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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO Em, j1/ (7;2 / (/C)

PROCESSO TC-05935/98

Administração Indireta Estadual. Empresa EStadual de Pesquisa


'ti Secret a' o T~ibU(~Pleno
Agropecuária da Paraíba - EMEPA. Verificação do cumprimento do
Acórdão APL-TC nO 105/99. Cumprimento parcial. Aplicação de multa -
Recurso de Revisão contra o Acórdão APL-TC-283/2007. Não
conhecimento do recurso dado ao disposto no art. 35 da LOTCE.

RELATÓRIO
O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, em sessão plenária do dia 02/05/2007, ao verificar o
cumprimento do Acórdão APL-TC nO105/99 referente à Prestação de Contas Anual da Empresa Estadual
de Pesquisa Agropecuária da Paraíba - EMEPA, exercício de 1997, decidiu, conforme o Acórdão APL-
TC-283/2007 publicado em 23/05/2007:
I. à unanimidade, declarar o não cumprimento integral do Acórdão APL- TC- 105/99;
11. à maioria, aplicar a multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) ao ex-Diretor Presidente
da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (EMEPA), Sr. José de Oliveira
Costa, com base no art. 56, inciso IV1, da LOTCE-PB, pelo descumprimento de decisão desta
Corte (Acórdão APL- TC-105/99), assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para o
recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal,
conforme previsto na RN-TC-05/2003, sob pena de cobrança executiva, desde logo
recomendada, nos termos dos parágrafos 3° e 4° do art. 71 da CE;
111. à unanimidade, assinar novo prazo de 180 (cento e oitenta) dias para que o atual gestor da
EMEPA adote as providências necessárias ao cumprimento integral das decisões prolatadas no
Acórdão APL TC nO105/99;

IV. à unanimidade, representar ao Ministério Público Comum em face das condutas verificadas nos
autos e possivelmente atreladas à competência penal daquele Órgão.
lnconforrnado com a decisão, em 16/12/2007, o Senhor José de Oliveira Costa, interpôs,
tempestivamente, Recurso de Revisão contra o Acórdão APL-TC-283/2007 (fls. 628/649), tendo o Relator
recebido nos autos e encaminhado ao Ministério Público Especial para pronunciamento.
O Ministério Público junto ao Tribunal manifestou-se através do ilustre Procurador Marcílio Toscano
Franca Filho (fls. 651/654), opinando pelo não conhecimento do presente recurso de revisão, posto que
não vislumbrada hipótese legal de cabimento do rol taxativo do artigo 19i do Regimento Interno do
TCE/PB, ratificando-se, pois, inteiramente o teor da decisão vergastada.
Sobre a alegação de cerceamento de defesa apresentada pelo recorrente, assim manifestou-se o
Parquet
"Compulsando os autos, constata-se no despacho de fls. 536 ordenando a citação do Sr. José de Oliveira
Costa, para justificar o não atendimento à decisão do TCE ou apresentar as providências adotadas,
consubstanciada no Acórdão APL- TC-105/99. Tendo o Ofício TC N° 233 (fls. 538) sido remetido ao
próprio endereço residencial constante no recurso manejado pelo recorrente, mesmo assim, o documento
de fls. 540 atesta sua devolução motivada pela ausência do destinatário. Importante salientar, que houve
a devida notificação para apresentação de defesa no Diário Oficial do Estado (fls. 514 dos autos),
conforme determina o art. 91, § 1° do Regimento Interno do TCElPB; dessa forma, fica comprovado que
fora dado ciência ao acusado de que contra ele se movimenta uma ação, chamando-o para ver-se
processar e fazer a sua defesa, a qual não foi apresentada. g
1 Art. 192. De decisão definitiva, proferida nos processos sujeitos a julgamento pelo Tribunal de Contas, cabe Recurso de Revisão para o Tribunal Pleno, sem efeito suspen-
sivo, interposto por escrito, uma só vez, dentro do prazo de cinco anos, contado na forma prevista neste Regimento, tendo como fundamentos um ou mais dos seguintes
fatos:

I - erro de cálculo nas contas;


11- falsidade ou insuficiência de documentos em que se tenha fundamentado a decisão recorrida;
111- superveniência de documentos novos com eficácia sobre a prova produzida.
f1s.2
PROCESSO-TC-05935/98

Este Parquet entende que o cerceamento de defesa consiste na prolação de uma decisão prematura,
sem que tenha sido facultada à parte a utilização de todos os recursos previstos em lei para a defesa de
seu direito, porquanto, vê-se que o Regimento Interno do TCE-Pb foi cumprido em relação à
comunicação dos atos processuais, respeitando o princípio constitucional do devido processo legal; não
havendo qualquer fundamento para alegar a nulidade por suposto cerceamento de defesa."
Foram emitidas as notificações de praxe para a presente sessão.

VOTO DO RELATOR
O Recurso de Revisão configura-se na última instância pela qual o interessado pode pleitear, junto a esta
Corte, a revisão dos julgados como forma de garantir a amplitude que se reportam os direitos
constitucionais da ampla defesa e do contraditório.
O recurso aqui debatido preserva os requisitos da tempestividade e da legitimidade do impetrante, no
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entanto, não pode ser conhecido, ante sua atipicidade tendo em vista os condicionantes do art. 35 da Lei
Orgânica desta Corte de Contas que estabelece, de maneira taxativa, os casos em que será admitido o
recurso de revisão. Porquanto, não há insurgência contra a correção dos cálculos ou a veracidade e
insuficiência de documentos, bem como inexiste documento novo com eficácia sobre a prova produzida
que possa modificar a decisão recorrida.
Com relação à alegação do recorrente de que houve cerceamento de defesa, acompanho o
posicionamento pelo Ministério Público junto a este Tribunal em seu Parecer emitido nos autos e
transcrito nesta decisão.
Ante o exposto e em harmonia com o parecer ministerial, voto pelo não conhecimento do presente
recurso impetrado, tendo em vista a inadequação da peça recursal aos pressupostos da Lei
Complementar Estadual nO 18/93, mantendo-se, integralmente a decisão consubstanciada no Acórdão
APL-TC nO283/2007.

DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO


Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO-TC-05935/98, ACORDAM os Membros do
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAfBA, à unanimidade, na sessão plenária realizada nesta
data, em não conhecer o RECURSO DE REVISÃO impetrado, ante a inadequação aos pressupostos do
art. 352 da LC 18/93, mantendo integralmente a decisão consubstanciada no Acórdão APL-TC nO
283/2007.

Publique-se, registre-se e cumpra-se.


TCE-Plenário Ministro João Agripino

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Conselheiro An Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira


Relator

Fui presente, f\ C\ --
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Procuradora Geral do Ministério Público junto ao TCE-Pb

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Art. 35 - De decisão definitiva caberá recurso de revisão ao Plenário, sem efeito suspensivo, interposto por escrito, uma só vez, pelo responsável, seus sucessores, ou pelo
Ministério Público junto ao Tribunal, dentro do prazo de cinco anos, contados na forma prevista no inciso 11do art. 30 desta lei, e fundar-se-á:

I - em erro de cálculo nas contas;


11- em falsidade ou insuficiência de documentos em que se tenha fundamentado a decisão recorrida;
11I- na superveniência de documentos novos com eficácia sobre a prova produzida.