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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO-TC-02576/06
Administração Direta Municipal. Prefeitura de Itatuba. Prestação de
Contas Anual relativa ao exercício de 2005 - Emissão de
PARECER FAVORÁVEL. Através de Acórdão em separado,
atendimento integral às exigências da LRF, aplicação de multa.
Recomendação.

RELATÓRIO
Tratam os autos do presente processo da análise da Prestação de Contas do Município de
Itatuba/PB, relativa ao exercício financeiro de 2005, de responsabilidade do Prefeito e Ordenador de
Despesas, Sro Renato Lacerda Martins.
A Divisão de Acompanhamento da Gestão Municipal 111 - DIAGM \11, com base nos documentos
insertos nos autos, emitiu o relatório inicial de fls. 1034-1040, evidenciando os seguintes aspectos da
gestão municipal:
1. Sobre a gestão orçamentária, destaca-se:
a) o orçamento foi aprovado através da Lei Municipal n." 306, de 01 de janeiro de 2005,
estimando a receita e fixando a despesa em R$ 5.011.040,00, como também autorizando
abertura de créditos adicionais suplementares em 80% da despesa fixada na LOA;
b) durante o exercício, foram abertos créditos adicionais no montante de R$ 2.527.250,49;
c) a receita orçamentária efetivamente arrecadada no exercício totalizou o valor de R$
5.242.698,48, superior em 4,42% do valor previsto no orçamento;
d) a despesa orçamentária realizada atingiu a soma de R$ 5.242.574,96, superior em 4,42% do
valor previsto no orçamento;
e) a receita extra-orçamentária, acumulada no exercício financeiro, alcançou a importância de
R$ 853.048,85;
f) a despesa extra-orçamentária, executada durante o exercício, compreendeu um total de R$
860.436,11 ;
g) o somatório da Receita de Impostos e das Transferências - RIT atingiu a soma de R$
3.474.627,04;
h) a Receita Corrente Líquida - RCL alcançou o montante de R$ 5.031.776,28.

2. No tocante aos demonstrativos apresentados:


a) o Balanço Orçamentário apresentou superávit equivalente a 0,01% da receita orçamentária
arrecadada, o que em termos relativos configura-se em um equilíbrio orçamentário;
b) o Balanço Financeiro registrou um saldo para o exercício seguinte, no valor de R$
128.408,89;
c) o Balanço Patrimonial evidenciou superávit financeiro no valor de R$ 94.445,91;
d) a dívida municipal atingiu, ao final do exercício, a importância de R$ 5.198.435,60,
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correspondendo a 99,15% da receita orçamentária total arrecadada .

3. Referente à estrutura da despesa, apresentou a seguinte composição:


a) os recursos oriundos de convênios, escriturados no exercício, totalizaram R$ 295.644,20,
sendo R$ 210.922,20, provenientes de recursos do Governo Federal e R$ 84.722,00 de
origem Estadual;
b) as remunerações dos Vereadores foram analisadas junto com a Prestação de Contas da
Mesa da Câmara Municipal;
c) os gastos com obras e serviços de engenharia, no exercíci~.t.a_lizaram Rl2;.~ 9.271,40
correspendendo a 4,75% da Despesa Orçamentária Total (DOT ~ \.;~

1 Foi inserida pela a Auditoria no exercício sob análise a dívida com o INSS (R$ 6.S98,84) referente a vários exercícios
bem como com a SAELPA no montante de R$197.473,78. _0/'(' ~

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4. Quanto aos gastos condicionados:


a) a aplicação de recursos do FUNDEF na remuneração e valorização dos profissionais do
magistério (RVM) atingiu o montante de R$ 517.147,95 ou 64,07% das disponibilidades do
FUNDEF (limite mínimo=60%);
b) a aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE) alcançou o montante de R$
1.101.273,16 ou 32,45% da RIT (limite mínimo=25%);
c) o Município despendeu com saúde a importância de R$ 575.430,47 ou 16,967% da RIT;
d) as despesas com pessoal da municipalidade alcançaram o montante de R$ 2.731.477,03 ou
54,28% da RCL (limite máximo=60%);
e) as despesas com pessoal do Poder Executivo alcançaram o montante de R$ 2.686.291,98 ou
53,40% da RCL (limite máximo=54%).

Tendo em vista que o Órgão de Instrução apontou irregularidades em seu relatório inicial, e
atendendo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o Relator determinou a
notificação do Sr. Renato Lacerda Martins, tendo este vindo aos autos, em 24/11/2006, com
apresentação de documentos e de esclarecimentos às fls. 1046-1404, os quais foram examinados
pela Auditoria (fls. 1406-1409), que conclui pela permanência das seguintes irregularidades:
a) despesas sem licitação no montante de R$ 302.119,01;
b) gastos com coleta de lixo de forma descentralizada, impossibilitando o real controle destes
dispêndios;
c) transporte de estudante feitos com alguns veículos com carrocerias abertas, inadequadas
para transportar pessoas;
d) despesas com assessoria e projetos no montante de R$ 21.315,00, sem a comprovação da
realização de tais serviços;
e) devolução de recursos de Convênio por não aplicação no mercado financeiro e pelo não uso
do material adquirido;
f) falta de cuidados necessários na manutenção dos prédios públicos (escolas);
g) falta de controle eficaz com relação à aquisição e distribuição dos gêneros alimentícios;
h) não envio do Código Tributário após atualização à Câmara Municipal;
i) documento não entregue (contrato do parcelamento do INSS).
O Ministério Público emitiu cota, requerendo retorno dos autos à Auditoria para esclarecimento acerca
dos gastos com Saúde, FUNDEF e repasses ao Poder Legislativo, tendo o Relator acatado a
solicitação do Parquet.
Mediante Complemento de instrução, às fls. 1889-1891, a Auditoria fez os esclarecimentos solicitados
pelo MPjTCE, ao tempo que retificou seu entendimento, apontando duas novas irregularidades:
a) Aplicação em gastos com o magistério equivalente a 56,09% dos recursos do FUNDEF,
ficando abaixo do mínimo exigido (60%);
b) diferença a menor entre o saldo contábil e saldo financeiro na CIC FUNDEF no montante de
R$ 4.611,25, em decorrência de recursos transferidos para outras contas bancárias do
município.
Tendo em vista o novo posicionamento da Auditoria, o Gestor foi notificado, manifestando-se, em
14/01/2008, nos termos das fls. 190011902 com juntada de documento de fls. 1903/2278;
Analisando a defesa apresenta a Auditoria (fls. 2280-2285) acatou parte dos argumentos do
interessado, subsistindo a irregularidade pertinente à insuficiência de aplicação de recursos do
FUNDEF em Remuneração e Valorização do Magistério, desta feita, com o percentual de aplicação
de 58,30% dos recursos do fundo.
Novel manifestação Ministerial mediante Parecer nO 1562/07 (fls. 7023-7030), da lavra da Ilustre
Procuradora Isabella Barbosa Marinho, o qual destacou os seguintes aspectos:
a) as Despesas efetivadas sem a realização de licitação, e não enquadradas nas hipótese
legalmente previstas, levou a autoridade municipal a incorrer em crime previsto no art. 89 da Lei
8.666/93.
b) os gastos com coleta de lixo de forma descentralizada, dificultando o seu controle de maneira

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efetiva, demonstra que tal procedimento não se coaduna com os princípios do controle, da
transparência e da segurança administrativa. Portanto, cabe ao gestor afastar. est.a distO.rçã.o, de ~.
preferência, contratando empresas ou mediante a admissão de pessoai através de ítlcrso
público, acostando-se, assim, às normas que regem a Administração pÚblica~ tA'
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c) Transporte de estudantes realizados mediante a utilização de veículos com carrocerias abertas,


inadequados para este fim, levando o gestor a incorrer em falha nos termos do Código Nacional
de Transito (art. 136 - 138 e 230). Ademais, não merece guarida os argumentos da defesa no
sentido de que os veículos camionetas são os únicos capazes de trafegar na zona rural do
município. Ora, se de um lado é factível reconhecer a precariedade das vias por onde trafegam
os veículos das zunas rurais. Por outro lado, não se pode ignorar o perigo ao qual se submetem
as crianças ao serem transportadas em automóveis interinamente inapropriados para conduzir
pessoas. Assim sendo, a administração tem o dever de despender esforços capazes de
proporcionar o transporte de modo digno e satisfatório aos estudantes usuários desse serviço,
na estreita observância do que prescreve a legislação pertinente.
d) Despesas com pagamento de serviços de assessoria e elaboração de projetos, sem
comprovação da respectiva contraprestação, no valor de R$ 21.315,00, desvirtuou as fases da
despesa pública. Na etapa de liquidação, deveria ser quantificado com exatidão o crédito do
fornecedor através de documento hábil (nota fiscal, recibo atesto, contratos etc.), bem como a
comprovação necessária da efetiva contraprestação dos serviços em benefício da
municipalidade, fato este não comprovado pelo gestor. Desta forma, conclui-se que, quando os
recursos públicos são manuseados e não se faz prova da regularidade das despesas com os
correspondentes documentos exigíveis legalmente e mediante a comprovação do alcance de
efetivo resultado, os gestores atraem para si a responsabilidade de ressarcir os gastos
irregulares que executaram ou concorreram, inclusive por temerária gerência.
e) Quanto às despesas, devolução de recursos de Convênio por não aplicação no mercado
financeiro e pelo não uso do material adquirido, ausência de maior cuidado na manutenção de
prédios públicos sedes de escolas e falta de controle eficaz em relação à aquisição e a
distribuição de gêneros alimentícios, entende-se que as considerações respectivas trazidas a
lume pela defesa as minimizam. Entretanto, não se pode deixar de ver que as circunstâncias a
ela referentes, apresentadas pela Auditoria, revelam falha no gerenciamento, não condizente
com a melhor gestão pública, gerenciamento esse, portanto, que urge ser aperfeiçoada.
f) Não envio de projeto de atualização do Código Tributário à Câmara Municipal, a princípio, tal
circunstância parece estar atrelada à questão de política administrativa do Município, a ser
solucionada pelos Poderes Executivo e Legislativo municipal.
g) Não envio de contrato de parcelamento do Município com o INSS, além de representar não
atendimento à solicitação da ilustre Auditoria desta Corte quando em diligência no Município de
Itatuba, pode constituir também embaraço ao controle externo a ser exercido pelo Tribunal de
contas, o que não se coaduna com a boa gestão pública.
h) Aplicação de apenas 58,3% dos recursos do FUNDEF em RVM, constitui em irregularidade por
inobservância ao art. 60 do ADCT, bem como à Lei 9.424/96 e ao Parecer PN TC nO52/04,
ensejando em parecer contrário à aprovação das contas do gestor.
Por fim, a representante do MPjTCE opinou pela:
a) Emissão de parecer contrário à aprovação das contas anuais de responsabilidade do Sr. Renato
Lacerda Martins, Prefeito Municipal de Itatuba, relativas ao exercício de 2005, especialmente em
face da não aplicação do percentual mínimo dos recursos do FUNDEF na remuneração e
valorização do magistério, da realização de despesas sem a respectiva comprovação e da
efetivação de despesas sem a realização de licitação.
b) Emissão de parecer sobre as contas de gestão fiscal do Sr. Renato Lacerda Martins, Prefeito
Municipal de Itatuba, declarando o atendimento total ao disposto na LC n° 101/2000,
relativamente ao exercício de 2005.
c) Imputação de débito ao gestor supracitado, no valor de R$ 21.315,00, relativo a despesas com
pagamento de serviços de assessoria e de elaboração de projetos, sem comprovação da
respectiva contraprestação;
d) Aplicação de multa, prevista no art. 56, 11, da LOTCE ao Sr. Renato Lacerda Martins, face à
transgressão de normas legais e constitucionais, conforme apontado;
e) Recomendação à Prefeitura Municipal de Itatuba, no sentido de:
,f Guardar estrita observância aos termos da Constituição Federal, sobremodo, no que tange
aos princípios norteadores da Administração Pública, ressaltando-se aqui o da legalidade, o
do controle e o da boa gestão pública;
,f Conferir a devida obediência às normas consubstanciadas na Lei 4.320/64, na Lei 8.666/93,

que concem"s transportes de estudantes, sob pena de responsabilidade t


na Lei 9424196 (FUNDEF), bem como no Código de Trânsito Brasileiro, especialmente no
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o processo foi levado à sessão de 02/07/2008, tendo, naquela ocasião, os membros do Tribunal
Pleno acatado preliminar suscitada pelo patrono de, na próxima sessão, apresentar defesa oral sem
anexação de novos documentos, bem como o retorno dos autos à DIAGM VI para reexame das
irregularidades concernentes à aplicação em RVM, às despesas não licitadas e às despesas não
comprovadas com assessoria e projetos no montante de R$ 21.315,00.
Os autos foram remetidos à Auditoria, que, em sede de complemento de instrução, expôs o seguinte:
a) quanto à aplicação dos recursos do FUNDEF na remuneração e valorização do magistério
(RVM), identificou-se que, a partir da movimentação da C/C FUNDEF, foi debitado o valor de
R$ 470.675,63 com despesas do magistério (FUNDEF 60%) e de R$ 331.692,34 com outras
despesas (FUNDEF 40%). Do total dos gastos com RVM, foi pago o montante de R$
389.676,63 com despesa em folha de pagamento e o restante, R$ 80.999,00,
corresponderam a despesas com Obrigações Patronais que representaram aproximadamente
21% do valor da folha de pagamento;
b) sobre a realização de despesas sem licitação, no montante total de R$ 302.119,01, verificou-
se que apenas o Processo de nO03825/04 protocolizado nesta Corte, tem como assunto
procedimento licitatório realizado em 2004 envolvendo o Fornecedor "C.M Construções
Miranda Ltda", utilizado em 2005, divergindo do alegado pela defesa de que as despesas
apontadas foram licitadas no exercício de 2004. O contrato com a citada empresa teve seu
valor fixado em R$ 279.460,00 e vigência estipulada em 120 dias, contados a partir de
01/07/2004. No exercício de 2004, foram feitos pagamentos à citada empresa no montante de
R$ 55.476,35 (doc. fI. 2305, vol. VIII), no entanto, não há comprovação que o citado contrato
tenha sofrido qualquer aditivo permitindo que os valores remanescentes do contrato fossem
utilizados no exercício de 2005;
c) atinente às despesas com pagamento de serviços de assessoria e elaboração de projetos,
sem comprovação da respectiva contraprestação, no valor de R$ 21.315,00, reiterou-se o
posicionamento de que não constam nos autos documentos hábeis para comprovar a efetiva
realização dos serviços.
Novel complementação de instrução da Auditoria por determinação do Relator para fins de
esclarecimento acerca da utilização dos valores, se empenhados ou pagos, utilizados com base para
o cálculo RVM/FUNDEF. A Auditoria veio aos autos informando que fez seus cálculos baseado no
extrato bancário da C/C do FUNDEF e que foram considerados todos os recursos que saíram da
referida conta.
O Relator fez retornar o feito na pauta desta sessão, informando que os interessados foram
previamente notificados na Sessão Plenária do dia 10 de julho de 2008.

VOTO DO RELATOR
Cabe destacar que, durante a instrução do processo, foi oferecido ao gestor a oportunidade de
apresentar defesa, tendo o interessado, inclusive através de procurador, por duas vez, utilizado este
direito em toda sua extensão.
Restaram, após a instrução processual, as seguintes irregularidades:
1) quanto à aplicação de recursos do FUNDEF na remuneração e valorização dos profissionais
do magistério (RVM) atingindo o montante de R$ 470.675,63 ou 58,30% das disponibilidades
do FUNDEF (limite mínimo=60%), depreende-se que o valor não aplicado pelo gestor em
RVM foi ínfimo em termos absolutos, porquanto, para alcançar o mínimo exigido faltaram
aproximadamente R$ 13.644,58. Por outro lado, segundo informações do SAGRES, foi
empenhado com folha de pagamento e encargos sociais do magistério, cerca de R$
517.147,95, sendo que partes destas despesas foram custeadas com outras fontes que não "-
do FUNDEF. Portanto, por uma falha de natureza de registros contábeis e alocações d
recursos do FUNDEF, o gestor não alcançou o índice desejado, contudo, diante de uma visão
holística, não vislumbro motivos para que essa irregularidade possa macular as contas de
gestão aqui apreciadas;
2) atinente às Despesas sem realização de procedimento licitatório no valor total de R$
302.119,01, representando 5,8% da despesa orçamentária realizada no exercício, afrontand~
rn\
a Lei Federal nO8.666/93, verifica-se que, em grande parte, foram licitadas no exercício de
2004, inclusive a que envolve o fornecedor "C.M Construções Miranda Ltda", no montante R$
139.627,58, objeto de apreciação por esta Corte no Acórdão AC1-TC-1008/06 que julgou ~
regular o procedimento licitatório. Portanto, as despesas não licitadas no exer,.c.
íC,iO,de 2005, '" ~'"
no valor de R$ 90.088,25 referentes em quase sua totalidade a compras de gêner6ã ~' " ~
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alimenticios, representando 1.72% da DOTR, tornam-se irrelevantes no contexto da despesa


orçamentária executada, além do que, a d.auditoria não apontou indícios de
superfaturamento ou que os bens e serviços deixaram de ser executados, motivos que
ensejam relevação da irregularidade apontada.
3) No que tange às despesas com serviços de assessoria administrativa e elaboração de
projetos, no valor de R$ 21.315,00, tendo como credores: Iramilton Sátiro da Nóbrega no
valor de R$ 7.135,00 e à Maria Luzinete Torres Paiva, no montante de R$ 14.000,00 é de
sopesar que não se têm elementos suficientes para se proceder alguma imputação. Ademais,
o Tribunal tem reiteradamente entendido perfeitamente aceitáveis, despesas dessa natureza,
levando-se em conta a compatibilidade dos valores aplicados, com os praticados no
mercado.
4) Sobre os gastos com coleta de lixo de forma descentralizada dificultando o exercício do
controle externo e interno, é latente a necessidade de orientar o gestor para adotar
providências no sentido de restabelecer a legalidade, mediante contratação de empresa e
realização de concurso público para este tipo de serviço;
5) Acerca dos transportes de estudantes em veículos com carrocerias abertas, inadequadas
para transportar pessoas, é necessário que, em eventos futuros, o município proporcione aos
alunos, usuários desse serviço, um transporte adequado, seguro e que atenda à legislação
de trânsito;
6) No tocante à devolução de recursos de Convênio por não aplicação no mercado financeiro e
pelo não uso do material adquirido, os argumentos da defesa de que a origem dessa
irregularidade teve início na gestão passada são procedentes, porém caberia ao gestor
seguinte dar continuidade às ações iniciadas e não concluídas na gestão anterior. Assim, faz-
se necessária recomendação no sentido de aperfeiçoar o gerenciamento da coisa pública, em
especial, a continuidades dos serviços públicos;
7) No que tange à falta de cuidados necessários na manutenção dos prédios públicos (escolas),
cabe recomendação ao atual gestor no sentido de zelar os bens públicos, especificamente,
na manutenção dos imóveis públicos;
8) Quanto à falta de controle eficaz com relação à aquisição e distribuição dos gêneros
alimentícios, revela-se a necessidade de o município implantar um sistema de controle
interno de forma a garantir a adequada aplicação dos recursos;
9) Sobre o não envio do Código Tributário, após atualização, à Câmara Municipal, muito embora
não esteja dentro da competência direta desta Corte resolver pendências entre o Poder
Executivo e Legislativo, nada obsta que o Tribunal emita recomendação ao município para
melhorar seus instrumentos de arrecadação com a implantação de um novo Código
Tributário;
10) Atinente a documentos não entregues (contrato do parcelamento do INSS), muito embora tais
informações não tenham comprometido o trabalho da Auditoria, tal situação, em eventos
futuros, não deverá ser tolerada, cabendo aqui recomendação no sentido de que o município
disponibilize, a tempo, toda a documentação necessária ao exercício das suas atribuições
constitucionais emanadas para esta Corte.

Diante do exposto, entendo que as eivas apontadas não têm o condão de levar a rejeição das contas
aqui apreciadas, motivos que me levam a votar no sentido de que esta Corte emita Parecer favorável
à aprovação das contas do Prefeito Municipal de Itatuba, Sr. Renato Lacerda Martins, relativas ao
exercício de 2005, e em Acórdão separado:
a) declarar o atendimento integral às exigências essenciais da LRF;
b) aplicar a multa no valor de R$ 2.805,10 ao Sr. Renato Lacerda Martins, por infração à nor
legal, nos termos do art. 56, li, da Lei Orgânica desta Corte (LC 18/93), assinando-lhe o

c)
prazo de 60 dias para o recolhimento voluntário;
recomendar à atual Prefeitura Municipal de Itatuba, no sentido de:
./ guardar estrita observância aos termos da Constituição Federal, sobremodo, no que tang
(n
aos princípios norteadores da Administração Pública, ressaltando-se aqui o da legalidade
o do controle e o da boa gestão pública;
./ conferir a devida obediência às normas consubstanciadas na Lei 4.320/64, na Lei
8.666/93, na Lei 9.424/96 (FUNDEF), bem como no Código de Trânsito Brasileiro,
especialmente no que concerne aos/tfa!. nsportes de estudantes, sob pena de f\
responsabilidade da autoridade respectivCl ... , ~ l-o -,-, ~ \~

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DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO DO TCE - PB

Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO -TC-02576/06, os Membros do TRIBUNAL DE


CONTAS DO ESTADO DA PARAíBA (TCE-Pb), à unanimidade, com impedimento declarado do
Conselheiro AntOnio Nominando Diniz Filho, na sessão realizada nesta data, decidem EMITIR E
ENCAMINHAR ao julgamento da Egrégia Câmara Municipal de Itatuba, este PARECER
FAVORÁVEL à aprovação da Prestação de Contas do Prefeito Municipal de Itatuba, Sro Renato
Lacerda Martins, relativa ao exercício de 2005.

Publique-se, registre-se e cumpra-se.


TCE-~iO Mini~tro João Agripino

João Pessoa, ~ de ---f~~dtp:.~ ,de 2008.


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- I.

0" /Conselheir. r, 10 Alves Viana


~~ (.I
IPr sidente

v'

Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira

Relator f\ II ~
Conselheiro
MarcosUbiratWpe~ira

ConselheiroFe~drigues Catão

Fui presente, //
/ ~ C'\
':::::>~-N~~
rr.
Ana Terêsa Nóbrega ~
/rocuradora G ai do MinistérioPúblicojuntoaoTCE·Pb