Agricultura: Alteração do regime do IVA

Os agricultores, passando a estar enquadrados no regime geral do IVA, passam a liquidar o imposto em todas as operações que efetuem. Ora, ao mesmo tempo, esta alteração de regime vai permitir também aos agricultores o direito à dedução do IVA que tenha sido suportado antes de 1 de janeiro de 2013, relativamente a bens do ativo fixo tangível e ativo intangível, de acordo com as regras definidas no artigo 19.º e 25.º do CIVA. Esta dedução deverá ser efetuada no período de imposto em que se verificar a alteração proporcionalmente ao número de anos que faltem para completar o período de cinco a 20 anos desde o ano do início da utilização ou da ocupação dos bens, consoante se trate de bens móveis ou bens imóveis. Artigo elaborado por João Gomes (j.gomes@moneris.pt) O setor agrícola em Portugal carateriza-se atualmente pela entrada diária de novas pessoas nesta atividade primária. Ora, com a aprovação e publicação do Orçamento de Estado para 2013, ou seja, a Lei nº 66-B/2012 de 31 de dezembro foram introduzidas diversas alterações fiscais a vários níveis na vida das pessoas singulares e coletivas. O setor agrícola não passou impune a essas alterações, destacando-se desde logo, a revogação da alínea 33, artigo 9.º do CIVA, bem como dos anexos A e B também do CIVA, com efeitos a partir do dia 1 de abril de 2013. Assim, estamos perante um novo enquadramento em termos de IVA. Esta alteração é de sobremaneira mais abrangente, se tivermos em conta que a maioria das explorações agricolas se reveste de natureza singular e não societária. Em resumo, e com efeitos a partir de 1 de abril, passa a existir um novo regime do IVA para os agricultores, deixando de vigorar a isenção de IVA relativa a operações relacionadas com atividades de produção agrícola e prestações de serviço agrícolas com caráter acessório. Esta alteração tem ainda outras implicações.

Atividade de exploração agrícola em sede de IVA
Todas as transmissões de bens e prestações de serviços no âmbito das atividades de produção agrícola, que sejam exercidas habitualmente e de uma forma independente, configuram uma atividade económica, abrangida pela alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º do CIVA. Isto configura uma incidência subjetiva do imposto. Assim, todos os agricultores que se encontrem abrangidos por estes designios não estão dispensados da apresentação do início de atividade, conforme previsto no artigo 31.º do CIVA. A partir de 1 de abril de 2013, altera-se o regime de IVA para os agricultores, deixando de existir a isenção de IVA relativamente a operações relacionadas com atividades de produção agricola e prestações de serviços agrícolas com carater acessório. Logo, englobam-se nesta abrangência todas as transmissões de bens efetuadas no âmbito das explorações que constavam do Anexo A do CIVA, ou seja, agricultura, pecuária e silvicultura. Para além disso, também são abrangidas as prestações de serviços elencadas no Anexo B do CIVA, quando efetuadas com carater acessório por um produtor agrícola que utilize os seus próprios recursos de mão-de-obra e equipamentos

podem beneficiar da isenção de IVA. prevista no n. Declaração de início de atividade e de alterações Dada a reduzida dimensão económica da maioria dos agricultores e sendo que a maioria se encontrava abrangida pela isenção consagrada na alínea 33) do artigo 9.normais da respetiva exploração agrícola ou silvícula. nem sejam obrigados a possuir. mesmo no caso dos agricultores que se enquadrem no regime simplificado de tributação dos rendimentos com volume de negócios inferior a 10 mil euros. resíduos e ou sucatas. . Assim. não era exigida pela Autoridade Tributária a apresentação da declaração de inicio de atividade. em face disto. e que não tenham atingido no ano civil anterior um volume de negócios superior a 10 mil euros. dado que a revogação da norma origina uma alteração aos elementos do registo. contabilidade organizada para efeitos de IRS e IRC. Desta forma. Ora. nem pratiquem operações de importação ou exportação ou atividade conexas. prestações de serviços que contribuem para a realização da produção agrícola e transmissões de bens efetuadas no âmbito de atividades de produção agrícola. à data de 31 de dezembro do ano transato. Isenção de IVA Os agricultores que não possuam. deverão também entregar uma declaração de alterações entre o dia 1 e 15 de abril de 2013.2 e 5. um agricultor que tenha.º do CIVA. por forma a alterar o regime de isenção do artigo 9º do CIVA para o regime de isenção do artigo 53º CIVA. Os sujeitos passivos que tenham iniciado a atividade entre 1 de janeiro e 31 de março não estavam dispensados da apresentação da declaração de alterações até dia 15 de abril. respetivamente.º do CIVA. e por via da revogação da norma. nem exerçam atividades que impliquem a transmissão de bens ou prestação de serviços do setor dos desperdícios. terá de apresentar uma declaração de alterações no período que medeia entre janeiro e março de 2013. Estas alterações produziram efeitos a partir de 1 de janeiro de 2013. de forma a ficar enquadrado no regime geral de tributação do IVA a partir do dia 1 de abril. Não existia sequer qualquer tipo de controlo sobre esta situação. No entanto.º 1 do artigo 53. originou-se a necessidade dos sujeitos passivos abrangidos alterarem os elementos que constam do registo e cuja atividade passa a estar sujeita a tributação. foram aditadas à lista I (bens e serviços sujeitos à taxa reduzida) anexa ao CIVA as verbas 4. um volume de negócios superior a 10 mil euros ou que não reúna os requisitos necessários ao enquadramento no regime especial de isenção previsto no artigo 53º do CIVA.

ao abrigo do artigo 53º do Código sobre o Imposto Acrescentado (CIVA). bem como as locações ou transmissões de imóveis quando relativamente às mesmas não tenha havido renúncia à isenção e constituam também operações acessórias ou ainda das operações sobre bens de investimento corpóreo. as mesmas foram prorrogadas para 31 de maio de 2013. sem quaisquer acréscimos ou penalizações através do Despacho n. Ora.000€. perfazendo um total de 33. No caso de agricultores que irão perder a isenção. Ativo imobilizado . Se após o termo deste prazo as declarações de alterações não tiverem sido entregues. podem deduzir parte do IVA suportado na compra de maquinaria e alfaias agrícolas. consoante se trate de bens móveis ou bens imóveis. .º 137/2013 XIX. aqueles que tiverem um volume de negócios inferior a 10. desde que estas não estejam totalmente amortizadas.Regularizações e direito à dedução Os agricultores. consideram-se fora de prazo e existirá lugar a coimas. acrescido de 3.900€ de IVA.º e 25. Na declaração de alterações a apresentar. Ficam contudo isentos. Os agricultores deverão entregar uma declaração de alterações ou declaração de início de actividade até 31 de Maio.000€ anuais. passam a liquidar o imposto em todas as operações que efetuem. do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. deverá ser ainda indicado o volume de negócios atingido no ano de 2012 para efeitos de determinação do respetivo enquadramento. com exceção das operações financeiras e de seguros quando constituam operações acessórias. A partir de Abril a agricultura perde a isenção em sede de IVA.Relativamente às datas acima referidas.900€. relativamente a bens do ativo fixo tangível e ativo intangível. esta alteração de regime vai permitir também aos agricultores o direito à dedução do IVA que tenha sido suportado antes de 1 de janeiro de 2013. Esta dedução deverá ser efetuada no período de imposto em que se verificar a alteração proporcionalmente ao número de anos que faltem para completar o período de cinco a 20 anos desde o ano do início da utilização ou da ocupação dos bens. passando a estar enquadrados no regime geral do IVA.º do CIVA. ao mesmo tempo. Também não são de incluir no volume de negócios os subsídios ou subvenções identificados no âmbito da atividade de exploração agrícola. Exemplo: Um agricultores adquiriu em Janeiro de 2010 um tractor que lhe custou 30. o volume de negócios é constituído pelo valor de todas as transmissões de bens e prestações de serviços. De acordo com instruções emanadas pela Direção de Serviços do IVA. de acordo com as regras definidas no artigo 19.

resumos.resumos.resumos.resumos.O período de amortização deste tipo de equipamento é de 6 anos.950€.net/files/ensinosuperior/gestao/clsbe/contabilidadefinanceirai/ http://www. http://www. 2011 e 2012).net/files/ensinosuperior/gestao/clsbe/fiscalidadeemportugal/ http://www. Para calcular o IVA que este agricultor pode deduzir temos que dividir o IVA pago pelo nº total de anos de amortização.net/universidade. 3. e multiplicar pelos anos que ainda falta amortizar. faltando amortizar outros 3.net/files/ensinosuperior/gestao/novasbe/contabilidadefinanceira/ http://www.900/6x3=1.resumos.html http://www. ou seja. Já estão amortizados 3 anos (2010.net/files/ensinosuperior/gestao/clsbe/contabilidadefinanceiraii/ http://www.net/files/ensinosuperior/gestao/clsbe/contabilidadedecustos/ .resumos.