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TRIBUNALDE CONTASDO ESJA~cretA:d~'T~ib~n;1 P-leno

I PROCESSO TC 02679/07

Administração Direta Municipal. PRESTAÇÃO DE


CONTAS ANUAIS do EXERCíCIO de 2006, da MESA DA
CÃMARA MUNICIPAL DE BELÉM, da responsabilidade
do Senhor ADJERSON FERNANDES DA SIL VA - Não
retenção de contribuições previdenciárias dos
Vereadores - IRREGULARIDADE, considerando-se na
decisão o A TENDIMENTO INTEGRAL às exigências da
Lei de Responsabilidade Fiscal - APLICAÇÃO DE
MULTA, dentre outras medidas.

ACÓRDÃO APL TC 8b~ 12.008


Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO TC- 02679/07; e
CONSIDERANDOos fatos narrados no Relatório;
CONSIDERANDOo mais que dos autos consta;

ACORDAM os Membros do TRIBUNALDE CONTASDO ESTADO DA PARAíBA


(TCE-Pb), à unanimidade, na Sessão realizada nesta data, de acordo com a
Proposta de Decisão do Relator, em:
1. JULGAR IRREGULARES as contas da Mesa da Câmara de Vereadores de
BELÉM, relativas ao exercício de 2006, de responsabilidade do Senhor
ADJERSON FERNANDES DA SILVA, neste considerando o atendimento
integral das exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.
2. APLICAR multa pessoal ao Senhor ADJERSON FERNANDESDA SILVA, no
valor de R$ 2.805,10 (dois mil e oitocentos e cinco reais e dez centavos),
em virtude de infringência à Lei de Licitações e à Lei n" 10.887/94,
configurando, portanto, a hipótese prevista no artigo 56, inciso 1/, da
LOTCE (Lei Complementar 18/93).
3. ASSINAR-LHE o prazo de 60 (sessenta) dias para o recolhimento
voluntário do valor da multa antes referenciado, sob pena de cobrança
executiva, desde já recomendada, inclusive com a interveniência da
Procuradoria Geral do Estado ou do Ministério Público, na inação daquela,
nos termos dos parágrafos 3° e 4°, do artigo 71 da Constituição do Estado,
devendo a cobrança executiva ser promovida nos trinta) dias
seguintes ao término do prazo para r c himento v
ocorrer.
~~
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC 02679/07

4. REPRESENTARao órgão previdenciário municipal o fato relacionado às


contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
5. COMUNICARà Receita Federal do Brasil os fatos apurados pela Auditoria,
no tocante às obrigações previdenciárias descumpridas, para as
providências a seu cargo.
6. RECOMENDAR à atual gestão no sentido de prevenir a repetição das
falhas apresentadas nos presentes autos.

Publique-se, intime-se, registre-se e cumpra-se.


Sala das Sessõe o TCE-Pb - Plenário Ministro João Agripino
João P ss -Pb, 05 de novembro de 2.008.

(
Fui presente: ----+~::::::=--:7~;::..~~~-4:J_.......,=_...Q..----
Ana Terêsa rega
Procuradora Geral do Ministério Público Especial Junto ao Trib

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

I PROCESSO TC 02679/07 lillJ!


Administração Direta Municipal. PRESTAÇÃO DE
CONTAS ANUAIS do EXERC/c/O de 2006, da MESA DA
CÃMARA MUNICIPAL DE BELÉM, da responsabilidade
do Senhor ADJERSON FERNANDES DA SILVA - Não
retenção de contribuições previdenciárias dos
Vereadores - IRREGULARIDADE, considerando-se na
decisão o A TENDIMENTO INTEGRAL às exigências da
Lei de Responsabilidade Fiscal - APLICAÇÃO DE
MUL TA, dentre outras medidas.

RELATÓRIO

o Senhor ADJERSON FERNANDES DA SILVA apresentou, dentro do prazo


legalmente estabelecido, a Prestação de Contas Anual da Mesa da Câmara Municipal de
BELÉM, relativa ao exercício de 2006, sob a sua responsabilidade, cuja documentação
foi encaminhada e analisada pela DIAFI/DIAGM li, que emitiu Relatório, com as seguintes
observações, que a seguir se fez resumir:
1. No orçamento estimou-se a receita e previu-se a despesa em igual valor de
R$ 390.000,00, sendo efetivamente transferidos 100,15% da receita prevista e a
despesa realizada foi de 99,34% da fixada;
2. A remuneração de cada Vereador durante o exercício foi de R$ 14.880,00, e a
do Presidente da Câmara foi de R$ 29.760,00, estando dentro do limite
estabelecido na legislação local específica;
3. A despesa com pessoal correspondeu a 2,62% da Receita Corrente Líquida do
exercício de 2006, cumprindo o art. 20 da LRF;
4. A folha de pagamento do Legislativo atingiu 69,66% das transferências
recebidas, cumprindo o artigo 29-A, parágrafo primeiro da Constituição Federal;
5. A despesa total do Poder Legislativo Municipal foi de 5,55% da receita tributária
e transferências realizadas no exercício anterior, cumprindo o art. 29-A da
Constituição Federal;
6. Quanto à gestão fiscal, consignou-se o não atendimento às disposições da
LRF, em virtude de: não envio de todos os demonstrativos do RGF do 1°
semestre; e insuficiência financeira para assumir os compromissos de curto
prazo, no valor de R$ 34.868,29, tendo como base o não empenhamento de
obrigações patronais;
7. Referentemente às disposições constitucionais, legais e demais aspectos
examinados, constatou-se:
7.1. Despesas não licitadas com locação de veículo Fiat UNO, no valor de
R$ 18.000,00;
7.2. O Balanço Patrimonial (fls. 25) não apresenta nenhum registro;
7.3. Não houve retenção da contribuição previdenciária dos agentes políticos
(fls. 94/96);
7.4. Não empenhamento das obrigações patronais incidentes sobre a folha de
pagamento dos agentes políticos, junto à previdência, m como não
empenhamento das obrigações patronais dos servidor: s fetivos junto ao
Instituto Próprio de Previdência (fls. 10
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC 02679/07 ~I
Regularmente intimado, o responsável deixou transcorrer in a/bis o prazo que lhe
fora concedido para o exercício do contraditório.
Remetidos os autos à consideração do Parquet, o ilustre Procurador André
Carlo Torres Pontes, após considerações opinou no sentido de que esta Egrégia
Corte:
1. DECLARE o atendimento parcial dos requisitos de gestão fiscal responsável,
previstos na LC 101/2000, em razão de demonstrativos do RGF não
encaminhados para este Tribunal e existência de insuficiência financeira para
saldar os compromissos de curto prazo, no valor de R$ 34.868,29.
2. JULGUE IRREGULARES as contas em exame.
3. APLIQUE MULTA por infração à lei, com fundamento na CF, art. 71, VIII, e na
LCE 18/93, art. 56, 11.
4. REPRESENTE ao órgão previdenciário municipal o fato relacionado às
contribuições previdenciárias.
5. COMUNIQUE ao INSS os fatos apurados pela d. Auditoria, para as
providências a seu cargo.
6. RECOMENDE à atual gestão diligências no sentido de prevenir a repetição dos
fatos irregulares acusados no exercício de 2006.
Foram feitas as comunicações de estilo.
É o Relatório.

PROPOSTA DE DEClsAo
Vencida a fase do contraditório e em face do silêncio do interessado, todas as
restrições apostas pela Auditoria persistiram. Ainda assim é de se ponderar no seguinte
sentido:
1. Os documentos de fls. 94/96 evidenciam a infringência à Lei nO 10.887/94,
relacionada à obrigatoriedade da contribuição previdenciária dos agentes
políticos, que constitui, de acordo com o Parecer Normativo PN TC 52/04,
aspecto desfavorável às contas prestadas;
2. As despesas não licitadas, por seu turno, dizem respeito à locação de um
veículo Fiat Uno, totalizando R$ 18.000,00, caracterizando hipótese passível de
aplicação de multa, por representar desobediência à Lei de Licitações e
igualmente configurar aspecto previsto no Parecer Normativo PN TC 52/04,
com reflexos negativos nas contas prestadas;
3. A insuficiência financeira a que chegou a Unidade Técnica de Instrução decorre
de não empenhamento das obrigações patronais junto ao IPM e INSS, tomado
por estimativa, carecendo tal falha ser desconsiderada, haja vista fincar-se em
base sem a precisão que a restrição exige para que seja efetivamente glosada;
4. A ausência de envio dos demonstrativos do RGF do 1° estre de nOs 11, 111,
IV, V, VI, VII e VIII é, no sentir do Relator, matéria de ~~ administrativa, sem
nenhum reflexo na gestão fiscal do ent , que p e~ ensejar aplicação de
multa; \; //
PROCESSOTC N.o 01961/07

Assim sendo, evidencia-se flagrante desrespeito aos pnnopios básicos da pública


administração, haja vista que não constam nos autos os elementos comprobatórios da
efetiva realização de seus objetos. Concorde entendimento uníssono da doutrina e
jurisprudência pertinentes, a carência de documentos que comprovem a despesa pública
consiste em fato suficiente à imputação do débito, além das demais penalidades aplicáveis à
espécie.

o artigo 70, parágrafo único, da Carta Magna, dispõe que a obrigação de prestar contas
abrange toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde,
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União, os Estados
ou os Municípios respondam, ou que, em nome destes entes, assuma obrigações de
natureza pecuniária.

Importa notar que imperativa é não só a prestação de contas, mas também a sua completa
e regular prestação, já que a ausência ou a imprecisão de documentos que inviabilizem ou
tornem embaraçoso o seu exame é tão grave quanto a omissão do próprio dever de
prestá-Ias, sendo de bom alvitre destacar que a simples indicação, em extratos, notas de
empenho, notas fiscais ou recibos, do fim a que se destina o dispêndio não é suficiente para
comprová-lo, regularizá-lo ou legitimá-lo.

Nesse contexto, merece transcrição o disposto no artigo 113, da Lei de Licitações e


Contratos Administrativos - Lei Nacional n. o 8.666/93 -, que estabelece a necessidade do
administrador público comprovar a legalidade, a regularidade e a execução da despesa,
verbatim:

Art. 113. O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais


instrumentos regidos por esta Lei será feito pelo Tribunal de Contas
competente, na forma da legislação pertinente, ficando os órgãos
interessados da Administração responsáveis pela demonstração da
legalidade e regularidade da despesa e execução, nos termos da
Constituição e sem prejuízo do sistema de controle interno nela previsto.
(grifo ausente no original)

Nesse sentido, dignos de referência são os ensinamentos dos festejados doutrinadores


J. Teixeira Machado Júnior e Heraldo da Costa Reis, in Lei 4.320 Comentada, 28 ed, Rio de
Janeiro: IBAM, 1997, p. 125, Ipsis tãteris:

Os comprovantes da entrega do bem ou da prestação do serviço não


devem, pois, limitar-se a dizer que foi fornecido o material, foi prestado o
serviço, mas referir-se à realidade de um e de outro, segundo as
especificações constantes do contrato, ajuste ou acordo, ou da própria ei
que determina a despesa.