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Capítulo IV - ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING)

Princípios Básicos de Arrendamento

Um arrendamento é um contrato legal entre duas partes, o arrendador, que possui o ativo, e o arrendatário, que usa o ativo. O arrendador concede ao arrendatário o direito de usar o ativo por um prazo específico. Em troca, o arrendatário paga certa quantia por esse aluguel, durante o período de arrendamento. Normalmente, os itens arrendados são computadores, equipamentos, carros, apartamentos e escritórios. Os arrendadores e os arrendatários podem ser pessoas ou empresas. Os bancos comerciais, os comerciantes de carro e as companhias de arrendamento são os maiores arrendadores do mercado atual. O procedimento para se arrendar um ativo é basicamente o mesmo usado para captar dinheiro, embora tenha algumas diferenças importantes. Após selecionar o equipamento (ou outro ativo), o arrendatário entra em contato com uma companhia arrendadora e solicita um financiamento. Ao receber a requisição de arrendamento, o arrendador avalia o cadastro do arrendatário, prepara uma descrição e determina o custo do ativo a ser arrendado. Uma vez aprovada a solicitação, o arrendador informa ao arrendatário quantos serão os pagamentos anuais do aluguel, a data de pagamento, os programas para a manutenção do equipamento e outros direitos e obrigações do arrendatário durante o período do arrendamento. Se o arrendatário achar os termos e as condições aceitáveis, o contrato de arrendamento é assinado e o equipamento, entregue ao arrendatário. O contrato pode conter uma cláusula concedendo ao arrendador a opção de comprar o ativo durante

o contrato ou ao seu término. No final do período de arrendamento, se o arrendatário decidir exercer essa opção, fará um pagamento adicional ao arrendador, de acordo com o estipulado no contrato, e irá tomar-se, então, o novo proprietário do ativo.

Vantagens do Arrendamento

Há numerosas vantagens em arrendar um equipamento em lugar de obter um empréstimo para

comprá-lo. O arrendamento coloca menos restrições ao arrendatário que um agente financeiro. Desde que o documento de propriedade do equipamento esteja em nome do arrendador, i'ni arrendamento é semelhante a um financiamento com caução. Simplificando, se o arrendatário deixar de pagar o aluguel anual ou periódico,

o arrendador recuperar facilmente o equipamento porque ele pertence legalmente à companhia arrendadora.

A companhia arrendadora não deve impor muitas restrições ao arrendatário. As solicitações de arrendamento,

em geral, são aprovadas mais rapidamente e com padrões de crédito mais flexíveis que as de empréstimos em dinheiro. Um arrendatário não precisa levantar capital por meio da emissão de debên- tures ou de ações. Ao emitir debêntures e ações ordinárias, uma empresa deve seguir certos procedimentos exigidos pelas agências reguladoras e pelos bancos de investimento, como o Merrill Lynch. Já o arrendamento é uma combinação direta entre o arrendador e o arrendatário. Além disso, o arrendamento não está sujeito a uma série de cláusulas restritivas que vigoram quando uma empresa é financiada pela emissão de obrigações. Outra vantagem importante é que o arrendatário transfere o risco da obsolescência o risco de que

o equipamento fique ultrapassado para o arrendador. Atualmente, as idéias e os produtos inovadores ficam

obsoletos com muita rapidez. Mesmo o melhor equipamento existente pode ficar obsoleto em pouco tempo. Tomar dinheiro emprestado e comprar um equipamento arriscado pode não ser um investimento saudável economicamente, porque o valor desse investimento cairá, muito, se um novo equipamento, mais eficiente, for lançado no mercado poucos anos após a sua compra. Isso se aplica principalmente aos produtos de alta tecnologia, como computadores e instrumentos de precisão. Em tais casos, arrendar é uma boa alternativa à compra de um equipamento. Arrendar, ao contrário de comprar, não exige grande investimento inicial. As despesas de arrendamento são pagas no decorrer de um período de tempo; assim, menos restrições financeiras pesam sobre o arrendatário. Além disso, devido às vantagens tributárias que o arrendador recebe sobre o equipamento arrendado, a proposta de arrendar pode ser mais barata que o preço de compra cobrado por um fabricante. Em outras palavras, o arrendador pode compartilhar os benefícios tributários com os clientes que regularmente arrendam o equipamento e, na maioria dos casos, os pagamentos anuais do arrendamento são dedutíveis do imposto de renda.

Desvantagens do Arrendamento

As desvantagens do arrendamento devem ser consideradas sempre que houver uma escolha entre comprar e arrendar. O arrendatário, ao contrário do comprador de um ativo, não pode depreciá-lo, assim, não há a vantagem tributária da depreciação. A perda desse benefício pode sair muito cara para uma empresa solvente com enorme lucro tributável e com pequeno montante de despesas. Outra desvantagem é que o arrendatário deve devolver o equipamento após certo período. O que

acontece se o arrendador decidir não renovar o contrato de arrendamento quando o arrendatário mais precisa dele para dar continuidade às operações da empresa? Devido a essa possibilidade, deve-se considerar um arrendamento com opção de compra. Quando o equipamento é arrendado e não comprado, qualquer modificação importante para melhorar sua eficiência precisa da aprovação do arrendador. Obter a aprovação do arrendador para modificações técnicas durante o período do contrato de arrendamento pode ser difícil. Isso significa que o arrendatário não possui controle completo sobre o uso do equipamento como teria se fosse o proprietário. A perda do valor residual é outra desvantagem óbvia do arrendamento. O valor residual de um ativo adquirido aumenta a entrada de caixa da companhia se ele for vendido ao final de sua vida útil. Essa vantagem não existe se o ativo é arrendado. Muitas vezes, as pequenas empresas preferem arrendar a captar, devido aos encargos financeiros bancários elevados ou aos juros do cupom que elas precisam pagar quando emitem debêntures. O caixa retido na empresa, em vez de ser desembolsado para comprar o ativo, está livre para investimentos e obten- ção de retornos pela empresa. Da mesma forma, os arrendatários evitam a incerteza do risco associado à estimativa do valor residual. Esse risco é bancado pelo arrendador. Os arrendamentos não são vias de mão única. O arrendador tem a oportunidade de cobrar um aluguel que seja suficiente para cobrir a maioria dos riscos do arrendamento. Quando o contrato termina, o arrendador pode vender ou arrendar o ativo para outro arrendatário. A vantagem mais importante para o arrendador é acumular os benefícios tributários das despesas dedutíveis da depreciação e dos juros.

Lembre-se O arrendamento é um contrato entre duas partes: o arrendador, que é o dono do ativo, e o utilizador deste, o arrendatário. Do ponto de vista de um arrendatário, o arrendamento é um financiamento flexível e permite melhor programação de mais investimentos permanentes. Por meio do arrendamento, uma empresa pode manter-se atualizada com os avanços tecnológicos e deduzir do imposto de renda os pagamentos periódicos. Os arrendadores beneficiam-se com as deduções fiscais proporcionadas pelas despesas com depreciação e com encargos financeiros.

Tipos De Arrendamento

Existem quatro tipos de arrendamento bem conhecidos:

I. arrendamento operacional ou de serviços;

II. arrendamento financeiro ou de capital;

III. sale-and-leaseback-,

IV. arrendamento alavancado.

O arrendamento operacional tem um período de duração de até cinco anos. Todos os reparos e

manutenção são da responsabilidade do arrendador. Esses arrendamentos são canceláveis por opção do arrendatário e firmados por períodos inferiores à vida útil do ativo.

O arrendamento financeiro é um contrato de longa duração entre o arrendador e o arrendatário e não

pode ser cancelado. O ativo costuma ser amortizado totalmente. O arrendatário é responsável pela manutenção e reparos. No sale-and-leaseback, o proprietário vende seu ativo para outra companhia e arrenda-o de volta, por prazo determinado. O proprietário original do ativo transforma-se agora em arrendatário. Esse acordo permite que a companhia levante capital e continue a usar o ativo. Ao final do contrato, o arrendatário com- pra novamente o ativo. Esse tipo de arrendamento é uma forma temporária de captar recursos.

O arrendamento alavancado envolve quatro partes:

I. arrendador;

II. arrendatário;

III. credor;

IV. agente financeiro.

O arrendador paga uma parte do valor da compra do ativo, digamos 20%. Os 80% restantes do

preço de compra são fornecidos por outros credores, que recebem uma primeira hipoteca como garantia do ativo arrendado. O agente finaneiro retém o direito sobre o contrato de arrendamento, e os pagamentos periódicos do aluguel são enviados a ele. Por sua vez, o agente financeiro paga os juros e o principal para os credores, e o resíduo é enviado ao arrendador como pagamento do aluguel. Quando o arrendamento termina, o agente financeiro paga integralmente aos credores e o arrendador fica com a propriedade do ativo.

O Financial Accounting Standard Board (FASB) tem revisto, cuidadosamente, esse aspecto do arrendamento. A sua decisão é que um arrendamento operacional não deve ser incluído no balanço patrimonial. A maioria das empresas relaciona esses arrendamentos em notas de rodapé.

Regras do FASB e do IRS

De acordo com a regra 13 do FASB, o valor atual de um anendamento financeiro deve ser relacionado tanto no ativo como no passivo do balanço patrimonial da companhia. Portanto, o FASB reconhece que um arrendamento financeiro é semelhante a um empréstimo financeiro ou a uma aquisição completa de um ativo. Para ser considerado arrendamento financeiro para propósitos contábeis, a regra 13 do FASB estipula que:

o arrendatário tenha a opção de comprar o ativo;

o contrato seja por três quartos (ou mais) da vida do ativo;

o valor vigente dos pagamentos do arrendamento seja de 90% (ou mais) do preço de compra

do ativo.

Todos os pagamentos do arrendamento são dedutíveis das receitas como despesas anuais.

O

Internai Revenue Service (IRS) também possui sua definição do que se constitui um arrendamento

válido:

o ativo deve estar sujeito a depreciação;

o arrendamento deve ter uma justificativa econômica, e o contrato não deve ser feito para evitar

tributação;

o contrato de arrendamento deve ser assinado dentro de 90 dias após o ativo ser colocado em

serviço; o arrendatário tem a opção de comprar o ativo na data de término por um valor igual ou maior do que o custo original dele.

A principal preocupação do IRS é assegurar-se de que os contratos de arrendamento não sejam

consumados para evitar o pagamento de impostos.

0 Arrendamento é um Ativo ou um Passivo?

Existem muitas opiniões divergentes entre os contabilistas se um arrendamento deve ser relacionado ou não como um ativo no balanço patrimonial. Um H argumento é que o equipamento arrendado é um ativo, por ser utilizado continuamente pelo arrendatário como qualquer outro ativo na companhia. O argumento oposto é que o arrendatário realmente toma emprestado o equipamento e usa-o temporariamente; portanto, o arrendamento é uma despesa corrente como outros aluguéis. Se esse argumento for aceito, um arrendamento não deve ser relacionado no balanço patrimonial e não pode ser depreciado. Em vez disso, os pagamentos anuais do arrendamento devem ser relacionados como despesas do período no demonstrativo de resultado do exercício. Parte desse argumento tem sido resolvida no caso dos arrendamentos financeiros. Esses contratos de arrendamento de longo prazo são vistos como equivalentes aos passivos, ou seja, eles devem aparecer no balanço patrimonial. O tratamento da avaliação exige a determinação do valor presente dos aluguéis anuais, usando uma taxa de desconto apropriada. Esse valor aparece do lado do ativo no balanço patrimonial, representando o valor do ativo, e no lado do passivo como uma obrigação a longo prazo da companhia. A empresa, então, escolhe um período para amortizar o valor presente do arrendamento. Ao final do contrato, o arrendamento estará totalmente amortizado e, como obrigação, será removido da contabilidade. Infelizmente, nenhuma regra contábil satisfatória foi estabelecida para o arrendamento operacional. Esses contratos de curto prazo aparecem apenas nas notas de rodapé do balanço patrimonial. Algumas empresas baseiam grande parte de seus financiamentos em arrendamentos operacionais. É por isso que surgem algumas distorções nos cálculos dos índices financeiros, a menos que alguns ajustes sejam feitos para incluir o arrendamento operacional quando se fizer uma análise financeira e comparativa da empresa.

Lembre-se No caso de arrendamento financeiro, o arrendatário deve estimar o valor presente dos pagamentos do arrendamento, lançando-os como ativo e como passivo no balanço patrimonial. Se o ativo for de um arrendamento operacional, o tratamento contábil é mais direto. Ele aparece em nota de rodapé no balanço patrimonial. Ao final de cada ano, o total dos pagamentos feitos é deduzido das receitas como é feito com as outras despesas anuais no demonstrativo de resultado.

Os Fluxos de Caixa de um Arrendamento

Os pagamentos do arrendamento são semelhantes a uma anuidade, na qual o primeiro pagamento é feito antes do início do contrato. Em outras palavras, os pagamentos são feitos no início de cada período e não no final. Já que os pagamentos são feitos com antecedência, o arrendatário normalmente não recebe vantagens fiscais no primeiro período. O IRS não permite deduções de pagamentos de arren- damento referentes ao período anterior à utilização do equipamento arrendado.

EXEMPLO: Fluxos de caixa de um arrendamento Suponha que a Companhia ABC, que se enquadra numa alíquota de imposto de 40%, a partir de janeiro de 2005, arrendou um equipamento por cinco anos com pagamentos anuais de $10.000. Em 2005, a Companhia ABC pagou $10.000, mas não pôde aproveitar o benefício fiscal nesse ano. A saída de caixa do arrendamento no primeiro ano foi $10.000, pagos no início do ano. O primeiro benefício fiscal de $4.000 (40% x $10.000) foi realizado no ano seguinte, reduzindo o efetivo pagamento de arrendamento em 1986 para apenas $6.000. Esses $6.000 são a saída de caixa do arrendamento, ou o seu custo efetivo após a dedução do benefício fiscal. Tabela: Fluxo de caixa do arrendamento da Companhia ABC.

Ano

Pagamento ($)

Benefício fiscal (3)

Saídas de caixa ($)

2005

10.000

0

- 10.000

2006

10.000

4.000

- 6.000

2007

10.000

4.000

- 6.000

2008

10.000

4.000

- 6.000

2009

10.000

4.000

- 6.000

2010

0

4.000

+ 4.000

A saída de caixa do arrendamento é de $6.000 por ano, de 1986 a 1989- Em 1990, o contrato de arrendamento expira, e mais nenhum pagamento é devido. Entretanto, a Companhia ABC recebeu os benefícios fiscais de apenas quatro anos, de 1986 a 1989, e não recebeu o benefício fiscal do último pagamento contratual em 1989- Portanto, em 1990, a Companhia ABC recebe o crédito fiscal de $4.000, que não fora aproveitado anteriormente. O exemplo precedente mostrou (Tabela 13-1) que os benefícios fiscais podem se constituir na principal motivação para o arrendamento de ativos. Embora, na realidade, uma companhia que não tenha um lucro tributável muito grande não possa desfrutar imediatamente o benefício fiscal de um arrendamento. Essa companhia pode, entretanto, tentar encontrar um banco ou uma instituição financeira com um lucro líquido e imposto de renda a pagar consideráveis. Tal banco tem uma boa motivação para comprar um ativo e arrendá-lo para a companhia. Uma vez que o banco (arrendador) compra o equipamento, ele pode depreciá-lo e reduzir seu imposto a pagar. Ao mesmo tempo, a companhia (o arrendatário) espera que o banco compartilhe os benefícios fiscais por meio de prestações favoráveis e em termos mais flexíveis. Como os contratos de arrendamento oferecem uma grande oportunidade para a redução de impostos, muitos arrendadores são indivíduos ricos e corporações rentáveis com substancial imposto a pagar. O Congresso tem tentado enfraquecer a motivação fiscal dos contratos de arrendamento. Um dos objetivos do Economic Recovery Tax Act, de 1981, foi reduzir a vida útil depreciável de vários

tipos de ativo para tornar a compra de um ativo mais atraente que um arrendamento, devido à

depreciação acelerada. Entretanto, o arrendamento é amplamente utilizado em muitos setores, e não existem evidências de que o crescimento dessa forma popular de financiamento irá declinar no futuro.

Um arrendador deve determinar o pagamento anual a cobrar do arrendatário. Para fazer isso, ele deve determinar:

I. o custo de aquisição do ativo arrendado;

II. o valor presente dos benefícios derivados da propriedade completa do ativo;

III. o custo líquido = Custo do ativo arrendado - VP dos benefícios.

EXEMPLO:

O custo de aquisição do ativo é $2,0 milhões, e vida útil é de três anos. A taxa de desconto (K dl ) é de 9%, e a depreciação é baseada no esquema do Sistema de Recuperação Acelerada do Custo (0,33; 0,44; 0,23)- Calcule a prestação anual antes do imposto de renda do aluguel do equipamento. Embora outras economias de impostos e benefícios possam ser acumuladas para o arrendador, como o valor residual, a demonstração pode ser simplificada se considerarmos apenas

os benefícios da depreciação e supusermos que o valor residual é igual a zero até o final do contrato. No seu formato tabular, esse valor presente é mostrado na Tabela a seguir:

Tabela: Valor presente dos benefícios da propriedade.

Período

Depreciação ($)

Depreciação ($) (T) a 0,40 ($)

FVP a 9%

VP ($)

1

660.000

264.000

0,917

242.088

2

880.000

352.000

0,842

296.384

3

460.000

184.000

0,772

142.048

 

680.520

* Nota: 1 a ano de depreciação = $660.000 ($2.000.000 x 0,33) T ano de depreciação = $880.000 ($2.000.000 x 0,44) 3“ ano de depreciação = $460.000 ($2.000.000 x 0,23)

O custo líquido desse ativo arrendado é:

Custo líquido = Custo do ativo VP benefícios Custo líquido = $2.000.000 - $680.520 Custo líquido = $1.319.480

Devido ao pagamento do arrendamento ser uma anuidade antecipada (ou três pagamentos anuais iguais), é necessário obter o (FVPA k ,„) (1 + k) para os três anos a uma taxa de desconto que permita ao arrendador obter uma dada taxa requerida de retorno para o risco envolvido. O termo (1 + k) é adicionado ao fator da anuidade porque essa é uma anuidade antecipada que inclui um pagamento logo após a assinatura do contrato. Algumas vezes, a publicidade do arrendamento pode ser enganadora, a menos que seja adequadamente interpretada. Sempre vemos na TV anúncios de publicidade das companhias de arrendamento de automóveis dizendo: um carro arrendado por três anos por $399 por mês. O menos óbvio é a exigência de um pagamento antecipado de $1.000. Esse pagamento de $1.000 aumenta a prestação mensal em cerca de $30, fazendo com que a prestação efetiva seja de $429 mensais. E o pagamento antecipado aumenta o valor presente das saídas de caixa e torna o arrendamento um pouco menos atraente que a compra de um ativo.

Comparando Taxas de Retorno Cobradas do Arrendatário

Suponha que você esteja à procura do melhor arrendamento e deseje comparar a taxa de retorno que vai pagar com a que é cobrada de outros. O procedimento, nesse caso, seria calcular o fator de uma anuidade antecipada e, então, procurar pela taxa requerida de retorno na tabela do valor presente de uma anuidade antecipada (ou multiplicar o fator da anuidade por 1 + k). Uma questão pode ser levantada, embora você saiba o preço de compra, como pode calcular

o valor presente dos benefícios se a taxa de desconto do empréstimo (K d ) é desconhecida? Uma

maneira de resolver esse problema é encontrar as debêntures listadas de uma companhia arrendadora e calcular a taxa interna de retorno dessa debênture. Esta será a taxa de desconto aplicada para descontar os benefícios da depreciação do arrendamento. O método pode não proporcionar taxas exatas cobradas por arrendador, porém fornecerá uma classificação dessas taxas para o propósito de cotejo. Agora que o arrendatário sabe como calcular os pagamentos necessários para arrendar o equipamento, a primeira providência é determinar o que é mais barato: arrendar ou comprar o

equipamento. Essa decisão depende da natureza dos fluxos de caixa. Se as saídas líquidas de caixa (ou custos) do arrendamento forem maiores, é mais lógico tomar dinheiro emprestado para comprar

o equipamento em vez de arrendá-lo.

Arrendamento Versus Compra: A Abordagem do Valor Presente

Empresários e administradores se defrontam, constantemente, com o dilema entre arrendar e

comprar um ativo. Quando um ativo é arrendado, o arrendatário não precisa se preocupar com

levantamento de capital, já que o arrendador é responsável pelo financiamento do projeto. Por outro lado, o arrendatário perde as economias de impostos da depreciação e o valor residual. A perda desses benefícios não deve ser ignorada quando for feita a comparação entre o custo do arrendamento e o custo da compra.

Ao tomar a decisão final entre arrendar e comprar, os analistas financeiros tentam escolher a

alternativa menos dispendiosa. Já que a maioria dos dispêndios, tais como prestações do arrendamento, e a maioria dos benefícios, tais como os benefícios fiscais, ocorrem no futuro, uma boa maneira de avaliar as opções entre arrendar e comprar é comparar os custos líquidos de ambas as alternativas em termos de moeda de hoje. É a; que a técnica do valor presente líquido (VPL) pode

ser útil.

Em outras palavras, a questão entre arrendar e comprar pode ser respondida se os valores presentes das despesas de arrendamento forem comparados com as despesas de compra. Quando usamos essa técnica, a abordagem é similar ao problema de orçamento de capital. Entretanto, existe uma diferença importante entre os problemas resolvidos pelas técnicas do orçamento de capital e aqueles encontrados no arrendamento. No orçamento de capital, o projeto com o maior VPL era o preferido, enquanto que, no caso de arrendar ou comprar, a opção com menor valor presente dos dispêndios deve ser a escolhida.

EXEMPLO: Escolhendo entre arrendar e comprar

A Companhia XYZ enquadra-se na alíquota de imposto de 40% e planeja comprar

instrumentos de precisão. Ela usa o método do Sistema de Recuperação Acelerada do Custo para calcular a depreciação. O instrumento custa $50.000 e tem uma vida útil de cinco anos. O instrumento novo pode ser financiado de dois modos:

(a) tomando empréstimos e comprando-o; ou (b) arrendando-o. Alternativa de tomar emprestado e comprar. A primeira alternativa é captar $50.000 a 12% e comprar o instrumento. Isso significa que durante cinco anos a Companhia XYZ pagaria uma prestação anual de $13.870 (veja a seguir os cálculos), composta de juros e amortização do empréstimo.

Prestação

Montante do empréstimo _ $50.000 anual =

FVPA„

3,6 05,

Devido ao juro ser uma das despesas dedutíveis (a depreciação é outra), é necessário calcular os juros anuais incorridos na captação dos fundos, o que pode ser feito tabulando os dados como na Tabela 13.3.

Tabela: Calculando os juros usando o método da amortização da dívida*.

Anos

Prestação anual ($)

Principal no início do período ($)

Juro anual ($)

Amortização do

Principal no fim do período ($)

principal ($)

0

       

50.000

1

13.870

50.000

6.000

7.870

42.130

2

13.870

42.130

5.056

8.814

33.316

3

13.870

33.316

3.998

9.872

23.444

4

13.870

23.444

2.813

11.057

12.387

5

13.870

12.387

1.486

12.384

3

* Taxa de juro do empréstimo = 12%.

A Tabela acima revela que os pagamentos dos juros declinam do primeiro ao quinto ano devido à amortização anual da dívida reduzir o saldo devedor sobre o qual o juro é calculado. Alternativa do arrendamento. Após contatar várias companhias arrendadoras, a Companhia XYZ encontrou o melhor contrato de arrendamento que poderia assinar, cobrando pagamentos anuais de $ 11.000. A decisão é selecionar a melhor das duas alternativas. O propósito, então, é escolher

o método de financiamento que produz o menor custo do valor presente. O benefício fiscal dos pagamentos do arrendamento na coluna 2 da Tabela a seguir é calculado pela multiplicação dos pagamentos de arrendamento da coluna

1 pela alíquota de 40%. O fluxo de caixa da coluna 3 é o pagamento de arren- damento menos o benefício fiscal. A taxa de desconto é de 7% para descontar as saídas de caixa. Observe que esses 7% são o custo do empréstimo de 12% após o imposto de renda 12% x (1 40%) = 7,2%. A razão para usar a taxa de financiamento de 7% é que os valores dos fluxos de caixa incluem o benefício fiscal. Para evitar a contagem dupla do benefício fiscal, os fluxos de caixa devem ser sempre descontados a uma taxa após os impostos, que neste exemplo é cerca de 7%. O valor presente total dos dispêndios do arrendamento é de

$30.215.

Solução 1. Calculando o valor presente das saídas de caixa do arrendamento. Devido aos custos anuais do arrendamento serem dedutíveis, o custo líquido para o arrendatário é a prestação anual menos os benefícios fiscais. 2. Calculando o valor presente dos dispêndios de compra. Na Tabela a seguir está ilustrada a maneira de calcular os dispêndios.

Tabela: Valor presente dos dispêndios do arrendamento.

Ano

Prestação

Benefício fiscal*

Saídas de caixa (1) - (2) = (3)

FVP a 7%

VP das Saídas de Caixa (3) x (4) = (5)

(1)

(2)

(4)

 

1

11.000

4.400

6.600

0,935

6.171

2

11.000

4.400

6.600

0,873

5.762

3

11.000

4.400

6.600

0,816

5.386

4

11.000

4.400

6.600

0,763

5.036

5

0

4.400

4.400

0,713

(3.137)

 

Valor presente do dispêndio do arrendamento

= $ 30.218

Na Tabela 5, a coluna 1 é a prestação do empréstimo sobre a qual serão deduzidos os benefícios fiscais dos juros e da depreciação. O benefício fiscal, como reportado na coluna 5, é calculado pela multiplicação das despesas de juros e de depreciação pela alíquota de 40%. Subtraindo o benefício fiscal da prestação anual, apuramos, na coluna 6, a prestação anual após os impostos. Na coluna 8, o valor presente das prestações do empréstimo após os impostos é determinado, usando o fator do valor presente a 7%, para obter o valor total de $33.556. Daí começa o processo de decisão:

I. quando VP do arrendamento > VP da compra, então, toma-se emprestado e compra- se o equipamento;

II. quando VP arrendamento < VP da compra, então, arrenda-se o equipamento.

       

dedutíveis(2)+(3)

 

apósoI.R.

VP

apósI.R.

Prestação

Juro

Depredação*

Ano

=

fiscala40%(5)

(1)-(5)=

a 7%

(6)x(7)=

(1)

(2)

(3)

 

(4)

 

(6)

(7)

(8)

     

1

13.870

6.000

10.000

16.000

6.400

7.470

0,935

6.984

2

13.870

5.056

16.000

21.056

8.422

5.448

0,873

4.756

3

13.870

3.998

9.500

13.498

5.399

8.471

0,816

6.912

4

13.870

2.813

7.500

10.313

4.125

9.745

0,763

7.435

5

13.870

1.486

7.000

8.486

3.394

10.476

0,713

7.469

 

VP

=

 

33 556

* Depreciação anual, calculada com base no Sistema de Recuperação Acelerada do Custo, cujas taxas anuais são: 20%, 32%, 19%, 15% e 14%.

Como o valor presente dos dispêndios do arrendamento ($30.218) é menor que $33-556, a opção de arrendamento é mais econômica. Em termos abrangentes, a Companhia XYZ economizaria $3-338 em moeda corante ao

arrendar em vez de comprar o equipamento ($33-556 - $30.218 = = $ 3.338). Sem essa análise, a empresa poderia ter decidido tomar emprestado num banco os $50.000, comprar o equipamento e perder a oportunidade de economizar $3-338 escolhendo o arrendamento. Sempre faça uma comparação

passo a passo antes de tomar a decisão final de arrendar ou comprar.

Mais um item antes de finalizarmos a discussão arrendamento versus compra. Algumas vezes, é útil pensar no processo de decisão em termos relativos em vez de valores absolutos. Em vez de comparar montantes de dois reais do arrendamento ou da compra, devemos considerar a determinação da taxa de desconto que tornaria o custo do arrendamento inferior ao custo da compra. Como já fizemos em orçamento de capital, para obter a T/R de um projeto (quando o VPL = 0), tudo o que temos a fazer é diminuir a taxa de desconto das saídas de caixa do arrendamento (Tabela 4) para aumentar o custo de $30.218 para $33-556. Nesse caso, concluímos que a taxa de custo do empréstimo após os impostos era de 7% e a correspondente taxa interna de retorno seria de 6%. Conseqüentemente, usando essa abordagem, o equipamento deveria ser arrendado, devido à taxa interna de retorno para o arrendamento ser menor que a taxa do empréstimo.

Lembre-se Uma comparação passo a passo, usando a abordagem do valor presente líquido, é recomendada para determinar qual alternativa arrendar ou comprar é a mais econômica. Uma empresa pode pagar mais do que deveria, a menos que utilize essas análises técnicas para estudar as opções disponíveis. Ao decidir entre arrendar ou comprar, selecione a alternativa que apresente o menor dispêndio em valor presente. 0 método da TIR também pode ser empregado para tomar essa decisão. Nesse caso, a menor TIR entre arrendar e comprar deve determinar a melhor alternativa financeira.

ATIVIDADES

QUESTÕES TEÓRICAS (Arrendamento Mercantil)

1. O que é um arrendamento?

2. Qual é a principal diferença entre o arrendamento operacional e o financeiro?

3. O arrendamento é um ativo ou um passivo?

4. Quais são as principais vantagens do arrendamento?

5. Para um dado ativo, descreva um método para comparar as taxas de retomo cobradas por diferentes companhias arrendadoras.

6. Quais são os tipos de fluxo de caixa que usamos para tomar a decisão entre arrendar e comprar? Como funciona o processo de decisão quando aplicamos os métodos da TIR e do VPL para escolhermos entre arrendar e comprar?

7. Explique a diferença entre arrendamento alavancado e arrendamento sale-and- leaseback.

8. Explique os tratamentos contábeis para o arrendamento financeiro e para o operacional.

9. Quais são os três benefícios que o arrendador acumula e representam perdas de oportunidades para o arrendatário?

Arrendamento Mercantil (Leasing) A nível de Brasil

10. O que é uma operação de leasing!

11. Existe limitação de prazo para meu contrato de leasing?

12. É possível quitar meu contrato de leasing antes do encerramento do prazo?

13. Pessoa física pode contratar uma operação de leasing?

14. Eu vou ter que pagar IOF no arrendamento mercantil? Existe outro imposto que devo pagar?

15. Ficam a cargo de quem as despesas adicionais?