Você está na página 1de 0

LITERATURA

PRÉ-VESTIBULAR

LIVRO DO PROFESSOR

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

© 2006-2008 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.

I229

IESDE Brasil S.A. / Pré-vestibular / IESDE Brasil S.A. — Curitiba : IESDE Brasil S.A., 2008. [Livro do Professor] 360 p.

ISBN: 978-85-387-0573-4

1. Pré-vestibular. 2. Educação. 3. Estudo e Ensino. I. Título.

CDD 370.71

Disciplinas

Autores

Língua Portuguesa

Francis Madeira da S. Sales Márcio F. Santiago Calixto Rita de Fátima Bezerra

Literatura

Fábio D’Ávila Danton Pedro dos Santos

Matemática

Feres Fares Haroldo Costa Silva Filho Jayme Andrade Neto Renato Caldas Madeira Rodrigo Piracicaba Costa

Física

Cleber Ribeiro Marco Antonio Noronha Vitor M. Saquette

Química

Edson Costa P. da Cruz Fernanda Barbosa

Biologia

Fernando Pimentel

Hélio Apostolo

Rogério Fernandes

História

Jefferson dos Santos da Silva Marcelo Piccinini Rafael F. de Menezes Rogério de Sousa Gonçalves Vanessa Silva

Geografia

Duarte A. R. Vieira

Produção

© 2006-2008 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem
© 2006-2008 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem
© 2006-2008 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem

Enilson F. Venâncio Felipe Silveira de Souza Fernando Mousquer

Projeto e Desenvolvimento Pedagógico

© 2006-2008 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

A arte como um todo: necessidade e manifestação Arte: conceito Segundo o dicionário Aurélio, arte é
A arte como um
todo: necessidade
e manifestação
Arte: conceito
Segundo o dicionário Aurélio, arte é “a capa-
cidade ou atividade humana de criar plástica ou
musical, é habilidade, é engenho, é ofício”. O artista,
por sinal, é aquele “que revela sentimento artístico”.
Nesse sentido, Leonardo da Vinci foi, realmente, um
grande artista. O mestre renascentista é um verda-
deiro ícone em matéria de arte. Há, no entanto, que
se fazer uma ressalva à teoria de outros grandes
mestres que se esquecem de outros tantos artistas.
Vejamos um exemplo da literatura e pensemos um
pouco sobre o assunto:
Mas agora eu vou falar
Nas bravuras de Quirino
Este Quirino beiçola
Foi natural da Bahia
Das terras de chorrochó
O berço da valentia
Lugar que é proibido
O homem ter covardia
Altura: um metro e noventa
De quilos: cento e dezoito
Andava sempre risonho
Não mostrava ser afoito
Nunca largou um punhal
Um facão, um trinta e oito
Vivia do seu trabalho
Plantava e criava bode
Em cada festa do ano
Ia dançar um pagode
Dizia: - Em casa estou bem
Só vai em festa que pode”.
(CONCEIÇÃO, Antônio Ribeiro da. o “Bule-Bule”.)
Leonardo da Vinci.
O tremendo duelo de Quirino Beiçola
com Tomaz Tribuzana
Será que, ao observarmos este texto, podemos
dizer que estamos falando de arte? Como provar isso,
então? Como chegar a esta conclusão? A respeito
dessa dúvida, por exemplo, o escritor Jean Cocteau
afirmou certa vez: “A poesia é indispensável. Se eu
“Valentões eu conheci
Vilela, Antônio Silvino
Lampião, Rei do Cangaço
Zé Garcia e Jesuíno
ao menos soubesse para quê
...
(FISCHER, Ernst. A
Necessidade da Arte. 8. ed. Rio de Janeiro: Zahar,
1981. p. 11). “Se eu ao menos soubesse para quê
...
”.
Esse questionamento ecoa no pensamento daqueles
que buscam a conceituação de Arte.
EM_V_LIT_001
Domínio público.

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

EM_V_LIT_001

Arte: manifestações

Assim dizia Bertold Brecht, um dos grandes

pensadores da arte literária do século XX, a respeito

do teatro:

“Nosso teatro precisa estimular a avidez da

inteligência e instruir o povo no prazer de mudar a

realidade. Nossas plateias precisam não apenas saber

que Prometeu foi libertado, mas também precisam fa-

miliarizar-se com o prazer de libertá-lo. Nosso público

precisa aprender a sentir no teatro toda a satisfação e

a alegria experimentadas pelo inventor e pelo desco -

bridor, todo o triunfo vivido pelo libertador”.

(BRECHT, apud FISCHER, 1981, p. 14.)

Digital Juice.
Digital Juice.

Fazer rir, fazer chorar. Como a vida. O teatro pul-

sa, o palco tem batimentos cardíacos próprios, pelos

corredores e fileiras de cadeiras, sangue e lágrimas

correm. É a realidade que está ali. É a provocação de

catarses em seu mais alto grau – isso é arte. Quando

se consegue chegar a esse estágio – o de provocar

uma reação em quem está assistindo – aí sim se

chegou aonde se queria. Como nos diz o professor

Pedro Manuel:

“A unidade de arte reside no fato de que, não im-

porta se com palavras, sons melódicos, cores ou massa,

o artista cria imagens que exprimem seu sentimento

profundo do mundo.(

...

)

Certo número de atividades

humanas – como a poesia, a pintura, a arquitetura, o

teatro, a música, a escultura – cria imagens que expri-

mem um modo de sentir, o qual, por sua vez, se traduz

numa forma correspondente (a obra de arte)”.

(Arte no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 2 v.)

Como podemos ver, a arte se manifesta de mui-

tas formas e, naturalmente, todas elas têm a função

de retratar (ou mimetizar) a realidade, a Vida.

As diferenças existentes entre as várias mani-

festações dizem respeito, na verdade, às ferramentas

utilizadas pelos artistas para apresentar suas obras.

A linguagem (literatura), as tintas e os pincéis (pintu-

ra), o cinzel e o mármore (escultura), o texto e o palco
2

EM_V_LIT_001 Arte: manifestações Assim dizia Bertold Brecht, um dos grandes pensadores da arte literária do século

(teatro), a câmera (cinema e fotografia), são alguns

dos instrumentos utilizados na construção do objeto

artístico, que visa provocar uma reação no leitor.

Arte: necessidade

Para que serve a arte? Que tal afirmarmos que,

dentre outras funções, ela serve para nos fazer pensar

e refletir sobre a nossa realidade? Nesse momento,

você deve estar pensando: “eu não consigo pensar

nada quando vejo aqueles quadros abstratos das

salas de exposição”. Pois, se você pensa assim, está

a caminho de se tornar um perfeito crítico de arte.

Se a arte contemporânea se mostra, às vezes,

tão abstrata, o que você acha que ela quer dizer com

isso? Das duas uma: ou estamos nos transformando

em pessoas essencialmente subjetivas, ou estamos

nos tornando pessoas que não têm muito o que dizer.

Não importa muito chegarmos a uma conclusão, pelo

menos não agora. Precisamos, porém, entender uma

coisa essencial: a arte faz parte da vida de todos nós,

artistas ou não. Como afirma o poeta Ferreira Gullar:

Traduzir-se

Uma parte de mim É todo mundo:

Uma parte de mim almoça e janta:

Outra parte é ninguém:

outra parte

Fundo sem fundo.

Se espanta.

Uma parte de mim É multidão:

Uma parte de mim é permanente:

Outra parte estranheza E solidão.

outra parte Se sabe de repente.

Uma parte de mim Pesa, pondera:

Uma parte de mim é só vertigem:

Outra parte

outra parte,

Delira.

Linguagem.

Traduzir uma parte Na outra parte – que é uma questão de vida ou morte – será arte?

(GULLAR, Ferreira. Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar. 2. ed. São Paulo: Global, 1985.)

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

EM_V_LIT_001

A arte literária

Você já parou para pensar na palavra “palavra”?

Já se imaginou desconstruindo o signo linguístico

tradicional e buscando um sentido diferente para

um termo não usual?

“Palavras, palavras, palavras.”

resta a alegria de estar só, e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?

Que sonho envenenado lhes responde,

se o poeta é ressentido, e o mais são

nuvens?

(In: ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética, São Paulo: Abril Cultural, 1982.)

“No princípio era o verbo”.

 

(João, 1:1)

   

Domínio público.

Domínio público. Carlos Drummond de Andrade.

Carlos Drummond de Andrade.

“Uma palavra posta fora do lugar

estraga o pensamento mais bonito”.

(Voltaire, filósofo francês, séc. XVIII)

“Quando as palavras não podem ser

mais dignas que o silêncio, é melhor

a gente calar-se. E esperar.”

(Eduardo Galeano, escritor uruguaio)

 

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz

 

“Um artista só pode exprimir a

outra, e assim se faz um livro, um

experiência daquilo que seu tempo e

governo, ou uma revolução; alguns dizem

suas condições sociais têm para oferecer.

mesmo que assim é que a natureza

 

(

...

)

compôs as suas espécies”.

A experiência do artista precisa apreender

as novas relações sociais de

(Machado de Assis)

maneira a fazer que outros também

Dentro do processo de criação da arte literária,

venham a tomar consciência delas.

a palavra ocupa, assim, um papel de destaque. Os

 

(

...

)

escritores necessitam dela para poder compor sua

Mesmo o mais subjetivo dos artistas

obra. E o processo que se dá é muito semelhante ao

garimpo, com suas mãos e mentes ávidas por des-

cobrir o mais puro dos diamantes – a palavra exata

trabalha em favor da sociedade. Pelo

simples fato de descrever sentimentos,

para se encaixar no espaço exato de um texto, como

relações e condições que não haviam

no poema de Carlos Drummond de Andrade:

sido descritos anteriormente, ele

Conclusão

 

comaliza-os do seu ‘Eu’ aparentemente

isolado para um ‘Nós’; e este ‘Nós’

Os impactos de amor não são poesia

pode ser reconhecido até na subjetividade

(tentaram ser: aspiração noturna).

transbordante da personalidade de um

A memória infantil e o outono pobre

artista.

vazam no verso de nossa urna diurna.

 

(

...

)

Que é poesia, o belo? Não é poesia,

A arte pode levar o homem de

e o que não é poesia não tem fala.

um estado de fragmentação a um

Nem o mistério em si nem velhos nomes

estado de ser íntegro, total. A arte

poesia são: coxa, fúria, cabala.

capacita o homem para compreender

Então desanimamos. Adeus, tudo!

a realidade e o ajuda não só a

A mala pronta, o corpo desprendido,

suportá-la como transformá-la,

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

EM_V_LIT_001

EM_V_LIT_001 4 aumentando-lhe a determinação de torná-la mais humana e mais hospitaleira para a humanidade”. (FISCHER,

4

aumentando-lhe a determinação de

torná-la mais humana e mais

hospitaleira para a humanidade”.

(FISCHER, 1981, p. 56-57)

Segundo Fischer, tem de haver uma realidade

que permeia a arte. É importante ter isso em mente

porque não basta escrever um enunciado de palavras

e querer que isso se torne arte. Algumas condições

precisam ser seguidas. É preciso que a literaridade

seja respeitada, ou seja, tem de haver, naquele enun-

ciado, uma série de intenções voltadas para a própria

mensagem, com uma linguagem que não se restringe

ao óbvio como afirmou o poeta Ezra Pound:

“Literatura é linguagem carregada de significa-

do. Grande literatura é simplesmente a linguagem car-

regada de significado até o máximo grau possível”.

Texto literário e não-literário

Até agora, pudemos perceber que

  • a) a literatura é uma manifestação artística;

  • b) o material da literatura é a palavra explorada em todos os campos (sentido, som, grafia);

  • c) o escritor é ideológico, ele é uma voz da rea- lidade e da vida das pessoas.

Observando estas características, pode-se

perceber, mais claramente, a diferença entre texto

literário e não-literário.

  • ` Exemplos:

1) oceano. s. m.1. A vasta extensão de águas salgadas

que cobre a maior parte da Terra; mar. 2. Cada uma

das grandes porções em que se dividem essas águas:

o Pacífico, o Atlântico, o Índico, o Glacial Ártico e o

Glacial Antártico.

(Minidicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 494)

2) Vem me fazer feliz

porque eu te amo

Você, deságua em mim,

E eu oceano

Esqueço de amar

É quase uma dor

(Djavan, Ao vivo, Vol. 1, 2000)

Se compararmos as duas utilizações da palavra

“oceano”, veremos que, no primeiro texto, temos a

palavra dicionarizada, em seu contexto referencial.

No segundo caso, o vocábulo aparece destituído de

seu sentido tradicional, mas com uma relação que

tangencia a realidade. Pois apresenta uma recriação

de sentido por parte do autor, que faz uso artístico

da palavra, ao contrário do verbete de dicionário,

em que a linguagem tem uma função prática. No

verbete a linguagem é um meio, na letra da canção

ela é o fim.

Denotação e conotação

Denotação

Denotação é a significação objetiva da palavra; é

a palavra em “estado de dicionário”. Cabe aos textos

denotativos o papel de fornecer o sentido literal das

palavras, de acordo com o que se vê.

Nos dicionários, é importante salientar que,

nesse caso, a carga semântica não é conduzida pelo

contexto, mas por convenções prévias, de conheci-

mentos já apresentados anteriormente.

Conotação

Conotação diz respeito a toda uma compreensão

contextualizada, inusitada e original. Quanto mais

subjetiva for a obra, tanto mais conotativa será.

  • ` Exemplo: Observe o texto abaixo, publicado no jornal O Globo, no dia 19 de setembro de 2004: Governo e prefeitura gastam mais com propaganda

Em ano de eleições municipais, a governadora do

estado, Rosinha Matheus (PMDB), e o prefeito

do Rio, César Maia (PFL), candidato à reeleição,

reservaram mais verbas para fazer propaganda de

suas administrações. Na comparação com 2003, a

média mensal de gastos do governo com publicida-

de subiu 99,8%, e da prefeitura 20,26%. Este ano,

o estado já gastou mais em publicidade que em

saúde.

Podemos dizer que esse texto é um caso típico

de denotação. Como ficaria um texto conotativo a

partir daquele acontecimento? Muito simples, bas-

taria que o escritor contasse o mesmo caso com uma

preocupação maior de criar uma mensagem talvez

oculta nas entrelinhas, também chamada de men-

sagem subliminar.

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

` Exemplo: c) Qual é o objetivo real da apresentação da figura fe- minina segundo este
`
Exemplo:
c)
Qual é o objetivo real da apresentação da figura fe-
minina segundo este molde?
Eleições 2004
Rosinha no governo?
`
Solução:
Ou a César o que é de César?
a)
O poema de Vinícius de Moraes retrata o amor do
eu lírico pela mulher amada, num sentimento de
Verbas?
devoção espiritual e carnal.
Sim.
b)
O poeta apresenta a mulher amada a partir de duas
Saúde.
abordagens distintas: idealizada romanticamente
e sexualizada, com dois movimentos claros. Para
Não.
mostrar a natureza romântica da amada, ele apre-
Então?
senta os vocábulos “flor” e “amor”. É, no entanto,
na apresentação da natureza erotizada da mulher
Marketing e divulgação.
que a descrição atinge seu auge: “lúbrica”, “nomes
feios”, “marca dos meus dentes”, “uma cadela”.
Marco Antonio Pinheiro, escrito especialmente para esta publicação.
c)
O eu lírico objetiva promover a desmistificação da
mulher amada e aproximá-la de uma realidade
mais nua e crua.
2.
(Elite) Não há vagas
1.
(Elite) Leia o poema abaixo, de autoria de Vinícius de
Ferreira Gullar
Moraes, e responda às questões que seguem:
Soneto de Devoção
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela
Essa mulher é um mundo! – uma cadela
O preço do feijão
Talvez
...
– mas na moldura de uma cama
Não cabe no poema. O preço
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
Do arroz
Não há vagas
Não cabe no poema.
a)
A literatura (no caso, a poesia) é uma manifestação
Não cabe no poema o gás
artística. Diante desse questionamento, e imbuído
Luz o telefone
do conceito de que a arte retrata uma realidade,
que tema é apresentado no “Soneto de Devoção”
A sonegação
de Vinícius de Moraes?
Do leite
b)
O poeta apresenta dois movimentos de abordagem
Da carne
do tema. Que movimentos são esses e como ocorre
Do açúcar
o “corte” temático? Justifique com, pelo menos, três
Do pão
expressões do texto.
5
EM_V_LIT_001
IESDE Brasil S.A.

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

EM_V_LIT_001

EM_V_LIT_001 6 O funcionário público Era quatro condução Não cabe no poema Duas pra ir Com

6

O funcionário público

Era quatro condução

Não cabe no poema

Duas pra ir

Com seu salário de fome

Duas pra voltar

Sua vida fechada

Hoje depois dele pronto

Em arquivos.

Olho pra cima e fico tonto

Mas me vem um cidadão

Como não cabe no poema

E me diz desconfiado:

O operário

“Tu tá aí, admirado,

Que esmerila seu dia de aço

ou tá querendo roubar?”

E carvão

meu domingo tá perdido

Nas oficinas escuras

vou pra casa entristecido

– porque o poema, senhores,

está fechado:

“não há vagas”.

Só cabe no poema

O homem sem estômago

A mulher de nuvens

A fruta sem preço

O poema, senhores,

Não fede

Nem cheira.

  • a) Que realidade temática é apresentada pelo poema “Não há vagas”?

  • b) Com que sentido o eu lírico do poema expressa sua opinião sobre a poesia de alguns escritores?

  • ` Solução:

a) O poema “Não há vagas” discute a própria realidade

do fazer poético, ou seja, ele aborda a poesia e suas

concepções, criticando os textos que se afastam do

cotidiano das pessoas e não retratam a vida.

b) O eu lírico se apresenta crítico e irônico, manifes-

tando-se claramente contra certos poetas que se

distanciam da realidade do mundo.

  • 3. (Elite) Leia os textos abaixo e responda à questão que segue. Texto I Cidadão

Lúcio Barbosa

Tá vendo aquele edifício moço?

Ajudei a levantar

Foi um tempo de aflição

dá vontade de beber

e pra aumentar o meu tédio

eu nem posso olhar pro prédio

que eu ajudei a fazer.

(In: Zé Ramalho. 20 Super Sucessos. Polydise.)

Texto II

Construção

Chico Buarque de Holanda

Amou daquela vez como se fosse a última

Beijou sua mulher como se fosse a última

E cada filho seu como se fosse o único

E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro

E se acabou no chão feito um pacote flácido

Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.

(In: Chico Buarque de Holanda. 50 anos – O político. Polygram.)

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

EM_V_LIT_001

Texto III Texto IV Eugênio Proença Sigaud. In: Nico- la. Acidente de Trabalho.
Texto III
Texto IV
Eugênio Proença Sigaud. In: Nico-
la. Acidente de Trabalho.

Invadido na Barra prédio inacabado há 30 anos.

Cerca de 380 famílias da própria Zona Oeste e da

Baixada ocupam de madrugada torre projetada por

Niemayer

Daniel Engelbercht, Júlia Dias Carneiro

e Luiz Ernesto Magalhães

“Prédio que começou a ser construído na década de

1970 permanece inacabado e é invadido por pessoas

carentes”.

“A frase, que bem que poderia ser a sinopse do filme

Redentor, em cartaz nos cinemas, retrata a situação

vivida desde a madrugada de ontem numa das duas

torres projetadas por Oscar Niemeyer no Bosque

Marapendi, antigo Athaydeville, na Barra da Tijuca. Até

hoje sem vidros nas janelas nem instalações hidráulicas

ou elétricas, o prédio Abraham Lincoln, na Avenida

das Américas 1.245, foi invadido por pelo menos 380

famílias da própria Zona Oeste e da Baixada, segundo

os ocupantes.”

Questão:

(O GLOBO, 19 set. 2004)

Que relações podem ser observadas nos textos

citados, se pensarmos no conceito de Arte e suas

manifestações?

  • ` Solução: A grande questão que envolve os quatro textos é temá- tica. Existe uma realidade envolvida – a dos prédios em construção e da miséria que os cerca. O fato real é apresentado pela reportagem do jornal O Globo. Os outros textos trabalham, de forma interdisci- plinar, o tema abordado, sempre conduzindo o leitor a um desfecho trágico, que parece ser o fio condutor dos textos – por meio da poesia ou da pintura, na verdade, discute-se a realidade da pobreza, do desemprego e dos subempregos no país.

    • 4. (Elite) Leia o texto abaixo e responda às questões que seguem: Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega fingir, que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não tem. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.

Fernando Pessoa

O poeta constrói seu texto por meio de um jogo de

palavras presente na primeira estrofe. Como se estrutura

esse jogo?

  • ` Solução: O poeta trabalha coma as palavras “fingidor”, “finge”,

“fingir” e “dor”, chegando mesmo a causar uma confusão

entre “fingidor” e “finge-dor”.

  • 5. (Elite) A partir das relações observadas entre os textos abaixo, responda à questão que segue: Texto I Haiti

Caetano Veloso e Gilberto Gil

quando você for convidado pra subir no adro

da fundação Casa de Jorge Amado

pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos

dando porrada na nuca de malandros pretos

de ladrões mulatos e outros quase brancos

Tratados como pretos

(e são quase todos pretos)

e aos quase brancos pobres como pretos

como é que pretos pobres e mulatos

e quase brancos quase pretos de tão pobres são

tratados

e não se importa se olhos do mundo inteiro

possam estar por um momento voltados para o largo

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

onde os escravos eram castigados

e hoje um batuque um batuque

com a pureza de meninos uniformizados de escola

onde os escravos eram castigados e hoje um batuque um batuque com a pureza de meninos

8

secundária

em dia de parada

e a grandeza épica de um povo em formação

nos atrai, nos deslumbra e estimula

não importa nada: nem o traço do sobrado

nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon

ninguém, ninguém é cidadão

se você for à festa do Pelô, e se você não for

pense no Haiti, reze pelo Haiti

o Haiti é aqui – não é aqui

(In: Elza Soares, Do Cóccix Até o Pescoço, Maianga Discos, 2002.)

Texto II

O Haiti não foi aqui

Marco Morel

Manipuladas pela elite escravista, as notícias

sobre os horrores da revolução haitiana, no

final do século XVIII, causaram pânico no Brasil.

Isso dificultou a compreensão sobre o que se

passou de fato naquele país do Caribe.

“O Haiti não era aqui, mas muitos achavam que podia ser.

Foi há duzentos anos que aconteceu a independência

da colônia francesa de São Domingos, nas Antilhas, cuja

parte oeste passaria a se chamar Haiti. Tornou-se marcante

na cena internacional o exemplo da única insurreição

de escravos na história da humanidade considerada

vitoriosa. Após uma década de sangrenta guerra civil,

negros rebelados acabaram à força com o escravismo, a

dominação colonial e proclamaram a independência de seu

país. Corações e mentes mobilizavam-se em torno desse

episódio incandescente, cuja notícia ultrapassou fronteiras e

viajou pelos mares. Aqui, o impacto do movimento haitiano

foi intenso, espalhando medo e esperanças”.

(In: Nossa História, ano 1, n. 11, p. 58. Publicação editada pela Biblio- teca Nacional.)

Questão:

Ambos os textos remetem à mesma temática: o Haiti.

Há, no entanto, diferenças significativas quanto à forma,

à linguagem e à abordagem do tema. Aponte algumas

destas diferenças e teça comentários que justifiquem a

relação entre os textos.

` Solução: O texto de Marco Morel aborda a revolução haitiana a partir de concepções históricas,
`
Solução:
O texto de Marco Morel aborda a revolução haitiana a
partir de concepções históricas, ou seja, baseia-se em
um fato real e o discute, apresentando, inclusive, um
posicionamento que remete o leitor a uma consciência
crítica acerca do ocorrido. A forma do texto é prosaica,
sua linguagem é referencial e a discussão é objetiva, não
depende de contextualizações.
Já o poema-canção de Gil e Caetano vai pelo caminho
oposto. Apesar de abordar a mesma questão, o Haiti
aparece apenas como mote para outras discussões:
racismo, preconceito, luta de classes e cultura popular
não no Haiti, mas na Bahia e no Brasil.
É um texto poético e, por conseguinte, artístico, justa-
mente por se distanciar da discussão histórica e retratar a
realidade a partir de uma preocupação com a mensagem
que se transmite ao leitor. A forma é poemática (versos),
sua linguagem é figurada, com ritmo e melodia, e a
temática depende de todo um contexto.
A relação entre os textos é visível. Outros textos poderiam
estar aqui presentes, desde que falassem dos negros e
do preconceito com que são vistos pelas sociedades
burguesas pós-Revolução Industrial.
Com base no texto, responda às questões de números
1 a 3.
“Desenhar para ele é uma coisa; pintar é outra. No
desenho se afirma, na pintura se esconde. Pela linha
fala com extraordinária precisão estilística, preciosismo,
audácia, e vai, por vezes, até a elegância, mesmo
mundana; pela cor, ele se retrai e silencia. (
)
Dessa
fase, entre 1939 e 1940, nos deu algumas telas que
ainda hoje interessam pela essencialização dos valores
plásticos, o desprezo dos detalhes anedóticos para
só guardar os que definem o ambiente e, sobretudo,
marcam a atmosfera, principal tema delas. (
)
A
esquematização das formas, sobretudo o ovoide
das cabeças sem pormenores fisionômicos, lembra
Modigliani. Realmente, o ar que se respira nessas telas
é o ar da “escola de Paris.”
(PEDROSA, Mário. Dos Murais de Portinari aos Espaços de Brasí-
lia. São Paulo: Perspectiva, 1981. p. 143-144.)
1.
(FGV) Segundo o texto, a obra de Dacosta é notável:
a)
pela temática.
b)
pelo desenho.
EM_V_LIT_001

Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

EM_V_LIT_001

  • c) pelo colorido.

  • d) pelo pormenor.

  • e) pela originalidade.

  • 2. (FGV) Ainda segundo o texto, a aproximação possível entre Dacosta e Modigliani firma-se:

    • a) na profusão de detalhes no retrato.

    • b) no caráter fisionômico do ovoide corporal.

    • c) na essencialização dos valores anedóticos.

    • d) na simplificação das formas humanas.

    • e) na pintura cubista de praias provincianas.

  • 3. (FGV) Dê os significados dos termos ou expressões: “preciosismo”, “pormenores fisionômicos” e “ar que se respira”.

    • a) Muito precioso, traços faciais, influência que se capta.

    • b) Insistência demasiada, minúcias físicas, luminosida- de ambiente.

    • c) Delicadeza, formato dos olhos, combustível intelectual.

    • d) Muito precioso, compleição corporal, filiação estética.

    • e) Delicadeza, traços faciais, influência que se capta.

  • Catar Feijão

    João Cabral de Melo Neto

    Catar feijão se limita com escrever;

    joga-se os grãos na água do alguidar

    e as palavras na da folha de papel;

    e depois, joga-se fora o que boiar.

    Certo, toda palavra boiará no papel,

    água congelada, por chumbo seu verbo:

    pois para catar esse feijão, soprar nele,

    e jogar fora o leve e o oco, palha e eco.

    Ora, nesse catar feijão entra um risco:

    o de que entre os grãos pesados entre

    um grão qualquer, pedra ou indigesto,

    um grão imastigável, de quebrar dente.

    Certo não, quando ao catar palavras:

    a pedra dá a frase seu grão mais vivo:

    obstrui a leitura flutuante, flutual,

    açula a atenção, isca-a com o risco.

    • 4. “Catar feijão se limita com escrever ” ... João Cabral assegura que a técnica da composição é

    também um(a):

    a)

    agir instintivo.

    b)

    constante atitude de renovação.

    c)

    colagem despreocupada.

    d)

    processo de seleção.

    e)

    questão de vontade.

    • 5. As palavras-chumbo são:

    a)

    os verbos.

    b)

    as intraduzíveis.

    c)

    as de sentido essencial.

    d)

    os substantivos.

    e)

    as de pouco uso.

    • 6. As palavras-palha:

    a)

    prejudicam a pureza artesanal da frase.

    b)

    provocam a ambiguidade semântica.

    c)

    embelezam o estilo do autor.

    d)

    tornam enxuto o sentido da frase.

    e)

    obstruem a leitura.

    • 7. Palavras-eco são:

    a)

    incoerentes.

    b)

    incompreensíveis.

    c)

    indigestas.

    d)

    extravagantes.

    e)

    redundantes.

    • 8. Nas palavras-eco:

    a)

    é menor, quase nula, a taxa de informação.

    b)

    há mais qualidade e quantidade de informação.

    c)

    há obscurecimento da informação.

    d)

    é maior a taxa de informação.

    e)

    há informação de conteúdo original.

    • 9. O papel torna-se água congelada. Referência do poeta:

    a)

    à capacidade criativa do homem.

    b)

    ao valor artístico da composição linguística.

    c)

    à perenidade da palavra impressa.

    d)

    à efemeridade das ideias humanas.

    e)

    ao talento inventivo da humanidade.

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    • 10. O chumbo também é uma referência:

    EM_V_LIT_001 10. O chumbo também é uma referência: 10 a) ao valor dramático da palavra. b)

    10

    a)

    ao valor dramático da palavra.

     

    b)

    à técnica da impressão gráfica.

    c)

    à dificuldade de escrever.

    d)

    à monotonia linear da palavra escrita.

    e)

    à responsabilidade social do artista escritor.

    • 11. para catar esse feijão, soprar nele

    ...

    pois,

    à:

    ...

    referência

    a)

    oratória bombástica.

     

    b)

    clareza do estilo.

    c)

    ornamentação supérflua da frase.

    d)

    depuração do estilo.

    e)

    perigosa ambiguidade das palavras.

    • 12. Que palavra o poeta omite no 3.° verso da 1.ª estrofe?

    • 13. Essa omissão, bem característica do autor, produz um

     

    expressivo efeito de natureza:

     

    a)

    morfológica.

     

    b)

    fônico-semântica.

    c)

    morfossintática.

    d)

    morfofonêmica.

    e)

    sintática.

    • 14. O efeito produzido por essa omissão artesanal con -

     

    siste:

    a)

    na aproximação de dois monossílabos átonos su-

    gerindo, semanticamente, a folha branca de papel.

     

    b)

    na supressão da palavra que possui vogais iguais

     

    às das palavras que a cercam na frase.

    c)

    em fazer predominar os monossílabos átonos sobre

    as demais palavras do verso.

    d)

    na alteração semântica porque passou a palavra

    folha.

    e)

    na ausência do verbo, sugerido pelo encontro das

    duas combinações átonas.

    • 15. Os grãos que boiam:

     

    a)

    são pesados.

     

    b)

    são duros.

    c)

    estão descascados.

    d)

    estão murchos ou bichados.

    e)

    são verdes.

    • 16. Justifique sua resposta à pergunta anterior.

    • 17. soprar

    nele, e jogar fora o leve e o oco, palha e

    eco.”

    Estes dois infinitivos diferem dos demais no poema

    porque possuem valor:

    • a) optativo.

    • b) nominal (substantivo).

    • c) imperativo.

    • d) hipotético.

    • e) condicional.

    • 18. No penúltimo verso da 2.ª estrofe, o poeta utiliza um curioso recurso estilístico:

      • a) conjuga regularmente um verbo irregular.

      • b) dá valor concreto a uma palavra de sentido abs- trato.

      • c) troca os sufixos das duas palavras aliterantes.

      • d) muda a classe gramatical de uma palavra.

      • e) emprega palavras do mesmo número de sílabas.

  • 19. Tornadas sinônimas, as palavras fluviante e fluvial ca- racterizam:

    • a) o estilo monótono, excessivamente claro e bem comportado.

    • b) o estilo romântico, etéreo, sonhador, de uma poesia decadente.

    • c) o hermetismo da poesia moderna.

    • d) as modernas inovações semânticas em que os poetas buscam a originalidade.

    • e) os achados gráficos da poesia concretista.

  • 20. O eco em palavras é o(a):

    • a) tautologia.

    • b) rima.

    • c) inexpressividade semântica.

    • d) gíria.

    • e) abuso de metáforas.

  • 21. As palavras-pedra, valorizadas pelo autor porque dão à frase seu grão mais vivo, são aquelas que:

    • a) atraem o leitor pela sugestão plástica de beleza.

    • b) surpreendem o leitor, rompendo, com a presença, a estrutura semântica da frase.

    • c) agradam o leitor, explicando passagens obscuras.

    • d) estranham o leitor por serem muito pouco comuns na língua.

  • Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    e) entediam o leitor por dizer o que outras anteriores 20 elide sujeito e objeto. já
    e)
    entediam o leitor por dizer o que outras anteriores
    20
    elide sujeito e objeto.
    já disseram.
    Não dramatizes, não invoqueis,
    22.
    Paronomásia: recurso estilístico que consiste na apro-
    Não indagues. Não percas tempo em mentir.
    ximação intencional de palavras homônimas, parônimas,
    Não te aborreças.
    ou etimologicamente aparentadas.
    Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
    Ex.: De nada vale o meu vale!
    25
    vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de
    O autor utilizou a paronomásia na:
    / família
    a)
    1.ª estrofe, 2.° verso.
    desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
    b)
    2.ª estrofe, 6.° verso.
    Não recomponhas
    c)
    2.ª estrofe, 2.° verso.
    tua sepultada e merencória infância.
    d)
    2.ª estrofe, 4.° verso.
    Não oscilas entre o espelho
    e
    a
    memória em
    dissipação.
    e)
    1.ª estrofe, 7.° verso.
    30
    Que se dissipou, não era poesia.
    Que se partiu, cristal não era.
    Penetra surdamente no reino das palavras.
    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
    Procura na Festa
    Estão paralisados, mas não há desespero,
    1
    Não faças versos sobre acontecimentos.
    35
    há calma e frescura na superfície intata.
    Não há criação nem morte perante a poesia.
    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
    Diante dela, a vida é um sol estático,
    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
    não aquece nem ilumina.
    Tem paciência, se obscuro. Calma, se te provocam.
    5
    As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais
    Espera que cada um se realize e consume
    / não contam
    40
    com seu poder de palavra
    Não faças poesia com o corpo,
    e seu poder de silêncio.
    esse excelente, completo e confortável corpo, tão
    Não forces o poema a desprender-se do limbo.
    / infenso à efusão lírica.
    Não colhas no chão o poema que se perdeu.
    Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
    Não adules o poema. Aceita-o
    são indiferentes.
    45
    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no
    10
    Nem me reveles teus sentimentos,
    espaço.
    que se prevalecem do equívoco e tentam a longa
    Chega mais perto e contempla as palavras.
    viagem.
    Cada uma
    O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
    tem mil faces secretas sob a face neutra
    15
    Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas
    e te pergunta, sem interesse pela resposta,
    / ruas junto à linha de espuma.
    50
    pobre ou terrível que lhe deres:
    O canto não é o movimento das máquinas nem o
    Trouxeste a chave?
    / segredo das casas.
    Repara:
    Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas
    ermas de melodia e conceito
    / ruas junto à linha de espuma.
    elas se refugiaram na noite, as palavras.
    O canto não é a natureza
    55
    Ainda úmidas e impregnadas de sono,
    nem os homens em sociedade.
    rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
    Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada
    / significam.
    A poesia (não tires poesia das coisas)
    (ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo.
    In: Poesia Completa e Prosa – organizada pelo autor. 3. ed.
    Rio de Janeiro: Aguilar, 1973. p. 138-139.)
    EM_V_LIT_001

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    • 1. Os versos que melhor sintetizam o tema do poema e fixam os conceitos, negativo e positivo, de poesia são:

    EM_V_LIT_001 1. Os versos que melhor sintetizam o tema do poema e fixam os conceitos, negativo

    12

    • a) 1: Não faças versos sobre acontecimentos.

    v.

     

    v.

    56: rolam num rio difícil e se transformam em des-

    prezo.

    • b) 19: A poesia (não tires poesia das coisas)

    v.

     

    v.

    20: elide sujeito e objeto.

     
    • c) O

    v.

    12:

    que pensas e sentes, isso

    ainda não

    é

    poesia.

    v.

    32: Penetra surdamente no reino das palavras.

     
    • d) 32: Penetra surdamente no reino das palavras.

    v.

    v.

    44: Não adules o poema. Aceita-o.

     
    • e) 29: Não oscilas entre o espelho e a memória em

    v.

    dissipação.

    v.

    30-31: Que se dissipou, não era poesia. /Que se

    partiu cristal não era.

    • 2. Assinale a melhor afirmação sobre a posição de Drum- mond nas numerosas negativas até o verso 32.

      • a) Drummond só admite poesia que tenha como tema a própria palavra e não: acontecimentos, vida, morte, problemas pessoais, sentimentos, natureza, cidade, máquinas, sociedade, tragédias, sonhos, infância etc.

      • b) Drummond não admite os temas acima, mas é contraditório, pois toda a sua obra contém esses temas.

      • c) Drummond só não admite esses temas na poesia moderna de sua geração, por certo aceita-os na poesia de outras épocas.

      • d) Drummond não é contraditório; apenas quer frisar que poesia é, acima, de tudo arte e não pura ex- pressão de sentimentos e ideias.

      • e) Drummond não é contraditório, porque a partir de “A Rosa do Povo” mudou de temática, deixando de explorar aqueles temas referidos acima.

  • 3. Assinale a palavra ou expressão do texto que não admite de forma alguma o sentido metafórico indicado.

    • a) Limbo (v. 42): estado de perfeição.

    • b) Chave (v. 51): solução.

    • c) Iate de marfim, sapato de diamante (v. 24): as aspi- rações, os sonhos.

    • d) Esqueletos de família (v. 25): as tradições.

    • e) Faces secretas (v. 48): as conotações das palavras (em oposição à denotação = face neutra)

      • 4. Assinale a melhor interpretação do símbolo “a longa, viagem”, no verso 11:

        • a) a morte das pessoas.

        • b) a morte da obra literária.

        • c) a imortalidade artística.

        • d) a sinceridade da expressão.

    • e) a criação literária.

    • 5. Assinale a melhor interpretação dos v. 19-20: “A poesia

    ...

    elide

    sujeito e objeto”:

    • a) A poesia pode ser ilógica, com a frase poética sem

     

    sujeito e sem objeto.

    • b) A poesia, depois de construída, é independente do

     

    autor (sujeito) e da finalidade que ele teve em men-

     

    te (objeto).

    • c) A poesia não é pura expressão de estados d´alma (sujeito) nem pura cópia da realidade (objeto).

    • d) A poesia não é o poeta (sujeito) nem o leitor (objeto).

    • e) A poesia não é apenas o espírito do poeta (sujeito), mas também o corpo (objeto).

    • 6. Assinale a melhor interpretação dos v. 29-30: “Não osciles entre o espelho e a / memória em dissipação”.

      • a) Não osciles entre o mundo real e o mundo imagi- nário.

      • b) Não osciles entre o espírito e a matéria.

      • c) Não osciles entre o bem e o mal.

      • d) Não osciles entre o passado e o futuro.

      • e) Não osciles entre o presente e o passado.

  • 7. Um símbolo pode admitir mais de uma interpretação. Dentre as seguintes, só uma se poderia aceitar para o símbolo “rio difícil” do último verso, embora possa haver outras interpretações não indicadas aqui. Assinale-a.

    • a) A continuidade da obra literária através do tempo.

    • b) O conjunto de julgamentos do poema pelos críticos.

    • c) O fluxo do espírito do poeta na luta pela expressão.

    • d) A corrente das paixões vividas pelo poeta.

    • e) A dificuldade de compreensão do poema pela grande massa dos leitores.

  • 8. “Procura da Poesia” é uma teoria poética ou metapoema. Assinale, dentre os seguintes conceitos de teoria literária, o que não se encontra nessa poética.

    • a) A poesia não é apenas meio para comunicar algu- ma coisa, ela tem fim em si mesma.

    • b) A poesia não é pura expressão de estados d´alma nem pura cópia da realidade.

  • Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    • c) A construção do poema resulta de um trabalho in- tenso, de uma luta incessante com as palavras.

    • d) Os modernistas “tiveram que transferir da palavra a responsabilidade de geratriz exclusiva da poesia”. (Osvaldino Marques)

    • e) O único tema da verdadeira poesia é a palavra.

    • 9. Das numerosas antíteses do poema, assinale aquela que melhor destaca a função metalinguística.

      • a) Criação / morte (v. 2).

      • b) Natureza / sociedade (v. 16 e 17).

      • c) Sujeito / objeto( v. 20).

      • d) Espelho / memória (v. 29 e 30).

      • e) Faces secretas / face neutra (v. 48).

    • 10. Na última estrofe do poema há associação semântica em torno de uma das seguintes palavras, que é o ponto de partida das demais:

      • a) ermas.

      • b) refugiaram.

      • c) noite.

      • d) úmidas.

      • e) sono.

  • 11. Assinale o paralelismo antitético.

    • a) Não faças versos sobre acontecimentos. / Não fa- ças poesia com o corpo (v. 1 e 6).

    • b) Não dramatizes, / não invoques, / não indagues. (v. 21 e 22).

    • c) Teu iate de marfim, / teu sapato de diamante (v. 24).

    • d) Que se dissipou, não era poesia. / Que se partiu, cristal não era. (v. 30 e 31).

    • e) Com seu poder de palavra / e seu poder de silên- cio. (v. 41 e 42).

  • 12. Assinale o verso curto que mais valoriza a camada ótica (ou gráfica) do poema, corroborando o conteúdo semântico do verso.

    • a) “são indiferentes” (v. 9).

    • b) “Não te aborreças” (v. 23).

    • c) “Não recomponhas” (v. 27).

    • d) “no espaço” (v. 45).

    • e) “Cada uma” (v. 47).

      • 13. Dos seguintes versos mais longos do poema, assinale o que mais se aproxima da linguagem da prosa por sua estruturação.

        • a) “As afinidades, os aniversários, os incidentes pes- soais não contam.” (v. 5)

        • b) “esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.” (v. 7)

        • c) “O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.” (v. 14)

        • d) “Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.” (v. 15)

        • e) “Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.” (v. 18)

  • A Coisa Simples

    Certos espíritos dificilmente admitem que uma coisa

    simples possa ser bela, e menos ainda que uma

    coisa bela é, necessariamente, simples, em nada

    comprometendo a sua simplicidade as operações

    complexas que forem necessárias para realizá-la.

    Ignoram que a coisa bela é simples por depuração, e não

    originariamente; que foi preciso eliminar todo elemento

    de brilho e sedução formal (coisa espetacular), como

    todo resíduo sentimental (coisa comovedora), para que

    somente o essencial, não o percebendo, até mesmo

    fugindo a ele, o preconceituoso procura o acessório,

    que não interessa e foi removido. Mas pura é a obra, e

    mais perplexa a indagação: “Mas é somente isto? Não

    há mais nada?” Havia; mas o gato comeu (e ninguém

    viu o gato).

    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Confissões de Minas – caderno de notas. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 591.)

    • 14. (Concurso para Prof. Prim. - GB) Assinale o item que melhor expressa a ideia central do texto.

      • a) A coisa simples dificilmente pode ser bela.

      • b) A coisa bela é simples por depuração.

      • c) A coisa só é bela se lhe eliminarmos todo elemento de brilho e sedução formal, todo indivíduo senti- mental e o essencial.

      • d) A coisa simples é bela originariamente.

      • e) A coisa simples é bela, quando a sua essência é captada imediatamente.

  • 15. (C. Prof. Prim. - GB) O texto desenvolve-se numa opo- sição entre:

    • a) essencial X acessório.

    • b) beleza X sedução formal.

    • c) sedução formal X resíduo sentimental.

  • Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    EM_V_LIT_001 14 d) beleza X coisa simples. e) coisa comovedora X coisa espetacular. 16. (C. Prof.

    14

    d)

    beleza X coisa simples.

    e)

    coisa comovedora X coisa espetacular.

    • 16. (C. Prof. Prim. - GB) Assinale a frase que melhor explicita

    a verdade do texto.

    a)

    O essencial é ir à raiz da coisa.

    b)

    O essencial é apreciar o lado externo e trabalhado

    da coisa.

    c)

    O essencial é apreciar as operações de elaboração

    da coisa.

    d)

    O essencial é eliminar a carga subjetiva e sentimen-

    tal da coisa.

    e)

    O essencial é também pertencer o acessório.

    • 17. (C. Prof. Prim. - GB) No texto, a palavra preconceituoso

    indica:

    a)

    aquele que tem preconceito racial.

    b)

    aquele que preconceituosamente só vê o essencial.

    c)

    aquele que despreza o acessório.

    d)

    aquele que dificilmente aceita a beleza da coisa

    simples.

    e)

    aquele que não se deixa envolver pela sedução formal.

    • 18. (C. Prof. Prim. - GB) O acessório a que se refere o autor

    na linha 10, foi mencionado anteriormente em:

    a)

    depuração / as operações complexas.

    b)

    as operações complexas / resíduo sentimental.

    c)

    a coisa simples / uma coisa bela.

    d)

    depuração / simplicidade.

    e)

    todo elemento de brilho e sedução formal / todo

    resíduo sentimental.

    • 19. (C. Prof. Prim. - GB) Assinale o par que é sinônimo

    dentro do texto:

    a)

    coisa espetacular / coisa comovedora.

    b)

    certos espíritos / o preconceituoso.

    c)

    solução formal / resíduo sentimental.

    d)

    necessariamente / originariamente.

    e)

    essencial / acessório.

    • 20. (C. Prof. Prim. - GB) Assinale a sequência cujos elemen -

    tos guardam entre si, no texto, afinidades de sentido, isto

    é, pertencem ao mesmo campo semântico:

    a)

    simplicidade / beleza / depuração / acessório / pre-

    conceituoso.

    b)

    preconceituoso / sedução formal / resíduo senti-

    mental / originariamente.

    c)

    simplicidade / depuração / eliminar / essencial / o

    gato comeu.

    d)

    simplicidade / originariamente / depuração / opera-

    ções complexas / acessório.

    e)

    acessório / preconceituoso / pura / removido / de-

    puração.

    • 21. (C. Prof. Prim. - GB) A expressão o gato comeu cons-

    titui um exemplo de:

    a)

    uso científico.

    b)

    registro de fala regional.

    c)

    uso estético.

    d)

    registro de fala coloquial.

    e)

    gíria.

    • 22. (C. Prof. Prim. - GB) Brilho de sedução formal e

    resíduo sentimental – são alusões respectivamente

    aos poetas do:

    a)

    Parnasianismo e Romantismo.

    b)

    Modernismo e Romantismo.

    c)

    Classicismo e Parnasianismo.

    d)

    Realismo e Modernismo.

    e)

    Romantismo e Futurismo.

    • 23. (C. Prof. Prim. - GB) A solução final apresenta pontos

    de contato com:

    a)

    a poesia de Castro Alves e Gonçalves Dias.

    b)

    a poesia metafísica de Fernando Pessoa e seus he-

    terônimos.

    c)

    a literatura do início do século XX.

    d)

    o objetivo principal da semana de Arte Moderna

    de 1922.

    e)

    o poema piada da 1.ª geração do Modernismo.

    24. A ambiguidade é proibida na linguagem referencial. Na linguagem poética, conotativa, a ambiguidade é fator
    24. A ambiguidade é proibida na linguagem referencial.
    Na linguagem poética, conotativa, a ambiguidade
    é fator importantíssimo como recurso expressivo.
    Quanto mais ambígua, mais rica se torna esta lingua-
    gem. Assim, as várias interpretações possíveis, em
    lugar de empobrecer o texto artístico, enriquecem-
    no, atiçando a curiosidade do leitor/destinatário.

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    Historinha da Ambiguidade (I) APosto quE Você VEJA! Posso não chutAr minhA PodE! cAbEçA! Acho quE
    Historinha da Ambiguidade (I)
    APosto
    quE Você
    VEJA! Posso
    não
    chutAr minhA
    PodE!
    cAbEçA!
    Acho quE mE
    ExPrEssEi
    mAl!!
    I.
    A ambiguidade da história é provocada pela fala
    da personagem logo no primeiro quadrinho.
    Isso porque ela:
    a)
    não concluiu a primeira frase.
    b)
    não concluiu a segunda frase.
    c)
    juntou ação às palavras.
    d)
    concluiu mal a segunda frase.
    e)
    concluiu mal a primeira frase.
    II. Conforme, portanto, a resposta ao item anterior,
    pode-se concluir que a ambiguidade foi provo-
    cada pela:
    a)
    antítese.
    b)
    elipse.
    c)
    prolepse.
    d)
    metáfora.
    e)
    pleonasmo.
    VI. “Aposto que você não pode!”
    De acordo com a intenção do falante (1.° quadrinho),
    como deveria ser completada esta frase?
    De acordo com a ação (2.° quadrinho) do ouvinte,
    como foi realmente completada a frase?
    O último quadrinho mostra:
    a)
    arrependimento.
    b)
    irritação pela burrice alheia.
    c)
    incompreensão violenta.
    d)
    autocrítica consciente.
    e)
    compreensão bem-humorada.
    (Apud Roberto, Amaro e Rosa. Comunicação/interpretação.)
    EM_V_LIT_001
    IESDE Brasil S.A.

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    EM_V_LIT_001 16. Não servem, são mais leves que os outros e devem ser retirados do conjunto,
    • 16. Não servem, são mais leves que os outros e devem ser retirados do conjunto, não vão para a panela, da mesma forma que as palavras vazias nada acrescentam.

    16

    • 1. E

    • 17. C

    • 2. D

    • 18. C

    • 3. E

    • 19. A

    • 4. D

    • 20. C

    • 5. C

    • 21. B

    • 6. A

    • 22. C

    • 7. E

    • 8. A

    8. A
    • 9. C

    • 10. B

    • 1. C

    • 11. C

    • 2. D

    • 12. água (na água da folha de papel).

    • 3. A

    • 13. B

    • 4. C

    • 14. A

    • 5. C

    • 15. D

    • 6. E

    • 7. C

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    • 8. E

     
    • 9. E

    10.

    C

    11.

    E

    12.

    D

    13.

    A

    14.

    B

    15.

    A

    16.

    A

    17.

    D

    18.

    E

    19.

    B

    20.

    C

    21.

    D

    22.

    A

    23.

    E

    24.

     

    I.

    B

    II.

    B

    III.

     

    a)

    Chutar a sua (cabeça).

    b)

    Chutar a minha (cabeça).

     

    IV.

    D

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    EM_V_LIT_001 18 Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A ,

    18

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_001

    EM_V_LIT_001 20 Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A ,

    20

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    Gêneros literários e a retórica de Aristóteles Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus
    Gêneros
    literários e
    a retórica de
    Aristóteles
    Meu blusão traz lembrete de bebida
    que jamais pus na boca, nesta vida.
    Em minha camiseta, a marca de cigarro
    que não fumo até hoje não fumei.
    A literatura é uma das manifestações artísticas.
    Minhas meias falam de produto
    Dizer que o texto está escrito em prosa ou verso, é
    que nunca experimentei
    apenas uma maneira de diferenciá-los quanto à for-
    ma. Quanto ao conteúdo, o texto é diferenciado de
    mas são comunicados a meus pés.
    outros por meio de quatro gêneros: lírico, dramático,
    Meu tênis é proclama colorido
    épico e narrativo.
    de alguma coisa não provada.
    Por este provador de longa idade.”
    Gênero lírico
    Antes de definirmos o que é gênero lírico, vamos
    O que podemos verificar por meio da leitura
    ler um texto de Carlos Drummond de Andrade:
    do texto? Ele possui uma forma ritmada, com uma
    linguagem trabalhada, num encadeamento que pra-
    ticamente não se sente devido à fluidez com que as
    imagens vão sendo apresentadas. Além disso, é um
    texto com uma forte carga de subjetividade, marcada,
    principalmente, pela presença da primeira pessoa
    no título e no primeiro verso. Vê-se, então, que é um
    texto que retrata uma pessoalidade, o que não quer
    dizer que o texto não pode ser usado como referencial
    de um grupo maior.
    Com esses comentários, definimos, praticamen-
    te, o gênero lírico – caracterização textual em que
    um “eu” passa um estado emocional ao leitor, pro -
    curando fazer com que este se sinta mobilizado pela
    Eu, Etiqueta
    mensagem exposta em seus versos, que, geralmente,
    “Em minha calça está grudado um nome
    possuem um alto teor de subjetividade.
    que não é meu de batismo ou de cartório,
    Durante muito tempo, costumou-se adotar para
    o gênero lírico a denominação “poético” e classifica-
    um nome
    ...
    estranho.
    ram-se como líricos apenas os poemas. Já há algum
    EM_V_LIT_002
    IESDE Brasil S.A.

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_002

    tempo, alguns autores conseguiram quebrar esta

    classificação. Hoje em dia, tanto podemos encontrar

    textos poéticos (líricos) em prosa, como poemas ex-

    tremamente referenciais. A mescla é possível, mas o

    leitor crítico poderá perceber as diferenças sutilmen-

    te: os poemas referenciais acabam trabalhando um

    certo ritmo, e a prosa poética sempre acaba contando uma história, o que a transforma numa
    certo ritmo, e a prosa poética sempre acaba contando
    uma história, o que a transforma numa narração com
    linguagem poética.
    O gênero lírico acaba sendo observado, predomi-
    nantemente, nos poe mas, nos versos, criando efeitos
    originalíssimos e transformando os poetas em verda-
    deiros mestres das letras e palavras, como se pode ver
    pelas palavras do eu poético de Vinícius de Moraes, no
    poema “O amor em lágrimas”.
    Ouve o mar que soluça
    Na solidão
    Ouve, amor, o mar que soluça
    Na mais triste solidão.
    E ouve, amor, os ventos que voltam
    Dos espaços que ninguém sabe
    Sobre as ondas se debruçam
    E soluçam de paixão.
    E ouve, amor no fundo da noite
    Como as árvores ao vento
    Num lamento se debruçam
    Se debruçam para o chão.
    Deixa, amor, que um corpo sedento
    Como as árvores e o vento
    No teu corpo se debruce
    E soluce de paixão.
    (In: Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.)
    Na caracterização do poema “O amor em lágri-
    mas” como lírico, é preciso observar que os elemen-
    tos ali presentes fogem à realidade, especialmente
    quando são personificados o mar, os ventos e as
    árvores. Estas figuras confere um alto grau de sub-
    jetividade ao poema, acentuado pela presença do eu
    lírico e de sua interlocutora, a figura amada.

    2

    Gênero dramático

    Drama, em grego, significa “ação”. Ao gênero

    dramático pertencem o textos, em poesia ou prosa,

    feitos para serem representados.

    O melhor e mais tradicional exemplo de gênero

    dramático é, realmente, o teatro, mas a tecnologia

    trouxe à tona outras manifestações que acabaram

    caindo no gosto popular: o cinema, a televisão (es-

    pecialmente as telenovelas) e o rádio (também com

    as novelas representadas pelos atores – ainda que,

    nesse caso, não haja imagem, apenas voz).

    • ` Exemplo:

    IESDE Brasil S.A.
    IESDE Brasil S.A.

    Cena III – Marginália II (fragmento)

    (

    ...

    )

    “(Eles arrastaram o corpo devagar. Toca a música Mar-

    ginália II. Enquanto isso, entra em cena uma mulher

    envolta em um xale preto. Ela tem o semblante sofrido.

    Ela caminha e para no canto do palco. Entra uma outra

    personagem e caminha como se procurasse algo. Vê

    a mulher e vai até ela):

    ZÉ – E então, Maria, alguma notícia do garoto?

    MARIA – Nada Seu Zé! Já faz pra mais de dois dias

    e nada. Tou numa tristeza que faz gosto.

    ZÉ – Ele não disse aonde ele ia quando saiu?

    MARIA – Disse, nada. Ele não falava nada comigo.

    Logo eu que sou a mãe dele! Logo eu que entendia

    tudo, até o pior.

    ZÉ – E tu acha, mulher, que ele se bandeou pra essas

    coisas?

    MARIA – Aqui no morro parece até moda, né, Seu Zé!

    Às vezes, o menino quer seguir uma vida do bem, mas

    é tanta gente envolvida na situação, que fica difícil.

    ZÉ – É mesmo, e se não for isso, ele vai fazer o quê,

    não é verdade?

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_002

    MARIA – Meu menino tentou até estudar, mas quase

    todo dia voltava pra casa porque não tinha professor.

    Chegou um dia que ele disse: – vou mais não! Vou

    ganhar dinheiro. E saiu por aí.

    (Vem uma outra personagem, uma mulher, correndo

    e gritando):

    LUZINETE – Maria, Maria, cadê você, mulher?

    MARIA – Vixe, Luzinete, que é que foi? Por que esse

    alvoroço todo? Acharam meu Luisinho?

    LUZINETE – Olha, achar, acharam, mas ele não tá

    muito bem, não!

    MARIA – Fala logo, mulher de Deus! Fala! Ele tá morto

    não tá? Ele tá morto?!

    LUZINETE – Tá!

    MARIA – (Irrompendo num choro de dor) Aaaiiii, meu

    filho! O que fizeram com meu filho?

    (Maria se deixa cair ajoelhada no chão, coloca o rosto

    nas mãos e chora).

    LUZINETE – Vem, mulher, você tem que ser forte.

    Deus sabe o que faz.

    O texto anterior é um fragmento da peça apre-

    sentada pelo grupo Palco de Elite, com alunos do

    Ensino Médio, do Sistema Elite de Ensino, do Rio

    de Janeiro. É possível ver como o autor conduz as

    personagens por meio das legendas (apresentadas

    entre parênteses). O filho de Maria morre na cena

    anterior, vítima da violência de policiais, e a peça

    discute como conflito social a desvalorização dos ne-

    gros na sociedade brasileira do século XXI, um tema

    sugerido pela UNESCO para o ano de 2004.

    Gênero épico

    O gênero épico nos apresenta textos que são

    verdadeiras narrativas. A diferença entre as narrativas

    épicas e as narrativas em prosa (como são conhecidos

    os contos e romances) está na possibilidade da forma

    – geralmente, falamos de poemas épicos, ou seja, uma

    narrativa em versos – e na abordagem temática – o

    texto épico ocorre quando temos um fundo histórico;

    descrevem-se os feitos heroicos e os grandes ideais

    de um povo. Os acontecimentos são situados no pas-

    sado, o que distancia o narrador da obra, tornando-o

    um observador dos acontecimentos.

    Como o narrador observa o que acontece de lon-

    ge (no tempo e no espaço), isso confere ao texto uma

    objetividade marcante. Por sinal, a narrativa épica

    mais importante das literaturas de língua portuguesa

    são Os Lusíadas, de Luís de Camões, um poema épico

    que conta a viagem de Vasco da Gama às Índias,

    como podemos observar nos primeiros versos:

    • ` Exemplo:

    I

    “ As armas e os barões assinalados

    Que, da ocidental praia lusitana,

    Por mares nunca de antes navegados

    Passaram ainda além da Taprobana

    Em perigos e guerras esforçados,

    Mais do que prometia a força humana,

    E entre gente remota edificaram

    Novo reino, que tanto sublimaram:

    II

    E também as memórias gloriosas

    Daqueles reis que foram dilatando

    A fé, o império, e as terras viciosas

    De África e Ásia andaram devastando,

    E aqueles que por obras valorosas

    Se vão da lei da morte libertando:

    Cantando espalharei por toda parte

    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

    (FILHO, Aires da Mata Machado. Camões: épico/por. 9. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1984. p.15-16.)

    A objetividade dos poemas épicos é tão grande

    que o texto é dividido por partes que conduzem o

    leitor a uma interpretação bastante clara do todo

    da obra:

    1) proposição – o poeta apresenta o tema;

    2) inovação – as musas são convidadas a partici-

    par da história como agentes da inspiração;

    3) dedicatória – o texto é dedicado ao jovem rei

    D. Sebastião;

    4) narração – são contados os principais aconte-

    cimentos, como o episódio de Inês de Castro,

    a aventura de Fernão Veloso, o encontro com

    o velho do Restelo e o gigante Adamastor;

    5) remate – aventuras finais.

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_002

    Gênero narrativo

    Elementos de um texto narrativo

    EM_V_LIT_002 Gênero narrativo Elementos de um texto narrativo O gênero narrativo é visto como uma variante

    O gênero narrativo é visto como uma variante do

    gênero épico, enquadrado, neste caso, as narrativas

    em prosa.

    Narrador (foco narrativo)

    Narração em primeira pessoa = narrador-

    -personagem.

    Narração em terceira pessoa = narrador-

    -observador, onisciente.

    Narração em segunda pessoa = ocorre com

    mais dificuldade e, geralmente, acontece

    num questionamento metalinguístico, quan-

    do o narrador quer comentar algo sobre a

    obra com o leitor, que se torna personagem

    (é chamado de narratário, aquele a quem se

    narra); muito usado por Machado de Assis,

    mas em conjunto com os outros dois tipos de

    foco narrativo.

    • ` Exemplo:

    Capítulo XXXIV

    A Uma Alma Sensível

    “ Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há

    aí uma sensível, que está decerto um tanto agastada

    com o capítulo anterior, ( )”

    ...

    (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática. p. 66.)

    Enredo

    É a própria sequência narrativa, marcada, nota-

    damente, por um clímax, que representaria o ápice

    da história. Dependendo da história, ela é dividida

    em células dramáticas, fato que caracteriza o próprio

    formato do texto.

    Personagens

    São todas aquelas que representam “papéis”

    na história. Podem ser divididas em protagonista

    (principal), antagonista (o que se coloca em oposição

    frontal ao protagonista) ou caricaturais (representam

    • 4 tipos da sociedade).

    Espaços (ambiente)

    O espaço onde as personagens desenvolvem o

    enredo pode ser real ou imaginário. Há, aí, toda uma

    questão envolvendo as diferenças entre texto verossí-

    mil e texto inverossímil, além das causas de se querer

    reproduzir determinados espaços, como é o caso, por

    exemplo, do Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lo-

    bato e O Ateneu, de Raul Pompéia, metáforas do próprio

    Brasil, o primeiro num sentido de utopia e, o segundo,

    num desejo de crítica à Instituição do Império.

    Tempo

    O tempo da narração pode ocorrer de forma

    sequencial – cronológico (com início, meio e fim) ou

    psicológico (com idas e vindas em flashback, que-

    brando a sequência lógica dos acontecimentos). É o

    tempo interior, das reflexões, da memória.

    Narração

    Como você já deve ter percebido pela apresenta-

    ção dos elementos de um texto narrativo, tem-se uma

    narração todas as vezes que tivermos personagens,

    num espaço, com um tempo sequencial ou memorial,

    alguém que conta e algum acontecimento envolvido.

    Narração é, por definição, contar ações, narrar ações,

    como podemos ver no texto abaixo:

    • ` Exemplo: Bandeira 2 O modesto servidor foi perguntar ao chefe se seção se não dava jeito de arranjar bandeira 2 para ele. Levou um fora total: -Que negócio é esse de bandeira 2? Você não é chofer de táxi, o governo não é passageiro de táxi, como é que ele vai te pagar bandeira 2?

    -É que eu pensei

    Todo

    mundo lá fora está cobrando

    bandeira 2. A bandeira está solta, e se eu não pagar

    também uma bandeirinha 2, com perdão da palavra,

    estou frito.

    Saiu, desbandeirado. Em casa, os meninos pediram-lhe

    pelo menos bandeira 1, para tomar sorvete. A mulher

    reclamava bandeira 2, formato grande, para as compras

    da semana. Abriu o envelope e leu o cartão de Natal com

    estes dizeres: “Bandeira 2 para você e todos os seus.” Ligou

    o rádio, escutou: “Salve, lindo pensão da esperança.”

    Os colegas se cotizaram para pagar a bandeira 2, enco-

    mendada por ele. Vivia enrolado nela, no Pinel.”

    (ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos Plausíveis. Rio de Janeiro:

    José Olympio, 1981. p. 53.)

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_002

    Poesia lírica – classificações

    Podemos classificar a poesia lírica a partir dos

    seguintes destaques:

    Ode de Hino

    Ode é um canto de exaltação e hino é a poesia

    que glorifica a pátria ou enaltece divindades.

    Elegia

    Poesia que aborda acontecimentos tristes, ge-

    ralmente relacionados à morte.

    Idílio e écloga

    Poesias bucólicas e pastoris. A écloga apresenta

    diálogo.

    Epitalâmio

    Poesia feita em homenagem às núpcias de um

    casal.

    Sátira

    Poesia que critica os defeitos humanos.

    Gênero dramático –

    classificações

    Tragédia

    História trágica, capaz de provocar compaixão

    na plateia devido aos acontecimentos em cena.

    Comédia

    Representação de um fato cotidiano, que pro -

    voque facilmente o riso.

    Tragicomédia

    Mistura de elementos trágicos e cômicos.

    Gênero narrativo –

    classificações

    Romance

    Narração ficcional, com grande número de

    personagens envolvidas (ainda que uma delas

    possa ser a protagonista) e um conjunto de células

    dramáticas (conflitos) que podem estar ocorrendo

    simultaneamente.

    Novela

    Narrativa muito semelhante ao romance, com

    uma diferença básica: aqui as células dramáticas

    ocorrem de forma sucessiva, ou seja, um aconteci-

    mento novo só é introduzido após o desenlace de

    outro. Um bom exemplo de novela na literatura bra-

    sileira é A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água,

    de Jorge Amado.

    Conto

    Narrativa que ocorre com uma única célula

    dramática. Não vale, porém, acreditar na extensão

    do texto. “O alienista”, de Machado de Assis, é um

    conto bastante extenso para padrões tradicionais.

    Crônica

    Narrativa que aborda algum fato da vida coti-

    diana. É um texto bem próximo da realidade, muitas

    vezes, utilizando o humor para transmitir sua men-

    sagem.

    Fábula

    Narrativa inverossímil, que visa à transmissão

    de uma lição de moral. As personagens, são animais

    com representação de atitudes humanas.

    Apólogo

    Mantém a estrutura da fábula. Mas utiliza per-

    sonagens inanimadas, e não animais.

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    Louvre.

    EM_V_LIT_002

    A crítica aristotélica

    Louvre. EM_V_LIT_002 A crítica aristotélica 6 Aristóteles. Aristóteles era discípulo de Platão. Naquela época, era comum

    6

    Louvre. EM_V_LIT_002 A crítica aristotélica 6 Aristóteles. Aristóteles era discípulo de Platão. Naquela época, era comum

    Aristóteles.

    Aristóteles era discípulo de Platão. Naquela

    época, era comum que houvesse reuniões para que

    fossem discutidos temas diversos. Certo dia, Platão,

    ao chegar à Academia, percebe que Aristóteles não

    está lá. Diz ele, então, “a Inteligência está ausente”.

    Platão admirava seu discípulo, ao qual atribuía no -

    mes como “Espírito”, “o Entendimento”, “o Ledor”.

    Era uma forma de reverenciar a grande capacidade

    de discernimento de Aristóteles.

    O sábio grego foi, assim, um dos mais comple-

    tos pensadores de todos os tempos. Ele pode ser

    considerado, por exemplo, o Patriarca das Ciências

    Naturais. Foi o primeiro a escrever um tratado de

    psicologia científica e o primeiro a discutir a História

    da Filosofia.

    Dentre suas teorias, uma parece, realmente, ter

    se mostrado como de fundamental importância para

    os seres humanos. Seus estudos sobre as técnicas de

    argumentação e logicidade das coisas ultrapassaram

    os séculos e, até hoje, ainda são vistos, por muitos,

    como base de conhecimento e inspiração. Aristóteles

    foi um mago da arte de raciocinar, mais tarde, deu-se

    a essa ciência o nome de “Lógica”.

    Para nós, importa apresentar duas de suas obras

    principais: Arte Retórica e Arte Poética. A primeira diz

    respeito à teoria da argumentação dialética. A segun-

    da aborda a arte do bem dizer, mas com uma pitada

    a mais: encaminhamentos preciosos para aqueles que

    querem se deliciar com a crítica literária.

    Ora, se queremos nos tornar indivíduos real-

    mente aptos a argumentar diante dos assuntos que

    permeiam o mundo, temos que entender não só dos

    textos técnicos e científicos, mas também dos artísti-

    cos. Afinal de contas, não há Arte sem que haja uma

    referência no mundo real em que estamos inseridos.

    A função da crítica (e do crítico, por conseguin-

    te) torna-se, portanto, inigualável. É de uma neces-

    sidade atroz, visto que é a Arte a responsável pela

    construção do eu crítico, tão importante à formação

    do homem total quanto requisitado pelas principais

    universidades do país, já que interessa às institui-

    ções de Ensino Superior a formação de pessoas que

    realmente usem sua mente de forma construtiva.

    A importância de Aristóteles, dessa forma, se

    faz sem igual. O jovem precisa aprender a pensar,

    refletir sobre sua realidade.

    Ele precisa desenvolver a maturidade necessá-

    ria para se apresentar pronto para o sucesso, pois,

    caso contrário, só teremos as palavras do velho Au-

    gusto dos Anjos para nos embalar:

    “E quando, ao cabo do último milênio,

    A humanidade vai pesar seu gênio,

    Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!”

    (ANJOS, Augusto. Eu. Poesias completas. Rio de Janeiro: São José,

    Arte retórica

    1963.)

    No século IV a.C., a eloquência era amplamente

    divulgada em Atenas. Os processos oratórios eram

    extremamente desejados. Aristóteles lança, então,

    sua Arte Retórica, que compunha três livros, e as-

    sume um lugar decisivo no estudo das questões

    relativas à argumentação dialética. Ele viaja, então,

    pelos mais variados níveis de estudos teóricos: pelos

    livros, das chamadas provas técnicas extratécnicas,

    às provas morais e lógicas e ao estudo das formas.

    Aristóteles apresenta-nos um verdadeiro trata-

    do sobre a arte do bem dizer as coisas, do bem apre-

    sentar as teses, isso tudo por meio de uma análise

    que não se preocupa, na verdade, com conclusões

    científicas, mas sim com proposições silógicas, enca-

    minhando seu interlocutor a sutis conclusões acerca

    de um determinado assunto.

    De sua obra, fica, então, uma forte abordagem

    de questões relativas à Ética, à Moral e às Virtudes,

    culminando com uma discussão sem igual sobre o

    Estilo e a Forma, elementos fundamentais em uma

    boa oratória.

    Como exemplo do que estamos afirmando, ci-

    tamos dois trechos de sua Arte Retórica:

    Esse material é parte integrante do Aulas Particulares on-line do IESDE BRASIL S/A, mais informações www.aulasparticularesiesde.com.br

    EM_V_LIT_002

    • ` Exemplo: Assentemos que a Retórica é a faculdade de ver teori- camente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuasão. Nenhuma outra arte possui esta função, porque as demais artes têm, sobre o objeto que lhes é próprio, a possibilidade de instruir e de persuadir; por exemplo, a Medicina sobre o que interessa à saúde e à doença, a Geometria, sobre as variações das grandezas, a Aritmética, sobre o número; e o mesmo acontece com as outras artes e ciências. Mas a Retórica parece ser capaz de, por assim dizer, no concernente a uma dada questão, descobrir o que é próprio para persuadir. (

    ...

    )

    Obtém-se a persuasão por efeito do caráter moral, quan -

    do o discurso procede de maneira que deixa a impressão

    de o orador ser digno de confiança.

    (

    ...

    )

    Obtém-se a persuasão nos ouvintes, quando o discurso os

    leva a sentir uma paixão, porque os juízos que proferimos

    variam, consoante experimentamos aflição ou alegria,

    amizade ou ódio.

    (ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética. São Paulo: Ediouro, p. 33.)

    Assim, podemos, no mínimo, refletir sobre o sig-

    nificado de “persuasão”, e queremos ser persuasivos

    quando escrevemos nossas redações no Vestibular,

    queremos que nossos leitores – no caso, a banca –

    entendam aquilo que estamos querendo expressar

    em nossos textos.

    Arte Poética

    A Arte Poética de Aristóteles baseia-se em uma

    dicotomia básica e fundamenta: Mímesis e Catarse.

    Mímesis, para o filósofo grego, é um elemento

    central dentro do que se pode chamar de Arte Poé-

    tica, pois ela caracteriza a própria natureza da po -

    esia. Geralmente, ela é traduzida como “imitação”,

    muito provavelmente da realidade (não podemos

    nos esquecer de que a Arte é a “transformação da

    realidade”). Assim, para que uma obra fosse consi-

    derada de arte, ela teria que, inicialmente, obedecer

    a este conceito.

    Uma forma de percebermos como funciona tal

    mecanismo se apresenta quando analisamos o con-

    ceito de metáfora num texto literário. Ao manter um

    nexo com a realidade, o texto acaba desenvolvendo

    uma forte conotação metafórica, figura que precisa

    de um referencial que tenha por base a realidade,

    ou seja, o mundo concreto, para se fazer entender.

    Cabe ao artista concatenar as duas ideias e atingir,

    invariavelmente, uma reação de seu interlocutor (no

    caso, o leitor).

    Com o interlocutor identificando, no texto li-

    terário, algum aspecto de uma realidade possível,

    imaginada e presenciada, atinge-se o que se consa-

    grou como o princípio básico da verossimilhança.

    Por meio desse conceito, muitas questões podem ser

    estudadas. A literatura, por exemplo, no decorrer dos

    séculos, apresentou-se cada vez mais abstrata, como

    se a realidade fosse algo muito distante. O desejo,

    no entanto, era justamente esse: mostrar que a rea-

    lidade se encontrava afastada da poesia. Foi o que