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Tribunal Pleno

PROCESSOTC N.o 02408/06

Objeto: Prestação de Contas Anuais


Relator: Auditor Renato Sérgio Santiago Melo
Responsável: Daguineide Luciano de Sousa
Interessado: Hércules Barros Mangueira Diniz
Advogado: Dr. José Marcílio Batista

EMENTA: PODER EXECUTIVO MUNICIPAL - ADMINISTRAÇÃO


INDIRETA - INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA - PRESTAÇÃO DE
CONTAS ANUAIS - PRESIDENTE - ORDENADOR DE DESPESAS -
CONTAS DE GESTÃO - APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PARA FINS DE
JULGAMENTO - ATRIBUIÇÃO DEFINIDA NO ART. 71, INCISO lI, DA
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA, E NO ART. 1°, INCISO I,
DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL N.o 18/93 - Adequação tardia
das alíquotas de contribuição às exigências impostas pela legislação
nacional - Ausência de repasses regulares das obrigações
previdenciárias do Poder Executivo para a entidade municipal -
Divergências entre demonstrativos dos balancetes mensais e aqueles
constantes na prestação de contas - Carência de especificação da
finalidade ou origem de valores classificados no balanço
patrimonial - Falta de registro da dívida municipal junto ao
instituto - Situação irregular da autarquia perante o Ministério da
Previdência Social - Transgressão a dispositivos de natureza
constitucional, infraconstitucional e regulamentar - Eivas que
comprometem o equilíbrio das contas - Necessidade imperiosa de
imposição de penalidades. Irregularidade. Aplicação de multas.
Fixação de prazo para recolhimentos. Assinação de lapso temporal
para restabelecimento da legalidade. Determinação de traslado de
cópia da decisão para outros autos. Recomendações.

ACÓRDÃO APL - TC - O 11 '1~ /09

Vistos, relatados e discutidos os autos da PRESTAÇÃO DE CONTAS DE GESTÃO DA


EX-ORDENADORA DE DESPESAS DO INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO MUNICÍPIO DE
DIAMANTE/PB, SRA. DAGUINEIDE LUCIANO DE SOUSA, relativas ao exercício financeiro de
2005, acordam, por unanimidade, os Conselheiros integrantes do TRIBUNAL DE CONTAS DO
ESTADO DA PARAÍBA, em sessão plenária realizada nesta data, na conformidade da
proposta de decisão do relator a seguir, em:

1) JULGAR IRREGULARES as referidas contas.

2) APLICAR MUL TAS INDIVIDUAIS à ex-gestora do Instituto de Previdência do Município de


Diamante/PB, Sra. Daguineide Luciano de Sousa, bem como ao Chefe do Poder Executivo da
referida Comuna, Sr. Hércules Barros Mangueira Diniz, nos valores de R$ 1.000,00 (um rníl.,
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-:
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reais), com base no que dispõe o artigo 56, inciso II, da Lei Orgânica do TCE/PB - Lei
Complementar Estadual n.O 18/93.

3) FIXAR o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário das penalidades ao Fundo
de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 30, alínea "ali,
da Lei Estadual n.O 7.201, de 20 de dezembro de 2002, cabendo à Procuradoria Geral do
Estado da Paraíba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele período,
velar pelo seu integral cumprimento, sob pena de intervenção do Ministério Público Estadual,
na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 40, da Constituição do Estado da
°
Paraíba, e na Súmula n. 40, do ego Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba - TJ/PB.

4) ASSINAR o lapso temporal de 60 (sessenta) dias à atual Presidente do Instituto de


Previdência do Município de Diamante/PB, Sra. Maria Cleide Pereira de Melo, para que sejam
tomadas todas as providências cabíveis e pertinentes com vistas a adequar a autarquia às
normas dispostas na Constituição Federal, na Lei Nacional n.o 9.717/98, na Portaria MPAS
n.? 4.992/99, bem como no Manual de Orientação do Ministério da Previdência e Assistência
Social - MPAS.

5) DETERMINAR o traslado de cópia desta decisão para os autos do processo de prestação


de contas do Instituto de Previdência do Município de Diamante/PB, exercício financeiro de
2009, objetivando subsidiar a análise das referidas contas e verificar o cumprimento do
item "4 supra.
11

6) FAZER recomendações no sentido de que a atual gestora do Instituto de Previdência do


Município de Diamante/PB, Sra. Maria Cleide Pereira de Melo, não repita as irregularidades
apontadas no relatório da unidade técnica deste Tribunal e observe, sempre, os preceitos
constitucionais, legais e regulamentares pertinentes.

Presente ao julgamento o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas


Publique-se, registre-se e intime-se.
TCE - Plenário Ministro João Agripino

João Pessoa, 27 de maio de 2009


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PROCESSO TC N.O 02408/06

Presente:
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Represerltante do Ministério Público Especial i
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RELATÓRIO

Tratam os autos do presente processo do exame das contas de gestão da ex-ordenadora de


despesas do Instituto de Previdência do Município de Diamante/PB, Sra. Daguineide Luciano
de Sousa, relativas ao exercício financeiro de 2005, encaminhadas a este eg .. Tribunal
°
mediante o Ofício n. 012/2006, fI. 02, e protocolizadas em 03 de abril de 2006, após a
devida postagem no dia 31 de março do referido ano.

Os peritos da então Divisão de Acompanhamento da Gestão Municipal II - DIAGM II, com


base nos documentos insertos nos autos, emitiram relatório inicial de fls. 194/201,
constatando, sumariamente, que: a) as contas foram enviadas em conformidade com o
estabelecido nas Resoluções Normativas RN - TC - 07/97 e 07/04; b) a Lei Municipal
°
n. 122, de 26 de julho de 1994, criou o instituto, com natureza jurídica de autarquia
municipal, o qual foi extinto em seguida pela Lei Municipal n.o 169, de 18 de dezembro de
1999; e c) a entidade de previdência local foi reativada com a aprovação da Lei Municipal
n.? 211, de 22 de agosto de 2002, que trata da instituição da Lei Geral da Previdência
Municipal de Diamante/PB.

No tocante aos aspectos orçamentários, contábeis, financeiros e patrimoniais, verificaram os


técnicos da antiga DIAGM II que: a) a receita orçamentária arrecadada no exercício,
acrescida das transferências recebidas respeitantes a contribuições patronais e aquela para
cobertura de déficit, ascendeu à quantia de R$ 163.789,98; b) a despesa orçamentária total
realizada atingiu o montante de R$ 163.866,92; c) a receita extraorçamentária, acumulada
no exercício financeiro, alcançou a importância de R$ 8.504,71; d) a despesa
extraorçamentária executada durante o período somou R$ 1.120,32; e) o saldo financeiro
para o exercício seguinte foi de R$ 7.298,30; e f) o balanço patrimonial revelou um ativo
financeiro no valor de R$ 33.005,87 e um passivo financeiro na ordem de R$ 23.928,70.

Ao final de seu relatório, os analistas da unidade de instrução apresentaram, de forma


individualizada e resumida, as irregularidades constatadas. Sob a responsabilidade do Chefe
do Poder Executivo do Município de Diamante/PB, Sr. Hércules Barros Mangueira Diniz,
apontaram os itens a seguir: a) não adequação da lei previdenciária municipal às exigências
impostas pela norma previdenciária nacional, notadamente no tocante às alíquotas de
contribuição; e b) ausência de repasses regulares das contribuições devidas ao instituto de
previdência da Comuna, descumprindo recomendações deste Tribunal.

Em relação à gestora da autarquia previdenciária em 2005, Sra. Daguineide Luciano de


Sousa, os inspetores deste Pretório de Contas destacaram as seguintes máculas: a) omissão
quanto às disposições da legislação previdenciária nacional, no que respeita às alíquotas de
contribuição; b) divergência entre o total dos créditos em extrato bancário e a receita de
contribuições registrada nos demonstrativos da prestação de contas; c) discrepâncias entre a
despesa registrada no ANEXO 2 dos balancetes mensais e a contabilizada nas contas, em
descumprimento ao regime de competência; d) carência de especificação da finalidade 5lU
origem de valores classificados como DIVERSOS RESPONSÁVEIS no BA ÇO »:'. ~,"')'{
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PATRIMONIAL; e) insuficiência das disponibilidades do instituto em 31 de dezembro de 2005


para cobrir o montante dos RESTOS A PAGAR e das CONSIGNAÇÕES, na soma de
R$ 23.928,70; f) impossibilidade de verificação do limite com despesas administrativas
devido ao não encaminhamento ao Tribunal da folha de pagamento do pessoal efetivo em
2004; g) não envio dos termos de conferência de disponibilidades ao longo do exercício;
h) empenho de despesas fora do período devido, desobedecendo ao princípio da
competência; i) pagamento em atraso de contribuições previdenciárias devidas ao Regime
Geral de Previdência Social - RGPS, acarretando juros, no valor de R$ 29,73; j) ausência de
registro da dívida do Poder Executivo para com o instituto; e k) situação irregular com
relação a vários critérios avaliados pelo Ministério da Previdência Social - MPS.

Processadas às devidas citações, fls. 202/207, o Prefeito Municipal e a Presidente do


Instituto de Previdência apresentaram defesa conjunta, fls. 104/177, onde anexaram
documentos e alegaram, em síntese, que: a) foi confeccionado e submetido à consideração
do Poder Legislativo Mirim projeto de lei adequando a legislação municipal às exigências da
Lei Nacional n.o 9.717/98 e da Portaria MPAS n.O 4.992/99, consubstanciada na Lei Municipal
n.o 242/2005; b) embora a legislação local tenha autorizado o parcelamento de dívidas em
420 meses, o contrato de confissão e parcelamento do débito do Município para com a
entidade de previdência da Comuna foi feito em 240 parcelas mensais, respeitando o limite
imposto em norma federal; c) a diferença entre os créditos nos extratos bancários e as
receitas registradas no período consiste apenas na quantia de R$ 402,88, sacado e devolvido
à conta bancária, sem poder ser contabilizada como receita, bem como na importância de
R$ 39,33, arrecadada diretamente pelo CAIXA; d) a confecção dos ANEXOS 2 dos balancetes
mensais foi feita de acordo com o estabelecido na Resolução Normativa RN - TC - 07/97;
e) dada a ausência de documentação relativa ao exercício financeiro de 2004, foi mantida a
classificação de valores como DIVERSOS RESPONSÁVEIS; f) o saldo em CAIXA ao final do
exercício era compatível com as obrigações assumidas em 2005, observando que os demais
compromissos pendentes eram provenientes do período 2002/2004; g) a falta e a imprecisão
de informações concernentes ao exercício de 2004 dificultou a obtenção do montante da
folha de pagamento dos servidores efetivos daquele ano, motivando a instauração de
demanda judicial para obter a documentação pertinente; h) segundo a Resolução
Normativa RN - TC - 06/97, não é obrigatório o envio do Termo de Conferência de
Disponibilidade mensalmente, mas sim na prestação de contas, providência esta
devidamente cumprida como se observa nos autos; i) a quantia despendida com juros por
atraso no pagamento de contribuições previdenciárias ao Instituto Nacional do Seguro
Social - INSS, R$ 29,73, foi prontamente devolvida ao erário, conforme comprovação
acostada; j) a dívida municipal para com o instituto foi registrada nos ANEXOS XV e XVI; e
k) a situação irregular junto ao MPS não mais persiste, de acordo com Certificado de
Regularidade Previdenciária - CRP apresentado.

Encaminhado o feito aos especialistas da Divisão de Auditoria de Atos de Pessoal e Gestão


Previdenciária - DIAPG, estes, examinando a referida peça processual de defesa, emitiram o
relatório de fls. 312/316, onde consideraram elididas as seguintes irregularidades de
responsabilidade da gestora do instituto no período sub studio: a) divergência entre :_~:I.)/_'.,
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dos créditos em extrato bancário e a receita de contribuição registrada nos demonstrativos


da prestação de contas; b) insuficiência das disponibilidades do instituto ao final do exercício
para cobrir o montante dos RESTOS A PAGAR e das CONSIGNAÇÕES; c) impossibilidade de
verificação do limite com despesas administrativas devido ao não encaminhamento da folha
de pagamento do pessoal efetivo em 2004; d) não envio dos termos de conferência de
disponibilidades ao longo do exercício; e e) empenho de despesas fora do período devido,
desobedecendo ao princípio da competência. Por fim, mantiveram in totum o seu
posicionamento exordial relativamente às demais máculas e apontaram uma nova eiva, qual
seja, despesas administrativas acima do limite estabelecido pela Portaria MPAS n.O 4.992/99.

Devidamente notificada para apresentar esclarecimentos, fls. 317/322, a Presidente da


Entidade Previdenciária do Município de Diamante/PB em 2005, Sra. Daguineide Luciano de
Sousa, apresentou contestação e documentos, fls. 323/330, onde reconheceu que as
despesas administrativas ultrapassaram o limite imposto na mencionada portaria, mas
alegou que os peritos do Tribunal deixaram de considerar no cálculo a remuneração dos
inativos (R$ 71.368,29) e pensionistas (R$ 7.662,60) no exercício anterior (2004). Com isso,
a quantia que superou o limite de 2% das remunerações, proventos e pensões dos
servidores vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social - RPPS em 2004 foi de
apenas R$ 1.544,71 ou 0,16%.

Instados a se pronunciar, os técnicos deste Sinédrio de Contas consideraram sanada a


irregularidade respeitante às despesas administrativas e sustentaram todas as demais
irregularidades remanescentes após a análise da primeita peça de defesa, fls. 333/334.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, ao se pronunciar sobre a matéria, emitiu


parecer, fls. 336/340, onde opinou pela: a) irregularidade da vertente prestação de contas;
b) aplicação da multa à gestora do instituto, Sra. Daguineide Luciano de Sousa, bem como
ao Chefe do Poder Executivo, Sr. Hércules Barros Mangueira Diniz, diante das falhas
verificadas pela unidade técnica; c) notificação do atual gestor do IPM de Diamante/PB para
regularização da situação da entidade junto ao Ministério da Previdência Social; e d) remessa
de cópia dos presentes autos à Procuradoria Geral de Justiça para as providências penais
que entender cabíveis.

Solicitação de pauta, conforme fls. 341/342 dos autos.

É o relatório.

PROPOSTA DE DECISÃO

Após minuciosa análise do conjunto probatório encartado aos autos, constata-se que as
contas apresentadas pela ex-Presidente do Instituto de Previdência do Município de

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Diamante/PB, relativas ao exercício financeiro de 2005, revelam algumas irregularidades
remanescentes. Entrementes, em que pese o entendimento dos analistas desta Corte,
fi. 315, impende comentar ab inltio que o item respeitante ao pagamento de juros pela
autarquia previdenciária da Comuna, no vaiar de R$ 29,73, decorrente do atraso
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

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de contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS pode ser relevado
tendo em vista o princípio da insignificância.

Por outro lado, os inspetores a unidade de instrução identificaram duas máculas cuja
responsabilidade recai sobre o Chefe do Poder Executivo da Urbe, Sr. Hércules Barros
Mangueira Diniz. A primeira está relacionada à falta de iniciativa para adequação da norma
previdenciária municipal aos preceitos estabelecidos na Lei Nacional n.O 9.717/98,
demonstrando um certo descaso com o patrimônio securitário dos servidores da Urbe.
°
Conforme relatório técnico, fls. 194/195, a Lei Municipal n. 22/2002 fixava a alíquota de
8,5% (oito e meio por cento) para a contribuição dos segurados do Município ao Regime
Próprio de Previdência Social - RPPS, inferior à contribuição dos servidores titulares de
cargos efetivos da União, que é de 11% (onze por cento).

Portanto, a norma local encontrava-se em desconformidade com os limites estabelecidos no


art. 3° da lei que dispõe sobre as regras gerais para a organização e o funcionamento dos
regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal (Lei
Nacional n.O 9.717, de 27 de novembro de 1998), na sua atual redação dada pela Lei
Nacional n.? 10.887, de 18 de junho de 2004, in verbis:

Art. 30 As alíquotas de contribuicãodos servidores ativos dos Estados, do


Distrito Federal e dos Municípios para os respectivos regimes próprios de
previdência social não serão inferiores às dos servidores titulares de cargos
efetivos da União, devendo ainda ser observadas, no caso das contribuições
sobre os proventos dos inativos e sobre as pensões, as mesmas alíquotas
aplicadas às remunerações dos servidores em atividade do respectivo ente
estatal. (grifas inexistentes no texto original)

Ademais, cabe destacar que a situação somente foi regularizada em novembro de 2005,
mediante a edição da Lei Municipal n.o 242, de 18 de novembro de 2005, que, em seu
art. 14, fixou a contribuição dos segurados em 11% (onze por cento) e a parcela patronal
em 12% (doze por cento), perfazendo um total de 23% (vinte e dois por cento) incidentes
sobre a remuneração paga pela Urbe, fI. 221.

A segunda eiva imputada ao Prefeito Municipal diz respeito à carência de repasses regulares
das contribuições patronais para o instituto de previdência da Comuna. Tal procedimento,
além de suscitar a imperfeição nas informações contábeis, representa séria ameaça ao
equilíbrio financeiro e atuarial que deve perdurar nos sistemas previdenciários, com vistas a
resguardar o direito dos segurados em receber seus benefícios no futuro. Importante frisar
que o art. 2° da já mencionada Lei Nacional n.O 9.717/98 define a forma de participação dos
Municípios para o custeio dos regimes próprios de previdência social, verbatim:
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Art. 2°. - A contribuição da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos


Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, aos regimes próprios de
previdência social a que estejam vinculados seus servidores não poderá ser
inferior ao valor da contribuição do servidor ativo, nem superior ao dobro
desta contribuição.

Outrossim, a referida mácula poderia ser enquadrada como ato de improbidade


administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, conforme dispõe o
art. 11, inciso I, da lei que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos
casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na
°
administração pública direta, indireta ou fundacional - Lei Nacional n. 8.429, de 2 de junho
de 1992 -, verbo ad verbum:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da Administração Pública qualquer ação ou omissão que viole os
deveres da honestidade, imparcialidade, legalidade e a lealdade às
instituições, e notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso


daquele previsto, na regra de competência;

Por sua vez, são cinco as irregularidades remanescentes de responsabilidade da Presidente


do Instituto de Previdência do Município de Diamante/PB - IPSER durante o exercício
financeiro de 2005, Sra. Daguineide Luciano de Sousa. Com efeito, constata-se inicialmente
a inércia da gestora para corrigir e adequar a legislação previdenciária municipal às normas
nacionais, evidenciando a desatenção da citada autoridade com o plano de seguridade dos
servidores do município de Diamante/PB.

No que tange à contabilização dos gastos da entidade, observaram os especialistas deste


Pretório de Contas, mediante análise dos balancetes mensais enviados, que as despesas
foram contabilizadas no ANEXO 2 pelo pagamento e não pelo montante empenhado, fI. 196,
em desrespeito ao regime de competência previsto não somente no art. 35, inciso Il, da lei
que estatuiu normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos
e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal - Lei Nacional
n,O 4.320, de 17 de março de 1964 -, mas também no art. 50, inciso lI, da reverenciada Lei
Complementar n.o 101, de 04 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal),
respectivamente, ipsis litteris:

Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro:

1- (omissis);
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II - as despesas nele legalmente empenhadas.

Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a


escrituração das contas públicas observará as seguintes:

I - (omissis)

II - a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o


regime de competência, apurando-se, em caráter complementar, o resultado
dos fluxos financeiros pelo regime de caixa; (grifamos)

É preciso comentar, por oportuno, que, os peritos do Tribunal identificaram, ainda, diversas
inconsistências entre valores registrados mensalmente no referido ANEXO 2 (pelo
pagamento) e aqueles constantes na relação de empenhos do mesmo mês, fls. 198/199,
motivadas pela não observância do mencionado regime de competência da despesa pública
por parte do setor contábil do instituto.

Ainda em relação aos registros contábeis, os técnicos deste Sinédrio de Contas assinalaram a
carência de especificação da finalidade ou origem do valor de R$ 25.707,57, classificado
como DIVERSOS RESPONSÁVEIS, e a ausência de contabilização da dívida do Município para
com o instituto. Ambas as falhas foram identificadas no BALANÇO PATRIMONIAL que
compõe a prestação de contas sub examine, fI. 40. Ou seja, ficou patente que o profissional
de contabilidade não registrou as informações na forma prevista nos arts. 83 a 106 da Lei
°
Nacional n. 4.320/64 e que o balanço em questão foi elaborado sem observar todos os
princípios fundamentais previstos nos arts. 2° e 3° da Resolução do Conselho Federal de
Contabilidade n.o 750, de 29 de dezembro de 1993, devidamente publicada no Diário Oficial
da União - DOU, datado de 31 de dezembro do mesmo ano, verbis:

Art. 2° - Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a


essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade,
consoante o entendimento predominante nos universos científico e
profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido
mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.

Art. 3° - São Princípios Fundamentais de Contabilidade:

I) o da ENTIDADE;
II) o da CONTINUIDADE;
UI) o da OPORTUNIDADE;
IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;
V) o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA;
VI) o da COMPETÊNCIA; e
VII) o da PRUDÊNCIA.
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Pode-se concluir, então, que tais incorreções e omissões, além de prejudicarem a análise dos
técnicos desta Corte, comprometem sobremaneira a confiabilidade dos registros contábeis
da entidade previdenciária do Município de Diamante/PB, pois resultam na imperfeição dos
demonstrativos que compõem os balancetes mensais, instrumentos utilizados para o
acompanhamento da gestão, bem como a prestação de contas sub judice.

Quanto à posição da autarquia municipal perante o Ministério da Previdência Social - MPS,


foi apurado, de início, pelos inspetores do Tribunal, fls. 1991200, que o último Certificado de
Regularidade Previdenciária - CRP fora emitido em 13 de dezembro de 2002, com validade
até o dia 11 de junho de 2003, fI. 152, e que o Extrato Externo de Irregularidades dos
Regimes Previdenciários, fI. 153, demonstrava a situação irregular da entidade no tocante a
diversos critérios. Isto significa que, no período em análise, a situação do instituto
contrariava alguns critérios e exigências legais estabelecidos na Lei Nacional n.? 9.717/98 e
na Portaria MPAS n.O 4.992/99.

Não obstante a defesa ter apresentado um novo CRP, fI. 307, expedido em 20 de junho de
2007 e com vigência até 18 de setembro do mesmo ano, foi constatado que persistem os
quesitos tidos como irregulares, fI. 311. Daí, a necessidade de assinação de prazo para que a
atual Presidente da autarquia, Sra. Maria Cleide Pereira de Melo, tome as providências
cabíveis e pertinentes a fim de se adequar às normas dispostas na Constituição Federal, na
Lei Nacional n.O 9.717/98, na Portaria MPAS n.o 4.992/99 e no Manual de Orientação do
Ministério da Previdência e Assistência Social - MPAS.

Nesse contexto, ante as diversas transgressões a disposições normativas do direito objetivo


pátrio, decorrentes da conduta implementada pelo Prefeito Municipal de Diamante/PB,
Sr. Hércules Barros Mangueira Diniz, e pela gestora do Instituto de Previdência da Comuna
durante o exercício financeiro de 2005, Sra. Daguineide Luciano de Sousa, resta configurada
a necessidade imperiosa de aplicação de multa de até R$ 2.805,10 - valor atualizado pela
Portaria n. ° 039/06 do TCE/PB -, prevista no art. 56, inciso II, da Lei Orgânica do TCE/PB -
Lei Complementar Estadual n.? 18, de 13 de julho de 1993, verbum pro verbo:

Art. 56 - O Tribunal pode também aplicar multa de até Cr$ 50.000.000,00


(cinqüenta milhões de cruzeiros) aos responsáveis por:

I - (omissis)

II - infração grave a norma legal ou regulamentar de natureza contábil,


financeira, orçamentária, operacional e patrimonial;

Ex posttis, proponho que o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba:

1) Com fundamento no art. 71, inciso II, da Constituição do Estado da Paraíba, bem como
no art. 1°, inciso I, da Lei Complementar Estadual n.? 18/93, JULGUE IRREGULARES 5
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contas de gestão da Ordenadora de Despesas do Instituto de Previdência do Município de


Diamante/PB durante o exercício financeiro de 2005, Sra. Daguineide Luciano de Sousa.

2) APLIQUE MUL TAS INDIVIDUAIS à ex-gestora do Instituto de Previdência do Município de


Diamante/PB, Sra. Daguineide Luciano de Sousa, bem como ao Chefe do Poder Executivo da
referida Comuna, Sr. Hércules Barros Mangueira Diniz, nos valores de R$ 1.000,00 (um mil
reais), com base no que dispõe o artigo 56, inciso lI, da Lei Orgânica do TCE/PB - Lei
Complementar Estadual n.O 18/93.

3) FIXE o prazo de 30 (trinta) dias para recolhimento voluntário das penalidades ao Fundo
de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto no art. 30, alínea "a",
da Lei Estadual n.o 7.201, de 20 de dezembro de 2002, cabendo à Procuradoria Geral do
Estado da Paraíba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele período,
velar pelo seu integral cumprimento, sob pena de intervenção do Ministério Público Estadual,
na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 4°, da Constituição do Estado da
Paraíba, e na Súmula n.o 40, do ego Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba - TJ/PB.

4) ASSINE o lapso temporal de 60 (sessenta) dias à atual Presidente do Instituto de


Previdência do Município de Diamante/PB, Sra. Maria Cleide Pereira de Melo, para que sejam
tomadas todas as providências cabíveis e pertinentes com vistas a adequar a autarquia às
normas dispostas na Constituição Federal, na Lei Nacional n.o 9.717/98, na Portaria MPAS
n.? 4.992/99, bem como no Manual de Orientação do Ministério da Previdência e Assistência
Social - MPAS.

5) DETERMINE o traslado de cópia desta decisão para os autos do processo de prestação de


contas do Instituto de Previdência do Município de Diamante/PB, exercício financeiro de
2009, objetivando subsidiar a análise das referidas contas e verificar o cumprimento do
item "4" supra.

6) FAÇA recomendações no sentido de que a atual gestora do Instituto de Previdência do


Município de Diamante/PB, Sra. Maria Cleide Pereira de Melo, não repita as irregularidades
apontadas no relatório da unidade técnica deste Tribunal e observe, sempre, os preceitos
constitucionais, legais e regulamentares pertinentes.
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