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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI RAQUEL BARONE DE MELLO BELLONI ALVES

ENERGIA SOLAR COMO FONTE ELÉTRICA E DE AQUECIMENTO NO USO RESIDENCIAL

SÃO PAULO

2009

2

RAQUEL BARONE DE MELLO BELLONI ALVES

ENERGIA SOLAR COMO FONTE ELÉTRICA E DE AQUECIMENTO NO USO RESIDENCIAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi

Orientador: Prof. Msc.Carlos Magno Baptista Lopes

SÃO PAULO

2009

3

RAQUEL BARONE DE MELLO BELLONI ALVES

ENERGIA SOLAR COMO FONTE ELÉTRICA E DE AQUECIMENTO NO USO RESIDENCIAL

Trabalho

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi

em:

de

de

2009.

Prof. Msc.Carlos Magno Baptista Lopes

Prof.Antonio Calafiori Neto

Comentários:

4

AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus por me conceder condições físicas e emocionais e por colocar pessoas certas em momentos certos em minha vida me proporcionando conhecimento e experiências gratificantes.

Agradeço meu marido Alexandre pela paciência nos momentos de stress de época de provas e entregas de trabalhos.

Aos meus pais, amigos e familiares que compreenderam minha ausência, me apoiaram e incentivaram até o presente momento.

Agradeço meus professores e orientadores por se dedicarem a lerem minhas anotações e se interessarem pelo tema escolhido.

Ao professor Sidney, obrigada pelas orientações do começo do meu trabalho de conclusão de curso e sou grata ao professor Carlos Magno por me ajudar a finalizar minhas idéias e me orientar ao término do meu trabalho.

5

RESUMO

Este trabalho apresenta um estudo sobre a utilização da energia solar como fonte elétrica com a utilização do sistema fotovoltaico onde há captação de energia através de placas solares, transformando-a em energia elétrica para uso residencial principalmente para regiões afastadas do sistema usual brasileiro (hidrelétricas) e também apresenta a utilização de energia solar para aquecimento de água no uso residencial descrevendo um aquecedor solar de baixo custo e que utiliza materiais recicláveis (aquecedor com garrafas PET).

A abordagem dá-se pelo fato de que, apesar do consumo de energia ser

indispensável para o desenvolvimento humano, é necessário um desenvolvimento

sustentável, com a utilização de energia mais limpa e que seja renovável, é o caso

da energia solar, que é abundante e tem um grande potencial de desenvolvimento

em escala mundial.

Palavras Chave: ENERGIA SOLAR, ENERGIA FOTOVOLTAICA, AQUECEDOR SOLAR, ENERGIA RENOVÁVEL

6

ABSTRACT

This work presents a study about the use of solar energy as power supply with the use of photovoltaic system where there is uptake of energy through solar panels, turning it into electricity for residential use mainly for remote areas of the usual Brazilian system (hydroelectric) and also present the use of solar energy for water heating in residential solar describing a low cost and using recyclable materials (heater with PET bottles).

The approach is given by the fact that, that energy consumption is indispensable for human development, is a need for sustainable development, with the use of cleaner energy that is renewable, is the case that solar energy, that is abundant and has a great potential for development worldwide.

Key Worlds: SOLAR ENERGY, ENERGY PHOTOVOLTAIC, SOLAR HEATER, RENEWABLE ENERGY

7

LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1: Consumo de energia elétrica por setor no Brasil em 2007

17

Figura 1.2: Participações de diversas fontes de energia no consuma

18

Figura 5.1 Fluxogramadas das aplicações práticas da energia solar

24

Figura 5.2: Variação da radiação solar no Brasil

25

Figura 5.3: Ilustração de um sistema solar de aquecimento de água

28

Figura 5.4: Vista expandida indicando componentes do coletor solar

29

Figura 5.5: Desenho da orientação geográfica do coletor solar

29

Figura 5.6: Desenho do ângulo de inclinação do coletor solar

30

Figura 5.7: Componentes do reservatório térmico

30

Figura 5.8: Vista expandida indicando componentes do boiler

31

Figura 5.9: Sistema de circulação natural

32

Figura 5.10: Sistema de circulação forçada

33

Figura 5.11: Curva de eficiencia térmica

35

Figura 5.12: Sistema de geração fotovoltaica

37

Figura 5.13: Módulos de células fotovoltaicas

39

Figura 5.14: Intalação sobre painéis fotovoltaicos sobre telhado

40

Figura 5.15: Módulos solares em placas de vidro

41

Figura 5.16: Funcionamento residencial para o inversor de corrente

42

Figura 5.17: Casa como usina solar

45

Figura 6.1: Foto aérea da Pousada Flutuante Uacari

47

Figura 6.2: Confecção dos barramentos e caixas auxiliares

49

Figura 6.3: Montagem das caixas auxiliares

50

Figura 6.4: Posicionamento dos painéis fotovoltaicos

51

Figura 6.5: Etapas da instalação dos módulos fotovoltaicos

51

Figura 6.6: Diagrama esquemático de cada sub-gerador

52

Figura 6.7: Configuração do banco de baterias

53

Figura 6.8: Detalhes do banco de baterias e painel de condicionamento

53

Figura 6.9: Diagrama esquemático dos inversores e quadro de distribuição do

54

Figura 6.10: Diagrama esquemático dos inversores e quadro de distribuição do

circuito 1 e 2

8

Figura 6.11: Quadro de distribuição com chaves auxiliares

55

Figura 6.12: Instalação dos medidores de energia e voltímetro digital

56

Figura 6.13: Garrafa PET com a formatação de utilização

58

Figura 6.14: Cortes e dobras das caixas Tetra Park

58

Figura 6.15: Tubos de distanciamento

59

Figura 6.16: Tubos de distanciamento conectando os tubos das colunas

60

Figura 6.17: Colocação das garrasfas PET

60

Figura 6.18: Colocação das caixas Tetra Park

61

Figura 6.19: Configuração dos módulos do coletor

61

Figura 6.20: Tubo de 40mm e 25 mm

62

Figura 6.21: Dreno para retrolavagem periódica do coletor solar

62

Figura 6.22: Configuração final do coletor

63

Figura 6.23: Instalação final do coletor sobre o telhado

63

Figura 6.24: Percentual de altura das furações conforme a altura da caixa d’água

64

9

LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS

Tabela 1.1 Oferta interna de energia elétrica no Brasil

16

Tabela 6.1: Equipamentos do sistema de produção e consumo de eletricidade

48

Tabela 6.2: Capacidade dos painéis

65

Tabela 6.3: Consumo mensal e diário de eletricidade no módulo central

65

Tabela 6.4: Dados do teste de medição no inverno e verão

66

10

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRAVA

ANEEL

ART

BEN

BIG

CATE

CEPEL

COHAB

CRESESB

ELETROBRAS

EPE

IBGE

IDSM

IEA

IEE

ISES

Mil tep

MME

PET

PNE 2030

PROCEL

PVC

Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento

Agencia Nacional de Energia Elétrica

Anotação de Responsabilidade Técnica

Balanço Energético Nacional

Banco de Informações de Geração

Centro de Aplicação de Tecnologias Eficientes

Centro de Pesquisas de Energia Elétrica

Companhia Metropolitana de Habitação

Centro de Referencia para Energia Solar e Eólica Sergio de Salvo Brito

Centrais Elétricas Brasileiras

Empresa de Pesquisa Energética

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

International Energy Agency

Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo

International Solar Energy Society

Milhões de toneladas equivalentes de petróleo

Ministério de Minas e Energia

Politereftalato de etileno

Plano Nacional de Energia 2030

Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica

Policoreto de Vinila

11

SABESP

Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

USP

Universidade de São Paulo

12

LISTA DE SÍMBOLOS

Somatório

A

Ampére

FV

Fotovoltaico

ha

Hectar

Hz

Hertz

J

Joule

kg

Quilograma

kJ

Quilojoules

kV

Quilovolts

kW

Quilowatt

kWh

Quilowatts-hora

l

litros

Metro quadrado

Metro cúbico

m³/s

Metro cúbico por segundo

MJ

Megajoules

mm²

Milímetro quadrado

MW

Megawatts

MWh

Megawatts- hora

ºC

Grau Celsius

s

segundos

TWh

Tera Watts-hora

U$S

Dólares

V

Volume

V

volts

V

CA

Volt de Corrente Alternada

V

CC

Volt de Corrente Contínua

W

Watts

Wh

Watts-hora

13

SUMÁRIO

 

p.

1.

INTRODUÇÃO

16

2.

OBJETIVOS

20

2.1

Objetivo

Geral

20

2.2

Objetivo

Específico

20

3.

MÉTODO DE TRABALHO

21

4

JUSTIFICATIVA

22

5

ENERGIA SOLAR: PERSPECTIVA, EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

24

5.1

Energia solar como fonte de aquecimento

28

5.1.1

Componentes do sistema

29

5.1.1.1 Coletor Solar

 

29

5.1.1.2 Reservatório de água quente

30

5.1.1.3 Outros componentes do sistema

31

5.1.1.4 Tipos de circulação

32

5.1.2

Etapas para instalação residencial

33

5.1.3

Vantagens e desvantagens do sistema de aquecimento solar

36

5.2

Energia solar como fonte elétrica

36

5.2.1

Componentes do sistema

38

5.2.1.1

Painéis ou módulos de célular fotovoltaicas

38

5.2.1.2

Suporte para painéis

39

14

5.2.1.4 Banco de baterias

41

5.2.1.5 Inversor de corrente

42

5.2.2

Etapas para instalação residencial

43

5.2.3

Vantagens e desvantagens do sistema fotovoltaico

43

6

Estudo de Caso

46

6.1

Localização

46

6.2

Coleta de Dados de Campo

46

6.2.1

Características do local instalado

46

6.2.1.1

Sistema fotovoltáico – Pousada Uacari

46

6.2.1.2

Sistema de aquecimento solar utilizando garrasfa PET

47

6.2.2

Funcionamento do sistema

48

6.2.2.1

Pousada Uacari

48

6.2.2.1.1 Levantamento dos equipamentos existentes na instalação

48

6.2.2.1.2 Composição do sistema fotovoltaico na Pousada Uacari

49

6.2.2.1.2.1 Elaboração de caixas auxiliares

49

6.2.2.1.2.2 Montagem

dos geradores fotovoltaicos

50

6.2.2.1.2.3 Montagem do banco de baterias

52

6.2.2.1.2.4 Instalação elétrica predial do bloco central da Pousada Uacari

54

6.2.2.2

Sistema de aquecimento solar com garrafas PET

57

6.2.2.2.1

Composição do Sistema de aquecimento solar com garrafas PET

57

15

6.2.2.2.1.2 Caixa d’água ou reservatório

64

7

ANÁLISE DOS RESULTADOS

65

7.1

Energia fotovoltaica – Pousada Uacari

65

7.2

Aquecedor solar com garrafa PET

66

8

CONCLUSÕES

68

8.1

Painel fotovoltaico

68

8.2

Aquecedor Solar

69

9

RECOMENDAÇÕES

71

REFERÊNCIAS

72

 

ANEXO A

1

16

1. INTRODUÇÃO

Com as constantes crises e preocupações dos recursos energéticos disponíveis de se tornarem cada vez mais escassos e caros, esses recursos tendem a ser compensados pelo surgimento de outro(s), pois a energia elétrica é indispensável à sobrevivência do ser humano, principalmente para sua evolução, com o intuito de se adaptar ao ambiente em que vive e de atender às suas necessidades.

Conforme a 2ª edição do atlas de energia elétrica do Brasil da ANEEL (2005), grande parte dos recursos energéticos do Brasil são obtidos a partir do sistema hidrotérmico de grande porte, com predominância de usinas hidrelétricas que se localizam em regiões pouco desenvolvidas, distantes dos grandes centros

consumidores e sujeitos a restrições ambientais. Essa distância geográfica necessita

de sistemas de transmissão muito extensos e que não atendem por completo todas

as regiões. Devido a isso, se tornam fundamentais o conhecimento da disponibilidade de recursos energéticos, de novas tecnologias e sistemas existentes para o seu aproveitamento e suprimento das necessidades energéticas regionais e setoriais do País. A Tabela 1.1 mostra a oferta interna de energia no Brasil.

Tabela 1. 1 – Oferta interna de energia elétrica no Brasil

1. 1 – Oferta interna de energia elétrica no Brasil Fonte: MME (2008) O Brasil é

Fonte: MME (2008)

O Brasil é uma dos países tropicais com intensa irradiação solar, praticamente

durante o ano todo, devido à maior parte do seu território se localizar próximo a linha

17

do equador. Assim, o potencial de utilização da irradiação solar como fonte alternativa para a energia elétrica e para o aquecimento de água, torna-se viável e sustentável devido sua renovação constante.

A energia solar ainda, no Brasil, tem o seu custo alto em relação à fonte hidráulica, mas o uso em pequena escala com baixo custo é uma possibilidade que deve ser estudada e desenvolvida principalmente no uso residencial. A Figura 1.1 evidencia o consumo setorial no Brasil mostrando que o consumo de energia no setor residencial está entre os maiores, perdendo somente para o industrial.

está entre os maiores, per dendo somente para o industrial. Figura 1. 1 – Consumo de

Figura 1. 1 – Consumo de energia elétrica por setor no Brasil em 2007 Fonte: BEN (2008)

Atualmente, no Brasil e no mundo presencia-se um incentivo significativo na utilização da energia solar devido sua disponibilidade no planeta. O governo Brasileiro neste ano como incentivo, estabeleceu o programa habitacional “minha casa, minha vida” (amplamente divulgado na mídia e com o sistema de financiamento junto a Caixa Econômica Federal que utiliza a energia solar para o aquecimento de água), e também no mundo como Alemanha e Espanha, há incentivos governamentais em isenção de impostos para residências onde há uso de energia solar.

Desta mesma forma, há a necessidade de se aproveitar, ao máximo e ao menor custo, o potencial oferecido por essa fonte, tornando-a cada vez mais competitiva para aplicações mais amplas. A Figura 1.2 apresenta o crescimento do grupo “outras

18

fontes” com um crescimento de mais de 100% o que inclui a energia solar que apesar de inexpressível atualmente, mostra uma tendência de crescimento.

atualmente, mo stra uma tendência de crescimento. Figura 1. 2 – Participações de diversas fontes de

Figura 1. 2 – Participações de diversas fontes de energia no consumo Fonte: IEA (2008)

A abordagem da utilização da energia solar tem como foco principal o fator ambiental que é a não modificação do equilíbrio térmico da Terra. Além disso, não há necessidade de uma grande infra-estrutura para instalação, podendo ser uma alternativa para regiões afastadas do Brasil.

Segundo a 3ª edição de atlas de energia elétrica do Brasil da ANEEL (2008), o Brasil é um país com cerca de 184 milhões de habitantes, conforme o IBGE, e se destaca como a 5ª nação mais populosa do mundo. Em 2008, quase 95% da população tinha acesso à rede elétrica. De acordo com os dados divulgados no mês de setembro de 2008 pela ANEEL, o país contava com mais de 61,5 milhões de unidades consumidoras em torno de 99% dos municípios brasileiros. Destas, cerca de 90%, são consumidores residenciais.

Com base no assunto exposto, torna-se evidente a importância da utilização da energia solar como fonte elétrica e de aquecimento no uso residencial, pois utiliza parte da irradiação disponível como calor ou como eletricidade útil não ocorrendo o aumento ou diminuição líquida do calor. Além disso, estes sistemas são capazes de contribuir para o suprimento de energia elétrica, sem a emissão de gases de efeito estufa ou de gases ácidos, tendo também a vantagem de dispensar a necessidade

19

de transporte de combustível ou materiais. Também há a não formação de lagos, evitando a alteração do equilíbrio ecológico local.

O presente trabalho tem como principal objetivo a explicação do funcionamento, utilização e aplicação do sistema de placas solares para aquecimento de água e do sistema fotovoltaico na área elétrica residencial com sua passividade em questão de agressão ambiental.

20

2. OBJETIVOS

Identificar formas alternativas, eficientes e permanentes para utilização da energia solar como fonte elétrica e de aquecimento em residências, com emprego de técnicas desenvolvidas especialmente para utilização de placas de captação de energia solar em ambientes tropicais.

2.1 Objetivo Geral

Apresentar a radiação solar como uma fonte de energia renovável, com o aproveitamento desta energia tanto como fonte de calor quanto de luz, tornando-a uma das alternativas energéticas promissoras para os desafios de escassez de recursos e menor agressão ao meio ambiente.

Concentrando-se na utilização da energia solar, esse trabalho identificará tecnologias, benefícios ecológicos e conscientes para o uso residencial de fontes elétricas e de aquecimento.

2.2 Objetivo Específico

Descrever o sistema de placas instaladas em telhados como captação da energia solar para aquecimento de água e energia elétrica.

Esse trabalho de pesquisa mostrará o aproveitamento da energia solar térmica no aquecimento da água para uso em chuveiros e torneiras, e também a energia fotovoltaica para fonte elétrica em aparelhos residenciais comuns.

Também serão abordadas as dificuldades, resistências, benefícios e impactos do uso da energia solar.

21

3. MÉTODO DE TRABALHO

Para atingir os objetivos propostos, o trabalho foi desenvolvido primeiramente utilizando princípios básicos de pesquisas a artigos e publicações técnico-científicas, dissertações e teses, além de pesquisas na internet referente artigos disponibilizados em sites de associações técnicas e entidades científicas.

Após um primeiro contato com o tema e com informações suficientes para elaborar um trabalho conciso e de relevância, as pesquisas se intensificaram em busca da atuação de centros de pesquisas brasileiros na conservação e uso eficiente de energia, fontes renováveis, diagnósticos energéticos, geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

A avaliação e organização dos dados pesquisados, juntamente com um professor

orientador atuante nos processos de construção e pesquisas vinculadas a menor

agressão ao meio ambiente, conduziram o trabalho para identificação de significativo

e crescente consumo de energia elétrica em edificações. As soluções que podem

ser adaptadas à realidade brasileira para utilização da energia solar, o funcionamento eficaz e benefícios dos equipamentos desenvolvidos e o estudo de caso, atingirão os objetivos propostos.

Durante o processo de organização de dados, houve uma constante preocupação de mostrar soluções que incorporem os aspectos de eficiência energética e conforto ambiental, bem como técnicas de combate ao desperdício energético.

Para o estudo de caso foram pesquisados locais e centro de pesquisas que utilizam de energia solar térmica e fotovoltaica, com entrevistas e coleta de informações.

Concluídas as etapas de pesquisas e estudo de caso foi elaborado o relatório técnico que compõe o trabalho de conclusão de curso.

22

4

JUSTIFICATIVA

A

energia solar é abundante, permanente, renovável, não polui e nem prejudica o

ecossistema, não emitindo poluentes ao sistema, reduzindo o aquecimento global e o efeito estufa do nosso planeta.

O uso da energia solar em habitações é uma alternativa interessante e apresenta um

grande potencial de utilização.

A geração de energia em pequena escala e descentralizada pode contribuir consideravelmente para a proteção do clima global e, ao mesmo tempo, da qualidade de vida.

A energia solar também se apresenta como solução para áreas afastadas e ainda

não eletrificadas, especialmente porque há bons índices de insolação em grande parte do território brasileiro.

No Brasil a utilização de grandes usinas hidrelétricas para geração de energia, tende alagar áreas extensas, modificando o comportamento e as características dos rios barrados. Com isso a biota e os ecossistemas podem ser alterados. O novo lago pode afetar o comportamento da bacia hidrográfica, micro e macro clima e outros fatores intervenientes. Outros fatores antrópicos e bióticos podem ocasionar mudanças na qualidade da água.

A energia solar possui características positivas para o sistema ambiental, pois o sol

irradia na Terra um potencial energético extremamente elevado e incomparável a qualquer outro sistema de energia, sendo fonte básica e indispensável para as formas de vida conhecidas, principalmente para os humanos.

A utilização dessa forma de energia implica saber captá-la, armazená-la e utilizá-la

com a melhor eficiência, sendo assim, necessários os desenvolvimentos tecnológicos, as pesquisas científicas, a capacitação de laboratórios e técnica.

23

A energia é fundamental para as atividades econômicas e esta expansão faz com que se busquem eficiências energéticas alternativas exigindo mudança de hábitos para se evitar o esgotamento dos recursos utilizados na produção de energia e impacto no meio ambiente.

24

5 ENERGIA SOLAR: PERSPECTIVA, EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

A energia solar é uma fonte direta de calor e luz. Uma iluminação solar passiva, somente com uma arquitetura bioclimática, que visa uma construção harmônica de clima, características locais e ocupação, beneficiando-se da luz e do calor solar, já haveria uma considerável redução de utilização de energia elétrica, sem precisar de placas e mecanismos de aproveitamento dessa irradiação incidente e abundante.

Conforme a redação do site Ambiente Brasil, para um melhor aproveitamento dessa fonte renovável e tão intensa na Terra, atualmente os processos de utilização se aperfeiçoam para sua melhor eficiência como fonte elétrica e de aquecimento. A Figura 5.1 classifica a utilização da energia solar.

 

Passiva

Passiva ‐ Arquitetura solar

Arquitetura solar

 
   

Disco Parabólico

 

Heliotérmica

Torre central

 

Cilindro parabólico

Energia solar

Fotovoltaica

Geração centralizada autônoma

Ativa

Conexão a rede elétrica

 

Aquecimento de água

Refrigeração

Solar térmica

Secagem

 

Aquecimento industrial

Concentradores

Figura 5. 1 – Fluxograma das aplicações práticas de energia solar Fonte: PEREIRA et al., modificado (2004)

De acordo com a 2ª edição do atlas de energia elétrica do Brasil da ANEEL (2005), entre vários conceitos de eficácia da energia solar, os mais usados atualmente são os de geração fotovoltaica de energia elétrica e de placas térmica para aquecimento de água e ambientes.

25

Segundo o primeiro estudo de planejamento integrado dos recursos energéticos efetuado no âmbito do governo brasileiro (PNE 2030, 2007, p.28 apud 3ª edição do atlas de energia elétrica do Brasil, ANEEL, 2008, p.85) reproduz dados do Atlas Solarimétrico do Brasil e mostra que essa radiação varia de 8 a 22 MJ/m² durante o dia, sendo que as menores variações ocorrem nos meses de maio a julho, variando de 8 a 18 MJ/m². Além disso, o Nordeste possui radiação solar equivalente às melhores regiões do mundo nesses parâmetros, como a cidade de Dongola, no deserto do Sudão, e a região de Dagget, no Deserto de Mojave, Califórnia. O que não ocorre com outras localidades afastadas da linha do Equador, como as regiões Sul e Sudeste, onde estão concentradas as maiores indústrias e atividades econômicas do país. A Figura 5.2 ilustra esta variação.

econômicas do país. A Figura 5. 2 ilustra esta variação. Figura 5. 2 – Variação da

Figura 5. 2 – Variação da radiação solar no Brasil Fonte: EPE (2007)

Vale ressaltar que mesmo as regiões com baixa variação de radiação solar apresentam grandes potenciais de aproveitamento.

26

O Brasil é privilegiado em relação à radiação solar, embora a participação do sol na

matriz energética nacional seja bem reduzida, o mais utilizado é o de aquecimento

de água.

De acordo com os dados da ELETROBRÁS/PROCEL atualmente, no Brasil, o aquecimento de água em residências contribui com 1/4 do consumo de energia elétrica e o aquecimento solar destaca-se como uma das alternativas para redução da demanda em horários de “pico energético”, tendo o seu potencial na substituição da energia elétrica para o aquecimento de água. O Brasil possui hoje uma área instalada de 2 milhões m² de coletores solares, com um mercado que se expande:

cerca de 200 mil m² de coletores solares são instalados por ano.

Apesar de uma boa mobilização do Brasil para utilização da tecnologia de aquecimento solar de água, principalmente em residências, o custo para aquisição ainda é muito alto tendo um retorno do capital investido somente após alguns anos de utilização do sistema. Porém, se houver uma expansão considerável, que

viabilize os desenvolvimentos tecnológicos, além de incentivos fiscais do governo, a tendência é haver uma considerável redução de valores para aquisição. Um exemplo disso, é que recentemente em São Paulo, foi publicado o Decreto 49.148, de 21 de janeiro de 2008, que regulamenta a Lei 14.1459, de 03 de julho de 2007, que dispõe sobre a instalação de sistemas de aquecimento de água por energia solar nas novas edificações do Município de São Paulo. Pelo decreto torna-se obrigatório a instalação do sistema de aquecimento solar de água em novos edifícios residenciais

e não-residenciais. Mesmo sendo uma imposição, há uma preocupação em se minimizar o uso de outras energias para fins de aquecimento.

Conforme a 2ª edição do atlas de energia elétrica do Brasil da ANEEL (2005), os fatores que têm contribuído para a expansão dessa tecnologia são: investimentos do governo na construção de conjuntos habitacionais e casas populares, como Programa Minha Casa Minha Vida (que prevê a construção de um milhão de casas para famílias com renda de até dez salários mínimos), Projeto Cingapura, Conjuntos Habitacionais SIR e Maria Eugênia (COHAB) em Governador Valadares; financiamentos em bancos para particulares com interesse na instalação de painéis

27

solares; e a conscientização e divulgação dos benefícios do uso da energia solar para a própria economia e o meio ambiente.

Segundo a Abrava (2001), outro elemento incentivador dessa tecnologia é a Lei n° 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia que visa à alocação eficiente de recursos energéticos e a preservação do meio ambiente e também a divulgação da eficiência nas edificações construídas no País. O crescimento médio no setor, que já conta com aproximadamente 140 fabricantes e possui uma taxa histórica de crescimento anual de aproximadamente 35%, foi acima de 50% em 2001.

Há expectativa de que o Brasil não só utilize a energia solar como fonte de aquecimento, mas que se instalem e cresçam os números de usinas solares principalmente em regiões rurais que se localizam a grandes distâncias das redes de distribuição energética, como exemplo a conversão direta de luz em eletricidade (Efeito Fotovoltaico), podendo citar, a usina solar PS10 na Espanha com capacidade de produzir 11 megawatts (National Geographic, 2009).

De acordo com a 3ª edição do atlas de energia elétrica do Brasil da ANEEL (2008), O Programa Luz para Todos, lançado em 2003 pelo Ministério de Minas e Energia, instalou vários sistemas fotovoltaicos no Estado da Bahia, com o objetivo de levar energia elétrica a uma população de cerca de 10 milhões de pessoas que residem no interior do país, ele visa o atendimento das demandas do meio rural através de três tipos de iniciativas: extensão da rede das distribuidoras, sistemas de geração descentralizada com redes isoladas e sistemas de geração individuais.

No Banco de Informações de Geração, da ANEEL (2009), só consta uma usina fotovoltaica – Araras, no município de Nova Mamoré, Estado de Rondônia, gerando 20,48 kW. Porém não registra qualquer outra usina fotovoltaica a outorgar ou em construção. O que existe no país são pesquisas e implantação de projetos pilotos da tecnologia, como o Laboratório de Energia Solar, localizado no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul; projeto Sistemas Fotovoltaicos Domiciliares, da Universidade de São Paulo, que instalou 19 sistemas fotovoltaicos na comunidade de São Francisco de Aiuca,

28

na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamiruá, no Amazonas; Casa Solar Eficiente do CEPEL, parte do segmento residencial do CATE e do CRESESB.

5.1 Energia Solar como fonte de aquecimento

O sistema de coletores solares para aquecimento de água em residências pode ser feito com placas planas com a existência ou não de dispositivos de concentração da irradiação solar. Seu funcionamento está baseado na captação do calor da incidência solar sobre as placas coletoras, que são instaladas nos telhados das residências, com uma serpentina de cobre interligada a uma superfície com eficiência de absorção de energia luminosa que aquecerá a água que será mantida em um reservatório termicamente isolado (Boiler) com uma temperatura menor que 100º C. Porém, como o sistema não possui 100% de eficiência, é necessária a instalação de um sistema complementar para aquecimento auxiliar nas interligações hidráulicas até o ponto de consumo, que aquecerá a água quando o sistema de aquecimento solar for ineficiente (quando não receber uma boa irradiação solar) ou durante a noite. A Figura 5.3 ilustra o sistema.

Para atendimento de uma única residência a instalação necessária é cerca de 4m² de coletor para suprimento de água quente de uma residência típica (três ou quatro moradores).

de uma residência típica (três ou quatro moradores). Figura 5. 3 – Ilustração de um Sistema

Figura 5. 3 – Ilustração de um Sistema Solar de aquecimento de água Fonte: GREEN, M. A. et al. Solar cell efficiency tables: version 16. Progress in Photovoltaics: Research and Ap-plications, Sydney, v. 8, p. 377-384, 2000 (modificado). EPE (2007)

29

5.1.1 Componentes do sistema

5.1.1.1 Coletor solar

O coletor solar é o dispositivo responsável pela captação de energia do sol e sua

conversão em calor utilizável, podendo ser planos ou de concentração. A maior

parte é fabricada com materiais nobres como alumínio e cobre. A Figura 5.4 ilustra

os componentes do coletor solar (CARDOSO, 2008).

5.4 ilustra os componentes do coletor solar (CARDOSO, 2008). Figura 5. 4 – Vista expandida indicando

Figura 5. 4 – Vista expandida indicando componentes do coletor solar Fonte: Cardoso (2008)

A instalação dos coletores deve atender as normas abaixo:

Orientação geográfica, conforme a NBR 12269 (ABNT 1992): voltados para o norte geográfico, com desvio gráfico de 30° desta direção, como mostrado na Figura 5.5.

de 30° desta direção, como mostrado na Figura 5.5. Figura 5. 5 – Desenho da orientação

Figura 5. 5 – Desenho da orientação geográfica do coletor solar Fonte: Fossa (2008)

30

Ângulo de inclinação, conforme a NBR 12269 (ABNT 1192): Sugere que o ângulo de inclinação deva ser igual ao da latitude do local acrescido de 10°, como mostrado na Figura 5.6.

do local acrescido de 10°, como mostrado na Figura 5.6. Figura 5. 6 – Desenho do

Figura 5. 6 – Desenho do ângulo de inclinação do coletor solar Fonte: Fossa (2008)

5.1.1.2 Reservatório de água quente

Reservatório isolado termicamente que é responsável pelo armazenamento de toda a água quente para consumo do usuário. Normalmente é fabricado de aço inoxidável com uma cobertura de alumínio. A Figura 5.7 mostra os componentes do reservatório e a Figura 5.8 os componentes do Boiler (TÉCHNE, 2008).

e a Figura 5.8 os componentes do Boiler (TÉCHNE, 2008). Figura 5. 7 – Componentes do

Figura 5. 7 – Componentes do reservatório térmico Fonte: Cardoso (2008)

31

31 Figura 5. 8 – Vista expandida indicando componentes boiler Fonte: Cardoso (2008) 5.1.1.3 Outros componentes

Figura 5. 8 – Vista expandida indicando componentes boiler Fonte: Cardoso (2008)

5.1.1.3 Outros componentes do sistema

Como outros componentes utilizam-se uma fonte auxiliar de energia que em situação decorrente de vários dias sem insolação ou com insolação ineficiente, o aquecedor auxiliar, que utiliza outras fontes de energia, entra em ação para suprir eventuais necessidades. Usualmente são utilizados equipamentos a gás ou elétricos.

Para um bom funcionamento e melhor custo é possível a utilização de um sistema híbrido de chuveiro elétrico e aquecedor solar. Neste caso os próprios moradores acionam o chuveiro elétrico quando não há água aquecida e não precisam ter gastos com aquecedores térmicos instalados diretamente no reservatório térmico do aquecedor solar.

Há também dispositivos que são sensores controladores de temperatura que impedem a mistura de água fria da caixa d’água com a já aquecida no reservatório em dias nublados ou durante a noite e também fazem o acionamento do sistema auxiliar ou não, dependendo da necessidade.

32

5.1.1.4 Tipos de circulação

A circulação pode ser natural ou forçada.

Circulação natural (Termosifão), onde a circulação ocorre devido à diferença entre a água fria e a água quente. A água fria, sendo mais densa, acaba empurrando a água quente que é menos densa, realizando a circulação. A Figura 5.9 ilustra o sistema e seus componentes.

A Figura 5.9 ilustra o sistema e seus componentes. Figura 5. 9 – Sistema de circulação

Figura 5. 9 – Sistema de circulação natural Fonte: Fossa (2008)

Circulação forçada, onde a circulação da água ocorre com auxilio de uma motobomba instalada no circuito. Esse sistema é adotado de um termosensor, responsável pelo acionamento da bomba. A Figura 5.10 ilustra essa circulação.

33

33 Figura 5. 10 – Sistema de circulação forçada Fonte: Fossa (2008) 5.1.2 Etapas para instalação

Figura 5. 10 – Sistema de circulação forçada Fonte: Fossa (2008)

5.1.2 Etapas para instalação residencial

Segundo o site da consultora de instalação de aquecedores solares, Agência Energia (2009), a primeira medida para instalação deste tipo de sistema é o anteprojeto, cujo o objetivo é fazer o levantamento das informações do uso da água quente, o local onde o sistema será implantado, os pontos de consumo, demanda de utilização, perfil de consumo, entre outras. Esta etapa é primordial, pois nela é onde o desempenho do sistema será definido e também serão verificadas as condições para instalação e o espaço disponível.

O segundo passo será efetuar o projeto executivo, onde será desenvolvido um projeto completo de engenharia contendo todos os detalhes importantes para instalação adequada, operação e futura manutenção do sistema. Nesta etapa será imprescindível a solicitação da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do responsável pelo projeto.

Nessa fase será feito o dimensionamento do aquecedor, calculando-se o volume de água quente necessária através da equação (1) (CARDOSO, 2008):

34

34 Equação (1) Onde: V consumo é o volume do consumo diário em m³; Vu corresponde

Equação (1)

Onde:

V consumo é o volume do consumo diário em m³;

Vu corresponde à vazão do ponto de utilização em m³/s; t é tempo de utilização em segundos;

fr é a frequência de uso da peça de consumo

De acordo com Cardoso (2008) em matéria publicada à revista TÉCHNE (2008) a partir dessa equação será quantificado o volume de água quente a ser consumido diariamente, sendo que esse volume total corresponde à quantidade de água quente para temperatura de um banho, que está em torno de 36º C e 40º C. Que corresponde a uma parte de água aquecida pelo sol e outra parte proveniente da água fria.

Usualmente trabalha-se com os seguintes princípios (CARDOSO, 2008):

Duchas: 40l a 60l/ banho; Cozinha: 10l a 15l/ pessoa; Lavatório e ducha higiênica: 3l a 5l/ pessoa; Lavanderia: 10l e 15l/ kg de roupa seca;

Após desse dimensionamento, encontra-se ao volume final do reservatório. E em seguida será dimensionada a área necessária para o coletor. Nesse ponto será feito um balanço da energia necessária para o aquecimento do volume dimensionado e a produção específica do coletor. Na equação (2) segue o cálculo apresentado de demanda (CARDOSO, 2008):

segue o cálculo apresentado de demanda (CARDOSO, 2008): Equação (2) A demanda energética mensal pode ser

Equação (2)

A demanda energética mensal pode ser definida pela equação (3) (CARDOSO,

2008):

35

35 Equação (3) Onde: DE é a demanda energétic a mensal, em kWh; V o volume

Equação (3)

Onde:

DE é a demanda energética mensal, em kWh; V o volume de água quente em m³; p é o peso específico da água, considerando 1.000 kg/m³; cp é o calor específico da água, 4,18 kJ/kgºC;

Tp é a temperatura de armazenagem da água quente, em ºC;

Tl é a temperatura de água fria, em ºC;

A produção específica de energia do coletor pode ser calculada para qualquer

condição de clima, desde que atenda as dimensões do coletor solar e a curva de eficiência térmica. A Figura 5.11 apresenta a curva de eficiência.

térmica . A Figura 5.11 apresenta a curva de eficiência. Figura 5. 11 – Curva de

Figura 5. 11 – Curva de eficiência térmica Fonte: Cardoso (2008)

Após essa etapa será necessário a compra do sistema junto a uma empresa confiável e uma supervisão completa e precisa dos vários itens que compõe a instalação do sistema de aquecimento solar (AGÊNCIA ENERGIA, 2009).

36

5.1.3 Vantagens e desvantagens do sistema de aquecimento solar

A maior vantagem deste sistema é que não polui durante o uso e seus componentes

para serem fabricados e instalados, não necessitam de constantes manutenções, desta forma evitando gasto de outros produtos.

Torna-se economicamente viavel para toda região brasileira, sendo um grande aliado para a economia de energia elétrica especialmente no uso de chuveiros elétricos.

Mesmo sendo um sistema que trás benefícios além dos economicos, há desvantagens, como utilização em regiões onde haja variação de incidencia solar, como locais em latitudes média e altas, ou que sofrem com nebulosidade por muitos dias e épocas do ano, fazendo com que percam sua funcionalidade. Também não há rendimento durante a noite, sendo necessário um sistema híbrido (elétrico mais solar) para garantir coonforto aos usuários suprindo uma possivel ineficiencia dos painéis .

Mas devido os combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), e a energia hidrelétrica (água), serem recursos finitos, precisa-se investir em melhores tecnologias e menores custos para uma perfeita eficiencia para utilização das placas solares.

5.2 Energia solar como fonte elétrica

O sistema de energia solar fotovoltaico é obtido através da conversão direta de luz

em eletricidade (efeito fotovoltaico). Relatado por Edmond Becquerel, em 1839, o sistema fotovoltaico não utiliza calor para produzir eletricidade, mas é o aparecimento de uma diferença de potencial que produz eletricidade diretamente dos elétrons liberados pela interação da luz do sol com certos materiais semicondutores nos extremos de sua estrutura, tal como o silício cristalino na forma de monocristal ou policristal. A célula fotovoltaica é a unidade principal do processo de conversão e o movimento dos elétrons forma eletricidade de corrente direta (NOGUEIRA JR., 2009 e CRESESB, 2000).

37

A expansão e aprimoramento desta tecnologia deu-se com o início da corrida espacial, em meados da década de 50, que buscava uma forma alternativa de geração de energia, capaz de suprir os instrumentos de navegação e operação de satélites. No lançamento do satélite Vanguard 1, instalou-se pequenos painéis para testar a conversão da luz solar em energia elétrica. Com isso, em vez de alguns meses de operação, como era previsto, o satélite operou por seis anos (KISS, 2009).

Há dois sistemas de utilização. Segundo Dias (2004) há os sistemas que são conectados à rede elétrica que se constituem por dois elementos principais: um deles é o módulo fotovoltaico, ou painel solar, que converte a luz em energia elétrica de corrente contínua (12v) e o outro é o inversor eletrônico que converte a energia em corrente alternada, que é compatível com a rede elétrica da concessionária, que no Brasil opera em freqüência de 60 Hz (todos os componentes são modulares); o outro se pode utilizar baterias para prover um sistema totalmente independente da rede elétrica "off grid" ou de "emergência" para o caso da rede elétrica interromper o serviço de energia elétrica por algum motivo. A Figura 5.12 ilustra o sistema completo de geração fotovoltaica de energia elétrica.

completo de geração fotovolt aica de energia elétrica. Figura 5. 12 – Sistema de geração fotovoltaica.

Figura 5. 12 – Sistema de geração fotovoltaica. Fonte: CRESESB, adaptado (2000)

38

5.2.1 Componentes do sistema

5.2.1.1 Painéis ou módulos de células fotovoltaicas

Conforme Dias (2004) os módulos são construídos com materiais resistentes às intempéries e que em sua aparência não sofrem envelhecimento com o decorrer dos anos. Podem ser fabricados com algum aspecto construtivo diferenciado, como a laminação entre vidros; e também há a opção por módulos solares flexíveis, que são fabricados com elementos fotossensíveis depositados sob substratos flexíveis metálicos ou plásticos. A eficiência de conversão é menor que aos módulos rígidos de silício mono ou policristalino (cerca de 8% contra 15%), porém é uma alternativa extremamente interessante para instalações em telhados que não suportariam o peso de módulos rígidos.

De acordo com Kiss (2009) diversos semicondutores são utilizados para produção de células fotovoltaicas. O mais tradicional é o silício cristalino como um monocristal ou policristal. Os painéis de silício se encontram geralmente com células da ordem de 300 mícrons, mas há células mais modernas que são fabricadas com apenas 1 mícron, que é o caso das células de silício amorfo hidrogenado, que hoje em dia é o mais viável comercialmente. Há também películas de telureto de cádmio ou disseleneto de cobre e índio que são os mais indicados para fabricação de peças para revestimento de telhas ou entre duas placas de vidros.

Conforme a Solarterra (2009) para se obter um condutor com elétrons livres, acrescentam-se porcentagens de outros elementos. Este processo denomina-se dopagem. Mediante a dopagem obtém-se um material com elétrons livres ou materiais com portadores de carga negativa (N). Realizando o mesmo processo, mas acrescentando outro elemento obtém-se um material com características inversas, ou seja, material com cargas positivas livres (P).

Cada célula solar compõe-se de uma camada fina de material tipo N e outra com maior espessura de material tipo P, conforme ilustrado na Figura 5.13.

39

39 Figura 5. 13 – Módulos de células fotovoltaicas. Fonte: SOLARTERRA (2009) As placas são eletricamente

Figura 5. 13 – Módulos de células fotovoltaicas. Fonte: SOLARTERRA (2009)

As placas são eletricamente neutras quando separadas, mas ao serem unidas (P-N), gera-se um campo elétrico devido aos elétrons tipo N que ocupam os vazios da estrutura do tipo P.

Por meio de um condutor externo, conecta-se a camada negativa à positiva, gerando uma corrente elétrica na conexão, que enquanto a luz continuar a incidir na célula, o fluxo de elétrons se manterá. A intensidade da corrente gerada variará proporcionalmente conforme a intensidade da luz incidente (SOLARTERRA, 2009).

Cada módulo fotovoltaico é formado por uma determinada quantidade de células conectadas em série. Este fluxo repete-se até chegar à última célula do módulo, da qual fluem para o acumulador ou a bateria e cada elétron que abandona o módulo é substituído por outro que regressa do acumulador ou da bateria (SOLARTERRA,

2009).

5.2.1.2 Suporte para painéis

Segundo Nogueira Jr. (2009), a instalação poderá ser feita com estrutura fixa ou rastreadora "tipo tracking" que segue o movimento do sol.

Com a utilização de módulos incorporados à arquitetura o suporte para o painel será de acordo com a sua utilização. Se uso for em fachadas será necessário o emprego de caixilharia especial, com elementos de fixação próprios que devem ser definidos na fase de projeto. Se a opção for colocar os módulos em estruturas de fixação

40

sobre os telhados, podem-se utilizar modelos padronizados de fixação de alumínio

ao aço galvanizado que será instalado conforme citado na instalação das placas

solares para aquecimento de água. A Figura 5.14 ilustra a utilização desses painéis sobre telhado.

5. 14 ilustra a utilização desses painéis sobre telhado. Figura 5. 14 – Instalação de painéis

Figura 5. 14 – Instalação de painéis fotovoltaicos sobre telhado. Fonte: Dias (2004)

Conforme Dias (2004) a utilização de módulos fotovoltaicos incorporados à arquitetura é uma das áreas que mais crescem no mundo inteiro, inclusive, criou-se,

a denominação BIPV (Building Integrated Photovoltaics) para as técnicas

desenvolvidas que utilizam a energia solar em projetos de arquitetura com os painéis

solares, que além de gerarem energia elétrica, incorporam beleza à construção. A Figura 5.15 ilustra essa utilização.

41

41 Figura 5. 15 – Módulos solares em placas de vidro. Fonte: Dias (2004) 5.2.1.3 Controlador

Figura 5. 15 – Módulos solares em placas de vidro. Fonte: Dias (2004)

5.2.1.3 Controlador de carga de bateria

O controlador de carga e descarga interrompe o fornecimento de energia aos painéis

fotovoltaicos. É responsável principalmente pela vida útil da bateria evitando sua sobrecarga ou descarga completa. Sua função é monitorar o nível de tensão da bateria e deste principio conectá-la ou não ao módulo solar e habilitar ou não o inversor.

De acordo com a Solarterra (2009), existem vários tipos de controladores de carga.

O tipo mais simples é onde se envolve uma só etapa de controle, que é onde o

controlador monitora constantemente a tensão da bateria de acumuladores, verificando a tensão até alcançar um valor para o qual a bateria se encontre carregada (aproximadamente 14.1 Volts para bateria de chumbo ácido de 12 Volts nominais) o controlado interrompe o processo de carga. Isto pode ser conseguido abrindo o circuito entre os módulos fotovoltaicos e a bateria (controle tipo série) ou curto-circuitando os módulos fotovoltaicos (controle tipo shunt). Quando o há muito consumo e a bateria começa a descarregar-se, o controlador reconecta o gerador à bateria e o ciclo recomeça.

5.2.1.4 Banco de baterias

As baterias podem ser um componente de um sistema fotovoltaico autônomo (remotos) ou para reserva elétrica de um sistema interligado a rede.

42

O bom funcionamento do sistema fotovoltaico também depende do dimensionamento do banco de bateria, pois o sistema pode ser composto por uma ou mais baterias, onde será armazenada de energia eléctrica para uso durante a noite ou em períodos de nebulosidade, quando não há baixa radiação solar.

Segundo a Solarterra (2009), uma bateria tem sua tensão determinada pelo seu estado de carga, temperatura, tempo de uso, regime de carga e descarga, entre outros. Esta tensão é imposta a todos os outros elementos que estão ligados a ela, incluindo o módulo fotovoltaico.

5.2.1.5 Inversor de corrente

O inversor de corrente converte a corrente contínua (12 volts) das baterias em corrente alternada (110 ou 220 volts) que nos parâmetros residenciais servem para utilização em eletrodomésticos que só utilizem a corrente alternada. A Figura 5.16 exemplifica a utilização do inversor de corrente.

5.16 exemplifica a utilização do inversor de corrente. Figura 5. 16 – Funcionamento residencial para o

Figura 5. 16 – Funcionamento residencial para o inversor de corrente. Fonte: SOLARTERRA (2009)

Conforme

Possuem a característica de aproveitar o máximo da energia proveniente dos

sofisticados.

Dias

(2004)

os

inversores

são

dispositivos

eletrônicos

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módulos solares e podem vir acompanhados de sistemas de monitoração e controle, que fazem as leituras de funcionamento e operação do conjunto de fotovoltaico, podendo saber com exatidão a energia que está sendo gerada no momento ou acumulada num período. Pode-se, ainda, detectar eventuais defeitos ou falhas de operação, sendo tudo é feito de forma automática.

5.2.2 Etapas para instalação residencial

Segundo a apostila do curso de energia solar fotovoltaica da consultoria Solarterra (2009), a primeira medida para instalação é verificar a tensão nominal do sistema, onde se verificará a tensão típica em que operam as cargas para conexão e, além disso, determinar se a referida tensão é alternada ou contínua.

Outro dado essencial é a verificação da potencia máxima exigida pela carga e sua variância ao longo do dia, juntamente com seu perfil de utilização.

A localização geográfica do sistema é um dos fatores que irão determinar o ângulo

de inclinação dos painéis para instalação e seu nível de radiação. Com isso será

previsto o número de dias em que diminuirá ou não haverá geração de energia para isso se fazer um adequado dimensionamento das baterias de acumuladores.

Para assegurar uma operação correta das cargas deve-se efetuar a escolha e posição de instalação adequada dos condutores e cabos de ligação, tanto daqueles que ligam o gerador solar às baterias como aqueles que interligam com as cargas.

5.2.3 Vantagens e desvantagens do sistema fotovoltaico

A principal vantagem é que o sistema fotovoltaico além de não poluente, a fonte que

se utiliza para produção da energia é "inesgotável", que é tudo o que é necessário hoje em dia e para as próximas décadas. Além disto, é gerado energia elétrica (e não térmica), podendo alimentar diretamente os equipamentos.

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Um fator interessante da energia fotovoltaica interligada a rede elétrica é que há alternativa de que a energia não utilizada pode ser vendida a concessionária, transformando as residências em usinas. Conforme Dias (2004) a geração de energia pelos módulos fotovoltaicos faz com que o medidor de energia gire ao contrário, contabilizando ao final do mês quanto efetivamente o usuário terá que pagar de energia elétrica à concessionária.

De acordo com Dias (2004) adicionalmente ao fator financeiro de se gerar eletricidade, e compartilhá-la com a concessionária, há o aspecto visual que pode ser explorado incorporando os painéis às fachadas.

Um forte aliado ao sistema é que a manutenção é praticamente inexistente. Segundo Dias (2004) os componentes usados são projetados para uma vida longa e útil e não possui peças móveis, o que gera confiabilidade de funcionamento. Também os módulos incorporados em fachadas podem ser limpos como quaisquer vidros utilizados em fachadas.

Segundo Kiss (2009) a grande desvantagem no sistema ainda está no custo de implantação de centrais fotovoltaicas, que exige investimentos muito altos, o que resulta numa energia bem mais cara ao consumidor final do que a praticada no Brasil (hidrelétrica), porém evita-se a inundação de cerca de 56 m2 de terra na instalação de hidrelétricas segunda a Abrava (2001).

Porém a principal vantagem para o Brasil e que compensaria o alto custo é a de acordo com Dias (2004) poder gerar energia elétrica em locais remotos e de difícil acesso, principalmente em projetos de telecomunicação, eletrificação rural em comunidades afastadas e bombeamento d'água.

Há índices que no Brasil existam cerca de 12 milhões de pessoas vivendo sem luz nos mais distantes locais e em centros urbanos que seria ideal a utilização de uma geração de energia elétrica descentralizada como a fotovoltaica.

A geração de eletricidade durante a noite pode ser um desafio. De acordo com a reportagem na revista National Geographic, o pesquisador Daniel Nocera, apresenta

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um catalizador que é autorrenovável podendo permitir o uso da água como armazenamento. “A casa vira uma usina”, diz NOCERA. A Figura 5.17 ilustra o funcionamento desta usina.

NOCERA. A Figura 5.17 ilustra o funcionamento desta usina. Figura 5. 17 – Casa como usina

Figura 5. 17 – Casa como usina solar Fonte: Nocera, National Geographic (2009)

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6 ESTUDO DE CASO

Para realização do estudo de caso foi estabelecido duas frentes de pesquisa: para o sistema elétrico foi efetuado um estudo a partir de uma comunidade Amazonense que possui dificuldades para acesso a energia elétrica tradicional, e outra para o conhecimento do sistema de aquecimento solar que possui o entrave de custo, para isso foi verificado um estudo de caso com aquecedor solar feito com garrafa PET.

6.1 Localização

Para instalação do sistema fotovoltaico: Pousada de Uacari, localizada na reserva Mamirauá, Amazonas, Brasil.

Para instalação do sistema de aquecimento solar com garrafa PET: residência do comerciante José Alcino Alano, Tubarão, Santa Catarina, Brasil.

6.2 Coleta de Dados de Campo

6.2.1 Características do local instalado

6.2.1.1 Sistema fotovoltaico – Pousada Uacari

A pousada Uacari é composta por um conjunto de sete estruturas de madeira

cobertas com palha, construídas sobre toras de madeira flutuantes no rio. No estudo de caso serão detalhadas as instalações existentes no módulo central da pousada flutuante Uacari.

O Amazonas possui clima equatorial, sendo quente e úmido. As temperaturas

médias variam entre 26° a 27°. Com radiação em média de 16 a 18 MJ/m²/dia.

A Pousada foi projetada com mínimo de impacto ambiental possível ao meio-

ambiente com instalações sustentáveis, inclusive com aproveitamento da energia

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solar para eletricidade. É possível verificar o complexo e o bloco central através da Figura 6.1.

o complexo e o bloco central através da Figura 6.1. Figura 6. 1 – Foto aérea

Figura 6. 1 – Foto aérea da Pousada Flutuante Uacari Fonte: IDSM (2008)

6.2.1.2 Sistema de aquecimento solar com garrafa PET

Para instalação do sistema de aquecimento solar utilizando garrafas PET na residência do Sr. José Alano, utilizou-se um sistema básico para o aquecimento de água em dois banheiros, com um consumo médio para quatro pessoas em banhos que não ultrapassem 8 minutos que consome em torno de 200 litros d’água.

A região de Tubarão possui invernos rigorosos e compromete o isolamento térmico, com temperaturas de 22 a 25°C no verão e 13 a 16° C no inverno.

Em consequência dessas diferenças entre as estações do ano e a redução da radiação solar no inverno há queda de rendimento do sistema, porém utiliza-se chuveiros elétricos para compensação ou aumento de reservatório térmico para armazenamento e maior quantidade de água para utilização.

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6.2.2 Funcionamento do sistema

6.2.2.1 Pousada Uacari

Serão apresentados os resultados obtidos a partir de informações do trabalho sobre “PROBLEMAS E SOLUÇÕES EM SISTEMAS FOTOVOLTAICOS AUTÔNOMOS NA AMAZÔNIA: O ESTUDO DE CASO DA POUSADA FLUTUANTE UACARI” apresentado no II Congresso Brasileiro de Energia Solar e III Conferência Regional Latino-Americana da ISES - Florianópolis, 18 a 21 de novembro de 2008, onde foram obtidos dados por meio de entrevistas a funcionários, levantamentos locais, fotos e medições de parâmetros elétricos das reais condições nas instalações locais do sistema autônomo.

6.2.2.1.1 Levantamento dos equipamentos existentes na instalação

Para inicio do projeto e instalação do sistema fotovoltaico o grupo de estudo elaborou um levantamento do consumo elétrico da pousada com os principais equipamentos de utilização e consumo de energia elétrica, pertencentes ao bloco central. Além das informações fornecidas pelos funcionários da pousada, juntamente com a potência instalada no local, foi possível obter uma estimativa do consumo médio diário de eletricidade kWh, conforme dados apontados na tabela 6.1.

Tabela 6. 1 – Equipamentos do sistema de produção e consumo de eletricidade

do sistema de produção e consumo de eletricidade Fonte: MACEDO, et al . Trabalho sobre “Problemas

Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, modificado (2008).

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O consumo estimado da edificação (7.287 Wh) e de acordo com as informações contidas na Tabela 6.1, a capacidade de produção do gerador fotovoltaico projetado (8.000 Wh) é compatível com a necessidade de utilização.

6.2.2.1.2 Composição do sistema fotovoltaico na Pousada Uacari

Os dados obtidos no trabalho sobre “PROBLEMAS E SOLUÇÕES EM SISTEMAS FOTOVOLTAICOS AUTÔNOMOS NA AMAZÔNIA: O ESTUDO DE CASO DA POUSADA FLUTUANTE UACARI” (2008) são de diagnósticos de problemas e soluções encontradas para os defeitos do sistema da pousada Uacari, porém no trabalho aqui apresentado serão extraídos dados das instalações e processos de funcionamento do sistema como um todo de um sistema autônomo.

6.2.2.1.2.1Elaboração de caixas auxiliares

Foram elaboradas caixas para condicionamento dos inversores, conexão dos geradores fotovoltaicos e de condicionamento dos barramentos positivos e negativos do banco de baterias, com o objetivo principal de prover facilidades na instalação e manutenção do sistema. Na Figura 6.2 é possível verificar a montagem e na Figura 6.3 a instalação das caixas auxiliares e barramento.

6.3 a instalação das caixas auxiliares e barramento. Figura 6.2 – Confecção dos barramentos e caixas

Figura 6.2 – Confecção dos barramentos e caixas auxiliares Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

50

50 Figura 6.3 – Montagem das caixas auxiliares Fonte: MACEDO , et al. Trabalho sobre “Problemas

Figura 6.3 – Montagem das caixas auxiliares Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

Após a preparação das caixas, o próximo passo contempla a montagem destas caixas no quadro instalado no forro do bloco central e na varanda, para facilitar o processo de conexão das diversas partes do sistema de produção e dimensionamento de eletricidade.

6.2.2.1.2.2 Montagem dos geradores fotovoltaicos

Após a fixar as caixas com os equipamentos de condicionamento de potência, passou-se à etapa de montagem dos módulos fotovoltaicos.

Optou-se pela instalação na fachada com orientação 15° noroeste e uma fixação sobre uma estrutura metálica do gerador fotovoltaico, facilitando a instalação e limpeza dos módulos fotovoltaicos. A Figura 6.4 ilustra o posicionamento efetuado para os módulos fotovoltaicos como também a localização para o acesso necessário para a manutenção e instalação e a Figura 6.5 mostra os processos para instalação.

51

51 Figura 6.4 – Posicionamento dos painéis fotovoltaicos Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e

Figura 6.4 – Posicionamento dos painéis fotovoltaicos Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

O estudo de caso da pousada flutuante Uacari” , (2008). Figura 6.5 – Etapas da instalação

Figura 6.5 – Etapas da instalação dos módulos fotovoltaicos. Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

Os módulos fotovoltaicos foram instalados no telhado, com uma inclinação de aproximadamente 17° e com uma orientação mais adequada possível ao local de irradiação, uma vez sua orientação varia de acordo com os períodos de seca e cheia, permeando anualmente entre +20° e -20° em relação ao norte geográfico.

Para as conexões elétricas entre os módulos fotovoltaicos foram realizadas para se obter dois sub-geradores fotovoltaicos com 125 W cada. Cada sub-gerador foi

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conectado ao banco de baterias através de um controlador de carga de 40 A. Na Figura 6.6 o diagrama apresenta maiores detalhes da configuração de cada sub- gerador.

maiores det alhes da configuração de cada sub- gerador. Figura 6.6 – Diagrama esquemático de cada

Figura 6.6 – Diagrama esquemático de cada sub-gerador. Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

6.2.2.1.2.3 Montagem do banco de baterias

Apos os geradores fotovoltaicos instalados, deu-se inicio ao processo de montagem do banco de baterias.

Para a configuração do sistema fotovoltaico foi calculado uma tensão de 24 V, com uma distância adequada entre o banco de bateria e os inversores e dimensionamento da bitola dos cabos. A Figura 6.7 ilustra a configuração do

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banco, com a inclusão de quatro barramentos CC, dois positivos e dois negativos, para facilitar na implantação, operação e manutenção do sistema.

na implantação, operação e manutenção do sistema. Figura 6.7 – Configuração do banco de baterias Fonte:

Figura 6.7 – Configuração do banco de baterias Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistemas fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

Foram instaladas 20 baterias para garantir uma profundidade de descarga diária próxima a 20%, e assim, manter a vida útil das mesmas. A Figura 6.8 mostra o banco de baterias instalado, e logo acima o painel com os inversores, barramentos e controladores anteriormente instalados.

barramentos e controladores anteriormente instalados. Figura 6.8 – Detalhes do banco de baterias e painel de

Figura 6.8 – Detalhes do banco de baterias e painel de condicionamento. Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

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6.2.2.1.2.4 Instalação elétrica predial do bloco central da Pousada Uacari

Nesta etapa houve a modelação dos circuitos de distribuição, mantendo um padrão e uma instalação simples. Para isso, os circuitos foram divididos em quatro, e cada um deles alimentado por um inversor de 1.500 VA, tal como mostram as Figuras 6.9 e 6.10.

Para a escolha dos quatro inversores foi verificado e estudado a confiabilidade do suprimento do sistema, com o possível aumento da demanda e na melhor relação custo benefício.

aumento da demanda e na melhor relação custo benefício. Figura 6.9 – Diagrama esquemático dos inversores

Figura 6.9 – Diagrama esquemático dos inversores e quadro de distribuição do circuito 1 e 2. Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

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55 Figura 6.10 – Diagrama esquemático dos inversores e quadro de distribuição do circuito 3 e

Figura 6.10 – Diagrama esquemático dos inversores e quadro de distribuição do circuito 3 e 4 Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

Houve a necessidade de uma reestruturação dos quadros gerais de distribuição, conforme mostrado na Figura 6.11, que faz a utilização de um inversor por circuito

ou um inversor alimentando dois circuitos ao mesmo momento (deixando o outro

em “standby”). Conforme a necessidade foram inseridos medidores de energia para

o monitoramento da energia consumida na pousada, que possibilitará um

acompanhamento para a necessidade de ampliação ou não conforme o consumo, verificado na Tabela 6.1.

ou nã o conforme o consumo, verificado na Tabela 6.1. Figura 6.11 – Quadros de distribuição

Figura 6.11 – Quadros de distribuição com chaves auxiliares Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

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Foi adicionado aos medidores de energia elétrica, um voltímetro digital que foi instalado no piso superior da pousada (conforme mostrado na Figura 6.12), proporcionando a monitoração do nível de tensão do banco de baterias, que possibilita a utilização adequada do sistema de produção e armazenamento da eletricidade e, consequentemente, uma redução do consumo de energia elétrica.

ente, uma redução do cons umo de energia elétrica. Figura 6.12 – Instalação dos medidores de

Figura 6.12 – Instalação dos medidores de energia e voltímetro digital Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

Referente às cargas, o ponto principal modificado foi o sistema de iluminação. Aumento-se o fluxo luminoso e a praticidade de instalação e manutenção, com o rebaixo do pé-direito e a utilização de lâmpadas fluorescentes compactas, que são simples, eficientes e econômicas.

Para a etapa final referente à instalação elétrica predial, foi elaborado um sistema de aterramento. Para isso, utilizaram as massas das toras de madeira encharcadas de água como um caminho alternativo para o escoamento de descargas indesejáveis. Com isso, elaborou-se uma malha de aterramento composta por hastes de aço cobreadas fixadas nas bóias de madeira e distribuídas de para contornar toda pousada na borda flutuante, sendo estas interligadas por cabo de cobre nu.

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6.2.2.2 Sistema de aquecimento solar com garrafas PET

A instalação deste sistema não se diferencia do usual, pode-se utilizar o sistema de

circulação natural (Termosifão) ou circulação forçada como explicado no item 5.1.1.4 deste trabalho. A única diferença dá-se pela substituição do material.

6.2.2.2.1 Composição do Sistema de aquecimento solar com garrafas PET

6.2.2.2.1.1Coletores solar

O coletor solar precisa ser dimensionado de acordo com a caixa d’água a ser

utilizada ou acumulador, pois a água circula no coletor para ser aquecida e também recebe água fria que equilibra a temperatura dentro dos tubos de PVC. Para limitar a temperatura a níveis que mantenham a rigidez do PVC (temperatura máxima de 55ºC quando aplicado em sistemas com baixa pressão), sem causar danos dos mesmos, comprometendo a estrutura do coletor solar ou de todo o conjunto, podendo provocar vazamentos ou a causar a destruição do coletor solar.

Objetivando uma redução de custo foram utilizadas colunas de absorção térmica, tubos e conexões de PVC, que não possuem um desempenho tão eficiente quanto aos tradicionais de cobre ou alumínio.

As garrafas PET e as caixas Tetra Pak, substituem a caixa metálica, o painel de absorção térmica e o vidro utilizado nos coletores convencionais.

Garrafa PET

Para a construção do sistema residencial foram necessárias 240 garrafas PET para

um aquecedor solar que utiliza em média 200 litros de água.

As

garrafas precisam ter a capacidade de 2 litros, acinturadas, transparentes, limpas

e

pressurizadas, para isso é necessário que depois de escorrida a água para

limpeza da mesma, seja levada a geladeira sem a tampa e ao ser retirada e

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tampada, na temperatura ambiente tenha sua expansão máxima a fim de evitar auto- amasse.

Nas garrafas é necessário que se corte o fundo, deixando-as como na Figura 6.13.

que se corte o fundo, deixando-as como na Figura 6.13. Figura 6.13 – Garrafa PET com

Figura 6.13 – Garrafa PET com a formatação de utilização Fonte: Alano (2008)

A caixa metálica com vidro ou as garrafas PET, protegem o interior do coletor das interferências externas, como os ventos e oscilações da temperatura, constituindo um ambiente próprio.

Caixas Tetra Park

São necessárias 220 unidades de caixas de 1 litro, limpas e armazenadas abertas e

no plano.

As caixas Tetra Pak têm sua composição com 5% de alumínio, 20% de polietileno e 75% de celulose, oferecendo um excelente resultado, pois devido a sua composição evita que se deformem na temperatura a que serão submetidas, dentro das garrafas, ao contrário de um papel comum.

As caixas precisam ser cortadas no tamanho de 22,5 cm de comprimento, com um corte de 7,0 cm na parte de baixo da caixa, para isso foi elaborado um gabarito conforme mostrado na Figura 6.14.

foi elaborado um gabarito conforme mostrado na Figura 6.14. Figura 6.14 – Cortes e dobras das

Figura 6.14 – Cortes e dobras das caixas Tetra Park Fonte: Alano (2008)

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Após os preparativos descritos é necessário que as caixas sejam pintadas de tinta preta fosca para uma melhor absorção do calor.

O calor absorvido pelas caixas Tetra Park, pintadas em preto fosco, é retido no

interior das garrafas e transferido para a água através das colunas de PVC, também pintadas em preto.

Cortes e pintura dos tubos de PVC

Os tubos das colunas do coletor solar devem ser cortados, com 100,0 cm para colunas com 5 garrafas cinturadas, desta forma não há dificuldades de instalação do coletor em relação à altura da caixa d’água, pois há diferença em relação à inclinação dependendo da latitude local. No caso da cidade de Tubarão/SC a latitude

é de 28°28’ S. Estes tubos devem ser pintados com tinta preta fosca, com isolamento das pontas com fita crepe.

Para os tubos de distanciamento entre colunas, são cortados tubos com 8,0 cm, sem pintura que distanciam os tubos de 20 mm (1/2) entre as colunas.

A confecção e montagem destes tubos serão compostas com 5 conexões “T” e 5 espaçadores de 8,0 cm conforme mostrado na Figura 6.15.

5 espaçadores de 8,0 cm conforme mostrado na Figura 6.15. Figura 6.15 – Tubos de distanciamento

Figura 6.15 – Tubos de distanciamento Fonte: Alano (2008)

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Montagem do coletor

A Figura 6.16 apresenta os tubos de distanciamento conectando os tubos das colunas que serão encaixados com adesivo na parte de encaixe, formando o barramento superior do coletor.

de encaixe, formando o barramento superior do coletor. Figura 6.16 – Tubos de distanciamento conectando os

Figura 6.16 – Tubos de distanciamento conectando os tubos das colunas Fonte: Alano (2008)

Após a fixação dos tubos de coluna são encaixadas as garrafas PET e colocadas as caixas Tetra Park, conforme ilustradas pelas Figuras 6.17 e 6.18, respectivamente.

ilustradas pel as Figuras 6.17 e 6.18, respectivamente. Figura 6.17 – Colocação das garrafas PET Fonte:

Figura 6.17 – Colocação das garrafas PET Fonte: Alano (2008)

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61 Figura 6.18 – Colocação das caixas Tetra Park Fonte: Alano (2008) A configuração final dos

Figura 6.18 – Colocação das caixas Tetra Park Fonte: Alano (2008)

A configuração final dos módulos de coletores ficará conforme mostrado na Figura

6.19.

de coleto res ficará conforme mostrado na Figura 6.19. Figura 6.19 – Configuração dos módulos do

Figura 6.19 – Configuração dos módulos do coletor Fonte: Alano (2008)

Para a residencia do estudo de caso, foi efetuada a utilização de 2 coletores com 4 módulos, que antes de serem levados ao telhado ou ao suporte foram preparados.

Depois de montados os coletores, foram amarrados 2 tubos de esgoto de 40 mm ao barramento sobre as conexões “T”, que serviram para instalação interna de um tubo

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de 25 mm que trás a água da caixa d’água para ser aquecida, conforme ilustrado na Figura 6.20.

para ser aquecida, conforme ilustrado na Figura 6.20. Figura 6.20 – Tubo de 40mm e 25

Figura 6.20 – Tubo de 40mm e 25 mm Fonte: Alano (2008)

Também foram utilizados drenos nas tubulações para retrolavagem, conforme mostrado pela Figura 6.21.

para retrolavagem, conforme mostrado pela Figura 6.21. Figura 6.21 – Dreno para retrolavagem periódica do

Figura 6.21 – Dreno para retrolavagem periódica do coletor solar Fonte: Alano (2008)

Na Figura 6.22 há a demonstração do projeto final do coletor solar, com os itens apontados de funcionamento do fluxo de água, onde o número 1 é a saída de água

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fria fechada por um tampão; o número 2 é a saída de água quente fechada por um tampão; o número 3 é o dreno para limpeza; o número 4 é o retorno de água quente; e o número 5 é à entrada de água fria.

de água quente; e o número 5 é à entrada de água fria. Figura 6.22 –

Figura 6.22 – Configuração final do coletor Fonte: Alano, modificado (2008)

Para a instalação final deve-se colocar suportes, respeitando os desníveis obrigatórios e também a inclinação em relação a latitude local. No estudo de caso foi utilizada uma configuração conforme a Figura 6.23.

foi utilizada uma configuração conforme a Figura 6.23. Figura 6.23 – Instalação final do coletor sobre

Figura 6.23 – Instalação final do coletor sobre o telhado Fonte: Alano (2008)

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6.2.2.2.1.2 Caixa d’água ou reservatório

Utilizou-se uma caixa d’água de 250 litros somente como reservatório de água quente. A Figura 6.24 ilustra detalhadamente com o percentual de altura das furações conforme a altura da caixa d’água.

das furações conforme a al tura da caixa d’água. Figura 6.24 – Percentual de altura das

Figura 6.24 – Percentual de altura das furações conforme a altura da caixa d’água Fonte: Alano(2008)

Não há obrigatoriedade de ter uma caixa d’água para o fornecimento somente de água quente, pode ser utilizada a mesma para fornecimento de água quente e fria, desde que a quantidade de água fria não ultrapasse o volume de 1/3 da água a ser aquecida.

No projeto como o consumo de utilização de 2 chuveiros ao mesmo tempo, fez-se necessário a instalação de uma torneira bóia de alta vazão, para que a mesma reponha a água consumida rapidamente, mas sem causar turbulência. Por isso também foi instalado um redutor de turbulência, pois o jato d’água liberado pela bóia é dirigido até o fundo impossibilitando que a água retorne para cima.

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7 ANÁLISE DOS RESULTADOS

7.1 Energia fotovoltaica - Pousada Uacari

Foram instalados painéis com capacidade de atendimento à Pousada. A Tabela 6.2 mostra os dados do sistema.

Tabela 6. 2 – Capacidade dos painéis

os dados do sistema. Tabela 6. 2 – Capacidade dos painéis Fonte: MACEDO, et al .

Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, modificado (2008).

A Tabela 6.3 mostra o consumo mensal e diário de eletricidade no módulo central da Pousada.

Tabela 6. 3 – Consumo mensal e diário de eletricidade no modulo central

Consumo mensal e diário de eletricidade no modulo central Fonte: MACEDO, et al . Trabalho sobre

Fonte: MACEDO, et al. Trabalho sobre “Problemas e soluções em sistema fotovoltaicos autônomos na Amazônia: O estudo de caso da pousada flutuante Uacari”, (2008).

Segundo estimativas do IEE, o custo de 1 MWh de energia fotovoltaica gira em torno de U$S 250, devido os investimentos necessários com equipamentos, enquanto o

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custo dessa mesma quantidade produzida em usina hidrelétrica é de U$S 120, ficando mais baratos porque os investimentos em infra-estrutura nesse tipo de geração são menores. Seriam necessários hoje U$S 15 mil em equipamentos para atender totalmente uma residência ocupada por quatro pessoas, com consumo mensal de 200 kWh.

Para a pousada foi investido cerca de 8 kWh o que resultou em um custo total de U$S 600,00, mas com mão de obra própria para instalação.

7.2 Aquecedor solar com garrafa PET

Com base nos testes efetuados em um coletor com 100 garrafas (2,0 m²), com uma vazão constante de 0,02 L/s, obteve-se um rendimento médio instantâneo alcançado de 36%, que pode ser acompanhado na Tabela 6.2, com três ciclos de aquecimento diário, no inverno e verão.

Tabela 6. 4 – Dados do teste de medição no inverno e verão

6. 4 – Dados do teste de medição no inverno e verão Fonte: Alano, modificado (2008).

Fonte: Alano, modificado (2008).

Somente a partir das 10 horas é que se notou o aumento da temperatura da água, mas sendo após 6h no verão ou 5h no inverno, em dias ensolarados, que o mesmo atingiu a temperatura máxima. Mesmo em dias semi-encobertos e dependendo da região, haverá algum rendimento, e lógico, com parcial economia de energia elétrica.

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Na residência do estudo de caso, o sistema abastece dois banheiros e o custo inicial foi de R$ 83,00 e consegue economizar até 120 quilowatts de energia elétrica por mês.

No sistema convencional de um painel solar bem dimensionado e corretamente instalado tende a fornecer em média 75% dos dias do ano (nove meses) de aquecimento de água gratuita e de uma fonte não poluente e inesgotável de energia.

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CONCLUSÕES

8.1 Painel fotovoltaico

A tecnologia fotovoltaica pode ser utilizada para qualquer aplicação elétrica em áreas isoladas ou conectadas à rede elétrica local.

Com análises preliminares, a melhor aplicação deste sistema é a utilização em locais que não possuam rede elétrica local, pois há um ótimo atendimento pelo fator de redução de custos operacionais.

Quanto ao seu alto custo inicial, a geração fotovoltaica é mais viável economicamente, se comparada com a geração a diesel e hidrelétrica a longo prazo.

Outra vantagem é seu caráter ecologicamente limpo, que é ressaltado na estação, preservando a fauna e da flora locais e não emissão de carbono para atmosfera.

As primeiras fotocélulas foram produzidas com um custo médio de US$ 600/Wp (máxima potência fornecida por um módulo nas condições de referência). Em 1975 foram produzidos cerca de 100 kWp de fotocélulas, sendo o preço médio de US$ 45/Wp. Já em 1983, houve uma produção de 18 MWp, correspondendo a um total de vendas de US$ 150.000.000, o que representa uma redução do preço médio para US$ 8,333 / Wp. (KISS, 2009)

Atualmente considerando um consumo mensal de 200 KWh/mês (residência padrão de 4 pessoas) o sistema tem um custo de U$S 15.000,00.

A economia gerada pelo sistema está em torno de R$ 900,00 a R$1.000,00 por ano (considerando dados da AES Eletropaulo SP em setembro de 2009 do custo de R$ 0,259760 kWh mais os tributos em torno de R$ 27,00), a economia obtida na conta de energia elétrica trará o retorno do investimento em média em 27 anos.

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Futuramente o alto custo tende a se reverter, de acordo com o pesquisar do IEE e professor da USP, Roberto Zilles afirma em entrevista que "Assim como aconteceu com os computadores e todas as novas tecnologias, o preço dos painéis tende a cair fortemente, o que irá viabilizar a geração".

8.2 Aquecedor solar

Apesar do alto investimento inicial no caso de utilizar o sistema convencional com placas solares e não o do estudo de caso, o aquecimento solar oferece grandes benefícios, principalmente no Brasil. O entrave maior para a implantação dessa tecnologia não está apenas no preço, mas a própria cultura brasileira, que busca resultados imediatos, principalmente no bolso.

Os sistemas solares são projetados para funcionar por período de 15 a 20 anos. A manutenção envolve a limpeza dos coletores duas a três vezes ao ano.

No uso residencial, o tempo de retorno de investimento é de até quatro anos. Porém, se levada em consideração à alta durabilidade do produto, pode-se embutir na redução de custo a satisfação e economia do consumidor.

Considerando um consumo mensal de 220 KWh/mês (estima-se que o chuveiro elétrico de uma residência de uma família com 4 pessoas permanece ligado em média 1,4 horas por dia, com a potência média anual do chuveiro de 5,00 KW, sendo responsável por um consumo familiar de 365 dias x 5,0 KW x 1,4 hora = 2555 KWh), a um custo de R$ 0,259760 kWh mais os tributos em torno de R$ 27,00 (dados da AES Eletropaulo SP em setembro de 2009), a economia obtida na conta de energia elétrica trará o retorno do investimento entre 24 e 36 meses (em torno de R$ 1.600,00 com a instalação).

Segundo a Abrava, os sistemas de aquecimento solares não têm desvantagens. "Nem para o governo, nem para o usuário, e muito menos para o meio ambiente", opina Carlos Felipe da Cunha Faria, que também afirma que o uso desses aquecedores cresce de 20% a 22% ao ano em todo o mundo, enquanto no Brasil caminha dos 8% para os 15%, em crescimento anual.

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Além da redução na conta de luz, ao aproveitarmos essa fonte de energia gratuita contribui, principalmente nos horários de pico de utilização, aliviando o sistema gerador e distribuidor de energia elétrica.

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RECOMENDAÇÕES

O desafio atual é priorizar e desenvolver novas tecnologias que viabilizem a utilização mais abrangente da energia solar com um melhor desempenho e menor custo, pois a energia solar utiliza uma fonte (sol) inesgotável e disponível a todos.

Para o uso residencial a energia fotovoltaica apresenta viabilidade econômica em regiões afastadas da rede atual de transmissão e menor agressão ambiental. Apresentando potencial econômico e com prospecção de novas tecnologias que a tornem mais viável economicamente e com rendimento melhor.

Para o aquecimento de água com energia solar foi demonstrado que é possível uma boa redução de gastos com a energia elétrica na utilização em chuveiros com um sistema utilizando garrafa PET. Demonstrando que o custo do sistema habitual pode ser vencido com atitudes pequenas (reciclagem).

A utilização de energia solar como fonte de elétrica e de aquecimento em nível residencial é extremamente importante um demonstrativo expressivo de um desenvolvimento sustentável.

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REFERÊNCIAS

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ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10185: Reservatórios térmicos para líquidos destinados a sistemas de energia determinação de desempenho térmico. Rio de Janeiro, 1988 b.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12269: Execução de instalações de sistemas de energia solar que utilizam coletores solares planos para aquecimento de água. Rio de Janeiro, 1992.

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73

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ECOSOL – EQUIPAMENTOS TERMO HIDRÁULICOS. Aquecimento Solar. Disponível em: <http:// www.ecosolenergiasolar.com>. Acesso em: mai. 2009.

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PINI – TÉCHNE: A REVISTA DO ENGENHEITO. Artigos relacionados ao sistema fotovoltaico – A fonte da eternidade, Ed.41, julho 2008 – Paulo KISS. Disponível em: <http:// www.revistatechne.com.br>. Acesso em: jun. 2009.

PINI - TÉCHNE: A REVISTA DO ENGENHEITO- PINI. Artigos relacionados ao sistema fotovoltaico – Como construir, Ed.89, agosto 2004 – Mario Cassolini DIAS. Disponível em: <http:// www.revistatechne.com.br>. Acesso em: jun. 2009.

PINI - TÉCHNE: A REVISTA DO ENGENHEITO- PINI. Artigos relacionados ao sistema de aquecimento solar de água – Pesquisa indica que banho de

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chuveiro elétrico é mais barato, abril 2009 – Rafael FRANK. Disponível em:

<http:// www.revistatechne.com.br>. Acesso em: set. 2009.

Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - PROCEL. Pesquisa geral na homepage. Disponível em: <http://www.eletrobras.com/elb/procel/main.asp>. Acesso em: 11 de abr. 2009.

SÃO PAULO (Cidade) Decreto 49.148, de 21 de janeiro de 2008, Lei 14.1459, de 03 de julho de 2007.

SOLARTERRA Energias Alternativas. Guia prático: energia fotovoltáica. Disponível em: <http:// www.solarterra.com.br/index-trab-publ.html>. Acesso em:

jun. 2009.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Pesquisa Laboratório de Energia Solar. Disponível em: <http:// www.solar.ufrgs.br>. Acesso em: mar. 2009.

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ANEXO A

Lista de materiais para 1 aquecedor solar com 200 garrafas PET, sem os materiais para distribuição de água quente.

A Lista de materiais para 1 aquecedor solar com 200 garrafas PET, sem os materiais para