Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998

Por

Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Orientadora: Lia Osório Machado

Rio de Janeiro 2000

Almeida, Roberto Schmidt de A Geografia e os geógrafos do IBGE no período 1938-1998 / Roberto Schmidt de Almeida. – Rio de Janeiro : Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2000. 2v. Orientadora: Prof. Dra. Lia Osório Machado. Dissertação (doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. 1. Geografia – História – Teses. 2. IBGE – História – Teses. 3. História oral – Teses. 4. Geógrafos – Brasil. 5. Formação profissional. 6. Geógrafos – Biografia. 7. Memória. I. Machado, Lia Osório. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título CDU 91 (091) GEO

Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Geociências Programa de Pós-Graduação em Geografia Curso de Doutorado

A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998:

Por Roberto Schmidt de Almeida

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em Geografia do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Geografia

Banca Examinadora

Professora Doutora Lia Osório Machado orientadora

Professora Doutora Maria do Carmo Galvão

Professora Doutora Marieta de Moraes Ferreira

Professora Doutora Lucia Lippi Oliveira

Professor Doutor Paulo César da Costa Gomes

Rio de Janeiro, RJ - Brasil

2000

Para os Geógrafos e os demais profissionais de outras formações, que garantiram a qualidade da Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ao longo desses anos. Isto é, aos que criaram o documento e guardaram a memória.

A memória alimenta uma cultura, nutre a esperança e torna humano o ser humano Elie Wiesel

Agradecimentos Desejo agradecer primeiramente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que, com sua política de aperfeiçoamento de pessoal, garantiu-me o tempo necessário para a conclusão deste trabalho. Política que o IBGE vem mantendo sistematicamente desde sua fundação e que resultou na alta qualidade de seus quadros técnicos, tanto em Estatística, quanto em Geografia, Geodésia, Cartografia, Economia, Sociologia, Ciências Naturais e Computação, áreas do conhecimento em que o IBGE opera direta ou indiretamente. No contexto da Diretoria de Geociências, desejo explicitar as pessoas dos diretores Sérgio Bruni e Trento Natali Filho que garantiram o suporte técnico para que eu pudesse me afastar das tarefas burocráticas e pesquisar as atividades da área. Agradeço também a paciência deles ao dedicarem boa parte de seus tempos nos processos de gravação de seus depoimentos e nas discussões preliminares a esses depoimentos. No Departamento de Geografia, onde trabalhei 29 anos, as figuras de César Ajara e Maria Luíza Castelo Branco, os dois últimos chefes de departamento, foram fundamentais na garantia das condições físicas de pesquisa para que este trabalho fosse concluído. No contexto do Centro de Documentação e Disseminação de Informações, a liderança de David Wu Tai foi importante no processo de viabilizar meu acesso aos acervos históricos do IBGE, inclusive, me garantindo duas viagens de pesquisa aos arquivos históricos do IBGE localizados em Brasília, na Reserva Ecológica do Roncador. Em Brasília, a amável acolhida de Iracema Gonzales, responsável pela Reserva Ecológica e Guiomar Almeida e Silva, do Escritório da Presidência do IBGE em Brasília, foi de grande importância, facilitando minha pesquisa. As figuras de Maria Teresa Passos Bastos, Edna Maria de Sá Morais, Regina Acioli e Josiane Pangaio foram incansáveis nas etapas de pesquisa de documentos e na editoração final da tese. Ao corpo de professores e funcionários do Departamento de Geografia da UFRJ, que me garantiram um estimulante ambiente de estudos, propiciando uma ampliação de meus conhecimentos nos estudos geográficos. Aos colegas pesquisadores do Curso de Mestrado em Memória Social e Documento da UNIRIO que me garantiram um intensivo treinamento nas técnicas de gravação de depoimentos em História Oral durante o trabalho sobre o Bairro da Urca, fundamental para o desenvolvimento de minha pesquisa. Explicitados todos esses agradecimentos, resta-me criar uma categoria muito especial de reconhecimento à minha esposa Sônia Rocha, economista que conheci no DEGEO, e com a qual casei-me em 1981. Até hoje, continuamos intensamente trocando conhecimentos sobre os mais variados assuntos, até mesmo geografia e economia... e no meio tempo, cuidando de nossa filha Monica e de nossos gatos, Gatucho ( já falecido) e Bali .

Resumo

A reconstituição histórica do conjunto de atividades levadas a efeito entre os anos de 1938 e 1998 por uma comunidade de pesquisadores geográficos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, é o principal objeto desta pesquisa. A relação entre Documento e Memória preside este trabalho, no qual documento expressa o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) enquanto memória exprime a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE. Essa relação esclarece sobre as diferentes conjunturas nas quais foi gestada a produção geográfica, além de desvendar os diversos conflitos de natureza política, científica, corporativa e pessoal enfrentados por esses geógrafos, ao construir o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O trabalho abarca um período de 60 anos, tendo como pano de fundo, os contextos político, econômico, científico do país que se desenrolam paralelamente a quatro constituições, vinte e dois mandatos presidenciais (vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves. Seguidas por alguns períodos excepcionais como o Estado Novo (1937 a 1945), da renúncia de Jânio Quadros até a queda de João Goulart (1961 a 1964), o dos governos militares (1964 a 1985) e o dos três governos posteriores. No campo do Pensamento Geográfico, a pesquisa rastreia as principais mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico influenciando, via escolas francesa, alemã e anglo-saxônica, nos principais trabalhos geográficos da comunidade ibegeana.Finalmente, acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. De início, quando aliavamse à necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração, levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. Ultimamente durante os governos pós-militares na década de 90, quando a palavra transição tornou-se o mote principal, referenciada, tanto às questões científicas, quanto as tecnológicas, e a noção de crise, financeira e gerencial, passou a figurar prioritariamente nas preocupações dos legisladores e dos planejadores do aparelho estatal.

Summary The main objective of this research is the historical recollection of activities pursued from 1938 to 1998 by a group of geographical researchers from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the largest government agency on territorial planning in Brazil. The relation between Document and Memory command this work. Document refers to what is printed (legislation, projects, reports and the geographers' intellectual production, as reports, books, atlas and articles), while memory relates to the personal experience of a group of professionals, through their taped and transcribed oral testimony, describing their trajectory in IBGE and explaining the conditions under which their geographical production developed. The work also narrates the many political, scientific, corporative and personal conflicts which arose during the development of the so-called Official Geography.The work covers a 60 year-old period, having as background the country´s political, economical and scientific events, thus paralleling four constitutions, twenty-two presidential mandates (twenty-one presidents and a military committee), as well as a succession of political crises, which led to some exceptional periods as the Estado Novo (1937 to 1945), Jânio Quadros´s renouncement to João Goulart's fall (61 to 64), the military rule (1964 to 1985) and the three subsequent governments. The research trails how the main methodological and technical changes in the Geographical Thought, influenced by the French, German and Anglo-Saxon schools, affected the mainstream of IBGE´s geographic production. It focus on the standing of Geography in Brazil. Firstly, during the period when, at the same time, there was the need to describe the territory and to pursue its administrative integration, which was Getúlio Vargas` engagement during the Estado Novo. Lately, during the post military governments in the nineties, when the word transition became the keyword in scientific and technological matters, while crisis, financial as well as managerial, became the central concern of legislators and planners.

Sumário A Geografia e os Geógrafos do IBGE no Período 1938-1998 Introdução do autor....................................................................................................................... Apresentação................................................................................................................................ Capítulos Introdutórios I- A Relação entre Documento e Memória no Contexto da História Oral.................................. II- O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? .................................................. III- O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE Parte I - A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução - O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia .................................. Capítulo I - A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro ........... Capítulo II - A Estruturação das Áreas de Geografia, Geodésia e Cartografia no IBGE.............. Capítulo III - A Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE ........ Parte II - A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução - O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico no Século XX ............................ Capítulo I - O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas Sociedades Geográficas, na Universidade e no IBGE ................................................................ Capítulo II - Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE ....................................................................................................................................... Capítulo III - A "Velha Guarda" da Geografia do IBGE, a Estruturação das Lideranças Pioneiras ....................................................................................................................................... Parte III - O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução - Uma Experiência de História Oral ............................................................................ Capítulo I - A Aventura dos Depoimentos Gravados Com os Profissionais ................................ Capítulo II - O Processo de Escolha da Carreira ......................................................................... Capítulo III - Na Arena de Trabalho ............................................................................................ Parte IV - As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução ..................................................................................................................................... Capítulo I - Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia : uma análise de suas práticas profissionais .................................................................................. Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE .......................................... 1- Regionalização ......................................................................................................................... 2- Ocupação do território e habitat ............................................................................................... 3- Industrialização ........................................................................................................................ 4- Urbanização ............................................................................................................................. 5- Modernização da agricultura ................................................................................................... 6- Caracterizações Ambientais ................................................................................................... 7- Diagnósticos Sócio - Ambientais Integrados ..........................................................................

Capítulo II - As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia : 1-Os Presidentes Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) ........................................................... Gestão Edson de Oliveira Nunes ........................................................................................... Gestão Charles Kurt Mueller .................................................................................................. Gestão Eurico Neves Borba ................................................................................................... Gestão Simon Schwartzman .................................................................................................. 2 - Os Diretores Gestão Mauro Pereira de Mello na DGC ................................................................................. Gestão Sérgio Bruni na DGC ................................................................................................... Gestão Trento Natali Filho na DGC .......................................................................................... Depoimento de Marilourdes Lopes Ferreira (Diretora Adjunta na DT e na DGC) ..................... Parte V - Os Processos de Qualificação Profissional Introdução ................................................................................................................................. Capítulo I - A Importância das Relações Com as Universidades no Exterior e no Brasil ...... Capítulo II - O IBGE Como Disseminador da Geografia no Brasil ............................................. Parte VI - Apogeu , Crise e Futuro da Geografia Ibegeana nos Anos 90 Introdução - Crise do Serviço Público ou Crise da Geografia ? A grande diáspora de 1991 Capítulo I - O Quadro de Transição da Geografia do IBGE nos Anos 90 Capítulo I I - O Futuro da Geografia no IBGE no Contexto de Uma Agência Executiva Com Um Contrato de Gestão. Capítulos de Conclusões Conclusões.......................................................................................................................... Projetos Futuros para uma Memória Oral do IBGE............................................................. Bibliografia .......................................................................................................................... Anexos ............................................................................................................... Volume II

Introdução do Autor Tomando por base ser este trabalho o resultado de uma avaliação de várias trajetórias profissionais, é importante lembrar, e dar o devido crédito, a algumas pessoas que me ensinaram a arte do profissionalismo. Tornar-se um profissional competente é um ideal a ser alcançado, embora exija um certo esforço, em termos de aprendizado de várias habilidades no decorrer de nossas vidas. Essas pessoas que aparecerão a seguir, conscientemente ou não, tornaram possível a transformação de um jovem inexperiente, mas curioso e afoito, num profissional que se dispôs a contar a história de um grupo de pesquisadores que se ocupou de estabelecer uma boa parte do conhecimento geográfico do território brasileiro, ao longo de mais de 60 anos. A jornada inicia-se em 1964, ao ingressar nos quadros da companhia S/A White Martins pelas mãos de João Garcia, um grande amigo de meu pai. “Tio Joãozinho” ensinou-me a operar com o formalismo e com a hierarquia. Dali em diante, eu seria o responsável por meus atos diante de meus pares. Antonio Gualano Consentino, gerente geral da Divisão Centro, ensinou-me a entender o que é mandar e responsabilizar-se pelas ações de mando. Muito lucraria o IBGE, se a grande parte de suas chefias tivesse aprendido as lições do “Dr. Consentino”. Washington Paes, gerente de compras, ensinou-me os aspectos técnicos dos equipamentos que a White Martins adquiria, tanto para revenda, quanto para uso interno. Muitas outras pessoas me auxiliaram nesse trabalho, mas a última palavra eu ouvia do Dr. Paes. O mesmo Washington Paes seria meu superior na área de recursos humanos, durante minha última fase na White Martins (1969-70), quando eu já havia escolhido a Geografia como formação profissional (em 1968 iniciei meu curso na UFF). Para ele, era espantoso como um rapaz que tinha sido bem aceito pelos códigos não escritos da companhia, não estava interessado em estudar administração ou economia para seguir carreira na White Martins, e sim Geografia, fascinado pelo mundo do alpinismo, ao qual havia sido introduzido em 1965/66. Mais espantado Dr. Paes ficou quando, em fevereiro de 1970, tomei a decisão de me demitir da White Martins para ser estagiário no IBGE, sem contrato formal de trabalho e ganhando a metade do salário. A decisão era tão temerária, que o Dr. Paes, por ocasião da minha entrevista de desligamento, ofereceu-me uma nova oportunidade na companhia, caso as coisas não dessem certo no IBGE, pelo menos enquanto ele estivesse na gerência de recursos humanos. Hoje, posso

agradecer a confiança depositada e dizer que em algumas ocasiões, no início do estágio do DEGEO, cheguei a pensar em conversar com Dr. Paes para uma volta. O primeiro geógrafo com quem estabeleci uma relação de confiança, foi Gelson Rangel Lima, meu professor de Geografia Humana na UFF e pesquisador de Geomorfologia no IBGE. Na época, minha relação entre alpinismo e Geomorfologia ou Bio-geografia era muito forte em meus planos profissionais e o Prof. Gelson contribuía de duas maneiras: ensinando informalmente Geomorfologia em suas excursões da UFF e relatando suas experiências na Europa, por ocasião de seu estágio de pesquisa na França, enviado pelo IBGE. Foi por sua influência, que eu fui indicado pela UFF para tentar um estágio no IBGE no ano de 1970. Gelson foi incansável no processo de minha preparação para a entrevista com os chefes do DEGEO, indicando bibliografias e explicando o novo movimento da Geografia Quantitativa, que se iniciava no Brasil. Era perfeitamente perceptível que aquela não era sua área de especialização, mas ele esforçava-se para mostrar a chegada de mais uma opção em termos de Geografia. Outras duas pessoas a quem devo boa parte do conhecimento geográfico que hoje possuo são Elza Coelho de Souza Keller e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa, pois, além de depositarem confiança em minha pessoa, efetivamente ensinaram-me a trabalhar na pesquisa geográfica. Iniciei meus trabalhos em março de 1970 e, em julho do mesmo ano, Elza Keller já me convocava para um longo trabalho de campo no Maranhão, juntamente com o grupo de Roberto Lobato (os experientes estagiários João Rua e Luís Antônio Ribeiro). Nos anos seguintes, a figura de Roberto Lobato Corrêa passou a ser a principal referência para meus estudos geográficos. A mudança da Geografia Física para Geografia Urbana se completou, fundamentalmente por conta da orientação segura de Roberto Lobato, a quem devo meus conhecimentos, tanto de Geografia Urbana, quanto de sistemática de pesquisa. O que ler, como ler, como fichar, o entendimento do que é realmente fundamental num grupo de textos, reconhecer quem é o autor de referência num determinado assunto, foram as principais lições que aprendi com Roberto Lobato Corrêa, e que me foram de enorme valia por toda minha vida profissional. Com a ida de Lobato para Chicago, para fazer seu mestrado, outra pessoa ocupou seu lugar no processo de preparação de minha vida profissional. Olga Buarque de Lima, recém-chegada da Inglaterra, onde tinha concluído o mestrado, ocupou-se de dar-me as lições fundamentais do preparo de um texto escrito. Tarefa extremamente difícil, em virtude de minha total falta de domínio de um texto técnico. Foram muitos meses de leitura e correção dos textos, com intermináveis reconstruções, até tornarem-se palatáveis aos olhos incansáveis de Olga Buarque. Se pudesse

com uma única frase definir esses tempos, diria que Roberto Lobato ensinou-me a estudar e Olga Buarque, a escrever corretamente um texto geográfico. No início dos anos 80, Lobato reassume seu posto de mentor, orientando minha tese de mestrado sobre o comportamento dos incorporadores imobiliários no município do Rio de Janeiro, defendida em 1982 na UFRJ. Tenho muito orgulho dela, pois foi a primeira tese que tratou de um agente modelador da iniciativa privada, já que todos os trabalhos do momento somente enfocavam dos agentes do Estado, como o Banco Nacional da Habitação - BNH e seus satélites. É claro que, no contexto altamente ideologizado do início dos anos 80, tive muitos problemas com esse tipo de abordagem, embora Roberto Lobato sempre me apoiasse. Gostaria ainda de lembrar de certas pessoas que, ao longo de minha vida profissional, assistematicamente, deram importantes contribuições para o meu aperfeiçoamento como geógrafo. Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mequita foram duas geógrafas que sempre desviaram parte de seus afazeres profissionais para darem uma orientação de trabalho, uma leitura crítica de um texto, ou apresentando desafios novos, em forma de propostas de novos projetos de trabalho, ou de apresentação de capítulos em projetos editoriais do DEGEO, durante a gestão comandada por Solange. A elas devo muito de minha desenvoltura profissional e a definitiva superação da “síndrome da folha em branco” , temor clássico que assombra muitos pesquisadores no início da carreira. Como iniciar um texto de um projeto? Elza Keller, o casal Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Speridião Faissol foram profissionais que durante algum momento de suas vidas ensinaram-me algo, tanto de Geografia propriamente quanto dos afazeres de um geógrafo. Indicações de novos livros ou artigos, convites para seminários, oportunidades de participação em grupos de pesquisa foram o que de melhor aproveitei vindo desses profissionais. Além disso, alguns deles me ofereceram oportunidades para lecionar em universidades. Nilo Bernardes, para substituí-lo na PUC-RJ, Ney Strauch, para substituí-lo na Escola Naval, Bertha Becker, para dar duas conferências na Escola de Guerra Naval e, posteriormente, para trabalhar como professor colaborador na UFRJ. Alguns não geógrafos também foram importantíssimos na construção de minha profissão. O biólogo e ecologista Fernando Segadas Viana orientou-me, por diversos sábados dos anos de 1968 e 69, sobre os segredos da vegetação tropical e desértica, sobre a zoologia do cerrado, além de me explicar detalhadamente a teoria de Alfred Wegner sobre a translação continental, o que resultou numa apresentação para o curso de Cosmografia na UFF.

No campo das relações entre os estudos urbanos e a economia, o economista brasilianista Werner Baer, ao trabalhar com Pedro Geiger no DEGEO durante o ano de 1977, sobre os problemas das desigualdades regionais no desenvolvimento econômico brasileiro, dispôs-se várias vezes a explicar os métodos utilizados na pesquisa e a indicar uma bibliografia adequada ao meu nível de entendimento da questão. Devo a ele boa parte do meu conhecimento de história econômica do Brasil e o feliz encontro com o economista Annibal Villela, em seu sítio em Araras, onde aprendi muito sobre a estrutura de poder do governo brasileiro no período Geisel. No início dos anos 80, quando me casei com a economista do IBGE Sonia Rocha, intensificaramse os laços com Annibal Villela, o que ampliou bastante meus conhecimentos sobre as estruturas das companhias estatais, área de estudo desse pesquisador que havia sido Secretário Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização dos Estados Americanos (OEA), Superintendente do Instituto de Pesquisas do IPEA, Assessor do Banco Mundial - BIRD e pesquisador e professor da FGV. Uma conversa com Dr. Villela era sempre uma possibilidade de aprender alguma coisa nova. Infelizmente, Dr. Villela faleceu em julho de 2000. Via Pedro Geiger e Werner Baer, pude conhecer Hamilton Tolosa e Thompson Andrade, economistas do IPEA especializados em Economia Urbana e Regional que, durante a segunda metade dos 70, estiveram varias vezes no DEGEO dando palestras e explicando suas pesquisas. David Vetter, economista americano que trabalhou no Departamento de Indicadores Sociais DEISO do IBGE, foi outro profissional importante na minha formação. Vetter ensinou-me os segredos dos dados censitários referentes à infra-estrutura domiciliar urbana. Participou da banca examinadora de minha tese de mestrado e estivemos em alguns seminários de urbanismo. Apesar de suas dificuldades em falar português, escrevia objetivamente e era um mestre na análise de dados censitários. Atualmente é analista financeiro e quase um banqueiro em Nova York. Outra figura incrível foi Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Era arquiteto urbanista, mas poderia ser sociólogo, antropólogo, geógrafo, historiador, psicólogo sem grandes problemas. Era um profissional único em seu meio, pois não era sectário e sabia traduzir a alma humana como poucos. Por ter participado de muitos projetos de urbanização de favelas, era conhecido como “favelólogo” e coordenava um grupo de pesquisas urbanas no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) . No período de meu projeto de tese de mestrado, conversamos muito sobre os mecanismos de ocupação residencial nos bairros da periferia do Rio. Era uma das cabeças mais lúcidas de sua época. Sua morte prematura foi uma grande perda para os estudos urbanos e para as mentes não sectárias...

Acompanhei sua luta na tentativa de reorganizar um DEGEO cada vez com menos geógrafos.Meu primeiro contato com o mundo interdisciplinar das apresentações acadêmicas e dos artigos publicados. Agradeço-lhe. chefe do DEGEO entre 1991-1999. Atualmente a geógrafa Maria Luísa Gomes Castello Branco continua a luta de reequipar o departamento. Miguel nunca teve medo de idéias novas. em dois projetos de Atlas de que participei (Regional do Nordeste e Nacional do Brasil) a influência de Roberto Lobato Corrêa como coordenador desses trabalhos foi particularmente importante na fase de organização temática e nas sugestões gráficas iniciais. em termos de trabalho. como a Revista Brasileira de Geografia (RBG). Além do artigo. . A grande vantagem de trabalhar com Miguel Angelo é a sua obstinação e sua capacidade de trabalho. todos devidamente publicados em periódicos. era possível tentar qualquer solução heterodoxa para abordar um problema. por ocasião de meu projeto de tese de mestrado. participei ainda de alguns seminários no Instituto de Administração Municipal com ela e Carlos Nelson. aprendi muito com César Ajara. aconteceu por intermédio de Carlos Nelson. fora do contexto do IBGE. que me apresentou à Lícia do Prado Valladares. Em caso de dúvida. era com eles que eu ia me consultar. abro parênteses para uma lembrança profissional muito especial ao meu colega de curso na UFF e companheiro de trabalho no IBGE desde 1970. Esse aprendizado foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional. ou em livros e atlas do IBGE e de outras editoras. Ainda nem havia defendido o trabalho e Lícia já me pedia que eu escrevesse um artigo sobre a incorporação imobiliária carioca para um livro de uma coleção sobre urbanismo que ela organizava para a editora Zahar. Além disso. em virtude das atribuições que lhe são definidas pelos estatutos da Instituição. Trabalhar com um profissional assim. garantir a ampliação da qualificação dos profissionais que restaram e prepará-los para os desafios do censo 2000. Mauro Mello foi nosso diretor de Geociências e sempre fez questão de vincular à Geografia com a Cartografia nos grandes projetos de que a diretoria de Geociências do IBGE tomou parte. Neste ponto. as figuras de Rodolfo Barbosa. garantiu-me uma experiência importante e espero que tenha sido recíproca. especialmente. Para ele. No campo gerencial do IBGE. Rodolfo Barbosa e Marcílio ensinaram-me a arte da cartografia temática. na hora de representar graficamente um tipo de dado. tragados pelo processo de aposentadorias. Também neste campo. pois fui seu assistente e substituto eventual na chefia do departamento até 1995. não existem obstáculos. Pedro Marcílio e Mauro Mello foram os que mais me influenciaram. mas com demandas crescentes. Com ele. o empenho que teve junto à diretoria do IBGE no processo de minha liberação integral para o doutoramento. Miguel Angelo Ribeiro. Na área da Cartografia. qualquer dia é dia e qualquer hora também. Entre 1976 e 1994 estivemos trabalhando juntos em 11 trabalhos diferentes.

Nesse encontro. que por ser o seu único orientando no curso. a profissional mais importante foi minha orientadora Lia Osório Machado. a pesquisadora com a qual se pode confiar e discutir com serenidade os pontos de vista. Júlia Adão Bernardes. numa noite fria de Porto Alegre. um já entendia o outro por antecipação. por pretender tratar de assuntos contemporâneos. além dos professores convidados como Orlando Valverde. Ali percebi que estava lidando com uma pesquisadora de alta qualidade e que nossas relações. Durante os dois anos de curso. por ocasião da apresentação oral do projeto de tese para a banca examinadora. em meio a muitas picanhas e vinho tinto. ou apenas para constar e engrossar a tese. Wanderley Messias da Costa. pensei logo em escrever um texto sobre os geógrafos que trabalharam com a Natureza no IBGE e apresentei o projeto do sumário. Imaginando. em termos de produto. sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. percebi que Lia seria a orientadora ideal. Durante a fase de qualificação. nosso processo de comunicação já estava pavimentado. e que me incentivou a iniciá-la. Após dois meses de trabalho duro apresentei um artigo sobre a evolução da noção de determinismo natural. do qual participamos: Milton Santos (USP).No contexto do curso de doutorado. Meu sumário portanto. O mais interessante no processo é que ela não foi importante por ser minha orientadora. participávamos de um seminário organizado por Gervásio Neves. e sim porque ela foi a primeira pessoa que me ouviu explanar sobre uma possível pesquisa que abrangeria a Geografia do IBGE. fiz seu curso Raízes das Idéias Sobre a Natureza. Paulo César Gomes. quando a “professora” simplesmente colocou o seguinte obstáculo. Naquele jantar. estava fora de cogitações. Lia Osório (UFRJ) e eu pelo IBGE. Qual não foi minha surpresa. José Grabois e Irene Garrido Filha. Antônio Carlos Robert Moraes. Roberto Lobato Corrêa. A defesa do projeto fluiu e foi bem aceita pelos examinadores. teria algumas “facilidades”. Marcelo José Lopes de Souza. Iná Elias de Castro e Maurício de Almeida Abreu. em quatro congressos de Geografia. A produção resultante desses dois anos traduziu-se em sete artigos sobre vários temas geográficos e. tive o privilégio de trabalhar com um dos melhores grupos de pesquisadores/professores de pós-graduação em Geografia do país : Bertha Becker. no doutorado. a apresentação de trabalhos. não poderiam ser de baixa qualidade. Aziz Nacib Ab’Saber. Acho que foi a partir desse trabalho que nossa confiança mútua cresceu. . O curso tratou das raízes das idéias sobre a natureza e monitorou essas idéias entre a antigüidade e o século XIX. Este sentimento ampliou-se quando.

quando fui solicitar assistência para os preparativos de gravação dos depoimentos. enfocaria os bairros da área portuária. a uma pessoa por ter me garantido a viabilidade de completar sem traumas meu projeto de tese.Apesar de priorizar meus agradecimentos para os geógrafos. museólogos. Telma Salandra Lemos. que cuidou de todas as transcrições em tempo hábil. conferência de fidelidade e copidesque. Foi a partir de seus ensinamentos iniciais que comecei a ler sobre história oral e a perceber que aquilo era muito mais do que simplesmente gravar uma conversa. Algumas semanas depois. o segundo. além de participar do processo de entrevistas. Icléia me indicou uma ótima profissional em transcrições de fitas. Além disso. Icléia Thiesen Magalhães Costa e Regina Acioli Oliveira deram-me as primeiras instruções e cederam cópias de algumas transcrições para que eu me familiarizasse com o assunto. . professor de história da USP e consultor do grupo da UNI-RIO. de Siqueira. Ele e Sônia Aparecida de Siqueira se revezaram na orientação inicial dos projetos. coordenadora do Mestrado em Memória Social da UNI-RIO foi fundamental. no curso de mestrado em Memória Social e Documento da UNI-RIO e perguntou se eu estava disposto a aprender história oral.Gamboa e Santo Cristo. estava envolvido com preparação de artigos sobre aspectos geo-históricos da Urca e acabei escrevendo um livro sobre iconografia da Urca e prefaciando o livro de análise do José Carlos e Sonia A. O primeiro focalizou a Urca e. Repentinamente. essa pessoa foi Icléia. arquivologistas e biblioteconomistas. para subsidiar uma linha de pesquisa chamada História Oral de Bairros do Rio de Janeiro. o apoio de Maria José Wheling. primeiramente. Outra pessoa importante neste processo foi José Carlos Sebe Bom Meihy. foi com os historiadores. que agradecer. O processo iniciou-se no setor de memória do IBGE. Saúde . Nesta fase. portanto. transcrições. ainda que eu não pertencesse aos quadros da UNI-RIO. tive sua total colaboração durante todas as fases do projeto. pois este setor já havia entrevistado vários profissionais da casa em diversas ocasiões. um método de criar documentos através da gravação e transcrição de entrevistas ou de depoimentos orais de pessoas que vivenciaram acontecimentos em épocas e/ou lugares específicos. Icléia informou-me que um grupo estava se formando. que nos orientou no sentido de montar um conjunto de depoimentos de moradores do bairro da Urca. além de comparecer a seminários especializados . Se eu tenho. que passei a trocar mais experiências no decurso de tomada de depoimentos do meu público alvo: os profissionais do IBGE.

A Professora Marieta. Pensador da Cultura e Escrever a Clínica. Sérgio de Assis Barbosa e Luis Carlos Carril no processo de tratamento de imagens das fotos escolhidas e no processo de edição. a Vera Abrantes que foi minha co-orientanda (a orientadora oficial foi Icléia Thissen) em sua tese de mestrado sobre o arquivo fotográfico do IBGE. a Simon Schama por seu Paisagem e Memória. Paulo Roberto Lindesay. após retornar ao Departamento de Geografia tomei a difícil decisão de solicitar minha transferência para a área da Memória Institucional do IBGE. David Wu Tai. o meu reconhecimento a Renato Mezan pelos seus Freud. a Edson Nunes pelo seu instigante A Gramática Política do Brasil . Alguns. Processamento de Dados. Isto significava mudar de área de pesquisa para acompanhar a história desta agência que tem como objetivo monitorar o Brasil. a Josianne Pangaio. proporcionando duas idas ao arquivo do Roncador em Brasília para as pesquisas históricas. enfocando a instituição que escolhi para trabalhar durante os trinta anos restantes de minha vida profissional formal. Neste processo. Maria Teresa Bastos. que li antes da germinação das idéias. que também me auxiliaram muito na arte de entrevistar. a Clarence J. criar também estruturas semelhantes para a Estatística. a Aspásia . Por isso. contei com a compreensão das chefias da Diretoria de Geociências e com o apoio das chefias do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) para a realização do projeto. a fim de montar a estrutura da memória técnica do segmento de Geociências e. chamarei de subsidiadores subliminares do projeto. especificamente. outros eu li no calor da hora. futuramente. a François Fourquet e seus colaboradores pelo seu incrível Les Comptes de La Puissance. Rede de Coleta e Administração. e outros que de muitas maneiras me auxiliaram nesta empreitada. Na etapa final da pesquisa. Finalmente. embora possa pareça estranho. muito me auxiliou na pesquisa sobre o papel desempenhado por Pierre Deffontaines na Geografia brasileira. a Elisabeth Roudinesco com sua História da Psicanálise na França.Nesse ínterim. gostaria de reconhecer a importância de alguns autores que criaram obras. e que serviram para. na área de trabalhos de campo em Geografia. que efetivamente me fizeram a cabeça para encarar este desafio. cimentar minha confiança de que era possível escrever uma história da relação entre memória e documento da geografia e dos geógrafos. além da ampliação do conhecimento. tive a sorte de conhecer Verena Alberti. a Ricardo Bielchowsky pelo seu Pensamento Econômico Brasileiro. Glacken por sua erudição em Traces on the Rhodian Shore. Lúcia Lippi e Marieta de Moraes Ferreira do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. Edna Moraes no apoio administrativo que o CDDDI me deu. a Warren Dean por A Ferro e Fogo.

Camargo pelo seu magistral artigo História Oral e Política no livro organizado por Marieta de Moraes História Oral e Multidisciplinaridade. pelo importantíssimo Tempos de . e finalmente.. a Vincent Berdoulay por seus La Formation de L’École Française de Geographie (1870-1914) e Des Mots et Des Lieux: la dynamique du discours géographique. vitais para a pesquisa. Helena Bomeny e Vanda Costa. a Simon Schwartzman. a John Kirtland Wright pela sua completíssima história da American Geographical Society em seu livro Geography in the Making. Roberto Schmidt de Almeida. Capanema que chegou em ótima hora. a Anne Buttimer pelos seus The Practice of Geography e Society and Milieu in the French Geographic Tradition . a Ronaldo Costa Couto pelo seus recentíssimos A História Indiscreta da Ditadura e da Abertura e Memória Viva do Regime Militar e a Maurício de Almeida Abreu pelos seus artigos Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação e Sobre a Memória das Cidades..

através de seus depoimentos orais gravados e transcritos.19 Apresentação A reflexão sobre um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos. estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos. relatórios e a produção intelectual dos geógrafos. O quesito “quando” abarcará o tratamento desses 60 anos. como pano de fundo. situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro. Embutida nessa questão. em certos períodos. produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira . será o principal objeto desta pesquisa. levando-se em consideração. atlas e artigos) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais. quanto pelos seus geógrafos 1 a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que irá norteá-lo. A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa. e pesquisadores que. os diversos contextos pelos 1 vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos. algumas celeumas internas sobre a conveniência ou não. podendo desvendar conflitos de natureza diversas. objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. projetos. isoladamente. que causaram. de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento. aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. podendo também ser alvo de estudos pormenorizados. corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial. O quesito “onde” abarca o espaço territorial brasileiro. livros. que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas. que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: a prioridade do papel institucional da Geografia no contexto do IBGE. Atividades essas classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias. e as contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período. Como este trabalho pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE. entre os anos de 1938 e 1998. na qual documento expressará o que foi impresso (legislação. em outras ocasiões tornar-se-á retesada. Linha esta que por vezes estará frouxa e. através de relatórios. científicos. políticos.

sejam eles: políticos. econômicos. organizada por Icléia Costa e equipe (1998). no final dos anos sessenta. com dois anos de Fernando Collor.1969. passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica e que sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. No campo do Pensamento Geográfico iremos igualmente rastrear as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica por que passaram as matrizes de pensamento científico. avaliando a evolução de seu contingente de profissionais. contribuirão em muito na análise da legislação pertinente ao órgão. em seguida. Neste contexto. pressupondo-se geralmente um entendimento prévio da metodologia a ser aplicada e da forma final do produto) e os trabalhos dos geógrafos (estudos elaborados de forma independente por alguns profissionais de Geografia do IBGE. quatro constituições (1938. via informações institucionais. Penha (1993) e a Cronologia. e que somente agora nos anos noventa.20 quais o país passou. os trabalhos de Gonçalves (1995). Primeiramente. influenciados ora pelas escolas francesa e alemã. ora pela escola anglo-saxônica. (1961 a 1964). dois governos em um . será mostrado. um governo híbrido.1946. podendo estar relacionados ou não às linhas de pesquisa do órgão). e que tiveram repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade ibegeana. será tratada também a curiosa separação ocorrida entre a Geografia Física e a Humana. começa a ser desfeita. . Nesse contexto. um impeachment e mais dois anos de seu vice Itamar Franco ( 1992 a 1994 ) e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998). além das inúmeras modificações por que esta última passou e ainda continua passando ). a crise da renúncia de Jânio Quadros até a queda do governo de João Goulart. É importante ressaltar.1988. o período dos governos militares (1964 a 1985). Igualmente importante será a avaliação do IBGE enquanto instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos. que este período abrange. Para a área da Geografia em particular. por exemplo. falecido antes de assumir e levado por seu vice José Sarney (1985 a 1990 ). vinte e dois mandatos presidenciais ( vinte e um presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves que geraram alguns períodos excepcionais como: o Estado Novo (1937 a 1945). sua trajetória na burocracia do órgão e suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento. do ponto de vista político. científicos em suas diversas acepções. estabilidade ou queda de seu “status” perante outras áreas da instituição e do governo. Será dada uma especial atenção às comparações entre o que se convencionará chamar de trabalhos oficiais (Estudos solicitados pela direção do IBGE ou demandados por níveis hierárquicos superiores a ela. planejado por Tancredo Neves. em termos de organogramas que determinaram os diversos períodos de ascensão.

A parte I contempla a estruturação da tecnocracia ligada ao Planejamento Territorial brasileiro. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. O terceiro. O primeiro. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte no campo científico e tecnológico foram os de maior peso. Em âmbito interno. Geodésia e Cartografia no IBGE. além das políticas de recursos humanos foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial do IBGE. ligando-os a uma pesquisa que enfoca uma instituição de governo e a um grupo específico da tecnoburocracia estatal e determinando sua escala temporal de ação. tanto financeira quanto gerencial. Para demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. onde é descrita a evolução de suas principais funções nas áreas de Geodésia e Cartografia. Estatísticas demográficas e econômicas. Está dividida em três capítulos: o primeiro que explica a institucionalização do sistema de planejamento territorial brasileiro. tendo como elemento chave o IBGE. portanto. Estruturação e Manutenção de Bancos de Dados de Grande Porte. em que a palavra transição é o principal mote. desde um período em que se aliava a necessidade de conhecimento do território a uma determinação de integração. traçando uma explanação sobre o IBGE. Redes de Coleta de Informações.21 Finalmente. com uma introdução que explica o papel da nova burocracia estatal implantada após a revolução de 1930. O trabalho está estruturado em seis partes. o terceiro destacando o grupo de Geógrafos e Cartógrafos que fizeram parte da pesquisa. O segundo. escalas de análise e áreas. até os governos pós militares da década de 90. Ecologia. Disseminação de Informações impressas e por meio magnético e Ensino e Treinamento. No âmbito externo ao IBGE. através de um processo de unificação administrativa levado a efeito por Vargas durante o Estado Novo. . Certeza e opulência dos anos 40 confrontam-se. além do suporte administrativo que acompanhou o cotidiano de milhares de profissionais em todo o Brasil. figuravam na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal. fazendo um overview ao longo de 13 períodos considerados como um pano de fundo cronológico que orientou a saga da geografia no IBGE. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. estabelecendo a relação entre documento e memória no contexto de trabalhos que se utilizaram das técnicas de História Oral. Geografia. com dúvida e escassez dos anos 80/ 90. o segundo que relata a estruturação das áreas de Geografia. antecedidas de três capítulos introdutórios. acompanharemos a trajetória do prestígio da Geografia. num momento em que as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise. como detentores da memória do grupo profissional estudado. em função da preparação da base cartográfica municipal para o censo de 1940.

quanto no IBGE. O exemplo mais significativo desse segmento está na figura de Francis Ruellan. posteriormente Jean Tricart e Michel Rochefort e. quando na fase de estágio no IBGE. interesses e que participaram da maioria dos 13 períodos estudados. com exemplos de maior ou menor engajamento a algum determinado líder de grupo de afinidades e algumas trajetórias de especialização temática ou regional.22 A parte II enfoca o papel da Geografia do IBGE no contexto do pensamento geográfico brasileiro. Figuras carismáticas como os franceses Emmanuel de Martonne. o canadense Pierre Dansereau . ainda. no desvendar do verdadeiro significado de se registrar esses depoimentos para as gerações profissionais do presente e do futuro. utilizando uma experiência de História Oral. A parte III focaliza o processo de formação profissional do geógrafo do IBGE pelo ponto de vista da memória. Clarence F. Francis Ruellan. posteriormente. o antigo papel da AGB como palco dos primeiros ritos de iniciação profissional. que sob outras formas. O capitulo I conta um pouco da aventura de se registrar esses depoimentos e avalia a importância da memória . os mestres universitários e os líderes de grupos de afinidades. como base para uma avaliação da Geografia que se estabeleceu ao longo dos anos no IBGE. O capítulo III apresenta o conjunto de profissionais que foram formados nos primeiros anos de estruturação do órgão e que se transformaram nas lideranças pioneiras da Geografia do IBGE. tanto na Universidade. Philipe Waniez e Hervé Théry . . os alemães Leo Waibel e posteriormente Gerd Kohllepp . com uma introdução que acompanha a sua evolução desde a primeira metade do século XX . Cole. Analisa. ao registrar em meio magnético os depoimentos de um grupo de geógrafos de diferentes idades. a Universidade e o IBGE. os principais projetos e seus respectivos produtos. que deixou uma legião de seguidores. nos tempos atuais. O capítulo I analisa a força das escolas de pensamento geográfico estrangeiras nas diferentes arenas de trabalho e discussão: as Sociedades Geográficas. Pierre Deffontaines. tendo como principais referências os professores do ensino médio. Brian Berry e Howard Gautier e o inglês John P. Jones e. O capítulo II analisa os padrões gerais de inserção na carreira. avaliação essa que alcança o final dos anos 90. continuaram a disseminar o seu legado. O capítulo III enfoca algumas recordações profissionais referenciadas ao ambiente de trabalho. os americanos Preston James. O capítulo II descreve os diferentes tipos de liderança exercidos por geógrafos estrangeiros que formaram algumas gerações de profissionais do IBGE.

O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. um grupo de sete temas que geraram as grandes linhas de pesquisa geográfica no IBGE. Nesse segmento. tanto no contexto de suas atribuições institucionais. São analisados os fatores que levaram à grande diáspora de 1991. a ênfase é orientada para o papel disseminador do IBGE através dos cursos de aperfeiçoamento em geografia orientados para o corpo docente de ensino médio e para o de nível superior. enfatizando os cursos de aperfeiçoamento e especialização e a pós-graduação em seus vários níveis ao longo do período. verificou-se. O capítulo I focaliza as relações entre o órgão e os centros de aperfeiçoamento e pesquisas tanto no exterior. em decorrência das convulsões no setor público durante os governos Collor de Melo . A parte VI trata do período de crise por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. O capítulo I descreve o processo de transição por que passou a Geografia do IBGE nos anos 90. analisando sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. a memória depoimentos de alguns geógrafos que contam suas experiências. representadas aqui pelos depoimentos orais dos diretores de área e de alguns presidentes. quanto no campo da integração com os demais vetores do conhecimento que envolvem as Geociências. quanto no Brasil. com a saída maciça de profissionais que aliavam competência à liderança: o incipiente processo de reposição de pessoal e os mecanismos de adaptação dos que restaram. A parte V cobre os processos de qualificação profissional. O capítulo I descreve em linhas gerais. Por outro lado. Os depoimentos de profissionais que organizaram ou ministraram esses cursos.Itamar Franco Fernando Henrique Cardoso. em contraponto às demandas que continuaram a ser criadas. onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológicos decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. como essas práticas foram percebidas pela alta direção da casa. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior destaque. No capítulo II. misturam-se a importantes geógrafos não ibgeanos que tiveram sua formação profissional ampliada por esse aprendizado. também.23 A parte IV analisa as práticas profissionais levadas a efeito pelos geógrafos do IBGE ao longo do período estudado e avalia sua representatividade perante outras instâncias do IBGE. O capítulo II tenta alguns prognósticos é resgatada nos exemplos de . Através da análise dos trabalhos de uma lista de temas geográficos que mais marcaram a imagem do IBGE na arena geográfica brasileira.

além das considerações finais.24 quanto ao futuro da Geografia. assim como uma descrição de alguns produtos que estarão futuramente à disposição dos usuários. é apresentada a atuação da Equipe da Memória Institucional do IBGE e é esboçado o projeto de História Oral que dará prosseguimento aos depoimentos de funcionários que assumiram posições relevantes no projeto técnico da instituição. Nos capítulos conclusivos. . na ainda hipotética agência executiva proposta pelo Ministério da Reforma do Estado ao IBGE para o ano de 2000.

e as resoluções jurídico-administrativas que definiram os principais projetos de trabalho. Em vista disso. Em primeiro lugar o documento .. em última análise. como as vozes . A Arqueologia do Saber (Foucault. A memória é um processo individual. à memória. 1997:16) Neste trabalho. pessoalmente. pois tanto do lado do documento.. pois.I . ou. É por esse motivo que eu. contraditórias ou sobrepostas. Michel Foucault em sua obra. ou seja.. a bem da verdade. principalmente no que se refere a muitos assuntos considerados como referenciais para a coletividade geográfica. a memória. como definido por Pierre Le Goff em sua forma mais ampla (Le Goff. em hipótese alguma. nos alerta sobre a necessidade de se questionar o documento. através de depoimentos orais e de informações informais. Esta questão é crucial. temos de refletir sobre algumas colocações de Alessandro Portelli na revista organizada pelas professoras Dayse Perelmutter e Maria Antonieta Antonacci. a fidedignidade necessária a esta história. valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. tanto individual como coletiva de um conjunto de técnicos ( geógrafos) e administradores (cargos de direção) que desempenharam funções importantes no órgão e que recordaram seletivamente suas respectivas trajetórias profissionais.exatamente iguais. “ A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato de a História Oral dizer respeito a versões do passado. o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. Em segundo. ao longo do tempo. além de outros meios de informação e divulgação da Geografia do IBGE. ao trabalharmos com uma comunidade técnica sediada numa agência de planejamento do governo federal. 1994: 540-541) assumido aqui como o material impresso que determinou a representação da produção geográfica do IBGE e de seus profissionais. mas tomaremos os devidos cuidados para não utilizá-lo indevidamente. é possível inferir sobre uma boa dose de consenso entre eles. Porém.1987). prefiro evitar o termo memória coletiva. Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social. A relação entre documento e memória gerará. não evitaremos o termo. as recordações podem ser semelhantes. as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais. em certa medida. onde ele argumenta que. que ocorre em um meio social dinâmico. Neste ponto.. de parte da memória institucional de uma grande e complexa agência federal como o IBGE exige que se recorra a alguns materiais formadores da memória coletiva. considerando-se que eles são sempre .” (Portelli..A Relação Entre Documento e Memória no Contexto da História Oral O processo de acompanhamento. quanto ao da memória existem grandes problemas.

inicialmente. Aldous Huxley.. que estas noções criadas por Halbwachs nos anos 20. George Lukács. principalmente. de maneira geral.129). Os processos de seleção iniciam-se no produtor do documento em si. a que escreve ( quando não é uma auto-biografia). Dos cinco autores analisados por Niethammer como precursores desses conceitos (Carl Schmitt. o depoente se prepara filtrando e organizando lembranças. . Na maioria dos casos. Sigmund Freud e Maurice Halbwachs). Isso faz sentido. É importante diferenciar. a sociedade pós-moderna de identidades culturais com o seu jogo de citações simbólicas (por exemplo na arquitetura) ou sua intertextualidade literária colocou Halbwachs em prática” (pg. portanto. 1997). entre a pessoa que é.. O ensaio de Lutz Niethammer sobre os conceitos de identidade e de memória nos dá uma boa visão das dificuldades que podem ser encontradas quando se tenta trabalhar com eles (Niethammer. As lembranças de um grupo são. de Miguel em seu manual sobre biografias sociológicas (Miguel. é que mais se encaixa com que estamos tratando (Halbwachs.." (p.produtos seletivos. “num plano mais genérico. lembrando que no caso de biografias ou auto-biografias. No que se refere à questão da memória. a que lê e a que realmente existiu. os mecanismos são ainda mais complexos e estão no cerne das discussões sobre o uso da História Oral. ainda. implica considerar a memória como algo muito mais amplo que um mecanismo individual de lembranças pessoais.. orientadas pela cultura do grupo ao qual pertence. "existem pelo menos quatro pessoas distintas: a que relata a vida. referenciadas mais aos elementos constituidores da cultura daquele grupo do que aos dos próprios indivíduos. Também sob as diferentes interpretações por que passam as lembranças. Niethammer assinala. voltaram a ter influência nos anos 90.16). principalmente junto aos historiadores da cultura. quando operamos um processo de entrevista gravada que. 128). pelo menos. quase sempre.1996) analisa alguns pontos positivos e negativos dos relatos biográficos. Para Niethammer.. passam por quem o seleciona e o arquiva e terminam por quem o pesquisa e o faz ressurgir sob um determinado ponto de vista. o sociólogo Jesús M..1980). “toda lembrança significativa é um processo socialmente condicionado de reconstrução que se apóia na estrutura social de relíquias culturais e rituais de comunicação de um dado grupo no presente” (pg. da que foi e da que escreveu. implica o convite e as devidas explicações sobre o objetivo da gravação. a construção social do passado engendrada por Halbwachs. a noção de memória coletiva de Halbwachs. São três níveis de realidade que devem ser analisados.

É perceber como natural certas distorções. perceber como algumas versões passam a ser oficializadas pela maioria dos depoentes. é importante ressaltar que a palavra versão assume uma importância ímpar.1953). A palavra seletividade representa.é de se esperar que algumas dessas linhas de tensão estiveram muito próximas do rompimento. mas deslocando o objeto documentado: não mais ao passado "tal como efetivamente ocorreu". nos anos 90. Schaefer sobre o excepcionalismo em Geografia (Schaefer. um papel fundamental na relação entre documento e memória e fica perfeitamente claro que este processo de seleção nunca contentará a todos.No contexto das técnicas de História Oral. É importante. ainda. transcrito. não documenta nada além de uma versão do passado. A entrevista de história oral.seu registro gravado e transcrito -. Isso pressupõe que esta versão. Atualmente. pois seria extremamente difícil escrever a história total da Geografia do IBGE. ao longo desses 60 anos. portanto. de cálculos e de editoração . de bancos de dados. Bunge sobre o processo de “canibalismo teórico decenal” que estava ocorrendo. e a comparação entre diferentes versões. e que infelizmente continuou ao longo da década de 80 (Bunge. Considerando-se que a pesquisa geográfica passou.1981) foram bons exemplos desses momentos de grande tensão. 1989 :2). Os artigos de Fred K. o de Willian W. embora não haja. e sim a versão do entrevistado. por fortes modificações e que foi bastante influenciada por inúmeros conflitos metodológicos e ideológicos além de ter testemunhado. pois nas palavras de Verena Alberti " Certamente não será porque a entrevista adquire estatuto de documento que a história oral passa a obedecer aos requisitos da "ciência positiva". esquecimentos. o principal mérito da relação entre documento e memória é poder comparar seletivamente algumas linhas de tensão entre fatos e versões nas diferentes fases por que passou a Geografia do IBGE nos 60 anos analisados. silêncios ou mesmo mudanças de ponto de vista dos depoentes ao longo de suas narrativas. onde um depoimento é gravado em meio magnético e. 1973). tenham passado a ser relevantes para estudos na área das ciências humanas" (Alberti. igualmente. um artigo que se possa classificar como decisivo sobre o problema. portanto . uma incrível evolução tecnológica nas ferramentas computacionais de mapeamento e localização. sim. vista por todos os . posteriormente. e o de Milton Santos sobre problemas do marxismo na Geografia (Santos. Neste sentido. Ao contrário: trata-se de tomar a entrevista produzida como documento. a expressão Globalização parece causar também grandes áreas de turbulência no pensamento geográfico.

do planejamento de governo e das estatísticas econômicas francesas (Fourquet. trabalhado com a História Oral. Louis Althusser . principalmente por terem de alguma forma. particularmente. O uso exaustivo e sistemático da documentação. o mais importante psicanalista após Sigmund Freud. faz da obra de Roudinesco uma referência indispensável no estudo da história contemporânea de cunho memorialista. É importante lembrar que os 26 co-autores eram muitas vezes adversários entre si. O livro de François Fourquet Les Comptes de la Puissance é. passando pelas atas de congressos e recortes de material da imprensa.1988). o que levou o autor a estruturar uma urdidura dos temas e das opiniões poucas vezes vista nas ciências sociais. Esta será apenas uma das possíveis visões que este assunto evocará. o mais sofisticado e complexo. É certamente um clássico do assunto.1983). 1987) onde foi estruturada uma excelente relação entre os conteúdos das cartas de militares norte-americanos. tanto em termos técnicos quanto ideológicos. além do campo específico da medicina psiquiátrica e. servindo no teatro da guerra do sudeste asiático.1980): profissionais da alta burocracia governamental como o ministro Michel Rocard e acadêmicos de primeira linha do sistema de ensino e pesquisa universitário como François Perroux (economia industrial). aos seus parentes e amigos e as imagens . O monumental trabalho de Elisabeth Roudinesco em seu segundo volume da História da Psicanálise na França : 1925-1985 é outro marco na relação documento / memória (Roudinesco. operando conjuntamente com os 26 co-autores. pois o autor dá uma co-autoria a 26 personagens que foram os criadores das áreas de contabilidade nacional. O mais interessante exemplo de uma relação entre documentos e memórias foi realizado por Bill Couturie em seu filme Cartas do Vietnã ( Dear America: Letters Home from Vietnam. certamente. Alfred Sauvy (estatística) ou Jean-Vitold Marczewski (contas nacionais) para citar alguns que a área geográfica certamente conhece. encaixando-se com uma perfeição de relojoaria aos depoimentos e testemunhos prestados por figuras da intelectualidade como Jacques Derrida.diferentes ângulos. A seção de agradecimentos praticamente cobre quase toda a elite intelectual francesa. filosofia e da literatura da França. pela saga profissional de Jacques Lacan. No processo de criação. Françoise Dolto e outros. cuja grande maioria prestou depoimentos ou cedeu documentos para esta pesquisa que transitou por quase todos os campos das artes. que vai da correspondência privada aos autos de tribunais. Fourquet fez uma longa nota explicativa inicial. chamando a atenção do leitor para as dificuldades sentidas por ele no processo. Algumas obras servirão de referência para o entendimento dessa relação. ao estilo de Fernand Braudel em sua obra sobre o Mediterrâneo (Braudel.

1995). que trata dos anos de Juscelino. entre julho . Sua memória prodigiosa somada à vasta documentação apresentada. embora não se utilizasse das ferramentas dos depoimentos orais. Campos encerrou o seu mandato ao início de 1999. fazem do livro de Roberto Campos um ótimo referencial para se entender os diversos conceitos que foram atribuídos à palavra desenvolvimento desde o ciclo Vargas até a Nova República. Sua primeira edição brasileira foi editada pelo IPEA em 1988. O capítulo VI. passando pelo ciclo militar.documentais referentes aos diversos períodos de envolvimento dos EUA no conflito. O trabalho de escolha das cartas e das imagens o credencia como um dos mais importantes trabalhos de relação documento / memória fora dos clássicos compêndios de História Oral. até tornarem-se trágicos e melancólicos. Referenciado ao período militar. é um dos melhores ensaios de historiografia econômica baseado exclusivamente na literatura especializada e em documentação governamental (Bielchowsky. como reconhecimento pelo Prêmio Haralambos Simeodines da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (ANPEC) de 1995 na categoria tese. o depoimento do ex-presidente Ernesto Geisel organizado por Maria Celina D'Araujo e Celso Castro.1994) faz um excelente contraponto com o trabalho de Bielchowsky. enfatizando o período 1945-1964 garantem um quadro de referência importante para se entender o processo de desenvolvimento econômico do Brasil contemporâneo. No contexto brasileiro. à medida que a difícil percepção do real objetivo daquela guerra soma-se às cruéis experiências pessoais em um campo de batalha não convencional. imerso numa cultura totalmente diferente. o trabalho de Ricardo Bielchowsky Pensamento Econômico Brasileiro : O Ciclo Ideológico do Desenvolvimento. O teor das cartas e as das imagens. o melhor trabalho de História Oral foi. enquanto a guerra recrudesce. é particularmente interessante assim como o cap. culminando com a humilhação da derrota. Sua primeira versão de 1984 foi destinada ao mundo acadêmico inglês como tese de doutoramento na Universidade de Leicester. A experiência memorialista de Roberto Campos no seu A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. principalmente no que tange ao tumultuado processo de planejamento macroeconômico e à sua instrumentação ao longo desses 60 anos (é importante lembrar que como deputado federal. com certeza. IX. vão se deteriorando. que trata da criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE atual BNDES). As análises das principais correntes de pensamento econômico que influenciaram as decisões governamentais entre 1930 a 1964. ao perder para Saturnino Braga a vaga de senador do Rio de Janeiro nas eleições de novembro de 1998). inicialmente de cunho laudatório.

a exoneração do Ministro do Exército General Silvio Frota. sendo que três foram Presidentes da República: Ernesto Geisel. no governo de Tancredo Neves). sua experiência de comando na Presidência da República e a avaliação dos governos posteriores até 1994. pois era economista formado pela UFMG com especialização em macro-planejamento. Cabe lembrar que Costa Couto foi um dos mais importantes homens públicos do final do período militar e da Nova República. 1999b). sem dúvida. seu falecimento e a posse de José Sarney . as mortes de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho e a exoneração do comandante do II Exército. no governo do Almirante Faria Lima. civis e militares. tendo sido por duas vezes Secretário de Estado de Planejamento (no Rio de Janeiro. O enfoque é fundamentalmente político. No mesmo contexto. e uma rara habilidade política.que culminou com a eleição de Tancredo Neves. e em Minas Gerais. Questões como a preparação do golpe militar. que foi lançado em maio do mesmo ano. defendida em novembro de 1997 e publicada pela Record em janeiro de 1999. Tancredo Neves. Essa combinação entre capacidade técnica. o melhor trabalho historiográfico do período que fez uso sistemático da História Oral (com 32 depoimentos dos principais homens públicos do país. a decisão da posse de José Sarney e muitos outros são analisadas sob diferentes pontos de vista. aos 89 anos (D'Araujo & Castro. aprendida com um mestre do assunto. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura: Brasil 1964-1985 é.de 1993 e março de 1994 e somente publicado após seu falecimento em setembro de 1996. pois confronta diversas versões sobre alguns episódios políticos cruciais ocorridos entre 1964 e 1985 (Couto. O volume especial com a íntegra de 26 entrevistas intitulado Memória Viva do Regime Militar: Brasil 1964-1985. 1997). durante a presidência de José Sarney foi nomeado Ministro do Interior (1985-1987). .a tese de doutoramento de Ronaldo Costa Couto para a Universidade de Paris IV. o credencia como uma das melhores testemunhas daqueles períodos. o processo de escolha de Tancredo Neves. é também muito interessante. sendo posteriormente transferido para Ministro-Chefe do Gabinete Civil (1987-1989). cargo que acumulou com o de Governador do Distrito Federal. General Ednardo D’Avila Mello. João Baptista de Oliveira Figueiredo e José Sarney) contrapondo-a com a documentação pesquisada (Couto. A preocupação dos organizadores do depoimento era cobrir os aspectos da formação intelectual de Geisel e seus reflexos na carreira militar e administrativa. ainda que enfatizasse o período final do ciclo militar e o processo de abertura política . com poucas incursões ao terreno econômico. 1999a). a sucessão de Castelo Branco por Costa e Silva.

1998). O trabalho com 12 depoimentos das principais lideranças estudantis da época. como o do restaurante do Calabouço que resultou na morte do estudante Edson Luis. O foco nas histórias de vidas dessas mulheres. para sua tese de mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ. Neste contexto é também interessante ler a entrevista do grande historiador francês Pierre Vilar a Jean Boutier (Boutier & Julia.. Vladimir Palmeira. tanto no campo das vinculações com a hierarquia masculina dos movimentos de esquerda. por isso. 57 feridos e 3 mortos. em 28 de março. Jean Marc Von der Weid. como Luis Travassos. que muitas vezes saía do controle das lideranças e era empalmado pelos participantes das passeatas e comícios. analisando os diferentes tipos de conflitos estudantis que eclodiram em várias partes do mundo e organizando uma excelente cronologia (pg.A esquerda estudantil de 1968 também tem seu livro de memórias organizado por Daniel Aarão Reis Filho. e a Sexta Feira Sangrenta. José Dirceu. 201) que contrapõe os acontecimentos no Brasil e em outros países. quanto no ambiente dos porões da ditadura militar sempre foi visto sob uma ótica de preconceito e. ao colher depoimentos de 13 mulheres.A. mal avaliado. com fotos de Pedro de Moraes (1998). (Petrobrás) e Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás). abre um importante campo de análise da memória de gênero. com um saldo de 1000 presos. Não se deve esquecer que Pol Pot foi formado na Paris de 1968. Apesar de ser um artigo de coletânea. A ênfase foi dada aos políticos que as criaram. No campo específico da História Oral das organizações brasileiras. 1968 a Paixão de Uma Utopia . de 21 de junho. o trabalho de Mattos Dias é de extrema valia para os que querem se aventurar na História Oral de organizações de qualquer ordem.” (pg. “O perigo é um pensamento revolucionário que se transforma em mística revolucionária. Ainda no contexto da memória das esquerdas no Brasil. apresenta um quadro bem interessante das dificuldades de organização do movimento estudantil. Sua pesquisa cobriu os acervos orais de organizações estatais de grande porte como a Petróleo Brasileiro S. que mostrou também o seu talento ao analisar a trajetória profissional dos engenheiros. um outro lado mais amargo nos é mostrado por Elizabeth F. onde o papel da mulher. Xavier Ferreira (1996). José Genoíno e outros. que encara os acontecimentos de 1968 na França com um misto de necessidade e descontrole. . aos burocratas que as dirigiram e a alguns executivos técnicos que decidiam em áreas chave dessas organizações. os autores contextualizaram muito bem o ano de 1968. que foram presas políticas durante os governos do ciclo militar. enfatizando os períodos de militância política e o da prisão. 283). o melhor especialista é José Luciano de Mattos Dias (1994). gerando conflitos com as forças de repressão. Além disso..

A apresentação dos autores e o capítulo que trata da história do ensino de economia no Brasil são também peças interessantes. O prefácio de Pedro Malan é de uma exatidão e elegância poucas vezes vistas nas publicações dos últimos anos. os economistas são. dos quais três foram Ministros de Estado. tese de livre-docência para a Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. Conversas com Economistas Brasileiros de Ciro Biderman. pois aliam concisão e clareza. dos quais três foram Ministros de Estado. mas também pela maneira de tratar o tema da História Oral do pensamento econômico brasileiro. Os autores. Luiz Felipe L. Além da coletânea organizada por Angela de Castro Gomes (1994) Engenheiros e Economistas: Novas Elites Burocráticas. evidentemente. Foram entrevistados 30 economistas. entretanto. além da consulta a 10 depoimentos orais arquivados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).É importante também considerar o livro de Jaime Larry Benchimol e Luiz Antônio Teixeira (1993) Cobras. dos quais. os mais estudados. além de um capítulo . analisa o papel dos economistas como dirigentes políticos e trabalha a sempre tensa relação entre a racionalidade técnica e os objetivos políticos e que constantemente põe à prova esses profissionais da elite governamental brasileira. foram Ministros de Estado ligados aos setores da economia e da alta administração federal. reconhecem. Lagartos & outros bichos: uma história comparada dos institutos Oswaldo Cruz e Butantan. No segmento da História Oral de grupos profissionais. onde estão os trabalhos de José Luciano de Mattos Dias sobre os engenheiros e de Marly Silva da Motta sobre os economistas. tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (UNICAMP) defendida em junho de 1994. apresentada em agosto de 1996. Foram entrevistados 22 homens públicos e técnicos do alto escalão do governo. quatro. Cozac e José Marcio Rego (1997) é o melhor dos quatro. os autores operaram muito bem com a documentação dos dois institutos e apresentaram um bom quadro comparativo de seus respectivos campos de atuação ao longo dos anos. que enfoca a construção do Sistema Financeiro Nacional entre 1930 e 1964 sob a ótica da estruturação de seus quadros burocráticos de elite. três outras obras estudaram a importância do papel deste grupo profissional na condução dos destinos do Brasil nos últimos 60 anos. compostos majoritariamente por economistas e juristas. que deram maior ênfase ao instituto carioca do que o paulistano. Burocracia e Elites Burocráticas no Brasil de Gilda Portugal Gouveia (1994). Os Economistas no Governo de Maria Rita Loureiro (1997). não apenas pelo elenco de profissionais escolhidos. Embora não trabalhem com História Oral.

João José Bigarella. pois em nenhum momento o diálogo resvala para a crítica fácil ou o "achismo". Roberto Campos. Celso Furtado. a engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge Pádua. Milton Santos. são diálogos de profissionais para profissionais. cinco foram Ministros de Estado. duas trabalharam no IBGE Alceo Magnanini e Wanderbilt Duarte de Barros. expoentes de linhas de pensamento bem diversas. pois concentra 9 dos melhores profissionais de Geografia. utilizando os depoimentos orais de seis personalidades líderes em seus segmentos. através da revista Geosul. O volume 12 / 13 já tornou-se um clássico. O teor das entrevistas revela-se altamente profissional. chamado Uma leitura Comparada das Entrevistas que demonstra o alto nível de síntese dos organizadores da obra. Maria da Conceição Tavares. o Almirante e paleontólogo Ibsen de Gusmão Câmara. Num contexto intermediário das ciências ambientais. . considerado como um geógrafo honorário. Dos 13 entrevistados. é de alta relevância. o biogeógrafo Alceo Magnanini. Mac Arthur Fondation conta a história do movimento de Conservação da Natureza no Brasil. Professores como Orlando Valverde.final. além de todos serem professores das melhores escolas de economia do Brasil. Victor Antônio Peluso Júnior. o trabalho do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina. três possuíam mandatos eletivos no Congresso Nacional. and Catherine T. o naturalista Paulo Nogueira-Neto e o engenheiro agrônomo e administrador de parques naturais Wanderbilt Duarte de Barros. Mário Henrique Simonsen. onde a Geografia possui forte presença. André Lara Resende e Pérsio Arida. Estão sendo sistematicamente entrevistados os principais geógrafos brasileiros que contribuíram com os seus conhecimentos para a melhoria do ensino de Geografia no país. inaugurando a série com o Professor Speridião Faissol. além do economista Ignácio Rangel. No que concerne à Historia Oral dos Geógrafos. dois presidiram o Banco Central. O Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) também iniciou em 1997 a publicação de sua revista GeoUerj com uma seção de entrevistas a geógrafos importantes. Mas o que é ouro puro neste livro são as conversas altamente profissionais com uma importante parcela dos melhores economistas do país. O zoólogo Aldemar Faria Coimbra Filho. o livro da jornalista Teresa Urban (1998) Saudade do Matão organizado pela Fundação Boticário e a The John D. Dessas personalidades. Roberto Lobato Corrêa e Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro são alguns exemplos deste importante volume. apesar de estarem na arena figuras como Delfin Neto.

organizador da estrutura burocrática que criou o Conselho Nacional de Geografia em 1937.A área de Memória Institucional do IBGE concebeu em 1991. Wilson Martins autor da coleção A História da Inteligência Brasileira em sete volumes. economia. França e até um brasileiro. história. além do importante depoimento de Cristóvão Leite de Castro (engenheiro). Após esta revisão. mas também de outros países como Gana. Inglaterra. além especialistas de instituições que lidavam com memória institucional. Foram gravados os depoimentos de 32 profissionais que se especializaram em Brasil nas suas diferentes atividades acadêmicas: literatura. respondidos por funcionários das unidades regionais do IBGE de 11 estados brasileiros. foram entrevistados três geógrafos: Orlando Valverde. desse projeto. A análise do tema Memória Institucional foi o objetivo do trabalho de Icléia Thiesen Magalhães Costa para sua tese de mestrado em Ciência da Informação na Escola de Comunicação da UFRJ em 1992 Memória Institucional do IBGE: Um Estudo Exploratório-Metodológico. um projeto de depoimentos com os profissionais da casa e. com sua estruturação organizacional atual e estabelecer um pano de fundo cronológico que acompanhará os 60 anos de atividades geográficas da instituição. Gelson Rangel Lima e Aluísio Capdeville Duarte. Em sua maioria americanos. José Carlos Sebe Bom Meihy (1990) lança A Colônia Brasilianista: História Oral Acadêmica obra fundamental para se entender a formação do grupo de profissionais conhecido como os brasilianistas da comunidade acadêmica norteamericana. ciência política. sociologia e filosofia / teologia. também foram aplicados 28 questionários. . crítica literária. que residiu e lecionou na University of New York entre 1965 e 1998. Eli Alves Penha (1993) em sua tese de mestrado A Criação do IBGE no Contexto da Centralização Política do Estado Novo já inicia um processo de abordagem da História Oral ao entrevistar sete geógrafos do IBGE a respeito das práticas profissionais. além do engenheiro Christovão Leite de Castro. antropologia. Ainda no campo da História Oral dos profissionais. a estrutura que organiza esta primeira parte do trabalho está dividida em mais dois capítulos que objetivam referenciar a agência IBGE. onde foram trabalhadas 23 entrevistas com funcionários e ex-funcionários do IBGE.

a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do . Getúlio Vargas inaugura um processo político-jurídico-administrativo. pois a principal preocupação de Vargas era de dotar o aparelho estatal de uma imagem claramente nacional. A criação dos Ministérios do Trabalho.. Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia uma série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo. ainda. de 24 de março de 1937. ao Rio de Janeiro (capital federal).O Que é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ? Criado pelo decreto-lei n 218 de 26 de janeiro de 1938. Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia.609. Decreta: Art. Mena Barreto e Isaías Noronha. além disso. Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia e em suas considerações iniciais esclarecia . Portanto. 1 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística. ou mesmo de caráter pessoal.o de Geografia e o de Estatística com a denominação de "Conselho Nacional".200. dentre elas a 0 os 31 e 5.II . sua abrangência nacional até ao nível de município. A saga de implantação dessas agências. que vai muito além do simples intervencionismo estatal. pelas "Resoluções" n Instituto.527. de 10 e 13 de julho de 1937. que passam o comandado do país para Getúlio Dorneles Vargas em 03 de novembro de 1930. O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil. inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede o golpe militar consolidado em 03 de outubro de 1930 pelos Generais Tasso Fragoso. de 6 de julho de 1934. de 17 de novembro de 1936 e 1. O subtítulo do decreto era. ex-vi dos decretos n 0s 0 24. respectivamente. 1.. a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935/36. e não apenas uma referência ao poder do Palácio do Catete. ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção ... Considerando. O IBGE na realidade foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia que já existiam. no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República: Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística.

sem intermediações das políticas locais ou estaduais. Nos anos subseqüentes a 1930 e. No caso do Instituto Nacional de Estatística criado em 1934/1936 pelo menos quatro ministros (Juarez Távora Agricultura . Francisco Campos. uma de suas parcelas mais importantes. o corporativismo constitui. disseminadas por grande parte do território nacional. o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal. Francisco Luís da Silva Campos Educação e Cultura. Nesse diálogo. mas que não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro. a partir daquele momento. Osvaldo Aranha Fazenda e Francisco Antunes Maciel Justiça e Negócios Interiores) lutaram pelo fortalecimento ou enfraquecimento de tal agência. é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente. o porta voz do governo federal seria um técnico. e sim.1983). Para este autor. A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997:18) chama de insulamento burocrático. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas" . principalmente entre os novos e os antigos. uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo. se possível em nível municipal. apresenta fundamentos políticos muito precisos para aquele período. ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e que tiveram papel influente na estruturação jurídico-política-administrativa do Estado Novo.criação de uma agência federal de Estatística que objetivava uma centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. 1978). Período este muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (Medeiros. . o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas. É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário. Azevedo Amaral. sendo que para Nunes ". corporativismo. após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 até 1945 (Schwarztman... insulamento burocrático. Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado. sem dívida. que nas palavras de Edson Nunes (1997:18) "estava isolado das disputas políticas" .documentos históricos) A importância de que se revestia um órgão como este. que exigiam pessoal técnico qualificado. e universalismo de procedimentos. (ver anexos . Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre Ministérios. Oliveira Vianna. para que toda a sociedade percebesse que.

Membros da elite. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu. (Consolidação das Leis do Trabalho) para a esfera do funcionalismo público federal. que utilizou fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. “pertencem à categoria algo difusa.T. É com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo que se deve avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. com autonomia financeira e possibilidade de contratação por C. por força do Decreto-Lei 161 de 13/02/1967. para sua dissertação de mestrado. para projetos específicos. O órgão. algo identificável. XII). Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo. geralmente sendo coordenada por um ministro de estado (Planejamento ou Fazenda). enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. como de Geografia. A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores. elitistas todos. transferindo todos os seus funcionários. tanto de Estatística. entretanto. é possível perceber quatro fases distintas. está em andamento uma nova mudança de vinculação. Apesar desses mecanismos iniciais. continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal. para transformar o IBGE em agência executiva do governo..L.L. incorporaram-se ao aparelhamento do Estado. Entre 1967 e 1990. em algum momento. sua história. até a sua fusão no IBGE. quanto à sua relação com o poder central da república. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República. anteriormente regidos pela C. não é imune a controvérsias. . um interessante trabalho de Geografia Política. foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático. dos intelectuais.. além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. nos seus primeiros anos. da mesma forma que as empresas da iniciativa privada.T. No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos. a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam ter contratos de trabalho. o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único. fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. Em 1993. Gonçalves (1995) e Penha (1993). criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo. A partir de 1990. conquistaram o casaco de veludo do mandarinato. Para o ano 2001. Ao se analisar todo o período de existência do IBGE.Raimundo Faoro em seu prefácio à obra de Medeiros diz que estes personagens.” (p. Intelectuais que. sendo seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. a criação do IBGE já foi devidamente tratada por dois autores da casa. o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal.

Para complementar o entendimento sobre o órgão durante os anos 90.fbds. controlando todas as estatísticas básicas de demografia. consumo. pelo então presidente Simon Schwartzmwan (19941999) durante sua gestão. No campo das estatísticas.org. o segundo. uma das poucas agencias governamentais no mundo. passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE. do Diretório Central (DC) e do Conselho Diretor sob duas siglas (COD. que foi montada a partir de 1934 ( decreto 24 609 de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936.Além desses autores. da Junta Executiva Central (JEC). foram também incluídos dois trabalhos compilatórios: o primeiro referenciado ao conjunto de leis e decretos que deram suporte jurídico ao Conselho Nacional de Geografia (IBGE. A Rede de Coleta A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações. em que se operam todas as etapas de reconhecimento territorial. produção.br/simon/relat. emprego e renda. coordenada por Icléia Costa (1998). este trabalho se dispõe a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes que. a levantamentos socio-ambientais em escalas regional e nacional. por coincidência. . abarcando desde áreas de pesquisa ecológica em sua Reserva Ecológica do Roncador no Distrito Federal. infra-estrutura. a antiga e CD a atual). que trataram especificamente sobre o papel do IBGE no contexto dos órgãos de pesquisa do Governo Federal do Brasil e que apontam para um projeto de criação de uma agência executiva controlada por um projeto de gestão (http://www.1952) e. indo do levantamento geodésico e cartográfico até a confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas. cobrindo todas as unidades da federação. também exerceu a presidência da casa entre 1986 a 1988 (num período particularmente turbulento. em função de problemas corporativos). Antes porém. Tendo como marco inicial essas referências. que lista boa parte da legislação externa e interna ao órgão como as resoluções das Assembléias Gerais dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia (AG/CNE e AG/CNG). à Cronologia do IBGE. seu alcance é ainda maior. Esta complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações. 1993). é importante considerar ainda os documentos elaborados em 1994. será necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE. Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística.htm).

que viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 30. utilizam contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados . Até o final da década de 1980. no Rio de Janeiro. Para se ter uma medida do quantitativo desse pessoal especializado. cartógrafos). Na atualidade.PME. Esta rede foi uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE). lidos por processo óptico. Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos Estados. pela primeira vez. conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística. chefiada pelo agente do IBGE e. economistas. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico. a campanha da PNAD 96 que ocupou mais de 2. 1 Em grandes cidades e nas áreas metropolitanas a rede de coleta se estrutura de maneira mais detalhada subdividindo-se em Distritos e bairros. Para a operação censitária de 2000.000 pesquisadores em todo o Brasil. dependendo da importância desse município. pesquisa nacional de amostra por domicílio . utilizando-se scaners e as informações contidas neles automaticamente testadas por programas estatísticos de verificação de consistência dessas informações. No distrito sede de um município localizava-se a agência de coleta (Agência Municipal de Estatística). onde são planejadas as campanhas de coleta de informações e se estabelece no nível do município. onde se encontra a Agência Estatística Municipal . Os questionários serão. o IBGE treinou 200. Tais recursos tecnológicos possibilitarão a divulgação dos resultados preliminares do censo em dezembro de 2000. poderia ter dezenas de funcionários.507 municípios recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro. tome-se como exemplo. a pesquisa de índices de preços . 1 . agrônomos.INPC. e também que demandam pessoal especializado (estatísticos. as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE como.000 recenseadores para trabalharem em 5. a estrutura básica da rede era estabelecida pelo município. pesquisa mensal de emprego . em ambiente de banco de dados especialmente construídos para a operação. por exemplo. São elas que se responsabilizam pela coordenação das agências de coleta localizadas nos municípios e pelas equipes que operam em pesquisas específicas.PNAD. pesquisa de orçamentos familiares – POF.O processo de coleta de informações é iniciado nos escritórios centrais do IBGE.

na parte em que tratou dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística. Câmara dos Vereadores . Para o idealizador da rede de coleta de dados. e gerenciadas por oito departamentos regionais (DERE). Mário Augusto Teixeira de Freitas. mas ainda existem casos de coabitação da AME em prédios pertencentes às prefeituras ou a algum outro poder municipal. além de uma coleção de obras gerais do IBGE. Normalmente. ou pesquisadores que demandassem informações sobre o município e sua região limítrofe. sobre o Estado e o município na qual a agência está localizada. é o poder executivo quem mais se relaciona com o IBGE garantindo. uma biblioteca básica sobre a região e o estado. A agência. como anuários. Juizados e Tabelionatos). reduziram a estrutura da rede de coleta para apenas 500 agências. mapas regionais e estaduais. No ano de 1990. no capítulo IV Aparelhamento das Agências detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência padrão. de . que coordena as atividades de coleta.A Agência Municipal de Estatística (AME) é a ponta de uma intrincada rede organizada no início dos anos 30 para prover o Governo Brasileiro de informações sobre as condições demográficas. que controlam as atividades administrativas da rede. econômicas. Esse processo de divulgação incluía um arquivo de dados sobre o município. a grande maioria das agências municipais são alugadas com recursos próprios do IBGE. em contato com a delegacia estadual ou escritório de informações situado na capital da unidade da federação podia solicitar material de divulgação para usuários moradores nos respectivos municípios. na maioria dos casos. a AME deveria ser um misto de escritório de coleta de informações e de divulgação de dados sobre o IBGE. Em cada DERE há uma unidade chamada Divisão estadual de pesquisas (DIPEQ). inclusive estabelecendo uma planta baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação informações (Costa. muitas vezes longo e penoso de profissionais como professores. Uma agência municipal de estatística sempre é criada através de uma relação de interesses entre o IBGE e os poderes municipais (Prefeitura. Atualmente. sociais e administrativas do país. um espaço físico para a AME. as grandes modificações por que passou o órgão. situadas em municípios com alguma centralidade. 1960). evitando assim um deslocamento. funcionários das prefeituras. O livro de Joaquim Ribeiro Costa Manual do Agente Municipal de Estatística editado em 1960.

contabilidade. indo das pesquisas mensais até as anuais. Industrial. Além disso. por seu objetivo principal de contar todo o universo populacional brasileiro. é uma tarefa que envolve milhares de pessoas e muito dinheiro. movimentos migratórios etc. informações sobre a estrutura de sua população: idade. atividade profissional. a rede de coleta se amplia para dar conta das tarefas censitárias que cobrem. renda.que envolvem conhecimentos específicos de produtos agrícolas. o Departamento de Geografia da DGC organiza a regionalização do país em macro. sexo. isto é. nos anos 0. que cobrem uma ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais. em função de estudos de acessibilidade das agências. nos anos 0 e 5. além das unidades de área institucionalmente conhecidas (Estado. levantar. que é previamente orçado e aprovado pelo Congresso Nacional. maquinaria. através da Diretoria de Pesquisas (DPE) e de campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade. escolaridade. . por sua complexidade de informações . os censos econômicos Comercial e de Serviços) e. A rede também possui fortes vinculações com a Diretoria de Geociências (DGC) através da organização dos mapas que configuram as Bases Operacionais Geográficas dos Censos (Demográfico e Econômicos). No início de 1999. (Agropecuário.Atualmente. objetivando otimizar a logística de obtenção de informações. município e distrito). sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística. mão de obra etc. meso e micro regiões. Mapas que delimitam os setores censitários (urbanos e rurais) de todos os municípios brasileiros e que são sistematicamente atualizados antes de qualquer operação censitária. O segundo. A estruturação da logística censitária. As duas mais complexas e caras campanhas censitárias são as dos censos demográfico e agropecuário. que são também utilizadas para o processo de divulgação dos dados estatísticos. O primeiro. . foram iniciadas as pesquisas para uma futura reorganização espacial da rede de coleta. o Censo Demográfico. em todos os domicílios do país. toda a rede reporta-se à Diretoria de Planejamento e Coordenação (DPC). num país de dimensões continentais como o Brasil. condições do domicílio. animais. no contexto do Projeto Presença do IBGE2. Quinqüenalmente e decenalmente.somada às dificuldades de acesso aos estabelecimentos rurais nas áreas mais distantes. Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE. tipos de energia consumida. A Área de Estatística 2 Projeto de reestruturação da agencia visando uma otimização da rede de coleta.

a Estatística também trabalha com indicadores sociais. a partir de 1984. como as dos estados do Sudeste e Sul com as dos estados nordestinos ou nortistas. fundada em 1953 e que. informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação. ao IBGE tentar "o equilíbrio entre o desejável e o possível" de que nos fala Nelson Senra no sub-título de seu trabalho. coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (a exemplo das estatísticas militares no período da 2 a Guerra. Os principais problemas inerentes a este papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra. as taxas de emprego e desemprego. emprego. acesso a serviços básicos de infra-estrutura etc. universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado. ampliou sua oferta oferecendo cursos de pós-graduação "latu-sensu" nas áreas de Amostragem. saúde. Demografia e Análise de Dados. que o IBGE organizou. que analisa as estatísticas sob duas óticas: a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores) colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (Senra. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística / Informática e de Geodésia / Cartografia que eram muito disputados. Cabe. Além dos indicadores econômicos. ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração. definindo novas pesquisas.É na área de Estatística. passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou decréscimo da economia nacional. Sendo a Estatística a principal atividade fim do Instituto. Os exemplos dos índices de preços e de emprego / desemprego são alguns dos mais polêmicos. pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas.ENCE. juntamente com os ministérios militares). Cabe. . como o índice de preços que estabelecia o índice de inflação. representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE) que o IBGE apresenta a sua imagem mais clara para a sociedade. portanto. ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país. 1998). renda. quando as pesquisas econômicas conjunturais. além de acompanhar tecnicamente as estatísticas das demais unidades da federação. estabelecendo metodologias. principalmente após os anos 60 e 70. o índice de crescimento industrial e outros. também. Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas. secretarias estaduais de planejamento. o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas .

imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou. entretanto. atuais 5 a 8 série e 2 Grau). esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa. instituindo o primeiro curso anual de aperfeiçoamento estatístico. levando em consideração as negociações entre as partes. com as resoluções da Junta Executiva Central (JEC) do Conselho Nacional de Estatística organizando estágios. alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. vem desde 1937. Um detalhamento maior dessas atividades de aperfeiçoamento na Geografia será dado na parte V deste trabalho. Posteriormente. tanto na escala municipal quanto na estadual. ainda. que se tornaria o embrião da futura ENCE. A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país. O segundo grupo era composto de professores que deveriam possuir diploma de curso superior. que determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. em 1939. É também o IBGE. e 1: 25 000. juntamente com as demais forças armadas. que iniciou seus trabalhos em 1937 no bojo do Conselho Nacional de Geografia.Em 1993. normalmente arbitrados pelo poder judiciário. definidos por resoluções do Diretório Central do Conselho Nacional de Geografia visando a dois públicos alvo: os professores do ensino primário (atual 1 a 4 série do primeiro grau) e professores do ensino secundário (antigos Ginasial e Colegial. realizado e organizado pela área de Cartografia que. 1: 100 000. 1: 250 000. 1: 50 000. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. com a estruturação das redes altimétrica. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE. os primeiros Cursos de Informações Geográficas foram ministrados em 1946. é atribuição da área dar apoio técnico às operações de mapeamento das a a o a a . A atuação do IBGE na formação e qualificação profissional. planimétrica e gravimétrica. Ademais. A Área de Geodésia e Cartografia A Geodésia. definindo níveis de aptidões para o ingresso na carreira e. tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional. Em caso de litígios entre essas unidades. foram ministrados cursos especiais para atualização de professores universitários. assume sua especificidade em 1945. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. os parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. Na área da Geografia. além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro.

na década de 60. que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE. e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano. no acompanhamento dos limites internacionais. para fins de demarcação das proporcionalidades de área. constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. até o início da década de 40. . que garante a distribuição dos royalties provenientes da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira. por sistemas eletrônicos. hidrografia. Área de Informática Todas essas informações. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede Internet). ferrovias. além da cooperação com as da Força Aérea. a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional. vegetação). componentes da infra-estrutura (estradas. Cabe também ao órgão auxiliar o Ministério das Relações Exteriores. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas. municípios. os quais são atualmente utilizados em organização de Atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados (que vão de informações alfa numéricas simples a complexas imagens e sons em tempo real.Bases Operacionais Geográficas dos censos. encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento. distritos. para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração (o exemplo dos municípios fluminenses situados frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante). quando solicitado. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. quanto cartográficas ficam disponibilizadas em bancos de dados que. deve-se consultar o trabalho de Francisco Romero Freire (1993). foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática. Entre os anos 40 e 50. Três outros tipos de incumbência interessantes de que a Cartografia participa fortemente são: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas.IBM (sistema 1401). adquiridos à Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e à International Busines Machines . que estabelece a produção de bases digitalizadas visando o georeferenciamento de pontos e linhas que impõem limites entre áreas (setores censitários. tanto estatísticas. A partir da década de 70. Para uma visão histórica desses processos. a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil. unidades federadas).

Dezesseis (16) gavetas IBM 9392-B13 emulando 64 endereços de discos IBM 3390.665 cilindros). e 512 Mbytes. com capacidade de 2. A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte. A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada. e ser acessado por 2 000 terminais remotos. capacidade de 1. Duas controladoras IBM-3990 modelo G03 com memória CACHE de 32 Mbytes e duas controladoras IBM 3990 modelo G06.5 Mbytes/segundo. O processador opera com 60 mips (milhões de instruções por segundo) e possue o dispositivo PRSM que permite sua divisão em partições lógicas de processador. criada em 1971 com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática .89 GBYTES por endereço (39.085 trilhas ou 3. memória CACHE de 256 MBYTEs. O sistema que passou a operar em 1998 está composto por Um (1) IBM-9672 modelo R32 (triprocessador) com 192 Mbytes de memória central e 1024 Mbytes de memória expandida.825 trilhas e 2. O computador central é hoje. o sistema gerencia mais 92 servidores e 1221 estações de trabalho localizados nas unidades do IBGE em nível de capital de estado e no Distrito Federal. estando em elaboração a nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta.DI. Doze (12) unidades de discos IBM-3380 modelo BK4 com quatro endereços por unidade e capacidade de 1.84 GBYTES por endereços (50. Este novo sistema sustenta uma grande rede de 44 servidores localizados no Rio de Janeiro que já integram uma arquitetura de 2180 pontos de rede.665 cilindros). O sistema que operava em 1994 era um IBM 9021 com 1. onde a utilização de grandes computadores é prioritária. onde já estão instaladas 1706 estações de trabalho.IBI e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações . no caso de falta de energia . Além disso. 104 canais com taxa de transferência de até 4. principalmente os que operam com grandes massas de dados. Quatro (4) unidades de discos IBM-3380 modelo AK4 com quatro endereços por unidade. mais um servidor que executa tarefas específicas que exigem grande . qualificado para trabalhar com programas pesados.CDDI.2 Gigabytes de memória central e equipado com discos que podiam armazenar 242 Gigabytes de informação.O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE. a Diretoria de Informática . As memórias CACHE permitem otimizações nas operações com os discos magnéticos e são preservadas com auxílio de baterias.339 cilindros). por um período de até 48 horas. criado em 1989.89 GBYTES por endereço (39825 trilhas e 2. portanto.

É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade. rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações. como os disquetes e CD-ROMs e DVDs. por exemplo. através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público adolescente. em 1943 a obra de Fernando de Azevedo A Cultura Brasileira . por ocasião da Primeira Conferência Nacional de Educação (IBGE. a coleção de Tipos e Aspectos do Brasil. foram editadas obras que referenciavam o IBGE com áreas da educação e da cultura. que compilou desenhos de Percy Lau e Barboza Leite sobre os mais diferentes aspectos da vida. Além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e estudos que são distribuídas pelos seus pontos de vendas tradicionais. em 1941. Sua estrutura de atendimento . como no caso do recente lançamento do site IBGE Teen e a preparação de um novo site para o público infantil (IBGE Kids). Área de Disseminação de Informações Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de propagar as informações coletadas ou geridas pelo órgão. costumes sociais e atividades profissionais de diversas regiões brasileiras (IBGE. quanto cultural.capacidade de memória como. É também no CDDI que se encontra a área da Memória Institucional. situadas em cidades médias. os lançamentos a . através dos SDDIs localizados nas capitais estatuais e na maioria das agencias de coleta.um dos mais completos retratos da evolução da sociedade brasileira feitos após a revolução de 1930. além do uso intenso da rede Internet. criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. Por exemplo.espalha-se obrigatoriamente até aos escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs). 1975 10 ed. além do gerenciamento da rede. e seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico. Por ocasião do lançamento dos resultados do Recenseamento Geral do Brasil de 1940. onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE. por exemplo. está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e de suas relações com as demais áreas da casa. Essa pesquisa. 1941).). uma extensa obra sobre os problemas educacionais brasileiros em dois volumes. No caso da disseminação de obras culturais. utilizando tanto a linguagem técnica. Nos anos 50. durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil. e no ano 2000. os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão.além das mídias inseridas na Internet. como no caso de sua nova loja virtual que vende os produtos do órgão na grande rede .

Anna Bella Geiger. A primeira necessidade vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940. tanto em campo. Rubens Gerchman. a fim de possibilitar uma navegação mais rápida. onde os 36 volumes foram reduzidos em 18 CD ROMs. assinalar que sua incorporação ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras foi. onde 11 historiadores especializados em “nações” que povoaram o Brasil escreveram artigos sobre seus respectivos objetos de pesquisa. quanto no humano e econômico. sua sistematização e aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não havia sido tentada. como fica evidente nos trabalhos de Lia Osório Machado. que poderiam elevar os custos do processo. já possuísse um razoável lastro. a edição fac-similar da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros em CD ROM. para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. tanto no contexto físico. sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (Machado. Por fim. pois ocupará a maioria dos capítulos subseqüentes. Manabu Mabe. Tadashi Kaminagai. Embora a Geografia brasileira. foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937. Este livro. . ricamente ilustrado com imagens de pinturas e gravuras de artistas renomados como Anita Malfatti. que obrigou a todos os municípios montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940. A segunda necessidade foi sendo organizada mais lentamente. o resultado de duas necessidades com as quais o Governo Federal se ressentia nos anos 30: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro. evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais. entretanto. nos anos 30.da coletânea Brasil 500 anos de povoamento . quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior. na medida em que os novos geógrafos eram formados na Universidade e adquiriam experiência profissional. É importante. fundamentalmente. Área de Geografia A área da Geografia foi propositadamente deixada para o final. 2000). Eram necessidades que garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas. pelo uso de links com o sumário e a possibilidade de impressão seletiva das páginas pesquisadas. além de ilustrações históricas e mapas de época e de fotos do acervo da Memória institucional do IBGE que retrataram as múltiplas facetas desta saga de ocupação do território brasileiro (IBGE.1995 e 1999).

É justamente sobre a participação do IBGE na história da estruturação do tanto as fontes documentais. O último capítulo introdutório estabelecerá um pano de fundo cronológico. o . e objetiva orientar temporalmente o leitor na saga da Geografia e dos Geógrafos do IBGE. o geógrafo Orlando Valverde. foram utilizadas Os três profissionais que vivenciaram a fase inicial (1937-1938) de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). sendo que o professor Valverde. Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro (SPTB) que este trabalho versa e. transferida para formar o núcleo inicial do Conselho Brasileiro de Geografia em 13 de outubro de1938 (IBGE. quanto as orais de quem viveu partes do processo . na época. chefe da Secção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. foi posteriormente entrevistado especialmente para esta pesquisa. Os dois primeiros deram seus respectivos depoimentos ao CDDI em ocasiões diferentes. para isso. ainda lúcido e produtivo. desenhista Miguel Alves de Lima que.1952:74). assim como o professor Miguel Alves de Lima. posteriormente. por convite de Cristóvão e foi oficialmente contratado em 1 de outubro do mesmo ano e o. que se desenrolou ao longo desses 60 anos. tornou-se geógrafo. que ingressou em julho de 1938. são o engenheiro Cristóvão Leite de Castro.

quanto no Rio de Janeiro. marcadamente. Sua posição como Presidente da União Geográfica Internacional (UGI) garantiu as tratativas de organização dos cursos superiores formais de Geografia. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/ 1936 . de maneira geral. É importante ressaltar ainda a vinda ao Brasil. quanto interno à Geografia ibegeana. em 1933.. deve ser destacado o do estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. Para tal. além de iniciar o processo de criação de um futuro núcleo de pesquisadores em Geografia lotados no Governo Federal. foram levados em consideração critérios de contextura que esclarecem o realce de cada segmento. que vieram iniciar suas carreiras de pesquisadores aqui.A Fase Introdutória de Criação do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia.III . criador do Instituto Nacional de Estatística e principal emulador do processo de organização de uma agência que dará subsídios cartográficos ao aparelho estatístico brasileiro.) O contexto político é marcado pelas ações centralizadoras da primeira fase do Governo Vargas. foram definidos 13 períodos de tempo (com uma introdução que referencia aos cinco anos anteriores a 1938 e mais aos doze restantes). Em âmbito interno. Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia CNG – Christóvão Leite de Castro 07/04/1937 . onde seus respectivos títulos informam. 1933 a 1938 . principalmente no que se referiu à indicação de jovens professores franceses. embriões do IBGE ( Presidente da República – Getúlio Dorneles Vargas 1930-1937. de Emmanuel de Martonne. como a criação de novos Ministérios (Trabalho. em termos cronológicos. É. como no caso do General Juarez Távora no Ministério da Agricultura. No âmbito externo ao IBGE. . vindo do Ministério da Educação e Saúde Pública. uma fase de estruturações/restruturações da máquina governamental federal. considerado um dos mais importantes geógrafos da França. escalas de análise e áreas. além das políticas de recursos humanos. No caso de São Paulo. foram as que imprimiram a marca da Geografia Oficial. Na tentativa de demarcar os mais significativos segmentos de tempo desses 60 anos. o quadro político-institucional brasileiro e o estado da arte nos campos científico e tecnológico são os de maior peso. Pierre Mombeig e no Rio de Janeiro a figura de Pierre Deffontaines. as prioridades de atuação do órgão quanto a projetos. determinadas conjunturas tanto de cunho externo. No lado técnico do novo governo. Educação/Saúde e Indústria e Comércio). Revolucionários de primeira hora são colocados em postos-chave. tanto em São Paulo. após a Revolução de 1930.O Pano de Fundo Cronológico que Orientará a Saga Geográfica do IBGE O principal objetivo deste capítulo é fornecer um quadro de referência que oriente o leitor não familiarizado com a história da Geografia no IBGE.

professor francês que orientou e treinou dezenas de geógrafos.fosse transformado em um novo Conselho Brasileiro de Geografia. posteriormente. A determinação de Getúlio Vargas em criar novos padrões de governo. Miguel Alves de Lima entre outros .chefiado por Cristóvão Leite de Castro e já contando com as presenças de Fábio de Macedo Soares Guimarães.) Esse período se dá no contexto do Estado Novo até a primeira queda de Vargas. • 1938 a 1945 . inclusive formando seu primeiro núcleo técnico. Jorge Zarur. É a primeira contratação do novo órgão. ao preparar os cursos iniciais das primeiras turmas de Geografia da Universidade do Distrito Federal (UDF) e orientar metodologicamente os objetivos do que seria o futuro Conselho Brasileiro de Geografia. Pierre Deffontaines e de Pierre Monbeig que.Estruturação inicial do Conselho Nacional de Geografia no contexto político do Estado Novo: os primeiros trabalhos de referência e as primeiras ações de aperfeiçoamento do pessoal (Presidente da República – Estado Novo– Getúlio Dorneles Vargas 1937-1945. é o pano de fundo que referencia à criação do IBGE em 1937 e à reestruturação da nova agência. Orlando Valverde é contratado em 1938. além de auxiliar nas tratativas diplomáticas para inclusão do futuro órgão na União Geográfica Internacional (UGI) e criar a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 20/05/1936 . quanto da Universidade. .. (ver anexos documentos históricos) A figura do geógrafo francês Pierre Deffontaines torna-se a mais importante referência de formação profissional desse período e irá. com a vinda de Francis Ruellan. através do crescimento da burocracia estatal. incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e instalado solenemente em 01 de julho de 1937. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 . foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos do Brasil. através da influência de Emmanuel de Martonne. elaborada por Fábio de Macedo Soares Guimarães e colaboradores que. enfatizando a centralização administrativa e ampliando os níveis de responsabilidade federal. Este processo se consolida. com os Conselhos Nacional de Estatística e de Geografia entrando em funcionamento em 1938. O contexto epistemológico da época era referenciado pela escola francesa de geografia. 1974:96-98) e Teixeira de Freitas permitiram que o setor de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura . além de servir de base para a divulgação de dados estatísticos.As relações entre Juarez Távora (Távora. além de organizadores de cursos nas Universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. entre 1940 e 1956. influenciar fortemente o próximo. tanto do CNG. ainda. como secretário do Conselho Nacional de Geografia. Em 1941 foi adotada uma divisão regional do Brasil. para não mencionar algumas transferências feitas entre Ministérios.

Com esse grupo. onde estuda pesquisa de campo. isto é.foi também o embrião de uma idéia de planejamento espacial para o governo federal. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível que. é promulgada uma nova Constituição que recoloca o país na democracia. Em 1942 Jorge Zarur segue para os Estados Unidos para aperfeiçoamento na Universidade de Winsconsin. No campo do conhecimento geográfico. Pedro Geiger. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. Elza Keller. o que garantiu a manutenção da estrutura do IBGE durante o novo governo.3 n. . um campo novo para a absorção de conhecimentos da escola americana de Geografia. Miriam Mesquita. Secretário Geral do CNG – Christóvão Leite de Castro – 07/04/1937 – 12/07/1950) O contexto político-institucional da época era bem turbulento.de um grupo de cinco geógrafos do IBGE indicados por Francis Ruellan (Miguel Alves de Lima. articula com as autoridades americanas e o IBGE a ida de geógrafos brasileiros para cursos de aperfeiçoamento em Geografia.As demandas do pós-guerra e a introdução de um aparato epistemológico na pesquisa (Presidentes da República – José Linhares 1945-1946 e Eurico Gaspar Dutra 19461951. nunca foi interrompido. em setembro de 1946. Além disso. ao longo desses 60 anos. (RBG v. Por conta dessas articulações. em 1945 seguem para os Estados Unidos cinco geógrafos do IBGE com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e de planejamento regional: Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. Presidente do IBGE – José Carlos de Macedo Soares 29/05/1936 – 30/01/1951. Ao mesmo tempo. Abria-se. sua substituição por José Linhares e a eleição do General Eurico Gaspar Dutra em dezembro de 1945. os fatos mais importantes foram a vinda de Leo Waibel em 1946 e a ida para a França -recém saída da guerra. É importante lembrar que eram os meses finais da Segunda Guerra e que a Europa ainda não podia arcar com a estada de alunos estrangeiros.2 abr/jun 1941). onde gradua-se como Master of Arts em 1943. pois ainda repercutiam as conseqüências da deposição de Vargas em outubro. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. portanto. embora o texto mantivesse a estrutura criada por Vargas. indo posteriormente para a Universidade de Chicago. um executivo ampliado e altamente centralizado. • De 1946 a 1950 .

Nos anos seguintes. Jones (1948) e Preston James (1949) também vieram pesquisar e treinar os técnicos do IBGE. Waibel emigra para os Estados Unidos e vai lecionar em Wisconsin. elabora um plano de mudança da capital federal. o IBGE recebia também outros profissionais que se mostravam capacitados a elaborar estudos geográficos. Nesse projeto atua. O Homem e a Guanabara e O Homem e a Serra. jul/set 1950 ] por sinal. por ocasião de suas estadas no Brasil. escreveu quatro grandes obras para o CNG: O Homem e o Brejo. e o de Leo Waibel. também. estavam lá um artigo de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa – RS. em 1947.11n. Esse mesmo grupo. um número que se tornou clássico para o tema. pois além do artigo de Jones. que já era tradicional. com doutoramento em Hidelberg e tinha passado pela Universidade de Bonn. que também lecionava na Universidade do Brasil. Waibel era alemão. Um ótimo exemplo de profissional de geologia que sabia escrever sobre os processos de ocupação humana em termos espaciais. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” RBG 12 (3). O Homem e a Restinga. foi Alberto Ribeiro Lamego que. Com o crescimento do nazismo. o grupo de Francis Ruellan. O vasto conhecimento de Waibel em Geografia Agrária ampliou os horizontes de um grupo seleto de geógrafos do CNG que trabalhava com o processo de colonização sob demanda do governo federal. objetivando estabelecer a posição da cidade. O objetivo desses estudos era a escolha de um sítio físico otimizado para a futura capital. diferentemente de Francis Ruellan.Héldio Xavier César). (colocar o artigo de Cybele de Ipanema) Os americanos Clarense Jones e Preston James também trabalharam bastante no tema [ colonização.4 out/dez 1949). Leo Waibel vem trabalhar em pesquisa geográfica exclusivamente no IBGE. composto de profissionais do IBGE e alunos do curso de Geografia da Universidade do Brasil. conseguem que o CNG do IBGE convide Leo Waibel para trabalhar no Brasil. em que ele avaliava sinteticamente seus estudos no Brasil. os americanos Clarense F. Além dos geógrafos de formação. criando-se assim uma nova matriz epistemológica a somar-se com a francesa.fase de consolidação da Geografia do IBGE e o Congresso Internacional de Geografia da União Geográfica Internacional . onde tinha sido diretor do Instituto de Geografia. sob a orientação de Waibel. • De 1951 a 1956 . onde conhece Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde que. tendo como relator Fábio de Macedo Soares Guimarães (RBG v. no período compreendido entre 1940 e 1950. por intermédio de Cristóvão Leite de Castro.

Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. Em 1954 uma crise política leva Getúlio ao suicídio. José Carlos de Macedo Soares 17/11/1955-03/05/1956. Bahia . João Café Filho 1954-1955. Secretários Gerais do CNG – Virgílio Corrêa Filho – 12/07/1950–28/04/1951. No panorama dos estudos geográficos. Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce . A publicação dos nove Guias de Excursões do Congresso mostrou instituição.um Engenheiro Cartógrafo muito ligado ao Serviço Geográfico do Exército. o que resultou em inquérito administrativo e. Fábio de Macedo Soares Guimarães – 30/09/1954-22/11/1956 ). toma forma nas campanhas de criação da Petrobrás e Eletrobrás. Keller o nível de alta qualidade que haviam alcançado os profissionais do IBGE.(Presidentes da República – Getúlio Dorneles Vargas 1951-1954.Ary França ( Universidade de São Paulo ) 4. entre 1951/1952. de Lima 2. Almeida e Miguel A. O novo período Vargas. a nomeação do General Djalma Polli Coelho . como política econômica. Carlos Luz e Nereu Ramos 1955-1956 e Juscelino Kubitschek 1956Presidentes do IBGE – Djalma Poli Coelho 02/05/1951-09/09/1952. pois apenas três autores estavam fora do quadro da . Florêncio Carlos de Abreu e Silva 15/09/1952-21/09/1954. Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense . A industrialização e a conseqüente urbanização haviam alcançado escalas nunca vistas e uma classe média urbana começava a surgir. O conceito desenvolvimento nacional torna-se prioridade nas discussões da sociedade e o nacionalismo. No IBGE. Luís Eugênio Peixoto de Freitas Abreu – 03/10/1952–13/02/1953. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras . Edmundo Gastão da Cunha – 03/05/1951-29/09/1952. a matriz francesa ainda continua em evidência e o acontecimento mais importante do período é a organização do XVIII Congresso Internacional de Geografia no Rio de Janeiro.Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes 5. posteriormente. e de idéias conflitantes com as que geriam as atividades estatísticas do IBGE.Ney Strauch 3. Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo . Juscelino Kubitschek é eleito. José Veríssimo da Costa Pereira – 13/02/1953 –14/04/1953. após novas eleições. estruturado por Hilgard O’Reilly Sternberg da Universidade do Brasil. ainda referenciadas à figura de Teixeira de Freitas (aposentado em 1948) acabou por gerar uma crise de poder com o CNE. iniciando um novo governo transitório até 1956 quando. onde o CNG foi um dos principais membros da Comissão Organizadora Nacional. na sua exoneração e no seu prematuro falecimento. através de uma vitória eleitoral que quase alcançou a maioria absoluta.Lysia Bernardes 6. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro . encontra um Brasil diferente daquele do Estado Novo. Deoclécio de Paranhos Antunes – 14/04/1953-27/09/1954. 1. Vale do Paraíba. Elmano Gomes Cardim 27/09/195417/11/1955.Fernando Flávio M. iniciado em janeiro de 1951.

O Congresso Internacional de Geografia ocorrido no Rio de Janeiro em 1956 estreitou ainda mais os laços entre a Geografia francesa e os geógrafos do IBGE. A EMB foi uma obra ciclópica que envolveu um grande número de profissionais de diversas disciplinas. as coleções Grandes Regiões. Atlas do Brasil e a Carta do Brasil ao Milionésimo. com industrialização acelerada.Speridião Faissol 21/11/1963-06/04/1964. Planalto Meridional do Brasil . Waldir da Costa Godolphim 14/04/1964-06/10/1964.. João Belchior Dias Goulart 1961-1964. Como reflexo ainda dos esforços empreendidos na realização do Congresso Internacional de Geografia de 1956. Lideravam a área de Geografia os geógrafos Speridião Faissol como Secretário Geral do CNG e Antônio Teixeira Guerra na Divisão de Geografia. José Joaquim de Sá Ferreira Alvim 13/11/1961-01/10/1963. Roberto Bandeira Accioli 14/10/196331/03/1964.Orlando Valverde • De 1956 a 1961 . através dos professores Michel Rochefort e Jean Tricart. o CNG lançou um conjunto de obras.Subsídios para o planejamento territorial e a ‘descoberta’ da urbanização brasileira: o divórcio entre as geografias física e humana (Presidentes da República – Jânio da Silva Quadros 1961.A transição entre as demandas por interiorização e as questões industriais do período desenvolvimentista de JK (Presidente Juscelino Kubitschek 1956-1961. além de introduzir um componente geográfico importante: a marcha para o interior. • De 1961 a 1965 . o novo Distrito Federal.08/05/1956-31/12/1961.Belém e Cuiabá .Mário Lacerda de Melo ( Faculdade de Filosofia de Pernambuco) 8. Rochefort inicia seus contatos com os geógrafos do IBGE sobre sua pesquisa de doutorado em métodos de trabalho sobre redes urbanas e Jean Tricart amplia os métodos de pesquisa em Geomorfologia tropical. Nordeste . Secretário Geral do CNG – Virgílio Corrêa Filho 22/11/1956-08/12/1958. Brasília em um quadrilátero situado no estado de Goiás. além das estradas Brasília . René de Mattos 06/04/1964. Amazônia . que talvez tenha sido o maior e mais completo conjunto de trabalhos geográficos sobre o Brasil em um curto espaço de tempo: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. com a decisão de construir a nova capital.Waldir da Costa Godolphim 21/11/1961-21/10/1963 .Lúcio de Castro Soares 9. agora. Aguinaldo José de Senna Campos 10/04/1964Secretários Gerais do CNG . Presidentes do IBGE – Rafael da Silva Xavier 10/02/1961-09/11/1961. sendo eles os responsáveis pelo gerenciamento dessas obras organizadas no final dos anos 50.Porto Velho.) . Speridião Faissol 09/12/1958-10/02/1961) A era Kubitschek inaugura uma linguagem nacionalista sem xenofobismo.7. ampliação da capacidade de geração de energia e das redes de transporte. Ranieri Mazilli 1964 e Humberto de Alencar Castelo Branco 1964. Presidente do IBGE Jurandir Pires Ferreira .

transita nas indefinições de João Goulart e cai nas malhas dos Governos Militares. Como resultado natural dos ensinamentos de Michel Rochefort. Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967. capital estrangeiro. forças populares. É o período em que se inicia o divórcio entre a Geografia Humana e a Geografia Física. de franca recuperação.. Arthur da Costa e Silva 1967-1969. uma das mais importantes pesquisas feitas nesse período. carregada de ideologias e extremismos. pelo Ministério do Planejamento. ao se valer dos ensinamentos de Michel Rochefort no trato de problemas sobre sistemas de cidades. fora do IBGE. criou dois tipos de clima: um econômico.Agnaldo Senna de Campos – 10/04/1964-03/04/1967. República Sindicalista. porém traumático "intermezzo" sob a Junta Militar. e outro. poucos.Castelo Branco e Costa e Silva . uma análise do arcabouço urbano do Brasil objetivando a determinação de pólos de desenvolvimento. Em conseqüência deste fato. O trabalho de Lysia Bernardes sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (1964) é. eram constantes na imprensa e nas conversas. Miguel Alves de Lima 24/04/1967-05/09/1967. Expressões como Reformas de Base. sem dúvida.Após o período desenvolvimentista de Kubitschek. os profissionais de Geografia Urbana e Regional do CNG estabeleceram um padrão de conhecimento sobre a estrutura urbana brasileira que. poderiam ter. • De 1965 a 1969 . a seqüência de dois governos militares . o Brasil entra na efêmera era de Jânio Quadros.) No plano político-institucional. político de desagregação. imperialismo. foi solicitada ao IBGE. subversão. com o crescimento da importância dos estudos urbanos e industriais nos programas de planejamento de governo. A sucessão de Atos Institucionais. o surgimento da guerrilha e sua conseqüente repressão por parte do governo. Os trabalhos de Jean Hautreux e Michel Rochefort sobre a rede urbana da França são absorvidos pelos geógrafos urbanos e regionais do IBGE que adotam esse método de estudo: a determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional através da análise do setor terciário das cidades envolvidas.Secretários Gerais do CNG.além de um rápido.. comunismo. Junta Militar 1969 e Emilio Garrastazu Médici 1969Presidentes do IBGE. É uma fase altamente conturbada. emolduram o período como um dos mais conturbados da República.Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão – 1968 . O processo de planejamento voltouse para si iniciando um período de reciclagem.A integração do IBGE ao modelo de desenvolvimento urbanoindustrial e sua primeira grande mudança administrativa (Presidentes da República – Humberto de Alencar Castelo Branco – 1967. . Lúcio de Castro Soares 05/09/1967-06/09/1967 – Diretor Superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia Miguel Alves de Lima – 06/09/1967.René de Mattos 06/04/1964-24/04/1967.

no governo do Estado do Rio de Janeiro. então.IBG e Escola Nacional de Ciências Estatísticas . o declínio das liberdades individuais e de opinião afetou uma parte da população. No contexto político-administrativo. acrescido do fato de o aparelho repressivo de governo tornar-se um poder paralelo.IPEA) instituído em 1966. • De 1970 a 1974 . acentua-se a dicotomia entre a pujança econômica.Esse convênio CNG-EPEA (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada. . Além de influir nas pesquisas que modificaram a divisão macrorregional em 1970 e nos primeiros trabalhos de determinação das áreas metropolitanas brasileiras. a gozar de autonomia administrativa e financeira e reporta-se ao Ministério do Planejamento e Coordenação Econômica (Ministros Roberto Campos e Hélio Beltrão). posteriormente. Brian Berry e John Friedmann que visitam o IBGE (1969) e estruturam uma ligação forte com o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) do Departamento de Geografia. inicia-se o envolvimento com a Geografia Quantitativa e com a teoria centro-periferia. Instituto Brasileiro de Geografia . Chefe do Departamento de Geografia Marília Veloso Galvão . gerou dois estudos sobre o processo de regionalização: Subsídios à Regionalização (1968) e Regiões Funcionais Urbanas (1970). através de John P. A nova Fundação passa. liderado agora por Speridião Faissol.. Sua influência é percebida até o final dos anos 60. Diretores Superintendentes do IBG – Miguel Alves de Lima 06/09/1967. que assume o Departamento de Geografia em 1968 e faz grandes modificações administrativas nas chefias. os governos militares iniciam um projeto de reforma do Estado. que culminou em 1967 com a mudança do IBGE de autarquia para Fundação. Presidentes do IBGE. orientada pelo governo militar e executada pelo binômio Empresas Estatais/Empresas Privadas.1968. posteriormente transformado em Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . Inicialmente composta por órgãos autônomos . Cole.) No que concerne ao quadro político-institucional.11/10 /1971. essencial à produção cientifica. No final desse período.IBE.ENCE. Além disso.. comprometendo seriamente o clima necessário às discussões.Sebastião Aguiar Aires 04/04/1967-24/03/1970 e Isaac Kerstenetzky 24/03/1970. Neste período. Na área de Geografia sua sucessora é Marília Galvão. quando transfere-se para o IPEA e inicia sua carreira de planejadora do governo federal e.Turbulência epistemológica: a matriz francesa vs matriz anglosaxônica (Presidentes da República – Emílio Garrastazu Médici 1969-1974 e Ernesto Geisel 1974. a liderança de Lisia Bernardes na Geografia do IBGE é a principal referência.Instituto Brasileiro de Estatística .

Houve por parte dos geógrafos estrangeiros vinculados a essa abordagem metodológica. contribuindo para o gradual obscurecimento da escola francesa “Rochefortiana” no IBGE dos anos 70. IBGE e UFRJ. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. com a sistematização dos censos econômicos e da ampliação das pesquisas anuais e mensais. era de grande interesse para esses geógrafos testar seus estudos aqui. são editados a maioria dos trabalhos de Speridião Faissol sobre as diversas dimensões do sistema urbano brasileiro. são alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou a Geografia brasileira. é criado o Instituto Brasileiro de Informática (IBI) como a terceira grande área técnica do IBGE em 05/04/1971. principalmente no que se referia aos algoritmos e softwares que deveriam ser implantados nos computadores de grande porte da PUC-Rio. inicia-se o período de expansão de seus quadros técnicos. finanças públicas e preços ao consumidor. se concretiza em termos financeiros e. principiado em 67. versus o tremendo esforço de aquisição das précondições. A Geografia física no IBGE praticamente se retrai. transferida para outra agência do Ministério do Planejamento (IPEA). a fim de superar alguns problemas de ordem técnica. Estabelece-se sob a gestão Kerstenetzky grandes modificações no campo das Estatísticas econômicas e sociais. com isso. em 1971 (na ENCE . Realiza-se no Rio de Janeiro. condicionadas por conjunturas diversas. utilizando técnicas quantitativas variadas. um Encontro da Comissão de Métodos Quantitativos da União Geográfica Internacional. sendo o Brasil um país de grande extensão e com diferenciações espaciais significativas. Nessa época.Na arena de debates metodológicos da Geografia. Em 1972 o processo de transformação do IBGE em Fundação. São adquiridos novos sistemas computacionais e se amplia o banco de dados do IBGE. em geral. nutrição. a serem analisados no decorrer deste trabalho. mas continua forte nas universidades. versus o risco da troca entre o certo e o duvidoso. o novo patamar que poderia ser alcançado pela geografia perante as outras disciplinas. indústria. principalmente nas áreas de emprego e renda. A segunda coleção Geografia do Brasil sobre as Grandes Regiões é editada em 1977 e os capítulos sobre Agrária e Urbana são baseados obrigatoriamente em análise fatorial e de grupamento. a liderança de Speridião Faissol como responsável pelo Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) tomou o lugar de Lysia Maria Cavalcanti Bernardes. Ademais. e a do IBGE. No ambiente interno do IBGE. Devesse ressaltar que. O sabor do novo. uma substancial ajuda inicial. esse é um período interessante. onde misturamse dúvidas e certezas sobre qual opção seguir. em particular.Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE). .

Speridião Faissol 1979-1980. o Governo Geisel também apresentou-se dicotômico. O “pacote de abril” e o episódio da exoneração do Ministro de Exército General Sylvio Frota foram os exemplos mais marcantes do período. status e conhecimento. esforços de aprendizado e carreirismo. porém. Chefes do DEGEO . Roberto Lobato Corrêa 1980. questões ideológicas e pragmáticas. dá uma medida do seu estilo autocrático de governar. em virtude da escassa massa crítica de pesquisadores com conhecimentos de Estatística.Marília Galvão 19681977. o período. pois se misturavam às discussões. marcaram um tempo de trocas interessantes entre as duas disciplinas.No início do período (1971) é assinado um grande convênio com o Ministério da Educação para avaliação do sistema de ensino superior brasileiro. necessários ao desenvolvimento da metodologia. No IBGE. o que garantiu. O Terceiro Encontro Nacional de Geógrafos realizado em Fortaleza em 1978 dá início a um movimento de conflito com a Geografia Quantitativa que. é interessante assinalar.) Do ponto de vista político-institucional. Porém. de . no campo da Geografia física. a essa altura. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. sofria de um problema de identidade. repentinamente abortado com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE em 1979. com uma boa estrutura de planejamento. a introdução dos métodos quantitativos foi muito mais tranqüila e praticamente sem grandes conflitos metodológicos. a vinda de economistas estrangeiros como Werner Baer e Samuel Bergsmann para trabalharem no Departamento de Geografia com Pedro Geiger sobre o processo de industrialização/urbanização e a questão das desigualdades regionais brasileiras. o que retardou ainda mais a possibilidade de se avaliar com isenção. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova extravasou para outras questões políticas.A economicização da Geografia e a politização da economia: Quantitativa vs Marxismo (Presidentes da República – Ernesto Geisel 1974-1979 e João Batista de Oliveira Figueredo 1979. Jesse de Souza Montello 29/08/1979. a aceitação dos programas gerenciadores de Sistemas Informação Geográficos (SIGs). • De 1975 a 1980 . Pedro Geiger 1977-1979.. que. e mesmo pessoais. posteriormente. Presidentes do IBGE – Isaac Kerstnetzky 24/03/1970-29/08/1979. Matemática e Computação.. Inicia-se o último grande estádio de contratações que se estenderá por toda a década de 70. o que obrigou o general a intercalar medidas duras à esquerda e à direita. embora com sérios problemas na área política e militar. A solicitação do Presidente Geisel ao IBGE para a determinação do limite que dividiu em dois o Estado do Mato Grosso em tempo recorde e sob o mais absoluto sigilo.

mesmo que tais leituras não fizessem o menor sentido com o que se estivesse trabalhando na escala do “real-real” (expressão muito utilizada por Aluízio Capdeville Duarte). Solange Tietzmann Silva 1985. Em resumo:como farsa ou não.• De 1981 a 1986 . gerando um ambiente estranho. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por Willian Bunge em 1973 na The Professional Geographer v. mostrou sinais de melhoria. pois agora era uma questão tranqüila deixar para os teóricos o trabalho de encontrar um conjunto metodológico que desse conta do espaço em Marx.73 . aceitou rapidamente a nova onda e iniciou um processo de “aprendizado”. Saíam de cena expressões como “a negentropia macroscópica” e a “spatial field theory” e assumiam o comando frases como “a formação social historicamente determinada” e a “teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. João Batista de Oliveira Figueiredo. mas bate-bocas e ofensas pessoais. encontra o país mergulhado em profunda recessão. No campo científico o ambiente torna-se pesado. O quadro político. . do adulto e do velho Marx”.4 nov. assim como de outros pensadores do Materialismo Histórico. algo caótico através da leitura e sabatina dos principais textos do “jovem. com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 (diretas ou não). Nos congressos não há mais discussões.) O governo do último general do ciclo militar. iniciado em 1979. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de aprender matemática e estatística. a História se repetia. para garantir uma indústria substituidora de importações. Edmar Lisboa Bacha 10/05/1985-17/11/1986. Talvez sem a mesma ingenuidade e curiosidade que envolveu o primeiro namoro com a Geografia Quantitativa nos anos 70. Como resultado da crise econômica. José Sarney 1985Presidentes do IBGE – Jesse de Souza Montello 29/08/197914/03/1985.A marginalização do planejamento e suas conseqüências na Geografia do IBGE (Presidentes da República – João Batista de Oliveira Figueredo 1979-1985. Chefes do DEGEO Roberto Lobato Corrêa 1980-1985. quanto pela crise financeira mundial causada pelo choque resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. resultante tanto do endividamento efetuado por Geisel. apesar de turbulento. as áreas de planejamento do governo federal entraram em regime de emagrecimento forçado e o IBGE foi uma delas.XXV n.

que tentou controlar a espiral inflacionária entre os meses de fevereiro e novembro de 1986. tendo como ponto de referência a Associação dos Geógrafos Brasileiros. é a melhor referência do período. após vinte e um anos de governos militares. Lideranças da Geografia Crítica como Rui Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves empreendem uma dura campanha a fim de conseguirem a regulamentação da profissão. Em 1985 inicia-se a transferência dos profissionais do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) para o IBGE. é inicialmente composto pelo ministério definido pelo falecido presidente. 1987). Á medida que os famosos cinco anos de mandato vão se desenrolando.Solange Tietzmann Sila 1985 . Chefes do DEGEO . ampliando fortemente a área de Geografia Física e de Meio Ambiente. • De 1986 a 1990 . foi crucial. com a absorção da Geografia no sistema CONFEA / CREA. o tremendo esforço da sociedade na campanha das “diretas já” culminou com as frustrações de uma eleição indireta. o senador maranhense José Sarney. Ficou garantido o êxito deste trabalho. O quadro econômico assustador. O governo do vice de Tancredo Neves. Charles Curt Müeller 03/05/198818/04/1990. membro da equipe criadora do Plano Cruzado causou muita polêmica (Sardenberg. desencadeando pressões fortíssimas por parte do governo e de outras instituições que produziam também índices de preços. e o desespero em ver morrer o Presidente eleito antes da posse. nesta fase.Em 1982. Sul (Santa Catarina) e Centro Oeste (Goiânia). aposentaram-se os dois mais antigos profissionais da Geografia. germes de inovação e o início da reconciliação com os estudos do meio ambiente ( Presidente da República – José Sarney 21/041985-15/03/1990. Presidentes do IBGE – Edson de Oliveira Nunes 06/01/1987-13/04/1988. Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990. . A atuação de Edmar Bacha como presidente do IBGE na época e. acrescida da agregação de núcleos situados regionalmente na Amazônia (Pará). . O papel do IBGE. Nordeste (Bahia e Ceará). em meio a sérias crises de desabastecimento e aumentos de preços. com uma inflação de mais de 350 % ao ano obriga o governo a criar um mecanismo de choque contra a inflação: o Plano Cruzado. iniciando um processo de perda gradativa de quadros de alto nível que não mais seriam repostos na mesma proporção. apesar dos percalços. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. ao mesmo tempo.) O ambiente político de um presidente civil.Turbulências político-economicas. já que. o ministério toma a forma do Presidente que assumiu. sistema regulador do conjunto profissional de engenheiros e arquitetos. Paralelo a estes acontecimentos. em 1981 estabelece-se a luta pela regulamentação da profissão e a anexação dos geógrafos ao sistema CONFEA-CREA..

vice da chapa de Collor.. a Geografia amplia a perda da maioria de seus antigos profissionais da “Velha Guarda” . um presidente eleito com 35 milhões de votos é deposto em processo de impeachment por crime de responsabilidade. PMACI ( 1988 ) e Nossa • De 1990 a 1995 . Alfredo Porto Domingues entre outros. espectro das ( 1987 ). que pressuporiam saberes que se distanciavam do que é ensinado nas faculdades orientadas para a formação de professores . a moda marxista também perde fôlego. Marília Veloso Galvão.Solange Tietzmann Silva 1985-1991.) A segunda experiência de um governo civil. Eurico de Andrade Neves Borba 26/06/199215/06/1993. Elza Keller. garantindo um aumento de renda real para as camadas .Na área do conhecimento geográfico. como Speridão Faissol. Estruturam-se as primeiras experiências de trabalhos multidisciplinares. O governo de Itamar Franco. envolvendo um grande número de especialistas de disciplinas diferentes que cobrem todo o Geociências. Projetos : Diagnóstico Brasil ( 1987 ) Carajás Natureza (iniciado em1990). pois. Chefes do DEGEO . que estabeleceu uma nova moeda. e em qualificação profissional. Nilo Bernardes. No contexto do IBGE. pela primeira vez na História recente. confrontados pela evasão maciça dos antigos profissionais para a aposentadoria. A falta de conhecimento de grande parte dos profissionais que possuíam uma formação generalista. pelo mesmo motivo por que a corrente quantitativa também morreu. e conseguiu dominar a espiral inflacionária. foi uma sucessão de lições de cidadania. em termos salariais. voltada para o magistério tornava-os alheios ao fato de que a Geografia passara por duas fases de orientação metodológica distintas. a Geografia Humana começa a se reconciliar com a Geografia Física. através da consolidação da incorporação dos quadros técnicos do projeto Radanbrasil iniciada em 1985.Novos projetos de governo e a demanda por grandes diagnósticos: a chegada do Sistema Geográfico de Informações e do mapeamento automatizado por computador. Presidentes do IBGE – Eduardo Augusto Guimarães 18/04/1990-26/03/1992. e a primeira através do voto direto. Ainda neste período. representou uma transição tranqüila para o novo governo de Fernando Henrique Cardoso. Silvio Augusto Minciotti 15/06/1993-30/03/1994 e Simon Scwartzman 05/05/1994. foi o principal legado do governo de Fernando Collor de Melo. Cesar Ajara 1991. (Presidentes da República – Fernando Collor de Mello 15/03/1990-29/12/1992 e Itamar Franco 29/12/1992-01/01/1995. A total desarticulação da máquina pública federal e o aviltamento do funcionalismo. o Real. Pedro Geiger.

foi também um período de ampliação dos estudos iniciados na fase anterior. Aposentaram-se quase 60% de seu efetivo profissional. como a difusão do uso da computação gráfica que opera com imagens e faz mapeamento automatizado a partir de bancos de dados georeferenciados. da Região Nordeste. iniciaram algumas mudanças tecnológicas. neste período saíram profissionais antigos como Catarina Vergolino Dias. sendo que boa parte eram técnicos de alto nível. Isso envolve também o produtor de texto especializado. o CNRS (CREDAL) e o ORSTOM que criou o banco de dados SAMBA 2000 com a colaboração de Maria Mônica O'Neill. 1994-1995 . Os principais trabalhos são: Diagnóstico Ecológico Econômico da Amazônia Legal ( 1993 ). 1993-1995 . considerados os mais produtivos.RECLUS de Montpellier e o início dos trabalhos com mapeamento automatizado e com Sistemas Geográficos de Informação ( vinda de Philipe Waniez e Violette Brustlein para o IBGE para a implementação de um convênio entre o IBGE. além de geógrafos que ingressaram no órgão na década de 60 e 70. ainda que isto atingisse os funcionários públicos com um congelamento de salários. A seqüência de quatro presidentes nesse cinco anos dá uma boa referência dos graves problemas politico-administrativos por que passou o gerenciamento do IBGE no período.Nova versão do projeto Rede de Influência de Cidades. Além disso. . 1994 . sendo que muitos aposentaram-se por tempo proporcional. A questão da assimilação de conhecimentos muito diversificados num texto único. é hoje o maior desafio dos profissionais que produzem diagnósticos integrados. que agora é obrigado a pensar além de suas fronteiras de conhecimento e auxiliar o coordenador na costura de ligações entre os diferentes processos físicos e humanos que moldam um determinado território. Para citar alguns exemplos.Início da gestão do cientista político Simon Schwartzmann na presidência do IBGE. da Região Sul e Gerenciamento Costeiro ( 1994 ).Convênio com o GIP. interrompendo suas carreiras. 1992-1994. com uma maior integração entre os profissionais de diferentes especialidades. base para se trabalhar com o programa CABRAL 1500 de mapeamento automático de autoria de Waniez) . Apesar do triste fato. 1991 foi o annus terribilis para a Geografia do IBGE.mais pobres da população.Delimitação de Áreas Industriais ( utilizando a base de dados do censo industrial de 1991).

através da digitalização de todas as malhas que delimitam espaços. Durante todo o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. parque natural e outras unidades espaciais ). bacia hidrográfica. Maria Luísa Castelo Branco 1999. passíveis de gerarem informações de diferentes níveis ( setor censitário.• 1995 .Presidentes do IBGE – Simon Scwartzmann 05/05/1994-31/12/1998 e Sérgio Besserman Vianna 25/01/1999. com os principais usuários das pesquisas e informações disseminadas pelo órgão . República do Chile e a expansão dos equipamentos de informática para todo o corpo técnico. foi organizada em 1997 uma nova versão da CONFEGE (reunião técnica entre profissionais do IBGE na área de Geodésia. município. o IBGE. Chefes do DEGEO . Além disso. O estabelecimento de bancos de dados alfanuméricos e de imagens em meio digital e o refinamento das bases de dados de Geografia física também estão sendo preparados para diferentes usos.) Apesar das dificuldades criadas pela ampliação da crise do setor público federal. principalmente no que se refere à ampliação dos Sistemas Geográficos de Informação e ao mapeamento automatizado. agora ligados via uma grande rede intranet. um próximo Atlas em meio digital nos anos posteriores. passou por transformações importantes nas condições de trabalho. (Presidente de República – Fernando Henrique Cardoso 01/01/1995. No contexto da Geografia. Nessa ocasião foram discutidas as novas demandas de informações geográficas que o IBGE implementará nos primeiros anos do século XXI. No âmbito do planejamento do censo 2000. estado. o órgão prosseguiu em sua missão técnica. Estando em pauta também. . lançado no início de 2001. em termos de redução de quadros profissionais.Cesar Ajara 1991-1999. que continuou a ser conduzido por Simon Schwartzmann. Geografia e áreas afins.principalmente universidades e agencias de planejamento estaduais ) que contou com a participação de vários pesquisadores. a área de Geografia também está contribuindo com a estruturação das chamadas áreas geográficas (agregação de setores censitários) que poderão servir de base para mapeamentos temáticos de maior precisão. distrito. com a mudança do prédio do bairro de Mangueira para as modernas instalações na Av. Cartografia. como no caso do Projeto SIVAM na Amazônia brasileira.1998 . em maio de 1999 iniciou-se a organização do Atlas Nacional do Brasil em sua terceira edição impressa de grande tamanho.As contradições entre o recrudescimento da crise do setor público e a possibilidade de futuro da Geografia do IBGE numa agência executiva de governo com contrato de gestão..

e o início da gestão do economista Sérgio Besserman Vianna . em janeiro de 1999. é o maior desafio que os poucos geógrafos que restaram na Diretoria de Geociências enfrentarão nos primeiros anos do próximo século.O término do mandato de Simon Schwartzmann. . mas sujeita a um contrato de gestão. de um órgão vinculado diretamente ao setor público federal para uma agência executiva com autonomia financeira. incumbido de gerenciar a transição do IBGE.

neoliberalismo. até hoje. e que se consubstancia na criação do Conselho Nacional de Pesquisas em 1951. motivo de estudos e interpretações acadêmicas as mais diversas. contrapondo-se ao velho Brasil agrário. O relatório de pesquisa de autoria de Malan. desenvolvimentismo e socialismo.O Papel do Estado Brasileiro nos anos 30 e sua Burocracia É perfeitamente reconhecida entre os especialistas a importância de Getúlio Vargas no processo de gestação de um Brasil industrial e urbano. As avaliações de Skidmore (1975). ganhador do Prêmio Haralambos Simeonides da Associação Nacional de Pós-Graduação em Economia (Anpec). Nos anos 80. considerado um clássico pelos pesquisadores de História Econômica Brasileira. organizando um quadro institucional e jurídico. trabalho clássico em história econômica. A concepção de um governo central forte.A Estruturação da Tecnoburocracia do Planejamento Espacial no Brasil Introdução . Bonelli. de Baer (1975) sobre as relações entre a industrialização e o processo de desenvolvimento econômico do Brasil. para garantir às populações urbanas acesso a esse mundo novo é. o importantíssimo ensaio de Bielschowsky (1995). É também de grande importância a avaliação de Motoyama et alli (1994 : 320-334) sobre os processos de maturação da Ciência e Tecnologia no Brasil. Abreu e Pereira (1977) mostrando as conexões entre as políticas econômicas brasileiras no plano externo e o processo de .Parte I . enfatizando o período Vargas. iniciado no período Vargas. o livro de Baer conta também com mais dois artigos: o primeiro de Baer. por iniciativa do Contra-Almirante Álvaro Alberto de Motta e Silva. impondo uma nova diretriz de crescimento econômico e. e o segundo de Baer e Villela (1975) sobre os estágios do crescimento industrial brasileiro. dando a visão de um historiador contemporâneo. ambos detalhando o período em questão. quebrando as espinhas das lideranças estaduais . Villela e Kerstenetsky (1975). de Villela e Suzigan (1975). através das lutas interna e externa para a estruturação de um projeto autônomo de desenvolvimento nuclear. econômica e demograficamente falando. ao mesmo tempo. que costura inteligentemente as tramas políticas e econômicas. analisa o ciclo ideológico do desenvolvimentismo rastreando as correntes do pensamento econômico que vigoraram no Brasil entre 1930 e 1964 . sobre as políticas de governo ocorridas entre 1889 a 1945. Tais exemplos de estudo são obras de referência indispensáveis. A partir da segunda edição. que trata do papel do Estado na economia (principalmente no que se refere à indústria estatal).

pesca e petróleo). dos padrões espaciais da ocupação humana e econômica.Dutra . sal. tais como: conhecimento dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. que garantiriam. É com este pano de fundo. que cuidaria das relações comerciais externas do produto em nível de governo a governo. da Petrobrás. em termos conceituais. nas décadas seguintes. ou de produtos considerados estratégicos economicamente (café. laissez passer" das quais Gournay era um .Vargas) usa o conceito de segurança nacional para criar uma série de empresas estatais-chave. inicia a política de criação de autarquias e conselhos nacionais que cuidariam de setores específicos (como nos casos dos Conselhos Nacionais de Estatística e de Geografia). e da qual o IBGE fez parte. a ampliação do processo de industrialização/urbanização. Companhia Nacional de Álcalis (1943). a partir dos anos 30. que instituiu o monopólio da extração e refino do petróleo e seus derivados. produção. tais como: controle da geração e distribuição de energia elétrica.industrialização ocorrido entre 1939 e 1952. além de definir o controle estatal da marinha mercante com a estatização do Lloyd Brasileiro e das empresas de navegação da Amazônia e da Bacia do Prata. Fábrica Nacional de Motores (1943). cria também o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952). nos escritos de Jean-Claude Marie Vincent de Gournay (1712-1759). O termo burocracia aparece na França em meados do século XVIII. funda também o Instituto Brasileiro do Café (1952). devemos compreender o que é e como evoluiu a burocracia. Paralelamente. Primeiramente entretanto. No contexto que interessa a este trabalho Vargas. controlando a produção e estabelecendo preços mínimos. de liberalismo econômico "Laissez faire. pela magnitude dessas ações tomadas. Finalizaria com a criação. açúcar. Companhia Siderúrgica Nacional (1946). É possível perceber. em 1953. além disso. preços e distribuição atacadista de gêneros alimentícios básicos. estoques reguladores. finaliza essa pequena amostra de avaliações de diversas facetas do papel do Estado na Era Vargas. para financiar projetos industriais de longa maturação. que se deve avaliar. mate. nos primeiros anos da década de 30. Dá início também a alguns processos administrativos. num contexto de debates entre o absolutismo monárquico e as idéias. principalmente na Região Sudeste: Companhia Vale do Rio Doce (1942). Estabelece ainda um sistema de créditos de longo prazo para o segmento industrial. além da cartografação do seu espaço. Entre os anos da II Guerra Mundial e 1954 o governo federal (Vargas . o papel da burocracia técnica que se estruturou no Governo Federal brasileiro. e de um ordenamento regional condizente com escala territorial do Brasil. a necessidade vital de mecanismos de controle do território.

tudo era fiscalizado por esse corpo de funcionários reais que. Nesse âmbito. quer democrático. e não a um pequeno cantão com administração rotativa. passando pela distribuição de livros. política de criar dificuldades para vender facilidades . Tal como o assim chamado progresso em relação ao capitalismo tem sido o inequívoco critério para a modernização da economia. Dos direitos musicais e de apresentação teatral ao controle da distribuição de lenha. Foi. o conceito surge como uma crítica aos funcionários do governo monárquico que controlavam a maior parte das atividades econômicas do reino e que tornaram-se uma categoria entre o povo e a nobreza. obviamente. porém. promoção. ao vincular-se ao estado moderno sob a forma de atividades administrativas especializadas e controladas por um sistema racional e legitimado juridicamente. no contexto do início do século XX . desde épocas medievais.e super-ordenação hierárquicas tem sido o igualmente inconfundível padrão para a modernização do Estado. que incorpora o principio da autoridade. Essas atividades eram geralmente transferidas por herança. pensão. com o poder de dar ordens e de fiscalizar as relações entre o Estado e a Sociedade. pois o poder não é exercido por discursos parlamentares nem por proclamações monárquicas. ainda atual. ao intermediarem as demandas entre essas classes e o rei. Isto é exato tanto com referência ao funcionalismo militar quanto ao civil. processos documentários." Como estudioso profundo da burocracia. Weber conhecia os problemas que poderiam advir de uma estrutura que cresce irresistivelmente e que se apresenta com características de permanência nas grandes organizações. caracterizando um nepotismo brutal. áreas bem definidas de jurisdição. salário. assim também o progresso em relação ao funcionalismo burocrático caracterizado pelo formalismo de emprego. ou dos transportes de cabotagem fluvial. já praticavam a. não era a ditadura do . No capítulo Burocracia e Liderança Política do seu Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída (1974:16). mas através da rotina da administração. com o alemão Max Weber (1864-1920) que o termo assume importância no vocabulário da Sociologia. Weber inicia com estas palavras: "Num Estado moderno necessária e inevitavelmente a burocracia realmente governa. treinamento especializado e divisão funcional do trabalho.ferrenho partidário. Para ele. quer monárquico. Mesmo o moderno oficial de patente superior trava batalhas de seu "gabinete". pelo menos no que se refere a um Estado composto por grandes massas de povo. sub.

Nesta linha. além do monopólio da informação. enfatizando a questão da formação intelectual entrelaçada com as raízes familiares. Gilda Portugal Gouveia (1994) e Edson Nunes (1985 e 1997). . Outra abordagem. mesmo quando essas práticas eram confundidas com as do tipo populista.proletariado que iria se instaurar. além de analisarem os processos de incorporação de novos segmentos sociais a essas elites. Outros autores enfocaram especificamente a questão da tecnoburocracia estatal. foi também adotada por alguns sociólogos e historiadores brasileiros que trabalharam sob o pressuposto de uma vinculação implícita entre as elites e a burocracia. Sonia Draibe (1985). onde são formados quadros especializados que detêm o controle das atividades produtivas e de planejamento estratégico do Estado. que sempre possuiu um claro traço autoritário. Schwartzmann apresenta uma inequívoca preocupação espacial ao explicar as diferenças regionais desses conflitos entre o governo central e os estados mais estruturados politicamente. mas a do burocrata. suas análises ainda continuam válidas. Wanderley Guilherme dos Santos (1982). Bresser Perreira (1980). Fernando Henrique Cardoso (1975). termos que de uma forma ou de outra tentam explicar a formação e fortalecimento de um corpo técnico que controla alguns núcleos de atividades estatais consideradas (em termos) como áreas de exclusão das pressões político-partidárias. o de Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva (1989) sobre relações de raça e mobilidade social. via saber técnico. estão autores como Carlos Estevan Martins (1974). universalismo de procedimentos e corporativismo. Em outro contexto. Raimundo Faoro em Os Donos do Poder (1958) analisou em profundidade a estrutura burocrática brasileira. anéis burocráticos. enfatizando a questão das relações de poder num Estado patrimonialista onde o que é público e o que é privado nunca apresentaram limites muito claros. sobretudo quando referida aos altos postos de decisão e arbitragem. Simon Schwartzmann em seu Bases do Autoritarismo Brasileiro (1982) enfocou as contradições que emergiram entre o que se convencionou chamar de democracia brasileira em termos dos discursos e das práticas politicoadministrativas gerenciadas pela burocracia estatal. alguns autores trataram do tema burocracia para explicar a estruturação do poder político-administrativo no Estado brasileiro. José Murilo de Carvalho em A Construção da Ordem e Teatro de Sombras (reedição de 1997) estudou com detalhes a formação da elite burocrática brasileira como representante do poder. Além disso. Setenta anos depois. que discutem a formação da tecnoburocracia utilizando conceitos como insulamento burocrático. a tese de Zairo Borges Cheibub (1984) sobre os diplomatas do Itamarati e o livro de Luiz Werneck Vianna e colaboradores (1997) sobre a magistratura. dentro de uma visão weberiana clássica. ilhas de racionalidade técnica. Nesta linha de raciocínio estão alguns importantes trabalhos como os de Sérgio Miceli (1979 e 1988) sobre os intelectuais e classe dirigente e a elite eclesiástica.

Figuras-chave na criação do Conselho de Geografia e grandes produtores de artigos para a Revista Brasileira de Geografia como. (Bielschowsky . utilizavam alguns expedientes de acertos partidários ou mesmo de geração de conflitos entre as diferentes facções políticas. No contexto brasileiro. Suas ações objetivas passam a contrastar com a lentidão das decisões políticas que.1995). Cristóvão Leite de Castro. posteriormente. a composição majoritária das Assembléias e Conselhos Diretores era de profissionais oriundos dos cursos de Engenharia Civil e Militar. as ações de Mário Augusto Teixeira de Freitas objetivando uma revisão da divisão territorial do país. Com isso. o técnico. O artigo de Angela de Castro Gomes (1994) historia muito bem o tema e o de José Luciano de Mattos Dias (1994) esclarece sobre o processo de ampliação do prestígio dos engenheiros no governo brasileiro. escudados na ampliação das áreas de especialização das Escolas Politécnicas. 1994). o processo dicotomizador entre os âmbitos político e o técnico nas áreas de governo inicia sua trajetória na década de 20. enfocando. quanto na França (Fourquet. 1997). estabelecendo comparações com o Japão e com os Estados Unidos. sendo que boa parte deles em ambos. O profissional que melhor encarna este processo são os engenheiros encarregados das obras públicas. 1980). tanto no Brasil (Motta. É interessante assinalar que. com características positivas. Cozac & Rego (1996) e ( Loureiro. Biderman. o político. Silva. ao findar a Primeira Guerra Mundial. . iniciou a vida profissional na Engenharia e migrou. É a partir dos anos 60 que os economistas irão se constituir na segunda grande força da elite tecnoburocrata. sobretudo quando se percebe a magnitude do processo de formação de quadros técnicos que o IBGE gerenciou em boa parte desses 60 anos de sua existência. para a Economia. assim como em outros países. outro. principalmente. por ocasião da fundação dos Conselhos de Estatística e Geografia nos anos 30. necessariamente. É sobre uma parcela dessa tecnoburocracia que o capítulo I trata. O assunto é interessante. com características negativas.No campo antropológico. o trabalho de Livia Barbosa (1999) discute a noção de meritocracia no Brasil. ao explanar a estruturação inicial do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. eram engenheiros. incorpora-se na sociedade um pensamento que divide a elite de governo em dois grupos: um. Silvio Fróes de Abreu e Moacir F.

O exemplo de São Paulo em 1932. 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História ( Fausto. mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos. Como São Paulo e Rio Grande do Sul . . são um bom exemplo de uma dessas múltiplas formas de abordagem do tema (Morais. contra a tendência fortemente ditatorial que já se cristalizava no primeiro ano de governo “provisório” de Vargas. os criaram no início dos anos 30. recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras Rumos e Metamorfoses (Draibe. que nos foram legadas. tanto no campo político. 1983. é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo de Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente. sob o ponto de vista das relações entre o esquema jurídico colonial português em relação à apropriação do território. que a Revolução de 1930∗ estabeleceu um novo marco políticoadministrativo. poderiam criar movimentos emancipatórios que colocariam em xeque a unidade nacional.A Formação Institucional do Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro Muitas podem ser as formas de interpretação sobre os processos de criação e desenvolvimento do que poderíamos chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro. ∗ Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores. as que tiveram maior notoriedade foram as de criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) em 1938 sob a orientação de Luís Simões Lopes (Mariani e Flaksman. como no militar. 1987). Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão. agência embrião do futuro IBGE organizada por Mário Augusto Teixeira de Freitas. 1997). (Abreu. Minas Gerais ou Rio Grande do Sul. 1984) e a do Instituto Nacional de Estatística em 1934/1936. já que as elites de estados fortes. o problema da unidade polítco-territorial brasileira no final da República Velha constituía-se em um assunto delicado. referenciados ao período do Brasil colonial. além do militar e da representação política clássica _ A intermediação técnica era uma delas _ como organizar então um sistema de gerenciamento do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais? Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas. e suas configurações espaciais. Se considerarmos. 1988. no entanto. Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto. Por outro lado. que efetivamente. embora revestido de uma roupagem constitucionalista.Parte I Capítulo I . 1991). a exemplo de São Paulo.

1984). adquirida ao longo dos anos 20. criador de um eficiente sistema de gerenciamento de informações que cobria todos os municípios do território mineiro. Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o Golpe de Estado de outubro de 1930. José Américo de Almeida. que em 1930 foi convidado para apresentar. Ari Parreiras. através de seu modelo de gerenciamento. ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934. foi Mário Augusto Teixeira de Freitas. juntamente com José Fernandes Leite de Castro. como no caso do militar Juarez Távora. A experiência de Teixeira de Freitas foi adquirida em Minas Gerais.1994). A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo. geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento. pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto. abrangendo a produção. circulação e consumo. fosse democraticamente partilhado pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. na 1 Conferência Nacional de Estatística suas 33 teses sob a denominação “Algumas Novas Diretivas Para o Desenvolvimento da Estatística Brasileira” (Freitas. Essas informações englobariam um amplo leque que cobriria características físicas e ambientais. geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas. As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora / Francisco Campos. Sua atuação foi tão inovadora. centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios. no dia 12 de outubro. em Minas Gerais. que foi um dos participantes do “Gabinete Negro” que se reunia todas as noites do mês de novembro no Palácio Guanabara para traçar esses destinos. mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro. Osvaldo Aranha. titular do recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública (Malin e Penchel. além de consolidar uma estrutura de eficiência. o qual centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um super gerente. durante os primeiros anos da década de 30. a . embora durante o processo de normatização das informações. 1984: 3317) e de Francisco Campos. Pedro Ernesto Batista e João Alberto (Pantoja e Camarinha. o Delegado Geral do Recenseamento do Estado de Minas.1974:96-98) explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as idéias mais abrangentes de uma agência estatística nacional sonhada por Teixeira de Freitas. a infra-estrutura econômico-social e o aparelho de estado em todas as suas instâncias. Juarez Távora em suas memórias (Tavora.Desses grandes articuladores. provavelmente o que combinava maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência de gerenciamento de informações territoriais.

iria gerenciar o sistema de planejamento territorial brasileiro. Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (com a chegada de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). mas com um aspecto importante: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada num Conselho Superior de Estatística (anexos: documentos de valor histórico para o IBGE). neste período. pois foi nesse período que as noções de integração técnica entre Estatística. as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. sem dúvida. Além disso. juntamente com os bacharéis de direito. Geografia e Cartografia tomaram corpo. um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos. um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República e com alcance até a instância municipal. na década seguinte. E foram nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foram escolhidos. a representação dos engenheiros (civis e militares) era. quanto politicamente do novo instituto. isto é. sobretudo em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam coordenar a agência a partir da década de 40. os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica. Sua estrutura de representações que contemplava todas as instâncias de governo.Foi este projeto de super agência de informações denominado Instituto Nacional de Estatística. Apenas para fins de comparação. A segunda metade dos anos 30 foi de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos. caracterizava o que podemos definir como Agência do Poder Central Capilarizada. A principal referencia pode ser . que na década de 40 tornaram-se a elite dirigente do IBGE. após os trabalhos de apuração do censo de 1940. numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas e seus maiores incentivadores foram. Além disso. apesar de não possuírem tal representatividade junto ao poder central. foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época. que abrangeria o território nacional em quase todos os aspectos. As 33 teses de Teixeira de Freitas foram as ferramentas utilizadas por este grupo de autoridades para a consecução de um projeto de governo que. Juarez Távora (possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente” junto a Coluna Prestes na década de 20) e Francisco Campos (por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações). O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se portanto. as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade. É importante lembrar que.

além dos dados e do mapa. 1935). mostrando que o assunto já havia preocupado as autoridades portuguesas e brasileiras desde o século XVI (Penha. mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia. que vinham reclamando há muito. editadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Freitas. . com grandes poderes discricionários. a proposta apresentada aparecia como um balão de ensaio técnico. 1993:105). engenheiro. Os Planos de Redivisão Territorial e suas Conseqüências Práticas Em paralelo a essas tarefas administrativas. Apesar disso. por este seleto grupo de cidadãos. a fim de que a nova ordem de coisas estabelecidas. a questão da divisão territorial era uma estratégia de governo que emergia num contexto de Estado Forte. as preocupações de Teixeira de Freitas com o gerenciamento do território brasileiro. coloca em discussão seu estudo (Freitas. suas primeiras teses sobre a redivisão política do Brasil. tomando grande impulso após a instauração do governo provisório de Vargas.∗ Foi. após a instituição do Estado Novo. como é possível perceber nos cuidados extremos com o discurso. mas em vão. que a questão da redivisão das unidades federadas retornou com maior vigor na agenda de Teixeira de Freitas. Em 28 de outubro de 1932 (portanto. Em dezembro de 1937. são possivelmente anteriores a 1930. cinco anos mais tarde. em pleno período da Revolução Constitucionalista de São Paulo) Teixeira de Freitas apresenta no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). “O reforço de autoridade de que a nova ordem política investiu o Poder Executivo trouxe possibilidades inéditas ao encaminhamento de alguns problemas fundamentais da organização nacional. as garantias definitivas da Defesa Nacional. administrativos.exemplificada na figura de Cristóvão Leite de Castro. responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iria formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia. de que um esquema orgânico para as grandes diretrizes e que convenha submeter a restauração dos nossos quadros políticos. ∗ Um breve histórico sobre o tema foi desenvolvido por Eli Alves Penha em sua tese. todavia. baseados nos estudos preliminares de João Segadas Viana e modificados por Teixeira de Freitas (anexo documentos históricos). pronta e enérgica solução. parece oportuno o estudo. desde as suas realizações mais fundamentais. sociais e econômicos. Suas palavras iniciais mostram que. no sentido espacial do termo. Assim sendo. compreendida esta em toda sua latitude. 1948) apresentado “perante um grupo de brasileiros de elevadas responsabilidades na direção dos negócios públicos”. de fato.

.” preparando deste modo a localização futura da metrópole brasileira no Planalto Goiano”.... A questão central era a tentativa de equivalência territorial entre as unidades federadas. Mas antes. e sem desigualdade. “sem diminuição para nenhum. sem prejudicar-lhe o equilíbrio.. Teixeira de Freitas define um padrão de tamanho territorial entre 250 e 350 mil km e propõe a estratégia de associação entre Estados. mas com o engrandecimento para todos. da sua vocação e dos recursos esplêndidos com que a Providência Divina a galardoou. era o grande problema da federação. como urge talvez aproveitar as possibilidades excepcionais que abrem à Nação. p.. transformando temporariamente Belo Horizonte em Capital Federal. um com o Oeste e o Triângulo Mineiro (cujos anseios de autonomia ficariam atendidos) e outros dois marítimos (como também desejam as respectivas populações)”.p. que se localizaria quanto possível em ponto de convergência dos limites dos atuais Estados que passassem a associados”. pois. nas palavras de Teixeira de Freitas. pois que assim acontece. das suas aspirações.9. a assegurar-lhes equivalência de potencial político.. p. com seu território somado aos do Espírito Santo.. transformando-se em ‘departamentos autônomos’. p.8. para evitar as disparidades regionais que. Rio de Janeiro e Distrito Federal...p. como elementos realmente confraternizantes no seio da Federação” .. peço permissão aos ilustres compatriotas que me ouvem. três futuros Estados.. apresentassem à consideração do Governo o plano preliminar da redivisão territorial do país.. Para isso. venha ele a formar. neste momento. Mas o plano vai muito mais além. “cujo espírito de brasilidade pode e deve ser aproveitado para aglutinar o poderoso núcleo central do novo sistema. Mas.. cada um dos quais com uma capital especialmente construída em um município neutro.10... “ mas só devendo ser removidos para lá os órgãos do Governo e os elementos da administração que não puderem ser localizados longe deste. “ Quando suas Unidades tiverem relativa equivalência de área. para colocar desde logo ante suas vistas. subfederados para formar Estados compósitos – adstritos ao padrão.Desejaria.. iniciando a tarefa pela questão mais geral e mais fundamental. a sintonia espiritual e a solidariedade estreita das suas forças vivas em torno do ideal generoso de erguimento de uma Pátria combalida ao nível exato da sua capacidade de vencer. ainda que mui perfunctoriamente. Determinando o futuro da cidade do Rio de Janeiro após perder o status de capital federal. elegendo Minas Gerais..10. destinada a traduzir-se mais tarde em efetiva ‘equipotência’..10. Definindo a localização da nova capital federal. de modo que possam permanecer no Rio”... 5-6. 2 . que os concidadãos aqui reunidos por um generoso pensamento se dispusessem a colaborar no preparo de um escorço geral daquelas diretrizes e .. o esboço que se me formou no espírito como fruto de um longo meditar sobre o palpitante tema aludido ” Pg.

O que distinguia era o tom menos conciliador. acomodou a questão. de certa forma.p. Uma foi a Lei Geográfica do Estado Novo ou Decreto-Lei 311. já que houve enorme articulação no núcleo do novo governo antes e depois de suas apresentações de 1932 e de 1937. França e Estados Unidos. que adotou os resultados dos estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães e sua equipe. população. o .. de 02/03/1938. Outras ações de cunho geográfico. Suas propostas de solução. Punições para os Estados mais poderosos. Como se pode perceber.. uma estratégia desta proporção não foi apenas um trabalho acadêmico organizado por um só indivíduo. um major do Exército que também expôs uma proposta de divisão territorial na Revista Brasileira de Geografia (Viana. o sul e a Zona da Mata de Minas Gerais”. espacial e politicamente (São Paulo e Rio Grande do Sul que já haviam tentado movimentos emancipatórios) e prêmios para Estados que absorvessem bem as modificações espaciais na malha territorial. que dispunha sobre a delimitação das malhas municipais e distritais e definia regras específicas sobre o mapeamento e a racionalização da toponímia (não poderia haver municípios homônimos). foram implementadas. A outra foi a institucionalização da macro regionalização do país. com a divisão departamental conveniente.10. 1940). Se por um lado. Suas proposições. formado. além de assegurar a unicidade da toponímia através de um processo de verificação de homônimos. o IBGE passou a controlar a conformação espacial das malhas municipais e distritais por meio de critérios técnicos que envolviam extensão territorial. mais prósperos e mais favorecidos pelo Governo Nacional. Com a Lei Geográfica. Segadas Viana já havia colaborado com Teixeira de Freitas na organização do mapa que foi apresentado na exposição de 1937. pelo Estado do Rio (mantida sua autonomia como um dos departamentos). mais populosos. a necessidade de bases cartográficas confiáveis para a campanha censitária de 1940 induziu os técnicos do IBGE a promover estudos visando à uniformização das circunscrições territoriais dos municípios e seus distritos. envolviam. receita. em termos técnicos não diferiam muito das de Teixeira de Freitas. que tal seria o Estado da Mantiqueira. na questão espacial o quadro territorial brasileiro foi preservado. sob o aspecto político ela reduziu drasticamente a autonomia dos Estados. como Alemanha. no início dos anos 40. um perigoso conjunto de punições e prêmios. por outro. Sua visão do problema passa por analises comparativas de outros países que também enfrentaram a questão da divisão territorial. Além disso outros autores mais adiante também deram contribuições ao tema. através da Resolução n 72 de 14/07/1941 da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia. porém.” receba a vantajosa investidura de Capital de uns dos Estados mais ricos. No caso da Lei Geográfica. portanto. entretanto. A Constituição de 1937 (redigida por Francisco Campos). como no caso de João Segadas Viana.

Sub-regiões (66). sua principal finalidade no início dos anos 40 era de homogeneizar territórios de características fisiográficas semelhantes. descrevendo sistematicamente todos os acidentes naturais que referenciavam esses linha divisórias e o esforço de cartografação dos mapas dos territórios municipais. consentâneas com a caracterização fisionômica do conjunto do Território Nacional. Esta divisão regional. sob pena de cassação da autonomia municipal. quando o governo central procurou ajustar a divisão territorial dentro de . confeccionaram por força do artigo 13 da Lei Geográfica. obtidas em segunda aproximação pela consideração das características fisionômicas (naturais e humanas) dos municípios brasileiros. no dia 24 de março de 1940 em Curitiba. Nas palavras de Eli Alves Penha. Uma restrição fundamental foi definida: não era possível desmembrar uma unidade da federação num processo de regionalização.841 distritos. por ocasião das Exposições Regionais dos Mapas Municipais. que as prefeituras. Centro-Oeste e Sul). Zonas (aproximadamente 160).974 em 1980 para 4. que após a Lei Geográfica eram inexistentes. Tais processos perduraram até a Constituição de 1988 que. Regiões Fisiográficas (em número de 31). para garantir uma uniformização de procedimentos nos estudos geográficos e no processo de coleta estatística.491 em 1990. Foi atribuído aos órgãos regionais de Geografia e Estatística empreenderem os estudos sobre a divisão regional dos respectivos Estados. constituída sucessivamente em Grandes Regiões (Norte..574 municípios e 4.505 em 1997 e perdeu-se o controle sobre os homônimos. tal como foi estabelecida pelo CNG. Com isso. segundo o critério geográfico pelo qual se agrupariam municípios que apresentassem características naturais e humanas afins. Nordeste. No que concerne ao processo de regionalização. Presidente do IBGE. Exatamente como nos dois primeiros séculos da fase colonial. mas que em 1997 já atingia a cifra de 483 municípios. decidiu liberar para os respectivos legislativos estaduais e municipais essas ações que envolvem emancipações municipais e distritais. Esses dois processos objetivavam uma base cartográfica confiável para a Campanha Censitária de 1940 e foram solenemente apresentados ao Presidente Getúlio Vargas. os dois mais importantes foram a determinação dos limites dos 1. Para garantir um alcance nacional ao evento. saudou todos os envolvidos por via radiofônica especial utilizando o sistema da Hora do Brasil (atual Voz do Brasil) coordenado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). por conta de uma nova noção de autonomia.Entre os primeiros resultados das Campanhas Geográficas realizadas durante a segunda metade dos anos 30. por fim.. Leste. se generalizou no país obedecendo às determinações do Presidente Vargas a fim de atender à administração pública. o Embaixador José Carlos de Macedo Soares. com alterações nas malhas. elevando-se para 5. “A divisão regional do Brasil ficou. com o apoio técnico do IBGE. o número de municípios saltou de 3.

o processo de regionalização assumiu tanto a função de servir de base para divulgação de dados estatísticos. 1993: 108) . .um quadro optimum de administração.determinado. quanto a de subsidiar o processo de planejamento. classificando áreas homogêneas ou determinando pólos geradores de atividades ou de receitas conforme o objetivo pré. Nos períodos posteriores. é a principal área de atuação do Departamento de Geografia do IBGE. Procedimentos fundamentais num órgão de Geografia de governo e que. deixando que as unidades constituíssem seus limites “espontaneamente” (Penha. ainda hoje.

Foi. A Alberto José de Sampaio. ao encorajar as principais associações culturais da área (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. iniciadas em 1931 e ampliadas em 1933. O memorial de 29/12/1934 apresentado pela Academia Brasileira de Ciências ao então Ministro da Agricultura Odilon Braga. foi o Prof. tornar-se uma instituição responsável pela Geografia brasileira. pesquisador do Museu Nacional e autor de várias obras sobre a vegetação brasileira. Nosso delegado. na área da pesquisa de Geografia Física.Parte I Capítulo II . que as anteriores articulações dos ministros Juarez Távora e Francisco Campos com Mário Augusto Teixeira de Freitas. enviado pela Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Geografia. onde De Martonne percebeu o enorme potencial de trabalho em Geografia Tropical que o Brasil apresentava. diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso e Secretário Geral da UGI. durante o Geografia realizado em Paris. que necessariamente teria de pertencer ao governo central. Geodésia e Cartografia no IBGE Geografia O primeiro contato oficial entre o que se convencionaria chamar de Geografia Brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI) aconteceu em 1931. Sua atuação brilhante no Congresso foi muito apreciada por Emmanuel De Martonne. Esta percepção por parte dessas instituições estava vinculada ao entendimento de que o planejamento territorial (cartografação e normatização das divisões territoriais entre Estados e Municípios) seria uma das principais atribuições de um órgão nacional de Geografia. naturalista especializado em Fitogeografia. uma tarefa muito além da capacidade administrativa e financeira desse grupo. no futuro. neste contexto. Sociedade Brasileira de Geografia e Academia Brasileira de Ciências) a juntarem esforços na adesão do Brasil à UGI. Percebendo ali um excelente ponto de iniciação de um órgão governamental que poderia. O resultado de suas articulações com De Martonne. revelou-se ao longo do ano de 1934. O segundo. no sentido de organizar um instituto de estatística em escala nacional estavam paralelamente tomando Congresso Internacional de . culminou com a visita do Geógrafo francês em 1933. de caráter político-cultural.A Estruturação das Áreas de Geografia. A criação de um comitê instituído por essas instituições. indica que os serviços estatísticos e geográficos desenvolvidos no ministério (Diretoria de Estatística da Produção) encaixam-se perfeitamente nas atividades da nova ciência geográfica. Esta visita objetivou dois campos: o primeiro.

A vinculação de Capanema. que direta ou indiretamente. Mas. Pierre Deffontaines e Pierre Mombeig respectivamente. Este ciclo de reuniões contou com as presenças de representantes das mais importantes instituições. com a participação do governo federal a partir de 1935. Arquivo Nacional.forma através do decreto 24. Serviço Geográfico do Exército. Instituto de Educação (Catedráticos de História e Geografia). Foi a partir do curso organizado por Deffontaines. Tal tarefa somente viria a tornar-se realidade. é importante.609 de 06/07/1934 que defina a criação do Instituto Nacional de Estatística. pois foi em seu mandato que as decisões de se estruturar um curso superior de Geografia iriam se concretizar. Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. gerou as condições de criação de um órgão oficial de Geografia. com a estruturação da Universidade de São Paulo (USP). Colégio Pedro II (Catedráticos de Geografia). Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Paleogeografia e Cartografia). para que isto acontecesse. Museu Nacional. Personalidades como Anísio Teixeira no Distrito Federal. Serviço Geológico e Mineralógico. que viria inicialmente a ser cogitado. . apesar de indireta. Fernando de Azevedo em São Paulo. processo longo e complexo que somente torna-se realidade em 29 de maio de 1936 com sua instalação solene no Palácio do Catete. Clube de Engenharia. Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Catedráticos de Geologia). primeiramente na UDF e posteriormente na Universidade do Brasil (UB) que criou-se o primeiro grupo de profissionais de Geografia. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Geodésia e Cartografia. Observatório Nacional. gerou uma massa crítica para a criação do Conselho Nacional de Geografia. tendo como Ministro da Educação Gustavo Capanema. Universidade do Distrito Federal (Catedráticos de Geologia. Essa relação entre a necessidade de planejamento territorial para as tarefas da Estatística e a ampliação da Geografia acadêmica desenvolvida na Universidade. Nada mais conveniente portanto. do que a agregação dos serviços geográficos/cartográficos ao novo instituto que teria ramificações espaciais até a escala municipal. seria necessário formar profissionais especializados através de cursos superiores de Geografia. foram os iniciadores desses cursos. José Carlos de Macedo Soares no final do ano de 1936. que em conjunto com engenheiros de diferentes especialidades. Serviço de Limites do Itamarati. após cinco reuniões técnicas realizadas no Itamarati sob a tutela do Ministro das Relações Exteriores. Diretoria de Navegação da Armada. Estado Maior da Armada. que tiveram como professores estruturadores. Estado Maior do Exército. com a Universidade do Distrito Federal (UDF). possuíam vínculos com a Geografia.

evitar sustentabilidade. O segundo seria contar com um mapeamento em escala de detalhe de todos os municípios brasileiros para estruturar os trabalhos de campo do futuro censo de 1940 e contar com informações cartográficas que dessem suporte aos trabalhos de mapeamento da carta do Brasil ao milionésimo. Em 26/01/1938 o decreto 218 finalmente define a autonomia dos dois conselhos de Estatística e Geografia.527 que instituía o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG) incorporado ao Instituto Nacional de Estatística e autorizando sua adesão à União Geográfica Internacional. O processo de cumprimento da Lei Geográfica durante os anos de 1938 e 1939. estavam também os estudos sobre determinação de áreas urbanas e rurais.Ministério da Viação (Chefia de Gabinete) e Ministério da Agricultura (Diretoria de Estatística Territorial). envolveu praticamente todo o efetivo do IBGE no auxílio técnico aos municípios e a tarefa foi totalmente cumprida em março de 1940. enviando uma cópia para o IBGE. Os municípios deveriam apresentar seus mapas municipais até o final do ano de 1939. O primeiro grande trabalho do CNG inicia-se em 1938 com o Decreto-Lei 311 que ficou conhecido como a Lei Geográfica do Estado Novo. No dia 01/07/1937 o CBG foi solenemente instalado no salão de conferências do Itamarati e iniciado os trabalhos de sua Assembléia Geral. Objetivava redefinir a estrutura de limites dos distritos e municípios para dar conta de dois problemas: O primeiro seria organizar espacialmente as malhas distrital e municipal. que contou com a presença de Getúlio Vargas. Essa instrução foi referendada pela Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística no dia 16/06/1937 através da Resolução n. Isto é. Em 24 /03/1937 foi baixado o decreto 1. agora sob a tutela do Instituto Nacional de Geografia e Estatística. evitando unidades sem as mínimas condições de . 15. que o utilizaria no planejamento de organização dos setores censitários. o fracionamento excessivo dos municípios. Neste contexto. A entrega solene foi realizada em Curitiba. em tempo de contar-se com esses mapas nas operações censitárias de 1940. com uma exposição dos mapas. definindo os parâmetros mínimos em termo de área e de tamanho populacional. para dar garantias ao princípio da “autonomia municipalista” .

1: 250 000. IBGE. os teodolitos e os taqueômetros que medem distâncias e ângulos. foi estabelecido pelo mareágrafo de Imbituba. chefe do Serviço de Geografia e Estatística Fisiográfica. imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1: 1 000 000 . do Mar. a altimetria e a gravimetria.Geodésia O decreto 327 de 02/02/1938. A Planimetria A planimetria que estabelece as medições das superfícies planas do território. e 1: 25 000. 1: 50 000. Os levantamentos planimétricos. a determinação do nível médio do mar é definido por instrumentos de medição maregráficos situados em estações localizadas no litoral. sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do . prosseguindo com a estruturação das redes planimétrica. Formando uma grande rede de polígonos que serviam de base para o cálculo de áreas. A Altimetria A altimetria estabelece as medições de altitude do relevo terrestre e relação a um plano de referência determinado pelo nível do mar. Estados e Países). É através dela que se estabelece o sistema de coordenadas geográficas (latitude e longitude). estabeleceu as ações de normatização da área de Geodésia do IBGE para suprir o mapeamento do Recenseamento Geral de 1940. Sob a responsabilidade do engenheiro Allyrio Hugueney de Mattos. O primeiro plano de referência (datum) oficial do nível do mar brasileiro. que geram as linhas de limites entre áreas (Distritos. no litoral de Santa Catarina em 1945 e em 1946 foi estabelecida a conexão com o mareágrafo de Torres no Rio Grande do Sul para o estabelecimento do Nível Médio (GPS) e são controlados por equipamentos de 1: 100 000. que estabeleceram as bases para o mapeamento sistemático do país. Os trabalhos das equipes de Geodésia estão divididos em três grandes conjuntos de medições: a planimetria. Esse levantamento era feito por terra e levavam-se anos para cobrir as grandes extensões do território brasileiro. em 1939 foram iniciados os trabalhos de levantamento das coordenadas geográficas das cidades brasileiras. que além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. realizado e organizado pela área de Cartografia. Atualmente as medições planimétricas são estabelecidas por um sistema de satélites artificiais chamado Sistema de Posicionamento Global recepção de GPS de alta precisão. Municípios. eram inicialmente medidos através equipamentos de curto alcance visual. Por sua vez. altimétrica e gravimétrica.

levando em consideração as negociações entre as partes. em 1945. Cartografia A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro. Essas anomalias alteram as medições de altitude e exigem um monitoramento especializado através da rede GPS. além de auxiliar no estudo das configurações das estruturas geológicas (camadas internas da Terra) e da Geofísica (prospecção mineral). quando o IBGE estabeleceu uma rede de mais de 18 000 estações gravimétricas em todo o território. É também atribuição da área dar apoio técnico às operações . juntamente com as demais forças armadas.Definido o nível de referência. quanto na estadual. que. iniciaram-se. pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas. a contar com o suporte da informática na configuração dos cálculos de nivelamento do território brasileiro. É também o IBGE. negociações que podem ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou que podem alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites. que normalmente são arbitrados pelo poder judiciário. Essas atividades servem de base para que o sistema cartográfico brasileiro possa gerar mapas de grande precisão para vários objetivos. tanto na escala municipal. Em caso de litígios entre essas unidades. Sua crosta não se apresenta homogênea em termos de prospecção da gravidade. a força da gravidade é maior do que em outros. passou na década de 80. seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. após 35 anos de ajustamento manual das observações de altidude. Os estudos de gravimetria passaram a ter um caráter sistemático na década de 90. A Gravimetria As medições gravimétricas são fundamentais para que se estabeleça com precisão as medições geodésicas (forma e dimensões do geóide Terra). Sendo o planeta Terra um geóide dotado de uma camada líquida superficial de grandes dimensões (oceanos) e de uma composição plástica interna (magma) composta por uma mistura de minerais em estado de fusão. isto é em alguns lugares da Terra. quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares. dá ao IBGE um forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira. os trabalhos de determinação de nivelamento da Rede Altimétrica do Brasil. Um outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país.

distritos. O capítulo III tratará da estruturação da memória coletiva desse novo profissional que começou a ser formado sistematicamente no final dos anos 30. quanto na arena de trabalho do IBGE. hidrografia. componentes da infra-estrutura (estradas. . vegetação). o Geógrafo. municípios. unidades federadas). que estabelecem a produção de bases digitalizadas visando ao georeferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários. informações que servem de suporte para mapeamentos automatizados mais ou menos sofisticados. linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo. ferrovias. tanto na Universidade. principalmente oferecendo suporte técnico às Prefeituras que não possuíssem pessoal qualificado para a confecção dos mapas. que podem ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos através da rede internet). que são atualmente usados em organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações de variados níveis de detalhamento e de sofisticação no que se refere às estruturas de bancos de dados ( que vão de informações alfa.de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos.numéricas simples à complexas imagens e sons em tempo real. Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento.

Gelson atuou no setor de Geomorfologia e especializou-se na classificação de solos. geógrafos que ingressaram no IBGE na década de 50. Ele foi iniciado em 1990 pelo grupo de técnicos que organizou o setor de Memória Institucional do IBGE através de gravações de depoimentos de alguns profissionais que tiveram importância na construção da profissão no órgão. quatro funcionários ligados à Geografia foram entrevistados. e possuía também. Fábio de Macedo Soares Guimarães. constituído majoritariamente por engenheiros e. posteriormente. Além de alguns profissionais de Estatística e de Cartografia.Estruturação da Memória do Grupo Profissional dos Geógrafos do IBGE O processo de constituição integral da memória dos profissionais que trabalharam na área de Geografia do IBGE nesses sessenta anos é uma tarefa que ultrapassa em muito os limites desta pesquisa. Participando. Jorge Zharur. criador da estrutura administrativa do Conselho Nacional de Geografia (CNG). mas Aluísio veio a falecer em meados dos anos 90. Aluísio foi um especialista em regionalização e em estudos de urbanização. grande preocupação com a história e memória da instituição. fruto de seus trabalhos de campo pelo IBGE e de excursões com seus alunos da UFF. Esses depoimentos foram transcritos inicialmente em datilografia e atualmente foram redigitados em Word 6.0 para ficarem registrados em meio magnético.0/95 e Word 7. Outras Instituições que Organizam a Memória Geográfica Brasileira . Orlando Valverde.Parte I Capítulo III . onde trabalhavam os técnicos que formaram o CNG entre os anos de 1936 e 1938. por alguns geógrafos treinados por Pierre Deffontaines na primeira turma de Geografia da Universidade do Distrito Federal (Cristóvão Leite de Castro. o primeiro geógrafo contratado pelo CNG em 1938 para secretariar as reuniões iniciais do Conselho. derivada de uma seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. Ambos aposentaram-se no final dos anos 80. além do próprio Orlando). também. era também um grande colecionador de fotos sobre as paisagens brasileiras. junto ao grupo do Projeto Memória do IBGE na organização dos roteiros de entrevistas dos seus colegas. Aluísio Capdeville Duarte e Gelson Rangel Lima. Os Personagens Iniciais Cristóvão Leite de Castro Engenheiro formado em 1928 e depois geógrafo.

José César de Magalhães. O segundo grupo constituiu-se de alguns técnicos que produziram trabalhos geográficos. preferencialmente os que assumiram chefias de Divisão mais recentes ou coordenaram projetos de grande porte na área de Geografia do IBGE (Alfredo Porto Domingues. Olga Buarque de Lima. lecionava nesta universidade por ocasião de seu falecimento. Alceu Magnanini. além de produzirem textos técnicos e mapas.Duas outras instituições que se ocupam da memória dos geógrafos e que documentaram depoimentos de profissionais do IBGE foram o Departamento de Geografia da Universidade de Santa Catarina. composto por geógrafos técnicos que exerceram chefias de setores específicos ou que produziram trabalhos relevantes para Geografia do IBGE (Ruth Magnanini. através da Revista Geosul e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através da revista GeoUerj. A publicação catarinense colheu os depoimentos de Orlando Valverde. tanto individualmente. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. dividiu-se em quatro grupos: os que. A revista da UERJ transcreveu o depoimento de Speridião Faissol em seu primeiro número. Elza Keller. . a construção do conjunto de depoimentos orais que está compondo a memória dos geógrafos do IBGE para este trabalho. Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e Teresa Cardoso da Silva (Geomorfóloga baiana que. também conduziram a política e a administração da área de Geografia através das chefias. O professor Faissol. Tereza Cony Aguiar). e os chefes do Departamento de Geografia de 1967 até hoje (Orlando Valverde. neste grupo foi incluído também o cartógrafo Rodolfo Pinto Barbosa por ter chefiado a área de Atlas na Cartografia e depois no Departamento de Geografia . Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. quanto em grupo. Miguel Angelo Campos Ribeiro). Marília Veloso Galvão. trabalhou em importantes projetos na década de 80). Luis Cavalcanti Bahiana. Pedro Geiger. já aposentado do IBGE. Solange Tietzmann Silva. Fany Davidovich. estão incluídos alguns dos antigos chefes da Divisão de Geografia. Os Depoentes da Pesquisa No âmbito da presente pesquisa. Edgar Kulhman. Cesar Ajara e Maria Luiza Gomes Castelo Branco). em função da absorção do Projeto Radam Brasil pelo IBGE em 1985. O terceiro.

sem falar no seu entusiasmo pelas causas ambientais da Amazônia que sempre foram o principal foco de sua militância na Campanha Nacional de Defesa e Desenvolvimento da Amazônia (CNDDA) desde 1965. idade/saúde. que levantou a documentação sobre as memórias profissionais e familiares de Pierre Deffontaines. geógrafos ou não. considerado por várias razões o decano dos geógrafos do órgão. o primeiro depoimento foi feito com Orlando Valverde. e que infelizmente ocorreram. . pois ao se trabalhar com os profissionais de um órgão criado em meados dos anos 30. Speridião Faissol.O quarto grupo foi composto por geógrafos que tiveram alguma relação profissional com o IBGE no início de suas carreiras ou que foram influenciados pelos cursos de aperfeiçoamento que o órgão ministrava (Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Maria do Socorro Diniz e Milton Santos). principalmente ao abrir o seu imenso arquivo de documentos e fotos de sua vida profissional. O quinto e último foi composto por profissionais. Os depoimentos de alguns presidentes e diretores da área de Geociências foram objeto de tratamento específico no capítulo II da parte IV deste trabalho. Edson de Oliveira Nunes e Charles Muller) e diretores e superintendentes das áreas em que a Geografia foi parte integrante (Miguel Alves de Lima. apesar de haver dado seu depoimento anteriormente. Mauro Pereira de Melo. que se confundem com boa parte da história da Geografia ibegeana. os pioneiros já estão na faixa dos 70/80. como presidentes do órgão (Eurico Neves Borba. nos anos de 1998/1999. Usando-se o critério de idade. Além disso. como no caso do acidente fatal que nos impediu da convivência intelectual de Nilo e Lysia Bernardes em 1991. a questão saúde/doença também permeia esse grupo. além dos acidentes que podem ocorrer ao longo desses 60 anos. recém restabelecidos e que puderam contar com muitos detalhes suas respectivas trajetórias profissionais. foi muito gratificante ter podido entrevistar Alfredo José Porto Domingues e Miguel Alves de Lima. Sérgio Bruni e Trento Natali Filho). A Estruturação Inicial do Processo de Depoimentos Orais A primeira preocupação foi com a idade de uma boa parte dos depoentes. O episódio do falecimento de Speridião Faissol em março de 1997 foi um desses duros golpes. continua produtivo e disposto a orientar e esclarecer aos mais jovens. que ocuparam cargos na alta direção do IBGE. Isso. uma historiadora especializada em História Oral. Nascido em 1917 e contratado pelo Conselho Nacional de Geografia em 1938. Por outro lado. Houve também um depoimento especial da professora Marieta de Moraes. As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE.

No grupo dos pioneiros. entre o final dos anos 60 e início dos anos 70. Rodolfo Pinto Barbosa. garantiram um importante espaço de aperfeiçoamento profissional.quais foram os períodos de maior influência da Geografia no sistema de planejamento federal? 3.quais foram os melhores conjuntos de metodologias que realmente auxiliaram no reconhecimento da importância da Geografia no planejamento? . que orientou positivamente a qualidade dos trabalhos geográficos no Brasil. Speridião Faissol.qual a real importância da Geografia como instrumento de planejamento de governo? 2. foi elaborado um roteiro que abarcasse o máximo de informações sobre as práticas profissionais que ocorreram ao longo de suas carreiras. Os Roteiros de Orientação dos Depoimentos Por conta da ênfase do projeto estar direcionada para os profissionais que forjaram a Geografia do IBGE e considerando que este grupo foi majoritariamente formado pelos profissionais que ingressaram no órgão nos primeiros 15 anos de sua existência. Alfredo José Porto Domingues. O primeiro conjunto de questões que orientou os depoimentos dos geógrafos pioneiros vinculou-se a seis grupos de indagações que cobriam: A) Questões planejamento: referentes ao papel desempenhado pela Geografia como ferramenta de 1. Pedro Pinchas Geiger. juntamente com a dinâmica de pesquisas e apresentações dos congressos da Associação dos Geógrafos Brasileiros que ocorreram até os anos 60. Esses cursos. Carlos Augusto Figueredo Monteiro e Fany Davidovich que ingressaram no IBGE no início dos anos 40. além de Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima. Elza Keller. O depoimento de Maria do Socorro Diniz representou a experiência de trabalho de uma estagiária no Departamento de Geografia do IBGE (DEGEO). nas quais o DEGEO foi um importante ator. um referencial indiscutível na formação das carreiras da maioria dos grandes profissionais de outros estados. entre o final dos anos 40 até o início dos anos 70. O depoimento de Milton Santos foi colhido para exemplificar a importância dos cursos de aperfeiçoamento do IBGE que se tornaram. Período de grandes mudanças metodológicas nas pesquisas geográficas. além de estruturar um fórum de avaliação entrepares. Alceu Magnanini. que iniciaram suas carreiras no final dos anos 30. Marilia Veloso Galvão. Edgar Kulhman.

quem foram os principais incentivadores da carreira? 2. no sentido intelectual do termo.qual tem sido o relacionamento entre o IBGE e a Universidade no campo geográfico? Quem influenciou quem? Em que? E em que período? 2.qual foi o mecanismo de ingresso no IBGE? E) Questões que vinculam as relações internas e externas que ocorreram entre os Geógrafos do IBGE.como o ensino superior garantiu ou não as pré-condições para a decisão de tornar-se um geógrafo do IBGE? 3. no contexto da missão institucional do IBGE? 2.4. ao longo desses 60 anos. 1.como a Geografia se posicionou. principalmente no que se refere a crescimento profissional. ao longo do tempo. dos mecanismos formadores de uma categoria especializada de profissionais que trabalham com Geografia voltada para o planejamento: 1.como funcionaram as estruturas de lobby da Geografia junto aos poderes de República? E em que ocasiões isso ocorreu? B) Questões que tentam explicar internamente o papel da letra G na sigla IBGE: 1.o processo de interdisciplinaridade que obrigatoriamente ocorre em estruturas de planejamento do governo foi positivo ou negativo para Geografia do IBGE? F) Questões referentes ao futuro incerto da Geografia no IBGE em função da aceleração da crise do funcionalismo público somada ao declínio da formação profissional em nível de bacharelado: .a escolha da especialidade principal se deu em que contexto? E sob a orientação profissional de quem? 3.como foram os relacionamentos entre a Geografia do IBGE e a ABG nos diversos períodos analisados? 3-qual foi a importância do IBGE na reciclagem de conhecimentos geográficos do corpo docente de ensino médio? D) Questões que tentam dar conta.como foram as relações da Geografia com a Cartografia e com a Estatística no decorrer do período? C) Questões referentes a convivência entre a Geografia do IBGE e as outras Geografias: 1.como foi “absorvida” pelo Geógrafo a experiência de aprendizado ocorrida no ensino médio? 2.

além de orientar e garantir cursos no Canadá para alguns de seus discípulos como Alceu Magnanini. sem sombra de dúvida. . onde as relações de orientação estruturadas entre orientadores e orientandos eram mais ou menos explicitadas. essa memória tende a turvar-se em virtude do aparecimento de novas metodologias ou conjuntos de técnicas que reordenaram as atividades geográficas no IBGE.Conseguiria a Geografia um espaço próprio ou teria de associar-se com outras disciplinas? Os demais depoimentos foram direcionados para certas atividades e/ou períodos considerados relevantes e seguiram um roteiro básico que iniciava com uma apresentação da carreira.Onde poderia ficar a Geografia no governo federal fora do IBGE? 2. diferentemente de Ruellan ou Rochefort. É possível perceber uma substituição de nomes por técnicas.1. É importante também ressaltar que nos períodos mais recentes. não criaram grandes grupos. Os Referenciais Mais Importantes ao Longo do Tempo Um dos principais aspectos da estruturação da memória dos profissionais da Geografia no IBGE é. no entanto deixaram boas obras e bons discípulos (Orlando Valverde. a de Francis Ruellan para os que ingressaram na décadas de 40 e 50s e de Michel Rochefort para os que ingressaram nos anos 60. independente do período de ingresso no órgão. Neste ponto foi possível verificar a influência de certos “líderes de grupos de afinidade” conforme a acepção de Berdoulay (1981). seja igualmente reverenciada por especialistas de diferentes áreas da Geografia que vivenciaram esses períodos. além de confirmar-se a importante influência da Geografia francesa em praticamente todos os profissionais entrevistados. Walter Egler e Speridião Faissol são os melhores exemplos). Outro ponto importante foi a verificação de certas afinidades entre especialistas que. Ë bom frisar que a influência em termos de memória. geralmente entremeada com aspectos de sua formação educacional. A especialização de Geomorfologia de Ruellan e a de Geografia Urbana de Rochefort não impediram que seus ensinamentos ou que a mística que envolveu esses ensinamentos. Dora Amarante Romariz e Edgar Kuhlmman. biogeógrafo canadense que deixou excelentes trabalhos didáticos para a disseminação de sua especialidade. como foi o caso de Leo Waibel e Preston James. Assim como Pierre Dansereau. vai muito além da simples orientação relacionada com a especialidade desses profissionais. As questões referentes aos aspectos operacionais da carreira também eram costuradas aos cursos de aperfeiçoamento e aos projetos iniciais. que na área de colonização trabalharam com grupos restritos. a influência de Pierre Deffontaines nos primeiros pioneiros da segunda metade dos anos 30 .

são geralmente tratadas pelos nomes dos softwares. Adobe Photoshop ou softwares da Intergraph.Embora o nome de Brian Berry seja lembrado eventualmente. responsável pela divulgação de pesquisas de Geografia de redes urbanas utilizando métodos . Idrisi. Map Info. mapeamento automatizado. Após um entendimento geral do quem é quem na Geografia ibegeana. O acesso se dá. o que ficou gravado na memória da maioria dos geógrafos quantitativos. referenciadas ao geoprocessamento. No caso do convênio entre o IBGE e a Maison de Geographie de Montpelier durante os anos 90. criaram-se boas relações profissionais com Hervé Thérry e o casal Philippe Waniez e Violette Brustlein. As tecnologias mais atuais. por meio de literatura e de tutoriais em multimídia ou pela rede Internet. ou pelas empresas que os criaram. passaremos a enfocar o contexto histórico que orientou o pensamento geográfico brasileiro no século XX. mas para a maioria dos novos geógrafos as principais referências estarão vinculadas aos softwares Cabral 1500 (mapeamento) e Samba (banco de dados dos censos do IBGE). sistemas de informações geográficas e ao tratamento de imagens. que rodam em plataformas Macintosh. Arc View e Arc Info. Atlas Gis. foi a Geografia Quantitativa e não o pesquisador inglês / americano.

o . a montanha e a indústria. de 1939) é um típico artigo de Geografia Humana que a escola francesa produzia para este tipo de escala. além da criação dos primeiros cursos de graduação em Geografia. Pierre Deffontaines (1894-1978) foi o primeiro professor vindo da França em 1934 e estabelecido no Rio de Janeiro a partir de 1935. a montanha pastoril e a pecuária. Primeiramente uma introdução geral sobre as grandes espaços abrangidos pelo país e as necessárias comparações com outros países. a ordem cronológica desses artigos não foi observada. Talvez por razões de editoração.Parte II . a montanha mineira e atividade econômica das jazidas. em 1935 e da estruturação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. na Universidade de São Paulo. da hidrografia e do litoral o processo é semelhante. Seguem-se descrições sobre os elementos constitutivos do quadro natural. incluindo aí a criação da RBG. por ocasião das comemorações do cinqüentenário da Revista Brasileira de Geografia – RBG. que foi montada sob sua supervisão.A Geografia Brasileira no Século XX Dentro e Fora do IBGE Introdução O Contexto Histórico do Pensamento Geográfico Brasileiro no Século XX Através de Algumas Leituras Evocativas Em 1988. onde a floresta também volta a se relacionar com as atividades humanas via extrativismo e preparação da base edáfica para agricultura. porém não tão detalhado. Nas abordagens do clima. O detalhamento retorna com a vegetação. a montanha e o veraneio. o Conselho Editorial daquela publicação organizou um número especial composto por dois tomos. / mar. Geografia Humana do Brasil de autoria de Pierre Deffontaines publicado no primeiro número da revista (ano 1 n 1 de jan. mas com uma interessante característica. para fins de entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil a partir dos anos 30. em função de um convênio entre França e Brasil para criar estruturas de ensino e pesquisa para a Geografia. uma edição fac-similar contendo cinco artigos considerados clássicos. em 1934 e do Distrito Federal. no caso da montanha. O primeiro. Mas. vamos colocalos em ordem de publicação na revista. Boa parte do arcabouço técnico do futuro Conselho Brasileiro de Geografia foi obra sua. a montanha e a horticultura. é feita uma costura entre os elementos de forma e função: a montanha barreira e os caminhos de acesso.

possivelmente por sua formação anterior de engenheiro. todas perfeitamente em sintonia com as idéias desses mestres. sul e centro oeste que perdurou até o final dos anos 60. uma consulta aos livros de Peter Burke (1991).. o mais influente geógrafo francês das décadas de 30 e 40 e Secretário Geral da União Geográfica Internacional (UGI) em meados dos anos 30. publicado no ano 5 n 4 de out. nordeste. / jun. Lucien Gallois e Pierre Deffontaines. Uma nota da redação da Revista esclarece que. / dez. 34). Camille Vallaux. o Prof. quanto econômicos. Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico de autoria de Emmanuel De Martonne (1873 1955 ). Jean Brunhes. Lucien Febvre. Emmanuel De Martonne publicou nos Annales de Géographie dois artigos sobre “Os problemas morfológicos do Brasil tropical atlântico”. baseada nas regiões naturais e a do Conselho Técnico de Economia e Finanças. ‘Em 1940. que englobasse tanto os aspectos físicos. apoiada em critérios econômicos. Anne Buttimer (1980) e Vincent Berdoulay (1981) é de grande valia. no início dos trabalhos do CBG. 18). de 1941. A parte final do artigo é dedicada a análise das nove divisões regionais propostas por outros autores e suas conclusões apontam para uma solução de compromisso entre a de Delgado de Carvalho. Foi nesse período que estruturou suas pesquisas sobre regionalização que resultaram nesse trabalho. Segue-se uma explanação sobre o método de definição de região natural que serviria de base para a posterior regionalização chamada por Fábio de uma única divisão regional prática (pg. Fábio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979) sempre foi considerado um profissional que. Para um entendimento mais abrangente sobre as relações entre a Geografia e a História na França.Divisão Regional do Brasil de autoria do único brasileiro do grupo Fábio de Macedo Soares Guimarães publicado no ano 3 no 2 de abr. de 1943. possuía o binômio de conhecimento e liderança. Outro ponto de convergência pode ser também percebido nas cinco conclusões gerais sobre o conceito de região natural (pg. Em conseqüência dos acontecimentos de maio – junho de 1940 (invasão da França pelas o . Foi aluno de Pierre Deffontaines (1894-1978) na primeira turma da Universidade do Distrito Federal e trabalhou com ele na formação do primeiro núcleo de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia entre 1935 a 1938. Observa-se claramente uma forte influência da escola francesa dos Annales de Géographie através das citações bibliográficas de Vidal de La Blache. adotada no mesmo ano pelo Governo Federal.. O artigo lança as bases para a primeira regionalização oficial do país. O resultado desse trabalho foi a homologação pelo governo federal em 1941 de uma regionalização oficial em cinco regiões: norte. Primeiramente foi feita uma defesa do conceito de divisão única. leste.

A criação dos cursos formais de Geografia nas Universidades de São Paulo e do Distrito Federal e a preparação de um corpo técnico de geógrafos que pudesse. publicado em no ano 6 n 4 de out. O artigo é um dos mais completos e detalhados trabalhos sobre os processos geomorfológicos formadores da Serra do Mar e das planícies litorâneas que cercam a região da baía de Guanabara. O Professor De Martonne atendeu a esse pedido e fez a doação de seus direitos autorais como agradecimento pela acolhida que teve por ocasião de suas missões no Brasil’. com ênfase na formação dos alinhamentos serranos que ocorrem neste espaço. pois muitos de seus alunos foram professores de Geografia nos principais colégios do Rio de Janeiro. por via diplomática. é quase certo que a vinda de Pierre Deffontaines para o Brasil tenha sido acertada. quanto na Universidade e além. pertence ao grupo de trabalhos de Geografia Humana orientados para a questão da ocupação do território. / jun. Emmanuel De Martonne ao Brasil se deu em 1933 e teve pelo menos dois objetivos de cunho diplomático / cultural.tropas de Hitler). Seus trabalhos de campo eram considerados verdadeiras maratonas físicas e intelectuais. A Evolução Geomorfológica da Baía de Guanabara e das Regiões Vizinhas de autoria de Francis Ruellan . o principal responsável pelo gerenciamento das estatísticas brasileiras no governo de Getúlio Vargas e um dos artífices do casamento entre a Geografia e a Estatística. chegaram ao Brasil somente dois exemplares do primeiro artigo . Nessas reuniões. de 1949. A vinda do Prof. enquanto que do segundo se sabia apenas da sua existência. assim como sua permissão para traduzi-los e publicá-los. /dez. foi solicitada ao Professor De Martonne a remessa de um exemplar de cada um deles. Possivelmente ocorreram reuniões entre De Martonne e Mário Augusto Teixeira de Freitas (18901956). dos alinhamentos das serras litorâneas e do relevo apalachiano do interior entre São Paulo e Minas Gerais. publicado no ano 11 n 2 de abr. futuramente. de 1944 é o principal trabalho do único geógrafo que se pode denominar de chefe de escola no contexto do Rio de Janeiro (possivelmente Pierre Mombeig em São Paulo tenha tido as mesmas características). O interesse desses artigos era tal que. Faz um contraponto entre a estrutura geológica da área e os diferentes processos formadores do relevo falhado da Serra do Mar. que rastrearam alguns processos de colonização no Brasil. O artigo de De Martonne é um clássico trabalho de Geomorfologia da porção sudeste do Brasil. Este tipo de pesquisa foi muito incentivado o o . Princípios da Colonização Européia no Sul do Brasil de autoria de Leo Waibel. Francis Ruellan (1894-1975) foi o formador da segunda geração de geógrafos cariocas tanto no IBGE. levados a efeito por grupos de origem italiana e alemã. representar o Brasil na União Geográfica Internacional (UGI).

trabalhando exclusivamente como pesquisador do IBGE. a defesa do possibilismo e o enfoque das relações seres humanos e meio ambiente. Urbanização e industrialização foram as principais áreas de investigação de Faissol e Geiger . Aziz fez carreira na USP e Bertha na UFRJ. principalmente no que concerne aos anos 30 e 40. Esses cinco trabalhos traduzem uma boa parte do contexto do pensamento geográfico na primeira metade do século XX no Brasil. Becker sempre foram ligados à universidade. Desses. entre Geografia Regional e Sistemática. O conselho editorial da RBG encomendou a cada autor um trabalho de livre escolha. Speridião Faissol e Pedro Geiger. Leo Waibel (1888-1951) foi um típico líder de grupo de um círculo restrito de geógrafos. ou ter características provocativas que ampliassem o conhecimento dos leitores. período em que se formaram as principais instituições produtoras da Geografia formal. Aziz Nacib Ab’Saber e Bertha K. Estão ali as dicotomias entre Geografia Física e Humana. as Universidades e o Conselho Nacional de Geografia. ou para servir de quadro de referência sobre algum tema da Geografia. O primeiro artigo de Aziz Ab’Saber (1922.pelo governo de Vargas. Geomorfologia foi o campo de especialização de Aziz . que poderia ser de cunho evocativo. quanto durante e após o conflito. as áreas de interesse de Carlos Augusto e Geopolítica e Gestão do Território as arenas de trabalho de Bertha.) O Pantanal Mato-grossense e a Teoria dos Refúgios se inscreve na categoria de quadro de referência. Climatologia e História do Pensamento Geográfico. possivelmente em função do problema de comunicação via alemão e inglês. apenas dois tiveram suas trajetórias de trabalho ligadas permanentemente ao IBGE. idiomas muito pouco difundidos numa comunidade que majoritariamente entendia o francês. O segundo tomo da edição comemorativa da RBG foi organizado sob a ótica da avaliação de alguns campos do conhecimento geográfico ou das lembranças profissionais de cinco geógrafos considerados como expoentes de suas especialidades. Calos Augusto Figueiredo Monteiro trabalhou no IBGE entre 1948 e 1956 e depois seguiu uma carreira universitária (Florianópolis. Trata-se de um trabalho que. tanto no período que antecedeu a Segunda Guerra. que iniciaram seus projetos profissionais durante a década de 40. primeiramente faz uma análise geomorfológica do Pantanal Mato-grossense enfocando geoformas como o grande domo esvaziado (boutonniére) do alto vale do rio Paraguai e o conjunto de aplainamentos da . Rio Claro e USP).

a primeira tratando das relações entre alterações climáticas e mudanças ecológicas ocorridas na depressão pantaneira e finaliza com algumas especulações bem interessantes sobre a provável evolução da cobertura vegetal e distribuição espacial da fauna do Pantanal utilizando como suporte argumentativo a Teoria dos Refúgios. Principalmente aquelas que implicaram uma forte relação entre ciência e tecnologia e que por força de seus custos e de suas implicações de poder sempre estiveram em mãos do Estado Nacional. o paleoplano da Chapada dos Guimarãres. como nos casos da tecnologia espacial e seus subprodutos e das telecomunicações em escala global. e os leque aluviais das planícies mais recentes. Walt Rostow (1961). as turbulentas relações entre a Geopolítica e a Geografia. José Bigarella. mas com importantes citações como John Friedmann (1985. Sua parte final está dividida em duas seções. O artigo de Speridião Faissol (1923-1997) Planejamento e Geografia: Exemplos da Experiência Brasileira situa-se na fronteira entre o estabelecimento de um quadro de referência sobre a noção de planejamento a evocação de experiências profissionais neste campo. agente decisório em muitos projetos de planejamento ao longo dos seus anos de atividade. que usam sensores do tipo Tematic Map ( TM ). enquanto geógrafo situado em altas posições da hierarquia do IBGE. . O artigo A Geografia e o Resgate da Geopolítica de Bertha K.1986). Becker (1930. Finaliza com conjecturas sobre as futuras relações entre o Estado e a sociedade organizada. traça alguns comentários sobre as novas pesquisas feitas na região utilizando as imagens de radar e dos satélites Landsat . da qual Aziz é um dos elaboradores. Em seguida. Paulo Vanzolini. e fazendo uma revisão bibliográfica não exaustiva.) é outro que também se pode classificar como estabelecedor de um quadro de referências de vetores de conhecimento. Manuel Castells (1986) e outros. para o bem ou para o mal. explicando as necessárias conceituações sobre o tema. os processos geradores do pediplano cuiabano. juntamente com Pierre Birot. e portanto. David Harvey (1969). Keith Brown e outros. Dárdano de Andrade-Lima. por ser ainda uma arena onde quase tudo ainda está por se realizar. O trabalho avalia algumas tecnologias que viabilizaram a ampliação do controle espaço-tempo e seus usos pelo aparelho estatal. onde conflitos e cooperação poderão apresentar diferentes padrões. dependendo do setor e do poder de barganha dos agentes envolvidos. A primeira parte estrutura-se como quadro de referência. no contexto dos diferentes papéis que o Estado assumiu ao longo do século XX no gerenciamento do território e no controle social subseqüente. Usa como espaço de exemplo a Amazônia. Doreen Massey (1985). no caso.mesma área. Faz também uma longa apreciação do projeto geopolítico da modernidade levado a efeito pelo Estado brasileiro após 1930 e analisa seus resultados na década de 1980.

É possível perceber também que nesta época.. orientadas para o campo financeiro.A segunda. os estudos de localização do futuro Distrito Federal no Planalto Central em meados da década de 40. como evocação. ” É curioso observar que.96). a própria função de planejamento estatal de médio e longo prazos estava exaurida e substituída cada vez mais por decisões conjunturais de curto prazo. inclusive no plano acadêmico” (p. A criação dos Territórios Federais no início dos anos 40. perdendo muito de sua função planejadora. As palavras de Faissol mostram um pouco disso em duas passagens na mesma página. período em que a Geografia voltada para o planejamento estatal centralizado estava ainda sob fortes críticas de um grupo de geógrafos que seria conhecido como o formador da Geografia Crítica ou Radical (ver Santos. foi perdendo terreno. O artigo de Pedro Geiger (1923. as Comissões Nacionais da União Geográfica Internacional (UGI) e do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH) e a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). a partir do momento em que a própria Secretaria de Planejamento da Presidência da república foi se tornando. no Governo Figueredo. Conhecimento e Atuação da Geografia inscreve-se totalmente no campo evocativo. uma administradora das conjunturas que iam se apresentando. com muitos deles procurando refúgio nas teses marxistas ou neomarxistas. principalmente aquelas em que os geógrafos tiveram um papel significativo em sua elaboração.. Críticas estas iniciadas 10 anos atrás (1978) durante o 3 Encontro Nacional de Geógrafos em Fortaleza e que se intensificaram durante toda a década de 80. cobrindo a evolução de algumas instituições como as universidades (seus cursos de Geogrfia). 1981). ao historiar as experiências brasileiras de planejamento. mas também ideológicas. parecem ter sido colocadas como um tênue pano de fundo. o IBGE. “Esta tem sido uma fase de reflexão. por problemas econômico-administrativos.96). ainda que mais ideológica que profissional” (p. a Geografia do IBGE ( e de certa forma no Brasil). o . é bem verdade. os trabalhos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) nos anos 60 e os projetos de avaliação da urbanização para o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) na década de 70. mas de muitas incertezas.) Industrialização e Urbanização no Brasil. principalmente na primeira metade. as expressões industrialização e urbanização. apenas para organizar a memória e estruturar as lembranças profissionais. não só conceituais. mas é com elas que Geiger costura com muita sensibilidade os 46 anos de atividade geográfica no IBGE. quem sabe como uma forma de assumir uma posição acadêmica. O artigo foi escrito em 1988. que por si só assegurasse uma identidade.

que representaria um contraponto entre as noções de reclusão e amplidão ou nas palavras de Carlos Augusto. Uma torre para sentir o mundo e refletir sobre sua geografia” (pg. racionalmente. música. Marshall McLuhan (1972) analisando a peça teatral Rei Lear de Willian Shakespeare (1564-1616) e Marshall Berman (1982) analisando o poema Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). história e outros campos do conhecimento humano. perturbadoras. a torre representa um meio de. A síntese consiste em refazer o todo. Carlos Augusto opera a partir de dois autores que fizeram análises literárias de duas obras seminais da literatura ocidental. A simbologia da Torre segundo Carlos Augusto é retirada de um poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939). Era-me difícil aceitar a síntese como um conceito específico da Geografia. com Lefévbre.. na sociedade urbana esperada. englobando processos naturais e sociais.. em reclusão. artes plásticas.) Travessia da Crise (Tendências Atuais na Geografia) insere-se no campo das obras instigantes. veremos que a análise é o ato de destacar o objeto da totalidade a que pertence. ” . ou mesmo de uma vida profissional muito técnica. uma violência. porém recolocando-a em outros termos. pois pressupõe uma bagagem cultural bem mais ampla do que apenas os conhecimentos geográficos tradicionais adquiridos ao longo do período letivo. 129). . então a Geografia é uma Ciência de Síntese” (pg. recolocando os objetos analisados numa nova estrutura... sendo. Contudo. uma agressão. que provocam o leitor a ir além da simples leitura para fins de verificação de um conjunto de conhecimentos.. o movimento quantitativo e a Geografia crítica. filosofia. Não é uma leitura fácil... Pedro Geiger termina suas memórias recordando a antiga asserção de Vidal de La Blache sobre a Geografia como uma ciência de síntese. como se fosse uma peça musical. se tomarmos mais profundamente estes dois conceitos. O ensaio de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (1927.Analisa também as principais correntes de pensamento geográfico que se desenvolveram no Brasil: o Possibilismo vidaliano. A estrutura do ensaio está organizada em quatro movimentos. Para o conceito de modernidade. compreende a produção racional do espaço do homem. para o seu maior entendimento. O primeiro movimento denomina-se A Torre (Modernidade e Crise). a Geografia da Economia Política. todas as ciências praticam análise e sínteses. ” A Geografia vidalina dizia que a Geografia era uma Ciência de Síntese. e mergulhar num ambiente de reflexão intelectual onde transitam literatura. alcançar o poeta um espaço mais amplo e nele identificar os eventos que o tempo marcou na sua terra natal. 82). Porém o cerne dessa primeira parte está centrado nos conceitos de modernidade e crise . Se a racionalização da vida humana. portanto. a Quantitativa se fartou no uso do termo análise.

Carlos Augusto nos fala da percepção de McLuhan sobre alguns aspectos da modernidade que esta peça enseja. o sujeito e objeto de transformação não é apenas o herói. O destaque por Carlos Augusto da frase de Berman “Na versão göethiana do tema de Fausto. pois. 129) enquadra-se muito bem no binômio que Carlos Augusto apresenta como alvo de sua preocupação nesta parte do texto. modernidade e crise. 58 anos decorridos entre 1773 e 1831. Para McLuhan. que Carlos Augusto observa como uma “decomposição em planos paralelos do (fictício) abismo que alcança foros de único exemplo de arte verbal tridimensional’’. “O herói de Shakespeare encarnaria a modernidade da Renascença. um sistema mundial especificamente moderno vem a luz” (pg. mas o mundo inteiro. a escolha de Carlos Augusto recai sobre a avaliação que este crítico literário faz de Göethe a partir de sua principal obra Fausto. primeiramente a época da elaboração do poema. (pg. fato que McLuhan considerou como modernidade para a época em que o normal era agregar espaços. no fim do século XVIII e início do seguinte. o . envolve a questão da divisão do reino de Lear em três partes. Fausto de Göethe expressa e dramatiza o processo pelo qual.. Carlos Augusto alude à tendências milenaristas citadas nas últimas estrofes e as vê como sinais de um tempo que envolve desagregação. Na obra de Marshall Berman Tudo Que é Sólido Desmancha no Ar : a aventura da modernidade (1982).. O segundo refere-se a cena do precipício (cena 6 do 4 ato). Para o tema crise ele se utiliza de um paradoxo trabalhado por Eduardo Soubirats (1988) que estipula que quanto mais racional tecnicamente fica a civilização humana. mas também esperança. e não separa-los. onde a grande mutação foi dada graças à nova visão do mundo. advinda da física de Newton”. O ponto agora está enfocando. mais irracionais tornamse nas suas relações sociais e econômicas. Ao retornar ao poema de Yeats. O primeiro. 129) e destaca dois pontos interessantes que mantém contato com a questão espacial. onde Edgar tenta convencer o cego Gloucester que ambos estão a beira de um penhasco. a modernidade se apresenta ali através da linguagem. considerada como um período de grandes transformações e turbulências e portanto um tempo propício à modernidade num sentido mais amplo. o processo lingüístico criado por Shakespeare para desenvolver este convencimento está tão a frente de seu tempo.

. problemas que.. ao refletir sobre as relações entre a Literatura e a Geografia cobrindo vários níveis de elaboração de enredo tanto com autores ingleses e franceses. quando boa parte dela opera em áreas de contato com as Ciências Naturais cria dificuldades de entendimento para decifrar a trajetória do conhecimento dentro de um Labirinto que somente poderá ser transposto.. junto com as “coisas” (pg. fazendo face à tendência O terceiro movimento chama-se Os Espelhos (O Pensamento entre Preparação e Fundação) e inicia com uma citação de Martin Heidegger (1889-1976) sobre os mecanismos do pensamento em antever o futuro da humanidade. O quarto e último movimento chamado Os Sinos (O Situar-se para o Acontecer) inicia com um retrospecto de sua vida profissional e prossegue com uma reflexão sobre as dificuldades da pesquisa geográfica de Climatologia nos anos 60 e 70 e vislumbra novas possibilidades com a futura Teoria do Caos (ainda incipiente na época da redação do ensaio. quando este havia tratado da questão irracionalidade na Idade Média e na Atualidade. seguindo com Immanuael Kant (1724-1804) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) e desembocando em Karl Marx (1818-1883) e finalizando com Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Heidegger novamente. “na geração de um conhecimento conjuntivo. no âmbito interno da Geografia também geraram conflitos de comunicação entre as facções da “física” e da “humana”. crescentemente disjuntiva de hoje” (pg. iniciando em Renné Descartes (1596-1650). Outro ponto interessante desta parte é a demonstração de erudição explícita que Carlos Augusto dá. O que permanece – tal como o núcleo do átomo cercado das mais estranhas propriedades entre os constituintes e em relação à energia que o define . A maior preocupação de Carlos Augusto é deixar evidente que a Geografia apesar de suas contradições e lutas ideológicas tem a função. mas já devidamente percebida por Carlos Augusto). entre o homem e o lugar na terra. Carlos Augusto conclui seu instigante ensaio com uma mensagem de esperança.é o vinculo primordial. onde os mortais residem. quanto autores brasileiros. para em seguida tomar de empréstimo a Humberto Eco a simbologia do Teatro de Espelhos. 137)..O segundo movimento chamado de Labirinto (Ciência: Geografia) toca nas relações entre a Geografia e as outras áreas do conhecimento. principalmente no que concerne às dificuldades de comunicação entre as ciências exatas e as sociais. especificamente com Guimarães Rosa. “de capacitar o homem a encontrar a habitação do ser-no-mundo. um dos mais geográficos dos autores eruditos do país. O dualismo entre racionalidade / irracionalidade e modernidade acompanha todo o texto. Asseverar que a Geografia é uma Ciência Social.. . Não importam suas variações e oscilações através dos tempos históricos..141).

que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. Para uma avaliação da Geografia brasileira desenvolvida no período anterior a 1930. dar conta daqueles novos contornos que o desvelamento do enigma do caos nos trará. 1955) A Geografia no Brasil que fez parte da coletânea As Ciências no Brasil .. No prefácio de Antônio Cândido é dito que. A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954 para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros) . Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a geografia agrária e os processos de colonização. Portanto. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. Que contenham a alegria” (pg.. “Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil”. remontando ao passado. Faleceu de um problema coronariano. 146). 1995) Origens do Pensamento Geográfico no Brasil: Meio Tropical. atualmente. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). evoque o anseio futuro”. ainda que sob um viés ibegeano. Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). e o ensaio de Lia Osório Machado ( Machado. o de José Veríssimo da Costa Pereira (Pereira.“Que o homem volte a encontrar o seu lugar na Terra e que sua Geografia venha a descrever. que integra a coletânea Geografia: Conceitos e Temas. que já havia montado outra. “ que. ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e na organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. O ensaio termina com os versos da ode do poeta alemão Friedrich von Schiller (1759-1805) incorporada no coral da parte final da Nona Sinfonia de Ludwig von Beethoven (1770-1827). são considerados os melhores em sua categoria. Espaços Vazios e a Idéia de Ordem . José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo. a geografia geral para educação. de grande significado sobre a literatura brasileira sob a organização de Afrânio Coutinho. o número especial de comemoração dos 50 anos da RBG nos dá uma boa amostra de dois períodos da Geografia brasileira. que Carlos Augusto considera como um coro... Paisagem ou espaços diferentes da tristeza de hoje. . num vôo entre Benjamin Constant e Manaus em agosto de 1955. é necessário ler dois trabalhos que. a serviço do INIC.

será feita uma síntese desses períodos. “À luz da geografia moderna. No contexto das explorações portuguesas. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho. além dos exploradores científicos europeus que durante os séculos XVIII e XIX desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e na Antropologia. uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil.1982:112-143) para se ter uma impressionante sensação de que o autor. em seguida as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior . que tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia. Seu trabalho alcança os primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas Universidades do Rio e São Paulo. inaugurou com sua carta ao Rei de Portugal. aliás. dois especialistas descreveram os principais fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Mestre João de Faras (1448-1513). escritas em Os Sertões de 1902. como escrivão oficial da frota comandada por Pedro Alvares Cabral. Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909 ) levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises de Euclides da Cunha. Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947. enfocando os principais personagens desta saga geográfica. conforme já ficou demonstrado. em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida. clima. solo.” ( Pereira 1955 : 424 ). tanto escrito quanto cartografado.compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos . O primeiro. exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes ( de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que. A pesquisa de José Veríssimo inicia com uma panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil que cobre desde o século XVI até o início do XIX. analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores. efetivamente. Para fins de entendimento da importância desta obra. trata-se de uma experiência intrigante ler o capítulo V de Os Sertões de Euclides da Cunha (1902 . Veio daí o convite de Fernando de Azevedo para a elaboração deste capítulo. Sem sombra de dúvida. persistente em Euclides da Cunha. fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam nosso litoral) tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo conforme .. ao descrever com minúcias o quadro físico (forma do litoral. vegetação. aparecido em 1911. Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40.. foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões. Tal conceito lablacheano é. conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat.

na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota.estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. que a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do sul. também informa a D. Manuel I (1469-1521). Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado descritivo do Brasil de 1587). Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). Na segunda metade do século XVI. Além dos franceses. escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618). Digno de nota também foi o importante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Paulo) em virtude de um naufrágio ocorrido por volta de 1550. é que inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra. É também na segunda metade do século XVI. Brandão. fazendeiro pernambucano. além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro França Antártica . iniciado com um ataque naval em 1560. No contexto da ocupação francesa. No início do século XVII os trabalhos de dois padres capuchinhos franceses que percorreram a província do Maranhão marcaram os estudos geográficos na porção norte do país. as principais determinações astronômicas do hemisfério sul e informa sobre as novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal. ocupando em 1557 a atual baía de Guanabara. Brasil de 1557) fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás. no qual é destruído o forte de Coligny. depois com a fundação da cidade do Rio de Janeiro em 1565 e finalizando com a definitiva expulsão dos franceses em 1567. o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima Do Clima e Terra do Brasil (1625) e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641) ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas feita entre 1637. Ambrósio F. O segundo. em carta escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500. Claude d’Abberville com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux com uma continuação do trabalho de d’Abberville. padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799 ) são os mais importantes.O Rio de Janeiro (1580). com o processo de colonização já consolidado. dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil. forçando Portugal a criar um novo polo de defesa e ocupação. portugueses radicados na terra e padres missionários continuam a produção geográfica sobre o Brasil. no litoral da capitania de São Vicente (atual São 0 . O padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry o livro Viagem a Terra do Brasil (1578).39.

aos 34 anos. Suas observações e estudos geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. . foram conhecidos novas áreas do interior do Brasil. de La Condamine (1745). No seu caso.No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco organizada por Maurício de Nassau a partir de 1638. Todo o seu material depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa. As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos. que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras. Na esteira desses trabalhos. Nessa mesma época. obra de astronomia que ficou inconclusa. outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras do sul com o Uruguai. foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal. uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749) que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. Geografia e Botânica organizados pelo alemão a serviço da Holanda George Marcgrave (1610-1644) foram considerados os melhores até então executados sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) a Proginástica Matemática Americana. Em 1815. Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. Portugal recupera este acervo e em 1842 o repassa ao Brasil. O fim do século XVIII marca o início de uma nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. Seu retorno a Europa se deu atravessando a Amazônia Brasileira descendo o grande rio até Belém. General Junot em 1808 e quase todo o acervo transferido para Paris para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso em 1777. os trabalhos de Astronomia. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um desses europeus que participou dessas expedições. em função do falecimento do autor em 1655. O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território em consonância com os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo. Marcgrave também construiu o primeiro observatório astronômico do hemisfério sul em Pernambuco em 1639. a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores Geógrafos do século XVIII.

John Mawe sobre condições de vida da população. Ainda no século XIX. As datas referem-se a dois acontecimentos de grande . a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) sobre botânica e etnologia. científicos. um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e que lançou a idéia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias. como Pierre Deffontaines. o General Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) ao explorar sistematicamente o noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos o Barão do Rio Branco (1819-1880) ao estudar detalhadamente nossas regiões de fronteiras. Este foi apenas um esboço do trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira. Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855) sobre geologia e geomorfologia. É também nesse período que o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques. O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se durante o século XX com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e Rio de Janeiro orientados por professores estrangeiros. O ensaio de Lia Osório Machado tem outro enfoque. dois brasileiros deram uma grande contribuição para os estudos geográficos. Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873) sobre biogeografia e geomorfologia. É também nesse século que aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira. Alexander von Humboldt (1769-1859) sobre biogeografia da Amazônia. tido com uma da mais detalhadas resenhas sobre a Geografia brasileira até hoje.No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil Corografia Brasílica do padre Manuel Aires de Casal em 1817. Paralelamente. são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro [1838] e a Sociedade Brasileira de Geografia [1883]. exemplificados nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país. com a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e com a criação do Conselho Nacional de Geografia em 1937. Elisée Reclus (1830-1905) sobre geografia regional. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado. econômicos que influenciaram a produção geográfica brasileira entre 1870 e 1930. organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país. agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil. geralmente envolvidos com os governos provinciais. Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente. ideológicos. outros geógrafos. Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) sobre biogeografia e geografia geral. orientado a um só assunto Navegação Interior do Brasil de Eduardo José de Morais. pois objetiva aprofundar o conhecimento sobre os contextos políticos. principalmente nas regiões norte e centro oeste. Na transição para o século XX.

pois abarcou o período do ciclo militar de 1964-1985 e está centrado diretamente na primeira metade dos anos 70. nossas principais referências. A primeira parte trabalha sobre algumas visões que enfocaram a evolução do pensamento geográfico brasileiro escritas na segunda metade do século XX. que não havia se recuperado completamente do golpe da abolição da escravatura em 1888. um intervalo de tempo que marca a grande divisão entre um Brasil ainda com fortes influências coloniais. Gentil Moura (18681929). a primeira referencia o processo de abolicionismo. A principal diferença que Lia aponta entre os dois conjuntos de autores. Nilo Bernardes-1982 a e b). Trindade (1885-1959). Ernsest Renan (1823-1892) e Gustave Le Bon (1841-1931). Lia analisa com detalhe as obras de dois historiadores que escreveram sobre a Geografia. misturam-se com a influência alemã da Antropogeografia de Fredrich Ratzel (1844-1901) e as idéias de alguns importantes cientistas sociais franceses do século XIX. em 1945. Manoel Correia de Andrade-1977. é o forte criticismo adotado pelos historiadores aos estudos geográficos realizados no Brasil. É. construíram essas versões (José Veríssimo da Costa Pereira-1955. portanto. Eduardo M. que levou Getúlio Vargas ao poder. Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951). com a promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871 e a segunda. João Capistrano de Abreu (1852-1927). Caio Prado Jr. Entretanto.importância na História brasileira. na primeira metade dos anos 40. a visão bem radical de Sodré sobre questões que envolveram os conceitos de determinismo e possibilismo geográfico. Machado cobre a produção geográfica situada no intervalo de tempo entre 1879 e 1930. os trabalhos dos geógrafos estrangeiros eram. ao prefaciar a reedição da obra de Manuel Ayres de Casal Corografia Brasílica publicada em 1817 e Nelson Werneck Sodré com sua Introdução à Geografia: geografia e Ideologia. e o Brasil moderno que quebraria as velhas alianças politico/econômicas ditadas por uma elite agrária. a fase mais dura desses tempos. e que a forte influência francesa em relação a alemã era então um dos grandes impecilhos ao desenvolvimento do pensamento geográfico no Brasil . suas vinculações com o neo-colonialismo europeu e norte-americano e a Geopolítica (área do conhecimento muito cara aos militares brasileiros). Para Caio Prado Jr. baseada nas obras de cinco importantes pesquisadores. ao longo de suas carreiras. Hippolyte Taine (1828-1898). a parte mais importante do trabalho de Lia O . o novo modelo republicano com a implantação da Revolução de 1930. . O contexto histórico no qual Nelson Werneck Sodré escreveu seu trabalho era bem diferente do final do Estado Novo. embora já ingressando no movimento de implantação da futura república. A análise se estrutura. publicada pela primeira vez em 1976 e já com nove edições. Carlos Augusto Figueredo Monteiro-1980. Talvez por isso. Além dos geógrafos que.

por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 11/1918 e posteriormente publicado na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro n 28 em 1923. Das três obras deste autor analisadas por Lia. O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929) Geografia Nacional . onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então. Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873). Lia considera que neste artigo está a primeira citação às idéias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil. a que mais nos interessa é A Geografia no Brasil . aparecem bem claras nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951). Ratzel que. foi também um profundo estudioso da Geografia alemã. com a visão de processo de Willian Morris Davies (1850-1934) na Geomorfologia e os estudos sobre a relação Ser Humano / Natureza no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918) e na Antropogeografia de Ratzel. Eduardo M. o o . também reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX. Trindade (1885-1959). paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855) . do que com memorizações locacionais. foi o principal material de divulgação das idéias de Ratzel por Capistrano de Abreu. Em sua avaliação. para centrar-se em estudos classificatórios que levam em consideração vinculações entre vários segmentos do conhecimento. traduzindo para o português diversas obras que tratavam do Brasil. É um artigo pioneiro no que tange a distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX. Ao notar um gradual afastamento da memorização.Capistrano de Abreu. Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado Maior do Exército. Essa tendência de se considerar como moderna uma Geografia que opera mais com correlações entre processos físicos e humanos. que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. fruto de uma conferência proferida no 2 Congresso Brasileiro de Geografia realizado em São Paulo em 1910. visto como o estilo negativo e o considerado científico. Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915). alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza como geólogos. Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia. considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil. como nas humanas. além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie de F. gestada no início do século XX. via corografia. O de enumeração de acidentes geográficos. tanto nas ciências da natureza. Trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia. apesar de não ter sido publicado no Brasil. publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904.

em 1913 sem êxito. editou seu livro mais importante Geografia do Brasil .. duas sobre aspectos físicos. posteriormente. Introdução à Geografia Política (1925). Publicou ainda mais três obras. juntamente com Everardo Backheuser. mas teve também envolvimento com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926). Em 1913. Backheuser era engenheiro com especialização em Geologia e Mineralogia e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. ( não à Ritter nem à Ratzel. na prática... pós-graduou-se em Economia na Inglaterra (1919). como assinala Lia. o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947) com suas pulsações climáticas e a noção de individualidade geográfica. aproveitando os dados coletados em várias agências de governo e Physiografia do Brasil (1923). tanto da natureza. como produto de uma conferência proferida na instituição. preso e.. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções.. um modelar trabalho didático. e por isso mesmo incompreendida por boa parte de seus pares.. onde misturam-se a Geomorfologia evolucionista de Willian Moris Davis. Percepção semelhante. “Delgado de Carvalho publicava. e uma sobre questões políticas. Possivelmente. reintegrado em suas antigas funções. as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 20. também já havia tido José Veríssimo da Costa Pereira (1955) ao tratar da “O Trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho” (p. atribuída por Delgado à Lucien Febvre (1878-1956) e. durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil. publicado em 1927 no no 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro. vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis. Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor. Nele Delgado advoga um novo enfoque para os estudos geográficos “a explicação” resultado das vinculações entre diferentes elementos. quanto da sociedade. nem à Vidal ). . considerado por Nilo Bernardes (1982:520-21) como uma obra a frente de seu tempo.”. quando em 1923. 425426) escreveu. Delgado.O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho Geografia-Sciencia da Natureza. onde estudou Ciência Política (1908). Méteorologie du Brésil (1917). Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906 e já em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país Le Brésil Meridional. dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro nos anos 20 e era considerado um dos mais articulados professores de seu tempo. como resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado Maior do Exército entre 1921 e 1931. Nascido na França. tendo por isso sido cassado.

considerado também por Orlando Valverde em seu depoimento. eu me lembro por exemplo de citações. ficou em branco naquela aula. era uma personalidade muito curiosa. depois colaborou com IBGE. uma glorificação do imperialismo da época. mas ele marcou de tal maneira a minha memória. o meu entendimento de garoto. o nome de Moris Davies apareceu pela primeira vez na minha vida.. obras em francês.. no período referenciado (1870-1930). porque eram as palavras. ele citava obra. européias em que esse. Colégio Pedro II ali da Av.. quando eu fui dar Fronteiras do Brasil. . O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros. debates esses que suscitaram argumentações de caráter espacial..Por exemplo. e européias. regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira. ou no Paulo de Frontin.” (Depoimento de Orlando Valverde a Roberto Schmidt de Almeida). no auge do imperialismo alemão.. ele teorizou sobre isso perfeitamente. Louis Agassiz (1807-1873).. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo. esse autor . Alexander Supam. que vinte anos mais tarde. era um nome até pouco vulgar... nenhuma. sabe que eu não tomei nenhuma nota.. eu ficava envergonhado comigo mesmo. como Fernando Raja Gabághlia (1886-1965). Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 20 juntamente com outros professores do ensino médio. foram objeto de estudo para Autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882). Temas como As raças e o meio tropical. escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias. principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro... eu tive um professor que depois colaborou. tinha um autor alemão. sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo. por exemplo sobre a colonização européia. e essa aula eu assisti entre 1930 / 1931. mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia.. Alfred Russel Wallace(1823-1913).. ninguém sabe. como por exemplo.. “Eu sou cria do Pedro II. quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo... uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas... foram motivos de intensas querelas intelectuais. Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco.. meu caderno.. resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais. Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época. Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909).. Artur Orlando da Silva (1859-1916). André Rebouças (1838-1898). essa coisa toda. em Hilderberg em 1967. primeiro resistiu.. como um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia. Marechal Floriano. porque eu.. José Couto de Magalhães (1836-1898). e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha. pois bem.. esse homem escreveu no começo do século. Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877). em inglês.Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia em 1925.. um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil.... política imigratória e mestiçagem. os de Albert Penck e Alfred Hetner . além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) sobre a precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça via miscigenação européia. os mapas na cabeça e tudo mais.. Tristão Alencar de Araripe (1821-1908).

Química e Física e os que a consideravam como uma Ciência Social somente. gerou grandes controvérsias entre os geógrafos. e que enfatizavam as ligações preferenciais com a Geologia. onde novamente a dicotomia físico-humana acabava por ordenar grupos diferentes de regiões tais como região natural e região humana ou cultural .Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico européias. uma característica que. relacionando-a com a Sociologia. principalmente nas décadas de 60 e 70. Pois sempre existiram aqueles que consideraram a Geografia mais física. No que concerne especificamente ao campo de análise das matrizes do pensamento geográfico. Nilo Bernardes analisa o conceito de região em suas diversas concepções. além de aprofundar a questão do conceito de corologia (arranjo e variação de um fenômeno no espaço) em relação ao conceito de cronologia ( variação de um fenômeno no tempo) na tradição científica alemã de Immanuel Kant (1724-1804) e seus efeitos nos trabalhos de Ferdinand von Richthofen (1833-1905) . Machado tornou-se uma referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil. quanto na França e Estados Unidos. Economia e Antropologia. tema que Nilo Bernardes cotejou inteligentemente comparando as determinações dos inúmeros congressos internacionais de Geografia sobre o assunto. Ciência Política. História. culminando em 1960 com a criação da Comissão para métodos de regionalização na União Geográfica Internacional por ocasião da reunião em Estocolmo. inclusive discutindo com muita clareza questões controversas como a luta entre as concepções deterministas versus o enfoque possibilista no meio geográfico europeu e americano e suas conseqüências no Brasil. no que tange ao estudo dos arranjos espaciais de seus fenômenos. alguns trabalhos sobre suas vinculações com a Geometria. Um outro ponto fundamental também foi motivo de análise. tanto na Alemanha. . além da posição deste ramo do conhecimento entre as ciências naturais e sociais. Geografia Sistemática e Regional. Alfred Hettner (1859-1941) e Albert Penk (1859-1945). tanto físicos quanto sociais. pois enfoca as principais correntes de pensamento. Paralelamente. a diferenciação entre região homogênea e região nodal. com vistas a uma institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 30. o artigo de Nilo Bernardes (1982) na RBG 44(3):391-413 sobre as principais características do que se convencionou denominar de pensamento geográfico tradicional é um dos mais esclarecedores. ao longo dos anos. Questões como as dicotomias entre Geografia Física e Humana. também trouxeram mais polêmica à discussão. Em sua parte final. O artigo de Nilo Bernardes consegue dar uma boa visão desses problemas. analisando alguns dos principais problemas espistemológicos por que passou a Geografia na primeira metade do século XX. Biologia. o ensaio de Lia O.

Alguns desses profissionais serão objeto de avaliação mais detalhada no capítulo III. Francis Ruellan. tanto em São Paulo (posteriormente liderado por Pierre Mombeig). tanto pelo lado da Estatística. apesar desta aparente dicotomia. por personalidades como Juarez Távora (Ministro da Agricultura). Gottfried Pfeifer. a criação quase simultânea dos cursos formais de Geografia. Pierre Gourou. Evocando Algumas Etapas da Geografia no IBGE Durante as décadas de 40 e 50 a Geografia brasileira estava dividida em dois grandes segmentos. Cole. Francisco Luis da Silva Campos e Gustavo Capanema (Ministros da Educação). com a formação e o aperfeiçoamento do corpo docente. garantindo recursos para pesquisa ou facilitando cursos de aperfeiçoamento técnico. Nilo também traçou um rápido perfil de algumas instituições de Geografia internacional que contribuíram com os profissionais brasileiros. José Carlos de Macedo Soares (Relações Exteriores). em virtude de suas origens comuns. até a estruturação do sistema de planejamento territorial do governo federal no IBGE. Pierre Monbeig. Michel Rochefort. o mesmo Nilo Bernardes apresenta outro artigo. . Trata-se da análise da influência dos professores estrangeiros que estiveram pesquisando e lecionando no Brasil após a década de 1930. Jean Tricart. Preston James. que trata da liderança e do carisma que estes pesquisadores e professores exerceram durante e após suas estadas no Brasil. Mário Augusto Teixeira de Freitas (organizador do sistema estatístico nacional) e Cristóvão Leite de Castro (estruturador do núcleo inicial de geógrafos do futuro Conselho Brasileiro de Geografia). ambos sempre estiveram em perfeita conexão. e o novo segmento voltado para a estruturação do sistema de planejamento territorial.Na mesma Revista Brasileira de Geografia 44(3):519-527. Processos gerenciados no nível acadêmico entre 1934 e 1939 pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines. Brian Berry e André Libaut foram descritos com muita precisão. Os legados de profissionais como Pierre Deffontaines. No entanto. John P. O que produzia conhecimento para uso na estrutura de ensino. também fundamental para o entendimento da evolução do pensamento geográfico no Brasil. como a União Geográfica Internacional (UGI) e o Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH). Entre meados dos anos 30 até o início dos 40. Jacqueline Beaujeau-Garnier. do qual o IBGE passou a ser o principal agente. Leo Waibel. quanto no Rio de Janeiro. mas organizados em nível mais alto. que também foi o criador da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Geodésia e Cartografia. Pierre Danserau. quanto pela Geografia. explicitando a especialidade de cada um e avaliando a influência de seus métodos na Geografia brasileira. foram processos gestados por uma estrutura organizada pelo governo Vargas.

primeiramente no caso da localização da futura capital. a Geografia foi convocada a definir algumas possíveis localizações para a futura implantação do novo Distrito Federal em alguma área do Planalto Central. quanto para pesquisa. na metodologia de pesquisa de campo e no processo de colonização. de cinco ibegeanos para estudos de aperfeiçoamento em universidades americanas. por vincularem o fator acessibilidade à área mais desenvolvida do país (São Paulo). pelo mesmo profissional (Deffontaines). a partir da ida para os Estados Unidos em 1942 do geógrafo brasileiro Jorge Zarur . abre-se também outras linhas de pesquisas. Leo Waibel para trabalhar exclusivamente no IBGE sobre processos de colonização. No mesmo período.I e II e Mombeig. os geógrafos que defendiam uma localização no Triângulo Mineiro. de certa forma. É nesse novo contexto que chega o alemão radicado nos Estados Unidos. Paralelamente. para se pós-graduar no mestrado da Universidade de Wisconsin. principalmente com os trabalhos de Deffontaines no Rio e Mombeig em São Paulo (Deffontaines. em áreas separadas mas operando em conjunto para não desperdiçar esforços. e as novas interpretações dos processos geomorfológicos. para fins de implantação física da futura cidade e a regional que teria de dar conta das futuras relações econômicas e demográficas da nova capital. Mais uma vez. No entanto. possivelmente. mas que. a Geografia da academia e a do sistema de planejamento no Brasil nasceram juntas e foram organizadas tecnicamente no Rio de Janeiro. tenha dado subsídios para uma outra. os estudos do habitat rural.1943). a relação entre a Universidade e o sistema de planejamento (IBGE) mostrou-se forte. que ficou mais ou menos circunscrita aos muros do próprio CNG. deu o tom das principais orientações de pesquisa. A vinda de Francis Ruelan entre 1940 e 1956 intensifica essas relações entre os geógrafos cariocas e a Geografia francesa. Na questão da localização da futura capital. De um lado. o debate se estabeleceu aparentemente por conta de duas posições divergentes.Portanto.1944 . principalmente em virtude do longo período de permanência e do seu carisma para formação de um grande número de profissionais. principalmente na área de estudos regionais. ocorridas durante o final de 1947 e início de 1948. como por exemplo. pois necessitava de avaliações de caráter físico e econômico em duas escalas distintas: a local. Na segunda metade da década de 40. muito mais forte e de graves conseqüências para o órgão no início dos anos 50. como uma estratégia que aliava . e do posterior envio em 1945. os estudos urbanos também já estavam tendo um desenvolvimento. com equipes distintas (Ruelan com a equipe da Universidade e Leo waibel com a equipe do IBGE). que possuía fortes raízes lablacheanas. Era uma espécie de diagnóstico integrado. Crise esta. iniciam-se crises no núcleo governamental de planejamento. A demanda governamental para o estudo dos processos de ocupação do território via mecanismos de colonização. tanto para ensino . apesar desses esforços conjuntos.

. o IBGE mostrava muito mais interesse em assuntos culturais e políticos do que em questões puramente estatísticas (ver detalhes em Penha. militares e a bancada dos estados do Nordeste viam com muito interesse a opção do Espigão Mestre. principalmente no que se referiu às questões entre decisões de Geografia Econômica e as argumentações geodésicas e geopolíticas. Speridão Faissol. com pedidos de demissão de toda a cúpula da Estatística do órgão e edição de publicações de refutação aos comentários do Presidente do IBGE feitas por Waldemar Lopes. em área próxima a cidade de Formosa em Goiás. muito mais séria. A escolha recaiu sobre a área de Goiás e foi corroborada em termos políticos por Teixeira de Freitas. no campo intermediário entre o técnico e o político. os geodesistas e militares positivistas usavam os argumentos da centralidade geométrica do território e das concepções geopolíticas de ocupação rápida da região central do Brasil. recentemente aposentado (1948) em carta ao Presidente da Comissão General Poli Coelho (IBGE. Mas. O debate na esfera técnica ficou por conta de Fábio de Macedo Soares Guimarães. chefe do Serviço Geográfico do Exército e Presidente da Comissão de Estudos para a Localização da Nova Capital do Brasil.1952). que iam da luta por maiores áreas de influência política. 1948 . as argumentações ficaram a cargo de Cristóvão Leite de Castro. se no campo geográfico uma crise foi abortada. em artigos na RBG (Guimarães. 1997:8386). 1993:84-85). geógrafo que coordenou os estudos geográficos do IBGE. Várias razões eram invocadas. revelou alguns conflitos entre as estatísticas primárias e as secundárias. Segundo Câmara. A vinda do General Poli Coelho para a Presidência do IBGE em 1951. Os políticos de Goiás e do Nordeste tinham interesses variados. a pedido de Poli Coelho. As revelações de Lourival Câmara foram amplificadas por Poli Celho na imprensa. Um relatório elaborado pelo estatístico Lourival Câmara. até o simples interesse especulativo das futuras terras a serem desapropriadas. abriu uma outra.A Localização da Nova Capital ). o que gerou uma crise administrativa que durou um ano e meio.economia (menos dispêndio de recursos em infra-estrutura imediata) e atratividade (a cidade não estaria em área muito distante e os investidores de São Paulo e sudoeste de Minas seriam mais receptivos à novidade). em depoimento à Revista GEO UERJ analisa o debate técnico (Faissol. os geodesistas. Secretário Geral do CNG. Secretário Geral do CNE. que moveu uma campanha que resultou no inquérito administrativo que levou à exoneração de Poli Coelho em 1952 (Lopes. 1949: 471 e 613). Do outro lado. O principal incentivador dessas teses era o General Poli Coelho. substituindo o extenso primeiro mandato de José Carlos de Macedo Soares Guimarães (1936-1951). na arena estatística.

No conjunto de caixas de processos administrativos guardados no Arquivo Histórico do IBGE. incluindo aí Cristóvão Leite de Castro. Faissol também deu sua versão sobre o início da cisão entre os dois profissionais de maior poder na Geografia. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur. a primeira vinculada a escolha do sítio da nova capital e a segunda aos problemas sobre a qualidade das estatísticas do IBGE. Zarur tenha se ligado fortemente aos militares que destituíram Getúlio Vargas em 1945. que era o representante do Ministério da Educação no Diretório Central do Conselho resolveu contemporizar com os militares. refere-se aos entendimentos de Zarur com Haroldo de Azevedo da USP. a documentação também ilumina algumas querelas que ocorreram durante a gestão da presidência do General Polli Coelho e de seu Secretário Geral do CNG.A instauração da comissão de inquérito pelo Ministério da Justiça. em meados da década de 40. Um outro ponto colocado por Faissol. Jorge Zarur. eclode o inquérito administrativo contra Cristóvão Leite de Castro e com sua demissão. que nas visões de Orlando Valverde e Speridião Faissol. Coronel Edmundo Gastão da Cunha em 1951. acertada numa reunião na cidade de Lorena. Em meio a essas crises.Pasta 200/18-018 (ver anexos Documentos Administrativos) . No mesmo depoimento. foi encontrado um processo que mostra um movimento de antagonismo claro entre Fábio de Macedo Soares Guimarães. 1994:49-50 e Faissol . Além desses comentários evocativos feitos por Speridião Faissol. envolvido num mal explicado inquérito de corrupção de desvio de sabonetes do IBGE para sua residência. nomeado por Edmundo Gastão da Cunha como Diretor da Divisão de Geografia (DG). (Valverde. acabou gerando um ambiente de perseguições. o General Poli Coelho nomeia em seu lugar na Secretaria Geral do CNG. Caixa 41 . inquéritos administrativos e demissões aos antigos colaboradores de Teixeira de Freitas. Faissol argumentou que as questões sobre disputa de poder entre Zarur e Fábio pudessem ter se iniciado antes. diretor da Divisão de Documentação e Divulgação (DDD) e Jorge Zarur. o que foi encarado como uma traição por Fábio.depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). Orlando Valverde e outros. localizado na Reserva Ecológica do Roncador em Brasília. para a fusão entre Rio e São Paulo numa Associação dos Geógrafos Brasileiros nacional. quando da volta de todos dos Estados Unidos. um Coronel do Serviço Geográfico do Exército. levou muito tempo para tomar a decisão de afastamento de Poli Coelho da presidência do IBGE. O processo se inicia no bojo das duas crises situadas entre 1948 e 1952.

Encaminhamento para a DG. pois essas duas seções estavam concentradas em projetos na SR Sul. Reconhece que Lisia é bastante útil à DG. Resposta da DG . O SG do CNG arbitra que a Geógrafa Míriam Mesquita seja transferida da DG para a DDD em 30/05/1951. a Divisão de Geografia e a direção da AGB do Rio de Janeiro. sendo que Lisia era chefe do setor de Prontualização e Informações da DG. caracterizado por dois postos de referência. Magnólia e Olga. nunca assumiram posições conflitantes que colocassem em cheque a qualidade dos grandes projetos. Coloca também que. Nilo Bernardes e Miriam Guiomar Coelho Mesquita. 4 na DDD. como Cartografia. 2 no gabinete do SG. 1 á disposição do Diretório Regional do Estado do RS e 1 em estágio em universidade na França. 2958 – 04/05/1951 Assunto: Lotação de servidores na Seção Cultural. em substituição ao chefe anterior José Veríssimo da Costa Pereira que passou a exercer o cargo de Secretário Assistente. que eram muitas vezes desenvolvidos por profissionais dos dois grupos. Analisa a lotação da Seção Regional Sul da DG e argumenta que apenas Orlando Valverde saiu da SR Sul e que os estudos da SRS estão também a cargo de mais três geógrafos ainda lotados na SR Leste. Encaminhamento a DDD para conhecimento e manifestação a respeito. explicando que dos servidores Cecília. Explica que o geógrafo Orlando Valverde está proposto para chefe da Seção Cultural. as da DDD também. A partir daí formaram-se dois grupos antagônicos que lutavam pelo poder. por três geógrafos lotados na Divisão de Geografia (chefiada por Jorge Zarur).Proc. Finaliza apresentando as principais atribuições da DDD listando 11 conjuntos e apresenta um quadro de distribuição de Geógrafos no CNG (34 na DG. sobretudo após a saída de Poli Coelho do IBGE em 1952 até a volta de José Carlos de Macedo Soares Guimarães em novembro de 1955. Magnólia de Lima -Geógrafo auxiliar e Olga Maria Buarque de Lima –Geógrafo contratado) que estavam lotados na Divisão de Documentação e Divulgação(chefiada por Fábio de Macedo Soares Guimarães). Advoga que se todas as Seções da DG manifestam a necessidade de geógrafos. O Assistente Fisiográfico Antônio José de Matos Musso está assumindo interinamente a chefia da Seção de Documentação enquanto durar o impedimento do titular Virgílio Corrêa Filho. Mesquita. já havia transferido para a DDD os geógrafos Orlando Valverde e Antônio José de Matos Musso. Explica também as funções de Nilo e Lisia Bernardes. Lisia Maria Cavalcanti Bernardes. Explica que não se trata de troca de servidores e sim de necessidade de lotação para cobrir áreas da DDD. de reconhecida capacidade. as outras estão no gabinete do Consultor Técnico e Jurídico do Secretário Assistente. Seguem-se as assinaturas de ciência dos respectivos diretores das Divisões e os procedimentos burocráticos decorrentes. Fala da saída para estágio na França da servidora da DDD Maria da Conceição Vicente de Carvalho. . Solicitação feita ao Secretário Geral do CNG ( Edmundo Gastão da Cunha) de substituição de três servidores (Cecília Cerqueira Leite Zarur -oficial administrativo.Informa que só será possível a transferência da geógrafa Miriam Guiomar C. mas que também será útil à DDD. anteriormente.Explica as dificuldades de lotação de servidores técnicos na DDD analisando os problemas de distribuição nas demais áreas do CNG. apenas Magnólia está lotada na DG. Resposta da DDD . mas que na arena de trabalho do IBGE.

Nessa lista estavam todos os principais geógrafos da Divisão de Geografia que colaboraram tecnicamente com o congresso. gerando uma crise administrativa com vários pedidos de exoneração dos geógrafos que estavam em cargos de confiança sob a liderança de Fábio. Na carta. publica a carta de confirmação de Fábio de Macedo Soares Guimarães no cargo de Secretário Geral do CNG.Faissol revelou também o episódio que o levou à chefia da Divisão de Geografia em novembro de 1956. No contexto burocrático. com a exoneração de Orlando Valverde e a conseqüente exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. na seção Noticiário da Presidência do IBGE. O BS 218 de 15/09/1956. durante a gestão de Jurandyr Pires Ferreira. a ordem de serviço determinava que “Os geógrafos e estagiários que não estejam inscritos na relação supra e. o episódio pode ser acompanhado pela leitura de alguns dos Boletins de Serviço editados entre agosto e dezembro de 1956. . Jurandyr Pires Ferreira esclarece que houve um compromisso entre ele e o presidente anterior (o Embaixador José Carlos de Macedo Soares) pelo mantenimento de Fábio na SG do CNG até a finalização do XVIII Congresso Internacional em agosto. O BS 228 de 23/11/1956 apresenta na seção de Instruções e Ordens de Serviço a OS de 08/11/1956 do Diretor da Divisão de Geografia (Orlando Valverde) que cria oito grupos de trabalho para “executarem as tarefas mais urgentes da D. decidiu mante-lo no cargo. Mas que por observar seu trabalho junto a SG durante o congresso. estando em exercício na DG. deverão faze-lo imediatamente. a saber: Grupo 1 Mapas de População (chefes: Elaza Coelho de Souza Keller e Heldio Xavier Lentz Cesar) Grupo 2 Planalto Centro-Ocidental (chefe: Pedro Pinchas Geiger) Grupo 3 Fitogeografia (chefe: Luiz Guimarães de Azevedo) Grupo 4 Geografia dos Transportes (chefe: Ney Strauch) Grupo 5 Clima (chefe: Ruth Simões) Grupo 6 Relevo (chefe: Alfredo Porto Domingues e Antônio Teixeira Guerra) Grupo 7Geografia das Indústrias (chefe: Míriam Mesquita) Grupo 8 Geografia Urbana (chefe: Lisia Bernardes)” Cada grupo teria em média cinco componentes e nos parágrafos finais. G . a fim de serem engajados em algum dos grupos ora constituídos. e não tiveram ainda entendimento com o Diretor da Divisão. O Boletim de Serviço .BS 213 de 10/08/1956 mostra a lista de delegados do IBGE junto ao XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. realizado no Rio de Janeiro.

São também designados os seguintes geógrafos Antônio Teixeira Guerra (seção Regional Norte). Dora Romariz (seção Regional Sul). Lísia Bernardes (seção de Estudos Sistemáticos). Em sua alocução de posse. Nele estão as portarias 70. para a conclusão das tarefas atribuídas ao grupo respectivo. na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG.” O próximo BS 229 de 30/11/1956 é o que determina o início de um processo de modificações na estrutura de chefias da SG e da Divisão de Geografia.Assistente da SG do CNG. com os comentários do Presidente do IBGE Jurandyr Pires Ferreira e o discurso proferido por Speridião Faissol na cerimônia de sua posse na Divisão de Geografia do CNG. Estes são. O BS 230 de 07/12/1956 na seção informações diversas.Os grupos de trabalho iniciarão suas atividades imediatamente e é recomendado aos respectivos chefes que estabeleçam desde já prazos. O plano de Orlando Valverde é exposto nas páginas 3 e 4 do BS. e a nomeação do Contador Olmar Guimarães de Souza para o cargo. seguida da designação do mesmo servidor para a seção Regional Nordeste. O BS 231 de 14/12/1956 apresenta na área referente aos atos do Secretário Geral do CNG a exoneração a pedido de Nilo Bernardes do cargo de Secretário.71. No caso de Alfredo Porto Domingues é determinada uma exoneração ( seção Regional Sul). Ao final da seção de processos. portanto de caráter episódico. Também aceita os pedidos e exonera quatro geógrafos de suas chefias da DG. . Solange Tietzmann (seção de Atlas e Ilustração) e Edgar Kuhlmann (seção Regional Centro Oeste). Lindalvo Bezerra (seção Regional Nordeste) e Lúcio de Castro Soares (seção Regional Norte). constam a portaria de elogio aos funcionários do gabinete e memorandos à Diretoria de Administração sobre férias. ainda que provisórios. aparece também uma correspondência datada de 31 de outubro de 1956 enviada pelo gabinete da Divisão de Geografia encaminhando o plano de trabalho da obra Geografia do Brasil em três volumes para ser elaborada entre 1956 /1957. Faissol elogia o governo de Juscelino Kubitschek e a gestão de Jurandyr no IBGE e faz um apelo aos geógrafos pela união em torno da obra Geografia do Brasil. Eloísa de Carvalho (seção de Estudos Sistemáticos).72 de 22/11/1956 que exoneram Fábio e Orlando e que nomeia o engenheiro Virgílio Alves Corrêa Filho para a chefia da SG do CNG e a portaria 74 de 26/11/1956 que nomeia Speridião Faissol para a Divisão de Geografia. consta a ata. No mesmo boletim 229. Serão concedidas aos grupos de trabalho todas as facilidades administrativas possíveis para apronta e eficiente execução de suas tarefas. Heldio Xavier (seção de Atlas e Ilustração).

da qual levantamos alguns trechos “. onde o Secretário geral faz suas despedidas e lê a carta dirigida ao Presidente Jurandyr. integra o GT de Relevo ao Setor Geomorfológico da Seção de Estudos Sistemáticos e o GT de Geografia das Indústrias ao Setor de Geografia Econômica. Desejando.No mesmo BS 231 está publicada a ata da 327 reunião ordinária do Diretório Central do CNG ( a última presidida por Fábio). conforme se verifica em sua carta de 7 do corrente.. contudo.. a falta de um motivo ponderável para que pudesse compreender e extensão de sua decisão. Extingue o GT de Mapas de População.. imprimindo uma outra ordem de prioridades. coloca-lo absolutamente à vontade para que possa dispor dos cargos de direção deste Conselho sem o menos constrangimento. designa o Prof. tive ensejo de manifestar. Suspende temporariamente as atividades do GT de Transportes.. porque desejava poder contar com sua colaboração como. Prioridades e ações que conflitavam com dois grupos de profissionais.. aos quais me acho ligado poe estreitos laços de admiração e afeto.” No mesmo corpo da ata também está assinalada a resposta de Jurandyr. não veio a sofrer alteração em nenhum instante de nossas relações administrativas. fortalecidos durante longo período de leal e eficiente colaboração. Quando Vossa Excelência.. evidentemente entrar nas razões de foro íntimo que motivaram o seu afastamento – mesmo porque. teve a bondade de anunciar-me pessoalmente sua decisão de confirmar-me no cargo de Secretário Geral deste Conselho. que já lhe fizera recentemente. Lamento profundamente o caráter irrevogável do seu pedido de demissão. tive ocasião de manifestar-lhe o meu desejo de que o fossem também os meus auxiliares diretos. Acresce. A importância desta seqüência de eventos está relacionada a algumas questões de fundo político ocorrida com a chegada de Juscelino a Presidência da República. hoje entregue ao Diretor da Divisão de Geografia. além de determinar transferências de quatro funcionários do GT de Geografia Urbana de volta a seus postos anteriores. entretanto. distribuindo as tarefas pelos setores de Estudos Sistemáticos e de Atlas e Ilustrações. pessoalmente. integra o GT Planalto Centro-Ocidental na Seção regional Centro-Oeste. possível realizar-se por motivos que somente a Vossa Excelência cabe apreciar. para que se digne conceder-me exoneração do cargo de Secretário Geral. em nossa conversa há quase dois meses. tive ensejo de expor claramente a orientação que. Kurt Huck para a chefia do GT de Fitogeografia e transfere o geógrafo Roberto Galvão para a Seção Regional Norte. os que se assumiam a . Tal não foi.” Finalmente o BS 232 de 21/12/1956 na seção de Instruções e Ordens de Serviço aparece a OS de 12/12/1956 do Diretor da DG (Faissol) iniciando o processo de modificação dos Grupos de Trabalho. por conta das articulações políticas que eram feitas pelo Partido Social Democrata (PSD). não me cabendo. entretanto. venho respeitosamente reiterar a solicitação verbal. há pouco mais de dois meses. pois... onde percebe-se a conotação ambígua sobre o real motivo do pedido de exoneração “. estou certo.

importante geógrafo que possuía fortes vinculações com o estamento militar ligado ao PSD mineiro. que haviam sentido o gosto da vitória política ao ver Getúlio Vargas sair do poder. a figura do piauiense Jurandyr. aspectos até então desconhecidos do . que para agravar mais o processo. Era necessário criar projetos de maior porte. a capacidade de planejamento e a operosidade de Faissol e Antônio Teixeira Guerra à frente da DG entre 1956 e 1961 geraram um conjunto de obras que ainda são marcos de referência da produção geográfica do IBGE nesse 60 anos. que apenas acentuou uma antiga disputa entre os aliados de Jorge Zarur e os de Fábio onde. garantiu uma estrutura de trabalho dirigida à grandes projetos que garantissem um bom nome a sua gestão e ao período juscelinista. com Speridião Faissol. na gestão de Juscelino era considerado um retrocesso na função organizadora do Aparelho Estatal. empurrou Faissol para a liderança do grupo de Zarur. Geografia e Cartografia que informavam pela primeira vez em abrangência nacional. ligando Estatística. representados pelas publicações de obras de pesquisa sistemática. o que acabou por se configurar com o repentino falecimento de Zarur em 1957. Faissol é escolhido para chefiar a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. seria necessário substituir certos nomes que estavam vinculados aos métodos de trabalho do presidente anterior. um típico representante do profissional de Estado. No contexto do IBGE. via suicídio em 1954. rivais políticos do PDS. Para que isto ocorresse. O segundo grupo era formado por partidários da União Democrática Nacional (UDN). A força das ações de Macedo Soares e particularmente de seu sobrinho Fábio de Macedo Soares a frente da SG do CNG ainda foram sentidas por Jurandyr durante o período do XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio e fortemente organizado pela estrutura logística do IBGE. mas não necessariamente Getulistas do Partido Trabalhista Brasileiro. Os udeenistas. Marcos fundamentais. com pessoal de confiança e a confiança só viria de pessoas que fossem articuladas com a nova política de Juscelino e assim foi feito. embora não sendo mineiro. cunhado de Jorge Zarur. Para estes. Porém. de características majoritariamente urbanas. o forte conteúdo partidário nas decisões consideradas técnicas. o principal era o Embaixador José Carlos Macedo Soares em seu segundo mandato (17/11/1955-03/05/1956). encontravam-se agora submetidos aos liames da política mineira que sempre operou com as articulações e dissimulações típicas de partidos com forte poder em áreas rurais. isso não durou muito. A proposta de substituição criou um conflito entre Fábio e Jurandyr e gerou uma crise. Apesar dessas crises. para observadores privilegiados da cena como Pedro Geiger e Elza Keller.como profissionais do Governo Federal do tempo do Estado Novo. no estilo de Teixeira de Freitas e Cristóvão Leite de Castro nos anos 40.

sobretudo franceses. a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário. Nela. Mas outros tipos de pesquisa também eram desenvolvidos. Apresentando também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento. perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de bom nível. Além disso. A coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (19571964) com 36 volumes. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956. exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões que envolvem a relação entre a Geografia e o desenvolvimento. com o francês sendo praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários. 1956). já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas. vários geógrafos europeus.território nacional na escala municipal.os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socio-econômicos da Baixada Fluminense feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 ( Geiger e Mesquita. com os convites a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste para elaborarem alguns guias de excursões. o Atlas do Brasil (1959) a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960). Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956. combinadas com os dois períodos pós golpe de 1964. Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento. o do General Agnaldo José Senna Campos (10/04/1964-03/04/1967) e o de Sebastião Aguiar Ayres (04/04/1967-23/03/1970). criaram na Geografia um ambiente bem diferente do que era nos anos 50. 1959). No início da década de 50. enfatizando os aspectos sociais e menos vinculada ao estudo da paisagem. somado às bolsas de . Coleção Geografia do Brasil (1959). quanto aos aspectos acadêmicos. As mudanças de fase ocorridas entre a saída de Jurandyr Pires Ferreira e as curtas gestões de Rafael da Silva Xavier (10/021961-09/11/1961). As principais linhas de pesquisa geográficas durante a década de 1960 no Brasil sofreram uma transição interessante. e que o treinamento dado por Ruellan. a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade se solidificou ainda mais. José Joaquim de Sá Freire Alvim (13/11/196101/10/1963) e Roberto Bandeira Accioli (14/10/1963-31/03/1964). explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 50. Um exemplo bem interessante foi a publicação na RGB de uma Conferência dada por Milton Santos para o curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia em fevereiro de 1959 (Santos. tanto no que concerniu às questões de logística do congresso.

Sulamita Hammerly. Minas Gerais e Espírito Santo. Hilda da Silva. O mais curioso. O seu livro Evolução da Rede Urbana Brasileira (Geiger. classificando cidades. que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. esposo de Lisia. Chamou-se O Rio de Janeiro e Sua Região ( Grupo de Trabalho de Geografia Urbana. 462p. O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas. pelo mesmo Pedro Geiger que já havia iniciado na década de 50. nesta época. e posteriormente. Ceçary Amazonas.. os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP). O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG. definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo.aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês haviam criado uma elite profissional muito eficiente. 1964 ou Bernardes L. 1964). O prefácio de Nilo Bernardes. Rio de Janeiro. Um desses professores foi Michel Rochefort. foi notável. que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara. correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lisia Bernardes no IBGE. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães. criado em 1961 e coordenado por Lisia Bernardes e editado em 1964. 1963. aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil. A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort. a partir de um polo metropolitano. a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 60 e editada em 1963. Sua produção geográfica computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Panamericano de Geografia e História (IPGH) realizado . é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil. A produção e a qualidade dos trabalhos de Pedro Geiger no contexto dos estudos urbanos em geral e no de redes urbanas em particular.). Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso. Foi o primeiro trabalho de detalhamento operando numa escala intermediária. No entanto. Maria Emília Teixeira de Castro Botelho. durante toda a década de 60. Olga Maria Buarque de Lima.

Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE. mas contraditório do IBGE. Departamento de Geografia. Poder e Golpe de Classe (Dreifuss. empresários. foram as que mais aproximaram o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 60. com 10 trabalhos entre 1952 e 1963 e na de Roberto L. Funcionários públicos. É possível perceber que a Geografia que se vinculou às idéias de desenvolvimento. Campos fica bem a vontade em escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros. incluindo aí os primeiros governos do Ciclo Militar. volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subseqüentes governos militares. denominado pelo autor de “Complexo IPES / IBAD”. ver Almeida (1994) e Geiger (1988:64/65) que analisa com muita sensibilidade esse período importante. Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias.. Neste mesmo período.em Buenos Aires. Corrêa. praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas até os anos 90./jun. a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo. mas como a sua vida pública. o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). 1995).Ação Política. iniciada em 1938 no Itamarati. editado na RBG em 1963. É. Cada um deles observando o processo de maneira diferente. As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. com Dreifuss mapeando sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado no período imediatamente após o golpe de 1964. tratando somente sobre redes urbanas. Müller. apresentou-se na contagem de Nice L. . Por se tratar de memórias. 1963). muitos dos quais conspiradores de primeira hora. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições. A Lanterna na Popa: Memórias (Campos. Pedro Geiger também coordenou um impressionante trabalho de análise sobre a industrialização na Região Sudeste. sem sombra de dúvida. formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores. políticos. civis e militares. RBG 25 [2] abr. Para se ter uma visão panorâmica e diversificada sobre esta fase conturbada de nossa história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: A Conquista do Estado . que também tornou-se um outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE. 1981). 1994) e Pensamento econômico brasileiro : o ciclo ideológico do desenvolvimento (Bielschowsky. jornalistas e outros. com cinco entre 1957 e 1964. no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 50.

O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE. muito lugar para a Geografia física. eles foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos. conforme nos indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (Abrantes.1991/1992). . quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira. analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel. com a saída de Speridião Faissol da Secretaria Geral do CNG. pois na segunda metade dos anos 60 a participação dos segmentos de estudos físicos. juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (Geosul. Separadamente. Foi também neste período que se verificou uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE. enfatizando a análise do setor terciário. um economista com forte veia de historiador. 1968 e 1989). um economista muito caro aos geógrafos e que foi alvo de uma entrevista no número especial da Revista Geosul . procurando dar conta de uma intensa urbanização que havia se iniciado no final dos anos 50 e que nos anos 60 já começava a mostrar seus efeitos. o desenvolvimentismo. foi organizada por Ricardo Bielschowsky . que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro. e é sobre este espólio que as novas idéias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. reduziram-se fortemente. principalmente sobre Redes Urbanas e trabalhos sobre Regionalização. No que concerne aos estudos sobre redes. principalmente a da região sudeste. 2000). agora na chefia da Secretaria Geral do CNG e tendo como chefe da Divisão de Geografia. É justamente nesta época.A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos. inicia-se uma mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE. que estavam estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas / José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram um grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek / Jurandir Pires Ferreira. tanto em termos de crescimento metropolitano. ou pelo menos assim se convencionou acontecer. que a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais se acentua no Brasil. comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 40 e 50. Os principais vetores de estudos desta fase foram as pesquisas de Geografia Urbana. Em 1964. o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período após os anos 60 até o final dos 80 (Corrêa. substituído por René de Mattos. Não haveria no contexto do IBGE. com exceção da climatologia. coincide ainda com o poder de Faissol. Antônio Teixeira Guerra. o neoliberalismo. de cunho administrativo. e o socialismo.

O presidente de honra era o General Senna Campos. Será neste novo contexto de pesquisa. a influência de Michel Rochefort é indubitável (Rochefort. Marilia Velloso Galvão. posição que vai se acentuar com os resultados dos censos demográfico e econômicos de 1970. Para que se tenha uma visão mais clara da transição ocorrida nesta época. Bertha K. Haidine da Silva Barros e outros. Solange Tietzmann Silva. Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE como Olindina Viana Mesquita. 1998:93). Miriam Mesquita. Processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na gestão Isaac Kerstenetzky nos anos 70. Lacorte. Padre Laércio Dias de Moura e o Secretário Geral do CNG o engenheiro René de Mattos.Dentro deste contexto. principalmente após o golpe de 1964. sendo substituída por Marília Veloso Galvão em 1968. que a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que ficou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa. é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado no Rio de Janeiro em 1965 pela Associação dos Geógrafos Brasileiros. Professoras como Maria do Carmo Galvão. com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha. O índice das nove excursões realizadas mostra uma forte tendência para as questões urbanas. mas sob a chancela do IBGE (Associação dos Geógrafos Brasileiros. que enfocava o processo de metropolização. Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização. No novo Departamento de Geografia (DEGEO). que transformou o IBGE em Fundação. que gerencia a transição administrativa ocorrida em finais de 1967. os textos ainda espelham uma clara opção para a análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados. Entre 1965 e 1967 Lisia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG. coordenado por Speridião Faissol. Becker. colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal. Maria Helena C. Um outro ponto interessante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro. a partir de 1968. exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. inicia uma grande reforma nos cargos de chefia do departamento (anexos Documentos Administrativos) e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). organizados no IBGE durante as gestões de Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970). . os vice presidentes eram o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. 1965:81). Todo o comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE e os nove sub-comitês também.

educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão). que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. Processo que duraria quase toda a década de 70 e que. 1968: 180). . Essas atividades e obras. isto é. Geografia Quântica (sic) ou Quantitativa (Andrade. resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado. População 10. aparentemente. servem como um ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal. o primeiro do ciclo militar. que somada às informações intrínsecas ao assunto. Geografia Teórica. Agricultura 29. O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à Regionalização. Este inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE. conduziram à necessidade de uma vinculação forte entre a Geografia e a Estatística foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de um novo Sistema de Planejamento criado nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco.Nova Geografia. No entanto. 1977:13). apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10. eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios. Esses estudos deveriam dar conta de uma nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. atual IPEA) para aplicação de um inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros. Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9 ). ocorridas durante o final dos anos 60. Indústria 22. terminaria no início dos anos 80 e reaparecendo sob outra forma nos anos 90. ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade. Em todas as séries. conforme os estudos de Michel Rochefort e Jean Hautreux para a rede urbana da França (Rochefort e Hautreux. sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões. hospitalar e clínico especializado. de certa maneira. Os primeiros trabalhos que. a preocupação final era gerar uma regionalização específica do tema tratado. avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços como o bancário. da qual a Geografia do IBGE fazia parte. considerado como uma síntese. 1963). Além das 208 páginas escritas. Transportes 8. que no caso específico do capítulo Centralidade (Corrêa. garantiriam subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas. a obra Subsídios à Regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade.

Primeiramente. pois os do IBGE estavam em fase de instalação. Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de teste de suas pesquisas. a saída de Lisia Bernardes em 1968. No nível institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba antigos professores da PUC. . A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE. embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva um especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. Um outro ponto de ligação se estabeleceu com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica. Berry era um dos principais líderes do segmento da Geografia americana que operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores. os dois geógrafos. Cole. chega da Inglaterra o geógrafo John P. na discussão sobre o conceito de Região de Planejamento (Santos. Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas que eram desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos. Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU). onde assumiu cargos na alta administração e. As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC. depois. que havia ganho uma bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro e era também um especialista em métodos quantitativos. sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (Berry. como Secretária Geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE). 1967) e Friedman era um conceituado planejador regional da Califórnia. com muito trânsito na alta administração da universidade e que haviam sido indicados em março de 1970 para. respectivamente. posteriormente.1997:86). O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. no início dos anos 70 foi estruturada sobre vários fatores. aliado ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. 1959:99). para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA. no Ministério do Interior. estavam agora sem interloucutores. que já havia colaborado com brasileiros na Bahia no final dos anos 50. principalmente levando-se em consideração a magnitude espacial brasileira. como uma série de coincidências e de golpes de sorte que o levou a conhecer Brian Berry e John Friedman (Faissol.O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ. no novo governo da Fusão Rio de JaneiroGuanabara. Posteriormente. presidente e diretor geral do IBGE.

quando retornou de seu mestrado em Nottingham. como Pedro Geiger e Elza Keller chefes de divisões e a própria Marília Galvão. onde a Geografia Física. Além disso. liderança que continua até hoje no campo do Geoprocessamento de informações. ou nos Estados Unidos como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva ( que veio a falecer em Chicago. não se mostrou interessada nas novas técnicas. O interessante é que em Rio Claro. Ainda no contexto universitário. como chefe do DEGEO. Indubitavelmente. Estatística. criado em 1972. Em contraste com a do IBGE. e noções de computação (que na época estavam baseadas em conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran. O GAM não existia na estrutura formal e seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol. já utilizadas nos centros de computação das universidades). quanto na de Geografia Física. Muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques por que passava a Geografia foram entabuladas entre os ibgegeanos e os professores de Rio Claro. quando redigia sua tese de doutoramento). Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso. Uma outra frente de pesquisas foi aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro. incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de concentração em Geografia Humana. onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas. Um outro fator foi a ausência de atribuições administrativas que fragmentaria os estudos e pesquisas. o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ. que foi imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). que enfatizava uma combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática. quando retornou seu mestrado em Chicago. assim como Olga Buarque de Lima. Maurício de . como no caso de Olga. também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas. neste contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira. que já estava alijada desde os anos 60. como no caso de Olga Buarque de Lima e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva.O afastamento de Lisia abriu um espaço importante no campo dos estudos metropolitanos. uma boa parte dos geógrafos que estavam em cargos de chefia. Basic. que tornou-se um polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. O lançamento de um periódico denominado estranhamente de Geografia Teorética torna-se o porta voz do movimento na UNESP. pertencente a Universidade Estadual Paulista (UNESP). as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia física e da humana. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer a pósgraduação ou na Inglaterra. PL1. Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos. Roberto Lobato Corrêa.

Perroux. A produção geográfica desta fase é predominantemente de Speridião Faissol. em virtude da estrutura do órgão. lista 20 trabalhos sobre urbanização. Em seu depoimento. a carreira de Faissol alcança prestígio e poder tornandose em 1973 Superintendente da Superintendência de Pesquisas. Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos. (depoimento a Roberto Schmidt de Almeida). teoria. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele. que mostrou uma impressionante capacidade de. Olsson.Almeida Abreu. ele considerou que não foi uma tarefa fácil. cadeia de Markov. Em 1989. pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional. passando pelas técnicas de análise fatorial.1975). Lasuen e Dacey e o volume Tendências Atuais na Geografia Urbano/Regional: teorização e quantificação (Faissol. por conta da facilidade de captura do dado e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores. posteriromente alterada para Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e em 1977 torna-se Diretor Técnico. além de escrever. até a saída de Isaac em 1979. Inicia explicando o “como foi”. análise de grupamento. iniciaram um período de alta produção de artigos e livros. correlação canônica. também organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina. além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil ( o exemplo de Akin Mabogunje. já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. e utilizando técnicas que de certa forma aceleravam os resultados.1989). quando retornou de seu doutorado em Ohio. regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol entre 1970 e 1978. desenvolvimento econômico. tentando reconstituir . No plano interno da Geografia e do IBGE. estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. migrações internas. No contexto da Geografia Econômica. análise discriminante. coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização. além de gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento. como agência possuidora do maior banco de dados do país. análise regional. Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (Faissol. uma seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações.1978). os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação aos de outras instituições. Professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI é o mais relevante). A RBG 47 (1/2) de 1985.

David Harvey. Faissol explica num importantíssimo pé de página (Faissol. pois não viviam com esses problemas em seus países.. que havia criado no final dos anos 60. um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento.1973). a primeira tinha sido Explanation in Geography (Harvey. nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas. Peter Gould. Pedro Geiger e Elza Keller como sendo decisivas para a Geografia se fazer presente no sistema de planejamento brasileiro. Derek Gregory. 1969). Willian Bunge. enfatizando a contribuição dos geógrafos como Brian Berry.. uma Comissão de Métodos Quantitativos.1989:27). que vieram posteriormente. quanto nos desdobramentos que ocorreram a partir de 1973/74. sendo. sobre a participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares. a função e atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 60. quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (Harvey. quando se inicia a relação entre a Geografia urbana / industrial e regional e as estatísticas visando o planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro. Ian Burton.as fases iniciais do processo. Harvey provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo. em Social Justice and the City. e não um americano ou europeu que não conseguem perceber as dificuldades inerentes a qualidade ou não do dado. foi muito importante pois tratava-se de um Professor de uma universidade de país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos. A parte final do artigo de Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teóricoquantitativo e analisa rapidamente a questão ideológica em linhas gerais e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física. Na segunda parte do artigo. . dez anos antes do movimento quantitativo e parabeniza as participações de Lisia e Nilo Bernardes. David Harvey se apresenta como um grande metodólogo da teorização e quantificação. Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais. Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa. Se em Explanation in Geography. enfatizando a UGI. A figura do presidente dessa comissão o Professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje. portanto. Tanto na fase inicial do processo. Quanto as críticas.

”Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia. pelo seu grande tamanho e por sua complexa estrutura interna.50 Contudo. talvez muito otimismo inicial. correspondendo cada um deles a uma macro-região. Mas. O exemplo da coleção Geografia do Brasil de 1977 foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE. O sabor do novo versus o risco da troca entre o conhecido e o possivelmente inalcançável. é importante assinalar que as dificuldades enfrentadas pela comunidade de geógrafos que não estavam diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação. conforme se verificava que seria necessário tomar decisões cruciais em termos de carreira. Reconhecidamente. onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual”. matemática. permanecia e permanece a questão: se o espaco é socialmente produzido. seguido de uma crescente ampliação das incertezas. pela unidade da Geografia. se ele é um conceito simultaneamente territorial e social. Apesar do aparente poder de produção. estatística . posteriormente que isto não seria viável. derivados das pesquisas quantitativas. p. O produto resultante apresentou-se intimidador. O resultado foi. mas que posteriormente. para que se garantisse um razoável manejo das novas técnicas. as principais modificações espaciais por que passam alguns processos de ocupação do território brasileiro. a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. pois grandes projetos como a coleção Geografia do Brasil. inclusive nos capítulos citados. foram alguns dos inúmeros dilemas com que se deparou o conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 70. mais ou menos decenalmente. mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro. o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das pré-condições. ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau. Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e a organização agrária de cada região. editada em 1977 com cinco volumes. pois não haveria público leitor para este tipo de obra. estes foram dilemas que incomodaram inicialmente os ibegeanos. alcançaram uma boa parte da Geografia acadêmica do Brasil. alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos que se vinculavam também à pesquisa. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. foram bastante significativas.. Fase esta que se caracterizou por otimismos e incertezas. sofreram algumas pressões de parte dos quantitativistas para que os capítulos da parte humana fossem totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). sempre se argumentava. obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava. Percebeu-se. E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço. também.

apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística. era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e . marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia. Jean Tricart. esforços de aprendizado e carreirismo. o que tornava ainda mais difícil o aprendizado. o presidente do IBGE Isaac Kerstenetzky. mas a regra era esta.. mas uma concessão inócua. Beaujeu-Garnier. um economista urbano com preocupações na distribuição de renda para trabalharem com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas com urbanização / industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil.. É importante frisar que não havia na década de 70. concordar.e linguagens de computação necessários ao desenvolvimento dessas técnicas. Sorre e Juillard. a força da Geografia francesa centrada nas obras de Pierre George. um economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira e Joel Bersgmann. O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras nos anos 70 era um tanto instável. Essa novidade efetivamente veio para selar o fim aparente da Quantitativa e confundir-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República. pois misturavam-se nas discussões. questões ideológicas e pragmáticas. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. As estadas de Werner Baer. Paralelamente aos trabalhos de Faissol. economistas não necessariamente quantitativos no sentido econometrista do termo. status acadêmico e conhecimento. as facilidades computacionais de hoje. imposto aos piores do grupo. pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos. levou muitos a uma angústia disfarçada em mimetismo. aguardar alguma novidade vinda de fora. Esperar que a moda passasse. que assumiu o IBGE durante o governo do General João Batista de Oliveira Figueredo. Aprovar. dar aulas para o curso de Geografia era considerado um castigo. essas disciplinas eram “dadas” burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de matemática. procurou mesclar as áreas de conhecimento através do incentivo para a vinda de cientistas sociais. Em outras palavras. O reconhecimento. Pierre Gourou. mas pouco fazer. Nas universidades. É claro que deve ter havido honrosas exceções. ao longo da década de 70. Um outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia. não contestar abertamente e. ainda era perfeitamente sólida. por parte dos geógrafos. que os esforços de aquisição de conhecimento estariam muito além de suas capacidades. Tempo que foi repentinamente abortado com a saída de Isaac do IBGE em 1979 e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979 – 14/03/1985). No fundo isso era visto como uma concessão aos novos tempos.

mas que estava sempre presente. participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais. pelo menos até o início dos anos 70. E isto tinha perfeita razão de ser. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos de AGB. A ambigüidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares. foram palco de medidas arbitrárias. imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes a curto prazo. Foi neste espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica. era a incomoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. No caso da Geografia. O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para que se estruturasse a delimitação de campos diferenciados.matemática. caracterizou-se por um forte conteúdo ideológico dogmaticamente organizado como um instrumento de luta política. enquanto se aguardava os movimentos do tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. Uma questão interessante que não era explicitada. em virtude de estarmos em plena luta pela abertura política do país. Portanto. O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros. se por ventura tenha passado por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade. essas cabeças foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia. os que ficaram e foram a favor do regime. instituição fortemente voltada para a pesquisa. isto é. os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra. sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo. Para o grupo de geógrafos que nasceram nas décadas de 20 e 30 e que tornaram-se líderes em suas especialidades. três espaços foram prioridade de lutas. O primeiro foi a instituição universidade. Os que ficaram e lutaram contra o regime. ou de computação. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. para a avaliação interpares das pesquisas e para a formação de pesquisadores. era algo tão utópico que. que em sua maioria durante o regime militar. perseguições e impedimento do debate democrático. essa divisão era muito mais pesada. em qualquer outra coisa! A Geografia Nova brasileira que estruturou-se no final dos anos 70 e prosseguiu durante a década de 1980. cursos de aperfeiçoamento. pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam um bom domínio dos termos específicos de estatística. .

interpretação de cartas. .. pudessem ter uma arena para debates acalorados como foram os casos de Pedro Geiger. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979. a jóia da coroa era o IBGE e no IBGE. nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade. o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa. diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política.em reunião em São Paulo. passariam a ser bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo. a quantidade de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar. as reuniões. onde eram avaliados a disposição para o trabalho. e em 1969. Apresentações de trabalhos e respectivas aprovações pelos mais experientes. poder de síntese. participação em trabalhos de campo. quebrar esta estrutura hierárquica da AGB Nacional.1956) sendo analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes. percepção da paisagem. resistência física. na Assembléia de Vitória (ES) uma nova sistemática foi aprovada. Neste espaço. isto é as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar. os sócios cooperadores conseguiram. percebe-se que o sistema de filtragem era rígido. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Itamarati. com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (Geiger e Santos. em grande parte formada por estudantes. Milton Santos. que surgiu no período mais duro do regime..onde a hierarquia estava vinculada ao saber e experiência. chamada de Mandarinato era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. No caso da ABG o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas. mas ao se conversar com a “Velha Guarda” da AGB. mas dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade. No decorrer dos anos 60. senso de direção e de escala. “. 1991/19992: 137) O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”. Em outras palavras. haveriam excursões de cunho informativo. desenho de croquis e. provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma” (Andrade. com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembléia. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. que eram anuais. sobretudo. redação em condições adversas. Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956.. portanto revestida de muitas conotações negativas no campo político. Armén Mamigonian e outros. Portanto. os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB e isso começou a ser percebido na década de 70.

quanto no Social Justice and the City de David Harvey ou nos trabalhos de Richard Peet. ao mesmo tempo. no caso. “Um Princípio Ordenador” (p. “Tempo Externo e Tempo Interno” (p. e atinge seu objetivo com L’Espace Partagé. respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético M. o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. 1965). O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v. Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos (Santos. as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição. “Diferenças Entre Países e Disparidades Regionais” (p.18). n 3 de março de 1961 e foi traduzido pelo Professor Manoel Seabra da USP. A. sediada na USP lançou uma série denominada Seleção de Textos “.18-19). O número 1 trazia uma transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica. prossegue com Les Villes du Tiers Monde (Santos. Em 1976 a Seção Regional de São Paulo da AGB.1969). 1979). 1973). mas com bom potencial de novidade. para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados. por exemplo. O título era Relações Espaço-Temporais no Mundo Subdesenvolvido e o seu autor.1971). (Bunge. Milton mostrouse um mestre em artigos desse tipo. entendendo também que no exterior.23). “Centro-Periferia” (p. Este algo diferente era resultado de uma longa gestação intelectual iniciada ainda nos anos 60 com o livro A Cidade nos Países Subdesenvolvidos (Santos.. sem rejeitar os métodos quantitativos. Milton Santos era na ocasião.21-22). “Sistemas de Tempo e Sistemas de Espaço” (p. destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos. apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos. editor da revista radical de esquerda americana Antipode. desses que o autor coloca na arena de discussão. mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e.21). com finalidade didático-científica”. cuja tradução para a língua portuguesa acontece em 1979 com o título de O Espaço Dividido.22-23) e “Para uma Explicação Geográfica Tempo-Espaço” (p. Al’Brut (Anuchin.20). 1976). “A Produção do espaço no Terceiro Mundo” (p.19-20). I. Este.É com esse pano de fundo que se deve avaliar os acontecimentos de 1978 na Assembléia da AGB de Fortaleza.20-21). 1975). continua com Aspects de la Géogrphie et de L’Économie Urbaine des Pays Sous-Dévelopés (Santos. Les Deux Circuits de L’Economie Urbaine des Pays Sous-Développés (Santos. II. “Problemas de Escala” (p. O segundo artigo era de um exilado.. levantava questões sobre “A noção de Tempo nos Estudos Geográficos”(p. que na ocasião lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York. o . Era um típico artigo “ponta de lança”. Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando. como é possível perceber no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer onde o autor.

“Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador. O primeiro. Um Cidadão do Mundo em homenagem a Milton Santos. Em seu depoimento na revista Geosul. Milton assina dois artigos. Eu tinha bons amigos. passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964. Lá estão registradas todas as sua publicações e apresentações. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. Na realidade.. quando eclode o golpe. Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy i underdeveloped countries era uma síntese de seu livro o Espaço Dividido e o segundo. Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular.. como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito. mas eu estava em Paris.. quando já havia fixado residência em São Paulo após sua volta. Planning Underdevelopment tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para sua penetração em países subdesenvolvidos. a minha saída do Brasil. “ Miguel Calmon. Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro.. forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani. 1991/1992:183). a minha ida à Cuba com Jânio já me tinha a inclusão do meu nome lista do Exército. 1996:485). quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia neste processo. Ao chegar aqui. foi reitor e que foi. Phil O’Keefe e Richard Peet. O processo de prisão e o posterior exílio é marcado por fatos contraditórios por parte das autoridades. o Presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. a revista Antipode ( a radical journal of Geography) lançou um número especial sobre Geografia e Subdesenvolvimento organizado por Milton Santos. um grande homem. quando era professor do ensino médio. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza. O Mundo do Cidadão. desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista da Educação e Cultura de Salvador.. (Santos. onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso.. Uma visão bem diferente do artigo Geografia e Desenvolvimento Econômico (Santos.Em 1977. Milton Santos rememora sua participação no Governo de Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia. através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (Souza. pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes. digamos assim. 1959). a pessoa que negociou com o governo federal militar. a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda. por exemplo. amigo . fonte dos seus dissabores. quanto é exilado por força do golpe militar.

.. que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são. Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o Marxismo. dispostos a mudar seu rumo. porque estava sozinho. a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora. dentro da Geografia.. Em 64 então. Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar. “ . porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã. cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes. me instalei lá. cheguei a conclusão que aquilo que eu ensinava. graças então.Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão.. o n 51. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta. digamos assim.nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória . não me satisfazia. porque ele precisava de um bode expiatório. 192) Quanto a sua volta e o Congresso da AGB de Fortaleza. Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos. onde está o editorial que marca essa mudança de tendência. para que ele pudesse se manter governador.éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído. Manoel Correia e Araújo Filho.fraternal. Não foi obra do acaso.. com quem sempre mantive relações muito boas. Diário de Notícias). Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira. o que foi uma grande gentileza. Santos também fala que.. Dando aula na França. e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964. a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon. uma outra forma de ver o Terceiro Mundo.. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora . política e acadêmica. mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort. No houve apenas gratuidade. Comecei então. René Dugrand. solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar.. Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu”. Ainda na prisão. Milton Santos explica que. “. a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo. Lembro daquela famosa reunião da AGB. a querer fazer outra coisa e é aí então. da propriedade.. deixei de ter a solidariedade de muita gente. Bernard Kayser. na construção de uma nova teoria geográfica. aquela gente da marcha da família. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. por que Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58.. que não me deixaram entrar nas listas de cassação. que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho.. através de Pierre George. a vigilância foi afrouxada. !964 chega.. Fui para Toulouse. se não fosse Armen. que vem essa vontade de teorização sobre urbanização. Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia... tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras .. como forma de liberar o Lomanto. sobretudo o Armen.” (p. eu fui preso. recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade. gente de bem.. Isto provocou uma comoção nacional. eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia. sentido acadêmico. onde queriam me crucificar. nem foi erupção espontânea.. ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros. uma nova posição que fosse também.. isso servia ao movimento e me foi útil.” (Santos .então. ao mesmo tempo.” “. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária. quer dizer. digo nacional. ildo na Escola Francesa. etc. Eu fui instrumental a esse movimento. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64. 1991/1992: 184/185). ”. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia. Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada.

nem partidos. . vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em plano mais abrangente. Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa. A diferença. Em 1980 a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74.” (p. as presenças de Milton Santos (UFRJ) .” (p. e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação. Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira. Eu depois de hesitar. Na seção Idéias e Fatos (p. para conseguir um lugar no país. citando o Boletim Paulista de Geografia. porque a AGB através desse movimento. Encontros com a Civilização Brasileira. uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker. fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). Vim para São Paulo. 197) Como disse Milton Santos. Ruy Moreira (Geografia e “Práxis”). decidi me transferir para o Rio de Janeiro. decidiu me convidar. Armen Mamigonian. onde fiquei até 1983. Contexto da Hucitec. Rio de Janeiro e São Paulo. o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal com Manoel Seabra. Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves ( PUC) e em São Paulo. me deu uma cobertura nacional. que sempre uma estratégia de longo prazo. nem de curriolas. A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia Repensada Politicamente e cobria democraticamente áreas da Economia Política. onde estou até hoje e espero ficar. Sociologia e Geografia. quando então fui para a USP. 196) “. Território Livre da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE). inicialmente estava subdividida nos que criticavam a Geografia Oficial. João Mariano de Oliveira (Revendo Criticamente a Geografia) e Milton Santos (Reformulando a Sociedade e o Espaço). Isto tem que ser dito..302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia. Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores. Ariovaldo Umbelino de Oliveira (É Possível uma “Geografia Libertadora”?). Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes. o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ. Ariowaldo Umbelino de Oliveira. Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que eqüivalia a possibilidade de me tornar professor titular. No Rio de Janeiro. nem de tendências. o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. Revista Civilização Brasileira. Armando Corrêa da Silva. um conjunto de textos sob o título de Geografia e Sociedade: Os Novos rumos do Pensamento Geográfico com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (Da “Nova Geografia à “Geografia Nova”).e que não precisou estar amarrado a grupos..

no de Ruy Moreira Repensando a Geografia (Moreira. Milton Santos. mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox. luta de classes etc. No bloco de contribuições teóricas. alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista.. Contribições Brasileiras à Teoria da Geografia e Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “Congelamento dos Conceitos” dando o exemplo sobre o conceito de consumo “durante a vida de Marx.. como forma de criar um campo de termos que.” (p. com o confronto de resultados referentes às interpretações fatuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores. Nele. sonoridades ineficazes. se não reexaminadas. . editado pela Hucitec em 1982. em sua obra. que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e a evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias.. o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. 1982:35-49) e no de Ariovaldo Umbelino de Oliveira Espaço e Tempo: compreensão materialista de dialética (Oliveira. 1982:66-110). A estrutura estava dividida em dois blocos. liga-se ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar. relações de produção. Era a produção propriamente dita. 1982:131-139). Nos anexos.O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título de Novos Rumos da Geografia Brasileira . junto com a circulação.134). forças produtivas. na visão de alguns tornam-se auto-explicáveis.135) A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debate. 1982:111-130). chamava-se Alguns Problemas Atuais da Contribuição Marxista à Geografia (Santos. o de idéias. “Noções como modo de produção. Por isso Marx lhe consagrou. como no caso do artigo de Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa A Geografia e o Processo de Valorização do Espaço (Moraes e Costa. quanto ao erro do uso automático da terminologia. mas que no fundo. apenas.” (p. dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem. Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948. escreveu um artigo que passou meio despercebido na época. Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta . Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia. com uma incrível visão premonitória. que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam. o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. a partir do concreto. com o confronto de sistemas de referência e do trabalho empírico.

tanto na área do pensamento geográfico O Pensamento Geográfico e a Realidade Brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos Rumos para a Geografia Brasileira Milton Santos). quanto em segmentos específicos como a questão agrária. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnan do Norte e Camboja. a principal obra de referência do período foi Por Uma Geografia Nova (Santos. havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. isto é. mais a introdução e . Não era uma leitura fácil. UERJ ou UFF. No entanto. a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc. Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros foi reservada para os trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira. no Rio de Janeiro. leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnan) e da excelente prosa de Lacoste.A segunda parte. 1978). Explica as principais noções de escala e mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. Foi por conta desse movimento que foi editado o livro de Yves Lacoste A Geografia Serve Antes de Mais Nada Para Fazer a Guerra (cuja edição original da Maspero de Paris de 1976. apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste. Estrutura Agrária e Dominação no Campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves). pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época. No caso paulista. desenvolvimento desigual e combinado. tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977) essa edição carioca era. e urbana Notas sobre a Geografia Urbana Brasileira (Armen Mamigonian). a organização sempre foi uma das características. isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC. É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou um grande impacto no alunato do início dos anos 80. O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a antigüidade e a Geografia dos Professores universitários iniciada no século XIX na Europa. havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na Mesa Redonda da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no Rio de Janeiro em 1980 Crise Econômico-Social no Brasil e o Limite do Espaço que abordava algumas questões concernentes ao marxismo como crise do capitalismo. Paralelamente ao movimento dos professores. na linguagem técnica editorial não autorizada. em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos. e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também.

Milton conta em seu depoimento na Geosul (Santos 1991/1992:196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro. A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. principalmente nos cursos de formação de professores. quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom. onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco. sua interpretação não é imune a controvérsias. obviamente negativos. quando analisavam alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo. O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época. conflitos internos nos países africanos). questões pessoais vinculadas à lutas de poder nos ambientes institucionais. razão pela qual eu insisti com o editor.conclusão. provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos. Um bom exemplo desse tipo de obra pode ser vista nos trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (Corrêa. substituindo autores da velha guarda como Nilo Bernardes ou Aroldo de Azevedo. Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores. E assim foi. 1995). . nos anos 80. Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas tomaram o lugar na preferência dos professores de ensino médio. Editoras como a Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve. conflito árabe-israelense. É necessário. digamos assim. principalmente nos períodos iniciais do movimento. que passaram a ter uma postura crítica. passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”. Os resultados foram. pois misturavam-se nas arenas. portanto que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 80/90. quando em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 60/70. eu teria de ser conhecido antes.” O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se. De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física.. me criou uma repercussão nacional..A AGB. “. porque sabendo que o Brasil é um país oral. que eu sentia que ia durar pouco. para publicar rapidamente o meu livro ‘Por uma Geografia Nova’. 1986 e 1989) da Ática. eu diria que para ser lido depois. que deveriam ser apenas palcos de debates de idéias... Entretanto. que me foi encontrado por Florestan Fernandes. apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica. crescimento econômico de alguns países asiáticos. as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global (Araújo.

Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro. em 1992. Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais... analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações. Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti que. como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber. Inicialmente Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no contexto editorial quando assume a responsabilidade editorial da Notícia Geomorfológica e posteriormente passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia. Na parte C de sua resenha. Boletim Paulista de Geografia. publicou no periódico Geografia uma resenha denominada O Conhecimento Geográfico no Brasil: Considerações de um Geógrafo. Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de São Paulo). considerada também como quantitativa e por isso mesmo sujeita ao repúdio total. em vez . Orientação. fruto de uma comunicação apresentada num Simpósio Sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991. principalmente nas fases iniciais do processo. rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. Lembra também sua preocupação com a feitura sistemática das resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica. Em seguida analisa o contexto da chegada no Brasil da “Nova Geografia”. Boletim Gaúcho. por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS). com a teoria dos sistemas. como referência de determinadas linhas de pesquisa e dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento. “Envolvido com os estudos geomorfológicos. mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas. Boletim Baiano de Geografia.Um outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica como foi o caso da Geografia Física tomada por positivista. Explica a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de testes e adaptações.

alertando principalmente sobre as conseqüências positivas e negativas. 1991/1992:237) comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram tornando-se cada vez mais conflitantes.. um grupo criou a chamada Geografia Radical.”(p. Em seu depoimento à Geosul (Valverde. mas por causa dessa postura...Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões eqüivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar. só os fenômenos sociais têm significação? Contudo. Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade.” “. etc. Na década de 90. Então. Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia. que os acontecimentos políticos na Europa. selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica.. tal qual se apresentava nos anos 80. no espaço geográfico dos países mais pobres.237) Foi justamente no final dos anos 80 e início dos 90. Por outro lado. principalmente no se referia ao desprezo que era passado às questões ambientais. observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica” (p.. Em conseqüência dessa atitude. . Clima. Biogeografia. os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional. até hoje. associado à uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente.Hoje em dia muitos reconhecem isso. não aceitou absolutamente. entre 1984 e 1986. Geografia Crítica ou Geografia Marxista. ” . a AGB precisa de um mínimo de organização. Sua principal obra dessa época chama-se Técnica. alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar portanto de Geomorfologia. Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países.” “. toda igualzinha. pois além dos problemas sociais. tais idéias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. Orlando Valverde.112). quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia” que deveria apenas ocupar-se do social. com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental e posteriormente com a dissolução da URSS.. anteriormente relegado ao segundo plano. Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nesta inflexão. e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores... Acho que. o Grupo Radical.. eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo.de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas. foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 80... englobadas com interpretações impróprias. sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB. que compunha minha diretoria. de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica.. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina. o que para mim é errado.... primeiramente em 1989 na Alemanha. descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia.

cada vez mais poderosos e baratos. administra nossas relações com o entorno” (p. e é como enigma que ela comanda nossa vida. Antônia M. o . Essa abordagem passa a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros. nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo. 1986.” A técnica é a grande banalidade e o grande enigma. mas quando voltamos nosso olhar para as décadas anteriores. Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar. capítulos de livros ou de outras coletâneas. publicado no n 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington.. apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos. nos impõe relações. via democratização do uso dos computadores pessoais. em comparação com os computadores de grande porte que eram utilizados por uma minoria nos anos 70. incluindo também outras áreas do conhecimento como Biologia e Geologia por exemplo. Foi necessário entender também que. As contribuições de Maria Luisa Castello Branco. 1994) foi estruturada como uma coletânea de artigos. acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Humana. Teresa Cardoso. os projetos de diagnósticos integrados realizados principalmente na Amazônia ( Diagnóstico Brasil. o problema da mundialização da produção. região do projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI). Tempo: Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional (Santos. Diagnóstico da Amazônia Legal. Entorno do Distrito Federal e Gerenciamento Costeiro). só foi devidamente absorvida pela Geografia brasileira.M. o que chamava-mos de Geografia Quantitativa na década de 70. São desta fase. Ferreira.Espaço.20). com o título O período técnico-científico e os estudos geográficos . Carajás. Olga Becker. Rivaldo Pinto de Gusmão. modela nosso entorno.. Com a volta das preocupações ambientais. ocorrida na década de 90. textos de conferências e seminários. produzidos em sua maioria no início dos anos 90. que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto RADAM. Projeto Nossa Natureza. podemos perceber o quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX. Esses trabalhos. uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados. o próprio IBGE. do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica. que tinham de exprimir numa única linguagem. inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Físicas e Humanas da Geografia. Ainda não chegamos ao refinamento desejado. pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 80.

apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação entre os equipamentos computacionais entre as instituições. II e III desta parte. ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie que mostraram o caminho e as possibilidades futuras. Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana foi muito rica. pelas matrizes de pensamento geográfico oriundas da Europa e Estados Unidos e. servirá de pano de fundo para o entendimento do processo de formação do pensamento geográfico brasileiro. mas o IBGE ainda é fortemente atrelado ao PC / Windows. correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados. Além disso.0. muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngües. que posteriormente ficou conhecida como a “Velha Guarda do IBGE” serão explicitados nos demais capítulos I.Programas de mapeamento automatizado. através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais. . Este grande panorama da dinâmica da Geografia brasileira. vista sob a ótica do IBGE. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh / Sistem 8. o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados. Os papéis desempenhados. a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa. democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados. situados em sites que podem ser acessados via Internet. no plano acadêmico. foi também de muita valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira. Hervé Théry e brasileiros como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira. pois a troca entre profissionais franceses como Philipe Waniez e Violette Brustlein. Dora Hees. Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia hoje. pela liderança e carisma de professores e pesquisadores estrangeiros que vieram preparar uma elite de geógrafos. No contexto ibegeano. no plano da prática profissional. Monica O’Neill. objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular. Mesmo com esses problemas.

foram nelas que se instituíram as principais arenas de discussão dos temas geográficos. Estados Unidos e Canadá. que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 30 (Oliveira . diferentemente das áreas de discussão no governo. os principais temas vinculavam-se aos aspectos teóricos da disciplina. principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e Estados Unidos. Um outro segmento de consolidação dos estudos geográficos se deu através das associações culturais e profissionais como a Associação dos Geógrafos Brasileiros.O Poder das Escolas Estrangeiras de Geografia no Brasil: nas sociedades geográficas. ou na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado. também aborda esses problemas conceituais e metodológicos por que passou a disciplina. 1982). ∗∗ do . Bertol Domingues. Nilo Bernardes em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (Bernardes. Lia Osório Machado e Heloisa M. principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930. na universidade e no IBGE Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo. A principal razão de sua estruturação foi. resultados de ações entre governos do Brasil. Nessas arenas. dessas instituições. será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica. visando a criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro e posteriormente com os outros países através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional. necessariamente. França. como se pode perceber nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira. (Zusman. tempo em que essas questões foram A tese de Perla Brigida Zusman na Usp sob a orientação do Prof. 1996). Antônio Carlos Robert Moraes tratou detalhadamente. a relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte pensamento geográfico (Machado. atual Sociedade Brasileira de Geografia∗ . tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro. (vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária. mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual). 1998:197 ou 1999: 2-3). criada em 1938 e das antigas instituições como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883. 1990 e 1999). tendo como agência chave o IBGE. Em se tratando de instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual.Parte II Capítulo I . Primeiramente com a França. Machado (1995 e 1999) e Domingues (1999).

da alemã. André Cholley e outros. Pierre Mombeig. Montpellier.apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. É possível perceber que a hegemonia da escola francesa foi incontestável. Max Sorre e outros. foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF. também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia. em seus depoimentos. foram os principais mecanismos de consolidação de uma tradição de pensamento francês na Geografia brasileira. com algumas ligações com a alemã e. Essa tendência só não tornou-se totalmente francesa. Jean Tricart e Michel Rochefort foram as principais fontes de conhecimento geográfico para. além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade. Questões como a precedência entre Geografia Física e Humana.que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos como Jean Brunhes. Grenoble. Francis Ruellam. a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem. pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968. indiretamente. como parte de uma campanha de aproximação do governo Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa . Toulouse. a dicotomia entre Geografia Sistemática e Regional. ∗ (francesa hegemonicamente. nada menos do que três gerações de profissionais. 1980). durante o período do conflito. em cidades francesas como Paris.∗ Essa predominância da escola francesa foi também confirmada. Bordeaux. Estrasburgo. (Buttimer. Jean Brunhes. Foi a partir desses cursos. a partir de 1947. que o poder das escolas de pensamento geográfico sentir na formação dos geógrafos brasileiros. Pierre Deffontaines . quanto da universidade no sentido mais geral. a americana) se fizeram . sobretudo no IBGE. passando a sofrer também uma influência da escola americana e. Se levarmos em consideração que as figuras de Geógrafos franceses como Emmanuel de Martone. tanto do IBGE. Camille Vallaux. conflitos entre o Determinismo e Possibilismo. após 1935. por conta dos caprichos da Segunda Guerra que inviabilizou a ida de Geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para Europa. como as obras Vidal de La Blache. posteriormente. Lyon. nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer de sua vida profissional. e pelos esforços dos americanos em garantir também um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE. ou eram especificamente indicados por eles. geralmente por indicação de algum professor como Francis Ruellan e Michel Rochefort principalmente. Pierre Deffontaines. Todo um processo de aprendizado profissional que incluía. e que os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles.

convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos.americano. principalmente os sobre habitat rural e núcleos de população. e o Army Map Service (AMS) empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra como Cotton Mather. José Veríssimo. Jorge Zarur. na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). . Para ele. A importância dos trabalhos de Leo Waibel. pode ser avaliada através de um artigo que tornou-se clássico. Orlando Valverde. para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem. tomou contato com a escola americana de Geografia voltada para o planejamento espacial do New Deal de Franklin Roosevelt. universidades especializadas em estudos regionais voltados para o processo de ocupação do território. Clarence F. Lúcio de Castro e Lindalvo Bezerra foram os indicados para Winsconsin. o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs e suas ações no campo cultural. entrevista) para trabalhar até 1950. Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946. incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 ( Waibel 1949). ∗ Tornando-se o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior. 1992:56). A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. Jones. Jones. que em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin∗ e depois para uma especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago. torna-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. tendo como principal ferramenta a colonização dirigida. órgão da estrutura do Estado Novo. Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil durante a Segunda Guerra. o trabalho de Antônio Pedro Tota no campo das relações culturais (Tota. seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2. objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do Nazismo.2000). que tinham como objetivo a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Seu retorno ao Brasil faz surtir um efeito quase imediato. Northwestern e Chicago. em 1945. ao trazer um convite do Governo americano. Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE). Preston James e Richard Hartshorne (Barton e Karan. como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território. Agências de Inteligência americanas como o Office of Strategic Service (OSS). é importante para se entender as funções de uma outra agência. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. Fábio de Macedo Soares. estudar em universidades americanas. da qual o planejamento do Vale do Tennessee foi um dos principais projetos.

corporifica-se a influência. 1952: 75-76). foram discípulos de mestres alemães. que dentre elas a Geografia desempenha ou deveria desempenhar. naturalmente. Some german-american connections in the twentieth century Geógrafos alemães August Meitzen Geógrafos americanos (universidades) Carl Sauer (Berkeley).Y. pois importantes professores americanos. muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. Nilo.“A colonização é o problema mais fundamental do Brasil. ainda que indireta. Com os trabalhos de Waibel no Brasil. professor da Universidade do Brasil e fundador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil . dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra?” ( Waibel apud Bernardes. 1990:2 table 1) . City Coll. mais tarde influenciar alguns geógrafos brasileiros. Não há dúvida. Este processo de ascendência intelectual foi analisado por Robert C. da escola alemã de Geografia. principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941). Seria importante contextualizar também a influência da escola alemã na geografia americana. um papel importante. Fred Kniffen (LSU). Hilgard O’Reily Stermberg. West no capítulo introdutório do Pioneers of Modern Geography: translations pertaining to german geographers of the late nineteenth and early twentieth centuries (West.) Carl Sauer (Berkeley) Nevin Fenneman (Cincinnati) Richard Hartshorne (Michigan e Winsnconsin) Carl Sauer (Berkeley) Carl Sauer (Berkeley) Preston James (Michigan e Syracuse) Especialidade Habitat rural Eduard Hahn Paleo-agricultura Domesticação História da Cultura Geografia Histórica Geografia cultural Geografia Regional (Chorology) Otto Schlüter Alfred Hetner Siegfried Passarge Geografia da Paisagem Geografia Regional Desses geógrafos americanos influenciados por alguns geógrafos alemães como Carl Sauer. seu professor em Heidelberg onde lecionou de 1898 a 1928. Terry Jordan (U. Richard Hartshorne e Preston James acabaram por influenciar geógrafos brasileiros que posteriormente tornaram-se líderes em suas áreas de pesquisa. que iriam. porém. O problema da colonização é. Texas) Carl Sauer (Berkeley) Fred Simoons (Davis) Erich Isaac (N.

este grupo restrito de pesquisadores que trabalharam com Waibel entre 1946 e 1950. com os estudos agrários (Elza Keller) e estudos urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas (Pedro Geiger e Míriam Mesquita). uma nova turma de geógrafos brasileiros para diversas universidades francesas. que era o mais difundido no conjunto profissional do IBGE na época. Speridião Faissol. prepara juntamente com a direção do IBGE. que trabalhou inicialmente com Waibel no Brasil. Míriam para Lion e Heldio para Strasburg. Fábio de Macedo Soares Guimarães. a geografia francesa retoma sua liderança através dos esforços de Francis Ruellan que. possivelmente foi uma variável importante. evitando assim que apenas um só chefe de escola trabalhando no Brasil (Francis Ruellan) ficasse com a incumbência de repassar as principais matrizes de pensamento da época. aluno de Preston James em Syracuse e trabalhou com ele no interior do Brasil estudando colonização. Míriam Mesquita. Jorge Zarur. A barreira da língua. e Heldio Xavier Lenz Cesar) seguiram para a França. Apesar das dificuldades do pósguerra. assim como Orlando Valverde foram alunos de Hartshorne e Leo Waibel em Geografia Regional na Universidade de Winsconsin e Speridião Faissol. apesar de hegemonia inconteste da escola francesa. Lúcio de Castro Soares e Orlando Valverde todos falavam inglês. Elza Keller. em 1947. De certa forma. que . ocupação agrária do território e um pouco de biogeografia regional. cinco profissionais do IBGE (Miguel Alves de Lima. principalmente por intermédio dos professores Preston James (Syracuse) e Clarence Field Jones (Chicago). este grupo ampliou as possibilidades de conhecimento geográfico que a geografia francesa tinha para oferecer naquele período. sendo que Egler era o único que falava alemão. pois Leo Waibel falava alemão e inglês e não o idioma francês.(CPGB) foi influenciado por Sauer em Berkeley . Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo aprendidos nas universidades francesas. somadas ao trabalho de orientação que os outros geógrafos estrangeiros que nos visitaram. A vinda de Waibel para o IBGE em 1946. (depoimento de Elza Keller). Miguel para Paris. mobilizou um restrito grupo de profissionais que iniciou pesquisas sobre o processo de colonização. posteriormente. Durante o final dos anos 40 e início dos 50. como Nilo Bernardes. criaram uma geração pioneira de geógrafos que se especializaram em campos distintos como Geomorfologia (Miguel Alves de Lima e Heldio Lenz). Pedro Geiger. foi. Com o final da Segunda Guerra. a americana ainda se fazia sentir nos trabalhos de geografia regional do IBGE. Elza para Montpellier. Portanto. no início dos anos 50. Geiger para Grenoble. Walter Egler.

/set. quando possível. Goiás e Minas Gerais). 1963. além de estabelecer comparações entre os dois sistemas econômicos representantes da Guerra Fria ( George. os principais atores dessa fase. em função da sistemática política de especialização dos geógrafos da casa em universidades e laboratórios franceses. 1948) e suas abordagens sobre as relações entre as áreas da Geografia Física e Humana (Sorre. 1949. principalmente sua segunda metade. 1946a.trabalharam com Jorge Zarur. 1965). Preston James estudou o problema de colonização. Mato Grosso. A década de 50. foram Jean Tricart na Geomorfologia e Michel Rochefort nos estudos urbanos./mar. 1954. Além desses. 1946b. 1955. além de um relatório de uma expedição. 1953./dez. jul. elaborando trabalhos importantes. Ambos trabalharam em pesquisas que envolveram técnicos do IBGE e pesquisadores de universidades de alguns estados (Tricart na Bahia e Rochefort no eixo Rio-São Paulo). pois além do artigo de Jones. 1950. mesclando. 1949. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. Jorge Zarur e José Veríssimo já haviam estudado com Clarence Jones em Chicago respectivamente em 1942/43 e 1945/46. conquistavam cada vez mais adeptos no Brasil. . a absorção dos ensinamentos de mestres como Maximilian Sorre e Pierre George nos campos da Geografia Humana e Econômica. feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo. Speridião Faissol e José Veríssimo em estudos de colonização e utilização da terra. Em 1952. além das obras de Pierre George sobre diferentes aspectos da Geografia Econômica analisando vários continentes. produtores autônomos. Clarence Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). oferece uma bolsa de estudos para Speridião Faissol fazer o doutoramento em Syracuse. concluído em 1956. por ocasião de suas estadas no Brasil em 1948 e 1949 respectivamente. as influências germano-americanas com a francesa. foi o período em que os geógrafos do IBGE tornam-se efetivamente. 1950 (Por sinal um número muito importante para o tema colonização. 1961). que mantinha sua hegemonia. estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil.1939) e durante sua estada no Brasil em 1948 publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no Nordeste na RBG 11(1) jan. O Congresso Internacional da UGI de 1956 marcou uma nova etapa entre a geografia francesa e a brasileira. Os trabalhos de Sorre sobre novas formas de habitat surgidas no pós guerra (Sorre. que se prolongou pelos anos 60.

foram as principais marcas da escola francesa de Geografia no ensino e pesquisa da Geografia brasileira. Michel Rochefort e Jean Tricart . Roberto Lobato Corrêa garantiram um fluxo de projetos sobre redes urbanas. além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg. seus contatos mais estreitos. Elza Keller. ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. 1968). Rio de Janeiro e São Paulo. A Geomorfologia desenvolvida por Jean Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia. Suas ligações com Lisia Bernardes. tanto no IBGE. durante o governo do General Castelo Branco (1964-1967) e Hélio Beltrão no do General Costa e Silva (1967-1969). quando essas preocupações ligadas ao binômio urbanização/industrialização tornaram-se maiores na área de planejamento federal.que foram analisadas por Roberto Lobato Corrêa em duas ocasiões (Corrêa. mas mantendo ainda contatos de trabalho com Lisia Bernardes no IPEA e Ministério do Interior. 1968 e 1989). marcas estas que até hoje ainda podem ser percebidas nas ementas de cursos de graduação. principalmente por conta de sua aluna de pós graduação em Strasbourg no final dos anos 50. Orlando Valverde. a ligação entre o “método Rochefort” e o planejamento urbano-regional da Geografia do IBGE. caracterizado por um forte crescimento demográfico nas duas principais metrópoles. Teresa. sendo que Rochefort ainda continuou a tarefa na década de 70. A influência de Rochefort nas linhas de pesquisa de Geografia Urbana do IBGE nos anos 60 foi inquestionável. principalmente após o golpe militar de 1964. Portanto. em virtude de conflitos com Speridião Faissol no final dos anos 60. deixou de colaborar sistematicamente com o IBGE. principalmente em São Paulo. Na USP. que garantiu a muitos professores baianos da área de Geografia Física completarem sua pós graduação na França. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (Tricart e Silva. ao voltar em 1960. principalmente. quando. aconteceu na segunda metade da década de 60. Pedro Geiger.com um doutoramento orientada por Tricart. encaixaram-se perfeitamente nas preocupações que os técnicos do governo federal já estavam levantando em relação ao processo de urbanização brasileiro que se delineava no início dos anos 60. . se deram através de Maria Adélia Aparecida de Souza após 1968 (Rochefort. quanto nas universidades. os mais importantes embaixadores da Geografia francesa nos anos 60. já sob os auspícios das ações dos ministros do Planejamento Roberto Campos. nas décadas de 50 e 60. Os estudos de Michel Rochefort sobre redes urbanas no final dos anos 50. foram após Ruelan e Monbeig. Teresa Cardoso da Silva. posteriormente. foi para Universidade Federal da Bahia e por intermédio de Milton Santos. 1998:7-10 prefácio de Maria Adélia). Fany Davidovich e.

como Castro e outros. um roteiro diferente” (Abreu. Essa assertiva de Maurício Abreu toma como referência temporal o período dos anos 60 ou. uma interessante matéria foi publicada no número 19. até porque as relações entre França e Brasil neste campo sempre foram hegemônicas. Porém. a segunda metade dos 50. as vinculações entre planejamento e Geografia são bem anteriores. A nível de (sic) hipótese. Maurício Abreu comenta que .É importante levar em consideração que não houve nenhuma luta teórica entre franceses e americanos pela hegemonia de suas respectivas escolas no Brasil. outros. isto é. conhecimento sistemático dos aspectos físicos da superfície e do subsolo. do acompanhamento dos processos da ocupação humana e econômica. Essas relações objetivavam o gerenciamento do território via. mostrando claramente o que era planejamento na concepção de gestores do Governo Vargas. iniciando no período imediatamente anterior ao Estado Novo de Vargas. posteriormente. por obra e graça da “Quantitativa” que a vinculação da Geografia com o planejamento se realizou no Brasil. possivelmente levados à esquecer por diferentes mecanismos e. adotando a versão da súbita hegemonia da escola americana que introduziu os métodos quantitativos na Geografia do IBGE. dos geógrafos ibegeanos que viveram a maioria dos períodos. A guisa de exemplo. alguns de caso pensado. sob a batuta de Speridião Faissol. ainda que seguindo. Tratava-se da reprodução de uma das reportagens elaborada por um jornalista do Correio da Manhã. somente no contexto da New Geography ou Geografia Quantitativa.. da infra-estrutura instalada ou a instalar. quando muito. 1994:44). Adalberto Mário Ribeiro que produziu uma série sobre os principais serviços públicos do período Vargas. Cristóvão Leite de . possuem datação bem precisa. que as mudanças que já vinham ocorrendo na Geografia Tradicional brasileira levariam-na certamente a essa direção. Não restam dúvidas de que as relações entre a Geografia feita no IBGE e o que se convencionou chamar de planejamento. talvez. e legitimando-se nele. José Carlos de Macedo Soares.. ocorrido na década de 70. Mário Augusto Teixeira de Freitas. portanto. pode-se afirmar inclusive. “Não foi. parece ser o resultado de uma série de lapsos de memória. A errônea versão de que a Geografia fez o seu début com o planejamento. principalmente através dos estudos de colonização e habitat rural. ano V (1944) da Revista Brasileira de Estatística. Nela é exposta minuciosamente a estrutura e objetivos do IBGE tanto para a Estatística. 1994 e 1995). Juarez Távora. quanto para a Geografia. Léo de Affonseca. o período caracterizado pela influência dos estudos baseados no método Rochefort de redes urbanas. além de um monumental esforço de cartografação do território (Almeida.

do arquiteto Harry Cole. que o pesquisador da Universidade de Nothinghan estava no Brasil para pesquisar o planejamento do Censo de 1970. após o crescimento do Banco Nacional de Habitação (BNH). Um contato entre o DEGEO e o Conselho Britânico fez com que Colle tivesse contato com a Geografia brasileira através de Faissol.(Faissol. o acaso aconteceu em virtude da repentina saída de um cargo de direção do SERFHAU. Roberto Lobato Corrêa e Olga Buarque de Lima. Faissol também aludiu à fatores aleatórios seus encontros iniciais com esses pesquisadores. passariam a representar a presença da escola anglo-americana na Geografia do IBGE na década de 70. era de estruturar uma nova linha de pesquisas urbano-industrial que utilizasse. Em seus depoimentos nas revistas Geouerj e Cadernos de Geociências. É justamente neste período que estes expoentes anglo-americanos da Geografia urbano-regional que utilizavam métodos quantitativos para os estudos de determinação de padrões espaciais das atividades econômicas em redes urbanas passaram a ter contato com Speridião Faissol no IBGE. 1969). e que naquele momento. No campo da Geografia. O papel do SERFHAU começa a tomar forma no final dos anos 60. John Friedman e Peter Colle) para iniciar um período de treinamento de técnicas estatísticas que iriam ser utilizadas nos futuros dados censitários de 1970. de uma forma ou de outra. os novos dados que adviriam do Recenseamento Geral de 1970. Marília Galvão. IBGE. não poderia mais arcar com essa responsabilidade via SERFHAU. Pedro Geiger. 1968. No caso do inglês Peter Colle. No caso de Berry e Friedmann. que havia contratado a vinda desses pesquisadores ao Brasil. Faissol amarra bem a importância do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) no processo que acabou trazendo ao Brasil expoentes da Geografia Quantitativa americana e inglesa (Brian Berry. para planejar o crescimento da infra-estrutura urbana nas áreas metropolitanas (outra entidade estudada pela Geografia Urbana do IBGE nesta época).. com mais ênfase. quando o Ministério do Planejamento. o acaso aconteceu através de uma notícia de jornal. O papel do IPEA havia se iniciado no início da segunda metade da década de 60 após o golpe militar. . levando consigo o passe de Michel Rochefort. que de uma forma. de certo modo. Faissol vislumbrou aí uma possível futura parceria com as universidades de Chicago (Berry) e Los Angeles (Friedmann) e articulou a visita pelo IBGE em 1969.É claro que as pretensões de Speridião Faissol no final dos anos 60. Elza Keller. 1995 e 1997). estavam trabalhando com urbanização/industrialização e Geografia da população. preocupado com a rápida dinâmica de urbanização orientou seus estudos para o acompanhamento da rede urbana brasileira. 1968 e 1972. quando Lisia Bernardes estava se transferindo para o IPEA e. a escola francesa estava representada pelos estudos de Michel Rochefort realizados no Departamento de Geografia do IBGE visando o entendimento das maiores redes urbanas do país e o processo de regionalização (Bernardes L. Keller. pesquisadores que.

Geomorfologia. normalmente. excetuando-se o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Rio Claro e de alguns poucos professores advindos de Rio Claro que formaram grupos em outros estados (o exemplo de Alexandre Filizola Diniz com os métodos quantitativos em Geografia Agrária em Aracajú é o mais interessante). ao se colocarem ao largo dos conflitos ideológicos que ocorreram com o segmento da humana/econômica. tentando apagar da memória os anos entre 1964 e 1970. tornava-se mais usada nos cursos de pósgraduação. Pedologia / Edafologia. os profissionais da área física tiveram muito menos problemas de utilização nos métodos quantitativos que chegaram ao Brasil no início dos anos 70. Biogeografia. vinculados à escola anglo-americana aconteceu sob fatores fortuitos e não como um super projeto militar típico da Guerra Fria. aparentemente. corremos o risco de não avaliar a área da Geografia que mais se beneficiou dos métodos quantitativos. Porém. Nessas áreas. período em que a escola francesa reinou absoluta. teve de arrumar um discurso que se adequasse aos novos tempos. de certa forma. Também tiveram outra vantagem comparativa. majoritariamente trabalhado por Speridião Faissol e colaboradores até o final da década de 1970 e que. nos anos 80. até quando o segmento da física tomou a dianteira das pesquisas e provocou. que. Com o advento dos computadores cada vez mais baratos e potentes e da enorme popularização pela Internet dos softwares de mapeamento automatizado e de tratamento de imagens e de gerenciamento de bancos de dados. principalmente no segmento do estudo de redes urbanas e regionalização.É interessante observar que o aparecimento no Brasil dos métodos quantitativos. Com isso. feneceu sem gerar um grande número de seguidores. que muito pouco contribuíram para o avanço da Geografia. um amplo segmento de mercado de trabalho no campo do gerenciamento . nos anos 90. a estatística sempre marcou presença desde a graduação e. Hidrologia. Climatologia. que rapidamente. os segmentos da física. foi confirmado pelos trabalhos da futura New Geography. os profissionais da área física garantiram sem grandes traumas existenciais. É importante lembrar que o apelo do Meio Ambiente/Ecologia também tomou de assalto as trincheiras da esquerda geográfica radical. pois já possuíam experiência matemática maior do que os da humana. através dos grandes diagnósticos ambientais. que ficaram em maior evidência do que as querelas criadas pela Geografia crítica. uma integração. área que ficou estigmatizada pela aparente influência dos métodos quantitativos oriundos da escola angloamericana. que acabaram por retardar o desenvolvimento dos estudos geográficos. nos anos 80. se nos limitar-mos a apenas recortar o segmento de Geografia Urbano-regional. com articulações da Central Inteligense Agency (CIA) com o governo brasileiro para modificar a Geografia do Brasil. com tentaram fazer crer alguns geógrafos na década de 80. planejando um sistema urbano.

. nos anos 90. para a Geografia humana do IBGE. será importante avaliar o papel alguns professores e pesquisadores estrangeiros na formação das primeiras gerações de Geógrafos do IBGE e. de maneira mais ampla. que o profissional de Geografia humana terá de lutar muito para iguala-lo.dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS em inglês). Ironicamente. No entanto. que não seria mais prudente procurar a hegemonia de qualquer escola de Geografia no IBGE de hoje. da Geografia carioca entre os anos 30 e 60. foi a cooperação com geógrafos franceses da Maison de la Géogrphie de Montpelier. que abriu esses novos campos de pesquisa e de ampliação da experiência profissional de uma parcela de pesquisadores que atualmente transitam por programas tão globalizados.

ou em fase final de doutoramento para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935). a Academia Brasileira de Ciências sob a liderança de Alberto José Sampaio e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas. que possibilitou a vinda de professores recém doutorados. que garantiram a visita. O naturalista e botânico Alberto José Sampaio. garantir treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE. o Professor Emmanuel De Martonne. dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa. muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo organizado por Christóvão Leite de Castro. auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. estava sendo maturada. pois foi através de sua influência nos meios acadêmicos franceses. . a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas. pois tratou-se de. O Professor francês Pierre Deffontaines(1894-1978). paralelamente ao curso formal. explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país. quanto em Geografia Humana. tanto em Geografia Física.Parte II Capítulo II .Carisma e Liderança dos Geógrafos Estrangeiros na Formação da Geografia do IBGE Os Pioneiros Mestres Estrangeiros Desde o início dos anos 30. após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988). do Secretário Geral da UGI. na então Universidade do Distrito Federal (UDF). A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante. mas sua preferência era a Humana. foi de decisiva importância. agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro. chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. que a idéia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que. pode entabular negociações com a diretoria da UGI. paralelamente. em 1933. os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938). Jorge Zarur (contratado em 1939) e José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940) . Deffontaines era um geógrafo completo. Nesse grupo estavam. ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia patrocinado pela União Geográfica Internacional em Paris. Na ocasião. No processo de implantação do curso do Rio de Janeiro. além do próprio Christóvão.

Muito embora os primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o grande processo de aperfeiçoamento no estrangeiro tenham sido enviados para os Estados Unidos. Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau. teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951). Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin. Como resultado de seus contatos nos Estados Unidos. considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais. principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época). Fábio de Macedo Soares Guimarães. Francis Ruellan (1894-1975) que fica 18 anos e praticamente torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas). A maior parte da chamada “velha guarda ibgeana” foi formada por Ruellan. nunca foi interrompido. José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern. Waibel. geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos e conseguem através da influência de Christóvão Leite de Castro que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. Orlando Valverde (que depois. inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível. Com esse grupo. Jorge Zarur é enviado para a Universidade de Winsconsin onde graduase como Master of Arts em 1943 e segue para a Universidade de Chicago para um aperfeiçoamento em pesquisa de campo. Paralelamente. Nilo Bernardes e Speridião Faissol. principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola. onde ficaram entre um e dois anos. apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores. Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago. outro grande professor o vem substituir. que ao longos desses 60 anos de atividade de pesquisa geográfica do IBGE. foram convidados para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação na França. Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão). que foi continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra. mas já em 1940/41. uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas. por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard . que organizava grandes trabalhos de campo. em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receberem aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional. em virtude da impossibilidade da ida para a Europa durante os anos da Guerra depois.O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para França. Em Wisconsin. em 1942.

realizado em 1956 no Rio de Janeiro.O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. foram também estudar no Canadá. Retornou . posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse no estado de New York. além de ser católico militante. Primeiramente em São Paulo ao iniciar o curso de Geografia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. 1950 . Entre 1938 e 1939 organizou o curso de Geografia na faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil. após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI. a “velha guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 50 e na década de 60. iniciada em 1939. entre 1946 e 1947. Alceu Magnanini. inaugurado em 1939 e que absorveu o curso da Universidade do Distrito Federal que foi extinta. outro grande pesquisador francês em redes urbanas. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente)./set. Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. Com Rochefort. com uma grande produção acadêmica no campo do ensino católico. Dos americanos. Entre os anos de 1950 e 1951 o professor e pesquisador norte americano Preston James trabalhou no IBGE. onde Preston James era professor. Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler. Entre 1935 e 1937 formou o primeiro grupo de profissionais que criaria o núcleo de pesquisas geográficas do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Revista Brasileira de Geografia. Era um geógrafo especializado nos aspectos humanos do processo de ocupação do território. Professor Michel Rochefort passou a vir constantemente ao Brasil e dar consultoria ao IBGE. Edgar Kullmann. Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização. onde também criou a Associação dos Geógrafos Brasileiros e. Dora e Edgar. ligado a linha metodológica de Jean Brunhes e Vidal de Lablache. Pierre Deffontaines (1894-1978). jul. Faissol doutorou-se em 1956. posteriormente. Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3). um breve resumo da vida profissional desses mestres pioneiros. A seguir. orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. Seu principal orientando foi Speridião Faissol. No final dos anos 50. no Rio de Janeiro onde iniciou o mesmo curso na Universidade do Distrito Federal em 1935. geógrafo francês que inaugurou em 1934. o ciclo de formação profissional de geógrafos no Brasil. além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pósgraduação em universidades francesas.

daí inclusive que é um dos motivos que ele vem para o Brasil. como diz o jargão francês poser sur candidature e ele não teve sucesso nessas duas empreitadas. que certamente ele tinha . além de ser considerado por Berdoulay (1981:190) como o discípulo de Jean Brunhes (apesar de seu nome estar grafado errado. 1993)... “. a participação dele. foi sempre preterido no sistema universitário francês. no final da vida. somente alcançando a importância no panorama da Geografia francesa.. 1998). mas pelo tipo de rede tinha lá na França. não.. fartamente citado por Anne Buttimer em seu clássico trabalho sobre a tradição geográfica francesa (Buttimer.. na verdade o orientador dele era o Albert Demangeon que era também um geógrafo da maior importância. após ter tido um grande reconhecimento na Espanha. Por mais irônico que possa parecer.” “ Ele mesmo diz isso. acho acredito eu pela qualidade do seu trabalho.. posteriormente estabeleceu-se em Barcelona onde fundou um centro de estudos franceses.. não foram livres de turbulências. Jean em vez de Pierre).na época que ele estava vindo para o Brasil ele tentou duas candidaturas para duas universidades. inclusive trabalhando com o diário que sua esposa organizou e que detalha muito bem sua trajetória profissional (Ferreira... mas ele não fica o tempo todo no Brasil. que se espantará somente pelo fato dela não ter uma alusão no seu prefácio. Através das pesquisas de Marieta de Moraes Ferreira. ele queria ingressar em faculdades públicas e pelo menos em duas ocasiões ele colocou a candidatura dele. à Roberto Schmidt de Almeida). Albert Demangeon e com o todo poderoso Emannuel de Martonne. não apoiou e eu acho que o De Martonne também não deu muito. Dunbar (1991:42).para a França ao iniciar a Segunda Guerra Mundial. Pierre Deffontaines. sabe? Porque tem um episódio que ele fala aqui: (isso é uma espécie de auto biografia que ele faz) “Minha tese se passa bem e com dimensão.. Albert Demangeon não fez nenhum empenho em auxiliar Deffontaines. que atualmente é considerado um importante geógrafo francês especializado no estudo dos gêneros de vida .. mas que de acordo com as informações que eu tenho. Afortunadamente.” (depoimento de Marieta M. se não me engano foi Rennes e Poitiers e não conseguiu.F. E que seus relacionamentos com seu orientador de sua tese de doutoramento.. pode-se saber que suas proposições para postos docentes nas universidades públicas francesas não foram acatadas.. sobre a presidência do De Martonne..ele era professor em Lille numa faculdade católica. “. Silvio Carlos Bray também escreveu sobre a visão de mundo de Deffontaines e suas relações com a cultura e ideologia do Brasil nos anos 30 (Bray. chefe da banca.. temos hoje um maior conhecimento da vida e da importância do trabalho de Deffontaines graças ao trabalho de pesquisa da historiadora Marieta de Morares Ferreira junto a família de Deffontaines na França.. 1980) e tornado verbete nas Enciclopédias Encarta e na Modern Geography de Gary S.. Além disso.

a rivalidade entre o Colégio e a Universidade não terá tido um papel. “.que eu acho que essa documentação mostra. um dos mais proeminentes líderes do grupo de intelectuais católicos do Rio de Janeiro.. Agora porque que Deffontaines é interessante para ser estudado? Nós sabemos que UDF é uma Universidade criada por Anísio Teixeira e que contava com um grande número de professores que defendiam o ensino laico que naquele momento travava uma briga de morte com a igreja católica. e uma correspondência que eu consultei no Ministério das Relações Exteriores sobre a documentação que está guardada no arquivo de Nantes mostra um pouco a insatisfação dos paulistas com esse desejo de Deffontaines querer vir para o Rio e querer também ter uma participação na estruturação da Universidade do Distrito Federal . ficando entre o Rio e São Paulo. uma coisa assim. depois ele diz.. entre Pierre Deffontaines e Alceu de Amoroso Lima. pode ter sido uma das razões de seu estabelecimento na UDF. mas na verdade eu acho que o interesse maior dele era ficar no Rio.” então .. à R. professor de Literatura que também. suas atribulações acadêmicas na arena do ensino universitário público francês e sua vinda para o Brasil. onde era professor de uma Universidade Católica e era membro de um movimento chamado Les Équipes Sociales. passaria para um campo muito mais formal com a evolução do governo de Vargas em direção ao estabelecimento do Estado Novo e o papel de Gustavo Capanema no campo da educação e cultura do governo federal. à RSA) Possivelmente..S. F. ele passa uma temporada lá e depois ele acaba voltando para o Rio de Janeiro.. a estreita relação. primeiro inicialmente que Deffontaines vai para São Paulo. Na visão de Marieta... nos anos 30 vem trabalhar na área de Letras da Universidade do Distrito Federal.. dependendo do ponto de vista e das circunstâncias) e a Igreja Católica. tenha vinculações com a sua militância religiosa no catolicismo em Lille. Nesse primeiro momento ele acaba ficando ainda dividindo um pouco. (depoimento de Marieta M. possivelmente houve um certo nível de negociações entre lideranças católicas para trazer para a nova Universidade do Distrito Federal (UDF) no Rio de Janeiro o maior número possível de professores católicos para contrapor uma luta entre diferentes concepções de ensino universitário carioca.).A. onde Brunhes tinha sido escolhido um pouco tempo antes professor de geografia do Collège de France. e colaborador da revista UTO – L’Union des Trois Ordes de L’Enseignement (Deffontaines.” (depoimento de Marieta M.importância.. após sua transferência da USP em São Paulo.. Mas esta luta sobre o controle doutrinário entre liberais (ou comunistas.UDF. Esse movimento foi fundado nos anos 20 por Robert Garric. Em suas pesquisas documentais junto ao Ministério de Relações Exteriores brasileiro e cotejadas com a documentação francesa Marieta percebeu. 1935 e 1936).... ele é a primeira pessoa que cria cadeira de geografia na USP.F.. . no Brasil. e pelo fato de ter dedicado minha tese a São Francisco de Assis”.”. Para Marieta.. “eu era o principal discípulo de Jean Brunhes eu vinha trabalhar na edição de geografia humana e passar ..

principalmente.227228). Mas o projeto de Capanema torna-se vitorioso. e em junho de 1938 propõe a anexação da UDF ao sistema federal de ensino universitário. à destituição de Pedro Ernesto da prefeitura e ao afastamento de vários professores da nova universidade. Alceu de Amoroso Lima. com se processaram as negociações com o governo francês através de Georges Dumas . 2000) detalha no capítulo 7. Eugène Albertini. (p. “O expurgo que se segue ao fracasso da insurreição da Aliança Nacional Libertadora de novembro de 1935 leva à saída de Anísio Teixeira do Departamento Municipal de Educação do Distrito Federal (onde é substituído por Francisco Campos). Apesar dessas manobras. com intermediação da embaixada francesa. Bomeny e Costa. A experiência de Alceu ao lado de Deffontaines e Garic (que retornaram em 1939 para a França) na luta dentro da UDF. As atividades da UDF. os movimentos de organização do grande projeto universitário de Gustavo Capanema. Tempos de Capanama é pródigo em análises sobre o grande painel de interesses pessoais. possibilitou às lideranças católicas reordenarem suas . o que foi feito pelo Decreto-lei 1190 de abril de 1939. amigo de Jacques Maritian.. O livro explica os intrincados conflitos ideológicos e organizacionais entre a Universidade do Distrito Federal liderada por Anísio Teixeira e iniciada em 1935 e o novo plano da UB.O livro Tempos de Capanema (Schwartzman. 232).” (p. ”desejo professores habituados à pesquisa e de estudos bem orientados. A Faculdade vai ficar sob a direção do Sr. mas ligados à Igreja. Schwartzman. A questão religiosa (militância católica) é colocada por Capanema como variável chave pois.. não se interrompem. corporativos e ideológicos que marcou a formação do sistema universitário do Rio de Janeiro. Capanema não consegue a adesão de Alceu de Amoroso Lima para a direção da FNF. no entanto.. Henri Hauser e Henri Troncon (história). que substituiu Francisco Campos no Ministério da Educação do primeiro governo de Vargas. voltemos ao exemplo que nos interessa aqui. católico. e em 1936 as aulas são iniciadas com professores de uma missão francesa que incluía Émile Brehier (filosofia). No sub-capítulo que trata da criação da Faculdade Nacional de Filosofia. e sua leitura é fundamental para o entendimento do sistema atual. Bomeny e Costa explicam como foram as tratativas para a escolha do corpo docente e. e que pode ser visto na indicação de Jacques Lambert para a cátedra de sociologia. Mas para que não nos percamos nas escalas mais abrangentes da política universitária da época. Pierre Deffontaines (geografia) e Robert Garic (literatura). Capanema aproveitando a legislação deixada por Campos prepara o projeto da Universidade do Brasil. Daí não encontrar eu boa acolhida para nomes que sejam conhecidos por suas tendências opostas à Igreja ou dela divergentes”.. Gaston Léduc(lingüística). que a embaixada garante ser da mesma geração de professores católicos militantes que Pierre Defontaines e Robert Garic.

Os critérios nebulosos de nomeação de professores são. significando aqui.... José Carlos de Macedo Soares.” (p. Cristóvão Leite de Castro. Ao mesmo tempo. criam na faculdade o confusionismo filosófico e ideológico’ . e poder começar com liberdade. “ Em fevereiro de 1941 o convite ainda permanecia de pé. Bomeny e Costa.233). seu poder de articulação na criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e na Revista Brasileira de Geografia foi inconteste. Seria impossível. Alceu percebe que as tramas políticas que regeriam a UB em geral e a FNF em particular. alunos e funcionários da UDF na nova faculdade. na segunda metade dos anos trinta. era algo quase obrigatório. uma missa solene ou a presença de um religioso para abençoar as novas dependências nas cerimônias de inauguração. e Alceu escreve longamente ao ministro explicando suas razões definitivas de não aceita-lo. Havendo sempre nas grandes comemorações do órgão. ele aceita ser indicado pelo ministro para a cátedra de literatura brasileira... ‘Não sinto nada por esta empresa. dizia entre outras coisas. e o adiamento do início das aulas para 1940. do que como organizador da Geografia do IBGE. seriam muito mais problemáticas do que as questões apenas ideológicas que foram disputadas com o grupo de Anísio Teixeira. mas mediante duas condições prévias.prioridades. ‘direta ou disfarçadamente. É bom lembrar que a religiosidade católica. o cumprimento dos ritos religiosos e sociais.234). Muito embora não existam dados que possam afirmar tal militância católica no contexto do IBGE e que as relações de Deffontaines com o órgão sempre foram lembradas pelos que conviveram com ele.. na visão de Schwartzman. Um outro ponto importante era a formação católica da maioria dos dirigentes do IBGE e dos principais servidores. . Jorge Zarur e outros eram minimamente católicos cumpridores de seus deveres ou em alguns casos..” (p. Personagens como Mario Augusto Teixeira de Freitas. A dolorosa experiência de oito meses tirou-me as ilusões’. segundo ele. “Em abril de 1939 ele escreve ao ministro ainda propenso a aceitar o convite. É importante lembrar aqui que. não havendo até hoje nenhuma colocação de cunho religioso nessas lembranças. que eram a não-incorporação dos professores. com responsabilidades no segmento leigo da Igreja. com seus quase 100 professores e 500 alunos. dando início ao projeto de sua própria universidade a PUC. é importante considerar alguns traços culturais da época. alguns dos óbices que influenciaram a indecisão de Alceu em aceitar a direção da FNF. o papel de Pierre Deffontaines. pela alta direção do IBGE nos anos 30. sempre foi mais vinculado às suas atividades como professor da UDF. para a Geografia brasileira. afastar uma série de professores que . ‘Nào me sinto com entusiasmo por esta obra’. No entanto.. no campo estritamente profissional. senti alguma coisa quando entrei para a UDF. Sua preocupação é não assumir o passivo da antiga universidade. Fábio de Macedo Soares Guimarães.

se no caso da UDF. Sua formação foi eclética. Após um ano de funções diplomático-militares. No que concernia ao IBGE. onde se encarrega das relações militares entre a França e os países da América do Sul e Caribe. este problema não se colocou. Meditação geográfica sobre o Rio de Janeiro (Deffontaines. sua visão abrangente sobre as potencialidades do estudo geográfico no Brasil. Como se constitui no Brasil a rede de cidades (Deffontaines. 1988). Em 1939 foi mobilizado pelo Estado-Maior do Exército francês e em 1940. Sua formação como geógrafo inicia-se na universidade de Rennes. a mais importante lembrança de Pierre Deffontaines foi primeiramente. aceita o cargo de professor de Geografia da Faculdade de Filosofia da recém .Portanto. sua atividade docente. pois também freqüentou o curso de Economia da “Faculté de Droit” e os cursos de mineralogia e geologia da “Faculté de Sciences” e do “Museum D’Histoire Naturelle” . Sua vinda para o Brasil foi fruto de coincidências e situações fortuitas. Francis Ruellan (1894-1975). em conseqüência da invasão alemã na França. em função da forte cultura católica da casa naquele período. as presenças de Deffontaines na Geografia e de Garric na Literatura tenham sido equilibradoras de um suposto enfraquecimento da religiosidade católica no ensino universitário carioca (o que também deve relativizado em virtude dos acontecimentos posteriores ao golpe da Intentona Comunista no âmbito da UDF). continua em Strasbourg e depois em Paris onde obteve sua “agrégation” (licença para lecionar no sistema de Liceus) e seu doutorado. foi desmobilizado pelo Exército. Por isso. na maioria dos casos. tornou-se um verdadeiro "chefe de escola" para uma legião de pesquisadores que. como mestre de conferências e diretor adjunto do Instituto de Geografia e da Escola de Altos Estudos de Geografia da universidade. enquanto formador da primeira geração de geógrafos e. 1960). para a Geografia do IBGE. Durante a década de 30 participou de varias missões técnicas e culturais organizadas pelo governo francês na Ásia e América do Norte. que ao substituir Pierre Deffontaines no comando do ensino de Geografia na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil (antiga UDF) em 1941. 1944). em 1941. onde nasceu. que eram comandados por Emmanuel De Martonne. em segundo lugar. é bem possível que. além de também ter freqüentado os cursos do “Collége de France”. pois sua carreira na Universidade de Paris já estava perfeitamente consolidada na década de 30. através de artigos que tornaram-se clássicos como o Geografia Humana do Brasil de 1939 (Deffontaines. tornaram-se figuras importantes na Geografia brasileira nos anos 60 em diante. foi enviado como adido militar para o Rio de Janeiro. geógrafo francês especializado em Geomorfologia.

o único geógrafo de se pode ser chamado de chefe de escola sem nenhuma restrição classificatória. principalmente junto aos geomorfólogos. sua influência ainda continuou forte até o início dos anos 60. Sendo ele. 1988). o cargo de consultor científico do CNG. e portanto sem o apelo característico de cursos como Direito ou Engenharia.criada Universidade do Brasil. pois apesar de ter voltado para a França em 1956. os ensinamentos de Francis Ruellan conquistaram um número significativo de alunos que estão atualmente na faixa entre 60 e 75 anos aproximadamente. Além de pesquisador. seus projetos de excursões alcançavam qualquer parte do Brasil. pronunciada em Goiânia em 26 de junho de 1942. 2000: anexo B) foram computadas 11 grandes excursões lideradas por Ruellan entre 1941(Baia de Guanabara e Serra do Mar) e 1951(Bacia do Rio São Francisco). Ruellan era acima de tudo um professor e consta que nunca fez um trabalho de campo só. Os Métodos Modernos do Ensino da Geografia. No entanto Ruelan não era somente geomorfólogo. fruto de duas conferências. que retornou à França em 1939. treinou equipes de pesquisadores e orientou a formação acadêmica e técnica de muitos deles. substituindo Pierre Deffontaines. são referências importantes no estudo da Geomorfologia do Sudeste do Brasil. lecionou para um número mais restrito de alunos. Suas pesquisas de reconhecimento da Geomorfologia da Serra do Mar resultaram num trabalho clássico publicado na RBG em 1944 (Ruelan. Em suas funções no Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) até 1956. Ruellan marcou profundamente as gerações de geógrafos que trabalharam entre 1940 e 1960. alunos da universidade ou profissionais de pesquisa do IBGE. além de ficar apenas cinco anos no Brasil. Diferentemente de Deffontaines que. Em função de sua posição de liderança num período onde o IBGE possuía um enorme prestígio perante o governo federal. ou com um ou dois alunos. além de indica-los e encaminha-los para cursos em universidades da França. E assume paralelamente. Seus principais trabalhos até hoje. Seu espírito disciplinador e seu senso de organização são célebres. no VIII Congresso Brasileiro de . era um professor completo e sua importância para a Geografia brasileira dificilmente poderá ser igualada. por ser a Geografia ainda um curso novo. No campo. Na tese de Vera Lúcia Cortes Abrantes sobre o arquivo fotográfico das pesquisas geográficas de campo do IBGE (Abrantes. podendo contar com um grande número de participantes. sem limitações de ordem financeira ou logística. indubitavelmente. Na publicação editada pelo IBGE. Sua principal característica foi a vinculação estreita entre o ensino teórico na sala de aula e o prático no campo e no laboratório (para os geomorfólogos).

Primeiramente no contexto da Universidade americana de Winsconsin. Retornou aos Estados Unidos em 1950 e logo depois para a Alemanha. onde veio a falecer em 1951. As relações de Leo Waibel com os geógrafos do IBGE se deram em três fases distintas. Leo Heinrich Waibel (1888-1951). que cobre suas atividades no período anterior a sua vinda para o Brasil. A terceira e última fase se deu entre 1947 e 1950 já trabalhando com Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. entre os anos de 1946 e 1950. Seu primeiro aluno brasileiro foi Jorge Zarur em 1943 e posteriormente em 1945. 4. 1949. nos processos de colonização e de reconhecimento de áreas propícias para colonização futura. assim como estava ocorrendo na . no final da segunda guerra. Foi neste período também. ao pesquisar os tipos de ocupação de terras e os diferentes cultivos tropicais e com Geografia da População ao explicar os processos de colonização de dois povos europeus (alemães e italianos) no sul do Brasil. pronunciada em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais. que o convidaram (a partir de consultas com Christóvão Leite de Castro na direção do CNG) para trabalhar como consultor técnico do IBGE no Brasil. Em sua estada no Brasil trabalhou com Biogeografia. ao estudar a vegetação brasileira. (Ruellan.11. em julho do mesmo ano na Terceira Convenção Nacional dos Engenheiros Brasileiros. quando da oficialização do Nazismo. nos estudos sobre povoamento e colonização. Avaliando os estudos de habitat realizados no Brasil. A segunda fase aconteceu no Brasil entre o final de 1945 e meados de 1946. está o seu currículo. quando trabalhou com Speridião Faissol.Educação e complementada por outra. foi nesta fase que se deu uma maior aproximação com Orlando Valverde. com Geografia Agrária. para onde havia ido lecionar em função de sua saída da Alemanha. 1942. que os estudos de identificação do futuro sítio do novo Distrito Federal foram coordenados no IBGE por Waibel e relatados por Fábio de Macedo Soares Guimarães na RBG v. Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. naturalizado americano. Jorge Zarur e Walter Alberto Egler.6-8). que haviam retornado de Winsconsin. geógrafo alemão. em virtude de uma possível leva migratória de europeus para o hemisfério sul. Almeida (1995) constata que estes trabalhos estavam. Nilo Bernardes. para pesquisar e treinar um pequeno grupo de geógrafos do IBGE. nas preocupações do governo brasileiro. que tornou-se o maior divulgador de sua obra no Brasil. n. pois Waibel era casado com uma cidadã judia e fazia parte da oposição ao Nacional Socialismo. p. contratado pelo Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Universidade de Wisconsin (USA).

para estudar os processos de colonização rural no Brasil central. Seus livros Latin America (1942) e American Geography: Inventory and Prospect (1954 em co-autoria com Clarence F. galgaram importantes postos no meio científico brasileiro na área de meio ambiente. 1949. uma esclarecedora biografia do mestre alemão./mar. pois estavam aqui especialistas de Geomorfologia. Jones) são considerados clássicos da literatura geográfica americana. trabalhou com Francis Ruellan na Serra do Mar e produziu um artigo de pesquisa na RBG. Em 1946. uso da terra e gênero de vida no sul do Brasil. Preston Everett James (1899-1986). após seu doutoramento feito em 1923 na Universidade de Clark./dez. . além de ministrar cursos de introdução à Biogeografia aos alunos de graduação. 1952. geógrafo norte americano.América do Norte. Waibel e Dansereau e que tanto Ruellan e Dansereau também ministravam aulas na Universidade do Brasil. além de estudar a Biodiversidade tropical brasileira. biólogos). áreas que garantiam um conhecimento amplo de Geografia para os profissionais do IBGE. apresentando principalmente sua obra geográfica realizada no Brasil. Deixou uma obra voltada principalmente para o ensino superior. 1947). Nilo Bernardes. É importante ressaltar que no final da década de 40. Portanto foi um período muito profícuo para o aprendizado de Geografia. publicou na RBG v. um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação na Bacia do rio São Francisco RBG 11(1) jan. no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out. Trabalhou no Brasil entre 1951 e 1952 a convite do IBGE. Pierre Dansereau (1919. agrônomos. pelo seu conteúdo metodológico. por ocasião do falecimento de Waibel.1939) e publicado no final dos anos 40. Foram dessa fase a maioria dos trabalhos de Waibel e dos geógrafos brasileiros que foram treinados por ele. Ruellan. Preston James já havia estudado o problema de colonização. estavam trabalhando no IBGE.) biogeógrafo canadense. foi professor nas Universidades de Michigan (1923-1945) e Syracuse (1945-1970). pioneiro na introdução do ensino sistemático de Biogeografia no Brasil em 1945. Convidado pela Universidade do Brasil e IBGE para dar treinamento especializado aos professores e pesquisadores (geógrafos. Biogeografia e de processos de ocupação humana.14.n. (Dansereau. A maioria de seus alunos. Era um especialista em Geografia Regional da América Latina. que era liderada por Hilgard O’Reilly Sternberg. Dansereau organizou o ensino desta área de estudos e montou um programa de intercâmbio e de pósgraduação entre o Brasil e o Canadá que visava treinar pessoal especializado em Biogeografia. 2. com linhas de pesquisa em colonização rural. Foi também um importante historiador do pensamento geográfico anglo-saxão.

possivelmente. No início dos anos 60. presidente do Conselho de Administração do Instituto Francês de Urbanismo e professor visitante em universidades brasileiras. Muitos dos quais foram para cursos de aperfeiçoamento em universidades francesas. favoreceu a aceitação de seu método. Ainda hoje. fruto de diferentes motivações que transitaram pelo institucional ( a preocupação do governo federal com a urbanização e migração para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro). em escala nacional . ampliando suas ligações com o Brasil). na época liderando as pesquisas geográficas na antiga Divisão de Geografia. enfatizando a análise do setor comercial e de serviços urbanos. é convidado a dar consultoria ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aulas na Universidade do Brasil. A principal marca de Preston James na Geografia brasileira vincula-se ao alargamento do conhecimento sobre os processos de ocupação no interior do país.Geiger. pelo acadêmico ( seu método de avaliação do sistema urbano era novidade e. professor emérito da Sorbone. que estavam tomando proporções ainda não totalmente compreendidas. quanto nos Estados Unidos. no início dos anos 50. no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro. em função da intensificação das preocupações do governo militar nas questões urbanas. O enfoque no estudo dos fluxos materiais e de pessoas entre centros urbanos de uma determinada rede e de suas vinculações com a área rural produtora de bens agrícolas. era uma questão que já preocupava alguns outros geógrafos e economistas tanto na Europa.Sua atuação no IBGE. que já se preocupavam com os altos índices de urbanização que parte do Brasil apresentava na segunda metade dos anos 60. sem sombra de dúvida. devido a poderosa influência de Michel Rochefort. mas mesmo assim fundamental para o progresso da Geografia feita no IBGE na década de 50. Não tanto quanto Leo Waibel. propiciou uma forte ligação com Speridião Faissol. Foi um importante orientador de teses de pesquisadores brasileiros em Paris entre os anos 70 e 90. é adotado por alguns geógrafos do IBGE. 1963) e pelo emocional ( seu casamento com a geógrafa do IBGE Regina Espíndola Rochefort. Seu método de estudo sobre redes de cidades. A influência de seus estudos no país ampliou-se a partir de 1964. Seus primeiros contatos com a Geografia brasileira se dão em 1956. A atuação de Rochefort no Brasil foi. Michel Rochefort (1928- ) geógrafo francês. é consultor de várias instituições européias. . Sua vinculação com Lysia Bernardes. introdutor dos estudos sistemáticos sobre redes urbanas no Brasil na década de 1960. que foi rapidamente absorvido pelos geógrafos urbanos. apenas Pedro Geiger estava trabalhando com o tema na época. que foi para Syracuse para doutorar-se em 1956 sob sua orientação.

A de Rochefort foi uma delas e foi importante no contexto do IBGE até a década de 70. principalmente através de sua poderosa influência no sistema universitário francês. será imprescindível analisar a vida profissional alguns de seus melhores alunos e assistentes. eram uma das inúmeras facetas do processo de urbanização que estava ocorrendo em muitas partes do mundo no pós guerra e que estavam sendo motivo de releituras diferenciadas. uma coletânea sobre Geografia Urbana. Portanto. foi editada em 1959 e nela já estavam muitos artigos que trabalhavam com a temática dos fluxos para o entendimento dos padrões espaciais que emergem deles (Mayer. Kohn. 1959). uma nova abordagem passa a fazer parte das preocupações dos geógrafos urbanos / regionais do IBGE. posteriormente. quando aparentemente.Estudiosos como Von Thünen que em 1826 enfocou a relação entre distância das cidades às áreas de cultivo agrícolas. distância e padrão espacial de distribuição dos centros urbanos em determinadas regiões. . considerada clássica. O interessante desse processo é perceber que Michel Rochefort foi o último líder estrangeiro com carisma suficiente para influenciar várias gerações de geógrafos urbanos brasileiros. as preocupações acadêmicas de Michel Rochefort que chegaram ao IBGE no final dos anos 50 e percorreram toda a década de 60. Walter Christaller. deve ser entendida como uma liderança que manteve-se forte apesar das novas orientações que passaram a vigir no IBGE nos anos 70/80. se não deve ser comparada com Francis Ruellan em virtude das diferenças de condições vivenciadas por esses dois professores nos dois períodos em que operam no Brasil. Para que se possa avaliar a importância desses líderes formadores. o primeiro grupo de pesquisadores que passou a liderar academicamente a Geografia do IBGE. que em 1933 tentou explicar teoricamente o princípio de ordem entre tamanho. Sua influência. Nos Estados Unidos. que formaram.

órgão que faria parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). organizando projetos em escalas nacional e regional que subsidiaram as ações do governo federal em termos de políticas de ocupação rural. muitos já não estão mais conosco. nove por Roberto Schmidt de Almeida no contexto desse trabalho e. migração. geógrafo brasileiro especializado em planejamento regional. Esse conjunto de profissionais foi fundamentalmente composto por dois grupos distintos. Participou também. excepcionalmente. dos estudos para determinação do sítio do futuro Distrito Federal em 1947. quanto no plano das estratégias de planejamento territorial do país. tendo sido seu Secretário Geral. tanto no plano acadêmico. apesar do caráter inescapavelmente arbitrário da escolha. Fabio de Macedo Soares Guimarães (1906-1979). a Estruturação das Lideranças Pioneiras Para que se tenha uma boa noção sobre quem estamos falando. posteriormente. . juntamente com Orlando Valverde.Parte II Capítulo III – A “Velha Guarda” da Geografia do IBGE. Cristóvão Leite de Castro foi o principal formulador dos estudos geográficos nas fases iniciais do IBGE. Será necessário. lecionou na PUC RJ até seu falecimento. em 1937 do Conselho Nacional de Geografia (CNG). via trabalhos e livros. Fabio foi considerado um dos mais completos geógrafos de sua geração e seu trabalho sobre a divisão regional do Brasil em grandes regiões. Muito embora não tenha exercido a profissão de Geógrafo. juntamente com o grupo de Leo Waibel. portanto que se fale um pouco sobre eles. USA onde conheceram o professor Leo Waibel e. foram enviados pelo IBGE para a Universidade de Winsconsin. o depoimento de Cristóvão Leite de Castro dado à área da Memória Institucional do IBGE em 1994. abertura de eixos de transportes e de urbanização. faremos uma breve apresentação sobre alguns profissionais de Geografia que tornaram-se líderes em suas especialidades e ou tiveram papel relevante no processo de gestão técnico-administrativo do órgão. foi um dos fundadores. Os Alunos e Treinandos que Tornaram-se Líderes da Velha Guarda Do grupo de jovens estudantes brasileiros que formou a Velha Guarda Ibegeana. o indicaram para um período de pesquisas no Brasil. o dos professores e pesquisadores que vieram para o Rio de Janeiro objetivando formar e treinar profissionalmente estudantes que se dedicariam à profissão de geógrafo e o dos jovens estudantes que foram treinados e que se destacaram academicamente na profissão. foi oficializado pelo Governo Federal em 1941. Deste segundo grupo foram pinçados os dez entrevistados. Em 1945. Após sua aposentadoria do IBGE em 1968 . pois alguns foram personagens importantes nas fases iniciais de construção de um corpo de conhecimentos geográficos sobre o Brasil.

Foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). autor do mais completo dicionário Geológico-Geomorfológico editado no Brasil. dois expoentes da moderna visão da Geografia como o estudo das relações espaciais entre fatos físicos e humanos e não a simples listagem de topônimos ou ordem de grandeza dos acidentes geográficos. repentinamente aos 44 anos de idade e. Sua primeira edição. deram contribuições importantes à Geografia brasileira. Universidade Católica e Universidade do Brasil. sempre atualizadas. apesar de já ter feito o bacharelado no Colégio Pedro II entre 1929-1934. Suas edições posteriores. Essa vinculação com Deffontaines se dá em virtude da necessidade de prepararse em Didática da Geografia para o exercício do magistério. Retorna dos Estados Unidos com uma nova visão sobre a pesquisa geográfica voltada para o planejamento de governo e organiza um programa de bolsas para enviar um grupo de geógrafos do IBGE para especializarem-se nessa nova visão da Geografia. Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern. o também geógrafo e Professor da UFRJ Antônio José Teixeira Guerra. José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) geógrafo brasileiro que mais se preocupou com a memória da ciência geográfica brasileira. saiu sob o patrocínio da Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. além de geógrafo do IBGE. Foi um dos pioneiros da criação do IBGE ingressando em 1939 e partindo em 1943 para os Estados Unidos para pós-graduar-se em Wisnconsin e Chicago em Geografia Regional e Geografia de Campo respectivamente. lecionava também nas universidades Estadual do Rio de Janeiro e Fluminense. e atualmente pela editora Bertrand Brasil. Lecionou no Colégio Pedro II. Foi chefe da Divisão de Geografia na segunda metade dos anos 50 e foi responsável pelo gerenciamento técnico da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e do Atlas Nacional do Brasil. ao longo da década de 1950. ingressando no ano de 1940 e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). Seu interesse pela Geografia possivelmente tenha raízes no Pedro II. onde foi aluno de Fernando Raja Gabaglia e de Carlos Delgado de Carvalho. Antônio Teixeira Guerra (1924-1968) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia. além de professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). no qual ingressou em 1945 e deixou uma imensa produção acadêmica.Jorge Zarur (1916-1957). Morreu prematuramente aos 41 anos. Suas ações estabeleceram um equilíbrio entre as influências das escolas francesa e americana de Geografia no IBGE. Trabalhou em três linhas distintas: a Federal . agora com a co-autoria de seu filho. foram publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). no ano de 1954. foi um dos alunos da primeira turma de Pierre Deffontaines na Universidade do Distrito Federal (UDF). O professor Antônio Guerra faleceu de problemas cardíacos. ajudando a criar um corpo de pesquisadores mais críticos que.

Faleceu de infarto num vôo de trabalho do INIC sobre o estado do Amazonas. na instância federal e no governo do Estado do Rio de Janeiro. no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944 –1987 ) e em organismos internacionais como o Instituto . especializada em planejamento regional e urbano. nas décadas de 1970 e 1980. transfere-se para Belém (PA) trabalhando no museu Emílio Goeldi. foi a principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort. geógrafa brasileira. em 1945 vai para a Universidade de Chicago estudar Geografia Regional. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1944–1975) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959-1977). Nilo Bernardes (1922-1991) geógrafo brasileiro. engenheiro agrônomo que especializou-se em Fitogeografia. na fronteira entre Pará e Amapá durante os trabalhos de levantamento florístico do vale do Jari. no rio Jari. Especializa-se no estudo da vegetação amazônica e. compilando informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país.Cabo Frio. para o Museu Nacional para dedicar-se exclusivamente ao estudo de vegetação. Em 1952 transfere-se. juntamente com Alceu Magnanini. para níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro: cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior. Na UFRJ. Lysia Maria Cavalcanti Bernardes (1924-1991). o também geógrafo Nilo Bernardes. foi contratado pelo IBGE em 1940. posteriormente. No IBGE. formavam um dos mais dinâmicos casais da Geografia brasileira. Faculdade de Arquitetura (Urbanismo) e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia (COPPE). Morreu em 1961. Lúcio de Castro Soares (1909-1986) geógrafo brasileiro especializado em estudos regionais da Amazônia. lecionou tanto na graduação. Juntamente com seu marido. Morreram tragicamente em acidente rodoviário no trajeto Rio de Janeiro . a partir do final dos anos 50 e durante toda a década de 1960. que teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições. Seus importantes trabalhos nesta linha de pesquisa a conduziram. Foi um dos primeiros alunos do curso de Geografia organizado por Pierre Deffontaines no Rio de Janeiro. ao cair de barco na cachoeira Macacudra. quanto na área de pós-graduação. a geografia geral para educação ao produzir compêndios gerais para o ensino superior e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil. tendo trabalhado no Departamento de Geografia. Dedicou-se aos estudos regionais da região norte do Brasil com ênfase nos recursos minerais e na hidrografia amazônica. especializado em Geografia agrária e processos de colonização que teve sua vida profissional dividida entre a pesquisa. Ingressou no IBGE em 1943 participando do núcleo inicial de pesquisadores em Biogeografia. Na década de 70 trabalhou em cargos de alta direção no IBGE até sua aposentadoria.geografia agrária e os processos de colonização. Walter Alberto Egler (1926-1961).

tanto no Brasil. passando assim a fazer parte do acervo da Memória Institucional do IBGE. Miguel Alves de Lima. Organizou os trabalhos de preparação cartográfica municipal para o censo de 1940 dentro das determinações estipuladas pelo Decreto Lei 311 de março de 1938. além de ser um excelente conferencista e organizador de cursos de especialização. que dispunha sobre a divisão territorial brasileira. A seqüência de apresentação acompanhou a cronologia de ingresso no órgão. além de atlas e livros ditáticos. também chamado de lei geográfica do Estado Novo. Nesta seção trabalharam também Fábio de Macedo Soares Guimarães. na forma de verbete. a também geógrafa Lysia Bernardes. Segue-se um comentário sobre algumas passagens relevantes de seus respectivos depoimentos. foi trabalhar em 1933 no Ministério da Agricultura chefiado por Juarez Távora. Após um período de cinco anos na iniciativa privada. portanto cobrindo todo o período do Estado Novo de Getúlio Vargas. Cristóvão chefiou a Secretaria Geral do CNG até 1950. principalmente as que recordaram relações profissionais e estruturações de linhas de pesquisa que foram decididas nos anos iniciais do IBGE. que juntamente com o Conselho Nacional de Estatística passaram a formar o IBGE. Suas atividades de pesquisa geraram sete livros. Morreu tragicamente em desastre automobilístico em 1991. foi o embrião do futuro Conselho Brasileiro de Geografia instalado em 1937 e substituído em 1938 pelo Conselho Nacional de Geografia. A transferência dessa seção de Estatística Territorial do MA.Panamericano de Geografia e História e a docência no ensino médio e superior. na criação de uma seção de Estatística Territorial. que apresenta suas principais informações. . Jorge Zarur e outros. Os Depoentes O próximo grupo é composto pelos profissionais que deram seus depoimentos para o projeto. engenheiro civil formado em 1928. como no exterior. Cristóvão Leite de Castro (1904 ). juntamente com sua esposa. 14 capítulos de coletâneas. Foi professor titular do Colégio e da Faculdade Pedro II e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Orlando Valverde. Instituto Nacional de Estatística e que foi instalado solenemente em 29 de maio de 1936. Para cada profissional foi elaborado um breve texto. facilitando o entendimento do encadeamento dos fatos nos primeiros anos de estruturação do IBGE. 52 artigos em revistas geográficas. para o já criado legalmente em julho de 1934.

A partir da década de 1960. Em 1945. tanto no que se refere a planejamento. Viabilizou financeiramente a Revista Brasileira de Geografia e o Boletim Geográfico. pois Cristóvão foi um dos principais atores desses acontecimento.Auxiliou na coordenação da instalação do primeiro curso superior de Geografia na Universidade do Distrito Federal. Comentários ao depoimento A longa entrevista de Cristóvão cobre três áreas da memória. geógrafo brasileiro especializado em Geografia Agrária e profundo conhecedor da região amazônica. é o mais velho geógrafo em atividade . funcionários da área de Memória Institucional do IBGE em 1994. que foi convidado a trabalhar no IBGE como consultor. onde conheceu o Prof. posteriormente. Orlando Valverde (1917). Seus trabalhos sobre os diferentes tipos de agricultura e colonização no Brasil. são considerados clássicos. Aos 83 anos. quanto à execução dos grandes projetos em que a Geografia de planejamento de governo tomou parte. De volta ao IBGE. o principal divulgador de suas pesquisas. em virtude da ampliação das queimadas na área de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. via fazendas de gado de corte. Seu depoimento dado a Laurinda Rosa Maciel e Severino Bezerra Cabral Filho. Aposentou-se do IBGE em 1982. A parte mais importante cobre o processo de institucionalização da Geografia. Leo Waibel. tornando-se um dos mais fortes críticos do modelo de ocupação. garantindo condições materiais de pesquisa para Pierre Deffontaines desde 1936.doc do editor de texto Word da Microsoft. Foi. através da estrutura já existente do Conselho Nacional de Estatística e enviando para a universidade os funcionários interessados em Geografia. foi roteirizado por Márcia Bandeira de Mello Arieira (Estatística) e Aluízio Capdeville Duarte (Geógrafo). tornou-se um dos assistentes de pesquisa de Leo Waibel e. o processo de institucionalização da área de Geografia e sua gestão no CNG e a sua atuação na direção da Companhia do Teleférico do Pão de Açúcar após sua saída do IBGE. sua trajetória pessoal até o IBGE. passou a estudar o processo de ocupação da Amazônia. Está dividido em cinco fitas magnéticas. publicações organizadas por Deffontaines para difundir os estudos geográficos do IBGE e participou intensamente dos projetos organizados por Mário Augusto Teixeira de Freitas e José Carlos Macedo Soares durante todo este período. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães e Jorge Zarur um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao ser contratado em 1938. juntamente com Fabio de Macedo Soares Guimarães foi estudar em Winsconsin. transcritas para cinco arquivos .

quando comparada ao período pós 1968. Miguel Alves de Lima (1921) geógrafo brasileiro especializado em Geomorfologia.. o que já pode haver hoje. principalmente no que concerne ao período do Estado Novo. ministrando cursos em universidades e dando consultorias para órgãos de governo e empresas.. Um exemplo significativo refere-se a regulamentação do decreto-lei 311 de 02/03/1938 que dispunha sobre a divisão territorial do país. independente de seu conteúdo autoritário. ”entrou outro grupo na orientação da Geografia do IBGE. quando assumiu cargos . Comentários ao depoimento Alguns pontos marcantes merecem ser analisados no depoimento de Orlando Valverde. iniciou sua carreira em 1938 como desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. junto com os órgãos de Estatística também estaduais.. justamente a época de implantação do órgão. por Cristóvão Leite de Castro. o engenheiro e estatístico Christóvão Leite de Castro. Christóvão foi uma figura chave na política de treinamento do pessoal técnico organizando cursos. Outro ponto interessante está relacionado com uma visão positiva e nacionalista do ciclo Vargas. a influência para criar serviços de Geografia nos estados. para estruturar o núcleo original do futuro IBGE. principalmente nas figuras do estatístico Teixeira de Freitas e de seu principal colaborador na criação da área de Geografia. ”conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo.no Brasil. Até a nomenclatura de norte a sul do país não podia haver dois municípios homônimos. Valverde ressalta justamente o grupo de professores e pesquisadores que vieram entre 1935 e a década de 60. Foi aluno de Francis Ruellan no IBGE e de André Cholley e Jean Tricart na Universidade de Paris. que a meu ver. Trabalhou em Geomorfologia até a década de 60... do qual mais tarde Valverde seria seu principal assistente e após sua volta aos Estados Unidos (1950) e posterior falecimento (1951). como no caso de Leo Waibel. quando.. não tinha base de conhecimento do território brasileiro”. o mais fiel divulgador de seus trabalhos.. daquela vez era taxativa a obrigatoriedade em fazer mapas dos municípios. marcando claramente com Michel Rochefort e Jean Tricat (anos 60) o final do período considerado por ele como o mais produtivo e de melhor qualidade... O primeiro deles refere-se a defesa intransigente da qualidade de ensino e pesquisa referenciada aos primeiros anos de estruturação do IBGE. e mais. área que foi transferida em 1939. Ressalte-se também sua admiração e respeito pelos profissionais que organizaram e gerenciaram os processos de fundação e estruturação inicial do IBGE. estabelecendo convênios com universidades estrangeiras para o envio de técnicos do IBGE e contratando professores. tudo aquilo tinha uma importância enorme”.

assim como foram descritas as boas relações do IBGE com as universidades brasileiras para que o Congresso tivesse êxito. A organização das excursões de campo no XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado em 1956 no Rio de Janeiro foi outro ponto relevante no depoimento.de alta direção no IBGE. deveria haver outro grupo de pesquisadores que seriam orientados para o estudo regional voltado para o planejamento. Porém. Processo que equilibrou a influência das duas escolas geográficas que orientaram a Geografia do IBGE a francesa e a americana. por conta disso fica patente também a admiração e o respeito por Cristóvão Leite de Castro. Foi o primeiro geógrafo . orientado por Francis Ruellan durante sua estada no IBGE. Speridião Faissol (1923-1997) geógrafo brasileiro. Integrante da primeira geração de geógrafos do IBGE. tendo sido durante muitos anos diretor da área de Cartografia e Geodésia. sobretudo dando consultoria para projetos do governo de Franklin Delano Roosevelt. um ponto interessante do seu depoimento revela a importância da figura de Jorge Zarur no processo de inflexão que ocorreu nos objetivos da Geografia do IBGE nos anos 40. equilíbrio que serviu para criar um corpo de pesquisadores no IBGE com boa base crítica. Outro ponto relevante foi sua participação na composição do segundo grupo de geógrafos do IBGE que receberam bolsas de aperfeiçoamento em universidades francesas. Comentários ao depoimento Da mesma forma que Orlando Valverde. introdutor das técnicas quantitativas na Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na década de 1970. Lecionou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e foi adido cultural no Uruguai e no Peru. Miguel trata também das ações de aperfeiçoamento nos Estados Unidos dos primeiros geodesistas e cartógrafos do IBGE. A ida de Zarur para Wisconsin em 1943 e seu trabalho com Clarense Jones serviram para esquematizar que. perfeitamente sintonizados com todas as novas tendências da Geografia. Sua ida para a Universidade de Paris em 1947. Miguel Alves de Lima foi um dos pioneiros na organização do IBGE. Finalmente falou sobre suas experiências como professor e adido cultural no Uruguai e no Peru e como diretor da área de Cartografia do IBGE nos anos 70. a americana. principal gestor do processo de criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG). tal qual algumas universidades americanas estavam fazendo. no qual ingressou em 1941. para estudar com André Cholley e Jean Tricart foi resultado de seus estudos em Geomorfologia entre 1941-1942. O grupo dos cinco que seguiram em 1945 foi a concretização das idéias de Zarur em equilibrar a influência hegemônica francesa com uma outra visão.

Durante o período de Juscelino Kubitschek e com o IBGE sob a direção de Jurandir Pires Ferreira. Possivelmente. como Secretário Geral do CNG e chefe da Divisão de Geografia no período entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira metade dos anos 60. contrariamente ao forte relacionamento entre a Geografia brasileira e a francesa. posteriormente.ibegeano a se doutorar na Universidade de Syracuse sob a orientação do professor Preston James em 1956. o estudo da língua inglesa também tenha sido fruto da influência de Zarur. Nos últimos anos da década de 70 assume a Diretoria Técnica do IBGE até 1979 com a saída de Isaac Kerstenetzky da presidência do IBGE. tanto no campo familiar através de seu casamento com a irmã de Jorge Zarur. Este movimento acadêmico ficou conhecido como Geografia Quantitativa e teve no professor Faissol o seu principal incentivador no Brasil. Aposentou-se em 1986 e passou a dedicar-se ao ensino superior. pois ao ingressar no IBGE em 1941. Na década de 70 assume a liderança técnica da Geografia Urbana do IBGE orientando pesquisas e criando bases de dados que até hoje são referências nos estudos da urbanização brasileira. Comentários ao depoimento Speridião Faissol. quanto na esfera profissional. Sua primeira linha de estudos nos anos 40 e 50 estava orientada para os processos de colonização e de ocupação econômica do território brasileiro. utilizando-se do novo arsenal de técnicas estatísticas que a informática a agora colocava à disposição dos geógrafos. Faissol intensificou sua proficiência na língua inglesa o que garantiulhe o convívio com o restrito grupo de treinandos de Leo Waibel (1945-1950) e. Ambos sempre advogaram uma maior relação com a Geografia anglo-saxã. foram personalidades polêmicas na comunidade geográfica do IBGE. A influência de Zarur na carreira de Faissol é perfeitamente demonstrada. Faissol assume o cargo de Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia. docência em várias instituições de ensino de pós-graduação. Até o seu repentino falecimento em 1997. Faissol com doutoramento em Syracuse e Zarur com um mestrado em Winconsin e um curso de aperfeiçoamento em Chicago. No IBGE. exercia a . ocupou cargos de alta direção. quando da orientação para a escolha do curso de Geografia em detrimento do de Direito por indicação direta de Zarur. sua relação com Preston James que viria garantir seu doutoramento em Syracuse. No final dos anos 60 passa a dedicarse ao estudo da urbanização/industrialização brasileira. até por conta de um melhor equilíbrio entre metodologias e áreas de especialização. Sob sua direção e auxiliado por Antônio Teixeira Guerra na chefia da Divisão de Geografia foi editada a coleção da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Ambos foram estudantes de pós-graduação em universidades americanas e se titularam oficialmente. assim com seu cunhado Jorge Zarur. além do Atlas Nacional do Brasil.

Foi um dos primeiros cartógrafos temáticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). baseados em estudos com grande base estatística e matemática. cartógrafo brasileiro especializado na organização de atlas geográficos e cartografia temática orientada para aspectos geográficos onde o físico e o humano apresentam-se vinculados. os métodos quantitativos na Geografia foram alvo de duras críticas vindas de grupos de geógrafos. majoritariamente de esquerda. que foram uma marca registrada da Geografia do IBGE no período. pois o período da escolha coincidiu com atos de beligerância da Alemanha contra navios brasileiros. principal figura do grupo que trabalhava com Fábio de Macedo soares Guimarães. com a saída de Lisia para outras esferas do governo federal. no qual ingressou em 1942. Sob este contexto. Neste processo.Nos primeiros anos do período militar (governos de Castelo Branco e Costa e Silva) a figura de Speridião Faissol deixa o primeiro plano da Geografia do IBGE. a decisão envolveu muito mais uma escolha de ambiente de trabalho do que o trabalho em si. Atualmente trabalha em consultoria. com o Exército e IBGE trabalhando juntos na campanha de cartografação dos mapas para o censo . Ocupou diversos cargos de chefia técnica na área cartográfica do IBGE e coordenou inúmeros atlas de enciclopédias editadas no Brasil. Descreve as fases iniciais do esforço do governo brasileiro. vincula-se aos períodos de grande indecisão que antecedem às escolhas profissionais. Para Rodolfo Barbosa. acumula também cargos de alta direção. introduzindo os novos métodos quantitativos. embora alguns dos antigos companheiros também se mostraram refratários às técnicas. No final dos anos 70 e durante toda a década de 1990. dando lugar a Lisia Bernardes. Em 1942 ingressa no IBGE e em 1946 vai para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento. no último ano. Sua obra sobre metodologia cartográfica abrange dezenas de artigos em revistas especializadas. chegando ao posto de Diretor Técnico do IBGE. indo trabalhar numa empresa de cartografia e aerofotogrametria alemã. precursores dos atuais programas de mapeamento automatizado e sistemas geográficos de informações. principalmente as do IBGE. Na década de 1970. A motivação inicial era a cartografia naval. Comentários ao depoimento Uma questão que sempre emerge na maioria dos depoimentos de profissionais que relembram suas trajetórias de trabalho. Rodolfo Pinto Barbosa (1927). Faissol retorna a liderar academicamente a Geografia do órgão. por pressão da família. editorando atlas em mídia eletrônica. Rodolfo Barbosa muda de área de trabalho mas não de especialidade. via curso de oficial de náutica na Marinha Mercante. dirigiu a área de Cartografia nos anos 60 e foi coordenador da maioria dos atlas editados pelo órgão entre 1955 e 1990. o depoimento de Speridião Faissol tornou-se uma avaliação sobre esses tempos conturbados porque passou a Geografia brasileira.

Na década de 1950 inaugura uma nova linha de pesquisa que enfocava as transformações econômico-sociais ocorridas nas áreas rurais periféricas a grandes centros urbanos. ultrapassa 70 títulos entre livros e artigos em revistas especializadas. profissionais de Estatística. especializado em Geografia urbana e industrial. O livro Evolução da Rede Urbana Brasileira e o artigo sobre a industrialização da região sudeste do Brasil na Revista Brasileira de Geografia do IBGE. ao ingressar no órgão em 1942. Para Geiger. Em 1963 publica dois trabalhos. Inicialmente trabalha na área de Geografia física e. Aposentouse do IBGE em 1986 e atualmente trabalha como consultor e professor em cursos de pósgraduação. O volume de sua obra hoje. a estruturação das principais linhas de poder acadêmico e administrativo do IBGE até o . atividade que ainda hoje exerce sob forma de consultoria para empresas privadas ou órgãos de governo. determinação da União Geográfica Internacional para todos os países membros e iniciada pelo Clube de Engenharia nos anos 20 e reitera aqui o “espírito de missão” que era corrente no período. Nos anos anteriores à sua aposentadoria. com a vinda de militares austríacos especializados e. Foi um dos principais pesquisadores da segunda geração do Conselho Nacional de Geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares) demonstravam possuir no início dos anos 40. após a primeira guerra. paulatinamente. que até hoje são considerados clássicos na Geografia brasileira. Pedro Pinchas Geiger (1923) geógrafo brasileiro. Barbosa descreve a importância que teve a Cartografia européia nos anos vinte. exemplificando com estudos no Estado do Rio de Janeiro. posteriormente. Comentários ao depoimento Uma questão importante levantada por Pedro Geiger foi sua percepção de vinculação com o poder (Presidência da República). área que sempre apresentou grande afinidade com os estudos geográficos. aos 19 anos de idade. a elaboração de Atlas. Geografia e Cartografia. Sua especialidade posterior no IBGE. A coordenação para elaboração de Atlas. a forte relação entre o Brasil e Estados Unidos no campo da Geodésia e Cartografia. vai orientando suas pesquisas para os campos da urbanização e da industrialização. além de justificar a importância de estarem no mesmo órgão. como resultado dos avanços tecnológicos ocorridos durante a segunda guerra. foi também descrita com muitos detalhes. chefiava a Divisão de Atlas do Departamento de Geografia. nunca deixou de ser seu principal campo de ação.demográfico de 1940 e no projeto de continuação da cartografação do território brasileiro na escala de 1:1000 000. que os primeiros chefes da Geografia do IBGE (Christóvão Leite de Castro.

E finaliza com uma análise das atuais relações entre o IBGE e a Universidade no campo da Geografia. Avaliou também com muita acuidade o projeto de ocupação territorial do governo Vargas e o papel representado pela Geografia do IBGE neste projeto. ingressam no IBGE em 1942. tanto no IBGE quanto em instituições vinculadas à Ecologia. são resultantes das interações e conflitos que acompanharam as vidas profissionais desses geógrafos. das influências dos antigos professores e o início de pesquisas que envolviam outros componentes econômico-sociais que até então não eram objeto de estudos mais sistemáticos. Alfredo Porto Domingues e Fernando Segadas Vianna. que vigorou fortemente no IBGE e no Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista UNESP de Rio Claro. Kulmann exerceu funções de direção e de magistério. biogeógrafo canadense que introduziu no Brasil os primeiros estudos sistemáticos de Ecologia e Biogeografia ampliou os horizontes de Kulman e Dora que em 1947 foram para o Canadá para cursos de aperfeiçoamento. Um outro ponto importante em seu depoimento foi a percepção do período de “emancipação acadêmica” dessa geração. ainda cursando o bacharelato na Universidade do Brasil sob a orientação de Ruellan. participante do primeiro grupo de pesquisadores em Biogeografia no IBGE. Para Geiger a Geografia Sistemática de objetivo social inicia nos anos 50.final dos anos 60. Ele analisa com muita sensibilidade as fases transicionais da Geografia anterior para a quantitativa e as fases posteriores. Na década de 70. Juntamente com Dora Amarante Romariz. Em 1943 o grupo se amplia com a chegada de Alceo Magnanini. Seus trabalhos sobre os processos de ocupação rural-urbana desenvolvidos na Baixada Fluminense entre 1951 e 1953 são os exemplos mais característicos. Em 1946. Pedro Geiger engaja-se no movimento de renovação da Geografia chamado Métodos Quantitativos ou Geografia Quantitativa. No entanto. Ele e Dora Romariz estudaram o bacharelado de Geografia na Universidade do Brasil sob a orientação de Francis Ruellan e foram colegas de turma de Elza Keller. Walter Egler. Antônio Teixeira Guerra. Edgar Kullmann (1928 ) geógrafo brasileiro. sob influência marxista. a vinda de Pierre Dansereau. a constituição do grupo inicial de Biogeografia no IBGE era composta majoritariamente . Foi o principal organizador das propostas curriculares de Biogeografia nas universidades brasileiras nos anos 60. Comentários ao depoimento O depoimento de Edgar Kulman mostra o lado da Geografia no processo de criação de um conjunto de profissionais de diferentes disciplinas que desenvolveram os estudos de Biogeografia no Brasil.

seu interesse pela Geomorfologia foi ampliado pela orientação de Francis Ruellan. Itatiaia. outro importante formador de profissionais em Geomorfologia. a opção conciliatória pela História Natural que acabou desaguando no IBGE onde. lecionou em várias instituições de ensino superior do Rio de Janeiro e foi autor de dezenas de artigos e capítulos de livros sobre a Geomorfologia do Brasil. participando do grupo que iniciou os estudos de Biogeografia. pertencente ao IBGE e que estuda a ecologia do cerrado. refere-se ao processo de escolha profissional. a inicial até os anos 60 e posteriormente no final da década de 70 até sua aposentadoria em 1985. Aposentou-se do IBGE em 1986 . coincide com a preocupação da área de planejamento nas questões relacionadas ao meio ambiente e a biodiversidade.por engenheiros agrônomos e bacharéis em História Natural (Alceu Magnanini. foi o passaporte para seu ingresso no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1943. área que ganharia importância no final dos anos 80. Além da pesquisa. Alfredo José Porto Domingues (1921) geógrafo brasileiro. finalmente vinculou sua antiga aspiração de Geologia com os estudos de Geomorfologia. Nessa fase. considerado um dos mais importantes geomorfólogos do país. . o principal mestre de Geomorfologia da segunda geração de geógrafos do IBGE. Paralelamente. partindo de uma sólida base dada pela História Natural. publicada pelo IBGE. Penedo e Visconde de Mauá. Comentários ao depoimento Um ponto interessante no depoimento de Alfredo P. Alfredo Porto Domingues foi um pioneiro nos estudos de geo-ecologia. editados pelo IBGE. Atualmente sua atuação está voltada para a conservação ambiental da área que abrange os municípios de Resende. Sua formação inicial em História Natural. é considerada até hoje um dos melhores trabalhos sobre o assunto no Brasil. acompanhou o surgimento da Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do IBGE e a instalação da Reserva Ambiental do Roncador em Brasília. Foi enviado para França para se especializar com Jean Tricart. participando de organizações ecológicas editando jornais e dando consultorias à diferentes órgãos municipais. Domingues. coordenando estudos sobre movimentos de solo nas encostas da Serra do Mar no início da década de 1970. Sua segunda fase no IBGE. sob a influência de Francis Ruellam. Sua participação nos capítulos de Geografia Física da coleção Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Sua vida profissional divide-se entre o magistério numa instituição de ensino ligado a Igreja Metodista e a pesquisa botânica no IBGE em duas etapas distintas. Fernando Segadas Vianna e Alfredo Domingues). onde misturaram-se o desejo pessoal pela Geologia com a pressão familiar contra a ida para Ouro Preto. Walter Egler. região onde fixou residência permanente.

(1927). Para Alfredo Domingues o período de maior importância da Geografia Física situa-se nos primeiros 15 anos. Em 1952 transfere-se. introdutor da “Geografia Agrícola”. Foi um dos organizadores do código nacional florestal de 1965 e diretor da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza a primeira Organização Não Governamental (OGN) de grande porte no Brasil fundada em 1958. que nos anos de 1945-47 foram orientados pelo biogeógrafo canadense Pierre Dansereau. dos diferentes ciclos de prestígio/desprestígio/prestígio por que passou a Geografia Física no IBGE nos seus mais de 60 anos de existência. Departamento Nacional de Recursos Naturais Renováveis. Ingressa no IBGE em 1943 juntamente com Alfredo Porto Domingues e Walter Alberto Egler. engenheiro agrônomo.Outra questão importante está referenciada à sua visão pessoal. que dedicou-se aos estudos botânicos e a Ecologia ainda na universidade. Comentários ao depoimento A questão mais importante levantada no depoimento de Alceu Magnanini refere-se ao processo de criação do primeiro grupo de pesquisadores do meio-ambiente que o IBGE tentou formar no início dos anos 40. Parque Nacional da Tijuca. introdutor dos estudos de . por outro lado. juntamente com Walter Alberto Egler para o Museu Nacional e posteriormente vai para o Jardim Botânico. A fase de prestígio retorna em meados dos anos 80 com a absorção pelo IBGE das equipes técnicas do Projeto Radam. Departamento de Pesquisas Florestais e Conservação da Natureza. Avaliou com muita segurança as diversas etapas de criação do grupo enfocando a liderança de Fernando Segadas Vianna na constituição do núcleo inicial e narrando os acontecimentos da transferência de Segadas Vianna para a universidade. em função da liderança técnica de Francis Ruellan. Alceu Magnanini. influenciado por Girolamo Azzi. os dois períodos mais significativos de desprestígio ocorreram na segunda metade dos anos 60. Analisou também a importância da vinda do biogeógrafo canadense Pierre Dansereau . em 1956 transferiu-se para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura. quando o principal objeto da Geografia do órgão voltou-se para a Geografia Urbana e para a regionalização econômica e se intensificaram nos anos 70 com a priorização dos métodos quantitativos nos segmentos econômico-sociais (urbano e agrário). lá já estavam Edgar Kullmann e Dora Amarante Romariz. Esse grupo foi o núcleo inicial dos estudos de Biogeografia no IBGE. A partir de então ocupou cargos de chefia em projetos técnicos ou em áreas administrativas em órgãos como Conselho Florestal Federal. Tendo participado de todos os processos de ação governamental na área ambiental brasileira. Novas demandas por parte do governo federal solicitando grandes diagnósticos econômico-ambientais abriram novas perspectivas para a Geografia Física do IBGE. que introduziram a componente ambiental na agenda de pesquisas do órgão. atualmente trabalha na Divisão de Avaliação Ecológica da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro.

É dessa época o seu trabalho sobre a área de influência de Campinas. Nos anos 60 foi professora universitária na Faculdade de Rio Claro (SP). a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o Atlas Nacional do Brasil editados em 1958. do IBGE para o Serviço Florestal do Ministério da Agricultura por perceber que já não estava havendo apoio aos estudos botânicos por parte do IBGE. para onde havia se transferido para lecionar. a influência de Michel Rochefort nos estudos de Geografia urbana a alcança na Faculdade de Rio Claro (SP). Sua obra cobriu aspectos importantes da geografia brasileira. pois foi indiretamente por sua indicação. trabalhando paralelamente em Geografia urbana. Alceu narra também sua transferência. A influência de Ruellan foi decisiva em sua carreira. Tal processo se intensifica ao longo dos anos 60 e somente mostra recuperação nos anos 70 com a criação da Superintendência de Recursos Naturais (SUPREN) e se amplia com a absorção das equipes técnicas do Projeto Radar da Amazônia (RADAM) na segunda metade dos anos 80. População e Urbana. estudando a área de influência de Campinas. A década de 50. foi a seu ver. assunto que. Na década de 60. com pós-graduação na universidade de Montpellier na França. coordenando estudos sobre classificação de tipos de cultivo e mapeamento de utilização da terra no sul e sudeste do país e. Pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). em 1947. Sua volta coincide com sua primeira chefia técnica e com o direcionamento de sua especialização em Geografia da população. foram seus campos de estudos mais regulares. amplia seus horizontes profissionais. Comentários ao depoimento Pelo menos nove foram as principais referências que pudemos sintetizar no denso depoimento da professora Elza Keller. Sua ida em 1946 para a universidade de Montpellier na França. Seu retorno ao . o período mais produtivo em virtude do engajamento do IBGE em grandes projetos como a preparação do Congresso Internacional de Geografia de 1956 no Rio de Janeiro. onde formou vários especialistas em Geografia Agrária e em População. dando aulas na universidade e pesquisando no IBGE entre 1945-46. retomou suas pesquisas.Biogeografia no Brasil. o mais importante “chefe de escola” da Geografia brasileira. em Geografia da população. trabalhando com migrações internas. que o geógrafo do IBGE José Veríssimo da Costa Pereira a convidou para trabalhar no órgão. além de ter coordenado um atlas do estado do Maranhão. juntamente com a Geografia agrária. principalmente na região sudeste e sul. hoje pertencente a UNESP. desde 1945. em agrária. Elza Coelho de Souza Keller (1924) geógrafa brasileira que trabalhou em três áreas da Geografia: Agrária. O processo de escolha profissional pela Geografia ainda em Campinas e a mudança para o Rio de Janeiro em 1942 para continuar o segundo ano na Universidade do Brasil sob a liderança de Pierre Ruellan. De volta ao IBGE. como parte do segundo grupo de geógrafos do IBGE indicados como promissores na carreira. além de coordenar a organização do Atlas do Estado do Maranhão até sua aposentadoria em 1986.

Durante os anos 70 realiza alguns estudos com os métodos quantitativos e posteriormente passa a trabalhar na coordenação temática de alguns Atlas. terminando sua trajetória profissional com o Atlas do estado do Maranhão. Após um entendimento das principais linhas do pensamento geográfico que dominaram o cenário geográfico do IBGE. É fundamental que se acompanhe o processo de formação profissional desses funcionários públicos. . através de seus depoimentos orais.IBGE acontece em 1967 para trabalhar com Geografia agrária e da população. além de seus organizadores iniciais e seguidores que gerenciaram a área por mais de quarenta anos.

processo que possivelmente ainda continuará. Este cotejo é interessante pois. A saga da Geografia no IBGE está fortemente marcada por profissionais que passaram por essas etapas. quando essas escolhas. como foi possível perceber. O capítulo I revela um pouco das atribulações e prazeres vividos pelo pesquisador e seus entrevistados no decorrer do trabalho. tomados aqui como referência para o entendimento da evolução da pesquisa geográfica no órgão. O capítulo II inicia a marcha evolutiva do processo de formação elegendo alguns procedimentos de escolha de carreira que ocorreram com alguns dos geógrafos entrevistados. Principalmente. incluindo aí os cursos de pósgraduação e especialização profissional. tanto em seus depoimentos orais. O capítulo III apresenta. A preocupação mais importante desta parte do trabalho é a de explicar como se deu o processo de formação profissional de alguns geógrafos do IBGE. as afinidades e antipatias por temas.O Geógrafo do IBGE e sua Formação na Prática Introdução Uma Experiência de História Oral O longo processo de formação de um profissional de nível superior está quase sempre marcado por três grandes etapas que seguem uma cronologia determinada: o período de escolha da carreira e seu primeiro contato com o ambiente universitário. em virtude do interesse demostrado pela direção da área de documentação do órgão. vistas posteriormente numa perspectiva inversa (do presente passado) foram decisivas para o entendimento do quadro atual da Geografia do IBGE. que levaram alguns geógrafos a manterem-se firmes na escolha inicial ou a mudarem de rumo nos diferentes campos do conhecimento geográfico. os meandros dos procedimentos de engajamento em projetos. a descoberta da pesquisa geográfica durante as fases finais do curso e o ingresso no ambiente de pesquisa via um estágio profissional e o desenvolvimento da carreira de pesquisador no contexto de trabalho. de certa forma auxilia o entendimento da evolução da produção intelectual do profissional pesquisado. principalmente quando não se tem acesso ao curriculum-vitae do entrevistado. de maneira semelhante ao II. métodos de trabalho ou mesmo pessoais. quanto na verificação da cronologia de suas obras publicadas em periódicos e monografias do IBGE. para o .Parte III .

mas deixaram suas respectivas marcas de produtividade e qualidade em seus trabalhos. os participantes e as referências bibliográficas resultantes. . utilizando-se de uma pesquisa de trabalhos de campo que opera com o tema e o local da pesquisa. Presta também uma homenagem aos que tombaram no caminho.É o capítulo que explora algumas configurações da arena de trabalho da pesquisa geográfica num órgão de planejamento territorial do governo federal e seus principais direcionamentos metodológicos de investigação.

que faleceu em 1997. Orlando Valverde. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente. . visto que seria impossível. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. Aluísio Capdeville Duarte. para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. além disso. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de serem repetitivos. A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. 1988). Gelson Rangel Lima). no primeiro momento. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. 1997) e. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. pois além de possuir um acervo documental enorme. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. essa abordagem poderia ser frutífera.Capítulo I . alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. 1989). Portanto. Speridião Faissol. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. em termos materiais. ou segmento de conhecimento geográfico. No caso da Geografia do IBGE. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. já havia uma base consistente. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. em virtude do alto custo das transcrições. 1998).

mas não a enxerga como ferramenta de planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. 1948). que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos.No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. 1941 e 1949). poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE.. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. Harvey Perloff e outros. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. opiniões ou testemunhos factuais. desde sua fundação. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. Nessa época. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. Para Orlando. após o golpe militar de 1964. nem como mecanismo de . início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal.Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA . Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. Walter Isard. Durante o processo de coleta de depoimentos. que todavia. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. pois vinculava-se o conhecimento do território.

ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40.implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. na visão de Alceu. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. foram. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau. Uma outra questão crucial pode ser percebida. No entanto. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. quando foram para o Canadá para especialização. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. tanto pela documentação. Neste caso. A importância da Biogeografia e da noção. Walter Egler. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. resultados desse fracionamento. quanto pelos depoimentos. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. que só se manteve unido. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais. possivelmente. Egler e Alceu do IBGE. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. Também através desses depoimentos. por de sua visão de pesquisa e ensino.

sem sombra de dúvidas. A evolução da carreira de Speridião Faissol.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. etc. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. Jurandir Pires Ferreira. foi um assunto que. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG. ao longo dos anos. quando Faissol. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. mas acabei aceitando. Este. “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. Eu era solidário com o Orlando e tal. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações . Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. era engenheiro. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50. tornou-se quase mitológico. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. foi uma crise braba.. Isso acarretou uma reviravolta. somente Speridião Faissol. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde. o prof.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). de maneiras diferenciadas. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. aquela coisa. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. fiquei lá meio solto. da espinhosa questão." A maior parte do pessoal se demitiu. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. com a criação do Departamento de Geografia. ao voltar do doutoramento em Syracuse. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos." Eu tive algumas dificuldades. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio.. matemático. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. o Miro era secretário e assistente do Fábio.

. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. passada aquelas raivas. eu não sei. que eram meio pessoais. eu percebi esse divórcio em l970. conhecido como DEGEO. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. (RSA) “ Mas isso.. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. Mas. Ney Strauch. eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. depois era Elza. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968.. aqueles ódios.grupo Zarur x Grupo Fábio. geógrafos. Roberto Lobato. indústria. Galvão a RSA) . então você vê. havia não sei porque. a falta de geógrafos físicos. você tinha n. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. mas Elza fez menos.Como a Senhora viu a questão de um divórcio.. as causas foram anteriores à decada de 70.. mas ao que me parece. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. quer dizer. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. agora na geografia humana você tinha Faissol. uma derrubada. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. Fany. então eu acho que foi mais isso. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. a meu ver. você tinha Geiger.. n... quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. ela fez mais com os estudos de população.. Catarina. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu.. “. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio.. Lisia. da estatura do Alfredo você não tinha outro.. era um número pequeno. da década de 50 e 60 toda. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação.. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. veio a Revolução. . clima e vegetação em resposta a esta questão . Nilo. Isso era AGB e era IBGE. entre a geografia física e geografia humana. n. então eram três..gerenciais de porte. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. urbana sobre as de relevo. uma situação e que é estranha. voltei eu e ficou naquele negócio.” (Depoimento de Marília V.

a principal imagem que se constituiu nos anos 80. e não contestar. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos.. aguardar alguma novidade vinda de fora. Inicia-se o período das crises. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. onde as duas áreas quase não se comunicam com naturalidade. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. .. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. concordar. por parte da maioria dos geógrafos. matemática . que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. No IBGE. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . mas nada fazer. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. Aprovar. Esperar que a moda passe. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. apesar de turbulento. pois misturavam-se nas discussões. foi o principal emulador de uma integração. sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira. status e conhecimento. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo.É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. O reconhecimento. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. esforços de aprendizado e carreirismo. questões ideológicas e para agmáticas. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. O quadro político.

. e não podia ser diferente. como a Geografia Quantitativa. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. mea culpa. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente.. isso somente referenciado à Economia. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores. “ Bom. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. Talvez por isso. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física. sou culpada. bem feitas.. na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. Eu Marília Veloso Galvão.. não sei se Faissol disse isso.. depois desses Atlas na geografia quantitativa. depois sim. conforme a ocasião. sabe Roberto. vidaliana ou rochefortiana. tarefa tão difícil quanto Estatística. opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação. mea culpa. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. porém eficiente.. e nós nos recusamos. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. falou em computador comigo. Marshall. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa.. Mas havia uma solução. gerando um ambiente estranho. Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia.. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje. por profissionais de alta qualificação. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”.Na arena científica o ambiente torna-se pesado. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. mas aí então nós chegamos finalmente. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. Aliás. dos Neoclássicos como . paralelamente também. é a Geografia Física e suas vinculações. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e Ricardo. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. de Keynes e dos keynesianos e. Diferentemente da Geografia Quantitativa.. eu me recusei. o geógrafo médio. é bom que se diga. (Almeida.. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973).” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. eu detesto máquina. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas.. eu me arrepio toda. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. uma muleta simples.

não é só aplicar a técnica e pronto. eu forneço os dados. não era complexa. eu dizia: olha.. quer dizer. se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. tendo sido orientada pelo próprio J.. O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado.. não. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. digo qual é o meu objetivo. agora eu acho que apesar de toda parte ruim. se a gente tivesse estudado para programação. foi um experiência.. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. Miguel Ângelo Ribeiro. “ E não era uma coisa tão complexa assim. muito bem. se eu não conseguir acabou. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme. que naquele período a programação de computação não era algo comum. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. eles que façam e me mandem o resultado. eu acho muito rica. não é nem metodologia é uma técnica.. houve um certo deslumbramento..... então isso foi um erro. primeiro.. se o resultado eu conseguir interpretar.. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90.. eu não quero estudar programação.. como tudo na vida.. quer dizer.. P. é possível entender que. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima. ela deu resultados.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada.. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo. você tem que saber o que está usando.... computação era algo só de pessoas muito especializadas.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) Com isso. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa.. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento... Cesar Ajara. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho. tem que saber escolher bem as variáveis. e a gente podia se socorrer desse grupo.. . uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra.. e que era uma igrejinha fechada. quer dizer.. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco.. rica.. Cole no seu mestrado em Nothinghan.

.. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que ... Mônica.. conseguimos libera o equipamento a duras penas..... Máquinas que eram o top de linha da Apple. “ Com certeza.. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia. nos intervalos eu .... eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. quer dizer... como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple..” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . costuras e parcerias aqui e ali. ia e vinha. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs. essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e... já com CD-ROM embutido.... o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE. (RSA) “ Estava vindo. o material levou quase um ano para se liberado. o IBGE não estava podendo bancar treinamento. então o produto que for gerado. ia e vinha.. todos nós batalhamos muito. que quando eu pensava parceria.. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. tivemos muitos problemas. eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso. a medida em que o que nós estávamos procurando? Superar uma dificuldade interna de custos.. algo que na época era muito caro para os PCs... quer dizer. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período.Os depoimentos de Cesar Ajara. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada..” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C...A questão da plataforma? . a nível individual..Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. Na visão de Cesar Ajara. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. para colocar mais precisamente.. até existiu.. máquinas de 32 bits de processamento. por exemplo. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto.. acadêmica. e para complicar ainda mais. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.. o IBGE não estava podendo comprar equipamentos naquele momento. além de um scanner.. . a França.. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple.. a nível de resposta. foi muito desgastante. isso não foi negligenciado.. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple. paralelamente. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando. Evangelina..

essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado.... eu com um pouco de audácia.. entender em que escala os outros técnicos estavam operando.. ou quando o conflito era para desestruturar . e além disso. levantamento. era isso o que eu estava propondo..F.... eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. e pudemos aprimora-lo”. a experiência dela nos projetos PMACI.. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) ... meu e dela.....a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza... formando pessoas... eu trabalhei seis anos. gostando de trabalhar com grupo novo.. “.. pois possibilitou através de seu método de trabalho.) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro.. eu também tinha.. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam. nós todos tínhamos experiência de campo... porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade.Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia.. e com o trabalho. juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos.... eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho.. com isso se sentiram altamente prestigiados. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. conflito não me amedrontava... que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi. um pouco de desafio... quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos. em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.. nós fizemos um.. então com isso. então.” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) .. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese. eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área. quando eu cheguei.. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina.. todo mundo é capaz de discutir problemas.. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. quanto na esfera dos órgão contratantes.. (RSA) “ Exato... discutir problemas.. Angélica também tinha. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes..realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia. quando eu fui fazer o zoneamento. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento.. tanto na esfera do IBGE. mas pode ser capaz de discutir um problema.. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D.estava tarimbada.. pode não ser capaz de discutir teoria. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. com isso.. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer.. e aí fizemos isso. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar. Nossa Natureza. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante.. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram. porque foram estimulados. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe. nós juntamos aquele conhecimento....

Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão. para a .

eu fiz curso de normal. essa coisa toda.. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno. “plagiando o Raja Gabaghlia.. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha... Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. que tinha. esses profissionais do ensino.. eu teria feito em Campinas. escola normal.. outros. daí não tendo curso de Ciências Sociais.” Tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações.. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) .. na universidade. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno. quando professor também do ensino médio. ao longo desses mais de sessenta anos. por exemplo sobre a colonização européia. tem diversos livros publicados. tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. direta ou indiretamente. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. eu me lembro por exemplo de citações. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão. ele citava obra. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco ... em inglês.. porém todos participaram.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia. então. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller. “... eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana.. os mapas na cabeça e tudo mais. Em alguns casos. evidentemente que o melhor professor.Capítulo II . e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. talvez se tivesse. porque eram as palavras. sem qualquer sombra de dúvida...que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde.. obras em francês..O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio.. ilustres desconhecidos. quer por sua conduta profissional. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode.

os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau. chamada Vanda Regina..Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950. mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. descrevendo as macrorregiões... não sei o sobrenome dela.. essa era o máximo para a mim. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba....... dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira... tive uma professora que realmente gostei... que era dividido entre clássico e científico. em História também tive outra ótima professora..... Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF.. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio. James Braga Vieira.. duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo.. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras....eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje. “. e uma outra também a professora Nilza Bicudo.. mas tive uma para professora de Geografia no ginásio. essa dava sempre a Geografia tradicional. suas provas eram muito inteligentes.” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) ..” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia.... que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes. aqueles trabalhos de geografia regional... uma que era modelo da Casa Canadá... arroz. Após formado. duas professoras.... suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro.. devo ter sofrido um pouco de influência dela. “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói. e mais duas no segundo grau. mas eu sempre gostei mais de Geografia.. Maria Isabel Azevedo.. também tive um professor Faria. aquela coisa bem tradicional.Tive.... “. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia.. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional...quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca.” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca.. eram super exigentes essas professoras.. primeiro por causa do tipo dela... só no meu álbum..... Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História. expedicionário da FEB. por causa delas me decidi. botava aqueles saquinhos com feijão.. eram discursivas. era uma geografia interpretativa. de História que também era muito bom. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia...... na década de 70. chamava-se Lia Cardoso. ela arrasava dando geografia.... quando eu entrei no segundo grau.. lembrei. tem alguma coisa de Azevedo. fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos. pesquisadora da Casa Rui Barbosa. era realmente elegante.... era uma ótima professora...

na universidade o apoio e estímulo de um professor.Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. ele levantava problemas. mas eu não me lembro o sobrenome dele. era a chamada Escola Possibilista. foi por inspiração do Anísio Teixeira. havia um outro rapaz também chamado Jorge. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje. pois além da formação no nível da graduação.. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. e os três professores. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. quatro professoras primárias. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza... Manuel Maurício nos anos 50 e 60. eu. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. era moderna. tanto em São Paulo. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. quanto no Rio. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa... são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. Mas.. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. falar e escrever.. entre 1940 até meados dos anos 60. o Jorge Zarur que era estudante de Direito. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. eu e Jorge Zarur. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. de estilo americano. Armando Sampaio de Souza. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos.. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. era como o homem se comportava . É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada.. e da principal associação profissional a AGB. cuja formação eu não me lembro. da principal revista a RBG. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. juntamente com Cristóvão Leite de Castro. Eu era capaz de acompanhar as aulas. Orlando Valverde que. por exemplo.. Dilsa Mota e Marlene de Souza. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas.

. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia. porque ele não falava português. Fábio..nessa época fomos cinco Miguel.. o homem e a montanha. ele tinha essas coisas assim.. O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.você já sabe . por exemplo.. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.... a visão global da geografia da Europa........... (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima.. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia.. uma impressionante sensibilidade e então me escolheu . mas estava dentro das possibilidades de cada um. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente.000. Heldio foi para a Strasburg... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive.. aquela região do Languedoc tem muito protestante.” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado. dos chefes de escola geográfica da França. por indicação do professor Ruellan. aquela seção da qual se originou .. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês. já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares. etc.. porque sou evangélica protestante e Montpellier.. durante os anos 40. que posteriormente fez curso de geografia. um dos fundadores do IBGE.. mas Miguel... o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura.. ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo...eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE. Ele pegou um mapa de 1:50. “. um trabalho que era um diagrama em perspectiva.... então era.. Rulaan achou que eu ia me dar bem.. e voltamos então a ter a visão da Europa. como nos tempos de Deffontaines. como era um mapa de 1:50. passou o tempo todo... tiramos o pessoal dos Estados Unidos. fomos cinco. então ele já era quase colega do Dr.o IBGE. foi transferido para o novo órgão. pudesse ler e falar em francês. não foi decisão nossa absolutamente... o homem e as ilhas... juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil. a partir de um mapa...000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas.. ia ser posto em perspectiva. de Christóvão. Heldio e eu. “ O meu contato com o Ruellan.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados. o homem e o frio. o meu caso foi muito particular... Míriam.. Míriam para Lion e eu para Montpellier. as faculdades para a qual nós deveríamos ir... o homem e a floresta. aprendi tudo com ele durante anos. Geiger. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês... que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura....diante da natureza.. não podia ser desenhada simplesmente.. então as perspectivas tinham que ser calculadas....

o que a Lízia fazia sob orientação do Michel . mas a experiência francesa teve uma importância enorme. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste. paralelamente.... na época da Faculdade...Montpellier. eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea. na realidade em termos de especialização.. De certa forma. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que. o tipo de geografia regional que se aprende lá..... esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. apesar das dificuldades enormes de pós guerra..” .... eu já acompanhava de perto e namorando. prensando e levando para classificar.em termos de geografia geral. eu ainda não tinha nada escolhido. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. um especialista em relevo cárstico e de fito-geografia. uma loucura verdadeira.. nos anos 60 no contexto do IBGE.... dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. pegando amostras. o francês faz muito trabalho de campo. fez muita excursão. “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. posteriormente. isso foi no período de 59 a 62. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas. e os nomes científicos também. sobretudo a ela.. quem era? “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. Professor Paul Marres. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e..... foi a minha efetiva formação de geografia... para a nós foi extraordinário. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. para a mim pessoalmente. era um apaixonado por geografia.... praticamente todo fim de semana. na França foi onde aprendi Geografia. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes.e ele firme. mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra.. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961.O seu orientador lá.... realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas.. Heldio e Míriam.. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa. mas acho que eles tiveram essa mesma visão. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80. não sei se para o Geiger..... Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos... Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. na realidade.. treinam muito os estudantes para trabalho de campo... a prática de cartografia aplicada a geografia. sabia que eu gostava de Geografia Humana .

é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. Cole na Inglaterra em Geografia urbana. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago.. o Cole ficou e orientou mais.. Rochefort. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão. Buarque.. você tinha cursos específicos.. porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. “. “ Agora.. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker.Envolvi-me com a “nova” Geografia. Em seu depoimento. Faissol é que repassava.. João Rua.. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. no Economic Geography e no Professional Geographer.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. A idéia de elaboração de leis. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade . pois bem. o Brian Berry.. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. 19911992.. substituído por Olga.P. Minha tese de mestrado.. o Cole.. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil. Em 1972. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil.. p. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores.. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas.Rochefort. os estudos de Áreas de Influências das Cidades.. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu.... mas de certa maneira. quer dizer. . quer dizer. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois. o Rochefort fez uma passagem mais ampla. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense. mas aqueles que eu assisti.. aquilo.. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida.. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas.. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população... Jacob Binstock.. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. tinha mais de uma dezena de análises de regressão. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional.. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei..” (Geosul 12-13. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol.. nesse período (6869) então..

” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão..você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento..... como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. Fany com Geiger. quer dizer. . cada um tem um escolhido do seu jeito. Roberto com a Lisia. e aí você vê cada uma pessoa. que repassaram para outros profissionais.. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE.” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo...

Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. Problemas como grandes projetos de prazo curto. fosse ele um professor estrangeiro. algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. onde o erro. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse.Capítulo III . Esse processo não era tão simples e direto. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. como nas fases iniciais do órgão. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. no caso do primeiro. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo. tão comum nas fases iniciais de um profissional. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. principalmente nos períodos de implantação do órgão. juntamente com Alfredo Porto Domingues. O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. com o seu conhecimento da língua japonesa garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil . A questão central estava em perceber quem. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. O exemplo do jovem de 19 anos. na excursão da região do Jalapão. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira.

acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991.. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. Nos anos 70. É necessário entender que a língua franca da Geografia. período da chamada Geografia quantitativa.. em convênios com o governo francês. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. ela não te amolava absolutamente. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava. “ Ela era entusiasmadíssima. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante.. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. A tênue fronteira entre a subserviência. era apenas eu quero isso. gerando em muitos casos. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito.. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. e quem o dominava. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal... mas que entendia a necessidade do trabalho.era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. adquirida nos anos 80. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. ela dava aquelas orientações todas . que muitas vezes eram descartados logo depois. ela dizia eu quero isso... Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que.. coincidentemente. aquilo passava. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. algumas vezes não sabiam o que pediam.. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. necessária nas fases iniciais. era um prazer trabalhar com Lisia. sem maiores vassalagens. são pontos de referência para um entendimento de que. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. Neste campo.

pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50... quer dizer. quando o contingente de pesquisadores aumentou. a geração anterior. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque.. porque se você ver bem.. Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago.. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser.... ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa. extremamente objetivas. foi importantíssimo..” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda.. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos. a nossa também foi um pouco. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia. que pelo maior número envolvido.. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura.. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos. então formou técnica e gerencialmente.... não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo.. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945. a não ser em poucos centros de excelência. O novo quadro funcional da Geografia do IBGE.diretíssimas. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. criou entusiasmo.. mas de certa maneira a Rute Magnanini.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. que dizer. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini. a geração que ingressou no início dos anos 50. Maria Francisca que foram ótimas técnicas. No entanto. quer dizer.. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que . Edmon Nimer no clima. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores.. eu fiquei na área de população.. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. Olindina Mesquita na agricultura.. não sei. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade.. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. acompanhando em paralelo. eram poucos. Waibel na agrária. considerado o universo em questão.. mas a outra geração foi completamente massacrada.. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. não tiveram as mesmas chances dos anteriores... somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante. a partir dos anos 50.

Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. pois envolvia. se fosse o caso. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. desenhar os gráficos e mapas. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. mesmo a aqueles considerados “normais”. eram quatro alunos só.. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. que podiam assim. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados.. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. da sua orientadora Lia Osório. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano. o número de . a turma seguinte. e mesmo antes. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa. Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho. sob a supervisão dos chefes de equipes. 59. Para os mais avançados. Obviamente. Na maioria das vezes. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado.

fez trabalho por todo o lado.. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia. então não tinha muita relação um com outro. estou começando o segundo ano. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. encarregado de estudar a parte agrária.geógrafos estagiários do IBGE era mínimo.” (Geosul 12-13.. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente... o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros.. Corrêa a RSA) Portanto... a parte econômica. “. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes." Então resolveram fundar a AGB nacional com.. A importância da AGB é. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam.. embora não tendo muitas ligações com a associação. motivo de recordações de muitos geógrafos. de fato. eu fiz excursão ao baixo São Francisco.E apresentou trabalho.. olha tem uma vaga. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde. a Assembléia de Penedo. etc... eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE.. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia. p. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. Tá bem. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais.240) Speridião Faissol. que fez um primor de exposição. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional.” (Depoimento de Roberto L. “. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. e Caio Prado Jr. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele . Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. não sei quando. com a presença do Bispo de Penedo. “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro...Em 1962. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. havia possibilidade. e vamos pelo Vale do Paraíba. que foi talvez a mais proveitosa. um belo dia ligaram para minha casa. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. eu era muito jovem. eu faço questão de passar em Lorena. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB. acho que isso é importante. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura... porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. 1991-1992. inimigos mortais. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas.” . em 1945. eu entrei para AGB em 58. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. quer dizer. senão me engano. está chamando você ir para lá. levando alunos.

..” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem.. “ .Ela ficou um período solta.. Lígia. “. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. de fato e de direito destruíram-na. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50. No Rio.. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. “ Uma em Chicago em 74. Araújo. Elza. e literalmente. Orlando menos.. Prudente.. um pouco dessa história.. Geiger.” -Uma você estava em Chicago.Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB..momento... .. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo.. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB... Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais... Alfredo esses participavam.. primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente.. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. mas também participava. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE. IBGE era AGB Rio carioca... a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE.) “... também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80.. quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. a Maria do Carmo nunca foi agebeana.... depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias. Nilo.ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro. mas não quer dizer que necessariamente. até que quando eu soube a última .” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser.. a AGB do Rio acabou. assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. mas Nilo. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs. Faissol nunca foi agebeano.... Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE.. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia. 92 eu não podia. vindas de um agebeano do final dos anos 50. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE. Hilgard Sternberg. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram.Olha a geografia.” . por isso ela sobrevivia. Lígia.. Bom a partir dos anos 60......

69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia.. por uma questão sentimental. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB. no sentido de diminuir essas relações.. bom... meu pai era cearense então eu disse.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. fomos parar em baixo da escada lá naquela o Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. eu como disse.” “. 1963 foi em Penedo. nós tínhamos nossa estante.. fui duas vezes Diretor Regional. o Congresso de Fortaleza.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas. dei conferência em função da AGB no Fundão. que depois ele pediu também. eu passei grande parte da minha vida cuidando. praticamente no IBGE. para a vender. só recebo um boletim e olhe lá. fui secretário.... e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir. 66 Blumenau. “. a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. no período da Assembléia de Maceió.eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. o Faissol acabou com ela. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas. 68 Montes Claros.... e os atualizados lá. passou a ser Encontros.. se não foi em termos científicos. o próprio José César reconheceu o processo.. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário.. ela foi para a UERJ.... acho que foi. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam. 67. vou conhecer a terra do meu pai... vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior.. as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida... Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró.. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78.. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco..vez tinha um sócio pagante. as vezes concomitante..assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição.. almoçando. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia... 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada. modéstia a parte. pensando.. as estruturas portuárias.. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. nosso arquivo. Baturité e aí em Belo Horizonte. na Universidade Fluminense... indústria... jantando e dormindo AGB... modéstia à parte. fiz uma série de cursos. que eu fui tesoureiro.... as pessoas realmente pensam assim .. mas durou pouco tempo.. 67 Franca. foi aí que comecei a participar no plano nacional.. e... Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades. com a AGB nacional. Londrina. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando... comendo. O Congresso de Fortaleza que. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional. o representante do IBGE.... fomos parar rapidamente numa sala lá. não. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) . depois em 66 foi Franca. trabalhando. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. ai fui a de Mossoró em 60..

23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. os estudos sobre o relevo do território. sendo que 76 nos anos 40. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados.Entretanto. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. a Carta do Brasil ao milionésimo. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico. 2000) foi possível verificar a importância dessas excursões. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. os programas de colonização dirigida. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. que ocasionalmente. as determinações de fronteiras estaduais. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. 34 entre 1950 e 1955. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos. na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia. Entre 1941 e 1968. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. Esses foram alguns dos resultados .

no rio Jari. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . e em alguns casos. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. . Egler e outro companheiro ficaram a bordo. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de suas funções técnicas. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro.. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. caindo num trecho muito turbulento. Em termos de homenagens. Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. mas Egler não teve a mesma sorte. inaugurando uma escola com o seu nome. houveram muitos preços a pagar. 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE. no município de Tucuruí (PA). morre afogado no Rio Tocantins. além das do IBGE. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. que para compor um quadro como este. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. A lista. A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial..desses trabalhos de campo. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). alguns dos quais foram sepultados nesses locais. Evidentemente. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). fronteira entre Pará e Amapá. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . além da área de segurança de queda.

quando ainda trabalhava no IBGE. José César de Magalhães Filho. além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ. embora aposentados. fretada pelo RADAM. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. e com isso.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). 09/10/1992 . quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 . em função do nível de sigilo envolvido. O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. 15/05/1990 . 09/08/1991 . A aeronave. A segunda. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria. ambos davam consultorias ). dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo.20/03/1979 . numa trágica coincidência. Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos.Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada.O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. .Hilda da Silva do IBGE (de câncer. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. é que o avião teria caído no mar sem explodir. mas que não poderia ser comentado.José Redondano Neto. não deixando vestígios na superfície. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). 13/05/1980 . Duas suposições ficaram no ar. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ).

A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. é apenas uma lista de referência. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território. No entanto. novos trabalhos e novas lideranças. Esta. 22/03/1997 . pois outros geógrafos faleceram também.18/09/1995 . . e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). sua população e sua economia. apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. criando novas estruturas de pesquisas.Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). Novas metodologias. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram.

A realização de entrevistas e o cotejo com a documentação existente (bibliografia. No caso da Geografia do IBGE. pois além de possuir um acervo documental enorme.A Aventura dos Depoimentos Gravados com os Profissionais A idéia inicial de uma pesquisa sobre os geógrafos do IBGE nasceu com a leitura de um dos livros de Elisabeth Roudinesco sobre a formação dos grupos de Psicanálise na França (Roudinesco. 1991 / 1992) e Alceu Magnanini no livro Saudades do Matão (Urban. Orlando Valverde. A próxima etapa seria escolher quem representasse melhor um determinado período. 1989).Parte III Capítulo I . ou segmento de conhecimento geográfico. Aluísio Capdeville Duarte. os melhores atores na saga da Geografia no IBGE. também havia sido entrevistado pela GeoUERJ (Faissol. A arbitrariedade dessas escolhas deve ser entendida como um dos inúmeros caminhos a serem elegidos. 1997) e. em termos materiais. também havia escrito sobre o desenvolvimento do pensamento geográfico no período dos métodos quantitativos (Faissol. principalmente os componentes da chamada “Velha Guarda”. já havia uma base consistente. não cabendo aqui nenhum constrangimento que obrigue a ser esse grupo e não aquele. É lógico que alguns deles sempre comporão o grupo de unanimidade. mas no caso dos que ingressaram nas décadas de 50. uma varredura sistemática de todos os geógrafos que trabalharam no IBGE e que estivessem em condições de memorizar suas respectivas trajetórias profissionais. uma boa parte dos geógrafos que ingressaram no órgão na década de 40 ainda estavam vivos e com suas capacidades de memorização ainda eficientes. usando como referência seus principais pioneiros e as correntes profissionais mais importantes. visto que seria impossível. Portanto. Alguns dos quais já haviam sido convocados para depoimentos sobre suas trajetórias profissionais como “decano” Orlando Valverde na Geosul (Valverde. Gelson Rangel Lima). essa abordagem poderia ser frutífera. alguns profissionais que trabalharam com a Geografia também já haviam sido entrevistados (Christóvão Leite de Castro. além disso. Speridião Faissol. sob pena de ser soterrado por uma grande quantidade de depoimentos que indubitavelmente corriam o risco de . para que fosse possível dar prosseguimento ao projeto. No contexto da área da Memória Institucional do IBGE. 1988). no primeiro momento. que faleceu em 1997. atas das reuniões das associações psicanalistas e processos judiciais de diferentes instâncias) foi um método interessante para o acompanhamento daquele processo. A autora mapeou o desenvolvimento da Psicanálise francesa desde seus primórdios. 1998). 60 e 70 foi necessário filtrar arbitrariamente.

que podia contratar professores estrangeiros para treinar seus técnicos. A consideração de agência de planejamento para os admitidos no final dos anos 50 e início dos 60. Orlando Valverde e Miguel Alves de Lima e são corroborados por uma vasta documentação que envolveu as ações que resultaram na Lei Geográfica do Estado Novo e nas pretensões de modificação da estrutura territorial do Brasil por Teixeira de Freitas (Freitas. em virtude do alto custo das transcrições. pois encara a Geografia anterior como levantadora de informações sobre o território ou como área acadêmica. no contexto da área da Memória Institucional do IBGE. “ Eu veria um primeiro período que deu origem ao sistema formal de planejamento preocupado com a dimensão espacial no Brasil. No capítulo II da parte I que apresenta a composição dos profissionais que aceitaram depor para o projeto percebe-se esses filtros. desde sua fundação. além de aumentarem perigosamente as despesas do projeto. esta fase inicial foi o melhor período da Geografia do IBGE. para que se tenha uma noção da riqueza que podem ter os registros de depoimentos orais como fontes auxiliares para a compreensão da história de uma documentação sobre um determinado fato ou período específico. algumas questões até então pouco conhecidas emergiram. que todavia. Nessa época. somente é encarada como uma ação governamental do final da década de 60. Harvey Perloff e outros.. Para Orlando. O caráter de agência de planejamento territorial do governo federal. nos trabalhos de regionalização e reordenamento territorial do centro de poder da República (Guimarães. Começaram a aparecer alguns economistas ligados a essa escola. poderão ser removidos em função do prosseguimento e ampliação do projeto. pois vinculava-se o conhecimento do território. Alguns exemplos interessantes foram levantados aqui. Durante o processo de coleta de depoimentos. início dos anos 60 com Roberto Campos no processo de implantação da indústria no Plano de Metas através da Consultec” (depoimento de Roberto L. ligados a uma dimensão espacial com preocupações eminentemente espaciais. após o golpe militar de 1964. Corrêa a RSA) Uma colocação como esta é interessante. O exemplo do depoimento de Roberto Lobato Corrêa (admitido em 1959) é bem claro. 1948). geralmente sob a forma de fragmentos de pensamentos. foi nesse momento que se forma o EPEA em que tinha alguns economistas que tinham trabalhado nos anos 50 foi no final dos anos 50. Walter Isard. opiniões ou testemunhos factuais. 1941 e 1949). fica bem claro nos depoimentos de Cristóvão Leite de Castro. com o poder de uma agência ligada diretamente com a Presidência da República. 64 começaram a ter efeito no Brasil os frutos da Escola Econômica de Ciência Regional trabalhada por Willian Alonso. mas não a enxerga como ferramenta de .serem repetitivos. com a criação em a partir de 64 do que seria o embrião do Ministério de Planejamento e que tinha como célula do planejamento com dimensões espacial o EPEA Escritório de Pesquisas Econômicas e Aplicadas cujo o Diretor era o futuro Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso.

acabando com um núcleo promissor de pesquisas sistemáticas. quanto pelos depoimentos. Outro fato interessante foi o processo de transferência de Segadas Vianna para a Universidade do Brasil. muito embora na memória coletiva dos geógrafos do IBGE o assunto tomou outro rumo. Uma outra questão crucial pode ser percebida. é que foi enfocada a liderança de Fernando Segadas Vianna nesse período inicial dos estudos ambientais no IBGE. na visão de Alceu. principalmente após aqueda de Getúlio Vargas em 1945. que apresentaram uma visão do ponto de vista dos engenheiros agrônomos e dos naturalistas. possivelmente. foram. No entanto. Também através desses depoimentos. em função de um jogo de apoios financeiros entre IBGE e Universidade (Museu Nacional) e. essas disputas eleitorais da AGB carioca foram apenas um dos resultados de um antigo embate gerencial e técnico que vem de meados da década de 40. que se adequava mais ao ambiente da universidade do que numa área de planejamento do governo. Walter Egler. nem como mecanismo de implantação de uma política de ocupação do território através da colonização no período do pósguerra. só foi possível ser percebida através dos depoimentos de Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues. A importância da Biogeografia e da noção. pois este grupo inicial era formado majoritariamente por essas profissões (Fernando Segadas Vianna. Trata-se da disputa de poder entre Jorge Zarur e Fábio de Macedo Soares Guimarães na liderança dos estudos geográficos das Divisões de Geografia e de Documentação e Divulgação do CNG. tomando corpo em 1951 com a questão da tentativa de mudança de locação de funcionários ligados a Fábio da Divisão de Geografia As posteriores saídas de Alceu em 1952 para o Ministério da Agricultura (Jardim Botânico) e de Egler para o Museu Goeldi em Belém . quando foram para o Canadá para especialização. Egler e Alceu do IBGE. ocupando muito mais as lembranças das disputas eleitorais da Associação do Geógrafos Brasileiros do Rio de Janeiro nas décadas de 50 e 60. tanto pela documentação. em função do fracionamento do grupo pelas seções regionais.planejamento espacial para as operações censitárias de 1940 e 1950. que só se manteve unido. período anterior a vinda de Pierre Dansereau em 1945. Alceu Magnanini e Alfredo Porto Domingues). Neste caso. resultados desse fracionamento. ainda incipiente de Ecologia nos estudos geográficos do IBGE no início dos anos 40. Os primeiros geógrafos que se especializaram em Biogeografia foram Edgar Kullman e Dora Romariz através dos ensinamentos de Dansereau após 1945 e se ampliaram em 1947. Percebe-se que esta transferência gerou grandes modificações na estrutura de pesquisa de Biogeografia. Políticas que de fato ocorreram no contexto da criação da Geografia do IBGE. por de sua visão de pesquisa e ensino. o depoimento de Kullman foi esclarecedor para o monitoramento da Biogeografia após as saídas de Segadas Viana. com a chegada em 1946 do canadense Dansereau.

que era cunhado de Jorge Zarur e os acontecimentos de 1956. ao longo dos anos. quando Faissol. Isso acarretou uma reviravolta. O que não se encaixa com o grande sucesso que a obra teve ao longo dos anos. foi uma coisa complicada porque eu estava muito habituado ainda aquela noção que a gente tinha de que o Fábio era o pai de todos. ao lado de Faissol e sua gerência no mega projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros entre 1957 e 1964. Passado aquele congresso da UGI o presidente do IBGE naquela época. mas ele me disse: "Você não fala isso com o Fábio. com a criação do Departamento de Geografia. principalmente para as firmas de consultoria de engenharia e arquitetura. considerando-a mera compilação de trabalhos feitos anteriormente." Eu tive algumas dificuldades. foi um assunto que. A evolução da carreira de Speridião Faissol. ele me chamou e disse: "Não é nada contra você. etc. não estava conseguindo se dar muito bem com o Fábio e muito menos com o Orlando Valverde que era o chefe da Divisão de Geografia. da espinhosa questão. A figura de Lisia Bernardes como a principal representante do grupo de Fábio. porque naturalmente eu é que quero falar com ele. ao voltar do doutoramento em Syracuse. pois envolveu áreas de poder gerencial técnico e pessoas que tornaram-se líderes em certos círculos de afinidade em períodos posteriores à década de 50..” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) A posição de Antônio Teixeira Guerra. foi uma crise braba. o que a lembrança reconstruída dos profissionais deixa passar com clareza. . assume a Divisão de Geografia no lugar de Orlando Valverde.chefiada por Jorge Zarur (ver anexos Documentos Administrativos – Processo 2958 de 04/05/1951). “Em 1956 eu voltei dos Estados Unidos com doutoramento. aquela coisa. tornou-se quase mitológico. assume a Divisão de Geografia e imprime modificações gerenciais de porte. também foi motivo de recordações diversas tanto de Gelson Rangel Lima. somente Speridião Faissol. o Miro era secretário e assistente do Fábio. de maneiras diferenciadas. No campo dos depoimentos orais dos que viveram os acontecimentos. porque eu fui substituir o Orlando e o Fábio largou em seguida. Mas. ai houve o Congresso da UGI e foi passando. Pedro Geiger e Miguel Alves de Lima trataram. Ele acabou me convidando para ser o diretor da Divisão de Geografia. que compilam até hoje algumas das características físicas dos municípios para seus projetos." A maior parte do pessoal se demitiu. quanto do próprio Faissol e de Pedro Geiger e Elsa Keller. Jurandir Pires Ferreira. sem sombra de dúvidas. matemático. Eu era solidário com o Orlando e tal. Uma outra área sensível foi o período do golpe militar de 1964 e seus desdobramentos até 1968. o prof. era engenheiro. Já Orlando faz uma forte crítica ao projeto da Enciclopédia. após o sucesso do Encontro Internacional de Geografia da UGI no Rio. Este. é um dos desdobramentos lembrados pelo próprio Faissol. como Speridião Faissol e Lisia Bernardes. fiquei lá meio solto. a Lisa era chefe de seção pediu demissão. criando novas oportunidades de chefia para os geógrafos que ingressaram no final dos anos 50. precipitando a solicitação de exoneração de Fábio de Macedo Soares Guimarães da Secretaria Geral do CNG.. mas acabei aceitando.

.grupo Zarur x Grupo Fábio. então eu acho que foi mais isso. geógrafos. Faissol lembra da “gangorra” de postos de poder entre os grupos de Fábio e Zarur ou mais modernamente Lisia e Faissol que ocorreu entre 1956 e 1968. uma derrubada. Mas isso já na década de 70 para aticamente tinha terminado. pois tal dicotomia também é sentida na Universidade. mas tenho impressão que foi mais isso do que realmente culpa da quantitativa. “.é a vinculação de Lisia com a Geografia Urbana de Michel Rochefort nos estudos de redes urbanas e de regionalização. Nilo. mas ao que me parece.. passou a Revolução o grupo do Fábio saiu. era um número pequeno.. eu percebi esse divórcio em l970. Isso era AGB e era IBGE. daquele grupo antigo de geógrafo físico você tinha o Alfredo. que eram meio pessoais. na agrária para aticamente você teve o Orlando que foi que deu orientação. da década de 50 e 60 toda. Fany.. aquele coisa toda e voltou o grupo do Fábio. o quê aconteceu foi o seguinte: nós tínhamos o maior número de bons geógrafos humanos do que físicos. mas Elza fez menos. nem foi por causa da geografia quantitativa que isso aconteceu. então você vê. Na questão relativa ao divórcio entre os grupos de Geografia Física e Humana ocorrido principalmente na década de 60.Como a Senhora viu a questão de um divórcio. a falta de geógrafos físicos. você tinha n. até porque os geógrafos físicos usam muito mais quantificação do que a geografia humana. Catarina. Para Marília o maior número de geógrafos humanos sempre garantiu a importância das linhas de pesquisa em agrária. passada aquelas raivas. a meu ver. onde as duas áreas . Lisia. Marília Galvão tem uma percepção que referencia a desigualdade numérica entre profissionais da Humana e da Física. depois era Elza. agora na geografia humana você tinha Faissol. clima e vegetação em resposta a esta questão .” (Depoimento de Marília V. então eram três. Roberto Lobato. indústria. Galvão a RSA) É possível que somente o diferencial numérico não explique o divórcio entre os profissionais da Física e da Humana. quer dizer.... da estatura do Alfredo você não tinha outro.. havia não sei porque.. eu não sei. você tinha Geiger. n. Tanto a documentação (ver anexos Documentos Administrativos memo de indicação das chefias do DEGEO feita por Marília Veloso Galvão). eu não acho que tenha sido uma questão de geografia quantitativa. Você tinha é verdade o Kulhman na fitogeografia então eram esses dois e tinha o Carlos Augusto em climatologia.. conhecido como DEGEO.. Ney Strauch. ela fez mais com os estudos de população. quanto os depoimentos de Marília Veloso Galvão.. uma situação e que é estranha. (RSA) “ Mas isso. urbana sobre as de relevo. mas as pessoas usaram a idéia de que foi a quantitativa que causou. Quando eu entrei para ser o Diretor da Divisão de Geografia foi o negócio. as causas foram anteriores à decada de 70. veio a Revolução. voltei eu e ficou naquele negócio.. aqueles ódios. .. (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) De 1968 em diante acontecem mudanças na estrutura de chefias da área de Geografia do IBGE e a antiga Divisão de Geografia torna-se Departamento. entre a geografia física e geografia humana. n.

status e conhecimento. No IBGE. em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia. que o esforço de aprendizado seria muito além de suas capacidades. em qualquer outra coisa! A dicotomia apogeu e queda está em evidência. Inicia-se o período das crises. abrindo uma nova fase de canibalismo já anunciada por William Bunge (1973). sendo necessário projetos integrados para que uma certa relação se constitua. quanto pela crise financeira mundial resultante do aumento dos preços do petróleo pelos países árabes produtores. questões ideológicas e para agmáticas. por parte da maioria dos geógrafos.quase não se comunicam com naturalidade. estatística e computação necessários ao desenvolvimento da metodologia. que havia sido natural nos anos 40 e 50 e que foi abandonada nas décadas seguintes. pois pressupunha um conhecimento da Economia Clássica de Adam Smith e . Na arena científica o ambiente torna-se pesado. a nova Geografia Crítica também possuía seus males insidiosos. Foi nesse clima que ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza 1978. Esperar que a moda passe. a chegada dos diagnósticos sócio-ambientais integrados do final dos anos 80 e que ocorrem até hoje.. O quadro político. aceitou rapidamente a nova onda sem perceber que. pois misturavam-se nas discussões. o pequeno número de pesquisadores com conhecimento de economia. Sua aposentadoria do IBGE em 1982 e sua transferência para o ensino universitário na UERJ tornaram-se pontos de inflexão no quadro da Geografia brasileira.. Novas abordagens estavam tomando forma com a Geografia crítica e a oportunidade de se afastar dos métodos quantitativos foi encampada com vigor. resultante tanto do endividamento efetuado pelos governos anteriores para manter o período do milagre . apesar de turbulento. matemática . a principal imagem que se constituiu nos anos 80. e não contestar. levou a muitos uma angústia disfarçada em mimetismo. O reconhecimento. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova veio ser a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa. como a Geografia Quantitativa. Nessa aventura de coleta e interpretação dos depoimentos dos geógrafos do IBGE. esforços de aprendizado e carreirismo. mostrou sinais de melhora com a questão da anistia e a certeza de eleições em 1985 ( diretas ou não ). tarefa tão difícil quanto Estatística. Nos congressos não há mais discussões e sim bate-bocas e ofensas pessoais. O governo do último General do ciclo militar João Batista de Oliveira Figueiredo inicia-se em 1979 com o Brasil mergulhando em profunda recessão econômica. foi a rejeição pelos geógrafos do IBGE dos métodos quantitativos como quadro geral e o ocaso de Speridião Faissol enquanto incentivador desse métodos. “Apesar desse poder de produção a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal. E ela veio! O estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um dos mais instáveis. concordar. Aprovar. foi o principal emulador de uma integração. aguardar alguma novidade vinda de fora. mas nada fazer. gerando um ambiente estranho. O primeiro deles seria o aprendizado da Economia Política. A massa de geógrafos aliviada das responsabilidades de ter que aprender matemática e estatística. como Almeida (1994) levanta em seu artigo sobre as relações da Geografia do IBGE e as diversas noções de desenvolvimento.

Aliás. é a Geografia Física e suas vinculações.. eu me arrepio toda. ela deu resultados.. o geógrafo médio. O exemplo do depoimento de Marília Galvão que era chefe do DEGEO na época da chegada dos métodos quantitativos mostra bem essa contradição. depois desses Atlas na geografia quantitativa. veio o Peter Cole e nós metemos a cabeça. a gente teria entendido melhor e não teria caído no excesso que se caiu dentro da quantitativa. Talvez por isso. não sofreu tanto as turbulências dessas fases. que naquele período a programação de computação não era algo comum.. na nova etapa que se inicia com a Nova República de 1985 até os dias de hoje.. Foi bastante comum durante essa fase aparecem trabalhos que apresentavam uma introdução metodológica crivada de citações e de intenções que não se materializavam nos capítulos posteriores.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . opções ideológicas ou mesmo antipatia ao contexto militar que governava o país. bem feitas.” (Depoimento de Marília Galvão à RSA) . digo qual é o meu objetivo. vidaliana ou rochefortiana. agora eu acho que apesar de toda parte ruim... era necessário que se estudasse linguagens de programação de computação.. se a gente tivesse estudado para programação. quem referencia os principais projetos que visam diagnosticar as relações entre meio ambiente e processos de ocupação econômica do território brasileiro”.. que por sua especificidade de campo de conhecimento e pelo uso corriqueiro de análises estatísticas em seus trabalhos. se o resultado eu conseguir interpretar. (RSA) “ Mas já existia no IBGE. (Almeida. eu detesto máquina. não sei se Faissol disse isso. foi um experiência. mas eu me recusei pessoalmente entrar nessa fase de para programação. muito bem.. eu não quero estudar programação. eu forneço os dados. uma muleta simples. porque o Cole insistia que para podermos desenvolver uma geografia quantitativa. falou em computador comigo. “ Bom. em virtude das profundas bases que a Geografia francesa possui no sistema de ensino de Geografia no Brasil. paralelamente também.Ricardo.. Marshall. mea culpa. é bom que se diga. Mas havia uma solução. por profissionais de alta qualificação. sou culpada. mergulhar nas críticas à Economia Capitalista através das obras de Marx. mea culpa. E aqui cabe destacar o papel da Geografia Física.. isso somente referenciado à Economia. o que se materializava nesses capítulos? A velha Geografia francesa.. conforme a ocasião. eles que façam e me mandem o resultado. de Keynes e dos keynesianos e.. e não podia ser diferente. Diferentemente da Geografia Quantitativa.. sabe Roberto. porém eficiente. Eu Marília Veloso Galvão. se eu não conseguir acabou. e que era uma igrejinha fechada.Mas aí tem que pensar também que a senhora não estava de toda errada. depois sim... Além das questões que se vinculavam com o esforço de treinamento numa área que era completamente fora das expectativas da maioria dos profissionais de Geografia da época. 1994) As interpretações de alguns depoentes devem ser entendidas dentro de certos contextos que envolveram acesso ao poder e. computação era algo só de pessoas muito especializadas. corpo e alma dentro da geografia quantitativa e o pecado foi um pouco nosso. Engels e Lênin para ter base de entendimento para ler os neomarxistas.. então isso foi um erro. e a gente podia se socorrer desse grupo. pois tal postura exigia também incursões nos campos da Sociologia e Filosofia. eu dizia: olha. mas aí então nós chegamos finalmente. dos Neoclássicos como . na Geografia Crítica contava com um arsenal de frases feitas. e nós nos recusamos. eu me recusei. Essas mesmas bases deram um pouco de sustentabilidade à Geografia outsider que continuou a ser feita marginalmente. mesmo durante esses dois períodos que cobriram quase duas décadas.

O esquema de cooperação técnica entre os franceses do GIP RECLUS / ORSTOM ( Hervé Théry e Philippe Waniez ) e os geógrafos do DEGEO também garantiram uma absorção de novas tecnologias de mapeamento informatizado. Cole no seu mestrado em Nothinghan. a França. quer dizer. rica. uma das que mais estudou os métodos quantitativos na Inglaterra. você tem que saber o que está usando. como tudo na vida. paralelamente. a medida em que o que nós estávamos ... eu acho muito rica. Na visão de Cesar Ajara. quer dizer. “ E não era uma coisa tão complexa assim. A noção de que era necessário saber corretamente o real poder daquelas técnicas foi bem colocada por Olga Buarque de Lima.. isso não foi negligenciado. a nível individual. você percebe que aquilo é um material poderosíssimo.. que são os mais utilizados para este tipo de trabalho.. Os depoimentos de Cesar Ajara. não.. a nível de resposta... essas parcerias foram importantes para ampliar o conhecimento dos geógrafos e. tem que saber escolher bem as variáveis.. acadêmica. até existiu. principalmente no que se referiu aos equipamentos da Apple. de gerenciar as dificuldades financeiras do IBGE no período.. houve um certo deslumbramento.. não é só aplicar a técnica e pronto. Os depoimentos de Maria Luíza Castelo Branco. por exemplo.. imagine para os que estavam nos escalões inferiores e que não possuíam uma visão mais abrangente do problema que a Geografia brasileira enfrentava naquele momento. Teresa Cony Aguiar e Luís Cavalcanti Bahiana referenciaram bem a tranasição entre a fase da quantitativa e o período dos diagnósticos sócio-ambientais integrados que passaram a ser organizados nos últimos anos da década de 80 e durante toda a década de 90. da inserção de técnicos nossos no novo patamar tecnológico. P. mas o que eu estou querendo dizer é que nesse processo. esse aperfeiçoamento claro que se passa na vida de cada um. quer dizer.. “ Com certeza. se o problema de enfrentar duramente os domínios da Matemática e da Estatística era quase intransponível para os que gerenciavam os projetos geográficos do DEGEO na época. quer dizer. Miguel Ângelo Ribeiro.... Cesar Ajara.. mas não foi o caso ela foi pensada em que sentido: no sentido do aperfeiçoamento técnico.Com isso.... se você souber usá-las bem e isto demanda muita força de vontade. você pode fazer bons trabalhos de geografia quantitativa que é uma técnica.. tendo sido orientada pelo próprio J. é possível entender que. não era complexa. como gerente dessa cooperação por parte do IBGE e de Luís C. eu tenho essa consciência que as oportunidades foram dadas e aí Roberto. costuras e parcerias aqui e ali. primeiro. pois essas técnicas possuem um poder de síntese enorme.. podia ter pensado uma parceria de natureza de cooperação científica. quer dizer.. não é nem metodologia é uma técnica.” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) As fases mais recentes da Geografia do IBGE foram interpretadas pela geração que ingressou no órgão entre 1970 e 1980. Bahiana como técnico que absorveu os conhecimentos sobre o uso de imagens de satélites em softwares de interpretação de coberturas em mapeamento deram uma boa visão daquele período. que quando eu pensava parceria.

o Professor Simon assumiu a presidência do IBGE.. Acredito que o grande equívoco dos franceses se deu por conta da falta de experiência no processo de envio do equipamento para um país que não pertencia a Comunidade Européia.. o material levou quase um ano para se liberado. (RSA) “ Estava vindo. além de um scanner... os dois principais softwares que Phillipe Waniez desenvolveu para o trabalho com esse convênio e sua chegada ao IBGE.ele sempre viu com muita reserva essa história de plataforma Apple. nós trouxemos dois elementos na equipe que adoraram....A questão da plataforma? . nós fizemos um... algo que na época era muito caro para os PCs. Máquinas que eram o top de linha da Apple. ia e vinha...) e do litoral de Santa Catarina no contexto do projeto de gerenciamento costeiro brasileiro. finalmente Felipe veio com sua esposa a cartógrafa Violette Brustlein-Waniez para ficar um ano ou dois e junto com Felipe veio realmente uma grande quantidade de equipamentos compara ados pelos franceses e cedidos em comodato ao IBGE. para colocar mais precisamente. Bahiana vinculou-se aos aspectos técnicos da parceria ao explanar sobre os equipamentos da Apple... o IBGE não estava podendo compara ar equipamento naquele momento.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) . eu me lembro de uma reunião com ele que eu estava presente e ele levantou série objeções a isso.. um nível de integração muito alto entre os profissionais envolvidos. tivemos muitos problemas...... .. e eu me lembro que eu pedi a palavra e argumentei que essa questão de integração no mundo Apple e PC já não era uma questão tão difícil como costumava ser no passado.F.” (Depoimento de Luís Bahiana a RSA) No campo dos diagnósticos sócio-ambientais.. já com CD-ROM embutido. Angélica também tinha.. será gerado na plataforma Apple porque o Philippe Waniez escreveu um aplicativo chamado Cabral 1500 de mapeamento que opera nessa plataforma. foi muito desgastante.. e para complicar ainda mais. Cesar Ajara e Dora Hees fomos para Montpelier e. na França nossa plataforma aqui é plataforma Apple. Mônica. (RSA) “ A questão da plataforma foi colocada pelos franceses de forma fechada. quanto na esfera dos órgão contratantes.procurando? Superar uma dificuldade interna de custos.Aí Philippe Waniez já estava vindo para o Rio ?. máquinas de 32 bits de processamento. e aí fizemos isso..” (Depoimento de Cesar Ajara a RSA) A perspectiva de Luís C. pois possibilitou através de seu método de trabalho. nos intervalos eu ... levantamento.. a contribuição de Teresa Cony Aguiar foi também importante... todos nós batalhamos muito.......a metodologia tinha um instrumento que é chamado lista de condições e aquela lista de condições me permitia identificar problemas e com aqueles problemas podia identificar questões que eram só da sociedade ou problemas estavam intimamente ligados a questão da natureza. uma capacidade de processamento até então desconhecida nos PCs.. nós todos tínhamos experiência de campo... eu também tinha.. tanto na esfera do IBGE. que envolve discussões entre todos os participantes das equipes.. o escritório do ORSTOM em Brasília pressionando. Evangelina. com nos exemplos dos diagnósticos do Entorno do Distrito Federal (municípios de Goiás que fazem limite com o D.. o IBGE não estava podendo bancar treinamento.. porque . conseguimos libera o equipamento a duras penas. quer dizer o seguinte: aqui na Casa de Geografia nós trabalhamos com a plataforma Apple.. então o produto que for gerado. uma plataforma Apple que não conversava com os PCs. disse que nós éramos um país do PC o IBGE era baseado em PC e como é que ia ter um produto. ia e vinha. “..

eu já tinha aprendido a lidar com as pessoas de outra área.. do litoral de Santa Catarina nós já sabíamos o que era isso. eu sabia identificar quando um conflito era para a contribuir para o trabalho... que foi o meu primeiro aprendizado em planejamento participativo no município de Paracambi.. porque eu tinha o instrumento que era e a prática de interdisciplinalidade. nós juntamos aquele conhecimento. e pudemos aprimora-lo”... em que toda a sexta-feira eu me reunia com uma equipe interdisciplinar. eu com um pouco de audácia..... entender em que escala os outros técnicos estavam operando. meu e dela. com isso... juntamos essa capacidade de sintetizar com o produto que nós tínhamos. porquê? Porque a prática da metodologia propõe que todo mundo é capaz de fazer... através de alguns depoimentos tomados com exemplo. e com isso contribuir do ponto de vista metodológico para o desenvolvimento dos projetos. todo mundo é capaz de discutir problemas..Que aliás foi muito necessário na área de Goiânia. era isso o que eu estava propondo.. Nossa Natureza..realizados no IBGE anteriormente foi de grande valia. eu vivi seis anos brigando por pontos de vista. formando pessoas. então com isso.. mas pode ser capaz de discutir um problema. quando eu cheguei. e com o trabalho.. ou quando o conflito era para desestruturar .... quando eu fui fazer o zoneamento.. então eles se sentiram capazes de fazer uma coisa que normalmente não se sentiriam.. pode não ser capaz de discutir teoria...” (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) . a experiência dela nos projetos PMACI. eu tinha total tolerância com as outras pessoas e eu aprendi a ser tolerante com o outro. e fizemos esses trabalhos em Goiás e Santa Catarina..foram estimulados.. foi possível conseguir naqueles projetos uma integração totalmente diferente. então. conflito não me amedrontava. A Angélica Magnano tem uma alta capacidade de síntese.estava tarimbada. então eu pude trazer aquilo para a aquela equipe.... com isso se sentiram altamente prestigiados.. quando nós fomos integrar que era a grande questão nos trabalhos de questão experimental eu consegui mediar os conflitos.... discutir problemas. eles normalmente não estimulados dentro do Departamento.. eu trabalhei seis anos.. (Depoimento de Teresa Cony Aguiar a RSA) Essas foram algumas visões dessa aventura de gravações dos depoimentos de uma pequena parte dos profissionais de Geografia do IBGE que contribuíram de maneiras diversas continuidade da história do órgão.. e além disso. para a ...... um pouco de desafio. gostando de trabalhar com grupo novo.... O capítulo II analisará determinados mecanismos de escolha de carreira. (RSA) “ Exato. e como meu trabalho era um trabalho interdisciplinar..

tiveram um papel importante na determinação dessas escolhas. direta ou indiretamente.eu fiz curso de normal. e quem realmente me incentivou para a pesquisa geográfica foi o Francis Ruellan..O Processo de Escolha da Carreira O primeiro movimento no jogo de escolha profissional geralmente acontece no ambiente do ensino médio. porém todos participaram.. Em alguns casos. sem qualquer sombra de dúvida.. quer por sua conduta profissional. e eu fui para a Geografia e História gostava também de história bastante e por isso fui para a Geografia. ele citava obra.. tive um excelente para professor de sociologia Nelson Menha. em inglês. na universidade..” (Depoimento de Elza Keller a RSA) ....Parte III Capítulo II .que Orlando até hoje se recorda e que se viu mais tarde. do processo de escolha da Geografia como opção profissional. eu teria feito em Campinas.. tem diversos livros publicados.. obras em francês. porque eram as palavras. O papel do professor de Sociologia Nelson Menha na escola normal de Campinas foi também fundamental na escolha profissional de Elza Keller. talvez se tivesse. quer por ter tido uma habilidade incomum de transmitir determinados conhecimentos que passaram a ser os favoritos na visão do aluno.. essa coisa toda. ilustres desconhecidos. daí não tendo curso de Ciências Sociais. através de um professor que marcou fortemente o espirito do aluno...” tal exemplo de recordação é altamente representativa da importância de um bom mestre para incentivar vocações. esses profissionais do ensino. O exemplo da aula sobre Fronteiras do Brasil e a Obra de Rio Branco . que tinha. escola normal.. os mapas na cabeça e tudo mais. ser atribuído ao fascínio que o professor Fernando Antônio Raja Gabaghlia criou na mente de Orlando Valverde no Colégio Pedro II. evidentemente que o melhor professor.. então. O exemplo mais dramático de nosso universo pesquisado pode.. quando professor também do ensino médio. Uma parte dos geógrafos entrevistados reconheceram que o papel incentivador do professor de ensino médio ou mesmo de primeiro grau (antigo ginásio) foi fundamental na aceitação da Geografia como área de interesse futuro na escolha da profissão.vim para Rio estudar na Faculdade Nacional de Filosofia.. “. eu gostava muito de Sociologia e na Geografia eu sempre desde o início meu interesse foi pela Geografia Humana.. “plagiando o Raja Gabaghlia. Alguns foram personalidades importantes no ambiente acadêmico. outros. por exemplo sobre a colonização européia.. ao longo desses mais de sessenta anos. eu me lembro por exemplo de citações.

mas tive uma para professora de Geografia no ginásio... Vou fazer geografia e em 68 fiz o vestibular para UFF. ela arrasava dando geografia.. descrevendo as macrorregiões. e foi ai que percebi que eu ia fazer Geografia. ele tinha um modo de dar geografia que não era decoreba.. Maria Isabel Azevedo.. tem alguma coisa de Azevedo.. mas tudo isso dentro daquela geografia tradicional. os exemplos de Maria Francisca Teresa Cardoso e José César de Magalhães foram os mais representativos desse processo de influência ocorrida no segundo grau..” (Depoimento de José César Magalhães a RSA) E Maria Francisca. suas provas eram muito inteligentes.. Luís Antônio Ribeiro nos anos 70 e 80 e Clóvis Dottori entre os anos 60 e hoje.......” (Depoimento de Maria Francisca a RSA) Da geração que ingressou na década de 70.... fazendo aqueles trabalhos imensos localizando os produtos.... aqueles trabalhos de geografia regional..” (Depoimento de Miguel Ângelo a RSA) Professores considerados como indutores de carreira sempre estiveram nas lembranças de seus ex-alunos como foi o caso de Raja Gabaghlia nos anos 30. e mais duas no segundo grau.quem me influenciou foi o professor James Braga Vieira da Fonseca.... em História também tive outra ótima professora. chamada Vanda Regina. também tive um professor Faria... dizia ele que tinha chegado da Itália porque ele tinha participado da Força Expedicionária Brasileira.. essa dava sempre a Geografia tradicional.... chamava-se Lia Cardoso. Lia Cardoso em Geografia e Ana Barroso em História.Teve. que era dividido entre clássico e científico... uma que era modelo da Casa Canadá. José César de Magalhães sentiu-se influenciado pelos ensinamentos de um professor de Geografia.. no Instituto Lafayette onde estudou todo o primeiro e segundo graus foi influenciada por uma professora do antigo ginásio..eu entrei para o Educandário Rui Barbosa e lá eu fiz o primeiro grau e segundo grau na linguagem de hoje... James Braga Vieira. Miguel Ângelo Campos Ribeiro foi também influenciado por quatro professoras.. aquela coisa bem tradicional. por causa delas me decidi.Na geração intermediária que ingressou no IBGE na década de 1950.... arroz. lembrei. que é a Ana Barroso então essas duas cadeiras eram assim brilhantes. pesquisadora da Casa Rui Barbosa. na década de 70.. era uma ótima professora.. de História que também era muito bom... mas a Geografia vai me despertar mesmo no curso clássico. era uma geografia interpretativa...... duas no ginásio Vanda Regina e Nilsa Bicudo.... “. devo ter sofrido um pouco de influência dela.. quando eu entrei no segundo grau... mas eu sempre gostei mais de Geografia.. suas aulas realmente eram um verdadeiro teatro.... “ Eu tive excelentes professores de geografia e história no Lafayete. “. primeiro por causa do tipo dela. pois continua induzindo alguns alunos para a carreira. e uma outra também a professora Nilza Bicudo.. só no meu álbum. tive uma professora que realmente gostei.. eram discursivas. Após formado.. não sei o sobrenome dela. . duas professoras.. Manuel Maurício nos anos 50 e 60.. era realmente elegante. botava aqueles saquinhos com feijão. expedicionário da FEB.. eram super exigentes essas professoras. essa era o máximo para a mim. tornou-se colega de magistério das duas últimas no Liceu Nilo Peçanha em Niterói.. embora não fosse tão comparativo como era o Braga Vieira em Geografia...

juntamente com Cristóvão Leite de Castro. graças ao francês do Pedro II eu me dei muito bem. ele levantava problemas. de estilo americano.. com os seus 15 anos de dedicação total à formação de legiões de geógrafos. quatro professoras primárias.. tanto em São Paulo. o homem e a floresta... então eu acompanhei e lá havia quatro professores muito bons. Dilsa Mota e Marlene de Souza. Nós tivemos professores franceses que davam aula em francês. porém se levarmos em consideração a “ escala de produção” Ruellan pode ser considerado o único “chefe de escola” da Geografia do Rio de Janeiro. o Pierre Deffontaines foi meu professor de Geografia Humana por três anos. Em seu depoimento para a Memória Institucional do IBGE. pois além da formação no nível da graduação.. pois foi o fundador dos cursos superiores de Geografia. eu e Jorge Zarur.. É claro que a figura de Pierre Deffontaines também deve ser lembrada. O exemplo mais perfeito desse tipo de professor na Geografia do Rio de Janeiro foi Francis Ruellan. entre 1940 até meados dos anos 60. por exemplo. se durante o segundo grau podemos caracterizar como incentivo a uma futura carreira ainda não muito entendida pelo aluno. A minha primeira influência científica foi de Deffontaines porque mais que um professor. foi transferido para o novo órgão. cuja formação eu não me lembro. Armando Sampaio de Souza.. são os únicos sobreviventes do período de Pierre Deffontaines contou como era o ambiente universitário no final dos anos 30.. (Depoimento de Orlando Valverde ao grupo de Memória Institucional do IBGE) Miguel Alves de Lima. eu. era como o homem se comportava diante da natureza. Eu era capaz de acompanhar as aulas. um dos fundadores do IBGE. foi por inspiração do Anísio Teixeira. quanto no Rio. além de ter sido o primeiro professor do primeiro grupo de profissionais que iniciou a pesquisa geográfica no IBGE no final dos anos 30. nós começamos e éramos menos de dez: eu me lembro. o homem e a montanha..Mas. o curso de francês como o de português do Pedro II era muito bom. e os três professores. havia um outro rapaz também chamado Jorge. era a chamada Escola Possibilista. havia um rapaz que também era professor primário: Armando Sampaio de Souza. torna-se um fator crucial no desenvolvimento profissional de certos alunos. A minha turma de geografia na velha universidade do Distrito Federal era muito pequena. então era. sua influência foi também muito forte nos programas de especialização e de pós graduação dos brasileiros em universidades francesas. era moderna. e da principal associação profissional a AGB. que exercendo a função de desenhista na Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura. Somente se reconheceu como um futuro geógrafo quando teve aulas nos cursos de treinamento de . o homem e o frio. o homem e as ilhas... Orlando Valverde que. mas eu não me lembro o sobrenome dele. ele era um estimulador da curiosidade e da pesquisa.. o currículo do curso dele era tipicamente da escola de Vidal de la Blanche. Essa Universidade era uma coisa de novo estilo no Brasil. falar e escrever. por exemplo. da principal revista a RBG. mas em pouco tempo houve uma lavagem naquilo e ficaram seis: Cristóvão Leite de Castro. o fundador do CNG o já engenheiro Cristóvão Leite de Castro. na universidade o apoio e estímulo de um professor. o Jorge Zarur que era estudante de Direito.

.... eu ainda não tinha nada escolhido. e os nomes científicos também.. já era chefe da Seção de Estudos e determinou os lugares.. o francês faz muito trabalho de campo.... eu ficava junto dele e aprendendo nome de todas aquelas plantas da flora Mediterrânea.. Heldio foi para a Strasburg. porque ele não falava português. aprendi tudo com ele durante anos. eu ainda era desenhista e ele precisava de um rapaz que entendesse alguma coisa de francês.. Quando nós fomos mandados então para a França em 1947.em termos de geografia geral.... Ele pegou um mapa de 1:50. um especialista em relevo cárstico e de fitogeografia.....nessa época fomos cinco Miguel.eu fui para a França com bolsa dada pelo governo francês. foi aí que Ruellan me capitulou para o trabalho de geografia.. então ele já era quase colega do Dr.... uma impressionante sensibilidade e então me escolheu Montpellier. durante os anos 40. fez muita excursão. conhecesse um pouco de Matemática de Geometria Descritiva porque o Ruellan ia fazer para o Batismo Cultural de Goiânia.. Míriam... dos chefes de escola geográfica da França. tornando-se assim um especialista em Geomorfologia e indo se especializar na França antes de possuir um diploma formal de bacharelado.. o Miguel já vinha do Ministério da Agricultura. de Christóvão.. as faculdades para a qual nós deveríamos ir..o IBGE. etc.. tiramos o pessoal dos Estados Unidos. daí ele precisava de alguém que entendesse alguma coisa de cálculo e entendesse francês.. e tudo isso que era realmente uma coisa que ele se interessava muito. “ O meu contato com o Ruellan.. o meu caso foi muito particular.. praticamente todo fim de semana. aquela região do Languedoc tem muito protestante.você já sabe .. a visão global da geografia da Europa..000 da área e esse mapa vinha ia ser cortado quilometro por quilometro em linhas paralelas. passou o tempo todo. Miguel era o Chefe da Seção de Estudos e tinha inclusive uma posição de chefia já mais alta dentro do IBGE e ele fazia. apesar das dificuldades enormes de pós guerra.. o tipo de . juntamente com seus alunos da Universidade do Brasil. Fábio.. aprendi todos os dados respeito de fito-geografia inclusive as características ecológicas. “. já trabalhava junto com Ruellan em excursões de renome na Geomorfologia e topografia junto com Heldio também.. quem era? (RSA) “ O meu orientador e professor principal do Departamento de Geografia de Montpellier era um professor de geografia física. e voltamos então a ter a visão da Europa.. Geiger. porque sou evangélica protestante e Montpellier.. na realidade em termos de especialização. sabia que eu gostava de Geografia Humana .... O Geiger tinha na época um interesse maior por Geomorfologia e foi para Grenoble lá para os Alpes.. treinam muito os estudantes para trabalho de campo...... como era um mapa de 1:50.. ele poderia mostrar o relevo e a geologia ao mesmo tempo.” (Depoimento de Miguel Alves de Lima a RSA) Elza Keller também foi uma testemunha dessa fase da retomada francesa na Geografia do IBGE em 1947.. os pontos de fuga dessa perspectiva seriam muito afastados... mas Miguel. ele tinha essas coisas assim... um trabalho que era um diagrama em perspectiva.. quinze anos no Brasil sem falar português correntemente. mas estava dentro das possibilidades de cada um. uma loucura verdadeira. prensando e levando para classificar.” .pessoal que Ruellan ministrava para os técnicos do IBGE. então as perspectivas tinham que ser calculadas.. Heldio e eu. aquela seção da qual se originou . que posteriormente fez curso de geografia... Rulaan achou que eu ia me dar bem. fomos cinco.... quando eu fui para a Paris o Ruellan me recomendou a André Cholley que me tratou excepcionalmente bem e eu o considerei o melhor professor que tive. a partir de um mapa.. Míriam para Lion e eu para Montpellier.e ele firme. pegando amostras.. não podia ser desenhada simplesmente..... mas Montpellier não tinha nada de especial e eu talvez tivesse mais aproveitamento em outra.. por indicação do professor Ruellan... ia ser posto em perspectiva... não foi decisão nossa absolutamente. na época da Faculdade.... Professor Paul Marres... pudesse ler e falar em francês..000. era um apaixonado por geografia.....O seu orientador lá. como nos tempos de Deffontaines..

posteriormente. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. meu foco de interesse já havia mudado desde 1961. nos anos 60 no contexto do IBGE.” “A primeira unidade formalmente designada de Geografia Urbana no atual DEGEO foi criada em 1968. que é fundamental e mais a introdução a cartografia. sobretudo a ela.. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lízia Bernardes sem a menor dúvida. e nas universidades brasileiras nos anos 70 e 80.... aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária. para a mim pessoalmente. foi a minha efetiva formação de geografia. o antigo Setor de Estudos de Geografia Econômica da Divisão de Estudos Sistemáticos foi transformado em Setor de Estudos de Geografia Urbana.. em Strasburg onde iniciei os estudos sobre as relações cidade .. o que a Lízia fazia sob orientação do Michel Rochefort. a prática de cartografia aplicada a geografia. João Rua.. Roberto Lobato Corrêa em depoimento a revista Geosul explica com detalhes essa fase de sua vida profissional. quando eu fui trabalhar com Lízia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste.... Buarque. isso foi no período de 59 a 62. sob sua orientação direta ou com sua indicação para estudar nos vários laboratórios franceses em que ele tem voz ativa.. eu já acompanhava de perto e namorando. não sei se para o Geiger.. mas a experiência francesa teve uma importância enorme.” (Depoimento de Elza Keller a RSA) O terceiro grande incentivador universitário francês foi Michel Rochefort. também vai representar a fase seguinte da Geografia americana estudando redes urbanas em Chicago com Brian Berry. no qual eu fui chefe de 1968 até 1973. Um autêntico representante dessa fase no IBGE foi Roberto Lobato Corrêa que. De certa forma. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil. realmente deu um desembaraço grande de leitura de cartas. Carlos Alberto Serra e Luiz Antônio Ribeiro que chegou depois.campo e aí a influência foi de Raymond Dugrand através da leitura sistemática de sua tese Villes et Champgnes en Bas Languedoc e que deu origem ao trabalho de Pato Branco Cidade e Região no Sudoeste Paranaense. é que nós fazíamos uma parte do trabalho que deu origem ao primeiro livro Região Funcionais Urbanas. na realidade. estudou em Strasburg por indicação de Rochefort e. paralelamente... dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. que foi eminentemente influência de Michel Rochefort e Lízia e depois através de uma estadia minha na França. Jacob Binstock. na França foi onde aprendi Geografia. A minha relação com a Geografia Urbana se deu via duas coisas. nesse período (68-69) então. os estudos de Áreas de Influências das Cidades...... primeiro Nilo Bernardes e depois a Lízia Bernardes. mas acho que eles tiveram essa mesma visão. . Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo.. para a nós foi extraordinário. O poder de influência de Rochefort pode ser entendido pela grande quantidade de pesquisadores brasileiros que foram para a França se pós-graduar durante os últimos 30 anos... “ Olha eu devo meu crescimento profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. (Depoimento de Roberto Lobato a RSA) No que concerne ao período da influência da Geografia americana. Heldio e Míriam..... quando fui para os Estados Unidos para o mestrado em Chicago. Trabalharam também nessa época os estagiários François Bremeker. pois bem. Suas relações com o casal Nilo e Lisia Bernardes na Segunda metade da década de 60 criaram condições para que o estudo de redes urbanas se desenvolvesse no IBGE. substituído por Olga.geografia regional que se aprende lá.. claro que já tinha muita coisa de Ruellan estudada aqui.. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes.

. Roberto com a Lisia. mas de certa maneira. quer dizer. eu não peguei Ruellan essa coisa toda eu não sei.. Fiz algumas traduções dos principais artigos publicados nos Annals of the Association of American Geographers. você tinha um acesso maior das pessoas aquele dado conhecimento. você tinha cursos específicos. e aí você vê cada uma pessoa. Em 1972.. A idéia de elaboração de leis. quer dizer. o Brian Berry.. Rochefort... aquilo. na assembléia da AGB em Presidente Prudente apresentei um trabalho sobre um método estatístico de definição da hierarquia urbana que foi alvo de enorme discussão... o Cole. no Economic Geography e no Professional Geographer.... porque ele efetivamente ele deu aulas para a um grupo de pessoas. tinha mais de uma dezena de análises de regressão.Envolvi-me com a “nova” Geografia.P.. Em seu depoimento.. Faissol é que repassava.“. .” (Geosul 12-13. de normas sobre o comportamento da sociedade no espaço fascinou-me..... que repassaram para outros profissionais. Meu envolvimento com a “nova” Geografia estendeu-se de 1969-70 a 1975-76. Publiquei alguns artigos no âmbito da “nova” Geografia: estão na Revista Brasileira de Geografia e datam do período que foi a época de seu apogeu. O próximo capítulo enfoca o efetivo ambiente de trabalho na Geografia do IBGE. o que eu acho importante em cada uma dessas passagens é você ver o papel desses professores. Olga fala de profissionais como pontos de referência nesse processo de transmissão do conhecimento...... p.. De certo modo como prêmio pelo meu interesse pela “nova” Geografia fui em 1973 fazer o mestrado na Universidade de Chicago sob orientação do professor Brian Berry.” o próprio Faissol foi um grande repassador de conhecimentos para um grupo. o Rochefort fez uma passagem mais ampla.. o Cole ficou e orientou mais. Fany com Geiger. mas aqueles que eu assisti. Olga levanta um ponto importante no processo de aprendizado e de “transferência” de conhecimentos que ocorreu com os geógrafos da Velha Guarda para as gerações mais novas. trabalhando com Geografia da população no período de Rochefort e posteriormente sendo orientada por J. que versava sobre as relações entre a rede de localidades centrais e densidade e renda da população. mas muito importante também foram as pessoas escolhidas para repassar esses conhecimentos. quer dizer. se bem que o Brian Berry fez ponte direta com Faissol. como repassadores que foram de um lado na geografia urbana a Lisia e o Geiger na indústria.. Minha tese de mestrado.29) Nessa mesma época Olga Buarque de Lima também passou por experiências semelhantes. Cole na Inglaterra em Geografia urbana.. E lá debrucei-me em cima de artigos e livros.. 1991-1992. “ Agora...” (Depoimento de Olga Buarque de Lima a RSA) Esses foram alguns exemplos que podem ser usados como referência no processo de escolha de carreira nas fases iniciais do desenvolvimento da profissão. pois ele não chegou a ficar muito tempo no Brasil. cada um tem um escolhido do seu jeito..

do qual resultou seu doutoramento de 1956 em Syracuse. O exemplo da geógrafa nissei Mitiko Une. como possa parecer quando colocado assim em termos teóricos. no caso do primeiro. o aprendiz de pesquisa se via num ambiente ainda não muito familiar. Problemas como grandes projetos de prazo curto. onde o erro. juntamente com Alfredo Porto Domingues. Uma grande pletora de pequenas e grandes questões conjunturais podiam inviabilizar por um longo tempo a descoberta de um “repassador” ideal. comandada pelo cartógrafo Gilvandro Simas Pereira. onde os acertos em seus primeiros esforços dependiam. A audácia e o desassombro também eram bem vindos. tão comum nas fases iniciais de um profissional. Algumas línguas menos faladas também podiam garantir uma referência especial ao seu geógrafo usuário. na excursão da região do Jalapão. onde a qualidade final não podia ser negligenciada. não era o ambiente ideal para formação de um aprendiz e muitos passaram por essas traumáticas experiências. Pedro Geiger indo para as fronteiras da Bahia com Goiás em 1943. O exemplo do jovem de 19 anos. escolhido para trabalhar se pós-graduar nos Estados Unidos (mestrado em Winsconsin) e no segundo. principalmente nos períodos de implantação do órgão. Esse processo não era tão simples e direto.Parte III Capítulo III . O alemão materno de Walter Alberto Egler garantiu uma posição de influência no grupo seleto de Leo Waibel que só falava alemão e inglês. ou um geógrafo de liderança forjado no grupo da Velha Guarda. podia nessas situações extremas abalar reputações em ascensão. A questão central estava em perceber quem. fosse ele um professor estrangeiro. mostra bem o que se quer dizer com as palavras audácia e desassombro. com o seu conhecimento da língua japonesa . algumas vezes de certas “vantagens comparativas” trazidas de fora ou da boa vontade e entusiasmo de seu “guru” na casa. como nas fases iniciais do órgão. para trabalhar com Leo Waibel em 1945 e com Preston James em 1952. A importância do conhecimento de uma ou duas línguas estrangeiras era um outro fator decisivo no processo de triagem natural que ocorria com os recém chegados. O comentário de Olga Buarque no final do capítulo anterior usando a expressão “repassador” representa em grande parte o aspecto positivo desse ambiente. efetivamente era “repassador” em sua área de interesse.Na Arena de Trabalho Ultrapassados os “ritos de passagem” característicos da entrada na profissão. Os exemplos de Jorge Zarur e Speridião Faissol dominando o inglês e por isso sendo.

e quem o dominava. As tarefas enfadonhas do início da carreira deveriam ser filtradas pelo olhar de longo prazo usandose a máxima popular de que “nada é tão ruim que dure eternamente” e temperadas com um entusiasmo contido. em termos de escrita e fala era candidato natural aos cursos de especialização que o IBGE. gerando em muitos casos. quando avaliava a atuação gerencial de Lisia Bernardes chefiando a última fase da Divisão de Geografia antes de tornar-se Departamento em 1968. Olga Buarque nos fala de uma geração massacrada que a antecedeu em seu ingresso na casa.. Os exemplos de Miguel Alves de Lima e de Solange Tietzmann que evoluíram de desenhistas cartográficos para a carreira de geógrafo e que. e a autonomia a ser conquistada a posteriori. suas habilidades no desenho e a perseverança em continuar os estudos foram recompensadas ao longo de suas trajetórias profissionais. a dobradinha inglês/estatística era considerada fundamental para o sucesso absoluto do aprendiz. as maiores reclamações sempre vieram de profissionais que perceberam que seus superiores hierárquicos. Certas habilidades também garantiam pontos preciosos para o iniciante.. para não dar a impressão de que estava muito satisfeito. . período da chamada Geografia quantitativa. sem maiores vassalagens. em convênios com o governo francês. uma profusão de tabelas e mapas sem objetivos muito precisos. necessária nas fases iniciais.garantiu-lhe o mestrado em climatologia na universidade de Tókio e quando de sua volta ao Brasil era constantemente chamada para explicar as pesquisas do IBGE aos professores japoneses que visitavam o órgão. tiveram ótimas ascensões para postos de direção. algumas vezes não sabiam o que pediam. são pontos de referência para um entendimento de que. Nos anos 70. Neste campo. garantia como política de aperfeiçoamento de seu pessoal. É necessário entender que a língua franca da Geografia. no período compreendido entre 1935 e 1965 era o francês. mas que entendia a necessidade do trabalho. que muitas vezes eram descartados logo depois. A fluência em italiano da geógrafa Onorina Fátima Ferrari. acabou não sendo muito utilizada no contexto do IBGE em virtude de sua precoce aposentadoria em 1991. coincidentemente. A tênue fronteira entre a subserviência. adquirida nos anos 80. foi sempre medida por um instrumento crucial o conhecimento técnico.

quer dizer. de Ruellan formando efetivamente a geração da Velha Guarda em termos de grandes números. de ter posto aquele pessoal mais moço nas chefias de serviços da Divisão de Estudos Sistemáticos. criou entusiasmo...... ainda havia um processo paralelo de formação de pesquisadores que utilizava a avaliação inter-pares. trabalhar com ela foi uma das grandes coisas que me aconteceu.. a partir dos anos 50. a geração que ingressou no início dos anos 50. foi importantíssimo. a progressiva decadência do ensino universitário em formar pesquisadores. mas você repara que elas nunca tiveram a força que elas poderiam ter tido. aquilo passava.. Preston James na colonização e Tricart na Geomorfologia..“ Ela era entusiasmadíssima. até essa fofoca de ter trocado os velhos pelos novos... ela dava aquelas orientações todas diretíssimas. Maria Francisca e mais a Rute Magnanini. quem é que ficou ali um pouco mais de destaque.. então formou técnica e gerencialmente.. não sei. daí ser possível perceber uma nítida fronteira entre os poucos que se destacaram e a maioria que era “normal”. o que você tivesse de dúvidas você ia lá e perguntava.. apesar das lutas pelo poder e das preferências político partidárias que passaram a acontecer principalmente após 1945.. era um prazer trabalhar com Lisia... Edmon Nimer no clima. Waibel na agrária. referenciaram-se a estruturação de uma elite de profissionais que foi considerada quase como uma unidade. quer dizer.. mas de certa maneira a Rute Magnanini.” (Depoimento de Olga Buarque a RSA) A constatação de Olga possivelmente teve sua razão de ser.. eu fiquei na área de população.. não tiveram as mesmas chances dos anteriores. a não ser em poucos centros de excelência. mas a outra geração foi completamente massacrada. extremamente objetivas. ela não te amolava absolutamente. ter um papel de destaque maior na área de pesquisa.. e que também garantia o acesso de qualquer geógrafo aos trabalhos e metodologias utilizados pelos considerados líderes de suas especialidades. Só que quase não existiram “normais” na Velha Guarda. a nossa também foi um pouco. Este sentimento de separação entre a minoria dos considerados mais capazes e inclinados à liderança técnica e a maioria dos “normais”.. somados ao papel representado por especialistas como Dansereau na Biogeografia.. porque se você ver bem. considerado o universo em questão.. pois foi nos anos 50 que houve uma maior demanda do IBGE por geógrafos.. foram muito bem treinados e assumiram todos os cargos técnicos que foram sendo criados ao longo da estrutura.. somente pode ser percebido ao final da década de 50 em diante... O novo quadro funcional da Geografia do IBGE. quando o contingente de pesquisadores aumentou.. Esse processo era representado por uma instituição chamada Associação dos Geógrafos Brasileiros e era por ela que .. Os exemplos de Deffontaines formando um grupo mínimo de fundadores... não mais podia considerar esse novo contingente de profissionais como homogêneo. preparou o pessoal dessa geração que ingressou no final dos anos 50. Olindina Mesquita na agricultura.mas a Rute Magnanini talvez fosse um pouco entre as duas. gerando assim algumas dicotomias que se acentuaram ao longo dos anos. ela dizia eu quero isso.. Maria Francisca que foram ótimas técnicas.” “ Foi o Roberto Lobato em geografia urbana.. eram poucos. No entanto. que pelo maior número envolvido. que dizer. a geração anterior... Aluísio Capdeville e a Hilda da Silva que morreu em Chicago. era apenas eu quero isso. acompanhando em paralelo.

Roberto Lobato Corrêa exemplificou a sua trajetória como agebeano inicialmente vinculando-a à sua “aceitação” preliminar na AGB carioca por um importante membro de sua diretoria e por conseqüência sua entrada no Departamento de Geografia do IBGE como estagiário. Na maioria das vezes. e mesmo antes. escrever os relatórios e treinar as apresentações orais. eram quatro alunos só. 60 a geografia no Rio de Janeiro era muito limitada. a preparação de uma pesquisa de campo em alguma área do conhecimento geográfico físico ou humano.. o principiante tinha de participar na condição de ouvinte e ser treinado nas equipes dos trabalhos de campo das assembléias. o processo de aceitação de um profissional por seus pares nas reuniões da AGB durava algumas assembléias. o neófito teria de mostrar sua determinação e perseverança no trato dos assuntos técnicos exigidos ou a sua genialidade.” . Após a apresentação do pesquisador era dada a palavra aos sócios titulares que faziam a avaliação e discutiam entre si e com o apresentador todos os aspectos técnicos do trabalho.. portanto equipamentos e pessoal treinado para auxiliar o pesquisador que coordenaria a pesquisa (geralmente um líder inconteste em sua área.. podendo ser dos quadros do IBGE ou de alguma universidade considerada de primeiro nível) eram variáveis cruciais nessa logística. se fosse o caso. sob a supervisão dos chefes de equipes. com todas as etapas possíveis que uma pesquisa requeria. Esse tipo de treinamento garantia a todos uma oportunidade de aprendizado de pesquisa.os geógrafos das novas gerações do IBGE podiam testar seus conhecimentos teóricos e suas aptidões práticas através de variados modelos de aprendizado. que por sua vez eram supervisionados pelo coordenador geral da pesquisa. era dado oportunidade de serem avaliados por seus pares apresentando trabalhos previamente aprovados por uma comissão de programa e que eram discutidos num fórum semelhante às Tertúlias geográficas que ocorriam no âmbito do IBGE na década de 40. Uma reunião da AGB impunha aos organizadores uma logística muito sofisticada. equalizar seus conhecimentos com os mais capazes e aprender com eles. Para os mais avançados. pois envolvia. a turma seguinte. “ O mecanismo de ingresso foi o seguinte: em l958. desenhar os gráficos e mapas. a minha turma de 58 nós éramos sete alunos. eu entrei para AGB em 58. da sua orientadora Lia Osório. Após os trabalhos de pesquisa de campo as equipes reuniam-se em espaços previamente preparados para tabular os resultados. 59. além dos espaços tradicionais onde se realizavam as apresentações e os cursos especializados. Obviamente. até que pudesse ser aceito como produtor de trabalhos a serem apresentados nos fóruns de debate. eu consegui através do Antônio Teixeira Guerra me fazer conhecer. o número de geógrafos estagiários do IBGE era mínimo. que podiam assim.. mesmo a aqueles considerados “normais”.

em 1945.. está chamando você ir para lá. Aziz Ab’ Saber fez a parte da Geomorfologia.” (Depoimento de Speridião Faissol a RSA) . etc. senão me engano. O relator foi nada menos que o Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.. o que nós estamos fazendo? Estamos atrapalhando uns aos outros. um belo dia ligaram para minha casa.. de fato. Tá bem. ele levava todo mundo pelo Vale do Paraíba mostrando as coisas. levando alunos. ela anotava e dizia: olha quando tiver uma vaga a gente chama. não sei quando.” (Geosul 12-13. mas nem por isso deixamos de ter feito parte da Ata de Fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros. Na realidade acho que a AGB fez mais trabalho de campo do que a universidade naquele momento. “.. embora não tendo muitas ligações com a associação. eu quero ser estagiário porque estudo Geografia." Então resolveram fundar a AGB nacional com. o papel da AGB na democratização do conhecimento geográfico no IBGE sempre foi fundamental para que não se ampliasse uma estrutura de “castas” entre os profissionais mais jovens. a parte econômica.. havia muito trabalho de campo feito pela AGB. Corrêa a RSA) Portanto. p. acho que isso é importante. porque ela ia ter a partir daquele momento um papel importante. estou começando o segundo ano. Você chegava com a secretária da Divisão de Geografia e dizia: meu nome é fulano de tal.” (Depoimento de Roberto L... a gente fez trabalho no Vale do Paraíba. então não tinha muita relação um com outro.Na realidade eu sempre que faço excursão com os meus alunos. inimigos mortais. que fez um primor de exposição. motivo de recordações de muitos geógrafos. os jovens geógrafos também faziam parte da AGB e participavam. e Caio Prado Jr..Em 1962.. 10 sócios efetivos de São Paulo e 10 sócios efetivos do Rio de Janeiro.. Você sente que nesse período a idéia da AGB como pesquisa foi demais. no tempo em que Manuel Correia de Andrade era o presidente. eu era muito jovem. porque tinha a geografia de São Paulo e a geografia do Rio de Janeiro. 1992) e fez comentários sobre os modelos de atividade da agremiação no número especial de entrevistas da Geosul. e vamos pelo Vale do Paraíba.. O grupo do Rio e de São Paulo "Que loucura. Orlando Valverde escreveu sobre os primórdios da AGB carioca na publicação Terra Livre (Valverde.. havia muito trabalho de campo feito pela AGB mesmo. nós outros éramos chamados sócios cooperadores. Depois ela foi refluindo para um patamar mais ideológico e a universidade foi entrando para produzir mais.. havia possibilidade. fez trabalho por todo o lado. Lorena foi onde foi criada a AGB nacional. encarregado de estudar a parte agrária.... que foi talvez a mais proveitosa.240) Speridião Faissol.. eu ia a todas as e todas as conferências que a AGB no Rio de Janeiro organizava aqui no Rio e acabei sendo conhecido e quando solicitei para ser estagiário no IBGE.. 1991-1992. também reconheceu sua importância e comentou sobre os períodos iniciais da AGB.?(RSA) “ Apresentei trabalho coisa nenhuma. isso a gente tem que reconhecer com toda a relação afetuosa e afetiva que a gente tem com o IBGE tem que reconhecer que hoje o campo de pesquisa da Geografia é na universidade. quer dizer. A importância da AGB é. Lembro-me que o José Veríssimo tinha uma turmas enormes. eu fiz excursão ao baixo São Francisco.. hoje a universidade é muito mais importante que o IBGE em produzir geografia.E apresentou trabalho. a Assembléia de Penedo. olha tem uma vaga. com a presença do Bispo de Penedo. eu faço questão de passar em Lorena. “.

quem efetivamente foi agebeano militante ou apenas visitadores esporádicos das assembléias. e literalmente. Nilo. Orlando menos.. Hilgard Sternberg. acho que foi. mas não quer dizer que necessariamente.(RSA) “.” . almoçando.. depois fui duas vezes chefe da seção regional do Rio de Janeiro e ai comecei a freqüentar as Assembléias que eram naquele tempo de quinze dias. Berta Becker e Maria do Carmo nos anos 50 e 60 não eram agebeanos. até que quando eu soube a última vez tinha um sócio pagante.. o Congresso de Fortaleza. porque aí eu fui tesoureiro alguns anos. praticamente no IBGE..ela ficou solta e foi apropriada por determinados grupos de esquerda é verdade. “.. Araújo... comendo... e. eu ouvia a Lísia Bernardes falar dos anos 50. eu passei grande parte da minha vida cuidando.. bom. pelo menos a parte administrativa nunca houve um igual. Lígia. trabalhando... também explicou sua entrada e a intensa participação na associação entre os anos 50 e os 80.. A AGB do Rio era muito ligada ao IBGE.. 92 eu não podia. todas as outras eu fui e participei intensamente e também não apenas eu todos os nossos colegas participavam eu acho que as relações foram boas IBGE e AGB eram....(RSA) “ Uma em Chicago em 74. Lígia. mas Nilo. mas também participava. em 68 eu estava em Pato Branco em pesquisa de campo..Olha a geografia.. eu sustentei essa AGB do Rio de Janeiro desde 62 quando eu fui eleito Diretor da Regional até 78 quando.. Alfredo esses participavam..” -Uma você estava em Chicago.. de 62 a 96 eu só faltei a três AGBs.. Faissol nunca foi agebeano.... meu pai era cearense então eu disse. um pouco dessa história. quando acabou a influência dos geógrafos do IBGE na AGB.. na assembléia da AGB de Belo Horizonte eu sucedi o Davi Márcio e fiquei de 76 a 78.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA) Essas palavras de lamento tem sua razão de ser. Geiger. quando eu fui eleito Presidente Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e realizei. modéstia à parte.(RSA) “ .Mas foi Roberto Lobato Corrêa que avaliou bem..... Elza. de fato e de direito destruíram-na.. Bom a partir dos anos 60. e o Departamento de Geografia da UFRJ nunca quis assumir a AGB.. o Hilgard muito menos e a Geografia do Rio de Janeiro que era geografia ligada à AGB era do IBGE.... pensando.Ela ficou um período solta.. Prudente.. da briga entre Rio e São Paulo que era briga entre discípulos de Haroldo de Azevedo. por isso ela sobrevivia.” . assim como o geógrafo José César de Magalhães que ingressou no IBGE em 1953 como estagiário convidado por Jorge Zarur. jantando e dormindo AGB. No Rio. enquanto que a de São Paulo era muito ligada a USP. mas grupos que tiveram a intenção de destruir a AGB Rio de Janeiro. modéstia a parte. Baturité e aí em Belo Horizonte. vindas de um agebeano do final dos anos 50. por uma questão sentimental. Penteado por exemplo professores da USP e geógrafos do IBGE. isso foi mudando progressivamente a partir do começo dos anos 80 quando infelizmente no meu entender na nova estrutura do DEGEO a AGB foi progressivamente ficando sem lugar. quando eu fui a primeira vez a AGB em 62. a Maria do Carmo nunca foi agebeana. vou conhecer a terra do meu pai...em 54 me ofereceram uma proposta para a eu ser sócio cooperador da regional do Rio de Janeiro e ai começou a minha vida na AGB. ..Relacionamento da geografia do IBGE e da AGB.. além de mostrar sua lealdade à associação e lamentar sua destruição no Rio de Janeiro no final dos anos 80. IBGE era AGB Rio carioca... primeiro que era o maior corpo de geógrafos existente. a AGB do Rio acabou.. a geografia do Rio de Janeiro era fundamentalmente a geografia do IBGE.. O Congresso de Fortaleza que.. se não foi em termos científicos...

... o representante do IBGE. apesar de reconhecermos o papel desses mecanismos de troca de experiências como as antigas Tertúlias Geográficas e posteriormente as assembléias da AGB. e os atualizados lá.. mas a nossa organização era muito fechada era quem elegia era o representante das Universidades.... ai fui a de Mossoró em 60. eu como disse.. fiz uma série de cursos. os fatos indicam que foram os projetos de trabalho que combinavam trabalhos de campo com textos escritos.. Londrina. Na AGB eu tenho que dividir em duas partes: a minha participação na Seção Regional do Rio de Janeiro e a minha parte. Em 60 comecei a participar da reunião de Mossoró... as brigas políticas afastavam os sócios e a sede foi devolvida.assim acabou a geografia no IBGE em questão de localização e ai começou o processo de destruição. fui participante da Comissão do Boletim geográfico da AGB. as estruturas portuárias. “ (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Entretanto. nas quais eu sempre que podia apresentava um trabalho relacionado a energia. no sentido de diminuir essas relações.. no período da Assembléia de Maceió. vou ficar pagando para a que? Eu também não estou freqüentando. fui duas vezes Diretor Regional. foi aí que comecei a participar no plano nacional. fomos parar em baixo da escada lá naquela Seção de Estudos que ainda era no 7 andar. 67 Franca. as pessoas realmente pensam assim . a um dois anos eu vim saber que o último Diretor aqui do Rio estava dizendo que não era mais possível continuar porque inclusive só tinha um sócio pagante. e talvez um pouco burocráticas nos períodos intermediários dos anos 60 e ao chegarem a década de 70 começaram a refluir.. 69 foi Vitória que eu fui eleito Diretor do Anais e 70 já foi a revisão dos estatutos lá em São Paulo e depois passou de anual para a bienal e não tinha mais nome de Assembléia.. nós tínhamos nossa estante.. (que podiam ser apenas relatórios internos ou mesmo artigos e capítulos de livros.“.. nosso arquivo.” “ela teve uma sede própria ali na Presidente Vargas. 62 eu não fui porque minha mãe foi acidentada... fui secretário. mas eu mandei a minha tese do Porto de Paranaguá que foi elogiada pelo Caio Prado Júnior....eu fui até pintor de mesa da nossa salinha da AGB no DEGEO. depois se não me engano foi em Franca e muita participação no Conselho Diretor da Assembléia AGB nacional.. 2000) foi possível verificar a . ela foi para a UERJ. não. 1963 foi em Penedo. 66 Blumenau. com a AGB nacional.” (Depoimento de José César de Magalhães a RSA) Essas relações estreitas entre o IBGE e a AGB que foram altamente positivas nas fases iniciais dos dois órgãos. “. No processo de co-orientação da tese de mestrado de Vera Cortes Abrantes que trabalhou com o arquivo fotográfico de trabalhos de campo do IBGE (Abrantes. que eu fui tesoureiro. que em muitos casos eram apresentados na Tertúlias e nas reuniões da AGB) os verdadeiros ambientes de formação profissional para os geógrafos do IBGE desde suas fases iniciais. o Faissol acabou com ela. depois em 66 foi Franca.. 68 Montes Claros. só recebo um boletim e olhe lá... as vezes concomitante. Percebeu-se um movimento por parte do IBGE. que depois fizeram um puxadinho lá de madeira onde guardava-se os Boletins atrasados. o próprio José César reconheceu o processo.. 1964 foi em Poços de Caldas na era da revolução (entre aspas) e não se podia dizer muita coisa e nós fomos orientados para a falar pouco.. fomos parar rapidamente numa sala lá. orientei uma série de cursos convidando grande parte dos geógrafos do IBGE para dar as aulas... dei conferência em função da AGB no Fundão. passou a ser Encontros.. se não tem beneficio nenhum não pagam e não participam.. para a vender. mas durou pouco tempo. indústria. em 65 veio o Congresso do Rio do qual eu trabalhei como Secretário. na Universidade Fluminense.... que depois ele o pediu também... 67....

na formação profissional dos geógrafos do IBGE e de professores universitários. sendo que 76 nos anos 40. a Carta do Brasil ao milionésimo.importância dessas excursões. 34 entre 1950 e 1955. os líderes dessa Geografia subsidiadora das ações governamentais no que tange ao gerenciamento do território brasileiro. onde os pressupostos teóricos também eram ministrados por especialistas em suas respectivas áreas. além dos trabalhos de divulgação da Geografia. retratados nos documentos oficiais do IBGE e em alguns casos. as determinações de fronteiras estaduais. em documentação de outros órgãos federais e estaduais. e foram os formadores das gerações de profissionais da casa até o início da década de 80. que para compor um quadro como este. seus organizadores e alguns participantes (que também deram depoimentos orais). foram realizadas 170 excursões de campo na áreas de geografia.. Entre 1941 e 1968.. os estudos para subsidiar os diferentes modelos de regionalização. período coberto pelo arquivo de fotos de trabalho de campo do IBGE. o monitoramento do processo de ocupação humana do território. As informações contidas nos arquivos organizados por Vera Abrantes serviram também para entendermos a importância dos trabalhos de campo e confronta-los com a documentação formal gerada pelo IBGE através de suas publicações e relatórios (ver anexos trabalhos de campo). Evidentemente. Por esses arquivos foi possível perceber que a “ Velha Guarda” foi duramente treinada no conhecimento do território brasileiro e que o seu saber geográfico foi moldado por essas pesquisas. o acompanhamento da industrialização e da urbanização. os programas de colonização dirigida. foram pagos com a vida de grandes profissionais que morreram no cumprimento de . e em alguns casos. Os campeões desse monumental processo de reconhecimento do território brasileiro tornaram-se evidentemente. somando-se a um processo de treinamento geralmente realizado no exterior. que ocasionalmente. os projetos de dimensionamento das bacias hidrográficas. o entendimento dos grandes padrões espaciais da cobertura vegetal nativa. os estudos sobre o relevo do território. os estudos de acompanhamento da agricultura e pecuária. 23 entre 1956 e 1959 e 37 entre 1960 e 1968. também trabalhavam em regime de convênios com o órgão. Grandes projetos como a localização do novo Distrito Federal no interior do pais. Esses foram alguns dos resultados desses trabalhos de campo. houveram muitos preços a pagar. A maioria delas gerou artigos e livros escritos por seus participantes. como foi o projeto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros ou as coleções da Geografia do Brasil e os diversos Atlas que foram editados. principalmente na Revista Brasileira de Geografia e no Boletim Geográfico.

A SPVEA também republicou seus trabalhos em obra especial. Egler e outro companheiro ficaram a bordo. inaugurando uma escola com o seu nome. No barco não havia corda suficientemente longa para retira-lo do rio. além das do IBGE. morre de ataque cardíaco no vôo entre Benjamim Constant e Manaus. Leda Baeta Neves e Alcione Quiricco do RADAM e Marisa Baptista Machado (ex-estagiária do IBGE e na época professora da UERJ) faziam levantamento da Geomorfologia do litoral entre Rio e São Paulo. além da área de segurança de queda. na época diretor do Museu Goeldi de Belém. 20/03/1979 . A . 10/07/1957 – Roberto Galvão do IBGE.José Redondano Neto. no rio Jari. atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). mas Egler não teve a mesma sorte. A Câmara Legislativa de Tucuruí o homenageou. por critério cronológico é a seguinte: 06/08/1955 . morre em acidente aéreo com vários outros colegas de outras especialidades em levantamento no estado de Goiás.suas funções técnicas. no levantamento geomorfológico da calha do Tocantins para determinação da localização da futura Usina Hidrelétrica de Tucuruí. A embarcação em que estava bateu numa rocha submersa e Roberto foi atirado para fora do barco. a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). alguns dos quais foram sepultados nesses locais. no município de Tucuruí (PA). O acidente ocorreu antes da absorção do RADAM pelo IBGE em 1985. morre afogado no Rio Tocantins. existe uma reserva florestal do estado do Amazonas com o nome de Walter Egler no município de Rio Preto da Eva. fronteira entre Pará e Amapá. Em termos de homenagens. além de 2 pilotos da Líder Taxi Aéreo. morre ao cair da Cachoeira Macacudra. Seu companheiro conseguiu agarrar-se a uma árvore. A lista. caindo num trecho muito turbulento. geralmente em trabalhos de campo em regiões afastadas. 13/05/10980 – Grupo de geógrafas do Projeto RADAM e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro [UERJ]. Numa tentativa de salvar a embarcação com todo o material coletado. geomorfólogo do projeto RADAM baseado em Goiânia. O trabalho objetivava o levantamento florístico do vale do Jari para o Museu Goeldi.José Veríssimo da Costa Pereira do IBGE . Amélia Alba Nogueira Moreira (geomorfóloga do IBGE cedida ao RADAM). não havendo possibilidades técnicas do traslado dos corpos para o Rio de Janeiro. Seu corpo foi recuperado 4 dias depois e enterrado em Tucuruí. atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Estava trabalhando para a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). 28/08/1961 – Walter Alberto Egler ex-funcionário do IBGE.

mas ainda estavam produzindo quanto faleceram: 29/10/1975 .O casal Nilo e Lisia Bernardes (de acidente de automóvel. fretada pelo RADAM. No entanto. pois outros geógrafos faleceram também. quando ainda trabalhava no IBGE.Hilda da Silva do IBGE (de câncer. além de seu curriculum vitae e de uma apresentação do diretor executivo da Seção Regional do RJ.Speridião Faissol do IBGE e da UERJ ( de ataque cardíaco ao voltar do Encontro de Geógrafos da América Latina). Outros geógrafos não morreram em trabalho de campo. A segunda. muitas gerações de profissionais de Geografia deram sua contribuição para a construção desse órgão complexo e heterogêneo que .Ney Strauch do IBGE e Escola Naval (de câncer. e com isso. indo para sua segunda residência em Búzios (RJ). apesar das dificuldades e dos riscos envolvidos. 15/05/1990 . é que o avião teria caído no mar sem explodir. mas que não poderia ser comentado. ano XXVI de 1976 foi publicado em sua homenagem com quatro artigos de sua autoria.aeronave.Maria Therezinha de Segadas Soares da UFRJ (de ataque cardíaco). 13/05/1980 . e de certa forma estão sendo lembrados por estes aqui citados. José César de Magalhães Filho. A primeira aponta para um possível teste de algum míssil militar secreto que teria atingido o avião. embora aposentados. Esta. é apenas uma lista de referência. em função do nível de sigilo envolvido.Maria Regina Mousinho de Meis da UFRJ ( de ataque cardíaco em sua sala de trabalho). numa trágica coincidência. faleceu no mesmo dia do desaparecimento do Grupo do RADAM ). dos quais muitos foram trabalhar no IBGE. 22/03/1997 . trabalhou em alguns convênios com o IBGE e formou duas gerações de geógrafos urbanos. desapareceu no trecho entre a Restinga da Marambaia e Parati e nunca mais foi encontrada. Duas suposições ficaram no ar. 18/09/1995 . 09/10/1992 .Aluísio Capdeville Duarte do IBGE e da PUC (de câncer). 09/08/1991 . quando fazia seu doutoramento em Chicago ) O Boletim Carioca de Geografia da AGB do Rio de Janeiro. não deixando vestígios na superfície. trabalhou varias vezes em convênios técnicos com o IBGE. ambos davam consultorias ).

. criando novas estruturas de pesquisas. sua população e sua economia. cotejando-as com algumas conjunturas que as alteraram. novos trabalhos e novas lideranças. A próxima parte apresentará um panorama das áreas de trabalho da Geografia do IBGE ao longo desses anos. saltos tecnológicos ou simples modismos entrelaçaram-se nesse longo período. Novas metodologias.subsidia as ações de governo e supre a sociedade brasileira com informações sobre o território.

já que ainda era difícil perceber que aqueles métodos poderiam trazer grandes modificações no conhecimento geográfico fora do campo do planejamento governamental.As Práticas Profissionais da Geografia do IBGE e sua Representatividade Introdução Estamos considerando como praticas profissionais. Pedro Geiger. evidentemente. necessitando da experiência de um pesquisador eclético que conheça perfeitamente os grandes traços físicos e humanos de uma região para poder realizar o trabalho de recorte regional. quando confrontada com os especialistas dos campos sistemáticos. No contexto do IBGE. essa dicotomia não se fez sentir com intensidade. Para isso. A exceção ocorreu durante a década de 70 no contexto dos métodos quantitativos. Heldio Lenz. Alfredo Porto Domingues. por mais que se pregue o contrário. Daí o grande poder da área de regionalização. Um outro ponto importante a considerar. como no caso da regionalização. mas que não chegou sequer a modificar a tendência conhecida. um fator inibidor no diálogo profissional. já nos primeiros anos. mas que tinha por imposição de seu contrato do professor na Universidade do Brasil. mas ainda assim era possível perceber que os melhores “alunos” tendiam a se especializar em Geomorfologia. Lúcio de Castro Soares foram alguns desses e apenas Pedro Geiger migrou para os estudos econômicos e sociais nos anos 50. pois as experiências com a quantificação nos anos 70 exigiam equipamento caro e mão de obra especializada. tendem a dicotomizar essas duas áreas. dos que trabalham com Geografia humana é. principalmente nas primeiras décadas de atividade. as diferentes abordagens de trabalho nas áreas de pesquisa geográfica que os geógrafos do IBGE adotaram ao longo do período de sua existência. Os processos de aprendizado na universidade. é necessário que se entenda que a grande divisória que separa as práticas profissionais dos geógrafos físicos.Parte IV . inclusive com abordagens distintas quanto ao conhecimento matemático e estatístico. que sempre foram mais cobrados nos segmentos da Geografia física do que na humana. além de uma grande dose de boa vontade por parte dos professores e dos alunos. eram as atividades típicas de planejamento que o IBGE sempre teve ao seu encargo. A força dos estudos sistemáticos na área de Geografia somente toma força com Michel Rochefort nos anos 60 no campo da Geografia . Miguel Alves de Lima. Conjunto de estudos que normalmente envolvem as duas áreas. por sua missão institucional o IBGE seus profissionais de Geografia sempre tenderam mais ao ecletismo do que a especialização. que era geomorfólogo. talvez por conta da forte influência de Francis Ruellan. É possível argumentar que. lecionar e transmitir qualquer campo do saber geográfico para seus alunos e para os técnicos do IBGE.

urbana. O capítulo II reflete as diferentes percepções da alta direção do IBGE sobre essas práticas profissionais. . onde mesclam-se admirações e restrições pessoais com diferentes enfoques de caráter político e espistemológico decorrentes das variadas conjunturas por que passou o sistema de planejamento brasileiro no período. fundamentalmente. Os próximos capítulos tratarão de dar uma visão panorâmica dos principais temas da pesquisa geográfica trabalhos pelos profissionais do IBGE e analisar sua importância para a história do pensamento geográfico brasileiro. principalmente os vinculados ao estudo do habitat rural. Foram. sua relevância para a política federal de gerenciamento do território e para a ampliação do conhecimento geográfico no Brasil. seus principais responsáveis técnicos ou líderes de grupos de afinidades e os períodos de maior relevância e suas relações com as conjunturas técnicas ou políticas da casa. capítulo I descreve em linhas gerais cada um desses temas. as grandes arenas de pesquisas dos geógrafos especialistas do IBGE. Além disso. onde também se avaliará a representatividade do trabalho geográfico e dos geógrafos em particular. os processos de industrialização e urbanização no sudeste brasileiro nos anos 60. embora os ensinamentos de Leo Waibel nos anos 50 em Geografia agrária também já orientavam os geógrafos regionais nessa direção. perante outras instâncias da instituição. é nesta parte do trabalho. mas é preciso assinalar que os grandes estudos orientados por Waibel neste campo. ainda possuíam uma forte conotação regional.

de bairros urbanos. n.Ambientais Integrados. Analisando-se a cronologia bibliográfica sobre o assunto é possível perceber que os processos de regionalização sempre acompanharam a trajetória do órgão e determinaram inclusive as formas de apresentação tabular dos censos.Determina o estudo da divisão regional do Brasil e das suas unidades federadas e a elaboração de uma obra de divulgação sobre a região amazônica em geral e o rio Amazonas em especial.Capítulo I . nos informa os dados da cronologia dos atos . 1 – Geomorfologia. 1 . Além de garantirem uma maior precisão cartográfica nas cartas editadas pelo IBGE.Urbanização. Seu artigo publicado na RBG ano 3.Regionalização Ao se observar panoramicamente a atuação da Geografia do IBGE verifica-se que os estudos de regionalização sempre foram a razão de ser dessa área na casa. 4. 1939 07 25 . 6. acompanharam a evolução dos estudos geográficos no IBGE e definiram tendências em escala nacional para certos trabalhos.Ocupação do Território e Habitat. Os nove grandes temas analisados: 1. 6-Caracterizações Ambientais ( 6.Diagnósticos Sócio . 63 da AG/CNG . 6. O estabelecimento em 1938 pelo Conselho Nacional de Estatística de uma regionalização baseada na divisão em uso pelo Ministério da Agricultura e que serviu como base para o censo de 1940 foi o ponto de partida para os estudos de Fábio de Macedo Soares Guimarães objetivando definir uma nova regionalização para o Brasil. municípios. acompanhamento da evolução das malhas de setores censitários. 5. distritos.Do Conselho Nacional de Geografia ao Departamento de Geografia: uma análise de suas práticas profissionais Os temas escolhidos para analisar as práticas geográficas no IBGE são considerados como uma referência geral para a explicação das atividades do antigo Conselho Nacional de Geografia (CNG) e do atual Departamento de Geografia (DEGEO). não sendo de maneira nenhuma uma lista fechada.Resolução n. principalmente no que tange aos estudos de regionalização. auxiliando nos planejamentos dos censos. 2. campanhas estatísticas. Atividades essas que envolvem várias diretorias e que viabilizarão bases geo-referenciadas para inúmeras áreas e pesquisas da agência. principal área de trabalho da Geografia do órgão. Na parte final do capítulo foi introduzida uma avaliação das atividades de geoprocessamento. 3Industrialização. de 1941 tornou-se um clássico e sua definição para uma divisão única foi acatada pelo governo federal. 2 de abr. micro e meso regiões.3 – Biogeografia) e 7.2 – Climatologia. /jun. previsão de safras agrícolas.Modernização da agricultura.Regionalização. unidades federadas e grandes regiões. conforme administrativos e legais do IBGE.

124 da AG/CNG . foi também organizado um estudo abrangente em convênio com o .Resolução n. ainda que incipiente. Este. 72 da AG/CNG .Manifesta o aplauso do Conselho à nova Divisão Regional do Brasil fixada pelo Conselho Nacional de Geografia e dá providências a respeito. que para cada região. Sul e Centro-Oeste) mas suas unidades federadas ainda eram apenas subdivididas em municípios.Resolução n. estabeleceu uma subdivisão em sub-regiões e zonas. O plano tabular do censo de 1940. em definir regiões preferencialmente por critérios econômicos. 1967a e 1967b). Além dessas obras. Nos anos de 1967 e 1968 iniciou-se no âmbito da Divisão de Geografia os estudos para a definição da nova regionalização em espaços homogêneos e polarizados (IBGE. Nordeste. O artigo de Fábio de Macedo Soares analisou a necessidade de uma regionalização que tivesse uso estatístico e que apresentasse um alto grau de estabilidade ao longo dos anos para fins de comparabilidade espacial e por isso optou por uma divisão que desse preferência às características naturais das regiões delimitadas. 1941 07 24 . com alteração no nome de uma região (Este foi substituída por Leste) mas cada unidade federada foi também subdividida em zonas fisiográficas com os seus municípios correspondentes. e baixa provisoriamente e em segunda aproximação. para uso da Estatística Brasileira. 225 da AG/CNE .Fixa o quadro de divisão regional doBrasil.Resolução n. com na divisão do Conselho Técnico de Economia e Finanças adotado em 1939 por ocasião da Conferência nacional de Economia (Guimarães. que foram incorporadas aos planos tabulares dos censos seguintes. 143 da AG/CNG . promove a sua adoção pela Estatística Brasileira e dá outras providências. Esta resolução implicou em estudos de regionalização nas unidades regionais estabelecidas e o resultado desses trabalhos resultou na coleção Divisão Regional do Brasil. regionalizando conjuntos de municípios de características homogêneas. embora argumentando que já havia uma tendência. 1942 07 09 . Nos censos de 1950 e 1960 as regiões fisiográficas foram mantidas.Sugere uma nova divisão das unidades federadas em zonas fisiográficas. a divisão regional do Brasil. Novas determinações da assembléia geral do CNG durante o início dos anos 40 orientaram estudos para demarcação de zonas fisiográficas nas unidades da federação.Estabelece a divisão regional do país.para fins práticos. e dá providências para a generalização do seu uso.Resolução n.mediante agrupamento dos municípios brasileiros. 1941:363-364). primeiro censo organizado após a criação do Conselho Nacional de Geografia (CNG) já apresentava no volume Brasil uma divisão em regiões fisiográficas (Norte.1941 07 14 . 1945 07 13 .

Os Espaços Homogêneos O grupo de geógrafos que trabalhou com o esboço preliminar das regiões homogêneas foi coordenado por Pedro Pinchas Geiger. No caso das duas obras consideradas como iniciadoras do processo. Elza Keller. Atividades Terciárias e Centralidade) e praticamente envolveu todo o quadro técnico da Divisão de Geografia por dois anos. Regiões Agrícolas. Pedro Geiger e Nilo Bernardes e foram revistos por Elza Keller. Speridião Faissol. Eugênia Egler. Indústrias. e o de espaços polarizados escrito a quatro mãos por Roberto Lobato Corrêa e Fany Davidovich são peças reveladoras do pensamento geográfico regional da segunda metade dos anos 60 (IBGE.Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) para analisar a estrutura espacial brasileira. Ignez Barbosa. o dos espaços homogêneos escrito por Pedro Geiger. Edmon Nimer. Transportes. Lysia Bernardes (chefe anterior da Divisão de Geografia e que estava se transferindo para o IPEA. (IBGE. A regionalização em espaços homogêneos servia para duas grandes vertentes a primeira objetivando o planejamento governamental em áreas com as mesmas características. Orlando Valverde. a . Pedro Geiger. Fany Davidovich. População. Nilo Bernardes. servindo efetivamente de subsídios à institucionalização de uma nova sistematização de regionalizações levada a efeito pela Geografia do IBGE a partir do final dos anos 60. Fany Davidovich e Ruth Magnanini. Roberto Corrêa. Essas novas questões sobre regionalização estavam na pauta da Geografia do IBGE por conta das recomendações definidas na XXIII Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia através da resolução 595 de 17 de junho de 1966 visando subsidiar uma regionalização que substituiria as regiões fisiográficas. 1967b). 1967a. 1968b) coordenado por uma equipe que contava com Marília Veloso Galvão (que tinha assumido a chefia da Divisão de Geografia e que estava sendo elevada a categoria de Departamento). Pedro Geiger. os textos introdutórios. por conta desse projeto). Speridião Faissol. com textos redigidos por Lysia Bernardes. A definição e delimitação dos espaços homogêneos foi trabalhada por um conjunto de 13 geógrafos ( Lysia Bernardes. além de terem contado com a consultoria de Michel Rochefort nas fases iniciais do processo. Marília Galvão. O governo federal após o golpe militar de 1964 estava preocupado com a espacialização do desenvolvimento econômico e via com grande interesse pesquisas que pudessem organizar o território brasileiro ou dar subsídios para este processo. O Subsídios à Regionalização trabalhou com sete segmentos dos estudos geográficos passíveis de serem regionalizados (Quadro Natural. Olindina Mesquita). Aluísio Duarte.

O município de Caraguatatuba que pertencia a micro Costa Norte Paulista tornou-se micro de Caraguatatuba e assim por diante. a micro de Encosta Ocidental da Mantiqueira Paulista tornou-se micro de São João da Boa Vista (centro sub-regional). possivelmente sobre orientação direta de Speridião Faissol. BaixoMédio São Francisco). Médio Amazonas. Para o recenseamento econômico de 1975..segunda garantindo uma perfeita compreensão espacial do território nacional através da divulgação dos dados estatísticos pela inclusão dessa regionalização no plano tabular dos censos do IBGE. elaborou uma regionalização em Mesorregiões Homogêneas pelo processo de agregação de Microrregiões.. um engenheiro encarregado do processamento de dados. a micro de Médio Rio das Velhas tornou-se micro de Pirapora. que foi adotado pelos planos tabulares posteriores e pela nova regionalização em Meso e Microrregiões Geográficas de 1992. ainda é possível perceber que a denominação de muitas micros apresentavam características ambientais que as distinguiam. 1964) e testou sistematicamente em campo o método Rochefort de hierarquização de uma rede a . o Departamento de Geografia. No final dos anos 80 foi iniciado outro processo de regionalização de espaços homogêneos sob nova ótica. de certa forma. Chapada Diamantina Meridional). Trabalharam neste projeto 15 geógrafos. A antiga micro de São Paulo Estâncias Hidrominerais Paulistas tornou-se micro de Amparo (centro sub-regional). uma estatística. priorizando os centros urbanos e. fazendo parte do plano tabular do recenseamento de 1991. Alto Solimões. pois suas denominações são. Serra de Baturité. 1976c :5-16). Chapadões do Paracatu. podendo ser componentes do relevo (Microrregiões Encosta Ocidental Paulista. Os estudos dessa nova divisão iniciaram-se em 1987 sob a coordenação de Aluízio Capdeville Duarte e a gerência de Onorina Fátima Ferrari e adotada pelo Sistema Estatístico Nacional em 1990. Pantanais. Os Espaços Polarizados O trabalho precursor dos estudos sobre polarização foi orientado por Michel Rochefort e coordenado por Lysia Bernardes em 1964 O Rio de Janeiro e sua Região (Bernardes L. vales de rios ( Microrregiões Médio Rio da Velhas. depressão Periférica Setentrional. Nesse período. Baixo Jaguaribe.. Campos de Vacaria e Mata de Dourados). Mata de Cataguases. Alguns exemplos poderão ilustrar o problema. justapondo-se aos trabalhos de regionalização de espaços polarizados. semelhantes. vegetação ( Microgerriões Campos de Guarapuava. (Infelizmente esse material foi perdido no prédio da Rua Equador (Santo Cristo) em função de uma infestação de inseticida por uma dedetização mal sucedida em 1985). em muitos casos. Uma versão condensada em inglês foi publicada no livro de contribuições do IBGE à 23 Assembléia da UGI em Moscou (IBGE.

Írio Barbosa. No projeto trabalharam além de dos dois. 1967b). Os estudos sobre espaços polarizados tornaram-se prioritários durante meados da década de 70. o Divisão do Brasil em Regiões Funcionais Urbanas (IBGE. 1972). Elisa Mendes de Almeida. Dulce Alcides Pinto. mais sete geógrafos de várias especialidades como Amélia Alba Nogueira (geomorfóloga). (IBGE. Marta Regina Brito. 1968b). com estruturação de grupos de trabalho específicos. A influência de Michel Rochefort é claramente sentida nas primeiras fases neste segmento do trabalho geográfico (IBGE. Ruth Magnanini. Aluízio Capdeville Duarte. também coordenado por Pedro Pinchas Geiger. Cléa Sarmento Garbaio e mais três geógrafos. Uma versão em inglês desse trabalho foi incluída no livro de contribuições do IBGE a 23 Assembléia Geral da UGI em Moscou.1967b) e também no projeto do Subsídios à Regionalização (IBGE. ∗ a . que foi responsável pela compatibilização dos estudos e dos mapeamentos finais e pelo texto introdutório. Eugênia Egler. O segundo grande projeto neste campo. Ceçary Amazonas. A regionalização em espaços polarizados passou a suprir uma demanda do planejamento estatal na definição de pontos no território que seriam mais dinâmicos que outros. Coordenado por Pedro Geiger nas primeiras fases das formulações metodológicas. com textos redigidos por Fany Davidovich.1976c). onde o capítulo de Centralidade foi desenvolvido por Roberto Lobato Corrêa (Corrêa. 1976 . trabalhando com os espaços polarizados em escala nacional. a influência de Rochefort foi sendo gradativamente substituída pelos trabalhos da escola anglo-americana. Luís Antônio Ribeiro.1968). coordenados por Pedro Geiger. 1976)∗. Olga Maria Buarque. em escala nacional. Ney e Lourdes Strauch e Maria Thereza Bessa de Almeida. João Rua. Maria Tereza Bessa e Pedro Geiger (IBGE. José César Magalhães (energia) e Fany Rachel Davidovich (urbana). para elaborar o diagnóstico Esboço Preliminar de Divisão do Brasil em Espaços Polarizados. A mudança de enfoque é bem percebida. Maria Emília Castro Botelho. inclusive com proposições metodológicas mais novas (IBGE. Lenice Araújo. Rosa Fucci. Hilda da Silva. Carlos Alberto serra. Sônia Alves de Souza. Roberto Lobato Corrêa. A ênfase da época eram os estudos baseados na teoria das localidades centrais de Walter Christaller da década de 30 na Alemanha e retrabalhada por geógrafos ingleses e americanos. Elizabeth Gentile. Ignês Teixeira Guerra. mas concluído por Elza Keller. Hilda da Silva e Maria Rita Guimarães (Regional). Os dois geógrafos que mais estudaram essas metodologias foram Roberto Lobato Corrêa e Aluízio Capdeville Duarte coordenando uma equipe com uma socióloga. reuniu um grupo de 24 geógrafos. Edmon Nimer. quando da edição do segundo grande trabalho deste segmento. Jacob Binsztok. Maria Francisca Cardoso.urbana e delimitação de seu espaço de influência. Na década de 70.

que ao estabelecerem essas novas redes de estabelecimentos. concluído em 1983. e por Luiz Alberto dos Reis Gonçalves. analisavam algumas características físicas. altos estágios de urbanização comandada pelo setor terciário: com a expansão do comércio. 1987). mas já é possível ter acesso a ele na base de dados do IBGE. gerou a terceira fase da divisão de espaços polarizados brasileiros realizada pela Geografia do IBGE o Região de Influência das Cidades. O’Neill. Maria Mônica Vieira C.mas com algumas leituras de franceses como o economista Charles Boudeville e o geógrafo Etienne Juillard. coordenado por Roberto Lobato Corrêa e tendo como equipe técnica 14 geógrafos. acabou sendo muito utilizado como referência em função de seus mapas e suas tabelas de ordenação dos centros por muitas agências governamentais e organizações privadas. mas somente foi publicado em co-edição com o Ministério de Habitação e Urbanismo em 1987 (IBGE / MHU. para uma urbanização sustentada pela industrialização na década de 70 e alcançando na década de 90. na fase final entre 1997 / 1998 e contou com uma equipe de 8 geógrafos (Aurélia Lopes da Silva. Lourdes Strauch. Luiz Carlos de Carvalho Ferreira. A última fase dos estudos de espaços polarizados data da década de 90 foi trabalhada por uma equipe coordenada por Marília Carvalho Carneiro entre 1993 e 1997. Aluízio Capdeville Duarte. Rogério Botelho de Mattos. tornaram-se os carros chefe das atividades de distribuição varejista. após o estabelecimento do processo de regionalização. 1976b). pela proliferação dos centros de compras (shopping centers) e pelo avanço do processo de franquia de produtos (franchising). O trabalho está em fase de publicação. Ayrton Almada. onde as atividades financeiras assumiram a liderança do segmento. . Solange Cardoso Barros. Helena Zarur Lucarelli. As Análises Regionais Será igualmente importante abrir um espaço para a descrição dos trabalhos que. Nilo David Mello. Maria Rita La Rocque. João Baptista de Mello. Eliane Ribeiro da Silva. Maria Thereza Bessa de Almeida. Este esforço metodológico. Estácio Arruda. O trabalho. mais a assessoria computacional da Diretoria de Informática do IBGE através da analista Viviane Narducci Ferraz que organizou os dados. Lúcia de Oliveira. João Baptista ferreira de Mello. A evolução dessas quatro fases na determinação das principais redes urbanas do Brasil mostrou a transformação de um país ainda agrário na década de 60. Luís Alberto Nascimento. Onorina Ferrari e Sulamita Hammërli e um economista Ruben Magalhães. quando se aposentou. que pode ser avaliado no segundo artigo do grupo (IBGE. Cleber de Azevedo Fernandes. Agustinho Rocha. humanas e econômicas das regiões estabelecidas. gerando as tabelas de ordenação dos centros urbanos. e pela ampliação do setor de serviços.

Relevo e Litoral. O exemplo de Catharina. principalmente para o segmento educacional de segundo grau e universitário. Hidrografia.A primeira coleção de análises denominou-se Divisão Regional do Brasil e foi elaborada entre 1948 e 1950 ( Centro Oeste-1948. Guerra e Energia. o trabalho era feito por quem possuía melhor qualificação. Solos e Utilizações Agrícolas.Antônio Teixeira Guerra.Félixberto Camargo e Antônio Teixeira Guerra. Vegetação. Dias. que além de estar no comando da Divisão de Geografia do CNG.José César de Magalhães. O segundo projeto de análises regionais.Marília Velloso Galvão. O segundo volume da série.Arthur César Ferreira Reis. Nordeste e Sul-1949. A estrutura dos capítulos estava assim organizada: Introdução.Catharina V. Leste e Norte-1950). a participação de Orlando Valverde numa co-autoria com Antônio T.Antônio T. Suas análises caracterizavam igualmente os aspectos físicos.Edgar Kuhlmann. mostra bem o aproveitamento da mão de obra técnica daquela época no CNG. Dias. Agricultura. De certa forma essa coleção foi a primeira a ser realmente considerada como uma obra geográfica para o grande público. mas substituído por Speridião Faissol na Direção do CNG) e Fábio. pois sua estrutura editorial contemplava coordenadores de projeto (cada livro de uma região era um projeto fechado) e equipes de autores que recebiam crédito autoral por capítulo organizado. Dias e Carlos Goldemberg. Guerra é importante para estabelecer separações entre os problemas de ordem pessoal e o institucional. humanos e econômicos desses sub-espaços. Fitogeografia da região amazônica. Apesar das inimizades. Seu primeiro número de 1959.Catharina Vergolino Dias e Antônio Teixeira Guerra.Lúcio de Castro Soares. Clima. era também um especialista de Geomorfologia da Amazônia. Transportes. É interessante perceber que apesar de estar em pleno período da luta entre os grupos Zarur (já falecido em 1957. iniciou-se em 1959. Geologia. Indústria Extrativa.Antônio Teixeira Guerra e Orlando Valverde. trabalhou com a região Centro Oeste e foi organizada por Marília Vellozo Galvão e sua estrutura de capítulos estava distribuída da seguinte maneira: . Organização SocialCatharina V. publicado em 1960. uma paraense que conhecia muito bem sua região no que dizia respeito aos aspectos de ocupação econômica e ao ambiente cultural. População e PovoamentoCatharina Vergolino Dias e Manuel Maurício de Albuquerque. mas já sobre outras bases.Catharina V. Eram obras pequenas que enfatizavam uma subregionalização nas regiões estabelecidas pelo estudo de Fábio de Macedo Soares Guimarães e que não apresentavam nenhuma indicação de autoria pessoal. sobre a região Norte foi fortemente influenciado pelas informações geradas ainda pela Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e foi organizado por Antônio Teixeira Guerra. Estrutura Econômica e Regime de Propriedades.

Ney Julião Barroso. já sob a chefia de Lysia Bernardes na Divisão de Geografia. Vegetação.Introdução. Formas de Povoamento Rural. Povoamento.Aluízio Capdeville Duarte.Alceo Magnanini. já com Marília Veloso Galvão chefiando o novo Departamento de Geografia.Celeste Rodrigues Maio e Alfredo Porto Domingues.Elvia Roque Stefan.Haidine da Silva Barros.Marília Veloso Galvão e Edmon Nimer.Olindina Vianna Mesquita. Geomorfologia. Clima.Maria da Glória Hereda. José Henrique Millan e Maurício Coelho Vieira. A estruturação do Tomo I estava assim distribuída: .Speridião Faissol. A estruturação dos capítulos era: Relevo.Olga Maria Buarque de Lima.José César de Magalhães. tendo como organizadores Maria Rita da Silva Guimarães e Aluízio Capdeville Duarte. Pecuária.Elvia Roque Stefan. Ocupação Agrícola.Elvia Roque Stefan. Hidrografia-Carlos C. Hidrografia. Vegetação. População. Hidrografia.Lilia Camargo Veirano. Atividades Agropastoris. José César Magalhães e Maria da Glória Hereda. Indústria Extrativa Animal. Núcleos Urbanos.Jorge Xavier da Silva. População e PovoamentoManuel Maurício de Albuquerque.Elvia Roque Stefan.Fany Haus Martins.Ney Rodrigues Inocencio.Marieta Mandarino Barcellos.Elvia Roque Stefan. o Tomo I que enfocava a parte física foi organizado por Delnida Martins Cataldo e Aluízio Capdeville Duarte e o Tomo II sobre a parte humana e econômica coube a Aluízio Capdeville Duarte.Lindalvo Bezerra dos Snatos. Recursos Extrativos MineraisMarília Veloso Galvão e Aluízio Capdeville Duarte.Marília Galvão.Edgar Kuhlmann. Transporte. Maria da Glória Hereda e Alfredo Porto Domingues.Maria Magdalena Vieira Pinto e Transporte. Indústria Extrativa Mineral. População. O terceiro. Agricultura. Em 1968. Implantação Industrial. Pecuária. Povoamento. Estrutura Urbana. Litoral – Interior. Botelho. Agricultura. analisando separadamente o espaço correspondente ao Meio Norte e teve dois organizadores.Manuel Maurício de Albuquerque.Maurício Coelho Vieira. Extrativismo Vegetal.Lindalvo Bezerra dos Santos. Extrativismo Vegetal.Lilia Camargo Veirano.Ariadne Soares Souto Mayor. Brasília: a nova capital.José César de Magalhães e Grandes Eixos de Circulação. de 1962. a região Sul foi editada em dois volumes separados.Antônio Luís Dias de Almeida. Clima. Organização Urbana. Energia. Energia. Sua estruturação estava assim apresentada: Introdução.Ney Rodrigues Inocêncio. Vegetação.Maria Magdalena Vieira Pinto. estudou a região Nordeste. Clima.José Carneiro Felipe Filho.Pedro Pinchas Geiger.Dulce Maria Alcides Pinto. A região Leste foi editada em 1965.Amélia Alba Nogueira. Indústria Extrativa.Maria Magdalena Vieira Pinto.

Atividades IndustriaisIgnês Costa Barbosa. Orlando não escreveu tal sub-capítulo e Rivaldo Pinto Guimarães∗ o fez. Clima. trabalhou no subcapítulo Características Estruturais das Cidades utilizando uma análise fatorial para definir uma tipologia urbana da região. A coleção seguinte. População.Elza Coelho de Souza Keller. a escolha de Orlando Valverde conflitou diretamente com a orientação de que os capítulos de agrária teriam um sub-capítulo denominado Organização Agrária ou equivalente que trabalharia com uma análise fatorial.Nilo Bernardes. foi a grande obra de referência da fase dos métodos quantitativos.Dora Amarante Romariz. Elza Coelho de Souza Keller. mas que nesse caso.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro.Introdução. uma geógrafa que nunca se mostrou encantada com as novas técnicas. Lindalvo Bezerra dos Santos. A análise da agrária trabalharia com a estrutura das microrregiões e a urbana com os municípios. Lourdes Manhães M. um de sistema urbano da Região Norte redigido por Catharina Vergolino Dias .Ruth Lopes da Cruz Magnanini.Aluízio Capdeville Duarte e Armely T.Ariadne Soares Souto Mayor. Atividades Agrárias. Amarante Romariz e Solos. mas não ganhou o ∗ Vegetação. Alfredo Porto Domingues. No caso do capítulo Atividade Agrária da Região Sul. Geomorfologia. HidrografiaOlindina Viana Mesquita.Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. Lúcio de Castro Soares. considerada como um referencial bibliográfico importante nos cursos de Geografia durante as décadas de 60 e70. inclusive com a introdução de alguns que refletiram as mudanças que estavam ocorrendo na economia brasileira foi o principal legado dessa coleção. toda editada em 1977. Strauch e Maria da Glória Hereda. Maria Magdalena Vieira Pinto e Pedro Pinchas Geiger. CirculaçãoEloísa de Carvalho Teixeira e Redes Urbanas. Maricato. A melhor prova dessa luta pode ser vista em dois exemplos de capítulos da coleção. já comentada na Parte II. O Tomo II estava dividido em: Povoamento. A variedade de temas.Dora O nome verdadeiro é Rivaldo Pinto de Gusmão . onde as duas correntes quantitativistas e não quantitativistas empreenderam uma luta surda na estruturação dos sumários das regiões e que acabou numa solução de compromisso onde sempre dois capítulos (agrária e urbana) teriam uma análise fatorial e de grupamento visando explicar suas estruturas espaciais. O planejamento e coordenação da coleção ficou sob a responsabilidade da chefe do Departamento de Geografia (DEGEO) Marília Veloso Galvão que nomeou um grupo de geógrafos da Velha Guarda como coordenadores temáticos de toda a coleção.

Vegetação. C. que pode ter ocorrido em assuntos que tiveram muitos autores nos cinco volumes. Alonso. o estigma da quantitativa. de Castro Botelho.Ruth Lopes da Cruz Magnanini. o de Indústria de Fany Davidovich e o do Sistema Urbano de Olga Buarque de Lima e Roberto Lobato Corrêa. Região Sudeste Relevo.Maria Terezinha A.Catharina Vergolino Dias. Profissionais como a geomorfóloga Amélia Alba Nogueira.Myriam G.Maria Elisabeth C. 1977e. Clima. HidrografiaLúcio de Castro Soares. como seria normal.Amélia Alba Nogueira.José César Magalhães. Isso representou para esses assuntos.Carlos de Castro Botelho. uma visão integral do Brasil.C. HidrografiaElvia Roque Steffan. .Edmon Nimer. de Souza Keller.Edgar Kuhlmann.Edgar Kuhlmann. População.Amélia Alba Nogueira. professores e alunos do nível superior. Atividade Agrária.José César de Magalhães. Clima. Transportes. O crédito de autoria dessa parte foi colocado nas notas de referência (IBGE. Vegetação. Transportes. Hidrografia. Mesquita. População. 403).crédito de co-autoria no capítulo. p. Indústria. A importância dessa coleção se deveu em mesclar diferentes enfoques para explicar as profundas modificações por que estava passando o espaço brasileiro na década de 70. Região Nordeste Relevo-Amélia Alba Nogueira. principalmente pelos capítulos de População organizado por Elza Keller. sem os riscos de gerar certos caleidoscópios de pontos de vista. Sistema Urbano.Rosa Maria Fucci. pois Rosa era uma espécie de assistente sua). de Souza Keller. A estruturação de sumários e de autores foi assim apresentada: Região Norte Relevo. mas deu todo o apoio. de Sá Távora Maia. o climatólogo Edmon Nimer. IndústriaDulce Maria Alcides Pinto e Mitiko Yanaga Une. Vegetação.Lúcia de Oliveira. Energia.Myrian Guiomar G. Energia.Edmon Nimer. somado ao grande tamanho dos volumes afastaram a maior parte do público alvo. mas infelizmente. Transportes.Elza Coelho de Souza Keller. Energia. Mesquita.Elza C. População. Atividade Agrária. Alguns tornaram-se clássicos como o do Sudeste.Edmon Nimer. Sistema Urbano. o especialista em energia José César de Magalhães trabalharam sobre seus assuntos em praticamente todos os volumes (César só foi substituído por Rosa Fucci no volume do Nordedeste. Atividade Agrária. Clima.Elza C.Solange Tietzmann Silva.Maria Teresa Bessa de Almeida e Elvia Roque Steffan. C.Hilda da Silva e Maria Emília T.

e os não publicados Nordeste e Sudeste. Transportes. Sistema UrbanoAluízio Capdeville Duarte. População. Energia. O volume do Sul foi coordenado por Olindina Vianna Mesquita e o do Norte. as edições foram publicadas a medida que iam sendo terminadas. Indústria. Atividade Agrária.Edmon Nimer. a partir de um planejamento anual definido pelo DEGEO e tendo como organizadora da coleção Solange Tietzmann Silva.Armely Therezinha Maricato e Onorina Fátima Ferrari. Porém os volumes das demais regiões foram editados a tempo. Souto Mayor.Ney Rodrigues Inocêncio. Vegetação.Olga Maria Buarque de Lima e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. A última coleção da Geografia do Brasil ficou inacabada em virtude de problemas de editoração que atrasaram demasiadamente a publicação dos volumes do Nordeste e Sudeste. Elvia Roque Steffan e Ayrton Teixeira Almada. que tornaram-se anacrônicos em relação aos dados do censo demográfico de 1991. que faleceu em 1990. Clima.Amélia Alba Nogueira. Energia. Vegetação. Da mesma forma que a coleção da década de 60. Região Sul (1990) e Região Norte (1991). População. Região Centro Oeste Relevo.Maria Theresa Bessa de Almeida.Maria Rita da Silva Guimarães.José César Magalhães.Lindalvo Bezzerra dos Santos.Olindina Vianna Mesquita.Amélia Alba Nogueira e Gelson Rangel Lima. de Souza Keller e Ruth L.Ruth da Cruz Magnanini e Ariadne S. Atividade Agrária∗ Orlando Valverde (Rivaldo Pinto Guimarães ).Maria Therezinha Alves Alonso. Clima.José César de Magalhães. que foram incorporados ao IBGE nas primeiras fases do governo de José Sarney. Hidrografia. que iria também coordenar os demais volumes. O primeiro volume lançado foi o da Região Centro-Oeste coordenado por Aluízio Capdeville Duarte em 1989 e tendo como coordenador das análises do quadro natural Trento Natali Filho.Indústria. ∗ O nome correto é Rivaldo Pinto de Gusmão. Cada volume teria um coordenador geral e um encarregado das análises do quadro natural. Indústria.Lourdes Manhães de M.Edmon Nimer.Fany Rachel Davidovich. Transportes. Sistema Urbano.Elza C. um Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente (DERNA) enriquecido com técnicos vindos do RADAM BRASIL. Strauch. na chefia do departamento. sendo concluído por Olga Buarque de Lima.Ruth Simões Bezerra dos Santos. . na primeira fase por Sulamita Machado Hammerli. pois havia após 1985. Hidrografia.Ney Rodrigues Inocêncio. Região Sul Relevo. Sistema Urbano. da Cruz Magnanini.

Ambos foram concluídos entre 1992 e 1993. 1958). em virtude da grande evasão para a aposentadoria ocorrida nos anos 90. Helena Zarur Lucarelli e Roberto Schmidt de Almeida. podem ser exemplificadas pelo detalhado trabalho de Jorge Zarur.1952). que envolveram vários segmentos da Geografia e que ainda dão uma visão privilegiada das áreas estudadas. sobre a Bacia do Médio São Francisco. em convênio entre o IBGE e o National Planning Association. em conjunto com técnicos do Ministério da Agricultura e coordenado no âmbito do CNG por Lindalvo Bezerra dos Santos (IBGE. o de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. mas a falta de técnicos especializados para cuidar dos capítulos. e com isso tornaram-se defasados. os estudos da zona de influência da Cachoeira de Paulo Afonso. As análises regionais que enfocaram espaços uma escala de maior detalhe. 1952). mas não entraram em processo de editoração nesses anos. Foi tentada uma atualização dos dados em 1994. em virtude de problemas com a editoração do censo. 1954) e pelo estudo de Orlando Valverde na zona da mata de Minas Gerais (Valverde. acabou por inviabilizar o projeto. quando comparados aos dados do censo de 1991. através do Inter-American Regional Resourses Project de Washington. o de Carlos de Castro Botelho sobre a zona cacaueira do sul da Bahia (Botelho. nos anos do pós-guerra (Zarur. Foram trabalhos clássicos.O volume da Região Nordeste foi coordenado por Maristela de Azevedo Brito e o do Sudeste teve dois coordenadores. 1947). .

ser mais discutida do que efetivamente trabalhada. também tenha contribuído para esse abandono.as formas mais evoluídas da habitat urbano . 70 e 80 . tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1. marxistas. e que com isso.as grandes cidades.habitat urbano e 4. em virtude dos fortes componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos. características originais do habitat urbano. e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra. é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 . 1949) Para Max Sorre . que o forte enfoque econômico adotado por uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a década de 60. pois grandes alterações já eram pressentidas por ele. Max Sorre já havia percebido que a noção de gênero de vida. o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat.1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal . (Sorre.habitat rural. em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no pós guerra. quantitativos. asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses . que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil.Ocupação do Território e Habitat Considerado um tema prioritário para o IBGE durante a Segunda Guerra e nos anos 50. 2. viraram as costas para a Geografia Física. em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90. devemos ter em mente. por estarem agregados aos dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ). Por hora.as formas de transição. do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante. que ocorreu após 1956. Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos.a relação Sociedade / Meio.2 . tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ). por influência de Michel Rochefort. com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo. O problema é antigo e não somente brasileiro. Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão. É válido também considerar. 3. tecnocratas ou o nome que se queira dar. Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil. encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano. e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache ( 1845. os estudos sobre o habitat e o processo de ocupação rural foram gradativamente perdendo força durante a década de 60 e totalmente abandonados nas décadas seguintes.

originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes. instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e a organização social de um grupo. . escrito nos anos 50.IV e V). que se inspira na idéia de unidade terrestre. Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida. com vistas ao seu sustento cotidiano. A principal ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”. III. No entanto.fenômenos de economia destrutiva ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) . A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante. desde o século XVIII. Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana. Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida.elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos. ver Brunhes (1962. tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre. Buttimer (1980:61) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris. Traces of the Rhodian Shore. se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1.fenômenos de ocupação improdutiva do solo ( casas e caminhos ) 2. segundo sua localização. Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902. cap. considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken.1967).fenômenos de domínio sobre plantas e animais ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3. que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913: “A Geografia. Glacken. Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que. Albert Demangeon e Maximilien Sorre ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat). o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês. a aparência da terra adota”.

além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939. Dos três. que era corrente na época. Da Casa à Região ( ) e regiões.Para Buttimer (1980:86). 1949). ritmos de trabalho. Gradmann e Meitzen. Suas investigações substantivas sobre doenças. as do francês Francis Ruellan. indo além dos puramente morfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter.” Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional.1980). O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa. no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat. na segunda parte do livro denominada: É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro. Seus trabalhos sobre migrações modernas. densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos. Muito embora.. foram durante o início dos anos 40. 1942). difusão de doenças. para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon.. ser verificado na obra de Armand Fremont. aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ).. culturais. Seu sistema classificatório de aglomerado. reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema. espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre. inspirou as posteriores investigações de Demangeon. turismo. Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso. Sua preocupação com os aspectos funcionais. tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo. sem dúvida. que faz uma interessante costura desses elementos. Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos. a Geografia francesa deve a ele . tecnológicos que rege a convivência humana. fórmula que. e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional. No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE. pode Fremont. em paralelo à morfológica. aldeias. dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer . Sorre e Deffontaines. é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição. “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa. as figuras mais importantes que introduziram esse estudos.

os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas. somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros. Merece também destaque o trabalho de Nilo Bernardes (1957) por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos. Os Estudos Clássicos sobre Habitat Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa. Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo. Clarence Jones e Preston James também trabalharam com o tema colonização. além de um assunto muito especializado. 1994: 440). alguns geógrafos regionais. tanto no título quanto no conteúdo. trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro. discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. Os americanos. criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida. o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e . Preston James estudou. encarada aqui em seu sentido mais amplo. 1960). pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização.além dos americanos Robert Platt. a mais importante foi Leo Waibel. Clarence F. sua vinda em 1946. em períodos diferentes. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida ( Waibel 1949). e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers . explicitamente. A Geografia do IBGE produziu uma grande quantidade de trabalhos que poderiam ser classificados em cinco grandes grupos. por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949 respectivamente). pode ser entendida como uma ação de planejamento do governo federal visando o conhecimento de novas áreas para uma futura onda de colonização decorrente do pós guerra. que trabalha com certas características do habitat para determinação de setores censitários nos recenseamentos demográficos e agropecuário. um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra. Nesse grupo. 1955). incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. o problema de colonização. uso da terra e gênero de vida. é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que. Jones e Preston James ( Pereira. Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico. seus alunos em Winsconsin. em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde. Dessas figuras. Na década de 70. fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural daquela região (Guerra. trataram do tema. que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James. Lynn Smith.

Sem sombra de dúvida. Os artigos de Speridião Faissol iniciam com o seu primeiro trabalho publicado na RBG. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos. O artigo de Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel. Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida Esse conjunto congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. que será tratado no próximo conjunto. além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado. incluindo um. mais recente (1967).1950. aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos impulsionadores do povoamento. O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida. analisou o processo de colonização em Alagoas. escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização . artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951. 1949). 1967) sendo que um deles (1952). O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último.1955). geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas. mas mostra uma clara tendência para a relação entre a geografia agrária e os processos de povoamento e de estruturação econômica que as acompanham.1952).1963) e na década seguinte (Corrêa. 1970). 1952). Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional no início da década de 60 com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa. o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers de 1953.que Leo Waibel havia estudado em 1949. um guia de referência importante até hoje. 1949) sobre uma colônia alemã -Uvá.colonização européia no Sul do Brasil . o trabalho mais importante é o de Leo Waibel.sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil. Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes. que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel. tratando do mesmo assunto . 1952 ).o sudoeste paranaense. o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol. sendo pois. além do livro O Mato Grosso de Goiás. de cunho didático. que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol. (Faissol. O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados. transcrito no Boletim Geográfico . Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia É o mais eclético e amplo de todos. 1952.na Região do Mato Grosso de Goiás.

indubitavelmente.(James. Fora do campo geográfico. o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil.1957).1962) são alguns exemplos representativos desses clássicos do IBGE. 1958. Na medida do possível. um explicando o que é Antropogeografia (Valverde. também aparecem trabalhos que. Valverde e Dias. Como no trabalho de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler.1957). 1960). foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo. tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano. . 1989). Destaque-se também a grande produção individual de Orlando Valverde abrangendo praticamente todas as regiões do país. quanto como regional. além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde. para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde. esse foi o grupo que mais causou dúvidas. ou para os aspectos culturais advindos de grupos étnicos minoritários. uma atividade rural. 1961. com trabalhos que cobrem diferentes tipos de vida econômica (Valverde. o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes. os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado. 1955.além de outros em co-autoria (Valverde e Mesquita. o grande clássico sobre o assunto é o livro de Antônio Cândido (1964) . além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema. pesquisa realizada no município de Bofete (SP). como por exemplo: um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes. 1967). 1952) e o de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde. Os títulos de maior destaque foram dois artigos de Orlando Valverde. 1959). 1968. Além desses. Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Cultural No contexto da tipologia seguida. 1957. devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat. ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. que o trabalho se orientasse por um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida. 1967).

com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala. está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida. 1956). Geiger & Coelho. Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos. ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro. talvez não estivessem preocupados. A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais. a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares. a delimitação dos setores censitários. As questões sobre loteamentos. Além desses. . pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna. com esteve Sorre. passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ). já que na área urbana contínua. deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat . 1968). baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial. As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância. e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok. está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações. 1954). mudanças de atividades agrícolas. Geiger & Santos.Estudos de Periferia Rural/Urbana A principal razão da inclusão desse grupo de estudos. Nesse procedimento. o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia. mas mesmo assim. no pós-guerra. 1952 e 1956. Nesse grupo destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger. 1959). Isto é.1956. o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo. 1967). cristalização de hábitos rurais e resistências às mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos. ver Derruau (1964: 384-87).a área periférica das metrópoles.

Nas justificativas as autoras colocam que. “. a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais. que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país. . é sempre passível de alterações de censo para censo. (Fredrich. vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho. coloca em discussão o tema. dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração. A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários. de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei. Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão.. para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios. possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos . Brito.IBGE.. que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . densidade. se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais. na verdade.PEA )... de natureza urbana. No caso dos aglomerados isolados.. por que nas palavras das autoras : “.) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa .. publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE. O trabalho de Olga Maria Buarque de Lima Fredrich (geógrafa) . o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos . para que os planejadores dos próximos. dos assentamentos que são.. os limites do perímetro urbano legal. ou seja.” Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”. muitas vezes. A proposta deixada no artigo pelas autoras.. canteiros de grandes obras. cuja expansão ultrapassa. repartição da PEA segundo setores de atividade. etc. nos levantamentos censitários. dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios. 1983). a conceituação adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado. Sebastiana Brito (socióloga) e Sonia Rocha (economista). Uma primeira limitação. O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo. nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana.No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Rocha.

3 . Modalidade muito comum nos congressos de Geografia. Jundiaí. 1958). Recife e Salvador. resultados que pudessem ser sentidos claramente por suas economias. por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”. como no caso do trabalho de Milton Santos (na época professor da Universidade da Bahia) que publicou na RBG um importante trabalho sobre localização industrial na cidade de Salvador. Além disso.demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. José César de Magalhães. Ignez de Moraes Costa. Maria Lúcia Meireles de Almeida. Fany Davidovich.Industrialização A Geografia do IBGE enfocando o processo industrial em escala regional inicia sua atuação com o artigo de um grupo de pesquisas coordenado por Pedro Geiger em 1963. priorizando o Nordeste via adoção de incentivos fiscais para implantação de parques industriais nas suas duas maiores metrópoles. o que garantiu uma alta qualidade ao texto. evitando sempre que possível. compunham o grupo nove geógrafos. O estudo trabalhava com o processo de industrialização da região sudeste e é. Cabendo a Fany Davidovich a redação final do artigo. mas que foi inicialmente orientado por Michel Rochefort em 1961. Tais políticas gerenciadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) não deram ao longo daqueles anos. é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente. que no final dos anos 50 já possuía um parque bem diversificado (Santos. tornando-o um clássico na modalidade. É importante frisar que estamos tratando de estudos que operavam na escala regional ou nacional. as fotos dos arquivos do CNG dão uma incrível visão do processo de industrialização no início dos anos 60. (Davidovich. José Carneiro Felipe Filho. a segunda metrópole nordestina. Uma outra exceção pode ser atribuída ao artigo de Fany Davidovich sobre a industrialização de um centro periférico à metrópole de São Paulo no início dos anos 60. trabalhos monográficos que enfocavam um centro muito especializado. sem sombra de dúvidas. Ney Julião Barroso e Salomão Turnowski. Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat. pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural. o mais completo quadro da industrialização brasileira no início dos anos 60. Mas alguma exceções foram importantes. Para o planejamento. A década de 60 caracterizou-se por uma tentativa de ampliação das políticas de descentralização industrial que visavam diminuir as desigualdades entre as regiões brasileiras. Além de Pedro Geiger. Maria Elisabeth Corrêa de Sá. . Maria Luiza Gomes Vicente. 1966) .

1995) e na escala nacional. regional e nacional. 1980). 1980) e Ribeiro deu continuidade ao assunto trabalhando com a RM de Salvador para sua tese de mestrado em Geografia na UFRJ ( Ribeiro. Sudeste (Almeida e Ribeiro. 1979). o interesse pelos processos de localização industrial na escala de região metropolitana também levou outros geógrafos do IBGE a estudarem as relações entre localização e migração de indústrias e suas estruturas de fluxos de matérias prima e de produtos finais entre a região metropolitana alvo e as diversas escalas espaciais possíveis. 1991a) e estava ligado aos padrões de localização dos pequenos e médios estabelecimentos de algumas atividades industriais do segmento regional nordestino. (Baer. a socióloga Zélia de Morais e a economista Helena Castelo Branco (Geiger et alli. . 1982). Durante toda a década de 90 esses dois autores dedicaram-se aos estudos de localização e de tipologia industrial nas escalas regional e nacional. Roberto Schmidt de Almeida e Miguel Ângelo Campos Ribeiro iniciaram seus estudos pela região metropolitana de Recife (Almeida e Ribeiro. resultou num artigo no número especial do Caderno de Geociências dedicado à algumas análises do mapeamento do ANB. conforme estudado por Milton Santos em seu já clássico O Espaço Dividido (Santos.No contexto das relações interdisciplinares que o IBGE tentou implementar nos anos 70 a associação entre o geógrafo Pedro Geiger e o economista teuto-americano Werner Baer no DEGEO. 1995). 1991a. Geiger et alli. 1993. estadual. fazendo uma comparação em dois períodos de tempo (1970 e 1980). Nordeste ( Almeida e Ribeiro. O objetivo principal desses trabalhos era verificar o grau de concentração / diversificação do processo industrial brasileiro e comparalo interregionalmente. ao trabalharem no módulo Industrialização do Atlas Nacional do Brasil de 1992. Na mesma época. mostrando sua ineficácia e indicando claramente a persistência das desigualdades regionais apesar do grande volume de recursos despendido na década anterior. A continuidade do interesse de Pedro Geiger pelos processos industriais que estavam em curso em várias áreas do país. A principal preocupação era avaliar a dinâmica espacial dessas indústrias que costumam compor o grupo de empresas do “circuito inferior” da economia urbana. local. Mas esse tipo de análise mascarava muitos processos industriais que ocorrem em escalas mais locais e que tradicionalmente não são estudados por técnicos do governo federal. associação que acabou por gerar um dos melhores artigos de avaliação das políticas de incentivo fiscais para a indústria no Nordeste brasileiro. b). juntamente com mais três colaboradoras a geógrafa Ciléia da Silva. 1976). Foram trabalhadas as regiões Norte ( Almeida e Ribeiro. levou-o a estudar o processo de concentração geográfica dos estabelecimentos industriais. Um cenário alternativo a esses estudos foi tentado na Região Nordeste (Almeida e Ribeiro. mas analisando-as num contexto regional.

Açúcar Bruto e Rapadura. o mais completo trabalho interdisciplinar entre Geografia e Estatística foi levado a efeito por Evangelina Xavier G. Ainda no contexto dos estudos de estrutura industrial ocorridos na década de 90. possuindo um amplo domínio sobre elas. que poderiam estar tendendo a concentração. misturados com os estudos de polarização e. O objetivo fundamental desse trabalho era de contribuir com o Sistema Estatístico Nacional (SEN). Mas se adotar-mos uma classificação bem livre. 1975). de Oliveira e Luisa Maria La Croix. pois apresentam-se. será possível traçar a trajetória desses trabalhos desde os de Pierre Deffontaines sobre as cidades brasileiras (Deffontaines. gerando bases operacionais que agilizem a realização da coleta e diminuam os custos de produção dos dados. 1969) e os que analisaram os fatores que poderiam compor as aglomerações urbanas brasileiras (Davidovich e Lima. e cuja estrutura produtiva é similar ou complementar. por vezes não contíguos. Muito embora. Fabricação de Redes. gerando a proposta de uma espacialização.Foram analisados oito tipos de indústrias: Preparação de Fumo. as vezes. identificando-se conjuntos de municípios vizinhos. as contribuições de Nice Lecoq Müller (1968). pode gerar alguma controvérsia. 1982). com perfil de especialização específico. 1944) até os estudos sobre a constituição das Áreas Metropolitanas (IBGE. 1994). Farinha de Mandioca.” (Oliveira e La Croix. 1982). a primeira. Aguardente. Com a denominação de Áreas Industriais: uma proposta de inovação na produção de estatísticas. economista que sempre operou no ambiente das estatísticas industriais do IBGE. ( Lima Fredrich e Davidovich. Artigos Pirotécnicos. em nível nacional. uma análise como essa abre grandes possibilidades de se entender o que fica fora de foco em regiões de desenvolvimento incipiente. setorialmente. com os de industrialização. (Davidovich e Cardoso. Roberto Lobato Corrêa (1968 e 1989) no que tange . 4. de áreas industriais: “recortes territoriais onde é significativa a atividade industrial. Quando comparado aos convencionais trabalhos tipológicos que operam com os grandes gêneros industriais. foi o resultado dessa combinação de saberes. ou municípios isolados. Óleos Vegetais. dispersão e a estabilidade no território nordestino. geógrafa da geração quantitativa e que sempre trabalhou com essas técnicas. em outros casos.Urbanização O que se convencionou denominar de trabalhos ligados ao estudo da urbanização brasileira na área de Geografia do IBGE. após um exaustivo trabalho de filtragem nos censos industriais de 70 e 80 e verificada a evolução dos seus padrões espaciais de distribuição. Artefatos de Selaria. A segunda. Os resultados palpáveis de uma trabalho como este deverão vir a tona com os novos bancos de dados industriais que estão sendo gestados na Diretoria de Pesquisas em substituição aos antigos censos industriais que foram interrompidos na década de 90.

ao analisar as duas maiores cidades do Brasil enfocando a posição e o sítio. No contexto americano Chauncy Harris e Edward Ullman publicaram em 1945 The Nature of Cities que enfocava de maneira bem semelhante esse tipo de classificação – cidades como localidades centrais. o processo de ocupação do solo. O que importa aqui é dar ao leitor desta saga ibegeana um quadro de referência sobre as principais linhas de trabalho da Geografia Urbana no IBGE. 34-46.2 n. Santo André e São Bernardo do Campo. continua na seguinte com A Geografia Urbana e sua .aos estudos de redes urbanas e o de Maurício Abreu (1994) que tratou dos trabalhos que operaram na escala intra-urbana são. p.1 n. Deffontaines produziu em 1938. foi o engenheiro da Prefeitura do Distrito Federal Jeronymo Cavalcanti. o microclima.2 a v. Ainda sobre a questão do binômio sítio/posição. numa conferência pronunciada em 1959. posteriormente traduzido por Orlando Valverde para o Boletim Geográfico (Deffontaines.. devidamente anotada por Lysia Bernardes e publicada no Beletim Geográfico 184 (Deffontaines. aglomerações de origem militar. com os seus principais produtores. Quando se pesquisa a estrutura de sumários da RBG verifica-se que o primeiro brasileiro a estruturar um conjunto de quatro artigos sobre Geografia Urbana nos primeiros volumes da revista. cidades como ponto de transbordo. as vias de comunicações e o abastecimento. No caso de São Paulo. apresenta uma classificação de cidades brasileiras de acordo com suas funções (as reduções missionárias.2. publicado na RBG n.4 out. numa composição semelhante a do também engenheiro Moacir F. Jeronymo Cavalcanti inicia sua série com o artigo A Geografia e a sua influência sobre o Urbanismo na RBG v. as cidades nas estradas: pousos. sem sombra de dúvidas. em virtude de sua estrutura industrial que já se organizava nos municípios periféricos São Caetano. cidades como pontos de concentração de serviços especializados. as melhores avaliações sobre o tema Geografia Urbana brasileira feitos até o final do século XX.4). ruínas de cidades pelas via férreas. Ainda no campo do estudo de funções urbanas. 1965). 1940. O geógrafo francês Pierre Deffontaines foi o iniciador desses estudos em seu artigo A Geografia Humana do Brasil (1939) no capítulo III. um artigo para o Bulletin de la Societé de Géographie de Lille .3 n. Deffontaines voltou a tratar do assunto especificamente sobre o Rio de Janeiro. as cidades da navegação.1 v. as cidades mineiras. Silva que havia enfocado a Geografia dos Transportes na escala de Brasil em 11 números consecutivos (RBG v. A segunda parte tratou da estrutura interna das cidades dentro dos conceitos da escola de sociologia urbana de Chicago (Harris e Ullman. 1944)./dez. Deffontaines também analisa o critério função. com o título de Como se Constituiu no Brasil a Rede de Cidades que. 1971). cidades estações ferroviárias e as bocas de sertão).

/mar. Orlando Valverde também deu sua contribuição aos estudos monográficos./set. 1944. saneamento (abastecimento e esgotamento sanitário) e estrutura geológica e vegetação (suas relações com a engenharia civil e o paisagismo). utilizando uma vasta bibliografia americana e francesa e estabelecendo comparações entre continentes./set.3 n. Tráfego (analisado sob o aspecto dos meios de transporte e da malha viária). através de sua segunda contribuição acadêmica na revista com os ensaios sobre Pirapora e Lapa (RBG v. 1945)./dez. e o de Moacir F.7 n. 1940 e RBG v.3 jul.1 jan. 1944). na RBG v.9 n./mar. assistente técnico do CNG nas RBG v.3 n.2 n. 1946 o primeiro artigo enfocando a questão da tipologia urbana como um resultado compósito de vários fatores como tamanho populacional e função.4 n./dez. Esta série deve ser seriamente considerada como elemento de estudos nos cursos de história da Geografia Urbana ou do Urbanismo atuais. Silva apresentou na RBG v.8 n./set. A construção de Goiânia. 1941 apresenta A Geografia Urbana e sua influência no tráfego e finaliza a série na RBG v. e o de Águas de São Pedro produzido por Sílvio Fróis de Abreu./mar.1 jan. consultor técnico do CNG na RBG v.3 n. 1944) sobre comércio ambulante e as ocupações de rua no Rio de Janeiro apresenta-se como pioneiro neste campo. 1947. 1941). Todos os artigos são ricamente documentados com fotos. para um melhor entendimento do que era considerado pelos planejadores urbanos no final da década de 30 e início dos anos 40. O mesmo Moacir F. Durante o decorrer da década de 40 o estudo da Geografia Urbana esteve mais ligado aos trabalhos monográficos sobre certos centros urbanos que mereciam destaque por alguma característica específica os exemplos de Caxambú e Lambari trabalhados pelo engenheiro Virgílio Correa Filho.6 n./mar.4 out.1 jan.6 n. onde o CNG teve uma importante participação.influência sobre o saneamento das cidades (RBG v.1 jan. plantas urbanas e arquiteturais e desenhos. analisando o desenvolvimento dessas estâncias hidrominerais. baseados na classificação de tamanho funcional gerada pela técnica de análise fatorial.1 jan.6 n. foi estudada por Aroldo de Azevedo. inclusive organizando parte da solenidade do batismo cultural da cidade. os demais são artigos que enfocam a distribuição espacial dos equipamentos básicos no contexto intraurbano. 1942 com A Geografia Urbana e sua influência sobre o Urbanismo superficial e subterrâneo. professor da USP e editada na RBG v.4 out.4 out. Silva sobre as redes de distribuição de energia para a iluminação pública no Rio de Janeiro deu uma continuidade aos trabalhos anteriores de Jeronymo Cavalcanti (RBG v. O primeiro tratou sobre as questões ligadas à posição e ao sítio e sobre as condições morfológicas que beneficiam ou restringem a expansão urbana.3 jul. . Na escala intra-urbana o trabalho de Everardo Backheuser (RBG v.3 jul./mar. É claramente um precursor dos trabalhos desenvolvidos por Speridião Faissol na década de 70. 1941./dez.

1956). 1946 e 1947). Com um sumário que abrangia tanto o processo. Na década de 50 iniciam-se as contribuições de Pedro Geiger enfocando ainda um contexto peri-urbano na Baixada Fluminense com o trabalho sobre loteamentos (Geiger. a maioria com treinamento especializado em universidades no exterior (França e Estados Unidos). já insere algumas questões relacionadas ao espaço peri-urbano. listou 10 trabalhos de Geiger realizados entre 1952 e 1963 e Roberto Corrêa (1968) ao avaliar os estudos sobre redes urbanas no brasil até 1965 no mesmo Simpósio. o mais completo trabalho sobre o processo de urbanização brasileiro feito nos anos 60. treinados Francis Ruellan desde 1940 e por Leo Waibel entre 1945 e 1950. Definindo as metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes. 1956) ao tratar de estudos rurais. e em co-autoria com Myriam Gomes Coelho (Geiger e Coelho.Na segunda metade da década de 40. analisa com a co-autoria de Ruth Lyra Simões (RBG v. no entanto será importante citar os artigos de Christóvão Leite de Castro sobre o processo (Castro. O XVIII Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro chamou a atenção da comunidade internacional da Geografia para uma agência de planejamento estatístico e territorial que possuía uma equipe de profissionais de alto nível. além e de receberem freqüentemente visitas técnicas de pesquisadores especializados (Emmanuel de Martonne. detectou cinco que tratavam especificamente do tema também escritos por ele entre 1957 e 1964. pois geraram muita polêmica no contexto das relações do IBGE com a Presidência da República. Brasília. 1954) o processo evolutivo dessa área. naquele período. os estudos visando a transferência da capital do Brasil para algum ponto do interior brasileiro geraram artigos que estavam mais vinculados aos aspectos regionais do que propriamente o novo sítio. Para se ter uma avaliação aproximada de seu poder de produção geográfica. quanto a tipologia. . além de correlacionar explicitamente as relações entre industrialização e urbanização. O período compreendido entre 1956 e 1968 marca uma fase de intensos trabalhos na área de Geografia Urbana. mas que também cobria todo o espectro das grandes aglomerações urbanas brasileiras em termos de exemplos. formados por Pierre Deffontaines nas fases iniciais. Em 1963. Clarence Field Jones.3 jul. realizado em Buenos Aires em 1966. 1952). Pierre Dansereau. além de um capítulo sobre a mais nova experiência urbana brasileira da época. que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 50 e início dos 60. Geiger edita pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais o clássico Evolução da Rede Urbana Brasileira. Seus trabalhos de total ligação com a Geografia urbana e industrial podem ser percebidos nas análises do processo de urbanização da Baixada Fluminense em seus setores da orla oriental da Baía de Guanabara (Geiger. Jean Tricart e outros). 1956 ) e na região setentrional (Geiger. Nice Lecocq Müller (1968) ao avaliar o estado da arte ds estudos de Geografia Urbana no Brasil durante o Simpósio de Geografia Urbana do IPGH./set.16 n. Preston James.

MG (Cardoso. com um trabalho sobre a cidade de Cataguases .31 n. 1967)./mar. No campo dos estudos das relações campo-cidade alguns geógrafos também foram importantes. retornou à pesquisa geográfica. 1979). “ Olha eu devo meu crescimento para profissional no IBGE a duas pessoas fundamentalmente. isso foi no período de 59 a 62.4 out. deste conjunto destacam-se três. 1970) e no final da década em Minas Gerais. Em seu depoimento para esta pesquisa. 2 abr.3 jul. dois trabalhos de campo no sertão e agreste de Alagoas e Sergipe e uma parte da Bahia em 62 e em 64 na região de Amargosa no agreste Bahiano. trabalhando com a técnica de mercados mínimos para medir desequilíbrios intra-regionais (RBG v.32 n. a mais importante pesquisa feita nesse período. A produção de Maria Francisca na Revista Brasileira de Geografia enfocando os estudos urbanos inicia-se na década de 50. Roberto explicita quem foram seus principais orientadores e referências metodológicas.17 n. Maria Francisca Cardoso trabalhou também na área de divulgação de assuntos geográficos e orientou a estrutura de cursos de aperfeiçoamento durante o início dos anos 80.1 jan. Sua colaboração com Lysia Bernardes e Pedro Geiger na década de 60. no contexto de pesquisas que adotaram o método de Michel Rochefort de avaliação de redes urbanas. primeiro Nilo Bernardes e depois a Lysia Bernardes. Com Nilo Bernardes eu comecei a trabalhar em Agrária e cheguei a fazer trabalhos de campo.4 out. deixou um legado de formação de técnicos e de adoção de metodologias nos estudos urbanos e industriais que ainda não foi totalmente substituído. juntamente com Pedro Geiger. .Um dos geógrafos que passou a trabalhar com a equipe do CNG nos estudos de urbanização foi Michel Rochefort. sobretudo a ela.25 n. usando os ensinamentos de Michel Rochefort ( 1957 ) no trato de questões sobre sistemas de cidades. trabalhando em análise regional e aposentou-se em 1991. 1963) e Carauaru (RBG v. através da avaliação do setor terciário das cidades envolvidas.. e em particular com os estudos das relações entre cidades e suas regiões de influência./set. inicia-se na década de 60./jun. Na década de 70 trabalha com planejamento de polos de desenvolvimento no Nordeste (RBG v../dez 1955). retorna as pesquisas urbanas na década de 60 com dois trabalhos sobre área de influência de cidades médias nordestinas Campina Grande (RBG v.41 n./mar.29 n. principalmente no que se referia aos processos de determinação da hierarquia urbana de um espaço regional ou nacional. dois que trabalharam sistematicamente no assunto: Maria Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso e Roberto Lobato de Azevedo Corrêa e a terceira. A vinculação de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa com a Geografia Urbana.1 jan. após um período trabalhando com Geomorfologia. O trabalho sobre a rede urbana do Rio de Janeiro (Bernardes L. o primeiro projeto de delimitação das regiões funcionais urbanas de 1972. Elza Coelho de Souza Keller que em 1969 publicou um artigo sobre as funções regionais e a zona de influência da cidade de Campinas (RBG v. sem dúvida. aí comecei a trabalhar com Geografia Agrária.27 n. 1969) e que também coordenou../dez.4 out.1964) é. 1965) e um específico de intra-urbana sobre a feira de Caruaru (RBG v. RBG v./dez.

ao elencar algumas linhas de pesquisas que.2 abr. outro.De certa forma. A Milton Santos. organizada por Milton Santos em 1982. na fase de “Planejamento Urbano”. deveriam ser objeto de estudos no futuro (Corrêa. a “Quantitativa” de inspiração anglo-americana dos anos 70 e a “Marxista” dos anos 80. “A Monbeig e Rochefort que lançaram a semente. A principal característica da trajetória profissional de Roberto Lobato Corrêa na Geografia Urbana brasileira foi sua total inserção nas quatro correntes metodológicas por que passou a Geografia Urbana no IBGE. Região. a “Tradicional” de inspiração francesa. o capítulo Sistema Urbano do volume Região Sudeste de 1977 em co-autoria com Olga Maria Buarque de Lima e sua tese de mestrado em Chicago. Tempo e Cultura).. Ainda que eu fosse a campo em 1964 com Nilo Bernardes. mas ele mesmo foi o seu mais completo avaliador. Outra constatação sobre essas influências. Espaço e Empresa e Espaço. 1989:113).51 n. ao ter elaborado dois trabalhos de análise do “estado da arte” sobre o tema de redes urbanas.29 n. paralelamente. 1988) e.” (Depoimento de Roberto Lobato Corrêa a RSA). entre 1956 e 1964. orientada por Brian Berry Variations in Central Place System: ana analysis of the effects of population densities and income levels em 1974 na fase “Quantitativa” e Repensando a Teoria das Localidades Centrais na coletânea Novos Rumos da Geografia Brasileira./mar. um no final dos anos 60 (Corrêa. 1989). 1997). Fany Rachel Davidovich e Pedro Pinchas Geiger. no final dos anos 60. 1967) em coautoria com Rubens de Mattos Ferreira do EPEA. para definir a região de influência do Rio de Janeiro e depois as primeiras áreas de influência do Nordeste para o Banco do Nordeste do Brasil..3 jul. Estudos Básicos para a Definição de Pólos de Desenvolvimento no Brasil (RBG n. e também propositivo. 1970) na fase “Tradicional”.. 1968) e outro no final dos anos 80 (Corrêa. coroando sua vida profissional. meu foco de interesse já havia mudado desde 196l. Espaço Urbano. foi a partir daí que começou meu interesse pela Geografia Urbana e isso eu devo a Lysia Bernardes sem a menor dúvida.. uma coletânea de seus principais trabalhos em segmentos de pesquisa da Geografia (Redes. quando eu fui trabalhar com Lysia Bernardes e embora trabalhando ainda em Geografia Agrária do Nordeste./jun. também de inspiração francesa sob a orientação de Michel Rochefort. com a publicação do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa. o que a Lysia fazia sob orientação do Michel Rochefort. dos anos 60. fizeram-na germinar” Sua produção pode ser avaliada de várias formas. de enfoque analítico sobre as diferentes abordagens dos estudiosos ao tema.1 jan. a seu ver. na fase “Marxista”. foi também mostrada na epígrafe do seu segundo artigo de avaliação da produção geográfica sobre redes urbanas (RBG v. Lysia Bernardes. Pedro Geiger e Elza Keller que. a de “Planejamento Urbano”. esse foi o período de meu interesse pela Geografia Agrária. eu já acompanhava de perto e namorando./set.32 n. . Seus principais trabalhos em cada dessas fases foram Cidade e Região no Sudoeste Paranaense (RBG v.

que havia colaborado neste assunto no relatório do projeto Diagnóstico da Amazônia Legal para a Secretaria de Assuntos Estratégicos em 1995 e elaborou sua tese de doutoramento. abrindo com isso canais de comunicação mais efetivos entre as áreas de planejamento urbano situadas em agências como o SERFHAU ou o Ministério de Urbanismo e o IBGE. v.39 n. analisando o papel complementar das pequenas cidades na composição das redes urbanas e exemplifica certas áreas no Brasil. transita pelos estudos de Geografia industrial em 1966.49 n.43 n. com um artigo em co-autoria com Pedro Geiger Aspectos do Fato Urbano no Brasil. v.37 n. 1961).2 abr./mar 1981. trabalhando a justaposição de três tipos de redes: a rede do centros de produção. que a fizeram conhecida no ambiente de planejamento urbano federal (RBG v. Fany ingressou no IBGE em 1943 e afastou-se em 1945 ao casar-se. apoiados em técnicas quantitativas as mais diversas.Num de seus últimos trabalhos publicado na Território .45 n. tanto para trabalhos no âmbito do IBGE. trabalha com redes urbanas no Nordeste em dois momentos distintos (RBG v. 1987).2 abr.40 n. e o segundo foi Fany Rachel Davidovich.29 n. Roberto retoma a questão da rede urbana sob o novo contexto da globalização.1 jan. 1982). juntamente com Olga Buarque de Lima e Maria Francisca Cardoso elaboram o projeto de aglomerações urbanas (RBG v. 1998). A área de análises sobre o processo de urbanização foi a arena de dois profissionais que produziram dois tipos de trabalhos bem distintos.1978). sobre a rede urbana da Amazônia./dez.33 n./jun./mar./jun.40 n./mar. O primeiro foi Speridião Faissol e sua equipe.31 n.2 abr./jun. elabora paralelamente.3 jul./dez. 1976. Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira no IBGE em 1959 e aposentou-se em 1993. 1974. participa do grupo de trabalho sobre a definição de pólos de desenvolvimento (RBG v./mar. v. 1978.1 jan./set. v. mas que geraram uma boa complementaridade aos olhos dos outros técnicos da área de planejamento federal. orientado por Roberto Lobato Corrêa. v./mar. que tendiam a explicar em termos mais políticos do que técnicos os processos de urbanização.38 n. v. que geraram uma grande série de análises sobre a estrutura urbana brasileira.4 out. alguns trabalhos teóricos e de orientação de políticas sobre o processo de urbanização. 1969).23 n. . 1975.49 n. 1983./jun. atualmente leciona na UFRJ. 1986.1 jan. quanto para pesquisas de futuras teses universitárias(Corrêa. 1987.1967).4 out. 1977.1jan. 1999). v. estuda os fluxos de bens e pessoas no processo de regionalização urbana (RBG v.2 abr. 2 abr. 1971 e v./set. Os estudos de redes no IBGE foi continuado nos anos 90 pela equipe do projeto Regiões de Influência das Cidades e individualmente por Miguel Ângelo Campos Ribeiro.1 jan. (RBG v. A produção técnica de Fany na RBG inicia-se em 1961.36 n. a rede de centros de distribuição e a rede de centros de gestão (Ribeiro.3 jul./set./jun. v. Miguel Ângelo Ribeiro aposentou-se em 1999 e atualmente leciona na UERJ.48 n.1 jan. Uma linha de pesquisa altamente promissora./mar.44 n. que contribuiu enormemente com seus trabalhos e relatórios. 3 jul. v.

. foram os profissionais do IBGE que mais se dedicaram ao estudo dos novos métodos. Olsson. muito citado nos trabalhos do período (Faissol. Geiger. principalmente no contexto dos estudos dos sistemas urbanos da coleção Geografia do Brasil de 1977. Roberto Lobato e Hilda da Silva foram para os USA . desenvolvimento econômico. Como exemplos de coletâneas também organizadas por ele estão Urbanização e Regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (Faissol. geógrafo norte-americano com especialização em Geografia dos Mercados de Varejo (Berry. Tendências Atuais na Geografia Urbano /Regional: teorização e quantificação (Faissol. Oliveira. G. Faissol mostrou uma impressionante capacidade de. . 1978). passando pelas técnicas de análise fatorial. Os trabalhos da fase “ urbana” de Speridão Faissol e sua equipe.( Hilda veio a falecer em Chicago no período do doutoramento em 1975). Olga Maria B. ao correlacionar tamanho populacional com características funcionais. Roberto Lobato Corrêa. M. Lasuen.retornou em 1960 e aposentou-se pela compulsória em 1992. B. . seguiram para Inglaterra. Marilourdes L. análise de agrupamento. A produção geográfica de Speridião Faissol sobre a urbanização brasileira foi muito extensa. mas continua a produzir como consultora em diversas agências de governo. 1985.. Hilda da Silva. que organizou a estrutura dos capítulos que vão da teorização. Brown. gerando o fator tamanho funcional. além de escrever. J. 1972). geógrafo inglês especializado em métodos quantitativos. teoria. análise regional. entre 1970 e 1978. L. Dacey. embora alguns outros tenham também utilizado essas técnicas. A RBG 47 (1/2) jan. O envolvimento de alguns geógrafos do IBGE com a Geografia Quantitativa sob a liderança de Faissol. coletânea de artigos de 15 geógrafos e economistas brasileiros sob orientação de Faissol./jun. também organizar congressos e simpósios para divulgar os métodos quantitativos na Geografia e de editar coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados a essas técnicas. especialmente as análises multivariadas que conjugavam conjuntos de variáveis demográficas e econômicas a um grupo de lugares (cidades) e espacializavam as correlações que emergiam do algoritmo (Cole. que foram mais explorados no contexto dos trabalhos classificatórios de centros urbanos. migrações internas.1975). Olga e posteriormente Evangelina. caracterizavam-se pela tentativa de absorção dos métodos quantitativos. análise discriminante. . 1971) preocupado em estabelecer uma base mensurável para Teoria dos Lugares Centrais definida em 1933 por Walter Christaller (1966) e John P. Pedro P. além disso. 1972). . regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Faissol. Perroux. Evangelina Xavier G. F. Cole. lista 20 trabalhos sobre urbanização. coordenador do Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM). e trabalho de seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional como Berry. de Lima. Ferreira. correlação . Além de Speridião Faissol. se deu através de Brian Berry.

sobre a área central do Rio de Janeiro. foi coordenada por Aluízio Capdeville Duarte em 1967. profissionais da agência escreveram. 1965. Além dos quatro trabalhos precursores de Jeronymo Cavalcanti e da atuação de Everardo Backheuser. A melhor fonte para análise desses trabalhos realizados por pesquisadores do IBGE foi a revisão feita por Maurício Abreu no final dos anos 80.canônica. com uma série de 15 trabalhos no Boletim Geográfico sobre aspectos geográficos da cidade do Rio de Janeiro.31 n. para subsidiar o segmento de estudos do processo de metropolização e de aglomerações urbanas. Normalmente as incursões dos geógrafos da Divisão de Geografia neste assunto. ainda no contexto das comemorações do 4 Centenário da Cidade ocorrido em 1965. que normalmente abrange o Brasil e suas macrorregiões. cadeia de Markov. 50 trabalhos versando sobre os estudos intraurbanos e de autoria de profissionais de fora do IBGE foram verificados na bibliografia o . tanto em publicações editadas pelo IBGE ou em co-produção. 1968) e ao livro didático de Ceçary Amazonas sobre a Guanabara (Amazonas. mas se foram realizadas por profissionais da casa. Apesar da estruturação dos tópicos apresentados não se encaixarem totalmente nos propósitos desta pesquisa. 1994) O Estudo Geográfico da Cidade no Brasil: Evolução e Avaliação. composto de 13 pesquisadores colaboraram com 14 textos que explicavam as diferentes funções dessa área do Rio de Janeiro e analisavam alguns processos de transformação urbana ocorridos na década de 60. 1974). gerou muitos subsídios para o planejamento urbano foi a pesquisa intra-urbana.4 out. 1/4 (Abreu. Mais uma vez a liderança de Faissol se fez notar. 56 n. restringiamse aos cursos de Geografia Urbana que tratavam da cidade do Rio de Janeiro (IBGE. outro tipo de pesquisa obrigou a Geografia Urbana do IBGE a trabalhar numa escala quase local para o estabelecimento das nove áreas metropolitanas brasileiras (RBG v. foram consideradas como trabalho da Geografia do IBGE. Outra área dos estudos urbanos que. em virtude deles estarem efetivamente trabalhando no órgão. apresentada no I Simpósio Nacional de Geografia Urbana de 1989 em São Paulo e publicada na RBG v. seu rastreamento bibliográfico foi de suma importância na avaliação dos estudos dos ibegeanos no que concerniu às pesquisas intra-urbanas. Foram detectados 158 trabalhos realizados por geógrafos do IBGE dentro e fora do contexto editorial da casa. Por outro lado./dez. e muitos projetos foram desenvolvidos na escala intra-urbana. na década de 40. Um exemplo disso foram as teses de pós-graduação que foram editadas pelas respectivas universidades. O grupo. por ocasião da publicação. embora não esteja enquadrada na escala de atuação de uma agência do governo federal. isto é. No final dos anos 60. quanto em outras publicações. que também foram computadas. a primeira grande pesquisa realizada por um grupo da Divisão de Geografia. 1969). medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações.

1980. . públicos e privados e exemplificar suas ações (Bahiana.rastreada por Maurício Abreu. que trabalhou intensamente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles brasileiras e David Michael Vetter (economista do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE). 1984). 1983 1983/84). principalmente o Rio de Janeiro. foram tratados no tópico de ocupação do território e habitat. como renda da terra. 1976.. Tal contagem foi importante para se acabar com a falsa impressão de que os estudos intraurbanos não eram considerados prioritários pela alta direção da agência. 5 . 1982). principalmente o Rio de Janeiro. 1986). diversificação e combinação de culturas. Deste grupo..1986). na maioria dos casos. 1988). 1976.1983. que além de trabalhar complementarmente no projeto de ecologia fatorial das metrópoles. (Almeida. a segunda foi Olga Maria Buarque de Lima Fredrich. Foram trabalhos que iniciaram uma aproximação maior com questões teóricas como o modelo de Von Thunen (Mesquita. 1986). Os trabalhos anteriores de Geografia Agrária. mas dará ênfase aos estudos empreendidos a partir da década de 60. que no DEGEO e na UFRJ. C. D. (Mello. (Bezerra e Cruz.1979. violência urbana. (Corrêa. onde a preocupação com os processos de modernização das atividades ligadas ao mundo rural foram mais explicitadas. Durante as décadas de 70 e 80. 1981) e de estudar outros aspectos vinculados a estrutura intra-urbana de nossas cidades. e que na década de 70 testaram alguns dos programas de análise fatorial e análise de agrupamento. (Kossmann e Ribeiro. Cruz e Bahiana.1978). em revistas ou em edições monográficas. N. e aspectos culturais e perceptivos (Mello. (O’Neill. três personagens foram importantíssimos na orientação dessas pesquisas Roberto Lobato de Azevedo Corrêa. 1981). 1986. 1982.Modernização da agricultura A expressão modernização da agricultura tratará dos trabalhos de Geografia Agrária como um todo. 1979. orientou a maioria dos pesquisadores que desenvolveram teses e trabalhos internos sobre a estrutura interna das cidades. 1978. 1983).B. (Vetter e Massena. (Massena. orientou as pesquisas sobre a espacialização das políticas públicas de implantação de infra-estrutura na área metropolitana do Rio de Janeiro. com tendo sido publicados sob a chancela do IBGE. J. mobilidade urbana. classificar os principais agentes modeladores do solo urbano. 1997). (Bezerra. favelização. (O’Neill e Natal. muitos desses 158 trabalhos de pesquisadores do IBGE contribuíram para o entendimento do processo de metropolização brasileiro ao teorizar sobre os processos de estruturação intra-urbana. 1986/87). apesar de se entender que esta escala de abordagem não seria o que normalmente se entenderia como objeto de análise de uma agência de planejamento territorial do governo federal. experimentaram técnicas estatísticas mais sofisticadas para estudar questões como concentração. et al. 1987.

1964). abr. 1959). novas orientações enfocaram um outro expectro de problemas ao analisarem os efeitos do agribussines na concentração fundiária e tratarem com outra visão o acompanhamento da ocupação predatória das atividades rurais em todos os estratos de renda dos produtores. 1961). O mais importante introdutor dos estudos agrários com cientificidade no IBGE foi Léo Waibel. . 1948) e enfocando processos agrários específicos na segunda metade da década de 50 (Valverde. Os trabalhos de Nilo concentravam-se nos processos de colonização de espaços do interior do país. 1961). entidades de amplo escopo que passaram a liderar as ligações entre o campo e a cidade. ao combinar as pesquisas sobre colonização e Biogeografia. 1978. 1957. como características de certas áreas rurais do nordeste (Valverde. os melhores geógrafos agrários do IBGE entre os anos 50 e início dos 60. 1958. 1951. 1961./jun. 1959). Além de se concentrarem no acompanhamento da evolução dos Complexos Agro-Industriais . como é possível verificar nos trabalhos de Eloisa de Carvalho Teixeira (Teixeira. 1968). abr. Seus melhores discípulos foram. Mesquita em sua tese de mestrado na UFRJ em 1978 e publicada na RBG v. que atuavam como estruturas referenciais para se entender o processo de ocupação do território via atividade agrícola e de colocar na arena de estudos o primeiro artigo sobre a teoria de Von Thünen (Waibel. conceituação de sistemas intensivo e extensivo. Ao trabalhos iniciais da Geografia do IBGE no campo das atividades rurais restringiam-se a informar alguns fatos da evolução da produção brasileira como um todo ou por produto. 1967. 1957).23 n.40 n.: 60-130. além de produzir os dois volumes do livro Geografia Agrária do Brasil (Valverde. 1968. 1955)./jun.∗ e de publicar no Boletim Geográfico um artigo mais informativo e de comparações sobre o tema (Waibel. resultado de suas pesquisas esboçadas em seu ∗ O modelo de Von Thünen foi novamente discutido por Olindina V. 1955. de “plantation” e de sistema de roças (Valverde. v. Orlando concentra-se nos aspectos conceituais e de exemplificação de alguns temas de Geografia Agrária. A obra do Orlando valverde no contextos dos estudos agrários foi mais diversificada.2. Seu livro Capítulos de Geografia Tropical e do Brasil (Waibel. iniciando com trabalhos vinculados aos processos de colonização e análise regional (Valverde. Nilo Bernardes e Orlando Valverde. Na década de 60.2. sejam eles ricos e tecnificados ou pobres e sem qualificação técnica. comunicações e assistência financeira. por conseguinte. 1948). 1944. tanto na troca de insumos e maquinário. além de no guia de excursão ao Planalto Meridional tratar com muito detalhe as características agrícolas da região (Valverde.Nos anos 80. mas também estruturou um quadro geral da agricultura brasileira nos anos 50 (RBG. 1952. quanto nas trocas de mão de obra e nos serviços de transporte.1958) foi uma espécie de síntese desses conhecimentos.

jul.:419-447. 1977). Dias.jan. 1970). além de terem trabalhado com essas técnicas nos capítulos temáticos da coleção Geografia do Brasil de 1977. Posteriormente.43 n.1970). Em 1968 Elza Keller retorna ao IBGE. onde apresenta os processos de ocupação agrícola em espaços cortados por estradas de integração na região Norte e Centro Oeste abriu as primeiras pistas para a questão da importância do sistema urbano na Amazônia (Valverde e Dias.36 n.curso de Geografia Agrária Geral e do Brasil ministrado na AGB do Rio de Janeiro em 1957 . armazenagem (RBG v. ao orientar em 1964. após sua experiência de ensino em Rio Claro.1. no final dos anos 80. jul. out. jul.4. Esse grupo desenvolveu linhas de trabalho em regionalização agrícola em escala nacional.. uma outra vertente de estudos foi iniciada por Elza Keller ainda na UNESP de Rio Claro.40 n. focalizando a Amazônia Ocidental através da rodovia Transamazônica (Valverde./dez. coordenando uma equipe multidisciplinar Orlando volta ao tema./set./mar. juntamente com Solange Tietzmann Silva e Olindina Viana Mesquita que continuaram o projeto.32 n. 1967). no contexto da obra Subsídios à Regionalização (Mesquita et all. testou os métodos quantitativos em tipologia agrícola (RBG v. 1968). (RBG v. 1984: 84). Luiz Sérgio Pires Guimarães. Pesquisas sobre concentração de cultivos (RBG v./set. que acabaram por suprir de dados a área de Geografia Agrária do agora Departamento de Geografia (DEGEO). juntamente com Catarina V.32 n.: 3-42.:41-86./set. regionalizações em escala estadual (RBG v.3. 1978) e definiram proposições metodológicas sobre os estudos de desenvolvimento rural (RBG v. Ainda na década de 60. somado às informações de Mitiko Une quanto aos aspectos climatológicos vinculados às safras agrícolas. Tereza Coni Aguiar. 1974). da economista Sonia Rocha e da socióloga Sebastiana Rodrigues de Brito. A principal pesquisadora que comandou esse processo de mudança nos trabalhos agrários foi Elza Coelho de Souza Keller. Dora Rodrigues Hees. além de contarem com o apoio técnico de pesquisadores como Ney Rodrigues Innocencio. Maria do Socorro Brito e Adma Hamam de Figueredo.. Os contatos de Kostrowicki com Elza Keller resultaram em linhas de pesquisa que enfocavam preocupações com a qualidade dos dados estatísticos a serem trabalhados nos futuros trabalhos. sobre a rodovia Belém-Brasília.1. Com a chegada de Isaac Kerstenetzky à presidência do IBGE em 1970.3.3.: 137-143. posteriormente tendo a colaboração dos geógrafos Rivaldo Pinto de Gusmão e Maristella de Azevedo Brito. um grupo de professores e alunos de especialização principalmente quanto aos estudos de tipologia agrícola sob a orientação da Comissão de Levantamento Mundial de Utilização da Terra da UGI e contando com o apoio metodológico de Jerzy Kostrowicki da Polônia.39 n.: 52-130. que posteriormente presidiu a comissão. nas palavras de Alexandre Felizola Diniz “lançou as bases de um movimento de profundas mudanças na Geografia Agrária Brasileira” (Diniz. Seu trabalho./mar. jan. mas fica conhecida como uma pesquisadora que. o sistema estatístico da casa iniciou uma série de ações que sistematizaram as informações do segmento agropecuário e criaram outras campanhas. Maria Elisabeth de Paiva Correia de Sá. 1981) e iniciaram . 1989).

Pesquisa Pecuária Municipal (PPM). A estrutura de dados do IBGE que o setor agropecuário oferece aos pesquisadores.:227-361./set. Problemas de qualificação da mão de obra rural (RBG v.:425-550.3. 1998) e orientando o mapeamento do tema.:105-116.3/4. jan.46 n. RBG v. estudos comparativos entre inserção tecnológica e marginalização de parte dos produtores rurais (RBG v.:3-10.1. jan. 1984).:52-130./dez. No início dos anos 90. jul. de Oliveira estiveram na França mapeando e comentando os dados do censo agropecuário de 1985.:503-533./mar.4. que propiciaram a geração de muitos trabalhos e garantiram o .50 n./jun./dez. produção de couro.grandes projetos multidisciplinares em convênio com outras agências governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). RBG v./dez. As mudanças de orientação de enfoque dos trabalhos de Geografia Agrária ocorridas nos anos 80. de ovos de galinha e estimativas sobre a previsão e acompanhamento de safras.46 n. Oliveira. 1978 . RBG v. 1988). out. RBG v.:3-65. No contexto atual do DEGEO apenas Hadma Hamman Figueredo ainda lidera as pesquisas agrárias. pesquisas mensais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). trabalhando com as conseqüências ambientais e políticas da ocupação em áreas de fronteiras de recursos (Figueredo. 1977 . 1987 . sob o apoio técnico de Philippe Waniez e Hervé Théry as geógrafas Dora Rodrigues Hees e Evangelina Xavier G. 1979). Théry.48 n. RBG v.49 n.4. 1979 . Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e semestrais como a Pesquisa de Estoques (PE). 1982 . em função do convênio entre o IBGE (DEGEO) e a MAISON DE LA GÉOGRAPHIE de Montpellier . a ser editado no fim do ano de 2000./mar. produzindo uma espécie de Atlas das Fronteiras Agrícolas do Brasil (Hess. 1986). 1984./mar.: 5-78. 1984). abate de animais./mar. Em virtude disso foram publicados muitos trabalhos de acompanhamento e evolução da agropecuária (RBG v.44 n./dez. marginalidade rural (RBG v.Caracterizações Ambientais Do conjunto de estudos que enfocaram o meio físico. no Atlas Nacional do Brasil. abr.46 n. linha de pesquisa precursora dos grandes diagnósticos sócio-ambientais que foram implementados na segunda metade dos anos 80 e durante a década de 90 (IBGE. no qual é também coordenadora geral. com censos agropecuários qüinqüenais (pelo menos até a década de 90).1. anuais como a Produção Agrícola Municipal (PAM). jan. do leite.1. out. out.2. 41 n.39 n. RBG v. escolhemos analisar os três segmentos mais importantes. puderam ser percebidas nos artigos e projetos que passaram a enfatizar os aspectos sociais das fronteiras de ocupação ao longo das novas estradas de integração construídas na década de 70 .: 3-49.:41-60. além de pesquisas específicas como o levantamento da soja. 6 . Waniez.1. jul.40 n.4. 1992). jan.

1946. Alberto Ribeiro Lamego.n. um dos supervisores geográficos da Enciclopédia do Municípios Brasileiros e considerado um dos mais produtivos geógrafos do IBGE com 30 artigos na RBG..4. além de produzir artigos que tornaram-se clássicos (Ruellan. 1947. 45 no Boletim Geográfico. RBGv. precipitações etc. 1944. 1945. Amélia Alba Nogueira. como os Cursos de Férias para Professores e autor do Dicionário Geológico-Geomorfológico .p./mar.255-287.p.2. abr. abr. como também de profissionais de outras especialidades. RBG v. Antônio Teixeira Guerra.1948 ).que dominou com maestria os conhecimentos integrados entre Geologia. 12 artigos em publicações avulsas. campo que espacializa o conjunto de informações que a Meteorlogia nos apresenta quotidianamente. que em combinação com especializações como Botânica e Zoologia explicam uma grande parte de que se convencionou chamar de Meio Ambiente.desenvolvimento profissional de alguns geógrafos. Ruellan. out. que estuda em detalhes as relações entre os seres vivos num dado segmento espacial. que também trabalhou no IBGE na década de 70 e que atualmente leciona na UFRJ (Guerra.5./dez.57-82. pressão do ar.9n. (Lamego.p.2. autora . 1949). n. tanto sob a forma de mapeamento.523-550.. também geomorfólogo. 1966). verifica-se uma grande sinergia com a Ecologia. regime de ventos. quanto sob a forma de textos explicativos dos processos de médio e longo prazo que garantem uma dada classificação climática mais geral.1947. biólogos e engenheiros agrônomos. p./jun. jan.. Seus trabalhos na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e sua série de artigos sobre as características geológicas e morfológicas do estado da Bahia ( Domingues.1. 1948.10./jun. profissionais como Emmanuel De Martonne com seu clássico Problemas Morfológicos do Brasil Tropical Atlântico (RBG v. nas primeiras décadas de atuação do IBGE.185-248.n.. tendo como iniciadores. Atualmente. segmento de estudos que trata da espacialização da cobertura vegetal e da ocorrência de animais. e que apresenta quadros de referência sobre temperatura. Este conjunto de saberes foi. área da Geografia que trabalha com os processos formadores do modelado terrestre e que estrutura as principais tipologias relativas ao relevo do território.1943). principalmente geólogos. A Biogeografia. RBGv. 1963).9. A Geomorfologia. A Climatologia. autor da coleção O Homem e . Biologia e Climatologia tornando-se um dos mais completos geógrafos físicos da casa. formou profissionais como Alfredo Porto Domingues . além de mestres estrangeiros que foram os principais formadores da primeira geração de profissionais como o francês Francis Ruellan na Geomorfologia e o canadense Pierre Dansereau na Biogeografia.. altamente prestigioso.obra editada nos anos 60 e reeditada em 1999 por seu filho.

Na RBG v. do mesmo Jorge Ferraz sobre uma questão que continua atual: Aumentou a temperatura do mundo? O primeiro geógrafo do IBGE a tratar do assunto foi Jorge Zarur.1 n. jul./mar.p... ∗ e Gelson São também da década de 70 a coletânea de comentários sobre 201 fotos do relevo brasileiro organizado por Celeste Rodrigues Maio (Maio. No campo da Biogeografia. 1954) e Dora Amarante Romariz (1953. Schmidt ( RBG v..out.2.465-500.2. 1943). p./set. p.1951) e Fernando Segadas Vianna (1964). além de produzir trabalhos sobre Biogeografia (Dansereau. RBG v. 1946. 1961. foi o paulista José Setzer. a permanência no IBGE do canadense Pierre Dansereau que. o primeiro trabalho classificatório da vegetação brasileira foi elaborado por Lindalvo Bezerra dos Santos no Boletim Geográfico como contribuição didática e que foi considerado como a primeira tipologia apoiada nos aspectos fisionômicos das formações vegetais brasileiras (Santos.1.223-264.3. 1952. caracterizavam algumas regiões brasileiras (Ferraz. 1947.13.4n.250-254. pedólogo do Departamento de Produção Geógrafa desaparecida em acidente de avião do Projeto RADAMBRASIL no litoral sul ∗ . apesar de não ter havido um professor “visitante” que tivesse formado profissionais por meio de cursos e treinamento específico. 1974) além de completar a formação de engenheiros agrônomos como Alceo Magnanini (1952.11n. paralelamente. p.3. alguns geógrafos do IBGE dedicaram-se a estudar aqui e no exterior o assunto. Até a década de 50.4.13. 1939) . 1942 . 1943). o mais importante produtor de artigos sobre o tema. No campo da Climatologia./jun. Ambas as obras foram os principais instrumentos de estudo dos alunos de Geomorfologia de muitas universidades brasileiras.n. período em que a Climatologia passa a ser estudada mais sistematicamente por alguns profissionais da Geografia do IBGE. 123-124. ao comentar a classificação climática de Köppen (Zarur. Walter Alberto Egler (RBG v. 1949) formou profissionais como Edgar Kuhlmann (1951. Nos primeiros anos de estruturação do IBGE o estudo da Climatologia era feito por engenheiros como José Carlos de Junqueira Schmidt e Jorge de Sampaio Ferraz que preocupavam-se com métodos classificatórios e.p. 1961). jul./set. Na segunda metade da década de 40. RBG v./dez.RBG.v..3-15.de todos os capítulos de Geomorfologia da coleção Geografia do Brasil de 1977 Rangel Lima que chefiou o Setor de Geomorfologia do DEGEO na década de 70. abr.577590.abr.1n. 1949).n./jun..3 há também um comentário na página 135.5 n. RBG v.1951. jan. p. 1973) e reeditada em 1980 e o compêndio Fundamentos de Geomorfologia da professora da Faculdade de Rio Claro (atual UNESP) Margaria da Maria Penteado (1974). 1952.

1. p. A.. principalmente por ser responsável por uma série que abordou a climatologia de todas as regiões brasileiras entre o final de 1971 e todo o ano de 1972. Nos anos 80. trabalhando com clima urbano (Monteiro. RBG v. 1951) e Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra.33n. Nos anos 60. . RBG v.338. sob a forma de orientação profissional inicial de Edmon Nimer no campo da Climatologia. 1954). p.17 n.1. p. jul.13 n. jan. p. 1951 . jan./set.1. Edmon Nimer tornou-se o mais importante climatólogo do IBGE. jul. 1997).29 n. Filho. 1981)que. 1946 .3. RBG v. M. tema de sua tese de doutorado na UFRJ (Amador. que enfatizava as questões sobre precipitação e suas relações com a produtividade agrícola (Setzer. indo também lecionar na UFRJ.1. 1946 ./mar. que se tornaria um dos mais completos climatólogos do Brasil.. ./dez./set./mar.13 n.3-70. p.8 n. 1967) e o segundo.. out.. Sua produção neste período foi notável./mar. fluminense../mar. p. 1952). que na década de 60 abandonaria o tema e iria dedicar-se à Geografia Urbana (RBG v. jan. 1951 . RBG v. Os resultados desse processo foram divididos em dois tipos de atuação. p. Amador. Nimer auxiliou os dois na publicação de um artigo sobre climatologia dinâmica na região nordeste (Nimer. conheceu o trabalho classificatório de Henri Gaussen e Francois Bagnouls baseado nas relações entre clima e vegetação. jul.315-328.619-620.14 n.449-496.3-36. p. Filho e Elmo Amador.13 n.317-350. p. O primeiro grupo de especialistas em Climatologia no IBGE foi formado por Lysia Bernardes. atualmente trabalha em consultoria ambiental monitorando o ecossistema da Baía de Guanabara. Marília Galvão durante seu estágio de especialização na França. esposa de Antônio Teixeira Guerra.3. 1971)./set. Na década de 70 o Setor de Climatologia. p. a partir da segunda metade dos anos 60 até sua aposentadoria nos anos 90. Outra faceta importante de Edmon Nimer foi sua capacidade de formar profissionais. o primeiro sob a forma de um artigo sobre as regiões bioclimáticas do Brasil (Galvão. P.1. 1955). com uma incursão no tema caracterizando o clima da Região Nordeste ( Guerra. jan.16 n.57-80. aposentou-se do IBGE nos anos 90. out. RBG v.4.Vegetal do Estado de São Paulo e professor da USP. RBG v. E.473-479./dez. Ignez RBG v.3. Brandão (Nimer e Brandão. e após sua aposentadoria.. No início dos anos 70. Carlos Augusto Figueiredo Monteiro. jan. e por todos os capítulos de Clima da coleção Geografia do Brasil de 1977. RBG v. E.. este último transferiu-se para lecionar na UFRJ.../mar. chefiado por ele era um dos mais dinâmicos do DEGEO. após terminar seu doutoramento na USP. com 12 artigos na RBG.8 n.4.3-46. destacando-se os estagiários Arthur A. Nimer orientou a formação profissional de Ana Maria P. RBG v.

7.out. para pouco a pouco incorporar também áreas da Geografia Humana como Urbana e Agrária. No volume do Sudeste. 1990) e PMACI II (IBGE. Projetos de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas .215-223.p. inaugurando uma nova fase de trabalhos voltados para os grandes diagnósticos ambientais integrados. O resultado dessa primeira inflexão foi a criação da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SUPREN) em 1975 e a separação dos profissionais de Geografia Física dos de Humana que agora estariam na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE). coordenados por Irene Braga de Miguez Garrido Filha e Ailton . com o crescimento dos estudos de Geografia Humana.PMACI I (IBGE. sem nenhuma exigência de qualquer tipo. do Projeto RADAMBRASIL com toda sua estrutura de pessoal e equipamentos. apresentando-o em tempo recorde em 1993. uma na década de 60. Foi também desse período. principalmente nas áreas de agrária e urbana e uma aparente queda de status que se configurou com mais clareza na década de 70. com a absorção pelo IBGE.n. No início.1990).Seu espírito de colaboração com o IBGE pode ser medido por seu auxílio à coleção Geografia do Brasil do início dos anos 90. estabelecendo relações com algumas segmentos do meio ambiente.39. O segmento dos estudos ambientais do IBGE sofreu duas grandes inflexões. 1977 e que inicia uma preocupação com as relações entre seres humanos e meio ambiente no sentido mais amplo. coordenado por Rivaldo Pinto de Gusmão (IBGE. Uma das grandes linhas de trabalho da SUPREN foi organizar os estudos de ecologia animal do cerrado do planalto central brasileiro. Um dos produtos desse convênio foi o livro Fauna do Cerrado organizado por Claudia Cotrim C. Nimer. mamíferos e répteis da área estudada. contando com a criação da Reserva Ecológica do Roncador na periferia de Brasília e estabelecendo convênio técnico com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). a chamada integração não ia muito além dos segmentos da Geografia Física e da Biologia. a publicação da obra de Jean Tricart Ecodinâmica (1977). prontificou-se imediatamente a produzir um capítulo sobre o tema. 1994). gerando um novo conjunto de grandes trabalhos conhecidos como diagnósticos sócioambientais integrados como o Diagnóstico Brasil. como no caso da poluição industrial. 1981) que apresenta uma lista preliminar das aves. já aposentado./dez. comentada por Luiz Roberto Tommasi na RBG v. que acompanhou os diferentes processos de ocupação do território brasileiro.Diagnósticos Ambientais e Sócio-Ambientais Integrados A segunda grande inflexão ocorreu em 1985. quando houve desistência do autor do capítulo de Clima.4. enquadrando neste processo as principais correntes de Geografia Física. da Costa e colaboradores (IBGE.

onde atualmente leciona. realizando projetos de Geografia em escala estadual ou meso-regional. O segundo. Goiânia (GO) e Florianópolis (SC) que contam com excelentes profissionais em Geomorfologia. Além de distinguir áreas de conflito entre as ações humanas (extrativismo e agropecuária) e a capacidade de sustentabilidade desses ambientes. Pedologia. coordenado por Antônia Maria Martins Ferreira (IBGE. principalmente nas fases de planejamento. 1990. p.Antônio Batista de Oliveira e Teresa Cardoso da Silva. IPEA e USP em projetos integrados como os do PMACI I e II. trabalharam para uma suave integração com os pesquisadores da física e os do campo biológico. pois foram incorporadas equipes regionais sediadas em Belém (PA). Além disso. como no caso do estudo do uso agrícola da terra no sudoeste de Goiás em convênio com a EMBRAPA (IBGE. além de especialistas em áreas da Biologia e engenheiros agrônomos e florestais. Tereza Coni Aguiar. que avaliaram os impactos ambientais e sócio-econômicos do asfaltamento de dois trechos da rodovia BR 364 entre os estados de Rondônia e Acre. 1989). PMACI. 1993) que estabeleceu uma regionalização de espaços identificados por suas características ambientais. Na década de 90 a integração entre os profissionais de Geografia humana e os de física foi finalmente alcançada com os projetos do Programa Nossa Natureza na Amazônia. da áreas periféricas de Brasília e da aglomeração de Goiânia no Centro-Oeste e na região sul com o projeto de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina. A análise sócio-ambiental dos módulos territoriais da Região Amazônica referentes ao Programa Nossa Natureza realizado no período final do governo de José Sarney (não publicado) e o Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal . O primeiro coordenado por Antônio José Teixeira Guerra (filho de Antônio Teixeira Guerra) antes de sua transferência para a UFRJ.5. Hadma Hamann de Figueredo. os projetos de Atlas Nacional do Brasil. Diagnóstico da Amazônia Legal. O processo de absorção do RADAMBRASIL foi altamente positivo para o segmento de Geografia Física do IBGE. Maria Monica O’Neill. Para isso contribuíram geógrafas como Solange Tietzmann Silva. também tenderam a aproximar esses profissionais. deve-se verificar as páginas de créditos (IBGE. diminuindo as diferenças antes percebidas. 1989). Salvador (BA). Foi no contexto de trabalho realizado anteriormente pelas equipes do RADAMBRASIL nessas unidades regionais que o IBGE passou a se integrar mais com secretarias estaduais de planejamento e de meio ambiente. 1989) e do estudo geomorfológico da área de Rondonópolis –MT (IBGE. . Olga Schild Becker e Irene Garrido Filha que ao coordenarem suas respectivas áreas de Geografia Humana. coordenado por Válter de Jesus Almeida e Wilson Duque Estrada Regis (IBGE. Para se ter uma medida da complexidade de interação entre as unidades departamentais do IBGE.131-132) e constatar que aproximadamente 220 profissionais tomaram parte nas diferentes tarefas técnicas e administrativas que envolveram estes diagnósticos. p.

Os mapas construídos não possuíam muita precisão cartográfica. mas davam uma boa noção espacial ou tridimensional do fenômeno. vinculadas às Geociências também foram. Os sistemas iniciais vinculavam-se a navios (Imarsat) e controlavam aviões. 2 . 1994).As Atividades de Geoprocessamento O contexto tecnológico e operacional onde se estabeleceram os projetos de geoprocessamento no IBGE datam da década de 70 com as experiências de softwares como o SYMAP e SYNWU que mapeavam superfícies pré-determinadas. não acostumados com esse tipo de trabalho. Com o advento dos novos sensores colocados nos satélites militares americanos e soviéticos. na maioria dos casos. e que tiveram quase sempre de aprender a ver como funcionava esse campo. foram descritas no documento Geoprocessamento no IBGE redigido por este grupo de trabalho (IBGE. Esses sistemas são a base do que chamaremos em termos gerais de geoprocessamento. A partir de 1994 as atividades de Geoprocessamento no IBGE atingiram um estágio que obrigou a alta direção da casa a estabelecer um grupo de trabalho com integrantes das diretorias de Geociências. Processos de determinação cartográfica (plotagem) de pontos e linhas que se inserem na rede de coordenas geográficas e que podem ser referenciadas a qualquer tipo de informação guardados em bancos de dados que possam referenciar esta informação a qualquer ponto da rede de coordenadas (georreferenciamento). Essa a base operacional dos atuais Sistemas de Informação Geográficas (SIG ou GIS em inglês). As principais diretrizes que envolvem essas atividades no IBGE. Olhos. Foram muito testadas áreas urbanas. Estava criado o Sistema de Posicionamento Global (GPS). foi concebida uma rede virtual de coordenadas geográficas de grande precisão que era plotada por sistemas de satélites que enviavam sinais eletromagnéticos e garantiam resposta quase imediata a determinados aparelhos receptores que se deslocavam na superfície da terra. com seus respectivos valores da terra (preços do m de terreno ou valor do imposto territorial urbano). de certa forma. percebidas por outros olhos. Informática e Disseminação de Informações para avaliar o desenvolvimento das tecnologias e estabelecer as diretrizes básicas dessas atividades para o futuro. Posteriormente esses receptores diminuíram de tamanho e passaram a garantir a qualidade das medições geodésicas e a influenciar decisivamente na precisão e barateamento das campanhas geodésicas e cartográficas. Pesquisas e Estudos. onde eram plotados dados específicos. Todos os estágios dessa evolução das práticas profissionais dos geógrafos e pesquisadores de outras especializações. além das tecnologias derivadas da corrida espacial para garantia da localização dos artefatos espaciais utilizados nas atividades de exploração do ambiente extra terrestre.

sempre foi difícil ter um diretor que conhecesse profundamente a atuação de todos os departamentos da diretoria. .Estamos nos referindo mais aos presidentes do IBGE. embora também. devido à grande heterogeneidade dos campos envolvidos. do que aos diretores que administraram a área das Geociências. No próximo capítulo será possível ter uma noção mais aproximada das impressões que foram passadas por alguns presidentes e diretores sobre a atuação da Geografia e das ciências que lhe são comuns no contexto do IBGE.

Instrumento legal que obrigava aos municípios cartografar seu território e enviar para a Secretaria do Diretório Regional de Geografia duas vias autenticadas. Entender a diferença entre Departamento de Geografia e Departamento de Recurços Naturais e Meio Ambiente. quando entrou em cena a questão meio-ambiente e a incorporação do RADAMBRASIL ao IBGE em 1985. que nos períodos iniciais era encarada pela alta direção da agência. dentro dos requisitos mínimos fixados pelo agora Conselho Nacional de Geografia (decreto-lei 218/38 de 26 de janeiro de 1938). Essa visão um tanto parcial. não era muito simples para quem vinha de outra área. Geodésia e Cartografia nos discursos antigos dos artigos de memória institucional que normalmente ficavam a disposição dos novos chefes. . à maioria dos casos. que dispunha sobre a divisão territorial do país e que ficou conhecido como Lei Geográfica do Estado Novo. a isto pode também ser acrescido os títulos de áreas departamentais. ou ao confuso papel da Geografia. que causaram muitas dúvidas nos novos presidentes e diretores. o presidente em questão tinha estudado Geografia Física e Humana dentro da mesma cadeira. foi também misturada à posição da Cartografia. foi uma das razões de ser (e possivelmente a maior na ocasião) da criação do Conselho Brasileiro de Geografia (incorporado ao Instituto Nacional de Estatística) em 24 de março de 1937 pelo decreto 1527/37. O propósito de garantir ao censo demográfico de 1940 a base cartográfica necessária ao deslocamento dos recenseadores. campos de onde vieram os 10 últimos presidentes da casa. Tais problemas podem ser percebidos quando analisamos alguns depoimentos de profissionais que ocuparam cargos de alta direção no IBGE (presidentes e diretores de área onde a Geografia se reportava). estatísticos e cientistas políticos. vinculou-se a não familiaridade com os métodos de trabalho dos geógrafos e a sua efetiva função no organograma de trabalho do órgão. como no caso dos economistas. Esses erros de enquadramento entre o que era Geografia. foram acrescidos dos problemas ocorridos entre a Geografia Humana e Física nas décadas de 60 e 70 e que acabaram trazendo novas dúvidas. devidamente acompanhada pelo decreto-lei 311/38 de 02 de março de 1938. sempre foi vista pelos geógrafos como uma das mais importantes áreas da casa.As Diferentes Visões da Alta Direção do IBGE Sobre a Geografia Sendo a Geografia uma área considerada atividade fim no contexto do IBGE e somente um pouco mais “jovem” que a Estatística. como parte integrante do G do IBGE. No caso dos presidentes. se durante o longínquo curso de segundo grau. Cartografia e Geodésia nas fases iniciais da agência.Capítulo II .

Além disso, havia a dificuldade de se entender os diferentes papéis da Geodésia e da Cartografia no contexto da agência. Com a Geodésia apresentando dois corpos profissionais muito distintos, um altamente matematizado, com relações internacionais sistemáticas e fortemente exigente de tecnologia e outro constituído de profissionais que aprenderam o ofício no campo, durante as campanhas de levantamento geodésico, na maioria dos casos com pouca escolarização formal. A Cartografia parecia ser ainda mais complexa, pois misturavam-se áreas típicas de produção com grupos altamente qualificados de engenheiros cartógrafos e de profissionais vinculados à arte como os desenhistas de arte final e os cartógrafos que operavam na área de cartografia temática para ilustração de atlas. Somava-se a isto questões de transição tecnológica, tanto no que se refere aos contatos diretos com a Geodésia, quanto no que se refere à produção física das cartas, incluindo aí a impressão das folhas em gráfica própria, altamente especializada. Portanto, um presidente ou um diretor de área teriam de se adaptar rapidamente às peculiaridades dessa diretoria altamente heterogênea, com demandas muito diferenciadas. Além disso, é preciso entender que havia também os “notáveis” das “Velhas Guardas” em cada área específica e que alguns deles ocupavam postos de decisão na estrutura hierárquica do IBGE, além dos técnicos de assessoramento que poderiam esclarecer dúvidas e subsidiar decisões para arbitramento. Um presidente novo e sua equipe deviam aprender os códigos não escritos da casa, sob pena de sofrerem rejeição de parte do quadro profissional, ou de quase todo, como aconteceu em alguns casos. No contexto da Geografia, personagens importantes como Miguel Alves de Lima, Speridião Faissol, Lúcio de Castro Soares e Ney Strauch foram guardiões corporativos de grande valor no ambiente da presidência, por suas respectivas carreiras na alta direção da casa e liderança que exerciam junto aos demais profissionais. Catharina Vergolino Dias foi outra profissional importante nos contatos em Brasília, durante a década de 70, pois trabalhou como representante do IBGE nas assessorias da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e no Ministério do Interior durante os governos Médici e Geisel. Eram profissionais com muito conhecimento, tanto técnico, quanto administrativo e político e que sempre eram solicitados a darem opiniões e ajudarem nas decisões que envolviam a área da Geografia. Na década de 80, o engenheiro Mauro Pereira de Melo foi outra figura chave no contexto da criação da Diretoria de Geociências. Seus bons contatos com o segmento militar da Cartografia no contexto da Comissão de Cartografia (COCAR) evitaram conflitos na condução da coordenação cartográfica do país. No contexto interno do IBGE outros personagens, ao longo de suas carreiras, tornaram-se referências importantes ao ocuparem cargos de direção, onde as injunções políticas entre

diretorias e departamentos deveriam ser gerenciadas com muita diplomacia. O exemplo mais representativo na década de 80 na Geografia foi Marilourdes Lopes Ferreira, que após assessorar Speridião Faissol na Superintendência de Estudos Geográficos e Sócio-Econômicos (SUEGE) e na Diretoria Técnica nos anos 70, foi na década seguinte alçada a posição de Diretora Adjunta da Diretoria de Geociências, ocupando durante um bom tempo este importante posto. As boas relações institucionais da Geografia com as demais áreas do IBGE neste período, devem muito à diplomacia de Marilourdes. Em função desse quadro de referência foram tomados alguns depoimentos de presidentes, diretores e diretores adjuntos que gerenciaram o IBGE nos últimos 30 anos e que puderam dar seus testemunhos sobre a área onde a Geografia estava inserida. Os Presidentes Da linha dos 10 últimos presidentes iniciada por Sebastião Aguiar Ayres (04/04/196724/03/1970) e seguida por Isaac Kerstenetzky (24/03/1970-29/08/1979), Jessé de Souza Montello (29/08/1979-14/03/1985), Edmar Lisboa Bacha (10/05/1985-27/11/1986),Edson de Oliveira Nunes (06/01/1987-13/04/1988), Charles Curt Müller (03/05/1988-18/04/90), Eduardo Augusto Guimarães (18/04/1990-26/03/1992), Eurico Neves Borba (26/03/1992-15/06/1993), Silvio Augusto Minciotti (15/06/1993-30/03/1994) e Simon Schwartzman (05/05/199431/12/1999) que passou o cargo para o atual presidente Sérgio Besserman Vianna, foram tomados os depoimentos de Edson Nunes, Charles Müller e Eurico Borba presidentes que tiveram um papel importante em decisões que envolveram a Geografia. Eduardo Augusto Guimarães e Simon Schwartzman, presidentes que ficaram durante um bom período ainda não puderam dar seus depoimentos por diferentes razões, Eduardo Augusto ficou a frente da Secretaria do Tesouro Nacional, indo depois para a presidência da BANESPA, preparar sua venda, funções que o impossibilitaram de prestar depoimento sobre sua gestão. Simon Schwartzman ainda não pode ser contatado para seu depoimento, mas seus escritos cobriram perfeitamente sua gestão, provavelmente a mais dinâmica e de maior impacto dessas 10 últimas, em virtude das condições em que ele assumiu a casa em 1994 e pelo que deixou de positivo à imagem do IBGE junto a seus funcionários e a sociedade brasileira em 1999. Iniciaremos com a primeira parte do depoimento de Eurico Borba, enquanto Diretor Geral da gestão de Isaac Kerstenetzky (falecido em 20/06/1991). Gestão Isaac Kerstenetzky (por Eurico Neves Borba) Essa fase foi muito importante, pois seria na gestão de Isaac, administrativamente controlada por Eurico Borba, que seriam implementadas, na prática, as decisões sobre a nova estrutura organizacional do IBGE criada em 1967 (Decreto-lei 161 de 13/02/1967), modificando sua subordinação (deixando de se reportar à Presidência da República, como havia sido desde 1934) e passando a ser uma Fundação subordinada ao Ministério do Planejamento.

O presidente anterior Sebastião Aguiar Ayres conduziu o planejamento da campanha censitária de 1970, mas coube à equipe de Isaac executar o processo de coleta no segundo semestre de 1970 e realizar as tarefas de apuração e divulgação. Eurico conta como transcorreu, de seu ponto de vista o processo de montagem de um projeto de modelagem de uma matriz de insumo-produto financiado pela Fundação Ford e BNDE e a ser realizado por uma equipe coordenada por Isaac na PUC e na FGV, onde Isaac era pesquisador. E a súbita mudança para uma nova fase com a nomeação de Isaac para o IBGE em 1970. “...nesse período tumultuado e rico na PUC desembocou nesse projeto de uma grande pesquisa, então o Isaac concordou com a idéia de que não era fazendo um curso de mestrado e sim fazendo uma pesquisa para termos condições financeiras de trazer mais professores de horário integral, a pesquisa melhoraria o curso de graduação e naturalmente dois, três anos depois, seria naturalmente o curso de mestrado, doutorado, etc... então foi montado um projeto extremamente interessante, eram estudos na área setoriais, agricultura, os tradicionais, primário, setor primário, secundário, terciário, a parte demográfica, o setor externo, isso tudo se juntava... Isaac já falava... temos que se simular uma matriz de insumo-produto, temos que fazer um modelo de simulação econômico demográfico, isso tudo se fecharia então nesse grande modelo dos estudos do setor primário, secundário, terciário, setor demográfico, setor externos, todos os segmentos da sociedade. O BNDE deu esse dinheiro, foi assinado em janeiro de l970 e o primeiro desembolso dessa parcela foi feito, com esse primeiro desembolso da parcela, em fevereiro de l970 o Isaac achou importante como coordenador do projeto, se licenciar da Fundação Getúlio Vargas, nessa época o Professor Gudin e Jorge Oscar de Melo Flores, telefonaram para o reitor para saber que história é essa da PUC estar roubando o Isaac da Fundação ! O reitor ficou de olho arregalado, me chamou e nós fomos fazer uma visita para o velho Gudin, foi a primeira vez que estive com o velho Gudin, levei uma porção de livros para ele autografar e o Jorge Oscar de Melo Flores nos explicava que nós não estávamos roubando o Isaac, o Isaac continuaria, mas ele ia coordenar na PUC, claro dando uma carga de horário maior. O Isaac disse: olha Eurico você tem que fazer uns contatos... pois isso tem que ter uma amarração muito firme e preparou a minha viagem, eu tinha que ir a Fortaleza, lá na Faculdade Federal de Fortaleza conversar, eu já não me lembro os nomes das pessoas, mas era a idéia de acertar o convênio, de trocas de experiências com pessoas, uma rede com a PUC e depois em Belo Horizonte, também em São Paulo com o Miguel Coluassono que chefiava o Instituto de Pesquisas Econômicas. Por conta disso saí eu visitando esses centros, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo.... e aí já era Semana Santa, peguei um avião um Electra em São Paulo e fui passar Semana Santa com meus pais em Porto Alegre, minha mulher estava viajando junto, pegamos um temporal danado e tal.... e aí eu abro o jornal e está assim: Isaac Kerstenetzky nomeado Presidente do IBGE, eu virei para Henriqueta, minha esposa, e disse assim: acabou o Projeto da PUC, aí fomos lá para Porto Alegre, voltamos... eu me lembro que voltamos domingo de Páscoa e eu me lembro que a primeira coisa que fiz foi ligar para o Professor Isaac, ele atendeu... e eu dizendo...: o como é que está? Vi o jornal, parabéns, felicidades, o que o Sr. Precisar lá da PUC, o Sr. Sabe, conta com a gente...., ele disse: eu preciso de você! Só pude responder... Professor Isaac, o Sr. já está saindo, e se saio eu também, como é que fica na PUC ?... – Não se preocupe..., eu falo com o Reitor, amanhã, você apareça lá no IBGE...- e deu o endereço Franklin Roosevelt e tal... Eu quero começar no final da manhã... apareça no final da manhã, lá para ll:30.

Aí eu fui meio tonto para PUC, falar com Padre Ávila... o Padre Ávila... Meu filho, quem sabe se pode dar um tempo lá e um tempo aqui... então eu muito atordoado, esperei, e no final da manhã do dia seguinte estava lá... O Isaac disse olha: Eu quero você como chefe de Gabinete porque eu não quero trazer gente de fora do IBGE agora... mas eu estou aqui atordoado com essa estrutura... e a única coisa que eu posso fazer é nomear você Chefe de Gabinete, e aí falou baixinho, nessa época todo mundo tinha medo de telefones grampeados e de microfones ocultos, ele virou para mim e disse assim: Eu não confio em ninguém, eu não confio em ninguém ... Está bom, eu levei uma semana querendo continuar na PUC, afinal foram anos de discussão de projetos, mas acabei saindo indo lá com o Isaac... ficou no meu lugar Carlos Alberto Menezes Direito, hoje Ministro do Tribunal Superior...” (depoimento de Eurico Borba à RSA). A surpresa de Eurico e do próprio Isaac pela súbita nomeação foi explicada mais tarde aos dois por Maurício Rangel Reis, secretário geral do Ministério da Agricultura e depois Ministro do Interior no governo Geisel. O convite de Isaac ao IBGE veio de Veloso? “ O Maurício Rangel Reis foi quem lembrou o nome de Isaac ao Veloso para livra-lo de uma confusão de hierarquia militar, porque tinha sido nomeado um coronel e o coronel que durante muito tempo freqüentava o IBGE naqueles Conselhos ligados a essa área de ...geodésia e cartografia... o Decreto de nomeação desse coronel chegou a ser assinado pelo Veloso, e por conta de um problema de hierarquia militar... o general daqui da região era o comandante do coronel... deu três berros lá porque não tinha sido consultado, então criou-se um problema. Um problema para Veloso, que era o Ministro do Planejamento, e que havia indicado o coronel, que por sua vez aceitou, mas ele Veloso não tinha avisado ao general, então criou-se um problema de hierarquia militar... o general estava bravo, o Veloso indeciso... mas quem vou colocar? Maurício Rangel Reis levantou e disse: o Isaac. O Veloso disse, excelente, o Isaac... agora mesmo... ele era amigo do Isaac e falou com o Médici por telefone e o Médici então pediu o curriculum lá e tal e pediu para , para o negócio ser rápido e em 24, 48 horas... quer dizer: o Isaac não teria sido lembrado se o general não tivesse berrado com o coronel... e então o Isaac assumiu... Nos primeiros meses não sentia-mos seguros... quando nós estávamos lá, só os dois e queríamos conversar, nós dois saíamos para comprar jornal e íamos até o Aeroporto, tomar um cafezinho para conversar, porque tínhamos medo de que nas tomadas tivesse um microfone...” Quer dizer, tinha problemas internos da casa, além da questão militar? “E aí eu me lembro de uma reunião que o Isaac foi comigo... com o pessoal do Departamento de Censos, nós estávamos para começar o Censo de l970, e estava tudo atrasado. Então eu disse: Professor Isaac, não tem nenhum problema, eu levanto a bola, se o Senhor não estiver de acordo o Senhor pode me esculhambar, mas eu vou levantar as perguntas e o Senhor depois apazigua... comigo não tem problema, e eu fiz as perguntas mais indiscretas possíveis... porquê que o Censo não estava ainda todo esquematizado, naquela época em administração se usava muito “pert-cpm” então eu havia aprendido na PUC e tal e perguntei, vem cá essa operação censitária você tem um pert, e o Sebastião Reis que era o dono do Censo levantou da ponta, mas, se ele pudesse teria me dado um tiro... Eu fiz o Censo de 40, 50, 60 eu sei todo o processo, está aqui nessa pasta... todas as etapas, esta porcaria de métodos modernos só faz complicar... eu fiquei calado, o Isaac ficou calado por uns instantes..., virou para ele e disse: Eu só quis saber se tinha um elemento que a gente pudesse olhar, ao invés de estar te consultando pelo telefone. Eu disse: Olha Dr. Sebastião o Sr. desculpa, mas só que nós estamos no mês de abril, ou maio e ainda não temos os questionários prontos, os questionários não foram distribuídos, o esquema de distribuição que tem que utilizar Marinha, Aeronáutica, não sei quem mais, o Serviço de combate a malária - SUCAM, nada disso ainda está

pronto? Eu fico preocupado. Como é que dia 1 de setembro os questionário estarão no campo? Bom, na época teve um fato fantástico, tenho cópia desse material em casa, fui tirando cópia, naquele tempo era termofax, tinha um decreto-lei 200 e um Decreto específico de contratação de pessoal para o Censo e a gente pressionando para contratar pessoal, nós precisamos de pessoal, nós precisávamos de computadores, então o coitado do Chefe do Pessoal ficou tão aflito que dizia assim num despacho dizia assim: o Censo é prioritário, na época se usava muito a expressão Segurança Nacional, é uma questão de segurança nacional, portanto contorna-se a lei... e aí o Isaac rejeitava esses expedientes... que contorna a lei coisa nenhuma...tem que ser dentro da lei. Era um período extremamente dinâmico, que se trabalhava o tempo todo, numa tensão danada, denúncias de corrupção, denúncias de comunistas escondidos debaixo das mesas, cada pessoa que você admitia tinha que ter uma ficha do SNI ...Isaac então dizia para o Veloso... Ministro tem coisas que a gente tem que admitir amanhã, não vou esperar duas semanas, três, não mas o SNI tem uma regra. Tem uma regra para o dia a dia, mas para o Censo não pode ter regra, aí tivemos que vir à Brasília, para conversar com o Chefe do SNI na época, que era o general Carlos Fontoura, as apresentações foram feitas, vê como são as histórias, pelo irmão do Presidente Figueiredo, que era o escritor Guilherme Figueiredo... que era muito amigo do Clóvis Zobaran Monteiro... que era um advogado do IPEA e que depois foi para o IBGE... era chefe de gabinete lá em Brasília e o Zobaran foi lá no Guilherme Figueiredo e disse: Olha tem esse problema do Professor Isaac... se encarrega de ver lá com o Eurico de cuidar dessa história... então fomos a Brasília junto com Guilherme Figueiredo, Zobaran foi recebido por General Fontoura para explicar que nós não podíamos esperar e se tivesse algum comunista escolhido...depois a gente veria... O general deu aprovação... então resolvemos esses problemas. Então o ano de l970 foi tomado, tem outras coisas para contar, mas foi tomado basicamente pelo Censo. O Censo tinha que sair, já o ano de l970...” - Só uma pergunta. Em 70, vocês já pegaram o Censo mais ou menos sendo preparado, quer dizer, já havia um planejamento anterior... “ Sim, havia um planejamento do questionário, o estava atrasado era a parte operacional. O Isaac inclusive na Fundação Getúlio Vargas tinha trabalhado muito com Manoel Antônio, no Censo Agropecuário, com Rodolfo Wenshe no Censo Industrial, com Lira Madeira no Demográfico, então o Isaac como já era uma referência muito conhecida... pois era consultor do IBGE desde a década de 50, já tinha trabalhado no Censo de 60 como consultor, já sabia como estavam as coisas e estava acompanhando, o problema era operacional, rodar questionário, empacotar questionário, contratar recenseador, supervisor, treinar...” - Mandar para o campo, logística de distribuição de questionário no campo... “Exato... no ano de 197l, o Censo então coletado é um ano onde se começou então a repensar então o IBGE...que já havia virado Fundação em 1967, mas ainda não era efetivamente uma Fundação” Sobre a visão de Isaac a respeito da Geografia, Eurico conta que nos primeiros tempos de reformulação dos cursos da PUC, a percepção de Isaac sobre a Geografia não era nada boa, mas que esta visão mudou quando começou a trabalhar no IBGE... - Deixa eu só colocar um negócio interessante, você vai perceber que o IBGE como um órgão que tem geografia, estatística e cartografia ao mesmo tempo... é um dos poucos órgãos no mundo que tem isso, e que de uma certa maneira, as pessoas acham interessantíssimo, a maioria das pessoas que lidam com planejamento territorial no sentido amplo... de outros governos, de outros

países, que lidam com isso, dizem mesmo. Vocês não devem acabar com esse modelo, porque é um modelo muito interessante, aonde tem geografia que define a história do território, demografia, o Censo Demográfico que conta a população, a cartografia que faz a representação do território, e a geodesia que faz as medidas desse território juntos é algo que muito poucos países, acho que só o Canadá tem alguma coisa parecida... “ Espanha tem algo assim também. Bom, então com duas ou três semanas de IBGE... o Isaac pegou essa concepção lá de l935, 36, tinha alguma coisa de importante. Bom, depois, aí eu estou falando de maio, junho, o Isaac virou para mim e disse assim: Eu não me esqueço, estávamos caminhando lá no Aeroporto Santos Dumont..., antes tínhamos almoçado lá no Hotel Aeroporto e depois nós caminhávamos até lá conversando ele disse: Eurico os únicos que tem formação acadêmica para conversar qualquer coisa séria no IBGE são os geógrafos...” -Que naquela época eram exatamente a elite de formação acadêmica... a Velha Guarda “ E os únicos que eu estou podendo conversar são os geógrafos, então era Faissol, Miguel Alves de Lima, era o Pedro Pinchas Geiger, era a Lysia que não estava no IBGE estava servindo ao IPEA, o Isaac fez tudo para a Lysia voltar, o Lysia não quis voltar, Marília Galvão, tinha uma outra que depois foi estudar na Inglaterra, fez pós graduação? Olga ...?...” - Era Olga Buarque de Lima... “ Tinha uma outra senhora também, assim mais ruiva, de óculos∗, bom era um pessoal todo que tinha feito seu mestrado, doutorado no exterior, Estados Unidos e França, então isso fascinava o Isaac, porque do lado da estatística ele tinha pessoas que muitas vezes não tinham nem curso superior, tinham feito o Censo de 40, 50, 60 e estavam lá, por exemplo, o rapaz da área industrial, o Florentino, era uma pessoa excelente, ele sabia a estrutura de produção da Wolkswagem, da Carrocerias Marco Polo lá de Caxias do Sul, de cabeça, mas ele não tinha curso superior, bem ou mal ele tinha primeiro ou segundo grau. Havia muitos outros assim, e todos obtiveram diploma de estatístico por conta de uma lei que você levava lá um papel dizendo que você tinha participado do Censo como entregador de lanche e virava estatístico provisionado. Na área de demografia você tinha o Lira Madeira que já era um outro grupo diferenciado dentro da estatística que vinha de uma tradição do antigo demógrafo italiano Giorgio Mortara, que veio fugido do Mussolini e ficou aqui e dizem que o Censo de 40 que foi muito bom, foi ele que fez, e que criou a ENCE e que teve uma tradição grande de formar estatísticos principalmente da área de probabilidade e se esgotou ali nos anos 70 que depois por a ENCE é uma escola isolada, não podia ter mestrado, não sei o quê e aquilo ficou formando bacharéis o nível foi caindo... o IBGE não podia admitir... esses problemas da porcaria da gerência do pessoal do serviço público... então o Isaac começou a ficar entusiasmado com o pessoal da geografia, Faissol e Miguel Alves de Lima com certeza foram os que mais privaram da intimidade do Isaac, Geiger também, a Olga, Marília, também e muito do que se discutiu da reforma do IBGE, se deve a participação desse pessoal, e aí a idéia do Isaac de uma geografia, de uma ciência insepulta, ou morta mudou... e aí vai uma observação minha, minha Eurico eu via três grupos de geógrafos, talvez quatro, vamos assim descrever: l. o grupo liderado pelo Faissol que era a geografia quantitativa, mas na formação dos geógrafos, poucos eram geógrafos com idade de 50 anos de idade estavam dispostos a aprender matemática, estatística, o Faissol fez isso, outro era um grupo liderado por Miguel Alves de Lima que era um grupo ainda da geografia, eu vou usar essa expressão, porque não parece conveniente você corrige como achar conveniente também, geografia tradicional, descrições de territórios, descrições das cidades...”

Eurico se refere a Fany Davidovich

- O Miguel Alves de Lima ele é um geomorfólogo , quer dizer, é um profissional que trabalha com descrição da superfície, de todo o relevo e tal, e talvez isso tenha influenciado você... “ Quando eu fui para Brasília em 75, eu pedi um assessor de geografia e mandaram a Catarina Vergolino Dias, que hoje é uma grande amiga, uma irmã mais velha, mas Catarina era seduzida pela metodologia do mapa, ela ia para uma reunião comigo e queria levar mapas, para na frente do Ministro começar a desenhar, onde estava a indústria, onde é que estava a poluição, onde é que estava a corrente migratória, porque no mapa o pessoal vê, daqui pode codificar, eu digo, não Catarina, você tem que levar tabelas, você tem que levar pequenos relatórios, uma, duas páginas, tabelas, gráficos, aquilo não entrava na cabeça dela, gráfico, a tabela era o mapa desenhado...” - Não entrava mesmo, é tradição cartográfica mesmo, que é uma tradição do Miguel Alves de Lima... aprendida com Francis Ruellan “ Um terceiro grupo, era o grupo do meio ambiente que hoje são os precursores do meio ambiente do IBGE que era a geografia física, então tinha um chefe de gabinete do Miguel que era uma pessoa simpaticíssima, baixinho, o Lúcio de Castro Soares, então ele me mostrava com muito orgulho os artigos dele na Revista Brasileira de geografia de l940, 50, 60 os ventos de tal lugar, as marés, os mangues, a floresta, era uma camarada excelente, se a gente pegar um livro da época tem lá. IBG Superintendente - Miguel Alves de Lima, Chefe de Gabinete Lúcio de Castro. Então esse era o grupo, esse grupo me ajudou muito lá quando eu fiz a Reserva Ecológica do Roncador, e o quarto grupo, é um grupo que eu diria assim: dos magoados, que era um grupo de pessoas que foram maltratadas pela revolução, ou tiveram brigas metodológicas com os outros grupos internos e foram segregados, então para o exemplo eu estou falando do Valverde, que é uma pessoa que quando foi à Brasília me visitar lá por conta da Reserva Ecológica do IBGE me pareceu uma das pessoas de melhor qualidade, inteligência e tal, e tinha o Edgar o Kulhman por exemplo... então esse outro grupo de descontentes o Kulhman, o Orlando Valverde que estavam ressentidos. Catarina tentou recuperá-los, não foi possível porque, eu nunca fiz isso na minha vida acadêmica, mas vejo que até hoje se repete, você repele, o Faissol repelia esse pessoal, não aceitava, o Miguel Alves de Lima repelia esse pessoal, na área de geografia física eles também não entravam... e eles por sua vez estavam ressentidos com a situação nacional... - Existia um problema sério no IBGE é que nesse período a geografia física l970 quando eu entrei no IBGE a geografia física estava em baixa por alguma razão que até hoje nunca consegui decifrar bem, geografia humana e a geografia urbana fundamentalmente era a força e aí não sei se aí teve o dedo também de Lysia Bernardes, etc. e tal... “ Lysia Bernardes era outra que o Isaac tinha a maior admiração por ela...” - Exatamente, então o que você percebe é que quando eu entro no IBGE e aí eu entro pensando no contexto de geografia física, já que eu era escalador, eu era um cara de montanha... então eu entro na geografia imaginando trabalhar em geografia física e eu percebo que no DEGEO a geografia física está em baixa... quem está forte é geografia humana e quem está forte na geografia humana é geografia urbana e onde eu acabo trabalhando e onde eu acabo ficando... e começo a perceber que havia pessoas muito poderosas na geografia física como Alfredo Porto Domingues, como Miguel Alves Lima, como a própria Catarina que conhecia muito de geografia física... mas esse divórcio era forte, eu me lembro que grande parte de que se fazia de geografia no IBGE era geografia humana e na geografia humana no IBGE eram geografia urbana e agrária...além do grupo da geografia regional que solicitava apoio dessas duas.

“ Mas aí deixa eu contar o lado que eu sei de alguma coisa de bastidores, eu estava te comentando das patotas, os grupos, que até hoje você percebe na academia, eu não sei fazer isso, a gente sofre com essa história, mas acontece as pessoas ficam mais amigas, tem conversinhas especiais, segregam, nomeiam quem vai para Congresso, protege aquele grupo que vai fazer o mestrado, tudo por aí... o artigo na revista tem sempre prioridade, então esses grupos começaram a ficar muito claros delineados já em l970, mas o Isaac com aquela soberania dele, soberania não, aquele espírito sobranceiro dele pairando sobre esses problemas ele achava fantástico conversar com o Miguel, conversar com o Lúcio, com Faissol, com Geiger, e tem mais um grupo que não são especificamente de geógrafos, mas que conviviam com geógrafos por conta do antigo IBG e que é preciso ser considerado que é o pessoal de geodesia e cartografia, que no passado tinha uma força vamos dizer assim romântica Dalmi, que morreu em Brasília é um grande amigo que eu guardo assim na memória, Dalmi em l939 sai do marégrafo de Torres no Rio Grande do Sul e de cem em cem metros com aquela régua e tal, vai levando a linha de nivelamento que eu vi em l97l chegar no marégrafo de Torres e essa linha que saiu em 39 do marégrafo de Torres chega em l97l no marégrafo de Belém, Belém do Pará, com Clóvis lá do Ceará e o Daomi presente com uma diferença de apenas 42cm, a pé, esse pessoal de geodesia era então assim o carisma o Dalmi conta a história o Alírio Hugueney de Matos que nós homenageamos em l978 um velhinho fazendo noventa anos, nós fizemos uma base lá em Mato Grosso, numa cerimônia à noite, Base Alírio de Matos, o velho não podia falar, estava com falta de ar, oxigênio no velho para não morrer ali nos nossos braços, esse pessoal era o romântico, então, escutavam a BBC para calcular a hora oficial para ter observação das estrelas, latitude, longitude com rádio de galena, porque era período de guerra, as baterias se desgastavam rapidamente, então faziam rádio de galena para pegar a hora do meridiano de Grenwich para acertar os seus cronômetros e pegar os seus sextantes lá no interior do Mato Grosso e marcar as posições, era um pessoal fantástico, romântico, e tal, então foram heróicos na década dos 40, na década de 50, na década de 60... Che Guevara os abençoa, porque como surgiu a idéia de terrorismo na América Latina... os militares perceberam que era preciso mapear, e para mapear tem que ter o apoio geodésico e apoio geodésico toma dinheiro, eles nunca tiveram tanto dinheiro na vida como esse período, os primeiros rastreadores de satélites que foram funcionar no mundo foram nos Estados Unidos e depois no Brasil, porque tinham que pegar ali fronteira da Bolívia, Peru, aquele negócio todo porque os comunistas iam entram por ali, então o exército precisava para fazer mapas na escala de l:25.000, l:l0.000, mas aí o IBGE tinha que mapear a escala de l:50.000, então eles foram os primeiros rastreadores de satélites aquilo era um treinamento no Panamá, no Canal do Panamá, dinheiro a beça, então naquela época se compara ou caminhão, caminhonete, rádio, tudo, barraca, eu dormi no interior do Mato Grosso em barracas americana, se puxava o zíper por causa dos mosquitos era uma beleza...Era rede barraca, ficava balançando e deixava, era uma beleza, fiz tudo isso pela maior glória de Deus e grandeza do IBGE, então o pessoal de geodesia e cartografia na década de 70, tiveram um grande impulso por conta das guerrilhas... Por conta de um trabalho para o Ministério, tive que mapear as barragens no Brasil e Professor Isaac numa vez estava conversando comigo e eu disse: Professor Isaac, mas o esse dado aqui em escala de l:50.000 principalmente é um dado importante para barragens, para estradas também, ele disse: Eurico isso é importante, no dia seguinte teve uma palestra dele na Escola Superior de Guerra, o Isaac disse: Porque o dado geodésico para nós e essa carta l:50.000 vale tanto como uma informação demográfica e econômica porque pode mostrar aqui as curvas de nível para construir uma barragem, construir uma estrada e seus cursos alternativos...” - Eu imagino como os militares adoravam... “ Eu ficava passando, os militares adoravam, mas os Isaac numa dessas reuniões da Escola Superior de Guerra... um coronel lá levantou e disse assim: Se um dado econômico social for contra os objetivos permanentes da revolução o Senhor não acha que esse dado tem que ser escondido da população, não das outras autoridades e tal, que precisa saber, mas da população? O Isaac ficou branco e disse: Essa é a

diferença entre um estado democrático e um estado totalitário, ele pensou, vou sair daqui preso... Então voltando ao grupo quer não era geógrafo, mas de geodesia e cartografia teve muita força e era um grupo muito unido e disciplinado e com uma produção enorme...” - Até hoje a geodesia, a geodesia brasileira é uma das melhores, quer dizer é uma das melhores das Américas, ela só não é melhor do que os Estados Unidos pois o Estados Unidos tem um esquema geodésico muito grande, é muita gente, recursos, mas ela é extremamente, por exemplo, essa parte de GPS ela foi a primeira a implantar no Brasil, a implantar muito bem implantado no IBGE hoje é matéria comum... “ Então esse grupo de geodesia e cartografia nunca nos deu problema, na época do Censo, fazer mapas censitários eles respondiam com bastante eficiência, bastante rapidez, estavam preocupados na produção de mapas temáticos e aí tinham uma ligação com o pessoal da geografia muito grande... Mas na época começou uma brigalhada danada, Projeto Radam e o INPE sobre as primeiras fotografias de satélite e a imagem de Radar, então havia uma confusão Miguel Alves de Lima dizia que o Projeto Radam era uma porcaria, era um blefe, tinham um engenheiro agrônomo baiano, esqueço o nome dele agora...tinha esse engenheiro agrônomo que eu me esqueço o nome que dizia que o IBGE poderia acabar com o Censo Agrícola porque com imagem de Radam e imagem de satélite, fotografia com alta altitude, de alta altitude, faria previsão de safra...” - Naquela época se imaginava isso... - Mas aí imaginar que o Censo Agropecuário no Brasil... que é um negócio muito mais complexo, se limita a prever safra é outra história... O Isaac ficava uma fera com essa história, Miguel Alves de Lima alimentava dizendo que o Projeto Radam era uma porcaria, que o radar, nunca me esqueço dessa explicação, que o radar era na vertical, quando era inclinado as elevações...” - As elevações apareciam sombras, davam sombreamento... “ Então a parte de altimetria nunca era correta, que o dentro da mata Amazônia tinham verdadeiras montanhas, com mais de quatrocentos, quinhentos metros, aí vinha o Lúcio dizia que tinha andado lá por dentro que era verdade...” - Isso aí tem uma história muito interessante que em l974 eu fui num Congresso de geografia em Belém e o pessoal do Radam trouxe uma nova visão da geomorfologia da região Amazônica, a região Amazônica era conhecida como uma planície Amazônica, então era tudo plano, e ninguém se discutia, era plana, etc., e chega o Radam e mostra que não, é plana em termos, quer dizer: existem elevações, etc., e tal, então vamos ter que discutir a classificação de como nós vamos denominar essas elevações dentro de uma área que é em média planície, e aí isso causa um transtorno louco para todos os caras, geógrafos de geografia física que sempre falavam de planície Amazônica e planície é zero a dez metros, quer dizer, então a idéia é essa de zero do nível do mar a dez metros, e os caras não: tem planície, tem montanha de cento e tantos metros, cento e dez, duzentos metros, e isso foi um caos total em l974, porque a geografia clássica, geomorfologia clássica anterior definia a Amazônia como planície e ninguém queria largar disso e os caras diziam, não é assim e etc. e tal e aí tem toda uma discussão técnica sobre o radar do Radam era bom ou não era, se servia para mapeamento ou não... e o Miguel Alves de Lima possivelmente era um desses partidários que era contra ... Já Isaac descobrindo que os geógrafos tinham um nível acadêmico superior, eu estava falando com ele, na área da estatística tinha o Ovídio que era um advogado que virou estatístico, tinha aquele da Indústria que você trabalhou com ele, era um

velhinho fantástico, Florentino uma figura fantástica eu estava falando isso, ele sabia a estrutura da produção da Wolkswagem, da Marco Polo, tudo de cor...” - Ele se identificava com os questionários de tabulações especiais a mão, ele sabia exatamente o que podia e o que não podia fazer, marcava um “X” na tabulação... “ Mas não tinha nível superior, o Rudolph Wenshe sabia fazer as coisas e tal, mas era um quadradão ali da turma, formada no campo desde a década de 40, 50, 60... então o Isaac começou a conversar muito com Miguel Alves de Lima, com Faissol que tiveram uma influência muito grande nessa transformação do IBGE toda, nessa mesma época o Isaac começa a perceber, estamos já falando em 7l que tinha que trazer gente de fora e tinha que mandar gente para o exterior, para fazer mestrado e doutorado...” - Continuar o que a geografia sempre fez, aquela história de mandar pessoal para o exterior existe desde a década de 40... a geografia sempre teve essa política de, sistematicamente, mandar pessoas para o exterior para fazer especialização, pós graduação, etc., e tal... “ l97l, 72 começaram vocês chegar no IBGE...” - 73 foi o período de contratação em massa, 72, 73 foi o período forte em contratações... “ Nesse período foi Sônia, Madalena, Jane, Maristela, essa turma toda, Eurico Borba também fala da questão da urbanização no Brasil e no processo de estruturação das “áreas metropolitanas” , mas imaginando ser uma questão do início dos anos 70, quando, na verdade, o problema já estava na pauta dos geógrafos do IBGE desde meados da década de 60, inicialmente conduzido por Lysia Bernardes sob a orientação de Michel Rochefort e, posteriormente, por Faissol, Geiger, Marília Galvão, Fany e uma equipe denominada Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM) no qual trabalharam, além de Faissol e Marília as geógrafas Olga Maria Buarque de Lima e Elisa Maria J. Mendes de Almeida. O grupo já havia publicado na RBG v.31n.4, p. 53-128, out./dez. 1969 um artigo que estabelecia os critérios para identificação e delimitação das futuras áreas metropolitanas, para que fosse preparado um levantamento estatístico especial a ser aplicado durante a campanha censitária de 1970. Mas como Isaac e Eurico, que chegaram em meados de 1970 no IBGE, provavelmente somente tiveram conhecimento desses estudos bem depois, quando o Ministério do Planejamento fez solicitações a respeito do problema. “ ...o governo começou a se preocupar com o problema da urbanização, aí também houve esses acasos felizes, l9..., eu já não sei a data correta, 7l, 72, começou a se discutir regiões metropolitanas e aí, eu estou falando discussão a nível de governo, executivo, quais os critérios para delimitar uma região metropolitana e aí...o Veloso tocou um telefone para Isaac... eu me lembro nós estávamos numa reunião, em que as primeiras PNAD estavam sendo discutidas... ele saiu, me chamou assim, chamou o Faissol e eu tenho absoluta certeza que o Faissol chutou... aquele negócio, ele percebeu a importância do negócio, o Isaac disse assim: O Veloso quer uma resposta para uma reunião com o Presidente Médici se nós temos critérios para fazer Região Metropolitana, o Faissol, quando? Nós podemos fazer... aí eles viraram acham que madrugada, no sábado, no domingo, e tal, eu me lembro que tinha negócio de número de ligações telefônicas, número de passagens de ônibus, foi para definir as áreas... e

logo depois, vocês colocaram na praça e até foi uma edição multiplicada por dois ou três da Revista Brasileira sobre Região Metropolitana, uma capa verde, e aquilo saiu, foi enviado uma mala direta e o Veloso começou a gostar da idéia...” - Já existia no DEGEO, por conta do Faissol, já existia um grupo chamado, quando eu entrei em l970, já existia um grupo chamado GAM que era Grupo de Áreas Metropolitanas, em que ele já estava preocupado com isso, porque que ele tinha conhecido nos Estados Unidos a história das Standard Metropolitan Statistical Area (SMSA) é um termo específico de definição de áreas metropolitanas e de definições estatísticas de áreas metropolitanas nos Estados Unidos. Ele tinha percebido esse processo no Bureau of Census dos Estados Unidos, tinha visto que isso era extremamente importante para o Governo Americano em termos de planejamento para transporte, integração, telecomunicações, etc. e tal... O DEGEO já estava trabalhando com isso em períodos anteriores, mas dentro de outros contextos... e aí você vê como o negócio tem ligação, Lysia Bernardes apresenta a idéia de que a rede urbana brasileira estava se modificando... a população urbana brasileira estava crescendo, estava começando a sobrepujar a população rural, coisa que na década, no Censo de 60 começa a mostrar isso, mais o Censo de 60 foi um Censo problemático... que não pode fornecer bons dados para esse tipo de pesquisa imediatamente... os geógrafos urbanos do IBGE já haviam percebido que estava acontecendo, mas sem certeza estatística... em 70 esse negócio ocorre e já é mais visível em outras áres do governo. Porém, as primeiras discussões aconteceram entre 60 e 70, a Lysia Bernardes começa a perceber isso através dos estudos do francês Michel Rochefort sobre rede urbana, estudos de redes urbanas, quando ela chefiava a Divisão de Geografia após 1964 e o Faissol pega essa idéia em 1868... quer dizer, a Lyzia vai para o IPEA, sai do IBGE vai para o IPEA e o Faissol pega esse mote... ele vai aos Estados Unidos, como ele tinha muito mais ligação com os Estados Unidos, ele tinha feito doutoramento nos Estados Unidos e começa a perceber que nos Estados Unidos essa questão é importante, etc. e tal, ele pega a tecnologia e todo o aparato estatístico, que isso era feito nos Estados Unidos e aí que de uma certa maneira começa a história, um pouco capenga, começa a história da Geografia Quantitativa que no fundo, no fundo, não é a geografia quantitativa é muito mais uma visão de um indivíduo que está numa área, numa agência de governo de planejamento, dele começara perceber o que é importante para municiar o planejamento de governo e aí, a história de geografia quantitativa acaba surgindo muito em função de uma questão de o Faissol perceber essa questão, isso aí que você está mostrando exatamente esse ponto... “ Mas tinha brigas internas grande, por exemplo eu me lembro o Miguel Alves de Lima, foi uma ou duas, várias vezes... ele dizia para o Isaac e para mim... o que esse grupo que estava fazendo... não era Geografia... eles não estão fazendo Geografia... e Catarina, que era muito mais livre no falar, amiga do Faissol, o pessoal gostava muito dela, eu me lembro lá, me lembro lá em casa em Brasília os dois praticamente se atracavam porque ela dizia assim ... você está traindo a Geografia, você está fazendo mal feito o trabalho que sociólogo, economista, demógrafo... você não tem formação específica para isso... nossa formação é para conhecer o território, a ocupação, escrever, descrição... então as brigas eram sérias e aí eu acho que nessa das áreas metropolitanas o Faissol forçou um pouco a barra, o Faissol percebeu que ele poderia ser para o Ministério do Planejamento, um instrumento de planejamento... o Veloso só aceitou porque achava que era um serviço que o IBGE estava prestando bom e que tinha o aval do Issac. O que o Isaac pedia para o Faissol, ele sempre dizia assim: você testou isso com o Lira Madeira? Testou isso com fulano e tal? Ele nunca deixava de falar isso, mas sempre falava isso e as vezes o Faissol ficava magoado e vinha se queixar para mim: o Isaac pensa que eu vou fazer uma coisa dessa? - Eu digo não, é uma coisa importante e tal. Eu falo lá e a o Lira Madeira, Valéria Mota Leite que trabalhava nesse histórico, na área de economia estavam chegando outros, a Maristela várias vezes checou coisas do Faissol... Um outro ponto da época foi a divisão em Meso Regiões... o Veloso sempre falava muito bem do trabalho de

Micro Regiões Homogêneas e logo depois dessa Lei o Faissol saiu correndo atrás e publicou Brasil em Meso Regiões ...” Este processo de regionalização em microrregiões homogêneas inicia-se em 1967/1968 e foi coordenado, primeiramente por Lysia Bernardes como chefe da Divisão de Geografia e de 1968 em diante por Marília Galvão que assume o Departamento de Geografia. O processo de regionalização em mesorregiões foi trabalhado por Faissol em 73/74 para ser adotado nos censos econômicos de 1975... “ Antes de você ir... deixa eu contar esse último fato... uma coisa importante para se estabelecer um contraste: Aí o IBGE teve uma função fundamental na definição das áreas metropolitanas e toda vez que esse problema de urbanização aparecia o IBGE era chamado, eu me lembro o Jorge Franciscone ficava uma fera... porque o Franciscone tinha sido nomeado para coordenar o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano, e aí era o Veloso... que dizia para o Roberto Cavalcante, que dizia para o Franciscone, Jorge Franciscone, já checou com o IBGE? Isto é, era o IBGE que batia o martelo nessa história..., porque aí a palavra final que tudo que se tratava de urbanização passou a ser do IBGE... Da questão das áreas metropolitanas, Eurico passou a relembrar o processo administrativo do IBGE na gestão de Isaac, com a restruturação administrativa da casa e a luta de Isaac com outras agências de planejamento econômico... “ Bom, mas então voltando ao Isaac sobre sua relação com o Departamento de Geografia e com os geógrafos do IBGE lá nos anos 70. Com a criação do IBGE a Lei 5878 em maio de 73 eu passei a Diretor Geral foram criados a Diretoria Técnica, a Diretoria de Informática, a Diretoria de Formação, a Diretoria de Geodesia e Cartografia, a Diretoria de Divulgação e a Diretoria de Administração, a Diretoria Técnica foi entregue ao Amaro Monteiro e tinha Superintendências Estatística Primárias, Estatísticas Derivadas, Estudos Geográficos e Sócio Econômicos e Recursos Naturais, aí já estava começando a surgir efeito a política voltada para o médio e longo prazo do velho Isaac...de contratar gente já com alguma formação, mestrado e doutorado e garantir aos funcionários do IBGE idas ao exterior para cursar aperfeiçoamento e fazer então mestrado e doutorado e aí nos anos de 74, 75. Foi um trabalho muito grande de estruturação do novo IBGE, o quadro de pessoal os critérios de promoção, verdade seja dita, o Ministro Veloso e o Mário Henrique Simonsen que estava no Ministério da Fazenda nas época nunca negaram nada ao Isaac... sempre foi possível nós garantirmos o nosso orçamento... em termos legislação se cita sempre a Lei 5878, mas se esquece de duas leis muito importantes, uma dela foi implementada com bastante vigor e a outra ficou no papel por dificuldades políticas que nós vamos mencionar aqui. Uma diz respeito ao plano de formação estatística e geográfica e cartográficas, estabelecendo periodicidade, abrangência e tal, isso foi implementado e tudo bem, e a outra é o problema da coordenação do sistema estatístico nacional que é confuso, porque na época como se falava muito já em geodesia e cartografia, geografia, estatísticas primárias, estatísticas derivadas como uma única unidade de estudos e reflexão sobre o Brasil, nós começamos a ter oposições muito sérias que pouca gente sabe..., que foi muito pouco explorando... Enquanto o IBGE, principalmente o lado da geografia por seus estudos de urbanização, metropolização, vários artigos sendo publicados na Revista Brasileira de Geografia era mais conhecido nas esferas de governo, e os primeiros resultados sobre Censo Demográficos de l970 também ajudaram... Por outro lado, no campo entre a Economia e a Estatística... depois as primeiras tentativas de construção da tabela de relações intersetoriais, as tabelas de insumo-produto e depois a idéia da construção do Índice Nacional de Preços do Consumidor, o restrito e o ampliado, até oito salários mínimos e até trinta salários mínimos, que partiu daquela grande pesquisa o ENDEF - Estudo Nacional de Despesa Familiar realizado em 74 e 75..., veja como isso tudo era encadeado... treinamento de pessoal, formação de pessoal, reestruturação da estrutura do IBGE, nova legislação, tudo isso sendo feito, visando a

. para fazer estudos prospectivos para avançar teorias sociológicas.... Até l976. analisar e divulgar informações. sistematizar. geomorfologia. O Isaac disse assim: Veloso o IPEA está com seus dias contados. 77. com sociólogos. a hegemonia intelectual dos geógrafos se fazia sentir de uma forma muito marcante. econômicas. geografia física. a Teresa Cristina. todo esse pessoal. essa era a idéia do velho Isaac. quando eles perceberam que nós queríamos isso.. bem formada e de doutorados. os principais interlocutores do Professor Isaac continuavam a ser os geógrafos. que infelizmente quase não foi utilizada e acabou saindo do censo de 91. para trabalhar no segmento entre Estatística e Economia. o Ramonaval..... “ Eu acho que tem várias coisas que a gente podia chamar a atenção para um problema de publicaçõe. porque ele queria uma matriz de migração inter-municipal na medida do Censo de 80 que pudesse mensurar migração interna no Brasil no nível. o futuro do IBGE é fazer isso tudo e fazer grandes convênios com as Universidades. etc.. inúmeros só os trabalhos sobre cerrado que o IBGE fez naquele período. que foram reclamar com o Ministro Veloso que o IBGE nos termos da legislação e é importante que vocês vejam isso na 5878. o Isaac disse para o Veloso isso numa reunião estava presente o Élcio Costa Couto que era o Secretário Geral do Ministério. 75 nós começamos a sofrer elegantemente um bloqueio. Quando em l978 se eu não me engano... você nunca disse isso para mim..... o José Burle de Figueiredo... quando nós saímos em l979. na escala de município e ele conseguiu isso realmente as duras penas ele conseguiu bancar esse projeto. a Maristela Santana por exemplo na área de economia. você quer acabar com o meu instituto.. quando começamos a colocar as primeiras tabelas na matriz de insumo-produto para fora e começaram os primeiros resultados do PNADs consistentes.. e aí começa uma interação muito interessante e muito fácil com o trabalho que os geógrafos vinham desenvolvendo.. o Veloso deu uma risadinha e disse: Isaac você continua um professor e o Élcio Costa Couto deu um pulo da cadeira: Isaac você é um traidor.” Ao Faissol é creditado a famosa matriz de quatro mil municípios de migração. já estávamos extremamente bem programados. sociólogos começam a chegar ao IBGE. a Madalena Cronenberg. 77. houve um problema interno com o Amaro da Costa Monteiro. na Lei das Informações Geográficas e Cartográficas e Estatística e na Lei do Sistema Estatístico Nacional. e o IBGE nesse período terminou com essas .. economistas. 77 quando começamos apurar o ENDEF. Eu e Professor Isaac redigimos isso com cuidado auxiliado pelo Clóvis Zobaran Monteiro.. a Sônia Rocha.. de um lado por conta do IPEA e do BNDES.... através dos cursos de professores de primeiro e segundo graus e de professores universitários. ele deixou de ser Diretor Técnico. começa a vir um outro grupo de pessoas inteiramente diferente.. analisar também.” .. eu não sei se você lembra disso... a Jane Souto.. anuais.criação daquele grande instituto que seria o instituto capaz de escrever e interpretar o país em todos seus aspectos relevantes ao planejamento. Quando essa idéia começa a transparecer e os nossos adversários só foram perceber isso lá pelos idos de 74.. engenheiros agrônomos. como o IBGE divulgou na área de geografia.. quem assumiu foi o Faissol a aceitação foi tranqüila e a liderança dele foi tranqüila.. que se fala a cada momento de propósito.. grandes convênios com o Centros Internacionais para fazer análise de dados. Presidente do IPEA e que virtualmente deu um pulo da cadeira. A área que ministrava esses chamava-se de divisão cultural e vinha desde seus primeiros da década de 40. o término do Boletim Geográfico e o término do IBGE como área formadora do corpo docente de Geografia. Isaac isso é uma traição. começamos com os primeiros testes do INPC. de IPCA até esse momento 76. compete ao IBGE coletar. então elegantemente nós fomos sendo bloqueados nessa pretensão de expansão do IBGE.Existe um ponto interessante que sempre é colocado contra Isaac e Eurico. já estávamos bem adiantados para os estudos para o Censo Demográfico de 80 e Faissol liderou aquilo dialogando tranqüilamente com economistas. mas a partir de 76..

e tal. reagiram mal à Superintendência de Recursos Naturais o Miguel Alves de Lima... que não viam mais sentido na publicação e que era importante fortalecer a Revista Brasileira de Geografia.... Catarina...Ou os trabalhos do Assis Ribeiro que foram publicados. isso novo nome para o que nós fazíamos na década de 40 em geografia física.. por ter uma visão muito setorizada da questão.. os geógrafos reagiram muito mal. eu acho que o único que se opôs a isso foi o Lúcio de Castro Soares. não tinha gente com formação específica em recursos naturais. publicações do ano de 78. todos eram contra dizendo: isso é bobagem. ele ficou no IBGE. conversando com o Isaac resolvemos. porque logo depois surgiu um câncer no pulmão e ele faleceu logo depois.. achavam que aquela história deveria estar sendo colocada a nível de Departamento no máximo do Departamento de Geografia Física revitalizada etc.mas isso o Wamderbilt não conseguia fazer. escrito coisas sobre os problemas ecológicos e então o Isaac convidou-o para ele ser o primeiro Superintendente. árvores do Brasil. 79 da área de recursos naturais eram uns livrinhos assim sobre orquídeas do Brasil.. e aí foram todos.. essas coisas e nós conhecíamos bem porque Paulo de Assis Ribeiro foi professor da PUC e era muito amigo nosso... naquela época em l974. “ Curso de formação de professores eu nem. me lembro não tenho a menor idéia. dá a impressão que o divórcio havia terminado. de ele ter existido. que existiam problemas... uma foi o Boletim Geográfico que era uma revista paralela a Revista Brasileira de Geografia e o outro era esses famosos cursos de formação de professores. mas o primeiro repique que me dá na memória é que Miguel Alves de Lima e Faissol juntos é que sugeriram a Isaac o término.. que chegou a um determinado momento não sabia o que ia fazer com aquilo por falta de gente.. trabalhos dele. Ele ajudou muito na redação do texto da exposição de motivos da Superintendência e ficou conosco não mais que seis meses. mas o outro aspecto eu não me lembro.. gostava muito do Isaac. depois foi ser superintendente do Jardim Botânico até recentemente quando faleceu. quer dizer. tinham curiosos.. 75. quer . “ Foram publicados pós-mortem.. e aí nós tivemos dificuldades até o final do mandato do Isaac de encontrar uma pessoa com liderança intelectual capaz de levar a frente o projeto de recursos naturais.... Isaac e eu uma vez falando disso já estávamos tão preocupados com o andamento dos recursos naturais.... e mas aí todos os geógrafos foram contra a idéia de recursos naturais. Então. mas não tinham formação específica.. você pega por exemplo.No início dos anos 70 já estava presente a discussão do problema ecológico... Eu queria fazer uma menção ainda a um outro problema. dentro da visão da grande instituição capaz de fazer a descrição do país e capaz de analisar todos os problemas sociais. que o Wanderbilt não conseguia mobilizar gente.” . quem sucedeu o Paulo de Assis Ribeiro foi o Wanderbilt Duarte de Barros que é excelente pessoa. era um ótimo botânico....” . e o Paulo Assis Ribeiro era um verdadeiro pioneiro nessa área dos problemas ambientais e já tinha criado cursos. quer dizer. o Isaac dizia: o Paulo de Assis Ribeiro poderia conversar com o Censo Industrial e verificar através de um cruzamento de dados que produtos que utiliza o seu processo produtivo que estão a poluir atmosfera e dali sair amostras e etc.. Clube de Roma. que gostavam e tal.. mas o problema e que a visão setorializada versus a visão do Isaac que era uma visão integrada. como surgiu os Recursos Naturais dentro do IBGE... tinham pessoas que acreditavam. não me lembro nem do tema. que se não me engano ele era o editor.Você não lembra como isso acabou? “ Não...” .. O Boletim Geográfico eu me lembro e posso estar errado. entregar o problma para velha guarda e chamamos o Kuhlman entregamos os recursos naturais.. econômicos. Faissol.duas atividades. Além isso.Mas eles achavam como que essa área de geografia física seria revitalizada? Porque como você fala.

até porque todas as atividades humanas tem a ver dentro da física e algumas coisas físicas tem a ver dentro da humana. você não pode separar a física da humana. ou uma recriação de uma área de geografia física que continuava sendo desconsiderada pelos geógrafos que estavam no poder..” O contexto em que o Paulo Assis Ribeiro pensava foi o que vingou. um divórcio que é estranho....” . dizendo que esse troço de ecologia era geografia física com outro nome. de ocupação. alguns geógrafos humanos acham que estamos perdendo poder. era aquele negócio de ver solo. inclusive poluição. esse é um ponto extremamente interessante para mim porque eu tento entender qual foi a razão do divórcio. 76.. da Climatologia. os grandes diagnósticos. eu acho que não..Mas não podia ser uma recriação de geografia física... planta. não por necessidade... não sei o quê e eu fui fazer outra coisa dentro da geografia. a corrente Faissol. e aí não é uma crítica ao velho Wanderbilt. que estão fazendo a geografia andar. o élan da época... “ E aí a área de ecologia que poderia ser o vetor recuperador de geografia física.. ele teve uma grande contribuição. quando eu entrei em l970. e sim uma visão integrada de meio ambiente.. a corrente Miguel... o Paulo Assis Ribeiro pegava. que nunca foi devidamente discutida.. climatologia. você tinha um divórcio entre geografia física e geografia humana e o Radam entra. só para ficar claro.. já estava lá a Superintendência de recursos naturais.o divórcio se dá na década de 60.isso deve ter batido de frente com esses geógrafos. por vontade. que nós voltamos à idéia de entrega para o pessoal de geografia física. de população. as coisas ficam interligadas.. depois o Paulo de Assis Ribeiro tinha uma outra visão que era capaz de integração com demografia. a coisa acontece. gostem ou não... “ E esse pessoal não pegava... do contraste entre o pensamento de Paulo e de Wamderbilt.... onde ficava a história Radam e onde o Radam se enquadra direitinho dentro dessa estrutura do IBGE e onde ficou claro até hoje esse problema. não sei. acredito que seja uma relação de poder.. quer dizer. são os famosos diagnósticos integradores. Amazônia . e terceiro eu Isaac por conta. se viu que não tinha mais graça.. etc.. eu acho que muito pelo contrário.. havia uma questão de liderança. um rejuvenescimento.. sei lá depois da quinta ou sexta excursão.. 75.. a idéia de.dizer. com a Lei. havia um divórcio bastante grande entre a geografia humana e física e a geografia física era alijada completamente e era considerada menor. “ O Faissol me conta que jovem. Geomorfologia. acho que a geografia só vai poder caminhar se integrar-se à geografia física e a outras ciências do meio ambiente. em que Eurico e Isaac imaginam em 76. que até hoje não é muito explicado. foram formados dentro da Geomorfologia e dentro da Biogeografia. e ele será o mecanismo moderno da geografia física. onde. primeiro os geógrafos todos... saiam naqueles carros de excursões pelo interior e ele me disse uma vez porque que mudou de área..E aí é que entrou um negócio interessante. e isso é um negócio que até hoje é muito mal digerido por alguns geógrafos humanos. mas veja bem... ele disse que chegou o momento.. mas eu acho que havia uma questão de poder.. mas não era a visão que se queria.. com censos econômicos.” . são três idéias que vamos discutir aqui.” ... biologia. “Mas em 1973.... e que o IBGE já vinha fazendo isso desde l940. talvez não tivesse a força. mas aí nós saímos em 79 o negócio degringolou e .Por exemplo. bem jovem no IBGE. e acredito que esse ponto..... esse é o ponto onde entra o discurso do Edson Nunes. geologia.. uma separação entre física e humana. porque todos os geógrafos da velha guarda foram formados dentro da geografia física..

que talvez seja parecida no futuro com outras coisas.” . Edson Nunes foi um dos principais articuladores do programa de governo de Tancredo Neves. e era o governo militar . fiz mestrado em ciências políticas e aí me alojei definitivamente na profissão. Sua gestão foi fortemente conturbada por movimentos sindicais que instituíram um regime de greves tão sistemático.que eu comecei em l972. veio estudar em Niterói.... acompanhando as discussões entre Ministérios e influenciando nas decisões.. a dar seu depoimento para esta pesquisa foi Edson Nunes.. culminando com saída de Nunes e estabelecendo uma intervenção do Ministério do Planejamento através de Celsius Lodder que fica até a posse de Charles Curt Muller. por ordem cronológica. convertido tragicamente em governo de José Sarney e acompanhou de perto a gestão de Edmar Bacha no IBGE. cansou-se da medicina. que ficou 16 meses no cargo. em determinadas áreas aquela área ia para frente. achou muito fácil. e foi o que eu não encontrei em l992. pois é em Berkeley que se estruturam os laços de companheirismo com uma elite de profissionais que viriam a representar papéis importantes no governo brasileiro da Nova República e após. Mas eu acho melhor falar 92 num outro dia..... nós imaginávamos que a situação da geografia estava bem equacionada e aí. principalmente no que concerniu às articulações da montagem da Comissão de Reforma Administrativa (CRA).. A importância do papel de Nunes no IBGE inicia-se muito antes de sua posse em janeiro de 1987. pois não.. em substituição aos 18 meses de Edmar Bacha. Iniciaremos com sua vida acadêmica no IUPERJ e sua ida para o doutoramento de Ciência Política na Universidade da Califórnia em Berkeley. tipo CEBRAP que era a institucionalização dos institutos de pesquisa fora da estrutura estatal.. “ Gestão Edson de Oliveira Nunes O próximo presidente. vocês pensaram grande para 1975. que acabou sendo parcialmente implementada em sua gestão. a liderança de pessoas no IBGE não só o Faissol na geografia. cansou-se do direito e resolveu simultaneamente fazer ciências sociais.. “ Carreira é uma coisa rápida e biográfica é isso.. “ Mas aí quando eu sai com o Isaac em setembro de 79. os rimas. que acabou por gerar uma crise. eu sou um homem do interior.. em l992 ficava berrando nos corredores. você tinha o CEBRAP também no mesmo processo. etc. quando o IBGE tinha determinados líderes bons. se formou nas duas. mas pensaram certo. gerenciamento costeiro. Cadê a velha guarda? E não encontrava ninguém. Carajás. daí para a frente oscilou entre as duas. Minha carreira é o seguinte: eu me matriculei. mas que o IUPERJ estava passando por uma fase muito interessante nos institutos semelhantes do Brasil.. foi fazer direito.Esse mestrado de ciências políticas foi feito onde? “ Foi no IUPERJ.. lá no IUPERJ eu tive uma experiência.legal. então esse é o caminho. para a fazer vestibular de medicina. Nunes também foi um espectador privilegiado do processo de absorção do Projeto RADAMBRASIL pelo IBGE em 1985.

havia uma pletora de recursos, o FNDCT, o FNDCT com bastante recursos e IUPERJ começou a se institucionalizar e fizemos um braço de pesquisa no IUPERJ e eu era o coordenador desse braço de pesquisa eu fui o coordenador, o diretor, o nome que tenha de pesquisa do IUPERJ de 72 até 78... O meu preceptor, ou orientador, ou mentor, era orientador de teses o professor Vanderlei Guilherme dos Santos, me ajudou fazer essa área e montamos então o braço não acadêmico do IUPERJ... Fiz uma tese de mestrado preocupado com isso, como é que é essa coisa de ter um instituto que é acadêmico que faz mestrado e doutorado, e faz pesquisa aplicada... a tese de mestrado. Divisão Social do Trabalho Intelectual... pensando nisso...na instituição, são carreiras acadêmicas e são essas pesquisas aplicadas, a banca era formada pelo Professor Vanderlei Guilherme dos Santos, pelo professor Edmundo Campos e pelo Professor Simon Scchwartzman, cujo me mandou refazer a tese toda, leu disse: não tá bom, você escreve bem, escreve rápido, faça outra...assim fiz... Depois disso eu fui para os Estados Unidos fazer doutorado de ciência política, passei um ano em Chicago, e o resto do tempo em Berkeley, fazendo doutorado em Berkeley, acabei o processo, em quatro anos e meio eu consegui matar a charada do doutorado com tese e tudo... A estadia em Berkeley durou até 84, 85 por aí... muito agradável porque Berkeley e Stanford se mostraram duas Universidades fantásticas, Universidades irmãs, com um programa conjunto de estudos latinos americanos e junto com alguns professores de Berkeley chamado Albert Fishllow, outro chamado John Worth que é um historiador especialista, um brasilianista, outro chamado David Collier, outro chamado Hilgard Stemberg que era um geógrafo brasileiro... que era professor em Berkeley, nós montamos um programa de estudos brasileiros que conseguiu um apoio financeiro substantivo de uma organização - possivelmente eu vou lembrar do nome durante mas cujo o executivo era o Keneth Maxwell que é um historiador, também brasilianista... que saiu de Portugal, etc., gostou do projeto, a organização era a Mellon Fundation... e tivemos três anos de um programa de economia política do Brasil... esse programa foi muito interessante e eu fiquei acabando o doutorado e trabalhando como coordenador do programa que deu uma experiência muito boa nos Estados Unidos, que de novo eu trabalhava numa área para-acadêmica, tinha meu escritório, no centro de estudos latino- americanos e trabalhava com essas pessoas, trouxemos vários professores brasileiros no período que conheci na academia brasileira, e latino americana, trouxemos o Didier O´Donnel que estava na Argentina e depois veio para o Brasil, trouxemos o Roberto da Mata para a lecionar, trouxemos Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso foi um programa muito ativo e recebemos vários visitantes e firmamos um convênio com o IUPERJ que deu início a coisa que hoje é comum no Brasil, que eram os estudos sanduíche, os estudos sendo as bolsas sanduíches ou bolsas de aperfeiçoamento... e recebemos vários para profissionais interessantes, Maria Hermínia Tavares de Almeida, teve um tempo conosco, Andréa Calabi teve associado ao Centro, quando acabava sua tese de doutorado, José Antônio Lavareda que estava acabando... sanduíche foi com o IUPERJ no grosso, Lavareda que hoje é um analista do Fernando Henrique Cardoso esteve conosco, ou seja, foi um programa muito de sucesso e aí formou-se nesse programa uma ligação entre vários amigos, Andréa Calabi estava lá, Paulo Zagen que hoje é Diretor do Banco Central... também dividia a sala conosco, Gerald Hayes que fez o doutorado em Busines Administration e hoje é membro do Conselho de Reforma do Estado, sócio da CONCENP junto com Calabi, também esteve lá fazendo o doutorado, Vanilda Paiva esteve por lá, o René Dreifus*** andou por lá, ou seja, foi uma época, muito rica e com esses recursos, nós fizemos, publicamos um livro nós estados Unidos John Worth e eu Tom Bogadshulth publicamos no Brasil, fizemos conferências isso estreitou muito os laços numa comunidade de cientistas sociais, o Fishllow é muito amigo de Edmar Bacha, e daí deu-se por conseqüência que fizemos um livro que está publicado nos Estados Unidos onde existe, no qual existem artigos de Pedro Malan e Régis Bonelli, Pércio Arida, André Lara Resende, Andréa Calabi, eu próprio, com Bárbara Guedes que é uma moça que hoje é uma professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Roberto da Mata, certamente... um grupo de professores brasileiros, etc., etc.

E essa estadia nos Estados Unidos, principalmente a fase que eu era coordenador do programa de estudos brasileiros com recursos e atividades, me permitiu fazer uma séria de atividades em San Francisco eu fazia programa de rádio, fazia atividades e ao mesmo tempo montamos essa rede de relações, porque Pércio Arida estava no MIT fazendo alguma coisa, o André estava não sei onde, ou seja, estabeleceu-se uma rede de conexões que acabou-se mostrando uma máfia, no bom sentido... meio de Berkelry, meio de doutorando no exterior cuja... no grosso entrou no poder em l5 de março de l985... portanto eu voltava dos Estados Unidos em dezembro de 84 numa situação muito esdrúxula, o IUPERJ já não me reconhecia mais, eu já tinha passado, não conhecia o pesquisador, não existia essa figura que era eu... então eu vim para a ser um pária, eu não era... nem professor, nem pesquisador e era PHD em hora imprópria... o grosso das pessoas do IUPERJ não tinham acabado o doutorado e também não me queriam porque eles não tendo acabado... como é que eu ia entrar no lugar deles, quer dizer, ficou uma situação esdrúxula, que foi resolvida, quando a partir de dezembro, novembro, dezembro de 84, ficou claro a montagem do governo, João Sayad seria o Ministro (Planejamento) e esses mesmos amigos que acabei de falar eles estavam todos envolvidos na mesma coisa, então começamos a fazer reuniões informais sem a menor noção, nenhum de nós entendia onde é que era o governo, o quê que era Brasília...” - Como era Brasília... “ Onde era Brasília, nós sabíamos, governo é uma coisa de militar corrupto que tem umas mansões muito grandes e que nós vamos lá e não sabemos o que fazer, eu me lembro de várias e várias reuniões na casa de Calabi em São Paulo, montando para a cá e para a lá, dá-se o homem, o Tancredo se elege, vamos nós para a Brasília, em março, em começo de março... não tínhamos dinheiro para a ir, a FIPE pagava hotel de todo mundo... bancava todo mundo, estamos lá e todos sentados no meio fio no dia quatorze vendo, o Tancredo ser enterrado, começou um governo no qual o João Sayad na área de planejamento era o Ministro, Andréa Calabi era o Secretário Geral e eu era o secretário Geral Adjunto, e nosso pânico com o setor público era absoluto, nenhum de nós tinha vivido com o governo exceto Andréa que tinha trabalhado com Serra e Sayad no governo de Montoro em São Paulo, eles tinham um pouco de noção lá...” - Mas aí é uma noção de São Paulo, não uma noção de Brasília... “ E a gente chegava lá com medo, tinha medo das Secretárias, medo dos Assessores e ao mesmo tempo tinha recomendações de Delfim deixou recomendação de dois ou três, o outro falava de dois ou três, ou seja, tivemos que entender uma Brasília que para a nós era incompreensível, estávamos muito medrosos, mas ao mesmo tempo tínhamos que tocar o barco, e chegamos ainda a um governo que não imaginávamos... tínhamos imaginado o governo Tancredo e tínhamos o governo Sarney, complicado, conflitivo com a Fazenda... E a minha carreira então que tinha sido voltada para uma atividade para- acadêmica, ficou claramente para-acadêmica... eu me sentei na cadeira de Secretário Geral Adjunto... que tinha, por um lado, obrigação de supervisionar o IPEA, órgão do qual eu morria de medo, porque o IPEA para a mim era um mito, como é que eu podia falar alguma coisa para o Régis Bonelli, para o Eustáquio Reis, para a aquela gente que para a mim eram amigos de praia... mas ao mesmo tempo tinha por eles um respeito... tinha que supervisionar o IPEA, tinha alguma supervisão com relação ao IBGE, mas que ficou com Edmar Bacha, portanto estava distante e fizemos uma divisão de trabalho na Secretaria Geral, Andréa Calábi gostava daquilo que seria as áreas duras de governo (hard) indústria, finanças e etc., e ele não gostava das coisas que chamava de soft que era Ministério da Cultura, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, todas essas coisas ficavam por minha conta, então eu cuidava do orçamento de quatro ou cinco Ministérios, Andréa cuidava das coisas importantes na cabeça dele, isso me deu uma convivência permanente com um grupo de cientistas que já eram meus amigos por causa de Ciência e Tecnologia... tudo uma convivência com o pessoal de Ciência e Tecnologia, por causa de Cultura, Educação

e fui aprendendo nesse processo, perdendo medo, ganhando medo, etc., entrando nessa carreira par-acadêmica, dá-se aí uma primeira aproximação com o IBGE... quando começam as discussões sobre o Projeto Radam...” - A vinda do Projeto Radam para o IBGE ?... “ Não, não, isso foi posterior... na época o que corria, era a extinção do Radam, mesmo... havia e não lembro... para a te falar a verdade, não lembro de onde surgiu isso... mas me lembro que havia a idéia de extinguir o Projeto Radam...” - Ele era do Ministério de Minas e Energia... “ Minas e Energia, eu não sei porque cargas ... ele estava na Bahia, ele estava sediado na Bahia... eu não sei porque cargas d’água alguém encasquetou que tinha que fechar o Radam... outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros achavam que tinha que incorporar o Radam ao IBGE. Meu contato, porque o meu contato acontece: é o seguinte eu tinha relação com o pessoal do IBGE que era o Bacha, Edmar Bacha e meu querido amigo, meu fraterno amigo, meu irmão Régis Bonelli que era o Diretor Geral de Edmar Bacha, então eu tinha com isso a melhor relação possível, e... mas como Secretário Geral Adjunto, encarregado das áreas soft, portanto, Ciências e Tecnologia, portanto, Radam o que quer que seja, o Andréa Calábi ou o João Saiad, olha Edson isso é um problema, você cuida aí desse Radam, com a seguinte coisa não me arranje problema com Renato Archer, faça o que quiser, mas não me arranje problema com Renato Archer, tá ali um menino, eu já não era um menino, eu tinha 36 anos por aí eu estou fazendo cinqüenta anos esse ano, eu tinha por aí, tá ali um menino ainda apavorado pelo governo e tem esse negócio de Projeto Radam, e não criar confusão com Renato Archer que é um mito e com o secretário geral dele Luciano Coutinho que era um homem muito doce, mas um homem muito competente. Bom eu não sabia o que era o Radam e aí comecei a perguntar as pessoas o quê era Radam e a cada vez que eu me informava eu ficava mais assustado, porque primeiro eu comecei a ser procurado por coronéis, capitães, generais, cartógrafos de toda natureza, foi pedindo audiência, audiência para a falar comigo e os generais, os coronéis e tudo mais e ainda me mandavam falar ainda com gente da Aeronáutica porque tinha aerofotogrametria, tinha interpretação de imagem de satélite, etc., e me diziam eles são bons, são competentes, mas são muito indisciplinados, são desordeiros e indisciplinados, você tem, nós temos que botar no IBGE, mas tem que discipliná-los e eu ficava com medo, eu já estava com medo de estar em Brasília, já estava com medo da burocracia, com mais medo eu estava dos militares, eu tinha sido devidamente preso em 68... aquelas coisas todas, ficava assustado com isso, por outro lado tinha o pessoal do Luciano Coutinho, que também não entendiam bem que porcaria de Radam era essa, mas me procurava e dizia: o Edson pelo amor de Deus, para com esse negócio de Radam, o Renato quer isso, o Renato Archer, quer...” - Qual era a idéia do Renato Archer sobre o Radam, o quê ele imaginava? “ Botar no CNPq, eu acho que era isso, botar como um dos Institutos do CNPq...” - É como seria uma espécie de INPE, um desses Institutos... “ INPE, um desses Institutos, e tinha o grupo da CPRM que não queria lá o Radam, mas achava que não podia acabar com o Radam, não pode acabar com o Radam. Bom, primeira convicção que eu tive não pode acabar com o Radam, essa eu firmei fácil, segunda convicção que eu firmei, é de que não podia entregar para o Renato Archer, engraçado, eu gosto do Renato Archer, sempre gostei, gostava, sempre gostei dele ...” - Mas você achava que seria a criação de mais um outro órgão...

“ Primeiro criar um órgão onde eu acho que não devia criar, segundo que não era um órgão acadêmico como os outros de Institutos do CNPq, tá certo, não tinha a ver com os outros de pesquisa de ponta do CNPq, terceiro porque eu me identifiquei com alguns militares, eu acho que era atração desenvolvimentista dos militares... nessa época eu me dava com dois grupos de militares, lidava com o SNI e com a Divisão de Segurança e Informação... que tinha um coronel lá que andava conversando conosco e era direita clara...visitava, falava sobre as greves e tinha que me prestar contas, e me prestava contas porque... o Ministro não queria falar com ele, o Secretário não falava com ele, lá eu falava com o coronel... e adorava a informação dele, ele me dava mapas de greves... que me dava para a fazer análise política... onde é que estava as tensões no Brasil e eu incentivei o homem adoidado que ele tinha uma máquina enorme, eu disse: coleta isso aí para a saber onde está o conflito, como é que é, era uma bela sociologia, pena que acabou... Mas ele não sabia fazer uso disso, ele me dava isso e ao mesmo tempo queria botar umas escutas em fulano e beltrano, mas um outro lado do Exército me encantou, os cartógrafos me encantaram num certo sentido, primeiro que achei gente, um povo que eu não conhecia, era um povo muito suave, muito suave, e parecia profissional, parecia um povo muito correto e ao mesmo tempo eles me diziam uma coisa que eu não imaginava ouvir da boca de militares, eles diziam... Edson não entregue para a Renato Archer que ele é sócio de uma firma de aerofotogrametria eles tem um avião, eles não sei das contas... o governo brasileiro vai perder o controle sobre as coisas fundamentais, esse Radam indisciplinado como é... tem um equipamento... um hardware que tem que estar na mão da Secretaria de Planejamento... Nós militares fizemos reuniões - me convidaram para a algumas, eu fui... reuniões estratégicas do alto coturno militar... eles concordaram, eles achavam que o Radam era um instrumento de planejamento, como instrumento de planejamento não podia ficar no Exército, não podia ficar em ligar nenhum, tinha que ficar na Secretaria de Planejamento da Presidência da República... - E os militares sabem dessas coisas... “ E é o seguinte, e os militares falando claro, falando claro contra de um Ministro de Estado, e eu... mas que diabo de briga, mas o que é pior é o seguinte... eu tentava falar com o Calabi sobre isso e ele dizia: Edson, não me enche a paciência, isso é um problema é seu. Eu pedi audiência ao Ministro João Sayad, João eu vou te explicar, não, não me venha com esse Radam, eu tenho inflação, não me venha com isso Edson Nunes. E de vez em quando ele me chamava: Edson... o Renato está uma arara com você, aí eu falei: você não quer me ouvir... seja o que for... consegui navegar no meio desse conflito e, de fato, consegui fazer... o que eu acho que os cartógrafos do Exército queriam... fui visitar o Radam e ali fiquei encantado com aquele negócio, eles armaram um show, obviamente eles armaram um show, eu fiquei encantado...” - Não, eles são muito bons, eu os conheci em 74 em Belém e, o que eles apresentaram sobre a Amazônia era realmente muito bem fundamentado... eram técnicos muito bons... “ Fiquei encantado com o show, fiquei encantado com eles, encontrei lá morando em Salvador, meu velho amigo Juca Edson Farias no Projeto Radam, que eu conversei, conversei, conversei e tomei a decisão, convenci a SEPLAN tomar a decisão e os coronéis, generais, ajudaram... que o Radam ia para o IBGE... Aí fomos a reuniões de comando, eles ficaram agradecidos, etc., e aí comecei a fazer a interação com o IBGE, Edmar Bacha... assim como o João Saiad estavam se lixando para o Radam... claro, estávamos ás vésperas de fazer o plano cruzado, e parte do plano cruzado era organizado na cozinha da minha casa lá em Brasília, nós morávamos juntos, tinha de um lado o plano cruzado, do outro o orçamento, etc. Comecei a tratar com o Régis... e o Régis Bonelli foi elegantíssimo, preciosíssimo... entendido que era uma decisão da SEPLAN fazer isto... Régis começou a me trazer ao Rio para as reuniões de Conselho Diretor do IBGE, para as primeiras conversas sobre a preparação da entrada do Radam...e ao chegar aqui percebi que já havia um

complô de Radam com a área de Geociências, já estava armado... e Dr. Mauro Mello, que era Diretor de Geociências na época... ele tinha a confiança de Edmar, tinha confiança de Régis... e conversando com eles eu entendi que Mauro queria o Radam, ou seja... que IBGE achava bom o Radam. Bom... aí foi só resolver problemas menores, menores para o IBGE, grande para as pessoas, plano de carreira, salários, mudança, bom de fato acho que operamos bastante bem a transferência, não achei que tinha tido grandes conflitos... e nós estávamos particularmente interessados na época em manter o rádio funcionando e manter o software equipado e a equipe organizada... não sei o quanto tivemos sucesso nisso... não é da minha época no IBGE, mas esse foi o meu primeiro contato mais freqüente no IBGE e com essa área de Geociências e meio ambiente, no qual eu vou voltar mais tarde quando eu for Presidente... - Aí ainda era Edmar Bacha... “ Era Edmar Bacha, Edmar Bacha...” - Ele ficou quanto tempo? “ É, 85-86, um pedaço de 86... Aí começa o plano cruzado, eu me ocupo muito do plano cruzado, me ocupo, eu tinha de fato a área de Ciência e Tecnologia e cultura e Educação e o plano cruzado me botou de novo na área soft, enquanto os outros cuidavam das indústrias caiu para a mim, caiu para a mim o monitoramento de preços, de planos de saúde, mensalidades escolares, essas coisas que tem a ver com a população... Edson Nunes também explica um outro tipo de relação que também teve de articular com a área de Geociências na questão da distribuição dos royalties do petróleo da bacia de Campos explorado pela Petrobrás, cabendo à áreas de Geografia e Geodésia do IBGE, a definição dos municípios do Estado do Rio de Janeiro, que se enquadrariam nas projeções geodésicas das áreas de produção em alto mar, e teriam direito a participar da divisão dos royalties. A partir de informações geradas pela Geodésia o DEGEO listou os municípios que receberiam essa dotação... “com o Edmar a situação começou a ficar muito difícil, já tinha havido algumas situações esdrúxulas antes... e uma delas foi a discussão da distribuição do royalties do petróleo... e aí eu tive de novo um longo contato com o Mauro para a gente inventar uma forma de se atender ao Senador Nelson Carneiro e ao Presidente da República... que é o seguinte: nós queremos dar royalties para a todo mundo no Estado do Rio, vocês inventem um negócio que dê royalties para a todo mundo... bom... conseguimos... só que Niterói ficou fora, nós fizemos o diabo, a coisa ficou pior do que se imagina, senti o Presidente e o Senador... Niterói ficou fora... era uma confusão, aí tinha uns algoritmos... Everardo Maciel era o Subchefe da Casa Civil que discutia conosco... e Niterói não entrava, e Niterói não entrava de jeito nenhum... porque tinha as mesoregiões, inventamos regiões de fronteiras das mesosregiões, regiões onde passam os dutos, regiões afetadas, regiões produtoras, só que Niterói não é nenhuma dessas, só que Niterói é a capital, mas não tinha critérios... a graça da piada disso foi Valdenir Bragança, Prefeito de Niterói... descobriu que eu era de Niterói... talvez por conta de inimigos ou amigos meus disseram que Edson é de Niterói... Valdenir não fez só isso, ele descobriu o endereço de minha mãe... e levou minha mãe para uma passeata em Niterói pelos royalties e mamãe foi... e ele dizia: ele pegou pior do que isso... ele foi para a televisão de braços dados com ela e disse: e aqui estou de braços dados com a mãe de um dos responsáveis pelo não enquadramento de Niterói na lista do IBGE, ou seja, é uma piada, bom, seja o que for...

No caso da saída do Bacha...eu acompanhei esse desenlace mais ou menos de perto...esse papel triplo de secretário, diplomata do João Sayad junto com Chico Lopes, etc., o cruzado já tinha deslanchado, eu já tinha cumprido a tarefa de montar a base de informações e estava lá no IPEA... que isso é outra história... e nessa confusão o Edmar sai do IBGE...e é engraçado que ele sai... e aí é engraçado ele não foi demitido de fato...” - Ele pede para a sair... “ Eu não entendi direito isso, se eu tiver que recuperar de fato, se eu tiver que recuperar não me parece que eu consiga entender porque ele precisava sair... a única coisa que eu imagino é que o IBGE ia ficar ingovernável para a ele, eu acho que o desserviço do IBGE pode ter sido talvez este...” - Essa informação é importante... com todas as pessoas que eu falo, as pessoas tem uma mágoa absurda de Edmar Bacha no IBGE e eu sou o único cara que... entrei em 70 e que digo: gente porque vocês tem tanta raiva do Bacha, se ele ficou tão pouco tempo? Se o tempo dele, ele não gastou quase tempo nenhum no IBGE, ele ficou o tempo quase todo lá cuidando da história do plano cruzado, e aí é a história da CRA as pessoas sempre lembram da história da Comissão de Reforma Administrativa que acabou você tendo que tendo que gerenciar o negócio, complementar o processo, etc., e tal e aí sabe? Até hoje... “ Você quer que eu fale disso? ...” - Sim, é importante.. porque você vai contar a sua entrada no IBGE... “ Não eu acompanhei antes, eu acompanhei antes...” - E aí as pessoas falam mal do Bacha, e eu acho que o Bacha andou muito pouco e muito pelo contrário, é aquela história... ele até tentou tecnicamente defender o IBGE dessas questões todas, se foi bom ou se foi mal, fica muito estranho... “ Aí você vai mexer numa série de conversas eu não sei se a gente consegue no seu tempo... primeiro: na saída do Bacha a sensação que eu tenho que ele saiu por ser leal a tecnocracia do IBGE, caso contrário não conseguiria administrar, cujo o cálculo eu acho que está errado, mas ele já tinha perdido a capacidade de administrar... por conta da reforma administrativa, por conta de outras coisas e ele, talvez esse negócio aí foi a gota... ele já não estava mais para mandar... pelo seguinte: é que esta fase do IBGE... é vital para a você entender a história do IBGE no período pelo seguinte: nessa fase houve uma alta exposição do IBGE porque o Bacha era Presidente, e porque o Bacha é o pai do cruzado, houve uma coisa que é o seguinte... houve uma promoção do IBGE e o IBGE foi promovido ao status que ele nunca teve no aparato político, tecnocrático brasileiro, após Vargas...promovido a quê? A consorte do plano cruzado...” - E que acompanhava tecnicamente essa questão de índice de preços... “ Consorte do plano cruzado e responsável pelo sucesso e insucesso do plano cruzado, então o IBGE ganha a dupla tragédia ou responsabilidade que ao mesmo tempo tem Presidente como artífice do plano e de ter o seu índice como referência, ora o IBGE lhe faltou nisto, ele talvez tenha faltado ao IBGE nisto... Eu me lembro, por exemplo, na noite que teve um programa de televisão do Brizola metendo o cacete no cruzado, eu me lembro que nós estávamos juntos na sala do Saiad, Saiad ligou para o Doutor Roberto Marinho, Doutor Roberto precisamos responder, assim. E Doutor Roberto disse: hoje à noite etc., trouxemos Maria da Conceição Tavares, Conceição chora na televisão, armamos aquele circo e ela... Edmar mostra os números... Edmar mostra o gráfico... aquelas coisas... ou seja, Edmar Bacha ficou no coração do governo.

Bom, um governo associado à vários problemas de salário, controle estatais de salário de pessoal, greves, ou seja, a coisa natural de uma nova República... então acho que aí o IBGE ficou promovido a esta posição infortunadamente... eu chamo isso de uma politização indesejada, uma politização indesejada... se prematura ou não... uma politização do IBGE que foi promovida pelo Executivo, pelo Governo Federal, promovida por azar... Como o Edmar não queria ficar em Brasília, só queria ficar no Rio de Janeiro, só lhe sobrava o IBGE, que demoramos a conseguir, demoramos a conseguir, fazer a nomeação, demoramos, demoramos, demoramos, e Edmar no IBGE cujo o Presidente de fato... era Régis Bonelli, e Edmar fazendo plano cruzado, etc., e ao mesmo tempo estamos começando no Brasil as discussões sobre Reforma Administrativa, o novo Estado, a nova coisa, o IBGE entra na Comissão de Reforma Administrativa... ao mesmo tempo que nós estamos tomando dinheiro do Banco Mundial... chamava-se Empréstimo para a Modernização do Estado Brasileiro...” - Já se pensava a questão... “ Reforma administrativa era um grande tema, e aí entra, conforme eu disse o IBGE entra torto na reforma administrativa... a reforma do IBGE que era uma coisa consentânea com a idéia de um grande processo de reforma, ou seja, nós tínhamos feito uma intervenção na moeda, tá certo? Íamos fazer intervenção nas estruturas estatais, por isso tomamos empréstimo do banco, vamos fazer um negócio bonito, o detalhe... eu tinha ido a Washington... falado com as pessoas, já tínhamos armado um belo circo... e o IBGE se apresenta muito mal, o IBGE apresenta porcamente o projeto, o IBGE propõe no projeto de reforma administrativa a compra de aparelhos de ar refrigerado, fazer um prédio para a Delegacia de Goiânia... Na época ser gestor público era cuidar de inflação, isto era o fundamental, inflação e conjuntura, inflação e conjuntura, o Brasil o Brasil era refém da conjuntura, o IBGE refém da conjuntura... a comissão de reforma administrativa do IBGE, do ponto de vista da sua ligação com o setor público como um todo, foi muito fraca e o processo de reforma administrativa do IBGE, foi uma pirotecnia pensada internamente, para a te falar a verdade eu acho, para a te falar a verdade não, eu tenho a mais absoluta certeza, nem o Edmar prestou atenção a isso, eu também não entendia o assunto...eu era muito novo e pouco conhecido no IBGE” - Sim... mas você também tinha um livro importante, quando você entrou no IBGE as pessoas lembraram daquele livro - que você foi editor... “ Aventura sociológica, você acha? Pessoas no IBGE?” - Eu me lembro que eu falava no livro.. e as pessoas também falavam, quer dizer, eu estou falando na área da geografia, na geografia humana... “ É interessante você falar isso porque esse livro é produto da reflexão do paraacadêmico, Aventura Sociológica a rigor, publicada lá em 73-74, e depois Ruth Cardoso fez a Aventura Antropológica, a Aventura Sociológica era uma tentativa de achar um papel significativo para o pesquisador que não fosse professor, tá certo? Tinha lá Cláudio Moura Castro, tinha Simon Schwartzman...” - Aliás o artigo do Simon Schwartzman sobre evasão de talentos é incrível nesse livro, ele... as pessoas podem ter restrições... uma boa parte do IBGE tem, não gosta dele, tem medo dele, mas tem que se reconhecer que ele efetivamente é uma capacidade... talvez tenha sido o único Presidente do IBGE que tenha um conhecimento da casa no nível técnico e que tenha um feeling da história muito bom... “Bom, a minha premonição é que depois do Isaac, Simon vai ser o próximo mito ibgeano...”

- Possivelmente, embora as pessoas não gostem, ainda não viram o resultado... “ Simon vai ser possivelmente o melhor Presidente da história do IBGE, ele vai ser quase tão longevo quanto o Isaac, que é raro ser um longevo, e o seguinte o Simon tecnicamente é um cão de trabalhador, se o outro não fizer ele vai e faz pessoalmente...” - É ele tem essa questão, ele é um cara que se ninguém faz, ele faz, ele vai sozinho... “ A sensação que eu tenho de que o próximo mito Ibgeano vai ser Simon, assim que se acalmarem com ele, aliás com razão. - E sua chegada no IBGE ? Bom, então eu entro ali no IBGE, encontrei IBGE numa situação muito estranha, para a mim, eu estou ainda, você repara, o seguinte nós estamos em 86, eu só acabei o doutorado em novembro de 84, estou com um ano e meio de mundo, eu tenho medo ainda... essa gente toda para a mim é mito... então quando eu era Vice Presidente do IPEA eu não vinha aqui falar com Eustáquio para a deixar claro para a ele que eu não queria interferir.... que o INPES para a mim era um sonho, INPES era um lugar intocável, que o INPES fizesse estava certo... nós promovemos todo mundo, nós acertamos com o Andréa Calabi... acertamos as carreiras de todo mundo que podia ali, que não eram promovidos, etc., a gente acertou em dois anos, fez um acerto geral... Colocada essa questão, eu cheguei no IBGE, fiquei um tempo até assumir completamente... o Régis me dizia, Edson, Eduardo Augusto, se você tiver o Eduardo Augusto lá na, como é que chamava Diretoria de Pesquisa? Se tiver o Eduardo Augusto lá na Diretoria de Pesquisa não vai haver problemas, você pode manter o Mauro que é uma pessoa que você aprendeu a conhecer, etc., etc., você tem o Alexandre, que a gente acha que é competente e você pode, e eu digo e Informática? Bom, Informática eu tenho uma pessoa que era o Paulo Tafner, então, se você conseguir manter o Eduardo, eu acho que você toca a área de Pesquisa da Casa... que já dá uma dá uma indicação de como é que eles percebiam o IBGE, o IBGE era a área de Economia...” - Naqueles tempos... sem dúvida a área de estatística era encarada como subsidiadora da economia... “ O IBGE era a área de economia... então eu venho para a esse negocio com extrema confiança em Mauro Melo, Mauro tinha sido de extrema, serventia, de extrema serventia na absorção do Radam, ele queria, tinha os conflitos que ele me confessava, ele não escondia os conflitos, etc., Mauro foi de extrema serventia, Eduardo Augusto, me disseram que era a coisa que eu tinha que ter e aliás era verdade, Eduardo foi precioso, mas nesse tempo o IBGE estava muito disfuncional porque ele tinha uma área de economia com a qual eu não estava satisfeito, eu não estava satisfeito com a minha entrada... eu não estava satisfeito claramente com duas questões principais: eu não estava satisfeito a) com a idéia da reforma administrativa que estava andando na Casa, eu não entendia, e que entendia não gostava; b) eu não estava satisfeito com a concepção de informática no IBGE... eu não estava satisfeito com a concepção de Informática... porque o IBGE como uma organização baseada numa ideologia que eu achava velha e era a ideologia do Centro de Processamento de Dados (CPD), ideologia do CPD me desagrada totalmente porque ela te coloca como refém do analista de sistemas... ela te coloca refém do homem do CPD...” - De um grupo pequeno de analistas... “ Por quê é que eu não gostava disto? Em l979, eu morava na Califórnia quando o Steve Jobs fez um computador e eu comprei o miserável em 78-79, então eu tinha

aprendido a idéia da independência intelectual, da sua base de dados, do seu texto, do trabalho feito por você...” - E no IBGE? Era mais complicado do que eu imaginava... eu tinha uma encrenca com a informática que eu não consegui resolver suficientemente... tinha uma coisa na reforma administrativa que eu não consegui... mas não precisei, eu só não prestei mais atenção com a reforma, eu me desliguei... tinha, a reforma falava umas coisas, eu dava uma força para um jornal, etc....mas eu me desliguei da reforma administrativa, tentei informatizar, não tinha muita ajuda não... Aí eu comecei a me dar conta, que estava presidindo uma organização disfuncional, e onde é que eu comecei a falar da Geografia, onde é que comecei a mudar de idéia... o Hélio Jaguaribe em conversas comigo dizia: Edson Nunes eu estou convencido que você tem quatro organizações na mão, você devia fazê-las agora.... Você tem uma gráfica, você tem um instituto de pesquisa e censo, você tem um instituto de geociências e você tem um negócio de economia, indicadores sociais, divida essa bodega em quatro organizações, propõe ao governo quatro organizações. A gráfica ela presta serviço ao Brasil todo, ela não precisa ser capturada, tá certo? A geografia e o seu meio ambiente, tem um nicho especial, o censo é o bureau do censo que qualquer país civilizado tem, e isto aqui de sociais e economia, são os indicadores sociais... eu achei que o Hélio estava com um belo ponto, mas eu fiquei pensando o seguinte: Como é que eu divido isto? O Hélio insistia muito, viu como eu respeito o Jaguaribe? Me parecia que ele tinha razão... Só quer eu achava que tinha que tirar a gráfica, depois eu percebi que não podia tirar a gráfica, e aí passei por conta dos segmentos do Banco Mundial... fui de novo com Lampreia para Washington, uma coisa qualquer que era continuidade disto e tinha lá uns coquetéis na casa do embaixador brasileiro em Washington, mas antes tinha passado por Berkeley onde eu tinha tido um encontro... e uma longa conversa com Hilgard Stemberg e com o assessor dele, um homem cujo o nome eu não lembro, um homem de barba, tem cara meio que indiano, um homem de barba que foi parar no Banco Mundial... lá e eu descrevi para ele a particularidade do estado brasileiro em que o bureau de censos brasileiros era doido... porque ele tinha já cinqüenta anos e ele mistura a cartografia até mesmo geociências e o que é pior estava fazendo aerofotogrametria, etc., etc... e ele diz... o Senhor tem o Instituto do futuro na mão, o Jaguaribe está errado, esse povo está errado... e começou a me contar uma história sobre estatística georeferenciada...mapas em computador... bom o que eu tinha dado com Radam... porque eu tinha visto e lidado com essas coisas todas... O negócio fez assim na minha cabeça... E ele continuou a dizer... Doutor você tem o órgão do futuro... ele já é multidisciplinar, mantenha-o, a sim, ele disse... o homem trabalhava no meio aqui na Amazônia com tribos, mas ele usava umas coisas de satélite para achar as tribos e tinha uma telemetria qualquer, que acha onde é que os caras se moviam, ele começou a me contar sobre vegetais, tribos, vegetais, satélites... aquele negócio veio para a minha cabeça.... eu disse esse homem tá certo, e ele me contava, ele falava assim: a profissão do futuro não é nem a sua, não a minha... é esse negócio aí que o Brasil fez sem saber... Rapaz, esse homem fez uma encrenca no Banco Mundial... eu saí de lá tarado com o IBGE...” - Você sabe o nome dele não? “ Não faço a menor idéia, eu devia saber não é isso?” - Esse cara é fundamental...pelo menos em termos históricos... “ Eu sai de lá tarado com o IBGE, ele disse: Você é um cagão, porque eles só fizeram isso sem saber... então isso que você está querendo dividir... nós estamos querendo juntar no mundo inteiro... e não conseguimos, a Polônia não quer, o fulano não quer, os Estados Unidos não, ninguém quer, e você já tem uma agência que pode definir o

geo-referenciamento..., você tem satélite, você tem geógrafo, antropólogo, você tem sociólogo, rapaz, você está montado... Eu gostei tanto... achei que ele estava certo, achei tanto que os economistas não iriam entender... e ele disse: tira os economistas desse lugar, você pode até deixar eles fazerem um negócio qualquer, agora se você quer separar... manda, essa gente para outro lado, manda os economistas para a outro lado, mas faça essa coisa que você está imaginando, nós estamos falando para a você... uma coisa que você já tem... E de fato eu voltei encantado, aí que a minha atenção para a geografia... que nunca tinha sido clara, ela era para o causa da cartografia, por causa do Mauro Melo, por causa do Coronel Carvalho, por causa do Carvalho, por causa do Trento, as minhas percepções pré-disciplinares... Eu tinha que lembrar o nome desse homem, esse homem é um antropólogo de geografia econômica de Berkeley, assessor de Hilgard -, ele disse o georeferenciamento é o futuro, é a fronteira do futuro, é meio ambiente, estatística geo referenciada, recursos naturais, planeta como um todo, e aí antropologia e ciência política com as fronteiras, eu achei aquilo uma maravilha, voltei para cá... Mas... por outro lado, o IBGE não entendia nada o que estava falando... Bom... o Mauro, eu não sei se o Mauro entende... mas acho que ele percebeu o que eu dizia... ele gostou, que aí tentamos dar, fazer algumas coisas eu acho que tentamos tirar o atraso da Revista Brasileira de Geografia, não sei o quanto fizemos... mas aí comecei a visitar Lucas, visitar Lucas e aí... Aníbal Teixeira já era Ministro, eu levei Aníbal lá para a ver as coisas, eu estava convencido desse negócio, eu estava convencido de duas coisas: que e tinha que ir na linha desse homem, e que eu tinha que refazer o IBGE... Eu percebi uma coisa... que eu fingi que não vi... e até dei uma força que é o seguinte... que Mauro Melo estava montando uma independência tecnológica por conta dele, eu fingi que não vi e gostei, pelo seguinte eu já estava, você veja só, eu estou juntando vários pedaços, como eu já vinha zangado com a DI, quando eu vi que Mauro estava fazendo e ele estava com a base, ele está com a base estatística, ele está com a base geográfica, ele tá transferindo dados para a lá, ele está com o Radam, ele está com satélite, eu fiquei imaginando o seguinte: o IBGE vai sair de Mauro Melo no futuro... e se eu puder acirrar a competição, não está mal... O conflito para a mim... mais relevante que emergiu... e que eu dei muita força para ele tomar rumo... foi do Mauro com Paulo Tafner, do Mauro da Geociências com a DI, o Mauro se preparou para a ser o IBGE do B, botou no programa do Banco Mundial máquina para a ele... começou a montar uma DI paralela e eu torcia para que desse certo, não deu tempo, tá certo? Este conflito principal ...” - Eu acho que acabou acontecendo por outras razões, por razões tecnológicas hoje você tem, programas específicos, possibilidades de isso acontecer sem grandes problemas dentro da DI... “ Se ele já tivesse começado a montar, eu acho o seguinte: ele estava informado da minha idéia de dividir..., e acho que informado disso, ele começou a correr mais para a montagem de sua DI paralela... - Eu vou entrevistá-lo quinta-feira, quinta-feira minha entrevista é com é ele, então, porque é um profissional muito competente... tem muito poder e é um sujeito tecnicamente que conhece muitas coisas, então... “ Ele me impressionava muito e ele me tranqüilizou muito, com relação ao exército porque ele convivia, por um lado ele me tranqüilizou com relação aqueles homens do qual eu tinha medo, por outro lado eu percebi que quando a situação dele ficou ruim... ele dizia o seguinte... é mas eu tenho a UERJ, ou seja, aquele homem que eu via, com aquele enorme poder... se contentava em ser um professor universitário, isso para a mim é um charme, as pessoas não gostam muito do nome...” Algumas pessoas não gostavam... eu sempre gostei muito dele, eu sempre o considerei muito técnico... conhece bem as coisas, conhece o seu afair, sabe exatamente como trabalhar e nunca criou muito problema com a Geografia... a

relação dele com as pessoas que conhecem o seu trabalho sempre foi muito boa... “ Engraçado que na época... algumas pessoas achavam que o Mauro era um homem de direita, eu pensei assim um tempo, depois eu comecei a perceber que era um homem corajoso... essa concepção toda do Mauro me impressionou pelo seguinte.. ele nunca foi um Diretor vassalo...” - É verdade, ele sempre foi um profissional muito técnico, muito profissional no que ele sabia... “ Nunca foi um Diretor de fazer gracinha para a ninguém, de fazer um agrado indevido... também nunca escondeu os conflitos, eu acho interessante esse negócio dos caras esconder o conflito... tem diferença sim, tem tal e tal diferença... eu gostei dele, ele me ajudou a entender umas coisas da época do Isaac... que para a mim também eram mitológicas... e que ele me ensinou que não eram nada de mitológicas... eram uma porção de bobagens...” Gestão de Charles Kurt Muller O outro presidente a prestar depoimento foi Charles Curt Muller, professor e chefe do Departamento de Economia da UNB em Brasília que substituiu Edson Nunes após a breve passagem do interventor Celsius Lodder no IBGE. A importância de Charles Muller no IBGE deve-se ao fato de ter incentivado o estudo das estatísticas ambientais, objetivando montar no futuro uma estrutura de contabilidade ambiental para o país. Charles também preocupou-se com as estatísticas agrárias e, quando foi diretor da Diretoria da Agropecuária e Geografia (DAG) tentou montar um centro de estudos interdisciplinar de Agropecuária... Sua gestão durou 23 meses... um longo período, considerando-se as turbulências sindicais da época... Sua timidez e economia de palavras sempre foram conhecidas na casa... o que pode ser percebido no depoimento... - Como aconteceu sua vinda da UNB para o IBGE ? “ Bom, eu fui convidado para a Diretoria do IBGE pelo senhor Edmar Bacha, fui nomeado Diretor, ele me convidou, eu aceitei e fui Diretor da Diretoria de – como era mesmo? – Diretoria de Agropecuária, Recursos Naturais e Geografia...” - Conhecida como DAG, agora o senhor acompanhou a montagem dessa estrutura... ou já foi anterior, quer dizer... “ Não, eu recebi essa estrutura, quer dizer, a Diretoria já estava constituída e quando entrei lá o Edmar já disse, já me alertou que haveria um processo de reexame, digamos, da estrutura do IBGE, achava-se que daquela forma que estava montado o IBGE não era orgânico, queria se organizar em duas grandes linhas, uma área de cultura de estatística, uma área no campo, justamente a geografia, da cartografia, recursos naturais, etc., Geociências, que apelidamos depois... então, quando assumi a DAG já sabia que alguma coisa iria se modificar, provavelmente sairia a área de estatística, como Diretoria de Estatística... mas não sabia bem o que iria acontecer na outra área, havia até uma luta interna no IBGE mas na linha do pessoal da cartografia versus geografia, recursos naturais, etc., mas no final a idéia parece que foi caminhando no sentido da concepção dessas duas grandes áreas que mencionei

antes, Estatísticas e Geociências, isso também depois foi um pouco modificado, vamos dizer, com a incorporação do Radam...” - A incorporação do Radam se deu junto a sua gestão ou já, tinha se dado... “ Na minha gestão como presidente não..., mas eu já era Diretor da DAG, quando essa questão foi decidida a nível mais alto pela Presidência junto com o Ministério de Planejamento... o Radam estava terminando a sua missão original o mapeamento da Amazônia, o levantamento de recursos naturais da Amazônia, etc.,e estava tentado se constituir com uma organização separada...,mas o governo na época não viu isso com bons olhos, uns achavam que o Radam tinha que ser ou dissolvido ou então ser incorporado a uma Agência federal, aí pareceu lógico que essa Agência fosse o IBGE, já a tempos o IBGE possuía uma área de recursos naturais que estava desfalcada de pessoal.., um dia fui chamado pelo Edmar Bacha, que me disse... o Ministro Saiad, eu decidimos que fazer um esforço no sentido de ver se incorporamos o Radam ao IBGE e aí tomei o bonde já andando... estava meio que deslanchado...” - Eu me lembro que o Edson Nunes conta um pouco dos bastidores dessa questão porque era uma questão também complicada de entender como é que o Radam se encaixaria, então foi preciso um pouco de entendimento até por conta de que havia naquela época um pesadelo enorme que era inflação, haviam preocupações maiores... “ O Radam era um órgão caro, havia gente no governo que queria que simplesmente ele acabasse, alegando que já tinha cumprido sua missão e deveria se extinguir, etc., e o grupo Radam infelizmente estava querendo se fortalecer, ser independente de alguma forma, e a saída que se encontrou foi a de incorporar ao IBGE e teve um certo grau de lógica, não foi uma coisa aleatória...” Bom, aí nessa, quando o senhor entra na DAG, o senhor começa a tentar uma restruturação e, efetivamente, acontece uma restruturação... Um memorando seu ao presidente Edmar Bacha... propondo a reestruturação da DAG em duas Superintendências... a SUEGER que era Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente e da Superintendência de Estudos Geográficos, SUPEG, além da criação de um Centro de Estudos Agrários (CENAG) que seria organizado... e aí peguei também a informação de volta do Edmar Bacha falando sobre a questão do CENAG, quer dizer, dando apoio a questão do CENAG e negando a questão da SUPEG porque era realmente pequeno, quer dizer, a área de Geografia ainda não tinha estrutura de pessoal suficiente para a virar Superintendência... e fala sobre a SUPREN que é a questão da incorporação do Radam... já estava mostrando que o processo estava dando certo... que a incorporação do Radam, principalmente naquelas estruturas regionais... que eu acho que esse foi o ponto principal do fortalecimento do IBGE, e a história das regionais e que o Radam veio dar uma outra força... “ O Radam também entrou no IBGE também depois que viu que não podia se tornar independente mas uma organização separada, tentou entrar uma espécie de uma outra Diretoria, Diretoria funcionava na Bahia e tal, mas o Edmar sempre resistiu muito a isso... havia na época um plano de reestruturação da casa... você lembra? – Seminários e Trabalhos...alguma coisa assim...” - Bom, eu também tenho um documento, esse documento não está assinado aqui, mas possivelmente foi pessoal da área de Solange Tietzmann que era chefe da Divisão de Estudos Agrários do DEGEO na época, que ficou preocupada com a idéia o Centro, aí eu não sei porque passou pela cabeça que achava que o Centro de estudos Agrários iria acabar coma Divisão de Estudos Rurais e aí elas fazem um arrazoado solicitando, quer dizer, pedindo para a que se mantivesse, etc., e como efetivamente aconteceu, o Departamento de

... e seria fundamental esse trabalho conjunto. “Na verdade. mas há essa dificuldade. mais articuladas do que estão até hoje. falar de Meio Ambiente sem falar de espaço.” .. enfim... uma consultoria que o IBGE me solicitou.. essa parte eu comecei a me interessar por ela já na Presidência.... separar a área de estatística da área de Geociências...Quer dizer. mas isso não existe ainda....Por falar nisso.” . eu sou da Comissão do Censo 2000 e a gente sente que a uma articulação muito maior no que tange ao Censo. quer a brasa para sua sardinha. era a única área que possuía uma relação direta com a área de estatística na medida que a pesquisa de Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).... porque era. municiavam muito essa área.” .... não é possível e. tem alguma lembrança? “ Eu tenho uma vaga lembrança.. que o senhor foi uma pessoa importante nesse processo. principalmente com o envolvimento que tive depois que sai da Presidência. esse seria o ideal.” . é engraçado a geografia..O que eu sinto hoje no caso. dar uma organicidade maior e obrigar as áreas a se comunicarem melhor.. eu até hoje acho que essas duas Diretorias.. são os casos no momento. é sem dúvida muito maior. “ Eu sinto isso também. ainda não é o paraíso. a gente nota.. sugeri na área. mas é a coisa está indo muito devagar. um assunto complexo e exige envolvimento de recursos.. mas. a geografia agrária no caso.... as pesquisas agrícolas anuais de agricultura e pecuária... eu não sei se isso foi resultado de um processo que Simon Schwartzman começou a tentar.. senti que se o Brasil entrasse nesse campo.” . eu acho que ainda seja. Geociências e de Pesquisas deviam trabalhar muito mais ligadas. eu tentei mostrar que essas áreas tinham de trabalhar juntas. e ainda sou funcionário do IBGE. é necessário uma rede de coleta muito mais sofisticado do que se tem hoje. inclusive porque sofríamos muita pressão de órgãos como o Banco Mundial...É. é que. a partir de Estatísticas Agropecuárias saiu de lá e junto com ela tinha essa parte não tanto de Estudos Rurais.. que dizer. mas mão é simples. está muito devagar.. mas. é claro que também hoje e aí também por obra e graça do Simon ele conseguiu botar um sistema de comunicação por rede. por exemplo..Quer o seu domínio. como é que está isso. a consultoria foi na área de Informações Ambientais.... “Tentei. “ Bom... então eles sentiam como os analistas de uma parte estatística. além do Censo Agropecuário.Estudos Agrários efetivamente continua e aí como é que foi essa questão? O senhor lembra... “ Exato. das Nações Unidas e tal.” . contabilidade Ambiental.... então. no caso do Censo 2000 as relações inter-diretorias foram muito mais intensas.. a rede toda funcionando e aí você tem uma possibilidade de comunicação maior.... eu me lembro que na verdade desapareceu a coisa quando se decidiu tirar da. cada um quer o seu domínio.. mas parte de análise dos dados e preparava inclusive material paras as reuniões da CEPAGRO essas coisas e por isso desapareceu essa idéia e ficou a área de geografia com seu núcleo de Estudos Agrários... como é que estão os encaminhamentos dessa questão de uma contabilidade de Meio Ambiente... geografia.

85. por exemplo. eles perceberam. a gente percebia muito claramente que na área que acabou sendo de Geociências. fala-se no famoso memo PR-45. caminhavam juntos. e nessa resposta dos técnicos. influência grande junto ao Presidente Edmar Bacha.Nesse período.. “ A liderança dele era muito forte. quis se manter junto a área de Geociências.. e ele era muito.. trabalhei na preparação para o Censo de l990. ele conseguiu.E ai. ele tinha. a figura de Mauro Pereira de Melo foi importante nessa articulação.não chateiem.. o senhor lembra mais ou menos desse período como a coisa se deu? “ Me lembro não. tanto do pessoal de Geografia quanto do pessoal de Meio Ambiente que sempre foi uma coisa difícil.. . que no fundo era o memorando da CRA. . nós queremos separação. claro que é uma separação funcional clara.. fracionamento. cada um e dentro do próprio Censo mesmo. da Agropecuária que era a DIRUR estava do outro.. que era Agropecuária ficava com Agropecuária.. aí a Reforma Administrativa. etc. “ Mas havia muita conversa também.. justamente porque havia essa separação. . tinha a mão forte.” .. do DEGEO.. “ Eu me lembro.Exato. não sei se também a nova geração..” . quer dizer.É. eu me lembro de reuniões que a gente tinha com os técnicos dos dois lados cada um dizendo: não. mas havia muitos problemas de aceitação.. “ Sim. e esse pessoal de Meio Ambiente trabalhar.. ele quando decidiu formar essas duas áreas ele investiu tudo no sentido de não permitir qualquer tipo de fração. ele tinha uma liderança. um certo domínio sobre essas áreas. muito articulado e tinha aparentemente uma certa liderança..... e depois com o Edson Nunes..Eu entrei em 70 e eu percebi que tanto o de 75. hoje a gente vê o trabalho muito mais articulado. o grosso da questão estava nessa questão de intercomunicação entre áreas. pelo menos os técnicos da sua área. havia pressão da parte dos técnicos juntamente para formação de duas áreas separadas uma área mais de Geografia e Recursos Naturais e outra na área mais de Cartografia. essa coisa. etc. mas depois com a Reforma Administrativa tudo evoluiu no sentido de formar uma união desse dois grupos..” . achamos que é diferente o que temos que fazer. ou dizem assim: reclamam.. quer dizer. 80... quer dizer. problemas de intercomunicação. mas distante a coisa. quer dizer.” . porque a coisa foi se encaminhando de outro jeito. porque nesse período as áreas Regionais e Estudos Urbanos estavam de um lado e a questão da Agrária. levantam a questão do memorando da Presidência 45... bom.Exatamente.. as relações eram muito.. aqui já é uma resposta dos técnicos das Divisões do IBGE.. Sobre a Reforma Administrativa. ele dizia: mapa é importante para esse pessoal de Geografia trabalhar. e havia aquela questão do Centro.. a área de Estatística queria da área de Geociências só mapas. mas nesse ponto Mauro era o que conseguia pensar. o geodesista e o cartógrafo eles fazem mapas e eles pensam no processo da feitura do mapa...” . etc. dão respostas.... salário. e por um lado a história de tentar ganhar confiança. o resto é nosso. Regionais e Estudos Urbanos. sentiam que havia muita dificuldades entre Diretorias. quem era Indústria só ficava com Indústria. havia tendência. não sabia se ia ficar. então vocês tem que trabalhar junto porque. e aí eles dão algumas. isso também é pouco falado essa questão.. o memorando da Reforma Administrativa...

pelo menos nessa questão. eu me lembro disso.. “ É. ele conseguiu dar um equilíbrio melhor entre as áreas. a base operacional do Censo ela está recebendo cartas melhores. “As áreas estão mais equilibradas agora.. a luta para fazer mapas de Censos..foi o primeiro a sofrer o processo. com uma acuidade cartografia muito boa.” .Era a questão da economia em si que estava muito. mas foram mais civilizadas... ele volta idéia anterior. que agora nesse Censo de 91 está sendo isso. no entanto..O interessante nisso tudo é que no depoimento ele diz assim: hoje olhando retrospectivamente eu acho que eu errei na medida de tentar uma integração maior... com aqueles movimentos sindicais todos.. como é que foi a sua visão do período. nenhum Chefe de Departamento se sentiu muito melhor do que o outro. claramente naquele momento ele tentava viabilizar politicamente uma idéia de organicidade maior de sua diretoria. aí entrou o Sérgio Bruni e o Sérgio Bruni efetivamente conseguiu... uns poucos fazendo baderna e tentando dominar a maioria. “ É. ele saiu antes.... com isso ele dominava toda área.” Bom... quer dizer.... mapas são instrumentos para a outras áreas fazer análise e tal. lógico. para depois tentar uma integração.. às vezes havia muito barulho para coisas minúsculas.. quer dizer..candente? “ Sim.... em termos de comando e poder e tal....... estava totalmente desmoralizado. a troca de equipamentos. era na base dos croques. ele lutou muito para cartografar a base operacional do censo. ele tinha uma visão muito forte da importância da área. antigamente não. quer dizer. a que está dando salto tecnológico maior agora. funcional.. dizia: começa conosco. nas entrevistas de Edson Nunes e Eurico Borba que sofreram realmente pressões horrorosas da área sindical e.. o Sarney. como você falou. o movimento sindical muito atuante.. o resto atrelado a ela. mas era um governo fraco também. as informações eram muito pouco fidedignas...” E de uma certa maneira era isso.. para a mim...... acho que o Sérgio Bruni conseguiu esse equilíbrio. eu porém me considero sortudo comparado com as agruras de Eurico Borba. eram momentos extremamente conturbados.. mas enfim. aí agora.. isso eu percebi bem... Cartografia e Geodésia é a área na Geociências a mais... mas ele quase que montava a coisa de ponta a cabeça.. sendo atuante. “ Tivemos greves. as pessoas reclamavam muito quando eu o defendia nessa questão. eu acho que a Cartografia devia ser separada. e eu na época eu dizia: gente.. porque a área. colocando Cartografia no centro. quer dizer.. quer dizer..” .. olha só. o Edson também pegou um período muito ruim.e tínhamos muitos outros problemas” .... não adianta vocês tentarem brigar com o Mauro nessa situação.. o que sai a campo ele recebe o mapa extremamente fiel.. os outros que se adeqüem. o entrevistador. quer dizer... ele vai ter que resolver primeiro essa área.. mas eu dizia assim: senhores. foi uma fase extremamente complicada. mapas extremamente fidedignos.“ Ele até conduzia a coisa por inverso.. sem dúvida e do próprio Edson. e depois entrou o Trento Natali que acompanhou esta mesma visão de integração. que ele fez bastante. a introdução do idéia do GPS.... o senhor como Presidente..” .Sem dúvida.

alguma coisa final..... diferentemente do que ocorreu com o Edson.. “ É.... como você sentiu o clima? . aí fui conduzido à Presidência.. bem nós tivemos..especificamente é mais ou menos isso. tanto na DAG e depois na Presidência.. . Presidência.É..? “ 95 a 97 por aí foi DAG aí trabalhei com técnico no IBGE.? “ Maio de 98 até março de .. e que se resolveram sem maiores conflitos.. foram períodos de embate: eles diziam: o que nós podemos forçar.. “ É.? “ Não... estavam percebendo que poderia haver mais contestação...” ... no sentido de contestação pela contestação.. “ Com Eurico depois foi ainda pior. deixa eu mais ou menos também colocar esse material ele passará a ser acervo da área de Memória Institucional do IBGE. “ É porque eu já na Presidência já dei essa situação resolvida.. Mauro Melo ainda estava na área de Geociências. mas pelo menos foram greves que deram origem a um processo de negociação...... houveram momentos difíceis.” .muito problemático para a Geografia principalmente.Foi em 89. Ministérios. eu utilizo isso na tese e eu me transferi para essa área de Memória Institucional justamente para formar o acervo da memória dos presidentes da casa. fiquei até.. eu acho interessante também ressaltar no que tange a área de Geociências.Exatamente.. na sua trajetória como Presidente naquele período.Bom...... o grande problema em toda a minha vida..” . Professor.. tanto na gestão... foi fim de governo militar.” . eu acho que foi perfeito. “ É interessante ter um acompanhamento dessas ações e políticas da casa. achei que não deveria substituí-lo. por exemplo.. é isso aí...Esse acompanhamento. quer dizer...O seu período de Presidência foi 98..... quer dizer.. foi o problema de localização física da área e espaço para trabalhar isso foi. o Edson pegou o período inicial das coisas ruins.....” . qual eram as demandas principais do governo e o que o IBGE podia dar além das atividades e as suas missões normais.” . duas ou três greves. se o senhor quiser alguma declaração.. até março de 90..” ... não vai dar nada.... já tinha as duas grandes áreas produtivas..... nós vamos poder virar a mesa. “ Muita coisa... eu acho que essa foi uma visão e no seu caso. o período de dois anos do Collor e período de dois anos do Itamar. e suas vinculações aos governos.Com o Edson e com o Eurico depois. foi maio de 88. eu acho que no nosso caso... transição de governo Collor. maiores conseqüências.... que foi aquele que as entidades sindicais no IBGE começaram a perceber que nós estamos livres.92 a 95 foi DAG..... e depois entrou aquele período. nós tivemos duas greves complicadas. eu estou tentando inclusive fazer um acompanhamento das ações dos Presidentes...

já tinha sido feita limpeza. não havia mais condições de trabalho lá. e colocou quase todos na Av. a primeira foi essa retirada do prédio e a segunda foi a questão da rede de informática. ele investiu num período de vacas muito magras do governo.O Simon nesse ponto teve duas ações muito poderosas. “ O IBGE é um organismo enorme.. Chile. não é aquela coisa empírica de bilhetinho e carta e tal. precisando qualquer coisa eu entrarei em contato com o senhor.. depois ela virou um campo de batalha do tráfico de drogas........ a recuperação daquele prédio lá na – como era o nome dela? ..... ele tem uma área de atuação muito grande.. “ Eu me lembro bem de Mangueira. descontentamento muito grande na área Geografia para isso. chegaram a cogitar e imaginar a botar vidros a prova de balas naquele lado que ficava para a favela.... quer dizer. “ Deu um salto no escuro... mas com aquele prédio lá de Mangueira... ele queria a todo custo voltar para lá e havia pressão. como é que podem colocar uma área técnica.” .. peguei depois.... . daquele. no início a favela era só favela.....que era Diretor Geral e queria a todo custo. e eu acho que o Simon fez uma grande coisa.. mas havia uma pressão muito forte do Régis Bonelli .. “ Rua Equador exatamente. ele conseguiu investir muito nesse processo de intercomunicação da Casa.O senhor pegou aquele período do Parathion.. eu ficava abismado cada vez que eu ia lá....” ... “ Isso foi muito importante....Deu um salto no escuro....” . quer dizer....... quer dizer....... já tinha havido a transferência das pessoas foi na minha gestão da DAG que conseguimos aquele prédio na Praça da Bandeira.” ..” -Ou memorando interno..Eu acho que foi a parte mais importante... científica no meio da favela com aqueles tiroteios.. foi muito bom.Porque Mangueira tornou-se área perigosa.. ele arriscou. mas foi um salto de qualidade. ok Professor.No meio de uma favela não era exatamente o problema.Rua Equador. “ Peguei.” .” .. “ Faço uma idéia.

Diretor Geral da gestão Isaac.Gestão Eurico Neves Borba Cronologicamente. para ceder material.. como eram conhecidos no IBGE desses novos e conturbados tempos. . tão querido pela rede de coleta daqueles tempos. receber determinados grupos. Portanto. ao ser barrado por um piquete na entrada do prédio da presidência. foi novamente Eurico Borba. com menos de dois meses de trabalho. agora na posição de 19 presidente da casa e o 6 após Isaac Kerstenetzky. comissões. Como o Isaac sempre falava de uma forma muito categórica que não gostaria de voltar. na qual seu Diretor Geral Aníbal Villanova Villela. se despedir a o o . Hélio Beltrão eram um nível mais ligado ao Doutor Tancredo. Eu me lembro que estava lá empacotando vários documentos que deveriam seguir para vários ministros. na longa lista de presidentes de um ano e meio. uma idéia de voltar ao IBGE um dia. com carreiras de atividade fim.. e o Doutor Tancredo pedia coisas específicas sobre saúde. eu sempre nutria um sonho. política de migrações. a gestão de Eurico foi notabilizada por ter conseguido encaixar o IBGE no sistema de agências de Ciência e Tecnologia. eu imaginava voltar como Presidente. regido por uma política salarial em que o sistema avaliativo pauta-se por titulações acadêmicas e por verificações de produtividade vinculadas ao ambiente acadêmico. “ Bem desde que nós saímos do IBGE. Eurico era agora mais um. outubro de l974 e se findou na véspera da posse. inclusive Doutor Tancredo foi lá. Foi uma conturbada gestão de 15 meses que iniciou-se com uma greve.” Esse processo levou quanto tempo? “ Começou em setembro. O que causou muita contestação nos meios científicos. O que dá uma medida das condições políticas que ocorriam em 1992 no IBGE. e eu e Everardo e o Cristóvão Buarque eram um nível mais operacional. classificar esse material. se demitiu. eu estava sem camisa. mas que custou muito caro a Eurico. Isaac e eu em l979. ele brincava com a idéia de que não se deve voltar ao local do crime. evidente que Serra e Celso Furtado.. apenas uma pequena porção de seus funcionários poderiam enquadrar-se num sistema de Ciência e Tecnologia. promover alguns seminários para elucidar e aprofundar determinados pontos. Apesar dessas convulsões. o funcionário médio já não enxergava mais o velho Eurico. foi uma vitória política. o próximo presidente entrevistado. eu Eurico. naquela comissão para o plano de ação do governo COPAG. Eu trabalhei na campanha do Doutor Tancredo. pois apesar disso. com o Everardo Maciel que hoje está na Secretaria da Receita Federal e eu. junto com Cristóvão Buarque que hoje é o governador do Distrito Federal. principalmente nos fóruns da SBPC. que possuíssem toda a linha de cursos de graduação e pós-graduação em todos os níveis. e junto com Serra.Professor Eurico então pode começar a nos explicar como foi o processo de convite para o IBGE de 1992 e depois toda a sua fase até a saída. Sua maioria esmagadora de funcionários concentram-se nos níveis do ensino fundamental ( 8 série) e no segundo grau incompleto. com Celso Furtado... Sendo uma agência basicamente voltada à coleta e armazenagem de dados.. fazer a triagem do material.

foi o que ficou mais tempo. o Fernando Henrique Cardoso. do funcionalismo público por parte do governo Collor. Eu não recebi nenhum convite formal naquela época. e aí foi o Eduardo Augusto. “ E havia um processo também de sucateamento. convidado pela Zélia... 9l o primeiro movimento em direção a minha volta ao IBGE. houve um zumbido que não chegou a se concretizar.. sabendo dos vários documentos que haviam chegado de vários colaborações.. estava o Fernando Henrique. chegou ao Mário Covas. o partido fala é de Presidente do Banco do Brasil e Ministro.. mas não houve contato nenhum. pode ser SNI e aí ficou.... todos eram potencialmente corruptos.. todos eram incompetentes.. eu sempre fiquei lá como professor horista. aconteceu em 92.. com o qual eu não tinha nenhum contato. porque se dá com Edson Nunes. e eu queria você como Diretor Administrativo que é uma coisa importante. e fiquei lá 87. “ Eu sempre estava muito ligado a PUC. não houve nenhuma sondagem nem nada. uma forma de penalização global. um conhecido de longa data. nós tínhamos que fazer um relato prévio.De uma certa maneira é nesse ponto que tem uma inflexão de Eurico Borba hoje na educação. já tinha começado aquele processo dentro do IBGE. o processo de greves. se deu na virada Collor. Bom. ele recebia de tudo.. chegou ao José Richa uma pergunta do Eurico para o IBGE e com aquela história do PSDB eu já era membro fundador do PSDB. o Fernando Lira. na véspera da posse. e lá ele ficava até oito e meia. um pouco antes de ele fazer aquela viagem a Europa e Estados Unidos. eu e o Cristóvão. depois ele ficou doente.... isso é problema do partido. em administração. que a percepção política da importância e exclusividade o Doutor Tancredo rapidamente intuía que ali tinha um. 90. os dois o Covas e o Richa ligaram para mim eu disse: não. de vários encontros. tem todos os Presidentes.. contatos com militares. sabiam a minha intenção. entra Eduardo Augusto.. Eurico você foi o primeiro nomeado. com políticos. do meu desejo de voltar ao IBGE eu disse: espera um instantinho. no Ministério da Educação eu fiquei até l987.e cumprimentar a todos nós e dali ele seguiu para missa e depois indo para casa sentiu-se mal e foi hospitalizado. eu estava ainda passando uns dados para ele e ele passou a mão nos meus ombros e disse assim: Doutor Borba o nosso homem das informações. aí Marcos Maciel me convidou para trabalhar na Secretaria Geral do MEC o Everardo Maciel era o Secretário Geral eu fiquei como Secretário Geral Adjunto e aí passou-se esse período todo. apenas uma brincadeira que o Doutor Tancredo nos recebia para um despacho duas vezes por semana em Brasília às sete e meia da manhã depois de ele ouvir aquele Globo café da manhã.... foi para o IBGE. houve convite para o Bacha. com delegações regionais. o Afonso Camargo. mas o IBGE é uma coisa mais técnica fica a teu critério. o PSDB não colaborava com o governo Collor. feito pelo Sayad...” . quinze para as nove. os odontólogos fazendo campanha de flúor na água. eles disseram não. nunca deixei a PUC. sete meia ele recebia. e ele indo para o elevador ali no hall. todos brincaram. e como ele não havia feito ainda nenhum convite para ninguém. a COPAG durou todo esse período. houve aquele problema todo e não houve convite. Eu disse não. mas o Bonelli vai como Diretor Geral.. um bom amigo que eu tenho. como vice reitor. com empresários.. vamos dizer assim. geralmente apareciam lá umas outras pessoas. e ele argumentou... Essa fase de Diretor Administrativo isso já passou. 89.. o Afonso Camargo e geralmente era eu que estava mais organizado... aquele pernambucano Fernando Lira que foi Ministro da Justiça depois.. . eu continuei na PUC.. algum material a ser aprofundado. em 87 eu voltei para PUC do Rio de Janeiro. alternando com professor de horário integral. e uma vez então Doutor Tancredo por volta de janeiro. resultados de vários seminários. o Bacha me convidou para ser o Diretor Administrativo. 88. eu disse: Bacha eu estava disputando com você a Presidência.....E aí já estava. do índio ao engenheiro florestal. leste-oeste.” ... norte-sul. todos eram vagabundos. um mal entendimento que seria o funcionalismo público... Doutor Ulisses sempre estava lá.

Censo de 90 que tinha sido realizado em 9l. e o Messias ajudava muito.. indo embora. eu fiquei emocionado.... eu realmente estava muito bem na PUC como vice reitor...... Então. era o Diretor de Administração. então era um processo de convencimento de universidades que estavam precisando. antes do escândalo.. quinze padrinhos para ser nomeado alguma coisa e o IBGE é um título que honra qualquer pessoa.. eu queria que você voltasse ao IBGE para transformar o IBGE naquilo que o IBGE foi no tempo do Professor Isaac. sem nenhuma mágoa.. mas eu o conhecia antes porque era o Diretor de Administração do Ministro Veloso no antigo Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. organizado. final de semana o Messias mesmo me liga e disse assim: Na outra sexta-feira o Ministro vai aí na PUC dar aula inaugural. aí.. de greve..isso foi extremamente desagradável e deixou mossa que até os dias de hoje estão aí.. quando um antigo companheiro dos anos 70. Carlos Messias Barbosa. você sempre quis voltar para o IBGE e se mandou o curriculum é porque você estava querendo.então eu pensei que era até sobre um assunto de liberação de verbas para as Universidades Católicas..... esses cargos geralmente são muito procurados e principalmente nessa fase da República é uma briga de foice. mas deixou instrução que quer o teu curriculum. estava dando aulas. da melhor qualidade.. mas me parece que existe problemas sérios lá de nível de salários e . um velho servidor oriundo do Banco do Brasil. então ele estava sempre contigenciado verbas. . mas eu acho que não tinha ninguém mesmo querendo. Marcílio estava numa projeção assim de liderança muito grande. realmente fiquei emocionado e é irrecusável. ocupava a mesma posição que o Marcílio no Ministério da Economia. honestíssimo... tinha muita gente lá na PUC. e na outra sexta-feira o Marcílio chega olha para mim e diz: aqui não dá para conversar.. um direito que nós tínhamos. todo mundo procura dez... estava no IPEA e elas me contaram alguns detalhes.. estava escrevendo algumas coisas e fazia consultoria por fora na área empresarial. Sônia estava afastada.. um Censo problemático. e ele quer que você o procure... comecei a telefonar para algumas pessoas. mas então o que me parece. e uma tarde em meados de março.. e eu tinha muito contato com ele porque me ajudava liberar verbas para o sistema católico de ensino para as Universidades Católicas que tinham convênios.” . amigas lá dentro. a gente tem que conversar essa história. Então lá fui eu.. presidindo uma comissão inteiramente importante de Planejamento Econômico e Acadêmico. começa a perceber isso de várias pessoas que estavam se aposentando. vários amigos. tanto que o Chefe de Assessoria Econômica do Marcílio que hoje está como empresário em São Paulo. Teresa Cristina...... e aí o Messias disse: Eurico manda o teu curriculum pelo fax agora. e aí eu digo isso sem nenhuma tristeza. um convite colocado nesses termos. eu acho que é uma constatação que precisa ser feita.teu curriculum. sabia de tudo.. ele me toca o telefone. não só a PUC do Rio como as outras. a minha volta ao IBGE em 92 foi uma coisa interessante.... eu disse: olha Marcílio tudo bem. manda pelo fax agora...... ele disse: não tem nada que conversar. o processo começa nesse período. eu disse Messias para quê? Ele disse: Porque o Eduardo Augusto saiu do IBGE e não se acha gente para o IBGE e eu me lembrei do teu nome. já estava programado... realmente eu fiquei assim parado. eu acompanhava o IBGE de longe.. eu parei e disse: Messias. “ Bom. que chegou a ficar conosco no IBGE uns seis meses. o Ministro viajou... porque ele vai te convidar para ser Presidente do IBGE. a PUC era a que tinha a maior parcela de verbas. ele telefonou depois e disse: Eurico você é doido porque resolveu carregar uma mala pesada sem alça...” . porque eu sabia dos problemas todos de salários.. então sexta-feira no antigo Ministério no Gabinete do Ministro que ele mantém no Rio o Marcílio vira para mim diz assim: olha Eurico..eu disse que curriculum? ..A começar com a debandada enorme de pessoas para a aposentadoria. e disse hoje de tarde as seis horas lá no Ministério da Fazenda. a primeira que fui conversar foi com Jane. sexta feira... março de 92.Isso ainda era governo Collor? “ Governo Collor. de falta de recursos para pesquisas.

mas tem umas limitações legais.. em crédito. eu vou ser preso. 8 milhões de dólares é dinheiro em qualquer lugar do mundo... ele é muito amigo meu. e eu pedi para ele e ele disse: olha tudo bem. eu fiquei lá quatorze meses e meio.. avisei que ia tirar o diretor da Geodésia e Cartografia Mauro Melo e trouxe o Sérgio Bruni .. por volta de fevereiro de 93 eu tive o desprazer de receber o Presidente da IBM me entregando uma carta extremamente constrangido dizendo: olha vocês devem a IBM US$ 8 milhões de dólares... eram vinte e tantos milhões de dívidas.. mas estão bloqueadas.. uma vontade política. temos que garantir que as portas fiquem aBerthas. eu disse: sim.problemas de contas atrasadas e.” .. fui procurar polícia estadual. eu fiquei apavorado. nós devíamos a EMBRATEL... eu fiquei estarrecido basicamente com os níveis de salários com a desorganização hierárquica do IBGE. só podemos intervir se tiver tumulto. pensando. uma das primeiras coisas que eu fiz em abril..... nós devíamos a Light. além disso havia uma dívida enorme. não... um outro . no décimo nono dia. tinha mais esse chefe do Estado Maior. no sétimo. depois a PNAD de 93 nós tocamos confiando na Virgem Santíssima.E Censo quando você pegou.. “ O Censo era uma coisa totalmente cheio de indefinições. um certo deboche institucionalizado. isso dentro dessa moldura institucional legal que você tem que trabalhar.. por falta de disciplina profissional..e eu duvido que abram a brecha só para o IBGE. trouxe o Aníbal Vilela de fora. a Jane Chefe de Gabinete. não é só uma vontade administrativa. não vou cobrar nada. e nós vamos suspender toda assistência técnica do IBGE e retirar equipamentos.” . então nomeei Teresa Cristina Diretora Técnica.. cinco meses em greve. nós devíamos a posto de gasolina.. e uma greve que no primeiro momento eu tentei enfrentar até com a polícia. eu ia para casa preocupadíssimo. um ano depois. passa o mês de abril e maio. que tinha sido um dos pais da reforma administrativa do Brasil...que está atualmente como.. os funcionários do IBGE são regidos pelo regime jurídico único eu não posso fazer nada fora da legislação.. eu me lembro você levou um susto louco. desci.. Ele respondeu: vou ver o que é possível. haveria regime CLT. dia 29 de maio dia do IBGE os companheiros entram em greve. foi o homem que assessorou aquele grupo de hospitais Sarah Kubitschek em contrato de gestão. ex-aluno da PUC também com a sua esposa Maria Helena que era chefe de Gabinete do Presidente do IBGE lá em Brasília... vou fazer os primeiros estudos. “ Logo. nós devíamos a empresa de turismo. possibilidade de volta a um “ Mais isso foi várias vezes tentado e eu deixei alguma coisa engatilhada formalmente lá dentro nesse sentido.E isso se fala agora com essa idéia de agência executiva . mais você está comprando uma parada complicada. então olha.. ninguém pode bloquear as portas. o Senhor toca o telefone e nós mandamos para lá. um apoio. ou 28 de março e vou em frente.. Aí eu peguei um taxi. no planejamento do Simon. uma determinada época.. O Marcílio me nomeia. A PNAD de l992.ele disse: olha eu darei todo apoio necessário. mas você poderia considerar nós voltarmos ao regime CLT.. nós devíamos alugueis pelo interior do Brasil. eu assumo em Brasília em 27. poderia considerar. no segundo. as portas estão bloqueadas.. não recebi nenhuma pressão política..” . olha era. E eu aceitei e aí tomei posse em Brasília. de uma certa nobreza de atitudes como profissionais. mas aí o camarada disse: tem tumulto? Eu disse: não tem tumulto. foi um período extremamente complicado. chamei o Coronel Nazareth..Isso é um ponto interessante Eurico. eu vou ser julgado pelo Tribunal de Contas como sendo o maior imbecil da paróquia. logo com duas semanas de IBGE eu chamei o João Geraldo Piquet Carneiro.. me disseram: não. porque eu assumi no finalzinho de março. e começamos a trabalhar. aí eu telefonei no primeiro dia.. fui lá no QG da polícia... milagre de Nossa Senhora. chefe do Estado Maior da Polícia Militar.

serviços. de longe.. .. se já estávamos com problemas anteriores. poucas pessoas podem produzir bem. posso dizer com certeza. de funcionários extremamente decadentes em termos de salários. Eu tenho a pior impressão do serviço público sindicalizado hoje em dia. lembra? Era um inferno.. mas eu não me lembrava dele. então o quadro de falta de dinheiro.....É preciso entender que. mas mesmo assim ainda temos um déficit enorme. esvaziada. os econômicos decenal. saindo. acho que essa idéia se perdeu. mas mesmo com o sucesso atual do Simon.pois ele queria a Diretoria de . quer dizer. comércio. do grupo de geógrafos ativos o que conheço é você. como eu vivi a década de 80 no IBGE... todas as reivindicações são mais do que justas.... me atracar e gerar o tumulto para que vocês façam a intervenção e abram as portas do IBGE? e os cretinos disseram simplesmente o Senhor é que sabe.. derrubar aquelas torres de transmissão.. “ O Vilela foi impedido de entrar.. a decisão é sua. as pesquisas anuais..... o que ainda segura é a transição tecnológica. não tem mais massa profissional.. fazendo Censo com periodicidade. embora eu achasse que o Mauro tivesse razão no sentido administrativo do termo. pediu demissão e foi embora. “ Bom mas vamos agora a questão da geografia como é que eu encontrei. ficou possuído de tal fúria. por conta dessa experiência. hoje tenho uma ótima impressão. havia quase que uma luta.. mas o que me ocorre no momento... pois com os novos computadores. eu vi que não tinha jeito mesmo.. as pesquisas por amostra...... você imagina como isso vai afetar a casa. as pessoas saindo.... indignado.. impedindo a saída das refinarias..... demográfico..O Doutor Vilela saiu rapidamente por causa disso. talvez não seja muito correto. Mas as atividades de um grande centro de estudos brasileiro integrado. de tocar fogo em rede de transmissão. acontecem as debandadas maciças. era um calor... no seu aspecto geográfico. não há realmente como repor profissionais qualificados em tempo hábil... pelo o que estou vendo. o Senhor é que está no local.. Bom. perdemos a colaboração de uma figura fantástica.” Aliás deixa eu registrar isso....” . quase que pessoal.mas eu acho que o IBGE e o Simon de certa forma está dando sinais de soerguimento... massa intelectual de tal maneira que é uma entidade com muitos problemas estruturais. praticamente não entrou ninguém. demografia.Coronel....... indústria. o que o IBGE se desagregou e perdeu de massa. no prédio da Praça da Bandeira vocês tinham problemas de ar condicionado.. eu acho que poderia pensar alguma coisa com quarenta graus. ai eu disse para eles: vem cá. Petrobrás... as pesquisas mensais. mas o que é esse tumulto. ninguém novo. porque houve dois fatos importantes.. eu não conhecia esse rapaz.. mas tinha sido admitido lá no meu tempo.. o César Ajara era o Chefe de Departamento. eu tenho. eu não tenho certeza que a minha conclusão seja a mais correta.. para o geógrafo do DEGEO você foi a figura que nos tirou de Parada de Lucas.existem duas situações muito dramáticas. eu vou usar o termo.. encontrei a geografia extremamente... a maneira de proceder é que é condenável. do que o Simon está conseguindo atualmente em termos de produzir informações. qüinqüenal. é uma falta de respeito pagar o que se paga ao funcionário público... e depois eu vi aquelas greves de Petrobrás.... a casa já apresentava um forte envelhecimento da massa profissional e quando se chega no início dos 90..... eu Presidente do IBGE que dar um bofetão num grevista. informações conjunturais. meio ambiente. durante toda a década de 80. único que eu conhecia era você. aquela falta de apoio de serviço médico.. portanto. de divulgar as informações. Eu posso te dizer e para tua tese as opiniões precisam ser confrontadas. Eletrobrás.. Fui uma vez lá.

... tem que fazer estatística. e isso levou também a um outro conjunto de pessoas a pedir aposentadoria por se sentir deslocado. meio ambiente. Eurico então nos coloca na Praça da Bandeira junto com Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente.. vou doar para Universidade de Brasília e acabar com Meio Ambiente. depois de ter me convidado para Diretor Administrativo ele teve uma conversa com o Isaac. com um prédio.. ele e Bonelli.. porque. ... três semanas e foi embora.. tratando de meio ambiente... uma grande massa de pessoal não gostava daquela história de parar a 40 quilômetros do centro da cidade. de cartografia.. Então eu não sei. Numa conversa sobre o IBGE.. sempre existiu uma incompreensão sobre a heterogeneidade do IBGE. e a gente tem que ficar vivendo com a Geografia.. mas essa era a idéia que passava.. e o Jessé em Brasília numa reunião. essas que não eram de economia.. com mais tecnologia.. de geodesia. essa história do Roncador em Brasília.. entregava geodesia e cartografia para o Exército... eu não acho exatamente isso.. e aí talvez é o problema da continuidade. então encontrei todas essas áreas muito atemorizadas.... quer dizer. o IBGE tem que fazer Censo. eu tive que uma tarde sair correndo. deu uns telefonemas.. tratando de geografia. quando o Isaac saiu... essa questão fica muito clara.. eu não sei . porque aí ressurge a idéia de meio ambiente dentro de outras bases. e o prédio da época que garantia essas condições era o de Parada de Lucas. em que o ar condicionado era apenas um dos problemas.... veja eu estou te contando. etc.. como era o negócio naquele período.. ele agora já começando a entender dessa integração que teve que ser feita.. e foi onde ele conseguiu acertar a história da vinda do Radam e que eu acho que foi um ponto positivo. Radam estava acovardado em Salvador. e aí é aquele negócio... vamos tratar de fazer Censo. aí eu digo. passavam para as mãos do Edson.... esse aí o Joel Renó. Eurico tira Mauro que era considerado o sujeito que estava enterrando a geografia... agora quanto a questão dessa área que cobre a Geografia... Bem. mas tinha a mesma idéia....Geociências toda junta. o Bacha. que me recebeu muito bem. “ Eu me lembro lá daquele inferno. estavam sendo postos para fora pela Petrobrás a todo momento. já havia um outro pensamento.. por mais que o geógrafo humano ainda não goste muito. ir lá no Presidente da Petrobrás. ele e Bonelli. o pessoal de Recursos Naturais e Meio Ambiente e o pessoal de Geodesia e Cartografia.. a Geografia é um troço histórico. Edson Nunes conta muito bem o episódio... o melhor é doar.. que era realmente terrível na época.. eu fiquei mais duas semanas ou três semanas com o Jessé passando o material para ele...... teve um Diretor Geral dele que durou duas..... a ENCE eu entregava da Federal do Rio de Janeiro e nós íamos tratar de fazer Censo... eu por mim entregava isso tudo para s universidades... inclusive o episódio do Radam veio com Edson Nunes.. teve uma conversa comigo. no caso do Edson Nunes.. Depois com o meu querido amigo Bacha. e depois eu e Isaac..... foi a mesma coisa.. da gente correr para o Presidente de Embratel.... ah é uma idéia. mas num prédio em que efetivamente era um prédio pequeno para os dois Departamentos e com esses problemas de infra estrutura. acovardadas. no dia seguinte nem apareci no IBGE e voltei para PUC minha casa de origem.. virou e disse assim.. com mais delicadeza evidente.. -Com o Edson Nunes já foi uma outra situação. alijado. com aquele com ar de dono do mundo..... eu olha aqui: eu tenho um mandato de despejo. geodesia e cartografia. que é irreversível... entregava geografia para s universidades. então todas essas coisas que ele dizia.. virei as costas e fui me embora. você segura essa história por favor ele riu e tal..... “ Mas o.... ele teve sorte porque como todos eram economistas e estavam preocupados com conjuntura nacional... depois de visitar a Reserva Ecológica do Roncador. Radam. mas claramente um grande. quando eu saí de lá ainda não estava nada certo assim.. não havia no centro de poder ninguém se preocupando com Geociências. colocado num lugar longe.. eu não entendo essa história de IBGE com reserva ecológica. Quando Eurico Borba entra.

começaram a ter vinculação.... cada um na sua e eles passavam textos.. não havia muita gente com uma visão generalista. etc.. digitalizar toda a malha geodésica brasileira e a geodesia passando para o GPS. o que de uma certa maneira foi bom. segunda liderança. era uma senhora bem baiana.. mas ainda com muita dificuldade. mesmo não gostando muito e perdendo poder.. com poucos funcionários qualificados. então.. então era esse ambiente da época.......... um diálogo maior com meio ambiente e geografia.. havia uma prioridade um..... como os diagnósticos de algumas áreas da Amazônia. do contato... quer dizer. a única pessoa que tinha essa capacidade no Radam era Teresa Cardoso que estava em Brasília... eu acho que fiz muito pouco.. é claro que tanto na cartografia como na geodesia as pessoas não irão lembrar bem. esse período foi um período realmente bastante pesado para o Mauro Melo que tinha que gerenciar. tinha estudado no exterior. Embratel para não desligar as linhas do computador. e aí talvez tenha muito desse aspecto de fechamento às outras diretorias.. um pessoal da demografia... quer dizer. porque aí tem uma parte interessante..” Mas tem um ponto interessante que as pessoas lembram de Eurico Borba e aí..” Não essa é Antonia. o chefe do DEGEO. nessa fase. passa o texto para o outro. então eu vi a geografia fazendo coisas importantes... e coloca no diagnóstico.e uma parte que englobava geografia e meio ambiente que eram estavam começando a se entender e se articular.. nos diagnósticos integrados..não lembrava dele. eu tive pouco contato com ela mais. “ Mas aí deixa eu te contar uma história que é importante. a cartografia e geodésia.... você teria que começar.. porque você convidou o Sérgio Bruni.. cartografia e tal.. “ Então eu estou confundindo com outra.. só que a Teresa Cardoso tinha muito mais tarimba.. se impondo perante uma Marta Maia lá da PNAD. mas de qualquer forma. Na Geografia eu só conhecia você. Então nessa área de geodesia.Não sei. primeiro porque tinha sido uma gerência muito forte do Mauro..eu não via nem a geografia. arranjar dinheiro para essa transição. coisa difícil porque o Radam vinha com uma tecnologia e uma metodologia de gavetas. o outro arquiva.. perante uma. porque eles não recebiam a meses. e ela .... etc. para segurar despejo.. nem recursos naturais.. vamos dizer.. vamos dizer. quer dizer. quer dizer.. por exemplo.. equilibrou os poderes dentro da DGC. perante o pessoal de contas nacionais.. nem meio ambiente... altiva. essa foi a segunda... geografia e recursos naturais estavam começando a tentar se entender. transição tecnológica pesada.Bom. mas que começaram a perceber que seria necessário um discurso integrado. todas duas geógrafas. muito bem articulada.. com as famosas estações de trabalho. que do Radam também geógrafa que estava no IBGE e baixinha. alguém que fizesse depois um copidesk integral.. a primeiríssima prioridade da DGC era dar um salto de tradição tecnológica na área de cartografia e geodésia.. a seria por assim dizer a futura liderança.. principalmente cartografia. de geografia física.. com uma ênfase muito grande em resolver questões da cartografia.para Presidente de Petrobrás.. não houve tempo para fazer a recuperação mínima das condições ambientais de trabalho no IBGE. essa era uma pessoa que era líder e possuía muito conhecimento técnico e político... e ele. todas duas especializadas em geomorfologia.. O Bruni de .. a Lúcia. também não está mais no IBGE. a cada seu trabalho.. César não conhecia.” .... mas internamente.. e nos nove meses que efetivamente se trabalhou.. eram especialistas. morena.. tinha sido da Universidade da Bahia. uma pessoa senior... nem a geodesia... “ Tinha apelido essa menina? . os outros cinco foram greves...

do economistas.. ilustra aquela carta. nem jogo de palavras. então nós chegamos a entregar a primeira parte praticamente toda parte de Amazônia Legal e tínhamos iniciado Nordeste e Região Centro Oeste e nós íamos fazer as cinco regiões.. a idéia era se fazer Sul-Sudeste. PNADs.. E olhando de hoje. contas nacionais.. então eu verifiquei. não era grave... a única ciência que tinha capacidade de fazer a união... índices de preços. que a gente tinha que descobrir esse projeto que tinha ... “ O que eu quero dizer é o seguinte: o Sérgio Bruni foi um trator e uma das coisas que ele conseguiu. prepare a base do Censo.. estatísticas conjunturais. sempre o empregadinho de segunda categoria perante os estatísticos. modelos de simulação.. tudo a que o Sérgio Brunes pediu eu atendi nesse sentido. então eu explicava lá Censos.. e pelos estudos uma metodologia extremamente rigorosa abrangente que envolvia o pessoal de meio ambiente e pessoal de geografia.. Paulo Hadad... na Secretaria de Estudos Estratégicos. aí meio ambiente eu falo o DERNA específico que era o Departamento junto ao nosso prédio e mais as unidades regionais que eram as DIGEOs que eram espalhadas em vários estados.. e porque a geografia juntamente com esse grupo da área de meio ambiente se não tivesse um projeto importante encomendado de fora do IBGE eles sempre ficariam como linha auxiliar do demógrafo... quando eu falei em geografia esvaziada junto com geodesia e cartografia que eu encontrei em 92. no tempo do Mauro.. e isso fazia com que..... isso aqui se chama geografia e o grupo de geografia. claramente ele foi um sujeito que equilibrou a diretoria O próprio Trento Natali Filho que é hoje Diretor de Geociências. e quando surgiu esse projeto diagnóstico geográfico e econômico que se fez a Amazônia Legal e quando eu sai de lá estava se fazendo o Nordeste e Centro Oeste. de fazer a síntese explicativa do território e da sua população era o grupo da geografia. quanto a geografia ficassem sem muito apoio. que eu acho principalmente que ele era um profissional muito vinculado com a área de botânica e então ele dava uma força muito grande nessa parte específica da botânica.. explicava aquilo tudo e dizia o seguinte essa história toda tem que ser fechada em cima de um território e explicado porque a ocupação.. 93 que o único grupo.. o Mauro tinha até por razões de profissão. estatísticas mensais. estruturais.. porque esse tipo de vida.. mas ele dava uma força muito grande a essas áreas. estatísticas contínuas.. com Jane que apoiou. tanto meio ambiente.. faça isso. do INPC.. que foi equilibrar poderes dentro da DGC.. de começar a pensar globalmente de forma interligada e interdisciplinar que havia se perdido naqueles doze anos após a saída do Isaac. uma série de pontos pontos positivos.. então.. com uma visão integrada de Brasil eu dizia sempre e não estava fazendo jogo de palavras eu estava convencido que a situação atual do IBGE 92.. para Yedda Crusis eu sempre dizia que aqueles dados coletados.. isto é abriu caminho..Foi neste período é que já estava havendo um nível de integração melhor entre meio ambiente e Geografia. e a questão da mudança para Lucas só agravou as relações..” .. sempre forçando a idéia do IBGE como um grupo integrado.. e até por razões de estratégia ele tinha problemas na cartografia e na geodesia que eram problemas muito pesados.” Tinha uma parte que eu acho que teve um problema dele. ele sentiu isso. os economistas que estavam ali manobrando o filé mignon do IBGE. e a minha volta em 92.. cartografia. eu dizia isso não da boca para fora. eu verifiquei outra coisa.... para o Ministro Marcílio. ele diz mesmo. eu fui lá depois com o Almirante César Flores da Secretaria de Estudos Estratégicos foi o diagnóstico econômico e geográfico da Amazônia. dei a maior força e prioridade. da PNAD. nas exposições que eu fiz na Escola Superior de Guerra.. eu estava convencido que era preciso dar a um grupo do IBGE a função.. geodesia. Censos. porque esse tipo de ocupação. “ Mas Roberto deixa eu te contar duas coisas que eu acho que é importante. 93.. mas de uma certa maneira olhando hoje.uma certa maneira foi uma pessoa que teve uma questão positiva. conversei muito com Teresa Cristina que apoiou. “ Eu acho certo.

São todos mestres e alguns já começando a ser doutor. agora..” . foi feita a reportagem também naquele Globo que aparece domingo de manhã. de que não. com problemas específicos operacionais de suas áreas.. ele já não podia mais levar e ele teria que explicar o que ele iria fazer. etc. eu pelo contrário... e nada acontecia. que não era apenas pelo Collor e sim de uma estrutura ou gerenciamento. “ Esses quinze hoje qual é a formação acadêmica... menos segmentado... claro que o IBGE a geografia do IBGE. CONFEGE.... não é preciso fazer mais Censos. agora o Departamento nas áreas de meio ambiente lá da DIGEO de Santa Catarina. cento e sessenta. etc. saiu uma notinha no Fanestástico.. definição de Censos econômicos como o Agropecuário o Industrial. eu acho que esse é um ponto chave no IBGE.. mas isso você tem que aprender a fazer. foi justamente num período onde grande parte da população tinha aceito uma desculpa de que Collor tinha destruído o IBGE e com esse álibi do Collor ter destruído o IBGE. então era alguma coisa importante que a mídia. e aí nós sentimos que todo Presidente que entrava.... ela sofreu perda de massa muito mais que substancial..uma abrangência nacional. e tal.. a entrada do Sérgio Mincioti. é que nesse período. etc. saiu uma notinha no Jornal Nacional... aí todo esse período depois da sua saída.. e isso. em que as pessoas... acho que isso é um trabalho que minimamente se dá sobrevivência. uma agência governamental importante como a Secretaria de Estudos Estratégicos estava dando. então. Globo Rural. ou de pessoal.. teria uma importância evidente perante a mídia a Rede Globo em chamou naquele café da manhã. e com geólogo. até a entrada do Simon.. “ Se bem que tem um outro ponto interessante também. onde é que eu posso abrir uma cunha nisso aí foi o Simon naquele na CONFEST. isso levantaria a moral. uma delas especificamente sobre esse diagnóstico.. e aí começa a aparecer um papo estranho. suas preocupações primeiras eram: Censo de 91 tem que fechar.. bom. era todo um problema... com um biólogo... nós vamos ter que fazer um tipo de pesquisas menores.. Bandeirantes.. mas isso foi mal explicado ao usuário. mal levado... etc. seis já no doutoramento. estavam com grandes problemas. foi extremamente positivo.. por exemplo... os economistas e estatísticos.. No caso geografia e meio ambiente eles estão continuando nessa linha de fazer diagnósticos integrados. é uma grande diferença. então o usuário começou a cobrar pesadamente e esse.. as chefias da área de estatística. tratando daquele filé mignon.. “ Mas todos. eu acho até que deva ser assim. mas isso foi muito mal levado em termos de marketing. hoje tem quinze pessoas com nível operacional. porque se você consegue articular bem com um geógrafo físico..... Marília Gabriela fez duas entrevistas comigo. mal feito. que você pode pedir qualquer coisa. esgotou. percebiam claramente que eles já não tinham mais gente para fazer os Censos econômicos. foi muito bem aceito e todo mundo está aplaudindo e etc.” ... para explicar o diagnóstico da Amazônia. existe. que o único que foi detectar exatamente essa questão e dizer.. estão trabalhando em segmentos do gerenciamento costeiro e o trabalho que foi feito... não tem garotada de trinta anos...... etc.. acham isso um trabalho menor. ela.. que o governo. alguns geógrafos humanos não gostam. os estatísticos... levantaria a responsabilidade do grupo de geografia e a responsabilidade do grupo de recursos naturais e meio ambiente provocando essa integração e esse grupo não seria simplesmente o grupo de segunda categoria dentro do IBGE perante os economistas. você terá um discurso mais amplo. gerenciado por uma geógrafa do Departamento de Geografia e por grupos de geógrafos lá de Santa Catarina. muita coisa do IBGE. a poucos anos atrás trabalhava com cem. eu acho que já tem uns cinco.

:” . adaptação ao trabalho... que foi até um a experiência muito boa foi o Laboratório de Gestão do Território (LAGET). extremamente desestruturada que eu pensei em fazer. eu acho que com isso. não fomos muito felizes.. Egler que..” . nessas duas fases que foram..... eu não estou lidando com o problema. está havendo consultoria de fora... mais tarde houve uma outra tentativa.. dessas cem pessoas muita gente era da área de geociências.. um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o IBGE e que deu muitos frutos.. eles fizeram parte desse convênio. eles preferem ir para outro lugar... e não tive tempo. é esse o grupo hoje ainda faz a Geografia do IBGE andar. então essa é a saída.. pontual.. institucionalizada com os departamentos das universidades boas do Rio de Janeiro. de Economia.. mas ao que me parece. qual foi a sua colaboração nesse. já teve um concurso. que depois foi para a Universidade. que nós no tempo de Isaac tentamos... não. porque com essa. se não tivermos uma geração de estatísticos. aí eu digo de novo e louvo o Simon. “ É a geografia que desaparece dentro de dez anos. o Roberto Lobato de Azevedo Correa. de demógrafos que tenha feito pelo menos um Censo. etc. as pessoas estão indo para o exterior aprender e a trabalhar principalmente com tecnologia nova.. não foi levada a tempo.Não.Houve uma experiência disso.. Federal Fluminense.. se aposentaram. começou a planejar cedo... porque sentiram que.... é tudo na faixa de quarenta.. quem é que vai fazer o Censo do ano 2000.Se não menos.” . as pessoas estão podendo sentar a mesa e discutir perfeitamente o quê é possível fazer..... por exemplo a informação que tem agora é que em dezembro saíram cem pessoas do IBGE. mapeamento automático.. aprendi com o velho Lira Madeira e com Valéria Mota Leite. esse ano eles até já começaram direito.. vai se parecer com um planejamento daquele Censo de 80 que se começou que vocês começaram a montar e que em 79 vocês tiveram que abortar o negócio.... o negócio. eu quero saber no ano 2000. entraram três. por parte da Marilourdes Lopes Ferreira.. ao que me parece pelo menos em termos de planejamento.” Exatamente. que era . que as coisas estão se dando muito bem porque de novo está havendo uma integração muito de geociências.Não... vai ter a Valéria e mais um ou dois que fizeram o Censo de 90. “ Eu sempre digo que se isso. estatística.. Bom mestre Eurico. não havia possibilidade de tempo para um período de formação.. Sociologia. PUC do Rio de Janeiro. ele trabalhou durante muito tempo no Laget. deu bem para perceber como as coisas estão e o quê. formal. dois já foram embora. se aposentou. eu sou o mais velho tenho cinqüenta e três... que trabalhou no IBGE desde os anos 60.. que eu acho que é fundamental que é o IBGE basicamente ter uma interação maior.. foi alguma coisa assim exploratória. talvez com a UNICAMP.. quer dizer o Departamento de Geografia. “ Não teve um rapaz. talvez com a USP... a reposição que deveria ter sido feita na década de 80 e como ela não foi feita. pode ser estágio e pode ser elemento de despertar vocações que aceitem ser heróicos funcionários públicos trabalhando no IBGE.. o Claúdio Egler... não houve continuidade.. como algumas outras poucas no Brasil. Federal do Rio de Janeiro. dizem. agora a pouco tempo teve um concurso. pegaram o plano de desligamento. ele montou uma equipe para o Censo do ano 2000 e resolveu começar cedo. com essas saídas. a Fanny Davidovich também.. eles não terão condições de comandar o segundo.. etc.. questões de salário. o mais novo deve estar com quarenta e três mais ou menos nessa faixa.. a Bertha Becker.. cada vez mais fica distante a possibilidade de reposição. “ Eu queria só no final dizer alguma coisa também que me esqueci. ter essa ligação com o IBGE.

restrições essas que vão. Tanto quanto os outros presidentes. O primeiro foi sua carta de intenções chamada O Presente e o Futuro do IBGE apresentada em dezembro de 1994.. suavizando-se. Simon discute os problemas que os principais institutos de pesquisa governamentais apresentavam na ocasião e delineia o modelo de contrato de gestão em termos de controle e avaliação.. São 28 páginas onde Simon expõe claramente os problemas da agência. preparado no contexto de uma reunião técnica com os dirigentes de instituições federais de pesquisa em novembro de 1994. e o maior deles é ainda o de pessoal qualificado. apresenta um balanço das atividades entre maio e dezembro de 1994. O terceiro trata-se de uma apresentação sobre os institutos de pesquisa do governo federal. a medida em que o papel dessas áreas passa a ser compreendido mais amplamente. financeira e patrimonial. Esses foram os principais referenciais que nos interessam para entender a posição de Simon Schwartzman quanto às áreas de Geociências. política de pessoal e questões relativas ao desenvolvimento de carreiras de pesquisa e ao processo de transição necessário entre os dois regimes (Regime Jurídico Único) e o de Contratos de Gestão. além dos problemas concernentes ao equipamento de trabalho propriamente dito... Nele.. Simon também inicia o mandato com muitas restrições à essas áreas. ao longo de sua gestão. Essas mudanças positivas podem ser percebidas através de uma série de ações que implementaram uma forte . principalmente os afetos ao funcionalismo que o compõe. explica as condições de funcionamento da agência.diretora adjunta da Geociências do IBGE. Simon faz um balanço de sua administração.... acenando com o projeto de contrato de gestão. O segundo documento foi sua carta de transmissão de cargo da presidência do IBGE em 25 de janeiro de 1999 ao economista e historiador Sérgio Besserman Vianna atual presidente. traça as estratégicas para os próximos anos e levanta questões sobre o futuro do IBGE. A Gestão Simon Schwartzman Três documentos servem de sinalizadores para as ações empreendidas pelo último presidente do IBGE que gerenciou a casa entre maio de 1994 e dezembro de 1998. onde faz uma ampla avaliação da missão institucional da casa. gestão administrativa. de fazer uma integração com outras universidades para um atlas do Estado do Rio de Janeiro mas não foi bem sucedida. mostrando o que foi melhorado e apontando os problemas que ainda não puderam ser sanados.

em termos de computação gráfica e de redes de comunicação.ampliação do aparato tecnológico de trabalho. .

...... quer dizer. A Gestão de Mauro Melo na DGC . e participaram das políticas de integração das áreas de Geografia.. acho que no momento de transição do IBGE. participando de várias das discussões dos geógrafos nesse processo.. exatamente com esse convívio de cartógrafo e geógrafos..Os Diretores O segundo grupo de depoentes foram alguns diretores que gerenciaram as áreas onde a Geografia se localizou. trabalhando maciçamente na elaboração da documentação cartográfica. a minha inserção na Cartografia se dá exatamente na passagem para a Universidade ao início do curso de Engenharia Cartográfica na UERJ. Meio Ambiente e o ambiente informacional que daria suporte às áreas. eu trabalhei com cartografia.” Essa era a primeira turma de cartografia no IBGE? Já era. e também se iniciavam os trabalhos dos subsídios a regionalização.. elaborando cartogramas. mas então. No projeto dos Subsídios à Regionalização. como estagiário exatamente em janeiro de 68. terceira turma. Cartografia. ainda tive o privilégio de cursar Engenharia Cartográfica com um curriculum que era denso em geografias. cartógrafos de boa expressão no IBGE como Rodolfo Pinto Barbosa e Ari de Almeida e os grandes geógrafos do IBGE que . O primeiro depoente foi o engenheiro cartógrafo Mauro Pereira de Melo.. além das unidades regionais que também produziam trabalhos específicos em seus espaços de atuação). a turma que saiu em 70.. inclusive.. que dão o perfil atual das Geociências na agência.. onde leciona no curso de Engenharia Cartográfica. primeiro diretor de Geociências do IBGE e principal articulador da integração em as áreas que compunham a diretoria (Geodésia..naquela ocasião e tive o privilégio de ter alguns professores geógrafos de grande expressão... na Distribuidora de Energia Elétrica na Light.... quer dizer.. Atualmente Mauro Melo é professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e na UERJ.Professor Mauro pode começar a contar um pouco da sua trajetória pessoal e funcional dentro do IBGE ? “ Bom. daquela época em que se terminava a Geografia do Brasil... se estava a meio curso do Atlas Nacional do Brasil e de uma série de Atlas como o do Ceará. que tiveram cargos de alta direção no período do CNG. participando desses diferentes projetos. os capítulos regionais.. não na Cartografia.... como Miguel Alves de Lima e Speridião Faissol... Alfredo Porto Domingues foi meu professor em algumas cadeiras para exemplificar. a minha experiência profissional vem de trabalhos na área de topografia inicialmente. a minha foi a terceira turma.. eu digo que tive uma visão privilegiada.. e no projeto do Atlas Nacional também.. no caso da Geografia do Brasil... Geografia.. Mas o que vamos registrar aqui são os depoimentos de profissionais que assumiram posições de direção após a década de 80.. Cartografia/Geodésia e Meio Ambiente... criando os mapas de correlações. “Era a terceira turma.. do Amapá. Foram tomados os depoimentos de elementos formadores da “velha guarda”... e venho logo para o IBGE. eu fui estagiar no Departamento de Geografia. uma coisa bastante desconfortável durante muito pouco tempo. Recursos Naturais.

. participei do grupo que implantou a estação de recepção da imagem do primeiro satélite de sensoriamento remoto.. Piauí... ele conseguiu reverter esse quadro produzindo um Decreto que transferiu o Radam à Secretaria de Planejamento e num segundo momento estudar absorção por parte do IBGE.. na época o Projeto Radam Brasil estava totalmente desassistido a ponto de ser definida sua extinção no final do Governo Figueiredo... naquele momento até com entidades externas ao IBGE. porque éramos as primeiras turmas a entrar na Amazônia com objetivo de mapeamento mais preciso. tinha muito pouca visão geográfica. fui no momento seguinte para o INPE e aí outra felicidade. no Governo Sarney é que veio acontecer a oportunidade de absorver realmente o Radam. realmente foi uma temeridade absorver um projeto dessa importância naquele instante em que nós não tínhamos nem claro que papel ele teria num novo IBGE.... e a entrada do mapeamento na Amazônia que era o grande desafio que nos acuava. que veio a se transformar no Landsat e os estudos primeiros de aproveitamento de imagens. aliás no Bico do Papagaio na região de Xambioá em 1974 com a equipe da Quarta Divisão de Levantamento de São Paulo onde estava lotado e participei dos projetos de cartografia ao longo da década de 70. fui trabalhar numa Divisão de Levantamentos que estava sediada em São Paulo... através das Divisões de Levantamentos. quer dizer.. supervisão e lidando naquela ocasião com algumas tecnologias também de ponta...... Eu acredito que isso voltou a colocar um pouco a cartografia num eixo geográfico. já de longa data.... quer dizer. onde se perdeu a visão geográfica da cartografia e a formação cartográfica se voltou mais para a questão cadastral... no momento seguinte. interferimos.. fui para a área de Geodésia.. O cartógrafo..... A grande oportunidade que nós vimos em avançar nesse sentido foi com a absorção do Projeto Radam. medição de bases.... e tivemos a felicidade de realizar alguns Atlas.. quando de meu retorno ao IBGE. aquela formação anterior de meados da década de 60 até o final da década de 60. Desenvolvimento do Vale do São Francisco... A todo instante buscamos uma aproximação com a área de Geografia até porque os Atlas estavam incluídos na programação de trabalho do DEGEO e víamos aí uma oportunidade também de crescimento do próprio pessoal da cartografia. ela foi rompida num ponto qualquer... quer dizer. quer dizer.. o mapa regional do Nordeste nesse processo. Como foi o caso da EMBRAPA na Região de Carajás. a visão do engenheiro geógrafo do século anterior..participaram desses projetos.éramos chamados de caixa preta e tudo mais. na área de Geodésia. organização e tudo mais. Superintendência de Geodesia onde posteriormente. Na ocasião através do Presidente da Comissão o Pécora.. muito pouca participação até da geografia e mais da cartografia e logo depois os Atlas estaduais que estavam contratados e precisavam de um apoio maior como Maranhão..... Vale do São Francisco. nesse período da década de 80. quer dizer. fui para a área de Geodésia... Flávio Pécora.. já na década de 70. onde as preocupações básicas eram concluir o levantamento gravimétrico dessa área.. todo mundo sabia que era um .... a nossa tentativa ganhar uma aproximação maior da geografia até no sentido de reforçar a questão do papel do IBGE que era até todo instante questionado. houve uma regressão aí em termos da visão cartográfica. na definição do Sistema Geodésico Brasileiro e treinamento de equipes para astronomia. eu não sei precisar na década de 70.... e foi num momento crítico para o IBGE.... nova visão geográfica e algum envolvimento com alguns mapas temáticos. quando nós interferimos através da Comissão de Cartografia.. a tarefa foi também uma visão privilegiada em termos de IBGE. também com a Cia.. isso já veio acontecer no Governo Sarney.. Roraima. em que se rediscutiu o IBGE como um todo. a intenção do Governo era realmente extinguir o Radam. para a fazer a pós graduação. quer dizer. a SUDENE e aí saiu o Atlas do Nordeste... e me vi envolvido profundamente com.” No depoimento do Edson Nunes ele coloca bem as dificuldades que foi de entender qual era a escala do Radam. Ao mesmo tempo que eu me enriquecia naturalmente com essa participação em termos de geografia. comecei a trabalhar efetivamente com cartografia..... papel. e nós vimos na aproximação com o DEGEO principalmente na elaboração de Atlas uma reaproximação da cartografia com a geografia.... fui Superintendente ao final da década de 70 até assumir a Diretoria de Geodésia e Cartografia no início de 80.

. no âmbito do Projeto Nossa Natureza.. também foi resultado de conflitos de poder no DEGEO. nós absorvemos nessa época a idéia de integração..do início dos anos 80. “ Periferia de Carajás é último. para o final do ano de 86.” Houve até umas escalas interessantes.............. Rio Negro-Uatumã.. Eu acho que os diagnósticos deram um pouco mais de trabalho inicialmente em escala Brasil. “ Foi um desafio. 87 isso tudo correu a reboque... A grande vantagem que tivemos com a absorção do Radam foi a oportunidade de sentarmos à mesa de discussões com uma proposta concreta do ordenamento territorial integrado. evidentemente.. não na forma que vinha sendo tratada no IBGE em termos de SUPREN que eu acho que tinha muito pouca valorização da visão geográfica... tentando costurar o binômio natureza sociedade de uma forma mais integrada. “Exatamente.... mas eu acho que foram um marco. o exemplo do grupo do Orlando Valverde. eu acho que o Radam veio e deu organicidade.pois inicialmente. foi interessante ... funcionasse como um catalisador dos interesses dos geógrafos e houvesse uma aproximação maior entre a área humana e a área física numa geografia de integração. trazendo inclusive algumas tecnologias novas já voltadas para geoprocessamento..Quantos projetos foram desenvolvidos naquele período ? “ Tivemos o ZOPot zoneamento de potencialidades. você tinha o Nimer como um líder de climatologia..” Que aí foi uma tentativa de tentar trabalhar uma escala dentro da Amazônia. a experiência Projeto Nossa Natureza.. houve a construção daqueles quatro módulos iniciais que foi Xingú-Iriri. físico..grupo muito importante e pessoas muito qualificadas e ninguém conseguia entender escala da junção de Radam com IBGE qual era a possibilidade. quer dizer. correu a reboque não.. a objetividade ao trabalho que era feito na área da SUPREN... O que buscávamos era exatamente uma integração maior. o discurso holístico que veio perdurar já pelo meados. correu distante daqueles nichos que se discutia a criação de uma área de ambiente no âmbito da área da SEPLAN o que veio ocorrer em 87....A experiência de Carajás.. não se tinha naquele momento ainda...... sob a ótica da geografia e sempre buscando esclarecer essas interfaces entre os diversos subsistemas que compõem a natureza e a sociedade. quer dizer. principalmente da exploração dos elementos da natureza. no contexto mesorregional. os diagnósticos territoriais eram todos com viés ambientalista . mas ao mesmo tempo também tentar fazer o que o Projeto Radam...” .. tínhamos de adquirir essa experiência em termos de Amazônia. da questão dos Recursos Naturais..” ... houve uma tentativa da adaptação do Aluísio Capdeville Duarte que era um geógrafo da área de regionalização... do César Magalhães que era especialista de energia... a SUPREM não tinha uma organicidade naquele período.... esses trabalhos foram importantes.... Roraima e Periferia de Carajás.” . você tinha o Alfredo na geomorfologia eram poucos os especialistas.... mas foram situações de cunho pessoal... não só da área de Recursos Naturais. fruto de conflitos no DEGEO.E haviam muito poucos geógrafos que pudessem fazer.. uma escala intermediária. aí. até como uma forma de costurar o pensamento humano.. “ O que nós buscávamos ali era uma valorização da visão ambientalista da geografia..” .. e não uma decisão estratégica. PMACI I e II que monitoravam a ocupação ao longo da BR 364 e controlavam as áreas indígenas de Rondônia e Acre....

... “ Eu digo que essa linha... foi aí a ruptura que nós tentamos fazer naquele instante. a questão da poluição em função de uso do solo.... etc.... pois abrangeu todo o país. “ Isto tudo num processo único. ali nós estávamos buscando modelos para a definição de políticas regionais..” .. “ Exatamente.... aquela forma de acordar o Brasil...... início da década de 80... “ Sim. foi escolhido para a tentar essa aproximação entre o pessoal do Radam e do IBGE.. quando a escala menor muitas vezes poder resolver seu problema. quando nós . uso de defensivo agrícolas. principalmente na área governamental... isto é de 1:50.. ele me serviu muito. 1:100. Percebo que este era o grande problema que incomodava o pessoal do Radam.. pois eles sempre trabalharam dentro dessa característica do levantamento sistemático em nível local. embora até hoje não tenha sido plenamente entendido.. é um trabalho que realmente acho que não foi entendido.” Plenamente valorizado como deveria ser. dali era possível fazer muita coisa.. ele orienta as pesquisas de ocupação do território.... relação política de governos anteriores. problemas da regularização fundiária da década de 70 a 80.Claro...... ainda Diretoria Técnica que foi Brasil: Uma Visão Geográficados anos 80.. visão nacional. foi o primeiro trabalho na escala de Brasil que apresenta uma preocupação com poluição...... antes do discurso neo-liberal do planejamento indicativo e do planejamento determinativo dos militares da fase anterior..” Analisar algumas conjunturas. há ciclos qüinqüenais.. Eu acho que ele ficou interessante. não era um instrumento clássico para planejamento.... o Diagnóstico Brasil foi um marco nos trabalhos.. quer dizer. ela dava a sinalização para políticas regionais.... se evita a história do sistemático quebradinho. está tudo lá. mas ele deveria ser até para a dar uma avaliação das políticas. para trabalhar no módulo de Rio Negro-Utumã.000 e aí você não vai conseguir cobrir o Brasil todo rapidamente....... Quando você lembra o Nossa Natureza...... e aí poluição vista num nível mais geral. a área acadêmica dá o valor merecido.000. mau uso do insumos no campo. que é muito difícil de trabalhar na escala de Brasil. não fazia sentido ir à escala maior.. até hoje orienta pesquisas no terceiro grau. o nosso problema é que a área governamental ainda não se percebeu a importância daquele tipo de abordagem.. aquilo ali deveria ser cíclico. por exemplo.. eu vivo repetindo para a eles ainda hoje que essa abordagem deles leva ao dilema de Jorge Luís Borges vai em escalas cada vez maiores até chegar em 1:1 e a informação se torna inútil para muitos e apenas relevante para uns poucos.... com isso.Porque ele organizou um quadro de referência importante. a parte de agrária..” .. principalmente na questão de poluição local de Manaus em função da industrialização...... “ Eu acho que foi o primeiro trabalho que juntou renda familiar com poluição. decenais.. analisar alguns problemas em determinados segmentos.. por exemplo. ele foi uma tentativa de mostrar a esse pessoal que havia um limite de escape... “ Na área de planejamento. é um tipo de trabalho que deve ser repetido.” .. com industrialização...Renda familiar com poluição. como o Brasil lá fora. Ele foi um inspirador nessa linha de trabalho....” “ E aí Schmidt é bom deixar claro que o grande sinalizador disso tudo foi um projeto desenvolvido no âmbito do DEGEO ainda isolado. é o mesmo processo da amostragem na estatística...Teve diagnóstico Brasil também..... Esse texto...

como é que você vê a Diretoria de Geociências para o futuro ? ..Para não ter de reinventar a roda.... já era uma espécie de pré zoneamento. ele pode fazer um diagnóstico.. O IBGE... isso que é chamado geografia oficial...” .. é subsídio ao planejamento da máquina de governo.. “ E o que possa ser pedido hoje. e eu acho que não.Ele informa. ele dá dados. mas para o grande capital........ ou no próximo....... etc... no de Juscelino.. “ Exatamente..... “ Na verdade. para o estado.. etc. é que era uma geografia feita não para a sociedade. um professor na banca de qualificação argumentou que: mas afinal de contas. porque cada área dessa apresentava problema distinto no contexto da Amazônia. o IBGE é e continuará sendo uma agencia do governo federal e servirá à sociedade brasileira via estrutura de governo. na verdade.O que possa ser pedido hoje ou daqui.... ele passa... um trabalho específico...” . não é governo... certas informações serão sigilosas pois são são informações estratégicas. ele pode dar uma informação trabalhada..” Bom. é uma agência de subsídios a planejamento. na era Sarney. estatística oficial na verdade é aquele conjunto de informações que eu chamo de estratégicas básicas para informar os processos de gestão do estado... nos governos da era militar.regional.. o trabalho apresenta situações muito semelhantes. depende da ênfase que se dá a expressão..... grupos privados estarão dispondo de uma informação antes dela estar disponível. quer dizer... É um equívoco isso.... “ Ele informa todos esses processos. é uma situação diferente.. e colocar a coisa numa visão pragmática também. exatamente... “ E aí se leva à distorção de hoje. ele precisa daquilo para a responder alguma coisa ali. mas ele não planeja necessariamente .” .. Collor.. de querer ver o IBGE como uma organização social.. quatro anos.. ele subsidia planejamento.... virou um xingamento. então elas foram selecionadas até para se ganhar tempo no processo de domínio do trabalho.. Embora muitas vezes eu sinto um choque ainda quando alguém ainda fala de geografia oficial como uma coisa fascista. ele pode dar informação bruta... ou para o militar. porque uma organização social é essencialmente privada. que representa a sociedade.” Essa foi uma expressão muito marcante na década de 80.. geografia oficial de estado é uma coisa. e que eu não consigo inclusive ver tantas diferenças entre o que Geisel pediu numa determinada situação ou o próprio Itamar possa ter pedido em outra.... ele não é uma agência de planejamento. três anos.. na medida que ela efetivamente em algumas situações ocorreu porque éramos um órgão do governo foi assim no período do Estado Novo. não como uma agência do estado..” .. agora a conotação que se deu.aproveitamos aquelas quatro áreas do zoneamento no Projeto Nossa Natureza..... você tem uma preocupação muito grande com a palavra geografia oficial e não é geografia oficial o que é feita pelo governo? Eu respondi. e nos períodos posteriores. ele subsidia planejamento. porque o governo precisa daquele pequeno período de tempo que é...Coisa que o governo precisa..” Não é governo de fulano ou de um partido.. cartografia oficial.

para a mim ela é mais geográfica.. “ E fortaleceria gradualmente um nicho de geografia da população aqui nesse grupo e aos poucos ir roubando a parte de demografia para este contexto.. ela conseguiria respostas melhores no sentido das estatísticas ambientais.. até porque a área lá do DEISO eu não sei qual é o nome hoje.. a questão do território enquanto uma dinâmica temporal que é o caso da estatística e a dinâmica do território do ponto de vista espacial. as respostas de média moda e variância tem que ser dadas pelo esse grupo de demografia. é a ligação entre o que se gostaria de que fosse perguntado.... lembremos que a demografia é quem planeja o Censo Demográfico. aí.” Como ficaram os estudos de estatísticas ambientais.. eu não vejo na Geociências hoje.. pela inserção do indivíduo no meio no ambiente físico perfeito.DEISO hoje está na área da Demografia. se me fosse dado alguma decisão nesse instante.... vamos chamar de espacial no sentido que vem sendo dado hoje.. “ Para a produção das estatísticas objetivas.. “ Isso ainda não aconteceu até agora. portanto. que é o movimento DERNA. que é a qualidade de vida apenas vista pelo ângulo do saneamento e da salubridade da população.. a visão da dinâmica e aí completa o território. .isto é um corte seco no tempo que é o que caracteriza exatamente a linguagem estatística.. quer dizer. ficamos na velha antropometria.... “ O que eu digo é que seria recuperar a idéia da geografia da população. para que essa visão social não fique deslocada do ambiente.... do que é efetivamente levantado e usado pelos usuários.. quer dizer..... DEGEO e a área de estatísticas sociais. mantendo as questões das estruturas setoriais vinculadas a esse núcleo cartográfico e faria um outro movimento. eu optaria por um outro modelo. de informações dessas áreas para combinar com os processos naturais........ ele não tem condições de funcionar no ambiente de hoje. é que dará realmente a visão territorial que cabe a um órgão como o IBGE produzir.” .....Os dados que servem para esse tipo de trabalho... isso é que precisa ser produzido a médio prazo. veja bem. Um problema semelhante se dá com a pesquisa de Padrão de Qualidade de Vida..” .. mas eu voltaria a isolar a Geodésia e Cartografia...... hoje ainda o corte é muito temporal....” “ Em suma o que eu gostaria de resgatar são as três linguagens básicas que dão conta da questão territorial. sistematize esse conhecimento entre demografia e espaço. é preciso produzir estes indicadores de qualidade de vida ligados às estatísticas ambientais. quando na verdade.... organize. porque a análise geográfica baliza isso melhor do que análise estatística ... eu tenho impressão que esse nicho garantiria à geografia um grande papel.... com isso. o IBGE não consegue levar para frente pois necessita de muitas outras visões....... não é um retorno ao passado. teríamos que ver a questão da qualidade de vida.. Geografia.... a recuperação desses três idiomas.... a visão do território enquanto modelo gráfico. agora as análises ... o território na sua dimensão espaço geográfico organizado acontecendo no tempo.. eu redesenharia o IBGE com essas duas Diretorias e uma terceira ocupada exatamente com a questão Levantamento e Produção Estatísticas. não vejo nesse momento espaço para a eles nessa forma.. quer dizer.. eu teria isolada essa parte de Recursos Naturais. e para isso ser medido.. é ela que faz determinado tipo de pergunta. e o custo que isto implica.. Estatística e Indicadores Sociais. que.“ O modelo geociências de nosso período teria de ser mudado... e aí é trabalho sistemático mesmo......... se ela efetivamente vale a pena..” -Bom.. e levanta o custo desse tipo de pergunta....... mas percebo que é importante manter um núcleo que acumule............ dos indicadores de qualidade de vida e um eixo de indicadores sociais mais coerente com as questões ambientais...

. porque eu simplesmente avaliava o programa. Gostaria que o senhor descrevesse sua carreira até sua chegada no IBGE “.. E se o presidente não vislumbrasse o REGIC como um projeto típico de ampliação de mercado para o IBGE no campo dos subsídios às consultorias e governos municipais. dificuldade de contratação de pesquisadores e até dificuldade no seu relacionamento entre o governo Federal. mas em alguns momentos. através de seus chefes de agências que respondem às questões concernentes à pesquisa. ele passou em algumas áreas de conhecimento. evitando assim futuros conflitos entre departamentos e incentivou a ampliação de diagnósticos integrados. no caso do próprio CNPq. naquela ocasião fui supervisionar os estudos sócio econômicos do CNPq na Amazônia isso durante cinco anos e isso já como supervisor do para programa do CNPq para a Amazônia. e perdendo. foi trabalhar na direção da FEPASA em São Paulo) não impediu a continuidade do projeto. no Instituto Nacional de Administração Pública e depois aqui no Brasil na Fundação Getúlio Vargas. quando Sérgio também já havia saído do IBGE e retornado à presidência do Jardim Botânico.Eu fui estudar economia em Brasília e fiz pós graduação na área de administração pública na França... como forma de acelerar essa integração interna. projeto caro e de logística bastante complexa pois interage diretamente com a rede de coleta.. Sérgio iniciou um processo de equilíbrio de poder entre essas áreas. porque o Goeldi realmente tem coleções .. O INPA foi criado depois do Goeldi. que foi terminado na gestão Simon Schwatzman. Meio Ambiente. Museu Emílio Goeldi. muito tempo depois.” . Ministério da Educação. a se sobressair muito mais do que o próprio Goeldi. interage também com a Diretoria de Informática. não sairia se a influência de Sérgio Bruni sobre o presidente Minciotti não fosse forte. com experiência no CNPq. na Escola Brasileira de Administração Pública e meu primeiro emprego público foi no CNPq. Sua atuação no Conselho Diretor .. principalmente durante a saída de Eurico Borba e na conseqüente gestão de Sílvio Minciotti. sem bem que a experiência de Sérgio Bruni tem uma forte componente nos segmentos dos estudos botânicos. administrador público da área de ciências. Foi a primeira experiência de um administrador público numa área técnica de Geociências.Isso em que época mais ou menos? “ Isso em 83. o primeiro presidente do IBGE vindo da iniciativa privada.Gestão Sérgio Bruni na DGC O próximo diretor a dar o seu depoimento foi Sérgio Bruni. concurso 1976 se não me engano e entrei como analista Júnior no CNPq. onde está até agora.. pois desincompatibilizou-se com o serviço público para candidatar-se a deputado federal pelo PSDB de Santo André... projetos de atividades científicas. em dois anos no Museu Goeldi foi um experiência muito rica porque eu saia do CNPq de uma situação macro da Amazônia onde era cômodo.. Geografia. pouco depois eu fui trabalhar no Museu Emílio Goeldi onde fui vice diretor. que prepara o ambiente computacional para a geração dos bancos de dados e a posterior classificação das hierarquias de redes urbanas e do mapeamento final. A rápida passagem de Minciotti no IBGE (nove meses apenas... além dos problemas inerentes às unidades regionais sediados em alguns estados). e peguei o estudo num momento de grande dificuldade econômica. Jardim Botânico. com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. foi importante.. Após o período de adaptação e de entendimento da complexa heterogeneidade das diversas áreas de especialização da casa (Geodésia.mas granjeou-lhe muitos inimigos em outras diretorias.. não no que tange as coleções.. Cartogarfia.. Um projeto dessa magnitude. isto é em gerenciamento desses segmentos. Instituto de Desenvolvimento Florestal. Foi durante essa gestão que Sérgio Bruni incentivou o processo de implantação do projeto de Regiões de Influência das Cidades.

nesse período então Eurico Borba recebeu convite do Ministro Marcílio Marques Moreira para a assumir a Presidência do IBGE e me convidou assumir a Diretoria de Geociências.. tinha área de cartografia e geodésia..... estruturando melhor o Departamento. etc. foram pouco mais agressivas. uma política de qualificação de recursos humanos.. após cursar a Escola Superior de Guerra fui dirigir o Jardim Botânico. mas nunca trabalhara... quer dizer.fantásticas não se pode comparar... por exemplo. se iniciava naquele momento com grande esforço. para o Ministério de Educação eu fui ser subsecretário de primeiro e segundo grau quando o Marco Maciel assumiu passei um ano e meio trabalhando basicamente com educação básica... passei alguns anos lá no IBDF e foi uma experiência muito interessante porque a gente criou um colegiado composto também por professores universitários.. variação de novos projetos etc.. a espinha dorsal do IBAMA..... mal ou bem de algum maneira eu conhecia o tipo de trabalho feit... muito ligado ao então Presidente José Sarney e isso facilitava muito a operação se pode estruturar uma série de projetos novos. Recursos Naturais e Meio Ambiente onde eu trabalhava a cerca de vinte anos.. “ Exatamente. o que hoje o CONAMA faz na escala de Brasil.. felizmente a maior parte atendeu.... o Goeldi era um Instituto mais clássico. e pudemos enviar para o exterior diversos pesquisadores.. a articulação no setor empresarial. então foi uma experiência muito interessante... mas na capacitação de pessoal. no próprio CNPq. o Presidente na ocasião era o Jaime Santiago que era um economista sergipano de muito bom nível. e a área de estruturas territoriais na verdade era uma área de suporte a Censo e a base de dados geodésicos era uma mais operacional. as pós graduações oferecidas. os demais permaneceram e um coisa que eu . um só por uma questão pessoal que era o Túlio que era o Chefe da Cartografia já estava acordado com a presidência ida dele para Porto Alegre. eu pedi a ele que a documentação que ele tinha sobre o assunto... conhecia a literatura. era uma questão pessoal. representantes de organizações não governamentais que passaram a orientar a ação da Diretoria.. familiar. então foram dois anos muito interessantes onde pude inclusive participar de uma reformatação do Goeldi para a estrutura que hoje ele tem.. depois eu fui para o MEC... onde tanto no Goeldi ou no próprio MEC.. criando um Centro de Documentação da Amazônia. então na verdade a relação que se pretendia naquele momento era que tivesse uma vice diretoria que fosse a vice diretoria executiva.... então. e capacitação.. se estruturou o laboratório de produtos florestais do hoje IBAMA. tinha a área de Geografia... acoplando um Departamento hoje de Museologia que não se tinha na época..... que permanecessem em seus cargos.. Posteriormente... pesquisadores de institutos de pesquisas. não tinha nenhuma idéia de levar uma estrutura de fora para a operar numa organização tão complexa.. e fui trabalhar na DGC.. foi um embrião o CONAMA. se tivesse um Diretor Geral que ficasse mais com a relação política... primeiro para a entender se eu teria algum tipo de competência para a entrar naquela questão. foi uma experiência muito interessante..... eu aceitei o desafio.. de forma que pela primeira vez o CONAMA/IBDF pode ter um colegiado onde os diversos seguimentos que trabalhavam no setor vegetal podiam opinar... eu fui ser diretor do IBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal hoje extinto.” ... mas na geodésia eu desconhecia o tipo de trabalho... uma área de função técnica científica que não se tinha.As relações com o esquema internacional de pesquisas... porque essa vice diretoria acabava de ser criada e eu fui o primeiro a ocupá-la. de captação também de recursos.... naquele tempo já se fazia aquele sistema. quando iniciou então o governo Collor eu pedi demissão do Jardim Botânico fui ser professor da Escola Superior de Guerra e foi criado então uma disciplina que era Ciência Tecnologia e Meio Ambiente onde eu fiquei como responsável por uns dois anos.. operacional da Divisão.. já no Rio de Janeiro. ele me passou os dados e as áreas que estavam na Diretoria eram áreas que tinham uma certa proximidade com que eu já havia gerenciado...... hoje IBAMA. Bom.. então foi um trabalho muito interessante. depois dessa experiência e de outra na Secretaria de educação e Cultura de Roraima. e a primeira medida que eu tomei foi pedir a todos os chefes de Departamentos que ali estavam... na cartografia eu era usuário...

..defrontei no primeiro momento.......... por exemplo.... quer dizer... eles tinham o orçamento. era a modernização tecnológica da cartografia. os programas aprovados pela Diretoria.... houve reuniões com os Secretários de Estado de Planejamento e de Meio Ambiente....” . eles sempre tiveram unidades regionais importantes..... pois são áreas situadas em diretorias diferentes... este choque de filosofia de trabalho criou muitas dificuldades entre a DGC e o pessoal do Radam lotado nas regionais.. dentro da Diretoria.. E aí tinha um situação que historicamente sempre foi um complicador. era um desconhecimento muito grande.... isso. enfim. e isso era completamente fora da tradição da antiga geociências que possuía uma estrutura muito centralizada nos departamentos e no diretor..... e com isso. era o pouco que se conhecia dos trabalhos da Diretoria de Geociências externamente ao IBGE. o livro Geografia e Meio Ambiente e a Questão Ambiental no Brasil terem sido lançado na Reserva do IBGE com o Ministro do Planejamento presente. diversos produtos foram amplamente divulgados. de uma certa maneira o pessoal do Radam lotado no Rio conseguiram minimizar essa situação.. e era um projeto bem dispendioso..etc... mas eu achei que tinha que ser dado um certo balanceamento as demais áreas. então é um negócio extremamente complicado de se definir prioridades. agora. a tradição de áreas regionais em cada estado na estrutura do IBGE era na área de estatística e não na área de geociências. e o processo de autonomia foi cautelosamente incorporado.mas fora... mas você chegou no ponto justamente de transição.. a estratégia que se montou foi de se tentar criar uma pequena estrutura de suporte de comunicação para não depender da comunicação da Presidência do IBGE. a segunda foi valorizar mais as unidades regionais que estavam..... eu acho que era um ponto importante. que se observava claramente.... e tentar dar uma balanceada nas dotações dos departamentos.... era que o eixo grande da política da DGC naquele momento.... eram unidades quase autônomas para decidir determinados tipos de trabalho com governo local etc. coisa que o IBGE tem muito pouca. e tal. só que a DGC tinha outras linhas de trabalho.. importante ninguém nega o mérito.. com a chegada do Projeto Radam. na própria área de Geografia de Recursos Naturais.. “ Exatamente...um ponto que foi muito importante. que tinha objetivos muito mais macros....... e é um problema antigo...em posição muito secundária.. mas não havia uma real integração das regionais de geociências aos departamentos da sede. Essa valorização foi possível graças ao empenho do Ministro do Planejamento o Beni Veras que garantiu os recursos financeiros para esta equalização da diretoria. o primeiro foi instituir reuniões de colegiados....... mas dentro do IBGE..se não começássemos a encaminhá-los iam ficar obsoletos.. as áreas de produção. não que não fosse relevante....E dentro do IBGE também.. outra coisa que me preocupou muito foi o atraso do cronograma de publicações.. a tentativa de se fazer um pouco marketing institucional... na minha avaliação. tinham textos prontos com cinco anos de espera para editar.. na minha avaliação... quer dizer..... as áreas de editoração numa Diretoria e a área de publicação em outra.. “ Isso. na Bahia quando se lançava lá a Bacia do Paraguaçú... se deu realmente uma divulgação muito grande à DGC..a ponto do próprio mapa de áreas de conservação ambiental da Amazônia ter sido lançado na sala de trabalho do presidente da República.. a ênfase absoluta era o Atlas que era relevante.. mais ou menos alguém já sentia um vasos comunicantes já se estruturando. “ Também dentro do IBGE.” Isso ainda é problema muito sério no IBGE.. e com reportagem especial no programa de TV Bom Dia Brasil.. que claramente estavam em baixa prioridade. A DGC estava com muitas dificuldades de serem editoradas e impressas na própria gráfica do IBGE os frutos de suas pesquisas......” ... então as primeiras ações enfocaram dois pontos básicos....

eu era contra naquele momento. eu não acho que é o mais adequado.. Terceiro..Tinha sido usuário de dados e também produtor.. deveria vender produtos de uma maneira correta a nível de mercado e que esse lucro deveria ser reinvestido na produção das atividades de divulgação dos produtos da Instituição. que estava chegando. Portanto... etc.Muito pouca experiência disso... um convênio. mas também era um doutor na área de gestão.. você tem mesmo dentro da DPE.o índice de preços do IBGE ele é efetivamente o melhor índice de preços do Brasil....” Aí tem também uma outra questão de tradição da Casa. cada dia mais políticas nacionais e mesmo ditames internacionais tratam da questão de desenvolvimento sustentado. “ E pouco interesse. etc. quer dizer.. um grande consultor de empresa em São Paulo.. a mostrar seus trabalhos...... ninguém melhor do que o Instituto .. e todo esse acoplamento ao Radam foi muito positivo. alguns dirigentes da própria Diretoria de Geociências me procuraram. eu acho que foi um erro histórico meu. porque ele tem infra estrutura toda. uma visão de que o CDDI. “ Exatamente ele vinha com a visão crítica por ser usuário de determinadas vertentes da própria Instituição.. se tiver três ou quatro que tenham planos de manejo vigentes são muitos. Segundo. pois mede as nove áreas metropolitanas e mede mais de trinta mil produtos. mas tecnicamente ele é o melhor índice. então naquele momento o próprio Sílvio me perguntou isso.. além do que ele poderia servir de suporte à Instituições Governamentais e Instituições privadas. então efetivamente ele é o melhor.. tem tudo montado... tem gente. ele era um grande gerente. mais ainda do que se tem feito.... já tem cinco anos que eu não estou no IBGE.. vou lhe dar um exemplo: o IBAMA tem uma meia centena de Parques Nacionais.... “ Com certeza. e terem um protocolo de intenções..... uma tradição negativa e que é o seguinte: não gostamos da imprensa... um ponto importante também que me parecia era o Presidente da instituição entender o que se fazia intra muros na Diretoria. Quarto. pois ficou durante muito tempo sem uma explicação para a dentro da Casa e para a fora... continua sendo hoje... as greves. que se poderia até se especializados em determinadas vertentes. a melhor cobertura de pontos de venda... tinha uma visão completamente distinta.... da área de Estudos e Pesquisas muita gente ainda que não gostou da atitude do Isaac de ter trazido índice de preços para o IBGE...... pessoa que acompanhou o Isaac.. por exemplo..... mas ainda tem pessoas em postos de decisão na casa que acham que o IBGE deveria só fazer Censo.. para o bem ou para o mal... pois cobre da Geodésia à Geografia.. então eu acho que quando a gente tem uma visão pouco mais distanciada do teu objeto.. o Presidente havia mudado. quer dizer. não diria só inexperiência não... talvez fosse o grande momento de ter se criado o Instituto de Geociências e eu iria o seguinte: seria hoje um dos grandes institutos brasileiros. ele mede melhor o movimento de consumo da população urbana.... num determinado momento algumas pessoas.. pode-se criticar os tempos de inflação. o ex-presidente Eurico Borba era um conhecedor histórico do IBGE. eu disse: olha. onde eles operassem consorciadamente em determinadas vertentes. naquele momento. isso ainda gera um propaganda negativa..a área de Geociências tem tudo que se poderia tratar desse instituto em nível de total qualidade..... tem um capacidade instalada que ninguém instalaria do dia para a noite. tem recursos humanos de bom padrão. etc... você pode analisar melhor.. e o Silvio Minciotti . uma visão completamente distinta.. por que o índice nos coloca na imprensa todo os mês.. dois grandes Institutos.. eu diria hoje o seguinte: passado bom tempo... porquê? Primeiro. ele tem um produto integrado que nenhuma outra instituição brasileira pode ter.. porque eu achava que o IBGE tinha acabado de entrar num plano de carreira de ciência e tecnologia. de empresas que se utilizavam dos dados” . etc.. e tal. porquê não o IBGE se dividido em duas grandes áreas... essa área de Geociências começando a mudar. Instituto Nacional de Geociências e o Instituto Nacional de Estatística por exemplo..

. duas estruturas... o IBGE volta a ser único. da Universidade do Pará. que se dizia que o .. grandes mudanças ocorreram tanto no corpo técnico que planejava as pesquisa. era muito fechado.. A Diretoria de Pesquisas. da Amazônia. o IBAMA não entrou... quer dizer. hoje em dia as coisas mudaram. não pode ficar na mesmice. separados. só se teve efetiva fusão em 67 com a Fundação IBGE na gestão do Aguiar Aires e depois na do Isaac... procure o IBGE..” .. as vinculações entre DPE e rede são vitais.. no que tange ao Projeto SIVAM por exemplo. fez uma mudança estrutural na rede de coleta. eu tentei com retumbante insucesso.Nacional de Geociências para ser o órgão. você tem que inovar........ você falando nisso me lembra muito. nada novo os empolgava. o IBGE tinha isto na mão... participação da EMBRAPA... chama alguém da Universidade do Amazonas....... se você tem que conhecer o Brasil.” ... com muito mais força operacional.. de Goiânia.... mas aí a preocupação maior naquele período passou a ser estatística mesmo.. se você tem a base de dados que se tem......” . que poderia realizar isso..... nós voltaríamos ao que o IBGE foi antes.... na década de 40. que em termos teóricos é perfeitamente lógico. meu Deus....Engraçado. os seus Conselhos Diretores.. então o quê acontecia? podia criar pesquisa novas....... e em termos de política de pessoal. mas seria o mais capacitado para a tarefa no médio prazo. e se o Diretor.. e aí era aquele período já Collor. não era possível avançar nos trabalhos.. no pior momento que se podia fazer..Aliás. quer dizer...” . pegasse um Parque da região lá do Norte. mas não consegui êxito. “ Até regionais. eles realmente tinham muitos problemas.. o conhecimento do Brasil que se tem. com muito mais operação... como no caso Teresa Cristina..O gerenciamento poderia ser feito pela área local de Belém.. já que o Silvio colocava a questão para a discussão.. formando grupos.. Parque Amazônico....... se ela não tivesse uma boa relações com a rede de coleta.. é que nós acabávamos de entrar num plano de carreira novo Ciência e Tecnologia. ele estaria o quê? Formando equipes. etc. “ Complicadíssimo.Montar uma política de plano de manejo específico só para o segmento de parques nacionais.. só que ele fez num tempo curto. o que me levou a não andar com essa idéia. esse era um dos inúmeros problemas que somente foram resolvidos com a gestão do Simon. talvez naquele momento.. eu participei das reuniões.. não fazer os cinqüenta ao mesmo tempo.. mas esse era o primeiro ponto..... quanto na rede de coleta. que foi muito complicado.. e efetivamente não tinha. eu ficava preocupado. com certeza ele estaria lá com outro status.. Conselho Nacional de Estatística e Conselho Nacional de Geografia.. mas se você não tivesse essa aderência à rede ... mas você vê... e nós deixamos passar.... esse é um órgão com aquela história..... a área de estatística naquele período.. por exemplo.. O próprio Eduardo Augusto na gestão do Collor. isso faz uma volta ao ciclo. “ Exatamente. várias aproximações sucessivas.... “ Pois é... o segundo ponto é que havia também um dificuldade um pouco grande porque na ocasião a Diretora de Pesquisa do IBGE era uma pessoa muito difícil de você se relacionar.. o grupo era muito hermético.. Por exemplo eu sempre achei que a CPRM não tinha a menor infra-estrutura em relação ao IBGE em termos de interdisciplinalidade e de equipamento instalado para tentar adentrar com uma perspectiva de mercado. e diga-se de passagem e o IBGE ficou quase fora também.

etc.. Alguns pontos de maior destaque foram a incorporação do RADAM.” Sérgio Bruni... durante seu longo depoimento. a grave pela greve. e tal.. de você fazer realmente uma congregação de esforços em cima de um só objetivo operacional que era revisar os produtos antigos. só que ela foi feita num período horroroso. a maioria tomou a decisão. mas pegou o período do Eurico. a existência da Reserva era um fato positivo em sua visão.. então o quê aconteceu? Quando você tem uma mudança pesada na rede. eu acho que você pegou menos. ou na posição do IBGE perante o grupo de institutos de pesquisa do governo federal.. mas foi a única grande mágoa que eu guardei. e não foi má intenção do Eduardo Augusto. começa num período de Edson Nunes.. criar novos... além do problema de alocação física dos departamentos de Geografia e de Meio Ambiente num mesmo local que garantisse a acessibilidade e a intercomunicação entre seus técnicos com relativo conforto...... através do gabinete do general Romildo Caim determinava que cortasse o ponto e punisse com o rigor da lei...... Edson Nunes. e apresenta-los enfim.. sendo Sérgio um profissional ligado à área Botânica. sem querer. terceiro.. numa situação onde funcionários estão sem referência..... mais um razão para a que entenda o nível de problemas que a DPE estava enfrentando. levantou várias questões que interferiram em sua gestão ou que ele viu como importantes no gerenciamento da Diretoria de Geociências. os companheiros dos Sindicatos conseguiram tomar um cafezinho com pão de queijo no Palácio Jaburu com o então Presidente Itamar Franco que através de assessores me determinou que abonasse o ponto e eu disse que não faria. não pegou o período das greves iniciais.. mandam eu cortar... mas havia sempre uma política que argumentava. porque foi no período Edson Nunes. bom. eu achava que. o que eu achei assim muito produtivo nesse período. a Casa. pelo menos na Praça da Bandeira estaríamos num ponto mais ou menos focal.. a melhoria da própria rede física dos departamentos. estava negociando a saída do Jardim Botânico do IBAMA para a transformação do Instituto. foi.. foi o seguinte: quando o Sílvio saiu o IBGE eu fui nomeado Presidente interino durante esses quarenta e cinco dias e quarenta e dois dos quarenta e cinco foram de greves... eu já havia dito ao Simon quando ele chegou que eu ficaria um mês. então quem atende o governo é punido. primeiro foi ter possibilidade de você operar com diversas vertentes e com perspectivas novas na Instituição e o trabalho da Reserva é um deles. segundo.....” . “A Reserva é uma coisa interessante.. quer dizer... “ E eu peguei uma coisa mais grave ainda. eu vou sair..... o Collor vai chegar vai botar todo mundo na rua..... por pior que se tivesse..funcionalismo público deveria ser drasticamente enxugado. puxa. felizmente três dias depois eu fui substituído pelo Simon e pelo que eu soube foi abonado o ponto. isso sem contar o período que você enfrentou.... quarenta e três dias depois. eu achava que se devia levar para um local de melhor acesso... então a Secretaria de Administração Federal SAC.... num nível lógico precisava haver uma reforma da rede. nessa hora...) e a sua preocupação de divulgar sistematicamente os produtos concluídos. eu sempre fui contra. a manutenção da Reserva Ecológica do Roncador em Brasília (até por que.. um mês e meio que era o período que eu estaria vindo aqui para o Jardim Botânico. quebrou-se uma boa parte da rede de coleta. com bom padrão técnico científico. traz o povo para a Lucas.. o negócio é completamente incoerente.. então foi o período que eu fiquei.... em época de grandes contenções sempre vinha aquela história..

então aquilo é um tarefa institucionalizada.” . que ele acompanhou na gestão de Sílvio Miciotti.. diga-se de passagem. mas o Eurico e Silvio. que aquele é um estudo que faz parte das atividades de regionalização que o IBGE tem de fazer dentre de sua missão institucional.... que eu fiquei encantado foi aquela questão da influência das cidades... eu fui a Bahia negociamos lá com o vice-governador... trocando informações e reuniões com os outros órgãos... universidades. e que não consegui levar.E aí era um problema.. “ Você quer ver um estudo que eu achava que era fundamental.... aí você vê.. porque ele sabia que a Cartografia não iria sair de lá........ como o Mauro Melo tinha suas prioridades focadas na cartografia.. outra coisa também que era importante.. que sempre foi feito.. poderia ser ampliado com novas construções.... o número de profissionais com Mestrado e Doutorado. só é parcialmente própria. de uma certa maneira tradição francesa de um francês chamado Miguel Rochefort que introduziu esse tipo de estudo no início dos anos 60..... eu me lembro.... ou a gente opera o dia a dia em vários projeto ou a gente vai ficar só na rede física. mas aí era tanta burocracia para a se conseguir autorização para a se construir que não se avançava nada.. serviços....” Exatamente.. um órgão pequenininho como o Jardim Botânico. que demanda muito dinheiro.” Um outro ponto que Sérgio também lembrou foi a importância do projeto de Regiões de Influência das Cidades. que ele disse que até hoje o pessoal dessa comissão deve estar querendo mata-lo por ele ter forçado essa situação. eu falei com o Eurico... não levamos nem um ano mas conseguimos. os dois tiveram méritos que a administração do IBAMA não teve. que possui um potencial enorme para o planejamento urbano..... é verdade..... “ Por aí.. a sede do IBGE também... tinham grandes dificuldade. temos mais doutores do que o IBGE que o próprio IBAMA junto. mas olha...temos que tentar dar um jeito de concentrar esse IBGE num canto só... os dois o mérito é deles....... é um negócio tão complicado...O Eurico.. “ E outra coisa.. o resto todos eram alugados... “ Que era um horror.. em outros estados era o mesmo problema.. e aí era de novo aquele negócio de prioridade.o Regic... quem trabalhava.... comércio .. mas esse era um problema sério.. doutorado.. um dado que ele deu para a comissão que estava avaliando... era de se tentar efetivamente melhorar um pouco a questão salarial que estava um horror.. com o Sílvio bastante tempo e dois tiveram muita habilidade para a num consenso colocar isso.. e que tinha mais gente qualificada com titulação.... o IBGE só tinha prédio próprio na regional no Ceará. souberam conduzir com habilidade essas negociações. com a regionais também... .” . não se tinha a Linha Vermelha naquele período. agora. outras dependências são alugadas... mas que era muito pequeno