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AM II - MIEM/MIEIG Carlos C. António, diapositivos

LIMITE E CONTINUIDADE de funções de campo escalar
LIMITE E CONTINUIDADE
de
funções de campo escalar

1

DEFINIÇÃO DE LIMITE
DEFINIÇÃO DE LIMITE

Seja f uma função real de duas variáveis definida numa região D de

R

2

.

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Se (a,b) é, ou ponto interior de D ou ponto fronteiro não isolado, diz-se que o limite de f(x,y),

quando (x,y) tende para (a,b) é o número real L se

2 2 ∀ ε > 0, ∃ δ > 0 : ⎜ ⎛ 0 <
2
2
ε > 0, ∃
δ
> 0 :
⎜ ⎛ 0 <
(x - a)
+ (y - b)
<
δ
(x,y) ∈ D
⎞ ⎟ ⇒
f (x,y)
− <ε
L

e escreve-se

lim f ( x, y ) = L ( x,y ) → ( a,b )
lim
f
(
x, y
) =
L
(
x,y
)
(
a,b
)

(1)

(2)

A definição acima refere a distância entre (x,y) e (a,b), mas não a direcção de aproximação dos pontos. Isto significa que, se o limite existir, ele é independente da trajectória descrita pelo ponto (x,y) na sua aproximação a (a,b).

2

DEFINIÇÃO DE LIMITE
DEFINIÇÃO DE LIMITE

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Quando se considera que (x,y) se aproxima de (a,b) ao longo de uma determinada trajectória,

isto é quando

(x,y) C

, sendo C uma curva que vai de (x,y) a (a,b), considera-se um

limite trajectorial e

escreve-se:

lim f ( x, y ) ( x,y ) → ( a,b ) ( x,y
lim
f
(
x, y
)
(
x,y
)
(
a,b
)
(
x,y
)
C

De acordo com a observação anterior, se existe

(

lim

x,y a.b

)

(

)

f

(

x, y

)

,

então todos os limites trajectoriais

(

(

lim

x,y

x,y

)

C

)

(

1

a,b

)

f

(

x, y

) =

L

1

e

conclui-se que não existe limite.

(

(

lim

x,y

x,y

)

C

)

(

a,b

)

f

(

x, y

)

(

(

lim

x,y

x,y

)

C

)

(

a,b

2

)

f

(

x, y

são iguais. Assim, se

) =

L

2

com

L

1

L

2

3

(3)

DEFINIÇÃO DE LIMITE Interpretação geométrica: Afirmar que lim f ( x, y ) = L

DEFINIÇÃO DE LIMITE Interpretação geométrica:

Afirmar que

lim f ( x, y ) = L ( x,y ) → ( a,b )
lim
f
( x, y
) =
L
(
x,y
)
→ (
a,b
)

significa que, dado um número real

ε> 0

pode determinar-se um número real

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δ> 0

tal que a

imagem por f do conjunto

B((a,b), δ ) D

corresponde aos pontos do gráfico de

f

situados entre os planos horizontais

z = L ε

e

z = L +ε

, com forme a figura abaixo.

z z = L +ε s L z = L −ε O y x (a,b)
z
z = L +ε
s
L
z = L −ε
O
y
x
(a,b)
Observação: A definição de limite indicada acima não considera o caso em que (a,b) é
Observação: A definição de limite indicada
acima não considera o caso em que (a,b) é
um ponto isolado do domínio D da função.
No entanto, se
(a ,b ) ∈
D
é um ponto
isolado tem-se por definição:
lim
f
(
x, y
)
=
f a,b
(
)
(4)
(
x,y
)
→ (
a,b
)

4

DEFINIÇÃO DE LIMITE
DEFINIÇÃO DE LIMITE

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1º Exemplo:

Resolução:

Calcule, caso exista,

(

x,y

lim

)

(0 , 0)

2 2

x

y

x

2

+ y

2

.

Seja

f

(

x,y

) =

x

2

y

2

x

2

+

y

2

equação y=0, obtém-se

. Aproximando de (0,0) ao longo do eixo Ox, isto é, ao longo da recta de

lim

(x, y)

y

0

=

(0,0)

 

2

2

2

x

y

=

lim

 

x

x

2

2

+ x

y

0

x

2

= 1

Se a aproximação de (0,0) for feita ao longo do eixo Oy, isto é, ao longo da recta de equação

x=0, obtém-se

Assim, não existe

(

x,y

lim

)

 

x

2

y

2

lim

y

2

 

=

 

(0,0)

x

2

+

y

2

y

0

y

2

2

2

x

y

 
 

.

x

2

+ y

2

 

lim

(x, y)

x

0

=

(0 , 0)

=− 1

5

DEFINIÇÃO DE LIMITE
DEFINIÇÃO DE LIMITE

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2º Exemplo: 2 x y Analise a existência de lim . 2 4 ( x,y
2º Exemplo:
2
x
y
Analise a existência de
lim
.
2
4
(
x,y
)
(0
,
0)
x
+
y
Resolução:
Aproximando de (0,0) ao longo das rectas y=mx
vem,
2
2
3
2
x
y
m
x
m
x
lim
=
lim
=
lim
= 0
2
4
2
4
4
4
2
( x,y
)
→ (0 , 0)
x
+ y
x
0
x
+
m
x
x
→ 0
1 + m
x
y = mx
2
Aproximando de (0,0) ao longo da parábola
x = y
, obtém-se
2
4
x y
y
1
lim
=
lim
=
2
4
4
(
x,y
)
(0 , 0)
y → 0
2
x
+ y
2 y
2
x = y
2
x
y
Logo não existe
lim
.
2
4
(
x,y
)
(0
,
0)
x
+
y

6

DEFINIÇÃO DE LIMITE
DEFINIÇÃO DE LIMITE

3º Exemplo (opcional):

Prove que

(

x,y

lim

)

(0 , 0)

3 x

2

y

2

x + y

2

= 0

.

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Obs.: Aproximando de (0,0) ao longo das rectas y=mx

os limites são iguais. Existirá limite ?

Resolução:

e ao longo das parábolas

y = x

Pela definição de limite,

∀ >

ε

0

,

δ

>

0

:

0

<

2 3 x y 2 2 x + y < δ ⇒ 0 2 2
2
3 x
y
2
2
x
+
y
<
δ
0
2
2
x + y
2 3 x y 2 2 x + y < δ ⇒ 0 2 2 x

− <ε

2

e

2

x = y

Pretende-se demonstrar que

3 x

2

y

2

x + y

2

<ε

sempre que

0 <

x

2

+

y

2

e 2 x = y Pretende-se demonstrar que 3 x 2 y 2 x + y

<δ

7

DEFINIÇÃO DE LIMITE
DEFINIÇÃO DE LIMITE

3º Exemplo (opcional):

Considerando a desigualdade

x

2

x

2

+ y

2

tem-se sucessivamente,

2 3 x y ≤ 3 y 2 2 x + y
2
3 x
y
≤ 3
y
2
2
x
+ y
2 3 x y ≤ 3 2 2
2
3 x
y
3
2
2

x

2 2 2 y ≤ 3 x + y
2
2
2
y
3
x
+
y

e

+

y

 

3

x

2

y

3

x

2

+

y

2

2 3 x y ≤ 3 2 2 x + y
2
3 x
y
3
2
2
x
+ y

<δ

2 2 x + y
2
2
x
+
y

ou

x

2

+

y

2

3 2 2 x + y < δ 2 2 x + y ou x 2
2 2 x + y
2
2
x
+
y

Considerando

obtém-se:

3δ

e finalmente fazendo

ε= 3δ

Logo

(

x,y

lim

)

(0 , 0)

3 x

2

y

x

2

+ y

2

vem,

= 0

2 3 x y 2 2 x + y
2
3 x
y
2
2
x
+ y

ε

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Propriedades dos limites de funções reais de duas variáveis reais:

Proposição: Sejam λ uma constante real, f e g funções reais de duas variáveis reais tais que

lim f ( x, y ) e lim g ( x, y ) existem. Então,
lim
f
( x, y
) e
lim
g
(
x, y
)
existem. Então,
(
x,y → a,b
)
(
)
(
x,y → a,b
)
(
)
1.
lim
λ = λ
(
x,y
)→(
a,b
)
2.
lim
x
=
a
(
x,y
)→(
a,b
)
3.
lim
y
=
b
(
x,y
)→(
a,b
)
4.
lim
[
f
(
x, y
)
+
g
(
x, y
)]
=
lim
f
(
x, y
)
+
lim
g
(
x, y
)
(
x,y → a,b
)
(
)
(
x,y → a,b
)
(
)
(
x,y → a,b
)
(
)

(5)

9

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Propriedades dos limites de funções reais de duas variáveis reais:

Proposição (cont.)

5.

(

lim

x,y a,b

)

(

)

[

λ

f

(

x, y

)]

=λ

(

lim

x,y a,b

)

(

)

f

(

x, y

)

6.

(

lim

x,y a,b

)

(

)

[

f

(

x, y

)

g

(

x, y

)]

=

(

lim

x,y a,b

)

(

)

f

(

x, y

)

(

lim

x,y a,b

)

(

)

g

(

x, y

)

7.

lim

)

(

f

(

x, y

)

f

(

x,y

)

)

(

x,y

a,b

)

lim

)

(

lim

)

(

(

x, y

)

(

g x,y

(

x,y

lim

)

(

a,b

)

g

(

x, y

)

,

=

se

g

(

x,y

a,b

)

(

x,y

a,b

)

lim ) → ( lim ) → ( ( x, y ) ( g x,y (

0

(6)

10

DEFINIÇÃO DE CONTINUIDADE Sejam f uma função real de duas variáveis reai s definida numa

DEFINIÇÃO DE CONTINUIDADE

DEFINIÇÃO DE CONTINUIDADE Sejam f uma função real de duas variáveis reai s definida numa região

Sejam f

uma função real de duas variáveis reais definida numa região D e

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(a,b)D

um ponto

interior ou um ponto fronteiro não isolado. A função f diz-se contínua em (a,b) se

lim f ( x, y ) = f a,b ( ) ( x,y ) →
lim
f
(
x, y
)
=
f a,b
(
)
(
x,y
)
→ (
a,b
)

(7)

Atendendo à definição de limite a igualdade acima é equivalente a

2 2 ∀ ε > 0 ∃ , δ > 0 : ⎛ ⎜ 0
2
2
ε
> 0 ∃
,
δ
>
0 :
⎛ ⎜ 0
<
(
x
-
a
)
+
(
y
-
b
)
<
δ
(
x,y
)
D
⎞ ⎟ ⇒
f
(
x,y
)
f a,b
(
)

Sendo (a,b) D

um ponto isolado, f é contínua em (a,b) (atenda-se à igualdade (4)).

(8)

O subconjunto de D formado pelos pontos onde f é contínua, designa-se por domínio de

continuidade de f . Diz-se que f é contínua em D, se f é contínua em todos os pontos (a,b) de D.

11

Generalização para funções de campo escalar definidas em R n n ≥ 3 ,
Generalização para funções de campo escalar definidas em
R
n n ≥ 3
,

Limite

AM II - MIEM/MIEIG Carlos C. António, diapositivos

Se f

é uma função real definida num subconjunto D de

R

n

e se

a =

interior de D ou um ponto fronteiro não isolado, diz-se que o limite de

x =

(

x ,L, x

1

n

)

tende para

a =

(

a

1

,L, a

n

)

é o número real L se

f

(

(

a

1

,L, a

x ,L, x

1

n

n

)

)

é um ponto

quando

( ) ∀ > ε 0 , ∃ δ > 0 : 0 < x
(
)
∀ >
ε
0 , ∃
δ
>
0 :
0
<
x − a
<
δ
x
D
f
(
x
)
L
<
ε
n

Onde

.
.

n designa a norma euclidiana em

R

n . Assim, escreve-se

lim f (x) = L x → a
lim f
(x) = L
x → a

(9)

(10)

Todas as propriedades referidas para

R

2 permanecem válidas, com as devidas adaptações.

12

Generalização para funções de campo escalar definidas em R n n ≥ 3 ,
Generalização para funções de campo escalar definidas em
R
n n ≥ 3
,

Continuidade

AM II - MIEM/MIEIG Carlos C. António, diapositivos

Se f

é uma função real definida num subconjunto D de

R

n

e se

a =

(

a

1

,L, a

n

interior de D ou um ponto fronteiro não isolado, diz-se que f é contínua em

a =

(

a

1

)

é um ponto

,L, a

n

)

se

isto é,

lim f

x

a

(x)

= f

(a)

( ) ∀ > ε 0 , ∃ δ > 0 : 0 < x
(
)
∀ >
ε
0 , ∃
δ
>
0 :
0
<
x − a
<
δ
x
D
f
(
x
)
− f
(
a
)
<
ε
n

(11)

(12)

Se

aD

é um ponto isolado, por definição vem

lim f

x

a

(x)

pelo que f é contínua em a.

= f

(a)

13

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Extensão dos conceitos de LIMITE E CONTINUIDADE para funções de campo vectorial
Extensão dos conceitos
de
LIMITE E CONTINUIDADE
para
funções de campo vectorial

14

Funções de campo vectorial
Funções de campo vectorial

Limite

Seja

f

é uma função definida em subconjuntos D de

f

:

D R

n

R

R

m

n

, tomando valores em

AM II - MIEM/MIEIG Carlos C. António, diapositivos

R

m

(m>1):

Se

de

se

a =

(

a

1

,L, a

n

f

quando

x =

)

(

é um ponto interior de D ou um ponto fronteiro não isolado, diz-se que o limite

x ,L, x

1

n

)

tende para

a

é o vector

b =

(

b ,L, b

1

m

)

e escreve-se

lim

x

a

f

(

x

) =

b

(13)

( ) ∀ > ε 0 , ∃ δ > 0 : 0 < x
(
)
∀ >
ε
0 , ∃
δ
>
0 :
0
<
x − a
<
δ
x
D
f
(
x
) −
b
<
ε
n
m

(14)

onde

.
.

n

e

.
.

m representam respectivamente as normas euclidianas em

R

n

e

R

m

.

15

Funções de campo vectorial
Funções de campo vectorial

Continuidade

Se

f

é uma função definida em subconjuntos D de

R

n

e se

a =

(

a

1

,L, a

n

)

AM II - MIEM/MIEIG Carlos C. António, diapositivos

é um ponto interior

de D ou um ponto fronteiro não isolado, diz-se que f é contínua em a se

isto é,

lim f(x) = f(a) x → a
lim
f(x)
= f(a)
x
→ a
( ) ∀ > ε 0 , ∃ δ > 0 : 0 < x
(
)
∀ >
ε
0 , ∃
δ
>
0 :
0
<
x − a
<
δ
x
D
f
(
x
)
f
(
a
)
<
ε
n
m

(15)

(16)

16

Funções de campo vectorial
Funções de campo vectorial

Limite e Continuidade (Cont.)

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Designando por

(x

1

,

,x

n

)

D

f

1

R

, f

2

n

,

,

,

f

m

f

(

as funções componentes de f, isto é, se se tiver, para todo o

x

1

,

,x

n

)

=

(

f

1

(

x

1

,

,x

n

)

,

, f

m

(

x

1

,

,x

n

) )

pode-se afirmar que

é equivalente a

lim

x

a

f

lim f

i

x a

(

(

x

) =

x

) =

b

b

i

,

para todo o

i

{

1 ,

,m

}

A equivalência anterior permite afirmar que f é contínua em

a =

(

a

1

,L, a

para todo o

i {1,

,

m }

,

f

i

é contínua em a, ou seja, se e somente se


lim f

1

x

a

(

x

),

L, lim f

m

x

a

(

x

)

=

(

f

1

(

a

),

L, f

m

(

a

))

n

)

(17)

, se e somente se,

(18)

17