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23/08/2002 - Contabilidade - Principio da Competência

LANÇAMENTOS EFETUADOS EM VIRTUDE DO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA

O princípio da competência é de utilização obrigatória nos lançamentos contábeis da empresa, conforme reza a legislação do imposto de renda, além do artigo 177 da Lei 6404/76. A sua definição se encontra no artigo 9º da Resolução CFC (Conselho Federal de Contabilidade) nº

750/93.

Com relação às despesas, a referida norma diz o seguinte:

“As despesas serão registradas quando forem incorridas, não importando que não tenham sido pagas”. Isto quer dizer, em outras palavras, que as despesas devem ser reconhecidas (ou lançadas), no período a que se referem, mesmo que não tenha havido desembolso. O mesmo raciocínio vale também para as receitas.

Para entender melhor, o exemplo clássico é o de pagamento de salários por parte da empresa. Estas podem pagar o salário de um certo mês (ex: janeiro de 2000) no próprio mês (até o dia 31) ou somente no mês seguinte (fevereiro). Caso o pagamento seja em janeiro a despesa será reconhecida (débito) em contrapartida a um crédito na conta caixa. Porém, caso o pagamento seja efetuado somente em fevereiro, não há que se falar em crédito de caixa em janeiro. O que se faz, neste caso é reconhecer que houve uma despesa (débito) e obrigação ao mesmo tempo (salários a pagar) para o mês seguinte. Assim, ao se apurar o resultado de janeiro, a despesa de salário irá constar da Demonstração do Resultado do Exercício. O lançamento a crédito de caixa será efetuado em fevereiro, quando for quitada a obrigação assumida.

Este raciocínio também pode ser aplicado para despesas de seguros, juros, aluguéis etc.

Ex: Contratação de um seguro para pagamento em 30/04/1999, com vigência da apólice de 01/05/1999 a

30/04/2000, tendo sido pago o prêmio de R$ 1.200,00 à vista.

A empresa efetuou um pagamento adiantado referente a

um serviço que será prestado ao longo de um ano. De acordo com o Princípio da Competência, não podemos lançar esta despesa de R$ 1.200,00 no dia 30/04/1999, uma vez que a mesma se refere a um ano inteiro. O correto então é diluirmos esta despesa ao longo dos meses de vigência da apólice. No momento do pagamento, a empresa deve lançar a débito em seu Ativo o valor total do prêmio como Despesa do Exercício Seguinte, pois a mesma fará a apropriação mês a mês da despesa correspondente.

Valor do prêmio: R$ 1.200,00 Vigência da apólice: 01/05/1999 a 30/04/2000 Apropriação mensal da despesa: 1200 / 12 = R$ 100,00

Lançamento em 30/04/1999 referente ao pagamento do prêmio (lançamento 1):

Seguros a Vencer (+AC)

a Caixa (-AC) 1.200,00

A partir do mês de maio de 1999, a empresa deverá

apropriar mensalmente a despesa de seguros proporcional,

ou seja, R$ 100,00 (1200 / 12) por mês. Assim, em 31/05/1999, deverá ser feito o seguinte lançamento (2):

Despesas de Seguros (D/-PL)

a Seguros a Vencer (-AC) 100,00

Este lançamento deverá ser realizado a cada final de mês, como reconhecimento da despesa incorrida. Portanto, ao final do Exercício de 1999 (31/12/1999) a empresa já teria apropriado R$ 800,00 (oito meses: maio a dezembro de 1999 – lançamentos 2 a 9) de despesas no exercício, restando ainda R$ 400,00 a serem apropriados no exercício de 2000.

Razonetes:

Seguros a Vencer

(1)

100,00 (2) –

1.200,00

31/05/1999

100,00 (3) –

30/06/1999

100,00 (4) –

31/07/1999

100,00 (5) –

31/08/1999

100,00 (6) –

30/09/1999

100,00 (7) –

31/10/1999

100,00 (8) –

30/11/1999

100,00 (9) –

31/12/1999

1.200,00

800,00

400,00

 

Caixa

(SI) 5.000,00

1.200,00

(1)

3.800,00

 

Despesas de Seguros

(2) 31/05/1999 –

100,00

(3) 30/06/1999 –

100,00

(4) 31/07/1999 –

100,00

(5) 31/08/1999 –

100,00

(6) 30/09/1999 –

100,00

(7) 31/10/1999 –

100,00

(8) 30/11/1999 –

100,00

(9) 31/12/1999 –

100,00

800,00

800,00

A conta “Seguros a Vencer” é uma despesa antecipada e

deverá ser classificada no Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, conforme o prazo de validade da apólice (neste caso é do exercício seguinte).

Este assunto não se esgota por aqui. Na próxima aula, uma questão resolvida sobre o assunto.

23/08/2002 - Contabilidade - Principio da Competência - Parte II

(AFRF/98) - A empresa Jasmim S/A, cujo exercício social coincide com o ano-calendário, pagou, em 30/04/97, o prêmio correspondente a uma apólice de seguro contra incêndio de suas instalações para viger no período de 01/05/97 a 30/04/98. O valor pago de R$30.000,00 foi contabilizado como despesa operacional do exercício de 1997. Observando o princípio contábil da competência, o lançamento de ajuste, feito em 31.12.1997, provocou, no resultado do exercício de 1998, uma:

a)

Redução de R$ 10.000,00

b)

Redução de R$ 30.000,00

c)

Redução de R$ 20.000,00

d)

Majoração de R$ 20.000,00

e)

Majoração de R$ 10.000,00

O

prêmio de R$30.000,00 pago antecipadamente em

30/04/97 deve ser rateado pelos meses de vigência da apólice (maio/97 a abril/98). Portanto são 8 meses no ano de 97 e 4 meses em 98, ou seja, 2/3 da despesa (R$20.000,00) deve se apropriada em 97 e 1/3 em 98 (R$10.000,00). Só que a despesa foi toda contabilizada para 97 pelo lançamento:

C

– Caixa 30.000,00

Assim, o lançamento de ajuste deve estornar R$10.000,00 da despesa de 97 com o lançamento:

D

– Seguros a Vencer 10.000,00

C

– Despesas de Seguros 10.000,00

Isto fará com que, em 98, seja lançado:

D

– Despesas de Seguros 10.000,00

C

– Seguros a Vencer 10.000,00

Este lançamento de despesas em 98 fará com que o resultado deste ano seja reduzido em R$10.000,00.

A resposta é letra A.

09/05/2003 - Contabilidade - Reserva Legal

Assunto: Dicas para a Prova da PF de Contabilidade e os limites da reserva legal

A prova de contabilidade da Polícia Federal é uma prova

atípica. Começou a ser exigida esta disciplina no concurso

de 2000. Apesar de não ser uma prova difícil, o programa

exigido é muito extenso, quase o mesmo de fiscal. Até noções de contabilidade de custos faz parte do edital! Mas a ênfase, pelo que tenho percebido nas questões, é mesmo nas Demonstrações Contábeis. Isto porque o motivo de se exigir de um agente da PF conhecimentos de contabilidade

é para que ele não fique voando ao se deparar com papéis contábeis.

Por outro lado, ele não precisará ser um expert nas práticas contábeis (lançamentos e elaboração destas demonstrações). Assim, procurem dar atenção especial ao tópico das demonstrações (regras gerais do balanço, componentes da demonstração do resultado, lucros ou prejuízos acumulados e DOAR), analisando as peculiaridades de todas elas.

Vamos falar sobre a Reserva Legal

Reserva Legal – Esta reserva de lucros deve ser constituída antes de qualquer outra (e após a compensação de prejuízos). Possui o objetivo de manter a integridade do Capital Social, podendo ser utilizada para absorver prejuízos anteriores. O valor a ser constituído é de 5% do Lucro Líquido do Exercício.

A constituição da Reserva possui 2 limites. São eles:

Limite Obrigatório: O saldo da conta Reserva Legal não deve ultrapassar a 20% do Capital Social (Realizado e Corrigido);

Limite Opcional: A Reserva Legal poderá deixar de ser constituída no período em que o seu saldo somado ao saldo das Reservas de Capital ultrapassar 30% do valor do Capital Social (Realizado e Corrigido).

Assim, o valor a ser constituído não será necessariamente de 5% do lucro líquido. Há que se considerar os limites obrigatório e opcional.

Exemplo: Uma empresa registrou no período de 2000 R$220.000,00 de Lucro no exercício. Tendo em vista os valores das contas abaixo ao final do período, qual o valor a ser constituído de Reserva Legal?

Capital Social

200.00

0

Reserva Estatutária

20.000

Reserva Legal

35.000

Reservas de

22.000

Capital

Resolução: Para respondermos à pergunta acima devemos obter o valor normal da constituição da Reserva Legal e em seguida verificar os limites.

Base de Cálculo = 220.000 Valor da Reserva Legal = 5% x $220.000 = $11.000 Limite obrigatório = 20% x $200.000 = $40.000

Saldo da conta reserva legal = $35.000 + X = $40.000

X = 40.000 – 35.000 = 5.000

Portanto, quanto ao limite obrigatório a constituição da reserva deveria ser de, no máximo, $5.000.

Limite opcional = 30% x $ 200.000 = $60.000

Soma dos saldos (R.Legal + R.Capital) = $35.000 + $22.000 + Y = $ 60.000

Y = 60.000 – 35.000 – 22.000 = 3.000

Portanto, quanto ao limite opcional a empresa poderia constituir somente $3.000,00, que é o valor mínimo suficiente para que a soma das reservas legal e de capital atinjam o valor limite ($60.000).

Conclusão: neste exemplo a empresa poderia constituir qualquer valor de Reserva Legal entre $3.000,00 e $5.000,00. Caso optasse por constituir $5.000 o lançamento seria o seguinte:

D

– Lucros Acumulados 5.000

C

– Reserva Legal 5.000

E

isso aí. Não deixem de conferir estes e outros assuntos

com explicações detalhadas e exemplos, além da apostila

de 100 questões de concurso resolvidas agrupadas por assunto.

Um abraço e até a próxima!

23/08/2002 - Contabilidade - Provisão para Devedores Duvidosos

As provisões são valores que visam cobrir a perda de ativos (provisões ativas) ou representam estimativas de obrigações da empresa (provisões para pagamento ou provisões passivas). São sempre contas credoras. As

provisões devem ser constituídas com base nos seguintes princípios contábeis:

a) Competência: pois a despesa com a provisão deve ser

lançada no período em que ocorrer a estimativa de perda

(ou obrigação), e não perda em si;

b) Prudência: na dúvida entre elementos igualmente

válidos perante a legislação e os demais princípios contábeis, deve-se escolher aquele que representar o

menor valor para o ativo (provisões ativas – contas retificadoras) e o maior valor para o passivo (provisões

passivas);

c) Oportunidade: no momento de ocorrência de um fato

contábil deve-se lançá-lo imediatamente, mesmo que se

tenha somente razoável certeza de sua ocorrência.

A contrapartida da constituição das provisões será uma

conta de despesa, ficando assim o lançamento:

Despesa com Provisão

a Provisão

A Provisão para Devedores Duvidosos ou Provisão para

Créditos de Liquidação Duvidosa deve ser feita para cobrir as perdas estimadas na cobrança das contas a receber. Trata-se portanto de um valor que visa cobrir os riscos com eventuais perdas nas vendas a prazo, visando ajustar o

valor dos títulos a receber ao valor da sua provável realização.

Apenas os créditos oriundos da exploração da atividade econômica da empresa decorrentes de venda a prazo poderão compor a provisão.

Para efeito de determinação do valor da provisão a ser constituída, aplica-se sobre o montante dos créditos a receber (saldo da conta Clientes ou Duplicatas a Receber) um percentual obtido com base nas necessidades e características de cada empresa, através de critérios

economicamente justificáveis. Com o advento da Lei 9.430/96, a despesa com a constituição desta provisão

passou a não ser mais dedutível da base de cálculo do imposto de renda da empresa. Com isso, cabe a esta considerar experiências anteriores com prejuízos em contas

a receber visando estabelecer um valor de provisão para

devedores duvidosos que seja o mais próximo da realidade

possível.

O saldo não utilizado ao final do período deverá ser

revertido a crédito de uma conta de resultado ou complementado para que se constitua nova provisão para o período seguinte.

Exemplo: Uma empresa possuía, em 31/12/1999, $100.000,00 de valores a receber no exercício seguinte decorrentes de vendas a prazo. Através de estudos estatísticos e análise da situação dos clientes, determinou- se que o percentual a ser constituído como PDD seria de

3%.

Valor da provisão:

3% x $ 100.000,00 = $ 3.000,00

Lançamento da constituição da provisão para o ano de

2000:

D

– Despesas com Devedores Duvidosos 3.000,00

C

– Provisão para Devedores Duvidosos 3.000,00

Neste exemplo, o ativo da empresa ficará assim representado, após a constituição da provisão (lembrem-se de que esta despesa será lançada ainda no exercício de

1999):

Ativo Circulante Duplicatas a Receber 100.000,00 (-) Provisão para devedores duvidosos (3.000,00)

Se em 20/05/2000, um dos clientes da empresa abrisse falência e houvesse um título de $1.200,00 deste cliente

em favor de nossa empresa, deveríamos lançar o seguinte:

Utilização da Provisão:

D

– Provisão para Devedores Duvidosos 1.200,00

C

– Duplicatas a Receber 1.200,00

Caso a empresa chegue ao final do período de 2000 com o saldo de $1.800,00 na conta PDD ($3.000,00 iniciais menos $1.200,00 utilizados) deverá reverter este saldo e constituir nova provisão (agora no valor de $2.000,00, por exemplo) para 2001 (lançamentos 1.1 e 1.2), ou simplesmente complementá-lo (lançamento 2) pelo valor faltante ($2.000,00 - $1.800,00 = $200,00).

1.1 - Reversão da PDD (31/12/2000):

D

– Provisão para Devedores Duvidosos 1.800,00

C

– Receita com Reversão da PDD 1.800,00

1.2 - Constituição de nova PDD de $2.000,00 para 2001

(31/12/2000):

D

– Despesa com Devedores Duvidosos 2.000,00

C

– Provisão para Devedores Duvidosos 2.000,00

2 - Outra alternativa: Complementação do saldo da PDD

(31/12/2000):

D

– Despesa com Devedores Duvidosa 200,00

C

– Provisão para Devedores Duvidosos 200,00

Ao invés de sobrar saldo, poderia acontecer de faltar. Vejam esta outra hipótese: se a empresa tivesse incorrido em $5.000,00 (ao invés dos $1.200,00) em dívidas incobráveis no período de 2000, a PDD somente seria suficiente para cobrir $3.000,00 de títulos incobráveis. A empresa então deveria efetuar o seguinte lançamento correspondente à baixa dos demais títulos:

Lançamento referente à baixa de títulos incobráveis em

2000:

D

– Despesas com Devedores Duvidosos 2.000,00

D

– Provisão para Devedores Duvidosos 3.000,00

C

– Duplicatas a Receber 5.000,00

Caso aconteça de um determinado crédito ter sido baixado como incobrável através de utilização da provisão e futuramente o mesmo venha a ser pago, a empresa deverá efetuar os seguintes lançamentos (Ex: título de $1.000,00)

Pela baixa do título:

D

– Provisão p/ devedores duvidosos 1.000,00

C

– Duplicatas a Receber 1.000,00

Pelo recebimento posterior de título já baixado:

D

– Bancos c/Movimento 1.000,00

C

– Receita de Recuperação de créditos 1.000,00

Caso este recebimento ocorresse em exercícios posteriores (2001 em diante), esta receita deveria ser lançada diretamente à conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados”. Vale ressaltar também que a Despesa com a constituição da PDD é uma despesa com vendas (operacional). Pelo princípio da competência, ela deve ser reconhecida no mesmo período em que ocorreram as vendas, e não quando for pago o valor referente às mesmas.

Mantenham a calma e não percam a concentração !!!

Um abraço!!!

23/08/2002 - Contabilidade - Resumo ESAF

Acompanhem esta aula comigo. É uma aula atípica. Dentro do contexto de correria que se instalou para os concursos AFRF/TRF, há necessidade de se estabelecer dicas quentes sobre os assuntos mais importantes a respeito do estilo ESAF. Eu costumava fazer isso quando estudei para o concurso. É um “resumão” de alguns tópicos, válido somente pra quem já estudou a matéria, sem uma ordem

específica de assuntos. Acho que posso contribuir um pouco neste sentido, pois possuo treinamento na ESAF nesta área

e acompanho as suas provas desde 1996, quando ingressei

no cargo AFRF. Porém, são apenas chamadas para alguns assuntos. O aprofundamento do tema deverá ser consultado pelo aluno no seu material de estudo (livros, apostilas). Vamos lá:

1) Custo das Mercadorias Vendidas: Não se esqueçam que no inventário permanente há que se efetuar o lançamento correspondente ao custo do bem vendido, dependendo do critério de estoques (PEPS, UEPS ou média móvel).

2) Cuidado pra não confundir a média móvel com a fixa. Na fixa é como se fosse uma só venda ao custo médio das entradas do período.

3) O ICMS, regra geral, não incide sobre o IPI, nem sobre o desconto. Já o IPI incide sobre o valor total da operação (incluindo ICMS, frete, seguro cobrados pelo vendedor) e incide sobre o valor do desconto também, ou seja, a base de cálculo do IPI é o valor total, sem deduzir o desconto.

4) Nas devoluções não se esqueçam de fazer os razonetes

e de devolver também os descontos e tributos. Invertam o

lançamento e apliquem o percentual de devolução. Se for inventário permanente, observar o critério e devolver de acordo com o método.

5) No inventário permanente o que vai para a ficha de

estoques nas compras é o valor líquido, acrescido de fretes

e

seguros e deduzido de descontos comerciais, abatimentos

e

impostos recuperáveis;

6) Nas devoluções de compras utilizar a coluna de entradas com sinal invertido; nas devoluções de vendas utilizar a coluna de saídas com sinal invertido. Os abatimentos sobre vendas não aparecem na ficha de estoque.

7) O IPI não participa da Demonstração do Resultado do Exercício. Seu cálculo é baseado em contas patrimoniais.

8) O desconto comercial ou incondicional é redutor da receita bruta. Já o desconto financeiro concedido é considerado como despesa operacional (financeira).

9) Só recupera o imposto aquele que é contribuinte do próprio imposto. Cuidado com a conta ICMS Conta-corrente (saldo misto, sistema de conta única).

10) Na DOAR, o resultado do exercício deve ser ajustado primeiro. Se der positivo, é origem, se der negativo, é aplicação. Depois verifiquem as modificações do ativo não circulante e do passivo não circulante.

11) Participações Estatutárias e Imposto de Renda são despesas do exercício, e não destinações do resultado. Sua contrapartida é Resultado do Exercício ou despesas operacionais. Já as destinações do resultado (reservas, dividendos, incorporação ao capital) têm como contrapartida a conta Lucros Acumulados.

12) Na DOAR somente são consideradas as origens e aplicações que afetam o capital circulante líquido

13) As provisões são valores que visam cobrir a perda de ativos (provisões ativas) ou representam estimativas de obrigações da empresa (provisões para pagamento ou provisões passivas). São sempre contas credoras. As provisões devem ser constituídas com base nos princípios contábeis da prudência, competência e oportunidade;

14) A contrapartida da constituição das provisões será uma conta de despesa (seja ela ativa ou passiva), ficando assim

o lançamento:

Despesa com Provisão

a Provisão

15) A provisão para ajuste de estoques ao valor de mercado somente é efetuada quando o valor de mercado

está menor que o custo registrado da mercadoria. Cuidado com os bens do ativo permanente, que não estão sujeitos a esta provisão mas sim à depreciação.

16) A provisão para perdas prováveis na alienação de investimentos se refere somente a investimento avaliados pelo método do custo, quando este está sujeito a perdas de difícil recuperação, de caráter permanente;

17) No método do custo, o lançamento do recebimento de dividendos é a crédito de receita de dividendos (operacional). Já na equivalência patrimonial é a crédito do próprio investimento, no ativo permanente;

18) Nas participações, deve-se deduzir da base de cálculo os prejuízos de exercícios anteriores. Cada participação terá sua base de cálculo deduzida da participação anterior. Cuidado que os prejuízos acumulados não fazem parte da DRE;

OBS: Estes e muitos outros assuntos se encontram desenvolvidos em nossa apostila de Contabilidade Geral, à venda neste site. Além disso, há também a apostila de 100 Questões de Concurso Resolvidas.

Um abraço!!!

31/08/2002 - Contabilidade - DOAR - Parte I

O CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO

DOAR - DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

Este é um assunto intrigante que tem caído bastante em diversos concursos, apesar de a DOAR estar com a tendência de ser substituída em importância pela DEMONSTRAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA nas empresas. Mas isto não interessa para concursos, não é mesmo? Bom, em primeiro lugar, a Demonstração das Origens e Aplicações de recursos (DOAR) é uma demonstração obrigatória para

todas as companhias abertas. Além disso, também estão obrigadas a elaborar a DOAR as companhias fechadas com patrimônio líquido superior a R$ 1.000.000,00.

O objetivo da DOAR é identificar as operações que

modificaram a posição financeira da empresa, ou seja, o curto prazo. Sendo assim, devem ser confrontados dados referentes às operações de investimentos (aplicações) e financiamentos (origens). Para efeito de DOAR portanto, somente vão interessar as origens e aplicações de recursos que afetam o Capital Circulante Líquido (CCL). Primeiramente é necessário definirmos o conceito de Capital Circulante Líquido (CCL) ou Capital de Giro Líquido:

CCL = AC – PC , onde

AC = Ativo Circulante

PC = Passivo Circulante

OBS: Há ainda o conceito de Capital de Giro Bruto, que equivale ao Ativo Circulante.

O CCL evidencia, num determinado momento, a situação de

curto prazo da empresa, confrontando os direitos realizáveis no exercício seguinte com as obrigações exigíveis no mesmo período. Sendo assim, teremos as seguintes situações:

Se AC > PC, CCL positivo ou próprio

Se AC < PC, CCL negativo ou de terceiros

Se AC = PC, CCL nulo

Um dos objetivos da DOAR é mostrar as variações sofridas

pelo CCL entre o início e o final do período. É comum em

provas a ilustração de um quadro como o que está abaixo, onde são evidenciados valores de ativo circulante, passivo circulante e capital circulante líquido:

ITEM

INÍCIO

FIM

VARIAÇÃO

AC

2.500

2.800

300

PC

1.000

800

(200)

CCL

1.500

2.000

500

Uma variação positiva no Capital Circulante Líquido significa que, para efeito de DOAR, as origens de recursos superaram as aplicações exatamente neste montante (no caso acima em 500). Este valor é o que realmente interessa, a variação do CCL. Assim:

Aumento do CCL: Origens > Aplicações; Redução do CCL:

Origens < Aplicações

A variação do CCL no período é igual ao total das origens

menos o total das aplicações.

Variação do CCL = CCL FINAL – CCL INICIAL

Variação do CCL = ORIGENS - APLICAÇÕES

Mas afinal, quais seriam as origens e aplicações? São aquelas operações que afetaram o capital circulante líquido de alguma forma. Se aumentaram o CCL, são origens; se reduziram, são aplicações.

Ex-1: Integralização $10.000 de capital em dinheiro

D

Caixa $10.000 (aumento do AC)

C

Capital a Realizar $10.000 (aumento do PL)

Esta operação resultou em um aumento do ativo circulante em $10.000, portanto o CCL também aumentou em $10.000 (CCL = AC - PC), uma vez que o passivo circulante não foi alterado. Sendo assim, é considerada uma ORIGEM DE RECURSOS.

Ex-2: Compra de imóvel para uso em dinheiro no valor de

$80.000

D

Imóveis $80.000 (aumento do AP)

C

Caixa $80.000 (redução do AC)

Esta operação resultou em uma redução do ativo circulante em $80.000, portanto o CCL também foi reduzido em $80.000 (CCL = AC - PC), uma vez que o passivo circulante não foi alterado. Sendo assim, é considerada uma APLICAÇÃO DE RECURSOS.

Este então é o procedimento para a constatação do fato de uma operação ser origem ou aplicação de recursos. Conforme a Lei das S.A. são origens e aplicações de

recursos:

I. Origens de Recursos = são representadas por aumentos no CCL. Podem ser:

a) das operações próprias – se houver lucro, temos uma

origem; se houver prejuízo, temos uma aplicação. As receitas e despesas aqui consideradas são somente aquelas que geram ingressos ou reduções de capital circulante

líquido;

b) dos acionistas – pelos aumentos do Capital integralizado

ou reservas de capital;

c) de terceiros – por empréstimos de longo prazo obtidos,

bem como da venda de bens do ativo permanente.

II. Aplicações de Recursos = são representadas pela diminuição do CCL. São divididas em:

a) Inversões Permanentes – aquisição de bens do ativo

imobilizado, aquisição de novos investimentos em outras

sociedades e aplicações no ativo diferido;

b) Pagamento de empréstimos de longo prazo;

c) Remuneração de acionistas, derivada dos dividendos distribuídos.

Assim, normalmente as transações que afetam o CCL têm suas origens em contas do Ativo e Passivo Não Circulante. Então:

APLICAÇÕES

ORIGENS DE

DE RECURSOS

RECURSOS

AUMENTO NO

AUMENTO NO

ATIVO NÃO CIRCULANTE

PASSIVO NÃO CIRCULANTE

DIMINUIÇÃO

DIMINUIÇÃO

NO PASSIVO NÃO CIRCULANTE

NO ATIVO NÃO CIRCULANTE

Onde,

ATIVO NÃO CIRCULANTE = REALIZÁVEL A LONGO PRAZO +

PERMANENTE

PASSIVO NÃO CIRCULANTE = EXIGÍVEL A LONGO PRAZO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

AJUSTE DO RESULTADO

O RESULTADO DO EXERCÍCIO (RLE), caso positivo (lucro), é a

principal origem de recursos da empresa (item a - origens das operações). Porém, há algumas operações que não afetaram o CCL mas estão

consideradas no resultado. A técnica de elaboração da DOAR é portanto a de excluir o efeito destes valores do resultado.

Ex-1: Reconhecimento da despesa de depreciação de Imóveis em $1.000

D Despesas de Depreciação $1.000 (Despesa)

Esta operação reduziu o resultado, pois é uma despesa. Por outro lado, não afetou o CCL. Portanto, não deve ser considerada para efeito de DOAR, ou seja, deve ser expurgada, somada ao RLE. Assim, a lei manda ajustar o resultado da forma abaixo, considerando o seguinte: o Resultado Líquido do Exercício somente aparecerá na DOAR como origem caso após os ajustes resulte um valor positivo. Caso o valor ajustado seja negativo, apesar de a Lei 6.404/76 não enfatizar este ponto, este deveria ser o primeiro item das aplicações.

Estrutura da DOAR

1 – Origens de Recursos

a) Resultado Líquido do Exercício

(+) Despesas de Depreciação, Amortização, Exaustão

(+) Aumentos no Resultado de Exercícios Futuros

(+) Saldo Devedor da Correção Monetária

(+) Perda por Equivalência Patrimonial

(+) Variação Monetária Passiva de longo prazo

(+) Prejuízo na Venda de Bens e Direitos do Ativo Permanente

(-) Lucro na Venda de Bens e Direitos do Ativo Permanente

(-) Reduções no Resultado de Exercícios Futuros

(-) Saldo Credor da Correção Monetária

(-) Ganhos por Equivalência Patrimonial

(-) Variação Monetária Ativa de longo prazo

b) Realização do Capital Social e Contribuições para Reservas de Capital

c) Redução de Bens e Direitos do Ativo Realizável a Longo Prazo

e) Aumento do Passivo Exigível a Longo Prazo

2 – Aplicações de Recursos

a) Dividendos Pagos, Propostos ou Creditados

b) Aquisição de Bens e Direitos do Ativo Realizável a Longo Prazo

c) Aquisição de Bens e Direitos do Permanente

d) Redução do Passivo Exigível a Longo Prazo

OBSERVAÇÃO:

1) Todas as receitas e despesas que não alteram o CCL devem ser

expurgadas do resultado para efeito de DOAR.

2) As modificações no grupo Resultados de Exercícios Futuros não são

computadas no resultado do exercício, mas alteraram o CCL, portanto segundo a lei das S.A. devem ser adicionadas (se aumentos) ou excluídas (se reduções) no cômputo do resultado como origem ou aplicação.

Na próxima aula veremos um exemplo.

02/09/2002 - Contabilidade do INSS-2002 e continuação da DOAR

O programa de Contabilidade do INSS é monstruoso. Sugiro para quem não optar pela área de Auditoria que tente cobrir todos os pontos da parte básica, mesmo que isso signifique não se aprofundar muito em algum tema. Não deixe de decorar as fórmulas da Análise de Balanços e, principalmente, as diferenças entre custeio por absorção e custeio variável. A ESAF manteve o programa da Contabilidade Básica, que era o total de contabilidade anteriormente. Acho que as questões da parte básica não devem mesmo ser muito aprofundadas. Vamos voltar a este assunto depois, já que também fui pego de surpresa. Agora retornemos à aula de DOAR, para AFRF

Só para completar a aula passada vejam o exemplo abaixo sobre DOAR

EXEMPLO: Tendo em vista os valores abaixo, apurados ao final do exercício de 2000, calcule o total das origens, das aplicações e determine a variação do capital circulante líquido:

Encargos de Depreciação 3.000 Receitas de Exercícios Futuros 1.000 Variação Monetária Passiva (LP) 5.000 Variação Monetária Ativa (CP) 10.000 Lucro Líquido do Exercício 20.000 Ganho por equivalência patrimonial 12.000 Dividendos Creditados 2.000 Integralização de Capital Subscrito em dinheiro 30.000

GRUPO 31/12/1999 31/12/2000 ARLP 120.000 90.000 AP 550.000 780.000

PELP 130.000

220.000

Em primeiro lugar, deveremos determinar se o resultado do exercício é uma origem ou uma aplicação, ajustando-o de acordo com os critérios da DOAR.

Lucro do exercício

20.000

(+) Encargos de Depreciação

3.000

(+) Receitas de Exercícios Futuros

1.000

(+) Variação Monetária Passiva (LP)

5.000

(-) Ganho por equivalência patrimonial

(12.000)

Resultado Ajustado

17.000

Verificamos então, que o resultado ajustado deu positivo. Isto quer dizer que este resultado representa uma origem de recursos.

Passemos então à DOAR propriamente dita, considerando as variações dos saldos dos grupos.

GRUPO

Variação Origens Aplicações

ARLP

(30.000) 30.000

AP

230.000

230.000

Capital

30.000

30.000

Resultado

17.000

17.000

Dividendos

2.000

2.000

TOTAIS

167.000 232.000

A Variação do CCL é igual à diferença entre as origens e as aplicações. Δ CCL = 167.000 – 232.000 = (65.000) Uma variação negativa no capital circulante líquido representou que as aplicações superaram as origens em

65.000.

Obrigado e até a próxima!

OBS: Este e outros assuntos estão na nossa apostila de Contabilidade Geral à venda neste site. Na apostila de 100 questões resolvidas o aluno encontra resoluções de questões de prova e explicações sobre como cada assunto pode ser abordado em concursos.

09/10/2002 - Contabilidade - Questão 1 do AFRF

Contabilidade - AFRF 2002-B - Questão 01- José Rodrigues Mendes, Maria Helena Souza e Pedro Paulo Frota, tempos atrás, criaram uma empresa para comerciar chinelos e roupas, na forma de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada, com capital inicial de 20 mil reais, dividido em quatro quotas iguais, sendo dois quartos para José Rodrigues, completamente integralizado.

Hoje, a relevação patrimonial dessa empresa apresenta:

dinheiro no valor de R$ 2.000,00;

títulos a receber de Manuel Batista, R$ 4.000,00;

duplicatas aceitas pelo mercado local, R$ 6.000,00;

móveis de uso, no valor de R$ 5.000,00;

empréstimos no Banco do Brasil, R$ 5.800,00;

adiantamentos feitos a empregados, no valor deR$ 200,00;

adiantamento feito a Pedro Paulo, no valor de R$ 1.800,00.

Os bens para vender estão avaliados em R$ 5.300,00; o aluguel da loja está atrasado em R$ 1.000,00; e o carro da firma foi comprado por R$ 8.100,00.

No último período a empresa conseguiu ganhar R$ 4.900,00, mas, para isto, realizou despesas de R$

2.600,00.

Ao elaborar a estrutura gráfica patrimonial com os valores acima devidamente classificados, a empresa vai encontrar capital próprio no valor de:

a) R$ 20.000,00

b) R$ 21.300,00

c) R$ 23.100,00

d) R$ 22.300,00

e) R$ 24.300,00

RESOLUÇÃO

Já sabemos que Capital Próprio é sinônimo de Patrimônio Líquido. E pela equação fundamental do patrimônio temos:

PL= A-P

Onde:

PL = Patrimônio Líquido

A = Ativo

P = Passivo

Fazem parte do Ativo os seguintes valores:

dinheiro (=caixa) R$ 2.000,00

títulos a receber de Manuel Batista R$ 4.000,00

duplicatas aceitas pelo mercado local (=duplicatas emitidas ou a receber) R$ 6.000,00

móveis de uso R$ 5.000,00

adiantamentos feitos a empregados R$ 200,00

adiantamento feito a Pedro Paulo R$ 1.800,00

bens para vender (= estoques) R$ 5.300,00

carro R$ 8.100,00

TOTAL R$ 32.400,00

É interessante salientar que as duplicatas são sempre

emitidas pelo credor e aceitas pelo devedor. Assim, duplicatas aceitas pelo mercado local significa que a empresa emitiu duplicatas que foram aceitas pelo mercado e, portanto, tem a receber tais valores

Fazem parte do Passivo os seguintes valores:

duplicatas emitidas pela Brastemp R$ 2.500,00

empréstimos no Banco do Brasil R$ 5.800,00

aluguel atrasado (= aluguel a pagar) R$ 1.000,00

TOTAL R$ 9.300,00

O aluguel atrasado deve constar no passivo, pois sua

contabilização, pelo Princípio da Competência, deve ser feita quando incorrido.

Duplicatas emitidas por outras empresas, representam duplicatas aceitas pela nossa empresa e, portanto, valores

a serem pagos.

Agora que já sabemos os valores do Ativo e do Passivo utilizaremos a equação fundamental para calcular o PL.

PL= 32.400-9.300=23.100,00

É importante observar que com os dados apresentados no

problema não seria possível calcular o PL diretamente, uma

vez que a empresa foi constituída tempos atrás e não se tem nenhuma informação sobre a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados e sobre a existência ou não de Reservas.

resposta correta letra C.

15/10/2002 - Contabilidade – Questão 5 AFRF 2002-B

Questão 5 da prova AFRF 2002-B - A empresa Asper Outra Ltda., no mês de agosto de 2001, realizou os negócios abaixo descritos com o item Z34 de seu estoque.

01- compra de 250 unidades; 02- venda de 200 unidades; 03- as mercadorias são tributadas na compra: com ICMS de 15%; e com IPI de5%; na venda: com ICMS de 12%; 04- o custo inicial do estoque foi avaliado em R$ 25,00 por unidade; 05- nas compras foi praticado um preço unitário de R$

30,00;

06- nas vendas o preço unitário praticado foi de R$ 45,00; 07- As operações de compra e de venda foram realizadas a vista, com cheques do Banco do Brasil, tendo a empresa Asper emitido o cheque 001356 e recebido o cheque 873102, prontamente depositado em sua conta cor-rente.

Considerando-se, exclusivamente, essas operações e todas

as informações acima, pode-se afirmar que a conta corrente bancária da empresa Asper Outra Ltda. foi aumentada em

a) R$ 2.250,00

b) R$ 1.500,00

c) R$ 1.125,00

d) R$ 750,00

e) R$ 275,00

RESOLUÇÃO

Para resolvermos esta questão basta sabermos qual é o valor do cheque 001356 (emitido), que será debitado na conta da empresa, diminuindo seu saldo, e o valor do cheque 873102 (depositado), cujo valor foi creditado na conta da empresa, aumentando seu saldo.

O valor do cheque 001356 é o valor da Nota Fiscal de

Compra das Mercadorias, calculando esse valor temos:

250 unidades x R$ 30,00 = R$ 7.500,00

+ IPI = 5% de 7.500,00 = R$ 375,00

TOTAL NF R$ 7.875,00

Obs:

1) No valor unitário já está incluso o ICMS que é imposto

por dentro, isto é, faz parte do preço da mercadoria

2) O IPI é um imposto por fora e, portanto, não está

incluindo no preço unitário devendo ser somado para que cheguemos ao valor total da NF

O valor do cheque 873102 é o valor da Nota Fiscal de

Venda das Mercadorias, calculando esse valor temos:

200 unidades x R$ 45,00 = 9.000,00 (este já é o valor total

uma vez que o ICMS está incluso no valor unitário e não há recolhimento de IPI na venda)

Portanto, o aumento na conta corrente da empresa Asper será de R$ 9.000,00 (valor do cheque recebido) menos R$ 7.875,00 (valor do cheque emitido), que resulta no valor de R$ 1.125,00.

Resposta correta C

23/10/2002 - Contabilidade - Questão 49 do INSS/2002

Questão 49 da Prova de Contabilidade Básica (P2)

49- Em 31 de agosto de 2002, no Ativo Imobilizado da firma Nor-Noroeste constavam as contas Máquinas e Equipamentos e Depreciação Acumulada de Máquinas e Equipamentos, com saldos, respectivamente, devedor de R$ 9.000,00 e credor de R$ 3.000,00. As referidas contas representavam apenas uma máquina, comprada por R$ 5.400,00, e um equipamento, comprado por R$ 3.600,00, simultaneamente, tempos atrás. A máquina e o equipamento foram depreciados contabilmente na mesma proporção e não sofreram correção monetária nem baixas durante o período. Ao fim do dia, o Gerente informa à Diretoria que já havia fixado o preço de venda do equipamento, na forma solicitada. Recebeu, então, a contra-ordem para oferecer um desconto comercial de 10% sobre o aludido preço, suficiente para não constar na demonstração do resultado nem ganhos nem perdas de capital com a alienação desse equipamento. A alienação não será tributada e os centavos serão abandonados. Com base nas informações acima, podemos dizer que o preço de venda fixado para o equipamento foi de

a) R$ 2.310,00

b) R$ 2.333,00

c) R$ 2.640,00

d) R$ 2.667,00

e) R$ 2.772,00

Resolução:

Esta foi uma questão interessante que envolveu uma boa

dose de raciocínio. Primeiro, devemos destacar que o valor de compra do equipamento foi de $3.600,00. Na verdade somente estamos interessados no equipamento. Como o saldo da conta Máquinas e Equipamentos é de $9.000,00 e o saldo da Depreciação Acumulada de Máquinas e Equipamentos é de $3.000,00, concluímos que a depreciação foi de 1/3. Assim, temos:

Depreciação do equipamento = 1/3 x $3.600,00 =

$1.200,00

O valor contábil do equipamento seria então:

Valor contábil = $3.600,00 - $1.200,00 = $2.400,00

Este foi exatamente o valor recebido, pois a questão falava que não haveria ganho ou perda de capital. Assim a receita líquida não operacional seria igual ao custo do bem baixado ($2.400,00). O interessante é que a pergunta foi qual o valor do preço de venda, uma vez que, conforme o enunciado, este já havia sido fixado pelo Gerente. Posteriormente foi concedido um desconto comercial de 10% para se chegar ao valor de $2.400,00. Assim, temos que o preço de venda (PV) pode ser calculado como abaixo:

PV – 0,1 PV = 2.400 0,9 PV = 2.400 PV = 2.400 / 0,9 = $2.667,00

Resposta: Letra D

Vamos continuar comentando as questões do INSS nas próximas aulas. Estamos disponíveis para quaisquer dúvidas e/ou sugestões neste site. Abraço.

24/10/2002 - Contabilidade - Questão 50 do INSS/2002

Questão 50 da Prova de Contabilidade Básica (P2)

50- A escrituração contábil da empresa Normas Mornas S/A

tornou disponíveis as seguintes informações para permitir o cálculo da provisão para o imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido.

Contas saldos Reversão de Provisões Reversão de Reservas Lucros Acumulados Reserva Legal Participação de Administradores Participação de Debenturistas Receita Bruta de Vendas Receita Líquida de Vendas Custo das Mercadorias Vendidas Aluguéis Passivos Depreciação Acumulada Comissões Ativas Salários e Ordenados

R$ 2.500,00 R$ 1.800,00 R$ 8.000,00 R$ 5.000,00 R$ 2.000,00 R$ 2.200,00 R$ 80.000,00 R$ 70.000,00 R$ 30.000,00 R$ 1.200,00 R$ 3.000,00 R$ 2.100,00 R$ 4.800,00

Utilizando as informações acima, naquilo que for pertinente ao assunto, pode-se dizer que o cálculo da provisão para IR e CSLL, feito à alíquota de 35%, vai alcançar o valor de

a) R$ 12.040,00

b) R$ 12.740,00

c) R$ 12.810,00

d) R$ 13.510,00

e) R$ 13.685,00

Resolução: Nesta questão a meu ver a ESAF pisou na bola, pois incluiu conceitos de imposto de renda, o que acabou por complicar a questão e torna-la, na minha visão, passível de recurso.

Pra quem não sabe, a lei das S.A. coloca a provisão do imposto de renda imediatamente antes do cálculo das participações, devendo inclusive ser deduzido o valor do imposto para calcular as participações. Só que a legislação do IR considera dedutíveis da base de cálculo do imposto a participação dos debenturistas. Sendo assim, há necessidade de cálculos aprofundados para a determinação

do lucro do exercício, uma vez que uma coisa depende da outra e a outra dependa da uma.

Bom, vamos resolver a questão e depois comenta-la.

Para chegarmos à base de cálculo do IR e CSSL partimos da Receita Líquida e consideramos os seguintes valores:

Receita Líquida de Vendas

(-) Custo das Mercadorias Vendidas

(+) Reversão de Provisões

(-) Participação de Debenturistas

(-) Aluguéis Passivos

(+) Comissões Ativas

(-) Salários e Ordenados

TOTAL

R$ 70.000,00

(R$ 30.000,00)

R$ 2.500,00

(R$ 2.200,00)

(R$ 1.200,00)

R$ 2.100,00

(R$ 4.800,00)

R$ 36.400,00

Provisão para IR e CSSL = 35% x R$ 36.400,00 = R$

12.740,00

E a resposta seria letra B (Gabarito Oficial)

OBS:

Após o advento da Lei 9.249/95 (art.13) e posteriormente a 9.430/96 (art.14), as únicas provisões dedutíveis da base de cálculo do IR são: férias, décimo terceiro e provisões técnicas para seguradoras e capitalizadoras. Sendo assim, as reversões de provisões indedutíveis podem ser excluídas da base de cálculo do imposto, e neste caso ficaria fora o valor de R$2.500,00. É um bom argumento para recurso. A ESAF não poderia alegar que este assunto é específico de imposto de renda, uma vez que exigiu dos candidatos saberem que a participação dos debenturistas é dedutível

da base de cálculo do IR, enquanto que a de administradores não.

Vamos continuar comentando as questões do INSS nas próximas aulas.

Abraço.

28/10/2002 - Contabilidade - Questão 57 INSS/2002 da Prova Básica

Questão 57 – Contabilidade de Custos INSS/2002

57- No segundo trimestre de 2002, a Indústria Esse de Produtos Fabris concluiu a produção de 600 unidades do item X2, tendo logrado vender 400 dessas unidades, ao preço unitário de R$ 120,00. No mesmo período foram coletadas as informações abaixo:

- Custo Variável unitário R$ 20,00.

- Total de Custos Fixos R$ 18.000,00.

- Despesas variáveis de vendas de R$ 2,00 por unidade.

- Inexistência de Estoque Inicial de Produtos no período.

Com base nas informações acima, feitas as devidas apurações, pode-se dizer que:

o

Custo dos Produtos Vendidos;

o

Estoque Final de Produtos e

o

Lucro Líquido do período, calculados, respectivamente,

por meio do Custeio por Absorção e do Custeio Variável, alcançaram os seguintes valores:

a) R$ 18.000,00; R$6.000,00; R$ 8.000,00; R$ 6.000,00; R$ 27.000,00; R$ 21.000,00.

b)

R$ 16.000,00; R$ 4.000,00; R$ 12.000,00;

R$ 3.000,00; R$ 26.500,00; R$ 20.500,00.

c) R$ 20.000,00; R$ 8.000,00; R$ 10.000,00;

R$ 4.000,00; R$ 27.200,00; R$ 21.200,00.

d) R$15.000,00; R$ 5.000,00; R$ 14.000,00;

R$ 8.000,00; R$ 25.400,00; R$ 23.200,00.

e) R$ 12.000,00; R$ 10.000,00; R$ 16.000,00;

R$ 6.000,00; R$ 22.200,00; R$ 20.200,00.

Resolução:

Esta questão envolvia o conhecimento dos sistemas de custeio (custeio por absorção e custeio variável). Não confundir com as classificações (tipos) de custos, que podem ser: custo fixos ou variáveis; custos diretos e indiretos.

O sistema de custeio por absorção (permitido pela legislação do IR) considera todos os custos na apuração do CPV (custo dos produtos vendidos), enquanto que o custeio variável considera como custo do período somente os custos variáveis, dando aos custos fixos tratamento de despesa.

Assim, vamos apurar a DRE da questão primeiramente pelo custeio por absorção:

Custo variável (CV) = $20,00 x 600 = $12.000,00 Custo Fixo (CF) = $18.000,00 Custo de Produção do Período (CPP) = $12.000,00 + $18.000,00 = $30.000,00 Custo Total Unitário = $30.000,00 / 600 = $50,00 por unidade Custo dos Produtos Vendidos (CPV) = $50,00 x 400 =

$20.000,00

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

Vendas = 400 x $120,00

$48.000,00

(-) CPV

($20.000,00)

(=) Lucro Bruto

$28.000,00

(-) Despesas Variáveis = $2,00 x 400

($800,00)

(=) Lucro Operacional Líquido

$27.200,00

Reparem que somente com estes valores já poderíamos marcar a opção correta (letra c).

Estoque Final = 200 x $50,00 = $10.000,00 [equivale a (quantidade produzida – quantidade vendida) vezes o custo individual]

Já pelo custeio variável temos:

Custo variável (CV) = $20,00 x 400 = $8.000,00 (somente o que foi vendido) Este é o custo dos produtos vendidos (CPV) do período no custeio variável

Custo Fixo (CF) = $18.000,00

DRE

Vendas = 400 x $120,00 (-) CPV (-) Despesas Variáveis = $2,00 x 400 (=) Margem de contribuição (-) Custos Fixos (CF) (=) Lucro Operacional Líquido

$48.000,00

($8.000,00)

($800,00)

$39.200,00

($18.000,00)

$21.200,00

O estoque final é: $20,00 x 200 = $4.000,00 (considera somente o custo variável)

Por hoje é só.

Senhores, tendo em vista as dificuldades de muitos alunos em iniciar na contabilidade, estou pensando em iniciar umas aulas básicas (desde o nível zero), tratando os assuntos bem devagar e com vários exercícios. Sugestões a respeito do assunto serão bem-vindas.

Abraço. Luiz

28/10/2002 - Contabilidade - Custos – Conceitos Iniciais

No que a ESAF chamou de Contabilidade Básica no programa do INSS/2002, temos a parte de Contabilidade de Custos. Vamos dar uma olhada nos conceitos iniciais. Com o advento da Revolução Industrial e a proliferação de empresas industriais houve a necessidade de adaptação dos procedimentos de apuração do resultado das empresas comerciais (revendedoras) para as industriais, que adquiriam matérias-primas para transformá-las em produtos destinados à venda. Surge então a Contabilidade de Custos, cujo objetivo principal é a apuração do Custo dos Produtos Vendidos (CPV).

Um sistema de custos traz inúmeras vantagens para a empresa, tais como:

a) o fornecimento do valor dos estoques de materiais e de

produtos em elaboração e acabados, facilitando a

elaboração das demonstrações;

b) permite o controle permanente de estoque;

c) permite a utilização do preço médio, recomendável para

economias estáveis.

A única desvantagem da utilização de um sistema de custos integrado à Contabilidade seria o valor despendido para sua manutenção, em geral elevado.

TERMINOLOGIA CONTÁBIL

Vamos definir aqui alguns termos que normalmente geram confusão na cabeça dos alunos.

Gasto – É o conceito mais genérico. É o sacrifício com que arca a entidade, com a finalidade de obtenção de um bem ou serviço, representado pela entrega ou promessa de entrega de bens ou direitos, ou seja, parte do seu ativo

(normalmente dinheiro). Só existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa do bem ou serviço, devendo ser reconhecido contabilmente neste momento. Ex: gastos com mão-de-obra, com mercadorias para revenda, com energia elétrica, com reorganização da empresa, com bens de uso.

Os gastos podem ser classificados em:

- investimentos;

- custos;

- despesas;

- perdas.

Investimento - é um gasto com bem ou serviço que é transformado em ativo devido à vida útil do bem ou dos benefícios atribuíveis a períodos futuros (ativo diferido). Ex:

Aquisição máquinas para o setor de produção, que se transformará em custo por meio da depreciação. Há ainda a compra de móveis e utensílios, de imóveis, de equipamentos, de marcas e patentes, de matéria-prima, despesas pré-operacionais.

Custo - é o gasto relativo a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, ou seja, são todos os gastos relativos à atividade produtiva da empresa. É o gasto efetuado no setor de produção (espaço físico) ou com terceiros que manuseiem o produto. O custo primeiramente é ativado (estoques), sendo transferido para o resultado do período somente quando da venda do produto acabado. Numa empresa comercial, o único custo existente é o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). São exemplos de custos:

Salários do pessoal da produção, matéria-prima consumida, combustíveis das máquinas, aluguéis, seguros e tributos relativos ao prédio da fábrica, depreciação dos equipamentos da fábrica.

OBS: A matéria-prima adquirida pela indústria, enquanto não utilizada pela produção, é considerada estoque (ativo circulante). A partir do momento em que for requisitada pela produção, passa a ser custo.

Despesa - é o gasto com bens e serviços não utilizados nas atividades produtivas, consumidos com a finalidade de obtenção de receitas. Nem sempre é fácil a distinção entre custos e despesas. Diz-se que todos os gastos realizados com o produto dentro da fábrica, ou seja, até que este fique pronto, são custos; a partir daí, tornam-se despesas. As despesas, ao contrário dos custos, são lançadas diretamente nas contas de resultado. Ex: salários do pessoal de vendas, escritório e administração, energia elétrica consumida, aluguéis e seguros no prédio da administração, gasto com combustíveis e refeições do pessoal de vendas.

Todos os custos que estiverem incorporados nos produtos acabados serão reconhecidos como despesas e apropriados em contas de resultado no momento em que tais produtos forem vendidos. Passarão a compor a conta Custo dos Produtos Vendidos.

A matéria-prima industrial que, no momento da sua

aquisição representava um investimento (estoques), passa

a ser considerada custo no momento de sua utilização na

produção e torna-se despesa quando o produto fabricado é vendido. Caso o produto acabado permaneça em estoque então a matéria-prima incorporada voltará a ser investimento.

Os encargos financeiros incorridos pela empresa, mesmo aqueles decorrentes da aquisição de insumos para a produção, são sempre considerados despesas financeiras.

Perda – é o consumo anormal de bens ou serviços. É um gasto não intencional decorrente de fatores externos ou inerentes à própria atividade operacional da empresa. As perdas decorrentes de fatores externos são consideradas despesas; as ocorridas durante o processo produtivo são consideradas custos. Ex: Perda de matéria-prima, incêndio, greves etc.

Os gastos normalmente implicam desembolso. Este, por sua vez, pode ocorrer juntamente com o gasto,

antecipadamente, ou ainda ser postergado para pagamento futuro.

Desembolso - é o ato financeiro do pagamento do bem ou serviço adquirido, para liquidação de uma obrigação ou aquisição à vista. Reparem que ele pode ocorrer antes, no mesmo instante, ou após a aquisição. Sendo assim, nas compras à vista o desembolso se dá no mesmo instante da aquisição. No caso de compras a prazo, o desembolso ocorre após a aquisição. Nos casos de adiantamentos, o desembolso ocorre antes da aquisição.

CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS

Os custos podem ser classificados em relação à apropriação aos produtos fabricados ou aos níveis de produção. Vamos ver cada um deles:

A) Em relação aos produtos fabricados:

A.1) Custos Diretos: são aqueles que possuem condições de verificação objetiva de seu consumo na fabricação dos produtos. Sendo assim, são apropriados diretamente a estes produtos.

Exemplos:

- Matéria-prima;

- Mão-de-obra direta (salário dos operários);

- Material para embalagem;

- Depreciação de máquinas (*);

- Energia elétrica (*).

(*) Estes dois itens somente serão considerados custos diretos quando utilizados para produção de apenas um tipo de produto, ou quando for possível a identificação da sua utilização para cada produto;

A.2) Custos Indiretos: são aqueles que dependem de cálculos ou rateios para serem apropriados a cada produto.

Exemplos:

- Depreciação de equipamentos utilizados na fabricação de mais de um produto;

- Salários dos gerentes de produção;

- Aluguéis, impostos e manutenção da fábrica;

- Energia elétrica que não possa ser associada a cada produto.

OBS:

i) Caso a empresa fabrique apenas um tipo de produto, todos os seus custos são considerados diretos.

ii) Há custos que seriam diretos por natureza, mas pelo seu

pequeno valor não compensa associá-lo diretamente ao produto e portanto são tratados como custos indiretos. Ex:

Gastos com verniz e cola na fabricação de móveis

B) Em relação aos níveis de produção:

B.1) Custos Fixos: são aqueles que não variam independentemente da quantidade de produtos fabricada. Portanto são fixos em relação ao volume de produção, mas podem variar no tempo. Exemplo: Aluguel e IPTU da fábrica;

B.2) Custos Variáveis: são aqueles cujos valores se alteram em função do ritmo de produção da fábrica.

Exemplos:

- Matéria-prima consumida;

- Materiais indiretos consumidos;

- Gastos com hora extra na produção.

B.3) Custos Semi-variáveis: são aqueles que variam de acordo com o nível de produção porém possuem uma parcela fixa, mesmo que nenhuma unidade seja produzida. Ex: Conta de energia elétrica que possui uma taxa mínima, mesmo que a produção fique parada.

B.4) Custos Semifixos ou custos por degrau: são custos fixos dentro de uma determinada faixa de produção, mas

que variam caso haja uma mudança de faixa. Ex:

Quantidade de supervisores de produção necessária em função da quantidade produzida.

Volume de Produção Supervisores Custo(R$)

Quantidade de

0 – 10.000

 

1

150.000,00

10.001

– 20.000

2

300.000,00

20.001

– 30.000

3

450.000,00

30.001

– 40.000

4

600.000,00

OBS: O enquadramento dos custos em semifixos ou semivariáveis é muito sutil e o normal em concursos é se exigir o conhecimento de custos fixos e variáveis.

Até a próxima!

30/10/2002 - Contabilidade - Avaliação de Investimentos (AFRF/98 - Auditoria - 52 a 56)

Avaliação de Investimentos

Questões da Prova de Contabilidade Avançada AFRF/98

Responda às questões 52 a 56, utilizando os dados do enunciado a seguir:

Em 10 de janeiro de 19x8, a Cia. Alfa pagou R$ 700.000 por 100.000 ações que representavam 30% das ações da Cia. Beta. O ágio pago pela Cia. Alfa será amortizado em 10 anos. Em 31 de dezembro de 19x8, a Cia. Beta apresentou um lucro do exercício 19x8 de R$ 300.000. Em 10 de julho de 19x8, a empresa Beta pagou, em caixa, dividendos de

R$ 100.000.

A Cia. Alfa exerce significativa influência sobre a Cia. Beta e avalia seus investimentos pelo método da equivalência patrimonial. O valor apurado como Lucros e Prejuízos de Participações em outras Sociedades reportado pela Cia. Alfa foi de R$ 80.000 em 31.12.19x8.

52- O valor do ágio amortizado, ao final do exercício de 19x8, pela Cia. Alfa foi de

a) R$ 60.000,00

b) R$ 10.000,00

c) R$ 70.000,00

d) R$ 30.000,00

e) R$ 90.000,00

53- O valor nominal unitário das ações adquiridas da Cia. Beta foi de

a) R$ 8,00

b) R$ 9,00

c) R$ 3,00

d) R$ 2,00

e) R$ 6,00

54- O valor registrado na Conta Participações Permanentes em Outras Sociedades pela Cia. Alfa foi de

a) R$ 700.000,00

b) R$ 900.000,00

c) R$ 300.000,00

d) R$ 600.000,00

e) R$ 800.000,00

55- Ao final do exercício de 19x8, o valor apurado na aplicação da Equivalência Patrimonial foi de

a) R$ 90.000,00

b) R$ 60.000,00

d)

R$ 30.000,00

e) R$ 80.000,00

56- O valor do ágio pago por Alfa, por ocasião da aquisição das ações da Cia. Beta, foi de

a) R$ 60.000,00

b) R$ 100.000,00

c) R$ 90.000,00

d) R$ 80.000,00

e) R$ 30.000,00

Resolução:

Aquisição de 100.000 ações por $700.000 em 1/1/X8 Alfa= Adquirente; Beta = investida

As 100.000 ações representam 30% do total do capital de

Beta

Em 31/12/X8 Alfa obteve de lucro em Participações Societárias $80.000

O valor do investimento é 30% do patrimônio líquido inicial

de Beta, que teve um lucro de $300.000, sendo este o

valor aumento do seu patrimônio líquido.

O dividendo total pago por Beta a todos os investidores foi

de $100.000. Então a parcela relativa a Alfa foi de: 30% x

$100.000 = $30.000

Se o PL de Beta aumentou em $300.000, então houve aumento no investimento de Alfa em 30% X $300.000 =

$90.000

Se o lucro em participações foi de $80.000, então este se deveu aos $90.000 calculados anteriormente pelo aumento do PL de Beta, deduzido da amortização do ágio como despesa, que se deu em 10 anos (A/10).

Assim, x8: 80.000 = 90.000 – A/10

A/10 = $10.000 (Resp. 52 = Letra B)

A = $100.000 (ágio total; Resp. 56 = Letra B)

A aquisição do investimento foi por $700.000, com ágio de

$100.000. Então:

30% X PL Beta Inicial = 700.000 – 100.000 30% X PL Beta Inicial = 600.000

O valor registrado por Alfa em Investimentos Permanentes

é o valor pago menos o ágio, ou seja, $700.000 - $100.000

= $600.000 (Resp.54 = Letra D)

Valor Nominal das ações = $600.000 / 100.000 ações = $6,00 por ação

(Resp. 53 = Letra E)

PL Beta Inicial = 2.000.000

O ganho por equivalência patrimonial é obtido pelo

aumento do PL de Beta proporcionalmente à participação de Alfa, ou seja:

30% x $300.000 = $90.000 (Resp. 55 = Letra A)

É isso aí. Até a próxima!!!

07/11/2002 - Contabilidade - Questão 9 da prova AFRF

2002-B

Questão 9 da prova AFRF 2002-B - A empresa de Pedras & Pedrarias S/A. demonstrou no exercício de 2001 os valores como seguem:

Lucro bruto R$ 90.000,00

Lucro operacional R$ 70.000,00

Despesas operacionais R$ 27.500,00

Participação de Administradores R$ 2.500,00

Participação de Debenturistas R$ 3.500,00

Participação de Empregados R$ 3.000,00

A tributação do lucro dessa empresa deverá ocorrerá alíquota de 30% para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre Lucro Líquido, conjuntamente. Assim, se forem calculados corretamente o IR e a CSLL, certamente o valor destinado, no exercício, à constituição da reserva legal deverá ser de

a) R$ 2.000,00

b) R$ 2.070,00

c) R$ 2.090,00

d) R$ 2.097,50

e) R$ 2.135,00

RESOLUÇÃO

Como na questão nos é apresentado o Lucro operacional e não são mencionadas despesas ou receitas não operacionais concluímos que o Resultado antes do IR e CSLL é igual ao Lucro operacional, pois:

Lucro Operacional

(-) Despesas não operacionais

(+) Receitas não operacionais

= Resultado antes da CSLL

(-) Provisão para CSLL

= Resultado antes do IR

(-) Provisão para o IR

(-) Participações

= Resultado Líquido do Exercício

É fundamental para resolução desta questão lembrar que as participações atribuídas a debenturistas e empregados são deduzidas da base de cálculo do IR e CSLL, ou seja:

Base de cálculo IR e CSLL = Resultado antes do IR e CSLL – Participação dos Debenturistas– Participação dos Empregados

Portanto nesta questão:

Base de cálculo IR e CSLL = 70.000-3.500-3.000 = 63.500

IR e CSLL = 30% de 63.500 = 19.050

Fazendo a DRE temos:

Resultado ante do IR e do CSLL 70.000

(-) Provisão IR e CSLL (19.050)

(-) Participação de Debenturistas (2.500)

(-) Participação de Empregados (2.500)

(-) Participação de Administradores (2.500)

= Resultado Líquido do Exercício 41.950

Por fim,

Reserva Legal = 5% do Resultado Líquido do Exercício

Reserva Legal = 5% de 41.950,00 = R$ 2.097,50

Resposta correta letra D

16/11/2002 - Contabilidade – Contas do PL

Algumas contas do PL que podem gerar dúvida

Vejam a questão abaixo do Auditor Fiscal do Piauí (ESAF-

2001)

02- Dados os saldos abaixo discriminados, à data do balanço, determinar o valor do patrimônio líquido, de acordo com a Lei n o 6.404/76. (Valores em $)

Capital Social 600

Reserva Legal 80

Provisão para Contingências 60

Subvenção para Custeio 50

Reserva para Aumento de Capital 40

Ágio na Emissão de Ações 100

Ações em Tesouraria 30

Reavaliação de Ativos de Controladas 140

Reserva para Novos Investimentos 120

Reserva de Lucros a Realizar 90

a) 1.280

b) 1.200

c) 1.140

d) 1.000

e) 900

Resolução:

Capital (PL credora)

Reserva Legal (PL credora)

Provisão para Contingência – esta conta poderia confundir. Na verdade é uma provisão passiva mesmo, conta credora. Contempla basicamente o valor referente a litígios que a empresa está para perder na justiça e terá de pagar no período seguinte. Conforme sabemos a provisão deve ser contabilizada desde que a despesa tenha sido incorrida e seja possível estimar o seu valor, independente da legislação do IR. Portanto é conta de passivo.

Subvenção para custeio – diferentemente da subvenção para investimento, que é reserva de capital, a subvenção para custeio é o valor que a empresa recebe como incentivo para melhorar sua situação financeira ou para reduzir o preço de seu produto. É contabilizada como receita.

Reserva para Aumento de Capital – é reserva de lucros. Deve estar prevista no estatuto.

Ágio na emissão de ações – reserva de capital

Ações em Tesouraria – é conta retificadora de PL

Reavaliação de Ativos de controladas – a empresa também deve contabilizar como reserva de reavaliação as reavaliações de ativos das suas controladas, de acordo com a sua participação, pois, de certa forma, ela possui participação no valor daquele ativo.

Reserva para novos investimentos – é a reserva para planos de expansão ou para retenção de lucros (reserva de lucros)

Reserva de lucros a realizar – é reserva de lucros.

Assim, o PL da empresa ficou:

Capital Social 600

Reserva para Aumento de Capital 40

Ágio na Emissão de Ações 100

Ações em Tesouraria (30)

Reavaliação de Ativos de Controladas 140

Reserva para Novos Investimentos 120

Reserva de Lucros a Realizar 90

TOTAL 1.140

Resposta: Letra C

21/11/2002 - Contabilidade – Alienação de bens depreciados

Lançamento na alienação de bens depreciados

Muito comum cair este tipo de questão. O lançamento pode variar um pouco. Vejam esta do Auditor Fiscal do Piauí

(ESAF-2001)

07- Na alienação de um ativo imobilizado já depreciado em 80%, a empresa apurou prejuízo de $ 100. Assinale a opção que corresponde ao respectivo lançamento.

a) D – Caixa 100

D

– Resultado da Venda 200

D

– Depreciação Acumulada 800

C

– Custo do Bem 1.000

b)

D – Receita da Venda 500

D

– Depreciação Acumulada 1.600

C

– Custo do Bem 2.000

C

– Custo da Venda 100

c)

D – Depreciação Acumulada 800

D

– Caixa 300

C

– Custo do Bem 1.000

C

– Resultado da Venda 100

d)

D – Custo da Venda 400

C

– Caixa 100

C

– Receita da Venda 300

e)

D – Caixa 300

D

– Resultado da Venda 100

C

– Custo do Bem 400

Resolução:

Reparem que nesta questão os valores variavam nas alternativas. Então sugiro fazermos uma análise das

alternativas.

a) (Errada) Não faz sentido ter custo da venda e custo do

bem. É uma coisa só. Representa a baixa do bem. Alem

disso o resultado aparece como $200.

b) (Errada) Não está nem creditando caixa.

c) (Errada) Resultado positivo (lucro) de $100.

d) (Errada) Está creditando caixa. Foi uma venda e não

compra.

e)

(Correta) Representa um lançamento mais completo:

D

– Caixa 300

C

– Receita não Operacional 300

D

– Depreciação Acumulada 1.600

C

– Bens do Imobilizado 1.600

D

– Custo do Bem 400

C

– Bens do Imobilizado 400

Por que isto?

Bom, recebeu $300 pela venda. O custo de $400 corresponde ao bem já depreciado em 80%, ou seja, corresponde a 20% do valor do bem (X). Assim :

20% X = $400; X = $2.000 (valor original do bem)

80% X = 80% x $2.000 = $1.600 (valor da depreciação

acumulada)

valor contábil = $2.000 - $1.600 = $400.

Resposta: Letra E

30/11/2002 - Contabilidade – Reserva Legal ACOMEX/98

(ANALISTACOMEX/ESAF/98) A firma "Chis" apresenta o seguinte patrimônio líquido:

Capital Social R$ 30.000,00 Reservas de Subvenções p/Investimento R$ 1.300,00 Reserva de Ágio na Emissão de Ações R$ 2.000,00 Reserva Legal R$ 2.000,00 Reservas Estatutárias R$ 1.000,00

No exercício de 19X1 a empresa apurou um lucro líquido final (após o Imposto de Renda e as participações) no valor de R$ 76.000,00. Considerando-se as limitações impostas pela Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações) podemos dizer que, para constituir a Reserva Legal no referido exercício, essa empresa

a) poderá destinar R$ 3.700,00

b) deverá destinar R$ 3.700,00

c) deverá destinar R$ 3.800,00

d) deverá destinar R$ 4.000,00

e) poderá destinar R$ 4.000,00

Resolução: Esta questão enfatiza novamente o assunto “RESERVA LEGAL”, ao qual os alunos devem estar sempre atentos.

Primeiramente, devemos calcular o que eu chamo de “valor base” da reserva legal, que é de 5% do lucro líquido do exercício. Assim:

valor base = 5% x $76.000,00 = $3.800,00

Em seguida devemos observar o limite obrigatório. Neste, o saldo da reserva legal após a constituição no exercício não poderá ultrapassar a 20 % do capital social (integralizado e corrigido). Assim:

20% x $30.000,00 = $6.000,00

Como a empresa já possuía $2.000,00 de saldo em reserva legal, com mais os $3.800,00 do período, chegaria a $5.800,00, portanto inferior aos $6.000,00 do limite obrigatório.

Com relação ao limite opcional, a empresa poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo desta somado ao saldo das reservas de capital ultrapassar a 30% do capital social (também integralizado e corrigido). Assim:

30% X $30.000,00 = $9.000,00

Somando o saldo anterior da reserva legal com as reservas de capital:

($1.300,00 + $2.000,00 + $ 2.000,00) = $5.300,00

Só que o limite opcional é de $9.000,00, o que faz com que a empresa somente seja obrigada a constituir ($9.000,00 - $5.300,00 = $3.700,00) de reserva legal. Ela até poderia constituir os $3.800,00 (valor base), mas não é obrigada conforme o limite opcional, portanto a resposta correta é a letra A.

Até a próxima!

04/12/2002 - Contabilidade - PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS

Este assunto é muito importante. O primeiro aspecto a ser considerado é que as participações nos lucros previstas no Estatuto da empresa são despesas do exercício, computadas na forma de ajustes ao final do exercício social. São valores atribuídos a terceiros, portanto não devem ser confundidas com os investimentos dos acionistas, que geram dividendos. As participações societárias devem ser registradas como despesas da empresa, antes da apuração final do resultado do exercício.

Diz o artigo 189 da Lei das S.A. que: “Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o imposto sobre a renda”. Portanto, apesar do texto legal, para efeito de contabilidade, consideramos o resultado do exercício somente aquele apurado após a dedução do imposto de renda e das participações.

Assim, toma-se como base de cálculo das participações o lucro líquido obtido após o imposto de renda deduzido dos prejuízos acumulados de exercícios anteriores. Isto costuma causar confusão, pois para a obtenção do lucro real (base de cálculo do IR), devem ser deduzidas algumas participações, e para calcular as participações precisa-se saber o valor do IR. Utilizam-se fórmulas matemáticas e algoritmos para se chegar a estes valores. Para efeito de prova de contabilidade, normalmente o imposto de renda e as participações são dados em valores absolutos.

As participações deverão então ser determinadas com base nos lucros que remanescerem após a dedução da participação anteriormente calculada, ou seja, a base de cálculo de uma participação é a base de cálculo da participação imediatamente anterior deduzida da participação anteriormente calculada. Além disso, deve-se deduzir do lucro após IR o valor dos prejuízos contábeis acumulados. O cálculo deve obedecer a seguinte ordem:

1) Debenturistas; 2) Empregados; 3) Administradores;

4) Partes Beneficiárias; 5) Fundos de Assistência ou Previdência de Empregados.

Exemplo: Considere os valores abaixo e calcule o valor das participações e o lucro líquido do exercício.

Lucro antes IR 200.000 Provisão para IR 40.000 Depreciação do Período 250.000 Prejuízos Acumulados 10.000

Participações Debenturistas 5% Administradores 10% Empregados 8%

Destinações Reserva de Contingência 10% Dividendos 40%

Para obtermos a base de cálculo da primeira participação devemos deduzir, além do IR, os prejuízos acumulados de exercícios anteriores. Assim:

Lucro antes IR

200.000

(-) Provisão para IR

(40.000)

(=) Lucro após IR

160.000

(-) Prejuízos Acumulados

(10.000)

(=) Base de cálculo dos Debenturistas 150.000

A participação de debenturistas será então de:

5% x $150.000 = $7.500

Base de cálculo dos Debenturistas 150.000 (-) Participação Debenturistas (7.500) (=) Base de Cálculo Empregados 142.500

A participação dos empregados é:

8% x $142.500 = $11.400

(-) Participação Empregados

(11.400)

(=) Base de Cálculo Administradores

131.100

A participação dos administradores será:

10% x $131.100 = $13.110

Assim o lucro do exercício será:

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

Lucro após IR (-) Participação Debenturistas (-) Participação Empregados (-) Participação Administradores (=) Lucro Líquido do Exercício

Debenturistas (-) Participação Empregados (-) Participação Administradores (=) Lucro Líquido do Exercício
Debenturistas (-) Participação Empregados (-) Participação Administradores (=) Lucro Líquido do Exercício
Debenturistas (-) Participação Empregados (-) Participação Administradores (=) Lucro Líquido do Exercício
Debenturistas (-) Participação Empregados (-) Participação Administradores (=) Lucro Líquido do Exercício

160.000

(7.500)

(11.400)

(13.110)

127.990

Reparem que os prejuízos acumulados somente entraram no cálculo das participações, e não no resultado do exercício.

09/12/2002 - Custos - Aula 2: Classificação dos Custos

Pessoal, hoje vamos tentar retomar aquela aulinha inaugural de custos lá de trás (ponto 38) para iniciarmos um trabalho desde o nível zero na matéria CONTABILIDADE DE CUSTOS. A minha idéia é ir avançando gradativamente, bem devagar. Serve aos alunos que estão começando, assim como àqueles que não estão muito firmes na matéria, que têm caído em tudo o que é concurso, juntamente com a Contabilidade Geral (vide INSS).

Vimos uma introdução com os conceitos de custos, despesas, perdas, desembolso. Lembram? Em caso negativo, voltem lá antes (ponto 38) e consultem.

Hoje vamos ver a CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS

Os custos podem ser classificados em relação à apropriação aos produtos fabricados ou aos níveis de produção. É o que se chama de enfoque econômico ou enfoque contábil.

Vamos ver cada um deles:

A) Em relação aos produtos fabricados (enfoque contábil):

A.1) Custos Diretos: são aqueles que possuem condições de verificação objetiva de seu consumo na fabricação dos produtos. Possuem uma medida precisa na composição da unidade fabricada. Sendo assim, são apropriados diretamente a estes produtos.

Exemplos:

- Matéria-prima;

- Mão-de-obra direta (salário dos operários);

- Material para embalagem;

- Materiais Secundários;

- Depreciação de máquinas (*);

- Energia elétrica (*).

(*) Estes dois itens somente serão considerados custos diretos quando utilizados para produção de apenas um tipo de produto, ou quando for possível a identificação da sua utilização para cada produto;

A.2) Custos Indiretos: são aqueles que dependem de cálculos ou rateios para serem apropriados a cada produto.

Exemplos:

- Depreciação de equipamentos utilizados na fabricação de mais de um produto;

- Salários dos gerentes de produção;

- Aluguéis, impostos e manutenção da fábrica;

- Energia elétrica que não possa ser associada a cada produto;

- Materiais Indiretos.

OBS:

i) Caso a empresa fabrique apenas um tipo de produto,

todos os seus custos são considerados diretos.

ii) Há custos que seriam diretos por natureza, mas pelo seu

pequeno valor não compensa associá-lo diretamente ao produto e portanto são tratados como custos indiretos. Ex:

Gastos com verniz e cola na fabricação de móveis

B) Em relação aos níveis de produção (enfoque

econômico):

B.1) Custos Fixos: são aqueles que não variam independentemente da quantidade de produtos fabricada. Portanto são fixos em relação ao volume de produção, mas podem variar no tempo. Exemplo: Aluguel e IPTU da fábrica;

B.2) Custos Variáveis: são aqueles cujos valores se alteram em função do ritmo de produção da fábrica.

Exemplos:

- Matéria-prima consumida;

- Materiais indiretos consumidos;

- Gastos com hora extra na produção;

- Depreciação acelerada.

B.3) Custos Semivariáveis: são aqueles que variam de acordo com o nível de produção porém possuem uma parcela fixa, mesmo que nenhuma unidade seja produzida. Ex: Conta de energia elétrica que possui uma taxa mínima, mesmo que a produção fique parada.

B.4) Custos Semifixos ou custos por degrau: são custos fixos dentro de uma determinada faixa de produção, mas que variam caso haja uma mudança de faixa. Ex:

Quantidade de supervisores de produção necessária em função da quantidade produzida.

Volume de Produção Quantidade de Supervisores Custo(R$)

150.000,00

10.001 – 20.000

300.000,00

2

20.001

– 30.000

3

450.000,00

30.001

– 40.000

4

600.000,00

OBS: O enquadramento dos custos em semifixos ou semivariáveis é muito sutil e o normal em concursos é se exigir o conhecimento de custos fixos e variáveis.

Continuaremos na próxima aula com os custos de produção do período

Um abraço.

12/12/2002 - Custos - Aula 3: O Custo de Produção do Período

Contabilidade de Custos

Aula 3: Custo de Produção do Período

Devemos sempre atentar para o fato de que sob o aspecto contábil a despesa reduz de imediato o patrimônio líquido, enquanto o custo primeiramente é ativado em uma conta de ativo circulante, para somente reduzir o patrimônio líquido no momento da venda do produto.

CUSTO DE PRODUÇÃO DO PERÍODO (CPP): é a totalidade de custos incorridos na produção durante determinado período de tempo. É composto por três elementos: materiais diretos, mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação.

i) Materiais Diretos Consumidos (MD) – referem-se a todo

material que se integra ao produto acabado e que possa ser incluído diretamente no cálculo do custo do produto. É o caso da madeira nos móveis ou do tecido nas camisas. Portanto, são considerados materiais diretos:

- Matéria-Prima;

- Insumos Secundários;

- Material de Embalagem

ii) Mão-de-Obra Direta (MOD) – é o custo de qualquer trabalho executado no produto alterando a forma e natureza do material de que se compõe. Inclui o gasto total (salários + encargos) com a mão-de-obra apropriável diretamente ao produto.

iii) Custo Indireto de Fabricação (CIF) ou Gastos Gerais de Fabricação ou Despesas Indiretas de Fabricação – são os outros demais custos necessários à operação da fábrica, porém genéricos demais para serem lançados diretamente aos produtos. É o caso de:

- Materiais Indiretos;

- Mão-de-Obra indireta;

- Energia Elétrica;

- Seguro e Aluguel da Fábrica;

- Depreciação de Máquinas;

Assim, o custo de produção do período pode ser obtido pela fórmula:

CPP = MD + MOD + CIF

CUSTO PRIMÁRIO (CP) – é o custo da matéria-prima mais o custo da mão-de-obra direta

CP = MD + MOD

OBS: Alguns autores também chamam o custo primário de custo direto, por somente possuir custos diretos. Porém, sabemos que, caso a empresa produza somente um tipo de produto, todos os seus custos serão diretos, e portanto não

valeria a igualdade entre custo direto e custo primário.

CUSTO DE TRANSFORMAÇÃO (CT) – representa o gasto para transformar a matéria-prima utilizada no produto final

CT = MOD + CIF

PRODUÇÃO CONJUNTA

Este tipo de produção caracteriza-se por um fluxo comum de produção até certo ponto, denominado ponto de cisão - e do qual resultam vários produtos daí por diante.

CO-PRODUTOS OU PRODUTOS CONJUNTOS

São obtidos através do mesmo processo produtivo (produção conjunta). O faturamento de todos eles é considerado significativo para a empresa. Também são considerados produtos principais. Ex: Os diferentes cortes de carne, tais como filé-mignon, alcatra, contra-filé, maminha, costela etc.

SUBPRODUTOS

São resultantes do mesmo processo produtivo, porém com faturamento não significativo para a empresa, comparando com a receita dos produtos principais, embora sua venda seja considerada praticamente certa. Ex: cascos, chifres e ossos do boi.

SUCATAS OU RESÍDUOS

São as sobras do processo produtivo, devido à natureza da matéria-prima (metal, madeira, plásticos, fibras), resultante de quebras, estoque obsoleto, peças defeituosas etc. Em seu estado normal, não possuem mercado garantido. Sua venda é considerada bastante incerta.

Até a próxima!

16/12/2002 - Custos - Aula 4: Exercícios de Fixação

Contabilidade de Custos

Aula 4: Exercícios de Fixação

Pessoal, hoje vamos fazer alguns exercícios de fixação, bem devagarinho, para aqueles que já acompanharam as minhas 3 primeiras aulas de Custos. E as respostas já serão dadas logo a seguir e comentadas, para que o aluno não precise ficar esperando pela próxima aula para corrigir seus exercícios e testar seus conhecimentos, uma vez que uma das piores coisas em matéria de estudo é exercício sem resposta!

1) Nas assertivas abaixo, assinale Verdadeiro (V) ou Falso

(F)

1.

( ) Todos os custos apropriados aos produtos passam a

ser despesas no momento em que são vendidos.

2. ( ) A perda é o gasto intencional decorrente de fatores

internos ou externos à produção.

3. ( ) O gasto sempre implica desembolso, seja um custo

ou uma despesa.

4. ( ) A matéria-prima adquirida pela empresa industrial

transforma-se em custo somente no momento da sua requisição pela produção.

5. ( ) O sistema de custos não integrado à escrituração

comercial é a forma mais eficiente de as empresas

controlarem seus estoques.

2) Dados os valores abaixo apurados pela Indústria de móveis Missagia S.A., que produz vários tipos de móveis, no mês de novembro de 20X2, calcule respectivamente o custo primário, o custo de produção, e o custo de transformação.

a

- Energia Elétrica: 15.000,00

b - Salários dos supervisores: 45.000,00

c - Madeira: 300.000,00

d - Salários dos operários: 150.000,00

e – Lixas: 2.000,00 f – Depreciação de máquinas: 20.000,00

GABARITO COMENTADO

Questão 1

1. (V) A apropriação ao resultado dos custos somente é

efetuada no momento da venda dos mesmos, e isso é que diferencia o custo da despesa.

2. (F) Perda é gasto não intencional, mas a segunda parte

está correta, pois a mesma pode se dar por fatores internos ou externos ao sistema produtivo.

3. (F) O gasto pode implicar desembolso ou não, já que o

desembolso pode ser antecipado, à vista ou postecipado

com relação à efetivação do gasto.

4. (V) A matéria-prima, assim como os demais insumos

adquiridos pela indústria, enquanto não utilizados são considerados como investimento (ativo), passando a ter tratamento de custo no momento em que requisitada pela produção.

5. (F) Somente um sistema de custos integrado à

Contabilidade Comercial é que permite o fornecimento rápido do valor dos estoques, o controle permanente do mesmo e a utilização do método do preço médio.

Questão 2

Em primeiro lugar, relembremos as siglas e fórmulas dos

custos:

MOD = Mão-de-Obra Direta

MD = Materiais Diretos

CIF = Custos Indiretos de Fabricação

Custo Primário (CP) = MD + MOD

Custo de Transformação (CT) = MOD + CIF

Custo de Produção do Período (CPP) = MD + MOD + CIF

Assim,

MD = (c) + (e) = 300.000,00 + 2.000,00 = 302.000,00

MOD = (d) = 150.000,00

CIF = (a) + (b) + (f) = 15.000,00 + 45.000,00 +

20.000,00 = 80.000,00

CP = MD + MOD = 302.000,00 + 150.000,00 = 452.000,00

CT = MOD + CIF = 150.000,00 + 80.000,00 = 230.000,00

CPP = MD + MOD + CIF = 302.000,00 + 150.000,00 + 80.000,00 = 532.000,00

É isso aí por hoje. Continuem firmes pois vem mais concursos em 2003!!!

Abraço. Luiz

31/12/2002 - Custos – Aula 5: O custeio por Absorção

SISTEMAS DE CUSTEIO

Na Contabilidade de Custos temos vários tipos de sistemas de custeio. Alguns autores preferem chamar de métodos de apropriação de custos, que seria sinônimo de custeio. Apropriação de custos é a maneira pela qual o custo de produção é atribuído ao produto. Aqui vamos analisar os dois principais e mais utilizados: o custeio variável e o custeio por absorção.

CUSTEIO POR ABSORÇÃO

É o processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os custos incorridos em cada fase da produção, independentemente de serem eles fixos ou variáveis. Um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade da produção, de maneira que o Custo dos Produtos Vendidos ou os Estoques Finais absorverão a totalidade dos custos do período. É o método mais utilizado em nosso país, inclusive por ser aceito e permitido pela legislação fiscal, quando da apuração do resultado das pessoas jurídicas.

Na Demonstração do Resultado do Exercício quando se utiliza o Custeio por Absorção tem-se o seguinte esquema:

VENDAS BRUTAS

(-) DEDUÇÕES DE VENDAS

Vendas Canceladas

Abatimentos e Desc. Incondicionais Concedidos

Tributos sobre Vendas

(=) VENDAS LÍQUIDAS

(-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*)

(=) RESULTADO INDUSTRIAL

(-) DESPESAS FIXAS E VARIÁVEIS

(=) LUCRO OPERACIONAL LÍQUIDO

(*) No Custeio por Absorção, o CPV contém a totalidade dos custos, sejam eles fixos e variáveis.

Reparem então que a característica deste método é que o custo de produção é totalmente absorvido pelo CPV ou pelos estoques finais, conforme veremos em exemplo mais adiante.

EXEMPLO:

A empresa industrial FABRIKA TUTO LTDA produziu 10.000 unidades no período, totalmente acabadas. Sabendo que não havia estoques iniciais de produtos acabados e de produtos em elaboração, que a empresa vendeu 7.000 unidades a R$ 5,00 cada uma e também o seguinte:

Custos Variáveis (CV) R$ 22.000,00

Custos Fixos (CF) R$ 8.000,00

Despesas Variáveis (DV) R$ 4.000,00

Despesas Fixas (DF) R$ 5.000,00

Elabore a DRE pelo método do custeio por absorção:

CUSTEIO POR ABSORÇÃO:

Custo de Produção do Período (CPP):

Como estamos utilizando o método de custeio por absorção, todos os custos são computados (absorvidos) pelos produtos no período, tanto os custos fixos quanto os

variáveis. Assim:

CPP = CF + CV = 22.000 + 8.000 = 30.000

Custo dos Produtos Vendidos (CPV):

Para calcularmos o Custo dos Produtos Vendidos devemos fazer uma regra de três simples ou encontrar primeiramente o valor do custo unitário, que é igual ao

custo total dividido pelo número de unidades produzidas.

Assim:

Custo Unitário = $30.000 / 10.000,00 = $3,00

O CPV então é o custo de cada unidade multiplicado pela

quantidade vendida:

CPV = 7.000 x $3,00 = $21.000,00

A Demonstração do Resultado do Exercício no método da

absorção ficará assim:

DRE

VENDAS 35.000,00

(-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*) (21.000,00)

(=) RESULTADO INDUSTRIAL 14.000,00

(-) DESPESAS FIXAS E VARIÁVEIS (9.000,00)

Na próxima aula resolveremos o mesmo exercício pelo método do custeio variável, e em seguida iremos estabelecer um comparativo entre ambos

01/01/2003 - Custos – Aula 6: O Custeio Variável

CUSTEIO VARIÁVEL

Também conhecido como Custeio Direto, consiste em considerar como Custo de Produção do Período somente os custos variáveis incorridos. Os custos fixos, por sua vez, serão tratados como Despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do período. É o método indicado quando se emprega a contabilidade de custos no processo de tomada de decisões. Este método não é aceito pela legislação fiscal.

Sendo assim, haverá uma diferença em relação ao Custeio por Absorção na apresentação da Demonstração do Resultado do Exercício. No custeio direto, surge o conceito de Margem de Contribuição, que é a diferença entre as Vendas Líquidas e a soma do Custo dos Produtos Vendidos (que só contém custos variáveis), com as Despesas Variáveis (administrativas e de vendas). Deduzindo-se desta os Custos Fixos e as Despesas Fixas, obtém-se o Lucro Operacional Líquido. Isto porque quando se trabalha com custos para tomada de decisões não se faz a separação entre custos e despesas. Esta somente é efetuada quando se utiliza o custo para apuração do resultado (custeio por absorção). Vejam o esquema abaixo:

VENDAS BRUTAS

(-) DEDUÇÕES DE VENDAS

Vendas Canceladas

Abatimentos e Desc. Incondicionais Concedidos

Tributos sobre Vendas

(=) VENDAS LÍQUIDAS

(-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*)

(-) DESPESAS VARIÁVEIS

(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

(-) DESPESAS E CUSTOS FIXOS

(=) LUCRO OPERACIONAL LÍQUIDO

(*) No Custeio Direto, o CPV somente contém custos variáveis.

EXEMPLO: Vamos resolver agora o mesmo exercício da aula passada só que utilizaremos o custeio variável.

A empresa industrial FABRIKA TUTO LTDA produziu 10.000 unidades no período, totalmente acabadas. Sabendo que não havia estoques iniciais de produtos acabados e de produtos em elaboração, que a empresa vendeu 7.000 unidades a R$ 5,00 cada uma e também o seguinte:

Custos Variáveis (CV) R$ 22.000,00

Custos Fixos (CF) R$ 8.000,00

Despesas Variáveis (DV) R$ 4.000,00

Elabore a DRE pelo método do custeio direto (ou variável):

CUSTEIO VARIÁVEL:

CPP = $22.000,00 = CV (somente custos variáveis)

Custo Unitário = $22.000,00 / 10.000 = $2,20

CPV = 7.000 x $2,20 = $15.400,00

DRE

VENDAS BRUTAS 35.000,00

(-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*) (15.400,00)

(-) DESPESAS VARIÁVEIS (4.000,00)

(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO 15.600,00

(-) DESPESAS E CUSTOS FIXOS (13.000,00)

(=) LUCRO OPERACIONAL LÍQUIDO 2.600,00

Vantagens e Desvantagens do Custeio Variável

1) Impede que aumentos de produção que não correspondam a aumentos de vendas distorçam o resultado (vantagem). Basta imaginar uma elevação na produção (de 10.000 para 16.000 unidades), mantendo-se a quantidade vendida, e ver que o lucro no custeio variável permanece o mesmo. Já no custeio por absorção o lucro iria aumentar, pois o custo unitário seria reduzido.

2) Torna o critério mais objetivo, escapando da

subjetividade do rateio dos CIF (vantagem). Para saber qual o produto mais lucrativo ou se vale a pena incrementar a produção para vender a outro cliente, bastaria se verificar a margem de contribuição. Por isto é mais útil para a tomada de decisões na empresa.

3) Nem sempre é possível separar objetivamente a parcela fixa da variável (desvantagem).

O custeio variável não é aceito pela auditoria externa das empresas de capital aberto e nem pela legislação do IR (desvantagem), visto que não obedece ao Princípio da Competência. Este princípio estabelece que os custos associados aos produtos só podem ser reconhecidos no resultado à medida que estes são vendidos. Isto porque somente quando reconhecida a receita (na venda) é que devem ser deduzidos todos os sacrifícios necessários à sua obtenção (Custos e Despesas). Como o Custeio Variável admite que todos os custos fixos sejam deduzidos do resultado, mesmo que nem todos os produtos tenham sido vendidos, ele violaria tais princípios.

Um FELIZ ANO NOVO a todos!!!!

Até a próxima!!!

24/02/2003 - Contabilidade - Questão de Operação com Mercadorias

Questão de Operação com Mercadorias

(ANALISTA COMÉRCIO EXTERIOR/ESAF/98) A Industrial & Cia. emitiu a seguinte nota fiscal de venda a prazo de um lote de produtos:

200 marretas de bater pneus, tamanho médio, a R$ 8,00, cada uma R$ 1.600,00 Despesa com o transporte e seguro do produto até a loja do comprador R$ 50,00

IPI (Imposto s/Produtos Industrializados) R$ 165,00 Total da nota fiscal R$ 1.815,00 ICMS (Já incluído no preço) R$ 245,00

O comprador dessa mercadoria, a empresa Comercial Ltda., adota o sistema de inventário permanente e mandou fazer a contabilização dessa partida de compra através do seguinte lançamento contábil, que está correto:

a) Estoque de Mercadorias

a Fornecedores

1.815,00

b) Diversos

a Fornecedores

Estoque de Mercadorias

1.355,00

Contas Correntes - ICMS

245,00

Contas Correntes - IPI

165,00

Despesa de Frete

50,00

1.815,00

c) Diversos

a Fornecedores

Estoque de Mercadorias

1.570,00

Contas Correntes - ICMS

1.815,00

245,00

d) Diversos

a Fornecedores

Estoque de Mercadorias

Contas Correntes - ICMS

245,00

Contas Correntes - IPI

165,00

1.815,00

e) Diversos

1.405,00

a Fornecedores Compra de Mercadorias

1.570,00

Contas Correntes - ICMS

245,00

1.815,00

Solução:

Bom, vamos à análise da Nota Fiscal. Lembrem-se de que o frete, quando suportado pelo comprador e não incluído na Nota, deve ser considerado como custo da mercadoria. Como o comprador é empresa comercial, deve considerar o IPI como custo, não podendo compensar o mesmo, ou seja, não utiliza a conta "IPI a Recuperar" ou "IPI Conta- Corrente", podendo recuperar somente o ICMS na aquisição.

ICMS Conta-Corrente é a conta que recebe o ICMS a Recuperar como débito é o ICMS a Recolher como crédito. Ao final do período pode ter saldo devedor (valor a compensar), ficando no ativo, ou saldo credor (valor a pagar), permanecendo no passivo.

200 marretas de bater pneus, tamanho médio, a R$ 8,00,

cada uma

Despesa com o transporte e seguro do produto até a loja

R$ 1.600,00

do comprador

IPI (Imposto s/Produtos

Industrializados) Total da nota fiscal R$ 1.815,00

R$ 50,00

R$ 165,00

ICMS (Já incluído no preço) R$ 245,00

Valor da Mercadoria = 200 x $8,00 = $1.600,00 (+) Frete = $50,00 (+) IPI = $165,00

(=) Total da Nota = $1.815,00

O ICMS de $245,00 já está incluído no preço da

mercadoria, pois é um imposto calculado por dentro.

O valor a ser creditado em Fornecedores (ou Caixa se fosse

pagamento à vista) é SEMPRE o total da Nota, no caso

$1.815,00.

O valor do ICMS de $245,00 poderá ser compensado,

portanto será lançado a débito de ICMS Conta-Corrente (ou ICMS a Recuperar)

Conforme ensinado em nossa apostila (e futuro livro), a diferença ($1.815,00 - $245,00 = $1.570,00) deve ser lançada na conta de estoques. Como o inventário é permanente, a conta é "Estoque de Mercadorias". Não se utiliza a conta "Compras" neste sistema. O valor do IPI e do frete já estão computados como custo nestes $1.570,00. O lançamento na empresa adquirente, que é uma comercial, fica assim:

D

- Estoque de Mercadorias

R$ 1.570,00

D

- ICMS Conta-Corrente

R$245,00