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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Amostras de petróleo são encaminhadas para os cientistas do Centro de Pesquisas da Petrobras analisarem os biomarcadores, que carregam as informações sobre a origem do óleo

A identificação

do código

genético da

substância

ajuda na

exploração e

nos processos

de produção,

além de indicar

a origem de

vazamentos

de óleo na

superfície

do mar

A Petrobras vai levar você para conhecer o seu Centro de Pesquisas. Aguarde!
A Petrobras
vai levar você
para conhecer
o seu Centro
de Pesquisas.
Aguarde!

S

abemos que o DNA, o ácido desoxidorribonucléico, é uma molécula longa encontrada nos seres vivos e que contém todas as informações genéticas

codificadas. Agora, imagine que

o petróleo, gerado há milhões de anos no fundo de antigos

mares e lagos, também possui

o seu DNA. Isso se deve à

própria natureza, que, com o passar do tempo, transformou em óleo e gás restos de algas e bactérias que hoje se

encontram geralmente em grandes profundidades. Cada bacia sedimentar onde essa matéria orgânica se acumulou deu origem a petróleos de composição distinta.

Com a transformação da matéria orgânica em petróleo, estruturas moleculares presentes nos organismos, conhecidas como biomarcadores, foram preservadas. Além do ambiente de composição dos sedimentos,

os biomarcadores indicam a idade geológica do óleo. No ser humano, o DNA serve, por exemplo,

para identificar ou para se certificar sobre a paternidade de uma criança. Afinal, a molécula carrega dados como a herança das características da família. E no petróleo qual seria a utilidade de fazer um teste de DNA? Conhecer a procedência da região sedimentar de onde o óleo foi extraído é uma delas. Isso é importante, por exemplo, para o meio ambiente.

Economia de tempo e dinheiro

Vamos supor que apareça na superfície do mar da costa brasileira uma grande mancha de óleo. Na melhor das hipóteses, pode ser que houve um escape natural de petróleo, indicando que há concentração do precioso combustível naquela região. Na pior delas, algum navio deixou vazar o produto. Como saber a verdade? Basta que poucos mililitros da substância

sejam encaminhados para o Centro de Pesquisas da Petrobras. Os cientistas analisam a

amostra e em 24 horas têm condições de apontar de que parte do mundo se origina esse petróleo. Isso porque a unidade mantém um banco de dados com 7000 amostras do código genético

de óleos produzidos em 65 países. “Nenhuma bacia tem petróleo idêntico ao de outra”, garante Luiz Antônio Trindade, gerente de geoquímica do Centro de Pesquisas.

O estudo de biomarcadores contidos

na matéria orgânica tem aplicação também nas atividades de exploração

e produção de petróleo. Ao identificar

tipo de rocha geradora do óleo e estimar o nível de evolução térmica em que ocorreu a transformação da matéria orgânica, os técnicos ajudam a orientar a perfuração de novos poços para áreas onde há mais chances de se encontrar acumulações de petróleo. Outra área que sai lucrando é a de produção. Conseguir

o

BANCO DE DADOS MANTÉM 7000 AMOSTRAS DE ÓLEO
BANCO
DE DADOS
MANTÉM 7000
AMOSTRAS
DE ÓLEO

apontar as pequenas diferenças existentes na composição do petróleo e afirmar, por exemplo, se ele é proveniente de

reservatórios divididos em compartimentos ou uniformes são importantes para otimizar o processo de extração. Esses procedimentos, que são conduzidos por profissionais experts no assunto, ajudam a Petrobras a economizar tempo e dinheiro. Cada análise de biomarcadores custa, em média, 300 dólares, enquanto a perfuração de um poço (onde se deve contar com a probabilidade de não se retirar uma única gota de petróleo) consome muitos milhões de dólares.

O MAR SUPERVISIONADO POR SATÉLITE

Além das aplicações da identificação do DNA do petróleo,

o Centro de Pesquisas da Petrobras

também utiliza imagens de radar, adquiridas por satélites comerciais,

para monitorar os mares da costa brasileira. Elas são analisadas por computador para detecção de óleo na superfície do mar. Às vezes,

a presença de uma mancha escura

pode não passar de um fenômeno natural, como a maré vermelha, por exemplo. No entanto, é possível

que ela indique a ocorrência de um acidente com derramamento de óleo

de algum navio ou do escape espontâneo de petróleo.

No caso de imagens que os técnicos interpretam como suspeitas, há uma integração de informações, que incluem também dados geoquímicos e mapas estruturais. “Nosso objetivo

é subsidiar as atividades

exploratórias e de controle ambiental da Petrobras”, afirma a geóloga Cristina Bentz, do grupo de sensoriamento

remoto do Centro de Pesquisas da Petrobras.

Ao longo dos tempos, os continentes sul-americano e africano foram se afastando. Restos de organismo ficaram depositados em bacias sedimentares

Pequenos lagos entre o Brasil e a África foram sucedidos pelo oceano Atlântico