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ISSN 2175-3873

Tribunal de Justiça de Pernambuco
Centro de Estudos Judiciários

Memória Judiciária de Pernambuco MINISTRO DJACI ALVES FALCÃO

Recife, agosto de 2009

Equipe Técnica Coordenação: Maria de Lourdes Rosa Soares Campos
Chefe de Secretaria do CEJ Ângela Maria Alves de Souza Camilla Rosa Soares Campos Cláudia de Amorim Ponce Doralice de Vasconcelos Rodrigues de Assis Elisabete Cavalcanti Gil Rodrigues Evaldo Dantas da Silva Fernando Gonçalves de Albuquerque Silva Gerlany Lima da Silva Íris Maria Macedo da Silva Maria da Glória de Lima Cabral Silva Maria Emília Regis Cavalcanti Pinto Mariana Andrade Santos Dias Mônica Maria de Pádua Souto da Cunha Rebeca de Queiroga Maciel Ricardo Hermes Linhares Rezende Roseanne Sampaio Canejo Sandryne Bernardino Barreto Januário

P452m

Pernambuco. Tribunal de Justiça. Centro de Estudos Judiciários Memória Judiciária de Pernambuco: Ministro Djaci Alves Falcão.– Recife: O Tribunal, 2009 268p. : il. – (Série: Memória Judiciária de Pernambuco, ano I, n. 1) ISSN 2175-3873 1. Falcão, Djaci Alves - Biografia. 2. Tribunal de Justiça – Pernambuco – História. I. Título. II. Série.

CDD 341.4197

DIRETORIA DO CEJ
Biênio 2008/2010 Desembargador Ricardo de Oliveira Paes Barreto
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Coordenador de Cursos de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento

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Coordenador de Eventos Científicos e Culturais

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Coordenador Adjunto de Eventos Científicos e Culturais

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Coordenador de Divulgação Científica e Cultural

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Coordenadora Adjunta de Divulgação Científica e Cultural

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Coordenador de Projetos e Pesquisas

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Coordenadora Adjunta de Projetos e Pesquisas

Juiz Carlos Frederico Gonçalves de Moraes
Coordenador de Desenvolvimento do Patrimônio Científico e Cultural

Juiz João Maurício Guedes Alcoforado
Coordenador Adjunto de Desenvolvimento do Patrimônio Científico e Cultural

Sou feliz em poder proclamar que no meu espírito não vagueiam os demônios da inveja, do orgulho ou da vaidade vã, que tanto esvaziam o homem, deixando-o pobre de paz interior. Djaci Alves Falcão

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Ministro Djaci Alves Falcão .

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...59 Atos de nomeação......................................................23 Perfil biográfico.............................63 Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Triunfo..................................................................................................................................67 Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da 1ª Vara da Capital......................................................................65 Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da 1ª Vara da Comarca do Paulista...............................................................13 Apresentação..... remoções e promoções Ato de nomeação para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Serrita.66 Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Caruaru.........................................................................76 .........68 Sentenças Comarca de Serrita........................................................................................71 Comarca de Camaratuba....64 Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Camaratuba.........................................................................................O JUIZ DJACI ALVES FALCÃO O Juiz..........72 Comarca do Recife.................................................55 PRIMEIRA PARTE .......................................................................................SUMÁRIO Prefácio......................

............................. pela nomeação para o STF........898............822.......129 Discurso do Ministro Djaci Falcão na abertura do ano sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos..............133 .....................................125 QUARTA PARTE .....................................................DISCURSOS Discurso do Ministro Djaci Falcão..SEGUNDA PARTE .... termo de compromisso e posse e ato de exoneração Ato de nomeação para o cargo de Desembargador do TJPE.........................................105 TERCEIRA PARTE ............................................................................ 56..............83 Ato de nomeação...........................................89 Jurisprudência Mandado de Segurança n...O PRESIDENTE DJACI ALVES FALCÃO O Presidente do TJPE....................................................O DESEMBARGADOR DJACI ALVES FALCÃO O Desembargador.. 56........93 Mandado de Segurança n.............88 Ato de exoneração do cargo de Desembargador do TJPE..................................................................................................................... em agradecimento às homenagens do TJPE.........87 Termo de compromisso e posse no cargo de Desembargador do TJPE.......

.... em virtude de sua aposentadoria...............189 A igualdade perante a lei..........197 O Poder Judiciário e a Carta Constitucional.................................................................243 O Presidente do Supremo Tribunal virá ao Recife..............................................................................................137 Carta de despedida do Ministro Djaci Falcão......Discurso do Ministro Djaci Falcão ao receber o Título de Cidadão de Pernambuco........................................247 SÉTIMA PARTE ..........................255 OITAVA PARTE .......253 Linha do tempo...............153 O Juiz promovido a Desembargador e o princípio da identidade física.........DOUTRINA Da responsabilidade civil..............................................................239 Novo Presidente reformará o Regimento Interno do TJ..CONDECORAÇÕES E LINHA DO TEMPO Condecorações..........................MEMORIAL FOTOGRÁFICO .....NOTÍCIAS DE DESTAQUE NA IMPRENSA Desembargador Djaci Falcão foi eleito ontem Presidente do Tribunal de Justiça ..............147 QUINTA PARTE .......................................................................................................218 SEXTA PARTE .................................................................

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no exercício da jurisdição. se acrescenta.Prefácio Judiciário e Memória Jones Figueirêdo Alves1 A preservação da memória institucional no âmbito judiciário. guardiã de fatos e personagens. têm significado. com ênfase produtiva missionária. perante a sociedade destinatária da distribuição de justiça . para futuras gerações. a cada tempo. a identidade dos Tribunais e de seus juízes. um repositório de registros de seus valores culturais e jurisdicionais. em revisitação ao conhecimento da instituição judiciária. a demonstrar que a instituição. como convém à necessidade de garantir. O resgate histórico. a 1 Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco 13 .e a própria História. como fonte inspiradora permanente. na sua formação e desenvolvimento. pela notável contribuição daqueles que a serviram. sobremodo. tem servido a recuperar o seu passado relevante.

Apontam-se. III. José Ferraz Ribeiro do. 14 . Embora o consagrado Pedro Calmon indique. de idêntica magnitude. sobre O Poder Judiciário no Brasil – Crônica dos Tempos Coloniais2 e do desembargador José Ferraz Ribeiro do Valle. Uma Corte de Justiça do Império: o Tribunal da Relação de Pernambuco. onde informações valiosas delineiam a compreensão de tempos memoráveis. realce histórico. Schwart sobre a Relação da Bahia (1609-1751). todas destinadas a estabelecer uma melhor cátedra sobre o Judiciário brasileiro. 718). 2 NEQUETE. No ponto.1654. O Poder Judiciário no Brasil: Crônica dos Tempos Coloniais. maior institucional.serviço da dignidade do direito e em prestígio à realização da justiça. o fato tem refutação histórica. Lenine. introduzido no Tribunal em data de 22. do magistrado gaúcho Lenine Nequete. Recife: TJPE. em sua “História do Brasil” (Vol. pg. as obras de Stuart B. o Desembargador Cristóvão de Burgos Contreiras como o magistrado precursor. essenciais.(Coleção Ajuris) 3 VALLE. tendo assento naquela pioneira Relação. Nesse reescrevendo a sentido. ganham importância. história trabalhos de pesquisa. a partir de um diagnóstico documental. 1983. Uma Corte de Justiça do Império – O Tribunal da Relação de Pernambuco3. Porto Alegre: TJRGS. a da Bahia. reclama-se para o registro nominal daquele que teria sido o primeiro Desembargador natural do Brasil. 1975.01.

durante a presidência do Des. Penha Deusdará nascido em Pernambuco. o estudo “Diagnóstico de um Poder Imolado” (1985). 1973. em sua obra “Sovereignty and Society in Colonial Brazil – The Hight Court of Bahia and its Judges . 15 4 . em dois volumes. seguiram-se estudos históricos de Augusto Duque. antes referido. O tema da história judiciária. desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (1963-1991) e seu presidente (1968). o historiador americano Stuart B. Mais recentemente. 383. p. quando de sua restauração.Com efeito. como o décimo nono integrante de sua história. do Des. foi lançada pelo Centro de Estudos Judiciários . consagrado historiador. Nessa linha. Sovereignty and Society in Colonial Brazil: the Hight Court of Bahia and its Judges . Carlos Xavier Paes Barreto Sobrinho. Stuart B. Schwartz. irmã do Padre Antônio Vieira. Berkeley: University Of California Press. em 1637. Benildes de Souza Ribeiro e a obra sobre as “Comarcas de Pernambuco”.1609-1751. editada pelo nosso Tribunal. em Pernambuco.CEJ – do TJPE obra sobre “A SCHWARTZ. casou-se.1609-1751”4 admite a prioridade em favor de Simão Álvares da Penha Deusdará. também desembargador do TJPE. com Leonarda Vieira Ravasco. a partir das pesquisas de Ribeiro do Valle. ingresso naquela Corte a 3 de março de 1653. tem merecido atenção especial.

À época.05. em dois volumes (2002-2003). durante a gestão do Des. retratos antigos de desembargadores. documentação administrativa e acervos particulares de desembargadores e juízes. então Corregedor Geral da Justiça. com rigor histórico. pude contribuir ao êxito daquela iniciativa. situando Pernambuco como lugar de investigação histórica.Administração Judiciária em Pernambuco”. como juiz corregedor auxiliar. contribuindo de forma significativa para uma visão aperfeiçoada de um tempo memorável da justiça pernambucana. E. ainda. através de permissão de uso. como 16 . objetos de escritórios e móveis característicos do Poder Judiciário pernambucano. de 15. Ali estão preservados processos judiciais do antigo Tribunal da Relação. do Superior Tribunal de Justiça estadual. Itamar Pereira. Para além disso. Corte de Apelação e do Tribunal de Apelação. de 1822 a 1946. desponta o Memorial da Justiça.1997. fotografias de eventos e projetos arquitetônicos do século passado. instalado na antiga Estação do Brum. atuando em sua gestão. durante os períodos de 1806 a 1889 e de 1890 a 1947. órgãos que antecederam o nosso atual Tribunal de Justiça. Essa obra representa importante material de pesquisa. com a descrição de cargos e órgãos da administração da Justiça.

07. quando atuamos na sua direção. notadamente a de Pernambuco. criada em 24. Significativo destacar. por proposição do Centro de Estudos Judiciários CEJ. através de seus mais expressivos atores: desembargadores ou juízes que. Felisberto dos Santos Pereira e Pedro Martiniano Lins.2000. com seu papel indutor e proativo. à doutrina do direito nacional. Ali também funciona a Biblioteca do Magistrado Escritor. permitindo-se incursionar nos espaços constitutivos da afirmação institucional do Poder Judiciário de Pernambuco. no ponto. servindo de depositório documental. Com efeito. na gestão do Des. com maior destaque. o importante contributo da inteligência pernambucana. Agora. através dos seus juízes. destinada a formar acervo bibliográfico sobre a contribuição intelectual. A Coleção “Memória Judiciária de Pernambuco” é criada.Thomaz de Aquino Cirilo Wanderley. a memorização de fatos relevantes relacionados ao Judiciário estadual tem ensejado pesquisas textuais e a identificação mais aguçada daqueles que revelam. cumpre-nos ressaltar mais um instrumento importante. jurídica e literária da magistratura brasileira. engrandecem a 17 . a empreender ação de resgate histórico da instituição judiciária. Nildo Nery dos Santos. a história do Tribunal de Justiça e a atuação da nossa magistratura.

que ensinam a grandeza da instituição. o conhecimento mais vertical possível acerca de pessoas e fatos. ou fazem. produzir. a história institucional judiciária. contemporâneos permanentes de uma jornada alinhada nos seus dignificantes exemplos. em acepção mais nobilitante da 18 . Não são apenas os prédios forenses que refletem. dos seus maiores personagens. compreendem. Antes de mais. digna de ser (re)conhecida por futuras gerações. reunindo.memória do Judiciário e se fazem permanentes e definitivos na sua construção. O projeto editorial da presente Coleção é de ordem continuada. portanto. em obras específicas. a identidade institucional do Poder. Valorizar a imagem do Poder Judiciário de Pernambuco. com atitude missionária e devoção. a cada título. as pessoas que o encarnam. por suas ações decisivas. Mais precisamente: o melhor acervo histórico é albergado na história viva dos que fizeram. registros sobre eles. exige. sobretudo. em identidade visceral com os significados de uma justiça bem distribuída e administrada. Essa a motivação da coleção memorialista. com maestria e vocação. com a presença. buscando. uma vigília histórica. periodicamente. essa identidade notável. solenemente. na afirmação dos seus valores essenciais e em permanente aproximação com a sociedade.

foi seu presidente em 1975/1977 representando. desembargador aos 37 (03/1957). e Ministro do Supremo Tribunal Federal aos quarenta e sete (02/1967). Magistrado aos vinte e cinco anos (Serrita. o Min. tendo presidido o Tribunal de Justiça de Pernambuco (1961). Djaci Falcão. e cuja vida judicante é feita de fatos memoráveis. como um todo. revelou-se. às expressas.no lugar mais proeminente. onde durante vinte e dois anos. com altivez. Assim se define esta Coleção. como Memorial escrito. para iniciá-la. a presença imediata do ministro Djaci Alves Falcão. reclama-se. a configurar o acervo de nossa história. em todos os cargos ocupados. A tanto. em melhores subsídios. Não se pode pensar a importância do Tribunal de Justiça de Pernambuco sem encontrá-lo – o eminente Ministro . 19 . que mais dignifica a memória institucional do Judiciário de Pernambuco e a do Judiciário brasileiro.história da instituição. contribuiu à melhor história daquela Excelsa Corte. Na sua carreira. . sempre. em progressão funcional da magistratura. 12/1944). o Ministro Djaci Falcão é a própria instituição judiciária vivificante. com o pioneirismo da idade mais jovem. a cultura jurídica do Estado. dando corpo e alma ao mais expressivo patrimônio de história judiciária.

O imanente ideal Justiça. inciso III). o compromisso de efetividade da dignidade humana que. porém. ao benefício da exação judicante.um notável jurista. sublinhou toda a sua missão de juiz: Há em cada um de nós o sentimento interior de que uma sociedade é tão mais livre quanto mais se proporcione o respeito à dignidade humana. Na sua fala presidencial. veio a ser consagrada no pergaminho da Carta Magna (art. configurava ele. perante o STF. em semeadura das futuras escolas judiciais. de sentido transcendental. como princípio fundamental constitutivo de um Estado democrático de direito. preconizava. ao assumir sua presidência. e avanços tecnológicos compatíveis ao prestígio e eficiência do exercício jurisdicional. encontra o seu forte esteio no princípio segundo o qual todos os homens são iguais. 1º. não em capacidade ou condição. a garantir. treze anos depois. um eficaz controle do desempenho funcional do magistrado. instituições de cursos para o aperfeiçoamento de magistratura. ao sacerdócio da magistratura. 20 . Em discurso. perante a mais alta Corte de Justiça do país. mas sem nelas se exaurir. pela posse de direitos de dimensão universal. comprometido com os mais elevados ideais de justiça. Precursor de idéias mais avançadas à modernização do Judiciário. tão ligado à nossa sensibilidade. expresso nas leis. àquela altura.

Ao sediar. Ao incumbir o Centro de Estudos Judiciários – CEJ – do nosso Tribunal de Justiça a tarefa de sua execução. ao seu diretor. como contribuição ao reconhecimento histórico da importância do Tribunal de Justiça de Pernambuco.destarte. Instituir a presente Coleção “Memória Judiciária de Pernambuco”. bem por isso. Reconhecimento meritório que se perfaz aos que integram o Centro de Estudos. uma tramitação processual célere. em serviço de gratidão manifesta. e da magistratura do Estado. Ricardo Paes Barreto. chefe de secretaria do CEJ. de significativa valia à preservação da memória do Tribunal de Justiça e de seus juízes. sob cuja coordenação esta Coleção ganha sua viabilidade e êxito. no contexto nacional. em seu primeiro volume. Des. através de sua equipe técnica. nela despontando o inegável talento de Maria de Lourdes Rosa Soares Campos. Eis o homem. pela receptividade ao empreendimento. como instrumentos de cidadania e da realização do 21 . a figura extraordinária e exponencial do Min. induvidoso que esta Coleção “Memória Judiciária de Pernambuco” tem. Djaci Alves Falcão. Perscrutava ele o Judiciário do futuro. cumpre-nos expressar nossos melhores agradecimentos. a sua gênese mais eloqüente.

representa. à instituição que presidimos.direito. com a mais acalentada devoção. para nós. homenagem que prestamos. 22 .

de lisonjeira acolhida dos juízes da Casa. fui eu Ministro aposentado. me ligavam precedentes relações de amizade. A todos tratava. com pontual cerimônia. com omissão do título maiúsculo que havia pouco conquistara. É verdade que já fruía eu. a me encorajar uma liberdade de tratamento de que discretamente declinei. dos Ministros da Corte. na idade e na investidura. embora supérflua Xavier de Albuquerque5 — Chame-me Djaci — aparteou-me ele mansamente na conversa que entretivemos quando lhe fui apresentado. cinco anos mais tarde. ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal. 23 5 . pouco depois de sua posse no Supremo. todavia. hoje Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas. Só lhes mudei o tratamento depois que. mesmo no convívio pessoal. ExProfessor Catedrático (resignatário) da então Faculdade de Direito do Amazonas. a nenhum dos quais. no começo de 1967. mas nem por isso me atrevi a tratá-lo. Era o mais novo. Ex-Professor Titular (resignatário) da Universidade de Brasília. como se impunha.Apresentação À guisa de apresentação. advogado com alguns anos de assídua frequência ao Tribunal.

como antes anotei. do orgulho ou da vaidade vã. e assim mesmo sob o estímulo cordialíssimo de figuras estelares como as de Luiz Gallotti. Djaci. p. 201-203. Pronunciamentos. “Sou feliz em poder proclamar que no meu espírito não vagueiam os demônios da inveja. mas decidida colaboração ao objetivo impessoal de aplicar a lei e fazer justiça”6. assim: “tive a fortuna de emprestar modesta. que tanto esvaziam o homem. 7 Ibid.próprio investido no cargo de Ministro. Discurso de 10/2/1967 no Tribunal de Justiça de Pernambuco. Serve o episódio de acentuar. que tanto enchem a vida em plenitude”7. de homenagem ao Ministro Djaci Falcão por seu afastamento da Corte. Eloy da Rocha e Aliomar Baleeiro. a minha que ao 6 FALCAO. João Pessoa: Ed. 1113. em agradecimento às homenagens que lhe foram prestadas pela nomeação para o Supremo Tribunal Federal. 1998. “Espero em Deus poder emprestar. deixando-o pobre de paz interior. de todo modo. Virtudes irmãs que ele mesmo destacou repetidas vezes. este pobre texto — do Ministro Djaci Falcão. as virtudes irmãs da modéstia e da humildade. dentre muitos atributos notórios. com humildade e perseverança. 24 . p. Tenho procurado manter bem vivos os sentimentos de humildade e fraternidade. UFPB. no discurso que pronunciou na sessão do Supremo Tribunal Federal de 8/3/1989. hoje Ministro Sepúlveda Pertence. pessoais e funcionais — donde a superfluidade que marca. em razão de aposentadoria. A passagem transcrita também foi utilizada pelo então Procurador-Geral da República.

9 Ibid. 15-18.] chego a esta cadeira mais elevada. “[.. mas pelo que simboliza em relação à eminência do Poder Judiciário”12. de logo. p. Esta vivência.... mas crente na majestade do Direito e com a devida firmeza. 25 8 . Discurso de 11/2/1971.. graças a Deus.. p. mercê de Deus. por ocasião da sua posse como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. por ocasião da sua posse como Presidente do Supremo Tribunal Federal. não padece do orgulho ou da vaidade vã”10. procurarei executar o que a Corte decidir”11. 12 FALCÃO.] a profunda gratidão de quem. 10 Ibid. um modesto juiz. Não só por mim. como depositário da confiança dos meus eminentes colegas. Conferência de 28/11/1975 sobre Reforma do Poder Judiciário. não permitiu que medrasse em meu espírito a vaidade vã. 29-31. “Recebo com humildade e desvanecimento a láurea máxima que pode aspirar um jurista. tão nociva. agradecendo homenagem que lhe foi prestada por magistrados. 41-67. sobretudo. “[. advogados. p.] respondo dizendo período. pronunciada no Auditório da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. notadamente quem deixando os bancos acadêmicos abraçou. Com humildade e prudência. Discurso de 14/2/1975. a sublime e difícil tarefa de julgar. membros do Ministério Público e amigos. espelho de progresso e cultura. p. àqueles que o destino reservou o mister de sentenciar”9. 11 Ibid.longo desse contribuição”8. Discurso de 22/2/1967 no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal. 18. 1998. “[. não em uma FALCÃO. 33-39. 1998. “Sensibiliza-me profundamente esta elevada acolhida no seio do mundo jurídico de São Paulo. p. após encerrada a solenidade de sua posse.

105-111. [. “[. em seu discurso. certa familiaridade com o direito e as ciências da sua constelação. que tão bem caracteriza os verdadeiros sábios. O notável advogado José Guilherme Villela disse-o “avesso à promoção pessoal e dotado de excepcional simplicidade e modéstia”15. além dos de sua própria profissão de fé. sem ostentar a grandeza.. e não se deixam iludir pela vaidade. sem empáfia. Registros outros. o direcionamento de sua conduta. 26 . hoje Ministro Sepúlveda Pertence. foram-lhe endereçados no particular. O Desembargador Nildo Nery dos Santos assim o descreveu: Era grandioso..” 15 Ibid. 205-214. possuidor de verdadeira modéstia. por ocasião da homenagem do Tribunal ao Ministro Djaci Falcão. que lhe acrescentou (vide discurso referido na nota 2) “De fato.. os que sabem da limitação humana. enfim. dos pobres de espírito. são em Djaci Falcão.] venho procurando servir”13. uma segunda natureza. Também o foi pelo então Procurador-Geral da República. mas numa cadeira de juiz. a autocrítica.torre de marfim. tudo. via de regra. quando lhe foi conferido o título de Cidadão Goiano. Discurso de 19/10/1976 na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. a filosofia que orientava sua vida: — ‘e o fazemos. sem vaidade. sem vaidade vã. E indicava. Era simples. p. pela arrogância. em nome da OAB. ao receber o título de Cidadão de Pernambuco. a modéstia. A citação de Matias Aires também foi utilizada no discurso de 24/4/1981 na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás. p. Sempre pensei como Matias Aires: ‘A ciência de fazer justiça é donde a vaidade é mais perniciosa’”14. p. que aborrece a vaidade. em razão do seu afastamento da Corte por motivo de aposentadoria. ao revés. Discurso de 8/3/1989 no Supremo Tribunal Federal.] num gradual e largo campo de aprendizagem pude conquistar. 14 Ibid. 201-203.. a discrição. com a singeleza e singularidade de quem guarda 13 Ibid.

Jacques. procurarei executar o que a Corte decidir”18. sobretudo. assim. 1998. por serem humanas. mas crente na majestade do Direito e com a devida firmeza. não lhe obscureciam a firmeza proverbial. 17 Ibid. p. 13). As mais altas posições conquistou-as pelo talento e pelo mérito pessoal. Anotou-a mais de uma vez. 27 16 . sem embargo de clara saliência. a colocação do Poder Judiciário em nosso sistema jurídico e apontar a responsabilidade que recai sobre o Juiz. Contudo. p. cabe fazer prevalecer com CERQUEIRA. (Perfis Pernambucanos. mas a modéstia própria dos sábios17. 34. Ascendeu pelo seu grande saber. com a naturalidade que lhe marcava o comportamento pessoal e funcional. 19 Ibid. “Cresce. que nele vê não somente o grande juiz. são contingentes16. 67. p. assumo a Presidência”19.a convicção de que as suas obras. Recife: AIP. “Com humildade e prudência. E o Professor Nilo Pereira lhe apostrofou: Se há uma carreira exemplar é essa de Djaci Falcão. 18 FALCÃO. a quem em última instância. Modéstia e humildade que. Grandiosas lições in: Djaci: uma vida dedicada à justiça. 1998. p. Conversando-se com ele é como estivéssemos diante dum homem que faz questão de se despojar dos cargos e honrarias para ser um cidadão comum ao nosso lado. E noutro ponto. 30. Essa grande virtude exalta ainda mais aos olhos de toda a gente. 17-21. de ânimo firme. já revestido das galas presidenciais: Com isso quero realçar.” — também observou — “a minha responsabilidade no poder de direção que me foi outorgado.

21 FALCÃO.serenidade. p. 1998. certa feita. que jamais raiou pela algidez dos insensíveis”21. 22 FALCAO.] Ao lado de homens portadores da vocação de servir ao direito. 202-203. depois Ministro da Casa. mas já na antevisão da nova. em saudação motivada por seu afastamento decorrente de aposentadoria: “no trato pessoal. VI. p. sereno. ago/1975. funcionamento magestático do Tribunal. a supremacia do direito positivo. [. 1998. maior e insuperável etapa de sua vida de juiz — “inesquecíveis emoções nos debates de questões trazidas ao nosso julgamento. Conquanto firme. 1998.. sem a preocupação de se exibirem como donos da verdade científica”22.T. Também publicada na RT 478/239-253. Semelhantes virtudes pessoais sublimaram-se-lhe..F. 11-13. out-dez/ 1975.. não só no convívio com os colegas como no comportamento que adotou no que chamei. “Aqui experimentei” — referiu-se à sua findante judicatura no Tribunal de Justiça de Pernambuco. 28 20 . mas com firmeza. Endossou-lhe a autoafirmação do precioso atributo o Procurador-Geral Sepúlveda Pertence. 30/V-XXVII. como fora de intuir-se. 252/7-17. p. 69-99. e FALCÃO. em proverbiais polidez e fidalguia. Juriscível do S. Conferência de 30/6/1975 na Escola Superior de Guerra sobre “O Poder Judiciário e a Conjuntura Nacional”. em resguardo do equilíbrio da vida na sociedade20. na RF. uma imperturbável serenidade.

ceder à injunção ponderada de quem sempre dominou o direito. 1998. na verdade. uma retificação em ponto de fato [. um campeão da polidez e da fidalguia. muito merecidamente. menos ainda tentar impor soluções. de resto. por ocasião da homenagem prestada ao Ministro Djaci Falcão em razão do seu afastamento motivado por aposentadoria. 24 23 29 .]’”25.. Parece que estou a ouvi-lo. por ocasião da homenagem póstuma ao Ministro Prado Kelly. 1998.. (Perfis Pernambucanos. erguer a voz. bem merecendo o destaque com que o agraciou Rezek. um comedimento fidalgo. um homem de fino trato. CERQUEIRA.Apresentando-lhe o livro Pronunciamentos. 103. além de tudo. Também o fez. Discurso de 8/3/1989 no Supremo Tribunal Federal. Foi Prado Kelly. que fazia evocar o Supremo dos tempos de Prado Kelly24.. 25 FALCAO. Atributo. CERQUEIRA. Semelhantemente lha fez o Ministro Francisco Rezek: Era alentador trabalhar sob sua direção segura. fez-lhe lídima justiça o saudoso Ministro Oscar Dias Corrêa: “Nos vinte e dois anos de apostolado no Supremo Tribunal Federal nunca ninguém o viu alterar-se. p. aparteando um colega: ‘Consinta V. p. porém nunca prolixas. 145-147. mas nunca pretendeu impor a própria ótica. 7-10. de 1998. mesmo no debate. em nome da Corte. conservando. acompanhar suas análises minuciosas. p. 13). tempos antes. teses ou opiniões”23. que o caracterizara em outro sítio — o parlamentar — no qual também Ibid. 155-162. Exa. Discurso de 10/12/1986 no Supremo Tribunal Federal. 1998. o próprio Djaci: “Era. p. já aqui repetidamente citado.

E não retrucava. tive ocasião de dizer: A face visível da obra do Juiz Hahnemann Guimarães.. quase invariavelmente. Se lavrava divergência entre a sua e a opinião de algum colega. Foi Djaci. em citação tomada a Aliomar Baleeiro: Com a eleição de Mangabeira para o Governo da Bahia. Não conheci maior. todavia. Sendo sua a iniciativa. sobre o qual sempre achei preocupantes quaisquer desvios nele observados aqui ou ali. havia pouco falecido.mostrara insuperável proficiência. sua atitude timbrava pelo comedimento. discordava com tamanha elegância e habilidade que a sustentação do seu voto não precisava envolver a crítica do entendimento contrário. à repetição de algumas ênfases. Da sua face invisível. não insistia. A modéstia de Hahnemann irmanava-se à sua humildade. argumentos e conclusões recolhidos em seus votos. Não resisto. para captar a essência da discordância de Hahnemann. subiu Kelly à liderança da UDN. a salientálo. confesso não ter habilidade nem recursos para dizer mais. procurei mostrá-la com exemplos de ideias. ler também o voto que a provocara. o mais belo ornamento que podem ostentar espíritos verdadeiramente grandes e puros como ele. por igual. Quando me tocou falar em nome do Tribunal sobre a figura notável de Hahmenann Guimarães. São elas. 26 Ibid. teorias. Sempre me foi grato o manuseio desse tema. nem melhor líder em mais de 20 anos de minha carreira parlamentar.) Kelly deveria ser proposto como paradigma a quem ousasse escrever um tratado da liderança parlamentar26. nem melhor. Retirei esta impressão dos muitos acórdãos que encontrei e nos quais precisei. 159. 30 . (. p. do que a notoriedade divulgou por todos os quadrantes. aliás.. virtudes gêmeas.

8. p. minha velha convicção de que a cordialidade. Qualquer deslize. dono de estilo elegante e sóbrio. [. Não estou. quando me empossou o Tribunal em sua Presidência.não se rebelava contra a dissidência dos que o sucediam na votação. docemente sereno27. Somente uma vez. a. mas modesto e humilde. ainda quando episodicamente vivaz. Idem. que Eça qualificou — como aqui lembrou Gallotti ao transmitir a Presidência a Gonçalves de Oliveira — de quarta virtude teologal. Perfil de Hahnemann Guimarães. exemplarmente cortês e cauteloso na divergência com os colegas. Francisco Manoel Xavier. 31 . com esta preliminar escusa: ‘Peço ao Tribunal que não veja na minha obstinação o impulso de uma vaidade. deparei-o voltando à carga para reiterar opinião. 22. porque compromete a majestade do 27 ALBUQUERQUE. todavia. é absolutamente essencial ao funcionamento magestático do Tribunal. são os únicos ingredientes capazes de conter o dissenso de idéias e opiniões. mesmo quando a condição de Relator dava-lhe certa presunção de maior acerto. no particular. Apêndice.. inerente à apuração do que deve deliberar coletivamente a Corte. voltei ao tema: Quero novamente expressar. nos impostergáveis limites e parâmetros de torneio intelectual polido e civil. Juiz. convencido de que haja incorrido em erro’. Ajuris. 1999. 1981. Discurso de 26/5/1980 proferido no Supremo Tribunal Federal. 1079-1092.. deve ser zelosamente evitado ou reprimido. v. mas. Brasília. Jurista. por ocasião da homenagem póstuma ao Ministro Hahnemann. 31-45. Textos de Direito Público. p. senhor incontrastado da precisão e da síntese — assim foi o Juiz Hahnemann Guimarães.] Sábio. Noutra oportunidade. Moralista. entretanto. graças à mais longa ponderação do problema examinado. E sereno. seus subprodutos imediatos. na minha extensa pesquisa. jul. assim mesmo. A cortesia e a urbanidade.

sem prejuízo de outras ostentar. votando de improviso.30 Inventariou-as. não. as mais valiosas e imprescindíveis. qualificado de áureo por Oscar Dias Corrêa. 37-42. Sirva-lhe de estímulo episódio protagonizado pelo Ministro Eloy da Rocha. não pode ser evidente. 1998. como a classificou Sepúlveda Pertence. A retomada.julgamento e degrada o debate à condição de espetáculo28. Se um colega diverge. p. não pode ser mais oportuna e imperativa. o clima em que julgava o Supremo Tribunal no período. p. Também de virtudes funcionais de alto nível se enriquecia a personalidade amena. o saudoso Ministro Rodrigues Alckmin. p. 32 . “Evidentemente. quase sempre. do problema — releve-se-me dizer —. 7. sustentou certa opinião com espeque no advérbio evidentemente. no qual o ínclito vogal. 201-202.” Tal era. Também publicado sob o título “Posse na Presidência do Supremo Tribunal Federal” 29 FALCAO. p. de posse em sua Presidência. 30 FALCAO. Discurso de 16/2/1981 no Supremo Tribunal Federal. em nossos dias. 1998. 1999. travou seu discurso o pranteado mestre e amigo. Tanto que pronunciada a palavra. com alguma triste exceção.29 em que o integrou Djaci Falcão. que testemunhei ao seu lado. inserido em plaquete editada pelo Tribunal. do conspícuo homenageado. que formalmente lhas quitou. 1093-1098. “Não” — disse de pronto —. dizendo: 28 ALBUQUERQUE.

p. atributo indiscutível que faz objeto de título notório. 51. “Quando assumiu” — anotou outra vez Francisco Rezek — “o foro do centro industrial de Paulista. Não que não houvesse ali casas vazias. e de boa qualidade. Formação moral imbatível é. p. à dinastia dos Lundgren. 1998. jurídica e geral. é proclamada urbi et orbi e reconhecida em claros fatos da vida. De cultura. no ano seguinte ao de sua graduação acadêmica. como visto. preparo profissional. p.O Ministro Djaci Falcão conhece as virtudes que devem ser reclamadas aos magistrados — formação moral imbatível. porém. 1998. em primeiro lugar33. 33 . reclama o arbitramento de aluguel justo”32. José Guilherme Villela em FALCÃO. foi-lhe frustrante a busca de moradia que se oferecesse a locação. — Pertenciam todas. o precoce ingresso na Magistratura 31 32 CERQUEIRA. p. sem opção. a preceder de imediato seu estabelecimento na Capital de Pernambuco. 193-194. 33 Cf. às pessoas gradas. e preparo profissional são-lhe conhecidas as evidências mais pacíficas: seja a aprovação pristina com que conquistou por concurso público. quando necessário. Sua independência. quarta e última das comarcas da província. 205. independência. cultura. Ibid. que sem qualquer ônus costumava cedê-las. dedicação aos deveres do cargo — porque. e. em Djaci Falcão. como que assentado em coisa julgada. 45. O Juiz Djaci Falcão declina da gratuidade. 1998. de outro lado. as possui suntuariamente31. CERQUEIRA.

jamais desertou. p. em outras passagens. 36 CERQUEIRA. 59. . p. o ínclito advogado José Guilherme Villela39. 1998. dos mais completos. de quem a isenção. CF José Guilherme Villela. Como instituição do povo brasileiro. do final da jornada. De juiz integral “que se inscreveu com honra na galeria de varões exemplares. a lhe proclamar. e este. aquele. “o amor ao estudo”. . . Por juiz perfeito 38 tratou-o o Desembargador Amaro de Lira e César . 208. op. 202. que representa um símbolo da integridade. . 38 FALCAO. símbolo da cultura 34 35 FALCÃO. com efeito. 1998. seja o testemunho. chamou-o Sepúlveda Pertence37. que lhe proporcionou “amealhar vasto cabedal de cultura”35. No Juiz Djaci Falcão. 203. qualificou-o. 37 FALCAO. . sobejaram qualidades funcionais perceptíveis ao primeiro lance d’olhos do observador atento. que a Nação há de cultuar. p. p. Ibid. “Sua palavra firme. capaz de identificar com precisão o ponto crucial da lide e de solvê-la com os frutos de uma formação jurídica competente”34.de Pernambuco. . dentre os juízes desta Casa”. p. p.. 205. “a inteligência lúcida. 39 Ibid. serena e autorizada” — registrou o inesquecível Ministro Victor Nunes — “é sempre garantia de boa justiça”36. 1998. 34 . 208 e 209. cit. de Sepúlveda Pertence e José Guilherme Villela. Como juiz.

Revista dos Tribunais. este. mar/1976. 42 FALCÃO. intitulado Ação Popular. 233-245. por ele movida contra a Câmara Municipal do Recife.jurídica e da amizade. mas por todos conhecido e até ironizado. pois. 1998. também. viu-o o ilustre Ministro José Delgado40. p. não raro. 29. até a sentença. que ora dá arrancos de celebrado predomínio. levou dois anos e oito meses para ser julgada na primeira instância. embora numa perspectiva estritamente generosa e otimista: “A grande deficiência do Poder Judiciário reside [somente?] na demora das decisões. 1998. na opinião comum de colegas e 40 41 CERQUEIRA. Trata-se. em julho do mesmo ano. de desamor pelo trabalho ou de falta de vocação de alguns protagonistas da cena judiciária. Aspectos da Reforma do Poder Judiciário. ressaltou-se fato dos mais importantes: Enquanto a primeira ação popular. Idem. Eis aí. Ibid. v. 485. p. ora cede às pressões do acúmulo de serviço. em virtude do acúmulo de serviço”42. aliás. p. de problema grave. de desempenho funcional. em março. p. Apontou-o Djaci. 41-67. o rico buquê de virtudes funcionais que paradoxalmente adornam. mas. 35 . 72. o então Juiz Djaci Falcão julgou a ação popular contra a Assembléia Legislativa em apenas quatro meses — do mandado de citação. Nenhum processo dormia nas mãos desse magistrado41. em que versadas duas ações populares propostas pelo autor perante a Justiça de Pernambuco. Em livro do jornalista Sócrates Times de Carvalho.

1998. 197. mas verdadeiramente consagradora. discursando a 11 de agosto de 1976 no Mosteiro de São Bento de Olinda para comemorar o ano do Sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil. cultura. 101-103. isenção.jurisdicionados. completo. Calha bem aqui a escusa clássica: excusez du peu. Enquanto o foi. completude.. integral.. celeridade. Espero que guardem uma viva consciência desta verdade. isento. na universalidade dos seus princípios científicos e filosóficos. 1998. culto. o juiz aqui celebrado — sereno. FALCAO. 1998. em busca desse objetivo imperecível — a paz na sociedade dos homens43. a figura do juiz modesto. ao dizer que o 43 44 FALCÃO. 36 . colaborando com os elevados propósitos de gerações que se sucedem. Certa feita. p. desencobriu-se: Como cultor das letras jurídicas. célere — encobriu o jurista e Mestre do Direito que lhe subjazia e se comprazia em especulações de teorismo global. autoridade. [. declaradamente humilde: firmeza. perfeição. autorizado. como de seu feitio. é parte da essência cultural de um povo. integralidade. 103. perfeito. serenidade.] trago-lhes um conceito para reflexão: o direito. p. do sempre reverenciado Ministro Orozimbo Nonato. Donde a propriedade com que o Ministro Francisco Rezek lhe apôs o galardão de modelo antológico do magistrado de carreira44. p. perfil institucional. Passagem também publicada como nota em CERQUEIRA. E daí a observação discreta. desvaidoso.

artigos e ensaios que foram a lume em periódicos de prestígio. ocuparam centena e meia de volumes que hoje enriquecem sua bem montada biblioteca. cessão ou troca46. 1998. subsequentemente. 37 . metade deles no Supremo Tribunal Federal. quanto para julgar no desempenho. que não se confundia com a venda. por mais de quarent’anos. além de produzir. A quaestio iuris. Ali. encantou a discência com aulas apreciadas e concorridas que versaram progressiva e didaticamente os programas de Direito Civil. Desembargador e Ministro. dos seus tempos de Juiz no Recife. Aqui. votos e despachos que. RF 168/313-316. que aí desatou. proferiu sentenças. guardou relevo de 45 46 CERQUEIRA. Também reclama registro sentença de lisonjeira repercussão na qual qualificou a tuberculose como doença profissional. sentença na qual negou a incidência do antigo Imposto de Vendas e Consignações sobre a incorporação de imóvel. p. 143. Acode-me referir. O culto das letras jurídicas tanto serviu a Djaci Falcão para ensinar na cátedra universitária e na literatura do Direito. quando dispunha eventualmente do tempo necessário. só na Suprema Corte.homenageado “tanto tem honrado o excelso Supremo Tribunal Federal”45. do seu ofício de Juiz de Direito e. a par dos julgados que há pouco mencionei.

1998. A tormentosa questão de distinguir. E lhes acrescenta o princípio da livre convicção do juiz. Aponta-os José Guilherme Villela: Possuindo grande sensibilidade em relação às questões de família. Em 1956. onde era Juiz de Direito e em cuja economia predominava a indústria têxtil. julgou procedente ação popular para declarar inconstitucional certa Resolução da Mesa da Assembléia 47 Discurso proferido a 14/2/1975 pelo Ministro Rodrigues Alckmin. dessarte. p. o usufruto do fideicomisso. causadora. 1998. de “condições agressivas do ambiente”47. 38 . no Supremo Tribunal Federal. quando o saudou em nome do Tribunal para celebrar sua posse na Presidência da Corte apud CERQUEIRA. 205-214. sem desobedecer a suprema lei da vontade do testador. que. não significa mero arbítrio. “não é absoluta. como Juiz de Direito da 11ª Vara da Capital. 61. 1998. 49 FALCAO. recebeu noutra causa tratamento exemplar48. na lição do homenageado. como anotou o Ministro Rodrigues Alckmin. p. ao regramento constitucional — “ e procurou facilitar a legitimação dos filhos pelo subsequens matrimonium. Outros sítios do Direito abriram-se à sua devassa percuciente. A área publicística também reflete marcantes incursões de Djaci Falcão. p. 205-214. 48 FALCÃO. na prática. prejudicial à instrução da causa e ao interesse das provas’”49. o Ministro Djaci Falcão conferiu ao filho adulterino reconhecido a condição de herdeiro necessário” — adiantando-se.monta porque decidida na Comarca de Paulista.

como também determinou que a sua fixação só poderia ser feita no fim de cada legislatura. 39 . Se assim a considerasse. O Tribunal de Justiça — historia Jacques Cerqueira — manteve a sentença do Juiz Djaci Falcão. o limite constitucional de tão elevada estimação finalística. perderia tal parágrafo toda a sua imponência e respeitabilidade. à ajuda de custo e ao subsídio. o Supremo Tribunal Federal não tomou conhecimento do recurso interposto pelos vencidos. servindo de exemplo pelo destemor e pela erudição da sentença51. a 4 de junho de 1959.. e não fosse ela incluída no § 2º do art. do citado art. Houve. p. pois. especialmente no § 2º. É fora de dúvida que o legislador limitou as vantagens pecuniárias do Deputado. 13. no curso do mandato. 1998. acentuando que a sentença cumpriu preceito constitucional.. que criava verba de representação para cada um dos 65 deputados estaduais. por uma razão de lógica comum. Foi uma decisão que marcou época no Judiciário nacional. em acórdão de que foi relator. teria feito a sua inclusão. 13. CERQUEIRA. que à mesma não se referiu o legislador constituinte. 71. ulterior ao que vem de ser focado.] Finalmente. Djaci Falcão relatou mandado de segurança contra ato 50 51 CERQUEIRA. E tanto não é legítima a percepção dessa ‘representação’. 1998. É a sua interpretação teleológica a apontar aquilo que está implícito na disposição constitucional”50. ainda. A chamada ‘representação’ exorbita. [. 70. a 5 de agosto de 1957. recurso extraordinário manifestado pelos vencidos. p. que diz da imutabilidade das vantagens pecuniárias atribuídas ao Deputado. Noutro momento.Legislativa do Estado de Pernambuco. Se porventura admitida a ‘representação’. de coerência moral e jurídica. com elogiosas referências à sentença recorrida. É flagrante a sua inviabilidade. o Desembargador Edmundo Jordão.

” “Outros problemas da mesma seara. Quer a Constituição do Estado. 1998. Já do jurista que nele reside posso lembrar o trabalho sobre “Responsabilidade Civil — Extensão da Responsabilidade do Preposto ao Preponente”. Era esse. 18-19. p. “um daqueles [temas] de sua predileção doutrinária” em que repercutia. Des. Conditio sine qua non à sua instalação. oportunizado pelas comemorações da fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil.do Governador do Estado de Pernambuco “que havia nomeado ‘Prefeito Interino’. “Grandiosas Lições”. necessariamente. aliás.criado o Município há. e. p. “por exemplo. Nildo Nery dos Santos. como observou José Guilherme Villela. para administrar um novo município”. 40 . não erige norma atributiva do poder de nomear ‘Prefeito Interino’”52. Dirceu Borges e Rodolfo Aureliano. CERQUEIRA. “foi taxativo em seu voto: ‘. Tão nova quanto polêmica”53. 79-80. com o qual conquistou o primeiro prêmio do certame então promovido pela Associação dos Magistrados de Pernambuco e julgado por Comissão Examinadora composta dos Desembargadores Luiz Marinho. tampouco a Lei Orgânica dos municípios. no julgamento. de se realizar a eleição de Prefeito e de Vereadores. .” 52 53 Ibid. “Tratava-se” — salientou — “de matéria nova àquela época. Cf. a questão da reparação do ato ilícito de que resulta a morte de filho menor. .

e a polêmica questão da responsabilidade civil do Estado pelo ato jurisdicional”54. foram os efeitos da decisão da instância criminal na demanda pela reparação civil. porém a igualdade relativa. o escritor de escol debruçou-se sobre o princípio da igualdade perante a lei. 910/1960. 1998. O mais é demagogia”55 E destas: “Não a igualdade absoluta. Tratamento igual entre iguais é o sentido finalístico que ele encerra. mas proficiente administrador e pré-legislador judiciário. Entrementes. Também publicado na RT 306/780. Este o seu escopo.” O juiz e o jurista revelaram-se também no insuspeitado. abr/1961 e na RF 195/15.— acrescentou o acatado advogado — “analisados com profundidade e muito bem resolvidos. p. de proporção baseada numa igualdade de situação. 52. que é uma proposição falsa. p. RF 192/50-56. 205-214. Djaci Falcão. extraiu conclusões claras e lógicas. importa num tratamento de mérito. 41 . Ao invés de um nivelamento utópico. ao qual dedicou densa monografia de geral apreciação e aceitação. “A igualdade perante a lei”. Uma daquelas: “Constitui pressuposto lógico do preceito igualitário – iguais condições e iguais circunstâncias. 54 55 FALCÃO. Das premissas que lhe governaram o raciocínio.

de forma considerável. p. a ansiada Reforma Judiciária. numa iniciativa inédita no Judiciário pernambucano. em 1961. ALBUQUERQUE.Depõe Jacques Cerqueira que na Presidência. todavia. p. p. sendo Presidente o Desembargador Pedro Cabral de Vasconcelos.” “Ao mesmo tempo em que colocava em dia a revista. que se encontrava com a publicação atrasada havia quase dois anos. no biênio 1975-1977. 42 . certamente. do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco. 80-81. 1093-1098. — Um ano antes. “atualizou as edições da revista Arquivo Forense. a vocação de estadista assinalada por Oscar Dias Corrêa57. daquela Corte”56. FALCAO. à época. De maior espectro logrou ser. 1999.” — acrescenta — “passou a publicar um índice alfabético de acórdãos daquele Tribunal. 1998. Djaci Falcão conseguiu ampliar. tempos depois. Muito lhe há de ter impulsionado o desempenho. o acervo da Biblioteca Desembargador Dirceu Borges. advertiu solenemente não ser “possível se retardar mais a 56 57 CERQUEIRA. sua atuação na Presidência do Supremo Tribunal Federal. 11-13. o estímulo de personalizar a Chefia do Poder Judiciário e no seu exercício defrontar-se com o grande tema da pauta nacional que era. Para ela terá recebido. na qualidade de Vice-Presidente do Tribunal de Justiça. No momento mesmo em que passou a ocupar a cátedra presidencial. 1998.

para que seja possível acompanhar 61 o ritmo acelerado da sociedade contemporânea . p. p. por predicamentos da magistratura. 61 Ibid. 41-67: Conferência de 28/11/1975 sobre a Reforma do Poder Judiciário. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos — que se destinam à preservação da sua independência e imparcialidade. voltou à carga: “O crescimento demográfico e o inegável processo de desenvolvimento que o Brasil alcançou na última década tornam evidente a necessidade de uma reforma de profundo alcance no âmbito do Poder Judiciário”60. obviamente. Explicou Djaci aos alunos da Escola Superior de Guerra que se tratava de prerrogativas garantidoras “asseguradas aos juízes — vitaliciedade. “nos trabalhos da chamada fase de diagnóstico. afinal de 58 59 FALCÃO. 35.” E anotou: “Garantias instituídas. àquela era. 1998. 36. com ânimo. 1998. 49. Ibid. apresentando oportunamente ao Poder Executivo o resultado dos estudos imprescindíveis ao anteprojeto da reforma”59. A reforma de seus sonhos pressupunha. falando na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. proferida no Auditório da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. E protestou prosseguir. p. p. E corroborou: “Torna-se inadiável a reforma do Poder Judiciário. Meses depois.reforma de há muito reclamada”58. 43 . 60 FALCAO. a reentronização das garantias que se usou designar.

com racional distribuição das tarefas judicantes. Sob outra 62 63 FALCÃO. não dos juízes. pouco se me dá tê-las ou não tê-las. advogou a instituição de moradia funcional em cada Comarca do interior65. p. 396. 1998. em convênio com os Tribunais64. Assim.778. a par de bem estruturar e devidamente aparelhar a magistratura. em toda a sua plenitude. p. 233-234. 6-10. 1998. Como juiz. Confortou-me deveras a lição do Mestre. 6. pg.contas. 235. como pensador político. p. Muitas foram as outras medidas que propugnou em sua cruzada patriótica. estimaria que se restabelecessem quanto antes. p. Em outras palavras e no que me diz respeito: como cidadão e. consubstancial.”63.” — dissera eu — “ as garantias da magistratura são uma conquista do Estado. Com madura experiência no périplo interiorano que cumprem os magistrados de carreira. 44 . em benefício da sociedade”62. 1998. porém. 1998. e além de prover à boa organização dos serviços auxiliares e administrativos. 65 FALCÃO. 64 CF Conferencia em FALCÃO. CERQUEIRA. 1998. enquanto Estado. p. porque isso restituiria ao Estado brasileiro o timbre do aperfeiçoamento que lhe deve ser. Artigo em CERQUEIRA. aprimorar o processo de recrutamento dos juízes e instituir cursos de preparação para a carreira da magistratura. 1998. se o fosse. RTJ 69/388-400.233 Voto de Relator inserido no acórdão plenário do RHC 51. 9-47. CERQUEIRA. pois me houvera pronunciado em direção coincidente: “Como as concebo.

” E proclamou. E mais. com total proibição do exercício do cargo de diretor de estabelecimento de ensino. ou Ministro e Professor). “para que os juízes não desviem a sua atenção e o seu tempo. 12-45. do nobre homenageado destas linhas. 234. impõe-se fixar. p. cit. atendida a compatibilidade de horário de trabalho. CERQUEIRA. O magistério — notadamente. agora de lege ferenda. mas. à vista de rigoroso levantamento estatístico” atento a parâmetros adequados66. de modo terminante.11-44. permitir que o exercício do magistério venha a prejudicar a atividade do Juiz”67. somente na sede de sua atividade judicante. op. 67 FALCÃO. Admitiu-o. tenho que procede o sensato reparo. que ao magistrado é dado apenas exercer um cargo de magistério em escola de ensino superior. p. CERQUEIRA. cit.perspectiva. de cargo de magistério. para um juiz. defendeu a criação de “varas especializadas. 1998. porém. O juiz deve situar-se acima de certos interesses e com a mais pura dedicação ao seu ofício. p.. 66 FALCÃO. Muito me agradou e orgulhou exercê-lo por quase vinte anos. Sem embargo de consagrada pela nossa tradição constitucional do último meio século a figura do Juiz e Professor (ou Desembargador e Professor. de modo a prejudicar a função. enfático: “Não se deve. op. p. por magistrado em exercício. 45 . o magistério jurídico — é mister prazeroso e enaltecedor. decerto. 234.. Objetou ao “indistinto aumento do número de juízes na instância singular”. 1998. Não lhe escapou a questão do desempenho.

que prevaleceram no exercício de 1973. far-me-ia desempenhar menos bem ambas as funções. Neste plano. p. 1. ademais. Encareceu Djaci Falcão. ao cabo de contas. Dele me afastei. pouco mais tarde. em termos de pessoal e de recursos materiais. salientou a pequenez dos índices. 1998. tanto que empossado no cargo de ProcuradorGeral da República.primeiro em minha província. “a modernização dos serviços auxiliares e administrativos. onde conquistei a cátedra universitária e o doutoramento em Direito. CERQUEIRA. Sabidamente sobrecarregados de encargos que eram. 46 . 236. porém. aqui investido da titularidade do cargo docente. os ocupantes de um e outro cargos públicos. 1998. em detrimento daquela reclamada pela função paralelamente desempenhada. Regozijo-me de me haver antecipado ao ensinamento que depois encontraria na palavra do Presidente Djaci.29% do 68 FALCÃO. e. da despesa do Poder Público com a gestão da Justiça: exemplificativamente. entendi que o exercício de cada qual. e mais o são na atualidade. Refleti que cada minuto de atividade dedicada ao magistério sê-lo-ia. a fim de que se possa alcançar uma tramitação processual célere e verdadeiramente compatível com o prestígio da Justiça”68. depois na Capital da República. 15. em 1972. em 1969. no de Ministro do Supremo. p. acumuladamente com o de magistério.

73% em Mato Grosso. como de estilo. proferida na Ordem dos Advogados do Paraná. 70 69 47 . decepcionante frustração. E vaticinou: “Com a promulgação da nova Constituição a semente estará plantada. 1998. que assegurava autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário70. Também publicada em FALCÃO. RP 53/201208. de trechos da conferência. Muito mais tarde saudou. 104 do Projeto aprovado. Noutra oportunidade. alguns anos depois de o Presidente Djaci Falcão havê-lo versado. 1. Permitase-me a transcrição. que também me tocou fazer. sobre “O Poder Judiciário na Conjuntura Política Nacional”72: É certo que o assunto não passou em branco. Dediquei-me ao problema. o art. 13-34. acrescentou ao elenco o Estado do Pará. àquele tempo. quando exerci.818% no Rio Grande do Sul. n. a Presidência da Corte.29%69. com 1. 71 Conferência de 11/8/1988 sobre “O Poder Judiciário e a nova Carta Constitucional”. 98. 98. 1. 163-175. conquanto alongada.orçamento público no Pará. Art. até com certa paixão e. Quando o regular exercício das CERQUEIRA. Revista Ajuris. de 8/12/2004. restando aguardar os seus bons frutos”71. Dedicou-lhe a Lei Orgânica [da Magistratura Nacional] a disposição do seu art. p. que proferi na Escola Superior de Guerra. p. p. 72 Conferência de 17/6/1981.68% em Pernambuco. 1998. quase ao findarse a etapa constituinte de 1987-1988. 99 e parágrafos da Constituição logo promulgada e depois alterada pela Emenda Constitucional nº 45. 236. esperançoso. e fazendo-lhe expressa referência. 24. 2. na primeira fase de implantação da reforma judiciária. assim concebido: ‘Art.

foram unânimes em dizer que não se delineou. caberá ao Tribunal de Justiça. T. ou pela não satisfação oportuna das dotações que lhe correspondam. a começar pelo País. pela maioria absoluta de seus membros. dentre outras. Um que outro dirigente de órgão judiciário pode marcar tento. n.. de que o estado de carência do Judiciário permanece sem solução. p. — em 1981. geralmente circunstanciais e episódicas. 24. 48 .’ Temo que a eficácia da norma seja apenas aparente. a intervenção da União no Estado.] Haverá exceções aqui ou ali. E mais: Permito-me a convicção. respondendo à pergunta específica que. situação capaz de enquadrar-se no comentado art. Sempre será fácil demonstrar-se. que não é injustificada a redução da proposta do Poder Judiciário ou a recusa de dotações adicionais que possa reivindicar. no contexto global de distribuição de carências em que consiste a elaboração orçamentária de cada Estado e da própria União. Dirse-á que todos somos pobres. em dois anos de vigência do dispositivo. se tiver especial talento e particular desinibição para o jogo de pressões postulatórias que se desenvolve junto às províncias 73 Conferência de 17/6/1981. Quiçá por isso.funções do Poder Judiciário for impedido por falta de recursos decorrente de injustificada redução de sua proposta orçamentária. que proferi na Escola Superior de Guerra. a pobreza do Judiciário é superlativa. lhes fiz para o preparo desta conferência. da Lei Orgânica73. e obter a adjudicação de recursos significativos para este ou aquele fim. solicitar ao S.. E os Presidentes dos Tribunais de Justiça. 18. na realidade. nos respectivos Estados. mas. vez por outra. F. Revista Ajuris. nestes dois referidos anos. 98. escusa lembrar — “ao cabo dessas considerações. [. jamais chegou ao Supremo qualquer pedido de intervenção federal nele fundamentado. franciscana e crônica.

um Presidente da Corte. há alguns anos..] Isto significa. T. o passo que deu nosso pequeno país. seu Presidente. à Constituição da República. chegou-nos. ao constrangimento de postulações desgastantes e embaraçosas. no plano econômico. a Corte Suprema de Justiça. diretamente. exemplo que vale como lição de sensibilidade e sabedoria. a autonomia econômica do Poder Judiciário. nem sempre agradáveis.governamentais incumbidas da elaboração orçamentária. respondendo de improviso à saudação que lhe fiz em nome da Corte. à medida que o crescimento populacional e a difusão da cultura e expansão de todas as atividades humanas o exigem. Uma Corte absolutamente autônoma. F. que não necessite nunca fazer pedidos às forças políticas de uma democracia fluida. deva ser submetido. para abrir novos departamentos judiciários. José Figueres. que. a ministros. como parte de toda uma transformação. um percentual de 6% recebe-o.. Uma autonomia econômica. Não é admissível que o Poder Judiciário. que permita aos magistrados. Ao visitar o S. ao invés de iluminá-lo. a deputados. em separado de todos os mecanismos orçamentários da Nação. e dele receber a homenagem devida à sua condição de Chefe de Estado. com o alto sentido de 49 . que não exponha jamais um magistrado. para comprar suas máquinas de escrever. ao qual a Constituição atribui destaque especial quando lhe confere a função incomparável de julgar os atos dos demais Poderes independentes. a membros dos demais Poderes. do orçamento geral da Nação. Da pequenina Costa Rica. Usa-o ela para edifícios. Exas. em termos nossos. [. a fazer solicitações. Essas exceções ensombrecem ainda mais o panorama. retratou nestes termos a orientação de seu país no concernente ao Poder Judiciário: ‘Modestos discípulos que somos de vossa grande Nação’ — disse o Presidente Figueres — ‘eu quisera comentar com V. para organizar sua economia interna e prover medidas inerentes a seu autogoverno. ao incorporar.

3. que é inerente à carreira judiciária. denodadamente combati. aquele estado de coisas que. 24. p. Seu Presidente. vide Clipping da Secretaria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal da mesma data. p. Revista Ajuris. atribuiu-se a ponderação de que — “É preciso evitar gastos desnecessários. 20-21.responsabilidade. de “modelo padrão”. A Constituição vigente veio a corrigir. O Conferência de 17/6/1981. escolhido presidente da novel comissão de obras. Agora mesmo. como relativos e não como absolutos —. 76 Ibid. e a fixação de “regras de funcionamento para evitar inconvenientes e desvios conhecidos”76. n. O uso desses atributos — que se podem qualificar. das duas espécies de autonomia. Mas sua governança talvez haja. aqui ou acolá. implicitamente requer comedimento e parcimônia nem sempre observados. que proferi na Escola Superior de Guerra. hoje. 75 O Estado de São Paulo de 12/6/2009. antes dela. lançado o disco além da barra. de comissão de obras para fiscalizar a construção de prédios para abrigar fóruns e tribunais em todo o País75. pelo Conselho Nacional de Justiça. p. 3. E ao Conselheiro Felipe Locke Cavalcanti. 50 74 . que também o é do Supremo Tribunal Federal. pelo Judiciário. teria propugnado a adoção. noticiou a imprensa a criação. fixar sua própria remuneração74. A Justiça desfruta. à maneira da igualdade de que tratou Djaci Falcão. não há negar. no plano da autonomia administrativa e principalmente financeira do Poder Judiciário. o Ministro Gilmar Mendes. sem dúvida.

mas certa seleção de cinquenta acórdãos mais significativos que entre estas catou. à sua maneira”77. no melhor estilo acadêmico. 3-4. “Às vezes” — censurou — “são construídos prédios suntuosos e outras regiões ficam desassistidas”78. em respeito ao interesse público. porém. desta homenagem que merecidamente se tributa a Djaci Falcão sob a forma. concluo que já não posso manter e muito menos cumprir tal propósito. como apresentador ou similar. em meados de 2002. ele próprio. dada a relativa 77 78 Ibid. para acudir à iniciativa que nesse sentido tomara o Presidente Marco Aurélio. cultivei a intenção de dissecar. quiçá documentarista amador mas esforçado. Ibid. p. A sociedade não pode arcar com preços elevados.Judiciário pode fazer construções diferentes. da reunião e publicação de estudos jurídicos de alto nível. Absolve-me de tamanha extensão. que alonguei demasiadamente. A esta altura. 4. da caminhada. mas o padrão a ser observado deve ser único para redução de custos. Ao ser distinguido com o convite para participar. também com minha participação. p. 51 . o não ter tido tempo — como disse alguém que de pronto não recordo —. mas involuntariamente. Cada tribunal faz seu projeto. não obviamente a totalidade dos milhares de decisões que proferiu no Supremo e agasalhou nos cento e tantos volumes antes referidos. assim espero.

Há que ter-se a desambição de exauri-la. Em busca do ponto final e encerrando com autoplágio. Cabe aqui. em que foi personagem o também notável Aliomar Baleeiro.urgência que me foi encarecida. enfim. para efetivamente terminar. Sobretudo me perdoa a riqueza notória. antecipado e consagrador post escriptum que recuo às encruzilhadas políticas da década de 1980 para tomar por empréstimo a Abelardo Jurema. Um Discurso de 21/5/1975 no Supremo Tribunal Federal. motivado por aposentadoria. p. integrado na ata publicada no Diário da Justiça de 30/5/1975. ex-Ministro da Justiça: Um nome presidenciável? — indagou ele. Momento semelhante vivi gostosamente no passado. para ser mais breve. quem sabe excessiva. em sucessão infindável. Também publicado sob o título “Homenagem ao Ministro Aliomar Baleeiro por Motivo de sua Aposentadoria” em meu Textos de Direito Público. compartilhando-se com novos e mais hábeis mineradores de hoje e de amanhã a lavra sempre futurosa79. entretecida de mil veios. posso repetir: Dizer de Djaci é tarefa que não se sabe por onde começar. Cada gema recolhida descobre outra. dos atributos pessoais e funcionais do eminente juiz e jurista que aqui se homenageia. por seu afastamento da Corte. 1999. depois de iniciada. Apêndice. A mina é pródiga. e respondeu — Acho que alguém tirado do Supremo Tribunal Federal. mas. não se sabe como terminar. 52 79 . que foi seu Presidente. ao Ministro Aliomar Baleeiro. mas inocente e perfeitamente ajustável ao presente e à figura humana que contempla. como o Djaci Falcão. Brasília. na sessão de homenagem. 1061-1078.

homem culto. que poderia representar toda a Nação em seus anseios maiores80. 80 CERQUEIRA. p. 95. intocável na sua moral. 1998. 53 .

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Casou-se com Maria do Carmo de Araújo Falcão. no Sertão de Pernambuco. no Forte das Cinco Pontas. foi convocado para o Exército. Atuou ainda 54 . no qual foi aprovado em 1º lugar. veio ao Recife pela primeira vez aos 11 anos para adaptar-se ao internato do Colégio Nóbrega. Em dezembro de 1944. entrando no CPOR em 1943. Djaci Falcão ingressou na Faculdade de Direito do Recife. participou do concurso para o cargo de juiz de Direito em Pernambuco. no qual se classificou em 41º lugar. Concorreu a uma das vagas do concurso público para o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). com quem teve três filhos. concluiu o curso de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Djaci Falcão tomou posse do cargo de juiz da Comarca de Serrita. Maria da Conceição e Luciano Falcão.Perfil biográfico Paraibano da cidade de Monteiro. Francisco. Dez meses depois. Djaci Alves Falcão nasceu em 4 de agosto de 1919. servindo na Segunda Companhia de Guardas. Aos 19 anos. Quarto dos seis filhos de Francisco Cândido de Mello Falcão e Inês Alves Falcão. Nesse mesmo ano. Durante a Segunda Guerra Mundial. em 1942. voltando mais tarde à Capital pernambucana para fazer o curso préjurídico.

55 . Em 1º de fevereiro de 1967. com 47 anos. na Paraíba. Paulista e Caruaru. ministro do Supremo Tribunal Federal. foi nomeado pelo então presidente da República. aos 37 anos. Assumiu a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco.nas Comarcas de Triunfo. Integrou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco. estão a Medalha do Mérito Judiciário Des. Também foi membro titular da Academia de Letras Jurídicas. São Joaquim do Monte. e na Universidade Católica do Recife. sendo vice-presidente. Joaquim Nunes Machado. Entre as condecorações que recebeu. então. em 1960. em 1961. com 41 anos de idade. Sua promoção para o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco aconteceu em 12 de março de 1957. até ser removido para o Recife. e a Presidência. Assumiu o cargo no dia 22 do mesmo mês. Castelo Branco. em 1966. Djaci Falcão atuou ainda como professor titular de Direito Civil. a sede do Tribunal Regional Federal da 5ª Região passou a ser denominado Edifício-Sede Ministro Djaci Falcão. e presidente. e os Títulos de Cidadão do Estado de Pernambuco. do Estado de Goiás e do município de Campina Grande. do Tribunal de Justiça de Pernambuco. na Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco. Em 20 de outubro de 1995. em 1965. Também serviu como juiz eleitoral no Interior do Estado e na Comarca do Recife.

PRIMEIRA PARTE O JUIZ DJACI ALVES FALCÃO 56 .

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com 25 anos. Em 1945. posteriormente. Como juiz. assumiu a 1ª Vara de Paulista. A promoção veio em 1947. para a Comarca de Caruaru. onde atuou na 2ª Vara. No ano seguinte. Agamenon Magalhães. em 1952.O Juiz Djaci Falcão foi nomeado juiz de Direito de Pernambuco pelo interventor do Estado. Foi promovido. atuou em diversos processos polêmicos e de grande repercussão na imprensa. foi removido para a Comarca de Triunfo. Na época. veio para o Recife. quando passou a atuar no município de Camaratuba. Em 1948. hoje São Joaquim do Monte. a Vara dos Feitos da Fazenda Estadual. era o mais jovem magistrado do Estado. em 1944. assumindo a 1ª Vara Criminal e. Um deles foi transformado em livro pelo jornalista Sócrates Times de Carvalho e intitulado Ação Popular. quando assumiu a Comarca de Serrita. 59 .

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Atos de nomeação. remoções e promoções .

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1966 de 23 de Dezembro de 194481 Nomeando o bel. da comarca da Serrita. 289. atualmente vaga.[p. n. para exercer o cargo de Juiz de Direito – padrão “P”. PE. 1944. Recife.1] 63 . ano 21. Djaci Alves Falcão. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. 81 PERNAMBUCO. de 23 de dezembro de 1944. Ato nº 1966.Ato de nomeação para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Serrita Ato n. 24 dez. aprovado em concurso. Poder Executivo.

1335. Djaci Alves Falcão.Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Triunfo Ato n. a pedido. 800 4. 5 de abr. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. da comarca da Serrita para a do Triunfo. padrão “P”. p. Poder Executivo. Recife. bel. PE. PERNAMBUCO. fazendo-se no seu título a necessária apostila. 1945. atualmente vaga. de 4 de abril de 1945. 64 82 .de Abril de 194582 O Interventor Federal no Estado resolve remover. Ato nº 800. o Juiz de Direito.

de acordo com a lista apresentada pelo Tribunal de Justiça. 1947. padrão “K”. Poder Executivo. Ato nº 1164. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco.1] 65 . n. 23 out. o Juiz de Direito. 1164 de 22 de Outubro de 194783 O Presidente da Assembléia Legislativa. resolve promover.Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Camaratuba Ato n. a igual cargo. Bel. ano 24. padrão “O” da Comarca de Camaratuba. por merecimento. Djaci Alves Falcão. de 22 de outubro de 1947. PE. atualmente vago. no exercício do cargo de Governador do Estado. Ato de remoção para o cargo de 83 PERNAMBUCO. da Comarca de Triunfo. Recife.[p. 237.

84 PERNAMBUCO. n. da comarca de Camaratuba. [p. para igual cargo e padrão da 1ª Vara da do Paulista. a pedido. 253. PE.Juiz de Direito da 1ª Vara da Comarca do Paulista Ato n. fazendo-se no seu título a necessária apostila. atualmente vago. Djaci Alves Falcão.1] 66 . Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. Poder Executivo. Recife. bel. de 10 de novembro de 1948. 4919 de 10 de Novembro de 194884 O Governador do Estado. Ato nº 4919. resolve remover. 11 nov. o Juiz de Direito padrão “R”. ano 24. 1948.

[p. 124. PE. promover. nos termos do art. n. da Constituição Federal. resolve. para idêntico cargo. por merecimento. atualmente servindo na 1ª Vara da Comarca do Paulista. de 12 do corrente. padrão “T”. Ato nº 2034 de 14 de agosto de 1952. 2034 de 14 de Agosto de 195285 O Governador do Estado. da 2ª Vara da Comarca de Caruaru. do Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça. ano 29.1] 67 . atualmente vago. n. Recife. Djaci Alves Falcão. 15 ago. 85 PERNAMBUCO. 1112. 186. o Juiz de Direito padrão “R”. IV. 1952. tendo em vista a lista trinômine que lhe foi apresentada com o ofício n.Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Caruaru Ato n. da 2ª entrância. Bel. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. Poder Executivo.

o Juiz de Direito. Ato nº 1773. fazendo-se no seu título a necessária apostila. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. Djaci Alves Falcão. ano 30.Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da 1ª Vara da Capital Ato n. Recife. 28 ago. 193. PE. vaga em virtude da remoção. Bel. 86 PERNAMBUCO.1] 68 . de 27 de agosto de 1953. a pedido. padrão “T”. Bel. 1953. Euclides Ferraz. da 1ª Vara da Comarca do Paulista para a 1ª Vara da Capital. Poder Executivo. 1773 de 27 de Agosto de 195386 O Governador do Estado resolve remover. também a pedido. do Juiz de Direito. n. [p.

Sentenças .

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etc. Djaci Alves Falcão 87 Transcrição fac-símile. Serrita. sendo arrolante Miguel José de Oliveira. Julgo por sentença a partilha constante do auto de fls. salvo direitos de terceiro. registre-se. Atendendo a que o mônte está quite com a Fazenda Pública. 19 o pagamento do imposto de transmissão “causa mortis”. 31v e 32 dos bens deixados pelo inventariado José Lins de Oliveira. Custas ex-lege. 71 . 22 de fevereiro de 1945. 1 e 132 Arrolante: Miguel José de Oliveira Arrolado: José Luiz de Oliveira “Vistos. Intime-se. filho do falecido. para que dita partilha produza os seus legais e jurídicos efeitos.Comarca de Serrita87 Ação de Arrolamento Tombo n. Atendendo a que estão acautelados os interesses dos herdeiros. Publique-se. evidenciando o conhecimento de fls.

comigo escrivão de seu cargo abaixo nomeado e assinado. nesta cidade de Camaratuba do Estado de Pernambuco. e datilografei. na sala das audiências deste Juízo. nesta cidade da Camaratuba do Estado de Pernambuco.948). a fiz.Comarca de Camaratuba88 Sumário Crime Autora: Justiça Pública Acusado: Vicente Felix da Silva conhecido por “Vicente Cazuza” AUTUAÇÃO Aos trinta e um (31) dias do mês de julho do ano de mil novecentos e quarenta e sete (1. José Pedro de Assis.947). Escrevente juramentado. presente 88 Transcrição fac-símile. autuei a denúncia e diligências policiais que adiante vêem. 72 . em cartório à rua Dr. Eu. às 14 horas. José Rufino nº 75. onde presente se achava o Dr Djaci Alves Falcão Juiz de Direito da Comarca. TERMO DE ASSENTADO Aos vinte e dois (22) dias do mês de março do ano de mil novecentos e quarenta e oito(1.

José Andrade de Oliveira. Luiz Guimarães Ribeiro. [. o datilografei e subscrevi. de que foi agredido pela própria vítima. compareceram e foram inquiridas pelo Dr. em vista do depoimento das testemunhas que. Ademais. vulgo “Vicente Cazuza”. Juiz que passava à fase dos debates orais. e o acusado Vicente Felix da Silva. presentes as partes. nem diligência a determinar declarou o Dr. a pena mínima do art.também o Dr. Juiz as testemunhas seguintes: do que para constar fiz êste termo. conforme se observa da leitura dos autos. afirmaram a culpabilidade do acusado”. Escrivã interina. na sua totalidade.. 129 do Código Penal. não havendo testemunhas por inquirir. Promotor Público da Comarca e mesmo acusado. Promotor Público da Comarca. Eu. concedendo de início a palavra ao Dr.. Ernestina Cordeiro Franklin. Em seguida foi concedida a palavra ao defensor do acusado. o qual disse: que o seu patrocinado agiu no caso dos autos em sua própria defesa. vindo este fato a 73 . o qual em resumo disse o seguinte: “que pedia a condenação do acusado Vicente Felix da Silva conhecido por “Vicente Cazuza”. afirmam as testemunhas que a vítima é conhecida como pessoa dada a mexericos e encrencas com a vizinhança. digo. Juiz foram advogado do feitas. pelo Dr.] TERMO DE JULGAMENTO E logo em seguida.

Pelo Defensor da Justiça Pública foi denunciado o indivíduo Vicente Felix da Silva. Diz a segunda testemunha: “que o acusado alguns antes do crime recebeu desaforos por parte da vítima e resolveu espanca-la por vingança”. Quanto aos antecedentes e a personalidade do 74 . em quanto a terceira testemunha afirma que ouviu os gritos da vítima quando era espancada. como incurso no art. Recebida a inicial teve o lugar o interrogatório do réu o respectivo sumário. 129 do Código Penal. Isto posto: a materialidade do crime está comprovada pelo ato de exame médico de fls. Em seguida o Dr. em razão disso o denunciado resolveu praticar o crime. Juiz passou a proferir a seguinte decisão: Vistos etc. O movel do crime foi insultos da vítima ao acusado. A acusação pede a condenação do denunciado à pena minima e a defesa a sua absolvição. pelo que pede a sua absolvição. conforme se depreende claramente do depoimento das 2ª e 3ª testemunhas. dirigindo-se a casa da vítima e produzindo-lhe os ferimentos de que trata o aludido exame pericial. A sua autoria. cabe a este.comprovar a inocência do réu. por questões de terra. A 1ª testemunha que. cai em contradições no seu depoimento. conhecido por ”Vicente Cazuza”. de certo modo procura inocentar Vicente Felix da Silva. sete. em virtude de haver produzido lesões corporais na pessoa de Generosa Maria da Conceição. apesar da negativa do acusado. E.

por tudo isso. para efeito de recurso e lance o nome do réu no rol dos culpados. escrivã interina. Ernestina Cordeiro Franklin. julgo procedente a denúncia. Custas como de direito. datilografei e subscrevi. Não há nenhuma circunstância de obrigatório aumento ou diminuição de pena a considerar. pelo réu e pelas partes presentes. Deixo de observar o disposto no art. Registre-se.00. que depois de lido e achado conforme vai assinado pelo Juiz. deu-se por findo êste auto de julgamento. 697 do Código Penal. insignificantes. Eu. 129 do Código Penal. E como nada mais houvesse. E. As circunstâncias e as consequencias do crime foram de certo modo. o fiz. em virtude de não dispor dos elementos suficientes para um pronunciamento. alem da taxa penitenciária minima.acusado informa as testemunhas de maneira ao mesmo favorável. para condenar como condeno o acusado Vicente Felix da Silva. Escrivão passe contra o réu o competente mandado de prisão. O Sr. como incurso no art. conhecido por “Vicente Cazuza”. Djaci Alves Falcão Luiz Guimarães Ribeiro Vicente Felix da Silva José Andrade de Oliveira 75 . à pena de três meses de detenção. do qual deverá constar o valor da fiança que arbitro em Cr$ 200.

pelo preço mensal de duzentos e sessenta cruzeiros. partes do 2º pavimento e o sótão. etc. sem consentimento dele autor. a presente ação de despejo. X E XI. Que o Sr. 89 Transcrição fac-símile. alegando em resumo. nesta cidade. 228. Manoel Antunes sublocou a diversas pessoas. contra Manoel Antunes. Reis Réu: Manoel Antunes Juízo da 11ª Vara Cível EMENTA . DO ART. locou o 2º pavimento do mesmo ao Sr. 76 .15. Vistos. Antunes. DA LEI DO INQUILINATO. Que na qualidade de proprietário do prédio n. Henrique Ventura dos Santos Reis propoz com a inicial.IMPÕE-SE A PROCEDÊNCIA DA AÇÃO. inclusive sótão. 10741 Autor: Henrique Ventura dos S. à rua Larga do Rosário.Comarca do Recife89 Ação de Despejo n. PORQUANTO O RÉU VIOLOU OS PRECEITOS ESTAUÍDOS DOS INCS.

na certeza de que o réu não contestará a ação. bem assim foram cientificados os sublocatários . cento e vinte cruzeiros.Severino Bezerra Cavalcanti e José Alves de Lima. estando atualmente sublocada a terceiro. 15. José Pereira da Silva. a fim de desocupar o prédio. bem assim. Pede com fundamento no art. também pela quantia de quatrocentos cruzeiros. 2º combinado com art. a citação do réu. da prefalada lei.que há cerca de catorze anos alugou ao Sr. cientificados os sublocatários. sob pena de despejo. 16 da vigente lei 77 . Manoel Antunes. Severino Bezerra Cavalcanti. não sendo jurídico a aplicação do preceito relativo a sublocação a casos anteriores às leis de inquilinato. Que o réu infringindo o n. o pagamento de custas e honorários de advogado. amparado no art. I.Que o sótão está ocupado pelo Sr. À causa foi dado o valor de três mil. que paga pela sublocação quatrocentos cruzeiros mensais. O réu foi regularmente citado. e a parte posterior do dito pavimento esteve sublocada ao Sr.20. o imóvel objeto da ação. e que. juntando o autor três documentos. do art. X e XI. da lei do inquilinato. José Pereira da Silva. argumentando . ns. a parte da frente do 2º pavimento esta ocupada pelo Sr. O sublocatário Severino Bezerra da Silva contestou a ação.

Protestou pela produção de provas. deixou de acolher o pedido formulado pelo sublocatário Severino Bezerra da Silva (ver fls. XI. Na audiência de instrução e julgamento foram apresentadas as alegações finais do autor. não se faz mister notificação judicial. do qual não houve recurso. não foi admitida a intervenção do sublocatário Severino Bezerra da Silva. o então titular da 11ª Vara. porquanto o réu deixou a ação correr à revelia. apesar de regularmente citado. E autoriza o despejo pela violação do mencionado artigo. Aliás. 8. como se infere do §2º. 2º da Lei do Inquilinato. à título de fiança de nova locação. sem consentimento por escrito do locador. está comprovada a sublocação feita pelo locatário e réu Manoel Antunes.do inquilinato. decido: De logo convém ressaltar que. 15. É vedado pelo art. no seu inc. Isto posto. 78 . a sublocação total ou parcial. como se vê do despacho saneador.17 e 18). Segundo o documento de fls. no caso de despejo por infração legal ou contratual. Dado o fundamento do pedido inicial. do prefalado art. 15. o réu não contestou a ação. como estatue o art. se propõe a fazer o depósito judicial de setecentos e oitenta cruzeiros. Em fundamentado despacho saneador.

pelo preço mensal de duzentos cruzeiros. registre-se. portanto. inferior. conforme a inicial o 2º pavimento e o sótão do prédio objeto da presente ação.300. 15 da lei 1. Aí ocorre uma infração ao inc. do art. vez que agiu dolosamente. estão alugados ao autor. X. 27 de setembro de 1954. Condeno o réu ao pagamento das custas. Entendo desnecessário maiores indagações sobre esses fatos que não sofreram contestação por parte do réu.Além disso. locada ao réu Manuel Antunes. o prazo para a desocupação da parte do prédio 228. ao preço cobrado na sublocação feita ao Sr. e dos honorários de advogado. Publicada em audiência. violando proibição legal. julgo procedente a ação e fixo em vinte (20) dias. à rua Larga do Rosário. Severino Bezerra da Silva. Djaci Alves Falcão (Juiz de Direito da 11ª Vara) 79 . que é de quatrocentos cruzeiros. cientificados os sublocatários. Datilografei. para os devidos fins. Recife. Assim sendo.

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SEGUNDA PARTE O DESEMBARGADOR DJACI ALVES FALCÃO .

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Nesse cargo. O magistrado ocupou a vaga existente através do critério de merecimento. ajudou a fundar o curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco. Posteriormente. tornou-se titular da mesma cadeira. desta Corte. Djaci Falcão conseguiu ampliar o acervo da Biblioteca Desembargador Dirceu Borges. era o membro mais jovem do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Em 1960.O Desembargador Indicado por unanimidade pelos 14 desembargadores do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Em 1959. tornou-se vice-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Na época. Ensinou na Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco. pelo então Governador Cordeiro de Farias. adquirindo obras nacionais e 83 . catedrático de Direito Civil. aos 37 anos. lecionando na instituição por algum tempo. Djaci Falcão foi promovido para o cargo. como assistente do professor Abgar Soriano. sendo presidente o desembargador Pedro Cabral de Vasconcelos. em 12 de março de 1957.

A partir de 1965. 84 . assumindo a presidência em 1966.estrangeiras. passou a integrar o Tribunal Regional Eleitoral.

Ato de nomeação. termo de compromisso e posse e ato de exoneração .

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da Constituição Federal vigente. Recife. de 12 de março de 1957. Ato nº 664. nomear. PE.Ato de nomeação para o cargo de Desembargador do TJPE Ato n. 90 PERNAMBUCO.1957. inciso IV. 59. Bel. n. Djaci Alves Falcão. 13 mar. João Cabral de Melo Filho. resolve. Poder Executivo. vago em virtude da aposentadoria do Bel. por merecimento o Juiz de Direito da 13ª Vara da Capital. [p. 664 de 12 de Março de 195790 O Governador do Estado. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. ano 34.1] 87 . 124. para exercer o cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça. nos termos do art. tendo em vista a lista trinômine que lhe foi apresentada pelo Presidente do Tribunal de Justiça.

88 . em 18 de março de 1957. no cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco.Termo de compromisso e posse no cargo de Desembargador do TJPE91 91 Termo de compromisso e posse do Bacharel Djaci Alves Falcão.

2430 de 01 de Março de 196792 O Vice-Governador do Estado. visto ter sido empossado no cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal. o Dr. 50. [p.1] 89 . PE. usando de suas atribuições. Ato nº 2430. Recife. do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. n. resolve exonerar.Ato de exoneração do cargo de Desembargador do TJPE Ato n. Djaci Alves Falcão. 92 PERNAMBUCO. a pedido. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. 2 mar. ano 24.1967. de 1 de março de 1967. Poder Executivo.

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Jurisprudência .

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56. 15. Trata-se de serviço especial gerador da chamada “taxa de bombeiros”. ACÓRDÃO Vistos. benefício especial e particular mensurável. tem por objetivo precípuo atender àqueles que mais diretamente dele podem se socorrer. a quem não tem a disponibilidade do benefício. sob o fundamento de que 93 Transcrição fac-símile. da Comarca do Recife. relatados e discutidos estes autos de recurso de concessão de mandado de segurança. não é excludente da espécie taxa.A tributação sob a forma do imposto único.82293 Recorrente: . III.Mandado de Segurança n. sem afetar. apesar de utilizável por todos os habitantes do Recife. para se eximirem do pagamento da “taxa de bombeiros”. Djaci Falcão Câmaras Conjuntas EMENTA: . 93 . editada no inc. que atinge beneficiários diretos.O Juízo Recorrido: Pibigás do Brasil S/A Relator: Des. Atlantic de Petróleo: A firma impetrante da segurança e a litisconsorte insurgem-se contra a Superintendência da Fiscalização de Rendas do Estado de Pernambuco. da Constituição Federal. sob nº 56. por outro lado. assim.822. do art. Constitui. O serviço de prestação contra fôgo. em que é recorrente o juízo e recorridos Pibigás do Brasil S/A e Cia.

pelo improvimento do recurso (fls. editada pelo art. por contraria ao art. Nesta instância opinou o Exmo. Custas. Isto pôsto: ACORDAM. Dr. a que se prende o artigo citado. Sustentam que estando sujeitas ao pagamento do imposto único. 70 e 71). Adauto Maia – Presidente. 15. Recife. para cassar a segurança concedida e. é constitucionalmente ilegítima a incidência da taxa de bombeiros. da Constituição Federal. Djaci Falcão – Relator. 94 . inc. 786 do Código Tributário do Estado. em consequência. O juiz acolheu a pretensão. conforme notas taquigráficas. opinou o Representante do Ministério Público pela concessão do “mandamus”. Procurador Geral do Estado.esta é inconstitucional. 17 de julho de 1964. Foi deferido o pedido liminar. os componentes das Câmaras Conjuntas do Tribunal de Justiça de Pernambuco. concedendo a segurança e recorrendo “ex-officio”.III. como de direito. por maioria de votos. Após as informações da autoridade apontada como coatora. a medida liminar. dar provimento ao recurso.

desde que assentem em fatos imponíveis distintos. Luiz Nóbrega. da Constituição Federal. D. NOTAS TAQUIGRÁFICAS: VOTO DO RELATOR A tributação. não é excludente da espécie taxa. goza de legitimidade constitucional? 95 .Adaucto Correia de Araújo. do Código Tributário do Estado de Pernambuco. pelas razões expostas em mesa e constantes das notas taquigráficas. Lima. editada no inciso III.João Guerra Barreto. Amaro de Lira e César – Vencido. Cláudio Vasconcelos. 15. 788 e 790. ante a distinção decorrente do seu fato gerador. Natanael Marinho. Rodolfo Aureliano. do art. 786. e que objetiva a manutenção do serviço de extinção de incêndio. no entanto: a taxa de bombeiros enunciada nos arts. Fui presente: . Indaga-se. Vingou no Supremo Tribunal Federal a inteligência de que podem coexistir essas duas espécies do gênero tributo. Gabriel Lucena Cavalcanti. sob a forma de imposto único.

todavia. constituindo autêntico imposto porquanto visa atender encargo de ordem geral da administração pública. mas de todos aquêles aos quais o serviço fosse prestado ou posto à sua disposição. apenas contra o voto do Ministro Vítor Nunes Leal entendeu que a taxa de bombeiros não se situa no âmbito conceitual de taxa. que. com uma objetividade analítica irrespondível. “não há estabelecimento ou contribuinte que mais provàvelmente venha a se beneficiar dêsse serviço do que quem lida com um combustível tão inflamável como a 96 . o douto Ministro Vítor Nunes Leal sustentou. oferecido a tôda a população. não de determinadas pessoas jurídicas. em decisão tomada por maioria de votos – aliás. para mim. muito valem. instituída no Código Tributário de Pernambuco. não importa numa coleção de julgados imutáveis.O Supremo Tribunal Federal. Tal entendimento consta da súmula de julgados do Pretório Excelso. prestado aos contribuintes ou postos à sua disposição. jamais remunerar serviço público específico. Êles são passíveis de revisão. a legitimidade da taxa de bombeiros. mantendo o Estado de Pernambuco um serviço contra fogo. Emprestando outra compreensão conceitual à figura da taxa. Para ser classificado como taxa o tributo em causa deveria ser exigido. Ressaltou que.

mas a todos que transitam. Incidem sôbre os que exerçam atividade ou que estejam em situação mais diretamente relacionada com o serviço. de início. laborando em equívoco. Muitas outras taxas apresentam essa característica. No que pese. Entendimento correto. a taxa de calçamento incide legìtimamente sobre o proprietário do prédio confinante da via pública. “Concluindo exemplificativamente: A taxa de calçamento não beneficia apenas o proprietário do prédio marginal. uma das características da taxa é que incide sobre uma parte da população que. possa ser mais diretamente relacionada com o serviço cuja remuneração se cobra. em tese. a Côrte Suprema acolheu a exegese de que a cobrança de taxa. ainda. taxas e contribuições de melhoria. pela natureza de sua atividade ou por sua posição no conjunto das atividades sociais. Fêz ver. é compatível com a exigibilidade do chamado imposto único. no entanto. Como fiz ver. entretanto. A classificação das receitas públicas assenta. e.gasolina”. na vinculação econômica do indivíduo ou contribuinte para com 97 . o alto saber jurídico da maioria. que a generalidade da imposição não é característica da taxa. o colendo Órgão Julgador deixou à margem a melhor concepção de taxa. como ensinam os mais autorizados financistas e juristas modernos. acrescentando: Ao contrário. É sabido que o poder fiscal se faz presente sob três formas – impostos. por outro lado. pela rua. quando qualificou o serviço de extinção de incêndios como encargo de ordem geral.

o renomado SELIGMAN: A característica essencial da taxa é a existência de um benefício especial mensurável. em súmula. também. um interesse público predominante. Como expõe o Professor CAIO TÁCITO: Na taxa há o pagamento de um serviço realizado pelo governo tendo em vista o interêsse público. uma vantagem particular mensurável. mas dando ao contribuinte uma vantagem particular mensurável. vol. é que se torna beneficiário dos serviços públicos que objetivam satisfazer necessidades indivisíveis. Diz. O impôsto é o pagamento obrigatório para atendimento da parte indivisível do custo dos serviços públicos. a ausência de interêsse público faz do pagamento um preço e a ausência do benefício especial faz dêle um imposto. onde há uma taxa existe.o Govêrno. 521). mas. Aqui. o interesse individual constituir fator principal. Daí. pág. 98 . em se tratando de taxa. (In Revista de Direito Administrativo. Na verdade. bem assim na maior ou menor intensidade do interesse privado e do interesse público. como integrante da coletividade. ao mesmo tempo que um interesse público predominante. o particular. necessàriamente. enquanto para a incidência do imposto faz-se mister a presença do interesse comum. 44.

Ao passo que um serviço como o de proteção contra fogo. inclusive depósitos. Tenho como razoável a classificação legal do serviço de extinção de incêndios. são instituídos para satisfazer toda a comunidade. existentes. eis que ao lado do interesse público há. potencialmente. apesar de servir. tão só. A taxa de bombeiros de que cogita o Código Tributário de Pernambuco incide sobre as atividades comerciais. enquanto na taxa há uma obrigação fiscal destinada a atender serviços especiais. a todos os habitantes do Recife. uma vantagem particular mensurável. Aqui existe um interêsse mais amplo. vital ao próprio Estado. evidentemente. ensino primário. a determinada categoria de utentes. 99 . eis que guarda a característica visível de atender. mais em particular. polícia.O impôsto existe no interêsse da universalidade dos contribuintes. Daí êsse serviço ser especial e específico. na cidade do Recife (não no interior do Estado de Pernambuco) como um serviço público especial. industriais e equivalentes. foi instituído em atenção àqueles que mais diretamente dele podem se utilizar. É evidente que os serviços de defesa nacional. Por isso reclama para o seu custeio a espécie de tributo impôsto. etc. desde que assentam em condições essenciais ao viver em sociedade..

Vê-se aí que o legislador. ressalta o Estado moderno. ao fixar o ônus da taxa. ou ainda o fato de este ou aquêle indivíduo aumentar sensivelmente o custo do serviço. [. a par do caráter geral do interêsse público.agências ou escritórios comerciais ou industriais localizados na Capital do Estado. GASTON JÈZE.] distinguirá.. pág. (Estudos de Direito Público. entre os serviços prestados ao público. distinguindo ainda os cinemas. venham a se utilizar desse serviço específico. efetiva ou potencialmente. em parte pelos litigantes. no todo ou em parte. teve em vista os beneficiários mais diretos. 786.. RUBENS GOMES DE SOUZA. as dos segundos serão. que tem outra compreensão diversa desta que aqui defende. As despesas dos primeiros serviços serão pagas pela coletividade (impostos). E o fez ante a dificuldade de atingir a todos quantos. O encargo da taxa atingindo tais categorias de contribuintes não afetou a quem não tem a disponibilidade do benefício. etc. um interesse pessoal do indivíduo que requer o serviço ou faz funcionar a instituição. as despesas com a instrução pública. casas de diversões e aquêles que negociam com inflamáveis. Por sua vez. Exemplos: as custas judiciais serão pagas em parte pelos impostos gerais. citado por BILAC PINTO. aquêles que têm caráter geral e nos quais o interesse público é de todo predominante daqueles nos quais se pode distinguir nìtidamente. não 100 . 158). conforme estabelece o art. da mesma forma. para prestar serviços múltiplos e variados. cobertas pelos indivíduos mais especialmente beneficiados ou que forem a causa das despêsas especiais. comerciantes e industriais.

uma vez erigidos em elementos de definição do fato gerador. e é quem mais está na 101 . quem fixa unilateralmente – vejam bem: unilateralmente o montante da taxa? O Estado. interessa particularmente às categorias de contribuintes enumeradas no texto legal (art. a diferença pode ser muito tênue. pág. principalmente. Quem. estabelece a medida entre a unidade de serviço ou atividade e a vantagem individual do contribuinte? Mais simplesmente. não passam de pressupostos legais da incidência. Poderá parecer escandaloso dizer-se que isto é um conceito pré-jurídico: mas. reflita-se que a prestação ou a disponibilidade do serviço ou da atividade. em conferência pronunciada em São Paulo. 9). objeto da incidência tributária. E entre pressuposto legal e presunção legal. de Direito Administrativo. As normas traçadas pelo Código Tributário de Pernambuco se adaptam às exigências da vida prática. aliás. Quem define o serviço ou a atividade? 0 Estado. a 790). sobre as modernas tendências do Direito Tributário: Taxa é o tributo cuja cobrança se justifica porque um serviço específico foi prestado. Quem estipula que esse serviço ou essa atividade é de interesse público? O Estado. afirmou.pôde fugir a esta afirmativa. inclusive no que se relaciona com a essência econômica do fenômeno. 786. volume 74. ou porque o serviço ou a atividade está disponível para o contribuinte. feita. o eminente Ministro VÍTOR NUNES LEAL. A realização desse serviço público específico – serviço de extinção de incêndios. com irreprochável objetividade: Quem lida com combustível é quem mais necessita do serviço de prevenção contra fogo. ou porque uma atividade especial foi exercida. (Rev. Aliás.

por ser o mais provável causador de incêndio. 102 . do Código Tributário de Pernambuco. A mim não impressiona. que também podem dispor do benefício correspondente a essa taxa. que constitui o fundamento da sua instituição. cobrada dos proprietários de veículos motorizados. ela incide tão só sobre o proprietário do prédio confinante de via pública. Ninguém põe dúvida.obrigação de o remunerar. 773. Isto porque taxa há de incidir sobre aquêles que. que a taxa de calçamento beneficia. não vejo acerto no raciocínio daqueles que. que tive oportunidade de verificar no art. como sobrelevou o Ministro Vítor Nunes Leal. etc. Outro exemplo. que acolho. Com a devida vênia. no entanto. e. a circunstância de não haver uma incidência do tributo em causa sobre todos os cidadãos que podem se valer do serviço contra incêndios. carroças. e que não incide sobre os proprietários de bicicletas. encontra-se na taxa rodoviária. e até hoje o Supremo Tribunal Federal não considerou a taxa de calçamento como um tributo inconstitucional.. pela natureza da sua atividade. lembrado pelo ilustre Procurador dos Feitos da Fazenda Estadual. como o brilhante Ministro LUIZ GALLOTTI. além do proprietário do prédio marginal. possam ser mais diretamente relacionados com o serviço. face ao conceito de taxa. a todas as pessoas que transitam pela rua.

Introdução à Ciência das Finanças. como por exemplo.. 786 do Código Tributário de Pernambuco.. Pernambuco. Vol. pág. um imposto disfarçado. 192 e segs. vislumbrando. 392). para segurança dos proprietários e moradores. etc (Ver. Adm. I. eis que objetiva remunerar encargo de ordem geral. Baleeiro. XX quer no estrangeiro. o corpo de bombeiros. vol. onde ninguém de responsabilidade a contraditou até a ditadura de 1937 – 45. todos contestes quanto à caracterização acima resumida. Taxa de Recuperação Econômica. págs.120. Gostaria de ver respondida a indagação – Qual dos dois. 341 e Clínica Fiscal. 1953. ensejando a exigibilidade da denominada “taxa de água e esgoto” (recurso extraordinário nº 54. 156 e segs.194. págs.. 11 e segs. Diário de Justiça. ou Revista Forense. Rui Souza. Estudos de Direito Público. Bilac Pinto. ALIOMAR BALEEIRO: Quase todas as obras boas do fim do século XIX e do séc. quer o tenham sempre à sua disposição. essa noção doutrinária no Brasil... há cêrca de sessenta anos. mantido noite e dia. pág.. ex. quer dele se utilizem efetivamente os contribuintes. 5/3/1964. Veiga Filho. Alguns estudos brasileiros apresentam longo rol de definições ou conceituações da taxa por financistas das principais nações cultas..situam o serviço de água e esgoto como serviço público especial.. 1960. (Ver. vincula-se mais a um serviço público especial? Como expõe o Prof. porém. “taxa de água e esgoto” e “taxa de bombeiros”. 1958. 103 . na “taxa de bombeiros” editada no art. quer no Brasil. vol. distinguem dos impostos as taxas e as caracterizam como tributo pago exclusivamente pelos beneficiários de um serviço especial. Dir. 1958. págs. págs. Amaro Cavalcanti e sobretudo Rui Barbosa firmaram. 73. p. 2ª ed. 55 e segs.

de utentes. E. existe não com o caráter geral. cassando. especialmente considerado o caso do serviço de prevenção contra incêndio. como ressaltei. em outras cidades do Brasil. sendo prevalente. conseqüentemente. inclusive. [. muito embora haja entendido de modo diverso o Supremo Tribunal Federal. DECISÃO: DEU-SE PROVIMENTO AO RECURSO. que essa conceituação de taxa emprestada por aquêle órgão julgador não corresponde às modernas tendências doutrinárias em tôrno dos tributos. não há negar que há interesse público mesmo na taxa. ou poderá proporcionar. como alhures. por uma maioria mesmo esmagadora. Com estas considerações.Destarte. a determinadas categorias de pessoas. todavia. de contribuintes. PARA DENEGAR A SEGURANÇA E CASSAR A LIMINAR ANTERIORMENTE CONCEDIDA. tenho para mim. contra o voto do Ministro Vítor Leal. como poderia ocorrer em países onde há um maior desenvolvimento... que. aqui em Recife. o benefício que proporciona. de indivíduos. CONTRA O VOTO DO DESEMBARGADOR AMARO DE LIRA E CÉSAR 104 . a liminar concedida. o meu voto é dando provimento ao recurso. efetivamente. possibilitando. para cassar a segurança concedida à PIBIGÁS DO BRASIL S/A.]. a generalização conceitual de serviço dessa natureza. e sua litisconsorte ativa.

DEBATE-SE EM TÔRNO DE TEXTO LEGAL AUTO-APLICÁVEL. INC. NÃO FAZ NASCER INTERÊSSE DE TAMANHA RELEVÂNCIA QUE A EFICÁCIA DA DECISÃO DEPENDA DE SUA INTERVENÇÃO. INCLUSIVE. DESCABE O CHAMAMENTO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO COMO LITISCONSORTE NECESSÁRIO. POR DESMEMBRAMENTO. SEM AUDIÊNCIA DA CÂMARA DE VEREADORES (ART. BEM ASSIM ILEGAL À MINGUA DE AUDIÊNCIA DO PREFEITO (§ 3º. Dr. DA CONSTITUIÇÃO DE PERNAMBUCO). ENSEJANDO. COMO A LEI ORGÂNICA DOS 94 Transcrição fac-símile. 56. 4º. IX. 105 . TRATAM-SE DE NORMAS INSCRITAS EM RESGUARDO DA AUTONOMIA MUNICIPAL. VEZ QUE O FATO DE VOTAR E APROVAR A LEI. É INCONSTITUCIONAL A CRIAÇÃO DE MUNICÍPIO. POR SI SÓ. TANTO A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO. GERADOR DE SITUAÇÃO CONCRETA. Sr. DO ART.NÃO HÁ DE COGITAR NORMA “IN ABSTRATO”. DA LEI DE ORGANIZAÇÃO MUNICIPAL). 27. Djaci Falcão Câmaras Conjuntas EMENTA . COM ALTERAÇÃO DE DIVISAS DE UM MUNICÍPIO.Mandado de Segurança n. O PREENCHIMENTO DO CARGO DE PREFEITO DO NÔVO MUNICÍPIO.89894 Requerente: O Município de Jaboatão e Vicente Alberto Carício Requerido: O Exmo. Governador do Estado de Pernambuco Relator: Des.

em síntese. NÃO ERIGE NORMA ATRIBUTIVA DO PODER DE NOMEAR PREFEITO INTERINO. são arguidos. do invocado diploma. Sr. que nomeou um Prefeito interino para o referido Município. de 15 de fevereiro do ano em curso. contrariando o art. 18 da Lei da Organização Municipal de Pernambuco. do Governador do Estado. assim como ofensa ao art. 106 .898. relatados e discutidos êstes autos de mandado de segurança sob nº 56. que contém longa exposição jurídica. por contrariar a disposição inserida no art. e seus parágrafos. em que são requerentes o Município de Jaboatão e o Prefeito Vicente Alberto Carício.MUNICÍPIOS. ACÓRDÃO Vistos. 102. 9. de nova lei de divisão administrativa e judiciária. § 1º. Governador do Estado: Manifestam-se os impetrantes contra a criação do Município de Guararapes e contra ato nº 850. Consoante se vê da petição inicial. os fundamentos: a) Inexistência Constituição Estadual. da b) ilegalidade da elevação à categoria de Distrito da Vila dos Prazeres. e requerido o Exmo. PARA MUNICÍPIO RECÉM-CRIADO.

Pelo despacho de fls. com evidente ofensa ao estatuído no art. por último. porquanto a sede do Município recém-criado está encravada em propriedade privada. consoante exigência expressa no § 3º. Alegam ainda desrespeito ao disposto no art. A inicial está instruída com os documentos de fls. de 4 de janeiro de 1949. 27. e “de meritis”. 101 da Constituição Pernambucana. 28. inc. 55 v. face a criação do nôvo Município sem audiência da Câmara de Vereadores do Município de Jaboatão. Procurador Geral do Estado. da Carta Magna). I. com inobservância dos artigos 11. e também pelo fato de ter sido ouvido o respectivo Prefeito. suscitando a preliminar de não se conhecer do “mandamus”. os impetrantes. pela sua denegação (fls. da constituição do Estado. A autoridade apontada como coatora ministrou as informações de fls. da Lei nº 445. 107 . 68 a 79. 93 a 99). inc. da Lei de Organização Municipal. IX. inc. 4°. Oficiou o Dr. e 56 foi deferida a suspensão liminar do ato de nomeação do Prefeito interino. §§ 1 ° e 2º e 48. a ilegitimidade constitucional do ato de nomeação de um Prefeito interino para o nôvo Município (art. Sustentam. do art. VI.c) ofensa ao princípio da autonomia municipal. e a ilegalidade da sua posse. 24 a 53.

No curso do julgamento foi requerida a juntada de duas certidões. desprezadas as preliminares de . que os impetrantes se encaminhem. e de se converter o julgamento em diligência. Trata-se de arguição formulada no parecer do representante do Ministério Público. por maioria de votos. escusada em que se faz necessário “para a declaração de inconstitucionalidade principaliter.. Recife. Djaci Falcão – Relator [. pelo representante judicial do Estado.] NOTAS TAQUIGRÁFICAS VOTO DO RELATOR Há uma preliminar de não conhecimento do mandado de segurança. Isto pôsto: ACORDAM. de 20 de dezembro de 1963). Custas.. por unanimidade de votos. em sessão plena. os Desembargadores do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Adauto Maia – Presidente. conceder unânimemente a segurança impetrada. nos têrmos das notas taquigráficas.964. como de direito.não conhecimento do pedido. quanto à validade da criação de Município ( Lei nº 4. merecendo indeferimento. 20 de julho de 1964. através da 108 .

cabendo. gerador de situação concreta. 7º. tenho como juridicamente descabida a alegação de inidoneidade do meio processual buscado pelos impetrantes. decorrente de ato que assenta em lei indicada como inconstitucional. Sr. Os requerentes insurgem-se contra a criação do Município de Guararapes e a nomeação do seu Prefeito por ato do Exmo. Com a devida vênia. há uma provocação que objetiva um pronunciamento jurisdicional envolvente de caso concreto. Destarte. ao Supremo Tribunal Federal (art. ensejando. ao Poder Judiciário o resguardo da prepoderância da vontade expressa na Constituição sôbre a vontade do legislador ordinário. Governador do Estado. “Milton Emilio dos Santos 109 . Daí a nomeação do Sr.chamada ação direta. inciso VII. de modo particular. Debate-se em tôrno de texto legal auto aplicável. "e" da Carta Magna)". e também em choque com a Lei de Organização Municipal do Estado de Pernambuco. Os interessados arguem a violação de direito subjetivo. a lei malsinada já se encontra em execução. o preenchimento do cargo de Prefeito do nôvo Município. com alteração de divisas de um Município. É sabido que as normas jurídicas guardam uma hierarquia de valores. inclusive. Na espécie.

Doc. a decisão da controvérsia constitucional terá eficácia “inter partes”. inc. Portanto. eis que não guarda sentido de generalidade. jamais “erga omnes”. a preliminar de não conhecimento do “writ”. 87. inc. da Constituição Estadual. 27). alínea “e”. interinamente. § único. 7º. Ainda que não tivesse ocorrido a nomeação do Prefeito. 245. da Lei da Organização Judiciária. aqui.para exercer. não se faz mister a propositura da ação direta perante o Supremo Tribunal Federal. UNÂNIMENTE DESPREZOU-SE A PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA. de 21/2/64. a incidir sôbre determinada pessoa. Não há. a competência dêste órgão julgador está expressa no art. no que tange à criação do Município. da Constituição Federal. Desprezo. ter-se-ía um ato legislativo na iminência de execução. fls. assim. o cargo de Prefeito Município dos Guararapes” (ato nº 850. 110 . disciplinados pela Lei nº 2. encerra uma questão prejudicial. nº 4°. II. 8º. Finalmente. intentada através do Procurador Geral da República (arts. VII. uma apreciação de norma “in abstrato”. Por isso. e no que dispõe o art. alínea “g”. de 22/7/1954).271. A arguição de inconstitucionalidade é formulada “incidenter tantum”.

Enquanto o sr. Assim. 28. Prefeito do Município de Jaboatão. no seu art. nos têrmos do art. 18: Cada Estado se regerá pela Constituição e pelas leis que adotar.A lei disporá sobre a Organização Municipal do Estado. Por sua vez. inc. reivindica o direito de exercer o mandato que lhe foi outorgado por eleição. Vicente Alberto Carício. Reza a Constituição Federal. inclusive divisão administrativa. 28 da Constituição Federal e na forma prevista nesta Constituição. até que venha a se consolidar a autonomia do nôvo Município (Guararapes). de modo que aos Municípios fique assegurada a autonomia. 102: . Federal). Há legítimo interesse para agir. da Const. estabelece a Constituição de Pernambuco: Art.MÉRITO Não há dúvida que os impetrantes guardam legitimidade para invogar o mandado de segurança. o Município de Jaboatão defende um interêsse econômico. ante a sua competência impositiva fiscal sôbre o território desmembrado. sôbre todo o território do Município. II. observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. 111 . I – os autores alinham como primeiro fundamento a inexistência de nova lei de divisão administrativa e judiciária. Tal direito deflui da sua autonomia (art.

inciso I. Por isso.§ 1°: . com direitos e prerrogativas de natureza constitucional. 103 da Constituição Estadual. o art. compreender um ou mais Municípios (art. Dispõe.A divisão administrativa será fixada em lei quinquenal. à semelhança da divisão judiciária ( art. A divisão judiciária objetiva repartir o Estado em Comarcas. 112 . Enquanto a divisão administrativa tem por fim. Como é do saber de todos nós. de que é exemplo o princípio geral da preservação da integridade do seu território contra subdivisões desarrozoadas e extemporâneas. atendendo o interêsse politico-administrativo do Estado. baixada nos anos de milésimos três (3) e oito (8) para vigorar a partir de janeiro do ano seguinte. observados os parágrafos 1º e 2º do art. 124. em Pernambuco. 3º da Lei de Organização Municipal: Sòmente por lei quinquenal do Estado. através da divisão e demarcação dos territórios municipais. em Pernambuco. podendo hoje. o Município integra a estrutura dos Estados da Federação. alterados os limites dos existentes ou seus respectivos nomes. 82 da Carta Estadual). delimitar a competência administrativa. o legislador constituinte. poderão ser criados Municípios. da Constituição Federal). estabeleceu que a divisão administrativa será fixada em lei quinquenal. a seu turno.

como a de outros. Isso porque dos textos regulamentadores da matéria não se vê. Para mim não tem em maior signifição jurídica o seu parágrafo único. para o qüinqüênio 1964/1968. consoante se lê em seu art. (Lei nº 4. em decorrência dos Municípios ora criados. e a Oeste: a atual linha divisória do 2º Distrito com o resto do Município do Jaboatão. vasado nos seguintes têrmos: A nova lei que dispuser sôbre a divisão administrativa e judiciária do Estado. e o art. os limites da nova entidade de direito público. Por outro lado. do Município do Recife. Ao Sul: O Município do Cabo. de 20/12/1963). baixada em ano de milésimo três (3). perfilham uma 113 .Não há dúvida de que a criação do Município de Guararapes se operou. 3º: A presente lei entrará em vigor a partir de 1º de Janeiro de 1964. a obrigatoriedade de duplo texto de lei fixando a divisão administrativa do Estado. a lei em causa estabeleceu. ora em análise.964. 2º: Os limites do nôvo Município serão os mesmos do atual 2º Distrito do Município do Jaboatão. em detalhes. de modo claro. para efeito de eficácia da criação de Município. A Leste: O Oceano Altlântico. determinará. fixado pelo Rio Jordão. De modo que o parágrafo único do artigo 2º. 3º. os limites do nôvo município. E muito menos o art. juntamente com a Lei de Divisão Administrativa e Judiciária do Estado. através de lei quinquenal. assim discriminados: Ao Norte: A linha divisória que separa o atual Distrito de Muribeca dos Guararapes.

Procurador Geral em seu parecer: Mas. não existindo em obediência a princípio normativo constitucional. VIII. Em conclusão. Com a Lei Municipal nº 907. da Constituição do Estado. dado que não houve autorização da Assembléia Legislativa e a transferência não se deu no ano de milésimo três (3) ou oito (8). 18 da Lei de Organização Municipal. evidentemente. por disposição constitucional. a disciplina de dupla legalidade. não é ilegítima a criação do Município dos Guararapes. Interpretação das Leis Processuais. não era de ser negada eficácia à lei especial criadora de município. “se a lei não pode ser inconstitucional. ficou transferida de Muribeca para Prazeres. São Paulo. inc. ou de lei orgânica. isso porque. Teria essa mudança contrariado o art. Não há controvérsia no que tange à 114 . a sede do 2º distrito. Max Limonad. A omissão do legislador não poderia. conforme acentua Couture. 1956.simples praxe de elaboração de lei remissiva. de 20/8/1962. suspender a eficácia de disposição que em nada vai chocar-se com princípios e garantia individuais. o silêncio da lei não pode ter um sentido contrário à Constituição (v.Outro fundamento trazido pelos impetrantes da segurança é a ilegalidade da elevação à categoria de Distrito da Vila dos Prazeres. ainda que a matéria estivesse subordinada. sob êsse prisma. e art. pág. II. 122.27). Ao demais como argumenta o Dr. pelo simples fato de não haver sido elaborada a lei remissiva.

não gozando de personalidade jurídica. Quanto à observância das determinações do art. Quando se deu a transferência da sede do 2º distrito. passando a ter a seguinte redação: Nenhum Município ou distrito será instalado sem que prèviamente se delimitem os quadros urbanos e suburbanos da sede. isto é. não havia sido violada pela Municipal nº 907. pois juridicamente válida. de 3/1/1951. que é o Município. ainda que fôsse aplicável o art. sem importar em alteração dos limites da unidade administrativa. através da Lei Municipal nº 907. 122. É. havia desaparecido o requisito da autorização pela Assembléia Legislativa. o preceito e aplicável à hipótese da instalação do Município. inc.competência da Câmara Municipal (art. de 20 de agôsto de 1962. 102 da Constituição Estadual. da Carta Estadual). aí. com sua redação atual. à simples transferência de sede distrital. 18 da vigente Lei de Organização Municipal. e não de simples transferência da sede de um distrito. de Muribeca para Prazeres. Em suma. o Distrito é uma sub-unidade. sendo substituído pela exigência da delimitação dos quadros urbanos e suburbanos da sede. observadas ainda as determinações do artigo 102 da Constituição do Estado.025. o art. Cogita-se. 115 . 18 da Lei de Organização Municipal. Como é sabido. da instalação de Município ou distrito. de há muito estava alterado pela Lei nº 1. VIII. Ainda que fôsse aplicável o preceito.

Não se trata. Outro raciocínio situar-se-ia na área do absurdo jurídicointerpretativo.00). no mínimo.4º: São condições necessárias para a criação de Municípios. ou a incorporação de território a Município vizinho. proveniente de impostos. V . que estatui: Em representação dirigida à Assembléia Legislativa e assinada.000. de privativo e exclusivo direito de iniciativa de lei criadora de Município. 9º da citada lei orgânica. II . como se deduz da enumeração específica contida no seu art. ou a incorporação a Município vizinho. III . IV . Está consubstanciada a faculdade de representação dirigida à Assembléia Legislativa para a constituição de um Município. mediante a elevação da sede do Distrito à categoria de cidade: I .prédios de alvenaria na sede. Também não constitui condição essencial à criação de Município. compreendendo um ou mais Distritos. poderá ser requerida a Constituição dêste Município. delimitada.Além disso.população superior a dez (10) mil habitantes. prédios que possam servir de Paço Municipal e cadeia pública e permitam a instalação de escolas primárias.renda anual.área contínua. VI – que o desmembramento territorial não ocasione desequilíbrio no Município ou Municípios formadores da 116 . superior a cem mil cruzeiros (Cz$ 100. não atino para o socorro ao art. pela décima parte dos moradores maiores de dezoito (18) anos de qualquer território. é óbvio. em número superior a trezentos (300).estrada de comunicação com os municípios limítrofes e com a capital do Estado.

deixando à margem a 117 . da Constituição do Estado. Pelo exposto. 4º. 27. ou fusão de Municípios. Levantaram ainda o argumento de que houve ofensa ao principio da autonomia municipal. deixo de acolher esta segunda alegação dos suplicantes. de modo que fiquem os antigos sem as condições nos nºs II e IV. Em verdade. o legislador constituinte editou a seguinte norma: Art. e no art. 102 da Constituição do Estado. 27. É de se ponderar que o legislador se referiu. a consulta plebiscitária aos habitantes do distrito interessado na elevação à categoria de Município.resolver sôbre os limites dos Municípios. incorporação. VII . da Lei de Organização Municipal. com sanção do Governador: IX.alteração de limites.demonstração legal de que a área da sede do Município a ser construído não esteja nas condiç5es previstas no art. III .corpo eleitoral superior a mil (1. para alterá-los.Êles. as repectivas Câmaras.§3º. ouvindo.000) eleitores. inc. de modo evidente. à figura genérica . VIII .Compete à Assembléia Legislativa. Jamais objetivou alcançar as espécies anexação. A lei orgânica não estabeleceu como se verifica em outros Estados-membros. ante a inobservância do preceituado no art. não se detiveram aí. contudo.IX.nova unidade.

ou seja. para constituir um nôvo. e. incorporação. anexação. 118 . finalmente. usando a expressão técnica adequada. Dai o pressuposto constitucional . ao usar as expressões “resolver sôbre os limites dos Municípios”. fusão. incorporação. Não o fêz. por certo teria sido explícito. compreendendo quaisquer das espécies do gênero alteração territorial – anexação. que se pode conceituar como a reunião de um Município a outro. perdendo o incorporado a sua personalidade jurídica. para constituir nôvo Município. perdendo os primitivos a sua personalidade. em Pernambuco.audiência da Câmara de Vereadores . e. por isso estabeleceu o requisito da audiência das respectivas Câmaras. quís se referir às hipóteses de alteração de limites entre dois Municípios existentes. ou seja. É de se atentar para o legislador. união de dois ou mais Municípios. quís se referir à competência da Assembléia Legislativa para deliberar sôbre as alterações de limites dos Municípios(não entre Municípios).tornar-se imprescindível à legitimidade de quaisquer dos atos legislativos desmembramento. junção de parte de um território a Município existente. Dir-se-á que o legislador constituinte. separação de parte de um Município. isto é.figura do desmembramento. Se assim pensasse.

data vênia do entendimento manifestado pelo ilustre Des. [. de modo mais explícito. Não. 119 ..]. E.. Além disso. desde que houve o emprêgo do plural. ou seja. Ângelo Jordão. visa a competência legislativa para deliberar sôbre alteração de limites municipais. e a dispensa dessa audiência quando se cogita de ato mais relevante. como o desmembramento. em respeito à autonomia municipal. a fim de constituir um nôvo Município? Esta me parece a melhor inteligência. para dirimir controvérsia entre limites – tarefa reservada ao Poder Judiciário. A palavra resolver está empregada no sentido de deliberar. tenho para mim ser jurídicamente desarrazoada a proposta. DESEMBARGADOR DJACI FALCÃO: Como Relator. ou. por concordância morfológica era de se usar as expressões “as respectivas Câmaras”. do desfalque territorial de um Município.fusão. como se compreender a imperiosidade da audiência da Câmara de Vereadores para a simples alteração de limites entre dois Municípios existentes. “limites dos Municípios”. ou desmembramento. consagrada na Carta Política de 1946. de modo específico.

na apreciação dêste mandado de segurança. como ocorre na espécie. o coator ser chamado a juízo como representante dela. no âmbito de sua competência. Senhores Desembargadores. na parte condizente à criação do Município. independentemente dêsse chamamento para integrar a relação processual. O sujeito passivo é a pessoa jurídica de direito público. neste órgão colegiado. na apreciação da legitimidade constitucional de qualquer diploma legal. não vejo. inclusive. Por isso. as leis. quando nós cuidamos da chamada inconstitucionalidade formal! Para se deixar de aplicar uma lei que é inconstitucional. e o juiz singular. quer resultem da iniciativa de qualquer dos membros do Poder Legislativo. Jamais tive oportunidade de ver o chamamento do Poder Legisferante. normalmente. conforme acentua Seabra Fagundes. a sanção do chefe do Poder Executivo.Como sabemos. E quantas vêzes nós aqui. Daí. a 120 . numa apreciação incidenter tantum. Ângelo Jordão?! Quantas vêzes?! E isso ocorre. não se faz mister a convocação do órgão legisferante para integrar a causa. acoimada de inconstitucional. lembrado pelo ilustre Des. quer do chefe do Poder Executivo. hão de merecer. quer finalmente do Poder Judiciário. temos acolhido arguição de inconstitucionalidade de lei.

ter-se-ia de citar a Assembléia Legislativa. em tôda e qualquer hipótese de arguição de inconstitucionalidade formal ter-se-ia de ordenar a citação do Poder Legislativo para integrar a causa.. se ocorrer uma inconstitucionalidade formal. na conexão de causas. Onde o interêsse jurídico da Assembléia Legislativa ? A circunstância de votar e aprovar a lei não faz nascer o interêsse jurídico. Não há que falar em comunhão de interêsse no objeto da causa. ativo ou passivo. “admitir-se-á o litisconsórcio. na hipótese. quando fundado na comunhão de interêsses. 88 do Código de Processo Civil. data venia do voto emitido pelo Des. consoante se vê da própria sistemática do Código de Processo Civil. o meu voto. [. Tenho para mim que. E tal entendimento. é desprezando a preliminar. consoante está expresso no art.] DESEMBARGADOR DJACI FALCÃO: Assim sendo. como litisconsorte necessária. se prevalecesse tal entendimento. Por isso. porque. ou na afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito”. é evidentemente descabido. em tôda e qualquer ação em que se aventasse 121 . para ser chamada a Assembléia Legislativa.. Assim.necessidade de se converter o julgamento em diligência. Ângelo Jordão.

UNÂNIMEMENTE. Exa. em que se tenha apreciado a chamada inconstitucionalidade formal. Cid Sampaio...inconstitucionalidade formal. E até hoje não vi uma só ação neste Tribunal inclusive com participação de V. E exemplifico: .ao tempo em que era governador do Estado o Dr.. tivemos diversos casos de mandado de segurança contra a criação de municípios.] FOI DESPREZADA A PRELIMINAR DE SE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. com a prática dêste chamamento.. CONTRA OS VOTOS DOS DESEMBARGADORES ÂNGELO JORDÃO E ADAUTO CORREIA DE ARAÚJO. 122 . e jamais a Assembléia Legislativa foi chamada como litisconsorte. ter-se-ia de fazer sua citação.] DECISÃO: CONCEDEU-SE A SEGURANÇA.. [. [.

TERCEIRA PARTE O PRESIDENTE DJACI ALVES FALCÃO .

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que estava com a publicação atrasada havia quase dois anos. Djaci Falcão assumiu a Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Em sua gestão. o magistrado declarou que não pouparia esforços “no sentido de realizar uma administração compatível com a respeitabilidade do Poder Judiciário”.O Presidente do TJPE Em 1961. A sessão para a eleição do novo presidente foi convocada extraordinariamente. atualizou as edições da revista Arquivo Forense. passou a publicar um índice alfabético dos acórdãos do Tribunal de Justiça de Pernambuco. órgão que apreciava os casos de indisciplina referentes aos juízes de Direito da Capital e do Interior. uma vez que os integrantes do Tribunal estavam em férias forenses. Apesar de não ter preparado nenhum discurso para a ocasião. Djaci Falcão foi eleito com sete votos. em Primeira Instância. eleito para a Vice-Presidência. compor o Conselho de Justiça do Estado. 125 . Os desembargadores Rodolfo Aureliano e Cláudio Vasconcelos foram os escolhidos para. juntamente com Djaci Falcão. Numa iniciativa inédita no Judiciário estadual. O presidente assumiu a mesa diretora junto com o desembargador Adauto Maia.

126 .Desembargador Djaci Falcão na sua posse como Presidente do TJPE.

QUARTA PARTE DISCURSOS .

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revejo aquele instante feliz e. no TJPE. 95 Falcão. Pronunciamentos. p. havia em mim o natural contentamento de haver conquistado. quando tomava posse no cargo de Juiz de Direito.Discurso do Ministro Djaci Falcão. Recém-formado. João Pessoa: Universitária/UFPB. de certa apreensão. da iniciativa de autênticos obreiros do direito . para ganhar paz contínua no exercício do ideal jamais abandonado. em agradecimento às homenagens do TJPE. 1113. Discurso proferido pelo Ministro Djaci Falcão. fui das apreensões me libertando. guardando fé no apostolado que abraçara. Djaci. com amor ao estudo e sem temor do trabalho. Mercê de Deus. perante o austero e saudoso Des. advogados e promotores públicos. o cargo de Juiz. em agradecimento às homenagens que lhe foram prestadas pela nomeação para o STF. aliado contudo a indisível preocupação de bem exercer o elevado mister. e prestigiada por figuras as mais expressivas do nosso meio. a 29 de dezembro de 1944. pela nomeação para o STF 95 Ao receber esta consagração generosa. 129 . no dia 10 de fevereiro de 1967. mediante concurso. porque não dizê-lo. Neves Filho.juízes. por mim vivido.1998. Transcrição fac-símile.

em prol da ordem constituída. se não ornada do maior brilho. Para tanto não me descurei dos reais fatores de evolução social e das mutações do próprio sistema jurídico. Chamado a participar do Supremo Tribunal Federal levarei da vivência humana desta região e da experiência profissional uma contribuição que. João Jungmann. 130 .Estes os lindes do itinerário da minha vida judicante. vi acalentada a minha aspiração maior. está lastreada de boa vontade e de patriotismo. pude colher ao vivo na faina cotidiana a predominância da seriedade e do marcante espírito público. Ao lado de nobres colegas. da comarca de Serrita à cadeira que há dez anos galguei neste Tribunal de Justiça. Não esquecerei as lições de independência. ministrar justiça em conformidade com os ideais jurídicos correspondentes ao nosso estágio cultural. Inspirado no mérito dos eminentes pares. Assim. Rodolfo Aureliano e Evandro Netto. no meu discreto entusiasmo não poupei esforços no sentido de alcançar o objetivo comum. para nomear apenas os que deixaram a vida temporal. em chegando aqui. como Edmundo Jordão. Dirceu Borges. de imparcialidade e de profundo sentimento de justiça hauridas nesta sublime casa e de que foram mestres inexcedívies os Desembargadores Luiz Marinho e Thomaz Wanderley. tranqüilamente.

vivo a nutrir a minha fé no direito e no ideal de justiça que todos os homens aspiram. sem a preocupação de se exibirem como donos da verdade científica. por advogados de aguçada inteligência e notável saber. do orgulho ou da vaidade vã. Com discrição. mas decidida colaboração ao objetivo impessoal de aplicar a lei e fazer justiça. expressão formal do direito. último reduto do direito. Na conjuntura atual. deixando-o pobre de paz interior. tive a fortuna de emprestar modesta. que tanto esvasiam o homem. Tenho procurado manter bem vivos os sentimentos de humildade e fraternidade. ou através de brilhantes e dedicados representantes do Ministério público do Estado. firmeza de propósitos e obediência ao ordenamento jurídico-positivo. e dos dirigentes do Poder 131 . que tanto enchem a vida em plenitude. impõe-se a soma de esforços dos integrantes do Poder Judiciário. dos participantes do Poder Legislativo que guarda a altaneira função de criar a lei.Aqui experimentei inesquecívies emoções nos debates de questões trazidas ao nosso julgamento. após uma parada na demagogia e nos antagonismos estéreis que tanto degradaram a nação. Sou feliz em poder proclamar que no meu espírito não vagueiam os demônios da inveja. Ao lado de homens portadores da vocação de servir ao direito.

Sinto-me feliz e recompensado em ser Juiz. sinto-me feliz por guardar a convicção de que. 132 . da essência de uma sociedade cristã.Executivo. Mau grado as canseiras e. às vezes. de modo a proporcionar a natural evolução do regime democrático dentro de uma diretriz que se estruture em autênticos fundamentos jurídicos e éticos. na sua não menos edificante tarefa. não houve um desencontro meu com o destino. único caminho capaz de propiciar o bem estar dos homens. as incompreensões decorrentes do exercício da sublime missão de julgar. e que para tanto não faltará a ajuda dos representantes do Ministério Público e dos advogados militantes. levo a esperança de que a linha de equilíbrio judicante permanecerá enaltecendo a justiça pernambucana. valor imperecível. A todos resta-me dizer que não me arredarei do propósito de bem servir a Justiça. Sou profundamente reconhecido a esta fidalga manifestação. fértil de elogios generosos. Ao deixar o excelente convívio dos meus colegas de magistratura. até hoje.

Ideal que oscila conceitualmente em nossa visão limitada e finita. Olinda. outros. Pronunciamentos.a dignidade da pessoa humana visando alcançar o ideal de justiça que todos os homens aspiram. tão diretamente ligado esse princípio superior. equipara-se à santidade. Uns. no Mosteiro de São Bento. ao presidir a sessão solene de abertura do ano sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil. 133 96 . que para alguns teólogos. em 11 de agosto de 1976. 1998. Falcão. Djaci. para o mundo do positivismo. Discurso proferido pelo Ministro Djaci Falcão. 101-103.Discurso do Ministro Djaci Falcão na abertura do ano sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos 96 Iniciamos hoje as comemorações do ano sesquicentenário da criação dos cursos jurídicos no Brasil. João Pessoa: Universitária/UFPB. da essência do ser . p. Transcrição fac-símile. voltados para as concepções do direito natural. mas todos com os olhos postados no Direito. Olhandose para a história do estudo em Olinda e no Recife vê-se um desfile de idealistas. e. Presidente do Supremo Tribunal Federal. alimentados pela ânsia do saber e pela crença no Direito. afora outras linhas de pensamento. Olinda e São Paulo desfrutam o privilégio de constituírem o berço do ensino do Direito entre nós.

Um palco rico de personagens nos sucessivos estágios do nosso desenvolvimento cultural. Por isso mesmo. enfim o fato político. O fato econômico. no complexo sistema de valores do homem e da comunidade. qualquer deles guarda. com uma visão dos alicerces da construção jurídica e social através dos tempos.De então aos nossos dias mostra-nos a história o relevante papel de bons mestres e discípulos. torna-se também necessária a palavra do jurista. uma vinculação com o ordenamento jurídico. sem se tomar um autômato ou sem guardar preconceito negativista. na ordem da convivência humana. o fato social. com maestria. revela a missão eloqüente indispensável e insubstituível do jurista. projetando as luzes do seu pensamento dentro e fora da Escola. Naturalmente daquele que. em busca do melhor. As palavras dos professores Everardo Luna e Nilo Pereira esboçaram. de figuras amantes das melhores tradições da ordem jurídica. normalmente. procura atuar com a dedicação do mediador. 134 . com a imagem do todo. no âmbito dos conflitos de valores e de interesses. e retrato daqueles que se altearam no mister de ensinar. no cenário jurídico e político da sociedade brasileira. granjeando a simpatia dos seus contemporâneos e a veneração dos pósteros.

para os desafios da vida.a justiça na vida temporal. Um instante de afeto que vivifica o nosso nada. ninguém cuida de negar. com alegria. Como cultor das letras jurídicas. Daí dizer George Ripert. e que traz o nome daquele que há 33 anos passados. nem que esta evolução se haja precipitado ao fim do século passado e inicio deste. "que o Direito evolui. Permitam-me agora. O Direito não perece. Se aqui me encontro cumprindo.Francisco Cândido de Mello Falcão. na constância da sua finalidade .o desenvolvimento integral da Nação. de encontrar-se dentre os que recebem o título de bacharel um dos meus filhos. cheios de esperança. evolui e subsiste. Mas dizer que ele evolui é por isso mesmo reconhecer que o essencial subsiste".Nunca é demasiado lembrar o respeito e a observância dos misteres privativos de cada área do saber e da atividade profissional. em busca do êxito desse compromisso maior . colocava em minha mão direita o rubi que hoje transfiro ao seu neto . o dever de reverenciar a excelência do saber trabalhado por homens do nosso meio. que fale na primeira pessoa. cresce esse sentimento pela feliz coincidência. de que tanto me 135 . Ao lado de meu filho vejo outros jovens que também despontam. na magistratura e na Faculdade de Direito do Recife. comovido como eu. Não se deve deixar arrefecer o culto do Direito.

colaborando com os elevados propósitos de gerações que se sucedem. Espero que guardem uma viva consciência desta verdade. em busca desse objetivo imperecível .a paz na sociedade dos homens. 136 . na universalidade dos seus princípios científicos e filosóficos. é parte da essência cultural de um povo. trago-lhes um conceito para reflexão: o direito.envaideço.

Transcrição fac-símile. de ânsias. pregador de fascinantes idéias entre as quais se acha a da sublime causa da abolição da escravatura. que vinculam e irmanam os homens deste admirável e ainda sofrido Nordeste. como vós também o sabeis. p.Discurso do Ministro Djaci Falcão ao receber o Título de Cidadão de Pernambuco97 De há muito venho participando do bom convívio de pernambucanos. Mostra-nos a história que pernambucanos e paraibanos sempre souberam manter uma unidade de propósito 97 Falcão. Sei. aos quais também me acho ligado em virtude do "jus sanguinis". esta augusta Casa que assumiu a responsabilidade de guardar o nome da nobre figura de Joaquim Nabuco. Pronunciamentos. uma seqüência de emoções. Agora. confere-me o título. Discurso do Ministro Djaci Falcão ao receber o título de Cidadão de Pernambuco concedido pela Assembléia Legislativa do Estado no dia 19 de outubro de 1976. 137 . de cidadão Pernambucano. enfim. de aspirações. 1998. orador e escritor exímio. que há. amante dos temas políticos. honroso sob todos os ângulos. pela descendência paterna. 105-111. de modo geral. João Pessoa: Universitária/UFPB. uma continuidade de laços de justas ambições. Djaci.

mas um conjunto orgânico. Esta é sem dúvida. repelindo o invasor estrangeiro. e acima de tudo. sem perder de vista. uma tarefa do interesse de todos nós. na medida das suas forças. para a grandeza do todo que é a nação. procuram superar deficiências e desequilíbrios. que não é apenas natureza. numa Comunhão de vontades. de pensar e de agir daqueles que. pessoa. os princípios éticos e políticos que 138 . compõem a sociedade. com bravura. têm convergido sempre. em que nasceram e se aprofundaram as raízes da brasilidade. incumbidos. assim como souberam colaborar nas revoluções libertárias. ao lado de todos os outros nordestinos. acima de antagonismos improdutivos. na fase contemporânea. A sociedade humana não é um todo mecânico e massificado. em busca do bem-estar nacional. em conjunto. A sensibilidade e a imaginação do homem desta região. cabe auscultar as maneiras de sentir. mas. no qual o homem desempenha um papel relevante para a consecução de uma existência digna. da feitura das leis. Aos legisladores. em busca de melhores horizontes para o homem.diante dos desafios que se antepõem em seus caminhos. por excelência. homens públicos ou dos múltiplos setores da atividade privada. é claro. sem distinção de classes ou de profissão. E. Pernambucanos e paraibanos lutaram.

o grande juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos. Aí se insere a arte de 139 . Sem se desprezar a importância dos debates políticos sobre temas elevados que valorizam o parlamentar como homem de Estado o desempenho legiferanate é sem dúvida um encargo que enriquece o Poder Legislativo como manifestação de ciência e arte. para que se apresente um pensamento certo. Como assinala Reed Dickerson: Um bom Governo necessita de leis que digam o certo de modo certo na linguagem mais clara mais simples e mais acessível. para que se evitem o atrito e a desagregação dos componentes do todo". a forma e a substância exigem reflexão amadurecida.informaram o seu nascimento. Todos nós devemos respeito à lei como "a expressão de um princípio de ordem a que os homens se devem conformar na sua conduta e em suas relações recíprocas. como membros da sociedade. no dizer de Benjamin Cardozo. Mas. no desempenho da alta missão administrativa e política ou de governo. mediante expressões claras e concisas. Na criação legislativa do direito. não é só isso. a compreender a complexa e multiforme ação do Estado. Ao lado da função do Poder Legislativo põe-se a atividade do Poder Executivo. ao lado da Oportunidade e conveniência da sua disciplinação.

homens do executivo e juízes devem ter presentes a afirmação de Jacques Maritain: 140 . as funções do Estado não se esgotam nas atividades do Legislativo e do Executivo.conduzir a coisa pública com austeridade. porém estranhos entre si. Guardando cada um sua competência constitucional. como sabemos. Claro que adaptada às experiências de estrutura da complexa sociedade moderna. com as forças do bom senso e do senso comum. aprimorada por Montesquieu. deve haver entre eles uma elevada coexistência e interdependência. sem dúvida. Legisladores. O fortalecimento deste vínculo é. E a história tem demonstrado a excelência desse postulado de ciência política. Para se alcançar o justo equilíbrio de sua mecânica é que na fórmula do Locke. imprescindível á preservação e à evolução das instituições democráticas. eficiência e firmeza. não dispensam as relações recíprocas e harmônicas entre os poderes. Mas. ainda permanece no regime democrático como a melhor solução para o exercício do poder estatal. Não obstante sujeito. na prática. e. Vale assinalar ainda que a distinção e independência. harmonizando os conceitos da razão universal à fecundidade do viver humano. equilíbrio. fruto dessa divisão orgânica. foi valorizada a função judiciária. por isso mesmo. não são. a desequilíbrios.

Há, em virtude mesmo da natureza humana, uma ordem ou disposição que a razão humana é capaz de descobrir, e segundo a qual deve a vontade humana agir, para se harmonizar com os fins necessários da criatura.

Este raio de luz inato há de se completar pelo direito positivo, a fim de que se discipline a ordem exigida pela sociedade, com a devida proteção às legítimas atividades do homem, á vista dos deveres e obrigações para com o seu semelhante e em relação ao todo social. O juiz, no labor quotidiano, nunca deixa de ter uma resposta intuitiva vinculada à idéia de justiça. Acontece que, mesmo em face dos padrões éticos e legais de avaliação, nem sempre é fácil prevenir ou remediar aquilo que desperta o sentimento de injustiça. Os caminhos do juiz no mundo das leis, que tanto o ajudam, mas que ora perdem a atualidade, e, às vezes, já nascem velhas, nem sempre são tão suaves como se pode imaginar. Por isso mesmo, em certas ocasiões, resta-lhe o recurso ao raciocínio construtivo, para a adaptação do preceito legal a novos componentes sociais, econômicos e culturais, a fim de superar o descompasso entre o direito legislado e o moto-contínuo que é a vida da sociedade. Outras vezes, tomase complexa a colocação e solução de certos problemas quando a norma legal padece de impropriedades técnicojurídicas, que embaraçam e dificultam a sua aplicação,
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normalmente à míngua da boa ajuda do jurista. Aí não compete ao juiz negar a lei, porém emprestar-lhe uma percuciente e substancial colaboração exegética, valorizando-a para que atinja a sua finalidade. Isso, é óbvio, se ela não exorbita do sistema constitucional. Tudo isso, bem o sabeis, não passa de uma singela síntese da importância da atividade judicial na tarefa da aplicação, da transformação e da própria criação do direito. Mas, a meu ver, suficiente para refletir o grau de responsabilidade que recai no cenário da vida, sobre este personagem - o juiz. Como se pode avaliar, não é fácil o bom desempenho do nobilitante ofício. Exatamente por isso, o juiz, mais do que muitos outros mortais, carece de condições especiais para um adequado preparo profissional, meios que lhe possam proporcionar a conquista do saber científico e a tranqüilidade de espírito. No desempenho do seu inconfundível mister, deve situar-se numa linha de independência, serenidade e largueza de vistas, voltado efetivamente para os valores - verdade, segurança jurídica e justiça -, com apoio no equilíbrio imprescindível entre a liberdade e a ordem, para que sejam resguardados tanto os legítimos interesses do indivíduo, como o bem-estar social.

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Não me poupo de proclamar a importância do Poder Judiciário, como expressivo meio de absorção de conflitos de várias categorias, que surgem aqui e alhures, numa contribuição sem maior publicidade, porém de marcante relevo na conquista da paz pública. Vinculado aos princípios da ordenação jurídica e, de modo particular, ao Poder Judiciário, do qual participo há mais de trinta anos, durante uma vida, inclinei-me

naturalmente para estas considerações que acabo de expor. Aos eloquentes e generosos pronunciamentos dos ilustres deputados Carlos Veras e Antônio Airton Benjamim respondo dizendo que ao longo desse período, não em uma torre de marfim, mas numa cadeira de juiz, vendo e ouvindo, refletindo e meditando sobre os aspectos mais variados e ricos da sociedade, da qual também tenho participado como qualquer cidadão, venho procurando servir, sob os ditames sublimes da justiça á vida pública do nosso País. Com alma de sertanejo, daquele que não esquece os caminhos e a veredas da sua região, guardo, graças a Deus, imagens fortes e bem coloridas dos encantos da infância em Monteiro, minha cidade natal dos anseios da juventude e da minha vida de juiz em nosso mundo nordestino, onde num gradual e largo campo de aprendizagem pude conquistar, sem

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vaidade, certa familiaridade com o direito e as ciências da sua constelação. Sempre pensei como Matias Aires: "A ciência de fazer justiça é donde a vaidade é mais perniciosa". E, de degrau em degrau de estudos e de saber vivido, procurando aproximar-me daquelas linhas de conduta que pertencem à natureza do magistrado, fui me libertando das primeiras e naturais preocupações, para alcançar paz contínua no exercício do grande ideal. Tive a fortuna de cedo participar da nossa egrégia Corte de Justiça estadual, da qual guardo magníficas reminiscências de convívio e de aprendizagem com nobres colegas, com admiráveis figuras do Ministério Público e da atuante classe dos advogados. Atraído também pelo magistério, na Faculdade de Direito da Universidade Católica e na velha Faculdade de Direito do Recife, pude desfrutar um contato mais ordenado com a doutrina jurídica, além do proveitoso relacionamento com os estudantes. Jamais me empolguei com certos conceitos equívocos, como, para dar um exemplo, o de que nas chamadas ciências exatas e na técnica se encontra tudo o que tem valor, na ordem do saber. Acima de tudo, tenho procurado me inspirar numa síntese do saber sobre o mundo, saber conhecimento, na sua ampla acepção, a compreender também
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o imprescindível saber espiritual, com o pensamento voltado não somente para as coisas, na sua materialidade, mas para a riqueza inesgotável do ser humano. Não obstante o labor intenso e incessante no Supremo Tribunal Federal, que nos faz amanhecer ás voltas com processos em que, por vezes, deparamos com sofrimentos e tensões, nos quais se vê a imagem dos desafios de conduta na sociedade dos nossos dias, paradoxalmente tão rica e tão pobre, não me faltam momentos de expontâneas recordações desde aquelas ligadas ao afeto de familiares e amigos às que se prendem à seara da magistratura e do magistério superior. Pela minha imaginação desfilam episódios e personagens, da minha primeira Comarca - Serrita -, até grandes e, às vezes, pitorescas passagens com alguns colega da magistratura. Uma tarde seria pouco para expor os painéis daquelas impressões que não morrem. Pernambuco, síntese bem apurada e

representativa da riqueza humana do nordestino, foi a terra natal em que plasmei a minha vida a partir da juventude, ingressei na atividade pública e criei raízes de família. Apesar da larga e significativa seqüência desses fatos, que não se confundem com um encontro superficial, reconheço que a outorga deste título constitui um generoso

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sem o qual não se pode alcançar uma vida mais equânime e mais feliz. uma honraria a mais dentre outras que nunca imaginei merecer. pelo apreço e pelo afeto. 146 . Comove-me mais ainda nesta solenidade presenças que me são caras. Senhores Deputados: Recebo esta láurea com o pensamento no relevante papel do jurista na estrutura da nova sociedade e no ideal de justiça tão ligado à nossa sensibilidade.louvor.

Carta de despedida do Ministro Djaci Falcão, em virtude de sua aposentadoria
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Nesta data foi publicado no Diário Oficial o ato de minha aposentadoria como Ministro do Supremo Tribunal Federal, cargo que representa láurea máxima, especialmente para quem se dedicou à sublime missão de Juiz desde o verdor dos anos. Durante quarenta e quatro anos de efetivo exercício pertenci ao Poder Judiciário, galgando todos os degraus da magistratura no Estado de Pernambuco, onde integrei o egrégio Tribunal de Justiça, por um decênio, tornando-me seu Presidente em 1961. Em fevereiro de 1967 ascendi à nossa Corte mais alta, sucedendo ao eminente e sempre lembrado Ministro Antonio Martins Villas Boas. Tive a fortuna de exercer a sua Presidência no biênio 1975-1976. Percorri também os caminhos da Justiça Eleitoral, exercendo, inclusive, a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco e do Tribunal Superior Eleitoral, nos quais não
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Falcão, Djaci. Pronunciamentos. João Pessoa: Universitária/UFPB. p. 191-192. 1998. Carta de despedida do Ministro Djaci Falcão, em virtude de sua aposentadoria, em Recife, 30 de janeiro de 1989. Transcrição fac-símile. 147

medi esforços para o aperfeiçoamento do processo eleitoral adequado ao regime democrático. Nesse itinerário, de Juiz singular a membro do grande órgão de equilíbrio entre os Poderes no mecanismo do sistema político federativo, nutri indeclinável entusiasmo e encanto pela realização do Direito, pairando no meu espírito a constante preocupação de bem servir à Justiça, buscando a "igualdade de proporção que realiza a justiça, tratando cada qual segundo o que lhe é devido, e, antes de tudo, todo homem como homem", na feliz meditação de Jacques Maritain. Devo dizer que não se deve subestimar a missão do Poder Judiciário, a quem se incumbe a solução derradeira dos conflitos de várias espécies, numa sociedade complexa, cheia de tensões e de almas inquietas. Daí por que sempre me empenhei, com objetividade, acima de qualquer sectarismo, pela valorização do magistrado e por modificações na estrutura judiciária, para a modernização dos serviços necessários ao seu regular funcionamento. O Supremo Tribunal Federal, nos limites conferidos pela Constituição sem delírios de grandeza, com imperturbável serenidade e altivez, na trajetória de secular história tem a sua atuação jurisdicional voltada para o cumprimento do direito positivo e efetivação dos valores da Justiça.
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Tive o privilégio de conviver com insignes magistrados. Levo comigo o justo orgulho de haver exercido o cargo de Juiz dessa Corte modelar. É-me grato proclamar a colaboração dos

membros do Ministério Público Federal, hoje representados pelo Dr. José Paulo Sepúlveda Pertence, ilustre ProcuradorGeral da República, e dos nobres advogados do País. Registro ainda, nesta oportunidade, os meus agradecimentos pela colaboração valiosa dos funcionários do Tribunal e, particularmente, aos do meu Gabinete, exemplares na dedicação ao serviço público. Orgulhoso da terra em que nasci - a Paraíba, e de Pernambuco, terra de minha formação intelectual e do meu alvorecer como Juiz, retorno agora às raízes com natural contentamento. Ao encerrar o ciclo da minha vida de magistrado, com muita paz interior, graças a Deus, reitero a Vossa Excelência e demais colegas e amigos os meus protestos de profunda consideração e de pessoal apreço.

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QUINTA PARTE DOUTRINA .

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O intenso e incessante progresso material da civilização moderna. Arquivo Forense. de certo modo. Transcrição fac-símile. E dessa assustadora transformação resultou. em comemoração do 11 de agosto de 1955. 153 99 . na transformação e na circulação da riqueza. como natural consequencia. 1955. jan. se faz sentir a primazia da máquina. em que. na grande e na pequena indústria. coadjuvando os esforços do homem na vida temporal trouxe consigo. Recife. 3-31. e no ininterrupto movimento de seres humanos. realizado entre magistrados pernambucanos. para a França ou Alemanha. 33. à Inglaterra ou aos Estados Unidos. p. no “Concurso de Trabalhos Jurídicos da Magistratura”. o maior relêvo do problema da FALCÃO. Trabalho classificado no 1º lugar. uma revolução econômica e uma inquietante situação social. quer no Brasil ou na Argentina.Da responsabilidade civil 99 INoção Geral II. 1954/dez. Djaci. v. Da responsabilidade civil.Extensão da Responsabilidade do Preposto ao Preponente I – Noção Geral: a) – Sua conceituação. presente nas cidades e nos campos.

Em que pesem os benefícios provenientes das relações entre o homem. 21). inclusive para a expansão de natureza cultural. e. A responsabilidade civil torna-se dia a dia. um assunto complexo e mais cativante. deparei me no seu início. que HENRI e LEON MAZEUD não hesitaram em confessar “a tentação de enfrentar o tema sem o definir” (pág. da autoria do douto AGUIAR DIAS. surgiram novos aspectos da responsabilidade jurídica. dada amplitude de seu domínio. Dans a défitnition même se font jour en effet les 154 . e manuseando a obra desses eminentes Professores da Faculdade de Direito de Paris. Li em “Da Responsabilidade Civil”. c'est bien celui de la responsabilité civile. como na esfera civil. qualquer que seja o sistema de direito a viger. Pela relativa dificuldade da sua definição. com as seguintes palavras: S'il est un sujet qu'on soit tenté d'aborder sans le definir. Isso sem falar na responsabilidade moral que. figura entre aquêles institutos que melhor se podem conceituar que definir. dos eventos técnicos e da densidade demográfica. tanto na ordem penal. necessariamente. em razão do desenvolvimento das máquinas. nem sempre se vincula àquelas.responsabilidade jurídica. a técnica e a máquina. mais frequentes se tornaram os danos.

a frequência dos riscos a denunciar a insuficiência individualistas. supposer nécessairemente un conflit qui s'éléve entre elles. que a obrigação seria inexistente se o credor e o devedor são um só mesmo personagem. ponderável crítica à doutrina clássica da responsabilidade civil. ("Traité Theorique et Pratique de la Respon· sabilité Civile. vol. I. a multiplicidade das relações humanas e das transações jurídicas. quatrié me edition. Delictuelle et Contractuelle". I. Disons donc qu'une personne est responsable chaque fois qu'elle doit réparter un dommage. 1947. onde um só patrimonio é interessado. e concluem: Toute definition de la responsabilité mettre deux personnes en présence. 1). sustentam com admirável rigor de lógica. de um patrimonio com outro patrimonio.. há mais de um quarto de século. mostrando a intensidade da vida moderna. o grande mestre de direito civil da Universidade de Lyon teceu. pág. 2 e 3). cal le terme "réparer" implique que le préjudice n'est pas subi par celui qui en est l'auteur (obra cit. pois o direito civil é destinado a reger as relações dos homens entre si. . vol. daquela de concepção social 155 nascida pouco de povos visão movimentada.divergences de vie profundes que opposent les auteurs et ne manquent pas d'avoir leur écho en jurisprudence et en legislation". o qual chegou a admitir a responsabilidade da vítima pelo dano que a si próprio haja causado. Apesar da procedencia da crítica. Após criticarem o sentido muito largo emprestado por JOSSERAND à palavra responsabilidade. págs.

pág. com a objetividade que demonstrou ao apreciar o fundamento puramente subjetivo da responsabilidade civil. deuxième edition. Jamais. Aí está uma definição que. as categorias previstas no "Code Civil". das máquinas as mais engenhosas. 1). porém. abrange numa síntese feliz. vol I. em obra recente. enfim. dos transportes a jato. RENÊ SAVATIER. 156 . Ao que parece mesmo destinadas à civilização dos milhões de veículos motorizados. d´équilibre des droits et des intèrêts en presence. de contribuition definitive à la dette contractuelle ou délictuelle” (Lês Tranports.escrevendo então: Lê problème a cesse d´être um problème de culpabilité pour devenir une question de repartition équitable de dommages causés. deve suportar os danos resultantes da sua ação. pág.o criador do risco em seu próprio interesse. pela sua amplitude. deuxième edition. Poder-se-á discordar da sua concepção . Professor da Faculdade de Direito Potiers. 527) As suas palavras são de uma atualidade palpitante. como o fizeram PLANIOL E CAPITANT. chega a definí-Ia: La responsabilité civile est l'obrigation qui peut incomber à une personne de reparer le dommage causé à autrui par son fait. ou par le fait des personnes ou des choses dépendant d'elle (in Traité de la Responsabilité Civile en Droit Français.

ao conceito de dolo e culpa. de caso fortuito e força maior. b) – Seu conceito na doutrina brasileira. Não importa distinguir. admirável pesquizador do intricado problema. Tanto uma como outra pode encontrar ou não o seu fundamento na culpa. qual a fonte do dever preexistente(in “Clausula de não Indenizar”. ou seja dispensável o elemento culpa. pág. Os mestres do direito costumam classificar a responsabilidade civil em – contratual e extracontratual ou aquiliana. em parte. a partir do Código Napoleônico. juridicamente protegido.Justifica-se recorrer dessa maneira aos juristas da França. para êsse efeito geral. Não se trata de uma distinção fundamental. 28). aceitou o sistema subjetivo. dano e relação de causalidade. porque alí o assunto tem sido objeto dos mais acurados estudos. AGUIAR DIAS. O Código Civil Brasileiro que à semelhança de outros. Entre nós de modo geral. como por exemplo. os juristas não se animaram em oferecer definição do instituto em apreciação. fonte de muitas outras codificações. conforme se faça necessária a presença dos requisitos – culpa. de vez que. genericamente o princípio 157 da culpa como . ambas podem se prender a princípios comuns. com a sua objetividade diz: Responsável civil é aquêle a quem se carregam as conseqüências da lesão de interesse privado.

061). expôe o afortunado AGUIAR DIAS. 1. É oportuno ponderar que a responsabilidade fundada na culpa contratual não apresenta. que a responsabilidade extracontratual se configure na ausência de obrigação anterior. Os preceitos da responsabilidade contratual estão enfeixados na parte dos efeitos das obrigações convencionais (art. quando não se queira descer a especificações. não estabelece como aquêle ponto de vista faz crer. vol. enquanto os ditames concernentes à responsabilidade extracontratual estão dispostos nos títulos sobre os atos ilícitos (arts. tão somente. 1523). 1. O fato de não existir contrato entre a vítima e o responsável. apontam como uma das principais distinções entre a responsabilidade contratual e extracontratual – na primeira há uma obrigação preexistente. na segunda isso não ocorre. Versando esse aspecto. neminem laedare. pág. além da obrigação contratual. 159 e 160. Alguns juristas. I. 28). entre os quais EDUARDO ESPINOLA (Sistema do Direito Civil Brasileiro. admitiu também as duas ordens – contratual e extracontratual. a obrigação de não violar a norma jurídica e. porque. nascida com o contrato.521. a obrigação ampla de não lesar. 593). por importar na violação da obrigação social de não ofender. como efeito de obrigação. (“Da Clausula de não Indenizar”.056 a 1. afinal. existe. pág. nem tão pouco a extracontratual traduz 158 .fundamento da responsabilidade.

ao contrário. deriva do interesse público. está sujeita às modalidades pessoais e privadas. porquanto em cada uma são encontrados efeito e fonte de obrigação. n. das regras comuns aos contratos. Ambas se caracterizam pelo não cumprimento de um dever jurídico – não violar o direito alheio. tem seus delineamentos em disposição de leis. (Doutrina e Prática das Obrigações. no limite. tomo II. no entanto. determinam a mesma consequência – geram a obrigação de indenizar. que nasce com a violação do contrato ou da lei. A extracontratual. noutra a pesquiza se faz no próprio direito positivo. portanto.unicamente fonte de obrigação. 159 . da também tradicional distinção – delitos e quase-delitos. O legislador brasileiro não se valeu. todavia a medida da culpa contratual é a vontade. 449). provém da ordem pública. c) – Sua posição na legislação brasileira. real ou presumida das partes. é claro. e. assim como. Aquela funda-se na autonomia da vontade das partes. Numa se procura dentro do contrato o direito violado. não sofre a aplicação do criterium da correspectividade e cae por isso dentro da alçada do interesse público. Como ensina o eminente CARVALHO DE MENDONÇA: Posto que em ambas o conceito da culpa seja philosophicamente o mesmo. 3ª edição. esta escapa às regras dos contratos. Daí a maior amplitude da última.

chapitre II – “ Des Délits et des quase-délits” . e violação culposa – negligência ou imprudência. do Código Civil) cujos elementos constitutivos abrangem os delitos e aos quasi delitos. Ou para dizer com o notavel DEMOGUE: En droit moderne. 159 e 160. doloso. E o legislador procedeu com acerto. lê délit est l´acte par lequel on lése sciemment le droit d´autriu.adotada pelo Código Civil Francês (Livre troisième. Le quasi délit est l´acte par lequel on lése le droit d´autrui sans intention de nuire. que o prejuízo causado a outrem. No Brasil as duas categorias foram enfeixadas sob a denominação – “atos ilícitos” (arts. sobretudo. e. Tomo III. arts. 359). Como se vê. porquanto só no direito penal é do maior interêsse a separação do ato querido. para essa dicotomia. intencional. O Código Civil Brasileiro. vez que não há. 160 . porquanto só no direito penal é do maior interêsse prático. tratando dos atos ilícitos. encontra a sua razão de ser na maior ou menor intensidade da culpabilidade. do ato não desejado. titre quatrème. 1. prevê a violação dolosa – ação ou omissão voluntária. 159. respectivamente.386). involuntário. para efeito da apuração da extensão da responsabilidade. (“Traité des Obrigations”. constitui ato ilícito. pág. em resultado da aplicação da pena. e compreensiva do fato prejudicial doloso e do fato prejudicial culposo. culposo. para essa dicotomia. no art.382 a 1. interêsse prático.

Aqui e acolá as suas soluções não se revestem de sensíveis diversidades. empregar em seu projeto do Código Civil. o anteprojeto do Código das obrigações (art. pelo fato de apesar de condenar a distinção entre delito e quasi delito. 183). na sua amplitude. 134). Suíça (art. entre nós. o ato ilícito. que resulte de uma ou de outra modalidade. porém no curso do tempo. 2. 2. Disso é exemplo a 161 . Tem inteira procedência a crítica feita pelo Prof.059). em razão da técnica nos diversos sistemas de direito. convertido no art.103. Delito e quasi delito obrigam igualmente ao autor do dano. da orientação do Código Napoleônico. do que propriamente no seu conteúdo finalístico. os Códigos Civis – italiano de 1942(Dei fatí illeciti – arts. e. a expressão delito (art. no espaço os problemas são quasi os mesmos. variando no mais das vezes.No direito civil. Em se tratando de responsabilidade civil. 962 do Código). pág. quando visava a culpa “latu sensu” (“in Da inexecução das Obrigações e suas Consequencias. 1.361 e 2. 823 a 851).393). ao envés de ato ilícito. ao responsável cabe reparar o dano. Assim. AUGUSTO ALVIM ao mestre CLOVIS BEVILÁQUA. Português (arts.043 a 2. 50 e seguintes). sim. finalmente. diversos. pois lhe interessa. nêsse particular. Alemão (arts. Código Federal das Obrigações. Compulsando os códigos modernos é que se percebe o afastamento.

firmando-se igualmente o princípio da responsabilidade objetiva. e. um 162 . Entre nós. da No reparação terreno do dano a independentemente jurídico complexidade dos fatos geradores do dano exige êsse entendimento. o princípio da responsabilidade solidária. para exemplificar como medidas preventivas. Amplia-se. V e IX). com a revisão de determinadas normas protetoras da segurança individual e do equilíbrio social. assim. há uma série de disposições no Código nacional de Trânsito (Capítulo II.amplitude emprestada atualmente ao conceito genérico da culpa civil e a aceitação da culpa. no sistema jurídico brasileiro o tradicional conceito de culpa. com todas as letras. e na Consolidação das Leis do Trabalho arts. o Código de Minas e o Código Brasileiro do Ar. relativos à segurança do trabalho). por último. estão aí as leis especiais emanadas das novas condições de vida na sociedade hodierna – A Lei de Acidentes e Doenças Profissionais. Nêstes dois diplomas está presente. afim de que se concretize a obrigação de repará-lo. além das disposições enfeixadas no Código Civil. 192 a 222. enquanto na esfera das normas preparatórias. Adota-se. com êles se cristalizou a presunção absoluta de culpa contra o responsável. Na luta contra o dano as preocupações são dirigidas aos meios preventivos e às medidas reparatórias.

163 . Aliás. a vigência do critério meramente subjetivo para decidir a sua reparação. já não é possível em face de certas circunstâncias. A experiência judicial comprovadora desses observações. A jurisprudência identificada com os fatos. aumentariam os desequilíbrios patrimoniais. constitui um elemento renovador do direito. a frequência dos acidentes e a dificuldade da prova da culpa do ofensor. II) – Extensão da Responsabilidade do Preposto ao Preponente: b) – O problema na legislação. Além da responsabilidade do ato próprio ( art. na doutrina e na jurisprudência brasileira. e originados mormente dos engenhos mecânicos. a cargo da vítima. Está à vista a dificuldade da prova da culpa do ofensor. é que tem contribuído decisivamente para êsse novo caminho ao ideal da – reparação do dano. estavam a exigir à segurança jurídica e ao interesse social. tornando mais inquietante a situação dos menos favorecidos econômicamente. pois.sistema misto de responsabilidade civil. Na verdade. se assim fosse. no instituto em análise há uma frisante lição dêsse aperfeiçoamento das regras ante os fatos contemporâneos. Com o elevado numero de danos causados nos dias que correm. em determinadas hipóteses.

.383). 7. respectivamente). Quando se verifica dano sofrido pelo empregado durante o trabalho ou em razão do trabalho.036. 1.11. Orientou-se por aquêle que serviu de modelo a tantos outros. responsabilidade pelo fato de outrem (art.384. de 10.530 a 1. é regida pela legislação de acidente do trabalho (Dec.385 e 1. ou por ocasião dêle (art. c) responsabilidade pelo fato das coisas( arts. no seu art. no exercício do trabalho que lhes competir. amo ou comitente. 1.521 – São também responsáveis pela reparação civil: I. o Código Civil Francês.159 do Código Civil) o legislador previu a responsabilidade pelo fato de outrem. 1. pelo fato da coisa e por atos abusivos (arts.II – omissis.529.1944). III – O patrão.1. o qual estendeu as suas normas sôbre os seguintes casos de “responsabilité civile delictuelle” – a) responsabilidade pelo fato pessoal (arts. Lei n..382 e 1. in fine.384. mediante a nu.532. a presunção da culpa.384). 1522). meração limitativa. A responsabilidade patronal pode se apresentar sob dois prismas – perante o terceiro e ante o empregado. À semelhança do Código Francês.521. estatuiu o nacional: Art. 1.527. serviçais e prepostos. O invocado diploma admitiu. 1.386). 1. À 164 . por fato de animais. 1. 1. 1. por seus empregados.

mesmo que se trate de pessôa jurídica. por empregado ou preposto seu. em diversas hipóteses. o princípio da culpa subjetiva. Outros se apegam à presunção relativa ou absoluta da culpa. Além desses. e segundo a qual o ato de representante é juridicamente havido como do representado. há os que vêm a extensão da responsabilidade ao preponente ou ao patrão baseada no princípio de que a pessôa que obtem proveito de determinada atividade. Finalmente. as leis especiais sôbre acidente do trabalho e acidentes de estrada de ferro. Certo é que por muitos anos predominou em larga extensão. “in eligendo” ou “in vigilando”. do patrão ou do preponente por ato danoso causado a terceiro. Os intransigentes partidários da teoria clássica da culpa exigem seja aprovada a culpa concorrente do empregado ou do preposto e do patrão ou de preponente. particularmente.presente exposição interessa. No sistema jurídico brasileiro. no entanto o aceleramento técnico-industrial veiu afastar. o problema da responsabilidade extracontratual. a teoria da culpa na responsabilidade civil. deve se obrigar por todos os danos a ela inerentes. existem aquêles que se valem da ideia de representação. indicam através do 165 . passo a passo. Trata-se de um tema que tem sido objeto de divergencias de natureza doutrinária e jurisprudencial.

em oposição ao sentido finalístico do art.seu critério objetivo. não ha que desprezar o princípio fundamental da presunção da culpa.522. 1. encerado no seu art. 1.529. ou negligência de sua parte. 1. provando-se que elas concorreram para o dano por culpa. porque nada mais seria do que repisar naquilo já sobejamente exposto pelos autores nacionais e estrangeiros.519 e 1.523: Excetuados as do art. reservando ao lesado o ônus da prova da culpa concorrente. só serão responsáveis as pessôas enumeradas nêsses e no art.523 do Código Civil. n. Reza o art. Nasceu em face da redação do art. 1. Tendo-se em consideração que o nosso Código Civil apesar de se valer do principio genérico da culpa adotou também o critério objetivo. tão sòmente pelo seu conteúdo gramatical. O artigo motivador da controvérsia foi obra de uma emenda culturalmente infeliz. a divergência anteriormente referida.521. chegando a admitir a obrigação de indenizar sem o requisito da culpa. a reação inicial àquêle princípio. 1. 166 . Não tendo aqui a preocupação de fazer o histórico dessa evolução.521. 1. do Senador MUNIZ FREIRE. que admitiu em beneficio da vítima a presunção de culpa. 1.521 do mesmo Código. V. literal dêsse preceito antiquado resulta maior indiferença e inquietação na justiça dos homens. como se deduz dos arts. A aplicação.

a cargo do prejudicado. 523: Esta prova deverá incumbir aos responsáveis por isso que ha contra eles presunção de culpa. o qual estabeleceu a necessidade da prova de culpa no responsável por ato de outrem. vol. mostrando que sem culpa e sem prova da culpabilidade as pessoas indicadas nêles não são responsáveis. como acentua o autor de “Crime – Dano e Reparação (pág. um dos maiores penalistas brasileiros de todos os tempos. manifestou-se em comentário ao art. 287 e 288). O Ministro NELSON HUNGRIA. JOÃO LUIZ ALVES. (ver "Da Responsabilidade Civil em Acidentes de Automóvel". 1. concluem que.523 não faz senão completar o pensamento do 1. COSTA MANSO e VICENTE DE PAULA VICENTE DE AZEVEDO. sustentando entre outras coisas: O preposto só é uma longa manus ou substituto do preponente quanto a execução normal ou regular do 167 . juristas eminentes não entendem assim. por “exigir essa prova difícil da culpa in eligendo ou in vigilando”. impoz o ônus da prova ao prejudicado. apesar de partidário da presunção da culpa. O DEZ. mas o Código. págs.Todavia. pág.521. 329). 122). apesar de criticarem o sistema do Código. ("Comentário ao Código Civil". CLOVIS BEVILAQUA. formulou severa crítica àqueles que adotam em matéria de responsabilidade civil a teoria objetiva. modificando a redação dos projetos. assim não entendeu o legislador. VIEIRA FERREIRA chega a dizer: O art. 1. V. entretanto.

1. que não admite a presunção de culpa. Fora daí. é estabelecer contra a responsabilidade objetiva. que. o notável AGUIAR DIAS: O que fez o eminente magistrado. e com razão. a concorrente de culpa dêste com a do preposto. Vale-se mesmo da fórmula dos partidários da teoria do risco. invocando a máxima "ubi emolumentum. E acrescenta: O art. como postula doutrina clássica só será reconhecivel se contribuiu com a sua culpa própria. pág. que só nos merece admiração. e a responsabilidade solidária do preponente. e que. in Revista Forense. ("A Responsabilidade Civil no Transporte de Pessôas". ibi onus". E como disse com admiravel acerto. redundaria na paralízação de todas as atividades lucrativas. O Código ficou com a doutrina clássica.trabalho ou atividade incumbidos. assumindo posição autônoma. da qual já se disse. a irresponsabilidade objetiva. Se é justo que o homem citadino suporte as desvantagens 168 .523 do nosso Código Civil. Com o raciocínio que expõe deixaria praticamente isenta de responsabilidade as grandes emprêsas de transportes. apenas invertendo o sujeito a quem é dirigida. 11). vaI. que exige para efeito de responsabilidade do preponente. põe-se à margem da relação jurídica com o preponente. adotada na sua pureza. sôbre as quais dificilmente o lesado tem possibilidade de fazer prova de culpa in eligendo ou in vigilando. "in eligendo" ou "in vigilando". 11 e 12). A incondicional absorção do preposto pelo preponente só é concebivel dentro da estravagante teoria do risco. de certo transborda no seu iluminado senso de criminalista. 148. Tenho para mim que o ilustre jurista ao falar sôbre responsabilidade civil não conseguiu se libertar do subjetivismo exigido em matéria de ordem penal. passou a ser um "caput mortuum". absoluta ou relativa (págs.

ou não significa coisa nenhuma. 1. tutores. 3a.culpa in vigilando. Por isto mesmo. 420). porque os pais. vol.523. um dos mais cultos juristas da América Latina. 1.expressão acabada do risco de viver na cidade. com muita acuidade jurídica. culpa in eligendo. E o art. Em outro trecho do seu precioso trabalho. hoteleiros.518 (pág. As razões apresentadas pelo tratadista da responsabilidade civil superam o subjetivismo a que se prende o grande penalista. acrescentou: Não ha presunção legal sem regra de direito (e não só lei) que a forma.521 significa presunção de culpa. pág. os "incommoda" que ela lhe traz? ("Da Responsabilidade Civil. por que não poderá a emprêsa.523. simplesmente.521 que é fundamental? Ou êste art. Mas. para salvar a aparente viciosa significação do art. PONTES DE MIRANDA. os arts.523 parece que a exclue. 11. não estariam sujeitos a nenhuma regra: responderiam como todo o mundo. deve-se ter por inoperante a referencia do art. 159 1. que recolhe os "commoda" da exploração. suportar. feita esta presunção. XVI. voI. (in "Manual do Código Civil Brasileiro do Direito das Obrigações. amos. é fora de dúvida o princípio da culpa . 1. parte. em critica ao texto em exame: No direito brasileiro. 1. então. sacrificariamos o art. patrões. Caberia invocar. 1. comitentes. educadores. 269).da civilização como contra prestação das utilidades que ela lhe proporciona . . curadores. pág. 145). escreveu no ano de 1927. com mais justiça. Esta a bôa doutrina. hospedeiros. Aí está uma argumentação 169 irrespondivel.

e apesar de se manifestar contrariamente à ideia do risco. 159. assim como. invocar o critério do proveito (obra cit. tece a sua crítica aos que baseiam a responsabilidade na ideia de culpa "in eligendo" e "in vigilando". quando o descrime pela culpa in eligendo tenha de ser vacilante.. pág.521. uma aparência de conciliação se esboça na concepção que atribui o fundamento da responsabilidade do patrão ao próprio mecanismo da 170 . a falta de vigilância importa sempre em culpa própria. O eminente jurisconsulto sustentou não haver responsabilidade sem culpa. Por sua vez. 371). é que teve em vista uma situação jurídico-legal diversa prevista na regra geral do art. AGUIAR DIAS. 159. deixasse de ter o sentido de exceção ao preceituado na regra do art. Ressalta em seguida: Dessa forma. conscientemente convencido do alcance das novas ideias da concepção objetiva.Realmente. 1. admitindo a escusa baseada na causa estranha representa um desmentido à velha lógica dêsse sistema. de modo especial. Lógico não é que a discriminação limitativa fixada no citado art. chegou a ponderar: Não será descabido. no Brasil. com autêntico caráter de disposição especial. a presunção da culpa pregada pelos subjetivistas em têrmos rigorosos. sobrelevando que a má escolha. Se o legislador destinou um artigo. para determinadas pessôas.

XX.1. II. Conclui taxativamente: O critério é puramente objetivo (é preciso que não se dissimule o fato). diz sem rodeios: "a responsabilidade principal pelos atos dos seus dependentes é de natureza objetiva. 149). entre os alí enumerados. CARVALHO SANTOS. Oportuno é invocar ainda J. uma só e única pessôa. 620). §§ 321 e 832.521. voI. M. C. lI. págs. cuja plena garantia a lei impõe ao principal.substituição. por motivo de segurança pública e de proteção eficaz da vitima (Revista de Jurisprudência Argentina. é considerado fato da função. para eximir-se terá que provar que não foi negligente (Código Civil Brasileiro Interpretado. 1. é pura obrigação legal. pois. assim opina: O que parece claro é que o art. e a jurisprudência quando consegue libertar-se dos preconceitos que a sujeitam a critério anacrônico. que se deve interpretar como dispositivo análogo ao B. G. impõe à vítima tão somente a obrigação de determinar o autor direto do dano. nesse produto de conciliação entre o princípio subjetivo e as necessidades da política da reparação do dano. (in Responsabilidade Civil. pág. preponente e preposto são. atividade delegada. edição). automàticamente. pág. que. Abstrai-se do fato de ter sido o dano produzido materialmente pelo empregado (Da Responsabilidade Civil. 1942. e sim no fato culposo ou doloso do empregado que. A valiosa contribuição dêsses três eminentes. 2a. dai decorrendo. 146 e 147. na órbita do seu encargo e no exercício das respectivas funções. Patrão e empregado. qualquer que seja. 214. que com o seu largo tirocínio de justiça militante. pág. cultores do direito tem iluminado o caminho daquêles que 171 . 3a. voI. edição). que se não funda em culpa in eligendo ou in vigilando. vol. a culpa do responsavel.

palmilham pela estrada dessa espécie de responsabilidade. face à incongruência enfeixada no art. 1. pela sua equidade. visto que também está vinculada a fins sociais.°. às exigências do bem comum.521. já se incorporou à codificação. a que não podem fugir 172 . nos entrechoques dos textos legais. Para salvaguardar o principio fundamental que orna o art. resta invocar o alcance doutrinário do instituto e a orientação da jurisprudência resultante. Êsse valor jurídico. Essa forma interpretativa. Ela se afirma como necessidade de contrôle de conduta. Por isso mesmo. 1.521. Está expresso no art. pela sua preocupação de justiça social. 1. com os olhos voltados para o angustioso problema da reparação do dano.523. indiscutivelmente foi intenção do legislador admitir em beneficio da vitima. da complexidade dos fatores econômicos e sociais do progresso. da Lei de Introdução ao Código Civil: Na aplicação da lei. 5. o seu aplicador não deve e nem pode abandonar aquêle que melhor atende à solidariedade social. entre nós. A responsabilidade civil não se prende exclusivamente a concepção material da reparação. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. afim de que o homem não se desligue das formas normativas do direito. a presunção de culpa. A verdade é que no art.

o preponente ao preposto. É inegável o vínculo que liga o patrão ao empregado. Nada importa que o dano haja sido causado pelo empregado ou pelo preposto independentemente da concorrência de culpa do patrão ou do preponente. Hoje forçosamente. Tal compreensão vem suprir a defeituosa construção jurídica do Código Civil Brasileiro. em razão do poder de direção. em que o patrão tinha. O 173 . originada de um estado de direito. A responsabilidade patronal resulta da subordinação jurídica do empregado do preposto daquêle que está sob sua dependência.juristas e juizes. a escolha é precária e a vigilância deficiente. como na atividade privada individual. já que a orientação puramente subjetiva não atende à merecida reparação de tantas vítimas inofensivas. do poder de comando. não pode convir aos dias de hoje."in eligendo e in vigilando". da autoridade do patrão e do preponente. tudo sob as suas vistas. contribui para melhor assegurar a reparação do dano. entendo que a ideia de culpa presumida . Aliás. em que a escolha e a fiscalização dos empregados e prepostos já não se revestem da circunspecção da segurança da época da pequena emprêsa. sobretudo em acidentes de automovel. e de que se dá notícias a imprensa diária de todas as grandes cidades. Deve-se tomar em consideração a figura da subordinação jurídica existente tanto nas grandes indústrias.

Atente-se mais para o fato de que o empregado e o preposto (êste quasi sempre) não dispõem de patrimônio para fazer face aos danos que em razão das suas funções vêm a causar a terceiros. A norma geral da nossa sistematica jurídica é que o ônus da prova incumbe "ei qui dicit".chofer de uma emprêsa de ônibus ou de um particular (como se diz). Injusto seria se o lesado ficasse a depender da situação patrimonial de um empregado ou de um preposto. A equidade indica então o patrimonio do patrão ou do preponente. é claro.se necessário um concurso de culpa. provada a culpa do empregado. no exercício das suas funções está. isto é. a quem se acha a prolongar a sua atividade. não se fazendo mistér a disposição do art.521 do Código Civil. ou modificativos. como se depreende do art. 209 do Código de Processo Civil. Ao autor compete a prova dos fatos constitutivos. do empregado e do patrão. E vale insistir . 1. decorre a responsabilidade patronal. do preposto e do· preponente. enquanto ao réu toca a dos fatos impeditivos. corno ensina 174 . Em síntese. a encerrar uma "presumptio juris tantum". extintivos. ter-se-ia apenas a responsabilidade por ato próprio. tendo em vista mesmo o prolongamento de sua atividade através do seu subordinado. a executar um ato de interêsse e em proveito daquêle a quem serve.

tendo o art. ipso facto estivesse. 267). 1. No ano de 1940. 1944). disse o grande Juiz OROZIMBO NONATO: Se se exige. 512 e 518. 175 . e. o seu alcance de haver deslocado o ônus da prova (ver Revista Forense. III? Ao meu parecer estabelece o art. emitindo impressões sôbre a revisão do Código Civil. Todavia. ou da inobservância da conduta técnica do indivíduo no meio social. voI. vol. CLEODON FONSECA. dada a natureza jurídica da preposição. 1. pág. tradução de Guimarães Menegale). lI. jovem e lúcido jurista do nordeste. 1. em se tratando de responsabilidade civil pelo fato de outrem ha inversão do ônus probandi em benefício da vítima. Provada pela presunção. 1. que sentido se poderá atribuir ao art. págs.523 caracteriza como vencível essa presunção. em observância ao art. pág. não haveria tumulto na matéria da responsabilidade por ato de terceiro.CHIOVENDA ("Instituições de Direito Processual· Civil". provada a culpa do preponente ou da pessôa jurídica (in Da Culpa Contratual e Aquiliana. consoante legítima orientação da jurisprudência.523 o alcance. a prova da culpa do patrão.521 a presunção de culpa e o art. Presumida a culpa está ela provada. 1.521 n. 52. embora pesasse sôbre a vítima o ônus da prova. ou pessôas dirigidas por laços de vigilância. apaixonado pelo problema da responsabilidade civil.523. 509. provada a culpa do preposto. 81. escreveu: Admitindo resultar o ato ilícito da violação do direito de outrem.

HAHNEMANN DE GUIMARÃES e FlLADELFO AZEVEDO. e imposto ao responsavel para efeito de insenção da obrigação de reparar. que exercerem exploração industrial.152). fica obrigado a reparar o dano" estabeleceu porém uma série de exceções. curadores. no art.521. Assim."Aquêle que. 153 previu a responsabilidade do menor de 16 anos e as pessoas privadas de discernimento. O anteprojeto do Código das Obrigações. E finalmente. desde que os empregados de sua 176 . 1. causa prejuízo a outrem. 1. às pessôas jurídicas. extendeu a responsabilidade definida no inc. como de procedimento contrário e prejudicial aos bons costumes e às normas do consórcio social" (ver art. se adotou a culpa como fundamento genérico da responsabilidade civil como se infere do seu art. extensiva aos pais."o dano pode resultar.Por coerencia jurídica. a exigência que não concorreu para o dano" (art. 162). a cargo de três eminentes jurisconsultos . não só de violação da lei. 151 . patrões. Assemelha-se à legislação francêsa: Afastando-se do rigor do sistema subjetivo. III. ficou estabelecida a presunção da culpa na hipótese da responsabilidade pelo fato de outrem. admitindo-a indepentemente de culpa do responsável.OROZIMBO NONATO. tutores. do art. estabeleceu ainda .522. por culpa. o legislador com o art. etc.

1. porém.523 do Código Civil. 1. A divergência que também se fazia sentir na jurisprudência nacional. extensiva às pessôas jurídicas. em face do que dispõe o art. Oliveira e Silva). estabelecida fica a responsabilidade do preponente. ou quando a êstes não seja possível reparar o ato lesivo. 523 do Código Civil. no conceito do citado art. 33 e 41. págs. o então juiz AUGUSTO SABOIA DA SILVA LIMA. ficou assentado: Provado que o dano resultou de imprudência e culpa do preposto. Em decisão do Tribunal de Apelação do Distrito Federal. No longínquo ano de 1932. nos têrmos do art. provar a culpa do substituto para haver-se como provada a do substituído (in "Das indenizações por Acidentes nas Ruas e nas Estradas. basta-lhe. vai desaparecendo pouco a pouco. por atos dos seus empregados.523 do Código Civil. incumbe a quem pede indenização. e da qual foi relator o insigne Dezembargador JOSÉ ANTONIO NOGUEIRA. serviçais e prepostos. com indicação de faltas registradas pela policia na sua fôlha de antecedentes. a culpa "in eligendo" do preponente" 177 . Da evidente imprudência do preposto decorre.guarda ou vigilância não caiba a responsabilidade. 1. sustentou em decisão proferida no Distrito Federal: A prova da culpa extracontratual ou aquiliana. Em face de tal dispositivo não é de se exigir a prova ele que o preposto fôra mal escolhido. amo ou comitente. porquanto cede terreno o entendimento que a responsabilidade do patrão. só se verifica quando provada a concorrência da culpa. datada ele 23 de Agosto de 1938.

nos casos de que se trata. O renomado OROZIMBO NONATO. 137. acórdão de 3 de Outubro de 1949). acompanham a interpretação de que o preponente responde 178 . também figuras destacadas do Supremo Tribunal Federal. Seria um caso de "interpretatio abrogans". de um “flatus vocis". também foi sufragada pelo eminente Ministro FILADELFO AZEVEDO a tese ora defendida. 407). voI. a prova da culpa do patrão. pág. disse com a propriedade da sua linguagem: Se se exigir da parte do autor. 5.106). (Decisão do Supremo Tribunal Federal. como relator do recurso extraordinário n. em acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em fundamentado acórdão. vol. pág. a que deve fugir a todo transe o interprete. de 24 de Maio de 1945. principalmente quando causa dano através do manejo de veículo ou coisa perigosa. RIBEIRO DA COSTA E MARIO GUIMARÃES.(obra cit. (Decisão de 11 de Agosto de 1950. vai.324. oferecendo a seguinte ementa: O preponente é automaticamente responsavel pelo ato culposo do preposto. 16.632.. 131. págs. 106. in Revista Forense. de um preceito vazio de sentido. 1521 não passará de superfetação. 463 a 468). Em idêntico sentido foi decidida a apelação n. ver Revista Forense. e do qual foi relatar o Dezembargador AMILCAR DE CASTRO (in Revista Forense. o art. que sempre exaurirá todos os esforços e dependerá o último de potencia para não riscar o mandamento do legislador.

do Código Civil Brasileiro. não pela aplicação da culpa objetiva. 121 a 123.pelos atos culposos dos prepostos. mas pelo princípio da representação. diz respeito. na ação ordinária em que figurou como autor Lívio Alves de Lima e como ré a firma Refrescos do Recife. decisão de 9 de Janeiro de 1950). quando concorre direta ou indiretamente para o evento. 3º cartório da Comarca do Recife). decisão de 12 de Maio de 1952. em que por maioria de votos. Em caso contrário. E nesta hipótese. do processo respectivo). vol. chegando a dizer o Ministro Mário Guimarães: Acho que não é necessária a prova de culpa. 91. instância. SIA. Srs. Inteligência do art. 1. 80 a 82. 150. 179 . Revista Forense. anteriormente invocado. O acórdão da lavra do Ministro OROZIMBO NONATO. está claro que não pode ser responsável por um fato para o qual de nenhum modo contribuiu" (fls. opostos ao acórdão confirmatório da decisão ele 1a. por sinal.523. a uma decisão do egrégio Tribunal de Justiça de Pernambuco. de 9 de Março de 1953. foi adotada a seguinte interpretação: O patrão só é responsável pelos atos de seu preposto. (Decisão dos embargos infringentes e de nulidade. é de se decretar a sua irresponsabilidade. 132. como se fossem seus. Dezembargadores que não ficou provada que a preponente "tivesse concorrido direta ou indiretamente para o evento. pág. pág. Entendeu a maioria dos Exmos. vol. (in Revista Forense.

relator. é jurisprudencia vitoriosa. MARINHO. RENATO FONSECA E DIRCEU BORGES). a culpa indireta do preponente é presumida. o seu ilustrado prolator. é puramente indireta. na inteireza desta ementa lançada com segurança pelo seu relator. Ao contrário. JOÃO JUNGMANN. aceita em inúmeros julgamentos colegiais. MEDEIROS CORREIA). então Juiz EDMUNDO JORDAO. devendo ser objetivamente provada. acho mais acertada a tese dos julgadores vencidos (DEZ. presume-se a do preponente”. expôs entre outras coisas: A ninguém hoje é dado por amor à mumificação de uma teoria repudiada pelo Supremo Tribunal Federal em constantes decisões. 180 . desde que a culpa do seu preposto resultou claramente estabelecida (fls. 75. admitir que a responsabilidade dos patrões estabelecida no art. o culto Dezembargador LUIZ MARINHO ver fls. que em matéria de indenização de prejuizos por atos ilícitos. 57 dos autos). pela fundamentação e pelo estilo. Na impecável sentença.Ao que pese o saber jurídico dos eminentes Dezembargadores que têm êsse convencimento (Dez. sustentando que _ "Provada a culpa do preposto. dos autos). OSCAR COUTINHO.1. ORLANDO DE AGUIAR.521 do Código. b) . JOÃO TAVARES.Sua posição na doutrina e na legislação estrangeira. CORRÊA DE ARAUJO. os quais acompanharam a decisão embargada.

Em nosso dias o tratadista RENÉ SAVATIER. (Evolução ela Responsabilidade Civil. depto "du risque crée". afirma: Le préposé exerce ses fonctions dans l'intérêt sous Ia direction du commettant. mas também pelos danos provenientes da sua atividade. os irmãos MAZEAUD. escrevem: On est bien obligé d'en conclure que ce n'est pas de sa faute à lui que répond le commettant. d'ailleurs. é que SALEILLES E JOSSERAND ressaltaram que o homem não era responsável apenas pelos seus atos culposos. suportar as consequências. diante do progresso industrial. 556). pág. vê-se a tendência para o critério objetivo da responsabilidade.Num relance de vista sôbre os principais sistemas do direito privado contemporâneo. abstração feita de qualquer falta cometida. que não acolhem a teoria do risco. págs. também a. Daí dizer JOSSERAND: Por essa concepção nova. quem cria um risco deve. Na França. sob fundamento humanitário. vol. à celle de láctivité exerceé par le préposé dans sensintért et sous son contrôle" (obra cit.. 86. após uma série de considerações sôbre a matéria. com o sentimento de justiça social. L'étendue de sa responsabilité se limite. se êsse risco vem a verificar-se à custa de outrem. Por sua vez. vol. I. mais de celle de son 181 . C'est pour quoi le commttant. 360 e 361). uttilisant le préposé pour son compte répond de la faute du préposé dans l'exercice des ses fonctions. in Revista Forense.

il est vraiment "responsable pour autrui". para quem a responsabilidade civil não era mais que a determinação e a sanção legal da responsabilidade moral. enquanto a ciência procura combater a doença. tout se passe exactement commesi le commmettant agissait lui-même. Ia dommage subsiste.. 182 . ao escrever a obra "Le Regime Démocratique et le Droit Civil Moderne". 307). e aquêle que sustentara . le préposé n'est qu'un instrument entre ses mains.quando a lei da responsabilidade aparece como uma lei física de criação de riscos. vol. Preceitua o “Code Civil des Français”. Após fazer interessante apreciação. prolongar a vida humana. de telle sorte qui. c'est obtenir réparation. é importante para previnir todos os acidentes e mesmo para curar as suas consequências. a deixar as vítimas como simples prêsas da fatalidade.préposé. no seu art. pág. que Ia faute soit ou non établie. ressaltando que. I. quine saurait êtra tolere. (obra cit. Mais pourquoi en est-il ainsi? L'explication doit étre cherchée dans l'analyse du raport de préposition. não se justificando Um direito individualista. Ce que vent la victime. fala assim: Le droit moderne ne regarde plus du côté de Ia victime. ela se torna inadmissivel ("La régle Morale dans les Obligations Civiles". pág. 210 a 224) . il lui importe peu que le juge approuve ou blâme l´acte qui a èté la cause du dommage. ("Le Régime Démocratique et le Droit Civil .Moderne". Celui qui recourt aux services d'un préposé ne fait qui prolonger son ativité propre. 856) GEORGES RlPERT. quatriéme edition. pág. anos depois fez uma revisão na sua concepção. quand le préposé agit.

e HENRI LALOU (em "Traité Pratique de Ia Responsabilité Civile". edição de 1948). A jurisprudência francêsa na aplicação do artigo citado tem se orientado ora na responsabilidade dos "commettants" em razão de presunção "jure et de jure".1. o Código Civil Italiano acolhe a responsabilidade objetiva nas hipóteses previstas nos 183 . por equidade. Aliás. du dommage causé par leurs domestiques et préposés dans les fonctions auxquelles ils les ont employés. 108 e seguinte.049. como no de 1942. segundo o qual o preponente absorve a personalidade do seu preposto. fica no dever de reparar o dano. foi seguido o sistema da presunção absoluta da culpa. ou ao sabor linguístico “présomption de faute irréfraglabe". Les maitres et le commettants. mais encore de celui qui est causé par le fait des personnes dont on doit répondre. ou des choses que l’on a sous sa garde. no seu art.384: On est responsable non seulement du dommage que l'on cause par son propre fait. pág. 2. decorre "ipso facto" a responsabilidade patronal. tanto no Código de 1865. 583 e seguintes. edição de 1952). e. daquele que prolonga a sua atividade. E' o que informa RENÉ RODIERE (em "La Responsabilité Civile". estabelecendo que provada a culpa do preposto por ato danoso praticado no exercício da função. ora no critério da representação (e com mais frequência). pág. Na Italia. 1.153. no art.

049. 184 . Per tal modo Ia responsabilità é indipendente dalla prova che i padroni o committenti facciano.049: I padroni ei committenti sono responsabilli per i danni arrecati daI fatte illecito dei loro domestici e commessi nell'exercizio delle incumbenze a cui sono adibiti . ("La Teoria Generala Delle Obbligazioni". a apporté le soin exigé dans les rapports d'usage.seus arts. como se vê do art. ou si lê dommage. no dizer do Professor LUDOVICO BARASSI. Ce devóir de réparation n'existe plus. 831 do seu Código Civil: Celui qui prépose un autre à une opération est obligé à réparation du dommage que l'autre. voI. même a supposer que pareil soin eut été apporté. 2051 a 2054. Dispõe o art 2. Quanto ai padroni e committenti la formulazione recisa e prerentoria dell'art. soit. O legislador alemão estatuiu também a presunção de culpa. per scagionarsi. dans Ia mesure où doit fournir des appareils ou des utensiles ou diriger l'exécution de l'opération. au point de vue de ce qu'il avait à fournir ou de Ia direction qui lui incombait. porém em carater relativo. au rait du encore se produire. 488). pág. par un fait contraire au droit. se le maitre de l'affaire. a causé à un tires dans L'exécution de l'opération. II. di non avere colpa alguna per aver scelto male o mal vigilato il dipendente autore deI fatto dannoso a terzi: prova che ad essi è interdetta. 197 non necessariamente a colpa deI dipendente autore deI fatto e che questo sia stato commesso nell'esercizio delle inncombenze affidate aI dipendente) . 2.come già sappianmo: n. soit au point de vue du choix de Ia persorne préposé. 2049 esclude altra forma di detesa che non sia Ia pura e simpIice escluione dei preesupposti della responsabilità (cioê l'illeicità deI fatto dovuto quindi .

e segundo a qual se exclúi o dever de indenização se o acidente foi inevitavel e não teve seu fundamento em defeito do veículo.Impõe-se salientar que naquêle Pais a responsabilidade por acidentes de automovel é regulada por lei especial. voI. pág. ainda que nem êle nem o condutor tenham culpa alguma. de três de Maio de 1909 . igualmente à Alemã.tomo 2. Les personnes morales qui exercent une industrie sont soumisses à la même responsabilité. no desempenho dêstes. salvo o regresso dêstes contra aquêles. no seu art. II. hipóteses estas em que. nem tão pouco na falta de um dos seus dispositivos. responderão os ditos criados ou pessoas solidariamente com seus amos ou comitentes. Diz o mencionado artigo: Le maitre ou patron est responsable du dommage causé par ses ouvriers ou employés dans l'accomplíssement de leur travail.380. quando houverem excedido ou transgredido 185 . 62. O Código Civil Português. E' o que noticia LUDWIG ENNECCERUS (Tratado de Derecho Civil. isto é. 2. no seu art. 721) Na Suíça o assunto é objeto do “Códe Federal des Obligations". "legis tantum". à moins qu'il ne justífie avoir pris toutes les précautions nécessaires pour prêvenir ce dommage.°. encerra a seguinte norma: Pelos prejuizos causados por criados de servir ou quaisquer pessôas encarregadas de certos serviços ou comissões. responde o seu proprietário. de modo incondicional. onde ficou determinada a presunção de culpa patronal.

Suíço. aqui no Brasil em 186 . lI. Através da legislação comparada se vê as duas tendencias na presunção da culpa patronal. Ele manifesta a sua opinião pela segunda tendencia (Derecho Civil. pág. que aponta como mais exata a doutrina "que fundamenta a responsabilidade pelo comitente e do empregado ou comissionado nas relações de "autoridade e subordinação". o que tiene a su cuidado. Aí se admite a culpa "in eligendo". Segundo HÉCTOH LAFAILLE. que entre êles existe ("Princípios de Direito Civil LusoBrasileiro". Tomo VII. O 1. outra "juris tantum". Enquanto isso. uma "jure et de jure". voI. parte dos autores e Tribunais argentinos sustentam ardentemente que no dito artigo ha uma presunção absoluta. enquanto outros veem no mesmo o carater "juris tantum" da presunção da culpa. o por Ias cosas de que se sirve. aquela representada pelos Códigos Francês e Italiano.113 do Código Civil Argentino dispõe: La obligación del que ha causado un dano se extiende a los danos que causaren los que están bajo su dependencia. págs 417 a 423). 585). esta pelos Códigos Alemão. Português e Argentino. como afirma LUIZ DA CUNHA GONÇALVES.as ordens e instruções recebidas. Alguns juristas vêm nesse preceito a compensação equitativa ou o risco da escolha.

para os lesados. É uma solução aparentemente eficaz. ainda não existe uma obrigação legal de segurar. Mas. para definir a responsabilidade patronal. em particular. de natureza fundamental. como uma garantia para aquêles que usam veículos a motor e. pág. discute-se a concorrência de culpa. criadora do "fonds de garantie automobile". já foi preconizado pela comissão de reforma do Código Civil ("Notions Essentielles de Droit Civil. 4ª edição. menos prudência. de caráter substancial. O fundo de garantia mantido pelas contribuições dos assegurados. desde que o responsável seja ignorado ou se revele parcial ou totalmente insolvavel. por aquêles que dirigem veículos 187 . destinado a pagar as indenizações devidas em casos de acidentes corporais. No entanto. Na França assiste-se à socialização da responsabilidade. 1955). O mesmo autor faz referência a uma lei de 31 de Dezembro de 1951. o seguro obrigatório. pelos proprietários de viaturas. em evidente choque com outro preceito. em razão de danos automobiliários. HUBRECHT. 116. especialmente. através da prática de seguros. naquêle País. Segundo G.virtude de mera interpretação literal de disposição de lei. e a cargo de companhias de seguro. indaga-se não vem concorrer para que haja menos cautela.

acompanho a orientação daquêles para os quais provada a culpa do autor direto do dano. decorre a culpa de responsável. São todos êsses elementos que informam a compreensão objetiva do problema da responsabilidade civil de hoje em dia. o ato danoso praticado por aquêles responsabiliza a êstes. preposto. Dêles não se pode fugir a pretexto de ofender direitos personalissimos. de um lado. ou do empregado. Nessa relação jurídica está presente o poder de direcão do patrão. tem sua significação social de intimidação e pacificação. em benefício do lesado.521 do citado código. Atente-se para que a reparação além do sentido de segurança patrimonial. Feita esta digressão. firmou o princípio fundamental da presunção da culpa. de outro. E deante do nosso Código Civil. e sobretudo o interêsse ativo e o proveito daquêles que se serve dos seus dependentes. concluo que dada a subordinação jurídica entre empregado. preponente. em sua obra -"La Philosophie de l'ordre Juridique Positif". 188 . c) – Conclusões. de que fala JEAN DABIN. à vontade individualmente considerada. 1.motorizados? Não constitui uma inclinação para a irresponsabilidade? Só o tempo dirá. do patrão. porquanto o art. do preponente. do preponente. e patrão. a prolongar a sua atividade. do preposto.

contra os votos dos eminentes Desembargadores DIRCEU BORGES. a exegese que se concilia com o espírito da lei. Recife: Arquivo Forense."Que os juizes após serem nomeados Desembargadores. Com a devida venia. pois. promovido ou aposentado concluirá o julgamento dos processos cuja instrução houver iniciado em audiência. Transcrição fac-símile. v. não continuam vinculados aos processos em que funcionarem na instância inferior". de outra parte. O juiz promovido a Desembargador e o princípio da identidade física 100 Já decidiu o egrégio Tribunal de Justiça de Pernambuco. e. fundamental na moderna processualística brasileira.Essa. TOMAZ CYRILO WANDERLEY e JOAO TAVARES . 189 100 ./dez. 39-44. entendo que esta interpretação foge ao sentido finalístico do princípio da identidade física da pessoa do juiz. p. jan. 120 do Código de Processo Civil: O juiz transferido. O juiz promovido a desembargador e o princípio da identidade física. salvo se o fundamento da aposentação houver sido a absoluta incapacidade física ou moral para o exercício do cargo. Djaci. 1957. com os fatos e o direito contemporâneos. 36. Dispõe o art. FALCÃO.

º e 12. 190 .º do Regimento Interno dêste colendo Tribunal. preenchimento de vaga de Desembargador. quer pelo critério da antiguidade importa em promoção e não em nomeação. porquanto traça um princípio normativo e as duas exceções a êle aplicáveis. 7. Aí o Desembargador é um Juiz que. 14 da vigente Lei de Organização Judiciária e nos arts. devendo proceder o julgamento: salvo as duas hipóteses previstas na disposição legal . 1º. quando feito por integrante do quadro da magistratura. 124. no art. 87 da Constituição de Pernambuco. O Juiz ao ter acesso ao Tribunal de Justiça é promovido a Desembargador. atingiu o órgão supremo do Poder Judiciário do Estado.absoluta incapacidade física e incapacidade moral. no inc. IV. mediante promoções.Dada a clareza do artigo citado tenho para mim que o Juiz quando promovido a Desembargador fica vinculado aos processos "cuja instrução houver iniciado em audiência". e não nomeado Desembargador como erroneamente está escrito no art. como está expresso de modo técnico. da Constituição Federal. O texto não enseja outra interpretação. O Juiz tem "acesso ao Tribunal". O preenchimento de um quinto dos lugares do Tribunal por Advogados e membros do Ministério Público. Portanto. do art. quer pelo critério do merecimento.

depois de empossado. do art. na verdade. perde a jurisdição na instância inferior não impressiona. 120. da Carta Magna. V.previsto pelo inc. é que. Dir-se-á que o Juiz promovido a Desembargador não pode exercer funções relativas a graus diferentes de jurisdição. 124. deve o Juiz proceder o julgamento dos processos cuja instrução houver iniciado em audiência. vêz que não integram o quadro da magistratura O argumento de que o Juiz promovido a Desembargador. como indica a lógica do juizo jurídico. da identidade física do Juiz. em resultado. Alegar-se que as duas hipóteses são meramente exemplificativas é forçar o exato sentido de uma exceção a princípio fundamental. sómente com a sentença é que se exaure a vinculação entre o Juiz que iniciou a instrução em audiência e o processo respectivo. A ressalva. e. Êste raciocínio também não se coaduna com o alcance da norma enfeixada no mencionado art. Não impressiona porque ante o art. para que não quebre o princípio legal da imediatidade. é limitada. deixa clara a competência funcional do Juiz promovido a 191 . que visando resguardar o princípio da identidade do Juiz à causa. Se não ocorre qualquer das duas exceções apontadas pelo legislador incapacidade física absoluta e incapacidade moral. importa em nomeação. 120 do diploma processual civil.

Seria. promovido ou aposentado. sendo que. prefiro 192 o entendimento ora . Mas.Desembargador. (Comentários ao Código de Processo Civil do Brasil. voI. do novo cargo. 1. bem como já conheceu o resultado das perícias. restrita sómente às causas de instrução iniciada. em relação aquêles processos a que esteja vinculado na instância inferior. à função do anterior. (in Comentários ao Código de Processo Civil. para que não se rompa a permanência subjetiva quando o Juiz já ouviu as testemunhas e as partes. expõe: AMERICANO. 235). é nova figura no nosso direito judiciário. Ceará e Minas Gerais. na hipótese de aposentadoria. Ao que pese a orientação em contrário. e de aposentadoria. de decisões dos egrégios Tribunais. Como afirma o sábio PONTES DE MIRANDA: Transferido. a figura de direito público tem semelhança com a do juiz arbitral. mesmo nos casos de transferência. pág. qual a de persistência da jurisdição. No caso de transferência é verdadeira prorrogação da jurisdição. outro processualista Persiste a jurisdição. o Juiz conclui o julgamento dos processos cuja instrução tiver sido iniciada em audiência. sem ocorrer a exceção da absoluta incapacidade física) não ficava obrigado a julgar os processos cuja instrução houvesse iniciado em audiência. não há dúvida. no caso de promoção. promoção ou aposentadoria. de Justiça de Pernambuco. interpretar "contra legem”. e. JORGE insigne. vol. Adotando-se entendimento contrário ao que acaba de ser exposto ter-se-ia de concluir que o Juiz aposentado normalmente (i. I pag. 435).

1953-1954. que passou a desembargador e apesar dos inconvenientes 193 . sem discrepância. Os próprios juizes promovidos para êste Egrégio Tribunal têm sido mantidos como juizes no feitos cuja instrução iniciaram.modestamente exposado. dizendo então o renomado Ministro OROZIMBO NONATO: No caso dos autos. pág. por ser mais fiel ao sentido gramatical e teleológico do texto legal. (Decisão de 25. a nós Juizes descabe êsse poder. Com a redação atual não merece outra interpretação. expressas.1. (Decisão 16. Paulo. in Revista dos Tribunais. senão a acolhida pelo Colendo Tribunal de Justiça de S. 220). Chego a reconhecer a necessidade da sua reforma face aos inconvenientes da sua aplicação.12. vol. houve promoção do juiz. Por sua vez. 210. vasada nos seguintes têrmos: A jurisprudência dêste egrégio Tribunal tem sido uniforme e pacífica no sentido de que o juiz que inicia a instrução em audiência é o competente para a prolação da sentença. Com a mesma inteligência já havia decidido o Supremo Tribunal Federal.1952. o Egrégio Tribunal Federal de Recursos. sendo admitidas únicamente as exceções nêle próprio. por ser juiz certo no feito. 120 do Código de Processo. ainda que deixe a jurisdição da vara. também decidiu: O magistrado promovido a desembargador continua obrigado a decidir as causas a que estiver vinculado como juiz de primeira instância. 168). publicada em "O Processo Civil à Luz da Jurisprudência. Esta a interpretação que. vem sendo aquí dada ao art. entretanto. pág.1952.

1945). Em decisão de 9 de Dezembro de 1952. o douto TEMISTOCLES CAVALCANTI. de acôrdo com informação do 194 . págs. O ilustre Tribunal do Estado de Pernambuco entendeu não aplicar o preceito em questão. 193.letras a e d da Constituição e nessa questão sôbre a interpretação do artigo 120 do Código de Processo civil que cogita da substituição dos juizes promovidos ou aposentados.práticos que a solução vai criar. Decisão de 15. (Arquivo Judiciário. mesmo depois de ocorridos os fatos acima mencionados. voI.5. desvinculado de continuar a funcionar em determinado feito. fasc. fico com a obediência à lei. nêste caso. assim julgando: Compete ao juiz promovido a desembargador concluir o julgamento dos processos cuja instrução houver iniciado em audiência. Recentemente.Snr. Ministro Ribeiro da Costa. acolheu a inteligência que tão claramente emana da disposição processual objeto destas apreciações. 40. em dias do ano em curso. em parecer emitido em recurso de decisão do Tribunal de Justiça dêste Estado. mas cuja competência para julgar os processos em que hajam funcionado. fundamento no artigo 101 . salvo se vier a ser aposentado por absoluta incapacidade física ou moral.III . 3. (in revista "Direito". expressando-se do seguinte modo: O presente recurso extraordinário é interposto com. pelo Supremo Tribunal Federal foi mantido o seu primitivo escólio. pág. subsiste. Acompanho o voto do Exmo . porquanto. 458 e 459). promovido para o Tribunal. em relação ao Juiz de Direito do Município de Jaboatão.

ora promovido para o Tribunal. de recurso e data venia. a distância ou dificuldade de locomoção podem ser alegadas. pelo provimento do recurso. Além do mais como se vê a fls.novo titular efetivo. o seu provimento se impõe. 5 presidiu o Juiz Simões Barbosa. a audiência de instrução e julgamento. As excepções também estão expressas . os atos praticados. não pode o interprete ampliar as excepções à regra geral. clara. O caso de promoção prevista no artigo 120 do Código e a sua aplicação se impõe. assim. Ora. que só abrangem os casos especificados. vinculando-se ao processo. sendo assim. expressa. Nem siquer. que desvinculou o desembargador Simões Barbosa do processo em causa. O caso é em tese.moléstia e falecimento. verificou-se antes do período de prova. 195 . a tomada de depoimentos. de momento que Jaboatão fica perto do Recife e em pouco tempo. com a reforma do acordão proferido pelo ilustre Tribunal do Estado. Entendeu também que a promoção o desvinculava do processo. no caso. isto é. por estrada de ferro ou rodagem pode o Juiz apresentar-se para continuar a audiência. Somos. em face da letra da lei.

entendí de julgar todos os processos cuja instrução havia iniciado em audiência. o processo visando a investigação da verdade. como por ofensa à técnologia Jurídica foi dito no Ato Oficial respectivo. e não contra-legem. assim decidindo. especialmente. na exposição de motivos do Código de Processo Civil: O juiz que dirige a instrução do processo há de ser o juiz que decida o litígio. E. Nem de outra maneira podia ser.Finalmente como escreveu o jurisconsulto FRANCISCO CAMPOS. pois. na regra ditada pelo art. sómente o juiz que tomou as provas está realmente habilitado a apreciá-las do ponto de vista do seu valor ou da sua eficácia em relação aos pontos debatidos. Amparado na doutrina e. 120. 196 . o fiz em obediência à lei – ex-vilege. ao ter acesso ao Colendo Tribunal de Justiça mediante promoção e não nomeação.

todavia como disciplina asseguradora do equilíbrio da própria sociedade. do art. de certo. da Constituição do Estado de Pernambuco. devemos ter presente. A igualdade perante a lei. p. em 8 de Dezembro de 1958.A igualdade perante a lei 101 Conceito filosófico. jan. 162. tão incompletas como as demais. que cultuamos as letras jurídicas. O Prof. com a sua irrecusável autoridade. A isonomia e o § 6º. por fôrça da técnica das chamadas ciências exatas. 39-40./dez. jamais olvidar que o Direito tem sido e. A igualdade no campo econômico e na esfera social. 19-33. do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco. na sua "Théorie Générale du Droit": 101 FALCÃO. JEAN DABIN. permanecerá o Direito. Nós. As mutações que vem se operando na estrutura material do mundo moderno. a convite da Associação dos Magistrados da Paraíba. tão humanas. 197 . continuará a ser a ciência do equilíbrio social. 1959. Conferência pronunciada pelo Desembargador Djaci Falcão. Transcrição fac-símile. v. após justificar o "Ubi jus ibi societas". A igualdade jurídica e os três poderes. no Palácio da Justiça do Estado da Paraíba. Recife: Arquivo Forense. poderão contribuir para maiores modificações na vida temporal. escreve mui acertadamente. Djaci.

para o método teleológico (sentido estrito). quer junto à construção doutrinária. afim de dignificar cada vez mais a ordem jurídica. a igualdade de todos perante a lei.La réciproque est d'ailleurs vraie également: "Ubi societas ibi jus'. da jurisprudencial. consagrado na declaração de independência dos Estados Unidos. é que os juristas têm o dever de emprestar a sua contribuição. de certo modo. sem proclamar. quer ao lado da legislativa ou. de um lado .para êste princípio de sentido natural e universal. e 198 . originárias de fatôres os mais diversos e. é claro. agravada pelo indiferentismo ao espiritual. subsister et fonctionner (pág. compreensivo de uma estimação finalística. a sua autosuficiência. em 1776. O principio da igualdade de tratamento. Escolhemos o último para tema desta palestra. em autêntica exaltação ao dia consagrado à justiça. nascido da moral religiosa. a sua parcela de ajuda ao aprimoramento do comportamento humano. ante as inquietações que afligem o homem em sociedade. D'abord pour se constituer. 7). do dogma – “todos são iguais perante Deus” erigiu-se em postulado jurídico. finalmente. Partindo dessa compreensão. em resultado. Acrescentando: "Toute societé organisée apelle une règle de droit. Na aplicação da lei temos mantido o raciocínio voltado. e de outro . dando.

a reduzir as pessoas humanas à mesma expressão. Na esfera filosófica. pela mediação do sentido e transcendendo o sentido” (in “Princípios de uma Política Humanista”. a seguir.concebido. evidente é o acêrto daqueles pensadores para quem inexiste uma igualdade aritmética. tradução brasileira. Les distinctions sociales ne peuvent être fondées que sur l'utilité commune. ao mesmo nível. 51 e 52). isenta de tôda desigualdade. Em outro trabalho . Aí está um raciocínio que assenta na unidade da natureza entre os homens. 199 . dizer com propriedade o eminente pensador JACQUES MARITAIN: O êrro empirista não está em pensar que há e deve inevitàvelmente haver desigualdades individuais entre os homens. pràticamente. na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (em 1789). de nossa igualdade fundamental e de nossa comunhão na natureza humana. 1° . sem diferenciação. nos seguintes têrmos: Art. antes de tudo. Por isso mesmo. todo homem como homem (págs."Os Direitos do Homem e a Lei Natural". faz êle esta oportuna afirmação: Penso no progresso da consciência.Les hommes naissent et demeurent livres et égaux en droits. inteligivilmente. pg. 105). penso no progresso desta igualdade de proporção que realiza a justiça. que não valem nada a realidade e a dignidade ontológicas dessa natureza ou essência que todos os homens têm em comum e que é percebida. e. tratando cada qual segundo o que lhe é devido. Está em não ver e afirmar senão isso e em achar. unidade de origem. em cada um de nós. Dai.

por sua vez ressalta: A igualdade econômica é tão absurda quanto a física e a mental. jamais igualitarismo utópico. fruto natural dos esforços de cada um. tanto quanto na esfera econômica ela deve assentar em razões que não importem em subversão da ordem natural. à medida que tal fôr acontecendo. decorrentes de distinções e diferenciações inigualáveis. que lhes asseguram o uso e gôzo dos bens. de se assemelhar (pg. e. E. não desvirtuam. 63). só utòpicamente. A diferença de fortunas tende. o qual. igualdade primeira. evidentemente. terão. na sua preciosa monografia "Da Igualdade Perante. a Lei". Uma igualdade relativa. social e jurídica. O seu conceito não deve ser concebido nos têrmos do nivelamento dos homens pertencentes às diversas categorias sociais. também. com isso. e sim no sentido de 200 . aproxima os seus esforços. não descaracterizam a unidade do gênero humano. A igualdade de proporção deve presidir o tratamento de cada pessoa na esfera econômica. porque os homens vão cada vez mais ascendendo na escala moral e. as fortunas. No âmbito social.as necessárias desigualdades que diferenciam a vida entre os homens. A mitigação das desigualdades econômicas já fôra reconhecida por LEROY-BEAULIEU. proporcional. consoante se vê de citação feita por PAULINO JACQUES. a abrandar-se. pode ser concebida e realizada.

irmão gêmeo destoutro – a liberdade. C'est dire. por vezes. Do campo das Declarações de Direitos norteamericanas e francêsas o princípio passou aos textos constitucionais. o exato conceito do princípio da igualdade. uns a afirmar e outros a negar a idéia da igualdade absoluta. tão discutido e. MONTESQUIEU. CÍCERO. Êste. deturpado. dentro das mesmas oportunidades para todos. Ia doctrine des droit individuels est l'affirmation que les individus ont certains droit qui leur son attachés et auxquels l'Etat ne peut porter ateinte. puisqu'il existe des droits individuels qui lui sont antérieurs et supérieurs. figurando no preâmbulo da Carta francêsa de 201 . (Manuel ÉLEMENTAIRE de Droit Constitucionnel. pg. A dignidade humana instava êsse fundamental direito. CAMPANELLA. ROUSSEAU. explorado pelas tiranias. que l'Etat n'est pas Ia seule source du droit. A verdade é que êsse discutido princípio. ARISTÓTELES. Como adverte com muita sabedoria GEORGES VEDEL: Dans son essence. 177). SANTO AGOSTINHO. adquiriu expressão formal no campo do direito. équivalemment. para o qual se voltaram os mais proeminentes vultos do pensamento universal. ao nosso ver. SÃO TOMAS. THOMAS MORUS. dentre êles PLATÃO.uma elevação social.

pg. elle est égale pour tous. a Constituição de 1. ainda hoje predomina na grande nação. ficou vedado aos Estados. e recompensará em proporção dos merecimentos de cada um. não cometia a proteção dêles aos tribunais" (in "Comentários à Constituição Federal Brasileira". apesar da abundância dos princípios consagrados no art. a da separação e privilégio racial. de um escudo."La Loi est l'expression de Ia volonté générale.824 "não dotava êsses direitos.1791 (integrando pela mesma forma a Constituição de 1946). denegar a qualquer pessoa o igual amparo das leis. V.793 . como acentuava o grande RUI BARBOSA. Oportuno é expôr que nos Estados Unidos sòmente com a famosa "14a. e em capítulo especial. reservado aos direitos fundamentais. em outras constituições. uma tradição antidemocrática. Entre nós. 179: A lei será igual para todos.868. os elementos integrativos da igualdade jurídica. 202 . surgiram com a Constituição Imperial de 1824. encerra uma bela proposição. soit qu'elle récompense ou qu'elle punisse. soit qu'elle protége ou qu'elle réprime". Vasada quasi nos mesmos têrmos da Declaração Francêsa de 1. sobretudo anti-humana. quer castigue. promulgada em 1. voI. quer proteja. Porém. que estatuía no inc. XIII do seu art. Emenda". 176. coligida por Homero Pires). lamentàvelmente. 179. assim como.

141. incompatíveis com os princípios fundamentais de um Estado democrático. limitou-se a preceituar: Todos são iguais perante a lei (art. classe social. riqueza. estabeleceu no seu art. À igualdade repugnam os privilégios. do art.934. I). acolhendo a técnica conceitual da Constituição de Weimar.946 adotou também essa forma sintética (§ 1°. e extingue as ordens honoríficas existentes e tôdas as suas prerrogativas e regalias. raça. I: Todos são iguais perante a lei. 122. distanciando-se daquela dada as restrições nela enfeixadas. 72: Todos são iguais perante a lei. do art. A Constituição de 1. Não haverá privilégios. inc. A Carta Constitucional de 1. bem como os títulos nobiliárquicos e de consêlho.891 estabeleceu na seção Declaração de Direitos. quer de ordem pessoal. a Carta Política de 1.Com a República. profissões próprias ou dos pais. 113. no § 2°. inc. A República não admite privilégio de nascimento. 141). § 1°. escreve o renomado PONTES DE MIRANDA: 203 . Na segunda oração está delimitado o próprio alcance do princípio. sexo. de família ou de classe. crenças religiosas ou idéias políticas.937. desconhece foros de nobreza. Ao comentar o art. nem distinções. A chamada constituição de 1. por motivo de nascimento.

("Corso di Diritto Costituzionale". ma deve risultare positivamente. IV. è comunque non impedisce che una diversa condizione corrisponda una diversa capacità. 155). A igualdade de tratamento em sentido jurídico. Se por um lado é reconhecida cientificamente a unidade da espécie. O princípio dirigese a todos os poderes do Estado. para a administração e para a Justiça. abolite dallo Stato moderno e. é preciso que seja igual a legislação. e outro. Como ensina SANTI ROMANO: Tale princípio che fa salve le eccezioni determinate dalla leggi. por outro é irrecusável a desconformidade 204 . significa que êle se faz presente nos demais direitos individuais alí assegurados. pg. 2a. princípio de "igualdade formal. 64. também. à regola d'interpretazione per cui Ia desuguaglianza non pué presumersi.O texto começa a enumeração dos direitos fundamentais pelo principio de isonomia ou princípio de “igualdade perante a lei”. de igualdade na lei a fazer-se. voI. porque não igualiza "materialmente". É cogente para a legislatura. dito. edição). Aliás. ("Comentários à Constituição de 1946". podem ser explicitados dois princípios: um. implica urna gradação de tratamento fundada nas condições e circunstâncias inerentes a cada pessoa. de igualdade perante a lei feita. dall'altro lato. Não só a incidência e a aplicação que precisam ser iguais. da un lato e norma che il legislatore deve tener presente perchê non ripristini Ia distinzione deI popolo in ceti o classi. pg. A primazia conferida ao princípio pelo legislador diz da sua amplitude e profundidade.

compensa e harmoniza. entre uma e outra classe. Redigem-se as leis de modo geral. Êste o seu escopo. obriga aos três Poderes. O douto CARLOS MAXIMILIANO oferece-nos em Comentário à Carta Política de 1891. fisiológicas e psicológicas que separam os homens. 205 .à Constituição Brasileira". submete-se a aquisição de direitos e condições amplas. é de se compreender que a igualdade jurídica consubstancia-se não em uma igualdade absoluta. ("Comentários . não confere direitos absolutamente iguais ao mérito e ao demérito. pg. impossível fazer desaparecer a desigualdade de fato que. de proporção geométrica como já foi proclamada. importa num tratamento de mérito. aritmética. paradoxalmente. 692. O mais é demagogia.iguais condições e iguais circunstâncias. como ao juiz. religião ou posição econômica e social. Ao envés de um nivelamento utópico. porém numa igualdade relativa. sem destinguir entre indivíduo e indivíduo. Constitui pressuposto lógico do preceito igualitário . êste magnífico escólio: O código supremo não impõe o nivelamento dos caracteres. Tratamento igual entre iguais é o sentido finalístico que êle encerra.da individualidade. Princípio inerente à personalidade humana. Tanto ao administrador. Impraticável o nivelamento dos sêres humanos. Ninguém contesta as diferenças anatômicas. à competência e à incapacidade. edição de 1918).

da Magna Carta: Não haverá fôro privilegiado nem juízes e tribunais de exceção. sem distinção de ricos e pobres. não admitindo fôro privilegiado. deve ser proporcionada pelo juiz às partes. vale dizer que a instituição de justiça comum. 88. nos seus arts. igualdade desde o processo. de vez que cada uma delas é destinada a reger situações distintas. ao legislador. ao legislador é defeso editar lei 206 . incontestável é o seu dever de absoluta observância dêsse cânone cuja última "ratio" é o bem comum. 92. 141. O parágrafo acima invocado assegurou direito ao juízo comum. compreendendo pessoas que se acham em determinadas condições e circunstâncias: Êle é dirigido não só ao juiz e à autoridade administrativa. justiça militar. poderosos e fracos. Dessarte. salvo é claro o instituído pela própria Constituição. justiça do trabalho e justiça eleitoral. lógico é que deve obrigar aos três poderes. do mesmo modo. Por outro lado. 101 e 108. do art.cabe na execução ou aplicação da lei proceder com igualdade de oportunidades para todos. 100. Aliás. Se esse vital mandamento tem por objetivo garantir uma posição de neutralidade do Estado face a todos. não afeta o princípio. mas. Como corolário do princípio estabelece o § 26. Se ao magistrado compete a última palavra no assegurar a aplicação do direito positivo.

regulando um ato. estabelecendo distinção desproporcionada em relação a pessoas ou coisas. é suscetível do controle jurisdicional. mas norma geral e abstrata. deixando assim de atender a igualdade de oportunidade entre concorrentes iguais. na mesma situação. O princípio da isonomia deve ser respeitado a partir da feitura da lei. privilégios ou restrições que não são comuns a todos. um fato. para que se lhe declare a inconstitucionalidade. sem estendê-Io a outras da mesma classe. criando distinções. é incompatível com a técnica 207 . O entendimento de que votada. Se o legislador trata de modo desigual. a lei que foge à generalidade. não merece censura por intermédio do judiciário. está evidentemente a violar o postulado fundamental. criar vantagens. com determinado regime jurídico para uma pessoa. com o objetivo de alterar o tratamento jurídico comum. sob pena de ineficácia jurídica. pois. em razão da inconstitucionalidade. Ao legislador não é dado. para reger a todos quanto se encontrem numa mesma situação. A lei não é mero ato de arbítrio do legislativo. para alguém com desvantagem para outrem que se encontre em paridade de condições e circunstâncias. a lei deve ser aplicada. Portanto. ou criando um direito. No Estado de Direito o legislador não pode legislar com ofensa à máxima da igualdade.

quer a lei em sentido formal. o controle jurisdicional entre nós abrange até a suspensão da execução. que. Aliás. uma das grandes expressões das letras jurídicas do Brasil. confiado apenas a um "Comité constitucionel". SAN TIAGO DANTAS. versando o conceito 208 . lei material. ato de administração no seu conteúdo. Vê-se aí. lei sòmente na forma. de lei inconstitucional (art. pondo ao lado a orientação européia. como ocorre na França (art. o controle jurisdicional dos atos legislativos.946). seguiu o exemplo norte-americano do "Judicial Control ". são passíveis de declaração de inconstitucionalidade. portador de competência técnica e imparcialidade.constitucional brasileira. Não é demais dizer-se que o controle da constitucionalidade das leis pela autoridade judiciária parece o critério mais lógico e profícuo. Quer a lei pròpriamente dita. do controle em condições particulares. da Constituição de 27 de Outubro de 1. no todo ou em parte. à semelhança da regra estadunidense "due process of law". por ofensa ao princípio da igualdade substancial. eis que a autoridade instituída pelo Estado para decidir as questões estritamente jurídicas é o juiz. 91 e seguintes. 64 da Constituição Federal). composto de membros eleitos pelo Parlamento.

365). que exige concurso para a primeira investidura em cargo de carreira. in Revista Forense. isentando de impostos uma fábrica.técnico-jurídico da igualdade ante o Estado de Direito. 420. nem ferem o princípio de igualdade. apenas porque são atos conformes a uma outra lei de caráter geral. concedendo um serviço público. por contrariar o art. do Rio Grande do Norte. na parte em que concedia estabilidade a funcionários interinos em cargo de carreira. porquanto estabeleceu um critério 209 . CXVI. que formalmente são leis. Tais leis não são inconstitucionais. declarando de utilidade pública a desapropriação de certo imóvel. Há poucos dias. em que foi declarada inconstitucional a Lei n. pag. o "Jornal do Comércio" (do Recife) noticiou uma decisão do Supremo Tribunal Federal. 1. expõe com muita clarividência: É verdade que os parlamentares votam leis formais: concedendo a indivíduos. lícito duvidar que as leis fixadoras de um tratamento concreto para um caso individual só são constitucionais quando se limitam a aplicar à espécie uma norma geral preexistente. tècnicamente falando. de 17 de Dezembro de 1955. que os autoriza. (“Igualdade perante a lei" e "due process of law". em Novembro último. mas preceito concreto. 186 da Constituição Federal. nominalmente determinados. mais adiante. E. não contêm norma geral. Todos êsses atos. pensões ou benefícios. pois. acrescenta: Não parece. têm a forma de uma lei e o conteúdo de um ato administrativo. individualizado e. vol. Ao nosso ver tal lei violou o princípio da isonomia.

Ela está vasada nos seguintes moldes: Art. por outro. respeitadas as garantias já estabelecidas.Lei especial organisará o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado e dos Municípios. pedimos a atenção dos ilustres juristas. acessível a todos os brasileiros (art. Nessa altura. com a aplicação do princípio da legalidade. Lei juridicamente inválida. 186). 184).162 . impessoal e 210 . para uma regra de equiparação de vencimentos.. dada amplitude que o tema comporta.] § 6º .São proibidas as diferenças entre padrões de vencimentos relativos a cargos ou funções iguais.arbitrário em favor de determinados servidores públicos.. não é menos certo que ao funcionário público deve ser concedida uma segurança jurídica. deve-se ter em consideração que a função pública não é criada para o funcionário. bem como a atribuição de vencimentos inferiores ao do padrão em que esteja classificado o titular. estatuída com louvável alcance na Constituição do Estado de Pernambuco. de modo geral. afastando-se da norma geral – concurso – para primeira investidura em cargo de carreira (art. observados os princípios e normas do Título VIII da Constituição Federal. Sabido é que os estipêndios do funcionário público devem ser fixados por lei. a sua aplicação mereceu uma justa recusa. e mais os seguintes direitos e vantagens: [. Se por um lado.

pois. diz-se bastante em si. dirimindo a questão. self-enforcing. dizem se não bastantes em si . O Tribunal de Justiça de Pernambuco. o custo de vida. ou suplementem. a representação exigida para o seu exercício. pois. para sua incidência. porque. a técnica usada na Constituição Pernambucana. porém. por expressiva maioria. restando ao seu executor ou aplicador aferir a igualdade entre os cargos ou funções. Quando. no sentido de fazer desaparecer desigualdades de vencimentos entre cargos ou funções iguais. constituinte ou não. sem a criação de novas regras jurídicas. etc. pois de uma regulamentação. em vez de editar norma de 211 afirma o mestre PONTES DE . a depender. precisam as regras jurídicas de regulamentação. Nada. mais de justiça que o preceito adotado pelo constituinte pernambucano. self-excuting. sem perder de vista a natureza do cargo. a melhor interpretação está com a minoria. Com as ressalvas do nosso respeito à maioria vencedora. que as completem. deu pela auto-aplicabilidade do preceito. sob o fundamento de que a sua clareza dispensava disposições regulamentares. ser aplicadas.objetivo. Todavia surgiu uma controvérsia – trata-se de um preceito auto-executável. não poderiam incidir e. não enseja a compreensão de se tratar de um texto com elementos bastantes para imediata aplicação.Regras programáticas são aquelas em que o legislador. ou de uma norma programática. selfating. Na verdade. Consoante MIRANDA: Quando uma regra se basta. por si mesma.

vez que traça. ("Comentários à Constituição de 1946”. uma linha diretora proibitiva de diferenças de vencimentos entre cargos ou funções idênticas. De pleno acôrdo com êste magnífico ensinamento. sempre entendemos não se tratar de preceito auto-aplicável. 2a. vol. uniforme. também prevalente entre os juízes da primeira instância. °. 99. que se 212 . Basta dizer que o Consultor Jurídico de uma das Autarquias Estaduais foi equiparado ao Consultor Jurídico do Estado de Pernambuco. a execução e a própria justiça ficam sujeitas a êsses ditames. A legislação. sem a devida atenção à diversidade de atribuições e de responsabilidades existentes entre os dois cargos. na criação de regras destinadas a completar uma norma constitucional. para a sua inédita aplicação. A adoção. claras e manifestas ofensas ao princípio da isonomia. edição) . Qual o critério para se aferir a igualdade entre cargos ou funções? O Constituinte não estabeleceu. A disposição do § 6º não constitui norma bastante em si. trouxe como era de se esperar. que são como programas dados à sua função. possibilitando desarrazoadas equiparações. pelas quais se hão de orientar os poderes públicos. tão sómente. 1. geral. apenas traça linhas diretoras. pg. da inteligência dada pela maioria dos juízes do Tribunal de Justiça. E ao juiz não é dado substituir o legislador. sem indicar um critério objetivo.aplicação concreta.

seja o Estado. b) identidade de local (cidade ou município). c) identidade de natureza de atribuições. como está bem expresso em voto vencido do ilustre Des. nada mais compatível com o princípio ísonômico que essa disposição de 213 . 3º § 3º: Para que haja igualdade de cargos ou de funções é indispensável que concorram os seguintes requisitos: a) identidade de empregador. XXV pag. o desacerto interpretativo. e. onde os cargos sejam exercidos ou as funções executadas. Essa ilegitimidade foi adotada sob alegação de que o § 6º do art. foi regulamentada a disposição constitucional. o nosso Tribunal de Justiça decidiu ser inconstitucional o parágrafo acima.°1. vol. de quantidade e de produtividade do serviço. 162. ou entidade autárquica ou paraestatal. da Carta Política. em que pese o saber dos que sustentam esta compreensão. dispôs em seu art. 284 a 287). o Município. auto-exequível. posteriormente. ao nosso ver. na parte em que subordina a igualdade de cargos ou funções à identidade de local onde são exercidos ou executados. Aos nossos olhos.distinguiam até nos requisitos exigidos para a investidura. Não ficou ai. Aconteceu que. por maioria de votos. o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado e dos Municípios acolhendo os têrmos daquela lei.125. JOÃO JUNGMAN (ver Arquivo Forense. Com a Lei Estadual n. de 31 de Junho de 1951. não exige identidade de lugar.

a lógica do juízo jurídico indica que o legislador teve em mira a aplicação do preceito proibitivo de discrepância de estipêndios dentro da Autarquia. numa proporcionalidade. Jamais em relação a outra pessoa jurídica de direito público. em relação às Autarquias. de quantidade e de produtividade do serviço". 171 da Constituição Pernambucana estende os direitos e garantias dos funcionários do Estado aos servidores autárquicos. A uniformidade de denominação não significa a 214 . o art. exercido porém na cidade do Recife. onde o padrão de vida é muito mais elevado. do Estado e de uma Autarquia. Dir-se-á que. com estrutura própria e situação econômica diversa.Estado e do Município. Por exemplo. entre os seus servidores.caráter complementar.do . ou seja. No entanto. o último requisito . como "verbi gratia" . como as duas outras que formam o prefalado § 3º. um Chefe de Almoxarifado de um departamento de Estado. que bem se integra no sentido finalístico da igualdade de todos perante a lei. localizado em Salgueiro ou Serra Talhada. Finalmente."identidade de natureza de atribuições. Não é de se conceber a equiparação de vencimentos entre funcionários de entidades públicas distintas. vasada. não deve perceber os mesmos vencimentos que um ocupante de cargo com a mesma denominação. atribuições e responsabilidades.

na mesma localidade. mereçam tratamento igual. tendo em vista mesmo a situações que justificam a desigualdade de vencimentos. Disposição semelhante vamos encontrar na Consolidação das Leis do Trabalho. é que se pode declarar se há ofensa ao preceito proibitivo de vencimentos diferentes. O legislador ordinário. Após exame da natureza dos cargos. que em razão das condições e circunstâncias que lhes são próprias. No § 1º está definido o que seja trabalho de igual valor. é perfeitamente viável um cotejo de atribuições e responsabilidades. das suas características.igualdade de Cargos ou funções. nacionalidade ou idade" (art. 461). Se não é possível uma aferição aritmética. segundo a qual quando se trata de idêntica função “a todo trabalho de igual valor prestado ao mesmo empregador. sem distinção de sexo. do seu objetivo. Não se devem equiparar vencimentos por mera igualdade de denominações. das condições e circunstâncias em que os funcionários prestam os seus serviços. corresponderá igual salário. Aí a lei ordinária estatuiu um critério objetivo para a aplicação do mandamento de justiça distributiva inserto na Lei Maior e proibitivo “de diferença de 215 . sem exorbitar a regra constitucional estabeleceu pressupostos lógicos e necessários. a fim de se concluir pela existência ou inexistência de situações.

216 . para que não estabeleça tratamento igual entre desiguais. 157). tem contribuído para equiparações que importam em autêntica ofensa ao salutar princípio da igualdade jurídica. O não atendimento às regras traçadas. Como dizia ARISTÓTELES: Justa a igualdade de iguais. nacionalidade ou estado civil" (inc. pg. distintos até nas exigências para o seu provimento. teria ocorrido a equiparação de vencimentos de um mero Secretário da Administração do Pôrto do Recife ao Secretário do Tribunal de Justiça. deve ter bem presente a "ratio legis".perante a lei. com manifesta violação do exato sentido da norma legal e indevido gravame para o erário público. ("La Politique”. 111). na aplicação dêsse princípio essencial – igualdade . não fôra um voto de qualidade. de proporção. Cargos de atribuições e responsabilidades díspares (conforme se vê da Lei de Organização Judiciária do Estado e do Regulamento da Administração do Pôrto do Recife). sexo. baseada numa igualdade de situação. tanto quanto a desigualdade de desiguais. Não basta o argumento simplista da nomenclatura igual. lI. Em dias do mês findo. do art.salário para um mesmo trabalho por motivo de idade. que é uma proposição falsa. O juiz. em caráter regulamentar. porém a igualdade relativa. Não a igualdade absoluta.

todos nós dotados de razão e consciência devemos procurar ser fiéis a êsse princípio fundamental. 217 . Legisladores. para que impere a Justiça e seja melhor compreendida a vida temporal. anterior e superior ao Estado. administradores. 163-175. juízes. p. assegurado em tôdas as Cartas Políticas do mundo civilizado. Pronunciamentos. assegurado em tôdas as Cartas Políticas do mundo civilizado. Transcrição fac-símile.Legisladores. para que impere a Justiça e seja melhor compreendida a vida temporal. O Poder Judiciário e a Carta Constitucional 102 102 Falcão. todos nós dotados de razão e consciência devemos procurar ser fiéis a êsse princípio fundamental. Djaci. juízes. anterior e superior ao Estado. administradores. Conferência proferida na Ordem dos Advogados do Paraná em 11 de agosto de 1988. João Pessoa: Universitária/UFPB. 1998.

5. O papel do Supremo Tribunal em face da Constituição e da lei federal. Basta lembrar os pronunciamentos da Corte em 1965. na ordem da tripartição de Poderes do Estado. bem assim no ano de 1975. não tem poupado esforços no sentido de colaborar. 1.6. Sua colaboração para o aprimoramento do poder Judiciário. quando apresentou um 218 . O Supremo Tribunal Federal como guardião da Carta Política . Ação direta para declaração da inconstitucionalidade em tese e por via de exceção. Competência do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal . Avocação das causas . Introdução . Criação de uma Corte Constitucional . dificuldades de natureza técnica para uma reforma.7. nos limites a que esta vinculado. em prol da eficaz garantia da ordem jurídica e em resguardado do seu prestígio. em profundidade. Tribunais de Justiça e Tribunais de Alçada. O poder Judiciário e a autonomia administrativa e financeira. Valorização da Justiça de Ia.3. Sua eficácia. durante a minha Presidência. O Supremo Tribunal Federal. Justiça dos estados.Sumário: 1. do Poder Judiciário. para o aprimoramento da missão confiada ao Poder Judiciário. Aspectos da amplitude da competência do Tribunal Superior de Justiça e a tradicional e correta competência do Supremo Tribunal Federal. é bom registrar.4. ao lado da injustificável e reiterada alegação de falta de recursos financeiros imprescindíveis à sua concretização. Criação de Tribunais Regionais Federais .2. INTRODUÇÃO: Há sem dúvida. Instância8.

com êxito. França.relatório geral sobre o Poder Judiciário. com o que se afastava o controle da constitucionalidade já incorporado. mediante remédios consagrados pelo 219 . Estamos próximos da promulgação de uma nova Carta política. atendendo a solicitação de sugestões. Senador Afonso Arinos. O capítulo do Poder Judiciário envolve ampla matéria. em primeiro lugar. na qual se inserem inovações em tomo da estrutura e da competência dos órgãos desse Poder. acrescida das inovações ampliativas adequadas à nossa realidade. por último. Espanha e Portugal). assegura-se aos cidadãos.86. Presidente da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais. Criação de uma Corte Constitucional Observo. sob inspiração da doutrina norte-americana. dado a exiguidade de tempo para o seu exame consiste em abordar alguns aspectos do texto votado em primeiro turno. Itália. O meu propósito. valorizando algumas soluções e. a 30. à tradição do Supremo Tribunal Federal.06. quem em boa hora deixou ser adotada a idéia da criação de uma corte Constitucional nos moldes europeus (Áustria. Alemanha. a proteção dos seus direitos e garantias individuais. formuladas pelo Exmº Sr. originariamente ou em recursos. 2.

seja por via de ação ( ação direta). a Carta Política de 1946 manteve o princípio (art. 8º. Isso. de lei ou de ato de natureza 220 . Com isso não se põe à margem a independência e equivalência dos Poderes.C. em tese. de alcance limitado às partes litigantes. 3. para assegurar a sua supremacia. §único). nº 16/65. traz a marca da definitividade. base essencial da ordem jurídica do Estado. como a habeas corpus. é evidente. para efeito de intervenção no Estado-membro (art. é bom frisar. o mandado de segurança e a ação popular. como é sabido. inclusive porque os juizes estão também sujeitos aos princípios substanciais e formas da lei Maior. ação direta de declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. seja mediante exceção (controle incidental). instituiu a denominada "ação interventiva". sem deixar de reconhecer a guarda da Constituição pelos Poderes Legislativo e Executivo. A Constituição de 1934. no caso concreto. foi conferida ao Supremo Tribunal federal competência para declarar a inconstitucionalidade. 12). O controle pelo Poder Judiciário. Sobrevindo a E. Por sua vez.texto constitucional. A nossa Corte mais alta sempre coube emitir juízo definitivo sobre a Constituição. O Supremo tribunal federal como o guardião da Carta Política.

assim o controle concentrado ao lado do controle difuso. abstendo-se a Corte de outras considerações por envolverem temas ligados aos Poderes Executivo e Legislativo. ajuizada pelo Procurador-Geral da República.O Presidente da República II . entre nós. letra 1. diante da demissibilidade "ad nutum". mediante ação direta. então será caso de pô-Ia em discussão. Isso. da Carta Magna). a legitimidade para representação por inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. I. ao dizer: Art. deve ser considerado.C. inc. 119.A Mesa de Assembléia Legislativa V . I. com maior segurança. letra l. 119. pelo próprio Poder Constituinte.A Mesa do senado Federal III . 113.normativa federal ou estadual. 109. Acontece que o constituinte seguiu critério ampliativo. da Carta política de 1967 (hoje art. com eventual outorga de garantias maiores para o exercício do cargo. Tem-se. a declaração incidental.I.A Mesa da Câmara dos deputados IV . O preceito passou a constituir o art. porém. é atribuição exclusiva do Procurador-Geral da República (art. A Corte ao se manifestar pela permanência da regra acrescentou textualmente: Se entende que seu titular fica excessivamente vinculado ao Poder Executivo. de 1969). inc. uma vez que.O Governador de estado 221 ação de . Podem propor a inconstitucionalidade: I . somente alcança o caso concreto. inc. letra I. Trata-se de inovação salutar. em face da E. Hoje.

um ou outro. Em seguida. ou seja.Confederação Sindical ou Entidade de classe de Âmbito Nacional. Sua Eficácia. A decisão por via de ação direta tem eficácia erga 222 . por certo. Competência do Supremo Tribunal e do Senado Federal. A matéria é polêmica e o constituinte. contudo. do interesse público. Ação Direta para declaração da Inconstitucionalidade em Tese e por via Exceção. Declarada a ilegitimidade de lei ou de ato normativo em face da lei magna perde. 4. a sua validade e força executaria. somente com aplicação do texto teremos oportunidade de verificar sua conveniência. em termos altos. Devo dizer.Partido Político com representação no Congresso Nacional IX . que depende de lesão a direito individual. desde logo.VI . que em face de tamanha ampliação. A ação direta para declaração da inconstitucionalidade em tese. de onde derivam todos os poderes.O procurador -Geral da República VII . visa assegurar a supremacia da Constituição.O conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil VIII . atendeu a possíveis inconvenientes do sistema atual. estatuiu que o procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido (§ 1°). reservando-se privativamente ao Supremo Tribunal Federal o seu julgamento.

a inconstitucionalidade. 223 . quando o juízo competente declara. consoante pondera Manoel Gonçalves Ferreira: Pelos hábitos de moderação. Isso não significa.(in curso de Direito Constitucional. incidentar tanto. para o efeito suspensivo decorrente do julgado. porém. não ficando restrita às partes. Proferida em ação direta pelo Supremo Tribunal Federal. 12º. dispensa a comunicação ao Senado Federal. os juizes não ambicionam a direção política do País. uma vez que. em pleitos ajuizados pelas partes. Este intervém. nem se intrometem nela a não ser quando esta colide com a lei. como ocorre na hipótese do controle jurisdicional por via de exceção. pela disciplina intelectual a que estão acostumados. De grande importância é o tema relativo aos efeitos da decisão de inconstitucionalidade in abstrato. edição. em defesa de direito próprio. Na última hipótese a decisão final (do Supremo tribunal Federal) somente adquire eficácia erga omnes após a suspensão da execução da lei. o predomínio dos juízes. como acontece nos casos concretos. É suficiente ampla a função da Corte na interpretação da lei Magna.omnes. onde se inscrevem as bases da ordem jurídica. por ato da competência privativa do senado Federal. afastando a submissão da parte a lei viciada por inconstitucionalidade. §262).

não comporta decisão posterior do Senado Federal. em tese. não obstante manter o controle constitucional pela via direta a cargo do Supremo Tribunal Federal. Como procurei demonstrar. 53. para tomar mais amplo o efeito da declaração jurisdicional. É bom frisar que a eficácia da decisão do supremo Tribunal Federal. A lei continua em vigor até que se dê a suspensão pelo Senado Federal. retirando a sua eficácia ( art. Assim temos entendido a partir do Processo Administrativo 4. porque declarada a inconstitucionalidade em tese. VII. de norma legal ou ato normativo. 109). X. da Constituição). inc. em matéria de representação por inconstitucionalidade. comunicará o teor da decisão declaratória ao Senado Federal para cumprimento do disposto no art. 42. a decisão da 224 . quando se fixou a inteligência do art. em missão político-jurídica que lhe é reservada. Passada em julgado.posteriormente.477/72. não há razão para tanto. O inciso referido diz da competência do Senado Federal para suspender a execução da lei declarada inconstitucional. não há cogitar de suspensão. (§ 3° do art.VII. estabelece: Quando o Supremo Tribunal Federal declara a inconstitucionalidade. Acontece que o projeto de Constituição aprovado em primeiro turno. 42. da Constituição.

ou a partir da publicação da decisão declarátoria. Por isso mesmo é que foram oferecidas emendas supressivas do §3º do art.127[. a Corte Suprema americana tem aberto exceções à regra da 225 . a meu juízo.. pelo Senador Mauricio Correia e pelos Deputados Nelson Jobim e Wagner Lago. de norma legal ou ato normativo. o efeito de excluir a eficácia da lei ou ato normativo. a seguinte redação: Art.Corte tem eficácia erga omnes. A decisão contém. de norma legal ou ato normativo. Daí. 109.] §2º .Quando o Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucionalidade. determinará se eles perderão a eficácia desde a sua entrada em vigor. A propósito do tema. Esta função constitui um corolário lógico-jurídico. por si mesma. seguida pela nossa Corte. e do seguinte teor: Dê-se ao § 2º do art. o acerto dessa emenda que. A propósito. Desde que compete privativamente ao Supremo Tribunal federal declarar a inconstitucionalidade. completa-se a sua função ao determinar o momento da perda de sua eficácia. explicitamente. parece-me oportuno mencionar interessante emenda modificativa.127 do Projeto de Constituição. tendo parecer favorável do relator. oferecida pelo Senador Mauricio Correia. permite um certo temperamento quanto aos efeitos da decisão. Deputado Bernardo Cabral.. em tese. em tese. Tal norma não se harmoniza com a boa doutrina.

Aspectos da Amplitude da Competência do Tribunal Superior de Justiça e a Tradicional e Correta Competência do Supremo Tribunal Federal. A Corte maior."invalidade ab initio" da lei inconstitucional (ver "Constitucionalidade das leis". da posição de Tribunal da Federação. poderá. de certo modo. voltada para a vontade constitucional e com a visão do todo. Veja-se que se lhe atribui competência para: 226 . 136 da Constituição). Avocação de Causas. Todavia. perdem os jurisdicionados ao verem a Corte mais alta afastada. na Itália a mesma cessa de ter eficácia a partir do dia sucessivo à publicação da decisão (art. mediante critério flexível. não vingou a referida emenda. Na Espanha as decisões do Tribunal Constitucional "têm o valor da coisa julgada a partir do dia seguinte a sua publicação"(art. Lúcio Bittencourt. 5. Isso decorre da competência que se confere. no Projeto. A meu juízo. aprovado em primeiro turno. §148 a 149). preservar os princípios constitucionais sem incidir em rigorismo capaz de criar situações que extravasem do elevado objetivo do instituto da representação. ao Superior Tribunal de Justiça. 164 da constituição).

Dessa forma. b) Julgar válida lei ou ato de governo local. recurso que se apresenta com índole de extraordinário. embora de elevada qualificação. sem dúvida. (art. Ter-se-á um Tribunal que. as decisões dos Tribunais Estaduais. ficarão subordinados também ao Superior Tribunal de Justiça. embora sem situar-se na cúpula do Poder Judiciário. Teremos. como resultado dessa transposição de competência. contestado em face de lei federal.Julgar. no plano de um Tribunal da Federação. 227 . com os seus inconvenientes. quando a decisão recorrida: a) Contrariar tratado ou lei federal.III) Por demais abrangente. em única ou última instância. não é "um Tribunal de toda a Federação como a Corte Suprema". hoje sujeitas a reexame em recurso extraordinário. a sua jurisdição passa a alcançar os julgados das Justiças Estaduais. tenho para mim que vai acorrer com o tempo sensível congestionamento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados.III . um Tribunal agigantado. mediante recurso especial. do Distrito Federal e Territórios. c) Der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. ou negar-lhe vigências. Além disso. como atualmente se dá com o Supremo Tribunal Federal. em recurso especial. as causas decididas.

terceira instância. ressalvadas a matéria constitucional e as questões federais relevantes.25 . à segurança ou às finanças públicas. tive ensejo de afirmar em Novembro de 1975: Outra idéia.11. o serviço da Corte. é a de transformar o Supremo Tribunal Federal em Tribunal destinado a julgar questões de natureza constitucional e os casos que. tem como titular o Procurador Geral da República. Deve-se. atualmente concebida como medida de natureza excepcional. à saúde. Ao mesmo tempo iriam surgir dificuldades quando nos recursos extraordinários se cogitasse de tema constitucional ao lado de interpretação de lei federal. inc.A propósito da matéria. de qualquer forma. na PUC . a melhor solução. A diminuição da competência. pode-se estabelecer limitações à recorribilidade. A avocatória. não se me afigura feliz retirar do Supremo Tribunal Federal a competência para avocar processos. não resta dúvida de que o excesso de processos seria transferido para um novo tribunal. atribuindo-lhe as questões de maior importância e repercussão é. que deve assentar em imediato perigo de grave lesão à ordem. ou da especialização e ampliação do atual Tribunal Federal de Recursos.São Paulo ). de modo acentuado. pela grande importância. Em tal hipótese. com a cisão dos julgamentos.III. a meu entender. letra G.conferência proferida a 28. do projeto aprovado em Primeiro Turno). preservar a sua marcante e tradicional função. Visa alcançar 228 . pg. dada a complexidade.1975. como Tribunal da Federação (Reforma do Poder Judiciário. Quer se adote a idéia de Tribunais Regionais Federais e de um Tribunal Superior Federal. Embora viesse a reduzir. transferindo-a para o Superior Tribunal de Justiça (art. os recursos iriam sofrer tramitação mais demorada. Outrossim. ficassem na sua competência originária. l.

como ocorre no presente. Sua Colaboração para o Aprimoramento do poder Judiciário. à vista de numerosos julgados e larga jurisprudência em torno dos temas mais delicados e relevantes. de medida delicada e excepcionalíssima. O papel do Supremo Tribunal em Face da Constituição e da lei Federal. desempenhado tradicionalmente pela Corte mais alta. Excetuam-se dessa medida a decisão transitada em julgado e que comporte recurso com efeito suspensivo (art. de vozes autorizadas do mundo 229 . da maior repercussão. inc. 6. principalmente. 119. desempenhada por quase um século. "salvo se a decisão se restringe a questão incidente. I letra O. órgão de superposição. caso em que o conhecimento a ela se limitará". da Constituição da República e art. Cuida-se. devendo situar-se na competência do Tribunal a quem cabe manter a autoridade e a unidade do direito federal.decisão proferida em qualquer Juízo ou Tribunal com a suspensão dos seus efeitos e devolução integral do litígio ao Supremo Tribunal Federal. como se vê. Essa missão. 252 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). a envolver a Constituição e a lei federal. como um todo. Não devemos esquecer a elevada importância do papel atinente ao resguardo da autoridade e unidade do direito. Criação de Tribunais Regionais Federais. pelo que se vê e ouve.

é bom frisar. que aumenta em razão do crescimento demográfico e do desenvolvimento econômico. 114 (hoje art. não quer significar demérito da prestação jurisdicional por outros órgãos julgadores. do inc.” Houve o aumento do número dos seus Juizes.119). do art. constituindo-se três Turmas (A. além das complicações de tantos casuísmos com que se defrontam os Juizes. porém. 2. a nossa luta incessante contra o mal do seu congestionamento. Daí. enfim quando a decisão recorrida nega implicitamente a sua 230 . decorrentes da sobrecarga de feitos submetidos à sua apreciação. o volume de serviço desafia até a resistência orgânica dos julgadores. Dizia eu há doze anos: “Nos últimos decênios. de 27.65). I. Nº 1169 operou-se a limitação do recurso extraordinário baseado na letra a. que. Com a EC. nem tampouco negar as dificuldades enfrentadas pelo Supremo Tribunal Federal. de modo expresso. ou a falta de aplicação de lei federal à toda evidência imprescindível ao julgamento. com todas as suas naturais implicações. não tem decepcionado os jurisdicionados. buscam em suas demandas a palavra final da Corte. com freqüência.jurídico. Isso. III. expressa na locução "negar vigência de tratado ou lei federal” a compreender a negação. da vigência da lei. de onze para dezesseis.10.

espécie ou valor pecuniário. nº 7. tem sido um instrumento político-jurídico útil ao processamento do recurso extraordinário. de 5.178. já adotada pela Emenda Regimental nº 3. no seu Regimento Interno o poder de estabelecer "o processo e julgamento dos feitos de sua competência originária ou de recurso". 119 (§ único do art. Ao lado disso. presente na questão em debate. § único. função legislativa especialmente outorgada pela lei Magna.979 em 1987. foi consagrada a "relevância da questão federal". até 5.04. do inc. C. letra e. 115. A argüição de relevância da questão federal. sendo providos 807. da E. 2. Como se vê. como registram os nossos dados estatísticos. nº 1/69. Também lhe foi permitido disciplinar à vista da natureza. de 13.C. apreciada em conselho. enquanto no último ano houve 7. acima do interesse exclusivo das partes repercussão limitada. conferido a Corte..979 argüições de relevância foram 231 .427. III. principalmente em razão do julgamento secreto e não expressamente motivado.75. por todos os ministros.927 agravos de instrumentos contra despacho denegatório de recurso extraordinário. Outra invocação decorreu do art. com base no interesse público de maior monta.vigência. Basta ver a sua evolução numérica. do art.06. não obstante as críticas que lhe são feitas. Por força da E. os casos enumerados nas alíneas a e d. de 647 em 1976 para 1. 119).77. de 12. etc.

seja por adoção de processo autônomo. num percentual superior ao dos agravos de instrumento providos. quando a decisão contrariar dispositivo da Constituição. não subsiste no Projeto a figura da relevância da questão federal. violar letra de tratado ou lei federal ou de outro Tribunal Regional federal". só cuidaria dos que envolvesse seus próprios acórdãos. A este. consoante ficou expresso na exposição de motivos constantes do esboço oferecido pela Corte.acolhidas 1. ou como prévio requisito do recurso extraordinário. mediante recurso especial. Com isso não nego que estivesse a merecer uma reformulação. as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais. de Tribunais 232 . em face do novo prisma jurisdicional confere-se também competência para "julgar. após a experiência aurida ao longo de treze anos. Por sua vez. com algumas modificações no sistema atual. Portanto. o Tribunal Federal de Recursos em tribunal Superior Federal. por outro lado.121. transformando-se. o Supremo Tribunal Federal deveria conservar a sua competência. em que se lê: a) Quanto ao dissídio entre julgados. Nas sugestões que apresentamos se considerou indispensável a criação de Tribunais Regionais Federais. Todavia.

contra decisões proferidas por todos os Tribunais do País. somente será cabível se o Supremo tribunal Federal reconhecer a relevância da questão federal nele considerada. sem ponderáveis limitações.Superiores Federais ou Tribunais Estaduais. políticos ou sociais da causa". c) A relevância da questão federal deve aferir-se diante de seus reflexos na ordem jurídica. Impõe-se adotar uma orientação descentralizadora das tarefas atribuídas aos órgãos judicantes colegiados. Não é plausivel competência para julgar conferir recurso a um Tribunal extraordinário. Em 1975 pronunciei-me favoravelmente à criação de Tribunais Regionais Federais. como uma das medidas capazes de contribuir para o andamento. além disso. levando-se em consideração os aspectos econômicos. Eleitorais ou do Trabalho) devem ser resolvidos pelos respectivos Tribunais Superiores. indiscriminadamente. Esta 233 . b) O recurso extraordinário. sem maior tardança dos feitos ajuizados. pois o conflito entre julgados de Tribunais Regionais (Federais. a proporcionar até mesmo maior comodidade para os litigantes situados em cada região. por negativa de vigência de tratado ou lei federal e por dissídio jurisprudencial.

em único grau de jurisdição. d) justiça de paz temporária. salvo para declaração de inconstitucionalidade. sem prejuízo das funções destes em primeira instância. Valorização da Justiça de Primeira Instância. Aliás. competente para habilitação e celebração de casamento e para outros atos previstos em lei". Parece-me de bom alvitre a criação. 234 . c) Turmas de recursos compostas pelos próprios Juizes locais. mediante proposta dos Tribunais de justiça. e. a experiência de sua criação e funcionamento em vários Estados já demonstrou a eficácia dessa medida. de "b) juizados especiais. competentes para conciliação e julgamento de causas cíveis de pequena relevância definida em lei e julgamento de contravenções. 7. criando-se. onde se impuser. para julgamento dos feitos civis e criminais estabelecidos em lei.idéia vê-se acolhida no esboço agora apresentado pelo Supremo Tribunal Federal. conforme ficou sugerido pela nossa Corte. pelo legislador constituinte. Justiça dos estados Tribunais de Justiça e Tribunais de Alçada. por igual. No plano de justiça dos Estados a idéia também é válida. Tribunais de Alçada.

Devo dizer que não comungo da idéia de juizados especiais. mesmo que se lhe atribua competência tão-somente para a solução de pequenos litígios. a criação de juizes leigos. afastando a morosidade que causa sacrifícios e desencantos às partes. §lº. em que o rito sumaríssimo e a função conciliatória atinjam. verdadeiramente. não se justifica a adoação de tal idéia. porém. providos por Juizes "togados e leigos" (art.6 e 7). Com procedimentos simplificados. 103. Em 1975 assim externei o meu pensamento: Não nos parece conveniente. poderemos aproximar-nos daquilo que a sociedade almeja . de investidura temporária. (Reforma do Poder Judiciário. I. numa época em que assistimos a uma relativa melhoria do nível de conhecimentos das diversas classes sociais. págs. do projeto aprovado em primeiro Turno. c. 235 .soluções prontas e eficaz para os litígios. 114. mediante eleição ou nomeação (art. tanto quanto possível. de modo que tenham estrutura e organização capazes de assegurar a regular funcionamento da Justiça. ao qual se atribuem a habilitação e celebração de casamento e a prática de outros atos que não importem em julgamento". da Constituição Federal). afetando a tranqüilidade dos próprios Juizes. Reputo de maior importância a valorização da primeira instância. no âmbito federal e estadual. a sua finalidade. Parece-me razoável a conservação apenas do Juiz de paz.

pág. Com a promulgação da nova Constituição a semente estará plantada. Em 1975 tive ensejo de alertar que: Não é demasia acentuar que o Governo deve se dispor a gastar um pouco mais com o Poder Judiciário. a fim de lhe proporcionar uma estrutura adequada ao relevante papel que vem desempenhando. com sacrifícios. põe-se no texto da lei Magna preceito segundo o qual "Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira” (art. na hora presente.16) Agora. a insuficiência de recursos financeiros destinados ao Poder Judiciário. sem os quais não se pode alcançar o essencial ao seu regular funcionamento e à sua modernização. (Reforma do Poder Judiciário. praticamente perdura o estado de carência financeira. À exceção de medidas isoladas. restando aguardar os seus bons frutos. de modo geral. 104 do Projeto aprovado).8. Continua. 236 . dentro das diretrizes maiores expressas nos seus parágrafos. O poder Judiciário e a Autonomia Administrativa e financeira.

SEXTA PARTE NOTÍCIAS DE DESTAQUE NA IMPRENSA .

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o vicepresidente e o Conselho de Justiça (dois membros) e seus suplentes. do seu oficial de gabinete. A escolha recaiu. Adauto Maia. Caderno 2. p. dos funcionários da secretaria e do DIARIO DE DESEMB. Diario de Pernambuco. Transcrição fac-símile. 1. sob a presidencia do desembargador Pedro Cabral. as Câmaras Conjuntas do Tribunal de Justiça reuniram-se ontem. para a Presidencia. estando presentes todos os membros do Tribunal de Justiça. Rodolfo Aureliano e Cláudio Vasconcelos. Djací Falcão foi eleito ontem Presidente do Tribunal de Justiça.Desembargador Djaci Falcão foi eleito ontem Presidente do Tribunal de Justiça 103 Excepcionalmente. 08 jan. para eleger o novo presidente do Tribunal. Recife. para a vice-presidencia. logo após pronunciar algumas palavras dando conta da sua administração e agradecendo a colaboração dos seus pares. O desembargador Pedro Cabral. para integrarem o Conselho de Justiça. 239 103 . RELATÓRIO E ELEIÇÃO A sessão teve início às 9 e 30. nos desembargadores Djaci Falcão. surpreendentemente. 1961.

PERNAMBUCO, anunciou que ia proceder À eleição para os cargos já acima referidos, iniciando com a de presidente. Distribuídas as cédulas contendo os nomes dos 15 desembargadores, após assinalarem os nomes de suas preferencias, verificou-se, na apuração, que o desembargador Djaci Falcão obtivera sete votos contra seis, atribuídos ao desembargador Luiz Nóbrega; um ao des. Augusto Duque e outro ao des. Angelo Jordão. Por proposta do desembargador Augusto Duque, que citou artigo do Regimento Interno dizendo ‘quando não se observar na votação maioria absoluta para um dos candidatos, será procedido novo escrutínio’, procedeu-se a nova votação. Ainda desta vez, o desembargador Djaci Falcão obteve maioria de um voto sôbre o seu colega des. Luiz Nóbrega, sendo, então, proclamado eleito para a presidencia do TJ no ano em curso. Convidado logo após, pelo desembargador Pedro Cabral, assumiu a presidencia, antes porém, prestou o juramento de praxe. Já no exercício, empossado pelo seu antecessor, o desembargador Djaci Falcão disse que não havia preparado discurso. Declarou: ‘Apenas quero afirmar aos meus eminentes colegas que toca a minha sensibilidade a confiança que me foi outorgada de modo tão democrático.

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Não pouparei esforços no sentido de realizar uma administração compatível com a respeitabilidade do Poder Judiciário, valendo-me da técnica em busca da ação objetiva; não de uma técnica pura mas de uma técnica com objetivo de realidade, de realização da Justiça, ‘vendo, tratando e pelejando’, como diria Camões Em síntese: com respeito ao princípio da legalidade, com a ambição de bem e com a ajuda dos integrantes do Poder Judiciário em Pernambuco, especialmente de meus nobres pares, espero realizar uma missão construtiva. Construir conscientemente no sentido da Justiça é, a meu ver, o maior ideal que pode almejar um magistrado. Com este propósito, espero administrar o TJ, no corrente ano, e confio em Deus que serei ajudado neste mister por todos quantos integram o mesmo Poder em Pernambuco’. Finalizou as suas palavras, o desembargador Djaci Falcão dizendo-se grato a seus colegas, pela confiança nele demonstrada. A eleição para o cargo de vice-presidente do TJ ocorreu de maneira idêntica à de presidente. Sete votos contra seis foram dados aos desembargadores Adauto Maia e Euclides Ferraz, respectivamente; um ao des. Rodolfo Aureliano e um ao des. Thomaz Wanderley.

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Novo

escrutínio

confirmou

a

escolha

do

desembargador Adauto Maia para a vice, por seis votos contra seis. Nessa nova eleição deixaram de votar os dois candidatos mais votados. CONSELHO DE JUSTIÇA Os desembargadores Rodolfo Aureliano e Cláudio Vasconcelos foram escolhidos pelo voto secreto para, juntamente com o desembargador Djaci Falcão, comporem o Conselho de Justiça do Estado. Esse órgão aprecia os casos referentes aos juizes de Direito da Capital e do Interior em Primeira Instância, com relação à disciplina. Anteriormente era denominado Conselho Disciplinar da Magistratura. Para suplentes desses novos membros, foram escolhidos os desembargadores Thomaz Wanderley e Costa Aguiar. CUMPRIMENTOS Logo após realizadas as três eleições, o

desembargador Djaci Falcão dizendo nada mais haver a tratar uma vez que a sessão fôra convocada para aquele único fim, declarou encerrados os trabalhos. No Gabinete, recebeu os cumprimentos dos seus colegas, desembargadores, do Procurador Geral do Estado, bel. Luiz Arcoverde; juiz da Capital e do Interior, dos sub-procuradores gerais,

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promotores, advogados, jornalistas e funcionários da Secretaria do Tribunal de Justiça Eleitoral.”

Novo Presidente reformará o Regimento Interno do TJ

104

Dizendo que as portas do seu Gabinete estavam abertas para receber e informar a imprensa de Pernambuco, democraticamente, o desembargador Djaci Falcão, já no exercício de cargo de Presidente do Tribunal de Justiça, prestou as seguintes declarações ao DIARIO DE

PERNAMBUCO. ‘Espero, na presidência do TJ, realizar uma missão construtiva, com a indispensável ajuda dos integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público de Pernambuco, especialmente dos meus colegas de Tribunal’. Disse pretender, no ano em curso, como objetivos precipuos, encaminhar ao Poder Legislativo um ante-projeto de Lei de Organização Judiciaria, com algumas modificações substanciais,
104

não

declinando,

embora

insistido

pela

NOVO Presidente Reformará o Regimento Interno do T. J. Diario de Pernambuco. Recife, 08 jan. 1961. Caderno 2, p. 1. Transcrição fac-símile. 243

reportagem, quais seriam as modificações que tenciona introduzir no referido Projeto. ‘Aliás – acrescentou o des. Djaci Falcão – já existe uma Comissão cuidando desta tarefa, que considero de grande importância, a qual é composta pelos ilustres desembargadores Luiz Marinho, Augusto Duque e Rodolfo Aureliano, sob a presidência do ultimo’. Disse ainda o entrevistado que espera também, com a contribuição dos seus colegas, fazer algumas modificações no Regimento Interno do Tribunal de Justiça, negando-se igualmente a dizer quais seriam as modificações. Para finalizar as suas declarações, afirmou que, com apoio no principio da legalidade, procuraria construir, conscientemente, no sentido do ideal de Justiça’, o que constitui para o magistrado a sua maior e mais digna aspiração.’ DADOS BIOGRAFICOS O desembargador Djaci Falcão é o mais novo (em idade) membro do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Foi promovido para o alto cargo da magistratura pernambucana em março de 1957, com 37 anos. Antes, porem, o desembargador Djaci Falcão, que colou grau de Bacharel em Direito na nossa Faculdade em 1943, exerceu a função judicante nos municipios de Serrita
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São Joaquim do Monte. Outros magistrados com quem falamos antes. como desembargador. Luiz Nobrega por uma maioria de dois ou três votos. quando em 1957 foi promovido para o Tribunal de Justiça. procuramos ouvir alguns magistrataram surpresa pela escolha. portando-se. Para a comarca do Recife. na administração do des. o novo Presidente. Exercia. veio em principios do ano de 1953. SURPRESA Logo após conhecido o resultado do pleito da Justiça. Triunfo. mesmo assim achavam na eleição do sr. embora afirmassem que o candidato Djaci Falcão tinha grandes possibilidades. tendo oportunidade de presidir o TJ em varias oportunidades. da Vara da Fazenda Estadual. foi juiz da Primeira Vara Criminal e. a função de vice-presidente. com acêrto. Paulista e Caruaru. o desembargador Luiz Nóbrega recusou-se terminantemente 245 . o que não ocorreu. em todas elas. ainda. Pedro Cabral que ontem deixou o cargo.(outubro de 1944). posteriormente. dada a expectativa que se observava de que o nome mais cotado para o cargo seria o do desembargador Luiz Nobrega. Instado a falar à reportagem do DIARIO.

declinou da sua escolha. Os desembargadores Adauto Maia e Euclides Ferraz. Adauto Maia. Euclides. Respondeu o des. mas como à época estivesse na presidencia do Tribunal Regional Eleitoral. e uma do des. respectivamente. alimento de sua predileção. dizia o des. entre eles o des. que obtiveram. como se estivessem tomando uma dose de uisque’. no gabinete. Pedro Cabral esses mesmos colegas quiseram faze-lo candidato na eleição do ano passado. O des. porisso consegui maioria de votos’. o que ocorreu desta vez. a famosa carne de sol. abraçam-se mutuamente.embora declarasse que fôra candidato por insistencia de alguns dos seus colegas.” 246 . os candidatos fazem blague. PITORESCO O fato pitoresco da reunião de ontem do Tribunal de Justiça foi a palestra mantida pelos dois candidatos à vicepresidencia do Tribunal. Claudio Vasconcelos cobrava do seu colega Djaci Falcão. Esse teria que oferecer. Na ante-sala. Euclides Ferraz: ‘Eleição democratica é assim. sete e seis votos. como ‘tira-gosto’. duas caixas de uisque que prometera tomar se eleito fosse. em tom de blague: ‘Eu gastei mais dinheiro do que você. que não tinha compromisso mais com o Tribunal Eleitoral. Adauto Maia porque fôra eleito para vice.

Recife. 08 jan. 1. como representante do Tribunal. 1961. p. realizadas em Brasília. ao sul do país. O desembargador Augusto Duque pediu a palavra e apresentou um relatório verbal da viagem que empreendeu recentemente. a 8 de dezembro ultimo. Transcrição fac-símile. 247 . Diario de Pernambuco. nas festividades do Dia da Justiça. VISITAS E RECEPÇÕES Como parte das solenidades.O Presidente do Supremo Tribunal virá ao Recife 105 O desembargador Djaci Falcão presidiu ontem a primeira sessão ordinária das Câmaras Conjuntas do Tribunal de Justiça após as férias forenses terminadas a 6 do corrente. – disse o desembargador Augusto Duque no relatório – consta um banquete oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek. Caderno 2. todos relativos a pedidos de férias de juizes e licenças premios de alguns magistrados. uma sessão solene 105 O PRESIDENTE do Supremo Tribunal virá ao Recife. Apenas alguns feitos administrativos foram relatados pelo novo presidente do TJ.

recepção oferecida pelo presidente da Republica aos representantes de diversos Tribunais do País. Compareceu às festividades a maioria dos membros do Supremo Tribunal Federal. ainda se dirigira ao Estado de São Paulo. 248 . sendo que a Paraíba enviou três. Disse ainda o desembargador Augusto Duque que. do Tribunal de Recursos e do Tribunal Superior do Trabalho. que foi realizada no Salão das Sessões do Tribunal Federal de Recursos e na qual foram condecorados vários magistrados de diversos Estados. independentemente do cumprimento da representação de que fôra portador. Aduziu o desembargador Augusto Duque à pobreza da delegação de Pernambuco. recebendo de alguns Ministros especiais referencias ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. J.na Associação dos Magistrados Brasileiros. com relação ao numero de membros representantes. sendo que o ministro Barros Barreto. Disse o desembargador que havia visitado todos os orgãos de justiça da Novacap. quando teria oportunidade de abraçar pessoalmente os membros do T. anunciou que possivelmente no mês de fevereiro estaria em Pernambuco. presidente do STF. Disse que quase todos os Estados fizeram-se representar por dois desembargadores. na Palácio da Alvorada.

” 249 . Visitou ainda o Tribunal Regional Eleitoral e a Faculdade de Direito do grande Estado sulista. sendo tratado com especial atenção.onde visitou o Tribunal de Justiça local. sendo alvo de carinhosa recepção na qualidade de representante do TJP.

250 .

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SÉTIMA PARTE CONDECORAÇÕES E LINHA DO TEMPO .

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Medalha do Mérito de Pernambuco. Grã-Cruz da Ordem Infante D. p. 1998.Tribunal Superior do Trabalho. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho . Grã-Cruz da Ordem do Mérito Aeronáutico. CERQUEIRA. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar Exército.Falcão: ministro do Supremo Tribunal Federal. 159-160. p. CAVALCANTE. Recife: Fundação Antônio dos Santos Abranches-FASA. Jaques. Medalha do Mérito Cidade do Recife.Condecorações 106 Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. Djaci. Grã-Cruz da República da Romênia. Djaci. Grã-Cruz do Mérito Judiciário . Carlos.Associação dos Magistrados Brasileiros. 253 106 . 2003. Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Brasília.155-156. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Naval.Portugal. Henrique .Falcão – Uma vida dedicada à justiça. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário Militar Tribunal Superior do Militar. Recife: AIP.

Medalha do Mérito Judiciário Desembargador Joaquim Nunes Machado Tribunal de Justiça de

Pernambuco; Medalha do Mérito Judiciário - Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Medalha da Ordem do Mérito Eleitoral Frei Caneca - Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco; Medalha do Mérito Judiciário Conselheiro João Alfredo - Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região; Colar do Mérito do Tribunal de Justiça de Goiás; Título de Cidadão do Estado de Pernambuco; Título de Cidadão do Estado de Goiás; Placa de Reconhecimento e Homenagem dos Advogados de Goiás, por sua Secção; Título de Cidadão de Campina Grande - Paraíba; Colar do Mérito Judiciário Pontes de Miranda Tribunal Regional Federal da 5ª Região; Medalha Tiradentes - Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro; Fórum Djaci Falcão da Junta de Conciliação e Julgamento da cidade de Picuí - Paraíba; Edifício Sede Ministro Djaci Falcão - Tribunal Regional da 5ª Região.

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Linha do tempo107

1919- 4 de agosto - nasce Djaci Falcão em Monteiro/Paraíba; 1930- novembro - matricula-se no Colégio Nóbrega, em Recife; 1939- fevereiro - ingressa na Faculdade de Direito do Recife; 1942- julho - é convocado para o Exército; 1943- final do ano - ingressa no CPOR; 1944- julho - faz concurso para Juiz de direito; 1944- 23 de dezembro – é nomeado Juiz da Comarca de Serrita - Pernambuco; 1945- 2 de Janeiro - assume a Comarca de Serrita; 1945- abril – é removido para a Comarca de Triunfo; 1947é promovido para a Comarca de

Camaratuba (hoje São Joaquim do Monte-PE);
CERQUEIRA, Jaques, Djaci.Falcão – Uma vida dedicada à justiça. Recife: AIP, 1998. p. 159-160; CAVALCANTE, Carlos, Djaci.Falcão: ministro do Supremo Tribunal Federal. Recife: Fundação Antômnio dos Santos Abranches-FASA, 2003. p.155-156. 255
107

1948- é removido para a Comarca do Paulista; 1951- 23 de junho – casa-se com Dona Maria do Carmo, em Paulista-PE; 1952- 30 de maio - nasce Francisco Cândido de Melo Falcão Neto; 1952- 14 de agosto - é promovido por merecimento para a Comarca de Caruaru; 1953- 27 de agosto – é removido para a Comarca do Recife (onde passa a Juiz da 1ª Vara Criminal e posteriormente a Juiz dos Feitos da Fazenda Estadual e Municipal e dos Feitos Cíveis por distribuição - 11 ª Vara da Capital); 1954- 9 de dezembro - nasce Maria da Conceição Falcão; 1956- 20 de agosto - nasce Luciano Falcão; 1957- 8 de janeiro - por decisão unânime do Tribunal de Justiça de Pernambuco é Desembargador; 1957- 18 de março - posse no cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco; 1960- assume a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco; 1961- assume a Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco;
256

promovido a

1965- passa a integrar o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco; 1966- assume a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco; 1967- 1º de fevereiro – é nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal; 1967- 22 de fevereiro – toma posse como Ministro do Supremo Tribunal Federal; 1969- 11 de fevereiro – é indicado Juiz efetivo e eleito vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral; 1971- 11 de fevereiro – toma posse como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral; 1973- 7 de fevereiro – é eleito vice-presidente do Supremo Tribunal Federal; 1975- 14 de fevereiro - assume a Presidência do Supremo Tribunal Federal; 1989- 30 de janeiro - aposenta-se como Ministro do Supremo Tribunal Federal; 1995- 20 de outubro – é inaugurada a placa do Edifício Sede Ministro Djaci Falcão no Tribunal Regional da 5ª Região.

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OITAVA PARTE MEMORIAL FOTOGRÁFICO .

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5 .Casamento com Dona Maria do Carmo em 23 de junho de 1951.

Djaci Falcão. Maria do Carmo Falcão e seus filhos Francisco Cândido. 6 . Maria da Conceição e Luciano de Araújo Falcão.

Luciana e Catarina Falcão em homenagem. Luciano Falcão. Maria do Carmo.Marcos. Maria do Carmo e Djaci Falcão. Maria da Conceição. 7 . Região Djaci Falcão Neto. no Tribunal Regional Federal da 5a. Djaci.

8 .Djaci e Maria do Carmo Falcão na posse do Ministro Francisco Falcão no Superior Tribunal de Justiça.

9 . em companhia do Desembargador Mauro Jordão de Vasconcelos.Djaci Falcão na comemoração do 167º aniversário do Tribunal de Justiça de Pernambuco em 07 de agosto de 1989.

10 .Djaci e Maria do Carmo no casamento da neta Luciana Falcão.

Desembargador Djaci Falcão 11 .

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jus.cej. 4º andar/Norte. Desembargador Guerra Barreto.tjpe.Centro de Estudos Judiciários Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano Av. 200. Joana Bezerra.br . www. n. Recife-PE.