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TRIBUNAL DE CONTAS DO :&TADO

PROCESSO TC nO 02.288/07
Objeto: Prestação de Contas Anuais
Órgão: Instituto de Previdência Social do Município de Santa Rita
Responsável: Pedro Jorge Coutinho Guerra - Presidente.

Prestação de Contas Anuais Dá-se pela


irregularidade. Aplicação de multa. Assinação de
prazo. Recomendações ao gestor do Instituto.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do processo TC n° 02.288/07, que trata da


Prestação Anual de Contas do INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO MUNICíPIO DE
SANTA RITA, relativa ao exercício de 2006, tendo como gestor o Sr. Pedro Jorge Coutinho
Guerra, ACORDAM os Conselheiros Membros do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
DA PARAÍBA, à unanimidade, em sessão realizada nesta data, na conformidade do relatório e da
proposta de decisão do Relator, partes integrantes do presente ato formalizador, em:

a) JULGAR IRREGULAR a prestação de contas aludida, em razão dos atos de gestão praticados,
temerários e contrários à boa técnica, consoante disposto no item "b" do Inciso 11I,art. 16, da LCE 18/93;

b) IMPUTAR ao Sr. Pedro Jorge Coutinho Guerra, Presidente do Instituto de Previdência Social do
município de Santa Rita, débito no valor de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e dez
centavos), conforme preceitua o art. 56,11, da Lei Complementar Estadual n" 18/93; concedendo-lhe o
prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e
Financeira Municipal, conforme previsto no art. 3° da Resolução RN TC n" 04/2001, sob pena de
cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o vencimento daquele prazo, na forma da
Constituição Estadual;

c) ASSINAR o prazo de 60 (sessenta) dias para que o Presidente do Instituto envie os processos de
aposentadorias e pensões para exame neste Tribunal, conforme solicitado pela Unidade Técnica;

d) RECOMENDAR a Administração do Instituto em epígrafe no sentido de conferir estrita observância às


normas constitucionais, sobremodo àquelas pertinentes a matéria previdenciária - Lei 97 19/98 -, bem
como a Resoluções emanadas desta Eg. Corte de Contas.

Presente ao julgamento a representante do Ministério Público junto ao Tribunal.


Registre-se, publique-se e cumpra-se.
ini ro João Agripino, João Pessoa-PB, em 20~d;;.;oe
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Fui presente:
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Procura1o;aANÀ TERÊSANÓB~
REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESPECIAL
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

Processo Te n° 02.288/07

RELATÓRIO

Trata o presente processo da Prestação de Contas Anuais do Instituto de Previdência


Social do Município de Santa Rita - IPEA, relativa ao exercício de 2006, sob a responsabilidade
do Sr. Pedro Jorge Coutinho Guerra, enviada a esta Corte de Contas dentro do prazo legal.

Após examinar a documentação pertinente, a equipe técnica desta Corte de Contas elaborou
o relatório de fls. 103611050, ressaltando os seguintes aspectos:

O Plano de Previdência Social da Prefeitura Municipal de Santa Rita, com natureza


jurídica de autarquia, foi criado pela Lei Municipal n'' 766, de 12 de março de 1993,
tendo seu Regimento Interno sido aprovado pelo Decreto n° 140/93. Os servidores
municipais, no entanto, apenas foram vinculados ao Plano de Previdência da Prefeitura
com a sanção da Lei Municipal de n" 778/93;

Com a sanção da Lei Municipal n° 1.001/01, de 20 de novembro de 2001, o Plano de


Previdência passou a ser denominado Instituto de Previdência Social do Muniipio de
Santa Rita - IPEA, sendo seu regimento interno e sua estrutura organizacional aprovados
através do Decreto n" 173/2001;

De acordo com o art. 27 da lei acima citada, o IPEA concede os seguintes benefícios: ao
segurado: aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e salário-família; ao
dependente: pensão por morte e auxílio-reclusão;

As origens legais de recursos previstas são os descontos dos servidores municipais e a


contribuição do empregador, além da taxa de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por
cento) cobrada sobre os valores de todos os contratos firmados pelo município para
execução de obras e prestação de serviços;

O orçamento do IPEA estimou a receita em R$ 2.610.000,00, entretanto, o total


arrecadado somou R$ 3.133.755,07. Vale registrar que de acordo com o Demonstrativo
de Resultados da Avaliação Atuarial - extraído do site do Ministério da Previdência
Social -, o valor da receita projetada para o exercício sob exame foi da ordem de R$
5.218.242,59;

As contribuições previdenciárias somaram R$ 1.804.352,64, sendo que desse total, R$


607.885,02, refere-se a contribuições previdenciárias de 2005 repassadas pela Prefeitura
no exercício 2006;

A despesa total somou R$ 2.677.173,46, sendo que desse montante, R$ 1.700.00,00


referem-se a despesas com aposentadorias e reformas, R$ 334.230,90, a despesas com
pensões, além de R$ 144.897,98, referente a despesas com vencimentos e vantagens
fixas - pessoal civil;

Do montante empenhado pelo Instituto, 63,53% corresponderam a aposentadorias,


12,48% a pensões, 10,24% a outros benefícios previdenciários (equivalentes a auxílio-
doença), e 4,83% a outros serviços de terceiros;
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Processo Te nO 02.288/07

No exercício de que se trata, o IPEA mobilizou recursos no montante de R$


10.117.219,50, dos quais 30,97% provenientes de receitas orçamentárias, 10,14% de
receitas extra-orçamentárias, e 58,89% de saldo do exercício anterior;

De acordo com informações apresentadas quando da diligência "in loco" e considerando


que todos os servidores efetivos ativos são contribuintes obrigatórios, o município de
Santa Rita contava, em 2006, com 2.600 (dois mil e seiscentos) servidores efetivos
ativos, 300 (trezentos) inativos e 66 (sessenta e seis) pensionistas;

As despesas administrativas totalizaram R$ 367.883,77, correspondendo a 1,99% do


valor da remuneração dos servidores efetivos ativos, estando dentro do limite
determinado pela Portaria MP AS n° 4992/99.

De acordo com o Plano Atuarial, a contribuição previdenciária sugerida para o Regime


Próprio de Previdência de Santa Rita é de 24,12%, sendo 17,86% de custo normal e 6,26
de custo suplementar, mais a taxa de administração de 2 %. Apesar do Instituto haver
utilizado o percentual de 11% (onze por cento), as alíquotas estabelecidas na legislação
previdenciária municipal vigentes no exercício 2006 correspondiam a 8 % (oito por
cento) tanto para o segurado quanto para o ente.

Além desses aspectos, o órgão de instruções verificou algumas irregularidades, o que


ocasionou a notificação dos gestores responsáveis, SI. Pedro Jorge C. Guerra - Presidente do
Instituto, Sr. Marcus Odilon Ribeiro Coutinho - Prefeito Municipal, e SI. Walter Filgueiras de
Sena, Presidente da Câmara do município,

Apresentaram defesas neste Tribunal o Sr. Pedro Jorge Coutinho Guerra e o Sr. Walter
Filgueiras de Sena, as quais foram analisadas pela Unidade Técnica que emitiu novo relatório
entendendo remanescerem as seguintes restrições:

a) Desconto de contribuição previdenciária, dos valores pagos a servidora efetiva da


Prefeitura cedida ao Instituto, com base em alíquota não definida em legislação municipal.

b) Descumprimento das recomendações atuariais, uma vez que a alíquota prevista na


legislação previdenciária municipal vigente à época encontrava-se abaixo da sugerida na
avaliação.

Em relação a essas falhas, a defesa alegou que a Lei n° 9.717/98 é nacional, com exigência
de cumprimento pela União, Estados e Municípios, razão pela qual os repasses realizados no
exercício tiveram como base a alíquota de 11%, muito embora a legislação previdenciária
municipal vigente no exercício 2006 (Lei Municipal n? 1.001/01) estabelecesse como
alíquota de contribuição 8%, tanto para o ente como para o segurado.

A Unidade Técnica esclarece que a referida lei federal estabelece apenas a alíquota mínima
de contribuição que deveria ser utilizada pelo município, que corresponde à utilizada para os
servidores da União. Portanto, cabe aos demais entes federativos a edição de normas que,
em consonância com o que dispõe as normas gerais editadas pela União, sejam aplicadas no
âmbito local.
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Processo TC n° 02.288/07

c) Ausência de pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o


pessoal comissionado e os prestadores de serviços do Instituto.

Alegou o defendente que as contribuições devidas foram objeto de pagamento integral,


conforme guias de recolhimentos anexas aos autos, fls. 1.120/1.132.

Não obstante os argumentos do defendente, esse recolhimento ocorreu somente em


15.07.2008, o que acarretou o pagamento de juros e multas pelo Instituto, num total de R$
8.377,62.

d) Ausência de empenho e de contabilização da contribuição previdenciária (parte


patronal) incidente sobre valores pagos a servidora efetiva da Prefeitura cedida ao
Instituto.

e) Realização de despesas com assessoria contábil sem o devido procedimento


licitatório e/ou apresentação do processo de inexigibilidade.

1) Ausência de encaminhamento para esta Corte, para fins de registro, de 191


processos de aposentadoria e 50 de pensões, e da apresentação das folhas de
pagamento dos servidores da Câmara Municipal, referentes aos exercícios 2005 e
2006, apesar de terem sido solicitadas pela Auditoria.

g) Ausência de realização de reuniões mensais do Conselho Municipal de Previdência.


Ao se pronunciar sobre a matéria, o Ministério Público junto ao Tribunal, através do Douto
Procurador Marcílio Toscano Franca Filho, emitiu o Parecer n° 690/09 alinhando-se ao posicionamento da
Unidade Técnica e pugnando para que esta Corte de Contas:

1) JULGUE IRREGULAR a prestação de contas aludida;

2) APLIQUE MULTA LEGAL ao Sr. Pedro Coutinho Guerra;


3) IMPUTE ao Sr. Pedro Jorge Coutinho Guerra, Presidente do Instituto de Previdência Social de
Santa Rita, débito no valor de R$ 8.377,62, referente a juros e multa decorrentes do pagamento fora
do prazo de vencimento das contribuições previdenciárias;

4) REMETA cópia dos presentes autos à Procuradoria Geral de Justiça para as providências que
entenderem cabíveis.

Este Relator acrescenta que a Unidade Técnica relacionou falhas de responsabilidades do Prefeito e
do Presidente da Câmara do município. Porém, e conforme informado pela própria Auditoria, essas falhas
estão sendo objeto de análise nas respectivas prestações de contas.

É o relatório. Houve a notificação do ~gão para a presente sessão.


10m

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Processo TC n° 02.288/07

PROPOSTA DE DECISÃO

Senhor Presidente, Senhores Conselheiros:

Considerando as conclusões a que chegou a equipe técnica, assim como o Ministério


Público junto ao Tribunal, através do parecer oferecido pelo seu representante, proponho que os
Srs. Conselheiros membros do Egrégio Tribunal de Contas do Estado da Paraíba:

1- Julguem irregular a prestação de contas de que se trata;

2 - Imputem ao SI. Pedro Jorge Coutinho Guerra, Presidente do Instituto de Previdência Social
do município de Santa Rita, débito no valor de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e cinco reais e
dez centavos), conforme preceitua o art. 56, II, da Lei Complementar Estadual na 18/93;
concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário ao Fundo de
Fiscalização Orçamentária c Financeira Municipal, conforme previsto no art. 30 da Resolução
RN Te na 04/2001, sob pena de cobrança executiva a ser ajuizada até o trigésimo dia após o
vencimento daquele prazo, na forma da Constituição Estadual;

3 - Assinem o prazo de 60 (sessenta) dias para que o Presidente do Instituto envie os processos
de aposentadorias e pensões para exame neste Tribunal, conforme solicitado pela Unidade
Técnica;

4 - Recomendem à Administração do Instituto em epígrafe no sentido de conferir estrita


observância às normas constitucionais, sobremodo àquelas pertinentes a matéria previdenciária -
Lei 9719/98 -, bem como a Resoluções emanadas desta Eg. Corte de Contas.

É a proposta