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J. van Rijckenborgh

A ARQUIGNOSIS EGÍPCIA

3

J. van Rijckenborgh A ARQUIGNOSIS EGÍPCIA 3 ROSACRUZ AUREA

ROSACRUZ AUREA

A ARQUIGNOSIS EGÍPCIA

e o seu chamado no eterno presente

de novo proclamada e esclarecida baseada na TÁBULA SMARAGDINA e no CORPUS HERMETICUM

de

HERMES TRISMEGISTO

por

J. VAN RIJCKENBORGH

Tomo III 1~ edição- 1989

Traduzida do alemão:

DIE AGYPTISCHE URGNOS/S- 3

Tftulo do original holandês:

DE EGYPTISCHE OERGNOSIS

EN HAAR ROEP lN HET EEUWIGE NU

ROZEKRUIS-PERS Bakenessergracht 11-15 Haarlem - Holanda

Todos os direitos, inclusive os de 1radução ou reprodução do presente livro, por

qualquer sistema, total ou parcial, soo reservados à Rozekruis-Pers, Haa~em, Holanda.

PREFÁCIO

A marcha da humanidade, que se tornou novamente

para o homem terreno numa marcha do destino, mostra de novo sua regularidade inatacável em meio a toda a teimosia

humana ímpia: "Pelos frutos se conhece a árvore" e "colherás o que semeares!"

A imagem do mundo aluai, com sua ameaça e seu ódio

vermelho-sangue, com sua degeneração vergonhosa e seus aspectos dementes, pronunciam a essa luz um julgamento aniquilador, o qual anuncia o fim próximo desse dia de mani- festação. Muitos o reconhecem e estão assustados, em seu mais profundo ser, com aquilo que o tão louvado conhecimento

humano produziu. Consciente ou inconscientemente, eles buscam na inutilidade das coisas um caminho que possa atenuar o crescente sentimento de culpa e oferecer uma possibilidade de obter, além do discernimento libertador, uma atitude de vida que propicie a reconciliação interior com a Fonte Única da Vida

A terceira parte do livro A Arquignosis Egí,ocia e seu

Chamado no eterno Presente chama a atenção, através da compreensão inferior ligada aos órgãos dos sentidos, para o Bem Único, que apenas pode ser encontrado em Deus, no mais profundo ser do homem, e oferece a chave para uma vida libertadora no .caminho do renascimento da alma. Quem realmente busca a Luz na escuridão da noite que cai é colo- cado aqui perante a prática da palavra de Cristo: "Buscai primeiro o Reino de Deus e Sua justiça". Essa prática é ex- plicada pela lei hermética: "Tudo receber, tudo abandonar e,

VIl

com isso, tudo renovar". Possam muitos buscadores entender ainda o chamado da Gnosis para a auto-realização e utilizar a chave da liber- tação para sua salvação e a da humanidade.

Jan van Rijckenborgh

A porta de Saturno

A porta de Saturno

O PORTAL DE SATURNO

Saturno é o senhor da matéria e a origem de todos os processos de cristalização. Como tal, ele é a força do impe- dimento, da restrição e da queda. Do mesmo modo, a função de Saturno é manifestar tu- do aquilo que foi criado pelo homem. Por isso, ele geralmen-

te é representado como "o homem com a fo1ce e a ampulhe-

ta", como o hierofante da morte. Com efeito, todos os valores da vida satânica dialética, todas as conseqüências do ego- centrismo, a inteira atividade da vida inferior, são por ele tra- zidas à luz do dia, num momento psicológico. Saturno é o Pai-Tempo, Cronos, que ordena: "Até aqui e não mais além!"

Saturno é, além disso, o iniciador! Aquele que segue a senda de renovação da vida e que se volta para a harmonia com a grande lei universal da vida, encontra Saturno como o revelador de tudo aquilo que se tornou novo: os valores impe- recíveis que se encontram consolidados na alma. Saturno, o mensageiro da morte da natureza efémera, torna-se então o arauto do homem imperecível, ressuscitado. O ano de 1962, em que esta terceira parte da Arqui- gnosis Egfpcia foi publicada, é um ano saturnino, isto é, um ano em que a humanidade foi colocada enfaticamente diante de uma escolha: submeter-se ao caminho do velhÓ Saturno,

o

caminho que conduz à decomposição pela morte, ou trilhar

o

caminho de libertação que, com o auxilio das forças-luzes

da Gnosis Universal, leva ao portal da nova vida, à cidade áurea, à nova Jerusalém.

DÉCIMO LIVRO

O BEM ESTÁ UNICAMENTE EM DEUS

E EM NENHUMA OUTRA PARTE

1. O bem, Asclépio, está exclusivamente em Deus, ou me- lhor, Deus é o bem em toda a eternidade. Conseqüente- mente, o bem é necessariamente o fundamento e a es- sência de todo o movimento e de todo o devir: não existe nada destitufdo dele! O bem é circundado por uma força reveladora estática em perfeito equilíbrio - a inteira pleni- tude, a fonte universal, a origem de todas as coisas - quando denomino aquilo que tudo preenche, quero dizer o bem absoluto e eterno.

2. Esta qualidade pertence exclusivamente a Deüs, pois de nada Ele carece, porque nenhum desejo de posse pode tomá-Lo mau; niio há nada que Ele possa perder e cuja perda Lhe cause dor (porque sofrimento e dor são uma parte do mal); não há nada que seja mais forte do que Ele e que possa combatê-Lo (nem tampouco está em conformidade com Sua essência, que a injúria possa

atingi-Lo); nada O ultrapassa em beleza que possa in- flamar seus sentidos em amor: nada pode recusar obe- decer-Lhe e causar-Lhe por isso cólera; e nada é mais sábio do que Ele e que assim possa despertar Seu ciú- me:

3. Estándo pois ausentes no onisser todas essas emoções, nada existe nEle senão o bem. E. visto que nenhum dos outros atributos pode apresentar-se em semelhante ser, é igualmente certo que o bem não pode ser encontrado em nenhum outro ser.

4. Pois, todos os outros atributos se encontram em todos os seres, tanto nos pequenos como nos grandes, em cada um deles a sua própria maneira, e, mesmo no mundo, o maior e o mais poderoso de toda a vida manifestada; tu- do o que foi criado está cheio de sofrimento 1, pois a ge- ração mesma é um sofrimento. Onde há sofrimento, o bem está decididamente ausente. Porque onde está o bem certamente não há sofrimento. Pois, onde está o dia, não está a noite, e onde está a noite, não está o dia. Por isso, o bem não pode habitar no que é criado, porém somente no incriado; contudo, como a matéria de todas as coisas participa do incriado, participa como tal igual- mente do bem. Neste sentido, o mundo é bom, pois até o ponto onde também produz todas as coisas, ele é, como tal, bom; todavia, em todos os outros aspectos, não é bom, porque também está sujeito aos sofrimentos e à mutabilidade, e é mãe de todas as criaturas suscetíveis de sofrimento.

1. Pathos: sofrimento, dor; também o sofrimento da alma e paixão; todas as emo- ções estão contidas nessa acepção.

5.

O

homem estabelece as normas de bondade mediante a

comparação com o mal, porque o mal não demasiada- mente grande vale aqui como o bem, e o que aqui é jul- gado como o bem, é a menor parte do mal. Portanto, de

modo algum, pode aqui ser livre da mácula do mal. Aqui

o bem é sempre de novo atingido pelo mal, e, deste mo-

do, cessa de ser bom. Assim, o bem se degenera em mal. Assim o bem está somente em Deus, sim, Deus é o bem.

6. Entre os homens. Asclépio, encontra-se o bem unicamen- te segundo o nome, todavia em parte alguma como rea- lidade, o que é, aliás, impossfvel. Porque o bem não po- de encontrar lugar num corpo material que está quase sufocado em males e em esforços penosos, dores e de- sejos, instintos e ilusões e imagens dos sentidos.

7. O pior de tudo, Asclépio, é que se considera cada uma das coisas que nomeei e que impulsiona os homens, como o bem supremo, em vez de um mal extremo. O ins- tinto de cobiça do ventre2, o incitador de todas as malda- des, é o erro que nos tem aqui afastado do bem.

a. Por isso, dou graças a Deus pelo que ele mal]ifestou a minha consciência como conhecimento sobre o bem que não se pode encontrar no mundo, pois o mundo está preenchido pela plenitude do mal, do mesmo modo que Deus está preenchido pela plenitude do bem, ou o bem, pela plenitude de Deus.

2. Plexo Solar.

9.

Do ser divino irradia a beleza, que habita no ser de Deus, em suprema pureza e imaculabilidade. Ousemos proferi-lo, Asclépio: a essência de Deus, se nos for per- mitido falar disso, é o belo e o bem.

10.

Náo se pode encontrar o belo e o bem, naqueles que estão no mundo. Todas as coisas perceptíveis aos olhos são formas aparentes, algo como silhuetas. Porém tudo

o

que vai além dos sentidos se aproxima ao máximo do

ser do belo e do bem. E assim como o olho não pode ver a Deus, tampouco pode ver o belo e o bem, pois ambos são partes perfeitas de Deus, porque próprias dEle e dEle somente, inseparáveis de Seu ser, e ex- pressão do supremo amor de Deus e a Deus.

11 .

Se assim pudesses reconhecer a Deus, reconhecerias o belo e o bem, em sua suprema glória radiante, inteira- mente iluminada por Deus, pois essa beleza é incompa- rável, essa beleza é inimitável, assim como Deus mes- mo o é. À medida que reconheces a Deus, reconheces também o belo e o bem. Eles não podem ser participa- dos a outros seres, por serem inseparáveis de Deus.

12.

Se buscaste encontrar a Deus, busca também o belo, pois somente um caminho que conduz daqui ao be- lo: uma vida ativa que serve a Deus nas mãos da Gno-

sis.

13. Por isso, aqueles que estão sem a Gnosis e não trilham

o

caminho da devoção ousam chamar o homem de belo

e

bom, ele que jamais viu, mesmo em sonhos, o que é

o bem, porém que está nas garras de todas as formas do mal, e que considera o mal, como o bem e, deste modo, acolhe o mal sem jamais ser saciado, temendo ser dele privado e, lutando, tenta, com todo o seu poder, conservá-/o e mesmo fazê-lo multiplicar.

14. Assim, Asclépio, isso está estabelecido no tocante à bondade e à beleza humanas, e não podemos delas fu- gir nem odiá-las, porque o mais penoso de tudo é que precisamos delas, e sem elas não podemos viver.

11

O MISTÉRIO DO BEM

Sem dúvida alguma, conheceis a passagem do jovem rico, descrita nos evangelhos; a história do homem que en- contra Jesus e lhe pergunta: "Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?" Jesus, antes de responder, dis- se-lhe: "Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus". Se pegarmos o décimo livro de Hermes Trismegisto, ve- remos que o trecho evangélico citado acima é proveniente da filosofia hermética. Isto pode ser facilmente comprovado, pois a filosofia hermética já existia, há milhares de anos, an- tes do surgimento de quaisquer evangelhos cristãos. Já no primeiro versículo, do décimo livro, lemos:

O bem está exclusivamente em Deus, 0t1 melhor, Deus é o bem em toda a eternidade.

Essas palavras demonstram claramente que o bem é, para nós, uma realidade desconhecida, a indicação de um estado que não podemos nem sequer nos aproximar. Se refletirdes sobre isso, percebereis que nosso "bem", ou aquilo a que estais acostumados a chamar de bem, está

relacionado com algo totalmente diverso. Trata-se de um conceito inteiramente relativo que apresenta certo valor para

o homem-eu durante um tempo limitado. Sabeis que aquilo que denominais "bom" pode talvez se revelar muito mau, ou pelo menos crítico, a outrem. Aquilo que alguém enaltece como sendo o mais nobre, é considerado o mais desprezível por outro. Existem tantas normas de bondade e maldade quantos seres humanos. Em geral, julgamos bom aquilo que nos pa- rece belo e agradável ou se encontra em s1ntonia com nossa compreensão de vida. O contrário consideramos então como mau. Por conseguinte, reina, neste ponto, um caos intenso, pois não há homens realmente bons em nosso campo de vi- da. Do mesmo modo, não pode ser encontrado o bem, o bem único, neste campo de vida. Os conceitos dialéticos· de "bom" e "mau" não encon- tram nenhuma base, não podendo, por isso, constituir as normas sobre as quais uma filosofia libertadora deve ser construída. Nesse sentido, existe muitas vezes uma pensada

e alarmante fraude. Cada povo, cada raça, cada grupo, cada movimento, fundamenta-se nessa assim chamada bondade.

E dizem: "O bem é como o vemos, compreendemos e faze-

mos. Atentai, pois, para o que fazemos". Entretanto isso é algo, além de ridículo, muito perigoso, pois aquele que dá ouvidos a tais autolouvores terá grandes desilusões. A lei dos opostos alcançá-lo-á inevitavelmente. Ninguém discordará do fato de que a humanidade pre- tende e sempre aspirará a solucionar seus problemas tão bem quanto possível, e de que existem inúmeras pessoas que desejam, de coração, colaborar nisso. Todavia, não espe-

Ver· Glossário no final do livro.

rai disso algo de essencial. Não esperai o bem, pois, aquilo que é apregoado como bom aqui em nosso campo de exis- tência, é mentira ou engodo. Isso foi seguramente confir- mado há milhares de anos. Neste mundo, se filosofou muito sobre esse assunto. Pensai, por exemplo, em Nietzsche que considerou, com ra- zão, completamente secundária a discriminação entre o bem e o mal. Também um filósofo como Kant compreendeu que aqui o bem e o mal são dependentes do Julgamento humano. O que vos parece bom, é bom para vós; outro pode divergir totalmente de vossa opinião. Aquele que se aferra a essa idéia, nunca encontrará solução. De quantas conversas participastes, conversas com- pletamente vãs, referentes a vossas muitas vezes diferentes apreciações do bem e do mal? Por isso, não é nosso objetivo entediar-vos com nossa compreensão do bem e do mal. Não, nossa intenção é libertar-vos de tudo isso e dirigir vossa atenção ao verdadeiro bem, que existe exclusivamente em Deus.

do décimo livro, no versículo 14, é dito o se-

guinte, referente à ignorância humana sobre o bem e o mal:

No final

Assim, isso está estabelecido no tocante à bondade e à beleza humanas, e não podemos delas fugir nem odiá-las, porque o mais penoso de tudo é que precisamos delas, e sem elas não podemos viver.

Nosso objetivo é de vos elevar, se possível, ao ponto de vista hermético. Se observardes a ostentação de bondade humana nos diversos grupos existentes no mundo, se cami- nhardes entre o formigamento de atos de bondade, e se for-

des um verdadeiro buscador da verdade, ser-vos-á impossível amar tudo isso. Certamente, podeis encontrar nisso elemen- tos úteis em muitos aspectos, e às vezes coisas agradáveis. Porém vendo tudo isso à luz da filosofia hermética, reconhe- cereis diretamente como tudo é insuficiente e sem esperan- ça. Sereis incapazes de amar essas tentativas de se fazer o bem. O que é válido para o amor, o é também para a bonda- de. Assim como o bem existe somente em Deus, assim tam- bém o amor pode apenas nEle existir. Nenhum dos dois po- derá, naturalmente, ser encontrado no homem' nascido da natureza. Eis por que o buscador da verdade não deve tentar encontrá-los onde eles não estão. Porém, deveis cuidar para que não odieis a bondade e

a beleza humanas, pois o ódio queima, destrói. O amor tam- bém é um fogo, uma força astral relacionada com o coração. Assim, quando uma pessoa que busca o amor é desiludida, ela é sempre submetida a uma purificação, e o anseio pelo único necessário toma-se mais puro, mais urgente. Contudo,

o fogo do ódio, que também é uma radiação astral no san-

tuário' do coração, destrói e faz murchar o coração. Não so- bra nada ao homem que odeia. Existe ainda uma terceira atitude de vida, que não es- pera nem busca o impossível. Assume-se um ponto de vista puramente objetivo diante dessas coisas e se verifica um tipo de benevolência neutra, em que as coisas são simplesmente aceitas tais como elas são. Por isso, Hermes diz:

não podemos fugir da bondade nem da beleza hu- manas, nem odiá-/as, porque o mais penoso de tudo é que precisamos delas, e sem elas não podemos viver.

Enquanto

atravessais

a

vida

nascida

da

natureza,

necessitais dessa vida e de suas características; por isso, soa o conselho: "Não alimenteis ódio algum com relação à mar- cha de vossa vida através da natureza e não tenteis fugir da mesma". Então, o que fazer? Se não amais nem odiais a beleza e a bondade huma- nas e não tentais delas fugir, encontrais-vos autônomos em relação à natureza dialética*. Então não existe nada que vos una a ela nem que vos possa deter. Assim, cumpris vossas obrigações diárias, sem queixas, lamentações, nem senti- mentos de vingança ou de oposição. Atravessais a vida tenebrosa da natureza da morte se- gundo uma lei que vos impele. Não podeis negar vosso nas- cimento na natureza* da morte. Cumpri pois vossas obriga- ções em virtude dessa realidade e fazei-o de cabeça erguida. Sem ódio, sem fuga, sem amor, e se encontrardes outro bus- cador da verdade na senda da vida, contentai-vos com um olhar de compreensão. Para onde vai o buscador da verdade? Ele se volta para a base das coisas, para a base de todo o devir. O buscador da verdade se volta para o bem único. O bem somente pode ser encontrado em Deus, e aquele que encontra Deus, que participa do bem, a partir desse momento, já não é deste mundo. Uma vez encontrado Deus, estareis junto com os ou- tros irmãos e irmãs no novo campo de vida, no mundo da

alma.

Atentai para o fato de que o homem pode participar verdadeiramente do bem, porém não pode ser o bem, assim diz Hermes. O bem sempre se distinguirá do homem. Nesse sentido, ninguém é bom, nem um sequer. Por isso, devemos examinar o que e quem é o bem, e como um homem pode participar dele. Além disso, devemos

compreender claramente que tipo de ser vivente é, na verda- de, o homem nascido da natureza. Entre o homem nascido da nat'ureza e o bem está a senda, a senda que leva à parti- cipação do bem. Aquele que deseja trilhar essa senda deve começar a não se prender a nada, a nada se prender no sen- tido aéima exposto. Somente quando já não estiverdes ape- gados à natureza em que nascestes e fostes educados, quer em relação ao amor, quer em relação ao ódio, podereis viajar oom a alma de Belém ao Gólgota. Então, podereis trilhar a senda rumo à unidade divina, ao bem único. Coloquemo-nos então, como viajantes ansiosos, diante do mistério do bem. Tentemos desvendar esse mistério.

III

A SENDA DA AUTO-RENDIÇÃO

O bem, Asclépio, está exclusivamente em Deus, ou melhor, Deus é o bem em toda a eternidade. Conseqüente- mente, o bem é necessariamente o fundamento e a essência de todo o movimento e de todo o devir: não existe nada des- titufdo dele! O bem é circundado por uma força reveladora estática em perfeito equiltbrio - a inteira plenitude, a fonte universal, a origem de todas as coisas - pois quando deno- mino aquilo que tudo preenche, quero dizer o bem absoluto e eterno. Esta qualidade pertence exclusivamente a Deus, pois de nada Ele carece, porque nenhum desejo de posse pode tomá-Lo mau; não há nada que Ele possa perder e cuja per- da Lhe cause dor (porque sofrimento e dor são uma parte do mal); não há nada que seja mais forte do que Ele e que pos- sa combatê-Lo (nem tampouco está em conformidade com Sua essência, que a injúria possa atingi-Lo); nada O ultra- passa em beleza, que possa inflamar seus sentidos em amor; nada pode recusar obedecer-Lhe e causar-Lhe por isso cólera; e nada é mais sábio do que Ele e que assim possa despertar Seu ciúme.

Consideremos mais de perto essas palavras constantes do décimo livro de Hermes. Elas mostram que a noção de Deus, na filosofia hermética, dimana da certeza de uma di- vindade autônoma e imutável. Ao mesmo tempo, reconhe- cemos J:J fato de que os ensinamentos herméticos foram in- troduzidos em quase todos os grupos religiosos mais impor- tantes do mundo, não obstante todas as distorções a que fo- ram submetidos. Imaginai, se possível, as sete regiões cósmicas, não dispostas uma sobre a outra nem em posições contíguas, po- rém, concêntricas umas às outras. A total harmonia da cria- ção, a plenitude da criação nas sete regiões cósmicas, seu movimento e atividade, não são a divindade, porém encon- tram nela seu fundamento e sua essência. Deus, o Incognos- cível, o Bem, é circundado por uma força reveladora estática, que é a fonte universal, a origem de todas as coisas. Esse bem, absoluto e eterno, que tudo preenche, pertence exclusi- vamente a Deus. Ele de nada carece, pois Ele é tudo em Si mesmo. Desse ser único e incognoscível dimana uma radiação poderosa e oniabarcante. O universo foi criado e é mantido mediante essa poderosa radiação da divindade única que preenche todo o universo e que é, portanto, onipresente. Por um lado, existe Deus, o bem único; por outro, a criação e a criatura nessa imensurável complexidade. Se puderdes agora vos apegar a essa idéia, como pon- to de partida de uma atitude de vida; se puderdes aprofun- dar-vos em tudo isso, devereis então perguntar-vos por que esse assunto é apresentado a Asclépio. Talvez, devido a um doutrinamento dogmático? Não, Asclépio deve tornar-se um sanador, ou seja, um

sacerdote, e é claro, curar primeiramente a si próprio. Asclé- pio deve, como criatura, elevar-se a seu objetivo supremo que se encontra contido somente no bem único. Todavia, por enquanto, Asclépio se vê colocado diante da imensurável complexidade da criação e das criaturas. Mi- lhões de criaturas são, em sentido mais restrito, nossos se- melhantes. Dentre todos esses companheiros de raça e de destino, muitos se colocam em um ponto de vista contrário. Pensai nas inúmeras autoridades ex1stentes no mundo que vos dizem: "Nós afirmamos isso, portanto, ouvi-nos. Isso nós fazemos, isso nós sabemos, isso nós podemos. Segui esse caminho; é esse que deveis trilhar". Sim, houve às vezes períodos da humanidade em que a coação foi exercida por parte das classes dominantes, coa- ção sob a ameaça de tortura e à vida. Os irmãos e irmãs da tríplice aliança da luz - Graal, cátaros* e cruz-com-rosas - podem testemunhar disso! MeS!:flO em nosso tempo, desen- volve-se também o controle da consciência, tanto em peque- na como em grande escala. Esse controle encontra respaldo em vários domínios de vida por inúmeros motivos. Fala-se, por exemplo, em tirania familiar; e, em muitos países, de ti- rania de grupos. Além disso, pensamos também nos habitan- tes da esfera* refletora e nas ondas de vida que habitam a região etérica; em habitantes de outros corpos celestes; nos eões* e nos arcontes* dos eões. Há entre essas criaturas aqueles que alcançaram um alto grau de desenvolvimento e que se ataviam ou são ataviados com o nome de deuses*. Existem ainda hordas ocupadas com a grande3 farsa. Enfim, miríades de criaturas com infinitas possibilidades de trair, en-

3. Ver Oesrnascaramento, de Jan van Rijckenborgh.

ganar e coagir. E todos vos dizem: "Possuímos o bem!"

E agora falamos de Asclépio, o buscador no oceano da

vida, a criatura em meio a seus semelhantes. Ele está pres- tes a·afundar e é arrastado para lá e para pelas ondas. A maior parte dos leitores deste livro são buscadores natos. O

que já não tendes procurado? Quanta literatura já não devo- rastes! E não foi dessa forma que, como por acaso, como se fosse um elo não previsto na cadeia de Circunstâncias, en- trastes em contato com a Escola· Espiritual da Rosacruz Áu- rea?

O que deve Asclépio fazer no ardor de sua busca? O

que ele pode fazer? Para onde deve dirigir-se? O que é feito dele? Para onde as ondas da vida o arrastam? Milhares de vozes o chamam: "O bem está aqui!" O que lhe acontecerá? Pois em toda a criação, o mal assume diversas formas. É por isso que o décimo livro de Hermes observa que aquilo que se considera como "bom" aqui na dialética é, na melhor das hi- póteses, a menor parte do mal. Quem poderia realmente reconhecer a verdade em meio a todas essas formas irreais, a todos esses fantasmas que se nos apresentam? Quem é capaz de penetrar toda es- sa teatralidade, toda essa ilusão, toda essa criminalidade? Como se poderia esquadrinhar esse imenso ca.os? Quem se- ria capaz de se manter em pé no meio de todos esses peri- gos irretreáveis? Isso é realmente impossível? Não, é bem possível! Para tanto, o décimo livro de Hermes nos auxilia. Ele se dirige aos homens que desejam tornar-se Asclépio. Alguns fatos colocam o buscador Asclépio em condições de prosseguir e encontrar seu caminho nesse labinnto. Primeiramente, o fato de que o bem único é autô- nomo. Ele e sua poderosa radiação estão completamente

apartados de toda a criação, não sendo possível encontrar nele algo dessa tão ilusória criação. Aliam-se a isso o fato de que somente ele é absoluta e eternamente puro e de que a divindade sempre irradia sua poderosa luz através da inteira criação, de todo o caos, não existindo lugar algum onde ela não esteja presente. A receita para tanto já vos pudemos dar. Se desejais ser um sacerdote da Gnosis'; se desejais tornar-vos Asclépio, um sanador da humanidade, não vos apegueis a nada, nem por amor nem, de forma alguma, por ódio. Sede puramente objetivos, benevolentes ao máximo, porém autónomos. Não deis ouvidos a uma única voz. Não sigais um só impulso, uma única sugestão. Também não aceiteis de antemão nos- sa palavra como verdadeira. Sede benevolentes, objetivos,

até descobrirdes em vosso íntimo algo da verdade.

Repetimos: não ouçais uma única voz, não sigais ne- nhuma coação de vossos órgãos sensoriais aluais. Permane- cei sem mais nada, sem autopresunção, como uma criatura autónoma na onirrevelação. Ao mesmo tempo, sede extre- mamente vigilantes, pois ao encetardes a caminhada rumo à autonomia, toda a legião de eões e arcontes cairá sobre vós. Muitos deuses da criação, muitas entidades poderosas, pas- sarão a se interessar por vós!

Somente da forma descrita acima, a Escola da Rosa- cruz Áurea nasceu e se tornou o que é, isto é, por meio da autonomia. Aqueles que iniciaram o trabalho da Escola Espi- ritual gnóstica colocaram-se desde o princípio, embora ex- tremamente benevolentes e corretos, no ponto de vista: não há nada de bom neste mundo. Nem há ninguém bom, nem um sequer. Por isso, desejamos ser autónomos. A divindade,

a poderosa divindade, que tudo preenche, pode tocar-nos com sua irradiação somente nessa objetividade, nessa auto- nomia: Somente dessa forma, sua plenitude de radiação po- de transmitir-nos em pureza a mensagem universal.

A partir do momento em que demos início ao trabalho da Escola, toda a legião de eões e de arcontes precipitou-se sobre nós: mental, etérica, verbal e literalmente. O que não foi dito a respeito da Escola e de seus obreiros? De que não nos acusaram no decorrer dos anos? Graças a Deus fo- mos capazes de nos manter na autonomia até este momen- to.

Não vos preocupeis com essa imagem diante dos olhos. Por isso, ela foi dada a vós. Compenetrai-vos do fato de que vós sois uma pistis' sophia em potencial, tal como o sois atualmente, pois, existem - e este é o segredo - as ra- diações onipresentes e onipenetrantes do bem único. Podeis entrar em ligação com elas. Nada se interpõe entre vós e es- sas radiações do bem único! Nenhuma criação, nenhuma criatura, nenhum teólogo e nenhum líder espiritual de uma escola espiritual! Como criatura autõnoma, defrontais-vos exclusivamente com o "Isto". É possível viver e existir a partir das radiações do bem único. Perante todos os fenõmenos no mundo das criaturas, perante o criado, podeis ser soberanos na força do bem único, e, totalmente livres, consumar vosso caminho rumo ao alvo. Talvez, agora, direis: "Vós mesmos dissestes que não se deve apegar a nada. Como é possível então ligar-se às radiações do Espírito• Santo Sétuplo? Não seria possível ha- ver algum engano aí?" Sim, não deveis ligar-vos a nada en-

quanto ainda existis apenas no estado natural. Fazei isso e sereis sempre sacrificados. Se, por exemplo, assumis o ponto de vista "eu tenho, eu sou, eu posso", sereis enganados dia após dia por Authades*, a força com cabeça de leão' (pensai no evangelho gnóstico da Pistis Sophia). Authades represen- ta as forças e figuras que imitam o ser de Cristo. Quando um teólogo fala sobre "Jesus, o Senhor'', ou sobre "Cristo", ele não passa de um servidor da força com a cabeça de leão. Quando, porém, entrardes no não-ser e abrirdes a vossa essência, cuidando para não vos apegardes a nada, sereis tocados pela radiação universal do bem único. E, em determinado momento, sabereis que estais ligados. Não deveis, entretanto, ligar-vos a nada, enquanto exis- tis apenas no estado de nascido da natureza. Do contrário, sereis sempre sacrificados. Então, submergis no "mar aca- dêmico", como Johann* Valentin Andreae o chama, e nunca alcançareis a ilha de Caphar Salama, o país da paz. Por isso, existe uma preparação no processo do discipulado gnóstico* para atingir essa unidade com o bem único, isto é, a consa- gração à rosa* do coração na autonomia do ser. Se vos con- sagrais à rosa do coração com todas as conseqüências e leis aliadas a isso, então, de fato, consagrais-vos ao ser autóno- mo, ao ser no verdadeiro sentido da palavra. Em primeiro lu- gar, isso significa que vós subordinais a sede do eu, o san- tuário* da cabeça em seu estado natural, ao santuário* do co- ração, a fim de despertar para a vida a alma, vossa alma

imortal. Na Escola Espiritual, denominamos, "auto-rendição*" a submissão da cabeça ao coração. Quando a alma se desper- ta para a vida, o coração se consagra à cabeça, pois, quando ele se abre à luz da Gnosis e é totalmente preenchido com

essa força-luz, o irrompimento para o santuário da cabeça deve ser, em seguida, celebrado por meio do coração, a fim de expulsar tudo o que não lhe pertence. Então a plenitude radiante do Espírito no santuário da cabeça se manifestará, enquanto o ser autónomo controla toda a inteligência e as percepções sensoriais. A intenção é, portanto, abrir o santuá- rio da cabeça para a manifestação de Pimandro·, a plenitude radiante do bem único por meio da auto-rendição - e esta podeis realizar somente mediante a autonomia. Assim, o Espírito assentar-se-á no trono do ser autôno- mo no caminho de Belém ao Gólgota. Tereis atingido vosso alvo. Tereis atravessado o mar da cegueira e alcançado a ou- tra margem.

Porém, agora podereis de novo fazer uma pergunta de ordem prática: "Se eu entrar muito conscientemente no nobre estado de negação•, sem ódio nem amor, não ignorarei os verdadeiros filhos de Deus? Existem muitos que trilharam ou estão ocupados em trilhar a senda do bem único. Não se po- deria assumir o ponto de vista de que nada temos a ver com coisas e pessoas, considerando-nos assim superiores?" Sem dúvida, este mundo, graças a Deus, encontra-se povoado por muitos filhos de Deus, porém é de todo impos- sível que não os reconheçais. Se sois um renascido segundo a alma, se esse processo já se tornou efetivo em vosso ser, em vosso coração e cabeça, não podereis cometer nenhum erro a esse respeito. Tão logo vos tenhais tornado um renas- cido segundo a alma, confluireis totalmente em unidade com todas as outras almas renascidas e, onde quer que estejais neste mundo, reconhecereis em todas as circunstãncias os irmãos e as irmãs. Uma comunidade de almas não necessita

ser formada. Ela existe! Precisais somente nela ingressar, pa- ra que a rosa floresça. De vez em quando, ouvimos na Escola o seguinte co- mentário: "Para mim, é tão difícil vivenciar a unidade* de grupo, participar da unidade de grupo assim como a Escola a compreende". Um comentário desse tipo é, na realidade, grande tolice, pois quem isso afirma demonstra que sua alma ainda noo nasceu. Se vossa alma já nasceu ou se pelo me- nos existir um tênue brilho desse novo estado anímico em vós, a unidade não vos representará nenhum problema. Não podereis deixar de participar desse grupo. A alma é existen- cial e absolutamente una com todas as outras. Essa é a magnificência da grande comunidade das almas. Assim que se concentrou força suficiente da nova alma na jovem Gnosis, origina-se, imediatamente, uma ligação com a graMe comunidade das almas da corrente* universal gnóstica. Não procuramos essa união, nem a solicitamos e não nos correspondemos com esse propósito; simplesmente nos encontramos uns com os outros! Muitos irmãos e irmãs fo- ram testemunhas desse fato. Uma comunidade de almas não precisa ser formada, ela existe! Por isso, trilhai a senda! Quanto ao demais, pensai na advertência constante na Escritura Sagrada por vós conhecida: "Sede fiel e não con- fieis em ninguém" e "Não acrediteis em todo o espírito, po- rém experimentai os espíritos para saber se provêm de Deus", assim diz João. Dois conselhos muito herméticos. Se vos ativerdes a isso, nada de mal vos acontecerá. Caso con- trário, dor e sofrimento sempre vos sobrevirão, pois dor e so- frimento são uma parte do mal.

IV

O CAMINHO PARA A LIBERTAÇÃO

Estareis sem dor e sem sofrimento pelo resto de vossa senda da vida através das regiões da natureza da morte, quando puderdes empregar o método da autonomia, que se encontra oculto na Gnosis, pois, como diz Hermes, sofrimen- to e dor são uma parte do mal. Esse método de que já vos falamos anteriormente é denominado "autónomo" porque ele deve desenvolver-se sem a ajuda e sem a orientação de autoridades para que te- nha bom êxito, portanto, o método da autonomia com o con· seqüente renascimento gnóstico da alma. Somente pela apli· cação do único método libertador, tomais parte nas radiações do bem único. Dividimos essa plenitude radiante em sete aspectos e falamos também de Espírito Santo Sétuplo. No Espírito Sé- tuplo, experimentamos a glória do bem único. Em sua radia· ção não se encontra nenhuma dor ou sofrime!lto. A dor e o sofrimento são sempre resultantes do erro das criaturas que, diariamente, sem conhecer o caminho de libertação, sugam e exploram uns aos outros, por força da lei da natureza da mor- te.

Os fundadores da filosofia hermética experimentaram

as qualidades do bem único a partir da natureza do Espírito Sétuplo. Quando também fordes encontrados, em positivida- de, pelo Espírito Sétuplo, tereis a mesma experiência vivida por Hérmes Trismegisto. Por isso, ele testemunha o seguinte

a respeito do bem único:

Não há nada que seja mais forte do que Ele e que pos- sa combatê-Lo (nem tampouco está em conformidade com Sua essência, que a injúria possa atmgi-Lo). nada O ultra- passa em beleza que possa inflamar seus sentidos em amor; nada pode recusar obedecer-Lhe e causar-Lhe por isso cóle- ra; e nada é mais sábio do que Ele e que assim possa des- pertar Seu ciúme. Estando pois ausentes no onisser todas essas paixões, nada existe nEle senão o bem. E, visto que nenhum dos ou- tros atributos pode apresentar-se em semelhante ser, é igualmente certo que o bem não pode ser encontrado em nenhum outro ser.

Por conseguinte, existe apenas uma saída para o bus- cador, para aquele que suplica pela libertação: realizar a liga- ção com o bem único, da forma indicada. Todos os outros caminhos não resultam em bom êxito e estão completamen-

te excluídos para o homem que busca a libertação. Compre-

endei bem, todos os caminhos continuam livres para vós. Milhares de vozes soam: "Vinde a nós, segui nossa senda!"

Porém, se tivésseis ainda tempo para trilhar todos esses ca- minhos, descobriríeis no final que somente há uma salvação:

a ligação com o bem único. Eis por que nossa orientação,

como Escola Espiritual gnóstica, sempre foi através dos anos muito simples em seus fundamentos:

autonomia; auto-rendição à rosa do coração; renascimento da alma e renascimento por intermédio da alma.

O corpo* vivo da jovem Gnosis está estruturado à se- melhança de uma arca bem construída. Na arca clássica que nos é descrita no Velho Testamento, e sobre a qual os misté- rios egípcios também nos ensinam mteiramente, encontram- se todos os verdadeiros valores e forças do Espírito, da alma e da matéria. Eles foram colocados sãos e salvos na arca. Quando vos juntais, como alunos, no corpo vivo da jovem Gnosis e conheceis o alvo a que nossa arca se dirige em nossa época, torna-se evidente porque a jovem Gnosis dis- tancia-se totalmente, sim, deve manter-se afastada de todas as coisas existentes no campo comum da criação. Se ela adotasse um ponto de vista contrário, estaria contradizendo o princípio da autonomia. Existe apenas um caminho para a li- bertação: a ligação com o bem único. Qualquer outro cami- nho, por mais belo que seja, apresenta resultados negativos. Tem-se julgado muito mal a Escola por ela querer man- ter-se livre de todas as coisas existentes. Sempre se fala e pensa com desdém sobre isso e acusam-na de sectarismo. Todavia, o separatismo da Escola é apenas mantido com relação a pessoas e grupos que procuram sua cura no campo de criação dialético e apenas utilizam o nome do bem único como uma bandeira para cobrir sua carga. Naturalmente, o separatismo não é válido em relação ao absoluto. Isso seria totalmente impossível. Quem no en- tanto trilha a senda rumo ao bem único, chega ao renasci- mento da alma, e a conseqüência disso é sempre a celebra-

ção da unidade com todas as outras almas. Se no mundo existirem grupos de pessoas que aspiram a esse caminho e estejam trilhando essa mesma senda única de libertação, es- ses enéontrar-se-ão, infalivelmente, na hora certa. Então, o fraco se juntará ao forte, voluntária e alegremente, na certeza de que não será explorado. Os fatos comprovaram, no curso dos anos, que a Es- cola Espiritual tem sempre seguido esse caminho hermético

e o que começou tão pequeno está ocupado em tornar-se

grande. Verificamos tudo isso sem presunção. Fazemos essa observação porque o curso de desenvolvimento da Escola demonstra a verdade da senda hermética. Aquele que busca

o bem único de forma autónoma, sempre vencerá. Espera-

mos fervorosamente que possais perceber claramente: a for- ça está no bem único. Se vós, portanto, aparentemente como um solitário, um andarilho nesta vida terrestre, puderdes es- tabelecer a ligação com o bem único, sereis mais fortes do que aquele que conquista uma cidade. Aquele que busca o bem único de forma autónoma, sempre vencerá!

Desse modo, novamente verificamos, em sintonia com

o texto do décimo livro: "Assim como nada do mal há no ser divino, assim também o bem não será encontrado em ne- nhum outro ser''.

Pois, todos os outros atributos se encontram em todos os seres, tanto nos pequenos como nos grandes, em cada um deles a sua própria maneira, e, mesmo no mundo, o maior e o mais poderoso de toda a vida manifestada; tudo o que foi criado está cheio de sofrimento 4 , pois a geração

4. Ver nota página 2.

mesma é um sofrimento.

Isso significa, entre outras coisas, que todas as criatu- ras nascidas da vontade do homem, elo processo reprodutivo, não possuem o bem único, porém somente o resto. O estado de vida animal não pode participar do bem único. Somente a alma pode, pois ela não provém do estado de vida animal. Quando uma criança nasce, não se verif1ca de antemão que possuirá uma alma. O que na filosofia da Escola Espiritual é chamado nascimento ou renascimento da alma consiste no despertar de algo já existente. Esse tipo de nascimento não pode ser transferido para outros por meio de reprodução. Não podeis também obrigar vossos filhos a viver da al- ma. Podeis somente exercer uma influência muito benéfica em vossos filhos, por meio de exemplo pessoal puro. Nem mesmo a força para despertar a alma pode, portanto. ser ex- traída da natureza da morte. O instinto reprodutor é uma for- ça de natureza astral. É um fogo que se comunica ao cora- ção. Eis por que se fala das paixões do coração. Com isso, não se tem em mente esse ou aquele estado de peiVersão. Não, puramente conforme a lei, todo o nascimento na natu- reza é a conseqüência de uma paixão, de uma concentração astral no santuário do coração. Por isso, Hermes diz no versí- culo 4 do décimo livro:

Onde há sofrimento, o bem está decididamente ausen- te. Porque onde está o bem certamente não há sofrimento. Pois, onde está o dia, não está a noite, e onde está a noite, não está o dia. Por isso, o bem não pode habitar no que é criado, porém somente no incriado.

Sim, para que não haja mal-entendidos: é impossível que o bem habite em um nascido; ele habita somente no unigênito. Talvez tudo isso seja difícil de entender e, quem sabe, ai~da mais difícil de aceitar. Por acaso, Hermes, Asclé- pio, todos os grandes e ainda todos os aspirantes da Rosa- cruz não nasceram também da paixão? E poderia qualquer outro microcosmo* neste campo de existência ser vivificadO de maneira diferente? Como pode então Hermes censurar is- so?

Ele não censura, apenas verifica. ponto de vista:

Ele esclarece seu

Contudo, como a matéria de todas as coisas participa do incriado, participa como tal igualmente do bem. Neste sentido, o mundo é bom, pois até o ponto onde também pro- duz todas as coisas, ele é como tal, bom; todavia, em todos os outros aspectos, não é bom, porque também está sujeito aos sofrimentos e à mutabilidade, e é a mãe de todas as criaturas suscetíveis de sofrimento.

Hermes tenciona dizer-nos: existe um plano para man- ter a humanidade decaída no campo astral da natureza da morte em manifestação. Vários reinos estão ligados a esse plano (pensai nos reinos5 animal, vegetal e mineral que tão intimamente estão ligados ao reino hominal). A intenção, os fundamentos, do plano são absoluta- mente bons segundo a natureza. Seu objetivo consiste em proporcionar aos microcosmos decaídOs novas possibilidades

5. Ver em O advento do Novo Homem, páginas 152 a 155, 1• edição e páginas 149 a 153, 2' edição, de Jan van Rijckenborgh.

de manifestação e, mediante estas, uma nova possibilidade de libertação. Eles resultam do divino plano de salvação do mundo e da humanidade. Porém as atividades - a elabora- ção do plano - devem-se realizar por intermédio da criatura nascida da natureza. O processo de conservação e a coope- raçao dos reinos naturais nesse ponto, assim como seus re- sultados incipientes, não têm qualquer relação com o bem único.

Deveis ver isso dessa forma: quando uma criança nas- ce e, portanto, encontra-se no iníc1o do curso da vida, exis- tem nela inúmeras possibilidades de libertação. Naturalmen- te, essas possibilidades podem ser, em determinado aspecto, chamadas de boas; contudo, elas nada têm a ver com o ab- soluto, com o bem único. Hermes destrói imediatamente a ilusão, o sonho, de que o homem seja, sem maiores considerações, bom, como acreditavam os círculos idealistas antigamente. Ele diz:

O homem estabelece as normas de bondade mediante a comparação com o mal, porque o mal não demasiadamen- te grande vale aqui como bem, e o que aqui é julgado como bem, é a menor parte do mal. Portanto, de modo algum, po- de aqui ser livre da mácula do mal. Aqui o bem é sempre de novo atingido pelo mal e, deste modo, cessa de ser bom. As- sim, o bem se degenera em mal.

Imaginai que tenhais praticado, em determinado mo- mento, uma gentileza, "algo bom", como se costuma dizer. Quem pode asseverar que vós, daqui a uma hora, praticareis

outra ação igualmente boa?

que em determinado momento decidis, no

Suponde

templo, trilhar a senda. Essa será uma boa decisão. No en- tanto, tendes certeza de que não tereis esquecido essa boa decisão_dentro de uma hora? Sentis que tal decisão não de- riva do bem único? Vossa boa decisão se encontra ligada a forças ahtagônicas e pode, possivelmente, hoje ou amanhã, transformar-se em maldade. Podereis então colocar-vos nes- te ponto de vista: "Eu estava no templo num estado mais ou menos de exaltação, porém agora seria melhor levar em con- ta as coisas concretas da existéncia dialética". Todo o nosso assim chamado bem, diz Hermes, é submetido a alterações e quando vossa boa decisão não for diretamente colocada a serviço da alma, ela se transformará em seu oposto. Assim, por meio do bem na natureza, invo- cais sempre seu oposto. Eis por que tendes tantas dificulda- des. Estais sempre plenos de boas intenções, porém logo depois sois como que afogados nos opostos. O bem é sem- pre de novo atingido pelo mal e, deste modo, cessa de ser bom, assim diz Hermes, laconicamente. Então o julgamento é claramente executado no versículo 6:

Entre os homens, Asclépio, encontra-se o bem unica- mente segundo o nome, todavia em parte alguma como rea- lidade, o que é, aliás, impossível. Porque o bem não pode encontrar lugar num corpo material que está quase sufocado em males e em esforços penosos, dores e desejos, instintos e ilusões e imagens dos sentidos.

Há, portanto, uma linha divisória tão cortante quanto o fio de uma navalha. Existe, tanto em vós como em nós, uma pequena possibilidade que, no melhor dos casos, pode ser denominada a menor parte do mal. Essa pequena possibili-

dade, essa força se torna, no decorrer dos anos, cada vez rnenor e mais fraca. Essa ínfima parte do mal, essa possibili- dade que se desfaz, deveis empregar, enquanto a tendes, pa- ra a auto-rendição, a fim de poderdes despertar a alma de forma a gerar uma nova vida que se subtraia do charco da morte. Caso não aproveiteis essa oportunidade, toda a vossa personalidade, não importa o que façais para impedi-lo, ver- se-á cada vez mais ligada a uma das manifestações do mal. Toda a vossa vida será então preenchida e permanecerá ple- na de esforços penosos, dores e desejos de milhares de for- mas. Sereis enredados, por meio de instintos, ilusões e per- cepções sensoriais, por toda a sorte de desgostos. Em quantos embaraços já não estais enleados? Quanto sofrimento e quanta dor já não constituem vosso quinhão? Aproveitai vossas possibilidades enquanto ainda as tendes, caso contrário, o final do cãntico de vossa vida será a inca- pacidade de compreender a única idéia libertadora que Her- mes transmite a Asclépio. Quem pode dizer quando se extin- gue o último ténue brilho de possibilidade de uma atitude de vida libertadora em uma pessoa? Por isso, aproveitai vosso tempo!

v

A ILUSÃO DA BONDADE DO MAL .

Nos versículos seguintes do décimo livro de Hermes, é esclarecido minuciosamente um ponto bastante difícil, um escolho muito perigoso, de grande significado para todos nós. Hermes diz nos versículos de 7 a 1O:

O pior de tudo, Asclépio, é que se considera cada uma das coisas que nomeei e que impulsiona os homens, como o bem supremo, em vez de um mal extremo. O instinto de co- biça do ventre, o incitador de todas as maldades, é o erro que nos tem aqui afastado do bem. Por isso, dou graças a Deus pelo que Ele manifestou a minha consciáncia como conhecimento sobre o bem que não se pode encontrar no mundo, pois o mundo está preenchido pela plenitude do mal, do mesmo modo que Deus está pre- enchido pela plenitude do bem, ou o bem pela plenitude de Deus.

Do ser divino i"adia a beleza, que habita no ser de Deus, em suprema pureza e imaculabilidade. Ousemos pro- feri-lo, Asclépio: a essência de Deus, se nos for permitido falar disso, é o belo e o bem. Não se pode encontrar o belo e o bem, naqueles que

estão no mundo. Todas as coisas perceptfveis aos olhos são formas aparentes, algo como silhuetas. Porém tudo o que vai além dos sentidos se aproxima ao máximo do ser do belo e do bem. E assim como o olho não pode ver a Deus, tampou- co pode ver o belo e o bem, pois ambos são partes perfeitas de Deus, porque próprias dEle e dEle somente, inseparáveis de Seu ser, e expressão do supremo amor de Deus e a Deus.

É necessário colocar todas essas palavras no presente

vivo.

Sem sombra de dúvida. concordaremos mutuamente que o bem não pode ser encontrado neste mundo e que a vi- da é apenas fadiga e dissabores, que o sofrimento e a dor são o quinhão do homem. Assim. existem ao lado dos pes- simistas, os otimistas, e ao lado dos tristes, os alegres. Existem aqueles que aceitam a vida assim como ela é; porém existem ainda outros que, desesperados, lutam contra ela. Conhecemos tanto os batalhadores como os resignados. Todavia quase todos sabem, do imo de seu ser, que o bem que perseguem ou o bem que acreditam ter encontrado, quando vem a julgamento, não passa de uma sombra, uma irrealidade, e onde esse conhecimento não existe, ocorre, de tempos a tempos, sentimentos de dúvida e também geral- mente de decepção, pois o bem parece não ter sido tão bom - porém tão-somente uma parte maior ou menor do mal. Compreendeis que aqui abrimos uma exceção para as assim chamadas entidades-centelha-de-vida*, que disso tudo nada compreendem. Elas são animais entre animais e não conhe- cem nem possuem nenhuma vida interior. Todavia, atentai para vós mesmos, se sois um aluno da Gnosis. Como tal, tendes grandes possibilidades a vossa dis-

posição, pois participais do corpo vivo da Escola. Mesmo as- sim, soa nossa pergunta: "Já sois tão ditosos? Elevastes a vós mesmos além da dor e do tormento? Já vos libertastes da dor e do sofrimento? O sofrimento já se retirou de vós? Não estais submetidos a inúmeras e alternantes disposições de ânimo? Permaneceis totalmente na alegria dos filhos de Deus desde o amanhecer até o anoitecer? Não é verdade que, antes de tudo, tendes de trilhar a senda difícil nos tem- pos atuais? E que estais confusos ern meio a inúmeros pro- blemas e a mil e um aborrecimentos? Qual é a causa disso tudo? Não observastes quantos homens se queixam de sua saúde?" Talvez, isso aconteça nos círculos de alunos da Escola. Vários parecem muito mal de saúde. Queixam-se especial- mente de fadiga. Tem-se a impressão de que muitos têm es- sas dificuldades devido a uma sobrecarga constante, sem pausas para descanso. Ou, então, que a alimentação não é ideal para muitos alunos. Vede, isto é um sintoma de nossos tempos. Acredita- mos que, nesse ponto, os alunos não são nenhuma exceção do homem da massa, pois por todos os lados, fora da Escola, em toda a Europa e mais além, pode-se verificar a total de- pressão. Esse estado que agora atingimos, já foi previsto pela Escola Espiritual modema há alguns anos. Essa adver- tência foi feita aos alunos várias vezes. Por que uma advertência? O que se pode fazer contra isso? Como seres nascidos da natureza, não somos todos ameaçados pelos mesmos perigos? Não, a advertência vos foi repetidamente transmitida porque talvez possais fazer alguma coisa contra isso! Contu- do, um dos obstáculos de nosso tempo é que se ouve e en-

tende muito mal. Além disso, esquecem-se as coisas rapi- damente. Tudo o que vos dizemos hoje, amanhã já tereis es- quecido. totalmente. Isso não ocorre intencionalmente nem se trata de alguma condição primitiva. Não, o que se vos trans-

mite é rémovido de vós!

A atmosfera em que vivemos, sofreu uma mutação. A

grande' farsa está sendo encenada! Atentai para o que acon-

tece no mundo em sintonia com a grande farsa, em concor- dância com o desmascaramento·. Observais também como a grande farsa já se encontra ocupada em enganar-vos?

Uma enfermidade, uma debilidade e um envenenamen-

to geral de toda a humanidade já tiveram início. Já havíamos

informado sobre isso há muito tempo, para que não fôsseis sacrificados por isso. Todas essas queixas expressam, na realidade, nosso enredamento na grande corrente da sub- mersão. Deplorável e lamentavelmente carregados com todo

o tipo de sintomas mórbidos, somos arrastados irresistivel- mente com a corrente. Em toda a parte, reina a inquietação e um certo desalento. E pergunta-se: "Para onde isso leva? O

que está acontecendo?"

O décimo livro de Hermes oferece-nos a possibilidade

de dar uma resposta objetiva a essa pergunta: o homem des-

te mundo não é capaz de perceber! O que os olhos vêem, diz

Hermes, são apenas formas aparentes e as sombras da natu-

reza inferior. Como isso é possível? Devido ao estado em que se encontra vosso santuário da cabeça. Devido ao estado de vossas faculdades senso- riais. O total santuário da cabeça do homem nascido da natu-

reza está, inteiramente, sintonizado com a natureza da mor- te. Suas faculdades sensoriais, sejam elas grosseiras ou ex- tremamente refinadas, reagem somente à dialética, à nature- za comum. Esse estado de consciência é completamente inadequado para perceber o bem único que é, no mínimo, a condição existencial do estado de alma vivente. O que está oculto a vossos olhos, aproxima-se ao máximo da essência do bem; o mais poderoso, a magnificência absoluta, escapa totalmente aos centros de consciência, aos órgãos sensoriais do santuário da cabeça. Não nos referimos aqui à clarividên- cia, à visão etérica ou coisa semelhante, pois tudo isso é apenas uma expansão da visão da miséria, porque a imundí- cie e a pobreza da natureza material podem ser percebidas em quantidade ainda maior na esfera refletora. Do mesmo modo, o décimo livro nos diz: o bem, o bem único, não pode ser encontrado neste mundo. Contudo, a ra- diação do bem, do Espírito Sétuplo Universal, é onipresente! E podeis participar dessa radiação. Nela se encontra a possi- bilidade de ascensão. Porém o conhecimento disso não é su- ficiente. Isso quer dizer que ?penas compreendeis intelec- tualmente. Enquanto esse conhecimento permanecer num âmbito racional não aproveitareis nada dele.

Se sois alunos da Escola Espiritual moderna, podemos estabelecer a posição da maioria de vós, como se segue:

em primeiro lugar, tendes conhecimento da senda; em segundo, a senda despertou vosso interesse e vos-

so coração ansiou por ela; em terceiro, fostes, em conseqüência disso, admitidos num corpo gnóstico vivente;

em quarto, experimentais, desse modo, a influência in- tensa desse corpo vivo; em quinto lugar, permaneceis, por um lado, totalmente na natúreza da morte e em sua influência e, por outro lado, atraís as radiações da Escola Espiritual; em sexto, é fato que a atmosfera do mundo se toma cada vez pior e mais miserável, enquanto que, simultanea- mente, a influência da Gnosis, que se manifesta em e por vós no corpo vivo, torna-se sempre mais intensa, e, em sétimo lugar, carregais um lardo duplo e sois co- mo que divididos em dois; de um lado, existe a natureza da morte, e de outro, a influência do corpo vivo.

Vós sois divididos e isso ninguém suporta, a menos que trilheis a senda atentos a todas as conseqüências, que teori- camente conheceis tão bem. Compreendei-nos bem, não vos censuramos, apenas chamamos vossa atenção para um es- tado que, na realidade, ainda existe inteira ou parcialmente. Amais a Escola de coração. Executais vosso trabalho com amor. Vossa dedicação é magnífica. O que é necessário ago- ra?

Iniciar de imediato, com a maior presteza, a vivência de vossa senda! Necessitais dar um salto em meio a atualidade de vosso discipulado. A vivência da senda. A realização dire- ta e positiva do discipulado. Numa escola de ocultismo, pode-se dizer: "Hoje eu farei meus exercícios mais brevemente. Tenho pouco tempo e não estou sentindo-me bem. Isso não me é conveniente". Porém na Escola Espiritual gnóstica não podeis permitir-vos tal coi- sa! Trata-se, antes de tudo, num tempo como nosso, de ser ou não ser, a fim de empregar absoluta e imediatamente

todas as normas que a Escola vos têm transmitido tão abun- dantemente, sem perder também um único instante. Uma pergunta: permaneceis assim no discipulado direto

e atual de manhã à noite, hora após hora? Respondei a vós mesmos. Não conservais por muito tempo o estado sétuplo que vos descrevemos anteriormente. Vários acontecimentos dentro e fora de vossa vida vos pegam de surpresa. No momento, vossos olhos percebem apenas silhuetas, pois vossa consciência também permanece como nascida da natureza, porque conheceis o bem apenas na teoria. Nem o olho interno - entendei isso bem - pode contemplar também

a magnificência do bem. Desse modo, carregais a carga da

natureza e a ruptura interior, devido a influência da Gnosis, que simultaneamente carregais convosco de um lado para o outro. Uma dupla carga, portanto, sem qualquer compensa- ção. Talvez, uma conferência num de nossos focos• onde sois apartados da rotina dos afazeres diários, onde tudo é di- ferente e onde sois envoltos pela força do templo, seja a úni- ca compensação que tereis. Quanto ao resto, não existe ne- nhum equilíbrio, nenhuma harmonia em vossa vida. Não é verdade que muitos alunos jamais viram aquilo que é bom, o único e verdadeiro bem? Porquanto, por outro lado, estavam obviamente ligados a toda a maldade em vir- tude de seu nascimento na natureza. Ninguém consegue vi-

ver apenas da teoria. Vós mesmos deveis discernir até que ponto o trecho abaixo se aplica a vós. Nele, Hermes mostra que os homens não somente estão ligados a toda a malda- de, mas que também pensam que esta é o bem. Tudo aquilo para o que a natureza terrena impele os homens é conside- rado o bem supremo, ao invés de um mal extremo. O homem

receia ser dele despojado e luta com todo o seu poder, não

somente para conservá-lo, mas também para que se multi- plique.

Compreendeis agora que, numa escola como nossa, a verdadé sempre se demonstra em determinado momento? Compreendeis também que, com base nos fatos citados, muitos permanecem à beira de um precipício? Por isso, ago- ra é a ocasião propicia para intervirdes radicalmente em vos- so estado de ser, visto a velocidade tomada pelo curso dos acontecimentos e pelos desenvolvimentos no mundo. Deveis atacar tudo o que em vós ainda se mantém no lado negativo das coisas, antes que seja tarde. Sabeis qual é o caminho; o método vos é conhecido; e, simultaneamente, já há muito tempo, a força para o rompi- mento se encontra a vossa disposição. Por que suspirais en- tão? Não há nada por que suspirar, pois as mãos são esten- didas aos milhares para vos tirar do lodaçal. Contudo, se não agarrais uma dessas mãos, como sereis auxiliados?

VI

O CÂNTICO DE ARREPENDIMENTO DA LIBERTAÇÂO

Muitos de vós conhecem, de expenência própria, a dor da ruptura interna que já tivemos oportunidade de esclarecer anteriormente. Por um lado, existe a dialética, o mal; por ou- tro, a atração exercida pela Gnosis sobre nós devido a nossa participação no corpo vivo da Escola Espiritual. Portanto, uma solução se tornou urgente, absolutamente necessária. Pode-se então apresentar uma pergunta concreta: existe so- lução?

A resposta da Escola é: sim, existe solução, e esta se

encontra na senda, no emprego do método que vos é ensi- nado e novamente indicado. Passai pois a não amar nem odiar tudo o que pertence à natureza da morte. Permanecei na já descrita autonomia. Permanecei objetivos diante de to- das as aparências. Cumpri vossos deveres na vida, fazei o que é correto, porém não façais mais do que isso. Assim, as forças astrais da natureza da morte, as forças astrais do

campo de vida comum, influenciarão cada vez menos vosso santuário do coração.

O santuário do coração possui sete cavidades, sete

câmaras: quatro cavidades inferiores e três princípios superio- res. A filosofia hindu fala do "lótus de quatro pétalas" do co-

ração e do "Jótus de sete pétalas", enquanto que a Escola ln- terna da jovem Gnosis se refere respectivamente ao "triân- gulo" e ao "quadrado da construção". As quatro cavidades in- feriores do coração formam o quadrado da construção. Acima das quatro câmaras cintilam três flamas, três archotes etéri- cos, os três princípios superiores. Cada um possui um raio de ação mais ou menos grande. Eles conduzem, eles ativam, os processos inferiores que se devem desenvolver sobre o qua- drado* da construção. Quando pois de modo coerente e com perseverança, permaneceis na autonomia, pondes um, dois ou todos os três princípios superiores do coração em condições de influenciar as quatro câmaras inferiores de forma poderosa e estimulan- te. Assim, atingis totalmente outro estado de vida. Se amais alguma coisa da natureza da morte, vós a atraís; se odiais algo, o repelis. Necessitais sempre a corren- te astral dialética tanto para o processo de atração como pa- ra o de repulsão. Assim, mantendes vivo o fogo da morte na aura do coração. Todos os vossos interesses relativos à vida no plano horizontal, todos os vossos pontos de vista desa- gradáveis quanto a mesma, conservam o estado natural co- mum de vosso santuário do coração. Dessa forma, pode-se falar de paixões, de tempestades de natureza astral que in- quietam o santuário do coração. Essas correntes astrais da vida comum desempenham assim um papel importante em vosso coração e portanto em vossa vida. Compreendeis en- tão que se durante um de nossos serviços templários, a aura do coração é carregada de modo diferente, vós recebeis, por causa disso, essas influências tanto no corpo como na cons- ciência. No entanto, se em seguida, sem autocontrole, ajus- tais-vos novamente à vida comum, o novo fogo astral que

começou a arder é neutralizado imediatamente, e o estado antigo volta a ocupar seu lugar em vossa vida com força to- tal.

A conseqüência, como é evidente, é que toda a vossa consciência, o candelabro sétuplo do santuário da cabeça e todos os órgãos sensoriais, assim como o coração, permane- cem sintonizados com a natureza da morte. Desse modo, mantendes como que aprisionado tudo o que está na cabeça. Todas as correntes astrais de que viveis convertem-se em forças etéricas. Vosso inteiro organismo sensorial trabalha, queima, funciona, mediante éteres. Eles formam o combustí- vel do aparelho orgânico-sensorial. Os éteres são extraídos da substância astral. Por isso, haveis de compreender que sereis sempre o mesmo nascido da natureza, se esta subs- tância astral que comanda todo o vosso ser provier da natu- reza da morte. Eis por que Hermes diz nos versículos 1O e

11:

E assim como o olho não pode ver a Deus, tampouco pode ver o belo e o bem, pois ambos são partes perfeitas de Deus, porque próprias dEle e dEle somente, inseparáveis de Seu ser, e expressão do supremo amor de Deus e a Deus. Se assim pudesses reconhecer a Deus, reconhecerias o belo e o bem, em sua suprema glória radiante, inteiramente iluminada por Deus, pois essa beleza é incomparável, essa beleza é inimitável, assim como Deus mesmo o é. À medida que reconheces a Deus, reconheces também o belo e o bem. Eles não podem ser participados a outros seres, por serem, inseparáveis de Deus.

Por isso, o homem que realmente busca uma solução,

a libertação, deve, em primeiro lugar, tornar-se autônomo.

Sem essa autonomia, sua obra será inútil, pois é compreen- sível que primeiramente deveis tratar de paralisar a fúria vio- lenta do fogo astral da natureza da morte, que a neutralizeis

o tanto quanto possível. Tão logo o coração seja libertado,

devereis, como foi dito, subordinar-vos, juntamente com o santuário da cabeça, ao santuário do coração, em total auto- rendição. Dessa forma, a consciência que se tornou objetiva

cantará seu cântico* de arrependimento. cântico de arrepen- dimento da libertação. Quando, humilde e plena de rendição, a consciência se volta ao coração, assim como diziam os místicos, um afluxo

de forças luminosas do novo fogo astral tem lugar imediata- mente no coração. Uma nova aura do coração se forma e vos tornais, por assim dizer, mais jovens. Adentrais a nova juven- tude, a juventude do estado de alma recém-nascido. Esse fogo astral da Gnosis, do mundo da alma, pene- trar-vos-â e vos preencherá inteiramente. Ele vos envolverá totalmente como uma veste. Como resultado disso, também

a consciência, o santuário da cabeça com todas as suas fa-

culdades será tocado, preenchido e modificado, podendo a maravilhosa flor* áurea ser vislumbrada pela janela da alma.

Todo um processo de transformação é instaurado e vossa vi- da atinge imediatamente o equilíbrio. A dor, o sofrimento e os problemas permanecem, pois a natureza comum segue seu curso. Porém a partir desse instante, vós vos colocais de forma bem diferente diante dessas coisas, de modo que elas

já não vos assaltam. não entrareis em fadiga moral ou es-

piritual, e a harmonia reinará em vossa vida. Assim, o ho- mem recebe uma compensação mais do que suficiente para suportar todas as provas com alegria no coração. E recebe a

compensação para poder manter-se em harmonia na nature- za da morte. Hermes denomina -esse novo estado uma vida ativa

que serve a Deus nas mãos da Gnosis. Essa é a plenitude

do Espírito Sétuplo, a plenitude de Deus. Essa é a suprema e nobilíssima felicidade que se pode experimentar. Essa é a participação no bem único, o ser acolhtdo nas radiações do Espírito Sétuplo, até o ponto que está destinado à criatura. Podereis celebrar no hoje absoluto essa bem-aventu- rança, se apenas aceitardes as conseqüências da senda. Somente então defrontareis a vida em total serenidade, pois tereis solucionado para vós e em vós mesmos o mistério do bem único.

VIl

DÉCIMO-PRIMEIRO LIVRO

SOBRE A MENTE E OS SENTIDOS

1. Asclépio, ontem te transmiti a palavra da maturida- de. E, agora. em conexão com isso, acho necessá- rio falar extensivamente a respeito da percepção sensorial. Pensa-se que entre a percepção sensorial e a atividade mental há uma diferença: uma seria material e a outra, espiritual.

2. Eu, porém, sou de opinião que ambas estão inti- mamente ligadas e de modo algum diferenciadas, pelo menos com relação aos homens, pois se entre os outros animais a percepção sensorial está ligada à natureza, nos homens esse fato se apresenta também com a mente.

3. A faculdade de pensar relaciona-se com a atividade mental, assim como Deus se relaciona com a natu- reza divina, porque a natureza divina provém de Deus, e a atividade mental, do pensar que está aparentada com o Verbo.

4. Ou melhor: a atividade mental e o Verbo são instrumen- tos úm do outro, pois o Verbo não é proferido sem uma atividade mental, e a ativiclade mental não se toma mani- festa.sem o Verbo.

5. A percepção sensorial e a atividade mental estão, pois, no homem, unidas como se fossem entrelaçadas. porque não há atividade mental sem percepção sensorial, nem percepção sensorial sem atividade mental.

6. Não obstante, é possfvel imaginar uma atividade mental sem direta percepção sensorial, como por exemplo, as imagens que se apresentam em sonhos.

7. Minha opinião é que ambas as atividades, ao se apresen- tarem, são despertadas pelas imagens do sonho.

8. Porque a percepção é dividida no corpo material assim como no corpo astral, e quando essas duas partes da percepção se reúnem, o pensamento evocado na mente é expresso pela consciência.

9. A mente gera todas as imagens pensadas: imagens boas, quando recebe as sementes de Deus; imagens ím- pias, quando provém de um dos demónios, porque não lugar no mundo sem demônios, pelo menos demônios nos quais falta a luz de Deus. Eles penetram o homem e semeiam as sementes de suas próprias atividades, e a mente é então fecundada com o que foi semeado - adul- térios, assassfnios, tratamento desamoroso aos pais, atas sacrflegos, ações fmpias, suicfdios por enforcamento ou

por atirar-se das rochas, e todas as outras coisas se- melhantes operadas pelos demônios.

1O.

Quanto às sementes de Deus, elas são pouco numero-

sas, porém grandes, belas e boas! São chamadas virtu- de, temperança e bem-aventurança. A bem-aventurança

é

a Gnosis,

o

conhecimento que é de Deus e com

Deus. Quem possui esse conhecimento está pleno de

todo o bem e recebe seus pensamentos de Deus, os quais são inteiramente diversos dos da massa.

11.

É por isso que os que andam na Gnosis, não agradam à massa, e, por outro lado, a massa não agrada a eles. Os primeiros são considerados dementes, são sujeitos ao riso e ao deboche, são olhados e desprezados e, de vez em quando, mesmo assassinados, porque, como eu disse, o mal deve habitar aqui por ser oriundo daqui. De fato, a te"a é seu domfnio e não o mundo, como alguns sacrílegamente pretendem.

12.

Aquele, porém, que respeita e ama a Deus, tudo supor- tará por participar da Gnosis, porque para tal pessoa to- das as coisas operam para o bem, mesmo aquelas que para outros são maldades. Quando se lhe preparam ci- ladas, ela apresenta tudo como oferenda à Gnosis e faz, ela só, com que todo o mal se transforme em bem.

13.

Vou voltar agora a meu discurso sobre a percepção. É, pois, próprio ao homem fazer coincidir a percepção com

a atividade mental. Todavia, corno já disse antes, nem todo o homem faz da mente um ganho; porque há o

homem material e há o vero homem espiritual. O ho- mem material, ligado ao mal, recebe, como já disse, o germe de seus pensamentos dos demónios: o homem espiritual, porém, é ligado ao bem e é guardado por Deus para sua salvação.

14.

Deus, o Demiurgo do Todo, forma todas as Suas criatu- ras segundo a Sua imagem, porém estas, boas segundo seu fundamento primordial, desviaram-se no uso de sua força ativa. Daí a retribuição da te"a. que, ao moê-las, produz os géneros em várias qualidades, alguns macu- lados pela maldade, outros purificados pelo bem. Por- que, Asclépio, o mundo tem também sua faculdade de percepção e sua atividade de pensar, não da maneira dos homens, nem tão variadas, porém mais sublimes, mais simples, mais verfdicas.

15.

Porque a percepção e a faculdade de pensar do mundo, criadas com o intuito de ser instn.Jmentos da vontade de Deus, dão forma a todas as coisas e as fazem dissol- ver-se novamente, para que, guardando em seu seio to- das as sementes que receberam de Deus, produzam todas as coisas segundo sua própria tarefa e vocação, dando-lhes, ao dissolverem-nas novamente, a renova- ção; deste modo, como um hábil jardineiro da vida, pro- porcionam-lhes a renovação após as terem dissolvido, fazendo-as se manifestarem de modo diferente.

16.

Não nada que não tenha recebido a vida do mundo. Dando existência a tudo, ele preenche tudo de vida. Ele é tanto a morada como o criador de vida.

17. Os corpos são edificados com matérias de espécies di- ferentes: parcialmente de terra, parcialmente de água, parcialmente de ar, parcialmente de fogo. Todos os cor- pos são compostos, um mais, outro menos: os mais compostos são mais pesados: os menos compostos, mais leves.

18. A rapidez da manifestação das formas opera aqui a multfplice variedade daquelas espécies. porque o inces- sante ativo alento do mundo dá continuaménte novas qualidades aos corpos, assim como a única plenitude de vida.

19. Assim, pois, Deus é o criador de tudo o que

Pai do

está nele; o mundo é filho de

Deus, e tudo o que está no mundo veio à existência

mundo, e o mundo é o

pelo mundo.

20. Por isso, com justiça, o mundo é chamado "cosmo" (isto é, ordem, jóia, amamento), porque ele ordena e oma o Todo numa multiplicidade infinita e de maviosa beleza por meio da continuidade da vida, da infatigabilidade da força reveladora, da rapidez do fatum, da composição dos elementos e da ordenação de tudo o que devém, porque tanto por causa de suas leis fundamentais como por causa de seu guia, o mundo é pois chamado de cosmo.

21. A percepção e a mente entram pois em todos os seres viventes, do exterior, como se estivessem no alento que os circunda, porém, outrora, o mundo as recebeu de

Deus para sempre, no momento de seu devir.

22. Deus não é como alguns homens pensam, destitufdo de perc_epção e mente. Os que assim falam ofendem a Deus, por um respeito mal compreendido, porque todas as criaturas, Asclépio, estão em Deus! Elas foram cria- das por Deus e são dependentes dEle! Quer se mani- festem em corpos materiais ou se elevem como seres- -a/mas, quer tenham sido feitas viventes pelo Espfrito, ou entrado no domínio da morte, tDcJas está) em Deus.

23. Até é ainda mais justo dizer que Ele não tem todas as criaturas em Si, senão que em verdade Ele mesmo é todas elas! Porque Ele não as acrescenta em Si mesmo de fora, porém as gera de Seu próprio ser e as manifes- ta em Si mesmo.

24. E eis agora a percepção e a atividade do pensar de Deus: a movimentação ininterrupta do Todo; e nunca haverá um tempo em que algo do que existe (isto é, que faz parte de Deus), se perca. Porque Deus tudo mantém encerrado em Si, nada fora dEle, e Ele está em tudo.

25. Se podes compreender essas coisas, Asclépio, reco- nhece-las-ás como verdade; caso não as compreendas, tê-las-ás por inverossímeis, porque compreender verda- deiramente é possuir fé vivente, enquanto a ausência de fé é ausência de compreensão. Não é, entretanto, a mente que chega à verdade, porém, a alma ligada ao Espfrito tem o poder, depois de ser guiada primeira-

mente a essa via pela mente, de apressar-se antecipa- damente à verdade; e quando então ela contempla o Todo numa visão oniabarcante e verifica que tudo está em conformidade com o que a mente iluminada pela compreensão explicou, sua fé está elevada ao saber, ela encontra sua quietude nesse belo saber suportado pela fé.

26. Para aqueles que podem conceber no fntimo as pala- vras que enunciei aqui e que são de Deus. elas são a fé; porém para aqueles a quem falta a compreensão vi- vente, elas são incredulidade. Eis o que eu queria dizer sobre a mente e os sentidos.

VIII

A MENTE E OS SENTIDOS

Asclépio, ontem te transmiti a palavra da maturidade. E, agora, em conexão com isso, acho necessário falar extensi- vamente a respeito da percepção sensorial. Pensa-se que en- tre a percepção sensorial e a atividade mental há uma dife- rença: uma seria material, e a outra, espiritual. Eu, porém, sou de opinião que ambas estão intimamen- te ligadas e de modo algum diferenciadas, pelo menos com relação aos homens, pois se entre os outros animais a per- cepção sensorial está ligada à natureza, nos homens esse fa- to se apresenta também com a mente.

Desejamos primeiramente dirigir vossa atenção a vosso organismo sensorial composto pelas cinco faculdades conhe- cidas: a audição, a visão, o olfato, o paladar e o tato. Elas formam, em conjunto, a base da consciência humana. Popu- larmente elas são denominadas "consciência", pois, na au- sência dessas funções orgânico-sensoriais a menor parcela de consciência estaria fora de cogitação. Os sentidos capaci- tam o homem a expressar-se e viver conscientemente neste mundo. Além disso, conhecemos também a faculdade do pen-

sarnento que o homem comum e suas autoridades associam com o espírito humano. Uma pessoa que faz uso apropriado de sua· faculdade intelectual é considerada possuidora de poderes. espirituais mais ou menos grandes. Todavia, com um exame mais profundo sobre o assunto, devemos abando- nar totalmente a idéia de que o intelecto se acha ligado ao espírito do homem, porquanto, o organismo sensorial do ho- mem nascido da natureza e seu aparelho racional são total- mente unos. Nas palavras de Hermes. eles estão intimamen- te ligados e de modo algum diferenciados.

Assim, nem o intelecto, nem o organismo sensorial do homem ligado à natureza, nem ainda a consciência que por eles se explica, têm alguma coisa a ver com o espírito. O homem nascido da natureza distingue-se dos outros animais unicamente porque possui um aparelho racional além dos ór- gãos sensoriais. Portanto, o homem possui, além de uma percepção orgânico-sensorial, como os animais, uma mente, ambas ligadas à natureza. Devemos chegar à conclusão de que o homem se en- contra muito mais ligado à natureza, muito mais dirigido à natureza, do que qualquer outro animal. Esse fato evidencia- se em todo o comportamento humano. Até a assim chama- da religião, a metafísica do homem, fala, em todas as lín- guas, de sua ligação natural. A divindade deve dar saúde e longa vida ao homem. Tudo o que ele ambiciona é suplicado à divindade, e tudo o que a divindade doa, como se acredita, nesta área, é retribuído com a maior gratidão de tempos a tempos. Quando a vida termina, pede-se à divindade um lu- gar adequado no Além, junto da família, amigos e parentes, e o brilho da luz solar celestial em perfeita alegria para sempre. Tudo isso é muito lógico, pois a metafísica do ser natu-

ral deve certamente conduzir a isso. Dessa forma, deveis examinar profundamente essa religiosidade, mesmo que, muitas vezes, ela se apresente a todos os ocidentais adorna- da não somente com o nome e a cruz de Cristo, mas tam- bém com orientações distorcidas e roubadas de uma idéia to- talmente diferente, que não é deste mundo. Quanto a isso, o animal se encontra muito acima do homem. O animal é simplesmente uno com a natureza, nada mais. Todo o refinamento humano de auto-afirmação em suas inumeráveis formas fenomenais são estranhas ao ani- mal. O animal não está a par d1sso; o homem, sem dúvida alguma, está O homem é a criatura mais atolada na nature- za, o ser mais agrilhoado, devido ao fato de que o organismo sensorial e racional, portanto a inteira consciência, tudo o que o homem é, está totalmente unificado com a natureza. Isso não é lisonjeiro nem tampouco agradável. Porém é a verdade. A percepção sensorial e a atividade mental estão, pois, no homem, unidas como se fossem entrelaçadas, diz Hermes. Sem a percepção sensorial não existe nenhuma racio- nalidade, e sem a racionalidade, nenhuma percepção senso- rial. O animal é orientado para seu objetivo natural, e ele o manifesta clara e abertamente. Quanto a isso, o animal é absolutamente leal e sincero. Porém, o mesmo não pode ser dito com relação ao homem. O homem também se encontra completamente orientado para seu objetivo natural. Contudo, ele não o revela clara e abertamente, e é, neste ponto, ex- tremamente mentiroso e desleal. Ele é forçado a isso em conformidade com a lei de autoconservação, pois os homens enganam uns aos outros de iodos os modos devido a astúcia de sua mente. Deveis prestar bem atenção (e começai por

vós mesmos!) na forma como os homens mentem, logram e enganam-se mutuamente. Em como eles assumem, de acor- do com Ómomento, uma expressão de amizade ou de auste- ridade, de alegria ou de sublimidade. Neste ponto, deveis considerar os homens como o mais perigoso dos animais. E nesse sentido, vosso exame começa por vós mesmos.

De tempos a tempos, surgem no mundo movimentos que apontam a hipocrisia e a mentira infame do homem da natureza, que revelam a ilusão e a lúgubre comédia de todo o aparato da convivência humana. Esses movimentos dese- jam, de vez em quando, empreender uma tentativa para desmascarar tudo isso e propagam então a idéia de um ser humano puro, honesto. Em algumas cidades do mundo, os jovens são homens simples e autênticos (os adultos não se arriscam!). Entretanto, se pudésseis perceber como é que se concebe esse ser humano simples e autêntico, replicaríeis imediatamente: "Sim, porém é irrealizável. Isso não pode realmente ser feito. Ser um homem tão simples e autêntico está totalmente fora de questão!" Que bela confusão não se armaria, caros seres huma- nos, se o homem da natureza começasse a viver em toda a simplicidade e sem constrangimento, segundo seu ser dialé- tico interior! Seria uma desordem tão medonha, que certas esferas do mundo dos desejos, onde se libertam os excessos das orgias das paixões humanas de um mundo tão tenso, dela não seriam mais que um pálido reflexo. Quando os jovens nas cidades do mundo começam a viver como seres simples e autênticos, como se têm tentado nos últimos anos, vemos a polícia cair sobre eles. A policia parte contra os jovens quando eles protestam contra as

grandes mentiras da sociedade. Assim, resulta uma tensão enorme no mundo - todos nós a percebemos - cada vez mais difícil de agüentar, pois a vocação do homem não é ser

o mais inteligente e, por isso mesmo, o animal mais perigoso dentre todos os animais! Todavia quem fará a juventude cor- rompida das cidades do mundo compreender isso? Por quan- tos séculos a juventude do mundo inteiro já não foi reitera- damente enganada? Ela não nasceu, foi criada e educada para ser abatida nos campos de batalha? Que objetivo sublime, nobre e libertador pode-se ainda oferecer aos jovens? Não se encontra o mundo continuamen- te em chamas desde o início deste século? Existem ideais religiosos, normas sociais ou científicas que possam ser con- sideradas libertadoras? É de se admirar que os jovens ado- tem um ponto de vista tão antigo como: "Comamos, beba- mos e alegremo-nos; sejamos animais simples e autênticos, pois amanhã morreremos". bom", assim dizem os teólogos, os padres e os pas- tores, muito bom ser um homem simples e autêntico. Nós entendemos a juventude. Vinde, porém, viver assim conosco.

É claro que com um pouco mais de decência. Vinde descon-

trair-vos em nossos centros comunitários, sob a orientação do evangelho". Sabeis o que isso significa? Nada mais nada menos do que o desmoronamento da igreja em nossos dias. E deveis atentar para a forma como tudo isso vai desenvolver-se em futuro próximo e para suas conseqüências. Ainda veremos os jovens dançando o rock

and rol/ nas igrejas! Estamos vivendo os últimos dias. Todo o gênio científi- co do instinto natural se manifesta, como sabemos, nas hor-

ríveis ml:lquinações, nas monstruosas atrocidades, na maior sede de sangue. Satieis o que ocorre já há alguns anos na África? As maquinações dos nazistas que nós europeus apren- demos tão bem a temer, as situações sinistras das câmaras de tortura e dos campos de concentração empalidecem dian- te de todos os fatos ocorridos nos últimos anos na África, de- vido a mais aguçada auto-afirmação do animal humano. E tendo em vista tudo isso, não seria um insulto nos apresentarmos com a palavra e a luz da Gnos1s? Pois, quem somos? De que somos capazes? Não pertencemos também aos animais mais perfeitos do mundo? Como nos comporta- ríamos se nossas inibições fossem vencidas ou derribadas? Quem somos nós? Como é que viemos a nos reunir aqui nesta Escola? Isso também não é especulação? A especula- ção dos instintos naturais? O que acontece conosco? Por que motivo os alunos assistem por alguns dias e em número cada vez maior às conferências? Por que eles freqüentam com tanta assiduidade os serviços templários? Essas são perguntas importantes à luz da realidade da dialética. Perguntas que valem a pena ser feitas. ·Hermes responde no sexto, sétimo e oitavo versiculos do décimo-primeiro livro:

Não obstante, é possfvel imaginar uma atividade men- tal sem direta percepção sensorial, como por exemplo, as imagens que se apresentam em sonhos. Minha opinião é que ambas as atividades, ao se apre- sentarem, são despertadas pelas imagens do sonho. Porque a percepção é dividida no corpo material assim oomo no corpo astral, e quando essas duas partes da per-

cepção se reúnem, o pensamento evocado na mente é ex- presso pela oonsciência.

Essas palavras são muito importantes, embora nós, tal- vez, não possamos compreendê-las à primeira vista. Por isso, devemos discuti-las pormenorizadamente. Elas se aplicam inteiramente a vosso estado de ser. Elas objetivam explicar vossa primeira e provavelmente acanhada e hesitante tenta- tiva de reação à Gnosis. Talvez vós mesmos sejais, de vez em quando, um verdadeiro enigma v1vente. Por um lado, o animal humano em suas múltiplas formas de expressão; por outro, o homem realmente orientado segundo a Gnosis. Por isso, talvez já tenhais-vos perguntado: "Afinal, o que faço eu aqui nesta Escola?" Hermes decifra esse enigma. Ele vos esclarece quem e o que sois neste momento. Ele vos aconselha a não perma- necer nessa situação, porém a elevar-vos e a convergir forças

para o irrompimento.

IX

NOSSA INFLUÊNCIA ASTRAL

Como se explica nosso encontro aqui na Escola se, ao observarmos todo o comportamento da humanidade nascida da natureza, compreendemos que o homem é o mais perfeito dos animais, o animal dos animais, e que nós também per- tencemos a esta humanidade natural? Não é possível que nós estejamos fazendo outra especulação metafísica, dife- rente daquelas da massa, e pertençamos a algum movimen- to esotérico, assim como alguns estão ligados à Igreja Cató- lica e outros a uma comunidade religiosa protestante? Hermes nos responde essas perguntas inquietantes com estas palavras:

É possível imaginar uma atividade mental sem direta percepção sensorial, como por exemplo, as imagens que se apresentam em sonhos.

O que Hermes quer dizer com isso? Quando vossa personalidade adOrmece, ela se divide em uma parte material e em outra mais sutil. Esta última compreende também uma parte da consciência, especial- mente o corpo astral. Este corpo astral da personalidade

dividida adentra a esfera astral, que está em sintonia com todo o est~do de ser da pessoa, e dela participa. Várias im- pressões provenientes dessa esfera impregnam alguns cen- tros racionáis do corpo material. Dá-se, portanto, o seguinte: enquanto dormis à noite, vossa personalidade se divide, vosso corpo astral entra em ligação com o correspondente campo astral, e vossos centros racionais são carregados, como um acumulador, mediante

a ligação com a esfera astral. Visto que o intelecto forma com os sentidos unidade perfeita, está claro que, ao acordar- des na manhã seguinte, desencadear-se-à uma reação sen- sorial motora proveniente de tudo o que foi transferido as- tralmente para o organismo racional. Daí se explica, em primeiro lugar, vossa tendência a en- trar nesta Escola e vosso discipulado nela. No início, era co- mo que se um impulso orgânico sensorial e intelectual, expli- cável por diversas influências astrais, tivesse-vos trazido para

a Escola. Isso significa que sois sensíveis a esse tipo de in- fluência astral. Quando independente de terceiros e positi- vamente de vosso imo, escolheis o discipulado, isso se expli- ca somente pelo fato de que determinadas influências as- trais, às quais sois receptivos, conduziram-vos a esta Escola. Isso pode, por exemplo, ser a conseqüência de um es- tado puramente hereditário, portanto, proveniente de vossos pais ou antepassados. Possuís um estado sanguíneo corres- pondente ou uma secreção interna que vos abriu a essas in- fluências. Pode ser tambêm que estejais predispostos carmi- camente, que esteja presente em vosso ser* aura! uma pode- rosa concentração de influências de orientação gnóstica que penetrem a personalidade. Se tal predisposição cármica esti- ver ligada a uma aptidão hereditária, os impulsos astrais

aluarão mui fortemente na pessoa e desenvolverão uma rea- ção intensa, a maior parte das vezes já na mocidade. É possível ainda que exista na pessoa predisposição hereditária sintonizada com atividade impulsiva que careça, porém, de uma base cármica. Neste caso, a reação está pre- sente, porém, ela é ainda de natureza muito superficial, visto que uma base cármica sempre implica experiência. Sabemos muito bem o que acontece quando a experiência inexiste numa criatura. Também pode acontecer que ex1sta uma base cármica, porém nenhuma predisposição hereditária. Então, o corpo, o tipo sanguíneo e o fluido nervoso não se encontram prepara- dos o suficiente para manifestar o discipulado, enquanto que por meio do karma• uma influência poderosa, neste sentido, é exercida no corpo, na personalidade. Geralmente, tais pes- soas quase sempre têm vida bastante difícil. Normalmente, passam-se muitos e muitos anos antes que elas se libertem de suas influências hereditárias. Esse processo dura muitas vezes até a faixa etária de 45 a 50 anos, tanto em homens como em mulheres. Este é então o caso mais favorável. Fre- qüentemente, eles vêm à Escola quando já estão em idade

muito avançada.

Não se deve fazer uma bela idéia dos impulsos astrais e suas eventuais conseqüências que acometem o organismo racional durante as horas de sono. Não deveis, por exemplo, pensar num convite ou numa mensagem da Fraternidade es- pecialmente dirigida a vós. Algo como: "Tu és tão excelente, estás tão preparado; trilha a senda 1 " Isso, com toda a certeza,

não é assim! Na esfera astral do campo de vida da natureza comum,

diversas radiações, diversas influências, fazem-se valer des- de o tipo a mais inferior e abjeto até o mais sublime e sere- no. Na esfera astral de nossa terra, encontram-se não apenas as coisas mais terríveis que se possa imaginar, mas também as influências astrais da Fraternidade" Universal. Deveis ainda saber que as coisas na esfera astral acon- tecem antes de sua manifestação na esfera• material. En- quanto as coisas seguem aqui um cam1nho moroso, elas se manifestam na esfera astral muito mais rapidamente. Em ou- tras palavras, tudo o que se desenvolve neste momento em nossa esfera astral, realizar-se-á, por exemplo, amanhã, de- pois de amanhã ou mesmo muito mais tarde na esfera mate- rial. Por isso, a esfera astral, nosso corpo astral, as influên- cias astrais em geral, sempre dão o tom em nossa vida. As influências astrais estimulam-nos a realizar aqui o que já existe no plano astral. Por conseguinte, existem também, como já foi dito, in- fluências da corrente universal gnóstica que atuam na esfera astral desta natureza, influências que se distinguem em cada região astral. Caso alguém tenha alguma tendência hereditá- ria ou um karma consoante a essa disposição, então as in- fluências astrais da Fraternidade penetrarão as pessoas e na maioria dos casos elas reagirão. Por exemplo, elas se mos- trarão interessadas pela filosofia e literatura da Escola da Rosacruz Áurea. Pode ser também que alguém reaja de tal forma que chegue a uma escola como a nossa. Por que vós, como alunos, aceitais as influências da Fraternidade Universal e outro não? Essa é uma questão, como já foi mencionado, de tendências hereditárias ou cár-

micas. Como surge essa tendência?

Também já conheceis a resposta a essa pergunta. Ern primeiro lugar, devido às inúmeras experiências amargas de vossos pais e antepassados, quando reagis apenas à predis· posição hereditária. Vede, quando esperais e ansiais por tudo o que é da dialética durante a vossa vida e assim prosseguis de maneira positiva e fortemente orientados no plano horizontal, mais cedo ou mais tarde chegará a hora em que tudo vos será subtraído e sereis atados a toda a sorte de misérias. As in- fluências astrais que até então vos impeliram, não vos sa- tisfazem. Como conseqüência, surge um impulso em vosso sistema dirigido a algo mais. Pode ser que, nesse impulso, a influência astral da Gnosis comece a falar em vós. Se estais na Escola Espiritual devido a fatores puramente hereditários, podeis encontrar em vossos pais e antepassados as tendên- cias que vos conduziram a isso. Vossos pais e antepassados beberam do doloroso cálice de amarguras. Em segundo lugar, se reagis apenas carmicamente, en- tão as influências cármicas são impregnadas em vosso sis- tema devido a amargas experiências vividas por vossos pre- decessores em vosso próprio microcosmo. Em certo sentido, elas se tornaram agora vossas próprias experiências. Pelo menos, tendes a vossa disposição uma série de experiências muito íntimas e especiais. Foi também bebendo do cálice de amarguras que fostes finalmente trazidos aqui. Isto indica principalmente o terceiro tipo de aluno que deve beber, ele mesmo, em largos goles dessa taça. Pois bem, as experiências do primeiro, segundo e ter- ceiro tipos ou dos três tipos em conjunto conduziram-vos pa- ra o discipulado. Os demais, incontáveis milhares de pes- soas, ainda não vieram porque, por enquanto, suas reações

de vigília orgânico-sensoriais levaram-nas a outras plagas. No fundo, çontudo, não havia diferença alguma entre a vida

delas e a vossa, entre o estado incipiente e essencial delas e

o vosso. A· sinceridade nos impele a dizer que até a vossa entrada na Escola foi quase que especulação puramente me- tafísica.

O que acontece normalmente com um aluno quando

vem para a Escola Espiritual da Rosacruz? Ele busca paz, segurança; busca solução para seu complicado estado de vida. Procura tranqüliidade. Ele tam- bém é um animal que procura proteção, e seu instinto impe- le-o nessa direção por meio de um impulso astral. O animal açulado, cansado ou abatido procura segurança no templo da Gnosis. A percepção é dividida no corpo material assim co- mo no corpo astral, diz Hermes, e quando as duas partes da percepção se reúnem, o pensamento evocado na mente é

expresso pela consciência.

Pode-se perguntar: o que acontece quando o animal humano, cansado, abatido, chega ao templo? O que ocorre quando ele está um pouco sossegado?

O animal humano acomodar-se-á em seu novo ambien-

te e se comportará novamente segundo sua índole. Enquanto

ele adornar-se com a ilusão do discipulado, continuará a viver

puramente da especulação, munido com as brilhantes quali- dades do animal humano. Entretanto, dessa forma, a entrada na Escola não traz solução alguma para a vida. O doloroso cálice de amarguras será enchido novamente até a borda e colocado diante dele. As correntes astrais continuam a fluir, os sentidos são conti- nuamente ativados, e o curso da vida com seu acúmulo de

experiências permanece idêntico a si mesmo ou ao de nos- sos antecessores, os doadores de nosso karma. Uma solução não vem de forma alguma assim. O animal humano era um especulador metafísico e continua a sê-lo na Escola. No final das contas, a Escola* não concede libertação alguma e o que se segue é fácil de prever: eles vociferam contra a Escola e acham que há alguma coisa de errado nela. São pródigos em críticas e prosseguem em suas especulações. Se esse papel de crédito não rendeu o suficiente, talvez eles tentem mais uma vez com outro título. Assim, mudam sua orientação ou procuram outro passatempo. Pobre e idiota animal humano! Vós bem sabeis que. se a percepção experimenta as in- fluências astrais tanto no corpo material como no astral, o pensamento nascido dessa maneira toma forma na cons- ciência, e vós fazeis aquilo que está inteiramente em concor- dância com vossas qualidades. Assimilais as influências as- trais conforme vosso tipo, instinto e orientação e, em segui- da, sois obrigados a reagir a elas. Deveis reagir quando vossos organismos racional e sensorial são carregados à noite por meio de influências as- trais. Então, mesmo que digais: "Eu não faço isso". sois obri- gados a fazê-lo! Não há dúvida de que não poderíeis agir de outra forma. Assim como um peixe tem a água como seu elemento vital e não pode passar sem ela, o animal humano também não pode levar uma vida gnóstica. O que acontece quando também 2.s influências astrais gnósticas vos tocam? Aí, vossa atitude de vida apresenta uma cisão. Nesse caso há, por um lado, uma orientação para a Gnosis e, por outro, o comportamento de animal humano comum. Isso tem realmente algum sentido? Um homem que assim é, engana-se a si próprio e também à Gnosis, sem ter

de fato consciência disso e, infelizmente, sem poder fazer outra coisa. Eis por que falamos sobre tudo isso. Não em tom re- preensivo, porém apenas comprovativo, pois é realmente útil voltar-se inteiramente para a realidade, despojado de todo o supérfluo e perguntar-se: "Qual é, no momento, minha reali- dade?" Hermes diz no nono versículo do décimo-primeiro livro:

A mente gera todas as imagens pensadas: imagens boas, quando recebe as sementes de Deus; imagens ímpias, quando provém de um dos demônios, porque não há lugar no mundo sem demônios

Sabeis o quanto tudo isso é correto. As sete câmaras do santuário da cabeça, assim como as do santuário do co- ração, são carregadas durante o sono. Valores e forças as- trais aí penetram para se desenvolver, com relação ao aluno, são de natureza gnóstica e chamadora (valores e forças boas), e também de natureza totalmente diferente: demonía- ca.

Assim, os alunos, pelo menos muitos dentre eles, tri- lham seu caminho da vida, caminho que é de fato mortal- mente fatigante. Desejamos, ainda mais uma vez, examinar profundamente esse caminho, e se o fizermos, não poderá acontecer outra coisa senão que, novamente, do imo, elevar- se-é o grito de agonia ou o grito de angústia do animal hu-

mano em aflição. Citamos aqui o grito hermético de Paulo na Carta aos Romanos 7: "Assim, encontro esta lei em mim: se quero fa- zer o bem, o mal está comigo. Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?"

X

O DEMONISMO NEGRO

A mente gera todas as imagens pensadas: imagens boas, quaRdo recebe as sementes de Deus; imagens ímpias, quando provêm de um dos demónios, porque não há lugar no mundo sem demónios, pelo menos demônios nos quais falta

a luz de Deus. Eles penetram o homem e semeiam as se- mentes de suas próprias atividades, e a mente é então fe- cundada com o que foi semeado - adultérios, assassínios, tratamento desamoroso aos pais, atas sacrílegos, ações fm-

pias, suicídios por enforcamento, ou por atirar-se das rochas

e todas as outras coisas semelhantes operadas pelos demô- nios.

Quanto às sementes de Deus, elas são pouco numero- sas, porém grandes, belas e boas! São chamadas virtude, temperança e bem-aventurança. A bem-aventurança é a Gnosis, o conhecimento que é de Deus e com Deus. Quem possui esse conhecimento está pleno de todo o bem e rece- be seus pensamentos de Deus, os quais são inteiramente di- versos dos da massa. É por isso que os que andam na Gnosis não agradam à massa, e, por outro lado, a massa não agrada a eles. Os pri- meiros são considerados dementes, são sujeitos ao riso e ao

deboche,. são olhados e desprezados e, de vez em quando, mesmo assassinados, porque, como eu disse, o mal deve habitar aqui por ser oriundo daqui. De fato, a terra é seu do- mínio, e não o mundo, como alguns sacrilegamente preten-

dem.

Como vimos nas alocuçóes anteriores, o homem da na- tureza encontra-se aberto para duas esferas diferentes de in- fluências astrais: a esfera de influências astrais da terra e a de influências do mundo. Em vossas reflexões sobre a filosofia hermética deveis atentar sempre para o fato de que, ali, é feita uma nítida dis- tinção entre a terra e o mundo. A terra é nosso campo de vi- da, ou melhor, o pontinho do mundo onde vivemos. Por outro lado, o mundo é o planeta santo, absoluto, a manifestação inatacável do plano divino universal. Por isso, o versículo 11 diz:

O mal deve habitar aqui por ser oriundo daqui. De fato,

a terra

gamente pretendem.

é seu domfnio e não o ~

como alguns sacrile-

Como homens nascidos da natureza, somos, portanto, da terra, terrestres; como microcosmos, pertencemos ao mundo. Por esse motivo, é compreensível que haja também duas esferas de influências astrais que nos colocam, pelo menos agora, diante de problemas quase insolúveis. Por is- so, na crise de sua problemática, Paulo declara: "Assim, en- contro esta lei em mim: se quero fazer o bem, o mal está comigo. Miserável homem que sou! Quem me livrará do cor-

po desta morte?"

E vós também proferireis essas lamentações em todas

as tonalidades, de tempos a tempos, pois nossa realidade essencial é causada por ambas as influências, tanto pelas boas quanto pelas forças astrais más, demoníacas. Suponhamos que vós, purificados e impelidos por meio de mágoas e desonra, desejeis encontrar finalmente uma solução para vós mesmos. Então, é necessário que, primei- ramente, conheçais a lei a que Paulo se refere: se desejamos

fazer o bem, o mal está conosco. Tentemos compreender o que está por trás disso tudo.

O que é um demônio*?

Um demônio nada mais é do que uma força natural. Em algum lugar de uma antiga sabedoria foi dito que os de- mônios foram criados antes que se pudesse falar de criação de uma onda de vida. Isso pode parecer-vos estranho, mas é bem lógico. Cada manifestação origina-se num campo astral. Me- diante os diferentes fogos astrais, os éteres são produzidos, e estes, em colaboração com os átomos materiais, unem-se para possibilitar uma manifestaçãJ. Logo, a idéia de uma manifestação deve ser primeiramente impregnada num cam- po astral. Quando isso acontece, nascem atividades, pontos focais, turbilhões de forças, que se desenvolvem: o demônio do principio inicia seu trabalho. Essas forças naturais ou de- mônios, compreendidos em seu sentido original, dão, final- mente, o aspecto tencionado à idéia prestes a manifestar-se. Elas conduzem o plano à realidade e à realização.

Assim o plano teve início na terra (atentai para o fato de que referimo-nos à terra!), para chamar as entidades hu- manas à existência. Isso foi uma questão muito delicada, vis-

to que esses seres humanos deviam dispor de uma faculda- de mentaL inata. Essa faculdade não deve ser considerada apenas como aparelho racional, porém ao mesmo tempo e, principalménte, como faculdade que deve servir para sondar a terra e a intenção do próprio Deus. Por isso, a faculdade mental deve ser diferenciada em intelecto e razão. A razão, a razão divina, faz uso do intelecto. As entidades chamadas à existência deviam tornar-se, ern determinado aspecto, semelhantes ao Pai, e, como foi di- to, num dado momento, teve início esse poderoso plano na terra. A terra - deveis compreender bem isso - ê o grande e perfeito campo de criação do mundo divino. Devemos aqui, mais uma vez, dizer. diferenciai, antes de tudo, a terra do mundo! Segundo a filosofia hermética, a terra é o campo de nascimento em que o homem deve encontrar-se em seu es- tágio embrionário. Nossa situação, bem como a de nossos companheiros terrestres, é a de que ainda não saímos do es- tado embrionário. Por isso, Jesus, o Senhor<', disse: "Vim a vós na terra para permitir-vos galgar o mais elevado céu do mundo magnificente de Deus". Muitos, incontáveis, são os que já vos precederam nes- sa senda; como verdadeiramente nascidos, como verdadei- ramente libertos, eles entraram no mundo divino sagrado. No entanto, vós errais, dais voltas ainda em vosso campo em- brionário. Estais como que aprisionados nele. Isso é provocado pelas atividades cada vez mais nega- tivas da própria natureza divina que herdais. Vossa natureza divina? Essa nova faculdade divina, es- se atributo divino é a poderosa faculdade mental, com cujo

6. Ver no glossário o item Pis&s Sophia

auxílio vós podereis, um dia, ser verdadeiro homem e verda- deiro Deus. Algo dessa chama em vós começa a alumiar frouxamente. Essa chama bruxuleante colocou-vos, no início, e coloca-vos ainda agora, diante das maiores dificuldades, pois vós, que vos deveis tomar verdadeiros homens, somente podereis libertar-vos da terra quando esse verdadeiro estado hominal realmente se evidenciar. Sois dotados, graças a Deus, embora ainda em estado bem embrionârio, com uma faculdade mental divina. Isso significa pnmeiramente, que possuís um corpo astral. Em segundo lugar, que tendes acesso à esfera astral da terra nesse e com esse corpo as- tral. Em terceiro, que estais sempre interagindo com a esfera astral da terra e suas forças naturais, seus demónios. Signifi- ca ainda que exerceis influência sobre a esfera astral, sua natureza e qualidade por intermédio da chama bruxuleante de vossa faculdade mental. Refleti sobre essa situação, pois ela corresponde agora ao drama de vossa vida. As idéias da humanidade são impressas no campo as- tral, no fogo astral; ali, onde os pensamentos são forças atuantes, nascem vórtices na substância astral e, desses vór- tices, desses pontos focais, desenvolvem-se processos de realização, desenvolve-se a criação. Tendes acesso a esse campo astral extraordinariamente seleto. Esse é o drama! Pois, justamente com isso, obstacularizamos o despertar de nosso estado embrionârio. Estamos e sempre estivemos ocupados em povoar as esferas astrais da terra com todo o tipo de forças naturais e demónios. Esses demónios de for- mas, tipos e esferas de atuação diversos, influenciam, em vir- tude de sua natureza, os éteres e, por meio deles, as formas

manifestadas dos éteres. Assim, nasceram esse caos desenfreado e desorde-

nado e a ·degeneração em nosso campo terrestre de vida. Esses incQntâveis animais humanos atados a suas dores, castigados pelos demónios que eles próprios criaram, pulu- lam uns sóbre os outros como num formigueiro. Eles se pi- cam, mordem, prejudicam e violentam uns aos outros, e, no curso dos acontecimentos, surgem, de tempos a tempos, vá- rias forças demoníacas que elevam suas cabeças, como o demónio da sexualidade antinatural de nossos tempos. Toda a Europa é como que inundada por uma onda de homosse- xualismo que penetra tã:> fortemente quase todos os círculos possfveis e impossíveis, que até mesmo já se busca, em di- versos países, por outras medidas lega1s, pois se se desejas- se prender todos os que se encontram nas garras da sexuali- dade antinatural, um grande número de autoridades deveria ser preso. Por isso, procura-se por outras normas legais. Sempre foi assim na história mundial: numa civilização de- cadente, quando a terra se dirige para uma noite cósmica, os demónios mais abjetos elevam, poderosos, suas cabeças dos esgotos do campo astral da dialética decaída, e surge a chama ardente da sexualidade sobre a humanidade. A sexualidade antinatural não é senão a dissipação das forças sexuais. A força sexual é criadora. A força criadora é uma das faculdades divinas com a qual a humanidade é do- tada. Em nosso campo embrionário essa força é chamada e compelida a se enobrecer para a verdadeira faculdade criado- ra divina que se relaciona com o chakra da laringe. Podeis assim imaginar que a dissipação da força sexual é nociva. Em primeiro lugar, é nociva à idéia que lhe serve de base. Todavia, deveis compreender que um comportamento sexual antinatural, a manifestação antinatural da força sexual, o re- lacionamento sexual entre duas mulheres ou entre dois ho-

mens, representa uma destruição completa de todas as pola- rizações no corpo material, assim como nos corpos etérico e astral, e apaga totalmente a flama do pensamento. O ho- mem em manifestação transforma-se, dessa maneira, num caos e decididamente devasta em si mesmo todas as possi- bilidades de libertação. Por isso, compreendereis bem que, quando a humani- dade suspira, como agora, no fim de seus dias, sob a onda de tal demonismo, e essa temível peste erótica tenta, vez por outra, encontrar admissão na Escola, nós afastamos dela es- se horror, sem considerações pessoais. Pois seria monstruo- so se deixássemos o espectro do maior e mais abominável dos pecados ingressar em nossas fileiras, enquanto a Gnosis desce a nosso campo terrestre para nos libertar e elevar ao verdadeiro e ditoso mundo de Deus. Não seremos flexíveis nesse sentido como muitos chefes de estado europeus, po- rém extirparemos essas coisas pela raiz onde as descobrir- mos, sem considerações pessoais.

Vimos que os homens se picam, mordem, prejudicam e violentam uns aos outros. E sobre toda essa turba, todos es- ses animais, sobre esse furacão da miséria, soa o grito de angústia do homem buscador: "Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" Vivemos num campo de formação onde os demônios originalmente puros, onde a força astral flamejante, pura, ori- ginal, ainda cumpre sua tarefa. Contudo, mediante o abuso descrito das forças astrais de que toda a humanidade dialéti- ca é culpada, a esfera astral terrestre torna-se, em determi- nado momento, tão negra, tão cheia de satanismos, impure- zas e degenerescências e o campo de vida material tão cor-

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rompido, tão infestado de sangue e lágrimas, que já não é possível suportá-lo. Tudo o que se desenvolve na esfera as- tral, deve-se manifestar sobre a terra. e quando permaneceis ligados a "uma ou outra força astral, ela manifesta-se em vos- sa vida e em vosso corpo. Então, como conseqüência, toda a terra, todo o campo de criação do mundo deve ser, finalmen- te, purificado, desde a esfera astral até a material. Todos os microcosmos presentes nesse campo são depurados ~ con- duzidos ao esquecimento. Todos os microcosmos são esva- ziados de seu karma e devem começar de novo, pois o Lo- gos• não abandona a obra de suas mãos. Assim, os proces- sos embrionários originais do devir devem ser instaurados novamente desde o início. Quanto tempo podemos perder! Porém graças a Deus, cada revivificação microcósmica• dos respectivos homens constitui uma nova oportunidade.

Vede bem a situação diante de vós. Qual é a nossa realidade? Vós viveis, como já foi dito, nas duas esferas de influência astral: na esfera astral pura e original e na demo- níaca da dialética. Assim, encontrais essa lei em vós: "Se desejo praticar o bem, simultaneamente, o mal está comigo", pois, devido a meu nascimento natural, a meu passado e to- do o meu estado dialético, estou ligado totalmente à imundí- cie da esfera astral terrestre. Sois alunos da Escola Espiritual e participais dela; em conseqüência disso o chamado original, a força original, per- manece ainda ligada a vós. Porém quanto tempo isso ainda durará sob o flagelo do demonismo negro? Por isso, encon- tramos essa lei em nós: "Se desejo praticar o bem, simulta- neamente, o mal está comigo". Evidentemente! Todas as

hordas de demónios astrais são produzidas, são chamadas à vida, por vós mesmos e por vossos companheiros de destino. Nisso, todos vós, quer estejais perto ou longe, tendes inteira participação. Ainda, existe não apenas o bem mas também o mal. Quão terrível é isso! Por isso, o grito: "Miserável homem que sou, quem me livrará desta morte", desta miséria terrível? Deveis também mergulhar de novo no caos de uma noite cósmica, em que se realiza a purificação geral do campo embrionário da terra? E Hermes queixa-se:

Os demônios penetram o homem e semeiam as se- mentes de suas próprias atividades, e a mente é então fe- cundada com o que foi semeado - adultérios, assassínios, tratamento desamoroso aos pais, atos sacrílegos, ações fm- pias, suicídios por enforcamento ou por atirar-se das rochas e todas as outras coisas semelhantes operadas pelos demô- nios.

Poderíamos ampliar essa enumeração de diversas for- mas, sem, todavia, nunca chegarmos a seu final. E pergun- tamo-vos: isso deve continuar assim também em relação a vós? Deve continuar conosco que, honestamente falando, açulados por nossos demónios, fugimos para a Escola Espiri- tual? Isso tem de continuar assim? Não existe nenhuma so-

lução?

Sim, existe uma solução. Para tanto deveis vós mes- mos tratar-vos com muito rigor. Há muitos anos, a Escola já vem dizendo que existe uma solução. Porém tendes atenta- do o suficiente para o que ela vos tem dito? O caminho, a

senda, foi-vos mostrado, por assim dizer, a cada palavra, dia após dia. Ou, talvez, todo o ensinamento e cada bom con- selho, toda a influência boa e auxiliadora que incessante- mente flui da Escola para vós terão entrado por um ouvido e saído pelo outro, de modo que os demónios que possuem uma influência tão forte sobre vós tenham aniquilado siste- maticamente ou tornado negativas todas as boas sementes semeadas? Enquanto tiverdes vida haverá esperança e por isso podereis recomeçar a cada dia. Então, iniciai hoje no- vamente! Colocai-vos, firme e objetivamente diante desse problema difícil de vossa vida, como se não tivésseis estuda- do nada disso até hoje. Então podereis fortalecer-vos na cer- teza de que fala Hermes no versículo 12:

Aquele porém que respeita e ama a Deus, tudo suporta- rá por participar da Gnosis, porque para tal pessoa todas as coisas operam para o bem, mesmo aquelas que para outros são maldades. Quando se lhe preparam ciladas, ela apresen- ta tudo como oferenda à Gnosis e faz, ela só, com que todo o mal se transforme em bem.

Sois, portanto, capazes de modificar totalmente vosso comportamento com relação à esfera astral. Podeis aniquilar e alterar fundamentalmente toda a vossa natureza astral. Podeis restaurar completamente vosso estado embrionário puro e vosso relacionamento com o demónio do início e nas- cer verdadeiramente como homens do mundo divino. Isso tudo soa, considerando vossa situação, como um conto de fadas ou como um milagre. Todavia, devemos des- vendar esse milagre para vós; porém, combinemos que em- pregareis totalmente a receita que a Escola vos concederá

Muitos de vós correm para o médico se vos acomete uma pequena dor e seguem à risca a receita que vos foi dada. Por que, então, não procedeis da mesma forma com relação ao maior problema de vossa existência? Nunca estivestes, como seres dialéticos, tão enredados em dificuldades como agora. A onda de vida humana nunca esteve tão radicalmente enferma e arruinada como até este momento. Se de novo entregarmos a vós, alunos da Escola Espiritual gnóstica, a receita da senda para a vida, cumprireis zelosamente as exigências nela contidas?

XI

A RECEITA DA SENDA PARA A VIDA

compreend~is como vosso relactonamento peculiar com a esfera astral do campo· de vida terrestre é a causa de todas as dores e de todos os dissabores. Alguns alunos têm uma vida dificílima, e a culpa é deles mesmos. Tudo o que projetais no campo astral, é devolvido a vós, em determinado momento, na forma de todo o tipo de problemas em vossa vida.

Vosso relacionamento com o mundo astral é, portanto, a causa de todas as vossas dores e dissabores, de toda a vossa divisão e vossa ilusão, visto que, embora chamados para vos tornardes seres humanos divínos, e para tanto elei- tos; até ~;~gorasomente empfeQais vossa lacutdí'Kie mental de maneira errada. Embota vossa faculdade mental s.$ ainda no momento extremamente falha e imperfeita, criais, por in- termédio de vossa atlvidade mental, todas as forças, todos os demônios na esfera terrestre. Essas forças vos dominam em determinado momento, visto que vós, como criaturas nascidas da natureza, deveis reagir a elas. Por conseguinte, não venceis vosso estado embrionário e permaneceis na menoridade. Dessa forma, não vos podeis libertar da terra e permaneceis atados à lei da dialética.

!?e desejais vos livrar dessa miséria, então, deveis eli· minar vossa condição astral aluai, abrindo-vos totalmente às forças da luz gnóstica, à "semente divina", como a denomina Hermes. Nas Núpcias• Alqufmicas de Christian Rosenkreuz, é descrito como C.R.C.*, resistiu a todos os pesos na prova em que ele fica sobre o prato da balança, em razão da ex- trema beleza, do esplendor, da veste que trajava. O hábito de C.R.C. é imaculado. Ele representa o corpo astral! Pode.is li· bertar-vos da terra e entrar na vida libertadora com a condi· ção de que purifiqueis totalmente vosso "hábito", vosso veí· culo astral, por intermédio da semente divina.

A semente divina indicada· por Hermes é o fogo astral

puro. É a força natural original que governa o campo astral de vosso estado embrionário. Para o grito de dor de Paulo - "Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" soa a resposta: "Graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor". Aqui, não pensamos nessa ou naquela figura histórica, não pensamos no deus e na ilusão da igreja, porém

naquilo que o Prólogo do Evangelho de João testifica com as palavras: "A luz brilha nas trevas".

A essa luz foi entregue toda a terra. Sem ela, nada po-

demos fazer. Toda a Escritura Sagrada testemunha essa cer- teza: Jesus Cristo é a luz astral libertadora, redentora, a luz astral pura, da qual e pela qual o verdadeiro nascimento de-

verá desenvolver-se. Agora, o grande problema é claramente colocado diante de todos nós. A solução de todos os nossos problemas nos é apresentada. O verdadeiro nascimento como homens apare· ce diante de nossos olhos. Paulo pronuncia as conhecidíssimas palavras: "Então, encontro essa lei em mim: se desejo praticar o bem, o mal

está comigo. Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor!" A luz astral divina e pura!

Então, segue-se na Carta aos Romanos, capítulo 7, versículo 26, sua conclusão precisa:

De modo que, constata ele, sirvo à lei de Deus com meu entendimento, isto é, com a minha al- ma; porém com a carne, isto é, com a personali- dade nascida da natureza, sirvo à lei do pecado.

Se analisarmos essa conclusão, perceberemos que fre- qüentemente nos encontramos nessa mesma situação. A maioria de nós está ocupada em despertar, segundo o en- tendimento, segundo a alma, na Gnosis. Vós sois conduzidos à vida dos filhos de Deus, à vida de glorificação, devido a vossas qualidades de alma. Na realidade, pode-se dizer que, em quase todos os alunos da jovem Gnosis, a vida da alma tomou-se uma grande alegria; não apenas dizer, mas tam- bém demonstrar. Eles podem, como alunos, não receber, por assim dizer, o suficiente das coisas da verdade única, das coisas da Gnosis, porém a vida da e na Escola Espiritual tor- nou-se-lhes uma necessidade interna absoluta. Um testemu- nho disso é o fato de, por exemplo, nossas conferências es- tarem sempre repletas e do número sempre crescente de inscrições. Essas cifras aumentam e apresentarão, daqui por diante, uma linha ascendente. Assim, está em curso em nossa Escola, em conformi- dade com o aspecto da alma, um poderoso desenvolvimento. Os alunos têm uma necessidade intensa, visivelmente pro- vinda do imo, de participar do trabalho espiritual, e a maioria

se esforça· ao máximo. Isso tudo é magnífico e suscita uma profunda gratidão, pois demonstra que quase todos se en- contram na vida anímica que se desperta. Com o entendi-

mento eles servem à lei divina, porém, continua, em muitos, essa divisão execrável. Eles servem à lei divina, tanto quanto possível, com seu entendimento; todavia, com a personalida- de, são ainda freqüentemente impulsionados por seus demô- nios terrestres. Segundo sua personalidade, eles se apegam

a seu tipo, a seu caráter, que os tem individualizado desde sua juventude. Assim, não conseguem libertar-se de sua per-

sonalidade terrestre, que permanece sob o sinal da lei do pe- cado. Segundo a alma, eles se ocupam com o renascimento

e segundo a personalidade, são ainda totalmente impelidos por seus demônios terrestres. Onde está então a solução do problema? Paulo res- ponde também a essa pergunta na Carta aos Romanos, no belo e magnificente capítulo 8, onde ele diz:

Portanto os que estão em Cristo Jesus, os que caminham não segundo a carne, porém segundo o Espírito, não têm condenação alguma. Pois os que são segundo a carne, inclinam-se para as coisas da carne; porém os que são segundo o Espfrito, para as coisas do Espírito.

Vede aqui a tal dificuldade retratada em seu sentido mais amplo. Conheceis uma vida de necessidades anímicas que se despertam, em que sois totalmente satisfeitos, porém, separada desta, existe também a vida do dia a dia. A vida no lar, em vossa posição social e na intimidade de vosso quarto, longe, bem longe, da Gnosis, inteiramente unificada com

vosso próprio tipo, vosso caráter e com a força motriz de vossos demônios terrestres; a vida totalmente governada pelas correntes astrais da natureza da morte. Portanto, não se pode negar que viveis duas vidas, e isso ameaça tornar-se vosso declínio. Embora ameis tanto a Escola Espiritual gnóstica e não falteis a nenhuma conferên- cia, a chamada cisão interna aumenta vossa miséria, por as- sim dizer, hora após hora. Pois sabei-o bem: a influência as- tral da natureza da morte aumenta ininterruptamente em for- ça, de modo que, se vós, que realmente nascestes segundo a alma, não intervierdes radicalmente em vossa vida, estareis perdidos. Como deveis intervir? Como reza a receita então? Ao lado da vida da alma, devemos, numa prática mui consciente e científica, decididamente já não caminhar se- gundo a carne! Essa é a única solução para velhos e jovens. Quanto mais jovem começar, melhor; pois se vos falta a energia, se já não podeis conseguir a vitalidade em vosso es- tado de nascido da natureza, então esse é quase um empre- endimento inútil. "Se viverdes segundo a carne, morrereis." Compreendei bem o que Paulo quer dizer com isso: então permaneceis ca- tivos no campo embrionário e submergis totalmente na noite cósmica. Tudo o que nasceu correspondendo ao karma da alma em vosso microcosmo, é aniquilado. No tempo devido, depois de algumas centenas de milhares de anos, devereis começar de novo. "Vós", isto é, vosso microcosmo. "Se viverdes segundo a carne, morrereis; porém se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis", como um verdadeiro homem no grande e regozijante mundo de Deus. Isso é possível? Genericamente não se pode responder

a essa pérgunta. Por isso, modificámo-la dessa forma: é isso possível para vós, alunos sérios da Escola Espiritual gnósti- ca? Então pode-se responder, sem restrições, a essa pergun- ta: "Sim, todos vós estais em condições para isso". E nós vo-lo demonstramos. Tentamos explicar que possuís o poder para tanto. Podeis avaliar em vós mesmos até onde este é o vosso caso. Seja como for, todos vós possuís, em diferentes gradações, uma nova vida-alma desperta. E Paulo diz na Carta aos Romanos, capítulo 8, versículo 11: E, se o Espfrito, a alma, a força-luz, de Cristo habita em vós, ele vivificará também vossos corpos mortais, e os admitirá nesse podero- so processo de recriação. Assim, como alunos da Escola Es- piritual gnóstica, como homens, ocupados em se desenvolver segundo a alma, podeis realizar todo esse trabalho, pois, pa- ra isso, a força vos foi concedida; ela já reside em vós. Agora, trata-se apenas de saber se quereis empregar essa força, se efetivamente vós o fazeis, iniciando imediata- mente. E se conseguis força e perseverança suficiente para romper através dos primeiros obstáculos de natureza demo- níaca, pois, muitos de vós possuem uma personalidade e um estado de vida tão avariados, tão degenerados, que, no iní- cio, será muito difícil estabelecer uma ordem elementar. Suponhamos que desejeis começar com o que foi ex- posto. Então Hermes vos diz:

"As sementes de Deus são pouco numerosas, porém grandes, belas e boas! São chamadas virtude, temperança e bem-aventurança".

Como devemos aqui entender a virtude? A virtude, em sentido hermético, é uma atitude de vida

coerente, em sintonia e com base nas forças da alma, que se manifestam em vós. Sois receptíveis segundo a alma? Com- preendeis, experimentais, o que a luz da Gnosis vos transmi- te? Pois bem, uma atitude de vida coerente, em concordân- cia com o que experimentais, com o que sentis, discernis e entendeis, é a virtude, no sentido hermético. Deveis acreditar nessa atitude de vida que se revela a vossa visão interna. Nessa atitude de vida deveis crescer com todo o vosso mais profundo anelo. Deveis ansiar por isso, conforme dizem as bem-aventuranças: "Bem-aventurados os que têm fome de Espírito, pois deles será o reino dos céus". Já conheceis esse anseio ardente e poderoso de viver em sintonia com aquilo que é projetado em vossa alma? Quando ides a uma conferência, quando assistis a um J?ervi- ço templário, realmente acontece algo em vós! Vossa alma, vosso ser, vosso coração, é tocado pela força-luz gnóstica! Se assimilais a palavra, se absorveis a força-luz, podeis an- siar, das profundezas de vosso ser, por viver em concordân- cia com essas coisas. Se verdadeiramente praticais essa vir- tude, nasce em vós uma poderosa ligação com a força astral do princípio, com a força astral ígnea, na qual o Logos intro- duziu a idéia da criação humana. Trata-se agora de acreditar, do imo, nessa força-luz que vos tocou, acreditar que podereis entrar no novo campo de vida. Pois, se vós assim ansiais, se assim almejais e acredi- tais em vossa própria alma, se acreditais em vossas próprias possibilidades, no amor de Deus, no impulso divino para o verdadeiro nascimento, entoo, como reaçoo a tudo isso, sois impelidos a outros pensamentos. ~r. surge a ordem em vossa vida mental. Desejais então ter outros pensamentos, pois an- siais pelo novo reino. Quando alguém deseja ardentemente

alguma coisa, seus pensamentos são sempre orientados pa- ra a mesma direção. Quem. se volta pleno de aspiração para o novo estado de vida, sintoniza-se, em conformidade com isso, com outros pensamentos e no mesmo instante em que vossa mentalida- de vos purifica, as ligações astrais com todos os demônios do aniquilamento são desfeitas. No tocante a vossos demô- nios particulares, eles serão dissolvidos por completo, e, quanto a vossa participação sobre os demônios criados e conservados coletivamente, sereis libertados totalmente. Nessa luz, pensai na virtude hermética, na nova atitude de vida de que já tivemos oportunidade de falar.

E o que Hermes quer dizer com temperança? Que, de

modo muito coerente e sensato, abandoneis toda a dialética; que renuncieis a ela e acima de tudo que nunca mais vos deixeis sacrificar pela dialética. A temperança hermética pro- põe o "no mundo, porém já não do mundo". Diante da tempe- rança está a intemperança Intemperança, no sentido da Gnosis, é o atirar-se inteiramente na vida comum; temperan- ça significa seguir uma orientação muito responsável, em que se leva em conta todas as circunstâncias, todas as si- tuações, de modo que todos os empecilhos no sistema da personalidade são afastados tanto quanto possível para o

afluir das novas forças anímicas.

A nova atitude de vida nos coloca diante de inúmeros

aspectos. Nesse sentido, pensai por exemplo no tão podero- so elemento erótico no homem comum, o impulso sexual que nele é exercido. O instinto sexual está - pelo menos para a

humanidade atual - em íntima ligação com os demônios mais horríveis do campo astral. Por isso, falamo-vos ante-

riormente acerca da peste da homossexualidade. Esse horror de degeneração é, de tal modo grande no munoo, que inú- meros governos, por exemplo, o da Inglaterra, o da Suíça e de outros países da Europa Ocidental desejam alterar os dis- positivos legais a esse respeito, pois esse mal se alastra de forma alarmante de cima para baixo, da esquerda para a di- reita, e milhares de pessoas são fustigadas por esse flagelo. O declínio, que assim é demonstrado novamente, está bem próximo; por isso, utilizai, vós que possuís uma força- alma vivente, as possibilidades que estão presentes em vós' A virtude que Hermes vos aconselha e a temperança de que ele vos fala são extremamente imprescindíveis aqui. Se acei- tais isso, virá a vós a bem-aventurança, o conhecimento per- feito de Deus. Esse é o verdadeiro nascimento do homem, a libertação. Se, baseados na força-alma existente agora em vós, a força-luz de Jesus Cristo, nosso Senhor, escolherdes a nova atitude de vida e a ela submeterdes tudo o que resiste em vós, em ânsia e fé absolutamente incondicionais, ganhareis o prémio do verdadeiro homem-alma- a libertação absoluta. Vede, claro que se pode falar bem mais demorada e pormenorizadamente sobre essas coisas, mais detalhada- mente do que nós o fizemos; porém, não temos vontade de fazê-lo. Se nos entendestes, então trata-se do seguinte: que- rereis tentar empregar conosco essa receita? Querereis as- sumir conosco essa nova atitude de vida? Se não, vosso dis- cipulado não tem o mínimo significado. Todavia, se desejais trilhar conosco firmes e coerentes essa senda, descobrireis um dia, como homens bem-aventurados, que todo o campo embrionário dialético tornou-se mau e assim é mantido me- diante a ilusão e a ignorância. Quem porém elimina, bane de

si mesmo,· essa ilusão, verá e experimentará tudo com gran- de pureza;_ e assim faz com que, conforme as palavras de Hermes, todo o mal se transforme em bem, no que é original. Talvez, agora, podereis compreender que tal grupo de libertos segundo a alma e o Espírito, num mundo como o nosso, é capaz de realizar coisas grandes e magníficas.

XII

A TERRA, MATRIZ DO MUNDO

Com a descrição da primeira parte do décimo-primeiro livro de Hermes, pudemos esclarecer-vos que ele faz uma grande diferença entre o que denominamos mundo e terra. Na filosofia hermética, o mundo é o planeta perfeito, santo, manifestado por Deus, enquanto que a terra é apenas uma pequena parte dele, um de seus aspectos. É a parte que po- demos indicar como sendo o campo embrionário, ou a matriz do mundo, onde o homem deve transformar-se, nascer, como verdadeiro homem. Esse campo embrionário materializou-se por meio de inúmeros incidentes no processo do devir humano. Hermes chama esse processo de materialização com suas respecti- vas conseqüências, de processo de maldade, portanto, um processo de evolução não-divino, pois a materialização é uma cristalização, um processo, que conduz, por fim, à petri- ficação, e assim a uma estagnação definitiva. Uma terra cris- talizada, petrificada, pode, em determinado momento, já não servir como campo de vida para os seres embrionários, por- tanto, para as entidades que ainda se encontram em desen- volvimento. Por isso, vemos na história mundial, no campo terrestre, um declínio e uma ascensão continuas, uma

cristalização crescente e um ininterrupto desmoronamento da cristalizaç_ão, a fim de que o campo terrestre possa tornar-se novamente um campo de desenvolvimento. A causa da periodicidade da materialização reside, se- gundo Hermes, na semente que o intelecto recebeu dos de- mónios. Um demônio é uma força natural. Analisados do ponto de vista puramente técnico-filosófico, os demónios são, como já vimos, princípios de forças criados por meio de nos- sa consciência cérebro-intelectual. Há a1nda outras causas pelas quais as manifestaçôes demoníacas podem realizar-se, porém, no que diz respeito a nós, seres humanos, a mencio- nada é talvez uma das principais. Repetimos: os demónios são princípios de forças as- trais que se manifestam por intermédio da consciência cére- bro-intelectual do homem. Um grupo de homens pode criar tal princípio de força no campo·astral da terra, e um único homem é capaz de efetuar isso em seu próprio corpo astral. A semente do intelecto é o pensamento racional, nossa ativi- dade cerebral. O pensamento racional está em movimento contínuo e aquilo que é produzido, por intermédio de nosso cérebro, surte um efeito imediato sobre o corpo astral. O ho- mem tem, portanto, acesso não apenas a seu próprio corpo astral, mas também ao da terra por meio da atividade cére- bro-racional. Mediante essa atividade, o homem produz, no oorpo astral da terra bem como em seu próprio, um princípio luminoso, altamente rotativo e emissor de fogo, que envia radiações tanto para fora como para dentro. Essas forças, essas atividades astrais, manifestam-se, entre outros lugares, no centro do microcosmo e no coração do homem na forma de uma influência animadora. A influência animadora de nossa personalidade e de

nosso microcosmo nada mais é do que uma atividade astral. Assim, mediante essa influência, toda a personalidade é co- locada em equilíbrio, em sintonia, com o tipo de rotação pro- vocada no corpo astral. Podereis imaginar isso facilmente:

vós produzis determinada atividade racional. Por intermédio desse pensamento racional, provocais um estado específico em vosso corpo astral, que vos envolve por todos os l~dos, e, por esse corpo astral, o centro da personalidade, o centro de vosso microcosmo, é animado. Esse centro de vosso micro- cosmo corresponde ao coração. Quando, portanto, os princípios astrais ígneos são cria- dos por vós, mediante pura especulação, por meio da ativi- dade cerebral espontânea e caótica do homem embrionário, bem depressa vossa força animadora deixa de sintonizar-se não apenas com a mínima regularidade e ordem e, é claro, com a regularidade e a ordem divinas. Portanto, é lógico que essa desordem se vingue. Considerai então que as ativida- des cerebrais do homem são 99% caóticas! Verificai por vós mesmos, para onde se dirigem vossos pensamentos no de- correr de um dia; que tipo de tensões mentais desenvolveis, que tipo de protestos mentais exteriorizais. Pensai em vos- sos pensamentos de crítica, em tudo o que está ligado a eles e que, portanto, é inferior. Podeis assim imaginar a agitação que provocais em vosso corpo astral e a aparência do ele- mento animador de vosso ser em sua totalidade. Existe, na mais profunda essência, apenas uma única ordem universal, um único plano da gênese, isto é, plano di- vino, o plano do Pai de todas as coisas, o plano divino para o mundo e a humanidade. Todo esse plano divino foi perturba- do com relação à terra e à humanidade por meio da semente demoníaca do intelecto, da atividade cerebral puramente

especulativa, arbitrária, desordenada e sem nenhum tipo de racionalidade. O homem em manifestação é lançado para fo- ra da ordem prescrita por Deus e, portanto, submetido à cris- talização, Petrificação, enfermidade e morte, até que o fim seja alcançado completamente. Dessa forma, a filosofia hermética verifica que a matéria é o mal. No campo terrestre, onde vivemos, que se tornou no- vamente em nossos dias altamente materializado e mau (tão mau que uma demolição e uma limpeza se colocam diante da porta do tempo), também, levamos em conta, popular- mente falando, o bem e o mal. Falamos, como se sabe, a respeito de pessoas boas e más. Devemos aqui nos ater a esse assunto, pois essa escala de valores de "bom" e "mau" não possui nenhuma relação com a definição hermética do bem e do mal, com relaçao à maldade ou bondade.

O homem que, hermeticamente falando, estâ no mal,

isto é, na materialização, denomina, por exemplo, um crimi-

noso um homem mau. Um homem bom, nesse sentido, é um homem materializado que é, por exemplo, correto, honrado e humano. Porém, atentai para o fato de que ambos, tanto o homem bom quanto o mau, permanecem na cristalização, na materialização, na petrificação. Ambos estão, portanto, no mal! E do mesmo modo, como existe um mal hermético, isto é, um permanecer na matéria, na cristalização, existe tam- bém, como é evidente, um bem hermético. Hermes fala dele, como sabemos, simplesmente como sendo o bem. Ele fala, aqui, do bem absoluto, que é de Deus, do Logos, do Pai Uni- versal, do bem que encerra em si a ordem perfeita do plano divino com o qual o homem verdadeiro, espiritual, vive em equilíbrio perfeito.

A respeito desses homens, Hermes diz: Ele é ligado ao

bem e é guardado por Deus para sua salvação. Talvez agora

compreendamos verdadeiramente essas palavras. Logo que

o homem cristalizado, submerso no mal, volta-se realmente

para o bem e, portanto, para a ordem divina, para a Gnosis, seu declínio converte-se imediatamente numa ascensão. As cristalizações e suas conseqüências convertem-se numa transfiguração total. Então, ela faz - assim esclarece o déci- mo-primeiro livro com ênfase - com que todo o mal se trans-

forme em bem.

Entendereis como isso é possível se recordardes bem que Hermes compreende como "o mar' a cristalização em todos os seus aspectos, a petrificação que é a causa de to- das as enfermidades e da morte. Se vos voltais para o bem,

a cristalização é interrompida e passa a desenvolver-se um processo que conduz à magnificência. Hermes diz no versículo 14: Deus, o Demiurgo• do todo,

forma todas as Suas criaturas segundo Sua imagem. Podeis

compreender isso. Em todo o universo, a essência, o âmago, de todos os fenômenos provém ou, provavelmente, transfor- ma-se por intermédio do mestre-construtor de todas as coi- sas. Quando, pois, o homem material se volta novamente ao bem único, ele, que está maculado pelo mal, é purificado pelo bem, pois o bem é a realidade essencial; o mal é a ilu- são, a irrealidade. Hermes dirige essas palavras a Asclépio, ao homem que anseia ser um auto-sanador. Essa é, deveras, uma ale- gre mensagem. Quem inverte seu processo de cristalização, voltando-se para o bem, transforma todo o mal em bem. Sa- bemos que tudo o que possui forma nasce do campo astral. Também o mundo possui um campo astral e, do mesmo mo- do, a terra, como determinado aspecto do mundo. O campo

astral terrestre tornou-se tenebroso e muito perigoso devido ao comportamento da humanidade. Forças naturais que não se explic~m pelo Logos aí se manifestam. Porém, um dia, esse campo astral terreno se tornará in- teiramente idêntico ao puro e sereno campo astral do mundo divino. Não existe nem em princípio nem fundamentalmente qualquer diferença entre o corpo astral santo do mundo e o corpo astral de nossa tenebrosa e obscurecida terra. As de- generações, as materializações, são possíveis por meio do campo astral; entretanto, elas não constituem, em essência, nenhuma parte dele. Em outras palavras: quando o homem se volta fundamentalmente para o bem, seu corpo astral é submetido a uma purificação; então o mal inevitavelmente se converte em bem. "O mal é, então, lavado pelo bem", como está nas Escrituras Sagradas. Esse é o segredo da salvação que Hermes deseja esclarecer a Asclépio. Como seres embrionários, o homem vive totalmente do campo tenebroso da terra e toda a imundície desse campo demonstra-se até em seu sangue. Se, todavia, ele se volta ao bem único, consegue processualmente participar do cam- po astral do mundo santo, a santa terra-mãe, o planeta criado originalmente por Deus, e essa força astral purifica-o de to- dos os seus miasmas pecaminosos. Esse é o segredo da salvação! Por isso, por exemplo, é dito na Primeira Carta de João: "O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, purifica-nos de todos os pecados". Trata-se aqui do Espírito planetário, o ser de Cristo. As palavras de João são, portanto, puramente herméti- cas. Quem procurou e encontrou a Gnosis e, por conseguinte nela crê totalmente, põe sua esperança na Gnosis, orienta seu coração para a Gnosis, ou seja, é preenchido pelo pode-

roso fogo da graça. Este é um fogo que concede a força para

a purificação de todo o mal. Àquele que deseja seguir esse caminho, é dado um conselho no versículo 15 do décimo- -primeiro livro:

Porque a percepção e a faculdade de pensar do mundo, criadas com o intuito de ser instrumentos da vontade de Deus, dão forma a todas as coisas e as fazem dissolver-se novamente, para que, guardando em seu seio todas as se- mentes que receberam de Deus, produzam todas as coisas segundo sua própria tarefa e vocação, dando-lhes, ao dissol- verem-nas novamente a renovação; deste mOdo, como um hábil jardineiro da vida, proporcionam-lhes a renovação, após as terem dissolvido, fazendo-as se manifestarem de modo di- ferente. Essas palavras encerram o conselho hermético mais poderoso de todos os tempos. Sobre essas palavras, que são esclarecidas na continuação do décimo-primeiro livro, dese- jamos falar-vos pormenorizadamente. Elas querem fazer-nos

compreender como o homem material, cada vez mais crista- lizado, deve viver para escapar das garras do mal e poder pertencer ao bem. É uma prerrogativa especial podermos e termos de re- fletir atualmente sobre a atitude de vida que deve ser consi- derada como fundamental, pois a terra, o campo terrestre, onde suspiramos, começa a ser submetido novamente a uma grande revolução cósmica e atmosférica. Por isso, devemos

e podemos refletir sobre essa atitude de vida, e ainda, me- diante a prática da mesma, escaparmos do declínio. Trata-se, pois, de uma atitude de vida decisiva para uma ascensão, uma libertação ou uma queda ainda maior.

Um estudo urgente relativo a isso deve ser realizado por nós, pois na Hlosofia hermética todas essas coisas são, em prin- cípio, exigidas. Contudo, o homem deve também refletir, na luz desse princípio, sobre a época e as circunstâncias sociais em que ele vive. Tadas as fraternidades gnósticas, do passa- do até hoje, refletiram sobre esse preceito hermético de vida, sobre essa base única e totalmente decisiva atitude de vida; porém todas tiveram de fazer isso levando em consideração a época em que viviam. Esse princípio hermético de vida, essa atitude de vida, expressa-se na máxima:

Tudo receber e tudo abandonar, e assim tudo renovar. Guardar em si todas as sementes recebidas de Deus, fazer com que se manifestem todas as coisas e enquanto elas no- vamente se dissolvem, tudo renovar.

XIII

TUDO RECEBER E TUDO ABANDONAR,

E ASSIM TUDO RENOVAR

Porque a percepção e a faculdade de pensar do mundo, criadas com o intuito de ser instrumentos da vontade de Deus, dão forma a todas as coisas e as fazem dissolver-se novamente, para que, guardando em seu seio as sementes que receberam de Deus, produzam todas as coisas segundo sua própria tarefa e vocação, dando-lhes, ao dissolverem-nas, a renovação.

Essas palavras permitem-nos examinar em primeiro lu· gar a natureza e a essência do mundo. Lembramo-vos, mais uma vez, que Hermes faz distinção entre o mundo e a terra:

o mundo é a manifestação de Deus; a terra - uma parte do mundo - é o campo do devir da humanidade. O mundo, as· sim diz Hermes, é um instrumento direto de Deus. Ele é um sistema grandioso e magnífico composto de diversos aspec· tos, dos quais um deles é a terra. Deus, diz ele, o Pai do mundo, criou como tal um sistema perfeito. O mundo é um poderoso instituto de ensino e desen· volvimento, uma escola tanto para entidades inteiramente

humanas como também para outras ondas de vidas. Assim que o homem nasce verdadeiramente no campo terrestre se- gundo seu .ser interno mais elevado, deve, a seguir, percorrer todas as regiões do mundo como se estivesse numa univer- sidade cósmica, para realizar seu inteiro curso de desenvol- vimento. Em sentido mais elevado, o mundo também é, as- sim como a terra, um campo de transformação, um instituto de ensino divino, pois, atentai: A percepção e a faculdade de pensar do mundo dão forma a todas as coisas e as fazem dissolver-se novamente. Portanto, o mundo não é o alvo, o objetivo final, da manifestação humana, porém é utilizado como meio divino para impulsionar o homem a seu objetivo final.

Existem, no universo, uma infinidade de sistemas sola- res e incontáveis miríades de planetas. Cada planeta consti- tui um campo de transformação que insta a manifestação do grande plano de Deus. A percepção e a faculdade de pensar do mundo dão forma a todas as coisas e as aceitam nova- mente em si mesmas, onde se manifestam, dissociam-se de novo e são, mais uma vez, criadas. Em resumo, toda a vida que se manifesta no mundo, é caracterizada pela dialética, isto é, pela ascensão, florescimento e declínio e depois no- vamente pela ascensão. Essa dialética do mundo é, efetivamente, a dialética, e diferente da nossa. Para o mundo, ela é uma realidade divi- na, incriada; para nós, a dialética é uma tribulação, um casti- go, uma demonstração de esterilidade. Consideremos a dialética de um ponto de vista supe- rior, orientados pelo conhecimento hermético, e descobrire- mos que o mundo é por meio dela a maior escola prática da eternidade. A dialética ensina o movimento contínuo, a rota-

ção incessante, de todos os fenômenos, portanto ela tudo manifesta e faz com que tudo se dissolva novamente. Há no mundo uma quase infinita multiplicidade de for- mas, corpos, forças e fenômenos. O mundo no-los mostra, dissolve-os novamente e apresenta-os, de novo, renovados. Disto se evidencia que o mundo deve apresentar determina- das possibilidades, determinados valores, deve manifestar algumas forças como disponíveis, porém sem que todas es- sas possibilidades, forças e valores existam por si mesmos, pois, o essencial, o real, o ser divino, permanece por trás. Do mesmo modo que a Escola Espiritual gnóstica já há anos não é a realidade para nós, porém tenta mostrar a realidade, assim também o mundo é o átrio do ser divino. Se podemos ver isso dessa forma, a dialética toma-se algo grandioso, magnífico e poderoso. Então, entendemos o versículo 19:

o

criador de tudo o que está nele; o mundo é o filho de Deus, e tudo o que está no mundo veio à existência pelo mundo.

Assim, pois,

Deus é o Pai do mundo,

e o mundo é

Somos feitos da matéria deste mundo. Somos filhos do mundo e todos os valores, todas as forças, todas as possibi- lidades do mundo, manifestam-se a nossa volta e em nós. Por isso, somos totalmente determinados pela sublime dialé- tica do mundo; somos a própria dialética como filhos do mundo. Até que o objetivo essencial se manifeste: a filiação divina! A filiação divina guia-nos para fora do mundo e para dentro da majestosa eternidade divina. O Espírito de Deus nos será inspirado por intermédio do Espírito Sétuplo. Então, saímos da escola prática e entramos na eternidade divina.

Não· precisareis absolutamente fazer nenhum esforço para compreender isso tudo intelectualmente. Ser-vos-á, con- tudo, exigida uma energia quase sobre-humana para aplicar- des tudo o que esse processo requer de vás e conduzi-lo a bom termo. Nisso se baseia o princípio hermético de vida. Assim como Deus é o Pai do mundo e nós, filhos do mundo,

é

evidente que a essência nuclear da divindade está presen-

te

também em nás e em nós dorm1ta. Por isso, deveis aceitar

o

mundo com suas necessidades naturais dialéticas como

uma escola prática. O objetivo não é a escola prática, porém

a verdadeira vida que se lhe segue. Não é o mundo, porém tudo o que está por trás dele. Por isso, deveis organizar e vivenciar toda a vossa vida,

toda a vossa atitude de vida, em sintonia com o que foi dito.

O mundano em nós, sim, toda a nossa personalidade, inclu-

sive a consciência cérebro-intelectual, compreende um com- plexo dialético, isto é, somente pode falar-se de uma realida- de que vai e volta, de uma realidade temporária. Tudo o que Deus é e faz, o inteiro plano divino para o mundo e a huma-

nidade

ordena e orna o todo numa multiplicidade infinita e de maviosa beleza por meio da continuidade da vida, da infa- tigabilidade da força reveladora, da rapidez do fatum, da composição dos elementos e da ordenação de tudo o que devém, assim diz Hermes. A percepção e a mente entram, pois, em todos os seres viventes, do exterior, como se esti- ~~essem no alento que os circunda, porém outrora o mundo as recebeu de Deus para sempre, no momento de seu devir.

O mundo demonstra, portanto, apenas o que é univer-

sal, o que provém de Deus, o que é realidade, o que é "Isto".

A criatura é chamada também para isso; e se vós, como cria-

turas, não aceitais agora o mundo que se desenvolve por in- termédio de Deus, como uma escola prática e não o viven- ciais como tal, então a coisa vai mal convosco. Aí entra em atividade a outra dialética,. à qual nós temos referido todos esses anos como a dialética vingativa.

Por intermédio do mundo, somos fecundados com a semente divina, isto é, se possuímos uma alma pura e esta coopera com a consciência cérebro-racional purificada. Caso contrário, somos envenenados mortalmente pela semente demoníaca. Então a outra dialética entra em atividade.

A questão é, pois, se aceitamos o plano de Deus e sua

atividade com todas as conseqüências. Se não, entramos no mal, na criação da cristalização, do embrutecimento. Temos, portanto, de escolher entre o bem divino e o mal demoníaco. O mal demoníaco nasce tão logo uma criatura se oponha à necessária dialética do mundo, em si mesma e em todas as coisas. Então, surge a cristalização, a petrificação e, no final,

a trituração, o aniquilamento. E a grande fadiga tem início

novamente.

Todos nós conhecemos a dramática e extremamente penosa dialética da natureza da morte. Ao invés do movi- mento dinâmico e poderoso, como o de um ritmo majestoso no mundo, efetiva-se em todos um retardamento, devido aos fatores de cristalização, até que finalmente se realiza a es· tagnação total. Estagnação que se denomina, com acerto, "a

natureza da morte".

A natureza da morte é a caricatura da dialética introdu·

zida por Deus no mundo. Podeis libertar-vos imediatamente

dessa caricatura e de seus fenômenos, dessa variada série de demônios, quando vos unis, numa persistente e nova ati- tude de vida, com a realidade do mundo, isto é, com o filho de Deus. Portanto, não se trata de metáfora mística, quando se diz que Jesus Cristo é o Espírito planetário do mundo. Podeis participar diretamente de Cristo, deste ser do planeta divino, pois proviestes e pertenceis a este mundo. Podeis voltar-vos imediatamente ao bem, ao plano divino pa- ra o mundo e a humanidade. Se compreendeis e reconheceis tudo isso como verdadeiro e ainda tudo seguis, demonstrais com isso que a alma e a consciência cerebral estão purifica- das e que, portanto, possuís o Nous· de Hermes. A base da atitude de vida, à qual deveis dedicar-vos, é natural: "Tudo receber e tudo abandonar, e somente assim tudo renovar"; aplicar-se e submeter-se perfeitamente à dialética divina do mundo divino.

Essa tarefa vos coloca naturalmente diante de grandes problemas que não se deve e nem se pode considerar dema- siadamente fáceis, pois, partindo-se da realidade de vosso convívio social comprovais que a situação é extraordinaria- mente complexa, por que a pureza essencial do mundo está totalmente associada ao mal. Se desejásseis viver totalmente segundo as normas da dialêtica, concedida ao mundo por Deus, acolhendo tudo es- pontaneamente, para que tudo fosse usado como deve sê-lo, não correríeis o risco, por exemplo, de receber e utilizar o que provém totalmente do maléfico e do demoníaco? E se aban- donais, livrais-vos ou simplesmente recusais determinadas coisas, valores e possibilidades, não correis então o risco de rejeitar o que provém da própria lei mundial?

Incontáveis são aqueles que, de boa-fé, fazem seme- lhante coisa, enganados pelas autoridades. Por isso, se não compreenderdes e não vos apegardes mui inteligentemente a essa tarefa, será impossível que tudo o que é necessário se renove do modo e no lugar corretos e na hora certa. Além disso, a forma como vos defrontais pessoalmente oom essas ooisas é de suma importância. Estais preparados para aceitar uma atitude de vida que talvez não corresponda em absoluto com vossa natureza? Muitos são extremamente conservadores em relação a várias coisas, porém a perseve- rança no tradicionalismo não se ooaduna com a nova atitude de vida, que exige de nós a prontidão para sempre abando- nar tudo o que recebemos. Por isso compreendei que essa é uma atitude de vida que deve ser estudada e discutida em detalhes. Devemos re- fletir sobre a forma em que tudo pode adaptar-se a nossos tempos modernos.

anteriormente que cada Fraternidade

gnóstica em seu tempo colocou-se, da mesma forma, diante de tal tarefa. Não é de se espantar que sejamos também confrontados com essa grandiosa missão após anos de com- bate para conquistar a alma que deve ser o fundamento da nova atitude de vida. Nos meses e anos vindouros, dever-se-á expressar essa assinatura totalmente nova do grupo da jovem Fraternidade.

dissemos

XIV

O OBJETIVO DO HOMEM

O problema que vos apresentamos no capítulo anterior

não é naturalmente algo que se deva colocar diante do ho- mem fortemente orientado segundo a natureza. Esse homem ainda não nasceu segundo a alma, é imaturo e pertence to- talmente à terra. Ele ainda não pode visualizar o horizonte do verdadeiro nascimento humano e, por isso, não pode ansiar por ele. Esse problema vale apenas para aqueles cujas almas já nasceram graças a um coração que se tornou puro, que restabeleceram a ligação com a consciência cérebro-racional

e que, com razão, recordar-se-ão de uma filiação divina que embora não pertença a este mundo7, deverá ser fecundada nele.

O mundo é, como já vimos, hermeticamente compreen-

dido, uma escola, uma universidade. A escola prática da eternidade. Ele não quer nem pode deter-nos. Não nos de- seja deter porque o mundo é o filho de Deus e, portanto, o

plano de Deus é executado completamente por meio dele. Não nos pode deter também devido a sua essência e a sua

7. Aqui, aterra.

atividade completamente dialéticas, a saber. manifestar-se, sempre dissolver-se e novamente renovar-se. Suponhamos que compreendais isso de vosso imo e que entreis, portanto, na nova ordem mundial, na verdadeira ordem mundial, do estado de alma vivente, de modo que contempleis os diversos aspectos do mundo verdadeiro. En- tão, não desejareis outra coisa senão cooperar totalmente com o sentido e a essência do mundo. Sim, experimentareis isso como necessidade natural. Saístes da terra e entrais na grandiosa escola prática. Nesta condiçãc confrontamo-vos agora com o incontestável princípio da verdadeira atitude de vida gnóstica: "Tudo receber, tudo abandonar, e assim tudo renovar''. No curso sublime do mundo, encontra-se um certo ritmo de todas as coisas, forças e possibilidades. Recebemos, por intermédio da alma, as forças astrais puras com cuja ajuda podemos todos realizar o que o plano de Deus nos ensina, com auxílio do qual podemos edificar o lar eterno. Mediante

a consciência racional purificada, que coopera totalmente com a alma, recebemos as sugestões, as mensagens divi- nas, daqueles que permanecem por trás do mundo e que são

descritos nas Núpcias A/químicas de Christian Rosenkreuz.

Contudo, há em nós e em nosso derredor uma situação atual, uma existência atual, um meio ambiente, de onde as forças e idéias vêm a nós. Agora devemos atentar para o fato

de que nem essa situação aluai, nem essa existência e esse meio ambiente são reais, reais no sentido divino. Com efeito,

a realidade aluai não é nem sombra da realidade final, o co- roamento final de nosso desenvolvimento. A realidade aluai terá de se submeter ainda a inúmeras transmutações. Trans- figurações nos acometerão e seremos submetidos a elas

totalmente. Por isso, o candidato dos mistérios gnósticos não deve nem pode considerar ou avaliar sua realidade atual como es- tática. Tão logo fizéssemos isso e quiséssemos reter aqui as coisas que possuímos agora, entraríamos imediatamente em cantata com o mal. Retardaríamos a sublime e fluente dialé- tica do mundo. Surgiriam os fatores de retardamento e tudo se tornaria materializado, petrificado e triturado. Em vista disso, o candidato deve abandonar o presente imediato, in- condicionalmente, logo depois de ter recebido tudo para sua grande transformação, depois de ter assimilado tudo. O can- didato não deve ficar parado em coisa alguma. Jamais ele deverá dizer, em relação a qualquer coisa: "Isso me perten-

ce~~.

Somente o objetivo único conta: a deificação definitiva! A situação atual, momentânea, a existência, somente conta à medida em que coloca a pessoa em condições não apenas de receber força e conhecimento, não apenas de assimilá- -los, mas também de empregá-los concreta e imediatamente na única construção. Quanto ao resto, tudo o que existe não tem o menor sentido. Conseqüentemente, o candidato está também a cada segundo preparado para tudo abandonar e nada qualificar como de sua propriedade, Ele não pensa nis- so. A tarefa como tal não representa um problema para ele.

Compreendeis também que quando alguém recebe tu- do assim e não oferece resistência ao que recebe, por meio de nada, então o grande processo de renovação, o processo da transformação contínua, também se desenvolve sem em- pecilhos até o término total. "De graça tudo recebestes, de graça dai", assim nos é dito no Sermão do Monte. E isso não

é válido apenas em relação a uma parte da matéria grossei-

ra, mas também em relação a tudo o que sois, a tudo o que ansiais. É válido em relação a tudo o que serve para vossa verdadeira paz. Imaginai que ingressásseis nessa atitude de vida, que aceitásseis, de fato, espontaneamente, sem qualquer reser- va, a atitude de vida hermética como sendo vossa própria. Is- so seria magnífico! Porém, enquanto ainda viveis na ordem de vosso nascimento natural, deveis conviver em diversos aspectos com uma humanidade que ainda pertence à terra, com uma humanidade que, por ignorância e possessa por seus demónios, nega-se a trilhar a senda da gênese sublime do homem. Se vós fôsseis, sem quaisquer empecilhos, um exemplo vivente da nova atitude de vida, vossos filhos seguiriam mui

rapidamente vosso exemplo, porém antes que vossos filhos participem da vida, eles são, normalmente em 99% dos ca- sos, prejudicados por meio de todo o tipo de métodos educa- tivos a que vós os sujeitais. Vós vos colocais no ponto de vista: "Devo preparar meus filhos para a vida social. Tenho de lidar com a humani- dade que ainda pertence à terra, portanto terrena e, muito conservadora; portanto, apoiada no tradicionalismo. Enfim, uma humanidade que se agarra a tudo. Tenho de lidar com uma humanidade que talvez deseje receber, porém não abandonar''. Ainda há a necessidade de ocupar uma posição social

a fim de que nossas necessidades materiais e as da família

sejam satisfeitas. Por conseguinte, tendes de lidar diariamen-

te com o mundo da maldade. É um fato também que existem

leis que regulamentam mais ou menos a convivência boa ou

má da humanidade. Assim se deve amoldar às leis e à auto- ridade que as elaborou e que também as aplica. Numa das Cartas aos Coríntios, Paulo faz uma obser- vação digna de nota relacionada à associação da lei com a essência do pecado, portanto, com a essência do mal, da materialidade: "A prova do pecado é a lei". As leis que regu- lamentam nossa vida em comum partem todas do princípio de que o homem sempre se livra do jugo e reàge sempre contra a sociedade; que ele está continuamente ocupado em minar o princípio da convivência social. Quase toda a lei que rege nossa vida em comum apóia-se no fato de que alguém pode infringi-la. É estranho que também o homem gnosticamente orien- tado do imo entre em conflito a cada segundo com essa lei. Não porque ele deseje transgredir a lei da convivência, po- rém porque ele gostaria de escapar dessa lei e elevar-se ao mundo de Deus! No entanto, o legislador não pode ocupar-se com isso. Cada violação da lei será punida. Eis por que o homem é obrigado a observar a lei de seu convívio social, pelo menos quando deseja viver em paz com o mundo.

Todavia, grandes problemas, bastante difíceis de solu- cionar, encontram-se ligados a isso. As antigas fraternidades, as fraternidades precedentes, tiveram, nesse sentido, pro- blemas muito mais fáceis. Sua sociedade não era, por exem- plo, de forma alguma, industrializada, nem submetida à téc- nica. Os antigos eram agricultores ou artesãos. A terra também não era tão densamente povoada, e as fraternidades podiam reunir-se facilmente, isolando-se em comunidades e colônias. Assim, podiam-se desligar, sem di- ficuldades, da sociedade rejeitada por eles e permanecer,

dessa forma, sem entrar em conflito com ninguém. Os anti- gos cátarós• procuraram assim, já antes de serem persegui- dos, a solidão das grutas. Eles estabeleceram sua comuni- dade em todo o sul do território cátaro, protegidos por vários nobres simpatizantes. Talvez conheçais também a história da antiga comuni- dade dos bogomilos, que eram afins com os cátaros. Eles desenvolveram uma comunidade agrícola, especialmente nos países eslavos. Viviam unicamente dos produtos de sua la- voura, fabricando com suas próprias mãos as coisas indis- pensáveis e provendo a todas as suas necessidades. Essas comunidades conheciam sua própria lei. Elas não se preocu- pavam com o resto da humanidade nem com as autoridades

e podiam orientar-se totalmente segundo a antiga sabedoria hermética (o que, na realidade, faziam). Construíam verdadei- ras comunas puramente gnósticas que vós não podeis, de forma alguma, confundir ou comparar com o que na natureza da morte se entende por "comunismo". Não havia nenhuma relação com potência estatista, facista ou comunista. Havia exclusivamente uma aplicação prática de: tudo receber, tudo abandonar e, assim, por fim, ascender para a vida divina da eterna renovação. Nada podia ou devia detê-los, pois viviam em completa autonomia com relação à natureza da morte. Assim como os cátaros, os bogomilos também sofre- ram, em determinado momento, a perseguição e o extermí- nio. Da mesma forma como os cátaros sobreviventes na Eu- ropa Ocidental, continuaram seu trabalho em segredo e sob

o símbolo da Rosacruz, assim também os bogomilos imergi- ram, no que tange a sua obra, para depois ressurgir nos paí-

ses eslavos ocidentais. Consideremos, contudo, o outro lado da história dos

bogomilos. Descobriremos então que a antiga vida, segundo sua austera concepção, já não poderia continuar tão irrestrita, pois as autoridades dos países onde moravam, apesar de não persegui-los no início, impunham-lhes suas leis. Por que deveriam os outros habitantes desses países submeter-se às leis e a fraternidade dos bogomilos não? Como cidadãos do Estado, eles foram forçados a sujei- tar-se a essas leis, porém, com essas medidas, toda a vida dos bogomilos estagnou e desmoronou. motivo pelo qual, mais uma vez, retiraram-se para lugares Inacessíveis. Toda a extensão de um continente, como por exemplo, a Sibéria, guarda em si vestígios da vida dos bogomilos. Em toda a parte encontramos esses rastros sob espessas camadas de neve e gelo. Porém mesmo ali a lei os alcançou e assim con- tinuou até nossos dias. Pelo que sabemos, uma seita de bo- gomilos retirou-se para o Canadá no final do século passado e lá formou uma comunidade nobre, pura e fechada, envolta e protegida por imensas florestas e montanhas. Contudo, nos últimos anos, essa comunidade entrou em conflito com o go- verno do Canadá, pois a autoridade conhece leis agrícolas e outros preceitos. Há, por exemplo, em quase todos os países, uma lei referente à derrubada de árvores e ao desmatamen- to. Além disso, existem interesses agronómicos. Também são construídas vias férreas. Assim, também essa seita tem- se retirado nos últimos 50 anos cada vez mais para o norte, até que novamente o inevitável aconteça e seu problema torne-se atual de novo. Para onde deveríamos retirar-nos se tivéssemos o plano de fundar semelhante comunidade em nossos países super- populosos? Eis por que o problema coloca-se claramente diante de nós: como se comporta o homem gnóstico, aquele

que deseja_ viver segundo os preceitos herméticos, diante do homem exclusivamente natural, da natureza da morte, o ho- mem que considera este mundo o objetivo de sua existên- cia? Percebeis que o problema que ora colocamos diante de vós não é tão fácil de resolver? Certamente, essa situação é bem difícil para nós; logo uma escolha deve ser feita. Deve haver uma evidente nova atitude de vida. Não há, na socie- dade aluai, nenhuma possibilidade de renunciar, semelhante aos antigos, a essa sociedade. Assim continua pendente a questão: como resolvemos esse problema?

XV

NOSSA ATITUDE DE VIDA E AS

CIRCUNSTÂNCIAS AlUAIS

"Tudo receber, tudo abandonar e, somente assim, tudo renovar" é o princípio imperioso da atitude de vida gnóstica. Atitude de vida que, como já vimos, permaneceu inalterada no curso dos séculos e muito respeitada por todas as frater- nidades gnósticas. Apenas os métodos de realização desse princípio fundamental único deverão diferenciar-se, sempre de novo, de acordo com a época e com as circunstâncias. Nos tempos antigos, os grupos grandes e pequenos eram bem segregados. Eles não dispunham dos meios mo- dernos de comunicação nem tampouco das possibilidades aluais de publicidade. Seu raio de ação na matéria era, por isso, muito restrito. Por conseguinte, é de se admirar que, por exemplo, os bogomilos pudessem influenciar, em seu tempo, todos os Bálcãs e ainda grande parte da Rússia e que tam- bém os cátaros dominassem quase todo o Sul da França, onde obliteraram totalmente a Igreja dominante. É também surpreendente a forma em que, mais tarde, a idéia e a missão dos rosacruzes propalaram-se por toda a Europa como que na velocidade de um raio, embora naquele

tempo, por exemplo, a distância entre Calw' e Haarlem fos- se, por assim dizer, "uma volta ao mundo". Por isso, pergun- tamos agora: como chegava a mensagem dos rosacruzes tão rapidamente, naquele tempo, ao norte, e era respondida com igual presteza? Tentemos responder a essa questão e também a de como era possível que, em seu tempo, a Gnosis encetasse a propagação quase simultânea de sua obra, obra que, no fun- do, irradiava-se para todos os lados numa vasta área ao re- dor de todo o Mediterrâneo, sem o apoio dos meios de co- municação e publicitários de que dispomos hoje em dia. Ago- ra, tal propagação já não é possível. As antigas fraternidades seguiam determinada estraté- gia. Os participes da grande obra dispunham individualmente de faculdades superiores, e alguns deles espalhavam- -se, segundo um plano definido, para todas as regiões onde os irmãos deveriam instalar-se. Todos os irmãos e irmãs diri- gentes dispunham dessas, assim chamadas, "faculdades• superiores". Onde quer que se encontrassem, eles permane- ciam uns com os outros em cantatas intuitivos, telepáticos, e, ainda podiam estabelecer reciprocamente um cantata-alma durante as horas de sono. Dessa forma, estava garantida, já de antemão, uma extraordinária coordenação de todo o tra- balho. Além disso, é importante saber que o corpo racial do homem da massa daquela época não estava, nem de longe, tão denso, tão cristalizado, quanto atualmente. De mais a mais, os homens viviam então num repouso medieval e no silêncio daqueles tempos. Disso não podemos fazer quase nenhuma idéia hoje em dia. O homem estava então ainda aberto, pois a faculdade de pensamento, a consciência cére-

bro-racional, ainda não estava avariada e, finalmente, não es- tava também tão obscurecida pela esfera astral quanto ago- ra. Quando as perseguições por parte da Igreja e do Estado tiveram início, o Estado, com o assentimento da Igreja e esta com a anuência do Estado, inúmeros puderam escapar de modo extraordinário das malhas da perseguição e, de várias formas, dar continuidade a seu trabalho. Não se pode assim apontar um único dia, uma única hora na h1stóna mundial em que a santa obra tenha sido interrompida. Dizemos isso tudo para mostrar-vos que a atitude de vida hermética é possível sem muitos estorvos. À medida que o grupo de alunos da jovem Gnosis progredir na revela- ção da salvação, poderemos falar mais sobre isso, natural- mente. Esse grupo pode, em todas as circunstâncias, condu- zir o trabalho sem atrair para si a atenção em demasia. A pergunta agora é: como devemos, em nossos tempos mo- dernos, considerando-se todos os fatores, orientar nossa ati- tude de vida de forma a poder corresponder à exigência mí- nima? Essa é uma pergunta com a qual apresentamos o problema de uma nova atitude de vida, à qual o grupo deverá habituar-se totalmente nos anos vindouros. Devemos refletir sobre o princípio fundamental de nossa atitude de vida futu- ra, com a qual, também, nosso grupo, levando em considera- ção as circunstâncias temporais e os aspectos de nossos tempos modernos, deverá alcançar o único fim glorioso. Repetimos a pergunta diante da qual nos colocamos:

como devemos, levando em consideração todos os fatores, orientar nossa atitude de vida nos tempos aluais, a fim de podermos corresponder à exigência hermética mínima, para, sobre esta base, não resvalarmos para a natureza da morte, para não sermos por ela absorvidos? Que devemos fazer,

por exemplo, para não sermos vistos como inimigos públicos ou extrem_ista.s? Que devemos fazer para conduzir nosso di s- ei pulado a resultados práticos, ou seja, à libertação, à reali- dade da renovação? Pois é isso que devemos fazer, não é? Devemos seriamente contar com o fato de que nossa vida está de tal modo entretecida com a sociedade e as institui- ções públicas, que não podemos, sem mais nem menos, apartar-nos delas. Neste ponto, devemos aplicar a regra áu- rea dos antigos irmãos rosacruzes, de que cada irmão ou ir- mã adote o traje do país onde mora. Porém, fundamentado sobre o estado de alma vivente! Refleti bem sobre isso, pois, se a alma em vós não está li- bertada, não está manifestada, não efetivais a nova atitude de vida. Entrareis sempre de novo em conflito e estagnareis. Somente a alma vos torna livre. Nos anos anteriores, sempre dedicamos grande ênfase a esse assunto, e isso se patenteia também de forma abundante por intermédio de toda a nossa literatura. Em primeiro lugar, é necessário conquistar a alma, libertar a alma mediante o renascimento. Se temos a alma, então temos a base para vencer tudo aquilo que oferece re- sistência no caminho de nosso discipulado. Nessa base, todo o aluno obterá bom êxito ao se sujei- tar às chamadas leis "democráticas" e normas públicas de seu país, isto é, contanto que não seja tolhida a liberdade de imprensa, de religião e de pensamento, a liberdade de se realizar sossegadamente reuniões, e, portanto, os direitos humanos de liberdade não sejam ameaçados em demasia. Nesse caso, não há nenhuma dificuldade para se movimen- tar, sobre a base da alma, através dessas terras tenebrosas. Contudo, assim que os direitos de liberdade do homem são tolhidos, enceta-se uma fase totalmente nova. Então, o grupo