Temporada 04 Capítulo 55

O Quarto do Pânico
By We Love True Blood

If we stay calm everything will be fine, okay? Just stay calm.

Ela acordou sentindo a cabeça pesada, ultimamente era uma sensação constante. Podia sentir o frio vindo das paredes de aço, algo que considerava estranho. Inclusive um leve arrepio subiu da base das costas e percorreu toda a espinha, até chegar na nuca. Mas continuava sendo uma vampira, pelo menos ainda era morta. Bebia apenas a dose semanal de sangue que ele dava. E por mais incrível que pareça, era o suficiente para aplacar um pouco a fome. Uma vez acreditou sentir o estômago roncar, depois acreditou que foi apenas um sonho. Afinal, ela estava sozinha naquele quarto pequeno, tendo apenas a companhia de uma cama de solteiro com um colchão fino e uma televisão velha que passava seriado e desenhos antigos. Não havia janela, apenas algumas aberturas na parede por onde circulava o ar. Mesmo que ela não precisasse respirar. Ele apenas se comunicava com ela através de um interfone, quando a pequena luz vermelha do aparelho piscava, tinha certeza que ouviria a voz dele. Era o único contato com o mundo real que tinha. E nem fazia ideia de quanto tempo estava mofando ali. Pelo menos ele falava com ela todos os dias, alguns momentos duravam horas, outros apenas alguns minutos. A voz dele a deixava calma, e acreditava na promessa de que tudo acabaria bem. A luz vermelha piscou. Será que tinha anoitecido? Ela não sabia, não tinha janelas. Dependia da presença dele para saber o horário. Maya levantou rapidamente e atendeu o telefone. “Olá.” Ela ouviu a voz bonita do pai de Jessica do outro lado da linha. Abriu um sorriso, não ficaria mais entediada e não precisaria descobrir pela milésima vez que o velho que trabalhava no parque de diversões era o fantasma em Scooby-Doo.

“Achei que não viria.”, ela disse animada. “Jamais esqueço de você. Está sempre na minha mente.”, ele disse. “Tenho uma surpresa.” “O quê?”, ela gritou de excitação, apertava o telefone. “Está na hora de sair um pouco desse quarto.” “Como?” “Quero conversar olhando para o seu belo rosto.”, a voz dele soou emocionada. Ela ouviu o som de um clique e a pesada porta abriu de uma vez. Maya quase gritou novamente, só que dessa vez de susto. Continuava apertando o telefone, não sabia o que fazer. “Venha... sem pressa.” Ela ouviu a voz dele perfeitamente, sem soar distante pelo telefone, ele estava do outro lado. Maya largou o telefone que ficou balançando pelo fio de um lado para o outro. Caminhava devagar passando a mão na parede de aço, sentindo mais do que nunca como era gelada. Assim que passou pela porta encontrou Bill parado em frente com os braços estendidos. Ela o abraçou, sem entender o motivo de fazer isso, apenas queria sentir algo. “Por... que... fez isso?”, ela perguntou sentindo as lágrimas escorrerem. “Fiz o que?” “Me deixar sair.” “Eu quero saber como está se sentindo, as mudanças no seu corpo.”, ele a afastou. Ela observou o ambiente a sua volta, estavam num quarto bonito, decorado como se fosse de uma garota. Provavelmente era de Jessica e aquele quarto do pânico servia para protegê-la se algo acontecesse. Mas, Jessica não morava mais ali, agora pertencia a ela, Maya. “Eu sempre falei pra você como me sinto. Vai me matar, por isso me soltou...”, ela enxugava as lágrimas que agora tinham uma coloração fraca de vermelho. “Fique calma. Não é por isso, você morrer seria meu maior fracasso.”, ele disse com um sorriso. “Fracasso?”

“Sim, querida. A resposta de seu corpo a esse sangue especial é a vitória que precisamos.”, ele passou a mão nos cabelos cor de caramelo de Maya. “Eu disse que seria uma experiência difícil, mas no final você teria a sua grande recompensa. Não está sentindo os efeitos?” “Sinto... diferente. Quase igual como antes, mas não totalmente. Ás vezes dói tudo, como se quisesse sair do meu corpo.” “Eu posso sentir seu corpo quente, seu rosto corado. É maravilhoso.”, ele a carregou no colo e rodopiaram pelo quarto. “Como está Bastian?”, ela perguntou quando Bill a colocou sentada na cama. “Muito bem...” “Por que não vem me visitar?” “Bastian ainda não voltou da viagem que fez com Eric. Você sabe, querida, eles estão em busca do assassino de Jason. Saiba que sua informação foi de grande ajuda.”, ele sentou ao lado dela. “Eles já prenderam a mulher ruiva?” “Foi a primeira coisa que fizeram. E por isso estou te dando esse grande presente.” “Bill, não entendo por que tenho que ficar morando aqui... sozinha... naquele quarto frio.”, ela disse abaixando a cabeça. “O que estamos fazendo não seria muito bem aceito pelos outros vampiros, querida. Você correria grande risco se vissem todas as mudanças. E eu também por ajudá-la.” “Sookita é muito boa em doar o sangue para nos ajudar.” “Claro, ela pensa apenas no bem das pessoas.”, ele disse ficando em pé. “Eu... é pra voltar lá dentro?”, ela disse sentindo um calafrio. “Sim, Maya. Cada dia passaremos mais tempo aqui fora. É para você se acostumar com o novo ambiente.”, ele a abraçou mais uma vez e a levou na direção do quarto. Eles se despediram assim que a porta se fechou. Maya não notou as pesadas barras de ferro nas janelas do quarto onde esteve. E nem imaginava as que tinham sido colocadas do outro lado da porta. Jamais encontraria a liberdade. --------------------------------

Assim que abriu os olhos, Sookita viu o rosto de Tara no outro lado da cama. Sentou com dificuldade, tinha uma leve dor de cabeça e conforme mexia a cabeça o quarto girava um pouco. “Que horas são?”, Tara perguntou numa voz ensonada. “Não sei.”, Sookita respondeu olhando para os lados e procurando o celular. “Quase cinco da manhã, tenho que me mandar agora mesmo.”, ela ficou em pé rapidamente ainda segurando o celular na mão. “Sorte que acordei.” “Muita sorte... está difícil de se controlar, hein?” “Foi divertido... Johnny é divertido.”, ela deitou novamente na cama. “Eric também é com o pau duro. O que vocês fizeram?” “Você viu?”, Sookita levantou a cabeça assustada. “Ah, então você não estava dormindo quando cheguei... pelo jeito levei fácil mesmo essa aposta.” “Não fizemos nada... posso garantir.”, ela colocou a mão na testa. “Ele desistiu... e não eu.” “Isso conta como vitória...”, Tara bateu palmas. “Claro que não... eu disse que nada aconteceu. Só nos beijamos.” “Até hoje à noite eu levo, vocês dois aqui sozinhos...”, Tara deu de ombros e começou a descer a escada. “O que quer dizer com isso?” “Oras... quer o Johnny de novo pra te salvar?”, ela parou no meio da escada. “Ainda vou matá-lo pela maconha.” “Não foi culpa dele, eu quis fumar.”, Sookita disse caminhando até a beirada do mezanino. “Eu sei lidar com Eric, não vou usar Johnny dessa maneira.” “Boa sorte, eu acho...”, Tara fez um aceno e desceu correndo o restante dos degraus. A pressa de Tara tinha um bom motivo, logo mais teria aula e dessa vez nem tiveram tempo de tomar café juntas, uma tradição que tinham. E pelo jeito teriam dali para frente a companhia constante de Eric dormindo no sofá. Porque cama jamais iriam dividir, Sookita tinha consciência do quanto era perigoso.

Ela olhou de cima do mezanino e não havia sinal dele. Onde estava? Ela se lembrava dele dizer que estava com fome e depois tudo apagou. E agora estava completamente sem sono, ainda demoraria para trabalhar e estava tensa por encontrá-lo novamente. Não queria mais perder o controle como andava fazendo, ele provavelmente pensava que era por causa da volta inesperada e não era? Ela preferia acreditar que não, foram apenas coincidências. A partir desse momento, nada de bebida, maconha e ficadas obscuras com Johnny. Queria algo sólido, queria algo com Eric. Não, não poderia pensar nisso, ele tinha Nora. Ela poderia começar algo com Johnny, um vampiro que era o oposto de Eric. Além do que tinham que resolver de uma vez por todas o problema da casa e ela poderia divorciar de Bill, matar dois problemas que a atormentavam. Sookita caminhou até o banheiro, devagar e sentindo uma moleza no corpo. Acreditava que ainda era os efeitos da erva. Retirou o shorts jeans e a camiseta, jogando em cima da pia. Não estava com paciência para esperar a banheira encher de água. Resolveu tomar uma ducha quente e rápida, para tirar os resquícios dos abusos que cometeu esses dias. Fechou os olhos, sentindo a água escorrendo pelo corpo e lembrava das imagens estranhas que viu, a cidade nas nuvens. Ela tentava recordar de onde tinha vista, seria em algum filme? Balançou a cabeça de um lado para o outro, era muito vívido para ser um sonho, inclusive as vozes que fizeram cócegas em seu ouvido, também pareciam reais. Talvez tenha visto o outro lado? Jason estaria lá? Mas, não procuraria saber novamente, fumar para visualizar o irmão morto não era uma opção saudável. A dura realidade era o melhor caminho no final das contas. Minutos depois, Sookita saiu do chuveiro, enrolou-se numa toalha e voltou para o quarto. Respirou aliviada quando não viu nenhum sinal de Eric, poderia se trocar a vontade. Mas quando foi até a ponta do mezanino, encontrou Eric dormindo novamente no sofá, do mesmo jeito do dia anterior, só que dessa vez sem machucados. Ela trocou de roupa rapidamente, como se sua vida dependesse disso. Desceu a escada pensando se ele a procurou e desistiu em esperá-la sair do banho. Eric dormia calmamente, e apenas nesses momentos ela o sentia em paz, sem receio de tudo que acontecia em volta. Olhando para ele tão vulnerável, ainda vestindo a mesma roupa de antes. Ela decidiu que não iria discutir quem iria morar ali. Aos poucos tentaria lidar com a situação, evitar que saísse machucada. Além do que, ele estava respeitando o

espaço dela, dormia no sofá sem soltar uma reclamação, algo raro para Eric. Seria uma mudança após a volta de Nora? Ela pensou com uma careta. Em seguida, procurou a mala dele pela sala, não era certo as coisas ficarem espalhadas. Continuavam no mesmo lugar, atrás do sofá, parecendo intocadas. Sookita pegou a primeira e ficou surpresa por não ser pesada, fez o mesmo com a outra, e era tão leve quanto a primeira. Não teve dificuldades em subir a escada carregando as duas, Eric seguia a linha de todos os homens, viajando com pouca coisa, apenas o suficiente. Ela foi até a porta do armário que ficava ao lado do banheiro, por sorte quase não usava ali, mantinha as coisas no outro armário do quarto. Ela também não tinha muitas roupas, diferente de Tara. Colocou a mala no chão e abriu devagar, como se tivesse invadindo a privacidade dele. Havia um livro velho, com a capa quase caindo, ela não conseguiu ler o título. E teve receio em continuar mexendo e acabar destruindo de uma vez. Guardou dentro de uma das gavetas, depois o avisaria. Voltou a mexer na mala, tirou uma camiseta preta, depois uma camisa preta, e uma regata preta, uma camiseta cinza, e preto, preto, preto, cinza, a paleta de cores não mudava. Não podia esquecer as jaquetas, tinha pelo menos três e todas pretas, só para combinar com o resto. Ela perdeu a noção do tempo enquanto arrumava nas gavetas, imaginava em quais lugares ele usou as roupas, de vez em quando cheirava para sentir alguma coisa. E sentiu imediatamente o cheiro amadeirado tão característico. Finalmente levantou e olhou orgulhosa para o trabalho que fez, estava tudo arrumado. Pegou as malas vazias e deixou ao lado do armário, para Eric encontrar facilmente. Esperaria avisá-lo na noite seguinte, e quem sabe conversariam como pessoas normais, sem toda a tensão costumeira. Mas não conversaram naquela noite, nem na outra e muito menos na seguinte. Sookita era sumariamente ignorada por Eric, como se não vivessem na mesma casa. O único ponto positivo foi ganhar a aposta de Tara, a amiga daria o dinheiro da aposta no final de mês e não gostou nem um pouco em perder, acreditava que Sookita tinha trapaceado de alguma maneira. E ela sabia bem que só tinha perdido porque Eric deu para trás e não era algo reconfortante. Menos pela negação dele e mais pela fraqueza dela. Definitivamente não estava curada do que sentia, a dor continuava queimando cada vez mais. Acordava sentindo um cansaço enorme nesses últimos dias, todas as noites mal dormidas, esperando Eric chegar e tendo a esperança de que trocariam algumas palavras. Mas ele continuava evitando de maneira proposital, ela tinha

certeza disso. Quando Sookita levantava, depois de poucas horas de sono, Eric já estava dormindo. E a noite quando voltava do trabalho, não havia sinal dele. Ele só voltava perto do amanhecer. Ela aproveitava para espiá-lo do mezanino e depois rezava para o sono chegar. Antes de ir para o trabalho, estava quase chegando no ponto de ônibus, recebeu uma mensagem de Pam: “Venha até a boate antes do show.” Sookita não conseguiu evitar a estranha sensação de quando recebeu a mensagem de Eric antes da boate explodir pelos ares. Já havia passado muito tempo, mas de vez em quando ela lembrava com vivacidade do que passou nas mãos do Senador Morales e o atentado feito por Juan Carlos. Certas coisas ela jamais esqueceria. Toda sexta havia um show ao vivo na boate, era uma das mudanças implementadas por Pam. Sookita participava de vez em quando, e apenas quando Tara tirava folga. Usava a amiga como escudo de proteção, evitando a aproximação de outros homens. E já fazia uma semana desde que Eric voltou na fatídica noite do aniversário dela. E não fazia ideia do que Pam poderia querer com ela, não se falavam desde a última vez na boate. Não daria mais sangue, não queria a amizade das duas baseada em trocas. Tiveram o suficiente por um ano, era o momento da relação mudar. Sookita sentou na parte de trás do ônibus e pensava se deveria contar ou não sobre Nora. A vampira ainda não tinha voltado, mas provavelmente voltaria em algum momento, era a namorada de Eric. Não iria deixá-lo sozinho por um longo tempo. E talvez esse fosse o momento quando ele deixaria a casa para trás. Ela olhou pela janela, imaginando que dias atrás as coisas pareciam promissoras, ir para o trabalho não era penoso e voltar dele menos ainda. Até Bastian havia perdido desde a volta de Eric, é como se o rapaz a evitasse, não ligava, nem mandava mensagens e não pedia mais ajuda sobre Maya. Ela sentia falta dele, as piadas sem sentido, as frases confusas e o enorme sorriso, como ela adorava o sorriso de Bastian. O resto do dia passou arrastando, como se todos os bêbados da cidade tivessem resolvido ir naquele dia ao bar. Ela não parou por um segundo e menos assim o tempo não passava. Parecia uma punição e ela queria apenas descobrir o que Pam desejava, nada mais. Depois iria embora e passaria o resto da noite esperando Eric voltar. Ele nunca mais voltou machucado, será que tinha esquecido de Bill?

---------------------------Maya não se sentia bem, mesmo ficando algumas horas longe do quarto do pânico. Bill a encontrava todos os dias e a deixava passear pelo quarto de Jessica. Ela até dormiu algumas vezes na cama macia, os lençóis cheirosos lembravam de quando era humana. Mas por alguma razão desconhecida, as dores de cabeça aumentaram e seu corpo fazia barulhos estranhos. Ela chegou a vomitar algo escuro várias vezes, não contou para Bill. Tinha medo que isso fosse o suficiente para ele terminar os experimentos e ela acabaria morrendo. Só que as dores não passavam, ela sentia o corpo enfraquecendo, os ossos ficando proeminentes, machucava até para andar. Mesmo ele aumentando a dose de sangue, não era como antes, a fome dela tinha voltado, ela queria sangue, muito sangue, igual a compulsão que teve no México. Bill surgiu no quarto preocupado com o estado dela, deu mais uma dose de sangue. Maya tomou de uma vez, tentava lamber o máximo que conseguiu, mas era muito pouco. “Quero mais.”, ela disse numa voz fraca. “Não posso, querida. Não tenho um estoque grande...”, Bill passou a mão na testa molhada de suor dela. “Por que estou assim?”, Maya agarrou a mão dele e trouxe para perto dos lábios. “Gostaria de saber, é algo novo. Nunca chegamos nesse estágio antes. Você é a primeira.” “Qual estágio?” “Com uma dose quase letal no corpo.” “Eu vou morrer...”, ela disse beijando a mão dele. “Não, não diga isso. Acredito que deve ser apenas um efeito colateral das altas doses que está tomando.”, ele disse tentando manter a calma. “Sook... Sookita pode vir aqui para me alimentar.”, Maya arregalou os olhos. “Não, querida... você poderia matá-la com tanta fome.”, ele deu uma risada forçada. “Mas... estou morrendo de fome... meu corpo fica pedindo... eu sinto andando embaixo da minha pele.... Eu quero comer.”, ela deu um grito apavorante.

“Maya, acalme-se.”, ele se afastou dela. “Volte aqui... por favor... não me deixe.”, ela agarrou a mão dele novamente. “É melhor voltar para o seu quarto.”, Bill puxou a mão com força. “Esse é meu quarto, você prometeu.” “Apenas por algumas horas. Você não pode ser vista.” “Como? Não vou fugir...”, ela ficou de joelhos na cama, juntou as mãos como se fosse fazer uma prece. “Não me deixe morrer de novo... dói muito voltar.” “Eu sei... por isso estou fazendo isso.” “Por favor...” ela estendeu a mão. Bill voltou para perto dela, tocou a mão quente dela. Maya beijou mais uma vez a mão dele e deu uma pequena mordida. Um filete de sangue escorreu e ela aumentou a mordida. “Pare com isso.”, ele disse puxando a mão. “Eu quero...” Ela saltou na direção dele, os dois caíram no chão, rolando pelo quarto. Maya mordeu o pescoço de Bill, arrancou um pedaço grande de carne e cuspiu longe. Em seguida, começou a sugar avidamente o sangue que saía do buraco que criou. Bill tentava se desvencilhar sem machucá-la, só que mesmo debilitada fisicamente, ela parecia muito mais forte do que ele. Ela parou de sugar o sangue do pescoço, rasgou a camisa que ele usava e mordeu o peito dele, arrancou novamente um punhado de carne. Maya estava completamente banhada no sangue de Bill. “Gosto ruim...”, ela gemia enquanto sugava o sangue do peito dele. Ele aproveitou essa pequena distração, e agarrou os cabelos dela, a jogou do outro lado do quarto. Maya bateu a cabeça com força na parede, sentiu a dor insuportável, os ossos de seu corpo pareciam ter dobrado e quebrado em mil pedacinhos. O cheiro do sangue dele, mesmo parecendo algo podre, a deixava inebriada. Ela precisava parar a dor no corpo, precisava voltar ao normal. Maya ficou em pé com dificuldade, não estava tão forte como antes, o efeito foi rápido. Ela cambaleou e foi segurada pelo pescoço por Bill. Ela balançava os pés e colocou as mãos por cima da dele, começava a sufocar pelo aperto, as mãos dele se fechavam mais e mais.

“Achei que seria diferente com você...”, ele disse com pesar. “Eu realmente quis...” “Des... culpa.”, ela disse num fio de voz. Ele não a ouviu, continuou aumentando o aperto. Maya sentia o escuro chegando, escuro que ela não queria enfrentar de novo. Pensou na mãe que tinha morrido, pensou em Alcide, lembrou-se de Jessica e desejou ver Bastian mais uma vez. Do outro lado da cidade, Bastian sentia um aperto no coração fraco, sentia uma dor terrível, uma perda assustadora, o fim chegando. Sentia Maya morrendo. Ele gritou até a voz sumir. ------------------------------Teve tempo apenas de chegar em casa, constatar que mais uma vez Eric não estava lá, se trocou, colocou um vestido florido até a altura do joelho. Sookita chegou pelos fundos da boate antes de abrir para os clientes O beco continuava o mesmo, tão mal iluminado quanto antes. Entrou sem bater na porta, tinha uma certa intimidade com o lugar. Sem querer as lembranças voltaram, ela sentiu um arrepio pelo corpo, não aconteceria nada de ruim dessa vez. Ela caminhou pelo corredor e foi até a porta do escritório. Bateu de leve e esperou Pam atendê-la. Mas nada aconteceu e ela começou a ficar impaciente. Abriu a porta devagar e ouviu uns gemidos vindo lá de dentro. Encontrou Pam sentada em cima da mesa com um homem agachado no chão, com a cabeça entre as pernas dela. Sookita não teve tempo de fechar a porta, pois sentiu o olhar frio de Pam. “Não sabe bater?” “Desculpe... eu bati... não sabia...”, Sookita fechou os olhos. “Eu estava quase gozando, Sookita.”, Pam disse irritada. “Por hoje é só.” Mariano levantou quieto, ajeitou a calça com a mão que tinha sobrado, passou a mão nos lábios para limpar. “Pode abrir os olhos.”, Pam soltou uma gargalhada. “Deixe Mariano passar.” Sookita ficou boquiaberta encarando Mariano, o vampiro a olhava sem saber o que fazer. Ela se afastou da porta sentindo os joelhos tremerem. O que iria fazer? Contaria para Tara? Ela sabia que a amiga não tinha nada com o vampiro, mas Sookita acreditava que Tara gostava dele, só não queria assumir. “Achei que chegaria mais tarde.”, Pam disse assim que Mariano saiu.

“Você escreveu antes do show.”, Sookita fechou a porta e ficou no mesmo lugar. “Mesmo? Nem lembrava mais.”, Pam puxou a calcinha para cima, ajeitou os cabelos e sentou na cadeira atrás da mesa. “Eu nem ia vir aqui hoje.” “E perderia o show do seu namorado?” “Quem? Ah, Johnny.”, ela disse sem vontade. “Como sabe?” “Por isso te chamei... Eric andou perguntando por ele... Chuck Berry.”, Pam soltou uma gargalhada. “Não entendi.” “Oh, Sookita... nunca mude.”, Pam balançou a cabeça. “Eric procurou Mariano e perguntou de Johnny... quer dizer, Chuck Berry.”, Pam riu novamente. “Deve ser por causa da maconha. Só me faltava essa.”, Sookita sentou desolada na poltrona. “Maconha? Ando por fora das fofocas...” “É uma longa história.” “O que Eric quer com aquele idiota? Virou traficante?” “Johnny me deu maconha, eu fiquei... meio fora do ar. Eric não gostou.”, Sookita disse rapidamente, torcendo as mãos no colo. “Oh! Eu esperava que fosse algo mais importante.”, Pam disse pensativa. “Ele ainda quer brincar.” “Eu não quero mais.” “Claro que quer, você quase desmaiou quando eu contei.” “Pam, eu... eu realmente quero deixar para trás.” “Todos nós queremos, minha cara. Quando conseguir, me avise.” “Por que nunca disse que o ama?”, Sookita a encarou com firmeza. “Eu nunca escondi...”, Pam olhou em volta surpresa. “Como mulher.” “Eu sou mulher.” “Para Eric... por que nunca disse?”, Sookita ignorou a piada de Pam.

“Não entendo onde quer chegar.”, Pam ficou em pé com as mãos na cintura. “Acho que o perdeu.... por medo.”, Sookita disse num fio de voz. “Nem pense nisso. Não venha jogar pra cima de moi...”, ela caminhou até a porta. “A conversa acabou.” “Eu não terminei.” “Mas eu terminei.”, Pam abriu a porta e indicou o caminho para Sookita. “Eu preciso te contar sobre Nora... você irá perdoá-lo. Tenho certeza.” “Se ele quiser, ele quem irá contar. Não preciso de você para isso.” “Achei que éramos amigas.”, Sookita disse ficando em pé. “E somos... só não deixe Nora entrar em sua cabeça.” “Não deixei... quero apenas você e Eric se acertando. E não quero o presente de Bill.”, Sookita parou em frente a ela, a diferença de altura entre as duas era evidente, Pam usava um salto altíssimo. “Você acha que se eu disser que o amo, as coisas irão voltar ao normal?” “Não sei, Pam. Mas você nunca se deu uma chance... de tentar.” “Seu cheiro.”, Pam farejou o ar perto de Sookita. “Cheiro?” “Eric deve estar subindo pelas paredes. Agora as coisas fazem sentido.” “Odeio quando vocês falam dessa maneira.”, Sookita apertou a alça da bolsa com raiva. “Desde quando está sangrando?” “Ah, minha menstruação?”, Sookita arregalou os olhos. “Faz uns dias, está quase no final.” “Cheiro maravilhoso... se eu pudesse. Pobre Eric! Precisa tirar Johnny do caminho mesmo.”, Pam riu tocando no rosto de Sookita. “Nem ouse em pedir.”, Sookita se afastou em direção a porta. “Corra antes que eu te pegue.” Sookita passou pela porta sem olhar para trás. Ouvia ao fundo as gargalhadas de Pam. Havia esquecido completamente de que o sangue da menstruação poderia ser irresistível para os vampiros. Ficou tão perdida em morar com Eric

e nunca vê-lo no mesmo ambiente. Será que ele a estava evitando por causa disso? Ela não queria saber a resposta. Em vez de sair pelos fundos, resolveu ir até a boate. Se saísse sem ver Tara, teria problemas depois. A amiga reclamaria por um bom tempo. A boate já estava aberta, começava a encher aos poucos. Sookita procurou por Tara entre os clientes e notou que Johnny estava no palco arrumando os instrumentos junto dos outros integrantes da banda. Parou perto do bar e recebeu um cutucão nas costas. “Veio sem mim. Que milagre!”, Tara perguntou parando em frente a Sookita. “Na verdade, eu vir encontrar Pam.” “Pra que?”, Tara franziu a testa. “Eric andou perguntando por Johnny...pra Mariano.” “Ele não me disse nada, que vagabundo.”, ela olhou irritada na direção do vampiro que estava na entrada da boate. “Provavelmente Eric o proibiu.” “O que ele quer com Johnny?” “Deve ser sobre a maconha...”, Sookita balançou a cabeça. “Que merda, Johnny não merece ser acuado pelo idiota do Eric.” Tara viu Johnny no palco e fez um aceno, o vampiro cabeludo respondeu prontamente e jogou um beijo na direção de Sookita. “Você tem que falar com Eric.”, Tara disse severa. “Falar o que?” “Não sei... dê um jeito. Ele vai saber que Johnny não é seu namorado.” “Culpa sua. Estou novamente enterrada em mentiras.” “Achei que era inocente. Não imaginei que Eric iria se importar.”, ela deu de ombros. “Ele só está fazendo isso para me tirar do sério.” “Eu deveria ter apostado uma semana e não dois duas. Agora eu iria ganhar essa merda.”, ela levantou os braços. “Você quer parar com isso.”, Sookita bufou de raiva. “Droga, droga...”

“Que foi?” “Eric acabou de entrar na boate.” “Vou embora.” “Ele não deve ter vindo apenas por sua causa, nem sabe que você está aqui.”, Tara disse olhando por sobre os ombros de Sookita. “Ele foi pro outro lado.” “Onde?”, ela olhou em volta. “Área Vip. Acho que veio se divertir e provocar Pam.” “Ele está sozinho?”, ela perguntou sentindo um aperto no coração. “Sem a Barbie morena, não se preocupe.”, Tara olhava para onde Eric foi. “Não consigo mais vê-lo.” “Hoje não é bom eu ficar por aqui.” “Ele não vai atacar Johnny na frente de todo mundo. Não é louco.” “Eu esqueci... que... estou naqueles dias.” Tara foi levantada no ar por duas mãos que agarraram a cintura dela. Ela soltou um grito de susto e quando foi solta no chão, viu o rosto sorridente de Johnny. “O show vai começar daqui a pouco.”, ele disse passando as mãos nos cabelos lisos. “Preciso ir.”, Sookita disse rapidamente passando entre os dois. “Espere... espere... vir aqui falar com você um pouco.”, ele agarrou a mão dela. “Melhor não...”, ela desvencilhou do toque. “Me liga depois, Tara.” A amiga fez um aceno com a mão e continuou olhando em volta procurando por Eric. Sookita deu meia volta e foi caminhando para a saída nos fundos da boate. Assim que saiu para a noite gelada, sentiu uma mão em seus ombros. “Vou te acompanhar.”, Johnny disse. “Eu estou bem, conversamos outra noite.”, ela voltou a caminhar. “Não está brava por causa daquela noite? Não respondeu minhas mensagens.”, ele apertou o passo para alcançá-la. “Eu não tive tempo.”

“Fiz uma música pra você, gata! Não quer voltar comigo?”, ele passou a mão no rosto dela quando pararam no meio do beco escuro. Apenas o luar os iluminava. “Outro dia você me mostra.” “Tudo bem. Não vou te atacar por causa...”, Johnny disse abrindo um sorriso. “Até você? Vampiros não tem força de vontade.”, Sookita disse cruzando os braços. “Juro que tenho.”, ele a abraçou. “Seu show vai começar.” “Não tire a minha oportunidade em te pegar sóbria.”, ele beijou levemente os lábios dela. “Coisa rápida.”, ela disse com um sorriso de canto, talvez não fosse ruim. Ele a beijou, dessa vez sem gosto de tequila ou maconha, parecia a primeira vez para ela. Ele encostou o corpo magro na direção do dela, a empurrando na direção da parede. Mas antes que o amasso ficasse mais quente, Johnny foi arrancado repentinamente de perto de Sookita e voou vários metros até parar perto da saída dos fundos da boate. “Saia de perto dela.” Sookita sentiu as pernas fraquejarem ao ouvir a voz de Eric, ele saiu das sombras com o cenho franzido e cara de poucos amigos. Ela não fazia ideia de quanto tempo ele estava ali e como saiu da boate sem ser visto. “Quem você pensa que é? Filho da puta!”, Johnny voltou rapidamente usando a velocidade vampírica e fez um movimento com as mãos para atacar Eric. “Aquele que irá te matar se continuar drogando essa garota.”, Eric agarrou com uma das mãos os cabelos de Johnny. “Drogar? Vai se foder... eu ofereci e ela fumou.”, Johnny tentava sair das mãos de Eric. “Eric... o que está fazendo?”, Sookita gritou desesperada. “É o vampiro que mora com você...”, Johnny disse num fio de voz, agora reconhecia o outro. “E por que se importa, cara? Nem é namorado dela.” “Não o machuque. A culpa não é dele.”, Sookita tentava amenizar a situação. Eric aumentou o aperto nos cabelos de Johnny, começou a se afastar de Sookita, arrastando o rapaz pelos cabelos.

“Vou te ensinar que não precisa drogar uma garota para conquistá-la.”, Eric exibiu as presas que brilharam com a luz do luar. Os dois sumiram da vista dela. Sookita correu de um lado para o outro, a maldita penumbra não deixava que ela visualizasse o que estava acontecendo. Só havia os barulhos vindos da boate e da noite, e nada mais. Estava com receio de que Eric machucasse Johnny por causa de um mal entendido criado por ela. Quem ele pensava que era para se intrometer dessa maneira? A raiva dela só aumentava conforme o tempo passava, ela queria ir embora, mas não tinha coragem de ir sem saber o que aconteceu com Johnny. “Eric!”, ela gritou no beco escuro. “Sim...” Ele não demorou a aparecer, veio caminhando do lado oposto à boate, com as mãos no bolso e um sorriso de canto, demonstrando o quanto estava se divertindo com a situação. “Onde está Johnny?”, ela não abaixou o tom de voz. “Lá na boate.” Ele parou no meio do beco, parecendo mais assustador do que já era, a luz do luar batendo nas costas dele o deixava bem maior. Sookita piscou várias vezes para ter certeza de que ele estava ali, não estava alucinando com o Conde Drácula. “O que fez com ele?” “Nada demais, tivemos apenas uma conversa de vampiro para vampiro.”, Eric tombou levemente a cabeça para o lado. “Se o machucou, irá se ver comigo.” “Mesmo?”, ele soltou uma risada. “Continue namorando Bastian, é o melhor para você.” Ela sentiu uma onda de calor subir pelo corpo, mas diferente do que sentiu naquela noite, dessa vez era ódio, puro e simples. As mãos tremiam sem parar, ela não conseguia controlar o impulso de machucá-lo. “Desde quando você sabe o que é melhor para mim?”, ela deu alguns passos firmes na direção dele, não tomou uma distância segura como fazia das outras vezes.

“Só a vi bêbada e drogada ao lado do magrelo cabeludo.”, ele encolheu os ombros. “Estou apenas ajudando ao próximo, como está escrito naquele livro que você adorava.” “É um grandíssimo filho da puta, Eric.”, ela gritou com toda a fúria que tinha no corpo. “Quero que vá embora hoje mesmo da minha casa.” “Não.” Ela quase jogou a bolsa na cara dele, como podia amá-lo? Eric continuava desprezível, arrogante, jamais mudaria. “Eric, eu não estou brincando.” “Nem eu.” “Por que você voltou?”, ela perguntou apertando as mãos. “Tem prazer em estragar a minha vida?” “Vida? Não vi vida nenhuma desde que voltei.”, ele deu um passo e ficou em frente a ela. “Vi apenas um arremedo de vida, Sookita. Usando Bastian para enganar Bill, e usando Chuck para me afastar. Achei que tinha aprendido a lição com a mentira que criou sobre seu irmão.” “Jason não tem nada a ver com essa conversa.” “Sempre terá... você deve ficar se martirizando, como tanto gosta.”, ele bateu com um dos dedos na cabeça. “Agora é psicólogo? É muito cara de pau em querer me analisar... não sou eu quem transformei Nora por parecer com a esposa falecida.” “Fique quieta! Você não sabe o que está falando.”, ele a agarrou pelo braço. “Eu adoraria ouvir a sua história triste, o quanto você mudou por causa disso.”, Sookita deu uma risada. “Eu sofro todos os dias pela perda das pessoas que amei, inclusive você.” “Por acaso me perdeu?” “Sim...” “Como sabe?” “Não é evidente?” “Nem um pouco, gostaria que me dissesse.”, ele aumentou o aperto no braço dela. “Eric, não sei onde quer chegar, juro que não sei.”

“Eu também não faço ideia.” Para a surpresa dela, ele pareceu realmente sincero. Será que ela ousava ter esperança dele sentir algo a mais? Ele ainda a queria também? “Achei que sabia tudo o que faz.”, ela o provocou. “Não sou perfeito, faz pouco tempo que descobri.”, ele fechou os olhos por alguns segundos. “Você quem me mostrou isso.”, ele abriu novamente os olhos e a encarou. “Mostrei?”, ela sentiu o rosto queimando. “O quanto sou estúpido por cair nas suas garras.” Ela ficou muda, não tinha uma resposta na ponta da língua e estava com dificuldade em respirar. “Eu não quero que outro vampiro se aproveite de você. Vê-la daquela maneira com... Chuck.” “Johnny.”, foi a única palavra que conseguiu dizer. “Sim!”, ele deu um sorriso de canto. “Apesar de tudo, eu não menti quando disse que não desejava que você sofresse por mim. Nós vampiros não somos o ideal para uma humana. O tempo é o maior inimigo.” “Obrigada pela preocupação, mas sei o suficiente sobre vampiros. Você me ensinou muito bem. Estou cansada de saber do tempo. Eu não espero nada de você, eu já disse.”, ela respirou fundo para recuperar o fôlego. “Se eu quiser ficar com Johnny, eu ficarei. Com Bastian também. E com os dois ao mesmo tempo. Você não é o único vampiro que existe, sofrer por você... Meu Deus!” “Por quem você sofre, então? Não sou eu quem deseja destruir a sua pacata vida?” “Eu já falei e vou repetir. Eu te perdi... e estou feliz com o meu arremedo de vida. E você tem Nora.”, ela queria machucá-lo, não deixá-lo sair por cima como gostava. “Você sempre faz questão de me lembrar disso. Estando com Nora ou não, nada me impede de querer o que desejo.”, ele a soltou. “A diferença entre nós, Sookita. É que não invento desculpas como você para fugir de suas vontades.” “Minhas vontades? Claro que eu o desejo, Eric. Quem não desejaria? Você sabe bem disso...”, ela quase se arrependeu do que disse, mas não iria recuar. “E só temos isso entre nós... desejo.”

“O que é melhor do que isso?”, ele passou a mão nos cabelos. “Não imagina como fiquei essa semana... eu sentia o seu cheiro, não importava onde eu estivesse.” “Ah, claro. É melhor me ignorar como se eu fosse uma leprosa, do que perder um minuto e me contar.” “Não sabia o quanto esse sangue me afeta? Achei que estava fazendo de propósito, para me deixar louco.”, o olhar dele brilhou no escuro. “Você se acha muito mesmo.”, ela cruzou os braços. “Ainda te quero fora da minha casa.” “Só se fizer um último favor.” “Qualquer coisa.”, ficou com receio dele pedir em beber o sangue menstrual, e ela provavelmente deixaria. “Encontrar-se com Bill. Enquanto eu e Bastian invadimos a casa dele.”, ele disse tranquilamente. “O quê?” “Não quer se ver livre de mim? Então, faça esse pequeno favor e estamos quites.” “Por que irá invadir a casa dele?” “Quero descobrir alguns segredos. Se ele usou seu irmão para me atacar.” “Bill? Como?” “Ainda não sei. Por isso sua ajuda será importante.” “Ele ajudou Jason a fugir, não entendo.”, ela sentiu a cabeça girar. “Vai ajudar ou não?” “Sim...”, ela disse com pesar. “Se livrou fácil de mim.”, ele deu um tapa de leve no ombro dela, como se fossem amigos. “Não do jeito que eu gostaria.” “E gostaria como? Depois do sexo?” “Você só pensa nisso...” “Seu cheiro não está ajudando.”

Ele a puxou para perto, Sookita tentou se afastar mas não conseguiu. A sensação de desespero voltou, faltava pouco para perder o controle de vez. Queria bater nele e ao mesmo tempo desejava que a possuísse para sempre. “Não vou deixar...”, ela engoliu em seco. “É nojento.” “Você deixou uma vez, não lembra?”, ele passou os lábios devagar no pescoço dela. “Foi diferente, era outro... tipo.”, ela sentiu um arrepio na nuca. “Quero experimentar esse agora.” Eric notou o arrepio dela e começou a passar a língua lentamente pelo pescoço, de vez em quando sugava com os lábios a pele até deixar esbranquiçada. “Não estou fugindo dessa vez. Não está mais com aquele calor todo?”, ele disse parando de sugar. “Eu estava fora de mim.”, ela evitava em tocá-lo com as mãos, as mantinham afastadas o quanto podia. “Falei que iria usar essa desculpa.”, ele voltou a sugar o pescoço, mas sem usar as presas. “Nunca irá mudar, Sookita.” “Nem você.”, ela disse apertando as coxas. “Vamos fazer aqui mesmo.” “Eu... eu... vou embora. Meu carro está perto.” “Sou muito grande para o seu carro, ficaremos desconfortáveis. Só se você sentar sobre mim.”, ele sorriu de canto. “Vou te sujar de sangue.”, ela se arrependeu na mesma hora. “É o que mais quero.” Ele a encarou novamente, os olhos mudaram de cor, estavam mais escuros do que nunca, igual um tubarão quando se alimenta da presa.

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