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Análise Matemática II, MIEM/MIEIG

Teresa Arede

Capítulo 0 - Superfícies em R 3 - Breve Resumo

A equação cartesiana de uma curva no plano é, geral, uma equação da forma

F (x , y) = 0

que representa uma relação entre as variáveis x e y.

Exemplos:

1.

2.

3.

4.

5.

x

2

+ y

2

= r

2

2 2

x

a

y

=

+

2

y

b

2

a x

2

=

+

1

b

y = a x + b

y = e

a x

 

(r > 0)

Circunferência

(a > 0 , b > 0)

Elipse

(a

,

b

R)

Parábola

(a

,

b

R)

Recta

(a

R)

Curva exponencial

Uma superfície em R 3 tem, em geral, como equação cartesiana uma expressão da forma

F (x , y , z) = 0

isto é, uma relação entre as três variáveis x, y e z , num sistema de eixos cartesiano em

R 3 .

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Teresa Arede

Exemplos, já conhecidos, de superfícies planas e esféricas

I . Planos (superfícies planas)

a

(

x

x

0

)

+ b

(

y

y

0

)

+ c

(

z

z

0

)

= 0

ou

a x + b y + b z = d

a , b , c

R

d

= a x

0

+ b y

0

+ c z

0

Estas equações representam um plano, perpendicular ao vector de coordenadas

(a, b, c) e que passa no ponto (

, z

0

)

.

x

0

, y

0

Para obter um esboço gráfico do plano podemos começar por obter as suas

intersecções com os planos coordenados.

Exemplo: Plano de equação x+y+z=1

1 1 1
1
1
1

Fig. 1

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II . Superfícies Esféricas

x

2

(

x

+

x

y

0

2

)

2

+ z

+

(

2

y

= r

y

2

0

)

2

+

(

z

z

0

)

2

= r

2

Teresa Arede

São equações que se deduzem da fórmula da distância entre dois pontos em R 3 .

2 2 Exemplo: Superfície esférica de equação x 2 + y + z = 25
2
2
Exemplo: Superfície esférica de equação
x 2
+
y
+ z
=
25
z
5
5
5
y
x
Fig. 2

Vamos considerar outras superfícies, nomeadamente:

III . Superficies quádricas de que é exemplo a esfera

IV . Superficies cilindrícas

V . Superficies de revolução

Veremos: a definição, algumas propriedades, e o seu esboço ou representação

gráfica

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III . Superficies Quádricas

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São aquelas cuja equação cartesiana é um polinómio de 2º grau nas variáveis x, y

e z.

A equação geral dessas superfícies é

A x

2

+ B y

2

+ C z

2

+ D xy + E xz + F

yz + G x + H y + I z + Y =

0

À semelhança das curvas cónicas, diferentes relações entre os coeficientes desta equação darão diferentes superfícies.

Consideraremos unicamente superfícies de eixos paralelos aos eixos coordenados isto é, aqueles em que

Exemplos

1 . Elipsoide

x

2

a

2

(

x

+

x

y

2

b

0

2

)

2

a

2

+

+

z

2

c

2

(

y

= 1

y

0

)

2

b

2

D = E = F

+

(

z

z

0

)

2

c

2

= 1

= 0

- Elipsoide de centro (0, 0, 0)

e semieixos a, b, c

- Elipsoide de centro (x 0 , y 0 , z 0 ) e

semieixos a, b, e c

Para representar graficamente fazemos as intersecções com os planos coordenados; para a primeira equação teremos

x

y

= 0

= 0

z = 0

2 2

y

b

x

2

a

x

2

2

a

2

+

+

+

z

2

c

z

2

2

c

y

2

2

b

2

= 1

-

Elipse no plano O yz

= 1

Elipse no plano O xz

= 1

Elipse no plano O xy

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Facilmente se obtém z c b a y x
Facilmente se obtém
z
c
b
a
y
x

2.

Paraboloide

z = x

2

z =

x

2

a

2

+

+

y

2

y

2

b

2

Fig. 3

circular, com eixo Oz

eliptíco, com eixo Oz

Intersecções com os planos coordenados; para a primeira equação vem

z

y

x

= 0

= 0

= 0

(0 ,0)

z

z

= x

= y

2

2

Intersecções com planos z = k

x

2

+

y

2

= k

(k > 0)

-

Vértice do paraboloide

-

parábola em Oxz

-

Parábola em Oyz

-

Circunferência no plano z = k

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z 2 k z=y 2 z=x k y x
z
2
k z=y
2
z=x
k
y
x

Fig. 4

3. Outros Exemplos de Paraboloides

z = k + x

2

+ y 2 z z=k+y 2 z=k+x 2 k y
+
y
2
z
z=k+y 2
z=k+x 2
k
y

x

Fig. 5

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Ou ainda

y = z

2

+ x

2

+ k z k y x
+ k
z
k
y
x

Fig. 6

4. Cone – Superfície cónica

x

x

2

2

a

2

+

+

y

2

y

2

b

2

z

2

= 0

z

2

c

2

= 0

circular, com eixo Oz

elíptico, com eixo Oz

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Intersecções com os eixos coordenados; para a primeira equação vem

z

y

x

= 0

= 0

= 0

x

x

y

2

2

2

+

y

z

z

2

2

2

= 0

= 0

= 0

Intersecções com z = k

x

2

+ y

2

= k

2

(0 , 0)

-

Vértice

x =

± z

-

Duas rectas bissectrizes de Oxz

y = ±

z

-

Bissectrizes de Oyz

 

-

Circunferência no plano z = k

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z z = y z=k z = -y y x Fig. 7
z
z = y
z=k
z = -y
y
x
Fig. 7

5. Hiperboloide de uma folha

2

2

2

x = 1

a

y

z

c

2

2

+

b

2

Intersecções com os planos coordenados

z = 0

y = 0

x = 0

x

2

x

a

2

2

a

y

2

2

b

2

+

y

2

b

2

z

2

c

2

= 1

z

2

c

2

= 1

Intersecções com os planos z = k

x k

y

b

2

2

+

=

1

+

2

a c

2

2

2

- Eixo de simetria Oz

- Elipse em Oxy

- Hipérbole em Oxz

- Hipérbole em Oyz

- Elipses nos planos z = k

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z 2 y z = 1 2 2 2 b c 2 x z =
z
2
y
z
= 1
2 2
2
b
c
2
x z
=
1
2 2
2
a c
y
x

Fig. 8

Hiperbolóides com outros eixos de simetria correspondem ao sinal ( – ) noutras variáveis; consideremos por exemplo

6. Hiperboloide de uma folha – com eixo de simetria Oy

x

2

a

2

y

2

b

2

+

z

2

c

2

= 1

Fazendo as intersecções com os planos coordenados obtemos neste caso

y = 0

x

a

2

2

+

z

c

2

2

= 1

-

Elipse em Oxz

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x = 0

z = 0

z

2

c

x

2

2

a

2

y

2

b

y

2

2

b

2

= 1

= 1

Intersecções com os planos y = k

x

2

a

2

+

z

2

b

2

=

1

+

k

2

c

2

Teresa Arede

- Hipérbole em Oyz

- Hipérbole em Oxy

- Elipse nos planos y = k

A representação gráfica obtém-se da anterior rodando o hiperbolóide de modo a

que o seu eixo fique no eixo Oy.

IV. Superfícies Cilíndricas

Seja L uma recta em R 3 ; C uma curva plana cujo plano não contém L.

Uma superfície cilíndrica é a superfície gerada pela recta L quando esta se desloca,

paralelamente a si mesma, ao longo da curva C. A curva C é designada por directriz

da superfície e a recta L e rectas paralelas a ela, sobre a superfície, designam-se por

geratrizes.

Exemplos

1 Cilindro circular recto

A geratriz C é a circunferência de equação (

x

x

0

)

2

+

(

y

y

0

)

2

= r

2

no plano

z = 0 ; a recta L é uma recta perpendicular ao plano de C que passa no ponto (

x

0

,y

0

)

.

Pela definição dada acima a superfície cilíndrica pode ser representada por

Análise Matemática II, MIEM/MIEIG z y ( x 0 , y 0 )
Análise Matemática II, MIEM/MIEIG
z
y
(
x
0 , y
0 )

e descrita por

S = {(x,y,z)

R

3

: (x

Fig. 9

x

0

)

2

+ (y

y

0

)

2

= r

2

,z

R}

Teresa Arede

A equação cartesiana desta superfície é assim dada por

(

x

x

0

)

2

+

(

y

y

0

)

2

= r

2 (onde z é arbitrário)

2 .Cilindro Elíptico Recto

2

A directriz C será agora elipse de equação (

x

x

0

)

a

2

+

(

y

y

0

)

2

b

2

= 1

no plano z = 0

e a geratriz uma recta L perpendicular ao plano de C.

À semelhança do caso anterior será uma superfície de equação cartesiana

(

x

x

0

)

2

a

2

+

(

y

y

0

)

2

b

2

= 1

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onde z é arbitrário, e a representação gráfica é também muito semelhante.

3. Cilindro “Parabólico” Recto

Consideremos agora a curva C de equações cartesianas

  z

a

y = 0

=

2

x

2

isto é, uma parábola no plano y=0, e seja L uma recta paralela a Oy .

Pela definição acima, a superfície cilíndrica de directriz C e geratrizes paralelas a L

será representada graficamente por

z 2 a -a z=a 2 -x 2 y a x Fig.10 2 2 A
z
2
a
-a
z=a 2 -x 2
y
a
x
Fig.10
2
2
A sua equação cartesiana é
z
= a
x
, para
y
R .

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V. Superficies de Revolução

Teresa Arede

Uma superfície de revolução é a superfície obtida por rotação de uma curva plana em

torno de um eixo situado nesse plano; doutro modo é a superfície de um sólido de

revolução. Esta superfície é tal que as secções feitas por planos perpendiculares ao

eixo são circunferências.

Consideremos, por exemplo, a curva, no plano Oyz, de equações cartesianas

z

x

=

=

f

0

(

y

)

Pela definição acima, rodando esta curva em torno do eixo Oy, obtemos

z=f(y)

z
z

x

a b y (x,y 0 ,z)
a
b
y
(x,y 0 ,z)

Fig. 12

Segundo a figura, a intersecção da superfície segundo um plano paralelo a Oxz é

x

y


2

+

=

y

z

0

2

=

f

2

(

y

0

)

e a superfície pode ser descrita como o conjunto

S = {(x, y, z)

Assim a equação da superfície é

R

x

3

2

: x

2

+

z

2

+ z

2

=

f

2

( y ), y

=

f (y)

2

, para

y

[a,b]}

[a ,b].