Psicologia: Reflexão e Crítica, 2003, 16(3), pp.

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A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super
Marcos Alencar Abaide Balbinotti 1
Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Resumo Donald Super engajou-se a sistematizar uma teoria geral da escolha e do desenvolvimento vocacional estruturada no modelo tradicional, no de fatores sócioeconômicos e ambientais, no de abordagens desenvolvimentistas, e no fenomenológico. O presente trabalho objetiva apresentar o conceito de maturidade vocacional e sua generalização no plano transcultural. Com este propósito, explorou-se, mais especificamente, o terceiro modelo teórico, aquele do cumprimento, por parte do indivíduo, de etapas ordenadas e previsíveis durante toda sua vida, visto que a noção de maturidade vocacional se revela através da passagem de um processo de desenvolvimento. Através de dados colhidos por diversos inventários de maturidade, apresentou-se os dados relativos a sua generalização. Concluiu-se que o modelo teórico explicativo da maturidade vocacional parece ser aplicável a diversas populações que possuem elementos culturais comparáveis aos americanos. Algumas exceções ou cuidados na interpretação de dados se aplicam. Novos estudos devem ser realizados a fim de melhorar as qualidades psicométricas das medidas de maturidade vocacional em alguns outros países e, também, as adaptações de tais instrumentos levando-se em conta a diferenças sócio-econômicas e culturais. Palavras-chave: Desenvolvimento vocacional; maturidade vocacional; Teoria de Donald Super; transcultural. The Transcultural Aspect of Vocational Maturity in Donald Super Theory Abstract Donald Super conceptualized a general theory of developmental vocational and career choice based on four models: 1) the traditional, 2) the developmental, 3) the economic, social and environmental, and 4) the phenomenological. Considering that vocational maturity can be revealed by the constant process of interaction between individuals and their environment, this present work aims to explore the concept of vocational maturity within the transcultural field (the third model). Data were collected through several maturity inventories and results show that Super’s theoretical model of vocational maturity can be generalized to several cultures, in particular to the ones that can be comparable to the American society, although some careful data examination is always needed. Finally, we suggest the need of new studies aiming to improve the psychometric properties of vocational measures in some countries, trying to pinpoint cultural and social differences when they appear. Keywords: Vocational development; vocational maturity; Donald Super’s Theory; transcultural.

Para se poder entender, adequadamente, a noção de maturidade vocacional de Donald Super, é conveniente situá-la dentro do contexto geral de sua teoria da escolha e do desenvolvimento vocacional, permitindo uma melhor precisão no sentido que Super dá a este conceito. Em seguida, apoiando-se em algumas pesquisas empíricas importantes, poder-se-á apreciar em que sentido esta noção é generalizável a diferentes culturas. A Noção de Maturidade Vocacional no Contexto da Teoria de Donald E. Super Partindo do histórico estudo de Buehler (1933) sobre o ciclo vital como um aspecto psicológico, a noção de maturidade vocacional, remete, necessariamente, a um processo de desenvolvimento (Balbinotti & Tétreau, 2002), como todos os outros aspectos da personalidade humana (social, emocional, sexual, intelectual, etc.) com
2 Endereço para correspondência: Av. Unisinos, 950, Núcleo de Orientação Vocacional, 93022 000, São Leopoldo, RS. Fone: (51) 5908127. E-mail: balbinotti@bios.unisinos.br

os quais se associa o termo maturidade. Em 1942, em um volume intitulado The Dinamics of Vocational Adjustment, Super apresentou uma síntese do que se conhecia naquela época sobre a escolha de uma carreira. Naquela ocasião, ele propôs uma concepção de escolha profissional que orientou, conseqüentemente, todos os passos teóricos e empíricos de sua carreira (Super, 1951, 1953, 1955, 1957, 1972, 1980, 1981, 1985a, 1985b, 1990; Super & Kidd, 1979; D. Super, Savickas & C. Super, 1996; D. Super, Sverko & C. Super, 1995). Com efeito, considerando a escolha vocacional como resultado de uma série de decisões pré-vocacionais e vocacionais que podem (ou tendem) durar toda a vida, sua concepção contrastava radicalmente com aquela que havia prevalecido até aquele momento e que se associava com a teoria dos traços e fatores de Parsons (1909). Naquela época (Parsons, 1909), concebia-se a escolha profissional como sendo um comportamento de acontecimento único e estático na vida de um indivíduo, emparelhando as características pessoais e de personalidade de um sujeito às de uma profissão. As concepções teóricas de caráter desenvolvimentista de Super (1942) foram

1952. por Tiedeman (Tiedeman & O´Hara. 1997. 1984. quanto ao número constante e atual de publicações em revistas especializadas. Havighurst. Lerner & Schulenberg. apóia-se numa psicologia diferencial dos indivíduos e das ocupações2. Por exemplo. As conclusões de Young e Chen (1999). têm sido elaboradas. interesses. assim como dinâmico no sentido de que ele resulta da interação entre as características do indivíduo e as demandas da cultura. uma discussão dos fatores econômicos ligados ao desenvolvimento profissional: a lei da oferta e da procura. 1990. 1957. 1984. 2003. ordenado e previsível. É o modelo tradicional que Holland (1959. No decorrer deste processo. estruturadas e aplicadas por diversos autores (Blau. 1996b. então. Ginsburg. O autor apresenta também. por Vondracek e colaboradores (Vondracek. os ciclos econômicos. Brown. 1957). o custo dos estudos. geralmente. 1986). Watkins & Subich. 1998. a economia. Miller & Form. 1995). compondo as orientações teóricocontemporâneas básicas e de prática em psicologia da escolha e do desenvolvimento profissional. 1956. 1997) representa em sua forma contemporânea e segundo o qual busca-se assegurar o homem certo no lugar certo a partir de uma análise das características do indivíduo e da profissão considerada. o modelo socioeconômico e ambiental. a família contribui. o indivíduo deve cumprir um certo número de tarefas de desenvolvimento. pp. 1995. Estas. finalmente. Super (1969. McDonald & Richer. e. 1951. Tais concepções tornaram-se as principais idéias ou tendências. 1996. 1993. 1993. O desenvolvimento é. e. mais recentemente. entre outras. 1981. segundo Super (1957). A natureza precisa destas tarefas e a maneira Psicologia: Reflexão e Crítica. não menos importantes (embora ainda pouco divulgadas). Bingham. 16(3). 1976. ao todo. 1976. 1994.462 Marcos Alencar Abaide Balbinotti resgatadas por Ginzberg. um efeito sobre as atitudes. 1985. ao menos. concernentes à influência da classe social sobre o desenvolvimento de carreira. contrastava com a simples teoria dos traços e fatores (Parsons. Darrow. explicariam melhor a complexidade do comportamento vocacional de um indivíduo. a sociedade. este comportamento. Riverin-Simard. Este contexto compreende. Recentemente. 1985. a tradição. fornecendo à criança. a classe social não influencia somente a disponibilidade dos recursos em relação à escolha e à adaptação profissionais. pareadas àquela de Holland (1959. 1990). o grupo de pares. mas a de Super ocupa um lugar de destaque. Lapointe. Roe. 1973. ao qual o nome de Super é mais popularmente associado. juntos. 1963. 1997). 1992. a escola. o da psicologia das carreiras (Super. o que torna claro também o fato de tratar-se de um processo psicossocial. quanto nas mudanças e adaptações que poderão se impor no decurso dos anos. Levinson. apóiam a afirmação desses autores. Umemoto & Wicker. finalmente. 1997. 1933) e que. Miller & Weeks. 1996. por exemplo. Levinson & McKee. Schultz & Henderson. Fukunaga. Como refere Bujold (1989) e Bujold e Gingras (2001) compilando as informações de Super (1984). mas ela tem. Osipow e Fitzgerald (1996) concluem que a influência da classe social (média ou elevada) é quase sempre positiva sobre o desenvolvimento vocacional. Sverko & Super.. 1998. ao menos em parte. relacionado com as concepções teóricas de Parsons (1909). também. 1990) propôs uma concepção de escolha profissional com base em conceitos (maturidade. Klein. portanto. Farmer. Ocupação é um anglicismo freqüentemente utilizado para falar da profissão ou do trabalho. 1996a. Seriam. esta concepção propõe que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo desde a infância até a velhice. 1996c. o modelo fenomenológico. 1) O primeiro modelo. 1972. 1978. o modelo desenvolvimentista. 3) O terceiro modelo. São eles: o modelo de perspectiva diferencial. os encorajamentos que uma pessoa recebe e as experiências de trabalho que ela conhece. 2 2) O segundo modelo diz respeito à influência dos fatores socioeconômicos. etc. 1984). é aquele das abordagens de desenvolvimento. ainda. a comunidade. Uma descrição mais detalhada e objetiva destes modelos será apresentada abaixo. 1964. Knefelkamp & Slepitza. 461-473 . Fouad. Herr & Lear. ou ao adolescente. a tecnologia e. segundo ele próprio e seus colaboradores (Super. 1985. a possibilidade de adquirir informações e desenvolver habilidades que poderão ter uma importante influência no momento da tomada de decisão profissional por parte dos jovens. 1909). Brooks.) que indicam um processo de desenvolvimento (Buehler. Axelrad e Herma (1951) – que finalmente limitaram sua descrição do desenvolvimento vocacional do nascimento a adolescência (ou até o início da idade adulta) –. Breton. Super & cols. tanto no início do exercício de uma ocupação. Roe & Lunneborg. 1998. tecnológicos e ambientais (tais como a família. são as variáveis que intervêm influenciando a carreira dos indivíduos. 1996. a automatização. Segundo estes autores. os hábitos e aspirações que constituem o contexto sócio-psicológico do desenvolvimento de carreira. as políticas sociais e as experiências profissionais) sobre o desenvolvimento de carreira (Bergeron. 1984. e ainda incluiu outros modelos que. os sindicatos e as organizações profissionais. 1977. É claro que diversas outras teorias. o mercado de trabalho. 1996). teriam a árdua tarefa de desvendar. valores. Tiedeman & Miller-Tiedeman. quatro modelos que. no desenvolvimento das necessidades e dos valores. 1972. Hotchkiss & Borow. 1984.

seus interesses. a tarefa da cristalização e o status do indivíduo na etapa do . p. ele se atualiza” (Super. progredindo numa carreira. troca-se apenas os títulos dos conceitos. Trata-se de um estudo longitudinal iniciado em 1951 com jovens de 9º ano escolar (entre 14 e 15 anos) e que durou os 25 anos seguintes. exploração. sem dúvida. dentro do quadro dos megaciclos (crescimento. 1990. tocar-se-á na noção de adaptabilidade profissional. 461-473 adolescência e da vida adulta. continuar a fazer as atividades que ele sempre amou fazer (manutenção) e reduzir suas horas de trabalho (desengajamento). como pode-se encontrar na Tabela 1. estados e sub-estados correspondentes. Dentro desta ótica. no caso dos adultos. Continua-se. escolher uma carreira. para. sobre as dimensões e medidas da maturidade vocacional.. e também de autoconceito – precisamente. até o momento em que a maior parte dos sujeitos (70% deles. Este estudo permitiu estabelecer as relações entre a maneira pela qual os sujeitos passavam pelas tarefas de desenvolvimento profissional correspondentes ao estágio de exploração na adolescência (cristalização. 1996). Com efeito. estabelecer os critérios para descrever e avaliar os estados e os sub-estados do desenvolvimento da carreira de estudantes com diferentes idades e níveis de estudos. assim. Super (1955) inicialmente focalizou esta noção quando escreveu. A Tabela 1 apresenta. que ele é maduro na medida em que ele está pronto para tomar as decisões e para assumir os comportamentos característicos de seu estado de desenvolvimento vital (Super. o desenvolvimento vocacional não está em relação linear com a idade cronológica (Balbinotti & Tétreau. pp. 1996) não fala exatamente de maturidade vocacional. 1963b). quando se fala de maturidade vocacional no modelo desenvolvimentista de Super. assim como os atributos e comportamentos característicos da Psicologia: Reflexão e Crítica. finalmente. não somente as idades de transição são muito flexíveis.. Desta forma. pode-se dizer de um indivíduo. Super & cols. sistemas de autoconceitos. isto é. de uma parte. Por exemplo. e das necessidades da sociedade em relação às outras pessoas que alcançam este estado de desenvolvimento. portanto. rendimento escolar. respondendo a questão sobre maturidade vocacional centrando-se principalmente no desenvolvimento profissional dos adolescentes e de jovens adultos. 4) O quarto modelo é denominado fenomenológico. a lista das tarefas de desenvolvimento. Super (Super & cols. 1996). Além disso.. 4). ele atualiza seu autoconceito. mas sim de adaptabilidade profissional . a maturidade vocacional é definida como a capacidade do indivíduo para enfrentar as tarefas de desenvolvimento com as quais ele é confrontado como conseqüência de seu desenvolvimento social e biológico. no Teachers College da Universidade de Columbia. esclarece-se que o significado é o mesmo. de 1985. ele escreveu: “ . e mais precisamente o autoconceito profissional – que analisa os conjuntos de traços da pessoa diretamente ligados ao seu desenvolvimento profissional. a mais conhecida é. e mesmo diversos outros pesquisadores. É conveniente precisar. quando necessário. Em seus trabalhos mais recentes (Super. mas. procurar um lugar apropriado onde se retirar (exploração). no estado megacíclico de desengajamento.. de outra parte. 2003. precisamente).A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 463 pela qual ele as cumpre revela sua maturidade vocacional. o indivíduo exprime uma idéia do tipo de pessoa que pensa ser. Estudos de Verificação Empírica Super e colaboradores. um miniciclo. tal qual o desenvolvimento intelectual (Balbinotti. 1963a. ele tentou definir esta noção de uma maneira operacional escrevendo de forma ainda mais detalhada as tarefas de desenvolvimento. 2002). 21-30 anos e 30-45 anos em uma profissão). 2001b. então. Mais tarde (Super. formulando uma preferência vocacional. Como explica Super (1990). 1990. mas cada transição comporta uma reciclagem através de um ou mais estados. estabelecimento. assim como as tarefas do desenvolvimento com as quais eles estavam confrontados e seu nível de preparação para resolvê-las. Como se pode constatar. o indivíduo deve pensar em desenvolver novos papéis não ocupacionais (crescimento). sendo esses. estavam estabilizados em um padrão de carreira. 14-18 anos) e o status de seus comportamentos vocacionais no estágio de estabelecimento (estabilização. pela primeira vez. claramente definidos por limites de idade. 2001a. Esta distinção na conceitualização deve ser feita pela boa razão que. o autoconceito. Para melhor definir a natureza das relações.. aquela que representa seu estudo de padrões de carreira (Career Pattern Study – CPS). é no terceiro modelo desta grande e integradora teoria que se agrega à noção de maturidade vocacional. já tentaram colocar à prova sua teoria de diversas maneiras. 16(3). nível socioeconômico e autoconceito vocacional). escolhendo uma profissão. por comparação com as predições deste mesmo status a partir das medidas convencionais das características dos sujeitos (inteligência. que esta noção se aplica propriamente ao desenvolvimento profissional do adolescente e do início da idade adulta. manutenção e desengajamento). isto é. como é o caso para outros aspectos da personalidade. 1994). Portanto. seus valores e suas aptidões – tem um papel organizacional maior como guia do comportamento do indivíduo através dos estados e sub-estados do desenvolvimento vocacional. Super & cols. Segundo Super (1990). Ele queria. os estados têm uma tendência a se mesclar e não são. realizar atividades que ele sempre quis fazer (estabelecimento).

permitiram identificar.. como a responsabilidade de elaborar planos de ação e utilizar os recursos ambientas disponíveis para exploração. não apresentavam um quadro assim tão claro. 1960). sobre o desenvolvimento dos padrões de carreira com os meninos de 9º ano (Super & Overstreet. Se o estudo do CPS permitiu. respondendo assim a melhores qualidades psicométricas e dando lugar às versões do CDI-A (para jovens adultos) e do Adult Career Concerns Inventory (ACCI) (Super. não somente estar consciente. Thompson & Lindeman. assim como seu perfil de interesses e de valores. permitiram a Jordaan e Heyde (1979) concluir.). mais comparáveis aos dos adultos. Dustin & Miers. Os dados subseqüentes sobre a maturidade vocacional destes mesmos meninos. quanto mais preciso for seu conhecimento dos interesses e dos valores. notadamente as contingências econômicas podendo influenciar as realizações de seus objetivos vocacionais. o adolescente deveria verdadeiramente estar. 1982. pode faltar constância e uniformidade. em seguida. 1988). consciente da necessidade de cristalizar uma preferência e de pensar. Como não se poderia duvidar. por assim dizer. dos conselheiros. progresso e satisfação na carreira) do que as medidas convencionais (inteligência. entre outros importantes resultados. mas é conveniente remarcar que. Eles também estavam mais confiantes. 2003. Ele deverá enfim. certas características e comportamentos têm uma relação com o desenvolvimento de carreira e a atualização de uma preferência profissional 10 anos mais tarde. podia-se notar uma maior cristalização e uma maior especificação das preferências. Concebido para ser utilizado. A Medida da Maturidade Vocacional No entusiasmo dos primeiros resultados do CPS. modificada. pode se resumir em termos de duas dimensões (planificação e exploração) da maturidade vocacional que os primeiros dados de seu estudo longitudinal. isto é. Super (1985b) pode concluir que as medidas de maturidade vocacional. pp. etc. por assim dizer. mais especificamente. com uma amostra de 5200 adolescentes gaúchos. já no 9º ano escolar.464 Marcos Alencar Abaide Balbinotti estabelecimento profissional. a primeira versão do Career Development Inventory (CDI) (Forrest & Thompson. inicialmente. é chamar a atenção dos jovens sobre os processos de decisão que subentendem a escolha da carreira. Para chegar lá. outros autores (Jepsen. alguns tinham estagnado e outros tinham perdido terreno. Certos meninos tinham feito progressos. mas também utilizar os recursos que o permitirão realizar suas atividades de planificação e de exploração de uma carreira. mais diferenciado será seu perfil. Sendo assim. os índices de maturidade vocacional. Estes resultados evidenciaram que no desenvolvimento vocacional. esta primeira versão do CDI foi. etc. 16(3). a existência de uma certa progressão em relação àquela que prevalecia no 9º ano escolar. tornar-se consciente das relações entre suas atividades prévocacionais e suas escolhas vocacionais subseqüentes. recentemente. em 1972. Coallier (1992). 1979. com adolescentes. Ullery & O’Brien. status socioeconômico. Entretanto. 1973. na validade de seus interesses que tinham se transformado. traduzidos ou adaptados com amostras Psicologia: Reflexão e Crítica. considerar os fatores pessoais e ambientais pertinentes (aptidões. e. basicamente.. Este pano de fundo que Super assina. convém descrever. Teve-se a oportunidade de verificar que estes instrumentos foram. Seyfarth. Segundo Super (1963c). informações dos pais. sucesso escolar. satisfação ocupacional. no 12º ano escolar (graus de planificação. avanço ocupacional. 1967). 461-473 . e que a eminência das escolhas a fazer tinha verdadeiramente influenciado (Perron. Ele deveria. estando agora. Balbinotti (2001) reconfirmou estes resultados. quando estavam mais velhos. no 12º ano de estudos. ao adolescente. Com o estudo do CPS. no 12º ano escolar. 1974). se estas modificações tornaram-se mais perceptíveis quanto ao conjunto dos sujeitos. mostrar a utilidade das medidas de maturidade vocacional como variáveis independentes para predizer o desenvolvimento vocacional subseqüente. 1970) sublinharam a pertinência de se servir como variável dependente aos fins de identificar a eficácia de certos métodos de aconselhamento de carreira. são também mais potentes como preditores de variáveis critérios ao longo de 25 anos (status ocupacional esperado. e mais simples será sua tarefa de cristalizar sua preferência. o que Super entende como tarefa de cristalização de uma preferência profissional na adolescência. também. confirmou esses resultados com uma amostra de adolescentes canadenses. conseqüentemente. a formulação de uma preferência geral e a constância na sua expressão constituem os principais critérios da cristalização na adolescência. no nível individual. de exploração e de preparação a tomar as decisões que requerem as necessidades sociais e as circunstâncias). Mais recentemente ainda. a utilização combinada de dois tipos de medida melhoram as predições. rapidamente apareceu a idéia de que seria oportuno para os pesquisadores e os técnicos terem instrumentos válidos de avaliação da maturidade vocacional. no início da adolescência. e que o mais importante. este estudo confirmou a hipótese que a expressão de escolhas específicas nesta idade é habitualmente irrealista ou prematura. Schenk. em verdade. em seguida. Foi neste furor que se publicou. durante o ensino secundário. de acordo com a formulação teórica de Super. notadamente o status ocupacional esperado e o progresso na carreira.) e do autoconceito (precisamente duas metadimensões: harmonia e idiossincrasia).

informação sobre o mundo do trabalho (40 itens). a maturidade vocacional. Pesquisas Americanas Com o CDI O CDI foi desenvolvido nos Estados Unidos e suas qualidades psicométricas foram verificadas e confirmadas em diversos estudos e com amostras independentes (Dean. conhecimento do processo de desenvolvimento da carreira. Lewis. foram elaborados para se poder medir certas dimensões da maturidade vocacional. de ambos os sexos. por um lado. atitudes em relação à carreira e tomada de decisão (20 itens). Assim. pp. Segundo Fouad e Arbona (1994). que esses fatores podem condicionar este processo de duas formas distintas. também foi objeto de estudos e relações com outras variáveis. No mais. Perspectiva Transcultural da Noção de Maturidade Vocacional Super (1957. Eles também verificaram que esta variável pode ser mais potente que outras variáveis ligadas ao sucesso escolar. Lerner e Schulenberg (1986). Quanto ao ACCI. exploração (25 itens). 16(3). as atividades nas quais as crianças e os jovens adolescentes se engajam. Feito este caminho. No que se refere ao estudo de Dykeman (1983). Reino Unido e Austrália). 1990) sempre considerou que os fatores socioeconômicos e ambientais. tal qual medida pelo CDI. a qualidade das relações interpessoais de seus contextos social e familiar. 1973. à procura de modelos ocupacionais e de autoconceitos. 2003. Mello. Estes e outros instrumentos. Super & Zelkowitz. é conveniente destacar o trabalho de Vondracek. exploração e tomada de decisão) são significativamente correlacionadas a eficiência no trabalho. África do Sul. França.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 465 de adolescentes e adultos de diversos países (Espanha. Super. ela seria generalizável a outras culturas e populações. Uma versão brasileira deste último foi assegurada por Lobato (2001). salienta-se que os 110 itens do CDI foram concebidos para avaliar os dois componentes gerais da maturidade vocacional: atitude e cognitivo. 1973). diversos estudos foram realizados a fim de verificar se a teoria de Super é realmente válida quando se considera tais fatores. No estudo de McCaffrey. notadamente a inteligência e o nível socioeconômico. Balbinotti e Tétreau (2002) asseguraram as qualidades psicométricas para uso no Brasil. Em um estudo de sua relação com a percepção de barreiras ao avanço ocupacional com 188 colegiais do Texas. Kuhlman-Harrison & Neely. 461-473 que a teoria de Super tenha sido elaborada a partir de amostras de homens brancos. exercem uma grande influência sobre os seus desenvolvimentos vocacionais. Países Baixos. 1983. e escore total de orientação à carreira. A primeira delas referese às oportunidades de desenvolvimento que eles facilitam ou dificultam. 1980. com efeito. os itens medem as preocupações com as tarefas de desenvolvimento da carreira segundo os estados e sub-estados que aparecem na Tabela 1. mesmo Psicologia: Reflexão e Crítica. 1976. Savickas e Jones (1996) constataram que o grau de maturidade vocacional é um potente preditor de sucesso. e a segunda. As pesquisas empíricas repertoriadas neste trabalho sobre as relações da maturidade vocacional com diversas outras variáveis são apresentadas abaixo. Landro.05). Por outro lado. Refere-se precisamente ao Career Maturity Inventory (CMI) (Crites. 1974. Westbrook & Mastie. as experiências únicas ou idiossincráticas de suas existências. eles confirmaram. 1982. Kenny (1990) encontrou que a maturidade vocacional tem relação significativa com os valores do trabalho e a estrutura familiar. da mesma forma que os papéis que eles têm a oportunidade de observar e de se implicar. que. e aí se compreende os fatores culturais e de considerações étnico-raciais (precisamente o segundo modelo de sua teoria). 1977. a fim de identificar em qual etapa de seu caminho profissional o sujeito se percebe. A Tabela 2 apresenta um resumo dos coeficientes de consistência interna (Alpha de Cronbach ou Fórmula KR-20) obtidos por diversos instrumentos de medida da maturidade vocacional e da adaptabilidade profissional (nos adultos). Tilden. com a ajuda de uma amostra de 60 estudantes de nível superior. Áustria. Segundo estes autores. do qual Dupont e Marceau (1982) demonstraram as qualidades psicométricas através da ajuda de dados colhidos pela aplicação deste em estudantes do ensino médio canadenses. Luzzo (1996) concluiu a ausência de relações significativas (p>0. 1979. mede claramente as dimensões correlatas ao conceito de maturidade vocacional de Donald Super. Caminho feito. nos Estados Unidos. Entre os estudos pioneiros do contexto socioeconômico e cultural com relação à maturidade vocacional. quando inspirados na teoria de Super. conhecimento do grupo ocupacional preferido. Super & Thompson. Gonzalez (1992) assegurou a tradução e a adaptação na Espanha e. Ele estima. Canadá. o Inventário de Desenvolvimento Profissional (IDP). Em um estudo longitudinal da relação entre maturidade vocacional e sucesso acadêmico de 111 estudantes de medicina de uma universidade da Califórnia. de ambos os sexos. Miller e Winston (1984). 1990). podem influenciar o processo de desenvolvimento de uma carreira. a hipótese já verificada com os adolescentes . por outro lado. Ele permite calcular oito escores por meio de quatro escalas e da combinação destas: planificação (25 itens). 1983. este constatou que três das quatro dimensões do modelo de maturidade vocacional de Super (planificação. 1978) e ao Questionário de Educação à Carreira (QEC) (Dupont & Gingras. Portugal.

1988. Ralph & Halpin. 1982). 1985). hispânicos e de tradição indígena. Frischknecht. na Áustria (Seifert & Eder. Com o ACCI Como no caso do CDI. se fatores culturais. Leong e Brown (1995) e Leong e Hartung (1997) o fazem remarcar comparando a maturidade vocacional de estudantes caucasianos e asiáticos. 1987). Pesquisas em Outros Países Com o CDI Versões adaptadas e normatizadas deste inventário foram utilizadas com sucesso em outros países. 1984) onde os resultados não puderam permitir conclusões positivas quanto a sua utilização na população adolescente. A propósito dos estudos transculturais no interior dos Estados Unidos. na Austrália (Punch & Sheridan. Super. Bardo e Henry (1992) obtiveram resultados que sugerem que a média das respostas dos afro-americanos de sua amostra era mais baixa que aquela dos caucasianos. Passen & Jarjoura. 461-473 . estes mesmos autores observaram uma diferença significativa entre os superdotados (de qualquer origem) e os “normais”. Entretanto. podem diminuir o estabelecimento de seus autoconceitos e. no mínimo. os quais foram favoráveis. Sem dúvida um achado favorável à compreensão multicultural da noção de maturidade enquanto processo de desenvolvimento. 1992. Dupont & Huter. 1995b. No mais. Ainda. Os resultados não apresentaram nenhuma diferença significativa quanto ao fator atitude (planificação e exploração).466 Marcos Alencar Abaide Balbinotti no estudo do CPS (Jordaan e Heyde. 1982). Ralph (1986) e Ralph (1987) afirmam que este instrumento foi utilizado em alguns estudos em relação a outros instrumentos a fim de se verificar a validade conceitual. na Espanha (Moreno. africanos. 1991). a partir de duas amostras independentes de adolescentes sul-brasileiros com a ajuda do QEC. o nível de maturidade vocacional aumenta em função do de estudos. Young (1984) examinou a relação entre as aspirações ocupacionais e a maturidade vocacional de uma amostra de 590 adolescentes de seis escolas rurais. 1979) que. 1987. Na medida que o fato de pertencer mais a um gênero (masculino ou feminino) pode ser concebida em termos de diferenças culturais. 1986. Henry.) verificaram e confirmaram suas qualidades psicométricas e outros (Halpin. Brown & Niles. 1986. Scheeffer & Fernandes. sujeitos de origem africana geralmente obtêm escores menos elevados de maturidade vocacional que os caucasianos (Fouad & Kelly. As estruturas fatoriais obtidas através de análises multidimensionais demonstraram a necessidade da retirada de diversos itens para que o instrumento pudesse conservar uma estrutura. 1984) e nos Países Baixos (Helbing. Kelly e Cobb (1991) não encontraram diferenças significativas nos graus de maturidade profissional de adolescentes superdotados de origem africana e caucasiana. 1990. Osborne. Dito de outra forma. assim como Leong (1993. McCloskey. 1990) sublinharam a pertinência de sua utilização no plano prático. Entretanto. Super. No Canadá. em Portugal (Ferreira & Caeiro. similar entre os dois grupos. pode ser interessante notar que Thomason e Winer (1994) corroboraram os resultados de Super (1985a) no sentido que as meninas obtiveram escores de maturidade vocacional mais elevados que aqueles dos meninos. isto é. A ordem destas progressões permanece. Mahoney. 1985) e na Inglaterra (Ward. Ele Psicologia: Reflexão e Crítica. Ralph (1987) o administrou em 109 sujeitos adultos e seus resultados mostraram que a adaptabilidade profissional está em correlação positiva e significativa com a autoconfiança. Whiston. o ACCI foi elaborado nos EUA. 1992. na Suíça (Descombes. seus resultados sugeriram que os homens que manifestavam pouca adaptabilidade profissional experimentavam um nível mais elevado de stress ocupacional. contudo. Stead & Jager. Niles e Anderson (1993) buscaram verificar a relação entre o stress e a adaptabilidade profissional utilizando uma amostra de 110 clientes onde 76 eram mulheres. Desta forma. notadamente no Canadá (Dupont & Marceau. os sujeitos de origem caucasiana demonstraram um nível significativamente mais elevado de conhecimento das ocupações preferidas em relação às outras culturas. Diversos autores (Halpin. os resultados destes mesmos estudos confirmam a hipótese de Super. Westbrook & Sanford. 16(3). Smallman e Sowa (1996) examinaram as respostas ao CDI de 125 estudantes (atletas de diversos esportes) de origens culturais diversas: caucasianos. 1995a.). processo evolutivo. 1989. Dados semelhantes a estes foram encontrados no estudo de Balbinotti (2001) e Balbinotti e Tétreau (2002). na África do Sul (Watson. Savickas. 1983. Outros estudos apresentaram resultados similares. os resultados obtidos nestes estudos. não parecem ter tido continência no caso do Brasil (Fernandes & Scheeffer. pp. 1977). 1995). 2003. Por outro lado. podem tornar ainda mais complexas suas progressões através dos diferentes sub-estados de desenvolvimento profissional. Ralph & Halpin. Neste sentido. aceitável. de maneira geral e não necessariamente linear. por outro lado. asiáticos. como sublinham Fouad e Arbona (1994). Walsh. 1981). Mais recentemente Booth (1994) reexaminou a estrutura fatorial do ACCI lançando mão de equações estruturais (confirmatory factor analisis) e chegou a conclusão que se trata de uma medida também aplicável a pessoas deficientes. como a menor importância acordada pelos asiáticos no que se refere ao valor do individualismo. por um lado. precisamente aquela da sucessão ordenada dos estados e das tarefas de desenvolvimento associadas.

esta diferença seria atribuível a fatores culturais. Em um outro estudo. Conforme sua opinião. a fim de verificar a relação do gênero e da cultura com a maturidade vocacional. Seifert (1991) explorou a relação entre a maturidade vocacional e os comportamentos associados às escolhas vocacionais de 1336 estudantes do 110 e 120 anos de estudos. Considerando a elaboração de uma estratégia de avaliação de necessidade de educação a carreira de 1022 estudantes canadenses franceses de ambos os sexos e todos do último ano do ensino médio no Quebéc. na Espanha. de acordo com a sistematização teórica de Super. os estudantes israelenses obtiveram escores de maturidade vocacional significativamente menos elevados que aqueles obtidos por estudantes americanos. seis anos mais tarde. de acordo com seus estados de vida e. os adolescentes que aspiravam ter sucesso em ocupações inovadoras manifestavam um grau de maturidade significativamente mais elevado. nesta amostra. Na Áustria. portanto. Os índices obtidos a partir de cálculos de consistência interna são também satisfatórios. . Um outro estudo foi realizado com quatro estudantes de escola média. ou ainda com adultos trabalhadores (n=457) na Austrália (Smart & Peterson. pp. Com o ACCI Os resultados das análises fatoriais do ACCI ou de suas traduções adaptadas com adultos desempregados ou em formação profissional. naquele país. quanto a seus projetos de carreira. Desta forma. a versão Espanhola do QEC. no Líbano. a sociedade sul-africana em geral. final do ensino médio. 1997) confirmaram a presença dos quatro fatores constitutivos de sua estrutura fatorial da versão original (exploração. Antes de qualquer interpretação precipitada. Os resultados demonstraram que não existem diferenças significativas entre a maturidade e o gênero. 16(3). com uma amostra de 264 estudantes universitários. o nível desta informação. Entretanto. em Portugal (n=881) (Duarte. em última análise. quando estes jovens eram comparados aos grupos de adolescentes que tinham escolhido ocupações tradicionais. Gonzalez (1992). Gingras & Tetreau. Comparando estudantes americanos e árabes. manutenção e desengajamento). obteve resultados similares com a ajuda de uma amostra de 2997 adolescentes emparelhados com o CEC. Contudo. econômica e escolar. de nono e décimo segundo ano de estudo. Assim. os autores sugerem prudência quanto às possíveis conclusões que podem ser interpretadas a partir destes resultados. não aproveitando grande parte das fontes de ajuda e informações que estavam propostas neste instrumento. podendo se tirar as mesmas conclusões. 1992b) e na França (n=1414) (Gelpe. de nono e décimo segundo ano escolar. o tempo necessário para atingir o sucesso pode variar segundo a cultura e os inventários de maturidade podem não estar ainda adaptados a estas diferenças. Gingras (1991) utilizou o QEC. 461-473 estruturas social. no México (utilizando entrevistas semiestruturadas em uma pesquisa de caráter qualitativo). Seifert (1985) administrou a versão austríaca do CDI em uma amostra de 641 adolescentes de oitavo e nono anos escolares. 1992a. Bullington e Arbona (1991) corroboram os avanços teóricos de Super observando que estes quatro estudantes estavam implicados nas tarefas exploratórias de planificação e exploração. brancos e pretos. no Canadá (n=1554) (Dupont. Contrariamente a este último resultado. Fouad (1988) comparou a maturidade vocacional de 875 estudantes americanos de nível médio. A autora conclui que as tarefas do desenvolvimento de estudantes em diferentes culturas são similares.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 467 encontrou que. Watson e colaboradores (1995) realizaram um estudo na África do Sul. 1995). tais variáveis podem constituir um viés importante tanto em termos de medida quanto de interpretação desses resultados. De modo geral. estabelecimento. Entretanto. Os resultados demonstraram diferenças significativas entre as duas culturas assim como entre o sexo e o nível de estudos (entre os israelenses). aumentando. 1994). os autores sublinham a necessidade de um aprofundamento maior e salientam que os estudantes negros de sua amostra habitavam em um bairro que sofreu muitos problemas de instabilidade política e social. com 537 estudantes israelenses dos mesmos níveis. Os resultados mostraram que os escores elevados de maturidade vocacional estavam significativamente associados às preocupações quanto ao objeto de escolha de carreira e ao sentimento de confiança de poder realizar seu projeto profissional. os estudantes brancos obtiveram escores de maturidade significativamente mais elevados que os estudantes negros. 2003. revelando assim uma maior capacidade na execução de compromissos entre a realidade e suas próprias necessidades. O ACCI é um instrumento ainda relativamente novo de sorte que ele ainda não foi extensivamente utilizado pelos práticos. Ela observou que os estudantes tinham se comprometido muito pouco em suas atividades de planificação e de exploração de uma possível carreira futura. verificou que os primeiros tiveram escores mais elevados que os segundos. Os resultados sugerem que estes adolescentes manifestaram pouca maturidade vocacional e que os conselheiros e psicólogos escolares deveriam facilitar as informações vocacionais destes jovens. Neste estudo. Moracco (1976). os israelenses se mostraram mais decididos. é ainda objeto de muita discriminação tanto na estrutura política quanto nas Psicologia: Reflexão e Crítica.

Considerando as diferenças segundo o pertencimento racial ou étnico. acesso ao mercado de trabalho eles se estabilizarão também mais rapidamente em um padrão de carreira. Por exemplo. 16(3). pode-se concluir que a estrutura fatorial destes instrumentos pode ser encontrada. e com relação à real possibilidade ou não de trabalhar. No que se refere às pesquisas trans-culturais com o CDI e o ACCI. do que aqueles de nível socioeconômico mais baixo. Esta teoria é estruturada em quatro modelos distintos. generalizável no plano universal. Observa-se (ver Tabela 2) também que os coeficientes de consistência interna são muito similares (geralmente elevados ou muito elevados) entre um país e outro. de maneira exaustiva. 461-473 . Assim. se elas são constituídas de homens ou de mulheres. Pois. pp. Super engajou-se a sistematizar. mais rapidamente. conforme a importância acordada ao trabalho e ao seu papel na vida do indivíduo. explorou-se. no Brasil. concluindo. ao menos para os países estudados. Diversos instrumentos. uma teoria geral da escolha e do desenvolvimento vocacional. 2003. O modelo parece então generalizável a diversas populações que possuem um mínimo de elementos culturais comparáveis aos americanos e. as aspirações e os interesses profissionais. A única exceção seriam os dados obtidos com o CMI. Uma questão que se pode levantar é se o modelo é generalizável a uma ou outra amostra em particular. essencialmente. em diferentes países e/ou culturas. isto é. Encontrou-se então. Dentro de uma ótica que privilegia a compreensão pormenorizada desta dinâmica de desenvolvimento. o modelo das abordagens desenvolvimentistas e. por oposição ao caso de um estudante de graduação em psicologia que se pergunta se ele será admitido em estudos de pósgraduação ou se ele deverá remeter em questão sua orientação nesta via e recomeçar a explorar uma outra abordagem diferente da psicologia. IDP. entre outras. 1996) como a capacidade do indivíduo tomar decisões e assumir os comportamentos característicos de seu estado (ver Tabela 1). no qual a noção de maturidade vocacional tinha um papel organizacional de destaque. por Japur (1988) e Japur e Jacquemin (1989). Pode-se pensar. o modelo feno– menológico. Com este propósito. o conceito de maturidade vocacional e sua relação com outras variáveis tais como o sucesso escolar. investiram em várias pesquisas empíricas a fim de explorar. se não se trata. por exemplo. Parece importante considerar todos estes aspectos no momento de interpretar os resultados originários dos levantamentos de dados sobre maturidade vocacional.. diversos autores. no caso de um jovem que se torna policial na idade de 18-19 ou 20 anos. A noção de maturidade vocacional se revela através da passagem deste processo. CMI. de sujeitos com mais ou menos idade. Depois desta pesquisa fundamental e pioneira. Super (1985a. notadamente. sublinhando as tarefas inerentes ao desenvolvimento vocacional. as quatro grandes etapas (os megacíclos) no que concerne o ACCI e os dois fatores (atitude e cognitivo) no que concerne o CDI. medido pelo ACCI. pode-se perguntar. diferenças relativamente importantes são observadas segundo as amostras utilizadas. inspirados a partir da teoria do desenvolvimento vocacional de Super. e relativamente tarde naquela de juiz). ACCI). mas conexos: o modelo tradicional. ainda no século passado.468 Marcos Alencar Abaide Balbinotti Conclusão Depois do início dos anos 1940. foram criados (CDI. tendo tido. em grande parte. antes de tudo. o CPS. Podese então formular a hipótese de que os indivíduos com um nível socioeconômico alto obterão médias significativamente mais elevadas no estado do Estabelecimento. 1985b) conduziu um estudo longitudinal. e planeja fazer carreira nesta profissão na qual ele se estabelecerá relativamente cedo. QEC. finalmente. sistematicamente. mas igualmente sua gestão no plano transcultural. de acordo com o tipo de trabalho e a carreira a que está associada (estabelece-se muito cedo em uma profissão de atleta profissional. o modelo dos fatores socioeconômicos e ambientais. na maioria de suas versões traduzidas e/ou adaptadas em diversos países. Psicologia: Reflexão e Crítica. de diferenças de nível socioeconômico e de valores associados a elas. Esta noção foi recentemente definida (Super & cols. sabe-se que os indivíduos desfavorecidos no nível socioeconômico podem valorizar mais dificilmente as gratificações diversas (não em dinheiro) de uma forma diferenciada dos indivíduos de nível socioeconômico mais elevado. com sujeitos que habitam em bairros mais ou menos favorecidos. mais geralmente. o processo ordenado de desenvolvimento vocacional seria então. mais especificamente. Entretanto. ou ainda se eles pertencem a um ou outro grupo étnico. com sujeitos pertencentes a uma maioria branca ou uma minoria visível. O presente trabalho objetivou não somente a compreensão e a apresentação do conceito de maturidade vocacional. ao mundo ocidental. o terceiro modelo que aborda a dinâmica desenvolvimentista do cumprimento de etapas ordenadas e previsíveis durante toda a vida do indivíduo. os valores do trabalho. Pode-se supor que as médias das amostras vão provavelmente ser diferentes segundo o nível socioeconômico.

Sub-estado do desenvolvimento dos interesses e das aptidões Exploração (14-25 anos) .Cristalização de uma preferência.Atualização de uma preferência.71 0. Tabela 2 Consistência Interna de alguns Instrumentos de Medida da Maturidade Vocacional e da Adaptabilidade Profissional. .95 0. 2003.94 0. .61 0. .Desaceleração.95 0. atualizar-se e inovar.88 0.Sub-estado de adaptação a um novo self e ao processo de aposentadoria Tarefas de desenvolvimento .Sub-estado fantasista e de curiosidade . pp.Consolidação do status e avanço. 461-473 .90 0.Sub-estado de tentativa e estabelecimento .77 0.92 0.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 469 Tabela 1 Relação dos Estados e Sub-estados do Ciclo Vital com as Tarefas de Desenvolvimento Estados e sub-estados Crescimento (0-14 anos) .81 0. . .Manter posição.93 0.Aprendizagem das técnicas gerais de adaptação e de formação de um autoconceito vocacional.Especificação de uma preferência.Sub-estado provisório .36 0.Sub-estado de tentativas (pouco engajamento) Estabelecimento (21-45 anos) . 16(3). .83 0.91 0. Considerando os Diversos Países Países Canadá Canadá Canadá Estados Unidos Estados Unidos Estados Unidos Estados Unidos França Espanha Portugal Brasil Brasil Brasil Instrumentos QEC IDP IPC CMI CDI CDI-A ACCI IPP CEC ACCI QEC IDP CMI Alpha 0.91 0.76 0.65 0.95 0.Sub-estado de adaptação e preservação do autoconceito Desengajamento (65 anos e mais) . .32 – – – – – – – – – – – – – 0.66 0.64 0.Sub-estado de transição .73 0.97 0.Sub-estado de avanço Manutenção (40-65 anos) .67 Psicologia: Reflexão e Crítica.Estabilização em uma profissão.93 0. planificação da aposentadoria e da vida de aposentado.93 0.

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