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COMÉRCIO INTERNACIONAL

CONTEÚDO

1. Políticas comerciais. Protecionismo e livre-cambismo.

1.1. Comércio internacional e crescimento econômico.

1.2. Barreiras tarifárias e não-tarifárias.

2. Organização

estrutura,

funcionamento.

2.1. O Acordo sobre o Comércio de Bens (GATT- 1994); princípios básicos e objetivos.

2.2. O Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS).

2.3. Valor aduaneiro. Acordo sobre a implementação do Art. VII do GATT-1994. Critérios gerais e princípios básicos do Acordo.

2.4. Métodos de Valoração.

Mundial

do

Comércio

(OMC):

textos

legais,

3. Sistemas preferenciais.

3.1. Sistema Geral de Preferências.

3.2. Sistema Geral de Preferências de Países em Desenvolvimento.

4. Acordos regionais: estágios de integração econômica.

4.1. União Europeia.

4.2. Integração econômica nas Américas: ALALC, ALADI, MERCOSUL Comunidade Andina de Nações; o Acordo de Livre Comércio da América do

Norte.

5. MERCOSUL. Objetivos e estágio atual de integração comercial.

5.1. Estrutura institucional e sistema decisório.

5.2. Tarifa externa comum: aplicação; principais exceções.

5.3. Regras de origem.

5.4. Valoração aduaneira no MERCOSUL.

6. Práticas desleais de comércio e defesa comercial; medidas antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas comerciais.

7. Sistema Administrativo e Instituições intervenientes no Comércio Exterior no Brasil.

7.1.

Câmara de Comércio Exterior (CAMEX).

7.2

Receita Federal do Brasil (RFB).

7.3

Secretaria de Comércio Exterior (SECEX).

7.2 Receita Federal do Brasil (RFB). 7.3 Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Página 1 de 163.

7.4. Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX).

7.5. Banco Central do Brasil (BACEN).

7.6. Ministério das Relações Exteriores (MRE).

8. Classificação aduaneira.

8.1. Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias

(SH).

8.2. Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

9. Contrato de Comércio Internacional de Compra e Venda das Mercadorias.

9.1. Convenção das Nações Unidas sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias (Convenção de Viena).

9.2. Termos Internacionais de Comércio (INCOTERMS 2000).

10. Regimes aduaneiros.

10.1. Regimes aduaneiros especiais: Trânsito Aduaneiro, Admissão Temporária, Drawback, Entreposto Aduaneiro, Entreposto Industrial, Entreposto Industrial sob Controle Informatizado - RECOF, Exportação Temporária, Depósito Aduaneiro de Distribuição - DAD, Zona Franca de Manaus.

10.2. Regimes aduaneiros atípicos: Loja Franca, Depósito Especial Alfandegado - DEA, Depósito fiançado - DAF, Depósito Franco, Depósito Alfandegado

Especial Alfandegado - DEA, Depósito fiançado - DAF, Depós ito Franco, Depósito Alfandegado Página 2 de

1.

POLÍTICAS COMERCIAIS

1.1. INTRODUÇÃO

1.1.1. COMÉRCIO INTERNACIONAL E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Atualmente, as necessidades da população de um país já não são mais satisfeitas com os bens produzidos internamente. Mesmos países que possuem fatores de produção abundantes, transformam-se em importadores de bens produzidos por outros países, seja por motivos de política interna, de consumo ou por outras necessidades.

A análise do comércio internacional com base nas economias de escala anteriormente explicado pressupõe vantagens para todos (empresas e países) em um mercado internacional perfeitamente competitivo, mas é necessário entender o que ocorre quando os acúmulos de rendimentos proporcionam às grandes empresas e aos países desenvolvidos dominar os mercados, tornando-os em REGIME DE CONCORRÊNCIA IMPERFEITA.

Os vendedores de produtos acreditam que podem vender seus produtos ao preço corrente e não influenciam o preço pago pelo seu produto.

Em um mercado de

surgem o MONOPÓLIO (mercado

dominado por um país ou por uma empresa) e o OLIGOPÓLIO (dominados por alguns países ou empresas). As empresas sabem que podem influenciar os preços de seus produtos e que podem vender mais somente por meio da redução de seus produtos. Neste caso, cada empresa é formadora de preços, escolhendo o preço de seus produtos

concorrência imperfeita

Monopólio: O monopólio puro proporciona lucros elevados às empresas sobre determinados produtos, seja porque há poucos produtores ou porque o produto é visto pelos consumidores como intensamente diferenciado dos produtos concorrentes.

No entanto, uma empresa com lucros elevados atrai concorrentes, que buscam participar destes lucros A situação de monopólio puro é rara em economias de escalas, altamente especializadas e produtivas como as existentes atualmente.

Oligopólio: A estrutura de mercado mais comum nas economias de escala é o oligopólio, em que o mercado é dominado por diversas empresas, cada uma delas grande o suficiente para dominar e afetar os preços, mas nenhuma com monopólio sobre o mercado.

grande o suficiente para dominar e afetar os preços , mas nenhuma com monopólio sobre o

Cada empresa, para determinar o preço de seus produtos, deverá levar em conta não só as respostas de seus consumidores, mas também as respostas de seus concorrentes. Assim, as políticas de preços são interdependentes.

Concorrência Monopolística: é um caso especial de oligopólio que tem sido muito aplicado ao comércio internacional, onde cada empresa é considerada apta a diferenciar seus produtos dos produtos de seus concorrentes e tal diferenciação proporciona que cada empresa tenha um monopólio em seu produto particular dentro do mercado.

Conseqüências:

Em função da diferenciação do produto a empresa produtora não leva em conta os preços dos concorrentes na fixação do preço de seu produto, comportando-se, desse modo, como se fosse detentora de monopólio puro no mercado, como as detentoras de produtos com marcas mundialmente diferenciadas como a "Coca Cola"

O comércio internacional proporciona a entrada de outras empresas até atingir o equilíbrio do mercado, de acordo com o tamanho deste mercado: um grande mercado comportará um número maior de empresas, cada qual produzindo em escala maior e com custo menor do que em um pequeno mercado.

Outra conseqüência do comércio internacional sobre o modelo de concorrência monopolística é a prática de DUMPING, ou seja, a discriminação de preços efetuadas pelas empresas monopolísticas, que exportam seus produtos a preços menores do que os praticados no mercado interno, como forma de ingressarem no mercado externo.

Dumping recíproco uma empresa monopolística faz dumping dentro do mercado dominado pela outra e vice- versa, isto porque o comércio internacional permite a integração dos mercados e as empresas que detém monopólio sobre os produtos buscam novos mercados.

integração dos mercados e as empresas que detém monopólio sobre os produtos buscam novos mercados. Página

1.2. POLÍTICAS

PROTECIONISTAS

E

DE

LIVRE

COMÉRCIO

AO

LONGO

DA

HISTÓRIA RECENTE

Para o economista inglês Adam Smith, a adoção de uma política comercial livre permitiria: a liberdade individual, a melhor utilização dos recursos e o crescimento econômico do pais.

Para ele, o governo de um país deveria limitar-se a manter a lei e a ordem, removendo todos os obstáculos legais em relação ao comércio e aos preços.

Teoria das Vantagens Absolutas:

 

Defendida por Adam Smith, economista clássico adepto do Livre-Comércio, esta teoria baseia-se na especialização produtiva (o país deve especializar-se na produção de bens que tivessem o menor custo produtivo), na produtividade dos fatores de produção (determinantes do custo produtivo) e na utilização da mão-de-obra como fator de competitividade nas transações comerciais.

Cada país deve concentrar seus esforços no que pode produzir a custo mais baixo e trocar o excedente dessa produção por produtos que custem menos em outros países”

Teoria das Vantagens Comparativas:

 

Defendida por David Ricardo, economista clássico também adepto do Livre-Comércio, esta teoria apresenta a mesma lógica teórica da Teoria das Vantagens Absolutas, porém os custos produtivos são analisados de forma comparativa e não absoluta.

“O comércio internacional será vantajoso até mesmo nos casos em que uma nação possa produzir internamente a custos mais baixos do que a nação parceira, desde que, em termos relativos, as produtividades de cada uma fossem relativamente diferentes.”

Curvas de Possibilidades de Produção:

 

Teoria fundamentada na indicação de várias possibilidades de produção máxima de uma nação. A Taxa Marginal de Transformação (TMT), também conhecida como Custo de Oportunidade, indica a quantidade de um produto que uma nação deve deixar de produzir para conseguir uma unidade adicional de outro produto.

Teoria de Heckscher-Ohlin:

 

A teoria ressalta o papel que a dotação de fatores exerce como determinante básico da vantagem comparativa de um país. A competitividade de um país está diretamente relacionada aos recursos produtivos específicos e particulares.

Modelo dos Fatores Específicos: modelo desenvolvido por Paul Samuelson e Ronald Jones, diz que uma economia produtora de dois bens podia alocar sua oferta de mão-de-obra entre os dois setores.

Tal modelo permite a existência de fatores de produção além da mão-de- obra. A mão-de-obra é um fator móvel, que se move entre os setores, e os outros fatores são considerados específicos, que podem ser utilizados apenas na produção de bens particulares.

são considerados específicos, que podem ser utilizados apenas na produção de bens particulares. Página 5 de

Neste modelo, os fatores específicos dos setores de exportação em cada pais ganham com o comércio, enquanto os fatores específicos dos setores

Os fatores móveis que podem ser

concorrentes das importações perdem.

usados em ambos os setores podem tanto ganhar como perder.

O comércio internacional depende das diferenças dos custos relativos dos artigos produzidos pelos vários países. As teorias já analisadas não explicavam as razões pelas quais os custos são mais baixos e o trabalho é mais eficiente em um país do que em outro, para a produção de um determinado bem.

Modelo Hecksher – Ohlin: Para superar estas limitações, dois economistas suecos, Eli F. Hecksher e Bertil Ohlin desenvolveram uma nova abordagem, que procurou explicar as razões e os ganhos do comércio internacional a partir das diferenças estruturais na disponibilidade de recursos de uma nação, comparativamente a outra.

Eles partiram de dois novos princípios, sem dúvida bem mais ajustados à realidade;

1º - as diferentes dotações estruturais de recursos das nações, em termos de trabalho, capital e terra; 2º - as diferentes intensidades de recursos necessárias para a produção de diferentes produtos.

Mesmo em sua mais simples formulação, o modelo sueco mantém apreciáveis ligações com o mundo real das trocas internacionais.

O comércio internacional é, na realidade, uma espécie de troca de recursos abundantes por recursos escassos.

Os países tendem a exportar bens que são intensivos em fatores dos quais são dotados abundantemente

Paradoxo de Metzler: Uma tarifa tem o efeito direto de elevar o preço relativo interno do bem importado, ao passo que o subsídio a exportações pode piorar os termos de troca, de tal modo que reduza o preço relativo interno do bem exportado. A POSSIBILIDADE DE QUE AS TARIFAS E OS SUBSÍDIOS ÀS EXPORTAÇÕES PASSEM A TER EFEITOS MALÉVOLOS SOBRE OS PREÇOS INTERNOS DE UM PAÍS é a demonstração do Paradoxo de Lloyd Metzler, economista da Universidade de Chicago.

DE UM PAÍS é a demonstração do Paradoxo de Lloyd Metzler , economista da Universidade de

Trabalho de Kravis:

Um trabalho empírico sobre o teorema de Heckscher-Ohlin foi realizado por Irving Kravis, que tentava demonstrar que as exportações intensivas de trabalho eram produzidas por mão-de-obra de baixo salário e, inversamente ao que acreditava, verificou que em cada país as industrias exportadoras eram as que pagavam salários mais elevados aos seus trabalhadores.

A conclusão foi de que um país exportava o que tinha disponível, ou seja, os produtos desenvolvidos pelos empresários e adequados a sua tecnologia, sem que isto necessariamente significasse barateamento da mão-de-obra.

Teoria do Spill-Over: Staffan Linder sugeriu que não basta a um país ter empresários e recursos disponíveis para que tenha sucesso na produção e exportação de um determinado bem. É necessário que o país tenha um amplo mercado interno, com consumidores dispostos a adquirir um novo produto antes que os fabricantes possam desenvolver meios de baratear sua produção exportá-los.

Paradoxo de Leontief : o economista Wassily Leontief realizou um estudo publicado em 1953, sobre o comércio internacional praticado nos Estados Unidos, concluindo que, mesmo sendo os EUA muito bem dotados do fator capital, AS EXPORTAÇÕES NORTE- AMERICANAS ERAM MENORES DO QUE AS IMPORTAÇÕES em relação a bens intensivos em capital.

1.2.1. LIVRE-CAMBISMO (laissez-faire) Cada país deve produzir os produtos nos quais têm maior facilidade de obtenção dos recursos de produção, com divisão internacional do trabalho e conseqüente especialização das produções.

Com a especialização da produção e eliminação de obstáculos aduaneiros, permitir-se-ia a LIVRE TROCA destes produtos no mercado internacional, que SERIAM VENDIDOS A PREÇOS MÍNIMOS, num regime de mercado que se aproximaria ao da livre concorrência perfeita, favorecendo o aumento do bem estar das populações.

Surgiu a necessidade de obtenção de matérias-primas para a industrialização e de produtos alimentícios aos trabalhadores das indústrias. Assim, era primordial convencer os países produtores de artigos primários a se especializarem nestas produções e NÃO COMPETIREM com os países industrializados.

a se especializarem nestas produções e NÃO COMPETIREM com os países industrializados . Página 7 de

Principais características do Livre-Cambismo:

Mercado Livre

, em que o Estado não intervém de nenhuma forma, inclusive tabelando os

preços ou criando barreiras alfandegárias;

Livre Concorrência

, em que os preços se formam em função do próprio mercado;

conseqüentemente, subsistem somente as empresas eficientes;

Iniciativa Individual,

em que qualquer indivíduo pode exercer a função que quiser, o que

não ocorre no regime corporativista;

Desregulamentação

, em que o Estado deve remover todos os obstáculos legais que

cerceiam a atividade econômica;

Divisão Internacional do Trabalho,

isto é, países devem produzir somente aquilo que for

economicamente mais conveniente e, por meio do comércio internacional, trocarão seus excedentes. Com isso haverá diminuição de custos e maior bem-estar social;

1.2.2. PROTECIONISMO ECONÔMICO:

A adoção de uma política de livre comércio poderia vir a prejudicar a economia interna dos países, embora a completa liberdade das atividades econômicas e a livre circulação de produtos permitissem o surgimento de desigualdades de riquezas e de oportunidades econômicas entre os países.

O estado deveria controlar as atividades econômicas e estabelecer restrições às importações e exportações, condicionando-as à uma política de desenvolvimento.

O maior exemplo da adoção de políticas de livre-cambismo e de protecionismo alternadamente, conforme melhor adequadas às suas necessidades, sem grandes preocupações com o restante das nações, é o caso dos Estados Unidos.

Até a crise de 1929, os Estados Unidos adotaram a política protecionista, promovendo um intenso processo de industrialização. Após a crise de 1929, precavendo-se contra possíveis crises de desemprego em massa resultante da ausência de um mercado mundial para os seus produtos, os Estados Unidos iniciaram o desenvolvimento de uma política de livre comércio, incrementada a partir do final da Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, diante da concorrência sofrida por parte de outros países, têm adotado algumas medidas protecionistas, como a instituição do Trade Act of 1974, que possui características marcadamente protecionistas.

A política de livre-cambismo pode ser adotada com sucesso entre países mais desenvolvidos;

• A política de livre-cambismo pode ser adotada com sucesso entre países mais desenvolvidos ; Página

Para os países menos desenvolvidos a melhor solução é a adoção de algumas intervenções protecionistas em casos de compensar certas vantagens temporárias ou para proteção de setores essenciais, como agricultura e indústrias de base.

DOUTRINAS PROTECIONISTAS

Protecionismo como função regulatória do Estado: O protecionismo justifica-se como regulador das forças alheias ao mercado e das pressões oligopólicas sobre os preços;

Protecionismo em prol do desenvolvimento industrial: Proteção à indústria nacional, especialmente às indústrias nascentes;

Protecionismo devido ao déficit no Balanço Internacional de Pagamentos: Ajustes na Balança Comercial;

Protecionismo por razões políticas ou comerciais: Proteção de ramo da atividade produtiva nos quais não possuem vantagens comparativas.

1.3.

COMÉRCIO INTERNACIONAL E CRESCIMENTO ECONÔMICO

As teorias mais contemporâneas que abordam o Crescimento e Desenvolvimento

Econômico dão ênfase à primazia do avanço técnico como suporte ao processo de intercâmbio comercial. Tem havido um considerável esforço em desenvolver novos produtos e processos na perspectiva de melhorar o desempenho produtivo e, por conseqüência, diminuir os níveis de vulnerabilidade externa do país nas esferas comercial, produtivo-tecnológica e monetário-financeira. Nesta perspectiva, a Economia Dinâmica reaviva a forte ligação entre complexo tecnológico e o crescimento econômico voltado para o incremento das exportações.

Crescimento Econômico:

É uma variação quantitativa do produto agregado,

implicando em aumento da renda nacional, da arrecadação fiscal e das oportunidades de investimento público e privado. O crescimento econômico precede

um conjunto sistemático de programas e ações estruturais, conhecidas como POLÍTICAS

COMERCIAIS,

que

visam

aumentar

a

participação

do

país

no

comércio

internacional.

DIREITO ADUANEIRO O Tratamento Tributário aplicado ao Comércio Internacional é conhecido como Direito Aduaneiro.

O Tratamento Tributário aplicado ao Comércio Internacional é conhecido como Direito Aduaneiro. Página 9 de 163.

Direitos Aduaneiros:

Objetivos

conjunto de normas jurídicas que disciplinam as relações decorrentes da atividade estatal destinada ao controle do tráfego de pessoas e bens pelo território aduaneiro, bem como à fiscalização do cumprimento das disposições pertinentes ao comércio exterior.

Definem a nomenclatura e regulam a aplicação do sistema tarifário nas importações e exportações.

Disciplinar os controles de ingressos e saídas de veículos, pessoas e mercadorias, em harmonia com os tratados internacionais e, ainda,

Atender aos interesses pátrios de intervenção na política de comércio exterior.

1.4. BARREIRAS TARIFÁRIAS E NÃO-TARIFÁRIAS

Barreiras Tarifárias:

Tarifa simples:

são tarifas alfandegárias propriamente ditas, impostas sobre a importação de bens e serviços, visando a obtenção de receitas ou mesmo a proteção dos produtores locais. Cada país possui seu próprio sistema tarifário, que prevê alíquota para cada produto. Podemos classificar as tarifas alfandegárias em:

lista de alíquotas aplicáveis a qualquer tipo de importação, sem diferenciar a origem e a procedência;

Tarifa geral convencional:

aplicadas às mercadorias de países beneficiados com o tratamento DE NAÇÃO MAIS FAVORECIDA enquanto as alíquotas gerais ou autônomas são aplicadas em todos os outros casos em que não existem negociações ou reduções de direitos;

Tarifa preferencial:

consiste em taxas reduzidas que são aplicadas por um país às importações provenientes de um ou vários países devido às relações particulares existentes entre eles.

provenientes de um ou vários países devido às relações partic ulares existentes entre eles. Página 10

Efeitos das Barreiras Tarifárias:

Sobre a produção:

A tarifa pode aumentar a produção do bem protegido à custa de uma redução do bem não protegido e mesmo de uma redução do bem-estar econômico, devido à intervenção sobre a alocação eficiente de recursos que poderia ser obtida com o livre funcionamento do mercado.

Sobre o consumo:

A tarifa tende a reduzir o consumo do bem protegido, devido ao efeito-renda (a renda real diminui) e ao efeito-substituição (o bem relativamente mais caro é menos procurado). Por outro lado, o efeito sobre o consumo do bem não-protegido é ambíguo, dependendo das magnitudes dos efeitos-renda e substituição. De qualquer forma, há uma distorção no padrão de consumo.

Sobre a receita do governo:

Se a tarifa não for demasiadamente elevada, a receita

o

do

governo

aumenta.

Fatores

políticos

definirão

destino e utilização destes recursos.

Sobre a concorrência: Com a tarifação, a concorrência do mercado tende a diminuir e os produtores internos perderão eficiência pelo baixo interesse em inovar e/ou diminuir seus preços.

Sobre o balanço de pagamentos:

Em curto prazo, obtém-se superávit comercial, embora as quantidades envolvidas de exportação e importação sejam menores.

Barreiras não-Tarifárias: são obstáculos não-tarifários (restrições burocráticas normais), que desempenham papel importante na proteção da produção local, aplicadas por meio de regulamentos que incidem sobre diferentes produtos e formas de comércio. Podem ser:

Restrições quantitativas:

fixação de quotas por determinados tipos de produtos, de acordo com as necessidades consideradas pelos órgãos governamentais;

Restrições de câmbio:

referem-se às restrições impostas à aquisição de divisas para pagamento das importações efetuadas;

Regulamentos técnico/administrativos:

compreendem os regulamentos fito-sanitários e veterinários, de produtos alimentícios e farmacêuticos;

os regulamentos fito-sanitários e veterinários , de produtos alimentícios e farmacêuticos; Página 11 de 163.

Formalidades consulares:

exige-se que os embarques de mercadorias sejam acompanhados de documentos consulares, tais como faturas e certificados de importação;

Comércio de Estado:

o comércio se efetua geralmente no âmbito de acordos bilaterais que fixam os produtos e as quantidades que poderão ser comercilizadas;

Intercâmbio:

alguns países, para efeito de proteção à produção local, costumam exigir que na aquisição de determinados produtos sejam comprados outros como condição para a importação.

RESUMO DO RESUMO

1. Política comercial ou política econômica externa de um país é a forma como este regula as transações comerciais entre empresas nacionais e empresas estrangeiras. Consiste em incentivar ou restringir as atividades de importação e de exportação.

2. Livre-cambismo é a política econômica na qual o governo não deve intervir nas negociações privadas, se limitando a atividades como manutenção da ordem e da segurança, da soberania nacional e complementação das atividades privadas onde não houver interesse empresarial. Importações e exportações não sofrem quaisquer restrições por parte dos países.

desregulamentação, a livre concorrência, preços mínimos e possibilidade de escolha para o consumidor.

4. Adam Smith foi o grande defensor do livre-cambismo, tendo criado a Teoria das Vantagens Absolutas. Por meio dessa, cada país deveria se especializar na produção daquilo que fosse mais eficiente, se tornando um exportador desse produto, além de abandonar suas indústrias ineficientes para adquirir a preços mais baratos no exterior (importar) os produtos que deixasse de fabricar. A conseqüência disso é uma divisão internacional do trabalho (especialização da produção).

5. Protecionismo econômico é a doutrina que sustenta que o livre-cambismo não tem condições de levar ao crescimento econômico, sendo necessária a imposição de barreiras para se atingir o desenvolvimento. Os defensores do protecionismo alegam que o livre-cambismo só tem efeitos para os países que possuem indústrias maduras.

3. Dentre

as

VANTAGENS

DO

LIVRE-CAMBISMO

estão

a

livre

iniciativa,

a

Dentre as VANTAGENS DO LIVRE-CAMBISMO estão a livre iniciativa, a Página 12 de 163.

6.

Há diversos argumentos protecionistas, sendo que alguns deles viraram regras de exceção no GATT para imposição de barreiras, tais como: segurança nacional, proteção de indústria nascente, defesa comercial contra práticas desleais e melhoria do balanço de pagamentos.

7.

Problemas que podem ser gerados pelo protecionismo: indústria nacional ineficiente com preços altos, tomando renda da população, limitação da oferta ao consumidor, formação de monopólios e oligopólios.

8.

Não há uma regra sobre a definição de qual o melhor sistema, protecionista ou livre- cambista. A proteção total é absurda, mas a história mostra que as grandes potências industriais utilizaram alguma forma de proteção para desenvolver suas indústrias nascentes.

QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (AFTN/96): O livre-cambismo é uma doutrina de comércio que parte do pressuposto de que a natureza desigual dos países e regiões torna a especialização uma necessidade, sendo o comércio o meio pelo qual todos os participantes obtêm vantagens dessa especialização. Cada país deveria especializar-se na produção de bens onde consegue maior eficiência, trocando o excedente por outros bens que outros países produzem com mais eficiência. O principal argumento contra o livrecambismo, desde o século XIX (A. Hamilton e F.List), se concentra na idéia de que:

a)

O livre-cambismo é incapaz de promover a justiça social;

b)

No livre-cambismo, somente se beneficiam do comércio os países que apresentam uma pauta de exportações onde a maioria dos produtos possui demanda inelástica. Quando isso não ocorre, a concorrência é predatória;

c)

O livre-cambismo é bom para os países de economia madura, mas os países com indústrias nascentes necessitam de alguma forma de proteção;

d)

O livre-cambismo atende apenas aos interesses dos grandes exportadores, que usam a liberdade econômica para estabelecer monopólios e cartéis;

e)

Na verdade não existe livre-cambismo na prática. Todos os países são protecionistas em razão da intervenção do Estado.

02.

(AFRF/98) Não é verdadeiro, em relação ao Livre-Cambismo, que:

a)

Todas as moedas devem ser conversíveis em ouro.

b)

O governo deve remover todos os obstáculos legais para o funcionamento de um comércio livre.

c)

Existe uma divisão internacional do trabalho.

d)

O governo deve se limitar à manutenção da lei e da ordem.

e)

Existe uma especialização de funções, motivada pela distribuição desigual de recursos naturais ou por outros motivos.

de funções, moti vada pela distribuição desigual de recursos naturais ou por outros motivos. Página 13

03. (AFRF/98) Indique a opção que não está relacionada com a prática do mercantilismo:

a)

O comércio exterior deve ser estimulado, pois um saldo positivo na balança fornece um estoque de metais preciosos.

b)

O princípio segundo o qual o Estado deve incrementar o bem-estar nacional.

 

c)

O conjunto de concepções que incluía o protecionismo, a atuação ativa do Estado e a busca de acumulação de metais preciosos, que foram aplicadas em toda a Europa homogeneamente no século XVII.

d)

A riqueza da economia depende do aumento da população e do volume de metais

preciosos do país.

 

e)

Uma forte autoridade central é essencial para a expansão dos mercados e a proteção dos interesses comerciais.

04.

(AFRF/98) Entre as opções abaixo, indique aquela que não constitui argumento

utilizado pelo protecionismo:

 

a)

É preciso manter as indústrias de um país em um nível tal que possam atender à demanda em caso de um corte de fornecimento externo devido a uma guerra.

b)

O comércio e a indústria são mais importantes para um país do que a agricultura e, portanto, devem ser submetidos a tarifas para evitar a concorrência com produtos estrangeiros.

c)

A adoção de tarifas favorece a criação de empresas nacionais.

 

d)

Quando há capacidade ociosa, as tarifas contribuem para aumentar o nível de

atividade e de emprego, e, portanto, de renda de um dado país.

 

e)

As indústrias-chave da defesa nacional devem ser protegidas para evitar a ação de fornecedores estrangeiros.

05.

(AFRF/2000) Entre as razões abaixo, indique aquela que não leva à adoção de

tarifas alfandegárias.

 

a) Aumento de arrecadação governamental;

 

b) Proteção à indústria nascente;

 

c) Estímulo à competitividade de uma empresa;

 

d) Segurança nacional (defesa);

 

e) Equilíbrio do Balanço de Pagamentos.

GABARITO

 
 

01 - C

02 - A

03 - C

04 - B

05 - C

 
de Pagamentos. GABARITO     01 - C 02 - A 03 - C 04 -

2.

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO.

2.1. OMC - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO

CONCEITO: A Organização Mundial do Comércio (OMC) é a única organização que estabelece regras comerciais em nível mundial, com efeitos vinculantes para seus Membros. Ela não é apenas uma instituição, mas também um conjunto de acordos. O regime da OMC é conhecido como um sistema multilateral de comércio baseado em regras.

HISTÓRIA:

Remonta a 1947, quando foi estabelecido o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT) para reduzir tarifas, eliminar obstáculos comerciais e facilitar o comércio de mercadorias. Com o passar dos anos, o GATT evoluiu em oito rodadas de negociações comerciais multilaterais, sendo a Rodada do Uruguai (1986-1994) a mais extensa de todas. A última rodada é a de Doha

(2001- ? ). A OMC foi estabelecida em Marrakesh em

1 de janeiro

de 1995, após a conclusão da Rodada do Uruguai. Posteriormente, o

de 1995, após a conclusão da Rodada do Uruguai. Posteriormente, o

GATT deixou de existir e seus textos jurídicos foram incorporados à OMC com o nome de “GATT de 1994”.

OBJETIVOS:

Desenvolver o comércio entre todos os países do mundo;

Facilitar as operações comerciais e, com isso, conseguir uma situação de pleno emprego;

Alcançar esses objetivos de maneira compatível com o desenvolvimento sustentável e a proteção ambiental;

Meio primordial:

eliminação das tarifas comerciais

ATRIBUIÇÕES

Supervisionar a implementação das regras acordadas no âmbito do sistema multilateral de comércio;

Atuar como fórum de negociações comerciais;

Proporcionar mecanismos de solução de controvérsias;

Supervisionar as políticas comerciais dos 146 países membros;

Fornecer assistência técnica e cursos de formação para países em desenvolvimento, em matéria de comércio;

Desenvolver cooperação com outras organizações internacionais.

em matéria de comércio; • Desenvolver cooperação com outras organizações internacionais. Página 15 de 163.

2.1.1. TEXTOS LEGAIS

Todos os textos jurídicos da OMC envolvem o chamado princípio do compromisso único (single undertaking) dos acordos da OMC, segundo o qual os Membros não podem selecionar isoladamente acordos, pois eles são vinculados entre si num só conjunto, com exceção dos acordos plurilaterais.

Principais textos legais da OMC:

- Acordo de Marrakesh, que estabelece a Organização Mundial do Comércio (Acordo sobre a OMC)

- Acordos

documentos relacionados) Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT de 1994) Acordo Agrícola Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias Acordo sobre Têxteis e Vestuários Acordo sobre Obstáculos Técnicos ao Comércio Acordo sobre Medidas de Investimentos Relacionadas ao Comércio Acordo sobre Inspeção Prévia à Expedição Acordo sobre Regras de Origem Acordo sobre Procedimentos para a Tramitação de Licenças de Importação Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias Acordo sobre Salvaguardas

Multilaterais

sobre

o

Comércio

de

Mercadorias

(GATT

de

1994

e

–Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS)

–Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Acordo TRIPS)

–Entendimento sobre a solução de controvérsias (Entendimento relativo às regras e procedimentos que regem a solução de controvérsias: ESC)

–Mecanismo de Exame de Políticas Comerciais (MEPC)

–Acordos Comerciais Plurilaterais (opcionais) Acordo sobre o Comércio de Aeronaves Civis Acordo sobre Contratação Pública

(opcionais) Acordo sobre o Comércio de Aeronaves Civis Acordo sobre Contratação Pública Página 16 de 163.

2.1.2. ESTRUTURA

2.1.2. ESTRUTURA Página 17 de 163.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) surgiu na assinatura da Ata Final da Rodada Uruguai, em acordo concluído em Marrakesh. A sede é em Genebra, Suíça, e a estrutura da OMC é a seguinte:

Conferência Ministerial:

Conselho Geral

formada por representantes dos Estados, visa ratificar as negociações comerciais. Reúne-se a cada dois anos;

tem a função de supervisionar as decisões da Conferência;

Órgãos do Conselho

Conselho de Mercadorias (GATT):

supervisiona os acordos de comércio sobre mercadorias;

Conselho de Serviços (GATS):

supervisiona

acordos

de

comércio

de

 

serviços;

Conselho de Propriedade Intelectual (TRIPS):

supervisiona os acordos desta área;

Órgão de Solução de Controvérsias

: controla

o

cumprimento

das

 

recomendações

e

autoriza

medidas

de

retorção comercial;

Órgão de Exame das Políticas Comerciais:

analisa as decisões dos governos sobre comercio

Secretariado:

com um Diretor Geral.

CARACTERÍSTICAS

A OMC será o foro para as negociações entre os membros e administrará o entendimento relativo às normas e procedimentos que regem a solução de controvérsias, cooperando com o FMI e o BIRD.

A OMC possibilita regras de comércio liberal, diferentemente do GATT, em que os países tinham maior liberdade para serem protecionistas. Só há obrigação do tratamento de nação mais favorecida especialmente na área de serviços.

O GATT 94 é formado pelos acordos relativos aos GATS e ao TRIPS que integram a OMC e só pode aderir a tais acordos quem é da OMC, bem como quem quer aderir à OMC tem que também aderir ao GATT 94.

tais acordos quem é da OMC , bem como quem quer aderir à OMC tem que

Adesão de novos países

Em 1994, quando foi firmado o Acordo Constitutivo da OMC, nem todos os países tinham interesse em se filiar à OMC, uma vez que a adesão exigia a aceitação de todos os Acordos negociados durante a Rodada Uruguai exceção dos acordos plurilaterais).

Para ter acesso à OMC, o país solicitante necessita, primeiramente, adequar sua legislação interna aos diversos acordos existentes no âmbito da OMC. Em seguida vem a fase das concessões tarifárias, em que cada País- Membro da OMC faz uma lista de pedidos de redução tarifária para produtos de seu interesse exportador. Estas listas são entregues ao país solicitante, que estudará e concederá rebaixamentos tarifários naqueles produtos que julgue não prejudiciais à estabilidade de sua economia.

Se houver consenso entre todos os Países-Membros da OMC de que a quantidade e o nível de concessões é satisfatório, o país solicitante será aceito como novo membro da Organização. Caso contrario, retomam-se as negociações.

As decisões no âmbito da OMC são tomadas sob o princípio do consenso, isto é, a resolução estará aprovada quando nenhum dos membros discordar.

No Brasil, sempre que um pais solicita sua adesão à OMÇ, o DEINT - Departamento de Negociações Internacionais publica aviso no Diário Oficial da União e envia comunicado às entidades de classe, para que estas manifestem seus interesses, após o que o DEINT consolida a lista que será negociada com o pais solicitante.

A OMC exerce as seguintes funções:

Administração dos acordos comerciais da organização;

Definição do âmbito das negociações comerciais;

Resolução das disputas comerciais;

Acompanhamento das políticas comerciais nacionais;

Assistência técnica e formação para os países em desenvolvimento;

Cooperação com outras organizações internacionais.

2.1.3. AS NEGOCIAÇÕES NA OMC.

Até os dias de hoje já foram realizadas 9 rodadas de negociação, a saber:

Genebra 1947

-

Tarifas

Annecy

1949

-

Tarifas

de negociação , a saber: • Genebra 1947 - Tarifas • Annecy 1949 - Tarifas Página

Torquay

1950 -1951 -

Tarifas

 

Genebra

1955 -1956 -

Tarifas

Dillon

1960 -1961 -

Tarifas

Kennedy 1964 -1967 -

Tarifas e medidas antidumping

 

Tóquio

1973 -1979 -

Tarifas, medidas não tarifárias, cláusula de habilitação

 

Uruguai

1986 -1993 -

Tarifas,

agricultura,

serviços,

propriedade

intelectual,

 

medidas de investimento, novo marco jurídico, OMC

 

Doha

2001 - ?

-

Tarifas, agricultura, serviços, facilitação do comércio,

 

solução de controvérsias, regras.

 

As cinco primeiras rodadas ocuparam-se exclusivamente de reduções tarifárias. O procedimento utilizado era complicado e os progressos em termos de redução tarifária não foram muito expressivos.

Rodada Dillon Na Rodada Dillon, os países europeus propuseram o método de redução linear das tarifas, o que somente ocorreu na rodada seguinte.

Rodada Kennedy De 1964 a 1967, foi a primeira vez que a Comunidade Européia participou das negociações como um bloco. Realizou-se, assim, uma rodada de negociações entre participantes com poder de barganha mais equilibrado. Tal fato e a adoção da redução linear de tarifas proporcionaram uma redução de 35% na tarifa média dos produtos industrializados dos países desenvolvidos.

Rodada Tóquio A Rodada Tóquio, nos anos 70, foi a primeira tentativa importante de acabar com as barreiras não-tarifárias (acordos contra barreiras não-tarifárias). Como esses acordos plurilaterais não eram inteiramente aceitos por todos os membros do GATT foram chamados informalmente de “códigos”. Muitos desses “códigos” foram alterados na Rodada do Uruguai e se tornaram compromissos multilaterais aceitos por todos os membros da OMC. Apenas quatro deles permaneceram plurilaterais (compras governamentais, carne bovina, aviões civis e produtos lácteos). Porém, em 1997 os membros acordaram em modificar os acordos quanto à carne bovina e quanto aos produtos lácteos.

Rodada Uruguai Antes do 40º. Aniversário do GATT, seus membros concluíram que era necessário adaptá-lo à nova economia global. Havia uma série de problemas identificados em 1982 – Declaração Ministerial: estrutura deficiente, impacto na política de outros países que o GATT não podia lidar, etc. A oitava rodada do GATT, conhecida como Rodada do Uruguai, ocorreu em setembro de 1986, em Punta Del Leste, no Uruguai.

GATT, conheci da como Rodada do Uruguai, ocorreu em setembro de 1986, em Punta Del Leste,

Foi a maior negociação sobre comércio até então: as discussões pretendiam estender o sistema comercial para novas áreas, principalmente, no setor de serviços, de propriedade intelectual, da agricultura e dos têxteis. Pretendia-se terminar a rodada em dezembro de 1990, mas os Estados Unidos (EUA) e a União Européia (UE) discordaram quanto à reforma na área agrícola e decidiram ampliar as discussões. Finalmente, em novembro de 1992, os EUA e a UE encerraram suas diferenças num acordo informalmente conhecido como “Acordo da Casa de Blair”(“The Blair House Accord”). Em 15 de abril de 1994, o acordo foi assinado pelos ministros da maioria dos 123 governos participantes do encontro realizado em Marrakesh no Marrocos. O acordo estabelecia o surgimento da OMC, como uma organização permanente sobre o comércio internacional, que entrou em vigor em 1º.de Janeiro de 1995 e substituiu o GATT.

Rodada Doha A Agenda de Desenvolvimento de Doha (DDA- sigla em inglês) estabelece os temas a serem discutidos na Rodada Doha. Teve início com a quarta Conferência Ministerial que ocorreu em Doha no Qatar em novembro de 2001. Doha tinha um objetivo ambicioso de fazer a globalização menos excludente e ajudar os países mais pobres com a retirada de barreiras e dos subsídios agrícolas.

acordo com a Declaração de Novembro de 2001 estabeleceu-se que na Rodada Doha

COMÉRCIO INTERNACIONAL tem um papel importante na promoção do

desenvolvimento econômico e na redução da pobreza. Admitiram que reconhecem a particular vulnerabilidade dos países em desenvolvimento e as especiais dificuldades estruturais que eles enfrentam na economia global. Também afirmaram um comprometimento aos países em desenvolvimento marginalizados no comércio internacional. Além de se preocuparem em melhorar a efetiva participação destes no sistema multilateral de comércio. As discussões foram muito controvertidas e o acordo não foi alcançado, apesar da intensa negociação na quinta Conferência Ministerial que ocorreu em Cancun em 2003. Muito progresso se deu no ano seguinte como um reflexo da adoção do Pacote de Julho também chamado de Pacote de Agosto. A sexta Conferência Ministerial que se deu em Hong Kong em 13 de dezembro de 2005 também foi frutífera e alcançou o consenso. As Conferências Ministeriais adotaram uma declaração que impunha data para o término das negociações de temas específicos

De

o

2.2. O ACORDO SOBRE O COMÉRCIO DE BENS – GATT-1994

2.2.1. INTRODUÇÃO

O Acordo de Compras Governamentais é um conjunto de regras pelas quais os países signatários se comprometem a dar tratamento nacional e aplicar a cláusula de nação mais-favorecida às compras feitas pelas agências governamentais listadas expressamente nos Anexos do Acordo, que são partes integrantes do mesmo. Nos Anexos, estão listadas não apenas as agências envolvidas, mas também os setores cobertos pelo Acordo.

estão listadas não apenas as agências envolvidas, mas também os se tores cobertos pelo Acordo. Página

Inicialmente, o Acordo aplicava-se apenas à compra de bens, mas durante a Rodada Uruguai, foi revisado e ampliado para cobrir também a compra de serviços. Essas negociações aconteceram em paralelo à Rodada e, não em seu âmbito, exatamente por tratar de bens e serviços simultaneamente, áreas que foram tratadas rigidamente separadas em todas as negociações. Na Rodada Uruguai, no Grupo Negociador que tratou dos Códigos da Rodada Tóquio, a discussão sobre o Acordo se limitou à questão de como tornar mais atrativa a assinatura do Acordo sobre Compras Governamentais pelos países em desenvolvimento.

As compras governamentais constituem um grande e crescente mercado que, segundo estatísticas da OMC, atingiram valores da ordem de US$ 30 bilhões ao ano, no período 1990-94.

Pelas regras originais do GATT, as compras governamentais foram consideradas exceções tanto ao princípio do tratamento nacional, quanto da cláusula de nação mais-favorecida.

Cláusula de nação mais favorecida:

diz respeito a não discriminação entre os

Membros da OMC. Se um Membro da OMC conceder um tratamento comercial favorável às mercadorias e aos serviços de outro Membro, ele deve estender esse tratamento aos demais Membros e, portanto, tratar todos eles como interlocutores comerciais “mais favorecidos”. Se, por exemplo, a Grécia reduzir suas tarifas para calçados procedentes do Brasil, ela deverá aplicar a mesma tarifa reduzida aos calçados procedentes dos demais Membros da OMC. O princípio do tratamento de nação mais-favorecida se aplica a todas as esferas sob a competência da OMC.

Princípio do Tratamento Nacional:

 

diz respeito a não discriminação entre os

produtos nacionais de um Estado-Membro da OMC e dos demais Membros. Isso significa que as mercadorias e serviços nacionais e importados devem ter um tratamento igual. O tratamento nacional deve ser aplicado uma vez que mercadorias, serviços e bens protegidos por direitos de propriedade intelectual estrangeiros entram no mercado, de modo que a aplicação de direitos aduaneiros a um produto importado não implica uma violação do princípio do tratamento nacional, embora mercadorias nacionais não estejam sujeitas a direitos aduaneiros.

O Acordo de Compras Governamentais é um acordo plurilateral e não multilateral, como a maioria dos Acordos da OMC e foi o Acordo com menor grau de adesão da Rodada Tóquio, devido às resistências dos países em desenvolvimento em abrir este mercado à concorrência estrangeira.

O atual Acordo de Compras Governamentais é um conjunto de regras pelas quais os países signatários se comprometem a dar tratamento nacional e aplicar a cláusula de nação mais-favorecida às compras (bens e serviços) feitas pelas agências governamentais listadas expressamente nos Anexos do Acordo, que são partes integrantes do mesmo.

governamentais listadas ex pressamente nos Anexos do Acordo , que são partes integrantes do mesmo. Página

Principais pontos do Acordo sobre Compras Governamentais – GATT 94

Objetivo

O principal alvo do Acordo é fazer com que os governos apliquem critérios comerciais ao fazer suas compras de bens e serviços, não discriminando entre os produtores domésticos e os fornecedores estrangeiros, utilizando da melhor maneira possível os fundos públicos. A utilização do princípio de não discriminação e a cláusula da nação mais-favorecida (Artigo III) previnem não só as preferências aos produtores locais, mas também a discriminação entre os fornecedores estrangeiros.

Cobertura

O Acordo se aplica a toda lei, regulamento, procedimento e prática envolvendo a compra de produtos e serviços pelas entidades governamentais regidas pelo Acordo, ou seja, só se aplica às compras feitas pelas agências governamentais listadas por cada membro do Acordo nos Anexos e incluem, dentre outros:

Ministérios, Departamentos e outros escritórios governamentais;

Municipalidades, corporações e outros organismos municipais;

Governos e agências estaduais ou provinciais, nos Estados Federais;

Empresas estatais de eletricidade, água e esgotos, aeroportos, portos e empresas de transportes urbanos em geral.

Cada país signatário pode especificar os produtos e serviços que serão cobertos pelo Acordo. Com relação à compra de bens, de modo geral, os países decidiram que o Acordo se aplicaria a todas as compras feitas pelas entidades por eles listadas. As únicas exceções são as compras feitas por questões de segurança e defesa nacionais (armas, munições ou material bélico). Entretanto, as compras feitas por Ministérios ou Departamentos Militares de produtos não diretamente ligados às questões de defesa estão cobertas pelo Acordo.

Procedimentos operacionais (licitações)

Para assegurar um tratamento "justo e equitativo" entre os fornecedores domésticos e estrangeiros, o Acordo estabelece que as compras devam ser feitas por licitações públicas através das quais os fornecedores interessados podem apresentar ofertas. São aceitas também licitações seletivas (onde só fornecedores identificados previamente como tendo as necessárias qualificações são convidados a apresentar ofertas) e as contratações diretas desde que respeitados alguns dispositivos específicos do Acordo.

ofertas) e as contratações diretas desde que respeitados alguns dispositivos específicos do Acordo. Página 23 de

As contratações diretas só são admitidas em situações especiais como nos casos em que nenhuma oferta foi recebida em resposta a uma licitação (pública ou seletiva) ou tenha havido conivência nas ofertas apresentadas.

Transparência

O Acordo pressupõe total transparência tanto dos procedimentos licitatórios, como dos resultados das licitações ou de qualquer modificação legal, judicial ou administrativa que diga respeito às compras governamentais. A essas alterações deve ser dada a maior publicidade possível.

Tratamento especial para os países em desenvolvimento

Para as empresas de países em desenvolvimento, as compras governamentais constituem-se em um grande e crescente mercado. Cabe destacar ainda que neste período (1990-94), o Acordo não englobava os serviços, o que faz com que os especialistas estimem o crescimento deste mercado em dez vezes nos últimos anos.

Ainda assim, apenas dois países em desenvolvimento são signatários do Acordo - Hong Kong e Coréia - e as razões para a relutância dos países em desenvolvimento em aderir ao Acordo pode ser atribuída à apreensão de que, ao subscrevê-lo, terão que modificar suas políticas que, geralmente, privilegiam as compras locais e de pequenas e médias empresas.

Vale ainda ressaltar que os países-membros do Acordo não impedem que fornecedores de países não signatários participem das licitações de suas agências. Apenas os Estados Unidos não seguem esta regra e proíbem a compra de países não signatários do Acordo, à exceção dos menos desenvolvidos.

Buy American Act

: Apesar de signatário do Acordo, o governo dos Estados Unidos, um dos maiores compradores de bens não estratégicos do mundo, tem uma legislação própria extremamente rígida, conhecida como Buy American Act. Por esta lei, o governo norte-americano deve comprar bens e serviços LOCAIS, salvo se os preços dos fornecedores domésticos forem considerados "absurdos" (unreasonable) ou sua compra for considerada inconsistente com o interesse público americano. Ao longo dos anos, o Buy American Act sofreu várias emendas que estabeleceram critérios mais concretos para os casos de compras de produtos estrangeiros.

que esta beleceram critérios mais concretos para os casos de compras de produtos estrangeiros. Página 24

Iniciativas recentes

O acompanhamento da aplicação do Acordo nos diferentes países signatários é feito pelo Comitê de Compras Governamentais da OMC, que pode criar Grupos de Trabalho para estudar temas específicos. Neste sentido, passou a funcionar, este ano, um Grupo de Trabalho sobre Transparência nas Compras Governamentais que já se reuniu duas vezes. O Grupo procurou apoio em duas outras organizações internacionais, a UNCITRAL - United Nations Commission on International Trade Law e o Banco Mundial, que também trabalham nesta área com o objetivo de juntar esforços para melhorar os regulamentos e práticas de compras governamentais.

Por sua vez, o Banco Mundial só financia projetos que sigam regras claras e respeitem os princípios de economia e eficiência nas compras governamentais.

2.3. O ACORDO GERAL SOBRE O COMÉRCIO DE SERVIÇOS - GATS

O Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços é um dos mais de 20 acordos comerciais administrados e impostos pela Organização Mundial de Comércio (OMC, ou WTO na sigla em inglês). O GATS foi estabelecido em 1994, na conclusão do ciclo de debates do "Ciclo Uruguaio" do GATT (General Agreement on Tariffs and Trade, ou Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), que conduziu à criação da OMC.

O GATS foi um dos acordos comerciais adotados para inclusão na criação da OMC, em 1995. As negociações deviam começar cinco anos depois com o objetivo de "aumentar progressivamente o nível de liberalização [comercial]".

O mandato do GATS é a “liberalização do comércio de serviços”. Em português claro, isso significa o desmantelamento das barreiras estatais em relação à privatização dos serviços públicos. O seu objetivo é tornar impossível aos Estados administrarem os serviços públicos numa base não lucrativa, sem a participação das companhias privadas. O GATS permitirá à Organização Mundial de Comércio OMC restringir a atuação do Estado sobre o serviço público, através de um conjunto de condicionamentos legalmente vinculativos. Qualquer desobediência por parte do governo às regras da OMC implicará sanções.

Os bancos, companhias seguradoras, operadoras de telecomunicações, redes hoteleiras e outras empresas desejando atuar em nível internacional podem atualmente beneficiar-se dos princípios de livre-comércio, anteriormente restritos a bens e mercadorias.

beneficiar-se dos princípios de livre-comércio, anteriormente restritos a bens e mercadorias. Página 25 de 163.

Estes princípios estão contidos no novo Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS). Os membros da Organização Mundial do Comércio também se inspiraram no GATS para compromissos individuais em setores que desejam abrir à concorrência internacional e nas condições em que desejam fazê-lo.

a) Tratamento da nação mais favorecida: (Artigo II) "Cada Membro deve conceder

imediatamente e incondicionalmente aos serviços e prestadores de serviços de qualquer

outro Membro, tratamento não menos favorável do que aquele concedido a serviços e prestadores de serviços similares de qualquer outro país";

b) Tratamento Nacional: "Cada Membro deve tratar os serviços e fornecedores de

serviços estrangeiros de uma maneira não menos favorável do que aquela que dispensa aos seus próprios serviços similares e aos próprios fornecedores de serviços similares (Artigo XVII);

c) Transparência: Disciplinada pelo Artigo III, determina que os membros devam publicar todas as leis e regulamentos referentes a todos os setores de serviços. Cada Membro deve notificar o Conselho para o Comércio de Serviços pelo menos uma vez por ano da introdução ou modificação de quaisquer legislações, regulamentos ou normas administrativas que afetem significativamente o comércio de serviços cobertos pelos compromissos nacionais específicos assumidos. Na ausência de tarifas aduaneiras é através das legislações internas, incluindo os acordos internacionais, que será possível controlar o comércio de serviços;

d) Reconhecimento: Prevista no Artigo VII, dispõe a respeito do reconhecimento de

qualificações. O GATS permite o reconhecimento automático e recíproco da educação ou experiência adquiridas, dos requisitos alcançados ou das licenças concedidas em um determinado país, desde que sejam dadas oportunidades adequadas aos possuidores de

qualificações para provarem sua competência;

e) Participação crescente dos países em desenvolvimento: A participação crescente

deste grupo de países no comércio mundial será facilitada através dos compromissos

específicos negociados pelos diferentes membros.

RESUMO DO RESUMO

1. No pós-guerra, os países resolveram voltar ao liberalismo e assinaram o GATT em 1947. O GATT foi republicado, incorporando-se as alterações, e passou a ser chamado de GATT-94, que é juridicamente distinto do GATT-47, mas essencialmente igual;

2. A Cláusula da Nação Mais Favorecida dispõe que todo benefício dado a um país deve ser estendido para os demais signatários do Acordo. Esta cláusula comporta exceções (blocos de integração, SGP e SGPC);

signatários do Acordo . Esta cláusula comporta exceções (blocos de integração, SGP e SGPC); Página 26

3. Cada país fixou a alíquota máxima de imposto de importação por produto e estas

listas dos países foram anexadas ao GATT na sua assinatura. Os países assumiram o compromisso de não cobrar imposto em percentuais superiores aos que

Combinaram negociar periodicamente reduções de barreiras

fixaram nas listas.

comerciais nas chamadas Rodadas de Negociação;

4. Combinaram

de

imposto de importação, sendo permitido o uso de quotas e de licenças de importação e exportação em algumas situações especiais;

usar

as

barreiras

comerciais

EXCLUSIVAMENTE

na

forma

5. De 1947 à década de 1970, as barreiras tarifárias foram muito reduzidas em virtude das rodadas de negociação. Na década de 1970, em função das crises mundiais, o protecionismo voltou com força, mas como não podiam mais ser levantadas as alíquotas máximas anexadas ao GATT, as barreiras passaram a ser eminentemente barreiras não tarifárias por falta de opção;

6. Em 1994, com o final da Rodada Uruguai, o mundo voltou ao caminho do liberalismo ao criar a instituição que fiscalizaria o comércio mundial: a Organização Mundial do Comércio;

7. Linha do Tempo:

a) Década de 1930 – Protecionista por causa do crash;

b) De 1947 a 1970 – Período em que o liberalismo voltou “à toda”;

c) De 1970 a 1994 – O protecionismo aumenta e assume a feição não-tarifária, que perdura até hoje; e

d) A partir de 1995 – O mundo retoma o caminho do liberalismo com a criação da OMC.

8. Em resumo podem ser citadas as seguintes situações com permissão de barreiras não-tarifárias:

a) Para proteger o Balanço de Pagamentos, quando há déficit e as reservas estão exíguas ou ameaçando cair abruptamente (usa-se a quota);

b) Para proteção à indústria nascente (quota ou tarifa);

c) Para a aplicação de medidas de defesa comercial, por meio de alíquota antidumping e medida compensatória (barreiras não-tarifárias na forma de alíquota) ou cláusula de salvaguarda (imposto de importação ou quota);

d) Para promoção da segurança nacional (o GATT não citou expressamente que tipo de barreira poderia ser aplicada);

e) Para as situações listadas no parágrafo 2o do artigo XI (proibição ou quota);

f) alguns produtos em situações específicas (artigo XX), em que se pode inclusive proibir a importação. Para se importar uma mercadoria que possa se enquadrar em algum dos casos abaixo, o governo normalmente impõe a obrigatoriedade de se licenciar previamente a importação.

abaixo, o governo normalmente im põe a obrigatoriedade de se licenciar previamente a importação. Página 27

Desta forma, ele nem permite o embarque no exterior com destino ao Brasil de mercadorias:

i. que tragam danos ao meio ambiente;

ii. que tragam danos à saúde das pessoas e animais;

iii. falsificados;

iv. produzidos por presos; e

v. para proteger a moral pública, entre outros.

QUESTÕES DE CONCURSOS

01 - (AFRF 2000) Não constitui princípio e prática da Organização Mundial do Comércio (OMC):

a)

Eliminação das restrições quantitativas

b)

Nação mais favorecida

c)

Proibição de utilização de tarifas

d)

Transparência

e)

Tratamento nacional

02

- (AFTN/98) A Cláusula da Nação Mais Favorecida estabelece:

a)

a Nação mais favorecida nas tarifas de seu produto de exportação deve manter o seu mercado aberto para os demais produtos

b)

um país estende aos demais os privilégios concedidos a um terceiro país

c)

a Nação mais favorecida é a que obtém os privilégios de uma rodada de redução tarifária sem abrir o seu mercado para as demais

d)

a idéia de que uma Nação deve se abster de obter vantagens injustificáveis ou praticar um comércio injusto com os demais países

e)

o direito de alguns países obterem vantagens no comércio com outros países

03

- (AFRF/2003) No presente, o sistema multilateral de comércio está conformado

pelo(a)

a) Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA) e pela União Européia.

b) Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT), celebrado no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

c) Sistema Geral de Preferências.

d) Organização Internacional do Comércio (OIC).

e) Organização Mundial de Comércio, tendo como pilar o Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT), tal como revisto em 1994.

Comércio, tendo como pilar o Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT), tal co mo revisto

04 - (AFRF/2002-2) O sistema multilateral de comércio, conformado pela Organização Mundial de Comércio (OMC), está amparado em um conjunto de acordos em que se definem normas e compromissos dos países quanto à progressiva liberalização do comércio internacional. Sobre tais acordos, é correto afirmar-se que:

a)

abrangem o comércio de bens e de serviços e compromissos relacionados a investimentos.

b)

abrangem o comércio de bens e de serviços e compromissos em matéria de propriedade intelectual.

c)

são conhecidos como Acordos Plurilaterais, por envolver a totalidade dos membros da OMC e abrangem o comércio de bens e de serviços.

d)

embora conhecidos como Acordos Plurilaterais, não são necessariamente firmados por todos os membros da OMC.

e)

são conhecidos como Acordos Plurilaterais e abrangem o comércio de bens, serviços e compromissos em matéria de propriedade intelectual.

05

- (AFRF 2002-1) Sobre a Organização Mundial de Comércio, é correto afirmar que

a)

sua criação se deu com a extinção do Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT) ao final da Rodada Uruguai em 1994.

b)

entre suas principais funções, está a administração de acordos comerciais firmados por seus membros, a resolução de disputas comerciais e a supervisão das políticas comerciais nacionais.

c)

tem como objetivo principal operacionalizar a implantação de um sistema de preferências comerciais de alcance global.

d)

promove a liberalização do comércio internacional por meio de acordos regionais entre os países membros.

e)

presta assistência aos governos nacionais na aplicação de barreiras não-tarifárias.

06

- (AFRF/2003) No presente, os membros da Organização Mundial do Comércio

totalizam 146, o que, ademais da extensão de sua agenda comercial, torna muito

complexas as rodadas de negociações multilaterais conduzidas em seu âmbito. Em tais rodadas, as decisões são tomadas por:

a)

maioria simples

b)

maioria qualificada

c)

consenso

d)

single undertaking

e)

voto de liderança

07

- (AFRF/2005) 47- Assinale a opção correta.

a)

Não integram o valor aduaneiro do bem os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada até o ponto onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro.

importada até o ponto onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro. Página

b)

Caso não seja possível a determinação do valor aduaneiro pelo método do valor de

transação, a autoridade aduaneira está autorizada a, em seguida, definir o valor aduaneiro do bem tendo como parâmetro o preço do produto similar no mercado doméstico.

c)

A

autoridade aduaneira no Brasil deve respeitar a seqüência de métodos de valoração

aduaneira prevista no Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC. Contudo, caso haja a aquiescência da autoridade aduaneira, o importador pode optar pela aplicação do método do valor computado antes do método dedutivo.

d)

Não integra o valor aduaneiro da mercadoria o custo de transporte do bem importado até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro.

e)

O Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC é um dos chamados acordos plurilaterais da Organização, ou seja, vincula apenas os países que desejarem aderir ao Acordo, situação na qual se enquadra o Brasil.

08

- (AFRF 2002-2) Na Organização Mundial do Comércio (OMC), o tratamento de

temas relativos à simplificação de trâmites aduaneiros ocorre no âmbito das

negociações sobre:

a)

obstáculos técnicos ao comércio.

b)

acesso a mercados.

c)

medidas de facilitação de comércio.

d)

subvenções e direitos compensatórios.

e)

defesa da concorrência.

09

- (AFRF/2003) Sobre o protecionismo, em suas expressões contemporâneas, é

correto afirmar-se que:

a) tem aumentado em razão da proliferação de acordos de alcance regional que mitigam

o impulso liberalizante da normativa multilateral.

b) possui expressão eminentemente tarifária desde que os membros da OMC acordaram

a tarifação das barreiras não-tarifárias.

c) assume feições preponderantemente não-tarifárias, associando-se, entre outros, a

procedimentos administrativos e à adoção de padrões e de controles relativos às características sanitárias e técnicas dos bens transacionados.

d) vem diminuindo progressivamente à medida que as tarifas também são reduzidas a patamares historicamente menores.

e) associa-se a estratégias defensivas dos países em desenvolvimento frente às pressões liberalizantes dos países desenvolvidos.

10 - (AFRF 2002-1) Todas as vantagens, favores, privilégios ou imunidades concedidos por uma parte contratante a um produto originário ou com destino a qualquer outro país serão, imediatamente e incondicionalmente, estendidos a qualquer produto similar originário ou com destinação ao território de quaisquer outras partes contratantes. (GATT-1994, artigo 1, parágrafo 1).

ao território de quaisquer outras partes contratantes. (GA TT-1994, artigo 1, parágrafo 1). Página 30 de

O excerto acima destacado (caput do parágrafo 1 do artigo 1) define uma cláusula conhecida, internacionalmente, como:

a) cláusula de tratamento preferencial.

b) cláusula da nação mais favorecida.

c) cláusula de favorecimento comercial.

d) cláusula de país aderente a Acordo Comercial.

e) cláusula de definição comercial.

11 - (AFRF/2005) 37 - A adoção da cláusula da nação mais favorecida pelo modelo do Acordo Geral de Tarifas e Comércios (GATT) teve como indicativo e desdobramento a pressuposição da igualdade econômica de todos os participantes do GATT, bem como, no plano fático:

a) a luta contra práticas protecionistas, a exemplo da abolição de acordos bilaterais de preferência.

b) a manutenção de barreiras alfandegárias decorrentes de acordos pactuados entre blocos econômicos, a exemplo do trânsito comercial entre membros do MERCOSUL e da União Européia, criando-se vias comerciais preferenciais freqüentadas e protagonizadas por atores globais que transcendem o conceito de estado-nação.

c) a liberação da prática de imposição de restrições quantitativas às importações, por parte dos estados signatários que, no entanto, podem manter políticas de restrições qualitativas.

d) a liberalização do comércio internacional, mediante a vedação de quaisquer restrições diretas e indiretas, fulminando-se a tributação na exportação, proibida pelas regras do GATT, que especificamente vedam a incidência de quaisquer exações nos bens e serviços exportados, de acordo com tabela anualmente revista, e que complementa as regras do Acordo.

e) o descontrole do comércio internacional, mediante a aceitação de barreiras tarifárias, permitindo-se a tributação interna, medida extrafiscal que redunda na exportação de tributos, instrumento de incentivo às indústrias internas e de manutenção de níveis ótimos de emprego, evidenciando-se as preocupações da Organização Mundial do Comércio em relação a mercados produtores e consumidores internos

12 - (AFRF/2005) 41- O estado X, principal importador mundial de brocas helicoidais, adquire o produto de vários países, entre eles os estados Y e Z. Alegando questões de ordem interna, o estado X, num dado momento, decide majorar o imposto de importação das brocas helicoidais provenientes de Y, e

mantém inalterado o tributo para as brocas helicoidais oriundas de Z. Considerando que os países X, Y e Z fazem parte da Organização Mundial do Comércio, com base em que princípio da Organização o estado Y poderia reclamar a invalidade dessa prática?

a) Princípio da transparência.

b) Princípio do tratamento nacional.

c) Respeito ao compromisso tarifário.

d) Cláusula da nação mais favorecida.

e) Princípio da vedação do desvio de comércio.

d) Cláusula da nação mais favorecida. e) Princípio da vedação do desvio de comércio. Página 31

GABARITO

 
 

01

- C

02

- B

03

- E

04

- B

05

- B

06

- C

07

- C

08

- C

09

- C

10

- B

11

- A

12

- D

2.4. VALOR ADUANEIRO. ACORDO SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DO ART. VII DO

GATT-1994

Histórico

(por Prof. Uziel Santana)

Um dos artifícios utilizados pelos países para protegerem suas indústrias nacionais (bloqueio de importações) até a implementação do GATT-47 era exatamente a manipulação da base de cálculo do imposto de importação. Assim, de nada adiantava uma reduzida tarifa sobre as importações se esta fosse aplicada a uma base de cálculo determinada por critérios arbitrários e irreais. Era um subterfúgio dos países, que “fingiam” possuir uma baixa tributação às importações, apresentando alíquotas reduzidas do Imposto de Importação, quando essa alíquota multiplicada por um valor elevado artificialmente resultava em uma grande quantidade de imposto a pagar, tornando as importações pouco atrativas. Era o PROTECIONISMO escondido na manipulação da base de cálculo do Imposto de Importação.

Assim, a primeira vez que se falou em padronização das bases de cálculo do imposto de importação aplicado pelos países foi no GATT/47. É o que se chama de VALORAÇÃO ADUANEIRA, ou seja, definir, de maneira uniforme, o valor aduaneiro das importações.

O Acordo definiu então que o valor aduaneiro não poderia ser baseado em valores arbitrários e fictícios, mas sim no “valor real” da transação.

- A regra do Artigo VII do GATT não ficou muito clara, por isso em 1950, alguns países assinaram a Definição do Valor de Bruxelas (DVB), que passou a ser utilizada mesmo por países que não assinaram a Convenção que a criou. O valor seria determinado por meio de uma noção teórica (preço normal), ou seja, um preço estimado, com base em uma venda realizada em condições de livre concorrência entre comprador e vendedor independentes um do outro. Isso fez com que os governos possuíssem flexibilidade para determinação desse “preço normal”. Cada país gerenciava sua “pauta de preços normais”, e assim não se atingia o efeito padronizador desejado, ficando a base de cálculo sujeita ao arbítrio dos interesses econômicos dos governos, ou seja, muitas vezes a base de cálculo do imposto de importação era manipulada artificialmente para encobrir uma política protecionista.

do imposto de importação era manipulada artifici almente para encobrir uma política protecionista. Página 32 de

Com isso, ficou clara a necessidade de um sistema de valoração com métodos uniformes, padronizados, e com regras claras a serem seguidas pelos países. Com a Rodada Tóquio (1973-1979), do GATT, foram retomadas as negociações para o estabelecimento de um sistema de valoração aduaneira capaz de sanar os problemas até então existentes. Daí surgiu o Acordo para a Implementação do Artigo VII do GATT, que foi chamado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). No AVA, o conceito de preço real foi modificado, e na verdade o “valor real” passou a ser composto somente por preços efetivamente praticados, e não mais por preços teóricos. O valor passou a ser determinado a partir de uma noção positiva, com base no “preço efetivamente pago ou a pagar”.

Estavam eliminadas as hipóteses de utilização de “preços normais” ou “preços mínimos”. Ao invés da teoria, passou-se a dar mais importância à operação comercial em si e aos fatos a ela associados.

O AVA estabelece que o valor aduaneiro será determinado a partir da aplicação

sucessiva de 6 (seis) métodos distintos de valoração, que serão vistos a seguir.

Com a conclusão da Rodada Uruguai, em 1994, foi constituída a OMC (Organização Mundial do Comércio), e o AVA passou a compor o grupo de Acordos Multilaterais do novo GATT (GATT/94). Assim, os países que quiserem integrar a OMC DEVEM, OBRIGATORIAMENTE, assinar o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA).

O AVA passou a ser, dessa forma, a ferramenta para que os países determinem

corretamente a base de cálculo do imposto de importação, não servindo para nenhum outro fim. Apesar de ser baseado em valores efetivamente praticados, o valor aduaneiro

não se confunde com o valor faturado pelo exportador, podendo este valor sofrer ajustes a fim de se determinar a base de cálculo do tributo.

2.4.1. CRITÉRIOS GERAIS E PRINCÍPIOS BÁSICOS DO ACORDO.

Tendo em vista as Negociações Comerciais Multilaterais;

Promover a consecução dos objetivos do GATT 1994 e assegurar vantagens adicionais para o comércio internacional dos países em desenvolvimento;

Reconhecer a importância das disposições do Artigo VII do GATT 1994 e desejando elaborar normas para sua aplicação com vistas a assegurar maior uniformidade e precisão na sua implementação;

Reconhecer a necessidade de um sistema eqüitativo, uniforme e neutro para a valoração de mercadorias para fins aduaneiros, que exclua a utilização de valores aduaneiros arbitrários ou fictícios;

Reconhecer que a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros DEVE SER, tanto quanto possível, o valor de transação das mercadorias a serem valoradas;

DEVE SER, tanto quanto possível, o valor de transação das mercadorias a serem valoradas; Página 33

Reconhecer que o valor aduaneiro deve basear-se em critérios simples e eqüitativos, condizentes com as práticas comerciais e que os procedimentos de valoração DEVEM SER de aplicação geral, sem distinção entre fontes de suprimento;

Reconhecer que os procedimentos de valoração não devem ser utilizados para combater o dumping;

Regras para a apuração do valor aduaneiro

Na apuração do valor aduaneiro, serão incluídos os seguintes elementos:

o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II - os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III - o custo do seguro da mercadoria durante as operações indicadas nos incisos anteriores.

I

-

O valor aduaneiro não abrangerá os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória:

I - custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II - encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executados após a importação.

Para os países desenvolvidos, o AVA/GATT entrou em vigor em 1981. No Brasil, em função da carência prevista, começou a vigorar somente no dia 23 de julho de 1986, quando foi promulgado pelo Decreto nº. 92.930.

PRINCÍPIOS GERAIS DO AVA:

1) Princípio da Neutralidade:

o AVA não poderá ser utilizado para quaisquer fins que

não sejam a determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros.

Para o combate à práticas desleais de comércio, como é o caso de dumping e subsídios, o GATT possui remédios próprios, quais sejam, a aplicação de medidas antidumping e compensatórias. Isso quer dizer que o fato de uma importação estar com preço de dumping em nada afeta a base de cálculo do imposto de importação, pois esta se refere ao valor da transação (preço efetivamente pago ou a pagar). Assim, o importador terá de pagar o imposto de importação calculado sobre o valor aduaneiro, além de uma eventual alíquota antidumping.

de importação calculado sobre o valor aduaneiro, além de uma eventual alíquota antidumping. Página 34 de

2) Princípio da Uniformidade:

os critérios utilizados para valorar as mercadorias

devem ser os mesmos, independentemente do contribuinte (importador), do local ou

da época da operação.

Os preços praticados podem ser distintos, mas a forma de se constituir a base de cálculo tem que ser a mesma para todos, seja nacional ou internacionalmente.

os procedimentos aplicados devem tratar a situação com

justiça, aplicando-se os mesmos direitos para casos semelhantes, jamais se buscando beneficiar alguém.

3) Princípio da Eqüidade:

4) Princípio da Precisão:

o valor aduaneiro será determinado com base em critérios

objetivos, chegando-se, dessa forma, a um valor único, preciso e quantificável, qualquer que seja o método de valoração.

Com a eliminação da subjetividade e arbítrio na determinação do VA, este jamais será calculado a partir de valores aproximados, médios, fictícios ou arbitrários.

5) Princípio da Simplicidade:

o AVA não é dirigido a especialistas, portanto seus

critérios devem ser simples, com elementos facilmente assimiláveis.

6) Princípio da Harmonia com as Práticas Comerciais:

o AVA não existe para

influenciar as negociações entre importador e exportador. Estas são livres e as regras

e práticas comerciais devem ser respeitadas e analisadas pelas autoridades aduaneiras.

Assim, o contrato internacional de compra e venda deve ser analisado da forma como foi

Assim, o contrato internacional de compra e venda deve ser analisado da forma como foi celebrado. Pode ser ainda que ele não exista (acordo verbal entre comprador e

vendedor). Nesse caso não caberá à aduana exigir a sua apresentação.

ele não exista (acordo verbal entre comprador e vendedor). Nesse caso não caberá à aduana exigir

7) Princípio da Não-Distinção entre as Fontes de Suprimento:

os procedimentos de

valoração aduaneira não podem estabelecer critérios distintos (discriminação) em relação à origem da mercadoria.

Deverá ser reconhecido que a mesma mercadoria pode ter preços distintos se fabricada em países distintos, devido a diversos fatores, tais como o custo da mão-de-obra

8) Princípio da Leal Concorrência:

os preços levados em conta pela aduana para

valoração são, supostamente, praticados em mercado de livre concorrência.

As autoridades deverão estar atentas às situações que afetem este mercado livre, já que estas são consideradas anormais em relação aos procedimentos de valoração.

mercado livre, já que estas são consideradas anormais em relação aos procedimentos de valoração. Página 35

9) Princípio da Primazia do Valor de Transação:

sempre que possível, o valor

aduaneiro será determinado com base no valor de transação.

10) Princípio do Sigilo:

os documentos apresentados às autoridades aduaneiras no

procedimento de valoração serão resguardados por sigilo fiscal e comercial.

11) Princípio da Publicidade:

as normas de valoração devem ser publicadas pelos

países importadores para que possam ser aplicadas.

2.5. MÉTODOS DE VALORAÇÃO

O Acordo estabeleceu 6 (seis) métodos que a fiscalização aduaneira deverá seguir, NA SEQÜÊNCIA, para valorar as mercadorias. Isso quer dizer que a aduana somente pode passar para o segundo método caso não consiga utilizar o primeiro; o terceiro método será aplicado somente na impossibilidade de utilização do segundo e assim por diante.

De acordo com as normas do Acordo, o valor aduaneiro deve ser determinado pela aplicação de um dos seguintes métodos:

Primeiro método: Valor de Transação da mercadoria importada;

Segundo método: Valor de Transação da mercadoria importada idêntica à mercadoria objeto do despacho;

Terceiro método: Valor de Transação da mercadoria importada similar à mercadoria objeto do despacho.

Quarto método:

Quinto método:

Sexto método:

Valor de revenda da mercadoria importada

Valor computado da mercadoria importada

Valor baseado em critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais do GATT, e em dados disponíveis no País

Os métodos devem ser obrigatoriamente aplicados na ordem exposta, utilizando-se o segundo método somente quando o valor aduaneiro não puder ser determinado pelo primeiro, e assim sucessivamente.

Para a aplicação de cada método, em regra, há condições e requisitos que se não satisfeitos, impedem a utilização desse método.

regra, há condições e requisitos que se não satisfeito s, impedem a utilização desse método. Página

O AVA / GATT, em regra, deve ser aplicado a todas as importações brasileiras, efetuadas a qualquer título.

Além dos métodos de valoração, as Normas do AVA tratam sobre outros assuntos, tais como:

Taxa de câmbio utilizada para conversão do valor;

Confidencialidade das informações prestadas pelo importador;

Direito de recurso à determinação do valor aduaneiro;

Necessidade de publicação das normas administrativas de valoração;

Possibilidade de postergação do momento da determinação definitiva do valor aduaneiro, podendo o importador retirar as mercadorias da alfândega, apresentado, se for o caso, garantia suficiente para cobrir eventual diferença de tributos;

Direito do importador de receber, por escrito, informação sobre a forma de cálculo do valor aduaneiro.

2.6.

ACORDO SOBRE REGRAS DE ORIGEM DO GATT-1994.

As

REGRAS DE ORIGEM

são leis, regulamentos e determinações administrativas

utilizadas pelos países para determinar a nacionalidade de um produto. Os principais critérios para a definição de regras de origem são:

a) Mudança na classificação tarifária do produto;

b) Porcentagem do valor adicionado, comumente chamado de critério ad valorem; e

c) Grau de processamento do produto.

Geralmente os países realizam acordos concedendo benefícios recíprocos em suas trocas comerciais, estabelecendo, usualmente, a concessão de margens de preferência tarifária. Estas são aplicadas sobre a alíquota normal do imposto de importação fixada nas respectivas tarifas.

O Acordo sobre Regras de Origem, firmado ao final da Rodada Uruguai (Acordo GATT 1994), requer que os membros da OMC assegurem:

, firmado ao final da Rodada Uruguai (Acordo GATT 1994), requer que os membros da OMC

A transparência em suas regras de origem;

Que

elas

não

tenham

efeitos

restritivos

internacional;

e

distorcivos

ao

comércio

Que sejam administradas de maneira consistente, uniforme, imparcial e razoável; e

Que sejam baseadas em padrões positivos (ou seja, devem ser elaboradas regras que efetivamente atestem a origem e não o contrário).

Para a

DEFINIÇÃO DAS REGRAS DE ORIGEM

são levados em consideração:

O princípio da transformação substancial;

Mudança no título tarifário;

Processos específicos;

Níveis mínimos de valor adicionado (ou alguma combinação destas exigências) e, ainda,

e

Outros

regulamentos,

tais

como

exigências

de

rotulagem

especificações técnicas.

Pais de Origem:

onde

transformação substancial.

é

o

país

o

produto

tenha

sido

produzido

ou

sofrido

Transformação substancial:

Deve-se observar critérios de mudança na nomenclatura (salto tarifário), critérios de percentuais e métodos de fabricação e processamento.

Em relação aos BLOCOS ECONÔMICOS, para que os países que dele fazem parte confiram preferências entre si e estas não sejam estendidas a outros países não-partes do acordo, é necessário estabelecer um regime de origem comum. Dificuldades podem surgir quando o produto em questão for elaborado a partir de componentes de diversos países, razão pela qual é preciso formular critérios próprios para determinar a porcentagem de conteúdo nacional que deve ser verificada para que o produto goze das preferências decorrentes dos acordos de comércio.

RESUMO DO RESUMO

1. O Acordo de Valoração Aduaneira surgiu para que os países passassem a utilizar procedimento uniformizado na determinação da base de cálculo do imposto de importação, eliminando a manipulação da mesma como forma de protecionismo disfarçado.

de importação , eliminando a manipulação da mesma como forma de protecionismo disfarçado. Página 38 de

2. O

AVA

procurou

estabelecer

médios, fictícios ou arbitrários.

uma

base

de

cálculo

sobre

o

valor

de

fato

3. Seus princípios gerais são: neutralidade, eqüidade, uniformidade, simplicidade, harmonia com as práticas comerciais, não distinção entre fontes de suprimento, primazia do valor de transação, leal concorrência, precisão, sigilo e publicidade.

4. O AVA instituiu 6 (seis) métodos de valoração. Deve-se tentar aplicar sempre o primeiro método, somente se passando ao segundo CASO NÃO SEJA possível utilizar o primeiro, e assim por diante. Os métodos são:

1º) Valor de Transação 2º) Valor de Transação de Mercadorias Idênticas 3º) Valor de Transação de Mercadorias Similares 4º) Valor de Revenda (Dedutivo) 5º) Valor Computado 6º) Valor Baseado em Critérios Razoáveis

5. O importador poderá pedir à autoridade aduaneira para aplicar o quinto método antes do quarto.

6. O primeiro método só se aplica em caso de transação de venda.

7. Há alguns impedimentos para aplicação do primeiro método, tais como restrições para a utilização da mercadoria pelo importador, preço sujeito à contraprestação, reversão da parcela do resultado da revenda para o exportador. Nesses casos, se for possível a determinação dos valores, estes devem ser acrescidos ao valor aduaneiro, e aí se pode utilizar o método 1.

8. Se houver vinculação entre comprador e vendedor e o preço estiver afetado por essa vinculação, não se aceita o método 1.

9. Alguns custos do importador não entram no valor aduaneiro, como gastos de montagem, construção etc., efetuados após a importação, assim como o transporte interno do porto até o estabelecimento do importador e os tributos no país de importação.

10. O Artigo 8 do AVA estabelece alguns ajustes a serem efetuados no valor de transação para aplicação do primeiro método, tais como incluir custos de embalagem, royalties, comissões e corretagens de venda, ferramentas, materiais e projetos fornecidos pelo importador.

transacionado,

eliminando

as

determinações

com

base

em

preços

normais,

, eliminando as determinações com base em preços normais, Página 39 de 163.

11. O Artigo 8 estabelece ajustes facultativos, que o Brasil adotou como obrigatórios, tais como o frete internacional e o seguro sobre esse frete, gastos com carregamento, descarregamento e manuseio da carga até o ponto de chegada no país de importação.

12. O segundo e o terceiro métodos, respectivamente os métodos de mercadorias idênticas e similares, se aplicam somente quando há mercadorias idênticas ou similares que já foram objeto de valoração aduaneira ratificada pelas autoridades alfandegárias no país do importador em tempo aproximado e mantendo-se a origem da mercadoria.

QUESTÕES DE CONCURSOS

01- (AFRF/2002-1) Por meio dos elementos abaixo determine com base no Método Primeiro, o valor aduaneiro da importação.

1. Elementos oferecidos pela Fatura Comercial:

1.1. Condição negocial Incoterms-2000 FOB/Porto de Santos

1.2. Valor do equipamento importado - US$ 200,000.00

1.3. Despesas relativas à embalagem e acondicionamento no porto

de embarque US$ 1,500.00

1.4. Frete interno no país de exportação - US$ 800.00

1.5. Comissão à agente (comissão por venda) - 1% - US$ 2,000.00

1.6. Montagem do equipamento no estabelecimento do comprador -

US$ 5,000.00

1.7. Assistência técnica pelo período de 6 meses - US$ 12,000.00

1.8. Total faturado - US$ 221,300.00

2. Elementos oferecidos pelo Conhecimento de Transporte:

2.1. Frete Internacional US$ 1,800.00

3. Outros elementos:

3.1. Dólar fiscal (taxa de conversão): 2,00

Assinale a opção correta.

a) R$ 446.200,00

b) R$ 407.600,00

c) R$ 412.200,00

d) R$ 400.000,00

e) R$ 406.300,00

correta. a) R$ 446.200,00 b) R$ 407.600,00 c) R$ 412.200,00 d) R$ 400.000,00 e) R$ 406.300,00

02 - (AFRF/2002-1) O Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral

sobre Tarifas e Comércio-1994 estabelece no seu Artigo 1, parágrafo 1, que "O valor

aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de

importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que Com base nessa definição, assinale a opção correta.

".

a)

A base de cálculo tributária do Imposto de Importação – II (valor aduaneiro) é obtida pelo valor de transação ajustado segundo o Artigo 8 do Acordo.

b)

A base de cálculo tributária do Imposto de Importação – II (valor aduaneiro) é obtida pelo somatório do preço efetivamente pago ou a pagar mais o valor de transação ajustado segundo o Artigo 8 do Acordo.

c)

A base de cálculo tributária do Imposto de Importação – II (valor aduaneiro) é determinada pelo Artigo 1 do Acordo, acrescido do montante do próprio Imposto de Importação- II.

d)

A base de cálculo tributária do Imposto de Importação – II (valor aduaneiro) é obtida pelo ajuste, segundo o Artigo 8, do valor aduaneiro menos o preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada.

e)

A base de cálculo tributária do Imposto de Importação – II (valor aduaneiro) é o valor obtido pela soma dos ajustes ao preço efetivamente pago ou a pagar pela exportação das mercadorias.

03

– (AFRF/2005) Assinale a opção correta.

a)

Não integram o valor aduaneiro do bem os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada até o ponto onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro.

b)

Caso não seja possível a determinação do valor aduaneiro pelo método do valor de transação, a autoridade aduaneira está autorizada a, em seguida, definir o valor aduaneiro do bem tendo como parâmetro o preço do produto similar no mercado doméstico.

c)

A autoridade aduaneira no Brasil deve respeitar a seqüência de métodos de valoração aduaneira prevista no Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC. Contudo, caso haja a aquiescência da autoridade aduaneira, o importador pode optar pela aplicação do método do valor computado antes do método dedutivo.

d)

Não integra o valor aduaneiro da mercadoria o custo de transporte do bem importado até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro.

e)

O Acordo sobre Valoração Aduaneira da OMC é um dos chamados acordos plurilaterais da Organização, ou seja, vincula apenas os países que desejarem aderir ao Acordo, situação na qual se enquadra o Brasil.

vincula apenas os países que desejarem aderir ao Acordo, situação na qual se enquadra o Brasil.

04

– (TRF/2005) Atribua a letra (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as

falsas. Em seguida, marque a opção que contenha a seqüência correta.

(

) Compete ao importador escolher o método de definição do valor aduaneiro aplicável à sua operação, entre os previstos no Acordo sobre Valoração Aduaneira da Organização Mundial do Comércio (OMC) e na legislação brasileira.

(

) Mesmo que a mercadoria a ser importada tenha seu valor comercial reduzido em função de dano ou acidente, não poderá haver redução no valor aduaneiro a ser definido para fins de cálculo dos tributos aplicáveis.

(

) O valor aduaneiro de bens importados deve ser o valor de transação, isto é, o preço de comercialização de bem idêntico no mercado interno.

(

) Caso não seja possível a determinação do valor aduaneiro do bem pelo seu valor de transação, a autoridade aduaneira está autorizada a, em seguida, definir o valor aduaneiro a partir do método da construção de preço.

a)

F, V, F, V

b)

V, F, V, F

c)

V, V, F, F

d)

F, F, V, F

e)

F, F, F, F

05

– (AFRF/2002-2) Conforme estabelecido no Acordo de Valoração Aduaneira

existem 6 (seis) métodos de Valoração Aduaneira nele descritos articuladamente,

para as mercadorias importadas que devem ser aplicados

 

a) sucessiva e seqüencialmente até chegar ao primeiro na seqüência que permita determinar tal valor independentemente de o importador solicitar a inversão da ordem dos 4º e 5º métodos.

b) em sua totalidade, elegendo a autoridade fiscal aquele cujo valor aduaneiro se revele mais elevado tendo em vista a função protecionista do imposto de importação.

c) sucessivamente, porém, não pela ordem, iniciando-se por quaisquer deles, até chegar ao primeiro que permita determinar tal valor, <