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ECO-ALFABETIZAÇÃO NECESSÁRIA

RAFAEL FERNANDES*

Muito temos comentado e ouvido sobre a necessidade de mudarmos nosso modo de vida e
protegermos o futuro do Planeta. Todo dia, uma avalanche de conteúdo sobre o que é
ecologicamente correto tem invadido nossa mídia. Cientistas das mais diversas áreas têm
demonstrado que vivemos uma situação de colapso do ambiente natural e que é necessário
mudarmos a realidade atual, em que muito desmatamos, muito poluimos, muito desperdiçamos,
muito descartamos e muito aniquilamos nossas possibilidades de futuro. O fato é que a verborragia
não mudará a realidade. Nossas sociedades devem se tornar mais sustentáveis, e sustentabilidade,
requer conhecimento e tecnologia. Assim a eco-alfabetização (que tanto mencionamos no artigo
anterior sobre o Código Florestal) deve se tornar uma qualificação indispensável para políticos,
líderes empresariais e profissionais em todas as esferas, devendo ser a parte mais importante da
escolaridade, em todos os níveis – desde a escola primária até as universidades, incluindo o
treinamento de profissionais.
Em seu livro “As Conexões Ocultas” (Editora Cultrix, 2002), o teórico do pensamento
sistêmico, Fritjof Capra, ensina que a alfabetização ecológica (ou eco-alfabetização) consiste na
habilidade de entender os princípios ecológicos básicos, quais sejam: a sobra abandonada por uma
espécie é alimento para outra; a matéria circula de forma contínua através da teia da vida; toda a
energia que promove os ciclos ecológicos provém do sol; a diversidade assegura flexibilidade; a
vida desde seus primórdios, mais de três bilhões de anos atrás, não assumiu o planeta através do
combate, mas através de redes de trabalho integrado. Da compreensão desses ensinamentos, apesar
de muito simples, depende a sobrevivência da humanidade.
Mais do que um novo processo de aprendizado, essas ideias tratam de uma nova visão de
mundo. Necessitam que percebamos o Planeta como um todo integrado e não como uma coleção de
partes dissociadas, exatamente o oposto da educação fragmentada que temos recebido durante todo
o sempre. Embora a eco-alfabetização não seja restrita ao ambiente da educação formal (deve ser
incorporada ao cotidiano social), nossas escolas, em seu atual formato pedagógico, não estão
preparadas para o desenvolvimento de um pensamento sistêmico – capaz de avaliar todos
fenômenos, situações e/ou processos envolvidos, bem como a interdependência que há entre eles.
Nesse caso, mais importante e urgente do que propagandear o separação do lixo, os cuidados com a
água ou o consumo sustentável, é investir na formação e capacitação de educadores.

* Formando em Gestão Ambiental pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e membro da
Associação Nacional dos Gestores Ambientais (Anagea) – Email: <rafael.uergs@gmail.com>.