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TRIBUNAL D~AS DO ~s~SÃl:)gari~/rj'o'ZT~ibun~'-1


Pleno

I PROCESSO TC N° 05228/07
ADMINISTRAÇÃO DIRETA MUNICIPAL - PREFEITURA MUNICIPAL
DE JOÃO PESSOA - DENÚNCIA ACERCA DE SUPOSTAS
IRREGULARIDADES NA GESTÃO DO PREFEITO RICARDO VIEIRA
COUTINHO - CONHECIMENTO - IMPROCED~NCIA-
ARQUIVAMENTO,

ACORDÃO APL TC N° ..! I.' 12009

RELATÓRIO
Tratam os presentes autos de denúncia formulada pelo Deputado Estadual Ruy
Manuel Carneiro Barbosa de Aça Belchior, contra o Prefeito do Município de João
Pessoa, Senhor Ricardo Vieira Coutinho, acerca da existência de supostas irregularidades
na celebração do Termo de Conciliação Judicial, entre o Município de João Pessoa e o
Sindicato dos Engenheiros do Estado da Paraíba, ocorrida perante à Justiça do Trabalho,
em 25/07/2005, visando o pagamento dos precatórios trabalhistas de nOs. 700/94, 385/96 e
522/97, no montante de R$ 8.320.418,65. Requer sejam apurados os fatos denunciados,
para que esta Corte de Contas reconheça e declare a nulidade dos procedimentos, assim
como, remeta cópia integral dos autos e da decisão do Tribunal para o Ministério Público
adotar as providências criminais cabíveis, destacando, em síntese, as seguintes
ocorrências:
1. o denunciado determinou o pagamento de valores que ele próprio - um mês
antes do ato atacado - reconheceu indevido;
2. A Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e perícia contábil
reconheceu que era indevido o pagamento pleiteado;
3. Do acordo firmado já foram pagas duas parcelas, causando desvio e dano
efetivo ao erário municipal;
4. Foi cumprida uma Lei Municipal (Lei nO 7.165/92) declarada inconstitucional
pelo Tribunal de Justiça;
5. A conciliação judicial teria sido pactuada visando a atender interesses de dois
secretários municipais, beneficiários da demanda;
6. Os atos praticados pelo denunciado afrontam os princípios da legalidade e da
moralidade, atentam contra a probidade administrativa, constituem crime de
responsabilidade, bem como, revelam-se incompatíveis com a dignidade e o
decoro do cargo;
Instaurado o contraditório, o denunciado apresentou defesa, subscrita, conjuntamente,
pelo Procurador Geral do Município, acompanhada da documentação acostada às fls.
80/142, onde rebate os aspectos imputados e requer, em preliminar, seja reconhecida a
incompetência do TCE-Pb para apreciar a denúncia e deliberar sobre o pedido,
determinando-se, por conseqüência, o seu arquivamento.
A Auditoria, no relatório às fls. 170/176, argumenta, preliminarmente, que, de fato, não
tem, esta Corte, competência para adentrar ao mérito do pagamento de precatório judicial
ou para emitir juízo de valor acerca da sentença prolatada pelo Poder Judiciário, nem,
tampouco, se reveste de meios para declarar a nulidade de acordo judicial celebrado
perante o Juízo Auxiliar de Conciliação de Precatórios. No entanto, suger onhecimento
da denúncia, com fundamento no art. 71, 11, da Constituição Estadual, e s· etria com o art.
71, 11 da CF/88, uma vez que cabe a este Órgão de ntrole E r apurar indício de
IPROCESSO TC N° 05228/07
irregularidade nos atos praticados por quaisquer de seus jurisdicionados, dos quais resultem
dano ao erário.
Foi realizada inspeção in loco na Secretaria de Finanças do Município, na
Procuradoria Geral e no Tribunal Regional do Trabalho, tendo a Unidade Técnica de
Instrução emitido pronunciamento, segundo o qual:
(a) Contra a prefeitura de João Pessoa foi ajuizada reclamação trabalhista, em
15/04/1985. Em 28/11/2003, o Município de João Pessoa foi notificado pelo TRT-PB
para, querendo, iniciar processo de negociação com os reclamantes, com vistas à
conciliação do débito, cujo cálculo judicial datado de 01/12/2003, perfazia o montante
de R$ 11.838.977,90, não tendo havido manifestação do Poder Municipal à época.
Em 07/07/2005, a Procuradoria Geral do Município apresentou petição, requerendo a
suspensão do precatório, para que fossem realizados novos cálculos, expurgando-se
os acréscimos/diferenças salariais que não constavam da sentença e no Agravo de
Petição. No dia 25/07/2005, foi celebrado o termo de conciliação judicial, para
pagamento do valor de R$ 8.320.418,65;
(b) Quanto ao fato da conciliação ter ocorrido após 18 dias da apresentação de petição,
procedem os argumentos do defendente, quando aduz legítimo o exercício do direito
à ampla defesa, que, mediante ausência de comprovação, tal alegação não poderia
ser acolhida pelo Poder Judiciário;
(c) Com vistas à comprovação de inexistência do débito objeto do acordo judicial, o
denunciante não trouxe à apreciação nenhum documento que comprovasse tal
afirmação ou fosse desconhecido do Poder Judiciário ao decidir o litígio em favor dos
reclamantes;
(d) O item 2 do acordo judicial firmado (fls. 106) atestou o compromisso de conceder
reajuste salarial de forma escalonada, aos ativos, inativos e pensionistas, para que
fosse atingido o piso salarial previsto na Lei nO4.950-A/1966 e deu-se a título de
compensação aos reclamantes pela renúncia de parte do crédito originalmente
devido. Conforme a Lei Orgânica do Município de João Pessoa, entre as atribuições
legais conferidas ao Prefeito está a competência para representar o município
judicialmente e, nos limites da lei, adotar as medidas que melhor sirvam aos
interesses da edilidade, estando atestada, no caso, a vantagem da substituição de
dívida que no ano de 2003 chegava a R$ 11.838.977,90, pelo pagamento,
parcelado, do montante de R$ 8.320.418,65, mediante concessão de reajuste
salarial;
(e) Os documentos de despesas fornecidos pela Secretaria de Finanças do Município
confirmam que os valores pagos, relativamente à primeira e segunda parcela do
acordo judicial estão em conformidade com o pactuado;
(f) A Ação foi patrocinada pelo Sindicato dos Engenheiros buscando direitos para toda a
categoria, envolveu mais de 130 reclamantes, não havendo evidencia de que a
conciliação judicial visou a atender interesses de secretários municipais beneficiários
da ação e nem prova de qualquer favorecimento indevido;
(g) O acordo firmado se baseou em sentença prolatada pela Justiça de Trabalho e
fundamentou-se na Lei Federal nO4.950-Al66, sobre a qual não pairam indícios de
inconstitucionalidade;
(h) Não restou comprovada qualquer prática de contrário aos princípios que regem a
Administração Pública, inclusive à probi e dministrativa, que constitua crime de
responsabilidade ou que e vele inc pa' el com a dignidade e o decoro do cargo
exercido pelo denunciado

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IPROCESSO TC N° 05228/07

Diante do exposto, a Auditoria concluiu ser improcedente, em sua totalidade, os fatos


denunciados.
O Ministério Público especial, através do Parecer nO 056/2009, da lavra do ilustre
Procurador Marcílio Toscano Franca Filho, ressaltou que todos os argumentos
li •••

expostos na peça denunciante foram cuidadosa e fundamentadamente refutados pela d.


Auditoria que apurou a procedência da dívida e concluiu pela inexistência de qualquer
articulação fraudulenta causadora de dano ao erário", e queli o cumprimento de decisões
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judiciais pelos entes públicos na forma como que foi conduzida no processo nO
1065.1985.002.13.00-9, através de acordo, prestigia o erário na medida em que, de forma
justa e consentida, reduz-se o valor do débito, com a conseqüente satisfação das partes
litigantes". Opinou, ao final, pela improcedência da denúncia, na esteira do proposto pela
Unidade Técnica de Instrução.
Foram procedidas as comunicações de estilo.
É o Relatório

VOTO DO RELATOR
O Relator, considerando as conclusões da Auditoria e a manifestação do Ministério
Público especial junto ao Tribunal, vota no sentido de que o Egrégio Tribunal Pleno
CONHEÇA da denúncia formulada contra o Prefeito do Município de João Pessoa, Senhor
Ricardo Vieira Coutinho, em vista da competência desta Corte de Contas para apreciação
dos fatos, e, no mérito, julgue-a IMPROCEDENTE, pelos motivos já declinados,
determinando-se o arquivamento dos autos.

DECISAo DO TRIBUNAL PLENO

Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO TC N° 5228/07; e


CONSIDERANDOos fatos narrados no Relatório;

CONSIDERANDOque não se comprovou quaisquer dos aspectos tratados


na denúncia;

CONSIDERANDOobservação do Conselheiro Arnóbio Alves Viana em razão


de ter verificado que o pagamento dos precatórios de que tratam os autos,
deram-se sem obediência a ordem cronológica de outros pré-existentes,
acatando o Relator a sugestão de se fazer recomendação com vistas a evitar tal
prática;

CONSIDERANDO o mais que dos autos consta

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IPROCESSO TC N° 05228/07
ACORDAM OS INTEGRANTES DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA
PARAíBA (TCE-Pb), à unanimidade de votos, na sessão desta data, em:

1. CONHECER, EM PRELIMINAR, DA DENÚNCIA formulada pelo


Deputado Estadual Ruy Manuel Carneiro Barbosa de Aça
Belchior contra o Prefeito do Município de João Pessoa, Senhor
Ricardo Vieira Coutinho;
2. JULGÁ-LA IMPROCEDENTE;
3. RECOMENDAR à Administração Municipal de João Pessoa, que
os pagamentos de precatórios obedeçam rigorosamente a ordem
cronológica pré-existente;
4. DETERMINAR o ARQUIVAMENTO destes autos.
Publique-se, intime-se e registre-se.
Sala das Sessões do TCE-Pb - Plenário Ministro João Agripino
João Pessoa, 28 de ja I de 2.009.