PROCESSO-TC-2413/07
Publicado no O. O. E.
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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Administração Direta Municipal. Prefeitura de Agua Branca. Prestação de Contas Anual relativa ao exercício de 2006 - Emissão de PARECER FAVORÁVEL. Através de Acórdão em separado, atendimento parcial às exigências essenciais da LRF. Representação ao INSS. Recomendações.
RELATÓRIO
Tratam os autos do presente processo da análise da Prestação de Contas do Município de Água Branca/PB, relativa ao exercício financeiro de 2006, de responsabilidade do Prefeito e Ordenador de Despesas, Sr. Hércules Sidney Firmino,
A Divisão de Acompanhamento da Gestão Municipal 1- DIAGM I, com base nos documentos insertos nos autos, emitiu o relatório inicial de fls. 1041-1053, evidenciando os seguintes aspectos da gestão municipal:
1. Sobre a gestão orçamentária, destaca-se:
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a) |
o orçamento foi aprovado através da Lei Municipal n.? 0270, de 30 de dezembro de 2005, estimando a receita e fixando a despesa em R$ 5.813.028,00, como também autorizando abertura de créditos adicionais em 100% da despesa fixada na LOA; |
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b) |
durante o exercício, foram abertos e utilizados créditos adicionais no montante de R$ 4.013.177,09, todos com as devidas fontes de recursos; |
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c) |
a receita orçamentária efetivamente arrecadada no exercício totalizou o valor de R$ 7.440.243,55, representando 128% da receita inicialmente prevista no orçamento; |
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d) |
a despesa orçamentária realizada atingiu a soma de R$ 7.416.106,07, superior em 27,58% do valor previsto no orçamento; |
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e) |
o somatório da Receita de Impostos e das Transferências - RIT atingiu a soma de R$ |
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3.550.544,72; |
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h) |
a Receita Corrente Líquida - RCL alcançou o montante de R$ 6.165.541,70. |
2. No tocante aos demonstrativos apresentados:
a) o Balanço Orçamentário apresentou superávit equivalente a 0,32% da receita orçamentária arrecadada;
b) o Balanço Financeiro registrou um saldo para o exercício seguinte, no valor de R$ 602.584,82;
c) o Balanço Patrimonial evidenciou superávit financeiro no valor de R$ 250.533,48;
d) a dívida municipal atingiu, ao final do exercício, a importância de R$ 6.365.845,76, correspondendo a 85,56% da receita orçamentária total arrecadada.
3. Referente à estrutura da despesa, apresentou a seguinte composição:
a) o município realizou despesas com licitação no montante de R$ 2.663.759,91, correspondendo ao montante de 35,92% da despesa orçamentária total;
b) as remunerações dos Vereadores foram analisadas junto com a Prestação de Contas da Mesa da Câmara Municipal;
c) os gastos com obras e serviços de engenharia, no exercício, totalizaram R$ 1.233.125,51 correspondendo a 16,63% da Despesa Orçamentária Total (DOTR), tendo sido pagos no exercício R$ 823.410,60.
4. Quanto aos gastos condicionados:
a) a aplicação de recursos do FUNDEF na remuneração e valorização dos profissionais do magistério (RVM) atingiu o montante de R$ 1.626.193,98 ou 65,14% das disponibilidades do FUNDEF (limite mínimo=60%);
b) a aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE) alcançou o montante de R$
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977.689,80 ou 27,54% da RIT (limite mínimo=25%); |
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c) o Município despendeu com saúde a importância de R$ 666.473,~1 " 18,77./I.% R d a |
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d) as despesas com pessoal da municipalidade alcançaram o montante de R$ 3.647.157,72 ou 59,15% da RCL (limite máximo=60%);
e) as despesas com pessoal do Poder Executivo alcançaram o montante de R$ 3.479.293,38 ou 56,43% da RCL (limite máximo=54%).
Tendo em vista que o Órgão de Instrução apontou irregularidades em seu relatório inicial, e atendendo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o Relator determinou a notificação do
Sr<'. Hércules
documentos e esclarecimentos às fls. 760-1151, devidamente examinados pela Auditoria (fls. 1167-
Sidney Firmino, atual gestor do município, tendo este vindo aos autos e apresentado
1171), concluindo pela permanência das seguintes irregularidades:
Gestão Fiscal:
da RCL,
em
relação
ao limite
(54%)
estabelecido no art. 20, da LRF e não indicação de medidas em virtude da ultrapassagem de que
Pagamento indevido ao vice-prefeito, Sr. José Nicolau Pereira, no valor de R$ 18.000,00, pela acumulação ilegal de remuneração;
Precariedade nas instalações físicas de diversas escolas do município;
Burla à realização de concurso público na contratação de médicos, enfermeiros e odontóloqos;
Ausência de 155 segurados no documento informativo da previdência (GFIP) no mês de dezembro de 2006, caracterizando omissão de informações ao INSS;
das contribuições patronais ao INSS no valor de R$ 407.120,01, incidentes
Chamado a se manifestar, o Ministério Público emitiu o Parecer n° 1043/08 (fls. 1172-1178), da lavra da Ilustre Procuradora Isabella Barbosa Marinho Falcão, pugnou pelo(a):
ATENDIMENTO PARCIAL requisitos de gestão fiscal responsável, previstos na LC 101/2000;
EMISSÃO DE PARECER CONTRÁRIO à aprovação das contas em análise, de responsabilidade do Sr. Hércules Sidney Firmino, em face das irregularidades constatadas em sua gestão durante o exercício de 2006;
APLICAÇÃO DE MULTA, à aludida Autoridade por transgressão a normas constitucionais e legais, nos termos do art. 56, 11 da LOTCE;
RECOMENDAÇAO à Prefeitura Municipal de Água Branca, no sentido de guardar estrita observância aOS termos da Constituição Federal, da Lei de Responsabilidade Fiscal, e ao que determina esta Egrégia Corte de Contas em suas decisões.
ENVIO DE CÓPIA da presente decisão à Procuradoria Geral de Justiça, para as providências cabíveis na forma da legislação aplicável.
Retorno dos autos Auditoria para prestar informações acerca dos valores das contribuições recolhidas pelo município ao INSS, especificando a parte do empregado e do empregador, bem como identificar os valores consignados em folha de pagamento e não recolhidos pelo município.
Em resposta às indagações do Relator, a Auditoria, às fls. 1309/1310, apontou que o município recolheu ao INSS a importância de R$ 502.165,54, sendo R$ 270.045,44 referente à contribuição patronal e R$ 232.120,10 computadas como do servidor. Identificou também a Auditoria que o município deixou de recolher ao sistema previdenciário pelo menos R$ 494.652,00, sendo R$ 460.606,16 parte do empregador e R$ 34.652,00 contrapartida dos empregados.
Manifestação oral da d. Procuradora Geral, pugnando pela emissão de parecer favorável à aprovação das contas em análise, declaração de atendimento parcial às exigências da LRF e reafirmação das recomendações anteriormente sugeridas.
O Relator fez incluir o feito na pauta desta sessão, com as notificações de praxe.
Das irregularidades remanescentes, após a manifestação da Auditoria e do MPjTCE, gostaria de fazer algumas considerações, as quais passo a proferir:
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a) Quanto aos limites fixados para as despesas com pessoal estabelecidos pela LRF,
correspondeu
a 56,43% da RCL, quando o limite máximo é 54~
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Verifica-se que a exigência da LRF não foi atendida, devendo o gestor se adequar aos temos do art. 20, inc. 111, "b", da LRF nos moldes definidos pelo art. 23 1 do mesmo diploma legal;
b)
Precariedade nas instalações físicas de diversas escolas do município:
Estas informações são oriundas de uma situação encontrada por ocasião da diligência em 2008. Não é sabido com certeza se, no exercício de 2006, a situação era a mesma. Sugere-se que a realidade encontrada pela Auditoria seja transladada para PCA de 2008 para subsídio da análise daquelas contas.
c)
Pagamento indevido ao vice-prefeito, acumulação ilegal de remuneração:
A jurisprudência acerca da matéria é farta, inclusive com pronunciamento da Corte Suprema que entende da seguinte forma:
Sr. José Nicolau
Pereira, no valor de R$ 18.000,00, pela
"Não pode o Vice-Prefeito acumular a remuneração decorrente de emprego em empresa pública estadual com a representação estabelecida para o exercício
). O que a Constituição excepcionou, no art. 38, 111, no
âmbito municipal, foi apenas a situação do Vereador, ao possibilitar-lhe, se servidor público, no exercício do mandato, perceber as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, quando houver compatibilidade de horários; se não se comprovar a compatibilidade de horários, será aplicada a norma relativa ao Prefeito (CF, art. 38, 11)." (RE 140.269, ReI. Min. Néri da Silveira, julgamento em 1°-10-96, DJ de
do mandato eletivo (
sobre remunerações pagas pelo Município:
Assim, ao servidor público investido no mandato de Vice-Prefeito, aplicam-se-Ihe, por analogia, as
no inciso 11 do art. 38 da Constituição
ao prefeito, nos moldes contidos
Já quanto à imputação da remuneração recebida de forma indevida, comungo com a Auditoria e MPjTCE de que não cabe devolução dos recursos auferidos pelo vice-Prefeito, posto que os serviços foram efetivamente prestados, o que justifica a remuneração recebida, de outra forma, estaria se consagrando uma situação de enriquecimento ilícito por parte do Estado, tendo em vista que se beneficiou da prestação de serviço sem arcar com a devida contraprestação. Contudo, cabe recomendação ao gestor no sentido de não mais repetir esta irregularidade, sob pena de cominação de débito.
na contratação
de médicos,
enfermeiros
e
d)
público
Acerca desta irregularidade, por determinação do Tribunal Pleno, consubstanciada no Parecer PPL- TC- 212/07, foi constituído o Processo TC-01692/0S para analisar especificamente as contratações irregulares apontadas pela Auditoria na Prestação de Contas do exercício de 2005. Assim, faz-se necessária a remoção de informações destes autos para subsidiar a análise do supracitado processo.
informativo
da previdêncía
(GFIP) no mês de
e) Ausência
de 155 segurados
no documento
dezembro de 2006, caracterizando omissão de informações ao INSS:
Após a análise da defesa, a Auditoria entendeu que o município deixou de prestar informação de 29 segurados. O Relator entende que a não prestação de informa2ões de natureza previdenciária em toda sua extensão deve ser comunicada ao INSS para as providencias a seu cargo.
patronais ao INSS no valor de R$ 407.120,01, incidentes
Pelo que foi apurado pela Auditoria, o município contribuiu com de R$ 502.165,54 (retenções na C/C do FPM e outras formas de pagamento), sendo R$ 270.045,44 referente à contribuição patronal e R$ 232.120,10 anotada como do servidor, deixando de recolher o montante de R$ 494.652,00, balizado
de R$
em projeção definidas a partir das despesas
com pessoal que alcançaram
o montante
Ressalte-se que o município repassou um valor significativo dentro de sua capacidade contributiva, cerca de R$ 598.102,98, sendo 502.165,54 de competência do exercício de 2006 e R$ 95.936,54 a
o que leva o
o que demonstra não ser regra a ausência de contribuição,
Relator a entender que tal falha comporta relevação, inclusive com b se nos inúmeros julgados desta
ao g stor no sentido de não mais .
Corte, em casos análogos, sem prejuízo de recomendações incorrer em irregularidade dessa natureza; ,
f)
1 Art. 23. Se a despesa total
com pessoal, do Poder ou órgão
referido no art. 20, ultrapassar
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. es de nidos no mesmo artigo. sem p[ejuízo
s gUinte,s,' sendo ,pe.,IOmenos
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medidas previstas
primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição.
no art. 22, o percentual
excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres
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PROCESSO- TC-2413/07
Diante do exposto, VOTO no sentido de:
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1. considerar atendimento parcial às exigências essenciais da LRF;
2. emitir PARECER FAVORÁVEL à aprovação das Contas do Prefeito do Município de Água Branca, sra. Hércules Sidney Firmino, referente ao exercício de 2006;
3. representar o INSS acerca do levantamento feito pela Auditoria desta Corte no referente às contribuições previdenciárias e as informações constantes nas GFIP.
4. recomendar à Prefeitura Municipal de Água Branca, no sentido de guardar estrita observância aos termos da Constituição Federal, da Lei de Responsabilidade Fiscal, e ao que determina esta Egrégia Corte de Contas em suas decisões.
DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO DO TCE - PB
Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO -TC-2413/07, os Membros do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAíBA (TCE-Pb), à unanimidade, com impedimento declarado do Conselheiro Antônio Nominando Diniz Filho, na sessão realizada nesta data, decidem EMITIR E ENCAMINHAR ao julgamento da Egrégia Câmara Municipal de Água Branca, este PARECER FAVORÁVEL à aprovação da Prestação de Contas do Prefeito Municipal de Agua Branca, sra. Hércules Sidney Firmino, relativa ao exercício de 2006.
João Pessoa, i ~ del\/~O&'mb-hO
de 2008.
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conselheiro~' i~~ves Pr sidente
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Viana
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Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras No Relator
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Conselheir José Marques Mariz
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Cons. Su~st. osca((~n:;e~e
Santiago Melo
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( Ana Terêsa Nóbrega
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rocuradora Geral do Ministério Público junto ao TCE-Pb
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