UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CAMPUS AVANÇADO SOBRAL
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA





JOSÉ AGLAILSON SILVA DE OLIVINDO





ESTUDO DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO PARA A MICRORREDE DO
CAMPUS DO PICI









SOBRAL
2012
JOSÉ AGLAILSON SILVA DE OLIVINDO




ESTUDO DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO PARA A MICRORREDE DO
CAMPUS DO PICI



Trabalho Final de Curso, apresentado à Coordenação do
Curso de Graduação em Engenharia Elétrica, da
Universidade Federal do Ceará – Campus de Sobral,
como requisito parcial para obtenção do título de
Graduação em Engenharia Elétrica.

Área de concentração: Sistemas Elétricos de Potência.

Orientador: Prof. Nélber Ximenes Melo, Msc.
Co-Orientador: Prof. Raimundo Furtado Sampaio, Msc.


SOBRAL
2012
JOSÉ AGLAILSON SILVA DE OLIVINDO

ESTUDO DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO PARA A MICRORREDE DO
CAMPUS DO PICI

Esta Monografia foi submetida à Coordenação do Curso de Engenharia Elétrica, como
parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Graduação em Engenharia Elétrica.

Aprovado em: ___/___/___





BANCA EXAMINADORA
Nota
___________________________________ _______
Prof. Msc. Nélber Ximenes Melo (Orientador)
Universidade Federal do Ceará
Nota
___________________________________ _______
Prof. Msc. Raimundo Furtado Sampaio (Co-Orientador)
Universidade Federal do Ceará

Nota
___________________________________ _______
Profª. PhD. Ruth Pastôra Saraiva Leão
Universidade Federal do Ceará



























À Deus, pela vida, saúde e determinação.
Aos meus pais, Paulo Henrique de Olivindo
e Maria Francisca da Silva.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a DEUS, pelo dom da vida, pelas oportunidades que me foram dadas
e pela determinação que me concedeu.
Aos meus pais, Paulo Henrique de Olivindo e Maria Francisca da Silva, que
sempre estiveram ao meu lado.
Aos meus irmãos Henrique, Arnóbio e Ailton.
À minha amada avó, Francisca.
Aos professores Nelber e Raimundo, pelos inúmeros conselhos e pelo incentivo
na e orientação e desenvolvimento deste trabalho.
Aos professores com quem tive oportunidade de estudar e de obter
conhecimentos para a vida profissional e pessoal.
Aos meus colegas da faculdade e amigos na vida social Ivys Pereira, Verônica
Lima, Daniel Coelho, Renato Souza, Igor Osterno, Carlos Oliveira, Ginúbio Braga e aos
demais companheiros que trilharam comigo esses cinco anos.
À minha namorada, Thalita Arruda, pelo carinho, dedicação, amizade e pela
paciência para comigo.
À dona Rita e ao senhor Zezé, meus pais em Sobral, por todo o apoio.
Aos meus amigos com quem moro em Sobral Yan Vanderlon e Silas Lima.
À pós-graduação do DEE/UFC e ao CNPq, pelo apoio financeiro.





































“Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.
Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á.”
(Mt 7, 7-8)
RESUMO

OLIVINDO, J. A. S. Estudo de um Sistema de Proteção para a Microrrede do Campus
do Pici. Universidade Federal do Ceará – UFC, 2012.

Com projeto do Laboratório de Microrrede do Departamento de Engenharia
Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC) em implantar um conjunto de gerações
distribuídas a serem conectadas à rede elétrica do Campus do Pici, da referida universidade,
nasceu a necessidade de realizar um estudo acerca de um modelo de proteção para essas
gerações.
Diante disso, foi proposto o desenvolvimento do presente trabalho com base
nos critérios estabelecidos na nova revisão dos Procedimentos de Distribuição (Prodist).
O estudo em questão objetiva propor não só uma filosofia de proteção capaz de
assegurar os requisitos mínimos para a conexão de uma microgeração ao sistema de
distribuição brasileiro, mas assegurar condições de controle e monitoramento das
instalações capazes de conferir ao sistema características similares a de uma microrrede. É,
portanto, realizado um estudo acerca das características de conexão das gerações
distribuídas baseadas em fontes alternativas de energia, dos principais elementos
necessários à proteção da interconexão da geração distribuída com a rede elétrica e dos
equipamentos que o mercado oferece para a conexão e a proteção desse tipo de geração.










ABSTRACT

OLIVINDO, J. A. S. Study of a Protection System for the Microgrid of Campus do Pici.
Universidade Federal do Ceará – UFC, 2012.

From the project of the Microgrid Laboratory of the Department of Eletrical
Engeneering at the Universidade Federal do Ceará (UFC) of implementing a set of
distributed power generations to be connected to the power grid of the Campus do Pici, of
this university, comes the need to study about a protection model of these power
generations.
Given this fact, this work was proposed based in criteria established at the new
review of the Power Distribution Procedures.
This study aims to propose not only a protection procedure capable to ensure
the minimum requeriments of a connection of a microgeneration to the brazilian distributed
system, but also guarantee useful conditions of control and monitoring of the facilities the
provide to this system characteristics like to a microgrid. Because of it, a study about the
characteristics of the connection of the distributed power generations based on alternative
power sources, the elements needed to protect the connections between power distributed
generation and the power grid and the equipments of connection and protection offered
commercially are performed.










LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 – Sistema com células fotovoltaicas. ................................................................ 21
Figura 2.2 – Parque eólico. ................................................................................................ 22
Figura 2.3 – Sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica (a) tradicional (b) e
com geração distribuída. ................................................................................................... 27
Figura 2.4 – Fluxo de potência em um alimentador radial de um sistema de distribuição (a)
tradicional (b) e com geração distribuída. .......................................................................... 28
Figura 2.5 – Esquema de interconexão. ............................................................................. 29
Figura 2.6 – Conexões para o transformador de interligação. ............................................. 32
Figura 2.7 – Gerador síncrono conectado à rede elétrica fornecendo energia ativa e potência
reativa. .............................................................................................................................. 34
Figura 2.8 – Gerador de indução conectado à rede elétrica fornecendo potência ativa e
consumindo potência reativa de um banco de capacitores e da rede elétrica. ...................... 34
Figura 2.9 – Gerador DFIG conectado à rede elétrica fornecendo potência ativa e
consumindo potência reativa. ............................................................................................ 35
Figura 2.10 – Gerador de conectado à rede elétrica por meio de um dispositivo baseado em
eletrônica de potência. ....................................................................................................... 36
Figura 3.1 – Possibilidades de instalação da proteção de conexão da geração distribuída
para sistemas conectados à rede por meio de transformador de acoplamento. .................... 52
Figura 3.2 – Modelo de ligação do transformador de acoplamento na rede elétrica da
Cemig. .............................................................................................................................. 54
Figura 3.3 – Requisitos técnicos para a conexão de geração em paralelo com o sistema
elétrico da Copel. .............................................................................................................. 55
Figura 3.4 – Conexão, em média tensão, de uma central geradora à rede elétrica da Coelce.56
Figura 4.1 – Proteção contra faltas a terra no lado da acessada. ......................................... 66
Figura 5.1 – Sistema de distribuição dividido em zonas conectadas por disjuntores. .......... 74
Figura 5.2 – Sistema de distribuição utilizando Multi-Agent. ............................................ 75
Figura 5.3 – Topologia de uma microrrede. ....................................................................... 76
Figura 5.4 – Zonas de proteção dentro de uma microrrede. ................................................ 77
Figura 5.5 – Configuração de conexão das gerações do grupo I. ........................................ 82
Figura 5.6 – Configuração de conexão da geração do grupo II à rede elétrica. ................... 83
Figura 5.7 – Configuração de conexão da geração do grupo III à rede elétrica. .................. 84
Figura 5.8 – Diagrama unifilar simplificado da rede Pici apresentando o local do ponto de
conexão da microgeração. ................................................................................................. 86
Figura 5.9 – Disposição das gerações e dos dispositivos de proteção e controle para a
microgeração do campus do Pici. ...................................................................................... 88
Figura 5.10 – Diagrama do sistema de comunicação entre os disjuntores e a unidade central
de monitoramento. ............................................................................................................ 89
Figura 5.11 – Zonas de proteção. ....................................................................................... 90













LISTA DE TABELAS

Tabela 3.1 – Comparação entre as técnicas de proteção remota e local para a proteção de
anti-ilhamento. .................................................................................................................. 51
Tabela 3.2 – Tipos de ligação dos transformadores de acoplamente para a geração
distribuída. ........................................................................................................................ 53
Tabela 3.3 – Características do transformador de acoplamento no sistema da Coelce. ....... 57
Tabela 4.1 – Níveis de tensão considerados para a conexão de micro e minicentrais
geradoras. ......................................................................................................................... 61
Tabela 4.2 – Requisitos mínimos em função da potência instala. ....................................... 62
Tabela 5.1 – Funções habilitadas para os inversores I1 e I2 ............................................... 91
Tabela 5.2 – Funções habilitadas para os disjuntores D1, D2, D3 e D4. ............................. 94
Continua. .......................................................................................................................... 95
Tabela 5.3 – Equipamentos e suas funcionalidades. ........................................................... 95
Continua. .......................................................................................................................... 96
Tabela 5.4 – Parâmetros das gerações. .............................................................................. 98
Tabela 5.5 – Parâmetros das gerações. ............................................................................ 101












LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

UFC Universidade Federal do Ceará
ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica
PRODIST Procedimentos de Distribuição
CA Corrente Alternada
CC Corrente Contínua
COELCE Companhia Energética do Ceará
CEMIG Companhia Energética de Minas Gerais S.A.
COPEL Companhia Paranaense de Energia.
SCADA Supervisory Control and Data Aquisition
PLCC Power Line Carrier Communications
SDBT Sistema de Distribuição em Baixa Tensão
SDMT Sistema de Distribuição em Média Tensão
SDAT Sistema de Distribuição em Alta Tensão
ZND Zonas de Não Detecção
NBR Norma Brasileira
DFIG Double-Fed Induction Generator
FC Célula a Combustível
PV Painel Fotovoltaico
CP Critérios de Projeto
NT Nota Técnica
REN Regulação Normativa
IEEE Institute of Electrical and Electronics Engineers
ANSI American National Standards Institute
MPPT Maximum power point tracking




SUMÁRIO

CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO ..................................................................................... 16
1.1 Objetivo ..................................................................................................................... 17
1.2 Estrutura do trabalho ............................................................................................... 17
CAPÍTULO 2 : INTEGRAÇÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA COM A REDE
ELÉTRICA ..................................................................................................................... 19
2.2 Fontes alternativas de energia .................................................................................. 19
2.2.1 Fontes de energia renovável .................................................................................... 20
2.2.1.1 Energia solar......................................................................................................... 21
2.2.1.2 Energia eólica ....................................................................................................... 22
2.2.1.3 Energia Hidráulica................................................................................................ 22
2.2.1.4 Biomassa ............................................................................................................... 23
2.2.1.5 Hidrogênio ............................................................................................................ 23
2.3 Geração Distribuída .................................................................................................. 23
2.3.1 Características da geração distribuída..................................................................... 24
2.3.2 Impactos da geração distribuída na rede de distribuição......................................... 26
2.4 Interligação da geração distribuída com a rede elétrica .......................................... 28
2.4.1 Transformador de interligação ................................................................................ 31
2.5 Tecnologias para a conversão de energia ................................................................. 33
2.5.1 Gerador síncrono..................................................................................................... 33
2.5.2 Gerador assíncrono (máquina de indução) ............................................................. 34
2.5.3 Conversores baseados em eletrônica de potência .................................................... 35
2.6 Conclusões ................................................................................................................. 36

CAPÍTULO 3: PROTEÇÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA .................................... 38
3.1 Introdução ................................................................................................................. 38
3.2 Requisitos para a proteção da geração distribuída .................................................. 39
3.3 Técnicas de proteção anti-ilhamento da geração distribuída .................................. 42
3.3.1 Técnicas para proteção local de anti-ilhamento ...................................................... 43
3.3.1.1 Técnicas passivas para a proteção local de anti-ilhamento.................................... 44
3.3.1.2 Técnicas ativas para a proteção local de anti-ilhamento ....................................... 48
3.3.2 Técnicas para a proteção remota de anti-ilhamento ................................................ 49
3.4 Transformador de interligação ................................................................................. 51
3.5 Conclusões ................................................................................................................. 57
CAPÍTULO 4: REGULAÇÃO DE ACESSO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA AO
SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO .................................................................................... 59
4.1 Introdução ................................................................................................................. 59
4.2 Regulamentação da geração distribuída no Brasil .................................................. 59
4.3 Regulação de acesso .................................................................................................. 60
4.4 Equipamentos necessários ao atendimento dos requisitos mínimos de proteção e
controle de uma micro ou minigeração .......................................................................... 63
4.4.1 Elemento de desconexão.......................................................................................... 63
4.4.2 Elemento de interrupção ......................................................................................... 64
4.4.3 Transformador de acoplamento .............................................................................. 65
4.4.4 Proteção de subtensão e sobretensão ....................................................................... 66
4.4.4.1 Proteção contra subtensão .................................................................................... 66
4.4.4.2 Proteção contra sobretensão ................................................................................. 67
4.4.4.3 Proteção contra sobretensão residual.................................................................... 67
4.4.5 Proteção de sub e sobrefrequência .......................................................................... 67
4.4.6 Proteção contra desequilíbrio de corrente ............................................................... 68
4.4.7 Proteção contra desbalanço de tensão ..................................................................... 68
4.4.8 Sobrecorrente direcional ......................................................................................... 68
4.4.9 Sobrecorrente com restrição de tensão .................................................................... 69
4.4.10 Relé de sincronismo ............................................................................................... 69
4.4.11 Anti-ilhamento ....................................................................................................... 69
4.4.12 Estudo de curto-circuito ........................................................................................ 69
4.4.13 Medição ................................................................................................................. 70
4.4.14 Ensaios .................................................................................................................. 70
4.5 Conclusões ................................................................................................................. 71
CAPÍTULO 5: ILOSOFIA DE PROTEÇÃO PROPOSTA PARA A MICROGERA-
ÇÃO DO CAMPUS DO PICI ......................................................................................... 72
5.1 Introdução ................................................................................................................. 72
5.2 Microrrede................................................................................................................. 72
5.2.1 Proteção para o sistema de distribuição com grande penetração de geração
distribuída ....................................................................................................................... 74
5.2.2 Proteção para o sistema de distribuição utilizando Multi-Agent ......................... 75
5.2.3 Proteção adaptativa ................................................................................................ 76
5.3 Equipamentos para a conexão da geração distribuída à rede de distribuição. ....... 77
5.3.1 Medidor ................................................................................................................... 78
5.3.2 Inversores grid-tie ................................................................................................... 79
5.3.3 Disjuntor com relé microprocessado ....................................................................... 80
5.4 Microgeração do campus do Pici .............................................................................. 81
5.4.1 Proposta de instalação da microgeração do campus do Pici ................................... 84
5.4.2 Localização da microgeração do campus do Pici .................................................... 85
5.4.3 Controle de qualidade da energia gerada ................................................................ 86
5.4.4 Topologia e estratégia de proteção .......................................................................... 87
5.4.4.1 Coordenação e funções de proteção dos elementos de interrupção automática ...... 91
5.4.4.2 Determinação da corrente nominal dos disjuntores ............................................... 96
5.4 Conclusões ............................................................................................................... 100
CAPÍTULO 6: CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS ................................... 101
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 103
16

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO

O sistema tradicional de geração e distribuição de energia elétrica baseia-se em
um polo gerador, responsável por toda a produção de energia requerida para consumo.
São características básicas dessa configuração:
 necessidade de transmissão de energia por longas distâncias, partindo de
altos níveis de tensão, na geração, para níveis mais baixos, acessível ao
consumidor, por meio de alimentadores radiais (Zamini, 2010);
 fluxo unidirecional de potência, que permite às redes convencionais uma
estratégia de proteção mais simples baseada, principalmente, na utilização de
relés de sobrecorrente, religadores e fusíveis (Barker, 2000);
 sujeição do consumidor a um único ponto de geração.
Com a interligação da rede elétrica no Brasil, através do Sistema Nacional
Interligado (SIN), houve uma melhoria no processo de transmissão e distribuição de
energia, possibilitando a alternância e complementariedade entre as gerações.
Além da interligação do sistema elétrico, os novos rumos do desenvolvimento
do setor se encaminham à implantação da geração distribuída, viabilizando a geração de
energia elétrica por parte dos próprios consumidores, possibilitando a conexão de novas
unidades geradoras à rede elétrica, principalmente no sistema de distribuição.
Em consonância a isso, a nova revisão do módulo 3 do Prodist – Acesso ao
Sistema de Distribuição – com data de vigência em 19 de abril de 2012, passou a ter uma
seção adicional exclusiva dedicada à descrever os procedimentos para acesso da geração
distribuída definida como micro e minigeração, com potência instalada de até 1 MW, ao
sistema de distribuição.
Desse modo, se faz necessário que a implantação da geração distribuída, no
Brasil, seja feita em conformidade com os requisitos e procedimentos determinados pelo
Prodist.
Com o projeto de implantação da microgeração na rede elétrica do Campus do
Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC), observou-se a necessidade do estudo de um
17

sistema de proteção capaz de atender às normas nacionais e garantir um alto gral de
confiabilidade e coordenação da proteção.

1.1 Objetivo

Este trabalho tem como objetivos apresentar um modelo de topologia e uma
estratégia de proteção para a microgeração que será implantada no Laboratório de
Microrrede do Departamento de Engenharia Elétrica, localizado na rede elétrica do Campus
do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC).

1.2 Estrutura do trabalho

O presente trabalho está dividido em seis capítulos.
No Capitulo 1 é apresentada uma breve introdução, os objetivos e a estrutura do
presente trabalho.
No Capítulo 2 são apresentados os tipos de fontes alternativas de energia com
um direcionamento às fontes de energia renováveis como a energia solar, eólica, hidráulica,
biomassa e o hidrogênio. É realizada uma descrição acerca das características das gerações
distribuídas, considerando os impactos de sua instalação na rede de distribuição e as
funções que deve ser implantadas no sistema de interconexão de modo a garantir a
harmonia entre os dois sistemas. O final do capítulo é dedicado ao estudo das tecnologias
utilizadas para a conversão da energia elétrica com um breve comentário sobre os geradores
síncronos, os geradores de indução convencionais, o gerador de indução DFIG e os
conversores baseados em eletrônica de potência.
O Capítulo 3 é dedicado à proteção da geração distribuída. Neste capítulo são
definidos os requisitos para a proteção da geração distribuída e é realizada uma análise
detalhada e dois dos principais parâmetros que devem ser considerados para garantir a sua
adequada implantação. Dentre os parâmetros analisados estão a proteção de anti-ilhamento,
onde são discutidas diversas técnicas utilizadas para a sua implementação, e o
18

transformador de acoplamento, onde são analisados os diversos modos de ligação dos seus
terminais e a influência que cada tipo de ligação causa na proteção do sistema elétrico.
O Capítulo 4 direciona-se ao entendimento da regulação brasileira sobre o
acesso da geração distribuída ao sistema de distribuição. Fundamentado no modulo 3 do
Prodit (2012), esse capítulo trata da regulamentação da geração distribuída no Brasil, com
ênfase na regulação de acesso, onde são apresentados os níveis de tensão e a descrição dos
equipamentos necessários ao atendimento dos requisitos mínimos de proteção e controle da
micro e minigeração.
No Capítulo 5 é apresentada uma filosofia de proteção proposta para a
microgeração do Campus do Pici. Para o desenvolvimento da estratégia de proteção é
realizada inicialmente um estudo sobre microrrede com intuito de identificar possíveis
estratégias de proteção que podem ser aplicas na microgerção. Com o objetivo de propor
uma estratégia de proteção que possa ser implementada por meios da utilização de
dispositivos fornecidos pelo mercado, é realizada um apresentação dos equipamentos para a
conexão da geração distribuída à rede de distribuição. São apresentados apenas os
equipamentos que têm as funcionalidades capazes de garantir o atendimento dos requisitos
mínimos de proteção e controle da microgeração, conforme determina o Prodist (2012). Ao
final do capítulo é apresentada uma topologia para a implantação da microgeração do
campus do Pici e é desenvolvida uma estratégia de proteção por meio da utilização dos
dispositivos especificados anteriormente.
No Capitulo 6 são apresentadas as conclusões sobre o estudo e as proposta de
trabalhos futuros.








19

CAPÍTULO 2
INTEGRAÇÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA COM A REDE ELÉTRICA

2.1 Introdução

O desenvolvimento e a busca por tecnologia capaz de aproveitar melhor os
recursos naturais disponíveis e renováveis vêm modificando o panorama da geração de
energia elétrica em todo o mundo. Alternativa viável à utilização de combustíveis fósseis e
ao empreendimento de grandes centrais de geração de energia elétrica, a utilização de
fontes alternativas de energia por meio da geração distribuída é tida como promissora e
eficaz para o desenvolvimento sustentável.
Embora algumas tecnologias já se mostrassem promissoras, a viabilidade para a
integração da geração distribuída à rede elétrica só tornou-se possível graças às recentes
modificações ocorridas no setor de regulamentação de diversos países, pois, a falta de
amparo legislativo dificultava a implantação dos projetos.
O grande desafio para integração da geração distribuída está em garantir a
qualidade da energia gerada e a adequada atuação dos sistemas de proteção e controle. O
fato de essa geração possuir um fluxo de potência intermitente e variável requer que sejam
consideradas a utilização de dispositivos de armazenamento, para uso da energia nos
momentos de maior demanda, e de dispositivos baseados em eletrônica de potência para a
conexão com a rede elétrica.

2.2 Fontes alternativas de energia

Segundo Farret e Simões (2006), as fontes alternativas de energia compõem as
plantas de geração que surgiram com o intuito de auxiliar as gerações tradicionais e que
podem ser baseadas na utilização de combustíveis fósseis ou renováveis.
Apesar de a definição dada por esses autores considerar a possibilidade da
utilização de combustíveis fósseis, pode-se observar que os novos empreendimentos para a
implantação de fontes alternativas são baseados principalmente na utilização de recursos
20

renováveis. Em consonância a isso, Santos e Mothé (2008) definem que o termo fonte
alternativa de energia é sinônimo de energia limpa e não poluente, com característica
inesgotável e que pode ser captada em qualquer lugar.

2.2.1 Fontes de energia renovável

Uma fonte de energia pode ser considerada renovável, quando o seu
combustível possui um ciclo de recuperação capaz de garantir que ele possa ser utilizado
continuamente, sem restrições. Consideradas fontes limpas, sua utilização não possui os
efeitos negativos causados pelos combustíveis fósseis.
As fontes de energias renováveis são baseadas na utilização do sol, do
hidrogênio, da água, do vento, do calor da terra e da biomassa.
Além de possuir um ciclo de reutilização do combustível, essas fontes se
caracterizam por (FARRET; SIMÕES, 2006):
 poderem ser instaladas perto das cargas que irão alimentar, garantindo maior
aproveitamento da energia produzida;
 serem consideradas limpas, pois diminuem os índices de emissão de
poluentes para produção de energia elétrica;
 oferecerem maior segurança ao consumidor, uma vez que pode garantir o
fornecimento de energia às cargas essenciais quando há perda da rede
elétrica.
Apesar de promissora e das vantagens apresentadas acima, podemos listar
algumas desvantagens provenientes de sua implantação (FARRET; SIMÕES, 2006):
 em alguns casos, não há como se ter controle do fluxo de potência gerada
devido as inconstâncias das fontes primárias, tais como a eólica e a solar;
 possui baixo potencial de produção, quando comparado aos combustíveis
fósseis, sendo necessária, em determinados casos, a utilização de grandes
áreas para produção de um nível mais considerado de energia, podendo
afetar o panorama ambiental da região e o habitat natural de algumas
espécies;
21

 em alguns casos, como na geração eólica e na fotovoltaica, e, de um modo
geral, nas gerações de pequeno porte, apresenta maior custo para a produção
de uma mesma quantidade de energia produzida pelo modo convencional.
A seguir serão apresentados os principais tipos de energia renovável e os
respectivos dispositivos que a utilizam para a geração da energia elétrica.

2.2.1.1 Energia solar

A energia solar pode ser transformada em energia elétrica a partir da utilização
de painéis solares e células fotovoltaicas.
Com utilização o sol como fonte primária para a produção de energia, as células
fotovoltaicas podem ser instaladas em qualquer região. A mudança de região não
inviabiliza a produção de energia, mas pode influenciar na potência gerada uma vez que
algumas localidades apresentam maiores disponibilidade de sol durante o ano
(CRESESB/CEPEL, 2008).

Figura 2.1 – Sistema com células fotovoltaicas.

Fonte: CRESESB/CEPEL. Energia Solar Princípios e Aplicações, 2008.





22

2.2.1.2 Energia eólica

A energia eólica pode ser captada a partir de turbinas eólicas que são
conectadas aos geradores para a produção de eletricidade.
Os geradores utilizados na produção de energia elétrica podem ser máquinas
síncronas ou de indução, de diferentes tecnologias. Algumas restrições quanto à sua
utilização referem-se à disponibilidade de ventos com boas velocidades e locais com espaço
para a instalação das torres das turbinas (CRESESB/CEPEL, 2008).

Figura 2.2 – Parque eólico.

Fonte: CRESESB/CEPEL. Energia Eólica Princípios e Tecnologia, 2008.

2.2.1.3 Energia Hidráulica

A energia hidráulica é tida como fonte alternativa de energia quando sua
utilização ocorre por meio da implantação de pequenas centrais hidrelétricas (PCH), bem
como por meio de geradores hidrocinéticos, que utilizam uma turbina capaz de aproveitar a
correnteza do fluxo normal de um curso d’água sem que para isso seja necessária qualquer
obra que modifique significativamente o leito do rio (ELETRONORTE, 2008).
As PCHs têm suas características reguladas pela Resolução da ANEEL 652, de
09 de dezembro de 2003, que estabelece os limites de potência e área inundada para o
empreendimento.

23

2.2.1.4 Biomassa

Conforme Santos e Mothé (2008) a biomassa é a fração biodegradável dos
produtos e resíduos provenientes da agricultura, da floresta, das indústrias e do meio
urbano.
A biomassa pode ser classificada em:
 sólida, no caso dos resíduos;
 liquida, como os biocombustíveis;
 gasosa, resultado da degradação biológica anaeróbia da matéria orgânica.
No Brasil, a biomassa é utilizada principalmente nos sistema de cogeração
(ANEEL, 2008).

2.2.1.5 Hidrogênio

O hidrogênio é utilizado pela célula a combustível. Seu funcionamento se
baseia na mistura e queima do hidrogênio com o oxigênio para a produção de energia
elétrica. Com a utilização do oxigênio do próprio ambiente a célula combustível pode
funcionar de forma constante e ilimitada, conforme haja disponibilidade de hidrogênio
(ELETRONORTE, 2008).

2.3 Geração Distribuída

O sistema de geração de energia elétrica desenvolvido no século passado
baseou-se, fundamentalmente, na construção de grandes centros de geração localizados
próximos às fontes energéticas, mas distantes dos centros de consumo. Essa configuração
definiu algumas características a esse tipo de geração, tais como a construção de usinas
com alto nível de potência instalada e, em muitos casos, a necessidade de transporte da
energia gerada por longas distâncias (SHAYANI; OLIVEIRA, 2010).
O aumento pela demanda de energia elétrica pôde ser compensado graças à
construção de novas usinas e à conexão entre os sistemas isolados. No entanto, a demanda
24

tende a ser crescente e uma solução encontrada para que as usinas convencionais não
operem no seu limite ou em sobrecarga é a mudança para um novo modelo de sistema
caracterizado pela implantação da geração distribuída.
Segundo o Instituto Nacional de Eficiência Energética – INEE – (2010) a
geração distribuída é uma expressão utilizada para qualificar os geradores de pequeno porte
localizados próximos aos consumidores, com características variáveis quanto ao tipo de
fonte, potência instalada e tecnologia utilizada.
A utilização da geração distribuída, além de auxiliar na confiabilidade do
fornecimento de energia elétrica e ser mais eficiente no consumo da energia produzida, pois
reduz as perdas causadas na transmissão e na distribuição, proporciona vantagens
ambientais quando baseadas no uso de fontes renováveis.

2.3.1 Características da geração distribuída

Dentre os requisitos para a definição da geração distribuída, Shayani e Oliveira
(2010) argumentam que, para uma fonte ser considerada geração distribuída ela deve
atender a alguma das condições abaixo:
 ser instalada em locais onde não seria possível a instalação de uma usina
geradora convencional;
 ser instalada próximo ao consumidor;
 servir para o fornecimento de energia elétrica para cargas isoladas;
 estar conectada à rede de distribuição ou à rede de transmissão, não
pertencendo à geração centralizada.
A implantação de novas plantas de geração deve ser realizada de forma a
maximizar os benefícios esperados. Para tanto, é importante que o aumento da penetração
da geração distribuída possa ocorrer sem afetar negativamente o sistema de distribuição,
pincipalmente no que se refere à qualidade da energia elétrica e à proteção da rede.
As fontes geradoras podem fornecer energia em corrente alternada ou contínua.
Para alguns casos, os geradores em corrente alternada podem ser ligados diretamente à
25

rede. Já para as demais fontes é necessária a utilização de tecnologia baseada em eletrônica
de potência.
Souza (2009) comenta alguns dos benefícios obtidos com a geração distribuída
e define que eles estão associados a questões técnicas e ambientais. Em relação ao meio
ambiente, destaca-se a redução na emissão de poluentes na produção da energia. Quanto às
questões técnicas, tem-se:
 o aumento na eficiência de disponibilização da energia produzida;
 melhoria na segurança e na confiabilidade do fornecimento de energia
elétrica;
 pode servir como reserva girante;
 ajuda a manter a qualidade da energia;
 pode ser utilizada em horário de pico;
 serve como suporte de reativo;
 possui curto prazo de implantação, dentre outros.
Conforme descrito por Caamaño et al. (2007), devido ao fato de a rede elétrica
de distribuição existente não ter sido projetada com o intuito de serem adicionadas fontes
de geração distribuída ao longo de suas linhas, alguns problemas podem surgir devido à sua
instalação, tais como:
 carregamento de alimentadores e transformadores;
 interferências na proteção da rede acessada;
 aumento da distorção harmônica ocasionada pela utilização de conversores;
 baixa qualidade da energia;
 diminuição na confiabilidade sistema;
 redução na eficiência;
 sobretensões;
 diminuição na segurança das instalações e dos responsáveis pela manutenção
das linhas.


26

2.3.2 Impactos da geração distribuída na rede de distribuição

Khan (2008) descreve alguns dos itens que devem ser considerados para o
estudo do impacto da geração distribuída sobre o sistema de distribuição. Dentre esses itens
tem-se:
 classificação do tamanho do gerador ou da geração a ser implantada;
 tipo de conversor de energia utilizado na geração (elemento estático ou
máquina rotativa);
 principal fonte de energia utilizada;
 ciclo de funcionamento da geração;
 contribuição para correntes de falta;
 conteúdo harmônico fornecido;
 fator de potência em condições diversas de operação;
 localização da geração distribuída no sistema de distribuição;
 local de instalação e configuração dos equipamentos de regulação de tensão
e de proteção contra corrente de sobrecarga no sistema de distribuição.
No novo modelo do sistema elétrico, a possibilidade de produção de energia em
vários locais, devido às disponibilidades energéticas como o vento e o sol, contribui para
que o sistema formado apenas por grandes centrais de geração e de consumo, conforme
apresentado na Figura 2.3 (a) passe a ter outros pontos de geração espalhados por toda a
rede elétrica, Figura 2.3 (b).








27

Figura 2.3 – Sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica (a) tradicional (b) e
com geração distribuída.
(a) (b)

Fonte: Shayani e Oliveira (2010).

Esse aumento de geração com a conexão da geração distribuída tanto na
transmissão quanto na distribuição, modifica não só a configuração da rede elétrica como
também altera o sentido dos fluxos de potência e a forma como o sistema se comporta
durante faltas.
O sistema de distribuição é o que sofre maior impacto diante da geração
distribuída, pois além de ser o setor que experimenta a maior penetração das novas
pequenas gerações, sua rede apresenta, comumente, uma configuração radial com um fluxo
unidirecional de potência, Figura 2.4 (a). Com a implantação da geração distribuída esse
fluxo unidirecional passa a ser bidirecional, Figura 2.4 (b). Essa modificação no sentido do
fluxo de potência deve ser devidamente analisada para que sejam adequadamente
minimizados os impactos causados nas instalações e nos sistemas de proteção e controle da
rede elétrica.






28

Figura 2.4 – Fluxo de potência em um alimentador radial de um sistema de distribuição (a)
tradicional (b) e com geração distribuída.
(a) (b)

Fonte: Shayani e Oliveira (2010).

Shayani e Oliveira (2010) observam que antes da instalação da geração
distribuída em algum ponto da rede de distribuição, devem ser analisados os impactos que
tal ação pode ocasionar no sistema, pois conforme haja o aumento da implantação de
geradores, pode ocorrer de a produção exceder o consumo local e a subestação da
distribuidora passar receber ao invés de fornecer potência.
De um modo geral, o impacto da geração distribuída pode afetar principalmente
a perda da coordenação dos dispositivos de proteção e a qualidade da energia na rede,
devido à baixa regulação da tensão e da frequência e a interferência harmônica.

2.4 Interligação da geração distribuída com a rede elétrica

A norma IEEE 1547.2 (2008) estabelece alguns dos conceitos relacionados à
conexão da geração distribuída. Nessa norma, são mencionados os conceitos de
interligação, que é o ato de se adicionar uma unidade de geração distribuída à rede elétrica,
equipamentos de interligação, que são os dispositivos com funções específicas ou
multifuncionais utilizados em um sistema de interconexão, e sistema de interconexão, que
representa junção de todos os equipamentos utilizados na interligação em conjunto com as
funções que devem ser desempenhadas.
29

A Figura 2.5 mostra, de uma forma geral, como deve ser a interface entre a
geração distribuída e a rede elétrica acessada por meio de um sistema de interconexão.

Figura 2.5 – Esquema de interconexão.

Fonte: IEEE 1547 - IEEE Standard for Interconnecting Distributed Resources with Electric Power Systems
(Adaptada).

Os dispositivos de interconexão são o ponto chave para a conexão da geração
distribuída, pois, além de serem os responsáveis pelo meio físico que possibilita o
acoplamento elétrico entre a geração distribuída e a rede acessada, eles devem comportar os
sistemas de proteção, controle, medição e monitoramento.
Friedman et al. (2006) apresentam algumas das funções que devem ser
incluídas ao sistema de interconexão. Dentre essas funções temos:
 conversão de energia;
 condicionamento de potência;
 proteção;
 controle de carga e de geração;
 serviços ancilares;
 comunicação;
 medição.

a) Conversão de energia

A conversão de energia elétrica, realizada pelos conversores baseados em
eletrônica de potência, é necessária para a que as fontes que geram energia em corrente
30

contínua, como as células a combustível e as células fotovoltaicas, e as que geram em
corrente alternada, com valores variáveis de frequência, possam ser conectadas à rede
elétrica em corrente alternada com frequência controlada em 60 Hz.

b) Condicionamento de potência

O condicionamento de potência é importante para a melhoria da qualidade da
energia fornecida pelo sistema de geração distribuída. Esse condicionamento pode ser
realizado por meio de conversores que disponibilizam em sua saída uma energia com baixo
conteúdo harmônico e com fator de potência aproximadamente igual à unidade.

c) Proteção

Responsável pela manutenção da segurança das instalações da geração
distribuída e da rede acessada, o sistema de proteção tem por objetivo monitorar as
grandezas elétricas no ponto de conexão, verificar se as variações dessas grandezas estão
dentro dos níveis permitidos e, eventualmente, atuar desconectando a geração distribuída da
rede elétrica. A função de proteção pode ser desempenha tanto pelos disjuntores,
espalhados pelo sistema, quanto por qualquer outro elemento que seja capaz de atuar diante
de alguma falta ou qualquer condição anormal ocorrida na rede.

d) Controle de carga e de geração

Esse sistema é responsável por controlar a entra e a saída de determinadas
cargas, assim como controlar os níveis de produção da geração distribuída, ou mesmo
efetuar a sua desconexão.




31

e) Serviços ancilares

Neste caso, a unidade geradora será utilizada para ajudar na manutenção e na
qualidade da energia da rede por meio de serviços tais como suporte de tensão, regulação
de tensão, controle de fator de potência, balanceamento de fase e reserva operacional.

f) Comunicação

A comunicação pode ser realizada pela utilização de qualquer sistema capaz de
fornecer um meio onde seja possível a transmissão e a recepção de dados com base em um
protocolo aceitável entre os equipamentos que se deseje comunicar.
A função de comunicação auxilia os dispositivos de controle e de proteção de
forma a garantir maior segurança no funcionamento da geração distribuída.

g) Medição

A função de medição é realizada por um equipamento dedicado que, além de
servir para fornecer os valores da energia total gerada pelos geradores utilizados
exclusivamente para injetar energia no sistema de distribuição (medidores dedicados à
geração), permite que o consumidor responsável por sua própria geração, por meio da
utilização de um medidor bidirecional, possa contabilizar o excedente de energia produzida
que é injetado na rede e que poderá ser utilizado como créditos.

2.4.1 Transformador de interligação

Em alguns casos a geração distribuída necessita da utilização de um
transformador de interligação para que ela possa ser conectada à rede elétrica.
O modo como são configurados os terminais desse transformador influencia
diretamente na forma como o geração distribuída irá interagir com o sistema de
distribuição.
32

A figura 2.6 apresenta quatro das ligações possíveis para os terminais de um
transformador de interligação que, referenciando primeiro a rede elétrica, são apresentadas
na seguinte sequência:
 estrela aterrado/delta;
 estrela aterrado/estrela aterrado;
 delta/estrela aterrado;
 delta/ delta.

Figura 2.6 – Conexões para o transformador de interligação.

Fonte: Khan (2008).

Cada uma das conexões apresentadas possuem suas vantagens e desvantagens
em relação à rede de distribuição, afetando principalmente a filosofia e a coordenação da
proteção entre os sistemas.
Uma abordagem mais aprofundada sobre o transformador de interligação será
apresentada na seção 3.4.


33

2.5 Tecnologias para a conversão de energia

A geração distribuída é baseada na utilização de dispositivos que podem
fornecer energia elétrica em corrente alternada ou em corrente contínua. As células a
combustível e os painéis fotovoltaicos são considerados dispositivos estacionários e, por
essa característica, fornecem energia em corrente contínua. Já a energia eólica e a hídrica
são fundamentadas na utilização de geradores síncronos e de indução, que são máquinas
rotativas e que fornecem energia em corrente alternada.
Alguns dos geradores de indução, os geradores síncronos, as células
fotovoltaicas e as células a combustível necessitam de dispositivos baseados em eletrônica
de potência para que a energia produzida possa se adequadamente injetada na rede elétrica
(FARRET, SIMÕES, 2006).

2.5.1 Gerador síncrono

Usualmente, a energia elétrica tem sido produzida por máquinas rotativas, mais
precisamente por meio de geradores síncronos. A energia produzida dessa forma, possuindo
um reserva energética capaz de manter o fornecimento do combustível em níveis regulares,
tem a capacidade de manter os níveis de tensão e frequência dentro de uma faixa de valores
estabelecidos e fazer alterar os níveis de corrente e potência conforme as requisições
realizadas pela carga e dentro dos valores permissíveis ao gerador.
Como já mencionado, o gerador síncrono deverá ser conectado à rede por meio
de um conversor.
A partir da máquina primária é possível controlar o nível de potência ativa
fornecida pelo gerador, enquanto que a potência reativa pode ser controlada pelo sistema de
excitação da máquina. Essa característica permite que o gerador possa ser utilizado para
controlar o fator de potência da instalação.
A Figura 2.7 apresenta um modelo de gerador síncrono conectado à rede
elétrica, fornecendo energia ativa e reativa.

34

Figura 2.7 – Gerador síncrono conectado à rede elétrica fornecendo energia ativa e potência
reativa.

Fonte: Mozina (2006).

2.5.2 Gerador assíncrono (máquina de indução)

Os geradores de indução convencionais têm sua capacidade de fornecimento de
potência ativa em função da máquina primária. Essas máquinas funcionam sempre
absorvendo energia reativa, por isso elas devem possuir uma fonte externa de excitação que
seja capaz de fornecer a energia reativa requerida. Essa energia reativa pode ser fornecida
por meio de um banco de capacitores, uma máquina síncrona ou mesmo a própria rede
elétrica (MOZINA, 2006).
A Figura 2.8 apresenta um gerador de indução conectado à rede elétrica,
fornecendo potência ativa e consumindo potência reativa de um banco de capacitores e da
rede elétrica.

Figura 2.8 – Gerador de indução conectado à rede elétrica fornecendo potência ativa e
consumindo potência reativa de um banco de capacitores e da rede elétrica.

Fonte: Mozina (2006).
35


Outra classe de máquinas de indução utilizadas na conversão de energia são os
geradores DFIG. Esses geradores operam com velocidade variável, são conectados
diretamente à rede, podem fornecer ou absorver potência reativa e não necessitam de um
sistema de sincronização complexo como o do gerador síncrono.
A Figura 2.9 apresenta um gerador DFIG conectado diretamente à elétrica, para
o fornecimento de potência ativa, e conectado por meio de seus conversores para alimentar
o seu sistema de excitação.

Figura 2.9 – Gerador DFIG conectado à rede elétrica fornecendo potência ativa e
consumindo potência reativa.

Fonte: IEEE – 1547.2 (2008).

2.5.3 Conversores baseados em eletrônica de potência

Os conversores baseados em eletrônica de potência, tais como os inversores e
os retificadores, são dispositivos que utilizam semicondutores e microcontroladores para
efetuarem a conversão e o condicionamento da energia gerada. Eles têm por função
disponibilizar em sua saída energia em corrente alternada, com um adequado nível de
qualidade, de modo a que seja possível sua injeção na rede elétrica.
36

Além de serem utilizados na conversão, os dispositivos baseados em eletrônica
de potência, apresentam importantes características no controle e na proteção da geração
distribuída, funcionam com ou sem a presença da rede elétrica e possuem meios para a
comunicação.
Como mencionado anteriormente, a geração realizada por painéis fotovoltaicos
ou células a combustível geram energia em corrente contínua. É possível que essas fontes
sejam conectadas por meio de um barramento CC. Esse barramento pode ser
disponibilizado para alimentar algumas cargas próximas e sua conexão com a rede se dá
por meio de um conversor CC-CA.
A Figura 2.10 apresenta um gerador conectado à rede elétrica por meio de um
conversor de potência estático, baseado em eletrônica de potência.

Figura 2.10 – Gerador de conectado à rede elétrica por meio de um dispositivo baseado em
eletrônica de potência.

Fonte: Mozina (2006).

2.6 Conclusões

A possibilidade de utilização da geração distribuída, baseada no uso de fontes
de energia renováveis, possibilita que haja um maior aproveitamento dos recursos naturais
para a produção de eletricidade. Com o aumento desse tipo de geração é possível que seja
garantido um crescimento sustentável da oferta de energia elétrica.
O desenvolvimento dos dispositivos utilizados na captação na energia solar,
eólica, hidráulica, biomassa e do hidrogênio garante com que seja vislumbrado, nos
37

próximos anos, um grande crescimento da penetração da geração distribuída na rede de
distribuição.
Para que esse crescimento não venha afetar o sistema de distribuição, que ainda
não dispõe de meus próprios para a recepção acentuada da geração distribuída, é necessário
conhecer alguns os conceitos sobre os tipos de geração, os equipamentos utilizados na
conversão da energia elétrica e as mais variadas funções que o sistema de interconexão da
geração distribuída com a rede elétrica deva possuir para garantir a proteção das
instalações, a proteção das equipes de manutenção das linhas e a qualidade da energia
elétrica.
Devido à sua importância e ao direcionamento deste trabalho, o capitulo a
seguir será reservado para a discussão da proteção da geração distribuída. Serão
apresentadas as mais diversas funções e técnicas de proteções que podem ser utilizadas para
que a presença da geração distribuída não afete negativamente a rede elétrica. Além disso,
será realizada uma discussão mais aprofundada sobre as possibilidades de ligação dos
terminais dos transformadores de interligação e sua influência na proteção.















38

CAPÍTULO 3
PROTEÇÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

3.1 Introdução

Para a operação adequada da geração distribuída é necessário o
desenvolvimento de um conjunto de procedimentos técnicos, que definam o modo como a
proteção e o controle dos geradores devem operar, de forma a garantir que os impactos
negativos causados pela sua instalação possam ser minimizados. Vários estudos já foram
realizados com o intuito de estabelecer quais proteções devem ser utilizadas em cada tipo
de geração, conforme as suas propriedades intrínsecas, as características da rede acessada e
as topologias de conexão das centrais geradoras ao sistema elétrico.
Conforme especificado no módulo 3 do Prodist (2012), as plantas de geração
distribuída, dependendo do seu nível de potência instalada, poderão ser conectadas na baixa
tensão (Sistema de Distribuição Secundária), média tensão (Sistema de Distribuição
Primária) ou na alta tensão (Sistema de Distribuição e Transmissão de Alta Tensão). Em
todos os casos, os dispositivos de proteção e controle do sistema de conexão devem ser
capazes de proteger as instalações elétricas da acessada e do acessante, mediante ocorrência
de curtos-circuitos ou outras condições anormais que venham a comprometer a integridade
e o desempenho das plantas de geração, da rede elétrica e das cargas dos consumidores.
As condições anormais de funcionamento que implicam na atuação da proteção
podem ser ocasionadas tanto por falhas internas das gerações ou de seus equipamentos
auxiliares, quanto devido às anomalias na rede elétrica que podem provocar sobretensões,
desequilíbrios de corrente, desequilíbrios de frequência, aumento da distorção harmônica,
alteração no fluxo de potência ativa e reativa, dentre outras.
O projeto, instalação e/ou o funcionamento inadequado de uma planta de
geração conectada à rede elétrica pode fazer com que o gerador funcione como uma fonte
de distúrbios, afetando os equipamentos dos consumidores, bem como contribuir nos
impactos causados por sobretensões e sobrecorrentes no sistema elétrico da concessionária
de energia.
39

A principal proteção da geração distribuída, formada por um ou mais geradores,
deve ser localizada no ponto de conexão com a rede elétrica. Essa proteção tem por
princípio garantir a segurança dos equipamentos contra faltas em ambos os sistemas. Caso
seja necessário, as proteções em outros locais podem operar como proteção de retaguarda,
auxiliando na detecção de condições anormais. Para isso, é necessário um estudo adequado
das condições e características de funcionamento da geração distribuída operando
conectada à rede ou ilhada, se a legislação do país permitir (FILHO, 2005).
De forma a garantir com que a penetração da geração distribuída não venha a
afetar negativamente a rede elétrica, foram desenvolvidas normas e padrões técnicos
redigidos por organizações internacionais tais como IEEE – The Institute of Electrical and
Electronics Engineers, NFPA – The National Fire Protection Association e UL –
Underwriters’ Laboratories, e órgãos nacionais como Prodist e Prorrede que estabelecem
critérios e procedimentos para acesso dos geradores distribuídos à rede elétrica, destacando
as recomendações e procedimentos técnicos relacionados às proteções das instalações de
conexão.

3.2 Requisitos para a proteção da geração distribuída

O sistema de distribuição convencional possui, dentre outras características,
uma topologia radial e uma filosofia de proteção projetada para atuar diante de fluxos
unidirecionais de potência. No entanto, a implantação de geradores distribuídos ao longo da
rede modifica tanto o sentido do fluxo de potência, que passa a ser bidirecional, quanto o
equilíbrio e a dinâmica da rede, o que acaba prejudicando a confiabilidade da proteção
(KUMPULAINEN; KAUHANIEMI, 2004).
Para que seja garantida que a geração distribuída possa funcionar sem que sua
presença afete os equipamentos ou a qualidade da energia elétrica da rede acessada, é
importante a utilização de proteções específicas em pontos estratégicos do sistema, além de
uma devida coordenação entre os dispositivos.
40

Conforme Chowdhury et al. (2004), o parâmetro mais afetado pela presença de
geradores distribuídos é a coordenação da proteção da rede acessada. Dentre os fatores que
afetam a proteção estão:
 atuação inadequada dos dispositivos de proteção, em função de
descoordenação das proteções;
 ilhamento indesejado;
 dificuldades para religamento automático (reenergização da rede);
 religamentos não sincronizados (reconexão do gerador distribuído com a
rede elétrica);
 superação da capacidade nominal de condutores e equipamentos,
comprometendo a integridade do sistema;
 necessidade de mudança de grupo de ajustes das proteções.
Algumas filosofias de proteção fundamentam-se na desconexão da geração
distribuída no momento em que elas estiverem ilhadas através de proteção anti-ilhamento.
Entende-se por ilhamento a isolação de parte de uma instalação elétrica composta pela
geração distribuída operando isolada da rede elétrica, alimentando parte das cargas deste
sistema elétrico (PITOMBO, 2010). Nessas filosofias são utilizadas várias técnicas de
proteção remota, local passiva ou local ativa, além de associações entre elas. No decorrer
deste Capítulo serão detalhadas as características de cada técnica.
Thacker (2005) afirma que, para um melhor aproveitamento do gerador
distribuído é necessário que o mesmo permaneça ligado durante faltas na rede. No entanto,
para que isso seja possível é necessária uma readequação de todos os dispositivos de
proteção e controle presentes na rede, para que eles sejam capazes de modificar suas
funções e coordenação durante o ilhamento.
Chowdhury et al. (2004), considera que para geradores com potência inferior a
200 kVA, a proteção pode ser realizado por intermédio do monitoramento do fluxo da
potência reversa (função direcional de potência, código ANSI 32) ou pelos níveis de tensão
(função de subtensão, código ANSI 27, e função de sobretensão, código ANSI 59) e
frequência (função de subfrequência, código ANSI 81U, e função de sobfrequência, código
ANSI 81O). Já, para geradores com potência superior a 200 kVA, a geração pode ser capaz
41

de manter os níveis de tensão e frequência dentro de níveis aceitáveis, sendo necessário,
portanto, um sistema de proteção mais complexo.
De modo geral, tem-se que os dispositivos e a filosofia de proteção devem ser
adequadamente justificados para cada caso específico em função dos seguintes aspectos
(FARRET; SIMÕES, 2006):
 quantidade de geradores;
 potência do gerador;
 tipo de gerador:
 síncrono, assíncrono ou CC;
 ponto de conexão com a rede:
 sistema de distribuição de baixa, média ou alta tensão ou transmissão
em alta tensão;
 tipo de conexão com a rede:
 conexão direta ou via dispositivos baseados em eletrônica de potência;
 configuração das ligações dos terminais do transformador de acoplamento;
 topologia da rede;
 características intrínsecas da rede elétrica acessada.
Mozina (2001) assume que, além das tradicionais funções de proteção para a
detecção de faltas no sistema elétrico, os principais parâmetros que devem ser considerados
para garantir a adequada implantação da geração distribuída referem-se à detecção da perda
de operação paralela com a rede elétrica e a configuração das ligações dos terminais do
transformador de acoplamento, em função da proteção aplicada e das características do
sistema elétrico acessado.
A seguir serão discutidos os métodos utilizados para a implementação da
proteção de anti-ilhamento e as possibilidades de ligação dos terminais dos transformadores
de acoplamento, com suas respectivas influências na proteção.



42

3.3 Técnicas de proteção anti-ilhamento da geração distribuída

Quando conectado à rede elétrica, o gerador distribuído passa a ser um
integrante ativo do sistema. Seu funcionamento deve se adequar às restrições impostas pela
rede acessada, respeitando os ajustes e a coordenação das proteções já existentes.
A operação da geração distribuída em paralelo ou ilhada depende das
legislações e dos códigos regulamentadores de cada país. A filosofia de proteção adotada
para conexão da geração à rede elétrica deve considerar ambos os modos de operação. Na
operação em paralelo, a proteção deve ser adequada às variações típicas do sistema,
identificando quais situações apresentam riscos e necessitam da sua atuação. Na ocorrência
do ilhamento, quando a proteção não for projetada para se adequar à condição de operação
ilhada, a geração pode interferir significativamente na proteção da rede, prejudicando o
reestabelecimento da energia, sendo, portanto, necessária à desconexão do gerador.
Segundo Walling e Miller (2002), o ilhamento dos geradores é considerado um
dos principais problemas associados à implantação da geração distribuída. Dentre os
impactos negativos que o ilhamento pode oferecer, estão:
 riscos aos trabalhadores que venham a realizar manutenção em determinada
parte da rede considerada desenergizada devido à abertura do alimentador
principal, mas que continua alimentada pela geração distribuída;
 níveis de tensão e frequência fora dos padrões de qualidade de energia que,
por não serem mais controlados pela concessionária, podem atingir valores
capazes de danificar as cargas do sistema ilhado;
 descoordenação dos dispositivos de proteção do sistema ilhado, devido,
principalmente, à redução dos níveis de corrente de curto-circuito;
 eventual perda de aterramento, que pode ocasionar falhas na detecção das
correntes de curto-circuito fase-terra, possibilitando o surgimento de
sobretensões no sistema;
 reconexão indevida dos geradores distribuídos, ocasionada principalmente
devido ao religamento automático realizado pelos dispositivos de proteção
43

da rede acessada que reenergizam o trecho ilhado, estando à rede elétrica e o
gerador distribuído fora de sincronismo;
 dificuldade no reestabelecimento do sistema ao seu estado normal de
fornecimento de energia.
Diante destes fatos, faz-se necessário que a proteção de anti-ilhamento atue
imediatamente após a saída da rede elétrica. Para tanto, os dispositivos de proteção neste
tipo de sistema devem ser eficazes na detecção do ilhamento.
Alguns estudos consideram a possibilidade de que determinadas cargas,
consideradas críticas, possam continuar conectadas à geração após a proteção de anti-
ilhamento atuar, no entanto, para que isso seja possível, é necessário um estudo detalhado
das topologias e das técnicas de proteção para verificar se a geração ilhada não irá danificar
as cargas conectadas.
Pitombo (2010) faz uma abordagem acerca de diversas técnicas empregadas na
detecção de ilhamento e define que a proteção pode ser realizada de forma remota ou local.
Sua análise é direcionada à geração distribuída baseada em geradores síncronos. No
entanto, os conhecimentos apresentados podem ser estendidos e direcionados a outros tipos
de fontes.
A seguir será apresentado um conjunto de métodos utilizados na detecção de
perda de paralelismo entre a geração distribuída e a rede acessada.

3.3.1 Técnicas para proteção local de anti-ilhamento

Essas técnicas de proteção se baseiam na análise dos dados medidos no ponto
de conexão entre os dois sistemas. Os elementos a serem monitorados são definidos em
função do tipo de proteção que se deseje realizar e o modo como as grandezas são tratadas.
Estas técnicas se dividem em:
 técnica passiva para a proteção local de anti-ilhamento;
 técnica ativa para a proteção local de anti-ilhamento.


44

3.3.1.1 Técnicas passivas para a proteção local de anti-ilhamento

Na técnica passiva os elementos de proteção realizam o monitoramento das
grandezas elétricas que estão sendo medidas. Sua atuação está condicionada ao momento
em que a variável monitorada ultrapasse uma determinada faixa de valores pré-ajustados.
Sua aceitação é dada muitas vezes em função do baixo custo de instalação, no
entanto, é importante que sejam realizadas algumas análises para que sua operação seja
apropriada.
As proteções de subtensão e sobretensão e as proteções subfrequência e
sobrefrequencia são tradicionalmente utilizadas para a detecção da perda de paralelismo
entre a geração distribuída e a rede acessada (Rifaat, 1995). Seus ajustes fundamentam-se
no estabelecimento de uma faixa de valores dentre os quais é permitido à variação da
frequência e tensão. Assumido esses limites, em função dos critérios estabelecidos nos
procedimentos de rede e normas da acessada, a proteção irá atuar sobre o disjuntor
responsável pelo paralelismo, quando da ocorrência de faltas ou qualquer outra condição
anormal, que venha a requisitar a sua atuação. É importante salientar que as medidas de
frequência são tidas como essências para esse tipo de proteção, uma vez que seus valores
estão diretamente relacionados ao desequilíbrio do fluxo de potência ativa entre os
geradores distribuídos e as cargas ilhadas.
Embora o método que utiliza, exclusivamente, as medidas de tensão e
frequência apresente resultados satisfatórios quando aplicado em pequenos geradores
instalados em sistemas de distribuição com baixa penetração de geração distribuída, é
importante que ele sempre seja utilizado em conjunto com outros métodos para que se
possa garantir a confiabilidade da proteção (CHOWDHURY et al., 2008).
Além da utilização das proteções já mencionada, pode-se notar um
direcionamento na pesquisa e desenvolvimento de sistemas que se baseiem nos seguintes
métodos (CHOWDHURY et al.,2008):
 Taxa de Variação de Frequência;
 Taxa de Variação da Potência de Saída do Gerador;
 Taxa de Distorção Harmônica (THD);
45

 Salto de Fase;
 Detecção de Potência Reativa Reversa;
 Proteção Adaptativa.

a) Taxa de Variação de Frequência

Essa proteção fundamenta-se na utilização de um relé que atua a partir da taxa
de variação de frequência. Esta proteção realiza o monitoramento dos níveis de oscilação da
frequência elétrica que é dado em função da mudança da potência de saída no lado do
gerador, da frequência do sistema de alimentação, da constante de inércia e da capacidade
nominal do gerador no sistema. Essa proteção apresenta melhores resultados quando
aplicada em gerações com potências menores, para as mesmas condições de carga. Será
também eficaz em momentos quando a frequência varia lentamente (JENKINS et al.,
2000). Embora possa ocorrer falha na proteção quando a relação carga/geração ilhada
estiver dentro de limites de equilíbrio, após o ilhamento as variações na frequência tendem
a ser mais acentuadas, facilitando a atuação da proteção.

b) Taxa de Variação da Potência de Saída do Gerador

A taxa de variação da potência de saída do gerador pode também ser utilizada
pela proteção, uma vez que sua variação será sentida mais acentuadamente, para uma
mesma variação de carga, quando da ocorrência de ilhamento do gerador (REFERN;
USTA; FIELDING, 1993). Por sua relação direta, é possível que a taxa de variação da
potência seja obtida a partir das medições das correntes e tensões do sistema. Segundo
Refern et al. (1995), essa proteção apresenta melhores resultados quando associada a
sistemas que possuam cargas ilhadas desequilibradas. É importante salientar que em alguns
casos a variação da potência se mostra tal, que o ajuste da proteção, para um funcionamento
satisfatório, tende a ser bastante difícil principalmente em sistema com geração eólica em
que a variação da potência de saída é uma característica intrínseca do gerador.

46

c) Taxa de Distorção Harmônica (THD)

Sua aplicação é direcionada a geração distribuída conectada por meio de
inversores. Nessa proteção a taxa de variação da distorção harmônica é medida antes e
depois do ilhamento. Estabelecidos os níveis para cada caso considerado, a proteção será
então ajustada. Conforme Kabayashi, Takigawa e Hashimato (1991) a condição de
ilhamento pode ser detectada a partir dos valores de variação da terceira harmônica da
tensão fornecida pelo gerador distribuído, principalmente nos casos em que o ilhamento
contemple um transformador. Essa proteção pode sofrer interferências do aumento da
presença de cargas não-lineares que injetam quantidades significativas de distorções na
rede e que podem causar a atuação indevida da proteção.

d) Salto de Fase

Conforme determinada a magnitude do deslocamento angular que a tensão da
barra do gerador, conectado à rede elétrica, pode alcançar em condições normais de
funcionamento, utiliza-se um relé de deslocamento de fase para monitorar o momento em
que a defasagem angular ultrapasse o limite estabelecido, indicando que ocorreu o
ilhamento da geração.

e) Detecção de Potência Reativa Reversa

Pelos valores medidos de energia reativa no ponto de conexão, pode-se
identificar se a planta de geração está conectada ou não à rede elétrica, conforme seja o
fluxo de reativo. Como consequência da variação da energia reativa, há uma mudança no
ângulo de fase entre as tensões e as correntes do gerador. Portanto, essa proteção pode ser
implementada por dispositivos que meçam ângulo de fase ou potência reativa, tais como
relés baseados em medidas de tensão.


47

f) Proteção Adaptativa

Salles et al. (2011) descreve um sistema adaptativo em que os ajustes dos
dispositivos de proteção, que monitoram as variáveis elétricas medidas da rede, são
modificados conforme haja alterações no fluxo da potência ativa em função das variações
das cargas no sistema.

Uma problemática que surge quando da utilização da técnica local passiva de
proteção de anti-ilhamento é o surgimento de zonas de não detecção, regiões da rede em
que o sistema de proteção de anti-ilhamento é ineficazes. Essas zonas são originadas pela
dificuldade no estabelecimento de uma faixa de valores para as variáveis monitoradas, que
garantam que a proteção irá atuar somente quando for realmente necessário. Diante disso,
tem-se um contraste entre um ajuste mais sensível, que pode ocasionar atuações indevidas
da proteção, e um menos sensível, que aumenta as zonas de não detecção.
Há também a possibilidade de durante uma falta ocorrida na rede acessada, a
geração distribuída e a carga associada a ela estabeleçam uma relação de equilíbrio. Esse
equilíbrio pode ser capaz de manter os níveis das variáveis monitoradas dentro de limites
aceitáveis dificultando, portanto, a identificação do ilhamento por parte da proteção.
Objetivando minimizar as zonas de não detecção e obter melhores resultados
em casos de equilíbrio entre a carga e a geração, tem-se analisado a associação entre as
técnicas passivas apresentadas. J ang e Kim (2004) utilizam o desequilíbrio da tensão e a
distorção harmônica total da corrente para o desenvolvimento de um algoritmo de detecção
de ilhamento. Ezzt et al. (2007) utilizam os valores de tensão, frequência e corrente como
parâmetros para a proteção principal. Há também a utilização dos valores da potência ativa
de saída e a detecção da potência reativa reversa pela proteção de retaguarda. Seus
resultados apresentam-se satisfatórios uma vez que pode ser comprovada uma redução das
zonas de não detecção, além de melhorar os índices de correta atuação da proteção.



48

3.3.1.2 Técnicas ativas para a proteção local de anti-ilhamento

Diferente das técnicas passivas, que se fundamenta simplesmente na medição
das grandezas fornecidas pelo sistema para a verificação de suas magnitudes e eventual
atuação da proteção, as técnicas ativas, além de possuírem as funcionalidades apresentadas
pelas técnicas passivas, têm como diferencial a injeção de pequenas perturbações no
sistema. Essas perturbações servem para verificar a robustez da geração distribuída quanto
à sua capacidade de manter os níveis de tensão, frequência, potência e ângulo de fase em
sua saída, dentro dos valores permitidos. As perturbações são determinadas de modo a não
afetarem de forma significativa a geração distribuída quando esta estiver conectada à rede.
No entanto, caso a geração esteja ilhada, as perturbações irão desestabilizar o gerador.
Apesar de apresentar maiores garantias na detecção de ilhamento, quando
comparado às técnicas passivas, as técnicas ativas podem afetar a qualidade da energia do
sistema principalmente em redes que possuem grande penetração de geração distribuída.
Dentre as técnicas ativas mais utilizadas, tem-se (VEIRA, 2011):
 Variação de Potência Reativa;
 Medição de Impedância.

a) Variação de Potência Reativa

Nessa técnica, a proteção é dotada de um sistema de controle projetado para
injetar pequenos sinais com o intuito de fazer variar a tensão do gerador (MOTOHASHI et
al. 1999). Diante dos distúrbios, nota-se que a potência reativa só consegue ser mantida em
níveis controláveis enquanto a geração distribuída estiver conectada à rede. Havendo
alteração nos níveis de potência reativa fora da faixa de operação, por um período acima do
estipulado, significa que o sistema está ilhado sendo, portanto, necessária a atuação da
proteção. É importante que a proteção seja capaz de distinguir os fluxos reativos na
presença e na ausência da rede. Para tanto, é necessário que o tempo definido para a
verificação dos níveis de variação de energia reativa esteja acima dos observados nos casos
de flutuação ou transitórios comuns na rede. Devido às restrições quanto ao tempo de
49

atuação, essa proteção é mais recomendada para ser utilizada em conjunto com outras mais
rápidas, atuando, portanto, como uma proteção de retaguarda.

b) Medição da Impedância

Essa técnica utiliza o fato de ocorrer variação na impedância do sistema quando
da transição entre o estado de operação conectado à rede e o ilhado. A impedância do
sistema é medida a partir da injeção um sinal de alta frequência no terminal da geração
distribuída e a magnitude desse sinal será dada em função do sistema se encontrar ilhado ou
não. As impedâncias são sempre medidas como sendo vistas a partir da geração distribuída.

3.3.2 Técnicas para a proteção remota de anti-ilhamento

As técnicas de proteção remota fundamentam-se na utilização de um sistema de
comunicação responsável pela troca de informações entre os dispositivos de proteção e
controle da rede elétrica e da geração distribuída. Os dispositivos de proteção das gerações
distribuídas, além de realizarem o monitoramento local a partir das medições das grandezas
elétricas, possuem o apoio de um sistema que é capaz de repassar informações atualizadas
acerca do estado dos dispositivos de seccionamento da rede, ou seja, na técnica de proteção
remota a detecção do ilhamento é realizada, em conjunto, pelas proteções da geração
distribuída e da rede acessada.
Essa técnica apresenta melhores resultados na identificação do ilhamento, no
entanto, seu custo de implantação é bem maior devido tanto à necessidade do sistema de
comunicação quanto ao aumento na complexidade dos sistemas de controle e de aquisição
de dados.
Conforme Yim et al (2004) a proteção remota pode ser implementada através
de um sistema de comunicação e supervisão baseado em:
 PLCC (Power Line Carrier Communications);
 SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition).

50

a) PLCC (Power Line Carrier Communications)

Utilizando as próprias linhas da rede como meio de transmissão de
informações, a subestação local envia, continuamente, sinais de baixa frequência para os
dispositivos destinados à recepção desses sinais (ROPP et al., 2000). Toda geração
distribuída possui um elemento receptor. Como a comunicação e feita através da própria
linha, a proteção passa a ser independente da disponibilidade de outros meios de
telecomunicação, além de não sofrer nenhuma interferência caso haja alguma modificação
na topologia da rede elétrica. A ausência no recebimento de informações implica na
ocorrência de alguma condição anormal na rede, sendo, portanto, necessária a desconexão
imediata da geração distribuída. Um sistema que utiliza PLCC possui um elemento
transmissor, na rede elétrica, e um elemento receptor, na geração distribuída.

b) SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition)

Com a utilização do SCADA, tem-se um sistema supervisório que monitora, em
tempo real, o estado de todos os disjuntores da rede elétrica e, desse modo, pode detectar
facilmente uma condição de ilhamento. A proteção é executada a partir de um comando
que, por meio de um sistema de teleproteção, alerta a proteção da geração distribuída da
ocorrência de ilhamento sendo necessário, portanto, o seu desligamento.









51

De forma simplificada, a Tabela 3.1 descrever algumas diferenças entre as
técnicas de proteção remota e local para a proteção de anti-ilhamento.

Tabela 3.1 – Comparação entre as técnicas de proteção remota e local para a proteção de
anti-ilhamento.
Proteção de
Anti-ilhamento
Vantagens Desvantagens
Técnicas
remotas
Maior confiabilidade na detecção
do ilhamento.
Não possuem zona de proteção
restrita.
Sua eficiência não é afetada pelo
aumento da penetração de geração
distribuída.
Maior custo de implementação.
Operação complexa.
Técnicas locais
Menor custo.
Maior simplicidade.
Apresentam zonas de não detec-
ção.
Podem interferir na qualidade da
energia da rede elétrica.
Têm eficiência reduzida confor-
me o aumento da penetração de
geração distribuída.
Fonte: Própria do autor.

3.4 Transformador de interligação

Os pré-requisitos que definem a necessidade de utilização de transformador de
interligação ou acoplamento para conexão da geração distribuída à rede acessada variam
conforme a legislação de cada país. Os níveis de tensão, potência e as características da
rede são elementos que influenciam na decisão de sua utilização.
Algumas considerações têm sido feitas acerca das possíveis interferências que
as pequenas gerações podem provocar na rede elétrica. Embora em ENIRDGET (2007) seja
52

destacada a necessidade de utilização do transformador de acoplamento para isolar as
interferências eletromagnéticas provocadas pela geração distribuída, a Federal
Communication Commission (FCC) assegura que a geração distribuída não injeta níveis de
“ruídos” consideráveis na rede.
Normalmente, pode-se observar que as pesquisas realizadas acerca da proteção
de interconexão do gerador distribuído com a rede elétrica, recomendam que essa proteção
seja instalada no ponto de acoplamento entre os dois sistemas. Caso seja necessária a
utilização de um transformador, essa proteção pode ser instalada em qualquer um dos seus
terminais, Figura 3.1, conforme indique a regulamentação local de cada país e sejam
atendidos os requisitos de ligação dos terminais em função do sistema da concessionária e
do tipo de proteção utilizada (MOZINA, 2001).

Figura 3.1 – Possibilidades de instalação da proteção de conexão da geração distribuída
para sistemas conectados à rede por meio de transformador de acoplamento.

Fonte: Mozina (2001)

A Tabela 3.2 apresenta os tipos de ligações mais utilizadas para a interligação
dos terminais dos transformadores de acoplamento, a divisão deles em três grupos
conforme sua influência na proteção e um resumo das vantagens e as desvantagens de cada
tipo de ligação.
53

Tabela 3.2 – Tipos de ligação dos transformadores de acoplamente para a geração
distribuída.
Lado da Rede
Acessada
(Primário)
Lado da
Geração
Distribuída
(Secundário)
Vantagens Desvantagens
Delta
Delta
Estrela
Delta
Estrela Aterrado
Delta
Faltas à terra no lado da
geração distribuída não
afetam as proteções no
lado da rede acessada.
Pode ocasionar o surgi-
mento de sobretensões
no sistema caso haja
falta à terra.

Estrela Aterrado Delta
A proteção da rede aces-
sada não será requisitada
caso haja falta à terra no
lado da geração distri-
buída. Falta à terra no
lado da rede acessada
não provoca sobretensão
no sistema.
Fornece um meio para a
circulação de correntes
de falta à terra para
faltas ocorridas no lado
da rede acessada.

Estrela Aterrado Estrela Aterrado
Não há sobretensão no
sistema caso haja falta à
terra.

Proporciona um meio
para a atuação da
proteção do lado da
rede acessada no caso
de falta à terra no lado
da geração distribuída.
Fonte: Mozina (2001), adaptado.

Pela análise da tabela acima, pode-se notar que cada tipo de ligação possui suas
peculiaridades com vantagens e desvantagens sendo, portanto, sua escolha baseada nas
características da rede que será acessada e nas normas locais que regulem sobre tal assunto.
54

A Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig) faz algumas
considerações acerca das ligações dos terminais dos transformadores de acoplamento
utilizados para a conexão da geração distribuída à sua rede, Figura 3.2, tanto por parte do
produtor independente ou autoprodutor, quanto por parte do consumidor existente que
venha a se tornar autoprodutor.

Figura 3.2 – Modelo de ligação do transformador de acoplamento na rede elétrica da
Cemig.

Fonte: ND 5.31 – Requisitos para a conexão de Acessantes Produtores de Energia Elétrica ao Sistema de
Distribuição Cemig – Conexão em Média Tensão.


Conforme se pode observar pela Figura 3.2, e segundo a norma da Cemig – ND
5.31, para produtor independente ou autoprodutor é necessário que os enrolamentos do
transformador de acoplamento sejam em estrela solidamente aterrada, com neutro acessível,
no lado da Cemig e em delta no lado do acessante, com possibilidade de haver um terceiro
enrolamento aterrado através de impedância.
No caso dos consumidores, a Cemig estabelece que o transformador deve
possuir uma ligação em delta dos terminais do primário (lado da rede acessada) e em estrela
aterrada no secundário. Caso o consumidor decida instalar uma geração própria em paralelo
com a rede elétrica passando, portanto, a ser um autoprodutor, é obrigatório que seja criado
um referencial para a terra no lado da rede acessada. Para tanto, se o transformador
existente for mantido, deverá ser instalado nos terminais do seu primário, um transformador
de aterramento com neutro acessível.
55

A Figura 3.3 apresenta um exemplo dos vários modelos para a ligação dos
terminais dos transformadores de acoplamento utilizados para a conexão da geração
distribuída à rede elétrica da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

Figura 3.3 – Requisitos técnicos para a conexão de geração em paralelo com o sistema
elétrico da Copel.

Fonte: Norma – Requisitos Técnicos para a Conexão de Geração em Paralelo com o Sistema Elétrico da
Copel.

No caso específico apresentado na Figura 3.3, a norma da Copel, que trata dos
requisitos técnicos para a conexão de geração em paralelo com o seu sistema elétrico,
estabelece que para transformador de interligação com dois enrolamentos, usa-se estrela
aterrado na alta tensão e delta na baixa tensão. No caso de transformador de interligação
com três enrolamentos deve-se ter estrela aterrado na alta tensão, estrela aterrado na média
tensão e triangulo na baixa tensão.
56

A Companhia Energética do Ceará (Coelce), ao estabelecer os requisitos
técnicos para conexão do transformador isolador, para a interligação de central geradora à
rede da concessionária, define que, para a conexão no sistema elétrico de média ou alta, o
transformador de acoplamento deverá possuir enrolamento com ligação em triângulo
conectado ao sistema Coelce e o enrolamento com ligação em estrela com neutro acessível,
conectado ao sistema do acessante.
A Figura 3.4 apresenta um diagrama unifilar para a conexão de uma central
geradora à rede em média tensão da Coelce por meio de um transformador de acoplamento.

Figura 3.4 – Conexão, em média tensão, de uma central geradora à rede elétrica da Coelce.

Fonte: NT-008/2012 – Conexão de Central Geradora de Energia ao Sistema Elétrico da Coelce.

Seguindo uma análise mais detalhada a respeito do transformador de
interligação requerido pela Coelce, com o intuito de identificar como deverá ser o sistema
de proteção associado, constata-se por meio da NT-008/2012, da referida concessionária,
que o transformador deve ser protegido por meio de um relé multifunção que seja capaz de
eliminar todos os tipos de faltas internas e dispor de proteção de retaguarda para eliminar
faltas externas e internas à sua zona de proteção.
A Tabela 3.3 apresenta um resumo sobre os pontos de conexão, as
características e as proteções que o transformador de acoplamento, conectado ao sistema da
Coelce, deve possuir.
57


Tabela 3.3 – Características do transformador de acoplamento no sistema da Coelce.

Ponto de
Conexão

Características do Transformador de
Acoplamento
Proteções
SDBT
(380 V)
Transformador de acoplamento deve ter
defasamento angular de 30° e o enrolam-
ento de 380 V do lado da rede da Coelce
ligado em delta.
Relé de proteção do pon-
to de conexão.
SDMT
(13.8 kV)
Transformador de acoplamento com
defasamento angular de 30° e o enrola-
mento de 13,8 kV do lado da rede da
Coelce ligado em delta.
Relé de proteção do pon-
to de conexão.
SDAT
(69 kV)
Transformador de acoplamento com
enrolamento de 69 kV do lado da rede da
Coelce, ligado em delta, defasamento an-
gular de 30° e proteção de sub e sobre-
tensão nos secundários de um transfor-
mador de potência em delta aberto.
Proteções intrínsecas e
externas definidas no
Critério de Projetos de
Subestação da Coelce,
CP-011 indicadas no dia-
grama unifilar – Desenho
008.01.
Fonte: NT-008/2012 – Conexão de Central Geradora de Energia ao Sistema Elétrico da Coelce.

3.5 Conclusões

O sistema de proteção é o principal requisito para a garantia de que a instalação
da geração distribuída ocorra de maneira adequada, permitindo com que sejam aproveitados
ao máximo os benefícios provenientes desse tipo de geração.
É importante que sejam mantidas as recomendações estabelecidas pelas normas
nacionais e internacionais que especificam o tipo de geração a ser instalada em função das
características da rede acessada, pois, caso isso não seja satisfeito, pode ocorrer de a
58

atuação das proteções passarem a ser constantes fazendo com que a implantação da geração
distribuída acabe prejudicando a confiabilidade do sistema e a qualidade da energia elétrica.
Diante da possibilidade de utilização dos diversos métodos para a proteção de
anti-ilhamento, é importante que a implantação da proteção seja realizada em conjunto com
uma análise dos critérios técnicos, financeiros e das regulamentações locais.
Responsáveis pela proteção das instalações elétricas da rede acessada e do
sistema acessante, os dispositivos de proteção e controle do sistema de conexão da geração
distribuída devem satisfazer as recomendações proposta pelo órgão regulador local de cada
país.
No Brasil a Aneel por meio do módulo 3 do Prodist (2012) trata dos requisitos
mínimos para a conexão da geração distribuída à rede elétrica. Esses requisitos serão
apresentados no próximo capítulo que trata da regulação de acesso da geração distribuída
ao sistema de distribuição

















59

CAPÍTULO 4
REGULAÇÃO DE ACESSO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA AO SISTEMA DE
DISTRIBUIÇÃO

4.1 Introdução

Neste capítulo, serão apresentados os requisitos estabelecidos pela Aneel para a
conexão da geração distribuída à rede elétrica no Brasil. Definidos os tipos de geração
distribuída, em função da potência instalada, serão apresentados quais equipamentos
deverão ser utilizados em cada sistema. Para cada equipamento, serão descritos os seus
princípios e funcionalidades, além de uma análise sobre sua importância na proteção e no
controle do sistema acessante e da rede acessada.

4.2 Regulamentação da geração distribuída no Brasil

Os avanços ocorridos no setor industrial referente ao desenvolvimento de novas
tecnologias para a produção de energia em pequena escala, possibilitando um melhor
aproveitamento dos recursos naturais de cada região, modificou o modo de pensar a
geração de energia no Brasil e no mundo (SHAYANI; OLIVEIRA, 2010).
De um sistema baseado em grandes centros de geração, fundamentado na
produção de energia por meio de hidrelétricas, o Brasil passou a vislumbrar a possibilidade
de ter alternativas energéticas renováveis, de modo a reduzir os impactos ambientais, evitar
grandes investimentos em plantas de geração centralizada, atender ao crescimento da
demanda e permitindo o acesso de centrais geradoras distribuídas instaladas próximas aos
consumidores.
Diante dessa nova realidade, a Aneel estabeleceu os critérios e requisitos
básicos que devem ser atendidos para que as gerações distribuídas possam ser interligadas à
rede elétrica.
Conforme o módulo 3 do Prodist (2012), as micro e a minigerações são centrais
destinadas a produção de energia elétrica proveniente de fontes energéticas baseadas em
60

recursos distribuídos e renováveis tais como os hidráulicos, eólicos, solar e a biomassa ou
cogeração qualificada. Conquanto, a cogeração se baseie na queima de matéria orgânica, a
cogeração qualificada, regulamentada pela REN Aneel nº 235/2006, apresenta-se como
uma fonte não poluente, tendo em vista a sua característica de proporcionar maior
eficiência ao processo produtivo e reduzir a emissão de CO
2
, além de apresentar os
benefícios descritos no item 13 da Nota Técnica n° 0043/2010–SRD/Aneel dentre os quais
podemos destacar o baixo impacto ambiental, a redução no carregamento das redes e a
diversificação da matriz energética.
Embora a Aneel não estabeleça a geração por meio de célula a combustível
como uma fonte a ser conectada em uma micro ou minigeração, este trabalho entende que a
falta de referência do regulador nacional para com essa geração se dá devido a sua baixa
usualidade no Brasil. Como a norma IEEE 1547.2 (2008) e várias das referências utilizadas
nesse trabalho mencionam a célula a combustível como um tipo de fonte utilizada na
geração distribuída, será considerado que a sua instalação em sistemas de geração no Brasil
não altera os parâmetros de conformidade com o Pordist, desde que sua instalação seja
executada de modo a garantir as condições recomendadas de proteção e controle.
Conforme o Prodist (2012), essas gerações deverão ser conectadas na rede de
distribuição nas instalações das unidades consumidoras, sendo que as microgerações devem
possuir potência instalada menor ou igual a 100 kW, enquanto que as minigerações devem
possuir potência instalada superior a 100 kW e menor ou igual a 1 MW.

4.3 Regulação de acesso

A seção 3.7 do módulo 3 do Prodist (2012) trata dos requisitos básicos a serem
atendidos para o acesso de micro e minigeração distribuída à rede elétrica. Neste
documento, estão estabelecidas as etapas para a viabilização do acesso, os critérios técnicos
e operacionais, os requisitos de projeto, dentre outros procedimentos fundamentais à
realização do empreendimento.
Nos critérios técnicos e operacionais está definido o local onde deve situar-se o
ponto de conexão. A Aneel estabelece, por meio da Cartilha de Acesso ao Sistema de
61

Distribuição, que o ponto de conexão é o conjunto de equipamentos destinados a
estabelecer a conexão entre as instalações do sistema acessante e a rede acessada.
Os requisitos de projeto apresentam os níveis de tensão considerados para a
conexão e os requisitos mínimos em função da potência instalada.
Os níveis de tensão para a conexão são dados em função das faixas de potência
indicadas na Tabela 4.1, no entanto, a acessada poderá redefinir esses níveis de tensão em
função das limitações técnicas de sua rede.

Tabela 4.1 – Níveis de tensão considerados para a conexão de micro e minicentrais
geradoras.
Potência Instalada Nível de Tensão de Conexão
<10 kW Baixa Tensão (monofásico, bifásico ou trifásico)
10 a 100 kW Baixa Tensão (trifásico)
101 a 500 kW Baixa Tensão (trifásico)/Média Tensão
501 a 1 MW Média Tensão
Fonte: Prodist, Módulo 3 – Acesso ao Sistema de Distribuição.

A Aneel definiu quais equipamentos devem ser utilizados na proteção e
controle das micro e minigerações de modo a que essas atendessem aos requisitos mínimos
para a conexão. Os equipamentos propostos estão descritos na Tabela 4.2 e definidos nas
notas seguintes, conforme apresentado no módulo 3 do Prodist (2012).
Conforme observado na Tabela 4.2, a necessidade ou dispensa de cada um dos
elementos mencionados será dada em função da potência instalada. Além dessas, a
acessada poderá propor a utilização de proteções adicionais, para tanto será necessário uma
justificativa técnica em função das características específicas do seu sistema. A acessada
não poderá propor proteções adicionais ao acessante quando este estiver enquadrado como
microgeração distribuída.




62

Tabela 4.2 – Requisitos mínimos em função da potência instala.
Equipamento
Potência Instalada
Até 100 kW 101 kW a 500 kW 501 kW a 1 MW
Elemento de desconexão
(1)
Sim Sim Sim
Elemento de interrupção
(2)
Sim Sim Sim
Transformador de
acoplamento
Não Sim Sim
Proteção de sub e
sobretensão
Sim
(3)
Sim
(3)
Sim
Proteção de sub e
sobrefrequência
Sim
(3)
Sim
(3)
Sim
Proteção contra desequilíbrio
de corrente
Não Não Sim
Proteção contra desbalanço
de tensão
Não Não Sim
Sobrecorrente direcional Não Não Sim
Sobrecorrente com restrição
de tensão
Não Não Sim
Relé de sincronismo Sim Sim Sim
Anti-ilhamento Sim Sim Sim
Estudo de curto-circuito Não Sim
(4)
Sim
(4)

Medição
Medidor
Bidirecional
(6)

Medidor 4
Quadrantes
Medidor 4
Quadrantes
Ensaios Sim
(5)
Sim
(5)
Sim
(5)

Fonte: Prodist, Módulo 3 – Acesso ao Sistema de Distribuição (2012).

Notas:
(1) Chave seccionadora visível e acessível que a acessada usa para garantir a desconexão da
central geradora durante manutenção em seu sistema.
(2) Elemento de interrupção automático acionado por proteção, para microgeradores
distribuídos e por comando e/ou proteção, para minigeradores distribuídos.
(3) Não é necessário relé de proteção específico, mas um sistema eletro-eletrônico que detecte
tais anomalias e que produza uma saída capaz de operar na lógica de atuação do elemento de
interrupção.
(4) Se a norma da distribuidora indicar a necessidade de realização estudo de curto-circuito,
caberá à acessada a responsabilidade pela sua execução.
(5) O acessante deve apresentar certificados (nacionais ou internacionais) ou declaração do
fabricante que os equipamentos foram ensaiados conforme normas técnicas brasileiras, ou, na
ausência, normas internacionais.
63

(6) O medidor bidirecional deve, no mínimo, diferenciar a energia elétrica ativa consumida da
energia elétrica ativa injetada na rede.

O fornecimento de energia em corrente alternada com frequência de 60 Hz, a
manutenção da tensão em regime permanente, a variação de frequência, os níveis de fator
de potência e os demais aspectos que garantam a qualidade da energia também devem ser
mantidos dentro dos limites estabelecidos pela Aneel no módulo 8 do Prodist.

4.4 Equipamentos necessários ao atendimento dos requisitos mínimos de proteção e
controle de uma micro ou minigeração

Serão definidos a seguir quais equipamentos deverão realizar os procedimentos
de proteção e controle mencionados na Tabela 4.2.

4.4.1 Elemento de desconexão

Segundo o Prodist (2012, p. 80), o elemento de desconexão deve ser uma
“chave seccionadora visível e acessível que a acessada usa para garantir a desconexão da
central geradora durante manutenção em seu sistema”.
A chave seccionadora é um equipamento destinado à manobra e ao
desligamento de circuitos elétricos. É um dispositivo capaz de conectar e desconectar parte
da rede, modificando sua topologia para a execução de manutenções preventivas ou
corretivas. Através desta chave, é possível o seccionamento definitivo do circuito a jusante
quando da existência de alguma falta ou qualquer outra ocorrência que venha a ocasionar a
desenergização do circuito.
A chave seccionadora não tem por principio a proteção, mas apenas o
seccionamento da rede, portanto, não é necessário que ela possua uma capacidade de
interrupção de curto-circuito compatível com o local da sua instalação.
É possível que essas chaves operem sem carga ou sob carga, possuam base
fusível, seja comutadoras, chaves de transferência automática, chaves rotativas, manuais ou
64

motorizadas. Dentre essas características funcionais, a capacidade de manobra com carga e
a capacidade de operação telecomandada são os requisitos fundamentais para o processo de
recomposição automática das instalações elétricas.
Para garantir a sua acessibilidade, a chave deve estar disponível para ser
manobrada, quando necessário, pela concessionária. A visualização dos seus contatos se faz
necessário à garantia da segurança. Algumas normas, tal como a IEEE 1547, já
preconizavam a necessidade de um seccionamento visível da geração distribuída. Sua
exigência é justificada para a utilização em momentos em que a geração distribuída venha
interferir na rede.

4.4.2 Elemento de interrupção

Conforme estabelecido pelo Prodist (2012, p. 80), o elemento de interrupção
deverá ser um equipamento “automático acionado por proteção, para microgeradores
distribuídos e por comando e/ou proteção, para minigeradores distribuídos”.
Como previsto acima, cada geração irá possuir um elemento de interrupção.
Para o caso de uma mini ou micogeração, que contemple mais de uma fonte, a presente
abordagem conclui que um elemento similar também deverá ser instalado no ponto de
conexão entre o conjunto de geradores e a rede acessada. Ele deverá atuar diante de
quaisquer faltas ou condições anormais que venham a ocorrer no sistema e que o afete de
tal forma que seja necessária a sua intervenção. Todas as proteções deverão ser ajustadas de
modo a garantir que a proteção de interconexão entre o sistema do acessante e a rede
elétrica seja a primeira a atuar. Essa coordenação da proteção é importante para que sejam
mantidas as garantias de que o gerador, e o sistema de distribuição, não venham a entrar em
conflito podendo danificando um ao outro.
Lino (2007) considera as seguintes funções de proteção como intrínsecas ao
elemento de interrupção:
 função de proteção contra sobrecorrente instantânea (Código ANSI - 50);
 função de proteção contra sobrecorrente temporizada (Código ANSI - 51);
65

 função de proteção contra sobrecorrente de neutro instantânea (Código ANSI
– 50N);
 função de proteção contra sobrecorrente de neutro temporizada (Código
ANSI – 51N);
É necessário que haja, dentro do sistema da micro ou minigeração, a devida
coordenação e seletividade entre as proteções em função da proteção da rede acessada.
Definida a curva de operação no ponto de interconexão, os demais elementos de proteção
deverão ser ajustados de modo a garantir a sequência correta de atuação.
Além das funções de proteção apresentadas acima, o elemento de interrupção
deverá ser capaz de atuar diante das demais funções de proteção definidas em norma.
De maneira geral, o elemento de interrupção deve ser capaz de:
 proteger a rede elétrica acessada de possíveis falhas ocorridas dentro da
geração distribuída;
 proteger o gerador diante de faltas ou condições anormais provenientes da
rede elétrica acessada;
 desfazer o paralelismo, desconectando o gerador da rede elétrica acessada.

4.4.3 Transformador de acoplamento

Os requisitos de projeto sugerem que as fontes da geração distribuída,
enquadrada como minigeração, devem ser acopladas ao sistema de distribuição da acessada
através de um transformador de acoplamento. Esse transformador é tido como necessário
apenas para empreendimentos que possuem potência instalada superior a 100 kW, ou seja,
não há necessidade de sua instalação em microgerações sendo, nesse caso, apenas opcional.
Algumas considerações devem ser tomadas para a sua adequada instalação e
funcionamento. A ligação dos seus enrolamentos, bem como o seu deslocamento angular,
devem estar de acordo com as indicações da rede elétrica acessada. Recomenda-se que o
transformador de acoplamento não seja protegido por meio de fusíveis e as derivações de
quaisquer de seus enrolamentos devem ser definidas no projeto (Prodist, 2012).
66

Bortoni (2007) ressalva que para garantir a desconexão da geração distribuída,
quando da ocorrência de alguma falta a terra no lado da rede acessada, deverão ser
utilizadas as proteções de subtensão e sobretensão de neutro (27N e 59N), quando o
transformador não for aterrado no lado da acessada, e sobrecorrente de neutro (51N) para
transformador aterrado do lado da acessada. A Figura 4.1 apresenta as configurações de
ligação dos terminais do transformado de acoplamento e as respectivas funções de proteção
recomendadas.

Figura 4.1 – Proteção contra faltas a terra no lado da acessada.

Fonte: Bortoni (2007).

4.4.4 Proteção de subtensão e sobretensão

O Prodist (2012, p. 80) define que para a proteção contra sub e sobretensão
“não é necessário relé de proteção específico, mas um sistema eletro-eletrônico que detecte
tais anomalias e que produza uma saída capaz de operar na lógica de atuação do elemento
de interrupção”.

4.4.4.1 Proteção contra subtensão

A proteção contra subtensão (Código ANSI - 27) irá atuar quando a tensão da
rede estiver abaixo de um valor estabelecido. A resolução nº 676, de 19 de dezembro de
2003, da Aneel estabelece os níveis mínimos de tensão de linha que devem ser fornecidas
de modo a garantir que não haja danos aos equipamentos ligados à rede. Já a norma IEEE
1547, que trata da interconexão de geradores distribuídos nos sistemas de distribuição, faz
67

algumas recomendações acerca do tempo de desconexão de geradores distribuídos em
relação à variação do nível de tensão.
É importante que a proteção seja ajustada de forma a respeitar os critérios
estabelecidos nos dois documentos anteriores, garantindo assim maior confiabilidade.

4.4.4.2 Proteção contra sobretensão

Para a proteção contra sobretensão (Código ANSI – 59) o elemento de proteção
deverá operar quando a tensão elétrica ultrapassar um valor previamente ajustado. Assim
como para a proteção contra subtensão, a resolução nº 676 e a norma IEEE 1547 podem ser
utilizadas para o ajuste dessa proteção.

4.4.4.3 Proteção contra sobretensão residual

Em conjunto com as proteções anteriores, tem-se a função de proteção contra
sobretensão residual (Código ANSI – 59N) que atuará em relação à sobretensão de neutro.
Embora a Aneel não faça menção específica a esse tipo de proteção, Lino
(2007) considera que ela deva ser utilizada quando da operação da geração distribuída
conectada à rede elétrica por meio de transformador em delta-estrela. Dada a operação em
paralelo com a rede, pode ocorrer faltas fase-terra em que a geração distribuída acabe não
afetando consideravelmente o sistema, fazendo com que a proteção não atue. Diante disso,
haverá uma condição de ilhamento e a microgeração será direcionada a assumir todas as
cargas da rede sendo necessário, portanto, o seu desligamento.

4.4.5 Proteção de sub e sobrefrequência

Assim como estabelecido para as proteções contra sub e sobretensão, a função
de proteção contra sub/sobrefrequência não precisará ser executada por relé específico, mas
por qualquer elemento eletro-eletrônico que possa operar na lógica de atuação do elemento
de interrupção.
68

A função de proteção contra sub/sobrefrequência (Código ANSI – 81) atuará
quando a frequência elétrica da rede estiver fora de um intervalo pré-estabelecido em
relação a nominal, 60 Hz, ou perdurem por determinado tempo fora do nível tido como
aceitável.

4.4.6 Proteção contra desequilíbrio de corrente

A proteção contra desequilíbrio de corrente (Código ANSI – 46) é obrigatória
apenas para microgerações com potência instalada superior a 500 kW. Tal proteção deverá
atuar quando houver correntes desequilibradas ou componentes de sequência negativas
acima de determinado valor ajustado.

4.4.7 Proteção contra desbalanço de tensão

A proteção contra desbalanço de tensão (Código ANSI – 47) é obrigatória
apenas para microgerações com potência instalada superior a 500 kW.
Utilizado para proteger a geração de operação desequilibrada.

4.4.8 Sobrecorrente direcional

A proteção de sobrecorrente direcional (Código ANSI – 67) é obrigatória
apenas para microgerações com potência instalada superior a 500 kW.
Essa proteção é acionada pelo mesmo tipo de falta que faz atuar as funções de
proteção de 50/51, no entanto, a atuação da proteção 67 só ocorrerá quando da detecção de
uma corrente falta em uma determinada direção, com valor maior do que o seu pré-
ajustado.




69

4.4.9 Sobrecorrente com restrição de tensão

A proteção contra sobrecorrente com restrição de tensão (Código ANSI – 51V)
é obrigatória apenas para microgerações com potência instalada superior a 500 kW.
Essa proteção, por operar a partir do monitoramento das componentes das
correntes e das tensões garante com que haja um aumento na sensibilidade da proteção de
sobrecorrente.

4.4.10 Relé de sincronismo

O relé de sincronismo (Código ANSI – 25) é responsável por garantir que a
reconexão da geração distribuída com a rede acessada ocorra apenas quando os valores de
tensão, frequência e ângulo de fase de ambos os sistemas estiverem dentre de limites pré-
estabelecidos.

4.4.11 Anti-ilhamento

O Prodist (2012) estabelece a necessidade de proteção anti-ilhamento no ponto
de conexão entre o gerador e a rede elétrica.
Na seção 3.3 foram apresentadas diversas técnicas utilizadas para a detecção do
ilhamento. Independente da técnica utilizada, o elemento responsável pela proteção de anti-
ilhamento deve ser capaz de desconectar a geração em todos os momentos que as faltas
ocorridas no sistema elétrico ocasionem a desenergização da rede elétrica acessada.

4.4.12 Estudo de curto-circuito

Conforme o módulo 2 do Prodist (2012) o estudo de curto-circuito tem por
objetivo identificar os níveis de curto-circuito em vários pontos do sistema, para especificar
adequadamente capacidade de interrupção de corrente dos disjuntores e definir o ajuste das
proteções. O estudo de curto-circuito também pode ser utilizado para o dimensionamento
70

de novos equipamentos e para auxiliar nos estudos dinâmicos e de transitórios
eletromagnéticos.

4.4.13 Medição

O sistema de medição deve ser capaz de realizar medição bidirecional, no caso
da microgerção, e medição em quatro quadrantes no caso da minigeração.
Essas medições são utilizadas para a tarifação da energia injetada na rede.

4.4.14 Ensaios

Embora o sistema de interligação da geração distribuída seja projetado e
instalado em conformidade com as normas, é necessário identificar se os equipamentos
utilizados irão executar adequadamente suas funções.
Algumas normas como a IEEE 1547.1–2005 – IEEE Standard Conformance
Test Procedures for Equipment Interconnecting Distributed Resources with Electric Power
Systems – definem os testes e os procedimentos a serem realizados para verificar se os
equipamentos utilizados para a interligação da geração distribuída ao sistema elétrico de
potência atendem aos requisitos estabelecidos para a segurança das instalações e a
qualidade da energia gerada injetada na rede.
É importante destacar que além dos testes realizados em laboratório com o
intuito de comprovar que os equipamentos operam em conformidade com suas
especificações técnicas, para que eles possam ter seu funcionamento garantido em campo,
os fabricantes advertem que a instalação seja feita conforme suas recomendações e
respeitando as condições nominais de operação.





71

4.5 Conclusões

As determinações contidas no módulo 3 do Prodist (2012) prescrevem todas as
condições mínimas necessárias para a conexão da geração distribuída ao sistema elétrico de
distribuição.
Para que os empreendimentos de micro ou minigeração sejam implantados
corretamente é preciso que, além do domínio das regulamentações contidas no Prodist
(2012), haja o conhecimento prévio das características da rede que será acessada, pois,
conforme descrita na própria norma, a concessionária pode modificar alguns dos
parâmetros de conexão e proteção exigidos em função das limitações técnicas da rede.
Conforme seja grau de confiabilidade que se pretenda alcançar na implantação
da geração distribuída, é possível o desenvolvimento de estratégias para a conexão da
geração que utilizem elementos de proteção e controle além dos exigidos pelo Prodist
(2012).
No capítulo a seguir será apresentada uma filosofia de proteção em função da
topologia proposta para a microgeração que será implanta no campus do Pici da
Universidade Federal do Ceará.













72

CAPÍTULO 5
FILOSOFIA DE PROTEÇÃO PROPOSTA PARA A MICROGERAÇÃO DO
CAMPUS DO PICI

5.1 Introdução

Nesse Capítulo é apresentada a filosofia de proteção e a topologia proposta para
a geração distribuída que está sendo projetada para implantação no Laboratório de
Microrrede do Departamento de Engenharia Elétrica, localizado na rede elétrica do Campus
do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC). Serão apresentadas as fontes de geração e
a topologia de conexão da geração distribuída com a rede de distribuição, bem como a
especificação dos dispositivos e as estratégias de proteção e controle fundamentadas nas
funções de proteção requeridas nas regulamentações para a conexão da geração distribuída
com a rede de distribuição.
Serão apresentados também alguns modelos, obtidos nas bibliografias
consultadas, desenvolvidos para a proteção da rede de distribuição fundamentados no
conceito de microrrede.
Dadas as propostas de proteção para microrrede, serão observadas quais
estratégias podem ser implantadas em função das peculiaridades da rede de distribuição do
campus do Pici. É importante salientar que o estudo estará sempre direcionado para o fato
de que o modelo de proteção sugerido tem por principio a utilização de técnicas e
dispositivos fornecidos no mercado de forma a garantir que a proteção da geração possa ser
realizada na prática.

5.2 Microrrede

Oudalov e Fidigatti (2009) definem que microrrede é um sistema baseado na
utilização de recursos distribuídos conectados ao sistema de distribuição na baixa tensão e
que possui cargas controláveis e pode operar conectada à rede elétrica ou ilhada de forma
controlada e coordenada.
73

O maior desafio encontrado para a implantação efetiva da geração distribuída
baseada na definição de microrrede está em garantir que a proteção será capaz de atuar
adequadamente diante das diversas circunstâncias encontrada dentro e fora do subsistema.
A filosofia de proteção deve ser fundamentada na isolação da microrrede quando da
ocorrência de faltas na rede acessada. Já para faltas ocorridas dentro da própria microrrede
a proteção deverá isolar a menor parte do sistema objetivando a manutenção do serviço
(FEERO; DAWSON, 2002).
A possibilidade de operação isolada da rede elétrica, a eventual ocorrência de
faltas dentro da microrrede ilhada e as possíveis modificações intencionais em sua
topologia, podem ocasionar o surgimento de ilhas múltiplas. A ocorrência de ilhas
múltiplas só é possível caso os vários pontos do subsistema sejam equipados com geração e
controladores de carga.
Embora seja possível o funcionamento ilhado das gerações, o ilhamento
modifica significativamente a seletividade e a sensibilidade da proteção podendo ocasionar
a perda de coordenação dos relés, comprometendo a segurança e a confiabilidade
(ZAMANI; SIDHU; YAZDANI, 2011).
A operação ilhada, principalmente devido a utilização de gerações conectadas
via conversores, pode diminuir significativamente os níveis de curto-circuito, além disso, a
possibilidade de fluxo bidirecional de potência, as mudanças nos níveis de geração devido à
utilização de fontes intermitentes formadas por geração eólica e fotovoltaica e mudanças de
carga modificam os níveis de potência do sistema.
De modo geral a implantação de uma microrrede é barrada devido ás
dificuldades técnicas encontradas para o desenvolvimento de um sistema de proteção que
seja capaz de manter os níveis de confiabilidade diante das diversas condições de operação
ilhada ou conectada à rede de distribuição, o que causa a modificação da topologia da rede
conforme a entrada e a saída de carga e de geração e dificultar a manutenção da qualidade
da energia.


74

5.2.1 Proteção para o sistema de distribuição com grande penetração de geração
distribuída

Brahma e Girgis (2004) elaboram uma analise dos efeitos causados pela alta
penetração de geração distribuída em uma rede de distribuição. Sua proposta de estudo
consiste em apresentar um sistema de proteção adaptativa, utilizando como base a
comunicação entre os vários equipamentos da rede.
Nesse trabalho os autores consideram a aplicação da nova estratégia de
proteção na própria rede de distribuição sendo mantidos ainda os dispositivos de proteção
convencional.
O principio da proteção se fundamenta da divisão da rede de distribuição em
zonas que possuem um nível de equilíbrio razoável entre a energia disponibilizada pelas
gerações e a requisitada pelas cargas. Considera-se que a geração possa operar com folga e
que o seu controle seja capaz de manter os níveis de tensão e frequência dentro dos valores
permissíveis.

Figura 5.1 – Sistema de distribuição dividido em zonas conectadas por disjuntores.

Fonte: Brahma e Girgis (2004).

As zonas são separadas por disjuntores que possuem a capacidade de
comunicação remota com uma unidade de monitoramento, localizada na subestação,
75

responsável por armazenam e analisar informações sobre as diversas características da rede
em função da atuação dos elementos de proteção.
A comunicação entre os disjuntores e a central de monitoramento garante que
na ocorrência de alguma faltas seja possível identificar o local, o tipo da falta e o sentido da
corrente de curto-circuito que passa pelo disjuntor garantindo, desse modo, que apenas as
gerações nas zonas faltosas serão desconectadas.
Após a saída de alguma zona a proteção adaptativa modifica as curvas de
atuação dos disjuntores para garantir a coordenação da proteção em função da nova
topologia da rede.
Os autores fazem uma ressalva quando dizem que essa proposta de proteção
não se aplica à redes de distribuição com baixa penetração de geração distribuída.

5.2.2 Proteção para o sistema de distribuição utilizando Multi-Agent

Wan e Wong (2005) descrevem um método de proteção baseado na utilização
de um sistema Multi-Agent responsável por efetuar a coordenação da proteção em um
sistema de distribuição radial com penetração de geração distribuída, conforme apresentado
na Figura 5.2.

Figura 5.2 – Sistema de distribuição utilizando Multi-Agent.

Fonte: Wan e Wong (2005).

Os dispositivos de proteção são reconfigurados de forma adaptativa de maneira
a responder adequadamente às novas condições de configuração da rede elétrica em função
de mudanças operacionais, topológicas ou entrada e saída da geração distribuída.
76

A utilização do Multi-Agente faz com que o processamento da proteção seja
realizado pelos vários dispositivos dispersos pela rede. Isso permite com que haja uma
descentralização do controle o que aumenta a eficiência e a confiabilidade da proteção.

5.2.3 Proteção adaptativa

Oudalov e Fidigatti (2009) apresentam em seu trabalho um sistema de proteção
baseado na implantação de um avançado sistema de comunicação em uma arquitetura
centralizada responsável pela modificação das curvas de operação dos relés.
A Figura 5.3 apresenta um conjunto de geração distribuída conectado na baixa
tensão formando uma microrrede. Essa microrrede possui uma topologia simétrica e bem
definida em relação às gerações, às cargas e o restante da rede. Os relés são localizados em
pontos estratégicos de forma a garantir que sua atuação se dará de forma eficiente para
todas as faltas em qualquer ponto da rede.

Figura 5.3 – Topologia de uma microrrede.

Fonte: Oudalov e Fidigatti (2009)

A proteção utilizada baseia-se no fato de que a microrrede poderá funcionar no
modo de operação ilhado ou conectado a rede elétrica da concessionaria. Considera-se
77

também a possibilidade da ocorrência de diversas ilhas com suas respectivas gerações e
cargas associadas.
A microrrede é dividida em zonas de proteção conforme apresentado na Figura
5.4. Essas zonas são essências para a definição das curvas de atuação dos relés em função
da modificação da topologia da microrrede.

Figura 5.4 – Zonas de proteção dentro de uma microrrede.

Fonte: Oudalov e Fidigatti (2009)

5.3 Equipamentos para a conexão da geração distribuída à rede de distribuição.

A norma IEEE 1547–2003 e o Prodist (2012) estabelecem que o sistema de
proteção para a interligação da geração distribuída deve ser capaz de satisfazer todos os
requisitos técnicos e as recomendações descritas em norma. Para tanto, não se obriga
utilização de dispositivos específicos, mas de qualquer equipamento que seja capaz de
efetuar as funções de proteção necessárias.
Em consonância a isso, o mercado disponibiliza diferentes tipos de
equipamentos para satisfazer as condições de interligação. Esses dispositivos, baseados em
elementos de hardware e software, podem ser:
 equipamentos individuais, com suas funcionalidades bem definidas;
78

 módulos de proteção, com varias funcionalidade incorporadas;
 componentes intrínseco aos geradores que operam conectados diretamente à
rede elétrica;
 componentes adicionados aos conversores.
A localização desses dispositivos varia conforme as suas características. No
entanto, tal variação não deve afetar o seu princípio de funcionamento.
Nenhuma norma estabelece qualquer equipamento que seja considerado ideal
para uma determinada aplicação. Algumas funções de proteção possuem relações diretas
com requisitos de qualidade de energia sendo, portanto, possível que a utilização de um
único equipamento possa servir para ambas as aplicações. A utilização de cada dispositivo
depende exclusivamente da garantia de que sua aplicação será capaz de satisfazer os
critérios e as especificações técnicas estabelecidas.
O Prodist (2012) especifica que a concessionária pode propor proteções
adicionais conforme a necessidade do sistema de distribuição acessado. O proprietário da
geração distribuída pode também optar por adicionar elementos de proteção. De modo
geral, as proteções podem ser modificadas para que se possa garantir:
 a segurança das instalações elétricas;
 a operação regular da rede elétrica acessada diante de condições anormais;
 a qualidade da energia elétrica gerada;
 a proteção contra ilhamento não intencional.

5.3.1 Medidor

Conforme descrito pela Nota Técnica n° 0025/2011 da ANEEL, emitida em 20
de julho de 2011, para centrais geradoras com potência instalada menor ou igual a 1 MW e
que utilizem fontes incentivadas, é necessária a utilização de um medidor capaz de registrar
a energia consumida e a energia gerada no ponto de conexão.
Sendo responsável pelo Sistema de Compensação de Energia, no modelo de
tarifação Net Metering, o sistema de medição da microgeração consistirá na medição do
fluxo de energia por meio de um medidor bidirecional.
79

A ANEEL ainda especifica que o medidor a ser utilizado pode ter as mesmas
especificações daquele utilizado pelo consumidor do Grupo A, acrescido da funcionalidade
de medição em quatro quadrantes.

5.3.2 Inversores grid-tie

Os inversores especificados como grid-tie foram desenvolvidos para serem
utilizados em aplicações de geração distribuída conectada à rede elétrica. Seu
funcionamento está relacionado diretamente à existência de eletricidade na rede
distribuição, ou seja, caso haja alguma condição anormal que provoque a perda no
fornecimento de energia por parte da concessionária, o inversor é automaticamente
desligado, isolando a geração e evitando o ilhamento. O inversor continua inoperante até
que o fornecimento de energia seja restabelecido e então, após um intervalo de tempo,
inicia o processo de sincronização para a reconexão do gerador.
Entende-se pela norma IEEE 1547.1–2005 que esses inversores, assim como
outros equipamentos com funcionalidades semelhantes, devem atender aos seguintes
critérios:
 resposta à tensão anormal – o equipamento deve ser capaz de identificar os
valores anormais de tensão e responder conforme o recomendado em norma;
 resposta à frequência anormal – o equipamento deve atuar conforme o
esperado em função da frequência atual do sistema;
 sincronização – garante que o equipamento só irá conectar a geração
distribuída à rede elétrica acessada quando as diferenças de tensão,
frequência, e ângulo de fase estiverem dentro dos limites aceitáveis.
Os inversores grid-tie são responsáveis por todo o gerenciamento da geração
associada. Eles atuam tanto no lado de corrente contínua por meio da utilização de
seguidores do ponto de máxima potência (MPPT), no caso de inversores específicos para
geração fotovoltaica, quanto no lado de corrente alternada garantindo que a energia gerada
seja injetada com qualidade na rede.
80

Os inversores gird-tie podem ser encontrados no mercado como elementos
discretos ou integrados aos geradores.

5.3.3 Disjuntor com relé microprocessado

Alguns disjuntores dedicados à aplicação na baixa tensão podem ser equipados
com relés microprocessados ou possuírem esses dispositivos como elementos intrínsecos.
Esses disjuntores baseiam-se na utilização do relé microprocessado como
elemento responsável por fornecer uma proteção eletrônica com possibilidade de que sejam
incluídas varias funções de proteção em um mesmo dispositivo.
A presença do relé garante que haja um aumento na capacidade de ajuste das
curvas de atuação dos elementos de proteção, o que contribui para a melhoria da
seletividade. Além disso, sua versatilidade permite que sejam incorporadas varias
funcionalidades tais como proteção, controle, medição e comunicação.
Dentre as funções de proteção que os disjuntores com relés microprocessados,
disponíveis no mercado, podem oferecer, temos:
 proteção contra sobrecarga;
 proteção seletiva contra curto-circuito temporizado;
 proteção contra curto-circuito instantâneo;
 proteção contra falha terra;
 proteção residual;
 proteção contra curto-circuito direcional;
 proteção contra desequilíbrio de fase;
 proteção contra sobretemperatura;
 proteção contra subtensão;
 proteção contra sobretensão;
 proteção contra tensão residual;
 proteção contra potência ativa reversa;
 proteção contra sobrefrequência;
81

 proteção contra subfrequência.
Como o Prodist (2012) descreve apenas as proteções mínimas que um
determinado tipo de geração deve possuir conforme o seu nível de potência instalada, a
adição de uma determinada função de proteção pode ser justificada conforme a aplicação
ou o nível de proteção que se deseje para o empreendimento.
Além das funções de proteção mencionadas acima, alguns relés fornecem
possibilidade de:
 medição;
 cálculo de harmônicas;
 registro do evento e dados de manutenção;
 comunicação com sistema de supervisão e controle centralizado;
 auto-teste;
 interface com o usuário;
 controle de carga;
 seletividade por zona.
Com todas essas funcionalidades, esses disjuntos tornam-se equipamentos
apreciáveis para serem utilizados como elementos de proteção da interconexão da geração
distribuída.

5.4 Microgeração do campus do Pici

A geração a ser implantada no campus do Pici na Universidade Federal do
Ceará – UFC, será composta por dois grupos de painéis fotovoltaicos, cada um com 2 kW
de potência instalada, uma célula a combustível com potência de 1,5 kW e uma geração
eólica por meio de um gerador DFIG de 10 kW de potência, contemplando uma potência
total de geração instalada de 15,5 kW.
Conforme descrito na seção 4.2, que trata da regulamentação da geração
distribuída no Brasil, as características apresentadas qualificam a geração do campus do
Pici como uma microgeração.
82

Para facilitar a análise e compreensão do projeto da microgeração em questão,
optou-se por dividi-la em três grupos:
 grupo I – formado pela célula a combustível (FC), um dos conjuntos de
painéis fotovoltaicos (PV1) e um banco de baterias;
 grupo II – formado pelo segundo conjunto de painéis fotovoltaicos (PV2);
 grupo III – formado pelo gerador eólico (DFIG).

a) Grupo I

No grupo I a célula a combustível, o conjunto de painéis fotovoltaicos e o
banco de baterias serão conectados, por meio de conversores CC-CC, a um barramento em
corrente contínua com um nível de tensão de 331 V que será utilizado para alimentar
algumas cargas próximas.
O barramento será conectado à rede elétrica por meio de um conversor CC-CA.
Todos os conversores utilizados nesse grupo de geração serão desenvolvidos
em projetos de pesquisa realizados pela universidade.
A conexão das gerações e a implantação dos conversores do grupo I terá uma
topologia conforme a Figura 5.5.

Figura 5.5 – Configuração de conexão das gerações do grupo I.

Fonte: Próprio autor.

83

O barramento CA, apresentado nesse trabalho, não representa um elemento
especifico em um local particular da rede, mas sim a rede de distribuição dentro das
instalações da microgeração. A sua especificação será utilizada posteriormente para que
seja esboçado o ponto de conexão entre as instalações da microgeração e rede de
distribuição.

b) Grupo II

O grupo II possui um conjunto de painéis fotovoltaicos que serão conectados à
rede elétrica por meio de um conversor CC-CA.
O conversor utilizado nessa geração será adquirido comercialmente.
A conexão da geração do grupo II está apresentada na Figura 5.6.

Figura 5.6 – Configuração de conexão da geração do grupo II à rede elétrica.

Fonte: Próprio autor.

c) Grupo III

A geração contida no grupo III será conectada diretamente à rede elétrica,
conforme apresentado na Figura 5.7.





84

Figura 5.7 – Configuração de conexão da geração do grupo III à rede elétrica.

Fonte: Próprio autor.

5.4.1 Proposta de instalação da microgeração do campus do Pici

Segundo o Prodist (2012) as instalações de uma microgeração devem
especificar:
 o gerador;
 a capacidade instalada em kW;
 descrição do ponto de conexão;
 o nível de tensão;
 chave seccionadora;
 elemento de interrupção automático;
 condições de acesso para a manutenção do ponto de conexão.
Já foram descritas na seção anterior os tipos e a capacidade instalada, em kW,
das gerações que serão implantadas.
Antes de realizar uma análise sobre o ponto de conexão é importante destacar
que, como a rede de distribuição em que a microgeração será conectada faz parte das
instalações particulares da universidade, esta é a principal responsável pela manutenção da
rede.
Desse modo, o ponto de conexão poderá ser realizado em qualquer local da rede
de distribuição que seja considerado isolado das instalações da microgeração quando da
85

abertura da chave de seccionamento ou da atuação dos elementos de interrupção contidos
dentro da microgeração.
A geração contida no grupo III será conectada à rede por meio de um sistema
trifásico. Já a geração do grupo II será conectada por meio de um sistema monofásico, pois,
devido ao seu nível de potência, foram encontrados apenas inversores monofásicos
disponíveis no mercado.
Como dito anteriormente os inversores do grupo I serão desenvolvidos por
pesquisadores na universidade. Devido a isso, conforme seja o seu projeto de
desenvolvimento, os inversores podem ser projetados para serem monofásicos ou trifásicos.
No entanto, devido à opção dos fabricantes comerciais em projetar apenas inversores
monofásicos para baixas potências, será considerado que os inversores desenvolvidos sejam
também implementados do mesmo modo.
Todas as gerações serão conectadas em uma rede trifásica interliga que será
posteriormente conectada à rede de distribuição.
Em conformidade com o Prodist (2012), no ponto de conexão entre as
instalações da microgeração e a rede de distribuição será instalada uma chave seccionadora,
de fácil acesso e com contatos visíveis, utilizada para isolar os sistemas durante a realização
de manutenções na rede elétrica ou na microgeração.
Os elementos de interrupção automática serão descritos na seção 5.4.4.

5.4.2 Localização da microgeração do campus do Pici

A microgeração será implantada no Laboratório do Grupo de Processamento de
Energia e Controle (GPEC) localizado no campus Pici. A Figura 5.8 apresenta um
diagrama unifilar simplificado da rede de distribuição do Pici, representando as instalações
da subestação, a rede em 13,8 kV, os disjuntores e religadores espalhados pelo sistema e o
ponto de conexão (PC) da microgeração.



86

Figura 5.8 – Diagrama unifilar simplificado da rede Pici apresentando o local do ponto de
conexão da microgeração.

Fonte: Lopes (2011), adaptada.

5.4.3 Controle de qualidade da energia gerada

A geração do grupo II com a utilização de um inversor grid-tie, disponível no
mercado, terá o gerenciamento da energia com a regulação da tensão e da frequência na
saída do inversor realizada por seu sistema de controle interno. Além disso, ele será
responsável pela sincronização para que a geração possa ser conectada à rede elétrica.
No grupo I é importante que o inversor, desenvolvido pela equipe de
pesquisadores da UFC, tenha as mesmas funcionalidades do inversor utilizado usado no
grupo II.
No grupo III o gerador eólico será conectado diretamente à rede elétrica. Nesse
caso, não há necessidade de nenhum dispositivo sincronismo, sendo que os valores de
frequências e tensão na saída do gerador serão determinados pela rede.
87

De modo geral, a proposta para o controle da energia gerada baseia-se em uma
estratégia em que cada geração possua um sistema de controle capaz de identificar a
presença da rede e realizar o processo de sincronização.

5.4.4 Topologia e estratégia de proteção

A proposta de proteção apresentada baseia-se em uma estratégia na qual o
elemento de interrupção automática seja composto por disjuntores com relé
microprocessado em conjunto com um sistema de gerenciamento da energia gerada
conforme apresentado na seção anterior.
A opção de utilização de disjuntores com relés microprocessados para a
proteção da geração distribuída deve-se às várias funcionalidades que esses equipamentos
possuem, incluindo diversas funções de proteção que satisfazem as exigências do Prodist e,
ainda, a possibilidade de sua aplicação em gerações com baixo nível de potência, ou seja,
com valores reduzidos de corrente nominal.
Com funcionalidade semelhante à dos dispositivos utilizados na proteção da
microrrede proposta no trabalho de Oudalov e Fidigatti (2009), esses equipamentos podem
garantir que haja uma maior eficiência no controle e na proteção da microgeração.
Utilizando-se das descrições realizadas nas seções anteriores e na estratégia de
proteção adotada, a Figura 5.9 apresenta a topologia proposta para a microgeração por meio
de um diagrama simplificado contendo:
 todas as gerações divididas em seus respectivos grupos;
 uma chave seccionadora no ponto de conexão entre a rede de distribuição e a
microgeração;
 um medidor de energia elétrica no ponto de conexão entre a rede de
distribuição e a microgeração;
 os inversores das gerações que necessitam desse dispositivo para se conectar
a rede;
 os disjuntores com relés microprocessados, possuindo um link de
comunicação.
88


Figura 5.9 – Disposição das gerações e dos dispositivos de proteção e controle para a
microgeração do campus do Pici.

Fonte: Próprio autor.
Legenda:
S – chave seccionadora;
D1, D2, D3, D4 – disjuntores com relés microprocessados;
I1, I2 – inversores;
M - Medidor de energia, bidirecional;
LC – links para comunicação.

Os links de comunicação dos disjuntores, apresentados na figura 5.9,
representam um sistema de transmissão e recepção de dados, fornecido por um dispositivo
adicional que pode ser acoplado ao disjuntor e que utiliza protocolo de comunicação
Modbus. O sistema de comunicação por protocolo Modbus baseia-se em um controle de
acesso do tipo mestre-escravo. A Figura 5.10 apresenta como ocorre a conexão dos
sistemas de comunicação dos disjuntores com uma unidade central de monitoramento.

89

Figura 5.10 – Diagrama do sistema de comunicação entre os disjuntores e a unidade central
de monitoramento.

Fonte: Própria do autor.

O sistema de medição em conjunto com os dispositivos de comunicação
associados aos disjuntores permite com que os valores das variáveis elétricas medidas
sejam enviados a uma unidade central de monitoramento.
A partir do centro de controle é possível efetuar manobras no sistema e
reconfigurar remotamente as curvas de atuação das proteções. Além disso, o disjuntor pode
ser configurado para conter mais de um grupo de ajuste para a proteção seletiva contra
curto-circuito de tempo inverso ou disparo de tempo definido de curta duração.
Essa capacidade de pré-configuração de uma curva de atuação pode ser
aplicada para os momentos em que houver alguma modificação na rede em que se faça
necessário uma adaptação da proteção.
Além da possibilidade de armazenar na memoria do relé de uma curva adicional
de proteção seletiva (dois grupos de ajuste) contra curto-circuito de tempo inverso ou
disparo de tempo definido de curta duração, o relé permite que todas as funções de proteção
do disjuntor possam ser modificadas remotamente. No entanto, essa modificação só deve
ser executada com o disjuntor desligado. Isso não afeta necessariamente o controle e a
proteção da microgeração, pois no momento em que houver qualquer falta na rede todas as
gerações deverão ser necessariamente desligadas.
Seguindo um filosofia semelhante à desenvolvida no trabalho de Brahma e
Girgis (2004), propõe-se que a microgeração seja dividida em zonas de proteção. Essas
90

zonas permitem com que seja possível o aumento na sensibilidade da proteção em conjunto
com a diminuição da possibilidade de sua atuação inadequada.
As zonas de proteção estão divididas em ZONA 1, ZONA 2 e ZONA 3,
conforme apresentado na Figura 5.11.

Figura 5.11 – Zonas de proteção.

Fonte: Próprio autor.

Como os ajustes de atuação da proteção da microgeração são dados em função
da proteção da rede acessada, o estabelecimento de zonas possibilita uma melhor visão de
como deve ser realizada a coordenação da proteção.
Cada disjuntor deve possuir sua zona de proteção intercalada com a do
disjuntor à sua jusante. Essa sobreposição entre as zonas garante uma melhoria na
confiabilidade da proteção.


91

5.4.4.1 Coordenação e funções de proteção dos elementos de interrupção automática

Antes de iniciar os estudos para a definição da coordenação e das funções de
proteção para os disjuntores, é necessário verificar quais as recomendações do Prodist e as
funcionalidades contidas nos equipamentos intrínsecos a cada geração.
O Prodist (2012) estabelece que, para as microgerações, os requisitos mínimos
necessários para o ponto de conexão da central geradora são:
 elemento de desconexão;
 elemento de interrupção;
 proteção de sub e sobretensão;
 proteção de sub e sobrefreqüência;
 relé de sincronismo;
 anti-ilhamento;
 medição;
 ensaios.
A Tabela 5.1 apresenta as funções de proteção e controle comumente
encontradas nos inversores comercializados e consideradas a serem aplicas nos inversores
que serão utilizados na microgeração.

Tabela 5.1 – Funções habilitadas para os inversores I1 e I2
Equipamento(s) Funções Habilitadas
Inversores
(I1 e I2)
Conversão de energia CC-CA
Controle automático de tensão e frequência
Proteção de subtensão
Proteção de sobretensão
Proteção de subfrequência
Proteção de sobrefrequência
Proteção de Anti-ilhamento
Proteção de sobrecorrente
Proteção de sobretemperatura
Proteção de polaridade reversa
Sincronização da geração distribuída com a rede elétrica
Fonte: Próprio autor.
92

Pela análise da Tabela 5.1, podemos notar que as gerações conectadas via
inversor possuem, como elemento intrínseco, um dispositivo de sincronismo e de anti-
ilhamento, desse modo, não será necessário que os disjuntores possuam também essas
funções.
No caso da geração por meio do DFIG, não é necessária a utilização de
dispositivos para a sincronização.
Será considerado que o inversor do DFIG, irá possuir as funções de proteção de
sub/sobretensão e de sobrecorrente, que são as proteções comumente aplicadas nos
inversores comerciais. A utilização dessas funções de proteção pelo inversor do DFIG é
suficiente para garantir o anti-ilhamento, pois, em havendo uma falta, tanto a função de
proteção de subtensão quanto a de sobrecorrente, quando corretamente ajustadas, serão
sensibilizadas, cortando os pulsos das chaves do inversor o que provocará o desligando a
excitação do DFIG que, sem excitação, não irá funcionar.
Mesmo que o inversor da excitação do DFIG não contenha as proteções
supracitadas, a estratégia de proteção, como será vista a seguir, fundamenta-se na
coordenação das curvas dos disjuntores de modo a garantir que a sua atuação ocorrerá
sempre antes da atuação das proteções das gerações.
Como o DFIG necessita do seu sistema de excitação conectado à rede para
funcionar, a implantação do disjuntor entre a geração e a rede será suficiente para que,
quando o disjuntor atuar, a excitação do DFIG perca a referência da rede e desligue o
gerador.
Para a especificação da coordenação da proteção e a definição das funções de
proteção necessárias em cada elemento de interrupção automática que faz atuar os
disjuntores D1, D2, D3 e D4, será considerada a ocorrência de faltas em três pontos
distintos do sistema, a saber:
 faltas ocorridas no SDBT;
 faltas ocorridas no BARRAMENTO CA;



93

a) Faltas ocorridas no SDBT

Como mencionada no Capítulo 3, a principal proteção da geração distribuída,
formada por um ou mais geradores, deve ser localizada no ponto de conexão com a rede
elétrica.
Portanto, a proteção deve ser coordenada de modo a que, para qualquer falta
ocorrida na rede elétrica, o elemento de interrupção automática localizado no ponto de
conexão, disjuntor D1, será o primeiro a atuar.
Após a atuação de D1 os inversores devem detectar o ilhamento e o seus
sistemas de controle devem desliga-los automaticamente.
O gerador DFIG também será desligado automaticamente devido a ausência da
rede no seu sistema de excitação.
Nesse caso como a microgeração está isolada, devido o a atuação de D1, e as
gerações não funcionam sem a presença da rede, não será necessária a atuação dos demais
disjuntores.
Dadas a funções de proteção contidas dentro dos inversores, salvo a de
ilhamento, o disjuntor D1 deve ser capaz de comportar todas elas de modo a garantir que,
diante de qualquer anormalidade na rede elétrica, ele sempre seja o primeiro a atuar.
Como recomendado pelo Prodist (2012) o disjunto D1 deverá necessariamente
possuir as funções de proteção de subtensão, sobretensão, subfrequência e sobrefreqüência.
De modo a garantir que a filosofia de proteção proposta seja satisfeita, o
disjuntor D1 deve possuir proteções contra sobrecarga, curto-circuito, falta à terra e
desequilíbrio de fase.
Conforme apresentado na Figura 5.11, o disjunto D1 é responsável pela
proteção das zonas ZONA 1 e ZONA 2. Para que isso seja possível o disjuntor deve possuir
proteção contra curto circuito direcional com seletividade por zona.
Para aumentar a confiabilidade do funcionamento do disjuntor remonda-se a
utilização da função de auto-teste. Já para a implantação do controle e monitoramento
remoto do disjuntor, devem-se utilizar elementos periféricos, associados aos disjuntores,
para a medição e a comunicação com sistema de supervisão e controle centralizado.
94

b) Faltas ocorridas no BARRAMENTO CA

Para as faltas ocorridas dentro das instalações da microgeração, mas
precisamente na rede equivalente ao BARRAMENTO CA, a atuação da proteção deverá
ser executada primeiramente e simultaneamente, pelos disjuntores D2, D3 e D4.
Estes disjuntores possuem as mesmas funções de proteção, controle e
funcionalidades existentes no disjuntor D1. Os disjuntores D2, D3 e D4 são parametrizados
para serem os primeiros dispositivos a atuar, quando da ocorrência de faltas no
BARRAMENTO CA.
Essa estratégia de coordenação garante que, durante a ocorrência de faltas
dentro das instalações da microgeração, a proteção seja mantida com o mesmo nível
confiabilidade da proteção no ponto de conexão.
Após a atuação dos disjuntores D2, D3 e D4 as gerações serão desligadas
automaticamente.
No caso do disjuntor D1, ele possui a função direcional com retardo de tempo
ajustável que irá atuar para faltas nas instalações da microgeração, garantido assim a
desconexão da microgeração e a proteção da rede elétrica.
Pelo exposto nessa seção, em função da filosofia de proteção proposta, tem-se
que todos os disjuntores possuíram as mesmas funções de proteção e controle. A Tabela 5.2
apresenta as funções que os disjuntores devem possuir.

Tabela 5.2 – Funções habilitadas para os disjuntores D1, D2, D3 e D4.
Equipamento(s) Funções Habilitadas
Disjuntores
(D1, D2, D3 e D4)
Proteção contra sobrecarga.
Proteção seletiva contra curto-circuito temporizado.
Proteção contra curto-circuito instantâneo.
Proteção contra falha terra.
Proteção contra curto-circuito direcional com retardo de
tempo ajustável.
Proteção contra desequilíbrio de fase.
95

Continua.
Equipamento(s) Funções Habilitadas
Disjuntores
(D1, D2, D3 e D4)
Proteção contra subtensão.
Proteção contra sobretensão.
Proteção contra potência ativa reversa.
Proteção contra sobrefrequência;
Proteção contra subfrequência.
Medição.
Comunicação com sistema de supervisão e controle
centralizado.
Auto-teste.
Seletividade por zona.
Fonte: Próprio autor.

A Tabela 5.3 apresenta um resumo das funções que cada elemento de proteção
e controle da microgeração, destacado na Figura 5.9, deve possuir.

Tabela 5.3 – Equipamentos e suas funcionalidades.
Funções Habilitadas
Equipamentos
M S I1 I2 D1 D2 D3 D4
Medição bidirecional de potência ativa x

Desconexão da microgeração durante
manutenções
x
Conversão de energia CC-CA
x x
Controle automático de tensão e frequência
x x
Proteção de anti-ilhamento
x x
Proteção de sobrecorrente
x x
Proteção de sobretemperatura
x x
Sincronização da geração distribuída com a
rede elétrica
x x

96

Continua.
Funções Habilitadas
Equipamentos
M S I1 I2 D1 D2 D3 D4
Proteção contra sobrecarga
x x x x
Proteção seletiva contra curto-circuito
temporizado
x x x x
Proteção contra curto-circuito instantâneo
x x x x
Proteção contra falha terra
x x x x
Proteção contra curto-circuito direcional com
retardo de tempo ajustável
x x x x
Proteção contra desequilíbrio de fase
x x x x x x
Proteção contra subtensão
x x x x x x
Proteção contra sobretensão
x x x x
Proteção contra potência ativa reversa
x x x x
Proteção contra sobrefrequência
x x x x x x
Proteção contra subfrequência
x x x x x x
Medição
x x x x x x
Comunicação com sistema de supervisão e
controle centralizado
x x x x
Auto-teste
x x x x
Seletividade por zona
x x x x
Fonte: Própria do autor.

5.4.4.2 Determinação da corrente nominal dos disjuntores

Devido aos níveis de potências das gerações e suas características de conexão,
será considerado o cálculo da corrente de projeto, utilizado para determinar a corrente dos
condutores de um circuito de distribuição ou circuito terminal, para se obter a corrente
nominal dos disjuntores utilizados em cada geração.

97

Para circuitos monofásicos a corrente de projeto é dada por:
I
n
=
P
n
: ∙ cosç ∙ p
(1)
Já, para circuitos trifásicos a corrente de projeto será:
I
n
=
P
n
√3 ∙ I ∙ cosç ∙ p
(2)
Onde:
I
n
– corrente de projeto do circuito, em ampères (A);
P
n
– potência elétrica nominal da geração, em watts (W);
v – tensão elétrica entre fase e neutro (220 V – Sistema COELCE), em volts
(V);
V – tensão elétrica entre fases (380 V – Sistema COELCE), em volts (V);
p – rendimento do elemento de conversão de energia;
cosç – fator de potência (cosseno do ângulo de defasagem entre a tensão e a
corrente).
Esse trabalho não se direcionará ao dimensionamento dos condutores, no
entanto, para que a coordenação entre os condutores e os dispositivos de proteção seja
mantida, de forma a garantir que a proteção dos condutores contra sobrecargas fique
assegurada, será considerada, conforme NBR 5410 (2004), a seguinte relação:
I
n
≤ I
p
(3)
Onde:
I
n
– corrente de projeto do circuito;
I
p
– corrente nominal do dispositivo de proteção (ou corrente de ajuste, para
dispositivos ajustáveis), nas condições previstas para sua instalação.
Para os cálculos das correntes nominais da geração conectadas via inversores,
considerou-se que cada geração fosse capaz de gerar na potência nominal, sendo, portanto,
utilizado no cálculo apenas o rendimento dos inversores que, por suas características de
controle, são capazes de manter o fator de potência unitário.
98

No caso da geração por meio do DIFG foi definido um valor de rendimento e
fator de potência que fosse capaz de satisfazer aos requisitos de uma máquina com o
mesmo nível de potência.
Para a proteção no ponto de conexão entre a microgeração e a rede elétrica, será
considerado a potência total gerada e um fator de potência 0,93.
A Tabela 5.4 apresenta cada fonte em conjunto com seus respectivos valores de
potência, tensão de conexão com a rede, rendimento dos elementos de conversão de energia
e fator de potência.

Tabela 5.4 – Parâmetros das gerações.
Geração Fonte Potência (kW) Tensão (V) Rendimento (%) Fator de Potência
Grupo I
FC
PV1
1,5
2
220
220
0,9
0,9
1
1
Grupo II PV2 2 220 0,9 1
Grupo III DFIG 10 380 0,9 0,9
Total 15,5 380 1 0,93
Fonte: Próprio autor.

a) Corrente do dispositivo de proteção para a geração FC

A corrente nominal da geração FC será dada por,
I
n
FC
=
P
n
: ∙ cosç ∙ p
=
1500
220∙ 1∙ 0,9
=7,576 A.
Portanto, a corrente nominal do disjuntor será:
I
p
FC
≥ 7,576 A
I
p
FC
= 8 A

b) Corrente do dispositivo de proteção para a geração PV1

A corrente nominal da geração PV1 será dada por,
I
n
Pv1
=
P
n
: ∙ cosç ∙ p
=
2000
220∙ 1∙ 0,9
=10,101 A.
99

Portanto, a corrente nominal do disjuntor será:
I
p
Pv1
≥ 10,101 A
I
p
Pv1
= 10 A

c) Corrente do dispositivo de proteção para a geração PV2

A corrente nominal da geração PV2 será dada por,
I
n
Pv2
=
P
n
: ∙ cosç ∙ p
=
2000
220∙ 1∙ 0,9
=10,101 A.
Portanto, a corrente nominal do disjuntor será:
I
p
Pv2
≥ 10,101 A
I
p
Pv2
= 10 A

d) Corrente do dispositivo de proteção para a geração DFIG

A corrente nominal da geração DFIG será dada por,
I
n
DFIG
=
P
n
√3 ∙ I ∙ cosç ∙ p
=
10000
√3 ∙ 380∙ 0,9∙ 0,9
=18,757 A
Portanto, a corrente nominal do disjuntor será:
I
p
DFIG
≥ 18,757 A
I
p
DFIG
= 19A

e) Corrente do dispositivo de proteção para a microgeração

A corrente nominal da geração DFIG será dada por,
I
n
DFIG
=
P
n
√3 ∙ I ∙ cosç ∙ p
=
15500
√3 ∙ 380∙ 0,93∙ 1
=25,322 A
Portanto, a corrente nominal do disjuntor será:
I
p
DFIG
≥ 25,322 A
I
p
DFIG
= 26 A
100


Dos valores obtidos para o cálculo da corrente dos disjuntores, foi montada a
seguinte Tabela 5.5 com os valores nominais dos disjuntores.

Tabela 5.5 – Parâmetros das gerações.
Disjuntor Potência (kW) Tensão (V) Ip (A)
D1 3,5 220 18
D2 2 220 10
D3 10 380 19
D4 15,5 380 26
Fonte: Próprio autor.

5.4 Conclusões
A proposta de proteção apresentada, com a definição da topologia da
microgeração e a estruturação da filosofia de proteção, fundamentou-se em um modelo que
fosse capaz de possibilitar a atuação coordenada da proteção diante de diversas faltas em
vários pontos da rede.
A coordenação entre os dispositivos de proteção garante com que haja sempre
uma proteção de retaguarda para a desconexão das gerações com a rede elétrica. Essa
coordenação possibilita o aumento da confiabilidade da proteção e a garantia de que a
microgeração esteja em adequação com os requisitos mínimos exigidos pelo Prodist (2012).











101

CAPÍTULO 6
CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS

Para que a implantação da geração distribuída no sistema de distribuição ocorra
sem prejuízo ao acessante ou à acessada é necessário o conhecimento acerca dos requisitos
mínimos necessários à proteção e controle do empreendimento.
Nesse trabalho foi apresentada uma proposta de topologia e de filosofia de
proteção dedicada à microgeração que será implantada na rede elétrica do Campus do Pici.
Para a formulação da proposta de topologia, foram apresentadas às
características tradicionais do sistema de distribuição, com suas peculiaridades, e as
possibilidades de conexão dos vários tipos de geração distribuída à rede elétrica. Nesse
estudo foi possível identificar às varias tecnologias utilizadas para a conversão de energia
elétrica e, dessa forma, pode-se justificar o modo como deve ser realizada a conexão com a
rede elétrica das gerações baseadas em células a combustível, painéis fotovoltaicos e
geradores eólicos que utilizam geradores de indução DIFG.
Dos estudos sobre a proteção da geração distribuída foi possível identificar os
vários requisitos necessário à percepção das faltas ou anormalidades que venham a ocorrer
na rede elétrica. Consideradas uma das mais importantes proteções dedicadas a geração
distribuída, a proteção de anti-ilhamento foi vista no âmbito das mais variadas técnicas
utilizadas na sua implementação e, desse modo, pode-se observar que muitos dos requisitos
utilizados nessa proteção podem ser facilmente associados à detecção de outras
anormalidades.
Com um direcionamento às gerações distribuídas que necessitem de
transformador de acoplamento para a conexão com rede elétrica, foi possível identificar a
influência que a ligação dos terminais desses transformadores causa tanto na proteção da
geração distribuída quando na proteção da rede elétrica, sendo, portanto, necessário o
conhecimento prévio das características da rede onde a geração distribuída será implantada.
O estudo para a proteção da microgeração foi direcionado a utilização de
equipamentos disponíveis comercialmente. Durante a especificação dos equipamentos,
observou-se pouco direcionamento do mercado em fornecer dispositivos com as
102

funcionalidades requeridas para o atendimento da proposta de proteção desenvolvida nesse
trabalho.
Ainda assim foi possível identificar equipamentos que atendessem as
recomendações estabelecidas na nova versão do Prodist e que pudessem ser utilizados na
implantação de um sistema capaz de garantir o controle, o monitoramento e a
confiabilidade da proteção de todas as instalações da microgeração em função da topologia
proposta.
Com a identificação das funcionalidades de alguns equipamentos, foram então
estabelecidos os locais onde deverão ser instalados os equipamentos utilizados na medição,
proteção e controle.
Pela analise da ocorrência de faltas dentro e fora da microgeração, foi possível
identificar que a lógica de atuação da proteção irá sempre garantir a coordenação e a
existência de uma proteção de retaguarda.
Diante do exposto nesse estudo, recomenda-se como trabalho futuro a
realização de simulações que comprovem a eficácia da proteção proposta e a eventual
implantação dessa proteção na microgeração da rede do Pici.














103

REFERÊNCIAS

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