ALBA ANDRADE

TERCEIRO SETOR
1ª edição

Universidade Braz Cubas - UBC
Mogi das Cruzes 2013

Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233 - Mogilar CEP 08773-380 - Mogi das Cruzes - SP

Reitor:

Prof. Maurício Chermann

DIRETORIA DE UNIDADES EDUCACIONAIS
Coordenação Geral Acadêmica - EaD: Assessoria Administrativa:

Prof.ª Dra. Mara Yáskara Paiva Cardoso Adriane Aparecida Carvalho Diego de Castro Alvim

Coordenação de Produção: Re v is ã o de Te x t os :

Adrielly Rodrigues, Taciana da Paz Michelle Carrete

Edição de Arte: Diagramação:

Amanda Holanda, Vanessa Lopes Noel Oliveira Gonçalves Grupo VLS

Ilustração:

Impressão:

1ª edição 2013 O autor dos textos presentes neste material didático assume total responsabilidade sobre os conteúdos e originalidade. Proibida a reprodução total e/ou parcial. © Copyright UBC 2013

Prof.ª Alba Andrade1*

* Doutoranda em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, mestra em Serviço Social e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (2012), especialista em Gestão e Planejamento de Políticas Públicas pelo Centro Universitário do Norte (2009), graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas (2006).

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SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO
UNIDADE I

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TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS, ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS
1.1  A ORIGEM DO TERCEIRO SETOR NA SOCIEDADE CAPITALISTA: ASPECTOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS 13 11

1.2  AS CONFIGURAÇÕES DA QUESTÃO SOCIAL NA CRISE DO CAPITAL 19 1.3  A QUESTÃO IDEOLÓGICA PRESENTE NO TERCEIRO SETOR 1.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE I 23 28

UNIDADE II

O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES
2.1  A IDENTIDADE DO TERCEIRO SETOR NA AMÉRICA LATINA 2.2  A TERCEIRIZAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS 2.3  AS DIFERENTES ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 2.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE II

31 33 39 43 47

UNIDADE III

O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES
3.1  A PRESENÇA DO TERCEIRO SETOR NAS POLÍTICAS PÚBLICAS 53 56

3.2  O TERCEIRO SETOR E AS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 5 59
SUMÁRIO

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3.3  AS POSSIBILIDADES DE PARTICIPAÇÃO DO TERCEIRO SETOR 3.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE III

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UNIDADE IV

A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR
4.1  AS RELAÇÕES DE TRABALHO NO TERCEIRO SETOR 4.2  O TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR 4.3  A PRÁTICA PROFISSIONA NAS ENTIDADES ASSISTENCIAIS 4.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE IV 73 74 77 86 92

REFERÊNCIAS

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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO
Caro aluno (a), É grande a satisfação em poder compartilhar com você a disciplina Terceiro Setor. Ela objetiva apresentar os aspectos políticos, econômicos e ideológicos do Terceiro Setor, bem como as diferentes instituições presentes nele no contexto da América Latina e Brasil. Esta disciplina será trabalhada para que você compreenda o processo sóciohistórico em que emerge o Terceiro Setor e como se desenvolve a prática do Serviço Social neste campo. O conteúdo da disciplina está organizado para sua melhor compreensão e aprendizado. Neste primeiro momento é importante que note as relações políticas, econômicas e ideológicas que são presentes no Terceiro Setor e organize um pensamento crítico e reflexivo. Para que possamos trabalhar o conteúdo desta disciplina de forma dinâmica, interativa e completa, nosso material de estudos está dividido em LIVRO DIDÁTICO, TELEAULAS e AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem. Esses materiais são complementares e possuem igual relevância para seus estudos. É importante que em cada unidade você leia, assista e participe do que está proposto. Assim, a compreensão ocorrerá de forma completa e em caso de dúvidas você poderá interagir comigo e com o grupo por meio do Fórum. Como parte da aprendizagem, você deve realizar as atividades no AVA, os exercícios do livro e a dinâmica presencial no polo. Todo material é preparado com o objetivo de atender as suas expectativas e melhor atingir os objetivos da disciplina e por fim os do curso. Você está pronto para começar?

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APRESENTAÇÃO

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INTRODUÇÃO Inicialmente. podemos compreender a sua dinâmica de desenvolvimento no Brasil e América Latina. Assim. Vamos percorrer este caminho! 9 INTRODUÇÃO 9 . em que observamos a intervenção do Terceiro Setor nas expressões da questão social. Você deve ter clareza que é um tema de grande relevância para sua formação acadêmica. bem como os desafios e as perspectivas do trabalho profissional do Serviço Social nesse campo. De tal modo. Aborademos a prática profissional no Terceiro Setor dando ênfase a sua especificidade na intervenção junto à Política Nacional de Assistência Social brasileira. na medida em que o Estado reduz sua intervenção social sob o pretexto das influências econômicas e políticas internacionais. econômicos e ideológicos. pois. social. econômico e cultural que o Serviço Social está inserido. os temas estão relacionados com o processo sócio-histórico da sociedade capitalista. na disciplina Terceiro Setor o conteúdo andará de forma progressiva e continuada. que possibilitará sua reflexão criticamente sobre o contexto histórico. Nesse sentido. destacando seus aspectos políticos. político. vamos apresentar a você o Terceiro Setor enquanto problema teórico-prático. é possível perceber a demanda para os profissionais nessa política e o espaço que ela tem dado para firmar parcerias com o Terceiro Setor. Acompanhe os seus estudos na ordem das unidades. pois elas estão inter-relacionadas. Em seguida você poderá entender sobre as estratégias da filantropia empresarial e das organizações sociais enquanto prática do Terceiro Setor.

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• Apresentar as configurações da questão social e a origem do Terceiro Setor na sociedade capitalista. HAB IL IDADES E C O MP E T Ê N C IA S • Compreensão dos aspectos políticos. UNIDADE I . seus aspectos políticos. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS OB JET IVOS DA UN ID A D E • Relacionar o Terceiro Setor enquanto problema teórico-prático. • Conhecimento das expressões da questão social e a origem do Terceiro Setor na sociedade capitalista. econômicos e ideológicos do Terceiro Setor. econômicos e ideológicos. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 11 11 .TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS.1 UNIDADE I TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS.

12 UNIDADE I . 2010). na medida em que presta serviço ao capital e à ofensiva neoliberal (MONTAÑO. ratificando a dependência da população sobre essas ações. sejam contra a fome e a miséria ou outras formas. Por outro lado. Além de ser um campo de intervenção profissional.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS.espacoacademico. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . não desaparecem.htm>. no debate que envolve o terceiro setor são buscadas respostas para as expressões da questão social. C ONHEÇ A MAIS Para entender mais sobre o que é o neoliberalismo. pois. É importante ter clareza que o conceito e o debate sobre o terceiro setor é contraditório. as causas essenciais da fome e da miséria. expressando diversos interesses. Assim. como as relações desiguais de acesso às riquezas e exploração de sua força de trabalho. fragmentando as lutas de classes.br/006/06joao. bem como nas respostas dadas à questão social nos últimos trinta anos na sociedade capitalista. imediatistas e assistenciais. Desse modo. a médio e longo prazo. Por isso. A adoção desse conceito faz desaparecer a percepção de uma sociedade que vive em classses sociais.Caro aluno. desconfigurando a histórica luta de classes em que a classe trabalhadora vem enfrentando ainda hoje. as expressões da questão social. leia o texto: “Neoliberalismo: lógica do irracionalismo – Ensaio sociológico sobre o neoliberalismo” do autor João dos Santos Filho. esse processo vem influenciando o serviço social. são emergenciais. as quais respondem em curto prazo às necessidades da população. é um conceito ideológico que encobre as reais intenções da hegemonia capitalista e desarticula as lutas de classe presentes na sociedade civil. no sentido de fortalecer as práticas neoliberais de reestruturação do capital.com. é importante entender que as reais motivações das mobilizações da sociedade nas diversas ações. Disponível em: <http://www. que são elevadas mediante as estratégias neoliberais do capital. envolve um processo ideológico inserido na reforma neoliberal do Estado e nas relações capital/trabalho. o estudo do Terceiro Setor é de profunda relevância ao Serviço Social.

ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 13 13 .É importante que compreenda que essas ações acabam anulando o processo democratizador. pois.youtube. uma vez que as conquistas sociais garantidas pelo Estado são esquecidas nesse âmbito. onde este termo passou a dar significado a um conjunto de iniciativas e ações presentes na sociedade civil. A ORIGEM DO TERCEIRO SETOR NA SOCIEDADE CAPITALISTA: ASPECTOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS 1. você deve entender que se trata de um conceito e. Para que você perceba melhor esse processo a partir de um olhar mais crítico. para que seja possível apresentar a questão ideológica que está presente no terceiro setor. com José Paulo Netto. consequentemente associando esse conceito ao terceiro setor. através do link: <http://www. As recentes formas de utilização desse conceito tendem a distorcê-lo. buscam associar ao não governamental e participação em causas coletivas na sociedade. as configurações da questão social na crise do capital. iniciaremos com o processo histórico que fundamentou a emergência do terceiro setor na sociedade capitalista. Na América Latina é mais abrangente utilizar o termo sociedade civil para designar variadas formas de organização da sociedade. é importante compreender como se dissemina no âmbito da sociedade capitalista. é nesse contexto que são substituídas as lutas de classe pelas atividades das ONGs e das fundações. Sendo assim. Desenvolvimentismo e Barbárie”. mesmo que respaldadas no contexto das lutas pela democratização.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. como tal. principalmente no Brasil. OUT R AS MÍD IA S Assista ao vídeo “Capitalismo. em seguida.com/ watch?v=Fe4W1D0Qk8g>. UNIDADE I .1  Quando se faz referência ao terceiro setor. Esse conceito está relacionado com as lutas contra o autoritarismo e tem como principal teórico o marxista Antonio Gramsci.

O terceiro setor abrange experiências de trabalho voluntário.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. Esse processo decorre da reestruturção das estratégias do capitalismo frente à doutrina neoliberal. Outra característica a ser evidenciada é que o terceiro setor possui caráter autônomo. Também pode ser entendido como um espaço de participação e experimentação de novos modos de pensar e agir sobre a realidade social. filantrópicas e voluntárias. Outro ponto a ser considerado é a filantropia empresarial. por meio de doações de tempo. sendo assim podem ser inclusas: instituições filantrópicas que prestam serviços de saúde. Entenda que é um espaço que não é Estado e nem mercado. 13). em que as empresas executam ações de responsabilidade social. que são caracterizadas como privadas. mercado e sociedade civil. é possível perceber que o terceiro setor integra a lógica de reestruturação do capitalismo como forma de atender às exigências gerais e complementares do capitalismo neoliberal. porém privado. Por isso. trabalho. Outro ponto que você deve considerar é que se trata do surgimento de uma esfera pública não estatal e de iniciativas privadas de sentido público. É marcado por uma infinidade de atores e organizações sociais. educação. mas suas ações visam o interesse público. motivados por causas sociais. assistenciais e organizações de defesas de direitos a grupos específicos. existe uma relação entre os três setores: Estado. Conforme assinala Coutinho (2011. a diferenciação de serem públicas e não visarem à lucratividade como é pertinente às atividades do mercado. o mercado é o segundo setor e que o terceiro setor é público. As ações evidentes no terceiro setor são basicamente sem fins lucrativos. não se submetendo à lógica do mercado ou à lógica governamental. com caráter solidário. Então. 14 UNIDADE I .Alguns autores vão designar que o termo terceiro setor provém basicamente da analogia em que o Estado é o primeiro setor. implantada para contornar as crises econômicas desse sistema. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . dentre outros. p. O processo de participação da sociedade civil em ações pertinentes às funções do Estado é proveniente da conjuntura histórica dos últimos anos.

DIC A DE LEIT UR A Leia o texto: “Terceiro Setor: um conceito em construção. Assim. Nessa reunião foram realizadas recomendações para dez áreas: disciplina fiscal. O Consenso de Washington foi um encontro realizado em 1989 entre os organismos de financiamento internacional de Bretton Woods (FMI. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 15 15 . Assim.br/semana2006/anais2006/Anais_ 2006_arquivo_30. liberalização financeira. que buscaram avaliar as reformas econômicas da América Latina. investimento direto estrangeiro. BID.pdf>. Esses princípios foram determinados principalmente aos países da América Latina pelo chamado Consenso de Washington.dcc. liberalização comercial. uma realidade em novimento” dos autores Marcelo Marchine Ferreira e Cristina Hillen Marchine Ferreira. Banco Mundial).As estratégias do capitalismo impuseram a necessidade de privatizar empresas estatais e serviços públicos.uem. UNIDADE I . a produção. os investimentos financeiros. Disponível em: <http://www. privatização. é importante resgatar que é após 1970 que o processo de reestruturação do capital passou a ser orientado conforme os princípios da ideologia neoliberal. Desse modo. buscou determinar a flexibilização dos mercados nacional e internacional. priorização dos gastos públicos. funcionários do governo americano e economistas latino-americanos. Também fortaleceu o distanciamento do Estado de suas responsabilidades sociais e de regulação social entre capital e trabalho. Esse encontro teve por base o argumento da “retirada” do Estado do controle econômico de esferas estratégicas do capital (a produção/comercialização). bem como desregulamentar ou criar novas regulamentações para um novo quadro legal que reduzisse a interferência do poder público sobre os empreendimentos privados.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. 2010). regime cambial. as relações de trabalho. reforma tributária. desregulação e propriedade intelectual (MONTAÑO.

114). à desigualdade e à exclusão social. 2010. exploração de riqueza mineral. dentre outros. para aumentar a extração de mais-valia.shtml>. aprofundando a dependência e vulnerabilidade ao capital estrangeiro (SILVA. p. inclusive a Constituição Federal de 1988. telecomunicação.uol. é 16 UNIDADE I .transferiu para o mercado a produção de energia elétrica. É nesse contexto que se fortalece o terceiro setor.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. foi apresentada como argumento (ideológico) a necessidade de uma “reforma” no âmbito da estrutura do Estado. tornando-os privados. Essas medidas adotadas a partir do Consenso de Washington. mediante a burocracia. Entenda que consequentemente essa retirada de funções do Estado também o “desresponsabilizou” das respostas às expressões da “questão social”. Para que esse projeto de desenvolvimento fosse aceito na sociedade e incorporado pelo Estado brasileiro. com o argumento de se captar recursos humanos e materiais para o enfrentamento e combate à pobreza.com.br/conteudo/opiniao/esp_ 1350/o+consenso+de+washington+. a ineficiência e a corrupção presente no país. A conjuntura de crise do capital reagiu em um duplo movimento para ampliar a lucratividade esperada com o projeto neoliberal. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . Então. a extração/refinanciamento de petróleo. C ONHEÇ A MAIS Para aprofundar seus conhecimentos sobre o Consenso de Washington. firmou um novo projeto de desenvolvimento exigido pelo grande capital (financeiro/internacional). O primeiro movimento é uma ofensiva contra o trabalho. junto aos organismos internacionais. Houve a redução dos fundos públicos para o financiamento de políticas e serviços sociais e assistenciais. O projeto neoliberal se apresentou opositor à perspectiva de ampliação da cidadania social na América Latina ao buscar a revitalização do sistema econômico. Disponível em: <http://operamundi.

procurou reverter as conquistas históricas de direitos da população. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 17 17 . lutas sociais e dos trabalhadores. como forma de publicização das ações estatais. pelos entes federados. reduzindo salários. decorre de repasse de recursos públicos para o âmbito privado. ou seja. estados e municípios. expressas na Constituição Federal de 1988. desenvolvida com base na premissa neoliberal. consequentemente. como uma preocupação em efetivar a democracia. É nesse sentido que você deve compreender a relação ideológica que está imposta. organização social e parceria. em que as atividades sociais podem ter um controle maior da população. precarizando os contratos de trabalho. da riqueza produzida na sociedade. A sociedade civil foi chamada a participar em torno do “controle social” e da “gestão de serviços sociais e científicos”. O segundo movimento a ser considerado é a concentração de capital. A descentralização buscou a transferência de decisões para as unidades subnacionais. ou seja. que retiraram o relativo poder de controle social. a redução do poder dos sindicatos. Assim é que ocorreram as fusões ou incorporações de empresas. três conceitos viraram palavras de ordem. A reforma do Estado. modificando a legislação trabalhista. o desemprego estrutural. a concorrência interestatal e as privatizações de empresas estatais. a retirada dos direitos sociais e até políticos dos trabalhadores. No âmbito dos argumentos para se publicizar as ações do Estado. UNIDADE I .necessária a intensificação do trabalho e diminuição dos custos de produção.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. dentre outros. com o argumento de se desenvolver a democracia e a cidadania. tanto na legislação como na prática das ações estatais: descentralização. Essa condição pode ser entendida como privatização de serviços sociais e de parte dos fundos públicos. pois a transferência de questões públicas de responsabilidade do Estado para o chamado terceiro setor. É importante destacar a subcontratação ou terceirização das relações de trabalho. que tem sua maior ênfase ao longo da década de 1990. fruto de pressões.

desvalorizou a força de trabalho.pdf>. desenvolvendo uma relação de “parcerias” entre elas e o Estado (Montaño. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS .790. 18 UNIDADE I . p. Tenha clareza que para que essas organizações sociais sejam efetivadas e reconhecidas no âmbito da gestão das políticas públicas.As organizações sociais podem ser entendidas como “entidades públicas não estatais”. A ideia de parceria entre o Estado e as organizações sociais foi instituída pela Lei n° 9.org/pdf/1796/179618198007. pois o projeto político de reforma do Estado foi edificado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2003). 2011. 2010). quando transferiu para o setor privado tal responsabilidade. O terceiro setor organizou ações individualizadas e focalizadas no cumprimento do seu papel ideológico de implementação das políticas neoliberiais. a presença do terceiro setor seria justificada na intervenção de ações que pudessem corrigir “desequilíbrios e distorções” que se acumularam ao longo do tempo (CARDOSO. Disponível em: <http://www. 13). que abriu as fronteiras. DIC A DE L EIT UR A Leia o texto: “Redefinição política ou despolitização? As concepções de Terceiro Setor no Brasil”. de Ana Lúcia Figueiró. 10) e que poderiam ser resolvidas de forma mais eficaz do que pelo Estado. de 23 de março de 1999. são criadas leis e incentivos para a “filantropia empresarial”. em que as ações do Estado não eram eficientes para tratar das relações de desigualdade na sociedade.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. para o serviço voluntário e outras atividades. O argumento utilizado para que a sociedade civil adentrasse na gestão pública tinha por base as condições históricas do país. É importante que você perceba a conjuntura histórica que envolve o terceiro setor. 2005. Assim. e desresponsabilizou-se da questão social. desorganizando os movimentos sociais e desmobilizando as lutas sociais mais amplas (COUTINHO. reverteu os direitos trabalhistas e sociais.redalyc. representando a desresponsabilização do Estado com a questão social. p. as quais se engajam no conceito de terceiro setor.

em que a ação estatal se minimiza para o social e se maximiza para o favorecimento do desenvolvimento do capital. que impõe e redefine as atribuições do mercado. A relação legal presente na constituição brasileira em que as respostas às necessidades sociais são responsabilidade de todos. Disponível em: <http://www. do autor Carlos Montaño. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 19 19 . 2010). do Estado.pdf>. é necessário que você entenda que as estratégias políticas e econômicas recentes do capitalismo neoliberal adensaram as suas expressões. perdeu a razão de ser. deixou de ser responsabilidade privilegiada do Estado.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. solidária e voluntária. passando a ser responsabilidade dos próprios sujeitos portadores de necessidades. do capital e do trabalho. O que passou a ser defendido e implantado pelo Estado é que o tripé constitucional da seguridade social – previdência. 2008).AS CONFIGURAÇÕES DA QUESTÃO SOCIAL NA CRISE DO CAPITAL 1. de organizações e indivíduos (MONTAÑO. saúde e assistência – se reorganizasse com a interferência do setor empresarial no atendimento de demandas nas áreas da previdência social e da saúde. por meio do financiamento estatal. passou a ser uma opção do voluntariado que ajuda o próximo. pois. em que existe a apropriação privada dos resultados da produção social por uma pequena parcela da sociedade (IAMAMOTO.2  Ao resgatar as configurações da questão social1 na sociedade contemporânea. C ONHEÇ A MA IS Leia o texto: “O projeto neoliberal de resposta à ‘questão social’ e a funcionalidade do ‘terceiro setor’”.br/neils/downloads/v8_carlos_montano. da ação finlantrópica.pucsp. enquanto o terceiro setor se destina fundamentalmente à assistência social aos setores carentes. 1 É importante que você compreenda que a questão social expressa as desigualdades da sociedade capitalista. A ideia de desregulação faz parte do próprio corpo ideológico do neoliberalismo. UNIDADE I .

Luis Fernando de Lara Resende e Nathalie Beghin.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. Medeiros Peliano. mobilizar. O Programa Comunidade Solidária buscava potencializar recursos existentes no terceiro setor. Participavam desse conselho os ministros de Estado.gov. PAR A R EFLET IR Como estratégia para minimizar a pobreza e a miséria. É possível perceber que se tratou de uma proposta de parceria que distorceu o papel do Estado no trato da questão social. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . Disponível em: <http://www. do que propriamente executar de forma direta programas e projetos. pelo contrário.ipea. C ONHEÇ A MAIS Leia o texto: “Comunidade Solidária: uma estratégia de combate à fome” dos autores: Ana Maria T. a ação estatal na área social se caracteriza pela forma precária e focalizada. Em sua proposta o programa visava facilitar. não teve a intenção de reverter à ordem do capital. fortaleceu-a. igrejas. pautada no discurso de enfrentar a exclusão e a desigualdade social. com programas de combate à fome e a miséria financiados pela sociedade civil e com retiradas das classes trabalhadoras. Como exemplo. relegando à sociedade civil tais responsabilidades.br/ppp/index. catalisar energias e recursos. representantes da sociedade civil.Ficou evidente que a estratégia de desresponsabilização estatal das respostas à questão social seria. compensada pela ampliação de sistemas do terceiro setor. que são destinadas para a população mais pobre.php/PPP/article/viewFile/139/141>. atividades voltadas à capacitação de jovens e a criação de mecanismos de acessibilidade de crédito para populações de baixa renda. 20 UNIDADE I . foi criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso o “Programa Comunidade Solidária”. articulando-os com as iniciativas governamentais. empresas públicas e privadas. Assim. O “Comunidade Solidária” era constituído por um conselho que o coordenava e envolvia sociedade e governo em diferentes ações. Nas bases desse programa foi proposta uma interlocução entre o governo e a sociedade civil. universidades. teoricamente.

É importante resgatar que para entender a questão social no Brasil. a desarticulação das lutas sociais. no Brasil. Desse modo. 37). em que se acirrou nos últimos anos os processos de exploração e por outro lado. 2010. deve ser resgatada a especificidade da sociedade brasileira. como resultado da modernização do capitalismo brasileiro. com a necessidade de redefinição dos modos de regulação econômica e social. sim. histórica e econômica. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 21 21 .TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. é importante resgatar que a questão social assume expressões particulares dependendo das peculiaridades específicas de cada formação social e da forma de inserção na ordem capitalista mundial que cada país se insere (PASTORINI. a relação do trabalho. o qual é excludente e permanece contraditório na atualidade. pois os traços essenciais da sua origem permanecem. sua formação social. Nestas configurações.É necessário ressaltar que a questão social é um fenômeno próprio do modo de produção capitalista e se constitui da relação capital-trabalho a partir do processo produtivo. pode ser entendida como expressão da questão social. p. se manifesta pela relação de exploração entre capital e trabalho. as manifestações da questão social contemporânea não são uma decorrência natural. 2012. para poder identificar as expressões da questão social. A questão social deve ser entendida como estrutural do capitalismo. expressa a relação entre as classes sociais e suas contradições. A pobreza. Existem novos elementos na sociedade contemporânea que podem ser considerados como novas expressões da questão social. 2010. Nessas configurações. vivenciadas a partir da década de 1970. não existem novidades na questão social na atualidade e. p. haja vista que essa se vincula ao processo de reprodução capitalista e não foram superados. apresentam-se novas expressões. irreversível e inevitável do desenvolvimento teconlógico (PASTORINI. que é uma expressão da questão social. 431). que delineiam o quadro de barbarização da vida social que se naturaliza pela ideologia dominante (SANTOS. Apesar das novas estratégias do capital para enfrentar as crises. Por isso. Não se pode esquecer que essa modernização do capitalismo brasileiro está associada às transformações da sociedade capitalista. 116). p. UNIDADE I .

Outros fatores que evidenciam as novas configurações da questão social são o empobrecimento e proletarização da classe média. não devem se apoiar meramente na teoria da integração social. cidadãos integrados ao sistema. a novidade sobre a questão social na atualidade consiste no modo como ela assume a partir das transformações vividas no mundo capitalista. a desestabilização dos trabalhadores e a perda dos padrões de proteção social. que aumentam as desigualdades sociais. o aumento de famílias chefiadas por mulheres e a redução do número de trabalhadores maiores de 45 anos inseridos no mercado formal de trabalho. apresentando 22 UNIDADE I . O tratamento da questão social. Essas políticas buscam acomodar os indivíduos à ordem dominante.Para Pastorini (2010). As respostas que foram dadas à questão social pelo projeto neoliberal foram: • precarização das políticas sociais. • privatização da seguridade e das políticas sociais e assistenciais. por meio da remercantilização dos serviços sociais. o qual incorporou transformações no modo de produção. ou seja. quanto privadas. principalmente nas formas de trabalho. Nesse contexto. em políticas de inserção e inclusão social. não como resultado de conquistas. naturaliza as desigualdades sociais. ou seja. sendo transformados em serviços mercantis vendidos ao consumidor. que se tornaram focalizadas e descentralizadas. Essas mudanças expressam a crise do sistema capitalista. aumento do setor terciário (comércio e serviços) e as formas precárias de trabalho. transferindo para a sociedade civil a responsabilidade das políticas sociais. as políticas sociais passam a ser concebidas como concessões do Estado e do capital e. o retraimento dos direitos sociais. a partir da década de 1980.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . com o aumento da pobreza. as medidas tanto públicas. em resposta às manifestações da questão social na contemporaneidade. • a refilantropização das políticas sociais. por meio da teoria de integração social.

Pastorini (2010) ressalta que: [. benevolência e filantropia. a questão social é referência para o desenvolvimento das políticas sociais.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. as estratégias políticas e econômicas do Estado brasileiro. OUTR AS M ÍDIA S Assista ao vídeo “Do governo Sarney a FHC”. também tende a desarticular o social.caráter de favor. a generalização do termo para abarcar a ideia de complementariedade das ações do Estado e do mercado tende a confundir e não esclarecer. Essas condições retratam que as contradições da sociedade capitalista não deixaram de existir e tampouco não foram resolvidas. p. que não se preocupavam com a classe trabalhadora. A QUESTÃO IDEOLÓGICA PRESENTE NO TERCEIRO SETOR 1.com/watch?v=C8xSQMZsTtc>. transformando-se em problemas de integração deficiente.. Disponível em: <http://www. falta de solidariedade social. (PASTORINI. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 23 23 . fragilidade do laço social.3  A partir da contextualização apresentada nos tópicos anteriores. o qual resgata além do processo de redemocratização. Então. que apresenta uma imagem de harmonia e integração da sociedade capitalista. clientelismo..youtube.] O atendimento às manifestações da “questão social” passa por fora dos limites da luta de classes. não reconhecimento das diferenças. É possível observar que as desigualdades e conflitos da sociedade capitalista se tornam naturais frente ao pensamento hegemônico. 98). você pode perceber que o termo “terceiro setor” é permeado de contradições e deficiente teoricamente. 2010. Nesse sentido. Assim. UNIDADE I . crise de valores etc.

destrutiva. antinacional. antipopular e antidemocrático. foram reduzidos. mediante ao corte de gastos e focalização para grupos comprovadamente pobres. Assim. Os direitos sociais e sua universalização.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. Para a implementação da estratégia neoliberal foi apregoado que na área social. a obrigação de garanti-los através do Estado.php/ fchf/article/view/227. solidária. Para ter acesso. Outro argumento é que o Estado deveria apenas intervir para aliviar a pobreza extrema e produzir serviços que o setor privado não tem o interesse em assumir. 2010. com a constituição do chamado cidadão 24 UNIDADE I . o bem-estar social pertence à esfera privada da família. entenda que o governo brasileiro aderiu a um projeto de natureza regressiva.DIC A DE L EIT UR A Leia o texto: “Significados do Terceiro Setor: uma nova prática política à despolitização da questão social”. as quais se pautaram em falsas promessas. A reforma do Estado se processou com base no modelo de desenvolvimento neoliberal. favorecendo o mercado. Essa situação demanda que se tenha uma reflexão crítica a respeito do termo e que se possa desvelar as intencionalidades e a ideologia que o permeia frente às estratégias de superação da afamada crise e das transformações do capital. da comunidade e dos serviços privados. em que se pautou na lógica fiscal e privatista. além da privatização e descentralizaçao de serviços (SILVA. priorizou esse modelo ao invés de implementar uma seguridade social universal. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . Esse projeto ocasionou no repasse dos serviços sociais para entidades públicas não estatais.br/index.revistas. entre na página: http://www.ufg. da autora Lia Pinheiro Barbosa. democrática. articulando estratégias de enfrentamento da crise e de revitalização da economia capitalista contemporânea. Houve a difusão de uma cultura política de crise para justificar o processo de privatização a partir dos anos de 1980. p. sob sua responsabilidade. Nesse sentido. 115).

ações voluntárias. atividades pontuais e informais. modificando o trato às expressões da questão social e desconfigurando as lutas dos trabalhadores frente às estratégias do projeto neoliberal. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 25 25 . pois. 138). principalmente na área da seguridade social. do poder do Estado e do lucro das empresas. concorrem para postergar a gestão coletiva das condições de existência social sob critérios mais justos de repartição da riqueza social.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. Conforme afirma Silva (2010): O empenho dos governos e dos técnicos em equacionar a gestão da seguridade social na esfera orçamentária. Entretanto. essa ideia se apresenta como inteiramente ideológica e inadequada ao real. UNIDADE I .consumidor. da sociedade civil e do mercado. a sociedade civil tem desenvolvido atividades antes atribuídas ao Estado. sobre a qual é possível perceber o distanciamento do estatal. Abrange as organizações não lucrativas e não governamentais. institucionalista ou estruturalista. as atividades filantrópicas (fundações empresariais. Essa divisão apresenta um forte caráter positivista. Essa ideia apresenta a tendência de complementaridade e de mixagem das ações do Estado. as instituições de caridade e religiosas. 2010. ações solidárias.] ou o apelo genérico à solidariedade social no âmbito da sociedade civil. O terceiro setor emerge com base na lógica da solidariedade. não é possível caracterizar a realidade social apenas pela divisão em primeiro. funcional ao neoliberalismo.. o terceiro setor pode ser entendido como uma designação equivocada para nomear um fenômeno real.. Nessas configurações. contábil e atuarial não elude a natureza sociopolítica das questões da área. filantropia empresarial. A recorrente interpelação aos sujeitos individuais para que cuidem da própria segurança [. segundo e terceiro setor. etc). conforme afirma Montaño (2010). (SILVA. tornando-se equivocado na medida em que difunde a ideia de um Estado ineficiente e burocrático e da necessidade das organizações da sociedade assumirem as demandas sociais. ocasionando em ações privadas. Por isso. remercantilizando a força de trabalho e abrindo espaço para a efetivação do terceiro setor. p. ou ainda a retórica em torno da responsabilidade social da empresacidadã.

.. 224). em resposta à questão social.] não é a de “compensar”.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. o terceiro setor é um produto da reestruturação do capital. As estratégias que se apresentam a partir do terceiro setor. É nas condições do padrão neoliberal que as demandas sociais são setorizadas. Algumas instituições vão aparecer como se estivessem acima das classes sociais. essas instituições se adaptam às necessidades da classe capitalista. 26 UNIDADE I . em que os próprios necessitados respondem a suas necessidades. aprofundando a despolitização e a ausência de debates. seu ressurgimento nos países centrais se relaciona com a crise do Estado-providência. p. focalizadas e desconcentram as respostas. 2010.É importante ressaltar que mediante as ambiguidades conceituais sobre o terceiro setor. com base na autoajuda e na ajuda mútua. É uma função ideológica. bem como a sua desmobilização. assegura a dominação e a reprodução do capital. e sim. como vimos. entre retirada da responsabilidade do Estado e repasse para a sociedade civil. mediante as formas precarizadas de trabalho que esvaziaram diversos direitos dessa camada populacional. 2011). na medida em que garante que a sociedade não seja totalmente capitalista para interesse do capital. Assim. Em verdade. é importante perceber que estas relações entre público e privado. Então. como se fossem diferentes e até mesmo distantes dos aparelhos de repressão e ideológicos do Estado. (COUTINHO. como resposta para a crise do capital. (MONTAÑO. O interesse é um consenso da classe trabalhadora frente à retração dos direitos conquistados. Assim. mascaram a perda de direitos e de garantias no atendimento com qualidade que é preconizado pela Constituição Federal. não ressurge em um contexto de lutas sociais e políticas avançadas. mas a de encobrir e a de gerar aceitação da população a um processo que. É importante destacar que a função das parcerias que foram sendo constituídas neste processo entre o Estado e as organizações sociais: [. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . tem clara participação da estratégia atual de reestruturação do capital.

É na saúde que se observa mais claramente a privatização de fato. se transferiu bens e serviços públicos para agentes do setor privado. Nesse sentido. da produtividade e da qualidade. Assim. pois a legislação e a própria prática têm sido enfáticas. Tenha clareza que essa situação se justifica ao que falamos anteriormente. a proposta de reforma do Estado que foi assumida durante a década de 1990. É necessário romper com o discurso dominante e evidenciar as contradições estruturais que fundamentam as desigualdades sociais. Uma questão que deve ficar clara é que os teóricos que idealizaram as estratégias que foram assumidas pelo Estado não buscaram de nenhuma forma alterar os fundamentos da ordem burguesa. É importante esclarecer que o terceiro setor não equaciona os principais problemas sociais presentes no país por meio das formas de gestão. estimulando a competitividade e produtividade entre os agentes privados. a precarização das políticas públicas e seu desaparecimento parcial. Com a mudança na estrutura do Estado. resguardando a acumulação do capital. o projeto que se mascara por trás do terceiro setor tende a destruição dos direitos sociais. Por isso que Silva (2010) afirma que as novas solidaridedades podem representar ampla mobilização da sociedade civil. contém os possíveis conflitos por meio de sua face humanitária. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 27 27 . UNIDADE I . Você deve compreeender que o acesso a serviços e benefícios na sociedade contemporânea deve se dar por meio de políticas sociais que busquem a universalidade. principalmente na área social. Entretanto. é importante exemplificar que a lógica mercantil também afetou a política de saúde. aos planos de saúde e à pacientes particulares. (PASTORINI. mesmo quando existia a afirmação de que se buscava o interesse social.Além da redução da abrangência das políticas sociais e assistenciais. 2010 p. O Estado tem possibilitado parcerias com organizações privadas para que possam vender serviços ao SUS. 98). significando a sua desestatização em detrimento da eficiência. não substituem o Estado em sua obrigação de gestor de políticas públicas. convém ressaltar que o Estado reproduz o sistema capitalista sem modificar as desigualdades geradas por ele.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS.

ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . filantrópicas e voluntárias. a questão social é referência para o desenvolvimento das políticas sociais.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. por isso a diferenciação de serem públicas e não visarem à lucratividade. Visite nosso Fórum. expressando diversos interesses que desarticulam as lutas de classe presentes na sociedade civil.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE I Ao estudar sobre o terceiro setor foi possível compreender a sua ligação com a reforma neoliberal do Estado e com as relações capital/trabalho. que são caracterizadas como privadas. passando a ser responsabilidade dos próprios sujeitos portadores de necessidades. Essas condições retratam que as contradições da sociedade capitalista não deixaram de existir e tampouco foram resolvidas. Convido você a complementar seus estudos assistindo à primeira teleaula. A partir desta contextualização você pôde perceber que o termo “terceiro setor” é permeado de contradições e é deficiente teoricamente.1. como é pertinente às atividades do mercado. conte comigo! 28 UNIDADE I . Não se esqueça de fazer as atividades do AVA e os exercícios abaixo. As ações relacionadas ao terceiro setor são basicamente sem fins lucrativos. A questão social deixou de ser responsabilidade privilegiada do Estado. entenda que o acesso a serviços e benefícios deve se dar por meio de políticas sociais que busquem a universalidade. É importante ressaltar que este conteúdo não se esgota aqui. generalizar o termo tende a confundir e não a esclarecer. bem como as respostas dadas à questão social nos últimos trinta anos na sociedade capitalista. O conceito e o debate sobre o terceiro setor é contraditório. Peço que essa discussão continue no AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem – onde também iremos esclarecer dúvidas. Então. que apresentará tópicos específicos e polêmicos. Em caso de dúvidas. Nesse sentido. Por isto.

TESTE SEU CONHECIMENTO UNIDADE I .TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS 29 29 .

Ocorreu o incentivo ideológico da participação da sociedade civil na interveção das necessidades da população. filantrópicas e voluntárias de iniciativa da sociedade civil.RESPOSTAS COMENTADAS 1. com base na premissa neoliberal. 3. e) Com a reforma do Estado. possui a tendência de confundir e não esclarecer. b) Trata-se das ações sem fins lucrativos.TERCEIRO SETOR E QUESTÃO SOCIAL: ASPECTOS POLÍTICOS. as ações em resposta a questão social foram reduzidas. d) O terceiro setor é permeado de contradições e deficiente teoricamente. minimizadas e precarizadas. motivada pela estratégia neoliberal. ECONÔMICOS E IDEOLÓGICOS . que incentiva a retirada das responsabilidades do Estado com as políticas sociais. de desarticular o reconhecimento das lutas de classes e dos tipos de respostas à questão social que passaram a ser dadas pelo capital a partir da estratégia neoliberal. 30 UNIDADE I . por meio da regulamentação de parcerias entre governo e sociedade. 2.

HAB IL IDADES E C O MP E T Ê N C IA S • • • Reflexão sobre a identidade do Terceiro Setor no Brasil. Caracterizar o processo de terceirização das políticas públicas. UNIDADE II .O TERCEIRO SETOR 31 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 31 .2 UNIDADE II O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES OB JET IVOS D A UN ID A D E • • • Apresentar a identidade do Terceiro Setor. Identificação das diferentes instituições que compõem o Terceiro Setor. Expor as diferentes instituições do Terceiro Setor. Reconhecimento do processo de terceirização das políticas públicas.

Essas instituições apresentavam autonomia com relaçao ao Estado e independência política. Outro aspecto que caracterizava as ONGs era o objetivo de favorecer a participação dos “excluídos”. políticas. é pertinente lembrar que no final do século XX a maioria das instituições e setores sociais teve problemas de identidade. vinculadas aos novos movimentos sociais como: os da mulher. As ONGs historicamente apresentavam a habilidade de exercer atividade política de forma específica por meio dos canais de democracia. os de direitos humanos. econômicas e globais das últimas décadas. com vistas a retornar as formas tradicionais de representação e participação inerentes aos partidos políticos e sindicatos. ao compreender e determinar qual seu papel diante das mudanças sociais. Assim. é importante resgatar que está permeado de contradições e. no âmbito privado. As mudanças políticas e econômicas a partir do processo de redemocratização no país ocasionaram em novas regras para a existência das ONGs. devido ao seu potencial funcional na economia.Ao fazer referência à identidade do terceiro setor. já que elas possuiam vínculo com os setores populares. com base na estratégia da pobreza e dos problemas sociais ocasionados pelo mercado. Esse papel condiz com os interesses de organismos como o Banco Mundial. apresentam interesse público. bem como na ampliação do número de instituições na sociedade. o Banco Interamericano de Desenvolvimento e de algumas empresas. As Organizaçoes Não Governamentais (ONGs) que englobam o universo de instituições presentes no terceiro setor representaram. apresentaram-se também dúvidas conceituais sobre o real papel do Estado e do setor empresarial (mercado). Essas concepções resumem o terceiro setor como se agrupasse todas as instituições sem fins lucrativos que. ecologia. de concepções simplistas. 32 UNIDADE II . então. geralmente.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . uma alternativa no campo da política. Desse modo. Essas ONGs exerciam ações voltadas à cidadania e a defesa de valores democráticos na sociedade. apresentando uma nova cultura (ideologia) de participação cidadã. etc. associações de bairro. O papel do terceiro setor apresenta. formas de ação política que buscavam oposição ao autoritarismo estatal dos regimes militares. durante as décadas de 1960 e 1970.

que são aspectos das formas iniciais do que tem sido denominado popularmente como terceiro setor. é muito mais antiga. A IDENTIDADE DO TERCEIRO SETOR NA AMÉRICA LATINA 2. mitigando o papel do Estado e a pressão sobre o mercado. 2005). Disponível em: <http://www. Assim.O TERCEIRO SETOR 33 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 33 .com/watch?v=oBih7U4G6ck>. criadas e sustentadas pela participação voluntária na área social. a relação de solidariedade. por meio da oferta de serviços sociais. que até hoje existem para UNIDADE II .br/index.php/katalysis/article/view /5725>. Data do século XVI o início das ações filantrópicas no Brasil.youtube. passou a ser utilizado a partir do início dos anos 1990 com o objetivo de denominar as organizações da sociedade civil sem fins lucrativos. Assim. OUTR AS M ÍDIA S Assista ao vídeo “Jornal Hoje – Teceiro Setor” que trata das possibilidades de trabalho no Terceiro Setor e da compreensão usual do termo. É importante lembrar que o termo terceiro setor é recente no Brasil. A tendência é que a identidade do terceiro setor deveria ter como base o funcionamento como empresas eficientes no fornecimento de serviços ou como organizações portadoras de ideias de transformação e de utopias sociais (THOMPSON.1  DIC A DE L EI T UR A Leia o texto: “Redefinição ou despolitização? As concepções de ‘terceiro setor’ no Brasil” da autora Ana Lúcia Figueiró. Disponível em: <https://periodicos. com a implantação de instituições como as Santas Casas de Misericórdia. a filantropia.ufsc.Ao terceiro setor se atribui a capacidade de mobilização social e de transformação. a proposta básica é mercantilizar os serviços.

tais como: Ford Foundation. Assim. Essas organizações se autodenominaram como não governamentais. Kellog. A partir das diversas percepções conceituais sobre o terceiro setor. com a inserção das estratégias neoliberais (nas décadas de 1980 e 1990) na política e economia do país. você deve ter clareza que a utilização do termo ONG pouco esclarece. é importante delinear que no universo de instituições que o abrange tem-se o termo Organizações Não Governamentais. Rockefeller. como forma de distinção das ações governamentais. além de agências de fomento e cooperação internacional. ocultando principalmente. cerceados durante a ditadura militar na América Latina e no Brasil. que as coloca disntintas do 34 UNIDADE II . Então. administrativa e economicamente. estratégicos aos interesses hegemônicos do capital. as ações e projetos políticos dessas organizações. conforme citado anteriormente.atendimento a pessoas “carentes”. as características iniciais das ONGs foram se modificando e.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . Durante a década de 1970. as ONGs. as instituições passaram a se aproximar das agências e instituições financiadoras internacionais. durante as décadas de 1970 e 1980 configuraram um novo modelo de organização e de gerenciamento de recursos. é possível perceber um outro aspecto: várias organizações foram fundadas com o objetivo de defender direitos políticos. As organizações que surgiram durante o período de repressão política no Brasil ratificaram a emergência do terceiro setor. civis e humanos. em que as instituições tinham um vínculo instrínseco com o Estado. A principal característica é a negação ao estatal e ao lucro. Desse modo. MacArthur. entre outras. As modificações ocorreram em meio à reestruturação do Estado. Foram instituiçoes que contribuíram para a disseminação de uma noção de cidadania e facilitaram a entrada de recursos financeiros de fundações internacionais no Brasil. Uma oposição ao que é governamental. Esse sentido formalizou a diferenciação de períodos anteriores.

foi durante as décadas de 1960 e 1970 que se destacaram os centros de educação popular e de assessorias a movimentos sociais. adquiriram função consultiva em várias agências e fundos das Nações Unidas. Merece destaque a atuação da Igreja (Católica). posteriormente. Essa expressão se relaciona com as organizações nacionais e internacionais de cooperação financiadoras de projetos específicos que não fossem governamentais. As possibilidades de participação popular e criação dos conselhos tornaram-se foco de atuação das ONGs com vistas à organização dos movimentos sociais ou da UNIDADE II . É possível exemplificar que as reivindicações provenientes dos conselhos populares são um sinal desse processo e as reivindicações dos movimentos populares. que foram contempladas na Constituição Federal de 1988. pois era financiada por instituições internacionais que denunciavam violações dos direitos humanos e a pauperização da população. conhecida como ECO-92. Alguns desses centros justificavam o recebimento de financiamento internacional como forma de compensação pela exploração que os países latino-americanos eram submetidos. para denominar diferentes entidades executoras de projetos humanitários ou de interesse público. Esses centros tinham ênfase na “conscientização” e “transformação social”. que colocava o povo como sujeito da história. Essas bases nortearam os trabalhos de formação e também a relação com as ONGs internacionais com os centros de assessoria brasileiros. com uma proposta organizativa-conscientizadora. pela ONU. por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) com o uso da Teologia da Libertação. as quais.Estado e do mercado. realizada no Rio de Janeiro.O TERCEIRO SETOR 35 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 35 . conforme a própria lógica do terceiro setor. A maior parte desses centros de assessoria tinha um cunho progressista. O termo ONG foi utilizado pela primeira vez na década de 1940. ficando popular no Brasil especificamente na década de 1990 durante a Conferência das Nações Unidas. Apesar das contradições com relação à emergência do termo ONG ou da amplitude do termo terceiro setor.

Nesse sentido. etc. Com o processo de globalização. Sendo assim. É importante que você tenha clareza que a dependência de financiamento institucional limita a atuação das ONGs. direitos de cidadania. Nos últimos anos houve mudança no perfil das ONGs. a ênfase não é mais a formação política (como na década de 1970). Conforme Coutinho (2011). Atuam com os movimentos de solidariedade contra a globalização. tenha clareza que entender a identidade do terceiro setor é um processo de compreensão da relação histórica que o define. 2011). As palavras de ordem agora são: ecologia. com atividades ou ações pontuais que amortecem as tensões sociais. 99 ONGs reformistas – são financiadas por fundações privadas social-democratas e governos locais progressistas. inclusive no que tange à classificação das ONGs. geração de renda.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . várias transformações na sociedade capitalista foram sentidas. o racismo e a discriminação de gênero em um sistema de autogestão que as diferenciam das anteriores. é necessário questionar a relação dessas organizações com a luta de classes. bem como das instituições que o compõem. mas o desenvolvimento autossustentável. Por isso. podem não ter como manter suas atividades ao se permanecerem autônomas. com tendência a sucumbirem à lógica do financiador. elas podem ser: 99 ONGs neoliberais – subcontratadas para fragilizar as instituições de assistência social nacional. 99 ONGs radicais – lutam pela extinção do FMI e do Banco Mundial. bem como objetivam corrigir os abusos do mercado. democratização. Destinam-se ao trabalho assistencialista e atuam em cooperação com as instituições internacionais das grandes nações. já que acabam exercendo um papel fundamental ao amenizar os problemas como desemprego crescente. por outro lado.própria atuação das próprias ONGs (COUTINHO. gênero. Sua constituição está pautada na legislação que foi desenvolvida no 36 UNIDADE II . pois são anticapitalistas. diversidade cultural. além de recebem financiamentos do Banco Mundial e outras agências.

valorativas e institucionais ocasionaram na desconsideração ou minimização do papel do Estado UNIDADE II . tratam também da participação estatal no financiamento dessas entidades. “não-governamentais” e “sem fins lucrativos”. E geralmente não geram receitas suficientes para manterem em operação. Você deve perceber que a base legal que dá suporte ao processo de constituição desse conjunto de organizações está relacionada com as formas de cooperação entre o Estado e a sociedade. condizentes as estratégias neoliberais. o que justificou a estratégia neoliberal de desresponsabilização do Estado. Outro fator que deve ser ressaltado é que os incentivos fiscais ou apoios financeiros passaram a contribuir de forma significativa. na medida em que o do empresariado apresenta agora uma suposta imagem de setor mais preocupado com o social. Assim. Estas organizações comumente têm a necessidade em captar recursos fora de suas atividades básicas. A legislação fundamentou a criação e operação das entidades que comprovaram ser de “interesse público”.O TERCEIRO SETOR 37 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 37 . as associações comunitárias. com a tendência de orientar a filosofia institucional e a condicionar a sua missão. que teoricamente não desenvolvem uma atividade geradora de lucro. torna-se uma atividade essencial. Trata-se da ideia de responsabilidade social empresarial. No final da década de 1980. fundamentalmente durante as décadas de 1980 e 1990. auxiliando na ampliação do terceiro setor. pois a característica de gratuidade ocasiona na falta de autossustentabilidade. É importante que você tenha clareza que essas mudanças culturais. O terceiro setor apresenta em sua composição organizações sem fins lucrativos. que trataremos mais adiante. a captação de recursos. As normatizações que legislam sobre os tipos de organizações que compõem o terceiro setor e sobre a relação de cooperação Estado/sociedade. as fundações filantrópicas. a captação de recursos foi consequência da mudança política de prioridades e destino de financiamento dos órgãos internacionais.Brasil.

o número de ONGs e organizações sociais vêm crescendo. De acordo com Montaño (2010). Desse modo. O Estado passou a investir nas organizações e atividades do chamado terceiro setor.com/watch?v=NpQixgr-nnE>. tratando-se de um processo de compensação da desresponsabilização estatal e do capital frente à questão social. ficou evidente que as novas fontes potenciais de recursos são variadas. das ONGs. membros filiados às ONGs e o público em geral. das empresas. 99 Instituições financiadoras internacionais. 99 Recursos governamentais (considerada a principal fonte de arrecadação das instituições). por parte do cidadão. OUT R AS MÍDIA S Assista ao vídeo “Ladislau Dowbor – Estado. que trata do terceiro setor. 99 Atividades comerciais ou vendas de serviços.como responsável pelas respostas às expressões da questão social. empresa e sociedade civil”. principalmente. aos incentivos e parcerias governamentais. 38 UNIDADE II .youtube. os recursos a essas instituições podem provir de: 99 Simpatizantes.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . 99 Várias ONGs foram criadas com o objetivo central de captação de recursos e de geração de autoemprego. Tenha clareza que as ONGs tiveram sua expansão favorecida por dois fatores: 99 Os doadores internacionais passaram a destinar recursos diretamente às ONGs e não mais aos movimentos sociais e populares. 99 Empresas doadoras ou fundações de filantropia empresarial. mediante. Disponível em: <http://www. Mesmo assim.

2.2 

A TERCEIRIZAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

DIC A DE L EI T UR A
Leia o texto: “Reestruturação produtiva do Estado brasileiro na perspectiva do projeto neoliberal”, de Reginaldo S. Santos et. all. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/ view/6525/5109>.

Com a implantação de um novo modelo de desenvolvimento econômico na década de 1990, a reestruturação produtiva passou a articular inovações tecnológicas e organizacionais, ou seja, modificou a estrutura operacional e produtiva das organizações. Desse modo, constituiu-se em um processo social e histórico mais amplo, que envolveu, também, elementos políticos institucionais, implicando na adoção da flexibilidade do mercado de trabalho, da contratação coletiva, do processo de fusões das empresas, incorporações e privatizações. Assim, esse processo se configurou como uma nova estratégia de acumulação capitalista, sendo conhecido como acumulação flexível. Nesse mesmo período, no Brasil, o desemprego cresceu principalmente em virtude das políticas econômicas neoliberais de ajuste do governo Collor, que reestruturaram tanto a indústria como o Estado, com vistas ao mercado internacional. Consequentemente, houve um processo de precarização do trabalho, aumento das terceirizações e desemprego. Por outro lado, houve o aumento da produtividade e de lucros ao capital. Outro campo que teve crescimento foi o mercado informal, como forma de amortecimento do desemprego que foi agregada as estratégias de sobrevivência da classe trabalhadora. Juntamente com a retração dos postos de trabalho, passou-se a surgir à figura do terceirizado dentro das empresas, estratégia do modelo de flexibilização das relações de produção e trabalho, que está associada à subcontratação nas indústrias.

UNIDADE II - O TERCEIRO SETOR 39 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES

39

Além da empresa mãe, detentora do capital e do processo produtivo de um determinado produto, novas empresas surgem para otimizar a produção, seja no espaço interno das empresas mãe, seja em outros locais respondendo a demanda desse processo. A finalidade é reproduzir a lógica da empresa mãe, reduzir encargos trabalhistas e produzir lucros. Essa lógica capitalista também foi aderida dentro do Estado brasileiro, articulando a relação entre público e privado, tornando-se mais evidente durante a década de 1990, com o ajuste neoliberal, após o Consenso de Washington, que orientou na implantação de políticas de privatização do Estado. No processo de reestruturação orientado pelo Banco Mundial ficou proposto a descentralização, municipalização política dos recursos oficiais e a mobilização das organizações não governamentais, com o discurso de garantir a governabilidade do Estado. Foi um processo instaurado no governo Collor que teve continuidade no governo FHC. Com o discurso ideológico neoliberal apropriado pelo Estado, a reforma política ocasionou no esvaziamento das responsabilidades públicas estatais, entregando-as à iniciativa privada e a seus interesses, em resposta às orientações do grande capital, retirando direitos da classe trabalhadora (servidores do Estado e usuários) (GUSMÃO, p. 97). Então, tenha clareza que nesse processo essa reforma privatizou os serviços públicos, concentrando o Estado nas áreas estratégicas, com vistas à competitividade internacional. Como consequência vem tornando as políticas públicas cada vez mais precárias, seletivas, pontuais e longe das demandas sociais da população brasileira. Assim, Gusmão (2002) entende que a terceirização:

[...] é uma das formas de privatização que se expande em todos os órgãos federais, em todas as áreas e para além das atividades de apoio, por meio da extinção e/ou substituição de serviços públicos por serviços privados competitivos. (GUSMÃO, 2002, p. 97).

40

UNIDADE II - O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES

É possível associar a terceirização a um esforço de parceria em todo o processo de produção, entre grande e pequena empresa, para qualificar fornecedores e produtos, bem como a uma estratégia de redução de custos, que precariza o trabalho e compromete a qualidade do serviço. Essa lógica não está distante das formas de terceirização do Estado. No Estado, a terceirização está associada a horizontalizaçao das atividades para empresas privadas, contratação indireta de serviços, modificando o mercado de trabalho como forma de superação da crise do capital. Portanto, busca agregar a experiência das empresas privadas ao contexto estatal. É importante ressaltar que a terceirização no espaço estatal está vinculada à desestruturação dos serviços. Mais do que comparar a uma complementação do público com o privado está associada, também, às formas de contratação de serviços, que ocorrem da seguinte forma: • Desativação e extinção de serviços e sua substituição por instituições de natureza privada (organizações sociais); • Contratação de empresas terceiras, com a alocação de trabalhadores para a execução de serviços no Estado. É possível que você perceba que se trata de formas de privatização, com a contratação de funcionários, estagiários, cooperativas, associações, para execução de serviços que antes eram executados pelos quadros funcionais e institucionais do Estado. Desse modo, Gusmão (2002) resgata que a regulamentação das organizações sociais fez com que o governo difundisse a ideia de fortalecimento da área pública não estatal. Entretanto, o que se percebe é que:

[...] na prática estas organizações privadas na têm possibilitado o controle popular por meio de seus conselhos, na defesa dos interesses da sociedade, e seus contratos de gestão firmados com a União, têm permitido a aplicação de recursos públicos no mercado financeiro. (GUSMÃO, 2002, p. 101).

UNIDADE II - O TERCEIRO SETOR 41 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES

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Assim. O terceiro setor tem o papel de incorporar parcelas de trabalhadores desempregados pelo capital. A partir do contexto exposto.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . bem como da redução no setor de serviços. Nesse contexto. 42 UNIDADE II . devido ao desemprego estrutural. É evidente o impacto no serviço público. como forma de minimizar o problema do desemprego. entenda que as terceirizações implantadas no âmbito da reforma do Estado foram intensificadas como estratégia ampla de flexibilização dos contratos de trabalho (funcionários públicos) e de direitos.br/pdf/%0D/es/v25n87/21460. de Ricardo Antunes e Giovanni Alves. Disponível em: <http://www. não ampliou a cidadania social. apresenta seu esgotamento. pois. concentração da riqueza e do controle dos mercados. redução salarial. ao passo em que bloqueou o crescimento e aprofundou a dependência e a vulnerabilidade em detrimento do capital estrangeiro.scielo. deterioração das contas externas. DIC A DE LEITU R A Leia o texto: “As mutações no mundo do trabalho na era da mundialização do capital”. aumento do desemprego e subemprego.pdf>. os resultados das políticas públicas neoliberais que aparecem são: o aumento dos encargos público financeiros. É interessante observar que estas condições revelam a contradição existente no projeto neoliberal. queda nas taxas de investimento e crescimento. é necessário perceber que o crescimento do terceiro setor se deve em consequência da retração do mercado de trabalho industrial. bem como das prestações de serviços por meio das políticas públicas. como consequência da crise do capital dos últimos anos. pois está relacionado com a precarização do trabalho.

UNIDADE II . nos resultados qualitativos e quantitativos nos prazos pactuados. Em 1998 e 1999 foram promulgadas as leis que tratam das três modalidades de organizações. contribui para a reprodução da desigualdade social. que prestam serviços sociais.3  AS DIFERENTES ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR Agora. caracterizadas por serem pessoas jurídicas. de direito privado. as Organizações Filantrópicas e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). vamos entender melhor as diferentes organizações que compõem o terceiro setor.2. É conveniente resgatar que as relações entre Estado e sociedade podem ser expressas pela responsabilidade social das empresas. desenvolvimento tecnológico. as quais são objeto da legislação promulgada em 1988 e 1999. É possível perceber que se constituem como estratégia de privatização. Possuem ênfase no atendimento ao cidadão-cliente. Conforme a lei n° 9. As Organizações Sociais (OS) – prestam serviços de ensino. preservação do meio ambiente. porém. No âmbito do processo de gestão das políticas públicas se apresenta um aparato ideológico que promete efetivar um padrão de igualdade social. remetendo ao questionamento de quem é a responsabilidade no processo de gestão das políticas públicas: do Estado ou da sociedade. em nome da qualidade e da produtividade de bens e serviços. Com o deslocamento da responsabilidade para a sociedade civil.637 de 1998. observa-se a restrição da ação do Estado. bem como no controle social. trata-se de pessoa jurídica privada sem fins lucrativos. seja na transferência de responsabilidades para instituições privadas consideradas de interesse público. pelo voluntariado e as “novas” solidariedades. a princcípio identificando basicamente três modalidades de organizações privadas prestadoras de serviços sociais. cultura e saúde. As Organizações Sociais (OS). bem como. seja na aplicação de recursos. pesquisa. sem fins lucrativos.O TERCEIRO SETOR 43 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 43 . na medida em que o Estado repassa recursos públicos a instituições privadas.

Conforme a Lei n° 9.790/1999 essas organizações se caracterizam como pessoa jurídica privada sem fins lucrativos. Atendem à saúde com caráter assistencial e devem ter certificado de entidade filantrópica emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. idosos e pessoas com deficiência. A respeito das OSCIPs. Conforme previsto no projeto de reforma do Estado. moralidade. respeitados os valores do mercado e da região. Prestam serviços de pelo menos 60% ao SUS. cultura.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . 2010. da assistência a tecnologias alternativas. Já as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) desenvolvem variados tipos de serviços. 44 UNIDADE II . 148). (SILVA.732/ 1998. p. De acordo com a Lei n°9. com ofertas de vagas integralmente gratuitas a carentes por entidades educacionais. 2010). e os estatutos poderão prever a possibilidade de remuneração para dirigentes executivos e para aqueles que prestem a possibilidade de remuneração para dirigentes executivos e para aqueles que prestem serviços específicos. como: assistência social. aplicável aos órgãos públicos. atuando como organizações privadas. é possível que uma OS venda serviço ao SUS. especialmente crianças. são caracterizadas como pessoa jurídica privada sem fins lucrativos e estão voltadas a assistência social beneficente e gratuita a pessoas carentes. com recursos do termo de parceria. publicidade. As Organizações Filantrópicas trabalham com assistência social beneficente e gratuita. adquirir imóvel que será gravado com cláusula de inalienabilidade. impessoalidade. sem fins lucrativos. a OSCIP poderá.pela possibilidade de contratação de servidores públicos sem concurso público e pela obrigação de cumprimento da Lei de Licitações. É importante retratar que as OSCIPs desenvolvem atividades em diversos âmbitos. Silva (2010) destaca que: O órgão público poderá escolher por meio de concursos. demandam de Termo de Parceria que trate da legalidade. educação. economicidade e eficiência. as instituições públicas podem se converter em organizações sociais. Então. aos Planos de Saúde e a pacientes particulares (SILVA.

instituições religiosas. ratificando as estratégias neoliberais de redução da intervenção estatal.O TERCEIRO SETOR 45 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 45 . possibilitando valorizar o negócio com o aumento da produtividade. fundações públicas e organizações creditícias. empresas de planos de saúde. presente no mercado. inicialmente. • Investimento no bem-estar dos funcionários e seus dependentes e ambiente de trabalho agradável. entidades de benefício mútuo. • Satisfação dos clientes. partidos e suas fundações. mediante as restrições que se apresentaram. o viés da responsabilidade social. Outro aspecto que merece destaque é que as organizações.Nessas condições possibilitadas pela lei é que se pode constatar as aberturas dadas pelo Estado para o desenvolvimento dessas instituições. Nesse sentido. como isenção de impostos. • Comunicações transparentes. não encontraram motivos para alterar sua condição de filantrópica para OSCIP. • Retorno aos acionistas. • Sinergia com parceiros. escolas privadas não gratuitas e suas mantenedoras. cooperativas. na prática. hospitais não gratuitos e suas mantenedoras. As principais formas de intervenção associadas são: • Apoio ao desenvolvimento da comunidade onde atua. No âmbito das empresas se apresenta a ação social empresarial. pautada. A lei também estabelece as organizações que não contemplam a modalidade de organizações da sociedade civil de interesse público: sociedades comerciais. sindicatos. • Preservação do meio ambiente. UNIDADE II . busca resgatar sua força e revitalizar a economia capitalista. a melhoria da qualidade e da força competitiva. em uma inspiração cristã que nos últimos anos tem se expressado sob o símbolo da responsabilidade social empresarial.

79). abarcando um amplo leque de atividades em que predominam aquelas de caráter assistencial. A respeito do crescimento do terceiro setor e do incentivo do trabalho voluntário. em troca de empregos. isenções de taxas e possibilidades de contratos vantajosos. (COUTINHO. Juntamente com a ideia de responsabilidade social apresenta-se outra ideia permeada da mesma ideologia capitalista. a qual não é uma alternativa duradoura ao mercado capitalista.. sendo mais um mecanismo institucionalizado de exploração da classe. Apresentam-se como portadoras de ética e moral e abertas ao bem-estar geral (como se não visassem o lucro) e são premiadas por cumprirem a legislação. essa forma de atividade social tem se desenvolvido no interior das ONGs.As empresas de responsabilidade social ou empresas cidadã contribuem de forma a amenizar os conflitos e contradições de classes.. por outro. p. a empresa cidadã. Antunes (2005) ressalta que: [. movimentada por valores não mercantis. Assim. É uma alternativa restrita de se compensar o desemprego estrutural. 46 UNIDADE II .. Desse modo. Coutinho (2011) afirma que às empresas cidadas são: [. (ANTUNES. Assim. p.. por meio de empresas de perfil mais comunitários.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . 89).] uma crescente expansão do “Terceiro Setor”. a participação do voluntariado modifica a solidariedade. 2005. sem fins diretamente mercantis ou lucrativos e que se desenvolvem relativamente à margem do mercado. que é voltada para o “bem”. Se por um lado as empresas cidadãs apresentam o discurso de preocupação com a cidadania e a exclusao social. motivadas predominantemente por formas de trabalho voluntário.] oferecidas subvenções. 2011. que assume uma forma alternativa de ocupação. por meio do marketing social. é perceptível a intenção da lucratividade com a expansão de mercados.

de concepções simplistas. as associações comunitárias. as fundações filantrópicas. geralmente. DIC A DE L EI T UR A Leia o texto: “A gestão intersetorial das políticas sociais e o terceiro setor”. gestão de recursos humanos. 2. ou seja. nem remuneração. No voluntariado não existe vínculo empregatício.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE II Durante a Unidade II você observou que a identidade do terceiro setor está permeada de contradições e. O terceiro setor apresenta em sua composição organizações sem fins lucrativos.O TERCEIRO SETOR 47 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 47 . conforme a própria lógica do terceiro setor. etc. As terceirizações implantadas no âmbito da reforma do Estado foram intensificadas como estratégia ampla de flexibilização dos contratos de trabalho UNIDADE II . A utilização do termo ONG pouco esclarece. apropria-se de conhecimentos teóricos e práticos de planejamento estratégico. de Luciano A.É necessário observar que nesse contexto o voluntariado emerge de forma profissionalizada. que as coloca distintas do Estado e do mercado. que teoricamente não desenvolvem uma atividade geradora de lucro.pdf>. Prates Junqueira.scielo. O papel do terceiro setor condiz com os interesses de organismos internacionais. como captar recursos. com base na estratégia de minimizar a pobreza e os problemas sociais ocasionados pelo mercado.br/pdf/sausoc/v13n1/04. se caracteriza pela negação ao estatal e ao lucro. Disponível em: <http://www. apesar de se exigir um perfil profissional. As Organizações Não Governamentais (ONGs) que englobam o universo de instituições presentes no terceiro setor historicamente apresentavam a habilidade de exercer atividade política de forma específica.

na medida em que o Estado repassa recursos públicos a instituições privadas. Constituem-se como estratégia de privatização. Entenda que este conteúdo não se esgota nesta leitura.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . bem como das prestações de serviços por meio das políticas públicas. Não se esqueça de fazer os exercícios e de acompanhar a discussão no AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem). Você está pronto para aprofundar seu conhecimento? Conte Comigo! 48 UNIDADE II .(funcionários públicos) e de direitos. em que iremos aprofundar este conteúdo. Iremos compartilhar mais deste conteúdo na plataforma. lembre-se de que deve assistir à segunda teleaula.

TESTE SEU CONHECIMENTO UNIDADE II .O TERCEIRO SETOR 49 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 49 .

a habilidade de exercer uma atividade política de forma específica ao contexto em que surge. 3.RESPOSTAS COMENTADAS 1. a) As Organizações Não Governamentais (ONGs) que englobam o universo de instituições presentes no terceiro setor apresentam. como exemplo podemos citar as fundações filantrópicas. 50 UNIDADE II . que teoricamente não desenvolvem atividade geradora de lucro. as associações comunitárias.O TERCEIRO SETOR E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES . 2. historicamente. b) As organizações que compõem o terceiro setor são sem fins lucrativos. a) As terceirizações implantadas no âmbito da reforma do Estado foram intensificadas como estratégia ampla de flexibilização do trabalho (funcionários públicos) e de direitos. bem como das prestações de serviços por meio das políticas públicas.

entre outros. petróleo. Esta proposta. telefonia. UNIDADE II . minerios. desresponsabilizando-o da adminsitração pública. Privatização É um processo de consessão ou venda das empresas/instituições estatais que produzem bens ou serviços. foi aderida dentro dos Estados como forma de reestruturar os serviços e instituições públicas. que é uma estratégia neoliberal. Sua utilização pelas grandes corporações visa eliminar os processos burocráticos. As privatizações no mundo foram resultado das iniciativas de desregulamentação das formas administrativas dos Estados. energia.O TERCEIRO SETOR 51 E AS DIFERENTES INSTITUIÇÕES 51 . tratam-se de serviços essenciais como fornecimento de água..GLOSSÁRIO Terceirização É uma prática que objetiva reduzir os custos e e aumentar a qualidade. É um processo gerencial que visa à subcontratação de emprezas que realizem funções de suporte a “empresa mãe” em conformidade com os objetivos desta. relegando ao setor privado o processo de gestão. Geralmente.

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• • Conhecimento da presença do terceiro setor nas políticas públicas. Apresentar as possibilidades de participação do terceiro setor. HAB ILIDADES E C O MP E T Ê N C IA S • Reflexão sobre as diferentes sobre as diferentes expressões do terceiro setor. UNIDADE III .3 UNIDADE III O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES OB J ETIVOS DA UN ID A D E • • • Reconhecer as diferentes expressões do terceiro setor no Brasil. Identificar a relação do terceiro setor com as políticas públicas.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 53 DIFERENTES EXPRESSÕES 53 . Identificação das possibilidades de participação do terceiro setor.

Caro aluno. é intrínseco ao desenvolvimento capitalista da formação social brasileira. de prioridade ao controle da inflação. Na conjuntura histórica da sociedade brasileira. o Estado não propiciou a representação das classes sociais em seu interior. representando. que trouxeram consequências perversas para o enfrentamento das expressões da questão social. apenas. No que tange as formas de participação da sociedade.pdf>. pois. C ONHEÇ A MAIS Leia o texto “Terceiro Setor e Responsabilidade Social das Organizações”. Assim. Disponível em: <http://empreende. a ausência do âmbito público nas ações do Estado. os setores dominados pela sociedade civil jamais tiveram força de veto sobre as decisões do poder estatal.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES .br/pdf/Responsabilidade%20social / Te r c e i r o % 2 0 s e t o r % 2 0 e % 2 0 r e s p o n s a b i l i d a d e % 2 s o c i a l % 2 0 a s % 2 0 organiza%C3%A7%C3%B5es. Desse modo. de restrição nos gastos públicos. interesses da burguesia nacional e internacional. de autoria de Maria Ester Menegasso. de privatização das estatais. Isso ocorreu em meio às propostas de enxugamento do Estado. Durante a década de 1980 ocorreu uma nova reconfiguração da sociedade civil com a exposição de experiências democratizadoras. em seus diferentes níveis e esferas. de diminuição da máquina estatal.org. é necessário resgatar que a sua entrada na cena política parte do processo histórico e social capitalista presente na sociedade brasileira. É importante que entenda que as peculiaridades do Estado brasileiro historicamente apresentam um processo de privatização de suas atribuições. 54 UNIDADE III . caracteriza sua intervenção na vida social. esta unidade irá possibilitar a você o reconhecimento das diferentes expressões do terceiro setor no âmbito da gestão das políticas públicas brasileiras. de cortes no funcionalismo.

em que comunidades inteiras disputam a ação das ONGs.cress. regidos pelo mercado e o Estado apenas regularia basicamente os programas contra a pobreza e as instituições de seguridade social. descentralização e privatização. Desse modo. E nessa lógica. no enfrentamento dos conflitos frente aos interesses contraditórios dos sujeitos. cada vez mais fortalecido frente às aberturas que a legislação brasileira vai proporcionar para sua efetivação como interlocutor na gestão das políticas públicas. C ONHEÇ A MA IS A respeito da gestão pública e o terceiro setor. instituições do terceiro setor possuem a atribuição de auxiliar na aplicação das estratégias de focalização. Então.br/arquivos/File/ materialum.com.belemvirtual. as relações entre o Estado e a sociedade civil também se modificam na busca da construção de esferas públicas efetivamente democráticas.pdf>. os serviços e benefícios são tratados como bens privados. Disponível em: <http://www. É nessa conjuntura que se expressa a entrada do Terceiro Setor na sociedade brasileira. UNIDADE III . Assim. a primazia de desenvolvimento das políticas públicas tem por base focalização. dirigindo os gastos públicos para a população de baixa renda. distanciando-se de lutas políticas mais amplas e universais. as políticas sociais são transformadas em programas de socorro à pobreza. Tal condição se justifica porque no contexto das reformas neoliberais permanece o pensamento de que a satisfação de necessidades sociais são responsabilidades individuais.Nesse momento conturbado.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 55 DIFERENTES EXPRESSÕES 55 . leia a apresentação de Selma Frossard Costa sobre “Serviço social e terceiro setor”.

de sua parceria com o Estado. de Andres Pablo Falconer.A PRESENÇA DO TERCEIRO SETOR NAS POLÍTICAS PÚBLICAS 3.pdf>. Houve por parte do Estado a transferência de parcelas de responsabilidades para as comunidades organizadas em ações de parceria – ratificadas em lei – com as 56 UNIDADE III . Nesse cenário são apresentadas inflexões na luta pela democratização do Estado. principalmente nos planos municipal e local.1  No decorrer da década de 1990 foram sancionadas algumas leis que ratificam a presença do terceiro setor no âmbito do processo de gestão das políticas públicas.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES . as tendências políticas ocasionaram no crescimento das ONGs e das propostas de políticas de parceria implementadas pelo Estado em suas diferentes esferas. pois as organizações e instituições da sociedade civil passaram a ter maior visibilidade e legitimidade. relacionadas com a participação de setores organizados da sociedade civil nas deliberações e prioridades das políticas públicas (RAICHELIS. A difusão de novos discursos e práticas sociais de partilha de poder nas esferas do Estado esteve no bojo das estratégias ideológicas do neoliberalismo. É nessa dinâmica que se apresentaram contradições quanto as possibilidades de concretização da democracia participativa.org/docs/ciberteca/andres_ Esse fortalecimento das ações e propostas descentralizadoras e participativas era uma das consequências das tendências mundiais relacionadas à crise da década de 1970. em: <http://lasociedadcivil. consequentemente. DIC A DE L EIT UR A Leia o texto: “A Promessa do Terceiro Setor: Um Estudo sobre a Construção do Papel das Organizações Sem Fins Lucrativos e do seu Campo de Gestão”. Durante a década de 1990. Disponível falconer. 2008).

as instituições do terceiro setor foram chamadas a firmar parcerias. com base no ideário da solidariedade da sociedade civil. sem que haja seu equacionamento. As propostas políticas que passaram a prevalecer são as associadas às iniciativas voluntárias de parceria da comunidade na realização de projetos de enfrentamento da pobreza. apresentando a redefinição do papel socializador do capital na implementação de políticas sociais.youtube. O que você deve considerar é que a filantropia que tem se apresentado é a filantropia do grande capital. OUTR AS M ÍDIA S Para saber mais sobre o que são as políticas públicas. durante as UNIDADE III . que em um primeiro momento resistiram à repressão da ditadura e têm executado programas focalizados e compensatórios. 2008). como estratégia principal de governo. Do mesmo modo. sem dar enfrentamento às situações de pobreza. com a modernização de seu discurso e suas práticas. Disponível em: <http://www. assista ao vídeo “Políticas Públicas (1ª parte) Programa Gestão em Foco”. os programas de financiamento internacional focam na participação das comunidades na implementação de programas governamentais financiados pelas agências de cooperação. Essas condições relegam a sociedade sua autossustentação. na medida em que os investimentos públicos nas áreas sociais são reduzidos. como executores de programas de combate à pobreza. no sentido de amenizar o impacto negativo das políticas de ajuste econômico nessas camadas (RAICHELIS. É possível destacar o reforço e a ampliação de políticas compensatórias destinadas aos segmentos mais empobrecidos e vulneráveis da sociedade.com/watch?v=tCIWJVB3Z7s>.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 57 DIFERENTES EXPRESSÕES 57 . Nessa conjuntura. É perceptível a contradição no âmbito da atuação das ONGs.ONGs e as fundações de filantropia privada. Diversas experiências foram desenvolvidas de forma descentralizadora e participativa.

como forma de resposta às expressões da questão social. É nesse sentido que as respostas governamentais às necessidades sociais se canalizam nas estruturas de proteção social criadas pelo Estado. O que ocorreu foi a criação do Programa Comunidade Solidária. refilantropizando a questão social. remanejando os ministérios e suas atribuições. Nesse período o governo desmanchou os órgãos governamentais de assistência social. como a LBA. CBIA. não definiu a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). Já no governo Fernando Henrique Cardoso.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES .décadas de 1980 e 1990. sim de transferir as verbas públicas para o setor privado (entidades assistenciais e filantrópicas). 58 UNIDADE III . realizadas por prefeituras em projetos de co e autogestão. desconsiderando a garantia de direitos aos cidadãos. A tendência a ser evidenciada nos últimos anos é de que as políticas implementadas pelo Estado brasileiro se tornam cada vez mais clientelistas e particularistas. que trata da formulação de programas de enfrentamento à pobreza e geração de renda a partir da organização da política de assistência social. na mesma medida provisória que extinguiu os órgãos governamentais responsáveis pelas ações assistenciais. Com o governo Collor foi possível perceber que ao Estado não cabia mais a responsabilidade pública na garantia de direitos sociais aos cidadãos e. apesar das estratégias de enfrentamento à pobreza serem questionáveis. Entenda que essas medidas desrespeitaram os preceitos constitucionais que definem a assistência social como responsabilidade governamental no desenvolvimento da política pública de seguridade social. envolvem as estratégias de mediação entre Estado e sociedade. o discurso governamental apresentou o reconhecimento dos níveis de pobreza e miséria no país. o Consea e num primeiro momento. Você deve lembrar que as políticas sociais integram as políticas públicas.

das reformas previdenciárias. Em meados do governo de Dilma Roussef. as estratégias governamentais de enfrentamento à pobreza tiveram por base o Programa Fome Zero. a criação do Programa Comunidade Solidária colidiu com as determinações da Constituição a respeito da Seguridade Social em sua articulação com a Saúde. com sociais uma face voltada à solidariedade mediante aos investimentos de grandes grupos empresariais. O TERCEIRO SETOR E AS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 3.2  No contexto da democratização iniciada no Brasil durante as décadas de 1980 e 1990. é possível identificar a continuidade da orientação neoliberal no governo federal e das ilusões. 2012). como direitos sociais. Nesse UNIDADE III . como os programas de combate à fome e à miséria. articulando-se com a Política de Assistência Social. que se iniciou em 2011. focalizado e precário. é que a estratégia neoliberal demanda de atenção estatal na manutenção de um mínimo na área social. que são financiados em parte pela sociedade civil e com retiros das classes trabalhadoras (rendas obtidas a partir do arrocho salarial. dentre outros vinculados à questão da segurança alimentar no país. permaneceram as políticas sociais. a Previdência e a Assistência Social. Este programa se propôs a articular a responsabilidade do Estado com a sociedade civil.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 59 DIFERENTES EXPRESSÕES 59 . motivadas pelo discurso governista. etc) (MONTAÑO. Assim. como o Programa Bolsa Família e o Plano Brasil sem Miséria. já no governo Lula (2003-2010). Nos anos recentes. que dão continuidade as propostas estabelecidas pelo Programa Fome Zero. Assim.Assim. o que se pode perceber no atual contexto de crise capitalista. elaborado pelo Instituto de Cidadania em 2001 e com a participação de representantes de Organizações Não Governamentais. da flexibilização das leis trabalhistas. foram expressas conquistas legais e o retorno dos direitos de cidadania. no terceiro mandato do Partido dos Trabalhadores.

É conveniente ressaltar como estratégia de inserção do terceiro setor na gestão das políticas públicas. será possível dar ênfase à presença do terceiro setor na Política de Assistência Social. como as parcerias e a descentralização administrativa. além da ampliação da participação da sociedade civil em conselhos. as quais foram mencionadas na Unidade I deste livro didático. em 2005. posteriormente. como: a Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde (SUS). o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). de Luciano A. a Política Nacional de Assistência Social (PNAS). os processos que foram ratificados pela Constituição Federal de 1988. Disponível em: <http://www. como: saúde. fóruns e movimentos sociais. educação ambiental e segurança (destaca-se a gestão do sistema carcerário). Prates Junqueira. Consequentemente. sem desconsiderar a sua notória presença em outras políticas públicas.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES . em diferentes campos e contextos sociais. 2004 e o Sistema Único de Assistência Social. 60 UNIDADE III .scielo. a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e. mediante as possibilidades criadas pela democratização e pela conjuntura social. leia o texto: “A gestão intersetorial das políticas sociais e o terceiro setor”.br/pdf/sausoc/v13n1/04.pdf Nesse cenário ocorreu o avanço notório na garantia dos direitos sociais. Assim. nesse período houve o crescimento dos diversos tipos de associações sem fins econômicos (terceiro setor). DIC A DE L EIT UR A A respeito da gestão das políticas sociais.período foram relevantes as regulamentações sociais. política e econômica que se instaurava no país. a partir da implantação da LOAS com as esferas de representação da sociedade civil na concepção de uma política pública universalista.

O destaque a essa política é justificado pelo campo fértil de intervenção do Serviço Social e de debates recentes que evidenciam as contradições existentes no âmbito de sua concepção e execução. sendo remetida àqueles que não possuem renda. que no caso da legislação pertinente a essa política são classificadas como entidades sem fins econômicos. dentro da política assistencial. elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS “Especial apresenta história da Assistência Social no Brasil”. Disponível em: <http://www. Mesmo que permeadas. pela tradição filantrópica e assistencial.OUTR AS M ÍDIA S Assista ao vídeo que apresenta a história da Assistência Social no Brasil. 2012). A Política de Assistência Social foi formada por um universo de organismos das instâncias governamentais. Desse modo. havendo sobreposições e desarticulação de políticas e órgãos no âmbito de sua gestão. exibindo a presença das organizações representativas da população.com/watch?v=gq4YXI1pggg>. com o estabelecimento de uma nova seletividade entre as organizações com as quais o Estado passou a realizar parcerias.youtube. Ela foi inserida na divisão socioinstitucional governamental. também. Essa dinâmica foi ratificada constitucionalmente. UNIDADE III .O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 61 DIFERENTES EXPRESSÕES 61 . a assistência social pública historicamente foi restrita a prestação direta de serviços e. No campo da assistência social é relevante compreender o papel exercido pelas instituições que compõem o terceiro setor. historicamente. Assim. Sposati (2012) lembra que a assistência social é posta de forma contraditória pela Constituição Brasileira de 1988 na condição de um direito social. indicando as relações entre Estado e sociedade civil. Você deve ter clareza que o princípio constitucional da descentralização administrativa possibilitou firmar parcerias. essas entidades vêm participando das deliberações e da execução da política de assistência social. a filantropia privada foi sua via de acesso à populações demandatárias de tais serviços (SPOSATI. em que é relacionada à questão da pobreza sem o estabelecimento de vínculos de classe.

fortalecendo a ausência de responsabilidade por parte do Estado. que define a municipalização. a SAS no contexto da administração governamental. tiveram um tratamento demorado. Durante o governo FHC houve a negação da assistência social como direito constitucional.principalmente com as redes de solidariedade da sociedade nas instâncias locais. pelo contrário. nessa política não foram eliminadas as relações com as antigas instituições assistenciais e filantrópicas. em que a distribuição de recursos públicos para entidades assistenciais foi realizada por meio de diferentes mecanismos. houve a incorporação de novas organizações sociais. 62 UNIDADE III . Do mesmo modo. gerando o reconhecimento da necessidade de se superar os equívocos conceituais e práticos associados a essa área. respondendo à interesses contraditórios. Assim. em que sua plataforma política foi o Programa Comunidade Solidária.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES . dentro da estrutura institucional responsável pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social. foi demorado o processo de definição da Política Nacional de Assistência Social (PNAS). convênios. Mesmo assim. a regulamentação da LOAS e da PNAS.LOAS. como subvenções. Assim. O que é importante compreender que a definição da assistência social como direito. a Secretaria de Assistência Social (SAS) foi definida. além da dificuldade observada em efetivar a estrutura do Ministério da Previdência e Assistência Social. notadamente as ONGs. Nesse sentido. A partir dessas condições. típico da estratégia neoliberal adotada pelo governo. contratos repassados às organizações sociais para a efetivação dos programas sociais de natureza pública. o projeto de reorganização dos órgãos federais de assistência social. a presença do terceiro setor no âmbito da assistência social é resultado do processo histórico da sociedade. esteve presente nas discussões sobre a formulação da Lei Orgânica da Assistência Social . equivocado e desinteressado pelo governo brasileiro mediante à própria lógica do capital na orferta de serviços. conforme estabelecido pela LOAS. o Programa Comunidade Solidária.

Nesses termos.pdf>. Entretanto.É dessa forma que nos últimos anos as formas institucionais que os serviços e programas da assistência social assumiram. DIC A DE L EI T UR A Leia o texto “O Terceiro Setor como Executor de Políticas Públicas: ONGs Ambientalistas na Baía de Guanabara (1990-2001)”. dos direitos e das demandas dos usuários que necessitam de atenção no campo da assistência social. Assim. enquanto gestor. como consequência se apresenta o reforço do clientelismo e a degradação do fundo público. como espaço de regulação de conflitos e interesses diversos. avanços e recuos dos direitos sociais. um emaranhado de contradições se evidencia mediante as intencionalidades do Estado. bem como da manipulação de interesses. No bojo dessa política. com a materialização do SUAS. que se entrecruzam com a proposta de efetivação da Política Nacional de Assistência Social. de modo a superar as ações fragmentadas e assistencialistas. Por outro lado. como das demais políticas públicas. estas entidades apresentam ideologias e objetivos diversos. ainda é presente a igreja católica no processo de luta pela aprovação das legislações. reduzindo a laicidade do Estado na medida em que as entidades sem fins econômicos possuem estatutos que expressam o caráter ideológico em suas ações. diferentes valores e concepções. na efetivação de demandas e na transferência de responsabilidades para a sociedade civil. é perceptível a articulação entre o estatal e o privado.br/pdf/rsocp/n24/a12n24. A relação entre o Estado com essas instituições do terceiro setor deve buscar uma nova constituição do público e do privado. conquistas e concessões. sendo operado como uma forma de eliminação da esfera pública. bem como priorizar as respostas aos sujeitos demandatários da PNAS. Disponível em: <http://www. UNIDADE III . É necessário reconhecer que são inegáveis os avanços obtidos por essa política nas duas últimas décadas. de Solange Maria da Silva Nunes Mattos e José Augusto Drummond.scielo. passaram a ser configurar como campo de luta.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 63 DIFERENTES EXPRESSÕES 63 .

(SILVA.] os discursos que justificam os ajustes e reformas no campo da seguridade. Silva (2010) afirma que: No Brasil.3  No quadro social em que se apresenta o terceiro setor. em favor da gestão progressivamente privatizada da oferta de serviços de interesse público.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES . é possível perceber diversas expressões sobre sua forma de participação: a relevância de sua intervenção democrática. Por outro lado. não devem substituir as responsabilidades do Estado com as políticas sociais. as contradições da relação com o Estado. da filantropia e das organizações sociais estabelece uma esfera em que as ações do Estado mesclam-se com as ações de instituições privadas. convertida em solidariedade pelo terceiro setor. seja via ONGs ou empresas socialmente responsáveis). Por isso. fato é que a previdência e a assistência sociais passaram a constituir uma unidade contraditória (a negação de um sistema 64 UNIDADE III . principalmente no âmbito das políticas sociais. Mota (2009) ressalta que: [. é necessária a resistência do processo de despolitização da gestão social.AS POSSIBILIDADES DE PARTICIPAÇÃO DO TERCEIRO SETOR 3. Essa cojuntura se justifica pela necessidade de adequar as políticas sociais às novas necessidades do grande capital. é possível perceber que a organização. o trabalho comunitário e as iniciativas de autossustentabilidade. Entretanto. falta de ampliação dos serviços públicos. 2010. a focalização da aplicação dos recursos na pobreza. pela da ampliação da participação da sociedade civil (seja através do trabalho voluntário.. Nesse sentido. Estabelece-se um hibridismo nas relações entre o estatal e o privado. invariavelmente passam pela questão do financiamento. o marco legal do terceiro setor. como a primazia do desenvolvimento da estratégia neoliberal. p. Merece destaque as parcerias comunitárias com ONGs. Assim. 240). a mobilização e o fortalecimento da sociedade civil.. são necessárias para o processo de democratização da sociedade brasileira. tanto a abertura legal.

único de previdência social pública é. DIC A DE L EI T UR A Leia o texto “Gestão social: uma perspectiva conceitual”. Esses conselhos devem ser compostos. Disponível em: <http://bibliotecadigital. 2009. 44-45). Desse modo. do voluntariado. UNIDADE III . No bojo da constituição federal se abriu espaço para a ampliação da participação popular nas decisões políticas. a base para afirmação de um sistema único de assistencia social) no processo de constituição da seguridade social brasileira. ações em rede. de Fernando Guilherme Tenório. com o estabelecimento dos conselhos gestores de políticas públicas. que constituem uma das principais inovações democráticas nesse campo.fgv. entre representantes da sociedade civil e do governo. você deve ter clareza de que o grande capital tem tranformado os trabalhadores em parceiros. empoderamento e empreendedorismo social que dão suporte à intervenção social ao Estado. As possibilidades de participação podem ser observadas a partir da década de 1990 na formulação. em seu processo deliberativo. mediante a vinculação da capacidade de participação da sociedade civil. de forma paritária. Essas condições justificam o surgimento da “empresa socialmente responsável”. p. mediante a ideologia de responsabilização da sociedade civil. gestão e controle social das políticas públicas.br/ojs/index.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 65 DIFERENTES EXPRESSÕES 65 . passando estes a serem provedores do capitalismo financeiro e proprietários de grandes negócios. (MOTA.php/rap/article/ view/7754/6346>. como mecanismo de controle social sobre as ações estatais. das práticas de desenvolvimento sustentável. com o fortalecimento da ideia de constituição de espaços públicos. conforme os padrões democráticos pleiteados desde a década de 1980. ao mesmo tempo.

partidos. é necessário que você entenda que a sociedade civil é o espaço em que se manifesta a organização e representação dos interesses dos diferentes grupos sociais (associações e organizações. Leia o texto: “Articulação entre os conselhos de políticas públicas – uma pauta a ser enfrentada pela sociedade civil”. Assim. que tornam ou não conscientes os conflitos e as condições sociais. Então. Essas organizações foram integradas como parceiras na gestão das políticas sociais. além um espaço para o exercício da cidadania. principalmente os tradicionalmente excluídos do acesso às decisões do poder político. no discurso apregoado à sociedade civil.pdf>.). meios de comunicação etc). sindicatos.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES . de Raquel Raichelis. a presença de organizações do terceiro setor. as organizações do terceiro setor passaram a participar da construção da cidadania. bem como. a participação de novos e diversificados sujeitos sociais. além de contribuir para o processo de transformação da realidade na busca pela garantia de direitos sociais à população. É importante reconhecer que as organizações do terceiro setor atuam em diferentes áreas e com públicos distintos e passaram a desempenhar criatividade.br/uploads/arquivos/apu_93. em mobilizações para resolução de seus problemas. esfera da elaboração e/ ou difusão dos valores.É esssa dinâmica de participação e representação social na organização e gestão das políticas sociais. A participação da sociedade foi incentivada pelo projeto neoliberal com vistas ao controle social na gestão e implementação das políticas sociais. cultura e ideologias (atividades culturais. filantrópicas e caritativas. o objetivo era transferir às organizações da sociedade civil a atribuição de agentes do bem-estar social. passando assim a ter outras atribuições como coordenador e fiscalizador das políticas públicas. frente à práticas voluntárias. liberdade e criatividade.com. 66 UNIDADE III . Disponível em: <http://igepp. C ONHEÇ A MAIS Conheça mais sobre os conselhos de políticas públicas. Entretanto. etc.

com segmentos definidos (crianças e adolescentes. Disponível em: <http://www. nacional ou internacional. mulheres. o que se tem claro é que o terceiro setor busca intervir na realidade social. O que se deve considerar é a inciativa autônoma frente ao Estado.com/watch?v=cGSFxc3hfaM>. como canais de participação social e como formadores de liderança. condições de desenvolvimento integral. educação e saúde) e suas ações evidenciam o sucateamento das políticas sociais públicas. etc. para o bem-estar de uma comunidade ou sociedade local. coletiva e formalmente. cultura. dentre outros). em uma área específica (assistência social. Algumas organizações objetivam influenciar no desenvolvimento das políticas públicas.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 67 DIFERENTES EXPRESSÕES 67 . O terceiro setor procura garantir aos usuários de seus serviços. Essa perspectiva de agir de forma coletiva pressupõe a democratização com vistas à emancipação dos sujeitos sociais mediante o exercício da cidadania. índios. também funcionam como laboratórios de inovação social. habitação. meio ambiente. pois são agentes não econômicos e não estatais que procuram atuar. relegando a essas organizações o desafio de responder às demandas da sociedade. famílias. Portanto. idosos. Além de buscarem oferecer serviços. portadores de HIV. de forma voluntária.youtube. UNIDADE III . que trata de possibilidades de participação e intervenção do terceiro setor. educação. pois atuam com interesse público (enfocando as que se inserem na esfera da assistência social. trabalho.). saúde. dependentes químicos.C ONHEÇ A MA IS Assista ao vídeo “Redes comunitárias 301 (Tecnologia Social e Economia Solidária)”. portadores de deficiência. fiscalização e apoio às ações dos governos.

mesmo com a predominância dos interesses da burguesia nacional e internacional. que trouxeram consequências drásticas para o enfrentamento das expressões da questão social. a participação da sociedade civil foi resultado de lutas e conquistas políticas pela democratização. de parceria com a comunidade na realização de projetos de 68 UNIDADE III .usp. É nessa conjuntura que o terceiro setor expressa na sociedade brasileira seu fortalecimento. Entretanto. colocando-o como interlocutor na gestão das políticas públicas. leia o artigo “A emergência do terceiro setor – uma revolução associativa global”.asp?num_artigo =158>.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE III Nesta unidade você pôde compreender que no âmbito público nas ações do Estado.com/watch?v=cwICETI5GPw 3. foram fortalecidas as propostas políticas que estavam associadas às iniciativas voluntárias.PAR A R EFLET IR Para refletir a respeito do terceiro setor e suas contradições. a conquista de participação da sociedade é resultado das propostas de enxugamento do Estado. Acesse os links: • • https://www. Nesse sentido.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES .rausp. historicamente. Disponível em: <http://www.youtube. OUT R AS MÍDIA S Saiba mais sobre as formas de participação do terceiro setor na sociedade a partir dos vídeos descritos abaixo: “Participação das entidades do terceiro setor na promoção do direito a educação – parte 01 e parte 02”. de Lester Salamon. mediante as possibilidades dadas pela legislação.com/watch?v=4f4YJLK2lKY https://www.youtube.br/busca/artigo.

de modo a superar as ações fragmentadas e assistencialistas. As possibilidades de participação são evidenciadas na formulação. apesar de permeadas. Por outro lado. Sendo assim. principalmente com as possibilidades de intervenção que adquiriu com as políticas públicas. historicamente. em especial na política de assistência social. mesmo que.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 69 DIFERENTES EXPRESSÕES 69 . têm participado das deliberações e da execução da política de assistência social por meio das parcerias e convênios. as instituições que compõem o terceiro setor possuem diversas formas de participação e intervenção democrática. pela tradição filantrópica e assistencial. é importante ficar claro que a relação do Estado com essas instituições do terceiro setor deve buscar uma nova constituição do público e do privado. Lembre-se de que este conteúdo não se esgota aqui. houve o reconhecimento de que as práticas exercidas pelo terceiro setor favorecem o acesso aos direitos sociais. é importante que você assista à terceira teleaula para aprofundar essa discussão sobre as realidades regionais e também entre no nosso Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) para participar do Fórum e das atividades propostas. Assim. Aguardo você lá! UNIDADE III . com o fortalecimento da ideia de constituição de espaços públicos desde a década de 1980. gestão e controle social das políticas públicas. haja uma ação contraditória à primazia do Estado.enfrentamento da pobreza. além disso. No âmbito dessa política. as organizações do terceiro setor. por vezes.

O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES .TESTE SEU CONHECIMENTO 70 UNIDADE III .

UNIDADE III .O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: 71 DIFERENTES EXPRESSÕES 71 .

3. 72 UNIDADE III . Atualmente. que prevaleceu como principal prática por muitos anos. as estratégias governamentais de enfrentamento à pobreza tiveram como argumento a inovação a partir da criação do Programa Fome Zero. 4. mediante aos dispositivos legais que amparam tal condição. sendo estratégias do governo para estreitarem seu papel de interventor e financiador das políticas públicas.O DESENVOLVIMENTO DO TERCEIRO SETOR NO BRASIL: DIFERENTES EXPRESSÕES . que contava com a parceria na execução e financiamento da sociedade civil. 2. a assistência social se apresenta como um direito social e desse modo compete ao Estado efetivá-lo. a) Na conjuntura histórica da assistência social foi presente a prestação direta de serviços e a filantropia privada. gestão e controle social das políticas públicas. b) As possibilidades de participação da sociedade civil estiveram pautadas na formulação. c) Com a ratificação da democracia pela constituição federal. foi possível nos últimos anos que as instituições do terceiro setor firmassem parcerias e convênios. d) Durante o governo Lula (2003-2010).RESPOSTAS COMENTADAS 1. em que se observa a forte presença de entidades do terceiro setor nesses processos.

A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 73 TERCEIRO SETOR 73 .4 UNIDADE IV A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR OB JET IVOS D A UN ID A D E • • • Problematizar as relações de trabalho no terceiro setor. UNIDADE IV . HAB IL IDADES E C O MP E T Ê N C IA S • • Compreensão das relações precarizadas de trabalho no terceiro setor. Indentificação do trabalho do serviço social no terceiro setor e da prática profissional nas entidades assistenciais. Expor as práticas profissionais nas entidades assistenciais. Caracterizar o trabalho do serviço social no terceiro setor..

Aspectos esses também evidenciados em outras esferas de trabalho 74 UNIDADE IV . desencadearam desregulamentações nas distintas esferas do trabalho. 11). A organização social e técnica da produção também sofreram modificações. Assim. em obediência às determinações do Consenso de Washington. não pode eliminar completamente o trabalho vivo no processo de produção de mercadorias.br/2012/11/cresce-trabalho -no-terceiro-setor. “vem sendo compreendido como expressão da vida e degradação. p. criação e infelicidade.1  AS RELAÇÕES DE TRABALHO NO TERCEIRO SETOR PAR A R EF L ETIR Conheça mais sobre o trabalho no terceiro setor. seu sentido filosófico. com a reterritorialização e desterritorialização da produção. É importante resgatar que o trabalho perpassa diversas formas de compreensão. social. cultural e político. felicidade social e servidão” (ANTUNES. 2005. com o objetivo de envolver todos os trabalhadores nos planos das empresas. especificamente na década de 1990. Convém lembrar que as transformações recentes ocorridas no Brasil.com. o capital. em meio as mudanças tecnológicas. tem incrementado as técnicas de extração do trabalho. Com os novos padrões organizacionais e tecnológicos foram implantados os métodos participativos. expressando as contradições existentes na sociedade capitalista. mesmo com a reestruturação produtiva que vem sendo instaurada na sociedade. em consequência da reestruturação produtiva e das novas formas de trabalho com base no capital internacional. econômico.blogspot. atividade vital e escravidão.4. Disponível em: <http://ongdcm. lendo a reportagem “Cresce o trabalho no terceiro setor”. Pelo contrário.html>. Nesse sentido.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR .

. sem fins lucrativos.. com trabalho voluntário. em um amplo leque de atividades. que tem como causas a flexibilização do trabalho e o abandono do modelo de contrato de trabalho por tempo indeterminado. Conforme ressalta Antunes (2006): [. Então. coexistindo com o fordismo [.. resultando no aumento do desemprego estrutural.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 75 TERCEIRO SETOR 75 . estão em curso acentuado e presentes em grande intensidade. bem como a terceirização e as novas formas de gestão da força de trabalho implantadas no espaço produtivo. É uma alternativa limitada para sanar o desemprego. É possível observar a destruição e eliminação dos postos de trabalho.]. Tenha clareza que uma das alternativas apresentadas pela estratégia capitalista frente às crises recentes foi a defesa da ampliação da intervenção do terceiro setor na sociedade. Dessa forma. (ANTUNES. incorporando parcelas de trabalhadores desempregados. A expansão do terceiro setor é resultado da retração do mercado de trabalho industrial e de serviços ante ao desemprego estrutural. trabalhos temporários e informais.] A flexibilização e a desregulamentação dos direitos sociais. UNIDADE IV . 19).(instituições estatais).. o capitalismo brasileiro atualmente tem apresentado enormes enxugamentos da força de trabalho. ampliam-se os postos de trabalho terceirizados e os subcontratos. expandindo uma nova possibilidade de trabalho. relativamente à margem do mercado. p. com as mudanças no processo produtivo e na organização do controle social do trabalho. Essa alternativa se apresenta por meio de empresas com um perfil mais comunitário. 2006. que foram fortalecidos mediante ao êxito dessas estratégias. com predominância no caráter assistencial. sem efetividade e durabilidade no mercado de trabalho.

no âmbito das respostas às refrações da questão social. 2010). dar ententamento às demandas que o Estado se isenta de responder e. funcional ao sistema capitalista e incapaz de absorver todos os desempregados. mesmo que de modo precário.ufscar.cadernosdeterapiaocupacional. Assim. Desta forma. o terceiro setor aparece como uma alternativa às respostas a questão social. Disponível em: <http://www. passou de uma perspectiva de bem-estar para uma orientação neoliberal. mediante as transformações no processo de trabalho e as desregulamentações que ensejaram na perda de direitos sociais e trabalhistas. 76 UNIDADE IV .DIC A DE L EIT UR A Leia o texto: “A Precarização do Trabalho no ‘Terceiro Setor’.br/index. php/cadernos/article/view/115/80>.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . é possível verificar que transformações ocorridas no mundo do trabalho (a tecnologia. a organização e as relações de trabalho) nos últimos anos. possibilitar acesso ao trabalho para parcelas de desempregados. global e produtivo. possui um sentido social e útil na vida dos trabalhadores. O terceiro setor vem incorporando trabalhadores expulsos do mercado de trabalho formal. conforme enfatizado anteriormente. Sendo assim. são significativamente alteradas em suas orientações e em sua funcionalidade (Montaño. Ao terceiro setor cabe um duplo papel. as políticas sociais. principais usuários das políticas sociais. afetam a realidade das classes trabalhadoras. no atual contexto neoliberal. bem como nova possibilidade de intervenção de diversas profissões. um Estudo a partir da Realidade da Terapia Ocupacional em Maceió-AL” de Waldez Cavalcante Bezerra e Maria Margareth Ferreira Tavares. O Estado adquiriu novos direcionamentos. ou seja.

sendo essa conjuntura tendência de expansão do mercado de trabalho para o Serviço Social.DIC A DE F ILME Assista ao vídeo “A Não-Remuneração de uma Sociedade Civil Organizada – Parte 1”. a privatização. As tendências de trabalho para o Serviço Social na conjuntura recente. com a ampliação das desigualdades sociais. focalização e descentralização das políticas públicas em que o assistente social intervém.2  No cenário recente. que trata das iniciativas de trabalho no Terceiro Setor. com a reestruturação do Estado. de desenvolvimento da acumulação capitalista.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 77 TERCEIRO SETOR 77 . Disponível em: <https://www. a tendência de expansão do mercado de trabalho profissional é percebida pelas estratégias políticas e ideológicas de legitimação do projeto neoliberal. sua legitimidade. as medidas de enfrentamento da questão social são expressas no projeto social capitalista.youtube. estão pautadas na transferência de serviços (e de espaço profissional de atuação) para o chamado terceiro setor. em que fundamentam sua funcionalidade.com/watch?v=PrE9ywiI1Yc&list= PL7RP8kI6_8hvqozA8lSBQB7OWMCjO8g_G>. Você deve ter clareza que as políticas sociais são à base de sustentação funcional-ocupacional do Serviço Social. Assim. UNIDADE IV . possibilitando a criação de espaços de inserção ocupacional. O TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR 4.

Por isso. O assistente social é que é o agente de implementação da política social (instrumentalizado por esta). elaborada por Selma Frossard Costa para o Seminário do CRESS 1ª Região “Serviço Social na área do Trabalho e Terceiro Setor”. principalmente. Montaño (2010. O assistente social depende da política social. Nesse sentido. e não o contrário. • Na eventual tendência ao aumento do desemprego e subemeprego profissional. as políticas sociais já nasceram setorializadas. a política social o instrumento de intervenção profissional. no seu vínculo empregatício. • Na descentralização da profissão. esta o legitima ao criar espaço laborativo para a inserção profissional. • Na modalidade interventiva..belemvirtual.] a política social como um instrumento do Estado intervencionista e. o que rebate diretamente na profissão: • No tipo de demanda dirigida ao profissional.. como a instância privilegiada que cria o espaço de intervenção profissional.244).br/arquivos/File/ materialum. que constitui o mercado para o Serviço Social e que atribui funcionalidade e legitimidade à nossa profissão. Por outro lado. a profissão de Serviço Social tende a sofrer modificações na sua demanda e no seu campo de atuação. na medida em que as políticas sociais estão se alterando. focalizadas etc. bem como na sua intervenção e. • Nas condições de trabalho. sendo atualmente recortadas.C ONHEÇ A MAIS Saiba mais sobre a relação do Serviço Social com o Terceiro Setor lendo a apresentação “Serviço Social e Terceiro Setor”.com. 78 UNIDADE IV . 2010. enquanto trabalhador.cress. precarizadas. Disponível em: <http://www. assim. p. p.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR .pdf>. consequentemente.. 244) ressalta que é necessário entender: [. (MONTANÕ.

Entenda que a atividade prática do Serviço Social não se transforma estatal para filantrópico ou terceiro setorista. pertinentes à tecnificação dos processos de trabalho. UNIDADE IV . em que a estratégia neoliberal promoveu uma “re-filantropização” e uma “re-mercantilização” da questão social. aumentando consequentemente. o espaço prático-ocupacional do Serviço Social tem sido substituído pelo aumento das estratégias de filantropia. que é a ação filantrópica. pois os direitos sociais regridem frente à retirada de responsabilidade do Estado.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 79 TERCEIRO SETOR 79 . Montaño (2010) ressalta que o Serviço Social não evolui ou involui em filantropia. os espaços ocupacionais dos assistentes sociais são modificados. que requerem a este profissional novas habilidades. Disponível htm>. e sim. não há uma passagem do Serviço Social do Estado para o chamado “terceiro setor”.uel. em: <http://www. uma transferência das práticas profissionais dos assistentes sociais. as práticas filantrópicas e voluntárias no âmbito do terceiro setor.A partir desse cenário. O que é possível perceber é a perda paulatina do espaço profissional-ocupacional dos assistentes sociais no âmbito estatal. de Wagner Roberto do Amaral. Assim. DIC A DE L EI T UR A Leia o texto “A OUSADIA DO SERVIÇO SOCIAL NO ESPAÇO DAS ONGS”.br/revistas/ssrevista/c_v1n1_ousadia É importante entender que mesmo nessas condições. este ainda permanece como principal campo de atuação profissional do Serviço Social. Ocorre a substituição gradual da atividade prática por outra diferente. ou seja. Essas condições se justificam na transferência dos serviços e assistências sociais do Estado para o setor privado (mercantil e “terceiro setor”). É importante ressaltar que embora tenha ocorrido a “desresponsabilização” do Estado em consonância com a estratégia neoliberal. Aparecem também novas demandas.

Associações. também. as instituições que compõem o Terceiro Setor (ONGs. A tendência do deslocamento das respostas à população da esfera pública para esfera privada tem ocasionado na regressão da cidadania. bem como campo de trabalho. bem como altera os princípios que sustentaram as respostas às sequelas da questão social até então. que ratificam a ideologia de um Estado ineficiente. As possibilidades de intervenção do assistente social junto a essas instituições estão pautadas na intermediação de demandas da população usuária e o acesso aos serviços sociais. entre as esferas pública e privada. parcela relevante da prestação de serviços sociais. É importante ter clareza que nas corporções empresariais que trabalham com base na responsabilidade social empresarial.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . Fundações Empresariais. além de outras categorias profissionais (IAMAMOTO. a terceirização ou a substituição por agentes de menor preparo e salários mais baixos ou voluntários. intervindo no espaço doméstico dos conflitos e nas relações sociais. 2009). Apresenta um novo trato à questão social. essa nova conjutura afeta o tipo de prática e o vínculo ocupacional da profissão. Aos assistentes sociais remete além da relação de focalização. realizam ações focalizadas na pobreza. transferindo aos distintos segmentos da sociedade civil. é demandado o aperfeiçoamento dos agentes planejadores e executores e a melhora na qualidade da prestação destes serviços. dentre outras). afetando diretamente o espaço ocupacional do assistente social.Nesse sentido. a precarização das condições de trabalho. e é importante lembrar que isso reflete na qualidade dos serviços. Cooperativas. Instituições Filantrópicas. afetando as bases que sustentam a funcional-ocupacional do Serviço Social. na sustentabilidade. Desse modo. Ao dar outro tratamento aos serviços sociais e assistenciais. apresentam um conjunto diverso de frentes de trabalho ao assistente social: 80 UNIDADE IV . As novas configurações da sociedade apresentam como possibilidades de intervenção do assistente social. descentralização e precarização das políticas sociais.

projetos educativos e socioambientais etc. Geralmente. programas de voluntariado. atualizando as práticas de desenvolvimento de comunidade. • Qualidade de vida no trabalho. em situação de risco social. UNIDADE IV . • Desenvolvimento de equipes. nos programas destinados à responsabilidade social. Uma das motivações da requisição da intervenção do assistente social nessas atividades é a preservação da força de trabalho dos empregados e a mediação de conflitos. essas atividades são destinadas aos públicos relacionados às atividades da empresa. monitoramento e avaliação de projetos sociais e campanhas institucionais internas e externas. com atendimento direcionado para os mais pobres e vulnerabilizados. Entretanto. em atividades de assesssoria e consultoria. • Voluntariado. O trabalho dos assistentes sociais envolve a elaboração.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 81 TERCEIRO SETOR 81 . o assistente social concorre espaço com outros profissionais. A sua intervenção se amplia para fora da empresa.• Gestão de recursos humanos. • Educação Ambiental. implementação. focalizam seu atendimento para a erradicação da pobreza. • Programas participativos. com o objetivo de fortalecer a imagem empresarial. Tenha clareza que as ações sociais empreendidas pelas empresas e fundações para comunidades. • Ação Comunitária. tratando-se de estratégia de mercado. historicamente presentes no serviço social. trabalho comunitário. etc.

2009. 82 UNIDADE IV . planejar e executar ações. • A legislação atual que regulamenta o terceiro setor e fundamenta a prática profissional. em contraposição aos interesses do capital. 442): [.] As antigas práticas de trabalho em comunidades são reeditadas e passam a ser direcionadas à formação de uma nova sociabilidade requerida pelos imperativos da reprodução capitalista e à necessidade de mostrar a “face humana” de um sistema que produz e reproduz incessantemente desigualdades. identificando estratégias de ação articuladas ao projeto ético-político da profissão..Assim. 442). para o enfrentamento da questão social. • As políticas sociais em desenvolvimento. ética. e avaliar os resultados. Desse modo. Apesar da imposição de ampliar a mais–valia capitalista nessas ações.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . em todas as dimensões da vida societária (AMARAL E CESAR. o assistente social possui conhecimento específico e instrumental de trabalho capaz de propiciar a leitura da realidade. p. inerentes à sua lógica. ao assistente social compete resguardar seu potencial crítico e sua autonomia teórica.. conforme ressalta Amaral e Cesar (2009. política e técnica. • A relação do Estado com o mercado e o terceiro setor. • A noção de quem é o público-alvo das políticas sociais. com capacidade de identificar as demandas internas e externas. demanda que sua formação profissional seja sólida sobre: • As expressões da questão social contemporânea na sociedade brasileira. os papéis e funções de cada um na formulação e execução das políticas sociais. É necessário acrescentar que na atuação específica do assistente social junto às instituições do terceiro setor. p. • A totalidade da instituição que exerce sua prática. bem como sugerir.

A prática profissional ocorre de forma distinta. tendendo ao crescimento de funções socioinstitucionais do serviço social para o plano da gerência de programas sociais. na ajuda e solidariedade. UNIDADE IV . que o mercado de trabalho ampliado pelo terceiro setor. pois a retratação do mercado na órbita estatal para o Serviço Social. É importante ter clareza. rotatividade de emprego. não tem compensado. Você deve perceber. que essas relações de trabalho fragmentam o mercado de trabalho.No âmbito da atuação junto às organizações sociais. mediante a descentralização administrativa das políticas sociais e da perspectiva da participação popular nos processos de gestão. modificando os papéis e atribuições profissionais. diferenciando as condições de atividade entre as instituições estatais e as de iniciativa privada. a inserção tende ser caracterizada pela precariedade das relações empregatícias. No âmbito do Terceiro Setor como espaço ocupacional de trabalho dos assistentes sociais. os processos de assessoria e consultoria de políticas sociais têm aumentado como possibilidade de trabalho ao assistente social. pautadas na seletividade do atendimento. alterando o significado social do trabalho técnico-profissional e seu nível de abrangência nos atendimentos. não aumentou de forma significativa a quantidade dos postos de trabalho para os assistentes sociais criados na sociedade civil. As ações são voltadas a grupos e segmentos sociais específicos. o assistente social tem sua prática pautada na filosofia. níveis salariais reduzidos e jornada de trabalho em tempo parcial. Nessas condições. requerendo ao profissional conhecimento sobre legislações e relações de poder. Nesses espaços ocupacionais. os assistentes sociais trabalham na gestão de programas sociais. Nos últimos anos. flexibilização das relações contratuais. o que muitas vezes pode ocasionar na desprofissionalização do atendimento.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 83 TERCEIRO SETOR 83 . o trabalho no Terceiro Setor não é um canal expressivo e estável de absorção de profissionais. por exemplo.

No âmbito municipal são observadas as piores condições para o assistente social. Mesmo com o aumento de demanda por profissionais em todas as esferas. Dentre as consequências da menor interferência do Estado nas políticas públicas. dando espaço à multiplicidade de contratos. sujeito a financiamento externo de projetos pontuais.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . a terceirização é acompanhada pela perda de direitos trabalhistas e instabilidade empregatícia. Merece destaque as relações dos assistentes sociais com as esferas públicas (federal e estadual). aumentam as formas de precarização do vínculo contratual do assistente social. maior precariedade e rotatividade. 2010). representam o processo ampliado de precarização do trato 84 UNIDADE IV . Desse modo. cada vez mais descentralizado. na sua capacidade de intervenção e na sua possibilidade de qualificação (MONTAÑO. e menor salário. é maior contratação de assistentes sociais terceirizados. além do crescimento nas demissões no âmbito estadual. mais do que nos âmbitos federal e estadual. No âmbito municipal. reduzindo as contratações no âmbito municipal. com menor carga horária. resultando no aumento de tarefas e diminuição da qualidade dos serviços prestados. ocorre uma redução do número de assistentes sociais nos âmbito federal e estadual. e a precarização das relações de trabalho. A prática demandada e exercida pelos profissionais se direciona cada vez mais à gestão de recursos humanos (RH). tanto na modalidade e condições de contrato de trabalho. em que a principal forma de contrato dos assistentes sociais é estatutária (regime jurídico único). flexível.Um agravante é o tipo de vínculo empregatício: instável. o vínculo estatutário tem se reduzido. Essas condições apresentadas no âmbito municipal. ocorre um aumento de assistentes sociais em algumas instituições municipais. Outra característica que tem predominado nos municípios. voltada geralmente para uma prática voluntarista/assistencialista. na esfera municipal. Assim. as condições precárias de emprego e trabalho para o assistente social.

• Fornecer orientação social e encaminhamentos para a população usuária UNIDADE IV . O vínculo contratual de trabalho nas ONGs apresenta múltiplos contratos.à questão social. • Desenvolver pesquisas junto aos usuários da instituição. execução e avaliação do Plano Gestor Institucional. a inserção profissional no terceiro setor não é uma fonte alternativa de emprego que compensa a redução de postos de emprego no âmbito estatal. indicando maior instabilidade dos assistentes sociais. para implantação de projetos sociais. instabilidade nesse vínculo contratual. É necessário que o assistente social tenha conhecimento crítico desse processo que está inserido. bem como entendimento de que o seu enfrentamento é o único caminho a seguir. Assim. a partir da implantação e administração de benefícios sociais. para viabilizar o atendimento social e a garantia de direitos. que é ratificado pelas entidades filantrópicas e ONGs. • Estender atendimento social às famílias dos usuários da instituição. • Identificar continuamente necessidades individuais e coletivas.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 85 TERCEIRO SETOR 85 . sua prática profissional deve estar pautada na Lei que Regulamenta a Profissão do Assistente Social (Lei n° 8. com a ausência democrática no atendimento das prioridades sociais.662/93). definindo o perfil social dessa população. desenvolvido pelo projeto neoliberal. temporalidade. é pertinente destacar algumas das atribuições profissionais que podem ser realizadas no terceiro setor: • Subsidiar e auxiliar a administração da instituição na elaboração. São evidentes os contratos terceirizados de assistentes sociais com precariedade. Ao profissional compete reconhecer que independente das condições de trabalho instauradas nas instituições do terceiro setor. Desse modo. É importante destacar que há forte presença estatal no financiamento de entidades sem fins lucrativos.

nesse campo. laudos e pareceres técnicos relacionados à Assistência Social na instituição. saúde e assistência social. mesmo pautada sob uma política de privatização dos serviços públicos.aos recursos da comunidade. a atuação profissional nas instituições do terceiro setor tem por base o atendimento integral e de qualidade social.blogspot. A transferência de responsabilidade estatal ao terceiro setor. dentre as quais podem ser mais exemplificadas as áreas de educação. 86 UNIDADE IV . pois a inserção do assistente social. C ONHEÇ A MAIS Conheça mais sobre o Serviço Social nas ONGs pelo blog “Despertar Social”.html> A PRÁTICA PROFISSIONA NAS ENTIDADES ASSISTENCIAIS 4. não deve anular o papel do Estado. • Participar. coordenar e assessorar estudos e discussões de casos com equipe técnica.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . deve ser pautada na reflexão crítica e construtiva de seu fazer cotidiano. com o argumento de tornar sua gestão mais eficaz.br/2007/09/o-servio-socialnas-ongs-o-servio. focando a garantia de direitos e inclusão no atendimento. Disponível em: <http://ligasocial. na promoção das políticas sociais.3  A atuação do serviço social. não deve esquecer que cabe ao Estado garantir o acesso a essas políticas. • Integração as redes de serviços socioassistenciais. As relações passam a ter o fortalecimento das parcerias firmadas entre estes. Então.com. quando solicitado. • Realizar perícias.

mesmo no processo legal de concretizá-las. volta-se para um sistema de serviços. em que cada ente tem sua atribuição na provisão de atenções socioassistenciais. do CFESS de 2011.Outro elemento a ser considerado. E. sim. envolvendo mudanças organizacionais e da gestão.br/arquivos/Cartilha_CFESS_Final_ Grafica. No corpo da PNAS se apresenta um modelo de gestão compartilhada. Assim. utilizando-se como alternativa as parcerias e prestações de serviços das instituições do terceiro setor. por meio do SUAS.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 87 TERCEIRO SETOR 87 . bem como do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).pdf>. Disponível em: <http://www. Consequentemente. DIC A DE LEIT UR A Leia a Cartilha “Parâmetros para Atuação de Assistentes Sociais na Política de Assistência Social”. UNIDADE IV . que a estratégia neoliberal vai converter as garantias legais em possibilidades de reduzir o papel interventor do Estado sobre as políticas sociais.cfess. essas estratégias neoliberais afetam o mundo do trabalho. Dentro da Política Nacional de Assistência Social existe uma complementação das Normas Operacionais Básicas (NOBs). pautado no pacto federativo. tanto da força de trabalho como das políticas públicas. benefícios e ações da assistência social. é que a participação da sociedade civil na definição e gestão das políticas sociais advém da democratização regulamentada pela Constituição Federal de 1988. não deve ser entendida de forma automática como efetivação e ampliação dos direitos sociais à classe trabalhadora.org. A execução da PNAS. articulada com iniciativas da sociedade civil. que auxiliam na gestão dessa política. que devem ser promovidos e executados por pessoas jurídicas de direito público e de ação em rede. que trata da atuação profissional.

acrescenta-se a extensa rede de entidades de assistência social (terceiro setor) com diversas áreas de formação e vínculos de trabalho.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . Assim. presentes na cultura política brasileira.Desse modo. com a regulamentação da PNAS. Assim. para a efetivação das propostas dessa política. são complexas. pelo clientelismo. YAZBEK E RAICHELIS. Além dos quadros funcionais de trabalhadores nas esferas municipal. Essa condição se justifica mediante a Assistência Social ter sido pautada por décadas pelo favor. Yazbek e Raichelis (2011): Por ser uma área de prestação de serviços. assumindo características específicas. e nas condições institucionais de que dispõe para efetivar sua intervenção (COUTO. cuja mediação principal é o próprio profissional. como afirma Couto. improvisadas e com pouco investimento público. Entretanto. frente à sustentação de estruturas institucionais improvisadas e investimentos reduzidos para a formação de equipes profissionais permanentes e qualificadas na efetivação de ações de ruptura com a subalternidade. esteve permeada por instituições precárias. por meio de ações conjuntas. 58). pelo apadrinhamento e pelo mando. Essa política. programas e 88 UNIDADE IV . historicamente. pois grande parte dos serviços. com a implementação de programas e serviços integrados. técnica e política do seu quadro de pessoal. no bojo dessa política se apresenta a necessidade de novos modos de organização e gestão de trabalho. o trabalho da assistência social está estratégicamente apoiado no conhecimento e na formação teórica. buscou-se a articulação de estratégias de gestão que viabilizassem a intersetorialidade entre as políticas públicas. em 2004. 2011. os recursos humanos são considerados um desafio. apresentando enormes contradições na gestão da PNAS. as condições que envolvem as relações de gestão e de trabalho na assistência social. p. estadual e federal. Nesse sentido.

Assim. contratos etc. 32% são funcionários. sendo possível visualizar a atuação do assistente social nas distintas esferas de execução da política. Essas entidades e organizações sociais devem ser submetidas aos princípios e diretrizes que orientam o SUAS.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 89 TERCEIRO SETOR 89 . levando em consideração a integração da rede socioassistencial com acesso a fundos públicos. O trabalho social é preconizado de forma descentralizada e deve ser aderido UNIDADE IV . trabalhadores voluntários. em 2006. dentre outros condicionantes. em sua integralidade. remetendo à assistência social os estigmas históricos da filantropia e benemerência. continham 19 mil pedagogos. com base em convênios. No âmbito da PNAS. dentre outros trabalhadores. 54% de trabalhadores. deve-se universalizar o atendimento de forma equânime e efetiva de forma intersetorial. a relação com os usuários e trabalhadores da área. 5. considere todos os membros e suas demandas. que as entidades de assistência social sem fins lucrativos apresentam. Os setores da política de assistência devem estar articulados. De acordo com os dados do IBGE (2006). nas entidades assistenciais. 6. em maior parte. 5 mil psicólogos. para garantir a eficácia do trabalho social com uma família.projetos é prestada por entidades privadas que integram a rede socioassistencial nos territórios de abrangência do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).745 médicos. econômica e cultural vivenciadas por estes. em que apenas 35% possuem nível superior.707 assistentes sociais. por vezes. em 2005 existiam.944 enfermeiros. bem como a realidade social. prejudicando. 2. enfoca a família em seu contexto sociocultural. se considera que. É nesse sentido que se faz necessário vincular as entidades e seus serviços socioassistenciais como prestação de serviço ao SUAS. requer que a realização de qualquer trabalho social com as famílias. O trabalho social preconizado pelo SUAS. 277 mil voluntários. Essas entidades. ou seja. É no âmbito da equipe profissional que se realiza o trabalho social. terapeutas ocupacionais. sem vínculos empregatícios. É importante ressaltar.

lendo a dissestação “O Trabalho do Assistente Social no ‘Terceiro Setor’: A Superação das Dificuldades e a Construção de Caminhos” de Lidia Lopes da Silva. convém compreender quais são os intuitos da instituição que trabalha.php?codArquivo=7810>. mobilização e organização popular. as quais são complementares e indissociáveis: • Abordagens individuais. devem referendar o que preconiza a PNAS. Disponível em: <http//www. • Inserção nos espaços democráticos de controle social e construção de 90 UNIDADE IV . com vistas ao fortalecimento da classe trabalhadora.por todos que compõem a política de assistência.sapientia. estão relacionadas às dimensões interventivas. Desse modo. com o objetivo de enfrentar as situações e demandas ocorridas em seu cotidiano. no âmbito da política de assistência social. • Intervenção coletiva junto aos movimentos sociais. Essa dimensão deve se orientar pela potencialização da orientação social. ampliando o acesso dos indivíduos e da coletividade aos direitos sociais. É pertinente ressaltar. É importante que o assistente social reconheça as competências específicas para estruturar seu trabalho e estabelecer quais serão suas atribuições. Dessa forma.pucsp. além de receberem parcelas de financiamento público por meio de parcerias e convênios. você deve saber que as entidades de assistência que compõem o terceiro setor.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . familiares ou grupais. bens e equipamentos públicos. DIC A DE L EIT UR A Saiba mais. essas entidades devem prestar atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos pela política.br/ tde_busca/arquivo. conforme a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Afinal. e como está inserida no desenvolvimento e na gestão da política de assistência social. com vistas ao atendimento às necessidades básicas e acesso aos direitos. que as competências específicas do assistente social. para a socialização de informações.

da PNAS e do SUAS. enquanto sujeito coletivo.pdf>. princípios e diretrizes da LOAS. especificamente nas instituições do terceiro setor. na luta pela ampliação dos direitos e responsabilização estatal.org. planejamento e execução direta de bens e serviços a indivíduos. resguardar que a execução dos serviços na área social. publicado pelo CFESS. • Gerenciamento. sim.estratégias para fomentar a participação. • Realização sistemática de estudos e pesquisas. Disponivel em: <http://www. devem desempenhar ações contundentes na promoção de direitos e cidadania aos usuários. ante ao contexto da sociedade contemporânea. da legislação social e das políticas públicas. famílias. A preocupação principal é que a execução não se torne uma prática assistemática e. grupos e coletividade. reivindicação e defesa dos direitos pelos usuários e trabalhadores etc. em 2012. Essas diretrizes têm por base. que integre e socializa. No âmbito das entidades assistenciais que participam da execução da PNAS. UNIDADE IV .A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 91 TERCEIRO SETOR 91 . com vistas à superação do assistencialismo e filantropia ainda presente na ideologia dessas instituições.. possa ser orientada pelos objetivos. C ONHEÇ A MA IS Leia sobre as “Atribuições Privativas do/a Assistente Social Em Questão”.cfess.br/arquivos/atribuicoes2012-completo. • Dimensão pedagógico-interpretativa e socializadora de informações e saberes nos campos dos direitos. para fortalecer a gestão democrática e participativa. para o reconhecimento e fortalecimento da classe trabalhadora.

Disponível em: <http://www. são apresentados enxugamentos da força de trabalho. DIC A DE L EIT UR A Leia o texto: “A Efetivação da Política de Assistência Social por Entidades Não Governamentais Integrantes da Rede Socioassistencial de Belém”.joinpp. tenha clareza de suas atribuições. foram desencadeadas as desregulamentações nas distintas esferas do trabalho.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR . A produção também sofreu modificações. de Fábia Jaqueline da Silva Miranda.Por isso. disponibilização das políticas e serviços sociais etc. Em consequência. bem como capacidade crítica de perceber o contexto social que está inserido: condições de trabalho. mediante as transformações recentes ocorridas no Brasil. nesta unidade. junto às medidas de enfrentamento da questão social. é necessário que tanto a instituição e.pdf>. Nesse sentido. o profissional.4  CONSIDERAÇÕES DA UNIDADE IV Caro aluno (a). é apresentada a tendência de expansão do mercado de trabalho para o Serviço Social. Assim. Uma das alternativas apresentadas pela estratégia capitalista. foi à defesa da ampliação da intervenção do terceiro setor na sociedade. 92 UNIDADE IV . A expansão do terceiro setor é uma alternativa limitada para sanar o desemprego.ufma. principalmente. 4.br/jornadas/joinppIII/html/ Trabalhos/EixoTematicoA/f4049b508cd95ee8213bFabia. trabalhamos para construir uma compreensão sobre a precarização das relações de trabalho e a prática profissiona do serviço social no terceiro setor. expandindo uma nova possibilidade de trabalho. apresentando novas formas de trabalho com base no capital internacional.

É possível perceber a perda do espaço profissional-ocupacional dos assistentes sociais no âmbito estatal. Não se esqueça de acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e de visitar o Fórum! Até breve! UNIDADE IV . a fim de dar enfrentamento às situações e demandas que se apresentam em seu cotidiano.A PRECARIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO E A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO 93 TERCEIRO SETOR 93 . aumentando as práticas filantrópicas e voluntárias na esfera do terceiro setor. Enfim. O assistente social deve reconhecer as competências específicas para estruturar seu trabalho.As tendências de trabalho para o Serviço Social estão pautadas na transferência de serviços para o chamado Terceiro Setor. assistindo à quarta teleaula. este conteúdo não se esgota aqui. Convido você a complementar seus conhecimentos.

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TESTE SEU CONHECIMENTO 95 REFERÊNCIAS 95 .

foi a defesa da ampliação da intervenção do terceiro setor na sociedade. para minimizar a crise financeira. 2. 96 REFERÊNCIAS . a) Nos últimos anos. 3. Merece destaque sua participação na gestão da Política de Assistência Social.RESPOSTAS COMENTADAS 1. o quadro de trabalho para o assistente social sofreu transformações significativas com a redução dos postos de trabalho estatais e o aumento de incentivos ao terceiro setor. a) A ampliação da intervenção do terceiro setor nas políticas sociais tem crescido. mediante a estratégia de redução dos gastos do Estado. a) A alternativa apresentada pelo capital.

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