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Remissão Prof. Marcello Leal

Conceito

A remissão é causa de extinção do crédito tributário. Isto significa que ela pressupõe a

anterior constituição deste através do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN e da súmula 436 do STJ. Assim, se ainda não houve crédito constituído, ainda que já tenha tido a ocorrência do fato gerador, não se tratará de remissão.

Remitir significa perdoar o crédito tributário, que pode ser tanto de forma total quanto parcial. É uma forma de extinção não só do crédito tributário, mas da própria obrigação subjacente e que deverá ser sempre veiculada em lei, fazendo desaparecer o direito subjetivo do credor de exigir a prestação, e o dever jurídico do sujeito passivo de pagar o tributo (no todo ou em parte).

Diferença entre remição e remissão: remição significa pagamento e não se confunde com remissão, que, conforme visto significa perdão. Remir a dívida, quer dizer que pagou ao credor da obrigação. Remitir significa perdoar.

O art. 172 do CTN estabelece que a lei pode autorizar a concessão, pela autoridade

administrativa, por despacho fundamentado, de remissão total ou parcial do crédito tributário. Como toda causa de extinção do crédito tributário, a remissão deverá observar o princípio da legalidade estrita.

A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:

O perdão da dívida não deverá ser dado aqueles que possuem capacidade para contribuir, devendo privilegiar os de menor poder aquisitivo, prejudicados em razão de extraordinária situação que interfira nos rumos da economia, fazendo com que seja necessária intervenção do Estado com o objetivo de reverter prejuízos ou a manutenção de postos de trabalho. A remissão aqui tem por objetivo interferir em situações econômicas e financeiras de crise, não individuais, mas de segmentos ou categorias econômicas, evitando falências ou prejuízos em cascata, desemprego e sonegações.

Situação econômica do sujeito passivo

Ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato

Apesar de não ser necessária a perquirição de elementos subjetivos quando da constituição do crédito tributário, sendo de todo dispensável a análise se o sujeito passivo agiu com dolo ou culpa ao infringir a lei tributária, pode o ente remitir o crédito tributário daquele que demonstrou descumpriu a lei por conta de escusável ignorância quanto a matéria de fato. Assim, intenciona o legislador afastar os casos nos quais o sujeito passivo agiu com dolo, tendo ele praticado crime ou não.

Os créditos de pequeno valor podem ser perdoados porque são economicamente inviáveis, uma vez que a movimentação da máquina administrativa e judiciária visando sua cobrança é mais dispendiosa que o próprio crédito a ser recuperado. A Lei de Responsabilidade Fiscal, no par. 3º, inciso II, do artigo 14, expressamente exclui da aplicação da norma de renúncia de receita o cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança do crédito.

O valor considerado diminuto normalmente vem previsto em

norma contida na Lei de Diretrizes Orçamentárias que, por sua vez, faz referência ao art. 24, da Lei 8.666/96, referente ao limite de dispensa de licitação.

Atenção que quando for possível a reunião de vários débitos de pequeno valor, do mesmo sujeito passivo, fazendo com que o somatório ultrapasse aquele limite, a cobrança judicial prosseguirá normalmente.

Diminuta importância do crédito tributário

Considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso

Quando a autoridade administrativa, em despacho fundamentado, valer-se da equidade para perdoar o crédito tributário, pautando-se nas características pessoais ou materiais do caso, deverá ficar atenta ao princípio da isonomia tributária. Isto quer dizer que estará impedida de dispensar tratamento desigual à contribuintes semelhantes que estejam em situação equivalente.

Atenção para não se confundir aqui com a vedação contida no art. 108 do CTN. Lá a equidade está obstada, pois se está referindo a caso de integração da norma tributário. A remissão é causa de extinção, não havendo vedação à sua aplicação, desde que devidamente fundamentado e respeitada a equidade.

Condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante

A remissão pode ser geral limitada a determinado território da

entidade tributante. Todas as pessoas que preencham os requisitos trazidos em lei, com domicílio tributário naquele espaço territorial, deverão se beneficiar da remissão.

Pode ser o caso de promover-se o desenvolvimento socioeconômico de certa parte do território ou, até mesmo, em atenção à situação de calamidade pública que atingiu aquela localidade.

Atenção: Remissão X Anistia

Não há que se confundir o presente instituto com a anistia, que é o perdão da infração e da penalidade correspondente, conforme visto acima. A remissão pode abranger todo o crédito ou parte dele, referente ao tributo ou o crédito referente à penalidade pecuniária. Assim,

pode o ente político remitir somente os juros ou somente a correção monetária, se assim preferir. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva.

Atenção: direito adquirido x revogação da remissão

Atenção que o ato concessivo e devidamente fundamentado da remissão não gera direito adquirido, podendo ser anulado ou cassado, desde que se comprove não estarem presentes ou terem cessado as condições exigidas para sua concessão, nos termos do art. 172, parágrafo único do CTN. Perderá também o benefício quando se comprovar que o beneficiado agiu com simulação ou dolo. A lei utilizou o termo revogação para ambos os casos. Apesar de não ser apropriado, pois não se trata em nenhuma hipótese de revogação propriamente dita, pois ou há uma ilegalidade originária do ato concessivo ou superveniente, inexistindo elemento discricionário a ser levado em conta, sendo, portanto, caso de anulação ou cassação, recomenda-se assinalar como correta a alternativa que reproduza o texto do art. 155, do CTN.

anulação ou cassação, recomenda-se assinalar como correta a alternativa que reproduza o texto do art. 155,