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ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Conselho Editorial EAD Dóris Cristina Gedrat (coordenadora) Mara Lúcia Machado Astomiro Romais André Loureiro Chaves Andréa

Conselho Editorial EAD Dóris Cristina Gedrat (coordenadora) Mara Lúcia Machado Astomiro Romais André Loureiro Chaves Andréa Eick Cátia Duizith

Conselho Editorial EAD Dóris Cristina Gedrat (coordenadora) Mara Lúcia Machado Astomiro Romais André Loureiro Chaves Andréa

Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora da ULBRA.

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

I58e

Imperatore, Simone Loureiro Brum Estrutura e análise das demonstrações contábeis. / Simone Loureiro Brum Imperatore – Canoas: Ed. ULBRA, 2012.

120p.

1. Contabilidade – fundamentos. 2. Administração fi nanceira – demonstrações contábeis. I. Título.

CDU 657

Setor de Processamento Técnico da Biblioteca Martinho Lutero - ULBRA/Canoas

ISBN 978-85-7528-458-2

Editoração: Roseli Menzen Supervisão de Impressão Gráca: Edison Wolf Gráca da ULBRA

Dados técnicos do livro Fontes: Palatino Linotype, Franklin Gothic Demi Cond Papel: oset 90g (miolo) e supremo 240g (capa) Medidas: 15x22cm

APRESENTAÇÃO

O objetivo da Administração Financeira é maximizar a riqueza dos acionistas. A função do administrador é gerenciar os recursos financeiros (investimentos e financiamentos) de forma a atingir tal objetivo. O contador, nesse contexto, fornece as Demonstrações Financeiras que subsidiam a tomada de decisão. A análise dessas Demonstrações Financeiras propicia a avaliação da evolução patrimonial e das decisões tomadas, daí a sua importância.

O presente livro aborda, uma a uma, as Demonstrações Financeiras e os elementos básicos para sua análise, de forma a contextualizar a leitura e a interpretação do desempenho empresarial.

Bons estudos!

SOBRE O AUTOR

Simone Loureiro Brum Imperatore

É graduada em Ciências Contábeis, especialista em Controladoria pela Universidade Regional Integrada (URI-RS) com a temática “Sistemas de informação com foco no CRM” e mestra em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc-RS) com aprofundamento do tema “Lei de Responsabilidade Fiscal:

estudo da execução orçamentária nos municípios da região metropolitana de Porto Alegre no período de 2000 a 2005”. Tem vasta experiência em qualificação e gestão pública e privada, e – além de ser docente na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) nos cursos de Ciências Contábeis, Administração, Gestão Pública, Gestão Financeira, Gestão de RH – é diretora de Consultoria em Projetos e Gestão Públicos e Privados (PGPP), instituição onde responde pelos programas de Planejamento Estratégico, Políticas e Estratégias Gerenciais e Desenvolvimento Regional.

SUMÁRIO

  • 1 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS/RELATÓRIOS CONTÁBEIS

9

  • 1.1 Processo decisório

..............................................................................................

9

  • 1.2 Conceito de relatório contábil/demonstração nanceira

.....................................

10

  • 1.3 Complementação às Demonstrações Financeiras: Relatório da Diretoria,

Parecer de Auditoria e Notas Explicativas

13

Atividades

16

  • 2 BALANÇO

PATRIMONIAL

19

  • 2.1 O que é Balanço Patrimonial?

............................................................................

19

  • 2.2 Os grupos de contas do Balanço Patrimonial

20

  • 2.3 Principais deduções do Ativo e do Patrimônio Líquido

26

  • 2.4 Decisões de investimento e nanciamento

29

Atividades

.............................................................................................................

32

  • 3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE OU DEREX)

37

  • 3.1 ...........................................................................................................

Receitas

37

  • 3.2 Despesas .........................................................................................................

37

  • 3.3 ................................................................................................

Despesa e custo

38

  • 3.4 Estrutura básica da DRE

39

  • 3.5 ......................................................................................

DRE inovada ou EBITDA

43

  • 3.6 ...........................................................................................................

Reservas

44

Atividades

.............................................................................................................

46

  • 4 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA)

53

  • 4.1 Conteúdo da demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados

53

  • 4.2 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)

57

5

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

......................................................................

65

5.1

Principais transações que afetam o Caixa

...........................................................

66

5.2

Estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa

67

5.3

Demonstração do Fluxo de Caixa: métodos direto e indireto

69

Atividades

.............................................................................................................

75

6

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

79

6.1

Modelo de Demonstração do Valor Adicionado

80

6.2

Instruções de preenchimento da DVA

82

Atividades

.............................................................................................................

85

7

ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

.........................................................

91

7.1

Etapas do processo de Análise das Demonstrações Financeiras

91

7.2

Exame e padronização das Demonstrações Financeiras

.......................................

93

7.3

Leitura e interpretação das demonstrações contábeis: análise vertical

 

e análise horizontal

95

 

Atividades

.............................................................................................................

98

8

ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ATRAVÉS DE INDICADORES

103

8.1

Conceito de índice ou quociente

103

8.2

Índices

econômico-nanceiros

104

8.2

Índices de rotatividade ou atividade

107

Atividades

 

109

REFERÊNCIAS

113

GABARITO

115

  • 1 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS/ RELATÓRIOS CONTÁBEIS

Simone Loureiro Brum Imperatore

A introdução ao estudo das Demonstrações Financeiras dá-se a partir da compreensão da importância (e da abrangência) do processo decisório e do entendimento de como as Demonstrações Financeiras integram tal processo. Cabe salientar os relatórios obrigatórios para Sociedades Anônimas e Sociedades Limitadas.

1.1 Processo decisório

A nossa vida é uma sequência de decisões e escolhas. A cada instante, para vivermos, temos que tomar decisões em graus variados de importância. Algumas são essenciais (papel social, religião, opção profissional), outras são operacionais (o que vestir hoje, onde almoçar, por qual caminho ir à aula). Nessa dinâmica da vida, em muitos casos, temos respostas prontas para as situações, mas, via de regra, a vida sempre se apresenta com situações novas, para as quais temos que elaborar alternativas de ação e escolher entre elas.

Dentro de uma empresa, a situação não é diferente. Frequentemente, os gestores estão tomando decisões, todas elas importantes para a continuidade e o sucesso do negócio. Decisões como definir o preço de venda de um produto, contratar (ou não) um funcionário, financiar uma máquina ou pagá-la à vista, que quantidade de estoque manter de determinada mercadoria, como reduzir custos e produzir mais, entre outras, fazem parte da rotina dos administradores.

Para que possam tomar tais decisões, eles necessitam de dados, informações e subsídios que embasem essas escolhas e, é claro, minimizem os riscos. A Contabilidade é o instrumento que auxilia a administração em suas decisões.

10

ULBRA – Educação a Distância

Na prática, ela coleta todos os dados econômicos e financeiros, registrando-os e sintetizando-os em forma de relatórios (obrigatórios ou não obrigatórios).

1.2 Conceito de relatório contábil/demonstração financeira

10 ULBRA – Educação a Distância Na prática, ela coleta todos os dados econômicos e financeiros,

Marion (2003, p.39) conceitua relatório contábil como a exposição resumida e ordenada de dados colhidos pela Contabilidade. Seu objetivo é relatar às pessoas que se utilizam da Contabilidade (os usuários) os principais fatos registrados em determinado período.

Tais relatórios devem ser elaborados de acordo com as necessidades dos usuários, por exemplo: o relatório sobre o resultado anual de uma floricultura apresentará muito menos detalhes do que o de um banco, que normalmente tem muitos acionistas, grande volume de negócios, entre outros. Dentre os inúmeros relatórios (ou informes) contábeis, destacam-se aqueles que são obrigatórios de acordo com a legislação brasileira. Estes relatórios são conhecidos como Demonstrações Financeiras, ou, ainda, Demonstrações Contábeis. As Demonstrações Financeiras obrigatórias para as S.A. a (sociedades anônimas), segundo a Lei nº 6.404/76, alterada pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09, são as seguintes:

  • a) Balanço Patrimonial (BP);

  • b) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);

  • c) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);

  • d) Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) b ;

  • e) Demonstração do Valor Adicionado (DVA) (obrigatória para as S.A. de capital aberto).

a

Equiparam-se às S.A. (e, consequentemente, seguem a mesma legislação) as chamadas sociedades de

b

grande porte as quais apresentam ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões. A Companhia Fechada com patrimônio líquido superior a R$ 2 milhões será obrigada à elaboração e publicação da Demonstração do Fluxo de Caixa.

11

ULBRA – Educação a Distância

Atenção:

O Balanço Patrimonial (BP) representa a fotografia da empresa em determinado período (seus bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido). Apresenta as aplicações dos recursos da entidade (Ativo) e como estas aplicações estão sendo financiadas (Passivo e Patrimônio Líquido);

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE ou DEREX), como o próprio nome já diz, evidencia a formação do resultado da empresa (lucro ou prejuízo). Esta demonstração evidencia, de forma ordenada, todas as receitas auferidas e as despesas incorridas pela entidade durante determinado período, ou seja, o resultado gerado no período;

A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) visa apresentar, de forma clara, o resultado líquido do período (lucro ou prejuízo), a sua distribuição (no caso de lucro) e a movimentação ocorrida no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados. Para as Cias. Abertas (S. A.), conforme normatização da Comissão de Valores Mobiliários, deverá ser publicada a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), evidenciando a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido (não somente do Lucro Líquido do Exercício). Dentre as alterações mais comuns no Patrimônio Líquido das entidades estão os aumentos de capital social, a apuração e destinação dos lucros;

A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC): indica a origem de todo o dinheiro que ENTROU no caixa ou equivalentes de caixa (bancos e aplicações financeiras disponíveis em 90 dias), bem com a aplicação de todo o dinheiro que SAIU em determinado período e, ainda, o resultado do fluxo financeiro. A DFC propicia ao gerente financeiro a elaboração de melhor planejamento financeiro, sabendo-se o momento certo de buscar recursos para cobrir a insuficiência de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro, proporcionando maior rentabilidade à empresa. Também serve a outros usuários, apresentando a forma como gerou caixa e como utilizou os recursos e valores equivalentes ao caixa. A empresa, quando utiliza essa demonstração com as demais, supre de forma completa os usuários e, principalmente, os habilita à avaliação das mudanças de ativos líquidos de uma empresa e sua estrutura financeira, que podem ser explicadas nas questões de liquidez e solvência;

A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) desenvolve conceitos puramente econômicos, evidenciando quanto de valor a empresa agrega durante seu processo produtivo, ampliando os horizontes de seus usuários. As entidades poderão utilizar-se da DVA para identificar, analisar e comunicar o montante de recursos adicionais gerados para a economia (local, regional, nacional, setorial, etc.), bem como para relacionar quais as fontes e quais as aplicações dessa riqueza, ou seja, para quem ela foi distribuída. Segundo alguns autores, a DVA vem sendo considerada um dos melhores critérios para indicar a medida da eficácia da gestão empresarial. Tudo isso dentro da concepção de que a missão moderna na empresa representa um papel econômico e social.

11 ULBRA – Educação a Distância Atenção: O Balanço Patrimonial (BP) representa a fotografia da empresa

Importante:

Tais demonstrações contábeis, assinadas pelo administrador e pelo contador, devem ser publicadas em dois jornais: no Diário Oficial e em um jornal de grande circulação

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ULBRA – Educação a Distância

na localidade onde é sediada a empresa. Tal publicação deve ser feita no prazo de até cinco dias antes da Assembleia Geral de Acionistas, o que deve ocorrer dentro dos quatro meses subsequentes à data de encerramento do exercício.

12 ULBRA – Educação a Distância na localidade onde é sediada a empresa. Tal publicação deve

Ressalte-se que as chamadas Sociedades Limitadas seguem legislação específica (Lei nº 10.406/2002 – Novo Código Civil), devendo apresentar à Receita Federal (não estão obrigadas à publicação em jornais de grande circulação e diário oficial) as seguintes demonstrações ou relatórios contábeis:

  • a) Balanço Patrimonial;

  • b) Balanço Econômico (equivale à Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados).

Vamos entender um pouco mais sobre esses dois tipos societários antes de prosseguirmos: a Sociedade Anônima (ou companhia) se caracteriza por ter seu capital dividido em partes iguais chamadas ações (os proprietários, geralmente em grande número, são denominados de acionistas) e tem a responsabilidade de seus sócios ou acionistas limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Deverá publicar as Demonstrações Financeiras no Diário Oficial e em outro jornal de grande circulação editado na localidade onde se situa a empresa c . Porém, apesar da legislação definir a periodicidade anual para a publicação das demonstrações, para atender às necessidades gerenciais, a Contabilidade deverá apresentar relatórios contábeis com períodos mais curtos (semanal, quinzenal,

mensal ...

).

A Sociedade Limitada (nova designação dada à antiga sociedade por quotas de responsabilidade limitada) constitui a forma mais usual de sociedade comercial e caracteriza-se por seu capital dividido em quotas (os proprietários, geralmente em pequeno número, são denominados sócios ou quotistas). Não precisa publicar as Demonstrações Financeiras em jornal, mas deverão ser apresentadas junto ao Imposto de Renda, através do preenchimento da Declaração do Imposto de Renda ou para atender ao novo Código Civil.

Algumas características da sociedade limitada são:

  • a) atividades reguladas por um contrato social;

  • b) seu capital social divide-se em cotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio;

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ULBRA – Educação a Distância

  • c) é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado;

  • d) algumas deliberações devem ser tomadas pelos sócios, em reunião ou assembleia.

Resumindo:

RELATÓRIOS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS:

Sociedade Anônima (Lei nº 11.638/07): Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado de Exercício, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (quando de capital aberto) ou Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, Demonstração do Fluxo de Caixa (S.A. abertas e fechadas – estas últimas, com Patrimônio Líquido superior a R$ 2 milhões) e Demonstração do Valor Adicionado (somente para as Cias. Abertas). Sociedades Limitadas (Lei nº 10.406/2002 – Novo Código Civil): Balanço Patrimonial e Balanço do Resultado Econômico (equivale ao DRE e à Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados).

13 ULBRA – Educação a Distância c) é administrada por uma ou mais pessoas designadas no

É importante ressaltar que o exercício social ou período contábil terá duração de um ano, não havendo necessidade de coincidir com o ano civil (de 1º de janeiro a 31 de dezembro), embora, na maioria das vezes, isso aconteça. Para fins de Imposto de Renda considera-se ano civil = exercício social.

1.3 Complementação às Demonstrações Financeiras: Relatório da Diretoria, Parecer de Auditoria e Notas Explicativas

Quando da publicação das Demonstrações Financeiras, as Sociedades Anônimas deverão informar aos usuários desses relatórios dados adicionais. O Relatório da Diretoria (logo após a identificação da empresa) dará ênfase às informações de caráter não financeiro. Saliente-se que esse relatório não tem uma estrutura padronizada, mas, normalmente, contempla a análise corporativa (estratégia corporativa, fatores externos à empresa que afetam seu desempenho, resultados de investimentos significativos, políticas de responsabilidade social desenvolvidas pela entidade, programas de pesquisa e desenvolvimento e projeções quanto ao futuro da entidade); análise setorial (comparação entre o desempenho da entidade com outras que atuam no mesmo segmento econômico); análise financeira (comentários sobre o desempenho e a situação econômico-financeira da entidade); análise de risco (questões relativas à diversificação e à concentração dos negócios da empresa entre ramos de atividade, clientes, fornecedores, ativos e regiões geográficas); práticas de governança corporativa, entre outros.

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ULBRA – Educação a Distância

14 ULBRA – Educação a Distância Além do Relatório da Diretoria, temos as Notas Explicativas ou

Além do Relatório da Diretoria, temos as Notas Explicativas ou notas de rodapé, que são complementos às demonstrações (sem serem demonstrações), destacadas após as referidas demonstrações (abaixo). A publicação de Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras está prevista no § 5º do artigo 176 da Lei nº 6.404/1976, visando fornecer as informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial, ou seja, de determinada conta, saldo ou transação, ou de valores relativos aos resultados do exercício, ou para menção de fatos que podem alterar futuramente tal situação patrimonial, critérios de cálculos na obtenção de itens que afetam o lucro; obrigações de longo prazo (credores, taxa de juros, garantias), ajustes de exercícios anteriores, entre outros.

O Parecer da Auditoria ou Parecer dos Auditores Independentes complementa as Demonstrações Financeiras, sendo quesito obrigatório para as demonstrações das S.A., instituições financeiras e de outros casos específicos. Trata-se de parecer de auditor externo informando se as referidas demonstrações representam adequadamente a situação patrimonial e financeira da empresa, se foram levantadas de acordo com os Princípios Fundamentais da Contabilidade e se há uniformidade em relação ao exercício anterior.

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Exemplo: RELATÓRIOS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS Relatório da Diretoria ___________________________________________________ Em $ milhares ULBRA – Educação a Distância
Exemplo: RELATÓRIOS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS
Relatório da Diretoria ___________________________________________________
Em $ milhares
ULBRA – Educação a Distância

Assinatura dos Diretores

Parecer dos Auditores

Assinatura do Contador – nº registro CRC

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ULBRA – Educação a Distância

Ponto final

No capítulo 1, estudamos as Demonstrações Contábeis e entendemos o quanto elas são importantes para a tomada de decisão. Verificamos que, segundo a Lei nº 11.638/2007, temos como demonstrações obrigatórias para as S.A. o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL (ou Demonstração dos Lucros e Prejuízos

16 ULBRA – Educação a Distância Ponto final No capítulo 1, estudamos as Demonstrações Contábeis e

Acumulados – DLPA), a Demonstração do Fluxo de Caixa e a Demonstração do Valor Adicionado. Já para as Sociedades Limitadas as demonstrações obrigatórias são o Balanço Patrimonial e o Balanço Econômico (DRE + DLPA).

Diferenciamos dois tipos societários: Sociedades Anônimas e Sociedades Limitadas, e verificamos que o tratamento das Demonstrações Contábeis varia de acordo com o tipo de constituição da sociedade empresarial. Além disso, vimos a complementação das Demonstrações Contábeis obrigatórias e seus requisitos e modelo para publicação. Nos capítulos seguintes, estudaremos, em detalhes, uma a uma das demonstrações contábeis, sua estrutura e importância para a gestão.

Atividades

1)

De acordo com o tipo de sociedade por ações, é obrigatória a demonstração:

(

)

Das Origens e Aplicações de Recursos para as Cias. de grande porte.

(

)

Do Valor Adicionado para as Cias. Abertas.

(

)

Dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, no caso das Cias. Fechadas,

(

)

apenas se seu Patrimônio Líquido for superior a R$ 2 milhões. Do Fluxo de Caixa, apenas para as Cias. Abertas.

(

)

Nenhuma das alternativas está correta.

2)

Atribua letra V para assertivas verdadeiras e F para as falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a sequência correta:

De acordo com o art. 176 da Lei nº 6.404/76, alterada pela Lei nº 11.638/07, entre as Demonstrações Financeiras que a Cia. de Capital Aberto deverá elaborar ao nal de cada exercício social, estão:

(

)

Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

(

)

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, Demonstração do Resultado do Exercício.

(

)

Demonstração do Fluxo de Caixa, Demonstração do Valor Adicionado.

 
  • a) V, V, V

  • b) V, F, V

17

ULBRA – Educação a Distância

 
  • c) V, V, F

  • d) F, V, V

  • e) F, V, F

3)

A Lei nº 11.638/07, ao modicar alguns artigos da Lei nº 6.404/76, introduziu a obrigatoriedade da elaboração de duas demonstrações contábeis adicionais pelas Cias. Abertas:

  • a) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e Demonstração do Valor Adicionado.

  • b) Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

  • c) Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

  • d) Demonstração do Valor Adicionado e Demonstração do Fluxo de Caixa.

  • e) Demonstração de Dividendo Obrigatório e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

4)

Em relação às demonstrações contábeis é correto armar:

  • a) A Demonstração das Mutações Patrimoniais mostra a variação da posição nanceira da entidade no curto prazo.

  • b) A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados pode ser substituída, com vantagens, pela Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.

  • c) No Balanço Patrimonial, constituem contas redutoras de Patrimônio Líquido: prejuízos acumulados, ações em tesouraria, capital social a integralizar, ajustes de avaliação patrimonial.

  • d) O cálculo do valor dos dividendos a pagar por ação é evidenciado na Demonstração do Resultado do Exercício.

  • e) No Balanço Patrimonial, as contas do Ativo são apresentadas em grau crescente de liquidez, e as do Passivo em grau crescente de exigibilidade.

5)

Em relação às demonstrações contábeis, considere as seguintes armativas:

17 ULBRA – Educação a Distância c) V, V, F d) F, V, V e) F,
  • I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, de acordo com a Lei nº 6.404/76, é de apresentação obrigatória para todas as sociedades anônimas.

18

ULBRA – Educação a Distância

18 ULBRA – Educação a Distância II. No Balanço Patrimonial está evidenciado o capital de terceiros

II.

No Balanço Patrimonial está evidenciado o capital de terceiros de uma

III.

entidade (e seu consequente grau de endividamento). Na Demonstração/Conta de Lucros/Prejuízos acumulados é evidenciada

IV.

a distribuição do Resultado do Exercício. A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos evidencia as causas que geram a variação das disponibilidades.

V.

A apresentação do Balanço Social é obrigatória apenas para todas as S.A. Está correto o que se arma:

 
  • a) I e II

  • b) II e III

  • c) III e IV

  • d) IV e I

  • e) V e II

6)

Elabore um quadro comparativo entre as Leis nº 6.404/76 e nº 11.638/07 acerca das demonstrações obrigatórias para as sociedades por ações (abertas e fechadas):

Sintetize com suas palavras o que evidencia cada uma das demonstrações contábeis:

  • a) Balanço Patrimonial.

  • b) Demonstração do Resultado do Exercício.

  • c) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

  • d) Demonstração do Fluxo de Caixa.

  • e) Demonstração do Valor Adicionado.

7)

Cite e explique os relatórios que complementam as Demonstrações Financeiras:

  • a) Relatório da Diretoria.

  • b) Notas Explicativas.

  • c) Parecer de Auditoria.

  • d) Diferencie e caracterize as Sociedades Anônimas e as Sociedades Limitadas.

  • 2 BALANÇO PATRIMONIAL

Simone Loureiro Brum Imperatore

O termo “Balanço Patrimonial” nos remonta a uma balança de dois pratos, onde sempre encontramos a igualdade (ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO). A balança ainda remete à ideia de mensuração do peso. Só que no caso do Balanço Patrimonial não se mede o peso, mas o patrimônio. O termo patrimonial, por sua vez, tem origem no patrimônio da empresa, ou seja, conjunto de bens, direitos e obrigações. Juntando as duas partes, obtém-se o Balanço Patrimonial, equilíbrio do patrimônio, igualdade patrimonial. Em sentido amplo, o balanço evidencia a posição contábil, financeira e econômica de uma entidade em determinada data, representando uma posição estática (posição ou situação do patrimônio em determinada data).

2.1 O que é Balanço Patrimonial?

O Balanço Patrimonial apresenta os Ativos (bens e direitos) e Passivos (exigibilidades e obrigações) e o Patrimônio Líquido, que é resultante da diferença entre o total de ativos e passivos. O Balanço Patrimonial é uma das peças extraídas dos livros contábeis, que faz parte do conjunto das Demonstrações Financeiras e é elaborado segundo os princípios contábeis geralmente aceitos.

Segundo Matarazzo (2008, p.41)

O Balanço Patrimonial é a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da empresa – Ativo –, assim como as obrigações – Passivo Exigível – em determinada data. A diferença entre Ativo e Passivo é chamada Patrimônio Líquido e representa o capital investido pelos proprietários da empresa, quer através de recursos trazidos de fora da empresa, quer gerados por esta em suas operações e retidos internamente.

20

ULBRA – Educação a Distância

Assim, temos a chamada Equação Patrimonial Básica, conforme apresentado a seguir.

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

20 ULBRA – Educação a Distância Assim, temos a chamada Equação Patrimonial Básica, conforme apresentado a

Assaf Neto (2002, p.58) menciona que o balanço apresenta a posição patrimonial

e financeira de uma empresa em dado momento. A informação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito provavelmente, sua estrutura se apresentará relativamente diferente algum tempo após seu encerramento.

É a principal demonstração contábil usada por bancos, governo, fornecedores, sindicatos, sócios, acionistas. Reflete a posição financeira em determinado momento, normalmente no final do ano (exercício social) ou de um período prefixado. É como se tirássemos uma foto da empresa e víssemos de uma só vez todos os bens, valores a receber (direitos) e valores a pagar (obrigações) em determinada data.

Iudícibus e Marion (2006, p.19) explicam a expressão Balanço Patrimonial:

O termo balanço decorre do equilíbrio ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO, ou da igualdade APLICAÇÕES = ORIGENS DOS RECURSOS. Parte da ideia de uma balança de dois pratos, onde sempre encontramos a igualdade. Só que, em vez de denominarmos de balança (como a Balança Comercial) denominamos no masculino: Balanço. A expressão patrimonial origina-se do patrimônio global da empresa, ou seja, o conjunto de bens, direitos e obrigações. Daí origina-se a expressão Patrimônio Líquido, a riqueza líquida da empresa num processo de continuidade, a Situação Líquida. Compondo as duas expressões, teremos a expressão Balanço Patrimonial, o equilíbrio do patrimônio, a igualdade patrimonial.

2.2 Os grupos de contas do Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial é uma demonstração simples e fácil de ser entendida, pois visa mostrar a situação econômico-financeira da empresa para leigos, sendo constituído de duas colunas, conforme convenção da Lei nº 6.404/76, que regulamenta as Sociedades por Ações:

  • a) A coluna do lado direito chama-se PASSIVO (obrigações e Patrimônio Líquido);

  • b) A coluna do lado esquerdo chama-se ATIVO (bens e direitos).

Para facilitar a leitura, análise e interpretação do Balanço, Ativo e Passivo dividem- se em grupos de contas que apresentam as contas de mesmas características (prazo e grau de liquidez). Duas regras básicas orientam a distribuição de contas no Balanço Patrimonial:

21

ULBRA – Educação a Distância

  • a) Prazo (vencimento): em Contabilidade, CURTO PRAZO significa, normalmente, o período de até um ano, e LONGO PRAZO, o período superior a um ano. Assim, na data de elaboração do Balanço, 31/12/20XX, por exemplo, todas as contas a receber até 31/12/20X1 (um ano da elaboração do balanço) serão agrupadas num mesmo título do Ativo (Ativo Circulante), assim como todas as contas a pagar até o nal do ano seguinte (31/12/20X1) serão agrupadas num mesmo título no Passivo (Passivo Circulante). O mesmo ocorre com as contas de LONGO PRAZO que são classicadas em Ativo Não Circulante, no subgrupo Realizável a Longo Prazo (direitos realizáveis num período superior a um ano) e no Passivo Não Circulante (obrigações vencíveis num período superior a um ano).

21 ULBRA – Educação a Distância a) Prazo (vencimento): em Contabilidade, CURTO PRAZO significa, normalmente, o
  • b) Grau de LIQUIDEZ: liquidez vem do verbo liquidar, pagar os compromissos, assim, os itens mais rapidamente conversíveis em dinheiro são classicados em primeiro plano. Assim, temos caixa, bancos, duplicatas a receber, mercadorias em estoque, etc.

A seguir, vamos conhecer os grupos de contas do Balanço Patrimonial.

2.2.1 Ativo

No ativo, as contas devem ser dispostas em ordem decrescente de realização, ou seja, de acordo com a facilidade de conversão em dinheiro. Assim, os itens patrimoniais cuja velocidade de conversão em dinheiro é maior (caixa, bancos, contas a receber, mercadorias) são classificados em primeiro plano. Os de menor liquidez (valores a receber no longo prazo, máquinas e equipamentos, veículos, terrenos, etc.) aparecem num segundo plano, de acordo com a velocidade (ou potencialidade de conversão em dinheiro).

Os elementos registrados estão estruturados nos seguintes subgrupos (de acordo com o parágrafo 1º do artigo 178 da Lei nº 6.404/76 alterado pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09):

  • a) Ativo Circulante;

  • b) Ativo Não Circulante: compreende Ativo Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível.

IMPORTANTE: Para ser Ativo, é preciso preencher quatro requisitos:

  • a) ser classicado em bens e ou direitos;

  • b) ser de propriedade da empresa;

  • c) avaliável monetariamente (R$);

  • d) representar benefícios presentes ou futuros.

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ULBRA – Educação a Distância

22 ULBRA – Educação a Distância Ativo Circulante O Ativo Circulante engloba contas que constantemente estão

Ativo Circulante

O Ativo Circulante engloba contas que constantemente estão em giro, em movimento (daí a expressão circulante). Constitui o capital de giro da empresa, onde estão dispostas as contas Caixa, Bancos e outros itens que serão transformados em dinheiro, consumidos ou vendidos a curto prazo, ou seja, dentro de um ano (contas a receber, bens de consumo, investimentos temporários, mercadorias para revenda, etc.).

De acordo com a Lei nº 6.404/76, o Ativo Circulante subdivide-se em:

  • a) Disponível: refere-se às contas onde são registrados os valores que representam o dinheiro em caixa, os saldos disponíveis em contas de movimento bancário, os saldos de contas relativas aos ativos imediatamente liquidáveis;

  • b) Direitos (créditos) Realizáveis no Exercício Seguinte: saldos relativos a aplicações em valores mobiliários, operações no mercado aberto; contas a receber, com vencimentos para o exercício seguinte, tais como: contas ou duplicatas a receber por vendas mercantis (inclusive cheques pré-datados); adiantamentos a empregados, adiantamentos a diretores/sócios, impostos a recuperar/restituir, e outros;

  • c) Estoques: incluem três contas:

estoque de mercadorias, matérias-primas, embalagens e materiais secundários empregados em processo de produção, materiais de consumo e produtos em trânsito, subprodutos e resíduos;

estoque de imóveis prontos para a venda ou em construção com prazo de entrega até 12 meses (no caso de construtora);

estoque de materiais em poder de terceiros para beneciamento.

  • d) Despesas Apropriáveis no Exercício Seguinte (ou Despesas Antecipadas): registram-se neste subgrupo os valores das despesas pagas antecipadamente, ou, em outras palavras, cujo prazo de vigência é futuro, devendo ser contabilizadas mensalmente de acordo com o período a que se refere: Prêmios de Seguros a Apropriar ou a Vencer; Despesas Financeiras a Apropriar ou a Vencer; Aluguéis a Apropriar ou a Vencer.

O termo “a Apropriar” (ou a Vencer) refere-se à aplicação do Princípio da Competência, no qual se deve reconhecer e classificar as contas de resultado (receitas e despesas) no período a que se referem, independentemente do seu efetivo recebimento (receitas) ou pagamento (despesas). Assim, se pago o aluguel da empresa antecipado, com vigência para 18 meses, preciso registrar o valor pago antecipadamente como despesa apropriável e, mês a mês, fazer o “reconhecimento” da despesa no mês correto (aluguel de janeiro de 2010 contabilizado no mês de janeiro de 2010 e assim sucessivamente).

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ULBRA – Educação a Distância

Ativo Não Circulante

Este grupo compõe-se de subgrupos, a saber: Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível, conforme veremos a seguir.

a)

Realizável a Longo Prazo

Neste subgrupo são registrados os direitos realizáveis após o encerramento do Exercício Seguinte (mais de 360 dias após o encerramento do Balanço Patrimonial):

Duplicatas a Receber, Adiantamentos ou Empréstimos a Fornecedores ou a Sociedade Coligada ou Controlada, Adiantamentos ou Empréstimos a Diretores d . Também são registradas as despesas apropriáveis após o encerramento do Exercício Seguinte referentes a encargos financeiros exigíveis após o exercício seguinte ao do encerramento do Balanço.

b)

Investimentos

Em que podem ser registrados:

as participações permanentes em outras sociedades;

• os empreendimentos relativos ao plantio de orestas destinados à proteção do solo ou à preservação do meio ambiente, sem que se destinem à manutenção da atividade da empresa;

as importâncias aplicadas na aquisição de imóveis, desde que não sejam para revenda ou destinadas à manutenção das atividades da empresa (ex.: imóveis para aluguel);

as aplicações em ouro, quando não constarem do objeto social da pessoa jurídica.

c)

Imobilizado

Registram-se nesse subgrupo os bens e os direitos que tenham por objeto bens destinados para a manutenção das atividades da empresa ou exercidos com essa finalidade. Exemplos: máquinas, equipamentos, construções, veículos, móveis e utensílios, etc.

d)

Intangível

23 ULBRA – Educação a Distância Ativo Não Circulante Este grupo compõe-se de subgrupos, a saber:

Registram-se neste grupo os direitos correspondentes à propriedade industrial e comercial da empresa, as patentes de invenção, as marcas, fórmulas e processos de fabricação, valor do ponto comercial e outros de idêntica natureza.

24

ULBRA – Educação a Distância

2.2.2 Passivo

Em ordem de exigibilidade (vencimento), as contas do Passivo são estruturadas nos seguintes grupos:

24 ULBRA – Educação a Distância 2.2.2 Passivo Em ordem de exigibilidade (vencimento), as contas do

a) Passivo Circulante

São registradas as obrigações da empresa que serão pagas no prazo de um ano (curto prazo). As principais contas do Passivo Circulante são:

Fornecedores: origina-se das operações de compra a prazo, no mercado nacional ou no exterior, de matérias-primas destinadas ao processo produtivo, mercadorias com a nalidade de revenda ou outros materiais ou insumos;

Tributos a Pagar/Recolher: compreende as obrigações relativas a impostos, taxas e contribuições;

• Salários e Encargos Sociais: compõe-se das obrigações da empresa para com seus empregados e aos agentes arrecadadores de contribuições sociais, bem como as obrigações conhecidas como previsíveis e calculáveis na data do balanço;

• Empréstimos e Financiamentos de Instituições Financeiras: compreende os recursos obtidos pela empresa junto a instituições nanceiras do País com a nalidade de nanciar imobilizações ou o próprio giro do negócio;

• Além das contas descritas acima, podemos encontrar muitas outras contas no Passivo Circulante, tais como: adiantamentos, contas a pagar, dividendos, graticações e participações, empréstimos em moeda estrangeira, etc.

b) Passivo Não Circulante

Registram-se as contas que representam as obrigações vencíveis após o prazo de um ano (encerramento do exercício seguinte). Classificam-se neste grupo as seguintes contas:

• Financiamentos; • Parcelamentos de Débitos Fiscais e Sociais; • Créditos de Empresas Coligadas e Controladas; etc.

Em sentido restrito, poderíamos considerar como PASSIVO apenas o Passivo Exigível (Circulante e Não Circulante). Em sentido amplo, porém, esse termo é utilizado como o total das exigibilidades (dívidas com terceiros) e dos recursos próprios (Patrimônio Líquido), a saber.

25

ULBRA – Educação a Distância

c) Patrimônio Líquido

Conforme já estudamos, o Patrimônio Líquido é a diferença entre o Ativo e o Passivo. Representa os investimentos dos proprietários (Capital Social), mais os lucros reinvestidos (reservas). Deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados. Saliente-se que no capítulo 3 estudaremos mais detalhadamente as reservas.

25 ULBRA – Educação a Distância c) Patrimônio Líquido Conforme já estudamos, o Patrimônio Líquido é

Para sua melhor compreensão, apresentamos a seguir um resumo dos Grupos e Subgrupos do Balanço Patrimonial:

Quadro 1 – Grupos do Balanço Patrimonial.

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

PASSIVO

CIRCULANTE São contas que estão constantemente em giro – movimento –, sendo que a conversão em dinheiro ocorrerá, no máximo, no próprio exercício social.

CIRCULANTE São obrigações exigíveis que serão liquidadas nos próximos 360 dias após o levantamento do Balanço Patrimonial.

NÃO CIRCULANTE

NÃO CIRCULANTE

  • a) Realizável a Longo Prazo:

Exigível a Longo Prazo

São bens e direitos que se transformarão em

São as obrigações (dívidas

dinheiro um ano após o levantamento do BP.

de longo prazo) que serão

  • b) Investimentos:

liquidadas com prazo superior a

São as inversões financeiras de caráter permanente

um ano após o levantamento do

que geram rendimentos e que não são necessárias à manutenção da atividade fundamental da empresa.

Balanço Patrimonial.

  • c) Imobilizado:

São itens de natureza permanente que serão

utilizados para a manutenção da atividade básica da empresa.

  • d) Intangível:

Bens e direitos que tenham por objeto bens

incorpóreos destinados à manutenção da empresa ou exercidos com essa finalidade.

 

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

São os recursos dos proprietários aplicados na empresa. Tais recursos significam o Capital mais o seu rendimento (lucros) e reservas.

Fonte: elaborado pela autora.

26

ULBRA – Educação a Distância

Cabe salientar a importância de compreender o que encontramos em cada grupo patrimonial para facilitar a compreensão do Balanço Patrimonial.

2.3 Principais deduções do Ativo e do Patrimônio Líquido

A seguir, são apresentadas as principais deduções (contas redutoras ou de ajuste)

26 ULBRA – Educação a Distância Cabe salientar a importância de compreender o que encontramos em

relacionadas ao Ativo Circulante, ao Ativo Não Circulante e ao Patrimônio Líquido.

  • 2.3.1 Deduções do Ativo Circulante

No item Duplicatas a Receber (ou Contas a Receber/CLIENTES), encontram-se duas deduções:

  • a) a parcela estimada pela empresa que não será recebida (inadimplência), com o título Provisão para Devedores Duvidosos (o cálculo é feito de acordo com a média considerada incobrável em exercícios anteriores);

  • b) parcela das duplicatas a receber negociadas com as instituições nanceiras (antecipação de recebíveis), com o título de Duplicatas Descontadas;

  • c) na conta Estoques, se o valor de mercado deste item for menor que o valor do custo de aquisição ou produção, deverá ser deduzida a provisão para ajustá-lo ao valor de mercado (conservadorismo).

    • 2.3.2 Deduções do Ativo Não Circulante

No grupo Investimentos, encontram-se como deduções as Provisões para Perdas, com o objetivo de cobrir as perdas prováveis na realização financeira, quando comprovadas (tais perdas) como permanentes.

No Imobilizado, como dedução do valor bruto, encontram-se as contas Depreciação, Amortização e Exaustão. A perda de valor dos bens do Ativo Não Circulante em virtude da ação do tempo, uso, da evolução técnica (obsolescência), ou exaustão, será registrada periodicamente nas contas de:

  • a) Depreciação Acumulada: corresponde à perda do valor dos bens que têm por objeto bens físicos (tangíveis) sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou por obsolescência técnica. A taxa anual de depreciação é determinada em função da vida útil do bem, isto é, do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica dele na produção. A Secretaria da Receita Federal estabelece e publica as taxas de depreciação conforme o prazo de vida útil admissível para cada item do Ativo Imobilizado;

27

ULBRA – Educação a Distância

  • b) Amortização Acumulada: quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos de propriedade industrial ou comercial, marcas, patentes, benfeitorias em imóveis de terceiros e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada. A taxa anual de amortização é fixada considerando-se: o número de anos restantes da existência do direito amortizável e a legislação do Imposto de Renda (prazos mínimos e máximos);

27 ULBRA – Educação a Distância b) Amortização Acumulada: quando corresponder à perda do valor do
  • c) Exaustão Acumulada: corresponde à perda do valor decorrente da exploração de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou orestais, ou bens aplicados nessa exploração. As mineradoras poderão considerar como custo ou despesa, em cada exercício, o valor correspondente à percentagem extraída de minério no período sobre o custo de aquisição ou prospecção dos recursos minerais explorados. O valor da quota de exaustão orestal em cada exercício é apurado através da identicação do percentual entre o volume de recursos orestais explorados em relação ao volume da oresta no início do período-base.

2.3.3 Deduções do Patrimônio Líquido

O Patrimônio Líquido pode ser reduzido:

  • a) quando há prejuízo no exercício, evidenciado pela conta Prejuízos Acumulados;

  • b) quando houver capital ainda não realizado, o Patrimônio Líquido demonstrará o montante do valor subscrito pelos sócios e, por dedução, o valor ainda pendente de realização em dinheiro ou outros bens e direitos na conta Capital Social a Integralizar;

  • c) também será demonstrado por dedução o valor empregado nas aquisições de ações ou quotas do capital social da própria sociedade na conta Ações em Tesouraria;

  • d) outra conta redutora de Patrimônio Líquido é Ajustes de Avaliação Patrimonial, em que se contabilizam os ajustes negativos (diminuições) de avaliações de Ativos a preço de mercado.

Na sequência, apresentamos a estrutura do Balanço Patrimonial segundo a Lei nº 6.404/76, alterada pelas Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/09.

28

ULBRA – Educação a Distância

28 ULBRA – Educação a Distância Quadro 2 – Estrutura básica do balanço patrimonial. ATIVO PASSIVO

Quadro 2 – Estrutura básica do balanço patrimonial.

ATIVO

PASSIVO

CIRCULANTE

CIRCULANTE

DISPONIBILIDADES Caixa

Empréstimos Fornecedores Obrigações fiscais e sociais

Bancos Conta-Corrente Aplicações de Liquidez Imediata

CRÉDITOS Clientes (-) Provisão para Devedores Duvidosos (-) Duplicatas Descontadas Títulos a Receber Bancos Conta Vinculada

ESTOQUES

Adiantamento de clientes Utilidades e serviços a pagar

Gratificações a empregados, diretores, administradores Salários, férias e 13º salário a pagar Títulos a Pagar Debêntures a Pagar

Adiantamentos a Terceiros Adiantamentos a Funcionários Impostos a Recuperar

Mercadorias para Revenda Matérias-primas Materiais de Embalagem Materiais de Limpeza

DESPESAS ANTECIPADAS Prêmios de seguros a apropriar Encargos financeiros a apropriar Aluguéis a apropriar

NÃO CIRCULANTE

NÃO CIRCULANTE

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Clientes

Investimentos

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

Empréstimos e financiamentos Títulos a Pagar

Bancos conta Vinculada Títulos a Receber Créditos de Acionistas Créditos de Diretores Créditos de Coligadas e Controladas Adiantamentos a Terceiros Impostos a Recuperar

Participação em sociedades (controladas e coligadas) Participações em outras empresas Imóveis não de uso – de renda Direito de Exploração de Recursos Naturais (minerais e vegetais) (-) exaustão acumulada

PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social (-) Capital social a integralizar (-) Ações em tesouraria (- +) Ajustes de avaliação patrimonial (-) Prejuízos acumulados Reservas

Imobilizado Terrenos Instalações Máquinas, aparelhos e equipamentos Móveis e Utensílios Veículos Ferramentas (-) depreciação acumulada Obras em andamento

Intangível Marcas, direitos e patentes industriais (-) amortização acumulada

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ULBRA – Educação a Distância

Observada a estrutura básica do Balanço Patrimonial conforme a legislação vigente, cabe ressaltar a importância dessa demonstração na gestão da empresa, tendo em vista que apresenta, de forma sucinta, as origens (Passivo e Patrimônio Líquido) e as aplicações (Ativo) de recursos, de onde temos os subsídios para as decisões de investimento e financiamento.

2.4 Decisões de investimento e financiamento

29 ULBRA – Educação a Distância Observada a estrutura básica do Balanço Patrimonial conforme a legislação

Entende-se por investimento toda a aplicação de capital em algum ativo (bens e direitos) tangível ou intangível, para obter determinado retorno no futuro. Um investimento pode ser a criação de uma nova empresa, ou pode ser um projeto em uma empresa já existente, por exemplo.

No setor industrial, o projeto de investimento mais clássico é a aquisição de novas linhas de produção. Mas também são importantes os projetos de reposição de equipamentos, reforma de linhas de produção antigas, projetos para automação industrial, projetos para adoção de novas tecnologias e projetos linha verde, objetivando reduzir os impactos ambientais dos processos produtivos.

No setor agroindustrial, os projetos envolvem aplicações de recursos na aquisição de maquinário agrícola, na construção de silos e armazéns, no melhoramento genético e do solo, no aumento da produtividade, na formação de cooperativas, no processamento de produtos in natura, agregando valor na informatização do controle da produção e nos canais de comercialização.

Já no setor de serviços, os projetos de investimento referem-se desde a reforma de instalações até campanhas publicitárias. Os gastos com automação comercial e sistemas de informações gerenciais também são projetos de investimento, na medida em que podem aumentar ou diminuir o valor da empresa no longo prazo.

No segmento comercial, os projetos centram-se nos investimentos em marketing, diferenciais mercadológicos, TI, dentre outros.

O Quadro 3 ilustra as principais questões que devem ser respondidas antes de se tomar uma decisão de investimento na empresa, utilizando-se da estrutura do Ativo. Sabe-se que esta estrutura se altera em função do ramo de negócios da empresa e de suas características específicas, no entanto, em quaisquer ramos, as questões respondidas são semelhantes para qualquer empresa.

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ULBRA – Educação a Distância

30 ULBRA – Educação a Distância Quadro 3 – Decisão de Investimento. ATIVO Questões a serem

Quadro 3 – Decisão de Investimento.

ATIVO

Questões a serem respondidas

Ativo Circulante (até 360 dias) Disponibilidades Créditos Estoques Despesas Antecipadas Ativo Não Circulante (+ de 360 dias) Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível

Onde estão aplicados os recursos financeiros? Quanto em ativos circulantes? Quanto em ativos não circulantes? Em quais? Qual a melhor composição dos ativos? Qual o risco do investimento? Qual o retorno do investimento? Quais as novas alternativas de investimentos? Como decidir em quais ativos investir? Como maximizar a rentabilidade dos investimentos existentes? O que deve ser descartado, reduzido ou eliminado por não acrescentar valor?

Fonte: adaptado de Lemes Júnior, Rigo, Cherobim. (2002, p.10)

No que se refere às decisões de financiamento, a composição de recursos da empresa é chamada de ESTRUTURA FINANCEIRA e pode ser verificada do lado direito do balanço: o PASSIVO. Tais decisões envolvem a escolha da estrutura de capital, a determinação do custo de capital e a captação de recursos. Remetem, portanto, à definição das fontes de financiamentos a serem utilizadas nas atividades da empresa e nos projetos de investimento. Os recursos financeiros advêm de duas fontes: capital próprio (Patrimônio Líquido) e de terceiros (obrigações, dívidas).

O capital próprio é formado por recursos dos proprietários e acionistas da empresa. Tais recursos são feitos no longo prazo, através da compra de ações, do investimento em cotas, do reinvestimento de lucros gerados, etc. O capital de terceiros entra na empresa por meio de empréstimos e financiamentos obtidos de instituições financeiras, além das dívidas da empresa com fornecedores (duplicatas a pagar), com funcionários (salários a pagar), com o governo (tributos a pagar/recolher), conforme evidenciado no Quadro 4.

31

ULBRA – Educação a Distância

Quadro 4 – Decisões de financiamento.

Passivo

Questões a serem respondidas

Passivo Circulante (até 360 dias) Fornecedores Empréstimos e Financiamentos Impostos a Pagar Salários a Pagar Encargos a Recolher Outros Passivo Não Circulante (+ 360 dias) Financiamentos Patrimônio Líquido Capital Social Reservas Ajustes de Avaliação Patrimonial

• Qual a estrutura de capital? • De onde vêm os recursos? • Qual a participação de capital próprio? • Qual a participação de capitais de terceiros? • Qual o perfil do endividamento? • Qual o custo de capital? Como reduzi-lo? • Quais as fontes de financiamento utilizadas e seus respectivos custos? • Quais deveriam ser substituídas ou eliminadas? • Qual o risco financeiro? • Qual o sincronismo entre os vencimentos das dívidas e a geração de meios de pagamento?

Fonte: adaptado de Lemes Júnior, Rigo e Cherobim. (2002, p.12)

31 ULBRA – Educação a Distância Quadro 4 – Decisões de financiamento. Passivo Questões a serem

As questões pontuadas por Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2002) nos remetem às primeiras “leituras” do Balanço Patrimonial, com vistas a compreender as informações contidas nesse relatório. Analistas, bancos, investidores, sindicatos, fornecedores, governo, buscam respostas a tais indagações com vistas a mensurar o risco e a liquidez das entidades, tópicos que estudaremos a seguir.

Ponto final

O Balanço Patrimonial é a demonstração financeira destinada a evidenciar, de forma qualitativa e quantitativa, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da entidade. No Balanço Patrimonial as contas deverão ser classificadas de acordo com os elementos do patrimônio que registrem, de forma a facilitar sua leitura e interpretação. Saliente-se que no Ativo (aplicações de recursos – bens e direitos) as contas estão organizadas em ordem dos prazos esperados de realização, enquanto que no Passivo (origem dos recursos) estão em ordem de exigibilidade (vencimento).

32

ULBRA – Educação a Distância

32 ULBRA – Educação a Distância Atividades 1) O Balanço Patrimonial serve como elemento de partida

Atividades

1)

O Balanço Patrimonial serve como elemento de partida fundamental para o conhecimento da situação nanceira e patrimonial da entidade. Em relação ao Balanço Patrimonial, é correto dizer:

  • a) O Passivo representa as aplicações dos recursos.

  • b) Os capitais de terceiros contemplam os bens e direitos da organização.

  • c) O Ativo representa as aplicações de recursos.

  • d) As obrigações vencíveis no curto prazo devem ser registradas no Ativo Circulante.

  • e) Apresenta a formação do resultado do exercício.

2)

O Balanço Patrimonial é a fotograa dos atos e fatos contábeis de uma entidade, expresso em valores monetários. É nalidade do Balanço Patrimonial:

  • a) Demonstrar o resultado do exercício.

  • b) Evidenciar as mutações do Patrimônio Líquido.

  • c) Detalhar a movimentação dos recursos nanceiros disponíveis.

  • d) Demonstrar a situação patrimonial e nanceira da empresa/organização, no encerramento do exercício social, e as mutações ocorridas durante o exercício.

  • e) Apresentar as mutações do Patrimônio Líquido.

3)

Em relação ao Balanço Patrimonial, as Disponibilidades, os Direitos Realizáveis durante o exercício social seguinte ao do Balanço, bem como as aplicações de recursos em Despesas do Exercício Seguinte, serão classicados em:

  • a) Ativo Circulante.

  • b) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo.

  • c) Ativo Não Circulante Imobilizado.

  • d) Ativo Não Circulante Investimentos.

  • e) Ativo Não Circulante Intangível.

33

ULBRA – Educação a Distância

4)

As contas que representam bens destinados à manutenção das atividades da empresa, como: Móveis e Utensílios, Veículos, Instalações, Imóveis, Computadores e Periféricos, etc., são classicadas:

  • a) No Ativo Circulante.

  • b) No Passivo Exigível a Longo Prazo.

  • c) No Ativo Não Circulante Imobilizado.

  • d) No Ativo Não Circulante Intangível.

  • e) No Ativo Não Circulante Investimentos.

5)

Os direitos realizáveis compreendem as contas representativas de direitos ou valores a receber que, embora não representem dinheiro disponível em determinada data, serão convertidos em dinheiro em maior ou menor prazo. As contas que representam direitos a receber no curto prazo são classicadas:

  • a) No Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo.

  • b) No Ativo Circulante.

  • c) No Passivo Circulante.

  • d) No Ativo Não Circulante Investimentos.

  • e) No Passivo Circulante.

6)

As obrigações de longo prazo referem-se aos valores a pagar cuja liquidação ocorrerá em prazo superior ao seu ciclo operacional ou após o exercício social seguinte. As contas que representam obrigações de longo prazo devem ser classicadas:

  • a) No Passivo Circulante.

  • b) No Passivo Não Circulante.

  • c) No Patrimônio Líquido.

  • d) No Ativo Circulante.

33 ULBRA – Educação a Distância 4) As contas que representam bens destinados à manutenção das
  • e) No Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo.

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ULBRA – Educação a Distância

34 ULBRA – Educação a Distância 7) No Balanço Patrimonial, as aplicações de recursos em despesas

7)

No Balanço Patrimonial, as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte deverão ser classicadas no:

  • a) Ativo Intangível.

  • b) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo.

  • c) Ativo Circulante.

  • d) Ativo Não Circulante Imobilizado.

  • e) Patrimônio Líquido.

8)

O Balanço Patrimonial da empresa Lizbela Confecções está assim constituído:

Ativo Circulante

R$ 3.000.000

Ativo Não Circulante

R$ 10.000.000

Passivo Circulante

R$ 2.000.000

Passivo Não Circulante

R$ 1.500.000

Patrimônio Líquido

R$ 9.500.000

Com base nessas informações, pode-se armar que:

  • a) O seu capital próprio é de R$ 13.000.000.

  • b) O capital de terceiros é de R$ 1.500.000.

  • c) O conjunto de bens e direitos disponíveis e realizáveis no curto prazo é de R$ 3.000.000.

  • d) As obrigações exigíveis no longo prazo totalizam R$ 2.000.000.

  • e) As aplicações de recursos totalizam R$ 10.000.000.

35

ULBRA – Educação a Distância

9)

Aponte a alternativa em que não há correlação entre os termos agrupados:

  • a) Máquinas e equipamentos; veículos para entrega de mercadorias; imóvel da fábrica.

  • b) Caixa; Bancos conta Movimento; Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata.

  • c) Capital Social; Ajustes de avaliação patrimonial; Reservas de Lucro.

  • d) Duplicatas a Receber (até 6 meses); Estoques; Empréstimos a Sócios/ Empresas Coligadas.

  • e) Salários a Pagar (mês seguinte), Impostos a Recolher (daqui a 30 dias); Fornecedores (curto prazo).

10)

As aplicações efetuadas por empresas industriais em bens imóveis que se destinam à renda (para aluguel) devem ser classicadas como:

  • a) Ativo Não Circulante Imobilizado.

  • b) Ativo Não Circulante Intangível.

  • c) Ativo Não Circulante Investimentos.

  • d) Ativo Circulante.

35 ULBRA – Educação a Distância 9) Aponte a alternativa em que não há correlação entre
  • e) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo.

  • 3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE OU DEREX)

Simone Loureiro Brum Imperatore

Antes de prosseguirmos com o estudo do DRE, torna-se necessário que você conheça as contas de resultado, quer sejam: as Receitas e Despesas (e custos). Elas aparecem durante o exercício social, encerrando-se (zerando) ao deste. Não fazem parte do Balanço Patrimonial como as contas patrimoniais (bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido), mas é por meio delas que sabemos se a empresa apresentou lucro ou prejuízo em suas atividades. Vejamos ...

  • 3.1 Receitas

São valores que a empresa gera como fonte de recursos financeiros, para atender a seus gastos e manter as suas atividades, ou seja, decorrem da venda de bens (mercadorias) ou da prestação de serviços. Constituem INGRESSOS (entradas) de recursos para o patrimônio da entidade sob a forma de bens e direitos, correspondendo, em geral, a vendas de mercadorias ou prestação de serviços. Podem derivar, também, de remunerações sobre aplicações ou operações financeiras. A receita sempre aumenta o Patrimônio Líquido. Ex.: Vendas à Vista, Vendas a Prazo, Receitas de Prestação de Serviços, Aluguéis Ativos, Juros Ativos, Descontos Obtidos.

  • 3.2 Despesas

Segundo Marion (2006, p.78), despesa é todo o sacrifício, todo o esforço da empresa para obter receita. Cherman (2010, p.4) sintetiza: “São gastos consumidos, direta ou indiretamente, na obtenção de receitas”.

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ULBRA – Educação a Distância

Em outras palavras, é o gasto relativo a bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para:

  • a) comercialização e distribuição dos produtos (despesa de vendas);

  • b) direção geral e área de apoio (despesa administrativas);

38 ULBRA – Educação a Distância Em outras palavras, é o gasto relativo a bem ou
  • c) remuneração do capital de terceiros (despesa nanceira).

As despesas deverão ser registradas por ocasião do consumo dos bens ou serviços utilizados pela empresa para a manutenção, independentemente de seu efetivo pagamento. Constituem SAÍDAS de recursos e se refletem no Balanço Patrimonial através da redução do saldo de Caixa (ou Banco Conta-Corrente) quando é paga no ato (à vista), ou mediante o aumento de uma obrigação, quando é contraída no presente para ser paga no futuro (a prazo). Ex.: Água e Esgoto, Material de Expediente, Aluguéis Passivos, Juros Passivos, Café e Lanches, Luz, Descontos Concedidos, Salários, Despesas Bancárias, Encargos Sociais, Fretes, Prêmios de Seguros, Impostos, Telefone, etc.

Bem, se receitas e despesas são CONTAS DE RESULTADO, as contas que representam bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido (as quais você já conhece) são chamadas de CONTAS PATRIMONIAIS. Fica fácil de diferenciar:

Contas Patrimoniais

Contas Patrimoniais Balanço Patrimonial (bens, direitos, obrigações e PL)

Balanço Patrimonial (bens, direitos, obrigações e PL)

Contas de Resultado

Contas de Resultado DRE (receitas, despesas e custos)

DRE (receitas, despesas e custos)

3.3 Despesa e custo

Precisamos diferenciar despesa e custo.

Quando a matéria-prima é adquirida (comprada), constitui um gasto, ou seja, um desembolso (saída de dinheiro, pagamento) para a aquisição de um bem, sendo “estocada” no Ativo. No instante em que essa matéria-prima entra em produção, a reconhecemos como CUSTO.

Portanto, todos os gastos no processo de industrialização, que contribuem com a transformação da matéria-prima (fabricação) em produto, entendemos como custos:

mão de obra, energia elétrica, manutenção, desgaste de máquinas utilizadas para a produção (depreciação), embalagens, aluguel da fábrica, etc. Já os gastos referentes ao escritório e à administração são classificados em despesas.

Observe: o aluguel pode ser tratado como despesa ou custo. Tratando-se de aluguel referente ao prédio da fábrica, será considerado custo; tratando-se de aluguel referente ao prédio do escritório (administração) será considerado despesa. Este

39

ULBRA – Educação a Distância

raciocínio é extensivo ao imposto predial, salários, materiais, depreciação (quando de bens da fábrica, custo; quando de bens do escritório, despesa).

Numa empresa comercial, o gasto da aquisição da mercadoria para revenda será tratado como custo; já numa empresa de prestação de serviços, a mão de obra aplicada nos serviços prestados mais o material utilizado nesses serviços serão considerados custos. Para ambas as atividades, todos os gastos na administração, assim como na indústria, serão tratados como despesas.

39 ULBRA – Educação a Distância raciocínio é extensivo ao imposto predial, salários, materiais, depreciação (quando

Pela Lei das Sociedades Anônimas, identificamos três tipos de despesas: de vendas, administrativas e financeiras. Vejamos alguns exemplos:

  • a) Despesas com Vendas: salários do pessoal de vendas, marketing e pesquisa de mercado, distribuição, comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, despesas com garantia, promoções de bonicações, fretes, etc.;

  • b) Despesas Administrativas: salários do pessoal administrativo, encargos sociais, assistência médica, aluguéis, energia elétrica, condomínio, seguros, despesas de viagens, material de escritório, depreciação, impostos, remuneração da diretoria, etc.;

  • c) Despesas Financeiras: juros passivos, descontos concedidos, despesas bancárias, etc.;

Para não esquecer:

Custos: gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços: Gastos da FÁBRICA – custo dos produtos, custo das mercadorias vendidas Despesas: Gastos do escritório e administração – vendas, administrativas e financeiras para manutenção das atividades da empresa; promoção de vendas.

3.4 Estrutura básica da DRE

A DRE é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado

período (12 meses). Segundo Azevedo (2009, p.15), “[

...

]

pretende demonstrar qual

o lucro ou prejuízo do exercício publicado, bem como a sua estrutura de apuração, demonstrando o ‘caminho’ que o dinheiro percorre dentro de uma empresa até ser apurado o lucro”.

É apresentada de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e e, em seguida, indica-se o resultado (lucro ou prejuízo). Ao apresentar

e

Atenção: a DRE obedece ao princípio de competência, ou seja, as receitas e despesas são contabilizadas no momento de sua ocorrência, independentemente de seu recebimento ou pagamento.

40

ULBRA – Educação a Distância

o resultado, a DRE evidencia a riqueza gerada pela entidade em determinado período (exercício), sabendo-se que esta riqueza pertence, ao final das contas, aos acionistas/sócios da entidade.

40 ULBRA – Educação a Distância o resultado, a DRE evidencia a riqueza gerada pela entidade
RECEITA (-) DESPESA = Lucro ou prejuízo
RECEITA
(-) DESPESA
= Lucro ou prejuízo

A DRE pode ser simples para micro e pequenas empresas que não requeiram dados pormenorizados para a tomada de decisão, como é o caso de bares, farmácias, mercearias, etc. Deve evidenciar o total de despesa deduzido da receita, apurando- se, assim, o lucro, sem destacar os principais grupos de despesas.

A DRE completa, exigida por lei, fornece maiores detalhes para a tomada de decisão:

grupos de despesas, vários tipos de lucro, destaque dos impostos, etc. Assim:

DRE (completa) RECEITA ( - ) DEDUÇÕES ( - ) CUSTOS ( - ) DESPESAS (
DRE (completa)
RECEITA
( - ) DEDUÇÕES
( - ) CUSTOS
( - ) DESPESAS
( - ) ___________
Lucro ou prejuízo
DRE (simples)
RECEITA
(-) DESPESA
Lucro ou prejuízo

Importante:

A DRE é elaborada a partir da conta Lucros e Perdas (ou Lucros ou Prejuízos Acumulados). Ela é uma demonstração financeira imprescindível para a elaboração do Balanço Patrimonial (deve, inclusive, preceder o levantamento deste). Normalmente, o resultado do exercício das empresas é apurado no final do ano civil. Sua finalidade é melhor evidenciar o ganho, tendo em vista as necessidades de informações do usuário externo, bem como fornecer os dados essenciais à análise da formação do resultado do exercício. Como já vimos, para se apurar o resultado do exercício de uma empresa, basta confrontar o total de despesas com o total das receitas ocorridas em um determinado período.

41

ULBRA – Educação a Distância

Quadro 5 – Estrutura da demonstração do resultado do exercício.

 

ESTRUTURA BÁSICA DA DRE

Empresa Z DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Período de 01/01 a 31/12/XX

 

RECEITA BRUTA ( - ) Tributos Incidentes sobre Vendas ( - ) Devoluções e Abatimentos ( - ) Descontos Incondicionais = RECEITA LÍQUIDA

( - ) Custo das Mercadorias Vendidas (se comércio) ou ( - ) Custo dos Produtos Vendidos (se indústria) ou ( - ) Custo dos Serviços Prestados (se empresas de serviços) = RESULTADO BRUTO

( - ) Despesas Operacionais

 
 
  • - Vendas

  • - Administrativas

  • - Financeiras Líquidas (despesas - receitas financeiras) = RESULTADO OPERACIONAL

( + ) e/ou ( - ) Outras Receitas e/ou Despesas Operacionais = RESULTADO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

 
 

( - ) Provisão para a Contribuição Social = RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA

( - ) Provisão para o Imposto de Renda = RESULTADO DEPOIS DO IMPOSTO DE RENDA

 

( - ) Provisão para Participação de Debenturistas ( - ) Provisão para Participação dos Empregados ( - ) Provisão para Participação dos Administradores ( - ) Provisão para Participação de Partes Beneficiárias = RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO Lucro Líquido por ação

 

Fonte: adaptado de Azevedo, 2009.

41 ULBRA – Educação a Distância Quadro 5 – Estrutura da demonstração do resultado do exercício.

Segundo Azevedo (2009, p.30), “A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) tem como finalidade, além de evidenciar o resultado do exercício – lucro ou prejuízo –, demonstrar a origem dos recursos próprios que são aplicados na empresa (receitas), assim como todos os gastos (custos e despesas) envolvidos na geração da riqueza da entidade”. Saliente-se que a DRE tem caráter econômico

42

ULBRA – Educação a Distância

(relacionado à riqueza da entidade) e não financeiro (relacionado a dinheiro). O mesmo autor exemplifica a aplicação das informações da DRE:

42 ULBRA – Educação a Distância (relacionado à riqueza da entidade) e não financeiro (relacionado a
  • a) o gestor da entidade terá uma visão estratégica, determinando qual o melhor caminho a ser seguido pela organização para o aumento de sua lucratividade, podendo, para tanto, determinar a redução de custos e despesas (quais?), sem comprometer a qualidade dos produtos e serviços;

  • b) o acionista, por sua vez, visualiza as tendências nanceiras da entidade, se está aplicando de forma correta e coerente os recursos obtidos (despesas e custos);

  • c) o Governo (sco) observa se a empresa está apurando seus impostos com correção;

  • d) a concorrência (no caso de demonstrações publicadas) avalia o sistema de custeio/despesa da empresa;

  • e) os fornecedores, investidores e bancos avaliam o potencial de geração de lucros da entidade.

O Quadro 6 evidencia as principais questões que orientam a leitura e a interpretação da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE:

Quadro 6 – Análise da demonstração do resultado do exercício: questões a serem respondidas.

Receita Operacional ( - ) Deduções da Receita Impostos incidentes sobre vendas Devoluções Abatimentos ( = ) Receita Operacional Líquida ( - ) Custos Operacionais ( = ) Resultado Operacional Bruto ( - ) Despesas Operacionais Administrativas Comerciais Financeiras ( = ) Resultado Operacional ( +- ) Outras Receitas/Despesas Operacionais ( = ) Lucro antes IR ( - ) Imposto de Renda ( = ) Lucro Líquido do Exercício Lucro Líquido por Ação

Quais os resultados obtidos? Como mantê-los ou melhorá-los? Qual o crescimento das vendas? E dos custos? E das despesas? Qual a participação percentual dos custos e das despesas em relação às receitas? Qual a margem líquida de venda? Quais os custos e despesas que podem ser reduzidos? As receitas obtidas são compatíveis com os investimentos? Os lucros têm atingido as metas estabelecidas? Como são quando comparados com os das melhores empresas do ramo?

Fonte: adaptado de Lemes Júnior, Rigo e Cherobim, 2002, p.13.

43

ULBRA – Educação a Distância

As questões apresentadas pelos autores nos remetem à análise da formação do resultado do exercício e sua comparação com o inicialmente planejado. Como se vê, a DRE fornece detalhes para a tomada de decisão: grupos de despesas, vários tipos de lucros, destaque dos impostos, evolução das devoluções e dos custos, etc.

3.5 DRE inovada ou EBITDA

É comum observarmos, atualmente, relatórios contábeis com a expressão EBITDA.

43 ULBRA – Educação a Distância As questões apresentadas pelos autores nos remetem à análise da

EBITDA em inglês é identificado como Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. Em português é chamado popularmente de Lajida – Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

De certa forma, EBITDA é o Lucro Operacional ajustado, quer seja, indica quanto dinheiro os ativos operacionais de uma companhia produzem. Portanto, o EBITDA representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas através de suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Por isso, alguns profissionais chamam o EBITDA de fluxo de caixa operacional. Observe a comparação de uma DRE Tradicional e uma DRE Inovada com EBITDA de uma empresa comercial.

Quadro 7 – Comparação DRE tradicional e inovada. f

DRE TRADICIONAL

DRE INOVADA

Receita

1.600.000

Receita

1.600.000

( - ) CMV

(800.000)

( - )CMV

(800.000)

Lucro Bruto

800.000

Lucro Bruto

800.000

( - ) Despesas Operacionais

( - ) Desp Vendas

(200.000)

Vendas

(200.000)

( - ) Desp Administrativas

(290.000)

Administrativas f

(350.000)

EBITDA

310.000

Financeiras

(50.000)

( - ) Depreciação

(60.000)

Lucro Operacional

200.000

( - ) Desp Financeiras

(50.000)

( - ) IR Renda e Contr Social

(48.000)

Lucro Operacional

200.000

Lucro Líquido

152.000

( - ) IR e Contr Social

(48.000)

 

Lucro Líquido

152.000

Fonte: adaptado de Marion, 2006.

Segundo Marion (2006, p.106), EBITDA abrange todos os componentes operacionais (despesa e receita financeira não são operacionais) e os componentes com potencial de afetar o caixa (depreciação não afeta o caixa), evidenciando a capacidade da empresa em gerar recursos considerando seu negócio”.

f

Incluída depreciação

44

ULBRA – Educação a Distância

44 ULBRA – Educação a Distância O EBITDA representa o potencial de geração operacional de caixa

O EBITDA representa o potencial de geração operacional de caixa que o ativo operacional de uma empresa é capaz de produzir, antes de considerar o custo de qualquer capital tomado emprestado (despesas financeiras). Não corresponde ao efetivo fluxo de caixa físico já ocorrido no período porque parte das vendas pode não estar recebida e parte das despesas pode não estar paga. Assim que recebidas todas as receitas e pagas todas as despesas, esse é o valor de caixa produzido pelos ativos, antes de computadas as receitas e as despesas financeiras (juros), impostos (sobre o lucro), a depreciação, a amortização e a exaustão.

Desta forma, consiste o EBITDA num poderoso indicador de desempenho financeiro, posto que reflete o potencial de geração de recursos decorrentes eminentemente das operações da empresa. Note que é excluída do cômputo toda e qualquer despesa escritural, ainda que operacional, a exemplo da depreciação, posto que não representa saída de recursos (desembolso). Sua aplicação tem sido exaustiva no campo de avaliação de empresas, o que ressalta a importância da Contabilidade, ainda que histórica, na fixação de referência de valor.

3.6 Reservas

Reservas são valores recebidos dos sócios ou de terceiros que não correspondem a aumento de capital e que não passaram pelas contas de resultado como receita. Podem ser, ainda, lucros retidos com finalidade específica. As reservas não constituem valores em dinheiro, são percentuais predefinidos pela legislação e pelo estatuto da empresa, e, sendo assim, não podem ser distribuídas aos acionistas ou partes interessadas como lucros ou dividendos, pois não têm características de exigíveis. Podem ser:

  • a) Reservas de Capital;

  • b) Reservas de Lucros.

3.6.1 Reservas de capital

A reserva de capital é aquela que não se origina do resultado do exercício (lucro), portanto, não transita pela DRE. Originam-se de fatos financeiros e contábeis ocorridos na empresa, dentre os quais destacam-se:

  • a) ágio na emissão das ações: deriva do aumento do capital da empresa, por meio da emissão e venda de novas ações com lucro; esse excedente é chamado de ágio e será classicado na conta de Reservas de Capital;

  • b) doações e subvenções para investimentos: são doações e subvenções recebidas pela empresa, vindas da iniciativa pública ou privada, aumentando a sua riqueza.

45

ULBRA – Educação a Distância

Destinação das Reservas de Capital:

  • a) absorver prejuízos;

  • b) incorporação ao Capital;

  • c) resgate de partes beneciárias;

  • d) pagamento de dividendos a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada.

45 ULBRA – Educação a Distância Destinação das Reservas de Capital: a) absorver prejuízos; b) incorporação

3.6.2 Reservas de lucros

As reservas de lucros subdividem-se em:

  • a) Reserva Legal;

  • b) Reservas Estatutárias;

  • c) Reserva para Contingências;

  • d) Reserva Orçamentária;

  • e) Reserva de Lucros a Realizar.

A reserva legal é constituída por valor igual a 5% do lucro líquido do exercício e não excederá a 20% do capital social. Tem por fim assegurar a integridade do Capital Social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar capital (Lei das S.A.).

As reservas estatutárias, por sua vez, são aquelas previstas nos estatutos da empresa e possuem regras claras que indicam a sua finalidade e fixam os critérios que determinam a parcela anual dos lucros líquidos a serem destinados à sua constituição. O estatuto também determina o limite máximo da reserva.

A Assembleia geral poderá, ainda, destinar parte do Lucro Líquido à formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. A constituição de tal reserva busca evitar uma situação de desequilíbrio financeiro caso se distribuíssem os dividendos em um exercício, face à probabilidade de redução de lucros ou mesmo ocorrência de prejuízo em exercício futuro, em virtude de fatos extraordinários previsíveis. Como exemplo, temos: suspensão temporária da produção, falta de suprimento de matéria-prima, passivos ambientais, processos tributários, eventos climáticos previstos, etc. Sua constituição é opcional, devendo ser indicadas a causa da perda prevista e a justificativa de sua constituição. Referida reserva deixará de ser constituída e será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua constituição.

46

ULBRA – Educação a Distância

A Reserva Orçamentária, também conhecida como Reserva de Lucros para Expansão, tem a finalidade de garantir o investimento em expansão da empresa quando previsto no orçamento de capital, devendo ser aprovada em assembleia geral. Referido orçamento deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicação de capital e poderá ter a duração de até cinco exercícios, salvo exceções.

Por último, no exercício em que os Lucros a Realizar ultrapassarem o total deduzido

46 ULBRA – Educação a Distância A Reserva Orçamentária, também conhecida como Reserva de Lucros para

dos valores destinados às reservas legal, estatutária, contingências e orçamentária, a assembleia geral poderá destinar o excesso à constituição de Reserva de Lucros a Realizar. Pela Lei nº 10.303/01 fica assegurado o cálculo da Reserva de Lucros a Realizar apenas para pagamento de dividendo obrigatório.

Ponto final

A DRE é apresentada como um resumo ordenado dos componentes que provocam alterações no Patrimônio Líquido das entidades (receitas, despesas e custos). Além de fornecer as informações para a apuração do resultado, a DRE possibilita uma visão gerencial da entidade e, com uma análise mais apurada, avalia-se o desempenho da entidade e a eficiência dos gestores em obter (ou não) resultados positivos. Configura-se num importante instrumento de orientação para a gestão e, junto ao Balanço Patrimonial constitui as demonstrações mais importantes das entidades (e nas quais vamos dedicar especial atenção nos processos de análise e interpretação).

Sugestão de leitura complementar: CPC 26 - Apresentação das Demonstrações Contábeis.

Atividades

1)

Sobre a Demonstração do Resultado do Exercício, é correto armar:

I.

Compara receitas com despesas do período, apurando seu resultado.

II.

Indica acréscimos e decréscimos gerados no Patrimônio Líquido, originários das operações da empresa.

III.

É um r elatório contábil que evidencia a situação econômica da entidade.

  • a) Todas as alternativas estão corretas.

  • b) Nenhuma alternativa está correta.

  • c) As alternativas I e II estão corretas.

  • d) Apenas a alternativa I está correta.

  • e) Apenas a alternativa II está correta.

47

ULBRA – Educação a Distância

2)

A Demonstração do Resultado do Exercício é a apresentação, em forma resumida, das operações realizadas pela empresa, durante o exercício social, demonstradas de forma a destacar o resultado líquido do período. Relativamente a esse assunto, julgue os itens a seguir, assinalando a resposta correta:

  • a) Na determinação do resultado do exercício, serão computadas apenas as receitas e os rendimentos efetivamente realizados em moeda, no período, assim como custos, despesas, encargos e perdas pagos, correspondentes às receitas e rendimentos.

  • b) A Receita Líquida de Vendas corresponde à receita Bruta de Vendas menos deduções e abatimentos sobre vendas.

  • c) As despesas nanceiras, gerais, administrativas e com vendas devem ser demonstradas após a apuração do resultado operacional.

  • d) O Lucro Bruto é igual à Receita Bruta de Vendas ou Serviços mais impostos.

  • e) Regime contábil aplicado à DRE é o de Caixa.

3)

Na Demonstração do Resultado do Exercício, a informação contábil que permite saber se uma empresa está obtendo lucro ou prejuízo com as atividades diretamente relacionadas com o objetivo de seu negócio chama-se Resultado:

  • a) Bruto.

  • b) Líquido.

  • c) Operacional.

  • d) Do exercício após o IR.

  • e) Nenhuma das alternativas está correta.

4)

No encerramento de uma empresa comercial, apuraram-se, entre outros, os saldos a seguir:

47 ULBRA – Educação a Distância 2) A Demonstração do Resultado do Exercício é a apresentação,

Faturamento

R$ 700.000

Devoluções de vendas

R$ 35.000

Descontos comerciais (abatimentos) sobre vendas

R$ 15.000

Impostos incidentes sobre vendas

R$ 167.900

Descontos financeiros sobre vendas

R$ 25.000

Comissões sobre vendas

R$ 30.750

48

ULBRA – Educação a Distância

Com base nesses dados, é correto armar que a receita líquida de vendas, nos termos da legislação comercial e tributária, é de:

48 ULBRA – Educação a Distância Com base nesses dados, é correto a fi rmar que
 

a)

R$ 522.750.

b)

R$ 532.100.

c)

R$ 426.350.

d)

R$ 482.100.

e)

R$ 457.100.

5)

A Cia. Esperança apresenta os seguintes valores em relação a resultado do exercício:

COFINS

 

R$ 180

Custo da Mercadoria Vendida

R$ 2.800

Despesas Financeiras

R$ 600

ICMS sobre Vendas

 

R$ 720

PIS sobre Faturamento

R$ 60

Receita Operacional Bruta

R$ 6.000

Salários e Ordenados

R$ 1.000

 

Com base nos dados apresentados, pode-se afirmar que a empresa apresenta:

a)

Receita Líquida de Vendas de R$ 5.280.

b)

Receita Líquida de Vendas de R$ 2.240.

c)

Lucro Operacional Bruto de R$ 5.040.

d)

Lucro Operacional Líquido de R$ 2.240.

e)

Lucro Operacional Líquido de R$ 640.

49

ULBRA – Educação a Distância

6)

A Cia. Sucesso apresentou os seguintes resultados no exercício anterior:

Vendas

526.000

Outras Receitas Operacionais

R$ 48.000

Despesa de Aluguel

R$ 13.000

Despesas Financeira

R$ 22.000

Dividendos pagos

R$ 57.000

Despesas de salários

R$ 42.000

Imposto de Renda e Contribuição Social provisionados

R$ 80.000

Impostos Incidentes sobre vendas

R$ 50.000

Despesa de Depreciação

R$ 32.000

CMV

R$ 213.000

 

De acordo com a estrutura prevista na legislação brasileira, o resultado operacional líquido e o resultado líquido apurados foram de:

  • a) R$ 263.000 e R$ 176.000.

  • b) R$ 154.000 e R$ 202.000.

  • c) R$ 476.000 e R$ 176.000.

  • d) R$ 202.000 e R$ 176.000.

  • e) Nenhuma das alternativas está correta.

7)

Ao encerrar o exercício de 20XX, a Cia. Alegria apurou os seguintes saldos:

Contas

Saldos

 

Capital Social

200.000

Estoque de Mercadorias

256.000

 

Clientes

140.000

Caixa

70.000

 

Fornecedores

250.000

Participações em outras Empresas

50.000

49 ULBRA – Educação a Distância 6) A Cia. Sucesso apresentou os seguintes resultados no exercício

50

ULBRA – Educação a Distância

50 ULBRA – Educação a Distância Móveis e Utensílios 310.000 Depreciação 60.000 Duplicatas Descontadas 90.000 Depreciação

Móveis e Utensílios

310.000

Depreciação

60.000

Duplicatas Descontadas

90.000

Depreciação Acumulada

180.000

Prejuízos Acumulados

32.000

Salários a Pagar

18.000

Provisão para devedores duvidosos

2.000

Capital a Realizar

40.000

ICMS a Recolher

65.000

Reserva Legal

6.000

Ações em Tesouraria

30.000

Prêmios de Seguros

17.000

Duplicatas a Pagar

100.000

IR a Recolher

15.000

Elaborando o Balanço Patrimonial com os dados apresentados, vamos encontrar um:

  • a) Ativo Total de R$ 478.000.

  • b) Passivo e Patrimônio Líquido de R$ 560.000.

  • c) Passivo Circulante de R$ 354.000.

  • d) Patrimônio Líquido de R$ 104.000.

  • e) Nenhuma das respostas está correta.

8)

(Adaptado de ESAF/SEFAZ/2009) Em relação à Demonstração do Resultado do Exercício, assinale a alternativa correta:

  • a) Após apurado o resultado do exercício e calculadas as provisões para contribuição social e Imposto de Renda, deverão ser calculadas e contabilizadas as participações contratuais e estatutárias nos lucros e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados.

51

ULBRA – Educação a Distância

  • b) As despesas do mês, que foram pagas antecipadamente, estão registradas em contas de Ativo Não Circulante Investimentos.

  • c) Outras despesas operacionais são aquelas decorrentes de transações não incluídas nas atividades principais ou acessórias da empresa, como, por exemplo, o montante obtido com a venda do imobilizado.

  • d) Lucro Bruto é a diferença entre a receita líquida de vendas de bens ou serviços e as despesas operacionais.

  • e) Todas as alternativas estão corretas.

51 ULBRA – Educação a Distância b) As despesas do mês, que foram pagas antecipadamente, estão

9)

A empresa Facilite Ltda. Apurou, ao nal do exercício 20XX, os seguintes saldos:

Receita Bruta de Vendas

R$ 700.000

Deduções de Vendas

R$ 58.000

Custo das Mercadorias Vendidas

R$ 400.000

Despesas Operacionais

R$ 32.000

Provisão de Imposto de Renda e CSLL

R$ 10.000

Do resultado apurado, 10% será provisionado para pagamento de participação estatutária de administradores

Com base nessas informações, pode-se dizer que o lucro após o IR e CSLL e a participação estatutária dos administradores (em R$) será de, respectivamente:

  • a) R$ 232.000 e R$ 23.200.

  • b) R$ 200.000 e R$ 18.000.

  • c) R$ 210.000 e R$ 21.000.

  • d) R$ 200.000 e R$ 20.000.

  • e) R$ 242.000 e R$ 24.200.

52

ULBRA – Educação a Distância

10) A Lei nº 6.404/76 e as alterações pertinentes estabelecem que na Demonstração do Resultado do Exercício seja evidenciada a lucratividade absoluta, indicando o montante, em reais ou fração, do lucro obtido por ação do capital social. A empresa Facilita tem seu capital social constituído de 600 mil ações e apresentou os seguintes dados em relação ao exercício 20XX:

52 ULBRA – Educação a Distância 10) A Lei nº 6.404/76 e as alterações pertinentes estabelecem

Reserva Legal

R$ 30.000

Reservas Estatutárias

R$ 45.000

Participações Estatutárias

R$ 18.000

Provisão IR e CSLL

R$ 40.000

Receita Líquida de Vendas

R$ 225.000

Lucro Operacional Bruto

R$ 145.000

Lucro Operacional Líquido

R$ 106.000

Outras Receitas Operacionais

R$ 24.000

Capital Social

R$ 800.000

Neste caso, baseado nas informações fornecidas, podemos dizer que o lucro por ação do capital social a ser indicado na última linha da DRE foi de:

  • a) R$ 0,15 por ação.

  • b) R$ 0,12 por ação.

  • c) R$ 0,11 por ação.

  • d) R$ 0,09 por ação.

  • e) R$ 0,08 por ação.

  • 4 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA)

Simone Loureiro Brum Imperatore

Além das demonstrações contábeis mais conhecidas, Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício, a Contabilidade produz outras demonstrações, que são derivadas dessas, e que oferecem importantes “detalhes” das operações das entidades. A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados analisa o fluxo do lucro ajustado ao do Patrimônio Líquido, por meio das destinações para as reservas e suas reversões, até a evidenciação dos dividendos a serem distribuídos aos acionistas. Segundo Iudícibus e Marion (2006), a DLPA constitui o elo de integração entre a Demonstração do Resultado do Exercício e o Balanço Patrimonial, tendo por finalidade evidenciar, num determinado período, o lucro no período, sua distribuição e a movimentação ocorrida no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados.

4.1 Conteúdo da demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados

De acordo com a legislação vigente, citado por Sá (2009), a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discrimina:

  • a) o saldo inicial (lucro/prejuízo) do exercício;

  • b) os ajustes que tenham ocorrido no exercício que se demonstra g ;

  • c) reservas revertidas;

g Os ajustes dos exercícios anteriores são apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes.

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ULBRA – Educação a Distância

  • d) o lucro líquido do exercício que se demonstra e que se acresce à situação anterior (a + b);

  • e) o destino que foi dado ao resultado referido (a + b + c), ou seja, o que se transferiu para reservas, o que se distribuiu como dividendos, o que se incorporou ao capital, mostrando como se chega ao saldo nal.

54 ULBRA – Educação a Distância d) o lucro líquido do exercício que se demonstra e

Segundo a legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99), a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados é obrigatória para as limitadas e outras sociedades. Já para as companhias abertas, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM estabelece a obrigatoriedade da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (a qual estudaremos ainda neste capítulo).

4.1.1 Ajustes de exercícios anteriores

A legislação vigente estabelece que, observado o Princípio da Competência de Exercícios h , o Lucro Líquido do Exercício não deve ser influenciado por valores oriundos de outros exercícios. Desta forma, temos a evidenciação do Resultado Líquido realmente obtido com as operações num determinado exercício.

A referida legislação dispõe que ajustes de exercícios anteriores são considerados apenas os decorrentes dos efeitos da mudança do critério contábil ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. Os erros a serem retificados são aqueles caracterizados por não serem cometidos para lesar o patrimônio da empresa ou os cofres públicos, são erros corriqueiros, como: inversão de números, contabilização para maior ou para menor de alguma provisão (IR, CSLL, férias, etc.).

Tais ajustes devem ser contabilizados diretamente na conta de lucros acumulados de forma a aumentá-los ou diminuí-los. Critérios contábeis, por sua vez, só podem ser alterados quando tal alteração gera uma qualificação na informação contábil. Saliente-se que a legislação dispõe que as Demonstrações Financeiras do exercício em que houver tais ajustes deverão indicá-los em Notas Explicativas e ressaltar tal efeito.

4.1.2 Reversão de reservas

A reversão de reservas representa as parcelas do Lucro Líquido de exercícios anteriores que foram destinadas à constituição de reservas e que agora estão sendo reconduzidas, em sua totalidade ou em parte, para manutenção dos saldos do

h

Receitas e despesas são contabilizadas no período de sua ocorrência, independentemente de seu recebimento/pagamento.

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ULBRA – Educação a Distância

Patrimônio Líquido. As reversões de reservas são importantes porque algumas delas alteram o montante que servirá de base para a apuração do dividendo obrigatório. É o caso, por exemplo, da reserva de contingência i .

  • 4.1.3 Lucro ou prejuízo do exercício

É o resultado líquido apurado na DRE do exercício financeiro findo, após as deduções das participações dos lucros (de debenturistas, empregados, administradores e partes beneficiárias), e será posto à disposição dos sócios/ acionistas para sua destinação, que deverá ser escriturada na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

55 ULBRA – Educação a Distância Patrimônio Líquido. As reversões de reservas são importantes porque algumas
  • 4.1.4 Destinação do exercício

Nas sociedades limitadas não há dispositivo legal que as obrigue à distribuição de seus lucros, já para as sociedades anônimas, a obrigatoriedade de distribuição de lucros vem da Lei nº 6.404/76. Consiste na destinação do resultado ajustado do exercício, e será feita pela direção da empresa em consonância com a decisão da Assembleia Geral, com o objetivo de constituição ou aumento das Reservas, até a distribuição dos dividendos aos acionistas.

Tendo sido apurado prejuízo no exercício, mesmo após a reversão das reservas, este deverá ser lançado diretamente na conta Prejuízos Acumulados (retificando o Patrimônio Líquido).

O Quadro 8 apresenta a estrutura da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados:

  • i É importante diferenciar reserva de provisão. No caso das provisões, o fato gerador já ocorreu, por exemplo, uma ação trabalhista por parte de um ex-empregado, com perda provável (e mensurável) e credor. No caso de Reserva para Contingência ainda não ocorreu o fato gerador da perda, mas há uma probabilidade de que venha acontecer no futuro.

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Quadro 8 – Modelo da demonstração do resultado do exercício. ULBRA – Educação a Distância
Quadro 8 – Modelo da demonstração do resultado do exercício.
ULBRA – Educação a Distância

Fonte: Azevedo, 2009, p.144.

Como se vê, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados evidencia o destino que se dá ao lucro. Saliente-se que uma parte é distribuída aos donos da empresa (sócios/acionistas) em dinheiro, remunerando o capital investido (dividendos). Outra parcela visa ao reinvestimento na empresa, no sentido de fortalecer o capital próprio, conhecida como lucro retido, que irá ser incorporada ao Patrimônio Líquido da entidade através da constituição de reservas ou aumento de capital social.

Com a instituição dos dividendos obrigatórios e, também da faculdade de destacar parcelas do lucro do período para formação de reservas de lucros a realizar e da reserva para contingências, essa demonstração assume maior importância porque reflete os acréscimos e decréscimos que influenciam a base dos dividendos devidos.

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ULBRA – Educação a Distância

Tratando-se de Sociedade Anônima de Capital Aberto, a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados deverá ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a qual estudaremos a seguir.

4.2 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)

Segundo Perez Jr. e Begalli (2002, p.176), “O Patrimônio Líquido de uma empresa representa a riqueza real da entidade e pode ser interpretado como sendo ativos líquidos pertencentes aos proprietários, ou seja, bens mais direitos menos obrigações, e constituem direito comum desses mesmos proprietários. Corresponde ao chamado capital próprio, ou seja, proveniente dos proprietários e dos lucros provenientes das atividades da empresa”.

57 ULBRA – Educação a Distância Tratando-se de Sociedade Anônima de Capital Aberto, a Demonstração dos

A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia as mudanças, qualitativas e quantitativas, ocorridas no Patrimônio Líquido da entidade em determinado período. Ao contrário da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, que fornece a movimentação de apenas uma das contas do Patrimônio Líquido (Lucros ou Prejuízos Acumulados), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia as movimentações de TODAS as contas do Patrimônio Líquido. Assim, todo acréscimo e toda diminuição do Patrimônio Líquido são evidenciados por essa demonstração, bem como a formação e utilização das reservas (portanto, a empresa que optar publicar a DMPL, não precisa elaborar a DLPA).

Referida demonstração contábil fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido, fazendo indicação da origem e do valor de cada acréscimo ou diminuição no Patrimônio Líquido durante o exercício. Trata-se, portanto, de uma informação que complementa os dados constantes no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício.

4.2.1 Estrutura da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido

De acordo com a legislação vigente, a DMPL deverá discriminar, em confronto com os saldos já existentes:

  • a) os saldos do início do período;

  • b) os ajustes de exercícios anteriores;

  • c) aumento de capital, discriminando sua natureza;

  • d) as reversões de reservas;

  • e) o resultado líquido do exercício (atual);

  • f) a proposta de destinação do lucro do período;

  • g) o saldo nal do período.

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ULBRA – Educação a Distância

Saliente-se que as contas que formam o Patrimônio Líquido podem sofrer variações por inúmeros motivos, tais como:

58 ULBRA – Educação a Distância Saliente-se que as contas que formam o Patrimônio Líquido podem
  • a) Itens que afetam o patrimônio total: acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; redução por dividendos; acréscimo por ajuste de avaliação de ativos; acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos; acréscimo por subscrição e integralização de capital; acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal; acréscimo pelo valor da alienação de partes beneciárias e bônus de subscrição; acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures; redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda; acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores;

  • b) Itens que não afetam o total do patrimônio: aumento de capital com utilização de lucros e reservas; reversões de reservas patrimoniais para aumento de capital e ou compensação de Prejuízos.

O Quadro 9 apresenta a estrutura detalhada da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

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Quadro 9: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. ULBRA – Educação a Distância
Quadro 9: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
ULBRA – Educação a Distância

Fonte: Azevedo, 2009, p.150.

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ULBRA – Educação a Distância

Como se vê, a técnica de elaboração dessa demonstração é simples:

60 ULBRA – Educação a Distância Como se vê, a técnica de elaboração dessa demonstração é
  • a) Indica-se uma coluna para cada conta do Patrimônio Líquido (preferencialmente indicando o grupo de reservas a que pertence). No caso da conta Capital Social, pode-se detalhá-la apresentando o valor do capital subscrito, a realizar e realizado, ou subtrair-se o saldo da conta Capital a Realizar (constante do Balanço Patrimonial) da conta Capital Social, indicando-se a conta Capital Realizado (saldo líquido);

  • b) nas linhas horizontais indicam-se as movimentações das contas do mesmo modo como se fez com a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados;

  • c) A seguir faz-se as adições e/subtrações de acordo com as movimentações ocorridas.

Ponto final

Neste capítulo apresentamos a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Observa-se a necessidade de elaboração da DMPL para uma análise mais detalhada da movimentação das contas do Patrimônio Líquido, que evidenciam variações para maior ou para menor, bem como as transferências de valores entre elas. Saliente-se que a DLPA está contida na DMPL e, portanto, sendo elaborada esta última, desobriga-se a entidade da elaboração da DLPA.

Como Leituras complementares sugere-se: Leis nº 6.404/76 e nº 11.638/07; RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda e Instrução CVM 59/1986.

Atividades

1)

Sobre a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, é INCORRETO armar:

  • a) A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é facultativa e, de acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da Lei das S.A., a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) poderá ser incluída nesta demonstração.

  • b) A DMPL é uma demonstração mais completa e abrangente, já que evidencia a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido durante o exercício social, inclusive a formação e a utilização das reservas não derivadas do lucro.

  • c) A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é relativamente simples, pois basta representar, de forma sumária e

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ULBRA – Educação a Distância

coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido, isto é, Capital, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Ações em Tesouraria e Lucros ou Prejuízos Acumulados.

  • d) Tem por nalidade indicar, a princípio, as origens dos recursos das operações, sendo que, após apurar-se o Imposto de Renda e a parcela da depreciação, obtém-se o resultado líquido.

61 ULBRA – Educação a Distância coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas
  • e) De acordo com a legislação vigente, a DMPL deverá discriminar, em confronto com os saldos já existentes: os saldos do início do período, os ajustes de exercícios anteriores, os aumentos de capital, as reversões de reservas, o resultado líquido atual, a proposta de destinação do lucro, o saldo ao nal do período.

2)

É evidenciado, ou são evidenciados, na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido:

  • a) Saldos iniciais, ajustes anteriores, aumentos de Capital, reversões de reservas, o lucro líquido e sua destinação e saldos nais das contas que compõem o Patrimônio Líquido.

  • b) A formação do resultado do exercício e sua destinação.

  • c) A situação patrimonial em um dado momento.

  • d) As origens e as aplicações dos recursos.

  • e) Todas as alternativas estão corretas.

3)

Com base nas informações extraídas de uma Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, apure o saldo nal da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados:

Saldo credor do início do exercício

R$ 100

Reversões de Reservas de Lucros de Exercícios Anteriores

R$ 200

Lucro Líquido do Exercício

R$ 1.000

Transferências para Reservas de Lucros

R$ 300

Dividendos propostos

R$ 150

Parcela de lucros incorporada ao capital

R$ 100

Ajustes negativos de exercícios anteriores

R$ 50

62

ULBRA – Educação a Distância

62 ULBRA – Educação a Distância 4) Considere os dados relativos à Demonstração de Lucros ou

4)

Considere os dados relativos à Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados da Cia. Beta, levantada em 31/12/XX.

Saldo credor da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados no início do ano-calendário 20XX R$

R$ 123.450

Ajuste de exercícios anteriores

R$ 12.350

Reversão de saldo das contas de Reservas de Lucros

R$ 75.000;

Reversão de Reserva de Contingências

R$124.050

Reversão de Reservas de Lucros a Realizar

R$ 25.500

Parcela de lucros incorporada ao capital

R$ 60.000

Lucro Líquido do Exercício 20X1

R$ 80.500

Distribuição do Lucro Líquido: Reserva Legal (R$ 4.025); Reserva Estatutária (R$ 8.050) e Dividendos (R$ 50,000 – 0,025 por ação)

 

Com base nos dados apresentados, o saldo da conta lucros ou prejuízos acumulados em 31/12/X1 será, em reais, de:

5)

(Adaptada de TCE-ES/Esaf) Pelas disposições da Lei nº 6.404/76, sobre as Demonstrações Financeiras, podemos perceber que:

  • a) A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, quando devidamente elaborada, substitui a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

  • b) O Balanço Patrimonial deve apresentar, já devidamente contabilizada, a proposta dos órgãos da administração para distribuição do lucro líquido do exercício.

  • c) A Demonstração do Resultado do Exercício deve apresentar, expresso em reais, o valor dos dividendos distribuídos para cada uma das ações do capital social.

  • d) A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, a partir da Lei nº 11.638/07 substitui a Demonstração do Fluxo de Caixa.

  • e) Todas as alternativas estão corretas.

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ULBRA – Educação a Distância

6)

É transação evidenciada na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido:

  • a) Alienação de bens do Ativo Não Circulante.

  • b) Compra de bens do Ativo Imobilizado nanciada por empréstimo de longo prazo.

  • c) Constituição de reserva de reavaliação de bens imóveis;

  • d) Empréstimos efetuados a empresas coligadas ou controladas.

  • e) Aquisição de investimentos permanentes.

7)

Considere os seguintes elementos, os quais foram extraídos da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados da Cia. Neves em 31/12/X2:

63 ULBRA – Educação a Distância 6) É transação evidenciada na Demonstração das Mutações do Patrimônio

Lucros Acumulados (31/12/X1)

4.800

Reversão de reservas de contingências

1.600

Constituição de Reserva Legal

300

Lucro Líquido do Exercício

6.000

Dividendos a Pagar

1.800

Além do exposto, no exercício de X1 foi calculada a menor em R$ 400 (ajuste de exercícios anteriores). O ajuste foi feito no exercício de x2. Assim, com base nas informações anteriores, pode-se armar que o saldo da conta Lucros Acumulados em 31/12/X2 foi de:

  • a) R$ 10.300

  • b) R$ 10.700

  • c) R$ 9.900

  • d) R$ 12.100

  • e) R$ 12.000

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ULBRA – Educação a Distância

64 ULBRA – Educação a Distância 8) (Adaptada de Petrobras/Fundação Cesgranrio). A Cia. Mafra, de capital

8)

(Adaptada de Petrobras/Fundação Cesgranrio). A Cia. Mafra, de capital fechado, está elaborando o seu primeiro balanço, em 31/12/2008, apresentando as seguintes informações:

Lucro Líquido apurado na DRE

R$ 200.000

Constituição de Reserva Legal

R$ 10.000

Dividendos nos termos do estatuto

R$ 95.000

Constituição de Reserva Estatutária

R$ 5.000

Reservas Estatutárias para Investimentos

R$ 45.000

 

Na Demonstração das Mutações, o Patrimônio Líquido, o saldo transitório da conta de Lucros Acumulados em 31/12/2008, o qual integrará os dividendos propostos pela administração, em reais, foi de:

  • a) zero

  • b) 70.000

  • c) 95.000

  • d) 130.000

  • e) 185.000

9)

A que destinações está sujeito o saldo da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados?

10)

Conceitue reservas e diferencie reservas de capital de reservas de lucros.

5

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

Simone Loureiro Brum Imperatore

A Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC tornou-se obrigatória para todas as S.A. de capital aberto com a sanção da Lei nº 11.638/07. A referida Lei obrigou, ainda, as companhias fechadas com Patrimônio Líquido superior a R$ 2 milhões a publicá-la. Seu objetivo é evidenciar a capacidade da entidade em gerar fluxos positivos de caixa (e equivalentes de caixa), a habilidade de pagar obrigações e dividendos, bem como suas necessidades de financiamento.

Segundo Iudícibus e Marion (2006), a DFC vem esclarecer situações controvertidas como o porquê de uma empresa ter um lucro considerável e estar com o caixa baixo, não conseguindo liquidar seus compromissos. A referida demonstração, salientam os autores, possibilita ao gerente financeiro a elaboração de melhor planejamento financeiro, onde se saberá o momento certo em que se contrairá empréstimos para cobrir a insuficiência de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro.

O Pronunciamento Técnico CPC 03 salienta os benefícios da DFC:

A Demonstração do Fluxo de Caixa, quando usada em conjunto com as demais demonstrações contábeis, proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos de uma entidade, sua estrutura financeira (inclusive sua liquidez e solvência) e sua capacidade para alterar os valores e prazos do fluxo de caixa, a fim de adaptá-los às mudanças nas circunstâncias e oportunidades. As informações sobre os fluxos de caixa são úteis para avaliar a capacidade de a entidade gerar recursos dessa natureza e possibilitam aos usuários desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente de futuros fluxos de caixa de diferentes entidades. A Demonstração do Fluxo de Caixa também melhora a comparabilidade dos relatórios de desempenho operacional para diferentes entidades porque reduz os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos.

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ULBRA – Educação a Distância

Mister conceituarmos Caixa, Equivalentes de Caixa e Fluxos de Caixa para darmos prosseguimento ao nosso estudo:

  • a) Caixa: compreende o numerário em espécie e os depósitos bancários disponíveis;

66 ULBRA – Educação a Distância Mister conceituarmos Caixa, Equivalentes de Caixa e Fluxos de Caixa
  • b) Equivalentes de Caixa: são aplicações nanceiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignicante risco de mudança de valor;

  • c) Fluxos de Caixa: são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.

Segundo Matarazzo (2008, p.364), os principais objetivos da Demonstração do Fluxo de Caixa são:

• avaliar as alternativas de investimento;

avaliar e controlar ao longo do tempo as decisões importantes que são tomadas na empresa, com reexos monetários;

avaliar as situações, presente e futura, do caixa da empresa, posicionando-a para que não chegue a situações de iliquidez; e

certificar que os excessos momentâneos de caixa estão devidamente aplicados.

5.1 Principais transações que afetam o Caixa

A finalidade da Demonstração do Fluxo de Caixa é mostrar como se comportam as entradas e saídas de recursos financeiros da empresa em determinado período. O estudo cuidadoso dessa demonstração, além de propiciar a análise de tendências, serve de base para o planejamento do fluxo projetado. A seguir, relacionamos as principais transações que afetam o Caixa.

5.1.1 Transações que aumentam o Caixa (disponibilidades)

  • a) Integralização do Capital pelos sócios ou acionistas: são investimentos integralizados em dinheiro pelos sócios/acionistas (caso a integralização se dê com imóveis, por exemplo, não afetará o Caixa).

  • b) Empréstimos bancários e nanciamentos: são os recursos nanceiros oriundos das instituições nanceiras.

  • c) Venda de Itens do Ativo Não Circulante Imobilizado: embora não seja comum, a empresa pode vender itens do ativo xo, gerando uma entrada de caixa.

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ULBRA – Educação a Distância

  • d) Vendas à Vista e Recebimento de Duplicatas a Receber (Clientes): esta constitui a principal fonte de recursos do Caixa.

  • e) Outras entradas: juros recebidos (ativos), dividendos recebidos de outras empresas, indenizações de seguros recebidas, etc.

    • 5.1.2 Transações que diminuem o Caixa (disponível)

67 ULBRA – Educação a Distância d) Vendas à Vista e Recebimento de Duplicatas a Receber
  • a) Pagamentos de Dividendos a Acionistas: dividendos pagos representam diminuições (desembolsos) do Caixa.

  • b) Pagamentos de Juros e Amortização da Dívida: o resgate das obrigações junto às instituições nanceiras bem como os encargos nanceiros (juros, correção monetária, taxas, tarifas, etc.) signicam saídas do Caixa.

  • c) Aquisição de item do Ativo Não Circulante: aquisições à vista de itens do imobilizado e de investimentos constituem saídas de Caixa.

  • d) Compra à Vista e Pagamentos a Fornecedores: saída de dinheiro referente à compra de matérias-primas e mercadorias para revenda.

  • e) Pagamento de Despesas/Custo, Contas a Pagar, Outros: desembolsos com despesas administrativas, com itens de custo e outros.

    • 5.1.3 Transações que não afetam o Caixa

      • a) Depreciação, Amortização e Exaustão: são reduções do Ativo que não afetam o Caixa.

      • b) Provisão para Devedores Duvidosos: estimativa de possíveis perdas com clientes que não representa saída de recursos;

      • c) Ajustes de Avaliação de Ativos: a (re)avaliação dos ativos a valores de mercado não ocasiona aumento ou redução de Caixa;

      • d) Acréscimos (ou Diminuições) de Investimentos pelo Método de Equivalência Patrimonial: poderá haver aumentos ou diminuições em itens de investimentos sem signicar vendas ou novas aquisições.

5.2 Estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa

A Demonstração do Fluxo de Caixa deve apresentar os fluxos de caixa do período classificados por atividades operacionais, de investimento e de financiamento.

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ULBRA – Educação a Distância

68 ULBRA – Educação a Distância 5.2.1 Atividades operacionais Os fluxos de caixa decorrentes das atividades
  • 5.2.1 Atividades operacionais

Os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradoras de receita da entidade. Portanto, eles resultam das transações e de outros eventos que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais:

  • a) recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços;

  • b) recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas;

  • c) pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços;

  • d) pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empregados;

  • e) recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice;

  • f) pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser especicamente identicados com as atividades de nanciamento ou de investimento;

  • g) recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura.

    • 5.2.2 Atividades de investimento

A divulgação em separado do fluxo de caixa decorrentes das atividades de investimento é importante porque tais fluxos de caixa representam a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela entidade com a finalidade de gerar resultados e fluxos de caixa no futuro. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento:

  • a) pagamentos de caixa para aquisição de Ativo Imobilizado, Intangível e outros ativos de longo prazo. Esses desembolsos incluem os custos de desenvolvimento ativados e ativos imobilizados de construção própria;

  • b) recebimentos de caixa resultantes da venda de Ativo Imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo;

  • c) pagamentos para aquisição de ações ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto desembolsos referentes a títulos considerados como equivalentes de caixa ou mantidos para negociação imediata ou venda futura);

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ULBRA – Educação a Distância

  • d) recebimentos de caixa provenientes da venda de ações ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto recebimentos referentes aos títulos considerados como equivalentes de caixa e os mantidos para negociação);

  • e) adiantamentos de caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos feitos por instituição nanceira); recebimentos de caixa por liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos de uma instituição nanceira);

69 ULBRA – Educação a Distância d) recebimentos de caixa provenientes da venda de ações ou
  • f) pagamentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap , exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os pagamentos forem classicados como atividades de nanciamento; e

  • g) recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classicados como atividades de nanciamento.

5.2.3 Atividades de financiamento

A divulgação separada do fluxo de caixa decorrentes das atividades de financiamento é importante por ser útil para prever as exigências sobre futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de financiamento:

  • a) caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais;

  • b) pagamentos de caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade;

  • c) caixa recebido proveniente da emissão de debêntures, empréstimos, títulos e valores, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos;

  • d) amortização de empréstimos e nanciamentos, incluindo debêntures emitidas, hipotecas, mútuos e outros empréstimos de curto e longo prazos; e

  • e) pagamentos de caixa por arrendatário, para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil nanceiro.

5.3 Demonstração do Fluxo de Caixa: métodos direto e indireto

A Demonstração do Fluxo de Caixa pode ser apresentada de duas formas: método direto e método indireto, conforme evidenciados na Figura 2.

70

Figura 2 – Método direto versus método indireto ULBRA – Educação a Distância
Figura 2 – Método direto versus método indireto
ULBRA – Educação a Distância

Fonte: Sá, 1998, p.36.

5.3.1 Método direto

O método direto indica os recebimentos e os pagamentos oriundos das atividades operacionais da entidade, em vez do Lucro Líquido Ajustado. Demonstra, efetivamente, as movimentações dos recursos financeiros ocorridos no período. A opção para esse método deve apresentar, pelo menos, os seguintes tipos de pagamentos e recebimentos relacionados às operações:

• recebimentos de clientes; • juros e dividendos recebidos; • pagamentos de fornecedores e empregados; • juros pagos; • imposto de renda pago; • outros recebimentos e pagamentos.

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O modelo simplificado de Demonstração do Fluxo de Caixa, pelo método direto mostrado no Quadro 10,
O modelo simplificado de Demonstração do Fluxo de Caixa, pelo método direto
mostrado no Quadro 10, faz uma segregação dos tipos de atividades e foi baseado
no modelo FAS 95:
Quadro 10 – Demonstração do Fluxo de Caixa: método direto.
ULBRA – Educação a Distância

Fonte: Azevedo, 2009, p.126.

A demonstração pelo método direto facilita ao usuário avaliar a solvência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos financeiros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplicados.

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ULBRA – Educação a Distância

72 ULBRA – Educação a Distância 5.3.2 Método indireto No método indireto, parte-se do lucro líquido

5.3.2 Método indireto

No método indireto, parte-se do lucro líquido para, após os ajustes necessários, chegar-se ao valor das disponibilidades produzidas no período pelas operações registradas na Demonstração do Resultado do Exercício. Esses ajustes consistem em itens, tais como depreciação, amortização, exaustão e provisões que não modificam o Caixa da empresa.

O Quadro 11 apresenta o modelo genérico da Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método indireto.

Quadro 11 – Fluxo de caixa método indireto.

72 ULBRA – Educação a Distância 5.3.2 Método indireto No método indireto, parte-se do lucro líquido

Fonte: Azevedo, 2009, p.127.

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ULBRA – Educação a Distância

No método indireto, também conhecido como método da reconciliação, a DFC é elaborada a partir do resultado, ou seja, do lucro ou prejuízo líquido do exercício, de forma semelhante à antiga Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR. Porém, se a DFC tem como principal argumento ser de mais fácil compreensão do que a DOAR, não faz sentido manter-se o método de elaboração desta.

Saliente-se que a diferença entre os dois métodos refere-se apenas à forma de evidenciação do fluxo das atividades operacionais. Os fluxos das atividades de financiamento e das atividades de investimento são demonstrados de igual maneira nos dois métodos. No modelo direto, os fluxos operacionais são evidenciados pela análise direta das entradas e saídas de dinheiro em Caixa e Bancos, são evidenciados, portanto, todos os pagamentos e recebimentos feitos no período.

73 ULBRA – Educação a Distância No método indireto, também conhecido como método da reconciliação, a

A DFC pelo método indireto apresenta no grupo das atividades operacionais primeiro o lucro líquido (proveniente da DRE), para, em seguida, adicionar os valores que não representam desembolsos de caixa que tenham sido deduzidos do lucro da DRE, ou seja, depreciação e amortização, provisão para devedores duvidosos, aumento ou diminuição referente a fornecedores, entre outros.

Ponto final

A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) passou a ser um relatório obrigatório (em substituição à Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR) pela Contabilidade para todas as sociedades de capital aberto ou com Patrimônio Líquido Superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde 01.01.2008, por força da Lei nº 11.638/2007 (referida lei seguiu a prática internacional – em especial os pronunciamentos Statement of Financial Accounting Standard (SFAS) nº 95 e International Accounting Standard (IAS) nº 7 – e as orientações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a qual já recomendava às companhias abertas brasileiras a elaboração da DFC). Esta demonstração torna-se mais um importante relatório para a tomada de decisões gerenciais. Essa demonstração tem a finalidade de fornecer informações sobre os recebimentos e pagamentos em um determinado período, que, utilizadas em conjunto com as informações das outras demonstrações, possibilitarão aos usuários avaliar a potencialidade da empresa de geração de caixa futuro, bem como a necessidade de financiamento a curto e a longo prazo.

Mister explicitar a diferença entre DOAR e DFC, sendo que a principal diferença é que a DOAR é elaborada com base no conceito de Capital circulante líquido, obedecendo ao regime de competência e a DFC baseia-se no conceito de disponibilidade imediata, obedecendo ao regime de caixa.

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ULBRA – Educação a Distância

74 ULBRA – Educação a Distância De forma sucinta, a DOAR procura mostrar os fatores que

De forma sucinta, a DOAR procura mostrar os fatores que afetam a folga financeira de curto prazo de uma empresa. A mudança na posição financeira é analisada por esta demonstração pela soma das fontes de recursos e dos seus usos. De outra forma, procura mostrar as alterações que ocorreram na posição financeira, permitindo avaliar aspectos relacionados com as decisões financeiras de investimento, de financiamento e de dividendos da empresa (identifica os fluxos financeiros que aumentaram ou reduziram o Capital Circulante Líquido, identificando suas origens e aplicações).

A DFC, por sua vez, é uma demonstração contábil que informa sobre os fluxos das transações e eventos que afetaram o Caixa da empresa ao longo de um determinado período, de forma organizada e estruturada por atividades, permitindo melhor compreensão da articulação entre as diversas Demonstrações Financeiras.

Além de ser um instrumento de trabalho para a empresa, a DFC é um importante instrumento de análise, pois fornece informações referentes à capacidade financeira da empresa de autofinanciamento das operações, de independência do sistema bancário no curto prazo, de gerar recursos para manter e expandir o nível de investimentos, e sobre as condições da empresa para amortizar suas dívidas de curto e longo prazo. O Quadro 12 apresenta as vantagens e limitações da DOAR e da DFC.

Quadro 12 – Vantagens e limitações da DOAR e da DFC.

Vantagens

DOAR

DFC

Fornece informações que não constam em outras demonstrações.

Existe tendência mundial de adotar o fluxo de caixa em detrimento da DOAR, pela utilização de uma linguagem comum.

Possibilita melhor conhecimento da política de investimento e de financiamento da empresa.

Oferece maior facilidade de entendimento por visualizar melhor o fluxo dos recursos financeiros.

Destinada a mostrar a compatibilidade entre a posição financeira e a distribuição de lucros.

Utiliza um conceito mais concreto, crítico em qualquer empresa, necessário nos curtos-curtíssimos prazos.

É uma demonstração mais abrangente, por representar as mutações em toda a posição financeira.

 

75

ULBRA – Educação a Distância

Limitações

DOAR

DFC

Não é fundamentalmente financeiro, pois aceita ativos não monetários, como os estoques e as despesas antecipadas.

Não existe consenso sobre que conceito de caixa utilizar. Uns autores aconselham caixa e bancos; outros consideram também títulos de curto prazo. O conceito de equivalente foi proposto em diversas legislações de outros países.

É uma demonstração que resulta em dificuldades de entendimento aos usuários, principalmente por trabalhar com o conceito abstrato de capital de giro líquido ou folga financeira de curto prazo.

Existe tendência de utilização do fluxo de caixa pelo método indireto, apesar de esta metodologia não ser a mais recomendada.

Apresenta modificações internas do Capital Circulante Líquido de forma residual.

Apresenta volume de informação menor que a DOAR.

Depende da conceituação do circulante, o que pode prejudicar sua capacidade analítica.

 

Seu uso não tem sido pesquisado de forma científica, inclusive nos países de pesquisa contábil desenvolvida.

 

O resultado é afetado pelo método de avaliação de ativos não monetários.

 

Fonte: Gangoni, 1997, apud Borsato, Pimenta e Veiga, 2010.

75 ULBRA – Educação a Distância Limitações DOAR DFC Não é fundamentalmente financeiro, pois aceita ativos

Atividades

1)

Em relação à Demonstração do Fluxo de Caixa, é correto armar que:

  • a) Consiste na demonstração nanceira que evidencia resumidamente o patrimônio da entidade, quantitativa e qualitativamente.

  • b) Evidencia a situação econômica da entidade.

  • c) Evidencia as variações de todas as contas do Patrimônio Líquido.

  • d) Permite o controle do elemento patrimonial mais líquido da entidade (caixa, bancos e aplicações nanceiras).

  • e) Foi substituída pela Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos com o advento da Lei nº 11.638/07.

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ULBRA – Educação a Distância

76 ULBRA – Educação a Distância 2) De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade e,

2)

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade e, conforme o Pronunciamento Técnico CPC 03, a entidade deve divulgar os uxos de caixa das atividades operacionais usando:

(

)

O Método Indireto, segundo o qual as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos são divulgadas.

(

)

O Método Direto, segundo o qual o lucro líquido ou o prejuízo é ajustado pelos efeitos de quaisquer deferimentos ou outras apropriações por competência sobre recebimentos ou pagamentos operacionais passados ou futuros.

(

)

O Método Direto, segundo o qual o lucro líquido ou prejuízo é ajustado pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados com uxos de caixa das atividades de investimento ou de nanciamento.

 
  • a) V,V,F

  • b) V,V,V

  • c) F,V,V

  • d) F,F,F

  • e) F,F,V

3)

(Curso Cathedra/2008) De acordo com a Demonstração do Fluxo de Caixa, analise as armativas a seguir:

I.

A integralização do capital social da entidade, em dinheiro, corresponde a um uxo de caixa gerado pela atividade de nanciamento.

II.

O pagamento de dividendos, em dinheiro, corresponde a um uxo de caixa gerado pela atividade de nanciamento.

III.

O recebimento do dinheiro da venda do imobilizado corresponde a um uxo de caixa gerado pela atividade de investimento.

Assinale:

  • a) Somente a armativa I está correta.

  • b) Somente a armativa II está correta.

  • c) Somente a armativa III está correta.

  • d) Armativas I e III estão corretas.

  • e) Todas as armativas estão corretas.

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ULBRA – Educação a Distância

4)

(Curso Cathedra/2008) De acordo com a Demonstração do Fluxo de Caixa, pelo método INDIRETO, analise as armativas a seguir a respeito da apuração do uxo de caixa da Atividade Operacional:

I.

É necessário somar ao Lucro Líquido do período o saldo da conta Depreciação Acumulada (conta reticadora do imobilizado).

II.

É necessário somar ao lucro ajustado do período o aumento do saldo da conta Estoques de Mercadorias.

III.

É necessário somar ao lucro ajustado do período o aumento do saldo da conta Fornecedores a Pagar.

Assinale:

  • a) Somente a armativa I está correta.

  • b) Somente a armativa II está correta.

  • c) Somente a armativa III está correta.

  • d) Armativas I e III estão corretas.

  • e) Todas as armativas estão corretas.

5)

(FGV/TCM/PA/2008) De acordo com a Resolução CFC 1125/2008, avalie as armativas a seguir:

77 ULBRA – Educação a Distância 4) (Curso Cathedra/2008) De acordo com a Demonstração do Fluxo
  • I. A entidade pode escolher, livremente, se elaborará a DFC pelo método Direto ou Indireto.

II. Se escolher a DFC pelo método direto, é necessário evidenciar, adicionalmente, a conciliação entre o lucro líquido e o uxo de caixa líquido das atividades operacionais.

III. A entidade pode escolher, livremente, se evidenciará o pagamento de juros sobre o nanciamento como caixa consumido pela atividade operacional ou pela atividade de nanciamento.

Assinale:

  • a) Somente a armativa I está correta.

  • b) Somente a armativa II está correta.

  • c) Somente a armativa III está correta.

  • d) Armativas I e III estão corretas.

  • e) Todas as armativas estão corretas.

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ULBRA – Educação a Distância

78 ULBRA – Educação a Distância 6) Com suas palavras, sintetize os benefícios da Demonstração do

6)

Com suas palavras, sintetize os benefícios da Demonstração do Fluxo de Caixa:

7)

Relacione as principais transações que afetam o caixa da entidade:

8)

A Demonstração do Fluxo de Caixa apresenta os uxos de caixa do período classicados por atividades operacionais, de investimento e de nanciamento. Exemplique-as:

9)

Diferencie os métodos direto e indireto da Demonstração do Fluxo de Caixa:

10) Com a obrigatoriedade da Demonstração do Fluxo de Caixa imposta pela Lei nº 11.638/07, esta demonstração torna-se um importante relatório para a tomada de decisões gerenciais. Por quê?

6

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

Simone Loureiro Brum Imperatore

A Lei nº 11.638/07 introduziu para todas as companhias abertas a obrigatoriedade da elaboração e divulgação da Demonstração do Valor Adicionado. Referida demonstração evidencia quanto de riqueza uma entidade produziu, ou seja, quanto ela adicionou aos seus fatores de produção e de que forma esta riqueza foi distribuída (entre empregados, governo, acionistas, financiadores de capital).

Segundo Marion (2009, p.58), “O Valor Adicionado é calculado subtraindo-se da Receita Operacional os custos dos recursos adquiridos de terceiros (compras de matérias-prima, mercadorias, embalagens, energia elétrica, terceirização da produção) utilizados no processo operacional. Esse primeiro valor calculado poderia ser chamado de Valor Adicionado Bruto”. O mesmo autor salienta que, na sequência, subtrai-se a depreciação, gerando o chamado Valor Adicionado Líquido.

Esse resultado corresponde à riqueza gerada, efetivamente, pela entidade. Outros acréscimos e reduções deveriam ser destacados: receita financeira, dividendos, outras despesas operacionais, etc. A esse resultado chamamos Valor Adicionado. Saliente-se que para os investidores e outros usuários essa demonstração proporciona o conhecimento de informações de natureza econômica e social e oferece a possibilidade de melhor avaliação das atividades da entidade dentro da sociedade na qual está inserida.

Segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2010), através do Pronunciamento Técnico CPC 09,

A DVA está fundamentada em conceitos macroeconômicos, buscando apresentar, eliminados os valores que representam dupla-contagem, a parcela de contribuição que a entidade tem na

80

ULBRA – Educação a Distância

formação do Produto Interno Bruto (PIB). Essa demonstração apresenta o quanto a entidade agrega de valor aos insumos adquiridos de terceiros e que são vendidos ou consumidos durante determinado período.

80 ULBRA – Educação a Distância formação do Produto Interno Bruto (PIB). Essa demonstração apresenta o

Em termos gerais, a DVA contempla as mesmas informações apresentadas da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), mas numa segregação diferente, voltada para uma magnitude mais social das entidades, principalmente no que se refere à distribuição da riqueza gerada. A demonstração apresenta separadamente a parcela que se destina à remuneração de cada público que contribuiu para sua formação:

empregados/colaboradores: remuneração pela força de trabalho (incluindo encargos);

nanciadores: remuneração pelos recursos emprestados;

governo: remuneração pela estrutura social, política e econômica que gera condições de operações no meio ambiente (impostos, taxas e contribuições);

acionistas: remuneração pelo capital investido na empresa (além dos juros sobre capital próprio e lucros retidos).

6.1 Modelo de Demonstração do Valor Adicionado

O Quadro 13 apresenta o modelo da Demonstração do Valor Adicionado apresentado pelo CRCRS).

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Quadro 13 – Modelo da Demonstração do Valor Adicionado. ULBRA – Educação a Distância
Quadro 13 – Modelo da Demonstração do Valor Adicionado.
ULBRA – Educação a Distância

Fonte: CRCRS, 2009, p.51.

A participação dos trabalhadores no valor adicionado compreende todos os gastos com pessoal, em contrapartida ao trabalho realizado no período. Assim, deve conter os pagamentos feitos diretamente aos empregados, como, por exemplo, os salários, as contribuições de seguridade ou sociais, e quaisquer outras vantagens oferecidas por conta da participação na atividade produtiva da companhia.

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ULBRA – Educação a Distância

82 ULBRA – Educação a Distância Apesar de o governo não ser considerado um dos fatores

Apesar de o governo não ser considerado um dos fatores diretos de produção, ele também participa na criação de riqueza para a entidade, pois apoia suas atividades produtivas por meio de investimentos em infraestrutura, incentivos fiscais e subvenções. Os tributos (impostos, taxas e contribuições) pagos ou devidos pela companhia representam, na riqueza gerada, a remuneração devida ao Estado por seu apoio para que a empresa tenha condições de realizar suas atividades em seu ambiente e para a manutenção da estrutura social organizada.

Contudo, somente os impostos associados ao lucro obtido e outros tributos que tenham relação direta com a atividade principal da empresa deveriam ser computados neste agrupamento, e, para uma melhor evidenciação, o ideal seria especificar os impostos conforme suas competências, segundo a unidade federativa que os originou, por exemplo, da União, do estado ou do município, ou, ainda, de um país estrangeiro – quando o pagamento do imposto é feito fora das fronteiras, pela qual a empresa realiza suas atividades.

A remuneração dos credores e financiadores, por sua vez, representa os pagamentos a terceiros, sob a forma de custo financeiro (juros), por conta das captações de capital externo destinadas à manutenção e aos investimentos. São excluídos deste agrupamento os gastos financeiros relativos a comissões ou outras despesas bancárias similares, por representarem despesas consideradas intermediárias.

Na rubrica remuneração dos sócios ou acionistas apresenta-se a parcela do lucro destinada àqueles que aplicaram os recursos próprios, reembolsados sob a forma de pagamento de dividendos ou juros sobre o capital próprio, por conta das capitalizações realizadas na entidade. Algumas empresas costumam apresentar, neste agrupamento, também os lucros retidos, por entenderem que a totalidade dos lucros da companhia pertence a seus acionistas.

Saliente-se que os reinvestimentos correspondem ao lucro retido pela empresa para sustentar seu autofinanciamento. Uma parte desta riqueza foi direcionada para a constituição das reservas, segundo a legislação societária e a deliberação da assembleia, e a outra parcela está embutida na depreciação calculada com base na estimativa de vida útil econômica dos ativos que a companhia está utilizando em suas atividades operacionais (na verdade, essa distribuição do valor adicionado tem por fim manter a capacidade física da empresa para realizar seu papel na geração de novas riquezas).

6.2 Instruções de preenchimento da DVA

A seguir, relacionamos o passo a passo de preenchimento da Demonstração do Valor Adicionado.

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ULBRA – Educação a Distância

Conforme estabelece a NBC T 3.7, no grupo de receita bruta e outras receitas, devem ser apresentados os seguintes valores:

  • a) as vendas de mercadorias, produtos e serviços, incluindo os valores dos tributos incidentes sobre essas receitas, ou seja, o valor correspondente à receita bruta, deduzidas as devoluções, os abatimentos incondicionais e os cancelamentos;

  • b) as outras receitas decorrentes das atividades-m não constantes da letra “a” deste item;

83 ULBRA – Educação a Distância Conforme estabelece a NBC T 3.7, no grupo de receita
  • c) os valores relativos à constituição (reversão) de provisão para créditos duvidosos;

  • d) os resultados não decorrentes das atividades-m, como: ganhos ou perdas na baixa de imobilizado, investimentos, etc.

No grupo de insumos adquiridos de terceiros, devem ser apresentados:

  • a) materiais consumidos incluídos no custo dos produtos, mercadorias e serviços vendidos;

  • b) demais custos dos produtos, mercadorias e serviços vendidos, exceto gastos com pessoal próprio e depreciações, amortizações e exaustões;

  • c) despesas operacionais incorridas com terceiros, tais como: materiais de consumo, telefone, água, serviços de terceiros, energia;

  • d) valores relativos a perdas de ativos, como perdas na realização de estoques ou investimentos, etc.;

  • e) nos valores constantes dos itens “a”, “b” e “c” anteriores devem ser considerados todos os tributos incluídos na aquisição, recuperáveis ou não.

Os valores retidos pela entidade são representados pela depreciação, amortização e exaustão registrados no período.

Os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras entidades correspondem:

  • a) ao resultado positivo ou negativo de equivalência patrimonial;

  • b) aos valores registrados como dividendos relativos a investimentos avaliados ao custo;

  • c) aos valores registrados como receitas financeiras, relativos a quaisquer operações com instituições nanceiras, entidades do grupo ou terceiros, exceto para entidades nanceiras; e

  • d) aos valores registrados como receitas de aluguéis ou royalties, quando se tratar de entidade que não tenha como objeto essa atividade.

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ULBRA – Educação a Distância

No componente relativo à distribuição do valor adicionado, devem constar:

84 ULBRA – Educação a Distância No componente relativo à distribuição do valor adicionado, devem constar:
  • a) colaboradores – devem ser incluídos salários, férias, 13º salário, FGTS, seguro de acidentes de trabalho, assistência médica, alimentação, transporte, etc., apropriados ao custo do produto ou ao serviço vendido ou ao resultado do período, exceto os encargos com o INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SENAC, e outros assemelhados. Fazem parte desse conjunto, também, os valores representativos de comissões, graticações, participações, planos privados de aposentadoria e pensão, seguro de vida e acidentes pessoais;

  • b) governo – devem ser incluídos impostos, taxas e contribuições, inclusive as contribuições devidas ao INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SENAC e outros assemelhados, Imposto de Renda, contribuição social, ISS, todos os demais tributos, taxas e contribuições. Os valores relativos ao ICMS, ao IPI, ao PIS, à COFINS e outros assemelhados, devem ser considerados aqueles devidos ou já recolhidos aos cofres públicos, representando a diferença entre os impostos incidentes sobre as vendas e os valores considerados dentro do item “Insumos adquiridos de terceiros”. Como os tributos são, normalmente, contabilizados no resultado como se devidos fossem, e os incentivos scais, quando reconhecidos em conta de reserva no Patrimônio Líquido, os tributos que não forem pagos em decorrência de incentivos scais devem ser apresentados na Demonstração do Valor Adicionado como item redutor do grupo de tributos;

  • c) agentes nanciadores – devem ser consideradas, neste componente, as despesas nanceiras relativas a quaisquer tipos de empréstimos e nanciamentos com instituições nanceiras, entidades do grupo ou outras e os aluguéis (incluindo os custos e despesas com leasing) pagos ou creditados a terceiros (exceto para entidades nanceiras que devem observar normatização especíca);