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Interpretação da Natureza

e do Meio Rural

Interpretação da Natureza e do Meio Rural
Projecto financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação contida nesta publicação vincula exclusivamente

Projecto financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação contida nesta publicação vincula exclusivamente o autor, não sendo a Comissão responsável pela utilização que dela possa ser feita.

responsável pela utilização que dela possa ser feita. Interprete da natureza e do meio rural: Uma

Interprete da natureza e do meio rural:

Uma formação innovadora

Editor: ADRAT, Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega. Terreiro de Cavalaria, s/n 5400-531 Chaves (Portugal) geral@adrat.pt

de Cavalaria, s/n 5400-531 Chaves (Portugal) geral@adrat.pt Promotor e Coordenador: IRMA, S.L. Avda. Aviación 70-3

Promotor e Coordenador: IRMA, S.L. Avda. Aviación 70-3 24198 - La Virgen del Camino León (Espanha) irmasl@irmasl.com - www.irmasl.com www.irmasl.com/innature/

irmasl@irmasl.com - www.irmasl.com www.irmasl.com/innature/ ISBN - 10: 989-95031-1-8 ISBN - 13: 987-989-95031-1-3
ISBN - 10: 989-95031-1-8 ISBN - 13: 987-989-95031-1-3 Depósito Legal: 241782/06
ISBN - 10: 989-95031-1-8
ISBN - 13: 987-989-95031-1-3
Depósito Legal: 241782/06

Realização: GRÁFICAS ALSE León (Espanha) info@alse.com.es

Projecto financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação contida nesta publicação vincula exclusivamente o autor, não sendo a Comissão responsável pela utilização que dela possa ser feita.

ÍNDICE

Introdução: A Arte da Interpretação

11

A Associação Transnacional

15

IRMA, SL (Espanha)

15

ADESPER (Espanha)

16

ADRAT (Portugal)

17

AGROINSTITUT NITRA (Eslováquia)

19

CIA TOSCANA (Itália)

20

METLA (Finlândia)

21

PRAGMA (Itália)

22

1. Interpretação do património natural e cultural

25

Unidade 1. O que é a interpretação? Conceito e definições Objectivos e finalidade Os princípios da interpretação

29

Unidade 2. Os participantes no processo interpretativo Os visitantes

31

A

população local

O

intérprete

A

mensagem e sua compreensão

Unidade 3. Planificação interpretativa. O programa interpretativo

36

O

conceito de planificação interpretativa

Etapas de planificação Meios interpretativos Avaliação da interpretação

 

2. Interpretação do Meio Rural

41

Unidade 1. O que podemos interpretar no meio rural?

45

Natureza e paisagem História, arquitectura, cultura e tradições Traços ou Conteúdos com potencial interpretativo Unidade 2. O património rural

49

O

conceito de património

Património natural/ meio ambiental Património cultural/histórico

 

Unidade 3. Conteúdos potencialmente interpretativos

55

Critérios

Conteúdos potencialmente interpretativos

Quando e onde NÃO interpretar

3. Comunicação e interpretação

61

Unidade 1. O processo de comunicação

65

O

processo de comunicação

Sistemas de filtros Como acontece a falha de comunicação Psicologia do Turismo Unidade 2. A mensagem interpretativa Características da mensagem

69

Necessidade de manter o nível de atenção Interpretação temática Unidade 3. Comunicação da mensagem

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Estruturação

Questionários

Respostas

4. O património como motor do desenvolvimento rural sustentável

79

Unidade 1. O Património como um recurso endógeno de desenvolvimento

83

Identidade local Diversidade territorial Conservação do “local” Unidade 2. Um “toque” na Planificação Interpretativa

87

A

ligação entre património e sociedade

Trabalho com a população local

 

Unidade 3. Desenvolvimento rural sustentável

89

Sustentabilidade

Impactos esperados

5. “Da teoria à prática”, meios interpretativos

93

Unidade 1. Tarefas e actividades principais do intérprete

97

Perfil profissional Competências relacionadas com os conhecimentos Competências relacionadas com as habilidades/aptidões Situações de trabalho Unidade 2. Os meios interpretativos

106

Que meios se adequam ao meu plano? Classificação de meios interpretativos Unidade 3. Lugares e aplicações

121

6. Conservação, ambiente e directivas comunitárias

125

Unidade 1. A respeito do Património Cultural e Histórico

129

União Europeia Medidas específicas dos diferentes Países Unidade 2. Proteger e Conservar a Natureza

144

União Europeia Medidas específicas dos diferentes Países Unidade 3. Orientações para proteger o Mundo rural União Europeia Perfil dos Países Anexo: Quadros de Legislação

159

7. Programas Interpretativos

173

Unidade 1. Dependendo das Estações

177

Sazonalidade

A zona de Monte Bondone

A região de Nitra

Unidade 2. Com forte componente antropológica

200

A

componente antropológica

Grosseto

“Tierra de la Reina” Unidade 3. Áreas de grande fragilidade Ecossistemas frágeis Os pântanos de Siikaneva: Uma introdução aos ecossistemas de turfeiras na Finlândia Portugal (Alto Tâmega)

219

Bibliografia

241

INTRODUÇÃO A arte da interpretação
INTRODUÇÃO
A arte da interpretação
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

A Arte da Interpretação

O que é a interpretação do património? Esta per-

gunta é inevitável. Por interpretação, referimo-nos,

neste caso, a:

“A arte de revelar in situ o significado do legado natural ou cultural, ao público que visita esses luga- res no seu tempo livre.”

(Associação para a Interpretação do Património)

O termo interpretação costuma estar associado à

interpretação de línguas estrangeiras, em cujo caso se refere à tradução do conteúdo ou significado, de uma língua para outra.

Noutra dos seus significados, interpretação é a explicação ou descodificação da realidade de acordo com a visão que cada um de nós tem do mundo. Mas, quando nos referimos à interpretação do património estamos a referir-nos a algo diferente, mas não por isso desprovido de uma certa relação com os outros significados, entre os vários que o termo tem, que acabamos de citar.

Esta coincidência terminológica resultou num obstáculo para a actividade interpretativa, já que difi- culta a compreensão da natureza e fins desta profis- são; quem ouve falar de interpretação do património pela primeira vez, terá maior tendência a pensar que se trata de algo relacionado com qualquer uma das outras definições do termo, do que com a que real- mente lhe corresponde.

Esta definição apresenta-nos um emissor (o intér- prete), transmitindo uma mensagem a um receptor (o público visitante). Através desta mensagem, o intérprete pretende mostrar a uma ou várias pessoas o significado de um elemento do património, o qual está a visitar. É importante sublinhar o facto de que a interpretação tem lugar na presença do elemento interpretado, isto é, in situ, para que seja efectiva e alcance o seu propósito. Outro dos elementos funda- mentais do acto interpretativo é o facto de que o público se encontra no local no seu tempo livre. Por um lado, isto implica que o seu nível de atenção não será sempre elevado, já que se trata de uma activida-

de recreativa. Mas por outro lado, significa que se trata de um ambiente descontraído em que o visitan- te pode realmente estabelecer vínculos emocionais com o local, aprender coisas sobre ele, e compreendê- lo (facto que vai muito além da pura aprendizagem).

Como dizíamos, a interpretação do património não deixa de estar, de certo modo, ligada às outras concepções do termo; o intérprete de alguma manei- ra, transfere uma realidade que a priori não se expressa totalmente por si mesma, sem que haja mediação da revelação (graças à mensagem interpre- tativa). Neste sentido, poderia assemelhar-se a uma tradução, como a que faz quem transfere o conteúdo de uma mensagem de uma língua para outra.

Desta forma, o intérprete ajuda o público visitan- te a definir a sua própria ideia da realidade, de acordo com a sua visão do mundo e do seu sistema de valo- res, recordações e vivências; portanto, também pode- mos encontrar uma semelhança com a segunda defi- nição a que nos referíamos previamente.

A interpretação do património é uma tarefa que

se vem desenvolvendo ao longo da História e em todo

o Mundo, adoptando diferentes formas e notoriedade;

desde o líder espiritual que interpreta a sua cultura oral para a sua tribo, até a um ancião que recorda as lendas da sua região, os ofícios tradicionais ou as pro- priedades curativas de algumas plantas. A profissio- nalização desta actividade está, sem dúvida, a resultar numa tarefa árdua, apesar de existirem grandes pro- fissionais na matéria. Por isso, é necessário elaborar itinerários formativos que promovam o seu reconhe- cimento oficial, com qualificação profissional.

A interpretação da natureza, da história e da cul-

tura implica a revalorização de uma série de bens,

inerentes à sociedade ou a uma parte da mesma, que

a enriqueçam e que albergam um leque de valores, às vezes ocultos e tácitos.

Estes dois elementos, Cultura e Natureza, fun- dem-se num único elemento híbrido: o meio rural. Este, em muitas ocasiões, deprimido e aparentemen- te desprovido de oportunidades para o futuro, é na

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o meio rural. Este, em muitas ocasiões, deprimido e aparentemen- te desprovido de oportunidades para o
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE realidade o cenário ideal para mostrar os valores ocultos a

realidade o cenário ideal para mostrar os valores ocultos a que nos referíamos. A interpretação é a ferramenta mais poderosa para colocá-los à luz dia, ao mesmo tempo que se reforçam as oportunidades laborais no meio rural e se protegem os seus signifi- cados e configuração. Desta maneira, faz-se possível um desenvolvimento endógeno, em que os próprios habitantes da zona façam parte e possam realizar uma actividade profissional sem necessidade de se deslocarem para outros núcleos populacionais.

Assim mesmo, a interpretação pode ter implícita uma série de valores de respeito, susceptíveis de sen- sibilizar o público receptor em torno da importância da atitude individual face à protecção do património e o meio rural, bem como ao significado que tem para as pessoas que nele habitam.

Aos inegáveis atractivos que muitas zonas rurais têm, une-se um interesse crescente da sociedade pelo que se passou a chamar de novo turismo; um turismo mais interessado pela cultura, o desporto e a nature- za, que aprecia (ou quer aprender a apreciar), a com- plexidade e diversidade que está por detrás do aparen- temente simples.

Trata-se de um, cada vez mais amplo, espectro da população que opta por uma forma distinta de usu- fruir do seu tempo de ócio, que inclui a gastronomia, as caminhadas, o gosto pelos elementos culturais e tradicionais, etc.

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As possibilidades que a sociedade da informação nos brinda hoje em dia, tornam muito mais visível a oferta cultural e natural, e possibilita o interesse de um número muito maior de pessoas. Isto traduz-se em oportunidade de desenvolvimento para zonas que antes podiam ver-se eclipsadas pelos recursos natu- rais e culturais mais isolados ou conhecidos, cujos atractivos eram praticamente desconhecidos para uma grande maioria.

A interpretação do património tem o sempre difí-

cil compromisso de conjugar o crescente interesse que suscitam as zonas rurais, com o seu desenvolvi- mento sustentável e endógeno; por outras palavras, tem que conciliar a adequação do meio rural para a recepção de um maior número de visitantes com a conservação da autenticidade destes lugares, respei- tando o modo de vida dos seus habitantes, com cuja colaboração e consenso se deve contar em todos os momentos.

É pois inegável a importância que tem a figura do

intérprete da natureza e do meio rural, e portanto a necessidade de proporcionar uma formação específi- ca neste sentido que tenha em consideração as mui- tas disciplinas envolvidas nesta profissão, proporcio- nando a possibilidade de gerar emprego, simultanea- mente que se potencia e protege o nosso legado cul- tural e natural.

ASSOCIAÇÁO TRANSNACIONAL
ASSOCIAÇÁO TRANSNACIONAL
(Espanha)

(Espanha)

O Instituto de Restauração e Meio Ambiente (IRMA SL) é uma PME sedeada

em La Virgen del Camino, León, que começou a sua actividade em 1994.

O seu âmbito de acção enquadra-se no desenvolvimento rural, a protecção da

natureza e o seu aproveitamento sustentável. Através da promoção de actividades relacionadas com o meio ambiente, como o turismo ecológico, a agricultura bio- lógica, a micologia e a cultura do castanheiro, entre outros; colabora na criação e concepção do emprego rural.

A IRMA SL contribui de forma inovadora para a optimização da estrutura

social, laboral e empresarial das zonas rurais. A capacitação das pessoas que vivem

num meio rural para poder desempenhar estas actividades de forma sustentável e ao mesmo tempo lucrativa, é uma das pedras angulares do trabalho da IRMA SL. Nesta mesma ordem de ideias, colabora com a gestão e assessoria para a criação de empresas relacionadas com o meio ambiente (como por exemplo, de transfor- mação de produtos naturais).

Esta entidade colabora activamente em múltiplas iniciativas europeias e de âmbito nacional (quer como entidade promotora quer como membro das parce- rias), nas quais trabalha de forma conjunta com numerosas entidades de toda a Europa, o que resulta em valiosas sinergias que fazem o seu desempenho mais efectivo e extenso e, por outro lado, proporciona o know-how de outras organiza- ções cujos fins e motivações são similares e/ou complementares. Além de actuar num âmbito geográfico mais amplo, a natureza das entidades com que colabora é muito variada; tanto se tratam de administração pública (a nível local, regional e nacional) como privadas, de maior ou menor dimensão.

Através da sua larga experiência, a entidade conhece em primeira-mão, a situação dos Grupo-alvo, beneficiários das iniciativas em que participa. A especia- lização em formação, capacitação, igualdade de oportunidades e desenvolvimento rural, proporcionou-lhe um conhecimento extenso e profundo dos meios vitais dos referidos grupos, entre os quais se encontram fundamentalmente mulheres com baixas qualificações e/ou sem experiência profissional remunerada, jovens rurais em busca do primeiro emprego e pessoas que se encontram numa situação de desemprego de longa duração, assim como todos aqueles que por pertencer a um grupo social em risco de exclusão (deficientes, emigrantes, maiores de 40 anos de idade, etc.), são susceptíveis de sofrer duplamente a exclusão laboral e social, por pertencer aos referidos grupos e por viver num meio rural.

A equipa de peritos que constituem a IRMA SL promoveu e colaborou em

numerosas acções no âmbito dos Programas Leonardo, Equal, Raphael,

Caleidoscópio, Interreg, Proder e LIFE, entre outros.

Quanto ao Programa Leonardo da Vinci, IRMA SL participou e promoveu vários projectos, entre os quais cabe destacar os seguintes:

• O projecto MYKOS, através do qual se criou um itinerário formativo como técnico de aproveitamento de fungos silvestres e cultivados.

• O projecto IRIS, em que se considera a agricultura biológica como saída profissional em zonas deprimidas e fomentar o próprio emprego.

• O projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo.

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projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
projecto Turismo Activo, neste projecto considera-se um novo perfil Profissional como especialista em turismo activo. 15
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL

• O projecto Peritos de Género, através do qual se cria um perfil profissional como agente de igualdade, para avançar face a uma igualdade de oportuni- dades real.

No que se refere ao projecto IN NATURE, a experiência prévia da IRMA SL no desenvolvimento de itinerários formativos inovadores e metodologias específicas para a qualificação de novas profissões ou a profissionalização de actividades não reconhecidas (como ocorre frequentemente no meio rural), é um pilar básico sobre o qual assenta a sua participação, como entidade promotora.

(Espanha)

(Espanha)

A Associação para o Desenvolvimento Sustentável e Promoção do Emprego Rural

(ADESPER) é uma entidade sem fins lucrativos de âmbito nacional, que engloba diversos interlocutores sociais que trabalham no desenvolvimento local e rural. A ADESPER conta com uma grande experiência no desenvolvimento rural sustentável, focando-o desde uma dupla vertente: a criação de emprego e a formação.

A equipa técnica da ADESPER está formada por peritos qualificados e com ampla experiência em muitas áreas que resultam complementares para os seus

fins, que incluem a biologia, a engenharia, a micologia, o desenvolvimento rural,

a docência, o desenvolvimento e a gestão de projectos, assim como a assessoria

técnica e a gestão económica e administrativa. Esta equipa multidisciplinar e experiente, torna possível que a associação participe de maneira activa em múlti- plas iniciativas no seio de programas como os promovidos pela Fundação Biodiversidade ou nos programas Leonardo, Equal, Leader ou Interreg, entre outros.

Das iniciativas mais destacadas em que colabora, podemos citar as seguintes:

• O projecto Cooperação e Valorização do Património Rural (Interreg IIIB Espaço Atlântico). Esta iniciativa incide no aproveitamento de novas opor- tunidades para a valorização do património como são o aparecimento de novas correntes de procura turística (turismo cultural, ambiental, de ócio, etc.) e o surgimento de indústrias da cultura.

• O projecto Concíliate Bierzo (Programa EQUAL), através do qual se perse- gue a criação de um serviço de inserção laboral e de acompanhamento sócio-pedagógico para a inserção de grupos em risco de exclusão.

• Ruralidade: Igualdade para a Inserção Laboral Agrária (Programa EQUAL); este projecto articula-se em volta de um Centro de Recursos para a Igualdade de Oportunidades, através do que se ofereceu tele-formação e se realizaram acções de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades.

de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada
de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada
de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada
de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada
de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada
de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada
de sensibilização sobre a igualdade de oportunidades. 16 A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada

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A ADESPER, fundada no ano 2000, está situada em Trobaio del Camino, León,

a sua equipa dedica-se à concepção, elaboração, gestão e execução dos projectos

iniciativas em que a associação participa. Trabalha em várias comunidades autó-

nomas de Espanha, em particular, Castela e Leão, Navarra, Astúrias, Galiza e Cantábria.

e

e

ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL

ADESPER realizou e continua a realizar múltiplas acções formativas e de sen- sibilização, em torno de temas relacionados com o desenvolvimento sustentável e

o aproveitamento racional dos recursos, especialmente os relacionados com a

micologia e com a cultura do castanheiro, assim como a projecção destas e outras actividades do meio rural para alcançar a integração laboral de sectores desfavo- recidos e da igualdade de oportunidades. Para tal, assessorou e ofereceu formação acerca da criação de cooperativas ou centros de inserção laboral e elaborou itine- rários formativos para valorizar e profissionalizar este tipo de actividades. A sua actividade formativa e de sensibilização abarca desde a consciencialização e capa- citação para o cuidado e utilização sustentável dos recursos naturais, até à aplica- ção destes no desenvolvimento rural, através dos processos de transformação de produtos biológicos, cada vez mais procurados, ou de diferentes profissões relacio- nadas com o turismo rural e a conservação e valorização do património rural.

Como consequência da capacitação estratégica dos integrantes da associação,

a sua experiência e o conhecimento directo das problemáticas sobre as quais pre-

tende incidir, a ADESPER editou publicações (tanto em papel como em suporte digital), concretamente sobre a agricultura biológica (Agricultura Ecológica) e a micologia (Manual y Guia Didáctica de Micologia), cujo valor fica atestado pelo seu êxito como manual formativo.

(Portugal)

(Portugal)

Quando na segunda metade da década de 80, a problemática do desenvolvi-

mento local começou a ser sentida com maior acuidade, tornou-se indispensável

a conjugação de esforços por parte de todos aqueles que pudessem estar envolvi- dos num processo de desenvolvimento que se tornava importante despoletar na região.

Surge assim, em 1990, a Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), assentando a sua actuação numa plataforma inter-institucional, com objectivos de criar condições que permitissem, de uma maneira integrada e coordenada, definir e planear estratégias para o desenvolvimento da sub-região do Alto Tâmega.

A plataforma inter-institucional em que assenta é constituída pelas Autarquias do Alto Tâmega, pelas Cooperativas e Associações mais representativas da região.

Baseando as suas acções nesta plataforma e tendo como suporte as potenciali- dades da região abrangida, a ADRAT tem-se empenhado em enfrentar a problemá- tica do Desenvolvimento do Alto Tâmega de forma activa, aprofundando os con- hecimentos sobre a sua zona de intervenção, assumindo-se como espaço propício para a definição de estratégias e para delinear acções que visem a dinamização das comunidades locais.

Definiram-se objectivos que contribuíssem para o crescimento económico da região e para o desenvolvimento de sectores produtivos, que valorizassem os recursos naturais e aumentassem a qualidade de vida da população local:

• Promover e divulgar todas as potencialidades da região.

• Promover e apoiar projectos de interesse regional.

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• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
• Promover e divulgar todas as potencialidades da região. • Promover e apoiar projectos de interesse
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL

• Acompanhar as acções de empresários e potenciais investidores.

• Fomentar acções culturais, sociais e de defesa do património regional.

• Dinamizar a formação profissional em todas as suas vertentes.

• Organizar colóquios, conferências e seminários.

A procura constante por parte de investidores públicos e privados do apoio que a ADRAT lhes possa prestar, obriga ao alargamento de horizontes na procura de soluções de investimento, explorando várias possibilidades dos objectivos iniciais.

Para isso, a ADRAT tem efectuado inúmeras candidaturas a Programas Nacionais e Comunitários, que são colocadas ao serviço da população do Alto Tâmega. Como exemplo de alguns desses podemos referir:

• Programas Leader I, Leader II, Leader + (Desenvolvimento Rural).

• Programas INTERREG I, II e III (Cooperação Internacional).

• Programa Formação PME (apoio às Pequenas e Médias Empresas).

• Programa Operacional da Região Norte ON (acções de promoção e valori- zação local e regional).

• Programa Leonardo da Vinci (acções para a Educação e Cultura).

• Programa AGRIS (Desenvolvimento Rural).

Hoje, sem se terem criado falsas expectativas, a actuação da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria das Instituições da Região.

da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria
da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria
da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria
da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria
da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria
da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria
da ADRAT para além de abranger a maior parte do Alto Tâmega, abrange também a maioria

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ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
(Eslovaquia)
(Eslovaquia)

(Eslovaquia)

O AGROINSTITÚT NITRA é uma instituição educativa dedicada ao desenvolvi-

mento de estratégias e conceitos de educação contínua, relacionada com o sector

agro-alimentar. Também oferece formação profissional em escolas secundárias, sobre a indústria de transformação de alimentos.

Os objectivos estratégicos do AGROINSTITÚT são:

Estabelecer um sistema de educação contínua no sector agro-alimentar.

Apoiar os serviços de assessoria

O

AGROINSTITÚT também oferece serviços de cattering e alojamento, alu-

guer de instalações para reuniões e conferências, assim como de biblioteca e infor-

mação.

Centro de Formação Contínua

O Centro de Formação Contínua cria um espaço para o desenvolvimento de

recursos humanos no sector agrícola. Através de actividades orientadas para a qualificação integrada e funcional, o programa educativo inclui os seguintes campos:

• Programa Económico-Jurídico.

• Desenvolvimento Rural.

• Formação Linguística especializada.

• Formação em Informática Aplicada.

• Formação de Assessores.

• Capacitação para o apoio de políticas sectoriais.

• Formação destinada a pessoal da Administração Pública Local.

Departamento de Formação Profissional

As suas principais actividades incluem:

• O desenvolvimento de actividades orientadas para a assessoria e para meto- dologias de formação profissional.

• Participação na adaptação e desenvolvimento de conteúdos dos currículos educativos e planos de formação profissional.

• Formação contínua para pessoal de centros de formação do sector agrícola.

• Iniciação de novos docentes na profissão.

• Preparação para o desempenho de cargos directivos, no meio educativo.

• Formação contínua.

Consultoria

As suas principias iniciativas são:

• Serviços profissionais para assessores e empreendedores no campo da agri- cultura e do desenvolvimento rural, baseados na criação e aplicação de polí- ticas agrícolas através de uma rede de serviços de assessoria.

• Participação e cooperação com o Ministério da Agricultura através do des- envolvimento de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola.

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de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
de propostas e modificações legislativas, em relação à criação de conceitos sectoriais no sector agrícola. 19
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL

• Coordenação de centros de assessoria baseados nos conceitos aprovados para os processos de consultoria no sector agrário.

Projectos Internacionais

• FONTES - Rede Temática para Validar e Difundir no Meio Rural Modelos de Boas Práticas e Qualidade na Formação Profissional (Programa Leonardo da Vinci).

• Agriculture Advices Competencies - AAC; Competências para Assessores Agrícolas (Programa Leonardo da Vinci).

• NEW AGRI: New European Ways for Agriculture; Novos Caminhos para a Agricultura Europeia (Programa Leonardo da Vinci).

• Conferência sobre a Segurança Alimentar (Programa de Pequenos Projectos).

(Itália)
(Itália)

(Itália)

A CIA TOSCANA é uma organização profissional agrícola que representa 18.000 empresas agrícolas da região. Realiza um trabalho de promoção e desen- volvimento da agricultura e meio rural, assim como de protecção dos interesses dos agricultores e assessoria a pessoas e empresas em matéria técnica, adminis- trativa, fiscal e assistencial. Actua em todas as sedes de política regional.

No âmbito das acções de promoção do desenvolvimento local, a CIA TOSCA- NA configurou uma rede de parceiros locais e transnacionais, através da qual pro- move projectos e participa como elemento da parceria em acções promovidas por outras entidades.

Relativamente às acções dirigidas para a promoção da qualidade e valorização de produtos agrícolas, a CIA TOSCANA criou a página da Internet www.qualitatos- cana.it e executou numerosos projectos de difusão com o apoio financeiro da Agência Regional Toscana Promozione.

No âmbito europeu, a CIA TOSCANA, seja de forma directa seja através da agência de formação interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos:

interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas
interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas
interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas
interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas
interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas
interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas
interna CIPA-AT TOSCANA, desenvolveu numerosos projec- tos: • AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas

• AGROPARK: nova oportunidade para as empresas agrícolas em parques naturais, no âmbito do Programa ADAPT. • AGROLIBERI II: inserção ocupacional de pessoas desfavorecidas na agricul- tura, no âmbito da iniciativa HORIZON

• TRADE ON LINE: um modelo formativo para o perfil de “Orientador para o trabalho, especializado na promoção do emprego nas áreas rurais”; projec- to-piloto do Programa Leonardo da Vinci.

• PRO AERE: projectos do sector agrícola para favorecer as energias renová- veis na Europa; projecto-piloto do Programa Leonardo da Vinci.

• NEW AGRI: itinerário formativo para a agricultura sustentável e aplicação das novas directrizes da PAC em matéria de meio ambiente; projecto-pilo- to do Programa Leonardo da Vinci.

Por outro lado, participou como parceiro em numerosos projectos circunscri- tos ao Programa Leonardo da Vinci: CHESTNUT III MILLENIO, FOREST, IRIS,

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ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
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MYKOS, IN NATURE, FONTES e nos projectos TASKFORM, NET-MET, FLO.VI.TUR no âmbito da iniciativa comunitária EQUAL.

Finalmente, a CIA TOSCANA promove actividades de investigação em torno da análise das necessidades formativas, em colaboração com a Universidade de Pisa. Através da Agência CIPA-AT TOSCANA, acreditada na região da Toscânia, realizou várias acções formativas: cursos de formação técnica superior, para a qualificação de técnicos de certificação de produção integral e biológica; cursos de segurança no trabalho no meio agrícola (projecto AGRISIC); sobre a multi-funcionalidade agrária (PON Ambiente@agricoltora) e sobre a actividade florestal (projecto FOR- MAFOR).

(Finlândia)

(Finlândia)

O METLA (Instituto Finlandês de Investigação Florestal) estabeleceu-se em 1917 e começou a sua actividade em Julho de 1918. Desde então, cresceu consi- deravelmente. Na actualidade conta com uma rede de unidades operativas, cen- tros de investigação e bosques destinados à investigação, um pouco por todo o país. Trabalham para o METLA cerca de 1000 pessoas, das quais 348 são investiga- dores. Cerca de metade do pessoal trabalha na zona de Helsínquia, enquanto que a outra metade o faz em centros de investigação e unidades de outras regiões.

O METLA é um organismo independente de investigação, adstrito ao Ministério da Agricultura e Silvicultura. A sua missão é a de promover, através da investigação, o desenvolvimento de forma ecológica, económica e socialmente sustentável das florestas. Para alcançar este objectivo:

Dirige acções de investigação e proporciona informação sobre a natureza e

o

meio florestal, os seus diferentes usos e aproveitamentos, bem como

sobre a associação ao cluster madeireiro.

Proporciona informação aos usuários finais e actua como entidade perita em relação a trabalhos de inspecção, monitorização e estatística.

É

responsável pela reflorestação a nível nacional e dirige a investigação

sobre genética florestal.

Realiza as actividades que lhes corresponde como autoridade estatal.

Gere os campos de investigação e as tarefas de conservação nas zonas que estão sobre a sua jurisdição.

Publica os resultados das suas investigações e informa os usuários sobre os últimos avanços, acontecimentos e outros assuntos relevantes, relativos à investigação florestal e silvicultura.

A investigação organiza-se à volta de projectos focados na resolução de proble- mas e a programas multidisciplinares de investigação. O METLA também leva a cabo os projectos que se lhe encomendem para satisfazer a procura de informação por parte do cliente.

Este instituto trabalha em cooperação com parceiros científicos internacio- nais, usuários finais e outros actores implicados. A maioria dos projectos interna- cionais de investigação em que participa está relacionada com a União Europeia, especialmente no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Investigação da União Europeia. Por exemplo, é responsável (como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede Pan-

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(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
(como Centro Focal Nacional), pela coordenação e seguimento da sanidade dos bosques como parte da Rede
ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
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Europeia para a Monitorização Intensiva e Contínua dos Ecossistemas Florestais (Forest Focus).

O primeiro centro de investigação regional criou-se em Parkano, em 1961. A

Unidade de Investigação situou-se na sua localização actual, na península de Kaironiemi, próxima do centro de Parkano, em 1975. A Unidade de Investigação, no princípio, dedicou-se à investigação das turfeiras e aos bosques de turfeiras, mas com o passar das décadas incrementou consideravelmente o seu campo de investigação, para incluir na actualidade, temáticas como por exemplo a silvicul- tura e o estado sanitário dos bosques.

(Itália)

(Itália)

PRAGMA é uma empresa de consultoria, criada em 1987 por vários licencia- dos na Universidade de Bocconi, em Milão, com perfis profissionais e experiência em distintos meios empresariais.

A PRAGMA foi criada com a intenção de assessorar empreendedores e gesto-

res, especialmente PME`S, para assim consolidar e desenvolver instrumentos de gestão efectivos para o desenvolvimento da sua actividade, através de técnicas organizativas avançadas e poder melhorar e monitorizar a produtividade.

De acordo com estes objectivos, identificaram-se os procedimentos empresa- riais mais usuais através de um estudo dos sistemas de monitorização de empre- sas e da análise da estrutura financeira, administrativa e do mercado e da forma- ção profissional relacionada, tendo em conta que estes aspectos podem condicio- nar e determinar a sobrevivência e o desenvolvimento das empresas.

Estes aspectos de gestão empresarial são os que comummente requerem for- mação profissional, que temos desenvolvido para suprimir as necessidades dos sectores público e privado, para poder oferecer uma gama ampla de serviços. Estes serviços têm a finalidade de proporcionar pós-graduados e pós-doutorados especí- ficos (financiados através do Fundo Social Europeu), e cursos de reciclagem (atra- vés das iniciativas europeias Now, Adapt, Equal e Leonardo, entre outras).

Mais concretamente, o âmbito de acção da PRAGMA incide naqueles sectores em que tem mais experiência, como a administração, as finanças, a consultoria em gestão e estrutura corporativa.

No que respeita às actividades específicas desenvolvidas por PRAGMA, estas incluem a planificação de programas formativos e um seguimento constante para verificar que os resultados estão de acordo com as expectativas.

As actividades formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos:

formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •
formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •
formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •
formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •
formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •
formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •
formativas da PRAGMA incluem os seguintes aspectos: • Preparação de balanços e relatórios financeiros •

• Preparação de balanços e relatórios financeiros

• Gestão empresarial

• Sistemas de auditoria

• Controlo financeiro

• Sistemas de produção e distribuição

• Planeamento de empresa

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ASSOCIAÇÃO TRANSNACIONAL
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• Análise de sistemas

• Planificação de programas

• Linguagens de programação

• Programação

A actividade formativa da PRAGMA está resguardada por equipamento técnico sofisticado e de qualidade: uma sala audiovisual, material formativo audiovisual, computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos.

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computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
computadores, sistemas de tele-formação, aulas e profissionais qualificados, tanto internos como externos. 23
1 Interpretação do património natural e cultural
1
Interpretação do património
natural e cultural
Através deste módulo aprenderá: O que é a interpretação da natureza, conceitos e princípios básicos
Através deste módulo aprenderá:
O que é a interpretação da natureza, conceitos e
princípios básicos
Quem participa no acto interpretativo, a importância da
comunicação
Quais são as fases da actividade interpretativa, os meios
interpretativos e a sua planificação
Unidade 1. O que é a interpretação?
1.1. Conceito e definições
1.2. Objectivos e finalidade
1.3. Os princípios da interpretação
Unidade 2. Os participantes no processo interpretativo
2.1. Os visitantes
2.2. A população local
2.3. O intérprete
2.4. A mensagem e sua compreensão
Unidade 3. Planificação interpretativa. O programa interpretativo
3.1. O conceito de planificação interpretativa
3.2. Etapas de planificação
3.3. Meios interpretativos
3.4. Avaliação da interpretação
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

UNIDADE 1.

O que é a interpretação?

1.1. Conceito e definições

Nos princípios, a interpretação associava-se aos recursos naturais, já que surgiu nos parques natu- rais. Mais adiante, nos anos 90 ampliou-se este con- ceito para abranger os recursos culturais. Neste ponto o termo mais usado é interpretação do patri- mónio, que engloba os recursos naturais assim como os culturais.

De seguida, daremos uma série de definições que nos permitirão descobrir o significado profundo da actividade interpretativa, que vai mais além de um mero acto informativo centrado numa série de ele- mentos culturais ou naturais.

A Associação para a Interpretação do Património (AIP) define a interpretação como:

A interpretação do património é “a arte” de revelar no local o significado do legado
A interpretação do património é “a arte” de revelar
no local o significado do legado natural e cultural
ao público que visita um determinado lugar
no seu tempo livre.

Outras definições de “interpretação”:

“A interpretação é uma actividade educativa, que pretende revelar significados e inter - relações atra- vés do uso de objectos originais, por um contacto directo, e por meios ilustrativos, não se limitando a comunicar a informação dos factos”.

(Tilden, 1957).

A interpretação é a arte de explicar o significado

de um local ao público que a visita de maneira a incutir a mensagem de conservação do ambiente.

(Aldridge, 1975).

A interpretação é um processo de comunicação

que produz ligações emocionais e cognitivas entre os

interesses do público e os significados inerentes ao recurso. (National Association for Interpretation, 2000).

Estas definições têm aspectos em comum; trata- se de processo comunicativo cujo fim é ajudar as pes- soas a estabelecer ligações, sejam emocionais, inte- lectuais ou físicas, com o recurso que está a ser inter- pretado, seja este natural ou cultural. Em 1992, Sam Ham popularizou o termo “interpretação meio - ambiental”, isto é, a interpretação para a conservação e protecção do meio ambiente.

1.2. Objectivos e finalidade

Qualquer estratégia de interpretação deve incluir objectivos e finalidades. Estes dependerão do resulta- do que se pretende alcançar:

EDUCACIONAL LAZER E ENTRETENIMENTO GESTÃO TURÍSTICA DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO-RURAL PUBLICIDADE E PROMOÇÃO
EDUCACIONAL
LAZER E ENTRETENIMENTO
GESTÃO TURÍSTICA
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO-RURAL
PUBLICIDADE E PROMOÇÃO
ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE LOCAL
CONSERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO NATURAL E
CULTURAL

Como vemos no diagrama, a interpretação pode ter como fim último uma série de objectivos que, logica- mente, aparecem na maioria dos casos combinados ainda que haja sempre um predominante.

Os objectivos serão os indicadores a ter em conta no momento de avaliar os resultados do acto interpre- tativo. Devemos portanto, identificar claramente os objectivos antes de elaborar a nossa estratégia inter- pretativa.

Os objectivos gerais englobados nas categorias mencionadas são:

• Proporcionar uma ideia geral do local ao visitante.

• Fazer o público entender como o processo de evo- lução em áreas naturais ocorreu e como o impac- to humano tem afectado o ambiente.

• Ajudar a entender como as necessidades sócio-eco- nómicas têm mudado e influenciado a natureza.

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o ambiente. • Ajudar a entender como as necessidades sócio-eco- nómicas têm mudado e influenciado a
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE • Estimular o interesse dos visitantes num determi- nado objecto

• Estimular o interesse dos visitantes num determi- nado objecto ou local e encorajá-los a voltar a visitá-lo e descobri-lo mais profundamente por sua própria iniciativa.

Por outro lado existem três objectivos específicos:

• Objectivos educativos - o que se quer que os visi- tantes saibam.

• Objectivos emocionais - o que se quer que os visi- tantes sintam.

• Objectivos comportamentais - o que se quer que os visitantes façam.

Por isso, podemos influenciar o receptor da nossa mensagem interpretativa tanto nos seus conheci- mentos, como nos seus sentimentos e conduta.

1.3. Os princípios da interpretação

Freeman Tilden (1957), formulou os seguintes princípios interpretativos:

1. Qualquer forma de interpretação que não relacio- ne os objectos que apresenta ou descreve com algo que se encontre na personalidade e experiência dos visitantes, será totalmente estéril.

2. A informação, como tal, não é interpretação. A interpretação é uma revelação baseada na infor- mação. São duas coisas diferentes. No entanto, toda interpretação inclui informação.

3. A interpretação é uma arte que combina muitas artes, quer os materiais apresentados sejam cientí- ficos, históricos ou arquitecturais. Qualquer arte até certo ponto pode ser ensinada.

4. A interpretação persegue a provocação não a ins- trução.

5. A interpretação deve apresentar-se como um todo, não em partes. Deve dirigir-se ao indivíduo em total e não só a uma das suas facetas.

6. A interpretação destinada a crianças (até aos 12 anos) não deve ser uma mera diluição da apresen- tação aos adultos, mas deve seguir fundamental- mente uma aproximação diferente. Para estar no seu melhor necessitará de um programa específico.

Podemos resumir em três palavras estes seis prin- cípios:

30

PROVOCAR

Introduzindo novas ideias ou entendimentos, e discussões com os visitantes através da escolha de um tópico, através da linguagem e questões.

RELACIONAR

Deve relacionar experiências do dia a dia dos visi- tantes, usando analogias e metáforas para relacionar novos conceitos ao que os visitantes já sabem ou entendem.

REVELAR

Deve revelar uma mensagem inesquecível. O que se quer que os visitantes recordem depois da visita? Que ponto de vista ou entendimento queremos que levem consigo?

É útil girar em volta de um tema unitário, já que nos permite organizar a informação que pretende- mos proporcionar e através desta transmitir a mensa- gem principal da actividade interpretativa.

(CD + CR) x TA = OI

Conhecimento do destinatário Conhecimento do recurso Técnicas adequadas

do destinatário Conhecimento do recurso Técnicas adequadas Oportunidades interpretativas Fonte: US National Park

Oportunidades

interpretativas

Fonte: US National Park service, “Interpretative development programme”

Esta fórmula pode-se aplicar a todas as activida- des interpretativas; através desta metodologia é pos- sível entrelaçar os conceitos básicos que se relacio- nam a qualquer acto de interpretação. Depois de levar a cabo a interpretação, o resultado da equação deverá mostrar-nos se a actividade interpretativa proporcio- na oportunidades interpretativas efectivas e se estas oportunidades resultam no fim que desejamos: uma maior influência na atitude dos receptores.

PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

Conhecimento do recurso

Porque é importante? O intérprete deve entender os diferentes significados do local, e também a
Porque é importante? O intérprete deve entender os
diferentes significados do local, e também a sua fra-
gilidade entre outros aspectos, que nos levará à ati-
tude que desejamos dos visitantes.
Conhecimento do público
Existe um grande número de meios interpretativos
ao nosso alcance. A escolha certa dependerá das
características do visitante. O trabalho do intérpre-
te é assegurar-se que os visitantes tenham uma
experiência positiva, satisfazendo as suas exigências
e dando-lhes algo valioso para recordar.
Conhecimento das técnicas adequadas
Esta decisão deve ser o resultado da análise dos
temas associados ao recurso e ao perfil do público.
O intérprete deve avaliar frequentemente a efectivi-
dade das técnicas usadas. Se não alcançam os objec-
tivos, o intérprete deverá actualizar ou alterá-las.
A oportunidade interpretativa
A variedade de técnicas usadas pelo intérprete terão
um efeito diferente nos visitantes que poderá ser de
longo ou curto prazo, por isso nem sempre a reac-
ção do visitante será imediata.

UNIDADE 2.

Os participantes no

processo interpretativo

2.1. Os visitantes

A comunicação é um aspecto fundamental no

acto interpretativo.

Recordemos brevemente que a comunicação é a interacção básica entre um emissor e um receptor, os quais através de um meio de transmissão determina- do (geralmente a voz) emitem e recebem respectiva- mente uma determinada mensagem.

O profissional da interpretação, através de diver-

sas ferramentas e técnicas, tem a função de transmi- tir um tema ou ideia em concreto ao público - alvo. Para eleger a técnica adequada, deve ter em conta o recurso que vai ser objecto da sua interpretação e o

público que vai ser o receptor da sua mensagem interpretativa.

Como foi dito anteriormente,

Informar não é o mesmo que interpretar
Informar não é o mesmo que interpretar

A interpretação implica comunicação, mas as unidades de informação devem ser transmitidas de forma agradável, e serem acessíveis ao público em geral. Os métodos interpretativos pretendem estimu- lar uma reacção nos ouvintes, que são aqueles que realmente levam a cabo o acto interpretativo.

Os meios interpretativos proporcionam chaves para tornar a informação mais agradável e a sua assi- milação mais efectiva. Estes métodos não devem apoiar-se unicamente no material escrito ou em outros suportes proporcionados pelas novas tecnolo- gias, pelo que também estão presentes na comunica- ção oral, neste caso, a que se dá entre o intérprete e a sua audiência.

A interpretação deve ser levada a cabo no local, já

que as contribuições dos diferentes participantes no processo interpretativo o enriquecem.

É fundamental promover a participação activa do público no processo interpretativo
É fundamental promover a participação activa do
público no processo interpretativo

Devemos valorizar que o visitante se envolva físi- ca e intelectualmente com o facto interpretativo, e motivar que sinta, se movimente, pense e enriqueça

a sua própria experiência através, por exemplo, de perguntas e comentários.

Não podemos esquecer que apesar da interpreta- ção implicar uma comunicação agradável e sensível,

a mensagem que é transmitida deve sempre ter um rigor científico.

A pergunta - chave em que nos devemos centrar

é: para quem vamos interpretar? Existe uma grande

diferença entre um visitante que acode no seu tempo

livre e outro que, por exemplo, está numa viagem escolar ou outra actividade com fins educacionais.

É importante ter em conta os diferentes perfis de

visitante quando elaboramos um programa interpre-

tativo. Convém estudar previamente o perfil do potencial visitante; de seguida apresentamos uma

31

um programa interpre- tativo. Convém estudar previamente o perfil do potencial visitante; de seguida apresentamos uma
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE série de aspectos a ter em conta para definir o

série de aspectos a ter em conta para definir o perfil de um grupo de visitantes:

Idade As crianças requerem programas inter- pretativos específicos, que se adaptem às suas necessidades, em
Idade
As crianças requerem programas inter-
pretativos específicos, que se adaptem às
suas necessidades, em vez de estes se
adaptarem a um programa desenvolvido
para adultos. É mais difícil manter a sua
atenção por um tempo prolongado e per-
derão o interesse perante uma grande
concentração de informação.
Incapacidades
Devemos valorizar a sua importância,
para assim decidir se é necessário utilizar
programas específicos de inserção.
Conhecimentos
É
importante valorizar os conhecimentos
prévios
prévios dos visitantes, para adequar o
programa e as actividades a um nível ade-
quado.
A
nacionalidade dos visitantes pode pro-
Local de origem
porcionar dados importantes sobre os
seus potenciais conhecimentos prévios e
do impacto que pode resultar da activida-
de interpretativa. Quanto mais diferente
for o seu local de origem, maior pode ser
o
impacto.
Outro factor importante é se são originá-
rios de uma zona rural ou urbana, do
interior ou do litoral, etc., também
influenciará o impacto da experiência. A
língua materna dos visitantes é um factor
fundamental, já que pode ser uma difi-
culdade para a comunicação.
Ponto de partida
Os visitantes tendem a ser mais exigentes
se demoraram muito tempo a chegar ao
lugar, aí as suas expectativas são mais
elevadas dado o alto nível de intenciona-
lidade da sua visita.
Número de
O
número de pessoas que integram um
pessoas
grupo é importante tanto para saber a
quantidade de material escrito que será
necessário distribuir, como para adaptar
as actividades e o tempo que cada uma
delas necessitará.

Uma vez analisados estes factores, podemos iden- tificar uma outra série de aspectos:

32

Expectativas

As expectativas de um grupo de visitantes podem ser maiores ou menores, depen- dendo de
As expectativas de um grupo de visitantes
podem ser maiores ou menores, depen-
dendo de vários factores que acabámos de
analisar: Se vêm de muito longe, se têm
conhecimentos prévios etc. Um dado útil
é saber se se informaram previamente e
onde.
Duração da visita É necessário saber a duração da visita, já que devemos adaptar os
Duração
da visita
É necessário saber a duração da visita, já
que devemos adaptar os objectivos das
actividades interpretativas ao tempo que
dispomos para as mesmas.
Distribuição
das visitas
Geralmente dá-se uma maior afluência
de visitantes em determinadas horas, em
determinados dias da semana e em deter-
minados meses ou quinzenas. Portanto é
conveniente distribuir adequadamente as
actividades para que se adeqúem à
afluência de visitantes. É conveniente
evitar uma repetição excessiva da mesma
actividade.

O perfil dos visitantes ajuda-nos a identificar mui- tos aspectos, algumas recomendações:

Sugeriri actividades que estimulem a participação

dos integrantes individuais do grupo e entre dife- rentes grupos.

Se

se tratata de um grupo grande, é importante

realizar actividades que favoreçam a interacção. Incluir actividades para grupos familiares, incluindo com filhos.

Se

o grupo for pequeno e não há crianças, deve-se

centrar no indivíduo.

Se

chegar um grupo muito grande, pensar anteci-

padamente como administrar a sua visita.

2.2. A população local

A actividade interpretativa é essencialmente

comunicativa, por isso, é necessário que a comunica- ção seja fruto de um conhecimento profundo do lugar ou elemento que vamos interpretar. É impres- cindível conhecer a fundo a relação existente entre as pessoas e o meio envolvente, a história e cultura locais, as tradições, as lendas etc. Nestes aspectos está a essência do lugar e podemos capturá-la e transmiti-

la através de técnicas interpretativas. Este “toque” interpretativo é o que faz com que se recorde um lugar, já que, é o que faz com que se conheça e enten- da realmente um lugar.

A planificação interpretativa implica trabalhar

com diferentes grupos de pessoas:

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A administração pública

Pessoal

Associações

Planificação Interpretativa
Planificação
Interpretativa

Agentes implicados na planificação interpretativa

Representantes das

comunidades

Profissionais no campo da interpretação

A tomada de decisões ver-se-á afectada e influen-

ciada pelos diferentes grupos de pessoas implicadas, o que enriquece sem dúvida o produto final e torna possível a realização de certas actividades que reque- rem a coordenação e cooperação de diferentes actores implicados.

Os habitantes da região representam um papel fundamental e é necessário que se sintam identifica- dos com a actividade interpretativa que se planeia.

É possível que, em alguns casos, não contemos

inicialmente com a aprovação da comunidade local, no entanto, esta apoiará a iniciativa quando percebe- rem que esta afectará positivamente a sua vida e o meio envolvente. Há que ter em conta que as influên- cias externas nas zonas com potencial turístico nem sempre foram positivas e no passado, em muitos casos, esta interacção traduzia-se numa mera explo- ração dos recursos sem que este proporcionasse des- envolvimento nem bem-estar para a população local. Por isso, o receio por parte da população pode dever- se a intrusões anteriores e ser justificável. Este receio pode ser combatido proporcionando informação à comunidade através de seminários, jornadas, etc.

Trata-se de uma colaboração benéfica tanto para a comunidade local como para conseguir um programa interpretativo de qualidade, uma vez que uma estra- tégia interpretativa adequada, sustentável e inclusiva, resultará em grandes benefícios para a região, por outro lado, a actividade interpretativa será sempre mais rica e completa se juntarmos elementos de cul- tura, sabedoria popular, folclore e as tradições.

Estes são alguns dos factores que devemos ter em conta:

Contribuir para melhorar a experiência dos visi- tantes através de actividades interpretativas Sensibilizar os
Contribuir para melhorar a experiência dos visi-
tantes através de actividades interpretativas
Sensibilizar os visitantes e proporcionar-lhes uma
visão mais profunda através da mensagem inter-
pretativa
Inspirar aos visitantes uma sensação de orgulho,
respeito pelo património cultural e natural
Aprendizagem através da diversão
Promoção da oferta turística
Participação na gestão do património da região
Criação de novas oportunidades de trabalho e um
novo perfil profissional
Consciencialização da necessidade de potenciar o
desenvolvimento local de forma construtiva
Participação do público na conservação, protecção
e melhoria do património local

O Código Ético Mundial para o Turismo, adopta- do em 2001 pelas Nações Unidas, diz o seguinte no artigo 5º:

O turismo, actividade benéfica para os países e comunidades de destino:

1. As populações e comunidades locais associar-se-ão às actividades turísticas e terão uma participação equitativa nos benefícios económicos, sociais e culturais que reportem especialmente na criação directa e indirecta de emprego a que dêem lugar.

2. As políticas turísticas organizar-se-ão de modo a contribuir para a melhoria do nível de vida da população das regiões visitadas e responder às suas necessidades. A concepção urbanística e

33

do nível de vida da população das regiões visitadas e responder às suas necessidades. A concepção
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
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arquitectónica, o modo de exploração das estações

e dos meios de alojamento turístico terão a máxi-

ma integração na área económica e social local. Em igualdade de competência dar-se-á prioridade

à contratação de pessoas locais.

3. Prestar particular atenção aos problemas específi- cos das regiões litorais e dos territórios insulares assim como das zonas rurais e de montanha, onde o turismo representa com frequência uma das poucas oportunidades de desenvolvimento face ao declínio das actividades económicas tradicionais.

4. Em conformidade com a normativa estabelecida pelas autoridades públicas, os profissionais de turismo, e em particular os investidores, levarão a cabo estudos de impacto dos seus projectos de des- envolvimento nos meios naturais. Assim mesmo facilitarão com a máxima transparência e com a objectividade pertinente toda a informação relati- va aos seus futuros programas e suas previsíveis consequências e favorecerão o diálogo sobre o seu conteúdo com as populações interessadas.

sobre o seu conteúdo com as populações interessadas. Fonte: Adesper 2.3. O Intérprete Como vimos em

Fonte: Adesper

2.3. O Intérprete

Como vimos em pontos anteriores, o intérprete deve reunir várias habilitações; deve conhecer muito bem o recurso, analisar o perfil do público, adaptar as actividades ao mesmo e além do mais deve saber

adaptar as actividades ao mesmo e além do mais deve saber 34 comunicar correctamente a sua

34

comunicar correctamente a sua mensagem. Trata-se de um trabalho bastante complexo e por isso deve ser trabalhado em equipa, pelo menos na fase de planifi- cação, para se poder aproveitar as diferentes qualida- des de cada membro do grupo de trabalho. Nesta fase é necessário elaborar, planificar e programar o pro- grama interpretativo. Esta é também uma função do intérprete, cujas tarefas, vão mais além das de um guia.

Em seguida descreveremos as características básicas que um intérprete deve reunir, isto é, o seu perfil pessoal e profissional. Para definir cada grupo de habilitações, falaremos de unidades de competên- cia:

Competência geral:

Gerir o património desde a planificação e execução de um programa interpretativo até chegar à
Gerir o património desde a planificação e execução
de um programa interpretativo até chegar à sua
avaliação de maneira a que promova o respeito,
conservação e desenvolvimento, juntando o
ócio e a aprendizagem.

Unidades de competência:

1. Competência em inventariação, compilação de in- formação e selecção de pontos com potencial interpretativo.

2. Capacidade técnica para realizar uma planificação interpretativa.

3. Comunicar-se de forma eficaz, tendo em conta as características do público e do lugar.

4. Capacidade para seleccionar os meios para que se adaptem às necessidades do público e do lugar.

5. Capacidade para realizar um seguimento e avalia- ção das actividades que se desenvolvem.

6. Coordenação e gestão do património, assim como dos meios desenvolvidos para a sua interpretação.

2.4. A mensagem e sua compreensão

A mensagem interpretativa representa um elo de ligação entre o visitante e o recurso que está a ser objecto de interpretação. Trata-se de comunicar um conteúdo determinado e específico, que ajude os interlocutores a descobrir e interpretar o lugar que estão a visitar, uma vez que, é o receptor da nossa mensagem que leva a cabo a interpretação, com a nossa ajuda.

PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

O visitante, como já foi referido, geralmente encontra-se a desfrutar o seu tempo livre, passando um dia tranquilo. Por isso, é importante que a men-

sagem transmitida seja simples e agradável, para que

a sua compreensão não implique esforços, por ser

densa e complexa, e os visitantes percam o interesse.

Para conseguir uma comunicação efectiva, é necessário começar por analisar o que vamos comu- nicar: o modo como organizamos, adaptamos e emi- timos a informação. O contexto influencia o signifi- cado das mensagens que emitimos; a mesma mensa- gem pode ter significados diferentes dependendo de quem as recebe.

ter significados diferentes dependendo de quem as recebe. Fonte: Adesper O intérprete tem consciência disso e

Fonte: Adesper

O intérprete tem consciência disso e trata de ela- borar mensagens que influenciam os seus interlocu- tores.

Não existem regras absolutas neste sentido, uma vez que a comunicação não está imune aos elemen- tos intuitivos e também devemos ter sempre em

mente a espontaneidade e a flexibilidade para adaptar

a nossa mensagem a diferentes situações que não estavam necessariamente previstas.

Estas são algumas das características da mensa- gem interpretativa:

- Relevância da mensagem: transmitir ao público conhecimentos e experiências, fará com que seja mais interessante para o mesmo. Para tal, o intér- prete deverá usar exemplos, comparações e con- ceitos universais.

- Organização: a introdução, desenvolvimento e conclusão, deve ser acessível para que o público compreenda. A quantidade e o tipo de informação não são tão importantes como a maneira que as organizamos. Não podemos exigir muito esforço por parte do público, uma vez que estes estão no seu tempo de lazer e se têm dificuldade em enten- der a nossa mensagem não terá grande impacto nele. É muito importante manter o nível de aten- ção.

- A interpretação temática consiste na apresentação de um tema interpretativo. Este tipo de apresenta- ção ajuda quer o público quer o intérprete. Deve ser algo fácil de lembrar e partindo desta ideia, será mais fácil organizar a interpretação uma vez que sabemos o que queremos que o visitante entenda e leve consigo.

Com base nesta ideia central, poderemos trabalhar com facilidade e organização, já que temos claro o que é que queremos que os visitantes levem consigo depois da interpretação

que os visitantes levem consigo depois da interpretação Como é que um tema pode ajudar o

Como é que um tema pode ajudar o intérprete e o público?

Um tema claro ajuda a orientar o trabalho do intérprete. Será muito útil no desenvolvimento de actividades e apresentações. Por exemplo numa visita guiada, o intérprete tem vários recursos para mostrar aos visitantes, se a ideia principal está bem definida concentramo-nos só nesse aspecto. O tema também ajuda a estruturar o passeio, focando paragens espe- cíficas, todas relacionadas com o tema. Por outro lado, ajuda o público a compreender a mensagem.

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paragens espe- cíficas, todas relacionadas com o tema. Por outro lado, ajuda o público a compreender
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE UNIDADE 3. A planificação interpretativa: o programa interpretativo 1.1. O

UNIDADE 3.

A planificação interpretativa:

o programa interpretativo

1.1. O conceito de planificação interpretativa

É possível interpretar um recurso sem ter elabo-

rado previamente um plano interpretativo. A planifi- cação interpretativa é um elemento chave para que os programas interpretativos e as suas actividades sejam efectivas e atractivas.

Não se trata unicamente de conhecer o lugar e mostrá-lo a um grupo de visitantes; deve haver uma ligação clara entre os elementos, e o modo como estabelecemos esta ligação é tão importante como os conteúdos que comunicamos.

O processo de planificação implica analisar as necessidades e oportunidades interpretativas. Um dos produtos resultantes será o plano interpretativo que incluirá soluções realistas e factuais às ditas necessi- dades.

Existem vários níveis de planificação interpretati- va, atendendo ao alcance que pretendemos que tenha o programa interpretativo: os planos em grande esca- la contêm fases de planificação maiores e mais ele- mentos a ter em conta na tomada de decisões. Pode tratar-se de um plano a nível individual, local ou para um centro interpretativo em concreto.

Para iniciar uma planificação devemos colocar a seguinte questão:

Porquê interpretamos um lugar?

A resposta a esta pergunta representa os nossos

objectivos gerais e necessidades, isto é, a origem do plano interpretativo. É importante que pormenorize- mos os resultados e benefícios que esperamos alcan- çar, entre os quais geralmente se encontra uma com- binação dos seguintes:

a. Desenvolvimento rural e turístico, melhoria da qualidade de vida dos habitantes da região b) Sensibilização e/ou educação da população sobre

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um determinado tema (meio ambiente, conserva- ção do património cultural e natural etc.) c) Conservação e gestão de um determinado recurso natural ou cultural, gestão de um centro interpre- tativo.

Se não temos uma ideia clara de qual é o nosso objectivo, não temos a base sobre a qual assenta o resto do programa interpretativo, nem os indicadores necessários para a avaliação do futuro plano.

Podemos classificar um mesmo objectivo tendo em conta vários aspectos:

OBJECTIVOS Formativos Emocionais Comportamentais
OBJECTIVOS
Formativos
Emocionais
Comportamentais

Deste modo, por exemplo, se o nosso objectivo geral é sensibilizar, devemos incidir nas emoções para alterar as atitudes, ainda que haja sempre um elemento formativo inerente.

incidir nas emoções para alterar as atitudes, ainda que haja sempre um elemento formativo inerente. Fonte:

Fonte: Adesper

PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

3.2. As fases da planificação

Uma vez estabelecidos os fins da planificação, as necessidades que motivam o plano interpretativo, podemos continuar a colocar uma série de questões, que nos guiarão através das fases do processo.

O que vamos interpretar?

Neste ponto será necessário realizar um estudo em profundidade do recurso que vamos interpretar. Além dos seus atractivos mais evidentes, podemos incluir no plano outros elementos menos óbvios e que enrique- cerão a actividade interpretativa. É aconselhável ques- tionar a população local, já que nos livros e os dados não reúnem toda a informação que necessitamos para captar a essência de um lugar. Uma vez compilada a informação sobre o lugar, podemos fazer uma eleição do recurso que vamos interpretar dentro dos poten- ciais que tenhamos detectado. Para isso, há que ter em conta vários factores, como a segurança ou o acesso, o impacto das visitas, a atractividade do recurso ou se este está sujeito a sazonalidade etc.

Devido a diferentes causas (pessoais, duração das visitas, extensão da zona) nem sempre podemos interpretar tudo aquilo que mostre ter potencial interpretativo, e na altura de tomar a decisão certa a esse respeito é necessário contar com critérios con- cretos.

Podem-se utilizar estes factores como indicadores para a tomada de decisões em relação à importância interpretativa dos potenciais recursos, é o que cha- mamos a matriz para a avaliação do Potencial inter- pretativo.

Para quem interpretamos?

Nesta fase iremos recolher dados sobre o perfil do público existente (se existe alguma actividade turísti- ca na área) e potencial. A informação que temos vindo a obter nas fases anteriores será bastante útil uma vez que quantos mais dados teremos sobre as figuras interpretativas e o seu interesse, mais prová- vel é que a nossa oferta interpretativa satisfaça os futuros visitantes.

DESENVOLVIMENTOoferta interpretativa satisfaça os futuros visitantes. OBJECTIVOS LOGROS PLANO INTERPRETATIVO MONITORIZAÇÃO E

OBJECTIVOS

LOGROSsatisfaça os futuros visitantes. DESENVOLVIMENTO OBJECTIVOS PLANO INTERPRETATIVO MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO

PLANO INTERPRETATIVO

MONITORIZAÇÃO E

AVALIAÇÃO

LOGROS PLANO INTERPRETATIVO MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO FUNCIONA? O processo de planificação interpretativa 3.3.

FUNCIONA?

O processo de planificação interpretativa

3.3. Meios interpretativos

O seguinte passo será analisar os meios e as téc- nicas ao nosso alcance para transmitir os conteúdos ao público. Devemos decidir como, quando e onde os visitantes vão estabelecer contacto com a mensagem interpretativa.

Tendo já uma ideia clara dos nossos objectivos e dos elementos ou recursos que vamos interpretar, temos que nos centrar nos meios que vamos utilizar. Estes são os canais de comunicação que o intérprete vai utilizar para comunicar-se com os receptores e

transmitir-lhes a mensagem. A decisão centra-se em eleger esses meios.

O tema é a história ou o relato que queremos transmitir, os meios são como a transmitimos, portan- to trata-se de decidir como vamos expressar o tema.

Para tomar esta decisão devemos ter em conta os diferentes tipos de visitantes que fazem parte na acti- vidade interpretativa. Analisamos em detalhe estes grupos em secções anteriores, assim como os aspec- tos a ter em conta na hora de levar a cabo a acção interpretativa.

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em secções anteriores, assim como os aspec- tos a ter em conta na hora de levar
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE 38 GRUPOS OBJECTIVOS Educacional Turístico Património Negócios

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GRUPOS

PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE 38 GRUPOS OBJECTIVOS Educacional Turístico Património Negócios

OBJECTIVOS

LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE 38 GRUPOS OBJECTIVOS Educacional Turístico Património Negócios

Educacional

Turístico

Património

Negócios

População Local Ocasional, Visitantes, Turistas

Negócios População Local Ocasional, Visitantes, Turistas RECURSOS LOCAIS MEIOS Mensagem que se quer transmitir TEMAS

RECURSOS LOCAIS

MEIOS

Local Ocasional, Visitantes, Turistas RECURSOS LOCAIS MEIOS Mensagem que se quer transmitir TEMAS INTERPRETATIVOS Os
Local Ocasional, Visitantes, Turistas RECURSOS LOCAIS MEIOS Mensagem que se quer transmitir TEMAS INTERPRETATIVOS Os

Mensagem que se quer transmitir

TEMAS

INTERPRETATIVOS

Os instrumentos interpretativos

Segundo Stewart (1981) existem dois tipos de meios interpretativos: os pessoais e os não pessoais.

Meios não pessoais

São aqueles que não implicam a intervenção humana e podem classificar-se em diferentes tipos:

• Sinalizações e etiquetas

• Publicações

• Meios de comunicação

• Itinerários auto - guiados

• Mecanismos audiovisuais automáticos

• Exposições

Meios pessoais

Estes meios implicam a participação das pessoas

• Tours (em todas as suas variedades)

• Mecanismos audiovisuais accionados pelo pessoal

• Pessoal especializado (exposições, actividades, conferências)

• Animação (em todas as suas variedades)

Outros serviços não tipificados (ajuda espontâ- nea, informação, recebimento etc.)

Estes são os meios interpretativos existentes. Elegeremos aqueles que são mais apropriados para o nosso plano interpretativo, tendo sempre em conta que a combinação de vários tipos é geralmente a melhor opção, já que isto resultará num programa mais completo. Dada a sua importância, estudaremos os meios interpretativos mais aprofundadamente noutra secção.

3.4. A avaliação da interpretação

A avaliação do plano interpretativo servirá para

comprovar se está a ser efectivo uma vez posto em prática, é a última fase da planificação:

Como se vai realizar o seu seguimento e avaliação?

Há vários momentos apropriados para realizar avaliações do nosso trabalho:

• Na fase de identificação de objectivos interpretati- vos realizamos uma avaliação completa, que nos ajudará a adaptar os nossos objectivos aos interes- ses e conhecimentos potenciais do público.

• A avaliação formativa tem como fim testar as dife- rentes actividades e analisar o seu impacto nas provas que realizamos com os visitantes. Poderemos também comprovar se a mensagem que pretendemos transmitir chega adequadamen-

te aos seus destinatários.

• A avaliação intermédia, através da qual realizare- mos pequenos ajustes, para assegurar um equilí- brio de todas as partes do plano e comprovar que tudo está em ordem (iluminação, acessibilidade, etc.)

• A avaliação sumativa que terá lugar quando o plano interpretativo estiver em curso e consistirá em comprovar se os objectivos a que nos propuse- mos se cumprem através do dito plano. Trata-se por outro lado, de uma informação valiosa para a implementação de outros planos interpretativos.

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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

A metodologia que utilizaremos estará articulada em volta de dois tipos de indicadores:

1. Métodos quantitativos: indicarão dados numéricos e estatísticos.

2. Métodos qualitativos: proporcionarão informação acerca de aspectos mais subjectivos como opi- niões, atitudes e sentimentos dos visitantes ou da população local.

Estes dados podem-se recolher e processar por meio de várias técnicas:

Observação

Atitude dos visitantes: ter-se-á em conta aspectos como o tempo que tardam em ler os
Atitude dos visitantes: ter-se-á em conta aspectos
como o tempo que tardam em ler os indicadores,
que conteúdos lhes chamam a atenção, se mostram
alguma dificuldade específica para fazer ou enten-
der alguma actividade, etc.
Seguimento
É útil realizar um seguimento dos movimentos dos
visitantes, para onde se dirigem, que itinerários
seguem, quanto tempo ficam num lugar, como dis-
tribuem a visita total, etc.
Questionários
Os questionários que podem incluir informação
tanto quantitativa como qualitativa, são um exce-
lente instrumento para valorizar a opinião e nível
de satisfação do público.
Entrevistas
Pode-se analisar um aspecto em concreto através de
perguntas directas a diferentes grupos de pessoas.
Grupos de especialistas
A análise e crítica de profissionais da interpretação
conterão informação muito valiosa para melhorar o
plano se for necessário.

Cada uma destas técnicas tem vantagens e des- vantagens, pelo que é aconselhável fazer um uso combinado de todas elas.

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uma destas técnicas tem vantagens e des- vantagens, pelo que é aconselhável fazer um uso combinado
2 Interpretação do meio rural
2
Interpretação do
meio rural
Através deste módulo aprenderá: Elementos que se podem interpretar no âmbito rural O significado de
Através deste módulo aprenderá:
Elementos que se podem interpretar no âmbito rural
O significado de património rural
Como reconhecer o potencial interpretativo do património
Unidade 1. O que podemos interpretar no meio rural?
1.1. Natureza e paisagem
1.2. História, arquitectura, cultura e tradições
1.3. Traços ou Conteúdos com potencial interpretativo
Unidade 2. O património rural
2.1. O conceito de património
2.2. Património natural/ meio ambiental
2.3. Património cultural/histórico
Unidade 3. Conteúdos potencialmente interpretativos
3.1. Critérios
3.2. Conteúdos potencialmente interpretativos
3.3. Quando e onde NÃO interpretar
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UNIDADE 1.

O que podemos interpretar

no meio rural?

1.1. Natureza e paisagem

O meio rural geralmente é formado por paisagens

e beleza natural, como é lógico. A interpretação do meio rural implica a compreensão dos recursos natu- rais e a sua história. A natureza tem a sua própria his- tória e em muitas ocasiões esta vem condicionada pela acção do homem, que joga um papel fundamen-

tal na configuração do âmbito natural e paisagístico.

A natureza e a paisagem têm para a sociedade

actual um atractivo especial, porque são elementos cada vez menos frequentes na vida quotidiana; vive- mos rodeados de cenários artificiais e procuramos um regresso às origens, a recuperação dos nossos laços com a natureza.

A interpretação da natureza deve entender-se como uma das ferramentas que possuímos (uma muito importante) para conseguir a conservação do meio natural e alcançar o desenvolvimento sustentá- vel.

Neste sentido, devemos insistir na importância da sensibilização no âmbito das actividades interpretati- vas ligadas ao meio natural, em particular quando se trata de grupos de crianças. Como reparamos nos capítulos anteriores, pretende-se exercer uma influência no ouvinte através da interpretação.

O conceito de património cultural existe desde há

muito tempo, trata-se de uma ideia tão antiga como muitos dos princípios básicos da lei; esta mostra a importância que lhe concedemos. Esta relevância está determinada pelo interesse que o ser humano sempre teve em conservar os elementos artísticos e culturais, como parte do legado da humanidade.

O património natural tem sido definido através

dos conceitos associados ao património cultural. A Comissão Franceschini definiu os bens naturais como “todo o bem que constitui testemunho mate- rial dotado de um valor de civilidade”. Podemos dizer que são todos aqueles bens naturais de algum modo

dizer que são todos aqueles bens naturais de algum modo Fonte: Adesper relacionado com o ser

Fonte: Adesper

relacionado com o ser humano. A ideia central encontra-se no facto de que há um interesse público na conservação destes bens, sejam eles de natureza pública ou privada. A conservação depende, em mui- tos casos, de fundos privados mas o seu desfrute e interesse têm um carácter eminentemente colectivo.

Existem diferentes elementos naturais que podem ser objecto da actividade interpretativa, sendo o caso mais interessante o dos espaços naturais pro- tegidos. Por isso é neste tipo específico de património que nos iremos centrar.

O conceito de espaço natural protegido tem evo- luído tanto no sentido filosófico como quantitativo (A. Llaria López). Inicialmente no séc. XIX, a beleza era a razão principal para proteger a paisagem, o que pode parecer algo infantil para as nossas mentes do séc. XXI.

Mais adiante incluíram-se os recursos naturais no conceito de espaço protegido. Tal só aconteceu depois dos anos 70 com o boom do turismo, quando a pers- pectiva filosófica a respeito destas áreas mudou para

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depois dos anos 70 com o boom do turismo, quando a pers- pectiva filosófica a respeito
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE incluir o desenvolvimento sustentável e contemplar as áreas contíguas.

incluir o desenvolvimento sustentável e contemplar as áreas contíguas. Pela primeira vez, a ideia dos habitantes da zona beneficiarem disso ganha força.

Quantitativamente, os espaços naturais protegi- dos passaram a ser casos excepcionais a proliferar em todo o planeta. É o resultado de um crescente inte- resse pela conservação da natureza e do esforço de muitas pessoas e estados para restaurar áreas danifi- cadas e proteger aquelas que ainda permanecem intactas.

A actividade interpretativa que tem lugar nestas áreas depende muito dos objectivos que perseguimos (Morales e Guerra, 1996):

Fins didácticos

• Aulas da natureza

Tratam-se de infra-estruturas complexas, que incluem o alojamento dos visitantes, aulas, etc. Normalmente estão pensadas para alunos da primá- ria, podendo também incluir o ensino secundário. O objectivo é basicamente fomentar o contacto dos meninos com a natureza.

• Quintas-escola ou escolas-oficinas

São o tipo mais usual de actividade didáctica asso- ciada aos espaços naturais, ainda que não se encon- trem necessariamente dentro do recinto. Do mesmo modo que as aulas de natureza pretendem estabele- cer uma ligação entre a natureza e a educação. Normalmente inclui oficinas de artesanato de madei- ra, cestaria, cerâmica ou gastronomia.

• Outros

Existem outros tipos de instalações sujeitas à sazonalidade, como os campos de trabalho ou os acampamentos. Este tipo de actividades geralmente duram mais de 7 dias e não estão incluídas nas acti- vidades escolares.

Fins interpretativos

• Centro de visitantes

Estas infra-estruturas incluem todos os elementos necessários para alojar os visitantes; como estaciona- mentos, primeiros socorros, casas de banho, postos de informação, etc. Os centros de recepção dos visi-

tantes e os ecomuseus entram nesta categoria a que chamamos centros de interpretação. Estes centros

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têm como finalidade dar as boas vindas aos visitantes, dar uma explicação interpretativa geral do recurso e proporcionar-lhes informação. Este primeiro contac- to interpretativo despertará a curiosidade dos visitan- tes em relação ao recurso.

• Pedestrianismo Os percursos utilizam-se para realizar visitas auto guiadas pelos itinerários sinalizados.

• Observatórios e miradouros (pássaros, paisa- gem, animais, etc.) Não apresentam características interpretativas intrínsecas, mas podem ser um apoio à actividade interpretativa se se complementam com sinais e outros elementos explicativos.

Fins informativos

Como vimos, estes podem ser pessoais ou não pesso- ais. No caso dos espaços protegidos, os mais habituais são os pontos de informação (pessoais e não pessoais) perto do recurso ou dentro dele (por exemplo, nos centros de visitantes). Também se pode empregar uma pessoa específica para proporcionar informação.

de visitantes). Também se pode empregar uma pessoa específica para proporcionar informação. Fonte: Agroinstitut Nitra

Fonte: Agroinstitut Nitra

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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE

1.2. História, arquitectura, cultura e tradições

Existem três pilares fundamentais no que se refe- re ao património: a investigação, a conservação e a promoção.

Investigação

Com o fim de determinar se um elemento perten- ce ao património, devemos estudar até que ponto a sua dimensão histórica é importante, isto é, até que ponto vale a pena a sua conservação como tal. Segundo a AIP, entre os distintos indicadores que podemos ter em conta, encontra-se o seu valor histó- rico e identitário.

Conservação

A conservação engloba todas aquelas acções enca- minhadas a preservar a memória histórica através da reconstrução de objectos materiais e imateriais que façam parte do património histórico.

Este é o ponto mais complexo e controverso em relação aos bens culturais.

mais complexo e controverso em relação aos bens culturais. Fonte: Irma Promoção Finalmente, a promoção representa

Fonte: Irma

Promoção

Finalmente, a promoção representa a ligação entre a sociedade e o património. A promoção deve levar-se a cabo cuidadosamente. Implica:

DOCUMENTAÇÃO AVALIAÇÃO INTERPRETAÇÃO GESTÃO PRODUÇÃO PROMOÇÃO
DOCUMENTAÇÃO
AVALIAÇÃO
INTERPRETAÇÃO
GESTÃO
PRODUÇÃO
PROMOÇÃO

Não nos referimos ao objecto em si, mas sim ao produto que foi desenvolvido e convertido em ele- mento compreensível, em mensagem ou testemunho do passado e com implicações no presente. Isto faz-se através da interpretação.

A acção interpretativa transforma o objecto num produto do património.
A acção interpretativa transforma o objecto
num produto do património.

O valor do património

Referimo-nos à necessidade de analisar um deter- minado objecto em relação ao seu valor patrimonial, mas, a que nos referimos como “valor”?

O valor de um objecto não se encontra na sua beleza, já que esta é um conceito subjectivo e cheio de juízos prévios. O valor do património encontra-se na capacidade do objecto para proporcionar informa- ção sobre aspectos históricos como a economia, a sociedade, as tradições ou a mentalidade.

informa- ção sobre aspectos históricos como a economia, a sociedade, as tradições ou a mentalidade. Fonte:

Fonte: Adesper

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informa- ção sobre aspectos históricos como a economia, a sociedade, as tradições ou a mentalidade. Fonte:
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Podemos aproximar-nos do valor através de duas concepções diferentes:

Valor de consumo

Este conceito baseia-se no benefício económico que uma comunidade pode obter graças ao seu patri- mónio. Dá-se prioridade aqueles objectos que possuem um valor artístico elevado ou que são pito- rescos. Deste ponto de vista, é importante levar a cabo a reconstrução de situações e cenários que valo- rizem estes elementos considerados como valiosos. Em resumo, o valor neste caso está estritamente rela- cionado com o potencial económico.

Valor de uso

Refere-se ao valor que se concede a um elemento em relação com a identidade de uma comunidade ou colectivo social determinados. Neste ponto é funda- mental compreender um conceito chave importante: a apropriação. Ainda que possa ter diferentes significa- dos, no âmbito da cultura, das tradições e da socieda- de, refere-se ao acto através do qual uma determinada sociedade ou grupo social reconhece algo como pró- prio, como legado cultural ou social legítimo que lhes pertence e forma parte da sua identidade. Este concei- to é especialmente importante quando se trata de sociedades que foram privadas (total ou parcialmente) da sua cultura e tradições, geralmente por causas poli- ticas, ou quando nos referimos a colectivos específicos que perderam, por causas similares, o seu sentido de pertença ou os seus símbolos identitários.

Nestes casos, o valor deve avaliar-se tendo em conta a capacidade do elemento como portador de identidade e como instrumento de apropriação. O papel do dito elemento é muito mais importante que a sua aparência. Também devemos ter em conta o sig- nificado que tem o elemento para as gentes cujo passado ou tradições estão representadas nele. Portanto, podemos afirmar que esta concepção consi- dera o património como um instrumento de consoli- dação da memória social e cultural; a comunidade converte-se em protagonista, já que neste caso a con- servação do património se leva a cabo por seu bem e como ferramenta de apropriação.

1.3. Conteúdos com potencial interpretativo

Na fase de planificação do nosso plano interpreta- tivo, uma vez que sabemos que zona vai ser objecto da interpretação, devemos analisar mais a fundo que lugares, que elementos concretos têm um maior potencial, isto é, que conteúdos interpretativos encontramos e ordená-los por ordem de prioridade. Trata-se de detectar aquele que apresenta um interes- se considerável e que não é necessariamente eviden- te para os visitantes.

Para tal, utilizaremos uma lista de critérios ou indicadores através dos quais obteremos o IPI (Índice Potencial Interpretativo) do conteúdo concreto:

CRITÉRIOS

BOM

REGULAR

MAU

SINGULARIDADE 9-7 6-4 3-1 ATRACTIVO 9-7 6-4 3-1 RESISTÊNCIA AO IMPACTO 9-7 6-4 3-1 DIVERSIDADE
SINGULARIDADE
9-7
6-4
3-1
ATRACTIVO
9-7
6-4
3-1
RESISTÊNCIA AO IMPACTO
9-7
6-4
3-1
DIVERSIDADE DE PÚBLICO
6-5
4-3
SAZONALIDADE
6-5
4-3
2-1
AFLUÊNCIA ACTUAL DE PÚBLICO
6-5
4-3
2-1
DISPONIBILIDADE DE INFORMAÇÃO
6-5
4-3
2-1
FACILIDADE DE EXPLICAÇÃO
3
2
1
PERTINÊNCIA DOS CONTEÚDOS
3
2
1
SEGURANÇA
3
2
1
FACILIDADE DE INSTALAÇÃO
3
2
1
1 SEGURANÇA 3 2 1 FACILIDADE DE INSTALAÇÃO 3 2 1 Fonte: Badaracco e Scull (1978)

Fonte: Badaracco e Scull (1978) e Morales e Varela (1986).

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Baseando-nos nesta tabela, podemos avaliar os elementos com potencial interpretativo em relação a cada um destes factores:

Singularidade Este factor refere-se ao nível de raridade do elemento em questão dentro do lugar.
Singularidade
Este factor refere-se ao nível de raridade do elemento em questão dentro do lugar. Quanto mais
singular seja, maior é o seu potencial interpretativo.
Atractivo
Refere-se ao potencial do conteúdo para causar impacto ou atrair a curiosidade dos visitantes.
Resistência ao impacto
Nem todos os elementos com potencial interpretativo têm a mesma resistência ao impacto de
visitantes, dependendo da sua fragilidade intrínseca, um elemento poderá ter maior ou menor
pontuação neste sentido.
Este aspecto está relacionado com as características do conteúdo quanto ao seu acesso; se este
Acesso a uma diversidade
de público
é complicado ou perigoso, não será apropriado para certos públicos mais sensíveis a este tipo
de características (idosos, crianças, deficientes etc.).
Sazonalidade
Nem todos os recursos podem permanecer acessíveis ao público durante todo o ano, seja pelas
suas características intrínsecas (mais comum no património natural) ou a restrições impostas
para assegurar a sua conservação (como pode ser o caso de um fresco ou uma pintura rupes-
tre).
Afluência actual do
público
Pretende-se verificar se o elemento (ou algum outro elemento muito próximo) já conta com
um certo fluxo de visitas, se já é conhecido e visitado de maneira prévia ao estabelecimento de
actividades interpretativas.
Disponibilidade de
informação
Avaliaremos a existência de informação contrastável e fiável em relação ao conteúdo em ques-
tão, já que sem esta a interpretação é praticamente inviável.
Facilidade de explicação
Através deste ponto analisamos o nível de dificuldade que apresenta a explicação do conteúdo
e seu significado em termos esquemáticos.
Pertinência de conteúdos
Neste ponto avaliaremos se os temas interpretativos que oferece o elemento são coerentes com
o resto dos temas pertinentes na zona a interpretar. Trata-se de avaliar se estas temáticas pode-
riam ou não incluir-se no plano interpretativo sem resultar alheias ao resto de conteúdos.
Segurança
Também é fundamental o nível de segurança que oferece o elemento e seus arredores para os
visitantes, de modo, que avaliaremos o seu nível de perigosidade.
Facilidade de instalação
Este factor contempla a facilidade que o lugar apresenta para ser adaptado à actividade inter-
pretativa, para albergar visitantes (acessos etc.) e se já existem infra-estruturas aproveitáveis
(estradas, escadas, água potável etc.).

A detecção e avaliação dos conteúdos com poten- cial interpretativo são cruciais para o programa inter- pretativo: estes conteúdos nem sempre são óbvios e sem uma análise profunda e esmerada de cada ele- mento do recurso que vai ser interpretado não estarí- amos a levar a cabo o acto interpretativo de forma precisa e adequada. Quando analisamos os conteúdos com potencial interpretativo, estamos de algum modo, no segundo nível de avaliação: já realizamos a avaliação do próprio recurso (como veremos mais adiante neste módulo) e centramo-nos agora nos ele- mentos específicos que apresentam potencial inter- pretativo dentro da área seleccionada.

UNIDADE 2.

Património Rural

2.1. Conceito de património

Na origem etimológica do termo, patrimonium, está a terra e casa, isto é, a herança paterna, supondo a existência de uma herança e de uma memória.

A utilização da palavra património para definir o que consideramos herança cultural, tem sofrido ao longo dos tempos alterações significativas. No entan- to, parece ser comum a noção de que neste conceito estão integradas 3 vertentes de valor: histórico, artís- tico e arqueológico.

49

comum a noção de que neste conceito estão integradas 3 vertentes de valor: histórico, artís- tico
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE 50 O património é um conceito que faz alusão à

50

O património é um conceito que faz alusão à his- tória, que se cruza com a essência da cultura (Santana, 1998). É a síntese simbólica dos valores identitários de uma sociedade, que os reconhece como próprios (Iniesta, 1990 in Santana, 1998). Isso implica um pro- cesso de reconhecimento intergeracional, de certos elementos como parte da cultura e o seu vínculo a um sentimento de grupo (Zeppel & Hall, 1991).

estritamente delimitadas, com valor universal excepcional do ponto de vista da ciência, conserva- ção ou beleza natural.”

O conceito de natureza pode ser muito vago e

impreciso. A ideia de natureza está fortemente intrin- cada nas mentalidades e responde à preocupação

actual do Homem, de reencontrar um lugar afastado do materialismo ambiente.

Do ponto de vista jurídico o património é uma noção que define todos os recursos que se herdam, bens mobiliários e imobiliários, capitais, etc., poden- do ter um carácter privado ou público. Em ambos os casos, o objectivo é garantir a sobrevivência dos gru- pos sociais e também interligar diferentes gerações (Rodriguez & Becerra, 1997).

Torna-se claro que o património pode ser acumu- lado, perdido ou transformado de uma geração para outra. Os diferentes elementos que podem ser classificados como património devem cada vez mais ser entendidos como algo útil e até imprescindível, dum ponto de vista educativo e lúdico, para além da sua percepção como ele- mentos estáticos ou de arte inatingível. Aspecto reforçado pela importância do património cul- tural e natural enquanto factor económico e factor de integração social e de cidadania.

2.2. Património ambiental/natural

Definições

Pelo art. 1º da Convenção sobre a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural (UNESCO, 1972), considera-se como patrimó- nio cultural: Artigo 2º Para fins da presente Convenção serão con- siderados como património natural:

Os monumentos naturais constituídos por

formações físicas e biológicas ou por grupos de tais formações com valor universal excepcional do ponto de vista estético ou científico.

As formações geológicas e fisiográficas e as zonas estri- tamente delimitadas que constituem habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas, com valor universal excep- cional do ponto de vista da ciência ou da conservação.

O carácter selvagem do meio quase que desapare-

ceu e não há nenhuma paisagem que não tenha já sofrido, nalgum momento, uma intervenção directa ou indirecta da sociedade humana. Este conceito leva-nos para locais, paisagens, riquezas naturais e ecossistemas muitas vezes ameaçados, como o bos- que da figura seguinte, na Serra do Brunheiro (Chaves, Portugal).

figura seguinte, na Serra do Brunheiro (Chaves, Portugal). Fonte: Adrat Parece mesmo que há algo de

Fonte: Adrat

Parece mesmo que há algo de metafísico na ideia de natureza, na qual se encontra a origem da protec- ção do património natural. A esta vontade de protec- ção corresponde então o manter de equilíbrios frá- geis, mudando ao ritmo das estações e sob protecção de factores muitas vezes insensíveis.

Os locais de interesse naturais ou zonas naturais

O património natural da Europa está intimamen-

PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
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te relacionado com a ocupação humana do território

e com as actividades posteriormente desenvolvidas.

Actualmente verifica-se uma certa ambiguidade no conceito de rural, devido sobretudo a alguns dos critérios usualmente aplicados na sua definição, nomeadamente a actividade agrícola, a forte depen- dência dos recursos naturais e a extracção de maté- rias-primas (Ferreira, 1998). Com as mutações verifi- cadas, há mais dificuldades na conceptualização do termo rural. No entanto, a definição do estatuto rural deverá considerar:

- Atitudes e comportamentos particulares e associa- dos aos valores tradicionais.

- Predominância de actividades relacionadas com o sector primário, mas sem esquecer que a integração dos agricultores em mercados de trabalho diferentes é cada vez maior, exercendo outras actividades.

- Ser constituído por pequenos aglomerados popu-

lacionais, inseridos em grandes espaços de paisa- gem aberta.

É possível afirmar que grande parte das áreas

rurais passou de espaços de produção de alimentos, a espaços reserva de qualidade ambiental, a “guardiães” da natureza e das “memórias do passado”. O esqueci- mento do carácter produtivo das áreas rurais condu- ziu à percepção do rural como espectáculo, como cenário ou paisagem, por parte dos Estados e dos visi- tantes (Figueiredo, E. 2003).

Os espaços rurais caracterizam-se em geral por disporem de um interessante capital de recursos natu- rais e culturais, que oferecem múltiplas oportunidades de utilização. Por ex., no meio rural podemos encon- trar alguns elementos etnográficos, os quais se enqua- dram na designação de património cultural: palheiros, fontanários, lagares, fornos, teares, pisões, azenhas, Um exemplo poderia ser as ruínas deste lagar tradicio- nal em Torre de Ervededo (Chaves, Portugal).

lagar tradicio- nal em Torre de Ervededo (Chaves, Portugal). Fonte: Adrat Os atributos dos recursos naturais

Fonte: Adrat

Os atributos dos recursos naturais e culturais são em geral função da sua génese e da sua utilidade para fins específicos. Na génese estão incluídos factores diversos

de localização e de caracterização estrutural e dinâmica.

A utilidade considera-se sobretudo em relação ao valor

que os recursos representam para as actividades huma- nas, nas suas várias vertentes (Partidário, 2003).

A Convenção Europeia da Paisagem (2000)

reconhece a paisagem como uma componente básica do património cultural e natural, importante para a construção das culturas locais, consolidação da iden- tidade europeia, sendo também um elemento funda- mental na qualidade de vida das populações.

51

da iden- tidade europeia, sendo também um elemento funda- mental na qualidade de vida das populações.
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE Também a European Spatial Development Perspective (1999) reconhece que o

Também a European Spatial Development Perspective (1999) reconhece que o património cul- tural da Europa - das paisagens culturais das áreas rurais aos centros históricos das cidades - é a expres- são da sua identidade.

As paisagens culturais contribuem pela sua origi-

nalidade para a identidade local e regional, reflectin- do a história e a interacção entre o Homem e a Natureza. A protecção e gestão criativa das paisagens culturais e do património são factores fundamentais para o desenvolvimento sustentável.

A exploração e interpretação orientada respeitam os

valores ambientais, culturais e construídos, contribuin- do para o seu conhecimento, protecção e valorização.

2.3. Património cultural/histórico

Definições

O património cultural é algo tão vasto quanto as

áreas do conhecimento e da actividade humana. Para melhor compreender a evolução deste conceito, enu- meram-se algumas definições defendidas nas últimas décadas.

A Convenção Europeia para a Protecção do

Património Arqueológico, publicada em 1969, define

como “bens arqueológicos, (

objectos ou quaisquer outros indícios de manifesta- ções humanas que constituem testemunho de épocas e civilizações, cujas principais fontes de informação

os

)

os vestígios e

científica são asseguradas por escavações ou por des- cobertas.” Esta definição é bastante abrangente e mesmo vaga.

A Convenção para a Protecção do Património

Mundial Cultural e Natural, da UNESCO (1972) defi- ne separadamente os conceitos de património cultu- ral (artigo 1º) e natural (artigo 2º). Quanto ao patri- mónio cultural é exposto que:

• Artigo 1º Para fins da presente Convenção serão considera- dos como património cultural:

Os monumentos - Obras arquitectónicas, de escultura ou de pintura monumentais, elementos ou estruturas de carácter arqueológico, inscrições, gru- tas e grupos de elementos com valor universal excep-

52

cional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência.

Os conjuntos - Grupos de construções isoladas ou reunidos que, em virtude da sua arquitectura, unida- de ou integração na paisagem, têm valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência.

Os locais de interesse - Obras do homem, ou obras conjugadas do homem e da natureza, e as zonas, incluindo os locais de interesse arqueológico, com um valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico.

Na Carta Europeia do Património Arquitectónico (Amesterdão, 1975), definiu-se que “O património arquitectónico europeu é formado não apenas pelos nossos monumentos mais importantes mas também pelos conjuntos que constituem as nossas cidades antigas e as nossas aldeias com tradições no seu ambiente natural ou construído.” Esta concepção atende já ao facto de que a envolvente é uma impor- tante parcela do valor cultural dos monumentos e que, como tal, deve ser igualmente preservada. A imagem seguinte mostra um elemento arquitectóni- co de Vilarinho Seco (Boticas, Portugal).

Uma década depois era apresentada a Convenção para a Salvaguarda do Património Arquitectónico da Europa (1985), em que a expressão “património arquitectónico” é definida como:

Arquitectónico da Europa (1985), em que a expressão “património arquitectónico” é definida como: Fonte: Adrat

Fonte: Adrat

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1. Os monumentos: todas as construções particular- mente notáveis pelo seu interesse histórico, arqueo- lógico, artístico, científico, social ou técnico, incluindo as instalações ou os elementos decorati- vos que fazem parte integrante de tais construções.

2) Os conjuntos arquitectónicos: agrupamentos homogéneos de construções urbanas ou rurais, notáveis pelo seu interesse histórico, arqueológi- co, artístico, científico, social ou técnico, e sufi- cientemente coerentes para serem objecto de uma delimitação topográfica.

3) Os sítios: obras combinadas do homem e da natu- reza, parcialmente construídas e constituindo espa- ços suficientemente característicos e homogéneos para serem objecto de uma delimitação topográfi- ca, notáveis pelo seu interesse histórico, arqueológi- co, artístico, científico, social ou técnico.”

Para além dos aspectos artísticos, históricos e arqueológicos, com a evolução das diferentes defini- ções, emergem novos motivos de classificação: o inte- resse científico, social e técnico. A Carta Internacional para a Gestão do Património Arqueológico (ICOMOS, 1990) define claramente o que se deve entender por património arqueológico:

“O «património arqueológico» é a parte do nosso património material para a qual os métodos da arqueologia nos fornecem os conhecimentos de base. Engloba todos os traços e vestígios da existência humana e diz também respeito aos lugares onde se exerceram as actividades humanas, as estruturas e os vestígios abandonados de todos os tipos, à super- fície, no subsolo ou debaixo das águas, bem como o material e informação associados.”

Trata-se de uma definição longa e muito abran- gente, colocando sob protecção legal todo um vasto conjunto de objectos e informações respectivas. Já para a classificação dos materiais museografavéis, define várias categorias: Cerâmica, Escultura, Gravura, Metais, Armas, Mobiliário, Ourivesaria, Pintura, Têxteis, Trajes, Vidro, Meios de Transporte, Numismática, Medalhística, Epigrafia, Relógios, Fotografia, Instrumentos Científicos, Instrumentos Musicais, Equipamentos e Utensílios.

A evolução do conceito

O Património Cultural pode ser definido como o conjunto de bens materiais, bens e manifestações imateriais, bens históricos, artísticos, naturais, que pelo seu reconhecido valor próprio, devam ser consi- derados como de interesse relevante para a perma- nência e identidade da cultura através do tempo. Possuindo estes bens uma linguagem própria, defi- nem a identidade de um povo. Esta imagem mostra um tanque ou lavadouro típico em S. Julião de Montenegro (Chaves, Portugal).

Permite-nos dizer que o passado é interpretado a partir do presente, de acordo com critérios de selec- ção e valoração determinantes em cada época, res- pondendo às necessidades sociais do presente e do futuro. Ou seja, cada vez mais, o património cultural

pondendo às necessidades sociais do presente e do futuro. Ou seja, cada vez mais, o património

Fonte: Adrat

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pondendo às necessidades sociais do presente e do futuro. Ou seja, cada vez mais, o património
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE deixará de ser apenas “histórico-artístico”, algo do passado para

deixará de ser apenas “histórico-artístico”, algo do passado para conservar.

Uma abordagem que pode ser feita nesta perspec- tiva é a de que o termo património pode ser dividido em duas grandes vertentes: Natural e Cultural.

No Património Natural podemos incluir os ele- mentos e conjuntos naturais, como as praias, os par- ques naturais, as formações geológicas, etc.

Quanto ao Património Cultural, este pode ainda ser dividido em vários grupos: Monumental, Artístico, Etnográfico e Complementar).

PATRIMÓNIO Natural Cultural Monumental Artístico Etnográfico Complementar
PATRIMÓNIO
Natural
Cultural
Monumental
Artístico
Etnográfico
Complementar

Esquematização do conceito de património

- No património cultural monumental incluem-se as igrejas, os castelos e demais monumentos construídos pelo Homem, classificados ou não.

- No património cultural artístico, temos os museus, as colecções de obras de arte, o coleccionismo, no fundo as expressões artísticas de uma cultura.

- Como património cultural etnográfico entendem- se as formas de artesanato, dos utensílios, dos tra-

54

jes, dos elementos sociais caracterizadores de um povo.

- Já para o património cultural complementar são considerados conjuntos criados pela acção huma- na, recriando elementos naturais para uso social. podem ser os casos dos jardins, das marinas e albufeiras de recreio, etc.

Poderíamos ainda falar no património humano, recurso endógeno de cada local, que tem no entanto uma abordagem e tratamento científico distintos. A noção de património cultural é fundamental para entender os conceitos de desenvolvimento sustentável, preservação ambiental, turismo sustentável, ecoturis- mo e consequentemente, para possibilitar a realização de suas actividades. Portanto, património cultural não diz apenas respeito aos grandes monumentos históri- cos, aos vestígios arqueológicos, aos quadros de pinto- res famosos, a obras clássicas da literatura etc. Refere- se também a tudo aquilo que nos cerca, a todas as acti- vidades que desenvolvemos no dia-a-dia, à forma pela qual entendemos o mundo e nele interferimos.

Perspectiva social do património

De acordo com Urry (1990) vivemos numa socie- dade pós-moderna na qual há uma tendência para a nostalgia, que se manifesta também numa atracção nostálgica pelo património cultural, enquanto repre- sentação simbólica da cultura.

Na realidade, o património parece tocar no mais

íntimo de cada pessoa: nas suas origens, nas suas

recordações, nos seus sonhos,

modernidade galopante, o património parece aqui

assumir um papel de refúgio cultural de um povo (a língua, as paisagens, a organização familiar e

numa procura das raízes e reforço da iden-

tidade. Considerando que a noção de património cul- tural e natural deve ter em conta a preservação da diversidade linguística, nomeadamente das línguas regionais e minoritárias, trata-se aqui de representar um papel de protector de valores.

social,

Num tempo de

),

A Carta Internacional sobre o Turismo Cultural (ICOMOS, 1976) define que o património cultural e natural, no seu sentido mais genérico, pertence a todos e todos temos o direito e a responsabilidade de o compreender, valorizar e conservar. O turismo cul- tural pode ser um meio para atingir esses objectivos,

PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
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entendido este como uma experiência de intercâmbio cultural na qual não só nos aproximamos ao conheci- mento do passado e à sua mudança, mas também à vida actual de outros grupos humanos. De facto, o turismo cultural pode e deve prestar serviço à conser- vação e valorização do património cultural, mas tam- bém pode ocorrer o contrário, isto é, o turismo cul- tural cria-se em função dos interesses mercantis e é com esse propósito que é explorado. Os riscos são o abuso, os impactos negativos e a própria perca do património cultural.

Note-se que o património cultural não é o mesmo que cultura. O que os distingue é que o primeiro se manifesta na representação da segunda, através da conservação e da transformação do valor dos elemen- tos culturais. Não é possível patrimonializar toda a cultura, daí que o património cultural seja só uma representação simbólica da cultura. Além disso, o património tende a fixar alguma permanência, quan- do opostamente a cultura está em constante mudan-

ça. O processo de fazer história, construir e actualizar

a cultura acontece por meio de três relações funda- mentais (Lima & Gita, 2004):

1) As relações das pessoas e do seu grupo social com a natureza. 2) As relações das pessoas e dos grupos entre si, e 3) As relações das pessoas e dos seus grupos sociais com as suas crenças.

O património cultural é produto dessas três rela- ções, pois são elas que estruturam as tradições e

como tal as diversas maneiras de ser dos grupos humanos e as diferentes maneiras de como utilizam

e exploram a natureza. Entende-se, assim, que a

diversidade cultural é indissociável de outras dimen- sões da diversidade ambiental - a geodiversidade e a biodiversidade do meio ambiente ocupado por esses grupos (Lima & Gita, 2004).

Ao património cultural podem ainda ser atribuí- dos certos valores:

- Valor histórico.

- Valor estético ou artístico.

- Valor de antiguidade.

- Valor de actualidade ou contemporaneidade.

- Valor documental.

- Valor etnográfico ou antropológico.

Do valor antropológico, surgem aqui as populaçõ- es locais tradicionais, cujo valor e diversidade pode- mos entender como um código de convívio social e de relacionamento com o mundo, uma espécie de conjunto de regras orientadoras das relações de parentesco e de vizinhança, ou ainda, das formas dife- renciadas de apropriação do meio ambiente, do con- hecimento a ele associado e das tecnologias patrimo- niais desenvolvidas para a sua utilização.

As técnicas ou tecnologias patrimoniais são os

conhecimentos tradicionais aplicados no fabrico de roupas, remédios, utensílios, bebidas, comidas,

casas

quer a criação das ferramentas que permitem o seu fabrico. Por exemplo, o moinho, o tear, o alambique, o fogão de lenha, técnicas de construção, etc. (Lima & Gita, 2004). Estas populações tradicionais represen- tam grupos com direitos - ao território, a matérias- primas, à preservação do seu modo de ser, à sua cul- tura - e devem, em contrapartida, promover o uso sus-

Englobam quer os modos de fazer os produtos

o uso sus- Englobam quer os modos de fazer os produtos Fonte: Adrat tentável do ambiente

Fonte: Adrat

tentável do ambiente natural em que vivem. Também se deverá reduzir o risco de exclusão ou mesmo de indiferença e alheamento das populações locais quan- to a projectos de qualificação patrimonial e combater expectativas excessivas no que diz respeito ao real interesse e valor dos elementos patrimoniais.

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e combater expectativas excessivas no que diz respeito ao real interesse e valor dos elementos patrimoniais.
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE
PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE UNIDADE 3. Traços com Potencial Interpretativo (TPI) 1.1. Critérios

UNIDADE 3.

Traços com Potencial

Interpretativo (TPI)

1.1. Critérios prioritários

O património classificado torna-se mais atractivo

enquanto produto turístico, podendo criar uma hie-

rarquia regional e nacional, em sua função; esta pon- deração poderá ser determinada pela classificação do património (ex. Monumento Nacional, Imóvel de

Interesse Público, Valor Concelhio,

visa, em larga medida preventivamente, conferir um estatuto especial ou mesmo pôr a salvo os bens que "mereçam especial protecção" (Teixeira, 1996).

). A classificação

No entanto, podemos verificar que havendo numa dada região uma maior densidade de património classifi- cado, não significa por si mesmo que haja melhores con- dições de visita ou usufruto, o que pode influenciar o seu potencial turístico e interpretativo. Os percursos de interpretação têm como objectivo divulgar o património cultural e ambiental de uma região, estimular a reflexão sobre as transformações recentes no espaço rural e pro- por novos usos do território ligados ao lazer, turismo cultural e de natureza (Oliveira, 2003).

O inventário dos recursos, a articulação com outros

agentes locais, a constituição de uma rede de colabora- dores e a montagem de uma estrutura organizativa leve, acompanham a criação de um produto turístico: percur- sos temáticos ligados à interpretação do património.

O interesse histórico-cultural de uma região ou

local resulta da lenta acumulação de testemunhos da presença humana. Paisagens marcadas por teste- munhos megalíticos, vestígios da presença romana, vias, moinhos de água (como o da fotografia, no rio Tâmega ao passar em Rabal, Espanha, junto à frontei- ra com Portugal), fornos, fontes, vestígios de minera- ção antiga, quintas seculares, etc., são elementos de cultura material que atestam uma longa sucessão de factos históricos de uma região.

No meio rural observa-se uma tendente diminui- ção da actividade agrícola, desertificação dos solos, despovoamento e envelhecimento das populações.

56

Houve durante décadas um conhecimento empírico dos elementos naturais e culturais.

O território, para os seus habitantes, tinha e tem sentidos diferentes daqueles que os visitantes e turis- tas lhe atribuem. São no fundo as estórias vividas: os palheiros, a oliveira onde se guardava a merenda, o poço onde alguém caiu, a estrada por onde passava o contrabando, o sítio onde se avistou o lobo, a ponte de madeira arrastada pelas cheias, o monte onde se caçavam os coelhos, etc. Lendas e contos, transmiti- dos de geração em geração, ligados ao imaginário popular do meio rural, sendo que hoje assiste-se a uma dispersão destes “saberes” e tradições. Parece ser o caso da tecelagem tradicional, das capas de burel, da vezeira do gado, da malhada e da matança do porco, de fazer o fumeiro, dos jogos populares, )

3.2. Índice de Potencial Interpretativo

Para se definirem percursos interpretativos, há que proceder ao levantamento dos seguintes pontos:

- Principais pontos de interesse dentro dos vários existentes, de acordo com os objectivos e com os temas dos circuitos (ex. observação de fauna, de interesse histórico, cultural e etnográfico, …).

- Classificação do percurso quanto à sua duração (ex. 1/2 dia, 3 horas,

- Classificação da tipologia do percurso (pedestre, BTT, automóvel,

- Épocas do ano de maior sensibilidade ambiental;

- Orientação dos visitantes para locais de menor sensibilidade ambiental, de modo a haver menos impactes, e

- Ligação lógica entre percursos, para que não haja uma “dispersão” de temas.

De modo a se definir o potencial interpretativo de um elemento ou conjunto patrimonial, devemos pro- curar avaliar as condições reais, quer do recurso quer do meio envolvente, de visita, de interpretação e uso desse património, potenciando a sua qualificação ao nível da sinalética e de um apoio documental.

Apresenta-se a seguir um modelo de ficha de ava- liação - uma para o património cultural, outra para o património natural -, que possa facilitar a tarefa de aplicação dos critérios de avaliação do potencial interpretativo.

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FICHA DE AVALIAÇÃO

 
 

Património Cultural

 

RECURSO

Património arquitectónico

 

Património artístico

 

Património etnográfico

 

Património complementar

 
 

IDENTIFICAÇÃO

 

Nome

 

Estilo/período

 

Lugar/localização

 

Nível de protecção

 

Natureza

 

Utilidade

Pública

Privada

 
 

CONSERVATION

 
 

Bom

Razoável

Mau

Ruinoso

Estado de conservação

 

Ameaças

 

Outros

 

ACESSIBILIDADES

 
 

Auto-Estrada

Estrada nacional

Estrada secundária

Pedestre

Tipo de acesso

Sim

Não

 

Transporte público

 

VISITAS

 

Normas de visitas

Sim

Não

 

Acesso gratuito

Sim

Não

 

Acesso pago

Sim

Não

 

Infra-estruturas

Sim

Não

Quais?

 

Fotografia e localização no mapa

Sim

Não

 

Lugares de interesse turístico

Sim

Não

Quais?

 

57

e localização no mapa Sim Não   Lugares de interesse turístico Sim Não Quais?   57
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FICHA DE AVALIAÇÃO

 
 

Património Natural

 

RECURSO

Meio natural/paisagem

 

Meio rural/paisagem

 

Árvore classificada

 

Pedestre

 
 

IDENTIFICAÇÃO

 

Nome/denominação

 

Nível de protecção /status

 

Lugar

 

Status administrativo

 

Breve descrição

Público

Privado

 
 

CONSERVAÇÃO

 

Interesse natural

Flora

Fauna

Rios

Geologia

Interesse rural

Paisagem

Agricultura/gado

Vilas

Legendas

Ameaças para a sua conservação

 

Outros

 
 

ACESSIBILIDADES

 

Tipo de acesso

Auto-estrada

Estrada nacional

Estrada secundária

Pedestre

Transporte público

Sim

Não

 
 

VISITAS

 

Época do ano recomendada

Inverno

Primavera

Verão

 

Outono

Normas de visita

Sim

Não

 

Acesso gratuito

Sim

Não

 

Acesso pago

Sim

Não

 

Infra-estruturas

Sim

Não

Quais?

 

Fotografia e localização no mapa

Sim

Não

 

Lugares de interesse turístico

Sim

Não

Quais?

 
e localização no mapa Sim Não   Lugares de interesse turístico Sim Não Quais?   58

58

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3.3. Quando e onde NÃO fazer interpretação

Podemos definir a interpretação do património cultural como a arte de revelar os significados dele a um público que ocupa o seu tempo de lazer. Implica uma tentativa de tradução inter cultural, pois o patri- mónio não fala por ele próprio, nem sem as pessoas.

A interpretação é um “método” fundamental para planificar uma oferta patrimonial (Miró & Alraix, 1997), dando a conhecer e tornar acessível o sentido e o significado dos bens culturais e dos modos de vida.

É afinal, um sistema de descodificação de mensa- gens que têm níveis diversos de complexidade e uma forte carga de ambiguidade. Trata-se ainda de um acto de comunicação que faz inteligível algo, mas que simultaneamente converte - quer o património cul- tural quer o natural -, num activo da procura turísti- ca ou educativa.

Para Tilden (1957) a interpretação do património cultural e natural tem:

- Exposições permanentes e temporárias.

- Maquetas.

- Montagens audiovisuais.

- Experiências interactivas.

- Eventos e festas.

- Sinalização e painéis informativos.

- Visitas guiadas e itinerários temáticos.

- Ateliers e actividades didácticas, e

- Publicações e desdobráveis.

Os centros de interpretação representam o princi- pal suporte da interpretação e facilitam a gestão dos bens patrimoniais. Em termos de infraestruturas, são equipamentos com serviços destinados à apresentação, comunicação e exploração do património cultural. Pode-se acolher os visitantes e a partir daqui, dinami- zar in situ os recursos naturais e culturais. A interpre- tação aplicada ao património (sobretudo ao cultural) é

uma necessidade de comunicação num território turístico. Desenvolver um plano de interpretação requer critérios que nos colocam algumas questões:

- Qual o sentido da preservação?

- O que conservar ou não conservar?

- Quais as prioridades?

- Quem selecciona as prioridades?

- Como seleccionar o que deve ser interpretado?

- Que tipo de actividades desenvolver ou apoiar?

- Que tipo de mensagem damos deste património? Histórica, científica, ideológica, emotiva,

- Para quem se dirige?

- Que costumes salvaguardar ou recuperar?

- Que monumentos tornar acessíveis e de que forma?

- Como garantir a rentabilidade dos investimentos feitos nesse património?

?

Vê-se assim que a interpretação do património per- passa por contingências históricas, formação, pesquisa, responsabilidade social e ética (Tamanini, 2005).

No seguimento destas interrogações, surge a necessidade de avaliar o potencial interpretativo, para o qual devemos atender, entre outros, aos seguintes factores (Gunn, 1972):

- Beleza física do meio envolvente e dos edifícios.

- Actividades para o visitante.

- Harmonia entre o cuidado com o meio ambiente e as infra-estruturas construídas.

- Simbologias claras.

- Compreensão do sítio, e.

- Protecção ambiental do sítio.

Na concepção de um modelo de desenvolvimento, em que se procura definir e considerar o património, há que atender à diversidade cultural, à complexida- de da História e à imprevisibilidade da acção social. Ou seja, temos que atender às especificidades de cada comunidade, envolvendo a população e levando-a a participar na orientação do seu próprio processo de desenvolvimento e valorização patrimonial.

59

e levando-a a participar na orientação do seu próprio processo de desenvolvimento e valorização patrimonial. 59
3 Comunicação e interpretação
3
Comunicação e interpretação
Através deste módulo aprenderá: Como acontece o processo de comunicação Como fazer uma mensagem interpretativa
Através deste módulo aprenderá:
Como acontece o processo de comunicação
Como fazer uma mensagem interpretativa adequada
Como comunicar a mensagem
Unidade 1. O processo de comunicação
1.1. O processo de comunicação
1.2. Sistemas de filtros
1.3. Como acontece a falha de comunicação
1.4. Psicologia do Turismo
Unidade 2. A mensagem interpretativa
2.1. Características da mensagem
2.2. Necessidade de manter o nível de atenção
2.3. Interpretação temática
Unidade 3. Comunicação da mensagem
3.1. Estruturação
3.2. Questionários
3.3. Respostas
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UNIDADE 1.

O processo de comunicação

1.1. O processo de comunicação

Comunicação é a transmissão de informação. Vamos pensar como o processo de comunicação acontece.

Para começar, um indivíduo tem pensamentos que quer comunicar. Depois estes pensamentos são organizados e transformados numa sequência lógica. Finalmente são traduzidos para palavras sendo poste- riormente exprimidas.

Pensemos agora na pessoa que está a receber a informação:

O receptor ouve as palavras vindas do emissor, e interpreta-as com sentido, de acordo com as suas cren- ças, opiniões e filtros, que usa para entender e inter- pretar o mundo, isto é, os pensamentos do emissor.

Além do mais, se a comunicação é tão fácil como

é que o desentendimento, a confusão e a falta de comunicação acontecem tão frequentemente?

Existem dois processos que implicam PENSA- MENTOS - um no princípio do ciclo envolvendo o comunicador e um no final do ciclo envolvendo o receptor.

Cada indivíduo leva a cabo estes processos psicológicos de maneira diferente e isto causa falha
Cada indivíduo leva a cabo estes processos
psicológicos de maneira diferente e isto causa
falha de comunicação.

Quando alguém nos comunica informação (atra- vés de um dos nossos sentidos), esta informação

passa através de um sistema de filtros internos, que basicamente corresponde às nossas crenças, opiniões

e imagem do mundo. O modo como nos sentimos no

momento em que o acto de comunicação toma lugar (i.e. estamos motivados? Com energia? Deprimidos? Satisfeitos?) terá um efeito de ligação com a repre- sentação comunicativa que estruturaremos, a qual

dotamos de um estado emocional. Este estado quer seja bom, mau ou indiferente determinará a nossa reacção para com outros e com

o evento. Finalmente, isto provoca o comportamento

que outros vêem quando comunicamos de volta, seja

de forma verbal ou não verbal.

Representação interna Apagar Distorcer Generalizar Estado emocional COMPORTAMENTO FISIOLOGIA INFORMAÇÃO
Representação
interna
Apagar
Distorcer
Generalizar
Estado emocional
COMPORTAMENTO
FISIOLOGIA
INFORMAÇÃO
FILTROS

Processo interno de comunicación

Comunicar eficazmente é sobretudo entender este processo interno. Uma vez que se conheçam algumas das
Comunicar eficazmente é sobretudo entender este processo interno.
Uma vez que se conheçam algumas das estratégias de communicação da outra
pessoa e se adopte um estilo que complemente essas estratégias percebemos
que poderemos comunicar mais eficazmente.

65

pessoa e se adopte um estilo que complemente essas estratégias percebemos que poderemos comunicar mais eficazmente.
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1.2. Sistemas de filtros

Como já foi explicado, a informação entra através dos nossos canais de entrada sensoriais. Ao todo exis- tem cinco, mas no que diz respeito à comunicação são principalmente três:

Visual Isto é, o que vemos, linguagem corporal e a fisiologia dos outros Auditivo Estes
Visual
Isto é, o que vemos, linguagem corporal
e a fisiologia dos outros
Auditivo
Estes são os sons que ouvimos, as pala-
vras que exprimimos e a maneira de
como são ditas
Cinestésico
Estes estão divididos em sentidos inter-
nos e externos:
Sentidos externos incluem tocar
alguém ou algo, o que se sente - textu-
ra, pressão, etc.
Sentidos internos incluem sentidos
como fome, stress, tensão, conforto,
prazer, etc.

Os outros dois, menos relevantes para a comuni- cação, são os sentidos do paladar e do olfacto.

comuni- cação, são os sentidos do paladar e do olfacto. Fonte: Irma Quando a informação entra

Fonte: Irma

Quando a informação entra através de um destes sentidos processamo-la e modificamo-la de acordo como vemos e entendemos o mundo. Este entendi- mento é baseado nos tais chamados filtros.

Este entendi- mento é baseado nos tais chamados filtros. 66 Existem 6 filtros principais: ENTRADA DE

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Existem 6 filtros principais:

ENTRADA DE INFORMAÇÃO Linguagem Metaprogramas Sistema de crenças Valores Decisões Recordações
ENTRADA DE
INFORMAÇÃO
Linguagem
Metaprogramas
Sistema de
crenças
Valores
Decisões
Recordações
SAÍDA DE INFORMAÇÃO
SAÍDA DE
INFORMAÇÃO

Linguagem

Sistema de filtros

Quando interpretamos a mensagem, o resultado depende de se conhecemos e compreendemos as pala- vras que contém e das prévias experiências comuni- cativas em que ditas palavras apareceram. Por exem- plo, “excelente” pode significar para um determinado receptor o mesmo que “bom”.

Meta-programas

Metas programas são uma parte fundamental da nossa personalidade. Definem a maneira como cada indivíduo analisa uma situação comunicativa. Quando se conhecem os meta-programas de alguém poderemos prever muito melhor o seu comporta- mento e as suas acções. Não existem meta-programas certos ou errados, são só diferentes formas de gerir a informação.

Valores

O terceiro filtro por onde passa a informação corresponde aos valores; as nossas crenças e juízos. Digamos, que é o nosso filtro de avaliação. Devido à

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grande importância que concedemos aos valores, o resultado deste juízo tem um grande impacto nas nossas motivações.

Crenças

A crença é um sentimento de certeza do que algo

significa para nós: o comportamento humano é con-

duzido pela crença.

O nosso poder pessoal de fazer algo depende das

nossas crenças; são essencialmente o nosso interrup- tor “on/off” para a nossa habilidade de fazer qualquer coisa no mundo.

Há um velho ditado que define o poder das cren- ças com muita exactidão: “Quer acredite que pode ou não, está absolutamente certo”.

Ao comunicar com alguém é importante deduzir quais são as suas crenças a respeito do tema que esta- mos a tratar. Quando tentamos motivar e encorajar alguém é importante saber que crenças a impediram ou motivaram a fazer algo em concreto.

Decisões

Este filtro está estritamente relacionado com as recordações, trata-se das decisões que tomámos no passado. O facto de que o resultado de uma decisão tomada no passado tenha sido positivo, negativo ou indiferente gera crenças em relação a essa decisão em particular, que ficam armazenadas na nossa memória.

Recordações

O último filtro está relacionado com as nossas recordações de acontecimentos passados. Quando algum acontecimento presente tem algu- ma relação com os pensamentos ou acontecimentos do nosso passado, estabelecemos uma ligação. Se se trata de uma má experiência virá associada a um sen- timento negativo: o de que voltará a acontecer o mesmo.

1.3. Como acontece a falha de comunicação

A falha de comunicação acontece quando apaga-

mos, distorcemos ou generalizamos informação vinda do exterior ou do nosso processo pensativo.

A nossa experiência diária é algo que, literalmen- te nós criamos dentro das nossas cabeças. Não expe- rimentamos a realidade directamente, já que estamos sempre a apagar, distorcer e a generalizar.

Como referimos, o processo de comunicação tem várias fases.

- Recebemos informação através dos nossos sentidos.

- Os nossos filtros determinam depois a nossa repre- sentação interna do acontecimento.

- É a nossa representação interna que nos coloca num certo estado de ânimo.

- O estado em que nos encontramos determinará o nosso comportamento ou reacção ao acto comu- nicativo.

Por vezes, este sistema de filtros, juntamente com os processos de apagar, distorcer e generalizar, faz com que a nossa versão da realidade seja diferente, o que pode causar desentendimentos ou mesmo confli- tos.

A comunicação efectiva baseia-se em vários aspectos, entre eles, a linguagem corporal será parti- cularmente relevante. A nossa linguagem corporal é tão importante, que constitui mais de metade da composição no êxito das comunicações. Exemplos:

expressões faciais, postura, respiração, movimentos etc.

Algumas regras e conselhos para uma comunica- ção efectiva:

1. O modelo do mundo dos outros difere do nosso.

Deve-se respeitar o modelo das outras pessoas por- que para elas é tão real e
Deve-se respeitar o modelo das outras pessoas por-
que para elas é tão real e verdadeiro como as nossas
conclusões e crenças são para nós.
2. Fisiologia e estado de espírito.
O modo como mexemos e a postura terão um efeito
nos demais, uma vez que são o reflexo do que pen-
samos e do que estamos a sentir.
3. Não existem fracassos, somente resultados.
Independentemente do que pretendemos comu-
nicar, haverá um resultado:
Qualquer interpretação que se tenha feito será

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do que pretendemos comu- nicar, haverá um resultado: Qualquer interpretação que se tenha feito será 67
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PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE verdade para os outros. 4. Aprenda com o “feedback” e
verdade para os outros. 4. Aprenda com o “feedback” e modifique a aproxi- mação. Repare
verdade para os outros.
4. Aprenda com o “feedback” e modifique a aproxi-
mação.
Repare nos resultados que está a obter da comunicação e modi-
fique a aproximação. Utilize os resultados da comunicação
como “feedback” e aprenda sempre com eles. Quando as suas
observações ou “feedback” indicarem que os resultados não são
os
que pretendem, tente outra coisa diferente.
5.
O comportamento das pessoas muitas vezes pare-
ce aleatório.
O comportamento das pessoas deve-se às suas cren-
ças. Quando não compreendemos porque alguém
actua de certa maneira, na realidade, não compre-
endemos as suas crenças.
6. O comportamento é o resultado do processo
mental e do estado emocional.
O comportamento não é equivalente à personalida-
de; devemos ir mais além; é nas crenças e nos valo-
res que se encontra a identidade das pessoas.
7. A chave é a flexibilidade
Utilizando uma aproximação flexível para comuni-
car irá assegurar que uma pessoa menos flexível
responda a essa comunicação.
Isto é importante para influenciar outros.
8. Utilize a fórmula comunicativa
que seja eficaz.
Para obter os resultados que esperamos da comuni-
cação, devemos em primeiro lugar saber o que que-
remos exactamente. Depois devemos procurar a
estratégia comunicativa adequada, pô-la em prática
e se o resultado não for o esperado, modificar a
estratégia.

1.4. Psicologia do Turismo

A psicologia turística analisa o comportamento

dos consumidores e como este afecta o seu desejo de viajar. Trata-se de um ramo da psicologia muito acti- vo: especialistas de marketing estudam continua- mente o comportamento dos consumidores e as suas implicações nas decisões de compra.

A psicologia dos consumidores baseia-se em

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vários factores estudados por psicólogos para melhor compreender o que motiva certos comportamentos.

Envolvimento do Ego

A maior área de pesquisa psicológica sobre via-

gens e turismo está relacionada com situações onde o Ego das pessoas está envolvido. Como foi dito antes, os turistas estão frequentemente envolvidos nas deci- sões que rodeiam as suas experiências de viagem. Graças às tecnologias de comunicação, a indústria encara os consumidores mais bem informados de sempre.

Quando nos informamos e participamos activa- mente neste tipo de decisões o nosso ego cresce, que- remos que a pessoa que nos oferece um produto saiba que estamos bem informados e que não comprare- mos algo que não gostamos.

Os operadores turísticos e agências de viagens estão profundamente conscientes do aumento do pla- neamento e das reservas através da Internet. Estas companhias oferecem os seus produtos pela Internet - geralmente a preços incríveis - dominam o merca- do, até raiar a ilegalidade.

Os consumidores estão interessados não só nos preços que pagam pelas viagens, mas também no que os outros pagam pelas deles, para poderem comparar os preços que obtiveram com o dos seus companhei- ros de viagem, sentindo-se orgulhosos se tiverem encontrado o melhor preço ou determinados para fazerem mais pesquisa e obter um preço melhor na sua próxima viagem.

É o ego que suscita este tipo de comportamentos.

A maioria dos consumidores não só consideram que estão bem informados, mas também acreditam que são espertos para isso. Isto é uma grande considera- ção psicológica ao trabalharmos com os consumido- res e ao vender-lhe os produtos. O seu Ego e crenças nos seus instintos e inteligência são muito importan- tes! Isto não deveria ser comprometido pelo trata- mento do profissional de viagens com consumidores informados.

Lealdade e compromisso

A relação dos consumidores no que respeita ao

mercado mudou imenso.

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A lealdade de preço, em muitos aspectos, está a substituir a lealdade de marca. Queremos cada vez mais que nos ofereçam um produto individualizado que se adapte às nossas necessidades. Também tem mudado a maneira como realizamos as transacções, cada vez mais controladas e adaptadas aos gostos e necessidades de cada pessoa. Tudo isto tem sido influenciado pelo montante de informação fornecido hoje em dia através da Internet.

Influência da família e amigos

Os operadores turísticos investem milhões para influenciar as decisões dos consumidores, tendo sem- pre em conta que os conselhos da família ou amigos são uma grande influência. Os consumidores con- fiam nas suas relações familiares e consequentemen- te, as suas sugestões são valiosas. Estão também conscientes da influência que as crianças têm nas

decisões de família, e por isso organizam viagens com

as crianças em mente.

Procura de novidades

Este aspecto do comportamento do consumidor é provavelmente o mais conhecido por parte dos profis- sionais. Como se sabe, a procura de novas experiên- cias é a principal motivação para viajar. Os investiga- dores afirmam que os turistas que viajam para luga- res onde nunca estiveram, empregam mais tempo e dinheiro nessas viagens do que aqueles que viajam para lugares que já conhecem.

Os “Baby Boomers” são hoje o mercado sénior e a nova geração já emergiu como um novo consumi-

dor: a maioria é bem viajada devido a muitos anos

de

férias familiares e actividades relacionadas com

o

trabalho que os levaram a muitos destinos.

Portanto, necessitam da motivação de experiências novas e únicas.

Considerações Finais

Entender o comportamento dos consumidores é um dos principais trabalhos para todos os vendedo- res. Para vender um produto, deve-se entender o seu consumidor e o que o motiva.

Existem muitos factores que afectam a decisão dos consumidores. Os profissionais do sector devem centrar-se exclusivamente em questões relacionadas

com o ego e também nas influências de amigos, fami- liares e colegas de trabalho.

UNIDADE 2.

A mensagem interpretativa

1.1. Características da mensagem

Na interpretação, a comunicação entre o intér- prete e a sua audiência é a base para passar a mensa- gem aos visitantes. Porque é complexa, a comunica- ção é difícil de definir. A palavra “comunicação” é abs- tracta e, como todas as palavras, possuem múltiplos significados. O termo “comunicação” pode ser utili- zado correctamente de várias maneiras.

pode ser utili- zado correctamente de várias maneiras. Fonte: Irma A comunicação não é uma simples

Fonte: Irma

A comunicação não é uma simples transmissão da informação. É um processo difícil cujo objectivo é uma mudança real e substancial nas atitudes, opiniões e actos do receptor. É necessário conhecer o público receptor e a situação comunicativa, assim como ter boas estratégias comunicativas para transmitir e avaliar a mensagem e se for necessário modificá-las e corrigi-las.

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boas estratégias comunicativas para transmitir e avaliar a mensagem e se for necessário modificá-las e corrigi-las.

Avaliação

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Avaliação PROGRAMA LEONARDO DA VINCI-PROJECTO IN NATURE Nas suas “Teorias da Comunicação Humana”, Stephen W.

Nas suas “Teorias da Comunicação Humana”, Stephen W. Littlejohn descreve alguns componentes conceptuais em comunicação:

Símbolos/Verbal/ Discurso “A comunicação é o intercâmbio de pen- samentos ou ideias” Compreensão “A
Símbolos/Verbal/
Discurso
“A comunicação é o intercâmbio de pen-
samentos ou ideias”
Compreensão
“A comunicação é o processo através do
qual compreendemos os outros e nos
fazemos compreender”
Redução da
incerteza
“A comunicação surge da necessidade de
reduzir a incerteza, para agir efectiva-
mente, para defender e reforçar o Ego”
Processo
“A comunicação é a transmissão de infor-
mação, ideia, emoção, aptidões, através
de símbolos, palavras, imagens, gráficos,
etc. É o acto ou processo de transmissão
a que geralmente chamamos de comuni-
cação”
Ligação
descontínua
“A comunicação é o processo que une
diferentes elementos do mundo entre si”
Semelhança
“A comunicação é o processo que faz
comum para dois ou mais o que foi o
monopólio de um ou alguns”
Canal/Portador
“Os meios de envio de mensagens tipo
militares, ordens, etc., meios como tele-
fone, telégrafo, rádio, correio”
Reprodução de
memórias
“A comunicação é o processo de dirigir a
atenção de outra pessoa com a intenção
de reproduzir memórias”
Resposta discri-
minativa
“A comunicação é a resposta discrimina-
tiva face a um comportamento que modi-
fica a resposta do organismo a um estí-
mulo”

Quando o intérprete se sente suficientemente forte sobre um tema para se levantar e falar em fren- te de outros, por vezes confunde intensidade com efi- ciência. Pode falar apaixonadamente sobre um tema em particular, mas por vezes falha em obter os resul- tados desejados - quer seja o ganho de informação, mudança de atitude ou acção.

Peritos recomendam o uso do esquema tradicio- nal que consiste numa introdução, corpo e conclusão para organizar a apresentação:

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APRESENTAÇÃO
APRESENTAÇÃO
Introdução

Introdução

Introdução Corpo
Introdução Corpo
Introdução Corpo

Corpo

Introdução Corpo
APRESENTAÇÃO Introdução Corpo Conclusão

Conclusão

Modelo da organização da apresentação

A introdução proporciona a oportunidade de esta-

belecer uma base comum, atrair a atenção do ouvin-

te e estabelecer a tese da apresentação relacionando-

a com a importância do tema.

O corpo da mensagem apresenta a informação e/ou argumentos indicados na introdução. Esta é a maior parte da apresentação.

A conclusão regularmente recebe mais atenção já

que os ouvintes percebem que está prestes a terminar

o acto comunicativo. A conclusão revê tudo o que foi dito na apresentação.

Em geral, existem quatro passos básicos de comunicação, como podemos ver na figura 2:

O INTÉRPRETE

O Quê?

Tema/História

Porque?

Serviços /Técnicas
Serviços
/Técnicas
O Quê? Tema/História Porque? Serviços /Técnicas Operações Implementação Visitantes O modelo do processo
O Quê? Tema/História Porque? Serviços /Técnicas Operações Implementação Visitantes O modelo do processo
O Quê? Tema/História Porque? Serviços /Técnicas Operações Implementação Visitantes O modelo do processo

Operações Implementação

Visitantes
Visitantes

O modelo do processo de interpretação da comunicação

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Existem várias componentes diferentes do mode- lo de comunicação interpretativa:

1. O quê - a mensagem que queremos transmitir (o que queremos comunicar?)

2. Devemos estabelecer quais os objectivos específi- cos que queremos alcançar, através da mensagem (técnicas interpretativas que podemos utilizar para apresentar a mensagem, serviços em que podemos usá-las - apresentações, exibições…)

3. Para comunicar a nossa mensagem ao visitante, então necessitamos de saber o mais possível sobre eles. Se avaliamos o programa, veremos se os nos- sos objectivos foram alcançados. Se não, necessi- tamos de rectificar e fazer alguns ajustes.

4. Implementação e considerações operacionais - custos, necessidades de pessoal, necessidade de material.

5. A caixa envolvendo o programa é cada programa individual apresentado ou planeado

Para uma comunicação eficiente, é muito impor- tante o que comunicamos. A maneira como organiza- mos, adaptamos e apresentamos, também é muito importante. É claro, não existe uma formulação abso- lutamente correcta, o que seria conveniente para todos. As mesmas formulações, as mesmas palavras podem ter sentidos diferentes para pessoas diferentes com diferentes aptidões e habilidades mentais e lin- guísticas. O intérprete deve dar-se conta que uma mensagem boa e forte tem influência na mente dos visitantes. Uma boa mensagem não deve conter mui- tos detalhes. Deve utilizar-se uma mensagem central, que pode ter um efeito positivo no entendimento dos visitantes. Se a informação for dispersa sem uma ideia central, poderá ser ignorada.

Sam Ham formula Cinco Características Básicas de uma boa mensagem:

• Consiste em frases pequenas, simples e completas

• Contém uma única ideia

• Revela o objectivo global da apresentação

• É específica

• É interessante e se possível motivadora

De acordo com John A. Vverka, a mensagem deve:

• Suscitar a atenção ou curiosidade do visitante. Se não se conseguir a atenção ou interesse, não se

poderá comunicar com eles.

• Estar relacionada com as suas vidas e experiências diárias. Devemos comunicar com eles através de exemplos com os quais estão familiarizados.

• Revelar a essência ou partes importantes da men- sagem em último lugar - queremos uma resposta tipo “wow”.

• Esforçar-se para atingir uma mensagem unitária - utilizar as cores certas, estilo, música, etc., para apoiar a apresentação total da mensagem.

• Endereçar o todo - ilustra como esta interpretação específica é parte de uma imagem maior, tal como “esta” casa histórica é um exemplo da vasta histó- ria da comunidade.

uma imagem maior, tal como “esta” casa histórica é um exemplo da vasta histó- ria da

Fonte: Adesper

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uma imagem maior, tal como “esta” casa histórica é um exemplo da vasta histó- ria da
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2.2. É necessário manter o nível de atenção

A comunicação efectiva entre o intérprete e a

audiência requer conhecer e respeitar as característi-

• Por último, o intérprete deve deixar os visitantes saber como eles beneficiarão da informação que ele forneceu.

cas da mesma. O intérprete deve conhecer um pouco de psicologia do visitante. Não queremos transmitir informação a mais e bombardear com ela o maior número de visitantes possível.

Devemos escolher o tema da mensagem e a forma que esta terá. A mensagem tem que captar a atenção

Aqui estão alguns passos em como fazer com que

Estes passos são somente um guia para fazer uma interpretação mais interessante para a audiência. De facto, o sucesso da interpretação depende da persona- lidade do intérprete. É muito importante utilizar as suas habilidades comunicativas e aptidões, assim como o seu talento.

do visitante para assim chegar ao seu psíquico. A

É

necessário preparar a nossa apresentação cuida-

nossa interpretação é bem sucedida quando os nossos visitantes recebem a mensagem, a entendem, a recor- dam e a usam de alguma forma.

a audiência preste atenção à interpretação:

dosamente. O intérprete poderá dar uma má imagem, mesmo com uma interpretação perfeitamente prepa- rada. Neste caso devemos falar do comportamento do intérprete e do seu carácter. A primeira impressão é importante. Quando o intérprete age apaticamente e lentamente, os visitantes não ficam com uma boa impressão sobre isso, mesmo quando a sua apresen-

O intérprete deve aperceber-se que a interpretação

tação é bem preparada. A interpretação não deve con-

é uma translação da linguagem técnica para a lin-

ter palavras vulgares. O intérprete não deve ofender

guagem dos visitantes. Interpretação não é o que dizemos, mas a maneira como dizemos. Falar a

ninguém.

 

A

apresentação deve ser legível e clara. O intér-

 

linguagem dos visitantes é uma boa maneira de despertar o seu interesse. Existem muitos tipos de

visitantes - crianças, visitantes das cidades, visi- tantes de áreas rurais, peritos, amadores ou sim- plesmente turistas normais. No entanto o intér- prete deve adaptar a sua linguagem para a lingua- gem do visitante - significa, para a linguagem das crianças, pessoas da cidade e do campo…

prete deve ter em conta o tom apropriado da sua apresentação. Não deve falar muito rápido. A apresen- tação do intérprete deve ser acessível e clara para todos os visitantes, de maneira a que eles a enten- dam. Finalmente, o intérprete deve adaptar a sua apresentação às condições que podem ocorrer, por exemplo o cansaço dos visitantes, o tempo ou a hora.

O

intérprete deve tentar provocar a curiosidade e

imaginação do visitante para que a actividade seja eficaz.

a

2.3. Interpretação temática

É

importante transportar a mensagem para a vida

Interpretação temática é quando a informação

quotidiana dos visitantes. Irá atrair a atenção dos visitantes e irá dar-lhes uma razão para continuar

apresentada está toda relacionada com uma ideia chave e dá uma mensagem central. Este tipo de apre-

a

ler, tocar ou observar a exibição.

sentação é fácil de seguir e as pessoas acham-na mais

Para que a apresentação seja um êxito é necessá- rio potenciá-la. O intérprete deve utilizar todas as

O intérprete deverá fazer-se algumas perguntas

significativa do que apresentações não temáticas.