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Guia CBIC de Boas

Práticas em
Sustentabilidade
na Indústria
da Construção
Ficha catalográfica
Elaborada pela Biblioteca Walther Moreira Salles

Tello, Rafael
T277g Guia CBIC de boas práticas em sustentabilidade na indústria da
Construção / Rafael Tello; Fabiana Batista Ribeiro. - Brasília:
Câmara Brasileira da Indústria da Construção; Serviço Social da Indús-
tria; Nova Lima: Fundação Dom Cabral, 2012.
160p.

1. Sustentabilidade corporativa. 2. Sustentabilidade na construção.


3. Construção sustentável. I. Fundação Dom Cabral. II. Tello, Rafael.
III. Ribeiro, Fabiana Batista. IV. Título.

Ficha Técnica Geórgia Grace Bernardes


Realização Assessora Técnica da CBIC
Câmara Brasileira da Indústria
Carlos Ely
da Construção - CBIC
Assessor de Comunicação da CBIC
Paulo Safady Simão
Presidente - CBIC Projeto Gráfico
Gadioli Cipolla Comunicação
Coordenação
Mariana Silveira Nascimento Cassiano Cipolla
Coordenadora de Responsabilidade Social da CBIC Direção de arte
Concepção Editorial Samuel Harami
Fundação Dom Cabral - FDC, através do Centro Diagramação e finalização
de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Jonas Rio
Construção - CDSC Ilustrações
Wagner Furtado Veloso
Presidente João Cavalcante
Atendimento
Maria Raquel Grassi
Gerente do Núcleo Petrobras Expressão Gráfica
de Sustentabilidade Impressão
Cynthia Maura Gonçalves de Resende Revisão
Gerente do Projeto Tânia Belarmino
Equipe técnica Câmara Brasileira da Indústria
Rafael Tello da Construção - CBIC
Coordenador Técnico do Centro de Desenvolvi- SCN - Quadra 01 - Bloco E - Edifício Central Park
mento da Sustentabilidade na Construção - CDSC - 13º Andar
Fabiana Batista Ribeiro CEP 70.711-903 - Brasília/DF
Pesquisadora associada da Telefone: (61) 3327-1013
Fundação Dom Cabral e-mail: social@cbic.org.br
APRESENTAÇÃO - GUIA DE BOAS PRÁTICAS
A Indústria da Construção recuperou nos últimos anos um papel estratégico na eco-
nomia brasileira. A partir de 2004, com a aprovação da Lei do Mercado Imobiliário,
temos assistido a um crescimento inédito do setor, que se tornou recordista em nú-
mero de empregos gerados, líder em concentração de investimentos e responsável
pela mobilização de uma ampla cadeia produtiva que ajudou a manter a estabilida-
de econômica do país durante a primeira fase da crise mundial, iniciada em 2008.

Entretanto, muito mais do que bons números, o nosso setor é feito de gente. São mais de três milhões
de pessoas, entre empresários e trabalhadores que, com empreendedorismo, talento e criatividade,
têm buscado oferecer respostas aos graves desafios que o país ainda enfrenta no caminho do desen-
volvimento sustentável.

Mensagem do Neste contexto, a indústria brasileira da construção assume uma importância ainda maior. Já somos o quarto
país do mundo em número de empreendimentos com certificados de sustentabilidade e estamos promo-
vendo uma verdadeira revolução nos canteiros de obras com a contratação de mulheres e com a geração de

Presidente empregos com níveis cada vez maiores de qualificação, que estão mudando para sempre o perfil dos nossos
profissionais. Mais do que isso, a Construção tem sido um ator cada vez mais envolvido no amplo debate

da CBIC público que tem buscado oferecer à sociedade brasileira alternativas para o crescimento caótico das nossas
cidades. O setor dá provas do seu amadurecimento incorporando no dia a dia das empresas uma preocupa-
ção cada vez mais presente com o desenvolvimento e a inclusão social aliada ao cuidado ambiental.

Sabemos que as soluções que o Brasil espera e precisa passam – necessariamente – pela Engenharia
e pela Construção, como: a erradicação do déficit habitacional, a universalização do saneamento e a
ampliação da nossa infraestrutura produtiva e logística, que tornará os produtos brasileiros mais com-
petitivos no mercado internacional. Estamos prontos e dispostos a dar a nossa contribuição.

Por isso, a importância deste Guia de Boas Práticas.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) espera que os exemplos reunidos aqui sirvam de re-
ferência e estímulo para que o conjunto das 170 mil empresas, que integra o nosso setor, possa incorporar
conceitos e práticas de responsabilidade socioambiental ao seu cotidiano.

Desejo a todos uma boa leitura e agradecemos a cada uma das empresas que tornaram possível a rea-
lização deste projeto.

Paulo Safady Simão


Presidente

6 7
Lista de Abreviaturas -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 12

1. O Guia CBIC de Boas Práticas eM Sustentabilidade na INDÚSTRIA DA Construção -------- 16

2. Contextualização: A Cadeia Produtiva da Construção e a Sustentabilidade ------------------------------ 18


2.1. A Cadeia Produtiva da Construção ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 18

2.2. Introdução à Sustentabilidade -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 18

2.3. Introdução da Sustentabilidade no Setor da Construção ------------------------------------------------------------------ 24

2.4. Contexto Atual da Sustentabilidade na Construção ---------------------------------------------------------------------------- 24

2.5. Desafios da Sustentabilidade na Construção ----------------------------------------------------------------------------------------- 28

3. Boas Práticas --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 30


3.1. Introdução às Boas Práticas ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 31

ÍNDICE 3.2. Gestão Empresarial/Governança -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 33

3.2.1. Incorporação da Sustentabilidade no Sistema de Gestão da Qualidade -------------------------------- 33

3.2.2. Desenvolvimento do Sistema Integrado de Gestão -------------------------------------------------------------- 37

3.2.3. Implantação de Sistema de Gestão de Riscos na Construção -------------------------------------------- 41

3.2.4. Incorporação das Recomendações da Norma ISO 26.000 ao Sistema de Gestão --- 43

3.2.5. Elaboração de Relatório de Sustentabilidade Conforme Padrão GRI ------------------------------ 47

3.2.6. Elaboração de Inventário de Gases de Efeito Estufa -------------------------------------------------------------- 51

3.3. Relacionamento com Stakeholders ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 55

3.3.1. Diálogo e Engajamento com Diferentes Stakeholders ------------------------------------------------------------ 55

3.3.2. Alinhamento de Ações de Responsabilidade Social com a Estratégia de Negócios ----- 59

3.3.3. Integração ao Índice de Sustentabilidade Empresarial − ISE ---------------------------------------------- 63

3.3.4. Desenvolvimento da Cadeia de Fornecimento para Sustentabilidade ----------------------------- 65

3.3.5. Relacionamento com Comunidade Vizinha às Obras ----------------------------------------------------------- 69

3.3.6. Apoio à Formação de Conselhos Comunitários ---------------------------------------------------------------------- 71

3.3.7. Apoio ao Desenvolvimento Local ----------------------------------------------------------------------------------------------- 75

8 9
3.4. Melhorias no Processo Construtivo --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 79 5. BIBLIOGRAFIA ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 132
3.4.1. Definição de Critérios de Sustentabilidade para Empreendimentos ------------------------------ 79 5.1. Contextualização: A Cadeia Produtiva da Construção e a Sustentabilidade -------------------------- 133

3.4.2. Adoção do Building Information Modeling (BIM) --------------------------------------------------------------------- 83 5.2. Boas Práticas -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 137

3.4.3. Implantação da Produção mais Limpa em Obras ------------------------------------------------------------------ 87


Agradecimentos ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 152
3.4.4. Otimização do Processo Construtivo para Minimizar Geração de Resíduos -------------------------- 89

3.4.5. Melhoria do Desempenho Ambiental dos Canteiros ---------------------------------------------------------- 91 Informações Institucionais ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 154
3.4.6. Implantação da Gestão de Resíduos nos Canteiros -------------------------------------------------------------- 93
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) ------------------------------------------------------------------------------ 155
3.4.7. Obtenção do Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal ------------------------------------------------- 97
Fundação Dom Cabral (FDC) ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 156
3.4.8. Eficiência Energética em Edificações – Etiqueta Procel Edifica -------------------------------------- 101
Serviço Social da Indústria (SESI) -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 157
3.5. Saúde e Segurança do Trabalhador ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 105

3.5.1. Sistema de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalhador ---------------------------------------------- 105

3.5.2. Provisão de Recursos de Projetos de Construção para Cobrir Custos Decorrentes da


Variação do FAP ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 107

3.5.3. Ergonomia no Canteiro de Obras e Escritório da Empresa ---------------------------------------------- 109

3.6. Mão de Obra na Construção -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 113

3.6.1. Formação de Mão de Obra em Comunidades Vizinhas às Obras ----------------------------------- 113

3.6.2. Contratação de Mão de Obra Feminina na Construção ---------------------------------------------------- 117

3.6.3. Inclusão Social de Detentos e Egressos do Sistema Prisional e do Trabalho Escravo ----- 121

3.7. Desenvolvimento Imobiliário Urbano -------------------------------------------------------------------------------------------------- 125

3.7.1. Construção de Calçadas Seguindo os Princípios da Sustentabilidade ------------------------ 125

3.7.2. Plano de Manutenção Preventiva e Retrofit em Condomínios ---------------------------------------- 127

4. Considerações Finais -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 130

10 11
3D Três Dimensões
3R Redução, Reutilização e Reciclagem
5S Seiton, Seiri, Seiso, Seiketsu e Shitsuke (Senso de Utilização, de Ordenação, de Limpeza, de Saúde e
de Autodisciplina)
ABCIC Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto
ABCP Associação Brasileira de Cimento Portland
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
ABRAMAT Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
ADEMI-GO Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás
AET Análise Ergonômica do Trabalho
AMMA Agência Municipal de Meio Ambiente de Goiânia
AQUA Alta Qualidade Ambiental
BID Banco Interamericano de Desenvolvimento
BIM Building Information Modeling (Modelagem de Informação da Construção)

Lista de
BM&FBOVESPA Bolsa de Mercadorias & Futuros e Bolsa de Valores de São Paulo
BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
BRE Building Research Establishment

Abreviaturas BREEAM
CAD
BRE Environmental Assessment Method (Método de Avaliação Ambiental do BRE)
Computer-aided Design (Desenho assistido por computador)
CAT Comunicação de Acidente de Trabalho
CBIC Câmara Brasileira da Indústria da Construção
CDL Câmara de Dirigentes Lojistas
CDSC Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção
CEBDS Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável
CEF Caixa Econômica Federal
CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
CIC-FIEMG Câmara da Indústria da Construção da FIEMG
CLT Consolidação das Leis do Trabalho
CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas
CNJ Conselho Nacional de Justiça
CNTL Centro Nacional de Tecnologias Limpas
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
CPII Cimento Portland Composto
CREA Conselho Regional de Engenharia e Agronomia
CSBMJ Consórcio Santa Bárbara Mendes Júnior
CSI Cement Sustainability Initiative
DNGB Deutsche Gesellschaft für Nachhaltiges Bauen (Conselho Alemão de
Construção Sustentável)
ECOO11 iShares Índice de Carbono Eficiente no Brasil
EJA Educação de Jovens e Adultos

12 13
ENCE Etiqueta Nacional de Conservação de Energia OSB Oriented Strand Board (Painel de Tiras de Madeira Orientadas)
EPI Equipamento de Proteção Individual P+L Produção mais Limpa
ESIA Environmental and Social Impact Assessment PAE Programa de Atendimento a Emergências
FAP Fator Acidentário de Prevenção PBQP-H Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat
FBDS Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável PET Poli (Tereftalato de Etileno)
FDC Fundação Dom Cabral PGR Programa de Gerenciamento de Riscos
FGV Fundação Getúlio Vargas PGRCC Plano de Gestão de Resíduos da Construção Civil
FIEG Federação das Indústrias do Estado de Goiás PIB Produto Interno Bruto
FIEMG Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais PLANSEQ Plano Setorial de Qualificação Profissional para os Beneficiários do
Programa Bolsa Família
FIESP Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
PROCEL Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica
FIFA Fédération Internationale de Football Association
PSQT Prêmio SESI Qualidade no Trabalho
Fundação Certi Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras
QMSR Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional
GBC Green Building Council e Responsabilidade Social
GEE Gases de Efeito Estufa RAC-C Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comer-
ciais, de Serviços e Públicos
GRI Global Reporting Initiative
RAT Risco Acidente de Trabalho
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
RBMA Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
ICO2 Índice de Carbono Eficiente
RH Recursos Humanos
ICQ Brasil Instituto de Certificação Qualidade Brasil
RSE Responsabilidade Social Empresarial
IDEB Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
RTQ-C Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de
IDH Índice de Desenvolvimento Humano Serviços e Públicos
IEL Instituto Euvaldo Lodi SA 8000 Social AccountAbility 8000
IGP-DI Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna SBE Sociedade Brasileira de Espeleologia
Inmetro Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia Seconci Serviço Social da Indústria da Construção Civil
INSS Instituto Nacional do Seguro Social SEJU-PR Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná
IPCC Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
sobre Mudanças Climáticas) SESI Serviço Social da Indústria
ISE Índice de Sustentabilidade Empresarial SESMT Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho
ISO International Organization for Standardization SGI Sistema de Gestão Integrada
LABCON Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética no SGQ Sistema de Gestão da Qualidade
Ambiente Construído
SiAC Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras
LaBEEE Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Construção Civil
LED Light-emitting Diode (Diodo Emissor de Luz) SIG Sistema Integrado de Gestão
LEED Leadership in Energy and Environmental Design SIGO Sistema Integrado de Gestão de Obra
MEC Ministério da Educação SINE Sistema Nacional de Emprego
MPT Ministério Público do Trabalho Sinduscon Sindicato da Indústria da Construção
NBR Norma Brasileira SOC Software Integrado de Gestão Ocupacional
NR Norma Regulamentadora SRT-MT Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso
NTEP Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário SST Saúde e Segurança do Trabalhador
OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico SWOT Strengths, Weaknesses, Opportunities, and Threats (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças)
ODM Objetivos de Desenvolvimento do Milênio TCO Total Cost of Ownership (Custo Total de Propriedade)
OHSAS Occupational Health and Safety Advisory Services tCO2e Tonelada de Dióxido de Carbono Equivalente
OIT Organização Internacional do Trabalho TI Tecnologia de Informação
ONG Organização Não Governamental UFSC Universidade Federal de Santa Catarina
ONU Organização das Nações Unidas WSA World Steel Association

14 15
1. O Guia CBIC de Boas Práticas
eM Sustentabilidade na INDÚSTRIA
DA Construção
Se ligarmos a televisão ou o rádio ou, ainda, se abrirmos o jornal em busca das notícias do
dia, provavelmente nos depararemos com alguma reportagem na qual serão mencionados
temas, como sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, economia de baixo carbono
etc. Conferências e encontros empresariais certamente apresentam palestrantes discorren-
do sobre a harmonização dos pilares ambiental, econômico e social, responsabilidade so-
cioambiental, aliada a ganhos econômicos e outros temas correlatos.
Apesar da profusão de informações disponíveis sobre o tema, observamos que muitas em-
presas da cadeia produtiva da Construção ainda têm o desafio de lidar com a sustentabilida-
de e buscar soluções para problemas sociais e ambientais, gerados por suas atividades, de
modo a trazer ganhos tanto para seus negócios como para a sociedade.
Nesse sentido, elaboramos o Guia CBIC de Boas Práticas em Sustentabilidade na Indústria
da Construção para apoiar um movimento mais consistente de promoção da sustentabili-
dade e o alcance de um novo patamar de desempenho na Construção. O guia apresenta um
compilado de iniciativas empresariais que buscaram gerar resultados positivos ambientais,
econômicos e sociais de forma integrada.
Ao contrário de outras publicações com foco em Construção Sustentável, que visam expor
conteúdo acadêmico/técnico sobre a sustentabilidade na Construção, neste guia buscamos
focar exemplos práticos já implementados, testados e aperfeiçoados por empresas da ca-
deia produtiva da Construção, visando, deste modo, reduzir as incertezas e ampliar as chan-
ces de êxito de empresas que decidirem trilhar o caminho da sustentabilidade, tomando
como ponto de partida alguma(s) da(s) iniciativa(s) aqui apresentada(s).
Optamos pelo formato de um Guia Rápido para que o documento possa ser lido de forma
livre. Os leitores podem ir diretamente para as seções ou Boas Práticas de seu interesse. Para
facilitar a compreensão do leitor acerca do potencial de cada Boa Prática, montamos um
cabeçalho que lhe permitirá identificar previamente:
• O tema da Boa Prática;
• Informações sobre a empresa executora da Boa Prática;
• Os pilares da sustentabilidade alcançados como resultado da Boa Prática
(para mais detalhes sobre o cabeçalho, vide seção 3.1 – Introdução às Boas Práticas)
Nossa equipe selecionou as experiências empresariais que apresentaram as seguintes
características:
1 - Possuir aspecto inovador ou pouco difundido no mercado;
2 - Apresentar alguma questão relevante referente à sustentabilidade na cadeia pro-
dutiva da Construção;
3 - Apresentar boa execução, gerando resultados positivos para a empresa realizado-
ra e os stakeholders envolvidos; e
4 - Possuir potencial de replicação por empresas de todo o país.
Antes de introduzir propriamente as boas práticas selecionadas para compor este Guia CBIC
(Seção 3), faremos uma breve contextualização da cadeia produtiva da Construção (Seção 2.1),
rememoraremos o conceito de Sustentabilidade e de Desenvolvimento Sustentável e a trajetória
de sua evolução (Seção 2.2). O patamar de sustentabilidade praticado na cadeia produtiva da
Construção será sucintamente esboçado, bem como o arcabouço técnico, legal e normativo que
orienta o seu desenvolvimento (Seções 2.3 e 2.4). Por fim, anteciparemos os desafios que uma
economia de baixo carbono e de padrões socioambientais mais elevados representa, em nossa
opinião, às empresas do setor, ao demandar mudanças de conduta e no modo de fazer negócios
(Seção 2.5). Referências complementares sobre sustentabilidade na Construção também estarão
disponíveis para aqueles que desejarem consultas mais aprofundadas (Seção 5.1).

Boa leitura!

16 17
2. Contextualização: A Cadeia Produtiva
da Construção e a Sustentabilidade

2.1. A Cadeia Produtiva da Construção naturais inéditos, como chuvas ácidas e alta mortalidade de animais em áreas de lavoura. Isso fez com
que surgissem grupos de pessoas com o entendimento de que as capacidades de produção da natureza
Quando se fala de sustentabilidade na Construção constata-se que não basta ter foco apenas nas cons-
eram limitadas. Estes grupos cresceram com o passar dos anos e passaram a defender com intensidade
trutoras. Isto porque os impactos do setor começam antes mesmo da produção de qualquer material e
crescente a preservação ambiental. A este movimento, se uniram posteriormente outros interessados
se estendem até o fim da vida útil do empreendimento.
em direitos humanos, civis e trabalhistas, na erradicação da pobreza e desnutrição, entre outras ques-
Existem diferentes abordagens para tratar de todo este ciclo de vida que, apesar dos nomes diferentes,
tões sociais relevantes.
têm o mesmo objetivo: reunir todas as atividades necessárias para que um projeto de construção seja
Da pressão destes grupos e de ações no âmbito da Organização das Nações Unidas, em 1987, o termo
executado e tenha seus componentes corretamente destinados após o seu uso. Os principais conceitos
Desenvolvimento Sustentável aparece pela primeira vez na forma de conceito. Isso foi registrado no
usados para esta denominação são: Cadeia Produtiva da Construção (ABRAMAT; FGV, 2007), Construbu-
siness (CONSTRUBUSINESS, 1999) e Macrossetor da Construção (MDIC; IEL, 2005). relatório “Nosso Futuro Comum”, resultado do trabalho da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, também conhecida por Comissão Brundtland. Neste documento, o conceito de de-
Nossa equipe optou por adotar o conceito de Cadeia Produtiva da Construção, termo utilizado na pes-
senvolvimento sustentável é entendido como sendo:
quisa desenvolvida pela Abramat e FGV, pelo grau de detalhamento das atividades que engloba e pela
atualização das informações. “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gera-
ções futuras atenderem a suas próprias necessidades.” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AM-
Segundo a Abramat e a FGV (2007), a Cadeia Produtiva da Construção consiste em:
BIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991, Pg. 46).
O termo cadeia produtiva da construção envolve todos os elos desse complexo processo produ-
Espera-se assim que a sociedade seja socialmente justa, inclusive com as futuras gerações, produzindo
tivo. Ela é composta (i) pelas construtoras, incorporadoras e prestadoras de serviços auxiliares da
também impactos ambientais negativos menores que a capacidade do ambiente em se recuperar, e assim
construção, que realizam obras e edificações; (ii) por vários segmentos da indústria, os que pro-
garantir a preservação da oferta de bens e serviços naturais, atingindo o estágio da sustentabilidade.
duzem materiais de construção; (iii) por segmentos do comércio varejista e atacadista; e (iv) por
várias atividades de prestação de serviços, tais como serviços técnico-profissionais, financeiros e Sendo assim, surge uma nova pergunta: qual o papel das empresas no desenvolvimento sustentável?
seguros. A indústria da Construção Civil é o núcleo dentro da cadeia produtiva. Isso ocorre não só Entendemos que as empresas são fundamentais por produzirem bens e serviços, gerando empre-
pela sua elevada participação no valor da produção e do emprego gerados em toda a cadeia, mas gos e renda para a sociedade. Elas têm grande potencial para inovar, evoluindo em ritmo acelerado.
também por ser o destino da produção dos demais segmentos envolvidos. Dessa maneira, a in- Porém, elas também têm responsabilidade sobre os impactos negativos que geram.
dústria da Construção Civil determina, em grande medida, o nível de atividade de todos os setores
Muitas empresas têm utilizado o conceito do Triple Bottom Line (resultado final tríplice) para lidar com
que a circundam. (ABRAMAT; FGV, 2007. P. 6).
esta aparente contradição. Este conceito, cunhado pelo consultor John Elkington, afirma que as em-
O guia buscou reunir exemplos de Boas Práticas que caracterizassem a diversidade da cadeia produtiva da presas não podem se concentrar apenas no resultado financeiro de suas atividades, sendo necessária
Construção no Brasil. Para tanto, em nossa pesquisa, buscamos iniciativas de empresas dos distintos elos também a busca por qualidade ambiental e justiça social.
da cadeia, de portes variados1, de todo o país e que se encontram em diferentes estágios de incorporação
O que é esperado dos profissionais nas empresas é que usem o seu potencial empreendedor e ino-
da sustentabilidade em seus negócios. Com isso, acreditamos ter conseguido compor uma amostra plural,
vador para solucionar questões socioambientais relacionadas às atividades das empresas.
que traz como ponto comum o avanço das empresas no desenvolvimento da sustentabilidade.
Aqui falamos de Responsabilidade Social, Governança Corporativa, Transparência, Pacto Global, ISO
2.2. Introdução à sustentabilidade 14000, ISO 26000, Produção mais Limpa, Saúde e Segurança do Trabalhador, Ecoeficiência, geração de
Como apresentado na Seção 1, a sustentabilidade está atualmente presente no nosso dia a dia. Mas por riqueza na Base da Pirâmide, Empreendedorismo Social, inovações ambientais, desenvolvimento local,
que ouvimos e lemos tanto a respeito de sustentabilidade? entre outras abordagens e estratégias capazes de tornar as empresas mais sustentáveis.

Ao contrário do que pode parecer, o debate sobre desenvolvimento sustentável e sobre sustentabilida- As empresas da cadeia produtiva da construção ainda têm questões mais específicas, que serão abor-
de não é recente, e remonta à década de 1960. Nesse período, começaram a ser constatados fenômenos dadas na próxima seção.

1 - No guia, adotamos a classificação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e das pesquisas da CNI/
CBIC, que classificam as empresas da Construção Civil como microempresas (até 19 empregados); pequenas empresas (de 20 a 99
trabalhadores); médias empresas (de 100 a 499 contratados) e grandes empresas (500 ou mais empregados).
18 19
Elos da produção -
Planta da cadeia da construção
Extração Indústria de materiais de construção Comércio e serviços Construção
Esquadrias e estruturas de
madeira, artigos de carpintaria e
Extração de madeira Desdobramento de madeira (serrarias)
casas de madeira pré-fabricadas
Comércio varejista de
Cerâmica vermelha Madeira laminada ou chapas materiais de construção
de madeira compensada, Autoconstrução
Pisos e azulejos prensada ou aglomerada e autogestão
Argilas e silicatos
Louças sanitárias

Vidro plano

Não-orgânico

Cimento (inclusive clínquer) Transformação de areia e pedra

Argamassa, concreto,
Calcários fibrocimento, gesso e estuque
Extração de minerais Arquitetura, engenharia, projetos,
não-metálicos Cal virgem e hidratada e gesso adm., serviços bancários e
serviços de mão de obra

Tintas e vernizes

Alojamento e alimentação Construtoras


Químicos e Comércio
Asfalto e diesel
petroquímicos atacadista de
materiais de
Materiais plásticos construção
em geral (pisos,
revestimentos, etc.)
Fabricação e fixação de Aluguel de máquinas
Artefatos de tapeçaria e equipamentos
fibras têxteis

Impermeabilizantes e solventes
PVC em
Tubos e conexões
forma primária

Materiais elétricos

Metais não ferrosos Metais sanitários


Incorporadoras
Extração de minerais e imobiliárias
Portas e esquadrias Financiamento
metálicos da produção

Portas e esquadrias

Siderurgia do aço Vergalhões


Estruturas metálicas Intermediação financeira

Outros Máquinas e equipamentos


para construção Financiamento da
Metalurgia (ferragens, tubos etc.) comercialização
Ar-condicionado

Fonte: FGV Projetos; ABRAMAT, 2011. P. 60 e 61


20 21
Linha do tempo da Publicado o 4º relatório
sustentabilidade do IPCC: indicação de
mudanças climáticas
Realizada no Japão a causadas pela atuação
Realizada no Canadá a Lançados os Princípios de humana
primeira Conferência Conferência das Nações
Governança Corporativa Unidas que formaliza o
Internacional sobre da OCDE
Habitação e Meio Protocolo de Quioto
Publicada a Declaração População urbana
Ambiente ultrapassa a rural pela
Universal dos Direitos
Humanos pela ONU primeira vez na história
Fundada na Holanda a
Global Reporting
Initiative (GRI): padrão
Publicado pelo Conselho internacional de relato
de sustentabilidade Lançado pela BM&FBovespa
Mundial sobre Meio o Índice de Sustentabilidade
Ambiente e Desenvolvi- Empresarial (ISE)
mento o relatório “Nosso
Futuro Comum” ou
Estabelecido o princípio Relatório Brundtland: é Cunhado o conceito de
do Poluidor Pagador no cunhado o conceito mais Triple Bottom Line por
âmbito da OCDE John Elkington Formado pela ONU o
Fundada nos EUA a ONG popular de Desenvolvi- Pacto Global: busca
ambientalista Sierra Club mento Sustentável promover o engajamento
empresarial pelo
desenvolvimento
sustentável

1713 1892 1930 1948 1970 1971 1972 1976 1983 1987 1989 1989 1992 1994 1996 1997 1998 1999 2003 2005 2006 2007 2012

Publicada a convenção da Publicada a norma de


População mundial atinge
Organização Internacional gestão ambiental ISO
7 bilhões de pessoas
do Trabalho (OIT) 14000
Realizada na Suécia a
Conferência da ONU
sobre o Meio Ambiente e Realizada no Brasil a
Estabelecidos os
Desenvolvimento Entra em vigor o Conferência da ONU sobre
Publicado o livro Sylvicultura Princípios do Equador:
Protocolo de Montreal: Desenvolvimento
oeconomica de Hans Carl von Realizada no Brasil a padrões socioambientais
compromisso de acabar Sustentável (Rio +20):
Carlowitz: primeiro tratado Criado pela Assembleia Cúpula Internacional para oferta de crédito
com o uso de substân- debates sobre a promoção
sobre uso sustentável de Geral da ONU o Programa sobre Meio Ambiente e para projetos
cias nocivas à Camada da economia verde com
recursos florestais das Nações Unidas para o de Ozônio Desenvolvimento (ECO redução da pobreza e
Meio Ambiente 92): são elaboradas a sobre a governança global
Carta da Terra, a Agenda para o desenvolvimento
21, a Declaração do Rio sustentável
sobre Ambiente e
Desenvolvimento e três Fundado no Brasil o
Comemorado pela convenções sobre Instituto Ethos
primeira vez o Dia da Terra mudanças climáticas,
Fundado em Bangladesh o diversidade biológica e
Grameen Bank: início das desertificação Anunciados pela ONU os
ações de microcrédito Princípios do Investimento
Responsável (PRI)

22 23
2.3. Introdução da sustentabilidade no setor da construção No pilar social, a cadeia produtiva da Construção tem grandes desafios pela frente. O principal
deles diz respeito à informalidade, tanto de empresas quanto de trabalhadores. Esta situação con-
A cadeia produtiva da Construção tem um importante papel na promoção da sustentabilidade. Para de-
figura-se como questão central da cadeia, pois além de gerar competição injusta no presente, retira
monstrar isso, apresentamos alguns de seus impactos em cada um dos três pilares da sustentabilidade:
ambiental, econômico e social. recursos de empresas formais, que poderiam ser investidos no desenvolvimento de tecnologias e
processos, culminando na limitação do desenvolvimento da cadeia produtiva.
Os impactos da construção no meio ambiente são variados e se estendem desde a extração de maté-
rias-primas até o fim da vida útil dos produtos construídos, com a reutilização, reciclagem ou descarte Além disso, por não atuarem em conformidade com as normas técnicas, fundamentais para proces-

de suas partes. sos construtivos seguros e eficientes, e para a alta durabilidade e qualidade dos produtos, os atores
informais e sem qualificação podem ser apontados como principais responsáveis pelo alto índice
A cadeia produtiva da Construção tem impactos ambientais difusos e de longo prazo, com muitas
de acidentes de trabalho no setor e a baixa durabilidade de produtos.
particularidades locais, o que os torna difíceis de serem mensurados, mas os resultados apresenta-
dos, mesmo que variados, sempre se mostram significativos em escala global, como se observa nos Especificamente no segmento habitacional, observamos ainda a grave questão do déficit habita-

exemplos abaixo: cional, estimado em 5,5 milhões de domicílios2, cerca de 10% do estoque de moradias construídas
no país. O déficit representa um problema social especialmente por estar concentrado nas cama-
1 - A construção é responsável por 12% do consumo total de água.
das mais pobres da população (famílias com renda inferior a três salários mínimos representam
2 - A cadeia tem emissões de gases de efeito estufa significativos: a produção de cimento é res-
74,2% do déficit total).
ponsável por 5% e o uso de energia em edifícios, 33%.
Adiciona-se à escassez atual o aumento esperado do número de famílias e de sua renda. Com isso,
3 - As atividades de construção geram 40% de todos os resíduos gerados pela sociedade.
estima-se que até 2022 serão necessárias 23 milhões de novas moradias no Brasil.
4 - Grandes empreendimentos de infraestrutura geram pressão sobre diferentes ecossistemas.
A próxima seção apresentará um conjunto de iniciativas e referências que reforçarão a sustentabi-
(PNUD, 2012).
lidade na construção no Brasil, bem como alguns materiais que apoiam a atuação empresarial na
Sob a perspectiva econômica, observamos que a cadeia produtiva da Construção é responsável busca por uma atuação mais alinhada com os princípios da sustentabilidade.
pela configuração do sistema produtivo de um país, executando os projetos de infraestrutura e
plantas produtivas, além de influenciarem no formato das cidades e sua consequente eficiência. 2.4. Contexto atual da sustentabilidade na construção
Especificamente no Brasil, a Construção tem grande impacto econômico para o país. Segundo es- É grande a pressão sobre as empresas da cadeia produtiva da Construção para atuarem de acordo com

tudo da ABRAMAT e FGV (2011), a cadeia produtiva teve uma produção total de aproximadamente os princípios da sustentabilidade. Mais que isso, observa-se uma tendência do crescimento desta pres-

R$ 300 bilhões em 2010, o que equivale a 8,1% do PIB brasileiro. Também é notória a contribuição são, com mais atores buscando influenciar a melhoria do desempenho socioambiental da Construção.

do setor para a geração de empregos, conforme demonstram os 11,3 milhões de trabalhadores que Começamos pelo governo. Ele vem trabalhando nos âmbitos federal, estadual e municipal para regular
atuavam na cadeia produtiva em 2010. o setor e estimular a melhoria de desempenho em diferentes temas. Um desses temas que vem rece-

Sua importância para que o país confronte a crise econômica internacional é grande. Isso se dá bendo grande atenção é a questão dos resíduos. Observa-se, em 2002, a regulamentação da seleção

tanto pelo crescimento real de 15,3%, registrado entre 2009-10 pelo setor, quanto pelo pagamento de resíduos com a Resolução 307 do Conama, que definiu cinco classes para categorizar os resíduos da
total de R$ 62,5 bilhões em impostos. O estudo da ABRAMAT e FGV destaca que, mesmo com as Construção3. Já em 2010 é sancionada a Lei nº 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sóli-
medidas de desoneração da sua carga tributária, o crescimento do valor total pago em impostos dos, e apresentou as “(...) diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos,
pela cadeia produtiva da Construção foi 16% superior à variação do IGP-DI entre 2009-10. incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos eco-
nômicos aplicáveis”. Espera-se que as empresas se esforcem para desenvolver a gestão de seus resíduos,
O futuro crescimento brasileiro também deve ter importante participação da indústria da Cons-
colaborando para reduzir o impacto dessa importante questão.
trução, uma vez que há grande demanda por obras habitacionais e de infraestrutura. Em estudo
encomendado pela Sobratema e realizado pela CriActive Assessoria Comercial, no fim de 2011, De modo complementar, observa-se que o governo federal vem apoiando a cadeia produtiva
estimou-se investimento de R$ 1,48 trilhão até 2016 em obras de grande porte. Além disso, esti- da Construção ao usar seu poder de compra para estimular a produção de unidades habitacio-
mativas da FGV Projetos apresentadas pela FIESP apontam para a necessidade de R$ 3 trilhões em nais para população de baixa renda e da infraestrutura necessária para suportar o crescimento
investimentos até 2022 para atender à demanda por recuperação e construção de novas moradias. econômico (ex.: Programa Minha Casa Minha Vida, Programa de Aceleração do Crescimento e

2 - A metodologia da Fundação João Pinheiro, organizadora do estudo, inclui no déficit habitacional situações de habitação precá-
ria; coabitação familiar; ônus excessivo com aluguel; adensamento excessivo (BRASIL, 2011).
24 3 - Foi feita uma alteração na classificação de resíduos em 2011, apresentada na resolução CONAMA 431. 25
Programa Brasil Maior). Percebe-se, contudo, que as questões socioambientais estão ganhando Eixos Prioritários Eixos Principais da
Programas CBIC
força como condicionantes para que empresas do setor possam atuar nesses programas. Essa de Atuação da CBIC Economia Verde
pressão vem por meio de legislações ou por imposição de empresas públicas (ex.: BNDES, Caixa Melhoria do bem-estar, igualda-
Infraestrutura Programa Sanear é Viver de social no acesso às condi-
Econômica Federal etc.). ções básicas para a vida.
Os governos locais também vêm criando regras que afetam o setor da Construção. Cresce o nú- Melhoria do bem-estar, igual-
Habitação de Interesse Social Programa Moradia Digna dade social e redução de riscos
mero de municípios com leis que impõem a empreendimentos a medição individualizada de ambientais.
água e gás, o aquecimento solar de água e a elaboração de um programa de gestão de resíduos Crescimento de renda, empre-
Capacitação de Mão de Obra Programa Próximo Passo
go e inclusão.
para a obtenção de Alvará de Construção ou Habite-se.
Produção de baixo
Programa Inovação
A pressão crescente vem acompanhada de uma grande quantidade de referências para apoiarem Inovação Tecnológica carbono e uso eficiente de
Tecnológica (PIT)
recursos naturais.
as empresas a melhorarem o desempenho de seus processos, produtos e serviços. Já existem
Programa Construção Sustentá- Modelo de desenvolvimento
normas técnicas que indicam como as empresas podem construir um sistema de gestão inte- Construção Sustentável
vel (PCS) sustentável da Construção.
grada: ABNT NBR ISO 9000 para a qualidade, ABNT NBR ISO 14000 para o meio ambiente, OSHAS Modelo de desenvolvimento
18000 e SA 8000 para a saúde e segurança do trabalhador e as normas ABNT NBR 16000, ABNT Parque de Inovação sustentável da Construção,
Construção Sustentável e Ino-
e Sustentabilidade do produção de baixo carbono e
NBR ISO 26000 para a gestão da responsabilidade social. vação Tecnológica
Ambiente Construído uso eficiente
de recursos naturais.
Merece destaque especial a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575), que apontará o desem-
Crescimento de renda e empre-
penho mínimo exigido dos sistemas estruturais, de pisos, de vedações, de coberturas e hidros- Responsabilidade Social Valorização do Trabalhador
go, além de inclusão.
sanitários das novas edificações residenciais. A norma orienta a concepção e execução de novos
Tabela 01 - Programas Prioritários CBIC (Fonte: CBIC, 2012)
empreendimentos, além do desenvolvimento tecnológico de novos sistemas construtivos.
Para que os programas possam ter suas metas atingidas é fundamental que os diferentes seg-
Outra importante ferramenta para promoção de construções sustentáveis são as certificações
mentos da cadeia produtiva consigam elaborar iniciativas alinhadas com o perfil de seus ato-
ambientais. Entre as mais conhecidas desenvolvidas no âmbito privado estão o LEED, do Green
res. É aqui que as entidades representativas do setor têm um papel fundamental. Elas organi-
Building Council Brasil; o selo AQUA, da Fundação Vanzolini; o BREEAM, da BRE; e o DNGB, do Con-
zam programas e projetos com o objetivo de promover o bom desempenho do segmento em
selho Alemão de Construção Sustentável. O setor público também busca construir suas próprias
temas socioambientais.
certificações, como a Etiqueta Procel Edifica, da Eletrobrás; o selo Casa Azul, da Caixa Econômica
Federal; e a Certificação Ambiental de Empreendimentos, da Prefeitura de Belo Horizonte, dentre No escopo desse trabalho, foi feita uma consulta às entidades de classe sobre as ações realiza-

outros. Com suas diferentes metodologias, cada um desses selos traz oportunidades de aprendi- das ou em andamento para a promoção da sustentabilidade junto às suas associadas. A Tabela 02
zado para empresas. apresenta algumas dessas iniciativas relatadas. Percebe-se que muitos programas e projetos estão
sendo conduzidos e é notório o potencial de sinergia, de aceleração da disseminação de conheci-
Merecem destaque também as organizações que estão dedicadas à promoção da sustentabili-
mento e de geração de ganhos mútuos, pela troca de experiências e aprendizados entre entidades
dade no setor da Construção, como o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) que,
desde 2007, reúne professores, pesquisadores e empresas para “induzir o setor da Construção a representantes de diferentes segmentos e diferentes regiões do país.

utilizar práticas mais sustentáveis que venham melhorar a qualidade de vida dos usuários, dos
Entidade Iniciativas
trabalhadores e do ambiente que cerca as edificações”. De modo complementar, o Centro de Sinduscon-PR / Sen- Programas de Saúde Programa Cami- Comitê de Incentivo à Formali-
Desenvolvimento da Sustentabilidade da Construção, da Fundação Dom Cabral (CDSC/FDC), se conci-PR e Segurança nhos da Profissão dade
dedica a construir estudos de caso, pesquisas e ferramentas de apoio ao desenvolvimento da QUALIC - Programa Cursos de Especia-
de Qualificação da lização em Enge- Campanhas anuais de Combate à
gestão da sustentabilidade na cadeia produtiva da Construção. Sicepot-MG
Indústria da Cons- nharia Rodoviária Dengue nas Obras
trução e Pavimentação
Por fim, observa-se que as entidades de classe em todo o país vêm realizando iniciativas de promoção
Curso de Iniciação Treinamento On-
da sustentabilidade na cadeia produtiva. A Tabela 01 apresenta os programas prioritários da CBIC, que Seconci-Rio Profissional na Cons- line de Segurança Mega Feirão do Emprego
trução Civil do Trabalho
abordam diferentes aspectos da sustentabilidade na construção.

26 27
tecnológica, capaz de promover processos construtivos e produtos mais sustentáveis. En-
Programa Procompi - Programa de apoio a competitividade das micros e
Sinduscon AL
pequenas empresas tre as inovações a serem adotadas estão: a industrialização em canteiro ou fábrica; o uso
Estudo Indicadores Trabalhos conjuntos de novos materiais; o desenvolvimento de novos sistemas construtivos; uso do Building
Caderno Condutas
de Sustentabilida- com organismos
de Sustentabilidade Projeto Information Modeling (BIM); e mudanças no processo de gestão de empreendimentos –
Secovi-SP de no Desenvolvi- competentes para
no Setor Imobiliário Ampliar
mento Imobiliário remediação de ter- com maior ênfase à fase de projeto.
Residencial
Urbano renos contaminados
Cartilha - Gerencia- Banco de Terra, • Desenvolvimento urbano sustentável: as cidades brasileiras precisam de mudanças,
mento de Resíduos Banco de Entulho que possibilitem maior qualidade de vida para sua população e mais dinamismo para a
Sinduscon-MG Boletim Agenda Ambiental
Sólidos da Constru- e Agregado Reci-
ção Civil clado sua economia. O setor da Construção tem um papel significativo neste processo, que vai
Sinduscon-Rio Alfabetizar é Construir- Educação Fundamental nos canteiros desde o apoio ao planejamento urbano e construção de planos diretores (promovendo o
ECOS - Encontro uso misto do solo e adensamento qualificado) à construção de grandes empreendimen-
Manual da Constru- Seção Construção Sustentável na
Sinduscon-GO sobre Construção tos, utilizando princípios de sustentabilidade e a requalificação de empreendimentos em
ção Sustentável Revista Construir Mais
e Sustentabilidade
áreas urbanas consolidadas.
Tabela 02 - Exemplos de iniciativas de sustentabilidade de entidades de classe (Fonte: Elaboração própria)
Para que esses desafios sejam superados, não basta que o setor busque atuar de forma isolada.
O aumento simultâneo das pressões da sociedade e das ferramentas de apoio ao desenvolvimento empre- Os desafios aqui apresentados envolvem questões sociais, legais, tributárias e institucionais, que
sarial pavimentam um ambiente no qual a sustentabilidade se configura como oportunidade de negócio e devem ser amplamente debatidas para que as soluções propostas possam atender ao maior nú-
de diferenciação em um primeiro momento e um requisito para a continuidade no mercado no longo prazo. mero possível de interessados. Para que a Construção brasileira seja sustentável surge, portanto,
também o desafio da qualificação das empresas no diálogo contínuo e frutífero com seus varia-
2.5. Desafios da sustentabilidade na construção dos stakeholders.
No âmbito da Rio +20, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) organizou o Encontro da Indús-
tria para a Sustentabilidade, no qual foi apresentado o posicionamento da indústria brasileira para
a Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável e foram elaborados documentos setoriais com
a evolução registrada nos últimos 20 anos e perspectivas para o futuro.

A CBIC foi uma das entidades que participaram da iniciativa com a publicação Desenvolvimento com Sus-
tentabilidade. O documento apresenta alguns dos principais desafios do setor e a abordagem proposta
pela entidade para desenvolver a sustentabilidade na cadeia produtiva da Construção brasileira.

Entre os desafios apresentados estão:

• Valorização e desenvolvimento da mão de obra: a construção brasileira se desenvolveu


utilizando intensivamente mão de obra sem qualificação e proveniente das parcelas mais
pobres da população. Atualmente, a promoção do profissionalismo dos trabalhadores
e um contínuo e significativo aumento da produtividade se apresentam como desafios
fundamentais para o aumento dos salários e para a entrega dos produtos demandados
pelas empresas e pela sociedade. O alcance destes resultados envolve diferentes ques-
tões, como: valorização do empregado; integração da mão de obra feminina; educação e
capacitação profissional.

• Inovação tecnológica: todos desejamos uma construção mais rápida, com menos resí-
duos e com a geração de produtos mais bonitos, confortáveis, seguros, com maior dura-
bilidade e menor consumo de água e energia. Por trás destas melhorias está a inovação

28 29
3.1. Introdução às Boas Práticas
Nesta seção serão apresentadas as Boas Práticas de Sustentabilidade coletadas junto às empresas da
Cadeia Produtiva da Construção. Seguindo o formato de Guia Rápido, todas as práticas têm o mesmo
formato que consiste de:

• Cabeçalho: contém informações sobre a empresa que realizou a Boa Prática (localização,
Pilares
porte, segmento da cadeia ao qual pertence, elementos de seu sistema de gestão e prêmios
nacionais recebidos relacionados à sustentabilidade); os pilares da sustentabilidade por ela
alcançados com a Boa Prática em questão (ambiental, econômico e/ou social)

• Apresentação: breve introdução da Boa Prática.

• Benefícios: os ganhos que a Boa Prática pode trazer para as empresas que a aplicarem e para
os stakeholders envolvidos.

• Minicaso: pequeno relato da experiência da empresa que implementou a Boa Prática.

• Como fazer: recomendações sobre os principais passos para a realização bem sucedida da

3. Boas práticas Boa Prática.

• Lições aprendidas: principais aprendizados da empresa executora ao desenvolver a Boa Prá-


tica com pontos de cautela e conselhos para aumentar as chances de sucesso e evitar problemas
ou descontinuidade da iniciativa.

As Boas Práticas foram divididas em seis subseções, de acordo com os temas nelas abordados. Os
macrotemas, que formam as subseções, foram pensados para flexibilizar o processo de leitura e
permitir que o leitor se direcione para as Boas Práticas de seu maior interesse.

Dentro de cada subseção, nossa equipe ordenou as Boas Práticas partindo das abordagens mais
amplas para as mais específicas, de modo que o leitor possa fazer as conexões para estruturar o
processo de transformação de sua própria organização.

Além disso, buscamos selecionar Boas Práticas de diferentes níveis de complexidade em sua imple-
mentação/execução. Dessa forma, esperamos, por um lado, apresentar exemplos de iniciativas que
se apliquem a empresas em diferentes níveis de maturidade em relação à gestão da sustentabili-
dade e, por outro, almejamos colaborar para uma progressiva evolução da empresa em direção à
sustentabilidade de seus negócios.

A primeira subseção trata da Gestão Empresarial, parte essencial de qualquer desenvolvimento


corporativo, inclusive para a sustentabilidade. São apresentadas no início quatro Boas Práticas
de desenvolvimento de sistemas de gestão, usando como base a gestão da qualidade, gestão
integrada, gestão de riscos e gestão da responsabilidade social. Em seguida, apresentamos duas
experiências de relatos do desempenho corporativo em sustentabilidade e de emissões de gases
de efeito estufa.

30 31
Pilares

3.2.1

Incorporação da Sustentabilidade Porte

no Sistema de Gestão da Qualidade Local

Empresa

Gestão empresarial
A segunda subseção aborda a Relação com Stakeholders, que começa com uma experiência de como
Nome: MASB Desenvolvimento Imobiliário Desenvolvimento do sistema de gestão da da sustentabilidade: Certificações:
organizar o diálogo com estes grupos e de como alinhar a busca pela sustentabilidade com a estraté-
Localização: Belo Horizonte, MG ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A. Selo BH Sustentável - Nível Ouro (Empreen-
gia corporativa. Depois seguem exemplos de atendimento aos interesses de acionistas, fornecedores e
Segmento: Incorporação e Construção dimento: Hotel Lavras 150); Selo Começar de Novo (Conselho Nacional de Justiça).
comunidades.
Porte: Grande (1.716 colaboradores) Premiações: Prêmio ECO 2007
A terceira subseção traz exemplos de melhorias no Processo Construtivo. As primeiras Boas Práticas
estão ligadas ao planejamento, com a definição de critérios de sustentabilidade para empreendimen-
tos e uso de tecnologia BIM. Em seguida, são apresentados exemplos de implantação de Produção
mais Limpa nos canteiros, gestão de resíduos e ações, visando melhor desempenho ambiental dos
canteiros. Por fim, são trazidas Boas Práticas de empresas que obtiveram certificações do Selo Casa Apresentação
Azul e da Etiqueta Procel Edifica para seus empreendimentos. A incorporação da sustentabilidade na gestão empresarial ainda é um desafio que as empresas enfrentam,

Por sua importância para a Construção, dividimos o relacionamento com os trabalhadores em duas pois muitos gestores têm claro como operacionalizá-la internamente, mas pressupõem altos custos para
subseções. A quarta trata da Saúde e Segurança do Trabalhador (SST), começando com a organização sua implementação.
do sistema de gestão de saúde e segurança do trabalhador, passando pelo alinhamento entre desem- Muitas empresas já possuem uma área responsável pela gestão da qualidade, com alguns princípios simi-
penho de SST em projetos de construção e seus resultados financeiros, fechando com a promoção de lares aos da sustentabilidade, como a melhoria contínua, utilização de indicadores, necessidade de envol-
Ergonomia. A quinta subseção aborda a formação de Mão de Obra no setor, que envolve a preparação vimento das partes interessadas e comunicação entre as diversas áreas da empresa.
e contratação de moradores de comunidades vizinhas às obras, de mão de obra feminina e de detentos
A MASB Desenvolvimento Imobiliário optou por desenvolver a sustentabilidade em seus negócios ajus-
e egressos do sistema prisional e do trabalho escravo.
tando seu sistema de gestão com a área da gestão da qualidade como suporte.
A sexta e última subseção busca levantar o potencial de empresas da cadeia produtiva da Construção em
apoiar o Desenvolvimento Imobiliário Urbano. Ainda há muito para se explorar nesse tópico, mas para o benefícios
guia apresentamos um exemplo de construção de calçadas, seguindo os princípios da acessibilidade e da
• Baixo custo e maior agilidade na integração da sustentabilidade no sistema de gestão, sem a ne-
sustentabilidade, e outro exemplo de planejamento de manutenção preventiva e retrofit em condomínios.
cessidade de criação de uma nova área na organização.
Todas as referências citadas estão listadas na Seção 5.2 – Bibliografias: Boas Práticas.
• Capacitação e envolvimento de diversos colaboradores na construção e medição dos indicadores
Esperamos que as iniciativas aqui apresentadas possam inspirar os leitores e apoiar as empresas a obterem de sustentabilidade.
ganhos ambientais, econômicos e sociais simultâneos, tornando-as agentes proativos na promoção do
desenvolvimento sustentável.
• Associação da sustentabilidade aos outros objetivos corporativos.
• Comunicação mais efetiva entre as áreas da empresa.
• Melhoria contínua para a sustentabilidade, com o monitoramento e melhoria dos indicadores.

MINICASO
Em 2010, a MASB Desenvolvimento Imobiliário iniciou o processo de incorporação da sustentabili-
dade em seu sistema de gestão. As áreas de Suprimentos, Desenvolvimento Humano, Construções,
Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) e equipes de um empreendimento em construção partici-
param do projeto, que foi desenvolvido em parceria com o Centro de Desenvolvimento da Susten-
tabilidade na Construção da Fundação Dom Cabral (CDSC/FDC).

O primeiro passo se constituiu da indicação pela alta direção da MASB dos principais desafios e
prioridades em relação à incorporação da sustentabilidade nos seus negócios. Em seguida, cada
uma das áreas se reuniu para, num processo de reflexão, identificar quais dessas questões estavam

32 33
Pilares
Gestão empresarial

3.2.1 Incorporação da Sustentabilidade no Sistema de Gestão da Qualidade Porte

Local
atreladas às suas atividades e como elas poderiam contribuir de forma mais efetiva para o alcance Referência Forma de fragmentação
dos objetivos prioritários de sustentabilidade estabelecidos pela diretoria.
Objetivos de Desenvolvimento
8 Objetivos do Milênio
do Milênio, ONU
O passo seguinte consistiu na elaboração de propostas de indicadores para mensurar o desem-
Planetary Boundaries, Exploring the

Gestão empresarial
penho das áreas nos objetivos de sustentabilidades definidos. Os indicadores propostos cobriam: Safe Operating Space for Humanity, 9 Fronteiras Planetárias
Universidade de Estocolmo
treinamentos em sustentabilidade; sustentabilidade no relacionamento com os clientes; utilização
Expect the Unexpected: Building business value
de madeira de reflorestamento; preferência por fornecedores locais; oferta de acessibilidade uni- in a changing world, KPMG
10 Megaforças da Sustentabilidade Global
versal; reutilização de materiais de publicidade; integração de projetos, entre outros. Pacto Global, ONU 10 Princípios Universais

Todas as etapas do processo foram acompanhadas pelo SGQ da MASB, o que garantiu o alinha- Norma ABNT NBR ISO 26000, ISO 7 Princípios e 7 Temas Centrais de Responsabilidade Social

mento dos indicadores propostos com o sistema vigente na organização, garantindo que a nova Desafios para a Sustentabilidade e o Planejamento Estraté-
48 Desafios da Sustentabilidade para Empresas no Brasil
gico para Empresas no Brasil, FDC
estrutura suportaria a entrega de resultados pela empresa. Tabela 03: Referências para Fragmentação do conceito de Sustentabilidade. (Fonte: Elaboração própria).

O processo ainda está em fase de mensuração dos indicadores e avaliação das metas, no entan- 2º Passo: Definição de Prioridades Corporativas
to, já se percebe uma significativa mudança de comportamento na empresa. Em pouco tempo, O passo seguinte no processo é delimitar a atuação empresarial. Para isso, a liderança da empresa deve
constatou-se que a reflexão e o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade já tinham definir entre os temas constantes na referência selecionada no 1º Passo, aqueles prioritários para pro-
produzido resultados positivos. A elaboração do indicador do desperdício de material cerâmico mover uma atuação e desenvolvimento sustentável no negócio.
em obra é um exemplo. Para sua eficaz aplicação foi preciso revisar todo o processo, alinhando
Nesse momento, é importante que a liderança da empresa priorize temas relevantes para seu negócio e
Suprimentos, Arquitetura e Construção para que planejamento e execução levassem juntos à
que atendam às expectativas de seus grupos de interesses ou stakeholders. O objetivo é focar a atuação
redução da geração de resíduos.
em temas que levem à geração de Valor Compartilhado, conforme Porter e Kramer, ou Valor Susten-
No momento, 15 indicadores estão sendo monitorados na empresa, e os resultados serão avaliados tável, conforme Stuart e Hart (Para mais detalhes, consultar referências desta boa prática - Seção 5.2).
pelo SGQ. Espera-se que, com a melhoria contínua, novas áreas participem da iniciativa. 3º Passo: Definição da Matriz de Responsabilidades
Diferentes áreas da empresa têm diferentes focos de atuação, que se complementam para o alcance dos
Desenvolvimento humano Construções
objetivos corporativos. Da mesma forma, as prioridade corporativas frente à sustentabilidade devem
Indicador Indicador
ser divididas entre as áreas, de modo que cada uma se responsabilize somente pelos temas em que
Promover treinamentos específicos para
Modular/paginar os acabamentos (piso)
colaboradores/parceiros com foco em
inovação em sustentabilidade
pode gerar melhor desempenho para a empresa.

Promover uma mudança cultural na empresa, sensibilizando Para elaboração da matriz de responsabilidade, cada área da empresa deve ter um representante para
Objetivo os colaboradores para a sustentabilidade. Promover a busca Objetivo Diminuir o desperdício de material. Diminuir a
contínua por inovações. produção de resíduos. Otimizar a construção. refletir com a equipe do projeto sobre a melhor forma de contribuir com o alcance dos objetivos prio-
3,6 horas (média) de treinamentos a serem dedicadas ao tema ritários de sustentabilidade.
Progresso Progresso 5% de desperdício potencial.
Sustentabilidade (sendo 30% do indicador de Treinamento).
Prioridade de sustentabi- Relação da prioridade com Importância da atuação Atividades da área
lidade para a área corporativa da área para o resultado com resultados liga-
Frequência Semestral. Frequência Por empreendimento. a empresa corporativo dos ao tema
Ex: projeto arquitetôni-
Ex: demanda de energia Sim/Não Baixa/Alta co com baixo consumo
Figura 03: Exemplos de Indicadores de Sustentabilidade incorporados ao SGQ. (Fonte: MASB, 2012). de energia.
Tabela 04: Exemplo de ficha para reflexão por área para cada prioridade corporativa. (Fonte: CDSC, 2012).
COMO FAZER 4º Passo: Reflexão sobre a Gestão da Sustentabilidade
1º Passo: Compreensão do Conceito da Sustentabilidade
A gestão da sustentabilidade pode ser avaliada observando-se dois tipos de indicadores:
A sustentabilidade ainda é um conceito abstrato para muitos profissionais. Por isso, a base de uma ini-
ciativa de promoção da sustentabilidade é o entendimento do que o conceito significa e quais temas 1. Indicadores de responsabilidade: mensuram suporte a iniciativas de sustentabilidade dos co-

ele abrange. Algumas referências sugeridas estão listadas na Tabela 03. A utilização de uma única fonte laboradores da empresa (ex.: políticas, diretrizes, metas de sustentabilidade etc.).

facilita o processo de delimitação do escopo das atividades a serem realizadas pela empresa, bem como 2. Indicadores de sustentabilidade: apontam os resultados alcançados pelas iniciativas de sus-
a comunicação entre as equipes na empresa. tentabilidade (ex.: menor consumo de energia, redução de resíduos etc.).

34 35
Pilares
Gestão empresarial
3.2.2
3.2.1 Incorporação da Sustentabilidade no Sistema de Gestão da Qualidade
Desenvolvimento do Sistema Porte

Após o 3º passo, deve ser feita uma avaliação de quais os aspectos levantados já são suportados ou
monitorados no sistema de gestão da empresa e aqueles ainda não considerados.
Integrado de Gestão Local

Após a análise das lacunas existentes, cada área deve, juntamente com a equipe do SGQ, elaborar pro-
Empresa

Gestão empresarial
postas de indicadores para apoiar e orientar as ações das equipes, visando melhorar o desempenho da
empresa em relação à sustentabilidade. Nome: Pontal Engenharia Construções e Incorporações LTDA Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
Sistema de Gestão Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR
5º Passo: Desenvolvimento do Sistema de Gestão Localização: Goiânia, GO ISO 14001, OHSAS 18001 e ABNT NBR 16001); PBQP-H Nível A.
Premiações: Prêmio Eco (2012); Prêmio Eco (2011); Prêmio
Após o levantamento de todas as recomendações, a equipe de SGQ e a liderança da empresa devem Segmento: Incorporação e Construção CBIC de Responsabilidade Social (2011); Prêmio Brasil de En-
genharia (2011) - Categoria Resíduos Sólidos e Prêmio SESI
validar os indicadores de responsabilidade e sustentabilidade propostos e definir quais deverão ser Porte: Médio (160 colaboradores) Qualidade no Trabalho (2010).
incorporados ao sistema de gestão.

Recomenda-se que, a cada rodada de revisão e melhoria do sistema, apenas um pequeno número de
novos indicadores seja adicionado, pois deve-se garantir que o monitoramento não demande muito
tempo e esforço adicionais dos profissionais, permitindo que eles tenham condições de compreender Apresentação
como a sustentabilidade se aplica em suas atividades. A Pontal Engenharia é uma construtora e incorporadora que procura orientar sua atuação para promo-
6º Passo: Melhoria Contínua ção do desenvolvimento sustentável. Por isso, nos últimos anos vem trabalhando para desenvolver e
A reflexão sobre o desenvolvimento do sistema de gestão com sustentabilidade deve ser um processo aperfeiçoar seu Sistema Integrado de Gestão (SIG), que a permite ter uma visão global e integrada das
que compõe o método de melhoria contínua do SGQ. Isso faz com que a sustentabilidade seja vista questões e metas empresariais relacionadas à qualidade, ao meio ambiente, à segurança e à saúde do
como um objetivo corporativo, como rentabilidade, eficiência ou a própria qualidade. trabalhador e à responsabilidade social.

LIÇÕES APRENDIDAS benefícios


Liderança como “campeã da causa”: para que o projeto seja participativo, a liderança deve oferecer os • Melhoria em processos de gestão e planejamento por meio de registro e sistematização de informa-
recursos necessários e comunicar seu interesse no projeto. Deve-se evitar a obrigatoriedade de participa- ções sobre as ações da empresa, e profissionalização da equipe gestora.
ção dos colaboradores, mas mostrar que quem se engajar terá o devido reconhecimento pela empresa. • Padronização de processos, eliminação de serviços intermediários e incremento
Priorização das ações de sustentabilidade X capacidade de contribuição para o negócio: cada área da produtividade.
deve ter clara a forma mais efetiva de contribuir com a sustentabilidade na empresa. Para ajudar nesta • Melhoria na gestão de riscos e melhor atendimento aos diferentes stakeholders da empresa por pro-
reflexão, sugere-se que as equipes construam uma matriz comparando os recursos necessários com a porcionar uma visão ampla e integrada de aspectos da qualidade, meio ambiente, saúde e segurança
contribuição potencial para cada objetivo corporativo da sustentabilidade. do trabalhador, responsabilidade social etc.

• Acesso a fontes de capital que subsi-


diam empresas com ações para promoção
da sustentabilidade.
“Percebemos a importância da implantação de indicadores • Melhoria da qualidade dos empreendimentos.
de sustentabilidade, atrelados ao Sistema de Gestão da Qua-
• Criação de cultura da inovação e moderniza-
lidade da empresa (SGQ). Foi possível verificar uma grande
ção dos processos construtivos pelo estabele-
mudança de cultura e, com base nos dados, buscar a me- cimento de objetivos e metas para melhoria do
lhoria contínua em todos os processos envolvidos, trazendo processo produtivo.
resultados positivos.”
• Redução de impactos socioambientais negativos
Lidiane Carla da Silva
pelo levantamento dos aspectos e impactos sociais
Coordenadora do SGQ da MASB Desenvolvimento Imobiliário 
e ambientais, causados pelas atividades da constru-
tora e desenvolvimento de ações de mitigação.
Conclusão de curso dos colaboradores da Pontal Engenharia.

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Gestão empresarial

3.2.2 Desenvolvimento do Sistema Integrado de Gestão Porte

Local
MiniCaso apoiar a empresa nesse processo, orientando e acompanhando as pessoas da organização. Caso a
equipe responsável pelo desenvolvimento/integração do sistema de gestão seja altamente qualifi-
A Pontal Engenharia iniciou o processo de desenvolvimento de seu Sistema Integrado de Gestão,
cada, fica a critério da empresa a contratação de consultoria especializada.
em 2004, com a obtenção das certificações em qualidade ABNT NBR ISO 9001 e PBQP-H. Com a

Gestão empresarial
implantação do Sistema de Gestão da Qualidade, percebeu-se uma melhoria significativa no de- 2º Passo: Estruturando o Time
sempenho da Pontal em diferentes aspectos, como: redução do desperdício retirado e incorpora- Formar uma equipe (comitê) responsável pela gestão do sistema. Cada funcionário da empresa é peça
do (redução de 28% na espessura média do reboco e de 14% na geração de resíduo classe A em importante em um Sistema de Gestão, no entanto é necessária a formação de uma equipe que irá ge-
relação à média brasileira); aumento da produtividade em cerca de 10%; redução de retrabalho; renciar esse sistema, acompanhando os processos, controlando os documentos, auxiliando na identifi-
melhoria no ambiente de trabalho, resultando em uma taxa de absenteísmo de 1,65%, dentre ou- cação e resolução de não conformidades, ações preventivas e de melhoria, dentre outros; garantindo a
tros; levando ao surgimento de uma “cultura da qualidade” na empresa. O conceito de qualidade, melhoria contínua do SIG. Além disso, as normas exigem a nomeação de um representante da direção
adotado para os empreendimentos, passou a ser aplicado também nas relações da empresa com que irá comunicar à alta direção os acontecimentos do Sistema de Gestão assegurando, inclusive, re-
seus stakeholders (meio ambiente, colaboradores, comunidades vizinhas aos empreendimentos, cursos financeiros.
fornecedores, governos e sociedade em geral). Desse modo, no final do ano de 2007, a empresa 3º Passo: Familiarização com o Sistema
tomou a decisão de implantar o Sistema Integrado de Gestão. É necessário criar uma “cultura de Sistema de Gestão” na empresa. Todos os colaboradores precisam
Para dar início ao processo, a Pontal Engenharia buscou exemplos conhe- contribuir no desenvolvimento do Sistema de Gestão, portanto, precisam se familiarizar com a ge-
cidos de como desenvolver sistemas integrados, que pudessem servir de ração de registros, com o cumprimento de procedimentos, dentre outros. Para conquistar a adesão
referência. No entanto, eles eram poucos na época, e a empresa decidiu dos funcionários e eliminar as resistências, é importante conscientizá-los sobre a importância de sua
trilhar seu próprio caminho em direção à sustentabilidade. Seus primeiros cooperação para o sucesso do sistema.
passos foram no sentido de atender às necessidades de seus colaboradores
2ª Etapa: Integração de Sistemas de Gestão
e reduzir os impactos ambientais decorrentes de suas atividades. Para isso,
a construtora foi buscar apoio e referências no setor da Construção Civil 1º Passo: Reforçando o Time
em Goiânia, firmando parcerias com entidades de classe, como o Serviço Com o aumento no número de normas e requisitos a serem atendidos, faz-se necessário reforçar a
Social da Indústria da Construção Civil (Seconci), o Sindicato da Indústria equipe responsável pela gestão do sistema, com pessoas que possuam conhecimento técnico nas
da Construção (Sinduscon), a Comunidade da Construção da ABCP, o Siste- áreas dos Sistemas de Gestão a serem integrados (meio ambiente, saúde e segurança do trabalhador,
ma FIEG através do SESI, SENAI, IEL e ICQ Brasil e, ainda, órgãos públicos, responsabilidade social, gestão de riscos etc.).
como a Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia (AMMA). Essas 2º Passo: Benchmarking
Ricardo Mortari Faria, parcerias foram decisivas pelos acordos firmados de cooperação técnica
presidente da Pontal Engenharia. Procurar referências em outras empresas, principalmente do setor, que já possuem Sistema Integrado
relacionados aos temas: saúde e segurança, qualificação e aperfeiçoamen- de Gestão (SIG), identificando pontos de cuidado, principais riscos e as lições aprendidas, evitando-se,
to profissional e gestão ambiental. A certificação do sistema aconteceu em desta forma, erros e retrabalhos.
2010 e a Pontal Engenharia se tornou a primeira empresa do setor da Construção Civil do país a
3º Passo: Firmar Parcerias
ter as cinco certificações: ABNT NBR ISO 9001, PBQP-H (nível A), ABNT NBR 16001, OHSAS 18001
Buscar parcerias com órgãos públicos, entidades de classe, universidades, dentre outros, de forma
e ABNT NBR ISO 14001.
a fortalecer as ações desenvolvidas. As parcerias são importantes porque podem contribuir tanto
Atualmente, a construtora mantém um Comitê do SIG, composto por quatro profissionais − uma oferecendo exemplos de ações bem sucedidas quanto apoio para cumprimento dos requisitos dos
técnica de segurança, duas assistentes com formação na área Ambiental e o gestor do Sistema, diferentes sistemas. Geralmente, essas entidades precisam de empresas privadas como parceiras para
responsável por monitorar os projetos e promover a melhoria contínua do sistema. seu desenvolvimento, o que facilita o estabelecimento das parcerias.

4º Passo: Consultoria Especializada


COMO FAZER
O apoio de uma consultoria especializada pode ser importante para ajudar na integração dos Siste-
1ª Etapa: Implantação de Sistema de Gestão mas de Gestão, uma vez que será necessário lidar com um volume maior de requisitos.
1º Passo: Preparação para Implantação do Sistema de Gestão 5º Passo: Todos Envolvidos
É necessário preparar e estruturar a empresa para atender aos itens das normas a serem certi- Organizar treinamentos sobre o Sistema Integrado de Gestão envolvendo todos, desde os gestores até
ficadas, adaptando, estabelecendo, mapeando processos e criando a documentação necessária o operacional. Conscientização e ações de incentivo – financeiro ou motivacional – podem ser impor-
para registrar o atendimento aos requisitos. A contratação de uma consultoria especializada pode tantes para adesão ao sistema.

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Gestão empresarial
3.2.3
3.2.2 Desenvolvimento do Sistema Integrado de Gestão
Implantação de Sistema de Porte

LIÇÕES APRENDIDAS
O valor do aprendizado: não é necessário ter um Sistema de Gestão da Qualidade certificado para
Gestão de Riscos na Construção Local

desenvolver um SIG. No entanto, ao se criar familiaridade com um Sistema de Gestão há um apren-


Empresa

Gestão empresarial
dizado que facilita a ampliação das obrigações/requisitos.
Nome: MBigucci Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certificação:
Programa de incentivos: cursos de qualificação e aperfeiçoamento, participação em resultados etc., Localização: São Bernardo do Campo, SP ABNT NBR ISO 9001
são alguns exemplos de iniciativas que podem ser desenvolvidas para incentivar o uso do Sistema de Segmento: Incorporação e Construção Premiações: Prêmio ITC SustentaX de Sustentabilidade (2011); Prêmio CBIC de Res-
Gestão por todos os colaboradores. Porte: Pequeno (90 colaboradores) ponsabilidade Social (2010 e 2006).

O valor das parcerias: as parcerias podem facilitar o desenvolvimento do SIG, ao fornecerem apoio
técnico e operacional. Além disso, muitas entidades oferecem serviços sem custo ou a baixo custo, o
que desonera parte do investimento da empresa com a implementação do SIG.
Apresentação
A incorporadora e construtora MBigucci implementou um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR),
Em dia com as leis: no processo de desenvolvimento do SIG, é necessária a verificação da con- que engloba diferentes aspectos que afetam o desempenho da empresa em relação à sustentabilidade. O
formidade com a legislação vigente. Uma consultoria jurídica pode apoiar esse processo, pois é PGR vem sendo desenvolvido continuamente pela empresa, a partir da busca por melhoria da sua gestão
ambiental e da saúde e segurança do trabalhador.
comum que surjam dúvidas sobre a devida observância das leis.
Hoje o PGR é ainda mais amplo e aborda uma série de outros aspectos com impactos positivos inclusive
Nem todo fornecedor é consciente: alguns requisitos do SIG envolvem a adequação de forne- no resultado financeiro da empresa.
cedores. Devido à existência de empresas não cumpridoras das normas, podem ser necessárias
ações de conscientização ou capacitação de fornecedores. benefícios
• Melhor compreensão dos riscos mais relevantes para as atividades da empresa, com consequente
melhoria na alocação dos recursos disponíveis para seu tratamento.
• Redução do valor das perdas decorrentes de um acidente, em função de maior clareza e preparo sobre
os procedimentos a serem adotados em situações emergenciais.
• Redução de custos com prêmios de seguros diversos, cobrindo riscos ambientais, de construção,
de saúde e segurança dos trabalhadores (ex.: INSS), entre outros.
• Melhor capacidade de atendimento das demandas dos stakeholders na ocorrência de crises/acidentes,
devido à preparação prévia de planos de contingência e mitigação.

MiniCaso
A construtora e incorporadora MBigucci investe fortemente no desenvolvimento de seu Sistema de
“O Sistema Integrado de Gestão (SIG) é uma ferramenta de gestão que contri- Gestão. Após a obtenção da certificação ABNT NBR ISO 9001, a empresa passou a dar atenção a outras
questões que poderiam afetar seu desempenho, buscando integrá-las em seu sistema de gestão de
bui muito no aspecto organizacional e financeiro da empresa, pois permite que forma sistematizada.
os princípios da empresa assim como sua política estejam presentes e aplicados A empresa optou pela adoção de uma abordagem baseada na gestão de riscos por entender que, desse
em todas as ações, proporcionando a redução no custo operacional e agregando modo, poderia lidar com diferentes temas, desde riscos de produto, de investimentos, de mercado até
valor ao produto. Os preceitos da qualidade são aplicáveis à sustentabilidade, riscos ambientais e de natureza legal.

à saúde e segurança no trabalho, ao colaborador, ao fornecedor, ao cliente, à O processo de estruturação do Sistema de Gestão de Riscos da empresa começou com o Programa de
Ricardo Mortari Faria, presidente da
Pontal Engenharia, recebe Prêmio Atendimento a Emergências (PAE) para fornecer um conjunto de diretrizes e informações que propi-
CBIC de Responsabilidade Social. sociedade e ao meio ambiente, sendo que o produto final é a satisfação de ciassem as condições necessárias para a adoção de procedimentos lógicos, técnicos e administrativos,
todas as partes envolvidas.” estruturados para serem desencadeados rapidamente em situações de emergência, minimizando os
Ivo Corrêa Faria impactos à população e ao meio ambiente.
Diretor Executivo da Pontal Engenharia Os programas de atendimento a emergências e de gestão de crises, estabelecidos posteriormente,
foram as bases para a gestão de riscos na MBigucci. Ela foi organizada no Programa de Gestão de
Riscos (PGR), seguindo as premissas da ABNT NBR ISO 31000, que normatiza os procedimentos a
serem adotados.
Todos os programas da MBigucci seguem o processo de mapeamento e classificação de riscos,
construção de estratégias para prevenção e diminuição de riscos, além de orientações sobre como
lidar com incidentes e reduzir os impactos decorrentes.

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Gestão empresarial
3.2.4
3.2.3 Implantação de Sistema de Gestão de Riscos na Construção
Incorporação das Recomendações da Porte

Aspecto Impacto Plano de controle


Criação de uma política de gestão de resíduos separando plástico, papel,
Norma ISO 26000 ao Sistema de Gestão Local

Geração de resíduos Contaminação do Solo metal, madeira, gesso e resíduos orgânicos e enviando cada um para o
seu destino correto.
Empresa

Gestão empresarial
Implantado o sistema de iluminação com garrafa PET, onde o canteiro
Consumo de Água e Esgotamento de recur- de obras possui telhas para reduzir o consumo de energia. Para redução Nome: Dias de Sousa Construções Política de Sustentabilidade; Política de Investimento Social:
Energia sos naturais do consumo de água, foi implantado o reuso de água dos lavatórios e Projeto Descobrindo Saberes; Código de Ética; Membro do
chuveiros nos vasos sanitários Localização: Fortaleza, CE
Green Building Council.
Segmento: Construção Civil
Tabela 05: Exemplos de tratamento de riscos socioambientais (Fonte: MBigucci, 2012). Premiações: Prêmio PSQT SESI Qualidade no Trabalho na cate-
Porte: Médio (200 colaboradores) goria Cultura Organizacional (2012) e Categoria Socioambien-
COMO FAZER Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
Certificações: ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A. Comitê e
tal com a Política de Investimento Social: Projeto Descobrindo
Saberes (2010); Prêmio CBIC de Responsabilidade Social (2010).
1º Passo: Identificação dos Riscos
Os riscos enfrentados pela empresa podem ser de naturezas diversas (ex.: riscos tecnológicos, riscos am-
bientais, de mercado etc.). A empresa deve fazer uma reflexão sobre os potenciais riscos associados às suas
atividades. Técnicas, como Brainstorming, Diagrama Ishikawa (Espinha-de-peixe) e Análise SWOT, auxiliam na
identificação de riscos.
2º Passo: Elaboração da Matriz de Probabilidade e Impacto Apresentação
Os riscos devem ser agrupados e classificados com base nos impactos potenciais produzidos, compa-
A Dias de Sousa Construções acredita que a construção sustentável, a qualidade e a valorização do capital
rando-se o impacto do evento potencial X probabilidade de ocorrência X exposição financeira potencial.
humano são peças-chave para a diferenciação no mercado e promoção do desenvolvimento sustentável.
3º Passo: Tratamento de Riscos
Deve-se identificar a melhor forma de tratar os riscos priorizados com base em cenários possíveis para A nova agenda para a realização de negócios, pautada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental e
a ocorrência dos incidentes identificados. Neste passo, são definidas as estratégias de prevenção e con- justiça social, motivou a empresa a implantar diversos projetos, entre eles, o “Conectando Gestão e Quali-
tingência de riscos, elaborados os Planos de Emergências e consolidados os procedimentos que orien-
dade com Desenvolvimento Sustentável”. Este projeto teve como objetivo avaliar as práticas e atividades
tam como elas devem ser tratadas. Veja na Tabela 05 exemplos de tratamento de riscos.
da Dias de Sousa e apresentar propostas de desenvolvimento do sistema de gestão da empresa, buscan-
4º Passo: Treinamentos
Devem ser realizados treinamentos com todos os envolvidos, tanto por meio de exercícios como por do alinhá-lo às recomendações da norma ABNT NBR ISO 26000 – Diretrizes de Responsabilidade Social – e
meio de simulações. melhorar, de forma estruturada, o desempenho ambiental, econômico e social da empresa.
5º Passo: Monitoramento e Melhoria Contínua
Revisões periódicas dos riscos enfrentados pela empresa e dos procedimentos para tratá-los devem ser benefícios
feitas sistematicamente. Este processo visa identificar riscos emergentes e mudanças no contexto que • Contribuição do negócio para o desenvolvimento sustentável: alinhamento dos objetivos da empresa
possam impactar na gestão de riscos da empresa.
com as necessidades das gerações atuais e futuras, possibilitando melhores condições de vida e respei-
LIÇÕES APRENDIDAS to pelos recursos naturais.
Múltiplas perspectivas: é importante envolver um conjunto variado de pessoas, inclusive stakeholders
• Conscientização dos colaboradores: aumento da sensibilidade e consciência dos colaboradores sobre
externos à empresa (ex: fornecedores, consultores) para levantamento e avaliação de riscos e construção
das estratégias de tratamento, visando ter múltiplas visões sobre os riscos enfrentados pela empresa, bem seu papel como ator social e fiscal no meio em que vive.
como aumentar o envolvimento destes públicos na estruturação e operação do sistema de gestão.
Resistências ao processo: a equipe com desejo de implementar um Sistema de Gestão de Riscos deve MiniCaso
ter cuidado com profissionais resistentes à incorporação de Sistemas de Gestão baseados em normas ISO. O projeto “Conectando Gestão e Qualidade com Desenvolvimento Sustentável” teve início em 2012, com a
Recomenda-se reflexão profunda na correta comunicação da iniciativa (com adoção de nomes mais ami-
elaboração de um documento que reuniu todas as atividades e práticas para a promoção da sustentabili-
gáveis, por exemplo) para reduzir relutâncias, aumentando a chance de sucesso da iniciativa.
dade realizadas pela Dias de Sousa. O seu objetivo foi verificar como a seleção dessas iniciativas se alinhava
às premissas da Gestão da Responsabilidade Corporativa, recomendadas pela norma ABNT NBR ISO 26000.

Para a estruturação do documento foi feita consulta a todos os colaboradores sobre informações referen-
“Aprendemos que temos muito mais riscos do que imaginávamos, e que muitas vezes perde-
tes à gestão e desempenho das iniciativas ligadas à sustentabilidade, incluindo evidências para compro-
mos tempo com situações que parecem de risco, mas que não trariam tanto prejuízo, mesmo
vá-las. Em um primeiro momento, os gestores foram orientados conceitualmente sobre a ISO 26.000, base
que acontecessem. O objetivo (do PGR) é a maior clareza das situações emergenciais e, com de todo o trabalho, e também sobre a metodologia de identificação e registro das práticas.
isso, redução de custos e maior produtividade e padronização.”
Em um segundo momento, cada gestor repassou para sua equipe os conceitos da norma, obtendo dela
Roberta Bigucci
Diretora Administrativa da MBigucci a identificação e avaliação de suas práticas frente aos aspectos econômicos, sociais e ambientais do ne-

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Pilares
Gestão empresarial

3.2.4 Incorporação das recomendações da norma ISO 26000 ao sistema de gestão Porte

Local
gócio. O conteúdo foi organizado em planilhas, que tornavam clara a relação entre cada prática com a colaboradores devem ser capacitados nas referências de sustentabilidade selecionadas e, preferencial-
respectiva recomendação feita pela ABNT NBR ISO 26000 e os resultados obtidos. mente, ter acesso a ferramentas e exemplos de como o processo se deu em outras organizações.

As diferentes planilhas setoriais foram compartilhadas em um evento que, além de fortalecer a par- • Formação dos gestores das áreas: esses colaboradores devem ser capacitados pelo Comitê

Gestão empresarial
ticipação dos colaboradores na identificação e validação do conteúdo do documento, representou de Sustentabilidade para compreenderem a referência utilizada e receberem orientações sobre
uma oportunidade de diálogo e envolvimento de toda a equipe na gestão da sustentabilidade da adequações a serem feitas no Sistema de Gestão e sobre as novas metas a serem cumpridas.
Dias de Sousa Construções.
• Disseminação para os demais colaboradores: os gerentes são responsáveis pela dissemina-
Atualmente, o documento está sendo utilizado pelo Comitê de Sustentabilidade. Ele serve de instru- ção do tema para suas equipes. Este processo deve ter o apoio do Comitê de Sustentabilidade.
mento de avaliação e aprimoramento das práticas da empresa e de base para novas ações. Espera-se É importante que as equipes tenham condições de adequar suas atividades aos princípios de
que a organização das informações com base nos princípios da Responsabilidade Social possa con- sustentabilidade adotados pela empresa.
tribuir para o desenvolvimento do Sistema de Gestão da construtora e permitir maior agregação de
As capacitações com foco no cumprimento da norma ABNT NBR ISO 26000 podem podem englobar os
valor ao negócio.
Princípios e Temas previstos na norma, conforme demonstra a Figura 04.

COMO FAZER
1º Passo: Avaliação dos Processos Decisórios Frente à Sustentabilidade Princípios de Responsabilidade Social:
A diretoria e os responsáveis pelo desenvolvimento da sustentabilidade na empresa (aqui denominado
• Accountability
Comitê de Sustentabilidade) devem refletir sobre as implicações ambientais, econômicas e sociais do mo- • Transparência
delo de tomada de decisão na empresa. • Comportamento ético
• Respeito pelos interesses dos stakeholders
2º Passo: Definição de Referência para Condução das Atividades de Sustentabilidade • Respeito pelo Estado de Direito
O conceito da sustentabilidade é muito amplo e, por isso, abstrato para muitos. Por essa razão, é impor- • Respeito pelas normas internacionais de comportamento
• Respeito pelos Direitos Humanos
tante que a empresa defina uma referência que torne mais concretos os temas que compõem a susten-
tabilidade e que padronize o seu entendimento por todos os profissionais da empresa. Na Dias de Sousa Temas centrais e questões de Responsabilidade Social:
optou-se pelo uso da norma ABNT NBR ISO 26000 − Diretrizes sobre Responsabilidade Social.
• Governança organizacional
3º Passo: Definição do Responsável pela Condução do Trabalho com Sustentabilidade e Identifi- • Direitos Humanos
• Práticas de trabalho
cação de suas Necessidades
• Meio ambiente
O Comitê de Sustentabilidade deve receber reconhecimento e suporte da alta direção para integrar a • Práticas leais de operação
sustentabilidade ao Sistema de Gestão da empresa e dar suporte às atividades realizadas, buscando re- • Questões relativas ao consumidor
• Envolvimento e desenvolvimento da comunidade
sultados socioambientais e econômicos. Deve ser definido o tipo de suporte necessário da alta direção e
planejada a sua oferta de modo que o Comitê de Sustentabilidade possa cumprir suas tarefas.
Figura 04: Princípios e Temas de Responsabilidade Social (Fonte: Elaboração própria, conforme ABNT NBR ISO 26000).
4º Passo: Capacitação dos
5º Passo: Levantamento das Práticas de Sustentabilidade da Empresa e Alinhamento com a Ges-
Colaboradores
tão da Sustentabilidade
É preciso que todos os cola- Cada setor da empresa deve identificar e registrar as práticas realizadas em relação à sustentabilidade, apre-
boradores da empresa com- sentando também os resultados obtidos e suas evidências. Todas as práticas devem ser alinhadas com a refe-
preendam o significado da sus- rência de sustentabilidade selecionada. O Comitê de Sustentabilidade deve reunir as informações e elaborar
tentabilidade, como a empresa um documento síntese capaz de orientar as ações de desenvolvimento do sistema de gestão.
irá tratar o tema e o que é espe-
Descrição Resultados
rado dos seus colaboradores. Prática da Prática Linha ISO 26000 da Prática na Evidência
Empresa
O processo de capacitação por É realizado treina- Eliminar ou mitigar Registros de pre-
Treinamento de
mento de todos os 1902 os riscos de eventos sença; relatório de
ser dividido em três etapas: segurança
novos colaboradores. adversos no trabalho treinamentos
• Formação do Comitê de Tabela 06: Exemplo de avaliação da prática de treinamento de segurança para colaboradores conforme ABNT NBR ISO 26000 (Fonte:
Reunião do Comitê de Sustentabilidade da Dias de Sousa.
Sustentabilidade: estes
Dias de Sousa, 2012).

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Pilares
Gestão empresarial
3.2.5
3.2.4 Incorporação das recomendações da norma ISO 26000 ao sistema de gestão
Elaboração de Relatório de Porte

6º Passo: Validação do Documento e Compartilhamento das Informações


O documento final deve ser validado pelas áreas e pela alta direção da empresa. Recomenda-se a reali-
Sustentabilidade Conforme Padrão GRI Local

zação de um evento para apresentação do documento final elaborado pelo Comitê de Sustentabilidade
para reforçar a integração e alinhamento da empresa com a sustentabilidade. Também devem ser apon- Empresa

Gestão empresarial
tados os riscos e oportunidades identificados e melhorias necessárias visando equilibrar e melhorar o Nome: Even Construtora e Incorporadora S.A. Certificação Empreendedor AQUA; Comitê de Sustentabilida-
desempenho ambiental, econômico e social da empresa. Localização: São Paulo, SP de; Código de Conduta; 4º Relatório de Sustentabilidade (GRI);
Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa.
Segmento: Incorporação e Construção
Premiações: 4º lugar no ranking de Responsabilidade Social
LIÇÕES APRENDIDAS Porte: Grande (1.405 colaboradores) em 2012 (Revista ISTOÉ Dinheiro - As 500 Melhores Empresas do
Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Brasil); 4ª posição no ranking de Construtoras e Incorporadoras
Sustentabilidade como tema de gestão corporativa: os temas relacionados à responsabilidade so- Integrante do ISE da BM&FBOVESPA; das Empresas Mais Admiradas em 2012 da Revista Carta Capital.
cioambiental devem ser sempre tratados como parte integrante da estratégia corporativa.

Inserção da sustentabilidade não deve comprometer o dia a dia da empresa: a integração da sus-
tentabilidade ao sistema de gestão acontece juntamente com as atividades rotineiras da empresa. O
Comitê de Sustentabilidade deve ter isso em mente para organizar as etapas do projeto e reduzir as Apresentação
resistências à sua realização. Em um cenário global voltado para o desenvolvimento sustentável, o sucesso das organizações depen-
Importância de perspectiva externa: o olhar de uma consultoria externa para dar suporte ao desen- de de uma nova forma de pensar e de realizar sua gestão, uma vez que resultados econômicos estão
volvimento dessa iniciativa aumenta suas chances de sucesso. cada vez mais atrelados aos impactos socioambientais causados por suas decisões e ações. Publicar um
Relatório de Sustentabilidade é uma das principais maneiras de uma empresa relatar e prestar contas à
Suporte da liderança: o apoio da diretoria da
sociedade a respeito de sua atuação e de suas práticas voltadas para a sustentabilidade. Por meio desse
empresa é fundamental, uma vez que o desen-
reporte voluntário, as organizações e seus stakeholders têm em mãos um instrumento que possibilita
volvimento da prática implica em mudanças na
dialogar e implantar um processo de melhoria contínua do desempenho da empresa, contribuindo
dinâmica de funcionamento da empresa, envol-
para uma economia mais sustentável.
ve a solicitação de material e documentos, e de-
manda reflexões, mudança de mentalidade, de Esta foi a motivação da Even ao iniciar seu processo de relato, de modo a compartilhar suas boas práticas
valores e comportamentos. com todo o mercado e a evoluir seu reporte, passando a ter um Relatório Anual e de Sustentabilidade e,
dessa forma, dando mais transparência a informações estratégicas e econômico-financeiras.
Empresa deve ter prioridades frente à susten-
tabilidade: devem-se definir os principais desa- benefícios
fios da empresa para o desenvolvimento susten-
• Permite a análise da posição da empresa em seu mercado de atuação, além de ser um fator de valori-
tável, identificar aqueles que refletem os valores
zação de suas ações em Bolsas de Valores.
da empresa e focar as prioridades de ações.
Reunião do Comitê de Sustentabilidade da Dias de Sousa. • Confere mais transparência e permite que a sociedade, em especial investidores e consumidores, co-
nheçam e acompanhem os recursos e esforços destinados a projetos com baixo risco ambiental, alto
valor social e lucratividade justa.

• Ajuda a empresa a conhecer melhor os seus próprios pontos fracos e a identificar oportunida-
“Responsabilidade social e consciência ambiental, muito mais do que conceitos, são valores que aprende- des de melhoria.
mos a cultivar e, hoje, estão implementados na nossa empresa. O reconhecimento e os prêmios que temos • Contribui para apontar caminhos inovadores que a empresa está trilhando para ajudar com so-
recebido são muito gratificantes e principalmente nos dão a certeza que é plenamente possível equilibrar luções sustentáveis.
crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.” 
• Funciona como ferramenta de gestão, ao possibilitar o acompanhamento do desempenho da empre-
Maria das Graças Dias de Sousa 
Diretora da Dias de Sousa Construções sa em suas performances econômica, financeira, ambiental e social.

MiniCaso
A Even foi a primeira construtora de capital aberto a publicar seu Relatório de Sustentabilidade. Esse
processo foi iniciado após a criação de diversos instrumentos de gestão da sustentabilidade, como: cria-

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Gestão empresarial

3.2.5 Elaboração de Relatório de Sustentabilidade conforme padrão GRI Porte

Local
ção do Código de Conduta; entrada no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBOVESPA
COMO FAZER:
– acarretando na atração de sete fundos de investimento; elaboração de uma Política de Investimento
1º Passo: Alinhamento com a Alta Direção
Social Privado; implantação de Sistema de Gestão de Resíduos, gerando forte redução de entulho; per-
É de suma importância que a diretoria compreenda os objetivos estratégicos deste processo, para que
cepção de clientes internos e externos sobre a importância da sustentabilidade por meio de pesquisas

Gestão empresarial
o Relatório de Sustentabilidade seja utilizado como um instrumento de monitoramento, gestão e deli-
específicas; dentre outros.
berações estratégicas da empresa.
O primeiro Relatório de Sustentabilidade requereu uma intensa imersão nas questões estratégicas, táticas
2º Passo: Temas Prioritários para a Empresa
e operacionais da organização, principalmente, para sensibilizar a diretoria a divulgar informações que
O reporte (relatório) é a última etapa de um extenso processo, iniciado pela elaboração da mate-
até então eram confidenciais, traçar os temas materiais (relevantes) da organização e a ensinar as áreas
rialidade, que consiste na definição dos temas que a empresa trata como prioritários, num deter-
a coletar os indicadores, conforme padrão definido pela Global Reporting Initiative (GRI). O processo foi
minado período de tempo (ex.: anual, bienal). Para chegar a esses temas, é recomendável que a
bastante positivo, pois a empresa foi reconhecida pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sus-
empresa crie um ranking de criticidade de seus públicos de interesse (stakeholders), listando cada
tentável (FBDS) e pela consultoria inglesa SustainAbility por publicar um dos dez melhores relatórios de
sustentabilidade do Brasil de 2008. um por ordem de importância (ex.: clientes, colaboradores, comunidade do entorno, acionistas,
fornecedores etc.).
A Even publicou quatro edições de relatório, evoluindo gradativamente: em 2008 e 2009, o nível de apli-
cação da GRI foi C. Em 2010 e 2011, B+, auferindo maior número de indicadores e verificação externa por 3º Passo: Consulta aos Públicos de Interesse

empresa especializada. Adicionalmente, a partir de 2011, a publicação passou a se chamar Relatório Anual Após definição dos temas prioritários para a empresa, esta deve conhecer quais são as prioridades de
e de Sustentabilidade, refletindo a preocupação em ampliar as informações econômico-financeiras, de seus públicos de interesse e o que para eles é relevante constar no relatório (Ex: gestão de resíduos,
modo a atingir acionistas e instituições financeiras com maior profundidade. inventário de carbono, projetos sociais nas obras, governança). Uma das opções para levantamento
dessas informações é a realização de painéis, no entento, o engajamento também pode ser via pesqui-
A construtora utiliza o Relatório Anual e de Sustentabilidade como um verdadeiro instrumento de gestão,
sas, questionários, entrevistas, etc.
visto que ele facilita a interação das áreas da empresa com seus públicos de relacionamento sobre o tema
sustentabilidade. Também, os indicadores GRI foram utilizados como base para o programa de remunera- 4º Passo: Elaboração da Matriz de Materialidade
ção variável da empresa, atingindo um grande número de departamentos. Considerada a base estratégica para a elaboração do relatório, é definida a partir do cruzamento dos
temas prioritários para a organização e para seus públicos de interesse.

5º Passo: Indicadores de Desempenho


A partir da matriz de materialidade, são definidos os indicadores que integrarão o próximo relatório e as
diferentes áreas da empresa devem ser orientadas sobre como levantar cada indicador.

6º Passo: Elaboração do Relatório


Diante da matriz de materialidade, o mote principal do relatório é estabelecido. Também são realizadas
entrevistas com diversos diretores e gestores, para que reportem as estratégias de negócio e os projetos
realizados no ano anterior, bem como os compromissos assumidos para os próximos anos. O texto é
A Global Reporting Initiative (GRI) é uma organização não governamental internacional, escrito e compartilhado com as áreas e diagramado para formato impresso/online.
que tem por missão desenvolver e disseminar globalmente diretrizes para a elabora-
ção de relatórios de sustentabilidade. A versão G3.1, publicada em março de 2011, é a 7º Passo: Aprovação e Credibilidade
mais recente e complementa e revisa a terceira geração de diretrizes, denominada G3.
O relatório é submetido à Global Reporting Initiative (GRI), que avalia o nível de aplicação. No caso do
As diretrizes do GRI orientam as empresas sobre como reportar e sobre o que deve
mesmo ser auditado, a empresa verificadora elabora uma declaração de garantia, e ambos os documen-
ser reportado. O relatório é formado basicamente pelas Definições e Princípios, Perfil
da Empresa e pelos Indicadores de Desempenho: Ambiental, Econômico e Social, tos são anexados ao relatório, auferindo maior credibilidade ao conteúdo apresentado.
sendo este último subdividido em: Práticas Trabalhistas, Sociedade, Direitos Huma-
8º Passo: Campanha de Divulgação
nos e Responsabilidade pelo Produto.
O documento final é apresentado para toda a empresa para, posteriormente, ser divulgado aos públicos
de interesse. Para o público interno, a proposta é que seja utilizado como uma ferramenta de gestão.

48 49
Pilares
Gestão empresarial
3.2.6
3.2.5 Elaboração de Relatório de Sustentabilidade conforme padrão GRI
Elaboração de Inventário Porte

LIÇÕES APRENDIDAS
Engajamento: a elaboração do relatório é um processo longo e complexo que necessita do envol-
de Gases de Efeito Estufa Local

vimento de todos os departamentos da empresa, e know-how da área condutora do processo para


Empresa

Gestão empresarial
sensibilizá-los e engajá-los corretamente. A atratividade do documento depende unicamente do que as
áreas têm para relatar e do comprometimento da empresa com o desenvolvimento sustentável. Nome: Even Construtora e Incorporadora S.A. Certificação Empreendedor AQUA; Comitê de Sustentabilida-
Localização: São Paulo, SP de; Código de Conduta; 4º Relatório de Sustentabilidade (GRI);
Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa.
Comprometimento: na Even, os indicadores de desempenho foram utilizados para criar metas de sus- Segmento: Incorporação e Construção
Premiações: 4º lugar no ranking de Responsabilidade Social
tentabilidade para toda a empresa, atrelando-as ao programa de remuneração variável da companhia. Porte: Grande (1.405 colaboradores) em 2012 (Revista ISTOÉ Dinheiro - As 500 Melhores Empresas do
Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Brasil); 4ª posição no ranking de Construtoras e Incorporadoras
Desse modo, as áreas ficaram mais comprometidas em coletar todos os indicadores, mesmo que não Integrante do ISE da BM&FBOVESPA; das Empresas Mais Admiradas em 2012 da Revista Carta Capital.
componham o relatório.

Transparência nas informações: o relatório é um instrumento que tem caráter de gestão e não de
marketing. Por isso, é importante que o conteúdo seja transparente, mesmo que não seja positivo. Ape- Apresentação
nas assim ele será valorizado pelo mercado em geral. O desenvolvimento socioeconômico e o aumento da população mundial geraram uma grande eleva-
Leveza no processo: apesar de ser um documento corporativo, o relatório precisa equilibrar informa- ção na emissão dos gases de efeito estufa (GEE), responsável por desequilíbrios climáticos no planeta.
ções técnicas com mercadológicas de forma interessante sem ser muito maciço. Visando esse equilíbrio, Não é mais possível pensar em crescimento puramente econômico e de mercado, as empresas preci-
a Even adaptou o conteúdo para um formato de revista, proporcionando maior atratividade ao leitor. sam crescer de modo sustentável. Pensando nisso, a Even adotou, em 2009, a gestão de gases de efeito
estufa como uma das suas principais ações de Sustentabilidade e inovou ao desenvolver uma metodo-
logia pioneira para o setor e ao criar um índice de emissão de GEE expresso em tCO2e/m² (tonelada de
CO2 equivalente por metro quadrado construído).

benefícios
• Contribui para uma economia de baixo carbono e, consequentemente, para redução dos impactos so-
bre as mudanças climáticas.

• Contribui para a competitividade/melhor performance da empresa, uma vez que, ao possibilitar a


identificação de focos de emissão de GEE, incentiva a inovação de processos produtivos e/ou adoção
“O processo de materialidade (GRI) dá a oportunidade à empresa e aos stakeholders de repensa-
de soluções tecnológicas sustentáveis.
rem o seu papel. Por si só, essa movimentação influencia o comportamento de cada um dos envol-
vidos. Todos são conduzidos a uma nova visão da realidade, estimulados pelos temas abordados. É • Amplia a capacidade da empresa de atendimento às demandas de diferentes grupos de stakeholders
ligados ao tema.
como se a primeira semente para o pensamento sistêmico da sustentabilidade fosse plantada. Um
stakeholder chamado a tratar de temas de gestão empresarial gera um impacto muito positivo • Contribui para tornar a empresa uma referência em sustentabilidade, tanto na cadeia produtiva da cons-
e multiplicador. Eu passei a enxergar a empresa com novos olhos e a questionar se outras estão trução quanto no mercado em geral.

abertas ao mesmo processo.”  • Viabiliza a participação em fundos de investimento específicos para empresas que divulgam suas emis-
Velma Gregório, da ÓGUI Public Relations sões de GEE (ex.: ECOO11), baseados em índices como ISE e ICO2.
Participante do Painel Multistakeholder da Even em 2011
• Permite conhecer a fundo o ciclo de vida dos materiais empregados e seus impactos.
• Prepara a empresa para uma futura regulamentação para o setor.
Minicaso
A Even iniciou o processo de quantificação de GEE em 2009. O projeto foi designado para a área de
Sustentabilidade que envolveu as áreas de Custos, responsáveis pela base de dados que alimenta o
inventário, ou seja, a estrutura orçamentária, e também a área de Suprimentos, que foi encarregada da
busca de informações sobre a composição dos materiais empregados. Além do envolvimento dessas
áreas internas, a Even também contou com o auxílio de uma empresa de consultoria para o desenvolvi-

50 51
Pilares
Gestão empresarial

3.2.6 Elaboração de Inventário de Gases de Efeito Estufa Porte

Local
mento da metodologia e implementação do projeto. Na produção de um inventário de carbono devem a fabricação dos blocos também passasse a quantificar suas emissões, resultando num engajamento total da
ser considerados três escopos, sendo eles: cadeia. Para o inventário de 2011, alguns fatores de emissão foram calculados a partir do total de emissões
• Escopo 1: Emissões Diretas (as que ocorrem diretamente nos processos e instalações gerado pelas empresas fornecedoras da Even, no caso, de cimento, argamassa, aço, entre outros.

Gestão empresarial
da própria empresa);
COMO FAZER
• Escopo 2: Emissões Indiretas de Energia Adquirida (ocorrem fora da empresa, para
1º Passo: Base de Dados
fornecer energia elétrica e térmica a ela);
De acordo com a norma ABNT NBR ISO 14064-1 (Quantificação e Elaboração de Relatórios de Emis-
• Escopo 3: Outras Emissões Indiretas (ocorrem fora da empresa mas estão relacionadas sões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), a organização deve adotar uma medida quantitativa
às suas atividades). de atividade que resulta em emissão de GEE. Para realização do inventário na Construção Civil, é
No desenvolvimento da metodologia, a empresa constatou que uma variável importante para a realiza- necessário definir uma base de dados com quantidades confiáveis e de pouca distorção. Nesse caso,
ção do inventário são os fatores de emissão dos materiais utilizados. Para alguns materiais específicos, sugere-se a utilização das estruturas orçamentárias dos empreendimentos por métodos construtivos
para os quais os fornecedores não fazem o cálculo de emissões de GEE (ex.: material polimérico, cobre, (estrutura convencional ou alvenaria estrutural), calculando separadamente por grupos de serviços,
matéria têxtil, entre outros), a empresa buscou fontes nacionais ou globais confiáveis. Algumas referên- exemplo: Grupo 01 - Armações, Grupo 02 – Alvenaria e Vedações. A organização da estrutura nesta
cias foram o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), a Universidade de Bath, a Companhia de forma facilita a análise dos serviços mais impactantes, auxiliando a criação de uma ação dirigida ou
Tecnologia de Saneamento Ambiental do Governo de São Paulo (CETESB), entre outros. plano de redução para estes serviços.

No ano de 2011, a Even iniciou o processo de engajamento de fabricantes e fornecedores da empresa para o 2º Passo: Fatores de Conversão
aprimoramento gradual do Escopo 3 de seu inventário de emissões, comprometendo-se com a conscientiza- A unidade internacionalmente utilizada pelas organizações para divulgar suas emissões de GEE
ção desses públicos sobre a importância de quantificar as emissões de GEE em seus processos produtivos. A é tCO2e/t de produto, portanto os materiais especificados nos grupos dos orçamentos devem
decisão de engajar esse grupo de stakeholders se deve ao fato de que mais de 90% das emissões quantificadas ser descritos em quilograma (kg) ou tonelada (t). No caso de materiais que não podem ser es-
da empresa proveem de terceiros. Desse modo, a Even organizou um workshop, que contou com a participa- pecificados em peso, deve-se aplicar o fator de conversão, transformando-os em peso conforme
ção de algumas dezenas de empresas fornecedoras, e realizou uma série de visitas técnicas e reuniões com exemplo abaixo:
as mesmas, estabelecendo, desse modo, um diálogo aberto, que resultou em inúmeras ações específicas, em
Material Quantidade Unidade Conversão
diferentes segmentos de atividade. Como exemplo de resultado alcançado, o principal fornecedor de blocos
Cimento CP II E 1000 Saco - 50Kg (0,05 t de cimento/sc)
de concreto passou a quantificar as suas emissões, e exigiu que a pedreira que fornece a matéria-prima para
Tabela 07: Exemplo de cálculo de conversão. (Fonte: Even, 2012).

3º Passo: Fatores de Emissão


A maioria dos materiais empregados na Construção Civil possui o seu respectivo fator de emissão. A
Resultado dos Inventários de GEE da Even em 2010 e 2011 empresa deve buscar fontes que melhor se adaptem à realidade do setor, mantendo a premissa do
Método m² entre- Índice kg- Total tCO2e m² entre- Índice kg- Total tCO2e conservadorismo, ou seja, em caso de incerteza quanto ao fator de emissão de determinado material,
Construtivo gues 2010 CO2e/m² gues 2011 CO2e/m²
utilizar sempre o maior. Além das instituições citadas no minicaso, podem ser consultados os fatores de
Estrutura
306.071,00 284,52 87.083,42 254.131,23 193,45 49.162,02
Convencional emissão divulgados por iniciativas setoriais, como a do cimento – Cement Sustentability Initiative (CSI) ou
Alvenaria
214.087,00 267,43 57.354,93 335.158,03 166,34 55.751,54 do aço – World Steel Association (WSA).
estrutural
Comerciais 0,00 235,79 0,00 0,00 164,75 0,00
4º Passo: Cálculo das Emissões
Pré-moldados 0,00 171,29 0,00 36.092,04 138,33 4.992,70
As emissões de GEE devem ser calculadas através da multiplicação dos dados de atividade pelos
Administração 87,80 1.419,81
fatores de emissão. O cálculo das emissões totais de um determinado material é relativamente
Total: 520.158,00 144.526,15 625.381,30 111.326,07
simples, e é obtido multiplicando-se a quantidade pelo fator de conversão e pelo fator de emissão,
conforme exemplo abaixo:
Índice de emissões totais de tCO2 eq/m² construído
2010 2011 Fator de
Material Quantidade Unidade Conversão Emissão Emissões Totais
0,278 tCO2 eq/m² construído 0,178 tCO2 eq/m² construído
(0,05 t de cimen-
(Fonte: Even, 2012) Cimento CP II E 1000 Saco - 50Kg 0,392 19,6 tCO2e
to/sc)
Tabela 08: Exemplo de cálculo de emissões. (Fonte: Even, 2012)

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Pilares
Gestão empresarial
3.3.1
3.2.6 Elaboração de Inventário de Gases de Efeito Estufa
Diálogo e engajamento com Porte

5º Passo: Transformação Índice


A norma ABNT NBR ISO 14064-1 descreve que as organizações devem definir o seu ano-base, isto é,
diferentes stakeholders Local

período histórico especificado com o propósito de comparar as emissões relacionadas aos GEE ao
longo do tempo. Uma vez que a Construção Civil possui longos ciclos de produção e diferentes está- Empresa

Relação com Stakeholders


gios de obras, recomenda-se a utilização de um índice de emissão de GEE que reflita a realidade do Nome: Votorantim Cimentos Estratégico para Sustentabilidade; Comitê Interno de Sustentabili-
dade; Gerenciamento Estratégico de Emissões de GEE; Sistema de
setor, como exemplo, a partir da multiplicação da média de emissão de cada método construtivo pela Localização: São Paulo, SP
Indicadores de Sustentabilidade e Balanço Social; Código de Con-
Segmento: Indústria de Materiais
área construída entregue no ano, expresso em tCO2e/m², como mostra a tabela abaixo: duta; Política de Investimento Social Externo; Gestão de impactos
Porte: Grande (10.000 colaboradores) locais - Environmental and Social Impact Assessment (ESIA).
Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Premiações: Prêmio Eco – Categoria Sustentabilidade em pro-
Método Construtivo m² entregues 2011 Índice kgCO2e/m² Total tCO2e Membro fundador do Cement Sustainability Initiative (CSI); Carta de cessos (2010); Prêmio Top Anamaco – Categoria Responsabilida-
Estrutura Convencional 254.131,23 193,45 49.162,02 Princípios de Sustentabilidade (Grupo Votorantim); Planejamento de Social (2010).

Alvenaria estrutural 335.158,03 166,34 55.751,54


Comerciais 0 164,75 0
Pré-moldados 36.092,04 138,33 4.992,70
Administração 1.419,81
Total: 625.381,30 111.326,07 Apresentação
Tabela 09: Exemplo de cálculo de emissões por método construtivo. (Fonte: Even, 2012).
Com muito diálogo e disposição para buscar o entendimento e objetivos comuns, a Votorantim Cimen-
tos conseguiu se aproximar da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE)4 e do Instituto Amigos da
LIÇÕES APRENDIDAS
Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), apesar dos interesses divergentes. Somente por meio
Erros de cálculo: a automatização das planilhas e a criação de um banco de dados com todos os
da aproximação foi possível que as três organizações encontrassem os meios necessários para lidar de
fatores de emissão dos materiais fazendo link com as planilhas orçamentárias reduz a possibilidade
forma adequada com o desafio da mineração em cavernas, gerando o maior benefício para cada uma
de erro nos cálculos.
delas e minimizando os impactos negativos desta atividade.
Atualização anual: os fatores de emissão e conversão são revisados anualmente, portanto é necessário
Isso demonstra que tornar um relacionamento caracterizado por interesses distintos em um
que esses dados sejam atualizados na planilha de cálculo a cada ano.
relacionamento baseado no diálogo e na cooperação não é um objetivo trivial, porém pode
Escopo 3: as construtoras são corresponsáveis pela emissão dos produtos que utilizam na construção dos ser alcançado.
seus empreendimentos. Desse modo, é fundamental a contabilização das emissões indiretas (Escopo 3) que,
no caso da Even, chegou a representar 98% das emissões totais na ocasião da elaboração do 1º inventário. benefícios
• Definição de estratégias empresariais alinhadas às expectativas e demandas das diferentes par-
tes envolvidas.

“Em 2011, fomos convidados pela Even, nossa principal cliente, a participar de seu ‘Workshop sobre Mu- • Compreensão mais ampla e identificação de oportunidades de ação pela combinação de diferentes
danças Climáticas’, o que despertou a empresa para os efeitos das alterações do clima sobre a sociedade e visões e perspectivas.

conduziu a uma série de iniciativas: passamos a quantificar nossas emissões de gases de efeito estufa (GEE) • Levantamento de riscos por meio de escuta das partes interessadas levando a um melhor processo
e a estimular todos os nossos fornecedores a fazerem o mesmo; implementamos um projeto em caráter pi- de tomada de decisão.
loto, de cura à vapor dos blocos de concreto com gás natural, para reduzir as emissões de GEE; em parceria • Identificação das partes envolvidas com as atividades da empresa.
com a Even, estabelecemos um sistema de logística reversa, para reaproveitamento dos resíduos gerados nas
• Capacidade ampliada para endereçar os desafios relacionados à empresa e suas partes interessadas
obras: blocos, concreto e argamassa, que até então eram descartados, retornam ao processo produtivo como
na promoção do desenvolvimento sustentável.
agregados, depois de britados; desenvolvemos fornecedores de paletes somente com madeira certificada e
de reflorestamento e criamos uma nova área dentro da empresa com carpinteiros, reduzindo assim nosso Minicaso
desperdício em mais de 80%.” O relacionamento da Votorantim Cimentos com a SBE sempre se caracterizou por uma relação, intrinseca-
Mário Sérgio Guimarães mente, de interesses divergentes: por um lado, a SBE tem por finalidade a preservação do patrimônio espe-
Gerente Comercial da Glasser Pisos e Pré-Moldados LTDA. leológico; por outro, a Votorantim Cimentos necessita explorar minas de calcário − principal matéria-prima
para a fabricação do cimento, que se encontra, em algumas situações, em regiões de cavernas.

4 - A SBE é uma “associação sem fins lucrativos, que congrega interessados na exploração, pesquisa e preservação de
cavernas, assim como em todas as ciências e atividades correlatas ao meio ambiente. Fundada em 1969, a SBE incenti-
va, organiza e difunde todas as atividades relacionadas à espeleologia, seja no campo esportivo, social ou científico.”
54 55
Pilares
Relação com Stakeholders

3.3.1 Diálogo e engajamento com diferentes stakeholders Porte

Local
O Decreto 6.640 de novembro de 2008, que dispõe sobre a proteção das cavidades naturais subterrâ- 2º Passo: Identificação e Classificação dos Públicos de Interesse
neas do território nacional e dá nova redação ao Decreto 99.556/1990, causou descontentando e insa- Deve-se identificar os grupos de stakeholders que podem ter influência sobre ou ser afetados
tisfação em toda a comunidade espeleológica, pois foi considerado um retrocesso na legislação espe- pelas atividades da empresa ou do projeto. Estes deverão ser identificados considerando-se os
leológica brasileira e acusado de privilegiar os interesses econômicos das mineradoras. objetivos e abrangência do processo de engajamento estabelecidos no passo anterior. Deve-se

Relação com Stakeholders


estabelecer uma classificação dos grupos levantados, de modo a priorizá-los, segundo critérios
O que poderia contribuir para acirrar ainda mais um relacionamento já complicado, se mostrou, na verdade,
instituídos pela empresa, como: legitimidade, nível de influência, capacidade de engajamento,
como a motivação para o início do diálogo.
expectativas em relação à empresa/projeto, interesse no engajamento etc. Existem várias fer-
A aproximação da Votorantim Cimentos com a SBE e o RBMA resultou na assinatura de um convênio ramentas que apoiam a identificação e classificação sistemática dos stakeholders. Para mais in-
de cooperação técnico-financeira, em julho de 2011. Foram vários encontros ao longo do ano de 2010, formações, veja o box Engajamento de Stakeholders: o padrão AA1000 da AccountAbility e as
entre profissionais e especialistas das três organizações para definição dos termos da cooperação. referências dessa boa prática.
O acordo assinado contempla quatro linhas de ação: 1) Guia de Boas Práticas Ambientais da Minera- 3º Passo: Planejamento do Engajamento
ção; 2) Programa de Pesquisa do Patrimônio Espeleológico; 3) Programa de Educação sobre Patrimônio Deve ser desenvolvido um plano de engajamento, considerando prazo, recursos necessários (huma-
Espeleológico; e 4) Programa de Conservação e Manejo de Cavernas, Áreas Cársticas e Mata Atlântica. nos, técnicos e financeiros), ações de comunicação (ex.: convite, briefing, formato do diálogo com as
O desenvolvimento das ações é feito de forma integrada e conjunta, de acordo com os objetivos do partes interessadas, comunicação dos resultados etc.), análise de riscos do engajamento (ex.: indis-
convênio, e coordenado por uma comissão composta por representantes das entidades envolvidas. posição para o engajamento, conflito de interesses entre a empresa e as partes interessadas e destas
entre si, expectativas irrealistas em relação à empresa etc.), e indicadores para mensuração dos re-
Além de tomar assento nesta comissão, a Votorantim Cimentos apoiou outras iniciativas para promover a
sultados (ex.: temas materiais levantados; temas materiais tratados, planos elaborados em parceria,
disseminação da importância da preservação do patrimônio espeleológico: reforma física da Biblioteca Guy-
percentual de cumprimento dos planos, dentre outros).
Christian Collet e catalogação do seu acervo; produção do Livro “O ser Humano e a Paisagem Cárstica”; orga-
nização do Concurso Fotográfico “Cavernas do Brasil”; e patrocínio do “Guia de Boas Práticas de Recuperação
Ambiental em Pedreiras e Minas de Calcário”.

Internamente, a aproximação com a RBMA e a SBE levou ao desenvolvimento das ações de levantamen-
to de ativos ambientais nas áreas de exploração da Votorantim Cimentos e à conscientização e educa-
ção dos colaboradores da empresa sobre a importância do patrimônio espeleológico. Engajamento de Stakeholders: O Padrão AA1000 da AccountAbility
Uma outra frente de trabalho importante, decorrente da promoção do diálogo entre a Votorantim Cimentos A AA1000 é uma referência para apoiar as empresas no relacionamento com seus públicos de inte-
e a SBE, é a ampla mobilização que está sendo promovida para discussão dos fundamentos para uma legisla- resse, de modo que a organização gere valor para todos os seus stakeholders relevantes.
ção sobre Espeleologia. Workshops estão sendo organizados em diferentes regiões do país para discussão da De acordo com o padrão, um engajamento de alta qualidade consiste:
política de proteção de sítios espeleológicos brasileiros; uma reação da comunidade espeleológica ao Decre- • No compromisso com os princípios de Inclusão, Materialidade e Capacidade de Resposta;
to 6.640, apoiada e viabilizada pela cooperação técnica entre SBE, RBMA e Votorantim Cimentos. Destaca-se
• Na definição de um escopo de ação;
como resultado desse processo a união e o fortalecimento da comunidade espeleológica brasileira, ante-
riormente, formada por diversos grupos, com propósitos distintos e sem articulação e comunicação entre si. • Na criação de diálogo e de processos de decisão acordados;

• Na transparência;
COMO FAZER
• No alinhamento do processo com a governança da empresa;
1º Passo: Definição do Propósito e do Escopo do Processo de Engajamento dos Públicos de Interesse
Deve-se definir os objetivos do processo de engajamento (ex.: ampliar o diálogo e entender melhor as • No respeito aos prazos; e
demandas das partes interessadas; contribuir para o desenvolvimento local etc.) e o que se pretende • Na flexibilidade de ação.
alcançar com o mesmo (ex.: mitigação de riscos; manutenção da licença para operar; dentre outros). Diversas empresas têm usado o padrão da AA1000 como ferramenta para realizar o engajamento
Deve-se estabelecer a abrangência do processo de engajamento (ex.: empresa como um todo ou um demandado pela diretriz GRI de relato de sustentabilidade.
projeto específico), e por qual período de tempo (ex.: relacionamento de longo prazo; duração da cons-
trução do empreendimento etc.).

56 57
Pilares
Relação com Stakeholders
3.3.2
3.3.1 Diálogo e engajamento com diferentes stakeholders
Alinhamento de ações de responsabilidade Porte

4º Passo: Definição dos Temas de Materialidade


Para levantar os temas materiais, é necessário envolver os públicos de interesse definidos como prioritá-
social com a estratégia de negócios Local

rios e identificar quais são suas expectativas, interesses ou demandas, isto é, o que é relevante para eles.
Isso pode ser feito por meio de workshops, grupos focais, reuniões, fóruns multistakeholders etc. Para Empresa

Relação com Stakeholders


sugestões de temas de sustentabilidade, vide BP 3.2.1 (Incorporação da Sustentabilidade no Sistema de
Nome: Construtora Biapó LTDA. Premiações: Prêmio SESI de Qualidade no Trabalho (2012); Melhor projeto de restauro
Gestão da Qualidade).
Localização: Goiânia, GO do Guia 4 Rodas em 2006 (Igreja de São Francisco de Assis - Belo Horizonte, MG). Prêmio
5º Passo: Elaboração de Planos de Ação
Segmento: Construção Civil (Restauração) Rodrigo Melo Franco de Andrade do IPHAN em 2007 – categoria Preservação de Bens
A empresa e suas partes interessadas devem elaborar em conjunto planos de ação para tratamento dos
temas relevantes priorizados. Uma sugestão é organizar os temas e seus respectivos planos na lógica de Porte: Médio (171 colaboradores) Móveis e Imóveis (Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário - Pirenópolis, GO).

portfolio de projetos, de modo que as diferentes iniciativas se complementem e sejam monitoradas por
um escritório de projetos.

6º Passo: Monitoramento e Melhoria Contínua Apresentação


Deve-se monitorar o processo de engajamento, os indicadores estabelecidos, bem como criar mecanis-
A Construtora Biapó adotou em seu modelo de gestão estratégica uma postura socialmente respon-
mos de escuta de modo a garantir que os acordos firmados sejam cumpridos.
sável na condução dos seus negócios, considerando os interesses de todos os grupos influenciados

LIÇÕES APRENDIDAS por sua atuação.

Integração com a gestão: o engajamento com os públicos de interesse é um processo dinâmico e con- A conservação do patrimônio histórico-cultural é a atividade-fim da Biapó e é também o fio condutor
tínuo, que deve fazer parte da gestão da empresa. Desse modo, deve-se definir metas, responsáveis e de seu programa de ações sociais, destinado tanto a seus colaboradores − o que contribui para melho-
procedimentos para orientar o processo de engajamento e integrá-lo à estratégia organizacional. rar sua capacidade produtiva e aumentar sua fidelização à empresa − quanto às comunidades onde a
empresa atua, estimulando a formação de novos mercados. Isso culminou em um Programa Estratégico
Corresponsabilidade: para reforçar a cooperação e o efetivo engajamento, os planos de ação para trata-
de Responsabilidade Social, que trouxe ganhos simultâneos para a empresa e a sociedade.
mento dos temas relevantes não devem ser de exclusiva responsabilidade da empresa.
benefícios
• A inclusão de aspectos socioambientais na estratégia da empresa amplia a percepção de riscos e opor-
tunidades relacionados ao negócio, fazendo com que as ações de responsabilidade social também contri-
buam com os resultados da empresa.

• A ação de responsabilidade social estratégica orienta a definição e o relacionamento com os públicos de


interesse (stakeholders) relevantes para o desenvolvimento dos negócios.

• Melhor compreensão do negócio da empresa pelos colaboradores e aumento da consciência de seu


papel no alcance de resultados.

• Ampliação dos mercados, pelo reconhecimento da sociedade quanto ao papel que a empresa desempe-
nha no desenvolvimento das comunidades.

Minicaso
A Construtora Biapó realiza obras de restauração arquitetônica e artística de edificações históricas. O de-
senvolvimento das atividades da empresa possui dois aspectos-chave: por um lado, o reconhecimento e
a valorização pela comunidade de seu patrimônio histórico-cultural e, por outro lado, o desenvolvimento
de mão de obra especializada em restauração. Desse modo, os proprietários e executivos da empresa
vislumbraram que a preservação do patrimônio histórico-cultural como orientadora de ações de respon-
sabilidade social voltadas para comunidades e colaboradores, apoiaria a estratégia da empresa e a perpe-
tuidade de seus negócios.

58 59
Pilares
Relação com Stakeholders

3.3.2 Alinhamento de ações de responsabilidade social com a estratégia de negócios Porte

Local
O programa voltado para o público interno teve como principais resultados a melhoria das práticas
de trabalho e de conduta; aumento do entrosamento entre a equipe de trabalho e promoção da cola-
boração do grupo; melhoria nos níveis de produtividade; menor rotatividade de funcionários (27,92%

Relação com Stakeholders


da mão de obra da Biapó encontra-se na empresa há mais de 3 anos); inclusão social e cultural dos
colaboradores; identificação de habilidades artísticas entre os colaboradores (ex: escultura e desenho
à mão livre).

Para o público externo, a Biapó desenvolveu a iniciativa “Canteiro Aberto”. O propósito da iniciativa
é envolver a comunidade no processo de restauro por meio da visitação do local durante a obra,
tornando públicas as ações e decisões. Para divulgar o processo de recuperação patrimonial, são
montadas exposições no interior da obra, compostas por fotografias e painéis com informações
sobre as metodologias adotadas. As entradas para a visitação das exposições são sempre gratuitas.
Para organização das exposições, a Biapó conta com o apoio de profissionais especialistas em Mu-
seologia, Arquitetura e Design. Um exemplo do sucesso dessa iniciativa é o público significativo de
52 mil pessoas que, entre 2004 e 2006, visitaram a exposição no canteiro de obra da Igreja Matriz
Reunião do Comitê de Sustentabilidade da Dias de Sousa. de Pirenópolis, Goiás.

Nesse sentido, a Biapó desenvolveu o “Programa de Educação Patrimonial”, estruturado em iniciativas


COMO FAZER
visando atender aos públicos interno e externo da empresa e tendo como foco a promoção integrada 1º Passo: Reflexão Sobre a Sustentabilidade e o Negócio da Empresa
da educação e valorização do patrimônio histórico-cultural. Os executivos devem identificar as questões ambientais, culturais, econômicas e sociais que estão
relacionadas às atividades da empresa. Existem diferentes fontes que listam essas questões e que
Para o público interno, a Biapó implementou três iniciativas: duas com foco educacional e uma para
podem servir de base para esta reflexão (vide BP 3.2.1. Incorporação da Sustentabilidade no Sistema
incentivar o engajamento dos colaboradores. O Projeto de Educação para o Patrimônio da construto-
de Gestão da Qualidade).
ra teve início no segundo semestre de 2008, durante as obras realizadas pela empresa na cidade do
Rio de Janeiro. A ação foi desenvolvida em parceria com Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Além das questões, os executivos devem identificar também os seus stakeholders, isto é, aqueles
Nacional (IPHAN), Universidade Federal do Rio de Janeiro e Seconci/Senai, tendo como propósito a públicos de interesse que afetam ou são afetados pelas atividades da empresa. Diversas referências
valorização do ser humano e de toda a sua produção cultural. No projeto, os colaboradores têm aulas indicam os principais grupos a serem mapeados (vide BP 3.3.1. Diálogo e engajamento com dife-
sobre temas, como técnicas construtivas, História do Brasil, História da Arte e educação ambiental, rentes stakeholders).
conduzidas por profissionais com formação em Ciências Humanas Aplicadas. 2º Passo: Incorporação da Sustentabilidade na Estratégia Corporativa
Com o projeto em andamento, a empresa percebeu que para ampliar a participação de seus cola- Recomenda-se que no processo de elaboração da estratégia, a empresa defina quais questões

boradores era preciso lidar com duas questões fundamentais: erradicar o analfabetismo entre seus identificadas serão priorizadas no período e quais stakeholders devem ser engajados. Desta prio-

funcionários e desmitificar o acesso à cultura. Nesse sentido, a empresa desenvolveu o “Programa de rização vai se derivar uma série de iniciativas, que irão compor um Programa de Responsabilidade

Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores” (PEJAT), uma iniciativa de EJA, com o diferencial de ser Social estratégico.

totalmente alinhado ao tema da Educação para o Patrimônio. As aulas são direcionadas individual- 3º Passo: Estruturação da Iniciativas
mente de acordo com o perfil e grau de instrução de cada colaborador e realizadas no horário do Cada iniciativa do Programa de Responsabilidade Social deve ser composta por uma descrição da ação,
expediente. O PEJAT utiliza o conceito de Letramento, isto é, o aprendizado formal por intermédio de os objetivos esperados, os stakeholders envolvidos, os incentivos a serem oferecidos, os recursos e in-
palavras que pertencem diretamente ao contexto em que o aluno está inserido, pessoal e profissio- vestimento necessários para sua viabilização e os indicadores para avaliação da eficácia da iniciativa
nalmente, no caso, a restauração arquitetônica. e de sua contribuição para o desenvolvimento corporativo (disseminação e internalização de valores,

Para incentivar a participação dos colaboradores, a Biapó instituiu a iniciativa “Biapó em Sua Casa”. Trata-se da desempenho financeiro etc.).

realização de sorteios mensais no valor de R$ 1.500.00 em materiais de construção, a escolha do funcionário 4º Passo: Melhoria Contínua
premiado para que ele realize reformas em sua casa. Para poder participar do sorteio, o funcionário não pode Recomenda-se que o Programa de Responsabilidade Social seja continuamente avaliado e que seja
apresentar faltas no trabalho e ter boa participação nas aulas dos projetos dos quais faz parte: o de Educação buscado o constante desenvolvimento de suas iniciativas e aspectos que as compõem. O próprio
para o Patrimônio ou o PEJAT. programa deve ser revisto nas reuniões de avaliação e de elaboração de estratégia para que as ações

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Relação com Stakeholders
3.3.3
3.3.2 Alinhamento de ações de responsabilidade social com a estratégia de negócios
Integração ao Índice de Porte

de responsabilidade social da empresa possam ser uma fonte de oportunidades e um apoio efetivo
para o alcance dos objetivos corporativos.
Sustentabilidade Empresarial - ISE Local

LIÇÕES APRENDIDAS Empresa

Relação com Stakeholders


Promoção de cidadania por meio da educação: para além dos benefícios dos cursos de alfabeti- Nome: Even Construtora e Incorporadora S.A. Certificação Empreendedor AQUA; Comitê de Sustentabilida-
zação e educação patrimonial, o entrosamento entre colaboradores de diferentes classes socio- Localização: São Paulo, SP de; Código de Conduta; 4º Relatório de Sustentabilidade (GRI);
Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa.
Segmento: Construção e incorporação
culturais e níveis hierárquicos, possibilitado pelo Programa de Educação Patrimonial, contribuiu Premiações: 4º lugar no ranking de Responsabilidade Social
Porte: Grande (1.405 colaboradores) em 2012 (Revista ISTOÉ Dinheiro - As 500 Melhores Empresas do
para uma participação mais arrojada na empresa e, por extensão, na sociedade. Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Brasil); 4ª posição no ranking de Construtoras e Incorporadoras
Integrante do ISE da BM&FBOVESPA; das Empresas Mais Admiradas em 2012 da Revista Carta Capital.
Importância da oferta de incentivos: a empresa percebeu que a oferta de incentivos adequados
era crucial para promover o envolvimento dos stakeholders e, quando esta é pensada desde o plane-
jamento do projeto, contribui para o sucesso das ações.

Reforço da identidade e valores corporativos: as ações do programa de responsabilidade social, Apresentação


alinhadas ao planejamento estratégico, ajudaram a reforçar a identidade e os três valores da Biapó: O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) foi desenvolvido buscando criar um ambiente de in-
a valorização do ser humano, o trabalho em equipe e a valorização da história. vestimento compatível com as demandas do desenvolvimento sustentável e estimular a responsa-
bilidade das corporações. Devido ao seu caráter de supervisão e ao rigor de suas verificações, a Even
decidiu se candidatar a integrar o índice, o que representou um importante motivador para sua evo-
lução na adoção da sustentabilidade em suas atividades.

benefícios
• Menor risco da empresa sob aspectos sociais, ambientais e econômicos a acionistas e mercado em geral.
• Maior atratividade da empresa perante acionistas e sociedade em geral.
• Passar a ser referência em termos de sustentabilidade no setor de atuação e no mercado como um todo.
Minicaso
A iniciativa da Even de participar da carteira do ISE e de se submeter à avaliação dos indicadores estava
prevista no planejamento estratégico para 2011, mas foi antecipada em dois anos.
A construtora acreditou que seria viável tentar entrar no ISE após ter se preparado para integrar o
Novo Mercado (segmento mais alto de Governança Corporativa das empresas listadas em Bolsa);
processo que a levou a desenvolver uma estrutura sólida de governança e transparência, e processos
Exposição instalada na obra de restauração da Igreja Matriz de
Nossa Senhora do Rosário em Pirenópolis/GO em 2004. de gestão consolidados.
Após participar de um seminário na BM&FBOVESPA, a equipe tomou a decisão de participar efetiva-
mente do processo – e não apenas como empresa treineira e, para tanto, iniciou o preenchimento do
questionário do ISE, que avalia as práticas da empresa em sete dimensões: Geral, Governança Cor-
porativa, Econômico-Financeira, Natureza do Produto, Social, Ambiental e Mudanças Climáticas. Essa
etapa foi muito positiva porque motivou a criação de planos de ação para que a empresa pudesse
evoluir no ano seguinte em questões relacionadas ao monitoramento das práticas de fornecedores,
à revisão do código de conduta, à criação de política corporativa e ambiental, à auditoria do relatório
de sustentabilidade, entre outras.
A entrada da Even no ISE foi um processo de autoaprendizagem, sem apoio de consultoria externa e teve
repercussão positiva no mercado, além de influenciar sete fundos de investimento a adquirir as ações ou
ampliar a participação da Even em suas carteiras de investimento. A empresa ainda considera positivo o
fato de que os demais departamentos passaram a valorizar mais as deliberações e processos de sustenta-
bilidade e a compreender que são parte ativa dessa importante conquista. A construtora acredita que a
permanência no índice se deve à estruturação da área de Sustentabilidade e a consolidação dos Sistemas
Exposição na obra de salvamento emergencial da Capela São Pedro de Alcântara no Rio de Janeiro/RJ em 2011. Internos de Gestão, o que demonstra o seu comprometimento estratégico com o tema.

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Relação com Stakeholders
3.3.4
3.3.3 Integração ao Índice de Sustentabilidade Empresarial - ISE
Desenvolvimento da cadeia de Porte

COMO FAZER
1º Passo: Alinhamento com a Alta Direção
fornecimento para sustentabilidade Local

Para que o questionário do ISE seja utilizado como um instrumento de monitoramento, gestão e deli-
berações estratégicas, deve-se demonstrar para a diretoria, os objetivos estratégicos deste processo. Empresa

Relação com Stakeholders


2º Passo: Acompanhamento do Cronograma Anual do ISE Nome: Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. presarial; Guia de Convívio para Compreender Melhor a Pes-
Localização: São Paulo, SP soa com Deficiência; Código de Conduta de Fornecedores.
Participar de todas as etapas do ISE: ir ao kick off oficial (1º trimestre do ano); acompanhar o período de
Segmento: Construção Civil Pesada Premiações: Prêmio Época Empresa Verde (2012); Prêmio Época
consulta pública do questionário e buscar contribuir para este; aguardar o questionário final e se atentar Mudanças Climáticas – Indústria (2012); Reconhecimento Inter-
Porte: Grande (22.199 colaboradores)
ao prazo de respostas; disponibilizar as evidências comprobatórias solicitadas; e, finalmente, aguardar a nacional como destaque no Relatório do Painel de Alto Nível em
Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Sustentabilidade Global organizado pela ONU (2012); Líder em
divulgação da nova carteira, que acontece em novembro. Sistema Integrado de Gestão de Obra (SIGO); Certificações: Responsabilidade Social e Ambiental no Mercado Nacional de
ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR ISO 140001, OHSAS 18001, Construção Pesada (Revista IstoÉ Dinheiro – 2011); 18º Prêmio
3º Passo: Coordenação e Sensibilização ABNT NBR 16001, ABNT ISO/TS 29.001. Código de Ética Em- Expressão de Ecologia (2010).
A equipe ou área responsável deve conduzir as demais áreas no diagnóstico de seus processos e proce-
dimentos, e sensibilizá-las para a importância da sustentabilidade. Para a evolução gradativa desse pro-
cesso, deve orientar o desenvolvimento de planos de ação, bem como avaliar as respostas e evidências
comprobatórias fornecidas, formalizando os resultados junto à diretoria.
Apresentação
4º Passo: Comunicação Interna
Desde agosto de 2006, ocasião em que seus acionistas e diretores assinaram a “Carta da Sustentabilidade:
Utilizar os materiais de comunicação interna da empresa para sensibilizar os colaboradores e demais in-
teressados sobre a importância do ISE, destacando a renovação da presença na carteira, bem como a O Desafio de Inovação”, a Camargo Corrêa iniciou uma mobilização para implantar um modelo de gestão
importância e impactos para a empresa. que garantisse a perenidade de seus negócios e o atendimento das novas demandas do meio ambiente,
da sociedade e de todos os públicos com quem a empresa se relaciona.
LIÇÕES APRENDIDAS
Deste modo, a construtora desenvolveu um programa voltado para sua cadeia de valor, denominado “Parce-
A verdade acima de tudo: responder a uma pergunta ocultando a verdade ou parte dela é um grande
erro. O cálculo utilizado no ISE penaliza mais a empresa por ela não conseguir comprovar alguma res- rias para Sustentabilidade”, que visa integrar a visão de sustentabilidade da Camargo Corrêa na relação com
posta do que se disser que ainda não a atende. seus fornecedores estratégicos, capacitando-os para o atendimento de critérios socioambientais compatí-
Engajamento é o segredo: a complexidade de compreensão do tema sustentabilidade e a tarefa de veis com as exigências do Grupo e fortalecendo-os para que se tornem mais sustentáveis e competitivos.
responder ao questionário e apresentar evidências, que devem ser feitas pelas diferentes áreas, são
fatores que requerem um processo contínuo de instrução e sensibilização, que pode ser facilitado se benefícios
conduzido por uma área que compreenda sua importância e esteja alinhada com os objetivos estraté- • Fortalecimento da cadeia de suprimentos: melhoria de desempenho ambiental, econômico e so-
gicos da empresa, como no caso da Even, a área de Sustentabilidade. cial dos fornecedores e promoção do desenvolvimento sustentável em toda a cadeia produtiva.
Comprometimento: é recomendável que o resultado do processo evolutivo do ISE esteja vinculado a
• Melhoria no fornecimento de insumos e serviços para a empresa: melhoria dos produtos e servi-
metas de curto e médio prazos e, quando possível, que estas estejam atreladas ao programa de remu-
neração variável da empresa. ços consumidos pela empresa e estreitamento das relações com os fornecedores estratégicos, com
maior probabilidade de seu prolongamento.
Comunicação: para facilitar o entendimento a respeito do ISE, a Even desenvolveu um infográfi-
co que ilustra o processo de forma lúdica. O material fica disponível na intranet e no website da Even. • Redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na cadeia de suprimentos: capacitação e
apoio à implantação do inventário das emissões de GEEs nos principais fornecedores, além da defini-
ção de uma meta para redução das emissões.

Minicaso
O “Programa Parcerias para Sustentabilidade” foi implantado em 2009 na Camargo Côrrea e já contou
com a participação de mais de 100 fornecedores. A iniciativa foi desenvolvida a partir da experiência
adquirida com o Programa Tear - Programa de Implementação de Medidas de Responsabilidade Social
Empresarial (RSE) em Micro, Pequenas e Médias Empresas Brasileiras, promovido pelo Instituto Ethos
em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O objetivo do programa era fortalecer
a gestão sustentável e a incorporação da RSE em estratégias de negócios com fornecedores e clientes.
Figura 05: Infográfico ilustrativo do ISE. (Fonte: Even, 2012).
Inicialmente, o Programa Parcerias para Sustentabilidade era liderado pela área de Sustentabilidade e
Responsabilidade Social da Camargo Corrêa e conduzido por uma consultoria externa. A partir de 2010,

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Relação com Stakeholders

3.3.4 Desenvolvimento da cadeia de fornecimento para sustentabilidade Porte

Encerramento do 2º Grupo
Local
passou a ser gerenciado pela área de Suprimentos da empresa a fim de concretizar a sua integração ao
processo de Gestão de Fornecedores.

Até 2012, o modelo estava estruturado em sete encontros com fornecedores, realizados no período de

Relação com Stakeholders


um ano, nos quais era exposta a aplicabilidade dos temas de gestão da sustentabilidade, meio ambien-
te, suprimentos, responsabilidade social e saúde e segurança do trabalho na Camargo Corrêa e o que se
espera deles, como fornecedores, nestes aspectos.

O público-alvo selecionado para participar do programa é composto por empresas fornecedoras da


Camargo Corrêa, com uma relação de longo prazo com o Grupo ou potencial para criá-la, cujo serviço Encerramento do 1º Grupo

ou produto oferecido tenha valor estratégico. A seleção é feita em conjunto com os líderes de categoria
responsáveis pelas compras e com a Gerência Executiva de Suprimentos e Logística.

Para 2013, o programa foi reformulado para trazer resultados mais tangíveis para a organização. Um dos programa e quais são os resultados esperados. Os materiais a serem apresentados aos fornecedores
novos focos será o da capacitação para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Para isto, defi- devem ser organizados, bem como as dinâmicas necessárias para abordar cada assunto e as tarefas a
niu-se um novo público-alvo que será composto por fornecedores das principais categorias emissoras de po- serem desenvolvidas ao longo dos encontros. É necessário ainda estabelecer uma quantidade mínima
luentes da construtora (Terraplenagem, Locação de Equipamentos Pesados, Transporte de Pessoas e Cargas). de presença nos encontros e definir critérios claros de avaliação do desempenho dos fornecedores no
O programa conta ainda com a participação de uma consultoria externa responsável por dar suporte, programa. Os recursos (técnicos, humanos e financeiros) necessários para realização do programa de-
sanar dúvidas, visitar os fornecedores e acompanhar o seu desempenho, para que seja possível avaliá vem ser previstos.
-los consistentemente, em conjunto com a área de Suprimentos. 3º Passo: Consultoria Especializada
Uma consultoria especializada em assuntos de sustentabilidade pode prestar suporte ao programa, acom-
COMO FAZER
panhando e apoiando os fornecedores individualmente.
1º Passo: Seleção dos Fornecedores Estratégicos
São selecionadas as principais categorias de materiais e serviços contratados, de acordo com o valor gasto 4º Passo: Convite às Empresas

pela empresa. Das principais categorias são escolhidos os fornecedores estratégicos, ou seja, aqueles com Convidar as empresas selecionadas a participar do programa. É recomendável que se explique o pro-
os quais a empresa tem o interesse de desenvolver um relacionamento mais próximo e de longo prazo. pósito do programa, as expectativas da empresa ao realizá-lo, o conteúdo programático e ferramen-
tas de avaliação.
2º Passo: Preparação do Programa de Capacitação
As áreas envolvidas, como por exemplo Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho, Responsabi- 5º Passo: Desenvolvimento do Programa
lidade Social etc., devem elaborar o conteúdo programático com o que se deseja abordar ao longo do Durante o desenvolvimento do programa, é necessário acompanhar a evolução das empresas e das ativi-
dades solicitadas, monitorar a presença nos encontros e disponibilizar formulários de avaliação, de modo
a identificar melhorias que possam ser incorporadas aos próximos encontros.

Exemplos de mudanças implementadas por fornecedores da Camargo Corrêa 6º Passo: Encerramento do Programa
participantes do programa “Parcerias para a Sustentabilidade” Para encerrar o programa, uma premiação para os fornecedores que se destacaram poderá ser organizada,
1. As novas instalações da Nord Electric foram concebidas como um prédio modelo em ecoeficiência. conforme os critérios de avaliação, além de uma cerimônia de encerramento, com entrega de certificados.
A edificação reúne um mix de recursos eficientes nesse sentido, como uma sala para separação e des- É possível ainda elaborar um material consolidado com pelo menos um case por empresa para ser entre-
tinação de resíduos, luminárias de LED, tratamento natural de esgoto, telhado branco para refletir os gue aos fornecedores e diretores como exemplo dos resultados gerados no programa.
raios solares que causam aquecimento, coleta de água de chuva, entre outras medidas.
2. A Rudloff implementou uma mudança na sua estrutura organizacional, ao criar o departamento LIÇÕES APRENDIDAS
de sustentabilidade. Nivelamento dos participantes: é recomendável que os fornecedores participantes de um mesmo gru-
3. A Progeo criou uma revista de RH para divulgar internamente os assuntos da empresa. po estejam no mesmo estágio de desenvolvimento em relação ao tema sustentabilidade.
4. A Delamano buscou inovar em sua cadeia de valor, fazendo parceria com um novo fornecedor de Clareza de objetivos: é preciso deixar claro, já no início das atividades de capacitação, o conceito de
lâmpadas, oferecendo para a Camargo Corrêa um produto mais sustentável e com economia de custo.
sustentabilidade e que o objetivo do programa é desenvolver a capacidade dos fornecedores de atuar de
5. A Contrata desenvolveu e implantou uma plataforma online para gerenciar a operação auto- modo sustentável. Alguns fornecedores podem ter a visão de que a participação no programa irá auxiliá
matizada de estações de tratamento de água e esgoto e monitoramento ambiental.
-los a conseguir acordos comerciais.
(Fonte: Camargo Corrêa, 2012)

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Relação com Stakeholders
3.3.5
3.3.4 Desenvolvimento da cadeia de fornecimento para sustentabilidade
Relacionamento com Porte

Encerramento do 4º Grupo
comunidade vizinha às obras Local

Empresa

Relação com Stakeholders


Nome: Toctao Engenharia Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Sistema de Gestão
Localização: Goiânia, GO Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR ISO 14001, OHSAS 18001); PBQP-H Ní-
Segmento: Incorporação e Construção vel A. Código de Ética; Código de Conduta Ambiental.
Porte: Grande (1.415 colaboradores) Premiações: Prêmio ECO (2007).

Encerramento do 3º Grupo Apresentação


Os canteiros de obras sintetizam o processo de construção. Para eles se destinam todo o material e os
trabalhadores envolvidos diretamente em uma obra. Por permanecerem mobilizados por longos perío-
Valorização das empresas participantes do programa: para fortalecer os objetivos do programa e con-
dos de tempo e por ficarem, muitas vezes, próximos de áreas residenciais ou comerciais, os canteiros
solidar os seus benefícios, deve-se divulgá-lo amplamente dentro da empresa realizadora, para que as
podem causar uma série de incômodos à população que vive ou trabalha nas suas proximidades. Isso
equipes responsáveis por compras e contratação de serviços reconheçam os fornecedores com melhor
acaba resultando em atritos que podem comprometer, no curto prazo, o andamento da obra e, no lon-
desempenho. Para tanto, a Camargo Corrêa desenvolveu uma avaliação individual dos fornecedores, a
go prazo, a imagem da empresa perante a comunidade.
partir da qual é gerado um ranking dos participantes, que é divulgado para a empresa a cada atualização.
Para minimizar os impactos causados aos vizinhos de suas obras, a Toctao Engenharia desenvolveu o
Transparência na comunicação: os critérios de desempenho dos fornecedores e resultados esperados,
projeto “Vizinho Amigo”, que busca melhorar a comunicação entre empresa e comunidade, buscando
desde a premiação dos destaques até o desligamento das empresas com baixo comprometimento, de-
atenuar possíveis desgastes gerados pela construção.
vem ser comunicados no início do programa.

Representação com poder de decisão/influência: o participante do programa deve ser um repre-


benefícios
sentante legal ou um contato com boa proximidade com a diretoria. Essa pessoa deve ter autonomia
• Melhoria do relacionamento entre as partes.
para implantar os conceitos abordados nos encontros, mesmo que isso implique em mudanças nos
• Menor incômodo aos moradores e trabalhadores da região.
fornecedores e em suas atividades. • Promoção de ganhos sociais para a comunidade, uma vez que, ao conhecer as demandas da popula-
ção vizinha à obra, a empresa pode tratar de questões que realmente beneficiarão os moradores, como
Medição de resultados: o programa deve ser formulado de forma que permita a implementação de o investimento em infraestrutura e a busca por direitos sociais, como limpeza urbana e segurança.
indicadores de performance tangíveis, possibilitando mostrar sua importância na organização.
Minicaso
Em julho de 2011, a Toctao deu início ao Projeto Vizinho Amigo, como parte de suas ações na área de Respon-
sabilidade Social. O primeiro evento do projeto contou com um café da manhã oferecido aos moradores do
“Participar do Programa Parcerias Para a Sustentabilidade a convite da Camargo Corrêa foi mais que um Setor Perim, região do empreendimento, em Goiânia, GO. Os convi-
privilégio. Para nós, o Programa serviu como um divisor de águas, pois após sermos apresentados ao dados conheceram o histórico da Toctao, os profissionais diretamente
objetivo do programa e à real essência do conceito de Sustentabilidade, passamos a ter uma nova visão responsáveis pela obra e foram informados sobre a rotina da constru-
ção, os possíveis incômodos gerados no processo – barulho, poeira e
do nosso próprio negócio. Tornar a sustentabilidade parte integrante da empresa passou a ser nossa
intensificação do trânsito, e as ações mitigadoras tomadas para mi-
nova meta e, para isso, aceleramos nosso processo de reestruturação da gestão e de posicionamento no
nimizá-los, por exemplo, manutenção da limpeza das vias externas e
mercado, com a implantação dos conceitos de governança corporativa, gestão orçamentária e políticas
coleta seletiva de resíduos. Detalhes da obra, como a construção das
de consolidação financeira, bem como diversificação de nossa atuação em segmentos estratégicos do
calçadas, foram antecipados para trazer mais conforto aos moradores,
mercado. Com o apoio da Camargo Corrêa pudemos transpor dificuldades e encerrar como uma das oferecendo uma alternativa segura aos estudantes que passavam por
empresas destaque do programa. Podemos afirmar que este foi mais do que um programa de parcerias, dentro do terreno antes do início das obras.
foi um verdadeiro processo de transformação.”
Desde o início do projeto, foram envolvidas 1.200 pessoas. Do to-
Alexandre Lozano Sanchez
tal de seis reclamações recebidas em duas obras em que o Projeto
Diretor de Operações da Afitemaq Soluções Integradas
Participante do 4º Grupo do Programa Parcerias para a Sustentabilidade da Camargo Corrêa
Convite para café da manhã do Projeto
Vizinho Amigo Toctao.

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Pilares
Relação com Stakeholders
3.3.6
3.3.5 Relacionamento com comunidade vizinha às obras
Apoio à formação de Porte

Vizinho Amigo foi realizado, todas foram prontamente solucionadas pela Toctao, o que contribuiu para
estabelecer uma relação de confiança entre a empresa e a comunidade.
conselhos comunitários Local

O Projeto Vizinho Amigo é resultado das adequações promovidas na empresa para a implantação do
Empresa

Relação com Stakeholders


Sistema de Gestão Integrada (SGI). Integra este sistema a gestão da Responsabilidade Social, o que
pressupõe uma atuação em harmonia com os anseios e expec- Nome: Votorantim Cimentos terno de Sustentabilidade; Gerenciamento Estratégico de
Localização: São Paulo, SP Emissões de GEE; Sistema de Indicadores de Sustentabilidade
tativas da comunidade. e Balanço Social; Código de Conduta; Política de Investimento
Segmento: Indústria de Materiais
Social Externo; Gestão de impactos locais - Environmental and
Porte: Grande (10.000 colaboradores)
COMO FAZER Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
Social Impact Assessment (ESIA).

1º Passo: Estruturar o Encontro Membro fundador do Cement Sustainability Initiative (CSI); Premiações: Prêmio Eco – Categoria Sustentabilidade em pro-
Carta de Princípios de Sustentabilidade (Grupo Votorantim); cessos (2010); Prêmio Top Anamaco – Categoria Responsabilida-
Definir que tipo de evento será organizado para receber a co- Planejamento Estratégico para Sustentabilidade; Comitê In- de Social (2010).
munidade vizinha à obra (um café da manhã, por exemplo). De-
vem ser levantados os recursos (humanos, técnicos e financei-
ros) necessários e tomadas as providências, bem como definido
local, data e horário. Apresentação
2º Passo: Convidar a Comunidade
A Votorantim Cimentos acredita que assumir uma postura de corresponsabilidade com o desenvolvi-
Elaborar os convites e distribuir para a comunidade da região do
mento das localidades onde atua é uma maneira de criar melhores condições e oportunidades para
Equipe Toctao durante apresentação para empreendimento. Deve-se considerar o porte e a repercussão
vizinhança de uma das obras da empresa. dos impactos gerados pelas obras para definição dos vizinhos a o próprio negócio. Por isso, desenvolveu o projeto “Conselhos Comunitários”, uma iniciativa que cria
serem convidados. espaços de interação e engajamento permanentes com as comunidades e une suas lideranças e forma-
3º Passo: Apresentar a Empresa e o Empreendimento dores de opinião para buscar soluções para questões locais. A Votorantim Cimentos entende que se a
Pode ser estruturada uma apresentação, abordando os seguintes pontos: A(s) empresa(s) envolvida(s) comunidade prospera, a empresa também cresce.
com o projeto; As bases que orientam a atuação da(s) empresa(s), por exemplo: visão, missão, princí-
pios, política social etc.; Equipe responsável pelo empreendimento; As características do empreendi- benefícios
mento; Horário de funcionamento da obra; Previsão de entrega; Status da obra e Medidas de mitigação Para as comunidades:
de impactos negativos.
• Facilitação do protagonismo da população local na promoção do desenvolvimento de
4º Passo: Canais de Comunicação suas comunidades.
Informar todos os canais de comunicação oferecidos (telefone, e-mail, website, formulários na portaria da
obra etc.) e o prazo máximo de resposta para dúvidas ou reclamações registradas. • Fortalecimento das lideranças locais, formais ou informais.
5º Passo: Respostas às Demandas • Criação de uma agenda municipal para o desenvolvimento local e identificação de oportunidades
Acompanhar os contatos feitos pela comunidade, atendendo, dentro dos prazos acordados, às deman- e projetos que contribuam para sua realização.
das apresentadas pela população, quando comprovada sua relação com as atividades das obras.
• Identificação de oportunidades de negócio que criem valor compartilhado.
LIÇÕES APRENDIDAS • Melhoria da situação socioeconômica do município e da qualidade de vida de seus moradores.
Relação de confiança: é fundamental que a equipe do projeto cumpra rigorosamente todos os com- • Aumento do capital social; estímulo ao empreendedorismo; geração de renda e qualificação da
promissos firmados. O não cumprimento pode gerar desconfiança e comprometer o relacionamento mão de obra local.
com a comunidade, gerando danos à imagem da empresa.
Para a Empresa:
• Criação de um canal de comunicação com a comunidade para divulgação eficiente das mensagens-
chave da empresa e dos impactos das operações.

“Acho muito importante a iniciativa da empresa, que esclarece dúvidas, traz informações e, ainda, nos • Estabelecimento de uma relação de confiança entre empresa e comunidade.
apresenta o engenheiro responsável pela obra vizinha a nosso prédio. Como síndica, recebo os questio- • Melhor entendimento do papel da empresa em relação às comunidades onde atua.
namentos dos moradores em relação a tudo o que afeta suas rotinas, por isso, ter um canal aberto para • Melhoria da gestão de riscos pela melhor compreensão das demandas da comunidades vizinhas.
buscar respostas para estes anseios é fundamental para se manter o bom relacionamento entre todos”. • Promoção do desenvolvimento econômico local.
Luiza Barbosa
Síndica de edifício vizinho a uma obra da Toctao Engenharia
• Qualificação de sua cadeia de fornecedores local.

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Pilares
Relação com Stakeholders

3.3.6 Apoio à formação de conselhos comunitários Porte

Local
Minicaso Para a Votorantim Cimentos, os Conselhos Comunitários qualificam o investimento social privado da
empresa − ao orientar a destinação de recursos para o desenvolvimento de projetos nas comunidades,
A principal matéria-prima para fabricação do cimento, o calcário, encontra-se em jazidas, que muitas vezes
estreitam o relacionamento da empresa com seus públicos de interesse, colaboram para a mitigação de
estão localizadas longe das grandes cidades. A instalação das fábricas da Votorantim Cimentos próxima a

Relação com Stakeholders


impactos locais e, ainda, estimulam o desenvolvimento da cadeia de fornecedores local.
municípios pequenos, com poucas atividades produtivas consolidadas, acaba gerando grandes expecta-
Diante dos resultados positivos, a Votorantim Cimentos, em parceria com o Instituto Votorantim, pretende
tivas por parte da comunidade local, que passa a esperar e exigir uma postura protagonista da empresa
replicar a iniciativa. O objetivo é que os Conselhos Comunitários sejam implantados em todas as fábricas
em todos os assuntos e questões locais.
integradas de cimento − unidades que possuem linhas de produção completa.
Para romper com esta relação de dependência e desenvolver um relacionamento saudável com as comu-
nidades onde atua, a Votorantim Cimentos criou o projeto “Conselhos Comunitários”, que objetiva estabe- COMO FAZER:
lecer um canal de comunicação permanente com a população local e criar um espaço para a discussão e 1º Passo: Identificação das Lideranças Locais
elaboração de projetos que visem o desenvolvimento local. Nesta etapa deve-se identificar, por meio de entrevistas e visitas, as lideranças e formadores de opinião

Os conselhos são formados por lideranças da comunidade, representantes de empresas, poder públi- da comunidade, de empresas, de organizações sociais e do poder público local, e convidá-los para fazer
parte do conselho, juntamente com um representante da empresa.
co local e formadores de opinião, além de um representante da Votorantim Cimentos, que se reúnem
com o objetivo de identificar oportunidades, debater e viabilizar soluções para questões críticas da 2º Passo: Mapeamento da Realidade Local
cidade e região. É importante conhecer a realidade socioeconômica da comunidade, município ou território que rece-
berá o conselho. Dados sobre população total, PIB, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), educa-
Coletivamente é elaborada uma agenda do território para promover o desenvolvimento local, onde são
ção e analfabetismo, saneamento básico, estabelecimentos de saúde, empregos, bem como sobre as
definidas ações e projetos em temas prioritários para a comunidade, como educação, fortalecimento da
principais atividades econômicas da região, ajudam a traçar um perfil da comunidade. Algumas fontes
cadeia de fornecedores, estímulo ao empreendedorismo etc.
para consulta desses dados, como Portal do IBGE, do MEC e ODM, estão relacionadas na bibliografia
A iniciativa dos “Conselhos Comunitários” se iniciou em 2009 em três municípios: Laranjeiras (SE), Itaú desta Boa Prática (seção 5.2).
de Minas (MG) e Sobradinho (DF). Em 2010, além destas três unidades, foram incluídos os municípios
3º Passo: Formação Temática
de Rio Branco do Sul (PR) e Vidal Ramos (SC). Em 2011, o conselho foi implementado em mais quatro
Devem ser realizados encontros temáticos para abordar assuntos, como desenvolvimento local,
localidades: Xambioá (TO), Cuiabá (MT), Cantagalo (RJ) e Imbituba (SC), fechando o ano com nove políticas públicas, sustentabilidade, empreendedorismo, planejamento estratégico e elaboração
Conselhos Comunitários. de projetos. Esta etapa tem por objetivo nivelar os conhecimentos e propiciar um bom nível de
debate entre os diferentes atores locais.

Conselho Comunitário Tema prioritário Projetos/Resultados 4º Passo: Definição da Agenda para o Desenvolvimento Local
Plano Estratégico para o Turismo com responsabilidades Nesta etapa os participantes irão debater e planejar as ações de desenvolvimento local, considerando
e ações de todos os atores envolvidos e contrapartida
Conselho Comunitário de a vocação da região, as potencialidades do território e a possibilidade de articulações e parcerias.
Turismo da Votorantim com a capacitação do poder público para
Imbituba (SC)
captação de recursos e elaboração de um plano de comu-
nicação para o Turismo em Imbituba.
Deste processo, é desenhada a estratégia de desenvolvimento local e são formadas as agendas de
“Dia do Patrimônio nas Escolas”: conjunto de ações edu- atuação do conselho. É importante que as agendas de trabalho tenham metas específicas, vinculadas
cativas realizadas em escolas públicas de Laranjeiras para aos sistemas de monitoramento e avaliação das diferentes instituições que compõem o conselho (ex.:
valorização do patrimônio histórico-cultural da cidade e
Conselho Comunitário de Valorização do patrimônio promoção do conhecimento e reconhecimento da diver- secretarias estaduais e municipais, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), agências de microcrédito,
Laranjeiras (SE) histórico-cultural sidade cultural que forma a identidade local.
Público do projeto: alunos, pais, professores e comunida- polícia, ONGs, Sebrae etc.).
de. Os produtos serão um DVD e um livreto com as me-
mórias das atividades desenvolvidas no projeto. 5º Passo: Apoio à Implementação dos Projetos
Realização de workshop sobre melhoria da educação na Após definidas as prioridades a serem trabalhadas na região, deve-se estruturar os projetos e iniciativas
região, envolvendo Ministério da Educação (MEC), Se-
Conselho Comunitário cretaria de Educação, diretores de escolas, pais e alunos; que apoiarão o alcance dos resultados. A empresa pode apoiar esta atividade tanto com aporte de
Educação pública
de Sobradinho (DF) desenvolvimento de um diagnóstico das edificações es-
colares; estruturação da “Rede de Educação”, com partici- recursos financeiros quanto com o seu know-how no desenvolvimento e gestão de projetos. No caso
pação de agentes-chave locais da educação.
de aporte de recursos, é importante verificar o alinhamento dos objetivos do projeto com os princípios
Tabela 10: Exemplos de resultados alcançados pelos Conselhos Comunitários. (Fonte: Votorantim Cimentos, 2012).
de sustentabilidade/responsabilidade social e a política de investimento social da empresa. Buscar par-
cerias de outras instituições locais (ex.: Sebrae, Sistema S, Prefeitura, ONGs etc.), é fundamental para o

72 73
Relação com Stakeholders
Pilares

3.3.6 Apoio à formação de conselhos comunitários


3.3.7

compartilhamento das responsabilidades. Pode ser necessário designar um profissional da empresa


para acompanhar a execução dos projetos, de modo a garantir que a agenda do conselho seja realizada.
Apoio ao desenvolvimento local Local

LIÇÕES APRENDIDAS:
Empresa

Relação com Stakeholders


Papel das lideranças locais: a seleção e o engajamento das lideranças locais é um ponto crucial para o
Nome: Instituto Votorantim
desenvolvimento e a evolução das atividades e ações do Conselho Comunitário e, consequentemente, para Localização: São Paulo, SP
a promoção do desenvolvimento local. É importante buscar identificar líderes que estejam realmente com- Segmento: Terceiro Setor (Instituto Empresarial)

prometidos com o desenvolvimento do município/território.

Protagonismo da comunidade: o conselho comunitário deve contribuir para promover o empoderamento


da comunidade para que esta se torne protagonista na resolução de suas demandas.

Acompanhamento e reflexão sobre a prática: a implantação e desenvolvimento dos conselhos co- Apresentação
munitários é um processo contínuo, que demanda acompanhamento e constante reflexão sobre seus O Programa ReDes é uma parceria entre o Instituto Votorantim e o Banco Nacional de Desenvolvimento
propósitos e práticas. Econômico e Social (BNDES) que tem por objetivo apoiar o desenvolvimento local de municípios brasi-
leiros, por meio do fomento de cadeias produtivas, qualificação profissional de organizações sociais e
articulação de atores locais em rede, que resultem na geração de trabalho e renda para uma população

“O Conselho Comunitário está servindo para propiciar diretrizes para que em situação de vulnerabilidade.

alguns setores da sociedade possam otimizar seus trabalhos e, desta Com o Programa ReDes e as estratégias desenhadas, o Instituto Votorantim e o BNDES buscaram qua-
forma, fomentar cada vez mais o progresso em nossa região. Me sinto lificar seu investimento social, enfatizando o protagonismo das comunidades beneficiárias, chamando
lisonjeado de fazer parte desse grupo, sendo mais uma engrenagem para lideranças locais a dialogar e encontrar soluções mais integradas para os desafios do desenvolvimento
colaborar espontaneamente com o sucesso desse projeto elaborabo pelo local sustentável.

Grupo Votorantim.” O objetivo final é promover a inclusão produtiva de mais pessoas, por meio da estruturação e fortaleci-
Abrahão S. de Medeiros Filho mento de negócios perenes, que promovam a geração de trabalho e renda para o público beneficiado.
Presidente da Coopeimb - Cooperativa de Ensino de Imbituba
benefícios
• Promoção da inclusão produtiva e geração de trabalho e renda para população em situação
de vulnerabilidade.

• Desenvolvimento de cadeias produtivas, por meio da realização de projetos com viabilidade eco-
nômica e social.

• Contribuição para a transformação de baixos índices socioeconômicos locais a partir da redução da


dependência e diversificação econômica.

• Redução da pobreza e melhoria da qualidade de vida do público beneficiado com os investimentos.


• Diálogo social e engajamento permanente com comunidades e lideranças.
• Fortalecimento do capital social local, por meio de processos de capacitação de organizações e
articulação de redes.

• Visão integrada de políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável dos municí-
pios participantes.

• Compartilhamento dos conhecimentos gerados no processo em todas as etapas, gerando transpa-


rência no diálogo e aprendizado com as partes interessadas.

74 75
Relação com Stakeholders
Pilares

3.3.7 Apoio ao desenvolvimento local

Local
Minicaso sentadas para o processo de seleção de projetos, 45 projetos de geração de trabalho e renda sele-
Em 2010, o Instituto Votorantim e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social cionados para receber o aporte de recursos, que totaliza um investimento de R$ 33 milhões de reais.
(BNDES) assinaram um convênio de cooperação técnica e financeira que tem por propósito implemen-
COMO FAZER

Relação com Stakeholders


tar projetos de geração de trabalho e renda, por meio do fomento de cadeias produtivas e qualificação
profissional. Desta forma, nasceu o Programa ReDes – Redes para o Desenvolvimento Sustentável. 1ª Etapa: Identificação e Priorização dos Potenciais Produtivos a Serem Apoiados:
O programa baseia-se em três eixos para estruturação de seu modelo de atuação: 1) identificação 1º Passo: Diagnósticos Socioeconômicos
dos potenciais produtivos locais, objetivando encontrar oportunidades efetivas de investimento que Neste passo deve ser feito o levantamento de informações sobre as oportunidades dos municípios, com
apresentem resultados nas comunidades participantes; 2) desenvolvimento e implementação de foco no potencial de geração de trabalho e renda e oportunidades mapeadas localmente. Além da análise
planos de negócios, capazes de gerar trabalho e renda para uma população de baixa renda, além dos dados econômicos, o diagnóstico pode ser feito de forma participativa, envolvendo as comunidades.
de manter a perenidade do investimento 2º Passo: Instâncias Participativas
aplicado; 3) articulação de pessoas e ideias
Deve-se organizar a formação de uma instância participativa local, com representantes do primeiro, se-
para construir uma rede capaz de fortale-
gundo e terceiro setores, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento local e acompanhar as ações
cer a economia inclusiva e apoiar o desen-
previstas no programa de desenvolvimento local. As instâncias participativas podem ser estruturadas
volvimento local.
na forma de conselhos comunitários (vide BP 3.3.6. Apoio à Formação de Conselhos Comunitários).
A parceria surgiu das motiva-
3º Passo: Priorização das Linhas de Ação
ções relacionadas aos compromis-
Neste passo deve ser realizada a avaliação das potencialidades produtivas dos municípios, para definição
sos de cada uma das organizações.
das atividades econômicas prioritárias, com um olhar sobre a demanda local e potencial de viabilidade.
O BNDES realiza investimentos em todos
os segmentos da economia, em uma polí- 2ª Etapa: Seleção dos Projetos a Serem Desenvolvidos:
tica que inclui as dimensões social, regional
1º Passo: Qualificação de Organizações Sociais para Apresentação de Projetos
e ambiental e tem atuado no sentido de
É importante prover apoio técnico e capacitação às organizações sociais identificadas na 1ª etapa, para
contribuir com as ações do Governo Fede-
que elas sejam capazes de estruturar projetos na perspectiva de um negócio e alinhados aos potenciais
ral, como o “Plano Brasil sem Miséria” – uma
produtivos priorizados.
Mapa divulgado no website do programa
matriz conceitual orientadora do programa.
2º Passo: Seleção de Propostas
oferece informações para localidade atendida Esta atuação alinha-se ao compromisso do
Nesta etapa são selecionados projetos para receberem recursos, considerando a qualidade técnica do
Instituto Votorantim de trabalhar como cor-
responsável pela promoção do desenvolvimento dos territórios onde atua, fortalecendo a economia e projeto, a capacidade de execução da organização proponente, a viabilidade social e financeira e a expec-

o capital social local. tativa de geração de trabalho e renda. Para essa


avaliação pode ser estruturado um processo en-
O convênio que está sendo desenvolvido desde março de 2011, beneficia 25 municípios, agrupa-
volvendo a comunidade, além de uma comissão

Ano II – nº 5 – Novembro 2012

Jornal
dos em 10 territórios. O objetivo é estruturar negócios, com viabilidade social e econômica, capazes
técnica com avaliadores externos e especializa-
Realização

de gerar trabalho e renda aos participantes e se tornar perene e autônomo, após o investimento
dos em aspectos financeiros e sociais, e os inves-
do programa. Deste modo, um estudo foi conduzido, com o envolvimento das comunidades locais,
tidores do programa.
para identificar as oportunidades relacionadas à vocação produtiva dos 25 municípios participantes.
Como resultado, foram identificadas 5 macro linhas produtivas: abastecimento alimentar, comércio e 3º Passo: Mobilização das Instâncias de Par-
serviços, reciclagem, economia criativa e turismo. Ao buscar localmente oportunidades relacionadas ticipativas
a essas linhas produtivas, espera-se unificar estratégias e buscar resultados mais assertivos no desen- Neste passo deve ser dada continuidade à mobi-
volvimento de empreendimentos produtivos que alçassem os resultados esperados. lização das instâncias participativas, estruturadas
também na 1ª etapa, para apoio na construção
Trabalho e Renda
Conheça os projetos que receberão apoio do ReDes. São dezenas de empreendimentos
Ao longo deste processo já é possível identificar alguns resultados: realização de diagnósticos socioe- produtivos para gerar inclusão econômica e social. páginas 4 a 9
de projetos, identificação de parceiros que pos-
conômicos em 25 municípios, que levantaram os potenciais de cada localidade, mais de 600 pessoas
engajadas para a formação de conselhos comunitários nos municípios, mais de 100 propostas apre-
Informativo periódico divulga
os projetos apoiados e informa
sobre como participar.

76 77
Pilares
Relação com Stakeholders
3.4.1
3.3.7 Apoio ao desenvolvimento local
Definição de Critérios de Porte

sam tornar viáveis e alavancar as propostas apresentadas, e recomendação dos projetos a serem apoiados
na próxima fase.
Sustentabilidade para Empreendimentos Local

3ª Etapa: Desenvolvimento e Acompanhamento dos Projetos:


Empresa

processo construtivo
1º Passo: Implementação de Projetos Nome: MASB Desenvolvimento Imobiliário Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certifica-
As organizações, que tiveram seus projetos aprovados, devem receber qualificação e assessoria Localização: Belo Horizonte, MG ções: ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A. Selo BH Sustentável - Nível Ouro
técnica para implementação e gestão do negócio empreendido ao longo de determinado pe- Segmento: Incorporação e Construção (Empreendimento: Hotel Lavras 150); Selo Começar de Novo (Conselho Na-
Porte: Grande (1.716 colaboradores) cional de Justiça).
ríodo. Sugere-se processos estruturados de acompanhamento, prestação de contas e monitora-
mento dos resultados.

2º Passo: Monitoramento da Execução


Ao longo de todo o processo, os projetos em execução devem ser acompanhados e avaliados pela Apresentação
empresa incentivadora do programa de desenvolvimento local, com o objetivo de garantir que os
Edificações sustentáveis são fundamentais para o desenvolvimento sustentável, pois elas resultam em
resultados propostos sejam alcançados. Sugere-se uma avaliação externa para mensurar impactos
cidades com melhor qualidade de vida para seus moradores, menos resíduos, menor consumo de água e
dos projetos na melhoria da qualidade de vida dos participantes.
de energia, menor emissão de gases de efeito estufa, entre outros.
3º Passo: Fortalecimento das Instâncias Participativas
Nesta etapa deve-se buscar fortalecer os grupos mobilizados na 1ª e 2ª etapas, para dar supor- Dada a importância da construção de edificações sustentáveis, a MASB Desenvolvimento Imobiliário elabo-

te aos projetos aprovados e desenvolvimento de uma agenda própria com vistas ao desenvol- rou a “Matriz de Critérios de Sustentabilidade para Empreendimentos” para planejar e avaliar todos os seus
vimento local. empreendimentos incorporados e/ou construídos de modo sustentável e não apenas aqueles com objetivo
de obter selos ou certificações de construção sustentável.
LIÇÕES APRENDIDAS
Ruptura de paradigma: ótica de negócios socialmente responsáveis X ótica de terceiro setor. O olhar benefícios
econômico em projetos sociais é algo novo e desafiador, o que exige cuidados e atenção especial no • Desenvolvimento de uma base sistematizada de recursos disponíveis para a construção susten-
desenho de processos e na comunicação com os envolvidos. tável para acompanhar a evolução da competência corporativa de construir com sustentabilidade.
Produção de conhecimento: o desenvolvimento deste tipo de intervenção requer expertises especí- • Conscientização dos colaboradores sobre a importância de suas atividades para o alcance da sus-
ficas, seja na gestão de negócio ou na mobilização da comunidade, sendo necessários muitas vezes
tentabilidade dos empreendimentos.
desenvolver ferramentas, metodologias e fornecedores.
• Melhor atendimento dos stakeholders da empresa pela contínua melhoria dos produtos gerados.
Construindo sinergias: o conceito de território permite sinergias locais e otimização de recursos
(humanos, técnicos e financeiros), bem como a articulação com órgãos dos três setores (empresas, • Diferenciação da empresa pela oferta de melhores produtos para os seus clientes.
governo e sociedade) apresentam alto potencial para alavancar parcerias locais e regionais.
Minicaso
Instâncias de participação: fomentar e apoiar tecnicamente as instâncias de participação,
A área de Incorporação da MASB começou, em 2008, a organizar critérios de desempenho socioam-
como os conselhos comunitários, é fundamental para fortalecimento do capital social e insti-
biental de empreendimentos para apoiar o seu planejamento na empresa. A lista de critérios foi cres-
tucional local.
cendo com base em referências de construção sustentável (Tabela 11).
Importância do diagnóstico: o diagnóstico das oportunidades locais é uma importante ferra-
menta para identificar demandas do município e não somente de organizações, dando legitimi- No ano de 2011, havia na empresa um programa para incorporar indicadores de sustentabilidade
dade às decisões. em seu Sistema de Gestão da Qualidade (vide BP 3.2.1. Incorporação da Sustentabilidade no Siste-

Baixa maturidade: os diagnósticos apontam demandas e potenciais produtivos nos municípios, ma de Gestão da Qualidade). Nele, foi apontada a Matriz de Critérios de Sustentabilidade para Em-

porém as organizações apresentam ainda baixa maturidade para execução de projetos com visão preendimentos como uma ferramenta capaz de aumentar a contribuição da área de Incorporação
de negócio e gestão. para a sustentabilidade corporativa. Para estruturá-la, foram levantadas todas as listas previamente
utilizadas, complementando-as com indicadores levantados na pesquisa com o Centro de Desen-
Apoio aos negócios nascentes: questões relacionadas à formalização e legalização dos negócios
(profissionalização da gestão, questões tributárias, obtenção de licenças e alvarás, entre outros) volvimento da Sustentabilidade na Construção da Fundação Dom Cabral (CDSC/FDC) e critérios da

necessitam de apoio e acompanhamento técnico. ABNT NBR 15575 – Norma de Desempenho.

78 79
Pilares
Processo Construtivo

3.4.1 Definição de Critérios de Sustentabilidade para Empreendimentos Porte

Local
Hoje, a matriz possui 53 critérios nos temas de: Terreno Sustentável; Água; Energia; Conforto; Materiais; 4º Passo: Definição da Forma de Avaliação da Matriz
Geração de Resíduos; Prevenção de Poluição nas Atividades de Construção e Inovação. A matriz deve apoiar o planejamento e avaliar os resultados obtidos. Assim, é preciso que a empresa
A Matriz de Critérios de Sustentabilidade para Empreendimentos foi aplicada em quatro empreendi- defina a forma de usá-la. Pode-se apenas verificar o número de critérios atendidos pelo empreendimen-

processo construtivo
mentos: Essenza, Seletto Office Home, Reservatto e Lavras 150. Para firmar o compromisso da empre- to ou aplicar alguma forma de ponderação, conforme interesse estratégico da empresa, demanda dos
sa, os critérios incorporados foram incluídos no seu material promocional.
clientes ou potencial de diferenciação do empreendimento, por exemplo.
A matriz será a base de selo interno para avaliar o desempenho dos diferentes empreendimentos e estimular
5º Passo: Definição do Processo de Aplicação da Matriz nas Obras
o aumento contínuo do engajamento dos colaboradores com a sustentabilidade.
A aplicação da ferramenta deve seguir o processo de design de um empreendimento para que se
COMO FAZER chegue ao consenso quanto aos critérios a serem incorporados. A matriz pode ser um instrumento
1º Passo: Reunião de Critérios de Certificações e Normas de Construção Sustentável
para gerar engajamento e colaboração entre as áreas, apoiando o melhor planejamento e execução
Existem diversas referências com indicadores de sustentabilidade de empreendimentos. (Tabela 11).
de projetos.
A empresa deve identificar estas referências e selecionar os critérios com potencial para serem incorpo-
rados aos seus empreendimentos. 6º Passo: Integração da Matriz ao Sistema de Gestão e Comunicação

Referências em Construção Sustentável A alta direção deve buscar alinhar o processo de aplicação da matriz com o Sistema de Gestão, comu-

Eletrobras: Etiqueta Procel Edifica nicando a todos os profissionais da empresa como ela altera os processos de planejamento, execução e

avaliação dos resultados alcançados para cada empreendimento.


Caixa: Selo Casa Azul

Prefeitura de Belo Horizonte: Selo BH Sustentável


Website do empreendimento Essenza destaca critérios de sustentabilidade.
ABNT: NBR 15575 - Norma de Desempenho

Green Building Council Brasil: Selo LEED

Fundação Vanzolini: Selo AQUA

Banco Santander: Selo Obra Sustentável

Tabela 11: Exemplos de Referências em Construção Sustentável. (Fonte: Elaboração própria).

2º Passo: Levantamento das Práticas já Implementadas pela Empresa Visando Desempenho So-
cioambiental dos Empreendimentos
Além das referências de construção sustentável, a empresa pode usar a matriz para sistematizar as práti-
cas já realizadas por seus profissionais, buscando replicar aprendizados obtidos com o atendimento de
diferentes códigos de obra ou de requisitos de licenças ambientais.

3º Passo: Organização da Matriz com os Critérios Coletados nos Passos 1 e 2


Devem constar na matriz:

• Os grande temas que reúnem os critérios;

• A descrição do critério ou indicador e forma de medição;

• Os objetivos buscados (em relação ao meio ambiente, economia e sociedade) para cada critério.

80 81
Pilares
Processo Construtivo
3.4.2
3.4.1 Definição de Critérios de Sustentabilidade para Empreendimentos
Adoção do Building Porte

LIÇÕES APRENDIDAS
Monitoramento dos itens de difícil incorporação nos projetos: para o contínuo desenvolvimento
Information Modeling (BIM) Local

da matriz, a empresa deve entender se itens de difícil incorporação resultam de problemas técnicos,
Empresa

processo construtivo
falta de competência interna, desinteresse do mercado etc. Assim, ações para superação desses pro-
blemas podem ser sugeridas (ex.: retirada do item da matriz, oferta de cursos para desenvolvimento Nome: Syene Empreendimentos Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Selo AQUA (Em-
Localização: Salvador, BA preendimento: Syene Corporate); Santander Obra Sustentável (Empreendimento:
dos colaboradores etc.). Segmento: Incorporação Salvador Prime).
Porte: Pequeno (80 colaboradores)
Adequação da matriz às diferentes realidades dos empreendimentos: a matriz deve ter flexibili-
dade suficiente para permitir a avaliação de projetos com diferentes portes, áreas, clientes etc.

Envolvimento dos fornecedores: diversos critérios de sustentabilidade em empreendimentos depen-


dem do desempenho de fornecedores. Por isso, seu envolvimento na definição dos critérios e acordo dos
Apresentação
níveis de desempenho esperados contribuem para o alcance de resultados positivos nos empreendimentos.
Conseguir antecipar cenários, identificando previamente erros de projeto e interferências construti-
vas e, ainda, ter maior controle sobre custos e cronograma é uma das buscas incansáveis das empre-
sas da Construção.

A Syene Empreendimentos, preocupada com a sustentabilidade de seus projetos e com a melhoria da


execução e liquidez de seus produtos, decidiu buscar estratégias para atuar em um cenário mais previ-
“A Sustentabilidade é um tema que está no DNA da MASB desde a sua fun-
sível, que a permitisse aumentar seu controle efetivo do projeto e da gestão da obra.
dação. Nosso objetivo é inovar responsavelmente com todos os públicos
de interesse, criando relações de confiança e longo prazo. Temos avançado Dessa forma, a empresa decidiu investir na tecnologia Building Information Modeling (BIM) ou Modela-

cotidianamente nesse desafio, engajando mais de 1.500 colaboradores que gem de Informação da Construção. Esta tecnologia viabiliza a interoperabilidade e a compatibilização
dos dados dos diferentes projetos envolvidos em uma obra, apontando automaticamente incoerências
trabalham conosco. Buscamos também envolver nossos clientes e o reflexo
e indicando soluções integradas, numa interface em três dimensões.
disso é o aumento da satisfação.”
Camila de Freitas Enoque benefícios
Coordenadora de Comunicação da MASB Desenvolvimento Imobiliário.
• Identificação prévia de interferências e erros de projeto, permitindo o estudo de soluções alterna-
tivas.

• Visualização mais amigável, imediata e simultânea de todas as disciplinas envolvidas no projeto,


tornando mais eficaz a comunicação entre os diferentes profissionais envolvidos e facilitando a com-
patibilização dos diferentes projetos.

• Análise e definição de melhores formas de executar a obra, uma vez que a tecnologia permite con-
trolar, adaptar e modificar o empreendimento antes de ele se tornar realidade.

• Redução no volume de retrabalho, aumento da produtividade e melhoria da segurança no ambien-


te de trabalho.

• Controle mais rigoroso sobre o cronograma e perspectivas de custos mais precisas.


• Redução do consumo e desperdício de materiais e, também, da geração de resíduos.
Minicaso
A Syene Empreendimentos decidiu investir no conceito de trabalho BIM após um empreendimento,
iniciado em 2007, que resultou em atraso, desperdício de material e, consequentemente, perdas finan-
ceiras em função dos inúmeros ajustes e revisões nos diferentes projetos.

82 83
Pilares
Processo Construtivo

3.4.2 Adoção do Building Information Modeling (BIM) Porte

Local
O empreendimento seguinte da empresa, o Syene Corporate, um prédio comercial de 77 mil m2, na 2º Passo:
cidade de Salvador/BA, foi escolhido como piloto para implementação do BIM. A Syene estudou soft- Pesquisar, testar e avaliar os softwares disponíveis no mercado, considerando, além das funcionalidades
wares de vários fabricantes e decidiu investir na plataforma da Autodesk Revit® por esta atender melhor dos sistemas, a oferta de treinamentos especializados e serviços de acompanhamento da implantação
da tecnologia pelas empresas revendedoras dos sistemas.

processo construtivo
às suas necessidades de projeto e pela força de mercado dessa revendedora no Brasil. Um ponto crucial
para a decisão foi a oferta de treinamento especializado e de consultoria para implantação. 3º Passo:
O processo de implantação da tecnologia BIM teve início em março de 2010 e, nesta ocasião, a Syene Definir o objetivo principal da implementação da tecnologia, como: detecção de interferências constru-
convidou seus projetistas a participarem: tivas, análise de quantitativos, redução do tempo de projeto etc. Essa definição impactará a forma de

arquitetura, estrutura de concreto, ins- implementação e as diretrizes de modelagem.

talações elétricas, hidráulicas, combate


2ª Etapa: Envolvimento da Equipe e Treinamento:
a incêndio, climatização e exaustão fo-
1º Passo:
ram as primeiras disciplinas escolhidas.
Envolver os profissionais dos parceiros projetistas (arquitetura, estrutura de concreto, instalações, cli-
Profissionais da Syene e da empresa res-
matização etc.), bem como os profissionais da construtora responsável pela execução da obra e da em-
ponsável pela construção do empreen-
presa.
dimento também foram envolvidos. Ao
2º Passo:
todo, 41 pessoas receberam treinamento
Adquirir os hardwares e as licenças para utilização dos softwares e definir forma de concessão destes às
na nova tecnologia. Partindo dos proje-
empresas parceiras.
tos básicos desenvolvidos no sistema
CAD (Desenho Assistido por Computa- 3º Passo:
dor, em português), a implantação do Treinar os projetistas e profissionais tanto para domínio da tecnologia (software) quanto no conceito de
BIM nestes projetos foi planejada pela Syene seguindo uma linha evolutiva bem definida para alcançar trabalho BIM e seu potencial para melhorar os processos da empresa. Este passo pode ser facilitado com

o objetivo inicial da empresa: a modelagem primária do empreendimento, com informações 3D, mas o acompanhamento e assessoria de uma consultoria especializada.

ainda sem agregar informações e detalhes adicionais. A modelagem primária foi desenvolvida em cinco 4º Passo:
etapas sequenciais: treinamento dos profissionais, diagnóstico das atividades, estruturação das bases, Acompanhar de perto a evolução dos parceiros projetistas no uso da tecnologia.
modelagem e verificação de interferências. Após a checagem de todas as interferências no projeto,
3ª Etapa: Modelagem Virtual do Projeto:
pode então iniciar-se a segunda fase da modelagem: a inserção das informações não gráficas. Estas
informações incluem dados técnicos, como peso, resistência etc.; e também informações sobre o plane- Estabelecer um plano para a modelagem do empreendi-

jamento executivo da obra e a composição de custos de cada elemento construtivo. Dessa forma, com mento-piloto, considerando:

todas essas informações consolidadas e integradas, o modelo em 3D passa a ser considerado de cinco Formação da biblioteca: estudar os projetos básicos de-
dimensões (5D), porque carrega também dados importantes relativos ao prazo e ao custo de execução. senvolvidos no Sistema CAD para levantar as informações
que comporão os pacotes de famílias e tipos que integra-
A experiência e o resultado obtidos com a modelagem do empreendimento Syene Corporate tornaram
rão a biblioteca.
a tecnologia BIM uma realidade. Após esse projeto-piloto, a empresa decidiu expandir a implantação
em outros empreendimentos. Atualmente, a tecnologia é utilizada em quase todos os processos e in- Modelagem primária: modelagem do empreendimento
fluencia diretamente o desenvolvimento dos produtos da Syene. em 3D, partindo dos projetos básicos.

Verificação das interferências: compatibilização e junção


COMO FAZER dos projetos de arquitetura, instalações, climatização e es-
trutura de concreto em um único projeto para identificação
1ª Etapa: Definição de Objetivos e Avaliação das
das interferências e estudo de soluções.
Tecnologias:
1º Passo: Modelagem secundária: inserção de dados técnicos
(peso, resistência etc.) no projeto completo, bem como in-
Definir um empreendimento ou projeto que será o piloto para
formações sobre prazos e custos (Projeto em 5D).
implementação do conceito de BIM.

84 85
Pilares
Processo Construtivo
3.4.3
3.4.2 Adoção do Building Information Modeling (BIM)
Implantação da Produção Porte

4ª Etapa: Avaliação da tecnologia:


Avaliar os resultados obtidos com a adoção do conceito e tecnologia BIM; tomar a decisão sobre expan-
mais Limpa em Obras Local

são do uso da tecnologia na empresa; investir em treinamento de pessoal e na atualização dos sistemas.
Empresa

processo construtivo
LIÇÕES APRENDIDAS Nome: Consciente Construtora e Incorporadora Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
Localização: Goiânia, GO Certificação ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A.
Evitando incompatibilidades: é importante tomar cuidado para não trabalhar em duas plataformas
Segmento: Incorporação e Construção Balanço Socioambiental.
simultaneamente (por exemplo, CAD e BIM). Porte: Grande (1.000 colaboradores)

Trabalhando por etapas: é importante fazer a migração de maneira gradativa, checando os resultados
etapa por etapa a fim de identificar falhas e buscar soluções.

Apresentação
A Produção Mais Limpa (P+L) se refere à busca de ecoeficiência, isto é, a geração de maior valor econô-
mico com redução dos danos ambientais em produtos e processos, por meio do aumento da eficiência
no uso de recursos naturais e da não geração e/ou minimização de resíduos.
A Consciente Construtora, ciente de que o setor da Construção Civil é grande gerador de resíduos, im-
plantou um programa de P+L, tendo como foco a minimização da geração de resíduos na sua origem.
“A utilização das ferramentas de Modelagem das Informações de Construção (BIM) foi uma mudança
benefícios
de paradigma, uma atitude que a Syene Empreendimentos, como uma empresa inovadora, sempre se
• Maior capacidade para gerir de forma eficaz as questões ambientais ligadas às obras.
propôs a fazer. Isto abriu muitas novas possibilidades construtivas à equipe de engenheiros e arquitetos.
O resultado disso foi muito satisfatório para os nossos processos construtivos, pois conseguimos diminuir, • Redução de custos com a compra de materiais e com a destinação dos resíduos.
sensivelmente, o volume de retrabalho e aumentar a produtividade.” • Redução do consumo e do descarte de materiais.
Alberto Lorenzo • Conhecimento sobre o valor financeiro do resíduo gerado.
CEO - Syene Empreendimentos
Minicaso
A Consciente Construtora, com apoio do IEL-GO e do Centro Nacional de Tecnologias Limpas – CNTL/
SENAI-RS, implantou entre outubro de 2009 e julho de 2010 um programa de P+L. A empresa observou
que a geração de resíduos era um tema relevante para a aplicação da metodologia. Para conduzir o
programa de P+L, foi formada uma equipe composta pelo Engenheiro da Qualidade, Gerentes de Enge-
nharia, de Empreendimentos e de Obras e Estagiário.
Durante nove meses, foram feitos levantamentos visando identificar a situação atual da geração de re-
síduos no processo construtivo e propor ações para minimizar a sua geração na origem. Foi necessário
usar como base de análise três canteiros de obra da construtora, em fases distintas do ciclo da constru-
ção, para que todos os levantamentos e cálculos − do volume de resíduo gerado e de valor financeiro
embutido − fossem realizados. Como exemplo, para uma obra de cerca de 26 mil m², verificou-se que o
valor financeiro embutido nos resíduos gerados ao longo de sua execução foi de mais de R$ 550.000,00.
Após esse levantamento, foram feitos estudos de medidas de P+L a serem aplicadas, visando melho-
rar o consumo dos insumos cujos resíduos apresentavam os maiores valores financeiros: concreto, no
processo de concretagem de pavimentos; revestimentos cerâmicos; madeira e madeirite, utilizados na
fabricação de formas para pilares e de barrotes de madeira para travamento dos pilares. Este estudo
apontou um potencial de economia de mais de R$ 75.000,00.
Todos os estudos desenvolvidos apresentaram como resultados benefícios econômicos (economia de
recursos e redução de custos com disposição de resíduos) e ganhos ambientais (redução do consumo
de matéria-prima e posterior descarte). Dentre as medidas levantadas, a empresa tomou a decisão de

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Pilares
Processo Construtivo
3.4.4
3.4.3 Implantação da Produção mais Limpa em Obras
Otimização do processo construtivo Porte

substituir os barrotes de madeira por tensores metálicos na construção de pilares. Isto demandou um
investimento inicial de cerca de R$ 12.000,00. No entanto, por ter uma vida útil 50 vezes maior que os
para minimizar geração de resíduos Local

barrotes de madeira, os tensores metálicos viabilizaram uma economia de cerca de R$ 2.800,00 (para
cada obra), obtendo-se o retorno do investimento em cinco obras (15% da vida útil dos tensores). Adi-
Empresa

processo construtivo
cionalmente, da perspectiva ambiental, observou-se que não seria necessário utilizar aproximadamen-
Nome: Pontal Engenharia Construções e Incorporações LTDA Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
te 4 m3 de madeira por obra realizada. Sistema de Gestão Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR
Localização: Goiânia, GO ISO 14001, OHSAS 18001 e ABNT NBR 16001); PBQP-H Nível A.
COMO FAZER Segmento: Incorporação e Construção
Premiações: Prêmio Eco (2012); Prêmio Eco (2011); Prêmio
CBIC de Responsabilidade Social (2011); Prêmio Brasil de Enge-
1º Passo: Planejamento e Formação do Time: nharia (2011) - Categoria Resíduos Sólidos e Prêmio SESI Quali-
Porte: Médio (160 colaboradores) dade no Trabalho (2010).
Pesquisar referências sobre P+L, especialmente experiências aplicadas ao setor da construção e, eventual-
mente, instituições que possam apoiar metodologicamente o desenvolvimento do programa. Buscar o
apoio da alta direção e formar o time responsável por conduzir o programa de P+L na empresa. É impor-
tante definir também qual será a abrangência do programa. Apresentação
2º Passo: Diagnóstico e Avaliação: A Pontal Engenharia implantou o programa de Produção Mais Limpa (P+L), mas ele estagnou a geração
Elaborar fluxograma de todos os processos realizados durante a execução da obra e listar todos os re- de resíduos em 130 kg/m² construído. Para atingir a meta de zerar o descarte do resíduo tipo A, a empre-
sa deu início ao programa “Produção Mais Limpa e Sustentável com Resíduo Zero”, que implementou
síduos gerados em cada etapa. Deve-se quantificar e valorar financeiramente os resíduos gerados e
um novo modelo construtivo em suas obras.
definir as áreas prioritárias para minimização dos resíduos.
3º Passo: Estudo de Viabilidade: bENEFÍCIOS
Levantar medidas de P+L para combater a geração de resíduos nas áreas prioritárias e verificar sua • Aumento da produtividade por trabalhador por meio da padronização dos processos de constru-
viabilidade, calculando os ganhos potenciais das medidas propostas. Esta análise orientará as ações a ção, constante capacitação da mão de obra e ambiente de trabalho limpo e organizado.
serem adotadas. • Menor volume de resíduos incorporados à obra e descartados.
4º Passo: Monitoramento e Avaliação: • Redução de custos com recompra de material e descarte de resíduos.
Desenvolver plano de implementação das ações de P+L selecionadas e definir ações para monitora- • Melhoria na imagem da construtora (conceito e visibilidade).
mento e avaliação dos resultados, bem como ações de continuidade do programa. • Diminuição das assistências técnicas.
LIÇÕES APRENDIDAS • Acesso a fontes de capital que subsidiam empresas com ações para promoção da sustentabilidade.
Padronizar para maximizar resultados: quanto maior o grau de padronização dos elementos e • Cumprimento da legislação ambiental: CONAMA 307/2002 e Política Nacional de Resíduos Sólidos.
técnicas construtivas, maior o potencial de ganhos com a aplicação da metodologia de P+L.
Minicaso
Resultados no longo prazo: a análise custo X benefício das medidas de P+L implementadas deve con- Em 2007, a Pontal Engenharia aplicou o princípio 5Rs (repensar, recusar, reduzir, reusar e reciclar) em seu
siderar mais de uma obra, uma vez que os ganhos são diluídos ao longo do tempo. projeto Produção Mais Limpa e Sustentável. Como resultados, obteve economia de materiais e recursos
naturais e o melhor gerenciamento dos resíduos. No entanto, com o processo construtivo convencional
de alvenaria com bloco cerâmico o índice de resíduo classe A descartado se estabilizou em 130 kg/m²
construído, abaixo da média nacional de 150 kg/m², mas ainda um alto índice de desperdício.
Para lidar com isso, a Pontal instituiu o projeto “Produção Mais Limpa e Sustentável com Resíduo Zero”.
“Com o programa P+L, implementamos boas práticas de sustentabilidade em nossos canteiros de Nele optou-se por mudar o processo construtivo – substituindo blocos cerâmicos por blocos de concre-
obras. Isso foi importante e enriquecedor, pois como resultado, atuamos em todos os processos da ca- to – e beneficiar o resíduo classe A (ex.: argamassas, blocos, concretos etc.) para reaproveitamento como
agregado em diversos serviços de obra (ex.: rebocos, contrapisos, chapisco etc.).
deia produtiva, tais como: concepção de projetos, mudanças de materiais, mudança no tratamento com
A empresa instituiu um ciclo fechado de produção, no qual seus resíduos classe A passaram a ser corre-
fornecedores, promovendo controle, racionalização, monitoramento, e posterior redução dos resíduos
tamente segregados e utilizados na linha de produção de blocos de concreto. Este processo melhorou
gerados em nosso processo construtivo, além da conscientização ambiental e maior comprometimento a qualidade do seu produto final e reduziu a geração de resíduos.
de toda equipe no processo.” O novo método construtivo também aprimorou a logística da obra pelo uso de argamassa de assen-
Leonardo Menezes tamento industrializado nas lajes e de pallets para transporte dos blocos; pela otimização do uso da
Gerente de Engenharia da Consciente Construtora betoneira central da obra, eliminando os horários de pico de produção; e pela facilidade de limpeza
dos pavimentos e a segregação do resíduo, somente à base de cimento.

88 89
Pilares
Processo Construtivo
3.4.5
3.4.4 Otimização do processo construtivo para minimizar geração de resíduos
Melhoria do Desempenho Porte

Os resultados obtidos são significativos: na construção do Pontal das Brisas o índice de descarte está
em 41,31 kg/m² construído, 68% menor que a média da empresa. No Pontal das Estrelas – em fase de
Ambiental dos Canteiros Local

estrutura – o índice é de menos de 2 kg/m², uma redução de 98%.


Em termos financeiros, a empresa obteve até o momento uma economia de mais de R$ 300 mil para uma Empresa

processo construtivo
obra de cerca de 21 mil m² ainda em construção, decorrente da soma da redução dos custos com disposição
Nome: Toctao Engenharia Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Sistema de Gestão
de resíduos, com o uso de caçambas e com a recompra de materiais.
Localização: Goiânia, GO Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR ISO 14001 e OHSAS 18001); PBQP-H Nível A.
Devido aos excelentes resultados obtidos, optou-se pela continuidade do projeto nos próximos em- Segmento: Incorporação e Construção Código de Ética; Código de Conduta Ambiental.
preendimentos da construtora, aprimorando-o continuamente. Com isso, a Pontal atingiu outras metas, Porte: Grande (1.415 colaboradores) Premiações: Prêmio Eco (2007).
como a do cumprimento da legislação ambiental CONAMA 307/2002 e do atendimento aos requisitos
da Política Nacional de Resíduos Sólidos, e ainda a consolidação da prática da logística reversa.

COMO FAZER APRESENTAÇÃO


1º Passo: Envolvimento da Alta Direção da Empresa no Processo A execução de obras no meio urbano envolve uma grande quantidade de recursos e impacta de diver-
É importante que a alta direção esteja engajada para garantir que o projeto esteja alinhado com os sas formas o meio ambiente, seja na implantação dos canteiros de obra, seja no desenvolvimento das
objetivos estratégicos da empresa. atividades construtivas.
2º Passo: Conscientização dos Colaboradores em Nível Operacional
Pensando nisso, a Toctao Engenharia desenvolveu a iniciativa “Canteiro Ecológico”, se baseando em duas re-
O sucesso do programa depende da adequada execução das atividades pelos colaboradores, por isso é
ferências principais: o selo AQUA (Alta Qualidade Ambiental) e o princípio 3R (Reduzir, Reutilizar e Reciclar).
necessário conscientizá-los sobre sua importância.
Dessa forma, adotou medidas visando otimizar o uso dos recursos naturais, reduzir o desperdício de mate-
3º Passo: Avaliação do Processo Construtivo riais e melhorar a organização e limpeza do canteiro de obras.
Deve-se avaliar diferentes alternativas para verificar qual delas pode produzir a menor quantidade
de resíduos. Por exemplo: a Pontal verificou ganhos significativos na especialização em produtos BENEFÍCIOS
à base de cimento.
• Economia no custo do metro quadrado do canteiro de obra.
4º Passo: Adequação da Empresa ao Processo Construtivo Selecionado
• Redução do consumo de recursos naturais, como água, energia, madeira etc.
Deve ser feito o treinamento técnico da equipe e readequação da logística para minimizar a geração de
resíduos e tratá-los corretamente. • Economia nos custos com transporte e destinação de resíduos.
5º Passo: Organização do Processo de Reutilização dos Resíduos • Melhoria da organização e limpeza do canteiro de obras.
O processo deve ser explicitado, com a aquisição dos equipamentos necessários (ex.: triturador de resí- • Redução no número de acidentes e do absenteísmo por motivos de saúde e aumento da produ-
duos, máquina para fabricação dos blocos/canaletas de concreto etc.). tividade dos trabalhadores.
LIÇÕES APRENDIDAS Minicaso
Planejamento da nova logística do canteiro: não deve haver prejuízo aos fluxos de materiais na obra.
Em 2010, a Toctao Engenharia implementou o “Canteiro Ecológico”, em caráter piloto, na obra do em-
Queda temporária da produtividade: durante o processo de aprendizagem dos colaboradores, a pro- preendimento Ambient Park Residencial, em Goiânia, GO.
dutividade pode cair, mas há ganhos absolutos no fim do processo.
Medidas simples, adotadas pela construtora, contribuíram para tornar o canteiro de obras mais sustentável:
Desmobilização da usina de reaproveitamento: caso sejam utilizados equipamentos para tratamen-
• Escritório da obra: paredes e móveis: construídos com placas de compensado OSB, cujas so-
to dos resíduos, é preciso que seja feito um planejamento prévio de sua desmobilização, buscando
evitar despesas extras e desperdícios. bras são usadas na fabricação dos móveis. Estas placas têm maior aproveitamento da madeira,
proveniente de florestas geridas de forma sustentável. Iluminação: feita por meio de garrafas
PET preenchidas com água. Telhado: composto de chapa zincada, com placa de isopor e filme de
alumínio, que evita a passagem de calor, favorece o conforto térmico e reduz o uso do ar-condi-
“A Produção Mais Limpa se insere no contexto da empresa Pontal Engenharia como uma alter- cionado. Dada sua alta durabilidade, pode ser reutilizada. Almoxarifado e refeitório: construídos
nativa viável no combate aos problemas ambientais relacionados às atividades construtivas, com abertura aproximada de 40 cm entre o fechamento da parede e o telhado, melhorando a
aumentando assim a eficiência na utilização das matérias-primas, água e energia, e reduzindo ventilação e iluminação.
os riscos para a sociedade e para o meio ambiente.” • Banheiros: chuveiros com aquecimento solar e reaproveitamento da água dos lavatórios na
Tatiana Amaral limpeza dos mictórios.
Doutora em Engenharia Civil, professora da Escola de Engenharia Civil e do Programa de Pós-Gradua-
ção em Geotecnia, Estruturas e Construção Civil da Universidade Federal de Goiás • Central de triagem de resíduos: para auxiliar a separação dos resíduos, sua correta armazena-
gem e destinação.

90 91
Pilares
Processo Construtivo
3.4.6
3.4.5 Melhoria do Desempenho Ambiental dos Canteiros
Implantação da Gestão de Porte

• Central de concreto: por meio da instalação de um decantador é feito o reaproveitamento da


água usada na limpeza dos caminhões betoneira e a separação e destinação dos resíduos.
Resíduos nos Canteiros Local

• Área de manutenção de equipamentos: com controle do piso por meio de material absorvente,
evita a contaminação do solo e da água na manutenção de pequenos equipamentos. Empresa

processo construtivo
• Controle de matérias-primas: está relacionado à política de qualificação de fornecedores ado- Nome: MRV Engenharia e Participações S.A. e Ambiência Solu- Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
ções Sustentáveis
tada pela Toctao, que exige do fornecedor a apresentação da documentação legal e confere as Certificações: ABNT NBR ISO 9001, PBQP-H Nível A. Código de
Localização: Belo Horizonte, MG
condições socioambientais de trabalho por meio de vistorias. Conduta; Política de Sustentabilidade; Inventário de Gases de
Segmento: Construção e Incorporação
Preocupada com as consequências da falta de organização e limpeza dos canteiros de obra, como aci- Porte: Grande (31.096 colaboradores) Efeito Estufa; Investimento Social Privado.
dentes de trabalho, proliferação de vetores de doenças, desperdício de materiais etc., a Toctao aplica
em seus canteiros o 5S (sensos de utilização, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina). Para estimular
suas equipes de serviço, criou um ranking com o objetivo de premiar aquelas que tiverem melhor per- APRESENTAÇÃO
formance na manutenção da limpeza e organização do canteiro.
A cadeia produtiva da construção é uma das principais geradoras de resíduos urbanos no Brasil, sen-
As medidas implementadas no projeto Canteiro Ecológico possibilitaram: redução de 73% no custo do do responsável pela metade do total gerado, o que equivale a, aproximadamente, 500 kg per capi-
metro quadrado do Canteiro Ecológico quando comparado ao custo médio de um canteiro convencional;
ta. Esta característica da atividade de construção demanda uma atuação responsável das empresas
redução de 39% do consumo de energia na fase inicial da obra e de 11% na fase de pico; 24% de redução
no consumo de água; redução de 40% da madeira comprada para construção das baias de triagem e pro- construtoras frente à geração e destinação de resíduos.
teção coletiva; redução de 50% do custo direto com o descarte de resíduos; redução de 15% no número de A MRV Engenharia e Participações S.A. trabalha para reduzir o déficit habitacional do país e, ao mes-
faltas em comparação com as outras obras da empresa, o que contribuiu para que a obra fosse finalizada
mo tempo, minimizar os impactos de suas atividades, aliando equilíbrio ambiental e promoção de
no prazo estabelecido.
qualidade de vida e bem-estar social. Ciente de seu papel na sociedade e na promoção do desenvol-
A empresa trabalha continuamente para aperfeiçoar o projeto Canteiro Ecológico, pesquisando alter-
vimento sustentável, firmou parceria com a Ambiência Soluções Sustentáveis para desenvolver um
nativas de materiais e métodos construtivos que contribuam para minimizar os impactos da implan-
Sistema de Gestão de Resíduos para suas obras em Belo Horizonte, buscando melhorar seu desem-
tação do canteiro.
penho ambiental e reduzir os custos com a sua disposição final.
COMO FAZER
1º Passo: Conscientização BENEFÍCIOS
Conscientizar todos colaboradores sobre os impactos ambientais decorrentes das atividades • Redução do risco de acidentes do trabalho, aumento da produtividade e conscientização de cola-
da empresa. boradores sobre questões ambientais.
2º Passo: Pesquisa de Referências
• Melhoria do desempenho ambiental da empresa: minimização da geração de resíduos e do des-
Em temas relevantes, como: eficiência energética, uso racional de água, materiais renováveis etc., e ex-
perdício de materiais, e correta destinação dos resíduos; promoção da reutilização e reciclagem
periências de outras empresas do setor.
dos resíduos.
3º Passo: Proposição de Melhorias
Avaliar a viabilidade de incluir estruturas e técnicas ambientalmente corretas nas instalações do canteiro. • Redução de custos com aquisição de materiais, transporte e disposição de resíduos, limpeza e
4º Passo: Desempenho Ambiental organização do local.
Estabelecer objetivos e metas para melhoria da performance ambiental das obras.
Minicaso
5º Passo: Melhoria Contínua
Desenvolvimento de sistema de monitoramento e melhoria contínua das características do canteiro e Em julho de 2010, a MRV Engenharia e Participações S.A. aplicou a gestão de resíduos em seu empreen-
dos processos construtivos. dimento Faces Sion em caráter piloto, apoiada pela consultoria especializada Ambiência Soluções Sus-
tentáveis. O condomínio de cerca de 21 mil m², localizado em Belo Horizonte/MG, foi escolhido como
LIÇÕES APRENDIDAS
piloto por apresentar diversos desafios, dentre eles, a dificuldade de retirada dos resíduos, em função
Conscientização e incentivos: realização de palestras e treinamentos, estabelecimento de metas, ava-
do difícil acesso ao terreno.
liações de desempenho e premiações, contribuem para promover a conscientização dos colaboradores
sobre seu papel na redução dos impactos ambientais. O processo de gestão de resíduos dividiu-se em três fases: desenvolvimento do plano de gestão de
Melhoria contínua: é fundamental o envolvimento do engenheiro responsável para constante aprimora- resíduos, implantação das medidas propostas e acompanhamento da obra até o final de sua execução,
mento do Canteiro Ecológico e sua adequação à área disponível de cada empreendimento. totalizando 15 meses de trabalho. Durante o período do acompanhamento feito pela Ambiência, foram

92 93
Pilares
Processo Construtivo

3.4.6 Implantação da Gestão de Resíduos nos Canteiros Porte

Local
destinados 2.955,8 m3 de resíduos, com índice de segregação de 75,81%. Deste total, 33% foi destinado • Identificar os principais problemas e limitações relacionados à gestão de resíduos (ex.: difi-
para reciclagem, 55% para aterro de inertes, 10% para aterro sanitário e 2% foi enviado para outras culdade de acesso ao terreno; limitação da área do terreno; restrições de horários para trans-
obras da MRV para reaproveitamento. Todo o processo de gestão de resíduos nessa obra demandou porte por caminhões etc.), bem como planejar medidas alternativas.

processo construtivo
investimento de R$ 24 mil (contratação da consultoria, materiais de comunicação visual etc.) e gerou • Pesquisar prestadores de serviços de transporte e de destinação de resíduos.
para a empresa uma economia em torno de R$ 48 mil, o que resulta em um saldo positivo de, aproxi- • Definir procedimentos-padrão e específicos do empreendimento de gestão de resíduos, levan-
madamente, R$ 24 mil. do em consideração a separação de resíduos, o transporte interno (dentro do canteiro), melhor

Todos os colaboradores foram envolvidos por meio de ativida- localização e o espaço necessário para as instalações de apoio.

des de sensibilização e capacitação promovidos pela Ambiên- 3º Passo: Implantação do PGRCC


cia. Além de elaborar o Plano de Gestão de Resíduos, a con- Neste passo, deve-se preparar o canteiro de obras para receber as medidas e ações planejadas para

sultoria orientou tecnicamente a equipe do empreendimento a gestão de resíduos:

quanto à realização dos procedimentos, se responsabilizou • Retirar os resíduos acumulados indevidamente (se houver).
por gerenciar o contato com as empresas coletoras dos resí- • Providenciar a limpeza e organização do canteiro.
duos e por realizar as atividades de capacitação.
• Instalar a comunicação visual de apoio à gestão de resíduos.
A partir dessa primeira experiência bem-sucedida, a MRV • Montar as instalações de apoio (baias, lixeiras, tambores, caçambas etc.).
tomou a decisão de adotar o gerenciamento de resíduos em
Jogo para capacitação de colaboradores 4º Passo: Sensibilização e Capacitação
em gestão de resíduos. outros empreendimentos.
Nesta etapa, deve-se realizar as atividades de capacitação e sensibilização para todos os colabo-
radores da obra. Este passo é fundamental para o sucesso de um projeto de gestão de resíduos.
Jogos empresariais, dinâmicas de grupos e esquetes teatrais são técnicas que podem contribuir
COMO FAZER para tornar o aprendizado mais interessante e vivencial. Deve-se considerar a organização de várias
1º Passo: Formação da Equipe edições do programa de capacitação ao longo da execução da obra, uma vez que novos colabora-
Deve-se definir os profissionais responsáveis por conduzir o processo de gestão de resíduos no em- dores são integrados.

preendimento: 5º Passo: Acompanhamento do Processo de Gestão de Resíduos


O Gestor de Resíduos deve trabalhar para garantir que o plano de gestão de resíduos seja seguido no
• É importante que o engenheiro responsável e supervisor de obra estejam envolvidos, bem
dia a dia da obra, mantendo-se em contato constante com as equipes de trabalho e com a rede de
como o mestre de obras e encarregados.
empresas parceiras na coleta de resíduos. É muito importante nessa fase realizar o registro de todos os
• É recomendável que um funcionário da obra atue como o Gestor de Resíduos, isto é, que seja resíduos retirados da obra, o que permite uma análise periódica do volume gerado por cada tipo de
responsável por acompanhar rotineiramente a equipe operacional, reportando as principais resíduo e o custo referente à retirada do material.
ações tomadas aos demais. 6º Passo: Reporte dos Resultados
• As equipes de limpeza devem apoiar a gestão de resíduos, garantindo a organização e limpe- Relatórios mensais com os resultados do pe-

za das áreas e apoiando o transporte interno dos resíduos. ríodo devem ser apresentados para a equipe
responsável pelo empreendimento. Esses en-
• A empresa pode optar por contratar uma consultoria especializada para apoiar o processo.
contros mensais contribuem para a discussão
2º Passo: Elaboração do Plano de Gestão de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) e busca de soluções para problemas identifica-
Este plano tem por objetivo definir todos os procedimentos que serão empregados na gestão de resíduos dos e a realização de melhorias. Da perspectiva

do empreendimento em questão. Para elaboração do plano recomenda-se: da empresa, estes dados possibilitam a análise
comparativa com outros empreendimentos, fa-
• Buscar referências, melhores práticas, estudos de casos e experiências de outras empresas
cilitando planejamentos futuros.
do setor e consultar a legislação específica sobre gestão de resíduos.

Armazenamento de resíduo segregado.

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Pilares
Processo Construtivo
3.4.7
3.4.6 Implantação da Gestão de Resíduos nos Canteiros
Obtenção do Selo Casa Azul Porte

LIÇÕES APRENDIDAS
Todos envolvidos: para bons resultados com a gestão de resíduos, é necessário que ela seja implan-
da Caixa Econômica Federal Local

tada desde o início da obra, com envolvimento de todos os colaboradores.


Empresa

processo construtivo
Alternativas de transporte: devem ser escolhidos equipamentos adequados para o armazenamento
Nome: Rôgga S.A. Construtora e Incorporadora Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certifi-
e transporte de cada tipo de resíduo para que sejam reduzidos os custos de seu gerenciamento e me- Localização: Joinville, SC cações: ABNT NBR ISO 9001, PBQP-H Nível A; Selo Casa Azul – Ouro (Em-
lhorada sua destinação final. Priorizar empresas que tenham interesse comercial no resíduo amplia as Segmento: Incorporação e Construção preendimento: Residencial Bonelli). Código de Ética.
Porte: Grande (920 colaboradores)
alternativas de coleta e pode gerar considerável redução de custo.

Ajuda especializada: a atuação de consultoria especializada como coordenadora do gerenciamen-


to, permite à equipe de obra reduzir seu esforço em ações relacionadas aos resíduos, sobretudo na
organização do canteiro e na retirada dos materiais, permitindo que sua atenção fique focada na
produtividade do empreendimento. APRESENTAÇÃO
Qualidade dos materiais comprados: a equipe de Suprimentos/Compras deve ser envolvida no Munida de uma pesquisa sobre preferências de consumidores e de uma forte crença de que o caminho
processo de gestão de resíduos para melhorar a contratação de produtos e serviços, pela priorização para as construções futuras é a busca pela sustentabilidade, a Rôgga Construtora e Incorporadora, em
de materiais que gerem menor volume de resíduos. uma atitude arrojada e pioneira, foi a primeira construtora a obter o Selo Casa Azul nível Ouro para seu
empreendimento Residencial Bonelli.
Reutilização de EPI: os equipamentos de proteção individual (EPI) podem ser reutilizados, desde
que apresentem condições e sejam devidamente higienizados e recuperados. Existem empresas es- O Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal (CEF) é um instrumento de classificação socioambiental de
pecializadas na prestação desse serviço. empreendimentos habitacionais, que reconhece a adoção de soluções para construção, uso e ocupação e
manutenção mais eficientes em edificações, objetivando incentivar o uso racional de recursos naturais e a
melhoria da qualidade da habitação e de seu entorno 5.

O Selo qualifica projetos de construções sustentáveis em três níveis – Ouro, Prata e Bronze, que são de-
finidos de acordo com a quantidade de critérios de sustentabilidade atendidos pelo empreendimento.

Retirada de resíduo de madeira da obra.


BENEFÍCIOS
• Redução de, aproximadamente, 20% no valor do condomínio comparado a edifícios de mes-
mo padrão.

• Qualidade de vida para futuros moradores e facilidades por morar em edifício inserido em região
segura e com fácil acesso a serviços públicos, áreas de lazer e comércio.

• Redução dos gastos de manutenção dos apartamentos, devido aos dispositivos economizadores
de água e energia; iluminação e ventilação naturais; desempenho térmico dos materiais emprega-
dos; além de maior controle do consumo graças às medições individualizadas.

• Garantia de que os materiais e componentes empregados na obra são certificados e de reconhe-


cida qualidade.

• Redução da sobrecarga sobre o sistema de drenagem do município e contribuição com a preven-


ção das enchentes; auxílio à recarga dos aquíferos e regularização da vazão dos rios e cursos de
água, ao contar com áreas permeáveis no projeto.

• Conscientização e educação ambiental dos trabalhadores.

5 - Selo Casa Azul – Boas Práticas para Habitação mais Sustentável, 2010.
96 97
Pilares
Processo Construtivo

3.4.7 Obtenção do Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal Porte

Local
• Conscientização dos futuros moradores: manual do proprietário e do síndico, com informações COMO FAZER:
sobre aspectos da sustentabilidade da edificação e instruções para bom uso e manutenção dos
O processo de obtenção do Selo Casa Azul CAIXA pode ser dividido em três etapas principais:
equipamentos disponíveis.

processo construtivo
1ª Etapa: Preparação para Adesão ao Selo
Minicaso
1º Passo: Estudo dos Requerimentos do Selo
O processo para obtenção do Selo Casa Azul CAIXA começou cerca de seis meses antes de a Rôgga
A empresa interessada em obter o Selo Casa Azul deve conhecer os critérios mínimos exigidos para a
S.A. receber a certificação, e exigiu ampla pesquisa e algumas adaptações para que os processos cons-
trutivos da empresa fossem alinhados às exigências da Caixa. Para obter o Selo Casa Azul nível Ouro, a concessão do Selo, bem como as condições e pré-requisitos para a participação. Estas informações estão
empresa precisou atender ao mínimo de 32 dos 53 critérios de avaliação do Selo, divididos em seis cate- disponíveis no Guia Selo Casa Azul CAIXA (ver Bibliografia desta Boa Prática na seção 5.2).
gorias: Qualidade Urbana; Projeto e Conforto; Eficiência Energética; Conservação de Recursos Materiais; 2º Passo: Identificação dos Aspectos Contemplados no Projeto
Gestão da Água e Práticas Sociais.
A empresa deve verificar se seu empreendimento já atende a alguns dos requisitos de sustentabilidade
Os estudos foram conduzidos pela área de Engenharia que, inicialmente, analisou a aplicação dos cri-
propostos pelo Selo. A tabela contendo as seis categorias e os 53 critérios está disponível no Guia Selo
térios exigidos pela Caixa. Percebeu-se que muitos deles já faziam parte do procedimento normal de
Casa Azul CAIXA.
construção da Rôgga e partiu-se, portanto, para a análise dos critérios ainda não atendidos, de modo a
verificar a viabilidade de readequar o empreendimento e incorporar tais exigências. 3º Passo: Avaliação da Viabilidade e Definição dos Critérios a Serem Atendidos

Um dos destaques para atender aos critérios do Selo foi a capacitação dos trabalhadores em educação A empresa deverá avaliar a viabilidade de incorporar os critérios de sustentabilidade ao seu empreendi-

ambiental e desenvolvimento pessoal durante a construção do empreendimento, que ocorreu com a mento e definir aqueles que serão atendidos. A Tabela 12 apresenta uma ferramenta para análise e prio-
colaboração do SENAI-SC. Palestras e treinamentos foram desenvolvidos dentro do canteiro de obra rização de critérios de sustentabilidade (para mais informações, ver Seção 5.2 Bibliografia - Boas Práticas:
sobre temas, como educação para a cidadania; programas de segurança, saúde e higiene; economia Guia de Sustentabilidade na Construção da FIEMG). Esta avaliação determinará o nível do Selo a ser obti-
doméstica e educação financeira.
do: Bronze, Prata ou Ouro. A categoria Bronze requer que todos os critérios obrigatórios sejam atendidos.
Em consequência do processo de obtenção do Selo Casa Azul, a empresa aprimorou seus processos cons- Para atingir o nível Prata, a empresa precisa atender a todos os itens obrigatórios e a mais seis itens de sua
trutivos e de gestão. Também implantou um setor de Pesquisa e Desenvolvimento que tem como objetivo
escolha. No caso do nível Ouro, é necessário que o empreendimento apresente todos os critérios obriga-
buscar soluções e suas aplicações em seus empreendimentos.
tórios e mais 12 de escolha da empresa.
O empreendimento Bonelli é um edifício residencial
com nove pavimentos e 45 unidades, totalizando cerca
de 4.500 m² de área construída. Além de estar próximo
a áreas de lazer, comércio e serviços, conta com bicicle- Custo de implantação das ações concretas
tário, local adequado para coleta e armazenamento de
recicláveis, sistemas economizadores de água e ener- ALTO médio BAIXO
gia, possui ventilação e iluminação naturais, desempe-
nho térmico adequado ao clima local, plano de gestão
ALTO
dos resíduos de construção e demolição, dentre outras
características. A empresa estima um aumento de 3% Retorno socioambiental
L
no custo da obra. VE

TEN
médio SUS
Para a Rôgga, a implementação do Selo Casa Azul vai IS
MA
além da aplicação dos critérios exigidos. Considerar a
qualidade de vida dos futuros moradores e os impactos
BAIXO
ambientais após a entrega do empreendimento, con-
siderando todo seu ciclo de vida, significa um grande
desafio, que não pode ser esquecido, especialmente, em
tempos de plena expansão da Construção Civil.
Residencial Bonelli está localizado no bairro Tabela 12: Ferramenta para análise e priorização de ações práticas. (Fonte: CIC/FIEMG, 2008).
Santo Antônio, em Joinville.

98 99
Pilares
Processo Construtivo
3.4.8
3.4.7 Obtenção do Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal
Eficiência Energética em Porte

2ª Etapa: Solicitação à CEF para Obtenção do Selo


A empresa deverá manifestar o interesse de adesão ao Selo Casa Azul e apresentar os projetos, a
Edificações - Etiqueta Procel Edifica Local

documentação e informações técnicas completas referentes ao cumprimento da legislação vigen-


Empresa

processo construtivo
te, às regras da Ação Madeira Legal, aos critérios do Selo e às unidades habitacionais adaptadas,
Nome: Construtora Diniz Camargos Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certificações: ABNT NBR
seguindo orientações da ABNT NBR 9050. Nesta etapa, a empresa poderá solicitar à CEF orienta-
Localização: Belo Horizonte, MG. ISO 9001; PBQP-H Nível A; Etiqueta Procel Edifica Nível A e Selo BH Sustentável – Pro-
ções para a elaboração dos projetos em conformidade com os critérios de sustentabilidade do
Segmento: Construção Civil grama de Certificação em Sustentabilidade Ambiental de Belo Horizonte – Classificação:
Selo e apoio no preenchimento da documentação.
Porte: Médio (141 colaboradores) Ouro (Empreendimento: Edifício Robson Braga de Andrade – Nova Sede FIEMG).
3ª Etapa: Construção do Empreendimento
Além da efetiva implantação dos critérios de sustentabilidade no empreendimento, a empresa passará
por medições mensais e vistorias específicas para comprovação do compromisso assumido. Somente
após essa comprovação é que será definido pela CEF o nível de gradação do Selo a ser emitido para o
APRESENTAÇÃO
projeto. A partir desse momento, a empresa está autorizada a aplicar a logomarca do Selo Casa Azul Aliar a Construção Civil à preservação do patrimônio histórico-cultural e ambiental e à recuperação
CAIXA nos materiais publicitários do empreendimento. e requalificação de edifícios desocupados, contribuindo, desta forma, para a revitalização do espaço
urbano, é a visão de vanguarda que a Construtora Diniz Camargos tem sobre sua contribuição para o
LIÇÕES APRENDIDAS: pleno desenvolvimento das cidades.
Controle do projeto: o projeto deve ser entendido como uma atividade integrante do processo de Em sua busca contínua por ampliar seu compromisso com a sustentabilidade, a construtora bus-
construção; ao detalhá-lo, é possível diminuir os desperdícios, evitar improvisações e torná-lo ambien- cou atingir níveis máximos de eficiência energética ao construir a nova sede da FIEMG. Para tanto,
talmente correto, o que pode, inclusive, resultar numa redução de custos para o empreendedor. seguiu os requisitos da Etiqueta Procel Edifica, que promove o uso racional de energia elétrica em
Mudança de comportamento: a construtora percebeu que, além das adaptações para tornar o em- edificações durante todo seu ciclo de vida, e incentiva medidas para racionalização do consumo de
preendimento uma construção sustentável, o grande benefício foi a mudança de comportamento dos outros recursos naturais.
trabalhadores, que se tornaram mais conscientes do importante papel que desempenham na promo-
ção da sustentabilidade no setor da construção.
Benefícios
• Ganhos econômicos no longo prazo, devido à maior durabilidade e eficiência dos sistemas.
Desistência do Selo: segundo o Guia Selo Casa Azul CAIXA, a desistência do Selo pode incorrer na
substituição de todos os documentos do processo e nova análise de engenharia, considerando a • Padrões de eficiência energética representam, em média, aumento de 5% no custo das constru-
ções, mas geram economia de até 40% na operação do edifício.
modificação dos projetos e exclusão de itens já previstos em orçamento e cronograma.

Inconformidades do projeto: uma vez que as inconformidades comunicadas não sejam sanadas no
• O menor consumo reduz a pressão por geração de energia, contribuindo para a diminuição de
impactos ambientais negativos, advindos da construção de usinas geradoras e de emissões de ga-
prazo estipulado pela CEF ou que estejam esgotadas as possibilidades de recurso, a empresa pode ficar
ses de efeito estufa.
sujeita à proibição de utilizar o Selo Casa Azul; a concorrer ao Selo por um prazo de dois anos; e à multa
no valor de 10% do investimento.
• Contribuição com a política nacional de conservação e uso racional de energia (Lei 10.295).
• Acesso a programas de incentivo e financiamentos para edifícios etiquetados, como o Programa
ProCopa Turismo do BNDES.

“As ideias e o conceito de sustentabilidade que o Selo Casa Azul traz, melhoraram todos os novos
Minicaso
projetos da construtora, pois algumas modificações feitas no Bonelli puderam ser aplicáveis em O processo de obtenção da Etiqueta Procel Edifica se iniciou em 2008 com a construção da nova sede
da FIEMG − o Edifício Robson Braga de Andrade, em Belo Horizonte/MG, para o qual foi desenvolvida a
outros empreendimentos. A pesquisa para obtenção do Selo também resultou em um setor de
etiquetagem para a fase projeto, sendo posteriormente referendada pela inspeção do edifício construí-
Engenharia atuante e pensante, focado na melhoria contínua dos processos, e no uso racional de
do. Em ambas as avaliações, o edifício alcançou o nível A de eficiência energética.
materiais e mão de obra.”
Para implantação da etiqueta, a Diniz Camargos promoveu um amplo envolvimento dos profissionais
Vilson Buss
que desenvolveram os projetos, de modo a obter melhoria da eficiência energética da edificação. Na
Diretor Administrativo Comercial da Rôgga S.A.
fase seguinte – de construção do edifício –, a responsabilidade pela certificação passou para a equipe
de produção, responsável pela execução das práticas visando a sustentabilidade, por exemplo, a re-

100 101
Pilares
Processo Construtivo

3.4.8 Eficiência Energética em Edificações – Etiqueta Procel Edifica Porte

Local
dução no volume do entulho gerado; utilização racional das matérias-primas; sistemas eficientes em
energia; reuso de água pluvial para irrigação dos jardins; uso de dispositivos economizadores em vasos Etiquetagem nas Edificações:
A certificação pode ser parcial ou geral:
sanitários e torneiras; garantia da origem das madeiras empregadas na obra etc.

processo construtivo
A etiquetagem de eficiência energética do edifício contou com a consultoria do Laboratório de Con- Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) Parcial: ENCE geral:
forto Ambiental e Eficiência no Ambiente Construído – LABCON/UFMG; laboratório de inspeção acre-
ditado pelo Inmetro para proceder a verificação das características projetadas e construídas da edi-
ficação e indicar o nível de eficiência energética alcançado. As etiquetas, por sua vez, foram emitidas
pelo LabEEE – UFSC/Certi, organismo de certificação acreditado pelo Inmetro.

A Nova Sede da FIEMG tem 16 mil m² e foi o primeiro edifício comercial de Belo Horizonte a receber as
etiquetas Procel de Projeto Nível A em 2009 e de Edifício Construído – Nível A, em 2010. A edificação
ainda é certificada pelo Selo BH Sustentável, um programa da Prefeitura de Belo Horizonte para certifi-
cação ambiental de empreendimentos públicos e privados da cidade.
Envoltória Envoltória + Sistema Envoltória + Sistema de Envoltória + Iluminação +
de Iluminação Condicionamento de ar Sistema de condicionamen-
to de ar + bonificações

Tipos de etiquetagem em edificações (Fonte: Procel Info, 2012).

1ª Etapa: Definições Sobre a Eficiência Energética da Edificação e Desenvolvimento dos Projetos


1º Passo: Estudo da Documentação
A empresa interessada em obter a Etiqueta Procel Edifica para determinado empreendimento deve reu-
nir sua equipe de projetistas e estudar a documentação referente à eficiência energética em edificações
(ver referências adicionais desta Boa Prática):

• Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Co-


merciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C): contém os quesitos necessários para classificação do
nível de eficiência energética do edifício;

• Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética para Edi-


fícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RAC-C): aborda o processo de avaliação das caracte-
rísticas do edifício para etiquetagem junto ao Laboratório de Inspeção acreditado pelo Inmetro;

• Manual para aplicação dos RTQ-C e RAC-C: traz exemplos teóricos e de cálculo.

2º Passo: Definições Sobre Nível de Eficiência Energética da Edificação


Deve-se definir com o cliente o nível e abrangência do projeto de eficiência energética desejado para a
edificação, usando os conhecimentos técnicos para apoiá-lo na sua decisão.

3º Passo: Avaliação da Viabilidade e Definição dos Requisitos a Serem Incorporados ao Projeto


Figura 06: Etiquetas Procel Edifica do Projeto e do Edifício Construído - Nova Sede da FIEMG. (Fonte: Diniz Camargos, 2012) da Edificação
Deve-se avaliar a viabilidade de inclusão dos requisitos técnicos constantes no RTQ-C, considerando o
COMO FAZER nível de eficiência energética desejado e a disponibilidade para investimento. Medidas para redução do
Por buscar disseminar iniciativas de promoção de eficiência energética, a Etiqueta Nacional de Conser- consumo de outros recursos (tais como água, madeira etc.) e materiais, também devem ser avaliadas,

vação de Energia (ENCE) pode ser concedida tanto a empreendimentos novos quanto para os já em pois geram bonificações na pontuação para obtenção da Etiqueta.

operação, desde que os edifícios comerciais, de serviços ou públicos, possuam uma área superior a 500 4º Passo: Desenvolvimento dos Projetos e Aprovação
m², ou sejam, atendidos por alta tensão. Veja as possibilidades de certificação da Etiqueta Procel Edifica Os projetos devem ser desenvolvidos, ou adequados, considerando os requisitos de eficiência energéti-
no box Tipos de Etiquetagem em Edificações. ca que serão incorporados. Após aprovação final pelo cliente, pode-se solicitar a Etiqueta Procel Edifica.

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Pilares
Processo Construtivo
3.5.1
3.4.8 Eficiência Energética em Edificações – Etiqueta Procel Edifica
Sistema de Gestão de Saúde e Porte

2ª Etapa: Avaliação do Projeto e Expedição da ENCE de Projeto


A solicitação para avaliação do projeto é feita pelo proprietário da edificação, mas é recomendável que a cons-
Segurança do Trabalhador Local

trutora acompanhe todo o processo para apoiá-lo nas questões técnicas.


Empresa

Saúde e segurança
1º Passo: Solicitação da Avaliação e Envio da Documentação
Nome: Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A. Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Sistema
Deve-se entrar em contato com o Laboratório de Inspeção acreditado pelo Inmetro, solicitando um Localização: Belo Horizonte, MG de Gestão Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR ISO 14001, OHSAS
orçamento para a avaliação (no website Procel Info estão listados todos os laboratórios acreditados). Segmento: Construção Pesada 18001 e SA 8000); PBQP-H Nível A. Relatório de Sustentabilidade GRI (G3);
Deve-se preparar a documentação exigida para a avaliação, que inclui os projetos arquitetônico, de Porte: Grande (15.000 colaboradores) Código de Conduta Ética.

iluminação, elétrico e de condicionamento de ar, laudos técnicos e memoriais, dentre outros, conforme
indicado nos anexos do RAC-C. Deve ser informado o método de avaliação a ser aplicado − prescritivo
ou simulação termoenergética (para detalhes sobre os tipos de avaliação, consultar o RAC-C).
Apresentação
2º Passo: Avaliação da Eficiência Energética
O elevado índice de acidentes de trabalho na indústria da construção tem requerido muitos investi-
O Laboratório de Inspeção procederá a avaliação da conformidade da documentação e/ou dos projetos e de-
mentos por parte das empresas para melhorar seus processos de gestão da saúde e segurança do traba-
mais itens, pelo método escolhido pela empresa, seguindo o que determina o RTQ-C. O prazo para avaliação
lhador (SST). A Mendes Júnior, que possui como um de seus valores o respeito ao ser humano, trabalha
do projeto é de 15 a 60 dias úteis, dependendo da sua complexidade e da abrangência da ENCE solicitada. desde 2009 para aperfeiçoar seu Sistema de Gestão Integrada, buscando sistematizar os processos e
3º Passo: Expedição da ENCE de Projeto elevar o controle sobre esta área crítica, utilizando um software específico como ferramenta de suporte.
O Laboratório de Inspeção informa a classificação do nível de eficiência alcançado, e é expedida uma
benefícios
ENCE de projeto, identificando a classificação do nível de eficiência energética. A ENCE de projeto tem
• Ganho de eficiência: um sistema informatizado de gestão de SST otimiza os processos de preen-
validade de cinco anos. chimento, organização e processamento de documentos trabalhistas, liberando tempo dos profis-
sionais para se dedicarem ainda mais às suas atividades-fim.
3ª Etapa: Avaliação do Edifício Construído e Expedição da ENCE de Edifício Construído
• Sistematização e padronização: permite à empresa desenvolver uma sistemática padrão a ser se-
Finalizada a obra e expedido o Alvará de Conclusão, o proprietário da edificação deve solicitar a confir-
guida pelos projetos e por todos os prestadores de serviços de SST.
mação da ENCE de projeto. Mais uma vez, é aconselhável o acompanhamento da construtora.
• Otimização da realização de exames: permite a eliminação de redundâncias na realização dos
1º Passo: Solicitação da Inspeção exames de saúde periódicos. Isso reduz os custos da empresa e, também, assegura que os traba-
Deve-se solicitar ao laboratório a inspeção do edifício construído para confirmação do nível de eficiên- lhadores sempre serão examinados no momento apropriado.
cia energética estabelecido no projeto. • Segurança jurídica: por manter todos os procedimentos de saúde e segurança registrados, res-
2º Passo: Termo de Compromisso guarda juridicamente a empresa e o trabalhador.

Após vistoria do edifício e caso não existam inconformidades, o proprietário deve assinar o Termo de • Acurácia no planejamento de custos com SST: em situações de licitação pública e concorrências,
Compromisso. Caso existam inconformidades que alterem a classificação do nível de eficiência energé- facilita e torna mais preciso o cálculo dos custos com SST envolvidos em um empreendimento.
tica obtida na avaliação de projeto, o proprietário deverá submeter ao laboratório de inspeção o novo
Minicaso
projeto para reavaliação.
No ano de 2008, após um processo de auditoria, foi recomendado à Mendes Júnior que desenvolvesse um
3º Passo: Expedição da ENCE de Edifício Construído projeto para aperfeiçoar a gestão da saúde e da segurança de seus trabalhadores. A empresa designou uma
Após assinatura do termo de compromisso, o laboratório de inspeção expedirá a ENCE sob autorização equipe responsável por este projeto e por identificar uma ferramenta para apoiá-los na gestão da SST.
do Inmetro, com a classificação de eficiência energética. Após extensa pesquisa no mercado, a ferramenta escolhida foi o Software Integrado de Gestão Ocupa-
cional (SOC), implantado em janeiro de 2009. Desde então, a equipe vem trabalhando continuamente
LIÇÕES APRENDIDAS no desenvolvimento do sistema, implementando as customizações que permitiram a sistematização
de todos os processos organizacionais relacionados à SST. Continuamente, são realizados treinamentos
Escolha eficiente das soluções: uma das formas da empresa definir as melhores soluções para atingir o
junto aos profissionais do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Traba-
nível de eficiência desejado é utilizar a ferramenta Agenda do Empreendimento, do Guia de Construção
lho (SESMT), empresas prestadoras de serviços de saúde e outros envolvidos.
Sustentável da CIC/FIEMG (ver referências adicionais desta Boa Prática - Seção 5.2).
O sistema converteu-se em uma plataforma robusta de apoio à gestão da SST, possibilitando uma visão
Referência para busca de soluções: a publicação Eficiência Energética na Arquitetura apresenta solu- global dos temas relacionados à área, ao permitir o gerenciamento da saúde dos profissionais desde
ções para uso racional de energia levando em consideração as diferentes zonas bioclimáticas brasileiras.

104 105
Pilares
Saúde e Segurança 3.5.2

3.5.1 Sistema de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalhador


Provisão de recursos de projetos
de construção para cobrir custos Porte

sua admissão e o acompanhamento dos riscos de cada projeto. A Mendes Júnior apresentou uma me-
lhoria em todos seus indicadores de SST desde a implantação do sistema. Um exemplo disso é a taxa
decorrentes da variação do FAP Local

de frequência de acidentes com afastamento que apresentou uma redução de 27,4% nas ocorrências
entre 2010 e 2011.
Empresa

Saúde e segurança
COMO FAZER Nome: Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A. Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Sistema
Localização: Belo Horizonte, MG de Gestão Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR ISO 14001, OH-
1º Passo: Estruturação da Equipe Responsável Segmento: Construção Pesada SAS 18001 e SA 8000); PBQP-H Nível A. Relatório de Sustentabilidade
Definir equipe responsável pela coordenação do sistema de gestão da SST, bem como sua dedicação Porte: Grande (15.000 colaboradores) GRI(G3); Código de Conduta Ética.
(carga horária) para customização e gestão do sistema.
2º Passo: Pesquisa de Sistemas
Identificar os softwares disponíveis no mercado que apresentem soluções para apoiar a gestão da
SST, considerando: Apresentação
O pagamento devido pelas empresas para cobrir as despesas com o atendimento feito a trabalhadores
• Possibilidade de customização • Espaço para proposta de melhorias no sistema pelo INSS engloba o montante referente aos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) – baseado na Clas-
• Sistema baseado na internet • Livre cadastro de usuários para operação do sistema sificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) – e ao Fator Acidentário de Prevenção (FAP), um
• Modelo de pagamento • Integração com outros sistemas da empresa: RH, Jurídico, TI. multiplicador calculado por empresa, que pode reduzir à metade ou aumentar em 100% o valor do RAT.
• Oferta de atualizações O FAP se apresenta como uma oportunidade para alinhar bom desempenho em Saúde e Segurança do Traba-
3º Passo: Sistematização dos Processos de SST lhador ao resultado financeiro da empresa, pois a menor incidência de acidentes e afastamentos é revertida em
Adquirido o sistema, a equipe deve trabalhar na sua customização e, paralelamente, na adequação dos um FAP mais baixo, com menor pagamento de RAT nos anos seguintes.
processos de gestão da SST adotados pela empresa. Se necessário, desenvolver novos processos. Uma forma da empresa estimular seus profissionais a tratar com seriedade a Saúde e Segurança dos Trabalha-
dores é a criação de um sistema que retire dos resultados dos projetos, os valores a serem provisionados para
4º Passo: Acesso ao Sistema
pagamento do acréscimo de RAT devido pela empresa nos anos seguintes.
Definição dos usuários com acesso ao sistema. Devem ser considerados médicos do trabalho, enge-
nheiros de segurança, enfermeiros, técnicos de enfermagem e de segurança do trabalho, empresas for- benefícios
necedoras de serviços de saúde etc. O amplo acesso de usuários no sistema aproxima os gestores dos • A empresa se beneficia por atrelar a gestão da Saúde e Segurança do Trabalhador (SST) ao resultado
colaboradores, facilitando o engajamento. financeiro de cada projeto.
5º Passo: Comunicação dos Resultados • Os trabalhadores se beneficiam devido à maior seriedade da empresa na preocupação com sua
Deve-se fazer a comunicação dos resultados periodicamente para todos os envolvidos na empresa com a saúde e segurança.
gestão de SST (gerentes de projetos, gestores da área de SST, profissionais de SST), utilizando os canais de • Todo o setor da Construção pode se beneficiar com a disseminação dessa prática devido a possíveis
comunicação interna da empresa. dissociações de doenças ao Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) dos CNAEs do setor,
conforme cada atualização do NTEP.
6º Passo: Treinamentos e Melhoria Contínua
A equipe deve organizar uma oferta permanente de treinamento, tanto nos processos de gestão de SST Minicaso
quanto no uso do sistema. A equipe também é responsável pela melhoria contínua do sistema. A Mendes Júnior, desde 2009, vem desenvolvendo um sistema de gestão da Saúde e Segurança do
Trabalhador (SST). Neste processo, a empresa percebeu que a melhoria de sua gestão de SST, redu-
LIÇÕES APRENDIDAS zindo acidentes e afastamentos, poderia ter dois benefícios: reduzir os riscos para seus trabalhadores
Dedicação ao sistema: é fundamental para o pleno desenvolvimento do sistema de gestão da SST em projetos e reduzir o valor pago de RAT.
uma equipe com grande dedicação na sua customização e gestão. Para obter esses benefícios, era necessário que a empresa conseguisse envolver todos os seus gesto-
res de contratos para investirem na gestão de SST. Para garantir a participação efetiva de todos, a área
Oferta de treinamentos: o uso disseminado e padronizado entre os diferentes profissionais e responsável pela SST fez as seguintes estimativas:
prestadores de serviços de SST foi possível graças a contínua oferta de treinamento técnico e na 1. Impacto de um acidente ou afastamento no FAP da Mendes Júnior (empresas livres de Comu-
operação do sistema. nicação de Acidente de Trabalho (CAT) e afastamentos têm FAP de 0,5).
2. Impacto do FAP no pagamento devido de RAT da empresa.
“O nosso Sistema de Gestão Integrada contribui efetivamente não só para reduzir riscos e custos num pro- 3. Custo proporcional de cada acidente de trabalho ou afastamento no valor pago de RAT pela
empresa, baseado na estimativa da folha de pagamento.
jeto de engenharia. Ele influencia positivamente a qualificação técnica dos colaboradores e o ambiente
4. Com os valores estabelecidos, a Mendes Júnior definiu que, para cada afastamento registrado
de trabalho, favorecendo um clima organizacional onde a melhoria contínua está sempre presente e as em projeto, seria provisionado por três anos o montante equivalente à soma do impacto do
relações interpessoais mais sadias.” afastamento no RAT, os 14,9 salários a serem pagos e um valor para possíveis despesas judiciais.
Assim, ao final de cada projeto da empresa é levantado o número de afastamentos e retido o
Mário Lucio Souza Avelar valor total para provisão.
Gerente de Qualidade, Segurança e Saúde Ocupacional, Meio Ambiente e Responsabilidade Social da Mendes Júnior

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Pilares
Saúde e Segurança
3.5.3
3.5.2 Provisão de recursos de projetos de construção
para cobrir custos decorrentes da variação do FAP Ergonomia no Canteiro de Obras e Porte

Com a possibilidade de redução do resultado financeiro final do projeto devido a acidentes e afastamen-
tos, a Mendes Júnior criou um mecanismo que estimula o investimento no sistema de SST, incentivando Escritório da Empresa Local

mesmo os gestores menos motivados a se engajarem com melhores resultados neste segmento.
Além de significar um ambiente de trabalho mais saudável e seguro, a redução do FAP representa uma
Empresa

Saúde e segurança
significativa redução mensal de custos, uma vez que esta taxa incide diretamente sobre a folha de paga-
mento da empresa. Todo o processo de investimento em SST fez com que a Mendes Júnior diminuísse o Nome: Pontal Engenharia Construções e Incorporações LTDA Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
Sistema de Gestão Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT NBR
multiplicador FAP em 37%, representando uma significativa economia de mais de R$ 4 milhões.
Localização: Goiânia, GO ISO 14001, OHSAS 18001 e ABNT NBR 16001); PBQP-H Nível A.
Premiações: Prêmio Eco (2012); Prêmio Eco (2011); Prêmio
Segmento: Incorporação e Construção CBIC de Responsabilidade Social (2011); Prêmio Brasil de Enge-
FAP 2010 =1,3949 FAP 2011 = 0,8869 FAP 2012 = 0,8860 nharia (2011) - Categoria Resíduos Sólidos e Prêmio SESI Quali-
Porte: Médio (160 colaboradores) dade no Trabalho (2010).
RAT = 4,1847% RAT = 2,6607% RAT = 2,6580%
Período: 01/04/07 a 31/12/08 Período: 01/01/08 a 31/12/09 Período: 01/01/09 a 31/12/10
Empresas “Malus”(FAP>1,0) Empresas “Malus”(FAP>1,0) Empresas “Malus”(FAP>1,0)
72.628 (7,60%) 78.264 (8,48%) 88.353 (8,76%)

Observações de Auditorias Início projeto SSO/SOC - Jan/2009 Consolidação Apresentação


Redução 36,5% Redução 0,5% Historicamente, as condições do trabalho na Construção Civil exigem muito da saúde de seus pro-
Figura 07: Exemplo de resultados financeiros com a aplicação desta Boa Prática. (Fonte: Mendes Júnior, 2012) fissionais e, apesar dos muitos esforços feitos no sentido de garantir a segurança do trabalhador, os
indicadores demonstram que a Construção Civil é ainda um dos setores com maior ocorrência de
COMO FAZER
acidentes e afastamentos.
1º Passo: Levantamentos Iniciais
A equipe responsável pela gestão de SST da empresa deve levantar o valor do FAP, o período coberto A Pontal Engenharia, pensando de maneira proativa e preventiva, decidiu incorporar Ergonomia às
para a análise e o número de CATs e afastamentos realizados pela empresa.
atividades laborais que envolvem a construção de seus empreendimentos e, com isso, mostrar que é
2º Passo: Realização dos Cálculos possível aliar o trabalho na Construção Civil à saúde e qualidade de vida de seus trabalhadores.
A equipe deve demonstrar, por meio de um cálculo simples, a diferença entre o FAP da empresa e o
mínimo, referente à inexistência de acidentes no período, baseando-se na estimativa da folha salarial benefícios
da empresa. Ex.: o RAT da Construção Civil é de 3%. Se a empresa não tiver acidentes, o FAP será o
mínimo (0,5), logo o RAT devido pela empresa será de 1,5% sobre a folha salarial. Se devido aos aci- • Promoção do bem-estar do trabalhador.
dentes, a empresa tiver um FAP de 1,2, o seu RAT será 3,6%. Portanto, o valor adicional do RAT a ser • Redução da ocorrência de acidentes e lesões e consequentes prejuízos à saúde do trabalhador.
pago pela empresa em função dos acidentes ocorridos equivale a 2,1% da folha salarial.
3º Passo: Divisão do valor estimado como adicional a pagar na folha salarial pelo total de CATs
• Melhor acompanhamento da saúde física e psicológica do trabalhador.
abertos e afastamentos (por acidente, doença ocupacional ou NTEP) e aposentadorias realizadas • Diminuição de afastamentos e do absenteísmo.
no período considerado.
Esta divisão deve ser feita conforme as fórmulas de cálculo de FAP apontadas pelo Ministério da Previ- • Incremento da produtividade do trabalhador.
dência Social (vide bibliografia desta Boa Prática na seção 5.2). • Redução de reclamações trabalhistas.
4º Passo: Comunicação Interna
Criação de política interna e comunicação ampla entre os gestores de projetos, coordenadores, e
• Ampliação do atendimento aos requisitos do Sistema de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalha-
especialistas de SST da empresa. dor (SST) e à legislação.

5º Passo: Provisão de Recursos • Eliminação de gastos indenizatórios e multas relativas à SST.


Definição de uma política de provisão de recursos para lidar com passivos trabalhistas, contemplando (1) os
valores devidos aos trabalhadores, conforme imposto pela legislação; (2) o impacto do acidente, afastamen-
• Redução do Fator Acidentário Previdenciário (FAP) da empresa.
to ou aposentadoria sobre o valor do RAT a ser pago pela empresa; (3) o valor dos custos jurídicos a serem • Redução da sobrecarga sobre o sistema previdenciário.
pagos em caso de ação trabalhista; e (4) o período de retenção do valor antes de fechamento do balanço.

LIÇÕES APRENDIDAS Minicaso


Transparência e comunicação: existem Travas de Mortalidade e Invalidez, além de multas por não Em 2009, a Pontal Engenharia, preocupada em atuar de forma preventiva na Saúde e Segurança dos
abertura de CAT, que devem ser destacadas na comunicação com as equipes para garantir a ética no Trabalhadores (SST) e, ao mesmo tempo, contribuir para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar
processo de gestão e conhecimento de situações especiais.
deles, desenvolveu um projeto inovador para incorporar Ergonomia aos seus postos de trabalho,
Provisão de recursos para um ou dois anos: outro ponto relevante a ser considerado pela liderança das em-
tanto nos escritórios como nos canteiros de obra. O objetivo estabelecido para este projeto foi o de
presas interessadas em aplicarem esta boa prática é a dupla consideração de um acidente no cálculo do FAP,
devido ao uso de base bienal. Assim, a provisão pode ser feita para um ano apenas ou para os dois anos de melhorar as condições ergonômicas das atividades laborais, eliminando também possíveis perigos
influência do acidente no FAP e consequente valor de RAT devido. e riscos existentes. Dessa forma, a expectativa da empresa era eliminar a ocorrência de acidentes

108 109
Pilares
Saúde e Segurança

3.5.3 Ergonomia no Canteiro de Obras e Escritório da Empresa Porte

Local
ou doenças do trabalho, diminuir o 2º Passo: Apoio de Especialistas
desgaste físico e psicológico dos traba- Para a condução do programa de Ergonomia, é recomendável a ajuda de uma empresa ou profissio-

lhadores e, principalmente, maximizar nal especializado na área, que orientará os levantamentos, análises e intervenções ergonômicas que
precisam ser realizados.

Saúde e segurança
suas potencialidades.
3º Passo: Definição dos Indicadores de Resultado
Para o desenvolvimento do projeto foi Estabelecer e acordar com a diretoria os indicadores e métricas de avaliação dos resultados, como:
necessário contar com os conhecimentos índice de absenteísmo, número de Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) e afastamentos,
técnicos de uma fisioterapeuta especia- redução do FAP; indicadores de produtividade, participação nas micropausas etc.
lista em Ergonomia. A empresa desco- 4º Passo: Formação e Treinamento da Equipe Responsável pelo Projeto
briu então que trabalhar o tema abrangia A formação e capacitação de uma equipe (comitê), que ficará responsável pela condução do pro-
Aula de Tai Chi Chuan no canteiro de obras.
muito mais do que a adequação do mo- grama de Ergonomia, é fundamental. Ela deve ser composta por membros de todas as áreas e níveis

biliário, e que também deveriam ser considerados, aspectos, como: condições de iluminação, nível de funcionais da empresa e se responsabilizar por ouvir as demandas dos colaboradores, multiplicar o
conhecimento, incentivar a adesão ao programa, monitorar os indicadores etc.
ruído, temperatura, umidade, e até mesmo, o biotipo dos colaboradores e as condições psicológicas que
5º Passo: Sensibilização dos Colaboradores
envolvem as atividades laborais.
Para promover a ampla adesão dos colaboradores é importante demonstrar que o programa de Er-
Durante a implementação do projeto, a construtora percebeu que a promoção da Ergonomia en- gonomia trará benefícios para a sua saúde e qualidade de vida e contribuirá para a longevidade de
volvia, além da adequação dos postos de trabalho, a educação para os colaboradores. Dessa forma, sua capacidade produtiva, o que tem impactos na sua empregabilidade e, consequentemente, na sua
além da ginástica laboral, foram desenvolvidas cartilhas educativas, orientando os profissionais sobre capacidade de gerar renda. O tema pode ser abordado em palestras de sensibilização, campanhas
como se exercitar no local de trabalho, a importância de se fazer micropausas (de 1 a 2 minutos), internas, nos Diálogos de Segurança etc.

ilustrações sobre posturas corretas etc. 6º Passo: Levantamento Inicial das Condições dos Postos de Trabalho (Análise Ergonômica do
Trabalho – AET)
Também foi elaborada uma cartilha sobre Ergonomia em casa, destinada também aos familiares dos Nesta etapa devem ser verificados, para cada posto de trabalho, como as atividades são feitas
colaboradores, com dicas práticas sobre atividades rotineiras no lar, como posturas corretas para e as condições em que são executadas, analisando parâmetros, como movimentos, iluminação,
dormir, para se levantar da cama etc. temperatura, ruído, umidade relativa do ar, equipamentos/mobiliários etc. A AET é realizada em
cada etapa da obra, considerando o seu cronograma. Esta etapa envolve também a proposição
Para incentivar a adesão ao projeto, foi feito um concurso para escolha do nome do mascote que
de ações de melhorias.
apresentaria as posturas.
7º Passo: Adequação dos Postos de Trabalho Cartaz com exercícios do
programa de micropausas.
A Pontal acredita que o projeto trouxe muitos resultados significativos, entre eles: eliminação de A AET suporta a adequação dos postos de trabalho, que pode en-
reclamações trabalhistas; redução do absenteísmo (1,65%); redução do Fator Acidentário Previden- volver mudanças de técnicas construtivas, procedimentos, aquisi-
ciário (FAP) da empresa para 0,5; e aumento na satisfação do colaborador com a empresa (97,06%). ção de mobiliário ou aparelhos ergonômicos, troca/adequação de
equipamentos, ajustes nos parâmetros ambientais (luz, tempera-
Diante dos bons resultados do projeto, a construtora decidiu submetê-lo ao Edital de Inovação do
tura etc.), bem como medidas administrativas, como estabelecer
SESI/SENAI em 2011, tendo este sido selecionado entre 81 propostas de todo o país. Desse modo, a rodízio de colaboradores nas atividades, treinamentos etc. Para
partir da experiência da Pontal Engenharia, está sendo desenvolvido um modelo para implantação minimizar os impactos na produção, os gestores e líderes devem
de melhorias ergonômicas no setor da Construção Civil. Este modelo será um produto do SESI/SENAI participar da elaboração do plano de implementação.
e estará disponível para qualquer empresa interessada no tema. 8º Passo: Criação de Programa de Micropausas
O programa de micropausas tem o objetivo de estabelecer a quan-
como fazer tidade e frequência de pausas que o colaborador deve realizar ao
1º Passo: Sensibilização da Alta Direção longo de um dia de trabalho. A sequência de exercícios é estabele-
Para justificar para a alta direção, os investimentos em Ergonomia devem ser ressaltados e os ganhos cida, levando-se em consideração o tipo de atividade desenvolvi-
da. A demonstração dos exercícios deve ser feita pelo especialista
diretos e indiretos para o empreendedor, como: aumento da produtividade, redução de custos de segu-
e complementada por banners, cartazes, cartilhas etc. com a instrução educativa das atividades
ros previdenciários, aumento da satisfação dos colaboradores, menor rotatividade da mão de obra etc.

110 111
Pilares
Saúde e Segurança
3.6.1
3.5.3 Ergonomia no Canteiro de Obras e Escritório da Empresa
Formação de Mão de Obra em Porte

ergonômicas por função/local de trabalho. O programa de micropausas tem também o objetivo de


organizar o momento das pausas de cada posto de trabalho, de modo a não prejudicar o desenvol-
Comunidades Vizinhas às Obras Local

vimento das atividades e não comprometer a produção.


Empresa

Mão de obra
9º Passo: Levantamento Final das Condições dos Postos de Trabalho
Nome: MRV Engenharia e Participações S.A. Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certificações:
É necessário repetir a AET para verificar se houve avanços, e checar novas oportunidades de melhoria.
Localização: Curitiba, PR. ABNT NBR ISO 9001, PBQP-H Nível A. Código de Conduta; Política de Sustentabi-
10º Passo: Pesquisa de Satisfação com Colaboradores Segmento: Incorporação e Construção lidade; Inventário de Gases de Efeito Estufa; Investimento Social Privado.
A pesquisa visa saber a percepção e aceitação do programa pelo colaborador para coletar suges- Porte: Grande (31.096 colaboradores)

tões para realimentar e dar seguimento ao programa.


11º Passo: Criação de Cartilha Educativa: Atividades Ergonômicas do Lar
Para uma reeducação postural completa do colaborador, é necessário desenvolver uma cartilha com APRESENTAÇÃO
dicas simples e corretas para atividades rotineiras realizadas no lar, como deitar, pegar peso etc. Assim,
O segmento de construção enfrenta atualmente dificuldades na atração de mão de obra e no al-
o colaborador se torna um multiplicador de bons hábitos e melhora a qualidade de vida de sua família.
cance de níveis de produtividade necessários para o enfrentamento das questões sociais e eco-

LIÇÕES APRENDIDAS nômicas ligadas à Construção: precariedade da infraestrutura, déficit habitacional e pressão por
novas unidades habitacionais.
Participação voluntária: não se deve obrigar nenhum colaborador a fazer as atividades, pois ele pode
ter condições de saúde que podem ser restritivas (cardíaco, pressão alta etc.). A MRV Engenharia e Participações S.A buscou tratar esta questão oferecendo capacitação profissional
para a população das áreas onde atua por meio do programa “Escola da Produção MRV”. Para potencia-
Negociação é a chave: as adequações e as mudanças devem respeitar os cronogramas, a disponibi-
lizar os resultados da ação, a empresa busca absorver parte dos alunos para seu quadro de funcionários
lidade de recursos e as metas de produção da empresa, por isso, devem ser negociadas com gestores
e reformar espaços indicados pelas associações de bairro parceiras do programa.
e colaboradores.

Projetos têm riscos: o projeto deve ser elaborado, levando em consideração os riscos envolvidos, BENEFÍCIOS
como: não adesão dos funcionários, falta de recursos financeiros, ausência de resultados expressivos, • Estreitamento dos vínculos entre a empresa, comunidade, parceiros e governo federal.
dificuldade na replicação do projeto etc.
• Formação de mão de obra qualificada para o setor da construção.
Mudança de hábitos: é importante, principalmente em momentos iniciais, incentivar a participação
• Geração de renda na área de atuação da empresa.
no projeto com oferta de brindes ou estímulos financeiros. Isso agiliza a mudança de hábito das pes-
soas e a criação de uma nova cultura. • Contribuição com programas públicos de desenvolvimento social.
• Melhoria das instalações de associações de bairro e outras edificações de uso público e comunitário.

Minicaso
A MRV Engenharia e Participações S.A. instituiu a “Escola da Produção MRV”, visando criar vínculos entre
a empresa e as comunidades das áreas onde ela está inserida.
“Com a utilização da banquinha de apoio, o meu serviço
Para desenvolvimento do programa, a MRV firmou parcerias com o governo federal, empresas, entida-
melhorou 90%, minha produtividade aumentou e já não
des e associações de bairro. Estes parceiros contribuem com parte dos recursos financeiros; apoio técni-
sinto dores nas costas.” co, quando necessário; e espaços para os alunos efetuarem reformas, praticando o conteúdo aprendido
Manuel Eulálio Pereira Baião nos cursos, melhorando, dessa forma, as instalações de uso comunitário.
Azulejista da Pontal Engenharia Construções e Incorporações Ltda.
A Escola da Produção MRV teve início em maio de 2011 com a parceria entre a MRV e a Prefeitura Mu-
nicipal de Curitiba, e contou com recursos do Plano Setorial de Qualificação Profissional para os Benefi-
ciários do Programa Bolsa Família (PLANSEQ) do Governo Federal e, hoje, está presente nas cidades de
Ponta Grossa, Londrina e Maringá no Paraná e em Joinville, Santa Catarina.

112 113
Pilares
Mão de obra

3.6.1 Formação de mão de obra em comunidades vizinhas às obras Porte

Local
Em 2011, a MRV construiu uma escola com quatro salas de aula e uma área para aulas práticas. Foram trabalhar junto a associações comunitárias
oferecidas 120 vagas para pessoas da comunidade para formação como azulejista e eletricista. Obser- para identificar reformas que poderiam fun-
vou-se que 20% das 120 vagas oferecidas foram preenchidas por mulheres. cionar como aulas práticas.

Mão de obra
4º Passo: Estruturação do Programa de Ca-
Das 120 pessoas formadas, a MRV contratou 67 como novos colaboradores. Essa ação se alinha ao ob-
pacitação
jetivo da empresa de manter parte de sua receita nas áreas onde atua, oferecendo empregos formais e
Uma vez identificadas as demandas de for-
melhorando a renda das famílias. mação profissional, a empresa deve definir,
A MRV ainda ofereceu cursos em: Sala de aula na escola construída pela MRV em Curitiba/PR. junto aos seus parceiros, a proposta peda-
gógica e o conteúdo programático do curso,
• Auxiliar de Manutenção Predial (30 vagas para comunidade em Curitiba) em parceria com o SENAI
como: conteúdos a serem abordados, mix de
e recursos do Programa Caminhos da Profissão do Governo Federal. Contratação de 15 pessoas.
aulas teóricas e práticas, instrumentos de verificação da aprendizagem etc. Também devem ser defini-
• Instaladores Hidráulicos (50 vagas para comunidade em Londrina) em parceria com a empre- dos os critérios de avaliação do desempenho dos alunos. Devem ser planejados os recursos (técnicos,
sa TIGRE. Contratação de 37 pessoas. humanos e financeiros) necessários para a realização do programa.
• Instaladores Hidráulicos (50 vagas para parceiros e colaboradores em Ponta Grossa) em par- 5º Passo: Divulgação dos Cursos
ceria com a empresa TIGRE. Os cursos podem ser divulgados através de cartazes, folders, divulgação em rádio etc. Comunicar a

• Instaladores Hidráulicos (50 vagas para parceiros e co- iniciativa nas obras para que os colaboradores atuem como multiplicadores da notícia (para familiares e
comunidades) pode trazer um grande retorno. Nessa divulgação, deve-se explicar o que o interessado
laboradores em Joinville) em parceria com a empresa
precisa fazer para se inscrever nos cursos.
TIGRE.
6º Passo: Inscrição e Triagem dos Interessados
Foram investidos pela MRV R$ 50.000,00 no projeto que tam-
A triagem dos interessados no curso de capacitação pode ser feita por meio de uma entrevista rápida
bém contou com aporte de outros parceiros e verbas do Go-
na qual deve-se perceber a motivação para fazer parte do curso e a disposição para o trabalho do can-
verno Federal. Desde o início do projeto foram formadas/capa-
didato. O RH da empresa deve ser envolvido para apoiar o processo de seleção. Recomenda-se que seja
citadas 760 pessoas, destas, 190 foram contratadas pela MRV.
dada prioridade às pessoas que estiverem buscando uma oportunidade profissional.
A “Escola da Produção MRV” é um projeto contínuo, que busca 7º Passo: Realização dos Cursos
Entrega de certificado do curso de atender às demandas da empresa, encontrando as oportuni- Durante o desenvolvimento dos cursos de capacitação, o RH da empresa deve acompanhar a evolução
Instaladores Hidráulicos em Londrina/PR.
dades junto às comunidades. dos participantes. Durante a execução do programa, é importante monitorar indicadores, como frequên-
cia, notas, participação, além do domínio das práticas adquiridas durante o curso. Recomenda-se dispo-
COMO FAZER nibilizar formulários de avaliação do curso para que os participantes apontem melhorias que possam ser
1º Passo: Identificação das Demandas de Formação Profissional incorporadas aos próximos módulos/programas.
A construtora pode realizar um levantamento junto às suas obras para identificar as profissões 8º Passo: Avaliação dos Participantes para Contratação
em que há maior carência de mão de obra. Outra fonte de informação pode ser o Sistema Nacio- A seleção dos participantes a serem contratados deve levar em consideração, além do bom desempenho
nal de Emprego (SINE). nos critérios listados no passo anterior, a avaliação geral do aluno elaborada pelos professores/monitores,
2º Passo: Busca de Parceiros e uma avaliação comportamental, que deve englobar aspectos, como: proatividade, capacidade de traba-
Buscar parcerias que tenham como propósito este tipo de iniciativa. Alguns exemplos são: os programa lhar em equipe, comprometimento, respeito à hierarquia, organização e limpeza etc.
do governo, como o PLANSEQ; entidades que atuam na formação e aperfeiçoamento profissional como
o SESI e SENAI; e também empresas privadas parceiras. Para pleitear recursos dos governos federal, es- LIÇÕES APRENDIDAS
tadual e municipal para subsidiar parte do programa, será necessário estruturar um projeto específico Otimização socioambiental do programa: a aproximação com as associações comunitárias permitiu
para este fim. que um novo espaço de prática fosse criado por meio de reformas em edificações de uso público. A
3º Passo: Preparação da Estrutura iniciativa, por um lado, contribui com as comunidades nas quais a empresa atua e, por outro, reduz
A empresa deve definir onde as aulas teóricas e práticas serão realizadas. Aqui existem várias possibili- o descarte de materiais, uma vez que na escola o que era construído por uma turma precisava ser
dades: a empresa pode construir uma escola (como a MRV fez em Curitiba); usar um de seus canteiros demolido para realização das aulas práticas da turma seguinte.

de obra como local de prática; verificar a possibilidade de usar a estrutura de algum parceiro; ou ainda

114 115
Pilares
Mão de obra
3.6.2
3.6.1 Formação de mão de obra em comunidades vizinhas às obras
Contratação de mão de obra Porte

feminina na construção Local

Empresa

Mão de obra
Nome: Precon Engenharia Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certificações: ABNT
NBR IS0 9001; PBQP-H Nível A e SiAC PBQP-H; Selo Casa Azul (Empreendimento: Ville
Localização: Belo Horizonte, MG
Barcelona), Selo de Excelência da Associação Brasileira de Construção Industrializada
Segmento: Construção Civil de Concreto (ABCIC).
Porte: Médio (480 colaboradores) Premiação: Prêmio Eco (2012).

APRESENTAÇÃO
O trabalho feminino vem sendo progressivamente reconhecido e valorizado em todos os setores e em
Participantes do curso de Instaladores Hidráulicos em Londrina/PR. diferentes níveis de atuação, e a mulher vem tornando cada vez mais competitiva sua participação no
mercado de trabalho.

Apesar de a Construção Civil ser comumente reconhecida como um setor majoritariamente masculino,
“A MRV tem consciência da importância de sua atuação como agente de progresso e melhoria da quali- a Precon Engenharia decidiu quebrar este paradigma e apostar na qualidade da mão de obra feminina.
dade de vida de seus colaboradores e de suas famílias, das comunidades onde atua e da sociedade como Desse modo, inovou ao propor a contratação de mulheres para postos de trabalho tradicionalmente
um todo. A capacitação de sua mão de obra através de projetos como o da Escola da Produção MRV é um ocupados por homens. A empresa não tem dúvidas de que a inclusão das mulheres em sua força de
exemplo desta nossa crença e, mais do que uma solução para o problema da falta de mão de obra espe- trabalho se mostrou uma ação acertada e extremamente favorável para seus negócios.
cializada existente hoje no Brasil para o setor da Construção Civil, é dar dignidade, melhorar autoestima
BENEFÍCIOS
e dar condições de progredir social e profissionalmente a pessoas que entregam seu trabalho para a
construção de empreendimentos da MRV Engenharia. Mesmo que alguns dos alunos não venham a tra- • Comprometimento: as mulheres são mais comprometidas com o trabalho, com horários e com
metas; demonstram maior flexibilidade e adaptabilidade.
balhar com a MRV, estamos muito satisfeitos com o resultado final, pois ganham todos que participam
do projeto: os alunos, a comunidade, a MRV e o Brasil.” • Q ualidade: as mulheres são mais detalhistas, por isso suas atividades apresentam menos
problemas de qualidade ou retrabalhos. Os setores onde elas atuam, em geral, são mais
Sergio Lavarini
limpos e organizados.
Diretoria de Relações Institucionais da MRV Engenharia e Participações S.A.
• Interesse pelo aprendizado contínuo: as mulheres são mais abertas ao aprendizado, querem
aprender e são mais dedicadas, buscando sempre melhorar o que fazem e criar possibilidades
Curso para Mestre de Obras em Curitiba/PR. de crescimento.

• Menor risco de acidentes de trabalho: as mulheres não faltam tanto ao trabalho como os homens,
não se acidentam com tanta frequência e, dificilmente, se atrasam.

• Estabilidade: as mulheres são mais estáveis no trabalho; valorizam a oportunidade e percebem


como um ganho os benefícios indiretos concedidos pela empresa, como: plano de saúde, cartão
de alimentação etc.

Minicaso
Ao divulgar pela primeira vez a abertura de vagas femininas na produção, a Precon Engenharia se
surpreendeu com a repercussão: uma enorme fila se formou na porta da sede da empresa para a
entrega de currículos. Foram 350 em um único dia. Isso gerou uma grande movimentação, não
apenas na empresa, mas em toda a região, visto que as mulheres foram buscar por este mesmo
tipo de iniciativa nas empresas vizinhas à Precon Engenharia.

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Pilares
Mão de obra

3.6.2 Contratação de mão de obra feminina na construção Porte

Local
A Precon Engenharia iniciou o processo de contratação de mulheres em dezembro de 2011, e teve quistarem sua independência, o resgate/aumento de sua autoestima, a possibilidade de se tornarem
como principal motivação a busca por profissionais de base comprometidos e alinhados com a provedoras do lar, o aprendizado de uma nova profissão e crescimento pessoal e profissional.
cultura e proposta de desenvolvimento da empresa.
Hoje, a Precon Engenharia conta com 88 colaboradoras, o que representa 18% do total da sua

Mão de obra
O primeiro passo para a inclusão das mulheres foi mapear os postos de trabalho que poderiam
força de trabalho. Elas atuam nas áreas de Concretagem, Acabamento e Armação. É visível para a
ser adaptados para elas. Neste mapeamento, alguns aspectos foram considerados, como: em-
prego de força física, manuseio de equipamentos pesados; riscos à saúde da mulher; tipo de construtora a boa adaptação e a qualidade do trabalho das mulheres, por isso a Precon Engenha-
atividade desenvolvida (por exemplo, postos de trabalho cujas atividades demandassem maior ria tem como compromisso aumentar gradativamente a mão de obra feminina em seu quadro
grau de concentração, cuidado e zelo). A equipe de RH da Precon Engenharia também procurou de funcionários.
entender o perfil das mulheres que se candidatavam para as vagas.

Inicialmente foram disponibilizados 12 postos de trabalho no setor de fabricação de painéis do sis- COMO FAZER
tema habitacional, à época, uma área nova na empresa, com novos processos, que demandariam 1º Passo: Identificar Postos de Trabalho
treinamentos; o que se configurava como uma boa oportunidade. O coordenador dessa área e os
Identificar os postos de trabalho que podem receber a mão de obra feminina. Avaliar a viabilidade para
funcionários antigos foram orientados sobre como tratar e como conduzir o trabalho das mulheres,
implementar possíveis adequações necessárias. Nesta etapa, entrevistas com líderes são importantes
e o RH da empresa acompanhou de perto o processo. A equipe de RH estava preocupada sobre pos-
síveis problemas no relacionamento entre os para apoiar a identificação das áreas e atividades que podem incorporar as mulheres. A ajuda de profis-
empregados. Entretanto, o processo de con- sionais especialistas em Ergonomia e Engenheiros de Segurança no Trabalho também pode contribuir
tratação de mão de obra feminina não trouxe para levantar os aspectos técnicos, ergonômicos e de segurança de cada posto de trabalho e verificar se
são adequados para receber as mulheres ou se necessitam de adaptações.

Suely Gonçalves, Armadora da Precon Engenharia. 2º Passo: Entender o Perfil das Colaboradoras
Por meio de entrevistas com as candidatas traçar o perfil ideal para preenchimento das vagas e mapear
suas expectativas com a mesma, e suas aspirações profissionais e de desenvolvimento pessoal, avalian-
do a compatibilidade de propósitos entre empresa e colaboradora.

3º Passo: Mudanças na Infraestrutura


Nesta etapa, deve-se implementar as adequações necessárias para a incorporação das mulheres nos

Maria Faria, Auxiliar de Produção postos de trabalho identificados e providenciar a construção de banheiros e vestiários femininos.
da Precon Engenharia.
4º Passo: Preparação dos Colaboradores Atuais
Discutir com líderes e funcionários a questão da incorporação das mulheres, abordando temas, como:
tratamento respeitoso e amistoso (entre colegas de trabalho), equidade no tratamento (na relação líde-
res-colaboradoras), linguagem (alertando para o uso de gírias e expressões chulas) etc. As reuniões de
quaisquer transtornos à empresa e, por isso, a empresa trabalha para ampliar a participação das mu- encarregados e os Diálogos de Segurança são boas oportunidades para discutir esses temas e preparar
lheres em outros setores.
os colaboradores da empresa.
Após essa primeira experiência, a Precon Engenharia conseguiu mapear um perfil de colabora-
doras que considera ideal para ocupar os seus postos de trabalho: são mulheres com 35 anos ou 5º Passo: Recepção e Integração das Mulheres
mais, mães de família, com estabilidade no emprego anterior. A empresa não exige que as novas O RH da empresa deve acompanhar de perto as primeiras semanas de trabalho com as mulheres incorpo-
funcionárias apresentem experiência no setor da Construção. radas à força de trabalho da empresa e estar apto a intervir prontamente caso haja necessidade. Entrevis-
Essas mulheres exerciam anteriormente, em sua maioria, as funções de domésticas e varredoras de tas pontuais, tanto com líderes, mulheres e funcionários antigos, podem elucidar questões relevantes que
rua. A oportunidade de trabalho na Precon Engenharia representou para elas a possibilidade de con-
não foram previamente pensadas, e que devem ser consideradas para a melhoria contínua do processo.

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Pilares
Mão de obra
3.6.3
3.6.2 Contratação de mão de obra feminina na construção
Inclusão Social de Detentos e Egressos do Porte

LIÇÕES APRENDIDAS
Perfil profissional: a definição de um perfil profissional para as mulheres é importante. A Precon En-
Sistema Prisional e do Trabalho Escravo Local

genharia privilegia a contratação de mulheres comprometidas com obrigações financeiras frente ao lar
Empresa

Mão de obra
e à família. Nome: Consórcio Santa Bárbara - Mendes Júnior Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
Mendes Júnior: Sistema de Gestão Integrada (ABNT NBR ISO 9001, ABNT
Alinhamento com o sindicato: todo o processo de contratação da mão de obra feminina na Precon En- Localização: Cuiabá, MT
NBR ISO 14001, OHSAS 18001 e SA 8000); PBQP-H Nível A. Relatório de Sus-
genharia foi alinhado previamente com o sindicato para verificar possíveis pontos de conflitos, garantir Segmento: Construção Pesada tentabilidade GRI (G3); Código de Conduta Ética.
o pleno atendimento aos direitos trabalhistas das mulheres e identificar demandas que, porventura, a Porte: Grande (569 colaboradores) Santa Bárbara: Certificações: ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A.
empresa não tivesse mapeado.

Integração: a empresa deve tomar o cuidado para não incentivar o desenvolvimento de comporta-
Empresa
mentos grupais ou a formação de “guetos”, mesclando, para tanto, mulheres e homens no desenvolvi- Nome: FMM Engenharia Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade:
mento das atividades. Localização: São José dos Pinhais, PR Certificações: ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A.
Segmento: Construção Civil
Porte: Grande (1.098 funcionários)

“Depois que iniciei na Precon Egenharia tudo em minha vida mudou. Moro sozinha com
os filhos, sustento a minha casa que está em reforma no momento! Trabalhar como
APRESENTAÇÃO
‘pedreira’ é uma conquista, minha autoestima está nas alturas. Percebo um respeito
A cadeia produtiva da construção vem enfrentando nos últimos anos um déficit de mão de obra quali-
diferente da minha família. Tenho muito orgulho de trabalhar na Precon Engenharia. ficada. Isso traz como consequências dificuldade no cumprimento dos prazos das obras e aumento dos
Para onde eu vou, estou com meu uniforme.” custos para contratação e retenção de colaboradores.

Andrea Santana A incorporação à força de trabalho da empresa de detentos, egressos do sistema prisional e trabalhadores
Colaboradora da Precon Engenharia em condições análogas ao trabalho escravo é uma alternativa viável para lidar com essa questão. Se por
um lado, a contratação desses trabalhadores ameniza a escassez de mão de obra na indústria da Constru-
ção; por outro, representa o resgate de sua dignidade e o respeito e valorização à sua condição humana.
A Santa Bárbara, a Mendes Júnior e a FMM Engenharia são alguns exemplos de empresas que rompe-
ram com os preconceitos e acreditaram na possibilidade de reintegração social desses grupos e de sua
capacidade de contribuir com seus negócios.
A apresentação desses dois casos visa apontar diferentes formas para lidar com essas situações e de-
monstrar os benefícios gerados para todos os envolvidos.

BENEFÍCIOS
• Inclusão e reintegração social.
• Promoção do acesso a direitos humanos e à cidadania.
• Redução das condições de vulnerabilidade social.
• Oportunidade de capacitação profissional e de aprendizado de um ofício.
• Incremento na renda de familiares de atuais detentos.
• Diminuição da reincidência de crimes.
• Redução do déficit de mão de obra qualificada para trabalhar na construção e fidelização dos funcionários.
• Aumento da produtividade nos canteiros de obra que receberam reforço de detentos, ex-deten-
tos e egressos do trabalho escravo.
• Incentivos fiscais e isenções de obrigações trabalhistas (para alguns programas, como Começar
de Novo - CNJ)

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Pilares
Mão de obra

3.6.3 Inclusão Social de Detentos e Egressos do Sistema Prisional e do Trabalho Escravo Porte

Local
processo de contratação pela FMM, o que demonstra o interesse da construtora em manter estes traba-
MinicasoS
lhadores em seu corpo de funcionários.
Consórcio Santa Bárbara – Mendes Júnior (CSBMJ): Experiência com a contratação de egressos do
Trabalho Escravo e Reeducandos do Sistema Prisional COMO FAZER

Mão de obra
Quando venceu a licitação para construção do Estádio Arena Pantanal, em Cuiabá/MT, que receberá os 1ª Passo: Firmar Convênio com Entidades Parceiras
Jogos da Copa do Mundo de 2014, o CSBMJ estava ciente do compromisso que assumia de inclusão da Conhecer os projetos e firmar acordos com entidades e órgãos públicos engajados na promoção da reinte-
comunidade local nos empregos gerados, conforme estabelece a Matriz de Responsabilidades, exigida gração social de detentos e egressos do sistema prisional e no combate ao trabalho escravo, como:
pela FIFA às cidades-sede dos jogos. As consorciadas viram nessa determinação, a oportunidade de
Detentos e Egressos do Sistema Prisional:
desenvolver uma ação que trouxesse grande impacto.
• Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Por meio do convênio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com os governos das cidades-sede dos
Jogos da Copa de 2014, o consórcio contrata reeducandos do sistema prisional, participantes do • Tribunais de Justiça Estaduais: Programa Começar de Novo.
Programa Começar de Novo, que buscam no emprego, a redução de suas penas e a oportunidade de • Secretarias Estaduais e Municipais de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.
aprender uma profissão.
Egressos do Trabalho Escravo:
Além dessa iniciativa, o consórcio desenvolveu um projeto-piloto e reconhecido pela Organização
• Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República: Comissão Nacional para Erradi-
Internacional do Trabalho (OIT) como único no mundo: “Programa Ação Integrada – Egressos do
cação do Trabalho Escravo.
Trabalho Escravo ou em Situação de Vulnerabilidade”, uma iniciativa de inserção social completa,
com oportunidades de emprego, alfabetização, formação profissional, moradia e alimentação no • Ministério Público do Trabalho.
próprio canteiro de obra. • Organização Internacional do Trabalho: Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Em parceria com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso (SRT-MT) e o • Secretarias Estaduais e Municipais do Trabalho.
Ministério Público do Trabalho (MPT), responsáveis pela seleção do grupo, e com o SESI e SENAI, que
desenvolveram o plano de curso multidisciplinar, o consórcio obteve o índice de 95,61% de aproveita- • Secretarias Estaduais e Municipais de Direitos Humanos ou de Assistência Social e Cidadania.
mento na formação dos 25 colaboradores contratados. 2ª Passo: Seleção dos Trabalhadores
Após o reconhecimento da OIT, o programa foi destaque em mais de 700 veículos de comunicação • A seleção de egressos do sistema prisional e do trabalho escravo deve seguir os procedimen-
nacionais e internacionais, além de ser vencedor da Etapa Estadual do Prêmio SESI de Qualidade tos usuais de contratação da empresa, como: realização de entrevista, análise de documentação,
no Trabalho/2012. avaliação das condições de saúde etc.

FMM Engenharia – Experiência com a contratação de detentos e egressos do sistema prisional • Postura proativa, disposição para o trabalho, motivação e desejo de reintegração à sociedade
são aspectos que também devem ser avaliados no processo seletivo.
A FMM Engenharia iniciou a contratação de detentos em março de 2012. A iniciativa, além de contribuir
para reforçar a mão de obra da empresa, promove a ressocialização e integração dos apenados à comu- • É preciso que o trabalhador esteja ciente e aceite de livre e espontânea vontade as condições
nidade. Atualmente, 118 detentos do regime semiaberto estão alocados em seis canteiros de obras da de trabalho e de estudo oferecidas pela empresa (regime CLT, jornada de trabalho, frequência
construtora, em Curitiba e Ponta Grossa/PR. A construtora conta ainda com 12 egressos do regime pe- mínima esperada etc.).
nitenciário. A empresa aguarda liberação para implantação do projeto em Santa Catarina, nas cidades • No caso de detentos em regime semiaberto, a seleção é realizada por assistentes sociais e psicó-
de Joinville, Criciúma e Gaspar. logos da própria instituição penal, que indicam os trabalhadores aptos a fazer parte do programa.
Os detentos da Colônia Penal Agroindustrial do Paraná e Centro de Regime Semiaberto de Ponta 3ª Passo: Preparação da Equipe
Grossa, selecionados para fazer parte deste projeto, têm reduzida a sua pena em um dia para cada • Os encarregados pela obra devem ser preparados para receber esses trabalhadores, sendo
três dias trabalhados. A família recebe uma parte do pagamento pelos serviços prestados; a outra orientados sobre a importância de dar tratamento semelhante a todos, evitando expor os de-
parte fica retida em poupança para o próprio interno, que poderá retirar o dinheiro quando conquis- tentos e egressos do sistema prisional e do trabalho
tar o regime aberto. escravo a comportamentos segregacionistas. É papel
A incorporação dos detentos à força de trabalho não trouxe nenhum problema para a empresa, ao con- deles também garantir que todos os colaboradores
trário, a FMM Engenharia destaca como pontos fortes a integração entre os funcionários da empresa e os irão respeitá-los.
detentos, o espírito de equipe, bem como a quebra de preconceitos. • Os encarregados devem também ser preparados
Observou-se, também, um aumento na produtividade, uma vez que o detento se esforça ao máximo para realizar avaliação comportamental e profissional
para não perder a oportunidade de trabalho. Como incentivo à permanência e redução da rotatividade, desses funcionários.
a construtora oferece treinamento para formação profissional, alimentação, uniforme e transporte fre- • Profissionais responsáveis pelo acompanhamento psi-
tado a todos os apenados. cológico podem ser integrados à equipe para trabalhar o
Em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná (SEJU-PR), desenvolvimento da autoestima e o relacionamento inter-
serão organizadas visitas aos canteiros de obra da empresa para orientar os futuros egressos sobre o pessoal destes trabalhadores.
Egressos da 1ª turma do programa “Ação Integrada” do CSBMJ.

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Mão de obra
3.7.1
3.6.3 Inclusão Social de Detentos e Egressos do Sistema Prisional e do Trabalho Escravo
CONSTRUÇÃO DE CALÇADAS SEGUINDO OS Porte

PRINCÍPIOS DE SUSTENTABILIDADE
Local
• No caso de detentos em regime semiaberto, é necessário contar com um apontador para cada
25 detentos. Este colaborador deve realizar no, mínimo, três contagens por dia e acompanhar a
saída e a chegada à unidade penal.
4ª Passo: Preparação da Estrutura Empresa

Desenvolvimento imobiliário urbano


A empresa deve se preparar também para dar as condições para que estes grupos realizem suas atividades:
Nome: Consciente Construtora e Incorporadora Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Certifi-
• Para detentos, deve-se fretar transporte para o deslocamento entre a obra e a unidade prisio- Localização: Goiânia, GO cação ABNT NBR ISO 9001; PBQP-H Nível A. Balanço Socioambiental.
nal, além de oferecer refeições para os trabalhadores. Segmento: Incorporação e Construção
Porte: Grande (1.000 colaboradores)
• Para os egressos do trabalho escravo, deve ser oferecido alojamento para os trabalhadores,
além de refeições.
• Construir as salas de aula nos canteiros de obras para realização dos cursos de alfabetização
e profissionalizantes. Apresentação
5ª Passo: Oferta de Cursos de Alfabetização e Formação Profissional O modelo de calçada desenvolvido pela Consciente Construtora alia acessibilidade e sustentabilidade.
• Buscar parceiros para organização de cursos de alfabetização e cursos profissionalizantes, Adequada para pessoas com mobilidade reduzida, a “Calçada Consciente” foi também projetada para
como o SESI e SENAI locais. melhorar a permeabilidade e drenagem do solo, é quase inteiramente construída com entulhos e restos
• Definir mecanismos de monitoramento e controle, bem como indicadores para a mensuração de obras (cerca de 80% da matéria-prima), e possui arborização e mobiliário urbano adequados.
do sucesso do programa.
benefícios
• Organizar cerimônia de formatura com emissão dos certificados.
• Assegura o direito constitucional de ir e vir para todos os cidadãos.
• Avaliar o programa e planejar a criação de novas turmas.
• Promove inclusão social ao viabilizar acessibilidade plena a pessoas portadoras de necessida-
• Recomenda-se estabelecer ações de incentivo para participação nos cursos de qualificação,
des especiais.
como: horas-prêmio vinculadas à frequência mínima, premiações, atividades educativas exter-
nas, acesso a atividades culturais etc. • Confere maior segurança e conforto nos deslocamentos de todas as pessoas e, em especial, de ido-
sos, crianças, pessoas com mobilidade reduzida (temporária ou permanente).
LIÇÕES APRENDIDAS • Melhora as condições de trabalho do profissional de limpeza urbana.
• Reintegração social: o acompanhamento pedagógico e psicológico para desenvolvimento da au- • Reduz o risco de alagamento e inundações.
toestima e do relacionamento interpessoal desses trabalhadores são fundamentais para a promoção
de sua reintegração social.
Minicaso
• Formalização: ao lidar com esses públicos, é preciso ter em mente que nem todos são acostumados
Em 2009, a Consciente Construtora e Incorporadora projetou e construiu a primeira “Calçada Conscien-
às regras do mercado formal de trabalho.
te”, em Goiânia/GO. O projeto contempla os três pilares da sustentabilidade, observa a legislação brasi-
leira no que se refere à acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (ABNT
NBR 9050) e, ainda, respeita o Estatuto do Pedestre de Goiânia.

As principais características da Calçada Consciente são:

• Drenagem de água pluvial: sistema de escoamento,


“Temos comida boa para comer, alojamento limpo para dormir e emprego decente com todos os nossos captação e infiltração de água pluvial composto por três pro-
direitos garantidos. Como se isso não bastasse, ainda tive a oportunidade de realizar meu grande sonho: cessos: valas de infiltração, caixas de infiltração e pavimentos
ler e escrever. Para melhorar, agora estamos fazendo um curso para Pedreiro. Sou daqueles alunos que drenantes com capacidade de absorção de 4 mil litros.
não desgrudam do professor, quero aprender tudo que for possível. Hoje mesmo eu assentei uma pare-
• Reutilização de materiais: os entulhos gerados com a
de, consegui usar o prumo e estou indo muito bem quando o assunto é fazer massa.”
retirada da calçada anterior são usados na fabricação do
Nivaldo Inácio da Silva
concreto ou no enchimento das valas de infiltração.
Aluno do Programa de Educação Básica dos Egressos do Trabalho Escravo ou/em Situação de Vulnerabilidade do Con-
sórcio Santa Bárbara - Mendes Júnior. • Acessibilidade: piso homogêneo, livre de obstáculos, e
instalações de pisos táteis de alerta nos locais apropriados.
Trecho de calçada revitalizado conforme
conceito da Calçada Consciente.

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Pilares
Desenvolvimento imobiliário urbano
3.7.2
3.7.1 Construção de Calçadas Seguindo os Princípios da Sustentabilidade
Plano de manutenção preventiva Porte

• Mobiliário urbano: ponto de ônibus adaptado aos portadores de necessidades especiais e


instalado em local adequado e lixeiras ergonômicas para facilitar a coleta.
e retrofit em condomínios Local

• Arborização: árvores de porte médio e com raízes que crescem verticalmente.


Empresa

Desenvolvimento imobiliário urbano


A construtora assumiu o compromisso de continuar a entrega das calçadas em todos os seus empreen- Nome: Artemis Consultoria Ambiental Ltda Desenvolvimento do sistema de gestão da sustentabilidade: Aplicação dos
dimentos. Desde a construção da primeira calçada em 2009, a empresa vem buscando mobilizar as Localização: Guarujá, SP princípios das normas da Qualidade, Meio Ambiente, Responsabilidade Social e
Segmento: Administração de Condomínios Saúde e Segurança do Trabalhador.
lideranças locais, entidades representativas da Construção Civil e a Prefeitura Municipal de Goiânia so- Porte: Pequeno
bre a importância da criação de projeto de lei que incentive e regulamente a construção de calçadas
acessíveis e sustentáveis. Um dos primeiros desdobramentos dessa mobilização é a consolidação da
parceria entre a Prefeitura, o CREA-GO, a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás
(Ademi-GO) e outras entidades, que resultou na publicação em julho de 2012 do Manual da Calçada
Apresentação
Sustentável. Este manual estabelece as diretrizes para definição de um modelo de calçada sustentável Condomínios com portões, bombas e equipamentos quebrados, com mau funcionamento ou em estado avan-

para a capital goiana. Paralelamente, duas propostas de lei foram desenvolvidas e serão encaminhadas çado de degradação, além de criarem transtornos de ordem prática na vida de seus condôminos, são também

à Câmara Municipal da cidade. A expectativa da Consciente Construtora é que em 5 anos Goiânia passe sinônimos de muitas reclamações e despesas extras. A manutenção preventiva e o retrofit contribuem para a

a ser uma referência em acessibilidade no que se refere a calçadas. redução da ocorrência destes e outros tipos de incidentes, além de melhorarem o desempenho da edificação,
o que se traduz em redução de custos, valorização do imóvel e, claro, maior satisfação de seus moradores/
COMO FAZER usuários. Ciente desse fato, a Artemis Consultoria Ambiental desenvolveu um plano de Manutenção Preventiva
1º Passo: Pesquisa de Referências e Corretiva e de Metas para a Realização de Retrofit para o condomínio residencial Edifício Biarritz.
Na elaboração do projeto da calçada, deve-se buscar referências em acessibilidade e a questões relacio-
nadas à permeabilidade do solo, arborização e mobiliário urbano adequado. benefícios
2º Passo: Levantamento Arquitetônico • Redução dos custos de manutenção do condomínio.
Deve-se levantar dados, como dimensões, inclinações, árvores, bocas de lobo, caixas de passagem etc. • Valorização das unidades.
da calçada do quarteirão onde será implantado o projeto.
• Redução do consumo de recursos naturais, como água e energia.
3º Passo: Diagnóstico e Levantamento Fotográfico
• Conscientização dos condôminos sobre questões socioambientais.
Identificar os problemas existentes, como histórico de inundações, tipo de solo e sua capacidade de
drenagem etc., e proceder o registro fotográfico das condições atuais. • Melhoria do espaço urbano.
4º Passo: Mobilização da Comunidade • Atendimento às legislações municipais, estaduais e federal.
Contato inicial com os proprietários, primeiras informações sobre o projeto e levantamento de
dados cadastrais. Minicaso
5º Passo: Desenvolvimento e Aprovação do Projeto O Condomínio Biarritz é um edifício residencial, com cerca de 3.200 m2 e 18 unidades habitacionais. Seu

Desenvolver o pré-projeto de calçada para cada lote; bem como o projeto de arborização. Apresentar os processo de requalificação se iniciou em meados de 2009, e envolveu diretamente os conselheiros do

pré-projetos aos proprietários e realizar os ajustes necessários. condomínio, alguns condôminos engajados, o zelador e a administradora do condomínio, que contou

6º Passo: Execução das Obras com a consultoria da Artemis. A primeira etapa compreendeu a realização do diagnóstico do estado
Ao final da execução das obras, deve-se firmar um termo de entrega de serviços, atribuindo ao morador real do condomínio, em todas as suas áreas, seguida da identificação dos perigos e avaliação preliminar
a responsabilidade pela manutenção da calçada. dos riscos iminentes relacionados à segurança das pessoas e da edificação, a questões ambientais e a
questões legais (verificação de itens sujeitos a multas e intervenção do poder público). Com base nisso,
LIÇÕES APRENDIDAS
foi elaborado um Plano de Manutenção Preventiva e Corretiva e de Metas para Realização de Retrofit.
Retirada das árvores inadequadas: é fundamental solicitar ao órgão ambiental local autorização para
Este documento reúne as propostas de ação para adequação da edificação à legislação vigente, melho-
a retirada das árvores inadequadas, estabelecendo um acordo a respeito das espécies a serem planta-
ria das funcionalidades do edifício e seus sistemas, valorização do patrimônio pela recuperação de suas
das em substituição às retiradas.
características originais; além do cronograma físico-financeiro para realização de cada evento.

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Pilares
Desenvolvimento imobiliário urbano

3.7.2 Plano de manutenção preventiva e retrofit em condomínios Porte

Local
As ações de requalificação do Condomínio Biarritz inspiraram prédios vizinhos, que começaram a se 6º Passo: Monitoramento e Revisões do Plano
movimentar para reverter a situação de degradação em que se encontram, o que é muito positivo numa
Devem ser avaliados e efetuados os ajustes necessários semestralmente e, anualmente, na ocasião
vizinhança majoritariamente formada por edificações de, aproximadamente, 25 anos.
da realização da Assembleia Geral Ordinária, quando é efetuada a prestação e aprovação das contas

Desenvolvimento imobiliário urbano


Como resultados das medidas implementadas, destacam-se: economia com os gastos de manutenção e ações realizadas no exercício. Durante o transcorrer da realização do plano de ação, sempre que
entre R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00 mensais; entre 30% a 40% de valorização dos apartamentos; redução da necessário, devem ser efetuadas reuniões com o Conselho Fiscal e comunicações por e-mail com os
inadimplência de 25% para 10%. demais condôminos.
A requalificação teve também como produto um kit para o morador, que traz informações para a redu-
LIÇÕES APRENDIDAS
ção do consumo, das perdas e do desperdício de água e energia e dos recursos naturais como um todo;
Comunicação é fundamental: é muito importante manter a comunicação com os condôminos pres-
instruções sobre o programa de reciclagem; orientações sobre questões relacionadas à segurança das
tando esclarecimentos sobre o andamento de obras, programação de interdições de áreas e outras
pessoas e da edificação, entre outros temas.
comunicações relevantes. Pode ser aplicada pesquisa de satisfação, o que contribui para ajustes e me-
COMO FAZER: lhoria do programa.
1º Passo: Diagnóstico das Condições do Edifício Conquistar a credibilidade: ter sempre o cuidado de registrar as ocorrências e os fatos relevantes atra-
O responsável pelo condomínio deve percorrer todas as áreas do edifício, e efetuar anotações das evi- vés de fotografias e relatórios. Isto é fundamental para a credibilidade do trabalho e para a obtenção da
dências encontradas. Este processo pode ser facilitado pela criação de uma checklist com todos os pon- adesão e da aprovação em assembleia da continuidade do programa.
tos a serem verificados. Corresponsabilidade: propor a formação de comitês para acompanhamento das intervenções. Estes
2º Passo: Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos podem ser formados por engenheiros, advogados ou outros profissionais que residam/trabalhem no
edifício, e que possam auxiliar na elaboração/revisão de contratos, fiscalização de obras, verificação da
Deve-se extrair do diagnóstico os itens que expõem funcionários, condôminos, visitantes e fornecedo-
qualidade dos materiais, etc.
res a perigos e riscos. Uma vez detectados perigos e riscos iminentes, deverá ser contratado um profis-
sional habilitado (Engenheiro Civil, Elétrico, Técnico de Segurança e Saúde do Trabalho) para emissão Gestão dos documentos: manter toda a documentação e registros de intervenções do condomínio
de laudo e relatório dos itens críticos. Esta etapa pode demandar consulta às plantas das instalações devidamente organizados, e dispostos em lugar adequado, livre de poeira e umidade, e acessível aos
elétricas, hidráulicas, realização de cálculos etc. condôminos, para evitar riscos de descontinuidade.

3º Passo: Desenvolvimento do Plano de Ação

No plano de ação, deve-se detalhar as providências para a manutenção geral corretiva, para o plano
de ações preventivas e as propostas de melhorias e retrofit. Os orçamentos devem ser providenciados
para levantamento dos custos e previsão de valores a serem investidos. Deve-se estabelecer um cro-
nograma físico-financeiro de implementação das ações, considerando como prioritárias as medidas
consideradas emergenciais.

4º Passo: Comunicação com Moradores

Realizar a convocação de Assembleia Geral Ordinária ou Extraordinária para apresentação dos pla-
nos e aprovação do cronograma físico-financeiro. Para apoiar a tomada de decisão dos condômi-
nos é importante que sejam apresentadas fotografias da situação atual das áreas de intervenção,
amostras de materiais propostos (quando possível), catálogos de fabricantes, listas de referências
de clientes, orçamentos, etc.

5º Passo: Implementação do Plano de Ação

Após a aprovação em assembleia e distribuição da ata, deve ser dado andamento às ações para rea-
lização das obras, manutenções, retrofit, melhorias etc., conforme o cronograma estipulado no plano.

128 129
Este guia é resultado de um primeiro esforço realizado no país para reunir um conjunto de práticas de
sustentabilidade realizadas por empresas da cadeia produtiva da Construção.

Este trabalho teve duas grandes motivações. A primeira foi apresentar uma amostra do estágio de susten-
tabilidade na Construção nacional e demonstrar que o tema está se disseminando por empresas de dife-
rentes segmentos, portes e estágios de maturidade. A segunda foi tentar reduzir a incerteza para empresas
interessadas em investir na promoção da sustentabilidade em seus negócios por meio da demonstração
de experiências e benefícios obtidos com Boas Práticas já exercidas por empresas do setor. Esperamos, por-
tanto, que essa iniciativa sirva de estímulo para que as organizações utilizem este guia como instrumento
de promoção da sustentabilidade em seus negócios; e que as Boas Práticas aqui apresentadas sejam mais
do que replicadas, mas que elas sejam também apropriadas, reinventadas, ampliadas e transformadas.

Nossa equipe tem a plena consciência de que este guia não esgota as experiências existentes no país
em relação à sustentabilidade. Muito pelo contrário, estamos cientes das limitações desta publicação
e, da impossibilidade de retratar nela todas as iniciativas visionárias, pioneiras e transformadoras, que

4. Considerações certamente estão sendo desenvolvidas por empresas que compõem a cadeia produtiva da Construção
nos quatro cantos de nosso vasto país. No entanto, temos a clara convicção de que esta pequena amos-

Finais tra reflete, sem dúvida, a evolução do pensamento da liderança empresarial da construção do país e da
agenda da sustentabilidade para o setor. Apresentamos, dessa forma, um amplo campo a ser explorado
e deixamos aqui o espaço para que pesquisadores e instituições de ensino e pesquisa busquem outras
experiências de sucesso e as sistematizem em estudos de caso, bancos de práticas etc.

A cadeia produtiva da Construção pode contribuir muito com o desenvolvimento sustentável do país, e
todos que a compõem têm um papel a desempenhar e uma contribuição a dar. Por isso, torcemos para
que o Guia CBIC de Boas Práticas em Sustentabilidade na Indústria da Construção resulte em mais do
que uma fonte de informação, mas que ele se transforme em uma fonte de inspiração e, especialmente,
de inquietação para que as mudanças urgentes e necessárias, que precisam ser feitas, se concretizem
com a máxima eficácia e eficiência.
Equipe técnica da CBIC e da FDC.

130 131
5.1. Bibliografia: Contextualização: A Cadeia Produtiva da Construção
e a Sustentabilidade
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR ISO 9000: Sistema de Gestão da
Qualidade: Fundamentos e Vocabulário. Rio de Janeiro, ABNT, 2005.

______. ABNT NBR ISO 14001: Sistema da gestão ambiental – Requisitos com orientação para uso. Rio
de Janeiro, ABNT, 2004.

______. ABNT NBR 16001: Responsabilidade Social – Sistema de gestão – Requisitos. Rio de Janeiro,
ABNT, 2012

______. ABNT NBR 15575: Edificações habitacionais - Desempenho. Rio de Janeiro, ABNT, 2013.

______. ABNT NBR ISO 26000: Diretrizes sobre responsabilidade social. Rio de Janeiro, ABNT, 2010.

BELO HORIZONTE. Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Certificação em Sustentabilidade Ambiental


de Empreendimentos de Belo Horizonte. Disponível em: <http://cesa.pbh.gov.br/scsae/index.smma;j-
sessionid=0A62CA0C158F4B1B07FAA158CD7501A0.cesa2>. Acesso em 01 nov 2012.

5. Bibliografia: BRASIL. Caixa Econômica Federal. Selo Casa Azul CAIXA. Disponível em: <http://www1.caixa.gov.br/po-
pup/Generico/700x450_1.asp>. Acesso em 01 nov. 2012.

______.Déficit Habitacional no Brasil 2008. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Habitação.
Brasília: Ministério das Cidades, 2011, 140 p. Disponível em: <http://www.fjp.gov.br/index.php/compo-
nent/docman/doc_download/654-deficit-habitacional-no-brasil-2008>. Acesso em 01 nov 2012.

______. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a
Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em 01 nov 2012.

______. Legislação Ambiental. Resolução CONAMA nº 307, de 05 de julho de 2002. Estabelece diretrizes,
critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Disponível em: <http://www.
mma.gov.br/port/conama/res/res02/res30702.html>. Acesso em 01 nov 2012.

______. Legislação Ambiental. Resolução CONAMA nº 431, de 24 de maio de 2011. Altera o art. 3º da
Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente- CONAMA, estabele-
cendo nova classificação para o gesso. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.
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______. Programa Minha Casa Minha Vida. Ministério das Cidades. Disponível em: <http://www.cidades.
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150 151
Em nome da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), agradeço a todos os empresários e
especialistas que contribuíram para a concretização deste guia. A boa vontade dos empresários e outros
representantes das empresas citadas nesta publicação como referências nas áreas de Responsabilidade
Social e Ambiental foi imprescindível para que os pesquisadores da Fundação Dom Cabral pudessem
alcançar a qualidade final que foi apresentada neste guia.

Esperamos que esses exemplos sirvam de estímulo e possam ser reproduzidos em todas as partes do país.

Paulo Safady Simão


Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção

A equipe do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção (CDSC) da FDC agradece


às suas empresas associadas – GCP Arquitetos, MASB Desenvolvimento Imobiliário, Precon Engenharia
e Sebrae/MG – por viabilizarem as atividades do grupo e pelo constante apoio ao desenvolvimento de
pesquisadores e pesquisas.

Rafael Tello

agradecimentos Coordenador Técnico do CDSC/FDC

152 153
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção − CBIC foi fundada em 1957, no Estado do Rio de Janeiro,
com o objetivo de tratar de questões ligadas à Indústria da Construção e ao Mercado Imobiliário, e de
ser a representante do setor no Brasil e no exterior. Sediada em Brasília, a CBIC reúne 62 sindicatos e
associações patronais do setor da Construção, das 27 unidades da Federação.

A CBIC representa politicamente o setor e promove a integração da cadeia produtiva da Construção, em


âmbito nacional, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país.

Dirigida por um Conselho de Administração, eleito pelos associados, a CBIC atua por meio das suas
cinco comissões técnicas, duas delas voltadas para as atividades-fim: Obras Públicas, Privatizações
e Concessões (COP) e Indústria Imobiliária (CII). Outras três comissões estão voltadas para as ativi-
dades-meio: Política e Relações Trabalhistas (CPRT), Materiais, Equipamentos, Serviços, Tecnologia,
Qualidade e Produtividade (COMAT) e Meio Ambiente (CMA). A entidade conta ainda com três fóruns
voltados para atividades específicas: Fórum de Advogados (FA), Fórum de Ação Social e Cidadania

Informações
(FASC) e Fórum dos Seconcis, além do Banco de Dados.

A CBIC representa internacionalmente a indústria brasileira da Construção. Também integra a Fe-


deração Interamericana da Indústria da Construção (FIIC), filiada à Confederação Internacional das
institucionais Associações de Construção (CICA). A FIIC, representante do setor da Construção em toda a América
Latina, compõe, em conjunto com entidades internacionais de outras regiões geográficas, um or-
ganismo responsável pelo intercâmbio mundial do setor.

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Fundação Dom Cabral (FDC) Serviço Social da Indústria (SESI)
A Fundação Dom Cabral é um centro de desenvolvimento de executivos, empresários e gestores públi- Criado em 1º de julho de 1946, o Serviço Social da Indústria (SESI) é uma instituição aliada das empresas
cos, que há 36 anos pratica o diálogo e a escuta comprometida com as organizações, construindo com no esforço para melhorar a qualidade da Educação e elevar a escolaridade dos brasileiros. Também aju-
elas soluções educacionais integradas. A missão da FDC é contribuir para o desenvolvimento sustentá- da a criar ambientes de trabalho seguros e saudáveis e a aumentar a qualidade de vida do trabalhador.
vel da sociedade por meio da educação, da capacitação e do desenvolvimento de executivos, empresá-
Com 1.218 unidades espalhadas pelo Brasil, o SESI mantém uma rede de escolas que oferece educação
rios e gestores públicos.
básica, educação para jovens e adultos, educação continuada e acompanhamento pedagógico para
A FDC acredita que as soluções para o desenvolvimento das empresas podem ser encontradas dentro trabalhadores da indústria e seus dependentes. A instituição também mantém uma rede de bibliotecas,
da própria organização. A sinergia com as empresas é resultado da conexão entre teoria e prática, teatros e espaços culturais que facilita o acesso dos brasileiros ao conhecimento e às artes.
reforçada pelo trabalho interativo de sua equipe técnica, que combina formação acadêmica com ex-
Nas pistas de atletismo, piscinas, quadras para jogos e campos de futebol, instalados em clubes e cen-
periência empresarial.
tros de atividades do SESI, os trabalhadores e a comunidade encontram programas que estimulam a
A Fundação Dom Cabral possui uma ampla gama de programas que abrangem as mais diversas áreas prática de exercícios físicos, atividades esportivas, lazer e integração social.
de conhecimento em gestão. Os temas podem ser estudados em diferentes formatos, que vão desde
Para complementar esse trabalho, o SESI mantém programas de prevenção a doenças. São ações que
programas curtos e intensivos, no Brasil e no exterior, até soluções customizadas ou parcerias que esta-
promovem a saúde dos industriários e suas famílias. Ao buscar a educação de qualidade, o bem-estar dos
belecem um relacionamento de médio e longo prazos para estudos mais aprofundados.
trabalhadores e estimular a gestão socialmente responsável das empresas, o SESI desempenha um papel
Soluções adicionais decisivo para o aumento da competitividade da indústria e o desenvolvimento sustentável do Brasil.
• Programas de pós-graduação

• Programas abertos de curta duração

• Parcerias

• Programas customizados

Em 2012, a Fundação Dom Cabral foi classificada como a 8ª melhor escola de negócios do mundo, de acordo
com o Ranking 2012 de Educação Executiva do Financial Times. A classificação posiciona a FDC entre as 10
melhores escolas de negócios do mundo, durante 3 anos consecutivos.

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