Eleny Aparecida de Oliveira

PENSAMENTO LÓGICO MATEMÁTICO: DA HETERONOMIA À AUTONOMIA

“O Raciocínio Lógico é cheio de desafios e prepara o ser humano para o próximo milênio. Até agora tivemos o século das máquinas e da tecnologia. O primeiro século do próximo milênio vai ser o do pensar. Vai vencer aquele que tiver instrumentais, pensamentos lógicos, quem for criativo e inovador.” (Jonofon Sérates)

A matemática no âmbito escolar sempre foi uma disciplina temida, vista pelos alunos sem funcionalidade em seu contexto e pouco compreendida a sua aplicabilidade na vida cotidiana. Por isso, precisa favorecer um ensino e uma aprendizagem significativa, contextualizada; desenvolvendo o raciocínio lógico, a capacidade de compreender, imaginar e extrapolar do aluno. Segundo os PCNS (Brasil, 2001), os alunos já chegam à escola com conhecimentos, ideias e intuições, construídas pelas experiências vivenciadas em seu grupo sociocultural. Trazendo para a sala de aula diferenciadas ferramentas básicas para classificar, ordenar, quantificar e medir, por exemplo. Logo, o ensino da matemática deve ter como referência as experiências cotidianas do aluno, não desprezando as informações que trás de casa. Porém, o professor, não deve limitarse somente a estes conhecimentos prévios do aluno, mas servindo-se deles para novas possibilidades de aprendizagem e conhecimentos. Esta pode vir a ser uma maneira de sedução e encantamento para o saber matemático.
“É importante destacar que a Matemática deverá ser vista pelo aluno como um conhecimento que pode favorecer o desenvolvimento do seu raciocínio, de sua sensibilidade expressiva, de sua sensibilidade estética e de sua imaginação” (PCN's,2001)

O ensino da matemática deve ter como objetivos: desenvolver o raciocínio lógico; estimular a criatividade na busca de estratégias para resolver problemas; instrumentalizar o aluno com ferramentas que aumentem sua motivação para a aprendizagem; favorecendo assim a socialização e as interações do aluno com seu meio físico e social. Segundo Piaget (1976), “O conhecimento lógico-matemático é uma construção que resulta da ação mental da criança sobre o mundo, construído a partir

Repetindo e reforçando os conteúdos dos livros didáticos tal como estão neles impressos. que transmite aos seus alunos os conhecimentos de modo tradicional. A pedagogia tradicional aplicada nas escolas é uma educação que ignora as experiências e as verdadeiras necessidades dos alunos. temos as contribuições de J. “obedientes” e a punição para os alunos que não estiverem dentro dos parâmetros impostos por ela. princípios e . apenas memorizam. se falar durante as aulas. mas também no desenvolvimento moral do aluno. desconsiderando a comunicação como uma interação entre sujeitos da aprendizagem.de relações que a criança elabora na sua atividade de pensar o mundo. mas só na autonomia – e pela autonomia – se realiza uma verdadeira educação de homens. A heteronomia pode ser um processo de domesticação de bichos. e também das ações sobre os objetos”. principalmente com o adulto. que ela construirá seus valores. que reúne grupos e que oportuniza a interação entre os sujeitos da aprendizagem. Piaget (1896-1980) para que sejam formulados os conceitos de autonomia intelectual e moral. intelectual. Segundo Kamii. Ainda encontramos. passivamente. Esta práxis educativa leva a escola a assumir um papel autoritário. acorrentará todo potencial cognitivo. nos dias atuais. não apenas a difusão de conhecimentos. escolas sustentadas na ideia de que o professor é o centro do processo educativo. sendo aquele que ensina. Nesse sentido. (Antonio Sérgio) A escola compreendida como um ambiente que promova a socialização. Para Piaget. absorve esses conhecimentos como se fosse uma "tabula rasa". o campo moral desta escola usa a recompensa para os alunos “modelos”. acreditando que o professor que detém todo saber e que o aluno apenas reproduz o que lhe foi ensinado. os valores morais são construídos a partir da interação do sujeito com os vários ambientes sociais em que está inserido e sendo na sua convivência diária. é responsável. social e moral do aluno. Uma escola que não promove a autonomia do aluno estará reforçando heteronomia. ou seja. não havendo nenhuma interação aluno-professor. pois promovem a padronização do conhecimento. sofrerá alguma sanção. Se o aluno não se comportar. onde o professor é o dono do conhecimento e transmite para seu aluno que.

pois ajuda na tarefa de consolidação do eu. elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais e que. Jogos em grupo são muito interessantes. p. O jogo reflete e melhora o progresso da criança na escola. já que as crianças quando jogam assimilam e podem transformar a realidade.. Piaget acredita que os jogos são essenciais na vida da criança. Além de sua importância nos intercâmbios afetivos . os métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se forneça às crianças um material conveniente. Segundo Piaget (1976): “. da afetividade e da moral é acontece progressivamente através de estágios sucessivos. a internalização de regras. promovem também um clima de discussão e troca entre alunos e professor. favorecendo a sua análise e não simplesmente corrigindo-os ou avaliando o produto final. portanto. Psicologia Genética. Piaget defende que a inteligência não é inata. o grupo todo aponta as injustiças. permanecem exteriores à inteligência infantil. Através dos jogos. fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. porque todos eles têm regras e as crianças devem decidir sobre as regras. Kamii diz: “Em um jogo você pode esperar por conflitos e essas situações conflituosas são importantes.160). onde a criança organiza o pensamento e o julgamento. Porém. O jogo é. Em sua teoria. Isso é governar a si próprio”. pois as crianças precisam debater para chegar a um acordo sobre qual é a forma justa de jogar. Quando começam a jogar. O saber é construído e não imposto de fora. sob as suas duas formas essenciais de exercício sensóriomotor e de simbolismo. mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual”. uma assimilação da real à atividade própria. entretanto o início da razão. pois o jogo constituiu-se em expressão e condição para o desenvolvimento infantil. se comprometem com as regras.. Por isso é primordial o uso dos jogos no contexto escolar. O desenvolvimento moral ocorre simultaneamente com o desenvolvimento lógico. é preciso que ocorra também a interação entre os processos de assimilação e acomodação. pois este além de colaborarem para uma aprendizagem efetiva. Quando alguém infringe uma regra. o raciocínio lógico. (Piaget 1976. a fim de que. promove-se a autonomia da criança. jogando.. o respeito mútuo.normas morais. os jogos não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energias das crianças. sem isso.. Por isso.

.das crianças entre elas ou com os adultos significativos (os pais e os professores). O jogo é uma “janela” da vida emocional da criança.

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