Você está na página 1de 13

Psicologia: Reflexão e Crítica, 2003, 16(3), pp.

461-473

461

A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super
Marcos Alencar Abaide Balbinotti 1
Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Resumo Donald Super engajou-se a sistematizar uma teoria geral da escolha e do desenvolvimento vocacional estruturada no modelo tradicional, no de fatores sócioeconômicos e ambientais, no de abordagens desenvolvimentistas, e no fenomenológico. O presente trabalho objetiva apresentar o conceito de maturidade vocacional e sua generalização no plano transcultural. Com este propósito, explorou-se, mais especificamente, o terceiro modelo teórico, aquele do cumprimento, por parte do indivíduo, de etapas ordenadas e previsíveis durante toda sua vida, visto que a noção de maturidade vocacional se revela através da passagem de um processo de desenvolvimento. Através de dados colhidos por diversos inventários de maturidade, apresentou-se os dados relativos a sua generalização. Concluiu-se que o modelo teórico explicativo da maturidade vocacional parece ser aplicável a diversas populações que possuem elementos culturais comparáveis aos americanos. Algumas exceções ou cuidados na interpretação de dados se aplicam. Novos estudos devem ser realizados a fim de melhorar as qualidades psicométricas das medidas de maturidade vocacional em alguns outros países e, também, as adaptações de tais instrumentos levando-se em conta a diferenças sócio-econômicas e culturais. Palavras-chave: Desenvolvimento vocacional; maturidade vocacional; Teoria de Donald Super; transcultural. The Transcultural Aspect of Vocational Maturity in Donald Super Theory Abstract Donald Super conceptualized a general theory of developmental vocational and career choice based on four models: 1) the traditional, 2) the developmental, 3) the economic, social and environmental, and 4) the phenomenological. Considering that vocational maturity can be revealed by the constant process of interaction between individuals and their environment, this present work aims to explore the concept of vocational maturity within the transcultural field (the third model). Data were collected through several maturity inventories and results show that Super’s theoretical model of vocational maturity can be generalized to several cultures, in particular to the ones that can be comparable to the American society, although some careful data examination is always needed. Finally, we suggest the need of new studies aiming to improve the psychometric properties of vocational measures in some countries, trying to pinpoint cultural and social differences when they appear. Keywords: Vocational development; vocational maturity; Donald Super’s Theory; transcultural.

Para se poder entender, adequadamente, a noção de maturidade vocacional de Donald Super, é conveniente situá-la dentro do contexto geral de sua teoria da escolha e do desenvolvimento vocacional, permitindo uma melhor precisão no sentido que Super dá a este conceito. Em seguida, apoiando-se em algumas pesquisas empíricas importantes, poder-se-á apreciar em que sentido esta noção é generalizável a diferentes culturas. A Noção de Maturidade Vocacional no Contexto da Teoria de Donald E. Super Partindo do histórico estudo de Buehler (1933) sobre o ciclo vital como um aspecto psicológico, a noção de maturidade vocacional, remete, necessariamente, a um processo de desenvolvimento (Balbinotti & Tétreau, 2002), como todos os outros aspectos da personalidade humana (social, emocional, sexual, intelectual, etc.) com
2 Endereço para correspondência: Av. Unisinos, 950, Núcleo de Orientação Vocacional, 93022 000, São Leopoldo, RS. Fone: (51) 5908127. E-mail: balbinotti@bios.unisinos.br

os quais se associa o termo maturidade. Em 1942, em um volume intitulado The Dinamics of Vocational Adjustment, Super apresentou uma síntese do que se conhecia naquela época sobre a escolha de uma carreira. Naquela ocasião, ele propôs uma concepção de escolha profissional que orientou, conseqüentemente, todos os passos teóricos e empíricos de sua carreira (Super, 1951, 1953, 1955, 1957, 1972, 1980, 1981, 1985a, 1985b, 1990; Super & Kidd, 1979; D. Super, Savickas & C. Super, 1996; D. Super, Sverko & C. Super, 1995). Com efeito, considerando a escolha vocacional como resultado de uma série de decisões pré-vocacionais e vocacionais que podem (ou tendem) durar toda a vida, sua concepção contrastava radicalmente com aquela que havia prevalecido até aquele momento e que se associava com a teoria dos traços e fatores de Parsons (1909). Naquela época (Parsons, 1909), concebia-se a escolha profissional como sendo um comportamento de acontecimento único e estático na vida de um indivíduo, emparelhando as características pessoais e de personalidade de um sujeito às de uma profissão. As concepções teóricas de caráter desenvolvimentista de Super (1942) foram

2003. o modelo socioeconômico e ambiental. 1996b. o modelo fenomenológico. Levinson & McKee. Recentemente. os encorajamentos que uma pessoa recebe e as experiências de trabalho que ela conhece. Miller & Form. 1964. 1977. assim como dinâmico no sentido de que ele resulta da interação entre as características do indivíduo e as demandas da cultura. mas a de Super ocupa um lugar de destaque. Schultz & Henderson. 1973. 461-473 . fornecendo à criança. 1998. Riverin-Simard. Este contexto compreende. 1997) representa em sua forma contemporânea e segundo o qual busca-se assegurar o homem certo no lugar certo a partir de uma análise das características do indivíduo e da profissão considerada. pp. 1984. este comportamento. 1996c. relacionado com as concepções teóricas de Parsons (1909). Knefelkamp & Slepitza. mas ela tem. Por exemplo. Watkins & Subich. 3) O terceiro modelo. um efeito sobre as atitudes. compondo as orientações teóricocontemporâneas básicas e de prática em psicologia da escolha e do desenvolvimento profissional. é aquele das abordagens de desenvolvimento. 2 2) O segundo modelo diz respeito à influência dos fatores socioeconômicos. 1985. 1909). são as variáveis que intervêm influenciando a carreira dos indivíduos. a automatização. Sverko & Super. Fouad. o indivíduo deve cumprir um certo número de tarefas de desenvolvimento. 1994. Super & cols. e. 1990). concernentes à influência da classe social sobre o desenvolvimento de carreira. o mercado de trabalho. As conclusões de Young e Chen (1999). 1993. 1997. 1993. os hábitos e aspirações que constituem o contexto sócio-psicológico do desenvolvimento de carreira. Ginsburg. 1978. então. 1998. geralmente. 1996. os ciclos econômicos. apóiam a afirmação desses autores. 1956. explicariam melhor a complexidade do comportamento vocacional de um indivíduo. 1984. a possibilidade de adquirir informações e desenvolver habilidades que poderão ter uma importante influência no momento da tomada de decisão profissional por parte dos jovens. por exemplo. Brooks. a escola. O desenvolvimento é. 1951. ao todo. Roe. 1976. valores. 1990) propôs uma concepção de escolha profissional com base em conceitos (maturidade. Herr & Lear. 1996a. 1) O primeiro modelo. Uma descrição mais detalhada e objetiva destes modelos será apresentada abaixo. o que torna claro também o fato de tratar-se de um processo psicossocial. apóia-se numa psicologia diferencial dos indivíduos e das ocupações2. têm sido elaboradas. 1985. O autor apresenta também. pareadas àquela de Holland (1959. segundo ele próprio e seus colaboradores (Super. Lapointe. por Tiedeman (Tiedeman & O´Hara. juntos. ao qual o nome de Super é mais popularmente associado. por Vondracek e colaboradores (Vondracek. Seriam. 1984. Ocupação é um anglicismo freqüentemente utilizado para falar da profissão ou do trabalho.) que indicam um processo de desenvolvimento (Buehler.. Breton. esta concepção propõe que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo desde a infância até a velhice.462 Marcos Alencar Abaide Balbinotti resgatadas por Ginzberg. portanto. Farmer. Super (1969. Tiedeman & Miller-Tiedeman. uma discussão dos fatores econômicos ligados ao desenvolvimento profissional: a lei da oferta e da procura. não menos importantes (embora ainda pouco divulgadas). 1995. também. Lerner & Schulenberg. as políticas sociais e as experiências profissionais) sobre o desenvolvimento de carreira (Bergeron. É claro que diversas outras teorias. 1998. Havighurst. 1984). os sindicatos e as organizações profissionais. 1972. 1996. e. 1992. 1957). o da psicologia das carreiras (Super. tecnológicos e ambientais (tais como a família. 1995). Bingham. no desenvolvimento das necessidades e dos valores. quatro modelos que. ainda. Como refere Bujold (1989) e Bujold e Gingras (2001) compilando as informações de Super (1984). a comunidade. a sociedade. 1996. Tais concepções tornaram-se as principais idéias ou tendências. 1985. finalmente. teriam a árdua tarefa de desvendar. 1984. ou ao adolescente. o modelo desenvolvimentista. etc. segundo Super (1957). Levinson. Osipow e Fitzgerald (1996) concluem que a influência da classe social (média ou elevada) é quase sempre positiva sobre o desenvolvimento vocacional. Fukunaga. 1996). Brown. São eles: o modelo de perspectiva diferencial. McDonald & Richer. 16(3). a economia. ao menos em parte. 1997). Roe & Lunneborg. a tecnologia e. No decorrer deste processo. Darrow. tanto no início do exercício de uma ocupação. a classe social não influencia somente a disponibilidade dos recursos em relação à escolha e à adaptação profissionais. Umemoto & Wicker. 1963. entre outras. Segundo estes autores. 1957. Hotchkiss & Borow. 1952. e ainda incluiu outros modelos que. Estas. quanto nas mudanças e adaptações que poderão se impor no decurso dos anos. 1986). 1972. Miller & Weeks. finalmente. a tradição. 1997. A natureza precisa destas tarefas e a maneira Psicologia: Reflexão e Crítica. o custo dos estudos. 1990. ordenado e previsível. o grupo de pares. contrastava com a simples teoria dos traços e fatores (Parsons. interesses. Axelrad e Herma (1951) – que finalmente limitaram sua descrição do desenvolvimento vocacional do nascimento a adolescência (ou até o início da idade adulta) –. ao menos. 1976. É o modelo tradicional que Holland (1959. a família contribui. mais recentemente. 1981. 1933) e que. quanto ao número constante e atual de publicações em revistas especializadas. Klein. estruturadas e aplicadas por diversos autores (Blau.

o indivíduo exprime uma idéia do tipo de pessoa que pensa ser. 1996). ele se atualiza” (Super. e das necessidades da sociedade em relação às outras pessoas que alcançam este estado de desenvolvimento. nível socioeconômico e autoconceito vocacional). Em seus trabalhos mais recentes (Super. continuar a fazer as atividades que ele sempre amou fazer (manutenção) e reduzir suas horas de trabalho (desengajamento). 2001a. finalmente. estavam estabilizados em um padrão de carreira. no Teachers College da Universidade de Columbia. de 1985. É conveniente precisar. que ele é maduro na medida em que ele está pronto para tomar as decisões e para assumir os comportamentos característicos de seu estado de desenvolvimento vital (Super. 1963b). assim como as tarefas do desenvolvimento com as quais eles estavam confrontados e seu nível de preparação para resolvê-las. 461-473 adolescência e da vida adulta. a lista das tarefas de desenvolvimento. respondendo a questão sobre maturidade vocacional centrando-se principalmente no desenvolvimento profissional dos adolescentes e de jovens adultos. seus interesses. para. precisamente). a mais conhecida é. 1994). troca-se apenas os títulos dos conceitos. seus valores e suas aptidões – tem um papel organizacional maior como guia do comportamento do indivíduo através dos estados e sub-estados do desenvolvimento vocacional. e também de autoconceito – precisamente. formulando uma preferência vocacional. assim como os atributos e comportamentos característicos da Psicologia: Reflexão e Crítica. 2002). 4) O quarto modelo é denominado fenomenológico. a tarefa da cristalização e o status do indivíduo na etapa do . manutenção e desengajamento). o indivíduo deve pensar em desenvolver novos papéis não ocupacionais (crescimento). isto é. mas sim de adaptabilidade profissional . esclarece-se que o significado é o mesmo. como é o caso para outros aspectos da personalidade. a maturidade vocacional é definida como a capacidade do indivíduo para enfrentar as tarefas de desenvolvimento com as quais ele é confrontado como conseqüência de seu desenvolvimento social e biológico. Segundo Super (1990). ele tentou definir esta noção de uma maneira operacional escrevendo de forma ainda mais detalhada as tarefas de desenvolvimento. Como explica Super (1990). Estudos de Verificação Empírica Super e colaboradores. estabelecer os critérios para descrever e avaliar os estados e os sub-estados do desenvolvimento da carreira de estudantes com diferentes idades e níveis de estudos. Com efeito. ele atualiza seu autoconceito. o autoconceito. Continua-se. Super & cols. escolhendo uma profissão. um miniciclo. Ele queria. Portanto. e mais precisamente o autoconceito profissional – que analisa os conjuntos de traços da pessoa diretamente ligados ao seu desenvolvimento profissional. A Tabela 1 apresenta. de uma parte. 4).. claramente definidos por limites de idade. pela primeira vez. realizar atividades que ele sempre quis fazer (estabelecimento). tocar-se-á na noção de adaptabilidade profissional. Por exemplo.. já tentaram colocar à prova sua teoria de diversas maneiras. 14-18 anos) e o status de seus comportamentos vocacionais no estágio de estabelecimento (estabilização. até o momento em que a maior parte dos sujeitos (70% deles. ele escreveu: “ . 1996) não fala exatamente de maturidade vocacional. que esta noção se aplica propriamente ao desenvolvimento profissional do adolescente e do início da idade adulta. 16(3).. dentro do quadro dos megaciclos (crescimento. portanto. no estado megacíclico de desengajamento. não somente as idades de transição são muito flexíveis. 1996). estabelecimento. tal qual o desenvolvimento intelectual (Balbinotti. aquela que representa seu estudo de padrões de carreira (Career Pattern Study – CPS). Super (1955) inicialmente focalizou esta noção quando escreveu. quando se fala de maturidade vocacional no modelo desenvolvimentista de Super.. estados e sub-estados correspondentes. de outra parte. rendimento escolar. quando necessário. os estados têm uma tendência a se mesclar e não são. Dentro desta ótica. Super & cols. 2001b. mas. por comparação com as predições deste mesmo status a partir das medidas convencionais das características dos sujeitos (inteligência. Mais tarde (Super. é no terceiro modelo desta grande e integradora teoria que se agrega à noção de maturidade vocacional. sistemas de autoconceitos. 1990. sobre as dimensões e medidas da maturidade vocacional. Para melhor definir a natureza das relações. sendo esses. pp. e mesmo diversos outros pesquisadores. Esta distinção na conceitualização deve ser feita pela boa razão que. procurar um lugar apropriado onde se retirar (exploração). isto é. p. 1990. então. no caso dos adultos. pode-se dizer de um indivíduo. escolher uma carreira. Além disso. como pode-se encontrar na Tabela 1. Trata-se de um estudo longitudinal iniciado em 1951 com jovens de 9º ano escolar (entre 14 e 15 anos) e que durou os 25 anos seguintes. Como se pode constatar. assim. Este estudo permitiu estabelecer as relações entre a maneira pela qual os sujeitos passavam pelas tarefas de desenvolvimento profissional correspondentes ao estágio de exploração na adolescência (cristalização. 1963a.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 463 pela qual ele as cumpre revela sua maturidade vocacional. Super (Super & cols. progredindo numa carreira. mas cada transição comporta uma reciclagem através de um ou mais estados. exploração. Desta forma. 2003. 21-30 anos e 30-45 anos em uma profissão).. sem dúvida. o desenvolvimento vocacional não está em relação linear com a idade cronológica (Balbinotti & Tétreau.

mas também utilizar os recursos que o permitirão realizar suas atividades de planificação e de exploração de uma carreira. etc. é chamar a atenção dos jovens sobre os processos de decisão que subentendem a escolha da carreira. Super (1985b) pode concluir que as medidas de maturidade vocacional. por assim dizer. no nível individual. podia-se notar uma maior cristalização e uma maior especificação das preferências. são também mais potentes como preditores de variáveis critérios ao longo de 25 anos (status ocupacional esperado. esta primeira versão do CDI foi. pode se resumir em termos de duas dimensões (planificação e exploração) da maturidade vocacional que os primeiros dados de seu estudo longitudinal. durante o ensino secundário. Segundo Super (1963c). isto é. confirmou esses resultados com uma amostra de adolescentes canadenses. certas características e comportamentos têm uma relação com o desenvolvimento de carreira e a atualização de uma preferência profissional 10 anos mais tarde.. avanço ocupacional. quanto mais preciso for seu conhecimento dos interesses e dos valores. Entretanto.. Sendo assim. dos conselheiros. permitiram identificar. com adolescentes. traduzidos ou adaptados com amostras Psicologia: Reflexão e Crítica. o que Super entende como tarefa de cristalização de uma preferência profissional na adolescência. no 12º ano escolar. inicialmente. Os dados subseqüentes sobre a maturidade vocacional destes mesmos meninos. alguns tinham estagnado e outros tinham perdido terreno. quando estavam mais velhos. mostrar a utilidade das medidas de maturidade vocacional como variáveis independentes para predizer o desenvolvimento vocacional subseqüente. os índices de maturidade vocacional. Teve-se a oportunidade de verificar que estes instrumentos foram. não apresentavam um quadro assim tão claro. Thompson & Lindeman. no 12º ano de estudos. satisfação ocupacional. Balbinotti (2001) reconfirmou estes resultados. Ele deverá enfim. 1982. mais diferenciado será seu perfil. a existência de uma certa progressão em relação àquela que prevalecia no 9º ano escolar. 461-473 . 1960). de exploração e de preparação a tomar as decisões que requerem as necessidades sociais e as circunstâncias).464 Marcos Alencar Abaide Balbinotti estabelecimento profissional. de acordo com a formulação teórica de Super. tornar-se consciente das relações entre suas atividades prévocacionais e suas escolhas vocacionais subseqüentes. não somente estar consciente. mais especificamente. status socioeconômico. Ele deveria. conseqüentemente. se estas modificações tornaram-se mais perceptíveis quanto ao conjunto dos sujeitos. Se o estudo do CPS permitiu. Mais recentemente ainda.). respondendo assim a melhores qualidades psicométricas e dando lugar às versões do CDI-A (para jovens adultos) e do Adult Career Concerns Inventory (ACCI) (Super. e mais simples será sua tarefa de cristalizar sua preferência. mas é conveniente remarcar que. A Medida da Maturidade Vocacional No entusiasmo dos primeiros resultados do CPS. em verdade. Ullery & O’Brien. notadamente as contingências econômicas podendo influenciar as realizações de seus objetivos vocacionais. Eles também estavam mais confiantes. a primeira versão do Career Development Inventory (CDI) (Forrest & Thompson. 1967). em 1972. na validade de seus interesses que tinham se transformado. e. basicamente. modificada. como a responsabilidade de elaborar planos de ação e utilizar os recursos ambientas disponíveis para exploração. Este pano de fundo que Super assina. sobre o desenvolvimento dos padrões de carreira com os meninos de 9º ano (Super & Overstreet. progresso e satisfação na carreira) do que as medidas convencionais (inteligência. Coallier (1992). pode faltar constância e uniformidade. Como não se poderia duvidar. consciente da necessidade de cristalizar uma preferência e de pensar. Estes resultados evidenciaram que no desenvolvimento vocacional. 1970) sublinharam a pertinência de se servir como variável dependente aos fins de identificar a eficácia de certos métodos de aconselhamento de carreira. recentemente. mais comparáveis aos dos adultos. Schenk. convém descrever. e que o mais importante. 1979. já no 9º ano escolar. assim como seu perfil de interesses e de valores. em seguida. também. com uma amostra de 5200 adolescentes gaúchos. este estudo confirmou a hipótese que a expressão de escolhas específicas nesta idade é habitualmente irrealista ou prematura. no início da adolescência. por assim dizer. Foi neste furor que se publicou. etc. no 12º ano escolar (graus de planificação. 1974). a formulação de uma preferência geral e a constância na sua expressão constituem os principais critérios da cristalização na adolescência. notadamente o status ocupacional esperado e o progresso na carreira. Concebido para ser utilizado. permitiram a Jordaan e Heyde (1979) concluir. Com o estudo do CPS. e que a eminência das escolhas a fazer tinha verdadeiramente influenciado (Perron. entre outros importantes resultados. ao adolescente. 2003. informações dos pais. o adolescente deveria verdadeiramente estar. rapidamente apareceu a idéia de que seria oportuno para os pesquisadores e os técnicos terem instrumentos válidos de avaliação da maturidade vocacional. Dustin & Miers. 1988). Certos meninos tinham feito progressos. 1973. estando agora.) e do autoconceito (precisamente duas metadimensões: harmonia e idiossincrasia). considerar os fatores pessoais e ambientais pertinentes (aptidões. pp. Seyfarth. 16(3). sucesso escolar. a utilização combinada de dois tipos de medida melhoram as predições. Para chegar lá. em seguida. outros autores (Jepsen.

Segundo Fouad e Arbona (1994). de ambos os sexos. Mello. Em um estudo longitudinal da relação entre maturidade vocacional e sucesso acadêmico de 111 estudantes de medicina de uma universidade da Califórnia. No que se refere ao estudo de Dykeman (1983). Savickas e Jones (1996) constataram que o grau de maturidade vocacional é um potente preditor de sucesso. 461-473 que a teoria de Super tenha sido elaborada a partir de amostras de homens brancos. exercem uma grande influência sobre os seus desenvolvimentos vocacionais. pp. Tilden. a maturidade vocacional. Balbinotti e Tétreau (2002) asseguraram as qualidades psicométricas para uso no Brasil. Perspectiva Transcultural da Noção de Maturidade Vocacional Super (1957. que. podem influenciar o processo de desenvolvimento de uma carreira. Eles também verificaram que esta variável pode ser mais potente que outras variáveis ligadas ao sucesso escolar. 1979. Ele permite calcular oito escores por meio de quatro escalas e da combinação destas: planificação (25 itens). as experiências únicas ou idiossincráticas de suas existências. com a ajuda de uma amostra de 60 estudantes de nível superior. as atividades nas quais as crianças e os jovens adolescentes se engajam. No mais. a hipótese já verificada com os adolescentes . França. Kenny (1990) encontrou que a maturidade vocacional tem relação significativa com os valores do trabalho e a estrutura familiar. com efeito. conhecimento do grupo ocupacional preferido. também foi objeto de estudos e relações com outras variáveis. Pesquisas Americanas Com o CDI O CDI foi desenvolvido nos Estados Unidos e suas qualidades psicométricas foram verificadas e confirmadas em diversos estudos e com amostras independentes (Dean. Ele estima. exploração e tomada de decisão) são significativamente correlacionadas a eficiência no trabalho. de ambos os sexos.05). Kuhlman-Harrison & Neely. por um lado. eles confirmaram. Uma versão brasileira deste último foi assegurada por Lobato (2001). atitudes em relação à carreira e tomada de decisão (20 itens). salienta-se que os 110 itens do CDI foram concebidos para avaliar os dois componentes gerais da maturidade vocacional: atitude e cognitivo. Landro. Reino Unido e Austrália). 1980. conhecimento do processo de desenvolvimento da carreira. No estudo de McCaffrey. África do Sul. tal qual medida pelo CDI. Caminho feito. Lewis. Entre os estudos pioneiros do contexto socioeconômico e cultural com relação à maturidade vocacional. por outro lado. a qualidade das relações interpessoais de seus contextos social e familiar. exploração (25 itens). quando inspirados na teoria de Super. 1983. 1990). 1973. o Inventário de Desenvolvimento Profissional (IDP). 1973). nos Estados Unidos. informação sobre o mundo do trabalho (40 itens). mede claramente as dimensões correlatas ao conceito de maturidade vocacional de Donald Super. Em um estudo de sua relação com a percepção de barreiras ao avanço ocupacional com 188 colegiais do Texas. ela seria generalizável a outras culturas e populações. 16(3). 1978) e ao Questionário de Educação à Carreira (QEC) (Dupont & Gingras.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 465 de adolescentes e adultos de diversos países (Espanha. 1974. Feito este caminho. A Tabela 2 apresenta um resumo dos coeficientes de consistência interna (Alpha de Cronbach ou Fórmula KR-20) obtidos por diversos instrumentos de medida da maturidade vocacional e da adaptabilidade profissional (nos adultos). Gonzalez (1992) assegurou a tradução e a adaptação na Espanha e. foram elaborados para se poder medir certas dimensões da maturidade vocacional. As pesquisas empíricas repertoriadas neste trabalho sobre as relações da maturidade vocacional com diversas outras variáveis são apresentadas abaixo. Segundo estes autores. os itens medem as preocupações com as tarefas de desenvolvimento da carreira segundo os estados e sub-estados que aparecem na Tabela 1. Refere-se precisamente ao Career Maturity Inventory (CMI) (Crites. 1976. Super & Thompson. a fim de identificar em qual etapa de seu caminho profissional o sujeito se percebe. A primeira delas referese às oportunidades de desenvolvimento que eles facilitam ou dificultam. notadamente a inteligência e o nível socioeconômico. 1977. 2003. Portugal. à procura de modelos ocupacionais e de autoconceitos. Luzzo (1996) concluiu a ausência de relações significativas (p>0. e aí se compreende os fatores culturais e de considerações étnico-raciais (precisamente o segundo modelo de sua teoria). este constatou que três das quatro dimensões do modelo de maturidade vocacional de Super (planificação. Canadá. Quanto ao ACCI. Por outro lado. Países Baixos. 1982. 1990) sempre considerou que os fatores socioeconômicos e ambientais. 1983. Lerner e Schulenberg (1986). e a segunda. Estes e outros instrumentos. que esses fatores podem condicionar este processo de duas formas distintas. é conveniente destacar o trabalho de Vondracek. e escore total de orientação à carreira. do qual Dupont e Marceau (1982) demonstraram as qualidades psicométricas através da ajuda de dados colhidos pela aplicação deste em estudantes do ensino médio canadenses. Miller e Winston (1984). Assim. Westbrook & Mastie. Super & Zelkowitz. Super. mesmo Psicologia: Reflexão e Crítica. diversos estudos foram realizados a fim de verificar se a teoria de Super é realmente válida quando se considera tais fatores. da mesma forma que os papéis que eles têm a oportunidade de observar e de se implicar. Áustria.

como sublinham Fouad e Arbona (1994). A ordem destas progressões permanece. podem diminuir o estabelecimento de seus autoconceitos e. como a menor importância acordada pelos asiáticos no que se refere ao valor do individualismo. 16(3). hispânicos e de tradição indígena. A propósito dos estudos transculturais no interior dos Estados Unidos. 2003. 1985) e na Inglaterra (Ward. aceitável. Dupont & Huter. Bardo e Henry (1992) obtiveram resultados que sugerem que a média das respostas dos afro-americanos de sua amostra era mais baixa que aquela dos caucasianos. Savickas. pode ser interessante notar que Thomason e Winer (1994) corroboraram os resultados de Super (1985a) no sentido que as meninas obtiveram escores de maturidade vocacional mais elevados que aqueles dos meninos. As estruturas fatoriais obtidas através de análises multidimensionais demonstraram a necessidade da retirada de diversos itens para que o instrumento pudesse conservar uma estrutura. asiáticos. africanos. 1995). Na medida que o fato de pertencer mais a um gênero (masculino ou feminino) pode ser concebida em termos de diferenças culturais. podem tornar ainda mais complexas suas progressões através dos diferentes sub-estados de desenvolvimento profissional. 1985). 1987). 1995a. 1990. a partir de duas amostras independentes de adolescentes sul-brasileiros com a ajuda do QEC. Por outro lado. No mais. McCloskey. Dito de outra forma. Stead & Jager. na Suíça (Descombes. 1987. 1988. não parecem ter tido continência no caso do Brasil (Fernandes & Scheeffer. 1977). Ainda. Leong e Brown (1995) e Leong e Hartung (1997) o fazem remarcar comparando a maturidade vocacional de estudantes caucasianos e asiáticos. os resultados obtidos nestes estudos. Entretanto.). Ralph (1986) e Ralph (1987) afirmam que este instrumento foi utilizado em alguns estudos em relação a outros instrumentos a fim de se verificar a validade conceitual. Super. pp. assim como Leong (1993. Desta forma. Frischknecht. Com o ACCI Como no caso do CDI. Osborne. Kelly e Cobb (1991) não encontraram diferenças significativas nos graus de maturidade profissional de adolescentes superdotados de origem africana e caucasiana. Henry. na Austrália (Punch & Sheridan. na Espanha (Moreno. 1983. se fatores culturais. 1989. Ralph & Halpin. Walsh. os resultados destes mesmos estudos confirmam a hipótese de Super. 1992. Ralph (1987) o administrou em 109 sujeitos adultos e seus resultados mostraram que a adaptabilidade profissional está em correlação positiva e significativa com a autoconfiança. precisamente aquela da sucessão ordenada dos estados e das tarefas de desenvolvimento associadas. Mahoney. contudo. 1992. Young (1984) examinou a relação entre as aspirações ocupacionais e a maturidade vocacional de uma amostra de 590 adolescentes de seis escolas rurais. 1995b. 1986. Pesquisas em Outros Países Com o CDI Versões adaptadas e normatizadas deste inventário foram utilizadas com sucesso em outros países. de maneira geral e não necessariamente linear. Smallman e Sowa (1996) examinaram as respostas ao CDI de 125 estudantes (atletas de diversos esportes) de origens culturais diversas: caucasianos. o ACCI foi elaborado nos EUA.) verificaram e confirmaram suas qualidades psicométricas e outros (Halpin. processo evolutivo. 1982). 1990) sublinharam a pertinência de sua utilização no plano prático. Sem dúvida um achado favorável à compreensão multicultural da noção de maturidade enquanto processo de desenvolvimento. No Canadá. na África do Sul (Watson. Whiston. 461-473 . Diversos autores (Halpin. o nível de maturidade vocacional aumenta em função do de estudos. 1991). 1982). em Portugal (Ferreira & Caeiro. Os resultados não apresentaram nenhuma diferença significativa quanto ao fator atitude (planificação e exploração). Outros estudos apresentaram resultados similares. 1979) que. por um lado. os quais foram favoráveis. sujeitos de origem africana geralmente obtêm escores menos elevados de maturidade vocacional que os caucasianos (Fouad & Kelly. Neste sentido. Dados semelhantes a estes foram encontrados no estudo de Balbinotti (2001) e Balbinotti e Tétreau (2002). Scheeffer & Fernandes. Ele Psicologia: Reflexão e Crítica. isto é. Passen & Jarjoura. Entretanto. Ralph & Halpin. Super. no mínimo. Niles e Anderson (1993) buscaram verificar a relação entre o stress e a adaptabilidade profissional utilizando uma amostra de 110 clientes onde 76 eram mulheres. similar entre os dois grupos. Mais recentemente Booth (1994) reexaminou a estrutura fatorial do ACCI lançando mão de equações estruturais (confirmatory factor analisis) e chegou a conclusão que se trata de uma medida também aplicável a pessoas deficientes.466 Marcos Alencar Abaide Balbinotti no estudo do CPS (Jordaan e Heyde. 1981). por outro lado. 1984) e nos Países Baixos (Helbing. Westbrook & Sanford. 1984) onde os resultados não puderam permitir conclusões positivas quanto a sua utilização na população adolescente. seus resultados sugeriram que os homens que manifestavam pouca adaptabilidade profissional experimentavam um nível mais elevado de stress ocupacional. notadamente no Canadá (Dupont & Marceau. os sujeitos de origem caucasiana demonstraram um nível significativamente mais elevado de conhecimento das ocupações preferidas em relação às outras culturas. estes mesmos autores observaram uma diferença significativa entre os superdotados (de qualquer origem) e os “normais”. na Áustria (Seifert & Eder. 1986. Brown & Niles.

aumentando. econômica e escolar. revelando assim uma maior capacidade na execução de compromissos entre a realidade e suas próprias necessidades. quando estes jovens eram comparados aos grupos de adolescentes que tinham escolhido ocupações tradicionais. Conforme sua opinião. 461-473 estruturas social. no Líbano. seis anos mais tarde. de acordo com a sistematização teórica de Super. Desta forma. 16(3). esta diferença seria atribuível a fatores culturais. Ela observou que os estudantes tinham se comprometido muito pouco em suas atividades de planificação e de exploração de uma possível carreira futura. naquele país. na Espanha. Considerando a elaboração de uma estratégia de avaliação de necessidade de educação a carreira de 1022 estudantes canadenses franceses de ambos os sexos e todos do último ano do ensino médio no Quebéc. os israelenses se mostraram mais decididos. de nono e décimo segundo ano escolar. portanto. os estudantes brancos obtiveram escores de maturidade significativamente mais elevados que os estudantes negros. Assim. pp. não aproveitando grande parte das fontes de ajuda e informações que estavam propostas neste instrumento. verificou que os primeiros tiveram escores mais elevados que os segundos. os adolescentes que aspiravam ter sucesso em ocupações inovadoras manifestavam um grau de maturidade significativamente mais elevado. podendo se tirar as mesmas conclusões. Fouad (1988) comparou a maturidade vocacional de 875 estudantes americanos de nível médio. Os resultados demonstraram diferenças significativas entre as duas culturas assim como entre o sexo e o nível de estudos (entre os israelenses). Contudo. manutenção e desengajamento). no México (utilizando entrevistas semiestruturadas em uma pesquisa de caráter qualitativo). Comparando estudantes americanos e árabes. Moracco (1976). 1992a. 2003. com uma amostra de 264 estudantes universitários. Os resultados mostraram que os escores elevados de maturidade vocacional estavam significativamente associados às preocupações quanto ao objeto de escolha de carreira e ao sentimento de confiança de poder realizar seu projeto profissional. os estudantes israelenses obtiveram escores de maturidade vocacional significativamente menos elevados que aqueles obtidos por estudantes americanos. tais variáveis podem constituir um viés importante tanto em termos de medida quanto de interpretação desses resultados. 1995). Com o ACCI Os resultados das análises fatoriais do ACCI ou de suas traduções adaptadas com adultos desempregados ou em formação profissional. estabelecimento. os autores sugerem prudência quanto às possíveis conclusões que podem ser interpretadas a partir destes resultados. 1997) confirmaram a presença dos quatro fatores constitutivos de sua estrutura fatorial da versão original (exploração. os autores sublinham a necessidade de um aprofundamento maior e salientam que os estudantes negros de sua amostra habitavam em um bairro que sofreu muitos problemas de instabilidade política e social. em Portugal (n=881) (Duarte. Gingras (1991) utilizou o QEC. em última análise. Watson e colaboradores (1995) realizaram um estudo na África do Sul. a versão Espanhola do QEC. Gonzalez (1992). Seifert (1991) explorou a relação entre a maturidade vocacional e os comportamentos associados às escolhas vocacionais de 1336 estudantes do 110 e 120 anos de estudos. a sociedade sul-africana em geral. A autora conclui que as tarefas do desenvolvimento de estudantes em diferentes culturas são similares. de acordo com seus estados de vida e.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 467 encontrou que. Bullington e Arbona (1991) corroboram os avanços teóricos de Super observando que estes quatro estudantes estavam implicados nas tarefas exploratórias de planificação e exploração. no Canadá (n=1554) (Dupont. a fim de verificar a relação do gênero e da cultura com a maturidade vocacional. ou ainda com adultos trabalhadores (n=457) na Austrália (Smart & Peterson. Os resultados demonstraram que não existem diferenças significativas entre a maturidade e o gênero. Os índices obtidos a partir de cálculos de consistência interna são também satisfatórios. Os resultados sugerem que estes adolescentes manifestaram pouca maturidade vocacional e que os conselheiros e psicólogos escolares deveriam facilitar as informações vocacionais destes jovens. 1994). De modo geral. Neste estudo. é ainda objeto de muita discriminação tanto na estrutura política quanto nas Psicologia: Reflexão e Crítica. final do ensino médio. Entretanto. 1992b) e na França (n=1414) (Gelpe. o nível desta informação. Contrariamente a este último resultado. O ACCI é um instrumento ainda relativamente novo de sorte que ele ainda não foi extensivamente utilizado pelos práticos. Antes de qualquer interpretação precipitada. nesta amostra. de nono e décimo segundo ano de estudo. Em um outro estudo. quanto a seus projetos de carreira. com 537 estudantes israelenses dos mesmos níveis. Na Áustria. Um outro estudo foi realizado com quatro estudantes de escola média. Entretanto. brancos e pretos. . obteve resultados similares com a ajuda de uma amostra de 2997 adolescentes emparelhados com o CEC. o tempo necessário para atingir o sucesso pode variar segundo a cultura e os inventários de maturidade podem não estar ainda adaptados a estas diferenças. Gingras & Tetreau. Seifert (1985) administrou a versão austríaca do CDI em uma amostra de 641 adolescentes de oitavo e nono anos escolares.

A única exceção seriam os dados obtidos com o CMI. o conceito de maturidade vocacional e sua relação com outras variáveis tais como o sucesso escolar. Esta teoria é estruturada em quatro modelos distintos. se não se trata. essencialmente. pode-se perguntar. Observa-se (ver Tabela 2) também que os coeficientes de consistência interna são muito similares (geralmente elevados ou muito elevados) entre um país e outro. conforme a importância acordada ao trabalho e ao seu papel na vida do indivíduo. Super (1985a. Uma questão que se pode levantar é se o modelo é generalizável a uma ou outra amostra em particular. as aspirações e os interesses profissionais. na maioria de suas versões traduzidas e/ou adaptadas em diversos países. se elas são constituídas de homens ou de mulheres. acesso ao mercado de trabalho eles se estabilizarão também mais rapidamente em um padrão de carreira. Pois. Psicologia: Reflexão e Crítica. diversos autores. explorou-se. IDP. Com este propósito. sistematicamente. Depois desta pesquisa fundamental e pioneira. investiram em várias pesquisas empíricas a fim de explorar. o modelo feno– menológico. uma teoria geral da escolha e do desenvolvimento vocacional. Pode-se supor que as médias das amostras vão provavelmente ser diferentes segundo o nível socioeconômico. Parece importante considerar todos estes aspectos no momento de interpretar os resultados originários dos levantamentos de dados sobre maturidade vocacional. ao menos para os países estudados. no caso de um jovem que se torna policial na idade de 18-19 ou 20 anos. O presente trabalho objetivou não somente a compreensão e a apresentação do conceito de maturidade vocacional. o modelo dos fatores socioeconômicos e ambientais. de sujeitos com mais ou menos idade. em grande parte. mais rapidamente. tendo tido. Por exemplo. as quatro grandes etapas (os megacíclos) no que concerne o ACCI e os dois fatores (atitude e cognitivo) no que concerne o CDI. Considerando as diferenças segundo o pertencimento racial ou étnico. mas conexos: o modelo tradicional. o terceiro modelo que aborda a dinâmica desenvolvimentista do cumprimento de etapas ordenadas e previsíveis durante toda a vida do indivíduo.. QEC. 1996) como a capacidade do indivíduo tomar decisões e assumir os comportamentos característicos de seu estado (ver Tabela 1). Podese então formular a hipótese de que os indivíduos com um nível socioeconômico alto obterão médias significativamente mais elevadas no estado do Estabelecimento. mais geralmente. 16(3). Super engajou-se a sistematizar. os valores do trabalho. 1985b) conduziu um estudo longitudinal. A noção de maturidade vocacional se revela através da passagem deste processo. por Japur (1988) e Japur e Jacquemin (1989). e com relação à real possibilidade ou não de trabalhar. ACCI). diferenças relativamente importantes são observadas segundo as amostras utilizadas. Entretanto. com sujeitos pertencentes a uma maioria branca ou uma minoria visível. isto é. O modelo parece então generalizável a diversas populações que possuem um mínimo de elementos culturais comparáveis aos americanos e. pode-se concluir que a estrutura fatorial destes instrumentos pode ser encontrada. Pode-se pensar. no qual a noção de maturidade vocacional tinha um papel organizacional de destaque. pp. de diferenças de nível socioeconômico e de valores associados a elas. mais especificamente. CMI. mas igualmente sua gestão no plano transcultural. Encontrou-se então. antes de tudo. foram criados (CDI. finalmente. o CPS. por exemplo. por oposição ao caso de um estudante de graduação em psicologia que se pergunta se ele será admitido em estudos de pósgraduação ou se ele deverá remeter em questão sua orientação nesta via e recomeçar a explorar uma outra abordagem diferente da psicologia. o modelo das abordagens desenvolvimentistas e. e planeja fazer carreira nesta profissão na qual ele se estabelecerá relativamente cedo. o processo ordenado de desenvolvimento vocacional seria então. no Brasil. Diversos instrumentos. com sujeitos que habitam em bairros mais ou menos favorecidos. do que aqueles de nível socioeconômico mais baixo. Esta noção foi recentemente definida (Super & cols. Dentro de uma ótica que privilegia a compreensão pormenorizada desta dinâmica de desenvolvimento. ou ainda se eles pertencem a um ou outro grupo étnico. No que se refere às pesquisas trans-culturais com o CDI e o ACCI. generalizável no plano universal.468 Marcos Alencar Abaide Balbinotti Conclusão Depois do início dos anos 1940. sabe-se que os indivíduos desfavorecidos no nível socioeconômico podem valorizar mais dificilmente as gratificações diversas (não em dinheiro) de uma forma diferenciada dos indivíduos de nível socioeconômico mais elevado. ainda no século passado. entre outras. de acordo com o tipo de trabalho e a carreira a que está associada (estabelece-se muito cedo em uma profissão de atleta profissional. concluindo. inspirados a partir da teoria do desenvolvimento vocacional de Super. e relativamente tarde naquela de juiz). 2003. medido pelo ACCI. Assim. notadamente. ao mundo ocidental. de maneira exaustiva. sublinhando as tarefas inerentes ao desenvolvimento vocacional. 461-473 . em diferentes países e/ou culturas.

95 0. .97 0. . . Considerando os Diversos Países Países Canadá Canadá Canadá Estados Unidos Estados Unidos Estados Unidos Estados Unidos França Espanha Portugal Brasil Brasil Brasil Instrumentos QEC IDP IPC CMI CDI CDI-A ACCI IPP CEC ACCI QEC IDP CMI Alpha 0. 2003.61 0.90 0.Cristalização de uma preferência. .67 Psicologia: Reflexão e Crítica. 16(3).71 0.Sub-estado de avanço Manutenção (40-65 anos) .94 0.Sub-estado de adaptação a um novo self e ao processo de aposentadoria Tarefas de desenvolvimento .76 0.Sub-estado de tentativas (pouco engajamento) Estabelecimento (21-45 anos) .81 0.Atualização de uma preferência.93 0.Estabilização em uma profissão.93 0.64 0.Especificação de uma preferência.Consolidação do status e avanço.Sub-estado de tentativa e estabelecimento . .73 0.Manter posição.36 0.66 0. pp.Sub-estado fantasista e de curiosidade . atualizar-se e inovar.83 0.32 – – – – – – – – – – – – – 0.Desaceleração.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super 469 Tabela 1 Relação dos Estados e Sub-estados do Ciclo Vital com as Tarefas de Desenvolvimento Estados e sub-estados Crescimento (0-14 anos) .92 0. .Sub-estado provisório .77 0.91 0.65 0. .Sub-estado de transição .91 0.88 0.Aprendizagem das técnicas gerais de adaptação e de formação de um autoconceito vocacional.Sub-estado de adaptação e preservação do autoconceito Desengajamento (65 anos e mais) .95 0. Tabela 2 Consistência Interna de alguns Instrumentos de Medida da Maturidade Vocacional e da Adaptabilidade Profissional. 461-473 .93 0. planificação da aposentadoria e da vida de aposentado.95 0.Sub-estado do desenvolvimento dos interesses e das aptidões Exploração (14-25 anos) .

Measuring vocational maturity for counseling and evaluation (pp. 257-271. Ginzberg. Buehler. M. Montreal. NY: Columbia University Press. (1984). D. Bullington. 60. 4298. (1997). 101114. Duarte. (2001). International Review of Applied Psychology. (1981). & Halpin. L’Inventaire des préoccupations de carrière. J. P. S. & Tétreau. Fernandes. W. 338-349. 26. Les préoccupations de carrière d’adultes en situation de transition professionnelle: Effets de trois types de déterminants. J.. 45. (1997). Université de Montréal. (1996). J. M. R. R. P. O. assessment and intervention. Balbinotti. Breton. 12. P. M. L’Orientation Scolaire et Professionnelle. (2001b). G. Gingras. Tese de Doutorado não-publicada. A. 30. Farmer. 125176. career salience. Journal of Vocational Behavior. S.I. Espagne. A. Tese de Doutorado não-publicada. A. 141-144. (1964). S. (Orgs. Counseling special groups: Women and ethnic minorities. M. Boston: Houghton Mifflin.). social isolation. C.). (1994). pp. Université de Montréal. 16(3). (1986). Youth in exploration and man emergent. Bruxelles. N. 5. Fouad. Modelo explicativo da cristalização das preferências profissionais (Manuscrito não-publicado. Havighurst. M. 46-56. M. 22. B. Montreal. RS. Bujold. (1972). Montreal. S. Fouad. (1982). 53-66). (1984). M. & Huter. Em H. & Arbona. Factor structure of the Adult Career Concerns Inventory: Validity and reliability. M. Dupont. (1992). (1978). Career maturity inventory. E. Brooks & cols. 49. (1993). Bergeron. Havighurst. Fouad. Canadá. Brown. & Richer. Crites. 38. Dupont. (1989). Correlation of vocational maturity and components of vocational maturity with rated work effectiveness. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e da Personalidade. (1991). Measurement & Evaluation in Counseling & Development. New York: David McKay. Journal of Vocational Behavior. Forrest. (1952). Em D. Ralph. Der menschlich lebenslauf als psychologisches problem [The human life course as a psychological subject]. S. Les intervenciones educativas para el desarollo de la carrera: Analises de las necessidades de desarollo para la carrera de los estudiantes al finalizar la educacion secundária. (1992b). L.. Fukunaga. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Journal of Career Assessment. Booth. Man in a world at work (pp. The Counseling Psychologist. (Material não-publicado) Coallier. A. Balbinotti. Comunicação apresentada na reunião anual da Mid South Educational Research Association. 49-59. Universidad de Oviedo. Technology. A. M. & Herma. B. An exploration of the career development tasks of Mexican American youth. G. Université de Sherbrooke. B. (1995). A shiny fresh minted penny. B. & Tétreau. 115-125. Developmental tascs and education (2a ed. (1994). R.). L. 54(8-B).. J. G. Halpin. W. P. Dissertation Abstracts Internationalsection B: The Sciences & Engineering.). 104. Brooks. N. (1977). & Thompson. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Confirmatory factor analysis of the adult career concerns inventory in vocational rehabilitation clients: Towards a modal of career development for people with disability. M. & Marceau. 32. (1994). Brown. Psicologia: Reflexão e Crítica. International Journal for Educational and Vocational Guidance. N. Work adjustment theory: A critique and suggestions for future research and application. Monterey. (1992). (1983).). Women’s motivation related to mastery. J. Faculdade de Psicologia. Arquivos Brasileiros de Psicologia. C. Centre de recherche sur l’éducation et le travail. Washington. Choix professionnel et développement de carrière: Théories et recherches. L’Éducation à la Carrière : Une Étude Brésilienne de la Validité Transcuturelle du Questionnaire sur l’Éducation à la Carrière.470 Marcos Alencar Abaide Balbinotti Referências Balbinotti. pour adulte. 186-197. C. Dupont. L. Education. International Review of Applied Psychology. Le rôle de l’école et de la société dans le choix d’une carrière chez la jeunesse canadienne. (1989. D. A. (1972). D. and career development. Havighurst. 43. Developmental tasks and education (3a ed. Dissertação de Mestrado nãopublicada. Ferreira. J. J. 1990-1996: Social class. H. and career aspiration: A multivariate model focusing on the effects of sex role socialisation. PQ: Gaëtan Morin. A. XXIV Congrès International de Psychologie. A. Dykeman. Ralph. Sherbrooke: Université de Sherbrooke. CA: CTB/McGraw-Hill. E. Super & Cols.). The career development inventory. A. J. E. Career Development Quarterly. New York. Tese de Doutorado não-publicada. -C. Tese de Doutorado não-publicada. A. J. H. Faculté des Arts et des Sciences. McDonald. Bujold. work. Gingras. L. 159-189. L. 215-236). A French Canadian adaptation of the Adult Career Concerns Inventory (A. New York: David McKay. & Tétreau. an approach to a general theory. Occupational choice. Occupational maturity. Boucherville. 105-112. Construction of the Brazilian Instrument of Vocational Maturity. & Kelly. Gingras. Gelpe.. Quebéc.. & Tétreau. decisionmaking. Halpin. Blau. T. The Career Development Quarterly. M. (1998). Université de Montréal. 97-112. Umemoto. Ottawa: Information Canada. Canada. Career concerns. D. Élaboration d’une stratégie d’évaluation des besoins d’éducation à la carrière chez les finissants du secondaire. (1992). Em D. E. R. S. Le cyberespace et la relation patient-médicin. & Tétreau.. (1951). A. Canadá. (2001a). Frischknecht. 137-156. Sherbrooke.. M. & Wicker. M. (2001).C. B. P. The career development inventory in Portugal: A preliminary study. 4428. Manuel de l’inventaire de Développement Professionnel: Adaptation et normalisation. (1991). (1992a). Quebec. M. C. T.. Little Rock. S. R. Career choice and development (pp. & Halpin. DC: National Vocational Guidance. Qualidades psicométricas da versão brasileira do questionário de motivação à carreira. 19. H. 461-473 . Significado social do conceito e da avaliação da inteligência: Perspectiva histórica e levantamento de opiniões. Bingham. Oviedo. 43. The relationship between attitudinal and behavioral aspects of career maturity. A construct validity study of the career development inventory and the attitude scale of the career maturity inventory. (Orgs. J. A. AR. M.C. (2002). C. Quebec. Borow (Orgs. Porto Alegre. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. L. janeiro). Étude des déterminants de la maturité vocationnelle dans une perspective multidimensionnelle chez des élèves de niveau secondaire. & Caeiro. GE: Hirzel. B. P. 196-202. Annual review: 1991-1993: Vocational choice. (1933). Boucherville. Université de Sherbrooke: Centre de recherche sur l’éducation à la carrière et le travail. & Arbona. (1982). Educational and Vocational Guidance Bulletin. 355-368). Careers in a cultural context. 2003. PQ: Gaëtan Morin. Vers un modèle explicatif de la cristallisation des préférences professionnelles durant l’adolescence. Dissertation Abstracts International. & Gingras. M. The construct of career maturity in the United States and Israel. Université de Montréal) Balbinotti. J.. Annual reiwew. 2. B. G. and retirement bahavior. Dupont. The Career Development Quarterly. The adult career concerns inventory: Validity and reliability. 42(10-A). Dupont. 355-382. and role salience in employed men. L.. Farmer. 80-84. A. A. values. 479-490. 43. Dean. 26. R. Leipzig. (1997). Gonzalez. Axelrad. A. Questionnaire sur l’éducation à la carrière. A. C. Choix professionnel et développement de carrière. J. Fouad. F. N. Descombes. (1988). (Material não-publicado) Balbinotti. G. (1990). D. J. San Francisco: Jossey-Bass. 37-40. J. (1974). Journal of Vocational Behavior. & Scheeffer. Interface. W. M.. C. Journal of Vocational Behavior. Ginsburg. & Gingras. (1994). (1990). 40. A.

and age as correlates of career maturity among graduate nursing students. Programa de Pósgraduação em Psicologia do Desenvolvimento. 1609. 31-38). H. J. Personal & Guidance Journal. Exploring the relationship between the perception of occupational barriers and career development. E. (1992). Moracco. American Psychologist. research. Making vocational choices: A theory of vocational personalities and work environments (2a ed. (2001). Exploring careers with a typology. São Paulo. Holland. Journal of Vocational Behavior. Odessa. The Counseling Psychologist. (1985).. (1996). & Cobb. D.). Interface. (1993). Holland. 22. & Anderson. (1909). J. M. L. 99-112. R. D.. C. Miller. M. Savicks. Klein. Industrial sociology. 196-202. Luzzo. G. S. San Franscisco: Josseuy. 17. Hotchkiss. R. NJ: PrenticeHall. D. 41-45. L’orientation professionnelle. & Sheridan. N.. M. T. & Neely. 61. J. Darrow. M. The Career Development Quarterly. Levinson. F. (1983). A theory of vocational choice. Making vocational choices. M. Career choice and development (3a ed. 1-15. L. H. Levinson. Dissertation Abstracts International. 16(3).). .. H. 2557-2558. M. Vocational maturity. Knopf. F. A profile of the career development characteristics of young gifted adolescents: Examining gender and multicultural differences. (1976). New York: Harper & Brothers. Boston: Allyn and Bacon. (1993). E. 31. Leong. (1990). Vocational maturity of arab and american high school students. P. C. M. Dissertation Abstracts International. 5. 149-153. Revista de Analisis del Comportamiento. A. College senior’s perceptions of parental attachments: The value and stability of family ties. B. T. & McKee. Em D. FL: Psychological Assessment Resources. Universidade de São Paulo. F. B. Dustin. & Heyde. Maturidade vocacional e gênero: Adaptação e uso de instrumentos de avaliação. L. F.Bass. (1996). Englewood Cliffs. The Counseling Psychologist. B. & Brown. and practice (pp. C. 8. Introduction and overview. Leong. H. (1959). (1983). E. W. M. 475-478. Darrow. Manual for the Vocational Preference Inventory. (1980). & Form. & Borow. SP. A. S. B. (1978). L. Sociological perspective on work and career development. (1997). M. P. (1979). 207-215. J. B. Periods in the adult development of men: Age 18 to 45. Ralph. Journal of Career Assessment. Knefelkamp. Crites. Roeper Review. (1973). The effectiveness of career development seminars on African American premedical students: A program evaluation using the Medical Career Development Inventory. (1951). 42. R. & Hartung. T. D. US: Univ. T. Journal of Employment Counseling. McCaffrey. 367-373. (1967). R. (1995b). Dissertation Abstracts International. 202-206. self-concepts and identity. Career development and adjustment: The relation between concerns and stress. 30. L. Japur. R. Mahoney.. Microfilms International. Measurement & Evaluation in Counseling & Development. 41-44. 2003. 49. Tese de Doutorado não-publicada.. 33. 35-45. Career development predicts medical school success. D. Em F. E. (1991). A. Lapointe. Journal of College Student Development. 39-46. H. (1984). B. J. (1984). The career counseling process with racial-ethnic minorities: The case of asian americans. Personality and demographic variables related to career development and career concerns. J. M. Holland. A cognitive-development model of career development: An adaptation of the Perry scheme. Leong. H. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. L. Theoretical issues in cross-culturally career development: Cultural validity and cultural specificity. D. Niles. T. J. S. 43(8-A). 6. Curso de Pós-Graduação/Doutorado em Psicologia Clínica. 397-406. S. 3. Ralph. Parsons. (1992). Handbook of vocational psychology: Theory. H. Holland. 86-98. B. 2788. 51. locus of control. A critical analysis and evaluation of selected psychometric characteristics of the Career Development Inventory (School Form). Mahwah. H. G. The effects of problem solving training on adolescents career exploration and career decision making. Análise psicométrica. T. F. Family Therapy Collections. 47(11-A). Bardo. A. (Material não-publicado) Riverin-Simard. (1995). L. 12. R. A. R. (1995a). & Winston. Em W. J. Auburn University. 183-202. Osipow (Orgs. V. G. Kuhlman-Harrison. 53-58. Lobato. C. 3544-3545. P. Psicologia: Reflexão e Crítica. Journal of Career Development. NJ: Erlbaum. L. (1985). J. 1986. C. Punch. Dissertação de Mestrado não-publicada. Landro. Problèmes d’orientation (Réjean et Jacques Perron) (pp. Mello.. Odessa. C. (1998). International Review of Applied Psychology. (1987). (Orgs. (1988). & Jones. Dissertations Abstracts International. E. Escala de Atitudes (B-1) do Inventário de Maturidade Profissional (CMI): 1. & Weeks. K.. Estudo sobre as qualidades psicométricas do Formulário de Aconselhamento (B-1) da Escala de Atitudes do Career Maturity Inventory (CMI) de J. Quelques facteurs de décision vocationnelle en fonction de l’imminence du choix à faire.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super Helbing. Dissertation Abstract Inventory. & Henry. Porto Alegre. & Slepitza. & Miers. (1986). (1984). P. C. P. L. Henry. (1977). Choosing a vocation. J. Career development and vocational behavior or racial and ethnic minorities. A. K. McCloskey. Walsh & S. 19. Herr. Perron. Brooks & Cols. 297-314. 6. 13. 3983. New York: Teachers College Press. M. F. Evaluation of effectiveness of a vocational orientation intervention program. 335-350. A. Odessa. pp. Career assessment with culturally different clients: Proposing and integrative-sequential conceptual framework for crosscultural career counseling research and practice. 13. 143-180) (2a ed). 21-25. 26-40. Leong (Org. Jordaan. Miller. D. Éducation permanente: Identification des stades du développement de l’adulte. B. N. Jepsen. J. L. Japur. 127-132. T. Boston: Houghton Mifflin. L. (1987). Making vocational choices: A theoy of vocational personalities and work environments (3a ed. Montréal: Corporation de psychologues de la Province du Québec.). Journal of Vocational Behavior. & Fitzgerald. (1985). L. J. (1989). M. 86(8-B). Lewis. F. An investigation of the content and construct validity of the adult career concerns inventory. P. RS. & McKee. S. Osipow. Levinson. (1996). 47(5-A). Mahwah. L. L. Holland. O. 1-89. K. T. Comparison of career maturity among graduates students and undergraduates. J. B. C.. 239-248.). S. Discriminant validity of career development scales in grade 10 students. L. R. 10. (1996). L. 5. & Lear. (1997). Journal of Counseling Psychology. E. (1987). New Jersey: Erlbaum. Psicologia: Teoria e Pesquisa. La complainte de l’internaute. Leong. J. D. 79-87.. Nov. 461-473 471 Leong. 43(11-A). M. 20. FL: Psychological Assessment Resources. L. An investigation of self-concept. B. Educational & Psychological Measurements.) (pp. Journal of Career Development. Journal of Multicultural Counseling & Development. (1976). J. Brown. Mahwah. L. Levinson. & Jacquemin. W. 281-334). Klein. J. Career development and vocational behavior or racial and ethnic minorities. (1976). F. J. Kenny. M. P. (1986). New Jersey: Erlbaum.). New York: Alfred A. An Exploration of the construct validity of a measure of adult vocational maturity. (1982). A validation study of the Career Development Inventory. Holland. Miller. Journal of College Student Personnel. Vocational maturity during the High School years. Family-career linkage. Theories of career development (4a ed. The seasons of a man’s life. 40. (1996).). 25. Some measurement characteristics of the Career Development Inventory. J. The family as an influence on career development. Moreno. FL: Psychological Assessment Resources. Kelly. 6.

E. Career development: Self concept theory (pp. L. Montréal: Saint-Martin. (1985). W. The vocational maturity of 9th grade boys. 14. Schultz. M. San Francisco: Jossey-Bass. Journal of Career development. M. Super. Savickas. E. & Thompson. E. 33.). L. Québec: Les Presses de l’Université Laval. J. L. D. Super. E. E. Vocational development theory. (1976). A theory of vocational development. Exploration des frontières du développement vocationnel. E. 255-270. New York: College Entrance Examination Board. L. Riverin-Simard. L. (1993). Brooks & cols. M. T. (Orgs. (1996). Super. 9. 1-16). Brown. D.472 Marcos Alencar Abaide Balbinotti Super. E. (1963). 82-98. Journal of Vocational Behavior. Thomason. S. 19-21. 8. The career development inventory. Super. (Orgs. (1985). E. C. Em D. The Counseling Psychologist. New York: College Entrance Examination Board. Super & Cols. J. Measurement & Evaluation in Counseling & Development.. 1. Montréal: Saint-Martin. D. 197-261) (2a ed. M. Super. Connat. Seifert. E. 691-710. Riverin-Simard. Career Development Quarterly. life-space. D. Osborne. A. E. San Francisco: Jossey-Bass. & Eder. & Zelkowitz. J. Va. Scheeffer. 282-298. Vocational development in adolescence and early adulthood: Tasks and behavior. J. L. E. G. (1994). H. Vocational maturity in mid-career. E. Vocational development in adolescence and early childhood: Tasks and behavior. Career development in the 80s: Theory and practice. D. E. Riverin-Simard. Evaluation of guidance and counseling in Austria. Journal of Vocational Behavior. Seyfarth.). W. (1990). (1979). (1953). (1951). Hillsdale. (1963a). Revista de Psicologia General y Aplicada. Em D. life-space approach to careers. Le concept du chaos vocationnel: Un pas théorique à l’aube du XXIe siècle? L’orientation Scolaire et Professionnelle. 8. 25. D. D. P. 4. A. A life-time. D. D. Assessment in career guidance: Toward truly developmental counseling. Washington. San Francisco: Jossey-Bass. Super. E. 17-32).. 44. Developmental career assessment and counseling: The C-DAC. San Francisco: Jossey-Bass. (1996c). & Niles. Thompson. (1985). (1973). Passen. Super’s stage and the four -factor structure of the Adult career concerns inventory in an Australian sample. Family satisfaction and job performance: Implications for career development. The psychology of careers. 17. R. Career development: A life-span developmental approach. Shinkman (Orgs. (1996a). (1983). Em D. W. & Kidd. Smart. D. American Psychologist. M. 6-15. 121-178) (3rd ed. 13. A. Zeiitschirft fur Differentielle und Diagnostische Psychologie. E. New York: College Entrance Examination Board. A. project ABLE. (1974). D. two factor measure of adolescent career vocational maturity. D. E. New York: Harper & Row. Vocational Guidance Quarterly. (1977). Career Development: Choice and adjustment. D. Analysis of scores on the CDI. D. 57. J. 185-190. D. Montross & C. 61 .. V. J. New York: Wiley. (Orgs. Journal of Counseling Psychology. D. D.). (1996). Brooks & cols. (Orgs. Sverko.). R. 245-267. (1985b). (1984). 151-163. Vondracek. 16(3). 284-296. Seifert. E. (1956). Vocational maturation in the third decade of life: Definitions and measuring the confrontation of the tasks of professional development in the middle of the individual’s career. Super D. R. (1986). . values and careers: International findings of the work importance study. 121-127. Super. & Jarjoura. Ullery. 281-310). SainteFoy. 37.). & Super. Tiedeman. 294-302. Super. Em D. D. (Orgs. 36. S. D. New York: Harper & Row. (Orgs. Testing of the guidance program. & Overstreet. R. Psicologia: Reflexão e Crítica. 271-297. Em D. R. Measures of career development and career choice behavior. Brown. (1970). D. 14. S. E. Super. 29 . 461-473 Riverin-Simard. Super. Applied Psychology: An International Review. Schenk. E. Career choice and development (pp. Brown. (1957). Super. L. The influence of a Career group experience on the vocational maturity of college students. CA: Consulting Psychologists Press. (1984). J. 2003. Charleston. New York: Teachers College Press. Sainte-Foy. Pittsburgh. American Psychologist. 25. Roe. Roe. (1960). D. Brooks & cols. Personal and Guidence Journal. Brown. 1. Em J. (1985a). Savickas. Lerner. 21.). D. D. (1973). Vocational development theory in twenty years. (1963b). (1969). 43-52. Journal of Vocational Behavior. The dynamics of vocational adjustment. L. Super. Vocational adjustment: Implementing a self-concept. Super. L. Super. 26. Journal of Counseling and Development.). 12. (1988). 40. 555-562. F. Riverin-Simard. The psychology of occupations. Super. Sainte-Foy. & O’Brien. Em Appalachia Educational lab. L. & O’Hara. D. G. K. 6. The career development inventory: The German adaptation. C. K. D. Tilden. C. 270-278. P. (1992). employer based career education. & Winer. L’adulte au travail : Les variations de sa trajectoire. DC: American Personnel and Guidance. D. E. V. Career development: Self concept theory (pp. S.). & Lindeman. Personality development and career choice. Career choice and development: Applying contemporary theories to practice. 1. (1991). Vocational maturity in adulthood: Toward turning a model into a measure. Early determinants of vocational choice. (1942). Perspectives on vocational development. D. R. J. S. E. (1990).. 7-32. L. Québec : Les Presses de l’Université Laval. L’orientation Professionnelle. D. Adult Concerns Inventory: Manual for research and exploratory use in counseling. R. Life roles. Smallman. Super. K. The life-span. (1963c). Developement vocatinnel de l’adulte. B. D. & Schulenberg. Etapes de vie au travail. Career concern and coping as indicators of adult vocational development. Career choice and development (pp. 33-47. 467-487. Career maturity levels of male intercollegiate varsity athletes. 8. D. (1996b). W. Super. E. J. D. British Journal of Guidance & Counselling.). E. 31-54) (2a ed). Toward making self-concept theory operational. (1979). E. (1984). Teachers College Record.. E. Coming of age in Middletown: Careers in the making. Whiteley & A. L. 212-217. H. Palo Alto. Is there a monotonic criterion for measures of vocational maturity in college students? Journal of Vocational Behavior. Riverin-Simard. Québec : Les Presses de l’Université Laval. Riverin-Simard. 2-30. 74-80. PA: American Institutes for Research. (Orgs. Factorial validity of the Brazilian Vocational Maturity Inventory. Travail et personnalité. IL: Charles C. Super. 71. Brooks & cols. (1957). 28. 79-95). (1980).). D. 30. D. Springfield. Transitions professionnelles: Choixet stratégies. 405-414.). E. & Lunneborg. approach to career development. C. Em D. (1981). E. & Super. D. E. 88-92. Roe. D. A. Em Super & Cols. Arquivos Brasileiros de Psicologia. Riverin-Simard. J. A six-scale. E. M. D. J.. New York: College Entrance Examination Board. E. Tiedeman. A. H. San Francisco: Jossey -Bass. & Sowa. Super. pp. E. D. Resnikoff (Orgs. (1979). 37-50. International Journal for the Advancement of Counseling. Brown. H. Super. A. San Francisco: Jossey-Bass. & Henderson. Em D. 23-35. & Fernandes. Thomas. & Peterson. (1990). Walsh. life-space approach to career development. Journal of Vocational Behavior. & Miller-Tiedeman. M. Career and life development. Occupations.). Journal of Career Development. (1995). Vocational Guidance Quarterly. Super. F. H. D. E.. The life-span. M. C. Brooks & cols. 65-77. (1998). (1972). (1988). L’orientation Professionnelle. Career development: Self concept theory (pp. Super. (1984). Career choice and development (pp. Career decision making: An individualistic perspective. (Orgs. C. A. J. A developmental theory: Implementing a self-concept.. Seifert. Technical report no. (1994). P. Roles clés dans la révolution du travail. Super. D. Career choice and development: applying contemporary theories to practice (pp. B. 40. Career maturity and familial independence among college freshmen. Super. K. Carrières et classes sociales. The dimensions and measurement of vocational maturity. E. (1955). Em D. Super & Cols. 243-257. (1981). 55-74. Brown. NJ: Erlbaum. Super.

W. É Professor e Pesquisador da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Psicologia: Reflexão e Crítica. pp. 6. A. 461-473 . A. W. P. 485-492. E. 8-16. Recebido: 02/08/2002 1ª Revisão: 10/12/2002 Última Revisão: 11/03/2003 Aceite Final: 17/03/2003 Sobre o autor Marcos Alencar Abaide Balbinotti é Ph. R. M. G. Whiston. 69. (1982). C. R. C. Sex Roles. 98141. The Career Development Quarterly. Measurement & Evaluation in Guidance. Journal of Vocational Behavior. Westbrook. (1984). 185-194. Young. reciprocal work/non-work interaction. The career development of black and white South African university students. 16(3). 78-80. & Sanford. & Subich. M. 109-163. International Journal for the Advanced of Counseling. Evaluation in the Career Concerns Inventory. & De Jager. British Journal of Guidance & Counseling. R. The Career Development Quarterly. 39-47. C. 48. B. 2003. (1995). Three measures of Vocational maturity: a beginning to know about. & Mastie. (1999). 1992-1994: Career development. Annual review: Practice and research in career counseling and development . (1991). An assessment of the psychometric adequacy of the British adaptation of the Career Development Inventory. E. and woman’s workforce participation. Journal of Counseling & Development. 199-208. 18. Stead. 10. Annual review.. em Psicologia (Psicologia Geral) pela Université de Montreal. A. 39. B.A Noção Transcultural de Maturidade Vocacional na Teoria de Donald Super Watkins. Vocational choice and values in adolescent women. E. 10. 473 Young. & Chen.1998. B. C. B. (1990). (1973). M. M.D. (1995). 47. L. S. The validity of career maturity attitude measures among black and white high school students. Westbrook. Watson. Ward.