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Agostinho Vicente Lourenço (1822-1893)
Apesar de ser relativamente desconhecido em Portugal, Agostinho Lourenço pode ser considerado um dos pioneiros da química de polímeros. Agostinho Vicente Lourenço nasceu na Índia e aí se graduou pela Escola Médico-Cirúrgica de Nova Goa. Dando continuidade a uma prática habitual das câmaras agrárias da Índia, que subsidiavam estudantes de reconhecido mérito para aperfeiçoarem os seus estudos na Europa, viajou para Lisboa onde, com o auxílio do governo português, que lhe concedeu outro subsídio, duplicando o que já trazia da Índia, reuniu os meios necessários para ir estudar para Paris. Na capital francesa, exerceu medicina em vários hospitais e, pela École Centrale des Arts et Métiers, graduou-se Engenheiro Civil. Mais tarde, obteve o grau de Doutor em Ciências pela Universidade de Paris. A atividade científica mais importante de Agostinho Lourenço foi desenvolvida na capital francesa, no laboratório de Adolphe Wurtz (1817-1884), que divulgou várias comunicações escritas pelo investigador português. Em 1863, nos prestigiados Annales de Chimie et de Physique, foi publicado o relatório do trabalho que realizou no laboratório, bem como a sua dissertação de doutoramento. Nesta publicação, Agostinho Lourenço relatou a síntese de polietilenoglicóis da fórmula HO-(CH -CH -O) -H
2 2 n

por condensação de etileno-glicol na

presença de um di-halogeneto de etileno. Os membros individuais da série até n = 6 foram isolados por destilação notando que a viscosidade aumenta com n. Agostinho Lourenço foi realçado por diversas vezes nos textos de Wurtz e contribuiu, juntamente com outros investigadores, para a consolidação da téoria atómica. Também Dumas e Balard (1861: 326), num relatório apresentado à Academia de Ciências de Paris e publicado nos Compte Rendus de Séances, elogiaram: “... le jeune savant portugais, possédant à la fois l’aptitude à l’observation qui fournit les materieux, et la connaissance générale de la science qui permet de les interpréter de la manière la plus rationnelle, saurait à son tour susciter à la chimie organique dans le pays qu’il est destiné à habiter, des travailleurs de plus pour concourir au développement de cette partie de la science si vaste, et ou il y a encore tant à faire.”. Outra referência importante a Agostinho Lourenço foi feita na obra Principles of Polymer Chemistry de Flory (1953). No ponto dois do primeiro capítulo, o autor descreve a descoberta
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spq. aquilo que despertou o interesse do químico americano Paul Flory. pp. não dando continuidade aos estudos iniciados em Paris. Antes de regressar a Portugal. Acesso em 29-09-2013 A66106 – José Carlos da Silva Nogueira Página 2 . Rapport sur plusieurs Mémoires présentés à l’Académie. Tornou-se docente da Eschola Polytechnica em Lisboa e não voltou a publicar trabalho relevante. 12-19. in Química – Boletim da Sociedade Portuguesa de Química. pp. Schiff. pp. pp. Referências Bibliográficas Flory. Recherches sur l’acide tartrique. quase um século mais tarde. Mallet-Bachelier. Trabalhar a história da química em Portugal. (1953). Agostinho Lourenço. (1861). Annales de chimie et de physique. Disponível em http://www. in Chevreul & al. Principles of Polymer Chemistry. sucessor de Agostinho Lourenço na cadeira de Química Orgânica e Analítica especulou. Herold. Somente Eduardo Burnay (1895).pt/boletim/docs/boletimSPQ_100_062_28. Dumas et al. foi um facto a que Burnay e outros contemporâneos de Lourenço não atribuíram importância nenhuma: o de ser um precursor da química dos altos polímeros. Volume 53. P. (2006). B.Processamento e Projeto com Plásticos Home Assignement 1 do investigador português como sendo o primeiro registo da constituição de uma cadeia poliméria sintética foi designada com algum grau de exatidão. 257-280. em 1861. em Elogio histórico do Dr. 62-65. Tal como se pode constatar pelo que foi anteriormente enunciado.pdf. M. 322-326. Série 3. as razões pelas quais o investigador português teria ficado pela docência e pela análise de águas minerais de numerosas termas de Portugal. Cornell University. teve propostas do Instituto Francês do Egipto e da Faculdade de Medicina de Lyon que recusou. Victor Masson et Fils. (1863). In Comptes rendus des séances de l’Académie des sciences. Sociedade portuguesa de química.