas. Do outro lado. o IBGE mostrava muito mais interesse em assuntos culturais e políticos do que em questões puramente estatísticas (ver detalhes em Penha. as argumentações ficaram a cargo de Cristóvão Leite de Castro. O debate na esfera técnica ficou por conta de Fábio de Macedo Soares Guimarães. na arena estatística. militares e a bancada dos estados do Nordeste viam com muito interesse a opção do Espigão Mestre. chefe do Serviço Geográfico do Exército e Presidente da Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil. Várias razões eram invocadas.A Localização da Nova Capital ). Secretário Geral do CNG. 1997:8386). 1949: 471 e 613). As revelações de Lourival Câmara foram amplificadas por Poli Celho na imprensa.economia (menos dispêndio de recursos em infra-estrutura imediata) e atratividade (a cidade não estaria em área muito distante e os investidores de São Paulo e sudoeste de Minas seriam mais receptivos à novidade). que moveu uma campanha que resultou no inquérito administrativo que levou à exoneração de Poli Coelho em 1952 (Lopes. A escolha recaiu sobre a área de Goiás e foi corroborada em termos políticos por Teixeira de Freitas. no campo intermediário entre o técnico e o político. com pedidos de demissão de toda a cúpula da Estatística do órgão e edição de publicações de refutação aos comentários do Presidente do IBGE feitas por Waldemar Lopes. substituindo o extenso primeiro mandato de José Carlos de Macedo Soares Guimarães (1936-1951). Segundo Câmara. em artigos na RBG (Guimarães. abriu uma outra. geógrafo que coordenou os estudos geográficos do IBGE. Mas. Secretário Geral do CNE. O principal incentivador dessas teses era o General Poli Coelho. a pedido de Poli Coelho. em depoimento à Revista GEO UERJ analisa o debate técnico (Faissol. Um relatório elaborado pelo estatístico Lourival Câmara. que iam da luta por maiores áreas de influência política. revelou alguns conflitos entre as estatísticas primárias e as secundárias. em área próxima a cidade de Formosa em Goiás. Os políticos de Goiás e do Nordeste tinham interesses variados. Speridão Faissol.

Coronel Edmundo Gastão da Cunha em 1951. Além desses comentários evocativos feitos por Speridião Faissol.A instauração da comissão de inquérito pelo Ministério da Justiça. acabou gerando um ambiente de perseguições. que nas visões de Orlando Valverde e Speridião Faissol. foi encontrado um processo que mostra um movimento de antagonismo claro entre Fábio de Macedo Soares Guimarães. O processo se inicia no bojo das duas crises situadas entre 1948 e 1952. envolvido num mal explicado inquérito de corrupção de desvio de sabonetes do IBGE para sua residência. (Valverde.depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). o General Poli Coelho nomeia em seu lugar na Secretaria Geral do CNG. diretor da Divisão de Documentação e Divulgação (DDD) e Jorge Zarur. levou muito tempo para tomar a decisão de afastamento de Poli Coelho da presidência do IBGE. Caixa 41 . nomeado por Edmundo Gastão da Cunha como Diretor da Divisão de Geografia (DG). 1994:49-50 e Faissol . Em meio a essas crises. incluindo aí Cristóvão Leite de Castro. Zarur tenha se ligado fortemente aos militares que destituíram Getúlio Vargas em 1945. No conjunto de caixas de processos administrativos guardados no Arquivo Histórico do IBGE. a documentação também ilumina algumas querelas que ocorreram durante a gestão da presidência do General Polli Coelho e de seu Secretário Geral do CNG. inquéritos administrativos e demissões aos antigos colaboradores de Teixeira de Freitas. refere-se aos entendimentos de Zarur com Haroldo de Azevedo da USP. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur. Faissol argumentou que as questões sobre disputa de poder entre Zarur e Fábio pudessem ter se iniciado antes. localizado na Reserva Ecológica do Roncador em Brasília. para a fusão entre Rio e São Paulo numa Associação dos Geógrafos Brasileiros nacional.Pasta 200/18-018 (ver anexos Documentos Administrativos) . um Coronel do Serviço Geográfico do Exército. quando da volta de todos dos Estados Unidos. Orlando Valverde e outros. Faissol também deu sua versão sobre o início da cisão entre os dois profissionais de maior poder na Geografia. a primeira vinculada a escolha do sítio da nova capital e a segunda aos problemas sobre a qualidade das estatísticas do IBGE. que era o representante do Ministério da Educação no Diretório Central do Conselho resolveu contemporizar com os militares. Um outro ponto colocado por Faissol. No mesmo depoimento. acertada numa reunião na cidade de Lorena. em meados da década de 40. o que foi encarado como uma traição por Fábio. eclode o inquérito administrativo contra Cristóvão Leite de Castro e com sua demissão. Jorge Zarur.

já havia transferido para a DDD os geógrafos Orlando Valverde e Antônio José de Matos Musso. O Assistente Fisiográfico Antônio José de Matos Musso está assumindo interinamente a chefia da Seção de Documentação enquanto durar o impedimento do titular Virgílio Corrêa Filho. Resposta da DG . que eram muitas vezes desenvolvidos por profissionais dos dois grupos. Fala da saída para estágio na França da servidora da DDD Maria da Conceição Vicente de Carvalho. em substituição ao chefe anterior José Veríssimo da Costa Pereira que passou a exercer o cargo de Secretário Assistente. nunca assumiram posições conflitantes que colocassem em cheque a qualidade dos grandes projetos. caracterizado por dois postos de referência. . Nilo Bernardes e Miriam Guiomar Coelho Mesquita. 4 na DDD.Informa que só será possível a transferência da geógrafa Miriam Guiomar C. Mesquita. Seguem-se as assinaturas de ciência dos respectivos diretores das Divisões e os procedimentos burocráticos decorrentes. mas que na arena de trabalho do IBGE. Encaminhamento para a DG. 1 á disposição do Diretório Regional do Estado do RS e 1 em estágio em universidade na França. A partir daí formaram-se dois grupos antagônicos que lutavam pelo poder. Explica também as funções de Nilo e Lisia Bernardes. Analisa a lotação da Seção Regional Sul da DG e argumenta que apenas Orlando Valverde saiu da SR Sul e que os estudos da SRS estão também a cargo de mais três geógrafos ainda lotados na SR Leste. Explica que não se trata de troca de servidores e sim de necessidade de lotação para cobrir áreas da DDD. Explica que o geógrafo Orlando Valverde está proposto para chefe da Seção Cultural.Explica as dificuldades de lotação de servidores técnicos na DDD analisando os problemas de distribuição nas demais áreas do CNG. sendo que Lisia era chefe do setor de Prontualização e Informações da DG. Advoga que se todas as Seções da DG manifestam a necessidade de geógrafos. de reconhecida capacidade. a Divisão de Geografia e a direção da AGB do Rio de Janeiro. 2 no gabinete do SG. as da DDD também. as outras estão no gabinete do Consultor Técnico e Jurídico do Secretário Assistente. por três geógrafos lotados na Divisão de Geografia (chefiada por Jorge Zarur). anteriormente. explicando que dos servidores Cecília. como Cartografia. Finaliza apresentando as principais atribuições da DDD listando 11 conjuntos e apresenta um quadro de distribuição de Geógrafos no CNG (34 na DG. Coloca também que. apenas Magnólia está lotada na DG. Reconhece que Lisia é bastante útil à DG. Lisia Maria Cavalcanti Bernardes. mas que também será útil à DDD. Magnólia e Olga. Magnólia de Lima -Geógrafo auxiliar e Olga Maria Buarque de Lima –Geógrafo contratado) que estavam lotados na Divisão de Documentação e Divulgação(chefiada por Fábio de Macedo Soares Guimarães).Proc. O SG do CNG arbitra que a Geógrafa Míriam Mesquita seja transferida da DG para a DDD em 30/05/1951. Encaminhamento a DDD para conhecimento e manifestação a respeito. Resposta da DDD . sobretudo após a saída de Poli Coelho do IBGE em 1952 até a volta de José Carlos de Macedo Soares Guimarães em novembro de 1955. pois essas duas seções estavam concentradas em projetos na SR Sul. 2958 – 04/05/1951 Assunto: Lotação de servidores na Seção Cultural. Solicitação feita ao Secretário Geral do CNG ( Edmundo Gastão da Cunha) de substituição de três servidores (Cecília Cerqueira Leite Zarur -oficial administrativo.

O BS 228 de 23/11/1956 apresenta na seção de Instruções e Ordens de Serviço a OS de 08/11/1956 do Diretor da Divisão de Geografia (Orlando Valverde) que cria oito grupos de trabalho para “executarem as tarefas mais urgentes da D. No contexto burocrático. gerando uma crise administrativa com vários pedidos de exoneração dos geógrafos que estavam em cargos de confiança sob a liderança de Fábio. Mas que por observar seu trabalho junto a SG durante o congresso. a saber: Grupo 1 Mapas de População (chefes: Elaza Coelho de Souza Keller e Heldio Xavier Lentz Cesar) Grupo 2 Planalto Centro-Ocidental (chefe: Pedro Pinchas Geiger) Grupo 3 Fitogeografia (chefe: Luiz Guimarães de Azevedo) Grupo 4 Geografia dos Transportes (chefe: Ney Strauch) Grupo 5 Clima (chefe: Ruth Simões) Grupo 6 Relevo (chefe: Alfredo Porto Domingues e Antônio Teixeira Guerra) Grupo 7Geografia das Indústrias (chefe: Míriam Mesquita) Grupo 8 Geografia Urbana (chefe: Lisia Bernardes)” Cada grupo teria em média cinco componentes e nos parágrafos finais. o episódio pode ser acompanhado pela leitura de alguns dos Boletins de Serviço editados entre agosto e dezembro de 1956. estando em exercício na DG. com a exoneração de Orlando Valverde e a conseqüente exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. . Na carta. a fim de serem engajados em algum dos grupos ora constituídos. Jurandyr Pires Ferreira esclarece que houve um compromisso entre ele e o presidente anterior (o Embaixador José Carlos de Macedo Soares) pelo mantenimento de Fábio na SG do CNG até a finalização do XVIII Congresso Internacional em agosto. decidiu mante-lo no cargo. Nessa lista estavam todos os principais geógrafos da Divisão de Geografia que colaboraram tecnicamente com o congresso. na seção Noticiário da Presidência do IBGE. G . e não tiveram ainda entendimento com o Diretor da Divisão. realizado no Rio de Janeiro. publica a carta de confirmação de Fábio de Macedo Soares Guimarães no cargo de Secretário Geral do CNG. durante a gestão de Jurandyr Pires Ferreira.Faissol revelou também o episódio que o levou à chefia da Divisão de Geografia em novembro de 1956. O Boletim de Serviço . deverão faze-lo imediatamente. a ordem de serviço determinava que “Os geógrafos e estagiários que não estejam inscritos na relação supra e.BS 213 de 10/08/1956 mostra a lista de delegados do IBGE junto ao XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. O BS 218 de 15/09/1956.

Nele estão as portarias 70. Ao final da seção de processos. O plano de Orlando Valverde é exposto nas páginas 3 e 4 do BS. No caso de Alfredo Porto Domingues é determinada uma exoneração ( seção Regional Sul). aparece também uma correspondência datada de 31 de outubro de 1956 enviada pelo gabinete da Divisão de Geografia encaminhando o plano de trabalho da obra Geografia do Brasil em três volumes para ser elaborada entre 1956 /1957. Estes são. O BS 230 de 07/12/1956 na seção informações diversas. Dora Romariz (seção Regional Sul).Os grupos de trabalho iniciarão suas atividades imediatamente e é recomendado aos respectivos chefes que estabeleçam desde já prazos.Assistente da SG do CNG. Solange Tietzmann (seção de Atlas e Ilustração) e Edgar Kuhlmann (seção Regional Centro Oeste). constam a portaria de elogio aos funcionários do gabinete e memorandos à Diretoria de Administração sobre férias. São também designados os seguintes geógrafos Antônio Teixeira Guerra (seção Regional Norte).72 de 22/11/1956 que exoneram Fábio e Orlando e que nomeia o engenheiro Virgílio Alves Corrêa Filho para a chefia da SG do CNG e a portaria 74 de 26/11/1956 que nomeia Speridião Faissol para a Divisão de Geografia. e a nomeação do Contador Olmar Guimarães de Souza para o cargo.71. com os comentários do Presidente do IBGE Jurandyr Pires Ferreira e o discurso proferido por Speridião Faissol na cerimônia de sua posse na Divisão de Geografia do CNG. Eloísa de Carvalho (seção de Estudos Sistemáticos). na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG. ainda que provisórios. para a conclusão das tarefas atribuídas ao grupo respectivo. seguida da designação do mesmo servidor para a seção Regional Nordeste. portanto de caráter episódico. No mesmo boletim 229. Faissol elogia o governo de Juscelino Kubitschek e a gestão de Jurandyr no IBGE e faz um apelo aos geógrafos pela união em torno da obra Geografia do Brasil. Lindalvo Bezerra (seção Regional Nordeste) e Lúcio de Castro Soares (seção Regional Norte). Lísia Bernardes (seção de Estudos Sistemáticos). Heldio Xavier (seção de Atlas e Ilustração). O BS 231 de 14/12/1956 apresenta na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG a exoneração a pedido de Nilo Bernardes do cargo de Secretário. consta a ata. Também aceita os pedidos e exonera quatro geógrafos de suas chefias da DG. Em sua alocução de posse. .” O próximo BS 229 de 30/11/1956 é o que determina o início de um processo de modificações na estrutura de chefias da SG e da Divisão de Geografia. Serão concedidas aos grupos de trabalho todas as facilidades administrativas possíveis para apronta e eficiente execução de suas tarefas.

No mesmo BS 231 está publicada a ata da 327 reunião ordinária do Diretório Central do CNG ( a última presidida por Fábio). onde o Secretário geral faz suas despedidas e lê a carta dirigida ao Presidente Jurandyr. venho respeitosamente reiterar a solicitação verbal. Quando Vossa Excelência. evidentemente entrar nas razões de foro íntimo que motivaram o seu afastamento – mesmo porque. teve a bondade de anunciar-me pessoalmente sua decisão de confirmar-me no cargo de Secretário Geral deste Conselho. tive ensejo de manifestar. entretanto. há pouco mais de dois meses. pessoalmente. imprimindo uma outra ordem de prioridades. Suspende temporariamente as atividades do GT de Transportes. os que se assumiam a . Desejando.” No mesmo corpo da ata também está assinalada a resposta de Jurandyr. possível realizar-se por motivos que somente a Vossa Excelência cabe apreciar. por conta das articulações políticas que eram feitas pelo Partido Social Democrata (PSD). integra o GT de Relevo ao Setor Geomorfológico da Seção de Estudos Sistemáticos e o GT de Geografia das Indústrias ao Setor de Geografia Econômica.. para que se digne conceder-me exoneração do cargo de Secretário Geral. distribuindo as tarefas pelos setores de Estudos Sistemáticos e de Atlas e Ilustrações. a falta de um motivo ponderável para que pudesse compreender e extensão de sua decisão. Lamento profundamente o caráter irrevogável do seu pedido de demissão. da qual levantamos alguns trechos “. Acresce.. A importância desta seqüência de eventos está relacionada a algumas questões de fundo político ocorrida com a chegada de Juscelino a Presidência da República. Prioridades e ações que conflitavam com dois grupos de profissionais. coloca-lo absolutamente à vontade para que possa dispor dos cargos de direção deste Conselho sem o menos constrangimento. Kurt Huck para a chefia do GT de Fitogeografia e transfere o geógrafo Roberto Galvão para a Seção Regional Norte. que já lhe fizera recentemente. não veio a sofrer alteração em nenhum instante de nossas relações administrativas.. contudo.. hoje entregue ao Diretor da Divisão de Geografia.. aos quais me acho ligado poe estreitos laços de admiração e afeto. Extingue o GT de Mapas de População... além de determinar transferências de quatro funcionários do GT de Geografia Urbana de volta a seus postos anteriores. fortalecidos durante longo período de leal e eficiente colaboração. estou certo. não me cabendo. porque desejava poder contar com sua colaboração como. conforme se verifica em sua carta de 7 do corrente. tive ocasião de manifestar-lhe o meu desejo de que o fossem também os meus auxiliares diretos. Tal não foi. entretanto.” Finalmente o BS 232 de 21/12/1956 na seção de Instruções e Ordens de Serviço aparece a OS de 12/12/1956 do Diretor da DG (Faissol) iniciando o processo de modificação dos Grupos de Trabalho. em nossa conversa há quase dois meses. pois. tive ensejo de expor claramente a orientação que.. designa o Prof. onde percebe-se a conotação ambígua sobre o real motivo do pedido de exoneração “. integra o GT Planalto Centro-Ocidental na Seção regional Centro-Oeste.

ligando Estatística. mas não necessariamente Getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro. isso não durou muito. A proposta de substituição criou um conflito entre Fábio e Jurandyr e gerou uma crise. no estilo de Teixeira de Freitas e Cristóvão Leite de Castro nos anos 40. um típico representante do profissional de Estado. Porém. importante geógrafo que possuía fortes vinculações com o estamento militar ligado ao PSD mineiro. A força das ações de Macedo Soares e particularmente de seu sobrinho Fábio de Macedo Soares a frente da SG do CNG ainda foram sentidas por Jurandyr durante o período do XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio e fortemente organizado pela estrutura logística do IBGE. Os udeenistas. na gestão de Juscelino era considerado um retrocesso na função organizadora do Aparelho Estatal. garantiu uma estrutura de trabalho dirigida à grandes projetos que garantissem um bom nome a sua gestão e ao período juscelinista. Faissol é escolhido para chefiar a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. seria necessário substituir certos nomes que estavam vinculados aos métodos de trabalho do presidente anterior. com pessoal de confiança e a confiança só viria de pessoas que fossem articuladas com a nova política de Juscelino e assim foi feito. que haviam sentido o gosto da vitória política ao ver Getúlio Vargas sair do poder. cunhado de Jorge Zarur. embora não sendo mineiro. o que acabou por se configurar com o repentino falecimento de Zarur em 1957. empurrou Faissol para a liderança do grupo de Zarur. para observadores privilegiados da cena como Pedro Geiger e Elza Keller. Para que isto ocorresse. No contexto do IBGE. Geografia e Cartografia que informavam pela primeira vez em abrangência nacional. Era necessário criar projetos de maior porte. Para estes. via suicídio em 1954. de características majoritariamente urbanas. Marcos fundamentais. encontravam-se agora submetidos aos liames da política mineira que sempre operou com as articulações e dissimulações típicas de partidos com forte poder em áreas rurais. que apenas acentuou uma antiga disputa entre os aliados de Jorge Zarur e os de Fábio onde. a figura do piauiense Jurandyr. rivais políticos do PDS. Apesar dessas crises. o principal era o Embaixador José Carlos Macedo Soares em seu segundo mandato (17/11/1955-03/05/1956). o forte conteúdo partidário nas decisões consideradas técnicas. representados pelas publicações de obras de pesquisa sistemática. O segundo grupo era formado por partidários da União Democrática Nacional (UDN). a capacidade de planejamento e a operosidade de Faissol e Antônio Teixeira Guerra à frente da DG entre 1956 e 1961 geraram um conjunto de obras que ainda são marcos de referência da produção geográfica do IBGE nesse 60 anos. que para agravar mais o processo.como profissionais do Governo Federal do tempo do Estado Novo. aspectos até então desconhecidos do . com Speridião Faissol.

Além disso. No início da década de 50. explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 50. a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário. Mas outros tipos de pesquisa também eram desenvolvidos. com o francês sendo praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários. criaram na Geografia um ambiente bem diferente do que era nos anos 50.os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socio-econômicos da Baixada Fluminense feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 ( Geiger e Mesquita. e que o treinamento dado por Ruellan. combinadas com os dois períodos pós golpe de 1964. Um exemplo bem interessante foi a publicação na RGB de uma Conferência dada por Milton Santos para o curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia em fevereiro de 1959 (Santos. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956. 1956). o Atlas do Brasil (1959) a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960). 1959). Apresentando também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento. Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento. A coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (19571964) com 36 volumes. sobretudo franceses. quanto aos aspectos acadêmicos. perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de bom nível. o do General Agnaldo José Senna Campos (10/04/1964-03/04/1967) e o de Sebastião Aguiar Ayres (04/04/1967-23/03/1970). As principais linhas de pesquisa geográficas durante a década de 1960 no Brasil sofreram uma transição interessante. José Joaquim de Sá Freire Alvim (13/11/196101/10/1963) e Roberto Bandeira Accioli (14/10/1963-31/03/1964). tanto no que concerniu às questões de logística do congresso.território nacional na escala municipal. a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade se solidificou ainda mais. vários geógrafos europeus. As mudanças de fase ocorridas entre a saída de Jurandyr Pires Ferreira e as curtas gestões de Rafael da Silva Xavier (10/021961-09/11/1961). Coleção Geografia do Brasil (1959). exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões que envolvem a relação entre a Geografia e o desenvolvimento. Nela. Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956. somado às bolsas de . já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas. com os convites a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste para elaborarem alguns guias de excursões. enfatizando os aspectos sociais e menos vinculada ao estudo da paisagem.

foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP). aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil. Chamou-se O Rio de Janeiro e Sua Região ( Grupo de Trabalho de Geografia Urbana. que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara. Rio de Janeiro. pelo mesmo Pedro Geiger que já havia iniciado na década de 50. O seu livro Evolução da Rede Urbana Brasileira (Geiger.aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês haviam criado uma elite profissional muito eficiente. Ceçary Amazonas. Minas Gerais e Espírito Santo. e posteriormente.). a partir de um polo metropolitano. A produção e a qualidade dos trabalhos de Pedro Geiger no contexto dos estudos urbanos em geral e no de redes urbanas em particular. O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas. No entanto. 462p. definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. Sua produção geográfica computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH) realizado . os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). O prefácio de Nilo Bernardes. criado em 1961 e coordenado por Lisia Bernardes e editado em 1964. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. Foi o primeiro trabalho de detalhamento operando numa escala intermediária. O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG. Sulamita Hammerly. nesta época. esposo de Lisia. O mais curioso. Olga Maria Buarque de Lima. via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lisia Bernardes no IBGE. Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães.. foi notável. que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo. classificando cidades. a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 60 e editada em 1963. 1964). A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort. Maria Emília Teixeira de Castro Botelho. 1964 ou Bernardes L. 1963. correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil. durante toda a década de 60. Um desses professores foi Michel Rochefort. Hilda da Silva.

É. 1981).em Buenos Aires. empresários. representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores. com Dreifuss mapeando sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado no período imediatamente após o golpe de 1964. Para se ter uma visão panorâmica e diversificada sobre esta fase conturbada de nossa história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: A Conquista do Estado . civis e militares. que também tornou-se um outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE. incluindo aí os primeiros governos do Ciclo Militar. Campos fica bem a vontade em escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros. É possível perceber que a Geografia que se vinculou às idéias de desenvolvimento. tratando somente sobre redes urbanas. Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias. mas contraditório do IBGE. Departamento de Geografia. ver Almeida (1994) e Geiger (1988:64/65) que analisa com muita sensibilidade esse período importante.. Funcionários públicos. volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subseqüentes governos militares. Cada um deles observando o processo de maneira diferente. formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. RBG 25 [2] abr. muitos dos quais conspiradores de primeira hora. mas como a sua vida pública. Neste mesmo período. Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE. As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo. com 10 trabalhos entre 1952 e 1963 e na de Roberto L. o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). Poder e Golpe de Classe (Dreifuss. apresentou-se na contagem de Nice L. praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas até os anos 90. iniciada em 1938 no Itamarati. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições. jornalistas e outros. Corrêa. no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 50. Müller. foram as que mais aproximaram o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 60. com cinco entre 1957 e 1964. Por se tratar de memórias. 1994) e Pensamento econômico brasileiro : o ciclo ideológico do desenvolvimento (Bielschowsky. políticos. editado na RBG em 1963. .Ação Política. denominado pelo autor de “Complexo IPES / IBAD”. Pedro Geiger também coordenou um impressionante trabalho de análise sobre a industrialização na Região Sudeste. A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. 1963). 1995)./jun. sem sombra de dúvida.

procurando dar conta de uma intensa urbanização que havia se iniciado no final dos anos 50 e que nos anos 60 já começava a mostrar seus efeitos. ou pelo menos assim se convencionou acontecer. Foi também neste período que se verificou uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE. juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (Geosul. comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 40 e 50. muito lugar para a Geografia física. com a saída de Speridião Faissol da Secretaria Geral do CNG. e o socialismo. de cunho administrativo. pois na segunda metade dos anos 60 a participação dos segmentos de estudos físicos. principalmente a da região sudeste. Não haveria no contexto do IBGE. Em 1964. substituído por René de Mattos. que estavam estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas / José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram um grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek / Jurandir Pires Ferreira. É justamente nesta época. um economista muito caro aos geógrafos e que foi alvo de uma entrevista no número especial da Revista Geosul . 1968 e 1989). foi organizada por Ricardo Bielschowsky . coincide ainda com o poder de Faissol. quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira. conforme nos indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (Abrantes. tanto em termos de crescimento metropolitano. que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro. . o desenvolvimentismo. enfatizando a análise do setor terciário. 2000).1991/1992). Separadamente. principalmente sobre Redes Urbanas e trabalhos sobre Regionalização. analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel. que a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais se acentua no Brasil. O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE. e é sobre este espólio que as novas idéias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. reduziram-se fortemente. agora na chefia da Secretaria Geral do CNG e tendo como chefe da Divisão de Geografia. eles foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos. Antônio Teixeira Guerra. o neoliberalismo.A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos. Os principais vetores de estudos desta fase foram as pesquisas de Geografia Urbana. um economista com forte veia de historiador. inicia-se uma mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE. o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período após os anos 60 até o final dos 80 (Corrêa. No que concerne aos estudos sobre redes. com exceção da climatologia.

os textos ainda espelham uma clara opção para a análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados. Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE como Olindina Viana Mesquita. mas sob a chancela do IBGE (Associação dos Geógrafos Brasileiros. O índice das nove excursões realizadas mostra uma forte tendência para as questões urbanas. coordenado por Speridião Faissol. colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal. . Lacorte. os vice presidentes eram o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. que a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que ficou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa. que transformou o IBGE em Fundação. posição que vai se acentuar com os resultados dos censos demográfico e econômicos de 1970. que gerencia a transição administrativa ocorrida em finais de 1967. Processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na gestão Isaac Kerstenetzky nos anos 70. Entre 1965 e 1967 Lisia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG. sendo substituída por Marília Veloso Galvão em 1968. 1998:93). Maria Helena C. Bertha K. exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. a partir de 1968. Miriam Mesquita. inicia uma grande reforma nos cargos de chefia do departamento (anexos Documentos Administrativos) e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). que enfocava o processo de metropolização. a influência de Michel Rochefort é indubitável (Rochefort.Dentro deste contexto. O presidente de honra era o General Senna Campos. Para que se tenha uma visão mais clara da transição ocorrida nesta época. principalmente após o golpe de 1964. Professoras como Maria do Carmo Galvão. Um outro ponto interessante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro. organizados no IBGE durante as gestões de Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970). Padre Laércio Dias de Moura e o Secretário Geral do CNG o engenheiro René de Mattos. Becker. Todo o comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE e os nove sub-comitês também. Marilia Velloso Galvão. 1965:81). Solange Tietzmann Silva. Será neste novo contexto de pesquisa. No novo Departamento de Geografia (DEGEO). Haidine da Silva Barros e outros. Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização. com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha. é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado no Rio de Janeiro em 1965 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros.

Indústria 22. eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios. isto é. a preocupação final era gerar uma regionalização específica do tema tratado. garantiriam subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas. Além das 208 páginas escritas. hospitalar e clínico especializado. ocorridas durante o final dos anos 60. Processo que duraria quase toda a década de 70 e que. educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão). que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. Agricultura 29. ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade. Essas atividades e obras. Transportes 8. Este inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE. Geografia Teórica. terminaria no início dos anos 80 e reaparecendo sob outra forma nos anos 90. No entanto. a obra Subsídios à Regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade. 1963). 1968: 180). que somada às informações intrínsecas ao assunto. sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões. de certa maneira. conforme os estudos de Michel Rochefort e Jean Hautreux para a rede urbana da França (Rochefort e Hautreux. o primeiro do ciclo militar.Nova Geografia. que no caso específico do capítulo Centralidade (Corrêa. conduziram à necessidade de uma vinculação forte entre a Geografia e a Estatística foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de um novo Sistema de Planejamento criado nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco. Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9 ). População 10. da qual a Geografia do IBGE fazia parte. resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado. Os primeiros trabalhos que. 1977:13). atual IPEA) para aplicação de um inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros. aparentemente. avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços como o bancário. . considerado como uma síntese. apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10. Em todas as séries. Esses estudos deveriam dar conta de uma nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. Geografia Quântica (sic) ou Quantitativa (Andrade. O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à Regionalização. servem como um ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal.

Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de teste de suas pesquisas. O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC. que já havia colaborado com brasileiros na Bahia no final dos anos 50. Um outro ponto de ligação se estabeleceu com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica. para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA.1997:86). no novo governo da Fusão Rio de JaneiroGuanabara. que havia ganho uma bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro e era também um especialista em métodos quantitativos. . Primeiramente. como uma série de coincidências e de golpes de sorte que o levou a conhecer Brian Berry e John Friedman (Faissol. Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU). depois. no Ministério do Interior. Posteriormente. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva um especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. a saída de Lisia Bernardes em 1968. no início dos anos 70 foi estruturada sobre vários fatores. aliado ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio. chega da Inglaterra o geógrafo John P. 1967) e Friedman era um conceituado planejador regional da Califórnia. No nível institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba antigos professores da PUC.O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ. com muito trânsito na alta administração da universidade e que haviam sido indicados em março de 1970 para. pois os do IBGE estavam em fase de instalação. presidente e diretor geral do IBGE. posteriormente. 1959:99). sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (Berry. Cole. respectivamente. A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE. Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas que eram desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos. Berry era um dos principais líderes do segmento da Geografia americana que operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores. os dois geógrafos. na discussão sobre o conceito de Região de Planejamento (Santos. estavam agora sem interloucutores. principalmente levando-se em consideração a magnitude espacial brasileira. onde assumiu cargos na alta administração e. como Secretária Geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE).

criado em 1972. quanto na de Geografia Física. Indubitavelmente. onde a Geografia Física. Um outro fator foi a ausência de atribuições administrativas que fragmentaria os estudos e pesquisas. como chefe do DEGEO. que tornou-se um polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia física e da humana. Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos. Em contraste com a do IBGE. Além disso. Roberto Lobato Corrêa. incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de concentração em Geografia Humana. Uma outra frente de pesquisas foi aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer a pósgraduação ou na Inglaterra. PL1. O lançamento de um periódico denominado estranhamente de Geografia Teorética torna-se o porta voz do movimento na UNESP. quando retornou de seu mestrado em Nottingham. ou nos Estados Unidos como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva ( que veio a falecer em Chicago.O afastamento de Lisia abriu um espaço importante no campo dos estudos metropolitanos. neste contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira. onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas. que foi imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). como no caso de Olga. não se mostrou interessada nas novas técnicas. e noções de computação (que na época estavam baseadas em conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran. O interessante é que em Rio Claro. Basic. como Pedro Geiger e Elza Keller chefes de divisões e a própria Marília Galvão. O GAM não existia na estrutura formal e seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol. Ainda no contexto universitário. quando retornou seu mestrado em Chicago. já utilizadas nos centros de computação das universidades). liderança que continua até hoje no campo do Geoprocessamento de informações. Maurício de . uma boa parte dos geógrafos que estavam em cargos de chefia. que enfatizava uma combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática. quando redigia sua tese de doutoramento). assim como Olga Buarque de Lima. que já estava alijada desde os anos 60. Muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques por que passava a Geografia foram entabuladas entre os ibgegeanos e os professores de Rio Claro. Estatística. pertencente a Universidade Estadual Paulista (UNESP). como no caso de Olga Buarque de Lima e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva. Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso. o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ. também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas.

até a saída de Isaac em 1979. análise regional. migrações internas. como agência possuidora do maior banco de dados do país. cadeia de Markov. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele. os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação aos de outras instituições. Professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI é o mais relevante). e utilizando técnicas que de certa forma aceleravam os resultados.Almeida Abreu. quando retornou de seu doutorado em Ohio. passando pelas técnicas de análise fatorial. além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil ( o exemplo de Akin Mabogunje. que mostrou uma impressionante capacidade de. tentando reconstituir . além de escrever. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. Lasuen e Dacey e o volume Tendências Atuais na Geografia Urbano/Regional: teorização e quantificação (Faissol. também organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina. No plano interno da Geografia e do IBGE. desenvolvimento econômico. análise de grupamento. teoria. em virtude da estrutura do órgão. Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (Faissol. a carreira de Faissol alcança prestígio e poder tornandose em 1973 Superintendente da Superintendência de Pesquisas. análise discriminante. estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos. Em 1989. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol entre 1970 e 1978. coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização. No contexto da Geografia Econômica. Perroux. ele considerou que não foi uma tarefa fácil. A produção geográfica desta fase é predominantemente de Speridião Faissol. por conta da facilidade de captura do dado e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores. A RBG 47 (1/2) de 1985. pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional.1989). (depoimento a Roberto Schmidt de Almeida).1978). posteriromente alterada para Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e em 1977 torna-se Diretor Técnico. Olsson.1975). Em seu depoimento. correlação canônica. Inicia explicando o “como foi”. lista 20 trabalhos sobre urbanização. já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. iniciaram um período de alta produção de artigos e livros. além de gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento. uma seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry.

Ian Burton. enfatizando a UGI. Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa. e não um americano ou europeu que não conseguem perceber as dificuldades inerentes a qualidade ou não do dado. a primeira tinha sido Explanation in Geography (Harvey. a função e atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 60.as fases iniciais do processo. quando se inicia a relação entre a Geografia urbana / industrial e regional e as estatísticas visando o planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro. Pedro Geiger e Elza Keller como sendo decisivas para a Geografia se fazer presente no sistema de planejamento brasileiro. Peter Gould. quanto nos desdobramentos que ocorreram a partir de 1973/74. 1969). David Harvey se apresenta como um grande metodólogo da teorização e quantificação. que havia criado no final dos anos 60. A figura do presidente dessa comissão o Professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje. um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento.1989:27). uma Comissão de Métodos Quantitativos. . sobre a participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares. dez anos antes do movimento quantitativo e parabeniza as participações de Lisia e Nilo Bernardes. sendo. Faissol explica num importantíssimo pé de página (Faissol. pois não viviam com esses problemas em seus países. Se em Explanation in Geography. Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais. portanto. quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (Harvey. Na segunda parte do artigo. enfatizando a contribuição dos geógrafos como Brian Berry. nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas.. A parte final do artigo de Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teóricoquantitativo e analisa rapidamente a questão ideológica em linhas gerais e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física. David Harvey. Quanto as críticas. Willian Bunge.1973). em Social Justice and the City.. Tanto na fase inicial do processo. Harvey provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo. Derek Gregory. que vieram posteriormente. foi muito importante pois tratava-se de um Professor de uma universidade de país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos.

pois grandes projetos como a coleção Geografia do Brasil. onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual”. inclusive nos capítulos citados.. foram alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou o conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 70. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. Apesar do aparente poder de produção. o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das pré-condições.50 Contudo. seguido de uma crescente ampliação das incertezas. estes foram dilemas que incomodaram inicialmente os ibegeanos. O resultado foi. Reconhecidamente. pois não haveria público leitor para este tipo de obra. Percebeu-se. sofreram algumas pressões de parte dos quantitativistas para que os capítulos da parte humana fossem totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). talvez muito otimismo inicial. E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço. Mas. foram bastante significativas. sempre se argumentava. derivados das pesquisas quantitativas. ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau. as principais modificações espaciais por que passam alguns processos de ocupação do território brasileiro. conforme se verificava que seria necessário tomar decisões cruciais em termos de carreira. a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. alcançaram uma boa parte da Geografia acadêmica do Brasil. posteriormente que isto não seria viável. obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava. O produto resultante apresentou-se intimidador. O sabor do novo versus o risco da troca entre o conhecido e o possivelmente inalcançável. pela unidade da Geografia. matemática. alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos que se vinculavam também à pesquisa. mais ou menos decenalmente. p. Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e a organização agrária de cada região. também. correspondendo cada um deles a uma macro-região. Fase esta que se caracterizou por otimismos e incertezas. mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro. se ele é um conceito simultaneamente territorial e social. pelo seu grande tamanho e por sua complexa estrutura interna. O exemplo da coleção Geografia do Brasil de 1977 foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE. permanecia e permanece a questão: se o espaco é socialmente produzido. editada em 1977 com cinco volumes. mas que posteriormente.”Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia. estatística . o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. é importante assinalar que as dificuldades enfrentadas pela comunidade de geógrafos que não estavam diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação.

levou muitos a uma angústia disfarçada em mimetismo. Tempo que foi repentinamente abortado com a saída de Isaac do IBGE em 1979 e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979 – 14/03/1985). dar aulas para o curso de Geografia era considerado um castigo. Esperar que a moda passasse. concordar. Em outras palavras. marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia. mas pouco fazer.e linguagens de computação necessários ao desenvolvimento dessas técnicas. O reconhecimento. As estadas de Werner Baer. procurou mesclar as áreas de conhecimento através do incentivo para a vinda de cientistas sociais. o que tornava ainda mais difícil o aprendizado. era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e . um economista urbano com preocupações na distribuição de renda para trabalharem com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas com urbanização / industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil. Essa novidade efetivamente veio para selar o fim aparente da Quantitativa e confundir-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República. mas a regra era esta. Jean Tricart. Sorre e Juillard. É claro que deve ter havido honrosas exceções. esforços de aprendizado e carreirismo. Paralelamente aos trabalhos de Faissol. ao longo da década de 70. pois misturavam-se nas discussões. apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística. um economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira e Joel Bersgmann.. É importante frisar que não havia na década de 70. imposto aos piores do grupo. que assumiu o IBGE durante o governo do General João Batista de Oliveira Figueredo. mas uma concessão inócua. questões ideológicas e pragmáticas. ainda era perfeitamente sólida. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras nos anos 70 era um tanto instável. a força da Geografia francesa centrada nas obras de Pierre George. status acadêmico e conhecimento. por parte dos geógrafos. essas disciplinas eram “dadas” burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de matemática. No fundo isso era visto como uma concessão aos novos tempos. Nas universidades. Aprovar. as facilidades computacionais de hoje. Beaujeu-Garnier. economistas não necessariamente quantitativos no sentido econometrista do termo. que os esforços de aquisição de conhecimento estariam muito além de suas capacidades. pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos. não contestar abertamente e. Pierre Gourou. o presidente do IBGE Isaac Kerstenetzky.. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. aguardar alguma novidade vinda de fora. Um outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia.

pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam um bom domínio dos termos específicos de estatística. era algo tão utópico que. O primeiro foi a instituição universidade. perseguições e impedimento do debate democrático. caracterizou-se por um forte conteúdo ideológico dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política. instituição fortemente voltada para a pesquisa. pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos de AGB. Uma questão interessante que não era explicitada. Portanto. essa divisão era muito mais pesada. No caso da Geografia. para a avaliação interpares das pesquisas e para a formação de pesquisadores. os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra. se por ventura tenha passado por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE. isto é. O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para que se estruturasse a delimitação de campos diferenciados. os que ficaram e foram a favor do regime. sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo. cursos de aperfeiçoamento. que em sua maioria durante o regime militar. O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros. foram palco de medidas arbitrárias. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. enquanto se aguardava os movimentos do tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. .matemática. essas cabeças foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade. imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes a curto prazo. Foi neste espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica. pelo menos até o início dos anos 70. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. em qualquer outra coisa! A Geografia Nova brasileira que estruturou-se no final dos anos 70 e prosseguiu durante a década de 1980. A ambigüidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares. três espaços foram prioridade de lutas. E isto tinha perfeita razão de ser. Para o grupo de geógrafos que nasceram nas décadas de 20 e 30 e que tornaram-se líderes em suas especialidades. ou de computação. em virtude de estarmos em plena luta pela abertura política do país. Os que ficaram e lutaram contra o regime. era a incomoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. mas que estava sempre presente. participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais.

Milton Santos. senso de direção e de escala.. “. . a quantidade de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar. poder de síntese.. haveriam excursões de cunho informativo. que eram anuais. Armén Mamigonian e outros.em reunião em São Paulo. provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma” (Andrade. Portanto. participação em trabalhos de campo. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Itamarati. que surgiu no período mais duro do regime.. a jóia da coroa era o IBGE e no IBGE. quebrar esta estrutura hierárquica da AGB Nacional. interpretação de cartas. as reuniões. percebe-se que o sistema de filtragem era rígido. No decorrer dos anos 60. na Assembléia de Vitória (ES) uma nova sistemática foi aprovada. Apresentações de trabalhos e respectivas aprovações pelos mais experientes. desenho de croquis e. e em 1969. os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB e isso começou a ser percebido na década de 70. isto é as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979. diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política. percepção da paisagem. o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa. com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembléia. em grande parte formada por estudantes. passariam a ser bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo.onde a hierarquia estava vinculada ao saber e experiência. portanto revestida de muitas conotações negativas no campo político. Neste espaço. os sócios cooperadores conseguiram.1956) sendo analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes. resistência física. com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (Geiger e Santos. sobretudo. chamada de Mandarinato era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. 1991/19992: 137) O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”. onde eram avaliados a disposição para o trabalho.. redação em condições adversas. mas dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade. nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade. Em outras palavras. mas ao se conversar com a “Velha Guarda” da AGB. No caso da ABG o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas. pudessem ter uma arena para debates acalorados como foram os casos de Pedro Geiger.

22-23) e “Para uma Explicação Geográfica Tempo-Espaço” (p. Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos (Santos. “Diferenças Entre Países e Disparidades Regionais” (p. respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético M. “Um Princípio Ordenador” (p. o . n 3 de março de 1961 e foi traduzido pelo Professor Manoel Seabra da USP.21). mas com bom potencial de novidade. que na ocasião lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York. Era um típico artigo “ponta de lança”. A. no caso. quanto no Social Justice and the City de David Harvey ou nos trabalhos de Richard Peet.18). O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v. o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. sediada na USP lançou uma série denominada Seleção de Textos “. prossegue com Les Villes du Tiers Monde (Santos.21-22). 1975). com finalidade didático-científica”. O segundo artigo era de um exilado. “Problemas de Escala” (p. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica.1971). 1976). Este. como é possível perceber no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer onde o autor. I. apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos. continua com Aspects de la Géogrphie et de L’Économie Urbaine des Pays Sous-Dévelopés (Santos. Este algo diferente era resultado de uma longa gestação intelectual iniciada ainda nos anos 60 com o livro A Cidade nos Países Subdesenvolvidos (Santos. II. (Bunge.. ao mesmo tempo. “Tempo Externo e Tempo Interno” (p. mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e. O título era Relações Espaço-Temporais no Mundo Subdesenvolvido e o seu autor. Les Deux Circuits de L’Economie Urbaine des Pays Sous-Développés (Santos. cuja tradução para a língua portuguesa acontece em 1979 com o título de O Espaço Dividido.20-21). por exemplo.18-19). 1965).20). sem rejeitar os métodos quantitativos. 1973). Milton mostrouse um mestre em artigos desse tipo. desses que o autor coloca na arena de discussão. Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando. “A Produção do espaço no Terceiro Mundo” (p. para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados. as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição.1969). Em 1976 a Seção Regional de São Paulo da AGB.23). “Centro-Periferia” (p. Milton Santos era na ocasião.19-20). editor da revista radical de esquerda americana Antipode.É com esse pano de fundo que se deve avaliar os acontecimentos de 1978 na Assembléia da AGB de Fortaleza. entendendo também que no exterior.. 1979). levantava questões sobre “A noção de Tempo nos Estudos Geográficos”(p. “Sistemas de Tempo e Sistemas de Espaço” (p. destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos. Al’Brut (Anuchin. e atinge seu objetivo com L’Espace Partagé. O número 1 trazia uma transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V.

fonte dos seus dissabores. através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (Souza. Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro. desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista da Educação e Cultura de Salvador. o Presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. um grande homem. quanto é exilado por força do golpe militar. O processo de prisão e o posterior exílio é marcado por fatos contraditórios por parte das autoridades. a revista Antipode ( a radical journal of Geography) lançou um número especial sobre Geografia e Subdesenvolvimento organizado por Milton Santos.Em 1977. quando eclode o golpe. Um Cidadão do Mundo em homenagem a Milton Santos. Planning Underdevelopment tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para sua penetração em países subdesenvolvidos. mas eu estava em Paris. quando era professor do ensino médio. Eu tinha bons amigos. passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964. digamos assim. Uma visão bem diferente do artigo Geografia e Desenvolvimento Econômico (Santos. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy i underdeveloped countries era uma síntese de seu livro o Espaço Dividido e o segundo. O Mundo do Cidadão.. como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito. amigo . “Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador.. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani. a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda. Na realidade. a minha saída do Brasil. Em seu depoimento na revista Geosul. Milton Santos rememora sua participação no Governo de Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia.. foi reitor e que foi. quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia neste processo. a pessoa que negociou com o governo federal militar. “ Miguel Calmon. (Santos. 1991/1992:183). A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza. Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular. Lá estão registradas todas as sua publicações e apresentações. por exemplo.. onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso.. pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes. quando já havia fixado residência em São Paulo após sua volta. Milton assina dois artigos. O primeiro. a minha ida à Cuba com Jânio já me tinha a inclusão do meu nome lista do Exército. 1959). Ao chegar aqui. 1996:485). Phil O’Keefe e Richard Peet..

que não me deixaram entrar nas listas de cassação. “ . Isto provocou uma comoção nacional. Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada. Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o Marxismo. uma outra forma de ver o Terceiro Mundo. Milton Santos explica que. Em 64 então. Bernard Kayser.... para que ele pudesse se manter governador.. e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964. da propriedade. !964 chega.então. Comecei então. recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade. Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira.” “. cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes.” (p. mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort. na construção de uma nova teoria geográfica. ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros. ao mesmo tempo. nem foi erupção espontânea. Manoel Correia e Araújo Filho.Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão. solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar.. Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia. Fui para Toulouse. Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos.. se não fosse Armen. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária. que vem essa vontade de teorização sobre urbanização. Dando aula na França. eu fui preso. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64. Ainda na prisão. onde está o editorial que marca essa mudança de tendência.. digamos assim. Diário de Notícias).. através de Pierre George. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora . eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia. porque ele precisava de um bode expiatório. que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são.éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído. por que Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58. “. digo nacional... uma nova posição que fosse também. a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo. quer dizer. como forma de liberar o Lomanto. onde queriam me crucificar..nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória . com quem sempre mantive relações muito boas. Eu fui instrumental a esse movimento.. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia.fraternal. graças então. a querer fazer outra coisa e é aí então.. a vigilância foi afrouxada. a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora. tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras . dentro da Geografia. o n 51. que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho. Santos também fala que. sentido acadêmico.. gente de bem. não me satisfazia. ”. porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã. me instalei lá.” (Santos . cheguei a conclusão que aquilo que eu ensinava. etc. ildo na Escola Francesa. aquela gente da marcha da família. Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar. porque estava sozinho. sobretudo o Armen. a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon. 192) Quanto a sua volta e o Congresso da AGB de Fortaleza. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. dispostos a mudar seu rumo. Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu”.. o que foi uma grande gentileza. isso servia ao movimento e me foi útil.. Lembro daquela famosa reunião da AGB... 1991/1992: 184/185). René Dugrand. deixei de ter a solidariedade de muita gente. política e acadêmica. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta. Não foi obra do acaso. No houve apenas gratuidade.

vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em plano mais abrangente. Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores. Isto tem que ser dito. Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves ( PUC) e em São Paulo. Ariowaldo Umbelino de Oliveira. Em 1980 a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74. o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ. decidiu me convidar. nem partidos. o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal com Manoel Seabra. e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação.e que não precisou estar amarrado a grupos.. Contexto da Hucitec. as presenças de Milton Santos (UFRJ) .” (p. fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. Território Livre da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE). Na seção Idéias e Fatos (p. Vim para São Paulo. onde fiquei até 1983. Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes. Armen Mamigonian.” (p. o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. Rio de Janeiro e São Paulo. porque a AGB através desse movimento. Encontros com a Civilização Brasileira. 197) Como disse Milton Santos. A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia Repensada Politicamente e cobria democraticamente áreas da Economia Política. Revista Civilização Brasileira. inicialmente estava subdividida nos que criticavam a Geografia Oficial. uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker. Ruy Moreira (Geografia e “Práxis”). Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa. 196) “. nem de curriolas. me deu uma cobertura nacional. denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). para conseguir um lugar no país. A diferença. João Mariano de Oliveira (Revendo Criticamente a Geografia) e Milton Santos (Reformulando a Sociedade e o Espaço). que sempre uma estratégia de longo prazo. No Rio de Janeiro. citando o Boletim Paulista de Geografia. Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira. onde estou até hoje e espero ficar. decidi me transferir para o Rio de Janeiro. Eu depois de hesitar. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (É Possível uma “Geografia Libertadora”?). um conjunto de textos sob o título de Geografia e Sociedade: Os Novos rumos do Pensamento Geográfico com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (Da “Nova Geografia à “Geografia Nova”). quando então fui para a USP.302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia. nem de tendências. Sociologia e Geografia.. . Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que eqüivalia a possibilidade de me tornar professor titular. Armando Corrêa da Silva.

1982:131-139). no de Ruy Moreira Repensando a Geografia (Moreira. a partir do concreto. 1982:35-49) e no de Ariovaldo Umbelino de Oliveira Espaço e Tempo: compreensão materialista de dialética (Oliveira. o de idéias. em sua obra. relações de produção.135) A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debate.” (p. 1982:66-110). chamava-se Alguns Problemas Atuais da Contribuição Marxista à Geografia (Santos. Milton Santos. sonoridades ineficazes. na visão de alguns tornam-se auto-explicáveis. como no caso do artigo de Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa A Geografia e o Processo de Valorização do Espaço (Moraes e Costa. mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox. o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. Contribições Brasileiras à Teoria da Geografia e Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros. Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta . com o confronto de resultados referentes às interpretações fatuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores.” (p.134). escreveu um artigo que passou meio despercebido na época. luta de classes etc. Nos anexos. . Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia.. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “Congelamento dos Conceitos” dando o exemplo sobre o conceito de consumo “durante a vida de Marx. junto com a circulação. que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. No bloco de contribuições teóricas. se não reexaminadas. “Noções como modo de produção. liga-se ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar. quanto ao erro do uso automático da terminologia. com uma incrível visão premonitória. Por isso Marx lhe consagrou.O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título de Novos Rumos da Geografia Brasileira . Nele.. mas que no fundo. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e a evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias. alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista. dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem. 1982:111-130).. forças produtivas. A estrutura estava dividida em dois blocos. como forma de criar um campo de termos que. Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948. apenas. que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam. com o confronto de sistemas de referência e do trabalho empírico. o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. Era a produção propriamente dita. editado pela Hucitec em 1982.

No entanto. em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos. e urbana Notas sobre a Geografia Urbana Brasileira (Armen Mamigonian). quanto em segmentos específicos como a questão agrária. UERJ ou UFF. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnan do Norte e Camboja. Estrutura Agrária e Dominação no Campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves). 1978). Explica as principais noções de escala e mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. desenvolvimento desigual e combinado. No caso paulista. É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou um grande impacto no alunato do início dos anos 80. e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também. isto é. apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste. pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época.A segunda parte. a principal obra de referência do período foi Por Uma Geografia Nova (Santos. O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a antigüidade e a Geografia dos Professores universitários iniciada no século XIX na Europa. Foi por conta desse movimento que foi editado o livro de Yves Lacoste A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra (cuja edição original da Maspero de Paris de 1976. mais a introdução e . havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. no Rio de Janeiro. isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC. leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnan) e da excelente prosa de Lacoste. Não era uma leitura fácil. Paralelamente ao movimento dos professores. havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na Mesa Redonda da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no Rio de Janeiro em 1980 Crise Econômico-Social no Brasil e o Limite do Espaço que abordava algumas questões concernentes ao marxismo como crise do capitalismo. na linguagem técnica editorial não autorizada. a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc. tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977) essa edição carioca era. Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros foi reservada para os trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira. tanto na área do pensamento geográfico O Pensamento Geográfico e a Realidade Brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos Rumos para a Geografia Brasileira Milton Santos). a organização sempre foi uma das características.

as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global (Araújo. onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco. Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores.. 1986 e 1989) da Ática. eu teria de ser conhecido antes. sua interpretação não é imune a controvérsias. obviamente negativos. pois misturavam-se nas arenas. “. substituindo autores da velha guarda como Nilo Bernardes ou Aroldo de Azevedo. Os resultados foram. 1995). questões pessoais vinculadas à lutas de poder nos ambientes institucionais. razão pela qual eu insisti com o editor. me criou uma repercussão nacional. A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. nos anos 80. principalmente nos períodos iniciais do movimento.” O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se. E assim foi.conclusão. provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos. De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física.A AGB. conflito árabe-israelense. porque sabendo que o Brasil é um país oral.. quando analisavam alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo. . conflitos internos nos países africanos). para publicar rapidamente o meu livro ‘Por uma Geografia Nova’. Um bom exemplo desse tipo de obra pode ser vista nos trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (Corrêa.. que eu sentia que ia durar pouco. passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”. apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica. Entretanto. principalmente nos cursos de formação de professores.. que me foi encontrado por Florestan Fernandes. portanto que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 80/90. Editoras como a Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve. Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas tomaram o lugar na preferência dos professores de ensino médio. O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época. digamos assim. Milton conta em seu depoimento na Geosul (Santos 1991/1992:196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro. quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom. É necessário. que deveriam ser apenas palcos de debates de idéias. que passaram a ter uma postura crítica. eu diria que para ser lido depois. quando em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 60/70. crescimento econômico de alguns países asiáticos.

em 1992.. analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações. como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber. como referência de determinadas linhas de pesquisa e dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento. Inicialmente Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no contexto editorial quando assume a responsabilidade editorial da Notícia Geomorfológica e posteriormente passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia. fruto de uma comunicação apresentada num Simpósio Sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991.Um outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica como foi o caso da Geografia Física tomada por positivista. principalmente nas fases iniciais do processo.. Na parte C de sua resenha. Boletim Gaúcho. Orientação. Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro. Explica a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de testes e adaptações. Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de São Paulo). considerada também como quantitativa e por isso mesmo sujeita ao repúdio total. publicou no periódico Geografia uma resenha denominada O Conhecimento Geográfico no Brasil: Considerações de um Geógrafo. rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. em vez . Em seguida analisa o contexto da chegada no Brasil da “Nova Geografia”. mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas. Boletim Baiano de Geografia. Boletim Paulista de Geografia. Lembra também sua preocupação com a feitura sistemática das resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica. Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais. com a teoria dos sistemas. por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti que. “Envolvido com os estudos geomorfológicos.

.237) Foi justamente no final dos anos 80 e início dos 90. Biogeografia. etc.112). Então. que compunha minha diretoria. tal qual se apresentava nos anos 80. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina. associado à uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente. no espaço geográfico dos países mais pobres. Em conseqüência dessa atitude. primeiramente em 1989 na Alemanha. Por outro lado.Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões eqüivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar. sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB. foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 80.” “. de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica.” “... Clima.. com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental e posteriormente com a dissolução da URSS... selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica. o Grupo Radical. observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica” (p.. Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países. quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia” que deveria apenas ocupar-se do social... não aceitou absolutamente. Na década de 90. Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nesta inflexão. pois além dos problemas sociais. Em seu depoimento à Geosul (Valverde. toda igualzinha. Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia.. descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia. Acho que..de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas. Orlando Valverde. Geografia Crítica ou Geografia Marxista. anteriormente relegado ao segundo plano. mas por causa dessa postura. que os acontecimentos políticos na Europa. tais idéias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. .. o que para mim é errado. englobadas com interpretações impróprias. a AGB precisa de um mínimo de organização. ” . Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade.. e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores. 1991/1992:237) comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram tornando-se cada vez mais conflitantes. alertando principalmente sobre as conseqüências positivas e negativas. até hoje..Hoje em dia muitos reconhecem isso. eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo. os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional. alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar portanto de Geomorfologia. Sua principal obra dessa época chama-se Técnica. um grupo criou a chamada Geografia Radical.”(p. só os fenômenos sociais têm significação? Contudo. entre 1984 e 1986.. principalmente no se referia ao desprezo que era passado às questões ambientais.

Com a volta das preocupações ambientais. Antônia M.. uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados. As contribuições de Maria Luisa Castello Branco.Espaço. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 80. só foi devidamente absorvida pela Geografia brasileira. capítulos de livros ou de outras coletâneas. via democratização do uso dos computadores pessoais. acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Humana. incluindo também outras áreas do conhecimento como Biologia e Geologia por exemplo. inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Físicas e Humanas da Geografia. Esses trabalhos. podemos perceber o quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX. em comparação com os computadores de grande porte que eram utilizados por uma minoria nos anos 70.” A técnica é a grande banalidade e o grande enigma. do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica. e é como enigma que ela comanda nossa vida. com o título O período técnico-científico e os estudos geográficos . São desta fase.. 1994) foi estruturada como uma coletânea de artigos. Essa abordagem passa a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros. produzidos em sua maioria no início dos anos 90. ocorrida na década de 90.M. o que chamava-mos de Geografia Quantitativa na década de 70. região do projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI). o próprio IBGE. Ferreira. textos de conferências e seminários. os projetos de diagnósticos integrados realizados principalmente na Amazônia ( Diagnóstico Brasil. mas quando voltamos nosso olhar para as décadas anteriores. que tinham de exprimir numa única linguagem. Diagnóstico da Amazônia Legal. Tempo: Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional (Santos. Projeto Nossa Natureza. Entorno do Distrito Federal e Gerenciamento Costeiro). pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais. nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo. Rivaldo Pinto de Gusmão. Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar. apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos. Olga Becker. publicado no n 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington. que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto RADAM. administra nossas relações com o entorno” (p. 1986. cada vez mais poderosos e baratos. nos impõe relações.20). o . Carajás. Ainda não chegamos ao refinamento desejado. Teresa Cardoso. o problema da mundialização da produção. modela nosso entorno. Foi necessário entender também que.

o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados. situados em sites que podem ser acessados via Internet. Dora Hees. no plano da prática profissional. Além disso. Os papéis desempenhados. mas o IBGE ainda é fortemente atrelado ao PC / Windows. correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados. pelas matrizes de pensamento geográfico oriundas da Europa e Estados Unidos e. Este grande panorama da dinâmica da Geografia brasileira. pela liderança e carisma de professores e pesquisadores estrangeiros que vieram preparar uma elite de geógrafos. através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh / Sistem 8. que posteriormente ficou conhecida como a “Velha Guarda do IBGE” serão explicitados nos demais capítulos I. ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie que mostraram o caminho e as possibilidades futuras. servirá de pano de fundo para o entendimento do processo de formação do pensamento geográfico brasileiro. democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados. Hervé Théry e brasileiros como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira.0. foi também de muita valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira. apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação entre os equipamentos computacionais entre as instituições. muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngües. . No contexto ibegeano. Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana foi muito rica. pois a troca entre profissionais franceses como Philipe Waniez e Violette Brustlein. objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular.Programas de mapeamento automatizado. Mesmo com esses problemas. II e III desta parte. vista sob a ótica do IBGE. Monica O’Neill. a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa. Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia hoje. no plano acadêmico.

1998:197 ou 1999: 2-3). Lia Osório Machado e Heloisa M. ∗∗ do . Estados Unidos e Canadá. 1996). Nessas arenas. tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro. Machado (1995 e 1999) e Domingues (1999). que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 30 (Oliveira . será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica. visando a criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente com os outros países através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional. na universidade e no IBGE Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo. (Zusman. como se pode perceber nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira.Parte II Capítulo I . tempo em que essas questões foram A tese de Perla Brigida Zusman na Usp sob a orientação do Prof. Bertol Domingues. ou na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado. os principais temas vinculavam-se aos aspectos teóricos da disciplina. A principal razão de sua estruturação foi.O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas sociedades geográficas. a relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte pensamento geográfico (Machado. atual Sociedade Brasileira de Geografia∗ . resultados de ações entre governos do Brasil. necessariamente. principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e Estados Unidos. Um outro segmento de consolidação dos estudos geográficos se deu através das associações culturais e profissionais como a Associação dos Geógrafos Brasileiros. Nilo Bernardes em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (Bernardes. 1990 e 1999). 1982). Primeiramente com a França. diferentemente das áreas de discussão no governo. criada em 1938 e das antigas instituições como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883. dessas instituições. tendo como agência chave o IBGE. mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual). (vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária. principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930. Em se tratando de instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual. também aborda esses problemas conceituais e metodológicos por que passou a disciplina. Antônio Carlos Robert Moraes tratou detalhadamente. foram nelas que se instituíram as principais arenas de discussão dos temas geográficos. França.

André Cholley e outros. Pierre Deffontaines . Questões como a precedência entre Geografia Física e Humana. Pierre Deffontaines. como as obras Vidal de La Blache. conflitos entre o Determinismo e Possibilismo. e pelos esforços dos americanos em garantir também um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE. nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer de sua vida profissional. tanto do IBGE. por conta dos caprichos da Segunda Guerra que inviabilizou a ida de Geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para Europa. pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968. ∗ (francesa hegemonicamente. foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF.∗ Essa predominância da escola francesa foi também confirmada. como parte de uma campanha de aproximação do governo Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa . Pierre Mombeig. a americana) se fizeram . ou eram especificamente indicados por eles. também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia. Bordeaux. passando a sofrer também uma influência da escola americana e.que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos como Jean Brunhes. geralmente por indicação de algum professor como Francis Ruellan e Michel Rochefort principalmente. Essa tendência só não tornou-se totalmente francesa. a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem. Toulouse. em cidades francesas como Paris. durante o período do conflito. após 1935. É possível perceber que a hegemonia da escola francesa foi incontestável. a partir de 1947. Grenoble. além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade. Max Sorre e outros. Francis Ruellam. quanto da universidade no sentido mais geral. Camille Vallaux. em seus depoimentos. foram os principais mecanismos de consolidação de uma tradição de pensamento francês na Geografia brasileira. (Buttimer. Montpellier. Estrasburgo. que o poder das escolas de pensamento geográfico sentir na formação dos geógrafos brasileiros. posteriormente. da alemã. Jean Brunhes.apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. Se levarmos em consideração que as figuras de Geógrafos franceses como Emmanuel de Martone. a dicotomia entre Geografia Sistemática e Regional. indiretamente. nada menos do que três gerações de profissionais. e que os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles. Jean Tricart e Michel Rochefort foram as principais fontes de conhecimento geográfico para. Lyon. 1980). Todo um processo de aprendizado profissional que incluía. Foi a partir desses cursos. sobretudo no IBGE. com algumas ligações com a alemã e.

Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946. Northwestern e Chicago. Jorge Zarur. entrevista) para trabalhar até 1950. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 ( Waibel 1949). como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território. convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos. José Veríssimo. tomou contato com a escola americana de Geografia voltada para o planejamento espacial do New Deal de Franklin Roosevelt. ao trazer um convite do Governo americano. da qual o planejamento do Vale do Tennessee foi um dos principais projetos. estudar em universidades americanas. ∗ Tornando-se o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do Nazismo.2000). principalmente os sobre habitat rural e núcleos de população. Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE). Seu retorno ao Brasil faz surtir um efeito quase imediato. torna-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. Orlando Valverde. Para ele. seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2. Preston James e Richard Hartshorne (Barton e Karan. A importância dos trabalhos de Leo Waibel. e o Army Map Service (AMS) empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra como Cotton Mather. tendo como principal ferramenta a colonização dirigida. Fábio de Macedo Soares. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. em 1945.americano. pode ser avaliada através de um artigo que tornou-se clássico. o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs e suas ações no campo cultural. que tinham como objetivo a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil. Lúcio de Castro e Lindalvo Bezerra foram os indicados para Winsconsin. o trabalho de Antônio Pedro Tota no campo das relações culturais (Tota. é importante para se entender as funções de uma outra agência. Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil durante a Segunda Guerra. que em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin∗ e depois para uma especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago. na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). órgão da estrutura do Estado Novo. . Jones. Clarence F. universidades especializadas em estudos regionais voltados para o processo de ocupação do território. Agências de Inteligência americanas como o Office of Strategic Service (OSS). 1992:56). para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem. Jones.

seu professor em Heidelberg onde lecionou de 1898 a 1928. Nilo.) Carl Sauer (Berkeley) Nevin Fenneman (Cincinnati) Richard Hartshorne (Michigan e Winsnconsin) Carl Sauer (Berkeley) Carl Sauer (Berkeley) Preston James (Michigan e Syracuse) Especialidade Habitat rural Eduard Hahn Paleo-agricultura Domesticação História da Cultura Geografia Histórica Geografia cultural Geografia Regional (Chorology) Otto Schlüter Alfred Hetner Siegfried Passarge Geografia da Paisagem Geografia Regional Desses geógrafos americanos influenciados por alguns geógrafos alemães como Carl Sauer. ainda que indireta. pois importantes professores americanos. naturalmente. 1952: 75-76). da escola alemã de Geografia. Richard Hartshorne e Preston James acabaram por influenciar geógrafos brasileiros que posteriormente tornaram-se líderes em suas áreas de pesquisa. principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941). Some german-american connections in the twentieth century Geógrafos alemães August Meitzen Geógrafos americanos (universidades) Carl Sauer (Berkeley). Seria importante contextualizar também a influência da escola alemã na geografia americana. porém.“A colonização é o problema mais fundamental do Brasil. Fred Kniffen (LSU). mais tarde influenciar alguns geógrafos brasileiros. West no capítulo introdutório do Pioneers of Modern Geography: translations pertaining to german geographers of the late nineteenth and early twentieth centuries (West. que iriam. que dentre elas a Geografia desempenha ou deveria desempenhar. Este processo de ascendência intelectual foi analisado por Robert C. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra?” ( Waibel apud Bernardes. um papel importante. professor da Universidade do Brasil e fundador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil . foram discípulos de mestres alemães.Y. Não há dúvida. dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. City Coll. Terry Jordan (U. 1990:2 table 1) . Hilgard O’Reily Stermberg. O problema da colonização é. corporifica-se a influência. Com os trabalhos de Waibel no Brasil. muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. Texas) Carl Sauer (Berkeley) Fred Simoons (Davis) Erich Isaac (N.

Durante o final dos anos 40 e início dos 50. sendo que Egler era o único que falava alemão. Lúcio de Castro Soares e Orlando Valverde todos falavam inglês. no início dos anos 50. Pedro Geiger. criaram uma geração pioneira de geógrafos que se especializaram em campos distintos como Geomorfologia (Miguel Alves de Lima e Heldio Lenz). mobilizou um restrito grupo de profissionais que iniciou pesquisas sobre o processo de colonização. e Heldio Xavier Lenz Cesar) seguiram para a França. que . De certa forma. prepara juntamente com a direção do IBGE. este grupo ampliou as possibilidades de conhecimento geográfico que a geografia francesa tinha para oferecer naquele período. Elza Keller. este grupo restrito de pesquisadores que trabalharam com Waibel entre 1946 e 1950. Apesar das dificuldades do pósguerra. apesar de hegemonia inconteste da escola francesa. possivelmente foi uma variável importante. cinco profissionais do IBGE (Miguel Alves de Lima. Portanto. como Nilo Bernardes. Míriam Mesquita. A vinda de Waibel para o IBGE em 1946. Geiger para Grenoble. assim como Orlando Valverde foram alunos de Hartshorne e Leo Waibel em Geografia Regional na Universidade de Winsconsin e Speridião Faissol. em 1947. Miguel para Paris. Walter Egler. evitando assim que apenas um só chefe de escola trabalhando no Brasil (Francis Ruellan) ficasse com a incumbência de repassar as principais matrizes de pensamento da época. principalmente por intermédio dos professores Preston James (Syracuse) e Clarence Field Jones (Chicago). somadas ao trabalho de orientação que os outros geógrafos estrangeiros que nos visitaram. Com o final da Segunda Guerra. Míriam para Lion e Heldio para Strasburg. que trabalhou inicialmente com Waibel no Brasil. Speridião Faissol. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo aprendidos nas universidades francesas. (depoimento de Elza Keller). aluno de Preston James em Syracuse e trabalhou com ele no interior do Brasil estudando colonização. a geografia francesa retoma sua liderança através dos esforços de Francis Ruellan que. Elza para Montpellier. ocupação agrária do território e um pouco de biogeografia regional. A barreira da língua. uma nova turma de geógrafos brasileiros para diversas universidades francesas. foi. pois Leo Waibel falava alemão e inglês e não o idioma francês. Fábio de Macedo Soares Guimarães. que era o mais difundido no conjunto profissional do IBGE na época. posteriormente.(CPGB) foi influenciado por Sauer em Berkeley . Jorge Zarur. a americana ainda se fazia sentir nos trabalhos de geografia regional do IBGE. com os estudos agrários (Elza Keller) e estudos urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas (Pedro Geiger e Míriam Mesquita).

Preston James estudou o problema de colonização. estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil. 1965). 1948) e suas abordagens sobre as relações entre as áreas da Geografia Física e Humana (Sorre. Mato Grosso. Speridião Faissol e José Veríssimo em estudos de colonização e utilização da terra. Ambos trabalharam em pesquisas que envolveram técnicos do IBGE e pesquisadores de universidades de alguns estados (Tricart na Bahia e Rochefort no eixo Rio-São Paulo). que mantinha sua hegemonia. principalmente sua segunda metade. O Congresso Internacional da UGI de 1956 marcou uma nova etapa entre a geografia francesa e a brasileira./mar. 1953. 1946a. 1950. em função da sistemática política de especialização dos geógrafos da casa em universidades e laboratórios franceses. 1949. mesclando. Goiás e Minas Gerais). oferece uma bolsa de estudos para Speridião Faissol fazer o doutoramento em Syracuse. a absorção dos ensinamentos de mestres como Maximilian Sorre e Pierre George nos campos da Geografia Humana e Econômica. quando possível. Em 1952. por ocasião de suas estadas no Brasil em 1948 e 1949 respectivamente. foi o período em que os geógrafos do IBGE tornam-se efetivamente. conquistavam cada vez mais adeptos no Brasil. 1961). produtores autônomos. além das obras de Pierre George sobre diferentes aspectos da Geografia Econômica analisando vários continentes. além de um relatório de uma expedição. além de estabelecer comparações entre os dois sistemas econômicos representantes da Guerra Fria ( George. A década de 50. 1946b. que se prolongou pelos anos 60. Jorge Zarur e José Veríssimo já haviam estudado com Clarence Jones em Chicago respectivamente em 1942/43 e 1945/46. 1955. os principais atores dessa fase. 1949. elaborando trabalhos importantes. as influências germano-americanas com a francesa.trabalharam com Jorge Zarur. Os trabalhos de Sorre sobre novas formas de habitat surgidas no pós guerra (Sorre. 1954. foram Jean Tricart na Geomorfologia e Michel Rochefort nos estudos urbanos. Além desses. concluído em 1956./dez. 1963. . feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo. jul. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out./set. 1950 (Por sinal um número muito importante para o tema colonização. Clarence Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). pois além do artigo de Jones.1939) e durante sua estada no Brasil em 1948 publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no Nordeste na RBG 11(1) jan.

sendo que Rochefort ainda continuou a tarefa na década de 70.que foram analisadas por Roberto Lobato Corrêa em duas ocasiões (Corrêa. Orlando Valverde. Suas ligações com Lisia Bernardes. Fany Davidovich e. seus contatos mais estreitos. Os estudos de Michel Rochefort sobre redes urbanas no final dos anos 50. caracterizado por um forte crescimento demográfico nas duas principais metrópoles.foram as principais marcas da escola francesa de Geografia no ensino e pesquisa da Geografia brasileira. em virtude de conflitos com Speridião Faissol no final dos anos 60. a ligação entre o “método Rochefort” e o planejamento urbano-regional da Geografia do IBGE. principalmente. tanto no IBGE. Michel Rochefort e Jean Tricart . Pedro Geiger. já sob os auspícios das ações dos ministros do Planejamento Roberto Campos. Na USP. A influência de Rochefort nas linhas de pesquisa de Geografia Urbana do IBGE nos anos 60 foi inquestionável. se deram através de Maria Adélia Aparecida de Souza após 1968 (Rochefort. nas décadas de 50 e 60. deixou de colaborar sistematicamente com o IBGE. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (Tricart e Silva. A Geomorfologia desenvolvida por Jean Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia.com um doutoramento orientada por Tricart. ao voltar em 1960. durante o governo do General Castelo Branco (1964-1967) e Hélio Beltrão no do General Costa e Silva (1967-1969). encaixaram-se perfeitamente nas preocupações que os técnicos do governo federal já estavam levantando em relação ao processo de urbanização brasileiro que se delineava no início dos anos 60. 1968 e 1989). aconteceu na segunda metade da década de 60. quando. os mais importantes embaixadores da Geografia francesa nos anos 60. Teresa Cardoso da Silva. ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. que garantiu a muitos professores baianos da área de Geografia Física completarem sua pós graduação na França. Teresa. . Roberto Lobato Corrêa garantiram um fluxo de projetos sobre redes urbanas. Portanto. posteriormente. marcas estas que até hoje ainda podem ser percebidas nas ementas de cursos de graduação. quando essas preocupações ligadas ao binômio urbanização/industrialização tornaram-se maiores na área de planejamento federal. 1998:7-10 prefácio de Maria Adélia). Rio de Janeiro e São Paulo. quanto nas universidades. 1968). foram após Ruelan e Monbeig. Elza Keller. principalmente após o golpe militar de 1964. além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg. foi para Universidade Federal da Bahia e por intermédio de Milton Santos. principalmente por conta de sua aluna de pós graduação em Strasbourg no final dos anos 50. principalmente em São Paulo. mas mantendo ainda contatos de trabalho com Lisia Bernardes no IPEA e Ministério do Interior.

pode-se afirmar inclusive. o período caracterizado pela influência dos estudos baseados no método Rochefort de redes urbanas. e legitimando-se nele. outros. da infra-estrutura instalada ou a instalar. a segunda metade dos 50. alguns de caso pensado. possuem datação bem precisa. parece ser o resultado de uma série de lapsos de memória. A errônea versão de que a Geografia fez o seu début com o planejamento. posteriormente. quanto para a Geografia. sob a batuta de Speridião Faissol. Não restam dúvidas de que as relações entre a Geografia feita no IBGE e o que se convencionou chamar de planejamento. somente no contexto da New Geography ou Geografia Quantitativa. ainda que seguindo. Porém. Léo de Affonseca. as vinculações entre planejamento e Geografia são bem anteriores. “Não foi. principalmente através dos estudos de colonização e habitat rural. isto é.É importante levar em consideração que não houve nenhuma luta teórica entre franceses e americanos pela hegemonia de suas respectivas escolas no Brasil. um roteiro diferente” (Abreu. por obra e graça da “Quantitativa” que a vinculação da Geografia com o planejamento se realizou no Brasil. adotando a versão da súbita hegemonia da escola americana que introduziu os métodos quantitativos na Geografia do IBGE. até porque as relações entre França e Brasil neste campo sempre foram hegemônicas. ano V (1944) da Revista Brasileira de Estatística. 1994:44). iniciando no período imediatamente anterior ao Estado Novo de Vargas. dos geógrafos ibegeanos que viveram a maioria dos períodos. possivelmente levados à esquecer por diferentes mecanismos e. Cristóvão Leite de . além de um monumental esforço de cartografação do território (Almeida. Mário Augusto Teixeira de Freitas. Juarez Távora. 1994 e 1995). quando muito. José Carlos de Macedo Soares. talvez. Tratava-se da reprodução de uma das reportagens elaborada por um jornalista do Correio da Manhã. Maurício Abreu comenta que . Nela é exposta minuciosamente a estrutura e objetivos do IBGE tanto para a Estatística. que as mudanças que já vinham ocorrendo na Geografia Tradicional brasileira levariam-na certamente a essa direção.. mostrando claramente o que era planejamento na concepção de gestores do Governo Vargas. portanto. A nível de (sic) hipótese. uma interessante matéria foi publicada no número 19. ocorrido na década de 70. Essas relações objetivavam o gerenciamento do território via. como Castro e outros. Essa assertiva de Maurício Abreu toma como referência temporal o período dos anos 60 ou. conhecimento sistemático dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. Adalberto Mário Ribeiro que produziu uma série sobre os principais serviços públicos do período Vargas.. do acompanhamento dos processos da ocupação humana e econômica. A guisa de exemplo.

No caso de Berry e Friedmann. passariam a representar a presença da escola anglo-americana na Geografia do IBGE na década de 70. preocupado com a rápida dinâmica de urbanização orientou seus estudos para o acompanhamento da rede urbana brasileira. Faissol amarra bem a importância do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) no processo que acabou trazendo ao Brasil expoentes da Geografia Quantitativa americana e inglesa (Brian Berry. para planejar o crescimento da infra-estrutura urbana nas áreas metropolitanas (outra entidade estudada pela Geografia Urbana do IBGE nesta época). estavam trabalhando com urbanização/industrialização e Geografia da população. com mais ênfase. Pedro Geiger. . 1968. o acaso aconteceu através de uma notícia de jornal. do arquiteto Harry Cole. 1968 e 1972. John Friedman e Peter Colle) para iniciar um período de treinamento de técnicas estatísticas que iriam ser utilizadas nos futuros dados censitários de 1970. quando Lisia Bernardes estava se transferindo para o IPEA e. de uma forma ou de outra. Um contato entre o DEGEO e o Conselho Britânico fez com que Colle tivesse contato com a Geografia brasileira através de Faissol. o acaso aconteceu em virtude da repentina saída de um cargo de direção do SERFHAU. O papel do IPEA havia se iniciado no início da segunda metade da década de 60 após o golpe militar. IBGE. de certo modo. 1969). os novos dados que adviriam do Recenseamento Geral de 1970. 1995 e 1997). Em seus depoimentos nas revistas Geouerj e Cadernos de Geociências. era de estruturar uma nova linha de pesquisas urbano-industrial que utilizasse. que de uma forma. levando consigo o passe de Michel Rochefort. No caso do inglês Peter Colle.É claro que as pretensões de Speridião Faissol no final dos anos 60. após o crescimento do Banco Nacional de Habitação (BNH). Marília Galvão. Faissol também aludiu à fatores aleatórios seus encontros iniciais com esses pesquisadores. que havia contratado a vinda desses pesquisadores ao Brasil. não poderia mais arcar com essa responsabilidade via SERFHAU. É justamente neste período que estes expoentes anglo-americanos da Geografia urbano-regional que utilizavam métodos quantitativos para os estudos de determinação de padrões espaciais das atividades econômicas em redes urbanas passaram a ter contato com Speridião Faissol no IBGE. Elza Keller. No campo da Geografia. a escola francesa estava representada pelos estudos de Michel Rochefort realizados no Departamento de Geografia do IBGE visando o entendimento das maiores redes urbanas do país e o processo de regionalização (Bernardes L. O papel do SERFHAU começa a tomar forma no final dos anos 60. que o pesquisador da Universidade de Nothinghan estava no Brasil para pesquisar o planejamento do Censo de 1970. pesquisadores que. Keller. Roberto Lobato Corrêa e Olga Buarque de Lima.(Faissol. e que naquele momento. quando o Ministério do Planejamento. Faissol vislumbrou aí uma possível futura parceria com as universidades de Chicago (Berry) e Los Angeles (Friedmann) e articulou a visita pelo IBGE em 1969..

que rapidamente. Climatologia. que ficaram em maior evidência do que as querelas criadas pela Geografia crítica. que. com articulações da Central Inteligense Agency (CIA) com o governo brasileiro para modificar a Geografia do Brasil. através dos grandes diagnósticos ambientais. período em que a escola francesa reinou absoluta. É importante lembrar que o apelo do Meio Ambiente/Ecologia também tomou de assalto as trincheiras da esquerda geográfica radical. ao se colocarem ao largo dos conflitos ideológicos que ocorreram com o segmento da humana/econômica. foi confirmado pelos trabalhos da futura New Geography. uma integração. área que ficou estigmatizada pela aparente influência dos métodos quantitativos oriundos da escola angloamericana. um amplo segmento de mercado de trabalho no campo do gerenciamento . Porém. nos anos 90. tornava-se mais usada nos cursos de pósgraduação. que acabaram por retardar o desenvolvimento dos estudos geográficos. que muito pouco contribuíram para o avanço da Geografia. se nos limitar-mos a apenas recortar o segmento de Geografia Urbano-regional. até quando o segmento da física tomou a dianteira das pesquisas e provocou. Também tiveram outra vantagem comparativa. nos anos 80. nos anos 80. teve de arrumar um discurso que se adequasse aos novos tempos. corremos o risco de não avaliar a área da Geografia que mais se beneficiou dos métodos quantitativos. pois já possuíam experiência matemática maior do que os da humana. Com isso. de certa forma. Com o advento dos computadores cada vez mais baratos e potentes e da enorme popularização pela Internet dos softwares de mapeamento automatizado e de tratamento de imagens e de gerenciamento de bancos de dados. planejando um sistema urbano. majoritariamente trabalhado por Speridião Faissol e colaboradores até o final da década de 1970 e que. normalmente. vinculados à escola anglo-americana aconteceu sob fatores fortuitos e não como um super projeto militar típico da Guerra Fria. os profissionais da área física garantiram sem grandes traumas existenciais. a estatística sempre marcou presença desde a graduação e. principalmente no segmento do estudo de redes urbanas e regionalização. Nessas áreas. Pedologia / Edafologia. os profissionais da área física tiveram muito menos problemas de utilização nos métodos quantitativos que chegaram ao Brasil no início dos anos 70. Geomorfologia. os segmentos da física. tentando apagar da memória os anos entre 1964 e 1970. com tentaram fazer crer alguns geógrafos na década de 80. Biogeografia.É interessante observar que o aparecimento no Brasil dos métodos quantitativos. Hidrologia. feneceu sem gerar um grande número de seguidores. excetuando-se o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e de alguns poucos professores advindos de Rio Claro que formaram grupos em outros estados (o exemplo de Alexandre Filizola Diniz com os métodos quantitativos em Geografia Agrária em Aracajú é o mais interessante). aparentemente.

dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS em inglês). de maneira mais ampla. que abriu esses novos campos de pesquisa e de ampliação da experiência profissional de uma parcela de pesquisadores que atualmente transitam por programas tão globalizados. No entanto. que não seria mais prudente procurar a hegemonia de qualquer escola de Geografia no IBGE de hoje. Ironicamente. . da Geografia carioca entre os anos 30 e 60. nos anos 90. que o profissional de Geografia humana terá de lutar muito para iguala-lo. será importante avaliar o papel alguns professores e pesquisadores estrangeiros na formação das primeiras gerações de Geógrafos do IBGE e. foi a cooperação com geógrafos franceses da Maison de la Géogrphie de Montpelier. para a Geografia humana do IBGE.

Parte II Capítulo II . Jorge Zarur (contratado em 1939) e José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940) . tanto em Geografia Física. o Professor Emmanuel De Martonne. ou em fase final de doutoramento para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935). Nesse grupo estavam. Deffontaines era um geógrafo completo. pois tratou-se de. dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa. ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia patrocinado pela União Geográfica Internacional em Paris. a Academia Brasileira de Ciências sob a liderança de Alberto José Sampaio e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas. após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988). além do próprio Christóvão. pode entabular negociações com a diretoria da UGI. agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro. em 1933. que a idéia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que. mas sua preferência era a Humana. . chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo organizado por Christóvão Leite de Castro. No processo de implantação do curso do Rio de Janeiro. do Secretário Geral da UGI. A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante. a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas. explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país. auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. na então Universidade do Distrito Federal (UDF).Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE Os Pioneiros Mestres Estrangeiros Desde o início dos anos 30. que possibilitou a vinda de professores recém doutorados. O naturalista e botânico Alberto José Sampaio. os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938). paralelamente. que garantiram a visita. garantir treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE. pois foi através de sua influência nos meios acadêmicos franceses. O Professor francês Pierre Deffontaines(1894-1978). quanto em Geografia Humana. paralelamente ao curso formal. estava sendo maturada. foi de decisiva importância. Na ocasião.

O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para França. tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas). apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951). que foi continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra. principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola. por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard . Paralelamente. Orlando Valverde (que depois. em virtude da impossibilidade da ida para a Europa durante os anos da Guerra depois. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível. Em Wisconsin. Francis Ruellan (1894-1975) que fica 18 anos e praticamente torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. que ao longos desses 60 anos de atividade de pesquisa geográfica do IBGE. em 1942. teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território. nunca foi interrompido. Com esse grupo. geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos e conseguem através da influência de Christóvão Leite de Castro que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. foram convidados para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação na França. Muito embora os primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o grande processo de aperfeiçoamento no estrangeiro tenham sido enviados para os Estados Unidos. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão). A maior parte da chamada “velha guarda ibgeana” foi formada por Ruellan. Waibel. Fábio de Macedo Soares Guimarães. Nilo Bernardes e Speridião Faissol. outro grande professor o vem substituir. em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional. Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau. principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época). Como resultado de seus contatos nos Estados Unidos. onde ficaram entre um e dois anos. Jorge Zarur é enviado para a Universidade de Winsconsin onde graduase como Master of Arts em 1943 e segue para a Universidade de Chicago para um aperfeiçoamento em pesquisa de campo. considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais. mas já em 1940/41. que organizava grandes trabalhos de campo.

entre 1946 e 1947. com uma grande produção acadêmica no campo do ensino católico. realizado em 1956 no Rio de Janeiro. inaugurado em 1939 e que absorveu o curso da Universidade do Distrito Federal que foi extinta. Faissol doutorou-se em 1956. geógrafo francês que inaugurou em 1934. Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler. Edgar Kullmann. iniciada em 1939. 1950 . A seguir. Dora e Edgar. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). no Rio de Janeiro onde iniciou o mesmo curso na Universidade do Distrito Federal em 1935. jul. Professor Michel Rochefort passou a vir constantemente ao Brasil e dar consultoria ao IBGE. Pierre Deffontaines (1894-1978). Era um geógrafo especializado nos aspectos humanos do processo de ocupação do território. onde também criou a Associação dos Geógrafos Brasileiros e. Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização.O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. um breve resumo da vida profissional desses mestres pioneiros. Seu principal orientando foi Speridião Faissol. Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. posteriormente. Alceu Magnanini. Dos americanos. Entre 1938 e 1939 organizou o curso de Geografia na faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. Com Rochefort. Retornou . por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). onde Preston James era professor./set. ligado a linha metodológica de Jean Brunhes e Vidal de Lablache. posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse no estado de New York. Entre os anos de 1950 e 1951 o professor e pesquisador norte americano Preston James trabalhou no IBGE. o ciclo de formação profissional de geógrafos no Brasil. outro grande pesquisador francês em redes urbanas. No final dos anos 50. orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. foram também estudar no Canadá. Entre 1935 e 1937 formou o primeiro grupo de profissionais que criaria o núcleo de pesquisas geográficas do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Revista Brasileira de Geografia. Primeiramente em São Paulo ao iniciar o curso de Geografia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. a “velha guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 50 e na década de 60. além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pósgraduação em universidades francesas. após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. além de ser católico militante.

na verdade o orientador dele era o Albert Demangeon que era também um geógrafo da maior importância.. “.na época que ele estava vindo para o Brasil ele tentou duas candidaturas para duas universidades. se não me engano foi Rennes e Poitiers e não conseguiu. Dunbar (1991:42). 1998). não. daí inclusive que é um dos motivos que ele vem para o Brasil. foi sempre preterido no sistema universitário francês.. sobre a presidência do De Martonne. “.. temos hoje um maior conhecimento da vida e da importância do trabalho de Deffontaines graças ao trabalho de pesquisa da historiadora Marieta de Morares Ferreira junto a família de Deffontaines na França. Através das pesquisas de Marieta de Moraes Ferreira.. Além disso. ele queria ingressar em faculdades públicas e pelo menos em duas ocasiões ele colocou a candidatura dele. à Roberto Schmidt de Almeida). fartamente citado por Anne Buttimer em seu clássico trabalho sobre a tradição geográfica francesa (Buttimer. Por mais irônico que possa parecer. Silvio Carlos Bray também escreveu sobre a visão de mundo de Deffontaines e suas relações com a cultura e ideologia do Brasil nos anos 30 (Bray. chefe da banca. Jean em vez de Pierre). Pierre Deffontaines. mas que de acordo com as informações que eu tenho.. não foram livres de turbulências. após ter tido um grande reconhecimento na Espanha.. 1993). somente alcançando a importância no panorama da Geografia francesa.” “ Ele mesmo diz isso. que certamente ele tinha . a participação dele..F. 1980) e tornado verbete nas Enciclopédias Encarta e na Modern Geography de Gary S. que se espantará somente pelo fato dela não ter uma alusão no seu prefácio. no final da vida.. Albert Demangeon não fez nenhum empenho em auxiliar Deffontaines.. E que seus relacionamentos com seu orientador de sua tese de doutoramento.. Albert Demangeon e com o todo poderoso Emannuel de Martonne. mas ele não fica o tempo todo no Brasil. sabe? Porque tem um episódio que ele fala aqui: (isso é uma espécie de auto biografia que ele faz) “Minha tese se passa bem e com dimensão. inclusive trabalhando com o diário que sua esposa organizou e que detalha muito bem sua trajetória profissional (Ferreira. Afortunadamente. pode-se saber que suas proposições para postos docentes nas universidades públicas francesas não foram acatadas. além de ser considerado por Berdoulay (1981:190) como o discípulo de Jean Brunhes (apesar de seu nome estar grafado errado.....ele era professor em Lille numa faculdade católica. não apoiou e eu acho que o De Martonne também não deu muito. posteriormente estabeleceu-se em Barcelona onde fundou um centro de estudos franceses.. como diz o jargão francês poser sur candidature e ele não teve sucesso nessas duas empreitadas.para a França ao iniciar a Segunda Guerra Mundial.. mas pelo tipo de rede tinha lá na França. que atualmente é considerado um importante geógrafo francês especializado no estudo dos gêneros de vida . acho acredito eu pela qualidade do seu trabalho..” (depoimento de Marieta M.

. onde Brunhes tinha sido escolhido um pouco tempo antes professor de geografia do Collège de France. e uma correspondência que eu consultei no Ministério das Relações Exteriores sobre a documentação que está guardada no arquivo de Nantes mostra um pouco a insatisfação dos paulistas com esse desejo de Deffontaines querer vir para o Rio e querer também ter uma participação na estruturação da Universidade do Distrito Federal . passaria para um campo muito mais formal com a evolução do governo de Vargas em direção ao estabelecimento do Estado Novo e o papel de Gustavo Capanema no campo da educação e cultura do governo federal. “eu era o principal discípulo de Jean Brunhes eu vinha trabalhar na edição de geografia humana e passar . após sua transferência da USP em São Paulo.que eu acho que essa documentação mostra. Esse movimento foi fundado nos anos 20 por Robert Garric..” (depoimento de Marieta M.. ele passa uma temporada lá e depois ele acaba voltando para o Rio de Janeiro. à RSA) Possivelmente. Agora porque que Deffontaines é interessante para ser estudado? Nós sabemos que UDF é uma Universidade criada por Anísio Teixeira e que contava com um grande número de professores que defendiam o ensino laico que naquele momento travava uma briga de morte com a igreja católica.F. Na visão de Marieta. primeiro inicialmente que Deffontaines vai para São Paulo. Mas esta luta sobre o controle doutrinário entre liberais (ou comunistas. pode ter sido uma das razões de seu estabelecimento na UDF... e colaborador da revista UTO – L’Union des Trois Ordes de L’Enseignement (Deffontaines.UDF. entre Pierre Deffontaines e Alceu de Amoroso Lima.A.. a rivalidade entre o Colégio e a Universidade não terá tido um papel. a estreita relação. no Brasil... ficando entre o Rio e São Paulo. possivelmente houve um certo nível de negociações entre lideranças católicas para trazer para a nova Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro o maior número possível de professores católicos para contrapor uma luta entre diferentes concepções de ensino universitário carioca. à R. onde era professor de uma Universidade Católica e era membro de um movimento chamado Les Équipes Sociales. .. nos anos 30 vem trabalhar na área de Letras da Universidade do Distrito Federal. Em suas pesquisas documentais junto ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro e cotejadas com a documentação francesa Marieta percebeu. “.S. Para Marieta. (depoimento de Marieta M. professor de Literatura que também.”.. uma coisa assim. depois ele diz.” então . ele é a primeira pessoa que cria cadeira de geografia na USP. Nesse primeiro momento ele acaba ficando ainda dividindo um pouco... mas na verdade eu acho que o interesse maior dele era ficar no Rio. 1935 e 1936)... um dos mais proeminentes líderes do grupo de intelectuais católicos do Rio de Janeiro. dependendo do ponto de vista e das circunstâncias) e a Igreja Católica..)..importância. suas atribulações acadêmicas na arena do ensino universitário público francês e sua vinda para o Brasil. tenha vinculações com a sua militância religiosa no catolicismo em Lille. F. e pelo fato de ter dedicado minha tese a São Francisco de Assis”.

mas ligados à Igreja. e sua leitura é fundamental para o entendimento do sistema atual. que a embaixada garante ser da mesma geração de professores católicos militantes que Pierre Defontaines e Robert Garic. corporativos e ideológicos que marcou a formação do sistema universitário do Rio de Janeiro. Schwartzman.O livro Tempos de Capanema (Schwartzman. Capanema aproveitando a legislação deixada por Campos prepara o projeto da Universidade do Brasil.. Bomeny e Costa explicam como foram as tratativas para a escolha do corpo docente e. possibilitou às lideranças católicas reordenarem suas . A questão religiosa (militância católica) é colocada por Capanema como variável chave pois. Pierre Deffontaines (geografia) e Robert Garic (literatura). Tempos de Capanama é pródigo em análises sobre o grande painel de interesses pessoais. Henri Hauser e Henri Troncon (história). e em junho de 1938 propõe a anexação da UDF ao sistema federal de ensino universitário. Mas para que não nos percamos nas escalas mais abrangentes da política universitária da época. principalmente.. no entanto. Daí não encontrar eu boa acolhida para nomes que sejam conhecidos por suas tendências opostas à Igreja ou dela divergentes”. com se processaram as negociações com o governo francês através de Georges Dumas . os movimentos de organização do grande projeto universitário de Gustavo Capanema. Bomeny e Costa. Mas o projeto de Capanema torna-se vitorioso. Eugène Albertini. voltemos ao exemplo que nos interessa aqui. católico. Apesar dessas manobras. à destituição de Pedro Ernesto da prefeitura e ao afastamento de vários professores da nova universidade. 232). “O expurgo que se segue ao fracasso da insurreição da Aliança Nacional Libertadora de novembro de 1935 leva à saída de Anísio Teixeira do Departamento Municipal de Educação do Distrito Federal (onde é substituído por Francisco Campos). e que pode ser visto na indicação de Jacques Lambert para a cátedra de sociologia.” (p. O livro explica os intrincados conflitos ideológicos e organizacionais entre a Universidade do Distrito Federal liderada por Anísio Teixeira e iniciada em 1935 e o novo plano da UB. que substituiu Francisco Campos no Ministério da Educação do primeiro governo de Vargas. 2000) detalha no capítulo 7. ”desejo professores habituados à pesquisa e de estudos bem orientados. Capanema não consegue a adesão de Alceu de Amoroso Lima para a direção da FNF.227228). (p. amigo de Jacques Maritian. com intermediação da embaixada francesa.. Alceu de Amoroso Lima. No sub-capítulo que trata da criação da Faculdade Nacional de Filosofia. o que foi feito pelo Decreto-lei 1190 de abril de 1939. Gaston Léduc(lingüística). As atividades da UDF. não se interrompem. A experiência de Alceu ao lado de Deffontaines e Garic (que retornaram em 1939 para a França) na luta dentro da UDF. A Faculdade vai ficar sob a direção do Sr.. e em 1936 as aulas são iniciadas com professores de uma missão francesa que incluía Émile Brehier (filosofia).

‘direta ou disfarçadamente.. dizia entre outras coisas. na visão de Schwartzman. Ao mesmo tempo. pela alta direção do IBGE nos anos 30. no campo estritamente profissional. com seus quase 100 professores e 500 alunos.. No entanto. o cumprimento dos ritos religiosos e sociais. Jorge Zarur e outros eram minimamente católicos cumpridores de seus deveres ou em alguns casos. . na segunda metade dos anos trinta. afastar uma série de professores que . ‘Nào me sinto com entusiasmo por esta obra’. não havendo até hoje nenhuma colocação de cunho religioso nessas lembranças. o papel de Pierre Deffontaines. Seria impossível. e Alceu escreve longamente ao ministro explicando suas razões definitivas de não aceita-lo. É importante lembrar aqui que. ‘Não sinto nada por esta empresa..233). significando aqui. do que como organizador da Geografia do IBGE. É bom lembrar que a religiosidade católica. com responsabilidades no segmento leigo da Igreja. dando início ao projeto de sua própria universidade a PUC. Personagens como Mario Augusto Teixeira de Freitas. José Carlos de Macedo Soares. Cristóvão Leite de Castro... mas mediante duas condições prévias. Fábio de Macedo Soares Guimarães. criam na faculdade o confusionismo filosófico e ideológico’ . e poder começar com liberdade.” (p. “Em abril de 1939 ele escreve ao ministro ainda propenso a aceitar o convite. alunos e funcionários da UDF na nova faculdade. Havendo sempre nas grandes comemorações do órgão.234). senti alguma coisa quando entrei para a UDF. Um outro ponto importante era a formação católica da maioria dos dirigentes do IBGE e dos principais servidores. uma missa solene ou a presença de um religioso para abençoar as novas dependências nas cerimônias de inauguração.” (p. era algo quase obrigatório. e o adiamento do início das aulas para 1940. Alceu percebe que as tramas políticas que regeriam a UB em geral e a FNF em particular. Bomeny e Costa. seu poder de articulação na criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e na Revista Brasileira de Geografia foi inconteste. “ Em fevereiro de 1941 o convite ainda permanecia de pé. ele aceita ser indicado pelo ministro para a cátedra de literatura brasileira.. seriam muito mais problemáticas do que as questões apenas ideológicas que foram disputadas com o grupo de Anísio Teixeira. Muito embora não existam dados que possam afirmar tal militância católica no contexto do IBGE e que as relações de Deffontaines com o órgão sempre foram lembradas pelos que conviveram com ele.prioridades.. sempre foi mais vinculado às suas atividades como professor da UDF. Os critérios nebulosos de nomeação de professores são. segundo ele. A dolorosa experiência de oito meses tirou-me as ilusões’. para a Geografia brasileira. é importante considerar alguns traços culturais da época. que eram a não-incorporação dos professores. alguns dos óbices que influenciaram a indecisão de Alceu em aceitar a direção da FNF. Sua preocupação é não assumir o passivo da antiga universidade..

Como se constitui no Brasil a rede de cidades (Deffontaines. é bem possível que. Sua formação foi eclética. 1944). sua atividade docente. 1960). aceita o cargo de professor de Geografia da Faculdade de Filosofia da recém . como mestre de conferências e diretor adjunto do Instituto de Geografia e da Escola de Altos Estudos de Geografia da universidade. para a Geografia do IBGE. em 1941. Francis Ruellan (1894-1975). na maioria dos casos. tornaram-se figuras importantes na Geografia brasileira nos anos 60 em diante. em segundo lugar. Sua formação como geógrafo inicia-se na universidade de Rennes. No que concernia ao IBGE. foi desmobilizado pelo Exército. geógrafo francês especializado em Geomorfologia. que ao substituir Pierre Deffontaines no comando do ensino de Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (antiga UDF) em 1941. foi enviado como adido militar para o Rio de Janeiro. Em 1939 foi mobilizado pelo Estado-Maior do Exército francês e em 1940. Após um ano de funções diplomático-militares. enquanto formador da primeira geração de geógrafos e. onde nasceu. em conseqüência da invasão alemã na França. Durante a década de 30 participou de varias missões técnicas e culturais organizadas pelo governo francês na Ásia e América do Norte. pois sua carreira na Universidade de Paris já estava perfeitamente consolidada na década de 30. além de também ter freqüentado os cursos do “Collége de France”. Por isso.Portanto. a mais importante lembrança de Pierre Deffontaines foi primeiramente. tornou-se um verdadeiro "chefe de escola" para uma legião de pesquisadores que. pois também freqüentou o curso de Economia da “Faculté de Droit” e os cursos de mineralogia e geologia da “Faculté de Sciences” e do “Museum D’Histoire Naturelle” . sua visão abrangente sobre as potencialidades do estudo geográfico no Brasil. este problema não se colocou. que eram comandados por Emmanuel De Martonne. 1988). Meditação geográfica sobre o Rio de Janeiro (Deffontaines. se no caso da UDF. as presenças de Deffontaines na Geografia e de Garric na Literatura tenham sido equilibradoras de um suposto enfraquecimento da religiosidade católica no ensino universitário carioca (o que também deve relativizado em virtude dos acontecimentos posteriores ao golpe da Intentona Comunista no âmbito da UDF). continua em Strasbourg e depois em Paris onde obteve sua “agrégation” (licença para lecionar no sistema de Liceus) e seu doutorado. onde se encarrega das relações militares entre a França e os países da América do Sul e Caribe. Sua vinda para o Brasil foi fruto de coincidências e situações fortuitas. em função da forte cultura católica da casa naquele período. através de artigos que tornaram-se clássicos como o Geografia Humana do Brasil de 1939 (Deffontaines.

substituindo Pierre Deffontaines. Na tese de Vera Lúcia Cortes Abrantes sobre o arquivo fotográfico das pesquisas geográficas de campo do IBGE (Abrantes. ou com um ou dois alunos. treinou equipes de pesquisadores e orientou a formação acadêmica e técnica de muitos deles. No campo. seus projetos de excursões alcançavam qualquer parte do Brasil. alunos da universidade ou profissionais de pesquisa do IBGE. podendo contar com um grande número de participantes. Suas pesquisas de reconhecimento da Geomorfologia da Serra do Mar resultaram num trabalho clássico publicado na RBG em 1944 (Ruelan. fruto de duas conferências. Diferentemente de Deffontaines que. sua influência ainda continuou forte até o início dos anos 60. E assume paralelamente. são referências importantes no estudo da Geomorfologia do Sudeste do Brasil. que retornou à França em 1939. Ruellan era acima de tudo um professor e consta que nunca fez um trabalho de campo só. pronunciada em Goiânia em 26 de junho de 1942. o único geógrafo de se pode ser chamado de chefe de escola sem nenhuma restrição classificatória. além de indica-los e encaminha-los para cursos em universidades da França. 2000: anexo B) foram computadas 11 grandes excursões lideradas por Ruellan entre 1941(Baia de Guanabara e Serra do Mar) e 1951(Bacia do Rio São Francisco). era um professor completo e sua importância para a Geografia brasileira dificilmente poderá ser igualada. Os Métodos Modernos do Ensino da Geografia. Em suas funções no Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até 1956. os ensinamentos de Francis Ruellan conquistaram um número significativo de alunos que estão atualmente na faixa entre 60 e 75 anos aproximadamente. Na publicação editada pelo IBGE. Seu espírito disciplinador e seu senso de organização são célebres. e portanto sem o apelo característico de cursos como Direito ou Engenharia. o cargo de consultor científico do CNG. Sua principal característica foi a vinculação estreita entre o ensino teórico na sala de aula e o prático no campo e no laboratório (para os geomorfólogos). por ser a Geografia ainda um curso novo. no VIII Congresso Brasileiro de . 1988). além de ficar apenas cinco anos no Brasil. lecionou para um número mais restrito de alunos. No entanto Ruelan não era somente geomorfólogo. Seus principais trabalhos até hoje. indubitavelmente. pois apesar de ter voltado para a França em 1956. sem limitações de ordem financeira ou logística. Além de pesquisador. Em função de sua posição de liderança num período onde o IBGE possuía um enorme prestígio perante o governo federal. Sendo ele. principalmente junto aos geomorfólogos. Ruellan marcou profundamente as gerações de geógrafos que trabalharam entre 1940 e 1960.criada Universidade do Brasil.

que os estudos de identificação do futuro sítio do novo Distrito Federal foram coordenados no IBGE por Waibel e relatados por Fábio de Macedo Soares Guimarães na RBG v. p. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. contratado pelo Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade de Wisconsin (USA). As relações de Leo Waibel com os geógrafos do IBGE se deram em três fases distintas. para onde havia ido lecionar em função de sua saída da Alemanha. Primeiramente no contexto da Universidade americana de Winsconsin.Educação e complementada por outra. Retornou aos Estados Unidos em 1950 e logo depois para a Alemanha. nos processos de colonização e de reconhecimento de áreas propícias para colonização futura. onde veio a falecer em 1951. 1942. ao pesquisar os tipos de ocupação de terras e os diferentes cultivos tropicais e com Geografia da População ao explicar os processos de colonização de dois povos europeus (alemães e italianos) no sul do Brasil.11. foi nesta fase que se deu uma maior aproximação com Orlando Valverde. que tornou-se o maior divulgador de sua obra no Brasil. com Geografia Agrária. Leo Heinrich Waibel (1888-1951). pois Waibel era casado com uma cidadã judia e fazia parte da oposição ao Nacional Socialismo. está o seu currículo. em julho do mesmo ano na Terceira Convenção Nacional dos Engenheiros Brasileiros. A segunda fase aconteceu no Brasil entre o final de 1945 e meados de 1946. n. em virtude de uma possível leva migratória de europeus para o hemisfério sul. entre os anos de 1946 e 1950. para pesquisar e treinar um pequeno grupo de geógrafos do IBGE. nas preocupações do governo brasileiro. Seu primeiro aluno brasileiro foi Jorge Zarur em 1943 e posteriormente em 1945. A terceira e última fase se deu entre 1947 e 1950 já trabalhando com Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. assim como estava ocorrendo na . ao estudar a vegetação brasileira. que haviam retornado de Winsconsin.6-8). Almeida (1995) constata que estes trabalhos estavam. quando trabalhou com Speridião Faissol. geógrafo alemão. (Ruellan. pronunciada em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais. Jorge Zarur e Walter Alberto Egler. que o convidaram (a partir de consultas com Christóvão Leite de Castro na direção do CNG) para trabalhar como consultor técnico do IBGE no Brasil. quando da oficialização do Nazismo. 1949. Avaliando os estudos de habitat realizados no Brasil. naturalizado americano. nos estudos sobre povoamento e colonização. 4. Nilo Bernardes. que cobre suas atividades no período anterior a sua vinda para o Brasil. Em sua estada no Brasil trabalhou com Biogeografia. Foi neste período também. no final da segunda guerra.

com linhas de pesquisa em colonização rural. Biogeografia e de processos de ocupação humana. (Dansereau. Seus livros Latin America (1942) e American Geography: Inventory and Prospect (1954 em co-autoria com Clarence F. apresentando principalmente sua obra geográfica realizada no Brasil. geógrafo norte americano./mar. pois estavam aqui especialistas de Geomorfologia. no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out.1939) e publicado no final dos anos 40. galgaram importantes postos no meio científico brasileiro na área de meio ambiente. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil. pioneiro na introdução do ensino sistemático de Biogeografia no Brasil em 1945. Foi também um importante historiador do pensamento geográfico anglo-saxão. uma esclarecedora biografia do mestre alemão. agrônomos. Portanto foi um período muito profícuo para o aprendizado de Geografia.n.América do Norte. É importante ressaltar que no final da década de 40. Waibel e Dansereau e que tanto Ruellan e Dansereau também ministravam aulas na Universidade do Brasil. foi professor nas Universidades de Michigan (1923-1945) e Syracuse (1945-1970). Ruellan. Em 1946. . após seu doutoramento feito em 1923 na Universidade de Clark. Dansereau organizou o ensino desta área de estudos e montou um programa de intercâmbio e de pósgraduação entre o Brasil e o Canadá que visava treinar pessoal especializado em Biogeografia. além de estudar a Biodiversidade tropical brasileira. trabalhou com Francis Ruellan na Serra do Mar e produziu um artigo de pesquisa na RBG. Pierre Dansereau (1919. Jones) são considerados clássicos da literatura geográfica americana. A maioria de seus alunos. publicou na RBG v. Convidado pela Universidade do Brasil e IBGE para dar treinamento especializado aos professores e pesquisadores (geógrafos. Preston James já havia estudado o problema de colonização. Foram dessa fase a maioria dos trabalhos de Waibel e dos geógrafos brasileiros que foram treinados por ele. áreas que garantiam um conhecimento amplo de Geografia para os profissionais do IBGE. 1952. um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação na Bacia do rio São Francisco RBG 11(1) jan. para estudar os processos de colonização rural no Brasil central. Trabalhou no Brasil entre 1951 e 1952 a convite do IBGE. por ocasião do falecimento de Waibel. 2. biólogos). Deixou uma obra voltada principalmente para o ensino superior. além de ministrar cursos de introdução à Biogeografia aos alunos de graduação.) biogeógrafo canadense. pelo seu conteúdo metodológico. 1949. Era um especialista em Geografia Regional da América Latina. 1947). estavam trabalhando no IBGE. Nilo Bernardes. Preston Everett James (1899-1986).14. que era liderada por Hilgard O’Reilly Sternberg./dez.

quanto nos Estados Unidos.Sua atuação no IBGE. apenas Pedro Geiger estava trabalhando com o tema na época. possivelmente. era uma questão que já preocupava alguns outros geógrafos e economistas tanto na Europa. A principal marca de Preston James na Geografia brasileira vincula-se ao alargamento do conhecimento sobre os processos de ocupação no interior do país. Sua vinculação com Lysia Bernardes. Muitos dos quais foram para cursos de aperfeiçoamento em universidades francesas. Seu método de estudo sobre redes de cidades. introdutor dos estudos sistemáticos sobre redes urbanas no Brasil na década de 1960. que já se preocupavam com os altos índices de urbanização que parte do Brasil apresentava na segunda metade dos anos 60. no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro. Ainda hoje. Foi um importante orientador de teses de pesquisadores brasileiros em Paris entre os anos 70 e 90. O enfoque no estudo dos fluxos materiais e de pessoas entre centros urbanos de uma determinada rede e de suas vinculações com a área rural produtora de bens agrícolas. é adotado por alguns geógrafos do IBGE. A atuação de Rochefort no Brasil foi. no início dos anos 50. enfatizando a análise do setor comercial e de serviços urbanos. . fruto de diferentes motivações que transitaram pelo institucional ( a preocupação do governo federal com a urbanização e migração para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro). em escala nacional . No início dos anos 60. Michel Rochefort (1928- ) geógrafo francês. 1963) e pelo emocional ( seu casamento com a geógrafa do IBGE Regina Espíndola Rochefort. Não tanto quanto Leo Waibel. que estavam tomando proporções ainda não totalmente compreendidas. que foi para Syracuse para doutorar-se em 1956 sob sua orientação. favoreceu a aceitação de seu método. ampliando suas ligações com o Brasil). A influência de seus estudos no país ampliou-se a partir de 1964. sem sombra de dúvida. presidente do Conselho de Administração do Instituto Francês de Urbanismo e professor visitante em universidades brasileiras. que foi rapidamente absorvido pelos geógrafos urbanos.Geiger. devido a poderosa influência de Michel Rochefort. na época liderando as pesquisas geográficas na antiga Divisão de Geografia. pelo acadêmico ( seu método de avaliação do sistema urbano era novidade e. professor emérito da Sorbone. é convidado a dar consultoria ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aulas na Universidade do Brasil. Seus primeiros contatos com a Geografia brasileira se dão em 1956. é consultor de várias instituições européias. propiciou uma forte ligação com Speridião Faissol. em função da intensificação das preocupações do governo militar nas questões urbanas. mas mesmo assim fundamental para o progresso da Geografia feita no IBGE na década de 50.

posteriormente. quando aparentemente. Para que se possa avaliar a importância desses líderes formadores. foi editada em 1959 e nela já estavam muitos artigos que trabalhavam com a temática dos fluxos para o entendimento dos padrões espaciais que emergem deles (Mayer. A de Rochefort foi uma delas e foi importante no contexto do IBGE até a década de 70. uma coletânea sobre Geografia Urbana. considerada clássica. O interessante desse processo é perceber que Michel Rochefort foi o último líder estrangeiro com carisma suficiente para influenciar várias gerações de geógrafos urbanos brasileiros. distância e padrão espacial de distribuição dos centros urbanos em determinadas regiões. Nos Estados Unidos. se não deve ser comparada com Francis Ruellan em virtude das diferenças de condições vivenciadas por esses dois professores nos dois períodos em que operam no Brasil. que formaram. Walter Christaller. deve ser entendida como uma liderança que manteve-se forte apesar das novas orientações que passaram a vigir no IBGE nos anos 70/80. Sua influência. Portanto. será imprescindível analisar a vida profissional alguns de seus melhores alunos e assistentes. Kohn. uma nova abordagem passa a fazer parte das preocupações dos geógrafos urbanos / regionais do IBGE. que em 1933 tentou explicar teoricamente o princípio de ordem entre tamanho. principalmente através de sua poderosa influência no sistema universitário francês. eram uma das inúmeras facetas do processo de urbanização que estava ocorrendo em muitas partes do mundo no pós guerra e que estavam sendo motivo de releituras diferenciadas.Estudiosos como Von Thünen que em 1826 enfocou a relação entre distância das cidades às áreas de cultivo agrícolas. 1959). . as preocupações acadêmicas de Michel Rochefort que chegaram ao IBGE no final dos anos 50 e percorreram toda a década de 60. o primeiro grupo de pesquisadores que passou a liderar academicamente a Geografia do IBGE.

Parte II Capítulo III – A “Velha Guarda” da Geografia do IBGE. nove por Roberto Schmidt de Almeida no contexto desse trabalho e. portanto que se fale um pouco sobre eles. Após sua aposentadoria do IBGE em 1968 . Muito embora não tenha exercido a profissão de Geógrafo. o depoimento de Cristóvão Leite de Castro dado à área da Memória Institucional do IBGE em 1994. em 1937 do Conselho Nacional de Geografia (CNG). pois alguns foram personagens importantes nas fases iniciais de construção de um corpo de conhecimentos geográficos sobre o Brasil. migração. muitos já não estão mais conosco. USA onde conheceram o professor Leo Waibel e. o dos professores e pesquisadores que vieram para o Rio de Janeiro objetivando formar e treinar profissionalmente estudantes que se dedicariam à profissão de geógrafo e o dos jovens estudantes que foram treinados e que se destacaram academicamente na profissão. geógrafo brasileiro especializado em planejamento regional. organizando projetos em escalas nacional e regional que subsidiaram as ações do governo federal em termos de políticas de ocupação rural. Participou também. Fabio foi considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração e seu trabalho sobre a divisão regional do Brasil em grandes regiões. órgão que faria parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). juntamente com Orlando Valverde. a Estruturação das Lideranças Pioneiras Para que se tenha uma boa noção sobre quem estamos falando. Em 1945. posteriormente. . tendo sido seu Secretário Geral. Esse conjunto de profissionais foi fundamentalmente composto por dois grupos distintos. via trabalhos e livros. abertura de eixos de transportes e de urbanização. excepcionalmente. foram enviados pelo IBGE para a Universidade de Winsconsin. juntamente com o grupo de Leo Waibel. o indicaram para um período de pesquisas no Brasil. apesar do caráter inescapavelmente arbitrário da escolha. Cristóvão Leite de Castro foi o principal formulador dos estudos geográficos nas fases iniciais do IBGE. foi oficializado pelo Governo Federal em 1941. foi um dos fundadores. faremos uma breve apresentação sobre alguns profissionais de Geografia que tornaram-se líderes em suas especialidades e ou tiveram papel relevante no processo de gestão técnico-administrativo do órgão. tanto no plano acadêmico. Fabio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979). quanto no plano das estratégias de planejamento territorial do país. Os Alunos e Treinandos que Tornaram-se Líderes da Velha Guarda Do grupo de jovens estudantes brasileiros que formou a Velha Guarda Ibegeana. Será necessário. Deste segundo grupo foram pinçados os dez entrevistados. dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal em 1947. lecionou na PUC RJ até seu falecimento.

apesar de já ter feito o bacharelado no Colégio Pedro II entre 1929-1934. Universidade Católica e Universidade do Brasil. onde foi aluno de Fernando Raja Gabaglia e de Carlos Delgado de Carvalho. lecionava também nas universidades Estadual do Rio de Janeiro e Fluminense. O professor Antônio Guerra faleceu de problemas cardíacos. sempre atualizadas. Seu interesse pela Geografia possivelmente tenha raízes no Pedro II. Essa vinculação com Deffontaines se dá em virtude da necessidade de prepararse em Didática da Geografia para o exercício do magistério. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. dois expoentes da moderna visão da Geografia como o estudo das relações espaciais entre fatos físicos e humanos e não a simples listagem de topônimos ou ordem de grandeza dos acidentes geográficos. Morreu prematuramente aos 41 anos. deram contribuições importantes à Geografia brasileira. e atualmente pela editora Bertrand Brasil. Suas ações estabeleceram um equilíbrio entre as influências das escolas francesa e americana de Geografia no IBGE. Foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). saiu sob o patrocínio da Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. Foi chefe da Divisão de Geografia na segunda metade dos anos 50 e foi responsável pelo gerenciamento técnico da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e do Atlas Nacional do Brasil. o também geógrafo e Professor da UFRJ Antônio José Teixeira Guerra. José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) geógrafo brasileiro que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. ao longo da década de 1950. agora com a co-autoria de seu filho. foram publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense).Jorge Zarur (1916-1957). repentinamente aos 44 anos de idade e. Antônio Teixeira Guerra (1924-1968) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. autor do mais completo dicionário Geológico-Geomorfológico editado no Brasil. além de geógrafo do IBGE. ajudando a criar um corpo de pesquisadores mais críticos que. foi um dos alunos da primeira turma de Pierre Deffontaines na Universidade do Distrito Federal (UDF). Trabalhou em três linhas distintas: a Federal . no qual ingressou em 1945 e deixou uma imensa produção acadêmica. ingressando no ano de 1940 e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). Retorna dos Estados Unidos com uma nova visão sobre a pesquisa geográfica voltada para o planejamento de governo e organiza um programa de bolsas para enviar um grupo de geógrafos do IBGE para especializarem-se nessa nova visão da Geografia. Foi um dos pioneiros da criação do IBGE ingressando em 1939 e partindo em 1943 para os Estados Unidos para pós-graduar-se em Wisnconsin e Chicago em Geografia Regional e Geografia de Campo respectivamente. Lecionou no Colégio Pedro II. Sua primeira edição. no ano de 1954. Suas edições posteriores.

Juntamente com seu marido. quanto na área de pós-graduação. Na década de 70 trabalhou em cargos de alta direção no IBGE até sua aposentadoria.Cabo Frio. posteriormente. a partir do final dos anos 50 e durante toda a década de 1960. Ingressou no IBGE em 1943 participando do núcleo inicial de pesquisadores em Biogeografia. Nilo Bernardes (1922-1991) geógrafo brasileiro. que teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições. Especializa-se no estudo da vegetação amazônica e. Faculdade de Arquitetura (Urbanismo) e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia (COPPE). No IBGE. na instância federal e no governo do Estado do Rio de Janeiro. Foi um dos primeiros alunos do curso de Geografia organizado por Pierre Deffontaines no Rio de Janeiro. compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país.geografia agrária e os processos de colonização. lecionou tanto na graduação. Morreu em 1961. Lúcio de Castro Soares (1909-1986) geógrafo brasileiro especializado em estudos regionais da Amazônia. no rio Jari. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944–1975) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959-1977). Dedicou-se aos estudos regionais da região norte do Brasil com ênfase nos recursos minerais e na hidrografia amazônica. para o Museu Nacional para dedicar-se exclusivamente ao estudo de vegetação. Na UFRJ. Morreram tragicamente em acidente rodoviário no trajeto Rio de Janeiro . transfere-se para Belém (PA) trabalhando no museu Emílio Goeldi. para níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro: cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior. especializada em planejamento regional e urbano. juntamente com Alceu Magnanini. Lysia Maria Cavalcanti Bernardes (1924-1991). foi contratado pelo IBGE em 1940. ao cair de barco na cachoeira Macacudra. tendo trabalhado no Departamento de Geografia. Em 1952 transfere-se. formavam um dos mais dinâmicos casais da Geografia brasileira. Walter Alberto Egler (1926-1961). no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944 –1987 ) e em organismos internacionais como o Instituto . nas décadas de 1970 e 1980. especializado em Geografia agrária e processos de colonização que teve sua vida profissional dividida entre a pesquisa. Seus importantes trabalhos nesta linha de pesquisa a conduziram. engenheiro agrônomo que especializou-se em Fitogeografia. Faleceu de infarto num vôo de trabalho do INIC sobre o estado do Amazonas. o também geógrafo Nilo Bernardes. a geografia geral para educação ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. na fronteira entre Pará e Amapá durante os trabalhos de levantamento florístico do vale do Jari. foi a principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort. geógrafa brasileira. em 1945 vai para a Universidade de Chicago estudar Geografia Regional.

14 capítulos de coletâneas. também chamado de lei geográfica do Estado Novo. na criação de uma seção de Estatística Territorial.Panamericano de Geografia e História e a docência no ensino médio e superior. para o já criado legalmente em julho de 1934. a também geógrafa Lysia Bernardes. A transferência dessa seção de Estatística Territorial do MA. na forma de verbete. Segue-se um comentário sobre algumas passagens relevantes de seus respectivos depoimentos. Após um período de cinco anos na iniciativa privada. Os Depoentes O próximo grupo é composto pelos profissionais que deram seus depoimentos para o projeto. Foi professor titular do Colégio e da Faculdade Pedro II e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). juntamente com sua esposa. Cristóvão chefiou a Secretaria Geral do CNG até 1950. Morreu tragicamente em desastre automobilístico em 1991. A seqüência de apresentação acompanhou a cronologia de ingresso no órgão. principalmente as que recordaram relações profissionais e estruturações de linhas de pesquisa que foram decididas nos anos iniciais do IBGE. 52 artigos em revistas geográficas. . que apresenta suas principais informações. portanto cobrindo todo o período do Estado Novo de Getúlio Vargas. além de atlas e livros ditáticos. engenheiro civil formado em 1928. Orlando Valverde. Jorge Zarur e outros. Organizou os trabalhos de preparação cartográfica municipal para o censo de 1940 dentro das determinações estipuladas pelo Decreto Lei 311 de março de 1938. Cristóvão Leite de Castro (1904 ). Miguel Alves de Lima. Suas atividades de pesquisa geraram sete livros. Nesta seção trabalharam também Fábio de Macedo Soares Guimarães. facilitando o entendimento do encadeamento dos fatos nos primeiros anos de estruturação do IBGE. foi o embrião do futuro Conselho Brasileiro de Geografia instalado em 1937 e substituído em 1938 pelo Conselho Nacional de Geografia. que juntamente com o Conselho Nacional de Estatística passaram a formar o IBGE. Instituto Nacional de Estatística e que foi instalado solenemente em 29 de maio de 1936. tanto no Brasil. passando assim a fazer parte do acervo da Memória Institucional do IBGE. foi trabalhar em 1933 no Ministério da Agricultura chefiado por Juarez Távora. Para cada profissional foi elaborado um breve texto. além de ser um excelente conferencista e organizador de cursos de especialização. que dispunha sobre a divisão territorial brasileira. como no exterior.

via fazendas de gado de corte. De volta ao IBGE. Foi. o processo de institucionalização da área de Geografia e sua gestão no CNG e a sua atuação na direção da Companhia do Teleférico do Pão de Açúcar após sua saída do IBGE.doc do editor de texto Word da Microsoft. Em 1945. Seu depoimento dado a Laurinda Rosa Maciel e Severino Bezerra Cabral Filho. Orlando Valverde (1917). A parte mais importante cobre o processo de institucionalização da Geografia. Aposentou-se do IBGE em 1982. Viabilizou financeiramente a Revista Brasileira de Geografia e o Boletim Geográfico. posteriormente. que foi convidado a trabalhar no IBGE como consultor. tornando-se um dos mais fortes críticos do modelo de ocupação. é o mais velho geógrafo em atividade . passou a estudar o processo de ocupação da Amazônia. Seus trabalhos sobre os diferentes tipos de agricultura e colonização no Brasil. tanto no que se refere a planejamento. Comentários ao depoimento A longa entrevista de Cristóvão cobre três áreas da memória. em virtude da ampliação das queimadas na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. pois Cristóvão foi um dos principais atores desses acontecimento. publicações organizadas por Deffontaines para difundir os estudos geográficos do IBGE e participou intensamente dos projetos organizados por Mário Augusto Teixeira de Freitas e José Carlos Macedo Soares durante todo este período. transcritas para cinco arquivos . juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães foi estudar em Winsconsin. foi roteirizado por Márcia Bandeira de Mello Arieira (Estatística) e Aluízio Capdeville Duarte (Geógrafo). juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao ser contratado em 1938. Leo Waibel. onde conheceu o Prof. garantindo condições materiais de pesquisa para Pierre Deffontaines desde 1936. quanto à execução dos grandes projetos em que a Geografia de planejamento de governo tomou parte.Auxiliou na coordenação da instalação do primeiro curso superior de Geografia na Universidade do Distrito Federal. através da estrutura já existente do Conselho Nacional de Estatística e enviando para a universidade os funcionários interessados em Geografia. geógrafo brasileiro especializado em Geografia Agrária e profundo conhecedor da região amazônica. o principal divulgador de suas pesquisas. A partir da década de 1960. Aos 83 anos. são considerados clássicos. sua trajetória pessoal até o IBGE. Está dividido em cinco fitas magnéticas. tornou-se um dos assistentes de pesquisa de Leo Waibel e. funcionários da área de Memória Institucional do IBGE em 1994.

. ministrando cursos em universidades e dando consultorias para órgãos de governo e empresas. marcando claramente com Michel Rochefort e Jean Tricat (anos 60) o final do período considerado por ele como o mais produtivo e de melhor qualidade.. Outro ponto interessante está relacionado com uma visão positiva e nacionalista do ciclo Vargas.. tudo aquilo tinha uma importância enorme”.. justamente a época de implantação do órgão.. não tinha base de conhecimento do território brasileiro”. e mais. Ressalte-se também sua admiração e respeito pelos profissionais que organizaram e gerenciaram os processos de fundação e estruturação inicial do IBGE.. junto com os órgãos de Estatística também estaduais. Trabalhou em Geomorfologia até a década de 60. área que foi transferida em 1939. estabelecendo convênios com universidades estrangeiras para o envio de técnicos do IBGE e contratando professores. Miguel Alves de Lima (1921) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia.. O primeiro deles refere-se a defesa intransigente da qualidade de ensino e pesquisa referenciada aos primeiros anos de estruturação do IBGE. principalmente no que concerne ao período do Estado Novo. para estruturar o núcleo original do futuro IBGE. Até a nomenclatura de norte a sul do país não podia haver dois municípios homônimos. do qual mais tarde Valverde seria seu principal assistente e após sua volta aos Estados Unidos (1950) e posterior falecimento (1951). por Cristóvão Leite de Castro.no Brasil. Valverde ressalta justamente o grupo de professores e pesquisadores que vieram entre 1935 e a década de 60. daquela vez era taxativa a obrigatoriedade em fazer mapas dos municípios.. Foi aluno de Francis Ruellan no IBGE e de André Cholley e Jean Tricart na Universidade de Paris. quando assumiu cargos . ”entrou outro grupo na orientação da Geografia do IBGE. quando.. a influência para criar serviços de Geografia nos estados. principalmente nas figuras do estatístico Teixeira de Freitas e de seu principal colaborador na criação da área de Geografia. Christóvão foi uma figura chave na política de treinamento do pessoal técnico organizando cursos. que a meu ver. o que já pode haver hoje. o engenheiro e estatístico Christóvão Leite de Castro. quando comparada ao período pós 1968. ”conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. Comentários ao depoimento Alguns pontos marcantes merecem ser analisados no depoimento de Orlando Valverde. o mais fiel divulgador de seus trabalhos. Um exemplo significativo refere-se a regulamentação do decreto-lei 311 de 02/03/1938 que dispunha sobre a divisão territorial do país. independente de seu conteúdo autoritário. iniciou sua carreira em 1938 como desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. como no caso de Leo Waibel.

Lecionou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e foi adido cultural no Uruguai e no Peru. para estudar com André Cholley e Jean Tricart foi resultado de seus estudos em Geomorfologia entre 1941-1942. A ida de Zarur para Wisconsin em 1943 e seu trabalho com Clarense Jones serviram para esquematizar que. assim como foram descritas as boas relações do IBGE com as universidades brasileiras para que o Congresso tivesse êxito. Outro ponto relevante foi sua participação na composição do segundo grupo de geógrafos do IBGE que receberam bolsas de aperfeiçoamento em universidades francesas. Porém. principal gestor do processo de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). Speridião Faissol (1923-1997) geógrafo brasileiro. deveria haver outro grupo de pesquisadores que seriam orientados para o estudo regional voltado para o planejamento. Finalmente falou sobre suas experiências como professor e adido cultural no Uruguai e no Peru e como diretor da área de Cartografia do IBGE nos anos 70. sobretudo dando consultoria para projetos do governo de Franklin Delano Roosevelt. um ponto interessante do seu depoimento revela a importância da figura de Jorge Zarur no processo de inflexão que ocorreu nos objetivos da Geografia do IBGE nos anos 40. A organização das excursões de campo no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1956 no Rio de Janeiro foi outro ponto relevante no depoimento. Sua ida para a Universidade de Paris em 1947. Foi o primeiro geógrafo . Comentários ao depoimento Da mesma forma que Orlando Valverde. introdutor das técnicas quantitativas na Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na década de 1970. tendo sido durante muitos anos diretor da área de Cartografia e Geodésia. equilíbrio que serviu para criar um corpo de pesquisadores no IBGE com boa base crítica. Miguel trata também das ações de aperfeiçoamento nos Estados Unidos dos primeiros geodesistas e cartógrafos do IBGE. O grupo dos cinco que seguiram em 1945 foi a concretização das idéias de Zarur em equilibrar a influência hegemônica francesa com uma outra visão.de alta direção no IBGE. tal qual algumas universidades americanas estavam fazendo. no qual ingressou em 1941. perfeitamente sintonizados com todas as novas tendências da Geografia. a americana. por conta disso fica patente também a admiração e o respeito por Cristóvão Leite de Castro. orientado por Francis Ruellan durante sua estada no IBGE. Miguel Alves de Lima foi um dos pioneiros na organização do IBGE. Integrante da primeira geração de geógrafos do IBGE. Processo que equilibrou a influência das duas escolas geográficas que orientaram a Geografia do IBGE a francesa e a americana.

Ambos foram estudantes de pós-graduação em universidades americanas e se titularam oficialmente. tanto no campo familiar através de seu casamento com a irmã de Jorge Zarur. No final dos anos 60 passa a dedicarse ao estudo da urbanização/industrialização brasileira. Faissol assume o cargo de Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia. Possivelmente. assim com seu cunhado Jorge Zarur. Sua primeira linha de estudos nos anos 40 e 50 estava orientada para os processos de colonização e de ocupação econômica do território brasileiro. utilizando-se do novo arsenal de técnicas estatísticas que a informática a agora colocava à disposição dos geógrafos. além do Atlas Nacional do Brasil. A influência de Zarur na carreira de Faissol é perfeitamente demonstrada. Faissol intensificou sua proficiência na língua inglesa o que garantiulhe o convívio com o restrito grupo de treinandos de Leo Waibel (1945-1950) e.ibegeano a se doutorar na Universidade de Syracuse sob a orientação do professor Preston James em 1956. sua relação com Preston James que viria garantir seu doutoramento em Syracuse. o estudo da língua inglesa também tenha sido fruto da influência de Zarur. ocupou cargos de alta direção. quando da orientação para a escolha do curso de Geografia em detrimento do de Direito por indicação direta de Zarur. foram personalidades polêmicas na comunidade geográfica do IBGE. contrariamente ao forte relacionamento entre a Geografia brasileira e a francesa. quanto na esfera profissional. Até o seu repentino falecimento em 1997. pois ao ingressar no IBGE em 1941. Este movimento acadêmico ficou conhecido como Geografia Quantitativa e teve no professor Faissol o seu principal incentivador no Brasil. docência em várias instituições de ensino de pós-graduação. posteriormente. Sob sua direção e auxiliado por Antônio Teixeira Guerra na chefia da Divisão de Geografia foi editada a coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Nos últimos anos da década de 70 assume a Diretoria Técnica do IBGE até 1979 com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE. Na década de 70 assume a liderança técnica da Geografia Urbana do IBGE orientando pesquisas e criando bases de dados que até hoje são referências nos estudos da urbanização brasileira. No IBGE. Faissol com doutoramento em Syracuse e Zarur com um mestrado em Winconsin e um curso de aperfeiçoamento em Chicago. até por conta de um melhor equilíbrio entre metodologias e áreas de especialização. Durante o período de Juscelino Kubitschek e com o IBGE sob a direção de Jurandir Pires Ferreira. Aposentou-se em 1986 e passou a dedicar-se ao ensino superior. como Secretário Geral do CNG e chefe da Divisão de Geografia no período entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira metade dos anos 60. exercia a . Ambos sempre advogaram uma maior relação com a Geografia anglo-saxã. Comentários ao depoimento Speridião Faissol.

vincula-se aos períodos de grande indecisão que antecedem às escolhas profissionais. Comentários ao depoimento Uma questão que sempre emerge na maioria dos depoimentos de profissionais que relembram suas trajetórias de trabalho. No final dos anos 70 e durante toda a década de 1990. precursores dos atuais programas de mapeamento automatizado e sistemas geográficos de informações. pois o período da escolha coincidiu com atos de beligerância da Alemanha contra navios brasileiros. no qual ingressou em 1942. principal figura do grupo que trabalhava com Fábio de Macedo soares Guimarães. cartógrafo brasileiro especializado na organização de atlas geográficos e cartografia temática orientada para aspectos geográficos onde o físico e o humano apresentam-se vinculados. Ocupou diversos cargos de chefia técnica na área cartográfica do IBGE e coordenou inúmeros atlas de enciclopédias editadas no Brasil. via curso de oficial de náutica na Marinha Mercante. A motivação inicial era a cartografia naval. Neste processo. majoritariamente de esquerda. Rodolfo Pinto Barbosa (1927). Na década de 1970. indo trabalhar numa empresa de cartografia e aerofotogrametria alemã. Para Rodolfo Barbosa. Em 1942 ingressa no IBGE e em 1946 vai para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento. embora alguns dos antigos companheiros também se mostraram refratários às técnicas. dando lugar a Lisia Bernardes. o depoimento de Speridião Faissol tornou-se uma avaliação sobre esses tempos conturbados porque passou a Geografia brasileira. por pressão da família. Sua obra sobre metodologia cartográfica abrange dezenas de artigos em revistas especializadas. a decisão envolveu muito mais uma escolha de ambiente de trabalho do que o trabalho em si. Descreve as fases iniciais do esforço do governo brasileiro. os métodos quantitativos na Geografia foram alvo de duras críticas vindas de grupos de geógrafos. principalmente as do IBGE. Atualmente trabalha em consultoria. dirigiu a área de Cartografia nos anos 60 e foi coordenador da maioria dos atlas editados pelo órgão entre 1955 e 1990. que foram uma marca registrada da Geografia do IBGE no período. Rodolfo Barbosa muda de área de trabalho mas não de especialidade. acumula também cargos de alta direção. chegando ao posto de Diretor Técnico do IBGE. baseados em estudos com grande base estatística e matemática. Sob este contexto. no último ano. introduzindo os novos métodos quantitativos.Nos primeiros anos do período militar (governos de Castelo Branco e Costa e Silva) a figura de Speridião Faissol deixa o primeiro plano da Geografia do IBGE. editorando atlas em mídia eletrônica. com a saída de Lisia para outras esferas do governo federal. com o Exército e IBGE trabalhando juntos na campanha de cartografação dos mapas para o censo . Foi um dos primeiros cartógrafos temáticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Faissol retorna a liderar academicamente a Geografia do órgão.

Barbosa descreve a importância que teve a Cartografia européia nos anos vinte. aos 19 anos de idade. O livro Evolução da Rede Urbana Brasileira e o artigo sobre a industrialização da região sudeste do Brasil na Revista Brasileira de Geografia do IBGE. Foi um dos principais pesquisadores da segunda geração do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume de sua obra hoje. Pedro Pinchas Geiger (1923) geógrafo brasileiro. especializado em Geografia urbana e industrial. ultrapassa 70 títulos entre livros e artigos em revistas especializadas. que os primeiros chefes da Geografia do IBGE (Christóvão Leite de Castro. profissionais de Estatística. foi também descrita com muitos detalhes. posteriormente. Para Geiger. a elaboração de Atlas. Inicialmente trabalha na área de Geografia física e. vai orientando suas pesquisas para os campos da urbanização e da industrialização. nunca deixou de ser seu principal campo de ação. Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares) demonstravam possuir no início dos anos 40. chefiava a Divisão de Atlas do Departamento de Geografia. como resultado dos avanços tecnológicos ocorridos durante a segunda guerra. ao ingressar no órgão em 1942. Na década de 1950 inaugura uma nova linha de pesquisa que enfocava as transformações econômico-sociais ocorridas nas áreas rurais periféricas a grandes centros urbanos. Comentários ao depoimento Uma questão importante levantada por Pedro Geiger foi sua percepção de vinculação com o poder (Presidência da República). paulatinamente. atividade que ainda hoje exerce sob forma de consultoria para empresas privadas ou órgãos de governo. Geografia e Cartografia. Em 1963 publica dois trabalhos. após a primeira guerra. determinação da União Geográfica Internacional para todos os países membros e iniciada pelo Clube de Engenharia nos anos 20 e reitera aqui o “espírito de missão” que era corrente no período. área que sempre apresentou grande afinidade com os estudos geográficos. que até hoje são considerados clássicos na Geografia brasileira. Nos anos anteriores à sua aposentadoria. Sua especialidade posterior no IBGE. a forte relação entre o Brasil e Estados Unidos no campo da Geodésia e Cartografia. com a vinda de militares austríacos especializados e. A coordenação para elaboração de Atlas. a estruturação das principais linhas de poder acadêmico e administrativo do IBGE até o . além de justificar a importância de estarem no mesmo órgão.demográfico de 1940 e no projeto de continuação da cartografação do território brasileiro na escala de 1:1000 000. exemplificando com estudos no Estado do Rio de Janeiro. Aposentouse do IBGE em 1986 e atualmente trabalha como consultor e professor em cursos de pósgraduação.

que vigorou fortemente no IBGE e no Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista UNESP de Rio Claro. das influências dos antigos professores e o início de pesquisas que envolviam outros componentes econômico-sociais que até então não eram objeto de estudos mais sistemáticos. Na década de 70. Em 1946. a constituição do grupo inicial de Biogeografia no IBGE era composta majoritariamente . Alfredo Porto Domingues e Fernando Segadas Vianna. Um outro ponto importante em seu depoimento foi a percepção do período de “emancipação acadêmica” dessa geração. Ele analisa com muita sensibilidade as fases transicionais da Geografia anterior para a quantitativa e as fases posteriores. tanto no IBGE quanto em instituições vinculadas à Ecologia.final dos anos 60. Antônio Teixeira Guerra. Em 1943 o grupo se amplia com a chegada de Alceo Magnanini. ingressam no IBGE em 1942. biogeógrafo canadense que introduziu no Brasil os primeiros estudos sistemáticos de Ecologia e Biogeografia ampliou os horizontes de Kulman e Dora que em 1947 foram para o Canadá para cursos de aperfeiçoamento. Pedro Geiger engaja-se no movimento de renovação da Geografia chamado Métodos Quantitativos ou Geografia Quantitativa. Edgar Kullmann (1928 ) geógrafo brasileiro. Para Geiger a Geografia Sistemática de objetivo social inicia nos anos 50. Foi o principal organizador das propostas curriculares de Biogeografia nas universidades brasileiras nos anos 60. E finaliza com uma análise das atuais relações entre o IBGE e a Universidade no campo da Geografia. a vinda de Pierre Dansereau. Walter Egler. ainda cursando o bacharelato na Universidade do Brasil sob a orientação de Ruellan. são resultantes das interações e conflitos que acompanharam as vidas profissionais desses geógrafos. No entanto. Kulmann exerceu funções de direção e de magistério. Comentários ao depoimento O depoimento de Edgar Kulman mostra o lado da Geografia no processo de criação de um conjunto de profissionais de diferentes disciplinas que desenvolveram os estudos de Biogeografia no Brasil. participante do primeiro grupo de pesquisadores em Biogeografia no IBGE. Seus trabalhos sobre os processos de ocupação rural-urbana desenvolvidos na Baixada Fluminense entre 1951 e 1953 são os exemplos mais característicos. Ele e Dora Romariz estudaram o bacharelado de Geografia na Universidade do Brasil sob a orientação de Francis Ruellan e foram colegas de turma de Elza Keller. Juntamente com Dora Amarante Romariz. sob influência marxista. Avaliou também com muita acuidade o projeto de ocupação territorial do governo Vargas e o papel representado pela Geografia do IBGE neste projeto.

a opção conciliatória pela História Natural que acabou desaguando no IBGE onde. finalmente vinculou sua antiga aspiração de Geologia com os estudos de Geomorfologia. partindo de uma sólida base dada pela História Natural. Domingues. editados pelo IBGE. Sua formação inicial em História Natural. Aposentou-se do IBGE em 1986 . Paralelamente. Além da pesquisa. região onde fixou residência permanente. onde misturaram-se o desejo pessoal pela Geologia com a pressão familiar contra a ida para Ouro Preto. . Alfredo José Porto Domingues (1921) geógrafo brasileiro. Penedo e Visconde de Mauá. pertencente ao IBGE e que estuda a ecologia do cerrado. o principal mestre de Geomorfologia da segunda geração de geógrafos do IBGE. Fernando Segadas Vianna e Alfredo Domingues). é considerada até hoje um dos melhores trabalhos sobre o assunto no Brasil. outro importante formador de profissionais em Geomorfologia. Walter Egler. lecionou em várias instituições de ensino superior do Rio de Janeiro e foi autor de dezenas de artigos e capítulos de livros sobre a Geomorfologia do Brasil. área que ganharia importância no final dos anos 80. Itatiaia. foi o passaporte para seu ingresso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1943. coincide com a preocupação da área de planejamento nas questões relacionadas ao meio ambiente e a biodiversidade. sob a influência de Francis Ruellam. Sua segunda fase no IBGE. Comentários ao depoimento Um ponto interessante no depoimento de Alfredo P. considerado um dos mais importantes geomorfólogos do país. a inicial até os anos 60 e posteriormente no final da década de 70 até sua aposentadoria em 1985. coordenando estudos sobre movimentos de solo nas encostas da Serra do Mar no início da década de 1970. Sua participação nos capítulos de Geografia Física da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. publicada pelo IBGE. Nessa fase. Alfredo Porto Domingues foi um pioneiro nos estudos de geo-ecologia. refere-se ao processo de escolha profissional. Foi enviado para França para se especializar com Jean Tricart. acompanhou o surgimento da Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do IBGE e a instalação da Reserva Ambiental do Roncador em Brasília. Sua vida profissional divide-se entre o magistério numa instituição de ensino ligado a Igreja Metodista e a pesquisa botânica no IBGE em duas etapas distintas. Atualmente sua atuação está voltada para a conservação ambiental da área que abrange os municípios de Resende. seu interesse pela Geomorfologia foi ampliado pela orientação de Francis Ruellan. participando de organizações ecológicas editando jornais e dando consultorias à diferentes órgãos municipais.por engenheiros agrônomos e bacharéis em História Natural (Alceu Magnanini. participando do grupo que iniciou os estudos de Biogeografia.

A fase de prestígio retorna em meados dos anos 80 com a absorção pelo IBGE das equipes técnicas do Projeto Radam. (1927). Parque Nacional da Tijuca. Comentários ao depoimento A questão mais importante levantada no depoimento de Alceu Magnanini refere-se ao processo de criação do primeiro grupo de pesquisadores do meio-ambiente que o IBGE tentou formar no início dos anos 40. Em 1952 transfere-se. A partir de então ocupou cargos de chefia em projetos técnicos ou em áreas administrativas em órgãos como Conselho Florestal Federal. introdutor da “Geografia Agrícola”. juntamente com Walter Alberto Egler para o Museu Nacional e posteriormente vai para o Jardim Botânico. Para Alfredo Domingues o período de maior importância da Geografia Física situa-se nos primeiros 15 anos. Analisou também a importância da vinda do biogeógrafo canadense Pierre Dansereau . em 1956 transferiu-se para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura. que introduziram a componente ambiental na agenda de pesquisas do órgão. introdutor dos estudos de . Esse grupo foi o núcleo inicial dos estudos de Biogeografia no IBGE. quando o principal objeto da Geografia do órgão voltou-se para a Geografia Urbana e para a regionalização econômica e se intensificaram nos anos 70 com a priorização dos métodos quantitativos nos segmentos econômico-sociais (urbano e agrário). Tendo participado de todos os processos de ação governamental na área ambiental brasileira. influenciado por Girolamo Azzi. Avaliou com muita segurança as diversas etapas de criação do grupo enfocando a liderança de Fernando Segadas Vianna na constituição do núcleo inicial e narrando os acontecimentos da transferência de Segadas Vianna para a universidade. Foi um dos organizadores do código nacional florestal de 1965 e diretor da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza a primeira Organização Não Governamental (OGN) de grande porte no Brasil fundada em 1958. Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza. Ingressa no IBGE em 1943 juntamente com Alfredo Porto Domingues e Walter Alberto Egler. dos diferentes ciclos de prestígio/desprestígio/prestígio por que passou a Geografia Física no IBGE nos seus mais de 60 anos de existência. atualmente trabalha na Divisão de Avaliação Ecológica da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis. engenheiro agrônomo. lá já estavam Edgar Kullmann e Dora Amarante Romariz. os dois períodos mais significativos de desprestígio ocorreram na segunda metade dos anos 60. por outro lado. em função da liderança técnica de Francis Ruellan. que dedicou-se aos estudos botânicos e a Ecologia ainda na universidade. Novas demandas por parte do governo federal solicitando grandes diagnósticos econômico-ambientais abriram novas perspectivas para a Geografia Física do IBGE. Alceu Magnanini. que nos anos de 1945-47 foram orientados pelo biogeógrafo canadense Pierre Dansereau.Outra questão importante está referenciada à sua visão pessoal.

Nos anos 60 foi professora universitária na Faculdade de Rio Claro (SP). a influência de Michel Rochefort nos estudos de Geografia urbana a alcança na Faculdade de Rio Claro (SP). Seu retorno ao . principalmente na região sudeste e sul. hoje pertencente a UNESP. do IBGE para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura por perceber que já não estava havendo apoio aos estudos botânicos por parte do IBGE. o mais importante “chefe de escola” da Geografia brasileira. trabalhando com migrações internas. a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o Atlas Nacional do Brasil editados em 1958. para onde havia se transferido para lecionar. Sua ida em 1946 para a universidade de Montpellier na França. Sua obra cobriu aspectos importantes da geografia brasileira. A influência de Ruellan foi decisiva em sua carreira. Elza Coelho de Souza Keller (1924) geógrafa brasileira que trabalhou em três áreas da Geografia: Agrária. foram seus campos de estudos mais regulares. em agrária. trabalhando paralelamente em Geografia urbana. com pós-graduação na universidade de Montpellier na França. foi a seu ver. estudando a área de influência de Campinas. Na década de 60. Sua volta coincide com sua primeira chefia técnica e com o direcionamento de sua especialização em Geografia da população. O processo de escolha profissional pela Geografia ainda em Campinas e a mudança para o Rio de Janeiro em 1942 para continuar o segundo ano na Universidade do Brasil sob a liderança de Pierre Ruellan. como parte do segundo grupo de geógrafos do IBGE indicados como promissores na carreira. retomou suas pesquisas. desde 1945. Tal processo se intensifica ao longo dos anos 60 e somente mostra recuperação nos anos 70 com a criação da Superintendência de Recursos Naturais (SUPREN) e se amplia com a absorção das equipes técnicas do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) na segunda metade dos anos 80. além de ter coordenado um atlas do estado do Maranhão. Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). assunto que.Biogeografia no Brasil. além de coordenar a organização do Atlas do Estado do Maranhão até sua aposentadoria em 1986. coordenando estudos sobre classificação de tipos de cultivo e mapeamento de utilização da terra no sul e sudeste do país e. dando aulas na universidade e pesquisando no IBGE entre 1945-46. A década de 50. População e Urbana. Comentários ao depoimento Pelo menos nove foram as principais referências que pudemos sintetizar no denso depoimento da professora Elza Keller. em 1947. em Geografia da população. De volta ao IBGE. o período mais produtivo em virtude do engajamento do IBGE em grandes projetos como a preparação do Congresso Internacional de Geografia de 1956 no Rio de Janeiro. Alceu narra também sua transferência. amplia seus horizontes profissionais. pois foi indiretamente por sua indicação. juntamente com a Geografia agrária. É dessa época o seu trabalho sobre a área de influência de Campinas. que o geógrafo do IBGE José Veríssimo da Costa Pereira a convidou para trabalhar no órgão. onde formou vários especialistas em Geografia Agrária e em População.

IBGE acontece em 1967 para trabalhar com Geografia agrária e da população. . terminando sua trajetória profissional com o Atlas do estado do Maranhão. através de seus depoimentos orais. É fundamental que se acompanhe o processo de formação profissional desses funcionários públicos. além de seus organizadores iniciais e seguidores que gerenciaram a área por mais de quarenta anos. Durante os anos 70 realiza alguns estudos com os métodos quantitativos e posteriormente passa a trabalhar na coordenação temática de alguns Atlas. Após um entendimento das principais linhas do pensamento geográfico que dominaram o cenário geográfico do IBGE.

O capítulo III apresenta. Este cotejo é interessante pois. Principalmente. para o . em virtude do interesse demostrado pela direção da área de documentação do órgão. A preocupação mais importante desta parte do trabalho é a de explicar como se deu o processo de formação profissional de alguns geógrafos do IBGE. A saga da Geografia no IBGE está fortemente marcada por profissionais que passaram por essas etapas. vistas posteriormente numa perspectiva inversa (do presente passado) foram decisivas para o entendimento do quadro atual da Geografia do IBGE. tomados aqui como referência para o entendimento da evolução da pesquisa geográfica no órgão. incluindo aí os cursos de pósgraduação e especialização profissional. de maneira semelhante ao II. tanto em seus depoimentos orais.Parte III . O capítulo II inicia a marcha evolutiva do processo de formação elegendo alguns procedimentos de escolha de carreira que ocorreram com alguns dos geógrafos entrevistados. de certa forma auxilia o entendimento da evolução da produção intelectual do profissional pesquisado. métodos de trabalho ou mesmo pessoais.O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução Uma Experiência de História Oral O longo processo de formação de um profissional de nível superior está quase sempre marcado por três grandes etapas que seguem uma cronologia determinada: o período de escolha da carreira e seu primeiro contato com o ambiente universitário. O capítulo I revela um pouco das atribulações e prazeres vividos pelo pesquisador e seus entrevistados no decorrer do trabalho. os meandros dos procedimentos de engajamento em projetos. principalmente quando não se tem acesso ao curriculum-vitae do entrevistado. que levaram alguns geógrafos a manterem-se firmes na escolha inicial ou a mudarem de rumo nos diferentes campos do conhecimento geográfico. as afinidades e antipatias por temas. quando essas escolhas. como foi possível perceber. quanto na verificação da cronologia de suas obras publicadas em periódicos e monografias do IBGE. processo que possivelmente ainda continuará. a descoberta da pesquisa geográfica durante as fases finais do curso e o ingresso no ambiente de pesquisa via um estágio profissional e o desenvolvimento da carreira de pesquisador no contexto de trabalho.

mas deixaram suas respectivas marcas de produtividade e qualidade em seus trabalhos. os participantes e as referências bibliográficas resultantes. Presta também uma homenagem aos que tombaram no caminho. utilizando-se de uma pesquisa de trabalhos de campo que opera com o tema e o local da pesquisa. .É o capítulo que explora algumas configurações da arena de trabalho da pesquisa geográfica num órgão de planejamento territorial do governo federal e seus principais direcionamentos metodológicos de investigação.

No caso da Geografia do IBGE. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. Speridião Faissol. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. no primeiro momento. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. Gelson Rangel Lima). usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. Portanto. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. 1989). já havia uma base consistente. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. essa abordagem poderia ser frutífera. Orlando Valverde. 1997) e. 1988). Aluísio Capdeville Duarte. que faleceu em 1997. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. . visto que seria impossível. em virtude do alto custo das transcrições. pois além de possuir um acervo documental enorme. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. além disso. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. ou segmento de conhecimento geográfico.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de serem repetitivos. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais.Capítulo I . em termos materiais. 1998).

mas não a enxerga como ferramenta de planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. após o golpe militar de 1964. Walter Isard. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. desde sua fundação. Durante o processo de coleta de depoimentos. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. Nessa época. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. Harvey Perloff e outros. 1948). geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. que todavia.. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. nem como mecanismo de . A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. 1941 e 1949). com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. Para Orlando. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA . Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto.Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. pois vinculava-se o conhecimento do território. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. opiniões ou testemunhos factuais.No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros.

principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. Walter Egler. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. Neste caso. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. por de sua visão de pesquisa e ensino. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. quanto pelos depoimentos.implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. possivelmente. tanto pela documentação. No entanto. Uma outra questão crucial pode ser percebida. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. na visão de Alceu. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. Também através desses depoimentos. A importância da Biogeografia e da noção. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. resultados desse fracionamento. Egler e Alceu do IBGE. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. foram. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. que só se manteve unido. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. quando foram para o Canadá para especialização. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40.

da espinhosa questão. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. foi um assunto que. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. ao voltar do doutoramento em Syracuse. Isso acarretou uma reviravolta. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. matemático. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951).. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. somente Speridião Faissol. quando Faissol. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. sem sombra de dúvidas." A maior parte do pessoal se demitiu. A evolução da carreira de Speridião Faissol. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. ao longo dos anos. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. mas acabei aceitando.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. o prof. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações . Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. era engenheiro. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. de maneiras diferenciadas. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. Eu era solidário com o Orlando e tal. foi uma crise braba. Jurandir Pires Ferreira.. etc." Eu tive algumas dificuldades. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. tornou-se quase mitológico. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. fiquei lá meio solto. aquela coisa. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. o Miro era secretário e assistente do Fábio. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. com a criação do Departamento de Geografia. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. Este. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento.

você tinha n. eu percebi esse divórcio em l970.” (Depoimento de Marília V. eu não sei. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. Isso era AGB e era IBGE. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. Lisia.gerenciais de porte. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. quer dizer. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio.. entre a geografia física e geografia humana.. agora na geografia humana você tinha Faissol. depois era Elza. Roberto Lobato. mas ao que me parece. urbana sobre as de relevo. Ney Strauch. é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. aqueles ódios. da década de 50 e 60 toda. então eram três. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. a falta de geógrafos físicos. as causas foram anteriores à decada de 70.. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. geógrafos. da estatura do Alfredo você não tinha outro...grupo Zarur x Grupo Fábio. mas Elza fez menos. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo.. Fany. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. passada aquelas raivas. clima e vegetação em resposta a esta questão . era um número pequeno.. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. a meu ver. indústria. Catarina. você tinha Geiger. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. então eu acho que foi mais isso. “. ela fez mais com os estudos de população.. voltei eu e ficou naquele negócio. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos.. Galvão a RSA) .. uma derrubada. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. conhecido como DEGEO. (RSA) “ Mas isso. n. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. veio a Revolução. Nilo.. então você vê. n. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado.. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. havia não sei porque. Mas.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. uma situação e que é estranha. que eram meio pessoais.. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão).. .

em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. Esperar que a moda passe. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. status e conhecimento. onde as duas áreas quase não se comunicam com naturalidade. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. questões ideológicas e para agmáticas.É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. esforços de aprendizado e carreirismo. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes.. apesar de turbulento. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. . a principal imagem que se constituiu nos anos 80. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. concordar. Aprovar. mas nada fazer. e não contestar. por parte da maioria dos geógrafos. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. pois misturavam-se nas discussões. aguardar alguma novidade vinda de fora. Inicia-se o período das crises. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. foi o principal emulador de uma integração. O reconhecimento. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. O quadro político. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. No IBGE.. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). matemática . sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua.

eu detesto máquina. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. paralelamente também. Marshall. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). tarefa tão difícil quanto Estatística. dos Neoclássicos como . aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. o geógrafo médio. “ Bom. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e.. gerando um ambiente estranho. Diferentemente da Geografia Quantitativa. Aliás.. mea culpa. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época.. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. mea culpa. por profissionais de alta qualificação. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. uma muleta simples. vidaliana ou rochefortiana. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. é bom que se diga..” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) .... em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. eu me recusei. Mas havia uma solução. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. depois sim. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. mas aí então nós chegamos finalmente. e nós nos recusamos. como a Geografia Quantitativa. eu me arrepio toda. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. de Keynes e dos keynesianos e. Talvez por isso. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. depois desses Atlas na geografia quantitativa. Eu Marília Veloso Galvão. não sei se Faissol disse isso. isso somente referenciado à Economia. sabe Roberto. é a Geografia Física e suas vinculações. conforme a ocasião. sou culpada. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos... na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje.. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia.Na arena científica o ambiente torna-se pesado. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. (Almeida. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e Ricardo. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa.. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. falou em computador comigo. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. e não podia ser diferente. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. porém eficiente. bem feitas. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa.

. eu forneço os dados. como tudo na vida.. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. P. se a gente tivesse estudado para programação. Miguel Ângelo Ribeiro. tendo sido orientada pelo próprio J. não é só aplicar a técnica e pronto. Cole no seu mestrado em Nothinghan. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. eu dizia: olha. eu acho muito rica... muito bem. digo qual é o meu objetivo. que naquele período a programação de computação não era algo comum. foi um experiência. você tem que saber o que está usando.. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica.. “ E não era uma coisa tão complexa assim. e que era uma igrejinha fechada. se o resultado eu conseguir interpretar. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980.. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo.. .. ela deu resultados. quer dizer...... a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. não. Cesar Ajara. eu não quero estudar programação. não era complexa. tem que saber escolher bem as variáveis. é possível entender que.. eles que façam e me mandem o resultado. quer dizer. não é nem metodologia é uma técnica. (RSA) “ Mas já existia no IBGE.. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90.. houve um certo deslumbramento... principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. então isso foi um erro. computação era algo só de pessoas muito especializadas... que são os mais utilizados para este tipo de trabalho.... rica. primeiro. e a gente podia se socorrer desse grupo.. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme. se eu não conseguir acabou... imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) Com isso.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. quer dizer. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.

todos nós batalhamos muito. Na visão de Cesar Ajara. conseguimos libera o equipamento a duras penas... já com CD-ROM embutido.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. a nível individual.. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período.. algo que na época era muito caro para os PCs... eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. o IBGE não estava podendo comprar equipamentos naquele momento.. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. . (RSA) “ Estava vindo.. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C. e para complicar ainda mais.. além de um scanner.. a nível de resposta.... o material levou quase um ano para se liberado. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico... os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e... ia e vinha..Os depoimentos de Cesar Ajara. Máquinas que eram o top de linha da Apple. acadêmica. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia. foi muito desgastante. nos intervalos eu .. por exemplo.. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que . quer dizer. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple. paralelamente.A questão da plataforma? . podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada.. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs.. a medida em que o que nós estávamos procurando? Superar uma dificuldade interna de custos. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período. Evangelina.. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma..... Mônica. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. isso não foi negligenciado. quer dizer.. tivemos muitos problemas.. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. máquinas de 32 bits de processamento.. a França. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE.. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um.. “ Com certeza. então o produto que for gerado.Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. até existiu.. ia e vinha.. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo... costuras e parcerias aqui e ali. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs..” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando.. para colocar mais precisamente. que quando eu pensava parceria.

F. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos.. eu trabalhei seis anos. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam... eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .. levantamento... ou quando o conflito era para desestruturar . um pouco de desafio. quando eu cheguei.. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D.... quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi.. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos..Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia.. a experiência dela nos projetos PMACI. pode não ser capaz de discutir teoria... porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade.. meu e dela... eu também tinha. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina. e com o trabalho. e aí fizemos isso. nós todos tínhamos experiência de campo. gostando de trabalhar com grupo novo. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. mas pode ser capaz de discutir um problema.. e pudemos aprimora-lo”... (RSA) “ Exato.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro... Angélica também tinha.. pois possibilitou através de seu método de trabalho... então.. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer. “. e além disso. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro.. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. quanto na esfera dos órgão contratantes.. porque foram estimulados..estava tarimbada.. todo mundo é capaz de discutir problemas... com isso se sentiram altamente prestigiados. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos..a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar.. quando eu fui fazer o zoneamento.. então com isso..” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais. discutir problemas. nós fizemos um... formando pessoas. com isso. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.... eu com um pouco de audácia.... Nossa Natureza. tanto na esfera do IBGE. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso.. era isso o que eu estava propondo.... então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente... e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar.. entender em que escala os outros técnicos estavam operando..essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado. nós juntamos aquele conhecimento. conflito não me amedrontava. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento...

para a .Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão.

. eu me lembro por exemplo de citações. eu teria feito em Campinas.. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. quando professor também do ensino médio. então.. “plagiando o Raja Gabaghlia.” Tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. obras em francês.. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia.. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. os mapas na cabeça e tudo mais.. esses profissionais do ensino. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco .vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia.. em inglês. do processo de escolha da Geografia como opção profissional.. “.. porém todos participaram. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller.. ao longo desses mais de sessenta anos. porque eram as palavras.. Em alguns casos. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode.. direta ou indiretamente. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) .. outros. por exemplo sobre a colonização européia. na universidade.Capítulo II . eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana. tem diversos livros publicados. quer por sua conduta profissional. ilustres desconhecidos.. sem qualquer sombra de dúvida.. daí não tendo curso de Ciências Sociais... ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. ele citava obra. essa coisa toda. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan.. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. que tinha..que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. escola normal.eu fiz curso de normal. evidentemente que o melhor professor. talvez se tivesse.

mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba. suas provas eram muito inteligentes... no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio. tive uma professora que realmente gostei. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete.... duas professoras.. lembrei...... era uma geografia interpretativa.. pesquisadora da Casa Rui Barbosa.. aqueles trabalhos de geografia regional. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo. “.. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia.” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) . mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional..... essa era o máximo para a mim. ela arrasava dando geografia......... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. não sei o sobrenome dela.... que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes.. de História que também era muito bom.. descrevendo as macrorregiões... primeiro por causa do tipo dela. também tive um professor Faria. tem alguma coisa de Azevedo. que era dividido entre clássico e científico. devo ter sofrido um pouco de influência dela.. chamava-se Lia Cardoso.. quando eu entrei no segundo grau. expedicionário da FEB.... James Braga Vieira... mas tive uma para professora de Geografia no ginásio. chamada Vanda Regina... aquela coisa bem tradicional. Maria Isabel Azevedo....... eram discursivas. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos...quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca.. na década de 70...” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca. uma que era modelo da Casa Canadá.Tive.. mas eu sempre gostei mais de Geografia. e uma outra também a professora Nilza Bicudo. por causa delas me decidi.. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950..eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje. Após formado.” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70.. essa dava sempre a Geografia tradicional... dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira. e mais duas no segundo grau. botava aqueles saquinhos com feijão. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói. eram super exigentes essas professoras. era uma ótima professora.. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História.. só no meu álbum.. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia. “.. era realmente elegante. em História também tive outra ótima professora. arroz.....

tanto em São Paulo.. era a chamada Escola Possibilista. por exemplo... o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. Dilsa Mota e Marlene de Souza. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos.. entre 1940 até meados dos anos 60.. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. era como o homem se comportava . e da principal associação profissional a AGB. Orlando Valverde que. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. havia um outro rapaz também chamado Jorge. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. Mas. ele levantava problemas. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. Manuel Maurício nos anos 50 e 60. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. eu.. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. Eu era capaz de acompanhar as aulas. quanto no Rio. era moderna.Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. quatro professoras primárias. eu e Jorge Zarur. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro.. de estilo americano. pois além da formação no nível da graduação.. Armando Sampaio de Souza. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa.. e os três professores. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. mas eu não me lembro o sobrenome dele. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia.. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. da principal revista a RBG. na universidade o apoio e estímulo de um professor. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. foi por inspiração do Anísio Teixeira. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. cuja formação eu não me lembro. falar e escrever.

. Míriam. por indicação do professor Ruellan.. o meu caso foi muito particular. a partir de um mapa. por exemplo. Geiger.o IBGE. as faculdades para a qual nós deveríamos ir. o homem e as ilhas.. durante os anos 40... juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947... os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados. “ O meu contato com o Ruellan.. Rulaan achou que eu ia me dar bem. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês.. “. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. então ele já era quase colega do Dr. de Christóvão. a visão global da geografia da Europa. então era... mas estava dentro das possibilidades de cada um. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia.você já sabe ... como era um mapa de 1:50. aprendi tudo com ele durante anos. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado. Míriam para Lion e eu para Montpellier. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima.. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE.... o homem e o frio. porque sou evangélica protestante e Montpellier. ele tinha essas coisas assim. o homem e a floresta...nessa época fomos cinco Miguel..... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. não podia ser desenhada simplesmente. aquela seção da qual se originou ..... fomos cinco..... uma impressionante sensibilidade e então me escolheu .. mas Miguel.diante da natureza. que posteriormente fez curso de geografia... O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes..... Heldio e eu.. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura... ia ser posto em perspectiva.000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia. porque ele não falava português. um dos fundadores do IBGE. um trabalho que era um diagrama em perspectiva.. ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo.... Ele pegou um mapa de 1:50..... Fábio. foi transferido para o novo órgão. etc..... o homem e a montanha. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente.. e voltamos então a ter a visão da Europa. não foi decisão nossa absolutamente. como nos tempos de Deffontaines. aquela região do Languedoc tem muito protestante.. Heldio foi para a Strasburg.... já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares.000. pudesse ler e falar em francês. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. então as perspectivas tinham que ser calculadas. dos chefes de escola geográfica da França.” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947.. passou o tempo todo... tiramos o pessoal dos Estados Unidos. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês.

. para a mim pessoalmente. e os nomes científicos também. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas... mas a experiência francesa teve uma importância enorme. pegando amostras. eu já acompanhava de perto e namorando. Professor Paul Marres... estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. De certa forma.. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. praticamente todo fim de semana.. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito..e ele firme. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui... na França foi onde aprendi Geografia. não sei se para o Geiger... sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. na época da Faculdade.. o francês faz muito trabalho de campo.O seu orientador lá.. eu ainda não tinha nada escolhido. Heldio e Míriam. paralelamente. fez muita excursão. isso foi no período de 59 a 62.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort... Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE.. foi a minha efetiva formação de geografia. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes. que é fundamental e mais a introdução a cartografia..em termos de geografia geral. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas.. prensando e levando para classificar.. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. treinam muito os estudantes para trabalho de campo. mas acho que eles tiveram essa mesma visão.. a prática de cartografia aplicada a geografia. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel .. sobretudo a ela. posteriormente. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.. um especialista em relevo cárstico e de fito-geografia.. para a nós foi extraordinário. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes.. na realidade... “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra. sabia que eu gostava de Geografia Humana ....Montpellier..” . esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária.... Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo.. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que. apesar das dificuldades enormes de pós guerra. era um apaixonado por geografia.... quem era? “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. na realidade em termos de especialização. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. uma loucura verdadeira.. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.... também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. nos anos 60 no contexto do IBGE.. o tipo de geografia regional que se aprende lá...

se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol.. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade . “ Agora. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers.. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento.. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana.. quer dizer. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. o Cole ficou e orientou mais. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil... Buarque. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas. João Rua.. mas de certa maneira..Envolvi-me com a “nova” Geografia. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. Rochefort. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry... (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. Faissol é que repassava. você tinha cursos específicos. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. p. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J.. quer dizer..P. 19911992.... Em seu depoimento... mas aqueles que eu assisti. Minha tese de mestrado.” (Geosul 12-13. tinha mais de uma dezena de análises de regressão.Rochefort. substituído por Olga.. no Economic Geography e no Professional Geographer. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. Em 1972. A idéia de elaboração de leis... o Brian Berry.. nesse período (6869) então. .29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil.. os estudos de Áreas de Influências das Cidades. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973... “... pois bem. o Cole. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros.. aquilo. Jacob Binstock..

. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria. quer dizer. Roberto com a Lisia. ...você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão.. e aí você vê cada uma pessoa. Fany com Geiger. que repassaram para outros profissionais..” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo. cada um tem um escolhido do seu jeito.. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos... O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.

principalmente nos períodos de implantação do órgão. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. no caso do primeiro. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. juntamente com Alfredo Porto Domingues. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. O exemplo do jovem de 19 anos. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão.Capítulo III . tão comum nas fases iniciais de um profissional. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. Esse processo não era tão simples e direto. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. onde o erro. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. fosse ele um professor estrangeiro. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. na excursão da região do Jalapão. como nas fases iniciais do órgão. com o seu conhecimento da língua japonesa garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil . A questão central estava em perceber quem. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. Problemas como grandes projetos de prazo curto. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar.

. que muitas vezes eram descartados logo depois. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. gerando em muitos casos. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. ela não te amolava absolutamente. período da chamada Geografia quantitativa.. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. era um prazer trabalhar com Lisia. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. aquilo passava.. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava.. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari.. Nos anos 70. são pontos de referência para um entendimento de que. É necessário entender que a língua franca da Geografia.. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante.. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. mas que entendia a necessidade do trabalho. ela dava aquelas orientações todas . coincidentemente.. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. e a autonomia a ser conquistada a posteriori.. A tênue fronteira entre a subserviência. ela dizia eu quero isso. em convênios com o governo francês. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês.. necessária nas fases iniciais. Neste campo. e quem o dominava. adquirida nos anos 80. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. era apenas eu quero isso. “ Ela era entusiasmadíssima. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico.era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. sem maiores vassalagens. algumas vezes não sabiam o que pediam.

que dizer.. acompanhando em paralelo. não tiveram as mesmas chances dos anteriores.. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini. foi importantíssimo... que pelo maior número envolvido. mas de certa maneira a Rute Magnanini.. Waibel na agrária. não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia. quando o contingente de pesquisadores aumentou... Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”... a partir dos anos 50.. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades.diretíssimas... Olindina Mesquita na agricultura. quer dizer. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945.. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. eram poucos.” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante. considerado o universo em questão. a geração anterior. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura.. porque se você ver bem. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos.. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores.. a geração que ingressou no início dos anos 50... quer dizer. Maria Francisca que foram ótimas técnicas. No entanto... extremamente objetivas. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade.. a nossa também foi um pouco.. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. a não ser em poucos centros de excelência. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números.. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”. Edmon Nimer no clima. então formou técnica e gerencialmente. não sei. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. criou entusiasmo. mas a outra geração foi completamente massacrada... Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. eu fiquei na área de população...

mesmo a aqueles considerados “normais”. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. sob a supervisão dos chefes de equipes..os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. Para os mais avançados. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. a turma seguinte. pois envolvia. e mesmo antes. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. eram quatro alunos só. que podiam assim. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. desenhar os gráficos e mapas. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles.. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. Na maioria das vezes. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. se fosse o caso. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. o número de . Obviamente. 59. da sua orientadora Lia Osório.

estou começando o segundo ano. “ Apresentei trabalho coisa nenhuma.. olha tem uma vaga. acho que isso é importante. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. motivo de recordações de muitos geógrafos.. “. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. 1991-1992. está chamando você ir para lá.geógrafos estagiários do IBGE era mínimo." Então resolveram fundar a AGB nacional com.Em 1962. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. em 1945. inimigos mortais. etc.. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. Corrêa a RSA) Portanto. eu faço questão de passar em Lorena. eu fiz excursão ao baixo São Francisco. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal.. encarregado de estudar a parte agrária. de fato. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. p.” . Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. a Assembléia de Penedo. e Caio Prado Jr... eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE. um belo dia ligaram para minha casa. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. embora não tendo muitas ligações com a associação. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. que fez um primor de exposição. A importância da AGB é.. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. eu era muito jovem.. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. e vamos pelo Vale do Paraíba.. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele . eu entrei para AGB em 58.. Tá bem.. senão me engano. fez trabalho por todo o lado. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro.” (Geosul 12-13. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. com a presença do Bispo de Penedo. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama... então não tinha muita relação um com outro. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. que foi talvez a mais proveitosa. quer dizer.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde.. não sei quando. “..” (Depoimento de Roberto L. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul.. nós outros éramos chamados sócios cooperadores.E apresentou trabalho... Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. levando alunos. havia possibilidade.240) Speridião Faissol. a parte econômica.

.. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram.. vindas de um agebeano do final dos anos 50... hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia.. a Maria do Carmo nunca foi agebeana. Orlando menos...Olha a geografia. Lígia. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade... Hilgard Sternberg. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias.. a AGB do Rio acabou...” -Uma você estava em Chicago. Alfredo esses participavam. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. Faissol nunca foi agebeano.Ela ficou um período solta. mas Nilo.. No Rio..” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem... enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. Elza.. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB. .em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. por isso ela sobrevivia... mas não quer dizer que necessariamente..ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. IBGE era AGB Rio carioca.. um pouco dessa história. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar.) “. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB. Bom a partir dos anos 60.. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. de fato e de direito destruíram-na.. Nilo.. “ . Prudente.. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE....” . 92 eu não podia. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. Geiger..momento. Araújo. mas também participava. “ Uma em Chicago em 74. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos.... Lígia. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB. “. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. e literalmente...” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser.. também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE... até que quando eu soube a última . eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50.

” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas... depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. O Congresso de Fortaleza que. não. 1963 foi em Penedo. por uma questão sentimental. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco.. modéstia à parte... no período da Assembléia de Maceió. só recebo um boletim e olhe lá.. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. trabalhando.. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) . o representante do IBGE. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB. nós tínhamos nossa estante. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei.eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. que depois ele pediu também. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. nosso arquivo. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. Londrina.. 68 Montes Claros..vez tinha um sócio pagante. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. almoçando.. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. ai fui a de Mossoró em 60. fiz uma série de cursos.. modéstia a parte.. depois em 66 foi Franca. praticamente no IBGE. para a vender. pensando. fomos parar em baixo da escada lá naquela o Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. jantando e dormindo AGB.. as vezes concomitante....” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. 67 Franca.... indústria. o Congresso de Fortaleza. fui secretário.... 67. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. eu passei grande parte da minha vida cuidando.... no sentido de diminuir essas relações. “... 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia.... nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia. as pessoas realmente pensam assim . se não foi em termos científicos.... passou a ser Encontros. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando.. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte. fomos parar rapidamente numa sala lá. mas durou pouco tempo. vou conhecer a terra do meu pai. foi aí que comecei a participar no plano nacional. as estruturas portuárias. que eu fui tesoureiro... acho que foi. com a AGB nacional.. meu pai era cearense então eu disse... 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada.. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida.. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró.. Baturité e aí em Belo Horizonte.. ela foi para a UERJ..assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição.... na Universidade Fluminense. comendo. bom. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando... na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78.” “. e os atualizados lá. o próprio José César reconheceu o processo. e. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário. 66 Blumenau. eu como disse.. fui duas vezes Diretor Regional.. dei conferência em função da AGB no Fundão. o Faissol acabou com ela.

Entretanto. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. 2000) foi possível verificar a importância dessas excursões. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. as determinações de fronteiras estaduais. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. Entre 1941 e 1968. os estudos sobre o relevo do território. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. a Carta do Brasil ao milionésimo. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). os programas de colonização dirigida. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. sendo que 76 nos anos 40. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. Esses foram alguns dos resultados . (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. que ocasionalmente. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. 34 entre 1950 e 1955. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico.

caindo num trecho muito turbulento. houveram muitos preços a pagar. Evidentemente.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE .. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. . Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).. além da área de segurança de queda. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. morre afogado no Rio Tocantins. Em termos de homenagens. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de suas funções técnicas. A lista. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). mas Egler não teve a mesma sorte. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. além das do IBGE. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Egler e outro companheiro ficaram a bordo.desses trabalhos de campo. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). inaugurando uma escola com o seu nome. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. fronteira entre Pará e Amapá. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . que para compor um quadro como este. e em alguns casos. no município de Tucuruí (PA). no rio Jari. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. alguns dos quais foram sepultados nesses locais.

além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. Duas suposições ficaram no ar. quando ainda trabalhava no IBGE. fretada pelo RADAM. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ).Hilda da Silva do IBGE (de câncer. José César de Magalhães Filho. embora aposentados. 15/05/1990 . trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. e com isso.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. não deixando vestígios na superfície. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. é que o avião teria caído no mar sem explodir. A aeronave. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro.José Redondano Neto.20/03/1979 . . Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. 09/08/1991 . em função do nível de sigilo envolvido. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. mas que não poderia ser comentado. dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. A segunda. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 .O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. ambos davam consultorias ).Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). 13/05/1980 . além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. numa trágica coincidência. 09/10/1992 .

A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. sua população e sua economia. criando novas estruturas de pesquisas. 22/03/1997 . novos trabalhos e novas lideranças. No entanto. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período.18/09/1995 . muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. Esta.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). . é apenas uma lista de referência. pois outros geógrafos faleceram também. Novas metodologias. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos.

essa abordagem poderia ser frutífera. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. Speridião Faissol. Gelson Rangel Lima). usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. ou segmento de conhecimento geográfico. no primeiro momento.Parte III Capítulo I .A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. 1998). também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. Aluísio Capdeville Duarte. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. Portanto. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. já havia uma base consistente. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de . Orlando Valverde. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. 1997) e. No caso da Geografia do IBGE. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. que faleceu em 1997. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. além disso. 1988). não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. visto que seria impossível. 1989). uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. em termos materiais. pois além de possuir um acervo documental enorme.

para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. em virtude do alto custo das transcrições. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. desde sua fundação. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. Durante o processo de coleta de depoimentos. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. Harvey Perloff e outros. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola.serem repetitivos. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. 1948). Walter Isard. opiniões ou testemunhos factuais. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro.. pois vinculava-se o conhecimento do território. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. Nessa época. Para Orlando. 1941 e 1949). Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. mas não a enxerga como ferramenta de . após o golpe militar de 1964. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. que todavia. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto.

Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). quanto pelos depoimentos.planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. foram. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. na visão de Alceu. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. quando foram para o Canadá para especialização. resultados desse fracionamento. No entanto. A importância da Biogeografia e da noção. possivelmente. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. tanto pela documentação. Também através desses depoimentos. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. Uma outra questão crucial pode ser percebida. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . Egler e Alceu do IBGE. Walter Egler. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. nem como mecanismo de implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. que só se manteve unido. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. Neste caso. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. por de sua visão de pesquisa e ensino. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil.

." A maior parte do pessoal se demitiu. matemático. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. com a criação do Departamento de Geografia. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. ao longo dos anos. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações gerenciais de porte.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. tornou-se quase mitológico. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. ao voltar do doutoramento em Syracuse. fiquei lá meio solto. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. Isso acarretou uma reviravolta. da espinhosa questão. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. somente Speridião Faissol. o Miro era secretário e assistente do Fábio. etc. de maneiras diferenciadas. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. sem sombra de dúvidas. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. aquela coisa. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. foi um assunto que. A evolução da carreira de Speridião Faissol. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. Este. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964." Eu tive algumas dificuldades. Eu era solidário com o Orlando e tal. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. mas acabei aceitando. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. era engenheiro. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller.. foi uma crise braba. Jurandir Pires Ferreira. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos.. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. quando Faissol.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). Mas. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. o prof. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura.

até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. veio a Revolução.... Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. entre a geografia física e geografia humana. n. que eram meio pessoais. Roberto Lobato.. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. Fany. havia não sei porque. passada aquelas raivas. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. Catarina... (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. urbana sobre as de relevo. clima e vegetação em resposta a esta questão . Lisia. eu não sei.. as causas foram anteriores à decada de 70.. então eu acho que foi mais isso. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. a meu ver. agora na geografia humana você tinha Faissol. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. . conhecido como DEGEO.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. a falta de geógrafos físicos. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. quer dizer. eu percebi esse divórcio em l970.. mas ao que me parece. mas Elza fez menos..grupo Zarur x Grupo Fábio. uma situação e que é estranha.” (Depoimento de Marília V. depois era Elza. você tinha Geiger. então eram três. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. Isso era AGB e era IBGE. da década de 50 e 60 toda. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60.. onde as duas áreas . você tinha n. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. Galvão a RSA) É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. era um número pequeno. ela fez mais com os estudos de população. (RSA) “ Mas isso. Ney Strauch. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. uma derrubada.. n. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). da estatura do Alfredo você não tinha outro. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. “. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação.. aqueles ódios. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. voltei eu e ficou naquele negócio.é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. indústria.. então você vê. geógrafos. Nilo.

Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e . Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. questões ideológicas e para agmáticas. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis.. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. pois misturavam-se nas discussões. Esperar que a moda passe. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia.quase não se comunicam com naturalidade. gerando um ambiente estranho. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. O reconhecimento. mas nada fazer. apesar de turbulento. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. Inicia-se o período das crises. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. aguardar alguma novidade vinda de fora. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. No IBGE. e não contestar. esforços de aprendizado e carreirismo. Na arena científica o ambiente torna-se pesado. a principal imagem que se constituiu nos anos 80.. O quadro político. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. status e conhecimento. por parte da maioria dos geógrafos. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. matemática . como a Geografia Quantitativa. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . tarefa tão difícil quanto Estatística. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. concordar. foi o principal emulador de uma integração. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. Aprovar.

Marshall. não sei se Faissol disse isso.. foi um experiência.. conforme a ocasião.. “ Bom.. e não podia ser diferente. eu forneço os dados. de Keynes e dos keynesianos e. muito bem. paralelamente também.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . se eu não conseguir acabou. digo qual é o meu objetivo. Talvez por isso. porém eficiente. computação era algo só de pessoas muito especializadas. depois sim. é bom que se diga. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”.. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. dos Neoclássicos como . Aliás. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. mea culpa. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. por profissionais de alta qualificação. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. eu detesto máquina. ela deu resultados. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. se o resultado eu conseguir interpretar. e a gente podia se socorrer desse grupo. é a Geografia Física e suas vinculações... eu não quero estudar programação. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. Eu Marília Veloso Galvão. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação.. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. sabe Roberto. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. falou em computador comigo. Diferentemente da Geografia Quantitativa. Mas havia uma solução. eu dizia: olha.. sou culpada. uma muleta simples. vidaliana ou rochefortiana.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa.. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. mas aí então nós chegamos finalmente... veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas. bem feitas..Ricardo.. e que era uma igrejinha fechada. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. então isso foi um erro. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. isso somente referenciado à Economia. (Almeida. o geógrafo médio.. e nós nos recusamos. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. mea culpa. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. que naquele período a programação de computação não era algo comum.. eu me recusei. eles que façam e me mandem o resultado. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. se a gente tivesse estudado para programação. depois desses Atlas na geografia quantitativa. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. eu me arrepio toda..

.. por exemplo. é possível entender que... eu acho muito rica. até existiu. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. houve um certo deslumbramento. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época.. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. quer dizer. a nível individual. rica. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período.. não é só aplicar a técnica e pronto.. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um... que quando eu pensava parceria. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima. “ Com certeza. Os depoimentos de Cesar Ajara.... quer dizer..” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980.Com isso. quer dizer.. a nível de resposta. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. “ E não era uma coisa tão complexa assim. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. tendo sido orientada pelo próprio J. acadêmica. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período. Miguel Ângelo Ribeiro. não era complexa. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. não é nem metodologia é uma técnica. Cole no seu mestrado em Nothinghan. primeiro. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. a França... a medida em que o que nós estávamos ... que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico... Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. como tudo na vida.. tem que saber escolher bem as variáveis. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. costuras e parcerias aqui e ali. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. P. você tem que saber o que está usando. quer dizer. não. quer dizer... paralelamente. isso não foi negligenciado. Cesar Ajara. Na visão de Cesar Ajara. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C.

. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. além de um scanner. “. tanto na esfera do IBGE.. foi muito desgastante... na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple... então o produto que for gerado... Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes. máquinas de 32 bits de processamento. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma.a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza..procurando? Superar uma dificuldade interna de custos.. nos intervalos eu .. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C...A questão da plataforma? ... Máquinas que eram o top de linha da Apple. Mônica.. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante.... uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs.. todos nós batalhamos muito. nós fizemos um. quanto na esfera dos órgão contratantes. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple.... um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. levantamento. e aí fizemos isso. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso... o IBGE não estava podendo bancar treinamento. algo que na época era muito caro para os PCs.. Angélica também tinha.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple.F... nós todos tínhamos experiência de campo. ia e vinha. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando. eu também tinha.. (RSA) “ Estava vindo. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D.... para colocar mais precisamente..Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) .. o IBGE não estava podendo compara ar equipamento naquele momento. tivemos muitos problemas. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado.. .. conseguimos libera o equipamento a duras penas.. porque . pois possibilitou através de seu método de trabalho.. ia e vinha. Evangelina.. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. já com CD-ROM embutido.. o material levou quase um ano para se liberado.. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais. e para complicar ainda mais....

..Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro.. quando eu fui fazer o zoneamento.... quando eu cheguei... ou quando o conflito era para desestruturar . um pouco de desafio. era isso o que eu estava propondo... (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. e além disso. entender em que escala os outros técnicos estavam operando.. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos.. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade.. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. através de alguns depoimentos tomados com exemplo.. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho.. pode não ser capaz de discutir teoria. meu e dela... porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer... eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.. gostando de trabalhar com grupo novo. para a . A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese.foram estimulados... e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. (RSA) “ Exato. e com o trabalho... em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos. mas pode ser capaz de discutir um problema. formando pessoas... e pudemos aprimora-lo”... eu trabalhei seis anos. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar..” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento.. Nossa Natureza.. que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi. nós juntamos aquele conhecimento.. O capítulo II analisará determinados mecanismos de escolha de carreira.. todo mundo é capaz de discutir problemas.. a experiência dela nos projetos PMACI... com isso. então com isso.. eu com um pouco de audácia... conflito não me amedrontava..... foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente.. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina. então. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam.. discutir problemas.estava tarimbada.realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia.. com isso se sentiram altamente prestigiados.

porém todos participaram. os mapas na cabeça e tudo mais. esses profissionais do ensino. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. “. ilustres desconhecidos. talvez se tivesse. eu me lembro por exemplo de citações. ele citava obra.. quando professor também do ensino médio.. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller... Em alguns casos. em inglês.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco . sem qualquer sombra de dúvida. direta ou indiretamente. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana.. escola normal.. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão.. eu teria feito em Campinas.. essa coisa toda. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. na universidade. que tinha... então. ao longo desses mais de sessenta anos.. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode....Parte III Capítulo II .” (Depoimento de Elza Keller a RSA) . e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. daí não tendo curso de Ciências Sociais. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno.” tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações... do processo de escolha da Geografia como opção profissional. por exemplo sobre a colonização européia.O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha..eu fiz curso de normal. quer por sua conduta profissional. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. obras em francês..que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. tem diversos livros publicados. “plagiando o Raja Gabaghlia.. outros. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. porque eram as palavras. evidentemente que o melhor professor.

arroz. expedicionário da FEB... Após formado.... essa era o máximo para a mim..” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30.. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia..... essa dava sempre a Geografia tradicional. eram discursivas.eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje.. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói.. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio.. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. “.. na década de 70.... tem alguma coisa de Azevedo.... mas eu sempre gostei mais de Geografia. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro.. de História que também era muito bom.. Manuel Maurício nos anos 50 e 60. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional. Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF.Teve... ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba....” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca. era uma ótima professora.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950.. dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira.. em História também tive outra ótima professora. . botava aqueles saquinhos com feijão.. pesquisadora da Casa Rui Barbosa..... era uma geografia interpretativa. só no meu álbum...” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70. aquela coisa bem tradicional.. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes.. chamava-se Lia Cardoso.. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia. era realmente elegante. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras. lembrei.quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca. não sei o sobrenome dela. também tive um professor Faria. descrevendo as macrorregiões. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. chamada Vanda Regina... no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio. eram super exigentes essas professoras.. uma que era modelo da Casa Canadá.. aqueles trabalhos de geografia regional..... ela arrasava dando geografia.. James Braga Vieira.. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete.. e mais duas no segundo grau.. e uma outra também a professora Nilza Bicudo. que era dividido entre clássico e científico.... duas professoras. tive uma professora que realmente gostei. primeiro por causa do tipo dela. Maria Isabel Azevedo. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. “... suas provas eram muito inteligentes..... os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. quando eu entrei no segundo grau.... por causa delas me decidi.. devo ter sofrido um pouco de influência dela. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira.. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos...

. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. Armando Sampaio de Souza. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. e da principal associação profissional a AGB. o homem e o frio. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. Orlando Valverde que.. o homem e a montanha... era a chamada Escola Possibilista. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos.Mas. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. um dos fundadores do IBGE. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. entre 1940 até meados dos anos 60. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. da principal revista a RBG. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. ele levantava problemas. e os três professores. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. foi por inspiração do Anísio Teixeira. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. tanto em São Paulo. mas eu não me lembro o sobrenome dele. havia um outro rapaz também chamado Jorge. eu e Jorge Zarur. o homem e as ilhas. o homem e a floresta. pois além da formação no nível da graduação... falar e escrever... por exemplo. Dilsa Mota e Marlene de Souza.. por exemplo. era como o homem se comportava diante da natureza. na universidade o apoio e estímulo de um professor. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. quanto no Rio. de estilo americano. quatro professoras primárias. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. cuja formação eu não me lembro. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. eu. foi transferido para o novo órgão.. era moderna.. então era. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de . Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil.. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. Eu era capaz de acompanhar as aulas.

.... porque sou evangélica protestante e Montpellier.e ele firme.. e voltamos então a ter a visão da Europa. durante os anos 40. como nos tempos de Deffontaines... etc.nessa época fomos cinco Miguel.... de Christóvão. o meu caso foi muito particular. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu Montpellier.. por indicação do professor Ruellan. então as perspectivas tinham que ser calculadas... praticamente todo fim de semana....000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. Míriam para Lion e eu para Montpellier. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. que posteriormente fez curso de geografia. prensando e levando para classificar. como era um mapa de 1:50...em termos de geografia geral.. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente...” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947. Míriam. e os nomes científicos também..... os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados. juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil.000.... mas Miguel.. aprendi tudo com ele durante anos..eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês... um especialista em relevo cárstico e de fitogeografia.. então ele já era quase colega do Dr. o tipo de . Geiger. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas.. mas estava dentro das possibilidades de cada um... apesar das dificuldades enormes de pós guerra. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia.... ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo. as faculdades para a qual nós deveríamos ir... ele tinha essas coisas assim. a partir de um mapa...você já sabe . fomos cinco... já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares. era um apaixonado por geografia. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. “. porque ele não falava português..pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE.. ia ser posto em perspectiva..O seu orientador lá. quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. dos chefes de escola geográfica da França.. quem era? (RSA) “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. pudesse ler e falar em francês. não foi decisão nossa absolutamente. não podia ser desenhada simplesmente. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito.. a visão global da geografia da Europa.. um trabalho que era um diagrama em perspectiva.. passou o tempo todo.... na realidade em termos de especialização.. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia.. aquela região do Languedoc tem muito protestante..... na época da Faculdade. Professor Paul Marres.. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra. tiramos o pessoal dos Estados Unidos.. Heldio e eu....o IBGE.. aquela seção da qual se originou ... Heldio foi para a Strasburg... daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês... o francês faz muito trabalho de campo. Ele pegou um mapa de 1:50.. Rulaan achou que eu ia me dar bem... eu ainda não tinha nada escolhido. fez muita excursão.. “ O meu contato com o Ruellan. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. treinam muito os estudantes para trabalho de campo. Fábio. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura.” . sabia que eu gostava de Geografia Humana . pegando amostras... uma loucura verdadeira... tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado.

quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.. isso foi no período de 59 a 62.. não sei se para o Geiger. substituído por Olga.. os estudos de Áreas de Influências das Cidades.. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel Rochefort... esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. eu já acompanhava de perto e namorando. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas. Buarque. pois bem. na realidade.... Heldio e Míriam. mas a experiência francesa teve uma importância enorme. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade .. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE.. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. mas acho que eles tiveram essa mesma visão. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. na França foi onde aprendi Geografia.. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana. para a mim pessoalmente. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas..... a prática de cartografia aplicada a geografia...... que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. para a nós foi extraordinário.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense.. nesse período (68-69) então.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. sobretudo a ela. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. foi a minha efetiva formação de geografia. João Rua. De certa forma. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional.geografia regional que se aprende lá. nos anos 60 no contexto do IBGE.. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. Jacob Binstock. . meu foco de interesse já havia mudado desde 1961.. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui. posteriormente.. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968.. paralelamente.. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes..

. o Cole...“. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE. você tinha cursos específicos.. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas. mas aqueles que eu assisti. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol.. o Brian Berry.. Roberto com a Lisia. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos.. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores.. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. aquilo. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão. quer dizer. A idéia de elaboração de leis. que repassaram para outros profissionais.. mas de certa maneira. Minha tese de mestrado.. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me.... como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria... Faissol é que repassava. o Cole ficou e orientou mais..P. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei..” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo. você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. “ Agora. Em seu depoimento. no Economic Geography e no Professional Geographer... que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. cada um tem um escolhido do seu jeito.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento. quer dizer.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão... p...Envolvi-me com a “nova” Geografia. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry.. tinha mais de uma dezena de análises de regressão. Rochefort. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil.” (Geosul 12-13.. Em 1972. quer dizer. o Rochefort fez uma passagem mais ampla.. 1991-1992. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. Fany com Geiger... Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76... e aí você vê cada uma pessoa. . E lá debrucei-me em cima de artigos e livros.

Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. no caso do primeiro. principalmente nos períodos de implantação do órgão. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. na excursão da região do Jalapão. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. onde o erro.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. como nas fases iniciais do órgão. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. Esse processo não era tão simples e direto.Parte III Capítulo III . mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. fosse ele um professor estrangeiro. Problemas como grandes projetos de prazo curto. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. com o seu conhecimento da língua japonesa . para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. A questão central estava em perceber quem. juntamente com Alfredo Porto Domingues. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse. tão comum nas fases iniciais de um profissional. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. O exemplo do jovem de 19 anos. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam.

Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991.. necessária nas fases iniciais. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. . e quem o dominava. sem maiores vassalagens. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. coincidentemente. A tênue fronteira entre a subserviência. que muitas vezes eram descartados logo depois. algumas vezes não sabiam o que pediam. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. Nos anos 70. É necessário entender que a língua franca da Geografia. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. em convênios com o governo francês. período da chamada Geografia quantitativa.. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. mas que entendia a necessidade do trabalho. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. adquirida nos anos 80. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. gerando em muitos casos. são pontos de referência para um entendimento de que. Neste campo.garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante.

criou entusiasmo. a geração anterior. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava.. ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. quando o contingente de pesquisadores aumentou. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu... a nossa também foi um pouco. aquilo passava. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”.... ela não te amolava absolutamente. No entanto.. mas de certa maneira a Rute Magnanini. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”.... era apenas eu quero isso. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos. que dizer. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. ela dizia eu quero isso. então formou técnica e gerencialmente.. porque se você ver bem..” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser. era um prazer trabalhar com Lisia. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda.. eram poucos. a geração que ingressou no início dos anos 50. Olindina Mesquita na agricultura. ela dava aquelas orientações todas diretíssimas... pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. quer dizer. acompanhando em paralelo. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50.. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945.. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura. considerado o universo em questão... gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. não sei.... não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. Edmon Nimer no clima. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade.. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante. eu fiquei na área de população. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini.. Waibel na agrária. foi importantíssimo.. mas a outra geração foi completamente massacrada. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores.“ Ela era entusiasmadíssima.. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. quer dizer.. a partir dos anos 50.. extremamente objetivas. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores... que pelo maior número envolvido. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido...” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. a não ser em poucos centros de excelência. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia... Maria Francisca que foram ótimas técnicas.

Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. que podiam assim.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. Na maioria das vezes. sob a supervisão dos chefes de equipes. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. da sua orientadora Lia Osório. 59. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. se fosse o caso.. pois envolvia. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada.” . a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias.. desenhar os gráficos e mapas. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. eu entrei para AGB em 58. Para os mais avançados. e mesmo antes. Obviamente. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. eram quatro alunos só. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais.. Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. o número de geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. mesmo a aqueles considerados “normais”. a turma seguinte..

eu fiz excursão ao baixo São Francisco. a parte econômica. eu era muito jovem.. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. fez trabalho por todo o lado. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. Tá bem.. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais. A importância da AGB é. Corrêa a RSA) Portanto. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. inimigos mortais. senão me engano.Em 1962. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia.E apresentou trabalho. 1991-1992.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) . e vamos pelo Vale do Paraíba.. está chamando você ir para lá. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros.. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. então não tinha muita relação um com outro. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. quer dizer. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. não sei quando... a Assembléia de Penedo. motivo de recordações de muitos geógrafos. de fato. acho que isso é importante.. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. estou começando o segundo ano. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura.240) Speridião Faissol.. um belo dia ligaram para minha casa. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE.. com a presença do Bispo de Penedo. olha tem uma vaga.. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele momento.. que foi talvez a mais proveitosa.” (Depoimento de Roberto L. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia.. e Caio Prado Jr. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. embora não tendo muitas ligações com a associação.. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo... 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. em 1945. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul... eu faço questão de passar em Lorena. p.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos.” (Geosul 12-13. “. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. etc. “. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. que fez um primor de exposição. levando alunos. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens.. havia muito trabalho de campo feito pela AGB.?(RSA) “ Apresentei trabalho coisa nenhuma." Então resolveram fundar a AGB nacional com.. encarregado de estudar a parte agrária. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal. havia possibilidade.

Prudente.... Baturité e aí em Belo Horizonte. Geiger. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. modéstia à parte.. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB...” -Uma você estava em Chicago.. Lígia.” .em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. O Congresso de Fortaleza que... jantando e dormindo AGB.. e..Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB. por uma questão sentimental. No Rio. 92 eu não podia.. “. comendo. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE. bom. IBGE era AGB Rio carioca.(RSA) “ . vou conhecer a terra do meu pai. a AGB do Rio acabou. mas Nilo.(RSA) “. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar... quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. almoçando. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram.. por isso ela sobrevivia. vindas de um agebeano do final dos anos 50. .. Elza. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo.. um pouco dessa história. praticamente no IBGE. trabalhando.. Orlando menos. a Maria do Carmo nunca foi agebeana.. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos.. pensando... também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias.... eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50. Nilo. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE.. meu pai era cearense então eu disse. Faissol nunca foi agebeano.Ela ficou um período solta. e literalmente. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei... acho que foi...” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser.(RSA) “ Uma em Chicago em 74.Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem... de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs.. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando.. mas não quer dizer que necessariamente... de fato e de direito destruíram-na.. o Congresso de Fortaleza.” . Lígia. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE... se não foi em termos científicos. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos.. modéstia a parte. eu passei grande parte da minha vida cuidando. Hilgard Sternberg... Araújo. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro..Olha a geografia. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78... Alfredo esses participavam. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. até que quando eu soube a última vez tinha um sócio pagante. Bom a partir dos anos 60..ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade.. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. mas também participava...

eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir......... na Universidade Fluminense. não. as pessoas realmente pensam assim . ai fui a de Mossoró em 60.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos... fiz uma série de cursos. com a AGB nacional. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB.. no sentido de diminuir essas relações. fomos parar rapidamente numa sala lá. 66 Blumenau. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE..“.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas. as estruturas portuárias... (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros.. só recebo um boletim e olhe lá. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário.. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. 68 Montes Claros. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. Londrina.. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia. ela foi para a UERJ. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. 67 Franca. fui duas vezes Diretor Regional...... mas durou pouco tempo.. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. fomos parar em baixo da escada lá naquela Seção de Estudos que ainda era no 7 andar.. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Entretanto.. eu como disse. “.. passou a ser Encontros.. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró.. 1963 foi em Penedo... para a vender. o Faissol acabou com ela.. o próprio José César reconheceu o processo. 2000) foi possível verificar a . depois em 66 foi Franca.. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. nós tínhamos nossa estante. que depois ele o pediu também. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte... que eu fui tesoureiro. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. foi aí que comecei a participar no plano nacional. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. nosso arquivo. o representante do IBGE.... fui secretário. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas.. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. no período da Assembléia de Maceió. 67.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. indústria. dei conferência em função da AGB no Fundão. as vezes concomitante. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados.. e os atualizados lá. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos.

além dos trabalhos de divulgação da Geografia. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. e em alguns casos. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80.. a Carta do Brasil ao milionésimo. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). Evidentemente. sendo que 76 nos anos 40. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico.. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. 34 entre 1950 e 1955. as determinações de fronteiras estaduais. Esses foram alguns dos resultados desses trabalhos de campo. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. Entre 1941 e 1968. que ocasionalmente. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de . houveram muitos preços a pagar. os programas de colonização dirigida. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa.importância dessas excursões. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. que para compor um quadro como este. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. os estudos sobre o relevo do território. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais).

no município de Tucuruí (PA). no rio Jari. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE .José Redondano Neto. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. A . morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. mas Egler não teve a mesma sorte. fronteira entre Pará e Amapá. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. além da área de segurança de queda. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). alguns dos quais foram sepultados nesses locais. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. morre afogado no Rio Tocantins. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. inaugurando uma escola com o seu nome. A lista. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. caindo num trecho muito turbulento. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. além das do IBGE. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. Em termos de homenagens. 20/03/1979 . 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM).suas funções técnicas. Egler e outro companheiro ficaram a bordo.

No entanto. 13/05/1980 .Hilda da Silva do IBGE (de câncer. e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. A segunda.aeronave. 09/08/1991 . numa trágica coincidência. além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. mas que não poderia ser comentado. pois outros geógrafos faleceram também. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). não deixando vestígios na superfície.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). José César de Magalhães Filho. 15/05/1990 . quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. é apenas uma lista de referência. Duas suposições ficaram no ar. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. Esta. dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. 09/10/1992 . fretada pelo RADAM. e com isso. ambos davam consultorias ). quando ainda trabalhava no IBGE. mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . é que o avião teria caído no mar sem explodir.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). 18/09/1995 . trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. 22/03/1997 . embora aposentados.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que . em função do nível de sigilo envolvido.O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ).Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho).

subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. Novas metodologias. criando novas estruturas de pesquisas. novos trabalhos e novas lideranças. sua população e sua economia. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. .

por mais que se pregue o contrário. Alfredo Porto Domingues. além de uma grande dose de boa vontade por parte dos professores e dos alunos. A exceção ocorreu durante a década de 70 no contexto dos métodos quantitativos.As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução Estamos considerando como praticas profissionais. mas ainda assim era possível perceber que os melhores “alunos” tendiam a se especializar em Geomorfologia. é necessário que se entenda que a grande divisória que separa as práticas profissionais dos geógrafos físicos. necessitando da experiência de um pesquisador eclético que conheça perfeitamente os grandes traços físicos e humanos de uma região para poder realizar o trabalho de recorte regional. evidentemente.Parte IV . Heldio Lenz. como no caso da regionalização. já que ainda era difícil perceber que aqueles métodos poderiam trazer grandes modificações no conhecimento geográfico fora do campo do planejamento governamental. que era geomorfólogo. Lúcio de Castro Soares foram alguns desses e apenas Pedro Geiger migrou para os estudos econômicos e sociais nos anos 50. eram as atividades típicas de planejamento que o IBGE sempre teve ao seu encargo. mas que não chegou sequer a modificar a tendência conhecida. principalmente nas primeiras décadas de atividade. inclusive com abordagens distintas quanto ao conhecimento matemático e estatístico. as diferentes abordagens de trabalho nas áreas de pesquisa geográfica que os geógrafos do IBGE adotaram ao longo do período de sua existência. Pedro Geiger. tendem a dicotomizar essas duas áreas. que sempre foram mais cobrados nos segmentos da Geografia física do que na humana. Conjunto de estudos que normalmente envolvem as duas áreas. Os processos de aprendizado na universidade. Miguel Alves de Lima. mas que tinha por imposição de seu contrato do professor na Universidade do Brasil. lecionar e transmitir qualquer campo do saber geográfico para seus alunos e para os técnicos do IBGE. por sua missão institucional o IBGE seus profissionais de Geografia sempre tenderam mais ao ecletismo do que a especialização. Daí o grande poder da área de regionalização. quando confrontada com os especialistas dos campos sistemáticos. Um outro ponto importante a considerar. É possível argumentar que. já nos primeiros anos. talvez por conta da forte influência de Francis Ruellan. No contexto do IBGE. um fator inibidor no diálogo profissional. A força dos estudos sistemáticos na área de Geografia somente toma força com Michel Rochefort nos anos 60 no campo da Geografia . Para isso. essa dicotomia não se fez sentir com intensidade. dos que trabalham com Geografia humana é. pois as experiências com a quantificação nos anos 70 exigiam equipamento caro e mão de obra especializada.

O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. onde também se avaliará a representatividade do trabalho geográfico e dos geógrafos em particular. fundamentalmente. é nesta parte do trabalho. principalmente os vinculados ao estudo do habitat rural. embora os ensinamentos de Leo Waibel nos anos 50 em Geografia agrária também já orientavam os geógrafos regionais nessa direção. Além disso. capítulo I descreve em linhas gerais cada um desses temas. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológico decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período.urbana. os processos de industrialização e urbanização no sudeste brasileiro nos anos 60. mas é preciso assinalar que os grandes estudos orientados por Waibel neste campo. Os próximos capítulos tratarão de dar uma visão panorâmica dos principais temas da pesquisa geográfica trabalhos pelos profissionais do IBGE e analisar sua importância para a história do pensamento geográfico brasileiro. perante outras instâncias da instituição. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior relevância e suas relações com as conjunturas técnicas ou políticas da casa. ainda possuíam uma forte conotação regional. . as grandes arenas de pesquisas dos geógrafos especialistas do IBGE. Foram.

de 1941 tornou-se um clássico e sua definição para uma divisão única foi acatada pelo governo federal. municípios. unidades federadas e grandes regiões.3 – Biogeografia) e 7.2 – Climatologia. acompanhamento da evolução das malhas de setores censitários. 4. 6-Caracterizações Ambientais ( 6. principalmente no que tange aos estudos de regionalização. acompanharam a evolução dos estudos geográficos no IBGE e definiram tendências em escala nacional para certos trabalhos.Regionalização Ao se observar panoramicamente a atuação da Geografia do IBGE verifica-se que os estudos de regionalização sempre foram a razão de ser dessa área na casa.Determina o estudo da divisão regional do Brasil e das suas unidades federadas e a elaboração de uma obra de divulgação sobre a região amazônica em geral e o rio Amazonas em especial. 6. 2. 1939 07 25 . Na parte final do capítulo foi introduzida uma avaliação das atividades de geoprocessamento. Além de garantirem uma maior precisão cartográfica nas cartas editadas pelo IBGE. 6. conforme administrativos e legais do IBGE. n. Seu artigo publicado na RBG ano 3.Ambientais Integrados.Urbanização. não sendo de maneira nenhuma uma lista fechada. 1 – Geomorfologia. auxiliando nos planejamentos dos censos. de bairros urbanos.Regionalização. 1 . campanhas estatísticas.Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia: uma análise de suas práticas profissionais Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE são considerados como uma referência geral para a explicação das atividades do antigo Conselho Nacional de Geografia (CNG) e do atual Departamento de Geografia (DEGEO). previsão de safras agrícolas. 3Industrialização. principal área de trabalho da Geografia do órgão.Modernização da agricultura. 5. O estabelecimento em 1938 pelo Conselho Nacional de Estatística de uma regionalização baseada na divisão em uso pelo Ministério da Agricultura e que serviu como base para o censo de 1940 foi o ponto de partida para os estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães objetivando definir uma nova regionalização para o Brasil.Capítulo I . Analisando-se a cronologia bibliográfica sobre o assunto é possível perceber que os processos de regionalização sempre acompanharam a trajetória do órgão e determinaram inclusive as formas de apresentação tabular dos censos. 63 da AG/CNG . micro e meso regiões. Atividades essas que envolvem várias diretorias e que viabilizarão bases geo-referenciadas para inúmeras áreas e pesquisas da agência. nos informa os dados da cronologia dos atos .Resolução n. distritos. 2 de abr. Os nove grandes temas analisados: 1. /jun.Diagnósticos Sócio .Ocupação do Território e Habitat.

foi também organizado um estudo abrangente em convênio com o .Estabelece a divisão regional do país. Este. regionalizando conjuntos de municípios de características homogêneas. 1967a e 1967b). 143 da AG/CNG . que foram incorporadas aos planos tabulares dos censos seguintes. O plano tabular do censo de 1940. Esta resolução implicou em estudos de regionalização nas unidades regionais estabelecidas e o resultado desses trabalhos resultou na coleção Divisão Regional do Brasil.mediante agrupamento dos municípios brasileiros.Resolução n. Nordeste. Além dessas obras.Manifesta o aplauso do Conselho à nova Divisão Regional do Brasil fixada pelo Conselho Nacional de Geografia e dá providências a respeito. Nos anos de 1967 e 1968 iniciou-se no âmbito da Divisão de Geografia os estudos para a definição da nova regionalização em espaços homogêneos e polarizados (IBGE. primeiro censo organizado após a criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG) já apresentava no volume Brasil uma divisão em regiões fisiográficas (Norte. embora argumentando que já havia uma tendência. 225 da AG/CNE . com na divisão do Conselho Técnico de Economia e Finanças adotado em 1939 por ocasião da Conferência nacional de Economia (Guimarães. ainda que incipiente.Resolução n.1941 07 14 . e baixa provisoriamente e em segunda aproximação. com alteração no nome de uma região (Este foi substituída por Leste) mas cada unidade federada foi também subdividida em zonas fisiográficas com os seus municípios correspondentes. 1941 07 24 . 1945 07 13 . Sul e Centro-Oeste) mas suas unidades federadas ainda eram apenas subdivididas em municípios. e dá providências para a generalização do seu uso. Novas determinações da assembléia geral do CNG durante o início dos anos 40 orientaram estudos para demarcação de zonas fisiográficas nas unidades da federação. estabeleceu uma subdivisão em sub-regiões e zonas. O artigo de Fábio de Macedo Soares analisou a necessidade de uma regionalização que tivesse uso estatístico e que apresentasse um alto grau de estabilidade ao longo dos anos para fins de comparabilidade espacial e por isso optou por uma divisão que desse preferência às características naturais das regiões delimitadas. 1942 07 09 .para fins práticos.Resolução n.Sugere uma nova divisão das unidades federadas em zonas fisiográficas.Resolução n. 72 da AG/CNG . a divisão regional do Brasil. promove a sua adoção pela Estatística Brasileira e dá outras providências. 124 da AG/CNG .Fixa o quadro de divisão regional doBrasil. em definir regiões preferencialmente por critérios econômicos. para uso da Estatística Brasileira. que para cada região. Nos censos de 1950 e 1960 as regiões fisiográficas foram mantidas. 1941:363-364).

além de terem contado com a consultoria de Michel Rochefort nas fases iniciais do processo. A regionalização em espaços homogêneos servia para duas grandes vertentes a primeira objetivando o planejamento governamental em áreas com as mesmas características. a . Pedro Geiger e Nilo Bernardes e foram revistos por Elza Keller. com textos redigidos por Lysia Bernardes. Ignez Barbosa. Olindina Mesquita). Orlando Valverde. Transportes. População. Nilo Bernardes. Roberto Corrêa. 1968b) coordenado por uma equipe que contava com Marília Veloso Galvão (que tinha assumido a chefia da Divisão de Geografia e que estava sendo elevada a categoria de Departamento). O governo federal após o golpe militar de 1964 estava preocupado com a espacialização do desenvolvimento econômico e via com grande interesse pesquisas que pudessem organizar o território brasileiro ou dar subsídios para este processo. Aluísio Duarte. 1967a. o dos espaços homogêneos escrito por Pedro Geiger. Atividades Terciárias e Centralidade) e praticamente envolveu todo o quadro técnico da Divisão de Geografia por dois anos. Edmon Nimer. O Subsídios à Regionalização trabalhou com sete segmentos dos estudos geográficos passíveis de serem regionalizados (Quadro Natural. Lysia Bernardes (chefe anterior da Divisão de Geografia e que estava se transferindo para o IPEA. Speridião Faissol. servindo efetivamente de subsídios à institucionalização de uma nova sistematização de regionalizações levada a efeito pela Geografia do IBGE a partir do final dos anos 60. por conta desse projeto). Marília Galvão. Os Espaços Homogêneos O grupo de geógrafos que trabalhou com o esboço preliminar das regiões homogêneas foi coordenado por Pedro Pinchas Geiger. e o de espaços polarizados escrito a quatro mãos por Roberto Lobato Corrêa e Fany Davidovich são peças reveladoras do pensamento geográfico regional da segunda metade dos anos 60 (IBGE. Fany Davidovich. Essas novas questões sobre regionalização estavam na pauta da Geografia do IBGE por conta das recomendações definidas na XXIII Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia através da resolução 595 de 17 de junho de 1966 visando subsidiar uma regionalização que substituiria as regiões fisiográficas. (IBGE. No caso das duas obras consideradas como iniciadoras do processo. Speridião Faissol. Pedro Geiger. 1967b).Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) para analisar a estrutura espacial brasileira. Pedro Geiger. Elza Keller. os textos introdutórios. Indústrias. Fany Davidovich e Ruth Magnanini. Eugênia Egler. Regiões Agrícolas. A definição e delimitação dos espaços homogêneos foi trabalhada por um conjunto de 13 geógrafos ( Lysia Bernardes.

BaixoMédio São Francisco). Os Espaços Polarizados O trabalho precursor dos estudos sobre polarização foi orientado por Michel Rochefort e coordenado por Lysia Bernardes em 1964 O Rio de Janeiro e sua Região (Bernardes L. priorizando os centros urbanos e. Baixo Jaguaribe. Uma versão condensada em inglês foi publicada no livro de contribuições do IBGE à 23 Assembléia da UGI em Moscou (IBGE. depressão Periférica Setentrional.. uma estatística.segunda garantindo uma perfeita compreensão espacial do território nacional através da divulgação dos dados estatísticos pela inclusão dessa regionalização no plano tabular dos censos do IBGE.. Serra de Baturité. Trabalharam neste projeto 15 geógrafos. Os estudos dessa nova divisão iniciaram-se em 1987 sob a coordenação de Aluízio Capdeville Duarte e a gerência de Onorina Fátima Ferrari e adotada pelo Sistema Estatístico Nacional em 1990. o Departamento de Geografia. de certa forma. Médio Amazonas. elaborou uma regionalização em Mesorregiões Homogêneas pelo processo de agregação de Microrregiões. Mata de Cataguases. pois suas denominações são. Para o recenseamento econômico de 1975. justapondo-se aos trabalhos de regionalização de espaços polarizados. fazendo parte do plano tabular do recenseamento de 1991. a micro de Encosta Ocidental da Mantiqueira Paulista tornou-se micro de São João da Boa Vista (centro sub-regional). Chapada Diamantina Meridional). semelhantes. vegetação ( Microgerriões Campos de Guarapuava. Alguns exemplos poderão ilustrar o problema. (Infelizmente esse material foi perdido no prédio da Rua Equador (Santo Cristo) em função de uma infestação de inseticida por uma dedetização mal sucedida em 1985).. em muitos casos. O município de Caraguatatuba que pertencia a micro Costa Norte Paulista tornou-se micro de Caraguatatuba e assim por diante. Campos de Vacaria e Mata de Dourados). 1976c :5-16). No final dos anos 80 foi iniciado outro processo de regionalização de espaços homogêneos sob nova ótica. a micro de Médio Rio das Velhas tornou-se micro de Pirapora. Pantanais. Alto Solimões. A antiga micro de São Paulo Estâncias Hidrominerais Paulistas tornou-se micro de Amparo (centro sub-regional). possivelmente sobre orientação direta de Speridião Faissol. um engenheiro encarregado do processamento de dados. que foi adotado pelos planos tabulares posteriores e pela nova regionalização em Meso e Microrregiões Geográficas de 1992. 1964) e testou sistematicamente em campo o método Rochefort de hierarquização de uma rede a . Nesse período. podendo ser componentes do relevo (Microrregiões Encosta Ocidental Paulista. vales de rios ( Microrregiões Médio Rio da Velhas. ainda é possível perceber que a denominação de muitas micros apresentavam características ambientais que as distinguiam. Chapadões do Paracatu.

Aluízio Capdeville Duarte. Elizabeth Gentile. reuniu um grupo de 24 geógrafos. ∗ a . João Rua. Eugênia Egler. (IBGE. Maria Tereza Bessa e Pedro Geiger (IBGE. Ney e Lourdes Strauch e Maria Thereza Bessa de Almeida. Luís Antônio Ribeiro. Lenice Araújo. Sônia Alves de Souza. No projeto trabalharam além de dos dois. Írio Barbosa. A ênfase da época eram os estudos baseados na teoria das localidades centrais de Walter Christaller da década de 30 na Alemanha e retrabalhada por geógrafos ingleses e americanos. A regionalização em espaços polarizados passou a suprir uma demanda do planejamento estatal na definição de pontos no território que seriam mais dinâmicos que outros. Ruth Magnanini. Hilda da Silva. Na década de 70. Olga Maria Buarque. Os dois geógrafos que mais estudaram essas metodologias foram Roberto Lobato Corrêa e Aluízio Capdeville Duarte coordenando uma equipe com uma socióloga. que foi responsável pela compatibilização dos estudos e dos mapeamentos finais e pelo texto introdutório. Roberto Lobato Corrêa. Jacob Binsztok. 1976 .urbana e delimitação de seu espaço de influência. 1976)∗. A influência de Michel Rochefort é claramente sentida nas primeiras fases neste segmento do trabalho geográfico (IBGE. inclusive com proposições metodológicas mais novas (IBGE. Cléa Sarmento Garbaio e mais três geógrafos. Os estudos sobre espaços polarizados tornaram-se prioritários durante meados da década de 70. mais sete geógrafos de várias especialidades como Amélia Alba Nogueira (geomorfóloga). 1972). José César Magalhães (energia) e Fany Rachel Davidovich (urbana). 1968b).1967b) e também no projeto do Subsídios à Regionalização (IBGE. para elaborar o diagnóstico Esboço Preliminar de Divisão do Brasil em Espaços Polarizados. Coordenado por Pedro Geiger nas primeiras fases das formulações metodológicas. Dulce Alcides Pinto. a influência de Rochefort foi sendo gradativamente substituída pelos trabalhos da escola anglo-americana. trabalhando com os espaços polarizados em escala nacional. Maria Francisca Cardoso. O segundo grande projeto neste campo.1976c). Maria Emília Castro Botelho. Carlos Alberto serra. também coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Hilda da Silva e Maria Rita Guimarães (Regional). onde o capítulo de Centralidade foi desenvolvido por Roberto Lobato Corrêa (Corrêa. em escala nacional. Uma versão em inglês desse trabalho foi incluída no livro de contribuições do IBGE a 23 Assembléia Geral da UGI em Moscou.1968). Marta Regina Brito. Ceçary Amazonas. Elisa Mendes de Almeida. Edmon Nimer. o Divisão do Brasil em Regiões Funcionais Urbanas (IBGE. com estruturação de grupos de trabalho específicos. quando da edição do segundo grande trabalho deste segmento. Ignês Teixeira Guerra. com textos redigidos por Fany Davidovich. Rosa Fucci. A mudança de enfoque é bem percebida. 1967b). coordenados por Pedro Geiger. mas concluído por Elza Keller.

Aluízio Capdeville Duarte. João Baptista de Mello. gerando as tabelas de ordenação dos centros urbanos. altos estágios de urbanização comandada pelo setor terciário: com a expansão do comércio. concluído em 1983. tornaram-se os carros chefe das atividades de distribuição varejista. . que ao estabelecerem essas novas redes de estabelecimentos. O trabalho está em fase de publicação. humanas e econômicas das regiões estabelecidas. Estácio Arruda. Cleber de Azevedo Fernandes. Nilo David Mello. Luís Alberto Nascimento. Solange Cardoso Barros. para uma urbanização sustentada pela industrialização na década de 70 e alcançando na década de 90. Agustinho Rocha. coordenado por Roberto Lobato Corrêa e tendo como equipe técnica 14 geógrafos. onde as atividades financeiras assumiram a liderança do segmento. quando se aposentou. Eliane Ribeiro da Silva. Onorina Ferrari e Sulamita Hammërli e um economista Ruben Magalhães. Maria Mônica Vieira C. gerou a terceira fase da divisão de espaços polarizados brasileiros realizada pela Geografia do IBGE o Região de Influência das Cidades. mas já é possível ter acesso a ele na base de dados do IBGE. analisavam algumas características físicas. acabou sendo muito utilizado como referência em função de seus mapas e suas tabelas de ordenação dos centros por muitas agências governamentais e organizações privadas. mas somente foi publicado em co-edição com o Ministério de Habitação e Urbanismo em 1987 (IBGE / MHU. Este esforço metodológico. mais a assessoria computacional da Diretoria de Informática do IBGE através da analista Viviane Narducci Ferraz que organizou os dados. As Análises Regionais Será igualmente importante abrir um espaço para a descrição dos trabalhos que. na fase final entre 1997 / 1998 e contou com uma equipe de 8 geógrafos (Aurélia Lopes da Silva. após o estabelecimento do processo de regionalização. Luiz Carlos de Carvalho Ferreira.mas com algumas leituras de franceses como o economista Charles Boudeville e o geógrafo Etienne Juillard. que pode ser avaliado no segundo artigo do grupo (IBGE. 1987). Maria Rita La Rocque. Lourdes Strauch. Lúcia de Oliveira. 1976b). O trabalho. João Baptista ferreira de Mello. A última fase dos estudos de espaços polarizados data da década de 90 foi trabalhada por uma equipe coordenada por Marília Carvalho Carneiro entre 1993 e 1997. Helena Zarur Lucarelli. Maria Thereza Bessa de Almeida. Rogério Botelho de Mattos. pela proliferação dos centros de compras (shopping centers) e pelo avanço do processo de franquia de produtos (franchising). e pela ampliação do setor de serviços. Ayrton Almada. A evolução dessas quatro fases na determinação das principais redes urbanas do Brasil mostrou a transformação de um país ainda agrário na década de 60. O’Neill. e por Luiz Alberto dos Reis Gonçalves.

Arthur César Ferreira Reis.Félixberto Camargo e Antônio Teixeira Guerra.Edgar Kuhlmann.Antônio T. A estrutura dos capítulos estava assim organizada: Introdução. Relevo e Litoral.Antônio Teixeira Guerra. Apesar das inimizades. iniciou-se em 1959. Hidrografia.José César de Magalhães. a participação de Orlando Valverde numa co-autoria com Antônio T.Marília Velloso Galvão. Suas análises caracterizavam igualmente os aspectos físicos. Dias. mas já sobre outras bases. Leste e Norte-1950).A primeira coleção de análises denominou-se Divisão Regional do Brasil e foi elaborada entre 1948 e 1950 ( Centro Oeste-1948. Organização SocialCatharina V. Fitogeografia da região amazônica. mostra bem o aproveitamento da mão de obra técnica daquela época no CNG. uma paraense que conhecia muito bem sua região no que dizia respeito aos aspectos de ocupação econômica e ao ambiente cultural. O segundo volume da série. sobre a região Norte foi fortemente influenciado pelas informações geradas ainda pela Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e foi organizado por Antônio Teixeira Guerra. mas substituído por Speridião Faissol na Direção do CNG) e Fábio. O segundo projeto de análises regionais. principalmente para o segmento educacional de segundo grau e universitário. É interessante perceber que apesar de estar em pleno período da luta entre os grupos Zarur (já falecido em 1957. pois sua estrutura editorial contemplava coordenadores de projeto (cada livro de uma região era um projeto fechado) e equipes de autores que recebiam crédito autoral por capítulo organizado.Lúcio de Castro Soares.Catharina V. era também um especialista de Geomorfologia da Amazônia. Guerra é importante para estabelecer separações entre os problemas de ordem pessoal e o institucional. Guerra e Energia. que além de estar no comando da Divisão de Geografia do CNG. Geologia. Nordeste e Sul-1949. Eram obras pequenas que enfatizavam uma subregionalização nas regiões estabelecidas pelo estudo de Fábio de Macedo Soares Guimarães e que não apresentavam nenhuma indicação de autoria pessoal. Estrutura Econômica e Regime de Propriedades. Transportes. o trabalho era feito por quem possuía melhor qualificação. Seu primeiro número de 1959. Dias. Solos e Utilizações Agrícolas.Catharina Vergolino Dias e Antônio Teixeira Guerra. humanos e econômicos desses sub-espaços. Dias e Carlos Goldemberg. O exemplo de Catharina. De certa forma essa coleção foi a primeira a ser realmente considerada como uma obra geográfica para o grande público. Agricultura.Antônio Teixeira Guerra e Orlando Valverde. Vegetação. Indústria Extrativa. População e PovoamentoCatharina Vergolino Dias e Manuel Maurício de Albuquerque. publicado em 1960. Clima.Catharina V. trabalhou com a região Centro Oeste e foi organizada por Marília Vellozo Galvão e sua estrutura de capítulos estava distribuída da seguinte maneira: .

Elvia Roque Stefan.Maria Magdalena Vieira Pinto.Manuel Maurício de Albuquerque. Indústria Extrativa Animal. Vegetação. Em 1968. José Henrique Millan e Maurício Coelho Vieira.Lilia Camargo Veirano. Botelho. População. Energia.Maria Magdalena Vieira Pinto. Maria da Glória Hereda e Alfredo Porto Domingues. Pecuária.Lindalvo Bezerra dos Santos. Ocupação Agrícola.Ney Rodrigues Inocêncio. Agricultura. População. Formas de Povoamento Rural.Dulce Maria Alcides Pinto.Marília Galvão.Ney Rodrigues Inocencio.Edgar Kuhlmann. Hidrografia. População e PovoamentoManuel Maurício de Albuquerque.Fany Haus Martins.Elvia Roque Stefan. já com Marília Veloso Galvão chefiando o novo Departamento de Geografia.Haidine da Silva Barros. A estruturação do Tomo I estava assim distribuída: .Pedro Pinchas Geiger.Elvia Roque Stefan.Lilia Camargo Veirano.Marieta Mandarino Barcellos.Speridião Faissol. O terceiro. a região Sul foi editada em dois volumes separados.Celeste Rodrigues Maio e Alfredo Porto Domingues. Geomorfologia.Jorge Xavier da Silva.José César de Magalhães.Marília Veloso Galvão e Edmon Nimer.Antônio Luís Dias de Almeida. A estruturação dos capítulos era: Relevo. tendo como organizadores Maria Rita da Silva Guimarães e Aluízio Capdeville Duarte. estudou a região Nordeste. Clima. Recursos Extrativos MineraisMarília Veloso Galvão e Aluízio Capdeville Duarte. Povoamento. Extrativismo Vegetal.Elvia Roque Stefan. Pecuária. analisando separadamente o espaço correspondente ao Meio Norte e teve dois organizadores. Atividades Agropastoris.Elvia Roque Stefan. Implantação Industrial. Núcleos Urbanos. Clima.José Carneiro Felipe Filho.Aluízio Capdeville Duarte.Maria Magdalena Vieira Pinto e Transporte. Transporte.Amélia Alba Nogueira. A região Leste foi editada em 1965. Vegetação. Clima. José César Magalhães e Maria da Glória Hereda. Hidrografia. Brasília: a nova capital. de 1962.Maurício Coelho Vieira. já sob a chefia de Lysia Bernardes na Divisão de Geografia. Extrativismo Vegetal. Litoral – Interior.Introdução.Olga Maria Buarque de Lima.José César de Magalhães e Grandes Eixos de Circulação.Maria da Glória Hereda. Estrutura Urbana. Agricultura. Indústria Extrativa. Hidrografia-Carlos C.Ariadne Soares Souto Mayor.Lindalvo Bezerra dos Snatos. Organização Urbana.Ney Julião Barroso. Povoamento. Sua estruturação estava assim apresentada: Introdução.Olindina Vianna Mesquita. Energia. Vegetação. o Tomo I que enfocava a parte física foi organizado por Delnida Martins Cataldo e Aluízio Capdeville Duarte e o Tomo II sobre a parte humana e econômica coube a Aluízio Capdeville Duarte.Alceo Magnanini. Indústria Extrativa Mineral.

Alfredo Porto Domingues.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. A coleção seguinte.Aluízio Capdeville Duarte e Armely T. um de sistema urbano da Região Norte redigido por Catharina Vergolino Dias . onde as duas correntes quantitativistas e não quantitativistas empreenderam uma luta surda na estruturação dos sumários das regiões e que acabou numa solução de compromisso onde sempre dois capítulos (agrária e urbana) teriam uma análise fatorial e de grupamento visando explicar suas estruturas espaciais. mas que nesse caso. considerada como um referencial bibliográfico importante nos cursos de Geografia durante as décadas de 60 e70.Ariadne Soares Souto Mayor. Atividades Agrárias. trabalhou no subcapítulo Características Estruturais das Cidades utilizando uma análise fatorial para definir uma tipologia urbana da região. Atividades IndustriaisIgnês Costa Barbosa. mas não ganhou o ∗ Vegetação. toda editada em 1977. CirculaçãoEloísa de Carvalho Teixeira e Redes Urbanas. Strauch e Maria da Glória Hereda. Lindalvo Bezerra dos Santos. Geomorfologia. a escolha de Orlando Valverde conflitou diretamente com a orientação de que os capítulos de agrária teriam um sub-capítulo denominado Organização Agrária ou equivalente que trabalharia com uma análise fatorial.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Lúcio de Castro Soares. foi a grande obra de referência da fase dos métodos quantitativos. Orlando não escreveu tal sub-capítulo e Rivaldo Pinto Guimarães∗ o fez.Dora Amarante Romariz. A melhor prova dessa luta pode ser vista em dois exemplos de capítulos da coleção.Nilo Bernardes. uma geógrafa que nunca se mostrou encantada com as novas técnicas. Elza Coelho de Souza Keller. Maria Magdalena Vieira Pinto e Pedro Pinchas Geiger.Dora O nome verdadeiro é Rivaldo Pinto de Gusmão . A análise da agrária trabalharia com a estrutura das microrregiões e a urbana com os municípios. Clima. inclusive com a introdução de alguns que refletiram as mudanças que estavam ocorrendo na economia brasileira foi o principal legado dessa coleção.Elza Coelho de Souza Keller.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. já comentada na Parte II. A variedade de temas.Introdução. O planejamento e coordenação da coleção ficou sob a responsabilidade da chefe do Departamento de Geografia (DEGEO) Marília Veloso Galvão que nomeou um grupo de geógrafos da Velha Guarda como coordenadores temáticos de toda a coleção. População. Maricato. Amarante Romariz e Solos. No caso do capítulo Atividade Agrária da Região Sul. Lourdes Manhães M. HidrografiaOlindina Viana Mesquita. O Tomo II estava dividido em: Povoamento.

Solange Tietzmann Silva. principalmente pelos capítulos de População organizado por Elza Keller.Edmon Nimer. Isso representou para esses assuntos.Amélia Alba Nogueira. Hidrografia. o de Indústria de Fany Davidovich e o do Sistema Urbano de Olga Buarque de Lima e Roberto Lobato Corrêa. mas deu todo o apoio.Catharina Vergolino Dias.crédito de co-autoria no capítulo. Vegetação. Região Sudeste Relevo. somado ao grande tamanho dos volumes afastaram a maior parte do público alvo. Vegetação. C.José César Magalhães.José César de Magalhães. de Castro Botelho. População.Elza C.Hilda da Silva e Maria Emília T. População.Ruth Lopes da Cruz Magnanini.Myrian Guiomar G. pois Rosa era uma espécie de assistente sua).Elza Coelho de Souza Keller. mas infelizmente. de Souza Keller.Amélia Alba Nogueira. Energia. Clima.Carlos de Castro Botelho. A estruturação de sumários e de autores foi assim apresentada: Região Norte Relevo.Maria Teresa Bessa de Almeida e Elvia Roque Steffan. IndústriaDulce Maria Alcides Pinto e Mitiko Yanaga Une. uma visão integral do Brasil. .Edmon Nimer.Edgar Kuhlmann. de Sá Távora Maia. o climatólogo Edmon Nimer. o especialista em energia José César de Magalhães trabalharam sobre seus assuntos em praticamente todos os volumes (César só foi substituído por Rosa Fucci no volume do Nordedeste. Vegetação. sem os riscos de gerar certos caleidoscópios de pontos de vista. Sistema Urbano. Alguns tornaram-se clássicos como o do Sudeste. A importância dessa coleção se deveu em mesclar diferentes enfoques para explicar as profundas modificações por que estava passando o espaço brasileiro na década de 70. Atividade Agrária. 403). Clima. Mesquita.C. Energia. Transportes. Mesquita. de Souza Keller. que pode ter ocorrido em assuntos que tiveram muitos autores nos cinco volumes. Atividade Agrária. Energia. Transportes. Clima. Alonso. Sistema Urbano.Myriam G. Atividade Agrária.Rosa Maria Fucci.Maria Terezinha A. HidrografiaElvia Roque Steffan.Elza C. o estigma da quantitativa.Maria Elisabeth C. Indústria. p. O crédito de autoria dessa parte foi colocado nas notas de referência (IBGE.Lúcia de Oliveira. C.Edgar Kuhlmann. Profissionais como a geomorfóloga Amélia Alba Nogueira. como seria normal. Região Nordeste Relevo-Amélia Alba Nogueira. População.Edmon Nimer. professores e alunos do nível superior. Transportes. 1977e. HidrografiaLúcio de Castro Soares.

Região Sul (1990) e Região Norte (1991). as edições foram publicadas a medida que iam sendo terminadas. Clima. Transportes. a partir de um planejamento anual definido pelo DEGEO e tendo como organizadora da coleção Solange Tietzmann Silva.Indústria. da Cruz Magnanini. . Vegetação. A última coleção da Geografia do Brasil ficou inacabada em virtude de problemas de editoração que atrasaram demasiadamente a publicação dos volumes do Nordeste e Sudeste. Porém os volumes das demais regiões foram editados a tempo.Ney Rodrigues Inocêncio. Cada volume teria um coordenador geral e um encarregado das análises do quadro natural. que tornaram-se anacrônicos em relação aos dados do censo demográfico de 1991. Atividade Agrária∗ Orlando Valverde (Rivaldo Pinto Guimarães ). Da mesma forma que a coleção da década de 60. Sistema Urbano. O volume do Sul foi coordenado por Olindina Vianna Mesquita e o do Norte. Hidrografia.Amélia Alba Nogueira e Gelson Rangel Lima. Região Centro Oeste Relevo. Energia. Sistema Urbano.Amélia Alba Nogueira. na primeira fase por Sulamita Machado Hammerli. e os não publicados Nordeste e Sudeste.Maria Rita da Silva Guimarães. População. Elvia Roque Steffan e Ayrton Teixeira Almada. um Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente (DERNA) enriquecido com técnicos vindos do RADAM BRASIL. sendo concluído por Olga Buarque de Lima.Fany Rachel Davidovich. que iria também coordenar os demais volumes.José César de Magalhães. Souto Mayor.Edmon Nimer.Lourdes Manhães de M.Ney Rodrigues Inocêncio. Strauch. Sistema UrbanoAluízio Capdeville Duarte. na chefia do departamento. Região Sul Relevo.Edmon Nimer. que faleceu em 1990. Transportes. Clima. pois havia após 1985.José César Magalhães.Ruth Simões Bezerra dos Santos. Indústria. ∗ O nome correto é Rivaldo Pinto de Gusmão.Elza C. Energia. que foram incorporados ao IBGE nas primeiras fases do governo de José Sarney.Ruth da Cruz Magnanini e Ariadne S.Maria Theresa Bessa de Almeida. Atividade Agrária.Armely Therezinha Maricato e Onorina Fátima Ferrari. Hidrografia.Olga Maria Buarque de Lima e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. Indústria. Vegetação.Lindalvo Bezzerra dos Santos.Olindina Vianna Mesquita. de Souza Keller e Ruth L. O primeiro volume lançado foi o da Região Centro-Oeste coordenado por Aluízio Capdeville Duarte em 1989 e tendo como coordenador das análises do quadro natural Trento Natali Filho. População.Maria Therezinha Alves Alonso.

O volume da Região Nordeste foi coordenado por Maristela de Azevedo Brito e o do Sudeste teve dois coordenadores. 1954) e pelo estudo de Orlando Valverde na zona da mata de Minas Gerais (Valverde. Ambos foram concluídos entre 1992 e 1993. mas a falta de técnicos especializados para cuidar dos capítulos. em conjunto com técnicos do Ministério da Agricultura e coordenado no âmbito do CNG por Lindalvo Bezerra dos Santos (IBGE. 1952). acabou por inviabilizar o projeto. em virtude de problemas com a editoração do censo. As análises regionais que enfocaram espaços uma escala de maior detalhe. . podem ser exemplificadas pelo detalhado trabalho de Jorge Zarur. mas não entraram em processo de editoração nesses anos. os estudos da zona de influência da Cachoeira de Paulo Afonso.1952). nos anos do pós-guerra (Zarur. em convênio entre o IBGE e o National Planning Association. e com isso tornaram-se defasados. Foram trabalhos clássicos. sobre a Bacia do Médio São Francisco. através do Inter-American Regional Resourses Project de Washington. o de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. que envolveram vários segmentos da Geografia e que ainda dão uma visão privilegiada das áreas estudadas. Foi tentada uma atualização dos dados em 1994. o de Carlos de Castro Botelho sobre a zona cacaueira do sul da Bahia (Botelho. 1958). 1947). em virtude da grande evasão para a aposentadoria ocorrida nos anos 90. quando comparados aos dados do censo de 1991. Helena Zarur Lucarelli e Roberto Schmidt de Almeida.

Ocupação do Território e Habitat Considerado um tema prioritário para o IBGE durante a Segunda Guerra e nos anos 50. É válido também considerar. Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos. 3. por influência de Michel Rochefort.as formas de transição.as grandes cidades. por estarem agregados aos dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ). os estudos sobre o habitat e o processo de ocupação rural foram gradativamente perdendo força durante a década de 60 e totalmente abandonados nas décadas seguintes. tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1. Max Sorre já havia percebido que a noção de gênero de vida. em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no pós guerra. Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90. tecnocratas ou o nome que se queira dar. 2. devemos ter em mente.a relação Sociedade / Meio. que o forte enfoque econômico adotado por uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a década de 60. Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil. Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão. em virtude dos fortes componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos.2 . com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo. características originais do habitat urbano. pois grandes alterações já eram pressentidas por ele. O problema é antigo e não somente brasileiro.habitat rural. 70 e 80 . asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses . 1949) Para Max Sorre . é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 . que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil. tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ). do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante. (Sorre. encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano. quantitativos.1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal . também tenha contribuído para esse abandono. e que com isso. e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra.habitat urbano e 4. viraram as costas para a Geografia Física. Por hora. marxistas. ser mais discutida do que efetivamente trabalhada. e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache ( 1845. o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat. que ocorreu após 1956.as formas mais evoluídas da habitat urbano .

fenômenos de domínio sobre plantas e animais ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3. que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913: “A Geografia. Glacken. . Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902. Traces of the Rhodian Shore. A principal ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”. que se inspira na idéia de unidade terrestre. Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida. Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida. o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês.elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos. ver Brunhes (1962. escrito nos anos 50.fenômenos de ocupação improdutiva do solo ( casas e caminhos ) 2. originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes. Albert Demangeon e Maximilien Sorre ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat). Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que. instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e a organização social de um grupo. em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1. tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre. a aparência da terra adota”. considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken. desde o século XVIII.IV e V). se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. segundo sua localização. Buttimer (1980:61) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris. III.1967). No entanto.fenômenos de economia destrutiva ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) . Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana. cap. com vistas ao seu sustento cotidiano. A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante.

pode Fremont.. as figuras mais importantes que introduziram esse estudos. além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939. “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa. densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos. ser verificado na obra de Armand Fremont. Da Casa à Região ( ) e regiões. sem dúvida. foram durante o início dos anos 40. Seus trabalhos sobre migrações modernas. indo além dos puramente morfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter. para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon. O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa. é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição. culturais. a Geografia francesa deve a ele . no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat. No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE. Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso. Dos três. que era corrente na época. que faz uma interessante costura desses elementos. reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema.Para Buttimer (1980:86). Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos.. e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional.. Sua preocupação com os aspectos funcionais. as do francês Francis Ruellan. 1942).1980). 1949). na segunda parte do livro denominada: É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro. difusão de doenças. tecnológicos que rege a convivência humana. em paralelo à morfológica. espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre. tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo. inspirou as posteriores investigações de Demangeon. Gradmann e Meitzen. aldeias. ritmos de trabalho. Sorre e Deffontaines. fórmula que. Seu sistema classificatório de aglomerado. dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer . Suas investigações substantivas sobre doenças. aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ).” Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional. Muito embora. turismo.

tanto no título quanto no conteúdo. que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James. explicitamente. somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros. A Geografia do IBGE produziu uma grande quantidade de trabalhos que poderiam ser classificados em cinco grandes grupos. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). Preston James estudou. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida ( Waibel 1949). discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. sua vinda em 1946. Merece também destaque o trabalho de Nilo Bernardes (1957) por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos. pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização. Os Estudos Clássicos sobre Habitat Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa. Dessas figuras. um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra. Os americanos. fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural daquela região (Guerra. trataram do tema. seus alunos em Winsconsin. o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e . em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. 1994: 440). e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers . é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que. Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico. Clarence Jones e Preston James também trabalharam com o tema colonização. encarada aqui em seu sentido mais amplo. Lynn Smith. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo. Na década de 70. 1955). o problema de colonização. uso da terra e gênero de vida. além de um assunto muito especializado. em períodos diferentes. alguns geógrafos regionais.além dos americanos Robert Platt. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. 1960). a mais importante foi Leo Waibel. criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida. que trabalha com certas características do habitat para determinação de setores censitários nos recenseamentos demográficos e agropecuário. Nesse grupo. pode ser entendida como uma ação de planejamento do governo federal visando o conhecimento de novas áreas para uma futura onda de colonização decorrente do pós guerra. os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas. Jones e Preston James ( Pereira. Clarence F.

que Leo Waibel havia estudado em 1949. Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes. 1949) sobre uma colônia alemã -Uvá. mas mostra uma clara tendência para a relação entre a geografia agrária e os processos de povoamento e de estruturação econômica que as acompanham.1952). incluindo um. 1952. de cunho didático. (Faissol. transcrito no Boletim Geográfico . que será tratado no próximo conjunto. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional no início da década de 60 com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa. Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia É o mais eclético e amplo de todos. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos. 1952). geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas.1950. aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos impulsionadores do povoamento. Sem sombra de dúvida. O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados. além do livro O Mato Grosso de Goiás.1955). um guia de referência importante até hoje. 1970).colonização européia no Sul do Brasil . O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida. 1949). o trabalho mais importante é o de Leo Waibel. O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último. artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951. O artigo de Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel. tratando do mesmo assunto . Os artigos de Speridião Faissol iniciam com o seu primeiro trabalho publicado na RBG.na Região do Mato Grosso de Goiás. o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. 1952 ). o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers de 1953. escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização . analisou o processo de colonização em Alagoas. mais recente (1967).o sudoeste paranaense. 1967) sendo que um deles (1952).1963) e na década seguinte (Corrêa.sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil. além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado. que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel. Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida Esse conjunto congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. sendo pois. que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol.

o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil. o grande clássico sobre o assunto é o livro de Antônio Cândido (1964) . Destaque-se também a grande produção individual de Orlando Valverde abrangendo praticamente todas as regiões do país. Na medida do possível. Como no trabalho de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler. 1967). ou para os aspectos culturais advindos de grupos étnicos minoritários. o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes.1957). 1968.além de outros em co-autoria (Valverde e Mesquita. 1967). tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano.1957). Além desses. 1955. Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Cultural No contexto da tipologia seguida. 1958.1962) são alguns exemplos representativos desses clássicos do IBGE. com trabalhos que cobrem diferentes tipos de vida econômica (Valverde. indubitavelmente. Os títulos de maior destaque foram dois artigos de Orlando Valverde. um explicando o que é Antropogeografia (Valverde. que o trabalho se orientasse por um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida. 1952) e o de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde. ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. quanto como regional. Valverde e Dias. devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat. 1957. 1960). pesquisa realizada no município de Bofete (SP). . foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo. 1959). 1989). esse foi o grupo que mais causou dúvidas. além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde. 1961. como por exemplo: um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes. os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado. além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema. Fora do campo geográfico. para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde.(James. uma atividade rural. também aparecem trabalhos que.

talvez não estivessem preocupados. As questões sobre loteamentos. está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida. o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia. Nesse grupo destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger. mudanças de atividades agrícolas. com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala. pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna. Geiger & Santos. já que na área urbana contínua. A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. 1959). o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo. baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial. 1956).a área periférica das metrópoles. Nesse procedimento. A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais. . a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares.1956. As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância. Geiger & Coelho. ver Derruau (1964: 384-87). Isto é. com esteve Sorre. e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok. 1954).Estudos de Periferia Rural/Urbana A principal razão da inclusão desse grupo de estudos. 1968). 1952 e 1956. ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro. mas mesmo assim. a delimitação dos setores censitários. Além desses. passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ). deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat . no pós-guerra. Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos. cristalização de hábitos rurais e resistências às mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos. 1967). está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações.

. nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana. Sebastiana Brito (socióloga) e Sonia Rocha (economista). coloca em discussão o tema. os limites do perímetro urbano legal. de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei. de natureza urbana... para que os planejadores dos próximos. repartição da PEA segundo setores de atividade. Brito. (Fredrich. dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração. canteiros de grandes obras. dos assentamentos que são. . “. dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios. A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários. Rocha. possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos .PEA ). O trabalho de Olga Maria Buarque de Lima Fredrich (geógrafa) . O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo. que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país. vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho. ou seja. Uma primeira limitação. publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE... etc. densidade.. na verdade. a conceituação adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado.No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas justificativas as autoras colocam que. 1983). Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão.) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa . cuja expansão ultrapassa. é sempre passível de alterações de censo para censo.” Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”. a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais. o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos . No caso dos aglomerados isolados.IBGE. muitas vezes... A proposta deixada no artigo pelas autoras. se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais. que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios. nos levantamentos censitários. por que nas palavras das autoras : “.

Modalidade muito comum nos congressos de Geografia. Ignez de Moraes Costa. Uma outra exceção pode ser atribuída ao artigo de Fany Davidovich sobre a industrialização de um centro periférico à metrópole de São Paulo no início dos anos 60. como no caso do trabalho de Milton Santos (na época professor da Universidade da Bahia) que publicou na RBG um importante trabalho sobre localização industrial na cidade de Salvador. o que garantiu uma alta qualidade ao texto. Maria Luiza Gomes Vicente. priorizando o Nordeste via adoção de incentivos fiscais para implantação de parques industriais nas suas duas maiores metrópoles. a segunda metrópole nordestina. Além de Pedro Geiger.Industrialização A Geografia do IBGE enfocando o processo industrial em escala regional inicia sua atuação com o artigo de um grupo de pesquisas coordenado por Pedro Geiger em 1963. Maria Elisabeth Corrêa de Sá. é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente. 3 . Para o planejamento.demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. as fotos dos arquivos do CNG dão uma incrível visão do processo de industrialização no início dos anos 60. que no final dos anos 50 já possuía um parque bem diversificado (Santos. o mais completo quadro da industrialização brasileira no início dos anos 60. Tais políticas gerenciadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) não deram ao longo daqueles anos. Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat. Mas alguma exceções foram importantes. 1958). . por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”. José César de Magalhães. A década de 60 caracterizou-se por uma tentativa de ampliação das políticas de descentralização industrial que visavam diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras. trabalhos monográficos que enfocavam um centro muito especializado. Além disso. Cabendo a Fany Davidovich a redação final do artigo. José Carneiro Felipe Filho. 1966) . Recife e Salvador. resultados que pudessem ser sentidos claramente por suas economias. Maria Lúcia Meireles de Almeida. Fany Davidovich. mas que foi inicialmente orientado por Michel Rochefort em 1961. sem sombra de dúvidas. Jundiaí. É importante frisar que estamos tratando de estudos que operavam na escala regional ou nacional. O estudo trabalhava com o processo de industrialização da região sudeste e é. tornando-o um clássico na modalidade. compunham o grupo nove geógrafos. pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural. evitando sempre que possível. (Davidovich. Ney Julião Barroso e Salomão Turnowski.

o interesse pelos processos de localização industrial na escala de região metropolitana também levou outros geógrafos do IBGE a estudarem as relações entre localização e migração de indústrias e suas estruturas de fluxos de matérias prima e de produtos finais entre a região metropolitana alvo e as diversas escalas espaciais possíveis. (Baer. Durante toda a década de 90 esses dois autores dedicaram-se aos estudos de localização e de tipologia industrial nas escalas regional e nacional. fazendo uma comparação em dois períodos de tempo (1970 e 1980). Foram trabalhadas as regiões Norte ( Almeida e Ribeiro. a socióloga Zélia de Morais e a economista Helena Castelo Branco (Geiger et alli. ao trabalharem no módulo Industrialização do Atlas Nacional do Brasil de 1992. 1991a. Um cenário alternativo a esses estudos foi tentado na Região Nordeste (Almeida e Ribeiro. 1980) e Ribeiro deu continuidade ao assunto trabalhando com a RM de Salvador para sua tese de mestrado em Geografia na UFRJ ( Ribeiro. associação que acabou por gerar um dos melhores artigos de avaliação das políticas de incentivo fiscais para a indústria no Nordeste brasileiro. conforme estudado por Milton Santos em seu já clássico O Espaço Dividido (Santos. Mas esse tipo de análise mascarava muitos processos industriais que ocorrem em escalas mais locais e que tradicionalmente não são estudados por técnicos do governo federal. b). levou-o a estudar o processo de concentração geográfica dos estabelecimentos industriais. Na mesma época. Roberto Schmidt de Almeida e Miguel Ângelo Campos Ribeiro iniciaram seus estudos pela região metropolitana de Recife (Almeida e Ribeiro. 1995). juntamente com mais três colaboradoras a geógrafa Ciléia da Silva. 1995) e na escala nacional. 1991a) e estava ligado aos padrões de localização dos pequenos e médios estabelecimentos de algumas atividades industriais do segmento regional nordestino. .No contexto das relações interdisciplinares que o IBGE tentou implementar nos anos 70 a associação entre o geógrafo Pedro Geiger e o economista teuto-americano Werner Baer no DEGEO. O objetivo principal desses trabalhos era verificar o grau de concentração / diversificação do processo industrial brasileiro e comparalo interregionalmente. local. Nordeste ( Almeida e Ribeiro. estadual. 1976). A principal preocupação era avaliar a dinâmica espacial dessas indústrias que costumam compor o grupo de empresas do “circuito inferior” da economia urbana. 1982). mostrando sua ineficácia e indicando claramente a persistência das desigualdades regionais apesar do grande volume de recursos despendido na década anterior. Geiger et alli. resultou num artigo no número especial do Caderno de Geociências dedicado à algumas análises do mapeamento do ANB. regional e nacional. 1979). A continuidade do interesse de Pedro Geiger pelos processos industriais que estavam em curso em várias áreas do país. mas analisando-as num contexto regional. 1993. Sudeste (Almeida e Ribeiro. 1980).

(Davidovich e Cardoso. Roberto Lobato Corrêa (1968 e 1989) no que tange . Com a denominação de Áreas Industriais: uma proposta de inovação na produção de estatísticas. Óleos Vegetais. por vezes não contíguos. misturados com os estudos de polarização e. 1982). Fabricação de Redes. Muito embora. uma análise como essa abre grandes possibilidades de se entender o que fica fora de foco em regiões de desenvolvimento incipiente. as vezes. Mas se adotar-mos uma classificação bem livre. Os resultados palpáveis de uma trabalho como este deverão vir a tona com os novos bancos de dados industriais que estão sendo gestados na Diretoria de Pesquisas em substituição aos antigos censos industriais que foram interrompidos na década de 90. 1969) e os que analisaram os fatores que poderiam compor as aglomerações urbanas brasileiras (Davidovich e Lima. 1944) até os estudos sobre a constituição das Áreas Metropolitanas (IBGE. de Oliveira e Luisa Maria La Croix. Artefatos de Selaria. ou municípios isolados. economista que sempre operou no ambiente das estatísticas industriais do IBGE. foi o resultado dessa combinação de saberes. de áreas industriais: “recortes territoriais onde é significativa a atividade industrial. em outros casos. Ainda no contexto dos estudos de estrutura industrial ocorridos na década de 90. Quando comparado aos convencionais trabalhos tipológicos que operam com os grandes gêneros industriais. as contribuições de Nice Lecoq Müller (1968). com os de industrialização. pois apresentam-se. com perfil de especialização específico. A segunda. O objetivo fundamental desse trabalho era de contribuir com o Sistema Estatístico Nacional (SEN). Açúcar Bruto e Rapadura. que poderiam estar tendendo a concentração.” (Oliveira e La Croix. Aguardente. e cuja estrutura produtiva é similar ou complementar.Foram analisados oito tipos de indústrias: Preparação de Fumo. a primeira. pode gerar alguma controvérsia.Urbanização O que se convencionou denominar de trabalhos ligados ao estudo da urbanização brasileira na área de Geografia do IBGE. em nível nacional. gerando a proposta de uma espacialização. após um exaustivo trabalho de filtragem nos censos industriais de 70 e 80 e verificada a evolução dos seus padrões espaciais de distribuição. gerando bases operacionais que agilizem a realização da coleta e diminuam os custos de produção dos dados. o mais completo trabalho interdisciplinar entre Geografia e Estatística foi levado a efeito por Evangelina Xavier G. setorialmente. será possível traçar a trajetória desses trabalhos desde os de Pierre Deffontaines sobre as cidades brasileiras (Deffontaines. Artigos Pirotécnicos. 1975). 1994). 4. possuindo um amplo domínio sobre elas. 1982). dispersão e a estabilidade no território nordestino. ( Lima Fredrich e Davidovich. Farinha de Mandioca. geógrafa da geração quantitativa e que sempre trabalhou com essas técnicas. identificando-se conjuntos de municípios vizinhos.

No caso de São Paulo.aos estudos de redes urbanas e o de Maurício Abreu (1994) que tratou dos trabalhos que operaram na escala intra-urbana são. continua na seguinte com A Geografia Urbana e sua . as vias de comunicações e o abastecimento. No contexto americano Chauncy Harris e Edward Ullman publicaram em 1945 The Nature of Cities que enfocava de maneira bem semelhante esse tipo de classificação – cidades como localidades centrais. devidamente anotada por Lysia Bernardes e publicada no Beletim Geográfico 184 (Deffontaines. ruínas de cidades pelas via férreas.2 n.2 a v. cidades estações ferroviárias e as bocas de sertão).4). Deffontaines também analisa o critério função. as melhores avaliações sobre o tema Geografia Urbana brasileira feitos até o final do século XX. Deffontaines produziu em 1938. o processo de ocupação do solo. as cidades da navegação. as cidades mineiras. cidades como pontos de concentração de serviços especializados. Quando se pesquisa a estrutura de sumários da RBG verifica-se que o primeiro brasileiro a estruturar um conjunto de quatro artigos sobre Geografia Urbana nos primeiros volumes da revista.1 v. ao analisar as duas maiores cidades do Brasil enfocando a posição e o sítio. as cidades nas estradas: pousos. 34-46. 1940. 1944).3 n. aglomerações de origem militar.1 n. Deffontaines voltou a tratar do assunto especificamente sobre o Rio de Janeiro. apresenta uma classificação de cidades brasileiras de acordo com suas funções (as reduções missionárias. com os seus principais produtores. com o título de Como se Constituiu no Brasil a Rede de Cidades que. em virtude de sua estrutura industrial que já se organizava nos municípios periféricos São Caetano. Santo André e São Bernardo do Campo. O geógrafo francês Pierre Deffontaines foi o iniciador desses estudos em seu artigo A Geografia Humana do Brasil (1939) no capítulo III. sem sombra de dúvidas. 1971). Ainda sobre a questão do binômio sítio/posição. foi o engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal Jeronymo Cavalcanti. o microclima. Silva que havia enfocado a Geografia dos Transportes na escala de Brasil em 11 números consecutivos (RBG v. um artigo para o Bulletin de la Societé de Géographie de Lille . p.2./dez. cidades como ponto de transbordo. posteriormente traduzido por Orlando Valverde para o Boletim Geográfico (Deffontaines. O que importa aqui é dar ao leitor desta saga ibegeana um quadro de referência sobre as principais linhas de trabalho da Geografia Urbana no IBGE. numa conferência pronunciada em 1959.4 out. Jeronymo Cavalcanti inicia sua série com o artigo A Geografia e a sua influência sobre o Urbanismo na RBG v. 1965). publicado na RBG n. A segunda parte tratou da estrutura interna das cidades dentro dos conceitos da escola de sociologia urbana de Chicago (Harris e Ullman.. numa composição semelhante a do também engenheiro Moacir F. Ainda no campo do estudo de funções urbanas.

utilizando uma vasta bibliografia americana e francesa e estabelecendo comparações entre continentes.3 n. Na escala intra-urbana o trabalho de Everardo Backheuser (RBG v.7 n.6 n.6 n. 1942 com A Geografia Urbana e sua influência sobre o Urbanismo superficial e subterrâneo. baseados na classificação de tamanho funcional gerada pela técnica de análise fatorial./mar./dez. na RBG v. É claramente um precursor dos trabalhos desenvolvidos por Speridião Faissol na década de 70. 1944) sobre comércio ambulante e as ocupações de rua no Rio de Janeiro apresenta-se como pioneiro neste campo. inclusive organizando parte da solenidade do batismo cultural da cidade.6 n. assistente técnico do CNG nas RBG v.3 jul.1 jan.4 out./dez. 1940 e RBG v. O mesmo Moacir F.influência sobre o saneamento das cidades (RBG v.8 n.3 n. 1941. 1944). saneamento (abastecimento e esgotamento sanitário) e estrutura geológica e vegetação (suas relações com a engenharia civil e o paisagismo)./set.4 out.3 jul. O primeiro tratou sobre as questões ligadas à posição e ao sítio e sobre as condições morfológicas que beneficiam ou restringem a expansão urbana. 1941 apresenta A Geografia Urbana e sua influência no tráfego e finaliza a série na RBG v. Silva apresentou na RBG v. A construção de Goiânia. foi estudada por Aroldo de Azevedo. 1941). Durante o decorrer da década de 40 o estudo da Geografia Urbana esteve mais ligado aos trabalhos monográficos sobre certos centros urbanos que mereciam destaque por alguma característica específica os exemplos de Caxambú e Lambari trabalhados pelo engenheiro Virgílio Correa Filho. onde o CNG teve uma importante participação./set. Silva sobre as redes de distribuição de energia para a iluminação pública no Rio de Janeiro deu uma continuidade aos trabalhos anteriores de Jeronymo Cavalcanti (RBG v.3 n. professor da USP e editada na RBG v.1 jan. e o de Águas de São Pedro produzido por Sílvio Fróis de Abreu. consultor técnico do CNG na RBG v.9 n. os demais são artigos que enfocam a distribuição espacial dos equipamentos básicos no contexto intraurbano.1 jan. Tráfego (analisado sob o aspecto dos meios de transporte e da malha viária). 1944.2 n. plantas urbanas e arquiteturais e desenhos.4 n. para um melhor entendimento do que era considerado pelos planejadores urbanos no final da década de 30 e início dos anos 40. 1947./mar.1 jan. Todos os artigos são ricamente documentados com fotos. e o de Moacir F. Esta série deve ser seriamente considerada como elemento de estudos nos cursos de história da Geografia Urbana ou do Urbanismo atuais./set./mar. Orlando Valverde também deu sua contribuição aos estudos monográficos. através de sua segunda contribuição acadêmica na revista com os ensaios sobre Pirapora e Lapa (RBG v.1 jan./mar.3 jul. analisando o desenvolvimento dessas estâncias hidrominerais.4 out. 1946 o primeiro artigo enfocando a questão da tipologia urbana como um resultado compósito de vários fatores como tamanho populacional e função./mar. 1945). ./dez.

O período compreendido entre 1956 e 1968 marca uma fase de intensos trabalhos na área de Geografia Urbana. O XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro chamou a atenção da comunidade internacional da Geografia para uma agência de planejamento estatístico e territorial que possuía uma equipe de profissionais de alto nível. 1954) o processo evolutivo dessa área.1956).16 n. naquele período. Preston James. além de correlacionar explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. Jean Tricart e outros). Nice Lecocq Müller (1968) ao avaliar o estado da arte ds estudos de Geografia Urbana no Brasil durante o Simpósio de Geografia Urbana do IPGH. além de um capítulo sobre a mais nova experiência urbana brasileira da época. treinados Francis Ruellan desde 1940 e por Leo Waibel entre 1945 e 1950. no entanto será importante citar os artigos de Christóvão Leite de Castro sobre o processo (Castro. realizado em Buenos Aires em 1966. Para se ter uma avaliação aproximada de seu poder de produção geográfica. Brasília. o mais completo trabalho sobre o processo de urbanização brasileiro feito nos anos 60.Na segunda metade da década de 40. Com um sumário que abrangia tanto o processo. pois geraram muita polêmica no contexto das relações do IBGE com a Presidência da República. quanto a tipologia. . os estudos visando a transferência da capital do Brasil para algum ponto do interior brasileiro geraram artigos que estavam mais vinculados aos aspectos regionais do que propriamente o novo sítio. 1956) ao tratar de estudos rurais. e em co-autoria com Myriam Gomes Coelho (Geiger e Coelho. já insere algumas questões relacionadas ao espaço peri-urbano. além e de receberem freqüentemente visitas técnicas de pesquisadores especializados (Emmanuel de Martonne. Pierre Dansereau. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. mas que também cobria todo o espectro das grandes aglomerações urbanas brasileiras em termos de exemplos./set. Seus trabalhos de total ligação com a Geografia urbana e industrial podem ser percebidos nas análises do processo de urbanização da Baixada Fluminense em seus setores da orla oriental da Baía de Guanabara (Geiger. Na década de 50 iniciam-se as contribuições de Pedro Geiger enfocando ainda um contexto peri-urbano na Baixada Fluminense com o trabalho sobre loteamentos (Geiger. 1946 e 1947). 1956 ) e na região setentrional (Geiger. Definindo as metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. 1952). a maioria com treinamento especializado em universidades no exterior (França e Estados Unidos). Em 1963. detectou cinco que tratavam especificamente do tema também escritos por ele entre 1957 e 1964. analisa com a co-autoria de Ruth Lyra Simões (RBG v. Clarence Field Jones. Geiger edita pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais o clássico Evolução da Rede Urbana Brasileira. listou 10 trabalhos de Geiger realizados entre 1952 e 1963 e Roberto Corrêa (1968) ao avaliar os estudos sobre redes urbanas no brasil até 1965 no mesmo Simpósio.3 jul. formados por Pierre Deffontaines nas fases iniciais.

RBG v. Maria Francisca Cardoso trabalhou também na área de divulgação de assuntos geográficos e orientou a estrutura de cursos de aperfeiçoamento durante o início dos anos 80./set. e em particular com os estudos das relações entre cidades e suas regiões de influência. No campo dos estudos das relações campo-cidade alguns geógrafos também foram importantes.17 n. após um período trabalhando com Geomorfologia.1964) é. Roberto explicita quem foram seus principais orientadores e referências metodológicas. 1969) e que também coordenou. Sua colaboração com Lysia Bernardes e Pedro Geiger na década de 60.29 n..4 out.31 n. 1967). trabalhando com a técnica de mercados mínimos para medir desequilíbrios intra-regionais (RBG v. . sem dúvida../jun. 1979). retorna as pesquisas urbanas na década de 60 com dois trabalhos sobre área de influência de cidades médias nordestinas Campina Grande (RBG v.25 n. Em seu depoimento para esta pesquisa. “ Olha eu devo meu crescimento para profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. 1970) e no final da década em Minas Gerais. retornou à pesquisa geográfica. Elza Coelho de Souza Keller que em 1969 publicou um artigo sobre as funções regionais e a zona de influência da cidade de Campinas (RBG v./mar. inicia-se na década de 60. A vinculação de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa com a Geografia Urbana. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo./dez.4 out.4 out.32 n.1 jan. usando os ensinamentos de Michel Rochefort ( 1957 ) no trato de questões sobre sistemas de cidades. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. dois que trabalharam sistematicamente no assunto: Maria Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e a terceira. A produção de Maria Francisca na Revista Brasileira de Geografia enfocando os estudos urbanos inicia-se na década de 50. com um trabalho sobre a cidade de Cataguases .27 n.41 n. a mais importante pesquisa feita nesse período. trabalhando em análise regional e aposentou-se em 1991.. Na década de 70 trabalha com planejamento de polos de desenvolvimento no Nordeste (RBG v. através da avaliação do setor terciário das cidades envolvidas. principalmente no que se referia aos processos de determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional./dez 1955)./mar. no contexto de pesquisas que adotaram o método de Michel Rochefort de avaliação de redes urbanas. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lysia Bernardes. deste conjunto destacam-se três. 2 abr.Um dos geógrafos que passou a trabalhar com a equipe do CNG nos estudos de urbanização foi Michel Rochefort. 1965) e um específico de intra-urbana sobre a feira de Caruaru (RBG v. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. O trabalho sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (Bernardes L./dez. isso foi no período de 59 a 62. 1963) e Carauaru (RBG v. juntamente com Pedro Geiger. sobretudo a ela. deixou um legado de formação de técnicos e de adoção de metodologias nos estudos urbanos e industriais que ainda não foi totalmente substituído.1 jan.MG (Cardoso.3 jul. o primeiro projeto de delimitação das regiões funcionais urbanas de 1972.

a “Tradicional” de inspiração francesa. Seus principais trabalhos em cada dessas fases foram Cidade e Região no Sudoeste Paranaense (RBG v. outro.. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes.51 n. Lysia Bernardes. ao ter elaborado dois trabalhos de análise do “estado da arte” sobre o tema de redes urbanas./mar. A principal característica da trajetória profissional de Roberto Lobato Corrêa na Geografia Urbana brasileira foi sua total inserção nas quatro correntes metodológicas por que passou a Geografia Urbana no IBGE. 1988) e.3 jul. com a publicação do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa. organizada por Milton Santos em 1982. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil.29 n. . foi também mostrada na epígrafe do seu segundo artigo de avaliação da produção geográfica sobre redes urbanas (RBG v. a de “Planejamento Urbano”. 1997). dos anos 60. no final dos anos 60..32 n. a “Quantitativa” de inspiração anglo-americana dos anos 70 e a “Marxista” dos anos 80. coroando sua vida profissional. o capítulo Sistema Urbano do volume Região Sudeste de 1977 em co-autoria com Olga Maria Buarque de Lima e sua tese de mestrado em Chicago. 1989:113). foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lysia Bernardes sem a menor dúvida. 1970) na fase “Tradicional”. deveriam ser objeto de estudos no futuro (Corrêa. entre 1956 e 1964. 1967) em coautoria com Rubens de Mattos Ferreira do EPEA. 1989). meu foco de interesse já havia mudado desde 196l.1 jan. A Milton Santos. Fany Rachel Davidovich e Pedro Pinchas Geiger. Região./jun. paralelamente. Espaço Urbano.2 abr. uma coletânea de seus principais trabalhos em segmentos de pesquisa da Geografia (Redes. Outra constatação sobre essas influências. o que a Lysia fazia sob orientação do Michel Rochefort./set.. Pedro Geiger e Elza Keller que. também de inspiração francesa sob a orientação de Michel Rochefort. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. “A Monbeig e Rochefort que lançaram a semente. e também propositivo. quando eu fui trabalhar com Lysia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. orientada por Brian Berry Variations in Central Place System: ana analysis of the effects of population densities and income levels em 1974 na fase “Quantitativa” e Repensando a Teoria das Localidades Centrais na coletânea Novos Rumos da Geografia Brasileira. Espaço e Empresa e Espaço. Tempo e Cultura). fizeram-na germinar” Sua produção pode ser avaliada de várias formas. mas ele mesmo foi o seu mais completo avaliador.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA). de enfoque analítico sobre as diferentes abordagens dos estudiosos ao tema. eu já acompanhava de perto e namorando. na fase “Marxista”.De certa forma.. um no final dos anos 60 (Corrêa. 1968) e outro no final dos anos 80 (Corrêa. ao elencar algumas linhas de pesquisas que. Estudos Básicos para a Definição de Pólos de Desenvolvimento no Brasil (RBG n. na fase de “Planejamento Urbano”. a seu ver.

atualmente leciona na UFRJ. juntamente com Olga Buarque de Lima e Maria Francisca Cardoso elaboram o projeto de aglomerações urbanas (RBG v.2 abr.4 out.43 n./set. (RBG v.2 abr. 1975. a rede de centros de distribuição e a rede de centros de gestão (Ribeiro. v.36 n. 1986./jun./set. analisando o papel complementar das pequenas cidades na composição das redes urbanas e exemplifica certas áreas no Brasil./jun. v. abrindo com isso canais de comunicação mais efetivos entre as áreas de planejamento urbano situadas em agências como o SERFHAU ou o Ministério de Urbanismo e o IBGE. 1999). sobre a rede urbana da Amazônia.1 jan./mar.1967). v. 1976./dez./set. elabora paralelamente. que havia colaborado neste assunto no relatório do projeto Diagnóstico da Amazônia Legal para a Secretaria de Assuntos Estratégicos em 1995 e elaborou sua tese de doutoramento./mar.29 n.40 n. apoiados em técnicas quantitativas as mais diversas.40 n.49 n. alguns trabalhos teóricos e de orientação de políticas sobre o processo de urbanização. e o segundo foi Fany Rachel Davidovich.1 jan./jun. com um artigo em co-autoria com Pedro Geiger Aspectos do Fato Urbano no Brasil. que contribuiu enormemente com seus trabalhos e relatórios.Num de seus últimos trabalhos publicado na Território . 1969). Os estudos de redes no IBGE foi continuado nos anos 90 pela equipe do projeto Regiões de Influência das Cidades e individualmente por Miguel Ângelo Campos Ribeiro. estuda os fluxos de bens e pessoas no processo de regionalização urbana (RBG v. quanto para pesquisas de futuras teses universitárias(Corrêa. v. 1983. . v./mar. v.3 jul.38 n.1 jan.1978). participa do grupo de trabalho sobre a definição de pólos de desenvolvimento (RBG v./mar. A produção técnica de Fany na RBG inicia-se em 1961. 1974. trabalha com redes urbanas no Nordeste em dois momentos distintos (RBG v.45 n. 2 abr.2 abr. O primeiro foi Speridião Faissol e sua equipe. 1977./jun.33 n.2 abr. v. 1978.37 n. orientado por Roberto Lobato Corrêa.31 n. que tendiam a explicar em termos mais políticos do que técnicos os processos de urbanização./dez.48 n. 1961)./mar 1981.1jan. 1987)./jun. transita pelos estudos de Geografia industrial em 1966. Uma linha de pesquisa altamente promissora. 1971 e v. v. trabalhando a justaposição de três tipos de redes: a rede do centros de produção. 1987. que a fizeram conhecida no ambiente de planejamento urbano federal (RBG v.44 n. Miguel Ângelo Ribeiro aposentou-se em 1999 e atualmente leciona na UERJ.1 jan. que geraram uma grande série de análises sobre a estrutura urbana brasileira.23 n. 1982). Fany ingressou no IBGE em 1943 e afastou-se em 1945 ao casar-se. 3 jul. Roberto retoma a questão da rede urbana sob o novo contexto da globalização.3 jul./mar.49 n.4 out. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira no IBGE em 1959 e aposentou-se em 1993.39 n.1 jan. tanto para trabalhos no âmbito do IBGE. v. A área de análises sobre o processo de urbanização foi a arena de dois profissionais que produziram dois tipos de trabalhos bem distintos. mas que geraram uma boa complementaridade aos olhos dos outros técnicos da área de planejamento federal. 1998).

desenvolvimento econômico.retornou em 1960 e aposentou-se pela compulsória em 1992. gerando o fator tamanho funcional. Marilourdes L. 1978). Cole. embora alguns outros tenham também utilizado essas técnicas. A produção geográfica de Speridião Faissol sobre a urbanização brasileira foi muito extensa. análise discriminante. coletânea de artigos de 15 geógrafos e economistas brasileiros sob orientação de Faissol. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Faissol. L. teoria. J. . mas continua a produzir como consultora em diversas agências de governo. Oliveira. 1972). 1971) preocupado em estabelecer uma base mensurável para Teoria dos Lugares Centrais definida em 1933 por Walter Christaller (1966) e John P. ao correlacionar tamanho populacional com características funcionais. 1985. Roberto Lobato e Hilda da Silva foram para os USA . Pedro P. especialmente as análises multivariadas que conjugavam conjuntos de variáveis demográficas e econômicas a um grupo de lugares (cidades) e espacializavam as correlações que emergiam do algoritmo (Cole. coordenador do Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). além disso. passando pelas técnicas de análise fatorial. Brown. Dacey. A RBG 47 (1/2) jan. geógrafo norte-americano com especialização em Geografia dos Mercados de Varejo (Berry. entre 1970 e 1978. . migrações internas. foram os profissionais do IBGE que mais se dedicaram ao estudo dos novos métodos. muito citado nos trabalhos do período (Faissol./jun. . . de Lima. Olga Maria B. O envolvimento de alguns geógrafos do IBGE com a Geografia Quantitativa sob a liderança de Faissol. Perroux. geógrafo inglês especializado em métodos quantitativos. além de escrever. G. Ferreira. caracterizavam-se pela tentativa de absorção dos métodos quantitativos. análise regional. . Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. Geiger. Os trabalhos da fase “ urbana” de Speridão Faissol e sua equipe. que organizou a estrutura dos capítulos que vão da teorização. seguiram para Inglaterra. que foram mais explorados no contexto dos trabalhos classificatórios de centros urbanos. Além de Speridião Faissol. Tendências Atuais na Geografia Urbano /Regional: teorização e quantificação (Faissol.. correlação . M. F. B. e trabalho de seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. análise de agrupamento. também organizar congressos e simpósios para divulgar os métodos quantitativos na Geografia e de editar coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados a essas técnicas. principalmente no contexto dos estudos dos sistemas urbanos da coleção Geografia do Brasil de 1977. Lasuen. se deu através de Brian Berry. Faissol mostrou uma impressionante capacidade de. Olga e posteriormente Evangelina.1975). 1972). Hilda da Silva. Evangelina Xavier G. lista 20 trabalhos sobre urbanização. Olsson. Roberto Lobato Corrêa.( Hilda veio a falecer em Chicago no período do doutoramento em 1975).

apresentada no I Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 1989 em São Paulo e publicada na RBG v. outro tipo de pesquisa obrigou a Geografia Urbana do IBGE a trabalhar numa escala quase local para o estabelecimento das nove áreas metropolitanas brasileiras (RBG v.canônica. O grupo. na década de 40. mas se foram realizadas por profissionais da casa. Um exemplo disso foram as teses de pós-graduação que foram editadas pelas respectivas universidades. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações. foram consideradas como trabalho da Geografia do IBGE. 1968) e ao livro didático de Ceçary Amazonas sobre a Guanabara (Amazonas. 1965./dez. Mais uma vez a liderança de Faissol se fez notar. com uma série de 15 trabalhos no Boletim Geográfico sobre aspectos geográficos da cidade do Rio de Janeiro. Apesar da estruturação dos tópicos apresentados não se encaixarem totalmente nos propósitos desta pesquisa. ainda no contexto das comemorações do 4 Centenário da Cidade ocorrido em 1965. 50 trabalhos versando sobre os estudos intraurbanos e de autoria de profissionais de fora do IBGE foram verificados na bibliografia o . por ocasião da publicação. restringiamse aos cursos de Geografia Urbana que tratavam da cidade do Rio de Janeiro (IBGE. em virtude deles estarem efetivamente trabalhando no órgão. Foram detectados 158 trabalhos realizados por geógrafos do IBGE dentro e fora do contexto editorial da casa. quanto em outras publicações. e muitos projetos foram desenvolvidos na escala intra-urbana. Por outro lado.31 n. 1/4 (Abreu. seu rastreamento bibliográfico foi de suma importância na avaliação dos estudos dos ibegeanos no que concerniu às pesquisas intra-urbanas. Normalmente as incursões dos geógrafos da Divisão de Geografia neste assunto. sobre a área central do Rio de Janeiro. para subsidiar o segmento de estudos do processo de metropolização e de aglomerações urbanas.4 out. foi coordenada por Aluízio Capdeville Duarte em 1967. que também foram computadas. 56 n. composto de 13 pesquisadores colaboraram com 14 textos que explicavam as diferentes funções dessa área do Rio de Janeiro e analisavam alguns processos de transformação urbana ocorridos na década de 60. cadeia de Markov. Outra área dos estudos urbanos que. profissionais da agência escreveram. tanto em publicações editadas pelo IBGE ou em co-produção. 1974). Além dos quatro trabalhos precursores de Jeronymo Cavalcanti e da atuação de Everardo Backheuser. 1994) O Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação. gerou muitos subsídios para o planejamento urbano foi a pesquisa intra-urbana. A melhor fonte para análise desses trabalhos realizados por pesquisadores do IBGE foi a revisão feita por Maurício Abreu no final dos anos 80. a primeira grande pesquisa realizada por um grupo da Divisão de Geografia. 1969). isto é. No final dos anos 60. que normalmente abrange o Brasil e suas macrorregiões. embora não esteja enquadrada na escala de atuação de uma agência do governo federal.

. Cruz e Bahiana. 1983 1983/84). experimentaram técnicas estatísticas mais sofisticadas para estudar questões como concentração. que no DEGEO e na UFRJ. (Bezerra e Cruz. (O’Neill. J. 1982). D. com tendo sido publicados sob a chancela do IBGE. 1986/87). 1988). Durante as décadas de 70 e 80..1979.rastreada por Maurício Abreu. (Massena. Deste grupo. Foram trabalhos que iniciaram uma aproximação maior com questões teóricas como o modelo de Von Thunen (Mesquita. Tal contagem foi importante para se acabar com a falsa impressão de que os estudos intraurbanos não eram considerados prioritários pela alta direção da agência. et al. principalmente o Rio de Janeiro. mas dará ênfase aos estudos empreendidos a partir da década de 60. favelização. N. (Corrêa. públicos e privados e exemplificar suas ações (Bahiana.1983. onde a preocupação com os processos de modernização das atividades ligadas ao mundo rural foram mais explicitadas. 1980. que trabalhou intensamente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles brasileiras e David Michael Vetter (economista do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE). 1981) e de estudar outros aspectos vinculados a estrutura intra-urbana de nossas cidades. 1982.1986). (O’Neill e Natal. na maioria dos casos. orientou a maioria dos pesquisadores que desenvolveram teses e trabalhos internos sobre a estrutura interna das cidades. (Mello. 1979. Os trabalhos anteriores de Geografia Agrária. mobilidade urbana. em revistas ou em edições monográficas. (Almeida. 1983). que além de trabalhar complementarmente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles. três personagens foram importantíssimos na orientação dessas pesquisas Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. muitos desses 158 trabalhos de pesquisadores do IBGE contribuíram para o entendimento do processo de metropolização brasileiro ao teorizar sobre os processos de estruturação intra-urbana.1978). (Bezerra. . orientou as pesquisas sobre a espacialização das políticas públicas de implantação de infra-estrutura na área metropolitana do Rio de Janeiro. violência urbana. (Kossmann e Ribeiro.Modernização da agricultura A expressão modernização da agricultura tratará dos trabalhos de Geografia Agrária como um todo. 1981). como renda da terra. 1978. principalmente o Rio de Janeiro. 5 .B. 1986. 1984). e que na década de 70 testaram alguns dos programas de análise fatorial e análise de agrupamento. 1987. 1976. 1976. e aspectos culturais e perceptivos (Mello. C. a segunda foi Olga Maria Buarque de Lima Fredrich. 1997). foram tratados no tópico de ocupação do território e habitat. 1986). 1986). apesar de se entender que esta escala de abordagem não seria o que normalmente se entenderia como objeto de análise de uma agência de planejamento territorial do governo federal. diversificação e combinação de culturas. classificar os principais agentes modeladores do solo urbano. (Vetter e Massena.

1958. 1961).2. 1964). 1968. Orlando concentra-se nos aspectos conceituais e de exemplificação de alguns temas de Geografia Agrária. quanto nas trocas de mão de obra e nos serviços de transporte. O mais importante introdutor dos estudos agrários com cientificidade no IBGE foi Léo Waibel. por conseguinte. sejam eles ricos e tecnificados ou pobres e sem qualificação técnica. A obra do Orlando valverde no contextos dos estudos agrários foi mais diversificada. 1952. 1955. além de no guia de excursão ao Planalto Meridional tratar com muito detalhe as características agrícolas da região (Valverde.∗ e de publicar no Boletim Geográfico um artigo mais informativo e de comparações sobre o tema (Waibel. Além de se concentrarem no acompanhamento da evolução dos Complexos Agro-Industriais . como é possível verificar nos trabalhos de Eloisa de Carvalho Teixeira (Teixeira. comunicações e assistência financeira.2. além de produzir os dois volumes do livro Geografia Agrária do Brasil (Valverde. 1948) e enfocando processos agrários específicos na segunda metade da década de 50 (Valverde. 1955). ./jun. Ao trabalhos iniciais da Geografia do IBGE no campo das atividades rurais restringiam-se a informar alguns fatos da evolução da produção brasileira como um todo ou por produto. 1967./jun. v. iniciando com trabalhos vinculados aos processos de colonização e análise regional (Valverde. que atuavam como estruturas referenciais para se entender o processo de ocupação do território via atividade agrícola e de colocar na arena de estudos o primeiro artigo sobre a teoria de Von Thünen (Waibel. novas orientações enfocaram um outro expectro de problemas ao analisarem os efeitos do agribussines na concentração fundiária e tratarem com outra visão o acompanhamento da ocupação predatória das atividades rurais em todos os estratos de renda dos produtores. 1951. mas também estruturou um quadro geral da agricultura brasileira nos anos 50 (RBG. de “plantation” e de sistema de roças (Valverde. Na década de 60. 1959).23 n. abr. 1944. como características de certas áreas rurais do nordeste (Valverde. resultado de suas pesquisas esboçadas em seu ∗ O modelo de Von Thünen foi novamente discutido por Olindina V. Nilo Bernardes e Orlando Valverde.Nos anos 80.: 60-130. abr. entidades de amplo escopo que passaram a liderar as ligações entre o campo e a cidade. ao combinar as pesquisas sobre colonização e Biogeografia. Seu livro Capítulos de Geografia Tropical e do Brasil (Waibel. 1957. Mesquita em sua tese de mestrado na UFRJ em 1978 e publicada na RBG v. 1957). Seus melhores discípulos foram. 1968).40 n. conceituação de sistemas intensivo e extensivo. 1959).1958) foi uma espécie de síntese desses conhecimentos. 1978. tanto na troca de insumos e maquinário. Os trabalhos de Nilo concentravam-se nos processos de colonização de espaços do interior do país. 1961). 1948). 1961. os melhores geógrafos agrários do IBGE entre os anos 50 e início dos 60.

: 3-42. Ainda na década de 60.:41-86.1./mar. mas fica conhecida como uma pesquisadora que. no final dos anos 80. 1968).43 n. armazenagem (RBG v. 1978) e definiram proposições metodológicas sobre os estudos de desenvolvimento rural (RBG v.. Esse grupo desenvolveu linhas de trabalho em regionalização agrícola em escala nacional.32 n. posteriormente tendo a colaboração dos geógrafos Rivaldo Pinto de Gusmão e Maristella de Azevedo Brito. ao orientar em 1964. A principal pesquisadora que comandou esse processo de mudança nos trabalhos agrários foi Elza Coelho de Souza Keller. Os contatos de Kostrowicki com Elza Keller resultaram em linhas de pesquisa que enfocavam preocupações com a qualidade dos dados estatísticos a serem trabalhados nos futuros trabalhos.jan. além de terem trabalhado com essas técnicas nos capítulos temáticos da coleção Geografia do Brasil de 1977. Em 1968 Elza Keller retorna ao IBGE. Dias. jan. 1967).. coordenando uma equipe multidisciplinar Orlando volta ao tema. após sua experiência de ensino em Rio Claro.curso de Geografia Agrária Geral e do Brasil ministrado na AGB do Rio de Janeiro em 1957 .3.40 n./set.36 n. jul. testou os métodos quantitativos em tipologia agrícola (RBG v.39 n. Posteriormente.3. 1977). jul. que posteriormente presidiu a comissão. um grupo de professores e alunos de especialização principalmente quanto aos estudos de tipologia agrícola sob a orientação da Comissão de Levantamento Mundial de Utilização da Terra da UGI e contando com o apoio metodológico de Jerzy Kostrowicki da Polônia. juntamente com Catarina V. focalizando a Amazônia Ocidental através da rodovia Transamazônica (Valverde. além de contarem com o apoio técnico de pesquisadores como Ney Rodrigues Innocencio.1970). uma outra vertente de estudos foi iniciada por Elza Keller ainda na UNESP de Rio Claro. da economista Sonia Rocha e da socióloga Sebastiana Rodrigues de Brito. o sistema estatístico da casa iniciou uma série de ações que sistematizaram as informações do segmento agropecuário e criaram outras campanhas./set.:419-447. 1981) e iniciaram . 1984: 84). nas palavras de Alexandre Felizola Diniz “lançou as bases de um movimento de profundas mudanças na Geografia Agrária Brasileira” (Diniz. no contexto da obra Subsídios à Regionalização (Mesquita et all.32 n. (RBG v. sobre a rodovia Belém-Brasília. Seu trabalho./mar. Luiz Sérgio Pires Guimarães. 1970). regionalizações em escala estadual (RBG v.1. Com a chegada de Isaac Kerstenetzky à presidência do IBGE em 1970. somado às informações de Mitiko Une quanto aos aspectos climatológicos vinculados às safras agrícolas. Tereza Coni Aguiar. Maria Elisabeth de Paiva Correia de Sá./set. jul.: 52-130.3. onde apresenta os processos de ocupação agrícola em espaços cortados por estradas de integração na região Norte e Centro Oeste abriu as primeiras pistas para a questão da importância do sistema urbano na Amazônia (Valverde e Dias. out. Dora Rodrigues Hees. Maria do Socorro Brito e Adma Hamam de Figueredo./dez. 1989). que acabaram por suprir de dados a área de Geografia Agrária do agora Departamento de Geografia (DEGEO).4.: 137-143. Pesquisas sobre concentração de cultivos (RBG v. 1974). juntamente com Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mesquita que continuaram o projeto.

/mar. A estrutura de dados do IBGE que o setor agropecuário oferece aos pesquisadores./mar. 1987 .40 n. 1984./dez./dez. a ser editado no fim do ano de 2000. jan./set. Em virtude disso foram publicados muitos trabalhos de acompanhamento e evolução da agropecuária (RBG v. que propiciaram a geração de muitos trabalhos e garantiram o ./dez./dez./mar. 1984). out.2. 1982 . jan. RBG v. 1988). sob o apoio técnico de Philippe Waniez e Hervé Théry as geógrafas Dora Rodrigues Hees e Evangelina Xavier G. RBG v. marginalidade rural (RBG v./mar. abr. 1978 . do leite. Théry. abate de animais.grandes projetos multidisciplinares em convênio com outras agências governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).1. jan.:503-533. Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e semestrais como a Pesquisa de Estoques (PE). em função do convênio entre o IBGE (DEGEO) e a MAISON DE LA GÉOGRAPHIE de Montpellier . 1986).46 n.4.4.49 n. de ovos de galinha e estimativas sobre a previsão e acompanhamento de safras. RBG v. pesquisas mensais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). linha de pesquisa precursora dos grandes diagnósticos sócio-ambientais que foram implementados na segunda metade dos anos 80 e durante a década de 90 (IBGE. Pesquisa Pecuária Municipal (PPM).:227-361.46 n. além de pesquisas específicas como o levantamento da soja. 1998) e orientando o mapeamento do tema. estudos comparativos entre inserção tecnológica e marginalização de parte dos produtores rurais (RBG v.1.1. jan.3. 1977 . No contexto atual do DEGEO apenas Hadma Hamman Figueredo ainda lidera as pesquisas agrárias.3/4. out.Caracterizações Ambientais Do conjunto de estudos que enfocaram o meio físico. RBG v. 1984). produção de couro. Waniez. jul. Oliveira. no qual é também coordenadora geral.:3-10. anuais como a Produção Agrícola Municipal (PAM).4. RBG v. RBG v.46 n. 41 n.50 n. Problemas de qualificação da mão de obra rural (RBG v. com censos agropecuários qüinqüenais (pelo menos até a década de 90).:41-60. jul.:52-130. No início dos anos 90. 1979 .: 5-78.1.44 n.: 3-49.48 n. trabalhando com as conseqüências ambientais e políticas da ocupação em áreas de fronteiras de recursos (Figueredo.:425-550. de Oliveira estiveram na França mapeando e comentando os dados do censo agropecuário de 1985. As mudanças de orientação de enfoque dos trabalhos de Geografia Agrária ocorridas nos anos 80./jun. escolhemos analisar os três segmentos mais importantes. produzindo uma espécie de Atlas das Fronteiras Agrícolas do Brasil (Hess.:105-116. 1979). 6 .:3-65. 1992).39 n. no Atlas Nacional do Brasil. puderam ser percebidas nos artigos e projetos que passaram a enfatizar os aspectos sociais das fronteiras de ocupação ao longo das novas estradas de integração construídas na década de 70 . out.

biólogos e engenheiros agrônomos. p. que estuda em detalhes as relações entre os seres vivos num dado segmento espacial.. altamente prestigioso. nas primeiras décadas de atuação do IBGE.p. 45 no Boletim Geográfico. Atualmente. Este conjunto de saberes foi. um dos supervisores geográficos da Enciclopédia do Municípios Brasileiros e considerado um dos mais produtivos geógrafos do IBGE com 30 artigos na RBG.1943). formou profissionais como Alfredo Porto Domingues . abr. pressão do ar. e que apresenta quadros de referência sobre temperatura. como também de profissionais de outras especialidades. abr. A Biogeografia. Ruellan.185-248. profissionais como Emmanuel De Martonne com seu clássico Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico (RBG v. regime de ventos.p. além de produzir artigos que tornaram-se clássicos (Ruellan. autor da coleção O Homem e .9. também geomorfólogo. campo que espacializa o conjunto de informações que a Meteorlogia nos apresenta quotidianamente. tanto sob a forma de mapeamento.obra editada nos anos 60 e reeditada em 1999 por seu filho. segmento de estudos que trata da espacialização da cobertura vegetal e da ocorrência de animais./jun. 12 artigos em publicações avulsas. (Lamego. como os Cursos de Férias para Professores e autor do Dicionário Geológico-Geomorfológico .9n. 1963). 1966). autora . A Climatologia. quanto sob a forma de textos explicativos dos processos de médio e longo prazo que garantem uma dada classificação climática mais geral. Biologia e Climatologia tornando-se um dos mais completos geógrafos físicos da casa./mar. 1946.10. RBG v.4. Amélia Alba Nogueira. 1945. que também trabalhou no IBGE na década de 70 e que atualmente leciona na UFRJ (Guerra.523-550../dez.1947. área da Geografia que trabalha com os processos formadores do modelado terrestre e que estrutura as principais tipologias relativas ao relevo do território.p. n.1948 ). Antônio Teixeira Guerra./jun.2. A Geomorfologia. verifica-se uma grande sinergia com a Ecologia.. principalmente geólogos.desenvolvimento profissional de alguns geógrafos. além de mestres estrangeiros que foram os principais formadores da primeira geração de profissionais como o francês Francis Ruellan na Geomorfologia e o canadense Pierre Dansereau na Biogeografia.que dominou com maestria os conhecimentos integrados entre Geologia.255-287. Seus trabalhos na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e sua série de artigos sobre as características geológicas e morfológicas do estado da Bahia ( Domingues.1. out.2. RBGv. Alberto Ribeiro Lamego. 1947. tendo como iniciadores. 1949).n. que em combinação com especializações como Botânica e Zoologia explicam uma grande parte de que se convencionou chamar de Meio Ambiente.57-82...n. RBGv. 1944. jan.5. precipitações etc. 1948.

abr.223-264. Na segunda metade da década de 40. RBG v.p. Até a década de 50. jul.out. 1961).1951) e Fernando Segadas Vianna (1964).RBG. 1946.3. além de produzir trabalhos sobre Biogeografia (Dansereau.3-15. Nos primeiros anos de estruturação do IBGE o estudo da Climatologia era feito por engenheiros como José Carlos de Junqueira Schmidt e Jorge de Sampaio Ferraz que preocupavam-se com métodos classificatórios e. No campo da Biogeografia. 1973) e reeditada em 1980 e o compêndio Fundamentos de Geomorfologia da professora da Faculdade de Rio Claro (atual UNESP) Margaria da Maria Penteado (1974). 1943).3..4.2. Na RBG v./jun.v. p. apesar de não ter havido um professor “visitante” que tivesse formado profissionais por meio de cursos e treinamento específico.465-500. o primeiro trabalho classificatório da vegetação brasileira foi elaborado por Lindalvo Bezerra dos Santos no Boletim Geográfico como contribuição didática e que foi considerado como a primeira tipologia apoiada nos aspectos fisionômicos das formações vegetais brasileiras (Santos.250-254. 1952. do mesmo Jorge Ferraz sobre uma questão que continua atual: Aumentou a temperatura do mundo? O primeiro geógrafo do IBGE a tratar do assunto foi Jorge Zarur. Schmidt ( RBG v./dez.1951. RBG v. 123-124.11n. pedólogo do Departamento de Produção Geógrafa desaparecida em acidente de avião do Projeto RADAMBRASIL no litoral sul ∗ . p. caracterizavam algumas regiões brasileiras (Ferraz. 1943). a permanência no IBGE do canadense Pierre Dansereau que. ao comentar a classificação climática de Köppen (Zarur. o mais importante produtor de artigos sobre o tema../mar.1n.1.5 n. 1949). 1954) e Dora Amarante Romariz (1953.. Ambas as obras foram os principais instrumentos de estudo dos alunos de Geomorfologia de muitas universidades brasileiras.13.. 1974) além de completar a formação de engenheiros agrônomos como Alceo Magnanini (1952.13. p..n.2./set. paralelamente.4n.3 há também um comentário na página 135. 1961. jan.de todos os capítulos de Geomorfologia da coleção Geografia do Brasil de 1977 Rangel Lima que chefiou o Setor de Geomorfologia do DEGEO na década de 70.abr.p. RBG v. No campo da Climatologia. alguns geógrafos do IBGE dedicaram-se a estudar aqui e no exterior o assunto.1 n. 1947. p. 1949) formou profissionais como Edgar Kuhlmann (1951. ∗ e Gelson São também da década de 70 a coletânea de comentários sobre 201 fotos do relevo brasileiro organizado por Celeste Rodrigues Maio (Maio.577590.n./jun. Walter Alberto Egler (RBG v. jul. 1942 . foi o paulista José Setzer. 1939) . período em que a Climatologia passa a ser estudada mais sistematicamente por alguns profissionais da Geografia do IBGE. 1952./set.

57-80. jul.3-36. trabalhando com clima urbano (Monteiro.3-46. Nimer auxiliou os dois na publicação de um artigo sobre climatologia dinâmica na região nordeste (Nimer. 1971). Marília Galvão durante seu estágio de especialização na França.13 n. 1951 . E. M.. 1954). E. 1997). RBG v. Brandão (Nimer e Brandão. conheceu o trabalho classificatório de Henri Gaussen e Francois Bagnouls baseado nas relações entre clima e vegetação. principalmente por ser responsável por uma série que abordou a climatologia de todas as regiões brasileiras entre o final de 1971 e todo o ano de 1972. Nimer orientou a formação profissional de Ana Maria P.14 n. destacando-se os estagiários Arthur A. . jan. 1952). Ignez RBG v.16 n. Nos anos 80. p..3. p.1.317-350. jan.338. aposentou-se do IBGE nos anos 90./mar. indo também lecionar na UFRJ. Filho e Elmo Amador. Outra faceta importante de Edmon Nimer foi sua capacidade de formar profissionais./set. p. 1951) e Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra. com uma incursão no tema caracterizando o clima da Região Nordeste ( Guerra.. 1946 . P. p.3-70. 1981)que./mar. Na década de 70 o Setor de Climatologia. O primeiro grupo de especialistas em Climatologia no IBGE foi formado por Lysia Bernardes. p. .. que na década de 60 abandonaria o tema e iria dedicar-se à Geografia Urbana (RBG v. jul. que se tornaria um dos mais completos climatólogos do Brasil. RBG v. 1955). RBG v./mar.Vegetal do Estado de São Paulo e professor da USP. p.. o primeiro sob a forma de um artigo sobre as regiões bioclimáticas do Brasil (Galvão.8 n.. fluminense. jan./mar.4./dez.1. jan. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. e por todos os capítulos de Clima da coleção Geografia do Brasil de 1977..1.3. jul.13 n. chefiado por ele era um dos mais dinâmicos do DEGEO. p. após terminar seu doutoramento na USP.13 n. 1946 . atualmente trabalha em consultoria ambiental monitorando o ecossistema da Baía de Guanabara.4.3. out. No início dos anos 70. jan. este último transferiu-se para lecionar na UFRJ. 1967) e o segundo.29 n. RBG v.315-328.17 n./set.1. e após sua aposentadoria. Filho. RBG v. esposa de Antônio Teixeira Guerra. que enfatizava as questões sobre precipitação e suas relações com a produtividade agrícola (Setzer. p. RBG v. RBG v. tema de sua tese de doutorado na UFRJ (Amador.8 n. out. com 12 artigos na RBG. Nos anos 60. Edmon Nimer tornou-se o mais importante climatólogo do IBGE. A. RBG v. sob a forma de orientação profissional inicial de Edmon Nimer no campo da Climatologia.33n. p.619-620. Sua produção neste período foi notável. a partir da segunda metade dos anos 60 até sua aposentadoria nos anos 90./dez..449-496. Amador. Os resultados desse processo foram divididos em dois tipos de atuação./set. 1951 ./mar. p.1..473-479.

7. da Costa e colaboradores (IBGE. principalmente nas áreas de agrária e urbana e uma aparente queda de status que se configurou com mais clareza na década de 70. 1977 e que inicia uma preocupação com as relações entre seres humanos e meio ambiente no sentido mais amplo. como no caso da poluição industrial. uma na década de 60.39. O resultado dessa primeira inflexão foi a criação da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SUPREN) em 1975 e a separação dos profissionais de Geografia Física dos de Humana que agora estariam na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE). Nimer. mamíferos e répteis da área estudada. enquadrando neste processo as principais correntes de Geografia Física.Diagnósticos Ambientais e Sócio-Ambientais Integrados A segunda grande inflexão ocorreu em 1985. gerando um novo conjunto de grandes trabalhos conhecidos como diagnósticos sócioambientais integrados como o Diagnóstico Brasil. estabelecendo relações com algumas segmentos do meio ambiente. com o crescimento dos estudos de Geografia Humana.1990).n. a chamada integração não ia muito além dos segmentos da Geografia Física e da Biologia. 1981) que apresenta uma lista preliminar das aves. do Projeto RADAMBRASIL com toda sua estrutura de pessoal e equipamentos. comentada por Luiz Roberto Tommasi na RBG v./dez.PMACI I (IBGE. Projetos de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas . Um dos produtos desse convênio foi o livro Fauna do Cerrado organizado por Claudia Cotrim C. com a absorção pelo IBGE. que acompanhou os diferentes processos de ocupação do território brasileiro. Foi também desse período.out. inaugurando uma nova fase de trabalhos voltados para os grandes diagnósticos ambientais integrados.4. 1990) e PMACI II (IBGE. a publicação da obra de Jean Tricart Ecodinâmica (1977). coordenados por Irene Braga de Miguez Garrido Filha e Ailton .p. 1994). No volume do Sudeste. No início. quando houve desistência do autor do capítulo de Clima. para pouco a pouco incorporar também áreas da Geografia Humana como Urbana e Agrária. coordenado por Rivaldo Pinto de Gusmão (IBGE.Seu espírito de colaboração com o IBGE pode ser medido por seu auxílio à coleção Geografia do Brasil do início dos anos 90.215-223. apresentando-o em tempo recorde em 1993. O segmento dos estudos ambientais do IBGE sofreu duas grandes inflexões. já aposentado. Uma das grandes linhas de trabalho da SUPREN foi organizar os estudos de ecologia animal do cerrado do planalto central brasileiro. contando com a criação da Reserva Ecológica do Roncador na periferia de Brasília e estabelecendo convênio técnico com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). sem nenhuma exigência de qualquer tipo. prontificou-se imediatamente a produzir um capítulo sobre o tema.

diminuindo as diferenças antes percebidas. Para isso contribuíram geógrafas como Solange Tietzmann Silva. Hadma Hamann de Figueredo. coordenado por Antônia Maria Martins Ferreira (IBGE. Além disso. além de especialistas em áreas da Biologia e engenheiros agrônomos e florestais. p. 1993) que estabeleceu uma regionalização de espaços identificados por suas características ambientais. 1989) e do estudo geomorfológico da área de Rondonópolis –MT (IBGE. O segundo. Salvador (BA). principalmente nas fases de planejamento. Para se ter uma medida da complexidade de interação entre as unidades departamentais do IBGE. como no caso do estudo do uso agrícola da terra no sudoeste de Goiás em convênio com a EMBRAPA (IBGE.131-132) e constatar que aproximadamente 220 profissionais tomaram parte nas diferentes tarefas técnicas e administrativas que envolveram estes diagnósticos. IPEA e USP em projetos integrados como os do PMACI I e II.5.Antônio Batista de Oliveira e Teresa Cardoso da Silva. onde atualmente leciona. Na década de 90 a integração entre os profissionais de Geografia humana e os de física foi finalmente alcançada com os projetos do Programa Nossa Natureza na Amazônia. pois foram incorporadas equipes regionais sediadas em Belém (PA). da áreas periféricas de Brasília e da aglomeração de Goiânia no Centro-Oeste e na região sul com o projeto de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina. Tereza Coni Aguiar. também tenderam a aproximar esses profissionais. os projetos de Atlas Nacional do Brasil. 1989). 1990. Foi no contexto de trabalho realizado anteriormente pelas equipes do RADAMBRASIL nessas unidades regionais que o IBGE passou a se integrar mais com secretarias estaduais de planejamento e de meio ambiente. trabalharam para uma suave integração com os pesquisadores da física e os do campo biológico. Pedologia. p. Maria Monica O’Neill. 1989). O primeiro coordenado por Antônio José Teixeira Guerra (filho de Antônio Teixeira Guerra) antes de sua transferência para a UFRJ. realizando projetos de Geografia em escala estadual ou meso-regional. coordenado por Válter de Jesus Almeida e Wilson Duque Estrada Regis (IBGE. . A análise sócio-ambiental dos módulos territoriais da Região Amazônica referentes ao Programa Nossa Natureza realizado no período final do governo de José Sarney (não publicado) e o Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal . Além de distinguir áreas de conflito entre as ações humanas (extrativismo e agropecuária) e a capacidade de sustentabilidade desses ambientes. deve-se verificar as páginas de créditos (IBGE. O processo de absorção do RADAMBRASIL foi altamente positivo para o segmento de Geografia Física do IBGE. Olga Schild Becker e Irene Garrido Filha que ao coordenarem suas respectivas áreas de Geografia Humana. PMACI. que avaliaram os impactos ambientais e sócio-econômicos do asfaltamento de dois trechos da rodovia BR 364 entre os estados de Rondônia e Acre. Goiânia (GO) e Florianópolis (SC) que contam com excelentes profissionais em Geomorfologia. Diagnóstico da Amazônia Legal.

onde eram plotados dados específicos. Informática e Disseminação de Informações para avaliar o desenvolvimento das tecnologias e estabelecer as diretrizes básicas dessas atividades para o futuro. Pesquisas e Estudos. percebidas por outros olhos. Essa a base operacional dos atuais Sistemas de Informação Geográficas (SIG ou GIS em inglês). Olhos. A partir de 1994 as atividades de Geoprocessamento no IBGE atingiram um estágio que obrigou a alta direção da casa a estabelecer um grupo de trabalho com integrantes das diretorias de Geociências. e que tiveram quase sempre de aprender a ver como funcionava esse campo. de certa forma. Todos os estágios dessa evolução das práticas profissionais dos geógrafos e pesquisadores de outras especializações. vinculadas às Geociências também foram. além das tecnologias derivadas da corrida espacial para garantia da localização dos artefatos espaciais utilizados nas atividades de exploração do ambiente extra terrestre. na maioria dos casos. 1994). Os sistemas iniciais vinculavam-se a navios (Imarsat) e controlavam aviões. Esses sistemas são a base do que chamaremos em termos gerais de geoprocessamento. foi concebida uma rede virtual de coordenadas geográficas de grande precisão que era plotada por sistemas de satélites que enviavam sinais eletromagnéticos e garantiam resposta quase imediata a determinados aparelhos receptores que se deslocavam na superfície da terra. Foram muito testadas áreas urbanas. Processos de determinação cartográfica (plotagem) de pontos e linhas que se inserem na rede de coordenas geográficas e que podem ser referenciadas a qualquer tipo de informação guardados em bancos de dados que possam referenciar esta informação a qualquer ponto da rede de coordenadas (georreferenciamento). mas davam uma boa noção espacial ou tridimensional do fenômeno. 2 . Estava criado o Sistema de Posicionamento Global (GPS). não acostumados com esse tipo de trabalho. As principais diretrizes que envolvem essas atividades no IBGE.As Atividades de Geoprocessamento O contexto tecnológico e operacional onde se estabeleceram os projetos de geoprocessamento no IBGE datam da década de 70 com as experiências de softwares como o SYMAP e SYNWU que mapeavam superfícies pré-determinadas. Posteriormente esses receptores diminuíram de tamanho e passaram a garantir a qualidade das medições geodésicas e a influenciar decisivamente na precisão e barateamento das campanhas geodésicas e cartográficas. foram descritas no documento Geoprocessamento no IBGE redigido por este grupo de trabalho (IBGE. Os mapas construídos não possuíam muita precisão cartográfica. Com o advento dos novos sensores colocados nos satélites militares americanos e soviéticos. com seus respectivos valores da terra (preços do m de terreno ou valor do imposto territorial urbano).

embora também. . sempre foi difícil ter um diretor que conhecesse profundamente a atuação de todos os departamentos da diretoria. do que aos diretores que administraram a área das Geociências.Estamos nos referindo mais aos presidentes do IBGE. devido à grande heterogeneidade dos campos envolvidos. No próximo capítulo será possível ter uma noção mais aproximada das impressões que foram passadas por alguns presidentes e diretores sobre a atuação da Geografia e das ciências que lhe são comuns no contexto do IBGE.

Entender a diferença entre Departamento de Geografia e Departamento de Recurços Naturais e Meio Ambiente. se durante o longínquo curso de segundo grau. campos de onde vieram os 10 últimos presidentes da casa. que nos períodos iniciais era encarada pela alta direção da agência. foi uma das razões de ser (e possivelmente a maior na ocasião) da criação do Conselho Brasileiro de Geografia (incorporado ao Instituto Nacional de Estatística) em 24 de março de 1937 pelo decreto 1527/37. Instrumento legal que obrigava aos municípios cartografar seu território e enviar para a Secretaria do Diretório Regional de Geografia duas vias autenticadas. como no caso dos economistas. à maioria dos casos.Capítulo II . . devidamente acompanhada pelo decreto-lei 311/38 de 02 de março de 1938. No caso dos presidentes. estatísticos e cientistas políticos.As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia Sendo a Geografia uma área considerada atividade fim no contexto do IBGE e somente um pouco mais “jovem” que a Estatística. como parte integrante do G do IBGE. Tais problemas podem ser percebidos quando analisamos alguns depoimentos de profissionais que ocuparam cargos de alta direção no IBGE (presidentes e diretores de área onde a Geografia se reportava). Cartografia e Geodésia nas fases iniciais da agência. vinculou-se a não familiaridade com os métodos de trabalho dos geógrafos e a sua efetiva função no organograma de trabalho do órgão. o presidente em questão tinha estudado Geografia Física e Humana dentro da mesma cadeira. ou ao confuso papel da Geografia. Essa visão um tanto parcial. não era muito simples para quem vinha de outra área. quando entrou em cena a questão meio-ambiente e a incorporação do RADAMBRASIL ao IBGE em 1985. que causaram muitas dúvidas nos novos presidentes e diretores. que dispunha sobre a divisão territorial do país e que ficou conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. O propósito de garantir ao censo demográfico de 1940 a base cartográfica necessária ao deslocamento dos recenseadores. a isto pode também ser acrescido os títulos de áreas departamentais. Esses erros de enquadramento entre o que era Geografia. foram acrescidos dos problemas ocorridos entre a Geografia Humana e Física nas décadas de 60 e 70 e que acabaram trazendo novas dúvidas. foi também misturada à posição da Cartografia. Geodésia e Cartografia nos discursos antigos dos artigos de memória institucional que normalmente ficavam a disposição dos novos chefes. dentro dos requisitos mínimos fixados pelo agora Conselho Nacional de Geografia (decreto-lei 218/38 de 26 de janeiro de 1938). sempre foi vista pelos geógrafos como uma das mais importantes áreas da casa.

Além disso, havia a dificuldade de se entender os diferentes papéis da Geodésia e da Cartografia no contexto da agência. Com a Geodésia apresentando dois corpos profissionais muito distintos, um altamente matematizado, com relações internacionais sistemáticas e fortemente exigente de tecnologia e outro constituído de profissionais que aprenderam o ofício no campo, durante as campanhas de levantamento geodésico, na maioria dos casos com pouca escolarização formal. A Cartografia parecia ser ainda mais complexa, pois misturavam-se áreas típicas de produção com grupos altamente qualificados de engenheiros cartógrafos e de profissionais vinculados à arte como os desenhistas de arte final e os cartógrafos que operavam na área de cartografia temática para ilustração de atlas. Somava-se a isto questões de transição tecnológica, tanto no que se refere aos contatos diretos com a Geodésia, quanto no que se refere à produção física das cartas, incluindo aí a impressão das folhas em gráfica própria, altamente especializada. Portanto, um presidente ou um diretor de área teriam de se adaptar rapidamente às peculiaridades dessa diretoria altamente heterogênea, com demandas muito diferenciadas. Além disso, é preciso entender que havia também os “notáveis” das “Velhas Guardas” em cada área específica e que alguns deles ocupavam postos de decisão na estrutura hierárquica do IBGE, além dos técnicos de assessoramento que poderiam esclarecer dúvidas e subsidiar decisões para arbitramento. Um presidente novo e sua equipe deviam aprender os códigos não escritos da casa, sob pena de sofrerem rejeição de parte do quadro profissional, ou de quase todo, como aconteceu em alguns casos. No contexto da Geografia, personagens importantes como Miguel Alves de Lima, Speridião Faissol, Lúcio de Castro Soares e Ney Strauch foram guardiões corporativos de grande valor no ambiente da presidência, por suas respectivas carreiras na alta direção da casa e liderança que exerciam junto aos demais profissionais. Catharina Vergolino Dias foi outra profissional importante nos contatos em Brasília, durante a década de 70, pois trabalhou como representante do IBGE nas assessorias da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e no Ministério do Interior durante os governos Médici e Geisel. Eram profissionais com muito conhecimento, tanto técnico, quanto administrativo e político e que sempre eram solicitados a darem opiniões e ajudarem nas decisões que envolviam a área da Geografia. Na década de 80, o engenheiro Mauro Pereira de Melo foi outra figura chave no contexto da criação da Diretoria de Geociências. Seus bons contatos com o segmento militar da Cartografia no contexto da Comissão de Cartografia (COCAR) evitaram conflitos na condução da coordenação cartográfica do país. No contexto interno do IBGE outros personagens, ao longo de suas carreiras, tornaram-se referências importantes ao ocuparem cargos de direção, onde as injunções políticas entre

diretorias e departamentos deveriam ser gerenciadas com muita diplomacia. O exemplo mais representativo na década de 80 na Geografia foi Marilourdes Lopes Ferreira, que após assessorar Speridião Faissol na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e na Diretoria Técnica nos anos 70, foi na década seguinte alçada a posição de Diretora Adjunta da Diretoria de Geociências, ocupando durante um bom tempo este importante posto. As boas relações institucionais da Geografia com as demais áreas do IBGE neste período, devem muito à diplomacia de Marilourdes. Em função desse quadro de referência foram tomados alguns depoimentos de presidentes, diretores e diretores adjuntos que gerenciaram o IBGE nos últimos 30 anos e que puderam dar seus testemunhos sobre a área onde a Geografia estava inserida. Os Presidentes Da linha dos 10 últimos presidentes iniciada por Sebastião Aguiar Ayres (04/04/196724/03/1970) e seguida por Isaac Kerstenetzky (24/03/1970-29/08/1979), Jessé de Souza Montello (29/08/1979-14/03/1985), Edmar Lisboa Bacha (10/05/1985-27/11/1986),Edson de Oliveira Nunes (06/01/1987-13/04/1988), Charles Curt Müller (03/05/1988-18/04/90), Eduardo Augusto Guimarães (18/04/1990-26/03/1992), Eurico Neves Borba (26/03/1992-15/06/1993), Silvio Augusto Minciotti (15/06/1993-30/03/1994) e Simon Schwartzman (05/05/199431/12/1999) que passou o cargo para o atual presidente Sérgio Besserman Vianna, foram tomados os depoimentos de Edson Nunes, Charles Müller e Eurico Borba presidentes que tiveram um papel importante em decisões que envolveram a Geografia. Eduardo Augusto Guimarães e Simon Schwartzman, presidentes que ficaram durante um bom período ainda não puderam dar seus depoimentos por diferentes razões, Eduardo Augusto ficou a frente da Secretaria do Tesouro Nacional, indo depois para a presidência da BANESPA, preparar sua venda, funções que o impossibilitaram de prestar depoimento sobre sua gestão. Simon Schwartzman ainda não pode ser contatado para seu depoimento, mas seus escritos cobriram perfeitamente sua gestão, provavelmente a mais dinâmica e de maior impacto dessas 10 últimas, em virtude das condições em que ele assumiu a casa em 1994 e pelo que deixou de positivo à imagem do IBGE junto a seus funcionários e a sociedade brasileira em 1999. Iniciaremos com a primeira parte do depoimento de Eurico Borba, enquanto Diretor Geral da gestão de Isaac Kerstenetzky (falecido em 20/06/1991). Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) Essa fase foi muito importante, pois seria na gestão de Isaac, administrativamente controlada por Eurico Borba, que seriam implementadas, na prática, as decisões sobre a nova estrutura organizacional do IBGE criada em 1967 (Decreto-lei 161 de 13/02/1967), modificando sua subordinação (deixando de se reportar à Presidência da República, como havia sido desde 1934) e passando a ser uma Fundação subordinada ao Ministério do Planejamento.

O presidente anterior Sebastião Aguiar Ayres conduziu o planejamento da campanha censitária de 1970, mas coube à equipe de Isaac executar o processo de coleta no segundo semestre de 1970 e realizar as tarefas de apuração e divulgação. Eurico conta como transcorreu, de seu ponto de vista o processo de montagem de um projeto de modelagem de uma matriz de insumo-produto financiado pela Fundação Ford e BNDE e a ser realizado por uma equipe coordenada por Isaac na PUC e na FGV, onde Isaac era pesquisador. E a súbita mudança para uma nova fase com a nomeação de Isaac para o IBGE em 1970. “...nesse período tumultuado e rico na PUC desembocou nesse projeto de uma grande pesquisa, então o Isaac concordou com a idéia de que não era fazendo um curso de mestrado e sim fazendo uma pesquisa para termos condições financeiras de trazer mais professores de horário integral, a pesquisa melhoraria o curso de graduação e naturalmente dois, três anos depois, seria naturalmente o curso de mestrado, doutorado, etc... então foi montado um projeto extremamente interessante, eram estudos na área setoriais, agricultura, os tradicionais, primário, setor primário, secundário, terciário, a parte demográfica, o setor externo, isso tudo se juntava... Isaac já falava... temos que se simular uma matriz de insumo-produto, temos que fazer um modelo de simulação econômico demográfico, isso tudo se fecharia então nesse grande modelo dos estudos do setor primário, secundário, terciário, setor demográfico, setor externos, todos os segmentos da sociedade. O BNDE deu esse dinheiro, foi assinado em janeiro de l970 e o primeiro desembolso dessa parcela foi feito, com esse primeiro desembolso da parcela, em fevereiro de l970 o Isaac achou importante como coordenador do projeto, se licenciar da Fundação Getúlio Vargas, nessa época o Professor Gudin e Jorge Oscar de Melo Flores, telefonaram para o reitor para saber que história é essa da PUC estar roubando o Isaac da Fundação ! O reitor ficou de olho arregalado, me chamou e nós fomos fazer uma visita para o velho Gudin, foi a primeira vez que estive com o velho Gudin, levei uma porção de livros para ele autografar e o Jorge Oscar de Melo Flores nos explicava que nós não estávamos roubando o Isaac, o Isaac continuaria, mas ele ia coordenar na PUC, claro dando uma carga de horário maior. O Isaac disse: olha Eurico você tem que fazer uns contatos... pois isso tem que ter uma amarração muito firme e preparou a minha viagem, eu tinha que ir a Fortaleza, lá na Faculdade Federal de Fortaleza conversar, eu já não me lembro os nomes das pessoas, mas era a idéia de acertar o convênio, de trocas de experiências com pessoas, uma rede com a PUC e depois em Belo Horizonte, também em São Paulo com o Miguel Coluassono que chefiava o Instituto de Pesquisas Econômicas. Por conta disso saí eu visitando esses centros, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo.... e aí já era Semana Santa, peguei um avião um Electra em São Paulo e fui passar Semana Santa com meus pais em Porto Alegre, minha mulher estava viajando junto, pegamos um temporal danado e tal.... e aí eu abro o jornal e está assim: Isaac Kerstenetzky nomeado Presidente do IBGE, eu virei para Henriqueta, minha esposa, e disse assim: acabou o Projeto da PUC, aí fomos lá para Porto Alegre, voltamos... eu me lembro que voltamos domingo de Páscoa e eu me lembro que a primeira coisa que fiz foi ligar para o Professor Isaac, ele atendeu... e eu dizendo...: o como é que está? Vi o jornal, parabéns, felicidades, o que o Sr. Precisar lá da PUC, o Sr. Sabe, conta com a gente...., ele disse: eu preciso de você! Só pude responder... Professor Isaac, o Sr. já está saindo, e se saio eu também, como é que fica na PUC ?... – Não se preocupe..., eu falo com o Reitor, amanhã, você apareça lá no IBGE...- e deu o endereço Franklin Roosevelt e tal... Eu quero começar no final da manhã... apareça no final da manhã, lá para ll:30.

Aí eu fui meio tonto para PUC, falar com Padre Ávila... o Padre Ávila... Meu filho, quem sabe se pode dar um tempo lá e um tempo aqui... então eu muito atordoado, esperei, e no final da manhã do dia seguinte estava lá... O Isaac disse olha: Eu quero você como chefe de Gabinete porque eu não quero trazer gente de fora do IBGE agora... mas eu estou aqui atordoado com essa estrutura... e a única coisa que eu posso fazer é nomear você Chefe de Gabinete, e aí falou baixinho, nessa época todo mundo tinha medo de telefones grampeados e de microfones ocultos, ele virou para mim e disse assim: Eu não confio em ninguém, eu não confio em ninguém ... Está bom, eu levei uma semana querendo continuar na PUC, afinal foram anos de discussão de projetos, mas acabei saindo indo lá com o Isaac... ficou no meu lugar Carlos Alberto Menezes Direito, hoje Ministro do Tribunal Superior...” (depoimento de Eurico Borba à RSA). A surpresa de Eurico e do próprio Isaac pela súbita nomeação foi explicada mais tarde aos dois por Maurício Rangel Reis, secretário geral do Ministério da Agricultura e depois Ministro do Interior no governo Geisel. O convite de Isaac ao IBGE veio de Veloso? “ O Maurício Rangel Reis foi quem lembrou o nome de Isaac ao Veloso para livra-lo de uma confusão de hierarquia militar, porque tinha sido nomeado um coronel e o coronel que durante muito tempo freqüentava o IBGE naqueles Conselhos ligados a essa área de ...geodésia e cartografia... o Decreto de nomeação desse coronel chegou a ser assinado pelo Veloso, e por conta de um problema de hierarquia militar... o general daqui da região era o comandante do coronel... deu três berros lá porque não tinha sido consultado, então criou-se um problema. Um problema para Veloso, que era o Ministro do Planejamento, e que havia indicado o coronel, que por sua vez aceitou, mas ele Veloso não tinha avisado ao general, então criou-se um problema de hierarquia militar... o general estava bravo, o Veloso indeciso... mas quem vou colocar? Maurício Rangel Reis levantou e disse: o Isaac. O Veloso disse, excelente, o Isaac... agora mesmo... ele era amigo do Isaac e falou com o Médici por telefone e o Médici então pediu o curriculum lá e tal e pediu para , para o negócio ser rápido e em 24, 48 horas... quer dizer: o Isaac não teria sido lembrado se o general não tivesse berrado com o coronel... e então o Isaac assumiu... Nos primeiros meses não sentia-mos seguros... quando nós estávamos lá, só os dois e queríamos conversar, nós dois saíamos para comprar jornal e íamos até o Aeroporto, tomar um cafezinho para conversar, porque tínhamos medo de que nas tomadas tivesse um microfone...” Quer dizer, tinha problemas internos da casa, além da questão militar? “E aí eu me lembro de uma reunião que o Isaac foi comigo... com o pessoal do Departamento de Censos, nós estávamos para começar o Censo de l970, e estava tudo atrasado. Então eu disse: Professor Isaac, não tem nenhum problema, eu levanto a bola, se o Senhor não estiver de acordo o Senhor pode me esculhambar, mas eu vou levantar as perguntas e o Senhor depois apazigua... comigo não tem problema, e eu fiz as perguntas mais indiscretas possíveis... porquê que o Censo não estava ainda todo esquematizado, naquela época em administração se usava muito “pert-cpm” então eu havia aprendido na PUC e tal e perguntei, vem cá essa operação censitária você tem um pert, e o Sebastião Reis que era o dono do Censo levantou da ponta, mas, se ele pudesse teria me dado um tiro... Eu fiz o Censo de 40, 50, 60 eu sei todo o processo, está aqui nessa pasta... todas as etapas, esta porcaria de métodos modernos só faz complicar... eu fiquei calado, o Isaac ficou calado por uns instantes..., virou para ele e disse: Eu só quis saber se tinha um elemento que a gente pudesse olhar, ao invés de estar te consultando pelo telefone. Eu disse: Olha Dr. Sebastião o Sr. desculpa, mas só que nós estamos no mês de abril, ou maio e ainda não temos os questionários prontos, os questionários não foram distribuídos, o esquema de distribuição que tem que utilizar Marinha, Aeronáutica, não sei quem mais, o Serviço de combate a malária - SUCAM, nada disso ainda está

pronto? Eu fico preocupado. Como é que dia 1 de setembro os questionário estarão no campo? Bom, na época teve um fato fantástico, tenho cópia desse material em casa, fui tirando cópia, naquele tempo era termofax, tinha um decreto-lei 200 e um Decreto específico de contratação de pessoal para o Censo e a gente pressionando para contratar pessoal, nós precisamos de pessoal, nós precisávamos de computadores, então o coitado do Chefe do Pessoal ficou tão aflito que dizia assim num despacho dizia assim: o Censo é prioritário, na época se usava muito a expressão Segurança Nacional, é uma questão de segurança nacional, portanto contorna-se a lei... e aí o Isaac rejeitava esses expedientes... que contorna a lei coisa nenhuma...tem que ser dentro da lei. Era um período extremamente dinâmico, que se trabalhava o tempo todo, numa tensão danada, denúncias de corrupção, denúncias de comunistas escondidos debaixo das mesas, cada pessoa que você admitia tinha que ter uma ficha do SNI ...Isaac então dizia para o Veloso... Ministro tem coisas que a gente tem que admitir amanhã, não vou esperar duas semanas, três, não mas o SNI tem uma regra. Tem uma regra para o dia a dia, mas para o Censo não pode ter regra, aí tivemos que vir à Brasília, para conversar com o Chefe do SNI na época, que era o general Carlos Fontoura, as apresentações foram feitas, vê como são as histórias, pelo irmão do Presidente Figueiredo, que era o escritor Guilherme Figueiredo... que era muito amigo do Clóvis Zobaran Monteiro... que era um advogado do IPEA e que depois foi para o IBGE... era chefe de gabinete lá em Brasília e o Zobaran foi lá no Guilherme Figueiredo e disse: Olha tem esse problema do Professor Isaac... se encarrega de ver lá com o Eurico de cuidar dessa história... então fomos a Brasília junto com Guilherme Figueiredo, Zobaran foi recebido por General Fontoura para explicar que nós não podíamos esperar e se tivesse algum comunista escolhido...depois a gente veria... O general deu aprovação... então resolvemos esses problemas. Então o ano de l970 foi tomado, tem outras coisas para contar, mas foi tomado basicamente pelo Censo. O Censo tinha que sair, já o ano de l970...” - Só uma pergunta. Em 70, vocês já pegaram o Censo mais ou menos sendo preparado, quer dizer, já havia um planejamento anterior... “ Sim, havia um planejamento do questionário, o estava atrasado era a parte operacional. O Isaac inclusive na Fundação Getúlio Vargas tinha trabalhado muito com Manoel Antônio, no Censo Agropecuário, com Rodolfo Wenshe no Censo Industrial, com Lira Madeira no Demográfico, então o Isaac como já era uma referência muito conhecida... pois era consultor do IBGE desde a década de 50, já tinha trabalhado no Censo de 60 como consultor, já sabia como estavam as coisas e estava acompanhando, o problema era operacional, rodar questionário, empacotar questionário, contratar recenseador, supervisor, treinar...” - Mandar para o campo, logística de distribuição de questionário no campo... “Exato... no ano de 197l, o Censo então coletado é um ano onde se começou então a repensar então o IBGE...que já havia virado Fundação em 1967, mas ainda não era efetivamente uma Fundação” Sobre a visão de Isaac a respeito da Geografia, Eurico conta que nos primeiros tempos de reformulação dos cursos da PUC, a percepção de Isaac sobre a Geografia não era nada boa, mas que esta visão mudou quando começou a trabalhar no IBGE... - Deixa eu só colocar um negócio interessante, você vai perceber que o IBGE como um órgão que tem geografia, estatística e cartografia ao mesmo tempo... é um dos poucos órgãos no mundo que tem isso, e que de uma certa maneira, as pessoas acham interessantíssimo, a maioria das pessoas que lidam com planejamento territorial no sentido amplo... de outros governos, de outros

países, que lidam com isso, dizem mesmo. Vocês não devem acabar com esse modelo, porque é um modelo muito interessante, aonde tem geografia que define a história do território, demografia, o Censo Demográfico que conta a população, a cartografia que faz a representação do território, e a geodesia que faz as medidas desse território juntos é algo que muito poucos países, acho que só o Canadá tem alguma coisa parecida... “ Espanha tem algo assim também. Bom, então com duas ou três semanas de IBGE... o Isaac pegou essa concepção lá de l935, 36, tinha alguma coisa de importante. Bom, depois, aí eu estou falando de maio, junho, o Isaac virou para mim e disse assim: Eu não me esqueço, estávamos caminhando lá no Aeroporto Santos Dumont..., antes tínhamos almoçado lá no Hotel Aeroporto e depois nós caminhávamos até lá conversando ele disse: Eurico os únicos que tem formação acadêmica para conversar qualquer coisa séria no IBGE são os geógrafos...” -Que naquela época eram exatamente a elite de formação acadêmica... a Velha Guarda “ E os únicos que eu estou podendo conversar são os geógrafos, então era Faissol, Miguel Alves de Lima, era o Pedro Pinchas Geiger, era a Lysia que não estava no IBGE estava servindo ao IPEA, o Isaac fez tudo para a Lysia voltar, o Lysia não quis voltar, Marília Galvão, tinha uma outra que depois foi estudar na Inglaterra, fez pós graduação? Olga ...?...” - Era Olga Buarque de Lima... “ Tinha uma outra senhora também, assim mais ruiva, de óculos∗, bom era um pessoal todo que tinha feito seu mestrado, doutorado no exterior, Estados Unidos e França, então isso fascinava o Isaac, porque do lado da estatística ele tinha pessoas que muitas vezes não tinham nem curso superior, tinham feito o Censo de 40, 50, 60 e estavam lá, por exemplo, o rapaz da área industrial, o Florentino, era uma pessoa excelente, ele sabia a estrutura de produção da Wolkswagem, da Carrocerias Marco Polo lá de Caxias do Sul, de cabeça, mas ele não tinha curso superior, bem ou mal ele tinha primeiro ou segundo grau. Havia muitos outros assim, e todos obtiveram diploma de estatístico por conta de uma lei que você levava lá um papel dizendo que você tinha participado do Censo como entregador de lanche e virava estatístico provisionado. Na área de demografia você tinha o Lira Madeira que já era um outro grupo diferenciado dentro da estatística que vinha de uma tradição do antigo demógrafo italiano Giorgio Mortara, que veio fugido do Mussolini e ficou aqui e dizem que o Censo de 40 que foi muito bom, foi ele que fez, e que criou a ENCE e que teve uma tradição grande de formar estatísticos principalmente da área de probabilidade e se esgotou ali nos anos 70 que depois por a ENCE é uma escola isolada, não podia ter mestrado, não sei o quê e aquilo ficou formando bacharéis o nível foi caindo... o IBGE não podia admitir... esses problemas da porcaria da gerência do pessoal do serviço público... então o Isaac começou a ficar entusiasmado com o pessoal da geografia, Faissol e Miguel Alves de Lima com certeza foram os que mais privaram da intimidade do Isaac, Geiger também, a Olga, Marília, também e muito do que se discutiu da reforma do IBGE, se deve a participação desse pessoal, e aí a idéia do Isaac de uma geografia, de uma ciência insepulta, ou morta mudou... e aí vai uma observação minha, minha Eurico eu via três grupos de geógrafos, talvez quatro, vamos assim descrever: l. o grupo liderado pelo Faissol que era a geografia quantitativa, mas na formação dos geógrafos, poucos eram geógrafos com idade de 50 anos de idade estavam dispostos a aprender matemática, estatística, o Faissol fez isso, outro era um grupo liderado por Miguel Alves de Lima que era um grupo ainda da geografia, eu vou usar essa expressão, porque não parece conveniente você corrige como achar conveniente também, geografia tradicional, descrições de territórios, descrições das cidades...”

Eurico se refere a Fany Davidovich

- O Miguel Alves de Lima ele é um geomorfólogo , quer dizer, é um profissional que trabalha com descrição da superfície, de todo o relevo e tal, e talvez isso tenha influenciado você... “ Quando eu fui para Brasília em 75, eu pedi um assessor de geografia e mandaram a Catarina Vergolino Dias, que hoje é uma grande amiga, uma irmã mais velha, mas Catarina era seduzida pela metodologia do mapa, ela ia para uma reunião comigo e queria levar mapas, para na frente do Ministro começar a desenhar, onde estava a indústria, onde é que estava a poluição, onde é que estava a corrente migratória, porque no mapa o pessoal vê, daqui pode codificar, eu digo, não Catarina, você tem que levar tabelas, você tem que levar pequenos relatórios, uma, duas páginas, tabelas, gráficos, aquilo não entrava na cabeça dela, gráfico, a tabela era o mapa desenhado...” - Não entrava mesmo, é tradição cartográfica mesmo, que é uma tradição do Miguel Alves de Lima... aprendida com Francis Ruellan “ Um terceiro grupo, era o grupo do meio ambiente que hoje são os precursores do meio ambiente do IBGE que era a geografia física, então tinha um chefe de gabinete do Miguel que era uma pessoa simpaticíssima, baixinho, o Lúcio de Castro Soares, então ele me mostrava com muito orgulho os artigos dele na Revista Brasileira de geografia de l940, 50, 60 os ventos de tal lugar, as marés, os mangues, a floresta, era uma camarada excelente, se a gente pegar um livro da época tem lá. IBG Superintendente - Miguel Alves de Lima, Chefe de Gabinete Lúcio de Castro. Então esse era o grupo, esse grupo me ajudou muito lá quando eu fiz a Reserva Ecológica do Roncador, e o quarto grupo, é um grupo que eu diria assim: dos magoados, que era um grupo de pessoas que foram maltratadas pela revolução, ou tiveram brigas metodológicas com os outros grupos internos e foram segregados, então para o exemplo eu estou falando do Valverde, que é uma pessoa que quando foi à Brasília me visitar lá por conta da Reserva Ecológica do IBGE me pareceu uma das pessoas de melhor qualidade, inteligência e tal, e tinha o Edgar o Kulhman por exemplo... então esse outro grupo de descontentes o Kulhman, o Orlando Valverde que estavam ressentidos. Catarina tentou recuperá-los, não foi possível porque, eu nunca fiz isso na minha vida acadêmica, mas vejo que até hoje se repete, você repele, o Faissol repelia esse pessoal, não aceitava, o Miguel Alves de Lima repelia esse pessoal, na área de geografia física eles também não entravam... e eles por sua vez estavam ressentidos com a situação nacional... - Existia um problema sério no IBGE é que nesse período a geografia física l970 quando eu entrei no IBGE a geografia física estava em baixa por alguma razão que até hoje nunca consegui decifrar bem, geografia humana e a geografia urbana fundamentalmente era a força e aí não sei se aí teve o dedo também de Lysia Bernardes, etc. e tal... “ Lysia Bernardes era outra que o Isaac tinha a maior admiração por ela...” - Exatamente, então o que você percebe é que quando eu entro no IBGE e aí eu entro pensando no contexto de geografia física, já que eu era escalador, eu era um cara de montanha... então eu entro na geografia imaginando trabalhar em geografia física e eu percebo que no DEGEO a geografia física está em baixa... quem está forte é geografia humana e quem está forte na geografia humana é geografia urbana e onde eu acabo trabalhando e onde eu acabo ficando... e começo a perceber que havia pessoas muito poderosas na geografia física como Alfredo Porto Domingues, como Miguel Alves Lima, como a própria Catarina que conhecia muito de geografia física... mas esse divórcio era forte, eu me lembro que grande parte de que se fazia de geografia no IBGE era geografia humana e na geografia humana no IBGE eram geografia urbana e agrária...além do grupo da geografia regional que solicitava apoio dessas duas.

“ Mas aí deixa eu contar o lado que eu sei de alguma coisa de bastidores, eu estava te comentando das patotas, os grupos, que até hoje você percebe na academia, eu não sei fazer isso, a gente sofre com essa história, mas acontece as pessoas ficam mais amigas, tem conversinhas especiais, segregam, nomeiam quem vai para Congresso, protege aquele grupo que vai fazer o mestrado, tudo por aí... o artigo na revista tem sempre prioridade, então esses grupos começaram a ficar muito claros delineados já em l970, mas o Isaac com aquela soberania dele, soberania não, aquele espírito sobranceiro dele pairando sobre esses problemas ele achava fantástico conversar com o Miguel, conversar com o Lúcio, com Faissol, com Geiger, e tem mais um grupo que não são especificamente de geógrafos, mas que conviviam com geógrafos por conta do antigo IBG e que é preciso ser considerado que é o pessoal de geodesia e cartografia, que no passado tinha uma força vamos dizer assim romântica Dalmi, que morreu em Brasília é um grande amigo que eu guardo assim na memória, Dalmi em l939 sai do marégrafo de Torres no Rio Grande do Sul e de cem em cem metros com aquela régua e tal, vai levando a linha de nivelamento que eu vi em l97l chegar no marégrafo de Torres e essa linha que saiu em 39 do marégrafo de Torres chega em l97l no marégrafo de Belém, Belém do Pará, com Clóvis lá do Ceará e o Daomi presente com uma diferença de apenas 42cm, a pé, esse pessoal de geodesia era então assim o carisma o Dalmi conta a história o Alírio Hugueney de Matos que nós homenageamos em l978 um velhinho fazendo noventa anos, nós fizemos uma base lá em Mato Grosso, numa cerimônia à noite, Base Alírio de Matos, o velho não podia falar, estava com falta de ar, oxigênio no velho para não morrer ali nos nossos braços, esse pessoal era o romântico, então, escutavam a BBC para calcular a hora oficial para ter observação das estrelas, latitude, longitude com rádio de galena, porque era período de guerra, as baterias se desgastavam rapidamente, então faziam rádio de galena para pegar a hora do meridiano de Grenwich para acertar os seus cronômetros e pegar os seus sextantes lá no interior do Mato Grosso e marcar as posições, era um pessoal fantástico, romântico, e tal, então foram heróicos na década dos 40, na década de 50, na década de 60... Che Guevara os abençoa, porque como surgiu a idéia de terrorismo na América Latina... os militares perceberam que era preciso mapear, e para mapear tem que ter o apoio geodésico e apoio geodésico toma dinheiro, eles nunca tiveram tanto dinheiro na vida como esse período, os primeiros rastreadores de satélites que foram funcionar no mundo foram nos Estados Unidos e depois no Brasil, porque tinham que pegar ali fronteira da Bolívia, Peru, aquele negócio todo porque os comunistas iam entram por ali, então o exército precisava para fazer mapas na escala de l:25.000, l:l0.000, mas aí o IBGE tinha que mapear a escala de l:50.000, então eles foram os primeiros rastreadores de satélites aquilo era um treinamento no Panamá, no Canal do Panamá, dinheiro a beça, então naquela época se compara ou caminhão, caminhonete, rádio, tudo, barraca, eu dormi no interior do Mato Grosso em barracas americana, se puxava o zíper por causa dos mosquitos era uma beleza...Era rede barraca, ficava balançando e deixava, era uma beleza, fiz tudo isso pela maior glória de Deus e grandeza do IBGE, então o pessoal de geodesia e cartografia na década de 70, tiveram um grande impulso por conta das guerrilhas... Por conta de um trabalho para o Ministério, tive que mapear as barragens no Brasil e Professor Isaac numa vez estava conversando comigo e eu disse: Professor Isaac, mas o esse dado aqui em escala de l:50.000 principalmente é um dado importante para barragens, para estradas também, ele disse: Eurico isso é importante, no dia seguinte teve uma palestra dele na Escola Superior de Guerra, o Isaac disse: Porque o dado geodésico para nós e essa carta l:50.000 vale tanto como uma informação demográfica e econômica porque pode mostrar aqui as curvas de nível para construir uma barragem, construir uma estrada e seus cursos alternativos...” - Eu imagino como os militares adoravam... “ Eu ficava passando, os militares adoravam, mas os Isaac numa dessas reuniões da Escola Superior de Guerra... um coronel lá levantou e disse assim: Se um dado econômico social for contra os objetivos permanentes da revolução o Senhor não acha que esse dado tem que ser escondido da população, não das outras autoridades e tal, que precisa saber, mas da população? O Isaac ficou branco e disse: Essa é a

diferença entre um estado democrático e um estado totalitário, ele pensou, vou sair daqui preso... Então voltando ao grupo quer não era geógrafo, mas de geodesia e cartografia teve muita força e era um grupo muito unido e disciplinado e com uma produção enorme...” - Até hoje a geodesia, a geodesia brasileira é uma das melhores, quer dizer é uma das melhores das Américas, ela só não é melhor do que os Estados Unidos pois o Estados Unidos tem um esquema geodésico muito grande, é muita gente, recursos, mas ela é extremamente, por exemplo, essa parte de GPS ela foi a primeira a implantar no Brasil, a implantar muito bem implantado no IBGE hoje é matéria comum... “ Então esse grupo de geodesia e cartografia nunca nos deu problema, na época do Censo, fazer mapas censitários eles respondiam com bastante eficiência, bastante rapidez, estavam preocupados na produção de mapas temáticos e aí tinham uma ligação com o pessoal da geografia muito grande... Mas na época começou uma brigalhada danada, Projeto Radam e o INPE sobre as primeiras fotografias de satélite e a imagem de Radar, então havia uma confusão Miguel Alves de Lima dizia que o Projeto Radam era uma porcaria, era um blefe, tinham um engenheiro agrônomo baiano, esqueço o nome dele agora...tinha esse engenheiro agrônomo que eu me esqueço o nome que dizia que o IBGE poderia acabar com o Censo Agrícola porque com imagem de Radam e imagem de satélite, fotografia com alta altitude, de alta altitude, faria previsão de safra...” - Naquela época se imaginava isso... - Mas aí imaginar que o Censo Agropecuário no Brasil... que é um negócio muito mais complexo, se limita a prever safra é outra história... O Isaac ficava uma fera com essa história, Miguel Alves de Lima alimentava dizendo que o Projeto Radam era uma porcaria, que o radar, nunca me esqueço dessa explicação, que o radar era na vertical, quando era inclinado as elevações...” - As elevações apareciam sombras, davam sombreamento... “ Então a parte de altimetria nunca era correta, que o dentro da mata Amazônia tinham verdadeiras montanhas, com mais de quatrocentos, quinhentos metros, aí vinha o Lúcio dizia que tinha andado lá por dentro que era verdade...” - Isso aí tem uma história muito interessante que em l974 eu fui num Congresso de geografia em Belém e o pessoal do Radam trouxe uma nova visão da geomorfologia da região Amazônica, a região Amazônica era conhecida como uma planície Amazônica, então era tudo plano, e ninguém se discutia, era plana, etc., e chega o Radam e mostra que não, é plana em termos, quer dizer: existem elevações, etc., e tal, então vamos ter que discutir a classificação de como nós vamos denominar essas elevações dentro de uma área que é em média planície, e aí isso causa um transtorno louco para todos os caras, geógrafos de geografia física que sempre falavam de planície Amazônica e planície é zero a dez metros, quer dizer, então a idéia é essa de zero do nível do mar a dez metros, e os caras não: tem planície, tem montanha de cento e tantos metros, cento e dez, duzentos metros, e isso foi um caos total em l974, porque a geografia clássica, geomorfologia clássica anterior definia a Amazônia como planície e ninguém queria largar disso e os caras diziam, não é assim e etc. e tal e aí tem toda uma discussão técnica sobre o radar do Radam era bom ou não era, se servia para mapeamento ou não... e o Miguel Alves de Lima possivelmente era um desses partidários que era contra ... Já Isaac descobrindo que os geógrafos tinham um nível acadêmico superior, eu estava falando com ele, na área da estatística tinha o Ovídio que era um advogado que virou estatístico, tinha aquele da Indústria que você trabalhou com ele, era um

velhinho fantástico, Florentino uma figura fantástica eu estava falando isso, ele sabia a estrutura da produção da Wolkswagem, da Marco Polo, tudo de cor...” - Ele se identificava com os questionários de tabulações especiais a mão, ele sabia exatamente o que podia e o que não podia fazer, marcava um “X” na tabulação... “ Mas não tinha nível superior, o Rudolph Wenshe sabia fazer as coisas e tal, mas era um quadradão ali da turma, formada no campo desde a década de 40, 50, 60... então o Isaac começou a conversar muito com Miguel Alves de Lima, com Faissol que tiveram uma influência muito grande nessa transformação do IBGE toda, nessa mesma época o Isaac começa a perceber, estamos já falando em 7l que tinha que trazer gente de fora e tinha que mandar gente para o exterior, para fazer mestrado e doutorado...” - Continuar o que a geografia sempre fez, aquela história de mandar pessoal para o exterior existe desde a década de 40... a geografia sempre teve essa política de, sistematicamente, mandar pessoas para o exterior para fazer especialização, pós graduação, etc., e tal... “ l97l, 72 começaram vocês chegar no IBGE...” - 73 foi o período de contratação em massa, 72, 73 foi o período forte em contratações... “ Nesse período foi Sônia, Madalena, Jane, Maristela, essa turma toda, Eurico Borba também fala da questão da urbanização no Brasil e no processo de estruturação das “áreas metropolitanas” , mas imaginando ser uma questão do início dos anos 70, quando, na verdade, o problema já estava na pauta dos geógrafos do IBGE desde meados da década de 60, inicialmente conduzido por Lysia Bernardes sob a orientação de Michel Rochefort e, posteriormente, por Faissol, Geiger, Marília Galvão, Fany e uma equipe denominada Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) no qual trabalharam, além de Faissol e Marília as geógrafas Olga Maria Buarque de Lima e Elisa Maria J. Mendes de Almeida. O grupo já havia publicado na RBG v.31n.4, p. 53-128, out./dez. 1969 um artigo que estabelecia os critérios para identificação e delimitação das futuras áreas metropolitanas, para que fosse preparado um levantamento estatístico especial a ser aplicado durante a campanha censitária de 1970. Mas como Isaac e Eurico, que chegaram em meados de 1970 no IBGE, provavelmente somente tiveram conhecimento desses estudos bem depois, quando o Ministério do Planejamento fez solicitações a respeito do problema. “ ...o governo começou a se preocupar com o problema da urbanização, aí também houve esses acasos felizes, l9..., eu já não sei a data correta, 7l, 72, começou a se discutir regiões metropolitanas e aí, eu estou falando discussão a nível de governo, executivo, quais os critérios para delimitar uma região metropolitana e aí...o Veloso tocou um telefone para Isaac... eu me lembro nós estávamos numa reunião, em que as primeiras PNAD estavam sendo discutidas... ele saiu, me chamou assim, chamou o Faissol e eu tenho absoluta certeza que o Faissol chutou... aquele negócio, ele percebeu a importância do negócio, o Isaac disse assim: O Veloso quer uma resposta para uma reunião com o Presidente Médici se nós temos critérios para fazer Região Metropolitana, o Faissol, quando? Nós podemos fazer... aí eles viraram acham que madrugada, no sábado, no domingo, e tal, eu me lembro que tinha negócio de número de ligações telefônicas, número de passagens de ônibus, foi para definir as áreas... e

logo depois, vocês colocaram na praça e até foi uma edição multiplicada por dois ou três da Revista Brasileira sobre Região Metropolitana, uma capa verde, e aquilo saiu, foi enviado uma mala direta e o Veloso começou a gostar da idéia...” - Já existia no DEGEO, por conta do Faissol, já existia um grupo chamado, quando eu entrei em l970, já existia um grupo chamado GAM que era Grupo de Áreas Metropolitanas, em que ele já estava preocupado com isso, porque que ele tinha conhecido nos Estados Unidos a história das Standard Metropolitan Statistical Area (SMSA) é um termo específico de definição de áreas metropolitanas e de definições estatísticas de áreas metropolitanas nos Estados Unidos. Ele tinha percebido esse processo no Bureau of Census dos Estados Unidos, tinha visto que isso era extremamente importante para o Governo Americano em termos de planejamento para transporte, integração, telecomunicações, etc. e tal... O DEGEO já estava trabalhando com isso em períodos anteriores, mas dentro de outros contextos... e aí você vê como o negócio tem ligação, Lysia Bernardes apresenta a idéia de que a rede urbana brasileira estava se modificando... a população urbana brasileira estava crescendo, estava começando a sobrepujar a população rural, coisa que na década, no Censo de 60 começa a mostrar isso, mais o Censo de 60 foi um Censo problemático... que não pode fornecer bons dados para esse tipo de pesquisa imediatamente... os geógrafos urbanos do IBGE já haviam percebido que estava acontecendo, mas sem certeza estatística... em 70 esse negócio ocorre e já é mais visível em outras áres do governo. Porém, as primeiras discussões aconteceram entre 60 e 70, a Lysia Bernardes começa a perceber isso através dos estudos do francês Michel Rochefort sobre rede urbana, estudos de redes urbanas, quando ela chefiava a Divisão de Geografia após 1964 e o Faissol pega essa idéia em 1868... quer dizer, a Lyzia vai para o IPEA, sai do IBGE vai para o IPEA e o Faissol pega esse mote... ele vai aos Estados Unidos, como ele tinha muito mais ligação com os Estados Unidos, ele tinha feito doutoramento nos Estados Unidos e começa a perceber que nos Estados Unidos essa questão é importante, etc. e tal, ele pega a tecnologia e todo o aparato estatístico, que isso era feito nos Estados Unidos e aí que de uma certa maneira começa a história, um pouco capenga, começa a história da Geografia Quantitativa que no fundo, no fundo, não é a geografia quantitativa é muito mais uma visão de um indivíduo que está numa área, numa agência de governo de planejamento, dele começara perceber o que é importante para municiar o planejamento de governo e aí, a história de geografia quantitativa acaba surgindo muito em função de uma questão de o Faissol perceber essa questão, isso aí que você está mostrando exatamente esse ponto... “ Mas tinha brigas internas grande, por exemplo eu me lembro o Miguel Alves de Lima, foi uma ou duas, várias vezes... ele dizia para o Isaac e para mim... o que esse grupo que estava fazendo... não era Geografia... eles não estão fazendo Geografia... e Catarina, que era muito mais livre no falar, amiga do Faissol, o pessoal gostava muito dela, eu me lembro lá, me lembro lá em casa em Brasília os dois praticamente se atracavam porque ela dizia assim ... você está traindo a Geografia, você está fazendo mal feito o trabalho que sociólogo, economista, demógrafo... você não tem formação específica para isso... nossa formação é para conhecer o território, a ocupação, escrever, descrição... então as brigas eram sérias e aí eu acho que nessa das áreas metropolitanas o Faissol forçou um pouco a barra, o Faissol percebeu que ele poderia ser para o Ministério do Planejamento, um instrumento de planejamento... o Veloso só aceitou porque achava que era um serviço que o IBGE estava prestando bom e que tinha o aval do Issac. O que o Isaac pedia para o Faissol, ele sempre dizia assim: você testou isso com o Lira Madeira? Testou isso com fulano e tal? Ele nunca deixava de falar isso, mas sempre falava isso e as vezes o Faissol ficava magoado e vinha se queixar para mim: o Isaac pensa que eu vou fazer uma coisa dessa? - Eu digo não, é uma coisa importante e tal. Eu falo lá e a o Lira Madeira, Valéria Mota Leite que trabalhava nesse histórico, na área de economia estavam chegando outros, a Maristela várias vezes checou coisas do Faissol... Um outro ponto da época foi a divisão em Meso Regiões... o Veloso sempre falava muito bem do trabalho de

Micro Regiões Homogêneas e logo depois dessa Lei o Faissol saiu correndo atrás e publicou Brasil em Meso Regiões ...” Este processo de regionalização em microrregiões homogêneas inicia-se em 1967/1968 e foi coordenado, primeiramente por Lysia Bernardes como chefe da Divisão de Geografia e de 1968 em diante por Marília Galvão que assume o Departamento de Geografia. O processo de regionalização em mesorregiões foi trabalhado por Faissol em 73/74 para ser adotado nos censos econômicos de 1975... “ Antes de você ir... deixa eu contar esse último fato... uma coisa importante para se estabelecer um contraste: Aí o IBGE teve uma função fundamental na definição das áreas metropolitanas e toda vez que esse problema de urbanização aparecia o IBGE era chamado, eu me lembro o Jorge Franciscone ficava uma fera... porque o Franciscone tinha sido nomeado para coordenar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, e aí era o Veloso... que dizia para o Roberto Cavalcante, que dizia para o Franciscone, Jorge Franciscone, já checou com o IBGE? Isto é, era o IBGE que batia o martelo nessa história..., porque aí a palavra final que tudo que se tratava de urbanização passou a ser do IBGE... Da questão das áreas metropolitanas, Eurico passou a relembrar o processo administrativo do IBGE na gestão de Isaac, com a restruturação administrativa da casa e a luta de Isaac com outras agências de planejamento econômico... “ Bom, mas então voltando ao Isaac sobre sua relação com o Departamento de Geografia e com os geógrafos do IBGE lá nos anos 70. Com a criação do IBGE a Lei 5878 em maio de 73 eu passei a Diretor Geral foram criados a Diretoria Técnica, a Diretoria de Informática, a Diretoria de Formação, a Diretoria de Geodesia e Cartografia, a Diretoria de Divulgação e a Diretoria de Administração, a Diretoria Técnica foi entregue ao Amaro Monteiro e tinha Superintendências Estatística Primárias, Estatísticas Derivadas, Estudos Geográficos e Sócio Econômicos e Recursos Naturais, aí já estava começando a surgir efeito a política voltada para o médio e longo prazo do velho Isaac...de contratar gente já com alguma formação, mestrado e doutorado e garantir aos funcionários do IBGE idas ao exterior para cursar aperfeiçoamento e fazer então mestrado e doutorado e aí nos anos de 74, 75. Foi um trabalho muito grande de estruturação do novo IBGE, o quadro de pessoal os critérios de promoção, verdade seja dita, o Ministro Veloso e o Mário Henrique Simonsen que estava no Ministério da Fazenda nas época nunca negaram nada ao Isaac... sempre foi possível nós garantirmos o nosso orçamento... em termos legislação se cita sempre a Lei 5878, mas se esquece de duas leis muito importantes, uma dela foi implementada com bastante vigor e a outra ficou no papel por dificuldades políticas que nós vamos mencionar aqui. Uma diz respeito ao plano de formação estatística e geográfica e cartográficas, estabelecendo periodicidade, abrangência e tal, isso foi implementado e tudo bem, e a outra é o problema da coordenação do sistema estatístico nacional que é confuso, porque na época como se falava muito já em geodesia e cartografia, geografia, estatísticas primárias, estatísticas derivadas como uma única unidade de estudos e reflexão sobre o Brasil, nós começamos a ter oposições muito sérias que pouca gente sabe..., que foi muito pouco explorando... Enquanto o IBGE, principalmente o lado da geografia por seus estudos de urbanização, metropolização, vários artigos sendo publicados na Revista Brasileira de Geografia era mais conhecido nas esferas de governo, e os primeiros resultados sobre Censo Demográficos de l970 também ajudaram... Por outro lado, no campo entre a Economia e a Estatística... depois as primeiras tentativas de construção da tabela de relações intersetoriais, as tabelas de insumo-produto e depois a idéia da construção do Índice Nacional de Preços do Consumidor, o restrito e o ampliado, até oito salários mínimos e até trinta salários mínimos, que partiu daquela grande pesquisa o ENDEF - Estudo Nacional de Despesa Familiar realizado em 74 e 75..., veja como isso tudo era encadeado... treinamento de pessoal, formação de pessoal, reestruturação da estrutura do IBGE, nova legislação, tudo isso sendo feito, visando a

75 nós começamos a sofrer elegantemente um bloqueio..... quando eles perceberam que nós queríamos isso.. que se fala a cada momento de propósito.. quando começamos a colocar as primeiras tabelas na matriz de insumo-produto para fora e começaram os primeiros resultados do PNADs consistentes.. Isaac isso é uma traição. Presidente do IPEA e que virtualmente deu um pulo da cadeira. etc.Existe um ponto interessante que sempre é colocado contra Isaac e Eurico. quem assumiu foi o Faissol a aceitação foi tranqüila e a liderança dele foi tranqüila... O Isaac disse assim: Veloso o IPEA está com seus dias contados. o futuro do IBGE é fazer isso tudo e fazer grandes convênios com as Universidades. quando nós saímos em l979... o Veloso deu uma risadinha e disse: Isaac você continua um professor e o Élcio Costa Couto deu um pulo da cadeira: Isaac você é um traidor.. 77 quando começamos apurar o ENDEF.” Ao Faissol é creditado a famosa matriz de quatro mil municípios de migração. sistematizar. a Maristela Santana por exemplo na área de economia... como o IBGE divulgou na área de geografia. a Teresa Cristina.. mas a partir de 76.. o Isaac disse para o Veloso isso numa reunião estava presente o Élcio Costa Couto que era o Secretário Geral do Ministério. com sociólogos. engenheiros agrônomos. já estávamos bem adiantados para os estudos para o Censo Demográfico de 80 e Faissol liderou aquilo dialogando tranqüilamente com economistas.” . Quando essa idéia começa a transparecer e os nossos adversários só foram perceber isso lá pelos idos de 74. e aí começa uma interação muito interessante e muito fácil com o trabalho que os geógrafos vinham desenvolvendo.. já estávamos extremamente bem programados.. e o IBGE nesse período terminou com essas . na escala de município e ele conseguiu isso realmente as duras penas ele conseguiu bancar esse projeto. 77. de IPCA até esse momento 76. que infelizmente quase não foi utilizada e acabou saindo do censo de 91. o término do Boletim Geográfico e o término do IBGE como área formadora do corpo docente de Geografia. de um lado por conta do IPEA e do BNDES... a hegemonia intelectual dos geógrafos se fazia sentir de uma forma muito marcante. analisar e divulgar informações. começamos com os primeiros testes do INPC. sociólogos começam a chegar ao IBGE. anuais. você quer acabar com o meu instituto. inúmeros só os trabalhos sobre cerrado que o IBGE fez naquele período..... A área que ministrava esses chamava-se de divisão cultural e vinha desde seus primeiros da década de 40. o José Burle de Figueiredo. ele deixou de ser Diretor Técnico. através dos cursos de professores de primeiro e segundo graus e de professores universitários.. Eu e Professor Isaac redigimos isso com cuidado auxiliado pelo Clóvis Zobaran Monteiro. que foram reclamar com o Ministro Veloso que o IBGE nos termos da legislação e é importante que vocês vejam isso na 5878.. geografia física. eu não sei se você lembra disso..... porque ele queria uma matriz de migração inter-municipal na medida do Censo de 80 que pudesse mensurar migração interna no Brasil no nível.. a Jane Souto. econômicas. geomorfologia. 77. todo esse pessoal. bem formada e de doutorados.. então elegantemente nós fomos sendo bloqueados nessa pretensão de expansão do IBGE. Quando em l978 se eu não me engano. compete ao IBGE coletar... Até l976. você nunca disse isso para mim. na Lei das Informações Geográficas e Cartográficas e Estatística e na Lei do Sistema Estatístico Nacional. para trabalhar no segmento entre Estatística e Economia. a Madalena Cronenberg. “ Eu acho que tem várias coisas que a gente podia chamar a atenção para um problema de publicaçõe. essa era a idéia do velho Isaac. economistas. analisar também. a Sônia Rocha. começa a vir um outro grupo de pessoas inteiramente diferente.. o Ramonaval.criação daquele grande instituto que seria o instituto capaz de escrever e interpretar o país em todos seus aspectos relevantes ao planejamento. para fazer estudos prospectivos para avançar teorias sociológicas... os principais interlocutores do Professor Isaac continuavam a ser os geógrafos. houve um problema interno com o Amaro da Costa Monteiro. grandes convênios com o Centros Internacionais para fazer análise de dados.

. Além isso. que não viam mais sentido na publicação e que era importante fortalecer a Revista Brasileira de Geografia..” . 79 da área de recursos naturais eram uns livrinhos assim sobre orquídeas do Brasil.. e tal.. mas o problema e que a visão setorializada versus a visão do Isaac que era uma visão integrada. Isaac e eu uma vez falando disso já estávamos tão preocupados com o andamento dos recursos naturais.. mas o primeiro repique que me dá na memória é que Miguel Alves de Lima e Faissol juntos é que sugeriram a Isaac o término. quer dizer. dentro da visão da grande instituição capaz de fazer a descrição do país e capaz de analisar todos os problemas sociais.Ou os trabalhos do Assis Ribeiro que foram publicados. uma foi o Boletim Geográfico que era uma revista paralela a Revista Brasileira de Geografia e o outro era esses famosos cursos de formação de professores..... achavam que aquela história deveria estar sendo colocada a nível de Departamento no máximo do Departamento de Geografia Física revitalizada etc.. que se não me engano ele era o editor. não tinha gente com formação específica em recursos naturais... todos eram contra dizendo: isso é bobagem.. O Boletim Geográfico eu me lembro e posso estar errado.... conversando com o Isaac resolvemos.. como surgiu os Recursos Naturais dentro do IBGE. isso novo nome para o que nós fazíamos na década de 40 em geografia física. gostava muito do Isaac. naquela época em l974. 75. depois foi ser superintendente do Jardim Botânico até recentemente quando faleceu. reagiram mal à Superintendência de Recursos Naturais o Miguel Alves de Lima. e o Paulo Assis Ribeiro era um verdadeiro pioneiro nessa área dos problemas ambientais e já tinha criado cursos. quer dizer. que o Wanderbilt não conseguia mobilizar gente. e mas aí todos os geógrafos foram contra a idéia de recursos naturais... publicações do ano de 78. por ter uma visão muito setorizada da questão.... os geógrafos reagiram muito mal. e aí nós tivemos dificuldades até o final do mandato do Isaac de encontrar uma pessoa com liderança intelectual capaz de levar a frente o projeto de recursos naturais. o Isaac dizia: o Paulo de Assis Ribeiro poderia conversar com o Censo Industrial e verificar através de um cruzamento de dados que produtos que utiliza o seu processo produtivo que estão a poluir atmosfera e dali sair amostras e etc.. Faissol. que gostavam e tal.. de ele ter existido... escrito coisas sobre os problemas ecológicos e então o Isaac convidou-o para ele ser o primeiro Superintendente. Clube de Roma. porque logo depois surgiu um câncer no pulmão e ele faleceu logo depois.. que chegou a um determinado momento não sabia o que ia fazer com aquilo por falta de gente. entregar o problma para velha guarda e chamamos o Kuhlman entregamos os recursos naturais. Eu queria fazer uma menção ainda a um outro problema. Ele ajudou muito na redação do texto da exposição de motivos da Superintendência e ficou conosco não mais que seis meses. dá a impressão que o divórcio havia terminado.. mas o outro aspecto eu não me lembro.duas atividades. Então. econômicos. essas coisas e nós conhecíamos bem porque Paulo de Assis Ribeiro foi professor da PUC e era muito amigo nosso. que existiam problemas.. ele ficou no IBGE.... eu acho que o único que se opôs a isso foi o Lúcio de Castro Soares.. trabalhos dele.. “ Curso de formação de professores eu nem. árvores do Brasil.” .. tinham pessoas que acreditavam. era um ótimo botânico.. quer . você pega por exemplo..mas isso o Wamderbilt não conseguia fazer.” . Catarina. tinham curiosos.No início dos anos 70 já estava presente a discussão do problema ecológico. “ Foram publicados pós-mortem. não me lembro nem do tema. me lembro não tenho a menor idéia. quem sucedeu o Paulo de Assis Ribeiro foi o Wanderbilt Duarte de Barros que é excelente pessoa.. e aí foram todos...Você não lembra como isso acabou? “ Não. mas não tinham formação específica.Mas eles achavam como que essa área de geografia física seria revitalizada? Porque como você fala..

76. talvez não tivesse a força.. havia um divórcio bastante grande entre a geografia humana e física e a geografia física era alijada completamente e era considerada menor.. de ocupação. um rejuvenescimento. que nós voltamos à idéia de entrega para o pessoal de geografia física..” O contexto em que o Paulo Assis Ribeiro pensava foi o que vingou.. Amazônia .. etc... inclusive poluição.E aí é que entrou um negócio interessante.. a corrente Faissol. quer dizer. mas eu acho que havia uma questão de poder. não sei.... não por necessidade. bem jovem no IBGE.. Geomorfologia. você não pode separar a física da humana. as coisas ficam interligadas..” .o divórcio se dá na década de 60. e terceiro eu Isaac por conta. e sim uma visão integrada de meio ambiente. dizendo que esse troço de ecologia era geografia física com outro nome..” . não sei o quê e eu fui fazer outra coisa dentro da geografia.. de população.. eu acho que muito pelo contrário.. ele teve uma grande contribuição... o Paulo Assis Ribeiro pegava. 75.. e isso é um negócio que até hoje é muito mal digerido por alguns geógrafos humanos. você tinha um divórcio entre geografia física e geografia humana e o Radam entra.. com censos econômicos. da Climatologia. esse é um ponto extremamente interessante para mim porque eu tento entender qual foi a razão do divórcio. “Mas em 1973.Mas não podia ser uma recriação de geografia física. e ele será o mecanismo moderno da geografia física.. sei lá depois da quinta ou sexta excursão. planta.. a coisa acontece. são três idéias que vamos discutir aqui. que até hoje não é muito explicado. eu acho que não. acredito que seja uma relação de poder. alguns geógrafos humanos acham que estamos perdendo poder. que estão fazendo a geografia andar. se viu que não tinha mais graça. já estava lá a Superintendência de recursos naturais.... biologia.. o élan da época. era aquele negócio de ver solo. geologia. onde. mas aí nós saímos em 79 o negócio degringolou e ... porque todos os geógrafos da velha guarda foram formados dentro da geografia física. um divórcio que é estranho.. uma separação entre física e humana. depois o Paulo de Assis Ribeiro tinha uma outra visão que era capaz de integração com demografia.. em que Eurico e Isaac imaginam em 76. que nunca foi devidamente discutida. os grandes diagnósticos. até porque todas as atividades humanas tem a ver dentro da física e algumas coisas físicas tem a ver dentro da humana. mas veja bem. havia uma questão de liderança.Por exemplo.” . e aí não é uma crítica ao velho Wanderbilt. climatologia.. do contraste entre o pensamento de Paulo e de Wamderbilt.isso deve ter batido de frente com esses geógrafos. ou uma recriação de uma área de geografia física que continuava sendo desconsiderada pelos geógrafos que estavam no poder... quando eu entrei em l970. “ E aí a área de ecologia que poderia ser o vetor recuperador de geografia física. com a Lei. acho que a geografia só vai poder caminhar se integrar-se à geografia física e a outras ciências do meio ambiente.. gostem ou não. foram formados dentro da Geomorfologia e dentro da Biogeografia.... são os famosos diagnósticos integradores.. onde ficava a história Radam e onde o Radam se enquadra direitinho dentro dessa estrutura do IBGE e onde ficou claro até hoje esse problema. ele disse que chegou o momento.. só para ficar claro...... e acredito que esse ponto. por vontade. e que o IBGE já vinha fazendo isso desde l940.. “ O Faissol me conta que jovem.. a corrente Miguel. mas não era a visão que se queria. esse é o ponto onde entra o discurso do Edson Nunes..... primeiro os geógrafos todos.. saiam naqueles carros de excursões pelo interior e ele me disse uma vez porque que mudou de área.dizer. “ E esse pessoal não pegava. a idéia de.

“ Mas aí quando eu sai com o Isaac em setembro de 79..Esse mestrado de ciências políticas foi feito onde? “ Foi no IUPERJ.. Cadê a velha guarda? E não encontrava ninguém.. então esse é o caminho. para a fazer vestibular de medicina. lá no IUPERJ eu tive uma experiência. Iniciaremos com sua vida acadêmica no IUPERJ e sua ida para o doutoramento de Ciência Política na Universidade da Califórnia em Berkeley. que ficou 16 meses no cargo. achou muito fácil. Edson Nunes foi um dos principais articuladores do programa de governo de Tancredo Neves. “ Carreira é uma coisa rápida e biográfica é isso. em determinadas áreas aquela área ia para frente.. convertido tragicamente em governo de José Sarney e acompanhou de perto a gestão de Edmar Bacha no IBGE.. Nunes também foi um espectador privilegiado do processo de absorção do Projeto RADAMBRASIL pelo IBGE em 1985. e era o governo militar . culminando com saída de Nunes e estabelecendo uma intervenção do Ministério do Planejamento através de Celsius Lodder que fica até a posse de Charles Curt Muller.. Carajás. mas pensaram certo. Minha carreira é o seguinte: eu me matriculei. que acabou por gerar uma crise... em substituição aos 18 meses de Edmar Bacha.legal.. por ordem cronológica. etc... pois não.” . fiz mestrado em ciências políticas e aí me alojei definitivamente na profissão. a liderança de pessoas no IBGE não só o Faissol na geografia.. cansou-se da medicina. “ Gestão Edson de Oliveira Nunes O próximo presidente. acompanhando as discussões entre Ministérios e influenciando nas decisões. se formou nas duas. principalmente no que concerniu às articulações da montagem da Comissão de Reforma Administrativa (CRA).. em l992 ficava berrando nos corredores. tipo CEBRAP que era a institucionalização dos institutos de pesquisa fora da estrutura estatal.que eu comecei em l972. nós imaginávamos que a situação da geografia estava bem equacionada e aí. foi fazer direito. daí para a frente oscilou entre as duas. quando o IBGE tinha determinados líderes bons. que acabou sendo parcialmente implementada em sua gestão. que talvez seja parecida no futuro com outras coisas.. mas que o IUPERJ estava passando por uma fase muito interessante nos institutos semelhantes do Brasil. você tinha o CEBRAP também no mesmo processo. Sua gestão foi fortemente conturbada por movimentos sindicais que instituíram um regime de greves tão sistemático.. pois é em Berkeley que se estruturam os laços de companheirismo com uma elite de profissionais que viriam a representar papéis importantes no governo brasileiro da Nova República e após. e foi o que eu não encontrei em l992. gerenciamento costeiro. veio estudar em Niterói.. A importância do papel de Nunes no IBGE inicia-se muito antes de sua posse em janeiro de 1987. a dar seu depoimento para esta pesquisa foi Edson Nunes. cansou-se do direito e resolveu simultaneamente fazer ciências sociais. Mas eu acho melhor falar 92 num outro dia. vocês pensaram grande para 1975. os rimas. eu sou um homem do interior..

havia uma pletora de recursos, o FNDCT, o FNDCT com bastante recursos e IUPERJ começou a se institucionalizar e fizemos um braço de pesquisa no IUPERJ e eu era o coordenador desse braço de pesquisa eu fui o coordenador, o diretor, o nome que tenha de pesquisa do IUPERJ de 72 até 78... O meu preceptor, ou orientador, ou mentor, era orientador de teses o professor Vanderlei Guilherme dos Santos, me ajudou fazer essa área e montamos então o braço não acadêmico do IUPERJ... Fiz uma tese de mestrado preocupado com isso, como é que é essa coisa de ter um instituto que é acadêmico que faz mestrado e doutorado, e faz pesquisa aplicada... a tese de mestrado. Divisão Social do Trabalho Intelectual... pensando nisso...na instituição, são carreiras acadêmicas e são essas pesquisas aplicadas, a banca era formada pelo Professor Vanderlei Guilherme dos Santos, pelo professor Edmundo Campos e pelo Professor Simon Scchwartzman, cujo me mandou refazer a tese toda, leu disse: não tá bom, você escreve bem, escreve rápido, faça outra...assim fiz... Depois disso eu fui para os Estados Unidos fazer doutorado de ciência política, passei um ano em Chicago, e o resto do tempo em Berkeley, fazendo doutorado em Berkeley, acabei o processo, em quatro anos e meio eu consegui matar a charada do doutorado com tese e tudo... A estadia em Berkeley durou até 84, 85 por aí... muito agradável porque Berkeley e Stanford se mostraram duas Universidades fantásticas, Universidades irmãs, com um programa conjunto de estudos latinos americanos e junto com alguns professores de Berkeley chamado Albert Fishllow, outro chamado John Worth que é um historiador especialista, um brasilianista, outro chamado David Collier, outro chamado Hilgard Stemberg que era um geógrafo brasileiro... que era professor em Berkeley, nós montamos um programa de estudos brasileiros que conseguiu um apoio financeiro substantivo de uma organização - possivelmente eu vou lembrar do nome durante mas cujo o executivo era o Keneth Maxwell que é um historiador, também brasilianista... que saiu de Portugal, etc., gostou do projeto, a organização era a Mellon Fundation... e tivemos três anos de um programa de economia política do Brasil... esse programa foi muito interessante e eu fiquei acabando o doutorado e trabalhando como coordenador do programa que deu uma experiência muito boa nos Estados Unidos, que de novo eu trabalhava numa área para-acadêmica, tinha meu escritório, no centro de estudos latino- americanos e trabalhava com essas pessoas, trouxemos vários professores brasileiros no período que conheci na academia brasileira, e latino americana, trouxemos o Didier O´Donnel que estava na Argentina e depois veio para o Brasil, trouxemos o Roberto da Mata para a lecionar, trouxemos Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso foi um programa muito ativo e recebemos vários visitantes e firmamos um convênio com o IUPERJ que deu início a coisa que hoje é comum no Brasil, que eram os estudos sanduíche, os estudos sendo as bolsas sanduíches ou bolsas de aperfeiçoamento... e recebemos vários para profissionais interessantes, Maria Hermínia Tavares de Almeida, teve um tempo conosco, Andréa Calabi teve associado ao Centro, quando acabava sua tese de doutorado, José Antônio Lavareda que estava acabando... sanduíche foi com o IUPERJ no grosso, Lavareda que hoje é um analista do Fernando Henrique Cardoso esteve conosco, ou seja, foi um programa muito de sucesso e aí formou-se nesse programa uma ligação entre vários amigos, Andréa Calabi estava lá, Paulo Zagen que hoje é Diretor do Banco Central... também dividia a sala conosco, Gerald Hayes que fez o doutorado em Busines Administration e hoje é membro do Conselho de Reforma do Estado, sócio da CONCENP junto com Calabi, também esteve lá fazendo o doutorado, Vanilda Paiva esteve por lá, o René Dreifus*** andou por lá, ou seja, foi uma época, muito rica e com esses recursos, nós fizemos, publicamos um livro nós estados Unidos John Worth e eu Tom Bogadshulth publicamos no Brasil, fizemos conferências isso estreitou muito os laços numa comunidade de cientistas sociais, o Fishllow é muito amigo de Edmar Bacha, e daí deu-se por conseqüência que fizemos um livro que está publicado nos Estados Unidos onde existe, no qual existem artigos de Pedro Malan e Régis Bonelli, Pércio Arida, André Lara Resende, Andréa Calabi, eu próprio, com Bárbara Guedes que é uma moça que hoje é uma professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Roberto da Mata, certamente... um grupo de professores brasileiros, etc., etc.

E essa estadia nos Estados Unidos, principalmente a fase que eu era coordenador do programa de estudos brasileiros com recursos e atividades, me permitiu fazer uma séria de atividades em San Francisco eu fazia programa de rádio, fazia atividades e ao mesmo tempo montamos essa rede de relações, porque Pércio Arida estava no MIT fazendo alguma coisa, o André estava não sei onde, ou seja, estabeleceu-se uma rede de conexões que acabou-se mostrando uma máfia, no bom sentido... meio de Berkelry, meio de doutorando no exterior cuja... no grosso entrou no poder em l5 de março de l985... portanto eu voltava dos Estados Unidos em dezembro de 84 numa situação muito esdrúxula, o IUPERJ já não me reconhecia mais, eu já tinha passado, não conhecia o pesquisador, não existia essa figura que era eu... então eu vim para a ser um pária, eu não era... nem professor, nem pesquisador e era PHD em hora imprópria... o grosso das pessoas do IUPERJ não tinham acabado o doutorado e também não me queriam porque eles não tendo acabado... como é que eu ia entrar no lugar deles, quer dizer, ficou uma situação esdrúxula, que foi resolvida, quando a partir de dezembro, novembro, dezembro de 84, ficou claro a montagem do governo, João Sayad seria o Ministro (Planejamento) e esses mesmos amigos que acabei de falar eles estavam todos envolvidos na mesma coisa, então começamos a fazer reuniões informais sem a menor noção, nenhum de nós entendia onde é que era o governo, o quê que era Brasília...” - Como era Brasília... “ Onde era Brasília, nós sabíamos, governo é uma coisa de militar corrupto que tem umas mansões muito grandes e que nós vamos lá e não sabemos o que fazer, eu me lembro de várias e várias reuniões na casa de Calabi em São Paulo, montando para a cá e para a lá, dá-se o homem, o Tancredo se elege, vamos nós para a Brasília, em março, em começo de março... não tínhamos dinheiro para a ir, a FIPE pagava hotel de todo mundo... bancava todo mundo, estamos lá e todos sentados no meio fio no dia quatorze vendo, o Tancredo ser enterrado, começou um governo no qual o João Sayad na área de planejamento era o Ministro, Andréa Calabi era o Secretário Geral e eu era o secretário Geral Adjunto, e nosso pânico com o setor público era absoluto, nenhum de nós tinha vivido com o governo exceto Andréa que tinha trabalhado com Serra e Sayad no governo de Montoro em São Paulo, eles tinham um pouco de noção lá...” - Mas aí é uma noção de São Paulo, não uma noção de Brasília... “ E a gente chegava lá com medo, tinha medo das Secretárias, medo dos Assessores e ao mesmo tempo tinha recomendações de Delfim deixou recomendação de dois ou três, o outro falava de dois ou três, ou seja, tivemos que entender uma Brasília que para a nós era incompreensível, estávamos muito medrosos, mas ao mesmo tempo tínhamos que tocar o barco, e chegamos ainda a um governo que não imaginávamos... tínhamos imaginado o governo Tancredo e tínhamos o governo Sarney, complicado, conflitivo com a Fazenda... E a minha carreira então que tinha sido voltada para uma atividade para- acadêmica, ficou claramente para-acadêmica... eu me sentei na cadeira de Secretário Geral Adjunto... que tinha, por um lado, obrigação de supervisionar o IPEA, órgão do qual eu morria de medo, porque o IPEA para a mim era um mito, como é que eu podia falar alguma coisa para o Régis Bonelli, para o Eustáquio Reis, para a aquela gente que para a mim eram amigos de praia... mas ao mesmo tempo tinha por eles um respeito... tinha que supervisionar o IPEA, tinha alguma supervisão com relação ao IBGE, mas que ficou com Edmar Bacha, portanto estava distante e fizemos uma divisão de trabalho na Secretaria Geral, Andréa Calábi gostava daquilo que seria as áreas duras de governo (hard) indústria, finanças e etc., e ele não gostava das coisas que chamava de soft que era Ministério da Cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, todas essas coisas ficavam por minha conta, então eu cuidava do orçamento de quatro ou cinco Ministérios, Andréa cuidava das coisas importantes na cabeça dele, isso me deu uma convivência permanente com um grupo de cientistas que já eram meus amigos por causa de Ciência e Tecnologia... tudo uma convivência com o pessoal de Ciência e Tecnologia, por causa de Cultura, Educação

e fui aprendendo nesse processo, perdendo medo, ganhando medo, etc., entrando nessa carreira par-acadêmica, dá-se aí uma primeira aproximação com o IBGE... quando começam as discussões sobre o Projeto Radam...” - A vinda do Projeto Radam para o IBGE ?... “ Não, não, isso foi posterior... na época o que corria, era a extinção do Radam, mesmo... havia e não lembro... para a te falar a verdade, não lembro de onde surgiu isso... mas me lembro que havia a idéia de extinguir o Projeto Radam...” - Ele era do Ministério de Minas e Energia... “ Minas e Energia, eu não sei porque cargas ... ele estava na Bahia, ele estava sediado na Bahia... eu não sei porque cargas d’água alguém encasquetou que tinha que fechar o Radam... outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao IBGE. Meu contato, porque o meu contato acontece: é o seguinte eu tinha relação com o pessoal do IBGE que era o Bacha, Edmar Bacha e meu querido amigo, meu fraterno amigo, meu irmão Régis Bonelli que era o Diretor Geral de Edmar Bacha, então eu tinha com isso a melhor relação possível, e... mas como Secretário Geral Adjunto, encarregado das áreas soft, portanto, Ciências e Tecnologia, portanto, Radam o que quer que seja, o Andréa Calábi ou o João Saiad, olha Edson isso é um problema, você cuida aí desse Radam, com a seguinte coisa não me arranje problema com Renato Archer, faça o que quiser, mas não me arranje problema com Renato Archer, tá ali um menino, eu já não era um menino, eu tinha 36 anos por aí eu estou fazendo cinqüenta anos esse ano, eu tinha por aí, tá ali um menino ainda apavorado pelo governo e tem esse negócio de Projeto Radam, e não criar confusão com Renato Archer que é um mito e com o secretário geral dele Luciano Coutinho que era um homem muito doce, mas um homem muito competente. Bom eu não sabia o que era o Radam e aí comecei a perguntar as pessoas o quê era Radam e a cada vez que eu me informava eu ficava mais assustado, porque primeiro eu comecei a ser procurado por coronéis, capitães, generais, cartógrafos de toda natureza, foi pedindo audiência, audiência para a falar comigo e os generais, os coronéis e tudo mais e ainda me mandavam falar ainda com gente da Aeronáutica porque tinha aerofotogrametria, tinha interpretação de imagem de satélite, etc., e me diziam eles são bons, são competentes, mas são muito indisciplinados, são desordeiros e indisciplinados, você tem, nós temos que botar no IBGE, mas tem que discipliná-los e eu ficava com medo, eu já estava com medo de estar em Brasília, já estava com medo da burocracia, com mais medo eu estava dos militares, eu tinha sido devidamente preso em 68... aquelas coisas todas, ficava assustado com isso, por outro lado tinha o pessoal do Luciano Coutinho, que também não entendiam bem que porcaria de Radam era essa, mas me procurava e dizia: o Edson pelo amor de Deus, para com esse negócio de Radam, o Renato quer isso, o Renato Archer, quer...” - Qual era a idéia do Renato Archer sobre o Radam, o quê ele imaginava? “ Botar no CNPq, eu acho que era isso, botar como um dos Institutos do CNPq...” - É como seria uma espécie de INPE, um desses Institutos... “ INPE, um desses Institutos, e tinha o grupo da CPRM que não queria lá o Radam, mas achava que não podia acabar com o Radam, não pode acabar com o Radam. Bom, primeira convicção que eu tive não pode acabar com o Radam, essa eu firmei fácil, segunda convicção que eu firmei, é de que não podia entregar para o Renato Archer, engraçado, eu gosto do Renato Archer, sempre gostei, gostava, sempre gostei dele ...” - Mas você achava que seria a criação de mais um outro órgão...

“ Primeiro criar um órgão onde eu acho que não devia criar, segundo que não era um órgão acadêmico como os outros de Institutos do CNPq, tá certo, não tinha a ver com os outros de pesquisa de ponta do CNPq, terceiro porque eu me identifiquei com alguns militares, eu acho que era atração desenvolvimentista dos militares... nessa época eu me dava com dois grupos de militares, lidava com o SNI e com a Divisão de Segurança e Informação... que tinha um coronel lá que andava conversando conosco e era direita clara...visitava, falava sobre as greves e tinha que me prestar contas, e me prestava contas porque... o Ministro não queria falar com ele, o Secretário não falava com ele, lá eu falava com o coronel... e adorava a informação dele, ele me dava mapas de greves... que me dava para a fazer análise política... onde é que estava as tensões no Brasil e eu incentivei o homem adoidado que ele tinha uma máquina enorme, eu disse: coleta isso aí para a saber onde está o conflito, como é que é, era uma bela sociologia, pena que acabou... Mas ele não sabia fazer uso disso, ele me dava isso e ao mesmo tempo queria botar umas escutas em fulano e beltrano, mas um outro lado do Exército me encantou, os cartógrafos me encantaram num certo sentido, primeiro que achei gente, um povo que eu não conhecia, era um povo muito suave, muito suave, e parecia profissional, parecia um povo muito correto e ao mesmo tempo eles me diziam uma coisa que eu não imaginava ouvir da boca de militares, eles diziam... Edson não entregue para a Renato Archer que ele é sócio de uma firma de aerofotogrametria eles tem um avião, eles não sei das contas... o governo brasileiro vai perder o controle sobre as coisas fundamentais, esse Radam indisciplinado como é... tem um equipamento... um hardware que tem que estar na mão da Secretaria de Planejamento... Nós militares fizemos reuniões - me convidaram para a algumas, eu fui... reuniões estratégicas do alto coturno militar... eles concordaram, eles achavam que o Radam era um instrumento de planejamento, como instrumento de planejamento não podia ficar no Exército, não podia ficar em ligar nenhum, tinha que ficar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República... - E os militares sabem dessas coisas... “ E é o seguinte, e os militares falando claro, falando claro contra de um Ministro de Estado, e eu... mas que diabo de briga, mas o que é pior é o seguinte... eu tentava falar com o Calabi sobre isso e ele dizia: Edson, não me enche a paciência, isso é um problema é seu. Eu pedi audiência ao Ministro João Sayad, João eu vou te explicar, não, não me venha com esse Radam, eu tenho inflação, não me venha com isso Edson Nunes. E de vez em quando ele me chamava: Edson... o Renato está uma arara com você, aí eu falei: você não quer me ouvir... seja o que for... consegui navegar no meio desse conflito e, de fato, consegui fazer... o que eu acho que os cartógrafos do Exército queriam... fui visitar o Radam e ali fiquei encantado com aquele negócio, eles armaram um show, obviamente eles armaram um show, eu fiquei encantado...” - Não, eles são muito bons, eu os conheci em 74 em Belém e, o que eles apresentaram sobre a Amazônia era realmente muito bem fundamentado... eram técnicos muito bons... “ Fiquei encantado com o show, fiquei encantado com eles, encontrei lá morando em Salvador, meu velho amigo Juca Edson Farias no Projeto Radam, que eu conversei, conversei, conversei e tomei a decisão, convenci a SEPLAN tomar a decisão e os coronéis, generais, ajudaram... que o Radam ia para o IBGE... Aí fomos a reuniões de comando, eles ficaram agradecidos, etc., e aí comecei a fazer a interação com o IBGE, Edmar Bacha... assim como o João Saiad estavam se lixando para o Radam... claro, estávamos ás vésperas de fazer o plano cruzado, e parte do plano cruzado era organizado na cozinha da minha casa lá em Brasília, nós morávamos juntos, tinha de um lado o plano cruzado, do outro o orçamento, etc. Comecei a tratar com o Régis... e o Régis Bonelli foi elegantíssimo, preciosíssimo... entendido que era uma decisão da SEPLAN fazer isto... Régis começou a me trazer ao Rio para as reuniões de Conselho Diretor do IBGE, para as primeiras conversas sobre a preparação da entrada do Radam...e ao chegar aqui percebi que já havia um

complô de Radam com a área de Geociências, já estava armado... e Dr. Mauro Mello, que era Diretor de Geociências na época... ele tinha a confiança de Edmar, tinha confiança de Régis... e conversando com eles eu entendi que Mauro queria o Radam, ou seja... que IBGE achava bom o Radam. Bom... aí foi só resolver problemas menores, menores para o IBGE, grande para as pessoas, plano de carreira, salários, mudança, bom de fato acho que operamos bastante bem a transferência, não achei que tinha tido grandes conflitos... e nós estávamos particularmente interessados na época em manter o rádio funcionando e manter o software equipado e a equipe organizada... não sei o quanto tivemos sucesso nisso... não é da minha época no IBGE, mas esse foi o meu primeiro contato mais freqüente no IBGE e com essa área de Geociências e meio ambiente, no qual eu vou voltar mais tarde quando eu for Presidente... - Aí ainda era Edmar Bacha... “ Era Edmar Bacha, Edmar Bacha...” - Ele ficou quanto tempo? “ É, 85-86, um pedaço de 86... Aí começa o plano cruzado, eu me ocupo muito do plano cruzado, me ocupo, eu tinha de fato a área de Ciência e Tecnologia e cultura e Educação e o plano cruzado me botou de novo na área soft, enquanto os outros cuidavam das indústrias caiu para a mim, caiu para a mim o monitoramento de preços, de planos de saúde, mensalidades escolares, essas coisas que tem a ver com a população... Edson Nunes também explica um outro tipo de relação que também teve de articular com a área de Geociências na questão da distribuição dos royalties do petróleo da bacia de Campos explorado pela Petrobrás, cabendo à áreas de Geografia e Geodésia do IBGE, a definição dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, que se enquadrariam nas projeções geodésicas das áreas de produção em alto mar, e teriam direito a participar da divisão dos royalties. A partir de informações geradas pela Geodésia o DEGEO listou os municípios que receberiam essa dotação... “com o Edmar a situação começou a ficar muito difícil, já tinha havido algumas situações esdrúxulas antes... e uma delas foi a discussão da distribuição do royalties do petróleo... e aí eu tive de novo um longo contato com o Mauro para a gente inventar uma forma de se atender ao Senador Nelson Carneiro e ao Presidente da República... que é o seguinte: nós queremos dar royalties para a todo mundo no Estado do Rio, vocês inventem um negócio que dê royalties para a todo mundo... bom... conseguimos... só que Niterói ficou fora, nós fizemos o diabo, a coisa ficou pior do que se imagina, senti o Presidente e o Senador... Niterói ficou fora... era uma confusão, aí tinha uns algoritmos... Everardo Maciel era o Subchefe da Casa Civil que discutia conosco... e Niterói não entrava, e Niterói não entrava de jeito nenhum... porque tinha as mesoregiões, inventamos regiões de fronteiras das mesosregiões, regiões onde passam os dutos, regiões afetadas, regiões produtoras, só que Niterói não é nenhuma dessas, só que Niterói é a capital, mas não tinha critérios... a graça da piada disso foi Valdenir Bragança, Prefeito de Niterói... descobriu que eu era de Niterói... talvez por conta de inimigos ou amigos meus disseram que Edson é de Niterói... Valdenir não fez só isso, ele descobriu o endereço de minha mãe... e levou minha mãe para uma passeata em Niterói pelos royalties e mamãe foi... e ele dizia: ele pegou pior do que isso... ele foi para a televisão de braços dados com ela e disse: e aqui estou de braços dados com a mãe de um dos responsáveis pelo não enquadramento de Niterói na lista do IBGE, ou seja, é uma piada, bom, seja o que for...

No caso da saída do Bacha...eu acompanhei esse desenlace mais ou menos de perto...esse papel triplo de secretário, diplomata do João Sayad junto com Chico Lopes, etc., o cruzado já tinha deslanchado, eu já tinha cumprido a tarefa de montar a base de informações e estava lá no IPEA... que isso é outra história... e nessa confusão o Edmar sai do IBGE...e é engraçado que ele sai... e aí é engraçado ele não foi demitido de fato...” - Ele pede para a sair... “ Eu não entendi direito isso, se eu tiver que recuperar de fato, se eu tiver que recuperar não me parece que eu consiga entender porque ele precisava sair... a única coisa que eu imagino é que o IBGE ia ficar ingovernável para a ele, eu acho que o desserviço do IBGE pode ter sido talvez este...” - Essa informação é importante... com todas as pessoas que eu falo, as pessoas tem uma mágoa absurda de Edmar Bacha no IBGE e eu sou o único cara que... entrei em 70 e que digo: gente porque vocês tem tanta raiva do Bacha, se ele ficou tão pouco tempo? Se o tempo dele, ele não gastou quase tempo nenhum no IBGE, ele ficou o tempo quase todo lá cuidando da história do plano cruzado, e aí é a história da CRA as pessoas sempre lembram da história da Comissão de Reforma Administrativa que acabou você tendo que tendo que gerenciar o negócio, complementar o processo, etc., e tal e aí sabe? Até hoje... “ Você quer que eu fale disso? ...” - Sim, é importante.. porque você vai contar a sua entrada no IBGE... “ Não eu acompanhei antes, eu acompanhei antes...” - E aí as pessoas falam mal do Bacha, e eu acho que o Bacha andou muito pouco e muito pelo contrário, é aquela história... ele até tentou tecnicamente defender o IBGE dessas questões todas, se foi bom ou se foi mal, fica muito estranho... “ Aí você vai mexer numa série de conversas eu não sei se a gente consegue no seu tempo... primeiro: na saída do Bacha a sensação que eu tenho que ele saiu por ser leal a tecnocracia do IBGE, caso contrário não conseguiria administrar, cujo o cálculo eu acho que está errado, mas ele já tinha perdido a capacidade de administrar... por conta da reforma administrativa, por conta de outras coisas e ele, talvez esse negócio aí foi a gota... ele já não estava mais para mandar... pelo seguinte: é que esta fase do IBGE... é vital para a você entender a história do IBGE no período pelo seguinte: nessa fase houve uma alta exposição do IBGE porque o Bacha era Presidente, e porque o Bacha é o pai do cruzado, houve uma coisa que é o seguinte... houve uma promoção do IBGE e o IBGE foi promovido ao status que ele nunca teve no aparato político, tecnocrático brasileiro, após Vargas...promovido a quê? A consorte do plano cruzado...” - E que acompanhava tecnicamente essa questão de índice de preços... “ Consorte do plano cruzado e responsável pelo sucesso e insucesso do plano cruzado, então o IBGE ganha a dupla tragédia ou responsabilidade que ao mesmo tempo tem Presidente como artífice do plano e de ter o seu índice como referência, ora o IBGE lhe faltou nisto, ele talvez tenha faltado ao IBGE nisto... Eu me lembro, por exemplo, na noite que teve um programa de televisão do Brizola metendo o cacete no cruzado, eu me lembro que nós estávamos juntos na sala do Saiad, Saiad ligou para o Doutor Roberto Marinho, Doutor Roberto precisamos responder, assim. E Doutor Roberto disse: hoje à noite etc., trouxemos Maria da Conceição Tavares, Conceição chora na televisão, armamos aquele circo e ela... Edmar mostra os números... Edmar mostra o gráfico... aquelas coisas... ou seja, Edmar Bacha ficou no coração do governo.

Bom, um governo associado à vários problemas de salário, controle estatais de salário de pessoal, greves, ou seja, a coisa natural de uma nova República... então acho que aí o IBGE ficou promovido a esta posição infortunadamente... eu chamo isso de uma politização indesejada, uma politização indesejada... se prematura ou não... uma politização do IBGE que foi promovida pelo Executivo, pelo Governo Federal, promovida por azar... Como o Edmar não queria ficar em Brasília, só queria ficar no Rio de Janeiro, só lhe sobrava o IBGE, que demoramos a conseguir, demoramos a conseguir, fazer a nomeação, demoramos, demoramos, demoramos, e Edmar no IBGE cujo o Presidente de fato... era Régis Bonelli, e Edmar fazendo plano cruzado, etc., e ao mesmo tempo estamos começando no Brasil as discussões sobre Reforma Administrativa, o novo Estado, a nova coisa, o IBGE entra na Comissão de Reforma Administrativa... ao mesmo tempo que nós estamos tomando dinheiro do Banco Mundial... chamava-se Empréstimo para a Modernização do Estado Brasileiro...” - Já se pensava a questão... “ Reforma administrativa era um grande tema, e aí entra, conforme eu disse o IBGE entra torto na reforma administrativa... a reforma do IBGE que era uma coisa consentânea com a idéia de um grande processo de reforma, ou seja, nós tínhamos feito uma intervenção na moeda, tá certo? Íamos fazer intervenção nas estruturas estatais, por isso tomamos empréstimo do banco, vamos fazer um negócio bonito, o detalhe... eu tinha ido a Washington... falado com as pessoas, já tínhamos armado um belo circo... e o IBGE se apresenta muito mal, o IBGE apresenta porcamente o projeto, o IBGE propõe no projeto de reforma administrativa a compra de aparelhos de ar refrigerado, fazer um prédio para a Delegacia de Goiânia... Na época ser gestor público era cuidar de inflação, isto era o fundamental, inflação e conjuntura, inflação e conjuntura, o Brasil o Brasil era refém da conjuntura, o IBGE refém da conjuntura... a comissão de reforma administrativa do IBGE, do ponto de vista da sua ligação com o setor público como um todo, foi muito fraca e o processo de reforma administrativa do IBGE, foi uma pirotecnia pensada internamente, para a te falar a verdade eu acho, para a te falar a verdade não, eu tenho a mais absoluta certeza, nem o Edmar prestou atenção a isso, eu também não entendia o assunto...eu era muito novo e pouco conhecido no IBGE” - Sim... mas você também tinha um livro importante, quando você entrou no IBGE as pessoas lembraram daquele livro - que você foi editor... “ Aventura sociológica, você acha? Pessoas no IBGE?” - Eu me lembro que eu falava no livro.. e as pessoas também falavam, quer dizer, eu estou falando na área da geografia, na geografia humana... “ É interessante você falar isso porque esse livro é produto da reflexão do paraacadêmico, Aventura Sociológica a rigor, publicada lá em 73-74, e depois Ruth Cardoso fez a Aventura Antropológica, a Aventura Sociológica era uma tentativa de achar um papel significativo para o pesquisador que não fosse professor, tá certo? Tinha lá Cláudio Moura Castro, tinha Simon Schwartzman...” - Aliás o artigo do Simon Schwartzman sobre evasão de talentos é incrível nesse livro, ele... as pessoas podem ter restrições... uma boa parte do IBGE tem, não gosta dele, tem medo dele, mas tem que se reconhecer que ele efetivamente é uma capacidade... talvez tenha sido o único Presidente do IBGE que tenha um conhecimento da casa no nível técnico e que tenha um feeling da história muito bom... “Bom, a minha premonição é que depois do Isaac, Simon vai ser o próximo mito ibgeano...”

- Possivelmente, embora as pessoas não gostem, ainda não viram o resultado... “ Simon vai ser possivelmente o melhor Presidente da história do IBGE, ele vai ser quase tão longevo quanto o Isaac, que é raro ser um longevo, e o seguinte o Simon tecnicamente é um cão de trabalhador, se o outro não fizer ele vai e faz pessoalmente...” - É ele tem essa questão, ele é um cara que se ninguém faz, ele faz, ele vai sozinho... “ A sensação que eu tenho de que o próximo mito Ibgeano vai ser Simon, assim que se acalmarem com ele, aliás com razão. - E sua chegada no IBGE ? Bom, então eu entro ali no IBGE, encontrei IBGE numa situação muito estranha, para a mim, eu estou ainda, você repara, o seguinte nós estamos em 86, eu só acabei o doutorado em novembro de 84, estou com um ano e meio de mundo, eu tenho medo ainda... essa gente toda para a mim é mito... então quando eu era Vice Presidente do IPEA eu não vinha aqui falar com Eustáquio para a deixar claro para a ele que eu não queria interferir.... que o INPES para a mim era um sonho, INPES era um lugar intocável, que o INPES fizesse estava certo... nós promovemos todo mundo, nós acertamos com o Andréa Calabi... acertamos as carreiras de todo mundo que podia ali, que não eram promovidos, etc., a gente acertou em dois anos, fez um acerto geral... Colocada essa questão, eu cheguei no IBGE, fiquei um tempo até assumir completamente... o Régis me dizia, Edson, Eduardo Augusto, se você tiver o Eduardo Augusto lá na, como é que chamava Diretoria de Pesquisa? Se tiver o Eduardo Augusto lá na Diretoria de Pesquisa não vai haver problemas, você pode manter o Mauro que é uma pessoa que você aprendeu a conhecer, etc., etc., você tem o Alexandre, que a gente acha que é competente e você pode, e eu digo e Informática? Bom, Informática eu tenho uma pessoa que era o Paulo Tafner, então, se você conseguir manter o Eduardo, eu acho que você toca a área de Pesquisa da Casa... que já dá uma dá uma indicação de como é que eles percebiam o IBGE, o IBGE era a área de Economia...” - Naqueles tempos... sem dúvida a área de estatística era encarada como subsidiadora da economia... “ O IBGE era a área de economia... então eu venho para a esse negocio com extrema confiança em Mauro Melo, Mauro tinha sido de extrema, serventia, de extrema serventia na absorção do Radam, ele queria, tinha os conflitos que ele me confessava, ele não escondia os conflitos, etc., Mauro foi de extrema serventia, Eduardo Augusto, me disseram que era a coisa que eu tinha que ter e aliás era verdade, Eduardo foi precioso, mas nesse tempo o IBGE estava muito disfuncional porque ele tinha uma área de economia com a qual eu não estava satisfeito, eu não estava satisfeito com a minha entrada... eu não estava satisfeito claramente com duas questões principais: eu não estava satisfeito a) com a idéia da reforma administrativa que estava andando na Casa, eu não entendia, e que entendia não gostava; b) eu não estava satisfeito com a concepção de informática no IBGE... eu não estava satisfeito com a concepção de Informática... porque o IBGE como uma organização baseada numa ideologia que eu achava velha e era a ideologia do Centro de Processamento de Dados (CPD), ideologia do CPD me desagrada totalmente porque ela te coloca como refém do analista de sistemas... ela te coloca refém do homem do CPD...” - De um grupo pequeno de analistas... “ Por quê é que eu não gostava disto? Em l979, eu morava na Califórnia quando o Steve Jobs fez um computador e eu comprei o miserável em 78-79, então eu tinha

aprendido a idéia da independência intelectual, da sua base de dados, do seu texto, do trabalho feito por você...” - E no IBGE? Era mais complicado do que eu imaginava... eu tinha uma encrenca com a informática que eu não consegui resolver suficientemente... tinha uma coisa na reforma administrativa que eu não consegui... mas não precisei, eu só não prestei mais atenção com a reforma, eu me desliguei... tinha, a reforma falava umas coisas, eu dava uma força para um jornal, etc....mas eu me desliguei da reforma administrativa, tentei informatizar, não tinha muita ajuda não... Aí eu comecei a me dar conta, que estava presidindo uma organização disfuncional, e onde é que eu comecei a falar da Geografia, onde é que comecei a mudar de idéia... o Hélio Jaguaribe em conversas comigo dizia: Edson Nunes eu estou convencido que você tem quatro organizações na mão, você devia fazê-las agora.... Você tem uma gráfica, você tem um instituto de pesquisa e censo, você tem um instituto de geociências e você tem um negócio de economia, indicadores sociais, divida essa bodega em quatro organizações, propõe ao governo quatro organizações. A gráfica ela presta serviço ao Brasil todo, ela não precisa ser capturada, tá certo? A geografia e o seu meio ambiente, tem um nicho especial, o censo é o bureau do censo que qualquer país civilizado tem, e isto aqui de sociais e economia, são os indicadores sociais... eu achei que o Hélio estava com um belo ponto, mas eu fiquei pensando o seguinte: Como é que eu divido isto? O Hélio insistia muito, viu como eu respeito o Jaguaribe? Me parecia que ele tinha razão... Só quer eu achava que tinha que tirar a gráfica, depois eu percebi que não podia tirar a gráfica, e aí passei por conta dos segmentos do Banco Mundial... fui de novo com Lampreia para Washington, uma coisa qualquer que era continuidade disto e tinha lá uns coquetéis na casa do embaixador brasileiro em Washington, mas antes tinha passado por Berkeley onde eu tinha tido um encontro... e uma longa conversa com Hilgard Stemberg e com o assessor dele, um homem cujo o nome eu não lembro, um homem de barba, tem cara meio que indiano, um homem de barba que foi parar no Banco Mundial... lá e eu descrevi para ele a particularidade do estado brasileiro em que o bureau de censos brasileiros era doido... porque ele tinha já cinqüenta anos e ele mistura a cartografia até mesmo geociências e o que é pior estava fazendo aerofotogrametria, etc., etc... e ele diz... o Senhor tem o Instituto do futuro na mão, o Jaguaribe está errado, esse povo está errado... e começou a me contar uma história sobre estatística georeferenciada...mapas em computador... bom o que eu tinha dado com Radam... porque eu tinha visto e lidado com essas coisas todas... O negócio fez assim na minha cabeça... E ele continuou a dizer... Doutor você tem o órgão do futuro... ele já é multidisciplinar, mantenha-o, a sim, ele disse... o homem trabalhava no meio aqui na Amazônia com tribos, mas ele usava umas coisas de satélite para achar as tribos e tinha uma telemetria qualquer, que acha onde é que os caras se moviam, ele começou a me contar sobre vegetais, tribos, vegetais, satélites... aquele negócio veio para a minha cabeça.... eu disse esse homem tá certo, e ele me contava, ele falava assim: a profissão do futuro não é nem a sua, não a minha... é esse negócio aí que o Brasil fez sem saber... Rapaz, esse homem fez uma encrenca no Banco Mundial... eu saí de lá tarado com o IBGE...” - Você sabe o nome dele não? “ Não faço a menor idéia, eu devia saber não é isso?” - Esse cara é fundamental...pelo menos em termos históricos... “ Eu sai de lá tarado com o IBGE, ele disse: Você é um cagão, porque eles só fizeram isso sem saber... então isso que você está querendo dividir... nós estamos querendo juntar no mundo inteiro... e não conseguimos, a Polônia não quer, o fulano não quer, os Estados Unidos não, ninguém quer, e você já tem uma agência que pode definir o

geo-referenciamento..., você tem satélite, você tem geógrafo, antropólogo, você tem sociólogo, rapaz, você está montado... Eu gostei tanto... achei que ele estava certo, achei tanto que os economistas não iriam entender... e ele disse: tira os economistas desse lugar, você pode até deixar eles fazerem um negócio qualquer, agora se você quer separar... manda, essa gente para outro lado, manda os economistas para a outro lado, mas faça essa coisa que você está imaginando, nós estamos falando para a você... uma coisa que você já tem... E de fato eu voltei encantado, aí que a minha atenção para a geografia... que nunca tinha sido clara, ela era para o causa da cartografia, por causa do Mauro Melo, por causa do Coronel Carvalho, por causa do Carvalho, por causa do Trento, as minhas percepções pré-disciplinares... Eu tinha que lembrar o nome desse homem, esse homem é um antropólogo de geografia econômica de Berkeley, assessor de Hilgard -, ele disse o georeferenciamento é o futuro, é a fronteira do futuro, é meio ambiente, estatística geo referenciada, recursos naturais, planeta como um todo, e aí antropologia e ciência política com as fronteiras, eu achei aquilo uma maravilha, voltei para cá... Mas... por outro lado, o IBGE não entendia nada o que estava falando... Bom... o Mauro, eu não sei se o Mauro entende... mas acho que ele percebeu o que eu dizia... ele gostou, que aí tentamos dar, fazer algumas coisas eu acho que tentamos tirar o atraso da Revista Brasileira de Geografia, não sei o quanto fizemos... mas aí comecei a visitar Lucas, visitar Lucas e aí... Aníbal Teixeira já era Ministro, eu levei Aníbal lá para a ver as coisas, eu estava convencido desse negócio, eu estava convencido de duas coisas: que e tinha que ir na linha desse homem, e que eu tinha que refazer o IBGE... Eu percebi uma coisa... que eu fingi que não vi... e até dei uma força que é o seguinte... que Mauro Melo estava montando uma independência tecnológica por conta dele, eu fingi que não vi e gostei, pelo seguinte eu já estava, você veja só, eu estou juntando vários pedaços, como eu já vinha zangado com a DI, quando eu vi que Mauro estava fazendo e ele estava com a base, ele está com a base estatística, ele está com a base geográfica, ele tá transferindo dados para a lá, ele está com o Radam, ele está com satélite, eu fiquei imaginando o seguinte: o IBGE vai sair de Mauro Melo no futuro... e se eu puder acirrar a competição, não está mal... O conflito para a mim... mais relevante que emergiu... e que eu dei muita força para ele tomar rumo... foi do Mauro com Paulo Tafner, do Mauro da Geociências com a DI, o Mauro se preparou para a ser o IBGE do B, botou no programa do Banco Mundial máquina para a ele... começou a montar uma DI paralela e eu torcia para que desse certo, não deu tempo, tá certo? Este conflito principal ...” - Eu acho que acabou acontecendo por outras razões, por razões tecnológicas hoje você tem, programas específicos, possibilidades de isso acontecer sem grandes problemas dentro da DI... “ Se ele já tivesse começado a montar, eu acho o seguinte: ele estava informado da minha idéia de dividir..., e acho que informado disso, ele começou a correr mais para a montagem de sua DI paralela... - Eu vou entrevistá-lo quinta-feira, quinta-feira minha entrevista é com é ele, então, porque é um profissional muito competente... tem muito poder e é um sujeito tecnicamente que conhece muitas coisas, então... “ Ele me impressionava muito e ele me tranqüilizou muito, com relação ao exército porque ele convivia, por um lado ele me tranqüilizou com relação aqueles homens do qual eu tinha medo, por outro lado eu percebi que quando a situação dele ficou ruim... ele dizia o seguinte... é mas eu tenho a UERJ, ou seja, aquele homem que eu via, com aquele enorme poder... se contentava em ser um professor universitário, isso para a mim é um charme, as pessoas não gostam muito do nome...” Algumas pessoas não gostavam... eu sempre gostei muito dele, eu sempre o considerei muito técnico... conhece bem as coisas, conhece o seu afair, sabe exatamente como trabalhar e nunca criou muito problema com a Geografia... a

relação dele com as pessoas que conhecem o seu trabalho sempre foi muito boa... “ Engraçado que na época... algumas pessoas achavam que o Mauro era um homem de direita, eu pensei assim um tempo, depois eu comecei a perceber que era um homem corajoso... essa concepção toda do Mauro me impressionou pelo seguinte.. ele nunca foi um Diretor vassalo...” - É verdade, ele sempre foi um profissional muito técnico, muito profissional no que ele sabia... “ Nunca foi um Diretor de fazer gracinha para a ninguém, de fazer um agrado indevido... também nunca escondeu os conflitos, eu acho interessante esse negócio dos caras esconder o conflito... tem diferença sim, tem tal e tal diferença... eu gostei dele, ele me ajudou a entender umas coisas da época do Isaac... que para a mim também eram mitológicas... e que ele me ensinou que não eram nada de mitológicas... eram uma porção de bobagens...” Gestão de Charles Kurt Muller O outro presidente a prestar depoimento foi Charles Curt Muller, professor e chefe do Departamento de Economia da UNB em Brasília que substituiu Edson Nunes após a breve passagem do interventor Celsius Lodder no IBGE. A importância de Charles Muller no IBGE deve-se ao fato de ter incentivado o estudo das estatísticas ambientais, objetivando montar no futuro uma estrutura de contabilidade ambiental para o país. Charles também preocupou-se com as estatísticas agrárias e, quando foi diretor da Diretoria da Agropecuária e Geografia (DAG) tentou montar um centro de estudos interdisciplinar de Agropecuária... Sua gestão durou 23 meses... um longo período, considerando-se as turbulências sindicais da época... Sua timidez e economia de palavras sempre foram conhecidas na casa... o que pode ser percebido no depoimento... - Como aconteceu sua vinda da UNB para o IBGE ? “ Bom, eu fui convidado para a Diretoria do IBGE pelo senhor Edmar Bacha, fui nomeado Diretor, ele me convidou, eu aceitei e fui Diretor da Diretoria de – como era mesmo? – Diretoria de Agropecuária, Recursos Naturais e Geografia...” - Conhecida como DAG, agora o senhor acompanhou a montagem dessa estrutura... ou já foi anterior, quer dizer... “ Não, eu recebi essa estrutura, quer dizer, a Diretoria já estava constituída e quando entrei lá o Edmar já disse, já me alertou que haveria um processo de reexame, digamos, da estrutura do IBGE, achava-se que daquela forma que estava montado o IBGE não era orgânico, queria se organizar em duas grandes linhas, uma área de cultura de estatística, uma área no campo, justamente a geografia, da cartografia, recursos naturais, etc., Geociências, que apelidamos depois... então, quando assumi a DAG já sabia que alguma coisa iria se modificar, provavelmente sairia a área de estatística, como Diretoria de Estatística... mas não sabia bem o que iria acontecer na outra área, havia até uma luta interna no IBGE mas na linha do pessoal da cartografia versus geografia, recursos naturais, etc., mas no final a idéia parece que foi caminhando no sentido da concepção dessas duas grandes áreas que mencionei

antes, Estatísticas e Geociências, isso também depois foi um pouco modificado, vamos dizer, com a incorporação do Radam...” - A incorporação do Radam se deu junto a sua gestão ou já, tinha se dado... “ Na minha gestão como presidente não..., mas eu já era Diretor da DAG, quando essa questão foi decidida a nível mais alto pela Presidência junto com o Ministério de Planejamento... o Radam estava terminando a sua missão original o mapeamento da Amazônia, o levantamento de recursos naturais da Amazônia, etc.,e estava tentado se constituir com uma organização separada...,mas o governo na época não viu isso com bons olhos, uns achavam que o Radam tinha que ser ou dissolvido ou então ser incorporado a uma Agência federal, aí pareceu lógico que essa Agência fosse o IBGE, já a tempos o IBGE possuía uma área de recursos naturais que estava desfalcada de pessoal.., um dia fui chamado pelo Edmar Bacha, que me disse... o Ministro Saiad, eu decidimos que fazer um esforço no sentido de ver se incorporamos o Radam ao IBGE e aí tomei o bonde já andando... estava meio que deslanchado...” - Eu me lembro que o Edson Nunes conta um pouco dos bastidores dessa questão porque era uma questão também complicada de entender como é que o Radam se encaixaria, então foi preciso um pouco de entendimento até por conta de que havia naquela época um pesadelo enorme que era inflação, haviam preocupações maiores... “ O Radam era um órgão caro, havia gente no governo que queria que simplesmente ele acabasse, alegando que já tinha cumprido sua missão e deveria se extinguir, etc., e o grupo Radam infelizmente estava querendo se fortalecer, ser independente de alguma forma, e a saída que se encontrou foi a de incorporar ao IBGE e teve um certo grau de lógica, não foi uma coisa aleatória...” Bom, aí nessa, quando o senhor entra na DAG, o senhor começa a tentar uma restruturação e, efetivamente, acontece uma restruturação... Um memorando seu ao presidente Edmar Bacha... propondo a reestruturação da DAG em duas Superintendências... a SUEGER que era Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente e da Superintendência de Estudos Geográficos, SUPEG, além da criação de um Centro de Estudos Agrários (CENAG) que seria organizado... e aí peguei também a informação de volta do Edmar Bacha falando sobre a questão do CENAG, quer dizer, dando apoio a questão do CENAG e negando a questão da SUPEG porque era realmente pequeno, quer dizer, a área de Geografia ainda não tinha estrutura de pessoal suficiente para a virar Superintendência... e fala sobre a SUPREN que é a questão da incorporação do Radam... já estava mostrando que o processo estava dando certo... que a incorporação do Radam, principalmente naquelas estruturas regionais... que eu acho que esse foi o ponto principal do fortalecimento do IBGE, e a história das regionais e que o Radam veio dar uma outra força... “ O Radam também entrou no IBGE também depois que viu que não podia se tornar independente mas uma organização separada, tentou entrar uma espécie de uma outra Diretoria, Diretoria funcionava na Bahia e tal, mas o Edmar sempre resistiu muito a isso... havia na época um plano de reestruturação da casa... você lembra? – Seminários e Trabalhos...alguma coisa assim...” - Bom, eu também tenho um documento, esse documento não está assinado aqui, mas possivelmente foi pessoal da área de Solange Tietzmann que era chefe da Divisão de Estudos Agrários do DEGEO na época, que ficou preocupada com a idéia o Centro, aí eu não sei porque passou pela cabeça que achava que o Centro de estudos Agrários iria acabar coma Divisão de Estudos Rurais e aí elas fazem um arrazoado solicitando, quer dizer, pedindo para a que se mantivesse, etc., e como efetivamente aconteceu, o Departamento de

eu tentei mostrar que essas áreas tinham de trabalhar juntas.Quer o seu domínio. tem alguma lembrança? “ Eu tenho uma vaga lembrança... ainda não é o paraíso... é claro que também hoje e aí também por obra e graça do Simon ele conseguiu botar um sistema de comunicação por rede. era a única área que possuía uma relação direta com a área de estatística na medida que a pesquisa de Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA)...” .O que eu sinto hoje no caso. principalmente com o envolvimento que tive depois que sai da Presidência.. senti que se o Brasil entrasse nesse campo. inclusive porque sofríamos muita pressão de órgãos como o Banco Mundial. a gente nota... um assunto complexo e exige envolvimento de recursos.... das Nações Unidas e tal. é necessário uma rede de coleta muito mais sofisticado do que se tem hoje...Quer dizer. mas mão é simples. “Na verdade. a consultoria foi na área de Informações Ambientais. falar de Meio Ambiente sem falar de espaço. por exemplo.. “ Bom... é engraçado a geografia. mas há essa dificuldade.. a partir de Estatísticas Agropecuárias saiu de lá e junto com ela tinha essa parte não tanto de Estudos Rurais. eu não sei se isso foi resultado de um processo que Simon Schwartzman começou a tentar... mas isso não existe ainda...” . eu até hoje acho que essas duas Diretorias..” .. está muito devagar. “ Eu sinto isso também.. separar a área de estatística da área de Geociências... mas é a coisa está indo muito devagar. essa parte eu comecei a me interessar por ela já na Presidência.... é que.Por falar nisso... “Tentei.” .. dar uma organicidade maior e obrigar as áreas a se comunicarem melhor. a geografia agrária no caso.. então eles sentiam como os analistas de uma parte estatística.. então.. municiavam muito essa área.. cada um quer o seu domínio.. enfim.É. eu sou da Comissão do Censo 2000 e a gente sente que a uma articulação muito maior no que tange ao Censo.... Geociências e de Pesquisas deviam trabalhar muito mais ligadas.. geografia.. porque era. não é possível e.. as pesquisas agrícolas anuais de agricultura e pecuária. sugeri na área.. eu me lembro que na verdade desapareceu a coisa quando se decidiu tirar da.. eu acho que ainda seja. além do Censo Agropecuário.. mas. como é que estão os encaminhamentos dessa questão de uma contabilidade de Meio Ambiente. e seria fundamental esse trabalho conjunto.. a rede toda funcionando e aí você tem uma possibilidade de comunicação maior. esse seria o ideal..” . uma consultoria que o IBGE me solicitou.. que dizer.” . contabilidade Ambiental. são os casos no momento.. quer a brasa para sua sardinha.... mas parte de análise dos dados e preparava inclusive material paras as reuniões da CEPAGRO essas coisas e por isso desapareceu essa idéia e ficou a área de geografia com seu núcleo de Estudos Agrários.Estudos Agrários efetivamente continua e aí como é que foi essa questão? O senhor lembra.. mas. é sem dúvida muito maior. como é que está isso. que o senhor foi uma pessoa importante nesse processo.. mais articuladas do que estão até hoje.. no caso do Censo 2000 as relações inter-diretorias foram muito mais intensas. “ Exato. e ainda sou funcionário do IBGE.

hoje a gente vê o trabalho muito mais articulado. trabalhei na preparação para o Censo de l990. claro que é uma separação funcional clara.... justamente porque havia essa separação..” .” . “ Eu me lembro. havia pressão da parte dos técnicos juntamente para formação de duas áreas separadas uma área mais de Geografia e Recursos Naturais e outra na área mais de Cartografia. dão respostas. tinha a mão forte. porque nesse período as áreas Regionais e Estudos Urbanos estavam de um lado e a questão da Agrária. quis se manter junto a área de Geociências. mas havia muitos problemas de aceitação. eu me lembro de reuniões que a gente tinha com os técnicos dos dois lados cada um dizendo: não... as relações eram muito. levantam a questão do memorando da Presidência 45. que no fundo era o memorando da CRA.É. e nessa resposta dos técnicos..” . a gente percebia muito claramente que na área que acabou sendo de Geociências. ele conseguiu.. ele quando decidiu formar essas duas áreas ele investiu tudo no sentido de não permitir qualquer tipo de fração. um certo domínio sobre essas áreas. quer dizer.Eu entrei em 70 e eu percebi que tanto o de 75.. ele tinha. problemas de intercomunicação. fracionamento. Regionais e Estudos Urbanos.. o resto é nosso.” ... ele dizia: mapa é importante para esse pessoal de Geografia trabalhar. .. não sabia se ia ficar. nós queremos separação.Nesse período.. etc. ou dizem assim: reclamam. aí a Reforma Administrativa.. e por um lado a história de tentar ganhar confiança... sentiam que havia muita dificuldades entre Diretorias. “ A liderança dele era muito forte. quer dizer. cada um e dentro do próprio Censo mesmo. não sei se também a nova geração. por exemplo. porque a coisa foi se encaminhando de outro jeito..Exato. muito articulado e tinha aparentemente uma certa liderança. e esse pessoal de Meio Ambiente trabalhar. a área de Estatística queria da área de Geociências só mapas. então vocês tem que trabalhar junto porque.. influência grande junto ao Presidente Edmar Bacha. o grosso da questão estava nessa questão de intercomunicação entre áreas.. e havia aquela questão do Centro. havia tendência. quer dizer. mas nesse ponto Mauro era o que conseguia pensar. eles perceberam. essa coisa. o memorando da Reforma Administrativa. etc... Sobre a Reforma Administrativa.. salário. tanto do pessoal de Geografia quanto do pessoal de Meio Ambiente que sempre foi uma coisa difícil.... 80.. isso também é pouco falado essa questão. o geodesista e o cartógrafo eles fazem mapas e eles pensam no processo da feitura do mapa. etc.. e depois com o Edson Nunes. o senhor lembra mais ou menos desse período como a coisa se deu? “ Me lembro não. mas distante a coisa. “ Sim.. ele tinha uma liderança.” . mas depois com a Reforma Administrativa tudo evoluiu no sentido de formar uma união desse dois grupos. que era Agropecuária ficava com Agropecuária. fala-se no famoso memo PR-45. pelo menos os técnicos da sua área.. e aí eles dão algumas. quer dizer. “ Mas havia muita conversa também... bom.. achamos que é diferente o que temos que fazer..Exatamente. a figura de Mauro Pereira de Melo foi importante nessa articulação.não chateiem. quem era Indústria só ficava com Indústria. 85.. .. caminhavam juntos. da Agropecuária que era a DIRUR estava do outro. aqui já é uma resposta dos técnicos das Divisões do IBGE.E ai. e ele era muito.. do DEGEO. .

com uma acuidade cartografia muito boa. antigamente não.. ele lutou muito para cartografar a base operacional do censo.. quer dizer. aí agora. olha só.. ele saiu antes.. pelo menos nessa questão.. eu porém me considero sortudo comparado com as agruras de Eurico Borba.” . o entrevistador... o movimento sindical muito atuante.. mas enfim. eu acho que a Cartografia devia ser separada. com aqueles movimentos sindicais todos. aí entrou o Sérgio Bruni e o Sérgio Bruni efetivamente conseguiu. ele conseguiu dar um equilíbrio melhor entre as áreas....“ Ele até conduzia a coisa por inverso... quer dizer.. ele volta idéia anterior. em termos de comando e poder e tal. lógico. mapas são instrumentos para a outras áreas fazer análise e tal. sem dúvida e do próprio Edson. funcional. no entanto... e depois entrou o Trento Natali que acompanhou esta mesma visão de integração. ele tinha uma visão muito forte da importância da área.. a que está dando salto tecnológico maior agora... a introdução do idéia do GPS.Era a questão da economia em si que estava muito. nenhum Chefe de Departamento se sentiu muito melhor do que o outro..... nas entrevistas de Edson Nunes e Eurico Borba que sofreram realmente pressões horrorosas da área sindical e. sendo atuante.. a troca de equipamentos.” . quer dizer.. o resto atrelado a ela.... a base operacional do Censo ela está recebendo cartas melhores. como é que foi a sua visão do período. e eu na época eu dizia: gente. “ É. mapas extremamente fidedignos... o senhor como Presidente..... colocando Cartografia no centro.. não adianta vocês tentarem brigar com o Mauro nessa situação. quer dizer.. como você falou. eu me lembro disso.. porque a área. que agora nesse Censo de 91 está sendo isso. foi uma fase extremamente complicada. “ Tivemos greves. dizia: começa conosco.. os outros que se adeqüem... “ É. Cartografia e Geodésia é a área na Geociências a mais.” . era na base dos croques. claramente naquele momento ele tentava viabilizar politicamente uma idéia de organicidade maior de sua diretoria.. para depois tentar uma integração. eram momentos extremamente conturbados..... mas foram mais civilizadas..O interessante nisso tudo é que no depoimento ele diz assim: hoje olhando retrospectivamente eu acho que eu errei na medida de tentar uma integração maior...” E de uma certa maneira era isso... acho que o Sérgio Bruni conseguiu esse equilíbrio.foi o primeiro a sofrer o processo. isso eu percebi bem. o Sarney. o Edson também pegou um período muito ruim.. as informações eram muito pouco fidedignas. “As áreas estão mais equilibradas agora. estava totalmente desmoralizado. quer dizer.. mas era um governo fraco também. que ele fez bastante..e tínhamos muitos outros problemas” ... com isso ele dominava toda área. ele vai ter que resolver primeiro essa área. para a mim.. quer dizer.. mas eu dizia assim: senhores.. a luta para fazer mapas de Censos. o que sai a campo ele recebe o mapa extremamente fiel..candente? “ Sim. as pessoas reclamavam muito quando eu o defendia nessa questão... às vezes havia muito barulho para coisas minúsculas... mas ele quase que montava a coisa de ponta a cabeça. uns poucos fazendo baderna e tentando dominar a maioria...” Bom.Sem dúvida..

foram períodos de embate: eles diziam: o que nós podemos forçar. o Edson pegou o período inicial das coisas ruins. nós vamos poder virar a mesa.. qual eram as demandas principais do governo e o que o IBGE podia dar além das atividades e as suas missões normais... quer dizer.Foi em 89.. o período de dois anos do Collor e período de dois anos do Itamar... no sentido de contestação pela contestação. eu acho que essa foi uma visão e no seu caso.. bem nós tivemos. aí fui conduzido à Presidência. “ Com Eurico depois foi ainda pior. maiores conseqüências..muito problemático para a Geografia principalmente... alguma coisa final.” . que foi aquele que as entidades sindicais no IBGE começaram a perceber que nós estamos livres..É... fiquei até....O seu período de Presidência foi 98. mas pelo menos foram greves que deram origem a um processo de negociação.” .. ..Esse acompanhamento. eu estou tentando inclusive fazer um acompanhamento das ações dos Presidentes.” ..” ... “ É porque eu já na Presidência já dei essa situação resolvida.. Ministérios... tanto na DAG e depois na Presidência. deixa eu mais ou menos também colocar esse material ele passará a ser acervo da área de Memória Institucional do IBGE. transição de governo Collor.Bom. Mauro Melo ainda estava na área de Geociências. como você sentiu o clima? ..... eu acho interessante também ressaltar no que tange a área de Geociências.” ... eu utilizo isso na tese e eu me transferi para essa área de Memória Institucional justamente para formar o acervo da memória dos presidentes da casa.... Presidência..? “ Maio de 98 até março de . Professor.. não vai dar nada. o grande problema em toda a minha vida..? “ 95 a 97 por aí foi DAG aí trabalhei com técnico no IBGE. estavam percebendo que poderia haver mais contestação........especificamente é mais ou menos isso. “ Muita coisa... tanto na gestão.” ..... na sua trajetória como Presidente naquele período.. é isso aí.? “ Não..Exatamente. duas ou três greves. até março de 90.Com o Edson e com o Eurico depois..... nós tivemos duas greves complicadas.. se o senhor quiser alguma declaração.. houveram momentos difíceis. foi o problema de localização física da área e espaço para trabalhar isso foi. diferentemente do que ocorreu com o Edson. e depois entrou aquele período. achei que não deveria substituí-lo. foi fim de governo militar... “ É.. “ É.” .92 a 95 foi DAG... “ É interessante ter um acompanhamento dessas ações e políticas da casa.. quer dizer... já tinha as duas grandes áreas produtivas... eu acho que no nosso caso.... e que se resolveram sem maiores conflitos.. eu acho que foi perfeito.. foi maio de 88. e suas vinculações aos governos.. por exemplo.....

precisando qualquer coisa eu entrarei em contato com o senhor.. Chile........Eu acho que foi a parte mais importante. já tinha havido a transferência das pessoas foi na minha gestão da DAG que conseguimos aquele prédio na Praça da Bandeira. ele conseguiu investir muito nesse processo de intercomunicação da Casa.. ele investiu num período de vacas muito magras do governo... mas foi um salto de qualidade....Rua Equador.. mas havia uma pressão muito forte do Régis Bonelli . mas com aquele prédio lá de Mangueira...Deu um salto no escuro.Porque Mangueira tornou-se área perigosa.....” . a primeira foi essa retirada do prédio e a segunda foi a questão da rede de informática... científica no meio da favela com aqueles tiroteios.O Simon nesse ponto teve duas ações muito poderosas. eu ficava abismado cada vez que eu ia lá.” . “ Isso foi muito importante... quer dizer.” . “ O IBGE é um organismo enorme.. “ Peguei.... . ele queria a todo custo voltar para lá e havia pressão. “ Faço uma idéia...” ...... e eu acho que o Simon fez uma grande coisa.. foi muito bom. “ Deu um salto no escuro.. ele arriscou. já tinha sido feita limpeza.” . “ Rua Equador exatamente. ele tem uma área de atuação muito grande. ok Professor. chegaram a cogitar e imaginar a botar vidros a prova de balas naquele lado que ficava para a favela...No meio de uma favela não era exatamente o problema. “ Eu me lembro bem de Mangueira.. no início a favela era só favela......que era Diretor Geral e queria a todo custo. não é aquela coisa empírica de bilhetinho e carta e tal..... daquele. não havia mais condições de trabalho lá. quer dizer.. e colocou quase todos na Av.O senhor pegou aquele período do Parathion....... a recuperação daquele prédio lá na – como era o nome dela? .. peguei depois... como é que podem colocar uma área técnica..” .. quer dizer. depois ela virou um campo de batalha do tráfico de drogas.” -Ou memorando interno. descontentamento muito grande na área Geografia para isso.

O que dá uma medida das condições políticas que ocorriam em 1992 no IBGE. mas que custou muito caro a Eurico. fazer a triagem do material. agora na posição de 19 presidente da casa e o 6 após Isaac Kerstenetzky. o funcionário médio já não enxergava mais o velho Eurico. eu imaginava voltar como Presidente. a gestão de Eurico foi notabilizada por ter conseguido encaixar o IBGE no sistema de agências de Ciência e Tecnologia. Como o Isaac sempre falava de uma forma muito categórica que não gostaria de voltar.. e o Doutor Tancredo pedia coisas específicas sobre saúde.” Esse processo levou quanto tempo? “ Começou em setembro. uma idéia de voltar ao IBGE um dia. foi novamente Eurico Borba. Eu trabalhei na campanha do Doutor Tancredo.. ao ser barrado por um piquete na entrada do prédio da presidência. Apesar dessas convulsões. Portanto. que possuíssem toda a linha de cursos de graduação e pós-graduação em todos os níveis. Eurico era agora mais um.. se despedir a o o . naquela comissão para o plano de ação do governo COPAG. na qual seu Diretor Geral Aníbal Villanova Villela. com menos de dois meses de trabalho. O que causou muita contestação nos meios científicos. “ Bem desde que nós saímos do IBGE. principalmente nos fóruns da SBPC. classificar esse material. comissões. apenas uma pequena porção de seus funcionários poderiam enquadrar-se num sistema de Ciência e Tecnologia. com carreiras de atividade fim.Gestão Eurico Neves Borba Cronologicamente. na longa lista de presidentes de um ano e meio. outubro de l974 e se findou na véspera da posse. e eu e Everardo e o Cristóvão Buarque eram um nível mais operacional. regido por uma política salarial em que o sistema avaliativo pauta-se por titulações acadêmicas e por verificações de produtividade vinculadas ao ambiente acadêmico. Isaac e eu em l979. Sendo uma agência basicamente voltada à coleta e armazenagem de dados. Eu me lembro que estava lá empacotando vários documentos que deveriam seguir para vários ministros. promover alguns seminários para elucidar e aprofundar determinados pontos. ele brincava com a idéia de que não se deve voltar ao local do crime. com o Everardo Maciel que hoje está na Secretaria da Receita Federal e eu. com Celso Furtado. o próximo presidente entrevistado. Foi uma conturbada gestão de 15 meses que iniciou-se com uma greve. e junto com Serra. .. receber determinados grupos. eu estava sem camisa. tão querido pela rede de coleta daqueles tempos. política de migrações. pois apesar disso.. eu sempre nutria um sonho.Professor Eurico então pode começar a nos explicar como foi o processo de convite para o IBGE de 1992 e depois toda a sua fase até a saída. junto com Cristóvão Buarque que hoje é o governador do Distrito Federal. para ceder material. eu Eurico. Hélio Beltrão eram um nível mais ligado ao Doutor Tancredo. inclusive Doutor Tancredo foi lá. Diretor Geral da gestão Isaac. foi uma vitória política. como eram conhecidos no IBGE desses novos e conturbados tempos. Sua maioria esmagadora de funcionários concentram-se nos níveis do ensino fundamental ( 8 série) e no segundo grau incompleto. evidente que Serra e Celso Furtado. se demitiu..

convidado pela Zélia. Doutor Ulisses sempre estava lá. todos eram potencialmente corruptos.. Eurico você foi o primeiro nomeado. que a percepção política da importância e exclusividade o Doutor Tancredo rapidamente intuía que ali tinha um. . entra Eduardo Augusto. já tinha começado aquele processo dentro do IBGE. eles disseram não. os odontólogos fazendo campanha de flúor na água. Bom. Eu disse não.. feito pelo Sayad. na véspera da posse.. 90. em administração. Eu não recebi nenhum convite formal naquela época. houve um zumbido que não chegou a se concretizar. eu e o Cristóvão...e cumprimentar a todos nós e dali ele seguiu para missa e depois indo para casa sentiu-se mal e foi hospitalizado. nós tínhamos que fazer um relato prévio. “ E havia um processo também de sucateamento. o Afonso Camargo e geralmente era eu que estava mais organizado. depois ele ficou doente.. porque se dá com Edson Nunes.. o Fernando Lira. tem todos os Presidentes.. aí Marcos Maciel me convidou para trabalhar na Secretaria Geral do MEC o Everardo Maciel era o Secretário Geral eu fiquei como Secretário Geral Adjunto e aí passou-se esse período todo. ele recebia de tudo. mas não houve contato nenhum. com empresários.... do meu desejo de voltar ao IBGE eu disse: espera um instantinho.. com o qual eu não tinha nenhum contato.” . foi para o IBGE. isso é problema do partido. chegou ao José Richa uma pergunta do Eurico para o IBGE e com aquela história do PSDB eu já era membro fundador do PSDB.. 9l o primeiro movimento em direção a minha volta ao IBGE. do índio ao engenheiro florestal.. mas o Bonelli vai como Diretor Geral. e lá ele ficava até oito e meia... aconteceu em 92. leste-oeste. pode ser SNI e aí ficou.. todos eram incompetentes... resultados de vários seminários. a COPAG durou todo esse período. Essa fase de Diretor Administrativo isso já passou. sete meia ele recebia.... e como ele não havia feito ainda nenhum convite para ninguém. um mal entendimento que seria o funcionalismo público. 89. como vice reitor. uma forma de penalização global. se deu na virada Collor. sabendo dos vários documentos que haviam chegado de vários colaborações.. do funcionalismo público por parte do governo Collor. algum material a ser aprofundado. no Ministério da Educação eu fiquei até l987. “ Eu sempre estava muito ligado a PUC.. norte-sul. geralmente apareciam lá umas outras pessoas. houve aquele problema todo e não houve convite.. o Bacha me convidou para ser o Diretor Administrativo. eu estava ainda passando uns dados para ele e ele passou a mão nos meus ombros e disse assim: Doutor Borba o nosso homem das informações. e eu queria você como Diretor Administrativo que é uma coisa importante.. nunca deixei a PUC. estava o Fernando Henrique. com políticos. contatos com militares.. de vários encontros. quinze para as nove. um conhecido de longa data. vamos dizer assim. 88. e uma vez então Doutor Tancredo por volta de janeiro. todos brincaram. o Fernando Henrique Cardoso. e ele argumentou.” . o PSDB não colaborava com o governo Collor.. todos eram vagabundos. foi o que ficou mais tempo.... alternando com professor de horário integral.De uma certa maneira é nesse ponto que tem uma inflexão de Eurico Borba hoje na educação. um bom amigo que eu tenho. houve convite para o Bacha. com delegações regionais.. um pouco antes de ele fazer aquela viagem a Europa e Estados Unidos.. eu continuei na PUC. aquele pernambucano Fernando Lira que foi Ministro da Justiça depois. em 87 eu voltei para PUC do Rio de Janeiro. não houve nenhuma sondagem nem nada.. apenas uma brincadeira que o Doutor Tancredo nos recebia para um despacho duas vezes por semana em Brasília às sete e meia da manhã depois de ele ouvir aquele Globo café da manhã. chegou ao Mário Covas.. o processo de greves. eu disse: Bacha eu estava disputando com você a Presidência. sabiam a minha intenção.E aí já estava. e aí foi o Eduardo Augusto. os dois o Covas e o Richa ligaram para mim eu disse: não.. e ele indo para o elevador ali no hall.. e fiquei lá 87.. o Afonso Camargo. mas o IBGE é uma coisa mais técnica fica a teu critério. o partido fala é de Presidente do Banco do Brasil e Ministro.. eu sempre fiquei lá como professor horista.

.. Teresa Cristina... ele me toca o telefone... a minha volta ao IBGE em 92 foi uma coisa interessante. organizado. de falta de recursos para pesquisas..... ... março de 92. Marcílio estava numa projeção assim de liderança muito grande. ocupava a mesma posição que o Marcílio no Ministério da Economia.. e eu tinha muito contato com ele porque me ajudava liberar verbas para o sistema católico de ensino para as Universidades Católicas que tinham convênios... porque ele vai te convidar para ser Presidente do IBGE.eu disse que curriculum? . estava escrevendo algumas coisas e fazia consultoria por fora na área empresarial.... de greve. e ele quer que você o procure. o Ministro viajou...Isso ainda era governo Collor? “ Governo Collor.teu curriculum. um velho servidor oriundo do Banco do Brasil. então ele estava sempre contigenciado verbas. a PUC era a que tinha a maior parcela de verbas... tinha muita gente lá na PUC. presidindo uma comissão inteiramente importante de Planejamento Econômico e Acadêmico. e o Messias ajudava muito. Então lá fui eu. um Censo problemático. eu fiquei emocionado. não só a PUC do Rio como as outras. a gente tem que conversar essa história. já estava programado. Carlos Messias Barbosa.. final de semana o Messias mesmo me liga e disse assim: Na outra sexta-feira o Ministro vai aí na PUC dar aula inaugural.. e uma tarde em meados de março... e aí o Messias disse: Eurico manda o teu curriculum pelo fax agora.. sem nenhuma mágoa. estava no IPEA e elas me contaram alguns detalhes. mas deixou instrução que quer o teu curriculum.isso foi extremamente desagradável e deixou mossa que até os dias de hoje estão aí.. eu acompanhava o IBGE de longe. era o Diretor de Administração. ele telefonou depois e disse: Eurico você é doido porque resolveu carregar uma mala pesada sem alça. e aí eu digo isso sem nenhuma tristeza. um direito que nós tínhamos. você sempre quis voltar para o IBGE e se mandou o curriculum é porque você estava querendo.A começar com a debandada enorme de pessoas para a aposentadoria. eu acho que é uma constatação que precisa ser feita.. mas eu o conhecia antes porque era o Diretor de Administração do Ministro Veloso no antigo Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. sexta feira.. eu disse Messias para quê? Ele disse: Porque o Eduardo Augusto saiu do IBGE e não se acha gente para o IBGE e eu me lembrei do teu nome. mas eu acho que não tinha ninguém mesmo querendo..... comecei a telefonar para algumas pessoas. realmente fiquei emocionado e é irrecusável. amigas lá dentro. eu parei e disse: Messias. vários amigos.” ... antes do escândalo.... manda pelo fax agora. eu realmente estava muito bem na PUC como vice reitor.. quando um antigo companheiro dos anos 70. e disse hoje de tarde as seis horas lá no Ministério da Fazenda. indo embora.. eu disse: olha Marcílio tudo bem..então eu pensei que era até sobre um assunto de liberação de verbas para as Universidades Católicas. esses cargos geralmente são muito procurados e principalmente nessa fase da República é uma briga de foice. a primeira que fui conversar foi com Jane. Então. então sexta-feira no antigo Ministério no Gabinete do Ministro que ele mantém no Rio o Marcílio vira para mim diz assim: olha Eurico... mas me parece que existe problemas sérios lá de nível de salários e . tanto que o Chefe de Assessoria Econômica do Marcílio que hoje está como empresário em São Paulo.. o processo começa nesse período. mas então o que me parece..” . quinze padrinhos para ser nomeado alguma coisa e o IBGE é um título que honra qualquer pessoa. então era um processo de convencimento de universidades que estavam precisando. porque eu sabia dos problemas todos de salários. “ Bom. honestíssimo. aí. eu queria que você voltasse ao IBGE para transformar o IBGE naquilo que o IBGE foi no tempo do Professor Isaac... sabia de tudo... que chegou a ficar conosco no IBGE uns seis meses.. realmente eu fiquei assim parado.. um convite colocado nesses termos... estava dando aulas. todo mundo procura dez. da melhor qualidade. Sônia estava afastada.. e na outra sexta-feira o Marcílio chega olha para mim e diz: aqui não dá para conversar. Censo de 90 que tinha sido realizado em 9l. ele disse: não tem nada que conversar. começa a perceber isso de várias pessoas que estavam se aposentando...

. “ O Censo era uma coisa totalmente cheio de indefinições. Ele respondeu: vou ver o que é possível. haveria regime CLT.E Censo quando você pegou. isso dentro dessa moldura institucional legal que você tem que trabalhar...e eu duvido que abram a brecha só para o IBGE. então olha. eu me lembro você levou um susto louco. não recebi nenhuma pressão política. no sétimo. fui procurar polícia estadual. chefe do Estado Maior da Polícia Militar.. que tinha sido um dos pais da reforma administrativa do Brasil. nós devíamos a EMBRATEL. eu assumo em Brasília em 27. então nomeei Teresa Cristina Diretora Técnica. a Jane Chefe de Gabinete. uma das primeiras coisas que eu fiz em abril... pensando. um apoio.ele disse: olha eu darei todo apoio necessário..Isso é um ponto interessante Eurico. mas você poderia considerar nós voltarmos ao regime CLT.” . não vou cobrar nada. mas aí o camarada disse: tem tumulto? Eu disse: não tem tumulto. eu fiquei apavorado. cinco meses em greve. porque eu assumi no finalzinho de março. mas estão bloqueadas.. nós devíamos a posto de gasolina.. e começamos a trabalhar. eu fiquei lá quatorze meses e meio. milagre de Nossa Senhora. no planejamento do Simon. mas tem umas limitações legais. dia 29 de maio dia do IBGE os companheiros entram em greve. não.. olha era. foi o homem que assessorou aquele grupo de hospitais Sarah Kubitschek em contrato de gestão. passa o mês de abril e maio.. além disso havia uma dívida enorme. mais você está comprando uma parada complicada. no décimo nono dia.. tinha mais esse chefe do Estado Maior. uma vontade política. poderia considerar. eu fiquei estarrecido basicamente com os níveis de salários com a desorganização hierárquica do IBGE. uma determinada época. eu disse: sim. Aí eu peguei um taxi. só podemos intervir se tiver tumulto. e uma greve que no primeiro momento eu tentei enfrentar até com a polícia... de uma certa nobreza de atitudes como profissionais.. ou 28 de março e vou em frente. temos que garantir que as portas fiquem aBerthas. avisei que ia tirar o diretor da Geodésia e Cartografia Mauro Melo e trouxe o Sérgio Bruni .. depois a PNAD de 93 nós tocamos confiando na Virgem Santíssima. e eu pedi para ele e ele disse: olha tudo bem. o Senhor toca o telefone e nós mandamos para lá. chamei o Coronel Nazareth..E isso se fala agora com essa idéia de agência executiva .. no segundo. desci. E eu aceitei e aí tomei posse em Brasília.. aí eu telefonei no primeiro dia. não é só uma vontade administrativa.problemas de contas atrasadas e.. ex-aluno da PUC também com a sua esposa Maria Helena que era chefe de Gabinete do Presidente do IBGE lá em Brasília.. as portas estão bloqueadas... nós devíamos a empresa de turismo. nós devíamos a Light..que está atualmente como... em crédito....... foi um período extremamente complicado. trouxe o Aníbal Vilela de fora.” . logo com duas semanas de IBGE eu chamei o João Geraldo Piquet Carneiro. nós devíamos alugueis pelo interior do Brasil. um certo deboche institucionalizado.. eu vou ser preso. ninguém pode bloquear as portas. fui lá no QG da polícia. um outro .. eu vou ser julgado pelo Tribunal de Contas como sendo o maior imbecil da paróquia.. eram vinte e tantos milhões de dívidas. por volta de fevereiro de 93 eu tive o desprazer de receber o Presidente da IBM me entregando uma carta extremamente constrangido dizendo: olha vocês devem a IBM US$ 8 milhões de dólares. e nós vamos suspender toda assistência técnica do IBGE e retirar equipamentos.. por falta de disciplina profissional. os funcionários do IBGE são regidos pelo regime jurídico único eu não posso fazer nada fora da legislação. um ano depois. ele é muito amigo meu. 8 milhões de dólares é dinheiro em qualquer lugar do mundo. “ Logo. O Marcílio me nomeia.. me disseram: não..” . eu ia para casa preocupadíssimo. possibilidade de volta a um “ Mais isso foi várias vezes tentado e eu deixei alguma coisa engatilhada formalmente lá dentro nesse sentido.. A PNAD de l992.. vou fazer os primeiros estudos..

.. era um calor. mas tinha sido admitido lá no meu tempo. mas mesmo assim ainda temos um déficit enorme. impedindo a saída das refinarias. o que o IBGE se desagregou e perdeu de massa. fazendo Censo com periodicidade. Petrobrás.. de longe.. mas o que me ocorre no momento.Coronel. Eletrobrás.. não há realmente como repor profissionais qualificados em tempo hábil. eu não conhecia esse rapaz.. havia quase que uma luta.. eu vou usar o termo. “ Bom mas vamos agora a questão da geografia como é que eu encontrei. quase que pessoal. praticamente não entrou ninguém. saindo..” Aliás deixa eu registrar isso. o César Ajara era o Chefe de Departamento. a maneira de proceder é que é condenável. como eu vivi a década de 80 no IBGE... portanto... e depois eu vi aquelas greves de Petrobrás. no seu aspecto geográfico... as pesquisas anuais. é uma falta de respeito pagar o que se paga ao funcionário público. os econômicos decenal...pois ele queria a Diretoria de ... ninguém novo.. comércio. pelo o que estou vendo. Mas as atividades de um grande centro de estudos brasileiro integrado.mas eu acho que o IBGE e o Simon de certa forma está dando sinais de soerguimento. de tocar fogo em rede de transmissão. ficou possuído de tal fúria. o Senhor é que está no local... indignado. acho que essa idéia se perdeu... perdemos a colaboração de uma figura fantástica. então o quadro de falta de dinheiro. embora eu achasse que o Mauro tivesse razão no sentido administrativo do termo. eu não tenho certeza que a minha conclusão seja a mais correta. durante toda a década de 80..... eu tenho.. “ O Vilela foi impedido de entrar. hoje tenho uma ótima impressão.existem duas situações muito dramáticas. qüinqüenal. se já estávamos com problemas anteriores. ai eu disse para eles: vem cá... eu acho que poderia pensar alguma coisa com quarenta graus. de funcionários extremamente decadentes em termos de salários...... quer dizer. demográfico. indústria. .. aquela falta de apoio de serviço médico.O Doutor Vilela saiu rapidamente por causa disso... Fui uma vez lá.. Eu posso te dizer e para tua tese as opiniões precisam ser confrontadas... o que ainda segura é a transição tecnológica. no prédio da Praça da Bandeira vocês tinham problemas de ar condicionado.. massa intelectual de tal maneira que é uma entidade com muitos problemas estruturais.. eu vi que não tinha jeito mesmo.. lembra? Era um inferno...É preciso entender que.. Bom. meio ambiente. talvez não seja muito correto. mas mesmo com o sucesso atual do Simon. poucas pessoas podem produzir bem.. as pesquisas mensais. me atracar e gerar o tumulto para que vocês façam a intervenção e abram as portas do IBGE? e os cretinos disseram simplesmente o Senhor é que sabe. informações conjunturais. para o geógrafo do DEGEO você foi a figura que nos tirou de Parada de Lucas. Eu tenho a pior impressão do serviço público sindicalizado hoje em dia. demografia.. pois com os novos computadores. pediu demissão e foi embora. de divulgar as informações..... único que eu conhecia era você.. a decisão é sua..... mas o que é esse tumulto. porque houve dois fatos importantes.. as pessoas saindo.. você imagina como isso vai afetar a casa. do grupo de geógrafos ativos o que conheço é você. não tem mais massa profissional. derrubar aquelas torres de transmissão. encontrei a geografia extremamente. esvaziada.. eu Presidente do IBGE que dar um bofetão num grevista.....” . por conta dessa experiência.. acontecem as debandadas maciças. do que o Simon está conseguindo atualmente em termos de produzir informações... a casa já apresentava um forte envelhecimento da massa profissional e quando se chega no início dos 90... todas as reivindicações são mais do que justas. serviços. as pesquisas por amostra. mas eu não me lembrava dele.... posso dizer com certeza...

deu uns telefonemas.... três semanas e foi embora.. quer dizer. com aquele com ar de dono do mundo. de cartografia. ele e Bonelli. Radam estava acovardado em Salvador. teve uma conversa comigo. que é irreversível.... . meio ambiente. e aí talvez é o problema da continuidade. que me recebeu muito bem.. Radam. porque aí ressurge a idéia de meio ambiente dentro de outras bases... de geodesia.. com mais delicadeza evidente. aí eu digo.. mas num prédio em que efetivamente era um prédio pequeno para os dois Departamentos e com esses problemas de infra estrutura.. ele agora já começando a entender dessa integração que teve que ser feita.. tratando de geografia.... mas tinha a mesma idéia. passavam para as mãos do Edson.... eu fiquei mais duas semanas ou três semanas com o Jessé passando o material para ele. Então eu não sei... sempre existiu uma incompreensão sobre a heterogeneidade do IBGE.. que era realmente terrível na época.. acovardadas.. Depois com o meu querido amigo Bacha. tem que fazer estatística.... essa questão fica muito clara... Eurico tira Mauro que era considerado o sujeito que estava enterrando a geografia. mas claramente um grande. quando eu saí de lá ainda não estava nada certo assim... colocado num lugar longe. e depois eu e Isaac. e aí é aquele negócio. veja eu estou te contando. depois de ter me convidado para Diretor Administrativo ele teve uma conversa com o Isaac.. ir lá no Presidente da Petrobrás... e a gente tem que ficar vivendo com a Geografia. então encontrei todas essas áreas muito atemorizadas. ele teve sorte porque como todos eram economistas e estavam preocupados com conjuntura nacional.. depois de visitar a Reserva Ecológica do Roncador. ele e Bonelli. Edson Nunes conta muito bem o episódio. você segura essa história por favor ele riu e tal. então todas essas coisas que ele dizia... esse aí o Joel Renó. foi a mesma coisa. Quando Eurico Borba entra.. não havia no centro de poder ninguém se preocupando com Geociências. e o prédio da época que garantia essas condições era o de Parada de Lucas. eu não acho exatamente isso... já havia um outro pensamento... o melhor é doar. mas essa era a idéia que passava.... o Bacha. o pessoal de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o pessoal de Geodesia e Cartografia.. etc.. tratando de meio ambiente. Bem......Geociências toda junta. eu não sei ... virou e disse assim.... entregava geografia para s universidades. em que o ar condicionado era apenas um dos problemas... quando o Isaac saiu.. e isso levou também a um outro conjunto de pessoas a pedir aposentadoria por se sentir deslocado. e o Jessé em Brasília numa reunião. teve um Diretor Geral dele que durou duas. a Geografia é um troço histórico..... essas que não eram de economia. com mais tecnologia.. geodesia e cartografia.... entregava geodesia e cartografia para o Exército... ah é uma idéia.. “ Mas o. -Com o Edson Nunes já foi uma outra situação. o IBGE tem que fazer Censo. no caso do Edson Nunes... essa história do Roncador em Brasília. uma grande massa de pessoal não gostava daquela história de parar a 40 quilômetros do centro da cidade. a ENCE eu entregava da Federal do Rio de Janeiro e nós íamos tratar de fazer Censo... eu olha aqui: eu tenho um mandato de despejo..... Eurico então nos coloca na Praça da Bandeira junto com Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente... Numa conversa sobre o IBGE. “ Eu me lembro lá daquele inferno. eu por mim entregava isso tudo para s universidades. vou doar para Universidade de Brasília e acabar com Meio Ambiente. porque.. virei as costas e fui me embora. por mais que o geógrafo humano ainda não goste muito. como era o negócio naquele período. eu não entendo essa história de IBGE com reserva ecológica.. alijado.. e foi onde ele conseguiu acertar a história da vinda do Radam e que eu acho que foi um ponto positivo.. inclusive o episódio do Radam veio com Edson Nunes.... da gente correr para o Presidente de Embratel. eu tive que uma tarde sair correndo.. estavam sendo postos para fora pela Petrobrás a todo momento.. vamos tratar de fazer Censo. no dia seguinte nem apareci no IBGE e voltei para PUC minha casa de origem... agora quanto a questão dessa área que cobre a Geografia... com um prédio..

.não lembrava dele. para segurar despejo.. etc.. equilibrou os poderes dentro da DGC. esse período foi um período realmente bastante pesado para o Mauro Melo que tinha que gerenciar.. essa era uma pessoa que era líder e possuía muito conhecimento técnico e político. mesmo não gostando muito e perdendo poder. geografia e recursos naturais estavam começando a tentar se entender.. arranjar dinheiro para essa transição. vamos dizer... tinha estudado no exterior. digitalizar toda a malha geodésica brasileira e a geodesia passando para o GPS. etc. mas internamente. a cartografia e geodésia. se impondo perante uma Marta Maia lá da PNAD. quer dizer..... a Lúcia... e nos nove meses que efetivamente se trabalhou.para Presidente de Petrobrás. com as famosas estações de trabalho... e ela .. nem a geodesia. nem meio ambiente. o outro arquiva. principalmente cartografia.. passa o texto para o outro. então eu vi a geografia fazendo coisas importantes. eram especialistas... “ Mas aí deixa eu te contar uma história que é importante. a cada seu trabalho.. e ele. havia uma prioridade um.... nessa fase. perante uma.. nos diagnósticos integrados.. Embratel para não desligar as linhas do computador. é claro que tanto na cartografia como na geodesia as pessoas não irão lembrar bem.. tinha sido da Universidade da Bahia... como os diagnósticos de algumas áreas da Amazônia. mas que começaram a perceber que seria necessário um discurso integrado... todas duas especializadas em geomorfologia. quer dizer. e aí talvez tenha muito desse aspecto de fechamento às outras diretorias.. era uma senhora bem baiana. então. primeiro porque tinha sido uma gerência muito forte do Mauro. também não está mais no IBGE. os outros cinco foram greves. começaram a ter vinculação... quer dizer.” Mas tem um ponto interessante que as pessoas lembram de Eurico Borba e aí. você teria que começar. a única pessoa que tinha essa capacidade no Radam era Teresa Cardoso que estava em Brasília..Bom.. eu acho que fiz muito pouco.... com uma ênfase muito grande em resolver questões da cartografia. a primeiríssima prioridade da DGC era dar um salto de tradição tecnológica na área de cartografia e geodésia.. eu tive pouco contato com ela mais. porque eles não recebiam a meses... “ Tinha apelido essa menina? .. do contato. não houve tempo para fazer a recuperação mínima das condições ambientais de trabalho no IBGE...... essa foi a segunda.. então era esse ambiente da época. perante o pessoal de contas nacionais... com poucos funcionários qualificados..... mas de qualquer forma. “ Então eu estou confundindo com outra. quer dizer.eu não via nem a geografia.. morena.... Então nessa área de geodesia. um diálogo maior com meio ambiente e geografia. vamos dizer. só que a Teresa Cardoso tinha muito mais tarimba.. mas ainda com muita dificuldade...” ..” Não essa é Antonia. e coloca no diagnóstico. porque aí tem uma parte interessante.Não sei.. coisa difícil porque o Radam vinha com uma tecnologia e uma metodologia de gavetas. que do Radam também geógrafa que estava no IBGE e baixinha....e uma parte que englobava geografia e meio ambiente que eram estavam começando a se entender e se articular. porque você convidou o Sérgio Bruni... por exemplo. César não conhecia. Na Geografia eu só conhecia você. todas duas geógrafas. nem recursos naturais....... segunda liderança. um pessoal da demografia... muito bem articulada. alguém que fizesse depois um copidesk integral.. cada um na sua e eles passavam textos. transição tecnológica pesada... uma pessoa senior.. o que de uma certa maneira foi bom. a seria por assim dizer a futura liderança.. o chefe do DEGEO. altiva. cartografia e tal. O Bruni de . de geografia física.. não havia muita gente com uma visão generalista.

mas de uma certa maneira olhando hoje.. conversei muito com Teresa Cristina que apoiou.. com Jane que apoiou... faça isso. estatísticas mensais. nas exposições que eu fiz na Escola Superior de Guerra. de começar a pensar globalmente de forma interligada e interdisciplinar que havia se perdido naqueles doze anos após a saída do Isaac. os economistas que estavam ali manobrando o filé mignon do IBGE. 93. a única ciência que tinha capacidade de fazer a união. e pelos estudos uma metodologia extremamente rigorosa abrangente que envolvia o pessoal de meio ambiente e pessoal de geografia. aí meio ambiente eu falo o DERNA específico que era o Departamento junto ao nosso prédio e mais as unidades regionais que eram as DIGEOs que eram espalhadas em vários estados.. prepare a base do Censo. então nós chegamos a entregar a primeira parte praticamente toda parte de Amazônia Legal e tínhamos iniciado Nordeste e Região Centro Oeste e nós íamos fazer as cinco regiões...... do INPC.. ilustra aquela carta. isso aqui se chama geografia e o grupo de geografia.. e quando surgiu esse projeto diagnóstico geográfico e econômico que se fez a Amazônia Legal e quando eu sai de lá estava se fazendo o Nordeste e Centro Oeste. 93 que o único grupo.. ele sentiu isso. uma série de pontos pontos positivos.. que a gente tinha que descobrir esse projeto que tinha . eu fui lá depois com o Almirante César Flores da Secretaria de Estudos Estratégicos foi o diagnóstico econômico e geográfico da Amazônia. do economistas. e a questão da mudança para Lucas só agravou as relações.... modelos de simulação.Foi neste período é que já estava havendo um nível de integração melhor entre meio ambiente e Geografia.. Paulo Hadad. e isso fazia com que. não era grave.. nem jogo de palavras. tanto meio ambiente. isto é abriu caminho. que foi equilibrar poderes dentro da DGC. o Mauro tinha até por razões de profissão. “ O que eu quero dizer é o seguinte: o Sérgio Bruni foi um trator e uma das coisas que ele conseguiu.. “ Mas Roberto deixa eu te contar duas coisas que eu acho que é importante. estatísticas contínuas. sempre o empregadinho de segunda categoria perante os estatísticos. eu dizia isso não da boca para fora. então eu verifiquei. porque esse tipo de vida.. que eu acho principalmente que ele era um profissional muito vinculado com a área de botânica e então ele dava uma força muito grande nessa parte específica da botânica... sempre forçando a idéia do IBGE como um grupo integrado.... explicava aquilo tudo e dizia o seguinte essa história toda tem que ser fechada em cima de um território e explicado porque a ocupação. então eu explicava lá Censos.. a idéia era se fazer Sul-Sudeste. porque esse tipo de ocupação.. estruturais. e até por razões de estratégia ele tinha problemas na cartografia e na geodesia que eram problemas muito pesados... e porque a geografia juntamente com esse grupo da área de meio ambiente se não tivesse um projeto importante encomendado de fora do IBGE eles sempre ficariam como linha auxiliar do demógrafo. tudo a que o Sérgio Brunes pediu eu atendi nesse sentido......uma certa maneira foi uma pessoa que teve uma questão positiva.” . eu estava convencido que era preciso dar a um grupo do IBGE a função. na Secretaria de Estudos Estratégicos. com uma visão integrada de Brasil eu dizia sempre e não estava fazendo jogo de palavras eu estava convencido que a situação atual do IBGE 92... E olhando de hoje... quando eu falei em geografia esvaziada junto com geodesia e cartografia que eu encontrei em 92.” Tinha uma parte que eu acho que teve um problema dele. Censos. contas nacionais. e a minha volta em 92. PNADs.. então.... quanto a geografia ficassem sem muito apoio... geodesia. cartografia. no tempo do Mauro. para o Ministro Marcílio. da PNAD. “ Eu acho certo. mas ele dava uma força muito grande a essas áreas. índices de preços. ele diz mesmo.. claramente ele foi um sujeito que equilibrou a diretoria O próprio Trento Natali Filho que é hoje Diretor de Geociências. de fazer a síntese explicativa do território e da sua população era o grupo da geografia. estatísticas conjunturais. eu verifiquei outra coisa. para Yedda Crusis eu sempre dizia que aqueles dados coletados.. dei a maior força e prioridade..

CONFEGE. por exemplo. e aí nós sentimos que todo Presidente que entrava... os estatísticos. os economistas e estatísticos.. que não era apenas pelo Collor e sim de uma estrutura ou gerenciamento. nós vamos ter que fazer um tipo de pesquisas menores. eu acho que esse é um ponto chave no IBGE. agora o Departamento nas áreas de meio ambiente lá da DIGEO de Santa Catarina. gerenciado por uma geógrafa do Departamento de Geografia e por grupos de geógrafos lá de Santa Catarina. a entrada do Sérgio Mincioti. acho que isso é um trabalho que minimamente se dá sobrevivência...” . uma delas especificamente sobre esse diagnóstico. que o único que foi detectar exatamente essa questão e dizer. você terá um discurso mais amplo..... a poucos anos atrás trabalhava com cem... eu acho que já tem uns cinco. aí todo esse período depois da sua saída.. acham isso um trabalho menor. percebiam claramente que eles já não tinham mais gente para fazer os Censos econômicos. foi justamente num período onde grande parte da população tinha aceito uma desculpa de que Collor tinha destruído o IBGE e com esse álibi do Collor ter destruído o IBGE. saiu uma notinha no Jornal Nacional. suas preocupações primeiras eram: Censo de 91 tem que fechar. para explicar o diagnóstico da Amazônia.. então o usuário começou a cobrar pesadamente e esse. estavam com grandes problemas. alguns geógrafos humanos não gostam... saiu uma notinha no Fanestástico. então. e isso.” . tratando daquele filé mignon. existe. e tal. ela sofreu perda de massa muito mais que substancial. ele já não podia mais levar e ele teria que explicar o que ele iria fazer. em que as pessoas. ela.. com problemas específicos operacionais de suas áreas... esgotou. claro que o IBGE a geografia do IBGE.. etc... e com geólogo. bom. etc. definição de Censos econômicos como o Agropecuário o Industrial.. etc. muita coisa do IBGE.. não tem garotada de trinta anos. mas isso foi muito mal levado em termos de marketing.... até a entrada do Simon. era todo um problema. estão trabalhando em segmentos do gerenciamento costeiro e o trabalho que foi feito..... que o governo. e nada acontecia. eu acho até que deva ser assim. ou de pessoal. isso levantaria a moral... mas isso você tem que aprender a fazer. então era alguma coisa importante que a mídia.uma abrangência nacional. mal feito... mal levado. mas isso foi mal explicado ao usuário. não é preciso fazer mais Censos... onde é que eu posso abrir uma cunha nisso aí foi o Simon naquele na CONFEST. eu pelo contrário.. uma agência governamental importante como a Secretaria de Estudos Estratégicos estava dando..São todos mestres e alguns já começando a ser doutor. No caso geografia e meio ambiente eles estão continuando nessa linha de fazer diagnósticos integrados. foi muito bem aceito e todo mundo está aplaudindo e etc. agora. hoje tem quinze pessoas com nível operacional.. foi extremamente positivo. Bandeirantes...... “ Se bem que tem um outro ponto interessante também. é que nesse período.. e aí começa a aparecer um papo estranho.. porque se você consegue articular bem com um geógrafo físico... é uma grande diferença. Marília Gabriela fez duas entrevistas comigo.. “ Esses quinze hoje qual é a formação acadêmica. etc.. cento e sessenta. etc... seis já no doutoramento... foi feita a reportagem também naquele Globo que aparece domingo de manhã. as chefias da área de estatística. teria uma importância evidente perante a mídia a Rede Globo em chamou naquele café da manhã. levantaria a responsabilidade do grupo de geografia e a responsabilidade do grupo de recursos naturais e meio ambiente provocando essa integração e esse grupo não seria simplesmente o grupo de segunda categoria dentro do IBGE perante os economistas. que você pode pedir qualquer coisa... Globo Rural. com um biólogo. de que não... menos segmentado. “ Mas todos..

. “ É a geografia que desaparece dentro de dez anos. eu quero saber no ano 2000. aí eu digo de novo e louvo o Simon.. eles fizeram parte desse convênio. que depois foi para a Universidade. que as coisas estão se dando muito bem porque de novo está havendo uma integração muito de geociências. mapeamento automático. por exemplo a informação que tem agora é que em dezembro saíram cem pessoas do IBGE. PUC do Rio de Janeiro... que foi até um a experiência muito boa foi o Laboratório de Gestão do Território (LAGET). ele trabalhou durante muito tempo no Laget. quer dizer o Departamento de Geografia.. não havia possibilidade de tempo para um período de formação. ele montou uma equipe para o Censo do ano 2000 e resolveu começar cedo.. Bom mestre Eurico. “ Não teve um rapaz.. eu acho que com isso. foi alguma coisa assim exploratória. eu não estou lidando com o problema.. esse ano eles até já começaram direito.. o mais novo deve estar com quarenta e três mais ou menos nessa faixa. que era . formal. Federal do Rio de Janeiro. adaptação ao trabalho. já teve um concurso...Não. o negócio.. se não tivermos uma geração de estatísticos. ter essa ligação com o IBGE.. eu sou o mais velho tenho cinqüenta e três. pontual.Não.. pode ser estágio e pode ser elemento de despertar vocações que aceitem ser heróicos funcionários públicos trabalhando no IBGE. entraram três.” .. mas ao que me parece. vai se parecer com um planejamento daquele Censo de 80 que se começou que vocês começaram a montar e que em 79 vocês tiveram que abortar o negócio. Federal Fluminense... aprendi com o velho Lira Madeira e com Valéria Mota Leite.:” . questões de salário. se aposentou. a Fanny Davidovich também.” Exatamente. Egler que.. dessas cem pessoas muita gente era da área de geociências. não houve continuidade... quem é que vai fazer o Censo do ano 2000. “ Eu queria só no final dizer alguma coisa também que me esqueci. a Bertha Becker. mais tarde houve uma outra tentativa....... estatística.. “ Eu sempre digo que se isso.. eles preferem ir para outro lugar.. se aposentaram...Houve uma experiência disso. não. dois já foram embora. eles não terão condições de comandar o segundo. não fomos muito felizes. que trabalhou no IBGE desde os anos 60... porque sentiram que.... talvez com a UNICAMP. de Economia.... começou a planejar cedo. pegaram o plano de desligamento.. qual foi a sua colaboração nesse. as pessoas estão podendo sentar a mesa e discutir perfeitamente o quê é possível fazer. Sociologia... que nós no tempo de Isaac tentamos.. institucionalizada com os departamentos das universidades boas do Rio de Janeiro. nessas duas fases que foram.. um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o IBGE e que deu muitos frutos. a reposição que deveria ter sido feita na década de 80 e como ela não foi feita. talvez com a USP. por parte da Marilourdes Lopes Ferreira. que eu acho que é fundamental que é o IBGE basicamente ter uma interação maior.. porque com essa.. está havendo consultoria de fora. como algumas outras poucas no Brasil. etc. extremamente desestruturada que eu pensei em fazer. de demógrafos que tenha feito pelo menos um Censo.. cada vez mais fica distante a possibilidade de reposição. deu bem para perceber como as coisas estão e o quê. o Claúdio Egler. é tudo na faixa de quarenta...” ..Se não menos. o Roberto Lobato de Azevedo Correa.. então essa é a saída. é esse o grupo hoje ainda faz a Geografia do IBGE andar. etc. vai ter a Valéria e mais um ou dois que fizeram o Censo de 90. e não tive tempo.. dizem... não foi levada a tempo. ao que me parece pelo menos em termos de planejamento. as pessoas estão indo para o exterior aprender e a trabalhar principalmente com tecnologia nova.... agora a pouco tempo teve um concurso... com essas saídas.

. política de pessoal e questões relativas ao desenvolvimento de carreiras de pesquisa e ao processo de transição necessário entre os dois regimes (Regime Jurídico Único) e o de Contratos de Gestão.. Essas mudanças positivas podem ser percebidas através de uma série de ações que implementaram uma forte . gestão administrativa. Tanto quanto os outros presidentes. Simon discute os problemas que os principais institutos de pesquisa governamentais apresentavam na ocasião e delineia o modelo de contrato de gestão em termos de controle e avaliação.. Esses foram os principais referenciais que nos interessam para entender a posição de Simon Schwartzman quanto às áreas de Geociências. principalmente os afetos ao funcionalismo que o compõe. O terceiro trata-se de uma apresentação sobre os institutos de pesquisa do governo federal... apresenta um balanço das atividades entre maio e dezembro de 1994. além dos problemas concernentes ao equipamento de trabalho propriamente dito. Nele. a medida em que o papel dessas áreas passa a ser compreendido mais amplamente. mostrando o que foi melhorado e apontando os problemas que ainda não puderam ser sanados. Simon faz um balanço de sua administração. restrições essas que vão. Simon também inicia o mandato com muitas restrições à essas áreas. O primeiro foi sua carta de intenções chamada O Presente e o Futuro do IBGE apresentada em dezembro de 1994. ao longo de sua gestão. e o maior deles é ainda o de pessoal qualificado. São 28 páginas onde Simon expõe claramente os problemas da agência. preparado no contexto de uma reunião técnica com os dirigentes de instituições federais de pesquisa em novembro de 1994. financeira e patrimonial.. de fazer uma integração com outras universidades para um atlas do Estado do Rio de Janeiro mas não foi bem sucedida. O segundo documento foi sua carta de transmissão de cargo da presidência do IBGE em 25 de janeiro de 1999 ao economista e historiador Sérgio Besserman Vianna atual presidente. A Gestão Simon Schwartzman Três documentos servem de sinalizadores para as ações empreendidas pelo último presidente do IBGE que gerenciou a casa entre maio de 1994 e dezembro de 1998. explica as condições de funcionamento da agência.diretora adjunta da Geociências do IBGE. traça as estratégicas para os próximos anos e levanta questões sobre o futuro do IBGE. suavizando-se. acenando com o projeto de contrato de gestão. onde faz uma ampla avaliação da missão institucional da casa...

. em termos de computação gráfica e de redes de comunicação.ampliação do aparato tecnológico de trabalho.

não na Cartografia.. elaborando cartogramas. O primeiro depoente foi o engenheiro cartógrafo Mauro Pereira de Melo. Foram tomados os depoimentos de elementos formadores da “velha guarda”. como Miguel Alves de Lima e Speridião Faissol.. e também se iniciavam os trabalhos dos subsídios a regionalização. A Gestão de Mauro Melo na DGC ..naquela ocasião e tive o privilégio de ter alguns professores geógrafos de grande expressão. participando de várias das discussões dos geógrafos nesse processo. eu fui estagiar no Departamento de Geografia.. cartógrafos de boa expressão no IBGE como Rodolfo Pinto Barbosa e Ari de Almeida e os grandes geógrafos do IBGE que . inclusive...... criando os mapas de correlações.. Cartografia.. se estava a meio curso do Atlas Nacional do Brasil e de uma série de Atlas como o do Ceará. quer dizer. “Era a terceira turma. que tiveram cargos de alta direção no período do CNG.... participando desses diferentes projetos... Meio Ambiente e o ambiente informacional que daria suporte às áreas.. e participaram das políticas de integração das áreas de Geografia... No projeto dos Subsídios à Regionalização.” Essa era a primeira turma de cartografia no IBGE? Já era. a turma que saiu em 70.Os Diretores O segundo grupo de depoentes foram alguns diretores que gerenciaram as áreas onde a Geografia se localizou. e no projeto do Atlas Nacional também. exatamente com esse convívio de cartógrafo e geógrafos... na Distribuidora de Energia Elétrica na Light. Geografia. eu digo que tive uma visão privilegiada. Mas o que vamos registrar aqui são os depoimentos de profissionais que assumiram posições de direção após a década de 80.. Cartografia/Geodésia e Meio Ambiente... primeiro diretor de Geociências do IBGE e principal articulador da integração em as áreas que compunham a diretoria (Geodésia.. no caso da Geografia do Brasil... a minha inserção na Cartografia se dá exatamente na passagem para a Universidade ao início do curso de Engenharia Cartográfica na UERJ. trabalhando maciçamente na elaboração da documentação cartográfica. eu trabalhei com cartografia. Alfredo Porto Domingues foi meu professor em algumas cadeiras para exemplificar. como estagiário exatamente em janeiro de 68. e venho logo para o IBGE. daquela época em que se terminava a Geografia do Brasil. quer dizer.. ainda tive o privilégio de cursar Engenharia Cartográfica com um curriculum que era denso em geografias. mas então... Recursos Naturais. além das unidades regionais que também produziam trabalhos específicos em seus espaços de atuação)....... a minha experiência profissional vem de trabalhos na área de topografia inicialmente. onde leciona no curso de Engenharia Cartográfica.. acho que no momento de transição do IBGE. Atualmente Mauro Melo é professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e na UERJ. do Amapá. que dão o perfil atual das Geociências na agência. a minha foi a terceira turma. terceira turma..Professor Mauro pode começar a contar um pouco da sua trajetória pessoal e funcional dentro do IBGE ? “ Bom.... uma coisa bastante desconfortável durante muito pouco tempo. os capítulos regionais.

através das Divisões de Levantamentos. na época o Projeto Radam Brasil estava totalmente desassistido a ponto de ser definida sua extinção no final do Governo Figueiredo. nova visão geográfica e algum envolvimento com alguns mapas temáticos.... fui para a área de Geodésia..éramos chamados de caixa preta e tudo mais. porque éramos as primeiras turmas a entrar na Amazônia com objetivo de mapeamento mais preciso. a nossa tentativa ganhar uma aproximação maior da geografia até no sentido de reforçar a questão do papel do IBGE que era até todo instante questionado. organização e tudo mais. quando de meu retorno ao IBGE.. ele conseguiu reverter esse quadro produzindo um Decreto que transferiu o Radam à Secretaria de Planejamento e num segundo momento estudar absorção por parte do IBGE... isso já veio acontecer no Governo Sarney. Ao mesmo tempo que eu me enriquecia naturalmente com essa participação em termos de geografia.. Eu acredito que isso voltou a colocar um pouco a cartografia num eixo geográfico. aliás no Bico do Papagaio na região de Xambioá em 1974 com a equipe da Quarta Divisão de Levantamento de São Paulo onde estava lotado e participei dos projetos de cartografia ao longo da década de 70.. Roraima. e tivemos a felicidade de realizar alguns Atlas.... aquela formação anterior de meados da década de 60 até o final da década de 60. interferimos. Na ocasião através do Presidente da Comissão o Pécora... a tarefa foi também uma visão privilegiada em termos de IBGE..” No depoimento do Edson Nunes ele coloca bem as dificuldades que foi de entender qual era a escala do Radam..... já na década de 70. Piauí. fui Superintendente ao final da década de 70 até assumir a Diretoria de Geodésia e Cartografia no início de 80. quer dizer.. quando nós interferimos através da Comissão de Cartografia. e foi num momento crítico para o IBGE.participaram desses projetos. no Governo Sarney é que veio acontecer a oportunidade de absorver realmente o Radam. tinha muito pouca visão geográfica.. em que se rediscutiu o IBGE como um todo. e me vi envolvido profundamente com.. Desenvolvimento do Vale do São Francisco. fui para a área de Geodésia.. quer dizer. ela foi rompida num ponto qualquer.. muito pouca participação até da geografia e mais da cartografia e logo depois os Atlas estaduais que estavam contratados e precisavam de um apoio maior como Maranhão. participei do grupo que implantou a estação de recepção da imagem do primeiro satélite de sensoriamento remoto.. todo mundo sabia que era um .... eu não sei precisar na década de 70.. na área de Geodésia. também com a Cia... A grande oportunidade que nós vimos em avançar nesse sentido foi com a absorção do Projeto Radam... medição de bases. quer dizer... Como foi o caso da EMBRAPA na Região de Carajás. quer dizer... o mapa regional do Nordeste nesse processo.... nesse período da década de 80. comecei a trabalhar efetivamente com cartografia. Superintendência de Geodesia onde posteriormente.. quer dizer... na definição do Sistema Geodésico Brasileiro e treinamento de equipes para astronomia. O cartógrafo.. a visão do engenheiro geógrafo do século anterior. realmente foi uma temeridade absorver um projeto dessa importância naquele instante em que nós não tínhamos nem claro que papel ele teria num novo IBGE. fui trabalhar numa Divisão de Levantamentos que estava sediada em São Paulo.. a SUDENE e aí saiu o Atlas do Nordeste.. quer dizer. onde se perdeu a visão geográfica da cartografia e a formação cartográfica se voltou mais para a questão cadastral..... papel. A todo instante buscamos uma aproximação com a área de Geografia até porque os Atlas estavam incluídos na programação de trabalho do DEGEO e víamos aí uma oportunidade também de crescimento do próprio pessoal da cartografia... Flávio Pécora. houve uma regressão aí em termos da visão cartográfica....... para a fazer a pós graduação...... a intenção do Governo era realmente extinguir o Radam. fui no momento seguinte para o INPE e aí outra felicidade. naquele momento até com entidades externas ao IBGE. onde as preocupações básicas eram concluir o levantamento gravimétrico dessa área. e nós vimos na aproximação com o DEGEO principalmente na elaboração de Atlas uma reaproximação da cartografia com a geografia.. no momento seguinte... já de longa data. Vale do São Francisco. e a entrada do mapeamento na Amazônia que era o grande desafio que nos acuava... que veio a se transformar no Landsat e os estudos primeiros de aproveitamento de imagens.. supervisão e lidando naquela ocasião com algumas tecnologias também de ponta.

...... O que buscávamos era exatamente uma integração maior. da questão dos Recursos Naturais. a SUPREM não tinha uma organicidade naquele período.. você tinha o Nimer como um líder de climatologia. nós absorvemos nessa época a idéia de integração.. funcionasse como um catalisador dos interesses dos geógrafos e houvesse uma aproximação maior entre a área humana e a área física numa geografia de integração.. para o final do ano de 86. “ Foi um desafio... no contexto mesorregional.... trazendo inclusive algumas tecnologias novas já voltadas para geoprocessamento... físico...” ..E haviam muito poucos geógrafos que pudessem fazer. fruto de conflitos no DEGEO.” ....pois inicialmente.grupo muito importante e pessoas muito qualificadas e ninguém conseguia entender escala da junção de Radam com IBGE qual era a possibilidade. 87 isso tudo correu a reboque...... até como uma forma de costurar o pensamento humano..A experiência de Carajás. aí.. também foi resultado de conflitos de poder no DEGEO. não na forma que vinha sendo tratada no IBGE em termos de SUPREN que eu acho que tinha muito pouca valorização da visão geográfica... o discurso holístico que veio perdurar já pelo meados. foi interessante . não só da área de Recursos Naturais.... você tinha o Alfredo na geomorfologia eram poucos os especialistas. quer dizer.. quer dizer. no âmbito do Projeto Nossa Natureza.. e não uma decisão estratégica...” Que aí foi uma tentativa de tentar trabalhar uma escala dentro da Amazônia. houve uma tentativa da adaptação do Aluísio Capdeville Duarte que era um geógrafo da área de regionalização... correu distante daqueles nichos que se discutia a criação de uma área de ambiente no âmbito da área da SEPLAN o que veio ocorrer em 87. principalmente da exploração dos elementos da natureza. eu acho que o Radam veio e deu organicidade. a objetividade ao trabalho que era feito na área da SUPREN. evidentemente. tentando costurar o binômio natureza sociedade de uma forma mais integrada. do César Magalhães que era especialista de energia.. esses trabalhos foram importantes. uma escala intermediária... PMACI I e II que monitoravam a ocupação ao longo da BR 364 e controlavam as áreas indígenas de Rondônia e Acre.. mas eu acho que foram um marco.. o exemplo do grupo do Orlando Valverde.. mas ao mesmo tempo também tentar fazer o que o Projeto Radam..... a experiência Projeto Nossa Natureza. Rio Negro-Uatumã.... “ O que nós buscávamos ali era uma valorização da visão ambientalista da geografia. correu a reboque não....” Houve até umas escalas interessantes. “ Periferia de Carajás é último.....” .....” . mas foram situações de cunho pessoal. sob a ótica da geografia e sempre buscando esclarecer essas interfaces entre os diversos subsistemas que compõem a natureza e a sociedade. Eu acho que os diagnósticos deram um pouco mais de trabalho inicialmente em escala Brasil.Quantos projetos foram desenvolvidos naquele período ? “ Tivemos o ZOPot zoneamento de potencialidades... tínhamos de adquirir essa experiência em termos de Amazônia. não se tinha naquele momento ainda....do início dos anos 80. houve a construção daqueles quatro módulos iniciais que foi Xingú-Iriri. Roraima e Periferia de Carajás... A grande vantagem que tivemos com a absorção do Radam foi a oportunidade de sentarmos à mesa de discussões com uma proposta concreta do ordenamento territorial integrado. os diagnósticos territoriais eram todos com viés ambientalista . “Exatamente.

se evita a história do sistemático quebradinho.. quando nós ...Claro. Esse texto... antes do discurso neo-liberal do planejamento indicativo e do planejamento determinativo dos militares da fase anterior.. com isso. ele me serviu muito. embora até hoje não tenha sido plenamente entendido....... decenais. ele orienta as pesquisas de ocupação do território... quando a escala menor muitas vezes poder resolver seu problema. analisar alguns problemas em determinados segmentos. e aí poluição vista num nível mais geral. mau uso do insumos no campo.Renda familiar com poluição. aquela forma de acordar o Brasil. foi escolhido para a tentar essa aproximação entre o pessoal do Radam e do IBGE.. mas ele deveria ser até para a dar uma avaliação das políticas. aquilo ali deveria ser cíclico.. relação política de governos anteriores.” ....... o Diagnóstico Brasil foi um marco nos trabalhos... “ Na área de planejamento....... está tudo lá... 1:100. Percebo que este era o grande problema que incomodava o pessoal do Radam. ainda Diretoria Técnica que foi Brasil: Uma Visão Geográficados anos 80.Porque ele organizou um quadro de referência importante.. a área acadêmica dá o valor merecido. Ele foi um inspirador nessa linha de trabalho.000 e aí você não vai conseguir cobrir o Brasil todo rapidamente. quer dizer. por exemplo... Quando você lembra o Nossa Natureza... é um tipo de trabalho que deve ser repetido........... uso de defensivo agrícolas.” Plenamente valorizado como deveria ser. não fazia sentido ir à escala maior...” Analisar algumas conjunturas.” ....” ......... “ Eu digo que essa linha.. problemas da regularização fundiária da década de 70 a 80.. como o Brasil lá fora. etc... isto é de 1:50. pois eles sempre trabalharam dentro dessa característica do levantamento sistemático em nível local.. “ Isto tudo num processo único.000.. ela dava a sinalização para políticas regionais. foi aí a ruptura que nós tentamos fazer naquele instante... a parte de agrária. eu vivo repetindo para a eles ainda hoje que essa abordagem deles leva ao dilema de Jorge Luís Borges vai em escalas cada vez maiores até chegar em 1:1 e a informação se torna inútil para muitos e apenas relevante para uns poucos..Teve diagnóstico Brasil também... não era um instrumento clássico para planejamento. a questão da poluição em função de uso do solo. até hoje orienta pesquisas no terceiro grau. é um trabalho que realmente acho que não foi entendido. há ciclos qüinqüenais. visão nacional... o nosso problema é que a área governamental ainda não se percebeu a importância daquele tipo de abordagem.. ali nós estávamos buscando modelos para a definição de políticas regionais... com industrialização.. Eu acho que ele ficou interessante. foi o primeiro trabalho na escala de Brasil que apresenta uma preocupação com poluição..” “ E aí Schmidt é bom deixar claro que o grande sinalizador disso tudo foi um projeto desenvolvido no âmbito do DEGEO ainda isolado.... para trabalhar no módulo de Rio Negro-Utumã. “ Sim. início da década de 80... é o mesmo processo da amostragem na estatística. “ Eu acho que foi o primeiro trabalho que juntou renda familiar com poluição.... por exemplo..... que é muito difícil de trabalhar na escala de Brasil. ele foi uma tentativa de mostrar a esse pessoal que havia um limite de escape... principalmente na questão de poluição local de Manaus em função da industrialização.. dali era possível fazer muita coisa. pois abrangeu todo o país. principalmente na área governamental... “ Exatamente.

e eu acho que não. você tem uma preocupação muito grande com a palavra geografia oficial e não é geografia oficial o que é feita pelo governo? Eu respondi. quer dizer.. não como uma agência do estado.Ele informa. etc... isso que é chamado geografia oficial...O que possa ser pedido hoje ou daqui.. quatro anos.... na verdade. O IBGE.... então elas foram selecionadas até para se ganhar tempo no processo de domínio do trabalho.. três anos. e nos períodos posteriores... é uma agência de subsídios a planejamento..” Essa foi uma expressão muito marcante na década de 80.... Collor.. o IBGE é e continuará sendo uma agencia do governo federal e servirá à sociedade brasileira via estrutura de governo. depende da ênfase que se dá a expressão.. um trabalho específico.... ele passa.. não é governo.. na medida que ela efetivamente em algumas situações ocorreu porque éramos um órgão do governo foi assim no período do Estado Novo.. certas informações serão sigilosas pois são são informações estratégicas. porque o governo precisa daquele pequeno período de tempo que é. ou no próximo......” .. etc. que representa a sociedade.. ele não é uma agência de planejamento.. é subsídio ao planejamento da máquina de governo. é uma situação diferente. “ Ele informa todos esses processos.” Não é governo de fulano ou de um partido.. cartografia oficial.. estatística oficial na verdade é aquele conjunto de informações que eu chamo de estratégicas básicas para informar os processos de gestão do estado. ele dá dados. de querer ver o IBGE como uma organização social.. ele pode dar informação bruta...... ele subsidia planejamento. agora a conotação que se deu... é que era uma geografia feita não para a sociedade. “ Na verdade. “ Exatamente. ele precisa daquilo para a responder alguma coisa ali.. virou um xingamento.. para o estado.” ..Para não ter de reinventar a roda.. ele pode dar uma informação trabalhada.. na era Sarney. e que eu não consigo inclusive ver tantas diferenças entre o que Geisel pediu numa determinada situação ou o próprio Itamar possa ter pedido em outra..” .... mas para o grande capital.. ele pode fazer um diagnóstico. É um equívoco isso......Coisa que o governo precisa... grupos privados estarão dispondo de uma informação antes dela estar disponível.” Bom. já era uma espécie de pré zoneamento..... ou para o militar. geografia oficial de estado é uma coisa.... mas ele não planeja necessariamente ... porque uma organização social é essencialmente privada.. o trabalho apresenta situações muito semelhantes.... um professor na banca de qualificação argumentou que: mas afinal de contas. “ E aí se leva à distorção de hoje.” . e colocar a coisa numa visão pragmática também. exatamente..regional.. nos governos da era militar. no de Juscelino...aproveitamos aquelas quatro áreas do zoneamento no Projeto Nossa Natureza. porque cada área dessa apresentava problema distinto no contexto da Amazônia... ele subsidia planejamento. como é que você vê a Diretoria de Geociências para o futuro ? . Embora muitas vezes eu sinto um choque ainda quando alguém ainda fala de geografia oficial como uma coisa fascista.. “ E o que possa ser pedido hoje.

agora as análises .. quando na verdade.......isto é um corte seco no tempo que é o que caracteriza exatamente a linguagem estatística. é preciso produzir estes indicadores de qualidade de vida ligados às estatísticas ambientais...DEISO hoje está na área da Demografia.. é a ligação entre o que se gostaria de que fosse perguntado. aí...” ........ quer dizer. se ela efetivamente vale a pena. ele não tem condições de funcionar no ambiente de hoje..” .. e o custo que isto implica. “ Para a produção das estatísticas objetivas. quer dizer... a visão do território enquanto modelo gráfico. é ela que faz determinado tipo de pergunta.” “ Em suma o que eu gostaria de resgatar são as três linguagens básicas que dão conta da questão territorial. que é a qualidade de vida apenas vista pelo ângulo do saneamento e da salubridade da população.. eu não vejo na Geociências hoje.. eu tenho impressão que esse nicho garantiria à geografia um grande papel... com isso. vamos chamar de espacial no sentido que vem sendo dado hoje.... o território na sua dimensão espaço geográfico organizado acontecendo no tempo. organize... DEGEO e a área de estatísticas sociais...Os dados que servem para esse tipo de trabalho........... teríamos que ver a questão da qualidade de vida.... de informações dessas áreas para combinar com os processos naturais. ficamos na velha antropometria. mantendo as questões das estruturas setoriais vinculadas a esse núcleo cartográfico e faria um outro movimento. Um problema semelhante se dá com a pesquisa de Padrão de Qualidade de Vida... ela conseguiria respostas melhores no sentido das estatísticas ambientais.. do que é efetivamente levantado e usado pelos usuários.. dos indicadores de qualidade de vida e um eixo de indicadores sociais mais coerente com as questões ambientais... quer dizer.“ O modelo geociências de nosso período teria de ser mudado.. a questão do território enquanto uma dinâmica temporal que é o caso da estatística e a dinâmica do território do ponto de vista espacial.... eu optaria por um outro modelo....... veja bem. mas eu voltaria a isolar a Geodésia e Cartografia..... .. “ E fortaleceria gradualmente um nicho de geografia da população aqui nesse grupo e aos poucos ir roubando a parte de demografia para este contexto. a visão da dinâmica e aí completa o território... e para isso ser medido...... para que essa visão social não fique deslocada do ambiente. se me fosse dado alguma decisão nesse instante. até porque a área lá do DEISO eu não sei qual é o nome hoje... é que dará realmente a visão territorial que cabe a um órgão como o IBGE produzir... as respostas de média moda e variância tem que ser dadas pelo esse grupo de demografia. “ Isso ainda não aconteceu até agora.. que é o movimento DERNA... a recuperação desses três idiomas. mas percebo que é importante manter um núcleo que acumule. Estatística e Indicadores Sociais. para a mim ela é mais geográfica.. que.” -Bom. hoje ainda o corte é muito temporal. eu teria isolada essa parte de Recursos Naturais. Geografia. eu redesenharia o IBGE com essas duas Diretorias e uma terceira ocupada exatamente com a questão Levantamento e Produção Estatísticas...... sistematize esse conhecimento entre demografia e espaço.... “ O que eu digo é que seria recuperar a idéia da geografia da população..... e aí é trabalho sistemático mesmo.. lembremos que a demografia é quem planeja o Censo Demográfico.. não é um retorno ao passado. portanto. o IBGE não consegue levar para frente pois necessita de muitas outras visões.. porque a análise geográfica baliza isso melhor do que análise estatística .......” Como ficaram os estudos de estatísticas ambientais. pela inserção do indivíduo no meio no ambiente físico perfeito.. isso é que precisa ser produzido a médio prazo... não vejo nesse momento espaço para a eles nessa forma.. e levanta o custo desse tipo de pergunta..

isto é em gerenciamento desses segmentos. como forma de acelerar essa integração interna.Gestão Sérgio Bruni na DGC O próximo diretor a dar o seu depoimento foi Sérgio Bruni. porque o Goeldi realmente tem coleções . muito tempo depois.. A rápida passagem de Minciotti no IBGE (nove meses apenas. ele passou em algumas áreas de conhecimento. evitando assim futuros conflitos entre departamentos e incentivou a ampliação de diagnósticos integrados. que foi terminado na gestão Simon Schwatzman. Foi durante essa gestão que Sérgio Bruni incentivou o processo de implantação do projeto de Regiões de Influência das Cidades. dificuldade de contratação de pesquisadores e até dificuldade no seu relacionamento entre o governo Federal. Foi a primeira experiência de um administrador público numa área técnica de Geociências.. E se o presidente não vislumbrasse o REGIC como um projeto típico de ampliação de mercado para o IBGE no campo dos subsídios às consultorias e governos municipais.Eu fui estudar economia em Brasília e fiz pós graduação na área de administração pública na França. que prepara o ambiente computacional para a geração dos bancos de dados e a posterior classificação das hierarquias de redes urbanas e do mapeamento final. a se sobressair muito mais do que o próprio Goeldi. principalmente durante a saída de Eurico Borba e na conseqüente gestão de Sílvio Minciotti. interage também com a Diretoria de Informática. concurso 1976 se não me engano e entrei como analista Júnior no CNPq... foi importante.” . Jardim Botânico. O INPA foi criado depois do Goeldi.mas granjeou-lhe muitos inimigos em outras diretorias.. e peguei o estudo num momento de grande dificuldade econômica... naquela ocasião fui supervisionar os estudos sócio econômicos do CNPq na Amazônia isso durante cinco anos e isso já como supervisor do para programa do CNPq para a Amazônia. Gostaria que o senhor descrevesse sua carreira até sua chegada no IBGE “. na Escola Brasileira de Administração Pública e meu primeiro emprego público foi no CNPq. mas em alguns momentos. Cartogarfia.. Ministério da Educação. Após o período de adaptação e de entendimento da complexa heterogeneidade das diversas áreas de especialização da casa (Geodésia. com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. no caso do próprio CNPq.. pouco depois eu fui trabalhar no Museu Emílio Goeldi onde fui vice diretor. com experiência no CNPq. Meio Ambiente. onde está até agora.. no Instituto Nacional de Administração Pública e depois aqui no Brasil na Fundação Getúlio Vargas.. através de seus chefes de agências que respondem às questões concernentes à pesquisa. sem bem que a experiência de Sérgio Bruni tem uma forte componente nos segmentos dos estudos botânicos. o primeiro presidente do IBGE vindo da iniciativa privada.. Geografia. não no que tange as coleções. Instituto de Desenvolvimento Florestal. em dois anos no Museu Goeldi foi um experiência muito rica porque eu saia do CNPq de uma situação macro da Amazônia onde era cômodo. Sua atuação no Conselho Diretor . projeto caro e de logística bastante complexa pois interage diretamente com a rede de coleta.. e perdendo.Isso em que época mais ou menos? “ Isso em 83.. porque eu simplesmente avaliava o programa. projetos de atividades científicas. quando Sérgio também já havia saído do IBGE e retornado à presidência do Jardim Botânico. além dos problemas inerentes às unidades regionais sediados em alguns estados). não sairia se a influência de Sérgio Bruni sobre o presidente Minciotti não fosse forte.. administrador público da área de ciências... foi trabalhar na direção da FEPASA em São Paulo) não impediu a continuidade do projeto. Um projeto dessa magnitude. Sérgio iniciou um processo de equilíbrio de poder entre essas áreas. Museu Emílio Goeldi. pois desincompatibilizou-se com o serviço público para candidatar-se a deputado federal pelo PSDB de Santo André.

muito ligado ao então Presidente José Sarney e isso facilitava muito a operação se pode estruturar uma série de projetos novos... que permanecessem em seus cargos...... hoje IBAMA. um só por uma questão pessoal que era o Túlio que era o Chefe da Cartografia já estava acordado com a presidência ida dele para Porto Alegre... o que hoje o CONAMA faz na escala de Brasil.. mal ou bem de algum maneira eu conhecia o tipo de trabalho feit. primeiro para a entender se eu teria algum tipo de competência para a entrar naquela questão. no próprio CNPq. para o Ministério de Educação eu fui ser subsecretário de primeiro e segundo grau quando o Marco Maciel assumiu passei um ano e meio trabalhando basicamente com educação básica.. operacional da Divisão... e pudemos enviar para o exterior diversos pesquisadores.. se estruturou o laboratório de produtos florestais do hoje IBAMA. Posteriormente.... por exemplo. a espinha dorsal do IBAMA. tinha a área de Geografia. mas na capacitação de pessoal.. se iniciava naquele momento com grande esforço. quando iniciou então o governo Collor eu pedi demissão do Jardim Botânico fui ser professor da Escola Superior de Guerra e foi criado então uma disciplina que era Ciência Tecnologia e Meio Ambiente onde eu fiquei como responsável por uns dois anos. Bom. na cartografia eu era usuário... etc. nesse período então Eurico Borba recebeu convite do Ministro Marcílio Marques Moreira para a assumir a Presidência do IBGE e me convidou assumir a Diretoria de Geociências. variação de novos projetos etc. acoplando um Departamento hoje de Museologia que não se tinha na época.... eu pedi a ele que a documentação que ele tinha sobre o assunto. pesquisadores de institutos de pesquisas..fantásticas não se pode comparar.. as pós graduações oferecidas... eu aceitei o desafio. e a primeira medida que eu tomei foi pedir a todos os chefes de Departamentos que ali estavam. já no Rio de Janeiro. o Goeldi era um Instituto mais clássico. porque essa vice diretoria acabava de ser criada e eu fui o primeiro a ocupá-la. foi um embrião o CONAMA.. Recursos Naturais e Meio Ambiente onde eu trabalhava a cerca de vinte anos. a articulação no setor empresarial......As relações com o esquema internacional de pesquisas. o Presidente na ocasião era o Jaime Santiago que era um economista sergipano de muito bom nível. tinha área de cartografia e geodésia.. era uma questão pessoal.. de forma que pela primeira vez o CONAMA/IBDF pode ter um colegiado onde os diversos seguimentos que trabalhavam no setor vegetal podiam opinar... e capacitação....... onde tanto no Goeldi ou no próprio MEC...... uma política de qualificação de recursos humanos.. então foram dois anos muito interessantes onde pude inclusive participar de uma reformatação do Goeldi para a estrutura que hoje ele tem..... ele me passou os dados e as áreas que estavam na Diretoria eram áreas que tinham uma certa proximidade com que eu já havia gerenciado. depois eu fui para o MEC.... depois dessa experiência e de outra na Secretaria de educação e Cultura de Roraima. se tivesse um Diretor Geral que ficasse mais com a relação política. mas na geodésia eu desconhecia o tipo de trabalho.... mas nunca trabalhara. “ Exatamente.. conhecia a literatura. eu fui ser diretor do IBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal hoje extinto.. não tinha nenhuma idéia de levar uma estrutura de fora para a operar numa organização tão complexa......... então foi um trabalho muito interessante. familiar. então foi uma experiência muito interessante. felizmente a maior parte atendeu. naquele tempo já se fazia aquele sistema... uma área de função técnica científica que não se tinha... foram pouco mais agressivas.. os demais permaneceram e um coisa que eu . então na verdade a relação que se pretendia naquele momento era que tivesse uma vice diretoria que fosse a vice diretoria executiva. criando um Centro de Documentação da Amazônia. de captação também de recursos. foi uma experiência muito interessante... passei alguns anos lá no IBDF e foi uma experiência muito interessante porque a gente criou um colegiado composto também por professores universitários... após cursar a Escola Superior de Guerra fui dirigir o Jardim Botânico. e fui trabalhar na DGC. estruturando melhor o Departamento..” . então. representantes de organizações não governamentais que passaram a orientar a ação da Diretoria. e a área de estruturas territoriais na verdade era uma área de suporte a Censo e a base de dados geodésicos era uma mais operacional. quer dizer..

...em posição muito secundária. as áreas de editoração numa Diretoria e a área de publicação em outra... houve reuniões com os Secretários de Estado de Planejamento e de Meio Ambiente. pois são áreas situadas em diretorias diferentes. importante ninguém nega o mérito.. mas dentro do IBGE.. na minha avaliação.se não começássemos a encaminhá-los iam ficar obsoletos..... e tentar dar uma balanceada nas dotações dos departamentos.... a ênfase absoluta era o Atlas que era relevante. E aí tinha um situação que historicamente sempre foi um complicador.. a estratégia que se montou foi de se tentar criar uma pequena estrutura de suporte de comunicação para não depender da comunicação da Presidência do IBGE. que claramente estavam em baixa prioridade.. não que não fosse relevante. mas eu achei que tinha que ser dado um certo balanceamento as demais áreas..... e tal.. era que o eixo grande da política da DGC naquele momento. “ Isso. mas você chegou no ponto justamente de transição.... mas não havia uma real integração das regionais de geociências aos departamentos da sede.. mais ou menos alguém já sentia um vasos comunicantes já se estruturando. o livro Geografia e Meio Ambiente e a Questão Ambiental no Brasil terem sido lançado na Reserva do IBGE com o Ministro do Planejamento presente... Essa valorização foi possível graças ao empenho do Ministro do Planejamento o Beni Veras que garantiu os recursos financeiros para esta equalização da diretoria. eram unidades quase autônomas para decidir determinados tipos de trabalho com governo local etc...........” .....etc............. então as primeiras ações enfocaram dois pontos básicos... e o processo de autonomia foi cautelosamente incorporado..... só que a DGC tinha outras linhas de trabalho....... com a chegada do Projeto Radam... tinham textos prontos com cinco anos de espera para editar. na própria área de Geografia de Recursos Naturais.. e com isso.defrontei no primeiro momento. a tradição de áreas regionais em cada estado na estrutura do IBGE era na área de estatística e não na área de geociências. era a modernização tecnológica da cartografia.. e era um projeto bem dispendioso.... na Bahia quando se lançava lá a Bacia do Paraguaçú.... dentro da Diretoria... era um desconhecimento muito grande.. quer dizer. eles tinham o orçamento. as áreas de produção. os programas aprovados pela Diretoria.. na minha avaliação..a ponto do próprio mapa de áreas de conservação ambiental da Amazônia ter sido lançado na sala de trabalho do presidente da República. e é um problema antigo... a segunda foi valorizar mais as unidades regionais que estavam. que tinha objetivos muito mais macros.....E dentro do IBGE também.. isso. “ Também dentro do IBGE. e isso era completamente fora da tradição da antiga geociências que possuía uma estrutura muito centralizada nos departamentos e no diretor. e com reportagem especial no programa de TV Bom Dia Brasil. quer dizer. que se observava claramente. diversos produtos foram amplamente divulgados.. eles sempre tiveram unidades regionais importantes.um ponto que foi muito importante. era o pouco que se conhecia dos trabalhos da Diretoria de Geociências externamente ao IBGE.. se deu realmente uma divulgação muito grande à DGC. então é um negócio extremamente complicado de se definir prioridades.... a tentativa de se fazer um pouco marketing institucional. A DGC estava com muitas dificuldades de serem editoradas e impressas na própria gráfica do IBGE os frutos de suas pesquisas. outra coisa que me preocupou muito foi o atraso do cronograma de publicações..... “ Exatamente.... por exemplo.” Isso ainda é problema muito sério no IBGE. o primeiro foi instituir reuniões de colegiados. coisa que o IBGE tem muito pouca. eu acho que era um ponto importante... de uma certa maneira o pessoal do Radam lotado no Rio conseguiram minimizar essa situação. este choque de filosofia de trabalho criou muitas dificuldades entre a DGC e o pessoal do Radam lotado nas regionais. agora..... enfim.mas fora..” ......

Portanto..” Aí tem também uma outra questão de tradição da Casa....... da área de Estudos e Pesquisas muita gente ainda que não gostou da atitude do Isaac de ter trazido índice de preços para o IBGE. etc. pois mede as nove áreas metropolitanas e mede mais de trinta mil produtos.. deveria vender produtos de uma maneira correta a nível de mercado e que esse lucro deveria ser reinvestido na produção das atividades de divulgação dos produtos da Instituição.... ele era um grande gerente. eu não acho que é o mais adequado. tinha uma visão completamente distinta.. cada dia mais políticas nacionais e mesmo ditames internacionais tratam da questão de desenvolvimento sustentado... que estava chegando.. essa área de Geociências começando a mudar. naquele momento.. etc.. um grande consultor de empresa em São Paulo.. Terceiro. uma visão de que o CDDI. já tem cinco anos que eu não estou no IBGE.. eu era contra naquele momento.. uma tradição negativa e que é o seguinte: não gostamos da imprensa. tem gente.... alguns dirigentes da própria Diretoria de Geociências me procuraram. porque ele tem infra estrutura toda... uma visão completamente distinta.. pessoa que acompanhou o Isaac. por exemplo... e terem um protocolo de intenções. que se poderia até se especializados em determinadas vertentes. eu diria hoje o seguinte: passado bom tempo. pois ficou durante muito tempo sem uma explicação para a dentro da Casa e para a fora... de empresas que se utilizavam dos dados” . quer dizer. eu disse: olha.. não diria só inexperiência não... onde eles operassem consorciadamente em determinadas vertentes.a área de Geociências tem tudo que se poderia tratar desse instituto em nível de total qualidade. eu acho que foi um erro histórico meu. mais ainda do que se tem feito. continua sendo hoje... o Presidente havia mudado. além do que ele poderia servir de suporte à Instituições Governamentais e Instituições privadas. num determinado momento algumas pessoas.. se tiver três ou quatro que tenham planos de manejo vigentes são muitos.... porquê? Primeiro... isso ainda gera um propaganda negativa.. talvez fosse o grande momento de ter se criado o Instituto de Geociências e eu iria o seguinte: seria hoje um dos grandes institutos brasileiros.. então naquele momento o próprio Sílvio me perguntou isso..Tinha sido usuário de dados e também produtor.. etc. e todo esse acoplamento ao Radam foi muito positivo. ele mede melhor o movimento de consumo da população urbana.. um convênio. “ Com certeza. ninguém melhor do que o Instituto . Instituto Nacional de Geociências e o Instituto Nacional de Estatística por exemplo....... o ex-presidente Eurico Borba era um conhecedor histórico do IBGE.. então efetivamente ele é o melhor... a mostrar seus trabalhos...Muito pouca experiência disso... e tal. pois cobre da Geodésia à Geografia. a melhor cobertura de pontos de venda. tem recursos humanos de bom padrão. Segundo.. você pode analisar melhor.. mas tecnicamente ele é o melhor índice.. “ Exatamente ele vinha com a visão crítica por ser usuário de determinadas vertentes da própria Instituição. Quarto..... porque eu achava que o IBGE tinha acabado de entrar num plano de carreira de ciência e tecnologia... um ponto importante também que me parecia era o Presidente da instituição entender o que se fazia intra muros na Diretoria.. quer dizer.. “ E pouco interesse..o índice de preços do IBGE ele é efetivamente o melhor índice de preços do Brasil. para o bem ou para o mal... pode-se criticar os tempos de inflação. porquê não o IBGE se dividido em duas grandes áreas. por que o índice nos coloca na imprensa todo os mês. você tem mesmo dentro da DPE.. vou lhe dar um exemplo: o IBAMA tem uma meia centena de Parques Nacionais..... mas também era um doutor na área de gestão.. mas ainda tem pessoas em postos de decisão na casa que acham que o IBGE deveria só fazer Censo.. ele tem um produto integrado que nenhuma outra instituição brasileira pode ter... tem um capacidade instalada que ninguém instalaria do dia para a noite.. dois grandes Institutos. tem tudo montado. então eu acho que quando a gente tem uma visão pouco mais distanciada do teu objeto. etc.. as greves. e o Silvio Minciotti ..

separados.. “ Exatamente. mas esse era o primeiro ponto. com muito mais operação. Por exemplo eu sempre achei que a CPRM não tinha a menor infra-estrutura em relação ao IBGE em termos de interdisciplinalidade e de equipamento instalado para tentar adentrar com uma perspectiva de mercado. é que nós acabávamos de entrar num plano de carreira novo Ciência e Tecnologia. então o quê acontecia? podia criar pesquisa novas. as vinculações entre DPE e rede são vitais... meu Deus...... quer dizer. Parque Amazônico... e se o Diretor. era muito fechado. quanto na rede de coleta.. não pode ficar na mesmice... eu tentei com retumbante insucesso...Aliás.. não era possível avançar nos trabalhos. na década de 40..... eles realmente tinham muitos problemas. e efetivamente não tinha. de Goiânia... no pior momento que se podia fazer..... só que ele fez num tempo curto. eu participei das reuniões.. e nós deixamos passar. no que tange ao Projeto SIVAM por exemplo.” .... e aí era aquele período já Collor. esse é um órgão com aquela história.. que foi muito complicado.. “ Até regionais.. o IBGE volta a ser único..... mas não consegui êxito.Nacional de Geociências para ser o órgão... procure o IBGE.. o grupo era muito hermético. o IBAMA não entrou.. participação da EMBRAPA. eu ficava preocupado. e diga-se de passagem e o IBGE ficou quase fora também. talvez naquele momento. o que me levou a não andar com essa idéia... com certeza ele estaria lá com outro status..... A Diretoria de Pesquisas. mas aí a preocupação maior naquele período passou a ser estatística mesmo.. etc... nada novo os empolgava. chama alguém da Universidade do Amazonas. quer dizer. da Amazônia. você tem que inovar..Engraçado..” .... só se teve efetiva fusão em 67 com a Fundação IBGE na gestão do Aguiar Aires e depois na do Isaac... não fazer os cinqüenta ao mesmo tempo... isso faz uma volta ao ciclo.... várias aproximações sucessivas.O gerenciamento poderia ser feito pela área local de Belém. Conselho Nacional de Estatística e Conselho Nacional de Geografia..... grandes mudanças ocorreram tanto no corpo técnico que planejava as pesquisa. esse era um dos inúmeros problemas que somente foram resolvidos com a gestão do Simon.... pegasse um Parque da região lá do Norte.... formando grupos.. da Universidade do Pará.. o conhecimento do Brasil que se tem.. por exemplo. O próprio Eduardo Augusto na gestão do Collor. “ Complicadíssimo... ele estaria o quê? Formando equipes.. que poderia realizar isso.. que se dizia que o .Montar uma política de plano de manejo específico só para o segmento de parques nacionais..... duas estruturas. se você tem que conhecer o Brasil.. “ Pois é.. já que o Silvio colocava a questão para a discussão...” .. fez uma mudança estrutural na rede de coleta. a área de estatística naquele período. mas seria o mais capacitado para a tarefa no médio prazo. como no caso Teresa Cristina.. mas se você não tivesse essa aderência à rede . mas você vê.... você falando nisso me lembra muito.......... hoje em dia as coisas mudaram. e em termos de política de pessoal. nós voltaríamos ao que o IBGE foi antes. com muito mais força operacional. que em termos teóricos é perfeitamente lógico.” . se você tem a base de dados que se tem. se ela não tivesse uma boa relações com a rede de coleta... o segundo ponto é que havia também um dificuldade um pouco grande porque na ocasião a Diretora de Pesquisa do IBGE era uma pessoa muito difícil de você se relacionar.. os seus Conselhos Diretores.... o IBGE tinha isto na mão..

quebrou-se uma boa parte da rede de coleta. então a Secretaria de Administração Federal SAC... mas foi a única grande mágoa que eu guardei. criar novos.... os companheiros dos Sindicatos conseguiram tomar um cafezinho com pão de queijo no Palácio Jaburu com o então Presidente Itamar Franco que através de assessores me determinou que abonasse o ponto e eu disse que não faria. porque foi no período Edson Nunes... e não foi má intenção do Eduardo Augusto. então o quê aconteceu? Quando você tem uma mudança pesada na rede. estava negociando a saída do Jardim Botânico do IBAMA para a transformação do Instituto. e tal.. através do gabinete do general Romildo Caim determinava que cortasse o ponto e punisse com o rigor da lei... durante seu longo depoimento.... quarenta e três dias depois... a existência da Reserva era um fato positivo em sua visão... por pior que se tivesse. eu sempre fui contra... quer dizer. a manutenção da Reserva Ecológica do Roncador em Brasília (até por que.. eu achava que se devia levar para um local de melhor acesso.. foi..... foi o seguinte: quando o Sílvio saiu o IBGE eu fui nomeado Presidente interino durante esses quarenta e cinco dias e quarenta e dois dos quarenta e cinco foram de greves. eu achava que... eu já havia dito ao Simon quando ele chegou que eu ficaria um mês. o negócio é completamente incoerente.. eu acho que você pegou menos. em época de grandes contenções sempre vinha aquela história. o que eu achei assim muito produtivo nesse período.. num nível lógico precisava haver uma reforma da rede. um mês e meio que era o período que eu estaria vindo aqui para o Jardim Botânico... Alguns pontos de maior destaque foram a incorporação do RADAM... nessa hora.. Edson Nunes.... pelo menos na Praça da Bandeira estaríamos num ponto mais ou menos focal. não pegou o período das greves iniciais.. e apresenta-los enfim. mas havia sempre uma política que argumentava. além do problema de alocação física dos departamentos de Geografia e de Meio Ambiente num mesmo local que garantisse a acessibilidade e a intercomunicação entre seus técnicos com relativo conforto. a grave pela greve. mandam eu cortar.. com bom padrão técnico científico.. mas pegou o período do Eurico. sendo Sérgio um profissional ligado à área Botânica. então quem atende o governo é punido.. a Casa.. começa num período de Edson Nunes.. bom... só que ela foi feita num período horroroso.. primeiro foi ter possibilidade de você operar com diversas vertentes e com perspectivas novas na Instituição e o trabalho da Reserva é um deles. ou na posição do IBGE perante o grupo de institutos de pesquisa do governo federal... de você fazer realmente uma congregação de esforços em cima de um só objetivo operacional que era revisar os produtos antigos... terceiro. mais um razão para a que entenda o nível de problemas que a DPE estava enfrentando. felizmente três dias depois eu fui substituído pelo Simon e pelo que eu soube foi abonado o ponto. segundo. a melhoria da própria rede física dos departamentos.. o Collor vai chegar vai botar todo mundo na rua. traz o povo para a Lucas.. eu vou sair.” Sérgio Bruni. puxa. “ E eu peguei uma coisa mais grave ainda.... a maioria tomou a decisão. então foi o período que eu fiquei.. “A Reserva é uma coisa interessante........ sem querer. isso sem contar o período que você enfrentou..” . etc.funcionalismo público deveria ser drasticamente enxugado.) e a sua preocupação de divulgar sistematicamente os produtos concluídos. numa situação onde funcionários estão sem referência.. levantou várias questões que interferiram em sua gestão ou que ele viu como importantes no gerenciamento da Diretoria de Geociências.

.O Eurico... e o IBGE tinha tão poucos. “ Por aí. .. e que tinha mais gente qualificada com titulação. que ele disse que até hoje o pessoal dessa comissão deve estar querendo mata-lo por ele ter forçado essa situação... depois com o governador Paulo Souza um pequeno terreno no centro administrativo. doutorado.. o local tinha espaço.. o IBGE só tinha prédio próprio na regional no Ceará.... quem trabalhava.. conseguir levar um órgão de nove mil pessoas que só devia ter vinte doutores.. eu fui a Bahia negociamos lá com o vice-governador... mas que era muito pequeno.. outras dependências são alugadas...... “ E outra coisa.. disse que até hoje ele tem essa questão apertada na garganta. um dado que ele deu para a comissão que estava avaliando.... que sempre foi feito. com a regionais também...o Regic. mas olha..” ... eu falei com o Eurico..” Exatamente.. o resto todos eram alugados.. que possui um potencial enorme para o planejamento urbano. mas havia estruturações anteriores que é uma. “ Você quer ver um estudo que eu achava que era fundamental. um órgão pequenininho como o Jardim Botânico.. então aquilo é um tarefa institucionalizada.. eu sempre falava com o Eurico... é um negócio tão complicado. outra coisa também que era importante. com o Sílvio bastante tempo e dois tiveram muita habilidade para a num consenso colocar isso.... ou a gente opera o dia a dia em vários projeto ou a gente vai ficar só na rede física.. o número de profissionais com Mestrado e Doutorado.. eu me lembro. “ Que era um horror..... quer dizer... serviços.. e que não consegui levar... que aquele é um estudo que faz parte das atividades de regionalização que o IBGE tem de fazer dentre de sua missão institucional.... mas esse era um problema sério... trocando informações e reuniões com os outros órgãos. eu sempre achava aquilo um absurdo. a única saída que se tinha era o próprio plano e carreira de ciência e tecnologia........ aí você vê. mas era um local de acessibilidade muito ruim.. e depois foi institucionalizado.. como o Mauro Melo tinha suas prioridades focadas na cartografia..... era de se tentar efetivamente melhorar um pouco a questão salarial que est