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A SAGA DE UM LADINO

By Ricardo “LyoN2K”

Era uma noite escura. Chovia muito em NorthVille Depois de analisar os objetos, Dino disse:
quando Dino chegou. Estava com um capuz negro que - Hm... muito bem, então. Quanto o forasteiro deve
cobria-lhe todo o corpo, inclusive a cabeça, para se proteger pagar à esperta e linda garçonete?
da chuva. Andou um pouco pela cidade até se deparar com Ela deu um leve sorriso e corou levemente, mas manteve
uma estalagem. Não era esbelta nem tão luxuosa quanto a da os olhos fixos em Dino.
outra esquina, mas ele resolveu entrar. Ao abrir a porta, - Ora! Mas vejam só! Temos aqui um forasteiro que é
Dino pôde ver uma sala com poeira e umidade suficiente galanteador! – exclamou ela. – Pois fique sabendo
para ser um lar de Orc, mas ele não deu muita atenção. Logo que eu nunca digo “sim” a um homem ao qual eu
atrás de um balcão feio e mal construído estava um homem nunca vi o rosto.
magro e de cabelos lisos, com cara de quem acorda de um - Pois então, eu hei de mostrá-lo. – disse Dino, que ao
sonho inesquecível. dizer isto, retirou o capuz por alguns segundos, pon-
- Boa noite, senhor. O que deseja? – disse o homem do-o de volta na cabeça.
atras do balcão. Foi o suficiente para que a bela garçonete aceitasse jantar
- Um quarto, pôr favor. – respondeu-lhe Dino. naquela mesma noite com Dino. Logo após o seu expediente
- Qual... acabar, a jovem garçonete Pamella foi encontrar-se Dino no
- Qualquer um serve. – interrompeu Dino. “Travel”, um restaurante bastante calmo e sereno na cidade.
O homem então olhou-o com uma expressão pouco Outros 3 casais também estavam no local, que tinha uma
amigável, e logo após entregou-lhe uma chave feita de ferro, serenidade e iluminação bastante aconchegantes. Depois de
segura por uma corrente a uma pequena placa de madeira, um jantar bastante divertido, Dino e Pamella se deixaram
onde o número “12” estava estampado. Depois de subir pôr levar pela sedução do vinho, e acabaram dormindo juntos
uma escada também de madeira, ele logo encontrou o seu naquela noite, na casa de Pamella. Ela tinha 1,68m, magra,
quarto, depois apenas do “10” e do “11”. Ao abrir, com a tinha olhos verdes reluzentes e pele branca e macia, cabelos
chave, o quarto designado, percebeu que devia ter escolhido loiros e um falar suave e sedutor. Tinha 21 anos, trabalhava
um outro com o servente, e arrependeu-se de não deixar o naquela taverna porque ela pertencia ao seu pai, e pelos seus
homem falar. Era um quarto seco e bastante empoeirado, modos, percebia-se que tinha classe e humildade. Dino, com
com uma cama bastante frágil (que parecia querer desabar a seus 23 anos, tinha 1,76m, peso mediano, pele morena com
todo o instante), uma escrivaninha com uma das 4 pernas cabelos negros e cacheados, que lhe batiam no ombro, tinha
consertada de um modo muito rústico, além de um tapete olhos castanhos muito claros e penetrantes, sempre calmo e
totalmente rasgado nas pontas, e cheio de furos no centro. sereno, era de raciocínio rápido e inteligência considerável.
Depois de deixar sua mochila ao lado da cama e de pôr a sua Depois de perder sua mãe, e depois seu pai, vendeu tudo o
adaga embaixo do travesseiro, Dino adormeceu. que restava dos pertences da família e partiu para aventuras
Barulho. Gritaria. Dino acorda em meio ao som dos sons em lugares distantes e, para ele, desconhecidos. Depois de
vindos do movimento da cidade que adentrava as frestas da aprender com seu tio os ofícios dos ladinos, aprimorou-se
sua janela. Depois de esfregar os olhos, ele lava o rosto e cada vez mais nessa arte. Pássaros cantam. Dino acorda. A
enfim desperta totalmente, percebendo que já era um pouco casa de Pamella era calma e agradável, limpa e bem arejada,
tarde. Ele então pega suas trouxas e desce, pagando as suas construída na parte da cidade em que o movimento era
despesas na estalagem. Sai da estalagem e olha em volta: a fraco, e por isso não se acordava com o barulho da cidade.
cidade parecia uma prisão, onde de todos os lados viam-se Dino olha para seu lado direito e vê Pamella que, com a leve
muros de casas e prédios, onde multidões incrivelmente entrada de pequenos raios do amanhecer por frestas nas
cabiam naquele espaço mínimo. Depois de esbarrar em um janelas, agora parecia um anjo no seu divino sono eterno.
ou outro apressado, ele chegou à taverna local. Ao analisá-la Estava parcialmente coberta pelo lençol de sua cama, que
por fora, pôde ver os grandes dizeres “Full Fish”, e uma deixava todo o corpo acima da cintura em estado de nudez.
portinhola de madeira que a todo momento se abria e se Dino então observou a forma perfeita e delicada dos seios
fechava. Ali ele entrou, e pôde ver o quão grande era o daquela linda garota, então ele levemente pousou seus lábios
estabelecimento: tinha no mínimo 50m², coberto de mesas naquele colo perfeito, acordando-a suavemente. Ela sorriu
onde a todo momento alguém se levantava, gritava, para ele, um sorriso magnífico, algo realmente feito por um
quebrava um copo ou garrafa ou uma garçonete era Deus ao qual Dino desconhecia. Então ele selou um beijo
assediada. Andou tranqüilamente até o balcão, e ao chegar nos lábios daquela doce criatura, e então beijou-lhe o colo, e
até lá, ouviu uma voz feminina lhe indagar: logo após o ventre, para em seguida voltar novamente a sua
- O que vai querer, forasteiro? boca ao encontro dos lábios daquela linda jovem, para outra
Dino a encarou... vez provar do néctar do amor de Pamella.
- Como sabe que venho de fora, se o capuz impede-a Dino acordou depois de novamente ter repousado ao lado
de ver meu rosto? – retrucou Dino, intrigado. de Pamella, e a viu se vestindo para sair.
- Digamos que homens encapuzados não são muito - Aonde vais, querida Pamella? – questionou Dino.
comuns aqui na cidade... – disse ela, sorrindo. - Estou indo para a taverna de meu pai, meu horário
- Bem... então esse forasteiro aqui vai querer algumas de serviço se aproxima. – retrucou ela.
rações para viagem, e uma boa garrafa de vinho. - Está bem, então. Aproveitarei o tempo para que eu
- Tudo bem, senhor forasteiro! – falou a balconista, possa conhecer a cidade. – disse ele.
virando-se e entrando numa porta que dava para um Após beijar a face de sua amada companheira, Dino viu-
local nos fundos da taverna, que pareceu a Dino um a sair, e logo após ele começou a vestir-se. Depois de passar
tipo de despensa. o resto da manhã conhecendo os locais de NorthVille, Dino
- Aqui está! – falou ela, depois de alguns minutos. foi almoçar na taverna do pai de Pamella.
Após fazer seu pedido para Pamella, Dino sentou-se ali A velha então controlou-se, e chegando perto de Dino,
mesmo, numa das cadeiras em frente ao balcão, e começou falou-lhe:
a comer seu almoço. Mas a as refeição foi interrompida pela - Ela ainda vive. Mas a profecia eu não posso tirar.
chegada de uma senhora de bastante idade, que trajava um - Não há nenhuma chance? – perguntou Dino.
longo vestido preto, e na cabeça usava um chapéu pontudo, - Não, não há... espere... espere um pouco... – a velha
também preto. Apoiava-se numa bengala de madeira, e tinha então fez uma careta de reflexão. – Há sim... é, sim.
uma aparência de muitos poucos amigos. Todos olharam-na Realmente, ainda resta esperança. – falou ela.
com espanto e medo, e recuaram suas cadeiras ao tempo que O rosto de Dino se iluminou totalmente.
ela passou. Chegando ao balcão, foi atendida pôr Pamella. - Então, diga-me: como podemos salvá-la?
- O que deseja, minha senhora? – perguntou a moça. - É impossível... ou quase... não sei. – falou a bruxa,
- Algo para comer, e depressa! – respondeu a velha. sem mostras muita esperança. – Realmente, há uma
Depois de poucos minutos, um prato de carne de porco flor mágica que pode retirar este feitiço, mas esta
com salada foi trazida, juntamente com uma taça de vinho. flor está em um lugar... perigoso...
- Aqui está. – anunciou Pamella, sorrindo. - Diga-me onde! – interrompeu Dino.
- Eis que se demorasse mais um pouco, eu iria ir-me - Está... nas Montanhas Kaborn. – falou ela, com um
embora! – retrucou a velha de preto grosseiramente. pouco de esforço.
Dino trocou um olhar com Pamella, insinuando ir tirar A menção daquele nome alterou profundamente o ânimo
satisfações da falta de respeito da velha para com ela, mas a dos que ainda tinham esperança de salvar a jovem. Muitos
moça logo retribuiu com um olhar de censura total. Após exclamaram palavrões, e alguns sussurraram palavras que
comer e beber tudo, a velha levantou-se e estava a se retirar denunciavam a pouca esperança que tinham. Ao primeiro
da taverna, quando Pamella alertou-lhe: momento, Dino ficou paralisado com a menção do nome ao
- Esqueceste de pagar, senhora! qual a velha pronunciou, mas depois de alguns segundos ele
- Humpf! Não esqueci não, de modo algum, pois a levantou, com Pamella nos braços, e declarou:
minha memória é muito boa, fique sabendo. – disse - Eu vou.
a velha. – Pois provando da sua comida, achei-a tão Espanto geral. Os presentes murmuraram todos juntos, e
desgostosa que decidi não pagar pôr ela! alguns comentavam que Dino devia estar louco. Dino levou
Dino imediatamente levantou-se de sua cadeira, mas a Pamella para a casa dela, sendo acompanhado apenas pelo
jovem Pamella impediu-o de falar, dizendo: pai da garota e a bruxa, que devia dar-lhe instruções sobre a
- Pois então eu irei melhorar os meus mantimentos o flor que ele deveria encontrar. Depois de receber todas as
melhor possível, para que sua próxima vez aqui seja informações necessárias sobre a flor e a montanha (as coisas
para pagar pela conta. que ele não sabia ainda), Dino dormiu, e antes do Sol nascer
A velha de luto, que já ia saindo, parou e olhou para a no dia seguinte, ele já estava pronto para partir. Vestiu-se
garçonete, e sorriu-lhe. Mas nada teve tempo de falar, pois com sua capa preta, pôs uma leve, mas essencial mochila
da porta da despensa da taverna prorrompeu o pai da garota, nas costas, despediu-se da bruxa e do sr. Duggs e partiu.
furioso, gritando contra a velha: Depois de andar por algum tempo por uma floresta ao
- Mas eis que tu, ó velha charlatona, há de pagar pelo qual o nome Dino desconhecia, olhou para o céu e viu o Sol
que comeste aqui sim, e AGORA! – bradou ele. posicionado exatamente acima de sua cabeça. “Hora do meu
A mulher então mirou sua atenção naquele homem gordo almoço.” – pensou ele. Depois de uma pequena pausa para
e barbudo, que agora aparecia. ingerir apenas um pouco de pão e tomar uns goles de água,
- Não grites, ó pançudo, pois não sabe com quem está Dino voltou sua atenção novamente à estrada, pensando no
mexendo!!! – bradou a velhota. curto tempo que tinha para salvar sua amada: seis dias, um
- Mas vejam só... o que uma velha carrancuda poderia tempo tão preciosos que ele não podia se dar ao luxo de ir
me fazer? Pois o que tens de fazer, faça, pois senão caminhando. Passou então a trotar, e foi trotando que ele
há de pagar a comida que repousa em teu bucho! chegou ao final do primeiro dia de percurso. Agora a noite
Pois eis que a velha bate seu cajado no chão três vezes e devorara todas as estrelas, e Dino comia mais um bocado de
cala toda a multidão que antes murmurava sobre este fato. pão e tomava mais alguns goles d’água. O segundo dia foi
Então, com uma cara bastante maligna a ponto de pôr medo mais cansativo, pois Dino foi em passo de trote todo tempo,
em qualquer herói, disse: parando apenas para almoçar e ceiar. No terceiro dia, ele fez
- E heis que tu, homem que não sabe dos perigos em seu desjejum pela manhã, e novamente trotou. Ao meio dia,
que se mete ao mexer com os sábios da arte negra, ao parar para comer, ele ouviu algo estranho. “A fome nos
há de provar do veneno da serpente que atiçou: traz muitas alucinações!” – pensou Dino. Mas logo Dino
“Não o que tu despreza, o que achas que é entulho, ouviu novamente o barulho que o incomodou anteriormente.
aquilo que vem e vai por mil vias; mas sim aquilo Eram passos. Ele rapidamente enfiou o restante de sua ceia
que tu mais preza, do que mais tem orgulho, virá a na sacola e tratou de subir na árvore mais próxima. Ficou
cair em sete dias.” então sentado num galho logo acima da estrada, pois este
Com esta frase, a velha bateu mais uma vez o cajado no era o único galho de árvore suficientemente forte para que
chão, e então Pamella caiu. Imediatamente Dino pulou o um humano pudesse sentar. Ele viu 7 homens, sendo um
balcão e a pôs em seus braços, e sentiu sua pele gélida, que deles do tamanho de uma criança. Todos estavam cobertos
dava o aspecto da morte aquele belo corpo. O Pai da garota por capas negras, assim como ele, a trotavam na estrada da
ficou totalmente aturdido, apenas observando aquela cena, e floresta. Quando os homens estavam passando por debaixo
tentando pensar no que fazer, sem dizer qualquer palavra ou da árvore na qual Dino estava, este fez um movimento um
realizar qualquer gesto. Dino colocou Pamella em cima do pouco brusco para se virar para o outro lado e continuar a
balcão e olhou para o rosto da velha, pronto para desferir- observar o grupo, mas neste instante o galho quebrou, e ele,
lhe mil palavras ofensivas, mas de repente parou. Encarou a Dino, acabou caindo em cima de um dos homens.
velha bruxa, e viu em seus olhos uma imensa frustração e - Ai! – exclamou o homem atingido pôr Dino.
arrependimento. Ela olhou para Dino, e balançou a cabeça Dino mal teve tempo de reagir. Após cair em cima de um
inconformada com o q fizera. Ela então chorou, e Dino se dos homens do grupo, que acabou desabando com o peso de
pôs a chorar, juntamente com o pai de Pamella. Dino, ele tentou se levantar rapidamente para correr, mas no
mesmo instante foi seguro em cada um dos braços por um no instante em que tivesse comido do bolo seu corpo tivesse
dos homens, enquanto outros três lhe apontavam espadas descansado pôr várias horas. Partiram trotando novamente
longas e afiadas, que reluziram com a luz solar. pela estrada da floresta, e à noite eles comeram e dormiram.
- Quem é você? Um espião? – bradou um dos homens Dino acordou com o pensamento fixo em sua cabeça: “Três
do grupo, que parecia ser o líder. dias apenas.” E trotou com Forest mais um pouco, até que
- Não, não! De modo algum... – respondeu Dino. eles chegaram nos pés de Kaborn. Ali, eles pararam e então
Então o líder tirou do rosto de Dino o capuz, que revelou almoçaram. Depois de revigorar novamente suas forças com
a face humana do hábil gatuno. Com uma expressão meio o bolo dos elfos, Dino observou a enorme montanha, e disse
que espantada, meio que surpresa, o líder do grupo chamou a si mesmo que não havia esperança. Se ele passou três dias
os outros 4, deixando os dois que estavam segurando Dino inteiros na floresta, e ainda tinha que subir e descer aquela
amarrando-o com cordas grossas. O grupo todo discutiu por montanha enorme, para depois retornar novamente ao chão
um tempo, sempre observando se Dino se libertara ou não e atravessar de novo a floresta, sentiu que o amor que fazia
das amarras, e logo eles voltaram sua atenção novamente seu corpo seguir em frente agora transformava-se em ódio,
para seu prisioneiro. em ódio do mundo, em ódio da bruxa, em ódio de Pamella,
- Você disse que não é um espião, mas você vai ter em ódio daquela montanha, ódio da flor e ódio de si mesmo,
que provar suas palavras. – disse o líder. e ódio daquele amor que fora tão maravilhoso e que agora o
- Eu... não sei do que vocês estão falando... eu apenas fazia sentir a dor da perda. Olhando a montanha, ele chorou,
estou querendo chegar até Kaborn, para salvar a chorou como uma criança, como um jovem, como um ser
minha mulher! – falou Dino, um pouco confuso. adulto ou como um idoso, porque todo choro é motivado, e
- Mulher? Explique sua história, então. o dele representava sua esperança que agora esvaia-se pouco
Dino então falou aos homens tudo o que ocorreu com a a pouco de seu peito.
chegada da bruxa, o seu feitiço e sobre a flor mágica. - Não tema, pois ainda há tempo. – disse Forest.
- Isso é um absurdo! – gritou o líder. – Esta história - Como não temer! Como posso ficar calmo quando
não tem sentido algum... vejo que todas as possibilidades de salvar a vida da
- Pra dizer a verdade, tem sim. – disse um homem do minha amada estão indo embora, como um barco no
grupo. – De acordo com meus antecedentes, existe rio de águas furiosas, onde o navegador tenta, mas
uma flor na Montanha Kaborn que pode curar todo ao final vê que seus esforços são coisas mínimas se
e qualquer enfermidade, se utilizada pôr uma boa comparadas à fúria do oceano!!! – bradou Dino.
causa. Forest olhou dentro dos olhos de Dino calmamente, e por
- Bem... – o líder agora parecia constrangido. – Eu um longo período encarou o hábil gatuno.
peço seu perdão, meu rapaz. Acho que para corrigir - O tempo traz muitas surpresas, mas cada uma a sua
meu erro, posso apenas oferecer minha companhia e hora. – disse Forest. – Enquanto houver tempo, tudo
a de meus companheiros até Kaborn, se você estiver pode mudar. A esperança só morre quando, de fato,
disposto a aceitar meu perdão. o tempo se esvai por completo. A hora da provação
- Então, para que aceite minhas desculpas por cair em das tuas habilidades está chegando, portanto prepara
cima de um dos seus homens... acho que aceitarei a teu espírito, mente e coração para o desafio que vais
sua proposta. – disse Dino, sorrindo. enfrentar mais adiante.
O líder então desamarrou as cordas em volta de Dino, e Dino levantou-se, pegou seus pertences e partiu para a
estendendo a mão, ajudou a levantá-lo. Todos tiraram seus montanha, juntamente com Forest. Os dois foram subindo,
capuzes, e para a surpresa de Dino, o baixinho que ele tinha até que a noite chegou. Não era muito frio ali, a temperatura
notado era um anão, e o homem que falara da flor pela qual estava serena, pois o verão estava fazendo ferver o Sol. Eis
ele estava procurando era um elfo. que a manhã chega, e Dino e Forest sobem o mais rápido
- Chamam-me Dino, muito prazer. possível. Comem e bebem rapidamente, prosseguindo sua
- Espero que aprecie a nossa companhia, caro amigo escalada da forma mais rápida que conseguem suportar. A
Dino. Me chamo Flech. – disse o líder, apertando a noite chega, e eles repousam. O último dia de Pamella faz os
mão de Dino. – Estes aqui são Wood, Carls, Dick e raios de Sol acordarem suavemente Dino, que levanta com
Lorean. rapidez e logo parte com seu amigo elfo. Depois de algum
- Me chamo Forest. – disse o elfo. tempo escalando rochas íngremes, os dois sobem o último
- E eu sou Kanduck. – apresentou-se o anão. obstáculo pedregoso e encontram... a flor. Com um lindo
Após as apresentações, o grupo sentou-se e começou a centro prateado, e cheia de pétalas pálidas como a neve à
preparar o desjejum do meio-dia, enquanto o anão e Dino sua volta, a Flor de Lotus é avistada pelos dois aventureiros.
conversavam amigavelmente, e o elfo tinha ido caçar. Dino se apressa em alcançá-la, e então aproxima-se dela de
Quando a água da panela estava fervendo, o elfo chega com modo cuidadoso, e a retira do solo com delicadeza e muita
dois coelhos mortos. Lorean preparou os coelhos com uma precisão. Quando o elfo chega perto para apreciar a bela flor
rapidez e habilidade admiráveis, e logo após colocou-os na capturada por Dino, o chão embaixo dos dois se rompe, e os
panela, junto com alguns legumes e temperos. Depois de dois caem em uma escuridão assombrosa.
alguns minutos em uma estimulante conversa, eles comeram - Ai! – exclamou Dino, após recuperar-se da queda.
os coelhos e partiram para a estrada. Trotavam forte e com - Onde será que estamos? – perguntou Forest.
muito vigor, e logo a noite chegou. Enquanto ceiavam, Dino Os dois se levantaram ainda um pouco tontos. O lugar
acabou lembrando o motivo da sua jornada, e informou aos era um caverna úmida e cheia de limo, e o lugar pôr onde
seus novos companheiros o fato. Flech decidiu então que ele caíram parecia estar a uns quatro metros. Era impossível sair
poderia ir, e Forest, o elfo, se dispôs a acompanhá-lo. Dino dali pôr onde entraram, pois não tinham corda, e as paredes
aceitou com prazer a companhia do elfo, que parecia muito eram inclinadas no sentido oposto ao da escalada.
sábio e sagaz. Antes mesmo do Sol nascer, Dino acordou e - Acho que teremos de encontrar uma outra lugar
viu ao seu lado Forest já pronto para partir. Os dois trotaram para que possamos sair daqui. – disse Forest. – Esta
rapidamente até o meio-dia, quando Forest deu a Dino um caverna é muito escura, mas pôr sorte eu tenho na
pedaço de seu bolo élfico, que fez com que Dino sentisse minha sacola algo para iluminar nosso caminho.
um vigor e força crescerem rapidamente nele, como se bem Forest abriu sua sacola, e dela ele tirou uma tocha e junto
uma folha de um fruto que Dino desconhecia, e logo após se a subir. Enfim alcançaram um novo corredor, onde
um graveto de madeira. Forest fez o graveto girar e queimar puderam ver dois guardas sentados em duas cadeiras, cada
a folha, que logo após foi colocada na tocha, que queimou. uma ao lado de uma porta de metal, que parecia muito forte.
Eles andaram pôr algum tempo, e acharam no caminho Após serem vistos pelos guarda, Forest empunhou seu arco
uma bifurcação. Forest fez uma careta estranha, mas acabou e mirou em um deles enquanto Dino partiu numa poderosa
escolhendo o caminho da direita. Depois de caminhar mais investida, armado de sua pequena adaga. Quando um dos
um pouco, surpreendentemente eles encontraram uma porta. guardas estava se levantando, foi atingido no braço direito, e
- Algo que mora numa caverna assim não deve gostar pôs-se a gemer. O segundo levantou e empunhou sua espada
de visitas... – observou Dino, pondo a mão na sua curta contra Dino, que manteve a corrida e, ao chegar perto
adaga. do seu oponente abaixou-se, desviando o corpo do golpe da
- Pode ser, mas temos de arriscar. – falou Forest. – O espada, e encravando sua adaga no tórax do soldado com
que encontraremos aí atrás pode ser tanto o nosso mais fúria do que nunca, impulsionado pela poderosa
fim ou a nossa salvação. Se pensarmos bem, o fim investida. O guarda ferido pela flecha ainda tentou puxar
também nos ocorrerá se ficarmos do lado de fora, sua espada com a mão do braço são, mas foi atingido por
então acho que só nos resta essa opção. um soco de Dino, indo ao chão. Pendurada na parede, estava
Forest bateu três vezes na porta. Depois de algum tempo a chave da porta, e logo Dino pegou-a e abriu o poderoso
de silêncio, uma voz grossa falou algo que pareceu ser uma portão de ferro. Para a alegria dos aventureiros, eles viram o
língua diferente. Logo que ouviu a voz, Forest sacou o seu Sol entrar, e saltaram para fora daquele lugar maligno, e
arco longo e empunhou-o para a porta. Fez então um gesto correram com todas as forças para o lugar mais distante dali
para que Dino batesse na porta, e foi o que ele fez. O ser que que pudessem encontrar. Mas Dino e Forest não foram tão
falou apareceu em seguida, abrindo a porta com a mão em longe quanto queriam. Depois de correr 10m, se deram
uma espada. Mal teve tempo de observar os visitantes, pois conta de que estavam correndo na direção de mais orcs, e ao
Forest acertou-lhe uma flecha no crânio, que fez o orc cair virarem para correr para o lado oposto, viram-se cercados
morto imediatamente. Com uma agilidade incrível, Forest por outro grupo. Dino e Forest estavam basicamente no
pôs outra flecha no arco e saltou para dentro do lugar, sendo meio da montanha, enquanto um grupo orc estava abaixo
seguido por Dino. Eles puderam observar que haviam várias deles e o outro estava acima. O líder orc presente empunhou
camas, um grande armário que ia de parede a parede, e uma sua espada e gritou algo, e os orcs partiram para cima dos
grande mesa repleta de cartas e outros tipos de jogos, mas aventureiros.
nenhum ser vivo podia ser encontrado no local. Uma porta Uma flecha zuniu no ar e acertou a cabeça de um orc.
dos fundos podia ser vista, e parecia ter sido aberta a pouco Não, não tinha sido Forest quem a disparou. Imediatamente
tempo, pois ainda estava balançando. os orcs do grupo de baixo olharam para trás, e Dino e Forest
- Havia mais de um aqui. – falou Forest. puderam ver, por cima das cabeças dos orcs, o pequeno
- E com certeza eles não estão em número reduzido, grupo de Forest, que se separaram na floresta. No momento
pelo menos não em outras possíveis salas para onde seguinte, todo o grupo de baixo se virou, indo na direção
tenham fugido. – concluiu Dino. dos novos oponentes, enquanto o grupo de cima, que tinha
Dino puxou sua adaga e seguiu Forest, enquanto o elfo parado para observar de onde a flecha tinha vindo, agora ia
caminhava lentamente para a porta dos fundos com seu arco em uma nova investida contra Dino e Forest. O grupo de
diretamente apontado para ela. Quando Forest chegou ao cima continha aproximadamente 15 orcs, e o de baixo, uns
centro do que parecia ser um dormitório dos orcs, ele parou 23. Seria uma luta difícil para os aventureiros, mas eles não
e farejou o ar. Não teve tempo de fazer qualquer movimento fugiram. Do começo da segunda investida até a chegada dos
ou de dizer qualquer palavra, pois foi brutalmente atingido orcs perto de Dino e Forest, o elfo conseguira abater quetro
pôr um soco de um orc, que apareceu repentinamente nas orcs, e agora ele puxava uma espada curta para combater no
suas costas. Imediatamente, Dino abaixou-se, e assim evitou corpo a corpo com aqueles seres perversos e odiosos. Após
o golpe do machado de outro orc atrás dele, e na mesma pular para o lado e acertar um orc, Dino avançou com
hora virou e acertou com sua adaga a perna do orc que tinha bravura para o meio dos orcs, e atravessando todo o grupo,
lhe atacado. O orc imediatamente largou o machado e levou habilmente atingiu cinco deles. Ao chegar ao outro lado, ele
suas mãos até a perna, caindo e uivando de dor. O outro orc começou a combater o líder dos orcs, enquanto Forest ia
tentou também atingir Dino com uma espada, mas ele fez enfrentando os quatro restantes. Depois de degolar três orcs,
uma rápida esquiva, pulando para seu lado esquerdo e assim o elfo rasteirou o último do grupo, e logo depois encravou-
contra-atacando o orc, encravou sua adaga no pescoço da lhe sua espada. Dino encontrara um oponente à altura, pois
criatura maligna. Retirando sua adaga da garganta do orc, o chefe orc era tão rápido quanto ele. Dino esquivou-se de
Dino permitiu que ele caísse no chão e desfalecesse. Forest um golpe de espada do líder jogando-se no chão e ao mesmo
levantou com um pouco de dificuldade, ainda sentindo o tempo cravou a sua adaga no pé do líder. Este, como reação,
peso da mão do maldito orc que lhe acertara. Dino correra rugiu, e tentou desferir um golpe para decepar o braço do
em direção da porta pôr onde tinham entrado, e viu aberta ágil gatuno, mas Dino rolou para o lado e viu o líder orc
uma passagem pela parede, e vários gritos pelo corredor. O decepar seus próprios dedos do pé. Agora totalmente
bravo ladino fechou e trancou a porta, e indo na direção de atordoado pela sagacidade do seu oponente e pela dor que
seu amigo elfo, disse-lhe: lhe afligia, o líder orc lançou-se ao chão, e gemeu na sua
- Os que fugiram atravessaram uma passagem e nos dolorida derrota.
atacaram pelas costas, enquanto um devia ter ido ao Dino levantou-se do chão, e tirou de sua roupa alguns
esconderijo principal e convocado os outros para vir flocos de neve no qual ele se jogou. Ele observou Forest, e o
nos matar! elfo olhou-o com ternura e admiração, retirando sua espada
Depois de observar Dino, ofegante, pôr alguns segundos, do último orc morto, e indo recuperar seu arco, que ele
Forest empunhou novamente a flecha em seu arco e saiu em lançara ao chão para o combate corpo a corpo. Após retirar
direção da porta dos fundos. Dino seguiu-o, e os dois sua adaga do defunto líder dos orcs, Dino observou os seus
correram depressa pelo frio e tenebroso corredor, iluminado companheiros da floresta virem para cumprimentá-lo, após
apenas pela tocha que Dino carregava em suas mãos. Após encherem Forest de abraços e apertos de mão.
uma longa corrida, eles alcançaram uma escada, e puseram-
Depois de carregar os corpos dos orcs para a caverna e
trancá-la, os aventureiros fizeram uma fogueira e montaram
acampamento, pois já estava escuro. Dino agora começou a
pensar em Pamella, e disse:
- De nada valeram todos os meus esforços, pois ao
meu objetivo eu não consegui chegar.
O espírito de alegria pela batalha, que estava em todos os
corações presentes, se transformou em tristeza ao ver um
amigo sofrendo. Kanduck então sorriu, e chamou Dino para
que eles pudessem conversar sozinhos. Depois de se
afastarem do grupo, Kanduck disse a Dino:
- Eu entendo o que você sente. Quer voltar para a sua
amada o mais depressa possível, pois sabe que pode
salvá-la, mas também sabe que o tempo não pode
parar e esperar que você chegue até lá a tempo.
- É...
- E pôr isso – continuou Kanduck. – Você foi por
inteiro invadido pôr uma tristeza enorme, eu sei.
Mas aqui, eu tenho uma surpresa para você.
Kanduck tirou do dedo um anel de ouro, que tinha uma
listra que o percorria bem no meio, feita de um metal mais
valioso do que Dino poderia sonhar.
- Este anel é mágico. – disse Kanduck. – Ele pode,
uma vez ao dia, transportar seu usuário a qualquer
lugar que ele deseja ir. Emprestarei este objeto com
a condição de que tu venha amanhã, pela manhã, até
este local aonde estamos, e me devolverás ele.
- Claro... é... – Dino não sabia o que dizer. – Eu... eu,
quero... MUITO OBRIGADO, KANDUCK!!!
Então Dino abraçou o anão com o maior afeto que ele
podia, e logo após isso despediu-se de todos os amigos do
grupo, dizendo que iria na frente, e que amanhã eles iriam se
encontrar novamente.