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ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 1

Ano de 1889
Garoava relativamente forte em Salt Lake City mas não o
suficiente para impedir mais um dos atos de amor ao
próximo feito pelo bispo Mackey. Era tarde da noite quando
o bispo saiu do armazém para uma visita de rotina a uma
senhora que havia ficado viúva a pouco tempo.
Como de costume, em sua carroça havia mantimentos de
sobra, destinados a viúva Perley.
Ao chegar em frente da casa da viúva, o bispo parou a
carroça, retirou os mantimentos de dentro e bateu na porta.
Em alguns poucos instantes, a viúva apareceu convidando-o
para entrar.
– Boa noite – disse o bispo com um sorriso agradável no
rosto.
– Boa noite bispo Mackey! Que bom revê-lo.
O coração do bispo se encheu de esperança ao escutar estas
palavras da irmã Perley que naquela noite estava
especialmente linda com seu vestido preto de luto. – Será
que ela já percebeu que eu a desejo? – pensou o bispo. – Fico
feliz em saber disto irmã. Trouxe alguns mantimentos para a
senhora
– Não precisava bispo. Graças ao pai celestial eu estou
conseguindo me manter com umas economias que meu
falecido marido deixou. Certamente tem outras pessoas
precisando mais do que eu, por exemplo a família de Bob.
– A senhora como sempre se lembrando de ajudar as
pessoas. Não se preocupe irmã. Já mandei enviar
alimentos suficientes para a casa de Bob .
– Sendo assim, então irei aceitar e ficarei muito agradecida!
Muito mesmo!
Cada palavra gentil dita pela viúva soava aos ouvidos do
bispo como uma convite amoroso.
Apesar de ter três filhos, a viúva Perley se encontrava em
perfeita forma física e tão bela agora como fora na
juventude. A maçã de seu rosto era rosada, os seios fartos,
esguia e com um largo quadril. Assim era a irmã Perley. A
mulher mais desejada de Salt Lake.
A muito tempo que o bispo havia reparado nessas
qualidades e por isto sonhava cada dia mais e mais em tê-la
como esposa e por isto arranjava sempre algum motivo para
vê-la.
O bispo colocou os mantimentos em cima de uma mesinha
que ficava na sala da viúva .
– Vejamos o que temos aqui! – disse a viúva. – Hum! Ovos,
queijos, farinha de trigo, carne e leite. Assim o senhor me
acostuma mal, bispo !
– Isto não é nada perto do que a senhora merece e alem do
mais, eu só estou procurando cumprir bem meu papel de
bispo .
– Fique sabendo que para mim o senhor é um dos melhores
bispo que nossa estaca já teve .
– Será que ela me deseja da mesma forma que eu a desejo?
– pensava o bispo. – Ha, irmã, eu já ia me esquecendo.
Minha esposa Judite fez estes dois bolos para a senhora.
O bispo colocou os bolos sobre a mesa e tirou o pano de
cima deixando o doce aroma de cereja no ar. A viúva Perley
foi até a cozinha pegar uma faca para partir os bolos e o
bispo observava seu andar, sem perder nenhum detalhe,
imaginando aquela linda mulher em seu quarto fazendo
brincadeiras ardentes com as outras esposas em sua cama,
afinal de contas, pensava ele, “tenho direito a ter mais
mulheres e mereço a melhor de todas.”
Ao voltar da cozinha, a viúva repartiu um dos bolos, deu
um pedaço para o bispo e provou outro.
– Nossa, que bolo delicioso! – disse a viúva com um
olhar insinuante para o bispo.
– Sim irmã, esta uma delicia! Certas coisas na vida são
realmente deliciosas – o bispo não conseguia desviar o
olhar da boca da viúva Perley.
Nesse momento, um dos filhos da irmã acordou assustado,
chamando pela mãe.
– As crianças andam assustadas desde a morte de meu
marido.
– Eu compreendo irmã .Perder o pai assim como elas
perderam não deve ser nada fácil.
– Obrigada pelas palavras, bispo. A sorte deles é que
infelizmente, perderam um pai, mas eles tem um ótimo
bispo, que certamente os ajudara a crescerem no
caminho correto.
– Me esforçarei para isto – disse o bispo. – Agora me
vou, pois não quero atrapalhar em nada.
– Obrigada bispo e diga a irmã Judite que estou
agradecida pelos bolos.
O bispo partiu e a viúva Perley foi até o quarto da criança
para fazê-la dormir tranqüila.
O bispo subiu em sua carroça, mais feliz do que nunca.
– Obrigado pai celeste – disse o bispo em voz audível –,
parece que ela gosta de mim. Em breve a pegarei como
esposa .
No caminho de casa, o bispo Mackey passou em frente a
obra do templo e se lembrou que ainda faltava ir até a casa
de Bob, que estava acamado em estado gravíssimo, devido o
fato de um bloco feito com rochas da montanha ter caído em
cima dele durante os trabalhos de construção. Apesar de
feliz, o bispo se encontrava cansado e pensou por bem,
deixar a visita para um outro dia qualquer...quem sabe dali
duas semanas?
– O que farei com estes mantimentos que ainda estão na
carroça? – pensou o bispo. – Já sei! Levarei para casa,
afinal de contas, aquele negro já esta quase morto mesmo
e não fará falta para ele.
Ao chegar em casa, o bispo foi recebido por uma de suas
esposas.
– Minha celeste! Se prepare que hoje estou com uma
vontade grande de praticar.
– Ai, Mack. Hoje estou muito cansada e......
Não deu nem tempo da irmã Judite terminar a frase, pois o
bispo deu-lhe um tapa tão forte em seu rosto, que a fez cair
no chão da cozinha. Ele a pegou pelos cabelos e a arrastou
até o quarto no andar de cima da casa e com muita
brutalidade, levantou a saia de Judite e arrancou a parte de
baixo de seu garment.
Naquela noite, a cada investida que o bispo Mackey dava
na esposa, em sua mente aparecia a linda imagem da viúva
Perley.
ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 2
– Onde esta este bispo que não chega ? – pensou Candace
nervosa, enquanto cuidava de seu marido enfermo, Bob.
– Ele já deve estar chegando, querida – disse Bob, com
grande esforço .
Bob queimava de febre. Seu estado era muito grave .A
pedra que o atingiu pesava mais de cem quilos e por sorte,
não o acertou em cheio ou a estas horas, ele já estaria morto.
Candace passava compressas de pano em sua testa,
enquanto orava sem parar pedindo ajuda a Deus.
– Pai celestial, por favor, não deixe meu marido morrer. Ele
sempre foi um homem bom e que se esforça em guardar
seus mandamentos.
Bob era um homem negro, que chegou em Salt Lake bem
jovem, atravessando as montanhas rochosas a pé .Ele se
lembrava bem daqueles dias frios e do sacrifício que fez para
conseguir chegar vivo na ''cidade dos sonhos''. Nascido em
Nova York, Bob, que não conhecera o pai, e sua mãe,
ganharam a liberdade pelas mãos de um bom homem
protestante, que acreditava que todas as raças eram iguais
perante Deus .Este bom homem comprava negros e os
colocava trabalhando em sua propriedade .Depois de um ano
ele dava a alforria a pessoa ,que tinha a liberdade de ficar ou
escolher seu destino. A mãe de Bob, depois que recebeu a
liberdade, escutou falar que no oeste existia uma terra de
paz, onde brancos e negros eram irmãos e viviam em
comunidade. Embora sendo livres ela sentia que deveriam
partir pois, para ela, Nova York não era um bom lugar para
uma mulher sozinha e um filho novo morarem .Foi então que
ela decidiu seguir as diversas caravanas que rumavam para
Utah.
A viagem foi longa e dura. Sem terem uma carroça e nem
uma mula, Bob e sua mãe iam a pé a maior parte do tempo.
As vezes, uma pessoa mais caridosa cedia um lugar para
eles dentro de uma carroça ,porem isto era raro.
O amor que sua mãe tinha por ele era imenso. Bob nunca se
esquecera do dia que os dois andavam pelo gelo e ela o
carregou no colo, mesmo estando exausta. ''Como era linda e
gentil minha mãe'', sempre dizia Bob para seu amigo mais
intimo, praticamente o irmão que ele não teve , Kairel.
Um certo dia, durante um estouro de búfalos, Bob e sua
mãe se viram cercados por todos os lados pelos animais
enormes que corriam descontrolados .
Tudo começou quando um grupo de pioneiros arruaceiros
decidiram se divertir e foram até um local onde os búfalos se
reuniam para beber água e descansar. Mesmo já estando com
provisões suficientes até chegarem a próxima parada em um
outro agrupamento de pioneiros um pouco mais adiante,
estes arruaceiros cercaram os animais e descarregaram a
munição ,todos ao mesmo tempo. Os búfalos ficaram
assustados com o barulho, e se vendo acuados, a alternativa
foi saírem em disparada em direção a única saída que
encontraram, e que por azar, levava direto ao meio da
caravana, trazendo a desgraça ao meio dos ''santos''.
Aqueles que conseguiram se proteger dentro dos carroções,
rochas e atrás de arvores, tiveram mais sorte. Como não
tinham nada alem da roupa do corpo, Bob e sua mãe, assim
como outras pessoas pobres da companhia, ficaram jogados
a própria sorte, contando com a misericórdia de Deus para
livra-los do terrível estouro. Mas parece que naquele dia
Deus se esqueceu de alguns de seus filhos.
Pisoteadas pelas centenas de búfalos, muitas crianças,
homens, mulheres e idosos morreram. Foi um dia triste para
aquela companhia de pioneiros, especialmente para Bob, que
viu sua mãe sendo pisoteada e morta, pagando sem merecer
pela brincadeira de mau gosto e criminosa, feita por homens
que se diziam santos dos últimos dias mas que se portaram
como turbas de criminosos sujos.
O momento mais marcante para Bob, mais marcante até do
que a morte trágica de sua mãe, foi quando a enterraram um
pouco distante das outras pessoas falecidas.
Enquanto as outras famílias eram consoladas pelos amigos
e parentes, ninguém veio até Bob para ver como ele estava,
se podiam fazer algo para ajuda-lo ou mesmo lhe oferecer
uma mão amiga no ombro.
Daquele dia em diante, Bob se viu, com apenas doze anos,
sozinho e tendo que lutar para sobreviver no meio de um
povo, no qual durante muito tempo, ele seria o único
menino negro.
Agora, tendo se passado muitos anos desde aquele dia, Bob
se encontrava entre a vida e a morte, jogado em uma cama.
Assim, como naqueles dias duros de sua jornada rumo a
Utah, ele se via abandonado por aqueles que um dia sua mãe
pensou serem seus companheiros, seus irmãos em igualdade
perante Deus.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 3


Aquela noite tinha sido terrível para Judite que, depois de
ter passado a madrugada toda servindo de objeto sexual para
o bispo Mackey e ser chamada por diversos nomes de
mulheres, a quem ele desejava, como se não bastasse, ainda
teve que, mais uma vez ler o mesmo capítulo 132 do livro
“Doutrina e convênios”.
Era como se fosse um ritual para o bispo Mackey. Todas as
vezes que ele tinha qualquer relação sexual com alguma de
suas mulheres, ele fazia questão de lembra-las do papel
submisso que elas tinham naquela sociedade.
Por diversas vezes Judite apanhara do marido e naquela
noite aconteceu exatamente igual como nas outras milhares
de noites.
– Fique assim sua vagabunda. Vou te mostrar o quanto você
vale, sua vadia! – disse o bispo com brutalidade.
– Por favor, Mackey, não me bata mais! – implorava Judite,
desesperada.
– Cala a boca! Eu sou o sacerdócio nesta casa!
Todas as vezes que o bispo pronunciava ou escutava a
palavra sacerdócio, seus olhos brilhavam feito fogo e ele
contraia as duas mãos, fechando-as encostadas ao peito.
Parecendo um animal enfurecido, o bispo rosnava sobre o
corpo massacrado e judiado da irmã Judite, que chorava
desejando não mais viver aquela vida.
– Repete: “Eu sou uma vadia”! Repete! – ordenava o bispo.
– Eu sou uma vadia!
– Assim que eu gosto. Hoje você será minha vadia, a minha
viúva Perley.
Ao escutar o nome da irmã Perley, Judite ousou afrontar o
bispo Mackey.
– Eu me nego a falar o nome dela. Todas menos ela!
No mesmo momento, o bispo deu um tapa e um cuspe no
rosto de Judite, ordenando: – Quem manda aqui sou eu .Ou
diga que é ela ou te coloco na rua e ainda te excomungo.
Depois desta ameaça, que para qualquer mulher mórmon
era pior que a morte, Judite obedeceu a ordem e disse que ela
seria a viúva Perley dele naquela noite.
Ainda em cima da mulher e a penetrando com a maior
violência, o bispo deu inicio a uma oração, lembrando o
começo de uma reunião sacramental ou uma benção.
– Meu bom e amado pai celestial, obrigado por me fazer
grande perante as nações e me dar a oportunidade de me
tornar um Deus como o Senhor, hó pai. Cinja meu lombo
com a sua benção e aumente minha posteridade a cada dia.
Judite parou de chorar ou espernear, pois ela sabia que se
algo interrompesse o bispo nesta hora certamente ele a
espancaria tanto que a deixaria imóvel por muitos dias, como
já fizera antes.
– Meu pai celestial – continuava a oração, investindo com
mais raiva sobre o corpo surrado de Judite –, me dê mais
virgens, as quais eu, um portador digno do sacerdócio de
melquisede mereço, por direito e honra, e por minha
dedicação no seu reino aqui na terra.
No exato momento em que chagava ao orgasmo o bispo
terminava sua oração.
– Em nome de Jesus Cristo. Amem
– Amem – repetia a irmã Judite, chorando.
Este era o pior momento para ela. A maneira como ele a
tratava, falando aquelas coisas horríveis, a chamando de
vagabunda e obrigando-a a repetir nomes de mulheres. Isto
era algo que ela não podia mais aceitar. Mas o que fazer para
se livrar daquilo?
De uma certa forma, ela se sentia culpada e merecedora
daquele castigo, achando que isto era a punição de Deus por
alguns pecados cometidos por ela antes e depois do
casamento. Embora seu coração a fazia sentir que era hora
de escapar daquela tortura, a sua mente lhe dizia que seu
papel era estar ao lado do seu marido, o apoiando e
perdoando, pois esta era a vontade do Senhor.
Por outro lado, o que seria dela sem marido em Utah, com a
reputação manchada por ter largado o bispo Mackey, um
homem poderoso e influente na igreja? O mais prudente no
momento – pensou ela –, era aceitar tudo aquilo, calada.

O bispo levantou da cama cedo e se preparou para mais


uma reunião sacramental.
Judite, ainda um pouco abalada pelos acontecimentos da
noite passada, preparava o desejum com algumas coisas que
o bispo Mackey trouxe do armazém do bispado e que seriam
a principio, destinado a família de Bob e que o ele decidiu
pegar para si.
As outras mulheres vestiam as crianças e colocavam suas
melhores roupas de domingo. A mulher de um bispo deveria
se vestir com as melhores e mais caras roupas pois se não, o
que falariam as outras irmãs da ''sociedade de socorro ',
falavam as mulheres do bispo e o próprio.
Depois de uma breve oração a mesa, todos tomaram o
desejum no mais completo silêncio.
Dick, um dos empregados do bispo, trouxe duas carroças e
as colocou na frente da casa.
– Com licença bispo, as carroças já estão prontas.
– Obrigado Dick – disse o bispo Mackey, com simpatia.
A irmã Judite, seus quatro filhos, a outra esposas e seus dois
filhos, iam em uma carroça com o bispo Mackey. Na
segunda carroça iam as outras três mulheres e mais seis
crianças.
Era um espetáculo a parte, para quem não fosse mórmon e
estivesse de passagem por Salt Lake, ver os santos dos
últimos dias indo para suas reuniões dominicais
acompanhado de varias mulheres e filhos.
Já na capela, a criançada se divertia, correndo pelos jardins
bem cuidados.
As mulheres se reuniam em grupo e colocavam a fofoca em
dia. Normalmente falavam dos cargos que seus maridos
tinham na igreja, do mais novo missionário a ir ou voltar da
missão e sobre as outras esposas de seus maridos.
– Irmã Judite, eu sei que preciso ter mais paciência com ela
mas esta menina que meu marido se casou é um pouco
preguiçosa demais e não esta se entendendo comigo e
Megson.
– Não me diga, irmã Flora – disse Judite fingindo estar
interessada na conversa. – Esta menina não é aquela que o
presidente Parkson indicou ao seu marido?
– Sim, ela mesma – respondeu Flora. – Ela é uma linda
menina e educada, porem é muito infantil.
– Porque irmã?
– A irmã acredita que outro dia ela estava brigando com a
filha de Megson por causa de uma boneca?
– Isto é coisa da infância, irmã. Tenha paciência que logo
esta menina deixara as bonecas e fará algo mais
interessante!
Flora riu baixinho com a insinuação maliciosa de Judite e
ao mesmo, tempo passou os olhos por todo o corpo da
amiga, pensando: – Ela me parece tão agradável.
As duas pararam a conversa quando viram a viúva Perley
passando pelo corredor da capela com seu traje preto de luto.
Judite a olhava com raiva, pois sabia que o bispo a desejava,
e por ser obrigada a repetir seu nome nas noites de sexo com
o marido. Flora olhava com outra intenção, a desejando da
mesma maneira que todos os outros homens a desejavam.
A reunião teve inicio. Os membros cantavam todos juntos.
– Vinde hó santos, sem medo ou temos mas …..........!
Um jovem fez a oração inicial. O bispo deus as boas vindas
a todos e logo em seguida cantaram o hino sacramental.
– Com irmãos nos reunidos para a ceia do Senhor ….....!
O sacramento foi abençoado.
– Hó Deus pai eterno, nos te rogamos em nome de teu filho,
Jesus Cristo, que abençoes e santifiques este pão para as
almas de todos os que compartilharem dele. Que o comam
em lembrança do corpo de teu filho e testifiquem a ti, hó
Deus pai eterno, que desejam tomar sobre si o nome de
teu filho e recorda-lo sempre e guardar os mandamentos
que ele lhes deu, para que possam ter sempre consigo o
seu espirito. Amem.
O pão foi servido à congregação. Logo depois fizeram a
oração de benção da água e serviram a todos os membros.
Uma moça fez o primeiro discurso, falando em como estava
feliz em ser membro da igreja e que ansiava pelo momento
de poder se casar com um missionário retornado, no templo
de Salt Lake, quando estivesse pronto.
O segundo discursante, Aaron, um homem bonito, com
vinte e três anos de idade e sobrinho do bispo Mackey, falou
sobre sua missão e que aquele foi o melhor tempo de sua
vida.
Enquanto ele falava, as moça o olhavam com grande
vontade de se casarem com ele. Aaron era um dos mais
cobiçados missionários retornados, pois alem de ser sobrinho
de um homem tão poderoso, ele possuía um ar de cowboy,
que mexia com o imaginário das mulheres, tanto solteiras
como casadas, velhas e moças.
Sentado no último banco, bem atrás de todos, em um canto,
Breedney, um garoto tímido e de aparência comum,
suspirava escutando as palavras de Aaron. Já estava se
aproximando o momento em que ele deveria servir uma
missão, porem isto não estava em seus planos, pois seu único
desejo era ficar o mais próximo possível de seu grande amor,
Aaron.
Depois de se levantarem e cantarem mais um hino, “Que
manhã maravilhosa”, a congregação se sentou
reverentemente para escutar o discurso do bispo.
Em seu discurso ele exortou os maridos a amarem as suas
esposas como Cristo amou a igreja. Disse que todos deviam
ser castos, benevolentes, virtuosos e seguirem a admoestação
de Paulo, o apostolo, e assim se prepararem para poderem
entrar no templo.
– É dever de todos nos como membros da igreja verdadeira
procurar tudo que for virtuoso, amável ou louvável pois só
assim poderemos um dia chegar a exaltação e criar
mundos sem fim, assim como nosso pai celeste que esta
nos céus – disse o bispo parecendo falar guiado por
inspiração divina.
Todos na ala o admiravam, dizendo ser ele um bom marido,
portador digno do sacerdócio e cumpridor de sua mordomia
como bispo, mas não viam a sua verdadeira face.
Ao final da reunião todos cantaram mais um hino.
– Ao partir cantemos hinos de louvor …....!
Uma oração de despedida foi oferecida por uma senhora
idosa que aparentava uma santidade fingida e um ar de tédio
de quem já tinha ido a milhares de reuniões como aquela.
Na saída da igreja os grupos se formaram e como em um
passe de mágica, ninguém mais se lembrou do que foi dito a
pouco tempo na sacramental. As mulheres formavam seus
grupos de acordo com sua classe social, comentavam sobre a
vida uma das outras e inventavam pecados para suas amigas.
O bispo conversava em sua sala com o presidente Parkson,
líder máximo da estaca composta por nove alas, Aaron e o
xerife Streble quando a irmã Candace, esposa de Bob, parou
em frente a sala e se apresentou .
– Com licença bispo, desculpe incomoda-lo – disse
Candace, com o rosto sempre para baixo.
– Seja breve, não vê que estou ocupado? – disse o bispo
com um tom áspero na voz.
– Me perdoe bispo. Como o senhor já deve sabe, meu
marido ainda permanece acamado e parece que esta
piorando .Aquela pedra que o atingiu o feriu muito.
Para todos que estavam presentes era nítido a falta de
interesse que o bispo demostrava pelo assunto.
– E o que eu tenho a ver com isto, mulher?
– Se não fosse te importunar em seus afazeres o senhor
poderia dar uma benção em meu Bob? Ele sente muita
febre e dor e temo por sua vida.
Só de pensar em colocar as mãos em uma pessoa negra
fazia o bispo Mackey se arrepiar todo.
– Assim que eu tiver um tempo passarei lá ou mandarei
alguém dar-lhe uma benção! – falou o bispo, irritado,
como se quisesse colocar logo um ponto final naquela
conversa. – Agora saia pois estamos no meio de uma
reunião.
Sem dizer mais nada e com a cabeça baixa, Candace se
retirou com a certeza de que se dependesse do bispo, Bob
estaria perdido.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 4


Um ar agradável soprava naquela tarde de domingo em Salt
Lake.
Aaron e Breedney, andavam pelas ruas próximas do centro
da cidade, onde o templo estava sendo construindo.
Os dois avistaram um banco bem de frente ao lindo templo
em construção e sentaram um pouco.
As moças que passavam esporadicamente pela rua,
cumprimentavam Aaron com um grande sorriso convidativo,
quanto a Breedney, nem notavam sua presença.
Aaron era alto, forte e loiro, era praticamente o filho que o
bispo Mackey não teve, missionário retornado e com aqueles
olhos verdes que seduziam as mulheres, as mais novas até as
mais velhas.
Breedney, alem de ser comum, com aproximadamente um
metro e setenta e cinco de altura, cabelos negros e feição
lisa, sempre andava com a cabeça baixa, talvez por não ser
filho de nenhum líder da igreja e sim filho de uma costureira,
que perdera o marido a alguns anos atrás quando homens
mataram missionários mórmons, em uma ação contra a
pratica de casamento plural. Um outro fator que fazia as
moças nem olharem para Breedney era o fato dele não
pensar em servir missão e corria boatos de que ele era um
tanto afeminado.
Para muitas mulheres e meninas, ver Aaron andando com
Breedney era a prova de que ele era realmente um homem
generoso e bondoso, pois mesmo sendo da mais nobre
linhagem dentro da igreja, despendia seu tempo para ajudar
aquele menino atrapalhado.
– Você soube Breedney que alguns dias atrás um operário
sofreu um acidente e quase morreu?
– Sim, Aaron. Eu soube – disse Breedney quase
sussurrando, olhando para o chão e para os lados, com a
mão no queixo.
– A mulher do homem foi lá pedir paro o bispo dar uma
benção nele! Coitada!
– Coitada mesmo Aaron! Mas quem sabe depois que o bispo
der a benção ele não melhore?
Aaron riu e disse desdenhando de Breedney: – Você deve
estar louco. Acha mesmo que o bispo Mackey vai colocar as
mãos naquele negro?
– Porque você fala assim Aaron? O irmão Bob merece nosso
respeito, da mesma forma que todos! – disse Breedney
baixinho, parecendo temer alguma reação de Aaron.
– Quem te disse que eu sou irmão daquele negro? Não esta
vendo minha cor? – esbraveja Aaron mostrando o braço
para Breedney.
– Desculpe Aaron, mas eu pensei que na igreja todos
fossemos iguais e que tanto negros como brancos deviam
partilhar das mesmas bençãos do sacerdócio e que…....
– Cale a boca! – disse Aaron firme para Breedney . –
Você esta falando apostasia. Sabe o que farei? – Aaron
falava com raiva, olhando e forma assustadora nos
olhos de Breedney, que se encolhia mais e mais.
Breedney ficou paralisado escutando Aaron afirmar que
ele falava apostasia.
– Não Aaron, não sei o que você fará.
– Eu irei agora mesmo falar com o bispo Mackey e repetirei
estas suas palavras. No mínimo você será excomungado e
toda a cidade saberá que você é um apostata – Aaron ria
por dentro ao ver o pavor de Breedney.
– Não, isto não! Não faça isto Aaron. Se eu for
excomungado minha mãe morrera de desgosto e minha
família será destruída e expulsa da cidade.
Percebendo que suas palavras causavam pavor em
Breedney, Aaron decidiu ir mais fundo nas ameaças.
– Não, Breedney. O que você falou não tem perdão! Agora é
tarde demais – Aaron se levantou e saiu andando a passos
largos como se estivesse realmente indo falar com o bispo.
Por um momento, Breedney ficou paralisado, com o olhos
fitando o vazio, o suor frio escorrendo pela testa e o coração
batendo mais acelerado. Quando se deu conta que Aaron
realmente estava decidido a leva-lo perante o bispo e ser
julgado como um apostata ele reuniu um pouco da força que
lhe faltava e correu todo desengonçado atrás de seu amado.
– Por favor, não faça isto com minha vida. Por favor, me
desculpe Aaron se eu te ofendi. Não foi minha intenção.
Aaron não dava ouvidos e continuava andando e dizendo: –
Saia do meu caminho seu apostata pois nada do que você
disser me fará mudar de idéia.
Estava sendo prazeroso demais para Aaron ver como era
fácil causar pânico em Breedney e dominar seus
sentimentos. Aaron já sabia como aquilo terminaria.
– Se você prometer não falar com o bispo eu juro que faço
tudo que me pedir!
Aaron parou abruptamente e permaneceu estático olhando
sério para Breedney.
– Tudo mesmo? Tem certeza?
– Sim Breedney, tudo que você me pedir eu farei.
Aaron deu um sorriso de satisfação vendo que conseguiria o
que queria e logo em seguida deu um tapinha de leve no
rosto de Breedney, como se ele fosse uma das muitas moças
que corriam atrás dele e falou com aquele ar arrogante,
fazendo com que Breedney, se apaixonasse mais ainda por
ele: – Você conseguiu me convencer, minha gazelinha
assustada. Hoje a noite quero que você me espere no mesmo
local e na mesma hora.
– Sim, senhor! – disse Breedney

A viúva Perley se encontrava sentada de frente para o


espelho grande e redondo penteando seus lindos cabelos
negros. Sua pele se encontrava mais macia do que nunca
depois de um banho quente em sua banheira vitoriana. Seu
corpo parecia transpirar um perfume feito pelos maiores
perfumistas de Paris e sua boca estava umedecida, assim
como todo seu sexo.
A cama larga e espaçosa fora especialmente arrumada para
este dia. Os lençóis estavam tão bem arrumados e sedosos
quanto sua pele. Algumas pétalas de rosa enfeitavam a cama.
Ao lado, ao pé da cama, um vaso com flores novas deixavam
o ar ainda mais doce.
A viúva usava um vestido preto, diferente daquele que
normalmente ela usava no dia a dia. Este era bem mais
colado ao corpo, acentuando suas curvas e fazendo seus
lindos seios saltarem para fora do corpete, deixando
transparecer um pouco daquelas duas obras de arte, feitas
pelas mãos de anjos, que eram tão cobiçados por todos os
homens em Salt Lake. A viúva sabia disto, mas para ela, só
existia uma pessoa que poderia toca-los a qualquer
momento.
Tudo estava preparado para recebe-lo. A viúva deu uma
última olhada na casa para se certificar de que todas as
crianças dormiam.
Um assobio foi ouvido por ela, que de imediato, abriu a o
porta dos fundos de sua casa para um homem entrar. Ele
entrou em silêncio e apesar de ter se dirigido rapidamente ao
quarto, no andar superior, parecia aos amantes uma
eternidade.
Quando a porta foi finalmente trancada os sentimentos
afloraram como uma cachoeira que deságua em seu destino,
se juntando as outras águas, em uma mistura de forças capaz
de gerar uma energia espetacular.
– Que bom revê-lo meu homem! Eu estava morrendo de
saudade.
– Eu também estava com muita saudade. Não via a hora de
te encontrar!
A viúva Perley o abraçou, com uma vontade enorme de
sentir seu corpo.
– Venha cá e se deite em meu colo quente. Hoje cuidarei de
meu homem!
Sem mais demoras, o amante se deitou sobre o corpo da
viúva e começou a beija-la ardententemente.
Com uma das mãos ele abriu seu corpete e sugou os seios
como se fosse um bebê faminto, levando a viúva a gemer de
prazer
O homem levantou o vestido de luto e se deparou com
meias calça pretas, que iam até a metade das cochas da viúva
Perley, presas em uma cinta liga, também preta.
A língua do homem percorreu as pernas grossas da viúva,
molhando seu corpo já umedecido pelo desejo, para logo em
seguida, alcançar o triangulo tão cobiçado.
A cada beijo, mordida e lambida que o homem misterioso
dava em sua vagina, a viúva Perley apertava bem forte o
travesseiro, se controlando para não berrar e acordar os
filhos.
– Há ,ha, haaaa ! Pare meu amor ou irei gozar! Vem aqui
dentro de mim – falava a viúva com uma expressão no
rosto quase que vulgar.
O homem arrancou a calça, deixou a arma ao lado da cama
– um colt 45 – , ficando completamente nu para em seguida,
enfiar seu membro rígido de uma só vez no meio das pernas
da viúva. Cada movimento dos dois era como um vulcão em
erupção.
A viúva fazia movimentos circulares e fortes em cima do
homem, sussurrando palavras obscenas em seus ouvidos.
Isto o fazia sentir mais desejo ainda de penetra-la sem parar .
– Mais forte meu macho. Me faça sentir que valeu a pena!
Os movimentos dele se tornaram mais intensos e rápidos.
Se a viúva Perley não fosse uma mulher bem servida, com
carnes firmes e um porte físico a cima da media, que fazia as
outras mulheres parecerem trapos de pano ao seu lado, ela
não teria agüentado a violência dos movimentos. Mas para
ela era assim que estava bom. Só desta forma, em um sexo
ardente e selvagem, é que a desejada viúva conseguia se
realizar sexualmente.
Depois de quase uma hora neste ritmo, a viúva começou
uma massagem no pênis de seu amante. Esta massagem não
era feita com as mãos. Apertando e relaxando os músculos
internos da vagina ela massageava cada centímetro do
membro de seu homem, que contorcia os olhos e puxava os
cabelos dela com uma das mãos e acariciava sua cintura com
a outra. No final, os dois explodiram em um gozo
maravilhoso e por um momento, foram levados até Kolob.
Durante a noite os dois repetiram por mais duas vezes a
mesma façanha.
Perto do amanhecer, um pouco antes do galo cantar o
homem se vestiu, a beijou e desapareceu no madrugada pelo
deserto de Utah.
Em um outro local, perto dali, Aaron e Breedney saiam do
celeiro que fazia parte do armazém do bispo.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 05


– Bispo Mackey, bispo Mackey!!
– Já estou indo. Aguarde um momento ! – disse o bispo se
levantando apressadamente e indo em direção a um cofre
escondido no canto de sua sala que ficava no andar
superior da capela.
Ele pega um envelope de dinheiro, o esconde dentro do
cofre e pensa consigo mesmo, “este é para o dizimo”. Em
seguida se dirige a porta e a abre para o sacerdote entrar
todo afobado na sala
– Se acalme rapaz. O que houve?
– Bispo, o senhor já leu a noticia que é manchete no Deseret
News e que toda cidade já sabe?
O bispo fingiu não saber de nada e com uma cara de quem
estava ansioso por saber de algo perguntou: – Pare de enrolar
menino e diga logo. Alguém foi excomungado, revelou os
segredos do templo ou o congresso finalmente permitiu o
casamento plural?
– Nada disto bispo! Assaltaram mais um trem pagador!
O bispo Mackey fez uma cara de espanto.
– Mas não é possível! Estes Paiutes atacaram novamente?
– Sim bispo, certamente foram eles!
– Esses lamanitas, não aprendem mesmo. Quando irão se
arrepender de suas iniquidades e voltarem seus corações
para o Senhor? Quando? – o bispo deu um murro na mesa.
– Eles também mataram o maquinista do trem! Quanta
crueldade bispo! – disse o sacerdote.
– Isto é verdade, Hunter? Me faça uma favor. Chame o
xerife Streble, agora. Precisamos acabar com a farra destes
lamanitas sujos!
O sacerdote correu o mais depressa possível e deu o recado
ao xerife, que em pouco tempo, já estava na sala do bispo
Mackey.
– Bom dia bispo, em que posso servi-lo? – perguntou o
xerife mostrando uma certa hesitação em perguntar.
– Sente-se, xerife.
O xerife tirou o chapéu, puxou uma cadeira e se sentou.
– Aqui esta sua parte. Esta tudo aí – disse o bispo, jogando
um maço de dinheiro sobre a mesa.
– Esta tudo aqui mesmo, bispo?
O bispo Mackey empurrou a cadeira onde estava sentado e
foi em direção ao xerife, que era um homem enorme, com
quase dois metros de altura e pesando aproximadamente 150
quilos de músculos, mas que na frente do bispo parecia um
menino assustado. Gritando e gesticulando, o bispo começou
a passar um sermão no xerife, semelhante a um pai raivoso,
que desconta sua raiva em uma criança arteira e mal
educada.
– Como ousa duvidar de minha honestidade? Alguma vez te
provei o contrário!
– Nã .., nã..., não bispo!
– Alguma vez não cumpri meus deveres como bispo ou
deixei sua família desamparada?
– Nã.., nã…, não bispo! – respondia o xerife todo assustado
parecendo mesmo uma criança.
– Então como você tem a desfaçatez de perguntar se esta
tudo aí? Como? – perguntou o bispo, erguendo as duas
mãos para cima e olhando para o alto, como se visse os
céus se abrindo.
O xerife ficou tão assustado que se levantou, cambaleando
de medo, quase caindo no chão. Seu rosto estava todo
vermelho. Não se sabe se de vergonha, medo ou raiva por
estar sendo tratado daquela maneira.
– Me desculpe, bispo! Não quis ofende-lo. Acho melhor eu
me retirar.
O bispo Mackey abaixou a cabeça, passou a mão no rosto e
soltou um forte suspiro, como que para deixar a raiva ir
embora e aproveitou o momento para tirar um pouco do
dinheiro do pobre coitado do xerife.
– Volte aqui Streble. Você não esta esquecendo de pagar o
dizimo, não? Como quer que as janelas do céu sejam
abertas para você, com esta mesquinharia toda?
– Me desculpe bispo, aqui esta ! – o xerife tirou um pouco
do dinheiro de dentro do envelope e deu ao bispo.
Novamente, quando o xerife ia saindo da sala, o bispo
mais uma vez perguntou: – E a oferta de jejum? O senhor
não se preocupa com os irmãos carentes da igreja?
– Si.., si..., sim senhor bispo. Toma!
La se foi mais um pouco do dinheiro do xerife.
– E a obra missionária? Me parece que você não quer ajudar
o reino do pai celeste a crescer na terra. Estou certo
xerife?
– Ai! Não sei onde anda minha cabeça. Como eu pude
esquecer da obra missionaria?
– Viu como o pai celeste é bondoso? Por isto ele me colocou
aqui, para te lembrar disto e não deixa-lo cair em pecado,
por negligência.
Quando finalmente o xerife conseguiu sair da sala, seu
pacote de dinheiro estava quase vazio.
O único que saia realmente lucrando com os assaltos aos
trens e outros negócios obscuros era o bispo e alguns outros
poucos homens a cima dele na hierarquia do grupo.
A cada dia sua riqueza aumentava, pois o bispo Mackey
fazia negócios diversificados em vários ramos de atividade.
Ele atuava como bispo, ladrão de trem, alugava carroções
para mórmons sonhadores que vinham para Salt Lake a
procura de uma terra prometida más que no final se provava
ser pura ilusão.
O bispo alugava também, carroças, ferramentas e animais
para aventureiros que sonhavam em fazer fortuna com ouro
na Califórnia. Quem não tinha dinheiro para pagar pelo
aluguel, assinava um contrato antecipado, em que se
comprometia a dar metade do que descobrisse como
pagamento ao bispo.
Devido a um grupo seleto de comparsas, o bispo conseguia
manter por meio de troca de favores a fama de homem
temente a Deus, honesto e justo. Sendo assim, ninguém
suspeitava de que ele fosse lhes passar a perna e como
muitos não tinham nem onde caírem mortos, assinavam o
contrato sem pensar duas vezes.
Para estes homens isto era uma sentença de morte pois
assim que o bispo recebia a noticia da descoberta de ouro,
por parte de alguns destes homens, ele dava uma jeito de
sumir com a pessoa e tomar conta de sua descoberta . O
bispo então mandava uma esmola qualquer para a família do
infeliz e quando raramente era encontrado o copo do pobre
desgraçado, ele mandava fazer um funeral elegante e
pomposo, ganhando assim a simpatia dos parentes do
falecido.
Com isto, algumas das famílias deste pobres homens
passavam a desejar pertencer a igreja, que tinha como bispo
um homem tão caridoso e bondoso. Depois do batismo essas
famílias começavam a pagar o dizimo e assim o bispo
lucrava mais de mil por cento em cima do que investiu.
O boato de que o assalto ao trem e o assassinato do
maquinista tinham sido feitos pelos índios já se espalhara por
todo o território de Utah. Qualquer coisa considerada errada,
criminosa ou deselegante no território, era para os mórmons,
coisa de algum lamanita ou de negro.
Com os negros a convivência era pacífica, pois existia
muito poucos no meio dos santos dos últimos dias e estes
poucos não disputavam a terra com a elite branca de Utah,
porem os índios, eram realmente os donos do território e não
aceitavam perder suas terras tão facilmente para os
mórmons, sem lutar.
Em Salt Lake, normalmente, quando as crianças brincavam
de cowboy, bandido e mocinho, ninguém queria ser o índio.
Todos queriam ser o pioneiro desbravador, que abria
caminho pelo território inóspito de Utah rumo a terra
prometida, tendo ao lado suas mulheres obedientes, que os
enchiam de beijos depois de matarem os selvagens lamanitas
adoradores de deuses e descendentes de Lamã e Lemuel, os
dois irmãos mais velhos de Néfi, que se rebelaram contra ele
e seu pai Lehi e por isto tiveram a descendência
amaldiçoada. Este era o ensinamento que toda família de
Utah passava para seus filhos e por este motivo, nenhuma
criança escolhia ser o índio na brincadeira de mocinho contra
bandido.
Novamente os índios pagariam dobrado sem merecerem.
Primeiro, por serem considerados seres amaldiçoados e
segundo por serem um povo inocente demais, pois se eles ,
os índios Paiutes, fizessem acordos sujos e corruptos com a
turma do bispo Mackey, certamente não sofreriam tantas
perseguições. Sendo assim, os índios Paiutes preferiam
morrer a sujarem suas mãos com dinheiro sujo e sangue
inocente.

Deitado a noite em sua cama, depois de ler mais alguns


capítulos do livro de Mórmon, o xerife Streble não
conseguia tirar de sua mente a cena terrível e macabra que
presenciara. Ele nunca tinha visto, em muitos anos como
xerife nem tampouco na guerra de secessão, tamanha
covardia nem mesmo entre bandidos comuns.
Na madrugada passada, por volta das 2:30 da manhã, o
grupo comandado pelo bispo Mackey, que alem de outros
homens contava com a presença do xerife e Aaron, atacou o
trem pagador que passava pela estrada de ferro que corta o
deserto. Depois de conseguirem parar o trem e renderem o
maquinista e seu ajudante, o grupo fez uma limpeza geral
nos vagões, roubando tudo que tivesse valor.
No momento em que o grupo já ia se retirando da cena do
crime, Aaron perguntou ao bispo se não seria melhor matar o
maquinista e seu ajudante, pois assim seria praticamente
impossível para as autoridades descobrirem a autoria do
roubo e seria mais fácil jogar a culpa nos índios outra vez. O
bispo Mackey gostou da idéia e encarregou Streble da tarefa,
porém ele se negou dizendo que não existia necessidade
disto, já que eles estavam encapuzados. O bispo gritou com
ele, como de costume, falando que ou ele assumisse de vez o
seu papel no grupo ou teria que sair do esquema. Aaron se
prontificou a matar os homens e de imediato arrastou o
ajudante do maquinista pelos cabelos dizendo: – Venha
comigo, cordeirinho! Hoje você vai virar defunto! – Aaron se
divertia com seu sadismo.
Em meio aos gritos do homem e da risada de Aaron, dois
tiros foram disparados, atingindo o ajudante do maquinista
no peito e na cabeça.
O maquinista, vendo isto, ficou tão apavorado diante da
inevitável morte que se ajoelhou, implorando para não ser
morto, dizendo que tinha família e filhos pequenos para
criar.
O bispo Mackey tirou a mascara que cobria seu rosto, olhou
bem para os olhos do maquinista, com aquele seu rosto
transformado, parecendo que estava possuído por algum
espirito e disse com sarcasmo: – O dinheiro que estamos
pegando é para ajudar na obra de meu pai celestial e quando
você estiver do outro lado do véu diga para seus amigos que
estão na prisão se prepararem para a segunda vinda.
O maquinista, que não compreendia o significado daquelas
palavras do bispo, por um instante parou de implorar pela
vida e permaneceu calado, como se estivesse tentando
entender o que o bispo queria dizer com toda aquela
conversa de prisão e segunda vinda.
– O senhor deve estar me confundindo com outra pessoa. Eu
nunca estive na prisão. Eu sempre andei direito nesta vida
sofrida que Deus me deu! – disse o maquinista,
procurando abrandar o coração do bispo Mackey.
O bispo continuava a olhar o homem com aquele ar
superior e arrogante. Ele encostou o rifle Winchester, modelo
1886 na testa do maquinista e disse: – Pelo visto você nunca
escutou o verdadeiro evangelho de Cristo, mas não serei eu
que te ensinarei!
Aaron continuava rindo, agora baixo, e o xerife Streble
observava tudo, calado e se sentindo impotente.
O bispo continuou a tortura psicológica.
– Me faça um favor ? – perguntou ele ao homem.
– Si... sim, senhor.
– Diga ao pai celeste que eu estou fazendo minha parte na
construção de seu reino e que espero ele fazer a dele na
minha vida!
O bispo apertou o gatilho e o cérebro do maquinista
explodiu em milhares de miolos. Seu corpo ficou estirado ao
lado dos trilhos.
– Streble! Amarre os pés deste verme e o deixe próximo ao
território dos Paiutes, na caverna onde deixamos o corpo
do homem que matamos no outro assalto – ordenou o
bispo.
– Sim senhor bispo. É pra já!
As lembranças destas cenas torturavam a mente do xerife.
As palavras que ele acabara de ler no livro de Mórmon,'' o
homem natural é inimigo de Deus e selo-a para sempre se
não seguir o influxo do Espírito Santo '', o atingiam como
uma facada atravessando seu coração.
O xerife se levantou e foi até o quarto onde sua filha recém
nascida, com pouco mais que um ano de idade e seu filho de
sete anos, dormiam. Enquanto ele, com muito carinho,
passava a mão no rosto das crianças, sua mente novamente o
transportou para a cena do maquinista implorando pela vida
e dizendo ter filhos pequenos para criar.
Neste momento, sua mulher que dormia, veio até o quarto e
colocou uma das mãos no ombro do xerife Streble.
– Amor, porque esta chorando? – perguntou Anne.
– Eu estou tentando imaginar como seria a vida de nossos
filhos sem nós.
Com uma voz suave e calma, Anne disse: – Acho que seria
difícil para eles, mas nosso bondoso pai celestial ira nos
proteger sempre, para cuidarmos de nossos filhos.
Os dois se abraçaram, olhando as crianças que dormiam
tranqüilamente. Antes de voltar para a cama Anne olhou por
alguns instantes bem nos olhos do marido e disse: – Sou
muito grata ao pai celestial por ter me dado um marido tão
especial e bondoso. Nossos filhos tem sorte de terem um pai
como você.
O xerife conseguiu sorrir um pouco e ela concluiu suas
palavras dizendo: – Quem te vê, grande deste jeito, não sabe
que você é doce e puro como uma criança e por isto me
apaixonei por você, Streble.
Anne o beijou e foi dormir.
Ao escutar estas palavras de sua esposa o xerife se sentiu a
pessoa mais suja e repugnante na face da terra.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTLO 06


– Porque você não para de brincar com minha boneca? Me
devolve ou vou falar com minha mãe!
– Não diga nada a sua mãe !Tome aqui sua boneca .Eu
prometo não brincar mais com ela.
– Da próxima vez que eu te ver com minhas coisas vou
pedir pra minha mãe te devolver para o seu pai.
– Se sua mãe me devolver para o meu pai ele me mata.
– Deveria te matar mesmo. Você é mais criança que eu. Meu
pai fez um péssimo negocio trazendo você aqui para nossa
casa. Você parece filha e não mulher dele – disse Rebeca ,
uma menina de dez anos de idade tão impetulante e
mimada quanto sua mãe, Megson.
– Pare de falar menina. Eu já devolvi essa sua boneca, e se
eu pudesse eu iria embora hoje mesmo desta casa pois
meu pai só me mandou para cá porque devia dinheiro ao
seu – Camilla, assim como qualquer garota tentava sair
vencedora naquela briga infantil. – Um dia terei quantas
bonecas eu quiser e você vira me paparicar.
A menininha, atrevida e irritante, não perdia oportunidade
de azucrinar sua mais nova vitima dentro daquela casa. A
primeira era um gatinho, que ela sempre atirava contra a
parede e agora Camilla, que sofria com a perseguição da
garota.
– Pelo visto seu pai não gostava de você mas, o meu que se
deu mal nesta historia.
Era isto que Camilla Wallker, a garota simpática, que se via
obrigada a se casar com um velho, aos quinze anos de idade,
escutava todos os dias ali na casa dos Rignbotan.
Ela até que se sentia bem recebida pelas outras mulheres,
Megson e a Flora, que faziam de tudo para agrada-la. A
ajudavam no banho, penteavam seu cabelo e até passavam
óleo em seu corpo, pois as duas falavam que o irmão
Rignbotan gostaria de vê-la cheirosa e arrumada quando
chegasse da viagem a negócios que fizera até Ogden,
levando milho e trigo.
Depois desta pequena discussão que ela tivera com Rebeca,
coisa de criança, Camilla saiu para fora da casa e se afastou
da voz irritante ''daquela menina chata'' , pensava ela
enquanto andava pelo jardim da grande casa dos Rignbotan.
Enquanto sentia o sol morno batendo em seu rosto, Camilla
refletia um pouco sobre a vida. Era tão bom olhar as
montanhas ao longe, quase sempre cobertas de gelo,
parecendo um pão doce coberto de açúcar, pisar na grama
com os pés descalços e sentir a natureza.
– Hó meu pai celestial – orava em silêncio –, como eu
queria ser feliz, estar neste momento ao lado de minha
querida mãe e meus irmãos e brincando com minhas
bonecas.
Camilla sempre fora uma menina levada, que corria o
tempo todo pelos jardins, brigando com meninos e muitas
vezes chegando machucada em casa.
O sonho de Camilla era ser bailarina e dançar em alguma
casa de show em Nova York. Esta sua vontade, estranha para
qualquer menina de Utah, nasceu quando um dia algumas
mulheres passavam perto de sua casa e deixaram cair um
panfleto. Ela pegou o panfleto e lá estava o desenho de uma
mulher dançando em algum lugar em Nova York. Desde este
dia Camilla passou a sonhar em fazer sua vida fora de Salt
Lake e ir a um lugar onde ela não seria obrigada a seguir
uma religião ou se casar com qualquer velho para saudar
dividas de seu pai. Camilla sonhava com um lugar onde seu
livre arbítrio seria respeitado na prática e não apenas nas
palavras.
Camilla sabia que este sonho deveria ser guardado em
segredo pois a sua família, a igreja e todas as pessoas que a
conheciam pensariam coisas erradas a seu respeito , a
julgariam e ela acabaria sendo tratada como uma grande
pecadora.
Camilla nunca sonhou com o casamento porem agora se via
casada com um homem que ela nunca pensaria em chegar
perto. “Aquele velho cheio de gota”, dizia ela.
Agora Camilla estava casada e seu sonho teria que esperar
para quem sabe um dia virar realidade e isto era o que ela
sempre pedia a Deus em oração com o tipo de fé e esperança
que ainda vivem no coração das meninas mais jovens.
Todas as vezes que o irmão Rignbotan viajava a negócios,
Camilla se sentia aliviada e tranqüila por não precisar
inventar mil e uma desculpas para se livrar de ter que se
entregar aquele homem, mas a cada dia se tornava cada vez
mais difícil fugir das obrigações de uma mulher pois o
irmão Rignbotan já estava perdendo a paciência com ela.
Camilla permaneceu um longo tempo entretida com seus
pensamentos naquela agradável tarde em Salt Lake.
Estava já caindo a noite e ela decidiu que era hora de voltar
para dentro de casa e deixar os sonhos para outro momento
pois era hora de voltar a sua vida de desgostos.
Ao chegar em frente ao sobrado Camilla se deu conta de
que no alto da uma arvore, bem em frente ao quarto de Flora,
o gatinho de Rebeca estava enroscado em um galho, com
medo de descer. ''Certamente o gatinho devia estar fugindo
daquela menina má'', disse Camilla suspirando, não de raiva,
mas de desgosto em ver como Rebeca tratava os
animaizinhos.
Camilla Wallker não pensou duas vezes. Rapidamente
subiu no alto da arvore e soltou o gatinho, que aliviado por
ter se desenroscado do galho que o prendia, saiu correndo
arvore a baixo.
Foi neste exato momento que Camilla viu uma cena que
nunca em seus devaneios mais estranhos ela imaginaria.
Estando ela no alto da arvore, em frente a janela de um dos
quartos, Camilla viu, para seu espanto, a irmã Flora e
Megson, ambas nuas e cada uma com a cabeça no meio das
pernas da outra e com cara de que estavam sentindo dor. Pelo
menos foi esta a impressão que a doce Camilla Wallker teve.
No primeiro instante ela sentiu um baque, um susto, mas
parou, focou melhor a visão e deixou que a curiosidade a
prendesse ali por mais um pouco de tempo .
– Camilla, Camilla!
– Caramba! O que esta menina quer? Logo agora? – Camilla
sentiu muita raiva neste momento.
Rapidamente, Camilla desceu da arvore, tão rápido que
quase caiu.
Rebeca aparece chorando, com o corpo da boneca em uma
mão e a cabeça na outra.
– Socorro Camilla, minha boneca quebrou .Concerta pra
mim, por favor, minha mãezinha.
– Quanta falsidade – pensou Camilla, em voz alta. – Me dê
esta boneca aqui. Deixe eu ver qual é o problema com ela.
Logo de cara, Camilla percebeu que era só encaixar a
cabeça no corpo e a boneca estaria outra vez novinha em
folha. Mas não foi isto que ela disse para menina chata.
– Rebeca !Escute com atenção. Esta porcaria não tem mais
concerto. Pode jogar no lixo.
– Buaaaaa!

Ao retornar de sua viagem a negócios, o irmão Rignbotan,


um homem baixo, careca e muito magro, se dirigiu a sala do
bispo Mackey para deixar o dízimo, antes mesmo de passar
em casa.
O irmão Rignbotan era um homem fiel a doutrina e seguia
todos seus ensinamentos. Ele era uma pessoa bem
relacionada na igreja e tinha parentes entre os Young e
Kimball.
Suas terras produziam bastante e o bispo Mackey ficava
feliz em tê-lo como membro em sua ala.
– Irmão Rignbotan ,que bom revê-lo ! Disse o bispo, se
levantando para cumprimenta-lo.
– Digo o mesmo bispo! – respondeu Rignbotan, que apesar
de quase um idoso tinha um ar jovial.
– Como foi a viagem, irmão?
– Muito produtiva bispo. Vendi toda a safra e consegui um
bom preço por ela – dizia o irmão, nitidamente feliz.
– Sabe o que vim fazer aqui? Sabe, sabe? – o irmão
Rignbotan esfregava os dedos polegar e indicador,
alucinadamente, um no outro .O bispo Mackey se
segurava para não rir nestas horas.
Sempre que o irmão Rignbotan vinha pagar o dizimo, fazia
a mesma pergunta, mas o bispo sempre fingia não saber a
resposta pois era melhor agradar o irmão e entrar na
brincadeira.
– Deixe-me ver se acerto ! – o bispo pensou um pouco e
respondeu. – O senhor veio saber sobre a próxima
conferência geral.
– Não ! – disse o irmão rindo. – Vim pagar o dízimo!
Ao mesmo tempo que ele dizia a palavra dizimo, suas mãos
gesticulavam como se estivesse abrindo uma janela e em
seguida fazia o sinal de chuva caindo. O bispo forçava a
risada, mesmo já estando cansado desta brincadeira idiota do
irmão Rignbotan. A verdade era que o bispo Mackey sentia
nestas horas, vontade de pegar sua winchester e meter um
tiro na cara do velhote metido a piadista.
– Meus parabéns, irmão! Fico realmente impressionado com
sua lealdade ao Senhor. As janelas do céu cada vez mais
se abrirão, abençoando sua vida e te trazendo mais e mais
prosperidade – dizia o bispo, dando tapinhas nas costas do
irmão Rignbotan, que nesta hora se portava como um
menino que escuta os elogios de um tio ou do pai depois
de uma boa ação.
– Na verdade eu só estou fazendo minha parte sem esperar
nada em troca do pai celeste .
– Estes que são mais abençoados, irmão. Os que fazem as
coisas certas, pelos motivos certos sem esperarem nada
em troca – o bispo Mackey era perito em se fazer bem
quisto nas horas certas e para as pessoas certas.
– Bispo , eu venho aqui também por causa de um assunto
delicado e acho que o senhor poderá me ajudar.
– Sim irmão, sinta-se a vontade .
O irmão Rignbotan puxou uma cadeira e se sentou e
chamou para perto de si o bispo, que teve que se encurvar
um pouco para o irmão lhe falar bem baixinho, quase
sussurrando, em seus ouvidos.
– É algo sobre minha nova esposa, Camilla.
O bispo adorava estas horas, quando os irmãos começavam
a contar segredos de suas vidas intimas, pois ele aproveitava
tudo que lhe era contado para apimentar suas noites de sexo
e muitas vezes estes relatos da vida cotidiana dos membros o
ajudavam a preparar melhor seus golpes contra as ovelhas
indefesas da ala.
– Já estamos casados a três meses e ela se recusa a … o
irmão assobiava baixinho e fazia o movimento
característico com as mãos..... o senhor sabe, não é bispo?
O bispo Mackey sentiu um calor pelo corpo se imaginando
com a moça e pensou : – Então aquela vaquinha ainda esta
intacta! Hum...que bom saber disto – fingindo real interesse
em ajuda-lo o bispo, então disse : – Compreendo irmão. Pelo
que compreendi Camilla, sua esposa ainda é virgem e não se
entregou ao senhor.
– Isto mesmo, bispo. Já não sei mais o que fazer – disse o
irmão, com angustia no rosto.
– O senhor procurou pedir orientação ao pai celestial?
– Sim bispo. Todas as noites peço a orientação do pai.
– E o que ele diz ao senhor ? – perguntou o bispo, com as
mãos entrelaçadas e aparência pacífica.
– O pai celeste me disse que tenho que ter mais paciência,
mas esta sendo difícil!
– O bispo pegou seu livro de mórmon, abriu na pagina que
estava marcada e pediu ao irmão que lesse.
A escritura dizia: O homem natural é inimigo de Deus e
selo-á para sempre a menos que ceda ao influxo do espírito
santo e …... torne-se como criança, submisso, manso,
humilde, paciente , cheio de amor, disposto a submeter-se a
tudo quanto o senhor achar que lhe deva infligir, assim como
uma criança se submete a seu pai.
– O senhor realmente é um homem inspirado, bispo.
Irmão Rignbotan, procure ter um pouco mais de paciência
pois a sua jovem esposa esta um pouco confusa com as
novas obrigações. Se lembre que ela é praticamente uma
criança e não esta familiarizada com certas coisas.
O irmão Rignbotan prestava bastante atenção em cada
palavra do bispo, pois este assunto era algo que lhe tirava o
sono. O bispo continuou a aconselha-lo dizendo : – Procure
controlar seus impulsos e passe mais tempo com as outras
mulheres e no devido tempo de nosso pai celestial ela se
entregara ao senhor.
O irmão se alegrou imensamente com essas palavras
inspiradas e confortadoras, se levantou e disse com seu ar
jovial e matreiro: – Isto mesmo que farei bispo. O pai celeste
nunca me abandonou e não seria agora que ele me
abandonaria – disse o irmão com gargalhadas contidas,
tampando a boca com uma das mãos.
O irmão Rignbotan tirou um pacote de dinheiro do bolso e
deu ao bispo que arregalou os olhos na mesma hora.
– É assim que se faz irmão.
Sem dizer mais nada, o irmão Rignbotan se despediu e saiu
correndo para a casa, não vendo a hora de rever suas
adoráveis esposas e logicamente a mais nova delas, Camilla
Wallker.
Sozinho em seu escritório, o bispo abre seu cofre secreto
onde guardava o dinheiro dos roubos do trem, pega uma
garrafa de conhaque, se serve com um copo cheio até a borda
e diz como se estivesse conversando com um amigo do mal,
imaginado: – Este irmão Rignbotan é realmente um imbecil
e frouxo – o bispo bebe todo o conteúdo do copo de uma só
vez e completa o pensamento: – Aquela putinha será minha!

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 07


A febre de Bob aumentara muito desde a ultima vez em que
sua mulher pediu ao bispo para vir dar-lhe uma benção. Bob
delirava, falando palavra inteligíveis. Seu corpo estava
magro, fraco e em nada lembrando aquele Bob de antes do
acidente, forte e corpulento. Durante os momentos em que
Bob permanecia dormindo, quase em coma, imagens de sua
chegada em Salt Lake voltavam em sua mente.
Bob revia os búfalos em estouro correndo na direção dos
pioneiros, o enterro de sua mãe e a fome que sentira naquele
inverno de mil oitocentos e sessenta e dois quando uma forte
geada atingiu a companhia que Bob se encontrava. Mais uma
vez muitas pessoas morreram.
Todos teriam morrido se não fosse a ajuda de um grupo de
apoio que veio resgata-los.
Foi nesse momento que Bob conheceu aquele que seria seu
grande amigo, Kairel, que tinha somente onze ou doze anos
mas insistiu com seu pai para ajudar no resgate. Quando
Brighan Young organizou o grupo de apoio, o irmão
Axelson, o pai de Kairel, se prontificou de imediato.
Mesmo sendo muito jovem Kairel insistiu em ir e
logicamente seu pai não o deixou por ser ele muito criança
ainda, mas logo o senhor Axelson voltou atrás quando
Kairel disse que, se não o deixassem ir ele seguiria logo
depois sozinho.
Bob nunca se esqueceu de que Kairel foi o primeiro branco
a apertar sua mão, e o primeiro a lhe dar os pêsames pela
perda da mãe
– Cadê sua família? – perguntou Kairel a Bob.
– Eu não tenho mais ninguém. Minha mãe morreu no
estouro de búfalos – disse Bob, ainda criança e sentindo
muito frio.
– Que pena! Mas agora ela deve estar nos braços do
bondoso pai celeste.
– Eu espero que sim pois mamãe foi uma mulher muito boa.
Os dois conversavam como se fossem velhos amigos.
– Eu também já perdi um parente
– Quem? – perguntou Bob
– Não me lembro direito. Acho que era um tio ou algum
primo distante. Eu não me lembro muito dele – disse
Kairel, envergonhado por não se lembrar de seu parente
que havia falecido.
O menino Kairel tirou um pão com carne do bolso de seu
casaco e ofereceu a Bob.
– Quer um pedaço de pão com carne ?
Bob olhou aquele pedaço de pão e sentiu vontade de pular
em cima mas se conteve, lembrando das lições de educação
que sua mãe lhe dera.
– Vou aceitar um pedaço – disse Bob, se comportando com
elegância mas desejando todo o pão.
Os dois partilharam do mesmo pão e ali nasceu uma
amizade que seria para toda vida.
Bob também se lembrava de quando chegou finalmente em
Salt Lake, de ser bem recebido pela família de seu
amiguinho e de ter ganho um quarto na casa dos
empregados.
O pai de Kairel empregou Bob, que passou a fazer de tudo
um pouco: selar e ferrar cavalos, concertos de cercas, pintar
e reparar casas e a cortar gramas do jardins das casas e das
capelas. Kairel sempre o acompanhava e tratava Bob como
um irmão mais velho.
O senhor Axelson era outra pessoa a quem Bob estimava
muito pois sempre fora generoso com Bob e lhe pagava, na
maioria das vezes, mais do que o combinado.
O tratamento que a família de seu amigo dava a Bob o fazia
esquecer um pouco a tristeza de não ter sua mãe por perto
para vê-lo crescer.
Quando Bob ia para as reuniões da igreja a coisa mudava.
Ele sempre se sentava no ultimo banco por não se sentir a
vontade de sentar nos bancos da frente. Uma certa vez,
quando Bob por um motivo ou outro tentou sentar nos
primeiros bancos, vários garotos o cercaram e lhe deram uma
surra alem de chama-lo de negro, animal, amaldiçoado, nariz
achatado, infiel e coisas do tipo.
Nestas horas, Kairel sempre vinha em defesa de seu amigo,
que não revidava por ter medo de ser chamado de desordeiro
como um outro rapaz negro, que revidou a uma agressão e
foi preso e açoitado pelo antigo xerife da cidade.
Bob não queria que aquilo acontecesse com ele também.
Essas eram as lembranças que Bob tinha de sua vida
enquanto continuava lutando para não morrer ali, em cima
daquela cama.
Candace, sua esposa, pensava enquanto cuidava de Bob: –
Que pena que Kirel não esta aqui.
Nesse momento alguém bateu na porta. Ela correu feliz
pensando: – Finalmente vieram dar a benção em meu
marido.
Quem estava na porta não era ninguém do sacerdócio, pois
estes estavam atarefados com suas próprias vidas, seus
negócios e suas varias mulheres.
– Oi irmã Candace!
– Irmã Perley, que bom revê-la.
As duas se abraçaram em um sinal de grande amizade.
– Como esta Bob? – perguntou a viúva.
– Ele esta cada vez pior. Acho que ….
– Não diga isto irmã. Ele em breve se recuperara. Estou
orando por isto.
– Tomara irmã. Ele passa o dia todo com febre e delirando.
A senhora acredita que agora mesmo ele sussurrava o
nome de seu marido.
A viúva Perley se sentiu surpresa. Mesmo no estado em que
se encontrava, Bob não se esquecera de Kairel.
– Kairel ficaria feliz em saber disto irmã!
– É verdade irmã. La no céu ele esta vendo isto.
A irmã Candace foi até a minúscula cozinha de sua pequena
casa e trouxe um chá de maçã para viúva Perley.
– Esta uma delicia esta chá irmã!
– Obrigada, irmã Perley. Eu fiz este chá com as frutas de
nosso pomar.
– Esta realmente delicioso – a viúva bebeu mais um pouco e
perguntou: – Me diga uma coisa. O bispo Mackey ou
alguém do bispado tem vindo aqui ?
A irmã Candace colocou seu copo em cima de uma pequena
mesa na sala e com uma expressão de tristeza respondeu: –
Não irmã. Até hoje nenhuma pessoa do sacerdócio veio aqui,
a não ser aquele menino, o Breedney, que é muito atencioso
e me trouxe um bolo e desejou melhoras ao Bob.
– Há, sim. Eu sei quem é este rapaz .Ele é muito especial
mesmo.
– O bispo não passou porque deve estar ocupado. A senhora
sabe como é vida de bispo pois já foi até casada com um!
– disse ela, se referindo a Kairel que antes de ser dado
como morto, era um bispo em Salt Lake
A viúva deu um sorriso ao escutar estas palavras, bebeu
mais um pouco de seu chá e falou para Candace: – Sei muito
bem com o que este bispo esta ocupado !
– O que a senhora esta querendo dizer com isso irmã? –
perguntou a mulher de Bob, espantada.
– Nada não irmã. Esquece. – disse Perley, rapidamente. –
Não posso deixar transparecer' – pensou a viúva, que
procurou mudar o rumo da conversa. – Posso te ajudar a
cuidar de Bob nesta tarde?
– Sim irmã Perley, será um prazer ter a sua ajuda! –
respondeu Candace, com um largo sorriso.
As duas se revezavam nas compressas, até que Bob
melhorou um pouco. O suficiente para parar de delirar. Ao se
despedir a viúva disse: – Irmã, fique tranqüila pois antes do
domingo alguém do bispado estará aqui.
ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 08
– Judite, meu desejum esta pronto? – perguntou o bispo
Mackey em um tom áspero enquanto descia a escada de
sua casa e ajeitava a calça.
– Sim, Mckey! – se apressou Judite em responder. – Esta
tudo na mesa do jeito que você gosta.
– Tomara que esteja bom mesmo pois precisarei de toda
energia para encarar mais uma daquelas reuniões chatas
com aqueles velhos, a esta hora da manhã.
A mesa fora divinamente preparada por Judite. Os afazeres
domésticos eram um prazer para ela que caprichava na hora
de servir seu marido.
– E as crianças?
– Estão dormindo Mackey. Quer que eu as acorde?
O bispo quase se engasgou com o pão que estava
mastigando.
– Você esta louca? Quer acabar com meu dia antes mesmo
de começar? – ele terminou de mastigar e engolir o pão. –
Tremo só de pensar que terei que aturar estes diabinhos
pela eternidade.
O bispo se levantou da mesa, colocou seu chapéu stetson na
cabeça e disse a Judite: – Antes que eu me esqueça, diga para
aquelas mulheres preguiçosas fazerem algo aqui nesta casa
ou vou devolver todas elas.
– Sim, Mackey, eu falarei mas acho que não vai adiantar.
Quem mandou acostuma-las mal?
– E quem pediu sua opinião? Quem, quem? – disse o bispo
Mackey, olhando bem nos olhos de sua mulher e
gesticulando tanto que por um momento parecia o irmão
Rignbotan.
– Me desculpe. Eu não queria te deixar irritado – Judite
falava baixinho, parecendo a empregada do próprio
marido.
O bispo se dirigiu para fora de casa onde o seu cavalo negro
e bem cuidado já o aguardava, trazido por Dick, seu
funcionário.
– Judite!
Judite saiu correndo, secando as mãos, pois já estava
lavando as louças.
– Sim, amor.
– Peça para a …. – ele se esforçava para lembrar o nome da
mulher, mas sem sucesso. – Peça para a minha quarta
mulher se aprontar pois hoje a noite faremos uma festa a
três.
– Esta bem Mackey.
O bispo puxou seu cavalo, que saiu trotando pelas ruas de
Salt Lake, rumo ao tabernáculo.
– Mais uma vez terei que aturar esta sujeira! – pensou Judite
conformada, e concluiu: – Um dia crio coragem e largo
tudo isto daqui!

Uma grande reunião de liderança da estaca foi organizada


de última hora. Os lideres do sacerdócio estavam
ultimamente ansiosos, pois as perseguições contra os
mórmons, devido a doutrina de casamento plural eram cada
vez mais intensas. Lideres da igreja e comerciantes, temiam
que o exercito viesse para acabar com a pratica ou tirar os
santos de seus lares, confiscando seus bens, propriedades e
acabando com seus negócios. Para muitos que estavam ali
presentes o fato de a igreja demorar tanto a chamar um novo
profeta dificultava as negociações de paz com o governo.
Quem seria o novo profeta? Quem guiaria os santos dos
últimos dias neste momento crucial em que famílias corriam
o risco de se verem jogadas na miséria e seus lares desfeitos?
Algo tinha que ser feito e o mais depressa possível.
Alguns até cometiam o pecado de imaginar que mais uma
vez a voz de Deus se calaria deixando sua igreja entregue as
bofetadas de satanás. Logicamente que este pensamento
cada um guardava para si, pois ninguém ousaria duvidar em
publico da liderança da igreja. Pelo menos não ali em Utah.
O presidente Parkson, que presidia a estaca nesta época tão
difícil foi o primeiro a falar.
– Irmãos !Estamos aqui todos reunidos mais uma vez para
falarmos de um assunto que tem atormentado muitos dos
santos. O governo tem ameaçado tirar todos os bens da
igreja e nosso direito a cidadania. Muitos de nossos
irmãos foram presos e mortos e nosso querido profeta
John Taylor faleceu no exílio, lutando até o fim para
manter a igreja verdadeira no caminho do Senhor. Mesmo
com todas as perseguições e provações ele não se curvou,
pois nosso pai celeste esta a frente desta igreja e nenhum
homem, força ou nação fará esta obra retroceder nem um
milímetro se quer.
Os homens que estavam ali reunidos escutando o discurso
do presidente da estaca, sentiram um alivio com aquelas
palavras tão firmes e seus corações queimaram. Muitos
falaram que era o espirito santo testemunhando a veracidade
daquelas palavras mas o futuro provaria que não.
– Irmãos! – o presidente Parkson continuava seu discurso
acalorado. – Tempo vira em que toda nação testemunhara
que esta é a única igreja verdadeira. Todos se lembrarão de
como a igreja de Cristo venceu o exercito americano, que
comandado por homens iníquos cometeu o erro de lutar
contra o Senhor, nosso pai celeste, criador de todas as
coisas e pai de nosso irmão maior, Jesus Cristo, o cabeça
de ''A igreja de Jesus Cristo dos santos dos últimos dias “,
e em nome dele termino meu discurso. Amem
Normalmente os mórmons são contidos, nunca aplaudindo
ou demonstrando seus sentimentos, porem neste dia, todos
os homens se levantaram e aplaudiram o presidente Parkson
e suas palavras, tamanha era a preocupação em perderem
seus bens, terras e principalmente as varias mulheres.
Logo em seguida, todos se prepararam para escutar as
palavras do homem que era para os mórmons era
considerado apostolo de Cristo. Um homem idoso, magro e
com a barba cumprida e afunilada ficou de pé, no púlpito
olhando para todos.
– Meus amados irmãos, a algum tempo chegamos a este
vale e aqui construímos esta cidade como um refúgio
contra aqueles que nos perseguiam. Cultivamos a terra que
até então era seca e desértica, construímos nossas casas e
aqui criamos nossas famílias no evangelho verdadeiro.
Deus nos fez prosperar nesta terra e depois das
dificuldades encontramos um período de relativa paz. E
agora vos pergunto irmãos: Se nós confiamos no pai
celestial nos momentos mais difíceis seria prudente
esquece-lo nos momentos de paz?
Todos os membros neste momento olhavam para o
companheiro do lado como se dissessem: – Vai começar o
sermão!
– Meus amados irmãos é com pesar na alma que venho aqui
dizer que alguns se esqueceram do Senhor no momento
em que ele nos abençoou com prosperidade nesta terra.
Quando finalmente desfrutaríamos de todas as bençãos, as
quais fizemos por merecer, alguns entre nos esmoreceram
e como conseqüência vieram as provações!
O murmurinho foi geral. Cada homem mais uma vez olhava
para seu próximo. Uns com aquela pergunta no ar: – Quem
será que não esta sendo fiel? Outros já pensavam no
membro que estava inativo, pensando em ir o mais depressa
visita-lo e esfregar em sua cara que ele era o culpado pelas
dificuldades da igreja e que o pecado cairia em sua cabeça.
''A culpa é daquele negro maldito, o tal de Bob que esta
inativo e não vem na igreja'', pensava um outro membro
qualquer .
– O senhor deseja que eu vos alerte, meus amados e
queridos irmãos. Todos, como igreja, estamos deixando
de lado um dos mais importantes mandamentos.
– Não é possível que este velho vai falar de dízimo
novamente. Será? – pensou o bispo Mackey.
Por um momento o presidente Snow se calou observando o
salão do tabernáculo repleto, assim permanecendo, até o
silêncio tomar conta de cada um que ali estava.
– Irmãos ! Nosso pai celestial deseja que sejamos mais fieis
no pagamento do dizimo e ele nos promete que se assim
fizermos ele nos dará mais prosperidade, a construção do
nosso lindo templo, a casa do Senhor, será concluída
brevemente e como nosso amado Profeta Joseph Smith,
que morreu defendendo a verdade disse,'' aquele que pagar
o dizimo não será queimado na vinda de Cristo''.
Toda a congregação sabia que, sempre que o apostolo
Lourenzo Snow estivesse discursando, não importasse o
tema, uma hora ou outra ele entraria na questão do dizimo.
Neste dia porem, antes de terminar, por mais incrível que
pareça, Lourenzo Snow daria uma boa noticia que era
aguardada por todos.
– Quero também informar que nesta próxima conferência
geral da igreja, finalmente depois de quase dois anos,
apoiaremos o novo presidente e profeta em Sião! Em
nome de Jesus Cristo. Amem !
– Amem ! – disseram todos ao mesmo tempo.
No final da reunião, depois da oração, todos se reuniram ao
redor do tabernáculo. Apesar dos homens terem sido
chamados ao arrependimento e a pagarem mais dízimos –
mais uma vez – a maioria estava contente com o fato de um
novo profeta estar a caminho. Finalmente a igreja voltaria a
ter alguém que os representasse na terra como porta voz
oficial de Cristo. De acordo com a doutrina mórmons as
chaves do sacerdócio e a autoridade de Deus continuavam na
terra através dos doze apostolo mas isto não substituía a
importância de poder dizer a todo mundo, como um tapa na
cara de todas as outras seitas e igrejas apostatas consideradas
as prostitutas da terra : – Somos membros da única igreja
verdadeira que tem um profeta que fala diretamente com
Cristo.
Este era o sentimento geral de todos os ''santos de Sião''.
O presidente Parkson aproveitou o momento em que todos
estavam ali reunidos para conversar informalmente com
cada um dos bispos de sua estaca. A conversa girava em
torno das palavras da reunião, o que ele achavam das
promessas de Lourenzo Snow e de como andavam as suas
famílias e negócios dentro da cúpula do sacerdócio. O rumo
da conversa só mudou quando o presidente se dirigiu ao
bispo Mackey, seu braço direito em vários negócios.
– Bispo Mackey, tenho algo a lhe dizer – falou o presidente
Parkson com um sorriso suave nos lábios.
– Sim , diga presidente – respondeu cordialmente o bispo
Mackey.
– Me parece que serei promovido nesta conferência geral,
então, nesta semana que se passou eu estive orando muito
e pedindo orientação ao pai para saber quem eu devo
chamar para ocupar meu lugar na presidência da estaca –
dizia o presidente enquanto ambos andavam lado a lado
pelos jardins do tabernáculo . – O pai celeste me
respondeu e disse que devo indicar o senhor, bispo
Mackey !
O bispo Mackey ficou surpreso pois não esperava ter nome
cotado para ser o próximo presidente da estaca. Lógico que
ele achava que merecia mais ou que estava demorando para
que o elevassem de chamado dentro da igreja mas de
qualquer forma, a noticia foi escutada com empolgação e o
bispo se sentiu satisfeito em ver que o pai celestial o estava
abençoando pela sua dedicação.
– Presidente Parkson , fico muito feliz e agradecido ao pai
celeste por esse chamado .
– Eu também bispo – disse o presidente Parkson. – Será
bom para os negócios tê-lo presidindo a estaca.
– Eu espero ser útil no que o senhor precisar.
O bispo Mackey saiu satisfeito daquela reunião. O que ele
pensava que seria um dia tedioso, logo pela manhã, antes de
sair de casa, sendo obrigado mais uma vez escutar o velhote,
que mais parecia um cobrador de impostos sempre pedindo
mais e mais dízimos, se transformou em um dia memorável
para ele.
– Finalmente morderei um pedaço maior do bolo e depois
passarei por cima do presidente Parkson – pensou o bispo,
se referindo a divisão de lucros nos assaltos a trens.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 09


O bispo Mackey se encontrava em sua sala, acompanhado
do xerife Streble.
– O que você acha de ser chamado para ser bispo, Streble?
O xerife pensou antes de responder e disse:
– Se eu me sentisse digno e preparado pelo pai celestial eu
me sentiria muito honrado mas sinto que não estou
preparado ainda.
O bispo sentiu uma certa indireta em suas palavras.
– Porque bispo? – perguntou o xerife, com medo da
resposta.
– Eu estou pensando em indicar seu nome para ocupar
minha vaga como bispo e você sabe o que isto significa,
não é, xerife Streble?
O xerife começou a suar frio.
– Sim bispo Mackey. Sei muito bem o que isto representa e
este é meu medo! – disse o xerife, segurando seu chapéu
com as duas mãos e olhando para o chão.
O bispo se levantou e rodeou o xerife que, continuava
sentado, colocou as duas mãos em seus ombros e disse:
– Te darei uma oportunidade para que me mostre se é ou
não fiel aos mandamentos da igreja e se esta disposto a dar
sua vida pela obra – disse o bispo com sua voz rouca,
parecendo vinda do inferno.
Enquanto os dois conversavam sobre este assunto, a linda e
desejada viúva Perley aparece de repente na sala, com sua
fragrância doce, que seduzia a todos.
– Boa noite bispo.
– Viúva Perley ? Boa noite – disse o bispo empolgado.
– Boa noite xerife Streble.
– Boa noite viúva – disse o xerife já se levantando para sair.
– Em que posso ajuda-la irmã? – o bispo perguntou com um
largo sorriso.
– Eu vim aqui hoje bispo pedir para que alguém fosse na
casa de irmão Bob e lhe desse uma benção.
O bispo se sentiu nitidamente embaraçado com o pedido.
– Sim, sim irmã, verei isto para a senhora.
O bispo pegou uma lista, verificando nomes e mais nomes.
– Xerife Streble – disse o bispo com cara de quem iria lhe
chamar a atenção. – Vejo aqui que o senhor é o mestre
familiar do …....irmão Bob – o bispo odiava chamar um
negro de irmão, mas na frente da viúva ele era outra
pessoa.
– Sim bispo.
– O senhor pelo que me parece não tem ido visita-lo
ultimamente.
– Ultimamente ando muito ocupado bispo. Tenho que ajudar
nas obras do templo, quase todas as semanas e também
prender bandidos, pois faz parte de minha obrigação
como xerife.
O bispo estava cada vez mais sentindo que Streble falava
isto para ele. Será? ''O xerife não teria coragem'', pensou o
bispo Mackey.
– Pois bem Streble, vá amanhã mesmo com seu
companheiro......deixe-me ver quem é …....Breedney, na
casa de Bob e lhe de uma benção.
– Certo bispo, amanhã irei bem cedinho na casa do irmão
Bob.
– Obrigado. Agora poderia se retirar pois gostaria de
entrevistar a irmã Perley. Se é que a senhora me permite
irmã? – o bispo olhou para Perley como quem a desejava
porem não deixou transparecer muito.
O xerife se retirou da sala do bispado deixando os dois a
sós. O bispos e levantou e puxou uma poltrona confortável
para a viúva. Ela sentou suavemente e o bispo voltou para
seu lugar atrás de sua mesa. A viúva Perley foi quem, neste
momento, iniciou a conversa.
– Até hoje me lembro de um discurso que o senhor fez na
sacramental.
O bispo se sentiu lisonjeado por saber que a viúva se
interessava pelos seus discursos.
– Fico feliz em saber disto ,irmã Perley! Do que mesmo eu
falava neste discurso?
– O senhor falava sobre os maridos terem que respeitar e
honrar as esposas.
– Isto mesmo. Todo portador do sacerdócio deve respeitar e
cuidar de suas esposas.
– Isto me fez lembrar de meu Kairel. Ele sempre me
respeitou e me amou!
O bispo sentiu uma pontada de ódio e ciúmes mas como
sempre, não deixou que a viúva percebesse.
– Ele era um bom homem …..E seus filhos irmã, como
estão encarando a perda do pai?
– Se recuperando aos poucos. O senhor sabe que o Kairel
era amoroso e as crianças o amavam e sentem falta das
brincadeiras que ele fazia.
A cada momento que a viúva Perley falava o nome ou
lembrava do falecido, o bispo Mackey se contorcia na
cadeira, o sangue subia e ele sentia vontade de gritar :
– Cale a boca e pare de repetir o nome deste desgraçado!
Você agora é minha!
Mas ele se controlava pois o amor que ele tinha pela viúva
era maior do que sua vontade de subir na hierarquia da
igreja.
– Irmã Perley, lamento pela forma trágica como ele faleceu
mas sei que o pai celeste o recebeu de braços abertos.
A viúva ficou por uns segundos quieta observando o bispo
bem nos olhos. Ele gostou disto, porem em seguida a viva
disse com um ar questionador:
– Nossa bispo, me passou um pensamento estranho agora.
– O que seria, irmã ? – perguntou ele intrigado.
– O senhor disse, tão seguro de si, que lamentava pela forma
trágica como meu Kairel faleceu porem seu corpo nunca
foi encontrado.
O bispo ficou pálido, o suor escorria pelo seu rosto.
– Di-di-digo isto irmã porque o fato de não terem
encontrado o corpo já é algo terrível – o bispo engoliu a
saliva. – Não é mesmo irmã? – falou o bispo, quase
gaguejando, da mesma forma como o xerife ficava nas
horas em que era encurralado por ele.
– O senhor tem toda razão, bispo! Acho que pior que a
morte é não ter o corpo para o enterro – a viúva começou
a chorar. – Como eu queria ter olhado para o rosto de meu
Kairel mais uma vez .
O bispo se levantou e colocou suavemente as mãos nos
ombros da viúva, dizendo:
– Chore irmã pois isto te fará bem!
– Bispo, o senhor tem sido muito bom para mim e minha
família. Nunca esqueceremos isso.
– Eu já te falei irmã, estou aqui para ajuda-la. Este é meu
dever como bispo e por isto esta semana eu orei ao pai
perguntando algumas coisas sobre a senhora e ele me
revelou algo.
– Será que ele sabe de meus encontros? – pensou ela
assustada. – O que o pai celestial revelou, bispo?
– Ele me disse que a senhora anda muito triste pela perda se
seu marido.
– Sim bispo e pretendo esperar pelo meu Kairel até a
ressurreição e nunca mais me casarei.
O bispo sentiu um aperto no coração escutando essas
palavras mas foi rápido em contornar.
– Irmã, o pai celestial disse exatamente o contrario.
– Ele quer que eu me case? – perguntou ela enquanto
ainda secava as lágrimas.
– Sim! Ele quer que a senhora recomece sua vida se
casando novamente o mais rápido possível. É hora de
seu luto terminar.
A viúva fez uma cara de espanto fingido, tão forçada que o
bispo só não percebeu pois estava cego de amor por ela.
– Hó, bispo, mas e meu Kairel? Isto não seria uma traição
para sua alma?
– Irmã, ele esta em outro plano e certamente deve estar
nesta hora ensinando os espíritos que estão na prisão, e
digo mais irmã ...– neste momento, procurando induzi-la
com uma sutil ameaça, o bispo, com sua lábia ardilosa
completou – ...e digo mais irmã, se a senhora orar ao pai
celeste e estiver com o coração aberto, certamente como
sempre a senhora fez, escutara a voz de nosso pai
confirmando que deve se casar novamente o mais breve
possível e assim mostrar que continua sendo uma mulher
digna e que segue os sussurros do espírito.
– Acho que o senhor esta certo, bispo. Pensarei em suas
palavras, com carinho.
O bispo sentiu uma certa malícia nessas palavras e achou
ter visto um sorriso insinuante nos lábios carnudos da viúva.
''Será que ela me deseja também? Tomara meu pai
celestial'', pensava ele.
– Já esta dando minha hora e tenho que ir antes de escurecer.
– Gostaria que eu a levasse até sua casa?
– Muito obrigada bispo mas preciso andar um pouco. O
senhor sabe como é, a idade esta chegando e preciso
cuidar um pouco da saúde.
O desejo do bispo foi enche-la de elogios, dizer que ela
estava linda, com um corpo delicioso e que a desejava de
todas as formas possíveis.
A viúva se levantou e foi embora.
O bispo a seguia com os olhos, vendo-a desfilar como uma
rainha com seu vestido preto de luto, corpo saliente, cintura
fina e quadril largo.
Ao vê-la de costas, o bispo não se conteve e teve uma
ereção. Mais que depressa, fechou a porta de sua sala no
bispado e começou a se masturbar.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 10


No outro dia bem cedo o xerife Streble e Breedney
chegaram à casa de Bob. Ambos foram recebidos com o que
havia de melhor. A esposa de Bob estava preparando um
ensopado de peixe e um pouco de angu a moda de Utah.
– Que felicidade recebe-los aqui em casa! – disse a senhora
Candace, esposa de Bob alegremente e surpresa.
– Viemos dar uma benção em Bob. Soubemos que ele esta
muito ferido.
– Isto mesmo xerife Streble. Ele tem muitas dores e febre e
na maior parte do tempo fica delirando lembrando do
passado.
– A coisa esta bem seria então, não é irmã? – perguntou
Bob.
– Isto mesmo Breedney – disse Candace com ar contrito e
submisso. – Meu Bob fala o tempo todo sobre Kairel e o
tempo que eles lutaram na guerra de secessão. Como
todos sabem eles eram como irmãos, não é xerife?
– Certamente irmã. Todos na cidade sabem da amizade que
Bob tinha por Kairel – disse o xerife com um jeito de
quem tinha algo a esconder. Um certo desconforto.
– Podemos abençoar seu marido, irmã? – perguntou
Breedney.
– Claro que podem! Como esperei por este momento – a
irmã vibrava de felicidade em ver dois portadores dignos
do sacerdócio em sua casa.
O xerife retirou um pequeno recipiente que estava repleto
de óleo de dentro do bolso, jogou um pouco na cabeça de
Bob e em seguida colocou as mãos sobre sua testa e na nuca.
Ele deu inicio a oração:
– Pelo poder e autoridade do sacerdócio de melquisede do
qual sou portador unjo este olho para benção e ministração
de enfermos. Amém
Em seguida Breedney também coloca suas mãos na cabeça
de Bob e uma nova oração é feita pelo xerife:
– Pelo poder e autoridade do sacerdócio de melquisedeque
do qual somos portadores selamos a unção anteriormente
feita e te damos uma benção de saúde para que se
restabeleça e volte a ter a mesma força e vigor de antes e
que se levante o mais depressa possível. Em nome de
Jesus Cristo. Amem!
Ao final da benção a irmã Candace estava chorando de
felicidade.
– Eu fico realmente agradecida de tê-los aqui em casa.
Confiamos muito no sacerdócio!
– Obrigado irmã. Não chore – Breedney tirou um lenço do
bolso e deu para a irmã Candace enxugar as lágrimas. –
Em breve o irmão Bob estará bem – disse Breedney.
– Foi um prazer irmã estar aqui em sua casa. Agora
precisamos ir – disse o xerife apressado.
– Por favor, fiquem mais um pouco e almoce conosco.
Meio constrangido o xerife olhou para Breedney e percebeu
que ele queria ficar.
– Esta bem irmã. Ficaremos um pouco e provaremos de seu
peixe.
A irmã Candace serviu os pratos com polenta, caldo e
peixe. Depois da oração oferecida por Breedney todos
almoçaram.
As crianças, filhas do casal se sentaram em reverência e em
total silêncio à mesa. Todas estavam bem limpas e eram mais
educadas que muitos filhos de lideres – repararam o xerife
Streble e Breedney.
Ao final da refeição os dois se levantaram, agradeceram
pelo agradável almoço e a hospitalidade da irmã e
prometeram mais uma vez que Bob ficaria bem.
No caminho para casa, quando Breedney desceu da carroça
o xerife lhe perguntou:
– Breedney !
– Sim xerife.
– Me responda uma coisa. Como é que podemos pensar que
negros como Bob e sua família são de uma raça
amaldiçoada?
Breedney quase caiu para trás de tanto espanto ao escutar
esta pergunta vinda de um homem que andava lado a lado
com outros que tinham idéias totalmente racistas e erradas a
respeito de negros e por ver que o xerife tinha a mesma
duvida que ele .
– É isto que eu sempre me pergunto, xerife Streble! – disse
Breedney, quase sussurrando
– E a qual conclusão você chegou, Breedney? – perguntou o
xerife querendo logo saber a resposta.
Antes de responder mais alguma coisa que pudesse ser
comprometedora Breedney avaliou se podia confiar no xerife
e ao se sentir confiante e seguro decidiu falar o que
realmente ia em seu coração.
– Cheguei a conclusão de que alguma coisa esta errada
nessa historia.
Por um momento o xerife permaneceu calado absorvendo
aquela simples resposta porem repleta de verdades.
– Você tem razão garoto. Alguma coisa esta muito errada.
O xerife puxou as rédeas e os cavalos começaram a andar.
– Te vejo domingo na igreja Bob.
– Pode deixar ! Domingo estarei lá bem cedo para preparar
o sacramento.
Breedney entrou em casa e se apressou em tomar um banho
e colocar roupas novas pois a noite seria especial. Ele e
Aaron eram os responsáveis neste dia por arrumar e colocar
em ordem o armazém do bispado.

A noite em Salt Lake estava calma. Um vento brando


soprava vindo das montanhas geladas.
As cerejeiras balançavam suavemente como em uma valsa
ou as ondas do mar em noite de calmaria.
Em seu quarto, depois de colocar as crianças para dormir a
viúva Perley vestiu sua roupa preta especial, jogou pétalas de
rosa sobre a cama bem arrumada e esperou novamente a
chegada de seu amante misterioso. Ninguém poderia
desconfiar que seu luto já havia acabado a tempos pois isto
poderia ser de uma forma ou outra perigosa para ela e seus
filhos e atrapalhar seu plano.
Agora era esperar. Apenas esperar a chegada do homem que
se deitaria ao seu lado e a possuiria a noite toda.
Em outro ponto da cidade , na casa do irmão Rignbotan, a
irmã Flora e Megson tentavam acalma-lo já que ele não
agüentava mais de tanta ansiedade para possuir Camilla
Wallker.
– Onde esta aquela menina? – gritava ele, andando pela
casa, impaciente. – Hoje ela não me escapa!
– Procuramos por toda casa e não a encontramos, irmão
Rignbotan! – diziam as duas, Flora e Megson juntas.
– Eu bem que tentei me controlar. Orei ao pai celestial para
me dar forças de suportar isto mas agora esta situação
passou dos limites – o irmão Rignbotan gesticulava como
de costume.
– Pai, pai! Porque o senhor não devolve ela paro o pai dela?
Outro dia a Camilla quebrou minha boneca.
O irmão Rignbotan olhou com uma cara de raiva para sua
filha Rebeca.
– É verdade, minha filhinha querida? Me traga aqui sua
boneca.
Rebeca, toda sorridente, trouxe a boneca e deu para seu pai
segurar.
– Aqui papai querido , a boneca que ela quebrou.
O irmão segurou a boneca e por um momento a olhou para
logo em seguida joga-la no chão e novamente gritar:
– Acha que estou ligando para porcaria de boneca ou saber
quem a quebrou? Eu estou interessado em quebrar …...em
quebrar ….. – Todas na sala fizeram silêncio esperando o
irmão Rignbotan terminar a frase – …. quero a minha
mulher aqui! Quanto a você Rebeca, vai se deitar, já!
– Bua, bua, bua!
– Não fique assim amor. Eu e Megson cuidaremos de você
esta noite. Não é, Megson? – disse Flora acariciando a
barba comprida do irmão Rignbotan.
– Sim, Flora. Daremos uma atenção especial para nosso
querido marido.
– Ai Flora, não sei o que seria de mim sem você nesta casa
– disse Rignbotan.
– E eu, irmão Rignbotan? Não te faço bem ? – perguntou
chateada Megson.
– Me desculpe Megson. Você também me faz muito bem.
Na verdade uma completa a outra.
As duas se olharam e com um sorriso no canto da boca e
em uníssono disseram:
– Nisso o senhor tem toda razão!
Apesar de estar impaciente esta noite devido ao fato de
Camilla Wallker fugir ou dar um jeito de se esquivar de suas
obrigações de esposa o irmão Rignbotan era na maioria das
vezes amoroso com as mulheres que de acordo com a
doutrina mórmon seriam suas eternamente e o ajudariam a
povoar os mundos criados por ele.
Os três subiram as escadas e entraram no quarto para logo
em seguida tranca-lo. Um instante depois um barulho de
cama batendo na parede podia ser escutado ecoando pela
casa.

Escondida no sotão do armazém, desde a tarde, Camilla


Wallker chorava copiosamente. Suas lagrimas escorriam
pelo chão encharcando o feno. Mais uma vez Camilla
procurava conversar com Deus mas parecia que ele não a
escutava.
– Meu Deus , por favor me ajude a me livrar deste
casamento maldito. Eu não quero nada com aquele velho,
o irmão Rignbotan. Eu sou muito nova, pai celeste –
Camilla Wallker orava com intensidade. – Onde ficam
meus sonhos? Eu sei pai que o certo seria eu aceitar a
minha obrigação de esposa porem não estou preparada
para um monte de filhos.
Em seu desespero Camilla conversava com Deus e contava
sua vida a ele como se ele precisasse de satisfações ou ser
convencido a mudar a sua vida.
Sua oração não tinha fim.
– Eu ainda brinco de boneca, pai! Como posso virar mãe se
o que precisava agora era estar com a minha querida
mãesinha? Hó pai, me ajude.
Quanto mais Camilla orava e procurava se aproximar de
Deus mas angustia ela sentia.
– Pai celeste, me responda! Não fique quieto. Porque o
Senhor se esqueceu de mim? Foi porque eu pequei quando
fiquei olhando a irmã Flora e a Megson no quarto? Me
perdoe pai pois eu não queria ter feito aquilo.
Enquanto Camilla chorava procurando ajuda para seus
problemas uma porta se abre logo abaixo de onde ela se
encontrava. No mesmo instante, Camilla segura o choro e
fica em alerta, com medo de ser encontrada pelo irmão
Rignbotan ou alguém mandado por ele.
Bem quieta, em seu canto, Camilla observa estarrecida a
cena que começou a se desenrolar lá embaixo.
– Pronto Breedney, já terminamos.
– Que bom ! Hoje o trabalho foi cansativo.
– Nem me diga. Odeio ter que vir aqui separar todas estas
oferendas do dizimo.
– Eu gosto Aaron, me sinto bem sabendo que estamos
cuidando destes alimentos doados pelos irmãos e que
servirão para ajudar muitas pessoas. Falarei ao bispo para
separar algumas coisas para a família do irmão Bob.
– Quantas vezes já te disse para não chamar aquele negro de
irmão? Quantas?
– Desculpe Aaron, mas eu acho errado chama-lo de …...
Não deu nem tempo de Breedney terminar a frase.
– Cale a boca! – Aaron grita e da um tapa forte no rosto de
Breedney que cai no chão.
– Por favor, não me bata mais assim! – disse Breedney
chorando e com a mão no rosto.
– Vou te bater a hora que eu achar que devo. Sabe porque ?
Responda!
– Não sei Aaron,! Eu não sei – Breedney estava apavorado.
– Porque você, Breedney, é minha mulhersinha! Abaixe a
cabeça e fique de quatro! – Aaron ordenou gritando.
– Promete desta vez não me machucar, por favor?
Aaron, morrendo de raiva respirou fundo e disse:
– A próxima vez que eu escutar esta sua voz nojenta eu juro
que te mato.
Breedney vendo os olhos de Aaron brilharem de raiva
sentiu um medo terrível e ao mesmo tempo um desejo de ser
dominado e penetrado que o fez de imediato tirar a roupa e
se virar de quatro.
– Isto. É assim que eu gosto, Breedney. Encoste seu peito no
chão e empine a bunda.
– Assim meu dono? Vem, vem!!
Aaron deu uma cuspida no anus de Breedney e de uma só
vez enterrou o membro rígido em seu anus. Breedney gritou
de dor e recomeçou a chorar, mas ele não pedia para parar,
só pedia um pouco mais de calma nas investidas.
– Calma Aaron, mais devagar !Assim você me rasga.
– Cale a boca sua puta !!
As investidas de Aaron eram cada vez mais fortes e
rápidas.
Breedney berrava de dor e ao mesmo tempo implorava por
mais.
– Não pare meu macho! Não pare ! Ai ,ai, ai ….Como eu te
amo Aaron. Sem você eu morro.
Estas palavras fizeram Aaron sentir um imenso prazer.
– Rebola ,rebola mais que eu vou gozar! – ordenou Aaron.
– Assim?
Breedeney rebolava num ritmo cadenciado e fazia um
biquinho olhando para Aaron.
– Ai! Eu vou gozar!
Aaron urrou e caiu em cima de Breedney depois de chegar
ao orgasmo.
Em seu esconderijo , no alto do armazém, Camilla Wallker
via a tudo apavorada.
Era impossível para ela acreditar no que estava acontecendo
em sua frente. Tudo se misturou.
Camilla percebeu que suas pernas estavam suadas. Alguma
coisa estranha, semelhante ao que ela sentiu em cima da
arvore ao ver as duas mulheres se amando estava
acontecendo novamente naquele exato momento.
Seu vestido estava molhado e sua roupa de baixo, logo
abaixo da virilha, estava ensopada.
– Me perdoe pai celeste. Me perdoe!
Camilla orava em silencio se sentindo pecadora por
presenciar aquele ato, fruto de instintos selvagens de dois
homens.
Aaron e Breedney vestiram as roupas.
– Já sabe, não é Breedney – disse em tom ameaçador. – Se
alguém souber …
– Você me mata Aaron?
– Não! Farei pior. Nunca mais toco em você.
Isto para Breedney era a pior ameaça.
Os dois apagaram a luz do lampião e saíram. Camilla
Wallker ainda esperou meia hora até ter coragem do alto do
armazém.
La pelas duas da manhã, ainda sem acreditar no que tinha
visto, Camilla desce de seu esconderijo e se encaminha para
a saída do armazém. Ao abrir a porta para finalmente ir para
casa , o susto foi terrível ao ver que bem em sua frente, do
lado de fora um homem estava parado, também espantado ao
vê-la.

ORGIAS EM UTAH CAPITULO 11


O dia estava começando a amanhecer em Salt Lake, quando
a viúva Perley se despediu de seu amante misterioso, já
desejando sua volta.
– Volte logo meu amor. Eu sinto muita falta de seu abraço e
beijos.
– Em breve eu voltarei. O que mais quero na vida é estar ao
seu lado eternamente.
O homem montou em seu cavalo e saiu em disparada pela
escuridão das ruas, rumo ao deserto.
Na mesma hora, na casa dos Rignbotan, a doce Camilla
Wallker chega de mansinho para não acordar ninguém com
o barulho de seus passos mas assim que pisou na sala o
senhor Rignbotan surgiu do nada, a segurou pelos braços e a
arrastou para o quarto.
– Hoje você não me escapa, menina! Onde estava até estas
horas? – perguntou como se fosse um inquisidor pronto
para queimar a bruxa.
– Eu estava escondida. Não quero mais ficar casada com o
senhor – disse Camilla assustada.
– Como assim? Não sou bom o suficiente para você? E além
do mais o que pensarão de mim se eu te devolvesse sem te
deflorar? – a raiva do irmão crescia a cada segundo. –
Falarão que sou frouxo e aqui em Salt Lake isto é pior que
ser um apostata.
Já no quarto o irmão Rignbotan joga Camilla na cama e
chama por Flora e Megson.
– Venham as duas me ajudar a segura-la!
Megson segurou um dos braços de Camilla enquanto Flora
segurou o outro braço.
O irmão Rignbotan tirou as calças e arrancou as roupas de
baixo de Camilla, investindo sobre ela.
Um instante depois de algumas tentativas, o irmão
Rignbotan grita bem alto, fazendo as pessoas na rua
escutarem:
– Desgraçada ,ela não era mais virgem, amaldiçoada!
– Como pode ser? – perguntou Flora.
Camilla desabou a chorar, desesperada. Na porta, vendo
tudo o que acontecia, a filha do irmão Rignbotan ria de
satisfação.
– Agora ela pagara caro por não ter concertado a minha
boneca – disse Rebeca para si mesma, e logo em seguida a
menina chata pensou: – E se meu marido for assim como
meu pai? Tomara que não.
Dentro do quarto a discussão continuava.
– Saia da minha casa sua adultera – disse o irmão
levantando a calça e a arrastando pelos cabelos escada
abaixo até a porta.
– Eu não fiz nada para ser tratada assim. O senhor não pode
me colocar na rua. Onde eu ficarei? – perguntou Camilla
aos prantos.
– Se vire! Pode ir para onde for mas eu não quero você por
perto trazendo desgraça ao meu virtuoso lar.
Dita essas palavras, o irmão Rignbotan bateu a porta na
cara Camilla Wallker. Ao se virar para olhar a rua a pobre
moça se deparou com uma multidão a olhando e balançando
as cabeças como se a acusassem de algo.

Camilla andou vagando o dia todo pelas ruas de Salt Lake.


Sua roupa, manchada de sangue se tornou ainda mais
encardida pela poeira que era carregada pelo vento gelado
daquela manhã e que cortava seu rosto.
A fome surgiu fazendo Camilla parar em frente a uma
mercearia para comprar alguma fruta para comer. Eram onze
e meia da manhã.
Ao entrar na mercearia todos a olharam com um misto de
desprezo, desdém e ódio.
Uma mãe puxou o filho para perto de si, dizendo baixinho:
– Você deve evitar esse tipo de mulher, meu anjinho!
Outras falavam para as crianças:
– Vamos embora, pois este lugar esta ficando muito mau
freqüentado.
Outros clientes , homens e mulheres faziam o mesmo.
– Por favor, o senhor poderia me vender duas laranjas e duas
maçãs? – disse Camilla, tirando algumas moedas do bolso
de seu vestido sujo.
O dono da loja, que estava de costas, arrumando uma
prateleira para não ter que encarar Camilla disse, sem se
virar:
– Nos aqui não atendemos fornicadoras. Por favor se retire
pois esta espantando meus clientes.
– Porque me chama de fornicadora? – Camilla retrucou sem
entender nada do que se passava.
O homem, um senhor velho e queimado pelo sol do deserto
e pelo frio das geadas, finalmente se virou para ela.
– Toma moça. Pode ficar com estas frutas. É por conta da
casa – ele colocou as frutas em um saco de papel e
entregou para Camilla.
– Eu não preciso de suas esmolas e de sua falsa caridade! –
Camilla pegou as frutas e jogou as moedas no chão e disse
com um ar de dignidade olhando para a o velho polígamo:
– Fique com o troco e enfie sabe aonde?
O velho se corou de vergonha e foi para o fundo mercearia.
Camilla saiu da venda, mastigando uma maça e triste por
ser tratada daquela maneira sem ter cometido nenhum erro.
Parecia que a cidade inteira a observava. As janelas das
casas se fechavam quando Camilla passava na frente delas.
Nas ruas as mulheres apontavam para a menina injustiçada.
– Porque estas malditas me olham assim? – pensava
Camilla. – Elas não sabem de nada. Eu não fiz nada de
errado! – gritou Camilla para todos ouvirem.
Camilla Wallker estava realmente enrascada. A menina que
foi dada a um velho como pagamento de uma dívida estava
pagando pelos erros e hipocrisias de uma cidade toda.
– Vão cuidar de seus maridos e de suas crias! – Camilla
continuava a gritar para as mulheres que a olhavam, e
mais uma prece surgiu em seu coração: – Por favor pai
celestial, não me abandone novamente. Só o Senhor
conhece meu caráter.

Domingo chegou e o assunto na igreja era um só, pois


todos comentavam sobre o último escândalo da semana.
Nem os constantes assaltos a trens renderam tantos boatos do
que a historia da não virgindade de Camilla Wallker.
– Irmã Flora, meus pêsames – parecia que alguém tinha
morrido.
– Ai irmã Judite, nossa família esta arrasada.
– Como esta o irmão Rignbotan?
– Ele esta se recuperando da vergonha mas ainda esta muito
abalado – disse Flora forçando um pouco mais a feição de
desgosto. – Se ele soubesse que Camilla não era mais
virgem nunca que ele a aceitaria em nosso lar.
– Que perigo uma pessoa assim perto de nossas filhas –
disse Judite com ar aristocrático.
– Nem me diga irmã. Tenho até medo do que ela pode ter
ensinado para nossas filhinhas.
No bispado estavam reunidos o irmão Rignbotan, bispo
Mackey e o presidente Parkson.
– Irmão Rignbotan, o senhor tem certeza do que esta nos
falando?
– Sim presidente. Quando eu me deitei com ela e fui fazer o
que tinha de ser feito ela nem fez cara de dor ou coisa
parecida. Foi tão fácil.
– E o que mais?
– Eu também reparei enquanto ela saia de casa que suas
roupas de baixo estavam repletas de sangue. Eu que não
fiz aquilo.
– Te entendo irmão – disse presidente Parkson. – E você
bispo Mackey, o que pensa sobre isso?
– Presidente, o irmão Rignbotan sempre foi um ótimo
membro, cumpridor dos mandamentos e pagador integral
do dizimo e por isso confio em suas palavras.
O presidente Parkson colocou as mãos no queixo, pensou
um pouco durante alguns segundos, com os olhos fechados,
para logo depois se pronunciar.
– Irmão, nos dê licença. Assim que decidirmos o que
faremos te chamaremos.
O irmão Rignbotan saiu e ficou do lado de fora da sala
aguardando a decisão da liderança.
– Bispo Mackey, expulse a família de Camilla Wallker da
cidade para que sirva de exemplo para todos de que a
maldição do Senhor para quem engana um portador digno
do sacerdócio é dura. Entendeu?
– Sim presidente. E quanto a moça?
– Diga aos membros que não é para ninguém se meter com
ela. Que nenhuma pessoa a alimente, nem a deixem
dormir em suas casas ou serão amaldiçoados. Ela vivera
das esmolas que conseguir pegar do chão. Assim diz o
Senhor!
O bispo Mackey ficou impressionado e pensou:
– Nossa, o presidente Parkson caprichou na punição. Nem
eu teria pensado em um castigo tão interessante.
– Quanto ao irmão Rignbotan o chame como seu
conselheiro. Desta forma ele se sentira um pouco melhor.
Não queremos que ele fique triste e pague menos dízimos,
não é ?
Os dois caíram na gargalhada.
– Chame o irmão e notifique-o.
– Esta bem, presidente – disse o bispo Mackey.
O presidente Parkson já ia saindo da sala quando se
lembrou de mais um assunto importante.
– Mais uma coisa bispo. Semana que vem vira um
carregamento de dólares e ouro pela estrada de ferro. Se
prepare pois iremos precisar de sua ajuda e de seus
homens.
– Pode contar comigo presidente. O senhor sabe que estou
sempre pronto a ajudar no avanço deste evangelho e na
construção do templo.
O irmão Rignbotan estava impaciente, roendo as unhas
quando viu o presidente Parkson abrir a porta e vir em sua
direção.
– Irmão, oramos ao pai celeste e tomamos uma decisão.
Esperamos que o irmão aceite a vontade do pai celeste
com um coração puro e real desejo de servir.
– Sim presidente. Tudo que me for ordenado pelo pai eu
farei.
– Sua fé me faz cada vez mais admira-lo irmão – disse o
presidente Parkson com simpatia. – O bispo Mackey te
explicara tudo. Até mais!
Dentro do bispado, o irmão Rignbotan escutou tudo o que o
bispo tinha a lhe falar e saiu de lá com sorriso enorme no
rosto.
Quando Camilla procurou a família para pedir ajuda o
máximo que conseguiu foi um tapa no rosto e escutar da
própria mãe que ela era uma vagabunda e desgraça para a
família.
Este foi o ultimo dia que Camilla viu sua família.
Poucos dias depois a família de Camilla Wallker foi expulsa
de Salt Lake.
Sozinha na cidade, sendo chamada de fornicadora, sem
abrigo, sem alimentos e vivendo de coisas que conseguia
pegar nas ruas, Camilla Wallker, a linda jovem sonhadora se
tornou uma mendiga em Salt Lake.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 12


– Xerife , tenho uma tarefa para você! – disse o bispo em
voz alta ao entrar na delegacia.
– Estou as ordens. O que o senhor deseja?
– Amanhã faremos um serviço – falou em voz baixa. –
Aaron já esta sabendo dos detalhes. Posso continuar
contando com sua diligência em ajudar nesta obra?
– Certamente bispo Mackey – disse o xerife, já temendo o
que viria pela frente.
– Fico feliz em saber disto xerife. Prepare as armas e os
cavalos pois teremos muito trabalho pela frente. Este trem
esta repleto de ouro e não podemos deixa-lo passar!
– Fique tranqüilo bispo. Tudo estará pronto para amanhã.
– Até amanhã então. Bom dia – o bispo se retirou logo em
seguida.
Sentado em sua cadeira dentro da delegacia o xerife se
lembra do ultimo assalto, a morte do maquinista e das
palavras de sua mulher o agradecendo por ser uma boa
pessoa, bom marido e exemplo de pai, porem o xerife sabia
que na verdade ele não era nada disto.
– Pai celeste, eu não posso continuar com isto – disse o
xerife em uma oração a Deus. – Já esta na hora de dar um
basta nestes assaltos e assassinatos. Estou cansado de toda
esta mentira e hipocrisia. Não quero mais compactuar com
estas combinações secretas. Esta estaca parece um bando
de Gadianton e eu já não sei mais quem sou.
Estes pensamentos faziam o enorme xerife Streble tremer e
se encolher todo pois ele sabia que uma vez dentro do
esquema seria impossível voltar atrás. Ou ele continuava a
trabalhar para o bispo Mackey, que por sua vez prestava
favores ao líder máximo da estaca, presidente Parkson ou
certamente morreria, ou melhor, seria morto como muitos
outros que se negaram a entrar neste esquema. Alem do
mais, pensava o xerife, sua família seria dada a outro homem
e seus filhos seriam criados por alguém que não teria o
mesmo amor e cuidado que estes teriam se estivessem com o
verdadeiro pai.
– Porque eu não impedi aquela matança? O homem
implorou pela vida falou da família e dos filhos e eu não o
ajudei, mesmo sendo um xerife. Que covarde eu fui – o
xerife pegou sua estrela de cinco pontas, a jogo no chão e
disse novamente em voz alta :– Que covarde eu fui!
Neste momento Aaron entrou na delegacia e viu a estrela de
xerife no chão.
– Xerife, sua estrela esta caída no chão – Aaron se abaixou e
pegou a estrela. – Toma xerife, ela fica melhor no peito.
– Diga, o que quer aqui? – perguntou o xerife em um tom
um pouco duro.
– Nada demais. Só vim saber como o senhor esta se
sentindo?
– Porque a pergunta? Estou bem. Como todos os outros
dias.
– Estranho! Normalmente quando a pessoa sabe que
passara pelo batismo de fogo ela sempre diz que esta
nervosa ou apreensiva.
– Batismo de fogo? Não estou sabendo de nada sobre isso –
disse o xerife, que começava realmente a se preocupar.
Aaron percebeu então que o bispo não havia ainda dado a
noticia e ele não viu outra alternativa se não contar logo para
o xerife a novidade.
– Amanhã será seu batismo de fogo xerife.
– O que? – o xerife gelou de medo pois sabia que o batismo
de fogo ao qual Aaron se referia não era o mesmo que ser
batizado para em seguida ter a imposição das mãos para
de acordo com a doutrina mórmon receber o dom do
espírito santo. Este batismo de fogo no qual eles falavam
significava que ele, o xerife Streble, teria que matar
alguém no próximo assalto ao trem pagador.
Onde ficaria sua honra e consciência se aceitasse esta
tarefa? Por outro lado, se ele negasse como viveria com sua
família em Salt Lake? A pobre Camilla Wallker estava
pagando caro por algo infinitamente menor se comparado
com o que ele estava metido.
– Até amanhã xerife. Estou muito feliz por saber que
amanhã o senhor virara um homem de verdade – disse
Aaron nitidamente caçoando do xerife Streble e logo se
retirando sem olhar para trás.
– Desgraçado ! – pensava o xerife. – Como poderei encarar
minha família se eu continuar sendo um pau mandado
destes vermes? Se eu aceitar passar pelo batismo de fogo
perderei minha alma.
O xerife se encontrava em um dilema de vida ou morte que
mudaria para sempre sua vida, mas uma coisa era certa,
pensava ele:
– Nunca mais aceitarei que este moleque caçoe de mim e
que aquele maldito bispo Mackey me de ordens aos gritos
como se eu fosse um …..bosta!

Eram, aproximadamente, duas da manhã quando o bando


escutou o apito do trem pagador.
O ar estava seco, as respirações ofegantes e um só desejo:
parar a cobra de ferro .
Tudo fora organizado nos mínimos detalhes. Grandes
blocos de rocha, semelhantes aos que foram usados no
alicerce do templo de Salt Lake foram colocados em cima
dos trilhos por um dos grupos que formava a gangue.
Quando o trem finalmente passou pelo meio de duas
grandes elevações o bispo Mackey, Aaron e xerife Streble
dispararam com seus cavalos atirando em direção ao
maquinista .O trem acelerou ainda mais e não parou .
– Aaron, xerife, se afastem pois ele vai bater – gritou o
bispo alertando seus comparsas.
Cada um foi puxou seu cavalo em uma direção aguardando
que o trem batesse nas rochas e descarrilhasse. O impacto
do trem sobre as rochas foi tão forte que uma rocha de
aproximadamente três toneladas se partiu ao meio. O trem
se inclinou, tombando de lado e todos os vagões se partiram
ao meio como se fossem simples gravetos.
Alguns homens que faziam a segurança conseguiram sair de
dentro dos vagões, atirando para qualquer direção, como se
estivessem cegos.
– Hoje será seu batismo de fogo, xerife – bradava o bispo,
partindo com seu cavalo negro em direção aos guardas
Portando sua winchester 1886, o bispo Mackey abatia os
suas vitimas com um único tiro certeiro ou na cabeça ou no
peito .
Aaron seguia seus passos porem o xerife atirava em
direção aos guardas mas fazia questão de errar os tiros.
Enquanto a turma do bispo dava conta dos guardas , um
terceiro grupo recolhia os caixotes repletos de mercadorias
valiosas, alem de muitos dólares. A ação foi extremamente
rápida e os bandidos partiram da cena do crime tão ligeiros
quanto chegaram.
Nesta noite a tarefa do bispo era bem simples: matar todos
que saíssem vivos do descarrilhamento.
Um dos guardas ainda respirava depois de ser baleado pelo
bispo Mackey que fez questão de acerta-lo nas pernas,
deixando-o vivo para dar de presente ao xerife, que
percebendo as intenções do bispo Mackey ,começou a tremer
de medo.
– Aqui esta xerife, seu presente! Receba seu batismo!– o
bispo ria alto.
– Não sei se posso fazer isto. Eu nunca matei ninguém em
minha vida.
Ao escutar as palavras do xerife Aaron caiu na gargalhada,
caçoando mais uma vez do xerife Streble.
– Há, há, há! É a primeira vez na vida que conheço um
xerife mariquinha!
O xerife avançou para cima de Aaron, o segurou pelo
pescoço, encostando-o no trem e o levantando bem alto, para
em seguida apontar a arma em sua cabeça.
– Quer ser o primeiro? – o xerife perguntou com ódio nos
olhos.
– Não … – disse secamente Aaron.
– Então nunca mais repita isto ou eu te mato, seu …...
viadinho de merda!
Aaron gelou vendo a cara de raiva do xerife e a arma
apontada para sua cabeça.
O bispo Mackey ria apontando o dedo para Aaron e
dizendo:
– Gostei desta xerife! Aaron, viadinho de merda! Esta foi
boa.
Sem encontrar saída para aquela situação, o xerife
engatilhou a arma e foi obrigado a fazer o que sempre havia
evitado. Ainda segurando Aaron com um das mãos, ele olhou
para o guarda caído no chão, fechou os olhos proferindo uma
breve oração e atirou.
– Pai, me perdoe! – pensou o xerife.
O guarda que fazia a segurança da carga foi ferido
mortalmente com um tiro no peito.
– Parabéns xerife. Eu sabia que o senhor era confiável! – o
bispo deu um tapinha nas costas do xerife Streble. – E
quanto a você Aaron, se apresse e espalhe os acessórios
indígenas da tribo Paiute pelo chão – ordenou o bispo.
Aaron, que ainda estava um pouco atordoado por ter visto a
morte de perto se apressou em obedecer.
Logo em seguida os três montaram em seus cavalos e
saíram dali a galope, voltando ao centro de Salt Lake.

Ao chegarem na cidade o bispo Mackey fez um convite ao


xerife.
– Parabéns pelo seu trabalho de hoje. Gostaria de vir até a
casa do presidente e comemorar com o resto do pessoal? –
o bispo estava visivelmente satisfeito em convida-lo.
– Muito obrigado bispo mas acho que por hoje tive
aventuras demais. Irei para casa dormir um pouco – o
xerife forçava uma aparência simpática mas ele estava
destruído por dentro.
– Ok, xerife! O senhor é quem manda! Apareça pela manhã
em meu escritório para pegar sua parte, e quanto a você
Aaron – o bispo o olhava com desdém – , pode ir para
casa pois esta comemoração não é para meninas!
Aaron não sabia onde se esconder. Será que o bispo sabia
de alguma coisa que o comprometeria?
– Do que o senhor esta falando tio?
– Tio, não! Me chame de bispo, seu moleque. Eu não tenho
sobrinho ‘viado’ – o bisporealmente se alterou com Aaron.
– Pensa que me engana? Acha que não sei de seus
encontros com aquele outro?
Aaron, envergonhado se encolheu e abaixou a cabeça,
parecendo que iria enfia-la entre as pernas.
– É bom dar um fim nisto, pois estou cheio das iniqüidades
que você anda aprontando – falou o bispo apontando
novamente o dedo bem no rosto de Aaron.
Sem procurar fazer mais perguntas ou se defender Aaron
foi para casa pois lá ele poderia se esconder.
– Bem bispo, acho que já me vou. Boa comemoração!
– Obrigado xerife!
Os dois seguiram lados opostos. O xerife foi para sua casa
encontrar a mulher e os filhos a quem tanto amava. O bispo
foi para a festa em comemoração ao roubo que estava sendo
realizada na casa do líder da estaca, presidente Parkson.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 13


– Cheguei pessoal! Podem servir mais uma rodada! – disse
o bispo Mackey, esbanjando simpatia.
– Bispo Mackey, a operação de hoje foi um sucesso – falou
alegremente outro bispo presente.
– Claro que foi irmão, tudo que eu coloco a mão vira ouro!
Ambos caíram na gargalhada ,levantando os copos para o
alto.
– E o presidente Parkson, onde esta?
– La em cima, bispo Mackey, mas pelo tempo que ele esta
naquela quarto acho que daqui a pouco estará descendo.
A reunião estava muito animada. Lindas mulheres jovens, a
maioria com menos de dezessete anos, circulavam em volta
do piano que ficava no centro do grande salão de uma das
casas do presidente da estaca.
No alto, um grande lustre de cristal enfeitava o ambiente,
dando um clima agradável ao grande e espaçoso salão. A
corrente de ar tocava suavemente os vários cristais que
formavam o luxuoso lustre, fazendo-os vibrarem e emitirem
sons quase imperceptíveis, lembrando sinetes. Lógico que,
no meio da algazarra e da orgia que reinava ali, ninguém se
dava conta desse detalhe.
As paredes eram decoradas com pinturas representando a
criação dos mundos, o dia e a noite, Adão e Eva no paraíso,
o milênio com animais e crianças brincando lado a lado, o
leão com a ovelha e os mundos telestial, terrestrial e a gloria
celestial. Tudo estava devidamente representado naquelas
paredes, com pinturas dignas de Michelangelo.
Em cada detalhe, o salão da casa do presidente Parkson
onde os bispos da estaca e seus conselheiros se encontravam
depois dos assaltos, lembrava a sala celestial dos templos da
igreja.
– E o xerife Streble, como tem se saído, bispo?
– Ele esta cada dia melhor. No começo eu duvidava da
lealdade do xerife para com a obra do pai celeste mas
depois de hoje tenho plena confiança nele.
– Desculpe entrar no meio da conversa, mas o xerife passou
então finalmente pelo batismo de fogo? – perguntou
Steves, um dos conselheiros de outro bispo, que estava
próximo.
– Sim! – respondeu Mackey.
– E ele não tremeu ou pensou em voltar atrás?
– É lógico que no começo o xerife Streble tremeu um
pouco, fez corpo mole mas no final cumpriu sua parte – o
bispo deu um gole na bebida e concluiu: – Você sabe
Steves, a primeira vez de um homem é como a primeira
vez de uma moça.
Todos que estavam ao redor, escutando a conversa, caíram
na gargalhada. De repente os olhares se voltaram para o
alto.
Parado, olhando para todos atentamente, o presidente
Parkson, acompanhado de uma vultosa mulher levantou o
braço direito em ângulo e disse em alta voz, como se
clamasse a presença de Deus ali naquela orgia:
– Pay lay ale, pay lay ale, pay lay ale!
Todos ao mesmo tempo levantaram os braços em sinal de
apoio repetindo a evocação:
– Pay lay ale, pay lay ale, pay lay ale!
– Queridos irmãos aqui reunidos – o presidente Parkson
começou um discurso inflamado e apoteótico –, eu e o pai
celestial estamos satisfeitos com a dedicação de todos
vocês. Graças ao esforço coletivo e individual de cada
portador do sacerdócio, presentes aqui nesta sala, a obra
de estabelecer Sião ganha mais força a cada dia.
– Pay lay ale, paylay ale, pay lay ale! – todos concordavam
em uníssono.
– Chegamos nesta terra depois de sofrermos injustiças por
parte de homens iníquos que viraram as costas ao pai
celeste. Estabelecemos esta linda cidade de Salt Lake e
assim, criamos nossas famílias nos princípios de nossa
religião, a única verdadeira e viva sobre a face desta terra!
Aqui nós prosperamos grandemente e em troca o que
nosso pai nos pede? Somente que cumpramos seus
mandamentos até o ultimo dia para que sejamos coroados
com a mais alta glória no reino celestial. podendo assim
criar mundos e mundos sem fim, durante toda a
eternidade!
– Pay lay ale, pay lay ale, pay lay ale! – os homens
vibravam com as palavras do presidente Parkson.
– Nosso pai celestial nos disse para que trouxéssemos todo o
dízimo a casa de oração. Ele nos pediu o melhor, e oque
fizemos esta noite? Trouxemos o melhor a ele. Muitos
homens iníquos poderão pensar que tiramos o dinheiro e
ouro das mãos de outras pessoas, porem eu, com o poder
do sacerdócio que o pai celestial me deu, digo que não!
Somente retiramos das mãos de homens pecadores a
riqueza que é de nosso pai. No livro de Mórmon podemos
ler que é melhor que morra um homem do que deixar que
uma nação inteira degenere e caia na incredulidade. Pois
bem irmãos, nós nesta noite cumprimos com as ordens de
nosso pai! – o presidente Parkson estava visivelmente
emocionado e crendo em suas próprias palavras.
– Pay lay ale, pay lay ale, pay lay ale – todos mais uma vez
em uníssono concordavam.
– Se pudéssemos, teríamos poupado a vida daqueles que se
foram hoje, mas como sabemos, eles poderão, se
desejarem, aceitar o plano de nosso pai na prisão espiritual
onde se encontram neste exato momento e serem
batizados, podendo um dia estarem ao nosso lado, como
irmãos, no reino celestial! Meus amados irmãos – o
presidente Parkson ergueu os dois braços ao alto neste
momento –, o dinheiro que arrecadamos servira para as
obras do nosso templo central. Uma obra maravilhosa esta
para acontecer entre os filhos dos homens e quando o
templo estiver construído ele, o templo, será um sinal a
toda esta nação e ao mundo de que Sião esta sendo
estabelecida novamente e todo homem de bem será
convidado a se santificar através das ordenanças feitas na
casa de nosso pai celestial!
– Pay lay ale, pay lay ale, pay lay ale!
– Nunca se esqueçam, meus amados irmãos, do que eu disse
aqui esta noite: ''Melhor que pereça um homem do que
deixar que uma nação se degenere e caia na
incredulidade''. O pai celestial neste momento deve estar
certamente se regozijando, vendo que seus filhos, aqui
nesta terra, estão se dedicando para construir-lhe um lugar
santo, onde ele poderá habitar.
– Pay lay ale, pay lay ale, pay lay ale! – bradavam os
portadores do sacerdócio.
– Antes de terminar minhas palavras e deixa-los livres para
a comemoração, quero dizer que o pai me disse que, em
merecimento aos serviços prestados e pela dedicação nesta
obra o bispo Mackey devera ser chamado para ser o
próximo presidente desta estaca quando eu deixar este
chamado. Quem estiver de acordo se manifeste!
Todos levantaram a mão em sinal de apoio.
– Sendo assim – disse o presidente –, de hoje em diante,
saibam que esta é a vontade do pai e que sera anunciada a
todos os membros, oficialmente, na ocasião oportuna. Em
nome de Jesus Cristo. Amem !
– Amem! – todos concordaram com entusiasmo.
No mesmo instante todos os lideres vieram cumprimentar o
bispo Mackey, apertando-lhe as mãos, dando-lhe tapinhas
nas costas, e o que não era normal entre os mórmons, o
abraçando.
– Quero dizer a todos – falava o bispo Mackey –, que eu não
chegaria aqui sem o apoio dos irmãos – na verdade o
bispo pensava totalmente o contrario. – Hoje a bebida é
por minha conta mas as donzelas é por conta de vocês.
O bispo Mackey se sentou ao piano e tocou com maestria
um alegre ragtime.
Todos os homens reunidos ali naquele grande e espaçoso
salão beberam e se divertiram alegremente, aclamando o
bispo Mackey como se ele fosse um rei, em uma
comemoração que durou a noite toda, terminando com
verdadeiras ''orgias em Utah''.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 14


Dois dias depois a notícia corria por todo o estado de Utah,
chegando aos estados vizinhos de Iowa e Califórnia. Mais
uma vez a culpa pelos roubos e assassinatos recaia sobre os
índios paiutes.
Mais cedo ou mais tarde o exercito mandaria tropas para
extermina-los e logo chegariam em Utah, pelo menos este
era o desejo da maioria dos membros da igreja. ''Desta vez –
pensavam os mórmons –, estes índios ladrões de carroça
pagarão pela iniquidade cometida.
Ultimamente a cidade de Salt Lake vivia tempos agitados.
Além dos assaltos e assassinatos de maquinistas e lideres da
igreja, que misteriosamente apareciam mortos havia também
o caso de Camilla Wallker, que para a população da cidade
não passava de uma fornicadora que andava desvirtuando os
dignos portadores do sacerdócio. Quem teria sido a vitima
dela? Quem seria o pobre coitado que cedeu as tentações da
serpente venenosa? Teria sido um diácono, mestre ,
sacerdote ou algum élder do sacerdócio de melquisedeque?
Esta era a pergunta feita por todas as mulheres da igreja ao
mesmo tempo que redobraram os cuidados com seus filhos e
maridos. Chegaram até mesmo a desconfiarem de Breedney,
mas isto seria impossível pois para ele, a idéia de se deitar
com Camilla ou com qualquer mulher causava-lhe arrepios e
náusea. Em seu coração e sua mente só existia espaço para
uma pessoa.
É bem verdade que Breedney, muitas vezes nos últimos
dias, havia levado alimentos para Camilla Wallker, porem
sempre escondido pois a ordem era que ninguém deveria
alimenta-la e deixa-la vivendo das esmolas ou restos de
comida que conseguisse pegar pelo chão. A ordem era bem
clara, mas Breedney não era o tipo de pessoa que deixaria
alguém passar necessidade, sendo que ele poderia ajudar. O
envolvimento de Breedney e Camilla era somente de
amizade e nada mais.
Muitas pessoas na estaca já o criticavam pelo fato dele não
pensar em servir uma missão e passar muito tempo
trabalhando na casa de Bob,'' ajudando nas tarefas diárias
como se fosse um empregado daquele negro''. Era isto que
muitos membros comentavam.
Breedney ajudava a cortar o mato em frente a casa de Bob,
concertava o telhado da casa e até ordenhava uma vaquinha
da família e deixava o leite na cozinha para só depois ia
embora.
Pelo caminho, na volta para casa Breedney se punha a
pensar em Camilla Wallker. Já a alguns dias que ele não
tinha notícias dela.
Breedney andava observando as arvores de cereja que
enfeitavam a estradinha, escutando os cantos dos pássaros e
olhando para o céu na esperança de que algum anjo, ou
mesmo Deus, trouxesse um pouco de paz para seu coração
que andava tão perturbado. Breedney se sentia um pecador e
imoral.
– O que terá acontecido com minha coleguinha? – dizia
Breedney para si mesmo enquanto andava pelo caminho. –
Camilla Walker não me parece o tipo de pessoa que pensa
nestas coisas de sexo. Ela não é suja como eu, que não
consigo parar de pensar em ….. Aaron!! – Breedney se
espantou ao vê-lo em sua frente montado em seu cavalo.
Com a voz baixa, suspirando e os olhos brilhando,
Breedney cumprimenta o homem de sua vida.
– Oi!
– Oi, Breedney, tenho algo para lhe falar.
– Sim, Aaron, pode falar o que quiser. Quer me encontrar
novamente esta noite?
– Não, Breedney. Na verdade, nunca mais nos
encontraremos – Aaron foi ríspido na resposta.
– Como assim? Nunca mais quer me ver? – o mundo de
Breedney desabava naquele momento. – Eu obedeci suas
ordens, como sempre e não contei nada sobre nos. Eu
juro! – falava Breedney aos prantos.
– Breedney, não jure pois o pai celeste não aprova
juramentos. Eu sei que você não contaria nada a ninguém
mas tem pessoas desconfiadas de nos.
– Quem, Aaron?
– Meu tio, o bispo Mackey. Ele mandou eu me afastar de
você e é o que farei. Tchau.
– Por favor Aaron, não me deixe sozinho neste mundo. Eu
só tenho você e sem sua proteção e carinho não sei o que
será de mim.
Breedney se pendurou no pescoço de Aaron, não querendo
que ele partisse.
Aaron o jogou no chão com um forte empurrão.
– Nunca mais encoste a mão em mim, seu gay maldito! Por
sua causa meu tio me fez passar a maior humilhação na
frente daquele xerife desgraçado! – Aaron estava furioso.
– Por favor, me explique direito essa historia. Eu tenho me
comportado e não abri a boca para ninguém e o bispo não
tem provas pois nunca nos pegou no flagra.
– Será possível que terei que te explicar tudo? – gritou
Aaron, colocando as mãos na cabeça. – Eu sei que o bispo
não nos no flagra mas na maioria das vezes um boato vale
mais que um fato e é por isso que não quero mais te ver.
Aaron montou em seu cavalo, cor branco e marrom e saiu
em disparada.
Breedney chorava, caído no chão vendo seu único e
verdadeiro amor o deixando, para sempre.
– Como poderei viver sem Aaron? Como viverei sem tê-lo
me pegando forte e me possuindo com a paixão que só ele
sabe me dar? Me diga pai celeste – Breedney falava
sozinho como se conversasse com Deus.
Muitos garotos já haviam disfarçadamente tentado algo
com Breedney mas eram todos moleques. Nenhum se
comparava a Aaron, com sua beleza marcante, a selvageria e
virilidade típica dos fora da lei.
Na vida de Breedney só existia lugar para Aaron e ninguém
tomaria seu lugar.
– Eu te odeio bispo Mackey!! – o grito foi tão alto que os
pássaros, assustados voaram, enquanto Breedney se
esparramou no chão gelado, continuando a chorar
amargamente.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 15


Por duas semanas Camilla Wallker mendigou pelas ruas de
Salt Lake. A fome era sua única companheira constante. Por
duas semanas Camilla se alimentou da pior forma possível
pegando comida em lata de lixo, disputando o alimento com
os cachorros e sendo chamada de pecadora e puta por todas
as mulheres que passavam por ela. Ninguém lhe vendia
nada. Sua salvação, além da comida retirada dos lixos, foram
as mãos bondosas de Breedney, da viúva Perley e a mulher
de Bob, que algumas vezes as escondidas a alimentaram.
Muitos homens zombavam de Camilla, dizendo que antes
ela até que seria um bom aperitivo mas que agora, naquelas
condições, nem nas trevas exteriores iriam quere-la.
As coisas não estavam nada boas para Camilla Wallker, que
decidiu ir embora dali, mas para onde?
– Meu pai, espero que desta vez o Senhor não me
desampare......seu desgraçado! – disse olhando para o céu.
Camilla se dirigiu para a saída leste de Salt Lake, andando
sem destino. Na verdade, Camilla estava indo em direção ao
seu verdadeiro sonho: chegar em Nova York e se tornar
dançarina em alguma casa de shows, entreter as pessoas e se
sentir realizada na vida.
Enquanto andava pelo deserto Camilla imaginava como
seria sua vida depois que chegasse a Nova York. Camilla
fechou os olhos e por um momento sentiu como se realmente
dançasse em um palco grande, vestindo lindas roupas e
recebendo aplausos calorosos. Ela se via livre das ameaças
espirituais e não teria mais que se deitar com um homem a
quem ela não amasse. Finalmente ela podia decidir com
quem se deitar e a quem servir. Ela podia agora escolher o
caminho que achasse melhor e seu livre arbítrio era
respeitado.
Tudo parecia tão real, mas ao abrir os olhos, Camilla viu
que sua realidade era bem distante daquilo que sonhava para
si.
Depois de caminhar horas e mais horas, Camilla Wallker
caiu ao chão, levada pela fome e sede.
O ar daquela manhã de sol, porem fria, queimava-lhe o
rosto e a paisagem árida e a cadeia de montanhas infinitas se
embaralhavam diante de seus olhos. As ossadas de búfalos e
coiotes refletiam a luz do sol em seu rosto.
As últimas palavras ditas por Camilla antes de desmaiar
foram:
– Não me abandone novamente !

– Onde estou ?Quem são vocês? – disse Camilla assustada.


– Calma garota, somos amigas. Te encontramos caída no
deserto, perto dos trilhos e ao lado de ossadas de animais
mortos.
– Quanto tempo permaneci desmaiada?
– No mínimo cinco horas pois estamos cuidando de você
todo este tempo.
– Obrigada. Por favor, teria alguma coisa pra eu comer ou
beber?
– Sim. Tome um pouco de água e depois coma este pedaço
de carne. Espero que seu estomago agüente. Você esta
muito magrinha.
Camilla bebeu a água desesperadamente.
– Por favor, sabe me informar como chego em Nova York?
Quantas horas levo para chegar até lá?
– Menina, Nova York fica do outro lado do país. Como
pretende chegar lá?
– Andando …., na verdade não sei como mas tenho que
chegar em Nova York! – disse Camilla, com os olhos
vidrados no pedaço de carne que ela segurava nas mãos,
com toda força.
– E para que?
– Quero ser dançarina e me livrar desta cidade que só me
atrapalhou a vida – a raiva estava no rosto de Camilla.
– Entendo você garota. Nos também estamos indo embora
pois os homens desta cidade querem prazer mas na hora
de pagar choram, reclamam e dizem que temos que servi-
los pois é isto que o Deus deles espera de nos – dizia a
senhora que liderava o grupo de mulheres. – Outro dia um
tal de presidente Parkson queria que participássemos de
uma orgia mas ele nos disse que só pagaria a metade.
Como nos negamos ele nos expulsou e por isso estamos
saindo deste lugar maldito.
– Orgia? Como assim? Oque vocês fazem?
Todas riram dentro do carroção e uma das mulheres disse:
– Menina, nos somos putas. Fazemos sexo por dinheiro !
– Não fale assim com a mocinha – a líder do grupo chamava
a atenção da mulher, como se fosse uma especie de mãe. –
Mocinha, qual seu nome?
– Camilla Wallker – a resposta foi curta e direta .
– Camilla, sou a senhora Deby. Estas são minhas garotas e
estamos indo para a estação mais próxima e pegaremos
um trem até Nova York.
Camilla sentiu seu coração bater mais acelerado.
– Gostaria de vir conosco? – perguntou a senhora Deby.
– A senhora me deixaria mesmo ir com vocês? É verdade?
– Sim! Estou falando serio.
– Eu aceito, eu aceito mas …. terei que servir os homens
também? – Camilla realmente temia ser tocada por
qualquer homem depois do que ela passou em Salt Lake.
– Não. Isto você decide depois. Se desejar ser como nos, a
aceitaremos e ensinaremos todos os truques para você mas
se também não quiser te respeitaremos.
As palavras da cafetina eram tão sinceras e sem rodeios
que fizeram Camilla sentir pela primeira vez na vida que era
seguro confiar em alguém e esta pessoa era senhora Deby.

Ao chegar na estação as garotas da senhora Deby


amarraram os dois cavalos velhos que puxavam a carroça e
foram se informar sobre o horário de partida do próximo
trem.
– Senhora Deby – disse uma das garotas, uma magra baixa
com seios enormes –, o homem disse que o próximo trem
partira amanhã por volta do meio dia.
– Que bom! Assim teremos mais tempo para arranjar
dinheiro – disse a senhora Deby. – Me sigam.Tem uma
taberna de um amigo meu, aqui perto. É lá que passaremos
a noite.
– Tomara que este seu amigo não seja pão duro igual
aqueles mórmons – disse uma outra garota, alta e um
pouco a cima do peso, com cabelos loiros.
Quando as garotas chegaram na taberna, um homem
baixinho, bem atarracado, quase careca, um pouco gordo
mas nem tanto e com braços extremamente musculosos
reconheceu a velha freguesa e amiga.
– Senhora Deby, que bom revê-la! Esta chegando ou indo ?
– o homem parecia nervoso por ver tantas mulheres
bonitas em seu bar.
– Oi Fhil, é um prazer revê-lo também! Nos estamos de
partida para Nova York mas vamos ficar aqui até o
próximo trem chegar.
– E me diga uma coisa, senhora Deby. Vocês já tem todo o
dinheiro das passagens? – Fhil tinha planos para elas.
– Ainda não, meu amigo Fhil, mas quem sabe hoje a noite
seus clientes não se animam e resolvam nos ajudar?
Fhil, arregalou os olhos, parecendo um diácono assustado
com a expectativa de ter ao seu lado uma mulher do porte da
senhora Deby e com dificuldade soltou uma frase:
– Sim senhora Deby! Todos certamente se animarão com
suas amigas.
– Fico feliz em saber disto, Fhil. Se não for abusar de sua
hospitalidade poderia nos arranjar um quarto com
banheiro? Gostaríamos de ficar bem cheirosas para vocês
nesta noite.
– É para já, senhora Deby.

A noite foi agitada no salão. Os homens bebiam e


dançavam ao som do piano.
A tempos que aqueles homens não se divertiam tanto. A
maioria dos freqüentadores do estabelecimento era composta
de homens que se aventuraram a procura de ouro no oeste e
que colheram mais miséria que riquezas e que tinham como
única companheira a saudade a tristeza e a bebida.
Para todos aqueles inafortunados a presença de tão belas
damas era mais do que eles sonhavam. Na verdade muitos ali
até se esqueceram de como era o gosto de tocar em carnes
macias de uma bela mulher.
Aquele seria o dia para aqueles homens se sentirem no
paraíso, mesmo que para isso, tivessem que deixar nas mãos
daquelas belas mulheres as suas poucas e últimas moedas.
O alvoroço era grande no salão. Cada homem querendo
passar na frente do outro para se deleitarem com as
deliciosas garotas da senhora Deby.
Fhil tentava colocar ordem na fila.
– Calma pessoal! Parece que nunca viram mulher?
– Deixa de ser estraga prazer, Fhil! Eu sou o primeiro –
dizia um dos bêbados.
– Mentira! Eu que cheguei primeiro – retrucava um outro
necessitado.
Mais uma vez Fhil teve que intervir.
– Hoje tem mulher para todos. Mantenham a ordem ou as
madames se sentirão ofendidas e não atenderão ninguém.
Não foi preciso falar mais nada. Todos se calaram e
esperaram, pacientemente na fila, a sua vez.
– Até que enfim tocarei em uma mulher – pensava um
garimpeiro falido. – Parece que nesta região só aqueles
mórmons malditos tem direito a mulher.
O entra e sai de dentro dos quartos que ficavam na parte de
trás do comercio de Fhil era constante. Os homens, que a
pouco tempo andavam de cabeça baixa e apáticos agóra
eram outros, revigorados e sorridentes .
Camilla Wallker, que permanecia ao lado da senhora Deby
e um pouco assustada com tamanha movimentação, ajudava
a contar o dinheiro que entrava feito água.
– E esta menina, porque esta aí no canto escondida? Quero
deitar com ela – disse um dos clientes.
– Esta não é para seu bico – disse a senhora Deby,
procurando como sempre ser elegante, mesmo quando
negava atendimento a um cliente.
– Não é para o meu bico? A senhora pensa que eu não tenho
dinheiro? – o homem pegou algumas notas de dólares,
juntadas com muito suor e jogou aos pés da cafetina.
– Rapaz, se controle. Acho que seus hormônios subiram
para a cabeça!
Todos na sala riram, inclusive a senhora Deby e as garotas.
– Não ria de minha cara sua vagabunda – o homem que se
encontrava descontrolado sacou uma arma e apontou na
direção de Camilla e da senhora Deby.
O silêncio foi imediato. Parecia que o tempo tinha parado e
os poucos segundos que se passaram viraram uma
eternidade.
Pow, pow!!
Todos recuaram assustados com o som dos disparos.
Fhil apareceu com o rifle ainda quente em suas mãos e
parou ao lado do homem caído.
– Alguém tire este verme daqui, ou querem deixar que isto
estrague a festa? – falou Fhil, como quem estivesse
apresentando um show.
Todos o aplaudiram. O piano reiniciou a musica e em
poucos segundos o corpo já havia desaparecido.
Tudo voltou ao normal. Homens entravam e saiam dos
quartos, Fhil vendendo as bebidas e a senhora Deby
contabilizando os lucros.
Camilla Wallker não acreditava em tudo que ela, uma
garota que até então estava destinada a ser uma escrava em
um casamento forçado, estava presenciando naquele
momento. A coitadinha parecia uma criancinha apavorada,
sem pai nem mãe. Na verdade, esta era a real situação de
Camilla.
– Menina, vá se acostumando com a vida neste mundo pois
na maioria das vezes ela é dura – disse a simpática
cafetina procurando tranqüiliza-la mas sempre dizendo a
verdade.
Camilla olhou para a senhora Deby e disse:
– A algum tempo venho percebendo isso.

Na manhã seguinte o trem encostou na estação e a senhora


Deby, junto com Camilla se dirigiu ao guichê e comprou as
passagens para seu bordel ambulante.
– Nossa senhora Deby, ainda sobrou muito dinheiro. Eu
pensei que as passagens fossem mais caras! – disse
espantada, Camilla.
– Sim, Camilla, são mesmo bem mais caras mas o
maquinista e o bilheteiro são meus clientes antigos. Eles
deram uma ajudinha – a senhora Deby esbanjava um ar de
esperteza e simpatia que encantava Camilla Wallker a
fazendo se sentir ao lado de sua verdadeira mãe.
Na estação a aglomeração de homens era enorme. Todos
querendo ver pela última vez as mulheres que fizeram tão
bem a eles.
– Volte !
– Adeus! Eu te amo!
– Obrigado por salvar minha vida! Mais um dia de
abstinência e eu morreria !! – dizia um homem aos
prantos.
O trem partiu rumo a Nova York.
No rosto de Camilla podia ser visto um belo sorriso ….e
incertezas.
ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 16
Ano de 1888
– Socorro! Socorro! – gritou o homem assustado,
despertando do sono.
– Eu estou aqui do seu lado Grande Espírito. Fique
tranquilo.
– Eu tive aquele pesadelo novamente.
– Qual, Grande Espírito, o do trem ou do afogamento?
Em meio a dor e angústia o Grande Espírito conseguiu
sorrir e olhando bem nos olhos de Águia Vermelha disse:
– Você parece me conhecer tão bem. Obrigado por cuidar de
mim.
A índia Paiute tratava o Grande Espirito com muito carinho
e amor, como se ele realmente fosse enviado por Deus.
– Eu sempre tenho os mesmos pesadelos e vejo cenas
horríveis.
– Que tipo de cenas? – perguntou Águia Vermelha,
demonstrando interesse.
– Vejo homens enfileirados e armados escoltando outros
homens, mulheres e crianças e de repente começam a
atirar e......
– E o que, Grande Espírito?
Com a face angustiada, como se estivesse sentindo a dor de
duras lembranças, ele completou a frase:
– Escuto choro de crianças e das mulheres que são baleadas
e em seguida vejo os homens que atiraram rindo – o
Grande Espírito fez uma pausa, respirou fundo e concluiu:
– Como eu gostaria de entender do que se tratam estes
pesadelos.
– No momento certo tudo será esclarecido pois os espíritos
irão te dar a luz e conhecimento passo a passo – disse
Águia Vermelha, com seu jeito acalentador.
– Você tem o dom de me acalmar e tranquilizar meu
espírito.
O Grande Espírito tentou com algum esforço se levantar,
mas não aguentando a dor, se esticou sobre uma espécie de
cama feita com couros de búfalos empilhados um sobre o
outro.
– Não tente se levantar ou as feridas causadas pelas balas
abrirão! – disse Águia Vermelha, preocupada.
– Eu tenho muita raiva por não conseguir lembrar o rosto de
quem atirou em mim e o motivo que o levou a fazer isto –
disse, passando a mão na testa, demonstrando muita raiva.
– Eu tenho que me lembrar de quem fez isso para me
vingar!
– Durma! Tente descansar e dar tempo ao tempo –falou a
índia, acariciando o braço de seu amado. – Guarde a sua
vingança para a hora certa.
O Grande Espírito permaneceu deitado, recebendo os
cuidados da índia Paiute. O cansaço venceu a ansiedade e a
dor, fazendo-o adormecer.
A jovem índia saiu para o lado de fora da tenda e se sentou
em frente ao local onde outros índios dançavam até a
exaustão, pedindo aos ancestrais que os ajudassem na luta
contra os homens brancos que aos poucos destruíam as
manadas de búfalos e seu modo de vida.
Um velho índio, Pé de Touro, chefe da tribo, deixou o
circulo em que a dança acontecia, se aproximou de Águia
Vermelha, uma de sua filhas e sentou ao seu lado.
– Como esta o Grande Espírito?
– Esta melhorando, pai. Em breve ele estará de pé.
– Isto é bom – sorriu o velho índio. – Tomara que seja o
mais breve possível pois a tribo se alegrara em vê-lo
recuperado para a luta!
– O Grande Espírito é um homem forte e nos libertará! –
disse Águia, com orgulho.
– Isto mesmo, minha filha. Ele é forte e será um grande líder
nesta batalha – falou o chefe Pé de Touro. – Quando o
encontrei em Mountain Meadows ele era só um menino de
sete ou oito anos no máximo e eu já sabia que algo estava
reservado para ele e nossa tribo.
– Escapar daquela matança vivo foi algo milagroso. Será
que ele já sabe como chegou na cidade dos mórmons, pai?
– Acredito que não. Eu era muito amigo do branco mórmon
que tomou conta do Grande Espírito e sei que ele nunca
falou nada ao menino sobre sua verdadeira origem.
Enquanto o chefe Pé de Touro e Águia Vermelha
conversavam sobre o Grande Espírito e seu passado, futuro e
presente mais e mais índios chegavam para a dança dos
espíritos.
Por anos o exército americano os mantinha confinados em
pequenas reservas, limitando a caça e o território indígena de
uma forma tão desumana que muitos se entregaram a bebida
e a mendigagem mas agora, com a chegada do libertador
prometido pelo grande profeta indígena, Wovoca, o destino
dos Paiutes mudaria.
– Minha querida filha, será que nossos antepassados estão
olhando para nós lá do alto? Será que estão felizes
também, assim como nos estamos? – o chefe olhava para
as nuvens nesta hora.
Águia Vermelha abraçou seu pai e com uma voz mansa,
típica das índias paiutes disse:
– Sim, querido pai! Todos eles estão felizes e olhando por
nos e devem estar dançando também!
Ambos riram e se abraçaram e sentados quietos observaram
a noite chegar para acolher toda a tribo, que finalmente,
recobrava a esperança e a felicidade.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 17


Estava amanhecendo e alguns poucos índios ainda
dançavam ao redor da lenha em brasas.
Dentro da tenda, dormindo em sua cama feita de couro de
búfalos, o homem chamado de ''Grande Espírito'' pelos
índios se contorcia e suava frio. Levado pelas batidas de
tambores que naquele momento da manhã eram baixas e
suaves, sua mente em transe o fez ver as mesmas cenas de
sempre: famílias sendo mortas, crianças chorando e muito
sangue espalhado pelo chão. Depois, como que levado para
frente no tempo ele se via ao lado de um homem alto e negro
que lhe sorria e por fim em seu sonho que mais parecia um
pesadelo ou uma alucinação escutou o apito de trens, sons de
tiros e teve a sensação de estar se afogando.
– Me salvem, socorro, estou morrendo afogado!! – o
Grande Espirito despertou de seu pesadelo, apavorado.
– Não foi nada Grande Espírito. Eu estou aqui do seu lado.
Calma! – disse o chefe Pé de Touro, que velava seu sono
ao lado de Águia Vermelha.
O Grande Espírito se agarrava ao chefe da tribo como se
realmente estivesse de todas as formas procurando escapar
de um afogamento.
– Isto não pode estar acontecendo. Durante estes meses que
estou aqui me recuperando quase todas as noites vejo as
mesmas cenas deste pesadelo horrível.
– Isto não é pesadelo.
– Como assim chefe Pé de Touro?
– São cenas de seu passado – disse o chefe.
O Grande Espírito reagiu com uma expressão de
desconfiança e até certo ponto arredia.
– Do que o senhor esta falando? Vocês sabem de algo que eu
ainda não saiba ou tenha me esquecido?
O chefe Pé de Touro sorriu, dizendo com tranquilidade:
– Mais tarde, depois que você tiver se alimentado e um
pouco mais forte eu te ajudarei a entender algumas coisas
que sua mente não consegue compreender ou se lembar,
porém tudo dependera de sua vontade.
– Claro que tenho vontade de saber do que se tratam este
pesadelos. Não suporto mais esta angustia de não saber o
significado destas coisas que eu vejo sempre, crianças
sendo mortas, mulheres chorando e muito sangue
derramado pelo chão! – o Grande Espirito falava com
bastante ansiedade sobre estas coisas e gesticulando
bastante. – Preciso saber quem foi que atirou em mim.
– E você esta preparado para saber destas coisas que tanto
atormentam sua alma? – perguntou chefe Pé de Touro.
– Quanto a estar preparado eu só saberei no momento em
que tudo vier a tona.
Enquanto os dois conversavam, do lado da fora da tenda
uma aglomeração de índios começou a se formar, parecia
que estava acontecendo uma briga. Um índio, mais um dos
muitos filhos do chefe, entrou correndo dentro da tenda,
chamando pelo pai, parecendo estar bastante nervoso e
assustado.
– Chefe , um ''dog soldier's'' esta la fora!
– O que é um ''dog soldier's''? - perguntou o Grande
Espírito.
– ''Dog soldiers'' – disse o chefe –, é um índio traidor. Um
informante dos brancos que por quinze dólares desonra
toda uma tribo.
– Já entendi! Um dog soldier's é um traidor! – concluiu o
Grande Espírito.
– Fique aqui Águia vermelha e cuide de seu marido e
aconteça o que acontecer não o deixe sair.
– Esta bem pai! – Águia Vermelha olhou para o Grande
Espírito, dizendo em tom de brincadeira:
– Fique bem quietinho aí pois se não terei que te amarrar?

O chefe Pé de Touro se levantou e se dirigiu para fora da


tenda se dirigindo até o local onde a aglomeração se
encontrava e foi brusco ao indagar o traidor.
– O que faz aqui, seu traidor?
– Vim trazer um recado para o senhor – disse o ''dog
soldier's'' tentando controlar seu cavalo que estava um
pouco arisco devido a aglomeração.
– Vá embora! Não queremos contato com covardes e
traidores – ordenou o chefe.
– Acho bom me escutarem pois caso contrario pagarão caro
por isto – disse o traidor, com arrogância.
Neste momento um dos índios da tribo derrubou o ''dog
soldier's'' no chão e apontando uma lança para seu pescoço
gritou:
– Você é quem pagara caro seu miserável. Como ousa falar
assim com nosso chefe?
A tribo toda começou a bradar com gritos ferozes clamando
por sangue.
O chefe Pé de Touro se adiantou e segurou a lança,
impedindo que um dos seus homens matasse o ''dog
soldier's''.
– Pare com isto! Ainda não é hora de sangue – disse com
firmeza.
– Chefe ….., ele esta nos ameaçando em nossa própria terra.
– Sim. Eu sei disto mas é melhor o deixarmos ir. Depois
resolveremos esta situação com calma.
– Mas …. !!
– Me obedeça Zelf ! – desta vez o chefe arrancou a lança de
suas mãos.
Zelf largou o ''dog soldier's'' que rapidamente se levantou,
montou em seu cavalo e entregou o recado.
– O comandante dos soldados americanos disse que
perdoara a tribo de terem assaltado os trens se ajudarem a
encontrar este homem – o índio tira um papel com um
retrato debaixo da sela do cavalo e entrega ao chefe.
– O que esta homem fez, ele cometeu algum crime? –
perguntou o chefe.
– O crime deste homem foi se juntar a índios sujos nos
assaltos e assassinatos de trabalhadores inocentes – disse
o arrogante ''dog soldier's''.
– Nós não temos nada a ver com estes assassinatos e
assaltos e além do mais nunca vimos este homem – o
chefe procurou disfarçar o susto ao ver o retrato do
Grande Espírito.
– Diga isto aos soldados pois meu trabalho foi trazer o
recado e é melhor ajudarem a encontrar este bandido ou a
tribo sera dizimada caso fique realmente provado que
vocês tem participação nestes crimes ocorridos nos
últimos meses.
Tendo dito estas palavras, o dog soldiers saiu em
disparada, deixando poeira e revolta para trás.
– Porque o senhor não me deixou acabar com ele, chefe? –
perguntou Zelf c,om muita raiva.
– Você terá sua oportunidade, meu filho Zelf, mas o
momento não chegou ainda.
– E quando chegara este momento, pai?
– Em breve. Reúna a tribo e reinicie a dança dos espíritos
pois hoje faremos algo muito importante.
– O que pai?
– Começaremos os preparativos para a guerra!
Zelf se alegrou imensamente ao escutar estas palavras de
seu pai Pé de Touro e soltou um brado de felicidade que foi
acompanhado por todos os guerreiros da tribo.
– Reiniciem a dança dos espíritos pois hoje começam os
preparativos para a guerra – ordenou Zelf.

Novamente deram início a dança dos espíritos. Todos os


membros da tribo Paiute cantavam e dançavam ,em transe,
evocando o espíritos de seus antepassados e a força
necessária para vencer o domínio dos soldados americanos.
O chefe Pé de Touro comandava a cerimônia ao lado de seu
valente filho, Zelf, que clamava pelo sangue dos soldados e
de todos que queriam roubar suas terras. Ao lado, encostado
em sua cama especial feita de couros de búfalos e
maravilhado com tudo que via , se encontrava o homem
chamado de Grande Espírito pelos índios.
O ambiente estava carregado de energia devido as
invocações espirituais feitas durante a dança.
Todos se calaram ao mesmo tempo quando o chefe Pé de
Touro se levantou e com sua voz rouca e poderosa começou
a falar:
– O homem branco quer domesticar, domar o índio e
roubar nossas terras. O homem branco quer transformar
os índios em escravos e depois nos destruir
completamente. Ele, o homem branco, não quer que o
índio ande livremente, caçando e correndo como fazem
os cavalos selvagens. Nossos cavalos foram
domesticados por nós porem comem melhor e vivem
mais do que muitos de nossa tribo. Tratamos nossos
cavalos com mais dignidade do que nos tratam – o
chefe falava como se fosse um profeta. – Nossos irmãos
morrem de fome a cada dia, aos milhares, mas isto irá
mudar e voltaremos a andar livres pelo nosso território.
Tudo sera como ante. Tudo voltara a ser como na época
em que não tínhamos fronteiras e nem barreiras
estabelecidas pelo homem branco.
A tribo escutava todas as palavras atentamente e cada índio
permanecia com os olhos vidrados no chefe Pé de Touro que
continuava a falar com força e poder.
– Antes era comum ver famílias numerosas e felizes,
vivendo de uma forma condizentes com nossas tradições.
Os búfalos andavam reunidos em grandes manadas. A
caça era farta e existia peixes em abundância nas águas
puras dos rios. Não existia doenças tão perigosas como as
trazidas pelos aventureiros brancos que vieram para nosso
territória a procura de nosso ouro, nossas terras e
mulheres. Estes brancos estupram nossas filhas e nos
obrigam a seguir sua religião dizendo que somos
amaldiçoados e que devemos nos arrepender para que nos
tornemos brancos e puros. Eu pergunto a vocês meu filhos
Paiutes, onde esta a pureza? Se encontra em uma religião
que nos chama de amaldiçoados, em nossa cor, ou em
nossas almas?
Enquanto o grande chefe falava ao seu grupo o Grande
Espírito, deitado em seu canto, se sentia incomodado como
se aquelas palavras de alguma forma fossem dirigidas a ele,
entretanto, ele se enganava pois todos os índios da tribo o
respeitavam.
– De qual religião o chefe Pé de Touro esta falando? –
pensava o Grande Espírito. – Como eu gostaria de lembrar
de meu passado. Como gostaria de entender as coisas que
minha mente cisma em esconder de mim.
O chefe continuou suas palavras falando sobre o passado,
relembrando a luta dos povos indígenas, resistindo firmes
até aquele momento da historia e terminou com as seguintes
palavras que serviam de incentivo a todos seus guerreiros:
– Enquanto existir um sangue Paiute nesta terra, que
pertenceu a nossos antepassados e nos pertence,
lutaremos.
A tribo toda se levantou aplaudindo e batendo os pés com
força no chão e as mãos no peito.
Os tambores recomeçaram e os espíritos dos antepassados
novamente foram evocados.
O chefe Paiute se sentou ao lado do Grande Espírito.
– O que esta achando da dança? – perguntou o chefe.
– Estou maravilhado chefe! – respondeu o Grande Espírito.
– Como eu havia prometido irei te ajudar a entender certas
coisas mas espero que quando se deparar com toda a
verdade você esteja preparado para assumir sua
responsabilidade.
O Grande Espírito sentiu um arrepio pois ele ainda não
estava compreendendo completamente o que se passava e
quais seriam estas responsabilidades. Tudo seria uma
descoberta pois ele não se lembrava de nada.
O chefe Pé de Touro se serviu de uma pequena dose de um
chá feito com cascas de diversas arvores e serviu uma dose
bem maior ao Grande Espírito.
– Tome tudo. Esta bebida faz parte do processo que te fará
entender tudo oque você precisa saber para retomar sua
vida por completo – o chefe fez uma pausa em suas
palavras, riu e concluiu : – Tome de uma vez só pois o chá
é muito amargo.
O Grande Espírito tomou a bebida em um só gole. Fez uma
cara de quem estava querendo vomitar e perguntou:
– Qual o efeito que esta bebida causa?
– Ela servira para trazer seus pesadelos a tona.
– Mas eu já estou cansado de ….....
O Grande Espírito não pode completar a frase pois caiu em
um sono profundo.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 18


– Pai , porque estão atirando em nós?
– Eles querem roubar nosso gado e dinheiro, meu filho.
– Eles vão matar todo mundo, papai? – perguntou o garoto
assustado.
– Não, meu filho. Não deixarei que façam isto. Fique bem
escondido.
O tiroteio recomeçou.
Em seu sonho o Grande Espírito via índios gritando e
outros homens atirando enfurecidos em um grupo de
condutores de gado que passavam pelo território de Utah.
O tiroteio era intenso e vários homens de ambos os lados
caiam diante das balas que eram disparadas de rifles e
revolveres.
Os ladrões não deixavam escapar ninguém. Todos,
mulheres, crianças e velhos eram considerados como alvos,
sendo atacados sem piedade.
Era possível escutar os ladrões gritando.
– Matem estes infiéis. Vinguem a morte de Parley P. Prat e
Joseph Smith! – ordenava o lideres dos bandidos. –
Peguem tudo o que puderem carregar!
O grupo que estava sendo atacado sem piedade era guiado
por Alexandre Fancher. Um rico fazendeiro. A intenção do
grupo era sair do Arkansas e levar a boiada com mais de mil
cabeças de gado rumo à California, onde acreditavam ser um
bom lugar para expandir a criação devido o melhor clima
daquela região, porem escolheram um péssimo momento
para passarem pelo território de Utah.
Os mórmons estavam sendo pressionados pelo presidente
americano Millard Filmore a acatarem as leis do país e
deixarem de lado a pratica de casamento plural. Nesta prática
o homem que fosse mórmon tinha direito a varias esposas de
acordo com as leis e mandamentos da igreja e isto estava
desagradando grande parte da população americana, e alem
disto, muitos viajantes e fazendeiros haviam reclamado ao
governo sobre os maus tratos que sofreram nas mãos dos
mórmons de Utah que procuravam a todo custo controlar a
rota de ligação entre o leste e o oeste dos Estados Unidos da
América.
Um outro fato importante e preocupante era que os
mórmons estavam se armando de uma maneira muito além
do esperado e por causa disto eles conseguiam impor a
todos que passassem pelo território a sua vontade.
Fazendeiros com seus gados, diligências do correio, e
qualquer grupo ou pessoa que cruzasse as terras dominadas
pelos mórmons era obrigado a se submeter ao mando e
desmandos do homem que se julgava senhor, dono do
território e controlador das almas dos homens: Brigham
Young.
Por estes motivos o governo americano deu um ultimato a
Brigham dizendo que ele já não mais seria o governador do
território e para ter certeza de que suas estas ordens seriam
obedecidas um batalhão com dois mil homens do exercito foi
mandado para cercar a cidade de Salt Lake, sede da igreja
Mórmon.
Brigham armou seus homens que pretendiam resistir.
O erro fatal do grupo de fazendeiros apelidados de partido
de Fancher foi estar no local errado e na hora errada.
Os mormons estavam com medo de serem atacados pelo
exercito, outros com raiva do povo do Arkansas pois a pouco
tempo um homem considerado fundamental na historia do
movimento tinha sido assassinado, Parley P. Praty nas mãos
de pessoas deste lugar e uma outra parte ,movido pelo
espirito da cobiça desejavam o gado e dinheiro do ''Partido
de Fancher''.
O cenário estava montado para uma das maiores
atrocidades feitas contra um grupo pacífico que só queria
passar com seus gados pelo território de Utah e que seria
lembrada até os dias de hoje.
– Pai, não me deixe morrer! – implorava o garoto ao pai.
– Filho, eu já te disse que nada ira acontecer. Eu vou te
proteger meu filho, mas quero te pedir uma coisa? – disse
o pai do menino.
– Oque papai?
– Aconteça o que acontecer não saia do esconderijo que te
farei até que escureça. Entendeu ? Promete?
– Eu prometo – respondeu o garotinho –, mas o senhor vai
embora e me deixar aqui?
– Não filho. Eu não irei embora mas …..pare de fazer
perguntas.
– Faça o que te pedi ….., te amo filho – disse o pai do
menininho, passando a mão em seu rosto.
– Eu também te amo papai!
O cerco ao grupo durou quatro dias e na noite do terceiro
dia os ladrões assassinos fizeram uma pausa para
recarregarem as armas e providenciarem mais munições.
Cercados pelos bandidos e protegidos apenas por algumas
rochas e com seus carroções dispostos em círculo, o grupo
de Alexandre Fancher também procurava poupava energia e
munição pois sabiam que na manhã seguinte a batalha pela
vida se reiniciaria.
– Alexandre! Nossa munição esta acabando e se
continuarmos neste ritmo no máximo em um dia ela se
acabara – alertou um dos homens do grupo.
– Temos que economizar munição – disse Alexandre. – Em
todo caso tenho uma idéia para colocar fim a este cerco.
Todos os homens se reuniram em volta de seu líder para
escutar o que ele tinha a dizer.
– Amanhã eu mesmo irei pessoalmente falar com eles e
propor que fiquem com nosso gado e dinheiro e nos
deixem passar. Oque acham?
– Vamos deixar nosso gado para estes ladrões? E o que
faremos de nossas vidas depois? – disse um outro homem,
alto e gordo.
– Eu aceito dar tudo que tenho para não morrer neste deserto
no meio do nada – falou um outro homem magro e com
feição apavorada. – Eu sei que eles vão nos matar, eu sei !
– Homem, se acalme e diga porque tem tanta certeza de que
estes bandidos querem nos matar? – perguntou Alexandre
Fancher.
– Quando fui comprar ração para o nosso gado e os
mórmons se negaram a vender eu me irritei e falei para
umas crianças que eu matei o profeta deles. Eu falei
brincando mas eles podem ter levado a serio.
– Você foi muito imprudente e não deveria ter falado isto
para as crianças lá na cidade – disse Alexandre Fancher. –
Amanhã eu u explicarei toda a situação e direi que você
nada tem ver com a morte do profeta da igreja dos
mórmons e entregarei o gado na mão deles. Tomara que
isto seja suficiente para acalma-los.
– Eu acho muito arriscado Alexandre. Não confio nestes
mórmons – disse Cardon, o pai do garotinho –, mas se
você acha que isto seria a melhor saída eu estou do seu
lado.
– Nem eu confio neles mas nossa munição esta acabando e
se não conseguirmos um acordo de paz certamente todos
…... – Alexandre Fancher não se atreveu a dizer a última
palavra, pois estava claro, pela expressão carregada do
grupo, que todos, inclusive mulheres e crianças
perceberam que aquela seria a única saída além da morte.
O silêncio era geral naquela noite no deserto. As mães
abraçavam seus filhos como se fosse a última vez e as
crianças dormiam embaladas pelo carinho materno que era a
única força capaz de acalma-las.
Os homens permaneceram alerta a noite toda, conversando
por sussurros, como se estivessem em um velório.
– Filho. Lembra do que te falei sobre o esconderijo?
– Sim. O senhor disse que era pra eu ficar escondido e só
sair do esconderijo a noite.
– Parabéns meu filho! – disse Cardon com orgulho. – Já esta
chegando a hora de colocar nosso plano em ação.
– Mas o senhor não vai se esconder comigo?
– Não poderei ficar escondido com você.
O garotinho começou a chorar sem fazer barulho porem as
lagrimas saiam de seus olhinhos assustados, escorrendo pelo
seu rosto.
O sol começou a aparecer no deserto .
Alexandre Fancher amarrou um pedaço de camisa branca
em um galho, acenou para os bandidos e saiu andando na
direção deles.
– Alexandre – gritou Cardon –, eu vou com você. Não
quero que fique sozinho com estes assassinos covardes!
– Pode vir Cardon mas não vá se enfurecer e colocar tudo a
perder!
– Pode deixar comigo. Eu saberei me controlar embora meu
desejo seja acabar com estes polígamos safados.
Em meio a confusão de imagens que apareciam em sua
mente durante o transe causado pela bebida usada no ritual
da dança dos espíritos o Grande Espírito vê seu pai e
Alexandre Fancher irem em direção ao grupo de bandidos e
voltarem horas depois.
Na visão o Grande Espírito se relembra então das últimas
frases de seu pai.
– Filho! Nós entramos em acordo com os mórmons mas não
acredito em nada do que eles falaram.
– Oque eles falaram, papai?
– Disseram que os índios paiutes foram os culpados de faze-
los se voltarem contra nós e que os índios colocaram em
nós a responsabilidade pelo envenenamento das águas e
dos bois dos mórmons ,mas filho, eu não acreditei em
nada do que eles falaram.
– As outras crianças falaram que viram uns mórmons
pintados de índio.
– Eu sei filho. Isto me preocupa – disse Cardon abraçando
seu pequeno filho. – Em uma hora nós todos iremos sair
daqui escoltados pelos mórmons mas você ficara
escondido.
– Porque o senhor não me levara junto? Eu te magoei
papai ?
– Pelo contrário, filho. Você só me da alegrias e por isso
quero que fique no esconderijo. Se até amanhã a noite
ninguém vier te buscar saiba que você estará só no mundo
– Cardon abraçou o menino, bem forte contra o peito e
concluiu: – Faça o melhor que puder para permanecer
vivo.
Um pouco depois o pai do Grande Espírito saiu para nunca
mais voltar.
Os integrantes do partido de Fancher foram escoltados pela
milícia mórmon até um determinado ponto onde foram
fuzilados sem poderem se defender.
Ao redor de Mountain Meadows, mais de cinto e cinquenta
pessoas, sendo que a maioria mulheres e crianças, foram
assassinadas pelas mãos de homens sujos que desejavam a
todo custo se tornarem um dia Deus, porem, mesmo antes
desta ilusão se tornar realidade eles já se sentiam no direito
de decidirem quem viveria e quem morreria.
Aos poucos tudo se tornava claro em sua mente. Todos suas
lembranças retornavam trazendo a luz mistérios sobre sua
vida que a muito tempo ele havia esquecido.
Após ter se lembrado no sonho ou visão da última vez que
em que falou com seu pai o Grande Espírito viu índios ao
seu redor, cuidando dele na tribo Paiute, e se viu já um
pouco maior, vestindo um uniforme do exército e lutando na
guerra de secessão e ao seu lado um rapaz negro e alto, seu
melhor amigo, negro Bob, que juntos eram imbatíveis pois a
força da amizade entre os dois criava um elo poderoso desde
seu primeiro encontro no meio das montanhas congeladas.
Enquanto ainda sentindo os efeitos do transe o Grande
Espírito também se viu ao lado de uma linda mulher que lhe
beijava a boca e fazia amor com ele de uma forma
maravilhosa. Os dois eram apaixonados e viviam felizes. Ela
a amava desde a juventude quando o viu com o uniforme de
soldado indo para a guerra e quando voltou, vitorioso,
começaram a namorar. Ambos desejaram viver juntos e
felizes pela eternidade mas este sonho só se tornou realidade
quando ele, anos mais tarde, retornou de sua missão como
missionário d'A igreja de Jesus Cristo dos Santos dos
Últimos dias. Desta união, selada em um templo, nasceram
filhos e filhas e ele foi chamado para ser bispo na estaca
liderada pelo presidente Parkson.
Todos esses acontecimentos apareciam em forma de flash
rápidos, relances de fragmentos de suas intimas lembranças.
De repente uma nuvem escura baixa sobre sua mente e ele
escuta sons de trens e um homem, bispo da igreja o
chamando para presenciar o assalto de um trem, dizendo:
– Você agora faz parte da irmandade e como bispo desta
estaca seu dever é se unir a nós na obtenção de fundos
para as obras do templo de Salt Lake pois nosso pai
celestial nos pede que todos os bispos e sumo conselheiros
da estaca se esforcem ao máximo e nos empenhemos em
mostrar nossa lealdade aos lideres da igreja.
– Nunca me unirei a vocês nisso pois sei que esta não é a
vontade de nosso pai!
– Você esta dizendo que se negara a pegar destes infiéis o
dinheiro e ouro necessários para a construção do templo?
– Sim! – respondeu com raiva nos olhos. – Me nego, e
denunciarei tudo ao xerife Streble e ao presidente Parkson
pois eles não devem estar sabendo destas suas falcatruas e
você merece ser preso e excomungado.
– Eles sabem de tudo e estou aqui a mando do presidente
Parkson – disse o bispo bandido com sua voz rouca e
macabra.
Neste momento o Grande Espírito se lembra de ter sacado
sua arma e começado um intenso tiroteio entre os dois.
Ambos foram atingidos. O grande espírito levou um tiro de
raspão no braço e o bispo que fora atingido com um tiro
próximo ao coração e outro na barriga estava caído com o
rosto voltado para o chão.
O Grande Espírito se aproximou devagar e cauteloso, para
verificar se o bispo estava morto, quando ao encostar a mão
em seu corpo para vira-lo teve uma surpresa quase fatal.
Neste instante, o bispo Mackey que fingia estar morto se
virou com a arma na mão e deu dois tiros a queima roupa no
Grande Espírito, arrancou a corrente que ele levava no
pescoço e o empurrou com o pé para dentro de um rio que
corria logo atrás dele.
– Morra Kairel! – gritava o bispo Mackey, feliz por ter
matado mais um. – Morra em paz e não se preocupe pois
cuidarei de sua viúva Perley!
O bispo ficou por uns instantes ainda observando as águas
levarem o corpo para longe e por incrível que pareça saiu
andando como se não tivesse levado tiro algum.
– Desgraçado! Eu te matarei, bispo Mackey! – gritou Kairel
despertando de seu transe.
O chefe Pé de Touro que permaneceu ao lado de Kairel o
tempo todo perguntou:
– Pelo visto você já se lembra de tudo.
– Sim! Me lembro – disse Kairl ainda respirando forte e
ofegante.
– Que bom. Então me diga como foi que você levou estes
tiros e o que aconteceu antes de ser arrastado pela
correnteza e vir parar aqui na tribo novamente pois da
primeira vez que você apareceu e era só uma criança eu
me lembro, sabe porque Grande Espírito?
– Não. Me diga.
– Eu sou o índio que te encontrou chorando e vagando
faminto pelo deserto. Cuidei de você por um ano e depois
te entreguei a um dos poucos mórmons bons que eu
conheci para que fosse criado como filho por ele.
– Obrigado chefe por ter cuidado de mim – Kairel fez uma
pausa e perguntou : – O que aconteceu ao meu verdadeiro
pai?
– Se lembra do Massacre de Mountain Meadows?
– Sim chefe. Eu me lembro.
– Seu pai foi morto naquele massacre. Você esta vivo
porque se escondeu no esconderijo que tinha perto de
onde te encontramos.
– Meu pai foi quem fez o esconderijo, cavando um buraco
no chão perto de uma rocha e me mandou entrar lá e ficar
até escurecer – disse Kairel com um ar de reverência ao
falar do pai. – Eu me lembro do tiroteio e da milícia
composta por membros da igreja cercando o nosso
comboio e também me lembro de meu pai e Alexandre
Fancher indo embora com mulheres e crianças para nunca
mais voltarem, mas ainda tem uma coisa que eu não
consigo compreender.
– O que você não consegue compreender, Grande Espírito ?
– perguntou o chefe Pé de Touro com tranquilidade e
suavidade na voz forte.
– Porque membros da igreja fizeram isto? O senhor saberia
me responder?
– Sim. Eu sei e te contarei tudo.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 19


– A tribo passava por um momento de pouca fartura e nossa
situação era bem delicada. De um lado se encontravam os
mórmons, caçando e cultivando em nossas terras, sempre
bem armados e com muita munição, prontos a atirarem no
primeiro sinal de que um lamanita se aproximasse. Digo
lamanita pois é assim que eles nos chamam: lamanitas
amaldiçoados.
– Sei disto chefe Pé de Touro. Agora que recobrei a
memoria me lembro que por causa do que esta escrito no
livro de Mórmon a maioria do povo da igreja se refere
desta maneira quando estão falando dos povos indígenas.
– Sei disto! Por causa deste livro eles falavam estas coisas
de nos e matavam nossos filhos e guerreiros. Do outro
lado tínhamos a falta de alimento e a noticia de que uma
caravana de gados passaria por nosso território fez a tribo
recobrar a esperança de saciar a fome. Meu pai, chefe
Pena Dourada, disse que deveríamos causar um tumulto
no meio dos gados provocando um estouro da boiada.
Desta maneira poderíamos pegar todo gado que estivesse
desgarrado sem ter que atacar nenhum homem branco pois
meu pai sabia que aquelas pessoas eram pacíficas e que
não procuravam tomar nossas terras como os mórmons.
Pouco antes do dia em que atacamos o grupo que seu pai
se encontrava, nosso gado, os poucos que tínhamos
morreram, depois de tomarem água envenenada. Um
enviado dos mórmons veio até nos dizendo que os
culpados pelo envenenamento eram os viajantes.
– Qual o nome do homem que disse isto? – perguntou
Kairel.
– Ele se chamava Jonh Dee Lee.
Kairel se espantou ao escutar o nome.
– Esse é o mesmo Jonh Dee Lee que foi executado em 1877
por ter participado do Massacre de Mountain Meadows?
– Este mesmo, Grande Espírito. Ele veio até nos dizendo
que Brighan Young queria falar com a liderança da tribo
próximo ao lado salgado. Eu, meu pai Pena Dourada e
mais uns dez homens da tribo fomos até o local do
encontro e escutamos do próprio Brighan Young, que
falava por meio de um interprete, que nós poderíamos
agir conforme o que a tribo decidisse pois eles não se
meteriam conosco. Brighan Young disse que o partido de
Fancher não era tão pacífico assim e que no meio se
encontravam homens que assassinaram Joseph e um outro
líder da igreja mórmon.
– Seria este outro homem Parley P. Praty? – perguntou
Kairel, já sabendo qual seria a resposta.
– Era este o nome do outro líder, Grande Espírito – o chefe
se sentou ao lado da cama e continuou o relato. – Brighan
Young disse que eles mesmos procurariam prender os
assassinos e que o gado poderia ficar com nossa tribo
desde que nosso ataque em busca de alimento fosse no
mesmo dia em que eles prenderiam os assassinos dos
lideres da igreja pois assim seria mais fácil para ambos os
lados, os mormons e nossa tribo, obterem sucesso na
empreitada.
– O profeta Brighan disse isto? – Kairel custava a acreditar.
– Sim! Ele disse e eu escutei com meus próprios ouvidos.
– Continue por favor chefe. Quero ver onde isto acabará.
– Chegou o dia do ataque e encurralamos o grupo de
Fancher, dispersamos o gado e pegamos todos que se
desgarraram, porém os mórmons se demoraram muito em
prender os assassinos de Joseph e Parley P. Praty. Meu pai
desconfiou e foi falar com os mórmons comandados por
este Jonh Dee Lee. Ele disse para meu pai que toda a
caravana deveria ser morta pois todos estavam metidos na
morte dos lideres e que nos deveríamos ajudar nesta
tarefa pois Brighan Young nos recompensaria com armas e
alimentos.
– Mas isto não é possível. O profeta não falaria uma coisa
destas – falou Kairel indignado com o relato não querendo
acreditar nas palavras do chefe mas já sabendo que aquilo
era verdade.
– Meu pai disse que este não foi o combinado e que
estávamos ali apenas pelo alimento .Foi então que escutei
o maior segredo de Brighan Young e da igreja mórmon.
– Que segredo chefe Pé de Touro ?Do que o senhor esta
falando?
– A todo momento que conversávamos, outro mormon, o
mesmo interprete de antes, traduzia a conversa pois ele
pensava que ninguém da tribo conhecia a língua de vocês
mas eu aprendi o inglês quando era criança conversando
com alguns brancos amigos de nossa tribo. Como eu me
mantinha quieto, falando as vezes e somente com meu pai,
eles não suspeitaram de que eu estava entendendo tudo
que era dito. Foi então que no meio desta conversa Jonh
Dee Lee se irritou e falou baixo, como quem estivesse
pensando alto, perto de mim para que o interprete que o
acompanhava não ouvisse que eles precisavam matar todo
o grupo ou Brighm Young os mataria.
– Mas porque Brighan os mataria ? – Kairel já não se
aguentava de angústia. – Conte logo ! Por favor chefe!
– Porque ele estava incumbido de eliminar as provas que
revelariam que Brighan Young foi o verdadeiro mandante
das mortes de Joseph Smith e Parley P. Praty.
Kairel se levantou, em um salto, mesmo estando ainda se
recuperando dos ferimentos.
– Não posso de forma alguma acreditar nisto , pois Brighan
Young é um profeta de Deus e não mandaria matar o
restaurador do verdadeiro evangelho na terra.
– Você pode até não acreditar mas ele fez! – o chefe Pé de
Touro falou com grande seriedade. – Isto saiu da boca do
próprio Jonh Dee Lee, quando ele estava perto de mim
falando sozinho, pensando que ninguém o escutava e
achando que eu fosse mais um lamanita burro. Sabe
quando uma pessoa esta tão nervosa e desesperada que
começa a falar sozinho e a perder o controle da situação?
– Sim, sei! – respondeu Kairel.
– Foi exatamente o que aconteceu com este Jonh Dee Lee
que por ver que nós não entraríamos em seu negócio sujo
se desesperou e falou demais. Ao escutar isto, me dirigi ao
meu pai que deu ordem de partirmos e foi o que fizemos e
dias depois, o grupo onde estava seu pai foi fuzilado pela
milícia mórmon. Um grupo de crianças menores de oito
anos, filhos das pessoas assassinadas foi levado pelos
mórmons que tiveram que devolve-las aos verdadeiros
parentes um ano depois, a mando do exército, mas você
não.
– O senhor cuidou de mim neste tempo?
– Sim. Eu te encontrei vagando pelo deserto, chorando
muito e te trouxe para cá, faminto e com muita sede.
Depois de um ano e meio te entregamos a um bom homem
mórmon que nada tinha a ver com a matança e roubos dos
seus irmãos da igreja. Se tivéssemos te entregado antes
certamente você teria sido assassinado pois as crianças
sobreviventes eram todas menores de sete anos e você
aparentava já ter nove ou perto disto.
– Mas ele não desconfiou de minha origem? – perguntou
Kairel que havia sentado novamente e com as mãos juntas
como se estivesse orando.
– Ele e ninguém mais desconfiou pois dissemos que você
era filho de um cowboy que passava pela tribo e que
estava muito ferido a bala, vindo a falecer e te deixando
aos nossos cuidados. Quando te demos ao bom mórmon as
outras crianças já tinham sido entregues aos pais e então
você foi criado como um filho legitimo de um verdadeiro
mórmon. Mas quero deixar bem claro que mesmo que o
senhor Axelson soubesse de sua origem ele sempre te
protegeria e não deixaria ninguém te fazer mal.
– Eu sei disto – disse Kairel com orgulho de seu pai adotivo.
– Então pelo que estou escutando do senhor certamente foi
tudo uma mentira quando disseram que Brigham Young se
transfigurou e passou a se parecer com Joseph Smith.
Falaram isto para ele se tornar o dono da igreja.
– Não tenha dúvida disto! – disse Pé de Touro, com um
certo humor. – Certamente ele pagou estes homens para
falarem uma barbaridade desta.
– Quando eu estava em transe eu vi um homem falando ao
meu pai e a Alexandre Fancher que a milicia devia estar
atrás dele pois ele contou vantagens e zombou de alguns
mórmons dizendo que matou Joseph Smith. Agora esta
explicado porque nosso grupo foi massacrado sem
piedade, até mesmo mulheres e crianças e porque Jonh
Dee Lee, que sabia de tudo, foi o único culpado pelo
massacre de Mountain Meadows, condenado a morte e
fuzilado pouco antes do falecimento de Brigham Young.
Agora tudo se encaixa.
– Na vida tudo se encaixa perfeitamente, Grande Espírito e
por isto hoje você esta aqui, para nos ajudar a lavarmos
nossa honra pois os roubos a trens e mortes que estão
acontecendo não são feitos por nós, mas assim como em
Mountain Meadows estão jogando a culpa em nossa tribo,
porem isto ira acabar pois chegou a hora da vingança.
– Eu os ajudarei nesta vingança pois também tenho muito
pelo que me vingar – disse Kairel com ódio, apertando o
cabo da arma que estava em sua cintura.
– Você então aceita se juntar a nós e ajudar a liderar a tribo
na guerra contra todos os culpados dessa ofensa?
– Sim, Pé de Touro, eu ajudarei e se preciso morrei lutando
mas só depois que todos os culpados pagarem pelos
crimes.
– Eu e toda a tribo ficamos felizes em contar com sua ajuda,
Grande Espírito!
Tendo dista estas palavras, Pé de Touro abraçou Kairel,
como se ele fosse seu próprio filho.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 20


A viúva Perley estava sentada de frente para um espelho
grande e redondo. Enquanto penteava os sedosos e
compridos cabelos negros sua mente a levava para um tempo
em que podia se jogar nos braços de seu amor a qualquer
momento do dia. Agora sua única esperança de rever o
homem de sua vida era esperar pela manhã da primeira
ressurreição em que de acordo com a doutrina mórmon os
justos levantariam para receberem a glória celestial e
viverem eternamente casados, criando mundos sem fim.
– Kairel meu amor, quanta saudade. Esta sendo duro viver
sem seus abraços e seu amor. Me sinto tão só e carente.
Como eu queria estar ao seu lado agora e não ter mais que
aturar estes homens da cidade, que vivem me olhando com
cobiça, parecendo abutres, mesmo eu não fazendo nada
para despertar tal cobiça – dizia a viúva para si mesma,
olhando para o espelho.
Ao terminar de se pentear a viúva se levantou e como era de
costume, nas noites em que ela e seu amado se entregariam
aos prazeres daquele belo e feliz casamento, retirou de uma
das gavetas de seu armário um vaso com pétalas de rosa e
espalhou pela cama.
– Jamais nenhum homem me terá como esposa ou se deitara
comigo – dizia ela enquanto preparava a cama. – Aquele
bipo Mackey nunca encostará as mãos em mim. Nunca !
A viúva já a muito tempo havia percebido as intenções do
bispo e isto lhe causava repulsa.
Ela se ajoelhou ao pé da cama e começou sua oração, se
preparando para dormir.
– Pai celestial ,obrigada pelo conforto espiritual que o
senhor tem me dado e por amparar a mim e meus filhos
neste momento tão difícil de nossas vidas. Peço que
continue nos amparando com seu amor, e não se esqueça
do irmão Bob e o ajude a se recuperar do acidente. Por
favor pai celeste – neste momento lagrimas correram pelo
seu rosto – , diga ao meu amado Kairel que estamos bem e
um dia todos viveremos juntos em seu reino celestial. São
estas coisas que te peço e agradeço. Em nome de Jesus
Cristo. Amem.
A viúva se deitou na cama repleta de pétalas ,apagou as
velas do quarto com um assopro e adormeceu rapidamente,
desejando ter mais uma noite de sonhos com seu falecido
marido.
Pelo menos em seus sonhos a viúva Perley poderia sentir
novamente a felicidade de ver toda a família reunida e as
crianças brincando ao lado do pai e ela o abraçando e
beijando. Em seus sonhos era como se Kairel estivesse
eternamente vivo aos seu lado a fazendo a mulher mais feliz
do mundo.
– Eu te amo, Kairel – disse ela no sonho e escutou uma
resposta tão real que por um momento parecia que ele
estava ao seu lado.
– Eu também te amo Perley!
Assustada, tendo a sensação de parecer escutar realmente a
voz de seu marido falecido, a viúva Perley abriu os olhos e
se deparou com uma pessoa parada em sua frente. Com a voz
abafada pelo temor ela pergunta ao homem enquanto procura
se esconder debaixo das cobertas:
– Quem é você ?
– Sou eu, meu amor! Não esta me reconhecendo? Sou eu, o
Kairel.
– Isto é impossível. Ele esta morto! – a viúva tremia de
medo.
– Eu não estou morto – Kairel acendeu a luz do quarto para
que ela o visse melhor.
– Você é um espírito maligno que quer me confundir e me
fazer mal – disse a viúva, pegando seu livro de Mórmon e
o abraçando.
– Eu não sou um espírito! Eu fui baleado e dado como
morto mas fui salvo pelos índios Paiutes.
Kairel estendeu a mão direita para Perley e pediu que ela
tocasse. Com um pouco de receio, a viúva Perley tocou na
mão de Kairel e para seu espanto e felicidade percebeu que
ele era realmente seu eterno amor e não um espírito.
– Acredita em mim agora?
– Sim. Eu acredito mas …. como é possível você ter sido
dado como morto e aparecer aqui em nosso quarto de
repente?
– Eu te explicarei todos os detalhes desta historia maluca
mas antes me dê um abraço. Estou morrendo de saudade
de você, meu amor! – Kairel sorria, radiante de tanta
alegria em vê-la novamente.
A viúva se aproximou junto ao corpo de Kairel e ainda um
pouco insegura, grudou o rosto em seu peito e o abraçou. Ao
sentir os braços fortes de Kairel a viúva desabou a chorar, de
felicidade!
– Que bom que você esta vivo meu amor. Eu estava
sofrendo muito sem você.
– Eu imagino, minha querida – Kairel a abraçava mais forte
a cada momento. – Fique tranquila pois agora tudo voltara
ao normal!
Naquela noite Kairel, o Grande Espírito e a viúva Perley,
que na verdade não era viúva, se entregaram a uma noite de
amor alucinante, tão intensa que Kairel fez um comentário
engraçado no fim:
– Por hoje basta minha querida ou eu acabarei morrendo e
desta vez será de verdade!
– Ai Kairel, você e suas piada. Só você para me fazer rir e
me trazer a felicidade de volta.
Antes de se retirar para seu esconderijo na tribo Paiute,
Kairel explicou todo o ocorrido a Perley e disse que em
breve voltaria para ocupar seu lugar na casa e que todos os
culpados seriam desmascarados.
A viúva relatou o acidente que Bob havia sofrido durante a
construção do templo.
– E o que a liderança tem feito para ajuda-lo? – perguntou.
– Nada ,querido! – disse Perley com tom de raiva.
– Quando eu voltar para esta cidade muita coisa vai mudar –
disse Kairel enquanto vestia a roupa. – Agora preciso ir,
antes que amanheça. Beije nossos filhos por mim, mas não
diga a ninguém nem mesmo a eles que eu estou vivo e que
estive aqui ou nós todos estaremos mortos.
– Vá tranquilo. Guardarei segredo até em minhas orações.
– Isto mesmo.
Kairel saiu pela escuridão da madrugada de Salt Lake City,
montou em seu cavalo, que estava escondido no meio de
umas arvores perto da casa e partiu em direção a tribo paiute.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 21


De volta a tribo, Kairel e os índios deram início aos
preparativos para o grande dia. Todos os jovens guerreiros
estavam prontos a darem a vida para lavarem a honra da
tribo e de seus antepassados
– Pai, todos na tribo estão prontos, esperando suas ordens.
– Ótimo trabalho, meu filho Zelf! – disse o chefe Pé de
Touro.
– Será um grande privilegio comandar estes guerreiros nessa
grande batalha, meu pai! – Zelf vibrava com a espectativa
de mostrar a toda tribo seu valor como futuro chefe.
Pé de Touro olhou para seu filho e disse, levemente irritado:
– Já te falei que o Grande Espírito é o enviado pelos
espíritos de nossos antepassados e ele que liderara a tribo
nesta luta?
– Mas o senhor não acha que …?
– Eu não tenho que pensar nada, meu filho. Nosso trabalho
é preparar os guerreiros para a batalha mas não lidera-los
– o chefe Pé de Touro colocou a mão no ombro de Zelf e
concluiu a conversa com sabedoria: – Eu só sigo o que os
espíritos dizem.
– Esta bem pai, se o senhor pensa assim então estou de
acordo.
Zelf montou em seu cavalo tigrado e galopou até o meio
dos guerreiros para dar-lhes instruções de como deveriam se
portar na batalha.
A revolta tomava conta de sua mente por não entender os
motivos que levavam seu pai a dar mais valor a um branco
do que a ele, seu filho, que sempre esteve ao seu lado nas
batalhas do passado. Quem seria mais preparado para liderar
a tribo, ele ou o Grande Espírito? Os antepassados não se
sentiriam ultrajados tendo um branco os liderando? Oque
Wovoca sentiria? Não estaria, seu pai Pé de Touro, já
cansado das lutas e velho demais e por isso tomava decisões
erradas e perigosas, podendo levar a tribo a sofrer perdas
irreparáveis? Estes eram os pensamentos de Zelf que levado
pela inveja tomou uma decisão que colocaria em risco o
futuro da tribo.
Ao longe, Pé de Touro observava Zelf no meio dos
guerreiros, sentindo orgulho de seu filho mas ao mesmo
tempo preocupado e pensando:
– A inveja ainda o destruirá.

Dentro de sua tenda Kairel limpava sua arma e pensava a


todo tempo em sua esposa, Perley, nos filhos e em Bob.
– O desgraçado do bispo Mackey pagara caro por ter me
deixado longe das pessoas que eu mais amo na vida.
A felicidade se misturava com o ódio por saber que tantos
crimes eram feitos por homens que se diziam representantes
de Cristo na terra.
– Grande Espírito, posso entrar?
– Sim, Águia Vermelha, entre – disse Kairel com carinho.
– Ocorreu tudo bem em Salt Lake? Como foi o reencontro
com sua mulher?
– Foi ótimo. Ela e as crianças estão bem.
– Eu fico feliz por você Grande Espírito e por outro lado
triste.
– Mas porque? Me diga, não precisa ter medo de me falar o
que sente.
– Tenho medo de te perder agora que você se lembrou de
toda sua vida e de sua primeira mulher – disse Águia com
pesar no em seus lindos olhos.
Águia Vermelha estava certa por temer isso já que o Grande
Espírito tinha outra família e pelas leis do mormonismo ele
estaria cometendo adultério se o casamento não fosse
celebrado nos moldes da religião mórmon.
– Águia Vermelha, eu serei sincero com você. Eu pensei
bastante nisto e cheguei a pensar que o pai celestial não se
sentiria feliz vendo que eu estou casado com você sendo
que já tenho outra mulher.
– Deus não gosta de adultério, não é?
– Isto mesmo, Águia Vermelha mas.... – Kairel fez uma
pausa que para Águia Vermelha significava um adeus … –
eu não cometi adultério pois me casei com você sem me
lembrar de minha vida antes de ser ferido pelo bispo
Mackey.
– Mas agora você já se lembra e não poderá ficar com as
duas. Não é ?
– Se eu continuar casado com você somente pelas leis da
tribo eu teria que escolher entre uma de vocês mas quero
ficar com as duas – Kairel abraçou Águia Vermelha, se
deitando com ela na cama.
– Como seria possível, Grande Espírito. Eu aceitaria mas e
ela e seu povo. Eles não diriam que é pecado?
– Pela lei de minha religião eu posso ter varias mulheres e
além do mais o maior pecado já esta sendo feito por
homens que apesar de cometer vários crimes ainda se
dizem futuros deuses.
– Eu não consigo entender o que você esta me falando.
– Calma.Te explicarei tudo. De acordo com a doutrina
mórmon todo homem que for fiel aos mandamentos da
igreja poderá um dia se tornar um deus e criar mundos. E
todo homem fiel tem o direito de se casar com quantas
mulheres quiser e puder sustentar.
– Então quer dizer que você não me deixará? – perguntou
Águia Vermelha, esboçando um largo sorriso.
– Isto mesmo. Eu ficarei com você, mas tem que me
prometer que irá me seguir onde quer que eu vá e terá que
se batizar na igreja para podermos viver dentro das leis da
minha religião.
– Por você eu faço tudo meu amor, até mesmo me batizar
nesta igreja estranha – disse Águia, abraçando e beijando
Kairel. – Eu te seguirei por toda a vida, mas e sua esposa,
ela aceitará?
– Eu creio que sim, pois varias vezes conversamos sobre a
hipótese de eu ter mais esposas e a conversa sempre
partia dela, pois sempre me neguei a ter mais mulheres.
Ela dizia que sozinha não estava dando conta de apagar
meu fogo e que seria bom ter a ajuda de outra mulher –
falou Kairel com orgulho de si mesmo e feliz como um
menino que se julga o mais esperto da turma por ter
encontrado a solução de um grande problema.
– Vocês mórmons são muito estranhos. Isso sim!
– Eu seu disto minha índia Paiute. Eu sei disto!
Os dois caíram na gargalhada e se despiram, o mais
depressa possível, se entregando ao amor. No final daquela
noite Águia Vermelha confidenciou algo ao Grande Espírito.
– Meu amor, eu estou grávida.
Kairel beijou a barriga de Águia Vermelha com muito amor,
tendo a felicidade estampada em seu rosto e disse:
– Eu amarei você e este bebe para eternidade.

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 22


As obras de construção do tempo andavam a pleno vapor.
Em breve os ''santos dos últimos dias '' teriam um lugar de
adoração a altura de seus maiores desejos. Havia templos em
St. George, Logan e Manti e em breve o templo de Salt
Lake estaria pronto para serem iniciados os trabalhos de
selamentos e investiduras. Cada detalhe da construção era
minuciosamente detalhado e bem feito.
Os membros da igreja se dedicavam integralmente a esta
tarefa. Os homens se encarregavam do trabalho pesado.
Pedras eram cortadas das montanhas e trazidas uma a uma
até a praça central onde estava sendo erguido o templo.
Artesões, marceneiros, vidraceiros e outra infinidade de
trabalhadores especializados davam o melhor de si neste
grandioso empreendimento .
As mulheres da sociedade de socorro, um organização de
mulheres da igreja mórmon, também se dedicavam ajudando
na alimentação dos operários. Cada membro, por mais pobre
ou idoso que fosse ajudava ao máximo e com real desejo de
erguer o que para eles seria uma casa onde o próprio Deus
poderia habitar.
Em meio aos operários da construção do templo não
paravam de circular noticias de roubos a trens e
assassinatos, porém a ultima noticia de maior interesse pelos
habitantes era o caso de Camilla Walker, a jovem que tinha
sido expulsa da casa do irmão Rignbotam por ter se
descoberto que ela não era mais virgem antes de se casar. A
tempos que ninguém na cidade sabia do paradeiro da garota.
Alguns pensavam que ela tinha morrido de fome no deserto,
outras pessoas falaram que ela tinha se enforcado de
vergonha ou ido embora de Utah com sua família.
Outra fofoca que circulava entre o povo da igreja era que a
viúva de Kairel estava já a muito tempo sozinha e que isto
não era bom para uma mulher em Sião. As mulheres da
sociedade de socorro faziam comentários grosseiros dizendo
que a irmã Perley era uma tentação para os maridos delas
assim como foi Camilla Wallker. Lógico que não falavam
isto na frente da irmã Perley, pelo contrário, em sua frente a
tratavam com o maior respeito e simpatia. O que elas não
sabiam era que a irma Perley nunca fora viúva e que em
breve seu marido, Kairel, voltaria para livrar a igreja da
podridão que estava tomando conta de toda a liderança,
desde o maior até o menor líder, dentro da hierarquia da
organização.
Entre os milhares de trabalhadores da construção estavam
Breedney e seu companheiro de visitas, o xerife Streble.
– Como anda a família Breedney?
– Anda bem, xerife, mas mamãe continua pegando em meu
pé para que eu vá para missão ou que namore com alguma
garota, mas ainda não esta na hora nem de uma coisa nem
de outra – disse Breedney ao xerife e já perguntando: – O
senhor tem notícias de Aaron ?
O xerife deu uma pigarreada para se desfazer de um
engasgamento, causado pelo impacto da pergunta feita por
Breedney, pois o xerife sabia do envolvimento dos dois.
– Não tenho notícias dele já a algum tempo, Breedney.
Porque ?
– Por nada xerife. Só estou perguntando por curiosidade
mesmo .
Todos na cidade suspeitavam de algum tipo de
envolvimento entre Breedney e Aaron, mas ninguém ousava
pronunciar nada sobre isto pois antes de mais nada, Aaron
era sobrinho do bispo Mackey, um homem poderoso em Salt
Lake .
Se o boato fosse somente a respeito de Breedney e outra
pessoa qualquer, certamente os dois já teriam sido
escurraçados da cidade e até mesmo do território de Utah
mas neste caso, o melhor a fazer era deixar as coisas como
estavam.
É bem verdade que no último assalto a trem o xerife
encostou uma arma em Aaron e o chamou de gaisinho de
merda depois de uma discussão mas a conversa tinha
acabado por ali.
– Xerife.
– Diga, Breendey!
– Não seria hora de voltarmos a casa do irmão Bob e ver
como esta sua saúde?
– Ele realmente se preocupa com negro Bob – pensou o
xerife. – Sim, Breedney. Iremos hoje a tarde. Esta bem
para você?
Breedney se alegrou imensamente.
– Claro, xerife! Eu prepararei alguma coisa elevaremos para
família do irmão Bob.
Os dois retornaram as tarefas de construção e o xerife
Streble se pegou pensando em como a vida era engraçada.
Ali em sua frente se encontrava um rapaz que nunca havia
namorado e que todos comentavam dizendo que ele era um
tanto afeminado demais , porem ele era o único membro do
sacerdócio que realmente se preocupava com o negro Bob e
pelo que falaram, também foi uma das únicas pessoas a
alimentar Camilla Wallker antes dela desaparecer da cidade.
– Breedney, o que te leva a se preocupar tanto com o bem
estar das pessoas?
Breedney parou por um momento o trabalho que estava
fazendo em uma das portas do templo e olhou bem no fundo
dos olhos do xerife e respondeu:
– Sinto que meu dever como filho de Deus e portador do
sacerdócio é ajudar e respeitar a todos, independente de
raça, religião ou do que eles tenham feito.
– É por isto que você ajudou Camilla Wallker e se preocupa
com Bob?
– Sim xerife! Mesmo que todos tenham apontando o dedo
para Camilla eu a ajudei pois não me esqueci da origem da
pobre moça.
– Que origem? – perguntou o xerife com interesse.
– A mesma que eu, o senhor e Bob. Ela é filha de Deus –
disse sorrindo. – O senhor não se esqueceu disso, não é
mesmo, xerife?
O xerife Streble ficou vermelho de vergonha, da cor das
rochas do deserto, por não ter dado a resposta que deveria
ser a mais obvia para um mórmon.
– O senhor é um bom homem e deveria tomar cuidado com
as companhias – disse Breedney ao xerife, da mesma
forma que um pai fala ao filho.
Desta vez ao escutar estas palavras de Breedney o xerife
larga todas as ferramentas e coloca as mãos no rosto por um
instante, respira fundo e pergunta a Breedney:
– Menino ,você lê os meus pensamentos ou vê coisas?
Mais uma vez Breedney sorriu suavemente e com uma voz
tranquila disse:
– Não se trata de ler pensamentos ou ver coisas mas sei
reconhecer quando uma boa pessoa, a quem eu respeito
muito, esta prestes a se meter em um caminho sem volta
por andar com quem não presta.
Lagrimas começaram a escorrer pelos olhos do xerife.
– Breedney, por favor, continue o serviço aqui pois estou
sem condições no momento. Vou para casa, abraçar minha
família.
– Sim senhor, xerife. Abrace bastante sua família pois eles
valem mais do que tudo. Eu gostaria de ter abraçado mais
meu pai antes de perde-lo naquela emboscada que fizeram
a ele na missão no Tennessee.
O xerife Streble guardou as ferramentas em uma sacola,
montou em seu cavalo e disse antes de partir:
– Breedney, seu pai foi uma pessoa muito honesta e justa e
pelo visto você herdou as características dele. Pedirei a
minha mulher que prepare um bom bolo para levarmos ao
irmão Bob, hoje a noite.

O irmão Rignbotan estava radiante com o chamado para ser


o primeiro conselheiro do Bispo Mackey.
– Até que foi um bom negócio ter me livrado daquela
Camilla Wallker. Eu não estava mesmo com disposição
pra ensinar umas coisinhas pra ela.
Apesar de ser um homem idoso, o irmão Rignbotan se
julgava um grande conhecedor na arte do sexo mas não
sabia que enquanto ele brincava de Deus na capela, em sua
casa aconteciam coisas que ele nunca desconfiaria.
Flora já estava preparada e deitada de costas na cama. Sua
pele branca como o leite refletia um pouco da luz do sol que
entrava pela janela. Megson massageava suas pernas
compridas até chegar em suas nádegas. Flora arrebitou um
pouco a bunda e Megson vislumbrou seu clitores avantajado.
– Nossa! Eu adoro lamber e morder seu clitores – disse
Megson alucinada enquanto mordiscava suavemente todo
o sexo de Flora.
Todos seus movimentos eram feitos com tamanha harmonia
e paixão que deixavam Flora louca de tesão a ponto de
chegar ao gozo a cada passada de língua que Megson dava
em sua vagina e em seu anus.
– Coloque o dedinho em meu cu e continue me lambendo
que eu vou gozar – disse Flora rebolando em sua boca.
Megson seguiu a risca o pedido da amiga. Começou
enfiando o mindinho no anus da amiga até chegar a colocar o
polegar. No final já estava com uma mão inteira dentro do
rabo de Flora e a outra inteira, até o pulso, em sua vulva.
Flora gozou, encharcando as mãos de Megson.
– Vem aqui que agora é minha vez – disse Flora satisfeita.
Megson se deitou na cama, abrindo suas pernas roliças e
mostrando seus seios enormes para Flora que no mesmo
instante começou a mama-los.
Em cima da arvore que ficava em frente ao quarto um
homem observava tudo. Era lindo ver Flora, alta e magra
mordendo os peitos gigantes e lambendo a buceta carnuda
de Megson, que era mais baixa e troncuda, com sardas no
rosto. Típico das mulheres ruivas.
– Ai! Um homem esta ali, na árvore, vendo tudo! – gritou
Megson, assustada.
Flora olhou preocupada para a janela mas logo sua
preocupação foi embora.
– Calma Megson. Não se preocupe. Ele é um convidado
meu.
Flora se dirigiu para a janela, a abriu e convidou o homem
para dentro do quarto.
– Entre logo Aaron ,antes que alguém te veja aí.
Aaron pulou para dentro do quarto e foi logo perguntou
para as duas : – Posso ajuda-las?
– Sim! – disse Flora. – Comece abaixando sus calças e
mostrando o que tem dentro. Veremos se é mesmo
sobrinho do bispo Mackey ou não .
– Não é perigoso? E se o irmão Rignbotan chegar? –
perguntou Megson ainda preocupada.
– Fique despreocupada moça. Aquele imbecil de seu marido
esta bem atarefado lá na capela e se depender de meu tio
ele ficara ocupado até meia noite.
Flora em Aaron caíram na gargalhada.
– Já que é assim, vamos então ao que interessa – disse
Megson, ainda um pouco acanhada mas já partindo para
cima de Aaron, começando a chupa-lo.
Flora não perdeu tempo e também abocanhou o pênis de
Aaron logo em seguida, revezando-o com a amiga.
– Nossa, Aaron! Que delicia! Seu pênis é tão grande quanto
o do bispo Mackey – disse Flora.
– O seu é mais lisinho e não é tão enrugado quanto o dele –
completou Megson.
– Não é a toa que me chamam de ''o empalador de Utah''!
Megson começou a rir tanto ao escutar a piada de Aaron
que sem querer, deu uma mordidinha de leve em seu pênis,
deixando Aaron irritado.
– Pare de rir sua puta – ordenou Aaron.
Megson levou um tapa tão forte no rosto que rodopiou em
cima da cama e sua bunda ficou empinada. Aaron a segurou
pela cintura, deu uma cuspida sem eu anus e enfiou tudo de
uma só vez.
– Quero ver você rir agora sua cadela.
Megson urrava de dor, mas não procurava de maneira
alguma escapar.
– Vá com calma Aaron, assim você rasga a pobresinha!
– Calma nada! Ela esta gostando. Se prepare que a próxima
será você – disse Aaron com cara de mal.
Flora beijou a boca de Aaron ardentemente e disse, com sua
voz docê:
– Com todo prazer, meu macho. Sera ótimo finalmente ter
um homem de verdade fodendo nos duas, não é Megson?
Megson fez um esforço enorme para responder já que
estava tento o anus dilacerado por Aaron. Com uma cara de
quem estava sentindo bastante prazer ela respondeu:
– Verdade, Flora. É melhor ter o corpo arrebentado pelo pau
enorme de Aaron do que ter que encarar aquele velho que
pensa ser o nosso dono!
Aaron tirou o membro de trás de Megson e enfiou na
vagina de Flora e logo em seguida também em seu anus.
Neste momento ele se lembrou de Breedney: ''Ele era mais
apertado que estas duas vagabundas'' – e em seguida
perguntou para elas:
– Estão gostando madames?
– Sim, Aaron. Estamos adorando – responderam as duas ao
mesmo tempo, porem Megson ainda completou:
– Mas as vezes dói um pouquinho.
– É melhor doer do que não sentir nada – disse Aarron,
enquanto gozava no rosto de Flora e Megson.

La pela meia noite o irmão Rignbotan chegou em casa e


encontrou Megson e Flora, cada uma deitada em suas camas.
Ambas ameaçaram se levantar para abraça-lo.
– Não! Não! Podem continuar dormindo. Hoje estou um
pouco cansado e não poderei fazer nada. Espero que me
compreendam.
Megson e Flora fingiram terem ficado um pouco tristes.
– Que pena amor! Nos estávamos morrendo de vontade de
dormir ao seu lado, mas entendemos que você esta
cansado, pois passou o dia todo na obra do Senhor. Não é
Megson?
– Sim Flora, e ficamos satisfeitas em ter um marido tão
especial como o senhor, irmão Rignbotan – as duas se
entreolharam com um sorrisinho falso.
– Eu só tenho a agradecer ao pai celestial pelas duas. Até
amanhã cedo, meus amores.Vou me deitar em meu quarto
pois amanhã terei que acordar cedo e voltar para a capela.
Ainda tenho muito coisa para deixar em ordem no
bispado.
Quando o irmão Rignbotan saiu do quarto as duas disseram
mais uma vez juntas:
– Ufa !! Graças a Deus .Quer dizer, ao pai celestial!

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 23


– Hoje eu e Breedney fomos até a casa de Bob, minha
querida.
– Quem é Bob, querido?
– Bob é aquele membro negro que esta acamado. O coitado
esta quase morrendo.
A esposa do xerife segurou-lhe as mãos e olhou para ele
com aqueles olhos de uma mãe que aconselha o filho.
– Querido, acho que você anda se preocupando alem da
conta com este homem.
– Porque você acha que me preocupo alem da conta?
A esposa do xerife ajeitou o travesseiro e se sentou
encostando as costas na cabeceira.
– Eu sei que este homem, o … qual mesmo o nome? –
pensou ela – … Bob , é um negro. trabalhador e vai
sempre a igreja mas ele não poderá nunca receber a
totalidade das bençãos.
O xerife se espantou com a frieza e indiferença da esposa.
– Você anda estudando a doutrina? Parece que sabe mais
que muitos elderes.
Ane riu baixinho.
– Estou estudando sim e você deveria se preocupar com
membros que podem receber certos privilégios da igreja e
não com aquele que não podem nem servir o sacramento e
muito menos entrar no templo.
– Mas ele é nosso irmão, um filho de Deus e é por isso que
me preocupo com ele.
– Sim amor, ele é um filho de Deus mas de uma raça
inferior, e isto não mudara. – disse Ane procurando
terminar a conversa.
O xerife se emburrou e olhou com impaciência para sua sua
mulher.
– Esta bem.Vamos mudar de conversa. Me diga uma coisa
amor.Você já se imaginou fora da igreja, vivendo bem
longe daqui? Talvez em Nova York?
– Você esta doido Streble? Claro que nunca imaginei uma
bobagem desta – Ane quase teve um chilique . – Meus
pais vieram para cá atravessando florestas, cortando vales
e montanhas e você quer que eu me imagine fora desta
linda cidade?
– Eu sei disto e tenho o maior orgulho de saber que seus
pais foram pioneiros mas o que quero é que apenas que se
imagine nessa situação.
– Pare com isto Streble ! O mundo esta repleto de maldades
e além do mais, só neste evangelho poderemos cria-los e
prepara-los para viverem na presença de nosso pai
celestial e aqui, em Salt Lake, estamos mais perto da
influência do espirito santo.
O xerife tentava de todas as formas preparar o coração de
Ane para aceitar a decisão que ele havia tomado em seu
coração, mas parecia que seria mais difícil do que
imaginava.
– Ane, me diga. Eu tenho sido um bom pai e marido?
– Até agora tem sido sim e eu já te disse isto uma vez, se
lembra?
– Sim querida, eu me lembro e te peço que se realmente
acredita que eu seja um bom pai e marido que procure
pensar no que te falei. Não estou dizendo que quero sair
de Salt Lake ou da igreja mas peço que somente se
imagine vivendo longe daqui. Só isto.
– Sinceramente não estou entendendo onde você quer
chegar com essa conversa e para não brigarmos acho
melhor eu dormir. Boa noite – Ane se esticou na cama e
virou-se de costas para o marido.
O xerife Streble colocou as duas mãos no rosto por alguns
segundos, procurando controlar os sentimentos de raiva,
impotência ou algo parecido. Ele então passou a acariciar os
cabelos de Ane.
– Querida! Existem coisas que ainda não posso te falar mas
peço que confie em mim e nunca, por nada neste mundo,
diga ou repita nossa conversa para alguém e
principalmente à liderança ou eu poderei me prejudicar.
Promete querida?
– Claro que não repetirei essa conversa absurda a ninguém e
principalmente a nenhum líder. O que eles pensariam de
nossa família? Eu seria motivo de piada entre as irmãs da
igreja – disse Ane ainda de costas sem tirar a cabeça do
travesseiro.
– Você faz bem querida. Prometo também não tocar mais
nesse assunto.
As luzes do quarto foram apagadas e Ane pensou sem dizer
nada ao xerife Strebl:
– Domingo falarei com o bispo. Quem sabe ele, que é um
homem bom e inspirado, dê um conselho ao meu marido e
o ajude a tirar essas idéias loucas da cabeça? Isso mesmo !
Falarei com o bispo Mackey no próximo domingo.

O dia amanheceu em Salt Lake e o bispo Mackey tomava o


desejum, acompanhado de suas mulheres e filhos. Judite
mais parecia a empregada da casa servindo a todos. Uma das
mulheres puxou uma conversa desagradável que fez o bispo
espumar de raiva.
– Estou preocupada bispo.
– Com o que mulher ?– perguntou impaciente, se referindo
a ela como mulher, por ter esquecido momentaneamente
seu nome.
– Estão falando que muita coisa ira mudar na igreja daqui
para frente.
– Que coisas por exemplo? Diga logo o que esta pensando,
mulher ! – gritou o bispo.
– Mack – interveio Judite. Só ela tinha um pouco mais de
liberdade para chama-lo assim já que era sua primeira
esposa –, estão falando que a lei de casamento plural, mais
cedo ou mais tarde, ira acabar.
O bispo se levantou, pronto para explodir de raiva, mas se
conteve.
– As pessoas que estão falando isso, na verdade estão
apostatando, e quem acreditar nisso também será
considerado um apostata e será excomungado!
Todas as mulheres se calaram com o medo de serem
chamadas de apostatas pelo bispo Mackey.
– Mack, você não esta entendendo …
– Fique quieta Judite. Se sente pois quem fala aqui sou eu
– o bispo deu um murro na mesa e com a face
transformada olhou para uma de sua filhinhas, colando seu
rosto ao dela. A criança empalideceu no mesmo instante,
se pôs a chorar e saiu correndo para o quarto. – O profeta
Jonh Tailor foi perseguido por causa do casamento plural e
mesmo assim preferiu morrer no exílio em Kaysville do
que negar os mandamentos de nosso pai celestial.
– Isto é verdade! – responder uma das mulheres.
– Judite, sabe o que esta escrito em primeiro Néfi, referente
as ordens de Deus aos filhos dos homens?
– Sim, Mackey. Sei de cor – respondeu Judite, com
segurança.
– Mas parece que se esqueceu, sua imprestável! Recite-a
para nos.
Judite se levantou e recitou a escritura de cor:
– Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor pois que que ele
nunca da ordens aos filhos dos homens sem preparar o
caminho para suas ordens serem cumpridas – Judite se
sentou logo em seguida toda orgulhosa e sorridente.
– Porque esta sorrindo Judite? Vocês deveriam estar
chorando por terem se esquecido que Deus sempre prepara
o caminho para que cumpramos seus mandamentos e o
homem que ele chamará como profeta, no lugar de Jonh
Taylor, se lembrará disso – o bispo então se sentou
calmamente e finalizou suas palavras erguendo o braço
direito e falando como se estivesse profetizando: – Pelo
poder e autoridade do sacerdócio de melquisedeque que
sou portador eu afirmo que, nunca a igreja verdadeira se
curvara aos seus ofensores e assim como o pai celestial
abriu o mar vermelho para seu povo passar, da mesma
forma, ele nos livrara das mãos dos políticos
perseguidores de nossa fé e destruirá todos os exércitos
que se levantarem para nos combater. Digo isso em nome
de Jesus Cristo. Amem ! – Todas as mulheres e crianças
concordaram com um amém. Umas por medo e outras por
convicção. – Agora me sirva meu desejum pois estou
atrasado para uma reunião na igreja.
Depois de ter tomado o desejum, o bispo se retirou para a
reunião e Judite se apressou em limpar a mesa, lavar as
louças e guardar tudo em seus devidos lugares.
– Será que esse meu tormento eterno finalmente chegara ao
fim? – pensou Judite, na cozinha. – Tomara !

ORGIAS EM UTAH CAPÍTULO 24


Estava se aproximando o mês de abril e tudo indicava que
na próxima conferência geral, que seria realizada nos
primeiros dias do mês, finalmente anunciariam o nome do
novo profeta da igreja. Em todas as casas a conversa
principal girava em torno de quem seria chamado para
ocupar o lugar de Jonh Tailor.
Em uma sala da sede da estaca o presidente Parkson
conversava com seu mais forte aliado e braço direito, Bispo
Mackey.
– Bispo Mackey, te chamei aqui para dar-lhe a noticia em
primeira mão. Fui chamado para o quorum dos doze
apóstolos e serei apoiado nesta conferência e devo em
grande parte a você, bispo Mackey, que tem ajudado a
nossa estaca a cumprir as metas estabelecidas para a
construção do templo de Salt Lake. Fique sabendo que
graças a isto é que me recompensaram com um chamado
maior – disse o presidente Parkson sorrindo alegremente.
– Mas vamos falar do senhor. Nesta conferência geral
serão chamados novos presidentes de estaca para
ocuparem as vagas que ficarão vagas e eu havia lhe
prometido que o senhor ocuparia meu cargo quando eu
saisse. Se lembra disto?
– Claro que me lembro.
– Pois bem, o senhor não poderá ser o presidente de estaca
no meu lugar.
– Como assim, não poderei ser presidente de estaca? – o
bispo estava visivelmente irritado. – Você vai quebrar sua
palavra, logo comigo, esta doido?
– Fique calmo. Te explicarei. Conversei com a alta cúpula
da organização e ficou decidido que o senhor, bispo
Mackey, será apoiado como membro do ''Quorum dos
setenta''.
– Nossa! Que felicidade. Não tenho nem palavras para
descrever minha emoção.
– Eu sabia que o senhor iria gostar da surpresa! – disse o
presidente Parkson rindo. – O senhor acha que eu
quebraria minha palavra? Nunca.
– Por um momento cheguei a pensar – disse o bispo. – Me
dedicarei a este chamado da mesma forma como venho
me dedicando até agora e te desejo também muito sucesso.
– Eu espero o mesmo – disse alegre o presidente da estaca,
futuro membro do quorum dos doze apóstolos. – Quero te
fazer uma revelação. Te chamei aqui hoje para te dizer
também que sei o nome de quem será chamado como
profeta na próxima conferência.
– Quem? – o bispo perguntou com curiosidade e surpresa.
– Wilford Woodruff!
– Wilford Woodruff? – repetiu espantado o bispo Mackey. –
Já era de se esperar. Mas, agora a noticia é oficial?
– Quase oficial.
– O senhor confia que ele será um bom presidente?
– Para te ser sincero, Bispo Mackeu, eu não confio nele
– Eu concordo – disse o bispo , aliviado em ver que alguém
pensava o mesmo. – Este Woodruff me parece meio …
como se diz ? ...Frouxo !
– O senhor disse a palavra certa bispo. Ele é um tanto
frouxo sim, mas temos que torcer para que ele não se
acovarde com esta perseguição que a igreja vem sofrendo
por causa do casamento plural e acabe com nossa alegria.
– Eu também temo por isto mas acho que seria impossível
ele acabar com a lei pois o casamento plural e o
mormonismo são feitos um para o outro. Seria o mesmo
que querer separar Joseph das placas de ouro.
– Você tem razão bispo, mas nunca é demais ficar com os
olhos bem abertos com ele, ou qualquer um que seja
chamado para o lugar de Jonh Taylor.
– Ele sim foi um homem valente e não se acovardou em
Cartage e mesmo com toda a pressão continuou
mostrando ao mundo que nós não nos curvamos a exército
nenhum – o bispo Mackey falava emanando aquele brilho
que transparecia de seus olhos todas as vezes que
discursava ou invocava o poder do sacerdócio e o mesmo
olhar alucinado de quando ele se encontrava em cima de
sua esposa Judite.
O presidente Parson balançava a cabeça em sinal de
aprovação e a conversa seguia.
– Independente disto precisamos nos preocupar com outro
detalhe importantíssimo.
– Qual presidente?
– Não sabemos se poderemos continuar arrecadando fundos
para a construção do templo da mesma forma que fizemos
até agora.
– Mas nós não temos o apoio do conselho dos doze?
– Sim, bispo.Temos o apoio e trabalhamos sobre as ordens
diretas de Woodruff, mas agora que ele será chamado
presidente da igreja não temos certeza se poderemos
continuar com a arrecadação, pois não sabemos qual a
nova politica adotada por ele.
– O senhor esta então insinuando que teremos que parar
com a lei de consagração que impomos aos infiéis que
atravessam com o ouro e dinheiro de nosso pai celestial
pelo nosso território?
O presidente Parkson riu com a forma engraçada que o
bispo falava.
– Só você para me fazer rir um pouco em uma hora destas –
o presidente falava e abria uma gaveta ao mesmo tempo,
retirando uma pequena garrafa de dentro. – Aqui esta
bispo, aquele licorzinho especial que você gosta – o
presidente serviu uma dose ao bispo e depois se serviu.
– A Joseph!– disse o bispo Mackey .
– A Joseph! – respondeu o presidente Parkson.
A conversa então continuou.
– Muito bom este licor ...mas onde eu parei mesmo? … Me
lembrei. Não sabemos como as coisas ficarão daqui para
frente então fica decidido que faremos mais um grande
assalto depois da conferência e encerraremos as atividades
até segunda ordem. Apoiado?
– Apoiado, presidente.
– Então me faça um favor. Passe a informação aos seus
homens e diga para irem se preparando para mais um
assalto.
– Não use palavra assalto, presidente – disse o bispo
procurando ser engraçado. – Missão seria um termo mais
apropriado.
O bispo Mackey se levantou, apertou a mão do presidente
Parkson e fez mais uma última pergunta antes de sair.
– Só me diga uma coisa, presidente. Como o senhor tem
tanta certeza de que Woodruff sera o novo profeta , antes
mesmo da noticia ser oficial? O senhor recebeu alguma
revelação pessoal do espírito santo enquanto orava?
– Não orei e nem recebi revelação do espírito santo. Recebi
a noticia de uma serpente.
– Uma serpente? – este homem deve estar embriagado,
pensou o bispo.
– Sim. De uma serpente – disse o presidente Parkson,
tomando mais um gole de licor. – Algumas noites atrás, a
mulher mais nova do velhote me revelou tudo depois que
eu fiz um servicinho bem feito nela.
Ambos caíram na gargalhada e depois de se controlar o
bispo Mackey se despediu e sai da sala . Do lado de fora ele
falava sozinho:
– Que cachorra. Esta putinha terá que me fazer umas
revelações da próxima vez que transarmos.

Já era madrugada na cidade quando Kairel chegou


escondido em sua casa e encontrou a viúva Perley linda
como sempre.
– Amor, quando venho te ver, a encontro linda e
perfumada, mesmo sem saber que virei.
– Você se engana Kairel – disse Perley –, algo em mim sabe
quando você aparecerá. Alguma parte de meu corpo me da
o sinal – Perley se despiu e abraçou seu amor. – Tente
descobrir que parte de meu corpo me avisa de sua
chegada.
Kairel ficou alucinado com tanta beleza e começou
beijando-lhe a boca com grande desejo.
– Não, Kairel. Não é a boca! – ela ria de uma forma
extremamente provocante.
Kairel beijou- lhe o ombro.
– Também não.
Suavemente, Kairel passou a boca pelos seios roliços em
forma de pêra e foi descendo até a barriga.
– Não e não!
Kairel decidiu então começar a beijar o pé da viùva Perley
e ir subindo até o joelho.
– Você esta perto de descobrir!
– Amor, não consigo descobrir que parte de seu corpo te
avisa de minha chegada. Por favor me dê uma ajuda –
pediu Kairel, maliciosamente .
A viúva então se deitou na cama, se apoiou nos cotovelos e
abriu as pernas, fazendo seu marido arregalar os olhos.
– Vem aqui Kairel e te mostrarei!
Novamente eles se entregaram aos prazeres daquela paixão
e por fim explodiram em um gozo fenomenal. Ambos
permaneceram colados feitos dois cachorros no cio.
– Nossa Kairel, que delicia , acho que hoje você me
engravidou.
– Mais um filho? – pensou Kairel, se lembrando de que
Águia Vermelha também esperava um filho seu. – Como
contarei isto a Perley? – concluiu seu pensamento.
A viúva percebeu algo diferente na reação de Kairel quando
ela disse a ele que poderia estar gravidar.
– Você esta me escondendo algo? – perguntou com um olhar
doce, mistura de compaixão e cumplicidade.
– Como ela percebeu? – pensou Kairel.
– Pode me falar meu amor. Eu estou aqui para te ajudar.
– Perley, você sabe que eu nunca te escondi nada e
justamente vim aqui hoje para lhe contar tudo que se passa
em minha vida lá na tribo, mas não sei por onde começar.
Por ser mulher quente e fogosa, conhecedora dos mistérios
da sedução, apesar de possuir uma grande dignidade, rara em
muitas mulheres da igreja, Perley entendeu tudo com estas
poucas palavras.
– Comece me falando da índia.
Kairel se assustou .
– Como você sabe a respeito dela?
– Eu sei que você é um homem apaixonante e atraente e já
que você esta vivendo em uma tribo indígena a meses e
não se lembrava de quem era é lógico e fácil deduzir que
alguma índia andou jogando charme em cima de meu
homem.
Desconcertado, Kairel não conseguiu mais encarar os olhos
de Perley.
– Já que você falou quase tudo então continue pois eu estou
com tanta vergonha que nem mesmo consigo te olhar nos
olhos – disse Kairel cobrindo o rosto com as mãos e se
encolhendo em uma cadeira no canto do quarto.
– Não, Kairel – disse Perley passando as mãos em suas
costas. – Eu te ajudei com o começo da historia mas
agora termine ela para mim. Quero saber o final.
Com muito esforço Kairel começa relembrando as
conversas que ele e a esposa tinham sobre casamento plural e
de como ela o incentivava a ter outras mulheres para ajuda-la
a ''dar conta de seu fogo ''. Em seguida ele relembrou do
ataque e dos tiros que recebeu e sua aparição na tribo Paiute.
Perley escutava tudo atentamente e calada.
Kairel falou dos cuidados que recebeu de Águia Vermelha e
de seu casamento feito na tribo enquanto não se lembrava de
quem realmente ele era.
– Mais alguma coisa para me dizer ?
– Sim querida – disse Kairel quase sussurrando – , ela esta
grávida.
Ao termino do relato, Kairel se encontrava visivelmente
abalado, se sentindo o homem mais sujo do mundo e
tremendo como Perley nunca tinha visto. Ela o abraçou e
disse:
– Eu te amo e sei que você é um homem honrado e
verdadeiro. Só quero que me diga uma última coisa e com
a mesma sinceridade que teve até agora .
– Sim querida, tudo que me perguntar eu te responderei com
sinceridade.
– Você me ama ?
– Claro que te amo.Te amo mais que minha própria vida! –
respondeu Kairel, com paixão na voz e um brilho no olhar.
Perley beijou Kairel, feliz em escutar suas palavras.
– Eu sei que o Kairel me ama, mas …. e a índia Águia
Vermelha? Quem a ama ?
Kairel compreendeu onde ela queria chegar e disse:
– Eu, Kairel, amo você. Sempre amei e te amarei pela
eternidade....Quem ama a Águia Vermelha é o Grande
Espírito.
Dito isto os dois se abraçaram mais ainda e choraram juntos
de felicidade por terem chegado em um nível de respeito e
conhecimento um do outro tão elevados que fazia com que
ambos se completassem em todos os sentidos.
Antes do dia amanhecer Kairel relatou como andavam os
preparativos para o grande dia de seu retorno.
Por sua vez, Perley o deixou a par das últimas noticias da
cidade dizendo que em breve o novo profeta seria apoiada e
que boatos diziam que Wilford Woodruff seria o escolhido.
– O que acha dele Kairel?
– Amor, para ser sincero quero esperar os acontecimento
dos fatos pois não coloco minha mão no fogo por nenhum
homem dentro da igreja, seja ele diácono, bispo ou mesmo
o novo profeta – disse secamente.
– Não fale assim querido.
– Perley, preste atenção! Quando eu voltar conversaremos
sobre alguns fatos envolvendo a morte de Joseph, o
massacre de Mountain Meadows e a morte de John D. Lee
e você me dará razão.
– Tudo bem então. Que o pai celestial te guie em sua volta
para a tribo. Mande um abraço a minha sócia Águia
Vermelha.
Kairel riu.
– Pode deixar que mandarei e diga a mulher de Bob que
muitos estão orando pela recuperação dele, mas não diga
meu nome.
– Sim senhor, meu garanhão.
– Para de graça, amor.
Kairel se embrenhou pela madrugada gelada de Utah, indo
na direção do deserto.