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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

Administração Direta Municipal. Prefeitura de SANTA LUZIA. PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAL relativa ao exercício de 2006. Emissão de PARECER FAVORÁVEL. Recomendação.

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RELATÓRIO

Tratam os autos do presente processo da análise da Prestação de Contas do Município de Santa Luzia/PB, relativa ao exercício financeiro de 2006, de responsabilidade do Prefeito e Ordenador de Despesas, SrOAntônio Ivo de Medeiros.

A Divisão de Acompanhamento da Gestão Municipal I - DIAGM I, com base nos documentos insertos nos autos, emitiu o relatório inicial de fls. 1178-1187, evidenciando os seguintes aspectos da gestão municipal:

1. Sobre a gestão orçamentária, destaca-se:

a)

o orçamento foi aprovado através da Lei Municipal n.? 411, de 19 de dezembro de 2005, estimando a receita e fixando a despesa em R$ 10.962.016,00, como também autorizando abertura de créditos adicionais suplementares em 50% da despesa fixada na LOA;

b)

durante o exercício, foram abertos, devidamente autorizados, créditos adicionais suplementares no montante de R$ 5.200.852,77, todos com fontes suficientes de recursos;

c)

a receita orçamentária efetivamente arrecadada no exercício totalizou o valor de R$

10.761.740,02;

d)

a despesa orçamentária realizada atingiu a soma de R$ 10.963.171,14;

e)

o somatório da Receita de Impostos e das Transferências - RIT atingiu a soma de R$

6.672.548,05;

h)

a Receita Corrente Líquida - RCL alcançou o montante de R$ 9.467.707,98.

2. No tocante aos demonstrativos apresentados:

a) o Balanço Orçamentário apresentou déficit equivalente a 1,87% da receita orçamentária arrecadada;

b) o Balanço Financeiro registrou um saldo para o exercício seguinte, no valor de R$ 172.643,04;

c) o Balanço Patrimonial apresenta déficit financeiro, no valor de R$ 194.800,60.

3. Referente à estrutura da despesa, apresentou a seguinte composição:

a) o município de Santa Luzia realizou todos os procedimentos licitatórios obrigatórios;

b) as remunerações dos Vereadores foram analisadas junto com a Prestação de Contas da Mesa da Câmara Municipal;

c) os gastos com obras e serviços de engenharia, no exercício, totalizaram R$ 1.232.010,13 correspondendo a 11,23% da Despesa Orçamentária Total (DOTR).

4. Quanto aos gastos condicionados:

a) a aplicação de recursos do FUNDEF na remuneração e valorização dos profissionais do magistério (RVM) atingiu o montante de R$ 490.919,21 ou 60,15% das disponibilidades do FUNDEF (limite mínimo=60%);

b) a aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE) alcançou o montante de R$ 1.774.841,92 ou 26,60% da RIT (limite mínimo=25%);

c) o Município despendeu com saúde a importância de R$ 1.021.781,98 ou 15,31% da RIT;

d) as despesas com pessoal da municipalidade alcançaram o montante de R$ 3.683.211,64 ou 38,90% da RCL (limite máximo=60%);

e) as despesas com pessoal do Poder Executivo alcançaram o montante de R$ 3.346.692,29 ou 35,35% da RCL (limite máximo=54%).

Tendo em vista que o Órgão de Instrução apontou irregularidades em seu relatório inicial e atendendo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o Relator determinou a notificação do Sr. Antônio Ivo de Medeiros e do Sr. Rodrigo Morais Matos, respectivamente, Prefeito e vice-Prefeito de Santa Luzia, tendo o primeiro vindo aos autos e apresentado documentos e esclarecimentos às f1S9'

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1195-1446, devidamente examinados pela Auditoria (fls. 1.448-1.449), concluindo pela permanência das seguintes irregularidades com relação à gestão geral:

1) O balanço orçamentário apresenta déficit no valor de R$ 201.431,12, equivalente a 1,87% da receita orçamentária arrecadada;

2) Ausência de repasses regulares das contribuições previdenciárias devidas no exercício de 2006, no valor total de R$ 186.636,53.

O Ministério Público emitiu Parecer (fls. 1.450-1.455), da lavra do Ilustre Procurador Geral em exercício

André Carlo Torres Pontes, afirmando, com relação ao déficit orçamentário, que houve desrespeito ao art. 1°, § 1° da LRF 1 , legislação esta que apregoa como princípio basilar a manutenção do equilíbrio das contas do erário e o cumprimento de metas entre receitas e despesas, todavia destaca que:

No entanto, a falha comporta recomendação no sentido de que se promova o equilíbrio orçamentário, porém não enseja reprovação das contas do gestor".

Sobre o não repasse integral do montante das contribuições previdenciárias devidas ao regime próprio de previdência municipal, o Órgão Ministerial afirma que foram juntadas ao processo cópias da Lei Municipal que autoriza o parcelamento de débitos previdenciários devidos pelo município, bem como cópia do contrato de confissão de parcelamento de dívida da Prefeitura com o Instituto de Previdência Social de Santa Luzia, ressaltando que:

A documentação anexada pela autoridade responsável é insuficiente para elidir a falha,

tendo em vista que não comprova

cabendo as devidas recomendações para o aperfeiçoamento da gestão administrativa,

a quitação

da dívida junto

ao Órgão competente,

".

Ao final, o Parquet pugnou para que esta Egrégia Corte:

1) DECLARE o atendimento integral dos requisitos de gestão fiscal responsável, previstos na LC

2)

101/2000.

EMITA PARECER sugerindo à Câmara Municipal de Santa Luzia a APROVAÇÃO das contas de gestão geral do Prefeito.

3) REPRESENTE previdenciárias.

4)

ao órgão previdenciário

municipal

o fato

relacionado

às contribuições

RECOMENDE diligências no sentido de prevenir a repetição das falhas acusadas no exercício de 2006.

O Relator fez incluir o feito na pauta desta sessão, dispensando as notificações de praxe.

VOTO DO RELATOR

Após a instrução a cargo do Órgão Auditor, permaneceram duas irregularidades: a primeira relativa ao
Após a instrução a cargo do Órgão Auditor, permaneceram duas irregularidades: a primeira relativa ao
equilíbrio orçamentário, haja vista a existência de déficit no balanço orçamentário, uma vez que pelo
artigo 35 da Lei Federal n° 4.320/1964 2 , pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas
e as despesas nele legalmente empenhadas, princípio este que aplicado ao exame das contas do

município de Santa Luzia no exercício de 2006, evidencia um desequilíbrio na execução orçamentária equivalente a 1,87% da receita orçamentária arrecadada, que diante de sua pouca representatividade, enseja recomendações.

Também é remanescente o não repasse integral do montante das contribuições previdenciárias devidas ao regime próprio de previdência municipal. A Auditoria identificou que o valor devido ao regime próprio no exercício em análise seria de R$ 675.844,03, existindo registro de recolhimentos no valor total de R$ 489.207,50, deixando de ser repassado o valor de R$ 186.636,53.

Quando da apresentação de defesa por parte do interessado, foi juntada cópia da Lei Municipal que autoriza o parcelamento de débitos previdenciários devidos pelo município, bem como cópia do contrato de confissão de parcelamento de dívida da Prefeitura com o Instituto de Previdência Social de Santa {. Luzia, firmado em 7 de novembro de 2006, no valor de R$ 126.863,82. Merece destaque que o Cálculo-.L.- v

, Art. 1· Esta Lei Complementar

estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade

Capítulo 11 do Titulo VI da Constituição.

na gestão fiscal, com amparo

no

riscos e corrigem desvios capazes de

afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e

§ 1· A responsabilidade

na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente.

em que se previnem

condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária,

operações de crédito, inclusive

Fi,rI:

por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos

financeiro:

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a Pagar.

II

2 Art. 35. Pertencem ao exerclcío

I - as receitas nêle arrecadadas;

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nêle .",~m••rnpenhadas

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de débitos e

maternidade, FGTS e outros ajustes da

espécie.

Em consonância com o posicionamento do Órgão Ministerial, verifico que a falha se restringe a pequeno valor não justificado, de ínfima representação no contexto dos recolhimentos previdenciários do município, podendo ser relevada.

Durante o exercício em análise, o município de Santa Luzia realizou Termos de Parceria com as OSCIP's CENEAGE e CADS, sendo formalizado o Processo TC nO 03954/07 para exame dos referidos Termos, atualmente sob a responsabilidade do Ministério Público, como também tramitam os Processos TC nO 03953/06 e 03954/06, os quais analisam os procedimentos de dispensa de licitação, estando o primeiro processo também estão sob a responsabilidade do Órgão Ministerial, e o segundo já foi apreciado pela 2 8 Câmara deste Tribunal, concluindo pela regularidade da Dispensa de Licitação.

Diante destas considerações, entendo que as eivas apontadas não têm o condão de levar à rejeição das contas aqui apreciadas, motivos que me levam a votar acompanhando o parecer emitido pelo Ministério Público junto a este Tribunal:

a) pela emissão de Parecer Favorável à aprovação das contas do Prefeito Municipal de Santa Luzia, Sr. Antônio Ivo de Medeiros, relativas ao exercício de 2006;

realizado pela Auditoria foi feito de forma aproximada,

créditos a que esta conta se sujeita, a exemplo, de licença

sem atentar para as operações

b) pelo atendimento integral às exigências essenciais da LRF;

c) pela recomendação à Prefeitura Municipal de Santa Luzia, no sentido de:

• guardar estrita observância aos termos do art. 1°, § 1° da Lei de Responsabilidade Fiscal e ao art. 35 da Lei Federal nO 4.320/1964, sobremodo no que tange ao princípio do equilíbrio das contas públicas, ressaltando-se também o princípio do controle e da boa gestão pública;

• conferir a devida obediência às normas do sistema previdenciário, notadamente com relação ao correto recolhimento das contribuições previdenciárias devidas ao RPPS - Regime Próprio de Previdência Social, representada no município pelo Instituto de Previdência Social de Santa Luzia -IPSAL, sob pena de responsabilidade da autoridade respectiva.

DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO DO TCE - PB

Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO -TC-02344/07, os Membros do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAíBA (TCE-Pb), à unanimidade, na sessão realizada nesta data, decidem emitir e encaminhar ao julgamento da Egrégia Câmara Municipal de Santa Luzia, este PARECER FAVORÁVEL à aprovação da Prestação de Contas do Prefeito Municipal de Santa Luzia, sro AntOnio Ivo de Medeiros, relativa ao exercício de 2006, RECOMENDANDO-SE ao chefe do Poder Executivo guardar estrita observância aos termos do art. 1°, § 1° da Lei de Responsabilidade Fiscal e ao art. 35 da Lei Federal nO 4.320/1964, sobremodo no que tange ao princípio do equilíbrio das contas públicas, ressaltando-se também o princípio do controle e da boa gestão pública, bem como conferir a devida obediência às normas do sistema previdenciário, notadamente com relação ao correto recolhimento das contribuições previdenciárias devidas ao RPPS - Regime Próprio de Previdência Social, representada no município pelo Instituto de Previdência Social de Santa Luzia - IPSAL, sob pena de responsabilidade da autoridade respectiva.

Fui presente,

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de 2009 .

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conselheirrOS~~;ques Mariz

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Procuradora Geral do Ministério Público junto ao TCE-Pb