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DEMOGRAFIA

Idoso é uma pessoa de idade avançada. A Organização


Mundial da Saúde classifica cronologicamente como idosos
as pessoas com mais de 65 anos de idade em países
desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países
em desenvolvimento.

As pessoas idosas têm habilidades regenerativas limitadas,


mudanças físicas e emocionais que expõem ao perigo a
qualidade de vida dos idosos, podendo levar à síndrome da
fragilidade, é um conjunto de manifestações físicas e
psicológicas de um idoso onde poderá desenvolver doenças.

O estudo a respeito do processo de envelhecimento é chamado de gerontologia, e o


estudo das doenças que afectam as pessoas idosas é chamado de geriatria.

A população portuguesa é uma rica combinação de vários elementos étnicos, desde


Ibéricos, Celtas, Celtiberos, Lusitanos a Romanos, Suevos, Visigodos e, mais tarde,
Mouros. Portugal, incluindo os Arquipélagos dos Açores e Madeira tem uma
população estimada em 10.529.255 pessoas (estimativa INE a 31 de Dezembro de
2004), representando uma densidade populacional de 114 pessoas por quilómetro
quadrado.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), nas últimas décadas houve
uma mudança na estrutura demográfica na qual é notável um aumento da população
idosa em todo o mundo. Estas pessoas representam nos países desenvolvidos cerca
de 20% da população e as tendências futuras serão de 25%. Nos países em
desenvolvimento e nos menos desenvolvidos o valor supera os 10% e nas próximas
décadas irá aproximar-se aos 20%.

Sistema demográfico Português:


caracterizado por um claro declínio
da fecundidade, baixas taxas de
natalidade e mortalidade, sendo que

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os níveis de fecundidade apontam valores próximos de uma criança
por mulher. Segundo os censos 2001 os distritos mais envelhecidos são Portalegre
com 194,5 Castelo Branco (193,9) Guarda (185,4). Relação entre a população de 65 e
mais anos e a população dos 0-14 anos, em cada 100.

Os mais recentes números conhecidos revelam que o fenómeno de violência contra


idosos tem vindo a aumentar em Portugal, com os registos deste tipo de violência a
triplicarem, nos últimos cinco anos. O número de registos deste tipo de ocorrências,
envolvendo vítimas com mais de 64 anos, passou dos mais de oito mil casos para os
quase 25 mil.

O envelhecimento é uma conquista civilizacional, fundamentalmente, é uma questão


social com repercussões financeiras e necessidade de definir níveis de
responsabilidade.

Antes de se atingir uma fase avançada de envelhecimento, a sociedade (estado e


empresas) deve promover o desenvolvimento pessoal, social e empresarial através
da criação de planos – projectos de preparação para a reforma - entendida como
uma fase da vida pelas estruturas que representam as pessoas. Promover uma
gestão de recursos humanos humanizada e ética, em que se valorizem as pessoas ao
longo de toda a carreira, nomeadamente através da sensibilização para a
necessidade de preparação da reforma.

Os idosos não devem ser:

Desrespeitados, mal tratados, abandonados pela família, colocados em lares, e


tratados como pessoas inúteis. Ser idoso é ter o privilégio de ter vivido uma longa
vida. Diferente de ser velho, é ter serenidade, ponderação e, sobretudo, paciência.
O futuro pertencente a todos nós, é ser sábio, ser um amigo, um avô e por vezes um
pai. Ser um bom contador de histórias, devemos alegrá-los, ajudá-los a tratar da
sua saúde, conversar com eles, fazer-lhes companhia dar-lhes carinho e muito,
amor. Devemos tratá-los com respeito e, consideração.

A Segurança Social procura contribuir para uma política cada vez mais ampla de
respostas inclusivas, melhorando a qualidade de vida das famílias quer nos seus
aspectos económicos e pessoais, quer elevando o seu nível de cidadania e

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responsabilização no futuro colectivo de todos numa intervenção que se
quer cada vez mais participada e concertada por todas as áreas intervenientes
nesta temática

Assim, para além de se reconhecer o valor inestimável da família e dos vizinhos, que
facilitam a permanência do idoso no seu quadro habitual de vida, entende-se que
deverão ainda ser implementadas medidas de política, que favoreçam a manutenção
das pessoas no seu domicílio e estimulem estes laços tradicionais, para além de se
considerar pertinente o desenvolvimento de um Plano Gerontológico Nacional.

Mas na prática, não é esta política que se aplica, e quase todos terminam num lar de
acolhimento, quer seja privado quer seja público onde por vezes pagam avultadas
quantias em dinheiro, que muitas famílias não podem suportar, mas também devido à
sua actividade profissional não podem ter os idosos em casa.

Foi num destes lares público privados que visitei um amigo de longa data, de seu
nome fictício João Semana, homem de 93 anos, estatura média já um pouco
curvada, mãos muito grossas deixando antever o um passado pouco risonho, rugas
profundas queimadas do sol, botas de cabedal, calças e colete de serrobeco, chapéu
que já conheceu melhores dias, enfim, um homem tipicamente beirão.

A visita começa às 15 horas e termina às 16h30, quando cheguei estava sentado


numa cadeira de palhinha, olhos postos no horizonte como que recordando melhores
dias ou talvez imaginando aquilo que se passaria por detrás da montanha, aproximei-
me lentamente, boa tarde Sr. João, ouve mal pois a reforma não lhe permite
despender 3.000€ por aparelho auditivo, elevei mais um pouco a voz e lá me
reconheceu. Irradiou uma alegria enorme quando me viu, perguntou como é hábito
por toda a família, como estava a nossa terra se esta ou aquela pessoa ainda eram
vivas, falava da sua terra com uma certeza e perfeição que quase parecia que em
frente aos seus olhos tinha um ecrã onde visse tudo.

Referiu-se àquele peso enorme que sentia no peito e que não o deixava dormir,
porquanto a sua mulher um pouco mais velha tinha falecido havia poucos meses, e
estiveram casados 73 anos e sempre se deram bem.

Pergunta: então como vão as coisas por aqui? Resposta: olha meu rapaz, vamos
vivendo um dia a seguir ao outro. Pergunta: não havia de estar a jogar cartas ou a
conversar com os seus amigos lá dentro? Resposta: Amigos? Já não tenho idade

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para fazer amigos, e essa gente que cá está não é muitos dessas
coisas, também não conheço cá muitos, não sou de cá tu bem sabes. Pergunta: os
seus filhos têm-no vindo visitar, Resposta: não, a vida deles também não permite
muita folga, o mais novo em Lisboa com dois filhos a estudar, os outros um em
França outro na Bélgica. Mas tenho esperança de os voltar a ver. Pergunta: fale-me
um pouco de si, como foi a sua juventude, como cresceu, um pouco da sua vida.
Resposta: olha nasci na quinta do Freixial, meu pai era lá ganhão e a minha mãe era
jornaleira, trabalhava-se de sol a sol, era uma vida difícil, éramos 6 irmãos e lá
entramos todos nas sortes. Hoje já só estamos dois vivos. Eu segui os passos do
meu pai e cheguei a feitor, um dia que já não me lembro bem o Sr. Conde disse-nos
que tínhamos de procurar trabalho porque tinha vendido as terras, com três filhos
e sem saber o que fazer foi então que me apareceu passador e fui a salto para
França a salto, queres lá saber aquilo porque passei, não desejo a ninguém, ele era a
língua, no trabalho, não compreendia o nome das coisas, enfim tudo uma tristeza,
não fossem outros portugueses que já por lá andavam e alguns espanhóis e não sei o
que seria.”

“Andei por lá 15 anos, ainda disse à minha mulher para mudarmos tudo para lá mas a
saudade da terra, da família tudo falou mais alto e acabei por vir embora. Não
fossem estes anitos que por lá andei e hoje não tinha onde cair morto. Há dias em
que tudo isto me vem à cabeça, ainda sonho com aquilo, com os meus irmãos quando
éramos pequenos, aquele poço onde tomávamos banho, a cegonha que tantas vezes a
subi e desci os rapazes metidos nos alforges do macho enfim. Hoje para aqui estou
deitado ao abandono, mas ainda o que nos vale são estas casas, não fossem elas e
éramos umas almas depenadas, acontecia-nos como antigamente que havia a
tradição de quando as pessoas chegavam a velhos e não podiam trabalhar o filho
mais velho lavava-a para o cimo de um monte para serem devoradas pelas feras, e
certo dia numa casa existia um homem já muito velho, e como já não era prestável
os filhos despediram-se dele e o mais velho foi levá-lo ao cimo do monte, quando ia a
passar por um determinado local o velho exclamou, deixa-me aqui que foi onde
também deixei o teu avô.”

O filho, olhou para o pai, e disse… então o senhor já não fica aqui, vou lavá-lo de
volta para casa e assim acaba esta tradição. Por fim, balbuciou, mas duque mais me
lembro é da minha mulher. Os olhos ficaram rasos de água, a voz trémula, a cara
desfalecida, afagou o chapéu que parecia secular e em voz baixa disse, não tomes a

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mal, a vida é assim. Terminada a visita, de regresso dei por mim a
pensar, como procederia eu se estivesse no seu lugar.

Conclusão:

É uma evidência que o aumento do envelhecimento em Portugal contribuirá para o


aumento do número de pessoas em risco acrescido de dependência, quer esta seja
transitória ou instalada, pelo que essas pessoas necessitarão de cuidados
específicos adequados e integrados. As alterações verificadas nas estruturas
familiares concorrem para o insuficiente apoio da família, onde, na sua maioria, já
não existe a coabitação e a cooperação de gerações. Daí que, o progressivo
envelhecimento da população, aponte para a definição de uma política de
envelhecimento, que se consubstancia no reforço das parcerias, na melhoria da
qualidade, na consolidação dos direitos sociais e na afirmação do grupo das pessoas
com mais idade como um forte potencial social, económico e cultural. Sendo por isto
de reforçar três grandes vectores de actuação: Prevenção, participação e
autonomia.

Bibliografia:

http://www.marktest.com/wap/a/n/id~e57.aspx

http://pt.wikipedia.org/wiki/Idoso

http://www.socialgest.pt/_dlds/APdemografiaISS.pdf

Coimbra, 09 de Julho de 2009

José António da Costa Silva

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