Você está na página 1de 4

TRIBUNAL DE CONTAS DO E

PROCESSOTC N.o 02311/07

Objeto: Pedido de Parcelamento de Débito


Relator: Auditor Renato Sérgio Santiago Melo
Interessada: Josefa da Silva Rodrigues

EMENTA: PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL - PRESTAÇÃO DE


CONTAS ANUAIS - PRESIDENTE DE CÂMARA DE VEREADORES -
ORDENADOR DE DESPESAS CONTAS DE GESTÃO
IRREGULARIDADE - IMPUTAÇÃO DE DÉBITO E IMPOSIÇÃO DE
PENALIDADE - FIXAÇÃO DE PRAZO PARA RECOLHIMENTOS -
ENVIO DE CÓPIA DA DECISÃO A SUBSCRITORES DE DENÚNCIA -
RECOMENDAÇÕES - DETERMINAÇÃO - REPRESENTAÇÕES -
PEDIDO DE PARCELAMENTO DO DÉBITO - FACULDADE
ESTABELECIDA NO ART. 26 DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL
N.O 18/93 - Intempestividade da apresentação, ex vi do disposto no
art. 50 da Resolução Normativa n.o 05/95 - Preclusão temporal.
Não conhecimento do petitório e remessa dos autos à Corregedoria
da Corte.

Vistos, relatados e discutidos os autos do PEDIDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITO


interposto pela Sra. Josefa da Silva Rodrigues, ex-Presidente da Câmara Municipal de Junco
do Seridó/PB, em face da decisão consubstanciada no ACÓRDÃO APL - TC - 589/08, de
06 de agosto de 2008, publicado no Diário Oficial do Estado - DOE de 26 de agosto do
mesmo ano, acordam, por unanimidade, os Conselheiros integrantes do TRIBUNAL DE
CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, em sessão plenária realizada nesta data, na
conformidade proposta de decisão do relator a seguir, em:

1) NÃO CONHECERdo pedido, tendo em vista a sua intempestividade.

2) REMETER os autos do presente processo à Corregedoria deste Pretória de Contas para as


providências que se fizerem necessárias.

Presente ao julgamento o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas


Publique-se, registre-se e intime-se.
TCE - Plenário Ministro João Agripino

João Pessoa, 29 de abril de 2009


TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 02311/07

Presente: L' C.
f. '. ~ \,~
(
Representante do Ministério Público Especial ~
PROCESSOTC N.o 02311/07

Trata-se de pedido de parcelamento de débito interposto pela ex-Presidente da Câmara


Municipal de Junco do Seridó/PB, Sra. Josefa da Silva Rodrigues, em face da decisão
consubstanciada no ACÓRDÃO APL - TC - 589/08, de 06 de agosto de 2008, fls. 453/467,
publicado no Diário Oficial do Estado - DOE de 26 de agosto do mesmo ano, fls. 468/469.

In limine, deve ser informado que esta ego Corte, após analisar as contas de gestão da
ex-Chefe do Poder Legislativo do Município de Junco do Seridó/PB, relativas ao exercício
financeiro de 2006, decidiu, mediante o supracitado aresto: a) julgar irregulares as referidas
contas; b) imputar à mencionada autoridade débito na soma de R$ 792,00, concernente ao
excesso de subsídios recebidos durante o exercício; c) fixar o prazo de 60 dias para
recolhimento da dívida aos cofres municipais; d) aplicar multa à ex-gestora no valor de
R$ 1.000,00; e) assinar o lapso temporal de 60 dias para pagamento da penalidade ao
Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal; f) encaminhar cópia da
deliberação a subscritores de denúncia; g) enviar recomendações ao novo Presidente da
Câmara; h) determinar a apuração de matéria em processo apartado; i) fazer comunicação à
Delegacia da Receita Federal do Brasil; e j) remeter cópias de peças dos autos à
Procuradoria Geral de Justiça do Estado e à Procuradoria da República na Paraíba.

A interessada, através do Documento TC n.o 05616/09, fl, 485, protocolizado nesta Corte em
14 de abril de 2009, após a sua postagem no dia 06 de abril do referido ano, formulou a
solicitação para o pagamento do débito que lhe fora imposto, na importância de R$ 792,00,
em 12 (doze) prestações mensais e sucessivas.

Solicitação de pauta, conforme fls. 487/488 dos autos.

É o relatório.

A solicitação de parcelamento de débitos e multas imputados pelo Sinédrio de Contas


Estadual tem sua aplicação própria indicada no art. 26 da Lei Complementar Estadual
°
n. 18/93 (Lei Orgânica do TCE/PB), devidamente regulamentada pela Resolução Normativa
RN - TC - 05/95, na sua atual redação dada pela Resolução Normativa RN - TC - 33/97,
sendo o meio pelo qual os interessados, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, após a
publicação do aresto, dirigem requerimento ao relator do processo, pleiteando o
fracionamento do pagamento.

In radice, evidencia-se a legitimidade da requerente. Entretanto, diante do transcurso do


lapso temporal para sua interposição, constata-se que o pedido formulado pela
ex-Presidente da Câmara Municipal de Junco do Seridó/PB, Sra. Josefa da Silva Rodrigues,
apresenta-se intempestivo, pois não atende ao que determina o art. 5° da supracita --
resolução, in verbis.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02311/07

Art. 5°. Os interessados no parcelamento de que trata esta Resolução


deverão dirigir requerimento ao Relator do processo no qual foi imputado o
débito, até 60 (sessenta) dias após a publicacão da decisão de imputação,
pleiteando o pagamento parcelado e comprovando, a juízo do Relator, que
as condições econômico-financeiras dos requerentes não lhes permitem o
pagamento do débito de uma só vez. (grifo nosso)

Com efeito, considerando que o dispositivo da decisão foi publicado no Diário Oficial do
Estado - DOE em 26 de agosto de 2008, fls. 468/469, e que o dies a quo é o primeiro dia
útil seguinte ao da divulgação do aresto, ou seja, o dia 27 de agosto, o pedido de
parcelamento do débito, como dito, é intempestivo, tendo em vista que adies ad quem foi o
dia 27 de outubro de 2008, mas a solicitação foi postada apenas em 06 de abril de 2009,
fi. 485, com mais de 05 (cinco) meses de atraso. Logo, a petição não pode ser conhecida.

Por fim, é importante destacar que as normas processuais seguem regras rígidas de ordem
pública, sendo, portanto, impositivas, cogentes, imperativas, ou seja, não admitem qualquer
tipo de criação extra legem. Neste sentido, dignos de referência são os ensinamentos dos
festejados doutrinadores Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato Correia de Almeida e
Eduardo Talamini, in Curso Avançado de Processo Civil: Teoria Geral do Processo e Processo
de Conhecimento, 5. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, vol, 1,
p. 57, verbatim:

Quanto ao grau de obrigatoriedade das normas, temos que o direito


processual é composto preponderantemente de regras cogentes,
imperativas ou de ordem pública, isto é, normas que não podem ter sua
incidência afastada pela vontade das partes.

Ex posltis, proponho que o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba:

1) NÃO CONHEÇA do pedido, tendo em vista a sua intempestividade.

2) REMETA os ,os .90 presente processo à Corregedoria deste Pretória de Contas para as
e se ~ ~~ecessárias.

-(,;ljJ~