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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

Processo TC nO 03750/03
Documento TC nO 05669/05

Prestação de Contas Anuais da Prefeitura


Municipal de Bananeiras. Recurso de
Reconsideração. Não conhecimento do recurso
por sua intempestividade e pela ilegitimidade da
recorrente.

ACÓRDÃO APL TC I q ()8 ~

Vistos, relatados e discutidos, os presentes autos do Processo TC N° 03750/03, referente ao


recurso de reconsideração interposto pela atual Prefeita do Município de Bananeiras, Senhora Marta
Eleonora Aragão Ramalho referente à Prestação de Contas do exercício de 2004 e contra o Parecer
PPL-TC 25/2007 e o Acórdão APL TC 114/2007, ACORDAM os integrantes do Tribunal de
Contas do Estado da Paraíba, à unanimidade, em sessão plenária hoje realizada, em não conhecer do
recurso, por sua intempestividade e pela ilegitimidade da recorrente.
Assim decidem, em primeiro lugar, tendo em vista o fato de que o termo final do prazo para
apresentação do recurso foi o dia 2 de maio de 2007. Seria o dia anterior - 10 de maio - mas tendo
em vista o feriado municipal ocorrido naquela data, o vencimento do prazo transferiu-se para o dia
2 do mesmo mês. No entanto, somente em 3 de maio foi protocolizado nesta Corte o recurso em
alusão, tornando intempestivo o remédio pretendido.
Em segundo lugar, falta à recorrente a indispensável legitimidade para agir, no caso, isto é,
para interpor recurso de reconsideração.
As contas são de responsabilidade do ex-Prefeito Augusto Bezerra Cavalcanti e somente
este teria a capacidade para recorrer. Mesmo alegando lhe ter sido imposta obrigação de fazer, sem
que tenha sido disso notificada no decorrer da tramitação processual, é de ver-se que à recorrente
falece legitimidade, visto que, na hipótese, a obrigação não é pessoal, cabendo tão somente ao
município cumpri-la.
O ex-gestor não se beneficiou com a utilização de recursos de forma diferente daquela a que
estava vinculado. Se houve vantagem esta reverteu em favor da municipalidade. Do mesmo modo
se há inconveniência ou prejuízo na devolução desses recursos ao FUNDEF (agora FUNDEB) esse
dano não há de ser suportado pela gestora. A obrigação cabe ao município que se beneficiou do ato
e deve, agora, ressarcir o Fundo em referência.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nO 03750/03
Documento TC nO 05669/05

Presente ao julgamento a Procuradora Geral.


Publique-se e cumpra-se.
Te - Plenário Min. João Agripino, em cl( de :y.,-,~\.-:::
de 2008.

!L' J-'
A.~Terêsa.~óbrega ~
Procuradora Geral
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC nO 03750/03
Documento TC nO 05669/05

RELATÓRIO

o presente processo trata de recurso de reconsideração interposto pela atual Prefeita do


Município de Bananeiras, Senhora Marta Eleonora Aragão Ramalho referente à Prestação de Contas
do exercício de 2004.
Em 07 de março de 2007, o Tribunal emitiu o Parecer PPL TC 25/2007, favorável à
aprovação da Prestação de Contas do ex-Prefeito Augusto Bezerra Cavalcanti Neto tendo em vista
que as falhas detectadas não foram capazes de macular a gestão. No tocante ao emprego de verbas
federais foi considerada a falta competência a esta Corte para apreciar a matéria.
Na mesma data, através do Acórdão APL TC 114/2007 esta Corte ordenou a atual gestora a
devolução da quantia de R$ 123.776,66 à conta do FUNDEF, com recursos do próprio Município.
As referidas decisões foram publicadas no diário oficial do dia 17 de abril de 2007.
Insatisfeita com as decisões desta Corte, a atual gestora interessada ingressou com recurso
de reconsideração e documentos, constantes das fls. 1.012/1.018, questionando a decisão desta Corte
por considerar que deveria ter sido emitido parecer contrário à aprovação das contas, tendo em vista
a pratica de improbidade administrativa no emprego das verbas provenientes de convênios. Questiona
ainda a devolução dos recursos à conta do FUNDEF, em virtude de não haver sido notificada durante
a instrução do processo e pede que o Município seja eximido de proceder a transferência dos recursos
à conta do Fundo, pois, comprometeria o orçamento vigente ..
Ao analisar (I recurso, a Auditoria manifestou-se apenas sobre os recursos do FUNDEF, por
considerar-se inapta para examinar decisões do Tribunal.
Como contra-razões ao recurso, o ex-Prefeito alegou, preliminarmente, a intempestividade
do recurso e da ilegitimidade da recorrente.
Instado a se pronunciar, o Ministério Público Especial em parecer do Procurador Marcílio
Toscano Franca Filho pugna pelo conhecimento do recurso e pelo seu não provimento.
É o relatório.
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
Processo TC n') 03750/03
Documento TC n" 05669/05

VOTO

O termo final do prazo para apresentação do recurso foi o dia 2 de maio de 2007. Seria o
dia anterior - 1o de maio - mas, tendo em vista o feriado municipal ocorrido naquela data, o
vencimento do prazo transferiu-se para o dia 2 do mesmo mês. No entanto, somente em 3 de maio
foi protocolizado nesta Corte o recurso em alusão, tornando intempestivo o remédio pretendido.
Além disso, falta à recorrente a indispensável legitimidade para agir, no caso, isto é, para
interpor recurso de reconsideração.
As contas são de responsabilidade do ex-Prefeito Augusto Bezerra Cavalcanti e somente
este teria a capacidade para recorrer. Mesmo alegando lhe ter sido imposta obrigação de fazer, sem
que tenha sido disso notificada no decorrer da tramitação processual, é de ver-se que à recorrente
falece legitimidade, já que, na hipótese, a obrigação não é pessoal, cabendo ao município cumpri-la.
O ex-gestor não se beneficiou com a utilização de recursos de forma diferente daquela a que
estava vinculado. Se houve vantagem esta reverteu em favor da municipalidade. Do mesmo modo
se há inconveniência ou prejuízo na devolução desses recursos ao FUNDEF (agora FUNDEB) esse
dano não há de ser suportado pela gestora. A obrigação cabe ao município que se beneficiou do ato
e deve, agora, ressarcir o Fundo em referência.
Ante o exposto, VOTO no sentido de que este Tribunal, não conheça do recurso, por sua
intempestividade e pela ilegitimidade da recorrent~-

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