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Publicado no D. O.

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1)

o Tribunal Piem
Processo TC n° 02403/05
Município de Sousa. Denúncia acerca de diferenças
entre demonstrativos e atrasos em pagamentos.
Conhecimento. Procedência. Encaminhamento de cópia
de peças ao TCU. Determinações.

ACÓRDÃO APL TC i-:i ,i 2. /2009


RELATÓRIO

Trata o presente processo de Denúncia formulada pelos Srs. Evandro Cesário Estrela e
Francisco Veras Pinto de Oliveira, Vereadores, à época, do Município de Sousa, contra atos praticados
pelo Prefeito, Sr. Salomão Benevides Gadelha, precisamente quanto a:

• diferenças entre os valores dos Boletins Diários da Tesouraria e os Demonstrativos do Resultado


Financeiro, período de outubro de 2003 a março de 2004;
• atraso no pagamento da remuneração dos servidores municipais;
• atraso no pagamento de fornecedores.

Quando da análise exordial do processo, após realização de diligência, o órgão de instrução


deu pela procedência das denúncias, fazendo algumas constatações.

O gestor foi devidamente notificado, tendo apresentado os documentos às fls. 5916/5934.

Da análise da defesa apresentada a Auditoria produziu o relatório às fls. 5935/5936 e conclui


que remanesceram as irregularidades relativas a:

1 - sonegação de documentos e informações, bem como apresentação incompleta da documentação


comprobatória dos saldos contábeis do período de setembro de 2003 a setembro de 2004, solicitados por
ocasião da diligência ao município;

2 - atraso no pagamento de servidores e fornecedores, nos exercícios de 2003 e 2004;

3 - não contabilização de saldos de aplicações financeiras no mês de setembro de 2004.

Mais uma vez notificado, o gestor apresentou os documentos às fls. 5940/12862.

A Auditoria procedeu ao exame da defesa complementar (fls. 12930/12933) e da análise da


nova documentação acostada aos autos, informou em seu relatório que além da permanência das
irregularidades relativas a: atraso no pagamento de servidores e fornecedores e não
contabilização de saldos de aplicações financeiras no mês de setembro de 2004, foram
constatadas a existência das seguintes irregularidades:

1 - Não apresentação de declaração esclarecendo a diferença existente entre os Boletins de Tesouraria e


os Demonstrativos do Resultado Financeiro do período de setembro de 2003 a 22 de novembro de 2004;
2 - Apresentação de Termos de Conferência de Disponibilidades e Boletins de Tesouraria, sem as
assinaturas dos técnicos e administradores responsáveis, no período de abril de 2002 a dezembro de 2004;
3 - Diferença de saldo em 31/12/2004, no valor de R$ 115.591,76, constituindo-se despesas não
comprovadas.

O Relator determinou nova notificação ao gestor, aos autos tão

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC n° 02403/05
somente uma prorrogação de prazo para apresentar defesa (fls. 12938).

Objetivando confirmar a origem dos recursos, por determinação do Relator, a Assessoria


Técnica junto ao Gabinete realizou levantamento nos balancetes constantes dos autos e constatou que
parte da diferença de saldo apurada, especificamente os da conta CEF - n° 241-4, no montante de
R$ 82.787,27, tratam-se de recursos de origem federal', dados estes confirmados pelo site da CGU
(fls. 12945/12947).

Instado a se pronunciar o Ministério Público Especial, após tecer considerações, ofertou


parecer opinando pelo (a):
a) Conhecimento e Procedência da denúncia ora analisada;
b) Aplicação de multa com fulcro no art. 55 da LC 18/93;
c) Imputação de débito do montante apontado pela d. Auditoria, em valor atualizado.

É o relatório, informando que foram determinadas as notificações de praxe.

VOTO DO RELATOR

Depreende-se dos autos que, dos valores apontados pela Auditoria como não comprovados,
R$ 82.787,27, são oriundos de recursos federais e R$ 7.808,57, estão contabilizados na conta Fundo de
Aval, sem apresentação de extrato (fls. 12933). Porquanto, como é do conhecimento deste Tribunal, os
valores em contas do Fundo de Aval são recursos bloqueados, cuja movimentação indiscriminada não é
permitida ao jurisdicionado, assim, no entendimento deste relator a não apresentação do extrato bancário
desta conta não leva a imputação e, sim, enseja aplicação de multa por sonegação de documentação.

Em consonância com o Ministério Público Especial, e considerando que parte dos saldos
divergentes correspondiam a recursos federais, voto que este Egrégio Tribunal:

1) Conheça da denúncia e julgue-a procedente;


2) Aplique multa ao gestor, Sr. Salomão Benevides Gadelha, no valor de R$ 2.805,10 com fulcro no art.
55 da LC 18/93, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias assinando-lhe um prazo de 60 dias para
efetuar o recolhimento da multa ao Tesouro Estadual, à conta do Fundo de Fiscalização
Orçamentária e Financeira Municipal;
3) Impute débito ao gestor, no montante de R$ 24.995,92 (vinte e quatro mil, novecentos e noventa e
cinco reais e noventa e dois centavos), apontados pela Auditoria como despesas não comprovadas,
verificadas em conta corrente que movimenta recursos próprios do município, assinando-lhe o prazo de
60 (sessenta) dias para efetuar o recolhimento do débito aos cofres municipais, a contar da data da
publicação da presente decisão, cabendo ação a ser impetrada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE),
em caso do não recolhimento voluntário devendo-se dar a intervenção do Ministério Público, na hipótese
de omissão da PGE, nos termos do § 4° do art. 71 da Constituição Estadual;
4) Determine o encaminhamento dos relatórios técnicos e do Parecer Ministerial à Secretaria de Controle
Externo - PB, órgão do TCU, bem como ao Ministério das Cidades para providências que julgarem
necessárias;
5) Determine que se dê conhecimento aos denunciantes, da presente decisão.

É o voto.

1 Convênio firmado com o Ministério das Cidades, registrado no SIAF sob o n° 493047, n" original 0160976-60,
com vigência de 27/12/2003 a 26/12/2006 (fls. 12946/12947).

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC n° 02403/05
DECISÃO DO TRIBUNAL

Vistos, relatados e discutidos os autos do processo TC 02403/05, que trata de DENÚNCIA


contra atos do Prefeito, a época, Sr. Salomão Benevides Gadelha, acerca de diferenças de saldos entre
demonstrativos e atrasos em pagamentos;

CONSIDERANDO que as contas em que as diferenças foram constatadas movimentam


recursos do Governo Federal e do próprio município;

CONSIDERANDO o Parecer Ministerial, o voto do Relator e o mais que dos autos consta,

ACORDAM os membros do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, em sessão plenária


realizada nesta data, com declaração de impedimento do Conselheiro José Marques Mariz, à
unanimidade, em:

1) Conhecer da denúncia, julgando-a procedente;


2) Aplicar multa ao Sr. Salomão Benevides Gadelha, no valor de R$ 2.805,10 (dois mil, oitocentos e
cinco reais e dez centavos), com fulcro no art. 55 da LC 18/93, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta)
dias para efetuar recolhimento da muita ao Tesouro Estadual, à conta do Fundo de Fiscalização
Orçamentária e Financeira Municipal, a contar da data da publicação da presente decisão, cabendo
ação a ser impetrada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), em caso do não recolhimento voluntário
devendo-se dar a intervenção do Ministério Público, na hipótese de omissão da PGE, nos termos do § 4°
do art. 71 da Constituição Estadual;
3) Imputar débito, ao Sr. Salomão Benevides Gadelha, no montante de R$ 24.995,92, apontado pela
Auditoria como despesas não comprovadas, verificadas em conta corrente que movimenta recursos
próprios do município, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias para efetuar o recolhimento do débito
aos cofres municipais, a contar da data da publicação da presente decisão, cabendo ação a ser impetrada
pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), em caso do não recolhimento voluntário devendo-se dar a
intervenção do Ministério Público, na hipótese de omissão da PGE, nos termos do § 4° do art. 71 da
Constituição Estadual;
4) Determinar o encaminhamento dos relatórios técnicos e do Parecer Ministerial à Secretaria de
Controle Externo - PB, órgão do TCU, bem como ao Ministério das Cidades para providências que julgar
necessárias;
5) Determinar que se dê conhecimento aos denunciantes, da presente decisão.

Presente ao julgamento a Exma. Sra. Procuradora do Ministério Público Especial.


Registre-se, publique-se e pra-se.
TC- PLENÁRIO MINISTRO JOÃO P ,!!lO de maio de 2009.

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Ana Terêsa Nóbrega
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Procuradora Geral

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