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ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel

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de Literatura de Cordel http://www.ablc.com.br/cordeis.html História de José do Egito. João Martins de Athayde Jacob
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História de José do Egito.

João Martins de Athayde

Jacob foi um patriarca De uma vida exemplar Teve Raquel como esposa Uma jovem singular Pai de José do Egito De quem pretendo falar.

Foram pais de onze filhos De uma só geração Não quero falar de todos Pra não fazer confusão Falo em José do Egito Benjamim e Simião.

José era o mais moço De Jacob era estimado Devido essa simpatia Pelos outros era odiado Esse ódio aumentou tanto Que o velho tinha cuidado.

José conhecendo isso

A todos ele temia

A intriga aumentou mais

Porque José disse um dia Um crime que tinham feito De cujo ninguém sabia.

Eles pensavam consigo

O que deviam fazer

Para dar fim a José Sem o velho conhecer Vivia o pobre menino Sentenciado a morrer.

Disse José aos irmãos:

- Eu essa noite sonhei

Que nós andávamos juntos

E por um lugar passei

Vi onze adorando um Quem era, também não sei.

Outros títulos

01 - A mulher que deu tabaco na

presença do marido.

Gonçalo Ferreira da Silva

02 - Camisinhas para todos.

Mestre Azulão

03

- Ai! Se sêsse!

Zé da Luz

04 - Peleja de Pinto com Milanês.

Severino Milanês da Silva

05 - A Discussão do Carioca com o

Pau-de-Arara.

Apolônio Alves dos Santos

06 - Labareda - O Capador de Covardes.

Gonçalo F. da Silva

07 - Cordel para Pixinguinha.

Gustavo Dourado

08 - O cavalo que defecava dinheiro.

Leandro Gomes de Barros

09 - História das Sete Cidades da Serra

da Ibiapaba-Ce.

Apolônio Alves dos Santos

10 - O ABC do jogo do bicho e suas

revelações.

Apolônio Alves dos Santos

11 - História da Rainha Esther.

Arievaldo Viana

12 - A vida de Pedro Cem.

Leandro Gomes de Barros

- História da Rainha Esther. Arievaldo Viana 12 - A vida de Pedro Cem. Leandro Gomes

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Disse José outra vez:

- Eu tive outro sonho assim Que me achava no deserto Dum oceano sem fim

O sol, a lua, onze estrelas

Estavam adorando a mim.

Ficaram encolerizados De inveja e de paixão Vendo que aqueles sonhos Eram a predestinação Entre si todos juraram De assassinar o irmão.

Eles pastoravam gado Distante da moradia Já o velho impaciente Por não vê-los todo dia Mandou José saber deles Sem se lembrar da porfia.

13 - Saudação ao Juazeiro do Norte.

Patativa do Assaré

14 - História do Boi Leitão ou O

Vaqueiro que não mentia.

Francisco Firmino de Paula

15 - Mal assombrada peleja de Francisco

Sales com o "Negro Visão".

Francisco Sales Arêda

16 - O Sabido sem Estudo.

Manuel Camilo dos Santos

Quando avistaram José Criaram tanto rancor Olhavam uns para os outros Com olhos de traidor Dizendo: - Vamos matá-lo Porque ele é um sonhador.

Disse Rubens aos outros:

- Cá na minha opinião

Eu acho uma cousa triste Assassinar um irmão Botem ele na cisterna Não lhe dê água nem pão.

Assim mesmo eles fizeram Quando o menino chegou Tiraram o roupa toda Ele despido ficou Botaram ele na cisterna Ali mais ninguém passou.

17

- Brasi Caboco.

Zé da Luz

18 - O Imposto de Honra.

Leandro Gomes de Barros

19 - A Morte de Chico Mendes Deixou

Triste a Natureza.

Manoel Santamaria

20 - E Tudo Vem a Ser Nada.

Silvino Pirauá

Depois que José estava Naquela horrenda prisão

Passaram uns israelitas

E

tiveram compaixão

E

chamaram os assassinos

Para comprar-lhes o irmão

Por vinte moedas em prata Foi o menino vendido Todos que assistiram a venda Consideravam perdido Numa nação estrangeira Como escravo desvalido.

Depois pegaram a túnica

Que José tinha deixado Quando entrou na cisterna Que eles tinham tirado Mandaram levar ao velho

E dar-lhe mais um recado.

Botaram sangue na túnica

E mandaram o velho ver

Dizia assim o recado:

- Meu pai, procure a saber De quem era essa túnica Não podemos conhecer.

21 - A Véia Debaixo da Cama e a Perna

Cabeluda.

José Costa Leite

22 - A opinião dos romeiros sobre a

canonização do Pe. Cícero pela igreja

brasileira.

Expedito Sebastião da Silva

23 - Coco Verde e Melancia.

José Camelo de Melo Resende

24 - A Greve dos Bichos.

Zé Vicente

25 - A Vinda da Besta-Fera.

José Costa Leite

Quando o velho viu a túnica Começou logo a chorar Oh! Meu Deus, perdi meu filho Como é que hei de passar?! Foram as feras do deserto Que o quiseram matar!

Enquanto Jacob chorava

A morte do filho amado

Ele entrava no Egito Para onde foi levado Foi vendido a Putifar Intendente do reinado.

26 - Necrológio de Francisco Romano.

Silvino Pirauá de Lima

27 - Nos Caminhos da Educação.

Moreira de Acopiara

28 - Um Bairro Chamado Lagoa do

Mato.

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José que era um moço Dotado de consciência Putifar encontrou nele Força de inteligência Confiou da sua casa Toda superintendência.

Moreira de Acopiara

29 - Manual da Copa 2006.

J. Victtor

Em poucos dias depois

A mulher de Putifar

30 - Lampião, o Capitão do Cangaço.

Intentou gozar-se dele Não pode realizar Por meio da falsidade Prometeu de se vingar.

Gonçalo Ferreira da Silva

 
 

31

- Lenda do Caipora.

Disse ela a Putifar:

- Seu empregado é ruim

Inda ontem aquele infame Dirigiu pilhéria a mim

Gonçalo Ferreira da Silva

Sendo eu sua esposa Não posso ficar assim.

Putifar logo afobou-se Ficou sego de paixão

32

- As Palhaçadas de Biu.

Manoel Camilo dos Santos

 

E mandou chamar José

Na mesma ocasião Foi duas praças com ele Pra remetê-lo à prisão.

Entrou José na prisão Dele ninguém tinha dó Depois ficou mais contente Porque não estava só Se achava mais um copeiro Da corte de Faraó.

Depois chegou um padeiro Que preso também ficou Um deles teve um sonho

E outro também sonhou

Todos mistérios dos sonhos

Foi José quem decifrou.

33 - Quilombolas.

J. Victtor

34 - História de José do Egito.

João Martins de Athayde

35 - A Peleja do Cérebro com o Coração.

Marcus Lucenna

36 - A Chegada de Lampião no Inferno.

José Pachêco

Disse o padeiro a José Tudo que tinha sonhado Por ordem de Faraó

37 - Cem anos de xilogravura na

literatura de cordel.

Ia

ser crucificado

E

pelas aves de rapina

Arievaldo Viana e Marco Haurélio

Seu corpo era devorado.

Disse o copeiro a José Prometendo não faltar

- Pela sua liberdade

Eu tenho de trabalhar Só terei algum descanso Quando você se soltar.

Apesar dessa promessa Ser de tão boa vontade Porém como a tal prisão Foi feita com falsidade José passou mais dois anos Sem gozar da liberdade.

Faraó teve dois sonhos Que o impressionaram Vendo sete vacas gordas Que dele se aproximaram Vinham outras sete magras Que as gordas devoraram.

38 - A seca do Ceará.

Leandro Gomes de Barros

39 - A chegada do diabo no bordel do

Big Brother.

Marcus Haurélio

40 - Antonio Silvino, o Rei dos

Cangaceiros.

Leandro Gomes de Barros

41 - Um mosquito, o descaso e a dengue.

J. Victtor

Quando foi no outro dia Faraó mandou chamar Todos os sábios que haviam Residentes no lugar Cada um disse uma asneira Não puderam decifrar.

O copeiro então lembrou-se

Do que tinha se passado

De um sonho que tinha tido

E José tinha decifrado

Mandaram soltar José

E trouxeram para o reinado.

42 - A famigerada "Dança" do Créu.

Waldeck de Garanhuns

43 - Encontro com a consciência.

Arievaldo Viana

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José chegando na corte Foi muito em recebido Para decifrar o sonho Que o Faraó tinha tido José explicou tudo Sem ter de nada sabido.

- Senhor; lhe disse José

Os sonhos são verdadeiros Essas vacas gordas São sete anos primeiros Serão de tanta fartura De abarrotar os celeiros.

- E as sete vacas magras

Por minha vez também cismo São sete anos de seca De miséria e cataclismo

A nação que descuidar-se

Cairá sobre o abismo.

- Eu acho conveniente

Que a vossa majestade Procure um bom ministro Que tenha capacidade Para comprar todo trigo Que aparecer na cidade.

- Se acaso rei meu senhor Este conselho não tome

Chegando o tempo da crise

O Egito muda de nome

Se acabam os pobres na rua Todos morrendo de fome.

Faraó vendo a conversa

Anti-tradicional

Vendo que o cataclismo Se torna universal Disse a José: És ministro Pela ordem imperial.

O rei lhe dizendo isso

Entregou-lhe um anelão Dizendo: Pega esta jóia Que te dou por distinção Dora em diante serás chefe De toda esta nação.

Tinha José nesse tempo Trinta e um anos de idade Tomou conta da missão Tinha plena liberdade De fazer naquele reino

O que tivesse vontade.

Chegou o tempo abundante José pegou a comprar Trigo, feijão e farinha Vindos de todo lugar Depois dos celeiros cheios Não teve onde botar.

Mandou fazer um depósito De muito grande extensão Num dos pontos da cidade Prevendo a ocasião Pra socorro da pobreza Sendo da sua nação.

Um tempo assim como aquele Nunca se viu outro igual As nações tinham fartura De um modo descomunal Findou o tempo abundante Entrou a crise fatal.

Já depois de quatro anos Que o cataclismo assolava

O povo das caravanas

Que no Egito passava Via que nesse lugar Em fome nem se falava.

44 - Os Sofrimentos de Jesus Cristo.

José Pacheco

45 - Constelação - Retrospectiva

Científica e Reflexões.

Gonçalo Ferreira da Silva

46 - Centenário de Patativa do Assaré -

Os mandatos comunistas e a cultura

popular.

Arievaldo Viana e Jô Oliveira

47 - Jesuíno Brilhante - Braço Avançado

da Justiça.

Gonçalo Ferreira da Silva

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Vagou aquela notícia Que no Egito inda tinha Recurso para a pobreza Trigo, feijão e farinha Todo dia vinha gente Da região mais vizinha.

A

fome assolava o mundo

O

grande também sofria

Substância de alimento Em parte alguma se via

O

rico morrendo à fome

E

o dinheiro não vali.

Jacob, o pai de José Vendo o tempo muito ruim Mandou os filhos ao Egito Naquelas estradas sem fim

Mandou os outros mais velhos

E ficou com Benjamim

Chegando eles no Egito Depressa foram levados

À presença de José

Para serem interrogados José conheceu bem eles Logo que foram chegados

José fingiu-se inimigos Vendo aqueles condições Que os irmãos se achavam Sabendo que eram bons Lhes disse: de onde vêm Que me parecem uns ladrões?

Responderam com espanto:

É horrível a nossa sina

Somos filhos de Jacob Natural da Palestina Viemos comprar legumes Que a fome lá é canina.

José ficou comovido Porque tinha compaixão Apesar de ter sofrido Deles aquela traição Então perguntou a eles:

Sua irmandade quais são?

- Nós éramos 12 irmãos

O caçula não quis vir

Porque meu pai já é velho Só ele o pode servir Quanto ao nosso irmão José Esse deixou de existir.

Disse José para eles:

Eu só posso acreditar Desse seu irmão mais novo Se vocês forem buscar Ficando um de vós preso Até o outro chegar.

Disseram: rei meu senhor Nós não fazemos questão Nos venda um pouco de trigo Temos muita precisão Quanto ao que fica preso Deixo ficar Simião

José mostrou-se contente Deu a resposta que sim Mas disse a eles depois:

O tempo inda está ruim

Quando vier comprar trigo

Me traga o tal Benjamim

Aí voltaram os outros

Porém sem consolação

Chegaram na Palestina

O patriarca ancião

Foi perguntando aos filhos:

Onde ficou Simião?

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- Simião ficou lá preso

Agora é que está ruim Porque quando nós saímos

O rei nos disse assim:

Quando vier comprar trigo

Me traga o tal Benjamim

Dizia o velho chorando:

Chegou o meu triste fim Porque é esse um dos filhos Que não se aparta de mim Como viverei no mundo Ficando sem Benjamim?!

Judá insistiu com ele

Contando o que foi passado

- Eu tomo conta de tudo

Meu pai, não tenha cuidado;

Dizia o velho: ele indo Para mim foi sepultado!

-

Se eu digo estas palavras

É

porque tenho razão

José os bichos comeram Nas brenhas da solidão Agora sem haver crime Ficou preso Simião!

Judá pelejou com ele Até o velho aceitar

Se Benjamim lá não fosse Nada podia arranjar Só no Egito é que tinha

O que eles iam comprar.

Eles seguiram viagem

O velho ficou sentido

Judá chegou no Egito Foi muito em recebido Porque levou Benjamim Que José tinha pedido.

José vendo Benjamim Conheceu logo também

Perguntou com cara feia (porém os tratando bem):

É este o irmão mais novo

Que vocês dizem que têm?

Judá lhe disse que sim Partido de comoção Dizendo: - Rei, meu senhor Nos conceda a permissão Para que possamos ir Aonde está Simião?

Disse José: podem ir Visitar o seu irmão Ele até aqui não teve Nenhuma perturbação; José só tinha ele preso Fazendo a comparação.

José diante essas coisas Não podia se conter Chorava em seu aposento Que só faltava morrer Pois inda não era tempo De se dar a conhecer.

Todos irmãos de José De nada tinha sabido Vendo José como rei Dum país desconhecido Sendo ele o tal irmão Que eles tinham vendido

Depois José chamou eles Dando plena liberdade Dizendo: vão passear Pelas ruas da cidade; Só assim José podia Fazer a sua vontade.

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Eles com essas palavras

Ficaram muito contentes

Aí José mandou logo

Chamar o seu intendente Dizendo: encha bem cheio

O saco daquela gente

- Depois dos sacos bem cheios Faça jeito de botar

A minha taça de prata

Sem ninguém desconfiar No saco de Benjamim Pra quando ele for, levar

O intendente fez tudo

Como José lhe mandou No saco de Benjamim Ele a taça colocou Benjamim que não sabia No outro dia levou

Assim que eles saíram José mandou uns soldados Dizendo: peguem uns rapazes Que vão ali carregados

E tragam a minha presença

Para serem interrogados

Eles iam muito alegres Só por levar Simião Dizia Judá: fizemos Muito boa arrumação; Nisto gritaram pra eles Lhes dando voz de prisão

Logo aí foram levados

À presença de José;

- Quem roubou a minha taça

Terá prisão de galé Faz vergonha nos senhores Não ter um homem de fé

Disseram: rei, meu senhor Nós nunca roubamos nada Essa taça de que falam Nunca pode ser achada Mande correr nossos sacos Só ela sendo encantada.

- Não pensei que em Palestina Tivesse gente ruim Passem u'a corra nos sacos; José então disse assim

A taça foi encontrada

No saco de Benjamim

Aí caíram por terra

Botando os joelhos no chão Dizendo: rei, meu senhor De nós nenhum é ladrão Porém seremos levados

À morte na prisão.

José partido de pena Não podendo resistir

Disse ao seu intendente:

Mande este povo sair Basta ficar estes homens

A quem preciso eu ouvir

Quando saiu todo povo Inda mais se comoveram José lhes disse chorando:

- Inda nao me conheceram?

Eu sou vosso irmão José

O tal que vocês venderam

Que hora amarga e feliz Para quem compreender! Toda tristeza que havia Foi transformar-se em prazer Ficaram todos felizes Dessa data até morrer

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José mandou vir também O seu pai idolatrado Quem trouxe foi seu irmão Com muito zelo e cuidado Jacob findou os seus dias Vivendo sempre ao seu lado.

Jacob findou os seus dias Vivendo sempre ao seu lado. http://www.ablc.com.br/cordeis.html Todos os direitos

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