Psicologia: Reflexão e Crítica, 2003, 16(3), pp.

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A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super
Marcos Alencar Abaide Balbinotti 1
Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Resumo Donald Super engajou-se a sistematizar uma teoria geral da escolha e do desenvolvimento vocacional estruturada no modelo tradicional, no de fatores sócioeconômicos e ambientais, no de abordagens desenvolvimentistas, e no fenomenológico. O presente trabalho objetiva apresentar o conceito de maturidade vocacional e sua generalização no plano transcultural. Com este propósito, explorou-se, mais especificamente, o terceiro modelo teórico, aquele do cumprimento, por parte do indivíduo, de etapas ordenadas e previsíveis durante toda sua vida, visto que a noção de maturidade vocacional se revela através da passagem de um processo de desenvolvimento. Através de dados colhidos por diversos inventários de maturidade, apresentou-se os dados relativos a sua generalização. Concluiu-se que o modelo teórico explicativo da maturidade vocacional parece ser aplicável a diversas populações que possuem elementos culturais comparáveis aos americanos. Algumas exceções ou cuidados na interpretação de dados se aplicam. Novos estudos devem ser realizados a fim de melhorar as qualidades psicométricas das medidas de maturidade vocacional em alguns outros países e, também, as adaptações de tais instrumentos levando-se em conta a diferenças sócio-econômicas e culturais. Palavras-chave: Desenvolvimento vocacional; maturidade vocacional; Teoria de Donald Super; transcultural. The Transcultural Aspect of Vocational Maturity in Donald Super Theory Abstract Donald Super conceptualized a general theory of developmental vocational and career choice based on four models: 1) the traditional, 2) the developmental, 3) the economic, social and environmental, and 4) the phenomenological. Considering that vocational maturity can be revealed by the constant process of interaction between individuals and their environment, this present work aims to explore the concept of vocational maturity within the transcultural field (the third model). Data were collected through several maturity inventories and results show that Super’s theoretical model of vocational maturity can be generalized to several cultures, in particular to the ones that can be comparable to the American society, although some careful data examination is always needed. Finally, we suggest the need of new studies aiming to improve the psychometric properties of vocational measures in some countries, trying to pinpoint cultural and social differences when they appear. Keywords: Vocational development; vocational maturity; Donald Super’s Theory; transcultural.

Para se poder entender, adequadamente, a noção de maturidade vocacional de Donald Super, é conveniente situá-la dentro do contexto geral de sua teoria da escolha e do desenvolvimento vocacional, permitindo uma melhor precisão no sentido que Super dá a este conceito. Em seguida, apoiando-se em algumas pesquisas empíricas importantes, poder-se-á apreciar em que sentido esta noção é generalizável a diferentes culturas. A Noção de Maturidade Vocacional no Contexto da Teoria de Donald E. Super Partindo do histórico estudo de Buehler (1933) sobre o ciclo vital como um aspecto psicológico, a noção de maturidade vocacional, remete, necessariamente, a um processo de desenvolvimento (Balbinotti & Tétreau, 2002), como todos os outros aspectos da personalidade humana (social, emocional, sexual, intelectual, etc.) com
2 Endereço para correspondência: Av. Unisinos, 950, Núcleo de Orientação Vocacional, 93022 000, São Leopoldo, RS. Fone: (51) 5908127. E-mail: balbinotti@bios.unisinos.br

os quais se associa o termo maturidade. Em 1942, em um volume intitulado The Dinamics of Vocational Adjustment, Super apresentou uma síntese do que se conhecia naquela época sobre a escolha de uma carreira. Naquela ocasião, ele propôs uma concepção de escolha profissional que orientou, conseqüentemente, todos os passos teóricos e empíricos de sua carreira (Super, 1951, 1953, 1955, 1957, 1972, 1980, 1981, 1985a, 1985b, 1990; Super & Kidd, 1979; D. Super, Savickas & C. Super, 1996; D. Super, Sverko & C. Super, 1995). Com efeito, considerando a escolha vocacional como resultado de uma série de decisões pré-vocacionais e vocacionais que podem (ou tendem) durar toda a vida, sua concepção contrastava radicalmente com aquela que havia prevalecido até aquele momento e que se associava com a teoria dos traços e fatores de Parsons (1909). Naquela época (Parsons, 1909), concebia-se a escolha profissional como sendo um comportamento de acontecimento único e estático na vida de um indivíduo, emparelhando as características pessoais e de personalidade de um sujeito às de uma profissão. As concepções teóricas de caráter desenvolvimentista de Super (1942) foram

16(3). 1957. tanto no início do exercício de uma ocupação. mais recentemente. 1996). Super & cols. Umemoto & Wicker. têm sido elaboradas. portanto. a automatização. 1997. 461-473 . Levinson & McKee. 1996c. 1997. apóia-se numa psicologia diferencial dos indivíduos e das ocupações2. entre outras. As conclusões de Young e Chen (1999). por Tiedeman (Tiedeman & O´Hara. relacionado com as concepções teóricas de Parsons (1909). concernentes à influência da classe social sobre o desenvolvimento de carreira. 1976. finalmente. Ginsburg. Lerner & Schulenberg. os ciclos econômicos. Klein. o modelo socioeconômico e ambiental. explicariam melhor a complexidade do comportamento vocacional de um indivíduo. A natureza precisa destas tarefas e a maneira Psicologia: Reflexão e Crítica. segundo ele próprio e seus colaboradores (Super. Hotchkiss & Borow. juntos. a classe social não influencia somente a disponibilidade dos recursos em relação à escolha e à adaptação profissionais. Brooks. 1998. esta concepção propõe que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo desde a infância até a velhice. mas a de Super ocupa um lugar de destaque. quanto nas mudanças e adaptações que poderão se impor no decurso dos anos. Darrow. etc. o indivíduo deve cumprir um certo número de tarefas de desenvolvimento. No decorrer deste processo. 1996. 1985. 1997). a economia. Breton. no desenvolvimento das necessidades e dos valores. então. 1972. tecnológicos e ambientais (tais como a família. 1957). Brown. 1995). Por exemplo. Schultz & Henderson. o modelo desenvolvimentista. 1) O primeiro modelo. e. 1992. 1976. 1986). McDonald & Richer. assim como dinâmico no sentido de que ele resulta da interação entre as características do indivíduo e as demandas da cultura. Lapointe. Farmer. 1978. 1998. por Vondracek e colaboradores (Vondracek. e ainda incluiu outros modelos que. 2 2) O segundo modelo diz respeito à influência dos fatores socioeconômicos. quanto ao número constante e atual de publicações em revistas especializadas. a sociedade. São eles: o modelo de perspectiva diferencial. geralmente. 1996b. 1977. a possibilidade de adquirir informações e desenvolver habilidades que poderão ter uma importante influência no momento da tomada de decisão profissional por parte dos jovens. Estas. é aquele das abordagens de desenvolvimento. pp. Riverin-Simard. segundo Super (1957). ao qual o nome de Super é mais popularmente associado. Roe & Lunneborg. contrastava com a simples teoria dos traços e fatores (Parsons. os sindicatos e as organizações profissionais. a comunidade. a família contribui. ao todo. Osipow e Fitzgerald (1996) concluem que a influência da classe social (média ou elevada) é quase sempre positiva sobre o desenvolvimento vocacional. também.462 Marcos Alencar Abaide Balbinotti resgatadas por Ginzberg. 1973. Uma descrição mais detalhada e objetiva destes modelos será apresentada abaixo. uma discussão dos fatores econômicos ligados ao desenvolvimento profissional: a lei da oferta e da procura. apóiam a afirmação desses autores. 1997) representa em sua forma contemporânea e segundo o qual busca-se assegurar o homem certo no lugar certo a partir de uma análise das características do indivíduo e da profissão considerada. teriam a árdua tarefa de desvendar. as políticas sociais e as experiências profissionais) sobre o desenvolvimento de carreira (Bergeron. 1952. Miller & Form. interesses. 1994. e. Herr & Lear. 1985. 1993. não menos importantes (embora ainda pouco divulgadas). 1984. 1984. Roe. 1984. Super (1969. ao menos em parte. o da psicologia das carreiras (Super. um efeito sobre as atitudes. estruturadas e aplicadas por diversos autores (Blau. Axelrad e Herma (1951) – que finalmente limitaram sua descrição do desenvolvimento vocacional do nascimento a adolescência (ou até o início da idade adulta) –. 1956. Ocupação é um anglicismo freqüentemente utilizado para falar da profissão ou do trabalho. compondo as orientações teóricocontemporâneas básicas e de prática em psicologia da escolha e do desenvolvimento profissional. Tais concepções tornaram-se as principais idéias ou tendências. ordenado e previsível. É claro que diversas outras teorias. 1998.) que indicam um processo de desenvolvimento (Buehler. Seriam. 1933) e que. são as variáveis que intervêm influenciando a carreira dos indivíduos. 1996. Sverko & Super. o modelo fenomenológico. 1981. Levinson. 1990) propôs uma concepção de escolha profissional com base em conceitos (maturidade. Recentemente. ao menos. É o modelo tradicional que Holland (1959. fornecendo à criança. Knefelkamp & Slepitza. 1990. os encorajamentos que uma pessoa recebe e as experiências de trabalho que ela conhece. Segundo estes autores. Como refere Bujold (1989) e Bujold e Gingras (2001) compilando as informações de Super (1984). 1996a. O autor apresenta também. 1984. Havighurst.. ou ao adolescente. 1984). 1995. este comportamento. os hábitos e aspirações que constituem o contexto sócio-psicológico do desenvolvimento de carreira. por exemplo. quatro modelos que. valores. 1972. 1990). Fukunaga. 3) O terceiro modelo. o grupo de pares. o custo dos estudos. 1993. mas ela tem. a tradição. 1951. Bingham. Miller & Weeks. O desenvolvimento é. Tiedeman & Miller-Tiedeman. 1964. a tecnologia e. o que torna claro também o fato de tratar-se de um processo psicossocial. 1985. finalmente. o mercado de trabalho. 1996. pareadas àquela de Holland (1959. 1909). 2003. Fouad. Este contexto compreende. Watkins & Subich. 1963. ainda. a escola.

de 1985. até o momento em que a maior parte dos sujeitos (70% deles. 1963b). procurar um lugar apropriado onde se retirar (exploração). portanto. Continua-se. dentro do quadro dos megaciclos (crescimento. Para melhor definir a natureza das relações. no Teachers College da Universidade de Columbia. Este estudo permitiu estabelecer as relações entre a maneira pela qual os sujeitos passavam pelas tarefas de desenvolvimento profissional correspondentes ao estágio de exploração na adolescência (cristalização. isto é. sobre as dimensões e medidas da maturidade vocacional. 14-18 anos) e o status de seus comportamentos vocacionais no estágio de estabelecimento (estabilização. de uma parte. tal qual o desenvolvimento intelectual (Balbinotti. o desenvolvimento vocacional não está em relação linear com a idade cronológica (Balbinotti & Tétreau. e mais precisamente o autoconceito profissional – que analisa os conjuntos de traços da pessoa diretamente ligados ao seu desenvolvimento profissional. manutenção e desengajamento). finalmente. estabelecimento. seus valores e suas aptidões – tem um papel organizacional maior como guia do comportamento do indivíduo através dos estados e sub-estados do desenvolvimento vocacional. estados e sub-estados correspondentes. 2003. no caso dos adultos. troca-se apenas os títulos dos conceitos. aquela que representa seu estudo de padrões de carreira (Career Pattern Study – CPS). quando se fala de maturidade vocacional no modelo desenvolvimentista de Super. estavam estabilizados em um padrão de carreira. 16(3). Super & cols. assim como as tarefas do desenvolvimento com as quais eles estavam confrontados e seu nível de preparação para resolvê-las. Super & cols. pp. isto é. escolhendo uma profissão. exploração. 1996). e mesmo diversos outros pesquisadores. quando necessário. 4) O quarto modelo é denominado fenomenológico. de outra parte. então.. respondendo a questão sobre maturidade vocacional centrando-se principalmente no desenvolvimento profissional dos adolescentes e de jovens adultos. formulando uma preferência vocacional. como pode-se encontrar na Tabela 1..A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 463 pela qual ele as cumpre revela sua maturidade vocacional. ele atualiza seu autoconceito. 1990. para. realizar atividades que ele sempre quis fazer (estabelecimento). a tarefa da cristalização e o status do indivíduo na etapa do . p. sistemas de autoconceitos. o autoconceito. A Tabela 1 apresenta. escolher uma carreira. e das necessidades da sociedade em relação às outras pessoas que alcançam este estado de desenvolvimento. claramente definidos por limites de idade. 2001a. 21-30 anos e 30-45 anos em uma profissão). a mais conhecida é. Além disso. o indivíduo exprime uma idéia do tipo de pessoa que pensa ser. mas cada transição comporta uma reciclagem através de um ou mais estados. 1990.. É conveniente precisar. não somente as idades de transição são muito flexíveis. Super (Super & cols. Com efeito. tocar-se-á na noção de adaptabilidade profissional. Por exemplo. Esta distinção na conceitualização deve ser feita pela boa razão que. Segundo Super (1990). Em seus trabalhos mais recentes (Super. Dentro desta ótica. que esta noção se aplica propriamente ao desenvolvimento profissional do adolescente e do início da idade adulta. sem dúvida. 2001b. 1963a. no estado megacíclico de desengajamento. Super (1955) inicialmente focalizou esta noção quando escreveu. Portanto. Como explica Super (1990). nível socioeconômico e autoconceito vocacional). ele tentou definir esta noção de uma maneira operacional escrevendo de forma ainda mais detalhada as tarefas de desenvolvimento. mas. por comparação com as predições deste mesmo status a partir das medidas convencionais das características dos sujeitos (inteligência. assim como os atributos e comportamentos característicos da Psicologia: Reflexão e Crítica. já tentaram colocar à prova sua teoria de diversas maneiras.. precisamente). os estados têm uma tendência a se mesclar e não são. continuar a fazer as atividades que ele sempre amou fazer (manutenção) e reduzir suas horas de trabalho (desengajamento). Mais tarde (Super. Trata-se de um estudo longitudinal iniciado em 1951 com jovens de 9º ano escolar (entre 14 e 15 anos) e que durou os 25 anos seguintes. um miniciclo. a lista das tarefas de desenvolvimento. Como se pode constatar. como é o caso para outros aspectos da personalidade. sendo esses. estabelecer os critérios para descrever e avaliar os estados e os sub-estados do desenvolvimento da carreira de estudantes com diferentes idades e níveis de estudos. que ele é maduro na medida em que ele está pronto para tomar as decisões e para assumir os comportamentos característicos de seu estado de desenvolvimento vital (Super. 1996) não fala exatamente de maturidade vocacional. ele se atualiza” (Super. Ele queria. ele escreveu: “ . é no terceiro modelo desta grande e integradora teoria que se agrega à noção de maturidade vocacional. seus interesses. 2002). progredindo numa carreira. 4). mas sim de adaptabilidade profissional . rendimento escolar. 1994). 1996). a maturidade vocacional é definida como a capacidade do indivíduo para enfrentar as tarefas de desenvolvimento com as quais ele é confrontado como conseqüência de seu desenvolvimento social e biológico. e também de autoconceito – precisamente. pode-se dizer de um indivíduo. esclarece-se que o significado é o mesmo. Estudos de Verificação Empírica Super e colaboradores. 461-473 adolescência e da vida adulta. pela primeira vez. assim. o indivíduo deve pensar em desenvolver novos papéis não ocupacionais (crescimento).. Desta forma.

e que o mais importante. no 12º ano escolar. 2003. confirmou esses resultados com uma amostra de adolescentes canadenses. Os dados subseqüentes sobre a maturidade vocacional destes mesmos meninos. mas também utilizar os recursos que o permitirão realizar suas atividades de planificação e de exploração de uma carreira. e que a eminência das escolhas a fazer tinha verdadeiramente influenciado (Perron. a primeira versão do Career Development Inventory (CDI) (Forrest & Thompson. em seguida. etc. mais diferenciado será seu perfil. sobre o desenvolvimento dos padrões de carreira com os meninos de 9º ano (Super & Overstreet. os índices de maturidade vocacional. o que Super entende como tarefa de cristalização de uma preferência profissional na adolescência. 16(3). esta primeira versão do CDI foi.464 Marcos Alencar Abaide Balbinotti estabelecimento profissional. 1970) sublinharam a pertinência de se servir como variável dependente aos fins de identificar a eficácia de certos métodos de aconselhamento de carreira. podia-se notar uma maior cristalização e uma maior especificação das preferências. por assim dizer. Segundo Super (1963c). estando agora. mais comparáveis aos dos adultos. Mais recentemente ainda. no nível individual. com adolescentes. em verdade. a formulação de uma preferência geral e a constância na sua expressão constituem os principais critérios da cristalização na adolescência. Ullery & O’Brien. respondendo assim a melhores qualidades psicométricas e dando lugar às versões do CDI-A (para jovens adultos) e do Adult Career Concerns Inventory (ACCI) (Super. isto é. e mais simples será sua tarefa de cristalizar sua preferência. Entretanto. recentemente. Thompson & Lindeman. em seguida. Ele deveria. sucesso escolar. Teve-se a oportunidade de verificar que estes instrumentos foram. notadamente o status ocupacional esperado e o progresso na carreira. dos conselheiros. no início da adolescência. modificada. Este pano de fundo que Super assina. Concebido para ser utilizado. em 1972. Foi neste furor que se publicou. de exploração e de preparação a tomar as decisões que requerem as necessidades sociais e as circunstâncias). por assim dizer. permitiram identificar. o adolescente deveria verdadeiramente estar. Estes resultados evidenciaram que no desenvolvimento vocacional. a existência de uma certa progressão em relação àquela que prevalecia no 9º ano escolar. Certos meninos tinham feito progressos. progresso e satisfação na carreira) do que as medidas convencionais (inteligência. Dustin & Miers. 1973. no 12º ano de estudos.. pode se resumir em termos de duas dimensões (planificação e exploração) da maturidade vocacional que os primeiros dados de seu estudo longitudinal.) e do autoconceito (precisamente duas metadimensões: harmonia e idiossincrasia). pode faltar constância e uniformidade. já no 9º ano escolar. ao adolescente. Se o estudo do CPS permitiu. Balbinotti (2001) reconfirmou estes resultados. etc. Sendo assim. 1967). Ele deverá enfim. 1974). notadamente as contingências econômicas podendo influenciar as realizações de seus objetivos vocacionais. Para chegar lá. e. rapidamente apareceu a idéia de que seria oportuno para os pesquisadores e os técnicos terem instrumentos válidos de avaliação da maturidade vocacional. 1982. conseqüentemente. 1988). durante o ensino secundário. também. traduzidos ou adaptados com amostras Psicologia: Reflexão e Crítica. quando estavam mais velhos. Seyfarth. certas características e comportamentos têm uma relação com o desenvolvimento de carreira e a atualização de uma preferência profissional 10 anos mais tarde. Com o estudo do CPS. alguns tinham estagnado e outros tinham perdido terreno. outros autores (Jepsen. Eles também estavam mais confiantes. 1960). são também mais potentes como preditores de variáveis critérios ao longo de 25 anos (status ocupacional esperado. consciente da necessidade de cristalizar uma preferência e de pensar.). considerar os fatores pessoais e ambientais pertinentes (aptidões. com uma amostra de 5200 adolescentes gaúchos. inicialmente. mostrar a utilidade das medidas de maturidade vocacional como variáveis independentes para predizer o desenvolvimento vocacional subseqüente. Coallier (1992). avanço ocupacional. não apresentavam um quadro assim tão claro. Schenk. Super (1985b) pode concluir que as medidas de maturidade vocacional. na validade de seus interesses que tinham se transformado. é chamar a atenção dos jovens sobre os processos de decisão que subentendem a escolha da carreira. assim como seu perfil de interesses e de valores. convém descrever. satisfação ocupacional. permitiram a Jordaan e Heyde (1979) concluir. 461-473 . tornar-se consciente das relações entre suas atividades prévocacionais e suas escolhas vocacionais subseqüentes. Como não se poderia duvidar. se estas modificações tornaram-se mais perceptíveis quanto ao conjunto dos sujeitos. 1979. este estudo confirmou a hipótese que a expressão de escolhas específicas nesta idade é habitualmente irrealista ou prematura. pp. status socioeconômico. mais especificamente. não somente estar consciente. A Medida da Maturidade Vocacional No entusiasmo dos primeiros resultados do CPS. quanto mais preciso for seu conhecimento dos interesses e dos valores. de acordo com a formulação teórica de Super.. a utilização combinada de dois tipos de medida melhoram as predições. entre outros importantes resultados. como a responsabilidade de elaborar planos de ação e utilizar os recursos ambientas disponíveis para exploração. informações dos pais. mas é conveniente remarcar que. no 12º ano escolar (graus de planificação. basicamente.

Super. 1990). Savickas e Jones (1996) constataram que o grau de maturidade vocacional é um potente preditor de sucesso. à procura de modelos ocupacionais e de autoconceitos. 2003. a maturidade vocacional. Feito este caminho. diversos estudos foram realizados a fim de verificar se a teoria de Super é realmente válida quando se considera tais fatores. Perspectiva Transcultural da Noção de Maturidade Vocacional Super (1957. de ambos os sexos. 1983. Reino Unido e Austrália). eles confirmaram. Ele permite calcular oito escores por meio de quatro escalas e da combinação destas: planificação (25 itens). o Inventário de Desenvolvimento Profissional (IDP). África do Sul.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 465 de adolescentes e adultos de diversos países (Espanha. por um lado. 1974. 1977. Portugal. No estudo de McCaffrey. Landro. Segundo estes autores. Tilden. conhecimento do grupo ocupacional preferido. salienta-se que os 110 itens do CDI foram concebidos para avaliar os dois componentes gerais da maturidade vocacional: atitude e cognitivo. tal qual medida pelo CDI. pp. Em um estudo longitudinal da relação entre maturidade vocacional e sucesso acadêmico de 111 estudantes de medicina de uma universidade da Califórnia. 1990) sempre considerou que os fatores socioeconômicos e ambientais. 1980. França. Caminho feito. conhecimento do processo de desenvolvimento da carreira. No que se refere ao estudo de Dykeman (1983). exploração (25 itens). Canadá. mede claramente as dimensões correlatas ao conceito de maturidade vocacional de Donald Super. Uma versão brasileira deste último foi assegurada por Lobato (2001). por outro lado. os itens medem as preocupações com as tarefas de desenvolvimento da carreira segundo os estados e sub-estados que aparecem na Tabela 1.05). Países Baixos. As pesquisas empíricas repertoriadas neste trabalho sobre as relações da maturidade vocacional com diversas outras variáveis são apresentadas abaixo. Lewis. do qual Dupont e Marceau (1982) demonstraram as qualidades psicométricas através da ajuda de dados colhidos pela aplicação deste em estudantes do ensino médio canadenses. Entre os estudos pioneiros do contexto socioeconômico e cultural com relação à maturidade vocacional. 461-473 que a teoria de Super tenha sido elaborada a partir de amostras de homens brancos. Eles também verificaram que esta variável pode ser mais potente que outras variáveis ligadas ao sucesso escolar. 1976. nos Estados Unidos. e aí se compreende os fatores culturais e de considerações étnico-raciais (precisamente o segundo modelo de sua teoria). Westbrook & Mastie. 1983. notadamente a inteligência e o nível socioeconômico. e a segunda. que. Áustria. da mesma forma que os papéis que eles têm a oportunidade de observar e de se implicar. a hipótese já verificada com os adolescentes . Pesquisas Americanas Com o CDI O CDI foi desenvolvido nos Estados Unidos e suas qualidades psicométricas foram verificadas e confirmadas em diversos estudos e com amostras independentes (Dean. é conveniente destacar o trabalho de Vondracek. Refere-se precisamente ao Career Maturity Inventory (CMI) (Crites. No mais. 16(3). Kuhlman-Harrison & Neely. exploração e tomada de decisão) são significativamente correlacionadas a eficiência no trabalho. Super & Zelkowitz. de ambos os sexos. informação sobre o mundo do trabalho (40 itens). podem influenciar o processo de desenvolvimento de uma carreira. exercem uma grande influência sobre os seus desenvolvimentos vocacionais. A Tabela 2 apresenta um resumo dos coeficientes de consistência interna (Alpha de Cronbach ou Fórmula KR-20) obtidos por diversos instrumentos de medida da maturidade vocacional e da adaptabilidade profissional (nos adultos). também foi objeto de estudos e relações com outras variáveis. Gonzalez (1992) assegurou a tradução e a adaptação na Espanha e. atitudes em relação à carreira e tomada de decisão (20 itens). a qualidade das relações interpessoais de seus contextos social e familiar. 1978) e ao Questionário de Educação à Carreira (QEC) (Dupont & Gingras. que esses fatores podem condicionar este processo de duas formas distintas. a fim de identificar em qual etapa de seu caminho profissional o sujeito se percebe. as atividades nas quais as crianças e os jovens adolescentes se engajam. este constatou que três das quatro dimensões do modelo de maturidade vocacional de Super (planificação. Assim. com a ajuda de uma amostra de 60 estudantes de nível superior. mesmo Psicologia: Reflexão e Crítica. Kenny (1990) encontrou que a maturidade vocacional tem relação significativa com os valores do trabalho e a estrutura familiar. Quanto ao ACCI. com efeito. 1979. 1973. Em um estudo de sua relação com a percepção de barreiras ao avanço ocupacional com 188 colegiais do Texas. Lerner e Schulenberg (1986). ela seria generalizável a outras culturas e populações. Luzzo (1996) concluiu a ausência de relações significativas (p>0. Segundo Fouad e Arbona (1994). Miller e Winston (1984). A primeira delas referese às oportunidades de desenvolvimento que eles facilitam ou dificultam. Por outro lado. e escore total de orientação à carreira. Estes e outros instrumentos. Super & Thompson. 1973). Balbinotti e Tétreau (2002) asseguraram as qualidades psicométricas para uso no Brasil. Mello. 1982. Ele estima. quando inspirados na teoria de Super. foram elaborados para se poder medir certas dimensões da maturidade vocacional. as experiências únicas ou idiossincráticas de suas existências.

1995a. 1986. assim como Leong (1993. No Canadá. 1990) sublinharam a pertinência de sua utilização no plano prático. Whiston. Westbrook & Sanford. podem tornar ainda mais complexas suas progressões através dos diferentes sub-estados de desenvolvimento profissional. a partir de duas amostras independentes de adolescentes sul-brasileiros com a ajuda do QEC. hispânicos e de tradição indígena. 1977).466 Marcos Alencar Abaide Balbinotti no estudo do CPS (Jordaan e Heyde. africanos. Super.) verificaram e confirmaram suas qualidades psicométricas e outros (Halpin. Savickas. o nível de maturidade vocacional aumenta em função do de estudos. Osborne. Super. 1981). similar entre os dois grupos. Ralph & Halpin. Brown & Niles. No mais. Scheeffer & Fernandes. Young (1984) examinou a relação entre as aspirações ocupacionais e a maturidade vocacional de uma amostra de 590 adolescentes de seis escolas rurais. Neste sentido. por um lado. Smallman e Sowa (1996) examinaram as respostas ao CDI de 125 estudantes (atletas de diversos esportes) de origens culturais diversas: caucasianos.). 1995). 1982). se fatores culturais. por outro lado. Outros estudos apresentaram resultados similares. Entretanto. 16(3). na Espanha (Moreno. 1982). 1989. Stead & Jager. 461-473 . Ralph (1987) o administrou em 109 sujeitos adultos e seus resultados mostraram que a adaptabilidade profissional está em correlação positiva e significativa com a autoconfiança. Walsh. Dito de outra forma. os quais foram favoráveis. estes mesmos autores observaram uma diferença significativa entre os superdotados (de qualquer origem) e os “normais”. Desta forma. notadamente no Canadá (Dupont & Marceau. Por outro lado. na Áustria (Seifert & Eder. 1987. Leong e Brown (1995) e Leong e Hartung (1997) o fazem remarcar comparando a maturidade vocacional de estudantes caucasianos e asiáticos. Mais recentemente Booth (1994) reexaminou a estrutura fatorial do ACCI lançando mão de equações estruturais (confirmatory factor analisis) e chegou a conclusão que se trata de uma medida também aplicável a pessoas deficientes. Diversos autores (Halpin. como sublinham Fouad e Arbona (1994). os sujeitos de origem caucasiana demonstraram um nível significativamente mais elevado de conhecimento das ocupações preferidas em relação às outras culturas. 1995b. 1990. Frischknecht. Com o ACCI Como no caso do CDI. 1987). sujeitos de origem africana geralmente obtêm escores menos elevados de maturidade vocacional que os caucasianos (Fouad & Kelly. 1992. na África do Sul (Watson. Os resultados não apresentaram nenhuma diferença significativa quanto ao fator atitude (planificação e exploração). 2003. Kelly e Cobb (1991) não encontraram diferenças significativas nos graus de maturidade profissional de adolescentes superdotados de origem africana e caucasiana. Entretanto. no mínimo. 1984) e nos Países Baixos (Helbing. não parecem ter tido continência no caso do Brasil (Fernandes & Scheeffer. como a menor importância acordada pelos asiáticos no que se refere ao valor do individualismo. Dados semelhantes a estes foram encontrados no estudo de Balbinotti (2001) e Balbinotti e Tétreau (2002). A ordem destas progressões permanece. Bardo e Henry (1992) obtiveram resultados que sugerem que a média das respostas dos afro-americanos de sua amostra era mais baixa que aquela dos caucasianos. 1979) que. asiáticos. 1985). 1983. As estruturas fatoriais obtidas através de análises multidimensionais demonstraram a necessidade da retirada de diversos itens para que o instrumento pudesse conservar uma estrutura. precisamente aquela da sucessão ordenada dos estados e das tarefas de desenvolvimento associadas. 1984) onde os resultados não puderam permitir conclusões positivas quanto a sua utilização na população adolescente. o ACCI foi elaborado nos EUA. 1986. McCloskey. Niles e Anderson (1993) buscaram verificar a relação entre o stress e a adaptabilidade profissional utilizando uma amostra de 110 clientes onde 76 eram mulheres. 1988. Henry. Na medida que o fato de pertencer mais a um gênero (masculino ou feminino) pode ser concebida em termos de diferenças culturais. isto é. podem diminuir o estabelecimento de seus autoconceitos e. contudo. Ralph & Halpin. os resultados destes mesmos estudos confirmam a hipótese de Super. em Portugal (Ferreira & Caeiro. Mahoney. pp. na Suíça (Descombes. de maneira geral e não necessariamente linear. pode ser interessante notar que Thomason e Winer (1994) corroboraram os resultados de Super (1985a) no sentido que as meninas obtiveram escores de maturidade vocacional mais elevados que aqueles dos meninos. Pesquisas em Outros Países Com o CDI Versões adaptadas e normatizadas deste inventário foram utilizadas com sucesso em outros países. Ralph (1986) e Ralph (1987) afirmam que este instrumento foi utilizado em alguns estudos em relação a outros instrumentos a fim de se verificar a validade conceitual. os resultados obtidos nestes estudos. aceitável. Ainda. A propósito dos estudos transculturais no interior dos Estados Unidos. Ele Psicologia: Reflexão e Crítica. na Austrália (Punch & Sheridan. Sem dúvida um achado favorável à compreensão multicultural da noção de maturidade enquanto processo de desenvolvimento. Passen & Jarjoura. seus resultados sugeriram que os homens que manifestavam pouca adaptabilidade profissional experimentavam um nível mais elevado de stress ocupacional. processo evolutivo. 1992. 1985) e na Inglaterra (Ward. Dupont & Huter. 1991).

Seifert (1991) explorou a relação entre a maturidade vocacional e os comportamentos associados às escolhas vocacionais de 1336 estudantes do 110 e 120 anos de estudos. Um outro estudo foi realizado com quatro estudantes de escola média. o nível desta informação. não aproveitando grande parte das fontes de ajuda e informações que estavam propostas neste instrumento. nesta amostra. os autores sugerem prudência quanto às possíveis conclusões que podem ser interpretadas a partir destes resultados. 461-473 estruturas social. 1994). De modo geral. a sociedade sul-africana em geral. Com o ACCI Os resultados das análises fatoriais do ACCI ou de suas traduções adaptadas com adultos desempregados ou em formação profissional. no Líbano. quanto a seus projetos de carreira.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 467 encontrou que. estabelecimento. naquele país. obteve resultados similares com a ajuda de uma amostra de 2997 adolescentes emparelhados com o CEC. Na Áustria. Os resultados demonstraram que não existem diferenças significativas entre a maturidade e o gênero. ou ainda com adultos trabalhadores (n=457) na Austrália (Smart & Peterson. o tempo necessário para atingir o sucesso pode variar segundo a cultura e os inventários de maturidade podem não estar ainda adaptados a estas diferenças. Comparando estudantes americanos e árabes. Neste estudo. Gonzalez (1992). A autora conclui que as tarefas do desenvolvimento de estudantes em diferentes culturas são similares. Contudo. os israelenses se mostraram mais decididos. verificou que os primeiros tiveram escores mais elevados que os segundos. Bullington e Arbona (1991) corroboram os avanços teóricos de Super observando que estes quatro estudantes estavam implicados nas tarefas exploratórias de planificação e exploração. os estudantes israelenses obtiveram escores de maturidade vocacional significativamente menos elevados que aqueles obtidos por estudantes americanos. . tais variáveis podem constituir um viés importante tanto em termos de medida quanto de interpretação desses resultados. os adolescentes que aspiravam ter sucesso em ocupações inovadoras manifestavam um grau de maturidade significativamente mais elevado. portanto. 1995). Conforme sua opinião. de acordo com a sistematização teórica de Super. a versão Espanhola do QEC. Antes de qualquer interpretação precipitada. Os resultados demonstraram diferenças significativas entre as duas culturas assim como entre o sexo e o nível de estudos (entre os israelenses). de acordo com seus estados de vida e. aumentando. Gingras (1991) utilizou o QEC. quando estes jovens eram comparados aos grupos de adolescentes que tinham escolhido ocupações tradicionais. de nono e décimo segundo ano escolar. final do ensino médio. os estudantes brancos obtiveram escores de maturidade significativamente mais elevados que os estudantes negros. a fim de verificar a relação do gênero e da cultura com a maturidade vocacional. Entretanto. é ainda objeto de muita discriminação tanto na estrutura política quanto nas Psicologia: Reflexão e Crítica. em Portugal (n=881) (Duarte. 16(3). revelando assim uma maior capacidade na execução de compromissos entre a realidade e suas próprias necessidades. Considerando a elaboração de uma estratégia de avaliação de necessidade de educação a carreira de 1022 estudantes canadenses franceses de ambos os sexos e todos do último ano do ensino médio no Quebéc. Ela observou que os estudantes tinham se comprometido muito pouco em suas atividades de planificação e de exploração de uma possível carreira futura. no Canadá (n=1554) (Dupont. Watson e colaboradores (1995) realizaram um estudo na África do Sul. Moracco (1976). seis anos mais tarde. brancos e pretos. 1997) confirmaram a presença dos quatro fatores constitutivos de sua estrutura fatorial da versão original (exploração. manutenção e desengajamento). de nono e décimo segundo ano de estudo. O ACCI é um instrumento ainda relativamente novo de sorte que ele ainda não foi extensivamente utilizado pelos práticos. Gingras & Tetreau. Contrariamente a este último resultado. econômica e escolar. 1992b) e na França (n=1414) (Gelpe. Assim. Em um outro estudo. Fouad (1988) comparou a maturidade vocacional de 875 estudantes americanos de nível médio. Entretanto. Seifert (1985) administrou a versão austríaca do CDI em uma amostra de 641 adolescentes de oitavo e nono anos escolares. pp. na Espanha. Os índices obtidos a partir de cálculos de consistência interna são também satisfatórios. os autores sublinham a necessidade de um aprofundamento maior e salientam que os estudantes negros de sua amostra habitavam em um bairro que sofreu muitos problemas de instabilidade política e social. com 537 estudantes israelenses dos mesmos níveis. Os resultados mostraram que os escores elevados de maturidade vocacional estavam significativamente associados às preocupações quanto ao objeto de escolha de carreira e ao sentimento de confiança de poder realizar seu projeto profissional. 2003. 1992a. com uma amostra de 264 estudantes universitários. podendo se tirar as mesmas conclusões. Os resultados sugerem que estes adolescentes manifestaram pouca maturidade vocacional e que os conselheiros e psicólogos escolares deveriam facilitar as informações vocacionais destes jovens. em última análise. esta diferença seria atribuível a fatores culturais. Desta forma. no México (utilizando entrevistas semiestruturadas em uma pesquisa de caráter qualitativo).

CMI. foram criados (CDI. por exemplo. o modelo das abordagens desenvolvimentistas e. notadamente. e planeja fazer carreira nesta profissão na qual ele se estabelecerá relativamente cedo. Super (1985a. na maioria de suas versões traduzidas e/ou adaptadas em diversos países. O modelo parece então generalizável a diversas populações que possuem um mínimo de elementos culturais comparáveis aos americanos e. as quatro grandes etapas (os megacíclos) no que concerne o ACCI e os dois fatores (atitude e cognitivo) no que concerne o CDI. ainda no século passado. isto é. de maneira exaustiva. ao mundo ocidental. concluindo. em diferentes países e/ou culturas. 1985b) conduziu um estudo longitudinal. do que aqueles de nível socioeconômico mais baixo. Diversos instrumentos. ACCI). pode-se perguntar. entre outras. Esta noção foi recentemente definida (Super & cols. com sujeitos pertencentes a uma maioria branca ou uma minoria visível. medido pelo ACCI.. 461-473 . Considerando as diferenças segundo o pertencimento racial ou étnico. No que se refere às pesquisas trans-culturais com o CDI e o ACCI. ou ainda se eles pertencem a um ou outro grupo étnico. 16(3). em grande parte. acesso ao mercado de trabalho eles se estabilizarão também mais rapidamente em um padrão de carreira. Psicologia: Reflexão e Crítica. explorou-se. Encontrou-se então. no Brasil. finalmente. o modelo dos fatores socioeconômicos e ambientais. por Japur (1988) e Japur e Jacquemin (1989). de diferenças de nível socioeconômico e de valores associados a elas. investiram em várias pesquisas empíricas a fim de explorar. se elas são constituídas de homens ou de mulheres. sistematicamente. o terceiro modelo que aborda a dinâmica desenvolvimentista do cumprimento de etapas ordenadas e previsíveis durante toda a vida do indivíduo. pp. mais especificamente. Por exemplo. o processo ordenado de desenvolvimento vocacional seria então. QEC. mas igualmente sua gestão no plano transcultural. Pode-se supor que as médias das amostras vão provavelmente ser diferentes segundo o nível socioeconômico. as aspirações e os interesses profissionais. Depois desta pesquisa fundamental e pioneira. diferenças relativamente importantes são observadas segundo as amostras utilizadas. Esta teoria é estruturada em quatro modelos distintos. por oposição ao caso de um estudante de graduação em psicologia que se pergunta se ele será admitido em estudos de pósgraduação ou se ele deverá remeter em questão sua orientação nesta via e recomeçar a explorar uma outra abordagem diferente da psicologia. Super engajou-se a sistematizar. uma teoria geral da escolha e do desenvolvimento vocacional. antes de tudo. IDP. mas conexos: o modelo tradicional. 2003. 1996) como a capacidade do indivíduo tomar decisões e assumir os comportamentos característicos de seu estado (ver Tabela 1). diversos autores. com sujeitos que habitam em bairros mais ou menos favorecidos. Assim. Podese então formular a hipótese de que os indivíduos com um nível socioeconômico alto obterão médias significativamente mais elevadas no estado do Estabelecimento. Pode-se pensar. O presente trabalho objetivou não somente a compreensão e a apresentação do conceito de maturidade vocacional. Entretanto. Dentro de uma ótica que privilegia a compreensão pormenorizada desta dinâmica de desenvolvimento. o modelo feno– menológico. sublinhando as tarefas inerentes ao desenvolvimento vocacional. Com este propósito. A noção de maturidade vocacional se revela através da passagem deste processo. no qual a noção de maturidade vocacional tinha um papel organizacional de destaque. sabe-se que os indivíduos desfavorecidos no nível socioeconômico podem valorizar mais dificilmente as gratificações diversas (não em dinheiro) de uma forma diferenciada dos indivíduos de nível socioeconômico mais elevado. Parece importante considerar todos estes aspectos no momento de interpretar os resultados originários dos levantamentos de dados sobre maturidade vocacional. ao menos para os países estudados. se não se trata. tendo tido. e relativamente tarde naquela de juiz).468 Marcos Alencar Abaide Balbinotti Conclusão Depois do início dos anos 1940. mais geralmente. inspirados a partir da teoria do desenvolvimento vocacional de Super. generalizável no plano universal. mais rapidamente. essencialmente. o CPS. de acordo com o tipo de trabalho e a carreira a que está associada (estabelece-se muito cedo em uma profissão de atleta profissional. pode-se concluir que a estrutura fatorial destes instrumentos pode ser encontrada. os valores do trabalho. no caso de um jovem que se torna policial na idade de 18-19 ou 20 anos. o conceito de maturidade vocacional e sua relação com outras variáveis tais como o sucesso escolar. Observa-se (ver Tabela 2) também que os coeficientes de consistência interna são muito similares (geralmente elevados ou muito elevados) entre um país e outro. e com relação à real possibilidade ou não de trabalhar. A única exceção seriam os dados obtidos com o CMI. Pois. conforme a importância acordada ao trabalho e ao seu papel na vida do indivíduo. de sujeitos com mais ou menos idade. Uma questão que se pode levantar é se o modelo é generalizável a uma ou outra amostra em particular.

73 0. . .Sub-estado de avanço Manutenção (40-65 anos) .93 0.95 0.Sub-estado do desenvolvimento dos interesses e das aptidões Exploração (14-25 anos) . atualizar-se e inovar.Especificação de uma preferência.Sub-estado fantasista e de curiosidade . 461-473 .Manter posição. . 16(3).Aprendizagem das técnicas gerais de adaptação e de formação de um autoconceito vocacional.Sub-estado de adaptação e preservação do autoconceito Desengajamento (65 anos e mais) .Sub-estado de tentativa e estabelecimento .93 0.91 0.94 0. planificação da aposentadoria e da vida de aposentado.Estabilização em uma profissão. Tabela 2 Consistência Interna de alguns Instrumentos de Medida da Maturidade Vocacional e da Adaptabilidade Profissional.90 0.67 Psicologia: Reflexão e Crítica.64 0.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 469 Tabela 1 Relação dos Estados e Sub-estados do Ciclo Vital com as Tarefas de Desenvolvimento Estados e sub-estados Crescimento (0-14 anos) . pp.36 0.76 0.97 0.Consolidação do status e avanço.Cristalização de uma preferência.32 – – – – – – – – – – – – – 0. .Sub-estado de tentativas (pouco engajamento) Estabelecimento (21-45 anos) .88 0.83 0.95 0. .92 0.Sub-estado provisório .66 0. . Considerando os Diversos Países Países Canadá Canadá Canadá Estados Unidos Estados Unidos Estados Unidos Estados Unidos França Espanha Portugal Brasil Brasil Brasil Instrumentos QEC IDP IPC CMI CDI CDI-A ACCI IPP CEC ACCI QEC IDP CMI Alpha 0.65 0.Atualização de uma preferência.Sub-estado de transição . . 2003.Desaceleração.77 0.81 0.95 0.Sub-estado de adaptação a um novo self e ao processo de aposentadoria Tarefas de desenvolvimento .71 0.91 0.61 0.93 0.

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