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Processo TC N° 02911/03

Cabe aos Tribunais de Contas apreciar,


para fins de registro, as concessões de
aposentadorias, ressalvadas as melhorias
posteriores que não alterem o fundamento legal
do ato concessivo. Por se configurar, no caso, a
restrição final, não se conhece da presente
representação, determinando-se o arquivamento
dos autos.

II ACORDÃO APL TC [1ijD0911


Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do Processo TC N° 02911/03, que
trata de Representação formulada pelos membros do Ministério Público Especial junto ao TCE,
ACORDAM os membros integrantes do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, à unanimidade,
com o impedimento declarado dos Conselheiros Antônio Nominando Diniz Filho e Amóbio Alves
Viana, em sessão realizada nesta data, em não conhecer da presente representação, determinando o
seu arquivamento.
Assim decidem tendo em vista que a matéria não se inclui na competência deste
Tribunal. A ele cabe, segundo o disposto na Constituição Federal (artigo 71, IH, parte final), c/c as
normas correspondentes da Constituição do Estado, apreciar para fins de registro os atos de
aposentadorias, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato
concessrvo,
Tal é o caso da vantagem que a representação dos doutos membros do Ministério
Público Especial busca impugnar.
Esse entendimento foi adotado nesta Corte quando da apreciação da aposentadoria de
vários parlamentares que exerceram a Presidência da Augusta Assembléia Legislativa e que são,
portanto, beneficiários da norma taxada de inconstitucional, estando, por conseguinte, a questão já
dirimida.
Presente ao julgamento a Procuradora Geral.
TCE - Plenário Ministro João Agripino.
João Pessoa, em .10 de -1IV/,;,/!1 de 2009.

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Procuradora Geral
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC N° 02911/03

RELATÓRIO

Os Procuradores Marcílio Toscano Franca Filho, Elvira Samara Pereira de Oliveira,


André Carlo Torres Pontes e Isabela Barbosa Marinho Falcão, membros do Ministério Público
Especial que atua junto a este Tribunal, encaminharam à Presidência do TCEIPB representação em
que pleiteiam o exame de irregularidades que estariam ocorrendo no âmbito da Assembléia
Legislativa do Estado, atinentes ao pagamento de gratificação a Deputados Estaduais que exerceram
a Presidência daquela Casa. Argumentaram que a vantagem foi criada pela Lei Estadual n°
7.335/203, constituindo-se em uma afronta às regras constitucionais do regime geral da previdência,
às regras comuns da seguridade social e à generalidade da revisão das aposentadorias. Pedem, por
fim, que se glosem as despesas decorrentes da aplicação da mencionada lei, com imputação dos
respectivos valores, solidariamente, à autoridade que as ordenou e a quem delas se beneficiou. A
fls., relacionaram-se os deputados que exerceram a Presidência da AL e foram, conseqüentemente,
contemplados com a prebenda legal.

Notificados do oferecimento da representação em apreço, vieram aos autos os ex-


deputados Antônio Nominando Diniz Filho, João Fernandes da Silva, Waldir Lira dos Santos Lima,
Evaldo Gonçalves de Queiroz, Carlos Marques Dunga, Jonas Leite Chaves, além da própria
Assembléia Legislativa, por seus Procuradores Chefe e Adjunto.

Todos os interessados argumentaram com a negativa de competência do Tribunal de


Contas para apreciar a matéria, visto terem os autores da Representação alegado a plena
inconstitucionalidade da lei, cujo afastamento do mundo jurídico somente ao Supremo Tribunal
Federal é dado fazer.

A douta Procuradoria Geral do Ministério Público Especial junto a este Tribunal, em


seu parecer final, assegura que a capacidade que é reconhecida aos Tribunais de Contas de
manifestar-se sobre a inconstitucionalidade da lei ou atos só é possível de exercer-se de maneira
incidental e especifica, sendo-lhe vedada o pronunciamento em abstrato (em tese).
/
Em vista do exposto -- ó-·'a Procuradora, pelo arquivamento da
Representação, respeitado o ente ento dos ilust s bscritores do documento de fls.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC N° 02911/03

VOTO

A matéria tratada nestes autos foi objeto de apreciação por várias vezes no bojo de
diversos processos de aposentadorias cujos beneficiários foram contemplados com a vantagem aqui
referida. Nas decisões respectivas os membros das Câmaras reconheceram que o tema não se insere
na competência desta Corte, visto que, conforme mandamento constitucional expresso, a capacidade
dos Tribunais para conceder registro a atos de aposentadoria não está presente no que tange às
melhorias posteriores que não alterem o fundamento do ato concessivo, como é o caso do benefício
instituído pela citada lei 7.735, de 8 de maio de 2003.

Assim, ante o exposto, louvando o zelo manifestado pelos subscritores da presente


representação, VOTO no sentido que de se declare a incompetência deste Tribunal para apreciar a
questão contida nos autos, em face do disposto na parte final do artigo 71, IH, da Constituição
Federal, determinando-se por isso o arquivamento des'aut
C----

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