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Tribunal de Justiça de Minas Gerais Número do Relator do Acordão: 1.0183.11.016960-8/001 Relator: Des.(a)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Número do

Relator do Acordão:

1.0183.11.016960-8/001

Relator:

Des.(a) Walter Luiz Des.(a) Walter Luiz

Data do Julgamento:

16/04/2013

Data da Publicação:

26/04/2013

Númeração

0169608-

EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - CONDENAÇÃO POR FURTO QUALIFICADO - RECURSOS DEFENSIVOS - ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA - IMPOSSIBILIDADE - PROVAS CONCRETAS DE AUTORIA E MATERIALIDADE - PROVAS INIDICÁRIAS - VALIDADE. 1. Se todo o conjunto probatório trazido pela defesa foi frágil e incapaz de rebater a robusta prova testemunhal em desfavor do réu, produzida pelo MP, não há que se falar em ausência de veracidade e prova única da acusação, ante os fortes elementos de convicção oferecidos nos autos, capazes de elidir a argumentada inocência dos acusados. 2. Em especial nos crimes contra o patrimônio, depoimentos testemunhais e a palavra da vítima prevalecem sobre a negativa aleatória do agente. 3. As provas amealhadas ao longo da instrução são mais do que suficientes para ensejar a condenação, ainda mais quando a negativa se apresenta destituída de álibi comprobatório e de verossimilhança. 4. A prova indiciária integra o rol daquelas admitidas no ordenamento processual penal eis que indícios múltiplos, concatenados e impregnados de elementos positivos de credibilidade são suficientes para dar base a uma decisão condenatória.

APELAÇÃO CRIMINAL

CONSELHEIRO LAFAIETE

OLIVEIRA BRAVOS, FELIPE SANTOS MENDES - APELADO(A)(S):

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Nº 1.0183.11.016960-8/001 - COMARCA DE

- APELANTE(S): FARLEI VINÍCIUS DE

A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 1ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata

Tribunal de Justiça de Minas Gerais dos julgamentos, à unanimidade, em negar provimento aos recursos.

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dos julgamentos, à unanimidade, em negar provimento aos recursos.

DES. WALTER LUIZ DE MELO

RELATOR.

DES. WALTER LUIZ DE MELO (RELATOR)

V O T O

A Promotoria de Justiça que atua junto à 2ª Vara Criminal e de Execuções Criminais da Comarca de Conselheiro Lafaiete ofereceu denúncia contra FARLEI Vinícius de Oliveira Bravos e Felipe Santos Mendes tendo-os por incursos nas sanções do art.155, §4º, I e IV do CPB.

Recebida a denúncia em 16/12/2011, fls.44, processou-se regularmente o feito.

Ao final, através da sentença de fls.154/159, o MM. Juiz de Direito julgou procedente a peça acusatória, restando os réus condenados á seguintes penas:

a) Farlei Vinicius de Oliveira Bravos: 02 anos e 04 meses de reclusão, em regime semiaberto, acrescidos de 11 dias-multa;

b) Felipe Santos Mendes: 02 anos de reclusão, em regime aberto, acrescidos de 10 diasd-multa, tendo sido substituída a pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos do art.44 do CPB.

Inconformada, a defesa dos réus interpôs recurso, fls.166, razões, fls.167/177, oportunidade em que se pleiteou, em síntese: a absolvição dos apelantes nos termos do art.386, VII do CPP, bem como a manutenção da isenção das custas processuais.

Contrarrazões ministeriais, fls.223/231, pugnando-se pelo

Tribunal de Justiça de Minas Gerais desprovimento do recurso, ao que aquiesceu a Procuradoria Geral

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desprovimento do recurso, ao que aquiesceu a Procuradoria Geral de Justiça, fls.249/251.

É o relatório.

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Inexistem nulidades a serem sanadas de ofício, pelo que, passo a enfrentar o mérito do presente recurso.

Narra a peça inaugural:

na madrugada de 03 de Dezembro de 2011, por volta das 03:50 horas,

os denunciados, em comunhão de vontades e unidade de desígnios, mediante rompimento de obstáculo, subtraíram, para si, de um estabelecimento comercial localizado à Rua Avenida Prefeito Telésforo Cândido de Resende, nº 87, centro desta cidade, certa quantia em dinheiro.

"(

)

Certo após forçarem a porta de aço, assim o danificando e logrando Êxito em levantarem-no o suficiente para permitir a passagem, FARLEI ficou do lado de fora fazendo a vigilância, FELIPE ali adentrou e dali retirou o que lhes aprouvesse" - fls.02/03

A materialidade delitiva encontra-se demonstrada pelo auto de apreensão, fls.13; termo de restituição, fls.22; laudo pericial, fls.69/70, bem como demais provas coligidas nos autos.

A autoria, não obstante a negativa dos apelantes, que tentam esquivar-se da responsabilidade que lhes é inerente, mostra-se clara pelo exame da prova trazida aos autos.

Com efeito, a testemunha Alex Douglas da Silva, ouvido em sede policial, afirmou, fls.03:

"que nesta data, por volta das 03h50min, o depoente passava à pé

Tribunal de Justiça de Minas Gerais pela Av Telesforo Candido de Resende, mais especificamente em

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pela Av Telesforo Candido de Resende, mais especificamente em frente à Loja Sapeka Aviamentos, o depoente viu um rapaz moreno em frente a loja e viu também um rapaz "clarinho" saindo da referida loja, o qual disse ao outro que esperava do lado de fora "agora vamos correr", sendo que ambos saíram correndo em sentido o Posto POP; que o depoente de imediato acionou a polícia militar, que de pronto compareceram ao local; que o depoente passou as caracterísitcas dos autores para os policiais; que depoente entrou na viatura policial e ficaram nas proximidades pelos autores; que o depoente identificou os autores quando estes estavam em frente `Cemig; que os rapazes foram abordados, sendo que o moreno foi identificado como FARLEI VINICIUS DE OLIVEIRA BRAVOS e o "clarinho" foi identificado como, FELIPE SANTOS MENDES; que o depoente não sabe dizer se os autores assumiram terem furtado a loja, contudo o depoente afirma que viu FARLEI do lado de fora da loja "vigiando", bem como viu "FELIPE" saindo da loja; que o depoente não viu se FELIPE ou FARLEI levaram algo pertencente a loja; que sabe dizer ainda que a porta de entrada da loja estava arrombada."

No caso dos presentes autos, o depoimento desta testemunha não foi corroborado em juízo e estou ciente de que somente a prova produzida na fase inquisitorial não é suficiente para respaldar uma condenação.

Ressalto, porém, que quando esta prova, aliada a outros elementos de convicção, evidenciar a autoria, não há como negar sua validade. Por estes motivos, acredito ser o caso de entender como extremamente relevante o valor da prova indiciária produzida.

De certo que não há princípios inflexíveis sobre o valor da prova indiciária no processo, cujo conceito encontra-se escorreito no art. 239 do Código de Processo Penal que é taxativo no sentido de que é indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou de outras circunstâncias.

Assim, conforme ensinamentos de Júlio Fabbrini Mirabete:

Tribunal de Justiça de Minas Gerais do sistema da livre convicção do juiz, encampado pelo

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do sistema da livre convicção do juiz, encampado pelo Código, a

prova indiciária, também chamada circunstancial, tem o mesmo valor das provas diretas, como se atesta na exposição de motivos, em que se afirma não haver hierarquia de provas por não existir necessariamente maior ou menor prestígio de uma com relação a outra. Assim, indícios múltiplos, concatenados e impregnados de elementos positivos de credibilidade são suficientes para dar base a uma decisão condenatória, máxime quando excluem qualquer hipótese favorável ao acusado" (In, "Código Penal Interpretado" - Ed. Atlas - SP - 1999 - p. 532).

diante "

Acerca do valor das provas colhidas na fase policial, cumpre-me destacar que a Segunda Câmara Criminal do extinto Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais, sem divergência na votação, assim decidiu:

"Pela sistemática da prova no Processo Penal, não se licencia a afirmativa pura e simples da imprestabilidade da prova recolhida no inquérito, porque, adotando o Código o princípio da liberdade da prova, conduz ao poder da mais ampla pesquisa dos elementos de certeza. Ademais, adotou-se o princípio da livre convicção, desde que motivada, a permitir que se funde a decisão na prova que maior crédito ofereça ao Juiz, incluída a do inquérito policial" (Jurisprudência Mineira, volume 81, página 325)

Ainda, acerca da mesma matéria, cito os seguintes julgados:

"Validade dos indícios - TJSP: A lei processual penal abriga a prova indiciária (art. 239 do CPP). Sua aceitação como meio de prova harmoniza-se com o princípio do livre convencimento do juiz. Embora, para certos autores, a prova indiciária seja incompatível com a exigibilidade de certeza da sentença condenatória, se delas não usarmos, grassará, muitas vezes, a impunidade. O que se torna indispensável é ter-se uma cautela maior sempre fundada no conhecimento e prudente critério que é dado ao julgador" (RT 18/394. No mesmo sentido, TACRSP: RT 728/543).

Tribunal de Justiça de Minas Gerais "TACRSP: Desde os primórdios do Direito, ou seja, da

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"TACRSP: Desde os primórdios do Direito, ou seja, da mais remota antigüidade, os indícios e presunções sempre foram admitidos em doutrina, como elementos de convicção. Assim, na ausência de confissão voluntária, a prova de condição subjetiva, tal como o saber ou o conhecer, somente pode ser feita através de indícios e presunções, desde que veementes, ao prudente arbítrio do juiz. Quando este se despe de seu poder-dever de firmar convicção, por todas as evidências, relegando-a à análise de provas diretas, a impunidade se estabelece como regra geral" (RJDTACRIM 5/169).

Como bem salientado na sentença combatida, fls.156:

"Assim, ainda que não confirmado em juízo, não se licencia o afastamento do depoimento da testemunha colhido na fase inquisitiva, notadamente porque congruente com a prova produzida em juízo.

Aliás, a prova não se restringe somente a esta particularidade.

Com efeito, a res furtiva foi localizada em poder do acusado Farlei. Interrogados, os acusados mantiveram a versão de que o dinheiro seria do acusado Felipe, que recebera tal valor a título de pensão de sua mãe.,

Entrementes, a versão dos acusados não se sustenta nas provas dos autos.

Isto porque, o dinheiro apreendido em poder dos acusados estava em notas de valores reduzidos, conforme se verifica do Boletim de Ocorrência, especificamente à f.09.

Foram apreendidas 26 notas de R$2,00; 18 notas de R$5,00 e 5 notas de

R$10,00.

Referidos valores são compatíveis com aqueles furtados, mormente, porque declara a testemunha inquirida em juízo, àf.99, que o dinheiro

Tribunal de Justiça de Minas Gerais subtraído estava no caixa do estabelecimento comercial e era

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subtraído estava no caixa do estabelecimento comercial e era destinado a servir de troco.

Insta registrar que a versão do acusado Felipe de que tal dinheiro teria sido recebido licitamente não se sustenta. Como se vê do depoimento da testemunha inquirida à f.100/101, o dinheiro supostamente repassado ao acusado estaria em duas notas de R$100,00.

A tentativa do acusado em justificar o dinheiro trocado em valores menores, novamente cai por terra. É que a versão de que o dinheiro seria para servir de troco à venda de artesanato conflita com a sua declaração de que estava juntando dinheiro para viajar para o Estado do Rio de Janeiro.

Portanto, as provas reunidas nos autos são suficientes à comprovação da autoria por parte dos acusados."

À evidência, como bem realçado na r. sentença, com saciedade restou demonstrado ter os apelantes praticado o furto qualificado descrito na denúncia, que restou reforçada com a prisão em flagrante dos mesmos.

Destaco ainda que, consoante se vê, parte dos bens subtraídos foram apreendidos em poder dos apelantes. Daí que, a apreensão da res furtiva em poder dos recorrentes operou a inversão do ônus da prova, cumprindo àqueles justificar a posse do bem, ao passo que a ausência de qualquer explicação plausível, aliada à inexistência de provas e álibis os quais lhes cabia apresentar, conduz à inarredável e lógica conclusão da responsabilidade criminal.

Enfim, sem quaisquer dúvidas a atormentar este Julgador, tenho que todo o conjunto probatório trazido pela Defesa foi frágil e incapaz de rebater a robusta prova testemunhal e documental em desfavor dos apelantes, produzida pelo MP, não havendo que se falar em ausência de veracidade ante os fortes elementos de convicção oferecidos nos autos, os quais, distante de incredibilidade, mostram-se não com fincas a acusar um inocente, mas sim o contrário, se

Tribunal de Justiça de Minas Gerais revelam basilares a contribuir para realização do justo concreto.

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revelam basilares a contribuir para realização do justo concreto.

Outra conclusão não há, senão a de que todas as provas existentes nos autos apresentam-se concatenadas, ou melhor, interligadas entre si, em perfeita consonância, conduzindo com tranquilidade a um juízo de certeza e verdade.

Ou seja, a análise de todo o acervo probatório revela que a colheita de provas realizada durante a instrução processual, sob o crivo do contraditório e sob o manto da ampla defesa, corroborou, em sua inteireza, o arcabouço investigatório que serviu de base à condenação.

Finalmente, no caso em tela, verifica-se que o critério trifásico de fixação da pena, previsto no art. 68 do Código Penal, foi rigorosamente observado, analisando o MM. Juízo sentenciante, de forma individualizada, todas as circunstâncias judiciais, não havendo qualquer alteração a ser procedida na primeira fase; também na análise da segunda e terceira fases da dosimetria, ou seja, na consideração das circunstâncias legais atenuantes e agravantes e das causas de diminuição e aumento de pena, nada há a modificar, mostrando-se as reprimendas aplicadas justas e suficientes para reprovação e prevenção do crime.

Fiel a estas considerações e tudo o mais que dos autos consta, NEGO PROVIMENTO aos recursos defensivos, mantendo-se, na íntegra, a sentença de 1º grau por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Custas ex lege.

DESA. KÁRIN EMMERICH (REVISORA) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. SILAS RODRIGUES VIEIRA - De acordo com o(a) Relator(a).

Tribunal de Justiça de Minas Gerais SÚMULA: "RECURSOS NÃO PROVIDOS" 9

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SÚMULA: "RECURSOS NÃO PROVIDOS"