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secretahêiõfr'bunal Pleno

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N.O 02534/07

Objeto: Prestação de Contas Anuais Relator: Auditor Renato Sérgio Santiago Melo Responsável: Célio Cordeiro Alves Advogados: Dr. Rodrigo dos Santos Lima e outro

EMENTA: PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL - PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS - PRESIDENTE DE CÂMARA DE VEREADORES - ORDENADOR DE DESPESAS- APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PARA FINS DE JULGAMENTO - ATRIBUIÇÃO DEFINIDA NO ART. 71, INCISO 11, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA, E NO ART. 1°, INCISO I, DA LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL N.o 18/93 -

Insuficiência

financeira para saldar os compromissos

de curto

prazo - Incompatibilidade entre os valores da despesa com pessoal

e da receita corrente líquida apresentados no RGF do segundo

semestre

do exercício e aqueles apurados na prestação de contas -

Ausência de empenhamento,

pagamento

e contabilização

de

obrigações patronais devidas ao INSS - Omissão de informação no

SAGRES quanto à realização de licitações - Contratação

de

profissionais para serviços típicos da administração pública sem a realização de prévio concurso público - Falta de retenção e

recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a

folha de pagamento da Edilidade - Transgressão a dispositivos de -

natureza constitucional, infraconstitucional

e regulamentar

Necessidade imperiosa de imposição de penalidade - Eivas que

comprometem o equilíbrio das contas, ex vi do disposto

no Parecer

Normativo

n.o 52/2004.

Irregularidade.

Aplicação

de multa.

Concessão

de

prazo

para

recolhimento.

Recomendações.

Representações.

 

/08

Vistos, relatados e discutidos os autos da PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS DO PRESIDENTE

DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO VICENTE DO SERIDÓjPB, relativa ao exercício financeiro de

2006, SR. CÉLIO CORDEIRO AL VE.5, acordam, por unanimidade, os Conselheiros integrantes

do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA, em sessão plenária realizada nesta

data, na conformidade da proposta de decisão do relator a seguir, em:

1) JULGAR IRREGULARES as referidas contas.

2) APLICAR MUL TA ao Chefe do Poder Legislativo, Sr. Célio Cordeiro Alves, no valor de

R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos

reais), com base no que dispõe o art. 56, inciso 11, da Lei

Complementar Estadual n.? 18/93 - LOTCE/PB.

3) CONCEDER-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento voluntário da penalidad-e -""'-

ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, conforme previsto

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

alínea "a", da Lei Estadual n.o 7.201, de 20 de dezembro de 2002, cabendo à Procuradoria Geral do Estado da Paraíba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele período, velar pelo seu integral cumprimento, sob pena de intervenção do Ministério Público

Estadual, na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 71, § 4°, da Constituição

do

Estado da Paraíba, e na Súmula n. o 40 do ego Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba - TJ/PB.

4) ENVIAR recomendações no sentido de que o Presidente da Câmara não repita as irregularidades apontadas no relatório dos peritos da unidade técnica deste Tribunal e observe, sempre, os preceitos constitucionais, legais e regulamentares pertinentes.

5) Com fulcro no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, caput, da Constituição Federal, COMUNICAR

à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campina Grande/Pô,

acerca da falta de

retenção e recolhimento da maior parte das contribuições previdenciárias, devidas por

empregado e empregador, incidentes sobre a folha de pagamento da Câmara Municipal de

São Vicente do Seridó/PB, nela

incluídos os subsídios pagos aos Vereadores Comuna,

durante todo o exercício financeiro de 2006.

6) Também com base no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, cabeça, da Lei Maior, REMETER cópias das peças técnicas, fls. 291/298 e 397/399, do parecer do Ministério Público Especial,

fls. 401/406,

e desta decisão à augusta Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Paraíba e

à respeitável Procuradoria da República na Paraíba, para as providências cabíveis.

Presente ao julgamento o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas Publique-se, registre-se e intime-se.

TCE - Plenário Ministro João Agdpino

João Pessoa, jU

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de 2008

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Auditor Renao s~r~io'Santiago,Melo Re'rtor

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Represe~e

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do Ministério Público Especial \:)

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

Cuidam os presentes autos do exame das contas do Presidente da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó/PB, relativas ao exercício financeiro de 2006, Sr. Célio Cordeiro Alves,

apresentadas

a este

ego Tribunal

em

02

de

abril

de

2007,

mediante

o

OF/GP/BALANÇO/N.o/001/2007, datado de 28 de março do mesmo ano, fI. 02.

Os peritos da Divisão de Auditoria da Gestão Municipal VI - DIAGM VI, com base nos documentos insertos nos autos, emitiram o relatório inicial de fls. 291/298, constatando, sumariamente, que: a) as contas foram apresentadas ao TCE/PB no prazo legal; b) a Lei

Orçamentária

Anual - Lei Municipal n. o 24/2005 - estimou as transferências

em

R$ 211.728,00 e fixou a despesa em igual valor; c) a receita orçamentária efetivamente

transferida, durante o exercício, foi da ordem de R$ 221.728,00, correspondendo a 104,72%

da previsão originária; d) a despesa orçamentária, realizada no período, atingiu o montante de R$ 221.728,00, representando, também, 104,72% dos gastos fixados; e) o total da despesa do Poder Legislativo alcançou o percentual de 6,48% do somatório da receita

tributária

e das transferências

efetivamente

arrecadadas no exercício anterior pela

Urbe -

R$ 3.419.513,65; f) os gastos com folha de pagamento da Câmara Municipal

abrangeram a importância de R$ 142.427,17 ou 64,24% dos recursos transferidos; e g) a

receita extra-orçamentária acumulada no exercício, bem como a despesa extra-orçamentária executada no mesmo período, atingiram, cada uma, a soma de R$ 40.351,79.

Quanto aos subsídios dos Vereadores, verificaram

os técnicos da DIAGM VI que:

  • a) os Membros do Poder Legislativo da Comuna receberam subsídios de acordo

com o

disciplinado no art. 29, inciso VI, da Lei Maior; b) os estipêndios dos Edis estiveram

dentro

dos limites instituídos na Lei Municipal n.o OS/2004; e c) os vencimentos totais recebidos no

exercício pelos Vereadores, inclusive o do Chefe do Legislativo, alcançaram o montante de R$ 114.000,00, correspondendo a 2,20% da receita orçamentária efetivamente arrecadada no exercício pelo Município - R$ 5.185.253,23.

No tocante aos aspectos relacionados à gestão fiscal, destacaram os analistas da unidade de

instrução que:

a) a despesa total com pessoal do Poder Legislativo alcançou a soma de

R$ 172.336,88 ou 2,84% da Receita Corrente Líquida - RCL da Comuna - R$ 6.073.930,77;

  • b) os Relatórios de Gestão Fiscal - RGF dos dois semestres do período foram enviados

ao

Tribunal dentro do prazo, porém, sem comprovação da publicação do relatório referente

ao

segundo semestre; e c) a execução orçamentária evidenciou, no final do exercício, a

inexistência de disponibilidades financeiras e a subsistência de compromissos a pagar de curto prazo, no montante de R$ 26.247,97.

Ao final, os inspetores da Corte apontaram as seguintes irregularidades: a) insuficiência financeira para saldar compromissos de curto prazo, na importância de R$ 26.247,97;

  • b) carência de comprovação da publicação do Relatório de Gestão Fiscal - RGF do segundo

semestre do exercício; c) incompatibilidade de informações entre o RGF - 20 semestre ~.a Prestação de Contas Anuais - PCA; d) ausência de empenho de obrigações patronais na soma de R$ 26.247,97, infringindo o disposto no art. 18, § 2°, da Lei de Responsabi' ac!~ )--:.

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PROCESSOTC N,o 02534/07

Fiscal - LRF; e) despesa não licitada, no montante de R$ 37.602,00; e f) diferença entre as consignações do INSS, parte empregado (receita e despesa extra-orçamentárias), não retida nem recolhida em 2006, totalizando R$ 8.767,43.

Processadas as devidas citações, fls. 2991305, o responsável técnico pela contabilidade da

Câmara Municipal de São Vicente

do SeridójPB, Dr. Sérgio Marcos Torres da Silva, deixou o

prazo transcorrer sem qualquer manifestação acerca das falhas contábeis apontadas.

Já o Presidente

do Poder Legislativo, Sr. Célio Cordeiro Alves, apresentou contestação,

fls. 306/394, na qual juntou documentos e argumentou, em síntese, que: a) as contribuições

previdenciárias, devidas por empregado e empregador, não foram recolhidas na época, mas já foram confessadas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, negociadas e

parceladas; b) a comprovação da publicação do

RGF - 2°

semestre foi anexada aos autos;

  • c) a incompatibilidade de informações entre o RGF e a PCA refere-se apenas à Receita

Corrente Líquida - RCL e o relatório foi refeito com a correção da distorção; e d) as licitações

reclamadas foram realizadas, consoante cópias ora apresentadas.

Encaminhados os autos à unidade técnica, esta, examinando a referida peça processual de

defesa, emitiu o relatório de fls. 397/399, onde considerou elididas

as eivas concernentes à:

  • a) carência de comprovação da publicação do Relatório de Gestão Fiscal - RGF do segundo

semestre do exercício; e b) despesa não licitada, no montante de R$ 37.602,00. Em seguida,

manteve in totum o seu posicionamento exordial relativamente às demais máculas.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, ao se pronunciar sobre a matéria, emitiu o parecer de fls. 401/406, opinando pelo (a): a) irregularidade das contas do Presidente da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó, Sr. Célio Cordeiro Alves, relativas ao exercício financeiro de 2006; b) aplicação de multa pessoal ao referido gestor, com arrimo no art. 56,

incisos U e lU, da

Lei Orgânica desta Corte; c) representação com

remessa de cópias das

peças pertinentes ao INSS (Gerência Executiva e DELEPREV) e ao MPT (Procuradoria Regional do Trabalho da na Região) e MPU - Procuradoria da República na Paraíba, para apurar o recolhimento a menor das contribuições previdenciárias; e d) recomendação ao atual Presidente da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó para proceder à condução do Parlamento Mirim com estrita observância aos princípios norteadores da Administração Pública, evitando incorrer nas falhas e irregularidades descritas.

Solicitação de pauta, conforme fls. 407/408 dos autos.

É o relatório.

Examinando o conjunto probatório encartado aos autos, constata-se que as contas

apresentadas pelo Presidente da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó/PB, Sr.

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Cordeiro Alves, relativas ao exercício financeiro de 2006,

revelam diversas irregulari

des

remanescentes. Com efeito, conforme destacado pelos especialistas deste Sin'

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PROCESSOTC N.o 02534/07

Contas, verifica-se ab inltio uma insuficiência financeira para saldar compromissos de curto

prazo, da ordem de R$ 26.247,97, fls. 296/297. Enquanto o saldo financeiro conciliado em

31 de dezembro era ZERO, fls. 14 e 164, os compromissos,

OBRIGAÇÕES FINANCEIRAS A PAGAR, somaram

R$ 26.247,97,

a título de OUTRAS evidenciando uma

insuficiência de mesmo valor. Tais compromissos referem-se às obrigações patronais devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, mas não empenhadas em 2006. Sendo assim, fica caracterizada flagrante transgressão ao estabelecido no art. 42, da festejada Lei de Responsabilidade Fiscal- Lei Complementar Nacional n. O 101/2000 -, in verbis.

Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos

últimos dois quadrimestres

do seu mandato,

contrair

obrigações de

despesas que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que

tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente

disponibilidade de caixa para este efeito.

Parágrafo único. Na determinação

da disponibilidade

de caixa serão

considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do

exercício.

Neste sentido, é importante frisar que a referida mácula, de tão grave, pode constituir crime contra as finanças públicas previsto no art. 359-C, do Código Penal brasileiro (Decreto-lei n.o 2.848, de 07 de dezembro de 1940), incluído pela Lei Nacional n.o 10.028, de 19 de outubro de 2000, verbatim:

Art. 359-(, Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos

quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não

possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser

paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida

disponibilidade de caixa:

suficiente de

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

No que se refere ao Relatório de Gestão Fiscal - RGF do segundo semestre do período,

fls.

45/51, foi observado pelos peritos do Tribunal, fI. 296, que os dados nele constantes

apresentaram imperfeições técnicas, notadamente no que respeita à ausência de registro de despesas com pessoal, na importância de R$ 26.247,97, relativas a obrigações patronais devidas no período. Além disso, o valor da Receita Corrente Líquida - RCL informado no

último RGF, R$ 6.601.273,80, também diferiu do valor calculado pela unidade de instrução,

R$ 6.073.930,77, com base nos dados constantes no Sistema de Acompanhamento e Gestão

dos Recursos da Sociedade - SAGRES, fI. 289.

Assim, enquanto os gastos com pessoal do

Poder Legislativo totalizaram, Líquida - RCL do exercício,

na verdade, R$ 172.336,88 ou 2,84% da Receita corr.rfe-~~",

R$ 6.073.930,77, a importância registrada no RGF d

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Tal fato, além de demonstrar um certo desprezo da autoridade responsável aos preceitos estabelecidos na lei instituidora de normas gerais de direto financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal - Lei Nacional n.° 4.320/64 -, prejudica a transparência das contas públicas pretendida com o advento da reverenciada Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, onde o RGF figura como instrumento dessa transparência, conforme preceituam o seu art. 10, § 1°, e o seu art. 48, respectivamente, verbo ad verbum:

Art. 10. (omissis)

§ 10 A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a acão planejada e

transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de

afetar o equilíbrio

das contas públicas, mediante o cumprimento de metas

de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições

no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da

seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de

crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e

inscrição em Restos a Pagar.

Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será

dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os

planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias;

as prestações de

contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução

Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas

destes documentos. (grifos inexistentes no texto de origem)

Igualmente inserida no grupo das irregularidades constatadas na instrução do feito, tem-se a

falta de empenhamento,

pagamento e contabilização das contribuições previdenciárias

patronais devidas pelo Poder Legislativo ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, no valor de R$ 26.247,97, fI. 295. A citada eiva, além de provocar inúmeros reflexos negativos nas contas, conforme já comentado, representa séria ameaça ao equilíbrio financeiro e atuarial que deve perdurar nos sistemas previdenciários, com vistas a resguardar o direito

dos segurados em receber seus benefícios no futuro, tudo em ardente desrespeito ao disposto no art. 195, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal, c/c o art. 22, incisos I e lI,

alínea "a", da Lei Nacional n. o 8.212/91 respectivamente, ipsis litteris:

(Lei de Custeio da Previdência Social),

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma

direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos

orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí~,t!,

das seguintes contribuições SOciaiS~:

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PROCESSO TC N.O 02534/07

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviços, mesmo sem vínculo empregatício;

Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no
Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social,
além do disposto no art. 23, é de:
I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou
creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o
trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos
habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo
tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da
lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou
sentença normativa.
II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da
Lei n.? 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do
grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas,
no decorrer do mês, aos seguradosempregados e trabalhadores avulsos:
a)
1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o

risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; (nossos grifas)

Importa notar que a ausência de contabilização das obrigações patronais devidas em 2006, R$ 26.247,97, resulta, também, na imperfeição dos demonstrativos contábeis que compõem a Prestação de Contas Anuais - PCA, pois deixaram de refletir a realidade orçamentária, financeira e patrimonial do Poder Legislativo Municipal. Essa omissão termina por prejudicar a análise dos técnicos desta Corte de Contas e compromete sobremaneira a confiabilidade dos registros contábeis da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó, ficando novamente caracterizado o desprezo da autoridade responsável aos preceitos estabelecidos na já mencionada Lei Nacional n.o 4.320/64.

Quanto à contribuição previdenciária dos segurados, os analistas da unidade de instrução verificaram que o Poder Legislativo da Urbe reteve e recolheu no exercício sub studio apenas

R$ 2.128,25, fls.

era da ordem de

21 e 165/166. Entretanto, a quantia que deveria ter sido retida no período R$ 10.895,68, ou seja, 7,65% do total da folha de pessoal, contabilizada no

elemento de despesa 11 - VENCIMENTOS E VANTAGENS FIXAS, R$ 142.427,17, fls. 07 e 162/163. Logo, deixaram de ser retidos e recolhidos à autarquia previdenciária federal R$ 8.767,43 CR$ 10.895,68 - R$ 2.128(25). Mais uma vez, o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema previdenciário foi ameaçado, comprometendo o direito dos segurados em receber

seus benefícios futuramente.

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PROCESSOTC N.o 02534/07

Neste ponto, impende comentar que a maior parte dos dispêndios com a folha de pessoal

em 2006, R$ 142.427,17,

corresponde

à folha de pagamento

dos Vereadores,

R$ 114.000,00, fI. 294, cujos contracheques constantes dos autos, fls. 181/283, demonstram que não houve retenção da contribuição devida ao INSS. A importância devida pelos Edis era de R$ 8.721,00, ou 7,65% de R$ 114.000,00. Sendo assim, pode-se concluir que, dos

R$ 8.767,43 não retidos nem recolhidos à Previdência Social, R$ 8.721,00 representa a parcela devida pelos agentes políticos.

Ressalte-se, portanto, que a ausência de retenção e recolhimento

das contribuições

previdenciárias dos segurados incidentes sobre os subsídios pagos aos agentes políticos do

Parlamento Mirim, na soma de R$ 8.721,00, vai de encontro ao preconizado no art. 195, inciso Il, da Carta Constitucional, c/c o estabelecido no art. 12, inciso I, alínea "j", da Lei Nacional n.o 8.212/91 - Lei de Custeio da Previdência Social -, na sua atual redação dada

pela Lei Nacional n.° 10.887, de 18 de junho de 2004, verbum

pro verbo:

Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes

pessoas físicas:

I - como empregado:

a) (...)

j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que

não vinculado a regime próprio de previdência social; (grifamos)

É importante frisar que as situações ora descritas, que dizem respeito às contribuições previdenciárias, devidas por empregado e empregador, e não recolhidas à Previdência Social, podem ser enquadradas como atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública, conforme estabelece o art. 11, inciso I, da lei que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional - Lei Nacional n.o 8.429, de 02 de junho de 1992 -, in verbis.

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os

princípios da Administração Pública qualquer ação ou omissão que viole os

deveres da honestidade, imparcialidade,

instituições, e notadamente:

legalidade

e a lealdade às

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso

daquele previsto, na regra de competência; (grifas ausentes no original) (

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PROCESSOTC N.o 02534/07

Em relação às despesas inicialmente

apontadas como não licitadas,

no total de

R$ 37.602,00, a defesa trouxe aos autos cópias dos processos realizados, quais sejam, a

Inexigibilidade

n.O 01/2006, para a contratação de serviços contábeis, e o Convite

n.° 02/2005, com vistas à locação de veículo, fls. 311/394. Embora os inspetores deste

Pretório de Contas tenham considerado elidida a irregularidade inicial, cabe destacar que

nenhum dos procedimentos foi informado no Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade - SAGRES em 2006, fi. 54. Portanto, o gestor da Casa Legislativa,

Sr. Célio Cordeiro Alves, não cumpriu

a determinação

consignada

no art.

1°,

parágrafo único, inciso III, da Resolução Normativa RN - TC - 04/2004, que dispõe sobre o

encaminhamento dos balancetes mensais, por meios informatizado e documental, pelas unidades gestoras da administração pública direta e indireta dos Municípios, vejamos:

Art. 10 - Os gestores públicos municipais enviarão ao Tribunal de Contas do

Estado, até o último dia útil do mês seguinte ao de referência, os balancetes mensais da
Estado, até o último dia útil do mês seguinte ao de referência, os balancetes
mensais da administração direta abrangendo os atos de gestão praticados
no mês a que se referirem, por meios magnético e documental.
Parágrafo único - As informações a serem enviadas compreenderão:
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11I - Os procedimentos Iicitatórios, contratos e aditivos; (grifos nossos)
(2006) e ultrapassou a vigência dos respectivos créditos
- Lei Nacional n.° 8.666/93,
que
admite apenas algumas
Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição,

sua conduta com o disposto no art. 25, inciso II, do Estatuto de

Especificamente, acerca do Convite n.° 02/2005, objetivando a locação de veículo tipo passeio, faz-se necessário comentar que a licitação foi homologada em 07 de março de 2005 e o contrato, firmado na mesma data, destinou-se a cobrir um período de 22 (vinte e dois)

meses a contar da sua assinatura, fls. 367/370. Ou seja, a sua duração foi até o final do

exercício financeiro seguinte

orçamentários, contrariando o disposto no art. 57, caput, da respeitada Lei de Licitações e

Contratos Administrativos exceções.

No tocante à contratação de serviços técnicos de assessoria contábil, no valor anual de R$ 18.000,00, mediante a utilização de procedimento administrativo de inexigibilidade de licitação, constata-se que a Chefe do Poder Legislativo da Comuna, Vereador Célio Cordeiro

Alves, fundamentou

Licitações e Contratos Administrativos, in verbis.

em especial:

I - (omissis)

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  • II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação; (grifos inexistentes no texto de origem)

de inexigibilidade de licitação para a 5 ed., São Paulo: Comojá observado, a natureza singular não
de inexigibilidade
de licitação para a
5 ed., São Paulo:
Comojá observado, a natureza singular não é propriamente do serviço, mas
do interesse público a ser satisfeito. A peculiaridade do serviço público é
refletida na natureza da atividade a ser executada pelo particular. Surge,
desse modo, a singularidade.
Contrato. Inexigibilidade de Licitação. Nulidade do Contrato e
Multa.
.É.

indispensável que os serviços técnicos sejam de natureza singular, assim não é bastante que o profissional tenha notória especialização. Existindo dois ou mais competidores aptos a oferecer os serviços necessários, a Administração terá de submeter-se à licitação. (TCE/RJ, Cons. Humberto Braga, RTCE/RJn.o 29, jul./set./1995, p. 151) (nosso grifo)

Com efeito, a referida autoridade considerou tais serviços como de natureza especializada e singular, impossibilitando, por conseguinte, a competição entre os possíveis prestadores. Entrementes, em que pese as recentes decisões deste Pretório de Contas acerca da

admissibilidade

da utilização de procedimento

contratação de serviços contábeis, guardo reservas em relação a esse entendimento por considerar que essas despesas não se coadunam com aquela hipótese, tendo em vista não se tratar de atividades extraordinárias que necessitem de profissionais altamente habilitados na sua área, sendo, na realidade, atividades rotineiras da Casa Legislativa.

Nessa linha de entendimento, devemos citar o posicionamento, acerca da singularidade dos serviços técnicos, exarado pelo eminente doutrinador Marçal Justen Filho, que, em sua obra

intitulada Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos, Dialética, 1998, p. 262, assim se manifesta, verbatim:

Com o intuito unicamente de exemplificar o posicionamento das diversas Cortes de Contas tupiniquins a respeito do assunto, transcrevemos decisão prolatada pelo egrégio Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro - TCEjRJ, verbo ad verbum:

Além do mais, como a propna norma preconiza, deve ficar evidenciada a notória especialização do prestador dos serviços para se configurar a hipótese de inexigibilidade de licitação. Nos autos, nada existe que suscite a manifesta especialização da empresa PRESTE CONTAS - CONTABILIDADE, CONSULTORIA E AUDITORIA PÚBLICA LTDA. contratada pelo Poder Legislativo de São Vicente do SeridójPB. Nesse sentido, reproduzimos entendimento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo - TCEjSP, ipsis littetis:

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

Contratação

de serviços técnicos profissionais

especializados. Notória

especialização. Inexigibilidade de licitação. Singularidade. O Decreto-lei n. o 2.300/96 já contemplava a espécie como de
especialização. Inexigibilidade de licitação. Singularidade. O Decreto-lei n. o
2.300/96 já contemplava a espécie como de inexigibilidade de licitação,
desde que evidenciada a natureza singular dos serviços. Tem natureza
singular
esses serviços, quando,
por conta de suas características
particulares, demandem para a respectiva execução, não apenas habilitação
legal e conhecimentos especializados, mas também, ciência, criatividade e
engenho peculiares, qualidades pessoais insuscetíveis de submissão a
julgamento
objetivo
e por isso mesmo inviabilizadoras
de qualquer
competição. (TCE/SP, TC - 133.537/026/89,
Cons. Cláudio Ferraz de
Alvarenga, 29 novo 1995) (grifamos).
A dispensa de licitação para a contratação de serviços com profissionais
ou
firmas de notória especialização, de acordo com alínea "d" do art. 126, § 2°,
do Decreto-lei 200, de 25/02/67, só tem lugar
quando se trate de serviço
inédito ou incomum, capaz de exigir, na seleção do executor de confiança,
um grau de subjetividade,
insuscetível de ser medido pelos critérios
objetivos de qualificação inerentes ao processo de licitação. (grifo ausente
no original)
Licitação. Obrigatoriedade. Advogado. Contratação direta de advogado, com
base no art. 25, lI, da LF 8.666/93. Impossibilidade, tendo em vista que a
notória especialização só tem lugar quando se trata de serviço inédito ou
incomum. (TCEjPR, TC - 50.210/94, ReI. Cons. João Feder, RTCE, n.? 113,

Por sua vez, o colendo Tribunal de Contas da União - TCU estabilizou seu posicionamento acerca da matéria em análise através da, sempre atual, Súmula n.o 39, de 28 de dezembro de 1973, verbum pro verbo:

Caminhando na esteira do raciocínio implementado pelo respeitável TCU, manifestou-se o Tribunal de Contas do Estado do Paraná - TCE/PR, in verbis:

jan/rnar 1995, p. 130) (grifas nossos)

No âmbito judicial, verificamos que Superior Tribunal de Justiça - STJ tem se posicionado

pela necessidade da efetiva comprovação

da inviabilidade

de competição

para a

implementação do procedimento de inexigibilidade de licitação, consoante podemos verificar

do extrato de ementa transcrito a seguir, senão vejamos:

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

CRIMINAL. RESP. CRIME COMETIDO POR PREFEITO. COMPETÊNCIA

ORIGINÁRIA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REJEIÇÃO DA DENÚNICA. CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO E DE EMPRESA DE AUDITORIA
ORIGINÁRIA
DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REJEIÇÃO DA DENÚNICA.
CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO E DE EMPRESA DE AUDITORIA PELO
MUNICÍPIO. INEXIGIBILIDADE
DE LICITAÇÃO. INVIABILIDADE
DE
COMPETIÇÃO NÃO DEMONSTRADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
I - A inviabilidade
de competição, da qual decorre a inexigibilidade de
licitação, deve ficar adequadamente demonstrada,
o que não ocorreu
in casu.
(...)
(STJ - sa Turma - RESP nO 704.10SjMG, ReI. Ministro Gilson
Dlpp, Diário da Justiça,
16 mai, 2005, p, 402) (grifos inexistentes no texto
de origem)
Art. 37. A administração
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
e, também, ao seguinte:
I - (omissis)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com
a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de
livre nomeação e exoneração; (nossos grifos)
Procurador do Ministério Público de Contas,
Não bastassem tais argumentos,
o expediente
reiterado
de certos
advogados e contadores perceberem verdadeiros "salários" mensais da
Administração Pública, travestidos em "contratos por notória especialização",
em razão de serviços jurídicos e contábeis genéricos, constitui burla ao
imperativo constitucional do concurso público. Muito fácil ser profissional

Especificamente em relação aos serviços de assessorias contábil, o gestor da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó/PB deveria ter realizado o devido concurso público para a contratação do profissional. Neste sentido, cabe destacar que a ausência do certame público para seleção de servidores afronta os princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade administrativa e da necessidade de concurso público, devidamente estabelecidos na cabeça e no inciso II, do art. 37, da Carta Magna, verbatim:

Abordando o tema em disceptação, o insigne

Dr. Marcílio Toscano Franca Filho, nos autos do Processo TC n.O 02791/03, epilogou de

forma bastante clara uma das facetas dessa espécie de procedimento adotado por grande parte dos gestores municipais, verbo ad verbum:

"liberal" às custas do erário público. Não descabe lembrar que o concurso

público constitui meritório instrumento

de índole democrática~ que , isa

apurar aptidões na seleção de candidatos a cargos públicos, g .' indo

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

impessoalidade e competência. JOÃO MONTEIRO lembrara, em outras

palavras, que só menosprezam os concursos aqueles que lhes não sentiram

as glórias ou não lhes absorveram as dificuldades. (grifamos)

Comungando com o supracitado entendimento, reportamo-nos, desta feita, à jurisprudência do respeitável Supremo Tribunal Federal - STF, verbum pro verbo:

AÇÃO POPULAR - PROCEDÊNCIA - PRESSUPOSTOS. Na maioria das vezes,

a lesividade ao erário público decorre da própria ilegalidade do ato

praticado. Assim o é quando dá-se a contratação, por município, de serviços

que poderiam ser prestados por servidores, sem a feitura de licitação e sem

que o ato tenha sido precedido da necessária justificativa.

(STF - 2 a

Turma - RE nO 160.381/SP, ReI. Ministro Marco Aurélio, Diário da Justiça,

12 ago. 1994, p. 20.052)

Feitas essas colocações, merece destaque o fato de que três das eivas encontradas nos

presentes autos são suficientes para o julgamento

irregular da prestação de contas

sub judice, conforme determinam os itens "2", "2.5" e "2.9" c/c o item "6" do parecer que

uniformiza a interpretação

e análise, pelo Tribunal, de alguns aspectos inerentes às

Prestações de Contas dos Poderes Municipais (Parecer Normativo PN - TC - 52/2004),

ipsis litteris:

  • 2. Constituirá motivo

de emissão, pelo Tribunal, de PARECER CONTRÁRIO à

aprovação de contas de Prefeitos Municipais, independente de imputação de

débito ou multa, se couber, a ocorrência de uma ou mais das irregularidades

a seguir enumeradas:

2.1. (omissis)

(...)

2.5. não retenção e/ou não recolhimento das contribuições previdenciárias

aos órgãos competentes (INSS ou órgão do regime próprio de previdência,

conforme o caso), devidas por empregado e empregador, incidentes sobre

remunerações pagas pelo Município;

(...)

2.9. incompatibilidade não justificada entre os demonstrativos,

inclusive

contábeis, apresentados em meios físico e magnético ao Tribunal;

(...)

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

6. O Tribunal julgará irregulares as Prestações de Contas de Mesas de Câmaras de Vereadores que incidam nas situações previstas no item 2, no que couber, realizem pagamentos de despesas não previstas em lei, inclusive remuneração em excessoe ajudas de custos indevidas aos edis ou descumprimento dos limites da Lei de ResponsabilidadeFiscale de decisões deste Tribunal. (grifos ausentes no original)

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO PROCESSOTC N.o 02534/07 6. O Tribunal julgará irregulares as Prestações de

Por fim, ante as transgressões a disposições normativas do direito objetivo pátrio,

decorrentes da conduta implementada pelo Chefe do Poder Legislativo da Comuna de São

Vicente do Seridó, Sr. Célio Cordeiro

Alves, durante o exercício financeiro de 2006,

resta

configurada a necessidade imperiosa de aplicação da multa de até R$ 2.805,10 - valor atualizado pela Portaria n.o 039/06 do TCE/PB -, prevista no art. 56 1 inciso III da referida Lei Orgânica do TCE/PB - Lei Complementar Estadual n.? 18/93 1 in verbis.

Art. 56 - O Tribunal pode também aplicar multa de até Cr$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de cruzeiros) aos responsáveispor:

I - (omissis)

II - infração grave a norma legal ou regulamentar de natureza contábil, flnancelra, orçamentária, operacional e patrimonial;

Ex positis, proponho que o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba:

1) Com fundamento no art. 71 1 inciso

III da Constituição Estadual,

e no art. 1 inciso 11 da

Lei Complementar Estadual n.O 18/93 1 JULGUE IRREGULARES as contas do ordenador de despesas da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó/PBI durante o exercício financeiro

de 2006 1 Vereador Célio Cordeiro Alves.

2) APLIQUE MULTA ao Chefe do Poder Leçislatívo, Sr. Célio Cordeiro Alves l no valor de

R$ 1.500

1

00 (um mil e quinhentos reais), com base no que dispõe o art. 56 1 inciso III da Lei

Complementar Estadual n.° 18/93 - LOTCE/PB.

3) CONCEDA-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para recolhimento voluntário da penalidade ao Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal l conforme previsto no art. 3°1 alínea "a", da Lei Estadual n.? 7.201/ de 20 de dezembro de 2002 1 cabendo à Procuradoria Geral do Estado da Paralba, no interstício máximo de 30 (trinta) dias após o término daquele período, velar pelo seu integral cumprimento, sob pena de intervenção do Ministério Público

Estadual, na hipótese de omissão, tal como previsto no art. 711 § 4°1 da Constituição

do

Estado da Paraíba l e na Súmula n.? 40 do ego Tribunal de Justiça do Estado da

Paraíba - TJ/PB.

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSOTC N.o 02534/07

4) ENVIE recomendações no sentido irregularidades apontadas no relatório

de que o Presidente da Câmara não repita as dos peritos da unidade técnica deste Tribunal e

observe, sempre, os preceitos constitucionais, legais e regulamentares pertinentes.

5) Com fulcro no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, caput, da Constituição Federal, COMUNIQUE à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campina Grande/PB, acerca da falta de retenção e recolhimento da maior parte das contribuições previdenciárias, devidas por empregado e empregador, incidentes sobre a folha de pagamento da Câmara Municipal de São Vicente do Seridó/PB, nela incluídos os subsídios pagos aos Vereadores Comuna, durante todo o exercício financeiro de 2006.

6) Também com base no art. 71, inciso XI, c/c o art. 75, cabeça, da Lei Maior, REMETA cópias das peças técnicas, fls. 291/298 e 397/399, do parecer do Ministério Público Especial,

fls. 401/406, e desta decisão à augusta

Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Paraíba e

à respeltével-Procuradcrla da República na Paraíba, para as providências cabíveis.

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