Você está na página 1de 4

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA


EEL5104 – Circuitos Elétricos para Controle e Automação

AULA 11
FATOR DE POTÊNCIA

1 INTRODUÇÃO
A análise de circuitos em corrente alternada é fundamental para um engenheiro
eletricista, visto que os sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica operam com
tensão alternada na freqüência de 60 Hz.
A potência instantânea continua sendo o produto da tensão pela corrente no elemento de
circuito. No entanto, se a carga não for resistiva pura, então entre a tensão e corrente haverá
uma defasagem, o que implicará num fator de potência diferente da unidade. Isto quer dizer
que a potência efetivamente transformada em trabalho pela carga não é igual à potência
aparente fornecida pela fonte de energia elétrica.
O objetivo desta aula é verificar na prática o conceito de correção de fator de potência.

2 FATOR DE POTÊNCIA
Em sistemas de corrente alternada, a Potência Ativa é a capacidade do circuito em
produzir trabalho em um determinado período de tempo, a Potência Aparente é o produto da
tensão pela corrente do circuito, será igual ou maior do que a potência ativa, e a Potência
Reativa é a medida da energia armazenada que é devolvida para a fonte durante cada ciclo.
Por definição, o Fator de Potência (FP) é um número adimensional entre 0 e 1. Quando o
FP é igual a zero, o fluxo de energia é inteiramente reativo, e a energia armazenada é
devolvida totalmente à fonte em cada ciclo. Se o FP é 1, toda a energia fornecida pela fonte é
consumida pela carga. O Fator de Potência é a relação entre a potência ativa (P), em watts, e a
Potência Aparente (S), em volt-ampères. Assim:

P
FP =
S

Para cargas senoidais, o fator de potência nada mais é do que o co-seno do ângulo de
defasagem entre a tensão e a corrente. Portanto:

FP = cos(φ )

No entanto, quando a corrente de entrada possuir componentes harmônicas, esta


definição particular de fator de potência não pode ser aplicada.

Por exemplo, sob baixos valores de FP, será necessária a transferência de uma maior
quantidade de potência aparente para se obter a mesma potência ativa. Para se obter 1 kW de
potência ativa com FP=0,2 será necessário transferir 5 kVA de potência aparente
(1 kW = 5 kVA × 0,2).
Aula 11 – Fator de Potência

Correção de Fator de Potência


Pode-se utilizar o triângulo das potências, conforme mostrado na figura 1.

Figura 1 – Triângulo das Potências.

Q representa a potência reativa, cuja unidade é o volt-ampère reativo (var). Pela figura tem-se
que:

S = P2 + Q2

Com o objetivo de diminuir as perdas de energia em uma determinada instalação elétrica


busca-se diminuir o ângulo φ, e conseqüentemente aumentar o fator de potência. Assim, para
diminuir S mantendo P constante, utiliza-se um capacitor (C) em paralelo com a carga ,
conforme a figura 2.

Figura 2 – Circuito com correção de FP.

O valor de C é dado pela expressão:

P. ( tg (φ ) − tg (φ ′) )
C=
ω .VC 2

Em que VC é o valor eficaz da tensão no capacitor, ω é a freqüência angular, P é a potência


ativa da carga, φ o ângulo de defasagem antes da correção e φ´ é o ângulo depois da correção.

Circuitos Elétricos para Controle e Automação – 2008/02 2/4


Aula 11 – Fator de Potência

3 PARTE EXPERIMENTAL
Monte o circuito da figura 3, ajuste o gerador de sinais para uma senóide de 10Vpp, com um
valor médio próximo de zero e uma freqüência de 120 Hz.

CH1 CH2

A
CARGA

Referência

Figura 3 – Circuito indutivo, com baixo FP.

a) Coloque os dois canais do osciloscópio na mesma posição vertical e meça a diferença de


fase entre os dois sinais de tensão. Meça o período e encontre o valor da defasagem em
graus (φ);
b) Com o multímetro digital, meça a corrente que passa pelo circuito (I). No osciloscópio,
verifique a tensão RMS fornecida pelo gerador (VF) e a tensão sobre a carga (VC = CH1-
CH2);

c) Calcule a potência aparente (S = VF . I ), o fator de potência (FP = cos(φ)) e a potência


ativa (P = S . FP );
d) Encontre o valor do capacitor para corrigir o fator de potência completamente:
P.tg (φ )
C=
2.π . f .VC2
e) Coloque um capacitor, com o valor mais próximo do calculado, em paralelo com a carga e
verifique a defasagem. Verifique a corrente do circuito novamente;

Figura 4 – Circuito com correção de FP.


f) Coloque outro capacitor em paralelo com a carga e verifique a defasagem. Comente os
resultados.

Circuitos Elétricos para Controle e Automação – 2008/02 3/4


Aula 11 – Fator de Potência

4 FOLHA DE DADOS
Obs: apresente os ajustes verticais e mostre a referência do canal (zero).

Formas de onda das tensões (CH1 e CH2) do circuito indutivo, item a:

Formas de onda das tensões (CH1 e CH2) do circuito corrigido com o capacitor, item e:

Formas de onda das tensões (CH1 e CH2) do circuito com dois capacitores, item f:

Circuitos Elétricos para Controle e Automação – 2008/02 4/4