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ISSN 2175-3873

Tribunal de Justiça de Pernambuco
Centro de Estudos Judiciários

Memória Judiciária de Pernambuco MINISTRO DJACI ALVES FALCÃO

Recife, agosto de 2009

Equipe Técnica Coordenação: Maria de Lourdes Rosa Soares Campos
Chefe de Secretaria do CEJ Ângela Maria Alves de Souza Camilla Rosa Soares Campos Cláudia de Amorim Ponce Doralice de Vasconcelos Rodrigues de Assis Elisabete Cavalcanti Gil Rodrigues Evaldo Dantas da Silva Fernando Gonçalves de Albuquerque Silva Gerlany Lima da Silva Íris Maria Macedo da Silva Maria da Glória de Lima Cabral Silva Maria Emília Regis Cavalcanti Pinto Mariana Andrade Santos Dias Mônica Maria de Pádua Souto da Cunha Rebeca de Queiroga Maciel Ricardo Hermes Linhares Rezende Roseanne Sampaio Canejo Sandryne Bernardino Barreto Januário

P452m

Pernambuco. Tribunal de Justiça. Centro de Estudos Judiciários Memória Judiciária de Pernambuco: Ministro Djaci Alves Falcão.– Recife: O Tribunal, 2009 268p. : il. – (Série: Memória Judiciária de Pernambuco, ano I, n. 1) ISSN 2175-3873 1. Falcão, Djaci Alves - Biografia. 2. Tribunal de Justiça – Pernambuco – História. I. Título. II. Série.

CDD 341.4197

DIRETORIA DO CEJ
Biênio 2008/2010 Desembargador Ricardo de Oliveira Paes Barreto
Diretor

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Coordenador de Cursos de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento

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Coordenador de Eventos Científicos e Culturais

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Coordenador Adjunto de Eventos Científicos e Culturais

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Coordenador de Divulgação Científica e Cultural

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Coordenadora Adjunta de Divulgação Científica e Cultural

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Coordenador de Projetos e Pesquisas

Juíza Nalva Cristina Barbosa Campello
Coordenadora Adjunta de Projetos e Pesquisas

Juiz Carlos Frederico Gonçalves de Moraes
Coordenador de Desenvolvimento do Patrimônio Científico e Cultural

Juiz João Maurício Guedes Alcoforado
Coordenador Adjunto de Desenvolvimento do Patrimônio Científico e Cultural

Sou feliz em poder proclamar que no meu espírito não vagueiam os demônios da inveja, do orgulho ou da vaidade vã, que tanto esvaziam o homem, deixando-o pobre de paz interior. Djaci Alves Falcão

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Ministro Djaci Alves Falcão .

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.68 Sentenças Comarca de Serrita............................................71 Comarca de Camaratuba..........................66 Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Caruaru.....55 PRIMEIRA PARTE ..........................64 Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Camaratuba............................ remoções e promoções Ato de nomeação para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Serrita........76 ............................................................................65 Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da 1ª Vara da Comarca do Paulista.......................................................67 Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da 1ª Vara da Capital...............................23 Perfil biográfico.....................................................SUMÁRIO Prefácio.......................................................................................................................................................................................................................................................72 Comarca do Recife..........................................................................................................13 Apresentação.......59 Atos de nomeação............63 Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Triunfo..........O JUIZ DJACI ALVES FALCÃO O Juiz...................................................

........................89 Jurisprudência Mandado de Segurança n............88 Ato de exoneração do cargo de Desembargador do TJPE................105 TERCEIRA PARTE ....O PRESIDENTE DJACI ALVES FALCÃO O Presidente do TJPE...............................898.....83 Ato de nomeação.....................822.......................................................129 Discurso do Ministro Djaci Falcão na abertura do ano sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos........... 56.................87 Termo de compromisso e posse no cargo de Desembargador do TJPE................. 56.............................93 Mandado de Segurança n...................O DESEMBARGADOR DJACI ALVES FALCÃO O Desembargador...........................................125 QUARTA PARTE .................................................................................................................. em agradecimento às homenagens do TJPE........... pela nomeação para o STF.................133 .SEGUNDA PARTE .................................................DISCURSOS Discurso do Ministro Djaci Falcão......................... termo de compromisso e posse e ato de exoneração Ato de nomeação para o cargo de Desembargador do TJPE..............................

......MEMORIAL FOTOGRÁFICO ..............................247 SÉTIMA PARTE .NOTÍCIAS DE DESTAQUE NA IMPRENSA Desembargador Djaci Falcão foi eleito ontem Presidente do Tribunal de Justiça ......................... em virtude de sua aposentadoria..................189 A igualdade perante a lei.........218 SEXTA PARTE ............................................................197 O Poder Judiciário e a Carta Constitucional.............................................253 Linha do tempo..........................243 O Presidente do Supremo Tribunal virá ao Recife.......................................................................................CONDECORAÇÕES E LINHA DO TEMPO Condecorações.239 Novo Presidente reformará o Regimento Interno do TJ......147 QUINTA PARTE ...........................................................................................153 O Juiz promovido a Desembargador e o princípio da identidade física.......................................................255 OITAVA PARTE ......................137 Carta de despedida do Ministro Djaci Falcão..............Discurso do Ministro Djaci Falcão ao receber o Título de Cidadão de Pernambuco.............DOUTRINA Da responsabilidade civil...........................................................

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sobremodo. tem servido a recuperar o seu passado relevante. perante a sociedade destinatária da distribuição de justiça .e a própria História. O resgate histórico. em revisitação ao conhecimento da instituição judiciária. no exercício da jurisdição. a cada tempo. pela notável contribuição daqueles que a serviram. se acrescenta. um repositório de registros de seus valores culturais e jurisdicionais. com ênfase produtiva missionária. a demonstrar que a instituição. como convém à necessidade de garantir. a identidade dos Tribunais e de seus juízes. a 1 Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco 13 . como fonte inspiradora permanente. para futuras gerações.Prefácio Judiciário e Memória Jones Figueirêdo Alves1 A preservação da memória institucional no âmbito judiciário. têm significado. guardiã de fatos e personagens. na sua formação e desenvolvimento.

14 .1654. O Poder Judiciário no Brasil: Crônica dos Tempos Coloniais. Embora o consagrado Pedro Calmon indique. Recife: TJPE. em sua “História do Brasil” (Vol. realce histórico. Nesse reescrevendo a sentido.01. 718).serviço da dignidade do direito e em prestígio à realização da justiça. 1983. onde informações valiosas delineiam a compreensão de tempos memoráveis. José Ferraz Ribeiro do. 2 NEQUETE. III. o Desembargador Cristóvão de Burgos Contreiras como o magistrado precursor. introduzido no Tribunal em data de 22. Uma Corte de Justiça do Império: o Tribunal da Relação de Pernambuco.(Coleção Ajuris) 3 VALLE. todas destinadas a estabelecer uma melhor cátedra sobre o Judiciário brasileiro. Apontam-se. as obras de Stuart B. a da Bahia. Porto Alegre: TJRGS. Lenine. ganham importância. do magistrado gaúcho Lenine Nequete. maior institucional. essenciais. Schwart sobre a Relação da Bahia (1609-1751). tendo assento naquela pioneira Relação. pg. a partir de um diagnóstico documental. reclama-se para o registro nominal daquele que teria sido o primeiro Desembargador natural do Brasil. No ponto. de idêntica magnitude. Uma Corte de Justiça do Império – O Tribunal da Relação de Pernambuco3. o fato tem refutação histórica. sobre O Poder Judiciário no Brasil – Crônica dos Tempos Coloniais2 e do desembargador José Ferraz Ribeiro do Valle. 1975. história trabalhos de pesquisa.

15 4 . com Leonarda Vieira Ravasco. ingresso naquela Corte a 3 de março de 1653. casou-se. antes referido. editada pelo nosso Tribunal. Nessa linha. 383. em dois volumes. em sua obra “Sovereignty and Society in Colonial Brazil – The Hight Court of Bahia and its Judges . O tema da história judiciária. Sovereignty and Society in Colonial Brazil: the Hight Court of Bahia and its Judges . 1973. Carlos Xavier Paes Barreto Sobrinho. Stuart B. Berkeley: University Of California Press. tem merecido atenção especial. Mais recentemente. foi lançada pelo Centro de Estudos Judiciários . irmã do Padre Antônio Vieira. em 1637. Schwartz. do Des. o historiador americano Stuart B. também desembargador do TJPE. seguiram-se estudos históricos de Augusto Duque. como o décimo nono integrante de sua história. Penha Deusdará nascido em Pernambuco. o estudo “Diagnóstico de um Poder Imolado” (1985). p. durante a presidência do Des. consagrado historiador. desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (1963-1991) e seu presidente (1968).CEJ – do TJPE obra sobre “A SCHWARTZ. em Pernambuco.1609-1751”4 admite a prioridade em favor de Simão Álvares da Penha Deusdará. Benildes de Souza Ribeiro e a obra sobre as “Comarcas de Pernambuco”. a partir das pesquisas de Ribeiro do Valle.1609-1751.Com efeito. quando de sua restauração.

objetos de escritórios e móveis característicos do Poder Judiciário pernambucano. Ali estão preservados processos judiciais do antigo Tribunal da Relação. atuando em sua gestão. retratos antigos de desembargadores. Corte de Apelação e do Tribunal de Apelação. Essa obra representa importante material de pesquisa. através de permissão de uso. E. durante a gestão do Des. ainda. de 1822 a 1946. Para além disso. do Superior Tribunal de Justiça estadual. de 15. pude contribuir ao êxito daquela iniciativa. órgãos que antecederam o nosso atual Tribunal de Justiça. fotografias de eventos e projetos arquitetônicos do século passado. documentação administrativa e acervos particulares de desembargadores e juízes. desponta o Memorial da Justiça. como 16 . À época. com a descrição de cargos e órgãos da administração da Justiça. então Corregedor Geral da Justiça. em dois volumes (2002-2003). instalado na antiga Estação do Brum. como juiz corregedor auxiliar. com rigor histórico. situando Pernambuco como lugar de investigação histórica. contribuindo de forma significativa para uma visão aperfeiçoada de um tempo memorável da justiça pernambucana.1997. durante os períodos de 1806 a 1889 e de 1890 a 1947.05.Administração Judiciária em Pernambuco”. Itamar Pereira.

Agora. à doutrina do direito nacional.Thomaz de Aquino Cirilo Wanderley. Significativo destacar. no ponto. criada em 24. Felisberto dos Santos Pereira e Pedro Martiniano Lins. Com efeito. a memorização de fatos relevantes relacionados ao Judiciário estadual tem ensejado pesquisas textuais e a identificação mais aguçada daqueles que revelam. através dos seus juízes. A Coleção “Memória Judiciária de Pernambuco” é criada. na gestão do Des. destinada a formar acervo bibliográfico sobre a contribuição intelectual. permitindo-se incursionar nos espaços constitutivos da afirmação institucional do Poder Judiciário de Pernambuco. com maior destaque. Nildo Nery dos Santos. cumpre-nos ressaltar mais um instrumento importante. a empreender ação de resgate histórico da instituição judiciária. o importante contributo da inteligência pernambucana. com seu papel indutor e proativo.2000. notadamente a de Pernambuco. jurídica e literária da magistratura brasileira. a história do Tribunal de Justiça e a atuação da nossa magistratura. Ali também funciona a Biblioteca do Magistrado Escritor. engrandecem a 17 . por proposição do Centro de Estudos Judiciários CEJ. através de seus mais expressivos atores: desembargadores ou juízes que. servindo de depositório documental.07. quando atuamos na sua direção.

com atitude missionária e devoção. digna de ser (re)conhecida por futuras gerações. solenemente. uma vigília histórica. contemporâneos permanentes de uma jornada alinhada nos seus dignificantes exemplos. a identidade institucional do Poder. por suas ações decisivas. essa identidade notável. em acepção mais nobilitante da 18 . dos seus maiores personagens. Essa a motivação da coleção memorialista. ou fazem.memória do Judiciário e se fazem permanentes e definitivos na sua construção. periodicamente. em obras específicas. Antes de mais. que ensinam a grandeza da instituição. as pessoas que o encarnam. o conhecimento mais vertical possível acerca de pessoas e fatos. produzir. registros sobre eles. com a presença. a história institucional judiciária. sobretudo. em identidade visceral com os significados de uma justiça bem distribuída e administrada. buscando. Não são apenas os prédios forenses que refletem. O projeto editorial da presente Coleção é de ordem continuada. exige. na afirmação dos seus valores essenciais e em permanente aproximação com a sociedade. portanto. Valorizar a imagem do Poder Judiciário de Pernambuco. reunindo. compreendem. com maestria e vocação. Mais precisamente: o melhor acervo histórico é albergado na história viva dos que fizeram. a cada título.

reclama-se. o Min.no lugar mais proeminente. a configurar o acervo de nossa história.história da instituição. 19 . a cultura jurídica do Estado. em todos os cargos ocupados. Magistrado aos vinte e cinco anos (Serrita. em melhores subsídios. com o pioneirismo da idade mais jovem. às expressas. com altivez. e Ministro do Supremo Tribunal Federal aos quarenta e sete (02/1967). como Memorial escrito. tendo presidido o Tribunal de Justiça de Pernambuco (1961). o Ministro Djaci Falcão é a própria instituição judiciária vivificante. como um todo. contribuiu à melhor história daquela Excelsa Corte. em progressão funcional da magistratura. onde durante vinte e dois anos. desembargador aos 37 (03/1957).foi seu presidente em 1975/1977 representando. e cuja vida judicante é feita de fatos memoráveis. que mais dignifica a memória institucional do Judiciário de Pernambuco e a do Judiciário brasileiro. dando corpo e alma ao mais expressivo patrimônio de história judiciária. a presença imediata do ministro Djaci Alves Falcão. revelou-se. Não se pode pensar a importância do Tribunal de Justiça de Pernambuco sem encontrá-lo – o eminente Ministro . sempre. Djaci Falcão. . Na sua carreira. A tanto. 12/1944). Assim se define esta Coleção. para iniciá-la.

treze anos depois. o compromisso de efetividade da dignidade humana que. ao benefício da exação judicante. àquela altura. um eficaz controle do desempenho funcional do magistrado. como princípio fundamental constitutivo de um Estado democrático de direito. Em discurso. veio a ser consagrada no pergaminho da Carta Magna (art. comprometido com os mais elevados ideais de justiça. mas sem nelas se exaurir. instituições de cursos para o aperfeiçoamento de magistratura. configurava ele. e avanços tecnológicos compatíveis ao prestígio e eficiência do exercício jurisdicional. a garantir. 20 .um notável jurista. Na sua fala presidencial. sublinhou toda a sua missão de juiz: Há em cada um de nós o sentimento interior de que uma sociedade é tão mais livre quanto mais se proporcione o respeito à dignidade humana. porém. perante o STF. inciso III). encontra o seu forte esteio no princípio segundo o qual todos os homens são iguais. pela posse de direitos de dimensão universal. expresso nas leis. Precursor de idéias mais avançadas à modernização do Judiciário. de sentido transcendental. ao assumir sua presidência. preconizava. em semeadura das futuras escolas judiciais. ao sacerdócio da magistratura. perante a mais alta Corte de Justiça do país. não em capacidade ou condição. 1º. tão ligado à nossa sensibilidade. O imanente ideal Justiça.

no contexto nacional. de significativa valia à preservação da memória do Tribunal de Justiça e de seus juízes. Ao sediar. em seu primeiro volume. Djaci Alves Falcão. como instrumentos de cidadania e da realização do 21 . Instituir a presente Coleção “Memória Judiciária de Pernambuco”. através de sua equipe técnica. ao seu diretor. como contribuição ao reconhecimento histórico da importância do Tribunal de Justiça de Pernambuco. cumpre-nos expressar nossos melhores agradecimentos. nela despontando o inegável talento de Maria de Lourdes Rosa Soares Campos.destarte. Ao incumbir o Centro de Estudos Judiciários – CEJ – do nosso Tribunal de Justiça a tarefa de sua execução. Reconhecimento meritório que se perfaz aos que integram o Centro de Estudos. bem por isso. Perscrutava ele o Judiciário do futuro. Ricardo Paes Barreto. pela receptividade ao empreendimento. chefe de secretaria do CEJ. Eis o homem. sob cuja coordenação esta Coleção ganha sua viabilidade e êxito. e da magistratura do Estado. a sua gênese mais eloqüente. uma tramitação processual célere. induvidoso que esta Coleção “Memória Judiciária de Pernambuco” tem. em serviço de gratidão manifesta. Des. a figura extraordinária e exponencial do Min.

direito. representa. com a mais acalentada devoção. homenagem que prestamos. para nós. 22 . à instituição que presidimos.

fui eu Ministro aposentado. ExProfessor Catedrático (resignatário) da então Faculdade de Direito do Amazonas. Ex-Professor Titular (resignatário) da Universidade de Brasília. É verdade que já fruía eu. cinco anos mais tarde. com pontual cerimônia. me ligavam precedentes relações de amizade. no começo de 1967. Era o mais novo. mesmo no convívio pessoal. advogado com alguns anos de assídua frequência ao Tribunal. pouco depois de sua posse no Supremo. na idade e na investidura. como se impunha. com omissão do título maiúsculo que havia pouco conquistara. hoje Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas. embora supérflua Xavier de Albuquerque5 — Chame-me Djaci — aparteou-me ele mansamente na conversa que entretivemos quando lhe fui apresentado. dos Ministros da Corte. a me encorajar uma liberdade de tratamento de que discretamente declinei.Apresentação À guisa de apresentação. A todos tratava. ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal. mas nem por isso me atrevi a tratá-lo. Só lhes mudei o tratamento depois que. de lisonjeira acolhida dos juízes da Casa. todavia. 23 5 . a nenhum dos quais.

p. as virtudes irmãs da modéstia e da humildade. deixando-o pobre de paz interior. de homenagem ao Ministro Djaci Falcão por seu afastamento da Corte. dentre muitos atributos notórios. Serve o episódio de acentuar. hoje Ministro Sepúlveda Pertence. Djaci. p. A passagem transcrita também foi utilizada pelo então Procurador-Geral da República. como antes anotei. 1998. 7 Ibid. em razão de aposentadoria. Pronunciamentos. UFPB. que tanto esvaziam o homem. Tenho procurado manter bem vivos os sentimentos de humildade e fraternidade. no discurso que pronunciou na sessão do Supremo Tribunal Federal de 8/3/1989. com humildade e perseverança. “Espero em Deus poder emprestar. Discurso de 10/2/1967 no Tribunal de Justiça de Pernambuco. que tanto enchem a vida em plenitude”7. a minha que ao 6 FALCAO. pessoais e funcionais — donde a superfluidade que marca. Eloy da Rocha e Aliomar Baleeiro. 201-203. Virtudes irmãs que ele mesmo destacou repetidas vezes. em agradecimento às homenagens que lhe foram prestadas pela nomeação para o Supremo Tribunal Federal. 24 .próprio investido no cargo de Ministro. de todo modo. “Sou feliz em poder proclamar que no meu espírito não vagueiam os demônios da inveja. e assim mesmo sob o estímulo cordialíssimo de figuras estelares como as de Luiz Gallotti. este pobre texto — do Ministro Djaci Falcão. 1113. assim: “tive a fortuna de emprestar modesta. João Pessoa: Ed. do orgulho ou da vaidade vã. mas decidida colaboração ao objetivo impessoal de aplicar a lei e fazer justiça”6.

membros do Ministério Público e amigos. mas crente na majestade do Direito e com a devida firmeza. Conferência de 28/11/1975 sobre Reforma do Poder Judiciário. graças a Deus. procurarei executar o que a Corte decidir”11.. espelho de progresso e cultura. tão nociva.] chego a esta cadeira mais elevada. “[. por ocasião da sua posse como Presidente do Supremo Tribunal Federal. Com humildade e prudência. “Sensibiliza-me profundamente esta elevada acolhida no seio do mundo jurídico de São Paulo. 33-39. Discurso de 22/2/1967 no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal. p. 11 Ibid. 29-31. sobretudo.. mas pelo que simboliza em relação à eminência do Poder Judiciário”12. 9 Ibid. não permitiu que medrasse em meu espírito a vaidade vã. não em uma FALCÃO. não padece do orgulho ou da vaidade vã”10.. advogados. p. “[. Discurso de 14/2/1975.. pronunciada no Auditório da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. agradecendo homenagem que lhe foi prestada por magistrados. após encerrada a solenidade de sua posse. Esta vivência. p. “[.. 1998. Não só por mim. p. àqueles que o destino reservou o mister de sentenciar”9.. 41-67. como depositário da confiança dos meus eminentes colegas.] a profunda gratidão de quem. 25 8 . 18. 10 Ibid. 12 FALCÃO. a sublime e difícil tarefa de julgar. por ocasião da sua posse como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. um modesto juiz. 15-18. de logo. notadamente quem deixando os bancos acadêmicos abraçou. mercê de Deus. “Recebo com humildade e desvanecimento a láurea máxima que pode aspirar um jurista.longo desse contribuição”8. p. Discurso de 11/2/1971. 1998.] respondo dizendo período.

quando lhe foi conferido o título de Cidadão Goiano. Discurso de 19/10/1976 na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. 105-111.] venho procurando servir”13. sem vaidade vã. O notável advogado José Guilherme Villela disse-o “avesso à promoção pessoal e dotado de excepcional simplicidade e modéstia”15.torre de marfim. p. 14 Ibid. uma segunda natureza. 26 . ao revés. que lhe acrescentou (vide discurso referido na nota 2) “De fato. dos pobres de espírito. sem vaidade. 201-203. certa familiaridade com o direito e as ciências da sua constelação. a autocrítica. tudo. que tão bem caracteriza os verdadeiros sábios.” 15 Ibid. hoje Ministro Sepúlveda Pertence. foram-lhe endereçados no particular. em seu discurso. o direcionamento de sua conduta. mas numa cadeira de juiz. sem ostentar a grandeza. que aborrece a vaidade. via de regra. ao receber o título de Cidadão de Pernambuco. possuidor de verdadeira modéstia. são em Djaci Falcão. com a singeleza e singularidade de quem guarda 13 Ibid. “[. E indicava. e não se deixam iludir pela vaidade. a discrição. os que sabem da limitação humana. a modéstia. a filosofia que orientava sua vida: — ‘e o fazemos. além dos de sua própria profissão de fé. p. Sempre pensei como Matias Aires: ‘A ciência de fazer justiça é donde a vaidade é mais perniciosa’”14. Também o foi pelo então Procurador-Geral da República. pela arrogância. Registros outros. em nome da OAB.] num gradual e largo campo de aprendizagem pude conquistar. enfim... Era simples. 205-214. [.. sem empáfia.. por ocasião da homenagem do Tribunal ao Ministro Djaci Falcão. O Desembargador Nildo Nery dos Santos assim o descreveu: Era grandioso. A citação de Matias Aires também foi utilizada no discurso de 24/4/1981 na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás. em razão do seu afastamento da Corte por motivo de aposentadoria. Discurso de 8/3/1989 no Supremo Tribunal Federal. p.

27 16 . que nele vê não somente o grande juiz. Anotou-a mais de uma vez. 67. são contingentes16. sem embargo de clara saliência. As mais altas posições conquistou-as pelo talento e pelo mérito pessoal. 30. Essa grande virtude exalta ainda mais aos olhos de toda a gente. p. (Perfis Pernambucanos. com a naturalidade que lhe marcava o comportamento pessoal e funcional. E o Professor Nilo Pereira lhe apostrofou: Se há uma carreira exemplar é essa de Djaci Falcão. mas crente na majestade do Direito e com a devida firmeza. 13). 1998. assim. “Cresce. já revestido das galas presidenciais: Com isso quero realçar. E noutro ponto. mas a modéstia própria dos sábios17. Jacques. Contudo. por serem humanas. 18 FALCÃO. p. sobretudo. p. 34. 17-21. 1998. a quem em última instância. Ascendeu pelo seu grande saber. Grandiosas lições in: Djaci: uma vida dedicada à justiça. p. Conversando-se com ele é como estivéssemos diante dum homem que faz questão de se despojar dos cargos e honrarias para ser um cidadão comum ao nosso lado. não lhe obscureciam a firmeza proverbial. Recife: AIP. a colocação do Poder Judiciário em nosso sistema jurídico e apontar a responsabilidade que recai sobre o Juiz. cabe fazer prevalecer com CERQUEIRA.” — também observou — “a minha responsabilidade no poder de direção que me foi outorgado.a convicção de que as suas obras. Modéstia e humildade que. assumo a Presidência”19. 19 Ibid. 17 Ibid. procurarei executar o que a Corte decidir”18. de ânimo firme. “Com humildade e prudência.

uma imperturbável serenidade. [. que jamais raiou pela algidez dos insensíveis”21. 22 FALCAO. Semelhantes virtudes pessoais sublimaram-se-lhe. a supremacia do direito positivo. certa feita. p. p. Juriscível do S. 69-99. “Aqui experimentei” — referiu-se à sua findante judicatura no Tribunal de Justiça de Pernambuco.F. ago/1975. Conferência de 30/6/1975 na Escola Superior de Guerra sobre “O Poder Judiciário e a Conjuntura Nacional”. não só no convívio com os colegas como no comportamento que adotou no que chamei... 252/7-17. em proverbiais polidez e fidalguia. 30/V-XXVII. mas com firmeza. em resguardo do equilíbrio da vida na sociedade20. depois Ministro da Casa. out-dez/ 1975. maior e insuperável etapa de sua vida de juiz — “inesquecíveis emoções nos debates de questões trazidas ao nosso julgamento.serenidade. 28 20 . p. 1998. 11-13. 1998. sem a preocupação de se exibirem como donos da verdade científica”22. em saudação motivada por seu afastamento decorrente de aposentadoria: “no trato pessoal. como fora de intuir-se. sereno. 202-203.] Ao lado de homens portadores da vocação de servir ao direito. e FALCÃO. 1998. VI. na RF. Conquanto firme..T. mas já na antevisão da nova. Endossou-lhe a autoafirmação do precioso atributo o Procurador-Geral Sepúlveda Pertence. 21 FALCÃO. funcionamento magestático do Tribunal. Também publicada na RT 478/239-253.

]’”25. Atributo. muito merecidamente. 24 23 29 .. teses ou opiniões”23. p. tempos antes. já aqui repetidamente citado. um campeão da polidez e da fidalguia. na verdade. CERQUEIRA. 155-162. ceder à injunção ponderada de quem sempre dominou o direito. o próprio Djaci: “Era. CERQUEIRA. Parece que estou a ouvi-lo. conservando. uma retificação em ponto de fato [.. que o caracterizara em outro sítio — o parlamentar — no qual também Ibid. (Perfis Pernambucanos. de resto. Semelhantemente lha fez o Ministro Francisco Rezek: Era alentador trabalhar sob sua direção segura. Foi Prado Kelly. um homem de fino trato. um comedimento fidalgo. mesmo no debate. 1998. mas nunca pretendeu impor a própria ótica. 145-147. erguer a voz. p. 1998.Apresentando-lhe o livro Pronunciamentos. menos ainda tentar impor soluções. por ocasião da homenagem póstuma ao Ministro Prado Kelly.. 103. Discurso de 8/3/1989 no Supremo Tribunal Federal. porém nunca prolixas. 25 FALCAO. por ocasião da homenagem prestada ao Ministro Djaci Falcão em razão do seu afastamento motivado por aposentadoria. p. Também o fez. 7-10. além de tudo. 1998. p. de 1998. Exa. fez-lhe lídima justiça o saudoso Ministro Oscar Dias Corrêa: “Nos vinte e dois anos de apostolado no Supremo Tribunal Federal nunca ninguém o viu alterar-se. bem merecendo o destaque com que o agraciou Rezek. 13). acompanhar suas análises minuciosas. aparteando um colega: ‘Consinta V. em nome da Corte. Discurso de 10/12/1986 no Supremo Tribunal Federal. que fazia evocar o Supremo dos tempos de Prado Kelly24.

159. tive ocasião de dizer: A face visível da obra do Juiz Hahnemann Guimarães. sua atitude timbrava pelo comedimento. p. a salientálo. Não resisto. argumentos e conclusões recolhidos em seus votos. para captar a essência da discordância de Hahnemann. por igual. São elas. Não conheci maior. 30 .. confesso não ter habilidade nem recursos para dizer mais. Quando me tocou falar em nome do Tribunal sobre a figura notável de Hahmenann Guimarães. virtudes gêmeas.) Kelly deveria ser proposto como paradigma a quem ousasse escrever um tratado da liderança parlamentar26.mostrara insuperável proficiência. do que a notoriedade divulgou por todos os quadrantes. Se lavrava divergência entre a sua e a opinião de algum colega. ler também o voto que a provocara. à repetição de algumas ênfases. Foi Djaci. nem melhor. o mais belo ornamento que podem ostentar espíritos verdadeiramente grandes e puros como ele. Da sua face invisível. procurei mostrá-la com exemplos de ideias.. havia pouco falecido. nem melhor líder em mais de 20 anos de minha carreira parlamentar. A modéstia de Hahnemann irmanava-se à sua humildade. não insistia. todavia. E não retrucava. Sendo sua a iniciativa. teorias. sobre o qual sempre achei preocupantes quaisquer desvios nele observados aqui ou ali. Retirei esta impressão dos muitos acórdãos que encontrei e nos quais precisei. Sempre me foi grato o manuseio desse tema. 26 Ibid. discordava com tamanha elegância e habilidade que a sustentação do seu voto não precisava envolver a crítica do entendimento contrário. subiu Kelly à liderança da UDN. quase invariavelmente. (. em citação tomada a Aliomar Baleeiro: Com a eleição de Mangabeira para o Governo da Bahia. aliás.

1981. p. porque compromete a majestade do 27 ALBUQUERQUE. Não estou. que Eça qualificou — como aqui lembrou Gallotti ao transmitir a Presidência a Gonçalves de Oliveira — de quarta virtude teologal. Moralista. Francisco Manoel Xavier.. Ajuris.não se rebelava contra a dissidência dos que o sucediam na votação. Discurso de 26/5/1980 proferido no Supremo Tribunal Federal. exemplarmente cortês e cauteloso na divergência com os colegas. nos impostergáveis limites e parâmetros de torneio intelectual polido e civil. 1999. todavia. Qualquer deslize.] Sábio. 31 . voltei ao tema: Quero novamente expressar. mesmo quando a condição de Relator dava-lhe certa presunção de maior acerto. Juiz. minha velha convicção de que a cordialidade. A cortesia e a urbanidade. Apêndice. por ocasião da homenagem póstuma ao Ministro Hahnemann. p. senhor incontrastado da precisão e da síntese — assim foi o Juiz Hahnemann Guimarães. inerente à apuração do que deve deliberar coletivamente a Corte. Jurista. deparei-o voltando à carga para reiterar opinião. ainda quando episodicamente vivaz. é absolutamente essencial ao funcionamento magestático do Tribunal. [. quando me empossou o Tribunal em sua Presidência. 31-45. na minha extensa pesquisa.. 22. Textos de Direito Público. assim mesmo. com esta preliminar escusa: ‘Peço ao Tribunal que não veja na minha obstinação o impulso de uma vaidade. no particular. deve ser zelosamente evitado ou reprimido. docemente sereno27. v. Noutra oportunidade. convencido de que haja incorrido em erro’. 1079-1092. entretanto. Idem. a. mas. Perfil de Hahnemann Guimarães. Brasília. são os únicos ingredientes capazes de conter o dissenso de idéias e opiniões. mas modesto e humilde. jul. 8. Somente uma vez. graças à mais longa ponderação do problema examinado. seus subprodutos imediatos. dono de estilo elegante e sóbrio. E sereno.

p. no qual o ínclito vogal.29 em que o integrou Djaci Falcão. as mais valiosas e imprescindíveis. 1093-1098. Sirva-lhe de estímulo episódio protagonizado pelo Ministro Eloy da Rocha. travou seu discurso o pranteado mestre e amigo. em nossos dias. como a classificou Sepúlveda Pertence. não pode ser mais oportuna e imperativa. 1999. com alguma triste exceção. Tanto que pronunciada a palavra. “Evidentemente. 1998. o saudoso Ministro Rodrigues Alckmin. 37-42. A retomada. do conspícuo homenageado. que formalmente lhas quitou. não pode ser evidente. votando de improviso. sustentou certa opinião com espeque no advérbio evidentemente. Se um colega diverge. dizendo: 28 ALBUQUERQUE. Também publicado sob o título “Posse na Presidência do Supremo Tribunal Federal” 29 FALCAO. de posse em sua Presidência. 30 FALCAO. inserido em plaquete editada pelo Tribunal. não. Discurso de 16/2/1981 no Supremo Tribunal Federal. sem prejuízo de outras ostentar. o clima em que julgava o Supremo Tribunal no período. 32 . 7. qualificado de áureo por Oscar Dias Corrêa. p.” Tal era. que testemunhei ao seu lado. p.30 Inventariou-as. p. quase sempre. “Não” — disse de pronto —. 201-202. do problema — releve-se-me dizer —. 1998. Também de virtudes funcionais de alto nível se enriquecia a personalidade amena.julgamento e degrada o debate à condição de espetáculo28.

De cultura. Sua independência. 205. 33 . — Pertenciam todas. 193-194. p. 45. e preparo profissional são-lhe conhecidas as evidências mais pacíficas: seja a aprovação pristina com que conquistou por concurso público. jurídica e geral. como que assentado em coisa julgada. sem opção. a preceder de imediato seu estabelecimento na Capital de Pernambuco. o precoce ingresso na Magistratura 31 32 CERQUEIRA. 1998. Ibid. 51. CERQUEIRA. preparo profissional. dedicação aos deveres do cargo — porque. às pessoas gradas. e de boa qualidade.O Ministro Djaci Falcão conhece as virtudes que devem ser reclamadas aos magistrados — formação moral imbatível. 1998. p. p. à dinastia dos Lundgren. como visto. em Djaci Falcão. as possui suntuariamente31. “Quando assumiu” — anotou outra vez Francisco Rezek — “o foro do centro industrial de Paulista. é proclamada urbi et orbi e reconhecida em claros fatos da vida. 1998. em primeiro lugar33. José Guilherme Villela em FALCÃO. quando necessário. de outro lado. cultura. p. 33 Cf. porém. quarta e última das comarcas da província. no ano seguinte ao de sua graduação acadêmica. O Juiz Djaci Falcão declina da gratuidade. Formação moral imbatível é. atributo indiscutível que faz objeto de título notório. reclama o arbitramento de aluguel justo”32. independência. Não que não houvesse ali casas vazias. e. que sem qualquer ônus costumava cedê-las. foi-lhe frustrante a busca de moradia que se oferecesse a locação.

. dentre os juízes desta Casa”. 202. Por juiz perfeito 38 tratou-o o Desembargador Amaro de Lira e César . No Juiz Djaci Falcão. p. 38 FALCAO. com efeito. De juiz integral “que se inscreveu com honra na galeria de varões exemplares. 36 CERQUEIRA. seja o testemunho. 59. “a inteligência lúcida. op. de quem a isenção.. CF José Guilherme Villela. . “Sua palavra firme. aquele. chamou-o Sepúlveda Pertence37. que lhe proporcionou “amealhar vasto cabedal de cultura”35. 205. a lhe proclamar. em outras passagens. que representa um símbolo da integridade. 208 e 209. que a Nação há de cultuar. 1998.de Pernambuco. cit. p. . 1998. do final da jornada. . p. “o amor ao estudo”. 208. Como instituição do povo brasileiro. símbolo da cultura 34 35 FALCÃO. jamais desertou. 34 . . p. capaz de identificar com precisão o ponto crucial da lide e de solvê-la com os frutos de uma formação jurídica competente”34. qualificou-o. serena e autorizada” — registrou o inesquecível Ministro Victor Nunes — “é sempre garantia de boa justiça”36. p. 39 Ibid. Como juiz. 37 FALCAO. sobejaram qualidades funcionais perceptíveis ao primeiro lance d’olhos do observador atento. o ínclito advogado José Guilherme Villela39. e este. dos mais completos. 1998. p. . de Sepúlveda Pertence e José Guilherme Villela. Ibid. 203.

ressaltou-se fato dos mais importantes: Enquanto a primeira ação popular. 35 . intitulado Ação Popular. Trata-se. mas. embora numa perspectiva estritamente generosa e otimista: “A grande deficiência do Poder Judiciário reside [somente?] na demora das decisões. p. Eis aí. na opinião comum de colegas e 40 41 CERQUEIRA. 233-245. de desamor pelo trabalho ou de falta de vocação de alguns protagonistas da cena judiciária. p. mas por todos conhecido e até ironizado. em que versadas duas ações populares propostas pelo autor perante a Justiça de Pernambuco. o rico buquê de virtudes funcionais que paradoxalmente adornam. por ele movida contra a Câmara Municipal do Recife. em julho do mesmo ano. de desempenho funcional. levou dois anos e oito meses para ser julgada na primeira instância. Apontou-o Djaci. 485. mar/1976. Revista dos Tribunais. este. 29. aliás. Em livro do jornalista Sócrates Times de Carvalho. que ora dá arrancos de celebrado predomínio. 1998. v. viu-o o ilustre Ministro José Delgado40. não raro. também. ora cede às pressões do acúmulo de serviço. pois. em virtude do acúmulo de serviço”42. 72. Ibid. 1998. Aspectos da Reforma do Poder Judiciário.jurídica e da amizade. o então Juiz Djaci Falcão julgou a ação popular contra a Assembléia Legislativa em apenas quatro meses — do mandado de citação. em março. Idem. até a sentença. p. p. Nenhum processo dormia nas mãos desse magistrado41. 41-67. de problema grave. 42 FALCÃO.

completo. FALCAO. 1998. 1998. completude. Certa feita. [. colaborando com os elevados propósitos de gerações que se sucedem. 103. integral.] trago-lhes um conceito para reflexão: o direito. culto. como de seu feitio. 1998. isento. perfeito.. serenidade. cultura. Espero que guardem uma viva consciência desta verdade. a figura do juiz modesto. Enquanto o foi. Calha bem aqui a escusa clássica: excusez du peu. desencobriu-se: Como cultor das letras jurídicas. autorizado. Donde a propriedade com que o Ministro Francisco Rezek lhe apôs o galardão de modelo antológico do magistrado de carreira44. em busca desse objetivo imperecível — a paz na sociedade dos homens43. celeridade. declaradamente humilde: firmeza. integralidade. E daí a observação discreta. o juiz aqui celebrado — sereno. na universalidade dos seus princípios científicos e filosóficos. autoridade. mas verdadeiramente consagradora. do sempre reverenciado Ministro Orozimbo Nonato. perfil institucional. ao dizer que o 43 44 FALCÃO. desvaidoso. 197. 36 . perfeição.. p. p.jurisdicionados. isenção. é parte da essência cultural de um povo. discursando a 11 de agosto de 1976 no Mosteiro de São Bento de Olinda para comemorar o ano do Sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil. célere — encobriu o jurista e Mestre do Direito que lhe subjazia e se comprazia em especulações de teorismo global. 101-103. p. Passagem também publicada como nota em CERQUEIRA.

artigos e ensaios que foram a lume em periódicos de prestígio. Ali. 143. Desembargador e Ministro. por mais de quarent’anos. RF 168/313-316. que aí desatou.homenageado “tanto tem honrado o excelso Supremo Tribunal Federal”45. quanto para julgar no desempenho. a par dos julgados que há pouco mencionei. dos seus tempos de Juiz no Recife. ocuparam centena e meia de volumes que hoje enriquecem sua bem montada biblioteca. Também reclama registro sentença de lisonjeira repercussão na qual qualificou a tuberculose como doença profissional. 1998. O culto das letras jurídicas tanto serviu a Djaci Falcão para ensinar na cátedra universitária e na literatura do Direito. quando dispunha eventualmente do tempo necessário. proferiu sentenças. além de produzir. 37 . p. sentença na qual negou a incidência do antigo Imposto de Vendas e Consignações sobre a incorporação de imóvel. cessão ou troca46. encantou a discência com aulas apreciadas e concorridas que versaram progressiva e didaticamente os programas de Direito Civil. Acode-me referir. A quaestio iuris. metade deles no Supremo Tribunal Federal. guardou relevo de 45 46 CERQUEIRA. votos e despachos que. que não se confundia com a venda. subsequentemente. só na Suprema Corte. do seu ofício de Juiz de Direito e. Aqui.

no Supremo Tribunal Federal. de “condições agressivas do ambiente”47. A área publicística também reflete marcantes incursões de Djaci Falcão. 48 FALCÃO. “não é absoluta. p. quando o saudou em nome do Tribunal para celebrar sua posse na Presidência da Corte apud CERQUEIRA. prejudicial à instrução da causa e ao interesse das provas’”49. ao regramento constitucional — “ e procurou facilitar a legitimação dos filhos pelo subsequens matrimonium. que. 61. recebeu noutra causa tratamento exemplar48. Outros sítios do Direito abriram-se à sua devassa percuciente. julgou procedente ação popular para declarar inconstitucional certa Resolução da Mesa da Assembléia 47 Discurso proferido a 14/2/1975 pelo Ministro Rodrigues Alckmin. o usufruto do fideicomisso. dessarte. na lição do homenageado. não significa mero arbítrio. 1998. como Juiz de Direito da 11ª Vara da Capital. Em 1956.monta porque decidida na Comarca de Paulista. p. E lhes acrescenta o princípio da livre convicção do juiz. A tormentosa questão de distinguir. 205-214. 205-214. causadora. como anotou o Ministro Rodrigues Alckmin. 1998. 49 FALCAO. na prática. o Ministro Djaci Falcão conferiu ao filho adulterino reconhecido a condição de herdeiro necessário” — adiantando-se. p. sem desobedecer a suprema lei da vontade do testador. onde era Juiz de Direito e em cuja economia predominava a indústria têxtil. 1998. Aponta-os José Guilherme Villela: Possuindo grande sensibilidade em relação às questões de família. 38 .

como também determinou que a sua fixação só poderia ser feita no fim de cada legislatura. à ajuda de custo e ao subsídio. recurso extraordinário manifestado pelos vencidos. Foi uma decisão que marcou época no Judiciário nacional. É fora de dúvida que o legislador limitou as vantagens pecuniárias do Deputado. É flagrante a sua inviabilidade. Noutro momento. p. 13. p. 39 . em acórdão de que foi relator. [. Se porventura admitida a ‘representação’. O Tribunal de Justiça — historia Jacques Cerqueira — manteve a sentença do Juiz Djaci Falcão. que criava verba de representação para cada um dos 65 deputados estaduais. CERQUEIRA. o limite constitucional de tão elevada estimação finalística. no curso do mandato. o Desembargador Edmundo Jordão.. de coerência moral e jurídica. a 4 de junho de 1959. o Supremo Tribunal Federal não tomou conhecimento do recurso interposto pelos vencidos. a 5 de agosto de 1957.] Finalmente. Se assim a considerasse. servindo de exemplo pelo destemor e pela erudição da sentença51. ulterior ao que vem de ser focado. perderia tal parágrafo toda a sua imponência e respeitabilidade. por uma razão de lógica comum. 70.. A chamada ‘representação’ exorbita. especialmente no § 2º. E tanto não é legítima a percepção dessa ‘representação’. 13.Legislativa do Estado de Pernambuco. que diz da imutabilidade das vantagens pecuniárias atribuídas ao Deputado. 1998. pois. que à mesma não se referiu o legislador constituinte. Houve. acentuando que a sentença cumpriu preceito constitucional. ainda. 1998. teria feito a sua inclusão. 71. do citado art. Djaci Falcão relatou mandado de segurança contra ato 50 51 CERQUEIRA. com elogiosas referências à sentença recorrida. É a sua interpretação teleológica a apontar aquilo que está implícito na disposição constitucional”50. e não fosse ela incluída no § 2º do art.

tampouco a Lei Orgânica dos municípios. com o qual conquistou o primeiro prêmio do certame então promovido pela Associação dos Magistrados de Pernambuco e julgado por Comissão Examinadora composta dos Desembargadores Luiz Marinho. 79-80. p. p. a questão da reparação do ato ilícito de que resulta a morte de filho menor. “um daqueles [temas] de sua predileção doutrinária” em que repercutia. Já do jurista que nele reside posso lembrar o trabalho sobre “Responsabilidade Civil — Extensão da Responsabilidade do Preposto ao Preponente”. 40 . “Grandiosas Lições”. aliás. no julgamento. Quer a Constituição do Estado. CERQUEIRA. Tão nova quanto polêmica”53. 1998. não erige norma atributiva do poder de nomear ‘Prefeito Interino’”52. Nildo Nery dos Santos.” “Outros problemas da mesma seara. “por exemplo. Des. oportunizado pelas comemorações da fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil. necessariamente. e. de se realizar a eleição de Prefeito e de Vereadores. Conditio sine qua non à sua instalação. Era esse. Cf. 18-19. “foi taxativo em seu voto: ‘.do Governador do Estado de Pernambuco “que havia nomeado ‘Prefeito Interino’.” 52 53 Ibid.criado o Município há. . . para administrar um novo município”. Dirceu Borges e Rodolfo Aureliano. “Tratava-se” — salientou — “de matéria nova àquela época. como observou José Guilherme Villela.

Este o seu escopo. 52. 910/1960. Entrementes. mas proficiente administrador e pré-legislador judiciário. 205-214. RF 192/50-56. Das premissas que lhe governaram o raciocínio. Também publicado na RT 306/780. Djaci Falcão. 54 55 FALCÃO. ao qual dedicou densa monografia de geral apreciação e aceitação. abr/1961 e na RF 195/15. O mais é demagogia”55 E destas: “Não a igualdade absoluta. Uma daquelas: “Constitui pressuposto lógico do preceito igualitário – iguais condições e iguais circunstâncias. 1998. que é uma proposição falsa.— acrescentou o acatado advogado — “analisados com profundidade e muito bem resolvidos. Tratamento igual entre iguais é o sentido finalístico que ele encerra. foram os efeitos da decisão da instância criminal na demanda pela reparação civil. Ao invés de um nivelamento utópico. 41 . extraiu conclusões claras e lógicas. p. porém a igualdade relativa. de proporção baseada numa igualdade de situação. importa num tratamento de mérito. p. o escritor de escol debruçou-se sobre o princípio da igualdade perante a lei.” O juiz e o jurista revelaram-se também no insuspeitado. e a polêmica questão da responsabilidade civil do Estado pelo ato jurisdicional”54. “A igualdade perante a lei”.

no biênio 1975-1977. daquela Corte”56. 1999. sua atuação na Presidência do Supremo Tribunal Federal. FALCAO. Muito lhe há de ter impulsionado o desempenho. a vocação de estadista assinalada por Oscar Dias Corrêa57.Depõe Jacques Cerqueira que na Presidência. De maior espectro logrou ser. numa iniciativa inédita no Judiciário pernambucano. ALBUQUERQUE. “atualizou as edições da revista Arquivo Forense. à época. 1093-1098. Para ela terá recebido. o estímulo de personalizar a Chefia do Poder Judiciário e no seu exercício defrontar-se com o grande tema da pauta nacional que era. todavia. 11-13. p. de forma considerável. 42 . p. certamente. 80-81. tempos depois. Djaci Falcão conseguiu ampliar. 1998. p. o acervo da Biblioteca Desembargador Dirceu Borges. que se encontrava com a publicação atrasada havia quase dois anos. sendo Presidente o Desembargador Pedro Cabral de Vasconcelos. em 1961. No momento mesmo em que passou a ocupar a cátedra presidencial. do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco. 1998. na qualidade de Vice-Presidente do Tribunal de Justiça. advertiu solenemente não ser “possível se retardar mais a 56 57 CERQUEIRA. a ansiada Reforma Judiciária.” “Ao mesmo tempo em que colocava em dia a revista. — Um ano antes.” — acrescenta — “passou a publicar um índice alfabético de acórdãos daquele Tribunal.

35. p. com ânimo. Meses depois. proferida no Auditório da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 1998. para que seja possível acompanhar 61 o ritmo acelerado da sociedade contemporânea . E corroborou: “Torna-se inadiável a reforma do Poder Judiciário. p. 43 . obviamente. falando na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 60 FALCAO. 1998. 61 Ibid. p. 49. p. A reforma de seus sonhos pressupunha. Explicou Djaci aos alunos da Escola Superior de Guerra que se tratava de prerrogativas garantidoras “asseguradas aos juízes — vitaliciedade. àquela era. Ibid. a reentronização das garantias que se usou designar. apresentando oportunamente ao Poder Executivo o resultado dos estudos imprescindíveis ao anteprojeto da reforma”59. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos — que se destinam à preservação da sua independência e imparcialidade. 36. afinal de 58 59 FALCÃO. por predicamentos da magistratura. “nos trabalhos da chamada fase de diagnóstico. voltou à carga: “O crescimento demográfico e o inegável processo de desenvolvimento que o Brasil alcançou na última década tornam evidente a necessidade de uma reforma de profundo alcance no âmbito do Poder Judiciário”60.reforma de há muito reclamada”58. E protestou prosseguir. 41-67: Conferência de 28/11/1975 sobre a Reforma do Poder Judiciário.” E anotou: “Garantias instituídas.

advogou a instituição de moradia funcional em cada Comarca do interior65. 64 CF Conferencia em FALCÃO. Muitas foram as outras medidas que propugnou em sua cruzada patriótica. em toda a sua plenitude. 1998. 1998. 44 . e além de prover à boa organização dos serviços auxiliares e administrativos. CERQUEIRA. pg.233 Voto de Relator inserido no acórdão plenário do RHC 51. pouco se me dá tê-las ou não tê-las. a par de bem estruturar e devidamente aparelhar a magistratura.” — dissera eu — “ as garantias da magistratura são uma conquista do Estado. 65 FALCÃO. aprimorar o processo de recrutamento dos juízes e instituir cursos de preparação para a carreira da magistratura. p. 6-10. Com madura experiência no périplo interiorano que cumprem os magistrados de carreira. não dos juízes. p. 396. 1998. Confortou-me deveras a lição do Mestre. consubstancial. 1998. 233-234.contas.778. pois me houvera pronunciado em direção coincidente: “Como as concebo. Assim.”63. CERQUEIRA. porém. porque isso restituiria ao Estado brasileiro o timbre do aperfeiçoamento que lhe deve ser. com racional distribuição das tarefas judicantes. RTJ 69/388-400. p. 6. p. em convênio com os Tribunais64. 9-47. enquanto Estado. Como juiz. Em outras palavras e no que me diz respeito: como cidadão e. em benefício da sociedade”62. se o fosse. 1998. Artigo em CERQUEIRA. Sob outra 62 63 FALCÃO. p. estimaria que se restabelecessem quanto antes. como pensador político. 235. 1998.

tenho que procede o sensato reparo. que ao magistrado é dado apenas exercer um cargo de magistério em escola de ensino superior. impõe-se fixar. “para que os juízes não desviem a sua atenção e o seu tempo. 234. 1998. decerto. do nobre homenageado destas linhas.” E proclamou. op. Sem embargo de consagrada pela nossa tradição constitucional do último meio século a figura do Juiz e Professor (ou Desembargador e Professor.11-44.perspectiva. Não lhe escapou a questão do desempenho. com total proibição do exercício do cargo de diretor de estabelecimento de ensino. de modo a prejudicar a função. porém. op. permitir que o exercício do magistério venha a prejudicar a atividade do Juiz”67. cit. p.. Objetou ao “indistinto aumento do número de juízes na instância singular”. 234. por magistrado em exercício.. p. de modo terminante. 12-45. CERQUEIRA. para um juiz. 45 . o magistério jurídico — é mister prazeroso e enaltecedor. p. mas. O juiz deve situar-se acima de certos interesses e com a mais pura dedicação ao seu ofício. Muito me agradou e orgulhou exercê-lo por quase vinte anos. 66 FALCÃO. 1998. defendeu a criação de “varas especializadas. O magistério — notadamente. à vista de rigoroso levantamento estatístico” atento a parâmetros adequados66. p. atendida a compatibilidade de horário de trabalho. 67 FALCÃO. agora de lege ferenda. somente na sede de sua atividade judicante. de cargo de magistério. CERQUEIRA. E mais. Admitiu-o. cit. enfático: “Não se deve. ou Ministro e Professor).

Dele me afastei. a fim de que se possa alcançar uma tramitação processual célere e verdadeiramente compatível com o prestígio da Justiça”68. e mais o são na atualidade. pouco mais tarde. aqui investido da titularidade do cargo docente. 15. onde conquistei a cátedra universitária e o doutoramento em Direito. da despesa do Poder Público com a gestão da Justiça: exemplificativamente. Sabidamente sobrecarregados de encargos que eram. depois na Capital da República. em termos de pessoal e de recursos materiais. far-me-ia desempenhar menos bem ambas as funções. 1998. entendi que o exercício de cada qual. Encareceu Djaci Falcão.29% do 68 FALCÃO. salientou a pequenez dos índices. em detrimento daquela reclamada pela função paralelamente desempenhada. 46 . que prevaleceram no exercício de 1973. Refleti que cada minuto de atividade dedicada ao magistério sê-lo-ia. em 1969. porém. ao cabo de contas.primeiro em minha província. 1. ademais. em 1972. tanto que empossado no cargo de ProcuradorGeral da República. os ocupantes de um e outro cargos públicos. p. Neste plano. Regozijo-me de me haver antecipado ao ensinamento que depois encontraria na palavra do Presidente Djaci. CERQUEIRA. no de Ministro do Supremo. “a modernização dos serviços auxiliares e administrativos. acumuladamente com o de magistério. 236. 1998. e. p.

n. RP 53/201208.orçamento público no Pará. com 1. decepcionante frustração. proferida na Ordem dos Advogados do Paraná. acrescentou ao elenco o Estado do Pará. Também publicada em FALCÃO. Dedicou-lhe a Lei Orgânica [da Magistratura Nacional] a disposição do seu art. Dediquei-me ao problema. quando exerci. Noutra oportunidade. quase ao findarse a etapa constituinte de 1987-1988. p. restando aguardar os seus bons frutos”71. 13-34. 1998. Muito mais tarde saudou. de 8/12/2004.818% no Rio Grande do Sul. 1998. conquanto alongada. assim concebido: ‘Art. 72 Conferência de 17/6/1981. E vaticinou: “Com a promulgação da nova Constituição a semente estará plantada. que também me tocou fazer. como de estilo. que assegurava autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário70. 104 do Projeto aprovado. Permitase-me a transcrição. e fazendo-lhe expressa referência. a Presidência da Corte.29%69. 70 69 47 .68% em Pernambuco. p. sobre “O Poder Judiciário na Conjuntura Política Nacional”72: É certo que o assunto não passou em branco. 2. 24. Revista Ajuris. 98. de trechos da conferência. 236. esperançoso. 163-175. 1. Quando o regular exercício das CERQUEIRA. alguns anos depois de o Presidente Djaci Falcão havê-lo versado. p. àquele tempo. Art. 1. 71 Conferência de 11/8/1988 sobre “O Poder Judiciário e a nova Carta Constitucional”. na primeira fase de implantação da reforma judiciária. o art. 98. até com certa paixão e. 99 e parágrafos da Constituição logo promulgada e depois alterada pela Emenda Constitucional nº 45. que proferi na Escola Superior de Guerra.73% em Mato Grosso.

e obter a adjudicação de recursos significativos para este ou aquele fim. T. em dois anos de vigência do dispositivo. que não é injustificada a redução da proposta do Poder Judiciário ou a recusa de dotações adicionais que possa reivindicar. Um que outro dirigente de órgão judiciário pode marcar tento. no contexto global de distribuição de carências em que consiste a elaboração orçamentária de cada Estado e da própria União. E os Presidentes dos Tribunais de Justiça. E mais: Permito-me a convicção. solicitar ao S. foram unânimes em dizer que não se delineou.funções do Poder Judiciário for impedido por falta de recursos decorrente de injustificada redução de sua proposta orçamentária. Quiçá por isso. nestes dois referidos anos. mas. que proferi na Escola Superior de Guerra. 24.. respondendo à pergunta específica que. Revista Ajuris. Dirse-á que todos somos pobres. se tiver especial talento e particular desinibição para o jogo de pressões postulatórias que se desenvolve junto às províncias 73 Conferência de 17/6/1981. 48 . pela maioria absoluta de seus membros.] Haverá exceções aqui ou ali. 18. p. escusa lembrar — “ao cabo dessas considerações. Sempre será fácil demonstrar-se. ou pela não satisfação oportuna das dotações que lhe correspondam. nos respectivos Estados. caberá ao Tribunal de Justiça. dentre outras. na realidade. F. [. — em 1981. a começar pelo País. da Lei Orgânica73.’ Temo que a eficácia da norma seja apenas aparente. a pobreza do Judiciário é superlativa. jamais chegou ao Supremo qualquer pedido de intervenção federal nele fundamentado. a intervenção da União no Estado. lhes fiz para o preparo desta conferência. geralmente circunstanciais e episódicas. de que o estado de carência do Judiciário permanece sem solução. situação capaz de enquadrar-se no comentado art.. n. 98. franciscana e crônica. vez por outra.

e dele receber a homenagem devida à sua condição de Chefe de Estado.] Isto significa. a membros dos demais Poderes. do orçamento geral da Nação. há alguns anos. respondendo de improviso à saudação que lhe fiz em nome da Corte. ao invés de iluminá-lo. à Constituição da República. para comprar suas máquinas de escrever.. Exas. F. Essas exceções ensombrecem ainda mais o panorama. [. a deputados. em termos nossos. Uma autonomia econômica. a ministros. retratou nestes termos a orientação de seu país no concernente ao Poder Judiciário: ‘Modestos discípulos que somos de vossa grande Nação’ — disse o Presidente Figueres — ‘eu quisera comentar com V. ao incorporar. que permita aos magistrados.. Da pequenina Costa Rica. exemplo que vale como lição de sensibilidade e sabedoria. Uma Corte absolutamente autônoma. como parte de toda uma transformação. Usa-o ela para edifícios. em separado de todos os mecanismos orçamentários da Nação. um percentual de 6% recebe-o. ao constrangimento de postulações desgastantes e embaraçosas. que não exponha jamais um magistrado. com o alto sentido de 49 . José Figueres. ao qual a Constituição atribui destaque especial quando lhe confere a função incomparável de julgar os atos dos demais Poderes independentes. Ao visitar o S. chegou-nos. a fazer solicitações. um Presidente da Corte. para organizar sua economia interna e prover medidas inerentes a seu autogoverno. a autonomia econômica do Poder Judiciário. que não necessite nunca fazer pedidos às forças políticas de uma democracia fluida. para abrir novos departamentos judiciários. à medida que o crescimento populacional e a difusão da cultura e expansão de todas as atividades humanas o exigem. a Corte Suprema de Justiça.governamentais incumbidas da elaboração orçamentária. deva ser submetido. Não é admissível que o Poder Judiciário. seu Presidente. no plano econômico. diretamente. o passo que deu nosso pequeno país. T. que. nem sempre agradáveis.

aqui ou acolá. p. de comissão de obras para fiscalizar a construção de prédios para abrigar fóruns e tribunais em todo o País75. 75 O Estado de São Paulo de 12/6/2009. hoje. fixar sua própria remuneração74. 24. lançado o disco além da barra.responsabilidade. que proferi na Escola Superior de Guerra. Agora mesmo. pelo Judiciário. sem dúvida. implicitamente requer comedimento e parcimônia nem sempre observados. 76 Ibid. como relativos e não como absolutos —. Mas sua governança talvez haja. O uso desses atributos — que se podem qualificar. p. Seu Presidente. 50 74 . das duas espécies de autonomia. 3. que também o é do Supremo Tribunal Federal. O Conferência de 17/6/1981. 3. antes dela. 20-21. vide Clipping da Secretaria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal da mesma data. não há negar. de “modelo padrão”. escolhido presidente da novel comissão de obras. A Justiça desfruta. noticiou a imprensa a criação. que é inerente à carreira judiciária. e a fixação de “regras de funcionamento para evitar inconvenientes e desvios conhecidos”76. Revista Ajuris. A Constituição vigente veio a corrigir. à maneira da igualdade de que tratou Djaci Falcão. E ao Conselheiro Felipe Locke Cavalcanti. denodadamente combati. no plano da autonomia administrativa e principalmente financeira do Poder Judiciário. pelo Conselho Nacional de Justiça. p. atribuiu-se a ponderação de que — “É preciso evitar gastos desnecessários. teria propugnado a adoção. n. aquele estado de coisas que. o Ministro Gilmar Mendes.

dada a relativa 77 78 Ibid. em meados de 2002. p. Cada tribunal faz seu projeto. da reunião e publicação de estudos jurídicos de alto nível. Ibid. como apresentador ou similar. concluo que já não posso manter e muito menos cumprir tal propósito. desta homenagem que merecidamente se tributa a Djaci Falcão sob a forma. em respeito ao interesse público. A sociedade não pode arcar com preços elevados. Ao ser distinguido com o convite para participar. assim espero. 4. para acudir à iniciativa que nesse sentido tomara o Presidente Marco Aurélio. p.Judiciário pode fazer construções diferentes. “Às vezes” — censurou — “são construídos prédios suntuosos e outras regiões ficam desassistidas”78. ele próprio. mas o padrão a ser observado deve ser único para redução de custos. A esta altura. mas involuntariamente. também com minha participação. que alonguei demasiadamente. quiçá documentarista amador mas esforçado. não obviamente a totalidade dos milhares de decisões que proferiu no Supremo e agasalhou nos cento e tantos volumes antes referidos. cultivei a intenção de dissecar. o não ter tido tempo — como disse alguém que de pronto não recordo —. da caminhada. 51 . à sua maneira”77. porém. no melhor estilo acadêmico. 3-4. Absolve-me de tamanha extensão. mas certa seleção de cinquenta acórdãos mais significativos que entre estas catou.

urgência que me foi encarecida. Brasília. para efetivamente terminar. Um Discurso de 21/5/1975 no Supremo Tribunal Federal. 1999. motivado por aposentadoria. dos atributos pessoais e funcionais do eminente juiz e jurista que aqui se homenageia. em sucessão infindável. ao Ministro Aliomar Baleeiro. Cada gema recolhida descobre outra. e respondeu — Acho que alguém tirado do Supremo Tribunal Federal. depois de iniciada. ex-Ministro da Justiça: Um nome presidenciável? — indagou ele. mas. na sessão de homenagem. Cabe aqui. como o Djaci Falcão. mas inocente e perfeitamente ajustável ao presente e à figura humana que contempla. não se sabe como terminar. A mina é pródiga. por seu afastamento da Corte. enfim. 52 79 . que foi seu Presidente. antecipado e consagrador post escriptum que recuo às encruzilhadas políticas da década de 1980 para tomar por empréstimo a Abelardo Jurema. Momento semelhante vivi gostosamente no passado. entretecida de mil veios. posso repetir: Dizer de Djaci é tarefa que não se sabe por onde começar. quem sabe excessiva. integrado na ata publicada no Diário da Justiça de 30/5/1975. Apêndice. Também publicado sob o título “Homenagem ao Ministro Aliomar Baleeiro por Motivo de sua Aposentadoria” em meu Textos de Direito Público. Sobretudo me perdoa a riqueza notória. Em busca do ponto final e encerrando com autoplágio. compartilhando-se com novos e mais hábeis mineradores de hoje e de amanhã a lavra sempre futurosa79. 1061-1078. p. Há que ter-se a desambição de exauri-la. em que foi personagem o também notável Aliomar Baleeiro. para ser mais breve.

p. que poderia representar toda a Nação em seus anseios maiores80. intocável na sua moral. 95. 1998. 53 . 80 CERQUEIRA.homem culto.

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no Sertão de Pernambuco. em 1942. Maria da Conceição e Luciano Falcão. entrando no CPOR em 1943. Concorreu a uma das vagas do concurso público para o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). Francisco. Nesse mesmo ano. no Forte das Cinco Pontas. servindo na Segunda Companhia de Guardas. Djaci Alves Falcão nasceu em 4 de agosto de 1919. com quem teve três filhos. Em dezembro de 1944. no qual se classificou em 41º lugar. participou do concurso para o cargo de juiz de Direito em Pernambuco.Perfil biográfico Paraibano da cidade de Monteiro. Casou-se com Maria do Carmo de Araújo Falcão. Djaci Falcão tomou posse do cargo de juiz da Comarca de Serrita. veio ao Recife pela primeira vez aos 11 anos para adaptar-se ao internato do Colégio Nóbrega. Aos 19 anos. Dez meses depois. concluiu o curso de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. no qual foi aprovado em 1º lugar. Durante a Segunda Guerra Mundial. Atuou ainda 54 . voltando mais tarde à Capital pernambucana para fazer o curso préjurídico. foi convocado para o Exército. Quarto dos seis filhos de Francisco Cândido de Mello Falcão e Inês Alves Falcão. Djaci Falcão ingressou na Faculdade de Direito do Recife.

Entre as condecorações que recebeu. Sua promoção para o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco aconteceu em 12 de março de 1957. até ser removido para o Recife. em 1961. 55 . em 1960. e a Presidência. ministro do Supremo Tribunal Federal. Também foi membro titular da Academia de Letras Jurídicas. com 47 anos. Assumiu o cargo no dia 22 do mesmo mês. em 1965. a sede do Tribunal Regional Federal da 5ª Região passou a ser denominado Edifício-Sede Ministro Djaci Falcão. estão a Medalha do Mérito Judiciário Des. do Estado de Goiás e do município de Campina Grande. na Paraíba. Djaci Falcão atuou ainda como professor titular de Direito Civil. foi nomeado pelo então presidente da República. e os Títulos de Cidadão do Estado de Pernambuco. Integrou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco. e presidente. São Joaquim do Monte. Castelo Branco. Paulista e Caruaru. na Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco. aos 37 anos. do Tribunal de Justiça de Pernambuco. sendo vice-presidente. Assumiu a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco.nas Comarcas de Triunfo. com 41 anos de idade. Também serviu como juiz eleitoral no Interior do Estado e na Comarca do Recife. Em 1º de fevereiro de 1967. Joaquim Nunes Machado. Em 20 de outubro de 1995. e na Universidade Católica do Recife. em 1966. então.

PRIMEIRA PARTE O JUIZ DJACI ALVES FALCÃO 56 .

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atuou em diversos processos polêmicos e de grande repercussão na imprensa. 59 . posteriormente. para a Comarca de Caruaru.O Juiz Djaci Falcão foi nomeado juiz de Direito de Pernambuco pelo interventor do Estado. Um deles foi transformado em livro pelo jornalista Sócrates Times de Carvalho e intitulado Ação Popular. foi removido para a Comarca de Triunfo. Agamenon Magalhães. quando passou a atuar no município de Camaratuba. assumindo a 1ª Vara Criminal e. com 25 anos. a Vara dos Feitos da Fazenda Estadual. A promoção veio em 1947. em 1944. quando assumiu a Comarca de Serrita. hoje São Joaquim do Monte. assumiu a 1ª Vara de Paulista. Em 1945. em 1952. Em 1948. Foi promovido. veio para o Recife. Como juiz. era o mais jovem magistrado do Estado. Na época. No ano seguinte. onde atuou na 2ª Vara.

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remoções e promoções .Atos de nomeação.

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atualmente vaga. n. 1944. de 23 de dezembro de 1944. PE. Djaci Alves Falcão.[p. ano 21. para exercer o cargo de Juiz de Direito – padrão “P”. 24 dez.1] 63 .Ato de nomeação para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Serrita Ato n. da comarca da Serrita. 1966 de 23 de Dezembro de 194481 Nomeando o bel. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. aprovado em concurso. 289. Ato nº 1966. 81 PERNAMBUCO. Poder Executivo. Recife.

Djaci Alves Falcão. padrão “P”. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco.Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Triunfo Ato n. Ato nº 800.de Abril de 194582 O Interventor Federal no Estado resolve remover. p. 1945. fazendo-se no seu título a necessária apostila. 64 82 . 5 de abr. bel. 1335. atualmente vaga. Poder Executivo. da comarca da Serrita para a do Triunfo. o Juiz de Direito. PERNAMBUCO. a pedido. 800 4. de 4 de abril de 1945. PE. Recife.

[p. Ato nº 1164.Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Camaratuba Ato n. atualmente vago. Ato de remoção para o cargo de 83 PERNAMBUCO. de acordo com a lista apresentada pelo Tribunal de Justiça. 23 out. resolve promover.1] 65 . padrão “K”. PE. no exercício do cargo de Governador do Estado. 1947. da Comarca de Triunfo. 1164 de 22 de Outubro de 194783 O Presidente da Assembléia Legislativa. padrão “O” da Comarca de Camaratuba. de 22 de outubro de 1947. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. Bel. por merecimento. Recife. a igual cargo. n. Poder Executivo. 237. Djaci Alves Falcão. ano 24. o Juiz de Direito.

4919 de 10 de Novembro de 194884 O Governador do Estado. ano 24. n. Djaci Alves Falcão. [p. atualmente vago. o Juiz de Direito padrão “R”. PE. bel.1] 66 . Ato nº 4919. resolve remover. da comarca de Camaratuba. 11 nov. para igual cargo e padrão da 1ª Vara da do Paulista.Juiz de Direito da 1ª Vara da Comarca do Paulista Ato n. fazendo-se no seu título a necessária apostila. 1948. 253. de 10 de novembro de 1948. Recife. 84 PERNAMBUCO. Poder Executivo. a pedido. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco.

nos termos do art. o Juiz de Direito padrão “R”. atualmente vago. padrão “T”. 1952. 15 ago.1] 67 . da Constituição Federal. da 2ª Vara da Comarca de Caruaru. 2034 de 14 de Agosto de 195285 O Governador do Estado. IV. 1112. 186. atualmente servindo na 1ª Vara da Comarca do Paulista. por merecimento. Djaci Alves Falcão. de 12 do corrente. para idêntico cargo. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. Poder Executivo. n. PE. resolve. [p. n. da 2ª entrância. do Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça. Bel. 85 PERNAMBUCO. tendo em vista a lista trinômine que lhe foi apresentada com o ofício n. Recife.Ato de promoção para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Caruaru Ato n. 124. promover. Ato nº 2034 de 14 de agosto de 1952. ano 29.

1953. a pedido. Bel. vaga em virtude da remoção. Euclides Ferraz. Poder Executivo. Recife. [p. também a pedido. 1773 de 27 de Agosto de 195386 O Governador do Estado resolve remover. Djaci Alves Falcão. padrão “T”. Ato nº 1773. Bel. o Juiz de Direito. ano 30. fazendo-se no seu título a necessária apostila. n. do Juiz de Direito. PE.Ato de remoção para o cargo de Juiz de Direito da 1ª Vara da Capital Ato n. 28 ago. 193.1] 68 . de 27 de agosto de 1953. 86 PERNAMBUCO. da 1ª Vara da Comarca do Paulista para a 1ª Vara da Capital. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco.

Sentenças .

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Comarca de Serrita87 Ação de Arrolamento Tombo n. etc. filho do falecido. para que dita partilha produza os seus legais e jurídicos efeitos. Publique-se. Serrita. 71 . Atendendo a que o mônte está quite com a Fazenda Pública. Julgo por sentença a partilha constante do auto de fls. evidenciando o conhecimento de fls. 1 e 132 Arrolante: Miguel José de Oliveira Arrolado: José Luiz de Oliveira “Vistos. Intime-se. 19 o pagamento do imposto de transmissão “causa mortis”. sendo arrolante Miguel José de Oliveira. registre-se. Custas ex-lege. 22 de fevereiro de 1945. Djaci Alves Falcão 87 Transcrição fac-símile. salvo direitos de terceiro. Atendendo a que estão acautelados os interesses dos herdeiros. 31v e 32 dos bens deixados pelo inventariado José Lins de Oliveira.

autuei a denúncia e diligências policiais que adiante vêem. nesta cidade da Camaratuba do Estado de Pernambuco. Eu.947). comigo escrivão de seu cargo abaixo nomeado e assinado. José Rufino nº 75. às 14 horas. em cartório à rua Dr.Comarca de Camaratuba88 Sumário Crime Autora: Justiça Pública Acusado: Vicente Felix da Silva conhecido por “Vicente Cazuza” AUTUAÇÃO Aos trinta e um (31) dias do mês de julho do ano de mil novecentos e quarenta e sete (1. TERMO DE ASSENTADO Aos vinte e dois (22) dias do mês de março do ano de mil novecentos e quarenta e oito(1. nesta cidade de Camaratuba do Estado de Pernambuco. onde presente se achava o Dr Djaci Alves Falcão Juiz de Direito da Comarca. Escrevente juramentado. e datilografei. 72 . na sala das audiências deste Juízo.948). a fiz. José Pedro de Assis. presente 88 Transcrição fac-símile.

e o acusado Vicente Felix da Silva. Ernestina Cordeiro Franklin. pelo Dr. Em seguida foi concedida a palavra ao defensor do acusado. José Andrade de Oliveira. em vista do depoimento das testemunhas que. Promotor Público da Comarca e mesmo acusado. presentes as partes. o datilografei e subscrevi. a pena mínima do art. na sua totalidade. não havendo testemunhas por inquirir. afirmaram a culpabilidade do acusado”. 129 do Código Penal.também o Dr. Juiz que passava à fase dos debates orais. afirmam as testemunhas que a vítima é conhecida como pessoa dada a mexericos e encrencas com a vizinhança.. o qual em resumo disse o seguinte: “que pedia a condenação do acusado Vicente Felix da Silva conhecido por “Vicente Cazuza”. Juiz as testemunhas seguintes: do que para constar fiz êste termo. Escrivã interina. digo. Eu. vulgo “Vicente Cazuza”. nem diligência a determinar declarou o Dr. conforme se observa da leitura dos autos. o qual disse: que o seu patrocinado agiu no caso dos autos em sua própria defesa.] TERMO DE JULGAMENTO E logo em seguida. Promotor Público da Comarca. vindo este fato a 73 . compareceram e foram inquiridas pelo Dr. Luiz Guimarães Ribeiro. concedendo de início a palavra ao Dr.. de que foi agredido pela própria vítima. Juiz foram advogado do feitas. [. Ademais.

em razão disso o denunciado resolveu praticar o crime. de certo modo procura inocentar Vicente Felix da Silva. em quanto a terceira testemunha afirma que ouviu os gritos da vítima quando era espancada.comprovar a inocência do réu. cabe a este. Quanto aos antecedentes e a personalidade do 74 . O movel do crime foi insultos da vítima ao acusado. A acusação pede a condenação do denunciado à pena minima e a defesa a sua absolvição. A sua autoria. pelo que pede a sua absolvição. Recebida a inicial teve o lugar o interrogatório do réu o respectivo sumário. cai em contradições no seu depoimento. conforme se depreende claramente do depoimento das 2ª e 3ª testemunhas. Juiz passou a proferir a seguinte decisão: Vistos etc. dirigindo-se a casa da vítima e produzindo-lhe os ferimentos de que trata o aludido exame pericial. Pelo Defensor da Justiça Pública foi denunciado o indivíduo Vicente Felix da Silva. apesar da negativa do acusado. em virtude de haver produzido lesões corporais na pessoa de Generosa Maria da Conceição. Isto posto: a materialidade do crime está comprovada pelo ato de exame médico de fls. Em seguida o Dr. conhecido por ”Vicente Cazuza”. Diz a segunda testemunha: “que o acusado alguns antes do crime recebeu desaforos por parte da vítima e resolveu espanca-la por vingança”. por questões de terra. 129 do Código Penal. A 1ª testemunha que. como incurso no art. sete. E.

em virtude de não dispor dos elementos suficientes para um pronunciamento. O Sr. Eu. para efeito de recurso e lance o nome do réu no rol dos culpados. alem da taxa penitenciária minima. E. As circunstâncias e as consequencias do crime foram de certo modo. por tudo isso. Custas como de direito. Deixo de observar o disposto no art. à pena de três meses de detenção. Ernestina Cordeiro Franklin. Djaci Alves Falcão Luiz Guimarães Ribeiro Vicente Felix da Silva José Andrade de Oliveira 75 . E como nada mais houvesse. conhecido por “Vicente Cazuza”. datilografei e subscrevi. deu-se por findo êste auto de julgamento.00. o fiz. pelo réu e pelas partes presentes. para condenar como condeno o acusado Vicente Felix da Silva. 129 do Código Penal. Registre-se. como incurso no art. do qual deverá constar o valor da fiança que arbitro em Cr$ 200.acusado informa as testemunhas de maneira ao mesmo favorável. Escrivão passe contra o réu o competente mandado de prisão. escrivã interina. que depois de lido e achado conforme vai assinado pelo Juiz. Não há nenhuma circunstância de obrigatório aumento ou diminuição de pena a considerar. insignificantes. julgo procedente a denúncia. 697 do Código Penal.

10741 Autor: Henrique Ventura dos S. inclusive sótão. Que o Sr. nesta cidade. Henrique Ventura dos Santos Reis propoz com a inicial. sem consentimento dele autor.Comarca do Recife89 Ação de Despejo n. à rua Larga do Rosário. PORQUANTO O RÉU VIOLOU OS PRECEITOS ESTAUÍDOS DOS INCS.IMPÕE-SE A PROCEDÊNCIA DA AÇÃO. Antunes. X E XI. 89 Transcrição fac-símile. Que na qualidade de proprietário do prédio n. alegando em resumo. Vistos. 228. Manoel Antunes sublocou a diversas pessoas. a presente ação de despejo.15. partes do 2º pavimento e o sótão. Reis Réu: Manoel Antunes Juízo da 11ª Vara Cível EMENTA . etc. contra Manoel Antunes. DO ART. pelo preço mensal de duzentos e sessenta cruzeiros. DA LEI DO INQUILINATO. locou o 2º pavimento do mesmo ao Sr. 76 .

Manoel Antunes. e que. 15. cientificados os sublocatários.que há cerca de catorze anos alugou ao Sr. do art. 2º combinado com art. Que o réu infringindo o n. na certeza de que o réu não contestará a ação. bem assim. O réu foi regularmente citado. o pagamento de custas e honorários de advogado. a parte da frente do 2º pavimento esta ocupada pelo Sr. bem assim foram cientificados os sublocatários . José Pereira da Silva.Severino Bezerra Cavalcanti e José Alves de Lima. estando atualmente sublocada a terceiro. argumentando . cento e vinte cruzeiros.Que o sótão está ocupado pelo Sr. X e XI. I. José Pereira da Silva. O sublocatário Severino Bezerra da Silva contestou a ação. juntando o autor três documentos. o imóvel objeto da ação. e a parte posterior do dito pavimento esteve sublocada ao Sr. que paga pela sublocação quatrocentos cruzeiros mensais. a citação do réu. Pede com fundamento no art. não sendo jurídico a aplicação do preceito relativo a sublocação a casos anteriores às leis de inquilinato. ns. a fim de desocupar o prédio. também pela quantia de quatrocentos cruzeiros. da prefalada lei. amparado no art. da lei do inquilinato. sob pena de despejo.20. Severino Bezerra Cavalcanti. 16 da vigente lei 77 . À causa foi dado o valor de três mil.

Dado o fundamento do pedido inicial. deixou de acolher o pedido formulado pelo sublocatário Severino Bezerra da Silva (ver fls. como se vê do despacho saneador. do prefalado art. Isto posto. a sublocação total ou parcial. o então titular da 11ª Vara. como se infere do §2º. 15. 15.17 e 18). não se faz mister notificação judicial. no caso de despejo por infração legal ou contratual. como estatue o art.do inquilinato. Aliás. se propõe a fazer o depósito judicial de setecentos e oitenta cruzeiros. porquanto o réu deixou a ação correr à revelia. 2º da Lei do Inquilinato. 8. XI. Na audiência de instrução e julgamento foram apresentadas as alegações finais do autor. no seu inc. 78 . o réu não contestou a ação. está comprovada a sublocação feita pelo locatário e réu Manoel Antunes. sem consentimento por escrito do locador. Segundo o documento de fls. Protestou pela produção de provas. decido: De logo convém ressaltar que. É vedado pelo art. apesar de regularmente citado. à título de fiança de nova locação. Em fundamentado despacho saneador. não foi admitida a intervenção do sublocatário Severino Bezerra da Silva. do qual não houve recurso. E autoriza o despejo pela violação do mencionado artigo.

Além disso. conforme a inicial o 2º pavimento e o sótão do prédio objeto da presente ação. cientificados os sublocatários. Entendo desnecessário maiores indagações sobre esses fatos que não sofreram contestação por parte do réu. para os devidos fins. inferior. estão alugados ao autor. 15 da lei 1. à rua Larga do Rosário. portanto. Aí ocorre uma infração ao inc. Assim sendo. 27 de setembro de 1954. Condeno o réu ao pagamento das custas. pelo preço mensal de duzentos cruzeiros. julgo procedente a ação e fixo em vinte (20) dias. registre-se. vez que agiu dolosamente. do art. e dos honorários de advogado. o prazo para a desocupação da parte do prédio 228. Datilografei. violando proibição legal. que é de quatrocentos cruzeiros. Publicada em audiência. Severino Bezerra da Silva.300. X. locada ao réu Manuel Antunes. Djaci Alves Falcão (Juiz de Direito da 11ª Vara) 79 . Recife. ao preço cobrado na sublocação feita ao Sr.

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SEGUNDA PARTE O DESEMBARGADOR DJACI ALVES FALCÃO .

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Nesse cargo. aos 37 anos. Djaci Falcão conseguiu ampliar o acervo da Biblioteca Desembargador Dirceu Borges. pelo então Governador Cordeiro de Farias. adquirindo obras nacionais e 83 . ajudou a fundar o curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco. tornou-se titular da mesma cadeira.O Desembargador Indicado por unanimidade pelos 14 desembargadores do Tribunal de Justiça de Pernambuco. era o membro mais jovem do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Posteriormente. catedrático de Direito Civil. Ensinou na Faculdade de Direito do Recife da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1960. como assistente do professor Abgar Soriano. Em 1959. sendo presidente o desembargador Pedro Cabral de Vasconcelos. lecionando na instituição por algum tempo. Na época. O magistrado ocupou a vaga existente através do critério de merecimento. desta Corte. tornou-se vice-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Djaci Falcão foi promovido para o cargo. em 12 de março de 1957.

A partir de 1965. assumindo a presidência em 1966. 84 .estrangeiras. passou a integrar o Tribunal Regional Eleitoral.

termo de compromisso e posse e ato de exoneração .Ato de nomeação.

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tendo em vista a lista trinômine que lhe foi apresentada pelo Presidente do Tribunal de Justiça. [p. Djaci Alves Falcão. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. ano 34. Poder Executivo. da Constituição Federal vigente. nomear.1] 87 . Ato nº 664. nos termos do art. Bel. 90 PERNAMBUCO. de 12 de março de 1957. 59. João Cabral de Melo Filho. 13 mar. 664 de 12 de Março de 195790 O Governador do Estado. n. PE. resolve. 124. por merecimento o Juiz de Direito da 13ª Vara da Capital. Recife. para exercer o cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça. inciso IV. vago em virtude da aposentadoria do Bel.1957.Ato de nomeação para o cargo de Desembargador do TJPE Ato n.

Termo de compromisso e posse no cargo de Desembargador do TJPE91 91 Termo de compromisso e posse do Bacharel Djaci Alves Falcão. 88 . em 18 de março de 1957. no cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco.

PE. Recife. n. 2430 de 01 de Março de 196792 O Vice-Governador do Estado. a pedido.1] 89 . Djaci Alves Falcão.1967. ano 24. Poder Executivo. do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. [p. visto ter sido empossado no cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal. usando de suas atribuições. Diário Oficial [do] Estado de Pernambuco. de 1 de março de 1967. Ato nº 2430. resolve exonerar. 92 PERNAMBUCO. 50.Ato de exoneração do cargo de Desembargador do TJPE Ato n. o Dr. 2 mar.

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Jurisprudência .

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por outro lado. relatados e discutidos estes autos de recurso de concessão de mandado de segurança. ACÓRDÃO Vistos. Djaci Falcão Câmaras Conjuntas EMENTA: . Trata-se de serviço especial gerador da chamada “taxa de bombeiros”. da Comarca do Recife. do art. 15. assim. Atlantic de Petróleo: A firma impetrante da segurança e a litisconsorte insurgem-se contra a Superintendência da Fiscalização de Rendas do Estado de Pernambuco. 56. sob o fundamento de que 93 Transcrição fac-símile.A tributação sob a forma do imposto único.O Juízo Recorrido: Pibigás do Brasil S/A Relator: Des. para se eximirem do pagamento da “taxa de bombeiros”. a quem não tem a disponibilidade do benefício. apesar de utilizável por todos os habitantes do Recife. 93 . que atinge beneficiários diretos. III. sem afetar. benefício especial e particular mensurável.Mandado de Segurança n.822. sob nº 56. O serviço de prestação contra fôgo. não é excludente da espécie taxa. editada no inc. da Constituição Federal. Constitui. tem por objetivo precípuo atender àqueles que mais diretamente dele podem se socorrer.82293 Recorrente: . em que é recorrente o juízo e recorridos Pibigás do Brasil S/A e Cia.

Djaci Falcão – Relator. concedendo a segurança e recorrendo “ex-officio”.esta é inconstitucional. 94 . Adauto Maia – Presidente. por maioria de votos. a medida liminar. Dr. conforme notas taquigráficas. Procurador Geral do Estado. 786 do Código Tributário do Estado.III. como de direito. editada pelo art. os componentes das Câmaras Conjuntas do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Recife. 70 e 71). por contraria ao art. 17 de julho de 1964. O juiz acolheu a pretensão. é constitucionalmente ilegítima a incidência da taxa de bombeiros. Custas. Isto pôsto: ACORDAM. opinou o Representante do Ministério Público pela concessão do “mandamus”. Nesta instância opinou o Exmo. Foi deferido o pedido liminar. para cassar a segurança concedida e. a que se prende o artigo citado. 15. inc. Após as informações da autoridade apontada como coatora. Sustentam que estando sujeitas ao pagamento do imposto único. em consequência. pelo improvimento do recurso (fls. dar provimento ao recurso. da Constituição Federal.

sob a forma de imposto único. Rodolfo Aureliano.Adaucto Correia de Araújo. Gabriel Lucena Cavalcanti. 15. D. 786. do art. Natanael Marinho. Amaro de Lira e César – Vencido. goza de legitimidade constitucional? 95 .João Guerra Barreto. desde que assentem em fatos imponíveis distintos. e que objetiva a manutenção do serviço de extinção de incêndio. não é excludente da espécie taxa. Vingou no Supremo Tribunal Federal a inteligência de que podem coexistir essas duas espécies do gênero tributo. 788 e 790. Fui presente: . ante a distinção decorrente do seu fato gerador. Cláudio Vasconcelos. no entanto: a taxa de bombeiros enunciada nos arts. do Código Tributário do Estado de Pernambuco. Luiz Nóbrega. Lima. pelas razões expostas em mesa e constantes das notas taquigráficas. da Constituição Federal. Indaga-se. editada no inciso III. NOTAS TAQUIGRÁFICAS: VOTO DO RELATOR A tributação.

prestado aos contribuintes ou postos à sua disposição. mantendo o Estado de Pernambuco um serviço contra fogo. para mim. não de determinadas pessoas jurídicas. mas de todos aquêles aos quais o serviço fosse prestado ou posto à sua disposição. Emprestando outra compreensão conceitual à figura da taxa. que. o douto Ministro Vítor Nunes Leal sustentou. jamais remunerar serviço público específico. não importa numa coleção de julgados imutáveis. todavia. Ressaltou que. a legitimidade da taxa de bombeiros. oferecido a tôda a população.O Supremo Tribunal Federal. em decisão tomada por maioria de votos – aliás. Para ser classificado como taxa o tributo em causa deveria ser exigido. constituindo autêntico imposto porquanto visa atender encargo de ordem geral da administração pública. “não há estabelecimento ou contribuinte que mais provàvelmente venha a se beneficiar dêsse serviço do que quem lida com um combustível tão inflamável como a 96 . Êles são passíveis de revisão. muito valem. com uma objetividade analítica irrespondível. Tal entendimento consta da súmula de julgados do Pretório Excelso. apenas contra o voto do Ministro Vítor Nunes Leal entendeu que a taxa de bombeiros não se situa no âmbito conceitual de taxa. instituída no Código Tributário de Pernambuco.

a taxa de calçamento incide legìtimamente sobre o proprietário do prédio confinante da via pública. Como fiz ver. ainda. que a generalidade da imposição não é característica da taxa. laborando em equívoco. de início. É sabido que o poder fiscal se faz presente sob três formas – impostos. uma das características da taxa é que incide sobre uma parte da população que. o alto saber jurídico da maioria. A classificação das receitas públicas assenta. mas a todos que transitam. como ensinam os mais autorizados financistas e juristas modernos. quando qualificou o serviço de extinção de incêndios como encargo de ordem geral. pela rua. o colendo Órgão Julgador deixou à margem a melhor concepção de taxa. é compatível com a exigibilidade do chamado imposto único. Muitas outras taxas apresentam essa característica. Entendimento correto. em tese. a Côrte Suprema acolheu a exegese de que a cobrança de taxa. taxas e contribuições de melhoria. e. pela natureza de sua atividade ou por sua posição no conjunto das atividades sociais. possa ser mais diretamente relacionada com o serviço cuja remuneração se cobra. Fêz ver. Incidem sôbre os que exerçam atividade ou que estejam em situação mais diretamente relacionada com o serviço. entretanto. por outro lado.gasolina”. No que pese. no entanto. acrescentando: Ao contrário. “Concluindo exemplificativamente: A taxa de calçamento não beneficia apenas o proprietário do prédio marginal. na vinculação econômica do indivíduo ou contribuinte para com 97 .

mas. bem assim na maior ou menor intensidade do interesse privado e do interesse público. vol. Como expõe o Professor CAIO TÁCITO: Na taxa há o pagamento de um serviço realizado pelo governo tendo em vista o interêsse público. Na verdade. (In Revista de Direito Administrativo. 521). ao mesmo tempo que um interesse público predominante. Daí. Diz. é que se torna beneficiário dos serviços públicos que objetivam satisfazer necessidades indivisíveis. o particular. mas dando ao contribuinte uma vantagem particular mensurável. a ausência de interêsse público faz do pagamento um preço e a ausência do benefício especial faz dêle um imposto. o interesse individual constituir fator principal. em súmula. o renomado SELIGMAN: A característica essencial da taxa é a existência de um benefício especial mensurável. onde há uma taxa existe. como integrante da coletividade.o Govêrno. 98 . enquanto para a incidência do imposto faz-se mister a presença do interesse comum. 44. um interesse público predominante. O impôsto é o pagamento obrigatório para atendimento da parte indivisível do custo dos serviços públicos. necessàriamente. também. Aqui. pág. em se tratando de taxa. uma vantagem particular mensurável.

É evidente que os serviços de defesa nacional. 99 . enquanto na taxa há uma obrigação fiscal destinada a atender serviços especiais. polícia. A taxa de bombeiros de que cogita o Código Tributário de Pernambuco incide sobre as atividades comerciais. eis que guarda a característica visível de atender. eis que ao lado do interesse público há. evidentemente. inclusive depósitos. vital ao próprio Estado.. mais em particular. etc. a determinada categoria de utentes. na cidade do Recife (não no interior do Estado de Pernambuco) como um serviço público especial. Por isso reclama para o seu custeio a espécie de tributo impôsto. apesar de servir. ensino primário. a todos os habitantes do Recife. foi instituído em atenção àqueles que mais diretamente dele podem se utilizar.O impôsto existe no interêsse da universalidade dos contribuintes. são instituídos para satisfazer toda a comunidade. existentes. Daí êsse serviço ser especial e específico. tão só. desde que assentam em condições essenciais ao viver em sociedade. Ao passo que um serviço como o de proteção contra fogo. uma vantagem particular mensurável. Tenho como razoável a classificação legal do serviço de extinção de incêndios. Aqui existe um interêsse mais amplo. industriais e equivalentes. potencialmente.

em parte pelos litigantes. que tem outra compreensão diversa desta que aqui defende.] distinguirá.agências ou escritórios comerciais ou industriais localizados na Capital do Estado. 786. efetiva ou potencialmente. da mesma forma.. Vê-se aí que o legislador. As despesas dos primeiros serviços serão pagas pela coletividade (impostos). E o fez ante a dificuldade de atingir a todos quantos. RUBENS GOMES DE SOUZA. não 100 . aquêles que têm caráter geral e nos quais o interesse público é de todo predominante daqueles nos quais se pode distinguir nìtidamente. para prestar serviços múltiplos e variados. conforme estabelece o art. (Estudos de Direito Público. entre os serviços prestados ao público. [. Por sua vez. distinguindo ainda os cinemas. as despesas com a instrução pública. ao fixar o ônus da taxa. casas de diversões e aquêles que negociam com inflamáveis. 158). as dos segundos serão. comerciantes e industriais. GASTON JÈZE. a par do caráter geral do interêsse público.. O encargo da taxa atingindo tais categorias de contribuintes não afetou a quem não tem a disponibilidade do benefício. ressalta o Estado moderno. no todo ou em parte. etc. um interesse pessoal do indivíduo que requer o serviço ou faz funcionar a instituição. pág. venham a se utilizar desse serviço específico. cobertas pelos indivíduos mais especialmente beneficiados ou que forem a causa das despêsas especiais. teve em vista os beneficiários mais diretos. ou ainda o fato de este ou aquêle indivíduo aumentar sensivelmente o custo do serviço. Exemplos: as custas judiciais serão pagas em parte pelos impostos gerais. citado por BILAC PINTO.

com irreprochável objetividade: Quem lida com combustível é quem mais necessita do serviço de prevenção contra fogo. ou porque uma atividade especial foi exercida. inclusive no que se relaciona com a essência econômica do fenômeno. estabelece a medida entre a unidade de serviço ou atividade e a vantagem individual do contribuinte? Mais simplesmente. aliás. feita. principalmente. uma vez erigidos em elementos de definição do fato gerador. a 790). Aliás.pôde fugir a esta afirmativa. sobre as modernas tendências do Direito Tributário: Taxa é o tributo cuja cobrança se justifica porque um serviço específico foi prestado. ou porque o serviço ou a atividade está disponível para o contribuinte. pág. (Rev. Quem define o serviço ou a atividade? 0 Estado. a diferença pode ser muito tênue. 786. reflita-se que a prestação ou a disponibilidade do serviço ou da atividade. interessa particularmente às categorias de contribuintes enumeradas no texto legal (art. em conferência pronunciada em São Paulo. objeto da incidência tributária. volume 74. E entre pressuposto legal e presunção legal. Quem estipula que esse serviço ou essa atividade é de interesse público? O Estado. quem fixa unilateralmente – vejam bem: unilateralmente o montante da taxa? O Estado. afirmou. não passam de pressupostos legais da incidência. o eminente Ministro VÍTOR NUNES LEAL. de Direito Administrativo. e é quem mais está na 101 . 9). A realização desse serviço público específico – serviço de extinção de incêndios. Quem. As normas traçadas pelo Código Tributário de Pernambuco se adaptam às exigências da vida prática. Poderá parecer escandaloso dizer-se que isto é um conceito pré-jurídico: mas.

e que não incide sobre os proprietários de bicicletas. a todas as pessoas que transitam pela rua. encontra-se na taxa rodoviária. face ao conceito de taxa. que também podem dispor do benefício correspondente a essa taxa. carroças. Com a devida vênia. Ninguém põe dúvida. que acolho. além do proprietário do prédio marginal. Isto porque taxa há de incidir sobre aquêles que. que constitui o fundamento da sua instituição. possam ser mais diretamente relacionados com o serviço. não vejo acerto no raciocínio daqueles que. A mim não impressiona. ela incide tão só sobre o proprietário do prédio confinante de via pública. Outro exemplo.obrigação de o remunerar. e. lembrado pelo ilustre Procurador dos Feitos da Fazenda Estadual. cobrada dos proprietários de veículos motorizados. 102 . e até hoje o Supremo Tribunal Federal não considerou a taxa de calçamento como um tributo inconstitucional. 773. por ser o mais provável causador de incêndio. etc. que a taxa de calçamento beneficia. como o brilhante Ministro LUIZ GALLOTTI. como sobrelevou o Ministro Vítor Nunes Leal. pela natureza da sua atividade. no entanto. que tive oportunidade de verificar no art. do Código Tributário de Pernambuco. a circunstância de não haver uma incidência do tributo em causa sobre todos os cidadãos que podem se valer do serviço contra incêndios..

págs. ou Revista Forense.194. o corpo de bombeiros. 786 do Código Tributário de Pernambuco. distinguem dos impostos as taxas e as caracterizam como tributo pago exclusivamente pelos beneficiários de um serviço especial.. 341 e Clínica Fiscal. na “taxa de bombeiros” editada no art. I. Amaro Cavalcanti e sobretudo Rui Barbosa firmaram. vislumbrando. um imposto disfarçado. 1953. 55 e segs. XX quer no estrangeiro.. essa noção doutrinária no Brasil. pág. 11 e segs. págs. Gostaria de ver respondida a indagação – Qual dos dois. Alguns estudos brasileiros apresentam longo rol de definições ou conceituações da taxa por financistas das principais nações cultas. págs. 5/3/1964. Veiga Filho. 73. quer no Brasil.. págs. 103 . (Ver. 1960.. 156 e segs. Bilac Pinto. Vol. Dir. Pernambuco. 392). Diário de Justiça.. Adm. há cêrca de sessenta anos.. quer dele se utilizem efetivamente os contribuintes. para segurança dos proprietários e moradores. Taxa de Recuperação Econômica. Estudos de Direito Público. vol. pág. 1958. Rui Souza. ensejando a exigibilidade da denominada “taxa de água e esgoto” (recurso extraordinário nº 54. como por exemplo. 192 e segs. vol. porém. todos contestes quanto à caracterização acima resumida. ex. 1958. onde ninguém de responsabilidade a contraditou até a ditadura de 1937 – 45. vincula-se mais a um serviço público especial? Como expõe o Prof. p. Introdução à Ciência das Finanças. ALIOMAR BALEEIRO: Quase todas as obras boas do fim do século XIX e do séc. Baleeiro.. quer o tenham sempre à sua disposição.situam o serviço de água e esgoto como serviço público especial.. 2ª ed. etc (Ver. eis que objetiva remunerar encargo de ordem geral. mantido noite e dia.120. “taxa de água e esgoto” e “taxa de bombeiros”.

cassando. especialmente considerado o caso do serviço de prevenção contra incêndio. de contribuintes. PARA DENEGAR A SEGURANÇA E CASSAR A LIMINAR ANTERIORMENTE CONCEDIDA. para cassar a segurança concedida à PIBIGÁS DO BRASIL S/A. [. conseqüentemente. a determinadas categorias de pessoas.]. muito embora haja entendido de modo diverso o Supremo Tribunal Federal. de indivíduos.. de utentes. o benefício que proporciona. e sua litisconsorte ativa. em outras cidades do Brasil. todavia. a generalização conceitual de serviço dessa natureza.Destarte. DECISÃO: DEU-SE PROVIMENTO AO RECURSO. CONTRA O VOTO DO DESEMBARGADOR AMARO DE LIRA E CÉSAR 104 . a liminar concedida. não há negar que há interesse público mesmo na taxa. existe não com o caráter geral. efetivamente. inclusive. que essa conceituação de taxa emprestada por aquêle órgão julgador não corresponde às modernas tendências doutrinárias em tôrno dos tributos. Com estas considerações. o meu voto é dando provimento ao recurso. aqui em Recife. sendo prevalente. como ressaltei. tenho para mim. como poderia ocorrer em países onde há um maior desenvolvimento. como alhures. por uma maioria mesmo esmagadora. contra o voto do Ministro Vítor Leal. que. E. possibilitando.. ou poderá proporcionar.

ENSEJANDO. DESCABE O CHAMAMENTO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO COMO LITISCONSORTE NECESSÁRIO. DA LEI DE ORGANIZAÇÃO MUNICIPAL). SEM AUDIÊNCIA DA CÂMARA DE VEREADORES (ART.NÃO HÁ DE COGITAR NORMA “IN ABSTRATO”. Governador do Estado de Pernambuco Relator: Des. NÃO FAZ NASCER INTERÊSSE DE TAMANHA RELEVÂNCIA QUE A EFICÁCIA DA DECISÃO DEPENDA DE SUA INTERVENÇÃO.Mandado de Segurança n. TANTO A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO. COM ALTERAÇÃO DE DIVISAS DE UM MUNICÍPIO. COMO A LEI ORGÂNICA DOS 94 Transcrição fac-símile. O PREENCHIMENTO DO CARGO DE PREFEITO DO NÔVO MUNICÍPIO.89894 Requerente: O Município de Jaboatão e Vicente Alberto Carício Requerido: O Exmo. Dr. INC. TRATAM-SE DE NORMAS INSCRITAS EM RESGUARDO DA AUTONOMIA MUNICIPAL. DA CONSTITUIÇÃO DE PERNAMBUCO). 27. IX. GERADOR DE SITUAÇÃO CONCRETA. Djaci Falcão Câmaras Conjuntas EMENTA . POR DESMEMBRAMENTO. DEBATE-SE EM TÔRNO DE TEXTO LEGAL AUTO-APLICÁVEL. 105 . POR SI SÓ. É INCONSTITUCIONAL A CRIAÇÃO DE MUNICÍPIO. Sr. VEZ QUE O FATO DE VOTAR E APROVAR A LEI. 56. 4º. BEM ASSIM ILEGAL À MINGUA DE AUDIÊNCIA DO PREFEITO (§ 3º. DO ART. INCLUSIVE.

e requerido o Exmo.MUNICÍPIOS. da b) ilegalidade da elevação à categoria de Distrito da Vila dos Prazeres. de 15 de fevereiro do ano em curso. que contém longa exposição jurídica. Sr. contrariando o art. 18 da Lei da Organização Municipal de Pernambuco. 9. os fundamentos: a) Inexistência Constituição Estadual. 102. 106 . do Governador do Estado. Governador do Estado: Manifestam-se os impetrantes contra a criação do Município de Guararapes e contra ato nº 850. por contrariar a disposição inserida no art. que nomeou um Prefeito interino para o referido Município. em síntese.898. do invocado diploma. relatados e discutidos êstes autos de mandado de segurança sob nº 56. Consoante se vê da petição inicial. de nova lei de divisão administrativa e judiciária. PARA MUNICÍPIO RECÉM-CRIADO. e seus parágrafos. § 1º. em que são requerentes o Município de Jaboatão e o Prefeito Vicente Alberto Carício. ACÓRDÃO Vistos. são arguidos. assim como ofensa ao art. NÃO ERIGE NORMA ATRIBUTIVA DO PODER DE NOMEAR PREFEITO INTERINO.

Sustentam. Procurador Geral do Estado. da constituição do Estado. §§ 1 ° e 2º e 48. consoante exigência expressa no § 3º. pela sua denegação (fls. do art. 27. com inobservância dos artigos 11. 68 a 79. inc. A inicial está instruída com os documentos de fls. com evidente ofensa ao estatuído no art. A autoridade apontada como coatora ministrou as informações de fls. e a ilegalidade da sua posse. da Lei nº 445. I. 93 a 99). inc. 107 . Oficiou o Dr. Alegam ainda desrespeito ao disposto no art. por último. a ilegitimidade constitucional do ato de nomeação de um Prefeito interino para o nôvo Município (art. face a criação do nôvo Município sem audiência da Câmara de Vereadores do Município de Jaboatão. e 56 foi deferida a suspensão liminar do ato de nomeação do Prefeito interino. 4°. IX. da Lei de Organização Municipal. VI. 55 v. 28. Pelo despacho de fls.c) ofensa ao princípio da autonomia municipal. inc. suscitando a preliminar de não se conhecer do “mandamus”. de 4 de janeiro de 1949. e também pelo fato de ter sido ouvido o respectivo Prefeito. os impetrantes. 24 a 53. e “de meritis”. da Carta Magna). porquanto a sede do Município recém-criado está encravada em propriedade privada. 101 da Constituição Pernambucana.

não conhecimento do pedido. de 20 de dezembro de 1963). e de se converter o julgamento em diligência. merecendo indeferimento. por unanimidade de votos. Trata-se de arguição formulada no parecer do representante do Ministério Público.964. escusada em que se faz necessário “para a declaração de inconstitucionalidade principaliter. Recife. desprezadas as preliminares de .No curso do julgamento foi requerida a juntada de duas certidões. Adauto Maia – Presidente. pelo representante judicial do Estado. através da 108 . Isto pôsto: ACORDAM. os Desembargadores do Tribunal de Justiça de Pernambuco. conceder unânimemente a segurança impetrada. como de direito..] NOTAS TAQUIGRÁFICAS VOTO DO RELATOR Há uma preliminar de não conhecimento do mandado de segurança. 20 de julho de 1964. Custas. que os impetrantes se encaminhem. Djaci Falcão – Relator [. nos têrmos das notas taquigráficas. em sessão plena. quanto à validade da criação de Município ( Lei nº 4.. por maioria de votos.

inciso VII. com alteração de divisas de um Município. há uma provocação que objetiva um pronunciamento jurisdicional envolvente de caso concreto. Com a devida vênia. Debate-se em tôrno de texto legal auto aplicável. ao Supremo Tribunal Federal (art. Sr. Governador do Estado. e também em choque com a Lei de Organização Municipal do Estado de Pernambuco. ensejando. a lei malsinada já se encontra em execução. Os interessados arguem a violação de direito subjetivo. Na espécie. Daí a nomeação do Sr. cabendo. 7º. “Milton Emilio dos Santos 109 . Os requerentes insurgem-se contra a criação do Município de Guararapes e a nomeação do seu Prefeito por ato do Exmo. É sabido que as normas jurídicas guardam uma hierarquia de valores. ao Poder Judiciário o resguardo da prepoderância da vontade expressa na Constituição sôbre a vontade do legislador ordinário. decorrente de ato que assenta em lei indicada como inconstitucional. tenho como juridicamente descabida a alegação de inidoneidade do meio processual buscado pelos impetrantes. de modo particular. gerador de situação concreta. o preenchimento do cargo de Prefeito do nôvo Município. "e" da Carta Magna)". Destarte. inclusive.chamada ação direta.

8º. Desprezo. da Constituição Federal. da Lei da Organização Judiciária. de 21/2/64. inc. ter-se-ía um ato legislativo na iminência de execução. eis que não guarda sentido de generalidade. e no que dispõe o art. 245. jamais “erga omnes”. assim. 87. A arguição de inconstitucionalidade é formulada “incidenter tantum”. nº 4°. Doc. encerra uma questão prejudicial. Portanto. II. UNÂNIMENTE DESPREZOU-SE A PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA. da Constituição Estadual. interinamente. intentada através do Procurador Geral da República (arts. 110 . VII. o cargo de Prefeito Município dos Guararapes” (ato nº 850. inc. a competência dêste órgão julgador está expressa no art.para exercer. aqui.271. Por isso. alínea “g”. Finalmente. de 22/7/1954). no que tange à criação do Município. uma apreciação de norma “in abstrato”. a incidir sôbre determinada pessoa. Ainda que não tivesse ocorrido a nomeação do Prefeito. a decisão da controvérsia constitucional terá eficácia “inter partes”. § único. não se faz mister a propositura da ação direta perante o Supremo Tribunal Federal. disciplinados pela Lei nº 2. a preliminar de não conhecimento do “writ”. alínea “e”. 7º. 27). Não há. fls.

102: . Enquanto o sr. da Const. de modo que aos Municípios fique assegurada a autonomia. Por sua vez. I – os autores alinham como primeiro fundamento a inexistência de nova lei de divisão administrativa e judiciária. Prefeito do Município de Jaboatão. 111 . 28.A lei disporá sobre a Organização Municipal do Estado. 18: Cada Estado se regerá pela Constituição e pelas leis que adotar. Tal direito deflui da sua autonomia (art. o Município de Jaboatão defende um interêsse econômico. sôbre todo o território do Município. reivindica o direito de exercer o mandato que lhe foi outorgado por eleição. II. 28 da Constituição Federal e na forma prevista nesta Constituição. inc. observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. Assim.MÉRITO Não há dúvida que os impetrantes guardam legitimidade para invogar o mandado de segurança. Há legítimo interesse para agir. Federal). até que venha a se consolidar a autonomia do nôvo Município (Guararapes). inclusive divisão administrativa. nos têrmos do art. no seu art. Reza a Constituição Federal. ante a sua competência impositiva fiscal sôbre o território desmembrado. Vicente Alberto Carício. estabelece a Constituição de Pernambuco: Art.

Por isso. com direitos e prerrogativas de natureza constitucional. atendendo o interêsse politico-administrativo do Estado. estabeleceu que a divisão administrativa será fixada em lei quinquenal. A divisão judiciária objetiva repartir o Estado em Comarcas. em Pernambuco. o legislador constituinte. delimitar a competência administrativa.§ 1°: . o art. compreender um ou mais Municípios (art. 124. Como é do saber de todos nós. a seu turno. 82 da Carta Estadual). da Constituição Federal). observados os parágrafos 1º e 2º do art. Enquanto a divisão administrativa tem por fim. 112 . 103 da Constituição Estadual. inciso I. o Município integra a estrutura dos Estados da Federação.A divisão administrativa será fixada em lei quinquenal. baixada nos anos de milésimos três (3) e oito (8) para vigorar a partir de janeiro do ano seguinte. através da divisão e demarcação dos territórios municipais. em Pernambuco. de que é exemplo o princípio geral da preservação da integridade do seu território contra subdivisões desarrozoadas e extemporâneas. Dispõe. poderão ser criados Municípios. à semelhança da divisão judiciária ( art. 3º da Lei de Organização Municipal: Sòmente por lei quinquenal do Estado. podendo hoje. alterados os limites dos existentes ou seus respectivos nomes.

em detalhes. de 20/12/1963). 2º: Os limites do nôvo Município serão os mesmos do atual 2º Distrito do Município do Jaboatão. de modo claro.Não há dúvida de que a criação do Município de Guararapes se operou. para o qüinqüênio 1964/1968. determinará. Por outro lado. através de lei quinquenal. juntamente com a Lei de Divisão Administrativa e Judiciária do Estado. vasado nos seguintes têrmos: A nova lei que dispuser sôbre a divisão administrativa e judiciária do Estado. a lei em causa estabeleceu. A Leste: O Oceano Altlântico. fixado pelo Rio Jordão. 3º: A presente lei entrará em vigor a partir de 1º de Janeiro de 1964. assim discriminados: Ao Norte: A linha divisória que separa o atual Distrito de Muribeca dos Guararapes. consoante se lê em seu art. para efeito de eficácia da criação de Município. e o art. perfilham uma 113 . Ao Sul: O Município do Cabo. os limites do nôvo município.964. 3º. baixada em ano de milésimo três (3). ora em análise. em decorrência dos Municípios ora criados. e a Oeste: a atual linha divisória do 2º Distrito com o resto do Município do Jaboatão. E muito menos o art. Isso porque dos textos regulamentadores da matéria não se vê. do Município do Recife. (Lei nº 4. De modo que o parágrafo único do artigo 2º. como a de outros. os limites da nova entidade de direito público. Para mim não tem em maior signifição jurídica o seu parágrafo único. a obrigatoriedade de duplo texto de lei fixando a divisão administrativa do Estado.

“se a lei não pode ser inconstitucional. inc. não era de ser negada eficácia à lei especial criadora de município. dado que não houve autorização da Assembléia Legislativa e a transferência não se deu no ano de milésimo três (3) ou oito (8). Teria essa mudança contrariado o art. pág. isso porque. VIII. Com a Lei Municipal nº 907. de 20/8/1962. Max Limonad. 1956. suspender a eficácia de disposição que em nada vai chocar-se com princípios e garantia individuais. evidentemente.simples praxe de elaboração de lei remissiva. a sede do 2º distrito. Em conclusão. Não há controvérsia no que tange à 114 . não existindo em obediência a princípio normativo constitucional. Ao demais como argumenta o Dr. a disciplina de dupla legalidade.27). II. o silêncio da lei não pode ter um sentido contrário à Constituição (v. 122. da Constituição do Estado. Interpretação das Leis Processuais. São Paulo. ainda que a matéria estivesse subordinada. sob êsse prisma. pelo simples fato de não haver sido elaborada a lei remissiva. e art.Outro fundamento trazido pelos impetrantes da segurança é a ilegalidade da elevação à categoria de Distrito da Vila dos Prazeres. por disposição constitucional. Procurador Geral em seu parecer: Mas. ficou transferida de Muribeca para Prazeres. 18 da Lei de Organização Municipal. não é ilegítima a criação do Município dos Guararapes. A omissão do legislador não poderia. ou de lei orgânica. conforme acentua Couture.

através da Lei Municipal nº 907. sem importar em alteração dos limites da unidade administrativa. que é o Município. 122. observadas ainda as determinações do artigo 102 da Constituição do Estado. da Carta Estadual). 102 da Constituição Estadual. Como é sabido. havia desaparecido o requisito da autorização pela Assembléia Legislativa.competência da Câmara Municipal (art.025. VIII. Ainda que fôsse aplicável o preceito. passando a ter a seguinte redação: Nenhum Município ou distrito será instalado sem que prèviamente se delimitem os quadros urbanos e suburbanos da sede. inc. isto é. da instalação de Município ou distrito. É. não havia sido violada pela Municipal nº 907. de 3/1/1951. 18 da Lei de Organização Municipal. Em suma. ainda que fôsse aplicável o art. o preceito e aplicável à hipótese da instalação do Município. Quando se deu a transferência da sede do 2º distrito. pois juridicamente válida. de Muribeca para Prazeres. de há muito estava alterado pela Lei nº 1. 115 . não gozando de personalidade jurídica. 18 da vigente Lei de Organização Municipal. e não de simples transferência da sede de um distrito. sendo substituído pela exigência da delimitação dos quadros urbanos e suburbanos da sede. Quanto à observância das determinações do art. aí. Cogita-se. o Distrito é uma sub-unidade. o art. à simples transferência de sede distrital. com sua redação atual. de 20 de agôsto de 1962.

9º da citada lei orgânica. pela décima parte dos moradores maiores de dezoito (18) anos de qualquer território.Além disso. como se deduz da enumeração específica contida no seu art.prédios de alvenaria na sede. III . em número superior a trezentos (300). Outro raciocínio situar-se-ia na área do absurdo jurídicointerpretativo. superior a cem mil cruzeiros (Cz$ 100. é óbvio. prédios que possam servir de Paço Municipal e cadeia pública e permitam a instalação de escolas primárias. Não se trata. II .00).estrada de comunicação com os municípios limítrofes e com a capital do Estado.área contínua. ou a incorporação a Município vizinho.000.renda anual. V .população superior a dez (10) mil habitantes. compreendendo um ou mais Distritos. Também não constitui condição essencial à criação de Município. VI – que o desmembramento territorial não ocasione desequilíbrio no Município ou Municípios formadores da 116 . ou a incorporação de território a Município vizinho. de privativo e exclusivo direito de iniciativa de lei criadora de Município. IV . não atino para o socorro ao art. proveniente de impostos. poderá ser requerida a Constituição dêste Município. Está consubstanciada a faculdade de representação dirigida à Assembléia Legislativa para a constituição de um Município. delimitada. no mínimo.4º: São condições necessárias para a criação de Municípios. que estatui: Em representação dirigida à Assembléia Legislativa e assinada. mediante a elevação da sede do Distrito à categoria de cidade: I .

VII . deixo de acolher esta segunda alegação dos suplicantes.§3º.IX. o legislador constituinte editou a seguinte norma: Art. contudo. as repectivas Câmaras.resolver sôbre os limites dos Municípios. de modo que fiquem os antigos sem as condições nos nºs II e IV. Levantaram ainda o argumento de que houve ofensa ao principio da autonomia municipal. da Constituição do Estado. à figura genérica . ante a inobservância do preceituado no art. não se detiveram aí. de modo evidente. e no art. Pelo exposto. deixando à margem a 117 . 4º.corpo eleitoral superior a mil (1.Compete à Assembléia Legislativa. 27. a consulta plebiscitária aos habitantes do distrito interessado na elevação à categoria de Município. É de se ponderar que o legislador se referiu. VIII . III . para alterá-los. incorporação.000) eleitores.Êles.nova unidade. ou fusão de Municípios. ouvindo. com sanção do Governador: IX. 102 da Constituição do Estado. 27. Jamais objetivou alcançar as espécies anexação.alteração de limites.demonstração legal de que a área da sede do Município a ser construído não esteja nas condiç5es previstas no art. A lei orgânica não estabeleceu como se verifica em outros Estados-membros. Em verdade. da Lei de Organização Municipal. inc.

ao usar as expressões “resolver sôbre os limites dos Municípios”. quís se referir às hipóteses de alteração de limites entre dois Municípios existentes. separação de parte de um Município. Dir-se-á que o legislador constituinte. perdendo os primitivos a sua personalidade. Dai o pressuposto constitucional .tornar-se imprescindível à legitimidade de quaisquer dos atos legislativos desmembramento. finalmente. incorporação. para constituir nôvo Município.figura do desmembramento. perdendo o incorporado a sua personalidade jurídica. união de dois ou mais Municípios. Se assim pensasse. isto é. por certo teria sido explícito.audiência da Câmara de Vereadores . ou seja. para constituir um nôvo. É de se atentar para o legislador. que se pode conceituar como a reunião de um Município a outro. incorporação. usando a expressão técnica adequada. compreendendo quaisquer das espécies do gênero alteração territorial – anexação. fusão. em Pernambuco. quís se referir à competência da Assembléia Legislativa para deliberar sôbre as alterações de limites dos Municípios(não entre Municípios). e. por isso estabeleceu o requisito da audiência das respectivas Câmaras. junção de parte de um território a Município existente. 118 . ou seja. anexação. Não o fêz. e.

Não. em respeito à autonomia municipal. E. [. para dirimir controvérsia entre limites – tarefa reservada ao Poder Judiciário. e a dispensa dessa audiência quando se cogita de ato mais relevante. ou. Além disso. ou seja. ou desmembramento. 119 . “limites dos Municípios”. visa a competência legislativa para deliberar sôbre alteração de limites municipais. Ângelo Jordão. como se compreender a imperiosidade da audiência da Câmara de Vereadores para a simples alteração de limites entre dois Municípios existentes. tenho para mim ser jurídicamente desarrazoada a proposta.].. por concordância morfológica era de se usar as expressões “as respectivas Câmaras”. desde que houve o emprêgo do plural.. a fim de constituir um nôvo Município? Esta me parece a melhor inteligência.fusão. do desfalque territorial de um Município. como o desmembramento. data vênia do entendimento manifestado pelo ilustre Des. consagrada na Carta Política de 1946. A palavra resolver está empregada no sentido de deliberar. DESEMBARGADOR DJACI FALCÃO: Como Relator. de modo específico. de modo mais explícito.

o coator ser chamado a juízo como representante dela. E quantas vêzes nós aqui. inclusive. neste órgão colegiado. Daí. Jamais tive oportunidade de ver o chamamento do Poder Legisferante. temos acolhido arguição de inconstitucionalidade de lei. na apreciação da legitimidade constitucional de qualquer diploma legal. não se faz mister a convocação do órgão legisferante para integrar a causa. numa apreciação incidenter tantum. normalmente. não vejo. O sujeito passivo é a pessoa jurídica de direito público. a sanção do chefe do Poder Executivo. Senhores Desembargadores. acoimada de inconstitucional. independentemente dêsse chamamento para integrar a relação processual. quando nós cuidamos da chamada inconstitucionalidade formal! Para se deixar de aplicar uma lei que é inconstitucional. no âmbito de sua competência. hão de merecer. as leis. e o juiz singular. Ângelo Jordão?! Quantas vêzes?! E isso ocorre.Como sabemos. conforme acentua Seabra Fagundes. na parte condizente à criação do Município. lembrado pelo ilustre Des. quer resultem da iniciativa de qualquer dos membros do Poder Legislativo. quer finalmente do Poder Judiciário. Por isso. a 120 . na apreciação dêste mandado de segurança. quer do chefe do Poder Executivo. como ocorre na espécie.

. “admitir-se-á o litisconsórcio. data venia do voto emitido pelo Des.] DESEMBARGADOR DJACI FALCÃO: Assim sendo. em tôda e qualquer ação em que se aventasse 121 . 88 do Código de Processo Civil.necessidade de se converter o julgamento em diligência. quando fundado na comunhão de interêsses.. ativo ou passivo. Tenho para mim que. é evidentemente descabido. é desprezando a preliminar. na hipótese. na conexão de causas. ter-se-ia de citar a Assembléia Legislativa. consoante está expresso no art. para ser chamada a Assembléia Legislativa. consoante se vê da própria sistemática do Código de Processo Civil. se prevalecesse tal entendimento. Não há que falar em comunhão de interêsse no objeto da causa. ou na afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito”. Onde o interêsse jurídico da Assembléia Legislativa ? A circunstância de votar e aprovar a lei não faz nascer o interêsse jurídico. E tal entendimento. se ocorrer uma inconstitucionalidade formal. Ângelo Jordão. o meu voto. [. Por isso. porque. como litisconsorte necessária. Assim. em tôda e qualquer hipótese de arguição de inconstitucionalidade formal ter-se-ia de ordenar a citação do Poder Legislativo para integrar a causa.

[. E exemplifico: ...ao tempo em que era governador do Estado o Dr.. e jamais a Assembléia Legislativa foi chamada como litisconsorte. com a prática dêste chamamento. CONTRA OS VOTOS DOS DESEMBARGADORES ÂNGELO JORDÃO E ADAUTO CORREIA DE ARAÚJO. 122 . Exa. E até hoje não vi uma só ação neste Tribunal inclusive com participação de V. tivemos diversos casos de mandado de segurança contra a criação de municípios. [. ter-se-ia de fazer sua citação.] FOI DESPREZADA A PRELIMINAR DE SE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.. UNÂNIMEMENTE.inconstitucionalidade formal. em que se tenha apreciado a chamada inconstitucionalidade formal.] DECISÃO: CONCEDEU-SE A SEGURANÇA.. Cid Sampaio.

TERCEIRA PARTE O PRESIDENTE DJACI ALVES FALCÃO .

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A sessão para a eleição do novo presidente foi convocada extraordinariamente. Djaci Falcão assumiu a Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco. em Primeira Instância. o magistrado declarou que não pouparia esforços “no sentido de realizar uma administração compatível com a respeitabilidade do Poder Judiciário”. que estava com a publicação atrasada havia quase dois anos. eleito para a Vice-Presidência. compor o Conselho de Justiça do Estado. O presidente assumiu a mesa diretora junto com o desembargador Adauto Maia. atualizou as edições da revista Arquivo Forense. passou a publicar um índice alfabético dos acórdãos do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Os desembargadores Rodolfo Aureliano e Cláudio Vasconcelos foram os escolhidos para.O Presidente do TJPE Em 1961. juntamente com Djaci Falcão. Numa iniciativa inédita no Judiciário estadual. 125 . Djaci Falcão foi eleito com sete votos. Em sua gestão. uma vez que os integrantes do Tribunal estavam em férias forenses. órgão que apreciava os casos de indisciplina referentes aos juízes de Direito da Capital e do Interior. Apesar de não ter preparado nenhum discurso para a ocasião.

Desembargador Djaci Falcão na sua posse como Presidente do TJPE. 126 .

QUARTA PARTE DISCURSOS .

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Discurso proferido pelo Ministro Djaci Falcão. Recém-formado. com amor ao estudo e sem temor do trabalho. 95 Falcão. mediante concurso. Transcrição fac-símile. pela nomeação para o STF 95 Ao receber esta consagração generosa. 129 . 1113. para ganhar paz contínua no exercício do ideal jamais abandonado. Mercê de Deus. a 29 de dezembro de 1944. advogados e promotores públicos. o cargo de Juiz. perante o austero e saudoso Des. porque não dizê-lo. p. e prestigiada por figuras as mais expressivas do nosso meio. revejo aquele instante feliz e.juízes. fui das apreensões me libertando. de certa apreensão. em agradecimento às homenagens do TJPE. aliado contudo a indisível preocupação de bem exercer o elevado mister. Djaci. no TJPE. da iniciativa de autênticos obreiros do direito . em agradecimento às homenagens que lhe foram prestadas pela nomeação para o STF.1998.Discurso do Ministro Djaci Falcão. por mim vivido. João Pessoa: Universitária/UFPB. Neves Filho. Pronunciamentos. havia em mim o natural contentamento de haver conquistado. no dia 10 de fevereiro de 1967. guardando fé no apostolado que abraçara. quando tomava posse no cargo de Juiz de Direito.

em prol da ordem constituída. tranqüilamente. está lastreada de boa vontade e de patriotismo. no meu discreto entusiasmo não poupei esforços no sentido de alcançar o objetivo comum. da comarca de Serrita à cadeira que há dez anos galguei neste Tribunal de Justiça.Estes os lindes do itinerário da minha vida judicante. Rodolfo Aureliano e Evandro Netto. Chamado a participar do Supremo Tribunal Federal levarei da vivência humana desta região e da experiência profissional uma contribuição que. em chegando aqui. vi acalentada a minha aspiração maior. 130 . Não esquecerei as lições de independência. João Jungmann. como Edmundo Jordão. Assim. pude colher ao vivo na faina cotidiana a predominância da seriedade e do marcante espírito público. ministrar justiça em conformidade com os ideais jurídicos correspondentes ao nosso estágio cultural. para nomear apenas os que deixaram a vida temporal. Dirceu Borges. de imparcialidade e de profundo sentimento de justiça hauridas nesta sublime casa e de que foram mestres inexcedívies os Desembargadores Luiz Marinho e Thomaz Wanderley. se não ornada do maior brilho. Para tanto não me descurei dos reais fatores de evolução social e das mutações do próprio sistema jurídico. Inspirado no mérito dos eminentes pares. Ao lado de nobres colegas.

após uma parada na demagogia e nos antagonismos estéreis que tanto degradaram a nação. que tanto enchem a vida em plenitude. Ao lado de homens portadores da vocação de servir ao direito. deixando-o pobre de paz interior. do orgulho ou da vaidade vã. ou através de brilhantes e dedicados representantes do Ministério público do Estado.Aqui experimentei inesquecívies emoções nos debates de questões trazidas ao nosso julgamento. Tenho procurado manter bem vivos os sentimentos de humildade e fraternidade. mas decidida colaboração ao objetivo impessoal de aplicar a lei e fazer justiça. Na conjuntura atual. e dos dirigentes do Poder 131 . tive a fortuna de emprestar modesta. último reduto do direito. Sou feliz em poder proclamar que no meu espírito não vagueiam os demônios da inveja. firmeza de propósitos e obediência ao ordenamento jurídico-positivo. impõe-se a soma de esforços dos integrantes do Poder Judiciário. expressão formal do direito. sem a preocupação de se exibirem como donos da verdade científica. dos participantes do Poder Legislativo que guarda a altaneira função de criar a lei. por advogados de aguçada inteligência e notável saber. Com discrição. vivo a nutrir a minha fé no direito e no ideal de justiça que todos os homens aspiram. que tanto esvasiam o homem.

A todos resta-me dizer que não me arredarei do propósito de bem servir a Justiça. na sua não menos edificante tarefa. não houve um desencontro meu com o destino. Ao deixar o excelente convívio dos meus colegas de magistratura. até hoje. Sinto-me feliz e recompensado em ser Juiz. único caminho capaz de propiciar o bem estar dos homens. de modo a proporcionar a natural evolução do regime democrático dentro de uma diretriz que se estruture em autênticos fundamentos jurídicos e éticos. 132 . levo a esperança de que a linha de equilíbrio judicante permanecerá enaltecendo a justiça pernambucana. sinto-me feliz por guardar a convicção de que. Mau grado as canseiras e.Executivo. e que para tanto não faltará a ajuda dos representantes do Ministério Público e dos advogados militantes. as incompreensões decorrentes do exercício da sublime missão de julgar. fértil de elogios generosos. valor imperecível. às vezes. da essência de uma sociedade cristã. Sou profundamente reconhecido a esta fidalga manifestação.

equipara-se à santidade. que para alguns teólogos. Ideal que oscila conceitualmente em nossa visão limitada e finita. p. Transcrição fac-símile.a dignidade da pessoa humana visando alcançar o ideal de justiça que todos os homens aspiram. Olinda e São Paulo desfrutam o privilégio de constituírem o berço do ensino do Direito entre nós. 101-103. mas todos com os olhos postados no Direito. Pronunciamentos. afora outras linhas de pensamento. Presidente do Supremo Tribunal Federal. 133 96 . Discurso proferido pelo Ministro Djaci Falcão. Uns. voltados para as concepções do direito natural. outros. ao presidir a sessão solene de abertura do ano sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil.Discurso do Ministro Djaci Falcão na abertura do ano sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos 96 Iniciamos hoje as comemorações do ano sesquicentenário da criação dos cursos jurídicos no Brasil. Falcão. para o mundo do positivismo. tão diretamente ligado esse princípio superior. e. Djaci. Olhandose para a história do estudo em Olinda e no Recife vê-se um desfile de idealistas. 1998. em 11 de agosto de 1976. da essência do ser . alimentados pela ânsia do saber e pela crença no Direito. João Pessoa: Universitária/UFPB. no Mosteiro de São Bento. Olinda.

no cenário jurídico e político da sociedade brasileira. sem se tomar um autômato ou sem guardar preconceito negativista. e retrato daqueles que se altearam no mister de ensinar. no âmbito dos conflitos de valores e de interesses. granjeando a simpatia dos seus contemporâneos e a veneração dos pósteros. 134 . em busca do melhor. com maestria. na ordem da convivência humana.De então aos nossos dias mostra-nos a história o relevante papel de bons mestres e discípulos. procura atuar com a dedicação do mediador. enfim o fato político. Um palco rico de personagens nos sucessivos estágios do nosso desenvolvimento cultural. normalmente. revela a missão eloqüente indispensável e insubstituível do jurista. de figuras amantes das melhores tradições da ordem jurídica. com uma visão dos alicerces da construção jurídica e social através dos tempos. qualquer deles guarda. Naturalmente daquele que. com a imagem do todo. As palavras dos professores Everardo Luna e Nilo Pereira esboçaram. o fato social. uma vinculação com o ordenamento jurídico. no complexo sistema de valores do homem e da comunidade. projetando as luzes do seu pensamento dentro e fora da Escola. O fato econômico. torna-se também necessária a palavra do jurista. Por isso mesmo.

Não se deve deixar arrefecer o culto do Direito. com alegria. de encontrar-se dentre os que recebem o título de bacharel um dos meus filhos. cheios de esperança.o desenvolvimento integral da Nação. colocava em minha mão direita o rubi que hoje transfiro ao seu neto . em busca do êxito desse compromisso maior .Nunca é demasiado lembrar o respeito e a observância dos misteres privativos de cada área do saber e da atividade profissional. Um instante de afeto que vivifica o nosso nada. ninguém cuida de negar. O Direito não perece. na magistratura e na Faculdade de Direito do Recife.a justiça na vida temporal. de que tanto me 135 . Se aqui me encontro cumprindo. cresce esse sentimento pela feliz coincidência. o dever de reverenciar a excelência do saber trabalhado por homens do nosso meio. nem que esta evolução se haja precipitado ao fim do século passado e inicio deste. para os desafios da vida. e que traz o nome daquele que há 33 anos passados. Mas dizer que ele evolui é por isso mesmo reconhecer que o essencial subsiste". Daí dizer George Ripert. Ao lado de meu filho vejo outros jovens que também despontam.Francisco Cândido de Mello Falcão. Como cultor das letras jurídicas. na constância da sua finalidade . "que o Direito evolui. Permitam-me agora. que fale na primeira pessoa. comovido como eu. evolui e subsiste.

trago-lhes um conceito para reflexão: o direito.envaideço. colaborando com os elevados propósitos de gerações que se sucedem. Espero que guardem uma viva consciência desta verdade. 136 .a paz na sociedade dos homens. em busca desse objetivo imperecível . na universalidade dos seus princípios científicos e filosóficos. é parte da essência cultural de um povo.

honroso sob todos os ângulos. de ânsias. de modo geral. como vós também o sabeis. 1998. 105-111. de aspirações.Discurso do Ministro Djaci Falcão ao receber o Título de Cidadão de Pernambuco97 De há muito venho participando do bom convívio de pernambucanos. de cidadão Pernambucano. Agora. uma continuidade de laços de justas ambições. Djaci. amante dos temas políticos. 137 . João Pessoa: Universitária/UFPB. enfim. que há. Pronunciamentos. p. Discurso do Ministro Djaci Falcão ao receber o título de Cidadão de Pernambuco concedido pela Assembléia Legislativa do Estado no dia 19 de outubro de 1976. Sei. pregador de fascinantes idéias entre as quais se acha a da sublime causa da abolição da escravatura. Transcrição fac-símile. aos quais também me acho ligado em virtude do "jus sanguinis". orador e escritor exímio. Mostra-nos a história que pernambucanos e paraibanos sempre souberam manter uma unidade de propósito 97 Falcão. pela descendência paterna. esta augusta Casa que assumiu a responsabilidade de guardar o nome da nobre figura de Joaquim Nabuco. uma seqüência de emoções. confere-me o título. que vinculam e irmanam os homens deste admirável e ainda sofrido Nordeste.

em busca do bem-estar nacional. por excelência. os princípios éticos e políticos que 138 . mas um conjunto orgânico. compõem a sociedade. em que nasceram e se aprofundaram as raízes da brasilidade. E. cabe auscultar as maneiras de sentir. uma tarefa do interesse de todos nós. A sensibilidade e a imaginação do homem desta região. incumbidos. têm convergido sempre. assim como souberam colaborar nas revoluções libertárias. e acima de tudo. procuram superar deficiências e desequilíbrios. na medida das suas forças. numa Comunhão de vontades. sem distinção de classes ou de profissão. de pensar e de agir daqueles que. Aos legisladores. ao lado de todos os outros nordestinos. que não é apenas natureza.diante dos desafios que se antepõem em seus caminhos. Pernambucanos e paraibanos lutaram. em conjunto. acima de antagonismos improdutivos. no qual o homem desempenha um papel relevante para a consecução de uma existência digna. Esta é sem dúvida. na fase contemporânea. A sociedade humana não é um todo mecânico e massificado. em busca de melhores horizontes para o homem. repelindo o invasor estrangeiro. homens públicos ou dos múltiplos setores da atividade privada. com bravura. pessoa. para a grandeza do todo que é a nação. da feitura das leis. mas. sem perder de vista. é claro.

para que se evitem o atrito e a desagregação dos componentes do todo". Mas. não é só isso. a compreender a complexa e multiforme ação do Estado. no desempenho da alta missão administrativa e política ou de governo. ao lado da Oportunidade e conveniência da sua disciplinação. Todos nós devemos respeito à lei como "a expressão de um princípio de ordem a que os homens se devem conformar na sua conduta e em suas relações recíprocas. Ao lado da função do Poder Legislativo põe-se a atividade do Poder Executivo. Sem se desprezar a importância dos debates políticos sobre temas elevados que valorizam o parlamentar como homem de Estado o desempenho legiferanate é sem dúvida um encargo que enriquece o Poder Legislativo como manifestação de ciência e arte. como membros da sociedade. o grande juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos. a forma e a substância exigem reflexão amadurecida. para que se apresente um pensamento certo. no dizer de Benjamin Cardozo. Na criação legislativa do direito. Aí se insere a arte de 139 . mediante expressões claras e concisas.informaram o seu nascimento. Como assinala Reed Dickerson: Um bom Governo necessita de leis que digam o certo de modo certo na linguagem mais clara mais simples e mais acessível.

a desequilíbrios. E a história tem demonstrado a excelência desse postulado de ciência política. foi valorizada a função judiciária. eficiência e firmeza. Vale assinalar ainda que a distinção e independência. homens do executivo e juízes devem ter presentes a afirmação de Jacques Maritain: 140 . aprimorada por Montesquieu. com as forças do bom senso e do senso comum.conduzir a coisa pública com austeridade. Claro que adaptada às experiências de estrutura da complexa sociedade moderna. como sabemos. fruto dessa divisão orgânica. Legisladores. por isso mesmo. ainda permanece no regime democrático como a melhor solução para o exercício do poder estatal. Não obstante sujeito. harmonizando os conceitos da razão universal à fecundidade do viver humano. não são. as funções do Estado não se esgotam nas atividades do Legislativo e do Executivo. Guardando cada um sua competência constitucional. equilíbrio. na prática. Para se alcançar o justo equilíbrio de sua mecânica é que na fórmula do Locke. e. sem dúvida. imprescindível á preservação e à evolução das instituições democráticas. Mas. deve haver entre eles uma elevada coexistência e interdependência. O fortalecimento deste vínculo é. não dispensam as relações recíprocas e harmônicas entre os poderes. porém estranhos entre si.

Há, em virtude mesmo da natureza humana, uma ordem ou disposição que a razão humana é capaz de descobrir, e segundo a qual deve a vontade humana agir, para se harmonizar com os fins necessários da criatura.

Este raio de luz inato há de se completar pelo direito positivo, a fim de que se discipline a ordem exigida pela sociedade, com a devida proteção às legítimas atividades do homem, á vista dos deveres e obrigações para com o seu semelhante e em relação ao todo social. O juiz, no labor quotidiano, nunca deixa de ter uma resposta intuitiva vinculada à idéia de justiça. Acontece que, mesmo em face dos padrões éticos e legais de avaliação, nem sempre é fácil prevenir ou remediar aquilo que desperta o sentimento de injustiça. Os caminhos do juiz no mundo das leis, que tanto o ajudam, mas que ora perdem a atualidade, e, às vezes, já nascem velhas, nem sempre são tão suaves como se pode imaginar. Por isso mesmo, em certas ocasiões, resta-lhe o recurso ao raciocínio construtivo, para a adaptação do preceito legal a novos componentes sociais, econômicos e culturais, a fim de superar o descompasso entre o direito legislado e o moto-contínuo que é a vida da sociedade. Outras vezes, tomase complexa a colocação e solução de certos problemas quando a norma legal padece de impropriedades técnicojurídicas, que embaraçam e dificultam a sua aplicação,
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normalmente à míngua da boa ajuda do jurista. Aí não compete ao juiz negar a lei, porém emprestar-lhe uma percuciente e substancial colaboração exegética, valorizando-a para que atinja a sua finalidade. Isso, é óbvio, se ela não exorbita do sistema constitucional. Tudo isso, bem o sabeis, não passa de uma singela síntese da importância da atividade judicial na tarefa da aplicação, da transformação e da própria criação do direito. Mas, a meu ver, suficiente para refletir o grau de responsabilidade que recai no cenário da vida, sobre este personagem - o juiz. Como se pode avaliar, não é fácil o bom desempenho do nobilitante ofício. Exatamente por isso, o juiz, mais do que muitos outros mortais, carece de condições especiais para um adequado preparo profissional, meios que lhe possam proporcionar a conquista do saber científico e a tranqüilidade de espírito. No desempenho do seu inconfundível mister, deve situar-se numa linha de independência, serenidade e largueza de vistas, voltado efetivamente para os valores - verdade, segurança jurídica e justiça -, com apoio no equilíbrio imprescindível entre a liberdade e a ordem, para que sejam resguardados tanto os legítimos interesses do indivíduo, como o bem-estar social.

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Não me poupo de proclamar a importância do Poder Judiciário, como expressivo meio de absorção de conflitos de várias categorias, que surgem aqui e alhures, numa contribuição sem maior publicidade, porém de marcante relevo na conquista da paz pública. Vinculado aos princípios da ordenação jurídica e, de modo particular, ao Poder Judiciário, do qual participo há mais de trinta anos, durante uma vida, inclinei-me

naturalmente para estas considerações que acabo de expor. Aos eloquentes e generosos pronunciamentos dos ilustres deputados Carlos Veras e Antônio Airton Benjamim respondo dizendo que ao longo desse período, não em uma torre de marfim, mas numa cadeira de juiz, vendo e ouvindo, refletindo e meditando sobre os aspectos mais variados e ricos da sociedade, da qual também tenho participado como qualquer cidadão, venho procurando servir, sob os ditames sublimes da justiça á vida pública do nosso País. Com alma de sertanejo, daquele que não esquece os caminhos e a veredas da sua região, guardo, graças a Deus, imagens fortes e bem coloridas dos encantos da infância em Monteiro, minha cidade natal dos anseios da juventude e da minha vida de juiz em nosso mundo nordestino, onde num gradual e largo campo de aprendizagem pude conquistar, sem

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vaidade, certa familiaridade com o direito e as ciências da sua constelação. Sempre pensei como Matias Aires: "A ciência de fazer justiça é donde a vaidade é mais perniciosa". E, de degrau em degrau de estudos e de saber vivido, procurando aproximar-me daquelas linhas de conduta que pertencem à natureza do magistrado, fui me libertando das primeiras e naturais preocupações, para alcançar paz contínua no exercício do grande ideal. Tive a fortuna de cedo participar da nossa egrégia Corte de Justiça estadual, da qual guardo magníficas reminiscências de convívio e de aprendizagem com nobres colegas, com admiráveis figuras do Ministério Público e da atuante classe dos advogados. Atraído também pelo magistério, na Faculdade de Direito da Universidade Católica e na velha Faculdade de Direito do Recife, pude desfrutar um contato mais ordenado com a doutrina jurídica, além do proveitoso relacionamento com os estudantes. Jamais me empolguei com certos conceitos equívocos, como, para dar um exemplo, o de que nas chamadas ciências exatas e na técnica se encontra tudo o que tem valor, na ordem do saber. Acima de tudo, tenho procurado me inspirar numa síntese do saber sobre o mundo, saber conhecimento, na sua ampla acepção, a compreender também
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o imprescindível saber espiritual, com o pensamento voltado não somente para as coisas, na sua materialidade, mas para a riqueza inesgotável do ser humano. Não obstante o labor intenso e incessante no Supremo Tribunal Federal, que nos faz amanhecer ás voltas com processos em que, por vezes, deparamos com sofrimentos e tensões, nos quais se vê a imagem dos desafios de conduta na sociedade dos nossos dias, paradoxalmente tão rica e tão pobre, não me faltam momentos de expontâneas recordações desde aquelas ligadas ao afeto de familiares e amigos às que se prendem à seara da magistratura e do magistério superior. Pela minha imaginação desfilam episódios e personagens, da minha primeira Comarca - Serrita -, até grandes e, às vezes, pitorescas passagens com alguns colega da magistratura. Uma tarde seria pouco para expor os painéis daquelas impressões que não morrem. Pernambuco, síntese bem apurada e

representativa da riqueza humana do nordestino, foi a terra natal em que plasmei a minha vida a partir da juventude, ingressei na atividade pública e criei raízes de família. Apesar da larga e significativa seqüência desses fatos, que não se confundem com um encontro superficial, reconheço que a outorga deste título constitui um generoso

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Comove-me mais ainda nesta solenidade presenças que me são caras.louvor. 146 . Senhores Deputados: Recebo esta láurea com o pensamento no relevante papel do jurista na estrutura da nova sociedade e no ideal de justiça tão ligado à nossa sensibilidade. uma honraria a mais dentre outras que nunca imaginei merecer. pelo apreço e pelo afeto. sem o qual não se pode alcançar uma vida mais equânime e mais feliz.

Carta de despedida do Ministro Djaci Falcão, em virtude de sua aposentadoria
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Nesta data foi publicado no Diário Oficial o ato de minha aposentadoria como Ministro do Supremo Tribunal Federal, cargo que representa láurea máxima, especialmente para quem se dedicou à sublime missão de Juiz desde o verdor dos anos. Durante quarenta e quatro anos de efetivo exercício pertenci ao Poder Judiciário, galgando todos os degraus da magistratura no Estado de Pernambuco, onde integrei o egrégio Tribunal de Justiça, por um decênio, tornando-me seu Presidente em 1961. Em fevereiro de 1967 ascendi à nossa Corte mais alta, sucedendo ao eminente e sempre lembrado Ministro Antonio Martins Villas Boas. Tive a fortuna de exercer a sua Presidência no biênio 1975-1976. Percorri também os caminhos da Justiça Eleitoral, exercendo, inclusive, a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco e do Tribunal Superior Eleitoral, nos quais não
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Falcão, Djaci. Pronunciamentos. João Pessoa: Universitária/UFPB. p. 191-192. 1998. Carta de despedida do Ministro Djaci Falcão, em virtude de sua aposentadoria, em Recife, 30 de janeiro de 1989. Transcrição fac-símile. 147

medi esforços para o aperfeiçoamento do processo eleitoral adequado ao regime democrático. Nesse itinerário, de Juiz singular a membro do grande órgão de equilíbrio entre os Poderes no mecanismo do sistema político federativo, nutri indeclinável entusiasmo e encanto pela realização do Direito, pairando no meu espírito a constante preocupação de bem servir à Justiça, buscando a "igualdade de proporção que realiza a justiça, tratando cada qual segundo o que lhe é devido, e, antes de tudo, todo homem como homem", na feliz meditação de Jacques Maritain. Devo dizer que não se deve subestimar a missão do Poder Judiciário, a quem se incumbe a solução derradeira dos conflitos de várias espécies, numa sociedade complexa, cheia de tensões e de almas inquietas. Daí por que sempre me empenhei, com objetividade, acima de qualquer sectarismo, pela valorização do magistrado e por modificações na estrutura judiciária, para a modernização dos serviços necessários ao seu regular funcionamento. O Supremo Tribunal Federal, nos limites conferidos pela Constituição sem delírios de grandeza, com imperturbável serenidade e altivez, na trajetória de secular história tem a sua atuação jurisdicional voltada para o cumprimento do direito positivo e efetivação dos valores da Justiça.
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Tive o privilégio de conviver com insignes magistrados. Levo comigo o justo orgulho de haver exercido o cargo de Juiz dessa Corte modelar. É-me grato proclamar a colaboração dos

membros do Ministério Público Federal, hoje representados pelo Dr. José Paulo Sepúlveda Pertence, ilustre ProcuradorGeral da República, e dos nobres advogados do País. Registro ainda, nesta oportunidade, os meus agradecimentos pela colaboração valiosa dos funcionários do Tribunal e, particularmente, aos do meu Gabinete, exemplares na dedicação ao serviço público. Orgulhoso da terra em que nasci - a Paraíba, e de Pernambuco, terra de minha formação intelectual e do meu alvorecer como Juiz, retorno agora às raízes com natural contentamento. Ao encerrar o ciclo da minha vida de magistrado, com muita paz interior, graças a Deus, reitero a Vossa Excelência e demais colegas e amigos os meus protestos de profunda consideração e de pessoal apreço.

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QUINTA PARTE DOUTRINA .

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na grande e na pequena indústria. quer no Brasil ou na Argentina.Extensão da Responsabilidade do Preposto ao Preponente I – Noção Geral: a) – Sua conceituação. de certo modo. 1955. Da responsabilidade civil. se faz sentir a primazia da máquina. como natural consequencia. 153 99 . realizado entre magistrados pernambucanos. E dessa assustadora transformação resultou. em que. Djaci. 3-31. Recife. O intenso e incessante progresso material da civilização moderna. no “Concurso de Trabalhos Jurídicos da Magistratura”. p. uma revolução econômica e uma inquietante situação social.Da responsabilidade civil 99 INoção Geral II. em comemoração do 11 de agosto de 1955. 1954/dez. coadjuvando os esforços do homem na vida temporal trouxe consigo. o maior relêvo do problema da FALCÃO. Arquivo Forense. presente nas cidades e nos campos. v. 33. jan. para a França ou Alemanha. na transformação e na circulação da riqueza. à Inglaterra ou aos Estados Unidos. e no ininterrupto movimento de seres humanos. Trabalho classificado no 1º lugar. Transcrição fac-símile.

responsabilidade jurídica. com as seguintes palavras: S'il est un sujet qu'on soit tenté d'aborder sans le definir. em razão do desenvolvimento das máquinas. Dans a défitnition même se font jour en effet les 154 . figura entre aquêles institutos que melhor se podem conceituar que definir. qualquer que seja o sistema de direito a viger. dos eventos técnicos e da densidade demográfica. c'est bien celui de la responsabilité civile. a técnica e a máquina. mais frequentes se tornaram os danos. nem sempre se vincula àquelas. como na esfera civil. e. deparei me no seu início. e manuseando a obra desses eminentes Professores da Faculdade de Direito de Paris. inclusive para a expansão de natureza cultural. Isso sem falar na responsabilidade moral que. da autoria do douto AGUIAR DIAS. surgiram novos aspectos da responsabilidade jurídica. necessariamente. tanto na ordem penal. um assunto complexo e mais cativante. Em que pesem os benefícios provenientes das relações entre o homem. dada amplitude de seu domínio. Pela relativa dificuldade da sua definição. A responsabilidade civil torna-se dia a dia. que HENRI e LEON MAZEUD não hesitaram em confessar “a tentação de enfrentar o tema sem o definir” (pág. 21). Li em “Da Responsabilidade Civil”.

págs. I. a multiplicidade das relações humanas e das transações jurídicas. I. vol. pág. há mais de um quarto de século. 1). vol. o grande mestre de direito civil da Universidade de Lyon teceu. cal le terme "réparer" implique que le préjudice n'est pas subi par celui qui en est l'auteur (obra cit. e concluem: Toute definition de la responsabilité mettre deux personnes en présence. que a obrigação seria inexistente se o credor e o devedor são um só mesmo personagem. o qual chegou a admitir a responsabilidade da vítima pelo dano que a si próprio haja causado. ("Traité Theorique et Pratique de la Respon· sabilité Civile. 2 e 3). a frequência dos riscos a denunciar a insuficiência individualistas. mostrando a intensidade da vida moderna.divergences de vie profundes que opposent les auteurs et ne manquent pas d'avoir leur écho en jurisprudence et en legislation". pois o direito civil é destinado a reger as relações dos homens entre si. sustentam com admirável rigor de lógica. onde um só patrimonio é interessado. daquela de concepção social 155 nascida pouco de povos visão movimentada. de um patrimonio com outro patrimonio. Apesar da procedencia da crítica. supposer nécessairemente un conflit qui s'éléve entre elles. Delictuelle et Contractuelle". Após criticarem o sentido muito largo emprestado por JOSSERAND à palavra responsabilidade. ponderável crítica à doutrina clássica da responsabilidade civil. 1947.. quatrié me edition. . Disons donc qu'une personne est responsable chaque fois qu'elle doit réparter un dommage.

as categorias previstas no "Code Civil". enfim.o criador do risco em seu próprio interesse. Ao que parece mesmo destinadas à civilização dos milhões de veículos motorizados. RENÊ SAVATIER. em obra recente. pela sua amplitude. deve suportar os danos resultantes da sua ação.escrevendo então: Lê problème a cesse d´être um problème de culpabilité pour devenir une question de repartition équitable de dommages causés. Professor da Faculdade de Direito Potiers. como o fizeram PLANIOL E CAPITANT. vol I. das máquinas as mais engenhosas. d´équilibre des droits et des intèrêts en presence. Jamais. 1). ou par le fait des personnes ou des choses dépendant d'elle (in Traité de la Responsabilité Civile en Droit Français. pág. pág. de contribuition definitive à la dette contractuelle ou délictuelle” (Lês Tranports. Aí está uma definição que. Poder-se-á discordar da sua concepção . 156 . porém. abrange numa síntese feliz. deuxième edition. deuxième edition. com a objetividade que demonstrou ao apreciar o fundamento puramente subjetivo da responsabilidade civil. dos transportes a jato. 527) As suas palavras são de uma atualidade palpitante. chega a definí-Ia: La responsabilité civile est l'obrigation qui peut incomber à une personne de reparer le dommage causé à autrui par son fait.

qual a fonte do dever preexistente(in “Clausula de não Indenizar”. Não importa distinguir. conforme se faça necessária a presença dos requisitos – culpa. b) – Seu conceito na doutrina brasileira. com a sua objetividade diz: Responsável civil é aquêle a quem se carregam as conseqüências da lesão de interesse privado. fonte de muitas outras codificações. Entre nós de modo geral. aceitou o sistema subjetivo. a partir do Código Napoleônico. porque alí o assunto tem sido objeto dos mais acurados estudos. pág. admirável pesquizador do intricado problema. de vez que. Os mestres do direito costumam classificar a responsabilidade civil em – contratual e extracontratual ou aquiliana. em parte. ao conceito de dolo e culpa. como por exemplo. O Código Civil Brasileiro que à semelhança de outros. os juristas não se animaram em oferecer definição do instituto em apreciação. ambas podem se prender a princípios comuns. 28). de caso fortuito e força maior. juridicamente protegido. AGUIAR DIAS. Tanto uma como outra pode encontrar ou não o seu fundamento na culpa. ou seja dispensável o elemento culpa. dano e relação de causalidade.Justifica-se recorrer dessa maneira aos juristas da França. genericamente o princípio 157 da culpa como . Não se trata de uma distinção fundamental. para êsse efeito geral.

nem tão pouco a extracontratual traduz 158 .fundamento da responsabilidade. 28). Versando esse aspecto. pág.521. enquanto os ditames concernentes à responsabilidade extracontratual estão dispostos nos títulos sobre os atos ilícitos (arts. a obrigação de não violar a norma jurídica e. não estabelece como aquêle ponto de vista faz crer. na segunda isso não ocorre. como efeito de obrigação. 159 e 160. que a responsabilidade extracontratual se configure na ausência de obrigação anterior. 1. I. (“Da Clausula de não Indenizar”. porque. O fato de não existir contrato entre a vítima e o responsável. quando não se queira descer a especificações. além da obrigação contratual. pág. expôe o afortunado AGUIAR DIAS. 1. por importar na violação da obrigação social de não ofender.061). existe. 593). Os preceitos da responsabilidade contratual estão enfeixados na parte dos efeitos das obrigações convencionais (art. 1523). apontam como uma das principais distinções entre a responsabilidade contratual e extracontratual – na primeira há uma obrigação preexistente. afinal. É oportuno ponderar que a responsabilidade fundada na culpa contratual não apresenta. nascida com o contrato. vol.056 a 1. entre os quais EDUARDO ESPINOLA (Sistema do Direito Civil Brasileiro. neminem laedare. admitiu também as duas ordens – contratual e extracontratual. a obrigação ampla de não lesar. Alguns juristas. tão somente.

e. provém da ordem pública. da também tradicional distinção – delitos e quase-delitos. n. está sujeita às modalidades pessoais e privadas. real ou presumida das partes. assim como. Como ensina o eminente CARVALHO DE MENDONÇA: Posto que em ambas o conceito da culpa seja philosophicamente o mesmo. Aquela funda-se na autonomia da vontade das partes. que nasce com a violação do contrato ou da lei. c) – Sua posição na legislação brasileira. ao contrário. Numa se procura dentro do contrato o direito violado. A extracontratual. todavia a medida da culpa contratual é a vontade. 159 . 449). deriva do interesse público. esta escapa às regras dos contratos. portanto. no entanto.unicamente fonte de obrigação. Ambas se caracterizam pelo não cumprimento de um dever jurídico – não violar o direito alheio. das regras comuns aos contratos. tem seus delineamentos em disposição de leis. tomo II. porquanto em cada uma são encontrados efeito e fonte de obrigação. noutra a pesquiza se faz no próprio direito positivo. Daí a maior amplitude da última. determinam a mesma consequência – geram a obrigação de indenizar. não sofre a aplicação do criterium da correspectividade e cae por isso dentro da alçada do interesse público. O legislador brasileiro não se valeu. é claro. no limite. 3ª edição. (Doutrina e Prática das Obrigações.

(“Traité des Obrigations”. porquanto só no direito penal é do maior interêsse a separação do ato querido. doloso.382 a 1. 159 e 160. culposo. para efeito da apuração da extensão da responsabilidade. Como se vê. interêsse prático. Tomo III. pág. do ato não desejado. Le quasi délit est l´acte par lequel on lése le droit d´autrui sans intention de nuire. chapitre II – “ Des Délits et des quase-délits” . intencional. Ou para dizer com o notavel DEMOGUE: En droit moderne. lê délit est l´acte par lequel on lése sciemment le droit d´autriu. 159. que o prejuízo causado a outrem.adotada pelo Código Civil Francês (Livre troisième. No Brasil as duas categorias foram enfeixadas sob a denominação – “atos ilícitos” (arts. O Código Civil Brasileiro. 160 . e violação culposa – negligência ou imprudência. do Código Civil) cujos elementos constitutivos abrangem os delitos e aos quasi delitos. E o legislador procedeu com acerto.386). encontra a sua razão de ser na maior ou menor intensidade da culpabilidade. respectivamente. 359). para essa dicotomia. porquanto só no direito penal é do maior interêsse prático. em resultado da aplicação da pena. involuntário. titre quatrème. e compreensiva do fato prejudicial doloso e do fato prejudicial culposo. constitui ato ilícito. 1. sobretudo. e. arts. para essa dicotomia. tratando dos atos ilícitos. prevê a violação dolosa – ação ou omissão voluntária. vez que não há. no art.

os Códigos Civis – italiano de 1942(Dei fatí illeciti – arts. Delito e quasi delito obrigam igualmente ao autor do dano. em razão da técnica nos diversos sistemas de direito.361 e 2. o ato ilícito.No direito civil. Assim. do que propriamente no seu conteúdo finalístico.393).043 a 2. convertido no art. pois lhe interessa. ao envés de ato ilícito. finalmente. diversos. que resulte de uma ou de outra modalidade. Português (arts. AUGUSTO ALVIM ao mestre CLOVIS BEVILÁQUA. Código Federal das Obrigações. empregar em seu projeto do Código Civil. da orientação do Código Napoleônico. variando no mais das vezes. Suíça (art. o anteprojeto do Código das obrigações (art. 2. na sua amplitude. pág. pelo fato de apesar de condenar a distinção entre delito e quasi delito. Alemão (arts. e. 50 e seguintes). no espaço os problemas são quasi os mesmos. 962 do Código). Tem inteira procedência a crítica feita pelo Prof. porém no curso do tempo.059). nêsse particular. ao responsável cabe reparar o dano. Em se tratando de responsabilidade civil. 134).103. quando visava a culpa “latu sensu” (“in Da inexecução das Obrigações e suas Consequencias. Aqui e acolá as suas soluções não se revestem de sensíveis diversidades. 823 a 851). Compulsando os códigos modernos é que se percebe o afastamento. 1. 183). entre nós. 2. sim. Disso é exemplo a 161 . a expressão delito (art.

o Código de Minas e o Código Brasileiro do Ar. no sistema jurídico brasileiro o tradicional conceito de culpa. enquanto na esfera das normas preparatórias. o princípio da responsabilidade solidária. e na Consolidação das Leis do Trabalho arts. além das disposições enfeixadas no Código Civil. Nêstes dois diplomas está presente. há uma série de disposições no Código nacional de Trânsito (Capítulo II. V e IX). com todas as letras. com êles se cristalizou a presunção absoluta de culpa contra o responsável. para exemplificar como medidas preventivas. 192 a 222. afim de que se concretize a obrigação de repará-lo. assim. estão aí as leis especiais emanadas das novas condições de vida na sociedade hodierna – A Lei de Acidentes e Doenças Profissionais. e. com a revisão de determinadas normas protetoras da segurança individual e do equilíbrio social. um 162 . da No reparação terreno do dano a independentemente jurídico complexidade dos fatos geradores do dano exige êsse entendimento. Amplia-se. firmando-se igualmente o princípio da responsabilidade objetiva. Na luta contra o dano as preocupações são dirigidas aos meios preventivos e às medidas reparatórias. por último.amplitude emprestada atualmente ao conceito genérico da culpa civil e a aceitação da culpa. relativos à segurança do trabalho). Adota-se. Entre nós.

163 . aumentariam os desequilíbrios patrimoniais. a cargo da vítima. se assim fosse. estavam a exigir à segurança jurídica e ao interesse social. Na verdade. Está à vista a dificuldade da prova da culpa do ofensor. Aliás.sistema misto de responsabilidade civil. na doutrina e na jurisprudência brasileira. constitui um elemento renovador do direito. a vigência do critério meramente subjetivo para decidir a sua reparação. pois. A experiência judicial comprovadora desses observações. Além da responsabilidade do ato próprio ( art. e originados mormente dos engenhos mecânicos. em determinadas hipóteses. tornando mais inquietante a situação dos menos favorecidos econômicamente. já não é possível em face de certas circunstâncias. Com o elevado numero de danos causados nos dias que correm. a frequência dos acidentes e a dificuldade da prova da culpa do ofensor. no instituto em análise há uma frisante lição dêsse aperfeiçoamento das regras ante os fatos contemporâneos. II) – Extensão da Responsabilidade do Preposto ao Preponente: b) – O problema na legislação. é que tem contribuído decisivamente para êsse novo caminho ao ideal da – reparação do dano. A jurisprudência identificada com os fatos.

521.036. mediante a nu.530 a 1.532.527. ou por ocasião dêle (art.II – omissis. À 164 .159 do Código Civil) o legislador previu a responsabilidade pelo fato de outrem.. no exercício do trabalho que lhes competir. c) responsabilidade pelo fato das coisas( arts.383).386). Lei n. 1. o qual estendeu as suas normas sôbre os seguintes casos de “responsabilité civile delictuelle” – a) responsabilidade pelo fato pessoal (arts.521 – São também responsáveis pela reparação civil: I.1944). 1.11. serviçais e prepostos. 1. por fato de animais. estatuiu o nacional: Art.. 1. À semelhança do Código Francês.384). a presunção da culpa.384. 1. in fine. 1.529. 1522).384. de 10. O invocado diploma admitiu. respectivamente). amo ou comitente.1. no seu art. pelo fato da coisa e por atos abusivos (arts. meração limitativa.385 e 1. 1. é regida pela legislação de acidente do trabalho (Dec. 7. o Código Civil Francês. Quando se verifica dano sofrido pelo empregado durante o trabalho ou em razão do trabalho. Orientou-se por aquêle que serviu de modelo a tantos outros.382 e 1. 1. responsabilidade pelo fato de outrem (art. por seus empregados. III – O patrão. A responsabilidade patronal pode se apresentar sob dois prismas – perante o terceiro e ante o empregado. 1.

indicam através do 165 . Além desses.presente exposição interessa. mesmo que se trate de pessôa jurídica. em diversas hipóteses. o princípio da culpa subjetiva. particularmente. as leis especiais sôbre acidente do trabalho e acidentes de estrada de ferro. no entanto o aceleramento técnico-industrial veiu afastar. Certo é que por muitos anos predominou em larga extensão. deve se obrigar por todos os danos a ela inerentes. Trata-se de um tema que tem sido objeto de divergencias de natureza doutrinária e jurisprudencial. passo a passo. e segundo a qual o ato de representante é juridicamente havido como do representado. Os intransigentes partidários da teoria clássica da culpa exigem seja aprovada a culpa concorrente do empregado ou do preposto e do patrão ou de preponente. a teoria da culpa na responsabilidade civil. o problema da responsabilidade extracontratual. Outros se apegam à presunção relativa ou absoluta da culpa. No sistema jurídico brasileiro. por empregado ou preposto seu. há os que vêm a extensão da responsabilidade ao preponente ou ao patrão baseada no princípio de que a pessôa que obtem proveito de determinada atividade. Finalmente. existem aquêles que se valem da ideia de representação. “in eligendo” ou “in vigilando”. do patrão ou do preponente por ato danoso causado a terceiro.

a reação inicial àquêle princípio. Não tendo aqui a preocupação de fazer o histórico dessa evolução. a divergência anteriormente referida.522. Tendo-se em consideração que o nosso Código Civil apesar de se valer do principio genérico da culpa adotou também o critério objetivo. n.523 do Código Civil. não ha que desprezar o princípio fundamental da presunção da culpa. A aplicação. encerado no seu art. reservando ao lesado o ônus da prova da culpa concorrente.seu critério objetivo. 1. chegando a admitir a obrigação de indenizar sem o requisito da culpa. ou negligência de sua parte. V. como se deduz dos arts. 1. 1. só serão responsáveis as pessôas enumeradas nêsses e no art. em oposição ao sentido finalístico do art. O artigo motivador da controvérsia foi obra de uma emenda culturalmente infeliz. do Senador MUNIZ FREIRE.521.521 do mesmo Código. porque nada mais seria do que repisar naquilo já sobejamente exposto pelos autores nacionais e estrangeiros. 1.529.521. 1. tão sòmente pelo seu conteúdo gramatical. 1. literal dêsse preceito antiquado resulta maior indiferença e inquietação na justiça dos homens.519 e 1. 1. 166 . provando-se que elas concorreram para o dano por culpa. Reza o art.523: Excetuados as do art. que admitiu em beneficio da vítima a presunção de culpa. Nasceu em face da redação do art.

formulou severa crítica àqueles que adotam em matéria de responsabilidade civil a teoria objetiva. mas o Código. ("Comentário ao Código Civil". assim não entendeu o legislador. O DEZ. um dos maiores penalistas brasileiros de todos os tempos. CLOVIS BEVILAQUA. o qual estabeleceu a necessidade da prova de culpa no responsável por ato de outrem. concluem que. manifestou-se em comentário ao art. COSTA MANSO e VICENTE DE PAULA VICENTE DE AZEVEDO. 122). JOÃO LUIZ ALVES. 1. V. 287 e 288).523 não faz senão completar o pensamento do 1. impoz o ônus da prova ao prejudicado. 523: Esta prova deverá incumbir aos responsáveis por isso que ha contra eles presunção de culpa. apesar de partidário da presunção da culpa. sustentando entre outras coisas: O preposto só é uma longa manus ou substituto do preponente quanto a execução normal ou regular do 167 . modificando a redação dos projetos. a cargo do prejudicado. mostrando que sem culpa e sem prova da culpabilidade as pessoas indicadas nêles não são responsáveis. 1. 329). entretanto.Todavia. págs. por “exigir essa prova difícil da culpa in eligendo ou in vigilando”. pág.521. O Ministro NELSON HUNGRIA. (ver "Da Responsabilidade Civil em Acidentes de Automóvel". apesar de criticarem o sistema do Código. como acentua o autor de “Crime – Dano e Reparação (pág. VIEIRA FERREIRA chega a dizer: O art. juristas eminentes não entendem assim. vol.

Tenho para mim que o ilustre jurista ao falar sôbre responsabilidade civil não conseguiu se libertar do subjetivismo exigido em matéria de ordem penal. invocando a máxima "ubi emolumentum. como postula doutrina clássica só será reconhecivel se contribuiu com a sua culpa própria. Com o raciocínio que expõe deixaria praticamente isenta de responsabilidade as grandes emprêsas de transportes. 1. "in eligendo" ou "in vigilando". e a responsabilidade solidária do preponente. que exige para efeito de responsabilidade do preponente. redundaria na paralízação de todas as atividades lucrativas. passou a ser um "caput mortuum". a irresponsabilidade objetiva. 11 e 12). Fora daí. o notável AGUIAR DIAS: O que fez o eminente magistrado. A incondicional absorção do preposto pelo preponente só é concebivel dentro da estravagante teoria do risco. é estabelecer contra a responsabilidade objetiva. E como disse com admiravel acerto. põe-se à margem da relação jurídica com o preponente. Vale-se mesmo da fórmula dos partidários da teoria do risco. O Código ficou com a doutrina clássica. a concorrente de culpa dêste com a do preposto. 11). de certo transborda no seu iluminado senso de criminalista. pág. que. apenas invertendo o sujeito a quem é dirigida. que só nos merece admiração. Se é justo que o homem citadino suporte as desvantagens 168 . adotada na sua pureza. E acrescenta: O art. in Revista Forense. e com razão. ibi onus". vaI. que não admite a presunção de culpa.523 do nosso Código Civil. assumindo posição autônoma. sôbre as quais dificilmente o lesado tem possibilidade de fazer prova de culpa in eligendo ou in vigilando. absoluta ou relativa (págs. 148. e que.trabalho ou atividade incumbidos. ("A Responsabilidade Civil no Transporte de Pessôas". da qual já se disse.

Caberia invocar. hospedeiros. (in "Manual do Código Civil Brasileiro do Direito das Obrigações. para salvar a aparente viciosa significação do art. parte. 11. então. acrescentou: Não ha presunção legal sem regra de direito (e não só lei) que a forma. voI. curadores. os "incommoda" que ela lhe traz? ("Da Responsabilidade Civil.523. um dos mais cultos juristas da América Latina. . suportar. feita esta presunção. em critica ao texto em exame: No direito brasileiro. Em outro trecho do seu precioso trabalho. por que não poderá a emprêsa. amos.culpa in vigilando. 1. Mas. não estariam sujeitos a nenhuma regra: responderiam como todo o mundo. XVI. deve-se ter por inoperante a referencia do art. escreveu no ano de 1927. 3a.da civilização como contra prestação das utilidades que ela lhe proporciona . patrões. os arts. Aí está uma argumentação 169 irrespondivel. porque os pais. simplesmente. 269). é fora de dúvida o princípio da culpa . As razões apresentadas pelo tratadista da responsabilidade civil superam o subjetivismo a que se prende o grande penalista. 1. tutores. 420). PONTES DE MIRANDA. vol. hoteleiros. ou não significa coisa nenhuma. 145). Por isto mesmo.523. E o art. 1. comitentes.expressão acabada do risco de viver na cidade. com muita acuidade jurídica. 1. Esta a bôa doutrina.518 (pág. sacrificariamos o art.521 significa presunção de culpa.521 que é fundamental? Ou êste art. pág. 1. culpa in eligendo. pág. que recolhe os "commoda" da exploração. com mais justiça. educadores.523 parece que a exclue. 159 1.

521. 159. AGUIAR DIAS.. Lógico não é que a discriminação limitativa fixada no citado art. no Brasil. deixasse de ter o sentido de exceção ao preceituado na regra do art. de modo especial. admitindo a escusa baseada na causa estranha representa um desmentido à velha lógica dêsse sistema.Realmente. 371). é que teve em vista uma situação jurídico-legal diversa prevista na regra geral do art. quando o descrime pela culpa in eligendo tenha de ser vacilante. Ressalta em seguida: Dessa forma. pág. 159. 1. assim como. a presunção da culpa pregada pelos subjetivistas em têrmos rigorosos. conscientemente convencido do alcance das novas ideias da concepção objetiva. a falta de vigilância importa sempre em culpa própria. uma aparência de conciliação se esboça na concepção que atribui o fundamento da responsabilidade do patrão ao próprio mecanismo da 170 . sobrelevando que a má escolha. para determinadas pessôas. chegou a ponderar: Não será descabido. tece a sua crítica aos que baseiam a responsabilidade na ideia de culpa "in eligendo" e "in vigilando". O eminente jurisconsulto sustentou não haver responsabilidade sem culpa. e apesar de se manifestar contrariamente à ideia do risco. Se o legislador destinou um artigo. com autêntico caráter de disposição especial. invocar o critério do proveito (obra cit. Por sua vez.

(in Responsabilidade Civil. que se deve interpretar como dispositivo análogo ao B. CARVALHO SANTOS. edição). diz sem rodeios: "a responsabilidade principal pelos atos dos seus dependentes é de natureza objetiva. Abstrai-se do fato de ter sido o dano produzido materialmente pelo empregado (Da Responsabilidade Civil. 620). qualquer que seja. Patrão e empregado. é pura obrigação legal. II. edição). preponente e preposto são. lI. nesse produto de conciliação entre o princípio subjetivo e as necessidades da política da reparação do dano. voI. na órbita do seu encargo e no exercício das respectivas funções. é considerado fato da função.521. atividade delegada. entre os alí enumerados. para eximir-se terá que provar que não foi negligente (Código Civil Brasileiro Interpretado. 1. uma só e única pessôa. que. dai decorrendo. a culpa do responsavel. M. Oportuno é invocar ainda J.substituição. págs. A valiosa contribuição dêsses três eminentes. por motivo de segurança pública e de proteção eficaz da vitima (Revista de Jurisprudência Argentina. Conclui taxativamente: O critério é puramente objetivo (é preciso que não se dissimule o fato).1. G. cuja plena garantia a lei impõe ao principal. pág. assim opina: O que parece claro é que o art. voI. que com o seu largo tirocínio de justiça militante. XX. §§ 321 e 832. cultores do direito tem iluminado o caminho daquêles que 171 . pág. que se não funda em culpa in eligendo ou in vigilando. 2a. 149). 3a. e a jurisprudência quando consegue libertar-se dos preconceitos que a sujeitam a critério anacrônico. C. vol. automàticamente. 1942. e sim no fato culposo ou doloso do empregado que. pois. pág. impõe à vítima tão somente a obrigação de determinar o autor direto do dano. 214. 146 e 147.

1. visto que também está vinculada a fins sociais. resta invocar o alcance doutrinário do instituto e a orientação da jurisprudência resultante. às exigências do bem comum. Está expresso no art. 1. A verdade é que no art. a presunção de culpa. nos entrechoques dos textos legais. da complexidade dos fatores econômicos e sociais do progresso. Êsse valor jurídico. A responsabilidade civil não se prende exclusivamente a concepção material da reparação.°. da Lei de Introdução ao Código Civil: Na aplicação da lei. com os olhos voltados para o angustioso problema da reparação do dano. pela sua preocupação de justiça social. indiscutivelmente foi intenção do legislador admitir em beneficio da vitima. já se incorporou à codificação. 1. afim de que o homem não se desligue das formas normativas do direito.521. Essa forma interpretativa. a que não podem fugir 172 .521. Ela se afirma como necessidade de contrôle de conduta. face à incongruência enfeixada no art. o seu aplicador não deve e nem pode abandonar aquêle que melhor atende à solidariedade social.palmilham pela estrada dessa espécie de responsabilidade. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. entre nós.523. pela sua equidade. 5. Por isso mesmo. Para salvaguardar o principio fundamental que orna o art.

juristas e juizes. o preponente ao preposto. É inegável o vínculo que liga o patrão ao empregado. Deve-se tomar em consideração a figura da subordinação jurídica existente tanto nas grandes indústrias. sobretudo em acidentes de automovel. da autoridade do patrão e do preponente. A responsabilidade patronal resulta da subordinação jurídica do empregado do preposto daquêle que está sob sua dependência. e de que se dá notícias a imprensa diária de todas as grandes cidades. não pode convir aos dias de hoje."in eligendo e in vigilando". já que a orientação puramente subjetiva não atende à merecida reparação de tantas vítimas inofensivas. Hoje forçosamente. em razão do poder de direção. originada de um estado de direito. tudo sob as suas vistas. Tal compreensão vem suprir a defeituosa construção jurídica do Código Civil Brasileiro. contribui para melhor assegurar a reparação do dano. como na atividade privada individual. em que a escolha e a fiscalização dos empregados e prepostos já não se revestem da circunspecção da segurança da época da pequena emprêsa. a escolha é precária e a vigilância deficiente. Nada importa que o dano haja sido causado pelo empregado ou pelo preposto independentemente da concorrência de culpa do patrão ou do preponente. O 173 . Aliás. do poder de comando. em que o patrão tinha. entendo que a ideia de culpa presumida .

chofer de uma emprêsa de ônibus ou de um particular (como se diz). não se fazendo mistér a disposição do art. 209 do Código de Processo Civil. extintivos. corno ensina 174 . A equidade indica então o patrimonio do patrão ou do preponente. decorre a responsabilidade patronal. ou modificativos. no exercício das suas funções está. Ao autor compete a prova dos fatos constitutivos. isto é. a encerrar uma "presumptio juris tantum". é claro. Injusto seria se o lesado ficasse a depender da situação patrimonial de um empregado ou de um preposto.se necessário um concurso de culpa. a quem se acha a prolongar a sua atividade. do empregado e do patrão. A norma geral da nossa sistematica jurídica é que o ônus da prova incumbe "ei qui dicit". tendo em vista mesmo o prolongamento de sua atividade através do seu subordinado.521 do Código Civil. 1. Atente-se mais para o fato de que o empregado e o preposto (êste quasi sempre) não dispõem de patrimônio para fazer face aos danos que em razão das suas funções vêm a causar a terceiros. Em síntese. do preposto e do· preponente. como se depreende do art. ter-se-ia apenas a responsabilidade por ato próprio. enquanto ao réu toca a dos fatos impeditivos. E vale insistir . provada a culpa do empregado. a executar um ato de interêsse e em proveito daquêle a quem serve.

523 o alcance. ou da inobservância da conduta técnica do indivíduo no meio social. dada a natureza jurídica da preposição. 81. tradução de Guimarães Menegale). provada a culpa do preponente ou da pessôa jurídica (in Da Culpa Contratual e Aquiliana. que sentido se poderá atribuir ao art. 1. embora pesasse sôbre a vítima o ônus da prova. ipso facto estivesse. o seu alcance de haver deslocado o ônus da prova (ver Revista Forense.CHIOVENDA ("Instituições de Direito Processual· Civil". consoante legítima orientação da jurisprudência. 1. 1. tendo o art. 267). e.521 a presunção de culpa e o art. 1944). 1. emitindo impressões sôbre a revisão do Código Civil. em se tratando de responsabilidade civil pelo fato de outrem ha inversão do ônus probandi em benefício da vítima. ou pessôas dirigidas por laços de vigilância. Todavia. Presumida a culpa está ela provada. escreveu: Admitindo resultar o ato ilícito da violação do direito de outrem. voI. provada a culpa do preposto. jovem e lúcido jurista do nordeste.523. 509. pág. CLEODON FONSECA. 512 e 518. não haveria tumulto na matéria da responsabilidade por ato de terceiro.521 n. lI. vol. disse o grande Juiz OROZIMBO NONATO: Se se exige. 175 . III? Ao meu parecer estabelece o art. 52. págs. 1. apaixonado pelo problema da responsabilidade civil. pág.523 caracteriza como vencível essa presunção. a prova da culpa do patrão. Provada pela presunção. No ano de 1940. em observância ao art.

admitindo-a indepentemente de culpa do responsável. estabeleceu ainda ."Aquêle que. a exigência que não concorreu para o dano" (art.522. O anteprojeto do Código das Obrigações. etc. E finalmente."o dano pode resultar. causa prejuízo a outrem. fica obrigado a reparar o dano" estabeleceu porém uma série de exceções. às pessôas jurídicas. no art. tutores. por culpa. 151 . 1. 1.521. não só de violação da lei. 153 previu a responsabilidade do menor de 16 anos e as pessoas privadas de discernimento. III. o legislador com o art. desde que os empregados de sua 176 .OROZIMBO NONATO. que exercerem exploração industrial. curadores. HAHNEMANN DE GUIMARÃES e FlLADELFO AZEVEDO. extendeu a responsabilidade definida no inc.Por coerencia jurídica. ficou estabelecida a presunção da culpa na hipótese da responsabilidade pelo fato de outrem. patrões. extensiva aos pais. como de procedimento contrário e prejudicial aos bons costumes e às normas do consórcio social" (ver art. se adotou a culpa como fundamento genérico da responsabilidade civil como se infere do seu art. Assim.152). a cargo de três eminentes jurisconsultos . do art. Assemelha-se à legislação francêsa: Afastando-se do rigor do sistema subjetivo. e imposto ao responsavel para efeito de insenção da obrigação de reparar. 162).

provar a culpa do substituto para haver-se como provada a do substituído (in "Das indenizações por Acidentes nas Ruas e nas Estradas. porquanto cede terreno o entendimento que a responsabilidade do patrão. só se verifica quando provada a concorrência da culpa.guarda ou vigilância não caiba a responsabilidade.523 do Código Civil. o então juiz AUGUSTO SABOIA DA SILVA LIMA. basta-lhe.523 do Código Civil. 1. amo ou comitente. 33 e 41. Da evidente imprudência do preposto decorre. sustentou em decisão proferida no Distrito Federal: A prova da culpa extracontratual ou aquiliana. Em decisão do Tribunal de Apelação do Distrito Federal. nos têrmos do art. extensiva às pessôas jurídicas. 1. com indicação de faltas registradas pela policia na sua fôlha de antecedentes. Em face de tal dispositivo não é de se exigir a prova ele que o preposto fôra mal escolhido. porém. no conceito do citado art. vai desaparecendo pouco a pouco. 1. págs. em face do que dispõe o art. A divergência que também se fazia sentir na jurisprudência nacional. estabelecida fica a responsabilidade do preponente. Oliveira e Silva). a culpa "in eligendo" do preponente" 177 . ou quando a êstes não seja possível reparar o ato lesivo. por atos dos seus empregados. serviçais e prepostos. ficou assentado: Provado que o dano resultou de imprudência e culpa do preposto. e da qual foi relator o insigne Dezembargador JOSÉ ANTONIO NOGUEIRA. 523 do Código Civil. No longínquo ano de 1932. incumbe a quem pede indenização. datada ele 23 de Agosto de 1938.

324. e do qual foi relatar o Dezembargador AMILCAR DE CASTRO (in Revista Forense. 5. em acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 131. 407). vai. in Revista Forense. oferecendo a seguinte ementa: O preponente é automaticamente responsavel pelo ato culposo do preposto.106). voI. acórdão de 3 de Outubro de 1949). a prova da culpa do patrão. ver Revista Forense. RIBEIRO DA COSTA E MARIO GUIMARÃES.632. também figuras destacadas do Supremo Tribunal Federal. 1521 não passará de superfetação. (Decisão do Supremo Tribunal Federal. a que deve fugir a todo transe o interprete. pág.(obra cit. (Decisão de 11 de Agosto de 1950. também foi sufragada pelo eminente Ministro FILADELFO AZEVEDO a tese ora defendida. O renomado OROZIMBO NONATO. págs. de 24 de Maio de 1945. Em idêntico sentido foi decidida a apelação n. de um “flatus vocis".. Seria um caso de "interpretatio abrogans". de um preceito vazio de sentido. 16. 137. disse com a propriedade da sua linguagem: Se se exigir da parte do autor. 106. como relator do recurso extraordinário n. 463 a 468). pág. principalmente quando causa dano através do manejo de veículo ou coisa perigosa. acompanham a interpretação de que o preponente responde 178 . vol. o art. Em fundamentado acórdão. nos casos de que se trata. que sempre exaurirá todos os esforços e dependerá o último de potencia para não riscar o mandamento do legislador.

523. foi adotada a seguinte interpretação: O patrão só é responsável pelos atos de seu preposto. instância. 1. Revista Forense. a uma decisão do egrégio Tribunal de Justiça de Pernambuco. do Código Civil Brasileiro. chegando a dizer o Ministro Mário Guimarães: Acho que não é necessária a prova de culpa. Srs. pág. 91. é de se decretar a sua irresponsabilidade. decisão de 9 de Janeiro de 1950). vol. em que por maioria de votos. pág. Dezembargadores que não ficou provada que a preponente "tivesse concorrido direta ou indiretamente para o evento.pelos atos culposos dos prepostos. opostos ao acórdão confirmatório da decisão ele 1a. decisão de 12 de Maio de 1952. E nesta hipótese. diz respeito. (in Revista Forense. anteriormente invocado. mas pelo princípio da representação. 179 . do processo respectivo). 80 a 82. Entendeu a maioria dos Exmos. SIA. quando concorre direta ou indiretamente para o evento. O acórdão da lavra do Ministro OROZIMBO NONATO. como se fossem seus. vol. 121 a 123. na ação ordinária em que figurou como autor Lívio Alves de Lima e como ré a firma Refrescos do Recife. está claro que não pode ser responsável por um fato para o qual de nenhum modo contribuiu" (fls. de 9 de Março de 1953. não pela aplicação da culpa objetiva. (Decisão dos embargos infringentes e de nulidade. Em caso contrário. 150. Inteligência do art. 3º cartório da Comarca do Recife). por sinal. 132.

os quais acompanharam a decisão embargada. aceita em inúmeros julgamentos colegiais.Sua posição na doutrina e na legislação estrangeira. 75. JOÃO TAVARES. MEDEIROS CORREIA). relator. que em matéria de indenização de prejuizos por atos ilícitos. a culpa indireta do preponente é presumida. JOÃO JUNGMANN. 57 dos autos). OSCAR COUTINHO. RENATO FONSECA E DIRCEU BORGES). é jurisprudencia vitoriosa. 180 . o culto Dezembargador LUIZ MARINHO ver fls. na inteireza desta ementa lançada com segurança pelo seu relator.Ao que pese o saber jurídico dos eminentes Dezembargadores que têm êsse convencimento (Dez. dos autos). pela fundamentação e pelo estilo. ORLANDO DE AGUIAR. é puramente indireta. o seu ilustrado prolator. b) . admitir que a responsabilidade dos patrões estabelecida no art.521 do Código. presume-se a do preponente”.1. então Juiz EDMUNDO JORDAO. acho mais acertada a tese dos julgadores vencidos (DEZ. sustentando que _ "Provada a culpa do preposto. desde que a culpa do seu preposto resultou claramente estabelecida (fls. Ao contrário. MARINHO. expôs entre outras coisas: A ninguém hoje é dado por amor à mumificação de uma teoria repudiada pelo Supremo Tribunal Federal em constantes decisões. Na impecável sentença. devendo ser objetivamente provada. CORRÊA DE ARAUJO.

é que SALEILLES E JOSSERAND ressaltaram que o homem não era responsável apenas pelos seus atos culposos. 360 e 361). à celle de láctivité exerceé par le préposé dans sensintért et sous son contrôle" (obra cit. mas também pelos danos provenientes da sua atividade. sob fundamento humanitário. 556). Em nosso dias o tratadista RENÉ SAVATIER. abstração feita de qualquer falta cometida. se êsse risco vem a verificar-se à custa de outrem. I. (Evolução ela Responsabilidade Civil. mais de celle de son 181 . quem cria um risco deve.Num relance de vista sôbre os principais sistemas do direito privado contemporâneo. Na França. Daí dizer JOSSERAND: Por essa concepção nova. com o sentimento de justiça social. L'étendue de sa responsabilité se limite. os irmãos MAZEAUD. também a. vê-se a tendência para o critério objetivo da responsabilidade. vol. diante do progresso industrial. vol. após uma série de considerações sôbre a matéria. depto "du risque crée". C'est pour quoi le commttant. afirma: Le préposé exerce ses fonctions dans l'intérêt sous Ia direction du commettant. suportar as consequências. págs. escrevem: On est bien obligé d'en conclure que ce n'est pas de sa faute à lui que répond le commettant. que não acolhem a teoria do risco. Por sua vez. pág. uttilisant le préposé pour son compte répond de la faute du préposé dans l'exercice des ses fonctions. in Revista Forense.. d'ailleurs. 86.

quatriéme edition. ela se torna inadmissivel ("La régle Morale dans les Obligations Civiles". ressaltando que. que Ia faute soit ou non établie. a deixar as vítimas como simples prêsas da fatalidade. tout se passe exactement commesi le commmettant agissait lui-même. (obra cit. Celui qui recourt aux services d'un préposé ne fait qui prolonger son ativité propre.quando a lei da responsabilidade aparece como uma lei física de criação de riscos. 307). I.préposé. 856) GEORGES RlPERT. fala assim: Le droit moderne ne regarde plus du côté de Ia victime. pág. Preceitua o “Code Civil des Français”. pág. enquanto a ciência procura combater a doença. il lui importe peu que le juge approuve ou blâme l´acte qui a èté la cause du dommage. le préposé n'est qu'un instrument entre ses mains.. Mais pourquoi en est-il ainsi? L'explication doit étre cherchée dans l'analyse du raport de préposition. de telle sorte qui. Após fazer interessante apreciação. 210 a 224) . 182 . Ia dommage subsiste. pág. il est vraiment "responsable pour autrui".Moderne". c'est obtenir réparation. não se justificando Um direito individualista. ao escrever a obra "Le Regime Démocratique et le Droit Civil Moderne". quine saurait êtra tolere. para quem a responsabilidade civil não era mais que a determinação e a sanção legal da responsabilidade moral. ("Le Régime Démocratique et le Droit Civil . vol. prolongar a vida humana. e aquêle que sustentara . anos depois fez uma revisão na sua concepção. Ce que vent la victime. é importante para previnir todos os acidentes e mesmo para curar as suas consequências. quand le préposé agit. no seu art.

ora no critério da representação (e com mais frequência). du dommage causé par leurs domestiques et préposés dans les fonctions auxquelles ils les ont employés.049. Na Italia. tanto no Código de 1865. edição de 1952). estabelecendo que provada a culpa do preposto por ato danoso praticado no exercício da função. e HENRI LALOU (em "Traité Pratique de Ia Responsabilité Civile". A jurisprudência francêsa na aplicação do artigo citado tem se orientado ora na responsabilidade dos "commettants" em razão de presunção "jure et de jure". 1. 108 e seguinte. ou ao sabor linguístico “présomption de faute irréfraglabe". fica no dever de reparar o dano. foi seguido o sistema da presunção absoluta da culpa. 2. 583 e seguintes. e.384: On est responsable non seulement du dommage que l'on cause par son propre fait. Les maitres et le commettants.1. pág. por equidade. mais encore de celui qui est causé par le fait des personnes dont on doit répondre. Aliás.153. daquele que prolonga a sua atividade. ou des choses que l’on a sous sa garde. no seu art. edição de 1948). no art. o Código Civil Italiano acolhe a responsabilidade objetiva nas hipóteses previstas nos 183 . pág. decorre "ipso facto" a responsabilidade patronal. como no de 1942. segundo o qual o preponente absorve a personalidade do seu preposto. E' o que informa RENÉ RODIERE (em "La Responsabilité Civile".

049. 2051 a 2054. au rait du encore se produire. Dispõe o art 2. II. 488). ("La Teoria Generala Delle Obbligazioni". pág. no dizer do Professor LUDOVICO BARASSI. a causé à un tires dans L'exécution de l'opération. per scagionarsi. a apporté le soin exigé dans les rapports d'usage. 2049 esclude altra forma di detesa che non sia Ia pura e simpIice escluione dei preesupposti della responsabilità (cioê l'illeicità deI fatto dovuto quindi . 197 non necessariamente a colpa deI dipendente autore deI fatto e che questo sia stato commesso nell'esercizio delle inncombenze affidate aI dipendente) . 2. porém em carater relativo. 831 do seu Código Civil: Celui qui prépose un autre à une opération est obligé à réparation du dommage que l'autre. O legislador alemão estatuiu também a presunção de culpa. ou si lê dommage. 184 . au point de vue de ce qu'il avait à fournir ou de Ia direction qui lui incombait.seus arts. voI. dans Ia mesure où doit fournir des appareils ou des utensiles ou diriger l'exécution de l'opération. Quanto ai padroni e committenti la formulazione recisa e prerentoria dell'art. se le maitre de l'affaire. par un fait contraire au droit. Ce devóir de réparation n'existe plus. soit au point de vue du choix de Ia persorne préposé. Per tal modo Ia responsabilità é indipendente dalla prova che i padroni o committenti facciano. como se vê do art. même a supposer que pareil soin eut été apporté. di non avere colpa alguna per aver scelto male o mal vigilato il dipendente autore deI fatto dannoso a terzi: prova che ad essi è interdetta.049: I padroni ei committenti sono responsabilli per i danni arrecati daI fatte illecito dei loro domestici e commessi nell'exercizio delle incumbenze a cui sono adibiti . soit.come già sappianmo: n.

hipóteses estas em que. responde o seu proprietário. à moins qu'il ne justífie avoir pris toutes les précautions nécessaires pour prêvenir ce dommage. E' o que noticia LUDWIG ENNECCERUS (Tratado de Derecho Civil. onde ficou determinada a presunção de culpa patronal. encerra a seguinte norma: Pelos prejuizos causados por criados de servir ou quaisquer pessôas encarregadas de certos serviços ou comissões. nem tão pouco na falta de um dos seus dispositivos. no seu art. O Código Civil Português. de três de Maio de 1909 .°. no desempenho dêstes. de modo incondicional. 2. 721) Na Suíça o assunto é objeto do “Códe Federal des Obligations". quando houverem excedido ou transgredido 185 . no seu art.tomo 2. voI.380.Impõe-se salientar que naquêle Pais a responsabilidade por acidentes de automovel é regulada por lei especial. isto é.e segundo a qual se exclúi o dever de indenização se o acidente foi inevitavel e não teve seu fundamento em defeito do veículo. Diz o mencionado artigo: Le maitre ou patron est responsable du dommage causé par ses ouvriers ou employés dans l'accomplíssement de leur travail. igualmente à Alemã. Les personnes morales qui exercent une industrie sont soumisses à la même responsabilité. "legis tantum". responderão os ditos criados ou pessoas solidariamente com seus amos ou comitentes. ainda que nem êle nem o condutor tenham culpa alguma. 62. salvo o regresso dêstes contra aquêles. II. pág.

que entre êles existe ("Princípios de Direito Civil LusoBrasileiro". Alguns juristas vêm nesse preceito a compensação equitativa ou o risco da escolha.113 do Código Civil Argentino dispõe: La obligación del que ha causado un dano se extiende a los danos que causaren los que están bajo su dependencia. como afirma LUIZ DA CUNHA GONÇALVES. o que tiene a su cuidado. uma "jure et de jure". O 1. voI. aquela representada pelos Códigos Francês e Italiano. Aí se admite a culpa "in eligendo". Através da legislação comparada se vê as duas tendencias na presunção da culpa patronal. outra "juris tantum".as ordens e instruções recebidas. 585). págs 417 a 423). pág. parte dos autores e Tribunais argentinos sustentam ardentemente que no dito artigo ha uma presunção absoluta. Enquanto isso. lI. aqui no Brasil em 186 . Suíço. o por Ias cosas de que se sirve. Ele manifesta a sua opinião pela segunda tendencia (Derecho Civil. enquanto outros veem no mesmo o carater "juris tantum" da presunção da culpa. Segundo HÉCTOH LAFAILLE. esta pelos Códigos Alemão. que aponta como mais exata a doutrina "que fundamenta a responsabilidade pelo comitente e do empregado ou comissionado nas relações de "autoridade e subordinação". Tomo VII. Português e Argentino.

116. através da prática de seguros. menos prudência. o seguro obrigatório. de natureza fundamental. em evidente choque com outro preceito. indaga-se não vem concorrer para que haja menos cautela. O mesmo autor faz referência a uma lei de 31 de Dezembro de 1951. No entanto. HUBRECHT. naquêle País. O fundo de garantia mantido pelas contribuições dos assegurados. para definir a responsabilidade patronal. Segundo G. de caráter substancial. criadora do "fonds de garantie automobile". para os lesados. e a cargo de companhias de seguro. desde que o responsável seja ignorado ou se revele parcial ou totalmente insolvavel. discute-se a concorrência de culpa. já foi preconizado pela comissão de reforma do Código Civil ("Notions Essentielles de Droit Civil. como uma garantia para aquêles que usam veículos a motor e.virtude de mera interpretação literal de disposição de lei. especialmente. pág. por aquêles que dirigem veículos 187 . Mas. ainda não existe uma obrigação legal de segurar. 1955). destinado a pagar as indenizações devidas em casos de acidentes corporais. pelos proprietários de viaturas. em razão de danos automobiliários. em particular. É uma solução aparentemente eficaz. 4ª edição. Na França assiste-se à socialização da responsabilidade.

Nessa relação jurídica está presente o poder de direcão do patrão. do preponente. 1. o ato danoso praticado por aquêles responsabiliza a êstes. porquanto o art. preponente. e patrão. decorre a culpa de responsável. de outro. firmou o princípio fundamental da presunção da culpa. acompanho a orientação daquêles para os quais provada a culpa do autor direto do dano. concluo que dada a subordinação jurídica entre empregado. em sua obra -"La Philosophie de l'ordre Juridique Positif". do preponente. de que fala JEAN DABIN. c) – Conclusões. E deante do nosso Código Civil. ou do empregado. tem sua significação social de intimidação e pacificação.motorizados? Não constitui uma inclinação para a irresponsabilidade? Só o tempo dirá. Dêles não se pode fugir a pretexto de ofender direitos personalissimos. de um lado. 188 . em benefício do lesado. e sobretudo o interêsse ativo e o proveito daquêles que se serve dos seus dependentes. preposto. Feita esta digressão. Atente-se para que a reparação além do sentido de segurança patrimonial. a prolongar a sua atividade. São todos êsses elementos que informam a compreensão objetiva do problema da responsabilidade civil de hoje em dia. à vontade individualmente considerada.521 do citado código. do patrão. do preposto.

e. promovido ou aposentado concluirá o julgamento dos processos cuja instrução houver iniciado em audiência. 120 do Código de Processo Civil: O juiz transferido. Djaci. Recife: Arquivo Forense. a exegese que se concilia com o espírito da lei. com os fatos e o direito contemporâneos. não continuam vinculados aos processos em que funcionarem na instância inferior". O juiz promovido a Desembargador e o princípio da identidade física 100 Já decidiu o egrégio Tribunal de Justiça de Pernambuco. fundamental na moderna processualística brasileira. 189 100 . Dispõe o art. jan. contra os votos dos eminentes Desembargadores DIRCEU BORGES. v./dez. p. 1957. Transcrição fac-símile."Que os juizes após serem nomeados Desembargadores. Com a devida venia. entendo que esta interpretação foge ao sentido finalístico do princípio da identidade física da pessoa do juiz. 39-44. 36.Essa. TOMAZ CYRILO WANDERLEY e JOAO TAVARES . O juiz promovido a desembargador e o princípio da identidade física. de outra parte. FALCÃO. pois. salvo se o fundamento da aposentação houver sido a absoluta incapacidade física ou moral para o exercício do cargo.

devendo proceder o julgamento: salvo as duas hipóteses previstas na disposição legal . atingiu o órgão supremo do Poder Judiciário do Estado. porquanto traça um princípio normativo e as duas exceções a êle aplicáveis. Portanto. mediante promoções.absoluta incapacidade física e incapacidade moral. quando feito por integrante do quadro da magistratura.Dada a clareza do artigo citado tenho para mim que o Juiz quando promovido a Desembargador fica vinculado aos processos "cuja instrução houver iniciado em audiência".º do Regimento Interno dêste colendo Tribunal. O Juiz ao ter acesso ao Tribunal de Justiça é promovido a Desembargador. preenchimento de vaga de Desembargador. IV.º e 12. Aí o Desembargador é um Juiz que. 124. do art. 14 da vigente Lei de Organização Judiciária e nos arts. 87 da Constituição de Pernambuco. O texto não enseja outra interpretação. 7. como está expresso de modo técnico. quer pelo critério do merecimento. no art. e não nomeado Desembargador como erroneamente está escrito no art. no inc. quer pelo critério da antiguidade importa em promoção e não em nomeação. O preenchimento de um quinto dos lugares do Tribunal por Advogados e membros do Ministério Público. 190 . 1º. O Juiz tem "acesso ao Tribunal". da Constituição Federal.

vêz que não integram o quadro da magistratura O argumento de que o Juiz promovido a Desembargador. depois de empossado. Se não ocorre qualquer das duas exceções apontadas pelo legislador incapacidade física absoluta e incapacidade moral. da Carta Magna. em resultado. do art. 124. é limitada. importa em nomeação. A ressalva. Não impressiona porque ante o art. e. para que não quebre o princípio legal da imediatidade. na verdade. é que. que visando resguardar o princípio da identidade do Juiz à causa. perde a jurisdição na instância inferior não impressiona. da identidade física do Juiz.previsto pelo inc. deixa clara a competência funcional do Juiz promovido a 191 . deve o Juiz proceder o julgamento dos processos cuja instrução houver iniciado em audiência. 120. Alegar-se que as duas hipóteses são meramente exemplificativas é forçar o exato sentido de uma exceção a princípio fundamental. 120 do diploma processual civil. sómente com a sentença é que se exaure a vinculação entre o Juiz que iniciou a instrução em audiência e o processo respectivo. V. como indica a lógica do juizo jurídico. Êste raciocínio também não se coaduna com o alcance da norma enfeixada no mencionado art. Dir-se-á que o Juiz promovido a Desembargador não pode exercer funções relativas a graus diferentes de jurisdição.

Como afirma o sábio PONTES DE MIRANDA: Transferido. de Justiça de Pernambuco. 235). voI. o Juiz conclui o julgamento dos processos cuja instrução tiver sido iniciada em audiência. sendo que. restrita sómente às causas de instrução iniciada. outro processualista Persiste a jurisdição. promoção ou aposentadoria. JORGE insigne. I pag. 1. (in Comentários ao Código de Processo Civil. promovido ou aposentado. do novo cargo. vol. no caso de promoção. a figura de direito público tem semelhança com a do juiz arbitral. em relação aquêles processos a que esteja vinculado na instância inferior. à função do anterior. Ao que pese a orientação em contrário. qual a de persistência da jurisdição. prefiro 192 o entendimento ora . sem ocorrer a exceção da absoluta incapacidade física) não ficava obrigado a julgar os processos cuja instrução houvesse iniciado em audiência. é nova figura no nosso direito judiciário. expõe: AMERICANO. Ceará e Minas Gerais. (Comentários ao Código de Processo Civil do Brasil. pág. 435). bem como já conheceu o resultado das perícias. interpretar "contra legem”. Mas.Desembargador. Seria. Adotando-se entendimento contrário ao que acaba de ser exposto ter-se-ia de concluir que o Juiz aposentado normalmente (i. No caso de transferência é verdadeira prorrogação da jurisdição. não há dúvida. para que não se rompa a permanência subjetiva quando o Juiz já ouviu as testemunhas e as partes. mesmo nos casos de transferência. na hipótese de aposentadoria. e de aposentadoria. de decisões dos egrégios Tribunais. e.

expressas. o Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Paulo. por ser mais fiel ao sentido gramatical e teleológico do texto legal. vasada nos seguintes têrmos: A jurisprudência dêste egrégio Tribunal tem sido uniforme e pacífica no sentido de que o juiz que inicia a instrução em audiência é o competente para a prolação da sentença. vol. sem discrepância. 120 do Código de Processo. a nós Juizes descabe êsse poder. Chego a reconhecer a necessidade da sua reforma face aos inconvenientes da sua aplicação.1952. 220). in Revista dos Tribunais. Com a mesma inteligência já havia decidido o Supremo Tribunal Federal. 168). vem sendo aquí dada ao art. sendo admitidas únicamente as exceções nêle próprio. houve promoção do juiz.modestamente exposado.12. Esta a interpretação que. entretanto. ainda que deixe a jurisdição da vara. 210. Por sua vez. que passou a desembargador e apesar dos inconvenientes 193 . por ser juiz certo no feito. (Decisão 16. publicada em "O Processo Civil à Luz da Jurisprudência.1952. senão a acolhida pelo Colendo Tribunal de Justiça de S. (Decisão de 25. pág.1. dizendo então o renomado Ministro OROZIMBO NONATO: No caso dos autos. Com a redação atual não merece outra interpretação. 1953-1954. Os próprios juizes promovidos para êste Egrégio Tribunal têm sido mantidos como juizes no feitos cuja instrução iniciaram. pág. também decidiu: O magistrado promovido a desembargador continua obrigado a decidir as causas a que estiver vinculado como juiz de primeira instância.

Decisão de 15. Acompanho o voto do Exmo . o douto TEMISTOCLES CAVALCANTI. nêste caso. Recentemente. em relação ao Juiz de Direito do Município de Jaboatão. fundamento no artigo 101 . voI. pág. pelo Supremo Tribunal Federal foi mantido o seu primitivo escólio. porquanto. 458 e 459). Ministro Ribeiro da Costa. salvo se vier a ser aposentado por absoluta incapacidade física ou moral. promovido para o Tribunal.práticos que a solução vai criar. 3. 193. de acôrdo com informação do 194 . (in revista "Direito". mas cuja competência para julgar os processos em que hajam funcionado.1945). assim julgando: Compete ao juiz promovido a desembargador concluir o julgamento dos processos cuja instrução houver iniciado em audiência. em dias do ano em curso. desvinculado de continuar a funcionar em determinado feito. Em decisão de 9 de Dezembro de 1952. (Arquivo Judiciário.5. fico com a obediência à lei. mesmo depois de ocorridos os fatos acima mencionados. fasc.III . subsiste. acolheu a inteligência que tão claramente emana da disposição processual objeto destas apreciações.letras a e d da Constituição e nessa questão sôbre a interpretação do artigo 120 do Código de Processo civil que cogita da substituição dos juizes promovidos ou aposentados. em parecer emitido em recurso de decisão do Tribunal de Justiça dêste Estado.Snr. 40. O ilustre Tribunal do Estado de Pernambuco entendeu não aplicar o preceito em questão. expressando-se do seguinte modo: O presente recurso extraordinário é interposto com. págs.

a tomada de depoimentos. de momento que Jaboatão fica perto do Recife e em pouco tempo. vinculando-se ao processo. de recurso e data venia. Nem siquer. não pode o interprete ampliar as excepções à regra geral. Ora.novo titular efetivo. isto é. expressa. clara. Somos. Entendeu também que a promoção o desvinculava do processo. os atos praticados. 5 presidiu o Juiz Simões Barbosa. a audiência de instrução e julgamento. que desvinculou o desembargador Simões Barbosa do processo em causa. por estrada de ferro ou rodagem pode o Juiz apresentar-se para continuar a audiência. Além do mais como se vê a fls. com a reforma do acordão proferido pelo ilustre Tribunal do Estado. ora promovido para o Tribunal. que só abrangem os casos especificados. O caso é em tese. no caso. As excepções também estão expressas . o seu provimento se impõe. 195 . assim. a distância ou dificuldade de locomoção podem ser alegadas. pelo provimento do recurso. sendo assim. O caso de promoção prevista no artigo 120 do Código e a sua aplicação se impõe. verificou-se antes do período de prova. em face da letra da lei.moléstia e falecimento.

sómente o juiz que tomou as provas está realmente habilitado a apreciá-las do ponto de vista do seu valor ou da sua eficácia em relação aos pontos debatidos. assim decidindo. o processo visando a investigação da verdade. pois.Finalmente como escreveu o jurisconsulto FRANCISCO CAMPOS. Nem de outra maneira podia ser. Amparado na doutrina e. 120. 196 . o fiz em obediência à lei – ex-vilege. entendí de julgar todos os processos cuja instrução havia iniciado em audiência. na exposição de motivos do Código de Processo Civil: O juiz que dirige a instrução do processo há de ser o juiz que decida o litígio. ao ter acesso ao Colendo Tribunal de Justiça mediante promoção e não nomeação. especialmente. como por ofensa à técnologia Jurídica foi dito no Ato Oficial respectivo. E. na regra ditada pelo art. e não contra-legem.

Transcrição fac-símile. com a sua irrecusável autoridade.A igualdade perante a lei 101 Conceito filosófico. A igualdade perante a lei. tão incompletas como as demais. Djaci. tão humanas. que cultuamos as letras jurídicas. na sua "Théorie Générale du Droit": 101 FALCÃO. v. em 8 de Dezembro de 1958. poderão contribuir para maiores modificações na vida temporal. 197 . Nós. 162. escreve mui acertadamente. todavia como disciplina asseguradora do equilíbrio da própria sociedade. da Constituição do Estado de Pernambuco. 19-33. continuará a ser a ciência do equilíbrio social./dez. A igualdade jurídica e os três poderes. do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco. no Palácio da Justiça do Estado da Paraíba. devemos ter presente. As mutações que vem se operando na estrutura material do mundo moderno. 1959. jamais olvidar que o Direito tem sido e. 39-40. a convite da Associação dos Magistrados da Paraíba. p. JEAN DABIN. permanecerá o Direito. após justificar o "Ubi jus ibi societas". do art. A igualdade no campo econômico e na esfera social. Conferência pronunciada pelo Desembargador Djaci Falcão. por fôrça da técnica das chamadas ciências exatas. de certo. jan. A isonomia e o § 6º. Recife: Arquivo Forense. O Prof.

Escolhemos o último para tema desta palestra. Na aplicação da lei temos mantido o raciocínio voltado. nascido da moral religiosa. compreensivo de uma estimação finalística. de certo modo. subsister et fonctionner (pág. O principio da igualdade de tratamento. originárias de fatôres os mais diversos e. a sua parcela de ajuda ao aprimoramento do comportamento humano. em 1776. de um lado . consagrado na declaração de independência dos Estados Unidos. é que os juristas têm o dever de emprestar a sua contribuição. em autêntica exaltação ao dia consagrado à justiça. agravada pelo indiferentismo ao espiritual. afim de dignificar cada vez mais a ordem jurídica. finalmente. dando. D'abord pour se constituer. a sua autosuficiência.para o método teleológico (sentido estrito). sem proclamar. é claro. do dogma – “todos são iguais perante Deus” erigiu-se em postulado jurídico. Partindo dessa compreensão. quer junto à construção doutrinária.para êste princípio de sentido natural e universal. e 198 . quer ao lado da legislativa ou. Acrescentando: "Toute societé organisée apelle une règle de droit. ante as inquietações que afligem o homem em sociedade. 7). e de outro . em resultado. da jurisprudencial.La réciproque est d'ailleurs vraie également: "Ubi societas ibi jus'. a igualdade de todos perante a lei.

e. antes de tudo. a reduzir as pessoas humanas à mesma expressão. a seguir. unidade de origem. nos seguintes têrmos: Art.Les hommes naissent et demeurent livres et égaux en droits. de nossa igualdade fundamental e de nossa comunhão na natureza humana. Em outro trabalho . isenta de tôda desigualdade. 51 e 52). tradução brasileira. Por isso mesmo. em cada um de nós. Dai. penso no progresso desta igualdade de proporção que realiza a justiça. 199 . inteligivilmente. dizer com propriedade o eminente pensador JACQUES MARITAIN: O êrro empirista não está em pensar que há e deve inevitàvelmente haver desigualdades individuais entre os homens. tratando cada qual segundo o que lhe é devido. sem diferenciação. evidente é o acêrto daqueles pensadores para quem inexiste uma igualdade aritmética. pràticamente. 1° . na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (em 1789).concebido. pela mediação do sentido e transcendendo o sentido” (in “Princípios de uma Política Humanista”. faz êle esta oportuna afirmação: Penso no progresso da consciência. ao mesmo nível."Os Direitos do Homem e a Lei Natural". todo homem como homem (págs. Les distinctions sociales ne peuvent être fondées que sur l'utilité commune. que não valem nada a realidade e a dignidade ontológicas dessa natureza ou essência que todos os homens têm em comum e que é percebida. Está em não ver e afirmar senão isso e em achar. pg. Na esfera filosófica. Aí está um raciocínio que assenta na unidade da natureza entre os homens. 105).

com isso. tanto quanto na esfera econômica ela deve assentar em razões que não importem em subversão da ordem natural. No âmbito social. A diferença de fortunas tende. evidentemente. proporcional. pode ser concebida e realizada. A igualdade de proporção deve presidir o tratamento de cada pessoa na esfera econômica. E. igualdade primeira. só utòpicamente. A mitigação das desigualdades econômicas já fôra reconhecida por LEROY-BEAULIEU. O seu conceito não deve ser concebido nos têrmos do nivelamento dos homens pertencentes às diversas categorias sociais. aproxima os seus esforços. Uma igualdade relativa. fruto natural dos esforços de cada um. a Lei". 63). social e jurídica. decorrentes de distinções e diferenciações inigualáveis. e. que lhes asseguram o uso e gôzo dos bens. na sua preciosa monografia "Da Igualdade Perante. não desvirtuam. não descaracterizam a unidade do gênero humano. por sua vez ressalta: A igualdade econômica é tão absurda quanto a física e a mental. de se assemelhar (pg. a abrandar-se. porque os homens vão cada vez mais ascendendo na escala moral e. e sim no sentido de 200 . terão. também.as necessárias desigualdades que diferenciam a vida entre os homens. consoante se vê de citação feita por PAULINO JACQUES. à medida que tal fôr acontecendo. o qual. jamais igualitarismo utópico. as fortunas.

por vezes. o exato conceito do princípio da igualdade. A verdade é que êsse discutido princípio. A dignidade humana instava êsse fundamental direito. figurando no preâmbulo da Carta francêsa de 201 . adquiriu expressão formal no campo do direito. 177). ao nosso ver. explorado pelas tiranias. Êste. Ia doctrine des droit individuels est l'affirmation que les individus ont certains droit qui leur son attachés et auxquels l'Etat ne peut porter ateinte. puisqu'il existe des droits individuels qui lui sont antérieurs et supérieurs. Do campo das Declarações de Direitos norteamericanas e francêsas o princípio passou aos textos constitucionais. THOMAS MORUS. Como adverte com muita sabedoria GEORGES VEDEL: Dans son essence. CÍCERO. (Manuel ÉLEMENTAIRE de Droit Constitucionnel. SANTO AGOSTINHO. dentre êles PLATÃO. C'est dire.uma elevação social. équivalemment. que l'Etat n'est pas Ia seule source du droit. irmão gêmeo destoutro – a liberdade. ROUSSEAU. uns a afirmar e outros a negar a idéia da igualdade absoluta. tão discutido e. ARISTÓTELES. SÃO TOMAS. pg. MONTESQUIEU. deturpado. CAMPANELLA. dentro das mesmas oportunidades para todos. para o qual se voltaram os mais proeminentes vultos do pensamento universal.

793 . apesar da abundância dos princípios consagrados no art. em outras constituições. Entre nós. Porém."La Loi est l'expression de Ia volonté générale. Vasada quasi nos mesmos têrmos da Declaração Francêsa de 1. e em capítulo especial. a Constituição de 1. quer proteja. V. surgiram com a Constituição Imperial de 1824. reservado aos direitos fundamentais. Emenda". denegar a qualquer pessoa o igual amparo das leis. e recompensará em proporção dos merecimentos de cada um. não cometia a proteção dêles aos tribunais" (in "Comentários à Constituição Federal Brasileira".1791 (integrando pela mesma forma a Constituição de 1946). 179. pg. 179: A lei será igual para todos. ficou vedado aos Estados. 202 . sobretudo anti-humana. elle est égale pour tous. a da separação e privilégio racial. ainda hoje predomina na grande nação. soit qu'elle récompense ou qu'elle punisse. voI. Oportuno é expôr que nos Estados Unidos sòmente com a famosa "14a. promulgada em 1.824 "não dotava êsses direitos. lamentàvelmente. que estatuía no inc. soit qu'elle protége ou qu'elle réprime". como acentuava o grande RUI BARBOSA. encerra uma bela proposição. XIII do seu art. de um escudo. assim como. quer castigue. coligida por Homero Pires). 176. uma tradição antidemocrática. os elementos integrativos da igualdade jurídica.868.

desconhece foros de nobreza. no § 2°. profissões próprias ou dos pais. incompatíveis com os princípios fundamentais de um Estado democrático. riqueza. a Carta Política de 1.946 adotou também essa forma sintética (§ 1°. A República não admite privilégio de nascimento. crenças religiosas ou idéias políticas. Ao comentar o art. inc. 141). distanciando-se daquela dada as restrições nela enfeixadas. A Constituição de 1. À igualdade repugnam os privilégios. 122. inc. do art. nem distinções. de família ou de classe. A Carta Constitucional de 1. § 1°. limitou-se a preceituar: Todos são iguais perante a lei (art.891 estabeleceu na seção Declaração de Direitos. A chamada constituição de 1. escreve o renomado PONTES DE MIRANDA: 203 . Na segunda oração está delimitado o próprio alcance do princípio. e extingue as ordens honoríficas existentes e tôdas as suas prerrogativas e regalias. do art. bem como os títulos nobiliárquicos e de consêlho. por motivo de nascimento. Não haverá privilégios. acolhendo a técnica conceitual da Constituição de Weimar. classe social.937. quer de ordem pessoal.Com a República. 141. 113. I). sexo. raça. estabeleceu no seu art. I: Todos são iguais perante a lei.934. 72: Todos são iguais perante a lei.

dall'altro lato. É cogente para a legislatura. Se por um lado é reconhecida cientificamente a unidade da espécie. Não só a incidência e a aplicação que precisam ser iguais. é preciso que seja igual a legislação. voI. Aliás. IV. de igualdade perante a lei feita. ("Corso di Diritto Costituzionale". edição). de igualdade na lei a fazer-se. A primazia conferida ao princípio pelo legislador diz da sua amplitude e profundidade. à regola d'interpretazione per cui Ia desuguaglianza non pué presumersi. abolite dallo Stato moderno e. ma deve risultare positivamente. também. significa que êle se faz presente nos demais direitos individuais alí assegurados. O princípio dirigese a todos os poderes do Estado. 2a. pg. para a administração e para a Justiça. podem ser explicitados dois princípios: um. pg. por outro é irrecusável a desconformidade 204 . ("Comentários à Constituição de 1946". 155). princípio de "igualdade formal. Como ensina SANTI ROMANO: Tale princípio che fa salve le eccezioni determinate dalla leggi.O texto começa a enumeração dos direitos fundamentais pelo principio de isonomia ou princípio de “igualdade perante a lei”. e outro. 64. è comunque non impedisce che una diversa condizione corrisponda una diversa capacità. A igualdade de tratamento em sentido jurídico. porque não igualiza "materialmente". implica urna gradação de tratamento fundada nas condições e circunstâncias inerentes a cada pessoa. dito. da un lato e norma che il legislatore deve tener presente perchê non ripristini Ia distinzione deI popolo in ceti o classi.

da individualidade. fisiológicas e psicológicas que separam os homens. Redigem-se as leis de modo geral. edição de 1918). à competência e à incapacidade. 692.à Constituição Brasileira".iguais condições e iguais circunstâncias. Ninguém contesta as diferenças anatômicas. aritmética. porém numa igualdade relativa. O mais é demagogia. Êste o seu escopo. 205 . impossível fazer desaparecer a desigualdade de fato que. pg. O douto CARLOS MAXIMILIANO oferece-nos em Comentário à Carta Política de 1891. Ao envés de um nivelamento utópico. é de se compreender que a igualdade jurídica consubstancia-se não em uma igualdade absoluta. paradoxalmente. ("Comentários . Tratamento igual entre iguais é o sentido finalístico que êle encerra. como ao juiz. Princípio inerente à personalidade humana. importa num tratamento de mérito. de proporção geométrica como já foi proclamada. obriga aos três Poderes. Constitui pressuposto lógico do preceito igualitário . religião ou posição econômica e social. submete-se a aquisição de direitos e condições amplas. Impraticável o nivelamento dos sêres humanos. não confere direitos absolutamente iguais ao mérito e ao demérito. sem destinguir entre indivíduo e indivíduo. Tanto ao administrador. entre uma e outra classe. êste magnífico escólio: O código supremo não impõe o nivelamento dos caracteres. compensa e harmoniza.

Como corolário do princípio estabelece o § 26. 141. deve ser proporcionada pelo juiz às partes. salvo é claro o instituído pela própria Constituição. da Magna Carta: Não haverá fôro privilegiado nem juízes e tribunais de exceção. mas. do art. 100. justiça militar. ao legislador é defeso editar lei 206 . compreendendo pessoas que se acham em determinadas condições e circunstâncias: Êle é dirigido não só ao juiz e à autoridade administrativa. ao legislador. 92. vale dizer que a instituição de justiça comum. Se esse vital mandamento tem por objetivo garantir uma posição de neutralidade do Estado face a todos. de vez que cada uma delas é destinada a reger situações distintas. Dessarte. 101 e 108. lógico é que deve obrigar aos três poderes. igualdade desde o processo. 88. O parágrafo acima invocado assegurou direito ao juízo comum. Por outro lado. não admitindo fôro privilegiado. Se ao magistrado compete a última palavra no assegurar a aplicação do direito positivo. poderosos e fracos. nos seus arts.cabe na execução ou aplicação da lei proceder com igualdade de oportunidades para todos. incontestável é o seu dever de absoluta observância dêsse cânone cuja última "ratio" é o bem comum. justiça do trabalho e justiça eleitoral. não afeta o princípio. sem distinção de ricos e pobres. Aliás. do mesmo modo.

é suscetível do controle jurisdicional. mas norma geral e abstrata. estabelecendo distinção desproporcionada em relação a pessoas ou coisas. No Estado de Direito o legislador não pode legislar com ofensa à máxima da igualdade. a lei deve ser aplicada. Portanto. na mesma situação. está evidentemente a violar o postulado fundamental. O princípio da isonomia deve ser respeitado a partir da feitura da lei. ou criando um direito. é incompatível com a técnica 207 . O entendimento de que votada. A lei não é mero ato de arbítrio do legislativo. para reger a todos quanto se encontrem numa mesma situação. para alguém com desvantagem para outrem que se encontre em paridade de condições e circunstâncias.regulando um ato. um fato. com determinado regime jurídico para uma pessoa. Se o legislador trata de modo desigual. criar vantagens. não merece censura por intermédio do judiciário. sem estendê-Io a outras da mesma classe. com o objetivo de alterar o tratamento jurídico comum. pois. para que se lhe declare a inconstitucionalidade. deixando assim de atender a igualdade de oportunidade entre concorrentes iguais. Ao legislador não é dado. criando distinções. a lei que foge à generalidade. privilégios ou restrições que não são comuns a todos. em razão da inconstitucionalidade. sob pena de ineficácia jurídica.

quer a lei em sentido formal. Quer a lei pròpriamente dita. pondo ao lado a orientação européia. que. versando o conceito 208 . composto de membros eleitos pelo Parlamento. uma das grandes expressões das letras jurídicas do Brasil. 64 da Constituição Federal). o controle jurisdicional entre nós abrange até a suspensão da execução. como ocorre na França (art. da Constituição de 27 de Outubro de 1. por ofensa ao princípio da igualdade substancial.constitucional brasileira. SAN TIAGO DANTAS. no todo ou em parte. Não é demais dizer-se que o controle da constitucionalidade das leis pela autoridade judiciária parece o critério mais lógico e profícuo. Vê-se aí. Aliás. o controle jurisdicional dos atos legislativos. portador de competência técnica e imparcialidade. são passíveis de declaração de inconstitucionalidade.946). ato de administração no seu conteúdo. do controle em condições particulares. lei material. de lei inconstitucional (art. confiado apenas a um "Comité constitucionel". eis que a autoridade instituída pelo Estado para decidir as questões estritamente jurídicas é o juiz. seguiu o exemplo norte-americano do "Judicial Control ". à semelhança da regra estadunidense "due process of law". lei sòmente na forma. 91 e seguintes.

E. 420. isentando de impostos uma fábrica. mais adiante. 1. não contêm norma geral. nem ferem o princípio de igualdade. Tais leis não são inconstitucionais. em que foi declarada inconstitucional a Lei n. declarando de utilidade pública a desapropriação de certo imóvel. lícito duvidar que as leis fixadoras de um tratamento concreto para um caso individual só são constitucionais quando se limitam a aplicar à espécie uma norma geral preexistente. vol. de 17 de Dezembro de 1955. expõe com muita clarividência: É verdade que os parlamentares votam leis formais: concedendo a indivíduos. (“Igualdade perante a lei" e "due process of law". Todos êsses atos. CXVI. em Novembro último. nominalmente determinados. 365).técnico-jurídico da igualdade ante o Estado de Direito. individualizado e. acrescenta: Não parece. na parte em que concedia estabilidade a funcionários interinos em cargo de carreira. por contrariar o art. do Rio Grande do Norte. que formalmente são leis. pensões ou benefícios. concedendo um serviço público. têm a forma de uma lei e o conteúdo de um ato administrativo. pag. apenas porque são atos conformes a uma outra lei de caráter geral. o "Jornal do Comércio" (do Recife) noticiou uma decisão do Supremo Tribunal Federal. que exige concurso para a primeira investidura em cargo de carreira. Há poucos dias. pois. 186 da Constituição Federal. que os autoriza. mas preceito concreto. porquanto estabeleceu um critério 209 . tècnicamente falando. in Revista Forense. Ao nosso ver tal lei violou o princípio da isonomia.

Nessa altura.] § 6º . não é menos certo que ao funcionário público deve ser concedida uma segurança jurídica.arbitrário em favor de determinados servidores públicos. com a aplicação do princípio da legalidade.Lei especial organisará o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado e dos Municípios. por outro. Lei juridicamente inválida.São proibidas as diferenças entre padrões de vencimentos relativos a cargos ou funções iguais. deve-se ter em consideração que a função pública não é criada para o funcionário. Sabido é que os estipêndios do funcionário público devem ser fixados por lei.. e mais os seguintes direitos e vantagens: [. observados os princípios e normas do Título VIII da Constituição Federal. estatuída com louvável alcance na Constituição do Estado de Pernambuco.. dada amplitude que o tema comporta. bem como a atribuição de vencimentos inferiores ao do padrão em que esteja classificado o titular. impessoal e 210 . Se por um lado. para uma regra de equiparação de vencimentos.162 . pedimos a atenção dos ilustres juristas. 186). respeitadas as garantias já estabelecidas. de modo geral. afastando-se da norma geral – concurso – para primeira investidura em cargo de carreira (art. a sua aplicação mereceu uma justa recusa. Ela está vasada nos seguintes moldes: Art. 184). acessível a todos os brasileiros (art.

precisam as regras jurídicas de regulamentação. Na verdade. que as completem. Todavia surgiu uma controvérsia – trata-se de um preceito auto-executável. restando ao seu executor ou aplicador aferir a igualdade entre os cargos ou funções. O Tribunal de Justiça de Pernambuco. ou suplementem. selfating. pois de uma regulamentação. deu pela auto-aplicabilidade do preceito. sem perder de vista a natureza do cargo. sem a criação de novas regras jurídicas. Consoante MIRANDA: Quando uma regra se basta. a depender. a técnica usada na Constituição Pernambucana. pois. Nada.objetivo. constituinte ou não. Quando. ou de uma norma programática. self-excuting. diz-se bastante em si. etc. para sua incidência. porque. dirimindo a questão. porém. no sentido de fazer desaparecer desigualdades de vencimentos entre cargos ou funções iguais. a melhor interpretação está com a minoria. não enseja a compreensão de se tratar de um texto com elementos bastantes para imediata aplicação. pois. por si mesma.Regras programáticas são aquelas em que o legislador. dizem se não bastantes em si . o custo de vida. mais de justiça que o preceito adotado pelo constituinte pernambucano. não poderiam incidir e. ser aplicadas. sob o fundamento de que a sua clareza dispensava disposições regulamentares. por expressiva maioria. self-enforcing. em vez de editar norma de 211 afirma o mestre PONTES DE . a representação exigida para o seu exercício. Com as ressalvas do nosso respeito à maioria vencedora.

De pleno acôrdo com êste magnífico ensinamento. na criação de regras destinadas a completar uma norma constitucional. para a sua inédita aplicação. Basta dizer que o Consultor Jurídico de uma das Autarquias Estaduais foi equiparado ao Consultor Jurídico do Estado de Pernambuco. trouxe como era de se esperar. ("Comentários à Constituição de 1946”. sempre entendemos não se tratar de preceito auto-aplicável. possibilitando desarrazoadas equiparações. 99. claras e manifestas ofensas ao princípio da isonomia. vez que traça. também prevalente entre os juízes da primeira instância. A legislação. pelas quais se hão de orientar os poderes públicos. que são como programas dados à sua função. que se 212 . A disposição do § 6º não constitui norma bastante em si. uniforme. tão sómente. a execução e a própria justiça ficam sujeitas a êsses ditames. uma linha diretora proibitiva de diferenças de vencimentos entre cargos ou funções idênticas. Qual o critério para se aferir a igualdade entre cargos ou funções? O Constituinte não estabeleceu. sem indicar um critério objetivo. da inteligência dada pela maioria dos juízes do Tribunal de Justiça. 1. sem a devida atenção à diversidade de atribuições e de responsabilidades existentes entre os dois cargos. pg. 2a. °. A adoção. vol.aplicação concreta. geral. edição) . E ao juiz não é dado substituir o legislador. apenas traça linhas diretoras.

JOÃO JUNGMAN (ver Arquivo Forense. dispôs em seu art. nada mais compatível com o princípio ísonômico que essa disposição de 213 . da Carta Política. ao nosso ver. o desacerto interpretativo. não exige identidade de lugar. b) identidade de local (cidade ou município).125. c) identidade de natureza de atribuições.distinguiam até nos requisitos exigidos para a investidura. 284 a 287). o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado e dos Municípios acolhendo os têrmos daquela lei. em que pese o saber dos que sustentam esta compreensão. de quantidade e de produtividade do serviço. Essa ilegitimidade foi adotada sob alegação de que o § 6º do art. Não ficou ai. posteriormente. Aos nossos olhos.°1. por maioria de votos. e. de 31 de Junho de 1951. XXV pag. onde os cargos sejam exercidos ou as funções executadas. como está bem expresso em voto vencido do ilustre Des. Aconteceu que. o Município. foi regulamentada a disposição constitucional. 3º § 3º: Para que haja igualdade de cargos ou de funções é indispensável que concorram os seguintes requisitos: a) identidade de empregador. ou entidade autárquica ou paraestatal. auto-exequível. Com a Lei Estadual n. seja o Estado. vol. o nosso Tribunal de Justiça decidiu ser inconstitucional o parágrafo acima. na parte em que subordina a igualdade de cargos ou funções à identidade de local onde são exercidos ou executados. 162.

atribuições e responsabilidades. como as duas outras que formam o prefalado § 3º. Não é de se conceber a equiparação de vencimentos entre funcionários de entidades públicas distintas. com estrutura própria e situação econômica diversa. A uniformidade de denominação não significa a 214 . o último requisito .do . um Chefe de Almoxarifado de um departamento de Estado. exercido porém na cidade do Recife. Por exemplo. não deve perceber os mesmos vencimentos que um ocupante de cargo com a mesma denominação. numa proporcionalidade. de quantidade e de produtividade do serviço". localizado em Salgueiro ou Serra Talhada. Dir-se-á que. Jamais em relação a outra pessoa jurídica de direito público. o art. a lógica do juízo jurídico indica que o legislador teve em mira a aplicação do preceito proibitivo de discrepância de estipêndios dentro da Autarquia. do Estado e de uma Autarquia. em relação às Autarquias. Finalmente. como "verbi gratia" . 171 da Constituição Pernambucana estende os direitos e garantias dos funcionários do Estado aos servidores autárquicos.caráter complementar."identidade de natureza de atribuições.Estado e do Município. ou seja. vasada. No entanto. que bem se integra no sentido finalístico da igualdade de todos perante a lei. entre os seus servidores. onde o padrão de vida é muito mais elevado.

das suas características. Se não é possível uma aferição aritmética. Não se devem equiparar vencimentos por mera igualdade de denominações. segundo a qual quando se trata de idêntica função “a todo trabalho de igual valor prestado ao mesmo empregador.igualdade de Cargos ou funções. das condições e circunstâncias em que os funcionários prestam os seus serviços. a fim de se concluir pela existência ou inexistência de situações. sem distinção de sexo. nacionalidade ou idade" (art. do seu objetivo. corresponderá igual salário. 461). mereçam tratamento igual. que em razão das condições e circunstâncias que lhes são próprias. No § 1º está definido o que seja trabalho de igual valor. tendo em vista mesmo a situações que justificam a desigualdade de vencimentos. Após exame da natureza dos cargos. Aí a lei ordinária estatuiu um critério objetivo para a aplicação do mandamento de justiça distributiva inserto na Lei Maior e proibitivo “de diferença de 215 . sem exorbitar a regra constitucional estabeleceu pressupostos lógicos e necessários. na mesma localidade. Disposição semelhante vamos encontrar na Consolidação das Leis do Trabalho. é perfeitamente viável um cotejo de atribuições e responsabilidades. é que se pode declarar se há ofensa ao preceito proibitivo de vencimentos diferentes. O legislador ordinário.

na aplicação dêsse princípio essencial – igualdade . em caráter regulamentar. sexo. de proporção. 111). ("La Politique”.salário para um mesmo trabalho por motivo de idade.perante a lei. porém a igualdade relativa. do art. Como dizia ARISTÓTELES: Justa a igualdade de iguais. deve ter bem presente a "ratio legis". O não atendimento às regras traçadas. baseada numa igualdade de situação. Não basta o argumento simplista da nomenclatura igual. que é uma proposição falsa. tanto quanto a desigualdade de desiguais. O juiz. para que não estabeleça tratamento igual entre desiguais. Não a igualdade absoluta. 216 . nacionalidade ou estado civil" (inc. pg. tem contribuído para equiparações que importam em autêntica ofensa ao salutar princípio da igualdade jurídica. Cargos de atribuições e responsabilidades díspares (conforme se vê da Lei de Organização Judiciária do Estado e do Regulamento da Administração do Pôrto do Recife). distintos até nas exigências para o seu provimento. não fôra um voto de qualidade. Em dias do mês findo. teria ocorrido a equiparação de vencimentos de um mero Secretário da Administração do Pôrto do Recife ao Secretário do Tribunal de Justiça. lI. 157). com manifesta violação do exato sentido da norma legal e indevido gravame para o erário público.

para que impere a Justiça e seja melhor compreendida a vida temporal. juízes. Pronunciamentos. Transcrição fac-símile. juízes. Djaci. todos nós dotados de razão e consciência devemos procurar ser fiéis a êsse princípio fundamental. 163-175. Conferência proferida na Ordem dos Advogados do Paraná em 11 de agosto de 1988. todos nós dotados de razão e consciência devemos procurar ser fiéis a êsse princípio fundamental. anterior e superior ao Estado. assegurado em tôdas as Cartas Políticas do mundo civilizado. anterior e superior ao Estado. O Poder Judiciário e a Carta Constitucional 102 102 Falcão. Legisladores. administradores. 1998. 217 . para que impere a Justiça e seja melhor compreendida a vida temporal. p. assegurado em tôdas as Cartas Políticas do mundo civilizado.Legisladores. João Pessoa: Universitária/UFPB. administradores.

Tribunais de Justiça e Tribunais de Alçada. Basta lembrar os pronunciamentos da Corte em 1965. ao lado da injustificável e reiterada alegação de falta de recursos financeiros imprescindíveis à sua concretização. O papel do Supremo Tribunal em face da Constituição e da lei federal. Introdução . não tem poupado esforços no sentido de colaborar. O Supremo Tribunal Federal como guardião da Carta Política .2. Criação de Tribunais Regionais Federais .7. Ação direta para declaração da inconstitucionalidade em tese e por via de exceção.6. O poder Judiciário e a autonomia administrativa e financeira. 1. Aspectos da amplitude da competência do Tribunal Superior de Justiça e a tradicional e correta competência do Supremo Tribunal Federal. Competência do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal . Sua eficácia. em prol da eficaz garantia da ordem jurídica e em resguardado do seu prestígio. bem assim no ano de 1975.4. durante a minha Presidência. Justiça dos estados. para o aprimoramento da missão confiada ao Poder Judiciário. O Supremo Tribunal Federal. Instância8. Avocação das causas .Sumário: 1. INTRODUÇÃO: Há sem dúvida. nos limites a que esta vinculado. do Poder Judiciário. Sua colaboração para o aprimoramento do poder Judiciário. é bom registrar. Valorização da Justiça de Ia.3. em profundidade. quando apresentou um 218 . dificuldades de natureza técnica para uma reforma.5. na ordem da tripartição de Poderes do Estado. Criação de uma Corte Constitucional .

quem em boa hora deixou ser adotada a idéia da criação de uma corte Constitucional nos moldes europeus (Áustria. a proteção dos seus direitos e garantias individuais. à tradição do Supremo Tribunal Federal. 2. Alemanha. por último. dado a exiguidade de tempo para o seu exame consiste em abordar alguns aspectos do texto votado em primeiro turno. Senador Afonso Arinos. acrescida das inovações ampliativas adequadas à nossa realidade. formuladas pelo Exmº Sr. Presidente da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais. mediante remédios consagrados pelo 219 . O meu propósito. em primeiro lugar. O capítulo do Poder Judiciário envolve ampla matéria. a 30. Estamos próximos da promulgação de uma nova Carta política. com o que se afastava o controle da constitucionalidade já incorporado.86.06. com êxito. Criação de uma Corte Constitucional Observo. assegura-se aos cidadãos. na qual se inserem inovações em tomo da estrutura e da competência dos órgãos desse Poder. França. Espanha e Portugal). sob inspiração da doutrina norte-americana.relatório geral sobre o Poder Judiciário. Itália. originariamente ou em recursos. atendendo a solicitação de sugestões. valorizando algumas soluções e.

para efeito de intervenção no Estado-membro (art. foi conferida ao Supremo Tribunal federal competência para declarar a inconstitucionalidade. O Supremo tribunal federal como o guardião da Carta Política.C. Isso. em tese. de alcance limitado às partes litigantes. para assegurar a sua supremacia. Sobrevindo a E. A Constituição de 1934. como a habeas corpus. inclusive porque os juizes estão também sujeitos aos princípios substanciais e formas da lei Maior. 8º.texto constitucional. 3. seja por via de ação ( ação direta). base essencial da ordem jurídica do Estado. é bom frisar. seja mediante exceção (controle incidental). no caso concreto. O controle pelo Poder Judiciário. Com isso não se põe à margem a independência e equivalência dos Poderes. nº 16/65. a Carta Política de 1946 manteve o princípio (art. é evidente. de lei ou de ato de natureza 220 . Por sua vez. ação direta de declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. traz a marca da definitividade. o mandado de segurança e a ação popular. como é sabido. instituiu a denominada "ação interventiva". sem deixar de reconhecer a guarda da Constituição pelos Poderes Legislativo e Executivo. A nossa Corte mais alta sempre coube emitir juízo definitivo sobre a Constituição. §único). 12).

então será caso de pô-Ia em discussão.I. I. inc. é atribuição exclusiva do Procurador-Geral da República (art. 119. letra l. ao dizer: Art. ajuizada pelo Procurador-Geral da República. da Carta Magna). A Corte ao se manifestar pela permanência da regra acrescentou textualmente: Se entende que seu titular fica excessivamente vinculado ao Poder Executivo. em face da E. mediante ação direta.A Mesa de Assembléia Legislativa V . 109. a declaração incidental. Isso. O preceito passou a constituir o art. pelo próprio Poder Constituinte. Acontece que o constituinte seguiu critério ampliativo. Tem-se.A Mesa do senado Federal III . I.O Presidente da República II . somente alcança o caso concreto. a legitimidade para representação por inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual.normativa federal ou estadual. entre nós. inc.C.A Mesa da Câmara dos deputados IV . uma vez que. letra I. Trata-se de inovação salutar. porém. 113. Podem propor a inconstitucionalidade: I . assim o controle concentrado ao lado do controle difuso. letra 1. diante da demissibilidade "ad nutum".O Governador de estado 221 ação de . com maior segurança. deve ser considerado. de 1969). inc. Hoje. abstendo-se a Corte de outras considerações por envolverem temas ligados aos Poderes Executivo e Legislativo. com eventual outorga de garantias maiores para o exercício do cargo. 119. da Carta política de 1967 (hoje art.

em termos altos. que depende de lesão a direito individual. visa assegurar a supremacia da Constituição. A decisão por via de ação direta tem eficácia erga 222 .O conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil VIII . Ação Direta para declaração da Inconstitucionalidade em Tese e por via Exceção.VI . de onde derivam todos os poderes. ou seja. que em face de tamanha ampliação. por certo. do interesse público. A matéria é polêmica e o constituinte. Declarada a ilegitimidade de lei ou de ato normativo em face da lei magna perde. Sua Eficácia. atendeu a possíveis inconvenientes do sistema atual. Em seguida. somente com aplicação do texto teremos oportunidade de verificar sua conveniência. reservando-se privativamente ao Supremo Tribunal Federal o seu julgamento. A ação direta para declaração da inconstitucionalidade em tese. 4. desde logo. contudo. a sua validade e força executaria. Devo dizer.Confederação Sindical ou Entidade de classe de Âmbito Nacional.O procurador -Geral da República VII . estatuiu que o procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido (§ 1°). um ou outro. Competência do Supremo Tribunal e do Senado Federal.Partido Político com representação no Congresso Nacional IX .

§262). incidentar tanto. não ficando restrita às partes. pela disciplina intelectual a que estão acostumados. Na última hipótese a decisão final (do Supremo tribunal Federal) somente adquire eficácia erga omnes após a suspensão da execução da lei. uma vez que. edição. como ocorre na hipótese do controle jurisdicional por via de exceção. porém. em defesa de direito próprio. por ato da competência privativa do senado Federal. onde se inscrevem as bases da ordem jurídica. como acontece nos casos concretos. É suficiente ampla a função da Corte na interpretação da lei Magna. os juizes não ambicionam a direção política do País. Este intervém. 223 . a inconstitucionalidade. para o efeito suspensivo decorrente do julgado. quando o juízo competente declara. Proferida em ação direta pelo Supremo Tribunal Federal. dispensa a comunicação ao Senado Federal. Isso não significa. em pleitos ajuizados pelas partes. afastando a submissão da parte a lei viciada por inconstitucionalidade. o predomínio dos juízes. consoante pondera Manoel Gonçalves Ferreira: Pelos hábitos de moderação. nem se intrometem nela a não ser quando esta colide com a lei. 12º.omnes. De grande importância é o tema relativo aos efeitos da decisão de inconstitucionalidade in abstrato.(in curso de Direito Constitucional.

Acontece que o projeto de Constituição aprovado em primeiro turno. comunicará o teor da decisão declaratória ao Senado Federal para cumprimento do disposto no art. em tese. Passada em julgado. porque declarada a inconstitucionalidade em tese. 42. a decisão da 224 . Como procurei demonstrar.477/72. estabelece: Quando o Supremo Tribunal Federal declara a inconstitucionalidade. 42. Assim temos entendido a partir do Processo Administrativo 4. quando se fixou a inteligência do art. retirando a sua eficácia ( art. não há razão para tanto. não obstante manter o controle constitucional pela via direta a cargo do Supremo Tribunal Federal. não há cogitar de suspensão. inc. da Constituição).posteriormente. (§ 3° do art. não comporta decisão posterior do Senado Federal. O inciso referido diz da competência do Senado Federal para suspender a execução da lei declarada inconstitucional. em missão político-jurídica que lhe é reservada. para tomar mais amplo o efeito da declaração jurisdicional. X. de norma legal ou ato normativo. da Constituição. 109). A lei continua em vigor até que se dê a suspensão pelo Senado Federal.VII. É bom frisar que a eficácia da decisão do supremo Tribunal Federal. VII. 53. em matéria de representação por inconstitucionalidade.

pelo Senador Mauricio Correia e pelos Deputados Nelson Jobim e Wagner Lago. tendo parecer favorável do relator. por si mesma.127[. parece-me oportuno mencionar interessante emenda modificativa. de norma legal ou ato normativo. a seguinte redação: Art. em tese. determinará se eles perderão a eficácia desde a sua entrada em vigor. e do seguinte teor: Dê-se ao § 2º do art. A propósito do tema. a Corte Suprema americana tem aberto exceções à regra da 225 . Daí. Esta função constitui um corolário lógico-jurídico. explicitamente.. ou a partir da publicação da decisão declarátoria. completa-se a sua função ao determinar o momento da perda de sua eficácia. Deputado Bernardo Cabral.] §2º . a meu juízo. A propósito. em tese.Corte tem eficácia erga omnes. Desde que compete privativamente ao Supremo Tribunal federal declarar a inconstitucionalidade. A decisão contém. Tal norma não se harmoniza com a boa doutrina.Quando o Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucionalidade. Por isso mesmo é que foram oferecidas emendas supressivas do §3º do art. oferecida pelo Senador Mauricio Correia.. o efeito de excluir a eficácia da lei ou ato normativo. o acerto dessa emenda que. permite um certo temperamento quanto aos efeitos da decisão.127 do Projeto de Constituição. de norma legal ou ato normativo. 109. seguida pela nossa Corte.

5. aprovado em primeiro turno. Todavia. perdem os jurisdicionados ao verem a Corte mais alta afastada. ao Superior Tribunal de Justiça. voltada para a vontade constitucional e com a visão do todo. Avocação de Causas. da posição de Tribunal da Federação. de certo modo. A Corte maior. 136 da Constituição). Lúcio Bittencourt. no Projeto. mediante critério flexível. na Itália a mesma cessa de ter eficácia a partir do dia sucessivo à publicação da decisão (art. Isso decorre da competência que se confere. 164 da constituição). não vingou a referida emenda. A meu juízo."invalidade ab initio" da lei inconstitucional (ver "Constitucionalidade das leis". preservar os princípios constitucionais sem incidir em rigorismo capaz de criar situações que extravasem do elevado objetivo do instituto da representação. poderá. Veja-se que se lhe atribui competência para: 226 . §148 a 149). Aspectos da Amplitude da Competência do Tribunal Superior de Justiça e a Tradicional e Correta Competência do Supremo Tribunal Federal. Na Espanha as decisões do Tribunal Constitucional "têm o valor da coisa julgada a partir do dia seguinte a sua publicação"(art.

b) Julgar válida lei ou ato de governo local. as decisões dos Tribunais Estaduais. Dessa forma. não é "um Tribunal de toda a Federação como a Corte Suprema". hoje sujeitas a reexame em recurso extraordinário. como resultado dessa transposição de competência. em única ou última instância. Além disso. recurso que se apresenta com índole de extraordinário. embora sem situar-se na cúpula do Poder Judiciário.III . as causas decididas. do Distrito Federal e Territórios. (art. embora de elevada qualificação. no plano de um Tribunal da Federação. sem dúvida. mediante recurso especial.III) Por demais abrangente. Ter-se-á um Tribunal que. ficarão subordinados também ao Superior Tribunal de Justiça. como atualmente se dá com o Supremo Tribunal Federal. 227 . com os seus inconvenientes. a sua jurisdição passa a alcançar os julgados das Justiças Estaduais. c) Der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados. quando a decisão recorrida: a) Contrariar tratado ou lei federal. contestado em face de lei federal. em recurso especial.Julgar. tenho para mim que vai acorrer com o tempo sensível congestionamento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. um Tribunal agigantado. ou negar-lhe vigências. Teremos.

l.conferência proferida a 28. tem como titular o Procurador Geral da República. ficassem na sua competência originária. com a cisão dos julgamentos. atribuindo-lhe as questões de maior importância e repercussão é. ressalvadas a matéria constitucional e as questões federais relevantes.São Paulo ). pela grande importância. à segurança ou às finanças públicas. como Tribunal da Federação (Reforma do Poder Judiciário. Deve-se. na PUC . é a de transformar o Supremo Tribunal Federal em Tribunal destinado a julgar questões de natureza constitucional e os casos que.III. não se me afigura feliz retirar do Supremo Tribunal Federal a competência para avocar processos.1975. dada a complexidade. preservar a sua marcante e tradicional função. de modo acentuado. letra G. a melhor solução. Visa alcançar 228 . A avocatória. do projeto aprovado em Primeiro Turno). inc. Embora viesse a reduzir. de qualquer forma. os recursos iriam sofrer tramitação mais demorada. pode-se estabelecer limitações à recorribilidade. Ao mesmo tempo iriam surgir dificuldades quando nos recursos extraordinários se cogitasse de tema constitucional ao lado de interpretação de lei federal. tive ensejo de afirmar em Novembro de 1975: Outra idéia. não resta dúvida de que o excesso de processos seria transferido para um novo tribunal. o serviço da Corte.11. atualmente concebida como medida de natureza excepcional. Em tal hipótese. à saúde. Outrossim. terceira instância. ou da especialização e ampliação do atual Tribunal Federal de Recursos. a meu entender. Quer se adote a idéia de Tribunais Regionais Federais e de um Tribunal Superior Federal. A diminuição da competência. pg. que deve assentar em imediato perigo de grave lesão à ordem.25 .A propósito da matéria. transferindo-a para o Superior Tribunal de Justiça (art.

pelo que se vê e ouve. I letra O. 6. como um todo. "salvo se a decisão se restringe a questão incidente. de medida delicada e excepcionalíssima. da maior repercussão. desempenhada por quase um século. caso em que o conhecimento a ela se limitará". da Constituição da República e art. a envolver a Constituição e a lei federal. 119. como se vê. Essa missão. principalmente. como ocorre no presente. inc. desempenhado tradicionalmente pela Corte mais alta. à vista de numerosos julgados e larga jurisprudência em torno dos temas mais delicados e relevantes. 252 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Excetuam-se dessa medida a decisão transitada em julgado e que comporte recurso com efeito suspensivo (art. O papel do Supremo Tribunal em Face da Constituição e da lei Federal. órgão de superposição.decisão proferida em qualquer Juízo ou Tribunal com a suspensão dos seus efeitos e devolução integral do litígio ao Supremo Tribunal Federal. devendo situar-se na competência do Tribunal a quem cabe manter a autoridade e a unidade do direito federal. Criação de Tribunais Regionais Federais. Sua Colaboração para o Aprimoramento do poder Judiciário. Não devemos esquecer a elevada importância do papel atinente ao resguardo da autoridade e unidade do direito. de vozes autorizadas do mundo 229 . Cuida-se.

65).jurídico. de 27. Dizia eu há doze anos: “Nos últimos decênios.119). enfim quando a decisão recorrida nega implicitamente a sua 230 . nem tampouco negar as dificuldades enfrentadas pelo Supremo Tribunal Federal. porém. Com a EC. com freqüência. que aumenta em razão do crescimento demográfico e do desenvolvimento econômico.” Houve o aumento do número dos seus Juizes. Isso. de modo expresso. constituindo-se três Turmas (A. Daí. expressa na locução "negar vigência de tratado ou lei federal” a compreender a negação. com todas as suas naturais implicações. é bom frisar. decorrentes da sobrecarga de feitos submetidos à sua apreciação. buscam em suas demandas a palavra final da Corte. de onze para dezesseis. o volume de serviço desafia até a resistência orgânica dos julgadores. a nossa luta incessante contra o mal do seu congestionamento. não tem decepcionado os jurisdicionados.10. do inc. além das complicações de tantos casuísmos com que se defrontam os Juizes. III. ou a falta de aplicação de lei federal à toda evidência imprescindível ao julgamento. 2. não quer significar demérito da prestação jurisdicional por outros órgãos julgadores. da vigência da lei. do art. 114 (hoje art. I. Nº 1169 operou-se a limitação do recurso extraordinário baseado na letra a. que.

sendo providos 807. já adotada pela Emenda Regimental nº 3. no seu Regimento Interno o poder de estabelecer "o processo e julgamento dos feitos de sua competência originária ou de recurso". com base no interesse público de maior monta. do inc.77. principalmente em razão do julgamento secreto e não expressamente motivado.. Também lhe foi permitido disciplinar à vista da natureza.04. não obstante as críticas que lhe são feitas. 119).427. Por força da E. de 5. 115.vigência. nº 1/69. de 647 em 1976 para 1.C. acima do interesse exclusivo das partes repercussão limitada. enquanto no último ano houve 7. 2. 119 (§ único do art. nº 7. foi consagrada a "relevância da questão federal". letra e. do art. até 5. A argüição de relevância da questão federal. C. tem sido um instrumento político-jurídico útil ao processamento do recurso extraordinário. conferido a Corte.75. Basta ver a sua evolução numérica. apreciada em conselho. Ao lado disso.178.927 agravos de instrumentos contra despacho denegatório de recurso extraordinário. Outra invocação decorreu do art. por todos os ministros. III.06. espécie ou valor pecuniário. como registram os nossos dados estatísticos.979 em 1987. etc. de 13. da E. Como se vê. § único. de 12. os casos enumerados nas alíneas a e d. presente na questão em debate. função legislativa especialmente outorgada pela lei Magna.979 argüições de relevância foram 231 .

por outro lado. Com isso não nego que estivesse a merecer uma reformulação. Por sua vez.121. A este.acolhidas 1. ou como prévio requisito do recurso extraordinário. com algumas modificações no sistema atual. após a experiência aurida ao longo de treze anos. Portanto. o Tribunal Federal de Recursos em tribunal Superior Federal. transformando-se. não subsiste no Projeto a figura da relevância da questão federal. só cuidaria dos que envolvesse seus próprios acórdãos. num percentual superior ao dos agravos de instrumento providos. violar letra de tratado ou lei federal ou de outro Tribunal Regional federal". Todavia. em que se lê: a) Quanto ao dissídio entre julgados. Nas sugestões que apresentamos se considerou indispensável a criação de Tribunais Regionais Federais. as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais. mediante recurso especial. quando a decisão contrariar dispositivo da Constituição. de Tribunais 232 . seja por adoção de processo autônomo. consoante ficou expresso na exposição de motivos constantes do esboço oferecido pela Corte. em face do novo prisma jurisdicional confere-se também competência para "julgar. o Supremo Tribunal Federal deveria conservar a sua competência.

políticos ou sociais da causa". além disso. Esta 233 . Não é plausivel competência para julgar conferir recurso a um Tribunal extraordinário. b) O recurso extraordinário. a proporcionar até mesmo maior comodidade para os litigantes situados em cada região. sem ponderáveis limitações. levando-se em consideração os aspectos econômicos. Eleitorais ou do Trabalho) devem ser resolvidos pelos respectivos Tribunais Superiores. como uma das medidas capazes de contribuir para o andamento. indiscriminadamente. c) A relevância da questão federal deve aferir-se diante de seus reflexos na ordem jurídica.Superiores Federais ou Tribunais Estaduais. Impõe-se adotar uma orientação descentralizadora das tarefas atribuídas aos órgãos judicantes colegiados. sem maior tardança dos feitos ajuizados. pois o conflito entre julgados de Tribunais Regionais (Federais. por negativa de vigência de tratado ou lei federal e por dissídio jurisprudencial. somente será cabível se o Supremo tribunal Federal reconhecer a relevância da questão federal nele considerada. contra decisões proferidas por todos os Tribunais do País. Em 1975 pronunciei-me favoravelmente à criação de Tribunais Regionais Federais.

em único grau de jurisdição. competente para habilitação e celebração de casamento e para outros atos previstos em lei". Parece-me de bom alvitre a criação. a experiência de sua criação e funcionamento em vários Estados já demonstrou a eficácia dessa medida. Tribunais de Alçada. salvo para declaração de inconstitucionalidade. onde se impuser. conforme ficou sugerido pela nossa Corte. por igual. para julgamento dos feitos civis e criminais estabelecidos em lei. d) justiça de paz temporária. criando-se. pelo legislador constituinte.idéia vê-se acolhida no esboço agora apresentado pelo Supremo Tribunal Federal. mediante proposta dos Tribunais de justiça. No plano de justiça dos Estados a idéia também é válida. Justiça dos estados Tribunais de Justiça e Tribunais de Alçada. competentes para conciliação e julgamento de causas cíveis de pequena relevância definida em lei e julgamento de contravenções. e. 7. de "b) juizados especiais. sem prejuízo das funções destes em primeira instância. Aliás. c) Turmas de recursos compostas pelos próprios Juizes locais. Valorização da Justiça de Primeira Instância. 234 .

§lº. ao qual se atribuem a habilitação e celebração de casamento e a prática de outros atos que não importem em julgamento". Parece-me razoável a conservação apenas do Juiz de paz. tanto quanto possível. 114. 103. porém. afetando a tranqüilidade dos próprios Juizes. mediante eleição ou nomeação (art. 235 . não se justifica a adoação de tal idéia. de investidura temporária. da Constituição Federal). mesmo que se lhe atribua competência tão-somente para a solução de pequenos litígios. numa época em que assistimos a uma relativa melhoria do nível de conhecimentos das diversas classes sociais. (Reforma do Poder Judiciário. Reputo de maior importância a valorização da primeira instância. Em 1975 assim externei o meu pensamento: Não nos parece conveniente. verdadeiramente. I. a criação de juizes leigos. págs. a sua finalidade. poderemos aproximar-nos daquilo que a sociedade almeja . no âmbito federal e estadual. afastando a morosidade que causa sacrifícios e desencantos às partes. c. do projeto aprovado em primeiro Turno. Com procedimentos simplificados.6 e 7).soluções prontas e eficaz para os litígios. providos por Juizes "togados e leigos" (art.Devo dizer que não comungo da idéia de juizados especiais. em que o rito sumaríssimo e a função conciliatória atinjam. de modo que tenham estrutura e organização capazes de assegurar a regular funcionamento da Justiça.

na hora presente. praticamente perdura o estado de carência financeira.8. dentro das diretrizes maiores expressas nos seus parágrafos. À exceção de medidas isoladas. sem os quais não se pode alcançar o essencial ao seu regular funcionamento e à sua modernização. Com a promulgação da nova Constituição a semente estará plantada. pág. 104 do Projeto aprovado). O poder Judiciário e a Autonomia Administrativa e financeira. de modo geral. com sacrifícios. (Reforma do Poder Judiciário. a fim de lhe proporcionar uma estrutura adequada ao relevante papel que vem desempenhando. põe-se no texto da lei Magna preceito segundo o qual "Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira” (art. Continua. a insuficiência de recursos financeiros destinados ao Poder Judiciário. 236 .16) Agora. restando aguardar os seus bons frutos. Em 1975 tive ensejo de alertar que: Não é demasia acentuar que o Governo deve se dispor a gastar um pouco mais com o Poder Judiciário.

SEXTA PARTE NOTÍCIAS DE DESTAQUE NA IMPRENSA .

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O desembargador Pedro Cabral. sob a presidencia do desembargador Pedro Cabral. para eleger o novo presidente do Tribunal. 08 jan. para a vice-presidencia. logo após pronunciar algumas palavras dando conta da sua administração e agradecendo a colaboração dos seus pares. Diario de Pernambuco. para integrarem o Conselho de Justiça.Desembargador Djaci Falcão foi eleito ontem Presidente do Tribunal de Justiça 103 Excepcionalmente. estando presentes todos os membros do Tribunal de Justiça. 1. para a Presidencia. Adauto Maia. Caderno 2. 239 103 . RELATÓRIO E ELEIÇÃO A sessão teve início às 9 e 30. A escolha recaiu. as Câmaras Conjuntas do Tribunal de Justiça reuniram-se ontem. Djací Falcão foi eleito ontem Presidente do Tribunal de Justiça. p. Recife. 1961. surpreendentemente. nos desembargadores Djaci Falcão. Rodolfo Aureliano e Cláudio Vasconcelos. o vicepresidente e o Conselho de Justiça (dois membros) e seus suplentes. do seu oficial de gabinete. Transcrição fac-símile. dos funcionários da secretaria e do DIARIO DE DESEMB.

PERNAMBUCO, anunciou que ia proceder À eleição para os cargos já acima referidos, iniciando com a de presidente. Distribuídas as cédulas contendo os nomes dos 15 desembargadores, após assinalarem os nomes de suas preferencias, verificou-se, na apuração, que o desembargador Djaci Falcão obtivera sete votos contra seis, atribuídos ao desembargador Luiz Nóbrega; um ao des. Augusto Duque e outro ao des. Angelo Jordão. Por proposta do desembargador Augusto Duque, que citou artigo do Regimento Interno dizendo ‘quando não se observar na votação maioria absoluta para um dos candidatos, será procedido novo escrutínio’, procedeu-se a nova votação. Ainda desta vez, o desembargador Djaci Falcão obteve maioria de um voto sôbre o seu colega des. Luiz Nóbrega, sendo, então, proclamado eleito para a presidencia do TJ no ano em curso. Convidado logo após, pelo desembargador Pedro Cabral, assumiu a presidencia, antes porém, prestou o juramento de praxe. Já no exercício, empossado pelo seu antecessor, o desembargador Djaci Falcão disse que não havia preparado discurso. Declarou: ‘Apenas quero afirmar aos meus eminentes colegas que toca a minha sensibilidade a confiança que me foi outorgada de modo tão democrático.

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Não pouparei esforços no sentido de realizar uma administração compatível com a respeitabilidade do Poder Judiciário, valendo-me da técnica em busca da ação objetiva; não de uma técnica pura mas de uma técnica com objetivo de realidade, de realização da Justiça, ‘vendo, tratando e pelejando’, como diria Camões Em síntese: com respeito ao princípio da legalidade, com a ambição de bem e com a ajuda dos integrantes do Poder Judiciário em Pernambuco, especialmente de meus nobres pares, espero realizar uma missão construtiva. Construir conscientemente no sentido da Justiça é, a meu ver, o maior ideal que pode almejar um magistrado. Com este propósito, espero administrar o TJ, no corrente ano, e confio em Deus que serei ajudado neste mister por todos quantos integram o mesmo Poder em Pernambuco’. Finalizou as suas palavras, o desembargador Djaci Falcão dizendo-se grato a seus colegas, pela confiança nele demonstrada. A eleição para o cargo de vice-presidente do TJ ocorreu de maneira idêntica à de presidente. Sete votos contra seis foram dados aos desembargadores Adauto Maia e Euclides Ferraz, respectivamente; um ao des. Rodolfo Aureliano e um ao des. Thomaz Wanderley.

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Novo

escrutínio

confirmou

a

escolha

do

desembargador Adauto Maia para a vice, por seis votos contra seis. Nessa nova eleição deixaram de votar os dois candidatos mais votados. CONSELHO DE JUSTIÇA Os desembargadores Rodolfo Aureliano e Cláudio Vasconcelos foram escolhidos pelo voto secreto para, juntamente com o desembargador Djaci Falcão, comporem o Conselho de Justiça do Estado. Esse órgão aprecia os casos referentes aos juizes de Direito da Capital e do Interior em Primeira Instância, com relação à disciplina. Anteriormente era denominado Conselho Disciplinar da Magistratura. Para suplentes desses novos membros, foram escolhidos os desembargadores Thomaz Wanderley e Costa Aguiar. CUMPRIMENTOS Logo após realizadas as três eleições, o

desembargador Djaci Falcão dizendo nada mais haver a tratar uma vez que a sessão fôra convocada para aquele único fim, declarou encerrados os trabalhos. No Gabinete, recebeu os cumprimentos dos seus colegas, desembargadores, do Procurador Geral do Estado, bel. Luiz Arcoverde; juiz da Capital e do Interior, dos sub-procuradores gerais,

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promotores, advogados, jornalistas e funcionários da Secretaria do Tribunal de Justiça Eleitoral.”

Novo Presidente reformará o Regimento Interno do TJ

104

Dizendo que as portas do seu Gabinete estavam abertas para receber e informar a imprensa de Pernambuco, democraticamente, o desembargador Djaci Falcão, já no exercício de cargo de Presidente do Tribunal de Justiça, prestou as seguintes declarações ao DIARIO DE

PERNAMBUCO. ‘Espero, na presidência do TJ, realizar uma missão construtiva, com a indispensável ajuda dos integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público de Pernambuco, especialmente dos meus colegas de Tribunal’. Disse pretender, no ano em curso, como objetivos precipuos, encaminhar ao Poder Legislativo um ante-projeto de Lei de Organização Judiciaria, com algumas modificações substanciais,
104

não

declinando,

embora

insistido

pela

NOVO Presidente Reformará o Regimento Interno do T. J. Diario de Pernambuco. Recife, 08 jan. 1961. Caderno 2, p. 1. Transcrição fac-símile. 243

reportagem, quais seriam as modificações que tenciona introduzir no referido Projeto. ‘Aliás – acrescentou o des. Djaci Falcão – já existe uma Comissão cuidando desta tarefa, que considero de grande importância, a qual é composta pelos ilustres desembargadores Luiz Marinho, Augusto Duque e Rodolfo Aureliano, sob a presidência do ultimo’. Disse ainda o entrevistado que espera também, com a contribuição dos seus colegas, fazer algumas modificações no Regimento Interno do Tribunal de Justiça, negando-se igualmente a dizer quais seriam as modificações. Para finalizar as suas declarações, afirmou que, com apoio no principio da legalidade, procuraria construir, conscientemente, no sentido do ideal de Justiça’, o que constitui para o magistrado a sua maior e mais digna aspiração.’ DADOS BIOGRAFICOS O desembargador Djaci Falcão é o mais novo (em idade) membro do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Foi promovido para o alto cargo da magistratura pernambucana em março de 1957, com 37 anos. Antes, porem, o desembargador Djaci Falcão, que colou grau de Bacharel em Direito na nossa Faculdade em 1943, exerceu a função judicante nos municipios de Serrita
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como desembargador. portando-se. o desembargador Luiz Nóbrega recusou-se terminantemente 245 . Instado a falar à reportagem do DIARIO. tendo oportunidade de presidir o TJ em varias oportunidades. São Joaquim do Monte. mesmo assim achavam na eleição do sr. Triunfo. veio em principios do ano de 1953. foi juiz da Primeira Vara Criminal e. com acêrto. em todas elas. a função de vice-presidente. Outros magistrados com quem falamos antes. Paulista e Caruaru.(outubro de 1944). o que não ocorreu. Pedro Cabral que ontem deixou o cargo. o novo Presidente. da Vara da Fazenda Estadual. dada a expectativa que se observava de que o nome mais cotado para o cargo seria o do desembargador Luiz Nobrega. quando em 1957 foi promovido para o Tribunal de Justiça. Exercia. na administração do des. ainda. posteriormente. embora afirmassem que o candidato Djaci Falcão tinha grandes possibilidades. Luiz Nobrega por uma maioria de dois ou três votos. SURPRESA Logo após conhecido o resultado do pleito da Justiça. Para a comarca do Recife. procuramos ouvir alguns magistrataram surpresa pela escolha.

como ‘tira-gosto’. Claudio Vasconcelos cobrava do seu colega Djaci Falcão. O des. o que ocorreu desta vez.embora declarasse que fôra candidato por insistencia de alguns dos seus colegas. como se estivessem tomando uma dose de uisque’. no gabinete. Na ante-sala. declinou da sua escolha. Esse teria que oferecer. Adauto Maia porque fôra eleito para vice. abraçam-se mutuamente. dizia o des. Adauto Maia. PITORESCO O fato pitoresco da reunião de ontem do Tribunal de Justiça foi a palestra mantida pelos dois candidatos à vicepresidencia do Tribunal. em tom de blague: ‘Eu gastei mais dinheiro do que você. Pedro Cabral esses mesmos colegas quiseram faze-lo candidato na eleição do ano passado. os candidatos fazem blague. Respondeu o des. Euclides. respectivamente. entre eles o des. duas caixas de uisque que prometera tomar se eleito fosse. que não tinha compromisso mais com o Tribunal Eleitoral. porisso consegui maioria de votos’. que obtiveram. a famosa carne de sol. mas como à época estivesse na presidencia do Tribunal Regional Eleitoral. e uma do des. Os desembargadores Adauto Maia e Euclides Ferraz. sete e seis votos. Euclides Ferraz: ‘Eleição democratica é assim. alimento de sua predileção.” 246 .

realizadas em Brasília. Recife. nas festividades do Dia da Justiça. Diario de Pernambuco. 08 jan. 1961. – disse o desembargador Augusto Duque no relatório – consta um banquete oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek. 1. como representante do Tribunal. Apenas alguns feitos administrativos foram relatados pelo novo presidente do TJ. Caderno 2. p. O desembargador Augusto Duque pediu a palavra e apresentou um relatório verbal da viagem que empreendeu recentemente. a 8 de dezembro ultimo. todos relativos a pedidos de férias de juizes e licenças premios de alguns magistrados.O Presidente do Supremo Tribunal virá ao Recife 105 O desembargador Djaci Falcão presidiu ontem a primeira sessão ordinária das Câmaras Conjuntas do Tribunal de Justiça após as férias forenses terminadas a 6 do corrente. VISITAS E RECEPÇÕES Como parte das solenidades. 247 . uma sessão solene 105 O PRESIDENTE do Supremo Tribunal virá ao Recife. Transcrição fac-símile. ao sul do país.

quando teria oportunidade de abraçar pessoalmente os membros do T. independentemente do cumprimento da representação de que fôra portador.na Associação dos Magistrados Brasileiros. recebendo de alguns Ministros especiais referencias ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. do Tribunal de Recursos e do Tribunal Superior do Trabalho. anunciou que possivelmente no mês de fevereiro estaria em Pernambuco. recepção oferecida pelo presidente da Republica aos representantes de diversos Tribunais do País. Disse o desembargador que havia visitado todos os orgãos de justiça da Novacap. com relação ao numero de membros representantes. sendo que a Paraíba enviou três. Disse que quase todos os Estados fizeram-se representar por dois desembargadores. J. Compareceu às festividades a maioria dos membros do Supremo Tribunal Federal. presidente do STF. na Palácio da Alvorada. que foi realizada no Salão das Sessões do Tribunal Federal de Recursos e na qual foram condecorados vários magistrados de diversos Estados. sendo que o ministro Barros Barreto. ainda se dirigira ao Estado de São Paulo. 248 . Disse ainda o desembargador Augusto Duque que. Aduziu o desembargador Augusto Duque à pobreza da delegação de Pernambuco.

Visitou ainda o Tribunal Regional Eleitoral e a Faculdade de Direito do grande Estado sulista. sendo tratado com especial atenção.” 249 .onde visitou o Tribunal de Justiça local. sendo alvo de carinhosa recepção na qualidade de representante do TJP.

250 .

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SÉTIMA PARTE CONDECORAÇÕES E LINHA DO TEMPO .

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Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho . Carlos. Grã-Cruz do Mérito Judiciário . Grã-Cruz da Ordem do Mérito Aeronáutico. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar Exército. CAVALCANTE. Grã-Cruz da Ordem do Mérito de Brasília. CERQUEIRA. p.Tribunal Superior do Trabalho. Medalha do Mérito de Pernambuco. Djaci. 253 106 .Condecorações 106 Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário Militar Tribunal Superior do Militar. 2003.Falcão: ministro do Supremo Tribunal Federal. Recife: AIP.Associação dos Magistrados Brasileiros. Djaci.Falcão – Uma vida dedicada à justiça. Grã-Cruz da Ordem do Mérito Naval. 159-160. 1998. Grã-Cruz da Ordem Infante D.155-156. Medalha do Mérito Cidade do Recife.Portugal. p. Henrique . Recife: Fundação Antônio dos Santos Abranches-FASA. Jaques. Grã-Cruz da República da Romênia.

Medalha do Mérito Judiciário Desembargador Joaquim Nunes Machado Tribunal de Justiça de

Pernambuco; Medalha do Mérito Judiciário - Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Medalha da Ordem do Mérito Eleitoral Frei Caneca - Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco; Medalha do Mérito Judiciário Conselheiro João Alfredo - Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região; Colar do Mérito do Tribunal de Justiça de Goiás; Título de Cidadão do Estado de Pernambuco; Título de Cidadão do Estado de Goiás; Placa de Reconhecimento e Homenagem dos Advogados de Goiás, por sua Secção; Título de Cidadão de Campina Grande - Paraíba; Colar do Mérito Judiciário Pontes de Miranda Tribunal Regional Federal da 5ª Região; Medalha Tiradentes - Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro; Fórum Djaci Falcão da Junta de Conciliação e Julgamento da cidade de Picuí - Paraíba; Edifício Sede Ministro Djaci Falcão - Tribunal Regional da 5ª Região.

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Linha do tempo107

1919- 4 de agosto - nasce Djaci Falcão em Monteiro/Paraíba; 1930- novembro - matricula-se no Colégio Nóbrega, em Recife; 1939- fevereiro - ingressa na Faculdade de Direito do Recife; 1942- julho - é convocado para o Exército; 1943- final do ano - ingressa no CPOR; 1944- julho - faz concurso para Juiz de direito; 1944- 23 de dezembro – é nomeado Juiz da Comarca de Serrita - Pernambuco; 1945- 2 de Janeiro - assume a Comarca de Serrita; 1945- abril – é removido para a Comarca de Triunfo; 1947é promovido para a Comarca de

Camaratuba (hoje São Joaquim do Monte-PE);
CERQUEIRA, Jaques, Djaci.Falcão – Uma vida dedicada à justiça. Recife: AIP, 1998. p. 159-160; CAVALCANTE, Carlos, Djaci.Falcão: ministro do Supremo Tribunal Federal. Recife: Fundação Antômnio dos Santos Abranches-FASA, 2003. p.155-156. 255
107

1948- é removido para a Comarca do Paulista; 1951- 23 de junho – casa-se com Dona Maria do Carmo, em Paulista-PE; 1952- 30 de maio - nasce Francisco Cândido de Melo Falcão Neto; 1952- 14 de agosto - é promovido por merecimento para a Comarca de Caruaru; 1953- 27 de agosto – é removido para a Comarca do Recife (onde passa a Juiz da 1ª Vara Criminal e posteriormente a Juiz dos Feitos da Fazenda Estadual e Municipal e dos Feitos Cíveis por distribuição - 11 ª Vara da Capital); 1954- 9 de dezembro - nasce Maria da Conceição Falcão; 1956- 20 de agosto - nasce Luciano Falcão; 1957- 8 de janeiro - por decisão unânime do Tribunal de Justiça de Pernambuco é Desembargador; 1957- 18 de março - posse no cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco; 1960- assume a Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco; 1961- assume a Presidência do Tribunal de Justiça de Pernambuco;
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promovido a

1965- passa a integrar o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco; 1966- assume a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco; 1967- 1º de fevereiro – é nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal; 1967- 22 de fevereiro – toma posse como Ministro do Supremo Tribunal Federal; 1969- 11 de fevereiro – é indicado Juiz efetivo e eleito vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral; 1971- 11 de fevereiro – toma posse como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral; 1973- 7 de fevereiro – é eleito vice-presidente do Supremo Tribunal Federal; 1975- 14 de fevereiro - assume a Presidência do Supremo Tribunal Federal; 1989- 30 de janeiro - aposenta-se como Ministro do Supremo Tribunal Federal; 1995- 20 de outubro – é inaugurada a placa do Edifício Sede Ministro Djaci Falcão no Tribunal Regional da 5ª Região.

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OITAVA PARTE MEMORIAL FOTOGRÁFICO .

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5 .Casamento com Dona Maria do Carmo em 23 de junho de 1951.

Djaci Falcão. 6 . Maria do Carmo Falcão e seus filhos Francisco Cândido. Maria da Conceição e Luciano de Araújo Falcão.

Região Djaci Falcão Neto. Maria do Carmo. 7 . Luciana e Catarina Falcão em homenagem. Djaci. Luciano Falcão. Maria do Carmo e Djaci Falcão. no Tribunal Regional Federal da 5a.Marcos. Maria da Conceição.

Djaci e Maria do Carmo Falcão na posse do Ministro Francisco Falcão no Superior Tribunal de Justiça. 8 .

Djaci Falcão na comemoração do 167º aniversário do Tribunal de Justiça de Pernambuco em 07 de agosto de 1989. em companhia do Desembargador Mauro Jordão de Vasconcelos. 9 .

10 .Djaci e Maria do Carmo no casamento da neta Luciana Falcão.

Desembargador Djaci Falcão 11 .

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jus. www. 200. Joana Bezerra. 4º andar/Norte.tjpe. n. Recife-PE.cej.br . Desembargador Guerra Barreto.Centro de Estudos Judiciários Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano Av.