PROCESSO PENAL 6ª Aula – 18/03/2013 Prof.

Ivan Jezler

Considerações Iniciais: - Lei 12.403/2011; - Um dos méritos desta lei foi trazer preceitos que estejam só na CF/88, que são as garantias como Princípio da Razoabilidade, Proporcionalidade e Princípio da Presunção de Não Culpabilidade (Estado de Inocência); - Esta lei teve o mérito a luz deste dois princípios de trazer medidas alternativas à prisão cautelar, o que está previsto no Art. 282, I e II do CPP (consagração do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade ) e o Art. 283 CPP (consagra a presunção de inocência); - A prisão cautelar hoje é a última ratio; a prisão cautelar é uma medida subsidiária, uma medida excepcional; - Até a sentença penal condenatória, ninguém pode ser considerado culpado, conforme o Art.5º, LVII da CF. - Prisão em flagrante = Art. 302 CPP; - Prisão Temporária = Lei 7960/89; - Prisão Preventiva = Arts. 311, 312 e 313 CPP; - A prisão provisória, antes da sentença transitada em julgado, só cabe mediante flagrante delito ou com ordem judicial fundamentada; - Revogada foi a hipótese de prisão administrativa sem determinação judicial; - Art. 283 CPP, veda expressamente a execução antecipada da pena;

Súmula Vinculante nº 11: - Presunção de Inocência; - É uma medida excepcional, cabe somente se for indispensável e extremamente necessária; - Essa súmula vale para a prisão em flagrante, temporária e preventiva; mas somente se for excepcional, indispensável e fundamentada; - É caso de nulidade da prisão e do ato processual caso a utilização seja desnecessária;
www.cursocejus.com.br

. tem natureza cautelar. em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. sem necessidade de ordem judicial. penal e civil. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou. 302 CPP.NÃO se fala em prisão pena antes do fechamento integral das vias recursais. .NÃO se admite prisão em flagrante por apresentação.1.cursocejus. Art.Natureza jurídica: cautelar. (Alterado pela L-012. . . conforme o Art. §3º CPP. se a situação fática sofrer um enquadramento em um dos incisos do Art. processual. porque NÃO exige ordem do juiz competente. as partes nos debates não poderão fazer alusão ao uso das amarras. I CPP. 474.A prisão em flagrante nasce sem a reserva de natureza cautelar. . .Há responsabilidade tríplice..Existem doutrinadores que classificam a prisão em flagrante como pré-processual. . 478. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. o que NÃO impede a decretação de outra prisão cautelar.Art. Art.Toda e qualquer prisão antes do transito em julgado da sentença penal condenatória.ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. . responsabilidade administrativa.br .Se for caso de necessidade da utilização das algemas no Tribunal do Júri. LXI da CF . www.403-2011) § 1º As medidas cautelares previstas neste Título não se aplicam à infração a que não for isolada. definidos em lei.Art. 5º. 283 CPP vetou expressamente a execução antecipada da pena. . no curso da investigação ou do processo. 1. .Não existe prisão em flagrante por apresentação. Espécies de Prisão Cautelar: . também é proibido o uso das algemas. cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa de liberdade.com. 1.No tribunal do júri. respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio. 5º. Art.Uma prisão em flagrante APENAS será materialmente válida.403-2011) § 2º A prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora. Prisão em Flagrante . (Acrescentado pela L012. LXI da CF/88. 283.

Considera-se em flagrante delito quem: I . em situação que faça presumir ser autor da infração.1.Parte da doutrina afirma. 301 . que NÃO se admite a prisão em flagrante por apresentação quando inexistirem as hipóteses de cabimento do Art. Hipóteses de Flagrante: a) Facultativo: diz respeito ao sujeito ativo da prisão.. significa a própria certeza virtual do delito. Art.está cometendo a infração penal. também se enquadra o cabimento do flagrante nos crimes habituais (reinteração na prática criminosa. Art. logo após.1.cursocejus. Art. facultativo quando for efetivada por qualquer pessoa (inclusive o particular). III .é perseguido. 303 do CPP (crimes permanentes). 301 CPP. www. 302 CPP. curandeirismo). Art.com. b) Obrigatório: diz respeito ao sujeito ativo da prisão. Art. II . aqui se enquadra a hipótese de flagrante do Art. posição minoritária. e revelar a reinteração na prática delituosa. c) Próprio ou Propriamente Dito: Incisos I e II do Art. Os Tribunais admitem a prisão em flagrante nos crimes habituais. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. o sujeito ainda está na cena do delito. entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência.Nas infrações permanentes.Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. onde o sujeito está cometendo ou acabou de cometer a infração penal. 303 . 302 . 301 .br .está cometendo a infração penal. 301 CPP. Art. com base no suporte probatório que pode ser colhido.Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. 302 . pela autoridade. com instrumentos. reinteração nos atos criminosos / ex: exercício ilegal de profissão. logo depois. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. armas. Art.acaba de cometê-la. II .é encontrado. 1. 302 CPP.Considera-se em flagrante delito quem: I .acaba de cometê-la. IV . somente pelo preposto policial.

h) Preparado: esse flagrante é INVÁLIDO.Considera-se em flagrante delito quem: IV . for perseguindo-o sem interrupção. § 1º . com instrumentos. Art. passar ao território de outro município ou comarca. poderão pôr em custódia o réu. no flagrante preparado mais do que propiciar o relaxamento da prisão. em tal ou qual direção.é encontrado.com. logo após. em situação que faça presumir ser autor da infração. Súmula 145 STF. f) Esperado: esse flagrante é VÁLIDO. apresentando-o imediatamente à autoridade local.br . o sujeito é encontrado com documentos. em uma situação em que faça presumir ser o sujeito o autor do crime. existe uma instigação policial para a prática criminosa. a perseguição tem que ser ininterrupta (não pode ser interrompida / entendimento de Nestor Távola). logo depois. providenciará para a remoção do preso. há pouco tempo. se for o caso. depois de lavrado. Art. segundo entendimento doutrinário majoritário e também segundo o STF e STJ. quando: a) tendo-o avistado.Se o réu. 302 . arma. 302 . pela autoridade.cursocejus. § 2º . o encontro é fortuito. por indícios ou informações fidedignas.Considera-se em flagrante delito quem: III .Entender-se-á que o executor vai em perseguição do réu. o executor poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar. algum objeto que faça presumir ser ele o sujeito ativo do crime. a policial induz o sujeito a praticar o delito. a doutrina entende que é uma hipótese de crime de ensaio. o STF entende que é uma hipótese de crime impossível. 290 CPP. embora depois o tenha perdido de vista. armas. pelo lugar em que o procure.d) Impróprio: nesse flagrante existe uma perseguição. a instigação feita por www. que o réu tenha passado. até que fique esclarecida a dúvida. Art.Quando as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade da pessoa do executor ou da legalidade do mandado que apresentar. a preparação pelos prepostos policiais impede a consumação do crime. perseguição logo após a prática do crime. for no seu encalço. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. o auto de flagrante. e) Presumido: nesse flagrante o sujeito é encontrado. g) Forjado: esse flagrante é INVÁLIDO. que. uma atividade persecutória.é perseguido. o encontro aqui é logo depois da prática do ato criminoso. papeis. b) sabendo. 290 . Art. sendo perseguido. logo após = imediato. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.

sua assinatura. ouvirá esta o condutor e colherá. e vista ao MP. 53 da Lei 11.343/06 e na Lei 9.343/06. quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. 53 da Lei 11. www. Art.Anexo ao Regimento Interno.com.Preparação do Flagrante pela Polícia que Torna a Consumação Impossível Não há crime. nessa hipótese o flagrante diferido vai exigir reserva de jurisdição.§ único do Art.Somente pode ser executado por prepostos de policia. perpetuam um flagrante.um policial ou particular (a doutrina entende que o particular pode instigar) propicia o encerramento da persecução penal (arquivamento. para desaparelhar todo o bando e produzir um maior número de provas. 304 CPP. No caso de organização criminosa NÃO precisa de ordem judicial. STF Súmula nº 145 .Súmula da Jurisprudência Predominante do Supremo Tribunal Federal . 82.06/12/1963 . i) Diferido: também chamado de flagrante postergado ou ação policial controlada.br . a autorização será concedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores. são permitidos. mas produzir um maior manancial probatório. ordem fundamentada da autoridade judiciária competente. 304 . mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público. Exceção: . Existência do Crime . Lavratura do Auto de Prisão em Flagrante: .Art. rejeição da denuncia ou absolvição). Na hipótese do inciso II deste artigo. . Edição: Imprensa Nacional.Apresentado o preso à autoridade competente.034/95. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei. Art.343/06.2. mediante uma analise meritória. a finalidade aqui não é apenas prender. desde logo. esse flagrante é LEGAL e VÁLIDO.cursocejus. 1964. OBS: Pode cair na peça cautelar! 1. além dos previstos em lei. ou seja. os seguintes procedimentos investigatórios: Parágrafo único. No flagrante diferido os policiais protelam a situação flagrancial. Art. 53 da Lei 11. só cabe nos casos de tráfico de drogas e organização criminosa. entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita.1. Em seguida. p.

Nos crimes de menor potencial ofensivo que não prescrevem pena privativa de liberdade.455. após cada oitiva suas respectivas assinaturas. . não souber ou não puder fazê-lo.403-2011) .5. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado. . §1º CPP. lavrando. não se imporá prisão em flagrante. mesmo ele não sendo conduzido ao JECRIM e não assinar o termo de compromisso. por que o Art.cursocejus. § 2º .113-2005) § 1º . domicílio ou local de convivência com a vítima. que tenham ouvido sua leitura na presença deste.Quando o acusado se recusar a assinar. afinal. § 3º . Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.Se houver a previsão de pena privativa de liberdade.A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante. no curso da investigação ou do processo. (Redação dada pela Lei nº 10.403-2011) § 1º As medidas cautelares previstas neste Título não se aplicam à infração a que não for isolada. em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. mas. em hipótese alguma será imposta a prisão em flagrante. o APF não poderá ser lavrado. o juiz poderá determinar. for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer. contra os delitos praticados em sua www. . de 13. a autoridade. deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade.com. seu afastamento do lar. 69. após a lavratura do termo. com o condutor.Não é apenas o delegado que tem a atribuição para a lavratura do APF. enviará os autos à autoridade que o seja.colhendo.113-2005) . exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança. Parágrafo único.Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido. . o auto.br .Se o crime não prescreve em uma pena privativa de liberdade. providenciandose as requisições dos exames periciais necessários. 307 CPP também integrou tal função ao Juiz. cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa de liberdade.2002)) Art.Art. aí sim poderá ser lavrado o APF. como medida de cautela. . em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou. se para isso for competente. § único da Lei 9. (Alterado pela L-011. (Alterado pela L-012. vale a regra geral do Art. o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas. 283. 69 da Lei 9.099/95. nesse caso. se não o for.Principio da Homogeneidade das cautelares. (Acrescentado pela L-012. Art. 283 CPP. 69 da Lei 9099/95. nem se exigirá fiança. . a autoridade mandará recolhê-lo à prisão. e prosseguirá nos atos do inquérito ou processo. Em caso de violência doméstica.Se o sujeito se recusar a assinar o termo de compromisso e não for conduzido imediatamente ao JECRIM.099/95. Ao autor do fato que. Art.A lavratura do auto é mais uma etapa da prisão em flagrante. que o APF será substituído por uma condução imediata ao JECRIM ou substituído por um termo de compromisso. (Alterado pela L-011. com o autor do fato e a vítima.

ser possível um relaxamento de prisão efetivado pelo próprio delegado. a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito. p. c) Lavratura do APF. e assinar o APF. b) Condução à autoridade policial. pelo delegado. p.Compreensão Regimental . nos crimes que tenha como pena máxima igual ou inferior a 04 anos.O mesmo poder de policia é entregue ao Presidente da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. DJ de 12/5/1964. deverá ser inquirido pelo delegado. por fim tem que ser interrogado o www. 1239. assinem o APF. d) Se for o caso. p.Quando o fato for praticado em presença da autoridade. DJ de 11/5/1964. ou que policiais também sejam testemunhas). Súmula 397 STF.Crime Cometido nas Suas Dependências . sendo tudo assinado pela autoridade. o recolhimento ao cárcere. se possível. as declarações que fizer o preso e os depoimentos das testemunhas. 307 .O sujeito que conduzir o individuo que praticou a infração penal. 1279. 1255. nos crimes praticados em suas dependências. compreende. Etapas da prisão: a) Arrebatamento do delinquente. a voz de prisão. OBS: Nestor Távola afirma.Prisão em Flagrante do Acusado e a Realização do Inquérito O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. ouvir também o ofendido. Poder de Polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal .Uma das etapas da prisão em flagrante é a lavratura do auto de prisão em flagrante. . se admite que duas testemunhas que tenham presenciado a apresentação do preso. se não for concedida a liberdade provisória com fiança. constarão do auto a narração deste fato.com. no exercício de suas funções. .cursocejus. STF Súmula nº 397 . serão inquiridas testemunhas (pelo menos 02 testemunhas / nada impede que o próprio condutor sirva como uma das testemunhas. pelo preso e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a quem couber tomar conhecimento do fato delituoso.presença ou nos casos de sujeição passivo do próprio magistrado. quando após a colheita das declarações. entender que a última etapa da prisão não pode se concretizar. consoante o regimento.03/04/1964 . Art. . se não houverem testemunhas do fato. em caso de crime cometido nas suas dependências. o delegado verificar.DJ de 8/5/1964. ou contra esta. se não o for a autoridade que houver presidido o auto.br .

nota de culpa não é confissão.ouvir o indiciado.5º. além de consagrar o direito ao silêncio. “Nemo Tenetur se Detegere”. LXIII da CF. 5º. 6º do CPP . o constituinte garantiu a assistência de advogado ao imputado preso. LXIII da CF/88 c/c Art.cursocejus. o direito ao silencio é consignado a todo e qualquer indivíduo que passa a ser destinatário da investigação criminal. deve ser entregue a nota de culpa ao preso (custodiado). 2. www. do disposto no Capítulo III do Título VII. conforme o Art.Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal. . V do CPP c/c Art. “g” do Pacto de São José da Costa Rica (direito ao silencio e o direito a não auto incriminação). .com. dando conhecimento dos motivos da prisão e dos responsáveis por tal custódia. deste Livro.imputado. 6º.br . no que for aplicável. e um deles servirá como nota culpa ao preso. 8.Na prisão temporária serão expedidos dois mandados prisionais. devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas) testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura.Art.Em um prazo máximo de 24 horas. Art. com observância. . a autoridade policial deverá: V .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful