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LINGUAGEM, LÍNGUA E FALA

LINGUAGEM: é todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. Pode ser verbal e não-verbal.

a). verbal: aquela cujos sinais são as palavras

b). não-verbal: aquela que utiliza outros sinais que não as palavras. LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais, o conjunto dos sinais de trânsito, mímica etc. constituem tipos de linguagem não-verbal.

LÍNGUA: é um tipo de linguagem; é a única modalidade de linguagem baseado em palavras. O alemão e o português são línguas diferentes.

Língua é a linguagem verbal utilizada por um grupo de indivíduos que constitui uma comunidade.

A

polêmica não é nova,

nem deve

extinguir-se tão cedo. Afinal qual a

legitimidade

e

o

limite do

uso

de

recursos públicos para salvaguardar a integridade do sistema financeiro?

Folha de São Paulo, 14 de março de 1996, Editorial)

(

...

)

  • b) NÍVEL COLOQUIAL-POPULAR: é

a linguagem empregada no cotidiano. Geralmente é informal, incorpora gírias e expressões populares e não obedece às regras da gramática

normativa. Veja estes exemplos:

“Sei lá! Acho que tudo vai ficar legal. Pra que então ficar esquentando muito? Me parece que as coisas no fim sempre dão certo”.

Estou preocupado. ( norma culta) Tô preocupado. ( língua popular)

FALA: é

a realização concreta da

Tô grilado.

( gíria, limite da língua

língua,

feita

por

um

indivíduo

da

popular )

comunidade num determinado

  • c) PROFISSIONAL OU TÉCNICO: é

momento. É um ato individual que cada membro pode efetuar com o

uso da linguagem.

a linguagem que alguns profissionais,

como advogados, economistas, médicos, dentistas etc. utilizam no

NÍVEIS DE LINGUAGEM

A linguagem tem normas, princípios que precisam ser obedecidos. Geralmente, achamos que essas regras dizem respeito apenas à gramática normativa. Para a grande maioria das pessoas, expressar-se corretamente em língua portuguesa significa não cometer erros de ortografia, concordância verbal, acentuação etc. Há, no entanto, outro erro, mais comprometedor do que o gramatical, que é o de inadequação de linguagem ao contexto.

Em

casa ou com amigos,

nós empregamos uma linguagem mais informal do que nas provas da escola ou em uma entrevista para emprego. Ao conversar com os avós, não convém utilizar algumas gírias, pois eles poderiam ter dificuldades em nos compreender. Numa dissertação solicitada num vestibular ou um concurso público já precisamos empregar um vocabulário mais formal. Esses fatos nos levam a concluir que existem níveis de linguagem.

Vejamos alguns níveis de linguagem:

a)

NÍVEL FORMAL-CULTO OU

PADRÃO: trata-se de uma linguagem mais formal, que segue os princípios da gramática normativa. É empregada na escola, no trabalho, nos jornais e nos livros em geral. Observe este trecho de jornal:

exercício de suas atividades.

  • d) ARTÍSTICO OU LITERÁRIO: é a

utilização da linguagem com finalidade expressiva pelos artistas da palavra ( poetas e romancistas, por exemplo) alguns gramáticos já incluem este item na linguagem culta

ou padrão.

Dominar uma língua, portanto, não significa apenas conhecer normas gramaticais, mas, sobretudo empregar adequadamente essa língua em várias situações do dia-a- dia: na escola, no trabalho, com os amigos, num exame de seleção, no trabalho.

O conceito de erro em língua

:

Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos casos de

ortografia.

O

que

normalmente

se

comete são transgressões da norma

culta.

De

fato,

aquele

que,

num

momento

íntimo

do

discurso,

diz:

"Ninguém

deixou

ele

falar",

não

comete

propriamente

erro;

na

verdade, transgride a norma culta.

Um repórter,

ao

cometer

uma

transgressão em sua fala, transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa praia, vestido de fraque e cartola.

Releva considerar, assim,

o

momento do discurso, que pode ser

íntimo, neutro ou solene.

O momento íntimo é o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas perfeitamente normais construções do tipo:

Eu não vi ela hoje. Ninguém deixou ele falar. Deixe eu ver isso! Eu te amo, sim, mas não abuse! Não assisti o filme nem vou assisti-lo.

Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.

Nesse

momento,

a

informalidade

prevalece

sobre

a

norma

culta,

deixando

mais

livres

 

os

interlocutores.

O momento neutro é

o

do

uso

da

língua-padrão,

que

é

a

língua

da

Nação. Como forma de respeito, tomam-se por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou seja,

a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se alteram:

Eu não a vi hoje. Ninguém o deixou falar.

Deixe-me ver isso! Eu te amo, sim, mas não abuses! Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.

Sou

seu pai,

por isso

vou perdoar-

lhe. Considera-se momento

neutro

o

utilizado nos veículos de

comunicação

 

de

massa

(rádio,

televisão, jornal, revista, etc.). Daí o

fato de não se admitirem deslizes ou

transgressões

 

da

norma

culta

na

pena

ou

na

boca

de

jornalistas,

quando no exercício do trabalho, que

deve

refletir

serviço

à

causa

do

ensino, e não o contrário.

 

O

momento

 

solene,

acessível

a

poucos,

é

o

da

arte

poética,

caracterizado

 

por

construções

de

rara beleza. Vale lembrar, finalmente,

que

a

língua é um costume. Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o comete, passando, assim, a constituir fato lingüístico registro de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda que não tenha amparo gramatical.

Exemplos:

Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)

2

Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo- nos reunir.)

Não

vamos

nos

dispersar.

(Substituiu: Não nos vamos dispersar

e Não vamos dispersar-nos.)

Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de sair daqui bem depressa.)

O soldado está a postos. (Substituiu:

O soldado está no seu posto.)

Têxtil, que significa rigorosamente que se pode tecer, em virtude do seu significado, não poderia ser adjetivo associado a indústria, já que não existe indústria que se pode tecer. Hoje, porém, temos não só como também o operário têxtil, em vez da indústria de fibra têxtil e do operário da indústria de fibra têxtil.

As formas impeço, despeço

e

desimpeço,

dos

verbos

impedir,

despedir e desimpedir,

respectivamente,

são

exemplos

também de transgressões ou "erros"

que se tornaram fatos lingüísticos, já que só correm hoje porque a maioria

viu tais verbos como derivados

de

pedir,

que

tem,

início,

na

sua

conjugação, com peço. Tanto bastou para se arcaizarem as formas então

legítimas

impido,

despido

e

desimpido,

que

hoje

nenhuma

pessoa

bem-escolarizada

tem

coragem de usar.

 

Em

vista

do

exposto,

será

útil

eliminar

do

vocabulário

escolar

palavras

como

corrigir

e

correto,

quando

nos

referimos

a

frases.

"Corrija estas frases"

é

uma

expressão que deve dar lugar a esta,

por exemplo: "Converta estas frases

da

língua

popular

para

a

língua

culta".

Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma frase "errada"; é, na verdade, uma frase elaborada conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a norma culta.

O signo lingüístico

 

A Língua é um sistema, de sinais, ou

de símbolos que serve

de meio

de

comunicação.

 

Por

símbolo

entendemos

aquilo

que

por

convenção, se substitui, a qualquer

coisa, aquilo que

está

no lugar

de

outra

coisa.

A

esses

sinais,

ou

símbolos, é costume dar a

designação de signos. Logo, a língua

ou

linguagem

 

é

um

sistema

de

signos.

“Signo lingüístico” é segundo Saussure (1857- 1913), o produto de uma associação da mente humana, entre um conceito, ou ideia, e, uma

imagem acústica. Cada objeto (ou série de objetos) está representado, na linguagem, por determinadas palavras; no entanto entre o objeto e o conjunto de sons que constitui a palavra, está o espírito de quem fala:

é na mente do falante que se opera a associação psíquica do conceito com a imagem acústica. Assim o signo linguístico é o elemento que existe no nosso espírito para designar qualquer coisa.

O nome não está diretamente ligado à coisa que enuncia, mas representa- a através do conceito que dessa coisa se forma na nossa mente. Para Saussure, o significado é o conceito, a ideia e o significante é a imagem acústica.

A

nota

dominante do signo

linguístico, na opinião de Saussure, é a sua arbitrariedade (ou imotivação). Assim para este autor, não há motivo algum para que seja um certo signo

acústico, e não outro qualquer, o que designa uma certa coisa; não há

motivo

para

estabelecer-se uma

relação evidente entre o significado e

o significante. Pelo contrário: essa associação seria puramente

convencional. O que parece certo. Embora a expressão “convencionalidade do signo

linguístico”,

proposta

por

outros

linguistas seja talvez mais correta e rigorosa que a palavra arbitrariedade

(no

sentido

de

aleatório,

ou

não

sujeito a

regras.), pois

indica uma

relação motivada pela necessidade,

uma

convenção

portanto.

É

ainda

lícito questionar se essa arbitrariedade de que fala Saussure,

na realidade essa ausência de nexo, entre significante e significado, entre

ideia,

e

imagem acústica que hoje

dificilmente

se

encontra

não

terá

existido em estádios mais antigos da linguagem, de que a situação

específica

das

onomatopeias

seria

exemplo, embora realçando que

mesmo nestes casos, estas diferem

de

língua

para

língua,

revelando,

talvez, o seu caráter essencialmente convencional.

CONCEITO DE NORMA

Há um conceito amplo e um conceito estreito de norma. No primeiro caso,

ela

é

entendida como um fator

de

coesão

social.

No segundo,

corresponde concretamente aos usos

e

aspirações

da

classe

social

de

prestígio.

 

Num

sentido

amplo,

a

norma

corresponde

à necessidade

que

o

grupo

social

 

experimenta

de

defender seu veículo de

comunicação das alterações que poderiam advir no momento de seu aprendizado. Num sentido restrito, a norma

corresponde aos usos e atitudes de determinado segmento da sociedade, precisamente aquele que desfruta de prestígio dentro da nação, em virtude

de razões políticas,

econômicas e

culturais.

Convém

distinguir

pelo

menos dois ingredientes que compõem a norma: 1- A norma é um uso lingüístico concreto e corresponde ao dialeto social

praticado pela classe de prestígio. 2- A norma representa a atitude que o falante assume em face da norma objetiva.

PRECONCEITOS SOBRE A NORMA

Uma série de desinteligências tem

assinalado

em

nossos

meios

a

compreensão do que seja a norma

prescritiva. Não há português certo ou português

errado

e

sim

modalidades

desprestigiadas,

 

cada

qual

correspondendo ao meio em que se

acha

o

falante.

 

Aqui há pelo menos três confusões:

1-

O

português culto é o português

escrito – quando o certo é que há um

português

 

culto falado e um

português

culto

escrito.

2-

O

português

culto

é

 

o

de épocas

passadas – mas, a norma decorre da

linguagem

 

praticada

 

pelo

grupo

social atualmente prestigiado. 3- As línguas têm períodos de decadência

– ora, como a língua é um fenômeno

social, sua

 

existência está presa à

dos

grupos

que

a

instituíram

e

somente

estes

podem

entrar

em

decadência.

 

NORMA E IDEOLOGIA

  • - Concepção estética: é aquela que

joga com palavras tais como “elegância”, “beleza”, “finura” para explicitar o que entende por normas prescritiva.

  • - Concepção elitista ou aristocrática:

é a que contrasta o falar de prestígio

com os falares populares, mediante pares opositivos, tais como “classe elevada X povo” etc.

  • - Concepção purista: o pressuposto

desta linha está em que tudo o que é

passado é melhor; as palavras-chave são: “vernaculidade”, “tradição”, “os antigos”, “os clássicos”.

  • - Concepção naturalista: entende a

língua como um ser vivo, dotado de sentimentos, e capazes de ameaçar a integridade da nação, caso receba

3

maus

tratos.

- Concepção objetiva: manipula conceitos propriamente lingüísticos e vê na língua culta apenas uma variedade a mais, personalizando-se por dispor de prestígio, neutralidade e conformidade com a área geossocial em que está o indivíduo.

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

Emissor, mensagem e receptor

Nas situações de comunicação, alguns elementos são sempre identificados. Isto é, sem eles, pode- se dizer que não há comunicação. É o que diz a teoria da comunicação.

Os elementos da comunicação são:

Emissor ou destinador: alguém que emite a mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo, uma empresa, uma instituição.

Receptor ou destinatário: a quem

se destina a mensagem.

Pode ser

uma pessoa,

um

grupo ou mesmo

um animal,

como

um

cão,

por

exemplo.

Código: a

maneira

pela

qual

a

mensagem se organiza. O código é formado por um conjunto de sinais, organizados de acordo com determinadas regras, em que cada

um dos elementos tem significado em relação com os demais. Pode ser a língua, oral ou escrita, gestos,

código Morse, sons, etc

O código

... deve ser de conhecimento de ambos os envolvidos: emissor e destinatário.

Canal de comunicação: meio físico ou virtual, que assegura a circulação da mensagem, por exemplo, ondas sonoras, no caso da voz. O canal deve garantir o contato entre emissor e receptor.

Mensagem:

é

o

objeto

da

comunicação,

é

constituída

pelo

conteúdo

das

informações

transmitidas.

Referente: o contexto, a situação aos quais a mensagem se refere. O contexto pode se constituir na situação, nas circunstâncias de espaço e tempo em que se encontra o destinador da mensagem. Pode também dizer respeito aos aspectos do mundo textual da mensagem.

Veja os dois textos a seguir:

Texto A

Texto B

Caro Jorge, Amanhã não poderei ir à aula. Por favor, avise o professor que entregarei o
Caro Jorge,
Amanhã não
poderei
ir
à
aula.
Por
favor, avise o
professor que
entregarei
o
trabalho
na
semana que
vem.
Joaquim

Nos dois exemplos de comunicação, podemos perceber que uma pessoa (o emissor) escreveu alguma coisa a

outra

ou

outras

(o

destinatário),

dando uma informação (a mensagem). Para isso precisou de papel ou da tela do computador, transformou o que tinha a dizer em um código, (a língua - no texto A, a língua portuguesa; no texto B, a língua russa). Além disso, o emissor, precisou selecionar um conjunto de vocábulos (ou de sinais) no código que escolheu.

Todo

sistema

de

comunicação

é

constituído

por

esse

conjunto

de

elementos,

que

entra

em jogo

em

cada

ato

de

comunicação

para

assegurar a troca de informações.

Em um esquema, os elementos da

comunicação representados assim:

podem

ser

3 maus tratos. - Concepção objetiva: manipula conceitos propriamente lingüísticos e vê na língua culta apenastextos a seguir: Texto A Texto B Caro Jorge, Amanhã não poderei ir à aula. Por favor, avise o professor que entregarei o trabalho na semana que vem. Joaquim Nos dois exemplos de comunicação, podemos perceber que uma pessoa (o emissor) escreveu alguma coisa a outra ou outras (o destinatário), dando uma informação (a mensagem). Para isso precisou de papel ou da tela do computador, transformou o que tinha a dizer em um código, (a língua - no texto A, a língua portuguesa; no texto B, a língua russa). Além disso, o emissor, precisou selecionar um conjunto de vocábulos (ou de sinais) no código que escolheu. Todo sistema de comunicação é constituído por esse conjunto de elementos, que entra em jogo em cada ato de comunicação para assegurar a troca de informações. Em um esquema, os elementos da comunicação representados assim: podem ser Nem sempre a troca de informações é bem sucedida. Denomina-se ruído aos elementos que perturbam, dificultam a compreensão pelo destinador, como por exemplo, o barulho ou mesmo uma voz muito baixa. O ruído pode ser também de ordem visual, como borrões, rabiscos, etc .. O modo de falar do brasileiro Toda língua possui variações linguísticas. Elas podem ser entendidas por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (variação regional). As variações linguísticas podem ser compreendidas diferentes fenômenos. a partir de três 1) Em sociedades complexas convivem variedades linguísticas diferentes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à educação formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada que na língua escrit 2) Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais, informais ou de outro tipo; " id="pdf-obj-2-228" src="pdf-obj-2-228.jpg">

Nem sempre a troca de informações é bem sucedida. Denomina-se ruído aos elementos que perturbam,

dificultam

a

compreensão

pelo

 

destinador,

como

por

exemplo,

o

barulho ou mesmo uma voz muito baixa. O ruído pode ser também de

ordem visual, como borrões, rabiscos, etc ..

O modo de falar do brasileiro

Toda

língua

possui

variações

linguísticas.

Elas

podem

ser

entendidas por meio de sua história

no tempo

(variação histórica) e no

espaço

(variação

regional).

As

variações

linguísticas

podem

ser

compreendidas diferentes fenômenos.

a

partir

de

três

1)

Em

sociedades

complexas

convivem

variedades

linguísticas

diferentes,

usadas

por

diferentes

grupos sociais, com diferentes acessos à educação formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada que na língua escrit

2) Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais, informais ou de outro tipo;

4

Uso de

“r” pelo

“l”

em final

de sílaba

e

nos

 

metalúrgicos, alfaiates, por exemplo),

grupos

consonantais:

pranta/planta;

jovens, grupos marginalizados e

broco/bloco.

 

outros. São as gírias e os jargões.

 

Alternância

de

“lh”

e

“i”:

muié/mulher;

Assim, além do português padrão, há

véio/velho.

 

outras variedades de usos da língua

Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: arve/árvore; figo/fígado.

cujos traços mais comuns podem ser evidenciados abaixo.

Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.

Variações regionais: os sotaques

 

Simplificação da concordância: as menina/as meninas.

Se você fizer um levantamento dos

Ausência de concordância verbal quando o

nomes que as pessoas usam para a

sujeito vem depois do verbo: “Chegou” duas

palavra

"diabo",

talvez

se

moças.

surpreenda. Muita gente não gosta

 

Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de sujeito): Nós pegamos “ele” na hora.

 

de falar tal palavra, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o demônio apareça. Alguns

desses nomes aparecem em o

Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando)

"Grande

Sertão:

Veredas",

ou do “mb” em “m” (tamém/também).

Rosa,

que

traz

uma

 

Desnasalização

das

vogais

postônicas:

 

linguagem muito característica do sertão centro-oeste do Brasil:

home/homem.

   
   

Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto,

 

Redução

do

“e”

ou

“o”

átonos:

ovu/ovo;

Satanazim,

Diabo,

Cujo,

Tinhoso,

bebi/bebe.

 

Maligno,

Tal,

Arrenegado,

Cão,

Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar; amô/amor.

Cramunhão, O Indivíduo, O Galhardo, O pé-de-pato, O Sujo, O

Homem, O Tisnado, O Coxo, O

Simplificação da conjugação verbal: eu amo,

Temba, O Azarape, O Coisa-ruim, O

você ama, nós ama, eles ama.

Mafarro, O Pé-preto, O Canho, O

Uso de

“r” pelo

“l”

em final

de sílaba

e

nos

Duba-dubá, O Rapaz, O Tristonho, O

grupos

consonantais:

pranta/planta;

Não-sei-que-diga, O Que-nunca-se-

broco/bloco.

 

ri, O sem gracejos, Pai do Mal,

 

Terdeiro, Quem que não existe, O

 

Alternância

de

“lh”

e

“i”:

muié/mulher;

Solto-Ele, O Ele, Carfano, Rabudo.

véio/velho.

 

Drummond de Andrade, grande

Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: arve/árvore; figo/fígado.

escritor brasileiro, que elabora seu texto a partir de uma variação

Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.

linguística relacionada ao vocabulário

usado em uma determinada época

Simplificação da concordância: as menina/as

no Brasil.

meninas.

Antigamente

Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do verbo: “Chegou” duas moças.

"Antigamente, as moças chamavam- se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não

faziam anos: completavam

 

Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de sujeito): Nós pegamos “ele”

primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões,

na hora.

faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando

Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m” (tamém/também).

a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio."

Desnasalização

das

vogais

postônicas:

Como escreveríamos o texto acima

21? Toda língua muda com o tempo.

home/homem.

 

em um português de hoje, do século

Redução

do

“e”

ou

“o”

átonos:

ovu/ovo;

Basta lembrarmos que do latim, já

bebi/bebe.

 

transformado, veio o português, que,

   

Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos

 

por sua vez, hoje é muito diferente daquele que era usado na época

em “or”: amá/amar; amô/amor.

medieval.

Simplificação da conjugação verbal: eu amo,

Língua e status

 

você ama, nós ama, eles ama.

Nem todas as variações linguísticas

3) Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática,

têm o mesmo prestígio social no Brasil. Basta lembrar de algumas variações usadas por pessoas de

determinadas

classes

sociais

ou

regiões, para percebers

que

preconceito em relação a elas.

Veja

este

texto

de

Patativa

do

Assaré,

um

grande

poeta

popular

nordestino,

que

fala

do

assunto:

O Poeta da Roça

 

Sou

fio

das

mata,

canto

da

mão

grossa, Trabáio na roça,

de inverno e

de

estio. A minha chupana é tapada de barro,

Só fumo cigarro de paia de mío.

Sou poeta das brenha, papé

não

faço

o

De argun menestré, ou errante canto

Que veve vagando, com sua viola,

Cantando,

pachola,

à

percura

de

amô.

Não

tenho

sabença,

pois

nunca

estudei, Apenas eu sei o meu nome assiná. Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre, E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, graça,

singelo

e

sem

Não entra na praça, no rico salão,

Meu verso só entra no roça

campo e na

Nas

pobre

paioça,

da

serra

ao

sertão.

 

( ) ...

Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a emoção transmitida por essa poesia? Patativa do Assaré era analfabeto (sua filha é quem escrevia o que ele ditava), mas sua obra atravessou o oceano e se tornou conhecida mesmo na Europa.

Leia

agora,

um

poema

de

um

intelectual e poeta brasileiro, Oswald

de Andrade,

que,

em

1922,

enfatizou a busca

por uma "língua

brasileira".

 

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mio Para pior pio Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados.

5

“Diferentes mensagens veiculam

Uma certa tradição cultural nega a

significações as mais diversificadas,

dessa mesma mensagem em cada

fator da comunicação. Assim, as

existência

de

determinadas

mostrando na sua marca e traço[ ] ...

atribuições de sentido, as

variedades

linguísticas

dentro

do

O funcionamento da mensagem

possibilidades de interpretação — as

país,

o

que

acaba

por

rejeitar

ocorre tendo em vista a finalidade de

rmais plurais — que se possam

algumas

manifestações

linguísticas

transmitir — uma vez que participam

deduzir e observar na mensagem

por

considerá-las

deficiências

do

do processo comunicacional: um

estão localizadas primeiramente na

usuário. Nesse sentido, vários mitos

emissor que envia a mensagem a

própria direção intencional do fator

são construídos,

a

partir

do

um receptor, usando do código para

da comunicação, o qual determina o

preconceito linguístico.

efetuá-la; esta, por sua vez, refere-se

a um contexto. A passagem da

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

emissão para a recepção faz-se

através do suporte físico que é o

canal. Aí estão, portanto, os fatores

que sustentam o modelo de

Para se estudar a funcionalidade do

Processo de Comunicação,

precisamos usar recursos que dão

ênfase a intenção que o emissor quer

transmitir para que a mensagem seja

compreendida ou se reforce algum

elemento linguístico específico para a

composição. Desde do passado o

homem tem criado meios para se

apropriar de signos, sinais, gestos,

desenhos, letras e por fim a palavra

oral e escrita na realização deste

processo de comunicação. Para que

esses recursos sejam bem

empregados precisamos primeiro

rever os elementos da comunicação.

5 “Diferentes mensagens veiculam Uma certa tradição cultural nega a significações as mais diversificadas, dessa mesma

Todo texto apresenta

várias

possibilidades de leitura, as funções

tem como objetivo levar o leitor a

compreender determinado efeito,

para determinado objetivo. Daí o fato

de enfatizar algum recurso ficar a

cargo da capacidade criativa do autor

5 “Diferentes mensagens veiculam Uma certa tradição cultural nega a significações as mais diversificadas, dessa mesma

ou emissor da mensagem.

O

estudo

sobre

as

funções

da

linguagem,

 

requer

antes

de

apresentar

sua

tipolologia,

 

no

processo

de

comunicação

e

as

interações das mesmas no dia-a-dia,

conforme o papel recorrente a que se

presta, lembrar que todo processo

comunicativo

é

centrado

nesses

elementos,

para

então

ser

compreendida

a

verdadeira

mensagem.

Chalhub,

1990,

p.1.

reflete que:

comunicação: emissor; receptor;

canal; código; referente;

mensagem”.

Assim podemos

apresentar o

emissor

que

emite,

 

codifica

a

mensagem; receptor – que recebe,

decodifica a mensagem; canal - meio

pelo

qual

circula

a

mensagem;

código - conjunto de signos usado

na transmissão

e

recepção

da

mensagem;

referente

-

contexto

relacionado

a

emissor

e

receptor;

mensagem

-

conteúdo

transmitido

pelo emissor.

 

Para Chalhub, 1990, p.9:

“Numa mesma mensagem [

...

] várias

funções podem ocorrer, uma vez

que, atualizando corretamente

possibilidades de uso do código,

entrecruzam-se diferentes níveis de

linguagem, A emissão, que organiza

os sinais físicos em forma de

mensagem, colocará ênfase em um

a das funções — e as demais

dialogarão em subsídio, [ ].” ...

Com os elementos da comunicação

temos a geração e interelação dos

variados diálogos das funções, que

são conhecidas como:

Função referencial;

Função emotiva;

Função conativa;

Função fática;

Função metalinguistica;

Função poética;

Assim

se

apresenta

os

primeiros

modelos como o do psicólogo

austríaco

Karl

Bühler

de

forma

triádica,

“apontando

 

três

fatores

básicos: o destinador (mensagens de

caráter

expressivo),

o

destinatário

(mensagens de caráter apelativo) e o

contexto

(mensagens

de

caráter

comunicativo)”; o de Roman

Jakobson, que “no ensaio

Lingüística

e

poética,

amplia

para

seis, complementando o modelo de

Bühler. Para isso, Jakobson enfoca

o

perfil

da mensagem, conforme a

meta

ou

orientação

 

(Einstellung)

perfil da mensagem, determina sua função, a
perfil
da
mensagem, determina sua função, a

função de linguagem que marca

aquela informação”.

São Funções das Linguagens:

5 “Diferentes mensagens veiculam Uma certa tradição cultural nega a significações as mais diversificadas, dessa mesma

1. Função referencial

 

(ou denotativa)

 

É aquela centralizada

no referente, pois o

emissor

oferece

informações

da

realidade. Objetiva,

direta,

denotativa,

prevalecendo

a

terceira

pessoa

do

singular.

Linguagem usada na ciência, na arte

realista, no jornal,

no “campo”

do

referente

e

das

notícias de jornal e

livros científicos.

 

“A conotação da linguagem é mais

comumente compreendida como

“linguagem figurada”. Se dissermos

“pé da mesa”, estamos nos referindo

à semelhança entre o signo pé —

que está no campo orgânico do ser

humano — e o traço que compõe a

sustentação da mesa, no campo dos

objetos. Um signo empresta sua

significação para dois campos

diversos, uma espécie de

transferência de significado. Assim, a

linguagem “figura” o objeto que

sustenta a mesa, com base na

similaridade do pé humano e essa

relação se dá entre signos.

5 “Diferentes mensagens veiculam Uma certa tradição cultural nega a significações as mais diversificadas, dessa mesma

Por outro lado, a denotação tenta

uma relação e uma aproximação

mais diretas entre o termo e o objeto.

O pé do animal, o pé do ser humano

seriam signos denotativos,

linguagem correlacionada a um real,

que responderia sempre à pergunta

“que é tal objeto?” com o nome do

6

objeto,

sem

figuração

ou

intermediários.Observemos, então,

que referente, objeto, denotação são

termos que se relacionam por

semelhança, embora não sejam

sinônimos. Referente

e

contexto

respondem a um do que se fala?

Fala-se sobre um objeto referido ao

mundo extralingüístico,

 

mundo

fenomênico das coisas

coisas

essas sempre designadas por

expressões referenciais, denotativas.

A idéia aqui é de transparência entre

o nome e a coisa (entre o signo e o

objeto), de equivalência, de colagem:

a

linguagem

denotativa

referencial

reflete o mundo. Seria,

assim, tão

simples?”.

O quê

é

referente

/

Mensagem

referencial.

Terceira

pessoa

do

singular

(ele/ela),

Informações,

Descrições

de

fatos,

Neutralidade,

Jornais, Livros técnicos.

2.

Função emotiva (ou expressiva)

 

É aquela centralizada no emissor,

revelando sua opinião, sua emoção.

Nela prevalece a primeira pessoa do

singular, interjeições e exclamações.

É a linguagem das biografias,

memórias, poesias líricas e cartas de

amor. Primeira pessoa do singular

(eu), Emoções, Interjeições;

Exclamações; Blog; Autobiografia;

Cartas de amor.

 

3.

Função apelativa (ou conativa)

 

É

aquela

que

centraliza-se no

receptor; o emissor procura

influenciar

o

comportamento

do

receptor. Como o emissor se dirige

ao receptor, é comum o uso de tu e

você, ou o nome da pessoa, além de

vocativos e imperativos. Usada nos

discursos, sermões e propagandas

que

se

dirigem

diretamente

ao

consumidor.

Segunda

pessoa

do

singular,

Imperativo;

Figuras

de

linguagem,

Discursos

políticos,

Sermões, Promoção em pontos de

2. Função emotiva (ou expressiva) É aquela centralizada no emissor, revelando sua opinião, sua emoção. Nela

venda - Propaganda.

 

4.

Função Fática

É aquela centralizada no canal, tendo

como objetivo prolongar ou não o

contato com o receptor, ou testar a

eficiência do canal. Linguagem das

falas telefônicas, saudações e

similares. Interjeições, Lugar comum,

Saudações, Comentários sobre o

clima.

 

5.

Função poética

 

É aquelacentralizada na mensagem,

revelando recursos imaginativos

criados pelo emissor. Afetiva,

sugestiva, conotativa, ela é

metafórica. Valorizam-se as palavras,

suas combinações. É a linguagem

figurada apresentada em obras

literárias, letras de música, em

algumas

 

propagandas.

Subjetividade,Figuras de linguagem,

Brincadeiras com o código, Poesia,

Letras de música.

 

6.

Função metalingüística

É

aquela

centralizada

no

código,

usando a linguagem para falar dela

mesma. A poesia que fala da poesia,

da sua função e do poeta, um texto

que

comenta outro texto.

Principalmente

os

dicionários

são

repositórios

de

metalinguagem.

Referência ao próprio código, Poesia

sobre

poesia,

Propaganda sobre

propaganda, Dicionário.

6 objeto, sem figuração ou intermediários.Observemos, então, que referente, objeto, denotação são termos que se relacionam

Assim podemos

dizer

que

a

linguagem

não

é

aparente,

ela

depende de um conjunto de fatores

que permeiam os variados grupos

sociais

que

compomos

em

nossa

vida

diária.

Desde

de

criança

aprendendo

com

a

Fala

até

o

aprimoramento

da

escrita

e

da

linguagem falada atingindo o nível

culto de sua língua. Chalhub, reflete

sobre isso,1990, p.10:

Não nos alongaremos

aqui

na

discussão

sobre

linguagem

e

realidade:

ela

permeia

toda

a

questão

da

filosofia,

da

arte,

da

religião,

da

psicanálise;

é

uma

questão

ancestral.

No

entanto,

é

possível desde já, desconfiar dessa

relação

ingênua

entre

signo

e

realidade

como

algo

direto,

sem

intermediários. A partir da afirmação

de Saussure acerca da arbitrariedade

do

signo

em

relação

ao

objeto,

podemos perceber como não é fácil

fazer

afirmações

categóricas

e

absolutas a respeito da

representação da realidade através

do signo. Porque se convencionou

nomear “árvore” o objeto que

conhecemos

como

tal,

e

não

por

outro signo? Portanto, levemos em

conta que, apenas por necessidade

didática, enviamos a essa cisão —

linguagem legível, denotativa e

linguagem figurada, conotativa.”.

VARIAÇÃO LINGÜÍSTICA

ATIVIDADE 1

 

O Poeta da Roça

Sou fio

das

mata,

canto

da

mão

grossa,

Trabáio na roça,

de

inverno e

de

estio.

A minha chupana é tapada de barro,

Só fumo cigarro de paia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o

papé

De argun menestré, ou errante cantô

Que veve vagando, com sua viola,

Cantando, pachola, à percura de

amô.

Não tenho sabença, pois nunca

estudei,

Apenas eu sei o meu nome assiná.

Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,

E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero,

singelo e sem

graça,

Não entra

na praça,

no

rico

salão,

Meu verso só entra no

campo e na

roça

Nas pobre paioça,

da

serra ao

sertão.

( ) ...

Depois

de

lido

o

texto

acima,

respondam às perguntas abaixo:

Vocês acreditam que a forma de falar

e de escrever comprometeu a

emoção transmitida por essa poesia?

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

__________________

Reescrevam-na em língua padrão.

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

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______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

7

______________________________

3- Tendência a tornar paroxítona s as

verbal: eu amo, você ama, nós ama,

______________________________

palavras proparoxítonas: arve/árvore;

eles

ama;

______________________________

figo/fígado;

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

________________

______________________________

______________________________

4- Redução dos ditongos: caxa/caixa;

______________________________

______________________________

pexe/peixe;

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

__

______________________________

5- Simplificação da concordância: as

menina/as

______________________________

______________________________

meninas; ______________________

______________________________

______________

6- Ausência de concordância verbal

______________________________

______________________________

Qual dos textos lhes pareceu mais

interessante?

quando o sujeito vem depois do

verbo: “Chegou” duas moças;

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

____

ATIVIDADE 3

 

Leiam agora um poema escrito por

um

intelectual

e

poeta

brasileiro,

Oswald de Andrade,

que,

em

1922,

enfatizou

a

busca

por

uma

"língua brasileira",

 

Na seqüência,

 

reescrevam

o

poema em língua padrão.

Vício

na

fala

Para

dizerem

milho

dizem

mio

Para

melhor

dizem

mió

Para

pior

pió

Para

telha

dizem

teia

Para

telhado

dizem

teiado

__________________

1.

Leiam

o

quadrinho

abaixo,

identifiquem

as

marcas

de

língua

coloquial

e

escrevam

abaixo

o

correspondente em língua padrão.

7 ______________________________ 3- Tendência a tornar paroxítona s as verbal: eu amo, você ama, nós ama,
7 ______________________________ 3- Tendência a tornar paroxítona s as verbal: eu amo, você ama, nós ama,

______________________________

______________________________

____

7-

Uso do pronome pessoal

tônico

em função

de

objeto

(e

não

só de

E vão fazendo telhados.

______________________________

______________________________

sujeito ): Nós pegamos “ele” na hora;

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

__________________

 
 

______________________________

8-

Assimilação

do

“ndo”

em

 

______________________________

“no”( falano/falando) ou do “mb” em

______________________________

“m”

 

______________________________

(tamém/também); _______________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

_____________________

 

9-

Desnasalização

das

vogais

postônicas:

home/homem;

______________________________

______________________________

______________________________

________

Importante: A variação de uma língua

é a forma pela qual ela difere de

outras formas da linguagem

sistemática e coerentemente.

Uma

nação apresenta diversos traços de

identificação, e um deles é a língua.

Esta pode variar de acordo com

alguns fatores, tais como o tempo, o

espaço, o nível cultural e a situação

em que um indivíduo se manifesta

verbalmente.

______________________________

 

__

______________________________

10-

Redução

do

“e”

ou

“o” átonos:

______________________________

ovu/ovo;

 

______________________________

____

ATIVIDADE 2

 

Acrescentem

três

exemplos

aos

usos

da

língua

coloquial/padrão.

1-

Uso

de

“r”

pelo

“l”

em

final

de

sílaba e nos grupos consonantais:

pranta/planta;

 

broco/bloco;

______________________________

________________

 

2- Alternância

de

“lh”

e

“i”:

muié/mulher;

 

véio/velho;

bebi/bebe; _____________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

_____

11- Redução do “r” do infinitivo ou de

substantivos

em

“or”:

amá/amar;

amô/amor;

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

___

__________________

12-

Simplificação

da

conjugação

ATIVIDADE 4

Definam e dêem exemplos de gírias

que são muito utilizadas pelos jovens

na atualidade.

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

__________________

Você percebe diferença entre a

linguagem dos jovens e dos adultos?

E entre a linguagem das meninas e

dos meninos. Explique o porquê

dessa diferença e comprove com

exemplos. Você poderá acessar os

sites acima novamente para ajudá-lo

na pesquisa.

8

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

______________________________

____

 

EXERCÍCIOS

 

1

Identifique

 

e

relacione

a(s)

função(ões)

 

da

linguagem

que

está(ão)

 

presente(s)

nos

textos

abaixo:

 

OBS: Num

mesmo texto, nas mais

das vezes,

mais de uma função

da linguagem. O fundamental é que

se perceba

 

qual

a função

predominante para a organização da

mensagem.

 

TEXTOS

 

I.

 

Só uma coisa

 
 

me assombra e deslumbra:

 

como

é

que

o

som penetra na

sombra

 
 

e a pena sai da penumbra?

 

PAULO LEMINSKI

 

II.

UNS

SIMPLESMENTE

PASSAM

PELA VIDA.

 

OUTROS

 

FAZEM

QUESTÃO

DE

DEIXAR MARCAS.

 

O maior autódromo do mundo é o

próprio mundo. Só que aqui não

existem paradas de Box, nem pódio,

nem troféus. É a prova de

performance definitiva: aqui a corrida

nunca termina. Neste autódromo não

existe linha de chegada.

E

nem

precisa. Todo mundo já sabe quem

são os vencedores.

 

BMW, PRAZER EM DIRIGIR

 

(Revista Veja)

 

III.

“IMPOSTOS

 

DISPARAM

AMANHÃ!!!”

 

(Folha de São Paulo)

 

IV.

“RELÓGIOS GUCCI .

VÊM

ACOMPANHADOS DE HORAS

INESQUECÍVEIS ” ...

 

(Revista Veja)

 

V.

“Começo

 

a

arrepender-me

deste

livro. Não que ele me canse; eu não

tenho que fazer

 

e,

além do mais,

expedir alguns magros capítulos para

esse mundo

é

tarefa que sempre

distrai um pouco da eternidade; mas

o

livro

é

enfadonho,

cheira a

sepulcro,

 

traz

 

certa

contração

cadavérica

Vício

grave

e,

aliás,

ínfimo, porque o maior defeito deste

livro és tu, leitor

Tu

tens pressa de

envelhecer, e o livro anda devagar; tu

amas a narração direta e nutrida,

o

estilo regular e fluente, e este livro e

o

meu

estilo são

como os

ébrios:

guinam

à

direita e

à

esquerda,

escorregam e caem ” ...

(MACHADO DE ASSIS in Memórias

Póstumas de Brás Cubas)

VI.

“Parar de escrever

Bilhetes de felicitações

Como se eu fosse Camões

E as Ilíadas dos meus dias

Fossem Rosas, Graças, Vieiras,

Sermões”

LO LEMINSKI

VII.

PAU

“Às vezes, fico querendo que nada

mude ....

REVLOVALTLOVAIE

M:

Mudar é tudo que pude!

 

PAU

LO LEMINSKI

 

VIII.

GLOBO E VOCÊ

 

TODA HORA

TUDO A VER

(Vinheta publicitária)

 

IX.

BANDEIRANTES:

o

canal

do

ESPORTE!

 

(Vinheta publicitária)

 

X.

 

DEMAIS

Tudo eu já fiz pra te esquecer,

 

Mas foi em vão

 

E agora quero voltar ....

 

Todas

essas

noites

passei

sem

dormir

Com os olhos a jorrar ...

Quando um amor é demais

Não se pode jogar fora.

Olho para esses casais

Com um sonho na memória ...

Mahatma Gandhi, Krishna, Deus

Mas só você pode me saltar agora ....

ARNALDO

ANTUNES e NANDO REIS

GABARITO – funções da linguagem

I – poética e emotiva

II – conativa e poética

III – referencial e poética

IV – conativa e poética

V

– metalingüística, emotiva e fática

 

VI – poética, metalingüística, emotiva

e conativa

 

VII – poética, emotiva e conativa

 

VIII

fática,

conativa,

poética

e

referencial

 

IX – fática, conativa e referencial

 

X

– poética emotiva

 

* negrito – função predominante

FONÉTICA E FONOLOGIA

Fonologia é

 

a

parte

da

gramática

que estuda os fonemas de uma

língua.

Fonética

é

o

estudo dos sons

da

linguagem humana.

 

Como se pode perceber, Fonologia e

Fonética não se confundem.

Enquanto esta trata dos fonemas em

suas

múltiplas

realizações,

aquela

trata especificamente

dos fonemas

de um determinado sistema

lingüístico ( a língua portuguesa, por

exemplo).

Fonemas

são

unidades

sonoras

mínimas que possuem a propriedade

de

estabelecer

distinção

entre

vocábulos

de

uma

língua.

Por

exemplo:

/p/ /a/ (Por convenção, os

fonemas são geralmente transcritos

entre barras oblíquas.)

Note como esses fonemas

distinguem

vocábulos,

nos pares

abaixo:

Par

bala

Bar

bela

Os fonemas de uma língua costumas

ser representados por uma série de

sinais gráficos denominados letras.

Nem sempre há, numa palavra,

equivalência entre o número de letras

e fonemas.

Caneta

- 6 letras

- 6 fonemas

chave

- 5 letras - 4 fonemas

fixo

- 4 letras

- 5 fonemas

representar

- 11 letras - 10 fonemas

Os fonemas

Os fonemas classificam-se em:

Vogais: sons que resultam da livre

passagem da corrente de ar pela

boca. Funcionam sempre como base

da sílaba. Lembre-se de que não

existe sílaba sem vogal.

Casa, elefante, saci, tomate, sopa.

Consoantes: são ruídos que

resultam de algum obstáculo

encontrado pela corrente de ar. Só

9

formam sílaba quando juntos de uma

  • - crescentes: a semivogal vem

As consoantes podem ser surdas ou

vogal.

antes da vogal.

sonoras, de acordo com a vibração

Luva, rato, jiló, dúvida.

  • - Decrescente: a vogal vem antes

das cordas vocais, e orais ou

Semivogais: são fonemas de caráter

da semivogal.

nasais, dependendo da participação

vocálico que se juntam a uma vogal

para com ela formar sílaba. As

semivogais nunca funcionam como

base da sílaba.

Cárie, coisa, tábua, lousa

Classificação das vogais

  • - Orais: quando a vogal é oral.

  • - Nasais: quando a vogal é nasal.

É importante ressaltar que

um mesmo ditongo pode acumular

duas dessas categorias.

Ditongos crescentes

da boca e do nariz na pronunciação.

Tomba (/t/ surdo); bomba (/b/

sonoro)

Dígrafos e encontros consonantais

Dígrafos ou digrama é o encontro de

 

decrescentes

 

duas letras que representam um

Segundo a Nomenclatura Gramatical

 

Orais lí-rio

 

único fonema.

 

Brasileira, as vogais devem ser

pai

Chave, malha, carro

 

classificadas de acordo com os

Nasais quando

 

seguintes critérios:

 

põe

Não devemos, pois, confundir dígrafo

a)

quanto à zona de articulação:

 

com encontro consonantal, que é o

Anteriores: a língua eleva-se

 

Obs.:

Em

vem

e

bem

a

letra

m

encontro imediato de duas ou mais

gradualmente em direção ao palato

representa

uma

semivogal.

/vei/,