Você está na página 1de 39

APÒCRIFOS:

Livros Que Contrariam os Critérios da Inspiração


“Eu vos exorto, pois a ver com benevolência, e a empreender esta
leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes
parecer que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar
o sentido (claro) das expressões”.

________________________
____
Olá, amigos. Que acham das palavras acima? Inspirariam confiança de que seu autor
ou autores foram inspirados por Deus para redigir um livro que lhes sirva para o “ensino,
para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”? Pois bem, elas constam da
introdução ao livro apócrifo (ou deuterocanônico) de Eclesiástico, que consta das Bíblias
católicas mas não foi aceito pelos judeus palestinos, zelosos preservadores dos ensinos
bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos judeus de Alexandria,
muitos dos quais (mas não todos) acatavam tais livros como de origem divina, como
Palavra de Deus.
O apóstolo Paulo referiu-se aos judeus como tendo tido o privilégio de serem os
“portadores dos oráculos divinos” (Rom. 3:2). Contudo, o referido prólogo é “um auto-
reconhecimento da falibilidade humana”, como refere o estudo abaixo transcrito.
Mas isto não é tudo quanto nos motiva a rejeitar esses livros—adicionados à Bíblia
católica—por não preencherem os critérios de obras que realmente reflitam as verdades
eternas. Afinal, Jesus Cristo referiu-Se à Bíblia Sagrada na Sua oração sacerdotal a Seu Pai
dizendo: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Como
poderiam obras cheias de conceitos que se chocam com os claros ensinos de apóstolos e
profetas, além de crendices supersticiosas, lendas, inexatidões históricas e até mentiras
qualificar-se como essa verdade de divina inspiração?
Vejamos mais alguns problemas que impedem a aceitação por parte dos evangélicos
desses livros usados pelos católicos quando lhes convém, para defender algumas estranhas
doutrinas, como o purgatório e a oração pelos mortos. Para os adventistas, nem se faz
necessário particularizar tais ensinos heréticos pois estão abrangidos no erro básico da
imortalidade da alma, uma noção derivada dos conceitos dualistas do paganismo,
gnosticismo e dos filósofos gregos, como Platão e Aristóteles. Felizmente, crescente
número de eruditos evangélicos e até católicos já têm vindo engrossar o coro de vozes dos
que protestam contra esses erros, produzindo obras especializadas em que a correta visão
bíblica da condição de imortalidade condicional do homem tem sido ressaltada.
Aliás, toda a problemática de aceitação da canonicidade desses livros envolve
exatamente o grande centro da cultura grega no Oriente, a cidade de Alexandria. Os judeus
ali sofreram grande influência da filosofia grega, e houve até um destacado intelectual
judeu, Filo, que se empenhou por fundir o judaísmo com os conceitos gregos, que o
empolgavam.
Mas, vejamos alguns detalhes dos problemas com esses livros, que serão discutidos
em maiores pormenores no texto abaixo. A primeira parte referente aos Apócrifos (relativa
ao Velho Testamento) tem por base estudo elaborado por um grupo evangélico com o qual
temos algumas sérias divergências, sobretudo sua prática aética de tomar trechos de autores
adventistas torcendo o sentido de suas palavras, às vezes até exatamente contrárias ao que
querem dizer. Aliás, tal ocorreu até com um texto de minha própria autoria que descobri
sendo citado somente em parte para transmitir uma impressão que o contexto claramente
demonstrava contrariar as conclusões do compilador. A despeito dessas atitudes
deploráveis, creio que eles também podem nos oferecer subsídios importantes em pontos
sobre que podemos concordar e onde percebemos estarem empenhados em pesquisa séria,
sem distorções de declarações de autores. O grupo referido chama-se CACP [Centro
Apologético Cristão de Pesquisas] aos quais damos crédito pelo material abaixo sobre os
Apócrifos, fruto de levantamento em várias obras citadas na Bibliografia provida ao final.

Os livros apócrifos, entre outras deficiências,


apresentam as seguintes:
- Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.
- Contêm erros históricos (ver Tobias 1:3-5 e 14:11) e graves heresias, como a oração pelos
mortos (2 Macabeus 12:45,46; 4).
- Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na
maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos.

- Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.


- Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.
- O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados, recusou-os
terminantemente.
- A comunidade judaica nunca mudou de opinião quanto aos livros apócrifos. Alguns
cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas, seja qual for o valor a eles atribuído,
fica evidente que a igreja como um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras
Sagradas.

Introdução
Quando a Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento, ela inclui
uma série de livros que os protestantes chamam de “Apócrifos” mas os católicos de
“Deuterocanônicos”, os quais não aparecem nas versões evangélicas e hebraica da Bíblia. O
resultado disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias: uma católica
e a outra protestante. Mas semelhante asseveração não é certa. Só existe uma Bíblia, uma
Palavra (escrita) de Deus. Em suas línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma
só e igual para todos. O que nem sempre é igual são as versões ou traduções dela aos
diferentes idiomas. Neste estudo iremos mostrar porque nós, cristãos evangélicos, não
aceitamos os chamados, “Livros Apócrifos”, e conseqüentemente rejeitamos com provas
sobejas, as alegações romanistas de que tais livros possuem canonicidade e inspiração
divina.

Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento


Há quinze livros chamados apócrifos (catorze se a Epístola de Jeremias se unir a
Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses
livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem
especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.

Significado da palavra CÂNON e CANÔNICO


CÂNON - (de origem semítica, na língua hebraica “qãneh” em Ez 40:3; e no grego:
“kanón” em Gl 6:16”), tem sido traduzido em nossas versões em português como, “regra”,
“norma”.
CANÔNICO - Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia
hebraica e evangélica.
Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO - Literalmente significa “escritos falsos” - Os
apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim não canônicos, embora,
também contenham ensinos errados ou heréticos.

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS,


PROTESTANTES E CATÓLICAS
Diferenças Básicas:

1. Bíblia Hebraica - [a Bíblia dos judeus]


a) Contém somente os 39 livros do V.T.
b) Rejeita os 27 do N.T. como inspirado, assim como rejeitou Cristo.
c) Não aceita os livros apócrifos incluídos na Vulgata (versão Católico Romana)

2. Bíblia Protestante -

a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.


b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos

3. Bíblia Católica -

a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T.


b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite,
Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos
acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel. A seguir a lista dos que se
encontravam na Septuaginta:

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS


A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater
a Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas
romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas
viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como
canônicos.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse tempo
os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos motivaram
ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblista católico John L. Mackenzie em
seu “Dicionário Bíblico” sob o verbete, Cânone, comenta que no Concílio de Trento houve
várias “controvérsias notadamente candentes” sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o
cardeal Pallavacini, em sua “História Eclesiástica” declara mais nitidamente que em pleno
Concílio, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal, agarrado às barbas e batinas
uns dos outros. . . . Foi nesse ambiente “ESPIRITUAL”, que os apócrifos foram
aprovados. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592,
com autorização do papa Clemente VIII.
Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o
Antigo e Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor
literário histórico. Isto continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James (Versão do
Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Porém, após 1629 as igrejas reformadas excluíram
totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e, “induziram a Sociedade Bíblica
Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria
Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem
esses livros em suas edições”. Melhor assim, tendo em vista evitar confusão entre o povo
simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo e também
pelo fato do que aconteceu com a Vulgata! Melhor editá-los separadamente.

PORQUE REJEITAMOS OS APÓCRIFOS


Há várias razões porque os protestantes rejeitam os Apócrifos. Eis algumas
delas:

1. PORQUE COM O LIVRO DE MALAQUIAS O


CÂNON BÍBLICO HAVIA SE ENCERRADO
Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo
Testamento. A história do povo judeu foi registrada em outros escritos, tais como os livros
dos Macabeus, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das palavras
de Deus que vinham dos anos anteriores.
Quando nos voltamos para a literatura judaica fora do Antigo Testamento percebemos que a
crença de que haviam cessado as palavras divinamente autorizadas da parte de Deus é
atestada de modo claro em várias vertentes da literatura extrabíblica.
* 1 Macabeus: (cerca de 100 a.c.), o autor escreve sobre o altar:
“Demoliram-no, pois, e depuseram as pedras sobre o monte da Morada conveniente, à
espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a respeito” (l Mac 4:45-46).
Aparentemente, eles não conheciam ninguém que poderia falar com a autoridade de Deus
como os profetas do Antigo Testamento haviam feito. A lembrança de um profeta
credenciado no meio do povo pertencia ao passado distante, pois o autor podia falar de um
grande sofrimento, “qual não tinha havido desde o dia em que não mais aparecera um
profeta no meio deles” (l Mac 9:27; 14:41).
* Josefo: (nascido em c. 37/38 d.C.) explicou: “Desde Artaxerxes até os nossos dias
foi escrita uma história completa, mas não foi julgada digna de crédito igual ao dos
registros mais antigos, devido à falta de sucessão exata dos profetas” (Contra Apião 1:41).
Essa declaração do maior historiador judeu do primeiro século cristão mostra que os
escritos que agora fazem parte dos “apócrifos”, mas que ele (e muitos dos seus
contemporâneos) não os consideravam dignos “de crédito igual” ao das obras agora
conhecida por nós como Escrituras do Antigo Testamento. Segundo o ponto de vista de
Josefo, nenhuma “palavra de Deus” foi acrescentada às Escrituras após cerca de 435 a.c.
* A literatura rabínica: reflete convicção semelhante em sua freqüente declaração de
que o Espírito Santo (em sua função de inspirador de profecias) havia se afastado de Israel
“Após a morte dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo afastou-
se de Israel, mas eles ainda se beneficiavam do bath qôl” (Talmude Babilônico, Yomah 9b
repetido em Sota 48b, Sanhedrín 11 a, e Midrash Rabbah sobre o Cântico dos Cânticos,
8:9.3).
* A comunidade de Qumran: (seita judaica que nos legou os Manuscritos do Mar
Morto) também esperava um profeta cujas palavras teriam autoridade para substituir
qualquer regulamento existente (ver 1QS 9.11), e outras declarações semelhantes são
encontradas em outros trechos da literatura judaica antiga (ver 2 Baruc 85.3 Oração de
Azarias 15). Assim, escritos posteriores a cerca de 435 a.C. em geral não eram aceitos pelo
povo judeu como obras dotadas de autoridade igual à do restante das Escrituras.
* O Novo Testamento: não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre Jesus
e os judeus sobre a extensão do cânon. Ao que parece,Jesus e seus discípu1os de um lado e
os líderes judeus ou o povo judeu, de outro, estavam plenamente de acordo em que
acréscimos ao cânon do Antigo Testamento tinham cessado após os dias de Esdras,
Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias. Esse fato é confirmado pelas citações do
Antigo Testamento feitas por Jesus e pelos autores do Novo Testamento. Segundo uma
contagem, Jesus e os autores do Novo Testamento citam mais de 295 vezes, várias partes
das Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma
vez sequer citam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito
como se tivessem autoridade divina. A ausência completa de referência à outra literatura
como palavra autorizada por Deus e as referências muito freqüentes a centenas de
passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade divina confirmam com grande
força o fato de que os autores do Novo Testamento concordavam em que o cânon
estabelecido do Antigo Testamento, nada mais nada menos, devia ser aceito como a
verdadeira palavra de Deus.
2. PORQUE A INCLUSÃO DOS APÓCRIFOS
FOI ACIDENTAL
A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos
judeus por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de
judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre,
seu domínio dividiu-se em quatro reinos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O
segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com
enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Com este objetivo, muitos livros
foram traduzidos para o grego. Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram
levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da
Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.
Segundo um relato de Josefo, o Sumo Sacerdote de Jerusalém, Eleazar, enviou, a
pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um
valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução
continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo.
Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta, ou Versão dos Setenta (por
terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de
Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências
helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e,
finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice
do Velho Testamento. Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados
juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é ,
a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos
apócrifos juntamente com os rolos canônicos.
Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque e 1 Macabeus,
estavam escritos em grego, e a maioria deles foi escrita muitíssimos anos depois de o
profeta Malaquias, o último dos profetas da Dispensação antiga, escrever o livro que leva o
seu nome. Disso se pode concluir que, quando a Septuaginta era copiada, alguns livros não
canônicos para os judeus eram também copiados. Isso também poderia ter ocorrido por
ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos. Pessoas não afeiçoadas ao
judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir livros canônicos dos não-canônicos
tinham por igual valor todos os livros, fossem eles originalmente recebidos como sagrados
pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que não tinham os demais livros judaicos como
canônicos certamente também copiavam estes livros, não por considerá-los sagrados, mas
apenas para serem lidos. Por que não copiar livros tão antigos e interessantes? Estes livros,
entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida
intelectual e religiosa durante as várias épocas que representam, particularmente, a do
período chamado intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é,
talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os
judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

3. TESTEMUNHAS CONTRA OS APÓCRIFOS


Traremos agora o depoimento de várias personagens históricas que depõe contra a lista
canônica “Alexandrina”, como consta na Septuaginta, Vulgata e em todas as versões das
Bíblias católicas existentes. Pelo peso de autoridade que representam esses vultos, são
provas mais do que suficientes e esmagadoras contra a inclusão dos Apócrifos no Cânon
bíblico. Vejamos:

*JOSEFO: A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu Josefo


(37-95 AC). Em Contra Apion ele escreve: “Não temos dezenas de milhares de livros, em
desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais,
conforme se crê, com justiça, são divinos”. Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés,
aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais “incluem hinos a Deus e
conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas”), ele continua afirmando:
“Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não
tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto
que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é
percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém
jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar
neles qualquer coisa que seja”.
Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas
vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético.
E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido
acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a
autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.
*ORÍGENES: No terceiro século d.C, Orígenes (que morreu em 254) deixou um
catálogo de vinte e dois livros do Antigo Testamento que foi preservado na História
Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois livros de
Josefo (e do Texto Massorético) inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é declarado
canônico, e se diz explicitamente que os livros de Macabeus estão “fora desses [livros
canônicos]”
*TERTULIANO: Aproximadamente contemporâneo de Orígenes era Tertuliano (160-
250 dc) o primeiro dos País Latinos cujas obras ainda existem. Declara que os livros
canônicos são vinte e quatro.
*HILÁRIO: Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois.
*ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio,
bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os livros do nosso atual
cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Éster. Mencionou também
alguns livros dos apócrifos, tais como a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Judite
e Tobias, e disse que esses “não são na realidade incluídos no cânon, mas indicados pelos
Pais para serem lidos por aqueles que recentemente se uniram a nós e que desejam
instrução na palavra de bondade”.
*JERONIMO: Jerônimo (340-420.dc.) propugnou, no Prologus Galeatus. A citação
pertinente de Prologus Galeatus é a seguinte: “Este prólogo, como vanguarda (principium)
com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do
Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado
destes deve ser colocado entre os Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de
Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o
Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em
Hebraico; o Segundo foi escrito em Grego, conforme testifica sua própria linguagem”.
Jerônimo, no seu prefácio aos Livros de Salomão, menciona ter descoberto
Eclesiástico em Hebraico, mas declara em sua; convicção que a Sabedoria de Salomão teria
sido originalmente composta em Grego e não em Hebraico, por demonstrar uma eloqüência
tipicamente helenística. “E assim”, continua ele, “da mesma maneira pela qual a igreja lê
Judite e Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras
canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a edificação do povo, mas não
para estabelecer as doutrinas da Igreja”). e noutros trechos, prima pelo reconhecimento de
apenas os vinte e dois livros contidos no hebraico, e a relegação dos livros apócrifos a uma
posição secundária. Assim, no seu Comentário de Daniel, lançou dúvidas quanto à
canonicidade da história de Suzana, baseando-se no fato que o jogo de palavras atribuído a
Daniel na narrativa, só podia ser derivado do grego e não do hebraico (inferência: a história
foi originalmente composta em grego). Do mesmo modo, em conexão com a história de Bel
e a do Dragão, declara; “a objeção se soluciona facilmente ao asseverar que esta história
especifica não está incluída no texto hebraico do livro de Daniel. Se, porém, alguém fosse
comprovar que pertence ao cânone, seríamos obrigados a buscar uma outra resposta a esta
objeção”
*MELITO: A mais antiga lista cristã dos livros do Antigo Testamento que existe hoje
é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 d.C.
“Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram
proclamadas e feitas, e conheci com precisão os livros do Antigo Testamento, avaliei os
fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo,
Números, Levítico, Deuteronômio,Josué, filho de Num, Juizes, Rute, quatro livros dos
Remos,'0 dois livros de Crônicas, os Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua
Sabedoria,” Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Jó, os profetas Isaías,Jeremias, os Doze
num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras.”
É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas inclui
todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Éster. Mas as autoridades
católicas passam por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua teimosia, os
Apócrifos!

AS HERESIAS DOS APÓCRIFOS


Uma das grandes razões, talvez a principal delas, porque nós evangélicos rejeitamos os
Apócrifos, é devido a grande quantidade de heresias que tais livros apresentam. Fora isso,
existem também lendas absurdas e fictícias e graves erros históricos e geográficos, o que
fazem os Apócrifos serem desqualificados como palavra de Deus. A seguir daremos um
resumo de cada livro e logo a seguir mostraremos seus graves erros.

TOBIAS - (200 a.C.) - É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de
Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael. Entre vários ensinos inaceitáveis
aos cristãos estudiosos dos ensinos de Jesus e de seus apóstolos por contradizerem o que
estes claramente ensinaram constam: justificação pelas obras (4:7-11; 12:8), mediação dos
santos (12:12), superstições (6:5, 7-9, 19), e até um anjo que engana Tobias e o ensina a
mentir (5:16 a 19).
JUDITE - (150 a.C.) É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua
cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a própria história
onde os fins justificam os meios.

BARUQUE - (100 a.D.) - Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista
do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Porém,
é de data muito posterior, quando da segunda destruição de Jerusalém, no período posterior
a Cristo. Seu principal erro é o ensino da intercessão pelos mortos (3:4).

ECLESIÁSTICO - (180 a.C.) - É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse


as tantas heresias: justificação pelas obras (3:33,34), trato cruel aos escravos (33:26 e 30;
42:1 e 5),incentiva o ódio aos Samaritanos (50:27 e 28).

SABEDORIA DE SALOMAO - (40 a.D.) - Livro escrito com finalidade exclusiva


de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã).
Apresenta: o corpo como prisão da alma (9:15), doutrina estranha sobre a origem e o
destino da alma (8:19 e 20), salvação pela sabedoria (9:19).

1 MACABEUS - (100 a.C.) - Descreve a história de 3 irmãos da família “Macabeus”,


que no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D) lutam contra inimigos dos judeus
visando a preservação do seu povo e terra.

II MACABEUS - (100 a.C.) - Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato


paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta: a oração pelos mortos
(12:44-46), culto e missa pelos mortos (12:43), o próprio autor não se julga inspirado
(15:38-40; 2:25-27), intercessão pelos Santos (7:28 e 15:14)

ADIÇÕES A DANIEL:
capítulo 13 - A história de Suzana - segundo esta lenda Daniel salva Suzana num
julgamento fictício baseado em falsos testemunhos. Capítulo 14 - Bel e o Dragão - Contém
histórias sobre a necessidade da idolatria; capítulo 3:24-90 - o cântico dos 3 jovens na
fornalha.

LENDAS, ERROS E HERESIAS


Eis alguns exemplos de relatos fictícios, lendários e absurdos desses livros:

- Tobias 6.1-4 - “Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada
junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o
devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-
se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti. Tendo assim
feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés
Erros Históricos e Geográficos
Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros incluem erros
históricos e de outra natureza. Assim, se os Apócrifos são considerados parte das Escrituras,
isso identifica erros na Palavra de Deus. Esses livros contêm erros históricos, geográficos e
cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais
(Judite 9:1O,13). Os erros dos Apócrifos são freqüentemente apontados em obras de
autoridade reconhecida. Por exemplo:
O erudito bíblico DL René Paehe comenta: “Exceto no caso de determinada
informação histórica interessante (especialmente em 1. Macabeus) e alguns belos
pensamentos morais (por exemplo Sabedoria de Salomão), Tobias . . . contém certos erros
históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser
(1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero
(14:15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares. . . Judite não pode ser histórico porque
contém erros evidentes. . . [Em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e
discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem
ignorância ou confusão.

HERESIAS
Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo:

a) Tobias 6:5-9 - “Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque
estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo
para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade
dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me
digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo,
respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o
seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que
não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas,
e sararão”

b) Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de
demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio.

c) Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os
métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.

d) Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato
ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12:26).

e) Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a única coisa que tiveram
de usar foi o nome de Jesus (Mc 16:17; At 16:18)
Ensinam que Esmolas e Boas Obras - Limpam os
Pecados e Salvam a Alma
a) Tobias 12:8, 9 - “É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do
que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os
pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”.
Eclesiástico 3:33 - “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados”

b) Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em


todas as seitas heréticas.

c) A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do
pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue
de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um
único meio de remissão e perdão de pecados:
- Hb 9:11, 12, 22 - “Mas Cristo . . . por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no
santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção . . . sem derramamento de sangue não há
remissão.”
- I Pe 1:18, 19 - “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que
fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais,
mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de
Cristo”.

d) Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de Deus e o sangue de
Cristo o homem pode alcançar justificação e completa redenção:
- Romanos 3:20, 24, 24 e 29 - “Ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei . . .
sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo
Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue . . . . Concluímos, pois, que o homem é
justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.

Ensinam o Perdão dos pecados através das orações


a) Eclesiástico 3:4 - “O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se
absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias”.

b) O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não
é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra
que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão e arrependimento baseadas na fé
no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28:13; I Jo 1:9; I Jo 2:1,2)

6. Ensinam a Oração Pelos Mortos


a) 2 Macabeus 12:43-46 - “e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata
a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e
religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos,
haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e
porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma
grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para
que sejam livres dos seus pecados”.

b) É neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a
Igreja Católica Romana baseia sua falsa e herética doutrina do purgatório.

c) Este é novamente um ensino satânico para desviar o homem da redenção exclusiva


pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de algum lugar
inventado por homens falhos e pecadores que com tais ensinos negam o claro registro dos
ensinos dos apóstolos de Cristo.

d) Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e
outros para a Salvação eterna - não existe meio de mudar o destinos de alguém após a sua
morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16:26

7. Ensinam a Existência de um Lugar Chamado


PURGATÓRIO.
a) Este é o ensino herético e financeiramente conveniente para a Igreja de que o
homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma segunda chance de Salvação.

b) Sabedoria 3:1-4 - “As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o
tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste
mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio;
mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua
esperança está cheia de imortalidade”.

c) A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na última parte deste texto, onde
diz: “E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de
imortalidade”.
- Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar
na imortalidade.
- Mas isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo que simplesmente não é
claro sobre essa própria doutrina.

d) Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade


do purgatório : I Jo 1:7; Hb 9:22; Lc 23:40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17;
Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43).

8. Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem


a) Tobias 5:15-19 - “E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias
respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe:
Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas
para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias
respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar
conhecer a tua geração.

b) Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei
santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua
identidade. Veja Lc 1:19

9. Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida


a) Judite 8:5,6 - “e no andar superior de sua casa tinha feito para si um quarto retirado,
no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus
rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, das festas da
casa de Israel”

b) Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização
dos “santos” de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal
de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.

c) O livro de Judite é claramente um produção humana, uma lenda que só pode ter
sido inspirada pelo diabo, para escravizar os homens a ensinos errados e antibíblicos.

10. Ensinam Atitudes Anticristãs, como: Vingança,


Crueldade e Egoísmo
a) VINGANÇA - Judite 9:2

b) CRUELDADE e EGOÍSMO - Eclesiástico 12:6

c) Contraria o que a Bíblia diz sobre:


- Vingança (Rm 12:19, 17)
- Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48)
A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma
deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) - Contradizendo: Lc. 1:30-35; Sl 51:5;
Rm 3:23)
Diante de tudo isso perguntamos: Merecem confiança os livros Apócrifos ? A resposta
obvia é, NÃO.

A seguir apresentamos um resumo dos argumentos que em geral são aduzidos para a
aceitação desses livros, na crença de que detêm algum tipo de canonicidade e suas
respectivas refutações.
OBJEÇÃO CATÓLICA:
1. Supostas Alusões no Novo Testamento. O Novo Testamento reflete o pensamento e
registra alguns acontecimentos dos apócrifos. Por exemplo, o livro de Hebreus fala de
mulheres que receberam seus mortos pela ressurreição (Hebreus 11:35), e faz referência a 2
Macabeus 7 e 12. Os chamados apócrifos ou pseudepígrafos são também citados em sua
amplitude pelo Novo Testamento (Jd 14,15; 2Tm 3:8).

REFUTAÇÃO: Apela-se freqüentemente ao fato de que o Novo Testamento


usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o Antigo Testamento. Portanto, já que a
LXX continha os Apócrifos, decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a
autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além disto, argumentam, é um
fato que ocasionalmente apela-se a obras fora do “Cânone Palestiniano”. Wíldeboer' e
Torrey” colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou alusões a obras
apócrifas, incluindo-se várias que apenas são hipotéticas. Mas toda esta linha de
argumentos é realmente irrelevante para a questão em pauta, sendo que nem se alega que
qualquer uma destas fontes seja proveniente dos Apócrifos Romanos. Na maioria dos casos
as obras que supostamente foram citadas desapareceram há muito tempo - obras tais como
o Apocalipse de Elias e a Assunção de Moisés (da qual sobrou um fragmento latino). Só
num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-16, é que a fonte citada sobreviveu.
Há citações de autores gregos pagãos, também no Novo Testamento.
Em Atos 17:28, Paulo cita de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Coríntios 15:33, cita
da comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor que citações tais como
estas estabelecem a canonicidade ou de Arato ou de Menander. Pelo contrário, o
testemunho do Novo Testamento é muito decisivo contra a canonicidade dos quatorze
livros Apócrifos.
Demais disso, a alegação de que em muitas partes os escritos do Novo Testamento
refletem influências dos livros Apócrifos, é deveras frágil demais para ser sustentada, pois
se fosse assim, o livro de Enoque citado por Judas seria digno de muito mais crédito no
sentido de canonicidade do que os Apócrifos romanos. Judas cita versículos inteiros deste
livro, enquanto os Apócrifos adotados nas Bíblias romanas não aparece nenhuma vez com
citações inteira ou em partes. Seguindo o mesmo raciocínio dos católicos poderíamos então
canoniza-lo também! Então dizemos que virtualmente todos os livros do Antigo Testamento
são citados como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a eles como tais.
Embora acabe de ser esclarecido que a mera citação não estabelece necessariamente a
canonicidade, é inconcebível que os vários autores do Novo Testamento pudessem ter
considerado como canônicos os quatorze livros dos Apócrifos Romanos, sem ter feito uso
deles em citações ou alusões.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
2. Emprego que o Novo Testamento faz da versão Septuaginta. A tradução grega do
Antigo Testamento hebraico, em Alexandria, é conhecida como Septuaginta (LXX). Foi a
versão que Jesus usou e é a versão mais citada pelos autores do Novo Testamento e pelos
cristãos primitivos. A LXX continha os livros apócrifos. A presença desses livros na LXX
dá apoio ao cânon alexandrino, mais amplo, do Antigo Testamento, em oposição ao cânon
palestino, mais reduzido que os omite.

REFUTAÇÃO: Mas não é de modo nenhum certo que todos os livros na LXX foram
considerados canônicos, mesmo pelos próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra
isto é a evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século d.C.), assim como o
judaísmo oficial em outros lugares e épocas. Apesar de ter citado freqüentemente os livros
canônicos do “Cânone Palestiniano”, não faz uma citação sequer dos livros Apócrifos. Isto
é impossível reconciliar com a teoria de um “Cânone Alexandrino” maior, a não ser que
porventura alguns judeus de Alexandria não tivessem recebido este “Cânone Alexandrino”
enquanto outros o reconheciam.
Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão Grega de Áquila foi
aceita pelos judeus alexandrinos no segundo século d.C., apesar de não conter os livros
Apócrifos. A dedução razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo
esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua edição do Antigo Testamento
tanto os livros que reconheciam como sendo canônicos, como também os livros que eram
“eclesiásticos” i,é., foram reconhecidos como sendo valiosos e edificantes, porém sem ser
infalíveis.
Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônicos possam ter sido
conservados e utilizados juntamente com os canônicos) foi recentemente descoberto nos
achados da Caverna 4 de Cumrã. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o “Cânone
Palestiniano” deve ter sido autoritativo, pelo menos dois livros Apócrifos se fazem
representar - Eclesiástico e Tobias. Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de
papiro, outro em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em couro. Vários
fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e pelo menos na pequena quantidade
representada, concordam bem exatamente com manuscritos de Eclesiástico do século onze,
descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890.
Quanto a isto, a Quarta Caverna de Cumrã também conservou obras pseudoepigráficas
tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o mesmo em hebraico, e o livro de Enoque
(fragmentos de dez manuscritos diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com
seriedade que os sectários tão estreitos de Cumrã consideravam como canônicas todas estas
obras apócrifas e pseudoepigráficas só por causa de terem conservado cópias delas.
A Palestina é que era o lar do cânon judaico, jamais a Alexandria, no Egito. O grande
centro grego do saber pertencia no Egito, não tinha autoridade para saber com precisão que
livros pertenciam ao Antigo Testamento judaico. Alexandria era o lugar da tradução apenas,
não da canonização. O fato de a Septuaginta conter os apócrifos apenas comprova que os
judeus alexandrinos traduziram os demais livros religiosos judaicos do período
intertestamentário ao lado dos livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
3. Os mais antigos manuscritos completos da Bíblia. Os mais antigos manuscritos
gregos da Bíblia contêm os livros apócrifos inseridos entre os livros do Antigo Testamento.
Os manuscritos Aleph (N), A e B, incluem esses livros, revelando que faziam parte da
Bíblia cristã original.
REFUTAÇÃO: Isto, porém, é verdade apenas em parte. Certamente os Targums
aramaicos não os reconheceram. Nem sequer o Pesita siríaco na sua forma mais antiga
continha um único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles foram
acrescentados. Uma investigação mais cuidadosa desta reivindicação reduz a autoridade
sobre a qual os Apócrifos se alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas
traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a Siríaca posterior) que
foram dela derivadas.
Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma existência um pouco
Incerta. O Códice Vaticano (“B”) não tem 1 e 2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas
Inclui 1 Esdras (não-canônico segundo Roma). O Códice Sinaítico (“Alef”) omite Baruque
(canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-canônico segundo Roma). O
Códice Alexandrino (“A”) contêm três livros apócrifos “não-canônicos”:
1 Esdras e 3 e 4 Macabeus. Então acontece que até os três mais antigos manuscritos da
LXX demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que compõem a lista dos
Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à Igreja Romana não são de modo algum
substanciados pelo testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos. Os
escritores do Novo Testamento quase sempre fizeram citações da LXX, mas jamais
mencionaram um livro sequer dentre os apócrifos. No máximo, a presença dos apócrifos
nas Bíblias cristãs do século IV mostra que tais livros eram aceitos até certo ponto por
alguns cristãos, naquela época. Isso não significa que os judeus ou os cristãos como um
todo aceitassem esses livros como canônicos, isso sem mencionarmos a igreja universal,
que nunca os teve na relação de livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
4. A arte cristã primitiva. Alguns dos registros mais antigos da arte cristã refletem o
uso dos apócrifos. As representações nas catacumbas às vezes se baseavam na história dos
fieis registrada no período intertestamentário.

REFUTAÇÃO: As representações artísticas não constituem base para apurar a


canonicidade dos apócrifos. As representações pintadas nas catacumbas, extraídas de livros
apócrifos, apenas mostram que os crentes daquela era estavam cientes dos acontecimentos
do período intertestamentário e os consideravam parte de sua herança religiosa. A arte cristã
primitiva não decide nem resolve a questão da canonicidade dos apócrifos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
5. Testemunho dos primeiros pais da igreja. Alguns dos mais antigos pais da igreja, de
modo particular os do Ocidente, aceitaram e usaram os livros apócrifos em seu ensino e
pregação. E até mesmo no Oriente, Clemente de Alexandria reconheceu 2 Esdras como
inteiramente canônico. Orígenes acrescentou Macabeus bem como a Epístola de Jeremias à
lista de livros bíblicos canônicos.

REFUTAÇÃO: Muitos dos grandes pais da igreja em seu começo, dos quais Melito
(190), Orígenes (253), Eusébio de Cesaréia (339), Hilário de Poitiers (366), Atanásio (373
d.C), Cirilo de Jerusalém (386 d.C), Gregório Nazianzeno (390), Rufino (410), Jerônimo
(420), depuseram contra os apócrifos. Nenhuns dos primeiros pais de envergadura da igreja
primitiva, anteriores a Agostinho, aceitaram todos os livros apócrifos canonizados em
Trento. Então será mais correto dizer que alguns dos escritores cristãos antigos pareciam
fazer isto.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
6. A influência de Agostinho. Agostinho (c. 354-430) elevou a tradição ocidental mais
aberta, a respeito dos livros apócrifos, ao seu apogeu, ao atribuir-lhes categoria canônica.
Ele influenciou os concílios da igreja, em Hipo (393 d.C.) e em Cartago (397 d.C.), que
relacionaram os apócrifos como canônicos. A partir de então, a igreja ocidental passou a
usar os apócrifos em seu culto público.

REFUTAÇÃO: O testemunho de Agostinho não é definitivo, nem isento de


equívocos. Primeiramente, Agostinho às vezes faz supor que os apócrifos apenas tinham
uma deuterocanonicidade (Cidade de Deus, 18,36) e não canonicidade absoluta. Além
disso, os Concílios de Hipo e de Cartago foram pequenos concílios locais, influenciados
por Agostinho e pela tradição da Septuaginta grega. Nenhum estudioso hebreu qualificado
esteve presente em nenhum desses dois concílios. O especialista hebreu mais qualificado da
época, Jerônimo, argumentou fortemente contra Agostinho, ao rejeitar a canocidade dos
apócrifos. Jerônimo chegou a recusar-se a traduzir os apócrifos para o latim, ou mesmo
incluí-los em suas versões em latim vulgar (Vulgata latina). Só depois da morte de
Jerônimo e praticamente por cima de seu cadáver, é que os livros apócrifos foram
incorporados à Vulgata latina. Além disso quando um antagonista apelou para uma
passagem de 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa
era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria
daqueles que eram recebidos e aceitos pelos judeus.
Esta defesa ambígua dos Apócrifos, da parte de Agostinho, é mais do que
contrabalançada pela posição contrária adotada por Atanásio (que morreu em 365), tão
reverenciado e altamente estimado tanto pelo Oriente como pelo Ocidente como sendo o
campeão da ortodoxia trinitária. Na sua Trigésima Nona Carta, parágrafo 4, escreveu: “Há,
pois, do Antigo Testamento vinte e dois livros”, e então relaciona os livros que são aqueles
que se acham no TM (Texto Massorético), aproximadamente na mesma ordem na qual
aparecem na Bíblia Protestante.
Nos parágrafos 6 e 7 declara que os livros extrabíblico (LE, os quatorze dos
Apócrifos) não são incluídos no Cânone, mas meramente são “indicados para serem lidos”.
Apesar disto, a Igreja Oriental mais tarde demonstrou uma tendência de concordar com a
Igreja Ocidental em aceitar os Apócrifos (o segundo Concílio Trulano em Constantinopla,
em 692). Mesmo assim, havia muitas pessoas que tinham suas reservas quanto a alguns dos
quatorze, e finalmente, em Jerusalém, em 1672, a Igreja Grega reduziu o número de
Apócrifos canônicos a quatro; Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Judite.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
7. O Concílio de Trento. Em 1546, o concílio católico romano do pós-Reforma,
realizado em Trento, proclamou os livros apócrifos como canônicos, declarando o seguinte:
“O sínodo [...] recebe e venera [...] todos os livros, tanto do Antigo Testamento como do
Novo [incluindo-se os apócrifos] - entendendo que um único Deus é o Autor de ambos os
testamentos [...] como se houvessem sido ditados pela boca do próprio Cristo, ou pelo
Espírito Santo [...] se alguém não receber tais livros como sagrados e canônicos, em todas
as suas partes, da forma em que têm sido usados e lidos na Igreja Católica [...] seja
anátema.
Desde esse concílio de Trento, os livros apócrifos foram considerados canônicos,
detentores de autoridade espiritual para a Igreja Católica Romana.

REFUTAÇÃO: A ação do Concílio de Trento foi ao mesmo tempo polêmica e


prejudicial. Em debates com Lutero, os católicos romanos haviam citado Macabeus, em
apoio à oração pelos mortos (v. 2 Macabeus 12:45,46). Lutero e os protestantes que o
seguiam desafiaram a canonicidade desse livro, citando o Novo Testamento, os primeiros
pais da igreja e os mestres judeus, em apoio. O Concílio de Trento reagiu a Lutero
canonizando os livros apócrifos. A ação do Concílio não foi apenas patentemente polêmica,
foi também prejudicial, visto que nem os catorze livros apócrifos foram aceitos pelo
Concílio. Primeiro e Segundo Esdras (3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão católica
de Douai denomina 1 e 2 Esdras, respectivamente, os livros canônicos de Esdras e
Neemias) e a Oração de Manassés foram rejeitados. A rejeição de 2 Esdras é
particularmente suspeita, porque contém um versículo muito forte contra a oração pelos
mortos (2 Esdras 7:105).
Aliás, algum escriba medieval havia cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2
Esdras, sendo conhecida pelos manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim
por Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na França.

CATÓLICOS CONTRA OS APÓCRIFOS ?


Essa decisão, em Trento, não refletiu uma anuência universal, indisputável, dentro da
Igreja Católica. Os católicos não foram unânimes quanto à inspiração divina nesses livros.
Lorraine Boettner (in Catolicismo Romano) cita o seguinte: “O papa Gregório, o grande,
declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. Nessa exata época (da
Reforma) o cardeal Cajetano, que se opusera a Lutero em Augsburgo, em 1518, publicou
Comentário sobre todos os livros históricos fidedignos do Antigo Testamento, em 1532,
omitindo os apócrifos. Antes ainda desse fato, o cardeal Ximenes havia feito distinção entre
os apócrifos e o cânon do Antigo Testamento, em sua obra Poliglota com plutense (1514-
1517), que por sinal foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram? Se
eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados,
onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina? Tendo em mente essa
concepção, os protestantes em geral rejeitaram a decisão do Concílio de Trento, que não
tivera base sólida.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
8. Uso não-católico. As Bíblias protestantes desde a Reforma com freqüência
continham os livros apócrifos. Na verdade, nas igrejas anglicanas os apócrifos são lidos
regularmente nos cultos públicos, ao lado dos livros do Antigo e do Novo Testamento. Os
apócrifos são também usados pelas igrejas de tradição ortodoxa oriental.

REFUTAÇÃO: O uso dos livros apócrifos entre igrejas ortodoxas, anglicanas e


protestantes foi desigual e diferenciado. Algumas os usam no culto público. Muitas Bíblias
contém traduções dos livros apócrifos, ainda que colocados numa seção à parte, em geral
entre o Antigo e o Novo Testamento. Ainda que não-católicos façam uso dos livros
apócrifos, nunca lhes deram a mesma autoridade canônica do resto da Bíblia. Os não-
católicos usam os apócrifos em seus devocionais, mais do que na afirmação doutrinária.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
9. A comunidade do Mar Morto. Os livros apócrifos foram encontrados entre os rolos
da comunidade do Mar Morto, em Qumran. Alguns haviam sido escritos em hebraico, o
que seria indício de terem sido usados por judeus palestinos antes da época de Jesus.

REFUTAÇÃO: Muitos livros não-canônicos foram descobertos em Qumran, dentre


os quais comentários e manuais. Era uma biblioteca que continha numerosos livros não
tidos como inspirados pela comunidade. Visto que na biblioteca de Qumran não se
descobriram comentários nem citações autorizadas sobre os livros apócrifos, não existem
evidências de que eram tidos como inspirados. Podemos presumir, portanto, que aquela
comunidade religiosa não considerava os apócrifos como canônicos. Ainda que se
encontrassem evidências em contrário, o fato de esse grupo ser uma seita que se separara do
judaísmo oficial mostraria ser natural que não fosse ortodoxo em todas as suas crenças.
Tanto quanto podemos distinguir, contudo, esse grupo era ortodoxo à canonicidade do
Antigo Testamento. Em outras palavras, não aceitavam a canonicidade dos livros apócrifos.

Resumo e Conclusão
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros
em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do
século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo
do cânon. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram
grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de
Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente,
mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de
Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma
esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de
Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de
preconceito, como já demonstramos.
Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem,
não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatos:

1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.


2. Não foram citados por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.
3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade.
4. Nenhum concílio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV.
5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os
livros apócrifos.
6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram os
livros apócrifos.
7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data,
reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas
palavras.

À vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os


cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se fossem Palavra de Deus, nem os
citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados
segundo os critérios elevados de canonicidade, estabelecidos, verificamos que aos livros
apócrifos falta o seguinte:

1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.


2. Não detêm a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180 a.C.) diz:

“Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos profetas, e
por outros escritores que vieram depois deles, o que torna Israel digno de louvor por sua
doutrina e sua sabedoria, visto não somente os autores destes discursos tiveram de ser
instruídos, também os próprios estrangeiros se podem tomar (por meio deles) muito hábeis
tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com
grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais nos
legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria... Eu vos
exorto, pois a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma atenção
particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato da
soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões”. Este prólogo é um
auto-reconhecimento da falibilidade humana.
3. Contêm erros históricos (ver Tobias 1:3-5 e 14:11) e graves heresias, como a oração
pelos mortos (2 Macabeus 12:45,46; 4).
4. Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na
maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos.

5. Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.


6. Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.
7. O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados, recusou-os
terminantemente.
A comunidade judaica nunca mudou de opinião a respeito dos livros apócrifos. Alguns
cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas, seja qual for o valor que se lhes atribui,
fica evidente que a igreja como um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras
Sagradas.
“Eis as razões porque definitivamente rejeitamos os Apócrifos”

*Este estudo foi fruto de várias pesquisas em livros, enciclopédias, manuais,


léxicos, dicionários e Internet. Compilados e adaptados pela equipe editorial do
C.A.C.P.
Bibliografia

1. Merece Confiança o Antigo Testamento?, Gleason L. Archer. Jr. Ed. Vida Nova.
2. Introdução Bíblica, Norman Geisler e William Nix. Ed. Vida.
3. Panorama do Velho Testamento, Ângelo Gagliardi Jr. Ed. Vinde.
4. O Novo Comentário da Bíblia vol I, vários autores. Ed. Vida Nova.
5. Evidência Que Exige um Veredito vol I, Josh McDowell. Ed. Candeia.
6. Os Fatos sobre “O Catolicismo Romano”, John Ankerberg e John Weldon. Ed. Chamada
da Meia-Noite.
7. O Catolicismo Romano, Adolfo Robleto. Ed. Juerp.
8. Estudos particulares de, Pr. José Laérton - IBR Emanuel - (085) 292-6204. (Internet)
9. Estudos particulares de, Paulo R. B. Anglada. (Internet)
10. Teologia Sistemática, Green. Ed. Vida Nova.
11. Anotações particulares do autor, Presb. Paulo Cristiano

Cânon do Novo Testamento

Deve-se dizer para começar que o cânon do Novo Testamento não veio à existência
nem por um decreto papal, nem por decisão de um concílio ecumênico da igreja. Nem foi
resultado de um milagre, conquanto essa alegação seja feita no seguinte relato lendário: os
delegados no Concílio de Nicéia, desejosos de saber que livros eram canônicos e quais não
eram, teriam dispostos sob a mesa da comunhão todos os livros para os quais se reclamava
um lugar no cânon. Daí oraram para o Senhor lhes mostrar que livros eram canônicos,
colocando-os milagrosamente no topo da pilha. Segundo o relato, esse milagre ocorreu
durante a oração, e assim o cânon do Novo Testamento foi estabelecido. Essa história, de
origem obscura, não conta com a mínima credibilidade. A verdade é que a coleção de
escritos sagrados no Novo Testamento encontrou seu protótipo no cânon do Velho
Testamento. Por todo o mundo de fala grega, a LXX (Septuaginta), a Bíblia dos judeus da
dispersão (Velho Testamento) tornou-se a Bíblia da cristandade. Com ela os cristãos
aceitaram a doutrina judaica de inspiração divina, de modo que nos livros do Velho
Testamento não viam as palavras de Samuel, Davi ou Isaías meramente, mas a Palavra de
Deus, o produto de um espírito e sabedoria divinos. Uma vez que os cristãos acreditavam
que os judeus, por sua rejeição de Cristo, haviam perdido seus privilégios e tinham sido
rejeitados por Deus como povo especial, nação teocrática [ver Mateus 23—-], a igreja cristã
considerava-se legítima possuidora e intérprete dessa Palavra de Deus. O Velho Testamento
continha profecias que assinalavam ao Cristo e também muitas gloriosas promessas para o
verdadeiro povo de Deus, povo esse que os cristãos acreditavam representar. Tudo isso
tornara o Velho Testamento muito caro à igreja primitiva. . . .
A igreja considerava as palavras e profecias de Jesus como do mesmo nível das
declarações do Velho Testamento. Assim, Paulo podia citar o Pentateuco como “escritura”
(1 Tim. 5:18; cf. Deut. 25:4) e associando-lhe uma declaração de Jesus (Lucas 10:7). Era
somente natural que, à medida que os apóstolos levassem o evangelho pelo mundo, muitas
das palavras do Senhor e muitas reminiscências sobre Ele circulassem oralmente. Uma
evidência disso ocorre quando Paulo, ao falar aos anciãos de Éfeso, empregou uma
declaração de Jesus que não consta de parte alguma dos evangelhos (Atos 20:35). Essa
tradição oral concernente às palavras de Jesus existiram durante o 2o. século, como
atestado por Eusébio ao referir-se ao interesse revelado por elas por Papias (primeiro terço
do 2o. século) [História Eclesiástica, iii. 39. 2-4].
Ao mesmo tempo, já havia textos escritos sobre a vida de Cristo, como Lucas deixa
implícita na introdução de seu evangelho (1:1-4) ao falar de fontes confiáveis a que
recorreu para compor o seu evangelho.
Pode-se presumir que a maioria das igrejas possuía os evangelhos escritos anes do final do
primeiro século. O relacionamento dos Pais da Igreja dos primeiros tempos com esses
escritos é evidente por suas citações deles. A palavra “evangelho” aparece no Novo
Testamento somente como um termo singular designando as boas novas de Jesus. Justino
Mártir, por volta de 150 AD, foi o primeiro a empregar a forma plural “os evangelhos” (Ta
euaggelia), como designação para os relatos escritos da vida de Jesus. Gradualmente a
frase, “está escrito”, usada geralmente para citações do Velho Testamento, passaram a ser
aplicadas também às declarações do Senhor. A primeira vez que se percebe tal uso é na
Epístola de Barnabé (cap. 4), escrita antes de 150 AD. A chamada Segunda Epístola de
Clemente, de aproximadamente a mesma data, fala do ensino dos “Livros e Apóstolos”
concernente à igreja (cap. 14; The Ante-Nicene Fathers, vol. 9, p. 255), uma referência que
pode incluir os evangelhos com o Velho Testamento como sendo “os livros”, e que
certamente demonstra a posição que as epístolas haviam assumido por essa ocasião.
Além dos evangelhos, outras obras cristãs circulavam na igreja primitiva. Entre essas,
as epístolas do apóstolo Paulo tomavam o primeiro lugar. Paulo escrevia geralmente para
confrontar problemas específicos em certas localidades. Ao mesmo tempo, contudo, ele
incentivava distribuição de suas epístolas, como é evidente de sua solicitação de que os
colossenses e os laodicenses intercambiassem suas cartas (Col. 4:16). Pode-se presumir que
antes de passarem adiante essas cartas a outra congregação, a igreja geralmente faria uma
cópia. É provavel que desse modo é que as primeiras epístolas de Paulo foram copiadas, e
essas coleções de cópias cresceu. Que tais coletâneas já existiam na era apostólica é
sugerido por Pedro (2 Pedro 3: 15, 16), provavelmente ao redor de 65 AD.
Semelhantemente, Clemente de Roma, escrevendo aos crentes da igreja de Corinto 30 anos
depois, pôde admoestá-los: “Tomai a epistola do bendito apóstolo Paulo” escrita a eles (I
Clemente, cap. 47; The Ante-Nicene Fathers, vol. 9, pág. 243). O fato de que Clemente
prossegue referindo-se ao conteúdo de 1 Coríntios pareceria indicar não só que esta epístola
havia sido preservada em Corinto, mas também que Clemente tinha uma cópia disponível
em Roma.
Outras testemunhas da distribuição dos escritos de Paulo em tempos remotos são
Inácio e Policarpo, ambos escrevendo na primeira metade do 2o. século. Em cerca de 117
A.D. Inácio escreveu de Esmirna aos efésios de que Paulo “em todas as suas epístolas faz
menção de vós em Cristo Jesus” (“Ignatius to the Ephesians”, cap. 12, The Ante-Nicene
Fathers, vol. 1, pág. 55). Provavelmente pelo meio do 2o. século Policarpo escreveu aos
filipenses concernente a Paulo que “quando ausente de vós, escreveu uma carta, que, se
estudardes cuidadosamente, descobrireis ser o meio para vos edificardes nessa fé que vos
foi dada” (Polycarp to the Philippians, cap. 3; The Ante-Nicene Fathers, Vol. 1, pág. 33).
Noutra parte da mesma epístola (cap. 12) Policarpo cita Paulo (Efés. 4:26) como
“escritura”. Essas declarações indicam claramente que tanto Inácio quanto Policarpo
estavam bem familiarizados com, pelo menos, duas das epístolas de Paulo, e que esperavam
que igrejas igualmente as conhecessem. Portanto, parece muito provável que uma coleção
das epístolas de Paulo devem ter tido ampla circulação somente poucas décadas após sua
morte.
Outras epístolas além daquelas de Paulo também devem ter tido circulação bem cedo.
Pedro havia dirigido sua primeira epístola aos cristãos de cnco províncias da Ásia Menor, e
havia assim claramente dado a ela caráter de carta circular. Tiago teve o mesmo objetivo ao
dirigir sua espístola às “doze tribos que se encontram na Dispersão” (Tiago 1:1). João
dirigiu o Apocalipse às sete igrejas na província romana da Ásia, e especificamente
reivindicou inspiração divina para seu escrito (caps. 1:1-3; 22: 18, 19). É somente razoável
concluir que esses livros rapidamente alcançaram ampla circulação.
A partir dessas evidências é óbvio que livros que se originaram ao tempo dos apóstolos
que, ou recapitulavam a vida de Cristo ou continham importantes mensagens dos apóstolos,
eram altamente considerados pela igreja e considerados como tendo autoridade.

Desenvolvimento do cânon do Novo Testamento de 140 a 180 AD — O primeiro


homem a estabelecer um cânon foi o herético Marcion ao redor de meados do 2o. século.
Ele era um declarado e completo anti-semita que mantinha que Jeová no Velho Testamento
era um deus judaico de ira e justiça, e que nada tinha em comum com o Deus cristão de
amor. Marcion alegava ser um verdadeiro intérprete da teologia cristã de Paulo, e sendo um
excelente organizador, fixou para sua própria igreja sectária um cânon bíblico que se
conformava com suas idéias. Ele eliminou inteiramente o Velho Testamento e também
certos livros da era apostólica.
Conseqüentemente, sua Bíblia consistia somente do evangelho de Lucas, os escritos
do apóstolo Paulo, e um livro de sua própria autoria, chamado a Antítese, no qual
apresentava seus argumentos por rejeitar o Velho Testamento. Sua coleção das epístolas de
Paulo, chamada Apostolikon, consistiam de dez epístola de Paulo: Gálatas, Primeiro e
Segundo Coríntios, Romanos, Primeiro e Segundo Tessalonicenses, Efésios, Colossenses,
Filipenses e Filemon. Ele rejeitava 1 e 2 Timóteo, Tito e Hebreus e também alterou o texto
desses livros que aceitava, para concordarem com sua teologia.
A atividade de Marcion forçou a igreja a tomar uma posição com respeito a que livros
poderiam ser com justiça reivindicados como Escritura. Infelizmente poucas fontes estão
disponíveis que claramente mostram como a igreja cristã agiu a respeito dessa questão em
meados do 2o. século. Um claro quadro do cânon neotestamentário não vem à tona até
cerca de 200 AD. As escassas fontes disponíveis sobre esse assunto do período sob
consideração são as seguintes: Justino Mártir, que escreveu várias cartas em Roma, ao redor
de 150 AD, tratando os evangelhos como Santas Escrituras ao mesmo nível do Velho
Testamento.
Tatiano, um pupilo de Justino, realizou uma harmonia dos quatro evangelhos
canônicos, o que parece indicar que ele considerava esses livros como estando à parte das
obras apócrifas.
Teófilo de Antioquia (falecido em cerca de 181 AD) coloca os evangelhos no mesmo
nível dos livros proféticos do Velho Testamento e declara que foram escritos por homens
cheios do Espírito (A Autolico ii. 22; iii 12).
Que o livro de Apocalipse era altamente considerado nessa época é indicado por
Justino Mártir (Diálogo, cap. 81), Teófilo (História Eclesiástica, de Eusébio, iv. 24) e
Apolônio (Ibid., Eusébio, v. 18).

O Cânon do Novo Testamento ao Final do 2o. Século. — A existência de um cânon, no


sentido de um grupo geralmente reconhecido de livros constituindo o Novo Testamento, se
torna evidente próximo do final do 2o. século. Testemunhas de tal cânon existem de várias
partes do mundo romano. Da própria Roma procede um documento chamado o Fragmento
Muratoriano; da Gália, o testemunho de Irineu de Lyon; da África, Tertuliano de Cartago; e
do Egito, Clemente de Alexandria. A lista sistemática de livros do Novo Testamento é o
Fragmento Muratoriano, assim chamado em homenagem a seu descobridor, L. A. Muratori,
que a descobriu na biblioteca de um mosteiro em Milão, em 1740. . . . Os eruditos
geralmente têm concluído que esse fragmento foi originalmente escrito em Roma pelo final
do 2o. século. Ele fornece uma lista de livros que poderiam ser lidos publicamente na
igreja, e também menciona vários livros que não deviam ser lidos. Dessa lista constam
todos os livros neotestamentárias, com exceção de Hebreus, Tiago, I e II Pedro e III João.
O cânon do Novo Testamento de Irineu pode ser facilmente reconstruído à base de
suas numerosas citações bíblicas. Ele reconheceu os quatro evangelhos caracterizando-os
como os quatro pilares da igreja (Contra Heresias, iii. 11.8). Também aceitou as 13
epístolas de Paulo, 1 Pedro e I e II João, Atos e Apocalipse. Ele não faz menção a Hebreus,
Tiago, e II Pedro, e estes livros podem ter estado ausentes de sua coleção de livros do Novo
Testamento.
Os escritos de Tertuliano revelam um quadro bem semelhante ao de Irineu, enquanto
Clemente de Alexandria tinha uma maior abertura a outros livros, rejeitados como
canônicos, que demoraram no Oriente a serem descartados mais do que no Ocidente. Uma
clara distinção entre os escritos apostólicos e não-apostólicos em seu tempo se fazia apenas
no Ocidente.
Este breve estudo demonstra que o cânon do Novo Testamento durante o 2o. século
não se desenvolveu tanto por um processo de coletar escritos apostólicos, como por um
processo de rejeitar aqueles cuja origem apostólica não estava claramente estabelecida. No
decurso dos primeiros cem anos da igreja cristã muitos livros haviam sido escritos. Toda
seita cristã e província tinha produzido escritos, especialmente supostos Evangelhos. Estes
eram copiados e distribuídos com o resultado de que o corpo de literatura cristã cresceu
formidavelmente. Logo se notou que o fel havia sido misturado com mel, para empregar
uma expressão do Fragmento Muratoriano que descreve as obras que alegavam ser de
origem apostólica, contudo propunham ensinos gnósticos. Uma clara posição concernente a
esses livros espúrios se fazia necessária.
Uma tendência na direção oposta, que intensificou a necessidade de um cânon, foi
realçada pelo herético Marcion. A fim de obter apoio para seus ensinos anti-judaicos, ele
rejeitou não só todas as obras espúrias, como também vários livros de indisputada origem
apostólica. Sua rejeição de tais obras genuinamente apostólicas, juntamente com o
difundido uso de escritos não-apostólicos, forçou os cristãos a decidirem o que aceitar e o
que rejeitar.
Um princípio que os cristãos adotaram em determinar a validade de um livro era a
situação do autor. O que não tivesse origem claramente apostólica eles rejeitavam. As
únicas exceções feitas eram as obras de Marcos e Lucas, que eram os associados dos
venerados apóstolos. Outra base de canonicidade era o conteúdo dos livros para os quais se
reivindicava um lugar no Novo Testamento. Mesmo livros que se pretendia serem
apostólicos chegaram a ser rejeitados quando se descobriam conter elementos gnósticos.
Um exemplo de tais obras é o chamado Evangelho de Pedro.
Eusébio em sua História Eclesiástica, (vi. 12) registra um incidente que ilustra como
os líderes eclesiásticos davam conselho na escolha de um cânon. Cerca de 200 AD a igreja
de Rosus, perto de Antioquia, parece ter estado dividida sobre o uso do Evangelho de
Pedro. Os membros da igreja ali submeteram sua disputa a Serapion, bispo de Antioquia.
Ele não estava familiarizado com essa obra, e julgando que todos os cristãos de Rosus eram
ortodoxos, autorizou o seu uso. Mais tarde, contudo, quando foi cientificado do caráter
gnóstico desse evangelho, escreveu uma carta a Rosus e revogou a permissão anteriormente
concedida. É muito interessante observar que um bispo permitiu que um livro que lhe era
desconhecido fosse lido na igreja, aparentemente porque trazia um apóstolo como autor,
mas proibiu tão logo reconheceu por seu conteúdo o seu caráter espúrio e autoria. Casos
semelhantes podem ter ocorrido freqüentemente, conquanto não haja registros adicionais de
tais decisões preservados.
Ao tempo em que o cristianismo foi legalizado no Império Romano (313 AD) a linha
de demarcação entre livros reconhecidos e rejeitados já havia sido traçada. Destarte,
Eusébio, escrevendo em 325 AD (Ibid., iii, 25, Loed ed., Vol. I, págs. 257, 259), dividia em
três classes os livros do Novo Testamento que reivindicavam canonicidade. Sua primeira
classe consistia dos “Livros Reconhecidos”: os quatro evangelhos, Atos, as 14 epístolas de
Paulo (incluindo Hebreus), 1 João, 1 Pedro e Apocalipse. Sua segunda classe era
constituída por “Livros Disputados”, que ele dividiu novamente entre aqueles “conhecidos
pela maioria” dos cristãos: Tiago, Judas, 2 Pedro 2 e 3 João, e obras que “não eram
genuínas”: os Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, a Epístola de
Barnabé, e o Didaquê. Em sua terceira categoria Eusébio coloca escritos “inteiramente
ímpios e maléficos”, tais como os evangelhos de Pedro, Tomé, Matias.
A discussão de Eusébio revela claramente que os cristãos definitivamente haviam
separado o joio do trigo da Escritura do Novo Testamento antes que o cristianismo se
tornasse uma religião estatal reconhecida pelo princípio do 4o. século. Os livros que ele
classifica como “'Livros Reconhecidos' e 'Livros Disputados' que, não obstante, são
conhecidos pela maioria” são os mesmos 27 livros do Novo Testamento reconhecidos como
canônicos por todos os cristãos hoje. Todos os demais foram rejeitados.
Um fator importante em resolver a questão do cânon na Igreja Grega foi a declaração
de Atanásio de Alexandria, em sua 39a. Carta Festival (cerca de 397 AD). Sendo o homem
de liderança em seu tempo, Atanásio disse a seus bispos e a seu povo que o cânon do Novo
Testamento consiste de 27 livros. Ele não fez crítica de qualquer livro, nem qualquer
diferenciação entre os livros. De todas as obras apócrifas, ele mencionou somente o
Didaquê e o Pastor de Hermas, e declarou que conquanto esses dois livros não pertençam
ao cânon, podem ser usados para a edificação dos candidatos nas classes batismais.
Emboras as diretrizes de Atanásio legalmente vigorassem somente no Egito onde ele
era um reconhecido líder espiritual, contudo sua personalidade era tão forte que a inteira
igreja de expressão grega foi influenciada por seu veredicto. Conquanto alguns teólogos do
Oriente rejeitassem o Apocalipse ainda no 5o. século, seu cânon de 27 livros passou a ser
reconhecido como o padrão reconhecido.
O testemunho de Irineu, Tertuliano e o Fragmento Muratoriano demonstram que na
virada do século 3o., o cânon do Novo Testamento havia atingido uma forma bem fixa no
Ocidente. Os quatro evangelhos, os Atos, as 13 epístolas de Paulo, 1 Pedro, 1 João,
Apocalipse, e talvez também 2 João e Judas eram geralmente reconhecidos como
pertencentes ao cânon. Segundo Pedro, Tiago, 3 João e Hebreus ainda não haviam
conseguido esse reconhecimento, conquanto algumas obras apócrifas às vezes eram ainda
aceitas. A história do cânon após 200 AD portanto envolve principalmente a aceitação das
três epístolas gerais e Hebreus, e a rejeição de alguns apócrifos questionáveis.
A Igreja Ocidental não contava com tantos eruditos notáveis como o Oriente, mas sua
disciplina eclesiástica era mais forte, e conseqüentemente o desenvolvimento do cânon no
Ocidente não envolvia tanta vacilação como no Oriente. A Igreja Ocidental finalmente
acompanhou o Oriente na aceitação de Hebreus, enquanto ao mesmo tempo defendia
fortemente o Apocalipse, um livro que o Oriente não favoreceu durante o 3o. século e parte
do 4o. Finalmente, teólogos gregos reverteram sua atitude e aceitaram o Apocalipse em seu
cânon.
A decisão final concernente ao cânon neotestamentário foi tomada pela Igreja Latina
em 382 AD, quando o Sínodo de Roma, sob o Papa Dâmaso, decretou oficialmente que as
sete epístolas gerais formam parte integral do Novo Testamento. Esse decreto atribuía a
Primeira Epístola de João ao apóstolo, e as outras duas a outro João, supostamente tendo
sido presbítero. A Igreja do Norte da África seguiu a isto, quando durante o Concílio de
Hipo (393 AD) e o 3o. Concílio de Cartago (397 AD) decretos semelhantes aos de Roma
foram votados.
A epístola a Hebreus não encontrou completa aceitação na Igreja Ocidental até a
segunda metade do 4o. século. A principal razão era a sua disputada autoria. Os Pais
Latinos dos séculos 3o. e 4o. tanto não citavam Hebreus como rejeitavam sua autoria
paulina. Mais tarde, porém, grandes teólogos latinos e líderes eclesiásticos da última parte
do 4o. século, sob influência da teologia grega do Oriente, onde a autoria paulina de
Hebreus nunca havia sido posta em dúvida, passaram a admiti-lo. Entre esses cristãos de
destaque citam-se Jerônimo, Hilário de Poitiers, Ambrósio, Agostinho. Este último, em seu
cânon do Novo Testamento, como apresentado em sua obra De doctrina christiana (II. 8,
12-14), não discorda de nenhum modo com o cânon de Atanásio de Alexandria. Desse
tempo em diante as igrejas latina e grega passaram a adotar o mesmo cânon
neotestamentário de 27 livros.
Os livros apócrifos do Novo Testamento foram rejeitados mais cedo e mais
resolutamente na Igreja Ocidental do que entre os cristãos do Oriente. Por 200 AD uma
clara posição foi tomada no Ocidente com respeito aos livros cuja origem apostólica eram
questionados, como atestado por Tertuliano e o Fragmento Muratoriano, enquanto ao
mesmo tempo alguns desses mesmos livros eram usados por Clemente de Alexandria sem
nenhum escrúpulo.
É um fato notável que nenhum dos concílios ecumênicos dos primeiros séculos tentou
fixar o cânon. O primeiro concílio ecumênico (conquanto reconhecido como tal somente
pela Igreja Católica) a lidar com o cânon foi o Concílio de Trento (1545-64) que pela
primeira vez estabeleceu por decreto um cânon das Escrituras que vigorava sobre todos os
membros da Igreja Católica. Conquanto concílios anteriores tenham lidado com o cânon,
como mencionado, eles não eram ecumênicos, e tinham jurisdição somente sobre certas
províncias eclesiásticas.
Um estudo do desenvolvimento do cânon do Novo Testamento propicia evidência
convincente de que a mão da Providência dirigiu a formação da Palavra escrita de Deus.
Como se pôde ver na pesquisa acima, as decisões que trouxeram à existência os 27 livros
não foram essencialmente obra de uma igreja organizada expressando a sua vontade
mediante seja um papa ou um concílio geral. Antes, o cânon das Escrituras desenvolveu-se
gradualmente durante um período de quatro séculos segundo muitos homens cristãos, sob a
guia do Espírito de Deus, reconheceram que certas obras haviam sido inspiradas por esse
mesmo Espírito enquanto outras não o eram.
Nessa obra divinamente dirigida de seleção, certos padrões ajudaram os primeiros
cristãos a decidirem que livros mereciam um lugar na Escritura e quais não o mereciam.
Um desses padrões era o da autoria. O Novo Testamento eram as boas novas com respeito a
Jesus Cristo, e os cristãos naturalmente criam que a mais autêntica dessa mensagem eram
aquelas escritas por homens que haviam estado com Jesus. Conseqüentemente, somente se
aceitavam aquelas obras a respeito das quais os cristãos estavam claramente convencidos
terem sido produzidas por um apóstolo ou companheiro de um apóstolo escrevendo no
período apostólico. Assim, os livros de Marcos e Lucas foram admitidos porque todo
cristão estava convencido de que haviam sido escritos no tempo dos apóstolos Pedro e
Paulo, e talvez sob a supervisão deles. Por outro lado, a chamada Epístola de Barnabé,
conquanto amplamente aceita no 2o. século, foi por fim eliminada do cânon porque seu
conteúdo mostrava que não poderia ter sido escrita por esse apóstolo. Semelhantemente, o
Pastor de Hermas, um livro apreciado por alguns cristãos primitivos, não conseguiu
encontrar um lugar no cânon porque originou-se no período pós-apostólico.
Outro padrão que guiou a igreja primitiva na seleção do cânon era o conteúdo. Isso às
vezes envolvia julgamento mais sutil do que a questão da autoria. Requeria a avaliação de
um livro em termos de sua coerência interna, sua harmonia com o restante das Escrituras, e
sua conformidade com a experiência cristã. Sem dúvida foi em grande medida por esse
princípio que os primeiros cristãos rejeitaram os muitos evangelhos e apocalipses gnósticos.

Essencial ao cumprimento bem sucedido de tudo isso estava a direção do Espírito de


Deus, o Espírito que conduzia as mentes dos profetas e apóstolos à medida em que
escreviam, e que levou convicção aos corações de todo verdadeiro crente em Jesus Cristo,
ao lerem as Escrituras, de serem verdadeiramente a Palavra de Deus.—Condensado do
Seventh-day Adventist Bible Commentary, Vol. V, págs. 123-133.

Para finalizar, vejam abaixo o “ping-pong” entre o amigo católico Y.P. e eu quanto à
questão do cânone bíblico. Ele me submeteu um questionário ao qual busquei responder
sucintamente. Vejam que a ênfase é no cuidado de Deus pela preservação de Sua Palavra.
Mandaram-me um texto de certo autor católico onde este pergunta desafiadoramente:
“Onde na Bíblia existe alguma lista dos livros que a deveriam compor?” Ocorre que temos
aí o chamado “argumento do silêncio” que é a forma mais pobre de se defender ou negar
uma tese. Pois com a mesma força eu perguntaria: “Onde na Bíblia existe alguma lista dos
livros que NÃO a deveriam compor?” Assim, estamos empatados! Mas, vamos ao
desempate. Com o que consta dos estudos acima mais o texto abaixo creio que o “placar”
será amplamente favorável aos que crêem que Deus preservou a Sua Palavra e cuidou para
que esta refletisse o pensamento divino, acima de noções de origem suspeita. Afinal, o
Autor dessa Palavra a desejava “viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de
dois gumes, e . . . e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Heb.
4:16).

Um Debate Proveitoso Com Um Católico Adepto da


Tradição
No questionário que o amigo católico Y.P. nos submeteu as partes da participação dele
estão, ou em itálico, ou traz suas iniciais. Nossa participação é assinalada com um asterisco
no início de cada texto.
1) Onde Jesus ordenou que a fé‚ cristã somente poderia se basear na Bíblia?

*Onde ordenou que se baseasse em fontes extrabíblicas como mais importantes do que Sua
Palavra?

Y.P. - Ora Azenilto, isso é claro como água! Você desconhece a Sagrada Escritura? Por
que vocês só se referem aos trechos que lhes interessa? Cansei de citar em minhas
mensagens anteriores diversos trechos onde S. Paulo e outros recomendam para que
guardem e observem as tradições que lhes haviam sido ensinadas. Isso não basta?

*Ocorre que você utiliza o chamado “argumento do silêncio” que é a maneira mais
fraca de defesa ou combater de uma tese. Então, se não dito ESPECIFICAMENTE que
deviam basear a fé cristã na Bíblia, isso me dá licença para lembrar-lhe que ocorre também
silêncio quanto a basear-se em fontes outras.
Assim, estamos empatados: nem diz que é só na Bíblia, nem diz que é tendo a tradição
acima da Bíblia (ou a ela igual)!
Mas vamos desempatar: Se Jesus disse, “santifica-os na verdade, a Tua Palavra é a
verdade” (João 17:17) fica o ônus da prova para quem ensina que a tradição é considerada
Palavra de Deus por Jesus ou qualquer autor bíblico, pois a referência à “palavra de Deus”
na Bíblia é sempre ao texto inspirado escrito por “homens santos, movidos pelo Espírito
Santo” (2 Pedro 1:21), nunca às noções do “povão” acatadas pela igreja, por conveniência.

Y.P. — A sua resposta (com outra pergunta) é dúbia porque a Palavra de Deus não está
apenas escrita e você sabe muito bem disso. A Tradição oral, transmitida por Jesus e pelos
Apóstolos é a Palavra de Deus propriamente dita. Isso é óbvio!

* O registro da Palavra de Deus transmitida pelos apóstolos e Jesus é o que existe de


mais relevante. Eles não iriam de modo algum deixar de fora coisas tão importantes para a
fé e prática cristãs, como o papel excepcional de Maria, a transubstanciação, a opção do
destino final dos perdidos como sendo também o purgatório, etc., etc.
Sobre a hiperdulia a Maria, é interessante o breve diálogo de uma mulher com Jesus ao
esta exclamar toda entusiasmada: “Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que
te amamentaram! Ele, porém, respondeu: Antes bem-aventurados são os que ouvem a
palavra de Deus e a guardam” (Luc. 11:27, 28).
Caso Jesus intencionasse que Sua mãe fosse exaltada ao nível que os católicos pretendem,
sobretudo chegando ao nível de pô-la na posição de CO-RENDENTORA(!) Ele jamais
diria estas palavras. Pelo contrário, iria Se aproveitar da ocasião para apresentá-la ao
mundo como a mais virtuosa, santa, elevada e bem-aventurada de todas as mulheres!
O mesmo se aplica ao que Paulo diz em Gálatas 4:4. Nem faz referência a Maria,
apenas diz que o Cristo seria “nascido de mulher”. Por que essa “indiferença”, em face do
papel tão excepcional de Maria que os católicos lhe atribuem?

2) Onde Jesus ordena a seus Apóstolos a escreverem a Bíblia?

*Onde disse para não escreverem nada? Se “homens santos falaram movidos pelo
Espírito Santo” (2 Pedro 1:21) isso significa que o Espírito os levou a fazer isso, escrever
os textos sagrados. Portanto, por meio do Espírito eles tiveram essa ordem, na forma de
serem “movidos”.
Onde Jesus ordena seus seguidores a publicarem catecismos ou outros livros e hinários,
manufaturar rosários, construir torres nas igrejas, com sinos, com vitrais, com
confessionários, levantar cruzes de madeira, ferro, pedra . . .?

3) Onde, no Novo Testamento, os Apóstolos falam às gerações futuras que a fé‚ cristã deve
se basear na Bíblia?

* Onde dizem que deve basear-se em fontes extrabíblicas de maior valor e autoridade
do que a Bíblia? Ou onde dizem que os autores da Bíblia não tinham tanta importância
assim?

Y.P. - É clássico, quando não se tem respostas, formular novas perguntas com o intuito de
inibir o interlocutor. Você está fazendo exatamente isso. Não tem respostas convincentes.
Não tem argumentos concretos e, portanto, responde perguntando. É lamentável!

* A questão não é responder com perguntas por não ter resposta, como você alega. Se
assim é você está ofendendo nada menos do que Jesus Cristo, pois a Bíblia registra várias
ocasiões em que Ele foi indagado diretamente de alguma coisa, e respondeu dirigindo ao
interlocutor OUTRA PERGUNTA. Veja: João 18:33, 34; Mateus 22:14-22; Lucas 10:25-
28; 12:13, 14; 13:1, 2; 18:18, 19; 20:1-5; João 13: 37, 38. Obviamente Jesus queria levar
essas pessoas a raciocinarem por si mesmas e assim por si mesmas chegarem a respostas
óbvias a suas próprias perguntas.

4) Os protestantes afirmam que Jesus condenou categoricamente toda tradição oral (Mat
15:3.6; Mar 7:8-13). Se isto é verdade, por que Ele ordena a tradição oral aos seus ouvintes
dizendo que eles devem obedecer os escribas e os fariseus quando estes estiverem sentados
na cátedra de Moisés (Mat 23:2)?

* Jesus esclarece que deviam segui-los e obedecê-los quando falassem as coisas


corretas, não suas práticas hipócritas. Quando os condenou por sua hipocrisia Jesus disse
que negligenciavam o mandamento de Deus seguindo a tradição dos homens. Então, se eles
diziam para cumprir os mandamentos de Deus (registro escrito) e não os praticavam por
seguirem a tradição oral, não deviam acompanhá-los nisso.

Y.P. - Jesus não disse isso! E se assim o fosse, quem estabeleceria “quais” seriam essas
“coisas corretas”? Me poupe!

* Jesus disse exatamente isso. Basta ler atentamente o texto de Mateus 23:1-3. Compare
com Lucas 13:14, exatamente sobre o problema do sábado. Eles estavam certos em
recomendarem o mandamento ao povo, porém estavam errados em adicionarem ao
mandamento regras absurdas e negarem aos enfermos até o direito de serem curados por
Jesus, que se defendeu da acusação deles de que quebrantava o sábado dizendo ser "lícito
fazer o bem aos sábados" (Mateus 12:12).
5) Os protestantes afirmam que São Paulo categoricamente condenou toda tradição oral
(Col 2:8). Se isto é verdade, por que ele diz aos tessalonicenses para que “fiquem firmes na
fé e guardem as tradições que ensinamos, oralmente ou por escrito” (2 Tes 2:15) e elogia os
coríntios por estes “manterem firmes nas tradições” (1 Cor 11:2)?

* As tradições que Paulo ensinou estão registradas nas suas 13 ou 14 epístolas. Ele
nada ensinou que contrariasse o que deixou registrado para conhecimento da Igreja e seu
progresso espiritual. E disse que não se devia ultrapassar (ir além) do que “está escrito” (1
Cor. 4:6).

Y.P. - Você está sendo parcial e sabe disso!

* Seja mais específico e diga-me onde estou sendo parcial. Na verdade, Paulo foi muito
parcial ao dizer para não se ultrapassar, ir além, do que está escrito (1 Cor. 4:6; Gál 1:8, 9),
seja por ele ou pelos demais apóstolos de Cristo, homens santos que escreveram segundo
“movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

6) Se os autores do Novo Testamento acreditavam na Sola Scriptura, por que às vezes eles
dão à tradição oral autoridade como Palavra de Deus (Mat 2:23; 23:2; 1 Cor 10:4; 1 Ped
3:19; Jud 1, 9, 14, 15)?

* Porque foram homens santos que escreveram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pedro
1:21). Nesse caso, eles estão apondo inspiradamente sua autoridade a fatos históricos de
Israel que não constavam de nenhum livro, mas passam a ter validade como Escritura,
segundo o que Pedro diz.

Y.P. - A Sola Scriptura é o maior absurdo que se poderia ter inventado. É tão insana essa
doutrina, que chega a ser ridícula. Como você pode dizer algo como isso, acima? Você
simplesmente reconhece que a tradição oral se sobrepõe à escrita (o que é muito natural e
lícito) e no restante de suas respostas se contradiz o tempo todo. Sinceramente! Estou
decepcionado com suas respostas, esperava algo mais embasado. Mas. . . como sabemos,
não há argumento que justifique a Sola Scriptura.

* Meu caro, não é com retórica desse tipo que você chegará à verdade. Foi Jesus
ridículo ao derrotar Satanás citando somente a Bíblia e NUNCA nada da tradição dos
homens? Ver Mateus 4, Lucas 4.

7) Onde, na Bíblia, a Palavra de Deus está restrita somente àquilo que está por escrito?

* O Espírito Santo guiaria em toda verdade, e a “verdade” absoluta é a Palavra de Deus


(João 17:17). Se há verdades fora do que está escrito, não podem contrariar o registro
inspirado. Se contrariarem, então não é a verdade divina, mas as “tradições dos homens”
que Jesus condenou nos fariseus.
Y.P. - Compreenda, meu amigo, que a Palavra de Deus inclui também a escrita. A
Palavra de Deus nos foi transmitida por Jesus (oralmente). Jesus nada deixou por escrito!
Será por quê?

* Jesus não precisava deixar nada escrito pois já havia as Escrituras que Ele citava
amplamente (nunca falou de tradições dos judeus de modo positivo-Ver Marcos 7: 7 e 8).
Quando expondo aos dois discípulos na estrada de Emaús que Ele era o esperado Messias
que morrera em cumprimento a profecias, deu-lhes um “estudo bíblico” completo (ver
Lucas 24:27) sem mencionar a tradição, e havia muitas tradições messiânicas . . . Mas
também sabia que a Sua Palavra seria proclamada pelos meios que fossem convenientes,
pois Sua ordem foi: “Ide, pregai o evangelho a toda criatura . . . até os confins da terra”.

8) Como nós sabemos quem escreveu os livros que chamamos de Mateus, Marcos, Lucas,
Atos, Hebreus e 1-2-3 João? Sob que autoridade, ou princípio, poderíamos aceitar como
Escritura livros que sabemos que não foram escritos por um dos Doze Apóstolos?

* Se os concílios cristãos reuniram o cânon, fizeram muito bem. Competentes eruditos


analisaram os vários textos e decidiram pelos que tinham as características de inspiração. A
Igreja apostatou gradualmente. Nunca foi perfeita, e o fato de que concílios de uma igreja
defeituosa fez também coisas certas ao escolher os livros certos é porque Jesus disse que
estaria com Sua igreja “até o confins dos séculos”, mesmo sendo essa igreja defeituosa.

Y.P. - Mais uma vez você está sendo parcialíssimo. Dois pesos e duas medidas? Então
os Concílios que estabeleceram os cânones eram legítimos? Então tá...!!!

* Primeiro, não eram concílios da Igreja Católica, pois ainda não havia ocorrido o
Cisma de 1054. Os católicos quando se referem a esses concílios como se fossem de sua
igreja é que estão sendo parciais, omissos e reconstruindo a história segundo sua
conveniência (o que é típico de certas seitas. . .).
Agora, se esses eruditos tiveram aprovação dos conciliares para o estabelecimento do
cânon neotestamentário (pois o do Velho Testamento já estava estabelecido há muito pelos
judeus que conservavam “os oráculos de Deus”, Rom. 3:2) NESTE PONTO agiram
legitimamente. Isso não endossa TODAS as suas decisões. Como eu disse, também os
essênios, que eram heréticos, conservaram o texto bíblico, pois Deus vigia a Sua Palavra e
vale-se das instrumentalidades possíveis, perfeitas ou não (aliás, ninguém é perfeito. . .)

9) Onde na Bíblia encontramos uma lista inspirada e infalível dos livros que devem
pertencer à Bíblia?

* O Espírito Santo guiaria os eruditos quanto a isso pois Deus estaria velando pela Sua
Palavra.

Y.P. - Muito, muito vago...!!!

* Quer coisa mais vaga do que dizer, “nem tudo que Jesus ou os apóstolos fizeram está
registrado na Bíblia”? O que de real valor e importância para a salvação e funcionamento
da igreja não está registrado na Bíblia? Seriam Jesus e Seus apóstolos tão omissos,
negligentes com detalhes fundamentais da verdade, indiferentes ao bem-estar da
comunidade de crentes para deixar sem registro o que REALMENTE importa aos cristãos?

10) Como sabemos, usando somente a Bíblia, que os livros do Novo Testamento são
inspirados, mesmo quando eles não afirmam ser inspirados?

* Pedro diz que são inspiradas aquelas mensagens transmitidas por “homens santos,
movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21). As epístolas de Paulo, Pedro, João, Tiago
foram de apóstolos de Cristo ou pessoas diretamente chamadas por Deus para darem
testemunho da verdade. E são coerentes entre si.

11) Como sabemos, só pela Bíblia, que as cartas de São Paulo, escritas para congregações e
indivíduos do primeiro século, deveriam continuar sendo lidas por nós, 2000 anos depois,
como Escritura?

* Porque elas contêm instruções que eram válidas para aquele tempo e são válidas para
os cristãos de todos os tempos, respeitadas as questões culturais da época.

12) Onde a Bíblia afirma ser a única autoridade para o cristão em matérias de fé e moral?

* Onde diz que se deve buscar outra autoridade?

Y.P. - Uma vez mais. . . evasivas! Respostas com outras perguntas. . .

* Veja o exemplo de Jesus de responder a interlocutores como novas perguntas, na


resposta à pergunta 01.

13) A maioria dos livros do Novo Testamento foram escritos para abordar problemas bem
específicos da Igreja primitiva, e nenhum deles é uma apresentação sistemática da teologia
e fé cristã. Sobre qual base bíblica os protestantes acham que tudo o que os apóstolos
ensinaram se encontra nos escritos do Novo Testamento?

* Ora, Paulo em seus escritos é um perfeito sistematizador da fé cristã. Se no Novo


Testamento não consta TUDO, sem dúvida o essencial ali está. E Paulo disse para não
irmos “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6). E ao se apegarem à tradição, até valorizando-
a mais do que a Bíblia, os católicos transgridem essa recomendação apostólica. Ai, ai, ai. . .

Y.P. - Azenilto, você não aparenta ser uma pessoa ignorante. E, assim sendo, é
impossível que não compreenda que as duas coisas devem andar lado a lado:
Sagrada Escritura e Sagrada Tradição, sem o que é impossível se fazer uma leitura
imparcial da Palavra. A Tradição oral, que guiou a Igreja nos primeiros séculos é tão
necessária quanto a Tradição escrita. No mais, observe os textos:
“Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma,
creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever” (Jo 21,25).
“Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer
por escrita nossa” (2 Tess 2,15).
“Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão
que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes” (2 Tm 3,6).
“Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita
testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros” (2 Tm. 1-2).
“A letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor 3, 6). Deus fez o sacerdote “ministro do
espírito e não da letra” (2 Cor 3, 6).

* Ora, está claríssimo que essa tradição a que Paulo se refere (suas citações com as
palavras que sublinhei acima) são os ensinos que deixou registrados em suas 13 ou 14
epístolas, contendo o essencial, o mais importante, o realmente fundamental para a igreja
cristã. Em 1 Cor. 15:1-4 ele sintetiza o teor de sua mensagem: “Irmãos, venho lembrar-vos
o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele
também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais
crido em vão. Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos
nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia,
segundo as Escrituras”.
Veja aí nessa síntese o que realmente importa ao cristão saber e cumprir: a ênfase em
Cristo, somente Cristo, como salvador. Se Maria fosse “co-redentora” acha que isso não
seria tema da maior relevância, a ser lembrado por Paulo nessa síntese de sua pregação? E o
evangelho que ele anunciou, e a palavra tal como a pregou estão em essência registrados
nas suas 13 ou 14 epístolas. Essa é a nossa “tradição” válida. Fora isso, temos as influências
pagãs de uma igreja que haveria de apostatar, segundo ele também profetizou em Atos
20:29, 30. E isso começou bem cedo, pois “o mistério da iniqüidade já opera” (2 Tess. 2:7).
Fora isso, é transgredir a instrução paulina de não irmos “além do que está escrito” (1 Cor.
4:6) para anunciar um condenável “novo evangelho” (Gál. 1:8 e 9).
Muito cuidado, meu caro com esses “novos evangelhos” calcados numa tradição de
origem suspeitíssima.

14) Se os livros do Novo Testamento são “auto-autenticados” pelo ministério do Espírito


Santo para cada indivíduo, então por que havia confusão na Igreja primitiva sobre quais
livros eram inspirados, tendo sido alguns livros rejeitados pela maioria?

* O conhecimento das coisas de Deus é um progresso, como a luz da aurora que brilha
mais e mais até ser dia perfeito (Prov. 4:18). Havia confusão sobre outras coisas, mas sendo
que Deus estava vigilante e o Espírito dirigiria na caminhada rumo à verdade, a confusão se
desfez no devido tempo.

Y.P. - E o homem novamente estabeleceu a confusão para reinar através das igrejas e
seitas surgidas pela Reforma. . .

* Você mesmo admitiu haver divergências de opinião sobre doutrinas na Igreja Católica
e exageros na prática do culto às imagens. E que me diz da prática simoníaca de vendas das
indulgências? Quer confusão maior? Lutero teve o mérito de iniciar um processo de
restauração das verdades bíblicas e colocar a Bíblia na mão do povo. Foi o início da
restauração e não da confusão que prevalecia, em cumprimento da profecia de Paulo em
Atos 20:29, 30.
15) Se o significado da Bíblia é tão claro, tão fácil de ser interpretado, e se o Espírito Santo
conduz cada cristão a interpretá-la corretamente, então por que existem mais de 28.000
denominações protestantes e milhões de indivíduos protestantes, todos interpretando a
Bíblia diferentemente?

* Nomes de denominações religiosas que no fundo têm inúmeros pontos em comum


não significam que sejam mutuamente exclusivas. Não importam estruturas eclesiásticas, o
que importa é Cristo como o centro da vida e da fé, torná-lo o Senhor e Salvador de nossas
vidas individuais e coletivas. A verdadeira Igreja de Deus é o conjunto dos fiéis membros
do corpo de Cristo independentemente de estruturas eclesiásticas. Isso inclui católicos e
protestantes, quiçá também espíritas, etc.

Y.P. - Estou perplexo!!!! Denominações religiosas que no fundo têm “inúmeros” pontos
em comum???? Azenilto, as diversas denominações protestantes só têm em comum o
intuito de confundir cada vez mais a mente dos desavisados que ingressam em suas fileiras.

* Já expliquei que nomenclatura de estruturas denominacionais não é o mais


importante. Essas muitas denominações e organizações não se excluem mutuamente, como
você quer dar a entender. Assim como dentro da Igreja Católica há os liberais,
conservadores, carismáticos, os que aceitam a infalibilidade papal e os que não acatam isso,
os que defendem o casamento para os sacerdotes, os que fazem até juramento de morrer, se
preciso, para defender a “causa de Maria” (que terrível armadilha e prova de “lavagem
cerebral” em que espero você não tenha caído), mas no fundo estão unidos nos principais
pontos de fé e prática religiosa, essas muitas entidades se centralizam em Cristo, o Seu
evangelho redentor, a inspiração das Escrituras como ÚNICA fonte de fé e prática e outras
questões básicas.
Ocorrem os desvios, as seitas que negam a divindade de Cristo, etc., mas o mesmo se
dá no catolicismo, inclusive com sacerdotes que acatam práticas espíritas, o famoso Padre
Quevedo aí no Brasil, por exemplo, e assim por diante.
Veja na Bíblia o exemplo dos bereanos que foram elogiados, e não ridicularizados como
você faz, por seu LIVRE EXAME, por conferirem o que a Bíblia realmente diz, mesmo
recebendo a mensagem do evangelho dos apóstolos de Cristo: Atos 17:10-12. Agora, esta
passagem deve incomodar um bocado os católicos que pensam como você. . .

16) Quem tem autoridade para arbitrar cristãos diferentes que afirmam ser liderados pelo
Espírito Santo em interpretações mutuamente contraditórias da Bíblia?

* A Palavra de Deus. Quem estiver indo além do que “está escrito” (1 Cor. 4:6) estará
errando. Mas há erros secundários e erros primários. Negar a salvação em Cristo é erro
terrível pois exclui a pessoa dessa salvação. Querer apôr outro salvador, ou “co-rendentora”
ao lado daquele que é o único nome pelo qual podemos ser salvos (Atos 4:12) é claramente
ir “além do que está escrito” e uma atitude que chega a ser blasfema.

Y.P. - Mais uma vez você está delirando! Blasfêmia é se auto-intitular “iluminado”pelo
Espírito Santo e pregar coisas tão absurdas como ter que doar o que tem no bolso ou o
relógio que está no pulso para poder ter direito a uma “bênção”que, evidentemente, é
distribuída pelo “pastor”. Ora, vamos deixar de hipocrisia! A grande maioria das seitas
( não propriamente as denominações históricas ) é um meio de vida para meia dúzia de
“pastores” mal intencionados. Podemos citar a Universal, como exemplo. Dentre tantas e
tantas “igrejas” diferentes será que existem tantos e tantos “espíritos santos” “iluminando”
a cada uma delas? E você vem me dizer que a Palavra de Deus é que poderá arbitrar? Que
Palavra se todas reclamam para si o direito de interpretá-la?

* Se você quer generalizar e tomar a parte pelo todo, atribuindo a TODOS os


evangélicos esses desvios lamentáveis da "banda podre" do cristianismo evangélico,
lembre-se que temos também umas coisas sérias sobre práticas de representantes da Igreja
Católica. Que me diz dos escândalos sexuais envolvendo sacerdotes, freiras, professores e
diretores de escolas católicas e bispos nos EUA e outras nações que têm surgido
ultimamente? Lembra-se do episódio do “Banco Ambrosiano” quando o secretário
particular do Papa, Paul Marcinkus, nem podia deixar o território do Vaticano senão seria
preso? Assim, é melhor parar por aí. . .

17) E, já que cada protestante pode admitir que sua interpretação é falível, como pode
um protestante em boa consciência chamar algo de heresia ou obrigar um outro cristão a
acreditar em algo particular?

* O que ultrapassa o que está escrito, por exemplo, o que contraria a lei de Deus
pronunciada solenemente no Sinai com exclusão de mandamentos ou acréscimo de novos
(ex.: “guardar domingos e festas”) determina quem está cumprindo a vontade de Deus ou
quem está dizendo “Senhor, Senhor, em teu nome não fizemos tantas coisas?” para ouvir
naquele dia-“apartai-vos de mim, vós que transgredis a lei” (ou praticais a iniqüidade, que e
a mesma coisa). Mateus 7:21-23.

Y.P. - Em outras palavras você está dizendo que a Igreja Adventista é a que detém a
verdade? Francamente...!

* A Igreja Adventista não é a única que defende a validade e integridade da lei de Deus.
Ela não detém a verdade completa pois não está isenta de erros de interpretação. Mas de
todos os ensinos religiosos que conheço (e bem conheço o catolicismo, espiritismo,
protestantismo histórico e carismático) as igrejas que observam o sábado do sétimo dia são
mais coerentes em dois pontos principais: que a justificação unicamente pela fé leva o
indivíduo a uma santificação na qual a lei de Deus não falsificada é escrita nos corações dos
que aceitarem os termos do Novo Concerto (ou novo testamento) [ver Hebreus 8:6-10 e
10:16, cf. Jer. 31:31-33]. Também a questão de como o homem passou de uma condição de
imortalidade condicional para a de mortalidade incondicional é exposta pelos adventistas e
algumas outras poucas denominações observadoras do sábado de modo muito superior e
claro, e precisa ser divulgada mais e mais para levantar esse debate no meio evangélico.
Eruditos de várias denominações já estão adotando esse entendimento bíblico (inclusive
do meio católico) que é uma ferramenta magnífica para destruir as bases de todas as
heresias que se firmam nesse conceito dualista originário da filosofia grega. Com tal correto
entendimento cai por terra o espiritismo kardecista, espiritismo de umbanda, candomblé,
etc., mormonismo, Nova Era, teorias católicas-chave como purgatório, intercessão pelos
mortos, inferno de fogo eterno (no sentido de espaço de tempo), e vários outros enganos
que partem da primeira mentira proferida sobre esta terra: “É certo que não morrereis”
(Gên. 3:4).

18) Os protestantes geralmente afirmam que todos concordam “nas coisas importantes”.
Quem é capaz de decidir com autoridade o que é importante na fé cristã e o que não é?

* Importante é tudo aquilo que diz respeito ao tema da salvação e da lei divina a ser
escrita nos corações dos que aceitarem os termos do Novo Concerto entre Deus e Seus
filhos (Hebreus 8:6-10). Há coisas de menor importância que não excluem alguém de ser
considerado um irmão na fé. Mas em 1 Coríntios 15:1-4 Paulo revela o que era a essência
se sua pregação e nada há ali que justifique os ensinos católicos que vão “além do que está
escrito” (1 Cor. 4:6) com base na tradição popular, não no “assim diz o Senhor” da Palavra
de Deus.

Y.P. - Essas “coisas” menos importantes, certamente, seriam os dogmas?

* Tem certeza de que tais dogmas encontram o respaldo do “assim diz o Senhor” e do
“está escrito”, ou são originários das tradições dos homens, contrariando o mandamento de
Deus (Marcos 7:7,8) e indo além do que está escrito (1 Cor. 4:6)? Se os católicos agissem
como os bereanos, tirariam muita coisa a limpo e renunciariam a muitos de tais ensinos,
como milhões têm feito por todo o mundo, inclusive ex-padres e ex-freiras, sinceros
buscadores da verdade, cansados das tradições dos homens em lugar da Palavra do Deus
Altíssimo.

19) Como pôde a Igreja primitiva evangelizar, sobreviver e prosperar durante os primeiros
350 anos, sem saber ao certo quais livros pertenciam ao cânon da Escritura?

* Eles tinham as epístolas apostólicas, o conhecimento básico das questões da fé, as


Escrituras do Velho Testamento usadas pelos judeus e a plenitude do poder do Espírito
Santo.

Y.P. - Não, eles não tinham as epístolas apostólicas. Esse conhecimento básico das
questões da fé ele tinham por tradição oral e a plenitude do poder do Espírito não chegou
até eles através de algo escrito.

* As epístolas paulinas deviam circular entre as várias igrejas, como Pedro indica em 2
Pedro 3:16 (ver também Col. 4:16; 2 Tess. 5:27). Na introdução das epístolas de Pedro,
João, Judas, Tiago é mostrado que foram escritas para todos, ou grupos de judeus cristãos.
Jesus Cristo disse, orando ao Pai: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade”
(João 17:17) e antes havia prometido, “quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará a
toda a verdade” (vs. 16:13).
Ao condenar os fariseus e saduceus por seu apego às tradições junto com a Bíblia,
Cristo disse: “Errais por não conhecerdes as Escrituras!”. Logo, é um erro, não agir como
os bereanos, já mencionados, elogiados conferirem os fatos bíblicos diante do ensino dos
apóstolos (Atos 17:11).
20) Quem na Igreja tem a autoridade para determinar quais livros devem pertencer ao
cânon do Novo Testamento e fazer esta decisão obrigatória para todos os cristãos?

* Se concílios da igreja o fizeram, mesmo antes do primeiro grande Cisma de 1054


(com a divisão de católicos e ortodoxos) fizeram bem, foram dirigidos nisso por Deus. Ele
vela pela Sua palavra. Agora, era uma igreja já contaminada por erros lamentáveis segundo
Paulo profetizara em Atos 20:29 e 30.

Y.P. - Engraçado! Os Concílios existentes antes do Cisma de 1054 também


estabeleceram outros tantos dogmas. Aí, nesse caso, estavam errados...Estou tentando
entender a sua lógica...Tá difícil!

* Já expliquei isso. Outros tantos dogmas podem ser válidos ou não. Serão válidos
quando têm o respaldo do “assim diz o Senhor” das Escrituras e inválidos quando forem
“além do que está escrito”.

21) Se ninguém tem esta autoridade, então eu posso remover ou adicionar livros ao
cânon bíblico conforme a minha própria autoridade?

* O Espírito Santo conduziu o estabelecimento do cânon bíblico determinado pela


Igreja antes do primeiro grande Cisma. Então, os católicos não podem gabar-se de terem
sido os determinadores do cânon, pois injustamente excluem a ala dos que se fizeram
“ortodoxos”.

Y.P. - Não é essa a questão! Não fuja da pergunta como o fez até aqui.

* Será que fugi mesmo?

22) Por que os estudiosos protestantes reconhecem que os concílios primitivos da Igreja
em Hipona e Cartago foram a primeira instância onde o cânon do Novo Testamento foi
oficialmente sancionado, mas ignoram o fato de que os mesmos concílios sancionaram o
cânon do Antigo Testamento usado até hoje pela Igreja Católica e abandonado pelos
protestantes durante a Reforma?

* Como eu disse, Deus velou pela preservação de Sua Palavra, como a miraculosa
conservação desses escritos pelos Essênios (os famosos “Rolos do Mar Morto”) comprova.
Os essênios eram fanáticos, heréticos e inimigos dos cristãos, mas foram a
instrumentalidade divina para preservar os “oráculos de Deus” de que os judeus eram
portadores (Rom. 3:2).

Y.P. - Acho que estou compreendendo sua mecânica de pensamento. Naquilo que você
acha que está certo, houve intervenção correta de Deus. Naquilo que você acha que está
errado, houve erro! Entendi, muito justa sua observação. . .
* Paulo disse para não irmos “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6) e rejeitarmos
qualquer “outro evangelho” (Gál. 1:8, 9). A norma é a Palavra de Deus, não as tradições dos
homens.

23) Por que os Protestantes seguem as decisões dos judeus, tomadas em período pós-
apostólico, sobre o cânon do Antigo Testamento, desprezando a decisão da Igreja fundada
por Jesus Cristo?

* Porque a eles foram confiados “os oráculos de Deus” (Romanos 3:2). Eles, como os
essênios, já eram rejeitados como povo especial de Deus, mas eram os guardadores desse
“depósito da fé” genuíno, a Palavra de Deus. Jamais reconheceram os livros apócrifos que
contradizem as Escrituras que lhes foram confiadas como seus preservadores. Deus vigia
sobre a Sua Palavra e Jesus disse: “A Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Essa verdade
seria mantida a todo custo, fosse por essênios, judeus inimigos de Cristo, cristãos já meio
apostatados do 2o. e 3o. séculos. . .

Y.P. - Mais uma vez a parcialidade evidente. . .

* Não sei o que entende por “parcialidade”.

(24) Como os bispos de Hipona e Cartago foram capazes de determinar o cânon correto da
Escritura, ainda que acreditassem em todas as doutrinas católicas como a sucessão
apostólica dos bispos, o sacrifício da missa, a presença real de Cristo na Eucaristia, a
regeneração pelo batismo etc.?

* Seria a mesma resposta dada acima, sob o no. 23.

Y.P. - E a mesma observação. . . Parcialidade!

25) Se a Cristandade é uma “religião do Livro”, como ela floresceu durante os primeiros
1500 anos de História da Igreja, quando a imensa maioria do povo era analfabeto?

* Floresceu? Ela existiu aos “trancos e barrancos” com toda a apostasia dos acréscimos
da tradição (cumprindo a profecia de Paulo em Atos 20:29, 30. 2 Tess. 2:7) até que Wiclef,
Lutero, Calvino e outros começaram a eliminar o joio da tradição do trigo da verdade.

Y.P. - Floresceu sim, do contrário não teria chegado até nossos dias. E quanto aos
reformadores que você citou, temos trechos lindíssimos deles, com relação à Virgem Maria.
Se quiser posso lhe remeter. Parece que eles mantiveram alguma coisa do “joio” citado por
você.

* Eu nada tenho contra os trechos lindíssimos sobre Maria. Ela é uma indiscutível
heroína bíblica, instrumentalidade de Deus para a encarnação do Verbo. O problema é o
exagero, o “ir além do que está escrito” quanto a Maria, como esse “novo evangelho” de
querer transformá-la em co-redentora. Esses mesmos reformadores CERTAMENTE iriam
condenar com toda veemência qualquer iniciativa nesse sentido. Claro que eles começaram
um processo. Lutero se referia a isso falando da “ecclesia reformata, semper reformanda”.
Evidentemente não restauraram tudo, e ainda hoje temos essa tarefa de restaurar a verdade
plena. Há ainda “joio” em muitas igrejas, numas mais, noutras menos. Aliás, em TODAS,
pois nenhuma é perfeita.

26) Como poderia o Apóstolo Tomé estabelecer uma Igreja na Índia, que sobrevive até hoje
e que voltou a estar em comunhão com a Igreja Católica, sem deixar-lhes uma única
palavra da Escritura do Novo Testamento?

* Essa informação é muito vaga. Na Etiópia, onde os cristãos por 1.000 anos
mantiveram-se isolados da Igreja européia, a comunidade local até hoje conserva princípios
que os demais abandonaram. Tal informação procede de uma reportagem de uma revista
secular, a National Geographic Magazine. O referido artigo cita inicialmente o historiador
Edward Gibbon, que escreveu O Declínio e Queda do Império Romano, segundo o qual “os
etíopes dormiram quase mil anos, alheios ao mundo pelo qual foram esquecidos”. Mais
adiante prossegue a reportagem: “Duzentos anos se passaram para o cristianismo tomar pé
em Aksum, mas hoje mais da metade de todos os etíopes são cristãos, cerca de 30 milhões
de pessoas. Sua fé, por ter sobrevivido aqui por mil anos, é uma singular fusão de ensinos
do Velho e Novo Testamento. Grande devoção é revelada pela Virgem Maria, por exemplo,
contudo, até hoje os costumes dos ortodoxos etíopes fazem eco à lei judaica, requerendo
que as igrejas circuncidem suas crianças do sexo masculino no oitavo dia, descansem no
sábado, e se abstenham de carne de porco”.-“Keepers of the Faith—The Living Legacy of
Aksum” [Mantenedores da
Fé—O Legado Vivo de Aksum], por Candice S. Millard, Op. Cit., julho de 2001, pp. 115 e
122.

Para qualquer comentário ou perguntas escreva para o link do meu e-mail.

otabrito@aol.com

DEBATES CATÓLICOS

http://www.azenilto.com/