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VIOLÊNCIA E AGRESSIVIDADE NA JUVENTUDE

Alice Toigo Nardi

RESUMO
Violência e agressividade na juventude, diz respeito ao ambiente
violento que envolve os jovens na atualidade. Este artigo explicita os
tipos de violência e possíveis causas. Chegando a conclusão que os
jovens agridem, por serem agredidos, por uma desumana
desigualdade social e que, uma sociedade solidária é possível, se
houver a união de todos os segmentos sociais.
Palavras-chave: Juventude; Violência; Sociedade.
1 INTRODUÇÃO
A violência é um fenômeno complexo e conseqüência de múltiplos
fatores. É uma relação, isto é, ninguém é violento sozinho, precisa
existir sempre um outro, onde alguém causa danos a outro baseado na
força do poder, ou melhor dizer, é uma reação a uma determinada
ação.
E a crescente onda de agressividade e violência envolvendo crianças e
adolescentes, principalmente nos grandes centros urbanos, de certo,
tem suas causas. Se, violência é uma reação, a quem estão reagindo?
Buscar compreender esta realidade, analisando as diversas formas de
violência e suas implicações é o objetivo deste estudo.
2 FORMAS DE VIOLÊNCIA
<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Violência física - é uma pratica que

pode acontecer em qualquer lugar, como no seio familiar, na rua, na


escola, e pode ocorrer através de tapas, empurrões, socos e até mesmo
armas.
<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Violência verbal – nos distinguimos

dos demais seres vivos pela capacidade de conversar e dar sentido as


palavras. Já dizia Padre Antonio Vieira em seus famosos Sermões
(citado por SILVA; PAULINI, 2007, p.68): “o homem é um animal
sociável, e nisso nos distinguimos dos brutos, embora nos considere
piores feras que as feras, porque somos feras com entendimentos e
vontade”. Devido a isso, muitas pessoas fazem uso desta capacidade,
para ferir através de calunias, palavras de desprezo, mentiras e etc.,
machucando mais que atos físicos, pois suas marcas não saram.
<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Violência simbólica (moral) –

Grupos que usam símbolos, imagens para se destacar de outros,


discriminando e desprezado. É muito comum nas escolas, no trabalho,
onde em grupos marcam determinados colegas transformando-os em
objeto de gozação. Imposição de ações humilhantes ou o cumprimento
de tarefas impossíveis de realizar, para gerar a ridicularização pública
no ambiente de trabalho e a humilhação do profissional.
<!--[if !supportLists]--> <!--[endif]-->Violência pedagógica – é a forma

mais sutil de violência e se esconde nas práticas educativas, nas


palavras, nos olhares, nos risos, na indiferença, depreciação, em
expressões de descaso entre outras proferidas pelos professores.
Produzindo nas crianças e adolescentes sentimentos de inferioridade,
timidez e revolta, marcando-os pelo resto da vida. Henry Adams
(citado por SILVA; PAULINI, 2007 p.81) afirma que: “o professor se
liga à eternidade, ele nunca sabe onde cessa a sua influencia”.
Por serem tratadas agressivamente essas crianças e adolescentes,
submissas, dependentes e inseguras, reproduzirão ao crescerem, as
mesmas práticas violentas. Como diz John Dewey (citado por SILVA;
PAULINI, 2007 p.52): “a educação não é preparação nem
conformidade. Educação é vida, é viver, é desenvolver, é crescer”.
3 AGRESSORES OU AGREDIDOS?
Não é necessário citar números estatísticos, pois, está estampado em
todos os jornais, telejornais e outros, a trágica realidade vitimando
crianças e adolescentes nos mais diversos pontos do mundo.
Por quê? Quem são os culpados? Será que da para culpar os
mesmos, por serem violentos e agressivos? Por seus viveres
destrutivos?
O jovem é agressivo? Sim, porque é agredido e violentado.
- Violenta-se o jovem ainda bebê, quando para buscar a
sobrevivência, mães são obrigadas a abandonar seus filhos em creches
(Há violência maior?)
- Violenta-se o jovem sempre que os culpamos por seus atos
violentos, sem tentar descobrir, compreender e sanar a que agressor se
dirigem.
- Violenta-se o jovem quando a sociedade dificulta ou impede seu
ingresso e participação nos mais diversos segmentos sociais.
- violenta-se o jovem sempre que é obrigado a ver na mídia o
subornável meio político.
- Violenta-se o jovem toda vez que cor de pele, estética, situação
econômica é que faz a diferença.
- Violenta-se o jovem toda vez que a sociedade discrimina suas
preferências e estilos impedindo que construa e manifeste livremente
sua personalidade.
Já afirmava o grande filósofo Émile Durkheim (1858) (citado por
SILVA; PAULINI, 2007, p.33):

[...] se não me submeto às convenções do mundo, se ao vestir-me, não


levo em conta os costumes observados em meu pais e em minha
classe, o riso que provoco, o afastamento em que os outros me
conservam, produzem, embora de maneira mais atenuada, os mesmos
efeitos que uma pena propriamente dita.
Não estariam os jovens, de várias formas, inclusive expondo suas
próprias vidas, “gritando” ao mundo “adulto” sua indignação?
Indignação com tanta indiferença, discursos vazios e leis que só
são aplicáveis aos excluídos, ou melhor aos diferentes em relação ao
estereótipo da sociedade. Está a maioria dos jovens, sem perspectivas
para o futuro, vitimas de uma sociedade excludente onde o acesso ao
trabalho, saúde, cultura e lazer é para poucos, portanto, impedidos de
conquistar a plena cidadania.
4 PROVÁVEIS CAUSAS DA VIOLÊNCIA
A sociedade está marcada pela corrupção, desrespeito à dignidade
humana e toda forma de desrespeito à dignidade humana é uma
violência e não apenas os crimes que deixam corpos ou feridos.
Dignidade é o mínimo de respeitabilidade que um ser humano merece
receber do Estado e da população em geral.
Todos os cidadãos são iguais, e os jovens marginais são na verdade
jovens que não aceitam desigualdade, eles não querem nada mais do
que seus verdadeiros direito.
Segundo a Professora Maria de Lourdes Rangel Turra
(citado por SILVA; PAULINI, 2007, p.64):

O individuo nasce como uma tábula rasa e cabe à sociedade, pelos


meios mais rápidos possíveis, agregar ao ser individual,egoísta e
associal – uma natureza moral e social. A tarefa por excelência da
educação é, pois, criar no homem um ser novo, que irá, com o seu
grupo, partilhar de crenças religiosas, práticas morais, tradições
nacionais e profissionais e opiniões coletivas de toda a espécie.
4.1 DESESTRUTURAÇÃO FAMILIAR
Todo ser humano tem a necessidade de se sentir amado, protegido,
principalmente quando criança por não compreender o mundo que o
cerca. É na primeira sociedade familiar que encontra suporte para um
crescimento emocional sadio, sendo a família uma peça fundamental.
Uma família desestruturada, poderá gerar adultos problemáticos
para enfrentar a complexidade da violência social sendo facilmente
levados ao abuso do álcool, drogas, facilitando o ingresso no mundo
do crime.
4.2 DESIGUALDADE SOCIAL
Baixo poder aquisitivo, miséria, exclusão e a dificuldade crescente
de inserção no mundo do trabalho, por falta de preparo profissional
dos pais e responsáveis por crianças e adolescentes, gera um estado de
inconformismo. Na verdade, a maior parte dos jovens infratores e
violentos são procedentes de famílias miseráveis, vivendo como
animais, crescendo em meio à fome, e a tristeza de se perceberem
excluídos da sociedade e o contraste entre sua realidade e a realidade
dos ricos e mais favorecidos.
4.3 MÍDIA
Programas de televisão banalizando a violência, ridicularizando
heróis, o uso da miséria e o
diferente como espetáculo, filmes e desenhos direcionados a crianças
e adolescentes instigando o desrespeito e a violência. A família não
consegue filtrar as influências e valores negativos diante ao vendaval
de informações a que as crianças e jovens são submetidas
principalmente pela internet. O avanço tecnológico, que permite o
acesso a informações e notícias de forma instantânea, provocou
mudanças na família, e os pais, devido a agressividade dos filhos, não
conseguem lhes impor limites. Como diz ES. P.57(citado por SILVA;
PAULINI, 2007, p.68):

Há uma educação não intencional, que jamais cessa. Pelo nosso


exemplo, pelas palravas que pronunciamos, pelos atos que praticamos
– influímos de maneira continua sobre a alma de nossos filhos.
Talvez os meios de comunicação em geral não sejam tão
responsáveis pelo aumento da violência e criminalidade nos jovens,
mas a forma como são apresentados, os atos violentos, parecem
valorizados. Isso necessariamente não tornaria as crianças e
adolescentes mais violentos, mas contribuem para excitá-las,
difundindo alguns dos tipos de violência.
4.4 SOCIEDADE DESUMANA
Desde a revolução industrial o mundo ocidental conhece um
grande desenvolvimento e mudança do nível de vida. Vive-se de
forma que os antepassados sequer podiam imaginar. Mas, apesar dos
grandes ganhos obtidos na liberdade, saúde, bem-estar e cultura, ao
olhar para o futuro a sociedade vê o pior dos horrores. As atuais
gerações, apesar de viverem no conforto e progresso têm, uma visão
negra do amanhã frente ao quadro de violência, de impunidade, um
caos total, gerando revolta, medo e insegurança, ao qual a sociedade
se mantém calada. Como já dizia Frei Betto:

A violência é a mais primária forma de manifestação da agressão.


Toda a estrutura da sociedade, com suas leis e instituições, contém boa
dose de agressividade, assim como a disciplina que os pais impõem à
boa educação dos filhos. Ela favorece a nossa convivência social e
reprime nossas tendências auto-destrutivas. O melhor exemplo de
agressividade sem violência é o esporte.
Como já foi dito o lazer sadio é para poucos, políticas públicas
preferem ocupar-se de outros
segmentos sociais onde os resultados são imediatos, pois crianças e
adolescentes não rendem sufrágios.
5 CONCLUSÃO
Em vista dos argumentos apresentados, percebe-se que a violência
gera mais violência e que ela é produto de um quadro de injustiças
sócias, desigualdade econômica, exclusão e falta de oportunidades que
atinge a maioria da população refletindo principalmente no jovem por
ser na adolescência a fase que ocorre a formação da identidade. Fase
que deveria ser aproveitada para educar valorizando as diferenças
humanas e valores éticos, paz, respeito e solidariedade. Somente pela
educação, combatendo a ignorância e oportunizando novas
perspectivas de vida em sociedade, onde o jovem se torne protagonista
e agente de transformação social, num esforço conjunto família,
escola, igreja e sociedade talvez se poderá mudar a sociedade e fazer
reinar a justiça social.

6 REFERÊNCIAS

FREI BETO, VIOLÊNCIA E AGRESSÃO. DISPONÍVEL EM .


ACESSO EM: 19 MAI 2008.

SILVA, E; PAULINI, I. R. Sociologia geral da educação. Indaial: Asselvi,


2007.

TURA, M. L. Rangel. Durkheim e a Educação. Rio de Janeiro: Quartet, 2002.

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