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Um estudo da Abraji sobre direito de acesso à informação pública no Brasil

Rio de Janeiro – Brasil – Outubro/2013

Desde 2007, a Abraji vem realizando anualmente, com a ajuda de voluntários, uma pesquisa para medir o grau de acesso a informação pública no Brasil e identificar os obstáculos existentes.

Mesmo antes da Lei de Acesso a Informação, que entrou em vigor em maio de 2012, já havia um marco legal relativo ao tema. a) Constituição Federal (Artigo 5º, inciso 33). b) Lei de Improbidade Administrativa. c) Declaração Universal dos Direitos Humanos (Artigo 19).

a) Solicitações feitas por repórteres voluntários às assessorias de imprensa dos órgãos.
b) Ofício da Abraji citando o marco regulatório.

120 órgãos da esfera estadual nos 26 estados e no DF (Executivo, Legislativo e Judiciário). Exemplos de informações solicitadas: diárias pagas ao governador, aos deputados estaduais e aos magistrados.

5,8% completas 40% parciais 54,2% não responderam

52 órgãos na esfera municipal nas 26 capitais (prefeituras e câmaras). Exemplos de informações solicitadas: salários e bônus do prefeito e dos vereadores.

1,9% completas 5,7% parciais

92,4% não responderam

5 órgãos na esfera federal (Presidência da República, Câmara dos Deputados e Senado, Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça).

Exemplos de informações solicitadas: ocupantes de cargos efetivos e comissionados com os respectivos salários.

20% completas 20% parciais 60% não responderam

Em maio de 2010 entra em vigor a Lei Complementar 131 que obriga União, Estados e Municípios com mais de 100 mil habitantes a divulgar dados da execução orçamentária. 54 órgãos da esfera estadual em 26 estados e DF (Secretarias de Governo e Assembleias Legislativas). Informações solicitadas: diárias de viagem pagas aos governadores e aos secretários, verbas de publicidade e verbas de representação aos deputados.

40% completas 60% parciais

27 órgãos da esfera estadual em 26 estados e DF (Secretarias de Segurança Pública).

Informações solicitadas: quantidade de presos nas prisões e gastos com cada prisão.

51% incompletas

49% não responderam

1ª pesquisa após entrar em vigor a Lei de Direito de Acesso a Informação.
133 órgãos da esfera municipal (prefeituras de cidades com mais de 10 mil habitantes). Informações solicitadas: nomes e salários dos ocupantes de cargos comissionados.

12% incompletas

88% não responderam

49 órgãos pesquisados (ministérios e agências reguladoras) Mudança na metodologia: a) Teste dos portais. b) 29 critérios estabelecidos pela LAI (Marina Atoji). c) Parceria com a Ufop (Profa. Hila Rodrigues).

Nenhum órgão cumpriu todos os 29 critérios de forma completa.

Ministério das Relações Exteriores

Secretaria da Micro e Pequena Empresa

12 sim

14 sim

9 parcial
8 não
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Ministério dos Esportes

10 parcial
5 não

15 sim 14 não

15 sim 7 parcial 7 não

O site adota as medidas necessárias para garantir a acessibilidade de conteúdo para pessoas com deficiência (Art. 8º § 3º VII)?

O site divulga em detalhes os formatos utilizados para a estruturação da informação (Art. 8º § 3º IV)?

77% não 23% sim

57% não 43% sim
O site exibe remuneração e subsídios recebidos por ocupantes de cargo, posto, graduação e emprego público, incluindo ajudas de custo, jetons e quaisquer vantagens pecuniárias, bem como proventos de aposentadoria, de forma individualizada (Art. 7º, § 3º VI)?

O site exibe estrutura organizacional, competências, legislação aplicável, principais cargos e seus ocupantes, endereços e telefones, bem como horários de atendimento ao público (Art. 7º § 3º I)?

29% não 71% sim

23% não 17% parcial 60% sim

Todos os sites têm orientação sobre procedimentos para obter acesso a informações públicas e endereços de onde encontrar a informação (Art. 7º, § 1º). Todos os sites têm seção específica para informações exigidas pela lei (Art. 7º, § 1º).

“A lei é um ótimo ponto de partida, mas as pessoas precisam mudar e compreender que as informações são públicas e ao público pertencem”.

Gabriela Segovia, diretora-geral de Políticas de Acesso do Instituto Federal de Acesso à Informação do México em 2011.
Agora que temos a Lei de Acesso a Informação Pública, a luta é para que a legislação seja cumprida por todos os órgãos públicos nas esferas federal, estadual e municipal.

 Qualquer interessado pode requisitar a qualquer órgão público - dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal, tanto da administração pública direta quanto indireta, e até mesmo entidades privadas sem fins-lucrativos que recebam recursos públicos diretamente do orçamento ou através de subvenção social, parcerias, convênios.

 Informações que não sejam sigilosas (ultrassecretas, secretas, reservadas) , não sejam de caráter pessoal, não estejam protegidas por segredo de justiça ou não sejam segredo industrial ou relativas a projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
 A pessoa interessada não precisa se justificar, ou seja, ela não precisa dizer por que quer ter acesso àquela informação. O papel do órgão público é fornecer a informação e não avaliar por que o interessado quer ter acesso a ela. Os órgãos devem fornecer a informação pedida gratuita e imediatamente. Quando não for possível fornecer a informação imediatamente, devem, em até 20 dias, dizer quando e onde a pessoa poderá ter acesso a essa informação.  se o órgão tiver a informação, é obrigado a fornecê-la. Se não a tiver, deverá encaminhar o pedido ou informar ao interessado qual o órgão a tem. Se a informação já existiu e já não existe mais porque foi destruída , o órgão deverá apresentar testemunhas que confirmem isso.  O interessado que tiver uma informação negada poderá recorrer à Controladoria Geral da União.

Um levantamento do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas mostrou que, desde maio de 2012, quando a lei entrou em vigor, 744 reportagens já foram publicadas com informações obtidas por meio da LAI.

http://www.abraji.org.br

ivanamoreira@hotmail.com